All I Need To Know
Beta-reader: Mari Lima
1º Capítulo
- EU NÃO AGUENTO MAIS ISSO! – berrava enquanto juntava uma pilha de roupas jogadas pelo chão do quarto.
- Os incomodados que se mudem! – provocou, gritando da cozinha, enquanto abria uma caixa de iogurte; o sorriso debochado em seu rosto era cada vez maior.
- Grrrrrrrrrr, eu mato você, seu verme. – ela resmungou ao aparecer bruscamente na cozinha, passando por ele como um furacão e indo para a área de serviço.
As coisas não iam nada bem no casamento de e . Cada dia era uma confusão diferente. Ele cada vez mais folgado, e ela, cada vez menos paciente. Fazia apenas sete meses que os dois haviam se casado, apesar de ambas as famílias serem contra, por acharem que eram muito novos e empolgados com uma paixonite normal em todos os inícios de relacionamentos. Casaram-se com apenas três meses de namoro, já que nos anos anteriores em que ficavam juntos, era apenas durante o verão, quando vinha de Bristol para Londres para passar as férias com o irmão, que já morava na capital há muito tempo. Justamente no começo deste ano, os pais a mandaram para Londres, para que dividisse apartamento com Thomas – seu irmão – e para que concluísse a faculdade – já que havia sido transferida de Bristol para a melhor universidade de Londres, devido às boas notas.
e Tom vieram de uma família tradicional inglesa, os Fletcher. Qualquer um em qualquer parte da Inglaterra sabe o poder que eles têm. São donos das maiores multinacionais da Europa e recentemente compraram uma importante rede de restaurantes. Tom não gosta muito de ser lembrado pelos amigos e colegas de faculdade como neto e filho dos maiores investidores do país, por isso, decidiu mudar-se para Londres e tentar a vida por ele mesmo, já que sua paixão sempre foi a música, e não comandar não sei quantas empresas e usar terno e gravata todos os dias. mudou-se para Londres e, de início, morou com o irmão. Porém, as coisas entre ela e começaram a ficar mais sérias, porque ambos moravam na mesma cidade. E assim, sem hesitar, como todas aquelas celebridades, o rapaz a pediu em casamento, sendo que não fazia nem seis meses que estavam, de fato, namorando. Ela aceitou o pedido tão bruscamente que nem conseguia acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo.
Até mesmo Tom – melhor amigo de – foi contra a união precipitada. As famílias de ambos ficaram em choque; os pais de largaram tudo em Bristol e correram para Londres, numa tentativa falha de colocar juízo na cabeça de sua filha. Afinal, ela tinha apenas 19 anos. “Foda-se, eu amo aquele cara” – era o que ela mais repetia para si mesma enquanto tentavam convencê-la a renunciar ao “sim”. A mesma coisa aconteceu com os pais de , que se uniram aos pais de e conversaram com o rapaz, pedindo-lhe mais cautela, menos pressa e dizendo que se fosse para dar certo e eles casarem um dia, o tempo se encarregaria de fazer valer a pena. “Metam-se com as suas vidas” – ele repetia, não para si mesmo, mas para os pais e futuros sogros, já que era bem mais rebelde do que a namorada. é três anos mais velho que , mas em questão de maturidade, os dois tinham a mesma idade.
Visto que não havia o que fazer, pois o casal estava irredutível, os pais de ambos juntaram-se e fingiram aceitar tudo numa boa, numa segunda tentativa falha de fazê-los perceber que aquilo era uma burrada e que não era o que realmente queriam. Duas tentativas falhas, então a solução é aceitar mesmo e torcer para que os dois não se arrependam depois. Os pais de deram um apartamento mobiliado, bem localizado, em um dos bairros mais nobres de Londres, para que o casal tivesse a sua primeira moradia. Os pais de os presentearam com um carro e uma viagem para a Austrália. Os primeiros três meses de casamento foram perfeitos, aquela coisa de Hollywood. Os dois suspiravam a cada olhar que trocavam e tudo era lindo demais para ser verdade. Mas depois do quarto mês, ambos se sentiam reprimidos pelos caprichos do outro: se incomodava com o orgulho e jeito mimado – comum em garotas ricas – de e ela detestava o jeito preguiçoso do marido.
- , , vem ver! – a chamou, sentado no sofá da sala, assistindo a série de TV favorita dos dois.
- Ah, você acha que eu sou desocupada como você? Tenho mais o que fazer, . Estou indo fazer um trabalho com a e quando eu voltar quero toda aquela bagunça que você fez no banheiro removida! – a garota ordenou, pegou a chave do carro e saiu, batendo a porta de entrada do apartamento com força e bufando. bateu continência quando a porta já estava fechada, ele sabia que ela odiava quando fazia aquilo ou quando a chamava de ‘general’.
- ‘Você acha que eu sou desocupada como você? Nhen nhen nhen’ – imitou a esposa fazendo gestos exagerados. – Desocupado... Quem é ocupado em um sábado? Patricinha nojenta. – ele continuou falando sozinho e comendo biscoito com iogurte, um de seus vícios que mais irritava , pois deixava os farelos de biscoito por toda parte e, de vez em quando, derramava iogurte pelo chão.
dirigia pelo inevitável engarrafamento da principal avenida de Londres, o que ainda a deixava mais irritada. Aumentou o volume do som do carro no último, com um de seus CDs favoritos, e só assim conseguiu se distrair um pouco, esquecer a raiva que estava tendo em seu casamento e como o universo estava conspirando contra ela naquele sábado. Depois de mais ou menos duas horas no engarrafamento, conseguiu chegar à casa de , que já tinha começado a fazer o trabalho de faculdade.
- Finalmente né, loira? – brincou, quando abriu a porta de sua casa.
- Nossa, se você soubesse como começou o meu sábado, não estaria falando isso. – disse sorrindo fraco e recebeu um abraço.
era uma de suas melhores amigas, elas se conheceram quando foi a Londres passar as férias com Tom pela primeira vez. Além colegas de classe na faculdade, é irmã de , outro melhor amigo de Tom. Bom, eles não chegam a ser irmãos de sangue, como e Tom, porque a mãe de casou-se com o pai de . Os dois têm uma relação conturbada, coisa de irmãos normais, mas costuma ser ciumento demais com ela, o que já não acha tão normal assim. insiste que ele só consegue sobreviver se for para encher o saco de alguém, então não liga para a desconfiança da amiga.
- Uhhh, que amiga eficiente! – disse observando o que já havia escrito em seu notebook e mostrou-lhe a língua.
- Claro, você acha que eu sou desocupada como você? – brincou, mas não riu, pelo contrário, afundou a cabeça na cama, onde estava deitada de barriga para o colchão mexendo no notebook, e respirou fundo. – Que? – a amiga perguntou sem entender o que tinha falado demais, já que elas sempre tinham aquele tipo de brincadeiras uma com a outra. voltou a levantar a cabeça e apoiou seu queixo com a mão.
- Desculpa, . É só que eu lembrei de que foi isso que eu falei pro antes de sair de casa para vir aqui. – olhou para com um olhar derrotado e ela riu, sentando-se ao lado de .
- Vocês dois, tão estúpidos! – falou em um tom inconformado, alisando os cabelos da amiga, que coçava a testa lembrando-se do que tinha acabado de acontecer.
- Eu não sou estúpida, ele que faz de tudo pra me tirar do sério. – respondeu ríspida, passando o dedo freneticamente no mousepad, fingindo estar prestando atenção no que fazia.
- Olha, eu seria falsa se concordasse com você. Não foi sempre assim, . Você sabe bem disso. O é um cara legal e se ele age assim, algo está muito, muito errado. – agora não sorria mais ao falar, ela sentia que precisava ter aquela conversa. Sabia de tudo o que estava acontecendo no mundo do casal, mas não achava que eles estavam fazendo de tudo para salvar a relação.
- Meu Deus, todo mundo contra mim? Ah, o é legal, o é um cara centrado, o é divertido... – reclamou, sentando-se e ficando de frente para uma completamente séria.
- Não se coloca como vítima, você sabe que não é. Os dois têm culpa pelo que está acontecendo. Eu só não acho justo estragar uma relação tão bonita porque o seu marido faz xixi e não dá a descarga. Você presta atenção no que faz também? Com certeza deve encher tanto o saco dele quanto ele enche o seu. Isso é um reflexo, . Digo e repito: se ele age assim, algo está muito errado.
- Obrigada, , era tudo isso o que eu esperava de uma melhor amiga. – falou sarcasticamente, fazendo dar de ombros e se deitar para voltar a pesquisar e digitar o trabalho.
- Agora deixa de ser inútil e esquece o quanto o mundo odeia você por uns minutinhos, vamos terminar essa giringonça. – praticamente ordenou e, por mais que parecesse, seu tom não era de brincadeira. deitou ao seu lado, meio contra a vontade, mas logo se levantou, pois seu celular começou a tocar, ela o havia deixado na sala.
– Maldição! – bufou.
foi até o aparelho, que estava na mesa de centro e olhou o visor. “Chelle” era o que aparecia. A garota sorriu para o celular e atendeu.
- Oi, bitch! – atendeu, risonha.
- E aí, safada? Tudo bem? – Michelle perguntou, também risonha.
- Ah, você sabe... – bufou. – O de sempre...
- Grrrr, amiga, vamos nos ver hoje? Assim você desabafa, a gente toma uma tequila e fica tudo bem! – a garota convidou, fazendo o coração de pular de felicidade ao ouvir as palavras ‘desabafar’, o que ela não tinha conseguido fazer com , e ‘tequila’.
- Claro, tudo bem! Acho que o imbecil do vai jogar aquele videogame ridículo dele com o Tom! – falou ressentida e Michelle riu alto.
- Você não presta! Combinado, então, né? Passo lá pra te pegar ou você vem até mim?
- Olha só, eu estou na , fazendo trabalho. Quando sair daqui, vou aí, você me empresta um daqueles seus vestidos lindos e nós vamos, right?
- Tuuuudo bem! Vou te esperar. Qualquer coisa, liga.
- Ok, ligo sim. Beijos.
desligou a ligação e se assustou ao dar de cara com atrás dela.
- Que susto! Desde quando você aprendeu a caminhar tão silenciosamente? – brincou e riu, de braços cruzados.
- Desde quando eu tenho um irmão lesma que vive aprontando comigo, então aprendi a ser silenciosa para aprontar com ele de volta. – respondeu com um sorriso maior que a boca, o que fez semicerrar os olhos.
- Olha o incesto, ! – zombou e levou um tapa da amiga.
- Deus me livre daquele idiota! – se benzeu. As duas se assustaram com a campainha, alguém começou a tocá-la freneticamente. – Olha, se for o , eu vou MATAR! – ela gritou a última palavra enquanto girava a maçaneta, mas não era , e sim , cheia de sacolas.
- Uau! Você vai me matar mesmo se eu tiver comprado presentinhos pra você? – indagou erguendo as sacolas e riu, dando passagem. – ! My love! – a menina jogou as sacolas no chão e correu para abraçar .
- Que saudade de você, peste! – disse rindo, ao ser quase esmagada por um abraço de .
- Ai, eu também! Olha só, também comprei coisinhas pra você! Achei que só ia te ver amanhã no almoço que os meninos vão fazer no Tom, mas já que você tá aqui, dou aqui mesmo! – era assim, tagarela, o que fazia e rirem toda vez que estavam perto dela. A garota correu para as sacolas largadas no tapete e chamou as amigas para verem. As duas correram animadíssimas, afinal, iam ganhar presentes.
é outra melhor amiga de . Elas se conheceram no mesmo período em que conheceu . Ela é namorada de , mais um melhor amigo de Tom. e moram no mesmo prédio, mas mora em um piso acima, o que deixa possessa, porque ela adora sapatos barulhentos e a sala de fica bem em cima da sala dela. A menina era a mais nova entre as três, mas ela e tinham um relacionamento de anos. costuma brincar com ela, dizendo que inveja a maturidade dos dois por não quererem casar tão cedo. começou a faculdade um ano depois que as duas amigas, porém em outro curso. Apesar de invejar seu namoro com , por não passarem disso por enquanto, a amiga tem um pouco de frustração pelo namorado nunca insinuar um futuro ao seu lado. Os pais dela o amam e os dele igualmente a ela. O relacionamento deles também é um tanto quanto instável, não por briguinhas idiotas, mas sim porque ele tem uma ex-namorada completamente louca. desconfia que eles ainda tenham recaídas e volta e meia encontra mensagens suspeitas no celular do rapaz.
- Ah sim, , quem era no celular? – perguntou olhando para o aparelho celular praticamente grudado na mão de , enquanto dobrava as roupas que comprara para si e as guardava em suas sacolas.
- A Chelle! – respondeu animada e percebeu quando parou de fazer o que fazia e olhou dela para , com um olhar de desdém, devolveu o mesmo olhar e as duas voltaram a olhar para . – Ah, gente! Qual é? Que implicância boba com a garota! – disse balançando a cabeça negativamente e fez careta, continuando a guardar as peças de roupa.
- Você é quem sabe o que é melhor pra você... – disse dando de ombros e concordou, deixando incrédula.
- Eu não acredito que estou ouvindo isso! Francamente, nós não estamos mais no colegial pra ter esses ciuminhos bobos, né, dona e dona ? – ela se levantou e colocou o celular de volta na mesinha de centro. – Vou voltar para o nosso trabalho, quando vocês decidirem deixar de bobagens, estarei no quarto.
- Como eu odeio aquela vadia! – cochichou para enquanto via passar pelo corredor que dava acesso ao quarto.
- Eu também! – concordou, ajudando a guardar a última peça de roupa. – Às vezes eu paro pra pensar... Será que nós exageramos com essa desconfiança em relação à Michelle?
- Não mesmo. – respondeu firmemente. – É só olhar para a cara daquela fingida... E tingida... – as duas riram e levantou, dando a mão para que levantasse também.
Michelle é a melhor amiga absoluta de . As duas se conhecem desde a infância, pois estudaram juntas desde sempre. Chelle – como é chamada – se mudou para Londres um ano depois que Tom se mudou, então ela e nunca perderam o contato. Ela é o que gosta de chamar de “topa tudo”, é para quem a garota conta todos os segredos e de quem crê ouvir os melhores conselhos. e detestam Michelle, segundo elas, ela é falsa com , por razão que até mesmo as duas desconhecem tal rejeição que têm pela menina. não escuta muito o que dizem, porque acredita que seja ciúme bobo e infundado. Michelle está na leva de pessoas que foram contra a união de e , segundo ela o rapaz não tinha condições de dar à tudo o que ela precisava, tanto financeira quanto afetivamente, mas, quando a amiga deu o ultimato dizendo que se casaria mesmo, independente do que achassem, Michelle deu todo o apoio e até tentou ficar mais amiga de .
- Acabamos! – gritou e ela e bateram as mãos em high five. bateu palminhas.
- Essa programação já tava ficando chata. – disse, apontando com o olhar para a TV, que estava em um canal de clipes, passando Hip Hop, que ela odeia.
- Meu Deus, já escureceu? – se assustou ao perceber que o tempo havia passado muito rápido.
- É, minha querida, nós estamos aqui concentradas nessa bosta, mas o planeta não pára! – brincou e e concordaram, olhando para o nada.
- EU TENHO QUE IR! – levantou da cama bruscamente e e a olharam assustadas. – Fiquei de sair com a Michelle! Não quero voltar muito tarde pra casa. – se justificou, mesmo sem as duas perguntarem, então calçou suas sandálias e correu para a sala, pegando o celular e a chave do carro. e levantaram logo em seguida e tentaram seguir a amiga.
- Uau, que pressa! – disse rindo e segurando a porta.
- Ei, sua tonta, você vai esquecer os presentes! – avisou, pegando duas sacolas e entregando para , que já estava do lado de fora do apartamento.
- Obrigada, zinha, amo você. – abraçou a amiga. – , te amo também. – abraçou a outra amiga e soltou beijos para o ar, virando-se para descer as escadas. – Amanhã a gente se vê lá no Thomas! – gritou.
- Tá... – respondeu para si, assustada com a velocidade que deixou o apartamento.
- Só eu que sinto isso? – perguntou, ainda imóvel, segurando a porta aberta e olhando para com um olhar perdido.
- O que? – perguntou coçando a cabeça e semicerrando os olhos.
- Sei lá, deve ser besteira, mas às vezes eu penso que ela faria qualquer coisa por essa Michelle, até se afastar...
- Ah, não é só você, não. Eu sinto que nós somos o segundo plano para ela sempre. – deu apoio à desconfiança de , que sorriu fraco.
- Vamos fazer pipoca e ver filme? – mudou de assunto.
- Ótimo!
(...)
não demorou muito para chegar à casa de Michelle, pois não ficava longe do prédio de e . Ela foi recebida com empolgação e demonstrou a mesma euforia ao rever a amiga. Não que elas tivessem passado tanto tempo sem se ver, mas todo reencontro das duas era animado. tinha algumas roupas na casa de Michelle, já que volta e meia dormia lá quando se desentendia com o marido – coisa que estava bastante comum nos últimos quatro meses –, então tomou banho e a melhor amiga mostrou-lhe algumas opções de vestidos para que vestisse. escolheu um vestido relativamente curto, costas nuas e levemente decotado, na cor chumbo, com alguns detalhes brilhantes. Michelle, por sua vez, optou por uma calça skinny preta e uma blusa de ombros caídos branca, que deixava, propositalmente, as alças de seu sutiã aparecendo. prendeu os cabelos em um rabo de cavalo e calçou um scarpin, depois fez sua maquiagem, usando bastante sombra preta, que ressaltava seus olhos azuis. Michelle deixou os longos cabelos ruivos soltos e também passou bastante sombra preta, também ressaltando seus olhos, que são verdes. Por último, calçou sua sandália de salto e as duas deixaram sua casa. Elas entraram animadas no carro de e Michelle já foi ligando o som, levando um susto com a altura em que se encontrava. tratou de baixar o volume com pressa e olhou para a amiga, sorrindo.
- Desculpa, Chelle, mas você sabe como é engarrafamento, né? – falou colocando a chave na ignição e ligou o carro.
- É, , eu sei, mas porra, Blink-182 nessa altura é um tanto quanto foda! – Michelle brincou e deu língua, saindo do lugar onde tinha estacionado. – Olhaaa, quanta sacola! Torrou o salário foi? – perguntou ao ver as sacolas no banco de trás.
- Não, a que decidiu levar o shopping inteiro pra casa... Aí sabe como é, né? Ganhei presentinhos! – respondeu sorrindo vitoriosa ao lembrar-se das belas roupas que havia ganhado da amiga e Michelle deu um gritinho.
- Poxa, você podia ser assim comigo, né? Comprar uns presentinhos de vez em quando! – fingiu decepção, balançando a cabeça negativamente e a xingou.
As amigas foram parar em um dos bares mais badalados de Londres, um daqueles em que só anda classe alta e celebridades. As duas eram acostumadas a frequentar lugares como esses, já que vinham de famílias importantes. Não havia congestionamento na entrada e deu a chave do carro para o manobrista, recebendo uma cantada e rindo disfarçadamente com Michelle. Elas pagaram um preço altíssimo para entrar e subiram as escadas. Logo ouviram a música que vinha do interior do bar, era jazz, estilo de música clássico de bares caros.
- Quanta falta eu senti desse tipo de ambiente! – falou ao entrar no local e depois fechou os olhos, respirando fundo e sorrindo.
- Credo, falando assim eu vou começar a achar que o só te leva em porcaria! – Michelle disse após dar um tapinha no braço da amiga, para que abrisse os olhos.
- E é, ele é uma porcaria, não se esqueça disso. – brincou e Michelle balançou a cabeça negativamente, rindo. Elas começaram a andar, procurando um lugar para sentar.
- ALI! – Chelle gritou, apontando para uma mesa vaga no canto, que ficava bem ao lado da enorme janela que dava uma vista avantajada da cidade.
- Estamos com sorte! Ainda bem, depois desse dia de cão... – chorou miséria e elas sentaram. O garçom se aproximou e as duas fizeram os pedidos. Pediram alguns aperitivos e doses de tequila.
- Você precisa de uma boa tequila e seus problemas vão se resolver. – Michelle sugeriu animada, passeando com o olhar por todo o local.
- Ai, sei não, viu. – bufou, apoiando o queixo com a mão.
- Que ânimo é esse? Essa não é a que eu conheci em Bristol! – bateu na mesa e riu, dando um tapa leve na testa da amiga.
- Não mesmo. – respondeu desanimada.
- Ai, ai, ai, . O que foi dessa vez? – Michelle perguntou, observando a amiga.
- Eu não sei, eu... – começou a falar, mas logo parou, sentindo um nó na garganta e Michelle percebeu quando seus olhos ficaram cheios de lágrimas.
- Ê, Ê, Ê... Vamos parar com isso! – abanou o rosto de , que riu, baixando a cabeça. – Você sabe que é demais, não sabe? Você não pode ficar assim!
- Eu sei, eu sei. É que eu acho que nós dois não temos mais salvação. Eu nem sei mais o que sinto pelo . – o tom de voz da garota era cada vez mais choroso.
- , você sabe que eu não mentiria pra você, né? – Michelle perguntou, colocando o dedo indicador no queixo de e erguendo novamente a cabeça da amiga, a olhando nos olhos. apenas assentiu. – Eu acho que a relação de vocês está desgastada demais para o tempo de casamento que têm. Eu te disse desde o começo que isso não ia dar certo, você e o são de mundos muito diferentes. Você quer ter um futuro, quer dizer, você tem um futuro brilhante pela frente e batalha por isso. Já ele só quer saber desse mundo sem lucratividade de tocar em bares meia tigela e falar besteira com o seu irmão e aqueles amigos idiotas deles. Sempre te disse que você merecia coisa melhor, que esse cara não ia te fazer feliz. – as palavras de Michelle faziam engolir qualquer que fosse a vontade de chorar. Ela acreditava em cada palavra que a melhor amiga dizia, sabia que era boa demais para aquilo que estava acontecendo.
- Agora eu vejo e me sinto tão idiota por ter ido tão longe com ele, sabe? Todos que me amam tentaram abrir os meus olhos... Até o Tom, cara. Como eu fui estúpida desse jeito? – balançou a cabeça negativamente, inconformada, e antes que Michelle falasse, o garçom trouxe os pedidos.
- Você é muito nova, caiu na conversinha dele. Não te culpo por isso, afinal um cara como sabe muito bem como seduzir uma garotinha que julga ser tola. Burra você não é, amiga, simplesmente ficou cega pela conversa fiada desse imbecil. – Michelle falou e comeu uma azeitona, sem caroço. fez o mesmo e tomou outra dose de tequila, batendo com o copo na mesa, o que fez Michelle rir e fazer o mesmo.
- Abaixo ! – gritou, erguendo o copo e Michelle retribuiu o gesto.
Finalmente a banda de jazz deixou o palco e deu lugar a um importante DJ. Michelle levantou, puxando a mão de , e as duas foram para a pequena pista de dança do bar. Ainda não havia ninguém dançando, mas parece que quando as amigas apareceram ali, o local ficou cheio, principalmente de homens. Aquilo realmente estava fazendo bem para . Ela sabia de sua beleza e de como deixava os homens intimidados, mas depois que casara com , sentia como se não fosse mais aquela garota que tanto chama atenção pelo simples fato de estar em um lugar, nem que seja muda e parada. A verdade é que ela se entregara de alma e coração a , para ela, só ele existia no mundo. Quando sua relação começou a desandar, foi como se tudo estivesse quebrado e não conseguisse mais juntar os pedaços. Talvez por isso doesse tanto. não sabia se ainda sentia o mesmo por , os últimos meses tinham sido os piores e era como se eles não se conhecessem mais.
Quanto mais dançava, mais tomava tequila, fazendo competições de shots com Michelle e alguns rapazes. Ela sentia que precisava daquilo: espairecer completamente. As palavras de Michelle iam ficando cada vez mais altas em sua mente. Ela tinha se esquecido do quão confortante era receber palavras amigas. Palavras de pessoas que realmente faziam a diferença em sua vida. Outra coisa que não parava de martelar eram as palavras de mais cedo em sua casa: “Você presta atenção no que faz também? Com certeza deve encher tanto o saco dele quanto ele enche o seu. Isso é um reflexo, . Digo e repito: se ele age assim, algo está muito errado.”
Como tinha a coragem de dizer isso? Aquilo havia deixado profundamente magoada. Era como se ninguém entendesse o que realmente estava acontecendo. Será que eles não enxergavam o quanto tinha se tornado folgado e machista?
- Amiga, acho melhor a gente ir! – gritou no ouvido de Michelle, que agora tinha os braços ao redor do pescoço de um cara estranho. A garota apenas olhou para ela, arqueando as sobrancelhas.
- COMO ASSIM? Você vai me tirar daqui AGORA? – Michelle berrou, despertando a atenção do rapaz. a puxou, com nenhuma delicadeza e levou-a até sua mesa.
- Chelle, eu estou ficando bêbada e vou dirigir! – foi sincera e Michelle pareceu acordar para a vida.
- Ah, é. Tá certo, deixa só eu me despedir daquele gato. – pediu e riu, assentindo. Ela chamou o garçom para que trouxesse a conta e logo Michelle voltou. – Seja sincera, . Você quer ir embora agora só porque tá tontinha ou tem algo mais?
- Aff! – bufou. – Você me conhece mesmo, hein? Sabe aquele cara ali? – ela apontou nada disfarçadamente e Michelle o encontrou com o olhar, assentindo. – Então, ele grudou em mim ali e eu acho que queria alguma coisa a mais, porém NO WAY. – balançou a cabeça freneticamente e Chelle deu-lhe um pedala.
- E o que tem? Amiga, você tem que aproveitar quando a oportunidade bate à porta! – Michelle gesticulava exageradamente, é o que se chama de efeito da tequila.
- Dãããã! Eu não, esqueceu que ainda estou casada? – mostrou a aliança e Michelle se benzeu.
- É a mesma coisa de não estar... Vocês nem fazem mais nada mesmo. – deu de ombros e riu abafado, sentindo uma frustração enorme ao lembrar de que a amiga tinha razão.
O garçom trouxe a conta e as duas pagaram, deixando o local como foguete, porque perceberam que o rapaz de quem havia ficado com medo estava se aproximando. O caminho até em casa foi tranquilo, deixou Michelle em sua casa e seguiu para o seu apartamento, novamente com o volume do som no último, tocando “Here’s Your Letter”, do Blink-182. Fuck I can't let this kill me. Let go! – era o trecho que a fazia berrar. Chegando ao edifício em que ficava seu apartamento, cumprimentou o porteiro, que disse algo como “bela festa”, deixando-a completamente confusa e achando que ele a havia confundido. Estacionou o carro em sua vaga na garagem e pegou as sacolas de compras no banco de trás. Pressionou o botão do alarme e foi para o elevador. Quando chegou a seu andar, ouviu alguns estrondos, barulhos de pessoas conversando, garrafas sendo quebradas, gritinhos finos de mulheres e muita, muita música. Deu de ombros, até porque um de seus vizinhos adora dar festinhas nos finais de semana. Porém, alguma coisa estava errada. À medida que ia se aproximando da porta de seu apartamento, o barulho ficava mais intenso. Colocou a chave na porta imediatamente e antes que girasse, esta se abriu. deu de cara justamente com o seu vizinho festeiro, que ia saindo do apartamento com uma garrafa de cerveja e uma mulher que ela acredita ser prostituta.
- As minhas festas são boas, mas essa aqui... Parabéns! – o homem disse, fazendo quase trincar os dentes e o empurrar, para entrar em casa.
Entrou no apartamento com os dedos nos ouvidos, de tão alto que o som estava. Ela quase caiu ao pisar em uma garrafa jogada no chão e quase chorou ao ver um casal se amassando em seu sofá da sala. Para todos os lados que olhava, havia alguém derramando cerveja e dançando. Foi lentamente até o aparelho de som da sala e simplesmente o desligou. Apesar dos passos calmos e imperceptíveis para quem estava no local, ela estava muito, muito brava. Sentia que era capaz de esfaquear . Parecia que o som é que mantinha as pessoas ativas, pois quando este foi desligado, todos pararam o que estavam fazendo e a olharam. Todos observavam aquela mulher, segurando duas sacolas, em um vestido lindo, cabelo e maquiagem perfeitos, porém com muita, muita fúria no olhar.
- QUERO TODOS FORA DAQUI, JÁ! – ordenou como nunca havia ordenado nada na vida, em um tom de voz relativamente baixo, apontando para a porta de entrada, ofegante de tanto ódio. Só ali conseguiu avistar , pois alguns foram cumprimentá-lo antes de deixarem o local. Ele sorria, como se nada daquilo fosse sua culpa, o que a fazia ficar ainda mais enfurecida. Foi questão de segundos para que só sobrassem os dois no apartamento. continuou parada onde estava, largou as sacolas no chão e cruzou os braços, olhando no fundo dos olhos de , que segurava uma garrafa de cerveja e também a olhava, do outro lado da sala.
- Parabéns, acabou com a minha festa. – ele disse, largando a garrafa de cerveja na mesa e batendo palmas.
- , eu quero isso aqui limpo até amanhã de manhã. Eu não quero saber como você vai se virar, mas quero o meu apartamento de volta, do jeitinho que ele estava hoje, mais cedo. Ou então você vai ter que lidar com as consequências. – ela ameaçou, como se dissesse que o dia está frio, porém em um tom de voz firme que até o fez estremecer por poucos segundos.
- Você acha que eu não sei o que você estava fazendo com a sua amiguinha Michelle? – provocou e ela bufou, fechando os olhos firmemente.
- Eu, pelo menos, fui fazer bagunça longe de casa. Mas é isso, se você queria me aborrecer, então conseguiu. Meus parabéns, . Você conseguiu. – agora quem bateu palmas foi , que saiu rapidamente dali, indo para o quarto, porém pisando em ovos para que não tropeçasse em garrafas quebradas. passou a mão pelos cabelos,e pegou sua cerveja em cima da mesa, sorrindo. Ele realmente tinha conseguido mexer com o humor dela mais uma vez. Do mesmo jeito que fez para ir até o quarto, fez para ir até a porta e retirar a chave que ela havia esquecido na fechadura, de tão furiosa que estava. Depois, pegou as sacolas que ela havia abandonado no chão e guardou dentro do armário da sala. Pegou seu celular e discou para uma amiga, na verdade não uma amiga, mas sim uma pessoa que ele sabia que podia contar.
- Bridget? – perguntou estranhando a voz de quem atendeu.
- Sim... Oi ! – ela disse simpática.
- Oi! Você estava dormindo?
- Não, eu tava esperando você ligar, mesmo. E aí? Já acabou? – Bridget perguntou, se referindo à festa.
- Já sim, você já pode vir! – ele disse, aliviado, ao olhar para toda a bagunça e saber que não ia limpar aquilo tudo sozinho.
- Ok, estou indo. Mas e a sua esposa? Ela não vai se importar?
- Não, ela foi pro quarto furiosa, só sai de lá amanhã. Quando você chegar, me dá um toque. Não quero o interfone fazendo barulho, porque ela pode despertar, nunca se sabe.
- Sim, sim, pode deixar. Beijos.
- Ah, Brid... – chamou, impedindo que ela desligasse. – Se você puder, traz alguém pra ajudar, porque a coisa aqui tá feia! – fez careta, observando novamente o estrago.
tirou a roupa calmamente e se dirigiu até a banheira. A porta do quarto estava trancada, de modo que não conseguisse entrar no cômodo. Entrou na banheira, já cheia de espuma, e sentiu arrepios ao se encostar. Estava muito tensa. Era incrível como conseguia tirá-la do sério. Ainda não acreditava no que tinha acabado de ver. Não era possível que ele gostasse tanto de magoá-la. tinha os punhos fechados embaixo d’água, tentando controlar a raiva que sentia e não gritar. Talvez sua dormência devido às doses de tequila a mantivesse mais calma, ela não gostava nem de pensar em como estaria se não estivesse alcoolizada. Colocou os fones de ouvido e programou o Ipod no último volume, colocando-o na bancada próxima à banheira. Não queria ouvir mais nada além da bateria de Travis Barker. Queria simplesmente que se explodisse como tantas garrafas quebradas que estavam pelo chão da sala.
- , você tá acordado? – perguntou, parada na porta do quarto, vendo o rapaz deitado de bruços.
- Acho que sim. – ele respondeu depois de algum tempo, enquanto se mexia, tirando o lençol. – O que foi?
- Estou sem sono. – a menina disse, em um tom arrastado, fazendo o rapaz rir de seu drama.
- Ok, ok, vamos curtir a sua insônia. – levantou, sem hesitar, fazendo rir de sua empolgação. Passava das duas da manhã e ela não tinha conseguido pregar o olho, era o seu segundo dia em Londres neste verão e tinha dificuldades para dormir longe de casa toda vez que saía de Bristol.
voltou para a sala, ligou a TV e esperou deixar o quarto de hóspedes do apartamento de Tom. O rapaz tinha dormido lá, porque eles tiveram ensaio da banda mais cedo e ficou para pegar alguns ritmos em que estava atrasado.
- Demorei? – perguntou sentando ao lado da menina no sofá e colocando os pés na mesinha de centro.
- Não, só quase um ano! – brincou, recebendo uma leve cotovelada.
- Você só assiste porcaria! – tomou o controle da mão da garota e começou a passear por vários canais de TV.
- ! – ela avançou em cima dele para pegar o controle, mas o rapaz o escondeu atrás de si, para que pudesse lutar contra .
- Só tem uma condição... – provocou.
- Qual? – perguntou curiosa e já imóvel.
- Você sabe qual é, não se finja de idiota. – respondeu impaciente, porém rindo, a fazendo rir também. A menina voltou à posição em que estava e cruzou os braços.
- Não sei, não... – balançou a cabeça negativamente e bufou.
- Então fica sem o controle e a gente vai assistir isso. – falou e puxou novamente o controle, segurando-o firmemente para que ela não pegasse. Os dois ficaram em silêncio por algum tempo, vendo um programa de humor inglês totalmente machista.
- Argh, odeio esse programa, olha isso, que absurdo! – comentou inconformada, quebrando o silêncio que havia se instalado, ao ver uma mulher semi-nua recebendo um banho de cerveja.
- Se a TV mostrasse mais isso, não estaria tão decadente. – o rapaz provocou e recebeu uma cotovelada. – E eu acho que você conseguiria tudo o que quisesse se lembrasse do que eu estou falando...
- Eu não sei se vou te beijar. – ela falou claramente, nem acreditando no que tinha acabado de dizer. Desde o último verão, não tinha conseguido tirar da cabeça por um segundo sequer. E talvez fosse isso o que mais a fazia relutar, porque Michelle havia lhe contado por telefone que ele estava ficando com uma garota em uma festa que eles foram. Não que ele tenha ido com ela, mas por coincidência estavam no mesmo local.
- Por que isso? Eu não mordo... Não no sentido literal... – brincou, fazendo a menina rir novamente.
- Porque eu não sei se você merece. – disse simplesmente, dando de ombros.
- E o que eu faço pra merecer? – o rapaz colocou-se cara a cara com ela e passou um de seus braços pelo seu corpo, apoiando-o no braço do sofá, para deixá-la sem saída. E assim, pela primeira vez nestas férias, o encarou, sentindo um aperto no peito pelo simples fato de olhar naqueles grandes olhos azuis que tanto haviam lhe causado noites mal dormidas em Bristol. Seus olhos passeavam dos olhos do garoto para a sua boca, ah, aquela boca.
- Cala a boca e me beija logo, ! – ordenou, sendo atendida muito antes do que imaginava. Por mais que ele tivesse insistido, seu beijo foi como se tivesse toda a calma do mundo. Primeiro pressionou seus lábios sobre os da menina, a fazendo sentir cócegas no estômago e depois, ainda com os lábios colados, puxou-a para si, sentando-a em seu colo e fazendo-a abrir caminho para a passagem de sua língua. pressionou a cintura de enquanto as suas línguas brincavam em um beijo intenso e cheio de incógnitas. Por mais que eles já tivessem ficado antes, sempre era como se o futuro fosse incerto.
Das outras vezes, tudo tinha sido apenas diversão, mas desde o verão passado, não conseguia esquecê-lo, o que a impediu, até, de ficar com outros garotos em sua cidade. E, por mais que ela não conseguisse acreditar, o rapaz se sentia da mesma forma, claro que com menos romantismo, afinal ele é homem e tem as suas necessidades ainda mais afloradas, porém nos últimos meses aquele gosto era o que ele mais tinha vontade de sentir.
Tom se levantou, sentindo sede, e brigou com o edredom antes de levantar, a preguiça era algo maior. Depois de muito hesitar, levantou-se de vez e calçou os chinelos, coçou a cabeça, bagunçando ainda mais os cabelos e saiu de seu quarto, indo em direção à cozinha. Ao colocar os pés na sala, se assustou com a luz acesa e a TV ligada, mas passou a entender tudo quando olhou para o sofá. estava sentada no colo de , porém com as pernas esticadas para a lateral do sofá. Os dois se beijavam, parecendo não existir mais nada a sua volta. Não que Tom não fosse ciumento com a irmã, mas ele realmente não se importava em vê-la com . Afinal, os dois eram muito amigos e ele não a imaginava com ninguém melhor, apesar de saber que o amigo era um tanto quanto galinha. “Antes com um amigo galinha do que com um zé ninguém”, era o que mais pensava em relação a isso. Ele, então, passou naturalmente pela frente da TV e foi para a cozinha, fazendo o possível para não fazer barulho e espantá-los. Porém, quando saiu de lá, foi visto, porque os dois já não estavam mais concentrados em seu beijo, apenas se abraçavam, olhando para a TV.
- Nossa, Tom, você é muito cuzão, cara. – zombou, fazendo o amigo realmente se sentir idiota.
- Que? Porra, quando o cara interrompe é ciumento, quando não interrompe é cuzão... – Tom respondeu inconformado e sentou-se na poltrona próxima ao sofá.
- Também sem sono? – perguntou, olhando para o irmão, que apenas assentiu, rindo para a televisão ao ver uma mulher de branco tomando banho em um chuveiro, deixando tudo transparente. – Ai, boa noite, seus pervertidos. Nem o meu irmão me poupa disso! – ela levantou, irritada e Tom olhou dela para , que devolveu o mesmo olhar confuso. A menina fez o seu percurso até o quarto, parecia que agora estava pronta para dormir.
Ela deitou-se novamente e ficou passando os dedos pelo colchão, esperando o sono pegá-la de surpresa. Fechou os olhos sorrindo ao se lembrar do beijo que recebeu de . Não sabia como era possível ser cada vez melhor, como se em cada verão ela tivesse a obrigação de gostar mais ainda dele.
- Psiu... – se assustou ao ouvir isso, pois estava perdida em devaneios. Virou-se rapidamente e olhou para a porta, vendo parado ali, então sorriu.
- Ai, , que susto! – falou aliviada e relaxou novamente. caminhou até a cama dela e ajoelhou-se, para ficar na altura de sua cabeça e começou a acariciar os seus cabelos, a fazendo fechar os olhos.
- Senti sua falta. – ele disse baixinho, no ouvido dela, fazendo-a sentir um choque interno.
- Eu também senti a sua. – retribuiu sincera, num tom tão baixo quanto o dele. deu um beijo leve na testa da garota e acariciou seus cabelos por alguns segundos, deixando o quarto apenas quando teve a certeza de que pegara no sono.
2º Capítulo
(COLOCAR PARA CARREGAR: http://www.youtube.com/watch?v=o4O-wXNdBWg)
- É isso mesmo que você ouviu, ! UMA PORRA DE UMA FESTA! – ela contou irritada, pelo telefone.
e estavam ao telefone há uma hora. Desde que havia levantado, não tinha tido sinais de .
- Exatamente e agora eu não sei onde o imbecil se meteu! – continuou.
- Mas vocês vão lá pro Tom, né? – perguntou, preocupada.
- Ele eu não sei, mas eu vou! Com certeza! – respondeu segura, ouvindo a chave sendo colocada na porta. – Amiga, acho que ele chegou, a gente se fala depois, tchau! – bateu o telefone na cara de antes que a amiga pudesse se despedir. entrou no apartamento com algumas sacolas, que deviam ser de supermercado e sequer falou com a esposa, que estava sentada, de frente pra a porta, de braços cruzados. Ele, então, passou direto para a cozinha. o seguiu.
- Que é? Vai ficar no encalço agora? – perguntou, irritado, de costas para ela, colocando algumas cervejas na geladeira. agora estava sentada na bancada da cozinha, ainda fitando-o.
- Eu quero uma explicação, – respondeu calmamente.
- Pelo que? – se fez de desentendido, agora tirando algumas caixas de dentro das sacolas e colocando-as no congelador.
- Ah, qual é? Vai dar uma de João sem braço agora? – ironizou, fazendo-o respirar fundo. parecia ignorar, o que a fez bufar. – Não dá mesmo pra ter um diálogo com você! Eu desisto! – levantou-se e virou as costas, deixando a cozinha. parou de fazer o que fazia apenas para certificar-se de que a esposa estava mesmo saindo do local, mas em uma simples olhada, percebeu que ela usava a camisola de seda que mais o seduzia. Passou a mão nos cabelos, nervoso, tentando controlar suas vontades masculinas e tentou, sem sucesso, tirar os olhos das pernas dela.
- Agora fodeu – disse para si mesmo, quando percebeu que se abaixara com apenas metade do corpo para juntar algo. Tentou novamente tirar os olhos das pernas e, er, da bunda da esposa, mas seus instintos eram mais fortes e as curvas dela, chamativas. Voltou para o mundo real ao perceber que ela estava na posição vertical novamente e terminou o que estava fazendo.
foi direto para o banheiro, ainda profundamente irritada com a indiferença de sobre o que tinha aprontado na noite anterior. Porém, ela estava com a sua raiva 1% diminuída por perceber que o apartamento estava impecável ao levantar, como se nunca tivesse visto tanta gente socada em um lugar antes e tantas garrafas de cerveja quebradas. Tomou um banho rápido e escolheu uma calça jeans escura e uma blusinha branca. Passou o seu melhor perfume e pintou levemente os olhos, apenas para se livrar de sua expressão de quem havia tomado muita tequila na noite passada. Escolheu então um moletom preto com o logo Atticus em rosa choque e deixou seu quarto. Ao passar pelo corredor, viu sair só de toalha do banheiro social e, antes que pudesse ceder aos pensamentos pervertidos, seguiu para a sala. Sentou-se no sofá e ligou a TV, dando de cara com um de seus atuais seriados favoritos. Aquilo parecia concentrá-la e tirar aqueles pensamentos sobre como matar .
Porém, parece que a vida insiste em fazê-la lembrar de tudo que ele faz que a irrita. O telefone tocou.
- Alô? – atendeu impaciente, quem estava tirando-a de seu entretenimento?
- Traz o meu all star que deixei aí perto da mesa? – era , ligando de seu celular, de dentro do quarto.
- CADA DIA MAIS IDIOTA! EU MATO VOCÊ! VEM BUSCAR ISSO AQUI, SEU INÚTIL! – berrou, fazendo-o ouvi-la até sem ser pelo telefone e desligou. Por que ele fazia de tudo para deixá-la sem um humor agradável? Será que tinha prazer nisso?
Depois de muitos, muitos, muitos minutos, apareceu na sala quase pronto, apenas faltando calçar o sapato. Procurou, procurou, procurou e descobriu que seu all star estava, na verdade, dentro do guarda-roupa, fazendo até rir de sua falta de atenção. Depois que ele o calçou, foi para a cozinha, pegando novamente as cervejas que havia colocado para gelar e as caixas de hambúrguer que havia comprado no supermercado, colocando tudo em sacolas.
- Vamos? – chamou , que estava com os olhos vidrados na televisão.
- Vamos – ela respondeu em reflexo, desligando a TV e levantando-se; pegou a chave do carro e seguiu o marido.
O casal fez o caminho do elevador até a garagem em silêncio, pedindo que o tempo passasse mais rápido, para que não precisassem ficar sozinhos em um ambiente tão fechado por muito tempo. A porta do elevador se abriu e os dois praticamente comemoraram com pulos ao se verem fora dele. Foram até o carro lado a lado, porém sequer deram as mãos. O velho dilema voltou: Quem iria dirigir?
- Você dirige – ele disse, já parando na porta do passageiro.
- Não, , sério, você dirige. Não tô muito legal hoje. – respondeu, sincera.
- Tá, mas sem reclamações, certo? – se certificou antes que aceitasse de vez. assentiu e pegou as sacolas de sua mão, dando a ele a chave do veículo.
Ele pressionou o alarme e os dois entraram no carro. Ela colocou as sacolas em seus pés e eles deixaram o edifício, seguindo para o apartamento de Tom. O caminho foi completamente silencioso. Pode parecer clichê, mas na cabeça dos dois se passava a mesma pergunta: como chegaram àquele estado? Por que o silêncio os assustava tanto? Por que o simples fato de estarem em um lugar impossível de escapatória de um dos lados os fazia temer tanto? Talvez fosse mais fácil brigar, talvez assim se odiassem mais ao invés de apenas se sentirem intimidados.
Quando chegaram à casa de Tom, todos os amigos já estavam lá. O casal foi recebido por Brian, um amigo próximo dos garotos, alguém que odiava. Brian era o dono das brincadeirinhas mais sem graça do universo, ela não conseguia entender como o irmão, o marido e os amigos deles conseguiam conviver com alguém tão idiota. Nem ela, nem e entendiam, já que elas duas também o odiavam. Talvez por ser um tanto quanto tarado e inconveniente.
- Grande ! – Brian cumprimentou , animado, com diversos tapas nas costas um do outro. – E aí? O pessoal que eu consegui pra sua festa deu conta do recado? – continuou, fazendo quase trincar os dentes de tanta raiva ao ouvir aquilo. Então foi tudo um plano? olhou apreensivo para Brian, achando que o amigo não havia percebido a presença de . Mal sabia ele que Brian sabia exatamente o que estava fazendo.
- Com licença. – passou, esbarrando em Brian de propósito e indo ao encontro de , que a recebeu com gritinhos. , Tom e estavam jogando Guitar Hero na TV da sala, a batalha agora estava acontecendo entre Tom e . Quem ganhasse jogaria com , que era a mais viciada no jogo, então vencia todos.
- Tudo bem, amiga? – perguntou, já sabendo a resposta. Talvez se a pergunta tivesse sido feita alguns minutos antes, responderia um “mais ou menos”.
- Péssimo! Cadê a ?
- Tá na cozinha, com o ... Eles estão preparando alguma coisa que não quiseram dizer o que é. – respondeu sem desviar o olhar da competição do namorado e Tom.
cumprimentou os jogadores apenas de longe, pois Tom ameaçou jogar a guitarra do jogo em sua cabeça se ela os atrapalhasse, depois foi direto para a cozinha, falar com e – que colocavam queijo sobre algum prato que preparavam – e colocar as cervejas e caixas de hambúrguer na geladeira. apareceu logo em seguida, com Brian; eles conversavam sobre futebol e sentia o estômago revirar cada vez que ouvia a voz do último. Quando os dois deixaram a cozinha, começou a rir, percebendo o desdém no olhar da amiga.
- Tem como não odiar esse cara? – perguntou, olhando-o fazer o caminho para a sala.
- Seja homem e você pode achá-lo legal – brincou, colocando uma travessa no forno.
- Agora posso te abraçar! – cantou vitória, dando um abraço apertado em .
- Eu também quero – pediu se aproximando e abraçou assim que a soltou.
- Fiquei sabendo que teve uma festa de arromba na sua casa ontem, nem convida, hein? – zombou e mostrou-lhe o dedo. olhou-as, confuso.
- Não me fale desse assunto, dona . Eu estou querendo matar o agora mais do que nunca – respondeu e respirou fundo, sentando-se em uma cadeira da mesa da cozinha, os outros dois fizeram a mesma coisa.
- Ué, por que só agora mais do que nunca? – perguntou confusa.
- Porque o combinou tudo com o Brian, todas aquelas pessoas nojentas no nosso apartamento foram arranjadas pelo parasita do Brian, grrrrrrrrrrr. – puxou os próprios cabelos.
- Alguém me conta o que tá acontecendo? – pediu.
- Cala a boca, ! MEU DEUS, AMIGA! QUE BABADO! COMO VOCÊ DESCOBRIU? – ignorou o “irmão”, pedindo para que prosseguisse. Ela, então, contou o que ouviu de Brian na porta do apartamento ao chegar e deixou a amiga em choque. Depois as duas contaram para o que estava acontecendo e ele, de um modo menos afeminado, também ficou em choque.
interrompeu a conversa, pois queria todos na sala vendo-a jogar contra o namorado, que derrotou Tom. pegou algumas cervejas e distribuiu. pegou uma garrafa de cerveja e sentou-se no sofá ao lado do irmão, que já estava com a sua cerveja, prestando atenção no jogo. ficou na lateral da sala, em pé, conversando com Brian, o que fazia ignorar qualquer vontade de olhá-los. logo se sentou ao lado de Tom e sentou ao seu lado, no braço do sofá, passando o braço pelo ombro da “irmã”, o que sempre fazia rir internamente. Ela se sentia um tanto quanto pervertida por não acreditar em uma relação de irmãos normal dos dois.
geralmente levava competições a sério demais, não importa se for competição real ou por videogame, ela TEM que vencer. estava na frente na batalha, o que a deixava prestes a explodir, xingando o namorado e o jogo de tudo o que não prestava, arrancando risadas de todos no local. Realmente, muito, muito competitiva.
- E aí, maninha, você trouxe as sobras de cerveja da sua festa ontem? – Tom perguntou assim, do nada, fazendo bufar.
- Até você, Thomas? – respondeu ríspida e ele riu abafado.
- Você tem que ser mais light, sabe? Curtir e tal... – ele continuou, falando manso e devagar, até despertando uma vontade escondida na irmã de rir.
- Ah, talvez eu curtiria, se tivesse sido convidada! – a menina frisou a possibilidade e Tom riu novamente. – Você sabe quem foi que planejou tudo, não sabe? – perguntou esperando a curiosidade do irmão.
- O Brian. – Tom respondeu como se ela não tivesse falado nada de mais, o que ainda a deixou mais zangada.
- Qual é? Você também sabia disso? Grande irmão – reclamou e levantou-se, mas Tom a segurou pelo cotovelo e puxou-a de volta para o sofá.
- Ei, ei, louca. Calma! Eu fiquei sabendo hoje quando o Brian chegou aqui! – ele se explicou e arqueou as sobrancelhas, mais calma.
- Tom e , EU TÔ VENDO QUE VOCÊS NÃO ESTÃO ME OLHANDO JOGAAAR! – gritou, olhando para a televisão e deixou os irmãos Fletcher completamente surpresos com a sua capacidade de enxergar pelas costas. Fizeram o favor de parar de conversar e observar a amiga jogar. Agora ela havia conseguido virar o jogo.
Finalmente a batalha no Guitar Hero chegou ao fim. Como esperado, venceu, fazendo caretas e gestos de vitória para o namorado, que ficou resmungando e dizendo que todos estavam torcendo contra ele. correu para a cozinha para ficar de olho na lasanha que ela e haviam preparado, ele foi logo atrás. permaneceu onde estava e Tom levantou-se, unindo-se a , e Brian, que foram conversar na sacada. sentou ao lado de no sofá.
- Minha amiguinha linda – disse, a abraçando e deu um demorado beijo na bochecha de .
- Ounnn, o te faz bem, olha como você é meiga! – zombou e depois riu abafado quando fez careta.
- Eu sempre fui meiga, tá? O não tem nada a ver com isso! – respondeu com uma expressão de raiva, mas riu logo em seguida.
- Ihhhh, que foi? Semana passada você tava toda apaixonadinha... – cutucou e ela bufou, cruzando os braços.
- Ah, eu vi uma mensagem da Kat no celular dele ontem. – respondeu, agora brincando com uma mecha de seu cabelo. prendeu a respiração. Kat é a ex-namorada maluca de , ela some e aparece do nada, mas nunca deixa de infernizar a relação dele com .
- De novo, amiga? Isso tá ficando chato já. – reclamou, balançando a cabeça negativamente e concordou, assentindo e roubando a garrafa de cerveja de .
(...)
- ... Aí o conseguiu deixar ela louquinha, cara! – Brian contou para tudo sobre o plano da noite passada e ele riu, assim como Tom. permaneceu sério, bebendo sua cerveja.
- Porra, eu queria ter ido! – comentou e Tom concordou.
- Eu também, só pra ver a cara da . Nossa, cara, ela toda linda com raiva, dá até gosto! – Brian disse, fazendo curvas no ar, como se desenhasse o corpo de e levou um tapa na cabeça, dado por Tom. arregalou os olhos, olhando de Brian para , que permaneceu sério.
- Já chega, né? Essa conversa já deu o que tinha de dar. – falou firmemente, deixando os três amigos assustados. Ele odiava o modo como Brian falava de sua mulher. Quem aquele cara pensava que era? – E você... – apontou o dedo indicador no rosto de Brian. – Vê lá como fala da , ela não está ao seu alcance – defendeu, deixando Brian desconsertado, com um risinho fraco no rosto. deu uma cotovelada em Tom, que quase se engasgou com a cerveja. Por alguns segundos eles esperaram que começasse a rir e dissesse que era brincadeira, mas não, ele permaneceu como estava, escorado na sacada, agora olhando para cima e dando uma golada na cerveja.
- Er, a Kat me mandou uma mensagem ontem. – contou, mudando de assunto, quase que forçadamente. Aquele clima não estava nada bom. Brian voltou a rir alto.
- Aquela mina é mó gostosa! Eu não pensava duas vezes! – Brian comentou, semicerrando os olhos e depois bebeu um pouco de cerveja, suspirando ao lembrar de Kat. Tom e riram, continuava sem nenhuma expressão.
- E como você e a estão? – Tom perguntou, até um pouco preocupado, ele gostava da menina como se fosse sua irmã também. bufou.
- Até ontem, tudo bem. Ela tá estranha hoje. Às vezes eu acho que a me empurra pra Kat. – falou sincero, passando a mão nos cabelos.
- Então aproveita, cara! Se a sua própria namorada te joga pra cima da ex, vai em frente! Eu ia! – Brian disparou novamente e Tom lançou um olhar de reprovação, balançando a cabeça negativamente. não se manifestou.
- Você tá precisando de uma mulher, cara – se manifestou, depois de muito tempo calado, se referindo a Brian e despertou os olhares dos três amigos. – Usar essa mãozinha debaixo do edredom não tá mais adiantando – continuou, sério, mas Tom e caíram na risada, deixando Brian completamente constrangido, pois adorava se sentir o mestre das situações. – Vou ver sua guitarra nova, Tom – avisou, andando em direção à porta.
- Ah, é, tenho que te mostrar mesmo! – Tom entendeu que queria apenas sair dali e seguiu o amigo, deixando Brian e a sós.
- Às vezes eu acho que vocês são muito bichas! – Brian disse, rindo.
- Às vezes eu acho que você anda realmente se masturbando demais – o cortou e fez o mesmo caminho que os dois amigos. Brian ficou sozinho na varanda, não entendendo o que tinha falado demais. Ele nunca sabia a hora de parar.
(...)
- Acho que já tá bom, – disse, agachada, observando o queijo da lasanha já derretido no forno.
- É, acho que sim, o cheiro já tá forte também – concordou, terminando de lavar alguns copos. pegou as luvas e tirou a travessa do forno do fogão, colocando-a em cima da mesa. se virou para onde a garota estava e enxugou as mãos. – Uau! Acho que fizemos um bom trabalho – ele continuou, abraçando a “irmã” por trás e observando a lasanha. assentiu.
- Comigo ajudando, sempre dá certo – ela se vangloriou e ele riu abafado. – Que é? – virou-se, ficando de frente para o “irmão”. – Tá dizendo que não? – semicerrou os olhos e arqueou uma das sobrancelhas.
- E se tiver? – provocou, cruzando os braços e a menina mordeu o lábio inferior.
- , você sabe o que pode acontecer nesses momentos, não sabe? – perguntou e deu uma piscadela, fechou os olhos e suspirou pesadamente.
- Não, por favor! – pediu, mas agora já era tarde demais. colocara a língua em seu pescoço, fazendo leves movimentos que ela sabia que o deixavam louco. Ele colocou as mãos nos ombros da garota, pressionando, mas não tinha forças para mandá-la parar. apreciava aquilo mais do que qualquer outra coisa. , então, foi subindo, passando a língua pelo queixo dele, bem próximo à boca. Ele agora sorria, imaginando o que estava por acontecer.
- Ainda não é a hora, irmãozinho – se afastou bruscamente, deixando-o imóvel, ainda de olhos fechados, esperando. – Eu já disse, não é a hora – repetiu, rindo e pegou uma faca para cortar os pedaços da lasanha. bufou.
- Porra, assim não dá – falou inconformado, escondendo o volume nas calças com as mãos. riu alto. Já fazia algum tempo que ela e tinham essa relação “estranha”, por mais que ela não contasse para as amigas e nem ele para os amigos. Na verdade, ainda não havia acontecido um beijo entre os dois, apenas provocações, de ambas as partes.
- O que vocês estão aprontando? – perguntou, entrando na cozinha bruscamente e percebeu um completamente desconsertado, se escondendo atrás de um pacote de trigo.
- A lasanha, ué – respondeu naturalmente, como se nada tivesse acontecido.
- Tudo bem, ? – perguntou ao rapaz, que respondeu apenas assentindo freneticamente, corado.
e chamaram todos para almoçar, e a lasanha foi muito elogiada. Todos se dividiram, não havia lugar suficiente na mesa, afinal Tom morava sozinho. e comeram na cozinha, com Tom e . comeu no sofá, com , e e Brian comeram em outro sofá, não trocando uma palavra, pois não dera muita conversa para Brian desde que saiu da varanda, apesar das tentativas deste em ter um diálogo. estranhou o distanciamento, mas se sentiu incrivelmente feliz por perceber o “gelo” entre os dois. Ela, por sua vez, trocou muitas palavras com ; se dava bem com todos os amigos de , gostava de todos eles, exceto, obviamente, Brian.
Depois do almoço, Tom pegou um CD em seu quarto, animado, chamando todos para se reunirem na sala, pois queria mostrar a novidade aos melhores amigos.
- Bom, gente, eu sei que três pessoas vão saber do que se trata isso quando eu mostrar, mas acho que até pra eles vai ser surpresa. Eu espero que todos gostem e que, se não gostarem, sejam sinceros. – Tom apresentou, um pouco desconsertado, colocando o CD no aparelho de som e esperando carregar. (Coloque a canção para tocar) Quando começou, ouviu um uníssono “WOOOW”, que o deixou orgulhoso. Era a primeira música gravada em estúdio por ele e sua banda, composta por , e , além, é claro, do próprio Tom. “All About You” era o nome da canção. , , e Brian já a conheciam dos ensaios, mas ficaram maravilhados com a versão em estúdio. Só Tom teve acesso ao CD - demo de “All About You”, pois ele era o líder da banda, ainda sem nome. Conseguiu que ele e os amigos gravassem a canção com um colega, que tinha um estúdio em casa.
ficou visivelmente desconfortável ao ouvir aquilo, não que ele não tivesse gostado, pelo contrário, o problema é que tinha co-escrito a canção com Tom, falando sobre . sabia disso, e se encontrava da mesma forma que o marido, porém achando o ritmo ainda mais apaixonante do que nos ensaios. Ela sentiu uma pontada no peito ao ouvir o trecho Dancing on the kitchen tiles (Dançando nos azulejos da cozinha) e olhou bruscamente para onde estava. Ele estava olhando para ela, o que a deixou ainda mais em transe. Só os dois sabiam o que estava sendo dito ali. percebeu que o casal estava trocando olhares e cutucou , as duas sorriram idiotamente ao perceberem aquele momento tão raro.
- Não, ! – pedia em meio a risadas, enquanto o noivo a rodava.
- Você vai vomitar? – ele perguntou, também rindo.
- VOOOOOOOU! – ela mentiu e foi parando aos poucos. Quando finalmente pararam, se perderam em meio às dificuldades para respirar normalmente.
- Eu não... consigo... parar de... rir – disse com dificuldade, ofegante e risonho. nem ao menos conseguia emitir algum som, estava na mesma situação que o noivo.
Os dois estavam na cozinha da casa de , seus pais tinham viajado para o litoral. Ele tentara, sem muito sucesso, preparar brócolis, uma das comidas favoritas da noiva. Enquanto esperava que a verdura fosse refogada, perguntou à se ela o amava, ela hesitou em responder, brincando. Então, para forçá-la, começou a rodá-la no meio do local, ele sabia que ela odiava aquilo, porque demorava para retomar o fôlego.
- ... – chamou, após conseguir recuperar as batidas normais do coração e ele a olhou, arqueando as sobrancelhas.
- Que foi, Yummy? – perguntou, frisando no apelido em que tinha colocado nela.
- Vamos dançar, tipo naqueles filmes americanos, sem sentido algum? – propôs, recebendo uma risada de deboche por parte de . – Por favor! – insistiu.
- Tá, então deixa eu colocar uma música, pelo menos – o rapaz correu até o aparelho de som na sala e se deparou com uma música romântica em uma das estações de rádio, voltou então para a cozinha e se ajoelhou, segurando a mão de , a fazendo rir. – Me concede esta dança? – perguntou fingindo formalidade, pois sabia que ela adorava quando fazia aquilo, ela mesma dizia que chegava a ser lindo, de tão forçado. rolou os olhos, fingindo pensar. – Ou então eu posso te rodar de novo... – brincou.
- Definitivamente eu concedo esta dança! – a menina respondeu assentindo freneticamente. levantou-se, colocou uma das mãos levemente na cintura da noiva e, com a outra, entrelaçou os dedos nos de , deixando os braços de ambos no ar, como em uma valsa. E daquele jeito, com os corpos colados, começaram a dançar, encarando-se o tempo inteiro e rindo dos passos de dança improvisados sobre os azulejos da cozinha. Era impossível haver momento melhor. Era impossível estar em companhia melhor. Era impossível resistir.
3º Capítulo
(COLOCAR PRA CARREGAR: http://www.youtube.com/watch?v=XpUONM54zlg )
havia levantado incrivelmente cedo, era feriado na capital inglesa e o mercado fecharia antes do horário normal. O rapaz tomou um banho rápido e se escondeu dentro de um moletom e uma calça dois números maiores que o seu. Antes de sair, apenas olhou a esposa dormindo em um sono profundo e sorriu para si mesmo, ele não sabia como, mas ela ainda despertava batidas descompassadas em seu peito. Pegou seu gorro, sua carteira e logo em seguida a chave do carro, deixando o apartamento. Ao dirigir pelas movimentadas ruas de Londres, pensava em diversas coisas ao mesmo tempo, não sabendo como era possível caber tanta preocupação em uma cabeça. Ele e Tom haviam conhecido um importante empresário do mundo musical na noite anterior, no bar em que costumam tocar. O homem estava lá, tomando cerveja com amigos e deu seu cartão para a banda, que tinha acabado de se apresentar. Tom havia ficado de ligar para ele e depois dizer o que conversaram para , e aquilo não o deixou pregar o olho. Seria aquela a oportunidade de suas vidas? Ele balançou a cabeça negativamente, tentando se acalmar e desceu do carro, já no estacionamento do supermercado.
- ... – ele ouviu uma voz feminina chamar, enquanto guardava a chave do carro no bolso e olhou bruscamente, semicerrando os olhos.
- Ah, oi – respondeu desajeitado, pois não lembrava daquela moça de lugar nenhum. A mulher se aproximou ainda mais e alisou sua bochecha com as costas da mão.
- A mesma bochecha rosada – ela disse, rindo.
- Desculpa, mas quem é você? – perguntou em um tom de voz que não o fizesse parecer mal educado ou estraga prazeres, mas acreditava profundamente que ela estivesse confundindo-o com outra pessoa. A garota riu mais uma vez.
- E ainda completamente esquecido! Anne Hudson – ela respondeu, estendendo a mão e quase se engasgou, demorando um pouco para retribuir o gesto.
- Desculpa, é que você tá tão... – ele começou, mas parou, percebendo que falaria besteira.
- Magra, eu sei – Anne completou a frase, não que ele fosse falar coisa muito diferente se continuasse, mas pelo menos ela fez o favor de se expressar antes. sorriu fraco. Anne tinha estudado com ele por todo o colegial, ela era o patinho feio da turma, mas nunca a achou feia, apenas acima do peso. Anne foi apaixonada por ele desde que o conheceu, mandava diversas cartinhas e passava trotes com canções, o que o deixava completamente embaraçado na frente dos amigos, pois ser cobiçado pela garota mais feia do colégio não era lá muito mérito. Porém, o garoto a beijou no baile de formatura, apenas um beijo rápido, encostando os lábios. Parecia humilde demais para um adolescente popular, mas queria apenas que ela tivesse uma boa lembrança daquela festa. Eles ficaram sem se ver por anos e agora Anne não era mais ruiva, seus cabelos estavam pretos e seu corpo completamente mudado. tentava pensar como ela tinha conseguido perder tanto peso - tudo bem que fazia muito tempo desde que a vira pela última vez, mas era informação demais para um dia só.
- Eu ia dizer diferente, mas tudo bem – mentiu, fazendo a garota rir e dar um leve tapa em suas costas. – Você tá chegando ou saindo? – perguntou, por não achar sacolas ou indícios de que ela estava entrando ou saindo no local.
- Chegando... Vamos? – Anne o chamou e ele assentiu, seguindo-a. Ambos pegaram carrinhos e entraram no supermercado. – Então, como você está?
- Er, bem – respondeu, ainda desconsertado, como ela se tornou aquele mulherão?
- Que bom, mesmo que você não tenha perguntado, eu também estou bem – ela falou, fazendo ficar com vergonha e pegou alguns shampoos. , por sua vez, pegou um enxaguante bucal e sabonetes. – Uau... – Anne falou, em um tom de surpresa, fazendo parar o que fazia e olhá-la, confuso.
- Que foi? – perguntou, mas percebeu que ela olhava direto para a sua mão esquerda. Anne segurou sua mão e olhou fixamente para o anel de ouro. Oh Deus, como ele odiava esse tipo de situação.
- VOCÊ CASOU? – perguntou boquiaberta, com uma mão segurando a de e a outra no próprio peito.
- É, mais ou menos – ele respondeu baixo e puxou a sua mão, colocando-a no bolso.
- Como mais ou menos? Ou casou ou não casou! – Anne insistiu, agora eles iam em direção à seção alimentícia.
- Casei – respondeu de uma vez, desejando que aquilo parasse.
- Huuum, que bom – disse timidamente, percebendo que aquele assunto não estava muito propício, pelo menos não para o rapaz.
Os dois compraram algumas coisas para si e voltaram a se encontrar na saída do supermercado, não porque pretendia, mas sim por acaso. Ele havia, sim, gostado de reencontrar Anne, depois de tanto tempo e linda como estava, mas tinha se esquecido do quanto ela podia ser pegajosa e faladeira.
- Aqui, anotei o meu telefone pra você. Qualquer dia desses me liga, vamos marcar de sair, assim eu conheço a sua esposa também e você conhece o meu namorado! – ela convidou empolgada, entregando um papel com seu número de telefone anotado e se perguntou se ela estava cega, porque ele estava cheio de sacolas. Mesmo assim deu um jeitinho e guardou o papel no bolso.
- Ok, Anne. A gente se vê por aí – se despediu apressado, a deixando quase falando sozinha e deu as costas, andando rapidamente até o carro.
Enquanto dirigia, seu celular tocou, atendeu animado, esperando ser Tom.
- PELO AMOR DE DEUS, VEM PRA CASA! – ele conhecia aquela voz, ainda mais no tom desesperado dela. Era . riu abafado.
- O que foi? Eu estou dirigindo, Guid – respondeu, ainda rindo. Ele adorava quando ela precisava dele.
- VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR NO QUE ACONTECEU. EU PRECISO DESLIGAR, MAS VEM LOGO! – o tom de voz da menina era cada vez mais angustiante.
- Ok, vou ver se consigo chegar a tempo – falou e desligou o telefone, antes que escutasse gritos de horror.
não demorou muito para chegar ao edifício, ele sabia que quando transparecia a necessidade de vê-lo, alguma coisa estava errada e ela não conseguia consertar sozinha. Estacionou o carro e pegou as sacolas no porta-malas. Pegou o elevador apressado e logo estava em seu apartamento. Foi recebido por uma completamente molhada.
- Fez xixi na cama? – brincou e a menina bufou.
- Sem piadinhas, , vamos logo! – ela segurou na mão do rapaz e ele teve de largar suas compras na porta e segui-la.
Quando entraram no quarto, já pôde ver um pouco de água escorrendo por baixo da porta do banheiro, dali já conseguiu entender tudo. Quando abriu a porta do cômodo, os dois foram recebidos com um jato forte vindo da banheira.
- PUTA QUE PARIU! O QUE VOCÊ FEZ? – perguntou, tentando se proteger e não engolir água.
- EU FUI TOMAR BANHO E QUANDO LIGUEI A HIDROMASSAGEM, FICOU ASSIM! – respondeu, gritando, porque o barulho que fazia era tão alto que se não fosse assim, os dois não conseguiriam se ouvir. tirou o moletom, numa tentativa falha de parar a enxurrada em uma das saídas de água da banheira. Depois tirou a camisa, dando-a para que tentasse a mesma coisa do outro lado. Mas parecia impossível.
Quanto mais tentavam fazer parar, mais água jorrava e entrava nos narizes e olhos de ambos, até os fazendo rir. se lembrou imediatamente de que tudo se resolveria se fechasse o registro, então foi tentando chegar até ele. Quando finalmente conseguiu fechar, escorregou, numa tentativa falha de segui-lo. Aos poucos tudo foi se acalmando. Ele, então, começou a rir da esposa. Ao contrário do que esperava, ela começou a rir também, sentada no chão do banheiro, sem conseguir levantar. sentou-se ao lado dela.
- Se eu tivesse me lembrado do registro... – disse, rindo e recebeu uma cotovelada de . Os dois estavam sentados, com as costas escoradas na banheira e as pernas esticadas, olhando para o nada.
- Você nunca foi bom com essas coisas – ela disse sincera e a olhou.
- Como é? – perguntou, fingindo ressentimento.
- É isso aí que você ouviu! – respondeu, prendendo a risada.
- Você vai ver como eu sou bom! – provocou, se preparando, e a menina começou a engatinhar, correndo dele, já sabia o que iria acontecer. Ele ficou do mesmo jeito, perseguindo pelo banheiro. Até que um dos joelhos dela falhou e a fez escorregar novamente, ficando estatelada no chão, porém rindo. a alcançou e a virou de barriga para cima, os deixando cara a cara. Ele apoiou um dos cotovelos no chão e colocou a outra mão nas costelas de , fazendo cócegas.
(Coloque a canção para tocar)
A garota não conseguia parar de rir, só sabia o seu ponto fraco para cócegas e, mesmo que as costelas fossem um dos lugares mais óbvios, só ele sabia o ponto onde podia derrotá-la. Ele ria da mesma forma, porém não gargalhava tão alto quanto ela. Quando perceberam, já estavam perto demais, os olhos de encontraram os de em sincronia, ele agora tinha as palmas das mãos apoiadas no chão e a esposa estava completamente dominada. Ela tentava sair dali, mas não parecia ser tão fácil. Seu corpo não respondia aos comandos de seu cérebro. tinha esquecido como era não resistir àquele rapaz. Para ela, era cada vez mais distante a ideia de que o simples olhar profundo de conseguia paralisar todos os seus movimentos.
O rapaz passou os dedos levemente sobre a testa de , passando depois pelo nariz e pelas bochechas. Ele também tinha se esquecido de como era estar assim, tão perto. Esqueceu como era pertencer a uma mulher, não que ele estivesse com outras enquanto casado, mas às vezes era como se nunca tivesse acontecido nada entre e . Às vezes o passado parecia derreter. podia ouvir as batidas de seu coração e seu corpo pedindo pelo que o seu cérebro fazia questão de impedir. Em um gesto quase que involuntário, estendeu o braço e puxou para si pela nuca, deixando-o entre suas pernas. O toque de seus lábios era como um desejo impossível que havia se tornado realidade. sugava os lábios da menina, como sentira vontade de fazer por diversas vezes e não conseguia o consentimento. Ela o abraçava cada vez mais apertado e sentia tremer toda vez que a apertava, deixando os corpos completamente colados, como se fossem um só. mordia os lábios dele e soltava gemidos abafados quando o marido prendia seu lábio inferior entre os dentes. As línguas começaram a brincar com intensidade, como se tivessem sentido muita falta uma da outra.
And I'll miss your laugh your smile
(E eu sentirei falta do seu riso, do seu sorriso)
I'll admit I'm wrong if you'd tell me
(Eu admitirei que eu estou errado, se você me disser)
I'm so sick of fights I hate them
(Eu estou tão cansado de brigas, eu odeio elas)
Let's start this again for real
(Vamos começar isso de novo, de verdade)
colocou a mão na nuca de , puxando-a e sentando-a em seu colo, sem partir o beijo, ajeitando as pernas da esposa em volta de si e permanecendo com as mãos nas pernas desnudas dela. partiu o beijo, para que pudesse se dirigir ao pescoço de . E, enquanto sugava a pele dele, sabendo que deixaria marcas, passava as unhas pelo peitoral e barriga do marido, o deixando cada vez mais louco e sem conseguir disfarçar suas necessidades masculinas.
- Você me deixa louco – ele disse com dificuldade, ofegante, sentindo arrepiar cada vez que sentia as unhas de em seu corpo.
- Você ainda não viu nada – ela provocou, mordendo o lábio inferior e olhando-o fixamente, arrancando um riso reprimido dos lábios de , que a fez rir também.
colocou as suas mãos no pescoço de e levantou a cabeça dela, mordiscando o queixo da esposa e a deixando em transe. Ela puxava os cabelos de cada vez que este prendia os dentes em seu queixo e gemeu relativamente alto quando o marido sugou seu lábio inferior. As respirações se encontravam e se confundiam, os deixando com mais prazer. Quando ficaram mais colados, puderam sentir as batidas de seus corações se misturarem, fazendo-os parar por alguns segundos e simplesmente se olharem.
- Eu quero você – disse, sem sequer piscar, não podia perder nenhum movimento de .
- Eu sempre quis você – respondeu e percebeu os grandes olhos azuis da esposa acumularem lágrimas. Enquanto afagava o cabelo dela com uma mão, passava as costas do dedo indicador levemente por seus lábios, fazendo escapar uma lágrima teimosa de um dos olhos da menina.
I've been here before a few times
(Estive aqui algumas vezes antes)
And I'm quite aware we're dying
(E estou completamente ciente de que nós estamos morrendo.)
O casal selou mais um beijo, desta vez mais calmo e enterrou a cabeça na curva do pescoço de , o abraçando cada vez mais forte. Ele fazia o mesmo e beijava o ombro de , sentindo a respiração dela perder o ritmo. As gotículas quentes em seu peito o davam a certeza de que ela estava chorando. olhou para cima e fazia movimentos leves com os dedos no couro cabeludo de , ele tentava ignorar o fato de ela estar chorando. Se tivesse que lidar de frente com aquilo, sabia que não conseguiria. Preferia que ela o rejeitasse a senti-la tão frágil em seus braços.
- Eu estou com você – falou baixo e fechou os olhos com firmeza quando a sentiu soluçar. ergueu a cabeça lentamente e pôde ver seus olhos vermelhos e a ponta do nariz mais vermelha ainda, como costuma ficar toda vez que ela chora.
- Me desculpa? – a menina perguntou, chorosa, e ele apenas assentiu, beijando sua testa.
- Sempre, Yummy – ele brincou e ela sorriu ternamente, deixando escapar um riso abafado, como ele não a via fazer há muito, muito tempo.
Sempre.
4º Capítulo
(COLOCAR PRA CARREGAR: http://www.youtube.com/watch?v=wKghBQbNxWA&feature=related )
A banda tocou a última canção da noite e recebeu aplausos. Tom largou a sua guitarra ali mesmo e correu para o bar, pois estava morrendo de sede e ficou esperando os amigos descerem do pequeno palco. foi o segundo a se unir ao cunhado.
- Uma cerveja, amigo – pediu para o barman e olhou para Tom, rindo, o amigo tinha acabado de derramar cerveja em si mesmo.
- Você não perde uma, né? Puta merda – Tom falou inconformado e logo recebeu um tapa nas costas dado por .
- E aí? O que vai ser? Cervejinha? – perguntou animado, ao se sentar, e os amigos assentiram. Logo ele fez o pedido.
- Cadê o ? – perguntou, procurando com o olhar. O barman serviu .
- Tá ali – apontou para o canto do palco, onde conversava com duas garotas. Ele as fazia rir bastante e se exibia.
- Porra, mas esse cara é uma puta! – Tom disse, rindo e balançando a cabeça negativamente. – Se a visse, ia comer as tripas dele!
- Eles não estão juntos – respondeu, dando de ombros.
- Já terminaram de novo? – Tom perguntou assustado e e assentiram. – Caramba, ninguém me conta mais nada mesmo! Sempre o último a saber...
- Tom, cara, esse seu talento pra compor te deixa meio gay às vezes... – reclamou, rindo e recebeu um pedala de Tom. concordou.
- Tá, tá, esqueçam que vocês adoram me encher a paciência e me contem por que eles terminaram – Tom pediu impaciente, dando uma golada na cerveja.
- Simples... – começou.
- Kat – mas foi quem respondeu. Tom arqueou as sobrancelhas e balançou a cabeça positivamente, em movimentos lentos. Ele sabia que esse sempre era o motivo, no final.
não demorou muito para se unir à trupe. Ele estava com dois guardanapos, um em cada mão e guardou-os no bolso. Quando percebeu que os amigos observavam seus movimentos, deu uma piscadela e um sorriso malicioso, recebendo um uníssono murmúrio. O garoto pediu uma cerveja e se sentou, ao lado de . A primeira coisa que Tom fez foi interrogar o amigo sobre o término do namoro com . Ele realmente se preocupava. respondeu que a menina foi quem terminou o namoro com ele, sem justa causa, aparentemente, mas que acha que ela atendeu o celular dele quando Kat ligou.
- E você e a , cara? Tudo em cima? – perguntou para , tentando mudar o rumo da conversa para um núcleo ainda menos feliz do que ele e . fez careta e virou a cerveja, acabando-a. pigarreou propositalmente e Tom olhou dele para , sem entender.
- Qual é? Por que esse mistério? Não tava tudo bem? – Tom mais uma vez encheu de perguntas e deu um tapa na própria testa. agora encarava a garrafa vazia de cerveja. Tom ficou sabendo do incidente no banheiro, não todos os detalhes sórdidos, mas a reconciliação. A verdade é que muita coisa mudou em uma semana: e tiveram outra briga feia, porque ela achou o papel com o telefone de Anne Hudson no bolso do marido, então, agora, tudo estava na mesma. Porém, não entendia a situação, pois não deixou as coisas claras sobre o porquê do distanciamento.
- Cara, às vezes eu me pergunto se tinha como você ser mais tapado! – disse inconformado e deu um tapa na nuca de Tom, que reclamou.
- Não, galera, quem não contou ao Tom fui eu... – se explicou, ouvindo um uníssono “ah” de e .
- Quando eu digo que ninguém me conta nada, me chamam de gay – Tom reclamou mais uma vez e pediu mais cerveja, para ele e para os amigos.
- Não é, cara, é só que é meio foda ficar contando tudo da minha relação com a sua, er, irmã – falou sincero, e assentiram e Tom ficou viajando com o olhar pelo teto do bar, voltando à realidade quando as cervejas chegaram.
- Tá, tudo bem... – abanou o ar com uma das mãos e abriu a cerveja. – Mas você vê lá como trata a minha irmã, ... Ou eu sou capaz de arrancar as suas bolas! – apontou no rosto de , sério, recebendo gargalhadas.
- Você? Arrancando as bolas de alguém? – zombou, deixando-o em fúria. Tom apenas respirou fundo.
- Eu não vou repetir e você entendeu. Eu nunca colocaria as mãos nas suas bolas sujas, anyway – deu de ombros e levou um soco no braço, dado por .
- Se você soubesse que a culpa é da sua irmã, iria falar isso a ela – respondeu, após dar uma golada na cerveja.
- Mulheres, sempre as mulheres – se uniu, melancólico, tomando toda a quantidade de cerveja possível.
- Qual é, caras? Desde quando a gente precisa se reunir e falar de mulher? Vamos esquecer elas pelo menos algumas horas? – pediu e todos concordaram, porém tal concordância não durou muito tempo, porque um grupo de cinco amigas adentrou o bar e deixou aqueles quatro rapazes boquiabertos. – Esquece o que eu disse – concluiu, sem tirar os olhos das garotas.
- Já que eu estou solteiro... – Tom disse, levantando-se e recebendo uma risada maléfica de , que se uniu ao amigo.
- Ei, eu também! – disse, quase levantando, mas foi parado por .
- Fica aí. Eu não vou lá, você também não vai – falou autoritário, sendo aplaudido por Tom.
- Muito bem, , eu já ia te dar liçãozinha de moral – Tom agradeceu, cutucando e apontando para as garotas, para que os dois fossem.
- Hasta la vista! – gritou para os dois amigos que ficaram sentados, já de costas.
- Filho de uma puta – resmungou, colocando a cerveja com força na mesa.
- Pelo menos eu não fiquei sozinho! – comemorou e recebeu um soco no braço.
Tom e , assim como e , conseguem chamar a atenção das mulheres facilmente. Além de serem homens bonitos, não são nada fracos na hora da conquista. Não que as cinco amigas precisassem de muita argumentação, pois fizeram questão de transparecer a sua solteirice e desespero por beijos na boca. Acabou que as três que sobraram – pois Tom estava com uma e com outra – pediram para que eles as apresentassem para os amigos deles. e comemoraram, pois suas consciências não pesariam, afinal, a montanha que foi até Maomé.
(...)
- Eu não acredito! – Michelle disse, levando uma das mãos à boca ao ver o papel que lhe mostrava.
- É, pode acreditar. – disse, com uma expressão nada simpática.
As amigas estavam sentadas no tapete da sala, comendo Yakisoba e fofocando. Michelle tinha passado o último final de semana em Bristol e contou tudo o que aconteceu por lá para . Quando o assunto chegou ao fim, decidiu mostrar à melhor amiga o papel que encontrou no bolso da calça de no dia em que eles foram ensopados por jatos teimosos da banheira. O papel estava um tanto quanto danificado, devido à umidade, mas dava para ler perfeitamente “Anne Hudson”, acompanhado de seu telefone e um pequeno coração. Aquilo estremeceu novamente a relação já remendada de e . Foram poucas as horas de paz. A diferença é que, dessa vez, a menina optou por não discutir, apenas voltar a ignorar o marido.
- Eu não sei o que te dizer... Porque esse coração é beeeem suspeito! – Michelle atiçou quem só precisava de um estímulo para perder a cabeça.
- Nós vamos discutir isso hoje mesmo! Não consigo ficar quieta! – resmungou, após terminar seu Yakisoba.
- Ele não deixa você ficar quieta... Poxa, que sacanagem, fica pegando telefone de outras e depois tenta te agarrar... – a melhor amiga disse, profundamente irritada. assentia freneticamente. – Eu acho que você tinha de dar uma lição nele!
- Qual? Me diz? Porque eu já tentei de tudo e o só piora! – se colocou como vítima, como de costume.
- Sei lá, finge que tá tudo bem, não reclama, só sai no fim de semana e se diverte... – Michelle sugeriu e arqueou as sobrancelhas.
- De que forma isso seria uma lição? – perguntou não conseguindo ligar os pontos.
- Pelo que você me contou, ele só fez aquela festinha porque soube que você saiu comigo pro bar... Então vamos sair mais e mais e deixar ele destruir o apartamento. Você finge que não liga e ele vai ficar louco, sem saber o que fazer. – a garota explicou, fazendo parecer óbvio e mordeu o lábio inferior. Antes que conseguisse responder, ouviu um barulho de chave e fez um gesto para que Michelle parasse de falar, pois havia chegado.
O rapaz entrou no apartamento sem dar muita atenção ao que tinha à sua frente, pois logo virou-se para trancar novamente a porta. Quando voltou a atenção para a sala, percebeu que e Michelle estavam lá, observando-o.
- Boa noite, – Michelle disse, acenando e sorrindo.
- Oi – respondeu, sem tentar um sorriso falso, e fez seu caminho para a cozinha.
- Nossa, que antipático! – Michelle disse em um tom baixo para , recebendo o consentimento da amiga. – Acho que já vou! – falou, levantando-se.
- Não, Chelle! Você vai mesmo me deixar sozinha com ele? – também levantou e ficou de frente para a melhor amiga.
- Eu não mandei você se casar! – brincou e deu-lhe um tapa na testa.
seguiu Michelle até a porta e se despediu da amiga, que desejou-lhe sorte com . Ela respirou fundo e trancou novamente a porta do apartamento. Ficou parada por alguns segundos com a mão na maçaneta, pensando se ia ou não falar com o marido. Até que decidiu finalmente ir até a cozinha e dizer a ele que tinha comida no microondas.
- Se você quiser jantar, tem Yakisoba no microondas – avisou, olhando para os próprios pés, com o cotovelo apoiado na bancada da cozinha.
- Valeu – respondeu, entretido com um copo, uma colher e açúcar.
- Tem refrigerante – a esposa falou, vendo que ele ia preparar algum suco, ela sabia como era péssimo nisso. O marido olhou-a, semicerrando os olhos e deu um meio sorriso em seguida.
- Obrigado por evitar o fim do mundo – brincou, despertando uma risada inconsciente de . Ela não sabia como ele conseguia fazer aquilo, mas tinha horas em que a forma de se mexer a hipnotizava. O rapaz depositou a água que havia colocado no copo na grande pia e guardou o açúcar, depois abriu a geladeira e pegou uma garrafa de coca-cola.
- E aí? O tal produtor musical ligou pro Tom? – perguntou, puxando assunto com o marido, que agora se dirigia ao microondas, para pegar a comida chinesa.
- Ainda não – respondeu simplesmente, abrindo o microondas e tirando a comida.
- O e a estão terminados, ele falou? – ela tentou mais uma vez, visto que a primeira tentativa de puxar assunto não deu certo.
- Uhum – o marido nem abriu a boca para responder, pois havia colocado uma boa quantidade de macarrão na boca.
decidiu deixar a cozinha e terminar de ler um livro em seu quarto, se sentia cada vez mais estúpida por ter tentado conversar com . Quem tinha que estar atrás dela era ele, então por que ela tentava ter um assunto? Por que isso ia fazer diferença no fim de seu dia? Ela decidiu se conter e bateu a porta do quarto, não conseguindo parar de pensar no que conversara com Michelle. Será que aquela seria mesmo a solução?
comia com o prato e o copo em cima da bancada, em pé mesmo. Ele estava ansioso para a ligação do produtor que há uma semana prometeu entrar em contato com Tom. Aquilo estava tirando o sono dos quatro rapazes. Outra coisa que não parava de transitar em sua cabeça era o comportamento estranho de um dia depois do incidente no banheiro. Por que a esposa tinha mudado de uma hora para outra? O que ele tinha feito dessa vez? Depois de jantar, foi até a sala e tirou a camisa, deitando-se no sofá e ligando a televisão. Ele estava completamente sem sono, o que era um milagre quando o rapaz tomava cerveja. A falta de retorno do produtor que poderia dar a chance definitiva a sua banda martelava o tempo inteiro. Aquilo era mais importante do que qualquer coisa para , já que seu casamento estava por um fio.
se mexia de um lado para o outro na cama, procurando uma posição que fizesse seu pescoço doer menos durante a leitura; quando finalmente achou, o telefone tocou e gritou para que ela atendesse, a fazendo resmungar.
- Alô? – atendeu com uma voz nada simpática na extensão do quarto.
- Guid? – era .
- Não, o ! – ironizou, recebendo xingamentos da amiga. – Oi, , tudo bem?
- Você sabe que não, né? – a menina respondeu em um tom de voz arrastado.
- , você tem que conversar com ele! – estimulou.
- Conversar? Não tenho nada pra conversar com o , o que eu ouvi já valeu por qualquer coisa – disse ressentida.
- Olha, eu imagino que não seja fácil e você sabe que eu estou passando por coisa parecida, porém não foi um telefonema e sim um bilhetinho ridículo com um telefone.
- Então, a sua situação é anos luz melhor do que a minha! – argumentou.
- Claro que não... Digamos que nesse fator sim, mas pensa bem, pelo menos você não mora com ele e não se arrepende de ter feito uma besteira por causa de uma paixonite sem sentido – desabafou.
- Er, talvez. Só que se eu morasse com ele, com certeza o perdoaria. Só em olhar aquela carinha linda dele – suspirou pesadamente e riu.
- , deixa de ser idiota e volta logo com o ! Você não vai aguentar mesmo, então é melhor levar chifre estando com ele do que não estar, no seu caso.
- Ai, seu humor não tá legal hoje... – a amiga reclamou, a fazendo rir novamente.
- Assume que o que eu falei é verdade! – instigou e ouviu suspirar pesadamente de novo.
- Talvez seja – respondeu com uma voz risonha.
- Quando eu digo que te conheço mais do que você pensa, você não acredita – se vangloriou.
- Mudando de assunto... Você já falou com o sobre o papel?
- O assunto anterior era melhor. Anyway, não – respondeu frustrada.
- E nem vai conversar? – perguntou preocupada, enrolando uma mecha do cabelo.
- Talvez não. Acho que vou fazer o que a Michelle me aconselhou mesmo. – deu de ombros enquanto falava, como se pudesse vê-la.
- Hã? O que a tingi... – pigarreou forçadamente. – Michelle sugeriu?
- Ai, que implicância besta! – disse impaciente, pois percebeu o que ia falar da melhor amiga. – Que eu saia com ela todo final de semana para as baladas e se o quiser destruir o nosso apartamento eu finjo não ligar. Assim o prejudicado será ele! – a menina tinha um sorriso de vingança nos lábios.
- HÁ! E VOCÊ ACHA QUE ISSO VAI FUNCIONAR? – desdenhou, balançando a cabeça negativamente e fazendo careta.
- Por que não funcionaria? – a outra perguntou, não entendendo o mistério.
- Meu Deus, eu acho que você bateu essa cabeça em algum lugar ou então a tingida abriu sua cabeça e arrancou a parte de memória do seu cérebro... Porque puta que pariu, você esqueceu completamente como o costuma ser! – o tom de voz de até fez parar para pensar por alguns segundos. Ela tinha realmente esquecido de como o marido costumava ser.
- Claro que não, – ignorou, fingindo total convicção de que a amiga estava errada e ela certa. – É por saber como o é que vou fazer isso. Ouça o que eu estou te dizendo: uma hora ele cede!
- Então tá, quando o seu casamento estiver mais arruinado e você chorando por perceber que só fez merda, procura a sua amiga-conselheira e pede pra ela te dar outras maneiras de tornar sua vida ainda pior – desabafou e desligou o telefone, o que fez se assustar e ficar segurando o telefone inconscientemente, porque a menina é a que tem o tom de voz mais ameno entre e ela.
Depois de algum tempo ainda pensando se aquilo tinha mesmo acontecido, bateu o telefone e levantou-se, indo para a cozinha para beber água. Ao passar pela sala, viu o marido jogado no sofá, sem camisa e quase roncando de tão profundo que dormia. Ela sorriu para si mesma, vendo que finalmente conseguira dormir, sabia que as coisas não estavam sendo fáceis. Ele, seu irmão e os amigos eram realmente apaixonados pelo que faziam.
A menina foi até a cozinha e encheu um copo de água e quando ia fazer seu caminho de volta para o quarto, percebeu que a janela da sala ainda estava aberta e que entrava um vento muito forte. Então, fechou a janela e observou dormir por alguns segundos.
- Tá me olhando dormir? – ele perguntou, se virando, ainda de olhos fechados, assustando a esposa.
- Er, não – ela respondeu rapidamente. – Boa noite. – virou-se de súbito, evitando uma situação constrangedora. soltou um riso abafado e voltou a procurar uma melhor posição para voltar a cochilar.
(Coloque a canção para tocar)
- , me dá um pouco da coberta! – insistiu, puxando o edredom para si, mas puxou de volta.
- Não, deixa de ser chata! – ele disse, prendendo o riso, sabia que a esposa odiava isso.
- Chata? Chato é você! – ela rebateu, o fazendo cair na risada, deixando-a ainda mais irritada.
Era a segunda semana de lua de mel dos dois na Austrália, tudo ia muito bem, exceto quando ficava com a maior parte do edredom cobrindo-o. O rapaz, então, puxou de vez a coberta, deixando completamente desprotegida. Ele olhou o corpo inteiro da menina e suspirou pesadamente.
- Se você me desse uma chance... – disse com uma voz e cara infantis, fazendo bico. rolou os olhos e colocou as mãos no rosto, para poder rir sem ele ver.
- Vai dormir, não quero nada com você! – ela mentiu e ele deu uma gargalhada, aproximando-se da esposa e tentando tirar as mãos dela do rosto.
- Vaaaamos, não é possível que você não queira um cara tão legal e descolado como eu! – fingiu uma voz retardada e gargalhou. Ele conseguiu deixar o rosto da menina à mostra e fixou uma das mãos do outro lado do corpo dela, a fim de não deixá-la sair. – Vai, agora diz que você quer dormir...
- EU QUERO DORMIIIIIIIRRRRR! – a menina berrou, com os olhos fechados firmemente, rindo.
- Não parece que é o que você realmente quer, Yummy – sussurrou e começou a beijar o pescoço da esposa.
- Isso é golpe baixo! – disse tentando afastar o marido, sem sucesso. Ele agora esfregava seu nariz no pescoço dela.
- Bem-vinda à verdadeira identidade de – brincou e ela puxou seu cabelo, para que seus olhares se encontrassem.
- Argh, seu idiota! – zombou, cerrando os dentes e enrugando o nariz ao apertar as bochechas de , que rolou os olhos, apoiando-se sobre as suas mãos e ficando em cima da esposa.
The good old days
(Os bons velhos tempos)
The honest man
(O homem honesto)
The restless heart
(O coração que não descansa)
A promised land
(Uma terra prometida)
A subtle kiss
(Um beijo súbito)
That no one sees
(Que ninguém vê)
A broken wrist
(Um pulso quebrado)
And the big trapeize
(E um grande trapézio)
Oh well I don't mind
(Bem, eu não me importo)
If you don't mind
(Se você não se importar)
'Cause I don't shine
(Porque eu não brilho)
If you don't shine
(Se você não brilhar)
Before you go
(Antes que vá)
Can you read my mind?
(Pode ler minha mente?)
- Você é linda, Yummy – ele disse sério, passeando com o olhar pelo rosto corado de , que sorriu fraco.
- Assim você me deixa sem graça, seu nojentinho – a menina desconversou, espalmando sua mão no rosto dele e fingindo ignorá-lo. riu e segurou sua mão, beijando a palma dela, de olhos fechados, o que fez estremecer. – Eu amo você. – disse inesperadamente, olhando fixamente para o marido, que abriu os olhos lentamente e entrelaçou seus dedos nos da menina no ar, a encarando.
- De verdade? – perguntou semicerrando os olhos e dando um meio sorriso sedutor.
- Sim, até que a morte nos separe... – ela respondeu risonha.
- Ah é? – perguntou mais uma vez e ela assentiu. – Então prova! – ao ouvi-lo dizer isso, colocou as mãos em volta do pescoço de e colou-o em seu corpo. Em seguida, em um movimento rápido, o deitou novamente e ficou por cima, com as pernas transpassadas nas dele e sobre comando, pressionando os punhos do marido sobre a cama. A menina passou a língua suavemente pelos lábios dele antes de beijá-lo, ela sabia que este era um dos gestos que mais o deixava excitado. O rapaz suspirou pesadamente e introduziu sua língua na boca de , encontrando a língua da menina tão sedenta quanto a sua. Ela apoiou os cotovelos no espaço entre a curva do pescoço de e os ombros, de modo que ficasse com os dedos massageando o couro cabeludo do marido, depois deixou-o entre suas pernas, flexionando-as e encostando a lateral dos joelhos na cintura dele. Sem partir o beijo, colocou as mãos por dentro da blusa do babydoll de , sentindo o abdômen da menina enrijecer. Ele levantou lentamente a peça de roupa, partindo o beijo apenas para que arremessasse a blusa para o outro lado do quarto. , que já estava sem camisa, ficou em êxtase ao sentir as mordidas da menina em seu peitoral, enquanto suas mãos se perdiam entre os longos cabelos loiros da esposa.
(...)
Os dois estavam completamente nus e aquilo não podia ser mais confidencial. Só um sabia todos os pontos que deixavam o outro louco, uma loucura íntima, impossível de ser decifrada por qualquer outra pessoa. e respiravam ofegantes, encarando o teto da suíte de hotel.
- Vai parecer idiota se eu disser que estou com vontade de fumar? – o rapaz quebrou o silêncio, despertando gargalhadas em , que tentava amenizar o suor, passando a mão no pescoço.
- Vai parecer idiota se eu disser que estou com a mesma vontade? – retribuiu, fazendo o marido comemorar. Ambos haviam decidido parar de fumar juntos, mas manter tal vedação era quase impossível após suas relações sexuais.
- Não, deixa pra lá – ele desistiu, suspirando pesadamente e puxando , deitando a cabeça da menina em seu peito e acariciando os cabelos dela.
- Er, sério? – ela perguntou, levantando a cabeça para olhá-lo, assentiu. bufou e voltou a acomodar a cabeça no peito do rapaz e massagear sua barriga. Um silêncio breve se instalou. Ela ficou concentrada nas batidas rápidas do coração dele, e ele, tentando lembrar se algum dia havia se sentido mais completo do que naquele momento.
- Eu também amo você, muito – disse subitamente, fazendo se dar conta de que só agora retribuíra o que ela havia lhe dito algumas horas antes.
Continua...
N/A: (feita em 20/10/2011) Oi princesas x) Dessa vez nem demorou muito... E ainda veio att dupla!!! :D Espero tê-las surpreendido positivamente!
Estou vendo nos comments que quase todas têm um pé atrás com a Michelle, né? HAHAHAH POR QUE, GENTE?
E quanto aos principais? Por enquanto vocês estão do lado de quem nessa confusão toda?
Mais uma vez: MUITO obrigada pelos comentários! Não deixem de vir aqui e indicar a fic para suas amigas, ok? HAHAHAHA #merchan
Luv ya, Girls! Até breve!
Ingrid xx
June 15th (McFly - Finalizada)
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N/B: Estou do lado do Danny <3 pra variar um pouco çlaskd~çlkad
Você não pode demorar com a att, ok? OK! Me mande um e-mail ho-je asdlçkdas
Nways, gostaram da att? Comentem para deixar a autora feliz!
Qualquer erro, seja de script, português ou ambos, enviem diretamente a mim, ok? Seja por tweet ou email. Muito obrigada!
xx, Mari Lima