Escrita por Mih
Betada por Mel


A Cartomante - Thriller

Cartomante: adj e s m+f (carto+gr mántis) Diz- se da, ou a pessoa que pratica a cartomancia.
Cartomancia: sf (carto+mancia) Arte de deitar cartas para pretensa adivinhação do futuro.
Destino: 1 Encadeamento de fatos supostamente fatais; fatalidade. 2 Circunstância de ser favorável ou adversa às pessoas ou coisas esta suposta maneira de ocorrerem os fatos. 3 Fado, sorte. 4 Objetivo, fim para que se reserva ou destina alguma coisa. 5 Lugar a que se dirige ou para onde é expedida alguma pessoa ou coisa. 6 Entidade misteriosa que determina as vicissitudes da vida.


Prólogo

Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia. Acho que foi Shakespeare quem disse isso, e dude ele estava completamente certo. Eu nunca acreditei em destino, Deuses, anjos, imagens, amor, enfim, em nada do que eu não pudesse ver. Eu acreditava no dinheiro e no poder que ele me proporcionava, entretanto tudo muda.
Todo mundo me conhece e sabe que eu sou o garoto, mais bonito e conhecido de Londres, eu mando e desmando naquela cidade. Meu nome? , 18 anos, herdeiro do banqueiro mais famoso da cidade, Michael . Só namoro as meninas de elite, freqüento os melhores pontos da cidade, tenho carros para escolher e garotas de bandeja. Meu lema? Não há nada que eu não queira que não possa ter. Eu não me importo com nada e ninguém e acho que está pra nascer quem irá mudar meu conceito, ou não.


One
The cards never lie

Copacabana – RJ – Brasil – 12h00min AM

O que eu poderia querer mais da vida? Eu estava no Rio de Janeiro em pleno Réveillon, vendo garotas gostosas vestindo roupas mínimas (Não que eu não visse garotas com pouca roupa com muita freqüência. Eu tenho quem eu quero em Londres, mas é sempre bom pegar garotas de outras nacionalidades), numa praia muito foda com meus dois melhores amigos e com uma brasileira maravilhosa ao meu lado. A vida me ama e eu amo ela. É por isso que ser rico é tão bom. Com o dinheiro você compra tudo. Foda-se aquele que disse que dinheiro não compra a felicidade. Que Mané.
- Vem, vamos para a praia as pessoas oferecem oferendas à Iemanjá, é legal. – Vanessa disse animada e me puxou pelo braço, no meio daquela multidão de pessoas vestidas de branco na praia de Copacabana.
- Dude, o que é Iemanjá? Eu não faço idéia do que isso seja. – Uni as sobrancelhas em confusão e disse meio mole, depois que virei na boca a garrafa de espumante que me passou.
- Awn, é mesmo esqueci que você é de Londres e não deve saber o que é isso. – Ela deu um sorrisinho abafado e me deu um beijo rápido. Garota gostosa. – Ela é a rainha dos mares, as pessoas gostam de agradá-la no ano novo.
- Ok. – Eu realmente não estava dando a mínima pra aquilo de tal deusa dos mares, e então segui a Vanessa no meio daquele mar de gente.
- Dude, eu quero um banho de piscina, quando a gente voltar pro hotel. – disse mole e tão tonto quanto eu estava. – Esse lugar é quente pra caralho. – Ele gargalhou e saiu de mão dada com uma garota morena, a qual ele não desgrudou a noite inteira.
- Deixa de ser mané ! Essa hora é proibido entrar na piscina. – alertou também sendo puxado por uma garota que eu não sabia o nome.
- A gente paga, então fazemos as regras cara. – Gargalhei e fiz um high Five com , fez uma cara de “Que seja”.
Passei esbarrando em diversas pessoas até chegar à praia, e olha que o Copacabana Palace fica bem de frente com a praia e pra chegar lá a situação estava critica. Só então fui perceber que eu não segurava mais a mão de Vanessa, fodeu! Eu tinha me perdido dela, mas não fiquei sozinho por muito tempo. Senti uma mão macia segurar a minha e quando olhei dei de cara com uma loira muito gata, olhos azuis, cabelos lisos, corpo perfeito e tudo muito típico. Ela sorriu insinuante e eu devolvi o sorriso na mesma altura. Não iria perder aquela oportunidade. Obvio.
- Oi.
- Oi. – Respondi em português. Era uma das poucas palavras que eu sabia falar. Droga! Eu bem que poderia ter aprendido a falar obscenidades. – Eu não falo português então...
- Ah, que graçinha você é inglês. – Ela gargalhou, ainda segurando minha mão e eu estava mais que contente que aquela perfeição podia falar a mesma língua que eu. Medi seu corpo dos pés a cabeça e sorri malicioso. – Amo sotaque inglês, eu tenho um orgasmo só de ouvir. – Hum... Além de bonita era safada. Eu amo o Brasil.
- Eu prefiro te fazer sentir um orgasmo, usando outras artimanhas do que com a minha voz. – Falei sedutor e ela mordeu os lábios. – Quer experimentar?
- É claro. – Respondeu direta e eu logo puxei seu corpo mais próximo ao meu. Deixando os dois colados, é eu sou ligeiro. - Mas, antes da diversão começar, eu quero muito falar com aquela cartomante. – Ela grudou nossos lábios e soltou rapidamente. What the hell?! Uma que ver a tal de princesa do mar, agora essa quer se consultar com cartomante, Quando vai começar a diversão aqui?
- Eu prefiro ir pro hotel – Apontei para o mesmo, e a garota olhou para a mesma direção, depois me olhou boquiaberta. – e começar a nossa festa particular do que falar com a cigana, ou algo do tipo. –Disse indiferente e voltei a beijá-la.
- Você é direto, e eu adoro isso, mas eu prometo que será rápido ok? –Rolei os olhos e soltei o ar impaciente.
- Que seja...
- Luana. Me chamo Luana.
- Isso Luana, nome bonito. – Ela sorriu de canto, enquanto eu colocava atrás de sua orelha, alguns fios de cabelos insistentes que caiam sobre o seu rosto. –Eu me chamo .
- , nome bonito. – Ela repetiu o que eu disse e deu de ombros me guiando até a tal cartomante.

A mulher estava toda vestida de branco, com brincos enormes e maquiagem pesada, estilo aquelas cartomantes que todo mundo vê nos filmes. Ela embaralhava suas cartas em cima de uma mesinha de madeira e dividia o baralho em três montes. Que tédio! Eu que nunca acreditei nesse tipo de coisa. O que um monte de cartas com desenhos estúpidos poderiam revelar sobre o meu futuro? Pode deixar que eu mesmo respondo: NADA. Mas garotas são tão idiotas e desesperadas, elas acreditam em qualquer truque barato e em qualquer pessoa que diga: Você vai encontrar o GRANDE amor da sua vida e ter muito dinheiro. Clichê. E essa tal de Luana é só mais uma idiota desesperada para ouvir esse monte de besteira. Senta lá Luana e espera porque em pé você vai cansar. Luana falou com a mulher e eu não entendi uma palavra sequer, e eu nem me importava de não saber falar português nesse momento. Não era preciso, pois de fato ela estava falando às mesmas porcarias que eu já sei. Ela embaralhou, desembaralhou aquelas cartas e por fim as separou em três montes. Notei que Luana virou algumas cartas e a mulher lhe disse algumas coisas e Luana ficou contente e pagou a mulher. Burra! Quando começo a me alegrar, achando que minha festinha particular iria começar, eu vi a mulher dizer algo que não compreendi (como sempre), e o jeito que ela me olhou arrepiou os pelos do meu braço. Era um olhar firme, sério e penetrante. Aquela porra foi estranha e eu queria dar o fora dali. Puxei Luana, porém ela recuou e eu olhei confuso.

- Ela quer falar com você, .
- Mas, eu não entendo nada e não estou interessado. Pode falar isso pra ela. – Sorri sem humor e queria dar o fora daquele lugar rapidamente. Luana falou com a mulher, e agora senti seu olhar pesar sobre mim. WTF! Será que aquela mulher não iria me deixar em paz? Olhar pra ela me dava uma sensação estranha. Era como se eu sentisse calafrios.
- Ela disse que as cartas têm uma mensagem pra você. – Ela disse cautelosa. – Ouça o que ela tem pra dizer, mesmo que você não acredite ok?
- Ta bom. – Falei derrotado. A cartomante me olhou de esguelha e começou a embaralhar as cartas, dividiu- as em três montes e virou três delas para cima. O mesmo processo que ela tinha feito com Luana minutos atrás. Analisou-as com cuidado e ela parecia muito séria. Olhou-me firme mais uma vez e começou a falar ao mesmo tempo em que Luana traduzia para mim.
- Ela disse que vê muitas mudanças. Você vai precisar perder para poder achar. Ela precisa da sua ajuda, assim como você precisa da dela. – Aquelas foram às palavras mais sem sentido que eu já ouvi em toda a minha vida. E mesmo que eu não acreditasse nelas, elas estranhamente me afetaram. Olhei incrédulo para a cartomante e depois para Luana.
- Pff... Eu realmente não acredito nisso, mas diga à ela que eu agradeço. – Embora eu estivesse nervoso com aquelas palavras, forcei um sorriso. Tirei duas notas de cinqüenta libras da carteira e joguei em cima da mesa. Luana arregalou os olhos quando viu a quantidade de dinheiro que eu dei pra cartomante. Money´s Power. Ta vendo? É nisso que eu acredito. – Vamos sair daqui.
- Ok. – Entrelacei nossos dedos e antes de sair, olhei para a cartomante e senti um frio no estomago, quando ela disse em inglês:
- The cards never lies.
Aquilo foi tudo muito esquisito, porém não iria deixar me abalar com as palavras de uma estranha. Segui para o meu quarto de hotel com Luana e meus amigos já estavam lá esperando por mim. Fizemos a maior zona e não nos importamos nenhum pouco. Era o primeiro dia do ano, e ele merece ser comemorado em grande estilo. Eu poderia estar bêbado, chapado e confundindo muitas coisas, no entanto as palavras dela não saíam da minha cabeça: The cards never lies.


Two
Troubles

Fazia exatamente uma semana que eu tinha chegado das minhas férias no Brasil, e man... Elas foram épicas. Daqui uma semana minhas aulas começariam, eu até que sentia falta das minhas armações e dos meus amigos no colégio. O começo do ano é sempre bom, duas palavras: Calouras Gostosas. E esse ano não seria diferente, muita mina hot entraria na escola e eu, e Harry iríamos causar, como de costume. Em falar em e Harry, os dois estavam aqui em casa passando o tempo. Nós estávamos jogando um pouco de Wii e fumando um baseado. Michael não podia nem cogitar que eu estava fumando erva com meus amigos, no meu quarto. Se não ele iria me dar bem mais que um castigo, então eu tinha que ser muito cauteloso quanto á isso. Meu pai é um babaca, e sim! Nós não nos damos bem e eu não quero nenhum tipo afinidade com ele. Michael é somente o homem que me sustenta e que prefere me dar dinheiro a lidar comigo... Nada mais.
- Ultima partida de tênis ok? – Harry disse injuriado. e eu gargalhamos o era uma droga no tênis.
- Man você é muito ruim nesse jogo. – Dei um trago no meu baseado e em seguida passei pro .
- Dude, a gente precisa esconder essa maconha, antes que seu pai chegue. – Ele disse preocupado, depois de tragar.
- Relaxa cara, meu pai nem entra no meu quarto. – Disse indiferente. – Toma essa Harry! – Zoei depois de fazer um ponto. Ele me olhou nervoso e só gargalhava.
- Ótario. – Harry xingou e eu passei meu baseado pra ele dar um pega.
- Se mata Harry! – brincou e bagunçou o cabelo dele. Todo mundo estava zoando, até eu ouvir duas batidas na porta do meu quarto.
Largamos os controles do vídeo game em cima da cama, apagou a baseado e escondeu-o embaixo da cama, enquanto Harry escancarava as janelas do meu quarto pra ocultar o cheiro da maconha.
- Quem é? – Perguntei antes de abrir a porta. e Harry fingiam que jogavam vídeo game.
- É a Norah, o Sr chegou e disse que quer falar com você. – Norah era a governanta da minha casa desde que eu me entendo por gente. Ela sempre foi legal comigo, às vezes eu a via como uma figura materna.
Abri a porta, não completamente, pois Norah era esperta demais pro meu gosto, vai que ela via algum vestígio de maconha no carpete de madeira do meu quarto, ai eu estaria completamente ferrado. Não que ela fosse me entregar para o Michael, mas de certo um sermão ela me passaria e dude eu odeio lições de moral de quem quer que seja.
- O que ele quer Norah? – Tirei só minha cabeça para fora do quarto e ela me olhava curiosa.
- Não sei querido, mas ele me parece sério. – Norah carregava uma expressão preocupada no rosto e eu definitivamente não estava com saco para os sermões do “Sr-vivo-de-aparências-”.
- Ok. – Rolei os olhos.
- E e , devem ir pra casa agora. – Ela disse num tom alto, para que meus amigos ouvissem. Olhei para trás e os caras já estavam de pé, eles sabiam que aquilo significava “A hora do esporro”.
- Vejo você amanhã cara? – Falou Harry e logo em seguida fizemos nosso toque.
- Até amanhã guys. – Respondi e cumprimentei .
- Falou man.
- Falou. – Norah acompanhou meus amigos até a porta, mas não antes de dar de ombros e me lançar um olhar de quem deseja boa sorte. Eu assenti e caminhei sem pressa até o escritório do Michael que ficava no primeiro andar de casa. Era sempre a mesma coisa: Ele me acusava de algo, a gente discutia, ele fazia pose do pai que se importa, eu ficava em silencio e logo ele me mandava sair do escritório dele. Aquilo não me assustava mais.
Abri a enorme porta de madeira e fechei-a sem fazer barulho. Michael estava atrás de sua mesa, em pé de costas para mim e parecia está com um papel nas mãos. Aproximei-me da mesa e fiquei em pé atrás da cadeira, ele pareceu não notar a minha presença (como sempre), pigarreie e então o velho acordou dos seus devaneios, virando-se para mim com uma cara muito séria.
- Você vê esse papel que eu seguro ? – Sua voz era tão dura quanto seus olhos. Eu balancei a cabeça positivamente.
- É a fatura do seu cartão de credito, é a terceira vez que você excede o limite do seu cartão em setenta e cinco mil libras! – Michael disse exasperado e eu me irritei.
- O que eu posso fazer se precisei gastar e você limitou todos meus cartões de crédito, huh? – Devolvi o mesmo tom.
- Você precisou para gastar com suas futilidades e com garotas idiotas como sempre! Eu trabalho duro pra você jogar meu dinheiro fora?! – Ele bateu as mãos em cima da mesa, confesso que me assustei um pouco. Eu nunca tinha visto Michael tão alterado.
- Eu já disse que precisei cara!
- Não use esse tom comigo! Eu não sou um de seus amigos ! – Ele levou as mãos nervosas até os cabelos, pegou uma revista que estava em cima de sua mesa e leu. – o herdeiro problema do banco Royal de Londres, passou suas férias no Rio de Janeiro, Brasil, onde se meteu em muitas confusões no hotel mais luxuoso da cidade: Copacabana Palace. – Ele pasou respirando fundou, então continuou – Segundo fontes, ele e seus amigos deram festas badaladas em sua cobertura e desrespeitaram muitas regras do hotel. Acho que o papai dele não ficará feliz com as atitudes desrespeitosas do filho. – Gelei! Puta que pariu, eu não fazia idéia de que minhas festas virariam noticias. Paparazzi filhos das putas!
- Isso não é bem verdade, e você já viu os tablóides ingleses falarem coisas piores sobre mim. – Me defendi.
- Você tem razão, eu já vi isso muitas vezes e é por isso que eu cheguei ao meu limite. – Ele deu a volta na mesa e parou ao lado dela com as mãos nos bolsos. – Eu já cansei de lhe dar milhares de chances e você simplesmente não levá-las a sério, por isso decidi que esse ano você não mora mais em Londres.
O QUE? Aquilo só poderia ser brincadeira. Meu sangue ferveu numa velocidade tremenda e até a briza da maconha tinha passado.
- Como assim, eu não vou mais morar em Londres? Ficou maluco? – Girei o dedo perto da cabeça, fazendo o sinal de maluco.
- Isso mesmo que você ouviu. – Disse firme. – Eu não queria ter que fazer isso, mas eu já esgotei meu estoque de paciência com você. Vou tirar tudo o que você gosta, até aprender a dar valor às coisas que realmente tem. Isso inclui cartões de créditos, seus seis carros e Londres. – Ele listou nos dedos. – Eu já providenciei um apartamento pra você em Southend, Essex e já te mudei de escola, aliás, você vai estudar na melhor escola, pois não abro mão de uma boa educação. Londres e suas companhias só te fazem mal, quem sabe em lugar diferente e com pessoas novas, você não amadureça e aprenda a dar valor no que tem.
Minha vontade era de estrangular aquele cara. Como assim ele tira tudo o que me faz bem e me manda pra um fim de mundo, cheio de caipiras?
- Você não pode fazer isso Michael! Essa casa não é só sua, era dela também, você não pode me tirar isso! – Disse nervoso andando de um lado para o outro. A raiva me consumia.
- Eu nunca disse que essa casa não era sua. – Vi sua expressão se tornar amarga, era só eu citar a minha mãe mesmo que indiretamente e Michael se sentia mal. – Você vai voltar pra cá um dia, só vai depender de você.
- O único jeito que você sabe resolver os problemas é se livrando deles, não é? – Sorri amargo. – Quer saber? Que se foda! Pode me mandar pra Essex, Antártica e pro raio que o parta! Eu nunca vou mudar em nada, pois esse sou eu Michael ! Tenha uma boa vida. – Dei de ombros.
- , volte aqui! Eu ainda não terminei de falar. – Deixei Michael falando sozinho e bati a porta com tudo quando sai do escritório.
Cheguei no meu quarto fodido de raiva. Dei um soco no meu espelho, que se partiu em mil pedaços. Nem senti dor, a raiva que eu sentia era dez vezes mais forte. Vi o sangue descer e não me importei. Andei em direção a minha estante que estava cheia de troféus meus e joguei todos ao chão, só parei quando vi a foto dela em um porta-retrato. Mamãe e eu estávamos no jardim da nossa casa, sentados no banco, um de frente para o outro. Eu devia ter uns cinco anos naquela época. Eu entregava uma rosa para ela e a mesma sorria para mim tão ternamente. Mamãe tinha um belo sorriso. Segurei aquela foto e senti uma lágrima querer rolar, mas eu tinha prometido que não choraria nunca mais. Cai de costas na minha cama, ainda com o porta retrato em mãos. Eu sentia tanta falta dela e isso não poderia negar, se ela estivesse aqui, talvez eu até fosse uma pessoa diferente, mas nada é como queremos. Eu odiava o Michael, ele sim quem deveria ter partido e não ela. Se ele pensa que me mudar de cidade vai fazer alguma diferença, aí que ele se engana. Você nunca muda seu verdadeiro eu. Eu vou continuar sendo o mesmo garoto calculista e egocêntrico de sempre, a única diferença é que vou estar em Southend. E Michael, não perde por esperar.


Three
The girl from the next door

Olhei uma última vez o meu quarto antes de fechar a porta. É eu sentiria falta dali. Desci mais que depressa aquela escada enorme que levava até o primeiro andar da minha casa, agora eu tinha necessidade de sumir sem ver a cara de Michael.
Encontrei Norah na sala de visitas e ela me olhava entristecida, pude perceber que ela segurava ao máximo as lágrimas. Eu não sou muito fã de abraçar as pessoas e nem de demonstrar afeto, mas Norah era especial, acho que a única pessoa naquela casa que realmente se importava comigo. Eu sentiria falta dela. Andei calmamente até ela, com um sorrisinho de canto, Norah devolveu o sorriso já com os braços abertos pronta para me abraçar.
- Se cuide . – A voz dela saiu fraca. – E não odeie seu pai, ele só quer seu bem. – Desfiz o abraço.
- Piada uma hora dessas Norah? – Ironizei e ela rolou os olhos. – Pode deixar que vou me cuidar. Até mais.
Norah me acompanhou até a entrada da casa, e realmente fiquei puto com o que vi. Havia duas Blazers pretas e quatro homens “armários” vestindo um terno preto. Ótimo! Michael tinha contratado seguranças para me escoltar até Southend. Que idiota. Andei calmamente, com as mãos dentro dos bolsos, até ele que conversava com um dos seguranças.
- Você é mesmo surpreendente, huh? – Dei um sorriso cínico. – Não precisava contratar O MIB Homens de Preto. - Apontei para os seguranças que me olhavam sérios. – Eu não vou fugir, se eu quisesse tinha feito isso ontem.
- Posso falar com você um instante, ? – Ele disse daquele jeito educado demais que me irritava e se afastou dos caras de terno.
- Que é?
- Eu apenas contratei esses homens para que eles te protejam ok? E você pode ir com a Ranger Rover para Southend, você precisará de um carro, enquanto estiver por lá. – Não pude reprimir outro sorriso cínico.
- O fato de você me deixar ir de carro pra aquele fim de mundo, não faz de você um pai melhor Michael. Agora você pode respirar “O Herdeiro Problema”, está caindo fora. – Antes mesmo que eu pudesse dar de ombros, ele me impediu segurando o meu braço.
- Não diga coisas, das quais você não sabe ! – Falou autoritário. – Se eu fosse mais duro com você, talvez você fosse uma pessoa melhor. Não me deixe pensar que você não tem mais salvação. – O olhar dele era duro, e eu realmente estava ficando estressado com aquela conversa. Ele deu de ombros e fez o caminho de volta para casa.
- Agora você está livre da sua decepção de filho! – Gritei bem alto para que ele pudesse ouvir e corri pro meu carro, então o ouvi gritar de volta:
- Você não é uma decepção, mas está se esforçando para isso!
Bati a porta do meu carro furioso, eu já estava cheio daquelas discussões sem fim, mas ele que me aguarde. Mesmo estando em outra cidade, eu ainda vou fazer da vida dele um inferno. Dei partida no carro, fiz a curva passando lentamente em frente ao jardim e meu coração apertou ao ver o banco dourado de ferro entre as flores. Aquele era o lugar favorito da minha mãe; eu gostava de olhar pra lá, era como se eu pudesse vê-la parada ali com seu sorriso doce... Sentiria falta daquele jardim. Acordei dos meus pensamentos e encarei a janela de casa que dava de frente para o jardim, vi Michael me olhando de lá, fitei seus olhos azuis rapidamente e afundei o pé no acelerador, desaparecendo pelas ruas de Westminster. Ah! Já ia me esquecendo: Os homens de preto vinham atrás de mim. Jackass!

***

Ontem à noite conversei com e , contei sobre a minha ida para Essex. Achei que era só eu que estava fodido, porém os guys também se encrencaram com seus pais, tudo por causa daquele tablóide maldito sobre as nossas “aventuras no Brasil”. O pai de cortou a mesada dele, também tirou seus carros e deixou-o de castigo por um mês. Os pais de também cortaram a mesada dele, o deixou de castigo e ameaçou mandá-lo para um colégio interno na Suíça, mas só eu que realmente fui o mais afetado. Meu pai me ama tanto que me mudou de cidade. Os guys ficaram tensos com a minha mudança, e prometeram me ajudar a voltar para Londres e no meio de tanta conversa, eu até achei uma solução pra ganhar um dinheiro extra em Southend. Quem pensou que eu iria dizer que, vou arrumar um trabalho está totalmente enganado. Eu lá quero saber de trabalhar! Na verdade, eu quero descobrir quem foi que inventou o trabalho pra eu matar o desgraçado. Pra que trabalhar quando se é rico, me diz? Eu iria arrumar um colega de quarto pra dividir o apartamento. Pode falar, eu sou um gênio ok? Vou arrumar um trouxa pra morar comigo e cobrar três mil libras de aluguel, não é muito, mas já é alguma coisa. Michael subestima minha inteligência. Ele achou mesmo que eu ficaria duro e não daria um jeito na situação. Até parece que não conhece o filho que tem.
Cheguei em Southend, e até que aquela cidade não era tão ridícula como eu pensava... Pelo menos tinha praia. Passei devagar por ali e obvio que não tinha ninguém lá, estamos no inverno, mas mesmo assim fiquei feliz de ver o mar. Ouvi o GPS indicar que eu deveria virar à esquerda, andar cinco metros e finalmente chegaria ao meu destino. Vocês não imaginam minha felicidade, é. Havia muitas casas bonitas na minha rua, não sei por que, mas um sobradinho amarelo do lado esquerdo chamou minha atenção. Vi uma mulher retirando a placa de vende-se da grama. Acho que terei novos vizinhos. Parei na frente de um prédio de dez andares, daqueles que possuem tijolinhos vermelhos, até que não era nada mal. Se o endereço que Michael me deu não está errado, era ali que eu iria morar. Edifício Loyal Garden, nome sugestivo. Antes de descer, olhei pelo retrovisor e um dos MIB Homens de Preto, tinha descido do carro e estava vindo falar comigo. Que bom!
- Podemos levar suas malas, Senhor ? – O cara perguntou com uma voz muito grossa.
- Sim. – Ele assentiu e deu de ombros.
Desci e fui em direção a portaria, apertei o interfone e logo ouvi o clack do portão, o que significava que estava aberto. O porteiro magrelo e com um sorriso de orelha a orelha me olhava simpático.
- Hey, eu sou o novo morador do nono andar, . Eu dou permissão para os quatro gorilas, - Falei baixinho apontando para os seguranças que estavam entrando na portaria e o porteiro deu uma risada estranha. – subirem, ok?
- Tudo bem senhor , seja bem vindo.
- Valeu. – Dei de ombros e fiz sinal para os gorilas, digo seguranças, para que eles pudessem subir com as minhas malas, enquanto eu guardava meu carro no estacionamento.
***

Já instalado no meu apê, me joguei no sofá de couro e encarava as paredes da sala pintadas de cinza. Não era o que poderia se chamar de um apartamento luxuoso, contudo era agradável. Claro que Michael não me deixaria morar em um lugar melhor, pois ele estava me castigando. E eu estava tão preocupado com aquilo que não iria nem dormir a noite. Até parece! Ainda jogado no sofá, cheguei à conclusão de que meu novo lar era perfeito pra eu dar muitas festas, já que a sala e a cozinha eram juntas, só o que separava os dois cômodos era um balcão americano que havia na cozinha. Gostei do meu humilde lar. Mas para dar festas, é necessário dinheiro, o que me lembrou que eu estou duro e sem mesada, então me lembrei do meu plano infalível e fui até meu quarto pegar meu note book. Fiz um anúncio no Word e agora só faltava eu imprimir e espalhar pela cidade.

“Procura-se um colega de quarto para dividir um apartamento. Os interessados devem entrar em contanto com esse número: 334-9809.”

Ótimo. Imprimi alguns cartazes e sai à noite colocando eles nos pontos mais legais de Southend. Muitas garotas me olhavam e pediram meu telefone e claro que eu não sou bobo e nem nada e passei para elas, no entanto eu não estava a fim de paquerar essa noite, eu tinha que por meu plano em prática e depois me divertiria.

***

Nem consegui dormir direito, devido às inúmeras chamadas no meu celular, dos meus futuros room mates e da Sharon que diz ser minha namorada. Ela estava toda triste com a minha mudança e tal, e eu só estava triste de não poder mais pega-la de jeito, man aquela garota sabia fazer as coisas direito, se é que você me entende, felizmente há muitos peixes no mar e eu adoro uma “pescaria”.
Tomei um banho e logo em seguida fui tomar o café da manhã, pois daqui a pouco meus candidatos a room mate chegariam para uma entrevista rápida. Joguei-me no sofá enquanto comia meu cereal direto da caixa e assistia o desenho do X-Man Evolution e então a campanhia tocou. Lá vamos nós, a entrevista começa em: 5, 4, 3, 2 e 1.
Abri a porta e um chinês nerd, com o cabelo divido ao meio, usando uma blusa xadrez e uma calça na boca do estomago me lançou um sorriso metálico, por causa de seu aparelho. Rolei os olhos e fiz sinal com as mãos pra que ele entrasse. Sentei-me no braço do sofá e ele no sofá de dois lugares que ficava de frente para mim.
- Uau! Esse lugar é fantástico. – Disse admirado, fitando a casa toda.
- Eu sei. Qual seu hobbie favorito Samsung? – Virei à caixa de cereal na boca.
- É Satuzuki. – Corrigiu.
- Que seja.
- Jogar xadrez.
- Que pena, mas você não pode morar comigo. – Fingi uma cara de decepção e acompanhei o Shiatizu, Shumatto até a porta. Qual é o nome dele mesmo? WHO CARES?
E a entrevista continuava e com elas mais gente idiota chegava.
- Bonito seu apê. – O gorducho ruivo disse.
- Eu sei.
- Sabe eu adoro cereal, você poderia me dar um pouco do seu?
- Não.
- E um sanduba? Posso fazer na sua cozinha?
- Dude, por acaso ta escrito lanchonete na minha testa? – Ele fez sinal negativo com a cabeça.
- Então dá o fora.
Só o que me faltava, alimentar marmanjo. Eu já estava ficando entediado com as pessoas estúpidas que apareciam na minha casa.
- Então mano, eu vi que seu apê é grande ta ligado? – Assenti. – Tem lugar suficiente pra mim guardar minhas armas e minhas drogas. Aí final de semana pode ser que meus camaradas venham aqui buscar as drogas. – Um projeto de traficante metido a 50 Cent, dizia jogado no meu sofá. Fiquei impressionado com as correntes enormes de cifrão que ele usava no pescoço. Cara como o pescoço dele agüentava sustentar aquelas coisas?
- Brow, eu até curto uma maconha, mas não quero fazer uma boca de fumo no meu apartamento.
- Se mudar de idéia, é nóis que ta meu irmão. – Ele fez sinal da paz e foi embora.
Depois do futuro 50 cent, apareceu cada figura no meu apê, incluindo: Um gay que insistia em morar comigo, um psicopata que dizia ver gente morta e um mexicano estranho que não falava uma palavra se quer em inglês, ai fica difícil. Realmente aquela idéia de conseguir um room mate, parecia bem mais fácil na teoria do que na prática. Eu já estava desistindo dessa idéia idiota, porém minha campanhia tocou mais uma vez, me provando que sempre há uma luz no final do túnel. O cara que estava sentado no meu sofá, era presença e tinha um estilo parecido com o meu. Acho que esse pode ser o meu room mate.
- Por que você quer se mudar...
- .
- Então, por que você quer se mudar ? – Indaguei.
- Meus pais estão se mudando para Liverpool e eu quero terminar o terceiro ano aqui, e eu só tinha três escolhas: Esperar que um apartamento legal caísse do céu pra eu alugar, já que os mais maneiros estão locados, morar na casa da minha namorada ou tentar a sorte com seu anúncio. Das três opções a última é válida, já que nenhum apartamento vai cair do céu e de jeito nenhum eu vou morar com a minha namorada e os pais dela. – Eu gargalhei, esse é foda.
- Eu entendo man. Antes de dar minha resposta, topa um quiz? – Eu já tinha minha resposta só queria fazer um suspense.
- Manda ver.
- Uma banda muito foda?
- Blink 182.
- Dude é minha banda favorita. – Disse contente. e eu fizemos um hive Five.
- Toca algum instrumento?
- . – Awesome, eu toco .
- Filme favorito?
- De volta para o futuro. – Cada vez eu ficava mais impressionado com esse cara, ele tinha tudo a ver comigo. Eu sei que isso foi meu gay certo? Mas, vocês entenderam o que eu quis dizer.
- E por último, Beatles é...
- A melhor banda de todos os tempos dude. – Conclui animado, e eu me levantei do sofá.
- , você é oficialmente o meu room mate, seja bem vindo ao seu mais novo lar. – Ele levantou contente e me deu a mão, simbolizando que tínhamos fechado um acordo.
- Valeu man, valeu mesmo. Posso trazer minhas coisas, hoje? Pois meus pais vão pegar o vôo daqui a pouco.
- É claro que pode cara, se quiser te ajudo. – Desde quando é prestativo? Err, também não sei, mas eu tinha realmente ido com a cara do . De algum modo, ele me lembrava o e o .
- Demorou.
***

Ir à casa do foi divertido. Ele morava numa casona enorme, não tão grande quanto a minha casa em Londres, mas era espaçosa e muito bonita. O Senhor e a senhora me fizeram almoçar com eles, e a senhora estava convencida de que me conhecia de algum lugar. Na hora estremeci, de fato, ela deveria muitas vezes ter visto meu rostinho lindo nos tablóides, mas eu sempre disfarçava e pra mudar de assunto dizia que a comida estava ótima. e eu acompanhamos seus pais e sua irmãzinha até o aeroporto de Southend e ver o quão unida a família do era, me deu um pouco de inveja. Em pensar que minha família já foi um dia daquele jeito... Trouxe-me boas lembranças, pena que essas lembranças não podem ser repetidas.
Chegamos em casa, e eu ajudava organizar as coisas em seu quarto. Eu nunca fui organizado, porém sempre tive quem organizasse as coisas para mim, agora que moro sozinho não tenho mais essa mamata. Assim que terminamos de colocar tudo em seu devido lugar, pedimos uma pizza e ficamos na sala vendo TV.
- Nossa, esqueci de levar meu telescópio para o meu quarto. – disse assim que foi na cozinha buscar mais coca. O telescópio estava perto da janela da cozinha, ele parou e começou a mexer no objeto.
- Eu tinha um quando era pequeno, mas joguei da janela do meu quarto e meus pais não quiseram me dar outro. – Ri ao me lembrar e fui até que parecia procurar por alguma estrela perdida no céu nublado.
- Dude qual criança, joga um telescópio pela janela? – Ele gargalhou e pausou. – Hey , acho que temos uma vizinha nova e man ela está só de sutiã no quarto.
- Vizinha nova? Só de sutiã? – Falei acelerado. – Sai daí mate, eu quero ver também. Empurrei para o lado e me apossei do telescópio. Lembra daquele sobrado amarelo que eu tanto gostei? Pois é, como eu disse alguma família o tinha comprado, mas o estranho era que no andar de baixo as luzes estavam todas apagadas e não havia nenhuma movimentação por lá.
Apenas a luz do quarto da menina estava acessa. Ela estava com uma calça de moletom preta e sem blusa. Ela tinha o corpo perfeito e seu cabelo longo se espalhava pelas costas, pude ver que havia uma tatuagem na costela dela, mas não consegui identificar. A garota se agachou e quando se levantou novamente, estava com algo nas mãos e por fim se vestiu com uma regata branca. AH NÃO! Senti uma coisa estranha, meu coração acelerou, só não sei o motivo. Estava prestes a ver seu rosto, quando puxou com tudo o telescópio das minhas mãos.
- Morreu aí ? Eu também quero ver a vizinha gostosa. – Que vontade de socar a cara do .
- Porra ! Eu quase vi o rosto dela, mas você é muito empata do caralho, agora ela fechou a janela. – Disse para minha infelicidade.
- Relaxa cara, amanhã você vai ver bem mais que isso na escola. – Ele sorriu de canto e voltou para o sofá.
- É você tem razão. – Me animei com a idéia de ver as garotas na escola, mas ainda eu queria ter visto o rosto da minha nova vizinha.


Four
Who the hell are those girls?

Afrouxei o nó da minha gravata sem graça azul marinho e baguncei meu cabelo com os dedos, tentando quebrar aquele ar certinho que o uniforme da Elite School trazia. Hoje era meu primeiro dia de aula no colégio novo e de acordo com , bem tedioso. Bem, ele nem precisava me dizer isso, pois já era obvio, entretanto eu não ficaria ali por muito tempo, definitivamente eu daria um jeito de voltar para Londres... Ah, e como eu daria.
- , estamos atrasados, man! – gritou, acho eu que da sala.
Vesti o casaco porcaria com um brasão dourado no peito, peguei minha mochila e encontrei com duas cocas de latinha nas mãos, me esperando com a porta já aberta. Ele me jogou uma lata de refrigerante, antes de eu trancar a porta.
- Valeu, dude. – Agradeci. Ele assentiu e foi chamar o elevador.
- Então, o Herdeiro Problema está pronto para o primeiro dia de aula na Elite School? – gargalhou e eu realmente não fazia idéia de como ele sabia do meu apelido.
- To legal. – Encarei a porta do elevador se fechar. – Então quer dizer que você lê os tablóides, huh?
- Não entendi. – Ele uniu as sobrancelhas em sinal de confusão.
- Herdeiro Problema, é assim que os tablóides ingleses me chamam. – Rolei os olhos.
- Ah, sim. Não é que eu leia isso, é coisa de meninas. – Ele balançou a mão. – Mas as pessoas comentam, e talvez eu tenha visto a matéria que eles escrevam sobre os dez adolescentes mais polêmicos da Inglaterra, e você estava incluso. – A porta do elevador se abriu, indicando que nós tínhamos chegado ao subsolo, para ser exato na garagem. Nós saímos e eu parei ao lado da minha Range Rover e ao lado de seu Austin Martin.
- O Herdeiro Problema está sempre pronto, pra qualquer coisa, meu caro . – Sorri convencido. – Até daqui pouco, .
- Até. – Ele respondeu entrando em seu carro e eu no meu.
A escola não era tão longe de casa, acho que eram umas dez quadras para frente de onde eu e morávamos. Vi virar à direita e entrar no estacionamento de um prédio antigo, contudo conservado. Parecia um daqueles castelos antigos que tem por aqui na Europa. Tenho que confessar que o colégio não era tão mal assim. Notei que ao lado da vaga que estacionara estava vazia, e rapidamente estacionei ao lado. O local estava cheio de alunos idiotas e carros importados, mas o que realmente me chamou a atenção foram as saias curtas e rodadas do uniforme, de um grupo de meninas que estavam paradas em frente a um Porshe prata. Garotas gostosas? Checado. Sai do carro, apertei o botão do alarme para travar as portas e logo me juntei a que estava encostado no capô de seu carro.
- O que achou do colégio? – disse fitando o nada.
- Não é tão ruim, como eu pensava. – Disse sincero. Percebi que todas as meninas que passavam na nossa frente cochichavam e sorriam para mim. Aquilo era normal, aonde quer que eu fosse, as meninas reagiam daquela forma.
- Dude, as meninas estão pirando por você está aqui. Logo menos, a Kylie Montgonory vem falar com você. Vai vendo. – Ele disse surpreso e apontou pra uma loirinha gata que estava parada em frente ao Porshe prata com seu bando de seguidoras. Típico. Aquela deveria ser a popular do colégio. Ela notou que eu a olhava e sorriu insinuante, sorri de volta e voltei a falar com .
- Ela é gostosa e claro que não vou dispensar. – gargalhou e fizemos um high Five.
- Estou atrapalhando alguma coisa, meninos? – Uma voz doce falou, acordando e eu de nossas brincadeiras. Olhei para frente e vi uma garota de cabelos castanhos com leves cachos nas pontas e com um sorriso simpático nos lábios. Ela era linda. Até pensei em jogar meu charme pra cima dela, mas meu plano falhou quando vi puxando a garota e depositando um selinho na boca dela. Merda!
- Hey, amor. – partiu o beijo. – Esse é meu colega de quarto , e essa é minha namorada Parker. – Ele nos apresentou.
- Hey. – Disse simpático.
- Olá, . – Ela retribuiu o sorriso e sentou-se ao lado de no capô do carro. – Vou tomar muito cuidado com meu namorado andando com você. Dizem que é o garanhão de Londres. – Nós gargalhamos.
- Nem tudo que as revistas dizem, podemos julgar verdades. – Falei sério e e me olharam incrédulos. – Mentira, talvez eu seja um garanhão e isso não vai afetar seu namorado . Eu prometo. – Dei dois tapinhas amigáveis nas costas de .
- Acho bom mesmo, se não eu corto o que ele tem no meio das pernas. – Ela fez bico e escondeu suas partes íntimas com as mãos. Eu ri.
- Amor, eu já disse que só tenho olhos pra você.
- Acho bom, . – disse convencida e selou os lábios nos de .
- Ok! –Levantei as mãos para cima, como se dissese ‘Chega’! - Esse amor matinal está me deixando enjoado, galera. – Zoei e eles se separaram.
- Foi mal, dude.
- Acostume-se, . – brincou e eu vi sua expressão brincalhona mudar para séria, quando o grupo das garotas de “saias curtas” se aproximava de nós. – E a vadia Montgonory ataca em: 5, 4, 3, 2, 1. – Ela fez a contagem regressiva nos dedos e eu sorri ao ver a tal Kylie se aproximar com suas discípulas.
- Olá, . – Kylie sorriu de canto e eu medi seu corpo de cima abaixo. Putz! Que garota gostosa é essa, dude?!
- Hey, acho que já sou bem conhecido por aqui. – Dei uma de bobo. – Você até sabe meu nome, sem ao menos eu me apresentar.
- Sim, você é. Eu só queria te dar as boas vindas e espero que a gente se esbarre por aí. – E mais um sorriso sexy.
- Eu digo o mesmo, gata. – Disse sedutor e iria engatar um xaveco barato na Kylie, mas estranhamente esqueci o que eu iria falar quando a vi saindo de um carro antigo, acho que era um Chevy Impala, não sou fã de carros antigos, mas aquele era clássico. A garota parecia concentrada olhando um papel que segurava, nem mesmo olhava para os lados e muito menos para as pessoas. Ri alto de alguma coisa idiota que Kylie disse e eu nem fazia idéia do que ela dizia, só fiz aquilo pra tentar chamar a atenção da tal garota e a mesma nem se abalou. Meus olhos continuaram vidrados observando-a desaparecer pelo estacionamento. nunca precisou chamar a atenção de ninguém. Que garota era aquela? Fiquei frustrado.
- Então te vejo por aí, .
- O..ok. – Titubeei confuso e Kylie deu de ombros, seguida por suas amigas.
- Nossa, , já gosto de você. – disse contente e eu não entendi o motivo. – Você deixou a anta Montgonory no vácuo, morri! – Ela gargalhou e deu um pulinho quando desceu do capô do carro.
- Deixei? – Interroguei confuso. Coloquei uma alça da mochila nas costas e desci do carro seguido por .
- Deixou, dude. Você estava vidrado na novata. – respondeu e saiu andando de mãos dadas com .
- Então quer dizer que a garota do Chevy Impala é novata também? – e balançaram as cabeças positivamente. – Bom saber. – Conclui.

***

Durante a primeira aula insuportável de Trigonometria, eu não parava de pensar na garota nova, eu estava inquieto. Tinha algo nela que me intrigava e não só o fato de ela não me dar bola, era mais que isso. Eu precisava tomar uma atitude.
Deu o sinal do intervalo e , e eu sentamos em cima da nossa mesa no refeitório. Passei os olhos pelo local esperando ver a novata por ali, e nem sinal dela. Invés dos olhos misteriosos, encontrei os olhos famintos de Kylie sobre mim, dei um sorriso sem ânimo e voltei a tomar minha coca-cola.
- Desencana man, a novata não está aqui. – Disse .
- E quem disse que eu estava procurando por ela?
- Seus olhos, . – disse divertida. – Já até gosto dessa garota, ela foi a única que não inflamou seu ego hoje.
- Você é má, . – gargalhou.
- Ela não teve a chance de me ver, . – Fingi indiferença. – E pode ter certeza de que quando isso acontecer, ela vai gamar em mim igual todas as outras. – Sorri ardiloso.
- Ela não é igual todas as descerebradas desse colégio , acredite, eu sou menina, percebo essas coisas. – disse convicta e não é que ela tinha razão? Aquela garota era diferente e eu adoro um desafio.
- Veremos, . – Desafiei e pulei da mesa, assim que o sinal tocou.
- Vamos, guys. – também deu um pulinho da mesa, seguido por e então saímos do refeitório.
- Tem aula de que agora, amor? – perguntou agarrado em , enquanto eu pegava meu livro de Física no meu armário. Eu nunca entendi nada sobre amor, mas e pareciam ser o casal perfeito e apaixonado que tem em todo seriado de TV.
- Literatura, em falar nisso não posso me atrasar a Senhorita Meester costuma ser bem pontual.
- Ok.
Saí andando, pois um dia com o casal “doçura” e eu já estava enjoado de tanto amor que transbordava daqueles dois. To mentindo, tem gente pior que eles, mas eu já estava cansado de tanto beijinho e frescurite aguda.
- Vamos cara, desgruda da . – Disse andando de costas com meu livro nas mãos, ao me virar para frente me choquei com uma pessoa, o que fez meu livro e os dela se espalharem pelo chão. No ato, me agachei e ajudei a menina juntar seus livros e cadernos. – Foi mal.
- Tudo bem. – Ouvi sua voz melodiosa dizer. Olhei para frente e vi que era a novata. Toquei sem querer suas mãos e senti uma estática passar pelas minhas veias. Aquilo foi incrível. Encarei seus olhos misteriosos até ela tirar a mão rapidamente da minha e se levantar apressada com suas coisas, rumando para a primeira sala à direita do corredor. Ainda atordoado, peguei meu livro de Física e me levantei do chão. Os olhos de e me fitavam curiosos.
- , você precisa descobrir quem é essa garota. – Indaguei energético. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo. As meninas que descobrem coisas ao meu respeito e não eu sobre elas.
- Considere-se sortudo , acabei de descobrir que a garota nova é da minha turma de Literatura. Vou descobrir o que eu puder. – sorriu ladina e entrou na mesma sala que a novata, não antes de mandar um beijo no ar para . Puxei pela gravata e fomos para a aula de Física.

’s pov on

Olá mamãe, papai e Eric
Faz dois dias que estou em Southend e continuo sentindo a falta de vocês. Hoje foi meu primeiro dia no colégio e até que foi suportável, pelo menos eu não tive que agüentar os olhares piedosos sobre mim. Até porque ninguém aqui sabe nada sobre o meu respeito.
O estranho é que eu trombei com um garoto no corredor, antes da aula de Literatura e ele me olhou de um jeito peculiar. Eu me senti estranha também, era como se eu o conhecesse de algum lugar, mas isso não é possível. Devo estar imaginando coisas. Ah! Quase me esqueço de contar, conheci uma menina legal na aula de Literatura... . Ela foi gentil comigo e não tentou me interrogar. Isso é bom.
E vocês como estão? Devem estar cuidando de muitas pessoas, como faziam aqui huh? Todos me dizem que essas pessoas precisam de vocês, mas eu seria egoísta se desejasse tê-los de volta? É que... Eu também preciso tanto de vocês, quanto as pessoas do céu precisam.
Preciso ir, acho que a Luna está com fome.
Saudades eternas... Amo vocês.

Guardei a carta dentro do pequeno baú de madeira colorido, que mamãe havia me dado no meu aniversário de sete anos. Mais uma carta se juntava ao meio das centenas que eu escrevia e guardava desde o dia em que eles se foram. Essa era a maneira que eu arrumei para me comunicar com eles.
Sentei-me no beiral da janela do meu quarto, enquanto fitava o céu cinzento. Eu me perguntava se meus pais e meu irmão podiam me ver de lá... Eu espero que sim. Eu me sentia tão vazia e machucada o tempo todo. É assim que a gente se sente quando perdemos todos aqueles que amamos. O vazio e a dor se fazem sempre presentes... É como se um buraco negro habitasse no seu peito. Um buraco enorme, vazio e doloroso.
Abracei meus joelhos, apoiando meu queixo sobre eles me protegendo do frio. Os galhos das arvores se agitavam com o vento, era possível ouvi-los rugir. Eu estava sozinha nesse mundo e estava cada vez mais difícil me adaptar a ele. Como se pudesse ouvir meus pensamentos, Luna minha gata preta com olhos verdes incríveis e brilhantes, pulou no mural da janela e veio até a mim miando e lambendo as minhas lágrimas.
- Desculpe Luna, eu não estou completamente sozinha. Eu tenho você. – Fiz carinho na cabeçinha dela e fui para a sala. Luna precisava comer.

’s pov on

- Já percebeu que a gente nunca vê movimentação na casa da nossa vizinha, e nem a vemos durante a tarde? – Indaguei curioso, após ver a garota do sobradinho amarelo fechar a janela de seu quarto. Ela passou um bom tempo fitando o céu cinzento. Ela parecia um tanto quanto solitária.
- Os pais dela devem trabalhar fora da cidade, ou ela mora com uma tia solteira que tem dois empregos. – disse sem tirar os olhos do jogo de futebol. Eu ri com as teorias dele.
- Deve ser. – Afastei o telescópio para o lado fechando a janela da cozinha, e por fim, decidi assistir ao jogo junto com .
- Você não se deu por satisfeito sendo ignorado apenas pela novata, agora ta se interessando pela vizinha misteriosa?
- O que eu posso dizer, o desconhecido me atrai, . – Estiquei-me no sofá grande e estranhamente o jogo de futebol não prendeu a minha atenção, como a de .
Havia algo naquelas duas garotas... Disso eu tenho certeza. Elas são tão parecidas, que eu chego a pensar que elas podem ser a mesma pessoa. Que inferno seriam aquelas meninas e por que elas prendiam tanto a minha atenção?


Five
A beautiful ghost


- Amanhã falaremos sobre Anne Boleyn, classe. Até. – A Srta Meester falou, assim que tocou o sinal indicando a troca de aula.
- O que acha de almoçar comigo e meus amigos na hora do intervalo, ? – fez o convite assim que saímos da classe.
- Eu adoraria, mas não vou poder. Preciso estudar para uma atividade de química que terei no último período. – Disse sincera, enquanto andávamos pelo corredor cheio de alunos apressados para as suas respectivas aulas.
- E amanhã? Eu acho que seria uma ótima idéia, nós podemos sair depois da esco... – falou distraída, ela parecia fitar algo específico. Meus olhos confusos seguiram os seus e logo percebi o que ela olhava. O garoto com que eu trombei no corredor ontem estava saindo da saleta do zelador arrumando a gravata, e em seu encalço a garota irreverente da minha sala de cálculo, acho eu. No instante em que ele percebeu que eu o olhava, suas bochechas coraram. Ele estava vindo na nossa direção, e eu tinha que sair antes que ele chegasse. O jeito que ele me olhava era tão intenso.
- E... Eu não posso sair depois da escola, tenho coisas para fazer nas quartas-feiras. Depois a gente se fala, . – Acenei para ela e passei reto pelo garoto, dono do olhar curioso. Cada vez que o vejo, sinto que o conheço de algum lugar, do qual não posso recordar.

’s pov on

- Ok, ! – gritou e eu não entendi porque a garota saiu tão apressada assim.
- Hey, . Descobriu algo da ? – Senti um tapa ardido no meu braço e não sabia o motivo de ter apanhado. – Tá maluca, ? – Interroguei passando a mão sobre o local.
- , seu idiota, você estava pegando a Kylie vadia dentro da sala do zelador? – Ela disse brava, eu ri.
- Sim. Qual o problema disso? – Abri a porta do meu armário, pegando meu livro de Inglês.
- Qual a parte da Kylie vadia, você não escutou?
- Amor, os garotos realmente não se importam com isso. – chegou por trás de e deu um beijo na bochecha dela, que o olhou de canto. – Mas eu me importo não curto vadias. Até porque já tenho uma namorada perfeita, que por um acaso é você.
- Acho bom mesmo, Sr. , se não não seria o único com o braço ardendo. – Ela disse convencida e deu um selinho em . E lá vai mais uma sessão, do casal perfeito.
- Dude, vocês ainda me fazem vomitar qualquer dia desses. – Fiz careta, me fuzilou com o olhar e sorriu.
- Um dia você vai aprender o que é o amor, dude. – zoou. – Aula de Francês agora. Pronto ? – Ele disse e saiu de mãos dadas com .
- Yeah. – Respondi já do lado esquerdo de , ignorando totalmente o que o gay da paixão, disse sobre o amor. – Hey Parker, descobriu algo sobre a ?
- Não muito, ela não é de falar sobre a vida dela, mas já adianto: você pegando garotas estúpidas dentro da sala do zelador, não vai fazer ela te querer. Ela só vai te achar idiota e convencido. – Isso explica o porquê dela ter me olhado daquela forma.
- Dude, essa garota vai dar trabalho. – Entramos na sala de Francês e fomos sentar nas últimas carteiras da última fileira.
- E você vai continuar tentando? – indagou.
- Por que eu desistiria?
- Essa eu respondo. Porque você é muito idiota para , . Ela não é uma patricinha mimada, como a Montgonory. E sua fama de Herdeiro Problema, não vai influenciá-la em nada. – destruiu meu ego e desatou a rir, só parou quando a voz da Sra Chevalier ecoou pela classe.
- Bonjour, classe.
- Bonjour, Madame Chevalier! – A classe respondeu em coro.
- Você subestima minha inteligência, . Eu vou conseguir aquela garota. – Disse convicto e ri ao ver rolar os olhos em descrença.
- Bem, se você realmente quer causar problemas e ser expulso da escola, faça uma guerra de bolinha de papel na aula da Chevalier, que você ganha uma detenção. – disse no meu ouvido. Eu tinha falado para ele sobre meus planos de voltar para Londres e ele disse que me ajudaria a sair da Elite School, segundo ele aquilo era idiotice, mas se era o que eu queria ele ajudaria. só não especulou o que falávamos, pois estava ocupada demais copiando a matéria que a professora passava na lousa.
- Valeu, dude. – Fiz um high Five com e arranquei uma folha do meu caderno, transformando-a numa bolinha. Por sorte, eu era muito bom de mira. Observei bem a posição que a Sra. Chevalier estava, mirei e taquei com tudo a bolinha, que acertou a cabeça dela em cheio. Todo mudo me olhava assustado e eu bem sossegado, na verdade eu queria rir da cara enfezada da professora, mas acho que isso é querer provocar demais, né?
- Fora. Da. Minha. Classe. Já! – Ela começou a falar pausadamente e por fim explodiu apontando para a porta.
Peguei minha mochila e dei um sorriso ladino pra , que o devolveu na mesma hora. me olhava confusa. Antes de sair da classe, vi a Sra. Chevalier vir até mim com um papel em mãos e me entregar com raiva. As letras grandes sobre o papel diziam: DETENÇÃO. Yeah! Era isso que eu queria.
Andei lentamente pelos corredores do colégio, assoviando sossegadamente, até chegar ao meu local de destino: A sala da diretora. Vi o grupo de líderes de torcida me encarar com sorrisos sacanas no rosto e sim eu adorava aquela atenção.
- Meninas. – Cumprimentei e vi seus sorrisos irem de orelha a orelha. E logo desapareci pela secretaria do colégio.
Uma senhorita ruiva me olhou de canto, ao que eu me aproximava do balcão de informações. Antes que eu pudesse falar algo, ela prontamente indagou:
- , a diretora Miller espera por você. Primeira sala à direta. – Ela apontou para a grande porta de madeira.
- Obrigado. – Ela sorriu simpática. Dei duas batidas na porta e logo pude ouvir um “Pode entrar” e eu o fiz. A diretora Miller parecia bem conservada pela sua idade. Ela tinha uma expressão dura, que não me assustava nem um pouco. Ela apontou a cadeira, o que significava que eu deveria me sentar. Sentei-me e estava pronto para o sermão.
- Bolinha de papel na aula de francês, Sr. ? – Ela mexia na plaquinha dourada que havia em cima de sua mesa, placa a qual estava escrito seu nome em letras garrafais e na cor dourada: “Juddith Miller”.
- Eu apenas errei a mira, desculpe diretora Miller. – Dei um de arrependido.
- Uma semana de detenção depois do fim das aulas, e eu quero um trabalho sobre Disciplina na minha mesa amanhã, Sr. . Espero que isso não ocorra novamente. – Era só aquilo? E a parte em que ela diz mais três detenções eu serei expulso ou algo do tipo? Aquilo não estava certo.
- Como? – Perguntei incrédulo.
- É isso mesmo que o Sr. ouviu. Agora retire-se, tenho algumas ligações para fazer. – Dito isso, ela folheou uma agenda que havia ao lado do telefone me ignorando totalmente.
Saí respirando alto daquela sala. O tinha me dito que a diretora era super casca grossa e a única coisa que ela faz é me passar um trabalho sobre Disciplina? Por favor, nenhuma diretora é assim boazinha. Eu sabia que havia algo de errado e era só uma questão de tempo para que eu descobrisse.
Logo o sinal do intervalo tocou e eu me adiantei para ir até a biblioteca pegar o tal livro sobre Disciplina. Eu queria pegar aquele livro e dar o fora de lá. Passar o intervalo trancafiado dentro da biblioteca é coisa para nerd idiota. Entretanto quem eu vi sentada sozinha numa mesa no canto, poderia ser um pouco nerd, mas nada idiota... Ela era simplesmente linda. , ou simplesmente . Ela estava centrada demais em seus cadernos para prestar alguma atenção em mim, como sempre. Será que era aqui na biblioteca que ela se refugiava na hora do intervalo? Preciso perguntar isso a . Eu não entendia como uma menina tão bonita como ela, preferia se esquivar de todos e se manter tão anônima, quando ela faz a cabeça de qualquer cara. Tem muita coisa nessa garota... Eu posso sentir que ela esconde algo. Estava perdido em meus pensamentos, mas fui acordado por uma voz irritante, a qual chamou a atenção de que me olhou surpresa.
- Senhor , já fui avisado que você ficará de detenção no final da aula. Te vejo lá. – Um velho careca, baixinho e pançudo disse e eu realmente fiquei sem graça, pois de fato deveria ter ouvido sobre a minha detenção. Só resta saber, por que me envergonhei de ela saber sobre isso.
- Eu estarei lá. – Dei um sorriso fraco e me mandei para a sessão de livros educativos. Peguei o primeiro que vi sobre educação. Que se foda! Aquele livro chato era só pra eu ter uma base sobre o que escrever mesmo.
Cruzei os corredores e pude fitar de longe, ainda concentrada em seus estudos. Eu parecia um idiota olhando-a e louco por sua atenção - coisa que eu não entendia, por quais motivos eu não recebia dela - Acho que ela percebeu que eu a olhava e me fitou por uns dois segundos voltando seus olhos para seu caderno. Disfarcei e entrei na primeira sessão de livros que eu vi. Porra! Eu devo esta perdendo o jeito. Eu nunca me senti tão inseguro perto de uma garota, como eu me sinto perto dela. Era estranho. Peguei um livro qualquer da prateleira pra disfarçar a minha idiotice, e dude eu não deveria ter pegado aquele livro. Era o Pequeno Príncipe. Minha mãe costumava lê-lo para mim quando eu era criança. De repente lembranças do passado inebriaram a minha mente, não pude reprimir um sorriso, então o coloquei no mesmo lugar de onde eu havia pegado. Antes que lembranças turbulentas viessem à tona. Posso jurar que vi alguém me fitando de longe, mas quando olhei para frente não estava mais em sua mesa. Ela era como um fantasma sumia sem ao menos você perceber. Um lindo fantasma, vale ressaltar. Olhei para o meu relógio que marcava 12h45min PM, o que significava que eu ainda tinha quinze minutos para curtir o final do almoço com meus amigos ou poderia pegar a Kylie no meu carro, como eu havia combinado, contudo eu fiquei sem vontade de fazer nem uma coisa e nem outra; Invés de ter companhia retirei o Pequeno Príncipe novamente da estante e me sentei no chão, encostando minhas costas na prateleira de madeira. Agora eu só queria a companhia das minhas boas memórias de quando eu era criança... E feliz.

’s pov on

Olá, mamãe, papai e Eric
Hoje foi mais um dia normal, mas algumas coisas aconteceram...
Eu descobri um lugar muito legal, onde eu me encaixo. Vocês precisavam ter visto a alegria deles quando me viram, aquilo foi tão gratificante. Eles ficaram tristes quando eu disse que precisava vir pra casa, porém se alegraram quando falei que toda segunda, quarta e sexta- feira estarei lá novamente. Sinto que ali é um bom lugar para preencher um pouco desse enorme vazio que eu sinto.
Já na escola... Conversei um pouco com a , ela é muito legal, até me convidou para almoçar, mas ficar perto daquele amigo dela me assusta um pouco. Tem alguma coisa nele que me intriga. Hoje na biblioteca, eu percebi que no fundo ele não é tão idiota quanto aparenta ser; o Herdeiro Problema (isso mesmo, foi desse jeito que as meninas se referiram a ele na biblioteca, quando ele apareceu por lá. Acho que ele faz muito sucesso com elas), sente falta de alguma coisa. Eu reconheci a tristeza, mesmo que de longe sobre o seu rosto.
Bem, preciso ir e fazer um plano de atividades. Estou entusiasmada, amanhã vou visitá-los e acho que tocarei Revolution dos Beatles para eles. Sua música favorita e do papai também, né mãe? A propósito, estou escutando-a em alto som. Ela me faz lembrar vocês.
Olhem-me daí de cima, ok? Não sei se consigo enfrentar um dia, sem a proteção dos meus três anjos da guarda favoritos.
Saudades eternas... Amo vocês




Six
I don’t know why I did that, but I just had to


Eu estava meio pensativo durante a aula de Álgebra. Havia ignorado as ligações dos meus amigos de Londres, as mensagens melosas de Sharon, as perguntas questionadoras de e por fim, as insinuações de Kylie. Estava completamente perdido em meus pensamentos confusos, desde ontem:
Primeiro: Eu sabia que a diretora Miller pegou muito leve comigo, embora ficar uma semana de detenção não seja nada legal, existem punições muito piores, e ela estava maneirando comigo por alguma razão que, não vai tardar, eu irei descobrir.
Segundo: Eu não consigo parar de pensar na e na minha vizinha misteriosa. Ontem eu pude ouvir uma música dos Beatles vindo da casa dela, e aquilo ficou preso na minha cabeça. Eu e nunca a vemos na rua, indo ou voltando da escola e nem movimentação em sua casa, e isso é estranho. Ela deve com certeza ter a nossa idade ou até mesmo pode ser mais nova do que a gente e nós nunca a vemos ou sabemos nada sobre ela. Isso tudo é muito curioso... E tem a . Sei lá, quando ela está por perto eu me sinto idiota, toda a minha autoconfiança desaparece e eu pareço um loser. Ela me intimida, essa que é a mais pura verdade e tem algo nela que eu conheço, eu sei disso.
Terceiro: Depois de ler o Pequeno Príncipe, eu pensei muito na minha mãe. Eu sinto falta de seu abraço aconchegante, seu sorriso doce, de sua presença reconfortante, enfim, eu sentia falta de tudo. Realmente hoje, eu acordei muito nostálgico, é.
Como sempre, eu não vi a durante o almoço. contou que havia a chamado para almoçar com a gente, mas disse que tinha umas coisas pra fazer. Eu sei que isso foi uma puta de uma desculpa. Parker também falou que a convidou para sair depois do colégio, e a novata disse que teria coisas para fazer, de novo. Essa garota é realmente um enigma. Eu preciso arrumar um jeito de me aproximar, porém minha cabeça está confusa demais pra pensar em algo que faça sentido.
Agradeci mentalmente por agora ser aula de Ed. Física, e também o último tempo. Eu não via a hora de cair fora daquele colégio. Eu estava angustiado, contudo não poderia deixar a escola depois das aulas... O segundo dia de detenção me aguardava. Droga!
- Hoje é dia de futebol, eu não sou do time do colégio, mas podemos jogar. Tá dentro, ? – perguntou enquanto saímos do vestiário masculino, trajando nossos uniformes de futebol.
- Opa! – disse num falso entusiasmo. – Futebol ajuda a levar nossas frustrações embora.
- E garotas fazendo ginástica também. – Gargalhamos. Ainda entre risos e comentários maliciosos no corredor, ouvimos alguém pigarrear e logo nos deparamos com a diretora Miller, a qual fez questão de parar na nossa frente com a postura rígida.
- Sr. , Sr. . – Ela cumprimentou.
- Sra. Miller. – Respondemos em coro.
- Devo admitir que seu trabalho sobre Educação ficou excelente, . – Ela disse sincera.
- Obrigado.
- Agora, corram pra aula de Ed. Física o treinador Lewis não gosta de esperar. – e eu assentimos e Miller deu de ombros.
- Ela realmente não é a bruxa que você disse ser, .
- Dude, acredite, ela só não é uma bruxa com você. – afirmou e eu fiquei com mais uma pulga atrás da orelha, em relação á ela.
***

- Mais um gol, ? Você é foda! – correu até minha direção e fizemos um high Five.
- O que eu posso dizer? Eu sou bom. – Me vangloriei e bagunçou meu cabelo.
- Fim da aula, rapazes! – O treinador Lewis gritou. Eu e estávamos pegando uma garrafa de água dentro da caixa de isopor, que estava perto da arquibancada.
- ! ! – Ele usou um tom severo e se aproximou de nós. quase se afogou jogando água na cara com o grito do treinador. Eu ri.
- Treinador. – falei.
- Vocês foram ótimos em campo hoje, se quiserem entrar para o time, procurem-me na minha sala, ok?
- Sim, Senhor. – disse e eu assenti. Um sorriso discreto escapou pelo rosto do treinador Lewis e ele deu de ombros.
- O que você acha sobre entrar para o time? – indagou, enquanto sentávamos na arquibancada. As meninas ainda estavam fazendo condicionamento físico em volta do campo e esperava por . Já disse que o amor deles dois me enoja?
- Eu não quero me comprometer com nada. – Dei um gole na minha aula e observava as garotas correrem. – Lembra? Eu pretendo voltar pra Londres.
- Ah, é verdade. – Ele disse num falso ânimo. – Mas seria legal se nós dois jogássemos no time. O idiota do Liam Kepner ficaria fodido. – Ele sorriu diabólico e apontou para um loiro com cara de metido a gostosão, que estava na ponta da arquibancada conversando com outros caras do time e babando no uniforme das garotas.
- Dude, seria uma boa, deixar esse idiota com cara de loser. – Gargalhamos. E logo se aproximava de nós com as bochechas coradas de tanto correr. Um punhado de meninas passou por nós indo para dentro da escola e seus olhares de cobiças todos sobre mim. É difícil ser gostoso.
- Amor, Eu. To. Morta. – Ela disse pausadamente. Deu um selinho em e logo se sentou ao lado dele.
- Coitadinha. – O é tão gay.
- Precisa correr mesmo, , se não vira baleia. – Zoei e me lançou o dedo do meio. Eu ri.
- Você é tão idiota, . – Ela revirou os olhos. – Sabe quem também está aqui na quadra? – Disse misteriosa e eu já sabia quem era.
- A . – Falei convicto e me olhou de canto.
- Nossa! Você está mesmo vidrado nessa mina, hein?! – Ralhou e eu dei um cutucão na costela dele, rapidinho o tonto trocou a cara de engraçadinho pra uma de dor.
- Cala a boca, . – Disfarcei. – Então , cadê ela?
- Ela tinha parado pra se alongar, em falar nela, olha ela vindo. – apontou discreta e eu pude ver se aproximando. Ela estava com os cabelos longos, presos em um rabo de cavalo frouxo, o short azul escuro do uniforme, estava colado em seu corpo destacando suas pernas definidas. Aquela garota era a visão perfeita do paraíso. Fiquei tanto tempo igual a um idiota fitando seu corpo, que só percebi que ela tinha acabado de passar na nossa frente, quando ela acenou timidamente para e me olhou sem graça, apressando os passos para longe de nós.
- Dude, tu quase engoliu a menina com os olhos. – zoou.
- Caramba , eu quero te ajudar, mas você também não facilita. – bronqueou e eu continuei olhando para ela.
- Eu vejo uma garota linda e extremamente gostosa passando na minha frente e não vou olhar? Por favor. – Levantei-me do banco, eu precisava alcançá-la.
- Homens. – Ouvi desdenhar e vir em meu encalço, junto com .
já estava quase chegando à porta principal do colégio, quando eu vi uma coisa estranhar acontecer. Ao que , e eu nos aproximávamos, o tal Liam Kepner estava sentado com seus amigos tão idiotas quanto ele na escada de frente com a porta principal da Elite School. Eles estavam bloqueando a entrada da , e eu já fiquei puto. Cheguei ao meu limite quando ouvi aquele infeliz dizer coisas desagradáveis a ela.
- Você é toda misteriozinha, né garota nova? Só vai passar aqui quando me deixar tocar nessa bunda gostosa. – Ele gargalhou.
- Deixa de ser nojento e me deixa passar! – Ela disse alterada.
- Ah, ta nervosinha é? Eu vou te mostrar quem manda aqui! – Ele se levantou ficando de frente para ela e eu não agüentei.
- Deixa a garota passar e peça desculpas a ela. – Falei autoritário e na hora o idiota parou de rir. me olhou confusa.
- Ora, ora, ora... Se eu não pedir, o que o Herdeiro Problema vai fazer, huh? – Ele desafiou e os amigos dele começaram a rir.
- Dude, cuidado com o que vai fazer. – advertiu.
- Não cai nas provocações dele, . – disse preocupada.
- Eu sei o que to fazendo, guys. – Disse confiante. – Eu já disse, peça desculpa a ela e eu não deixo o seu olho roxo! – Disse alterado e fiquei de frente para ele.
- Eu não vou pedir!
- Até porque você é tão otário, que não consegue tratar as mulheres como elas merecem. – Sorri amargo e dei um soco no olho dele. Liam cambaleou para trás e veio para cima de mim me acertando um soco na bochecha. Ouvi gritar e pedir para pararmos. Eu não conseguia, eu estava muito furioso pra conseguir parar de bater naquele otário. Como assim ele diz aquelas coisas terríveis a ... Justo a ela?
- Parem, por favor! – A ouvi implorar, mas eu simplesmente não conseguia parar de socar a cara daquele otário. De repente um turbilhão de pensamentos que, estavam me deixando inquieto desde ontem vieram todos a tona e eu precisava me aliviar de alguma forma.
- Chega, dude! – me puxou de cima do trouxa do Liam e um dos amigos dele também o segurou.
- Já chega! Quero os dois na minha sala agora! – A diretora Miller gritou da porta.
- Você me paga, ! – Liam ameaçou, limpando o sangue da boca e foi até a diretora seguido por seus amigos, que me olhavam com medo.
- Vo... Você está bem? – perguntou aflita. Aproximou-se de mim e passou a mão pelo meu rosto. Sentir o toque macio de sua mão entrar em contato com a minha pele foi incrível.
- Eu vou ficar bem. – Dei um sorriso ladino.
- Vamos , eu não tenho o dia todo! – A voz irritante da diretora Miller me acordou para a realidade.
- Vai lá cara, vamos te esperar na secretaria. – falou, dando dois tapinhas no meu ombro.
***

- Esse idiota veio pra cima de mim do nada, diretora Miller. – Liam bundão mentiu descaradamente.
- Eu sei que você não é nenhum santo, Kepner. – A diretora arqueou a sobrancelha, e eu tive que rir do idiota. – Por que vocês brigaram, ?
- Porque é evidente que o senhor Kepner não sabe tratar as nossas colegas com respeito, então tive que fazer o que era certo. Eu tentei ser educado, mas atletas descerebrados não entendem outra linguagem a não ser a da violência. – Expliquei calmamente e sorri cínico da cara de otário do Liam.
- Ele tava querendo se aparecer pra aluna nova, isso sim.
- Eu não quero mais encrenca nessa escola! A Elite School é um instituto de educação muito séria, não vou permitir que vocês dois manchem a imagem desse colégio, ok? Um mês de detenção para o senhor e pra você Kepner... É um mês limpando as calhas do colégio. – A senhora Miller concluiu severa. Eu realmente pensei que ela me daria castigo pior, na verdade eu não merecia nenhum, já que eu estava fazendo a coisa certa em dar um corretivo naquele babaca. Embora eu quisesse me livrar daquela escola, será que a estaria segura aqui sem mim? Eu não sei por que pensei nisso... Não sei mesmo.
- Mas, diretora, limpar as calhas do colégio, eu? – O bobão choramingou.
- Sim e não volto atrás. Agora saiam daqui. – Liam tentou argumentar, porém a diretora Miller levantou o dedo, indicando “Nem mais uma palavra”. Ele entendendo o recado levantou depressa da cadeira e me olhou com fúria, eu ri.
- E você, ... – Ela começou a falar antes que eu deixasse a sala. – Por mais que se meta em confusões, não irá se livrar daqui. Fui advertida sobre o seu respeito, me disseram que você faria de tudo para ser expulso, estou vacinada contra as suas trapaças. Você é um garoto brilhante, não se deixe levar pelo rancor. – Ela finalizou e eu fiquei surpreso. Como assim ela sabia tudo sobre mim? Antes que eu pudesse, perguntar alguma coisa, o telefone tocou então me retirei da sala.
Saí em passos largos da sala da diretora e eu já tinha uma idéia de quem tinha advertido-a sobre mim. Desgraçado. Que dia do cassete esse de hoje. Quase passei reto por e que estavam sentados no banco na secretaria, já limpos e com o uniforme da escola. Desanimei-me ao não ver ali, junto com eles.
- Hey man, o que a senhora Miller falou? – indagou curioso.
- Um mês de detenção. – Saí andando na frente e eles atrás de mim.
- Mas isso não é justo! Você explicou para ela o que houve? – disse preocupada.
- Sim, mas isso não justifica ter socado a cara de alguém. – Me virei para eles. – Olha guys, eu preciso tomar um banho rápido, passar na enfermaria e ir pra detenção. Vejo vocês mais tarde, ok?
- Tudo bem cara, até mais tarde. – disse saindo de mãos dadas com , que acenou para mim.
- Até.
Depois de tomar um banho e ter perdido meu tempo na enfermaria, só para Lucy (a enfermeira) ter passado um pouco de Merthiolate no canto da minha boca, fui para a detenção. Até que o silencio irritante da sala não estava me perturbando hoje e nem ver a cara de satisfação do senhor Green, ao saber que eu ficaria de detenção por mais três semanas me deixou puto. Naquele momento eu só precisava de silêncio, só isso. Agora eu sabia o motivo da diretora Miller me levar no “banho Maria”. Michael devia ter tido uma longa conversa sobre mim com ela. Aquele cara me queria tão longe da vida dele, que até a diretora ele tinha persuadido. Droga de vida, droga de pai! Minha vida estava se transformando em um verdadeiro inferno. Em um dia eu tinha tudo, e na manhã seguinte que acordo... Não tenho nada. Eu só queria poder desaparecer de vez. Eu estava preso no meu último ano em uma cidade sem graça, sem dinheiro, sem diversão e sem tudo o que mais prezo. Era a queda de um rei em ascensão. O garoto milionário, não tinha mais nada agora... Apenas sua solidão estúpida.
O sinal tocou e eu dei graças a Deus de poder sair dali. Eu sei que tinha feito planos com e , mas eu precisava ficar sozinho naquele momento. Como de costume, coloquei apenas uma alça da mochila no ombro e saí da classe. Me surpreendi ao encontrar seus olhos curiosos me fitando. estava encostada em seu armário com a expressão preocupada, ao me ver se locomoveu até o meu encontro.
- Como foi com a senhora Miller? – Perguntou cautelosa e foi andando ao meu lado. Sua voz melódica, por incrível que pareça me acalmava.
- Ela me deixou de detenção por um mês. – Sorri sem ânimo, não pela detenção e sim pela confusão que estava a minha vida.
- Ela não pode fazer isso. Você só estava tentando me ajudar.
- Eu não me importo, eu já estava de detenção mesmo.
- Você não precisava ter feito aquilo, eu sei me defender, mas obrigada mesmo assim, . Isso significa muito para mim. – Ela mordeu o lábio, me olhando fixamente por alguns segundos, e deu de ombros. Eu continuei parado olhando ela se afastar pelo enorme corredor do colégio. Ao chegar à porta, ela virou-se para trás me olhando novamente, e por fim desapareceu de vez.
Eu não sabia por que eu tinha feito aquilo, mas eu tinha que fazer. Não podia deixar que ninguém a tratasse mal. era diferente, eu soube disso desde a primeira vez que a vi. Na hora da briga eu apenas ouvi uma voz que me dizia: Ela precisa de você, assim como você precisa dela... Eu não fazia idéia do que aquilo significava.

’s pov on

Olá, mamãe, papai e Eric
Eu acho que vocês não vão gostar de saber que, mal cheguei à escola e fui o motivo de detenção de um garoto. Mas, eu posso explicar: Um garoto idiota me tratou mal e sem eu menos perceber o socou a cara dele, pois o menino grosseiro não quis me pedir desculpas. Isso foi épico, ninguém nunca me defendeu antes, a não ser Eric que sempre foi super protetor, né irmão mais velho? Sinto a sua falta...
Por conta dessa confusão, cheguei atrasada no meu lugar especial, mas eles entenderam os meus motivos e eu prometi recompensá-los.
Bem, eu preciso ir... Espero que todos vocês estejam bem. Desculpem-me por ter chorado mais cedo, é que a saudade que eu sinto machuca tanto, que me sufoca às vezes.
P.S: Eu vou dar um jeito de ajudar o , ele foi legal comigo e eu preciso retribuir o favor.
Saudades eternas... Amo vocês

Levantei-me da cama e fui fechar a cortina completamente, já que a luz do poste iluminava o meu quarto pela fresta. Olhei para o prédio na esquina e no nono andar, vi a sombra de alguém na janela. Será que eu não era a única solitária por aqui?

’s pov on

Depois da escola, passei numa loja de conveniência e comprei algumas cervejas. Dirigi até a praia, me sentei na areia fitando o mar enquanto minhas latas de cervejas ficavam vazias. Eu não queria voltar pra casa. me ligou nesse meio tempo e disse que ele e me esperariam para o jantar, nós teríamos pizza. Eu inventei uma desculpa qualquer e disse que estava com uma garota, eles entenderam e não voltaram a me ligar. Ótimo.
Nem vi o tempo passar, cheguei em casa por volta das onze da noite, já deveria está dormindo. Antes de me deitar, eu precisava checar se a garota do sobrado amarelo estava por ali, mas sua cortina estava fechada. Eu me sentia bem a observando de longe, de algum jeito ela me lembrava a .


Seven
The Health Class

Embora eu ainda estivesse zangado pelo dia de ontem e com mais raiva de Michael do que o habitual, eu estava me divertindo com e na hora do intervalo. Eles eram descontraídos e estavam sempre comigo. Nossa amizade estava se fortalecendo a cada dia que passava. e eram meus amigos de verdade.
Nós estávamos na nossa mesa, falando idiotices como sempre e uma vez ou outra, meus olhos percorriam por todo o refeitório procurando por , mas eu realmente não sabia por que eu ainda tinha esperança de um dia poder almoçar com ela... nunca está disponível para absolutamente nada, segundo que continuava a interrogá-la para mim. Eu confesso que, depois da nossa rápida conversa de ontem, e eu nos aproximaríamos mais, porém nada mudou. Normalmente eu não perderia meu tempo, tentando desvendar os mistérios de garota nenhuma, mas tinha algo que prendia minha atenção, quanto mais ela se ocultava mais eu queria decifrá-la.
- Sério, eu poderia ser o homem borracha, eu sou muito flexível, está de prova, não é? – Minha linha de pensamentos foi cortada, por uma cutucada que deu na minha costela.
- Espera aí, amor... Me explica isso direito, como assim você é flexível e o está de prova? – indagou curiosa e eu ri.
- Eu entendo que seu namorado tenha uma tara por mim , mas eu sou hétero ok?
- E como você explica nossa noite, ? Eu pensei que você me amasse. – imitou uma voz de bicha afetada fazendo bico, o que arrancou gargalhadas loucas de .
- Já disse que era pra deixar isso em off, Thomas! – Entrei na brincadeira.
- Alerta, vadia perigosa se aproxima. – que até agora estava rindo, fechou a cara torcendo a boca. Aquilo significava que Kylie estava se aproximando, ela sempre fazia cara de limão azedo quando Montgonory vinha falar comigo. Hilário. Olhei para frente e lá vinha Kylie e suas duas discípulas, vestindo suas saias rodadas de dois palmos a cima do joelho e com um rebolado que enlouqueceria qualquer um que estivesse no clima de agüentar uma garota fútil; clima esse que estranhamente eu não estava no momento.
- Controla o veneno, amor. – disse baixo e deu um beijo na bochecha de .
-E você se olhar pra algumas delas, eu corto seu Junior, ok? – Ela avisou séria e eu não pude reprimir um sorriso, com a cara de espanto que fez.
- Hey, ! – Kylie cumprimentou com uma voz sedutora.
- Hey, Kylie. – Dei um falso sorriso.
- Eu fiquei esperando você aparecer em casa ontem à noite, mas você nem apareceu. – Ela fez um bico manhoso. – O que aconteceu?
-Eu tinha umas paradas pra resolver. – Disse naturalmente. Alguém está se achando a rainha da cocada preta, me pedindo explicações.
- Hum... – Ela enrolou uma mecha de cabelos nos dedos. – Será que a gente pode se ver hoje?
- Eu não sei... – O sinal tocou, indicando que era o fim do intervalo, vibrei por dentro por isso. Eu não estava nem um pouco a fim de aturar a Kylie, mesmo que fosse apenas pra dar uns amassos. – Acho que tenho uma coisa pra fazer. Até mais Kylie, preciso ir pra classe agora. – Levantei-me da cadeira, chamando e que se levantaram de imediato.
-Qualquer coisa me liga, lindo.
- Quem sabe. – Dei de ombros, saindo do refeitório com meus amigos.
- Pensei que você estivesse com a Kylie ontem, dude. – perguntou confuso andando ao lado de . Esqueci que eu tinha mentido para eles, mas logo inventei outra mentira.
- Eu estava com outra garota, não com a Kylie. – Rumei até o meu armário.
- Esse não vale nada mesmo. – ralhou. – Bem, meninos, preciso ir para a aula de Cálculo, o senhor Martin é um chato, não posso me atrasar. Tchau, amor. – deu um selinho em e acenou para mim, andando apressadamente para sua próxima aula.
- Tchau, amor. – falou. Eu verifiquei minha grade de aulas, que estava pregada com dures do lado de dentro da porta do meu armário (Mamãe me ensinou a fazer isso desde pequeno, pois eu vivia esquecendo meus livros em casa ou sempre levava os livros nos dias errados. Era um método fácil e eficaz. Sorri ao me lembrar dela), e minha próxima aula era bem chata.
– Man, eu tenho aula de Saúde agora, que merda. – Balancei a cabeça em negação e fechei meu armário.
- Eu preferiria ter aula de Saúde agora, do que de Cálculo II, quer trocar? – sugeriu.
- Valeu mate, entre falar sobre gravidez precoce e números... Eu fico com a gravidez. – Sorri e vi a cara de insatisfação de . Notei que o movimento no corredor estava bem devagar, olhei no meu relógio e eu estava cinco minutos atrasado. – Mate, preciso ir to atrasado.
- Acho melhor mesmo, o senhor Potter é meio chato em relação a atrasos, vou nessa também. Te vejo mais tarde. – foi andando de costas pelo lado direito do corredor, e eu pelo esquerdo.
- Até. – Bati continência e rumei para minha aula entediante.
Antes que eu pudesse chegar ao segundo andar, ouvi o auto-falante anunciar algo e meu nome estava envolvido. Nice. Depois não me xingue senhor Potter, se eu interromper a sua aula.
- Senhor , compareça a diretoria com urgência. A diretora Miller o aguarda, Obrigada.
- Ok. Lá vamos nós outra vez. – Desci as escadas novamente para o primeiro andar. Eu acho que a diretora Miller deve está apaixonada por mim, ou algo do tipo. É a terceira vez que eu a vejo, em apenas uma semana de aula.
Entrei na secretaria, despreocupado, nem tive que falar com a secretária, ela se antecipou dizendo que eu poderia entrar na sala da senhora Miller. Foi o que eu fiz.
- Queria me ver, Miller? – Usei um tom cínico e recebi um olhar de canto nada agradável, mas a diretora Miller não me colocava medo, por mais que tentasse. Eu até tinha um afeto por ela.
- Sente-se, . – Ela indicou a cadeira a sua frente. Sentei todo largado, a cadeira era bem confortável. A diretora balançou a cabeça negativamente torcendo a boca, no fundo eu sei que ela reprimia um sorrisinho de canto. – O que eu tenho para dizer é rápido.
- Tenha o seu tempo, querida Miller. – A ironia estava bem companheira hoje.
-Poupe-me de seu sarcasmo, , e sente-se direito. – Ordenou e eu me sentei com a postura rígida. Irritar a diretora era divertido. – Bem, fui informada que a briga de ontem não foi totalmente sua culpa. Então sua detenção será apenas de duas semanas mesmo. – O que? Alguém tinha limpado a minha barra? Não acredito.
- Isso é sério? – Interroguei incrédulo. – Quem veio falar com a senhora sobre mim?
- A senhorita . Ela passou o intervalo me explicando o que aconteceu. Você é bem irritante quando quer , mas no fundo se mostrou um cavaleiro com a senhorita , que é uma ótima jovem por sinal. – Disse calma, enquanto escrevia algo em um pedaço de papel. Então a tinha intercedido por mim? No way! – Tome, - Me entregou um pequeno papel branco. – entregue esse passe para o senhor Potter, ela saberá que você esteve aqui.
- Obrigado, Miller.
- E não volte a se meter em confusões, garoto! Pois da próxima vez, nem o papa te livrará do castigo. – Assenti rindo. – Pare de me chamar de Miller, é diretora ou senhora Miller ok?
- Com todo respeito diretora, mas eu vou continuar a chamá-la de Miller. Uma mulher com uma aparência tão jovial quanto a sua, não merece ser chamada de senhora. – Joguei um xaveco furado e notei um sorriso discreto brotar em seu rosto. Se por enquanto vou continuar nesse inferno de cidade, precisarei de aliados.
- Vá para a sua sala, . – A diretora fingiu um tom de voz grave e eu dei de ombros contente.
Fiz o caminho de volta para a classe e não pude esconder um sorriso bobo. Como assim tinha perdido a hora do almoço tentando me livrar do meu castigo? Isso quer dizer que ela se importava, certo? Ou ela poderia ter feito aquilo, pois se sentia culpada. Confesso que a primeira opção me deixou contente, entretanto a segunda parecia ser a opção certa. Não havia motivos aparentes para se importar comigo. Ela sequer me conhecia e sempre que nós encontrávamos, eu fazia algo constrangedor. É pelo menos eu poderia ser feliz com meus pensamentos, onde a se importava huh? Cheguei ao meu destino, e dei duas batidas fracas na porta da sala, Ouvi uma voz masculina dizer: “Entre” e em seguida o fiz. Abri a porta e todos me encaravam e cochichavam, pude ver garotas sorrindo e cutucando umas as outras quando me viram, como eu queria rir. Aproximei-me do professor com uma aparência um tanto quanto gay. Ele tinha os cabelos lisos e loiros, lambidos para o lado, usava um óculos de grau moderno com a armação branca e um suéter rosa claro. Dude, aquele senhor Potter era muito gay.
- Foi mal pelo atraso senhor Potter, a diretora Miller me mandou entregar isso ao senhor. – Ele me analisou de cima a baixo com uma cara de limão azedo e logo pegou o passe da minha mão.
- Bem, você dever ser o aluno novo que mal chegou e anda causando alvoroço no colégio. – Disse com uma voz enjoada, mantendo os braços cruzados. Man, ele era tão bicha. – Procure uma parceria, para se sentar e não volte a chegar atrasado à minha aula novamente.
- Pode deixar. – Agradeci e me virei para frente procurando uma parceira disponível. Passei os olhos pela classe e pude ver uma garota ruiva empurrando o parceiro da cadeira ao lado, obviamente chamando a minha atenção para que eu sentasse ao seu lado. Até pensei em considerar, ela era gostosa, porém meus olhos se depararam com que eu mais queria... . Ela estava sentada na terceira bancada da última fileira e não tinha um parceiro. Quando me viu, olhou-me rapidamente e voltou a fitar a lousa. Posso jurar que vi nervosismo em seu olhar. Aproximei-me dela, e antes de me sentar perguntei: - Eu poderia me sentar aqui?
-Tudo bem. – Ela disse baixo, umedecendo os lábios e voltou a prestar atenção na aula.
Dei um sorrisinho e joguei minha mochila na mesa, tirando meu caderno e estojo de lá. Joguei a mochila no chão, ao lado do meu banco e fitei com os cantos dos olhos, a qual permanecia com a postura reta e olhar fixo na lousa. Ela jogou a franja comprida para trás e uma rajada de vento trouxe o perfume delicioso de seus cabelos longos até minhas narinas. O cheiro do xampu dela era parecido com Tutti- Fruit. Sem um pingo de vontade, lancei meu olhar para a lousa. Eu tinha que fingir prestar atenção no que o bicha Potter, digo Sr Potter explicava, pois na verdade eu queria olhar para ela, eu poderia olhá-la o tempo todo e não me cansaria nunca. No entanto se eu fizesse isso, poderia achar que eu sou psicótico e mudaria de parceiro no ato e eu não podia deixar isso acontecer de forma nenhuma. Aquela aula chata era a única que nós tínhamos juntos, era minha única chance de passar um tempo ao lado dela, sem que desaparecesse.
- A gravidez na adolescência é o que mais acontece, nos dias de hoje. – O senhor Potter dizia e eu estava certo sobre a aula de Saúde. É sempre o mesmo conteúdo.
- . – Sussurrei e a garota me olhou de canto sem falar nada. – Por que você foi falar com a diretora sobre mim?
-Você me ajudou e eu precisava te ajudar, só isso. – Ela disse baixinho e voltou os olhos para a frente. Sua voz doce fazia tão bem aos meus ouvidos, ela me deixava num estado de calmaria.
Voltei meu olhar para frente e o professor continuava a falar tudo que nós adolescentes já estávamos cansados de saber, sobre prevenção, Potter me olhava cauteloso. Como eu queria conversar com , mas não queria colocá-la em problemas, caso o senhor Potter nos pegasse falando, rasguei uma folha do caderno, escrevi um bilhete e coloquei disfarçadamente em cima do caderno dela.
“Você sabe que não precisava ter feito aquilo, não é?”
Ela leu o bilhete sem pegá-lo e respondeu, devolvendo a folha para mim, sem que chamasse a atenção do professor gay.
“Você também não precisava ter me defendido, mas mesmo assim o fez. Só retribui o favor, você não pode simplesmente aceitar o fato de uma garota ter livrado a sua cara?”
Sorri ao ler o bilhete e mandei outro para ela.
“Ok, então valeu por ter limpado a minha barra com a Miller, é só que nenhuma garota nunca fez isso por mim antes, não estou acostumado com isso.”
Pude ver um sorriso leve de canto, tomar forma no rosto de . Ela ficava mais linda sorrindo, eu nunca tinha visto-a sorrir. Respondeu e logo passou o bilhete.
“Estamos quites agora e btw, se serve de consolo, também não estou habituada com pessoas “limpando a minha barra”. Fim do chat papel, o senhor Potter está nos olhando, não quero encrenca.”
Não reprimi um sorriso com o último bilhete, ela era tão certinha em tudo. Dobrei o papel ao meio e guardei dentro do caderno, voltando minha atenção para o professor.
- Como eu dizia, iremos fazer um trabalho sobre responsabilidade, esse trabalho testará o quanto vocês são capazes de cuidar de outra vida, caso uma eventualidade acontecesse com os descuidados e no final vocês verão qual é a conseqüência para aqueles que têm relações sexuais sem preservativo. – Ele concluiu e todos nos entreolhamos confusos. Tomara que não seja aquele trabalho chato, o qual você recebe um ovo e tem que cuidar dele. Eu já fiz isso na 7º série e deixei meu ovo quebrar em três dias. – Podem entrar rapazes. – Potter disse contente e dois entregadores adentraram a sala com uma grande caixa de papelão. Deixaram a caixa no chão e saíram da classe. Definitivamente aquilo não era um caixa de ovos.
-Bem, vocês devem estar se perguntando, o que há dentro dessa caixa. - Disse com um sorriso gigante no rosto. – Eu lhes apresento seus futuros filhos! – Dito isso, ele abriu a caixa e tirou um boneco, muito parecido com um bebê. Os alunos começaram a fazer diversas perguntas. Olhei para e ela era a única que não estava agitada e pelo jeito, a idéia da experiência não a tinha deixado nervosa, na verdade ela parecia bem confortável com aquilo. – Silêncio pessoal! Esse boneco que eu seguro possui um programa dentro dele que o possibilita de sentir as mesmas sensações de um bebê de verdade, ou seja, ele chora, sorri, sente cólicas, fome e pode até urinar, obvio que a urina é água. Cada equipe receberá o seu bebê e deverá cuidar ele, fazendo as anotações necessárias, no final do trabalho, veremos quem tem mais responsabilidade. Agora cada equipe venha pegar o seu. – Potter concluiu animado e as duplas começaram a ir até ele pegar seus respectivos “bebês”.
- Que droga de boneco. – Disse sem humor puxando uma conversar aleatória com , enquanto ela guardava seus materiais dentro da mochila e eu os meus.
- Eu acho legal. – Falou e passou por mim indo até o professor.
Como eu sou burro! Cuidar daquele boneco idiota seria ideal, para eu e passarmos um tempo juntos. Era a desculpa perfeita pra eu ficar mais tempo com ela e descobrir coisas e assim finalmente chamá-la para sair. Notei que o sinal tinha tocado e que já estava na porta da sala com nosso “baby” então, corri atrás dela.
- Na verdade eu acho ótimo esse projeto. – Disse andando ao lado dela. – Temos que conversar sobre o bebê, dividir as tarefas e tal.
- Eu sei que esse trabalho não te agrada nenhum pouco , e como eu não me importo em fazê-lo sozinha, não precisa se preocupar com o bebe ok? Eu cuido dele e você também ganha nota. – Disse sincera e não! Eu tinha que reverter à situação.
- Claro que não, ! Esse bebê é nosso e eu quero participar disso. – Insisti.
-É claro que você quer, . – Disse com descaso. – Eu preciso ir, Tchau.
-! – Eu gritei assim que a vi deixando o colégio, eu iria atrás dela, mas fui impedido. Droga!
- Creio que o senhor tem detenção comigo agora , fale com sua colega amanhã. – Vi o senhor Thompson parar ao meu lado.
- Mas eu realmente preciso falar com ela.
- Já disse amanhã você fala, vamos para classe. – Ele deu dois tapinhas no meu ombro e eu grunhi baixo. Professor gordo, idiota e empata do cassete. Não pude protestar e o segui até a classe, mas sexta- feira não me escapava.

's pov on

Olá mamãe, papai e Eric.
Hoje como prometido fui falar com a diretora Miller, sobre a briga de ontem. Expliquei que só estava tentado me ajudar e por isso bateu no Liam. Ela disse que entedia a situação e só diminuiu a detenção dele para duas semanas. Pelo menos, foi alguma coisa, certo? Antes duas semanas do que um mês inteiro de detenção.
Não precisei ir ao meu lugar especial hoje, só amanhã, mas já sinto falta deles, vocês acreditam nisso? Imagina como eles vão ficar felizes em conhecer o meu bebê? Ganhei um bebe, é um projeto da aula de Saúde e eu devo cuidar dele por duas semanas, na verdade eu e devemos, no entanto eu sei que ele deve achar esse trabalho estúpido e prefere passar seu tempo livre com a garota burra da minha classe de Álgebra, então eu preferi cuidar do bebe sozinha.
Espero que vocês estejam bem por aí e cuidem de mim, eu ainda não chorei hoje, mas estou prestes, a dor é demais.
Saudades eternas... Amo vocês.

- Então vocês têm um bebê? – indagou com a boca cheia de batata frita.
- Sim, e esse bebe é minha melhor maneira de me aproximar dela. – Falei com os olhos vidrados no telescópio. A garota do sobrado amarelo vestia uma calça de moletom e um top preto. Sua tatuagem na costela estava visível, mas eu não conseguir identificar o que aquilo significava. Ela fechou a janela e logo vi o quarto ficar escuro. Ela era triste e solitária, e mesmo que eu não demonstrasse á ninguém, às vezes eu me sentia como ela... Triste e solitário.

Eight
She was near me all the time, and I even realized that

“I took her out it was a Friday night, I walk alone to get that feeling right… “
Ouvi What’s my age again do Blink 182 tocar, e eu já sabia que era hora de acordar para ir pro colégio estúpido de novo. Dei uma longa espreguiçada antes de me levantar da cama com preguiça e me arrastar até o banheiro. Deixei que a água quente relaxasse os meus músculos, enquanto eu fazia minha higiene matinal em baixo do chuveiro. Eu estava com uma preguiça do inferno, na verdade eu gostaria de ficar o dia todo na cama, comer porcarias e jogar um pouco de Wii fumando uma erva. Já faz um tempinho que eu não fumo uma. Só não decidi faltar a escola, pois eu tinha que resolver aquele lance da aula de Saúde com a . Eu não iria arruinar a minha única chance de ficar ao lado dela, não mesmo. Não é como se eu estivesse apaixonado por ela ou algo do tipo, até porque a única mulher por quem eu fui apaixonado de verdade foi a Angelina Jolie, mas isso não vem ao caso agora. Como eu dizia, eu não tenho nenhum tipo de sentimento por ela, apenas acho a uma menina diferente e de uma forma indescritível eu me sinto bem quando, raramente, estou perto dela; eu preciso me sentir bem perto de alguém nessa merda de cidade, pois eu estou prestes a enlouquecer nesse fim de mundo. Terminei meu banho e fiz todo o meu ritual matinal: vesti o uniforme sem graça da Elite School, calcei meu Vans branco, baguncei meu cabelo com os dedos e por fim espirrei uma boa quantidade do meu perfume Paco Rabanne. Coloquei uma alça da mochila nas costas e já esperando na porta, estava com dois Danones nas mãos, e como sempre jogou um para mim.
- Valeu, cara. – Agradeci e ele assentiu.
- Finalmente é sexta feira. – levantou as duas mãos para cima, em sinal de agradecimento. – Você tem planos? – O elevador chegou, entramos e apertou o botão do subsolo.
- Ainda não, e você e ? – Dei um gole no meu Danone.
- Nada decidido ainda, mas acho que ela vai querer ir ao cinema. Você poderia chamar a e ir com a gente. O que acha?
- Eu não acho uma boa idéia, nós mal conversamos. não é do tipo de garota que você chama pra sair, sem antes estabelecer uma aproximação amigável, eu preciso me aproximar primeiro. – Disse confiante e realmente me senti o Judd Law no filme Alfie, O sedutor.
- Falou o Don Juan de Marco. – ralhou e nós gargalhamos. O elevador chegou ao seu destino e como de costume cada um foi para o seu carro. – Até daqui a pouco, dude.
- Até, man. – Entrei na minha Range Rover dando partida e veio ao meu encalço no seu Aston Martin.
Enquanto eu esperava o sinal verde abrir, tirei minha carteira do bolso e abri para ver quanto dinheiro eu tinha, imagine a minha surpresa ao deparar com apenas 400 libras dentro dela! Que raiva! havia me pago o aluguel com antecedência e ainda faltava muito para o mês acabar e ele me pagar de novo. Como assim eu passaria o mês com 400 libras? Uma espécie de raiva me invadiu e eu nem tinha percebido que o sinal tinha aberto e as pessoas buzinavam para que eu andasse. Mostrei o dedo pelo retrovisor para um cara que passou resmungando ao meu lado e acelerei o mais rápido que pude. Tudo aquilo era culpa do Michael que resolveu cortar a minha mesada. Eu costumava ganhar 2000 pounds por semana, fora os meus cartões de créditos ilimitados, como eu passaria o mês com apenas 3000 libras? Isso era insano. Ótimo, meu dia já começou muito bem.
Estacionei meu carro no estacionamento do colégio, e nem tive paciência de esperar e . Eu estava irritado e eles não mereciam minhas patadas. Pra variar dei de cara com o bixa do Liam Kepner e seus amigos, todos encostados na Hilux dele conversando. Kepner me encarava e eu o encarei da mesma forma até passar por ele. Era bom que ele não me irritasse hoje, pois meus punhos estavam loucos para entrar em contato com os olhos daquele viadinho.
Assisti às duas primeiras aulas e eu não estava prestando atenção em nada, resolvi matar a terceira aula e mandei um torpedo para Kylie me encontrar na sala do zelador, logo ela o fez. Eu pensei que uns amassos com ela fossem aliviar a minha tensão, porém deu no mesmo... Continuei irritado. No intervalo fiquei um pouco mais quieto, e nem me questionaram muito, pois pela minha cara de boi bravo, eles já sabiam que eu não estava de bom humor. A única pessoa que poderia levantar o meu humor, nunca estava no meu campo de vista. Até cheguei a imaginar que fosse uma espécie de fantasma. Ela aparece e desaparece sem você ao menos perceber.
Definitivamente, hoje eu não estava em clima de assistir nenhuma aula e principalmente de Francês, eu estaria dando um presente a senhora Chevalier, matando aula. Ela me odeia e aparentemente nunca irá esquecer a bolinha de papel que eu acertei na cabeça dela no primeiro dia de aula. Então decidi matar a última aula no campo de futebol. Por sorte, achei um baseado perdido dentro da minha mochila e fumei-o dentro do banheiro masculino e logo fui para o campo. Sentei-me na arquibancada notando que as meninas estavam tendo aula de educação física. Só espero que não seja a turma da Kylie, porque eu não estou a fim de aturá-la de novo.
Observei as meninas correndo em volta da quadra e logo vi uma garota rumando até a arquibancada com um bebê preso ao corpo. Aquilo só poderia ser os bebês, digo bonecos da aula de Saúde. Por um instante me animei, pois poderia estar ali, mas como eu estava meio brizado, não conseguia vê-la em meio a tantas garotas. A menina se aproximou de mim, e logo pude notar que era . Ué por que ela estava com um bebê, sendo que ela nem é da minha aula de Saúde?
- Matando aula, . – Disse e sentou ao meu lado.
- Sim, e você roubou esse bebê. – Sorri. – Você não é da turma de Saúde. – Continuei fitando as garotas se exercitarem.
- Não roubei. É que eu estou com cólicas e fui dispensada da aula de Educação Física, e como a está na aula eu me ofereci pra cuidar do bebê. – Concluiu e eu logo fiquei contente.
- Então a está por aqui?
- Sim.
- Olha , se você quiser ir se arrumando pra ir embora, pode deixar o bebê comigo que eu entrego a . – Sugeri.
- Você não sabe cuidar do bebê, . – Ela revirou os olhos.
- É claro que eu sei, pode ir sossegada eu fico com ele, afinal, e eu somos parceiros e esse bebê também é meu. – Quem vê pensa que eu estava realmente interessado em cuidar daquele boneco idiota.
- Certo. Mas cuidado com ele ok? Esse boneco tem reações normais de um bebê e tudo é monitorado. – Advertiu e eu fiz cara de entendido. – Ajude-me a tirar o macaquinho. – Eu já iria perguntar se macaquinho era o nome do bebê, mas virou-se de costas para mim e eu percebi que macaquinho era o nome daquele negócio que segurava o bebê ao corpo dela. Deu pra ver que eu vou ser um ótimo pai, to sabendo legal das coisas.
- Pronto. – Falei assim que terminei de desamarrar o tal de macaco.
- Valeu, . – virou-se de frente para mim. – Estique os dois braços. – Ordenou e eu os estiquei. aninhou o boneco no meu colo e ele parecia uma criança de verdade. tinha o vestido com um macacão verde água. Ela estava mesmo empolgada com aquele projeto. – Se ele chorar, chacoalhe-o um pouco, ok? – Assenti. – Bom o macaquinho está aí ao lado, não se esqueça de entregá-lo a .
- Ok, boss, mais alguma coisa? – Ralhei.
- Não destrua esse bebê, , por favor!
- Eu não vou, , agora vai tomar seu banho vai.
- To indo, valeu. – Disse contente dando de ombros.
- Ok. – Suspirei devagar. – Quem diria que um boneco estúpido me serviria de alguma coisa. – Proferi sozinho olhando para o boneco e logo ele começou a chorar. Agora fodeu! O que eu iria fazer? É mesmo, disse para chacoalhá-lo e foi isso que eu fiz de um jeito bem desengonçado. – Já chega bebê, está tudo bem shiu! – Ainda bem que e não estudam aqui, se não eu seria zoado até a morte se eles me pegassem falando com um boneco.
Nem tinha percebido que a aula de Educação Física já tinha acabado e que as meninas já estavam indo para a sala. Vi se aproximar, ela levantou a blusa para cima deixando sua barriga de fora, e que barriga era aquela. Perfeita! E ainda pra me torturar bebeu um pouco de água da garrafa e jogou um pouco no rosto, mais um pouco e meu estava prestes a se animar, eu estava ali vidrado naquele corpo perfeito, só percebi que ela me olhava quando se aproximou de mim.
- , o bebê esta chorando! – Exclamou e pegou-o do meu colo.
- A... É... Eu... Estava chacoalhando ele. Juro que ele tinha parado de chorar. – Titubeei. Damn¹! Eu odiava o quanto eu parecia um retardado perto dela.
- Eu percebi que ele tinha parado mesmo. – Disse irônica. – Eu tinha o deixado com , acho que ela se cansou dele. – Ela segurava o bebê de uma forma tão delicada, ela parecia ter jeito com criança, pois o bebê até parou de chorar.
- Não foi culpa dela, ela estava se sentindo mal e eu me ofereci para ajudar. – Disse e tentei ao máximo não olhar para a barriga dela toda suadinha, gostosa e... Deixa pra lá. – Afinal esse bebê também é meu.
- E você não tem o menor jeito para isso. Eu falei sério quando disse que você não precisava se importar, eu dou conta sozinha. – Finalizou sincera.
- Eu já disse que me importo, .
- Eu preciso ir, até mais, . – Ela virou para pegar o macaquinho com a mão desocupada e na hora eu vi algo surpreendente: Ela tinha uma tatuagem na costela escrito: Mom and Dad e mais em baixo tinha uma estrelinha. No way! Ela só podia ser... Ela era a... Dude como eu não havia percebido as semelhanças antes? Acho que ela percebeu o meu olhar de deslumbre e abaixou a blusa dando o fora o mais rápido possível para longe de mim.
era a minha vizinha, a garota do sobrado amarelo. Tinha que ser ela. Como eu não descobri isso antes? Eu tenho certeza que elas são a mesma pessoa e só tem um jeito de eu descobrir isso... Hoje à noite eu vou até a casa dela.

’s pov on

Olá mamãe, papai e Eric.
Hoje apresentei meu bebê á eles, imaginem a reação deles? Ficaram tão felizes e eu me alegrei com toda aquela euforia. Eu adoro aquele lugar, com pessoas de verdade e que são felizes com o pouco que tem. Para mim é uma satisfação doar o meu tempo para eles. Só estou triste porque amanhã é final de semana, e não poderei visitá-los. O que eu irei fazer? A solidão vai me devorar, vou me sentir angustiada como me sentia em Glasglow sem vocês. Eu sei que as lembranças vão me invadir e a saudade vai me sufocar. Por favor, façam essa dor passar? Eu não quero me desesperar e magoar vocês – As pessoas dizem que não podemos chorar por aqueles que já partiram, pois eles sentem a nossa dor e ficam tristes -, e eu definitivamente não quero entristecê-los, eu os amos demais para isso.
Eu só queria estar aí, junto de vocês. Eu não vejo porque eu fiquei e vocês se foram. Eu sei que se eu tivesse ido não faria tanta falta a ninguém.
O bebê está chorando preciso ir.
Saudades eternas... Amo vocês

Tomei meu banho, coloquei uma calça jeans, uma camiseta e por cima um moletom da Hurley. Terminei de calçar os meus Vans e por fim coloquei o meu gorro preto, estava ventando lá fora. Agora eu estava pronto pra descobrir se a minha vizinha era a mesmo.
Passei em frente ao quarto de e ele acabava de se arrumar para ir até a casa de .
- Dude, se a vizinha for mesmo a , considere-se um cara de sorte, pois sua aproximação amigável vai começar. – Ele gargalhou e abotoava sua camisa xadrez.
- Eu sei disso. – Dei um sorriso de canto. – Divirta-se com a e não se esqueça de usar camisinha ok? – Zoei.
- Vai se foder, ! – gritou do quarto e eu ri.
- Na verdade você quem vai foder! – Zoei e fechei a porta, deixando resmungar sozinho.
Peguei o elevador chegando ao mezanino cumprimentei John o porteiro e fui rumo ao sobradinho amarelo, que ficava do outro lado da calçada, exatamente depois de quatro casas. Enquanto eu fazia meu caminho até a porta meu coração acelerou um pouco. Estaria eu nervoso? Sim, eu estava. Eu não sabia como reagiria ao me ver ali, e se eu estivesse errado, o que eu diria a minha vizinha? Que se foda! Só tem um jeito de eu descobrir isso e é tocando a campainha. Respirei fundo apertando a mesma. Eu nunca tinha ficado nervoso antes com nenhuma garota, mas eu estava agora, eu admito. Passaram-se uns três minutos e logo ouvi o barulho da chave na fechadura. Meu estômago deu uma reviravolta entranha, sorri discreto ao notar a feição confusa de quem acabara de abrir a porta.
- , o que faz aqui? – Eu mantive minhas mãos dentro do bolso e o sorriso confiante também. Eu sempre estou certo. Fato.

Nine
The time goes fast, when I’m with her

Ela sustentava uma expressão confusa e tristonha no rosto, pensei em inventar qualquer coisa e ir embora. Talvez, eu estivesse chegando no momento errado e tal, poderia ter brigado com a sua família ou até mesmo com seu namorado (se ela tiver um, e eu espero que não), mas algo dizia que eu deveria ficar. Eu não queria deixá-la sozinha.
- Foi mal, aparecer de surpresa, mas acho que temos um bebê juntos e eu não vou desistir dele. – Deixei um sorriso escapar, e na verdade eu só banquei o engraçadinho, para deixá-la contente. Não estava certo vê-la tão triste.
- Entre. – Ela esboçou um sorriso fraco e me deu licença para que eu entrasse na sua casa, antes de adentrar recuei um passo e indaguei:
- Seus pais não vão se incomodar, por eu está aqui sem avisar?
- Eu moro sozinha. – Ela disse, depois de suspirar pesado. Será que ela tinha brigado com eles e por isso estava abatida? Bem, isso eu não sei. Dei um passo e finalmente entrei na casa de .
A sala não era enorme, e sim média, tamanho suficiente para uma pessoa que mora sozinha. Não tinha nada extravagante, era tudo simples, bonito e cheirava a novo. As paredes pintadas de um vermelho vivo trabalhadas em texturas tinham um aspecto descolado e moderno. Havia um sofá de três lugares de couro preto e uma poltrona, um tapete no meio da sala fofo e vermelho com uma mesa de centro no meio e por fim um hack de mogno, com alguns porta-retratos e uma TV de Plasma de 45 polegadas sustentada na parede. tinha muito bom gosto, era tudo tão bonito e limpo na sala dela, de fato deveria ser a casa toda.
- Pode se sentar, . – Disse educadamente, indicando o sofá grande. Sentei-me e ela sentou na poltrona.
- Valeu. – Agradeci e fiquei meio bobo, ainda fitando aquele lugar. Era tudo tão incrível. Olhei para e ela me olhava desentendida, eu iria quebrar o silêncio, porém ela o fez primeiro.
- Então... Como você descobriu onde eu morava? – Ela sentou-se em posição de índio e abraçou as pernas. parecia nostálgica hoje, contudo estava tentando disfarçar seu atual estado de espírito. Eu me pergunto como eu conseguia ler as expressões dela tão bem, se eu sequer a conheço?
- Eu tenho meus contatos. – Revirei os olhos. Não era o momento propício pra dizer: Ah, sabe qual é ? Eu ficava te espionando pelo telescópio do no meu apartamento. Ela me chamaria de psicótico e me mandaria embora no ato. – E o bebê, eu vou poder cuidar dele?
- Por que esse súbito interesse em cuidar dele? Você pareceu não se importar com o projeto ontem. – Ela mordeu o lábio e sorriu de leve. Eu fiquei feliz em vê-la sorrir, era sinal que minha presença estava fazendo algum efeito.
- Porque eu não acho justo você cuidar dele sozinha sabe? E eu não posso fugir das minhas responsabilidades de aluno, eu quero te ajudar , eu insisto. Agora resta saber se você aceita a minha ajuda. – Relaxei meu corpo no sofá macio e encarei-a com os olhos de alguém que está disposto a ajudar. Ah, eu sou demais.
- Tudo bem. – disse depois de fingir pensar. Eu não reprimi um sorriso. – E, por favor, me chame de , é menos formal.
- Ok, . Você não vai se arrepender parceira.
- Bem, eu espero, mas antes de você cuidar do bebê, preciso testar seus conhecimentos. – Disse divertida e dude eu adorava o sorriso dela, era tão cativante, ela deveria sorrir mais vezes.
- Manda vê! – Dei uma piscadinha de lado.
- Já volto. – Ela subiu a escada para o segundo andar da casa.
Eu fiquei contente, tudo estava saindo como planejado. Eu estava conseguindo me aproximar dela aos poucos e se tudo desse certo eu até teria chances de convidá-la pra sair. Era a primeira vez que eu estava tentando conquistar uma garota e eu estava curtindo aquilo. Como dizem: Tudo que é mais difícil é melhor. Concordo plenamente. Enquanto não descia, resolvi me levantar e esticar minhas pernas. Aproximei-me do hack observando as fotos nos porta-retratos, peguei um com uma moldura branca e delicada, a foto que estava suspensa nele era muito bonita. Havia uma mulher ruiva com os cabelos curtos, ela esboçava um sorriso lindo tanto quanto o da que estava ao seu lado, com os cabelos presos sorrindo de uma maneira natural. Linda. Ao seu lado estava um cara de no mínimo uns 27 anos com grandes olhos azuis e por último um homem grisalho, porém não velho. Ele tinha os olhos azuis como o do guy ao lado da . Logo percebi que aquela deveria ser a família dela. Eles pareciam felizes, como aquelas famílias de seriados de TV. E vê-la sorrindo daquela maneira, só aumentava as minhas dúvidas. Por que ela não sorria com aquela mesma intensidade visível nas fotos? Por que ela mora sozinha, invés de morar com seus pais, se ela parecia tão feliz? Eu ainda me perguntaria mais coisas, contudo ouvi passos e deduzi que estava descendo e eu não tinha intimidade o suficiente para fazer perguntas tão pessoais a ela. Deixei o quadro no mesmo lugar e corri para o sofá. Fingindo não ter saído de lá nem por um minuto.
estava com o bebê no colo (de tanto chamar o boneco de bebê, eu já tinha me acostumado a chamá-lo assim), e com a mão livre segurava uma bolsa branca, daquelas que as mães usam quando saem com os filhos pequenos. Eu estava certo quando disse que ela estava empolgada com esse projeto. caminhou até mim, sentando-se ao meu lado no sofá.
- , esse vai ser o seu teste. – Ela olhou de mim para o bebê.
- Ok... O que você quer que eu faça? – Fingi estar seguro. Tomara que ela não peça pra segurá-lo, pois eu já não me lembrava como tinha me ensinado.
- Eu quero que você pegue-a no colo, simples! – Esticou os braços, me dando livre acesso ao boneco, mas eu não sabia como fazer isso.
- Vamos lá. – Disse baixo. Analisei-o antes de pegá-lo no colo. Man, aquilo era difícil. Eu nunca peguei uma criança no colo, nem sabia como fazer aquilo. Vamos lá, , o tempo está passando. Suspirei fundo algumas vezes e olhei para que mantinha a expressão calma, por fim acabei pegando o boneco por uma perna e um braço. – Pronto. – Finalizei contente e estava com a mão na boca reprimindo um sorriso.
- , você acabou mesmo de pegar o nosso bebê pelo braçinho e pela perninha dela? – Assenti e ela gargalhou. A risada dela era tão gostosa que me fez rir também. Aquele sorriso era o mais lindo que eu já havia visto na minha vida. Era tudo tão inédito em uma semana que eu a “conheço”, jamais vi a gargalhar, ela sempre era tão séria. Ela não podia escondê-lo jamais. percebendo que eu a encarava, parou de gargalhar. Creio eu que ficou sem jeito, pois as bochechas dela estavam coradas em um vermelho fraco.
- Você tem um sorriso lindo. – Isso foi gay, mas saiu sem eu perceber.
- Obrigada. – Agradeceu e por um momento o silêncio reinou muito silêncio me deixa tenso, eu tinha que puxar um assunto.
- Err, eu já vi que fracassei no primeiro teste de como cuidar do nosso bebê, mas qual seria o segundo teste, senhorita ? – Brinquei e ela sorriu sem mostrar os dentes.
- Realmente, você foi péssimo no primeiro teste, mas tudo é uma questão de prática ok? Vou te ensinar como segurar um bebê.
- To pronto pra praticar. – Juro que eu disse isso sem segundas intenções.
me ensinou como pegar a “Sawyer” corretamente, e me corrigiu diversas vezes quando eu disse o bebê, pois segunda ela, era nossa bebê, já que o boneco era boneca e ela a batizou de Sawyer. Eu disse que esse nome era meio de detetive, mas que no fundo gostei, é eu tinha gostado mesmo. Depois me disse que aquela bolsa veio junto com a Sawyer, pois o professor Potter tinha entregado na aula de hoje, a qual eu tinha matado e nem sabia que tinha. Dentro da bolsa havia fraldas plásticas e uma mamadeira com água. me ensinou a como trocar as fraldas do bebê (já que a boneca urinava água, claro) e como dar a mamadeira a Sawyer. Eu achei que seria uma atividade boba e fácil cuidar da boneca, mas o professor Potter não estava mentindo quando disse que, aquele trabalho mostraria quem tem responsabilidade ou não. Se cuidar de um bebê/boneco já não é moleza, imagine cuidar de um de verdade? Eu já não me esquecia da camisinha, agora que não esqueço mesmo. Morremos de rir com as minhas inúmeras tentativas frustradas de como trocar a fralda da Sawyer, porém depois de tanto tentar eu consegui e ainda a fiz parar de chorar. Definitivamente passar aquele tempo com a estava sendo ótimo, e nem tinha acontecido nada entre nós. A definição de passar um tempo ótimo com uma garota para mim era somente quando rolava sexo; a situação ali era bem diferente.
- Viu como você aprende fácil? Você fez a Sawyer dormir. – Ela disse orgulhosa, vendo a bebê no meu colo.
- No final das contas, acho que passar um tempo com ela não vai ser tão ruim. Vamos tirar dez nesse projeto, eu prometo. – Disse sincero e deitei o bebê no sofá.
- Acho que vamos. – Deu um sorrisinho de canto. – Eu estou com fome e você?
- Também. Quer sair e pedir algo pra comer?
- Eu acho que não tem pizzarias e nem restaurantes abertos a uma da manhã. – Falou depois de fitar o relógio. Fiquei perplexo. Já era uma da manhã e eu sequer tinha notado como o tempo passou tão rápido.
- O tempo passou e eu nem percebi. – Disse sem jeito. – Se quiser a gente pode tentar ver se tem algum lugar aberto e tal.
- Não precisa, por sorte tem pizza congelada e coca cola, acho que todo mundo gosta, huh? – levantou-se do sofá, calçando suas pantufas da Lindinha das Meninas Super Poderosas. Era bem engraçadinha.
- Eu nem preciso dizer que gosto. – Levantei-me também. - Quer ajuda?
- Não preciso, mas aprecio a companhia. – Deu um sorriso tímido e rumou para cozinha, eu em seu encalço. era tão divertida e educada, ela era diferente de todas as garotas que costumavam chamar a minha atenção: Burras e fúteis.
Depois de alguns minutos a pizza ficou pronta, então decidimos comer na sala, sentados no tapete macio que havia em frente ao sofá, assistindo clipes no VH1. Conversamos sobre bandas preferidas e descobri que tínhamos muito em comum. As poucas coisas que dizia sobre si, me dava a impressão de que ela era uma garota bem diferente do que aparentava ser. Ela parecia ser divertida e espontânea, não tímida e quieta como se comportava na escola, entretanto ela tinha algo que a impedia de ser a pessoa que costumava ser. A tristeza que eu vi em seus olhos quando eu cheguei estava bem distante agora, contudo ainda era visível neles. Eu sabia que tinha algo a ver com a família dela, mas eu não poderia simplesmente perguntar o que houve, se ela quisesse compartilhar, o faria sem eu ao menos pedir.
Confesso que a noite estava sendo ótima, eu nunca tive um programa light com uma garota em plena sexta feira à noite. me deixava confortável, com ela eu poderia ser eu mesmo. O estranho era que eu não queria ir embora, não queria deixá-la sozinha, eu tinha medo que ela ficasse triste de novo. Eu não estou me gabando de que sou o único responsável por ela esta sorrindo agora, mas em grande parte eu sei que fui e eu só queria mantê-la contente o quanto pudesse.
- Eu tenho mesmo medo do Marylin Manson, ele é estranho. – Ela disse depois de ter implorado pra eu mudar de canal, quando começou a passar o clipe de Beautiful People na VH1.
- Eu o acho um cara de presença. – Sorri e vi unir as sobrancelhas em confusão, fazendo o pai nosso.
- Você me assusta . – Disse bocejando. Infelizmente me toquei que era hora de dar tchau. Olhei no meu relógio e faltava quinze para as três da manhã. Por mim eu amanheceria o dia comendo porcarias e falando coisas sem sentidos com a , mas ela parecia cansada e eu não queria incomodar.
- , eu acho que vou nessa. – Levantei sem vontade nenhuma do chão e estiquei meu braço para que ela se levantasse também, ela o fez parando de frente comigo.
- Foi divertida essa noite, . – Disse sincera e meu ego se encheu. Era legal saber que minha presença tinha sido agradável.
- Foi bem mais que divertido, . – E sim o que disse teve significado ambíguo. Eu a fitei por um tempinho, porém percebi que estava deslumbrado demais e disfarcei. Até porque não queria assustá-la. – Diga tchau a bebê Sawyer. – Peguei-a no colo e do jeito certo dessa vez, vale ressaltar, e pegou a bolsa. Que mico eu ter que sair com aquela bolsa e uma boneca no colo. Graças a Deus que estava de madrugada, e eu moro do outro lado da rua.
- Cuide bem dela, ok? E não se esqueça de fazer as anotações precisas, o senhor Potter vai querer vê-las. – Foi falando até chegarmos à porta. – E se precisar de algo me liga?
- Na verdade, se você quiser checar como ela está, atravesse a rua, vá até o Edifício Loyal Garden e interfone o nono andar que estaremos lá. – umedeceu os lábios e me olhou surpresa.
- Não acredito que você mora na mesma rua que eu! – Sorri.
- Agora já sabe onde me achar. Boa noite, .
- Boa noite, . – Respondeu baixinho e um sorriso pequeno surgiu em seus lábios, o qual devolvi na mesma intensidade.
Eu só queria me aproximar mais e mais de , ela me deixava calmo e ao lado dela eu esquecia todos os meus problemas, eu sequer me lembrava que estava irado com Michael, só me lembrei agora, pois me afastei dela. Como era possível ela ter se tornado meu refúgio pessoal em apenas uma noite?

Droga, maldição ¹

Ten
Everything comes naturally


Se tem uma coisa que eu odeio, é ser acordado em pleno final de semana. Os dois únicos dias que eu posso dormir até cansar e não preciso pensar em equações, verbos e em nenhum tipo de matéria chata, entretanto tem sempre um vizinho irritante fazendo barulho, celular tocando ou um bebê de mentira chorando pra te acordar... No meu caso, foi a última opção. Levantei da cama com uma má vontade do cassete, ainda com os olhos meio que fechados peguei a bebê Sawyer de dentro do cestinho branco o qual estava em cima da cadeira computador e a mamadeira que estava ao lado. Deitei-me novamente, mas dessa vez, Sawyer me fazia companhia e dei a mamadeira de água para ela. Ela só tinha que calar a maldita boca. O choro da boneca era idiota como de um bebê de verdade. Eu nunca quero ser pai. De jeito nenhum!
- Seja boazinha e me deixe dormir, bebê Sawyer. – Suspirei cansado, repousando a mão desocupada em cima da testa.
Antes de cair no sono outra vez, chequei a mamadeira e ela estava vazia. Finalmente Sawyer estava alimentada e quieta. Coloquei-a de volta no cestinho branco e fiz as anotações precisas no bloco de notas que me deu ontem à noite. Voltei felizmente para a cama e quando pensei que por fim poderia dormir sossegado, ouvi os acordes de Overboard Man do Blink 182 tocarem e meu celular vibrar irritantemente em cima do criado mudo.
– Puta que pariu! – Exclamei sem paciência, esticando meu braço para pegar o aparelho. O nome Michael estava estampado no visor. Eu não iria atender, não mesmo. Faz uma semana que eu estou nesse fim de mundo e agora que ele liga? E além do mais, eu não tinha nada para falar com ele. Michael já estava me dando o castigo que queria, cortando todo o meu dinheiro, não era isso que ele queria? Pois bem, castigo aplicado. Eu não preciso falar com ele. Enfurecido, joguei o celular de volta ao seu lugar, me deitando de bruços na cama ignorando o toque do celular. Ignorar não deu muito certo, já que Michael era insistente e não parava de ligar. Irritado desliguei aquela porra e fui tomar um banho, pois o meu sono já tinha ido embora.
Passei cerca de trinta minutos em baixo do chuveiro, eu estava muito tenso. Acordar antes da uma pra mim no sábado, não funcionava. Michael conseguia estragar a minha vida até quando estava distante. Tenho certeza que ele só estava me ligando, pois Norah deveria ter impulsionado-o a fazer isso. Ela era a única que se importava comigo... Eu sentia a falta dela. Se ele não se lembra de ter um filho, por que eu me lembraria de ter um pai? Eu só tive um pai enquanto minha mãe estava viva, depois que ela se foi... Meu pai se foi também – Agora ele só era um homem distante e calado, o homem que preferia me dar dinheiro ao lidar comigo.
Afastei os pensamentos inconvenientes e comecei a me trocar. Vesti uma calça jeans preta, calcei meu Vans e só faltava a blusa branca de gola V, antes mesmo que eu pudesse colocá-la adentrou o meu quarto.
- Mate, a está aqui. – Ele disse com um sorriso maroto no rosto.
- Sério, dude? – Perguntei incrédulo.
- Sim, vem logo que ela está te esperando na sala. – nem terminou de falar e eu já estava atrás dele, não antes de espirrar uma boa quantidade de perfume no meu corpo.
- Aí está ele! – exclamou contente e logo me repreendeu com o olhar, e eu não tinha entendido o motivo daquilo. sentou-se no sofá e deu risada e corou ao me olhar. Porra o que estava rolando?
- Hey, . – Cumprimentei animado, mesmo estando confuso.
- Oi. – Ela olhou para mim e desviou o olhar, só então percebi que eu estava com a minha blusa nas mãos. Eu tinha me esquecido de colocá-la. BURRO! É, eu sou.
- Opa! Esqueci de vestir. – Sorri sem graça e coloquei a blusa, passando um olhar de canto pra . Aquele puto nem pra me avisar. – Senta aí, . – Apontei para o sofá de dois lugares e me sentei no de três ao lado de .
- Obrigada. – Agradeceu envergonhada e sentou-se. – Eu vim checar a Sawyer, ver se está tudo ok.
- Sawyer? – perguntou confuso.
- É o bebê da aula de Saúde, amor. – respondeu da cozinha.
- Ah ta. Não sabia que a boneca tinha nome. – Zombou .
- Foi a quem colocou. – Disse.
- Eu achei que tivesse sido você, , pois você está curtindo brincar de boneca. – zoou e sorriu.
- Ah, cala essa boca, . – Dei um tapa na cabeça dele. – E sim, , está tudo bem, ela chora e isso é meio irritante, mas estou lidando com isso.
- Se quiser, eu posso levá-la pra casa hoje. – Ofereceu. parecia um pouco tímida hoje, acho que era porque estava ali e ela não estava acostumada a conversar com muitas pessoas. Ontem quando estávamos apenas nós dois, ela estava mais a vontade. Fiquei feliz por isso, era sinal que ela ficava confortável com a minha presença.
- Não precisa, trato é trato.
- Ok. – Ela umedeceu os lábios e suspirou fundo. – Acho que vou indo. – Levantou-se do sofá e não, eu não queria que ela fosse embora.
- Não vai, , fica aqui com a gente. – Levantei rapidamente, parando em frente á ela.
- Almoça com a gente, . – disse da cozinha. Agradeci mentalmente por isso. – Estou procurando algo pra cozinhar nessa casa, esses meninos só comem batata fritas, cereal e muita porcaria.
- Hey, amor, isso são alimentos saudáveis! – protestou.
- São calóricos! – rebateu, eu e sorrimos.
- Fica, , por favor? – Insisti.
- Tudo bem. – Deu um sorriso doce. – Eu posso te ajudar a cozinhar, se você quiser, .
- Por favor, amiga! Eu não sei lidar direito com a cozinha. – proferiu desanimada.
- Ok. Vamos ver o que tem na dispensa do e do . – disse divertida e agora ela estava se soltando mais.
- Fica a vontade, só não prometo que você vai achar comida de verdade por lá. – Brinquei e ela deu de ombros indo até .
- Ela parece ser legal. – disse baixo me passando o controle do vídeo game.
- Ela é mesmo, mate. – Falei mais pra mim do que para o .
- Yeah! Você achou um pacote de macarrão perdido , você é demais! – vibrou da cozinha e eu sequer sabia de onde aquele pacote de macarrão tinha saído. Acho que foi a mãe do que comprou para nós antes de se mudar para Liverpool.
- Eu tenho uma ideia , vamos até a minha casa. Lá tem molho de tomate e temperos, eu trago e a gente faz uma macarronada ok? – Ouvi dizer.
- Ok. Meninos, já voltamos. – disse contente puxando pelas mãos, ela me olhou como se me perguntasse se aquilo estava tudo bem, eu assenti e ambos desapareceram pela porta.
- Dude, vamos ter comida de verdade hoje, eu gosto ainda mais da . – vibrou.
- Isso é bom. – Disse prestando atenção no jogo de futebol que nós disputávamos.
- Você está gostando dela, man. – ralhou.
- Ih, não seja idiota, . – Disfarcei. – Como eu posso esta gostando dela, se estamos nos conhecendo agora?
- Como se você precisasse disso pra gostar dela. Você a olha diferente, cara, é tudo o que eu posso dizer. – Ele disse convicto e eu fiquei sem palavras. Eu estava mesmo sentindo alguma coisa por e não podia negar.
e voltaram minutos depois com os temperos. Fizeram a macarronada e durante o processo, pude ouvir as duas se divertindo na cozinha. Aquilo me deixava feliz, ver que a estava se dando bem com meus únicos dois amigos em Southend e que eles também gostavam dela. Eu tinha uma espécie de cuidado com ela, desde a primeira vez que eu a vi, algo me dizia que eu deveria cuidar de e era isso que eu fazia, era uma coisa automática. Eu faria de tudo para mantê-la por perto e não deixaria que ninguém a machucasse. Com ela eu me sentia diferente de como eu me sentia ao lado das outras garotas. Com a eu ficava inseguro, e sempre tomava cuidado com o que deveria falar, pois eu não queria parecer um riquinho idiota e ganancioso ao seu lado... Eu só queria parecer uma pessoa melhor perto dela.
Durante o almoço nos divertimos muito, preciso dizer que era ótima na cozinha. Me pergunto se ela havia aprendido a cozinhar tão bem com a sua mãe ou se já nascera com os dotes culinários. Depois de comer se recusou a lavar a louça e disse que aquilo era trabalho para e eu, já que ela e fizeram o almoço. disse que não tinha problema algum em lavar a louça, mas a impediu. e eu travamos uma briga pra decidir quem lavaria a louça, pois nenhum de nós sabia ao menos como segurar uma bucha. Resolvemos na “pedra, papel e tesoura” quem seria o sortudo a lavar os pratos e foi o escolhido. Ele resmungou mais lavou e eu sequei e guardei a louça. Serviços domésticos são uma droga!
- Vamos assistir a um filme. – sugeriu sentado no sofá e aninhada no peito dele, enquanto e eu estávamos em pé por motivos desconhecidos.
- Qual filme? – Indaguei.
- Eu tenho O Massacre da Serra Elétrica. – respondeu empolgado.
- Amor, nós já assistimos esse filme milhares de vezes. – Falou impaciente.
- Mas é legal. Quem está dentro? – interrogou.
- Por mim tudo bem. – Falei.
- Por mim também. – Disse .
- Ae! Você perdeu, amor, engole essa. – zoou e deu um tapinha no braço dele.
- Ok, mas antes de começar o filme eu quero comer algo doce. – disse manhosa.
- Ah, você não quer que eu saia de casa justo agora pra comprar doce né?
- Sim, eu quero, ! – e eu nos entreolhamos e sorrimos com a “discussão” do casal vinte.
- Eu não vou!
- Sim, você vai!
- Já chega!- Falei impaciente. - Me diz onde é essa doceria que eu vou lá comprar. – Sugeri.
- É a duas quadras daqui, , na Carmel Street. – disse animada. – Também não vou dar nenhum pedaço do meu Cheese Cake pra você, namorado idiota! – Fez bico. - Como coisa que eu não tenho dinheiro pra comprar né, Chatice em pessoa? – rebateu e lá vamos nós de novo. - Ok! Chega! Tenham educação, a está aqui. – Pedi, e olharam envergonhados para que estava um pouco sem graça ao meu lado.
- Sorry, amiga.
- Foi mal, . – se desculpou.
- Não precisam se desculpar, gente. – Abanou uma mão no ar.
- Bem, to indo lá. Só Cheese Cake mesmo? – e assentiram. – Você vem comigo, ?
- Uhum.
- Ok. Olhem a bebê Sawyer enquanto a gente não volta e não esqueçam de fazer as anotações no bloco que está em cima da mesa do computador.
- Tá. – saiu e foi para meu quarto pegar Sawyer.
- Calma aí, mate, vou pegar o dinheiro pra você comprar os doces.
- Não precisa, , depois você me dá. – Ele assentiu e eu dei de ombros com me seguindo.
- Não liga pra eles. e discutem por coisas bobas o tempo todo.
- Eu não me importo, eles são legais. – disse sincera cerrando os lábios.
Não precisamos ir de carro até a doceria, pois era perto de casa. e eu decidimos ir andando. Conversamos coisas aleatórias no caminho de volta para casa e andávamos a passos curtos. O tempo com ela passava tão rápido que eu sequer tinha percebido que já havia anoitecido.
- Sério, a bebê Sawyer parece muito real, não sabia que a Elite School levava tão a sério seus projetos. Cada boneco daquele deve ter custado uma fortuna. – sorriu de leve e indagou:
- A Elite School leva a educação muito à sério, não é a toa que ela é a escola mais famosa de Essex. Você não pesquisou nada sobre ela antes de entrar lá? – Eu fiquei tenso e acho que minha expressão transpareceu isso. Ela não sabia os reais motivos de eu estar naquele colégio.
- Eu nem sabia que esse colégio existia. Não estudo nele porque quero. – Sorri sem humor e arqueou as sobrancelhas.
- É mesmo chato fazer coisas que não estamos dispostos a fazer. – Ela encarava os próprios pés. – Mas uma hora tudo se ajeita, e um dia você vai poder ir embora daqui.
- É... Eu acho que vou. – Engoli a seco. Vocês achariam estranho o fato de eu não ter mais tanta pressa em ir embora de Southend agora?
- Afinal, Londres é uma cidade perfeita, ninguém quer trocá-la por Southend, muito menos o Herdeiro Problema. – Ela gargalhou e eu me senti estúpido por ter aquele apelido. Nunca imaginei que soubesse sobre ele.
- Não sabia que você sabia do meu apelido. – Sorri envergonhado, girando a sacola com nossos doces no ar.
- Eu ouvi algumas meninas da classe de Biologia falando e depois constatei que você era o mesmo que as meninas comentavam na Escócia. – Ela colocou as mãos dentro do bolso da calça jeans. Eu a encarei, ela fez o mesmo, mas voltou a olhar para frente. – Você parece envergonhado... Por causa do apelido, quero dizer.
- Eu nunca me envergonhei por ser chamado assim antes, mas você falando faz eu me sentir um grande idiota. – Confessei. me olhou confusa.
- Sério? Não sabia que o que eu digo sobre você tem mais peso do que quando as outras pessoas dizem.
- Sim, o que você diz sobre mim causa muito mais efeito. – Olhei-a de canto e notei que ela ficou envergonhada. Por que eu disse isso mesmo? Eu não fazia a mínima ideia. Isso sempre acontece quando estou ao lado dela, as palavras saem tão naturalmente sem eu ao menos perceber. – Então... Você morava na Escócia? – Falei quebrando o silêncio.
- Sim. – Ela respondeu somente isso e percebi aquela tristeza já conhecida por mim, habitar em seus olhos. De maneira nenhuma eu queria entristecê-la então tratei de mudar de assunto. Ficou claro para mim que, era doloroso para falar de sua vida pessoal e não era minha intenção deixá-la para baixo com as minhas perguntas idiotas.
- Bem... Preparada para O Massacre da Serra Elétrica? – Disse assim que chegamos em frente ao meu prédio.
- Pode apostar que sim. – E o sorriso doce instalou em seu rosto, exatamente como eu queria.
Assistimos ao filme e algumas vezes durante ele, senti ficar tensa ao meu lado, não por medo e sim porque minhas mãos acabavam sempre tocando a dela sem eu perceber. Eu não conseguia mais esconder a atração que eu sentia por ela, estava cada vez mais explícita, eu precisava me controlar mais. Nós estávamos nos tornando amigos e aos poucos ela estava confiando em mim, eu não podia simplesmente estragar tudo, eu estava conseguindo o que eu mais queria desde o principio... Ficar ao lado dela. Eu nem sabia o que ela achava sobre mim, eu precisava ir com calma e esconder um pouco mais, a vontade tremenda que eu sentia de unir meus lábios aos dela. Eu não acredito que estou ralando tanto para somente beijar uma garota, mas está valendo à pena. Assim que o filme acabou foi levar em casa e eu levei até a casa dela, que felizmente ficava do outro lado da rua. É estranho eu admitir isso, mas eu não via a hora de vê-la novamente.

Olá mamãe, papai e Eric.

É incrível como mesmo aí de cima, vocês continuam cuidando de mim. Eu os amo tanto. Ontem eu estava prestes a enlouquecer por ficar sozinha, mas do nada apareceu na minha porta e eu sei que isso foi um sinal. Vocês o mandaram para cuidar de mim.
Eu me diverti tanto com ele ontem e hoje, e admito que o julguei mal. Eu pensava que ele não passava de um garoto idiota e mimado, mas ele é muito legal e temos muitas coisas em comum. Ele me transmite paz e segurança, durante esse tempo todo não deixei que ninguém se aproximasse de mim, pois eu simplesmente não confiava nas pessoas, mas com o é diferente, tudo nele é diferente. Ele me faz rir, leva meus momentos angustiantes embora e me olha como se eu fosse especial.
Eu estou com medo, com muito medo, pois eu não quero mais me afastar dele, isso é bem mais forte do que eu. E se ele for embora, como é que eu vou ficar? Eu não posso sentir nada por ele. Eu simplesmente não posso! As pessoas de alguma maneira sempre acabam me deixando, e eu já estou cansada disso.
Saudades Eternas... Amo vocês.


Eleven
The Special Place


Quem diria que passaria a hora do intervalo estudando química no corredor da escola? Isso é realmente inédito, mas lógico que tinha toda uma história por trás disso. Acontece que eu queria passar um tempo com a , então como eu teria uma atividade de química no quinto tempo, pedi ajuda a ela, a qual concordou em me explicar a matéria na hora do almoço. Na verdade eu já estava cansado de saber o que átomos e matéria prima eram. Eu já tinha aprendido sobre isso na minha antiga escola, porém menti pra dizendo que estava com dificuldades. Vocês acharam que eu era burro e só entendia de dinheiro e garotas, huh? Aí que vocês se enganam; eu não sou muito de estudar, entretanto não sou estúpido. Eu entendo muito bem as matérias apenas com a explicação e nem preciso copiar nada da lousa pra entender. Eu sou desinteressado, não burro.
Ouvi passos e logo apareceu com um sorriso torto, sentando-se ao meu lado no último degrau da escada. Como ela conseguia ser tão linda? A beleza dela era natural. Não se entupia de maquiagem para vir à escola como as demais garotas, ela não precisava de retoque nenhum para ficar bonita.
- Por que não estudamos na biblioteca? Nunca estudei num corredor antes. – Arqueou a sobrancelha em sinal de confusão, sorrindo leve.
- A bibliotecária é muito chata. Se a gente diz uma palavra, ela reclama. – Rolei os olhos. Mentira pura. Na verdade eu queria ficar sozinho com ela.
- Ok. Então me mostre os exercícios. – Ela se aproximou e nossos joelhos se roçaram um pouco, o que foi suficiente para causar uma estática no meu corpo. A minha vontade de tocá-la crescia gradativamente.
- São estes aqui. – Abri o caderno e entreguei para , então ela começou a me explicar.
Ela explicava pacientemente as questões e ficava muito contente quando eu respondia certo (até porque eu já sabia). Às vezes eu me pegava encarando mais que o normal o jeito que ela mordia os lábios, ou mordia a tampinha da caneta. Ela me deslumbrava até com gestos simples.
- Então acho que é isso. – fechou o caderno e me entregou. – Espero ter ajudado. – Concluiu sincera.
- Você ajudou e muito. – Sorri de leve, e pra estragar o momento senti meu celular vibrar no bolso da frente da minha calça e a música do Blink 182 tocar. Eu não queria atender. Eu nem precisava checar pra ver quem era.
- Você não vai atender? – Perguntou confusa.
- Não é importante. – Disse indiferente e logo o celular parou de tocar.
- Ok. – Ela se afastou de mim, apoiando as costas na parede. O silêncio imperou entre nós, e eu odiava quando aquilo acontecia.
- Tá afim de comer alguma coisa? Daqui a pouco o sinal vai tocar... – Disse a primeira coisa que veio à minha mente.
- Não, obrigada, eu já comi. E de qualquer forma, faltam cinco minutos pra bater o sinal.
- Verdade. Você vai pegar a bebê Sawyer na última aula, certo? – Ela assentiu. – Eu quero ir com você. – Disse direto e me olhou um pouco assustada. – Quero saber o que o senhor Potter achou das nossas anotações e tal. – Disfarcei.
- Tudo bem, mas pelo o que ele me disse quando deixei a bebê na sala de Saúde, acho que estamos fazendo um ótimo trabalho. – Ela disse orgulhosa.
- Yeah, nossa parceria deu muito certo. – Vibrei e sorriu, mas como tudo o que é bom sempre acaba, o sinal tocou indicando que era o fim do intervalo.
- Eu preciso ir, aula de Francês agora. – Ela se levantou e passou a mão na saia do uniforme, como se estivesse limpando-a.
- Te vejo mais tarde na sala de Saúde. – Peguei meu caderno, lápis e levantei-me. – Manda lembranças a senhora Chevalier, ela me adora. – Ironizei.
- Pobre Chevalier, até ela você aterrorizou, . – Ralhou e deu de ombros indo para o primeiro andar da escola, onde já estava repleto de alunos voltando da hora do almoço.
As aulas seguintes passaram tediosamente, eu até cochilei na aula de Literatura, mas fui acordado por . Aquele viadinho. Eu não via a hora de acabarem as aulas e me encontrar com a . Até pensei em convidá-la pra fazer algo depois da escola, mas eu ainda tinha a maldita detenção. Por sorte, aquela seria a última semana que eu veria a cara de idiota do senhor Thompson... Adeus detenção.
Finalmente a última aula tinha chegado, era só eu terminar a atividade de química rapidamente e depois encontraria na sala de Saúde. Antes de a senhora Barton adentrar a classe, ouvi meu celular apitar e saquei-o do bolso cautelosamente, sem que a professora visse, pois se não ela confiscaria e apenas me devolveria no final da aula. Oito chamadas perdidas. Era a mensagem que aparecia no visor do celular. Apertei o botão verde não por curiosidade, e sim para confirmar que todas aquelas ligações perdidas eram de Michael. Não é que eu estava certo? Dude, eu só queria saber por que ele não parava de me ligar. Isso já estava começando a me irritar. Eu não queria falar com ele, nem sequer suporto ouvir a voz dele, então uma hora ou outra ele vai cansar de me ligar.
- Guardem os cadernos, pessoal, vamos começar a atividade. – A voz enjoada da senhora Barton acordou-me de meus devaneios. Guardei o celular de volta no bolso e meu caderno dentro da mochila.
Respondi as onze questões em vinte e cinco minutos e dei o fora da classe, assim que a professora permitiu minha saída. Esperei o sinal tocar e fui para a sala, esperar chegar. Logo a vi se aproximar, sua feição era inexpressiva, como se seu corpo estivesse aqui, mas sua mente perdida em outra dimensão. Eu não gostava de jeito nenhum de vê-la triste. Embora ela nunca reclame de nada, eu sei que ela tem problemas, problemas estes muito mais graves do que ser mandado embora de casa para estudar numa cidade pequena... Como no meu caso. Eu gostaria de poder ajudá-la, assim como ela me ajuda sem ao menos perceber quando estou triste, mas acho que ela não estava pronta para compartilhar. E quando ela estivesse, eu estaria ao seu lado disposto a ouvir e mesmo que eu não conseguisse achar uma solução para os seus problemas; eu faria tudo para ela sorrir e saber que não está sozinha, pois eu vou sempre está ao lado dela, apoiando-a em tudo. não fitava mais o chão, e ao levantar o olhar, suas íris brilhantes encontraram as minhas, um sorrisinho que não pude evitar reinou nos meus lábios, assim como nos dela. Se ela soubesse o quanto ficava mais linda sorrindo, ela nunca reprimiria seus sorrisos.
- Preparado para ouvir o senhor Potter? – Disse calma, segurando uma alça da mochila.
- Super. – Dei licença para que ela entrasse na classe primeiro do que eu, ela o fez e deu sorriu lisonjeada. Ela desperta o meu lado cavalheiro e olha que eu nem sabia que tinha um.
Conduzimo-nos até a mesa do senhor Potter, havia uma fila de alunos formada em frente a sua carteira, ele entregava um bebê por vez, a cada dupla de alunos. e eu éramos os segundos da fila. Gargalhamos ao notar a cara de espanto do professor, ao entregar um bebê sem braço a dupla que estava na nossa frente, pude ouvi-lo dizer: “Dominique e Ashley, por favor, não sejam pais nunca!” – A garota, Ashley, saiu resmungando com Dominique pelo incidente. Eu ri.
- Senhorita e senhor , - Potter sorriu ao olhar para , e fez cara de pouco caso quando disse meu nome. Aquele cara não gostava de mim e eu nem iria dormir a noite por causa disso. – Parabéns! A bebê Sawyer está sendo muito bem tratada. As anotações de vocês deixaram isso claro. Espero vocês na sexta e com o bebê inteiro. – Ele finalizou sincero, devolvendo a cestinha com a bebê Sawyer e o bloco de anotações. fez menção de pegar o cestinho, mas eu fui ágil e o peguei primeiro. Realmente, essa garota desperta o melhor de mim.
- Obrigada, senhor Potter. – Ela agradeceu simpática.
- E pode deixar que a boneca não será desmembrada até sexta. – Brinquei e posso jurar que vi o senhor Potter quase sorrir com a minha piadinha Fail.
- Próximo. – Ele chamou a dupla que estava atrás de nós, assim que demos de ombros.
e eu fomos conversando descontraidamente até o estacionamento do colégio, eu iria levá-la até seu carro e depois ir infelizmente para a detenção. Eu estava louco pra sumir daquele colégio e ir pra qualquer lugar com ela, mas a porra da detenção tinha que estragar tudo. Fechei a cara assim que chegamos ao carro de , e Liam e seus amigos babacas estavam do outro lado do estacionamento, conversando em frente à Hilux prata do Kepner. Sua feição também não foi a mais amigável assim que me viu.
- Bem, eu acho que é isso. – deu um sorrisinho tímido e eu entreguei a bebê Sawyer para ela.
- , será que depois da escola a gente podia se...
- Ora, ora se não é o herdeiro problema dando uma de garoto educado. – Liam me interrompeu, notei que ele estava logo atrás de mim com seus “fiéis cães de guarda”, uma raiva absurda corria pelas minhas veias. Ouvi dizer baixo “Ignora ele, por favor, ”. Eu dei um sorriso calmo para ela, como se dissesse “Não se preocupe” e voltei a encará-lo.
- Qual é a sua hein, Kepner? Você não consegue ficar apenas me encarando de longe, tem que vir pessoalmente falar comigo? Isso tudo é inveja, dude? – Disse irônico e os amigos dele gargalharam, deixando o retardado do Liam “putinho”.
- Inveja? – Ele soltou uma risada sarcástica. – Por que eu teria inveja de alguém fracassado como você? Um alguém que se acha o príncipe de Londres, mas que é tão retardado que até o próprio pai quis se livrar, mandando-o para bem longe dele. – Senti a adrenalina pulsar, fechando minhas mãos em punho. Aquele filho da puta iria ganhar outro olho roxo. Aquilo era tudo culpa do Michael!
- , por favor, não cai nas provocações dele. – segurou meu pulso esquerdo, seu olhar era suplicante. Encarei seus olhos por alguns segundos e vi que não valia a pena bater naquele idiota e assustá-la, mas depois eu acertaria as contas com Kepner.
- Perdeu a língua, ? – Ele provocou.
- Eu só não vou quebrar a sua maldita cara agora, porque eu sei respeitar as mulheres, ao contrário de você, babaca. Mas não pense que você está ileso, meu punho ta louco pra ir de encontro com o seu olho esquerdo agora. – O sorrisinho idiota sumiu do rosto de Liam e logo ele saiu com seus amigos, quando viu e se aproximarem.
Eu estava fodido de raiva, pois tudo o que Liam tinha dito ao meu respeito era verdadeiro, Michael tinha realmente se livrado de mim e eu o odiava tanto. Então por que infernos ele continuava a me ligar? De repente as memórias da nossa última briga nublaram meu cérebro, as provocações de Liam, a falta da minha mãe e o vazio que eu sentia tudo de uma vez se apoderou da minha mente. Eu só queria fugir daquele lugar, eu precisava me distrair se não faria alguma besteira... Eu precisava de alguém que pudesse fazer todos os meus anseios passar, e essa pessoa era a ... Somente ela faria tudo passar.
- , você pode passar um tempo comigo? E-eu não quero ficar aqui. – Titubeei.
- É claro que eu posso, , calma ok? – Ela passou as mãos delicadas sobre o meu rosto. Aquele gesto por incrível que pareça me confortou. – Eu preciso ir num lugar agora, se você quiser pode vir comigo.
- Sim, eu quero. – Ela assentiu.
- Dude, o que tava rolando entre você e o Kepner? – disse ofegante, acho que ele tinha corrido. estava ao lado dele com a expressão confusa.
- O que aquele babaca fez agora, ? – Ela interrogou preocupada.
- Depois eu falo pra vocês. – Disse impaciente, não vendo a hora de dar o pé daquela escola. – , você pode levar meu carro pra casa? Eu vou com a .
- Tudo bem, mate. – Concordou . Eu assenti positivamente, tirando a chave do Range Rover do bolso da minha calça e entreguei a ele.
- Tchau, , tchau . – despediu-se de nós, e logo deu de ombros com indo em direção ao meu carro.
- Tchau. – e eu respondemos em uníssono. – Vamos? – Ela interrogou e eu dei a volta indo para a porta do passageiro.
Assim que me instalei no carro, joguei minha mochila no banco de trás, junto com a da ao lado da bebê Sawyer que por um milagre estava quieta dentro do cestinho branco. Ainda bem! Coloquei o cinto de segurança e logo deu partida no carro.
O silêncio estava impenetrável. Por mais que, eu odiasse ficar quieto ao lado de , eu não queria falar nada - Eu estava aborrecido demais para isso – Se eu pudesse, socaria a cara do panaca do Liam, até perder todas as minhas forças. Talvez, eu socaria a cara do Michael também, afinal, eu estou nessa situação por causa dele. Eu já estava farto dessa cidade, de ficar sem dinheiro, das ligações estranhas de Michael, as quais eu não fazia a mínima questão de atender, da detenção idiota (a qual fugi hoje, e amanhã vou ter que aturar a encheção de saco da diretora Miller) e agora ainda tinha que aturar as provocações do desgraçado do Kepner. Minha vida está um verdadeiro desastre, a cada dia que se passa. Um dia você tem tudo, no outro quando você acorda... Não tem absolutamente nada. Na minha vida sempre foi assim, as coisas nunca eram estáveis. Qual é o sentido de ter uma família, se ela não dura para sempre? Qual é o sentido de ter dinheiro, sendo que por uma brincadeira estúpida com seus amigos, você perde tudo? E qual é o sentido de ter um maldito pai que te odeia? Ainda imerso em meus pensamentos, apenas analisava as ruas e as pessoas. Eu imagino que muitas delas são bem mais felizes do que eu sou. Eu precisava conversar com a , mas eu não sabia se ela se interessaria em ouvir minhas lamúrias e muito menos, se eu estava pronto pra compartilhar meus conflitos pessoais; estes que nunca confidenciei a ninguém. Parecendo decifrar meus pensamentos, acordou-me de meu transe com sua voz melodiosa:
- Você sabe que, aquelas coisas que Liam disse não são verdade. – Sua voz era doce e seu olhar focado no sinal vermelho.
- Pior que elas são. – Dei um sorriso sem ânimo e voltei a olhar as pessoas na rua.
- Eu realmente não acredito nele. – Disse convicta e logo deu partida, consequência do sinal verde. Entendendo que eu não queria falar sobre aquele assunto, ela ligou o rádio deixando numa estação qualquer e tocava Forever do Kiss.
Eu não precisava conversar com a pra me sentir bem, só a presença dela era capaz de fazer isso. Ela parecia entender os meus sinais e nunca forçava a barra. Se fosse qualquer outra garota, já estaria me bombardeando de perguntas, fingindo se importar com o que eu sentia ou simplesmente desistiria de tentar me fazer falar e de fato me mostraria os peitos... Entretanto, com , tudo era completamente diferente. Diferente e confortável.
- Chegamos. – Eu olhei para frente analisando o local. Estávamos parados em frente a um casarão de dois andares, com paredes pintadas em um tom creme. O portão dourado nada privativo nos permitia ver o enorme jardim com flores bem cuidadas. Aquele jardim me fez lembrar a minha mãe, ela adoraria esse lugar. Vi um grupo de crianças com idades variadas entre dois e quatorze anos brincado por lá. Elas pareciam contentes. Por fim, olhei para uma placa dourada que havia em cima da porta de entrada e li com dificuldade, devido a distancia: Lar St Lucie. Seria aquele lugar um orfanato? – Você vem?
- É claro. – Falei lerdo, tentado adivinhar onde certamente eu estava. já estava prontamente parada na minha frente com sua mochila nas costas e segurando o cestinho com a bebê Sawyer. Levantei-me agilmente do banco, e peguei o cesto das mãos de , a qual sorriu agradecida, indo travar a porta do carro.
- Espero que você goste daqui.
- Eu tenho certeza que vou gostar. – Enquanto fazíamos o caminho para a porta de entrada do Lar St Lucie. Algumas crianças sorriam e acenavam para , ela retribuía os gestos com o mesmo fervor deles. Confesso que fiquei intrigado e maravilhado ao mesmo tempo, pois era sempre tão observadora e tímida na escola, e aqui ela parecia feliz e muito mais solta. Era como se ela pertencesse aquele lugar.
- Bom dia, Morgan. – cumprimentou simpática, a recepcionista que me olhava curiosa.
- Bom dia, . – Morgan cumprimentou contente e entregou um crachá a , que o pregou na blusa. – Vejo que hoje você trouxe um amigo. - Ela ainda me analisava. Eu tentei sorrir, com sucesso.
- Esse é , um amigo da escola. – Apresentou.
- Seja bem vindo, .
- Valeu.
- Espero que as garotinhas não fiquem todas apaixonadas por você, coisa que acho difícil de não acontecer. – Morgan gargalhou. e eu sorrimos não na mesma intensidade da recepcionista. Seu riso era bem mais, digamos que ‘espirituoso’ do que o nosso. Ela também me entregou um crachá, no qual estava escrito ‘ visitante’, invés de ‘voluntário’ como dizia no da . – Bem, divirta-se, .
- Eu vou. Obrigado mais uma vez, Morgan. – Agradeci gentilmente, ela assentiu. deu de ombros e eu a segui.
Seguimos por um corredor pintado em um tom laranja berrante, acho que as cores eram tão chamativas assim, por causa das crianças. Nas paredes haviam murais com desenhos feitos em folhas sulfites e pintados a lápis de cor. Eu me senti no jardim de infância de novo. Nunca pensei que um dia eu entraria num orfanato, na verdade nunca pensei que adolescentes gostariam de ir até os orfanatos em seu tempo livre. Eu tinha razão quando percebi que a era diferente. Ela nunca pararia de me surpreender.
- Chegamos. – Ela disse energética. Fazia-me bem vê-la tão entusiasmada com algo. sempre parecia distante de tudo, mas nesse lugar ela era outra pessoa. Nós estávamos parados em frente a uma porta, havia uma placa nela escrito: ‘Sala de Recreação’. – Olha, eu sei que você queria um lugar pra se distrair, talvez aqui não seja onde você gostaria de estar, mas eu venho aqui três vezes por semana e hoje é o dia, desculpe. Se você não gostar, eu vou entender se quiser ir embora.
- Na verdade, eu nunca me imaginei num orfanato como símbolo de diversão, mas você está aqui e eu tenho certeza de que vou gostar. – Disse sincero e notei suas bochechas corarem. Ela assentiu positivamente e depois abriu a porta.
- Olá, crianças! – cumprimentou calorosa. Assustei-me quando as crianças levantaram de suas mesas redondas e vieram correndo na nossa direção.
- ! Você trouxe a bebê Sawyer!
- E um amigo!
- Ah, eu estava com saudades! – As crianças dispararam a falar e agarram pela cintura. Não pude reprimir um sorriso. Aquelas criançinhas realmente gostavam dela e a faziam feliz. Eu gostava da misteriosa, mas gostava ainda mais da versão dela contente.
- Hey, eu também estava com saudades. – Disse sincera e abraçou os pestinhas, digo criançinhas, todos de uma vez. Que inveja deles. – Agora se sentem, ok? Eu quero apresentar uma pessoa pra vocês. – Eles obedeceram e foram sentar-se com seus grupos. – Digam oi para o , ele é meu amigo da escola.
- Oi, ! – As crianças cumprimentaram contentes, exceto por um garotinho ruivo, o qual me mostrou a língua e eu não entendi o motivo.
- Oi, galerinha. – Cumprimentei e me sentei ao lado de numa cadeira atrás da mesa que havia em frente à lousa.
- Acho que eles gostaram de você. – disse contente no meu ouvido.
- Na verdade, aquele ruivinho não. – Apontei para o garotinho que mantinha os bracinhos cruzados e sua expressão era séria. Ele continuava me mostrando a língua, assim que ele percebeu que o olhava escondeu a língua e sorriu fingidamente. Eu ri.
- Oh, aquele é o Chuck, ele me pediu em casamento semana passada e me deu um anel de plástico. Acho que ele está com ciúmes de você. – Disse divertida.
- Ele me acha uma concorrência? – Indaguei divertido.
- Acho que sim. – sorriu e voltou a falar com a classe. – Bem, me contem como foi o final de semana da visitação. Quero saber de tudo. – Ela perguntou e as crianças começaram a tagarelar.
O tempo foi passando, depois de muitas conversas, fazia brincadeiras divertidas com as crianças e elas adoravam aquilo tudo. Por incrível que pareça, eu nem me sentia mais chateado com meus problemas. Aquele lugar estava me fazendo bem; a companhia das crianças era tão divertida quanto a da . Eu nunca pensei que diria isso, mas eu estava me divertindo muito em um orfanato e não numa balada com garotas gostosas.
- Bem, é a hora do lanche. Eu vou verificar com a tia Annie se está tudo pronto. vai tomar conta de vocês, então se comportem. – Hein? Como assim eu tomaria conta deles?
- Ok, ! – Responderam em coro.
- , você está maluca? Eu não sei como cuidar deles. O que eu vou fazer enquanto você não estiver aqui? – Cochichei baixinho.
- Relaxa, , são apenas crianças e elas te adoraram. – Ela sorriu de canto. – Eu já volto, ok? Você vai se sair bem.
- , volta aqui. – Ela gargalhou e deu de ombros saindo da sala. Me fodi bonito agora. Olhei para frente e as crianças me fitavam curiosas. Eu tinha que inventar alguma coisa para entretê-las.
- , o que a gente vai fazer? – Uma menininha loira indagou, acho que se chamava Emma.
- Hum... – Olhei para a mesa, notando que lá havia um saco cheio de folhas sulfites. – Vocês podem desenhar. É isso mesmo, hora do desenho livre. – Peguei as folhas de cima da mesa e distribui para as crianças. Elas ficaram contentes. Até que eu estava me saindo bem. Voltei para a mesa e sentei-me na cadeira fitando o nada. Resolvi ouvir músicas no meu iPod, enquanto não voltava e as crianças pintavam descontraídas. Quem diria, tendo um dia de voluntário, ou seja, fazendo uma boa ação. e nunca acreditariam nisso e muito menos na parte em que eu diria que gostei, o que é a mais pura verdade.
- , eu terminei.
- Eu também. – Algumas crianças levantaram suas folhas e eu fiz sinal para que elas viessem até a mesa e entregassem seus desenhos.
- Que desenho bonito, cara. Você curte guitarra? – Disse observando o desenho de Noah, ele tinha desenhado uma guitarra.
- Sim, mas na verdade isso é um baixo. Um dia quando uma família resolver me adotar, o presente que eu irei pedir para eles será um baixo. – Ele disse esperançoso, pois eu vi seus olhinhos castanhos brilharem, de repente senti uma coisa no peito.
- Hey, carinha, pode ficar tranquilo que isso vai acontecer, certo? – Ele assentiu. – Sabia que eu toco baixo? – O garotinho me olhou maravilhado.
- Sério?
- Uhum, e se você quiser eu posso te dar algumas aulas. Aí quando você ganhar seu baixo, já vai estar craque.
- Eu quero muito. Obrigado, ! – Ele disse sincero e nós fizemos um High Five, logo depois correu para o seu lugar e contou a novidade para seus coleguinhas de mesa. Ver a empolgação do little guy me deixou feliz.
- E você, Emma, o que desenhou? – A garotinha me entregou o desenho, que estava divido em dois quadrinhos. O primeiro desenho era um céu com nuvens brancas e um sol brilhante, havia uma casa com cerca branca e árvores em volta e um casal segurando a mão de uma menininha loira, o que supostamente deveria ser ela. Já o segundo desenho era um coração enorme vermelho com duas coroas douradas no centro.
- O primeiro desenho é sobre a família que vai me adotar. Nós vamos morar numa casa com cerca branca e seremos muito felizes juntos. – Sua voz delicada me fazia sorrir. – E o segundo desenho é tudo sobre o amor. Um dia eu vou encontrar meu príncipe encantado, como nos conto de fadas. – Ela concluiu satisfeita.
- Seus desenhos são lindos, Emma, assim como você. Espero que você encontre uma família e seu príncipe, mas é claro que você e o cara de coroa só vão se encontrar quando tiverem idade para isso.
- E qual é a idade pra que encontrar o cara da coroa? – ela repetiu o que eu disse, me fazendo rir.
- Err, quando você tiver uns trinta anos, eu acho que vai estar bom. – Dei uma piscadela e ela fez bico.
- Eu não acho que essa seja a idade certa. Quero encontrar um namorado quando eu tiver a idade da . – Um sorriso largo se espalhou por seu rostinho delicado. – Eu acho a tão linda e eu quero ser como ela quando crescer. Ela é bonita e tem um bom coração. – Aquela garotinha era muito esperta para a idade dela, contudo ela estava coberta de razão sobre o que dizia. A era linda e tinha um coração enorme. – Você também é bonito, , acho que você deveria ser o príncipe dela. Se a mãe e o pai dela estivessem aqui, acho que eles gostariam de você também. – Dito isso, Emma deu as costas e foi se sentar. Mais cinco minutos conversando com aquela menininha e eu descobria muitas coisas sobre a , porém atrapalhou os meus planos adentrando a sala.
- Hey, amores, podem ir para a cantina, hoje tem hot dog, o lanche preferido de vocês. – As crianças vibraram e saíram apressadas pela porta. – Foi tudo sob controle? – Ela indagou curiosa pegando sua mochila.
- F-foi sim. – Titubeei. Eu ainda estava confuso com o que Emma quis dizer sobre se os pais da estivessem aqui.
- ! – Chuck a abraçou pela cintura e fechou a cara para mim. Aquele garoto era correria, ri alto.
- Hey, Chuck. – Ela afagou os cabelos cor de fogo dele, que desfez o abraço.
- Esse desenho é pra você. – Ele sorriu entregando a folha sulfite para ela.
- Obrigada, Chuck. Vou guardar esse desenho assim como os outros que você fez. – Disse sincera e ele sorriu saindo da classe, quando chegou à porta fez uma banana pra mim e saiu correndo.
- O menino do cabelo de fogo me odeia mesmo e ama você. – Gargalhei, pegando o cesto com a bebê Sawyer.
- Ele é um fofo, levado, mas fofo. – Disse calma. – Está com fome? Temos hot dog, e eu preciso dizer que Annie é uma cozinheira de mão cheia.
- Então, acho que preciso provar do tempero da Annie. – sorriu e fomos para a cantina.
Fizemos o nosso lanche e nem conversamos direito, pois as crianças não desgrudavam de nós. Acho que eles até que tinham ido com a minha cara, só mesmo Chuck que não. Na hora de ir embora, foi meio difícil já que as crianças não queriam nos deixar ir, principalmente a e também me fizeram prometer que eu voltaria para vê-los e eu disse que voltaria. Eu tinha me divertido naquele lugar, e voltaria mais vezes com certeza. Meu humor estava outro, no carro e eu conversamos coisas aleatórias e nos divertimos muito, mas como tudo que é bom sempre acaba, nós já estávamos parado em frente a casa dela.
- Sabe, aquelas crianças significam muito pra mim. No orfanato você aprende que nem tudo na vida se trata de dinheiro, eles só querem uma família que os amem de verdade e uma casinha com uma cerca branca. – Disse sincera encarando o nada. – Obrigada por tê-los animado hoje, .
- Obrigado você por ter me levado até lá. – Encarei os seus olhos brilhantes. – Eu estava me sentindo péssimo hoje, mas ficar com eles mudou o meu humor por completo. – Conclui.
- Fico feliz por isso. – Cerrou os lábios. – Eu não sei o que há entre você e sua família, , mas algo me diz que você não precisa se preocupar com as coisas que Liam disse sobre você mais cedo na escola. Ele não sabe nada sobre a sua vida. – Vi certeza em seu olhar e por um instante queria que ela estivesse certa sobre aquilo, pena que essa não era a verdade.
- Eu tinha uma família até meus oito anos de idade, mas depois que minha mãe descobriu que tinha leucemia, tudo mudou, ainda mais depois que ela morreu. – Respirei fundo e voltei a falar. – Meu pai passou a me evitar, eu fazia de tudo para ele me olhar, mas ele estava sempre ocupado com o trabalho e passou a me dar dinheiro do que passar um tempo comigo... Então eu cresci assim, sendo criado apenas pelo dinheiro e nada mais. Eu comecei a odiá-lo e não o via mais como uma figura paterna. No começo do ano, nós tivemos essa discussão séria e então ele resolveu me mandar para cá, cortando todo o meu dinheiro e me castigando. Segundo ele, eu o envergonho e ele quer que eu aprenda a ser uma pessoa melhor. – Sorri sem humor nenhum e me olhava chocada. – No final das contas, Liam não estava errado sobre mim, por isso me irritei tanto com ele no colégio hoje.
- Eu... Sinto muito, . – Disse sincera. – Eu te conheço há pouco tempo para dizer o que eu realmente acho sobre sua família, mas pelo que você me contou, o seu pai errou com você, mas isso não quer dizer que ele te odeie. Só basta olhar para o que você tem aqui. Vocês precisam de tempo e uma hora tudo vai se ajeitar.
- Ele me dá as coisas porque é obrigado a me dar e não porque se importa, mas eu não quero falar sobre isso. – Mudei de assunto. Falar sobre Michael me estressava. – E você ... Qual é a sua história? – Lembrei-me do que Emma me disse, e agora mais do que nunca eu tinha certeza que tinha problemas.
- É tudo muito complicado, mas um dia eu prometo que te conto. – Ela disse após pensar um pouco. Acho que ela não estava pronta para dividir seus assuntos pessoais comigo.
- Ok, . Eu não tenho idéia do que te aconteceu, mas eu sei que você é forte e eu gostaria de ser assim como você. – Não sei ao certo porque disse aquelas coisas, elas apenas saíram sem eu perceber. forçou um sorriso de canto.
- Acredite, , eu não sou tão forte quanto você pensa.
- Eu sei que é. – Falei e tratei de mudar de assunto, pois eu sabia que aquele assunto a estava incomodando. – Se você pudesse fazer qualquer coisa agora, o que você faria? – Disse espontâneo e relaxei meu corpo no banco do carro, apoiando minha cabeça sobre as mãos.
- Eu tentaria ir pra uma festa animada, dançaria e até beberia um pouco. – Ouvi sua risadinha baixa. – E você o que faria? – Indagou curiosa e eu me sentei corretamente no banco, girando meu corpo para o lado. Eu queria olhá-la mais de frente.
- Eu faria de tudo pra você ir a essa festa animada, dançar e beber um pouco. – Notei que ela ficou sem jeito e sorri com as suas bochechas avermelhadas. Ela ficava mais linda tímida. – Boa noite, , eu me diverti muito hoje. – Aproximei-me mais dela, nossos rostos estavam próximos e nossos olhos compenetrados um ao outro. Afastei uma mecha de seu cabelo que caía levemente por seu rosto e depositei um beijo demorado e calmo na bochecha dela. Afastei-me antes que eu perdesse o controle e a beijasse, como eu tanto desejava. Ela permaneceu estática e com uma expressão confusa. Peguei minha mochila do banco de trás e saí do carro.
Atravessei a rua sentindo uma alegria anormal me invadir, eu sabia que sentia algo por ela e que nesse exato momento ela também sentia algo por mim, talvez não com a mesma intensidade que eu sinto, mas eu mexia com ela. Fato! Olhei para trás e seu carro já estava praticamente dentro da garagem do sobrado amarelo. Eu precisava retribuir o dia de hoje. teria a sua festa, eu daria isso a ela.

Olá mamãe, papai e Eric.
O dia hoje foi divertido, porém confuso. Eu passei 99% do meu tempo com . A cada dia que passa ele me surpreende mais... é tão diferente do que as pessoas acham.
No Orfanato as crianças o adoraram, vocês precisavam ver o jeito que ele as tratava. Ele me contou sobre o problema com o pai dele, e eu fiquei muito triste com isso, eu queria ajudá-lo, afinal, eu sei como é ruim perder quem a gente ama, mas ele ainda tem o pai e mesmo que eles não se deem bem, eles precisam tentar, pois eu seria a pessoa mais feliz do mundo se ao menos eu tivesse um de vocês aqui comigo; e se nós não nos déssemos bem, eu moveria até as montanhas para que tudo se ajeitasse.
Eu ainda estou meio perdida quanto a isso, mas acho que mexe comigo. Quando eu estou com ele, é como se eu pudesse me desligar do mundo, eu me sinto feliz quando ele está por perto. Só espero que isso não seja uma coisa ruim.
E vocês como estão? Espero que bem, eu sinto tanto a falta de vocês. Quando será que essa dor irá passar? Será que algum dia poderei vê-los novamente? Estou contando com isso.
Saudades Eternas... Amo vocês.


Twelve
“She’s changing you”


- Eu sentirei falta dela.
- Apesar de a bebê Sawyer ser bem chatinha, às vezes, também sentirei falta dela. – Brinquei, e a risada gostosa dela invadia meus ouvidos.
e eu estávamos voltando da aula de saúde, hoje era o dia da entrega do projeto, ou seja, devolvemos a bebê Sawyer ao senhor Potter. Ele nos deu nota dez, dizendo que provamos ter responsabilidade e para continuarmos assim. Na verdade, eu nunca fui responsável, mas na parte do sexo, eu sempre fui. Eu não quero ser pai, ainda mais com apenas dezoito anos. Voltando a falar da bebê Sawyer... Eu até que sentiria a falta dela – Se não fosse por ela, eu não teria me aproximado da .
Acompanhei até seu armário, eu iria chamá-la para almoçar conosco, pois ela já tinha desenvolvido uma amizade com e conversava um pouco com .
- Então, ... Tá afim de almoçar... – Ela me fitava com olhos curiosos, enquanto guardava seus livros no armário. Quis matar o lentamente, ao ouvir sua voz irritante me gritando.
- ! ! Até que enfim te achei! – Ele disse ofegante e parou ao lado de . Lancei um olhar mortal para ele, o qual ignorou. – Hey !
- Oi, . – Cumprimentou educada.
- A pediu pra que você a encontrasse, no refeitório. – Engatei outro olhar “matador” para , ele arqueou a sobrancelha, como se dissesse: “Sei o que estou fazendo”.
- Obrigada, . – deu um empurrão leve na porta do armário, fechando-a. – A gente se fala depois, . – Balancei a cabeça afirmando, ela deu um risinho de canto e rumou para o refeitório.
- Dude, é melhor que o que você tem a dizer, seja realmente importante. – Ameacei.
- É claro que é, mate. – falou tranquilo. – O Bryan disse que pode ser o DJ da festa amanhã e de graça. – Agora sim, um sorriso esperto se espalhou pelo meu rosto.
- Demais! – Vibrei. – Avisou que não é pra ninguém espalhar sobre a festa? A ainda não pode saber.
- Lógico, man. – Sorriu ladino. – Essa festa vai ser foda, você vai ver. – disse animado, fizemos um high five e logo a pessoa que eu menos queria que soubesse sobre a festa, apareceu na minha frente.
- Nossa, , quer dizer que você vai dar uma festa e não ia me convidar? – Kylie falou manhosa, chupando um pirulito de uma forma bem devassa e com a mão desocupada mexia no meu cabelo. Ouvi disfarçar uma risada irônica.
- Não é bem uma festa, Kylie... – Sorri falso e tirei a mão dela do meu cabelo. Ela suspirou alto em desaprovação. – É apenas uma pequena reunião, nada do que você curtiria ir.
- Como eu não curtiria? Você vai estar lá, gato. – Ela me olhou de cima a baixo, de uma maneira bem pervertida, e aquilo não me afetou. Eu não estava mais afim dela, anyway.
- Sobre isso... – Cocei minha nuca sem graça. – Você sabe que nós dois, não somos absolutamente nada, certo? – Juro que ouvi rir, Kylie olhou para ele de um jeito que me assustou. No ato ele parou de rir e ela voltou a me encarar, não com uma expressão raivosa e sim com um sorriso forçado.
- Eu sei disso, , somos amigos, ok? Eu só quero ir à sua festa... Como amigos.
- Tá bem. – Disse derrotado. Não adiantaria argumentar com ela de qualquer forma. – Só não vai espalhar pra ninguém. – Ela beijou os dois dedos indicadores, insinuando que aquilo era um juramento. – Amanhã, às nove no meu apartamento.
- Ok, see ya. – Despediu-se dando um beijo na minha bochecha e saiu rebolando.
- Você sabe que não foi uma boa idéia ter convidado-a pra festa, não sabe? – indagou, enquanto rumávamos para o refeitório.
- Eu sei que não, mas não havia nada que eu pudesse fazer para impedi-la.
- Relaxa, man, tudo vai dar certo. – deu um tapinha nas minhas costas.
- Eu sei que vai. – Disse com uma falsa certeza, mas eu realmente esperava que tudo desse certo.
Depois que as aulas acabaram, nem tive tempo de falar com . Ela saiu apressada, pois tinha que ir para o Lar St Lucie, já eu fui pego de surpresa pela diretora Miller, a qual me aguardava do lado de fora da classe. Ela me acompanhou até a detenção, me obrigando a ficar três horas a mais, aguentando a cara de retardado do senhor Thompson. Tudo isso em decorrência, do dia que fugi da detenção com a .
Constrangedor.
Era constrangedor, o fato de Miller me guiar até a detenção, mas eu não podia reclamar, ela até que estava sendo boazinha comigo por não prolongar mais uma semana de castigo. Eu estava ansioso para que o tempo passasse rápido, pois assim que eu saísse da escola, encontraria Tom no supermercado, nós iríamos comprar algumas bebidas para a festa. Eu só queria que tudo ficasse perfeito para amanhã. merecia aquilo.

’s pov on

Durante o almoço, encontrei no refeitório, como havia me dito pra fazer. Ela parecia ansiosa dizendo que precisava de uma roupa nova, pois amanhã haveria uma festa e ela não tinha nada legal para usar. Confesso que me senti estranha e bem ao mesmo tempo. Eu não costumo ter uma amiga e fazer coisas de meninas há um bom tempo... Em pensar que já fui desse jeito um dia... Mas eu não precisava daquelas lembranças agora, Por outro lado era bom ter ao menos uma amiga em Southend, o é meu único amigo por aqui, porém existem coisas que eu não posso simplesmente falar para ele, por exemplo: falar dele. Não que eu fosse contar para o jeito que eu estava me sentindo por ele, entretanto é bom saber que quando eu quiser expor meus sentimentos, eu tenho com quem falar. – parecia a pessoa ideal para isso. Eu concordei que a acompanharia durante as compras, mas não poderia depois da escola, pois tinha compromisso. Ela disse que me esperaria no apartamento dos meninos e que era pra eu ligar assim que chegasse em casa, eu concordei.
Após ouvir horas e horas as crianças do Lar St Lucie perguntar quando voltaria a visitá-los, fui para casa. Eu estava impressionada pelo quanto as crianças gostaram do , isso era um bom sinal. Enquanto eu dirigia indo para casa, senti uma tristeza começar a me invadir, todo final de semana eu me sentia assim. Nos finais de semana, sempre acontecia a ‘Visitação’. Era o dia que os adultos estavam liberados para conhecer as crianças, e quem sabe adotá-los, o que significava: voluntários não permitidos. Aquilo me dilacerava, pois eu teria que ficar sozinha em casa, afundada nas minhas lembranças e saudades. A angústia tomava conta de mim. Não havia nada que eu pudesse fazer pra evitar a dor, a não ser que eu falasse com , e de fato nós poderíamos passar um tempo juntos. Essa ideia me deixou contente, mas eu não podia ter o quando eu quisesse, não era certo fazer dele a minha base, o meu alicerce... O meu refúgio pessoal. Por mais que eu gostasse de sua companhia, ele não era obrigado a passar seus finais de semana comigo. Acho que terei que procurar outra solução.
Cheguei em casa e rapidamente liguei para , enquanto colocava um pouco de ração para Luna, a qual miava dengosa e passava entre as minhas pernas. Não se passaram dez minutos que ligara para , e logo ouvi minha campainha tocar. estava lá.
- , você está pronta? – Indagou sorridente, e eu fiz menção para que ela entrasse.
- Sim, só espere eu colocar água para Luna e podemos ir. – Fui para cozinha e Parker veio em meu encalço.
- Uau! Sua casa é tão linda. – Enxi o potinho roxo de água e observei que analisava minha cozinha deslumbrada.
- Obrigada. – Coloquei o pote de água ao lado do de ração, e dei um sorriso de canto ao ver Luna gulosa, nem terminar de mastigar a ração, beber água. – Vamos?
- Sim... . – Ela parecia impaciente estralando os próprios dedos, eu franzi o cenho em sinal de confusão. – Eu quero te fazer um pedido.
- O que seria? – Umedeci os lábios, ainda confusa.
- Eu quero que você vá à festa comigo. – um sorriso de canto reinou em seu rosto.
- E-eu não sei. – Titubeei. Fazia séculos que eu não ia numa festa, eu definitivamente não me sentiria confortável lá. Há pessoas... Demais.
- Vai ser legal. – se aproximou e tocou no meu braço carinhosamente. – O vai também, e você sabe que ele é bobo e você não ficará entediada. – Ela soltou uma risadinha nasalada, que me fez rir também.
- Eu não sei. – Proferi duvidosa. Eu só me sentiria bem, se ele estivesse lá. Se estivesse lá, pra ser mais exata. – vai estar lá... Também? – Senti um rubor estampar minhas bochechas e pareceu notar, pois ela sorriu de canto.
- Sim, ele vai estar lá.
- Que bom. – Tentei não soar muito animada. – É que eu o conheço há mais tempo, acho que vou me sentir mais à vontade. – Conclui.
- Ok. – Concordou. – Vem, me mostre um pouco do que há no seu guarda roupa e assim, podemos achar algo lindo pra você. – saiu me puxando pelo braço, a empolgação dela era evidente. Eu estava gostando da idéia de ter uma amiga.

- , esse vestido é lindo! – Exclamou entusiasmada ao ver meu ver meu Lipsy London, preto e Pink.
- Você gostou mesmo? – Ela assentiu, pegou o cabide com o vestido, colocando em frente ao corpo e foi para frente do espelho. – Se você quiser, pode pegá-lo emprestado. – Conclui sincera e me sentei-me na cama.
- Na verdade eu já tenho vestido. – olhei confusa e colocou o vestido em cima da minha cama. – Você vai usá-lo na festa amanhã. – Ela bateu palminhas de ansiedade e sentou-se ao meu lado.
- Então quer dizer que isso era tudo um plano, pra me convencer a ir à festa?
- Yeah. – Afirmou divertida, eu ri. – Você tem tanto vestido bonito, . – Ela se levantou e foi até meu armário analisar meus vestidos. – Você deveria sair bastante em Glaslow. – Pontada. Foi o que senti ao me lembrar da Escócia.
- É, eu me divertia. – Tentei ignorar meus pensamentos tristes e sorri de uma forma convincente, para que não notasse minha expressão abatida. – Se eu vou usar esse vestido, preciso de sandálias que combine, huh? – Usei um tom empolgado e me dirigi até ela.
- Esse é o espírito da coisa, . – Ela gargalhou. – Em qual parte ficam suas sandálias?
- Naquela parte ali. – Apontei para a última porta do meu guarda roupa, e foi apressada abri-la, assim que o fez, sua feição era da mais pura euforia.
- OMG! Quantos sapatos, amiga! – Ela tampou a boca com a mão, não reprimi um sorriso. – Você vai ter que me emprestar um Jimmy Choo, algum dia desses.
- Quando você quiser. – Sentei-me ao lado dela, enquanto analisava meus sapatos. Era diferente a sensação de ter uma amiga novamente, mas eu estava gostando daquilo.

’s pov off

- O bom de não ter tanta comida na geladeira, é que sobre espaço para as bebidas. – disse guardando as cervejas e vodkas que nós havíamos acabado de comprar.
- Isso é bom. – Eu o ajudava a guardar as bebidas.
Com aquela festa, eu acabei tendo que gastar o pouco que me restava das quatrocentas libras, que Tom havia pagado. Eu estava completamente liso com apenas cem libras agora, estranho, mas eu não me importava. Seria difícil me virar com aquela grana nas últimas semanas, entretanto eu queria agradar a e eu não daria a mínima se tivesse que ficar sem dinheiro por um tempo. É estranhamente confusa, a maneira que eu me sinto quando eu penso nela, sei lá... Ela faz eu me sentir uma pessoa melhor. E eu não tenho vergonha de dizer isso, na verdade de pensar nisso, pois eu não conto á ninguém.
- ! – Ouvi gritar animada e olhar confuso.
- Qual o motivo da alegria, Parker? – Interroguei, enquanto ela vinha até nós na cozinha.
- Caramba, amor, nunca pensei que você chegaria em casa toda feliz gritando o e não eu. – fingiu ciúme e eu ri.
- zinho, amor da minha vida, você sabe que eu te amo né? – Ela depositou um selinho nos lábios de e eu revirei os olhos.
- Assim está bem melhor. – Ele concluiu satisfeito.
- Ok, dá pra parar com a sessão grude, antes que eu vomite? – Provoquei e me olhou de canto, sentando se no banquinho em frente ao balcão da cozinha.
- É melhor você me tratar bem, ou eu não te conto o que eu consegui. – Fez chantagem.
- Conta, . – Fingi um sorriso doce, o qual fez e sorrirem.
- Adivinha quem vem para a festa? – Fez suspense.
- Que rujam os tambores. – bobo, tamborilou as mãos em cima do balcão e eu ri.
- A vem? – Interroguei animado demais, como uma bixa feliz (eu admito) e assentiu positivamente.
- E você não sabe do maior detalhe... – Fez mais suspense e eu já estava curioso por demais da conta.
- To ouvindo. – Falei impaciente.
- Eu nem deveria te falar isso, pois existe esse código entre as meninas, a gente nunca deve dizer quando a outra pergunta sobre um guy... – Parker fazia seu discurso sobre o tal ‘código das garotas’, porém eu não tinha paciência para ouvi-lo e logo tratei de cortá-la. Meninas são tão irritantes às vezes.
- Diz logo, ! – Por incrível que pareça, até estava ansioso, já que ele disse a mesma coisa que eu. Hilário.
- Ok! – Gritou derrotada. – Ela perguntou se você também iria à festa comigo e . Aí eu disse que sim, daí ela disse que também iria já que vocês são amigos há mais tempo e tal. A questão é, se eu dissesse que você não iria à festa ela também não iria. – Fiquei tão contente com o que acabara de ouvir, será que tinha algum interesse em mim?
- Você acha que, sei lá... – Tentei não parecer muito animado, mas eu estava festejado por dentro. – Ela tá afim de mim?
- Talvez, , a é meio misteriosa, ela não diz tudo na lata. – É eu bem sei disso. – Estou faminta, o que tem pra comer? – levantou-se do banco indo para o armário.
- Tem cookies. – respondeu e assentiu. – Amanhã é dia de descobrir se a tem uma queda pelo gay aqui. – apontou pra mim gargalhando e eu apertei os mamilos dele. – Outch! Isso doeu. – Ele fez careta, eu ri.
- Se a namora você que é uma bixa, por que não ficaria afim de mim? – Dei de ombros indo para o meu quarto.
- Porque ela sabe que não tenho nada de gay, sua putinha. – Zoou.
- Aham, sei. – desdenhei.

Decidi entrar no MSN fazia um tempo que eu não falava com meus amigos, e eu realmente estava com saudades daquelas ‘vadias’. Liguei meu notebook e deitei na minha cama. Eu estava feliz e e , precisavam saber disso. Por sorte, os dois idiotas estavam online, mal fui falar com eles e uma janela compartilhada, piscava:
says: Fala, bixa!

says: Putinha, saudades!

says: Vadias, está aqui haha... Quanto tempo, dudes.

says: Qual é a nova por aí, cara?

says: Já conseguiu ser expulso? Dude, você precisa voltar pra Londres. A cidade não é a mesma sem você.

says: Bem, não tem nada de novo aqui e eu não vou conseguir ser expulso, parece que Michael já deixou a diretora Miller a par do meu ‘histórico pessoal’. E vocês o que me contam de novo?

says: Que foda, dude. Nada de muito interessante também, só festas e garotas.

says: Affe, seu pai é um mala mesmo. Em falar em garotas e a tua vizinha secreta, já descobriu quem é?

says: Sim, ela é a mesma garota novata da escola. Ela é demais, caras, amanhã eu vou fazer uma festa pra ela... Vai ser legal.

says: WHAT? Desde quando diz que uma garota é legal invés de gostosa? Haha.

says: Dude, é você mesmo ou um alien que está aí?

says: Babacas haha, ela só é diferente de todas as outras e só.

says: Quem não vai gostar de saber disso é a Sharon.

says: Verdade, ela ainda é louca por você e man, essa garota deve ser mesmo demais, você tá ficando bonzinho e você nunca foi assim. Essa garota está te mudando.

says: Vadias, foi ótimo falar com vocês, mas a bateria do note esta zerada e eu não sei por onde anda meu carregador. Vou indo nessa, até mais, guys.

says: Até, man, se cuida aí.

says: A gente se fala depois, cara, até mais.

says: Até.

A bateria do meu note tinha realmente acabado, e eu até que achei bom, pois fiquei confuso com o que os caras disseram sobre mim. Eu nunca chamei uma garota de ‘demais’ ao invés de ‘gostosa’, eu nunca fui ‘bonzinho’ com elas, eu simplesmente as levava para a cama e nunca mais ligava. Por que com a tudo era diferente? Ela é apenas uma garota, certo? Errado. Ela era muito mais do isso, era ‘A garota’, isso que a fazia ser tão especial para mim. Eu não sei ao certo como ela fazia isso, mas ela estava me mudando e eu nem precisei tocá-la pra que isso acontecesse. É, , você tem sentimentos por essa garota. Você sabe o que sente.

Thirteen
I feel like something special here… I feel like something special with you


Sabe… Essa coisa chamada ansiedade? Pois é, eu odeio sentir isso. Eu já tinha checado milhares de vezes o estoque de bebidas, já tinha verificado inúmeras vezes se Bryan o ‘DJ’ tinha trazido todos os equipamentos de discotecagem e por fim, perguntava esporadicamente ao se meu cabelo estava legal. Eu sei que isso é coisa de gay, mas se o Beckham pode ser heterossexual, por que eu não? Então, não me encham o saco.
- Dude, vai dar tudo certo. Até parece que você nunca deu uma festa. – zombou.
- Eu nunca dei uma festa pra impressionar uma garota, seu babaca. – Dei um gole na cerveja dele. – Ela merece que tudo seja perfeito.
- Relaxa, man, eu tenho certeza que a vai gostar. – deu um sorriso de lado e eu assenti. Assim que eu sentei no banco ao lado dele, a campainha tocou me dando um susto do cacete. – ‘To sentindo que á a galera da escola.
- Eu também. – Levantei-me e andei lentamente até a porta, assim que a abri, encontrei uma Kylie trajando um vestido vermelho muito sexy, e mais duas amigas atrás dela mexendo no celular. Ela esboçou um sorriso maroto pra mim e indagou:
- Hey, ! – Deu um beijo na minha bochecha. – Espero que seu apartamento seja espaçoso, encontrei essa galera lá embaixo e acredite, eu não os convidei. – Franzi o cenho em sinal de confusão, e antes mesmo que eu perguntasse o que ela queria dizer, Kylie deu outro sorriso maroto adentrando meu apartamento, logo atrás dela surgiu uma galera imensa, munida de bebidas e barris de cervejas. Eu não me lembro de ter chamado tanta gente assim. Minha vontade era de matar a Kylie.
Ainda atordoado passei em meio aquele monte de adolescentes no meu apartamento, todos dançando ao som de ‘Time of my life’ do Black Eyed Peas (Bryan já havia começado a tocar) e bebendo. Pelo menos havia uma parte boa em ter tanto intruso na minha festa: bebidas. Eles tinham trazido muitas delas, mas isso não significava que eu ainda queria tanta gente no meu apartamento. Notei segurando um copo de cerveja e dançando animadamente no canto da sala, eu fui falar com ele.
- Eu pensei que você não tivesse convidado muitas pessoas. – Ele disse um pouco alto no meu ouvido devido ao barulho da música.
- E eu não convidei, mas o que importa é que o ambiente está animado, e eu não vou estragar isso. – Sorri.
- Apoiado, cara. – Fizemos um High Five.
- Hey, ! Apartamento maneiro e festa maneira. – Um cara que eu nem fazia idéia de quem fosse elogiou.
- Valeu. – Sorri sem jeito.
- Hey, .
- Hey, Rob. – cumprimentou e o tal Rob foi dançar no meio da sala.
- Quem é esse cara?
- Rob Gallagher, ele é o melhor zagueiro do time e nunca falou comigo. – parecia perplexo.
- Eu só espero que ele não seja amiguinho do Liam, e se aquele desgraçado aparecer por aqui eu arrebento a cara dele. – Só de lembrar da cara de bixa do Kepner meu sangue fervia.
- Nem esquenta com isso, ele e o Kepner não se aturam. – balançou a cabeça negativamente e sacou o celular do bolso. – Mensagem da .
- Elas já estão vindo? – Acho que exagerei na minha animação, já que ouvi rir baixo.
- Sim, disse que daqui uns dez minutos elas chegam.
- Ok.
Aqueles foram os dez minutos mais longos da minha vida. Eu bebi, dancei, conversei com a galera, fugia constantemente da Kylie e nada de e chegarem, puta que pariu! Eu não podia pedir pro ligar pra , eu não queria parecer afoito demais, contudo aquela demora estava me matando, mas que se foda! Eu vou pedir a ele pra ligar, talvez deva ter acontecido algo com elas. Vai ser saber... O inesperado sempre acontece.
- , liga pra e pergunta em que inferno ela e a se meteram. – Falei ansioso.
- Ê que ansiedade, hein? – Disse debochado.
- Anda caralho!
- ‘Tá. – Concordou já discando os números.
- Hey, , a fim de dançar? – Kylie surgiu não sei de onde e me puxava pela cintura. Droga de garota vai amassar minha camisa xadrez.
- Eu não quero, Kylie. – Tirei as mãos dela da minha camisa. – Conseguiu ? – Ignorei o bico da Montgonory, vendo discando novamente o numero da Parker.
- Ela não atende, deve está no vibratório o celular. – Inferno! Tudo pra alimentar minha ansiedade.
- Esperando alguém, ? – Kylie indagou curiosa, e por um momento eu quase digo: garota, você ainda tá aqui? Mas ao invés disso tentei ser educado.
- Sim. – Foi só o que respondi. Senti me cutucar e quando olho pra porta eis que surge , e logo atrás dela toda tímida, porém linda e com um vestido que me deixou totalmente de boca aberta. Ela estava mais maravilhosa do que nunca.
Larguei Kylie falando sozinha e fui até , sibilei um ‘obrigado’ para que sorriu como resposta e foi falar com . Paramos um na frente do outro, não pude reprimir um sorriso ao vê-la. parecia confusa, mas mesmo assim me sorriu, depois de arrumar uma mecha de seu cabelo liso que insistia em cair sobre o seu rosto. Não consegui me segurar e encarei-a da cabeça aos pés, só parei ao fitar seus olhos brilhantes e sua bochecha levemente ruborizada.
- Wow! , você está linda.
- Obrigada. – Ela mordeu o lábio envergonhada, deu uma olhada rápida na minha sala lotada e indagou: - Eu não acredito que você fez uma festa por minha causa... Obrigada, . – Concluiu sincera.
- Eu imaginei que se eu te levasse em uma festa qualquer, não seria tão legal. – Disse sem jeito, por incrível que pareça! – Fico feliz por você ter gostado. – Ela sorriu de um jeito doce e eu precisava fazer alguma coisa, antes que eu não me segurasse mais e a beijasse ali mesmo. – Vem, vamos pegar algo pra você beber. – Automaticamente segurei a mão dela e senti aquele choque correr pelas minhas veias, como da primeira vez que trombei com ela no corredor da escola e toquei em suas mãos. Olhei para as nossas mãos e depois para , ela parecia meio atordoada com aquilo, assim como eu, porém não soltou a minha mão e nem eu a dela. Elas pareciam se encaixar perfeitamente. – Você toma cerveja? – Indaguei e continuei a andar tudo pra quebrar o clima ‘gay’.
- Sim. – Abri a geladeira e peguei duas Heineken longneck, as abri e dei uma pra e fiquei com a outra. – Obrigada. – Ela agradeceu e eu assenti.
- Tá curtindo a festa, ? – perguntou divertida.
- Está ótima. – Ouvi-la fala tão entusiasmada me deixava feliz, pelo menos eu estava fazendo tudo certo, até agora.
- Que bom que você está gostando, eu que organizei tudo enquanto o não fazia nada. – mentiu, as meninas gargalharam.
- Até parece. – desdenhei.
- Vem, , vamos dançar! – saiu puxando , a qual parecia um tanto quanto sem graça, mas não hesitou e seguiu Parker.
- Você sempre consegue o que quer, .
- Nem tudo, eu ainda não consegui o que mais quero. – Falei aquilo mais pra mim do que pra . Eu analisava dando uns passos tímidos na frente de , eu ri.
e eu nos juntamos às meninas, e logo o casal vinte já estava se agarrando em meio a passos de dança. Eu poderia dizer que aquilo era consequência das bebidas, mas todo mundo sabe que isso é mentira - e não precisam de bebidas para se agarrar.
- , é só mexer os quadris, não é tão difícil assim. – Eu insistia pra que ela perdesse a vergonha e dançasse na minha frente, mas ela resistia. Eu morria de rir.
- , eu estou enferrujada, não quero passar vergonha e muito menos que as pessoas riam de mim. – Argumentou.
- Para de ser boba, , ninguém seria idiota de rir de uma garota como você. – Já disse que não consigo controlar minha boca perto dela? Pois é, estou sempre falando mais do que eu deveria. Ela apenas deu um sorriso tímido e eu dei um longo gole na minha bebida, e logo senti minha bexiga reclamar. – , eu preciso ir ao banheiro, me espera aqui, ok?
- Tudo bem. – Concordou e eu dei de ombros, indo rapidamente para o banheiro. Eu não queria deixá-la sozinha me esperando, essa festa tem malandro demais, só esperando o momento certo pra dar o bote. Até parece que eu deixaria alguém dar em cima da .
Passei pelo corredor e vi que havia uma fila enorme na frente do banheiro, se eu esperasse aquilo esvaziar, certamente mijaria nas calças. Foi então que depois do meu momento lerdeza, lembrei que havia banheiro no meu quarto. Corri pra lá. Tratei de dar um xingo num casal que estava cogitando transar na minha cama. Puta que pariu! Povo folgado dos infernos.
- Vaza os dois do meu quarto agora!
- Foi mal, cara. – O moleque frouxo falou assustado e saiu arrastando a garota assanhada pelo meu quarto. Isso mesmo, eu coloco ordem geral.

’s pov on

Depois que foi ao banheiro, e me chamaram pra ficar com eles e eu fui. Mas fiquei sozinha do mesmo jeito, pois aqueles dois não paravam de se beijar, chegava a ser cômico. Eu ainda me sentia um pouco desconfortável estando numa festa, às lembranças da pessoa feliz que eu era em Glaslow se infiltrava na minha mente. Era até deprimente ver o que me tornei agora: uma garota fechada, que mal sorria e nem ao menos sabia dançar. Só não me senti pior, pois eu sabia que estava fazendo de tudo para me agradar. Ele era mesmo um fofo e realmente se importava comigo. Eu me sentia abençoada por ter alguém como ele cuidando de mim.
Olhei para frente e vi a garota da aula de cálculo me encarar, seu olhar era duro e eu não fazia idéia por qual motivo, ela me olhava com tanta raiva. Tratei de mudar meu olhar de direção e fui até a mesa de bebidas, me servi de um pouco de ponche. Ao que dei de ombros, a garota burra que não parava de me olhar estava parada na minha frente bloqueando meu caminho.
- Você se acha espertinha, huh? Dá uma de sonsa só pra chamar a atenção dos garotos. – Ela gargalhou sarcástica, e eu realmente não fazia idéia do que ela falava.
- Desculpe, mas eu não sei do que você está falando.
- Eu to falando desse joguinho de santa que você faz. Olhe pra você. – Ela me analisou e logo eu vi uma roda de pessoas se formarem ao nosso redor e até a música parou de tocar. Ótimo! Tudo que eu mais precisava... Atenção. – Mal fala com as pessoas no colégio, se esconde na biblioteca e basta uma festa pra você se revelar.
Vi e se aproximarem, me chamou, mas eu ignorei, eu não podia deixar aquela garota me insultar na frente de todos.
- Um vestido não define uma pessoa, pois se definisse você seria o quê? - Interroguei irônica e ouvi as pessoas gargalharem, mas eu não gostava disso de brigas fúteis. – Acho que não preciso dizer pra um bom entendedor, meia palavra basta. – Os olhos dela inflamavam em ira. Eu só queria acabar com aquela discussão idiota e dar o fora dali, antes que eu pudesse sair, senti um liquido gelado molhar o meu vestido. Olhei para frente e percebi que a idiota a minha frente havia jogado a bebida dela no meu vestido. Ouvi as pessoas gritarem um Uh.

’s pov off

Nem precisei que alguém me dissesse que havia algo errado, quando cheguei e vi que a música tinha parado e que havia uma rodinha de pessoas na sala. Meu coração acelerou e meus olhos buscavam aflitos por . Ah, se alguém mexesse com ela... Esse filho da mãe estaria fodido na minha mão. Vi e virem até mim com olhos arregalados.
- Dude, fodeu tudo! – disse nervoso.
- A idiota da Kylie jogou bebida na ! – falou exasperada, e na hora eu passei me debatendo no meio do povo e vi as duas frente a frente, e tudo aconteceu muito rápido... Não pude fazer nada.
- Oh! Desculpa... Eu acabei com o vestido da orfanzinha? Vai correr pra contar pra mamãe e pro papai? – A filha da puta da Kylie alfinetou e se ela fosse um homem, eu teria arrebentado a cara dela.
- Kylie! – gritei e ela fingiu não me ouvir.
- Não fale dos meus pais! – se aproximou de Kylie, ficando frente a frente, apontando o dedo na cara dela. - Não fale de mim como se me conhecesse! – Juro que vi medo nos olhos da vaca da Kylie e muito ódio na voz de . – Você é apenas uma garota ridícula que precisa ser importante no colégio, pois sabe que no mundo... Lá fora você não vai prestar pra nada! Nada! – Ouvi a galera bater palmas, Kylie quase chorar e sair como um furacão pela porta.
- ! – Gritei, mas ela me ignorou. – Gente, batam palmas para a Montgonory! – Chamei a atenção de todos, e me olharam confusos, assim como o resto do pessoal. – Graças a ela a festa está acabada! – Ouvi as pessoas reclamarem e Kylie correr até mim.
- , foi tudo culpa dela! E... E...
- Eu não quero ouvir a sua voz! Some daqui! – Explodi.
- , você quer que eu fale com a ? – se ofereceu.
- Não, pode deixar que eu faço isso. E, , - Ele assentiu. – Coloca todo mundo pra fora ok?
- Pode deixar, cara. – Concordou. – Guys, todo mundo vazando! – Ouvi dizer autoritário e corri pro elevador. Eu precisava concertar aquela situação... Eu precisava falar com .
Atravessei a rua correndo, por sorte não fui atropelado por um carro. Vi o portão da garagem do sobrado amarelo aberto e tirando o Chevy Impala. O portão abaixou-se automaticamente, ainda estava dando ré, antes que ela saísse apareci na frente do Chevy batendo as duas mãos no capô, impedindo-a de sair. Ela parou e eu dei a volta indo para o lado do carona e abri a porta. Sentei-me no banco e notei que os olhos dela estavam marejados.
- ... Me desculpa por tudo... Eu não deveria ter te deixado sozinha. – Disse sincero. Ela tirou as mãos do volante e apoiou a cabeça no descanso do banco. Notei algumas lágrimas rolarem dos olhos dela, e nenhuma daquelas lágrimas era por Kylie ter sujado o vestido dela.
- Você não teve culpa de nada. – A voz dela saiu baixa. Eu estava me sentindo péssimo por vê-la naquela situação. Eu não podia deixar ninguém machucá-la assim. – Você tem sido maravilhoso comigo desde o começo. – Pausou e então enxugou as lágrimas. – E eu sou grata por isso.
- , se você permitir, eu posso te levar a um lugar que sempre me deixa bem quando ‘to meio pra baixo, acho que seria bom pra você. – Ela confirmou balançando a cabeça. – Posso dirigir também se você quiser. – Ela nada disse, apenas deu a volta pelo carro para entrar do lado do carona e eu passei para o banco do motorista, sem sair do carro. Coloquei o cinto de segurança e esperei afivelar o seu, então dei partida.
Durante o trajeto até a praia de Southend On Sea, (isso mesmo eu estava levando à praia. Olhar o mar me acalmou nos meus momentos de fúria, acho que a acalmaria também), o silêncio estava demasiadamente instalado entre nós. Eu não queria falar nada, pois eu queria dar um espaço a ela. parecia nervosa e afogada em suas próprias lembranças... Ela merecia um tempo para pensar. Quando sentisse a necessidade de falar, ela falaria e eu a ouviria, assim como ela fazia comigo.
Chegamos à praia bem rápido, pois não havia nenhum movimento nas ruas.
- Pronta pra descer?
- Só preciso me livrar disso. – Assisti desamarrar as tiras da sandália rosa bebê e jogá-las no chão, em seguida se livrou das meias sete oitavos e largou junto com as sandálias. Então saímos do carro.
Sentamos na área branquinha, e acho que ambos não estávamos nos importando com a sujeira que toda aquela areia faria nas nossas roupas. estava sentada em posição de índio fitando as ondas do mar se quebrar com um pouco de violência, e quanto a mim... Fazia o mesmo. Aquele lugar era tão pacifico.
- Sabe por que eu perdi a paciência com aquela garota? – Ela indagou, ainda com os olhos fixo no mar.
- Por quê? – Questionei, enquanto ajuntava um punhado de areia nas mãos e observava os grãos escapar pelos meus dedos.
- Ela falou sobre os meus pais e eles sequer estão aqui. – Olhei pra ela e vi seus olhos encherem de água. Ela iria chorar e eu já sentia meu coração se apertar. – Eles morreram há seis meses, num acidente de avião; meus pais e meu irmão.
- e... Eu sinto muito. – Titubeei. Agora eu entendia o porquê da tatuagem na costela dela e o motivo dela ser tão triste.
- Eles eram médicos, inclusive meu irmão e foram convidados a trabalhar na África. Mamãe e papai pensaram em desistir por minha causa, pois eu estava no colégio ainda, mas eu não deixei. – Ela pausou e eu via o quanto ela lutava pra segurar as lágrimas teimosas. Eu estava me sentindo impotente, eu só queria fazer algo pra fazer a dor dela passar. – Eu incentivei que eles fossem, e que eu me viraria por um ano, enquanto eles tivessem fora. Depois de tanto convencê-los, eles decidiram ir, mas antes do avião pousar na Cidade de Cabo, houve uma turbulência forte e o avião caiu... E agora estou eu aqui sozinha, a única dos que restou.
- , você não está sozinha, você tem a mim, ok? – Aproximei-me mais dela e segurei seu rosto, delicadamente com as duas mãos.
- Eu... Eu só quero que essa dor passe , eu... Só quero minha família de volta, eu preciso ser feliz. – Ela disse entre soluços e desabou a chorar. Eu não aguentei ver todo aquele sofrimento e a abracei tão forte, era como se eu quisesse transferir a dor dela pra mim.
- Essa dor nunca passa, linda, mas eu prometo que com o tempo ela vai amenizar, ok? Eu sei como é perder quem a gente ama. Não é fácil, mas a gente precisa viver, por eles e por nós mesmos. – Depositei um beijo na cabeça dela. Eu sentia as lágrimas dela molharem minha camisa, entretanto eu não me importava. O que realmente importava era ficar bem.
- Promete que tudo isso vai amenizar um dia? – Ela afrouxou os braços envoltos da minha cintura e me olhou fixamente.
- Eu prometo. – Dei um beijo no rosto dela. – Agora. – Dei um beijo do outro lado. – Fica. – Ela fechou os olhos e eu beijei sua pálpebra esquerda. – Calma. – Depositei outro beijo na pálpebra direita. Ela abriu os olhos e eu senti meu coração disparar. – Eu estou aqui. – Passei os dedos vagarosamente pelo seu rosto, limpando suas lágrimas. estava parando de chorar, eu não pude resistir aos seus olhos tristes e a beijei. Ela deu espaço para que minha língua entrasse na sua boca e tocasse lentamente a sua língua quente. O beijo era devagar, porém intenso. Eu queria aquilo há tanto tempo. Eu sentia um calor subir pelo meu corpo, minhas mãos tremerem um pouco e meu coração bater apressadamente como um martelo. Eu nunca tinha sentido aquelas sensações antes, elas eram novas e maravilhosas. Eu me sentia tão completo, era como se eu estivesse esperado por a minha vida toda. Ela me completava.
- Isso foi... – dizia após nos finalizarmos o beijo. Ar ainda era necessário para se respirar. Que droga! – Incrível.
- Foi perfeito. – Fiz carinho com o polegar na bochecha dela, e não pude reprimir um sorrisinho de canto. – Desculpa a festa ter sido um fracasso.
- Não foi um fracasso, ok? – Ela fez carinho na minha cabeça e sorriu acanhada.
- Eu só queria que você se divertisse, dançasse e bebesse um pouco. Como você havia me dito naquele dia em frente a sua casa. – Disse sincero e fiquei ajoelhado de frente com ela, puxei-a pela cintura e dei um selinho rápido em seus lábios.
- Eu me diverti, não consegui dançar e bebi um pouco. – Ela sorriu divertida.
- Nunca é tarde pra dançar, vem comigo. – Levantei-me rapidamente e a puxei pelo braço.
- O que você vai aprontar, ? – Eu apressei os passos e ela correu um pouco, até me acompanhar.
- Você vai dançar, ué. –Dei um sorriso maroto.
Chegamos até o carro, abri a porta do motorista, pus a chave que estava comigo e liguei o rádio deixando numa estação qualquer, onde tocava ‘ I Wanna’ do The All American Rejects. Saí do carro e me olhava confusa.
- Você vai dançar The All. – Peguei-a no colo e a girei no ar.
- Para, , eu vou ficar tonta. – Ela me deu uns tapinhas leves e eu gargalhava da cara enfezada que ela fazia. – Eu tenho vergonha de dançar na sua frente. – Disse assim que a coloquei no chão.
- Não tenha. Tenho certeza que você dança muito bem. – Dei outro selinho nela. Eu estava gostando muito daquilo.
- Ok. – Sorriu envergonhada, e começou a dançar no refrão da musica e sim, ela dançava muito bem. Como eu imaginei. Aos poucos ela foi perdendo a vergonha e foi se libertando. Eu me sentia tão alegre em fazê-la sorrir. – I wanna, I wanna, I wanna touch you, do you wanna touch me too? – Cantarolou a música, deixando uma distância mínima entre nossos lábios, mas sem me beijar. Ah, aquilo era tentação demais pra mim. Agarrei-a pela cintura, deixando nossos corpos bem colados.
- Everyday but all I have is time, our love’s a perfect crime. – Cantorolei também e selei nossos lábios novamente.

***


- Tem certeza que você está bem? Não quer que eu fique? – Eu e estávamos agarrados na porta da casa dela. Confesso que eu não queria ir embora e deixá-la sozinha. Eu tinha medo que ela chorasse de novo, e também porque eu não conseguia me desgrudar dela, era estranho.
- Eu vou ficar bem, não precisa se preocupar. Se eu precisar de algo, te grito. – Sorriu e então me deu um selinho.
- É pra gritar mesmo, ok? – Fiz carinho na nuca dela. – Acho que vou passar a noite na minha janela, te observando. – Brinquei, mas era capaz de eu fazer isso mesmo.
- Bobo. – E mais um selinho. – Boa noite, .
- Boa noite, . – E mais outro selinho pra me despedir. Minha vontade era de passar a noite toda a beijando sem parar. O beijo dela era viciante.
Esperei entrar e então fui pro meu apartamento, que no mínimo deveria estar uma bagunça dos infernos, mas acredita que eu nem estava me preocupando com a limpeza? Apesar dos pesares, a minha noite tinha sido mágica. A era muito melhor do que eu pensava, e agora eu estava começando a perceber que talvez eu não quisesse voltar para Londres tão cedo. Tudo que eu queria e me faltava estava aqui em Southend o tempo todo.

Fourteen
Southend Park


A melodia agradável e calma de Pyro dos Kings of Leon me fazia companhia, enquanto o sinal verde demorava eras para abrir na Avenida Prince. Eu preciso confessar que Caleb Followill é o cara! Ele manda muito bem, eu não sou gay, mas admito que a voz dele me acalma. Eu tamborilava no volante e tentava cantar melhor do que Caleb, quando uma pequena loja de instrumentos me chamou a atenção. Apesar de ser pequena, era muito organizada, pude ver guitarras e baixos irados na vitrine. Posso apostar que meus olhos brilharam, eu sempre fui louco por música, assim como meus amigos. Chequei meu relógio de pulso, faltavam vinte minutos para as 06h00min PM, ou seja, daria tempo suficiente para eu dar uma olhada na loja e pegar a em tempo no Lar St Mary, ela saía as seis. Por falar em , desde a noite da festa em que nos beijamos, nós estávamos juntos. Eu simplesmente não conseguia ficar longe dela, e pra falar a verdade... Eu nem queria.
Estacionei o carro na frente da ‘Jimmy’s Music’, e logo adentrei a loja. Havia uma guitarra mais bonita que a outra, baterias legais e baixos extraordinários; eu vi um azul e não resisti àquela belezinha, tive que tocar nela. Olhei o valor, custava 300 libras, com certeza deveria ser usada para estar tão barata, entretanto em ótimo estado. A pessoa que eu iria presenteá-la iria adorar esse presente, não reprimi um sorriso ao me lembrar de Noah dizendo que, o primeiro presente que ele pediria aos seus pais adotivos seria um . ‘Ok Noah, agora você não precisa mais esperar, seu presente vai chegar mais rápido que você possa imaginar.’ Pensei alto demais e vi o dono da loja parado ao meu lado sorrindo discreto.
- Procurando algo pra alguém?
- Eu já achei o que queria. – Sorri ladino. – Você poderia separar esse para mim e eu posso vir buscá-lo amanhã? É que eu perdi meu cartão de crédito e o novo só chegara amanhã, aí eu passo aqui e levo. – Fiz minha melhor cara convincente e o velho acreditou, já que eu o vi balançar a cabeça positivamente. Também eu não poderia dizer: Então cara, é que meu pai é um cretino e congelou minha conta bancária, aí preciso pedir um adiantamento ao meu amigo, que paga o aluguel. Nem pensar! Às vezes precisamos mentir por uma causa nobre.
- Tudo bem, eu só preciso que você venha comigo até o balcão e deixe seus dados. – Ele deu de ombros e eu o segui até o caixa. – Só posso segurar o instrumento até amanhã, caso contrário colocamos de volta a venda certo?
- Certo. – Concordei, e passei meus dados para Jimmy. Descobri que ele era o dono da loja. – Valeu, Jimmy, até amanhã.
- Até, . – Despediu-se simpático.
Agora eu só precisava que me desse um adiantamento para eu buscar o presente de Noah. Viver com dinheiro regrado é mais difícil do que eu pensava. Eu realmente preciso descobrir um jeito de aprender a viver com pouco dinheiro, o que não é nada fácil.

***


Estacionei na frente do Lar St Mary, e encostei-me no carro esperando pela . Notei algumas crianças saindo disparadas para o jardim, e logo notei saindo com sua mochila e Chuck (o pestinha que me odiava e tinha uma paixão pela ) agarrado na cintura dela, não contive uma gargalhada, e do outro lado vinha Noah conversando com ela. No momento em que os olhos dela se encontraram com os meus, um sorriso doce instalou-se por seu rosto delicado, e claro que eu também sorri de volta. Não tinha como não sorrir ao ver uma pessoa tão bela. disse algo para Noah, ele olhou para frente e ficou surpreso quando me viu, o que mais chamou minha atenção foi ver a alegria dele ao correr até mim, já o pestinha ruivo, lê-se Chuck, franziu a testa fechando a cara. Haha aquele garoto era perturbado.
- ! – Gritou Noah parando em minha frente. Fizemos um High Five.
- Fala, little guy, como você está? – Ele parou ao meu lado encostando-se no meu carro. Acho que até me imitou cruzando os braços na altura do peito. Aquele garotinho era demais.
- Eu to bem. Só esperando pela nossa aula de baixo.
- Pode deixar que ela vai acontecer logo. – Sorri e baguncei os cabelos dele. estava parada a minha frente com o pirralho do Chuck me olhando de canto. – Hey. – Iria cumprimentá-la com um selinho, mas desviou o rosto e o beijo foi na bochecha mesmo. Ela sussurrou algo como ‘Olha as crianças’. Eu ri.
- Bem, Chuck e Noah, acho que vocês precisam entrar agora. – Ela disse doce e as crianças soltaram um ‘Ah’ em reprovação.
- Até amanhã, . – Chuck disse manhoso e deu um beijo na bochecha dela, saiu correndo e como de costume mandou uma banana pra mim sem ver. Eu já estava me acostumando com a raiva dele, era divertido.
- Preciso entrar, dude, mas te vejo qualquer dia desses. – Noah e eu fizemos um high Five.
- Até, little guy. – Despedi.
- Até amanhã, .
- Até, Noah. – Ele deu de ombros desaparecendo pelos portões.
- Eu ouvi mesmo Noah falar dude? – interrogou divertida dando a volta, para entrar no lado do motorista.
- Talvez eu tenha ensinado isso a ele. – Fiz cara de indiferente e ri. – Eu ouvi mesmo o pestinha dizendo que te veria amanhã? – Afivelei o cinto de segurança e dei partida no carro. – Eu pensei que você não fosse ao orfanato aos sábados.
- E não vou. – Afirmou olhando para frente e depois para mim. – Amanhã vai haver uma festa no Southend Adventure Island para arrecadar dinheiro para as crianças, então me voluntariei a ajudar. – Ela deu um sorriso enorme, e eu fiquei feliz por ela ter um coração tão bom.
- Fico feliz por isso. – Falei contente. – Só espero que você não cuide da barraquinha do beijo. – Brinquei.
- Acho que não vai ter nenhuma barraca do beijo, mas se tiver será por uma boa causa. – Ela gargalhou no mínimo da minha cara confusa.
- Aí eu terei que comprar todos os ingressos da barraca, serei o único cliente.
- Não sabia que era ciumento. – Ela provocou, e quando eu percebi já estávamos parados em frente a casa dela.
- Só com o que me importa. – De novo, eu soltei coisas que não deveria, mas não tenho culpa se ela tem um grande efeito sobre mim. Aproximei meu rosto do dela e beijei seus lábios delicadamente, num beijo apertado.
- Bom, preciso de um banho. – Ela disse assim que partiu o beijo.
- Come uma pizza comigo, e ? Eles sempre pedem de sexta.
- Sim, só vou tomar um banho rápido e já te encontro. – Eu assenti e ela me deu um selinho rápido antes de sair do carro.

***


O dia estava meio nublado, mas raios de sol fracos insistiam em aparecer por de trás das nuvens cinza. Menos mal, pelo menos não estava chovendo e eu detesto chuva.
Tomei um banho e fui para o Southend Adventure Island com e . Eu estava meio receoso de ir ao parque de diversões, pois eu meio que tenho certo medo de altura, mas é claro que eu não poderia nem considerar a idéia de dizer isso ao , que não parava de falar um minuto sobre a montanha-russa enorme que tinha no parque, só de ouvir aquilo eu sentia um frio na barriga. Se eu dissesse que tinha medo de altura, ele me zoaria até a morte. Minha única solução era torcer para que não gostasse de altura também, então eu poderia usar o medo dela como desculpa, pra me safar da maldita montanha-russa. Antes de chegarmos ao parque passamos na loja de instrumentos e eu peguei o de Noah. Sou grato por ser muito gente boa e ter me dado um adiantamento do aluguel. Na hora de ir embora eu daria o presente á ele, só espero que ele goste.
- Enfim chegamos. Olha que montanha-russa monstra, ! – exclamou divertido, já eu engoli em seco ao ver o tamanho daquele brinquedo.
- E bota monstra nisso. – Dei um sorriso sem graça, ativando o alarme do carro.
- Eu e amamos altura, né, amor? – disse eufórica depositando um beijo no rosto de .
- Sim. – gay respondeu igual a um menino de oito anos de idade.
- Céus, vocês são mesmo o casal perfeito. – Disse com descaso e os dois nem se importaram.
Entramos no parque, o qual estava lotado por crianças, pais e adolescentes, todos felizes demais para o meu gosto. Eu era o único que sentia medo de altura? Isso não poderia ser possível. Minha felicidade seria andar no carro de bate-bate com a , no Splash e definitivamente dar uns amassos com a na casa mal assombrada. Garotas sempre têm medo de fantasmas, não deveria ser diferente, e eu iria adorar quando ela se assustasse com alguma caveira idiota e grudasse no meu pescoço. Agora me diga se tem graça, desperdiçar tudo isso numa montanha-russa monstruosa, a qual poderia se despedaçar igual no filme Premonição 3? Ok, talvez eu tenha exagerado quanto a isso, mas nunca podemos descartar as possibilidades.
- ! Planeta terra chamando. – estava parada a minha frente estralando os dedos. Acho que eu deveria ter saído de órbita com meus pensamentos.
- O que? – Perguntei atordoado.
- A está logo ali na barraca do Tiro ao Alvo, vamos lá.
- É, cara, parece que dormiu em pé e com os olhos abertos. – zombou.
- Foi mal, gente. – Sorri sem jeito. Senti meu celular vibrar no bolso da frente da minha calça jeans, atendi sem ver quem era. – Podem ir à frente, já vou indo. - e assentiram, indo até a barraca em que estava. – Alô.
- Hey, zinho! Finalmente você me atendeu. – Reconheci aquela voz fresca, era a Sharon. Afe, e eu achando que ela já tinha desencanado da minha.
- Hey, Sharon, eu realmente não posso falar agora. – Eu falava ao celular e dava passos demorados até a barraca. sorriu de longe e eu sorri da mesma maneira. Eu só queria desligar o celular e ir logo ficar junto com ela. Por que a mula da Sharon tinha que me ligar ou ainda se lembrar da minha existência?
- Credo, ! Faz um tempo que a gente não se fala e você me trata assim? – Ela disse meio alterada, e eu já estava pronto pra dar um fora nela, mas ela não calava a maldita boca. – Você está com outra em Southend, huh? ‘To vendo que eu preciso aparecer por aí!
- Sharon! – Disse exasperado e ela fez silêncio. Finalmente! – Primeiro que você não é minha namorada, segundo eu não te devo satisfações da minha vida, mas sim eu tenho alguém aqui em Southend e terceiro você não tem nada pra fazer aqui, ok?
- ... Me desculpa é que eu gosto de você. – Posso jurar que a ouvi choramingar. E lá vamos nós! - E outra, você não pode ter alguém, eu te conheço, , como as palmas das minhas mãos. Você não ama nem a si mesmo, você só ama o dinheiro! – Disse convicta. – Por isso que combinamos, eu te conheço e não me importo com seu jeito de ser.
- As coisas mudaram, Sharon, eu não sou mais assim. – Me defendi.
- Cai na real, , - Ouvi sua risada sarcástica. – você só deve está encantado por essa garota, mas assim que esse encantamento passar, eu e você sabemos que o velho virá a tona e eu tenho certeza que essa garotinha certinha que está te mudando... – Ela deu ênfase quando disse ‘garotinha certinha’ - descobrir o seu verdadeiro eu, ela vai te deixar e eu estarei aqui pra te receber de braços abertos. – Eu não podia mais ouvir uma palavra sequer daquela desgraçada da Sharon.
- Cala essa boca e não volte mais a me ligar! – Disse nervoso e desliguei na cara dela. Inspirei uma grande quantidade de ar para os meus pulmões e tentei espirar calmamente. O que Sharon disse teve um grande peso em mim. Eu tinha mudado muito depois que eu conheci a , eu não queria ser aquela pessoa egoísta que eu era antes. Eu sei que não aprovaria aquela pessoa e nem eu a aprovava mais, eu não podia perdê-la... Eu precisava de pra ser uma pessoa melhor, eu precisava dela pra ser alguém que minha mãe sempre acreditou que eu fosse. Eu não podia desapontar nenhuma das duas... Não mesmo. Tentei desfazer a minha cara irada e esbocei um sorri calmo, assim que me aproximei da barraca de Tiro ao Alvo. e não estavam mais lá. – Hey moça, eu quero jogar. – Brinquei e veio até mim sorrindo ternamente.
- Oi. – Cumprimentou carinhosa com um selinho. Era tudo o que eu precisava para me acalmar naquele momento. Dos seus lábios macios sobre os meus. Ela se afastou e eu vi o quão linda ela estava com aquela roupa. Na verdade ela era linda sempre e usando qualquer coisa – Tudo bem com você? Você parecia... Nervoso.
- Tudo bem. Era apenas e me ligando pra perguntar umas coisas sobre um jogo de vídeo game. Eles me estressam com suas perguntas. –Menti.
- Ok. – O que eu mais gostava na é que ela não me enchia de perguntas. – Vai querer quantos tiros? – Perguntou divertida.
- Quero quatro, sou ótimo em pontaria. – Me gabei e ela revirou os olhos sorrindo. Tirou uma caixa debaixo do balcão e me entregou quatro rolhas, que eram as balas da espingarda de brinquedo.
- Vai tentar qual prêmio?
- O panda gigante.
- Ele é o prêmio mais bonito. – Ela fez uma carinha tão doce, parecia uma menininha de cinco anos vendo o ursinho dos seus sonhos. Eu ri.
- Eu sei, vou dar pra minha namorada. – me olhou surpresa e eu não sabia onde enfiava a cara e nem de onde aquilo veio. Fui salvo pelo gongo quando, chegou uma leva de crianças na barraca querendo brincar. Ela foi atendê-los e eu tentei mirar a plaquinha de papelão que estava em frente ao panda, mas errei. Errei o segundo, terceiro e quarto tiro. gargalhava e eu já estava puto com a minha droga de pontaria. – Quer saber, cansei!
- Eu achei que fosse bom de pontaria. – Provocou divertida.
- E eu sou, mas não estou no meu melhor dia. – Disse metido. Tirei cinquenta libras da carteira e coloquei em cima do balcão. me olhava confusa. – Acho que isso compra o panda.
- Acho que ele não está a venda. – Rebateu fazendo um biquinho.
- Por favor, moça, eu preciso desse urso pra dar pra uma garota que eu estou muito a fim. Você poderia me ajudar? – Debrucei no balcão e sorriu de canto, foi até a prateleira e pegou o panda e com a mão desocupada pegou as cinquenta libras e guardou no caixa.
- Só estou fazendo isso pelas crianças, você sabe filantropia. – revirou os olhos - Essa garota desse ser mesmo sortuda. – Brincou.
- E ela é. – Peguei o urso enorme e sorri satisfeito. Como agora não havia movimento na barraca, saiu e veio em minha direção parando na minha frente. Ela me olhava de uma forma tão dócil, sincera, como nenhuma menina nunca olhou para mim. Eu podia sentir meu coração bater numa frequência muito rápida. – Isso é pra você. – Entreguei o urso para ela.
- Obrigada. – Mordeu o lábio e então sugou os meus devagar. O gosto dela era incrivelmente bom. Cortamos o beijo assim que ouvimos alguém pigarrear, chamando nossa atenção.
- . – Morgan a recepcionista do Lar St Lucie me reconheceu.
- Hey, Morgan. – Cumprimentei sem graça. Ela sorriu discreta, percebendo que e eu ficamos desconcertados com sua chegada repentina.
- , você pode se divertir no parque, vou tomar conta da sua barraca.
- Tem certeza, Morgan? Se quiser eu posso ficar. – disse prestativa.
- Tenho sim, divirta-se, se precisar de algo eu lhe aviso. – Morgan sorriu simpática e entrou na barraca.
- Obrigada. – agradeceu e demos de ombros, andando sem direção no parque.
- Se quiser posso levar o urso pra você. – Me ofereci, notando que ela estava se desdobrando pra carregar o panda gigante.
- Obrigada. – Ela me deu o bicho. Senti nossas mãos se roçarem e de um jeito tímido entrelaçamos nossos dedos. Sorrimos acanhados, porém não falamos nada. O silêncio era confortável. – Carrinho de bate-bate, o que acha? – Indagou espontânea, assim que paramos em frente ao brinquedo.
- Vamos nessa. – Concordei. – Vou comprar os tickets, fica na fila? – Ela assentiu. Dei de ombros e fui até o caixa comprar uma fila quilométrica cheia de ingressos. Distraído com os tickets, bati em alguém e quando olho para frente era Emma. A garotinha do orfanato. – Hey, Emma. – Cumprimentei humorado.
- Oi, . – respondeu num tom agradável, ao lado de uma amiguinha. – Vejo que você seguiu o que eu disse. – Afirmou e eu olhei desentendido. – Você agora é o príncipe da , eu vi vocês dois se beijando. Tão lindos... Como num conto de fadas. – Ri alto com Emma e me lembrei do que ela havia dito aquele dia no Lar St Lucie ‘Você também é bonito, , acho que você deveria ser o príncipe dela’. Emma era mais esperta do que eu imaginava.
- Valeu, Emma, acho que você sabe o que fala, huh? – Ela sorriu convencida, me fazendo rir também. – Se divirta e nada de encontrar príncipe por aqui, certo? –Fingi uma voz de bravo e ela gargalhou. Dei de ombros e fui até na fila, nós já éramos os próximos.
- Prepare-se pra levar muitas batidas, . – sorriu convencida, entreguei dois tickets para o carinha do bate-bate, e embarquei no meu carrinho.
- Veremos, . – Desafiei, logo em seguida gargalhei malvadamente. Nem sei se essa palavra existe, e se não, e daí? Acabei de inventar.
Depois do carrinho de bate-bate (no qual, eu bati inúmeras vezes no carrinho de ) fomos no Splash, na casa mal assombrada (consegui dar uns beijos calientes na quando ela se assustava com as caveiras idiotas, aí eu aproveitava o momento e a convencia a me beijar pro medo passar. Eu sou foda), andamos em diversos brinquedos divertidos, mas como a minha felicidade dura pouco, encontramos e com sorrisos de orelha a orelha, e eu já sabia o que aquilo significava.
- , ! Finalmente achamos vocês! – vibrou.
- Então prontos pra montanha-russa? Eu e já fomos três vezes. – disse contente e eu queria tanto socar a cara dele, ou ter o poder de teletransportar as pessoas e mandar ele e pra algum parque do outro lado do planeta.
- Eu quero muito ir. – E pra acabar com tudo concordou com eles. Minha única esperança tinha ido para o ralo.
- Eba! – vibrou. Ela e saíram andando na frente.
- Vamos, cara, até parece que viu fantasma. – zoou.
- Eu acho que não é uma boa idéia eu ir. – Sorri nervoso. – Vou ficar aqui em baixo segurando o panda. – Chacoalhei o urso gigante e me olhou desconfiado.
- , não venha me dizer que isso tudo é medo de altura? – Indagou e eu fiquei com cara de idiota.
- Não tenho medo, ô seu idiota, é só que sei lá! Fico com mal estar, só isso. – Despistei e logo ouvi a risada do idiota do ecoar.
- , acho que você terá que achar um parceiro pra ir na montanha-russa, o tem medo. – Ele zoou parando atrás das meninas na fila. Será que se eu desse um soco bem grande no olho do ele seria menos fofoqueiro?
- Isso é verdade, ? – interrogou.
- Você tem mesmo medo? – perguntou preocupada e não debochada como .
- Talvez eu tenha medo. – Fiz bico. – Pode ir, , eu vou esperar aqui. Sou um idiota medroso.
- Qual é, cara, é só um brinquedo. – infernizou.
- Cala boca e olha pra frente, que é sua vez! – Alertei e riu entrando no carrinho com .
- Pode ir, , é sério. – Disse, pois nós éramos os próximos da fila. deixou uns três casais passar na nossa frente.
- , acho que está na hora de superar seu medo. Eu estou aqui com você, qualquer coisa é só apertar minha mão que tudo vai ficar bem, ok? – Ela passou a mão delicadamente pelo meu rosto. Eu adorava a sensação gostosa da pele dela sobre a minha.
- Eu não vou conseguir, . – Disse ainda com os olhos fechados, apenas sentindo o carinho dela. Puta que pariu! Como eu era um marica!
- Vai sim, você já me ajudou a superar um medo, está é minha vez de ajudar você a superar o seu. – Ela disse confiante e me fitou por alguns instantes. Eu estava muito curioso pra saber, como e o que eu fiz, para ajudá-la a superar uns dos seus medos. – Você está comigo ou não?
- Estou. – Suspirei alto. Eu não sabia se me arrependeria daquilo, mas mesmo assim fui. sorriu satisfeita e saiu me puxando para o brinquedo. Deixei o panda ao lado da cabine do brinquedo, e então entramos no carrinho que ficava em frente ao de e .
- Wow! não é uma mulherzinha! – vibrou.
- Quando eu sair daqui vou esmurrar sua cara de bixa. – Gargalhei. Um cara se aproximou abaixando a proteção do carinho de cada pessoa, e quando chegou à minha vez e da , senti meu coração acelerar. Não tinha mais volta. Senti o carrinho subir o looping vagarosamente, o barulho que as rodinhas faziam no ferro me assustavam e eu podia sentir o suor frio escorrer pela minha nuca e testa, tanto quanto o suor que descia pela minha espinha. Segurei com força na trave de segurança e mantive meus olhos fechados. Ouvi dar uma risadinha baixa e tocar minha perna.
- Abra os olhos, , eu estou aqui lembra? – Ah, a voz harmoniosa dela que tanto me acalmava, não estava fazendo efeito agora. – Por favor, abra os olhos, eu estou aqui. – Por incrível que apareça abri um olho, e dessa vez a voz dela tinha me acalmado. Olhei para frente e vi que o carinho estava prestes a chegar à ponta, pra então descer com tudo.
- , eu... – Fiquei um pouco nervoso e não sabia se falava ou respirava fundo. Senti-a tirar a minha mão direita de cima da trave e entrelaçar nossos dedos calmamente. Vi que o carinho chegou à ponta, era agora que eu me despedia dela e dizia que ela foi a melhor coisa que me aconteceu, antes de eu ter uma parada cardíaca e morrer, mas ela somente virou o meu rosto e murmurou um ‘É agora’, selou meus lábios firmemente ainda segurando minha mão, então senti o carrinho descer com tudo e um frio dominar meu estomago, não somente pela adrenalina da velocidade, nem pelos gritos que as pessoas soltavam, ou pelo meu medo de altura, mas sim por sentir os lábios dela sobre os meus, a língua dela massageando a minha e por fim, levando aquele meu medo estúpido embora. Eu amo , era o que meu coração me dizia com suas batidas rápidas e intermináveis... Eu a amava com todas as minhas forças. Ela abriu os olhos durante o beijo e eu pude ver sua expressão alegre, demos selinhos rápidos dessa vez, mas eu não estava pronto pra partir o beijo e intensifiquei ainda mais. Ela percebendo o que eu queria continuou, e só fomos parar de nos beijar quando chegamos ao chão. Eu agora amava montanha-russa e amava muito mais a garota ao meu lado. – Isso foi incrível.
- Fico contente por ter ajudado. – Ela sorriu ladina. E eu reparei como os lábios dela estavam avermelhados e inchados, de fato o meu estaria do mesmo jeito.
- No final das contas, montanha-russa não é tão má assim, não é ? – indagou safado saindo do carrinho com em seu encalço.
- Não é não. – Respondi somente isso, e dei a mão pra sair do brinquedo. Dei um sorrisinho e silabei um ‘obrigado’, ela mordeu o lábio e assentiu.
Antes de irmos embora, passou na barraca do Tiro ao Alvo para fechar o caixa. e dividiam uma maçã do amor, e eu até que ria da ‘viadice’ daqueles dois. Vi um garotinho cheio da marra se aproximar vestindo uma camisa do The Clash, quando me viu veio correndo até mim.
- Fala, dude. – Fizemos um high Five.
- Dude, to feliz por você estar aqui. – Noah disse sincero.
- Valeu, man, to feliz por te ver aqui também. Já conhece meus amigos? – Apontei para e . acenou e fez um high Five com Noah.
- Hey, cara, eu sou . fala muito de você.
- Ele também fala de você, .
- Acho que podemos ir. – anunciou ao lado de Claire York a diretora do orfanato.
- Ok. – Respondi. – Hey Noah, o que acha de nos acompanhar até meu carro? Quero te mostrar uma coisa. – Tanto Noah quanto me olharam surpresos.
- Legal. – Falou entusiasmado. – Eu posso, senhora York? – O garoto interrogou com olhos piedosos.
- É claro que pode, Noah. – Concordou. Ele sorriu e caminhou ao meu lado e ao de , enquanto , e a senhora York vinham atrás. Disparei o alarme assim que chegamos ao estacionamento e encontrei minha Range Rover. Abri a porta mala assim que Noah viu o embrulho azul marinho, me fitou com olhos enormes e surpresos.
- , é o que eu estou pensando?
- Talvez. – Disse duvidoso. Olhei para e ela me olhava incrédula e encantada, eu diria. Ela era perfeita demais.
- É um baixo! – Vibrou Noah assim que rasgou boa parte do embrulho. Abraçou-me forte. Nunca uma criança me abraçou assim antes, exceto por ele. – Obrigado, , você é o melhor amigo que alguém pode ter.
- Hey, amigão, você merece. – Baguncei o cabelo dele como de costume. Ele desfez o abraço. – Depois marcamos nossas aulas, tudo bem?
- Pode deixar. – Sorriu e foi correndo até a senhora York. e eu levamos o instrumento até o carro da diretora.
- Obrigada, , você foi muito gentil por ter dado esse presente a ele. – Agradeceu com um sorriso sincero a senhora York. Eu assenti. – Obrigada você também, , por tudo sempre.
- Não tem de quê, senhora York. – disse sincera e a senhora York deu de ombros com Noah, não antes de ele abraçar e correr até mim me dando outro abraço apertado e assim se foi.
- Foi legal você ter dado o baixo pra ele, dude. – elogiou, antes de entrar no carro.
- Ele merece.

***

- Eu me diverti muito hoje, , obrigado. – e eu estávamos agarrados na varanda da casa dela, como a gente sempre fazia antes de se despedir.
- Eu que agradeço. Você foi ótimo com Noah... Você tem um bom coração, . – Afirmou me olhando fixamente.
- Eu nem sabia que tinha um coração. – Gargalhamos. – Obrigado por me fazer superar meu medo infantil de altura. - Era o mínimo que eu podia fazer... Você me ajudou a superar o meu medo, eu precisava retribuir.
- E qual foi esse medo que eu te ajudei a superar? – Indaguei curioso e coloquei um fio de cabelo dela atrás da orelha.
- Eu tinha medo de sorrir, de ser feliz de novo, e sem eu ao menos pedir por isso, você me ajudou. – Eu olhei atônito, não tinha palavras pra me expressar naquele momento, então beijei seus lábios calorosamente, ele dizia tudo o que eu queria falar, mas não sabia expressar com palavras. – Boa noite, .
- Boa noite, . – Sorri ao ver aquela figura linda se aproximar e dar mais um beijo de boa noite. Esperei entrar, como de praxe e fui pra casa. Sim minha casa, agora eu sentia que estava na minha cidade, eu tinha amigos aqui e um amor bem do outro lado da rua. A garota dos meus sonhos morava lá, e eu não deixaria que Sharon e nem ninguém me fizesse pensar o contrário.

’s pov on

Olá, Mamãe, Papai e Eric.
Hoje foi um dia tão especial, que eu nem sei se vou conseguir dormir. Conseguimos arrecadar mais do que precisávamos para o Lar St Lucie e eu me diverti muito com as crianças e meus amigos.
Eu preciso imediatamente dividir isso com vocês, antes que meu peito exploda de tanta felicidade: Eu estou completamente apaixonada pelo . Desde o nosso primeiro beijo eu não paro de pensar nele, e essas últimas semanas que passamos juntos têm sido incríveis. Ele é o único que me faz rir. Apesar de tudo o que as pessoas e tablóides dizem a respeito dele, eu sei que tem um bom coração. Ele só estava meio perdido, mas acho que agora ele está se encontrando, aos poucos ele está descobrindo quem realmente é, e eu quero estar ao lado dele sempre.
Gostaria que vocês estivessem aqui e presenciassem minha alegria. É tão bom estar apaixonada, agora acho que entendo o que você sentiu quando conheceu o papai, mamãe, e também entendo o que o papai sentiu por você. Será que você também já se sentiu assim, Eric? Como se borboletas assolassem seu estômago, quando seus olhos se encontram com o de alguém? Eu espero que sim.
Amo vocês... Saudades eternas.


Fifteen
Unexpected Visitor


Algo estava errado, eu tinha certeza disso.

Hoje no colégio durante o almoço, contava a sua famosa piada sem graça sobre a galinha, que somente eu achava graça, fazia uma cara de entediada e que sempre sorria por educação (para se sentir engraçado), estava muito quieta apenas mexendo em seu prato, sem comer nada. Ela parecia triste por algum motivo, eu perguntei o que estava acontecendo, entretanto ela se justificava dizendo que era somente um mal estar – Eu sabia que não era a verdade, por isso decidi dar um espaço a ela, mas eu já estava começando a ficar preocupado e precisava vê-la agora. Peguei minhas chaves e rumei para a casa dela.
Apertei a campanhia duas vezes, ok eu sei que preciso parar de ser ansioso, mas isso é algo que não consigo controlar. Fiquei contente assim que escutei o barulho da chave rodar na fechadura. abriu a porta e sua feição não era das melhores, ela estava com os olhos vermelhos, e eu sabia o que aquilo significava.
- ... O que houve? Por que você está chorando? – Indaguei preocupado, dei um beijo na testa dela e puxei seu corpo contra o meu abraçando-a.
- Eu to um pouco triste. – Disse com o rosto enterrado no meu peito. Eu apertei ainda mais meus braços ao redor dela.
- Me conte o que houve, linda. – Disse carinhoso, fechei a porta atrás de nós e puxei-a pelas mãos até o sofá. Notei que havia uma caixinha colorida em cima da mesa de centro, cheia de cartas e álbuns de fotos e no ato eu já sabia o que estava acontecendo.
Sentamos no carpete macio, um ao lado do outro. Luna veio ronronando em nossa direção, deitou-se no colo da dona e esfregava a cara de um jeito bem dengoso na barriga de , a qual fazia carinho na cabeçinha dela, a gatinha deveria sentir que estava triste e queria agradá-la. Não pude reprimir um sorriso. Minha mãe sempre dizia que os animais são muito sensitivos, ela estava certa.
- Eu sinto tanto a falta deles, . – Começou a falar e então pausou. – Vai fazer sete meses que eles se foram, então eu sempre sinto essa dor, que parece me sufocar. – Eu odiava o fato de ver tão triste e nada poder fazer para aliviar a sua dor. Eu me sentia profundamente triste por não ter minha mãe, mas ela perdeu toda a sua família, o que faz a dor dela ser três vezes pior do que a minha. Não aguentei aquela situação e puxei-a mais perto de mim abraçando-a de lado.
- Eu entendo completamente como você se sente, eu me sinto assim também quando se aproxima a data em que minha mãe se foi. – Fiz carinho na cabeça e depositei um beijo. – Sabe o que faz me sentir um pouco melhor? – Indaguei e ela levantou a cabeça olhando curiosa para mim.
- O quê?
- Eu vou até o cemitério, levo flores e converso com ela. Eu não tenho certeza se ela pode me ouvir, mas eu me sinto bem fazendo isso.
- Eu apenas visitei o túmulo dos meus pais e do meu irmão no dia do funeral, depois disso eu não tive mais coragem de voltar lá. – Ela enxugou algumas lágrimas e encarou os próprios pés.
- Se você quiser eu posso ir com você. E se te faltar coragem eu posso segurar a sua mão o tempo todo, eu aprendi que segurar a mão da pessoa que a gente gosta ajuda a superar qualquer medo, como por exemplo: medo de altura. – Fiquei muito contente, ao perceber que um pequeno sorriso surgiu nos lábios dela.
- Eu acho que isso ajuda mesmo. – Ela passou as mãos carinhosamente pelo meu rosto. Senti meu estômago se agitar. Acho que Luna ficou com ciúmes e saiu do colo de , indo para a cozinha.
- Então, é só você dizer quando e que horas, iremos para Glaslow. – Depositei um beijo na bochecha dela.
- Londres... Eles estão enterrados no cemitério de Highgate. – Olhei espantado, aquilo era coincidência demais.
- Nossa, minha mãe também está enterrada lá.
- Que coincidência. – Ela umedeceu os lábios e me olhou. – Obrigada, , por sempre me fazer me sentir melhor.
- Não precisa agradecer, eu vou sempre fazer de tudo pra te ver feliz. – Disse sincero, fitando os olhos brilhantes dela.
- Eu farei o mesmo por você. – Sorriu ladina, encostando seus lábios macios contra os meus num beijo calmo e curto. Meu coração batia tão forte.
Sem querer bati meu cotovelo na mesinha e uma foto caiu no chão. Fiz uma careta de dor e gargalhou. Agora sim tudo estava bem, ela estava sorrindo e eu adorava vê-la daquele jeito. Peguei a foto do chão e vi , uma mulher loira ao seu lado esquerdo e uma ruiva sentada do lado direito, ambas sentadas num sofá fazendo uma careta divertida. As três tinham uma semelhança, contudo e a mulher ruiva tinham exatamente o mesmo sorriso bonito.
- Quem são elas? – Interroguei.
- Minha mãe e minha tia Jenny. Natal de 2009. – Um sorriso triste imperou no rosto dela, e agora eu me amaldiçoava por ter perguntado quem eram aquelas pessoas. Eu não queria fazê-la chorar.
- Sua mãe era linda, , e sua tia também.
- Obrigada. Tia Jenny é uma fofa, eu sinto saudades dela. – Pensei que ficaria desconfortável falando sobre sua família, mas ela parecia bem.
- Ela mora em Glaslow? – Assentiu positivamente. – , eu sei que isso não é da minha conta, mas por que você preferiu morar sozinha e não com a sua tia? – Não que eu tivesse reclamando, até porque se morasse em Glaslow nós nunca teríamos nos conhecido, porém eu estava curioso pra saber. Acho que nenhuma garota de dezessete anos que perdesse os pais preferiria morar sozinha à com algum parente.
- Assim que meus pais morreram, eu passei alguns dias com a tia Jenny e Derek o noivo dela. Mas eu percebi que se continuasse naquela cidade, eu simplesmente enlouqueceria. – pausou e então voltou a falar – Então decidi me mudar. Antes dos meus pais e meu irmão irem para a África, eu os convenci a me emanciparem, eles protestaram um pouco no começo, no entanto decidiram que eu tinha maturidade o suficiente pra não fazer qualquer bobagem. – Ela sorriu se lembrando de algo. – Isso facilitou muita a minha vida, pois agora eu pude recomeçar num lugar novo, sem fazer tia Jenny e Derek abandonarem suas vidas em Glaslow por mim. Eles insistiram em se mudar pra cá comigo, mas eu não quis.
- Você é bem mais forte do que imagina, sabia? – Disse surpreso acariciando seus cabelos.
- Não sou não. – Ela pareceu tímida.
- É sim e por isso que eu gosto tanto de você. – Falei sem perceber, e aquilo era a mais pura verdade, por incrível que pareça não me condenei por ter dito aquilo. abriu e fechou a boca algumas vezes, acho eu que ela não sabia o que dizer então se aproximou de mim e me beijou com precisão. E meu coração? Ainda continuava batendo de uma forma surpreendente rápida e estúpida.

***


Após termos passado um tempo na casa da , enquanto ela me mostrava fotos de sua família, fomos para o meu apartamento. Eu só queria mantê-la alegre e bem perto de mim, eu tinha uma necessidade tremenda de cuidar dela e poder tê-la ao meu lado era incrivelmente bom. Eu nunca fiquei tanto tempo com uma garota como eu fico com ela, os sentimentos que a desperta em mim é assustador às vezes, é como se eu estivesse me tornado dependente dela. Embora essas sensações me deixassem apreensivo em certos momentos, eu não queria que nada fosse diferente. Talvez, eu possa está acreditando que o amor realmente exista, entretanto eu era um cético, não era? Acho que não mais.
- Eu acho que você sente cócegas aqui. – Agarrei pelas costas e comecei a fazer cócegas na barriga dela. Ela disparou a rir e tentava se desvencilhar dos meus braços.
- Para, ! Eu estou... Ficando... Sem... Ar! – Ela disse pausadamente, morrendo de rir. Caiu no sofá de costas e eu por cima dela.
- Haha, eu sabia que você não era tão resistente a cócegas como você dizia. – Gargalhei e continuei fazendo cócegas.
- Por favor, para! – Ela já estava vermelha de tanto rir.
- E o que eu ganho com isso?
- O que você quiser! – Sorri malicioso.
- O que eu quiser mesmo?
- Sim! – Gargalhou.
- Okay, então. – Parei com as cócegas e invadi a boca dela, que automaticamente cedeu espaço para a minha língua. Nossos corpos estavam bem próximos, e eu senti uma quentura correr pelas minhas veias, assim que puxou os cabelos da minha nuca. Sem eu perceber, minhas mãos já estavam por baixo da blusa dela, massageando a pele quente de sua barriga. Nós nunca tínhamos chegado a esse ponto, mas se não protestou então acho que não havia problema. Desci os beijos para o maxilar e logo parei no pescoço depositando umas chupadinhas pelo local. continuava a puxar meu cabelo, mas assim que minhas mãos foram parar em cima de seu peito, ela quebrou o beijo.
- ... Eu acho que estamos indo muito... Rápido. – Disse ofegante.
- Okay... Rápido demais. – Disse desconcertado. Se ela não me freasse, certamente eu prosseguiria com os amassos. O que eu posso fazer, sou homem, tenho uma namorada super gostosa e já faz um bom tempo que não ‘pratico’, aí fica complicado. Acho que passei tempo demais pensando em cima da , já que ela me olhava sem graça e suas bochechas estavam levemente coradas.
- , a campainha está tocando. – Avisou.
- Sério? Nem ouvi. – Não estava sendo cínico, eu não tinha ouvido mesmo.
- Sim, está. – Sorriu de canto. – Você pode ir lá atender ou quer que eu... Vá? – Perguntou sem jeito. Eu entendi o que ela quis dizer, ela estava preocupada se meu ‘amigo’ estava acordado, por sorte paramos o amasso antes de eu chegar lá.
- Tá tudo bem, eu atendo. – Gargalhei e me levantei indo em direção à porta.
- Certo, vou pentear meu cabelo, deve está num estado catastrófico. – Ela sorriu e foi para o banheiro. Que exagerada, o cabelo dela estava um pouco bagunçado, entretanto sexy. Ela poderia se esforçar pra ficar feia, mas de certo não obteria sucesso algum... Ela é linda... Muito linda e eu sou um gay por pensar coisas tão melosas, e eu que sequer imaginava pensar essas coisas algum dia. Sorri com as minhas divagações, enquanto fazia meu caminho sem pressa até a porta.
No momento em que abri a porta, quase caí pra trás com a pessoa que estava parada ali. Eu nunca deveria ter aberto a porta.
- , você está bem! – Um sorriso enorme se espalhou por seu rosto.
- Michael, o que faz aqui?! – Indaguei confuso, segurando a porta.
- Eu estava preocupado, você nunca retorna minhas ligações então resolvi visitá-lo. – Michael estava diferente, eu nunca percebi honestidade em sua voz como agora. Ele veio para me abraçar, porém recuei alguns passos fugindo do que ele tentava fazer, o deixando visivelmente embaraçado. –Se importa de eu entrar? – Apenas levantei a mão indicando que não, então ele entrou.
- Vejo que você se instalou perfeitamente bem. – Disse fitando o lugar, e eu não sabia o que ele realmente queria aqui.
- Acho que no final das contas, sua intenção de me castigar não me afetou como você queria. – Sorri debochado e Michael suspirou pesado.
- Filho, eu não vim aqui para brigar. Será que pelo menos uma vez na vida você pode conversar comigo como um adulto e deixar os ressentimentos de lado?
- Ah claro. Quais motivos eu teria pra ser educado com você, quando você é uma droga de pai? Que pra se livrar de mim me mandou pra uma cidade de merda? –Disse exaltado.
- , eu estou tentando reparar meus danos aqui, mas você não facilita, tem sempre que ser um garoto mimado arrogante! – Disse ele nervoso, e eu notei que ele desviou o olhar de mim, e olhou para frente sem graça. Curioso, olhei para a mesma direção e notei encostada no sofá assustada. Droga! Eu tinha me esquecido que ela estava ali, eu não queria que ela presenciasse todo aquele drama.
- Des... Desculpa, eu não queria interromper. – Titubeou nervosa, pegou seu casaco de cima do sofá e caminhou até a porta.
- , foi mal... Você não precisa ir. – Disparei alarmado. - É verdade, , não precisa ir, eu já estava de saída. – Michael disse todo educado. Quem vê pensa que aquele idiota é realmente assim. – Desculpe-nos pelo transtorno.
- Está tudo bem, senhor . – Sorriu educada. – Eu sei que o senhor não se apresentou, mas presumo que seja o pai do .
- Sim, Michael . –Apresentou-se - .
- Prazer em te conhecer, . Espero te conhecer em uma ocasião menos agressiva como essa. – Ele sorriu sem jeito e me olhou de canto. Babaca. – E, ... Eu ainda preciso conversar com você. Esse é o endereço do hotel onde estarei hospedado até amanhã à noite, caso queria aparecer. – Ele estendeu o cartão com o endereço do hotel, mas não me senti disposto a pegá-lo. Michael deixou o cartão em cima da mesinha do telefone. – Até mais, . – Dito isso, meu ‘pai’ deu de ombros.
- Até mais, senhor . – Respondeu educada e me olhou confusa.
- , eu sinto muito por tudo mesmo. – Passei as mãos exaustivamente pelo meu rosto e me aproximei dela, tocando o seu rosto.
- Não se preocupe com isso. – Disse apenas isso e seu olhar estava distante.
- Aconteceu alguma coisa, ? – Ela tirou as minhas mãos de seu rosto e foi para o sofá. Logo fui atrás.
- Então quer dizer que, você ainda acha Southend uma cidade de merda? – Agora eu entendi tudo. Ela tinha escutado aquilo e entendido de outra forma. Parabéns você é um imbecil assim com seu pai.
- , você entendeu tudo errado. – Balancei a cabeça em sinal negativo. – Eu achava Southend uma droga no começo, mas agora não acho mais, ok? Eu tenho você aqui comigo. – Passei a mão suavemente pelo rosto dela e vi sua expressão mudar. – Eu só disse aquilo pra punir o Michael.
- , eu sei que sei pai errou muito como você, mas eu não acho que você deveria tratá-lo dessa forma. – Disse cuidadosa, e eu me irritei um pouco.
- , você não conhece aquele cara, você não sabe as coisas terríveis que ele fez comigo, e agora você acha que eu sou o errado? – Falei alto e me fitava com olhos confusos.
- Eu não estou dizendo que você é errado e que ele é o certo. Só acho que se ele veio te procurar, é porque ele quer concertar as coisas e você deveria dar uma chance a ele.
- Eu não vou dar uma chance pra ninguém! – Esbravejei e me levantei do sofá. – E eu acho que você não tem nada a ver com isso, isso é problema meu, ok? Agora só o que me faltava você ficar do lado dele. – Dei uma risada nervosa, e nem percebia mais o que eu estava dizendo. Se tem uma coisa que me irrita é falar sobre os meus problemas com Michael. levantou-se do sofá e parou em minha frente, vi que ela estava brava e só aí fui me tocar que falei besteira. Antes que eu pudesse me desculpar, ela indagou:
- Quer saber? – pausou. – Realmente eu não tenho nada a ver com seus problemas, e sim seu pai pode ter sido um idiota, mas você não é perfeito ! – Elevou a voz e eu nunca tinha visto assim tão brava. Senti um bolo no estômago me incomodar, era como se eu estivesse com medo daquela situação. Eu não queria me desentender com a única pessoa que sempre me ajudava, que só me faz bem. – Se eu estivesse no seu lugar, e somente tivesse o meu pai vivo e mesmo que ele fosse um cretino comigo, eu correria atrás dele e tentaria fazer as coisas darem certo e sabe o porquê? – Ela me olhou dentro dos olhos e eu não sabia o que dizer. – Porque pelo menos eu teria um pai vivo, como você tem. Já eu estou sozinha no mundo e não tenho ninguém que possa ser um idiota, mas que se importe em corrigir seus erros mais tarde. Então dê valor para sua única família, , antes que seja tarde demais. – Vi seus olhos enxerem de lágrimas, e agora eu entendia o que ela queria dizer. Ela só queria me ajudar. Eu era um imbecil mesmo, eu precisava me desculpar.
- ... , me desculpa, por favor! – Implorei, mas ela deu de ombros me abandonando sozinho naquela sala, onde eu me encontrava estático e com cara de retardado arrependido.
Esmurrar as coisas, andar de um para o para o outro, ligar pra sem parar, não faria as coisas ficarem bem. Eu detestava ser um cretino com ela, odiava o fato de Michael sempre aparecer e estragar tudo e odiava ainda mais... Eu ter bancado o idiota da vez e ele ter a porcaria da razão. Só havia uma coisa que eu poderia fazer pra concertar as coisas. Peguei o cartão do hotel e resolvi me aventurar na tempestade que caía lá fora, indo até o hotel de Michael. Eu nunca pensei que faria isso, mas eu queria uma trégua.

***


Cheguei ao hotel e a recepcionista fez cara de vadia fresca, assim que percebeu que eu estava ensopado devido à chuva e molhava o chão impecável do hotel, no entanto quando eu mencionei que queria falar com Michael , e que eu era o filho dele, a vaca desfez a cara de nojenta e abriu um sorriso interesseiro. Quantas vezes eu preciso dizer que o dinheiro fala mais alto que tudo? Estranhamente o dinheiro já não tinha o mesmo efeito sobre mim, e eu devo isso a alguém.
Bati ansiosamente na porta do quarto de Michael, e logo ele apareceu com uma cara surpresa me convidando pra entrar, mas eu recusei; o que eu tinha para falar seria rápido e direto:
- Você está disponível amanhã à noite?
- Sim. – Respondeu admirado.
- Ok, então iremos jantar. – Disparei rápido, antes que eu desse pra trás. – Eu, você e a .
- Isso é... Uma ótima ideia, . – Disse pasmo, e posso jurar que vi um sorrisinho se formar em sua feição sempre dura. Andei confuso para um lado e para o outro e indaguei:
- Por favor, não vamos brigar certo? – Disse antes de dar de ombros - Aquela garota é importante para mim.
- Eu sei que ela é. – Ele assentiu. – Boa noite, . – Não olhei para trás apenas levantei minha mão, como se quisesse dizer ‘beleza’.

***
Fiz o caminho de volta para casa, o mais rápido que eu pude. Eu só queria me entender com a e dizer o quanto eu era grato por tê-la na minha vida, e que eu nunca mais queria dizer coisas estúpidas a ela. Eu não aguentaria ficar longe dela, só a idéia de vê-la sair do meu apartamento daquele jeito, me deixando sozinho me assustou e muito. Ela definitivamente era uma peça vital na minha vida e eu não suportaria ficar sem ela.
Agora eu estava mais encharcado do que antes, eu podia sentir minha calça jeans pesar, maldita chuva. Apertei a campanhia, mais desesperado dessa vez, só espero que não me ignore se não eu seria forçado a escalar a árvore que havia em frente à janela do quarto dela e como vocês sabem, eu não sou muito fã de altura. Felizmente não precisei escalar a árvore, estava parada na porta me olhando preocupada e aborrecida, ao mesmo tempo.
- O que faz aqui? E todo molhado? Você precisa imediatamente se aquecer! – Preciso dizer que eu adorei o fato de ela se preocupar comigo mesmo estando zangada?
- Na verdade o que eu mais preciso é de você. – Senti as mãos delas me puxando pra dentro de casa, e logo ouvi o barulho da porta se fechar atrás de nós.

Sixteen
The dinner


Ela me puxou pela gola da blusa, me imprensou na porta, colando seu corpo bruscamente ao meu, e então grudou nas bocas em um beijo selvagem.

Na verdade eu achei que isso iria acontecer...

Mas definitivamente, foi apenas fruto da minha imaginação.

me olhava receosa, mas eu podia ver uma ponta de preocupação em seu olhar. Ela ainda estava aborrecida comigo, aquilo era óbvio, entretanto ela ainda só queria me ajudar. Eu tinha vontade de me ajoelhar aos pés dela e me desculpar incansavelmente até ela me perdoar por ser um babaca, mais cedo. Ela era boa demais pra merecer que eu a tratasse mal, como eu fiz. Eu tinha que dizer algo, só não sabia o que dizer exatamente.
- ... Eu.
- Eu acho que você precisa de um banho quente, antes que fique gripado. – me cortou e não me olhava na cara, eu sabia que ela estava passando por cima de sua raiva pra me tratar bem. – Você pode tomar banho no meu banheiro. – Antes que ela subisse a escada, impedi-a segurando o seu braço, ela girou o corpo para mim, me olhando tensa.
- , me desculpa por hoje mais cedo... Eu fui um idiota. – Pausei, eu precisava por minhas idéias em ordem, eu nunca fui bom em me desculpar. Norah sempre vinha com aquele papo de falar com o coração, ser honesto e blá, blá, blá, eu precisava por isso em prática agora. ainda me olhava curiosa esperando eu terminar minha sentença. – A presença de Michael me deixa nervoso, eu fico confuso e nunca sei como agir e acabo descontado nas pessoas, então me desculpe, eu não disse aquilo por querer, eu juro! Eu... Eu simplesmente não consigo ficar brigado com você, eu senti umas coisas estranhas como se eu fosse explodir por dentro se não me desculpasse... Eu to tão arrependido. – E de repente o vômito de palavras saiu de uma vez da minha boca, só não prossegui, pois selou o dedo indicador nos meus lábios.
- Está tudo bem, , ok? Agora eu só preciso que você tome um banho e coloque algo quente. – Um sorriso tímido escapou pelos lábios dela e agora eu sabia que tudo estava bem. Eu sabia que estava molhado e não poderia me dar ao luxo de abraçá-la, no entanto eu precisava tanto sentir os lábios dela nos meus, por isso evitei o abraço, mas não o beijo.
- Você é perfeita, sabia? – Acariciei seu rosto com o polegar, e não pude reprimir um sorriso com aqueles olhos doces me encarando.
- Eu estou longe da perfeição, . – Disse baixinho e aquele sorrisinho acanhado ainda tomava forma em seu rosto delicado.
- Não pra mim. – Disse convicto e dei um selinho curto e apertado nela, notando que suas bochechas estavam mais coradas que o normal.
- Vem, antes que você fique doente. – Usou um tom meio que maternal e me puxou pela mão subindo a escada para o primeiro andar.
Entramos no primeiro quarto do corredor, para ser exato, no quarto da . As paredes tinham um tom de azul celeste, os móveis eram de mogno e tudo de um excelente bom gosto. Pergunto-me se o quarto dela em Glaslow era desse mesmo jeito. Eu gostaria de saber como era a que vivia na Escócia, mas algo me diz que mesmo que ela fosse muito feliz lá, fosse para muitas festas badaladas, tivesse amigas daquele tipo inseparáveis e até tivesse um namorado (algo que eu não curto pensar, nem um pouco), na época que seus pais e seu irmão estavam vivos, ela era a mesma garota de Southend, com a única diferença de ser mais feliz por ter a sua família. Senti-me bem no quarto da garota solitária que e eu espionávamos da janela do nosso apartamento, pois agora ela não estava mais sozinha, ela tinha a mim.
- Hey, enquanto você toma um banho, eu vou preparar chocolate quente, ok?
- Não precisa, ...
- É claro que precisa, - Me cortou. – até porque não vou fazer só por sua causa, eu já iria preparar pra mim de qualquer forma. – Brincou.
- Então nesse caso, acho que devo te acompanhar. – Sorri e ela assentiu já dando de ombros. – Hey, - Indaguei e ela me olhou. – Eu adoro você.
- Eu também te adoro. – Sorriu ladina, e então saiu do quarto me dando total privacidade.
Era tão instantânea a maneira que eu dizia o que sentia pra ela, antes eu me resguardava, mas agora eu estava mudando. Ela me mudava a cada dia sem nem ao menos perceber.

Acho que eu perdi um pouco a noção do tempo embaixo do chuveiro. Pois o boxe estava muito embaçado por causa do vapor quente e minha pele já estava vermelha com a força da água que massageava meus músculos maravilhosamente bem. Decidi desligar o chuveiro, já que não era eu o responsável por pagar a conta de água e luz, peguei uma toalha branca e macia que estava pendurada perto da porta do boxe e a enrolei na minha cintura. Fiz uma careta ao sentir uma brisa fria entrar em contato com o meu corpo ainda quente, eu precisava me vestir rapidamente, mas foi nesse momento que caí na real... Minhas roupas estavam encharcadas e eu não tinha o que vestir. Droga! Para a minha surpresa, assim que abri a porta do banheiro, notei que em cima da cama tinha uma muda de roupa. Mexi nelas e reconheci minha calça de moletom preta, minha boxer branca da Calvin Klein e minha camiseta simples também branca. Não pude reprimir um sorriso, era simplesmente demais e sempre pensava em tudo. Eu custei a acreditar que ela saiu nessa chuva, e foi até o meu apartamento buscar roupa limpa para mim. Eu sei que meu apê fica na esquina do outro lado da calçada, porém os pingos grossos da chuva molhariam qualquer um em fração de segundos, não que eu não tivesse gostado dela ter se preocupado comigo, mas eu daria uma bronquinha nela. Eu não queria que ela se submetesse a uma gripe por minha causa.

Ela é mesmo incrível.

***


Cheguei à cozinha e logo me maravilhei com o cheiro de chocolate quente, estava encostada na pia despejando o líquido em duas xícaras enormes. Fiquei parado na porta apenas observando-a. Ela sempre teve um jeito para cuidar das pessoas, eu percebi isso, desde o dia que eu fui parar na diretoria e peguei um mês de detenção por ter quebrado a cara do Kepner para defendê-la, e foi até a diretora interceder por mim, no orfanato ela cuidava tão bem daquelas crianças e eu mesmo tendo sido um babaca com ela, ela estava ali cuidando de mim. nem de longe parecia ser a garota que perdeu a família em um drástico acidente de avião, e não tem quem cuide dela; Ela era tão forte apesar de tudo, entretanto eu queria cuidar dela, eu queria mostrar que estava ali por ela... Eu queria ser o porto seguro de em qualquer situação, eu só quero ser o que ela precisa.
- Há quanto tempo você está parado aí me olhando? – Sua voz doce acordou-me de meus devaneios, um sorriso terno surgiu nos seus lábios, enquanto ela vinha até mim com as duas xícaras de chocolate quente, e por fim me deu a minha.
–Tempo suficiente pra perceber o quão boa você é na cozinha. – Sorri. - Valeu. – Agradeci.
- Todo mundo sabe fazer chocolate quente, eu sou péssima na cozinha. – Revirou os olhos e deu uma risadinha baixa, subindo para o primeiro andar da casa e eu em seu encalço.
- Para de modéstia, , ainda me lembro do macarrão que você fez em casa, o então... Não esquece. – Ela gargalhou.
- Eu tive ajuda da . – Entramos no quarto dela e sentamos em sua cama. colocou a xícara em cima do criado mudo, pegou o controle remoto da TV, ligou deixando em um canal qualquer que passava um episódio de Grey’ s Anatomy e logo pegou seu chocolate quente.
- Não conta abrir a lata de massa de tomate, e despejar na panela como ajuda .
- Coitadinha, ela fez mais que isso. –Gargalhou.
- Aham. – Ironizei e dei um gole na minha bebida que estava muito boa, como eu imaginava.
- Eu adoro Grey’s Anatomy. – Afirmou com os olhos vidrados na TV, eu olhei também pra ver o que havia de tão especial naquela série de médicos, e logo pude ver o motivo de tamanha ‘adoração’.
- Adora a série ou o doutor McDreammy? – Fiz uma careta, e acho que percebeu que fiquei enciumado, já que ela soltou uma risadinha nasalada.
- Os dois, e também tem o doutor Sloan, ele é bem sexy, mas nada comparado ao doutor Derek Shepperd. – Revirou os olhos, maravilhada. Sentia-me estúpido por estar com ciuminho de um cara da TV. Coisa estranha, eu nunca senti ciúmes antes.
-Eles são velhos, ! – Disse indignado vendo os caras, mas preciso confessar que eles não eram nada mal.
- E lindos. – Sorriu. – Awn, acho que o mosquitinho verde te picou, , pois você está morrendo de ciúmes.
- Pára de ser boba, não tenho ciúmes de velhos. – Coloquei minha xícara em cima do outro criado mudo ao lado da cama, e cruzei os braços mostrando que eu não estava nem aí.
- Sim, você tem! – Ela gargalhou e se ajoelhou na minha frente, puxou o meu pescoço e me beijou, mas eu não retribuí o beijo, eu estava fazendo um draminha, era divertido vê-la tentando me agradar. – Não vai mesmo me beijar, ? – Perguntou manhosa, ainda com os lábios encostados nos meus. Eu apenas balancei a cabeça negativamente. permaneceu ainda na minha frente, passou a língua nos meus lábios os contornando levemente, e eu já estava louco pra ceder, mas me segurei. Ela então parou de tentar, suspirando cansada. – Ok, a perda é sua, mas se depois eu sonhar beijando ferozmente o doutor Shepperd, não venha reclamar. – Disse brincalhona e já estava pronta pra dar de ombros, mas eu fui mais rápido, segurando em sua cintura fortemente e troquei de posição caindo por cima dela na cama.
- Se tem alguém que você sonhará beijando, esse alguém sou eu, senhorita . – Ela gargalhou. – Mas por outro lado, pra que sonhar se você pode ter na realidade, huh? – Sorri maroto e ela deu uma risadinha baixa. Suguei seu lábio inferior lentamente e logo nossas línguas se encontraram numa dança devagar e torturantemente gostosa. Minhas mãos foram descendo pelas laterais do corpo dela, parando em seus quadris, já as mãos de massageavam a minha nuca num carinhoso gostoso. Eu movimentei minha pélvis sobre a dela, porém resolvi parar quando senti que poderia facilmente me ‘animar’ com aqueles movimentos, eu sabia que ainda não estava pronta para aquilo e se eu começasse, certamente não conseguiria parar. – ... – Disse em meio aos beijos, ela murmurou um ‘hum’ sem parar os selinhos. – amanhã... – Passei a língua de cima para baixo nos lábios dela –... Você aceita... – mordiscou meu lábio inferior e, dude, aquilo me deixou desnorteado. -... Ir jantar... – Nossos olhos estavam fixados em nossas bocas, eu agora contornava seus lábios macios com a minha língua e senti se remexer um pouco em baixo de mim. Aquilo estava me enlouquecendo aos poucos, eu precisava falar logo e saí de cima dela, antes que meu descontrole me dominasse. -... Comigo e Michael? – Por fim falei, e me olhou assustada encerrando o beijo.
- Como assim? Jantar? Eu, você e se... Seu pai? –Gargalhei.
- Sim, depois que você foi embora, eu fui atrás dele no hotel e resolvi jantar com ele, mas apenas se você concordar ir comigo. – Ajeitei uns fios de cabelo dela atrás da orelha. me olhou maravilhada.
- Eu fico feliz por isso, , você não imagina o quanto. – Ela me abraçou, eu fiquei feliz, pois senti que ela estava orgulhosa de mim. – Tem certeza que quer que eu vá com vocês? Não vou atrapalhar? – Interrogou ainda abraçada comigo. Eu adorava senti-la tão próxima.
- Claro que eu tenho certeza, você vai estar lá me dando força. Eu não me sinto muito confortável na presença do Michael, mas você lá comigo vai amenizar tudo, além do mais, você é importante pra mim e eu quero que ele te conheça. – Ela quebrou o abraçou e acariciou o meu rosto vagarosamente.
- Você também é importante pra mim, ... E muito. – Deu um sorriso doce e logo uniu seus lábios nos meus em um beijo rápido. – Bem, amanhã será um dia longo, precisamos dormir. – Finalizou animada.
- Acho que preciso ir né? Amanhã temos que ir pra escola, e eu prometi dar uma aula de baixo pro Noah. – Disse derrotado, eu não queria ter que ir pra casa. Eu queria passar a noite com a , não porque eu tinha segundas intenções, longe disso, embora passar a noite com ela e não fazer nada fosse torturante, eu queria dormir com ela sem que nada físico acontecesse. Todo aquele carinho já era suficiente para mim.
- Não precisa ir... Se não quiser, é claro. – Falou tímida. – Você pode passar a noite comigo.
- É o que eu mais quero, . – Disse sincero e um sorriso largo estendeu em seu rosto.
- Vou pegar meu edredom, e dois travesseiros. – Disse alegre, e eu saí de cima dela, pra que ela pudesse pegar as coisas no guarda roupa.
- . - Chamei e ela se virou, me olhando. – Obrigado por ter ido pegar minhas roupas, mas eu não queria que você saísse na chuva por minha causa. – Ela sorriu e jogou um edredom grosso e dois travesseiros em cima da cama. Eu me levantei e tirei a colcha da cama.
- Não se preocupe, eu não saí na chuva pra pegar suas roupas. – Olhei confuso, enquanto a ajudava a estender o edredom sobre a cama. – Eu liguei pro e ele trouxe.
- Essa é a minha garota, bem esperta. –Sorri orgulhoso e puxei-a pela cintura dando-lhe um beijo.
- Boa noite, . – disse carinhosa dando um beijo na ponta do meu nariz.
- Boa noite, . – Desliguei e luz e fui para a cama me deitar ao lado da minha garota. Soava tão careta dizer: Minha garota. Eu ri com meu pensamento, eu estava parecendo um idiota, mas um idiota feliz.
Assim dormimos, um de frente para o outro sentindo apenas nossas respirações e minha mão por cima da dela. adormeceu primeiro que eu, antes que eu fechasse os meus olhos eu queria guardar aquela imagem pra sempre na minha mente: Minha garota dormindo tão ternamente, com a mão embaixo da minha. Eu não acredito que eu esteja admitindo isso, mas eu realmente acredito no amor, só mesmo esse sentimento pra me fazer dividir a cama com uma garota, sem ao menos fazer sexo com ela, eu me sentia completo apenas segurando a mão dela e não estando exatamente dentro dela. ‘Eu te amo, ’. Murmurei baixo, e depositei um beijo em sua mão... Logo apaguei.

***


pov

- Como assim, você passa a noite com e nada acontece? E ainda você vai jantar com o famoso Michael ? – me bombardeava de perguntas durante a aula de Educação Física. Eu não disse que havia dormido na minha casa, a razão de saber sobre isso, foi tudo graças à língua enorme do namorado dela, me disse que o bombardeou de perguntas, assim como estava fazendo comigo. Realmente eles são o casal perfeito, se parecem em tudo.
- , nada aconteceu entre a gente, eu não estou pronta pra isso ainda. – Disse desconcertada, enquanto corríamos pela quadra.
- OMG... Não me diga que você ainda é virgem? – Interrogou admirada, não sei se foi no bom ou mal sentido.
- Sim... Eu sou. – Corri um pouco mais rápido do que ela. Eu estava ficando sem graça com aquele assunto.
- Que gracinha, amiga! Fico feliz por você, quando você e estiverem prontos para o primeiro passo, me avisa antes, eu posso te esclarecer algumas dúvidas. – me alcançou e disse aquilo de uma maneira tão natural que eu não contive uma gargalhada nervosa.
- Ok, do sexo, eu falo com você antes. – Ela sorriu toda orgulhosa. – Mas deixando esse assunto pra lá, eu preciso que você me ajude a encontrar um vestido adequado pra usar essa noite, eu não quero desapontar o nesse jantar, sabe? –Proferi insegura.
- Amiga, relaxa, eu já sei bem o que você pode usar. E nunca nessa vida, você poderia ser um desapontamento para o pai e muito menos pro filho. – Sorri, a era uma fofa mesmo. Era tão bom ter uma melhor amiga.

pov off

- Cara, você dormiu com a sua namorada e nada rolou. Eu não acredito que finalmente não esteja pensando em sexo. – zombou e eu dei um tapa na cabeça dele.
- E quem disse que eu não penso, ô Mané? É só que isso não é a coisa mais importante pra nós dois no momento, ok? Pra tudo tem sua hora certa. – Filosofei e voltei a copiar a resposta do exercício de Física do caderno de , eu não estava a fim de pensar. Eu estava um pouco nervoso com esse jantar, eu nem sabia o que conversar com Michael, por sorte estaria ao meu lado pra me apoiar.
- Isso mesmo, , agora você anda pensando mais com a cabeça de cima do que com a de baixo. – Eu já estava pronto pra descer outro na tapa na cabeça do , mas ele indagou: - Bate na minha cabeça que eu aperto seu peitinho de moça. – Ele fez uma voz de mocinha afetada e eu ri alto.
- Não aperta senão eu vou gostar. – Zoei e gargalhou alto, o que fez o professor Backer nos fuzilar com o olhar.
- Eu posso saber o que é tão engraçado, Sr. e Sr. ?
- Não é nada, Sr. Backer. – disfarçou.
- Pode voltar a dar sua aula, Sr. Backer, não vamos mais atrapalhar. – Disse educado, se fosse em outro tempo eu não me importaria em fazer uma piadinha idiota, entretanto eu estava mais na minha ultimamente. Eu não queria ser mais expulso do colégio. Não mesmo.

***


Assim que saí do colégio, fui direto para o Lar St. Mary dar as tão sonhadas aulas de baixo para Noah, quis ir junto comigo. Para um principiante, o little guy estava indo muito bem nas aulas, ele parecia já ter uma noção de como tocar baixo. ficou surpreso assim como eu, e Noah ficou todo orgulhoso com nossos elogios. Quem diria que seria um ser filantrópico. Nunca pensei em gastar meu tempo livre ajudando pessoas, eu gostava mesmo de chegar do colégio dormir a tarde toda e jogar vídeo game com meus amigos, enquanto fumava uma erva. Entretanto há coisas muito mais importantes para fazer do que dormir e fumar. Eu estava gostando do novo ‘eu’.
Cheguei em casa e fui direto para o banho, já correu pra cozinha indo preparar um lanche. Eu nunca vi um cara comer tanto como o , ele parecia ter um godzilla dentro da barriga. Após a ducha, vesti uma calça jeans escura, camisa social branca (dobrei levemente as mangas), e por fim calcei meu Vans branco. Cara eu detesto roupa social, gravatas e esse tipo de roupa de gente bixa, no entanto eu iria jantar com Michael, no restaurante cinco estrelas de um hotel de luxo, eu não poderia colocar qualquer ‘coisa’. Como de costume espalhei meus cabelos com os dedos, passei uma boa quantidade de perfume, peguei minha carteira, chaves e celular... Já estava pronto para ir. Olhei-me mais uma vez no espelho e dei um longo suspiro, repeti para mim mesmo ‘Tudo vai dar certo, ela vai está lá com você’. Embora sair com Michael me deixasse apreensivo, algo me dizia que dessa vez não haveria nenhuma desavença entre nós. A estaria comigo, a presença dela era um calmante para mim.
Apertei a campainha e andei de um lado para o outro, eu não poderia surtar, certo? Esse jantar vai ser o começo de uma nova fase, eu vou tentar ser um novo e Michael... Um novo cara ou pai dá tudo no mesmo. Uma espécie de deslumbre me invadiu, assim que vi abrir a porta, ela estava muito elegante com aquele vestido.... Linda. O sorriso doce já estampava seu rosto delicado. Eu já não pensei em mais nada. Era como se minhas preocupações tivessem sumido. Eu não falei nada, apenas puxei-a pela nuca depositando um beijo leve e calmo em seus lábios, o qual ela correspondeu. Incrível como meu coração quase rasgava o meu peito de tanto que ele batia, quando eu estava próximo a ela.
- Woah, , você está linda.
- Obrigada e você está perfeito. – Não pude reprimir um sorrisinho.

***


Caminhei um pouco tenso até chegar ao saguão do hotel, agora não tinha mais volta. Disse a idiota da recepcionista que eu iria jantar com Michael no restaurante, e com aquele sorriso interesseiro ela me indicou o local e fitou com olhos de inveja. Além de vaca é invejosa. Antes de entrar no restaurante diminuí os passos e acho que percebeu minha tensão, pois imediatamente ela segurou a minha mão, assim como fez semanas atrás no parque de diversões.
- Hey, vai dar tudo certo, ok? – Seu tom de voz era baixo, e sua mão suave acariciou o meu rosto lentamente me causando uma sensação de paz. – Lembre-se, estamos juntos nessa. – Uniu seus lábios rapidamente nos meus, e um sorriso esperto surgiu em seu rosto.
- Obrigado, por estar aqui. – Disse sincero, ela apenas assentiu, me puxando para dentro do restaurante. De longe pude ver Michael com um terno grafite, sentado próximo à janela. Quando nos viu ele sorriu nervoso, acho que ele estava tenso também. Notei que retribuiu um riso simpático, e eu tentei de uma maneira bem esquisita sorrir também.
- Boa noite, . – Ele a cumprimentou educado, com um beijo no rosto. – Boa noite, . – Me deu um abraço de uma forma estranha, e eu lhe dei dois tapinhas amigáveis nas costas. – Fico feliz por vocês terem vindo.
- Obrigada o senhor por ter nos convidado. – Disse e eu puxei a cadeira para que ela se sentasse, e logo me sentei ao seu lado.
- É, valeu. – Agradeci desconcertado.
- Bem, o que desejam comer? – Michael dizia com os olhos fixos no cardápio.
- Eu quero o mesmo que você pedir. – Na verdade eu estava tão nervoso, que nem estava com fome.
- Eu também. – concordou. Senti suas mãos segurarem as minhas por de baixo da mesa. Ela era mesmo perfeita.
- Ok, então farei os pedidos. – Michael fez um sinal e o garçom veio a nossa mesa, fez os nossos pedidos, e logo o garçom se retirou.
Um silêncio desconfortável imperou, acho que acabei com a minha taça de água em questão de segundos, Michael sorria nervosamente algumas vezes e ... Coitadinha parecia desconfortável por mim. A única coisa que cortava o silêncio era The way you look tonight do Rod Stwart que era tocada pelo pianista.
- Então, , já sabe o que vai fazer assim que sair do colégio? – Indagou Michael, quebrando o silêncio.
- Cursarei Serviço Social. – Respondeu educada, assim que deu um gole em sua taça de vinho.
- Hum... Escolha interessante, algum motivo especial para a escolha desse curso?
- Sim, eu sou órfã. – disse naturalmente, mas eu vi a dor em seu olhar. Amaldiçoei Michael por ter feito aquela pergunta, mas ele não tinha culpa de não saber. Acariciei a mão dela com meu polegar, porém ela sorriu levemente, como se dissesse ‘está tudo bem’. Já Michael pareceu sem graça por ter feito tal pergunta. – Como faço trabalho voluntário em um orfanato, tomei gosto pela coisa. Quero cuidar da situação de muitas crianças que são maltratadas pelos pais, e futuramente construirei um amparo social, quero cuidar das crianças carentes. – Finalizou, e eu fiquei bobo, nem sabia que ela tinha esses planos, Michael parecia maravilhado. Eu nunca vi meu pai mexido com nada, não nos últimos dez anos.
- Estou extasiado com seus planos, , você é realmente uma garota centrada e muito bem objetiva no que quer. Se não for muito ousado de minha parte, gostaria de um dia dar uma olhada no seu projeto.
- Não é ousadia nenhuma, Sr. , eu me sentiria lisonjeada de mostrar meu projeto ao senhor. – Sorriu agradecida e meu pai também.
- E você, , já decidiu o que irá fazer? – E lá vamos nós.
- Ainda não. – Respondi sem ânimo. Agora é a parte que ele pensa: Como uma garota tão brilhante como se interessa por um garoto tão vazio como ?
- Bem, tenho certeza que você encontrará logo. – Disse sincero, e eu não acreditei no que ouvi. Cadê a parte em que ele sorri ironicamente e diz algo pra me diminuir?
- Se me permite dizer, Sr. , tem dado aulas de baixo para um garotinho do lar St. Mary, onde sou voluntária. Tenho ouvido muitos elogios sobre ele. – disse entusiasmada, meu pai me olhou incrédulo.
- Sério? Eu não sabia que você tinha tanto interesse pela música, .
- Sim, tem muitas coisas que você não sabe sobre mim. – Falei sem pensar, e logo vi todos ficarem desconfortáveis na mesa.
- Nunca é tarde para descobrir. –Disse ele sincero.
- Concordo, se me dão licença eu preciso ir ao toalete. – Michael e eu assentimos, e levantou-se da mesa. Ela deu uma piscadela, depois deu de ombros.
- Essa garota é ótima, , fico feliz por você tê-la encontrado. Você está muito mudado, e creio eu que isso é graças a ela. – Pela primeira vez em anos meu pai estava me elogiando e eu senti que ele estava sendo verdadeiro.
- Ela é mesmo especial. – Dei um sorriso fraco, enquanto brincava com meu guardanapo. – Obrigado, acho que se não fosse por você eu nunca a conheceria. – elogiei e notei um sorriso sincero no rosto de Michael.
- Fico contente por ouvir isso. Filho, eu sei que não tenho sido o seu pai durante todos esses anos, mas eu só quero que saiba que tudo que eu faço é para o seu bem, mesmo que seja de uma maneira bem estranha. Eu quero concertar as coisas com você, , e sei que não é tarde para isso.
- Eu também quero que as coisas fiquem bem entre a gente, Michael, é o que eu mais quero. – Eu estava mesmo sendo honesto. Como disse a , eu pelo menos tenho uma família viva, um pai vivo que de uma maneira muito louca se importa comigo. Eu não quero dar valor a ele, depois que ele morrer. Preciso fazer as coisas darem certo. Minha mãe ficaria feliz, a e eu também.
Nossos pratos chegaram, e, dude, como Michael tinha um bom gosto pra comida, eu havia me esquecido disso. Durante a sobremesa conversamos sobre coisas aleatórias, eu nem sabia que o ‘senhor ’ podia ser divertido. É claro que nós não iríamos ser daquele tipo ‘Pai e filho, melhores amigos’ da noite para o dia. Estávamos dando um passo de cada vez, contudo eu sabia que as coisas iriam se ajeitar em seu tempo.
- Foi ótimo jantar com vocês, mas preciso voltar para Londres em algumas horas, vejo vocês dois no feriado de August Bank Holiday* certo?
- Iremos sim, boa viagem, Michael.
- Obrigado, filho. – Ele me abraçou novamente e dessa vez, eu não fui tão robótico assim. Até conseguir abraçá-lo também.
- Boa viagem, Sr. .
- Obrigada, . – Ele também a abraçou. Fiquei feliz por Michael ter gostado da . Ele nunca suportou a Sharon, nas poucas vezes que ela ia a minha casa.

***


- , eu estou muito orgulhosa de você. Fico feliz por você e seu pai estarem se entendendo. – Ela me abraçou forte, e eu queria ficar daquele jeito, apenas sentindo seu corpo sobre o meu.
- Isso não teria acontecido se não fosse por você, Obrigado por tudo, , por existir e por nunca desistir de mim. –Disse sincero e depositei um beijo em seu pescoço.
- Como eu poderia desistir da minha alegria, ? – Me fitou por alguns instantes, uniu seus lábios nos meus, e eu pude sentir que o que ela sentia por mim era tão forte quanto o que eu sentia por ela. – Boa Noite.
- Boa noite, linda. – Esperei que ela entrasse em casa, e fui para o meu apartamento. Sorri feito um bobo lembrando o que ela me disse, man, eu era a alegria dela. Eu amo e não tenho vergonha de admitir isso.

Olá mamãe, papai e Eric
Sabe quando você se sente tão feliz, que seria capaz de explodir? É como eu me sinto hoje. Eu amo a cada dia que passa, ele é tudo o que eu mais precisava, é impressionante o jeito que ele me faz feliz.
Aposto que se vocês estivessem aqui, vocês iriam adorá-lo.
Eu sinto tanto a falta de vocês, mas em breve poderei visitá-los e vocês conhecerão o causador da minha felicidade. Obrigada por cuidarem de mim mesmo estando tão distantes, eu sinto a presença de vocês onde quer que eu vá.
Saudades eternas... Amo vocês


*August Bank Holiday: É o feriado dos bancários no Reino Unido.

Seventeen
The Bonfire


(N/A: Coloque essa música. para carregar, e de play quando for pedido)

- Dude, esse jogo foi uma merda, a defesa tá ridícula.
- O treinador Lewis devia repensar na galera do ataque, o trouxa do Kepner não sabe nem chutar uma bola. – Zoei e gargalhou. Nós estávamos em meio a um debate após a aula de Ed. Física, nós assistimos ao treino do time da escola, que por sinal foi uma porcaria, já que o time não tinha jogado nada.
- Man, eu to com fome. - passou a mão sobre a pança. Novidade, ele está sempre faminto. - Será que as garotas já estão no refeitório?
- Em falar nelas, olha elas ali. – Avistei e na nossa mesa no refeitório. parecia tensa desenhando alguma coisa, e não parava de tagarelar. As bandejas com os lanches permaneciam intactas.
- Hey, amor. – puxou a cadeira e sentou-se ao lado de , em seguida cumprimentou-a com um selinho. Ela ainda parecia estressada.
- Hey, . – Dei um beijo na bochecha dela, sorriu sem ânimo e voltou a desenhar algo. Acho que o clima estava tenso.
- O que está havendo, amor?
- Acontece que eu preciso reproduzir o mascote do time de futebol pra fogueira de amanhã, mas a não sabe desenhar um molde, tudo que ela faz fica parecido com um My Little Poney. – desatou a falar.
- Olha aqui, , eu já te disse que eu não sou boa com desenhos. Passei a manhã toda desenhando esse maldito cavalo, e você só sabe reclamar! – parecia fora do controle. Nós três a olhamos incrédulos, ela sempre fora educada e raramente se irritava com algo, mas acho que conseguiu tirá-la dos eixos. – Por favor, quer me deixar em paz?
- Des... Desculpa amiga, é que eu to muito estressada, não queria descontar nada em você. – desculpou-se entristecida.
- Ok, mas só não seja uma vadia mandona de novo, certo? – As meninas deixaram a pequena discussão de lado, disparando a rir.
- Meninas... – enfiou a mão cheia de batata frita na boca.
- Vai entendê-las. – Completei. – , me explica o que você tem em mente, talvez eu possa ajudar.
- Eu quero fazer uma réplica de um cavalo, em homenagem ao time de futebol o Wild Horses, mas eu ainda não tenho um molde e nem sei com que material eu posso fazê-lo. – fez um beicinho e eu ri.
- Ok, , você pode me emprestar uma folha sulfite e um lápis?
- Claro. – Pegou uma folha de dentro da sua pasta, me entregando junto com um lápis.
- O que você tem em mente, dude?
- Depois você vai ver, man.
Um barulho chato pra caralho entupiu meus ouvidos, indicando que era o fim do intervalo.
- , obrigada por me ajudar. Mostre-me o que está aprontando à noite, ok? – Assenti com a cabeça, sorriu em resposta. – Me leva até a sala namorado? – Disse já em pé, ao lado de .
- Claro, amor. Você vem, ?
- Podem ir à frente.
- Hey, ! – Chamei, ele me olhou antes de dar de ombros. – Me encontre nas mesas lá de fora, ok?
- Pode deixar, man.
- E então o que você tem em mente? – sorriu daquele jeito lindo e curioso.
- Vou projetar o cavalo com madeira, eu já vi isso em algum luau no verão passado. Acho que vai ficar legal. – Coloquei um fio de cabelo atrás da orelha da minha namorada, enquanto suas bochechas coravam. Eu disse mesmo N-A-M-O-R-A-D-A? Sim, eu disse. Acho que é assim que as pessoas chamam uma garota, que tu passa a maior parte do tempo apenas com ela, quando você a vê seu coração dispara ridiculamente e nenhuma garota te faz sentir o que apenas ela faz. Ok todos entenderam, ainda bem que ninguém pode ouvir meus pensamentos extremamente gays nesse exato momento.
- Não sabia que você era bom em desenhar, mal posso esperar pra ver esse projeto. – Disse ansiosa, era tão bom ver alguém empolgada com as coisas que eu fazia, alguém que acreditava que eu fosse bom em algo. – Me acompanha até minha sala?
- Pensei que você nunca fosse pedir, minha linda. – Disse brincalhão e depositei um selinho naqueles lábios macios e vermelhos. Eu era viciado neles.


***



Na última aula, e eu demos o fora da escola para irmos pegar madeira em algumas serralherias da cidade, precisávamos dela pra fazer o cavalo. Pedimos permissão para a diretora Miller, a qual não acreditou que eu realmente estivesse disposto a ajudar o comitê de organizações sociais do colegial. Para ser honesto, eu nunca liguei mesmo pra ajudar nessas coisas idiotas, eu só queria saber quando a festa estivesse organizada e pronta, porém eu quis ajudar a , desde que eu cheguei em Southend, ela e têm me ajudado bastante, principalmente em relação à , eu tinha que retribuir o favor; outro motivo que me motivou a ajudar é que sou muito bom em desenhar. Quando eu tinha seis anos, costumava projetar prédios com meu Lego, e depois passava para o papel. Minha mãe passava horas e horas me ajudando a desenhar, ela sempre dizia que eu daria um ótimo arquiteto, entretanto nunca levei isso em consideração, até porque só ela quem via meus desenhos, eu não mostrava nada a ninguém, somente a minha querida mãe... Ela adorava tudo que eu fazia.
Passamos a tarde toda fazendo o cavalo de madeira na garagem da casa da , ela disse para nós fazermos lá, pois no meu apartamento faria muita bagunça. Após terminarmos nosso ‘projeto’, e eu o levamos para o nosso apartamento. A cara surpresa de e era impagável.
- , , eu amei! Obrigada meninos! – disse eufórica, abraçando e eu de uma vez só.
- Não foi nada, , quando precisar estamos aí. – Disse prestativo.
- Amor, eu estou feliz por você ter gostado. – disse sincero e logo ele e começaram a se ‘comer’ em público.
- Ahn... – Pigarreei, percebendo que ficou sem graça. O casal doçura logo se separou.
- Gente, pra comemorar é pizza, quem topa Pizza Hut? – gritou animado.
- Todo mundo. – Respondi.
- Okay, vou tomar um banho e nós já vamos. Vem comigo, ?
- Sim, amor.
- Sem safadeza nesse apartamento, ok? – Zoei e me mandou o dedo do meio, seguindo até o quarto.
- Esses dois são como siameses, não se desgrudam. – Sentei ao lado de no sofá, puxando seu corpo junto ao meu.
- Eles são exagerados às vezes, mas fofos. – brincou. Pegou uma folha de cima da mesinha de centro e logo voltou a apoiar a cabeça no meu peito. – Sabe, ... Você tem muito talento pra desenhar, pra criar coisas. Acho que você já sabe o que deve cursar na faculdade. – Levantou a cabeça, me fitando com olhos orgulhosos, a única pessoa que me olhava daquele jeito era a minha mãe.
- Sério, ? – Perguntei incrédulo, enquanto afagava seus cabelos. – O que você acha que eu devo fazer?
- Arquitetura. – Afirmou, meu coração acelerou repentinamente. Será que aquele era mesmo o meu caminho? – , arquiteto, soa tão bem. – Um sorriso doce escapou pelos seus lábios, eu não pude evitar beijá-la.
- Obrigada, .
- Pelo quê?
- Por acreditar em mim.
- Eu sempre vou acreditar, . – Disse convicta. Senti um sorriso brotar em meus lábios e uma vontade imensa de beijá-la se apoderou de mim, eu não a repreendi.
- , eu...
- , eu... – Falamos ao mesmo tempo, eu estava mais que pronto pra declarar as três palavras mais sinceras e pouco falada na minha vida, senti meu coração palpitar – era incrível como eu podia sentir o coração da minha garota bater tão rápido junto ao meu, acho que ela também estava pronta pra me dizer as três palavrinhas, porém fomos impedidos pelo grito escandaloso de nos chamando para irmos logo, pois a barriga dele estava roncando. filho da puta! Com o clima já arruinado, e eu levantamos do sofá e seguimos nossos amigos rumo ao Pizza Hut.

***


O tão esperado dia da Fogueira na praia de Southend - On Sea havia chegado. Toda a turma de veteranos da Elite School estava presente, inclusive o idiota do Kepner, até porque ele é o capitão do time de futebol. Otário! estava contente por tudo ter dado certo, principalmente pelo fato do cavalo de madeira ter feito muito sucesso. Ele estava em cima da fogueira, só esperando para a tocha localizada em cima de sua cabeça ser acessa, assim que fizesse seu discurso sobre os três dias de feriado dos bancários. Já a estava toda linda ao meu lado, vestindo um short jeans, um agasalho de moletom da Gap e um All Star de couro branco... Linda. Na verdade ela poderia usar qualquer coisa que eu a acharia fascinante, anyway. Nenhuma garota nunca me encantou o quanto ela me encanta. Notei Kylie com suas amigas me olhando do outro lado da fogueira, ela trajava um vestido extravagante demais para ser usado em um luau, me olhava de um jeito diferente, não tentando me seduzir como ela sempre fizera, era como se ela estivesse triste, contudo eu não dava a mínima. Desde a festa no meu apartamento, não voltei a falar com ela. Foi ridícula a tentativa de humilhar a na frente de todos, e se tem uma coisa que mais me tira do sério, é alguém cogitar a maldita idéia de magoar a minha garota – Se Kylie Montgonory odiava a , ela também odiaria a mim. Tirei meus olhos dela e me virei abraçando de lado e logo depositei um beijo em sua cabeça. Senti seus braços se ajustarem perfeitamente em torno da minha cintura e sua cabeça encostar-se ao meu peito, aquilo era muito bom.
- Pronta pro seu discurso, Miss presidente? – indagou brincalhona.
- Sim! Mais do que nunca. – sorriu orgulhosa.
- Então vai lá, amor. – incentivou.
- Manda ver, . – Encorajei. deu um sorriso largo, depois de dar um selinho em e andar confiante até a fogueira.
- Boa noite, guys! – Cumprimentou animada.
- Boa noite! – A galera respondeu em coro. parecia um bobo todo orgulhoso da namorada.
- Well, eu serei breve no discurso, até porque não quero dar uma de Juddith Miller, com seus longos discursos sobre a volta as aulas. – disse descontraída, arrancando uma gargalhada do pessoal. – Só quero agradecer ao e meu namorado por terem feito esse mascote perfeito. - Ela apontou para o cavalo, a galera olhou do mascote para gente e sorrisos orgulhosos surgiram no meu rosto e do . me deu um beijinho na bochecha e notei suas bochechas inflamarem, assim que todo mundo gritou um AH. Ri alto. mandou um beijo no ar para que se achou o máximo, assim ela voltou a falar: - E por vocês terem vindo, divirtam-se essa noite, guys, e que venham os três dias de feriado dos bancários! – Gritou animada, e todos bateram palmas, assim que uma garota ruiva passou a tocha já acessa para , a qual ateou fogo na tocha que havia em cima do cavalo, o som começou a rolar, e todos se divertiam na praia.
- Parabéns, amor! Foi tudo muito maneiro. – elogiou assim que ela retornou.
- Obrigada, meu lindo. – Agradeceu-lhe com um beijo.
- , você vem comigo, tenho uma surpresa pra você na casa do salva vidas. – puxou pelo braço, e eu olhamos confusos.
- , você não está querendo apresentar um salva vida gostosão pra , não é? – Encenei uma voz ameaçadora, arrancando gargalhadas de e um sorrisinho confuso de .
- Claro que não, vou apresentar o José a ela.
- José? – indagou.
- Sim, sem mais perguntas, . e , encontrem-nos na casa do salva vidas em dez minutos, ou então perderão toda a diversão. – sorriu misteriosa, puxando a que sorriu confusa, assim que deu de ombros com rumo à casinha de madeira localizada a poucos metros de onde nós estávamos.
- Sua namorada é estranha, dude. – brinquei.
- Acho que ela planeja nos matar, mate. – entrou na brincadeira, enquanto íamos em direção ao barril de bebidas.
Narrador avulso

Kylie Montgonory observava com cuidado, , , e do outro lado da fogueira. Ela sabia que os quatro em muito pouco tempo haviam desenvolvido uma grande amizade, e e haviam estabelecido bem mais do que aquilo. Por longos momentos ela sentiu inveja, ela queria está no lugar de , ela queria os amigos dela e o namorado da não mais solitária . Contudo Montgonory sabia que nunca poderia ocupar aquele lugar, ela via a maneira que olhava para a garota nova, maneira essa da qual nunca fora olhada pelo ‘Herdeiro Problema’. Não adiantaria a loira causar mais problemas para separar aqueles dois, ela sabia que o garoto que ela gostava... Amava outra garota.
- É, amiga, acho que não adianta tentar estragar o lance daqueles dois, eles parecem se gostar pra valer. – Brianna uma garota morena, amiga de Kylie observou, assim que notou o casal sorrindo e se abraçando a poucos metros dela.
- Eles se amam, K. – Alex, a outra amiga de Kylie, disse convicta.
- Eu já sei disso droga! – A loira usou um tom ríspido, que logo se tornou triste ao ver e se beijarem, logo a garota se afastou do namorado e saiu com . Agora ela via se aproximar do barril cheio de bebidas. – Eu só preciso levar um papo rápido com , e só isso. – Sem ao menos ouvir os protestos das amigas, Montgonory saiu disparada indo em direção de , o garoto estava indeciso procurando por uma bebida, sozinho, havia se afastado para atender uma ligação. O barulho da música o impedia de ouvir.
Narrador avulso off

Optei por pegar duas Heinekens, já que era a melhor marca de cerveja que havia naquele barril. Senti alguém se aproximar, fui todo empolgado achando que era , entretanto quem estava atrás de mim usava vestido e muita maquiagem. só era assim gay em casa, nunca em público. To brincando!
- O que você quer, Kylie? – Falei impaciente. Eu não suportava mais olhar pra Montgonory, não depois do que ela fez.
- , eu... Eu... – Ela titubeou nervosa, estralando os dedos.
- Você o quê? – Usei um tom ácido.
- Eu só queria me desculpar pelo o que eu fiz na sua festa, pelo o que eu fiz... – Ela pausou, engolindo a seco. -... Pelo o que eu fiz à . – Estranho, mas, eu senti honestidade em sua voz.
- Não é a mim que você deve pedir desculpas, Kylie. – Ela me olhou sem graça. – Mas de qualquer forma, valeu. – Ela sorriu fraco, e eu dei de ombros saindo com .
- O que ela queria? – Perguntou curioso.
- Se desculpar pelo o que houve na minha festa. Digamos que tecnicamente, ela veio pedir desculpas a pra mim.
- Pelo menos a vadia parece ter um coração. – Notou , dando um gole em sua cerveja.
- Também acho. – Disse pensativo.
Deparamo-nos com uma cena muito engraçada, ao chegarmos à casa do salva vidas: e estavam deitadas na varanda rindo sem parar de alguma coisa, dando goles demorados, seguidos de caretas cômicas ao entornar o liquido do destilado. Agora eu saquei o José que apresentaria a : O José Cuervo, a Tequila.
- Legal, as duas estão bêbadas. – As garotas se assustaram com a voz de , eu não conseguia parar de rir. estava muito engraçadinha bêbada. Menos séria e mais agitada.
- Meni... nos, vocês nos assustaram! – disse mole. – Vem aqui comigo, amoooor! – Levantou-se um pouco mole indo em direção a . sentou-se em posição de índio, ela me olhava divertida, sorri e fui em sua direção, me sentado ao seu lado.
- Amor, eu já disse pra você ficar longe de tequila. – usou um tom cuidadoso e abraçou a namorada.
- Deixa a menina se divertir, disse meio embolado, eu não reprimi uma gargalhada. Eu estava vendo bêbada, era muito divertido. – Você deixa eu me divertir né, ? – Falou rindo, e por fim apertou a ponta do meu nariz, como se estivesse brincando com um bebê.
- Claro que eu deixo, minha linda, mas sem loucuras, ok? – Impus, dando um beijo na bochecha dela.
- Sem loucuras. – Repetiu. iria virar a garrafa de tequila na boca, porém fui mais rápido e tomei de sua mão dando um gole, e logo passei para que fez o mesmo com a bebida.
- Dude, você pode acreditar nisso? – deu uma risada nasalada. – As meninas estão de porre e nós não.
- Eu sei…
- Não estamos bêbadas, só… - pausou, fazendo uma careta. Não sei como, mas eu sabia que não era um bom sinal. – , eu to en… Enjoada. – Choramingou.
- Eu sabia que isso aconteceria, quer dar uma volta?
- Sim.
- ! Amiga, já vai me deixar? – levantou um tanto quanto decepcionada, indo em direção a e .
- Eu preciso, amiga hot, mas já volto, ok?
- Ok.
- Man, vou dar uma volta com a e já volto, ok? – avisou antes de dar de ombros com .
- Vai lá, cara, e você… - Puxei pra perto de mim, agarrando-a pela cintura e tomei a garrafa de tequila de sua mão. – Me dá isso aqui, mocinha.
- Mas- mas , você prometeu que deixaria eu me divertir! – Protestou, cruzando os braços, fazendo um bico raivoso muito engraçadinho.
- E você prometeu sem exageros, lembra? – Balançou a cabeça derrotada, em sinal positivo, arrancando uma risada minha. – Vem, vamos nos sentar.
- Ok. – Suspirou alto, como se estivesse de má vontade, aquilo só me fazia rir mais. Quando íamos nos sentar, recuou um passo me olhando contente.
- Eu adoro essa música! Preciso dançar! – Falou saltitante. Nem deu tempo de eu falar nada, que começou a cantar em plenos pulmões.
(N/A: Hora de dar play naquela música XD)

Another party with the same kids
Another night with the same drinks
I need to find myself a new chick
I need to kiss a set of new lips
She's got to be something new to me
A fresh face someone new to please
So come on, come on girl, just you and me

dançava conforme as batidas da música, a cada palavra que ela dizia, fazia gestos para mim em meio a sorrisos. Era ótimo vê-la assim tão solta, tão contente. Adorava conhecer a divertida, a que além de adulta, não havia perdido o jeito menina que durante muito tempo, ficou escondida num cantinho dentro de si mesma.

This kind of girl makes it rough
Holding our breaths while we touch
She won't kiss and tell
But this isn't how
She got that name it all seems like a game
How she moves so well
I won't call this hell
But if I had to guess
I'd say we've got a mess you could sell

aproximou-se de mim, selando nossos lábios de um jeito bem sedutor. Senti um calor me invadir por completo, assim que minhas mãos alcançaram sua cintura fina, apertando-a com um pouco de força. Ela sorriu, percebendo as reações que causava em mim, então se afastou continuando a se mover ao som da música.

And how am I supposed to think
With her hands all over me
Telling me the right things
Ever so distracting

Ela jogava os cabelos para o lado, descendo as mãos pelo corpo. Cara, aquilo era tentação demais pra mim. Meus olhos não conseguiam olhar para outra coisa a não ser para ela, para aquele corpo curvilíneo a minha frente.

She's gotta be something new to me
Loose ends but no sight of strings
So come on, come on girl, just you and me
Come on girl, just you and me

É... ela parecia se divertir com a minha reação e não se importava nem um pouco, já que ainda se movia tão lentamente. Eu sei que não deveria ter pensamentos impuros com a minha namorada bêbada, eu também sei que não continuo o mesmo cafajeste de antigamente, entretanto ainda sou homem, e penso como todo cara quando fica excitado. Eu não conseguia parar de imaginar como seria ter as minhas mãos passeando por todo aquele corpo tão perfeito a minha frente, essa garota ainda me mata.

She´s makin´it harder
Harder to breathe
I'm gettin' weaker
But still pullin' the strings
The lights are all off
There's no one around
We've both lost our minds
They're nowhere to be found
It's gettin' hot
I'm not saying this is hell
But I swear
This girl's a mess you could sell

Quando eu disse que ela queria me matar, eu não estava brincando.
deu passos curtos e demorados em minha direção, sentou-se no meu colo, invadindo a minha boca sem aviso prévio. O beijo era lento e bem intensificado, nossas línguas se massageavam, nossas pélvis se encaixavam perfeitamente e minhas mãos passeavam pelas suas costas por de baixo da blusa. Não pude resistir. O suor frio escorria pela minha nuca e testa, o Junior já dava sinais de ter se ‘animado’, de fato, aquilo não era nada bom. Eu tinha que parar as coisas, antes que eu perdesse todo o controle. Sem a mínima vontade, afastei minha boca da de cortando o beijo.
- , eu acho melhor a gente respirar um pouco, certo? – Desculpa mais esfarrapada.
- Awn, eu gosto de te beijar, sabia? – Disse baixinho, como se estivesse contando um segredo. Tive que rir.
- Eu amo te beijar, , mas acho que devemos andar um pouquinho, pra essa sua brisa passar. – Caralho, como eu queria não ter que parar as coisas, contudo, ainda não era certo aproveitar de uma garota bêbada. É claro que se eu quisesse fazer sexo com a nessas condições, ela com certeza aceitaria, no entanto não seria certo. Eu queria que fizéssemos isso quando ela estivesse pronta, quando ela pudesse se recordar de tudo. Tinha que ser especial. Bang! Gay!
- Você tem lábios macios e bonitos. – Ignorou o que eu disse, contornando meus lábios com a ponta do dedo. Por um minuto, cogitei ignorar meus pensamentos de bom samaritano, mas consegui calar o diabinho sentado metaforicamente em cima do meu ombro.
- Ok, já chega! Vamos andar. – Levantei-me com no meu colo, ela deu um gritinho divertido desatando a rir. Coloquei-a no chão e saímos da casa do salva vidas.
- , eu quero entrar no mar. – Falou como uma criançinha de cinco anos quando vê uma Barbie no supermercado e pede aos pais.
- , tá maluca? – Interroguei rindo. – A água está fria, e você não está em condições de entrar aí. – Apontei para o mar.
- Mas eu quero.
- Mas não vai. – Puxei-a pelo braço, ela me deu língua parecendo aborrecida.
- Não vai ficar com raiva, né, minha linda? – Adulei só pra ela ficar feliz.
- É claro que não, posso pelo menos amarrar meu cadarço?
- Sim. – Sorri e soltei a mão dela. se agachou para amarrar os cadarços. Senti meu celular vibrar no bolso de trás da minha bermuda jeans. Peguei o aparelho, assim que apertei o botão, havia uma nova mensagem que dizia:

‘Hey man, fui pra casa da , ela precisa dormir, antes que passe mal e estrague nossa viagem pra Liverpool amanhã. Se der, passo em Londres em alguma noite dessas do feriado pra sair com você e a ok? Façam uma ótima viagem… Se cuida, gay. ’

Essa , não vai escapar das minhas piadas assim que eu vê-la. Rapidamente respondi a sms de :

‘As garotas definitivamente nos passaram pra trás hoje. Cuide da aspirante a pinguça lol, esperamos vocês em Londres... Usem camisinha e boa viagem, Putinha.’

- , o acabou de mandar uma sms, parece que a não está bem. What the Fu… - Assim que olhei para o lado, estava indo em direção ao mar. Aquela espertinha só me distraiu com a desculpa de amarrar o cadarço e correu pro mar. Por sorte ela ainda não tinha entrado na água, corri atrás dela e a peguei no colo. – Você está mesmo impossível hoje, huh? – Gargalhei da cara emburrada de assim que percebeu que seu plano havia falhado.
- Droga! Você é mesmo bom em cuidar de mim. – Ela encostou a cabeça no meu peito, não mais emburrada. Perfeita.
- Faço o meu melhor. – Disse modesto, colocando-a de volta no chão. – Vamos embora? Amanhã temos que pegar a estrada, Londres nos espera.
- Yep! Vamos nessa. – Disse animada, entrelaçando nossos dedos.
Enquanto fazíamos nosso caminho até o carro, pude ver o veado do Kepner secando a , uma fúria visível apoderou-se dos meus olhos, ele entendendo o recado, parou de olhá-la e voltou a conversar com uma garota. Aquele otário tá maluco pra levar uma surra, e isso não vai demorar muito pra acontecer.
Antes que eu pudesse abrir a porta de passageiro do meu carro pra , vi Kylie se aproximar. O que aquela garota queria agora?
- , eu posso falar com você? – Indagou.
- Kylie, agora não é uma boa hora… - me cortou.
- Deixe-a falar, , eu não me importo em ouvir. – parecia serena, não sei se era pelo simples fato do álcool correr por suas veias ou se ela havia esquecido o que Montgonory tinha aprontado com ela.
- Eu só queria me desculpar pelo o que eu fiz com você na festa do . – Mais uma vez Kylie pareceu sincera.
- Está tudo bem, eu já esqueci aquilo. Até porque a vida é curta pra se guardar ressentimentos. – sorriu doce, assim como Kylie. Realmente minha garota tinha um coração enorme. – Bom feriado, Kylie. – Desejou, dando de ombros entrando no carro.
- Obrigada, , pra você também. – Concluiu. Dei um sorriso ladino pra Montgonory que retribuiu da mesma forma e entrei no carro. Kylie parecia diferente, porém um diferente bem melhor.

***


Coloquei na minha cama, ela dormiria lá de qualquer forma, pois suas malas estavam em casa, partiríamos para Londres bem cedo. Eu estava louco pra ver a ‘senhorita tequila’ de ressaca durante o dia. Vai ser épico. Eu não correria risco de agarrá-la essa noite, pra minha sorte estava mais quietinha agora, sonolenta pra ser sincero, no entanto ela não precisaria mover um músculo pra me instigar, só o fato de eu tê-la por perto era o suficiente. Mais uma vez calei o diabinho sentado no meu ombro, eu preferia ser careta e dar ouvido ao anjinho que me dizia: ‘Você está indo muito bem, , continue assim’.
-
- Hum…
- Você po… Pode fazer algo pra mim antes de dormir? – Sussurrou , eu não entendia o porquê de ela está falando baixinho.
- Pode dizer, minha linda. – Fiz carinho nos seus cabelos.
- Pega um diário da capa vermelha dentro da minha bolsa.
- Ok. – Fiquei confuso, mas mesmo assim me levantei da cama e peguei o diário como ela havia me pedido, voltando para baixo da minha coberta quentinha. –Peguei.
- Obrigada, agora acenda o abajur e escreva pra mim. – Ordenou.
- , eu não to entendendo… Você quer que eu escreva no seu diário? – Interroguei incrédulo, será que ela estava mesmo me pedindo pra escrever no diário dela, o qual é super confidencial?
- Claro, agora anda logo.
- Ok, mandona. – Dei uma risada nasalada, sentei-me e liguei o abajur do lado da minha cama. – Pode falar.
- Vamos lááá. – Bocejou. – Olá, mamãe, papai e Eric, não briguem comigo por estar de porre, ok? - Ela pausou, bocejando mais uma vez. Eu escrevia o que ela dizia, e agora percebi qual era seu objetivo. Ela mantinha aquele diário, relatando tudo o que fazia aos seus pais e seu irmão. não parava de me surpreender nunca. Como ela conseguia ser tão especial, tão única? – Pela primeira vez estou me divertindo em séculos, e isso tudo é por causa do . Ele é como se fosse meu salvador, ele me resgatou das minhas mais profundas escuridões e me trouxe a luz como um anjo. Eu amo e vocês também. – Eu não pude raciocinar direito, ‘Pera aí! Ela me amava? Meu coração batia freneticamente, ele quase podia perfurar o meu peito de tamanha emoção. Eu nunca pensei que três palavras pudessem um dia significar o mundo pra mim, não conseguia acreditar na sensação maravilhosa que se apoderava de mim, ao ouvir aquela pequena frase da única garota que faz o meu mundo girar com apenas um sorrisos e eu não podia acreditar que agora… Eu acreditava pra valer no amor.
- , eu te amo tanto. – Disse mais do que sincero, olhando pra garota adormecida ao meu lado. Um sorriso escapou pelos meus lábios ao ver sua feição tão dócil repousar. Acariciei seu rosto e decidi acrescentar uma observação no diário da , acho que eu devia me apresentar ao senhor e a senhora , e não podia também me esquecer do Eric.
Escrevi a observação no final da folha, guardei o diário dentro da bolsa de e voltei novamente para cama. Dei um beijo de boa noite na minha garota antes de desligar o abajur. Eu não via a hora do dia amanhecer e irmos para Londres… A garota que eu amo iria conhecer outra parte de mim, que só ela é capaz de enxergar.

Eighteen
Meeting


(N/A: Coloque para carregar, e dê play, quando for pedido)

Era boa a sensação e não ótima...
Minhas mãos seguravam com leveza o volante, meus olhos atenciosos admiravam pelas frestas do portão, o jardim da casa que eu não via durante alguns meses, enquanto eu aguardava o portão ser aberto por Norah e a sensação de estar de volta à cidade que sempre considerei ser meu mundo era boa e não ótima, como eu pensava que seria. Eu amava Londres, nela eu sempre tive tudo que julgava importante, entretanto o ‘real’ eu só achei em Southend - eu me achei naquela cidadezinha que aparentemente costumava ser sem graça, e o mais importante: eu achei o alguém que sempre busquei, mas nunca pensei que seria bom o suficiente para encontrar: A Garota que agita meu mundo, como nenhuma outra jamais fez.
Olhei para ao meu lado, ainda adormecida devido à viagem e a uma baita dor de cabeça ocasionada obviamente, pela bebedeira de ontem. Sua feição era puramente angelical, um sorriso não foi reprimido, assim que a observei. Durante a viagem me perguntou se ela tinha cometido muitos deslizes enquanto estava bêbada, embora suas bochechas queimassem quando eu mencionei nosso quase ‘amasso’ na praia, ela acabou gargalhando no final. Eu simplesmente adorava o fato dela nunca criar um grande caso por tudo, ela se divertia com tudo. Eu amo mesmo essa garota, ainda é estranho e assustador, sentir esse misto de sensações quando eu apenas olho para ela, no entanto eu não trocaria isso por nada.
- Algumas pessoas acham bonito serem observadas enquanto dormem... – Ainda com os olhos fechados, disse baixinho, acordando-me do: ‘Momento Reflexões Gay’ - ... Já eu acho meio que assustador. – Finalizou com um tom de voz baixo, abriu os olhos e sorriu.
- Oh... É... Bem, eu só estava pensando. – Titubeei como um idiota sem jeito, e dei partida assim que o portão foi aberto. – Dormiu bem, minha linda?
- Muito. Desculpe-me por ter sido uma péssima companhia, eu dormi o tempo todo. – Choramingou, me fazendo rir.
- Não se preocupe. - A tranqüilizei, assim que estacionei o Range Rover em frente à entrada de casa. – Oasis me fez companhia all the time¹. – Sorri e depositei um beijo no rosto da minha namorada. – Pronta pra conhecer em três dias a casa dos s? – desafivelei o cinto de segurança da .
- Eu estou maluca não só para conhecer a casa, assim como mal posso esperar pra conhecer o de Londres. – Segurou minha nuca, roçando divertidamente nossos narizes, por fim me deu um selinho. Ah, sorrir! Era coisa que eu fazia frequentemente quando estávamos juntos.
- Ask me anything². – Falei divertido, agora tirando meu cinto de segurança.
- I will³.
- ! - Saímos do carro e logo pude ver Norah, Michael e Charlie na entrada da casa. Norah automaticamente correu em minha direção me abraçando. – Que saudades, meu menino, como está?
- Norah! – retribui o abraço apertado. - Eu ‘to bem e você?
- Ótima, querido, só com saudades. – Disse sincera. Norah era mesmo maneira. – Essa dever ser a famosa . – Afirmou, nem esperando responder, Norah abraçou .
- Bem, eu não sei se sou a famosa , mas sou também. – sorriu.
- Sim, você é a famosa por aqui, na verdade a do . – Minha governanta disse divertida, e eu acho que minhas bochechas pegando fogo tinham refletido nas de , assim que ela me olhou de canto. Norah sabe mesmo me constranger quando quer.
- Vocês vieram! – Michael aproximou-se contente. Eu nunca o tinha visto assim. – Como foi a viagem, ? – Perguntou assim que me abraçou.
- Foi bem. – Respondi apenas isso. Eu ainda estava me adaptando à nova versão de Michael e , na qual nos damos bem.
- Que bom. – Falou. –, é bom te ver novamente. – Cumprimentou. Realmente Michael gostou mesmo da . Até porque não tem como não gostarem dela.
- Digo o mesmo, senhor , que bela casa o senhor tem. – Disse sincera.
- Obrigado. – Agradeceu. – Então, vamos entrando? – Michael falou, e nós assentimos. – Charlie, por favor, leve as malas para os quartos, ok?
- Sim, senhor. – Charlie o motorista, obedeceu e veio até mim pegar a chave do meu carro.
- Eu preparei um lanche delicioso pra vocês, espero que gostem. – Norah falou.
- Norah, Norah, você não sabe o quanto senti falta de seus lanches. – Disse sincero, depositando um beijo na cabeça dela, a qual sorria convencida. – Vamos apenas tomar um banho e já descemos, ok?
- Tudo bem, meu filho.
- Espero vocês para o lanche. – Michael proferiu educado.
- Ok. – Respondi, subindo a escada para o segundo andar da casa, com .

***


- Bem, é aqui que nos separamos.
- Ainda bem que o que nos distancia é apenas esse corredor imenso. – brincou. – Te vejo daqui a pouco?
- Sim, senhora. – Sorri.
- Ok. – apoiou-se nas pontas dos pés, depositando um beijo nos meus lábios, entrou no quarto de hóspedes e fechou a porta, assim que dei de ombros.
Segui com um sorriso bobo até meu quarto, o qual ficava no final do corredor imenso. Eu não podia acreditar que estava em casa, e ainda por cima com a minha namorada. Era uma péssima ideia ficarmos no mesmo corredor, eu teria muito que me segurar pra não acabar durante a madrugada no quarto da . Michael não permitia que nenhuma garota dormisse em casa, ele sempre fora muito rígido com essas coisas, por isso nunca trouxe nenhuma garota pra passar a noite aqui, apenas trazia as garotas quando ele estava trabalhando e Norah fazendo compras ou algo do tipo, pois de fato ela me deduraria. era a primeira garota que dormia na minha casa em anos, isso faz dela alguém muito especial pro meu pai. Porém, ele já tinha deixado explícito que dormiríamos em quartos diferentes, acho que mesmo que ele não impusesse isso, mesmo o faria, ela é toda certinha quanto a essas coisas. Eu sei que resolvi esperar o tempo que fosse necessário, até ela estar pronta para fazermos ‘aquilo’, entretanto eu já estava beirando meus limites. Man, estava ficando difícil demais me segurar, por isso eu evitava muito contato corporal, mesmo que na maioria das vezes fosse uma tarefa quase impossível.
Cheguei ao quarto tirando minhas roupas e espalhando-as pelo chão do banheiro. Velhos hábitos não morrem nunca. Enquanto a água quentinha massageava meus músculos, já organizava mentalmente minha agenda e da na cidade. Nós tínhamos que: ver os caras ( e ), amanhã fazer uma social em casa, pois Michael tinha marcado essa reunião com os amigos chatos do Banco, e se eu inventasse de sair durante o jantar, teria problemas; ir pra festa do , encontrar e e por último ir ao cemitério. Era importante para visitar seus pais e era importante para eu visitar a minha mãe. Em falar em mãe, eu já podia sentir um aperto no peito, estar em casa depois de tanto tempo trazia-me boas recordações dela, de alguma forma eu me sentia próximo a ela quando estava aqui.

pov on

De banho já tomado e cabelos penteados, agora eu só precisava passar uma boa quantidade de perfume e estaria pronta pra me divertir em Londres com ... Com meu . Eu gostava de usar o pronome possessivo quando se tratava dele. Soava incrivelmente bem, poder chamar alguém de meu. Não como se ele fosse minha propriedade, mas de alguma forma eu sabia que era dona dos sentimentos dele, assim como ele era dono dos meus. Espirrei o líquido cheiroso no pescoço, punhos e atrás das minhas orelhas, como mamãe havia me ensinado desde pequena. Sorri com a lembrança, e pela primeira vez não tive vontade de chorar como costumava a ter. Não era como se eu tivesse a esquecido e não sentisse a sua falta, eu estava apenas me conformando com tudo o que aconteceu, pois eu sentiria a falta da minha família para sempre.
Ainda imersa em pensamentos, caminhei até a penteadeira depositando meu perfume em cima do móvel, notei meu diário quase caindo da minha bolsa, e uma curiosidade tremenda me atiçou a folheá-lo, fazia um dia que eu não escrevia para os meus pais e eu não podia deixar de escrever nunca. Não escrever me trazia uma sensação estranha de afastamento, por mais que muitas pessoas não acreditem que as pessoas que amamos quando se vão não podem nos escutar, eu acho isso uma tremenda besteira. De fato, nunca teremos provas concretas de que eles podem nos ver ou ouvir, entretanto o que realmente importa é o que o nosso coração acredita, e o meu acredita que meus pais e meu irmão me ouvem e observam cada passo que eu dou. Assustei-me ao ver que a primeira folha estava escrita e aquela letra não era minha. Sentei-me depressa na cama, e então li:

Olá, mamãe, papai e Eric
Não briguem comigo por estar de porre, ok? Pela primeira vez estou me divertindo em séculos, e isso tudo é por causa do . Ele é como se fosse meu salvador, ele me resgatou das minhas mais profundas escuridões e me trouxe a luz como um anjo. Eu amo e vocês também.
Bem, eu nem sei como escrever em um diário, na verdade eu não sei como expressar o que sinto de maneira nenhuma, mas vou tentar. Eu apenas gostaria de me apresentar senhor, senhora e Eric, sou , o namorado da garota mais inteligente e linda, que por acaso é filha de vocês. Ela diz que deve a alegria dela a mim, que eu sou o salvador dela, mas na verdade ela quem é minha salvadora, ela quem me resgatou do mundo fútil em que eu vivia, ela quem me ensina lições preciosas todos os dias e a ela que eu devo agradecer por me trazer alegria. Eu gostaria muito de ter podido conhecê-los, tenho certeza que vocês eram pessoas especiais, mas como não podemos agora, quem sabe daqui a muitos anos, quando e eu nos juntarmos a vocês, huh? Enquanto esse dia não chega, vou me contentando em ouvir sobre vocês e podem deixar que cuidarei dela com a minha vida... Eu a amo e nunca a deixarei sozinha.
Até um dia,
.


Quando me dei conta, meus olhos estavam molhados, em decorrência das lágrimas de felicidade. Como o podia ser tão maravilhoso assim? Eu sempre soube que ele usava o ‘Herdeiro Problema’ como uma máscara pra ocultar quem ele realmente era, eu sempre soube o quão inteligente e afetuoso ele é. Eu amei desde a primeira vez que nossas mãos se tocaram no corredor da escola, mesmo quando ambos éramos meros anônimos. Eu precisava dizer isso tudo a ele e agora. Com meu coração explodindo de alegria, levantei-me da cama apressada, limpando as lágrimas que insistiam em cair e fui até o quarto dele, dei duas batidas fracas na porta, porém não obtive resposta, ousei abrir a porta, mas não havia ninguém lá. Estranhei o fato de ter saído sem me chamar, talvez Norah ou o senhor o tivesse chamado. Andei apressada pelo imenso corredor, me deparando com um sentando no último degrau da escada, ele parecia perdido em pensamentos observando um quadro enorme que havia na sala de entrada da casa. Desci as escadas lentamente, privando-me de fazer barulho. Por fim, sentei-me ao lado do meu namorado e observei o quadro que ele tanto admirava. Ela era linda, tinha cabelos médios até o ombro na cor mel, seus olhos eram azuis como os de , enfim a senhora era realmente muito bonita.
- Ela era linda. – Minha voz saiu baixo, porém firme. olhou-me de soslaio, sorriu levemente e entrelaçou nossos dedos. Eu amava a maneira como eles se encaixavam perfeitamente bem.
- Muito. – Concordou. – Sempre que eu sentia saudades dela, esse era o primeiro lugar que eu vinha pra me acalmar, pra amenizar um pouco a saudade sufocante que eu sinto dela... É como se ela pudesse me ver e me confortar.
- E ela te vê e te conforta sempre, meu anjo. – Passei a mão desocupada sobre o rosto macio dele. Incrível como vê-lo fechando os olhos com o meu carinho fazia o meu coração pulsar tão rápido.
- Obrigado por me entender tão bem, . – Disse sereno, com os olhos abertos fixos nos meus. – Obrigado por existir. – Será que as batidas altas e rápidas do meu coração eram audíveis? Espero que não. aproximou o rosto do meu, quando sentiu nossos narizes roçarem levemente, selou nossos lábios em um beijo calmo e cheio de sentimentos.
- Err... – Ouviu alguém pigarrear e rapidamente me afastei de , sentindo o sangue pulsar nas minhas bochechas ao notar Norah nos olhando. – Podemos lanchar, ? – Não sei se ria da minha cara envergonhada ou da cara desconcertada de Norah.
- Claro que podemos, Norinha, estava só esperando você nos chamar. – Levantou-se esticando uma mão, para que eu pegasse e também me levantasse, assim o fiz.
- Sei, little . – Norah usou um tom irônico e sorriu. Eu ainda não sabia onde enfiar minha cara.
Durante o lanche delicioso que Norah havia nos preparado, ouvi histórias muito engraçadas de quando era pequeno, o que o deixou um pouco constrangido, principalmente quando Norah revelou que em sua festa de seis anos, ficou preso na piscina de bolinhas com um palhaço de plástico, ele chorou por duas horas, desde esse dia ele desenvolveu certa aversão a palhaços. Morri de rir. Finalizamos o lanche agradável com o senhor fazendo questão da nossa presença na pequena reunião que ele daria em sua casa para alguns amigos do Banco. Eu sei que meu namorado forçou um sorriso ao dizer que ficaríamos na festa, achava isso tudo muito chato, entretanto estava disposto a manter a harmonia entre ele e o pai. Eu não podia estar mais orgulhosa dele... E não podia estar adorando ainda mais conhecer .
- Será que eles vão gostar de mim? – Indaguei insegura assim que estacionamos em frente a uma casa imensa amarela.
- e vão te amar, . Eles são legais, não precisa ter medo. – encorajou-me, me arrastando até a porta de entrada da casa do , um dos seus melhores amigos.
- Ok, vou confiar em você, e se eles me odiarem, mando o Chuck desenhar milhares de palhaços assustadores e coloridos e enviá-los a você na sexta-feira treze. Acredite, aquele garotinho sabe desenhar coisas assustadoras. – Brinquei e vi o pavor nos olhos de .
- Eu não sei o que mais me assusta... Se é o fato de você me ameaçar, Chuck ou os palhaços. – Ele balançou a cabeça negativamente, como se estivesse pensando nas hipóteses que acabara de citar, e eu dei o tapinha no ombro dele.
sorriu e apertou a campanhia. – Não esquenta, minha linda, os guys são legais, eles vão curtir você. Tranquilizou-me depositando um selinho nos meus lábios.
- Fala aí, cara!
- ! Err... Acho que estamos atrapalhando...
- É, também acho. – Afastei-me mais uma vez constrangida naquele dia, e vi dois pares de olhos me encararem curiosos. como usual, só sabia rir.
- Fala, mate! – abraçou o primeiro garoto, logo em seguida abraçou o outro.
- Quanto tempo, vadia, senti saudades! – O primeiro garoto disse.
- Até que enfim, a vadiazinha resolveu visitar os irmãos. – Falou o segundo cara.
- Eu nunca me esqueço das minhas mulheres. – brincou. – Guys, essa é a , minha namorada. , esse é e . – Apresentou.
- Hey, meninos, já ouvi falar muito sobre vocês.
- Seja bem vinda, . – saudou com um enorme sorriso.
- Também ouvimos muito sobre você, vamos entrando. – convidou simpático, assim o fizemos.
- Cara, como andam as coisas em Southend? – perguntou, entrando num corredor imenso, assim como o que havia na casa de , mas com a diferença que o corredor era localizado no primeiro andar da casa.
- Tudo muito bem, lá é bem maneiro. – disse empolgado e sorriu pra mim.
- Claro que lá é maneiro, tu até achou uma gata como a pra te suportar, né? – brincou, fiquei envergonhada, gargalhou e deu um tapa na cabeça de . Garotos, sempre com suas brincadeiras de tapas.
- Sim, a é uma gata mesmo, minha gata e você que não achou ninguém até hoje e sabe por quê? Porque você é gay. – Ralhou. E lá se foram mais brincadeiras. Era divertido ficar perto dos meninos.
Por fim, chegamos num pequeno estúdio, segundo o pai dele tinha dado pra ele de presente em seu décimo oitavo aniversário. Ele e os meninos costumavam a tocar lá, já que a senhora se incomodava com o barulho que eles faziam no quarto de . O estúdio era bem organizado, os instrumentos estavam impecáveis em seus devidos lugares. Havia até uma enorme TV de plasma, e obviamente um Nintendo Wii e um Play Station por lá.
Depois de comermos pizza, e de tanto rir com as brincadeiras dos meninos, acabamos todos no sofá assistindo algum filme do Jason. De tanto assistir filmes de terror com , e , eu já nem sentia mais medo deles.
- Meninos... Eu gostaria de pedir uma coisinha. – Falei, e os três me olharam surpresos.
- Pode dizer, . – incentivou.
- É, você já faz parte da nossa galera, pode falar. – ralhou.
- Ok. – Concordei sorrindo. – Eu quero que vocês cantem pra mim.
- Mas é claro que tocamos. – concordou contente, indo pegar um violão.
- Qual música você quer? – indagou.
- Uma que o comece cantando de preferência. – Falei, e vi um risinho tímido nos lábios do meu namorado. Coisa muito rara de acontecer.
- Já sei uma que posso cantar... Espero que goste, minha linda. – me deu um selinho, eu ri quando ouvi e falando um: ‘Awn, que lindos’.
tocou os primeiros acordes de Mr. Brightside do The Killers, logo ouvi a voz perfeita de cantar. No refrão os três cantavam juntos, e como eles cantavam bem. Eu estava me divertindo tanto àquela noite. Não havia sensação melhor do que ver feliz e com seus melhores amigos.

pov off

- I never... – Finalizamos a música e pude ver com os olhos brilhando de felicidade, bateu palmas assim que parou de tocar. Ela era uma linda mesmo.
- Parabéns, meninos! Se um dia vocês resolverem montar uma banda, eu quero uma música dedicada a mim, ok?
- Você será nossa musa inspiradora, . – falou.
- A única. – emendou.
- E exclusiva... Somente minha. – Finalizei e os guys fizeram um ‘Huuum’.
- Seus fofos, vou contar com isso. – Disse animada.
- Bem, galera, tá tudo muito divertido, mas já é tarde. Vamos, ? – indaguei.
- Ok.
- Vemos vocês amanhã, caras? – Perguntei já na porta da casa de .
- Sim, depois da festa annoying² na sua casa, festa na casa do , certo? – interrogou.
- Combinado.
- Então até amanhã, galera. – acenou pra , que já estava dentro do carro. Ela devolveu o aceno para . – E mate, ótima escolha, a é maneira demais.
- É mesmo, cara, ela é o tipo de garota que as pessoas dizem ser a especial. – filosofou, fazendo e eu rirmos.
- Ela é mesmo, galera, valeu por tudo essa noite. – Falei sincero. – Vejo vocês amanhã
. - Até, mate. – Segui para o meu carro, para o dele e pra dentro de casa. What a Day, What a Day ³! Como é bom se divertir com as pessoas que a gente gosta, só faltou o e a aqui, mas amanhã eles estariam presentes.

***


Eu adorava o mês de agosto, pelo simples fato do clima ser quente em Londres. Ninguém precisava se entupir de casacos enormes e pesados, ficamos livres do frio tenso e garoa enjoada. Dávamos espaço para o clima agradável, roupas leves e estávamos aptos até para ver as estrelas no céu, poucas, mas víamos.
(N/A: Hora de dar play naquela música (:)

Dancin´ where the stars go blue
Dancin´ where the evening fell
Dancin´ in your wooden shoes
In a wedding gown

- A noite está tão bonita. – observou o céu escuro, com estrelas brilhantes, maravilhada. – Acho que não quero ir pra cama agora.
- Não precisamos ir agora. – Concordei, sorrindo. – Você disse que queria conhecer o , certo? – Perguntei, ela afirmou balançado a cabeça. – Pois então, tenho dois lugares favoritos que eu preciso te mostrar.
- Eba! To curiosa. – Vibrou.
- Vem comigo.

Dancin´ out on 7th street
Dancin´ through the underground
Dancin´ little marionette
Are you happy now?

Caminhamos até o jardim frontal de casa, logo observei o banco de ferro dourado, entre as flores que mamãe costumava cuidar. Sentei-me e sentou-se ao meu lado.
- Uau! Esse jardim é incrível! – Disse sincera observando o lugar.
- Minha mãe quem o criou. Ela cultivava essas flores com o maior carinho. – Disse orgulhoso. – Aqui é um dos meus lugares favoritos. Esse é era o meu segundo refúgio.
- Eu imaginei que fosse. – Ela encostou a cabeça no meu ombro, e brincava com os meus dedos. Como eu estava feliz! Olhei para o céu e disse em pensamento: ‘Eu estou feliz, mãe, como nunca estive em toda a minha vida.’ Sorri ao ver uma estrela enorme brilhar forte. A tinha razão quando disse que minha mãe me observava, agora eu tenho certeza disso. – Vem! Tem mais um lugar que eu quero te mostrar. – Levantei com já em pé ao meu lado.
- Sabia que eu estou adorando conhecer tudo que é importante pra você? – Vi honestidade em seu olhar.
- Ainda bem que você já se conhece, já que você é o que mais importa pra mim. – Suas bochechas coraram como de costume, não pude reprimir um sorriso e beijei seus lábios num beijo rápido e apertado. Então seguimos rumo ao segundo lugar especial.

Where do you go when you´re lonely
Where do you go when you´re blue
Where do you go when you´re lonely
I´ll follow you
When the stars go blue, blue
When the stars go blue, blue
When the stars go blue, blue
When the stars go blue

Chegamos até a área da piscina, eu senti falta das enormes cascastas de água, de passar algumas madrugadas nadando de roupa, ou até mesmo sem elas, toda vez que eu chegava um pouco tonto da rua. Também costumava ficar ali apenas com os pés na água, quando precisava me esquivar do mundo e curtir um pouco da minha solidão saudável. Nem sei se existe esse tipo de solidão, mas sabe quando você tem necessidade de ficar um tempo sozinho? Então era assim que eu denominava esses momentos: ‘Solidão Saudável’.
- Solidão saudável? – exclamou confusa, após eu ter explicado minha esquisitice para ela. – Adorei esse título. Faz da solidão um sentimento não tão horrível. – Explicou divertida, balançando os pés na água da piscina.
- Eu e minhas invenções. – Dei uma risadinha nasalada, brincando com as linhas do short jeans desfiado da . Não pude deixar de notar... Ela tinha pernas lindas, coxas lindas... Tá bem! Vou parar por aqui, os pensamentos impuros estão tomando conta da minha mente, assim como o do meu corpo.

Laughing with your pretty mouth
Laughing with your broken eyes
Laughing with your lover´s tongue
In a lullaby

Assim que eu fui tirar a mão da perna da , ela teve uma reação que me perturbou um pouco, claro que no bom sentindo. apertou sua mão sobre a minha, fazendo a mesma massagear a sua perna, sem nenhum aviso prévio invadiu minha boca com sua língua quente e macia. Sem condições alguma de parar aquilo, resolvi dar margens ao beijo e as carícias que aconteciam naturalmente. As mãos dela puxavam os cabelos da minha nuca, já as minhas mãos apertavam a sua cintura com um pouco de força. Quando dei por mim, estava com as pernas entrelaçadas na minha cintura, e eu caminhando com ela no meu colo em direção a uma das espreguiçadeiras que ficavam na borda da piscina. A deitei na espreguiçadeira, ficando por cima dela. Sem quebrar o beijo, suas mãos entravam por de baixo da minha camiseta arranhando minhas costas, não consegui abafar um pequeno gemido sobre os lábios dela. Eu estava ficando fora de controle. Minhas mãos espertas massageavam a barriga dela por baixo da blusa. Descolei minha boca da dela, sugando agora lentamente o pescoço dela. Senti as unhas de cravarem com um pouco de força as minhas costas, o que só me estimulou a continuar com os amassos. Mordi vagarosamente o pescoço dela, sem perceber meus dedos ágeis estavam na barra da calçinha dela. Infelizmente senti recuar afastando minhas mãos do local.
- ...
- ... – Sussurrei ainda com a testa colada na dela. – Eu sei que passamos dos limites, e eu não quero te forçar a nada, mas está ficando muito difícil me segurar, sabe? – Falei com cuidado. Os olhos atenciosos dela me encaravam.
- Você é homem e tem suas necessidades, assim como eu também as tenho. – Completou naturalmente, me deixando boquiaberto.

Where do you go when you´re lonely
Where do you go when you´re blue
Where do you go when you´re lonely
I´ll follow you
When the stars go blue, blue
When the stars go blue, blue
When the stars,
When the stars go blue, blue
When the stars go blue
When the stars go blue, blue, blue
Stars go blue
When the stars go blue

- … Você já… Digo… Quer dizer… Chegou lá? – Perguntei sem jeito.
- Se chegar lá conta com o fato de Corey Manson ter passado a mão na minha bunda na oitava série, e eu ter dado um pequeno chupão no pescoço dele... Então acho que já cheguei lá. – Disse divertida, me fazendo rir.
- Não to gostando desse papo sobre esse tal Corey. – Fingi uma voz brava. – Ele foi seu único namorado? – indaguei curioso. se arrumou na espreguiçadeira, me dando espaço para deitar ao lado dela.
- Sim. – Afirmou. - Ele era tão bonitinho. – Revirou os olhos de uma maneira doce, me deixando assim meio que enciumado. Que bonito! Que tipo de idiota tem ciúmes do ex-namoradinho da sua namorada, quando ela tinha 14 anos? Resposta: eu.
- Hum... Defina bonitinho.
- Olhos verdes lindos, cabelo estilo Zac Efron, mas ele tinha dentes afiados como o de urso. – Colocou os dedos indicadores sobre a boca, simulando os dentes de urso, eu tive que rir alto.
- , que tipo de garoto tem os dentes de urso? – Ralhei.
- O Corey ué. Mas fique você sabendo, que ele abalou meu mundo com seus dentes de urso. – Disse com descaso, me fazendo rir ainda mais.
- Dude, o carinha tinha dentes de urso.
- Pelo menos, ele foi o primeiro a apertar a minha bunda e não você. – Provocou, sorrindo, eu já não sorria mais. – Tá com ciuminho, ? – me zoou, levantando-se.
Where do you go when you´re lonely
Where do you go when you´re blue, yeah
Where do you go when you´re lonely
I´ll follow you, I´ll follow you, I´ll follow you
I´ll follow you, I´ll follow you, yeah
Where do you go, yeah
Where do you go, Where do you go
When the stars go blue

- Golpe baixo, hein! – Levantei também. – Ele pode ter sido o primeiro a ter apertado a sua bunda, mas não será o primeiro a te levar as alturas. – Disse malicioso no ouvido dela. ficou de frente para mim, olhando-me com um sorrisinho sacana no rosto.
- Vamos ver se você tem uma pegada melhor do que o do Corey Dentes de urso. – Passou a língua vagarosamente pelos meus lábios, me deixando tonto. – Boa noite, . – Depositou um selinho nos meus lábios, e deu de ombros, não antes de lançar um sorriso malicioso.
- Eu sou melhor que o Sr. Dentes de Urso! – Falei e continuava rindo. – Amanhã mesmo comprarei dentes postiços. – Brinquei e saí correndo atrás de em volta da piscina, assim que consegui alcançá-la peguei-a no colo.
- Me coloca no chão, garoto dos dentes postiços! – Brincou, dando uns tapinhas nas minhas costas. Continuamos com aquela brincadeira até entrarmos em casa.
- ... – disse baixinho, mexendo na gola da minha camisa polo.
- Hum?
- Eu li o que você escreveu no meu diário. – Engoli a seco, será que ela tinha ficado brava?
- ... Eu... – Tentei me explicar, mas ela foi mais rápida me cortando.
- Eu amo você, . – Disse direta, me deixando atônito. Eu quase podia explodir de tamanha euforia.
- Eu amo você, , nunca se esqueça disso.

O tempo todo¹ Me pergunte o que quiser² Eu irei³

Continua...


Nota da Autora: Hey, divas! Tudo bem com vocês? Vocês viram que A Cartomante está no top fictions?! Gente, quase morri de emoção quando a Mel me mandou um tweet dizendo, foi muita emoção. E tudo isso é graça a todas vocês, muito obrigada! Nunca pensei que alguma fic minha entraria no TF, mas isso me provou que nada é impossível, right? Agora deixando esse momento de deslumbramento a parte haha, esse é um dos meus capítulos favoritos, os personagens todos fofinhos e ficando cada vez mais íntimos muito lindos esses dois. Agora as coisas só tendem a melhorar ainda mais (:, espero que vocês gostem e encham a caixinha de comentários ok? Bem, agora vou indo, mas antes eu gostaria de dar um aviso rápido pra vocês: As atualizações de AC vão demorar um pouquinho pra entrar no site, pois mesmo que eu esteja de férias da faculdade, eu não estou do trabalho, então ando cheia de coisas pra fazer, e também tô estudando muito durante as férias e também tenho vida social (mesmo que seja raro haha) neah gente? Além dessas coisas, ando quebrando a minha cabeça pra terminar de escrever TSS II, aí meu tempo fica limitado. Ah! E a Mel (beta) está fora do país fazendo intercambio, então ela não está a minha inteira disposição neah meninas. Ela precisa se focar nas coisas dela, e ainda foi uma linda dedicando um tempinho dela betando AC, então tenham um pouquinho de paciência que eu vou sim mandar as atts, mas não serão tão rápidas como antes, mas também não vou levar três meses pra mandar um capítulo, okay? (: depois de todo esse monologo vou realmente indo haha, obrigada mais uma vez por todo o suporte, um feliz ano novo muito atrasado, e qualquer coisa vocês podem me dar um grito nas minhas redes sócias ok? Beijones, see ya <3

Twitter: @DivadoDanny |Formspring: MihSummers |Super City: @IfucChelly
Outras Fics da Autora: Time Stands Still | Restrita | Finalizada

Nota da beta: Olha ela que fofa! To fazendo intercâmbio, mas não morri, né?! (Nós sabemos bem que não estou morta, hein, Mih?!?! HAHAHAHAHAHA) Apesar de agora ter uma semana a mais pra corrigir, a fic continua sendo postada. No worries.



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Mel