Por MeeLee


Prólogo


Wake Up Alone


A senhora acordou assustada com o barulho da chuva e, automaticamente, foi ao quarto da filha, checar se estava tudo bem. Todas as mães são iguais, a primeira preocupação é sempre o filho. Ao encontrar o quarto vazio, ela desceu as escadas, pensando que a filha estava na cozinha, se deparou, então, com um pedaço de papel ao lado do som, na sala.

“Mãe, ouça o CD que está no som, espero que entenda a minha decisão, te amo. .”

Com lágrimas nos olhos, a Senhora colocou o CD para tocar e ouviu os primeiros acordes de “Phanton Of The Opera“ do Iron Maiden. Talvez aquela música fosse muito exagerada para a situação, mas achou que aquela era a melhor maneira de deixar claro para sua mãe que não poderia ficar presa em casa para sempre, e que estava tomando a mesma decisão que seu pai, quem sempre gostou dessa música e as duas sempre souberam disso, ele a tocava perfeitamente.


1


Leave Before The Lights Come On


Às vezes, fico a refletir e me perguntar se vale a pena levar a vida tão a sério. Se não seria melhor me libertar das amarras que me prendem aos preconceitos e à rotina. Queria ter coragem de dar risada nas alturas, gritar sem me preocupar com o que os outros estariam pensando. Viver muitos amores, sem sentir a culpa de não ser apenas de um. Ser um pouco irresponsável. Beber até cair. Ir de encontro à consciência e deixar o inconsciente se libertar. Falar, mesmo quando a situação pedir silêncio. Chorar quando a alma quiser colocar para fora o pranto recolhido.
Não levar a vida tão a sério pode, muitas vezes, magoar outras pessoas. Foi o que o meu pai fez, ele sempre dizia: “Não leve a vida tão a sério, assim nunca se machucará.” Mas acho que ele nunca parou para pensar no que machucaria os outros. Hoje eu estou seguindo o mesmo caminho que o meu pai. Arrumei minhas malas, gravei um CD e escrevi um bilhete para minha mãe. Coloquei o CD no som e o bilhete ao lado. Peguei minhas malas, minha passagem e entrei no táxi que me esperava na frente de casa. Quatro horas da manhã, as ruas estavam escuras, chovia muito, eu estava deitada no banco de trás do carro, observando as gotas de água se chocarem contra o vidro, com a impressão de que cairiam em mim. Fiquei imaginando a reação da minha mãe ao descobrir que sua filha foi embora.

O meu pai é músico, mas minha mãe nunca gostou disso, sempre disse que música não leva ninguém a nada, então ele saiu de casa e se mudou com a banda. Eu tinha apenas sete anos, minha mãe sofreu muito, ele me mandava cartas e, sempre que podia, me ligava, mas eu nunca aceitei, nem entendi o que ele fez. Hoje eu tenho dezessete anos, faz exatamente dez anos que não vejo o meu pai e acabei de tomar a mesma decisão que ele. Não queria ter que fazer isso com a minha mãe, mas ela não me entende, não me deixa fazer o que eu quero, ela queria que eu fosse sempre a melhor aluna de todo o colégio e que eu fosse advogada. Sinceramente, eu não me vejo como uma advogada, mas ela quer acreditar que esse é o meu sonho. Esse é o sonho dela. Eu quero me dedicar à música, assim como meu pai, que agora produz bandas. Quero largar tudo e apenas curtir, viver com meu pai, acompanhá-lo em turnês. Trabalhar me divertindo.
É exatamente isso que eu estou fazendo.

Chegamos, peguei minhas malas, paguei o taxista e entrei no aeroporto. Depois de passar quinze minutos na fila do check in, meia hora esperando o meu vôo e algumas horas cochilando no avião, cheguei em Londres. Sair de casa antes do amanhecer não foi a melhor opção, mas foi a única, passei a noite em claro esperando ansiosa pela hora de viajar. Vasculhei minha bolsa atrás do endereço do meu pai, peguei um táxi e fui até lá. O prédio não era muito grande, nem luxuoso, mas era bonito e, aparentemente, confortável. O portão estava aberto e a guarita vazia, o porteiro devia ter ido ao banheiro ou algo assim. Chamei o elevador do prédio de sete andares, meu pai morava no último, o 702, toquei a campainha e um homem abriu a porta, ele tinha estatura mediana, cabelos castanhos curtos, lisos e com alguns cachos se formando na ponta, deixando-o um pouco para cima, totalmente bagunçado, parecia ter acabado de acordar.

- Pois não? – Ele falou, passando a mão pelo cabelo, bagunçando-o ainda mais. Olhei direito para ele, era impossível não reconhecer, por mais que tenha mudado.
- Sou eu pai, a . – Falei. Na mesma hora ele esboçou um sorriso no rosto, que ia de orelha a orelha, eu sorri também e o abracei.
- Meu Deus, você está enorme, da última vez que te vi, você era desse tamanho. – Ele falou, colocando as mãos na altura da coxa. Eu ri. – O que faz aqui?
- Não posso visitar o meu pai? – Falei em um tom brincalhão, ele riu. Mas logo fiquei séria ao lembrar o que estava fazendo ali. – Eu... Saí de casa!
- Você o que? Por quê? E a sua mãe? – Ele estava com uma expressão confusa e preocupada.
- Você não pensou nela quando fez a mesma coisa. – Me arrependi na mesma hora que percebi o que tinha dito. Ele abaixou a cabeça. – Desculpa pai, eu não queria dizer isso.
- Você está certa, não posso te culpar por seguir o meu exemplo. Mas por que você fez isso?
- Eu quero ficar com você pai, morar com você, viajar com você e com as bandas que você produz... – Meus olhos brilhavam.
- Filha, eu não produzo mais bandas. Eu me aposentei! – Senti um baque, era uma vez a melhor parte da minha decisão.
- Mas...
- Querido, quem é? – Senti um baque ainda mais forte. Meu coração gelou, não acreditei.
- Filha, essa é a Jean. Essa é a , minha filha – Meu pai falou, eu ainda estava paralisada com a imagem da mulher a minha frente, cabelo preto, olhos azuis, corpo bonito e, para quem aparentava trinta e alguns anos, muito bonita.
- Olá , tudo bem?
Claro que não estava tudo bem. Eu tinha saído de casa para viajar com meu pai e com bandas, apenas para curtir, e descubro que ele tem uma nova família. Simplesmente casou, se aposentou e não teve nem o bom senso de me contar. Quando pensei nisso meu sangue ferveu. Tudo bem que ele casasse, descasasse, tivesse filhos, mas que pelo menos me contasse.
- Por que não me contou? – Gritei.
- , calma! Eu ia te contar, não sabia como, eu não sabia qual seria sua reação. Você pode ficar aqui, tudo bem.
- Foi por causa dela que você largou a minha mãe? – Meu tom era mais calmo, mas eu estava profundamente irritada com o fato dele não me contar. Nunca fui uma filha chata e ciumenta, minha mãe teve até alguns namorados depois que meu pai foi embora. Mas ele devia ter me contado.
- Não, eu conheci a Jean em uma turnê. Olha, se você quiser podemos viajar juntos, ir a vários shows, não precisa ficar assim... Temos um quarto de hóspedes bem grande, você pode ficar lá. – Ele falou, me puxando para a sala. Sim, eu ainda estava no hall de entrada. Acalmei-me um pouco, não falei nada, apenas sentei no sofá e fiquei pensativa, enquanto meu pai levava minhas malas para o suposto quarto e Jean voltava da cozinha, com um copo de água. Ela estendeu a mão, eu sorri amarelo e peguei o copo.
- Obrigada! – Levantei e fui na mesma direção que meu pai tinha ido. Ele estava andando pelo quarto quando entrei. – Desculpa. Você poderia ter me contado pelo menos.
- Tudo bem minha filha! – Ele falou, se dirigindo a porta do quarto. – Fique a vontade, o banheiro é aqui. – Ele apontou para uma porta em frente ao quarto. – Você deve estar com fome, vou preparar alguma coisa para você.

Ele saiu do quarto, sentei-me na cama e fiquei pensativa por alguns minutos, até que o meu estômago roncou. Meu pai estava certo, eu estava morrendo de fome, não comi nada desde a noite passada, além do amendoim no avião. Também precisava de um banho. Peguei umas roupas na mochila e fui para o banheiro. Jean havia colocado uma toalha lá para mim. Tomei um banho quente, demorado e relaxante, saí do banheiro me sentindo um pouco melhor. Fui para a cozinha, meu pai havia preparado panquecas. Eu lembro bem de suas panquecas, quando eu era pequena ele sempre fazia, cada dia com um recheio diferente, parecia um cientista louco fazendo experiências. Por incrível que pareça, a maioria dava certo, ficavam muito boas e continuam assim. Nós comemos as panquecas, meu pai e eu fomos assistir televisão e Jean estava lavando os pratos. Estava passando Fórmula 1, nós assistíamos as corridas quando eu era pequena, meu pai adora carros. Quando a corrida acabou, eu fui para o quarto, fechei todas as cortinas, por causa da claridade, e deitei. A viajem havia me cansado bastante, não exatamente a viajem, mas as horas que a antecederam. Acordei, no dia seguinte, sentindo cheiro de café da manhã. Fui à cozinha, meu pai e Jean estavam tomando café. Podiam me esperar, não é?! Dez horas da manhã e eu reclamando porque não me esperaram para o café!

- Bom dia! – Sorri, sentando à mesa.
- Bom dia filha, um amigo meu vem almoçar aqui hoje, achei que precisava te avisar. – Meu pai falou.
- Uhum – Concordei, pensando ter atrapalhado a rotina do meu pai com essa chegada repentina.
- Ah, você precisa estudar. Vou matricular você em um colégio que tem aqui perto, parece bom.
Verdade! O colégio... Eu nem me lembrava desse detalhe. Eu estou no último ano mesmo.

Depois de tomar café da manhã, tomei um banho. Fui para a sala, peguei o violão do meu pai e fiquei dedilhando algumas coisas, nunca soube tocar muito bem, mas sempre idolatrei meu pai, ele toca muito. Ele sentou do meu lado, no sofá, e me ensinou um dos riffs de Phanton Of The Opera, a música que eu gravei para minha mãe, meus olhos lacrimejaram, mas eu consegui evitar, estava com meu pai, e minha mãe ficaria bem. Mas essa música é muito difícil, muito rápida, então meu pai começou a me ensinar Stairway to Heaven e essa música é boa para quem está começando a tocar, por ser bem completa. Quando comecei a conseguir fazer um solo quase decente, cansei de tentar e fui para a cozinha ajudar Jean com o almoço. Frutos do mar. Terminamos e nos sentamos para esperar o tal amigo do meu pai. A campainha tocou. Um cara, que aparentava ter a mesma idade que o meu pai, entrou e cumprimentou todos nós.

- Lembra do Fletch? – Meu pai perguntou quando o homem veio me cumprimentar. Fletch... Fletch... Acho que não!
- Essa é a ? – Fletch perguntou surpreso. Eu sorri, meio sem graça. – Você está enorme! – Ele bagunçou meu cabelo. Meu pai já me disse isso. Olha que eu nem sou alta! Continuei sorrindo, sem entender nada. Afinal, quem é esse Fletch?
- Como você não se lembra do Fletch, ele te viu crescer! – Ah sim. Crescer até quanto? Cinco ou sete anos? – Você já aprontou tanto com o Fletch e não se lembra dele? – Meu pai perguntou e Fletch riu. Eu continuava com cara de interrogação. – Somos amigos de infância. Ele morou muito tempo em Bristol e se mudou para cá quando você tinha seis anos, um ano depois eu vim para cá e passei um tempo na casa dele.
- Eu tinha seis anos? Não ia lembrar nunca! – Falei.
- Você quebrou todos os pratos do Fletch, se pendurando no armário da casa dele. Pensei que você fosse lembrar! – Meu pai falou rindo. Eu me lembro desse dia, eu tinha cinco anos, não tive um arranhão.
- Então foi na casa dele? – Perguntei rindo. – Eu lembro! Como eu ia esquecer isso?!
- Sabia que você ia lembrar-se disso! – Fletch falou, rindo também. – Nós ficamos doidos achando que tinha acontecido alguma coisa com você, você saiu correndo e se escondeu.
- É, só te achamos meia hora depois, na casa do cachorro! – Meu pai falou e desatamos a rir. Jean apenas ouvia a conversa e ria.
- Vamos almoçar? – Ela perguntou.

Sentamos à mesa e nos servimos, ainda conversávamos sobre as coisas que eu aprontava quando era pequena, na maioria das vezes com o Drew, meu melhor amigo desde que eu tinha dois anos e minha mãe me deixava brincar com ele, ele era meu vizinho, mas se mudou quando eu tinha seis anos, o que não fez tanta diferença na nossa amizade, já que estudávamos na mesma escola. Drew é dois anos mais velho que eu e é meu amigo até hoje, um dos melhores, ele era o único que sabia que eu viria para Londres. Descobri que só dava prejuízo ao Fletch e ao meu pai. Fletch morava na mesma rua que a gente, eu quebrei a janela da casa dele quando o Drew estava me ensinando a jogar baseball. Nunca aprendi, é muito complicado. Descobri também que já desci a escada da casa dele rolando. Foi uma das quedas mais feias que já tomei, mas, mesmo assim, não aconteceu nada comigo, além de alguns arranhões e marcas roxas. Vaso ruim não quebra! E o melhor de tudo, descobri que o Fletch é empresário musical também!

- A banda que o Fletch está produzindo gravou um CD a pouco tempo. Ah... Como é o nome da banda mesmo? – Meu pai perguntou.
- McFly. Nós vamos sair em turnê amanhã, para divulgar o disco. – Fletch respondeu. Cara, que inveja.
- Legal, sempre quis viajar com bandas, vou ser produtora também! – Sim, eu estou quase me oferecendo para ir junto.
- Se seu pai deixar, você pode ir, tem alguns lugares vazios no ônibus... – Dei o meu melhor sorriso comovente para meu pai.
- Vocês vão ficar quanto tempo? – Meu pai perguntou.
- Talvez voltemos na terça. Uns dez dias. – Dez dias, eu tenho o sábado todo para arrumar minha mochila tamanho família.
- Mas a tem aula!
- Pai, eu posso faltar alguns dias, não tem nada demais, já estamos no meio do ano e eu nem estou matriculada ainda. – Insisti.
- Tudo bem! – Meu pai sorriu. Cara, eu tenho o melhor pai do mundo e não sabia!
- Viajamos amanhã de manhã, passamos por Oxford, Liverpool, Manchester, Sheffield, Bradford e voltamos para Londres.

Cinco cidades em dez dias. Perfeito!

Ficamos conversando mais um tempo e acertando todos os detalhes da viagem, Fletch iria me buscar em casa às dez horas da manhã, no ônibus, além dos quatro membros da banda, Fletch e eu, teriam mais três meninas. Arrumei minhas coisas e fui dormir, nem tive tempo de desfazer minhas malas depois que cheguei na casa do meu pai e já tive que arrumar outra, meu quarto ficou uma bagunça, roupas em todos os lados. Minha mãe sempre reclamou que quando eu tirava alguma coisa do lugar, eu nunca me incomodava em colocá-la de volta. Quando eu fui arrumar minha mochila, eu joguei pelo quarto tudo que estava na mala, peguei o que queria e larguei o resto lá, com a desculpa de que eu tinha que dormir bem, para acordar cedo e poder viajar tranqüila. Mas a minha ansiedade sempre atrapalha tudo. Tomei um calmante. Pois é, eu ando com calmante na bolsa, para situações como essa, em que eu preciso dormir e não consigo. Finalmente consegui pregar os olhos, dormi profundamente, mas como a ansiedade é muito grande, sonhei com a viagem, com os quatro garotos. Sempre que eu sonho com alguém que não conheço, o rosto dessa pessoa fica embaçado. Será que com todo mundo é assim?


2


Welcome To The Jungle


Acordei com a sensação de que estava atrasada, sempre acontece isso. Olhei no relógio em cima do criado-mudo, oito horas e vinte minutos, fechei os olhos, respirei fundo, em uma tentativa de relaxar um pouco e agradeci mentalmente por acordar tão cedo. Para mim, pelo menos, é cedo. Segunda-feira, dia de trabalho para os seres humanos normais e dia de farra para mim, eu acho. Levantei, tomei banho e fui para a cozinha, o café estava pronto, Jean estava na cozinha, terminando de preparar waffles, meu pai devia estar dormindo. Tomamos café juntas, ela não é tão ruim quanto eu pensei, afinal, ela era quase igual a mim, saindo em turnê com a banda dos amigos. Nove horas e trinta minutos, conferi minhas coisas pela milésima vez. Ahá, sabia! Esqueci os óculos. Corri até o quarto e peguei meu wayfarer, que estava no closet, onde eu tinha deixado algumas coisas. Espero que esteja tudo certo agora. Meu pai estava no sofá, sentei-me ao lado dele, fiquei balançando as pernas freneticamente. Ouvi um barulho estridente.

- Alô – Atendi o telefone, ouvi o barulho de novo.
- , foi o interfone – Jean falou rindo, eu ri também.
- Eu sabia! – Ela riu mais ainda e eu corri para atender ao interfone. – Pois não?
- O senhor Fletch está aqui! – O porteiro falou.
- Ok. Avisa que eu estou descendo... – Desliguei, me despedi do meu pai, da Jean e desci o elevador. Fletch estava sentado em um sofá, no play do prédio. – Vamos? – Ele levantou e foi em direção a um ônibus prata, na frente do prédio.
Eu o segui. Entramos no ônibus, onde tinham três meninas e quatro meninos sentados.

- Esses são , , e . – Ele apontava para cada um dos meninos, que acenavam com a cabeça conforme Fletch falava seus nomes. – E essas são Brooke, Ashley e Brittany. Galera, essa é a .
- Oi! – Falei sorrindo. Todos responderam. Sentei ao lado de Brooke. Ashley e Brittany estavam sentadas na nossa frente. e atrás, e do nosso lado e Fletch na frente deles.
- Então você é filha do produtor . – Brooke, uma menina de cabelos loiros e olhos claros, falou animada. – Como é ser filha de um produtor?
- Não sei. – Pela cara que ela fez, ela não entendeu a minha resposta. Melhor assim.
Não conversamos muito. Estava tocando The Who.
- Você já conhecia o McFly? – Brooke quebrou o silêncio de muito tempo, eu estava quase dormindo.
- Não.
- E o Busted?
- Também não. – Ela quer conversar!
- Eles vão estar no hotel. Você vai ficar no meu quarto, com a Brittany e a Ashley.
- Quatro pessoas em um quarto? – Arregalei os olhos e ri.
- Os quartos são grandes, os meninos se dividirão em dois, Fletch fica sozinho.
- Por que os meninos se dividem em dois e a gente em um? – Que injusto!
- Porque a turnê é deles. – Ops! Entendi. Vou ficar quieta agora! – Mas ainda tem os garotos do Busted, são três, cada um em um quarto. Ashley, provavelmente, vai para o quarto do James e Brittany para o quarto do .
- São namorados?
- Não, são groupies. – Ah tá. – Ou seja, somos apenas duas.
- E quem vai dividir o quarto com o ?
- Acho que o , mas ele se vira.
- Você não fica com nenhum dos meninos?
- Se eu sou uma groupie? – Ela deu ênfase na última palavra. – Não! Nem eu, nem a .
- Que bom! – Ficamos conversando mais um tempo sobre os quartos, os garotos, as groupies, os shows, etc.

Chegamos em Oxford. Essa coisa das bandas se encontrarem no hotel é a maior loucura, o hotel estava cheio de gente, os meninos do McFly cumprimentaram quase a metade, Brooke falou com metade das pessoas e fomos para os quartos, eram todos no mesmo andar, o 601 era o meu e das meninas; o 602, ao lado do meu, era o de e ; o 603, ao lado do 602, o de algum dos meninos do Busted; o 604, em frente ao meu, o de e ; o 605 e 606 dos outros dois meninos do Busted. Colocamos nossas coisas no quarto e descemos para o salão de entrada do hotel, Brooke me arrastou, dizendo que eu precisava conhecer as pessoas. Quando saímos do quarto, ela me apresentou James, Matt e Charlie, do Busted. Descemos, ela me apresentou mais algumas pessoas de outras bandas e outras meninas.

- , essa é a . , essa é – Ela já está até me chamando pelo apelido.
Eu acho que conheço essa de algum lugar.
- Olá – Ela falou sorrindo e estendeu a mão, eu fiz o mesmo. – Você é de Londres?
- Não. Sou de Bristol! – Acho que ela também me conhece de algum lugar. – Mas estou morando em Londres.
- Eu também sou de Bristol – Bingo. Acho que ela estudou no mesmo colégio que eu. Conversamos, eu estava certa, estudávamos no mesmo colégio, só que ela é um ano mais nova, e outra, ela namorou o Drew. Brooke me apresentou mais alguns amigos, estava no sétimo andar, com algumas meninas e outros caras de bandas. Fomos almoçar juntas.

Na mesa estavam , , Ashley e Fletch. Eu, e Brooke nos juntamos a eles. Ashley estava fazendo de tudo para chamar a atenção de , Brooke morria de rir dela, nem olhava para ela, eu e estávamos conversando animadas. Percebi que estava olhando em nossa direção, olhei para trás, procurando algo que tivesse chamado a atenção dele, nada de interessante, olhei para ele de novo e ele desviou o olhar, ele estava olhando para mim! Pois é, na maior cara de pau, quer dizer, ele até ficou sem graça quando viu que eu percebi, mas continua sendo cara de pau, o que ele está achando? Que eu sou uma groupie? Que eu vou dar para ele, que nem a Brittany? Ele ficou me olhando por um bom tempo, até que eu resolvi encará-lo, olhei nos olhos dele, minha idéia era deixá-lo sem graça, mas ele continuou olhando, não moveu um músculo! Eu também não! Até que a Brooke cutucou o meu braço e desviou o olhar.
- O que foi? – Perguntei baixo.
- Você estava olhando para o ? – Ela perguntou no mesmo tom e riu.
- Não, por quê? – Nem sempre eu sou ruim assim para disfarçar as coisas, depende do meu humor, agora eu estou confusa.
- Ah claro, e eu sou cega. Cara, você viu como ele te olhou? – Ela perguntou e olhou para a gente.
- Pensei que você não gostasse dessa coisa de groupie! – Arqueei uma sobrancelha.
- E não gosto, mas você viu como ele te olhou? – Ela repetiu. Eu vi porra!
- Cala a boca Brooke, ele tem a Brittany. – falou, eu bufei.

Terminamos de almoçar, quer dizer, e Brooke terminaram, eu me distraí demais com meus pensamentos e esqueci da comida, nem estava com fome mesmo! Fomos para o quarto, aquele monte de gente estava me estressando. Depois de um bom tempo conversando, Ashley e Brittany entraram no quarto falando alto. Educadas! Elas sentaram com a gente e começaram a puxar assunto, não ignorei, elas são groupies, mas estão no mesmo quarto que eu, o que eu menos preciso agora é de inimigos. Ashley comparava os cabelos dos meninos do McFly e do Busted, eu ri. Ouvimos umas batidas na porta.

- Quem é?
Perguntei nas mesma hora em que a Brittany falou:
- Entra!
Fletch abriu a porta.
- Meninas, vamos fazer uma reunião no meu quarto para rever o repertório e os preparativos para o show de hoje, se quiserem ir... Só não atrapalhem.

Todas nós levantamos e seguimos Fletch para o quarto dele, e estavam em um sofá, em uma poltrona ao lado do sofá e jogado na cama. Tinha outro sofá maior, estava vazio, Ashley sentou no sofá onde e estavam, ainda tentando chamar a atenção de , Brittany sentou no colo de , eu, Brooke, e Fletch sentamos no outro sofá. Os meninos discutiam alguma coisa sobre o repertório, Britt mexia no cabelo de , eu estava tirando fotos de , fingindo que prestava atenção, se segurando para não dormir; de Ash quase babando no ombro de e de e Brooke brincando de cama de gato, com um elástico que estava no meu cabelo. Brooke roubou a câmera da minha mão e começou a ver as fotos com , rachando de rir da babação de Ash e da cara de tédio de , ri junto com elas e, ao passar os olhos pelo quarto procurando outra situação constrangedora que precisava ser registrada, encontrei os olhos de sobre mim. Isso está começando a me incomodar. Cara, ele estava com a Britt no colo, a garota toda feliz brincando com o cabelo dele e ele olhando para mim, achando que eu me importo com ele. Tudo bem que ele é hot, mas eu não sou nenhuma groupie que sai dando para qualquer um que está começando a fazer sucesso. Levantei, dizendo às meninas que estava entediada demais ali e saí do quarto, nenhuma delas veio atrás, ainda bem, entrei no meu quarto e acabei adormecendo na primeira cama que vi pelo caminho. Acordei com a Brooke gritando e batendo com o travesseiro em mim. Bela maneira de acordar uma pessoa.

- Caralho Brooke!
- Boa noite para você também ! – Ela riu. Como assim noite? Era tarde nesse instante. – está quase na hora do show, vai se arrumar.
- Já? Que horas são? – Levantei.
- Sete horas e vinte minutos, o show começa as oito horas, anda. – Ela continuou batendo o travesseiro em mim.
- Estou indo, estou indo! – Corri para o banheiro.

Tomei um banho rápido e vesti a primeira calça jeans que tirei da mochila, com uma blusa verde com letras rosa. Brooke estava usando uma saia jeans escura e uma blusa branca. Calçamos nossos All Stars e saímos do quarto, Fletch nos esperava no ônibus, junto com o resto do pessoal. Os caras do Busted estavam no ônibus também, afinal, eram apenas três. estava esperando a gente na porta do hotel e entramos no ônibus juntas. Sentamos nas últimas cadeiras. Eu e Brooke sentamos juntas e ao nosso lado, junto com James, o ônibus estava meio vazio. Quatorze pessoas incluindo o Pete, motorista. Ah sim, o nome do ônibus é Ringo. Deve ser uma homenagem ao Beatle baterista. Fomos cantando Blink 182, acompanhando o CD que tocava e tirando fotos. Eu sempre carregava minha câmera, além das oito pilhas reserva. Tom também carrega a câmera o tempo todo, qualquer coisa que aconteça com a minha, eu roubo a dele. Chegamos.


3


Rock Show


Na entrada do camarim, Fletch nos entregou os crachás. Encontramos todas aquelas pessoas que estavam no hotel à tarde. McFly era a última banda das quatro que iriam tocar, ficamos no camarim conversando e saíamos quando tocava alguma banda legal, logo foi a vez do Busted, todos fomos para um espaço do lado do palco, atrás de um monte de amplificadores e cortinas, acabou e nós voltamos. Tocou a terceira banda, enquanto os meninos testavam seus instrumentos. Chegou a vez do McFly.

Subiram no palco e estavam meio nervosos, as meninas, Fletch e eu ficamos ao lado do palco, como no show do Busted. Cara, eles são muito bons. As meninas estavam bem agitadas ao meu lado, cantando todas as músicas. Eu preciso aprender as letras. olhava para a gente e sorria o tempo todo, eu estava séria, apesar de estar curtindo, mas esse olhar dele me incomoda. Ele olhava para todas as meninas e parava em mim, me olhava de cima à baixo, sorria e voltava a olhar para o público. Começaram a cantar a segunda música, que eu não sei nem o nome, nem a letra, diferente das outras que ainda berravam, sentei no chão, as meninas me olharam estranho, mas eu continuei lá. também me olhou estranho, porra, qual o problema de sentar no chão atrás dos amplificadores? Povo chato. Continuei sentada, observando a “presença de palco” de , quer dizer, do McFly. A voz do é muito linda, quase chorei quando foi a vez dele de cantar, em uma música lenta, que eu ainda não sei o nome, vou roubar o repertório do pé deles! O show acabou, todas fomos para o camarim. Não, eu não roubei o repertório, acho que é mais fácil pedir ao Fletch depois, ou perguntar aos meninos.

- Então, para onde vamos agora? – perguntou, se jogando no sofá do camarim.
- Para o hotel dormir, amanhã vamos sair cedo. – Fletch o repreendeu.
- Para quê sair cedo? O show em Liverpool é só depois de amanhã. – retrucou.
- Amanhã a gente resolve, mas vamos voltar para o hotel que eu preciso dormir. – Fletch falou.
- Tem um pub perto do hotel, a gente pode ir lá. – sugeriu.
- Quem vai? – Brooke perguntou.
levantou a mão, falando “eu”, logo , Brittany e Ashley fizeram o mesmo.
- Eu também preciso dormir. – explicou.
- E você ? – Brooke perguntou.
- Eu vou.
Na mesma hora falou:
- Eu também vou, onde estão James, Matt e Charlie?
Se não fosse loucura, eu diria que ele estava esperando a minha resposta para tomar sua decisão.
- Eles foram para o meio da platéia. – Respondi.
- Me ajuda a procurá-los? – me perguntou.
- Er...
- Isso. Vai ajudar o que nós vamos arrumar tudo aqui e levar para o Ringo, eu quero voltar para o hotel logo. – Fletch me cortou, praticamente me empurrando para fora do camarim. É... Fazer o que?! Saí do camarim, sendo seguida por , que não dizia uma palavra. Estávamos no meio de zilhões de pessoas, algumas meninas o paravam, perguntando se ele não era o cara do McFly, o perdi de vista várias vezes por causa disso. Depois de despachar mais uma fã assanhada, continuamos nossa jornada em busca do Busted. "Onde esses meninos se meteram?" Senti alguém segurar minha mão, olhei para trás e vi com um sorriso nos lábios.
- Assim a gente não se perde. – Ele respondeu a minha pergunta, a qual nem precisou ser feita. Eu ia largar a mão dele e ignorá-lo, mas ele estava certo. Com aquela galera toda ali, não seria difícil me perder.

Voltei a andar, olhando para todos os lados, a procura de três seres idiotas. Depois de muito rodar com segurando minha mão, nada de James, Matt ou Charlie. Chegamos perto do bar, para podermos parar um pouco para descansar, se aproximou de mim, como se quisesse falar algo. Na mesma hora vi um ser de cabelo esquisito.

- James! – Gritei. Ele olhou para trás assustado e eu sorri, levantando um dos braços e acenando para ele, minha outra mão ainda estava sendo segurada por . Por que mesmo? Tudo bem que ainda tinha bastante gente a nossa volta, mas acho que não nos perderíamos ali.
- Hey – Ele veio até nós. Sorriu quando olhou minha mão, com a de . Soltei na mesma hora.
- Eu... É...
- Estávamos te procurando. Onde estão Matt e Charlie? – me interrompeu.
- Estão ali, bebendo alguma coisa. Vamos lá?

- O Fletch quer voltar para o hotel, nós vamos para um pub agora, do lado do hotel, não quer ir? – Perguntei.
- Pode ser, vou chamar os meninos. – James sumiu no meio da multidão. Segundos depois, voltou com os outros dois garotos.
voltou a segurar minha mão e fomos tentando achar o caminho de volta, o lugar era grande. Quando chegamos ao camarim, Fletch estava na porta, nos esperando.
- Só estávamos esperando vocês, por que demoraram tanto? – Ele perguntou.
- Pergunta para eles por que eles inventaram de sumir. – apontou para os três meninos.

- Vamos? – Perguntei, tentando evitar uma discussão, que, pelo olhar de James, estava prestes a acontecer.

Todos concordaram e fomos para o Ringo. estava dormindo em duas poltronas, eu não podia deixar de registrar aquele momento. Bati umas seis fotos e ouvi um “anda” atrás de mim. Fletch, como sempre, sentou na primeira cadeira do lado oposto ao motorista, do outro lado, atrás do motorista, estavam Ashley e Brittany, atrás delas, e , depois , atrás, Brooke e . Do outro lado, atrás de Fletch, James se jogou, ficando com as duas poltronas para ele. Atrás de mim, estavam Matt, Charlie e , pedindo para eu andar logo por que queriam sentar. Andei mais um pouco e sentei em uma, onde, do outro lado estavam e Brooke. Matt e Charlie sentaram atrás de James e atrás de mim, na última fileira. Eu, como sempre, estava tirando fotos de cenas cômicas, como Fletch dormindo no banco, igual ao , e James com cara de retardado olhando os postes passarem pela janela.

Tirei algumas de e Brookie ou e conversando - gosto de fotos espontâneas. Depois de ter andado por todo o ônibus em movimento, eu ajoelhei na minha poltrona, virada para trás e tirei a foto de , não sei por que, ele não estava engraçado, nem fazendo nada de interessante, apenas com a cabeça encostada no vidro e olhando para mim, mas eu queria tirar, pelo menos, uma foto dele. Ele sorriu e eu fiz o mesmo. Virei para frente, tirei uma foto de Charlie e Matt cutucando James. Ajeitei-me na poltrona, sentando direito e comecei a ver as fotos, rindo e parando para analisar algumas, ri da foto que tinha acabado de tirar, passei, vi a foto de , estava linda, fiquei analisando por um tempo, passei, contando alguma coisa com a maior cara de empolgação e Brookie com cara de tédio, dando um sorrisinho forçado, eu ri. Ouvi uma risada atrás de mim, estava apoiado com o queixo na minha poltrona, eu tentei rir, será que ele viu quando eu estava olhando a foto dele? Pela cara dele, sim. Caralho!

- Adorei essa! – Ele falou, eu sorri, tentei.
- Gostei mais dessa! – Coloquei a anterior, de Matt, Charlie e James. pegou a câmera da minha mão, mas continuou segurando-a na minha frente, para que eu pudesse ver com ele. sorriu ao ver a foto dele. – Eu gostei dessa também!
- Eu também, gosto de fotos espontâneas. – Ele passou rápido as que já tínhamos visto, ri ao ver a foto de James com cara de retardado, depois babando, dando um pedala em , Fletch dormindo. rachou de rir. – Cara, se o Fletch ver isso, ele fica doido!
- Ele não precisa ver! – O ônibus parou, vi a placa com o nome do hotel pela janela. – Chegamos.

Levantei e entrei na fila que se formou dentro do ônibus, finalmente saímos. Fletch demorou um pouco para acordar, deixaram o pobre do no ônibus, eu até tentei acordá-lo, mas os meninos me arrastaram ônibus afora. Fletch entrou no hotel, com a ajuda do Pete. Brooke, , Ash, Britt, James, Matt, Charlie, , , e eu, fomos direto para o pub.

- Vocês não acham malvadeza demais deixar o dormindo no Ringo? – Perguntei.
- Eu acho, coitado, vai acordar todo acabado! – falou. Pelo menos alguém tem uma alma boa aqui! – Mas deixa ele lá! – Olha a alma boa da criança.
- Ninguém manda ele ficar dormindo em qualquer lugar! – falou.
- Hey, não fala assim do Ringo! – defendeu o ônibus, o ÔNIBUS. Cara, ninguém merece. deu um pedala nele.
- O já aprontou muito com a gente, digamos que isso foi... Uma troca de favores. – falou, com ar de superioridade.
- Ainda acho muita sacanagem. – Falei em frente a entrada do pub.
- Ah, esquece o ! – falou enquanto entrávamos.

Não tinha fila, claro, a essa hora, duas horas da manhã e ahn... É... Onze pessoas chegando em um pub, óbvio que não tem fila. Entramos, não estava tão vazio quanto eu imaginava, mas também não estava cheio, tocava uma música do Skazy, logo achamos uma mesa vazia e sentamos. Acho que eu não vim para um pub para ficar sentada em uma mesa, sem nem ao menos conversar por causa do volume da música, o que torna impossível um diálogo entre mais de três pessoas. Chamei e Brooke para dançar, as duas me acompanharam, eu fui direto ao balcão pegar uma cerveja e fui dançar com as meninas, logo Ashley e Brittany estavam dançando com a gente, eu senti o olhar dos meninos sobre nós, não resisti, eu tive que ir lá chamá-los.

- Vocês não vão dançar meninos? – Gritei ao me aproximar da mesa.
- Não, melhor não. – Matt falou, os outros riram.
- Ah, vamos! – Insisti. levantou. Pelo menos um!
- Você vai dançar? – perguntou, sem acreditar.
- Não, vou pegar alguma bebida. – Ele saiu. Porra, eu pensei que tinha conseguido convencer um.
- Vamos dançar, vamos! – Puxei James e , eles levantaram, os segurei pelo braço, um de cada lado e olhei para trás. – Vocês também. – riu e levantou.

Levei os três para a pista, junto com as meninas. Cada um dançava sozinho, do seu jeito, que, por sinal, o de era muito engraçado. disfarçou e se aproximou de devagar, começaram a dançar juntos. James estava dançando (lê-se, se comendo) com Ashley, enquanto eu, Brooke, Britt e dançávamos individualmente. Começou a tocar uma música da Britney Spears, daquelas que parecem trilha sonora de filme pornô, não que eu já tenha visto um, na verdade, nem sei se filme pornô tem trilha sonora, mas enfim, começou a fazer uma dança engraçada, segundo ele, sensual. "Zúper zégzi , se joga bee!" Ok, parei. Vi vindo na nossa direção, ele estava voltando do bar, indo para a mesa. Eu ainda não tinha desistido, ele ia dançar. Aproveitei que Brittany estava entretida demais com o - puta - e fui na direção de , que ainda estava perto do bar, um pouco afastado das meninas.

Parei na frente de e comecei a dançar de forma provocante, muito perto dele. Ele ficou parado, provavelmente sem saber o que fazer. Não deve ser fácil apra um cara ter, do nada, uma menina rebolando na sua frente. Há! Mas o não é idiota assim, ele colocou a mão na minha cintura, a outra estava com a bebida, eu peguei a bebida, bebi até a metade – eu sou fraca para bebida – e continuei dançando, aquela coisa com álcool me inspirou. Eu estava dançando cada vez mais provocante. Mas eu consegui, ele estava dançando. E se aproximando. Sorri. Entreguei-lhe a bebida e voltei para perto das meninas, que, para minha sorte, pareciam não ter visto nada. Na verdade, minha única preocupação era a Brittany, vai que ela resolve arrancar meus cabelos?! Briga de mulher é assim né, puxada de cabelo, unhada, dedo no olho. Eu já dei um soco em uma menina na quarta série, mas acho que não lembro como o fiz. Comecei a dançar com o , rindo dos meus pensamentos, e da dança dele, cara, o é hilário. tinha voltado para a mesa, ele parecia irritado, acho que ele não gostou da brincadeira.

Ficamos dançando até quatro e meia da manhã, se Charlie não tivesse dormido na mesa, bêbado, nós teríamos ficado lá até meio-dia, e olhe lá. Voltamos para o hotel trocando passos, todos bêbados, Charlie estava desmaiado nos ombros de James e , e cantavam “I Feel Good” abraçados, eu, Brookie e não parávamos de rir, Brittany e Ashley tinham voltado para o hotel uma hora antes, com Matt. Entramos no hotel cambaleando, eu e as meninas fomos direto para o quarto, acenando com as mãos para os meninos, que foram deixar Charlie no quarto. não estava em condições de ir para o quarto dela sozinha, dormiria no elevador do sexto para o sétimo andar, o que eu não duvido muito, já que, quando eu deitei na cama, ela se jogou/caiu em cima de mim e apagou na mesma hora. Eu tive que empurrá-la para o lado e me encolher no canto da cama, não estava muito diferente dela, na mesma hora que virei para o lado, dormi.

Acordei quase em cima de , olhei para o relógio em cima do criado-mudo, uma hora da tarde, cedo né? Sacudi a até ela acordar, depois fiz o mesmo com a Brooke, que estava na cama ao lado. Depois de acordarem e me xingarem até o último fio de cabelo, resolvemos sair para tomar café, digo, almoçar, até para o almoço a gente já estava atrasada. O Fletch vai pirar.

- Como é que vocês acordam a essa hora, desse jeito? – Fletch perguntou, estava bastante estressado. Eu e as meninas encontramos com ele no corredor, ele nos arrastou até o quarto dos meninos e os acordou, depois começou a dar sermão. – Porra, vocês estão em turnê, nós íamos viajar pela manhã, mas o único ser que me apareceu foi a Ashley, perguntando se eu tinha aspirina.
- Fletch, calma! O show é amanhã, nós podemos viajar agora pela tarde, não vai fazer diferença – falou.
- Claro que vai, e a nossa reserva no hotel? É cancelada quando não aparecemos! – Fletch estava realmente irritado.
- Liga para lá. – falou e concordou.
É, diz que aconteceu um imprevisto e só vamos chegar à tarde.
- Vocês não entendem mesmo. Como querem ter sucesso se não têm responsabilidade? – Fletch ficou indignado com a cara de pau dos meninos.
- Fletch, a gente não fez por mal, só queríamos nos divertir, a gente não vai fazer de novo, prometo que vamos ser mais responsáveis, mas, por favor, vamos descer, eu estou morrendo de fome! – implorou.
- Ok. Cadê o ? – Fletch perguntou. Todos nós seguramos o riso.
- Er... Nós vamos procurá-lo. – Falei, puxando as meninas na direção da porta.

Vi a porta ser aberta com certa força que a fez bater na parede. Ainda bem que eu ainda estava um pouco afastada, só deu para sentir o vento batendo em mim quando a porta passou. estava visivelmente puto, tentei achar outra palavra que descrevesse a expressão dele, mas essa foi a única que eu achei, puto, só faltava soltar fumaça pelo nariz. Ele olhou para todos nós de uma forma assustadora e, finalmente, falou... Er, gritou:

- Vocês são uns belos de uns filhos da puta!
- Hey, calma – Falei me afastando, sinceramente, eu estava com medo do , que me olhou da mesma forma como olhou para os meninos alguns segundos atrás – Olha, eu não tive culpa, juro.
- Foi só uma brincadeira, ! – Brooke falou, forçando um sorrisinho.
- Mas o que está acontecendo? – Fletch berrou.
- Calma vocês dois! – falou. – Nós só fizemos uma brincadeira com o .
- Brincadeira? Vocês me deixam dormir sentado em uma poltrona desconfortável de um ônibus, me fazem acordar tarde, fodido, com dor nas costas e ainda chamam isso de brincadeira? Grandes amigos vocês são.
- Vocês o quê? – Lá vem mais um discurso do Fletch – Vocês não têm noção? Imagina se o fica sem poder tocar? O que vocês iriam fazer? Quantas vezes eu preciso dizer que vocês estão em turnê? Vocês acordam uma hora da tarde, de ressaca e ainda fazem uma brincadeira idiota e infantil dessas? Ainda dizem que vão ser responsáveis. Toda vez que a gente viaja, vocês fazem uma besteira, mas essa turnê é importante, lembre, vocês acabaram de lançar um CD, comecem a levar isso mais a sério, não são mais uma banda de garagem! – Ele respirou fundo e continuou a falar com o tom de voz mais calmo. – Quero todos no restaurante, arrumem suas coisas, assim que terminarmos de almoçar seguimos o nosso caminho. – Ele se dirigiu a porta. – , você vai com a gente, uma tal de Sally deixou suas coisas comigo e me pediu para levá-la, caso te achasse. – Fletch saiu do quarto.

Eu e Brooke fomos para o quarto arrumar nossas coisas, Ash e Britt estavam arrumando as malas delas, depois de tudo arrumado, fomos ao quarto dos meninos para saber se estavam prontos, todos nós descemos e fomos para o restaurante do hotel, almoçamos em silêncio, ninguém ousou pronunciar uma palavra. Depois de longos minutos ouvindo o tilintar dos talheres nos pratos, fomos para o ônibus. Ash e Britt sentaram na segunda fileira, do lado direito do ônibus, deixando a primeira vazia, atrás do motorista. atrás delas, depois e atrás dele, e Brooke. Do lado esquerdo estava Fletch, atrás dele tinha uma cadeira vazia, depois , atrás, , e eu, que estava na última fileira do nosso pequeno Ringo.

O clima no ônibus estava meio tenso, sem conversas, músicas ou fotos, sim, porque eu não tinha coragem (lê-se, cara de pau) para tirar fotos da galera com a maior cara emburrada. Peguei meu iPod na bolsa e liguei, colocando os fones de ouvido, como sempre, estava em ordem aleatória e começou a tocar “You Talk Way Too Much” do Strokes, sorri, as músicas sempre aparecem na hora certa. As meninas do meu lado fizeram o mesmo, colocaram os fones no iPod da Brooke e, pelo visto, a música era animada, pois eram as únicas que estavam se divertindo ali. Pelo visto a viagem seria longa, ainda mais com aquele tédio, deitei na poltrona, com a cabeça encostada na janela, olhando cada detalhe da estrada.


4


Stop Making The Eyes At Me…


Chegamos no hotel em Manchester, não tinha tanta gente como em Oxford, talvez a galera estivesse descansando depois da viagem, o que era exatamente o que eu precisava. Todos nós fomos a recepção para que Fletch pudesse resolver o pequeno incidente. foi procurar as meninas com quem ela estava viajando. Depois de alguns minutos conversando com o recepcionista feio, gordo e com cara de mau, Fletch virou para trás e chamou nossa atenção, estávamos conversando, sem nem prestar atenção no que ele falava com o recepcionista. Quando, finalmente, conseguiu fazer com que calássemos as bocas, Fletch falou que tinha reservado cinco quartos, mas, graças a “responsabilidade” dos meninos – só dos meninos –, sobraram apenas três, ou seja, os meninos teriam que ficar juntos, coitados! Na verdade, achei muito bem feito, eu e as meninas nos apertávamos em um quarto, enquanto eles ficavam com dois, injusto, estamos em quantidades iguais, temos que ter direitos iguais. Parei. Sem falar que, com os quatro no quarto, nada de Brittany e dormindo juntos. Ok, agora eu parei.

Pegamos nossas coisas e subimos. Cada andar tem quatro quartos, o Fletch reservou cinco, ou seja, um seria em um andar diferente, oh. Fletch ficou em um quarto no quinto andar, e nós (meninas e McGuys) ficamos no sexto, no mesmo andar onde estavam e suas amigas, quatro meninas, divididas em dois quartos. Vou fugir para o quarto dela. Entramos no 602, o quarto era bem grande, não havia motivo para fuga, mesmo assim, deve ser bem mais agradável dividir o quarto com a do que com as groupies. Os meninos ficaram no quarto da frente, o 601 - o Fletch tem alguma coisa com o número seis, não é possível. O quarto tinha uma cama de casal e duas de solteiro, provavelmente, projetado para um casal com dois filhos pequenos, se eu dormir nessa cama meus pés ficam do lado de fora, e olha que eu tenho estatura mediana.

- Eu vou ficar na cama de casal! – Me pronunciei o mais rápido possível, me jogando na cama. - Brookie?
- Eu também – Uf, juro que preferia me encolher na mini-cama de solteiro do que dividir a de casal com a Brittany. Estou começando a criar uma antipatia à ela, eu nem era assim. Olhei para Brooke e mexi os lábios como se falasse “obrigada”, mas sem som.
- Tudo bem, eu nem sou tão alta! – Ashley sorriu, não tenho nada contra ela, se não desse para o primeiro músico que via pela frente, até que eu a acharia legal.
- Vou procurar a – Saí do quarto, fui ao 603, a porta estava aberta, olhei para dentro do quarto e vi duas meninas conversando sentadas na cama, bati na porta do 604. abriu a porta. – Oi vizinha!
riu e abriu espaço para que eu entrasse no quarto.
- Você está em qual?
- 602, aqui do lado, qualquer coisa você bate na parede que eu ouço, Fletch está lá em baixo e os meninos no 601.
- Todos? Os quatro em um quarto?
- Sim, por causa do atraso, Fletch tinha reservado cinco, mas tudo bem, para mim deu na mesma.
- Pelo menos assim o não come a Brittany! – Ela teve o mesmo pensamento que eu, que mágico!
- Eles que façam uma suruba naquele quarto! – Revirei os olhos.
- Acho que ele não está nem ligando mais para ela. – Fingi que não ouvi. – Ah , você acha que ninguém percebeu como ele olha para você, praticamente te comendo com os olhos.
- Só se for com os olhos mesmo.
- Ok, aham, eu vi você dançando com ele no pub! – Ela sorriu maliciosamente. Porra, ela viu. Pelo menos não foi a Britt, ou a Ash. – Olha, eu estava conversando com a Sally, ela vai dormir no quarto do Matt hoje, vamos fazer alguma coisa, tipo, ver um filme, deve ter uma locadora por aqui.
- Vou falar com a Brookie, você tem algum filme em mente?
- Lá a gente escolhe! – deu de ombros.
- Ok, eu vou para o meu quarto, estou cansada, te vejo às sete horas, vai jantar com a gente?
- Pode ser.

Saí do quarto dela e fui para o meu, tomei um banho, aproveitando que Ashley e Brittany não estavam lá, só Brooke que estava jogando gameboy, cara um gameboy! Há quantos anos eu não vejo um desses, só a Brookie mesmo para ter um. Dormi por algumas horas, até que ouvi uma batida na porta, Brooke abriu, era Fletch nos chamando para jantar. Fui chamar a e descemos, os meninos estavam na mesa, o restaurante estava cheio, parecia um pouco menor que o do outro hotel, isso não importa. Sentamos. Na ordem, , , , e Fletch na cabeceira da mesa. Do outro lado, na mesma ordem, eu, Brooke, e Ashley, Brittany também estava na cabeceira da mesa, eu estava do lado que tinha um sofá, daqueles que tomam a parede toda, do outro lado eram cadeiras mesmo.

falou para Brooke sobre o filme, logo estávamos conversando para decidir o filme, teríamos que terminar o jantar rápido, ou ficaria tarde demais para procurar uma locadora. Percebi que estava atento a nossa conversa, mas ignorei. Terminamos o jantar e avisamos a Fletch que iríamos à locadora. Quando estávamos saindo do restaurante, nos dirigindo a saída do hotel, ouvi uma voz meiga, meio rouca, atrás de nós.

- Aonde vocês vão? – perguntou, estava com ele. Sabia.
- Vamos à locadora! – respondeu.
- E que filme nós vamos assistir? – perguntou sorrindo. Eu ri
- E quem convidou vocês? – Perguntei, ainda rindo.
- Ah, você acha que eu vou deixar de assistir filme com vocês para ficar entediado em um quarto com três marmanjos?! – respondeu.
- Você vai deixar de dormir comigo para passar a noite com essas barangas? – perguntou afetado, fazendo todos rirem.
- Você vai com a gente, bebê! – falou, em uma tentativa frustrada de fazer uma voz feminina, e abraçou .
- Nós estamos no meio de um hotel , disfarça! Então meninas, que filme vamos assistir? – perguntou, se desvencilhando dos braços de . Gays.
- Eu não sei, vamos escolher ainda, se chegarmos antes da locadora fechar, claro. – Respondi.
- Vamos com vocês! – falou.
- De jeito nenhum! – Brooke respondeu. - Vocês acham que vamos deixar vocês saírem daqui, a essa hora, procurando por uma locadora?
- Contanto que vocês não peçam para assistir As Tartarugas Ninjas, Star Wars ou De Volta Para O Futuro. – Brooke falou.
- Relaxa Brookie, eu tenho todos esses filmes! – respondeu e nós saímos.

Andamos um pouco e achamos uma locadora, passamos quase meia hora para escolher um filme e acabamos levando dois, O fabuloso destino de Amélie Poulain e American Pie, já me falaram tanto de Amélie, que eu estava curiosa a um bom tempo para assistir, American Pie é um clássico e eu amo o Stifler, os meninos pediram para levar e, na mesma hora, eu concordei, seria meio constrangedor assistir aquele filme com eles, mas, mesmo assim, eu os ajudei a convencer Brooke e . Voltamos para o hotel e, se e podiam assistir filme com a gente, por que e não? Fui chamá-los, mesmo contra a vontade das meninas, que disseram que cinco pessoas já eram demais, mas eu sou uma pessoa politicamente correta - eu acho - e acredito em “direitos iguais para todos”. aceitou na hora, disse que queria dormir, ainda devia estar chateado com o fato de deixarmos ele dormindo no ônibus, ele deve estar com alguma dor nas costas, ou então sofre de falta de sexo mesmo. Resolvemos assistir American Pie primeiro, eu acho que se assistíssemos Amélie depois, iríamos dormir, mas todos queriam ver American Pie, até e Brookie, que não queriam locar esse filme, elas não me enganam. sentou na cama de casal, encostada na cabeceira, Brooke sentou-se em uma cama de solteiro, e estavam jogados na mesma cama que , estava no tapete felpudo e cafona do quarto – pelo menos é confortável. Eu coloquei o DVD e me joguei na cama, junto com os meninos, nos ajeitamos confortavelmente, um pouco afastados um do outro, deitou de lado, perto da cabeceira, eu e deitamos no espaço que sobrou, já que tinha as pernas esticadas.

O filme mal começou e eu já estava rindo, e babando pelo Stifler. Tinham umas partes constrangedoras, em que eu evitada olhar em volta, mas foi bem engraçado. Acho que só eu tenho uma paixão “secreta” pelo Stiven Stifler, já que tudo de bonito, legal ou sexy que ele fazia, eu suspirava. Aquele “joinha” dele me mata. Olha que o irmão dele, o Matt Stifler, é bem mais bonito, mas ele ainda é O Stifler. Pois é, eu conheço toda a ‘saga’ do American Pie, deixando claro que eu sou uma menina comportada, com Deus no coração. Ignora. O filme acabou, eu ri litros. Levantei e fui colocar o outro. O segundo filme dava um pouco de sono, mas era interessante e engraçado, tinha umas partes que eu rachava de rir, como no começo, onde passa flashes de quinze casais tendo orgasmo, tem uma parte de uma gorda que eu ri demais, e tem o cara do gravador no café, gravando todos os passos da mulher que já não o agüenta mais. Mas o filme tinha seu drama, e romance, nada a ponto de chorar. estava dormindo com o rosto no meu ombro, eu ia falar alguma coisa, reclamar, mas ele estava dormindo tão bonitinho. Ele se mexeu se ajeitando, eu comecei a mexer no cabelo dele, adoro mexer no cabelo alheio (liso, please), percebi que ele deu um sorriso fraco, devido ao sono e voltou a dormir. Quase no final, quando Amélie bateu a porta na cara do Nino, eu segurei o braço de , ele riu e eu soltei na mesma hora, sem graça, acho que ele não estava dormindo mesmo, só descansando, mas ainda consciente. O filme acabou, achei muito lindo, a essa hora, estava dormindo de verdade, eu estava com sono, olhei para cima, estava com a cabeça no colo de que alisava o cabelo dele, assim como eu fazia com o minutos atrás, mas é porque o cabelo deles são muito legais. Olhei para o lado, estava dormindo no tapete, um pouco mais para cima, Brooke tentava se manter acordada na mini-cama.

Acordei com o sol batendo no meu rosto, e com o ar condicionado que me congelava demais, puxei o edredom, a fim de voltar a dormir e ouvi resmungando, parei para olhar em volta, estava do meu lado e do outro, os três na cama, dividindo o edredom, estava na mini-cama do lado direito, e Brookie, na do lado esquerdo, ainda estava no tapete. Eu estava com muito sono para me dar conta de onde eu estava dormindo e com quem, só queria ignorar a claridade e voltar a dormir, virei, ficando de frente para – pelo menos a claridade não incomodava mais – e voltei a dormir.


…And I’ll Stop Making The Eyes At You.


Acordei, sentindo a claridade penetrar em meus olhos, fazendo-os latejarem, depois de algumas piscadas rápidas, para me acostumar com a luz, até que não doía mais, então conseguir focalizar o olhar na pessoa a minha frente, dormindo tranqüilamente, linda. Passei o olhar por todo o quarto e voltei a olhar para ela, não sei quanto tempo fiquei olhando, aliás, não sei quanto tempo tenho perdido nos últimos dias, olhando para essa menina. Ela é diferente das outras como a Brittany, quero dizer, eu gosto da Britt, mas a é diferente, ela é meiga, não fica se jogando em cima dos caras por que são músicos e gosta de provocar, eu tive a certeza disso quando dançamos no pub, ou melhor, quando ela dançou, sem falar que ela é muito sexy. Não que a Britt não seja. Vou parar de tentar compará-las! Voltei a prestar atenção nela e percebi que ela tinha acordado.

- O que foi? – Ela perguntou com a voz baixa, arrastada.
- O que? – Idiota. Como se eu não soubesse do que ela está falando.
- O que você está olhando? – Ela sorriu, por mais que tenha parecido arrogante, o tom com que ela perguntou foi delicado. Acordei muito gay hoje!
- Estava olhando você dormir.
- Por quê? – Ela gosta de perguntas difíceis.
- Não sei, você estava dormindo tão tranqüila e bonita – Ela riu.
- Bonita? Aposto que meu cabelo está uma bagunça! – Ela falou, passando a mão npelo cabelo, bagunçando ainda mais, como eu sempre faço, estranha ela.
- Está legal assim! – Eu tirei a mão dela do cabelo e baguncei a franja, o cabelo dela é bem liso e repicado, difícil de bagunçar, quanto mais bagunça, mais bonito fica, porque volta para o lugar, mas um pouco desalinhado, não sei explicar, as meninas não se dão conta disso, querem estar sempre com o cabelo certinho, todas iguais. Ela não. Minha mãe sempre dizia “As mulheres se arrumam para as próprias mulheres”. Exemplo, eu não ligo para estrias, quase nenhum homem percebe isso, mas as mulheres dão chilique se descobrirem uma e sempre comentam das outras. Meu pai dizia, “estria está escrito em braile: hot” Meus pais sempre com essas maluquices, não é a toa que eu nasci assim.

fechou os olhos, não tinha voltado a dormir, apenas fechou. Minha mão ainda estava no cabelo dela, comecei a brincar com ele, bagunçando, jogando para um lado e para o outro, fazendo cafuné. Gosto quando mexem no meu cabelo, mas não costumo mexer no cabelo dos outros. Claro que quando eu quero manter meu cabelo arrumado, não deixo ninguém chegar perto, mas em uma situação como essa, acabando de acordar, não há muito com que se preocupar, eu acho, então, provavelmente, a não se importa se eu mexer no cabelo dela. Vi alguma coisa se mexer na cama, virou, deixei minha mão escorregar pelo ombro de até voltar para o lugar, ela abriu os olhos.

- Bom dia !
- Bom dia! – Ela falou com a voz abafada, virou e sorriu para a amiga.
- Bom dia ! – Ela falou, apenas sorriu.
– Estou com fome! - Que horas são? – Perguntei, olhando em volta, procurando por um relógio. Consegui avistar um celular em cima do criado-mudo, devia ser da , peguei e olhei a hora, as meninas me olhavam curiosas. – Onze e meia.
- Já? – perguntou, sentando-se.
- Pelo menos não é uma hora da tarde! – falou rindo. – Vamos comer.
Saímos do quarto sem fazer barulho, para não acordar , Brooke e , e descemos. Fletch estava no saguão, como já era quase meio dia, já estava quase na hora do almoço e não podíamos tomar café da manhã. Sentamos com o Fletch, em um sofá grande.

- Bom dia crianças! – Fletch falou sorrindo. Crianças? – , posso falar com você depois do almoço?
- Claro, algum problema? – Ela perguntou, receosa.
- Não, nada demais. – Fiquei curioso.
- Ok então. – Ela sorriu. E eu não parava de olhar para ela. Depois de muito tempo perdido olhando para ela, ela olhou para mim timidamente, depois para – Vamos ao banheiro?

Por que as mulheres têm a estranha mania de ir ao banheiro juntas?


What It Is That Surprises Me, Is That I Don't Really Want You To.


- O que foi? – perguntou quando entramos no banheiro.
- Como assim o que foi? - Fingi não entender.
- Você entendeu... – Acho que ela me conhece melhor do que deveria, para alguém que me viu algumas vezes anos atrás e me conheceu um dia desses, nem sei quando, estou perdida no tempo. É... Ontem. – Eu vi o olhando para você. Vocês estavam no maior clima quando eu acordei! – Ela sorriu maliciosamente.
- A gente estava conversando. – Na verdade, eu a chamei porque estava me sentindo pouco à vontade ali.
- Vamos subir, tomar um banho, estamos com essa roupa desde que saímos de Oxford! – Ela fez uma careta, eu fiz o mesmo. Ela estava certa, precisávamos de um banho.
Eu gosto da porque ela sabe quando é a hora de falar as coisas, ela não é de insistir em um assunto quando percebe que eu não estou afim de falar sobre ele.
Saímos do banheiro, passamos pelo saguão, onde Fletch, agora, estava sozinho e subimos o elevador. Cada uma seguiu para o seu quarto. Eu entrei no quarto, Brooke estava penteando o cabelo loiro, comprido e repicado, parecia ter acabado de sair do banho. Dei um ‘bom dia’, peguei minha mochila vermelha e entrei no banheiro, tomei um banho rápido, pois já estava na hora do almoço, vesti um short simples, uma camisa rosa e calcei meu Sneaker All Star roxo, sim, eu gosto de cores e não, eu não me separo dos meus All Stars, eles são sagrados. Arrumei meu cabelo, jogando-o para cima e para baixo, simples, não é? Ouvi uma batida na porta, gritei um ‘entra’ e surgiu, me chamando para descer ao restaurante.

Sentamos nos únicos espaços vazios a mesa, os meninos do Busted estavam na mesa também, eu sentei ao lado do James, milagrosamente, estava do mesmo lado que eu da mesa, mas estava bem longe, ele sempre está sentado à minha frente. Depois de almoçarmos e, é claro, comermos a sobremesa, Fletch me chamou, a tal conversa que ele queria ter, nem lembrava. Fomos para o saguão, até porque eu não ia querer conversar com um cara da idade dele em um quarto de hotel. O que as pessoas pensariam? O saguão estava um pouco vazio, de vez em quando passavam umas duas ou três pessoas, fora os funcionários. Sentamos no mesmo sofá de antes.

- Então, o que foi? – Eu estava tranqüila, afinal, ele falou que não era nenhum problema.
- Eu sei que você gosta de música, mas não toca muito e que queria trabalhar com o seu pai. Eu queria saber se você não quer me ajudar com o McFly?
- Sério? – Sorri de orelha a orelha. – Como?
- Na produção, - Ok, isso eu sabia, é, eu acho. – Com os shows, divulgação, repertório, todas essas coisas, é sempre bom receber sugestões de jovens.
- Claro, claro. – Concordei freneticamente com a cabeça.

- Amanhã a gente conversa mais sobre isso, aí você tem tempo para pensar em alguma coisa. – Fletch se levantou. Cara, adorei, vou virar ajudante do produtor do McFly. Ok, não é o Blink 182, mas, pelo menos, é uma banda, e muito boa.

Fui para o quarto, eu estava cansada, depois de assistir filme até de madrugada e acordar às onze horas, eu precisava dormir um pouco. Foi o que eu fiz. Entrei no quarto, aproveitando que estava vazio e me joguei na cama. Estava lembrando-me do que falou, sobre eu estar no maior clima com quando ela acordou, não sou tão ingênua, claro que eu percebo a forma como ele me olha, como se eu fosse uma pizza. Ele é bem bonito, mas eu não vou dar uma de groupie, sem falar que ele já tem a Britt que faz isso por ele. Depois de um tempo tentando acalmar meus pensamentos, finalmente, dormi.

Acordei com o barulho da porta batendo, Brooke entrou no quarto e se jogou na pequena cama de solteiro, olhando para mim. Eu sentei na cama, esfregando os olhos e, só então, lembrei do show, eu tinha que me arrumar. Desesperada para saber as horas, rolei na cama, a fim de alcançar o celular no criado-mudo e acabei caindo de bunda no chão. Lindo! Ouvi a risada escandalosa da Brooke e levantei, massageando o local da pancada, fazendo careta e pegando o celular, cinco horas, eu pensei que fosse mais tarde, só sairíamos do hotel às seis e meia. Brooke ainda ria da minha queda, mandei a língua para ela e saí do quarto. Fui ao quinto andar, onde era o quarto do Fletch, para ver se ele precisava de ajuda com alguma coisa. Bati na porta e ele me pediu para entrar, eu entrei, ele estava organizando alguns cabos.

- , você apareceu na hora certa, pode me ajudar com essas coisas? – Ele falou, pegando um dos cabos em cima da cama. Eu assenti com a cabeça – Leva esses cabos ao quarto dos meninos? Esse é o do baixo, e esses dois da guitarra! – Ele falou, o cabo do baixo na mão direita e os outros na esquerda. Eu peguei da mesma forma.
- Ok, mais alguma coisa? – Perguntei, olhando para os cases.
- Não obrigado. É porque o vai levar os cabos na mochila.
- Ok, qualquer coisa me avisa. – Ele sorriu e eu saí do quarto, chamei o elevador. Logo eu estava batendo no quarto dos meninos, saiu.

- Pode entrar! – Ele falou e foi na direção do elevador. Entrei no quarto, estava vazio. Aproximei-me, a fim de deixar os cabos em cima da cama e olhei em volta, para ver se ninguém entrava para que eu pudesse avisar dos cabos.
- Hey! – saiu do banheiro, meio molhado, apenas de bermuda.
- O Fletch me pediu para lhes entregar esses cabos, esse é o do baixo e esses da guitarra! – Falei, levantando um pouco as mãos, para mostrar os cabos.
- Pode deixar aí em cima, depois entrego ao . O Fletch me contou que você é a nova ajudante de produção dele! – Acenei positivamente com a cabeça, colocando os cabos em cima da cama. – Faz um favor para mim? – Ele pediu e eu olhei para ele, tentando olhar para o ‘rosto’ dele. Murmurei um “hum?” e ele continuou. – Pega essa camisa para mim? – Ele apontou para uma camisa do Descendents que estava em cima da cama. Ele podia muito bem dar alguns passos e pegar a camisa. Mas tudo bem, não custa nada. Peguei a camisa, sempre quis uma dessa. Joguei a camisa na direção dele. Ele pegou e sorriu em agradecimento, eu sorri também.
- Ahn... Acho que o Fletch está precisando de mim! – Falei, pronta para me virar e sair dali.
- Você podia ter inventado uma desculpa melhor! – Ele sorriu maroto.

Ignorei seu comentário e saí do quarto, dei de cara com a Brittany que saía do quarto em que estávamos hospedadas e olhando para mim e sem camisa. Ela não falou nada, apenas virou a cara e saiu rebolando em direção ao elevador. Entrei no quarto me xingando por não ter saído antes dali. Brooke estava terminando de se arrumar, com um short jeans, deixando a mostra sua perna extremamente branca, uma blusa azul com o desenho do Pac Man e um tênis de skatista branco, ao estilo Uffie. Ash estava arrumando o cabelo preto e curto. Eu peguei minha mochila e entrei no banheiro. Saí vestindo minha skinny cinza, com uma blusa preta de detalhes amarelos e meu querido All Star branco. Fui, novamente, ao quarto de Fletch, ele e os meninos estavam carregando instrumentos e caixas amplificadoras, provavelmente para levar para o Ringo. Ajudei, pegando um case em qualquer lugar do quarto e levando para fora junto com as outras coisas, ouvi reclamações como “não carregue isso, é pesado”, mas ignorei e continuei a carregar o que faltava. Depois de convencê-los que eu não sairia dali e de colocar parte das coisas no elevador. Organizamos-nos, cada pessoa levava uma coisa, eu levaria um baixo e uma parte da bateria, levaria uma caixa e outra parte da bateria, um case e uma caixa, , duas guitarras, , o resto da bateria e Fletch a última caixa. Os últimos são os mais preguiçosos. Desci com e as coisas que carregávamos, os outros também desceriam em duplas. Só não entendi porque tive que ir logo com o . Mas tudo bem, fazer o que, não é?!

- Não está muito pesado? – Ele perguntou. Ok, acredito que ele está preocupado.
- Não, está tudo bem.
- Fletch achou a ajudante certa, se fosse uma das outras meninas já estariam reclamando! – Será que "outras meninas" quer dizer Brittany e Ashley? Idiota!
- Obrigada, eu acho. – Ele riu.
- Não que você seja igual as outras meninas, é que... – Acho que pensei alto, ou ele lê mentes.
- Eu entendi! – Falei, tentando evitar um diálogo ainda mais chato. O elevador fez “plim”, indicando que chegamos ao nosso destino, o térreo.
- Tem certeza que não quer ajuda? – perguntou enquanto andávamos para a saída do hotel.
- Tem certeza de que você quer carregar um baixo, um case, um amplificador e um monte de ferro? – Arqueei uma sobrancelha, olhando para ele. Há, venci!
- Tudo bem, então! – Ele se deu por vencido.

Colocamos as coisas no ônibus e entramos nele e, como sempre, eu fui para a parte de trás e Dougie sentou ao meu lado. Cara, ele está me perseguindo. Não tinha ninguém no ônibus, as meninas estavam no saguão do hotel, abandonou a outra banda, que eu nem lembro o nome, e já estava em turnê com o McFly. Sério, ela só andava com a gente, acho que só mudaria quando fosse voltar para casa, que teria que ir para Bristol, é uma pena, mas eu poderia arranjar uma maneira de visitá-la, aproveitando para ver a minha mãe.

me despertou dos meus pensamentos, com uma das perguntas que mais me irritam.
- No que você está pensando?
- Agora em nada! – Falei, deixando claro, no meu tom de voz, que ele atrapalhou a minha linha de raciocínio.
- Hum, desculpa. É porque você estava viajando aí, eu fiquei curioso.
- Não, tudo bem! – Acho que estou sendo muito arrogante com ele, afinal, ele não fez nada. Espero que continue assim.
- Você sabe tocar? – Ele perguntou, mudando de assunto.
- Estou tentando aprender a tocar violão! – riu, andou até o meio do ônibus, subiu em uma poltrona e tirou um violão do maleiro. Ótimo, agora ele vai me fazer tocar. Ele voltou a sentar do meu lado e começou a tocar algo que eu sabia que conhecia, mas não conseguia lembrar, ele começou a cantar um “da da da da da”, então começamos a cantar “From Me To You” dos Beatles. Meu pai tocava essa música para mim antes de sair de casa. Eu era muito pequena, na verdade, ele sempre tocava Beatles para mim, o meu primeiro CD foi o Yellow Submarine. Sim, eu cresci ouvindo Beatles.
- If there's anything that you want, if there's anything I can do, Just call on me and I'll send it along with love – Cantávamos juntos, mas eu parei de cantar, na última parte do verso. Aquilo me lembrava a época em que meus pais eram felizes juntos, a minha mãe cantando com meu pai e eu lembrando apenas dessa última parte, o nome da música.
- From me to you. – Ele continuou, meus olhos lacrimejaram, mas não derramei uma lágrima, eu sou fraca, mas, mesmo assim, não consigo chorar facilmente, ainda mais na frente de outras pessoas. percebeu minha reação. – O que foi?
- Nada! – Sorri fraco. Claro que não era “nada”. Ele me olhou, como se perguntasse o que era exatamente. – A música... Ela me traz algumas lembranças.
- Desculpa – Ele falou, olhando para baixo.
- Não se desculpe, são lembranças boas. – Sorri, dessa vez, de verdade.
- Quer que continue então? – Ele perguntou acanhado. Eu assenti com a cabeça e ele continuou. - If there's anything that you want, like a heart that's oh, so true, just call on me and I'll send it along with love...
- From me to you. – Cantei junto dessa vez, sorriu. – I got arms that long to hold you, and keep you by my side. I got lips that long to kiss you... – Paramos de cantar, quando vimos Brittany e Ashley entrando no ônibus, chegaram a tempo de ouvir a ultima parte da letra. As duas nos olharam e sentaram, como sempre, na primeira fileira, logo depois entraram e Brookie que sentaram na mesma fileira que eu, do outro lado do ônibus. Depois de um tempinho, entraram os outros. Quando todos se acomodaram em seus devidos lugares, Pete deu partida e tomamos nosso rumo.
- And keep you satisfied. – Continuei a música que havíamos parado minutos antes, em um tom de voz baixo, sorriu. Ele havia guardado o violão no maleiro acima de nós.
- Se quiser, posso te ensinar a tocar essa música depois! – Ele falou.
- Eu quero, quero aprender as do McFly também! – abriu um sorriso com o meu pedido. Eu ri.
- Ok, já que você insiste, amanhã vamos para Liverpool, posso te ensinar alguma coisa pela tarde... – Ele sugeriu. Gostei de saber que ele levou a sério o meu pedido.
- Ok! – Ficamos calados por um tempo. Eu estava olhando todo o trajeto do ônibus pela janela, de vez em quando olhava em volta e via Brittany olhando para trás o tempo todo. – , eu acho que a Britt está com ciúmes de mim. – Ele sorriu.
- Eu não tenho nada com a Brittany! – Ele falou, indiferente.
- Como não? Ela é a sua “groupie oficial”! – Nós dois rimos.
- É isso, não tem sentimentos entre a gente, pelo menos não da minha parte. Só ficamos e mais nada, quer dizer, eu gosto dela, mas não é o tipo de garota com quem eu namoraria. – Ele falou, eu sabia que ele a via como ‘mais uma’.
- Por que fica com ela então? Só vai machucá-la assim! – Falei indignada, por mais que eu não vá muito com a cara dela, ela também tem sentimentos.
- Ela conhece a nossa relação. Se gostasse de mim, não dormiria com outros caras.
- Ainda não acho isso certo! – Falei. – Mas se vocês querem assim. De qualquer forma, ela está olhando para cá o tempo todo.
- Não tem o que temer, não é? – Ele perguntou sorrindo, por um momento me senti mal ao ouvir aquela frase, por mais que eu reclame, eu gosto da forma como ele me olha, ou da forma como eu acho que ele me olha. Mas, depois dessa, acho que ele me vê como uma amiga. Sorri, como se afirmasse e continuamos calados. Em alguns momentos, eu ou ele puxava algum assunto. Que durava pouco até o silêncio se instalar de novo.

5


I'm so hard to understand


Estávamos no camarim conversando. Os meninos, Fletch e eu estávamos fazendo uma pequena reunião sobre o repertório, como eu não conhecia as músicas, tocava os trechos com um violão, para que eu pudesse ter uma idéia de qual era qual. Depois de tirar do repertório “She Left Me” e “Get Over You”, acrescentamos um cover, que já estava bem ensaiado, pois em todos os ensaios eles tocam covers, principalmente dos Beatles, dei a idéia de tocarem “I Wanna Hold Your Hand”, queria tocar “Help”, mas eu os convenci de que a outra era melhor. Já estava sendo uma produtora intrusa, mas, pelo menos, Fletch concordou comigo, depois do meu texto argumentativo. Pois é, quando eu quero uma coisa, eu só paro de insistir quando consigo, e meus argumentos são relativamente convincentes.

Quando chegou a vez do McFly tocar, já estava tudo certo, era meia hora para cada banda, estávamos com sete músicas, daria tempo para arrumar os instrumentos. Entramos no palco, levando os cases, caixas e bateria o mais rápido possível, cada minuto é sagrado em cima de um palco. Depois de arrumar tudo, começaram a tocar “Five Colours in Her Hair”, eu já estava cantarolando algumas partes e cantando o refrão, estava um pouco nervosa dessa vez, os meninos tinham se tornado meus amigos, antes a gente mal se falava, sem falar que eu estou na produção, se algo der errado eu também vou me sentir culpada, mas, como os meninos são muito bons, tudo estava indo bem. Depois de tocarem mais cinco músicas, começaram “I Wanna Hold Your Hand”. Eu sou uma produtora foda, ficou perfeito. Já estou me achando. E é claro que eu não podia esquecer-me do detalhe mais importante: A minha câmera. Ela estava na minha mão, registrando todos os momentos do show, até as partes em que olhava para mim, ou para a gente – eu não estava sozinha atrás dos amplificadores, Ash, Britt, Brooke, e Fletch estavam comigo. Eu ainda achava que o estava olhando para mim, mesmo depois de saber que ele me vê como uma amiga, acho que estou me forçando a acreditar nisso, não que eu esteja a fim dele. Cara, eu preciso comprar uma câmera daquelas profissionais, eu adoro tirar fotos, mas no escuro minha câmera não é tão boa. Pois é, adoro mudar de assunto repentinamente, até mesmo quando estou só pensando. Acho que tenho problemas!

- , você é demais! – Fletch falou, enquanto guardávamos os instrumentos nos cases. – Como o seu pai.
- Obrigada! – Sorri. É bom saber que sou tão profissional quanto o meu pai, mesmo não conhecendo bem o trabalho dele.
- Ficou perfeito esse final! – comentou sorridente.
- Dude, você nasceu para ser produtora! – bagunçou meu cabelo de forma “carinhosa”, eu sorri, mas porra, meu cabelo estava arrumado.
- Chega gente, foi só umas modificações, não precisa puxar saco! - Falei de forma convencida e dei risada.
- Porra, era a minha vez de te bajular! – falou, cruzando os braços.
- Tudo bem, pode falar! – Eu ri.
- Agora sua auto-estima já está muito alta, deixa para depois! – riu. – Para onde vamos?
- Para o hotel, não vamos repetir a mesma merda! – Falei. Está vendo?! Estou ficando responsável.
- Exatamente, amanhã viajamos cedo! – Fletch concordou.
- Estão de castigo! – Brinquei.

Os meninos reclamaram de não poderem sair, guardamos os instrumentos no Ringo e entramos, sentamos na mesma ordem, mal falei com as meninas desde que saímos do hotel, só alguns comentários durante o show como “eu sou foda” ou “esses meninos são demais”, pelo fato de termos mudado o repertório em cima da hora. Eu estava adorando trabalhar na produção do McFly. Só preciso aprender as letras. estava do meu lado cantarolando “I Wanna Hold Your Hand”, eu ri.

- Minha idéia foi tão genial que você nem consegue tirar essa música da cabeça! – Brinquei.
- Só a música? – Ele falou baixo, rindo. Como assim?
- Não entendi... – Fiz a maior cara de “ahn”.
- Preparada para aprender a tocar todas as músicas do McFly amanhã? – Pois é, ele mudou de assunto. Espero que não seja o que eu estou pensando.
- Aham, eu quero aprender aquela bonitinha que tiramos do repertório. – Falei sorrindo.
- She Left Me?
- Exatamente.
- Por que tirou do repertório então, se você gostou? – Ele perguntou, sem entender.
- Porque as outras são mais animadas, essa seria legal se vocês fossem tocar em um bar, ou um lugar aberto, algo assim. – Expliquei.
- Você seria uma boa produtora se nos deixasse sair. – falou, fazendo bico.
- Own, então eu vou ser uma péssima produtora para vocês! – Falei, sorrindo com uma cara malvada. Ele riu e voltamos a ficar calados.

Fui até o Fletch, que, como de costume, estava na primeira cadeira do lado oposto ao Pete, e pedi para ele colocar algum CD, para que a viagem ficasse menos tediosa. Ele colocou Ramones, legal. Voltei para o meu lugar cantando. Não melhorou muito o tédio, já que as meninas estavam quase dormindo no banco ao lado, estava cantando as músicas sem nenhuma expressão ou algo que demonstrasse o que estava sentindo, pensando, sei lá, alguma coisa. Eu estava cantando alguns trechos, os que eu sabia, e batucando no vidro da janela com o dedo. acabou dormindo ali mesmo, não estávamos tão longe do hotel, mas demoraria um pouco, pelo menos ele esquece o fato de não poder sair. Inclinei a minha poltrona para trás, assim como a de e deitei, a fim de dormir um pouco também, senti a mão de afagando meus cabelos, percebi que ele não estava dormindo, eu não estava em condições de reclamar com ele por isso, nem havia motivo. Logo adormeci.


My Friends Might Overstep The Line


Depois de algum tempo andando, tocando músicas do Ramones, o Ringo parou na frente do hotel, Fletch foi o primeiro a descer, logo depois, , , Ashley e Brittany, esses entraram e foram, cada um, direto para seus quartos. Logo saíram do ônibus Pete, , Brooke e , que sorria maroto cantarolando I Wanna Be Well. As duas meninas olharam em volta a procura de sua amiga.

- Cadê a ? – perguntou enquanto andava de volta até a porta do ônibus, para chamar sua amiga.
- Hey hey, ela está com o , você não vai querer atrapalhar, não é? – a segurou pelos ombros, guiando-a em direção a entrada do hotel.
- Mas... – Ela tentou falar, mas foi interrompida pela Brookie.
- , você ouviu o ! – Ela sorriu e seguiu os dois. Brooke torcia para que ficassem juntos, ela percebia os olhares de em , mas a verdade é que ela não gostava muito da Brittany. A Brookie é uma pessoa legal, mas quando se trata de inimigos, ela age de forma totalmente... Ridícula!
- Pete, vem! Acho que eles não vão sair dali tão cedo! – chamou.
- Esses jovens... – O motorista comentou rindo, balançando a cabeça de forma negativa e fechou a porta do ônibus.

ainda estava pirado com o que fizeram com ele, então decidiu se vingar, como os outros meninos já tinham saído e não haveria outra oportunidade de fazer isso tão cedo, ele decidiu que seria com e mesmo, afinal, teve a idéia de trancar o no ônibus e ele sabia disso. O que ele não sabia era que a foi totalmente contra a brincadeira dos meninos. Os quatro entraram no hotel e subiram o elevador, Pete ficava no mesmo quarto que Fletch. Os outros três seguiram seus caminhos. na dúvida se e estavam mesmo juntos, Brooke feliz por sua amiga ter se dado bem e Britt ser corna, mesmo sem a certeza de que o falava a verdade, e sorria triunfante com sua vingança. Assim que ele entrou no quarto sozinho, os meninos perguntaram por , ele contou a verdade, que tinha feito a mesma brincadeira ‘sem graça’ com o garoto, e , que não eram exemplos de bons rapazes apenas riram, claro. Nenhum deles desceria para acordar o amigo, nem , já que omitiu a parte que ela também estava lá.


You know love, there's one more thing to consider


Senti uma brisa fria passando pelo meu rosto e abri os olhos, dei de cara com , dormindo. Levantei assustada e me vi dentro do ônibus, o Ringo. Me neguei a pensar que tinham feito isso, mas não tive escolha, provavelmente o estava querendo revidar a brincadeira, mas eu não sou a pessoa certa, já que fui a única que tentou ajudá-lo. Cutuquei com cuidado, ele não acordou, continuei mexendo no ombro dele com o dedo.

- ! – comecei a sacudi-lo, sim, eu percebi que não seria fácil acordá-lo a essa hora, sendo que eu nem sei que horas são, mas, provavelmente, já passou das três horas da manhã. – , acorda! – Falei um pouco mais alto que antes. Ele abriu os olhos assustado e eu não segurei o riso.
- Caralho! O que... – Ele falou em um tom alto, levantando, mas logo calou a boca, ao se deparar com poltronas e janelas. Sim querido, você está em um ônibus.
- Só pode ter sido coisa do . – Falei, claro que ele sabia.
- Eu vou matar esse viado! – Ele falou, levantando e indo até a porta que, provavelmente, estava trancada. – Está trancada!
Sabia!
- Imaginei. E agora?
- Seu celular está aí? – Ele perguntou, tateando os bolsos.
- Não, não trouxe bolsa. – É, seria bem útil, se tivéssemos um celular.
- Esqueci o meu! E agora? – Ele repetiu minha pergunta, só que com uma expressão um pouco mais exagerada. E eu pensava que as palavras “pouco” e “exagerada” não se encaixavam em uma só frase. – A janela! – Idéia genial!
- Eu não vou pular dessa altura, sem falar que essas janelas são minúsculas. O jeito é tentar dormir! – Falei, me dando por vencida, enquanto me ajeitava na poltrona.
- Nessa poltrona desconfortável? NO WAY!
- Ok então, se tiver alguma idéia genial me acorda. – Falei, virando para o lado oposto de . Ele bufou.
- Você consegue mesmo dormir aqui? – Ele perguntou, sentando na poltrona onde estava antes, ao meu lado.
- Você estava dormindo agora mesmo!
- Mas foi só um cochilo para descansar um pouco, enquanto chegávamos. Não dá para dormir sabendo que vou passar toda a noite nessa poltrona. – Ele falou com uma cara derrotada, apontando para a poltrona.
Confesso que fiquei com pena dele.
- Relaxa! – Falei, virando para ele de volta. Ele fez uma careta. – Faz assim então, vamos brincar, um ping-pong, uma palavra. – Ele pareceu não entender muito bem. – Uma música?
- From Me To You! – Me senti mal por lembrar dessa música. Por que ele fez isso? Tentei ignorar, já que não choraria mesmo.
- Um filme? – Evitei seu olhar por um momento, a fim de que ele não percebesse minha reação a sua resposta anterior.
- De Volta Para o Futuro! – A tá, claro! – Isso não é muito interessante. – Ele fez uma cara de tédio.
- Ok, então você faz as perguntas – Ele sorriu. – Mas depois você responde! – Era uma vez um sorriso verdadeiro. Ele apenas concordou com a cabeça e começou com as mesmas perguntas.
- Uma música?
- Imagine. – Beatles, é claro. Ele sorriu com a minha resposta e continuou.
- Um filme?
- Laranja Mecânica.
- Um lugar? – Difícil. Ele está aprendendo.
- Minha casa. – Único lugar que veio na cabeça. O problema era: qual casa? A da minha mãe ou a do meu pai?
- Uma saudade?
- Minha mãe! – Meu olhos lacrimejaram.
- Um sentimento?
- Frustração. – Não consegui pensar em algo mais clichê, como amor, carinho e essas babaquices de adolescente retardada.
- Um...
- Chega, minha vez. – Forcei um sorriso. Eu não queria continuar com isso. concordou, calado, eu percebi que ele estava se empolgando, mas eu não conseguia pensar em nada que não fossem meus pais, ou melhor, o que fiz com a minha mãe. E o objetivo da brincadeira era ‘relaxar’. – Um amigo?
- O – Ok, foi fácil, mas minha intenção era começar assim.
- Uma pessoa?
- O Tom DeLonge! – Eu ri. Cara, ele poderia ser mais... Profundo!
- Uma sensação?
- Orgasmo! – Rachei de rir. É, ele estava sendo profundo. Não fiz nenhum comentário, afinal, a brincadeira era com uma palavra, teoricamente! Pergunta e resposta, apenas.
- Um desejo?

Esperei que ele falasse algo engraçado. ficou calado e pensativo, olhando para mim, mas não respondeu. Ele mordeu o lábio inferior, se aproximando de mim e enlaçando seus braços em minha cintura. Tentei falar alguma coisa que o impedisse de fazer isso, mas não consegui, eu não queria que ele parasse.

me beijou com intensidade, segurando firmemente em minha cintura, fazendo meu corpo estremecer. Retribui a intensidade e levei minhas mãos aos seus cabelos, senti estremecer com meus dedos frios em seu pescoço, sorri internamente, suas mãos passeavam por minhas costas e cintura, até que desceu para minha coxa, me puxando para perto de si. Em um impulso, subi em seu colo, colocando uma perna de cada lado do seu tronco, enquanto ele apertava minhas coxas e eu segurava seus cabelos com certa força.

Ele começou a descer os beijos pelo meu pescoço, fazendo com que todos os pêlos do meu corpo se arrepiassem pelo choque da sua boca quente, com o clima frio da madrugada. Coloquei minhas mãos em baixo de sua blusa e ele contraiu o abdômen, senti suas mãos deslizarem para a barra da minha blusa e levantá-la devagar. Foi a minha vez de contrair os músculos abdominais com a sua mão fria. Ele voltou a me beijar com vontade, acariciando minhas costas por dentro da blusa. Eu tirei uma das mãos que deslizavam em sua barriga levemente dividida e levei à sua nuca, fazendo desenhos abstratos com os dedos, pude sentir que ele sorriu de leve, entrelacei meus dedos em seu cabelo, puxando de leve. Uma de suas mãos escorregou até o botão da minha calça, no mesmo momento, lembrei da Britt, da minha aversão a groupies. E o que eu estava sendo naquele momento? Tudo o que eu me prometi que nunca seria. Uma groupie, eu estava agindo igual à Brittany.
Empurrei-o pelo ombro e olhei em seus olhos, que me encaravam com dúvida. Eu não falei nada, apenas levantei de seu colo, andei até a frente do ônibus e virei, entrelaçando minhas mãos nos meus cabelos e bagunçando-os, em um ato de nervosismo e olhei para novamente, que ainda me olhava sem entender a minha reação, quer dizer, o meu surto repentino. Ele levantou e andou até mim, não se aproximou muito, ficou a, mais ou menos, um metro de distância. Olhávamos um nos olhos do outro.

- O que eu fiz? – Ele perguntou, fazendo menção de se aproximar.
- Eu não sou uma groupie! – Falei exasperada!
- , eu não...
- E a Brittany, ? – O interrompi. O que ele tem na cabeça?
- Eu já disse que não tenho nada sério com ela, só ficamos por vontade momentânea, não existem sentimentos, nossa relação é assim, sempre foi...
- Você não enxerga mesmo, não é? Ela é louca por você! Não percebe como ela te olha? Como o trata? Como me olha quando eu estou perto de você?
- Ela é possessiva, eu sei, mas não temos nada e ela está ciente disso, ela fica com outros caras, e eu com outras garotas.
- Com outras groupies, não é? – Sorri ironicamente. – Mas eu não sou uma.
- Não, você não é, eu sei disso! – Ele falou se aproximando.
- Não, mas também não quero ser mais uma garota com quem você fica na sua “relação” com a Brittany! – Fiz aspas com os dedos ao falar “relação”.
- Mas você não é, , você não é igual as outras. – Ele acha mesmo que vai me convencer a dar para ele assim? – Relaxa um pouco, esquece isso, se você não quer, tudo bem, mas não é justo você ficar chateada comigo por isso!
Claro que não. Passei por ele e voltei para o meu lugar, para, pelo menos, tentar a dormir um pouco.
- ...
- Cala a boca !

Ele veio atrás de mim e parou perto da poltrona. Acho que estou sendo muito dura com ele, ele está certo, não é justo culpá-lo, ele é homem, mas, mesmo assim, demonstra algum respeito. Pode ser que ele esteja falando isso só para me convencer que ele vale alguma coisa.
Eu penso demais.

sentou ao meu lado, o ignorei e tentei dormir. Depois de muito tempo olhando a rua pela janela, olhei para , seu olhar estava sério. Ele olhou para mim e eu desviei o olhar rapidamente, virando o rosto para o outro lado, senti ele segurar a minha mão. Não falei nada. Não sabia o que falar. Permaneci imóvel, apenas acariciando a mão dele, assim como ele fazia com a minha. Senti o sono chegar e me ajeitei na poltrona, Dougie encostou-se ao meu ombro, não falamos nada e, assim, adormecemos.

6


Girl I Think About You Every Day Now


Senti alguma coisa me cutucando, mas ignorei, meu sono falava mais alto, mas a “coisa” não desistia, abri os olhos devagar e vi a Brooke olhando para mim curiosamente, eu ainda estava no ônibus, mas o não. Desgraçado, me deixou no ônibus, sozinha!
Pensando bem, ele deve ter saído quando alguém chegou e me deixou com a Brookie. Ok, ele não é tão atencioso assim. Melhor parar de pensar nisso. Levantei na maior lerdeza, a Brooke estava com um sorrisinho esquisito no rosto, um que eu nunca tinha visto. Oh my Gosh!
- E aí? – Ela perguntou. Ok, eu tenho uma maquiagem exagerada, uso lenços pelo corpo todo e tenho uma bola de cristal. Adivinha quem eu sou?
- E aí...? – Perguntei, fazendo gestos com a mão, mostrando que não entendi.
- Você e o ... – Ela explicou. Três alternativas: Primeira, saiu espalhando para o hotel inteiro que a gente se amassou no ônibus. Segunda, Brooke deduziu isso quando entrou no ônibus e, provavelmente, nos viu dormindo ‘juntos’. Ou terceira, ela ‘também’ tem uma bola de cristal.
- O que é que tem o ? – A melhor forma de descobrir o que a Brooke estava pensando era me fazer de desentendida.
- Como assim ‘o que é que tem o ?!’, ? Vocês passaram a noite toda trancados nesse ônibus e eu não acredito que vocês só dormiram, e ontem o falou que vocês estavam juntos, por isso a gente não veio... – Acho que ela entendeu a brincadeira! No momento em que tudo se esclareceu na minha cabeça, eu vi entrar no ônibus. - Filho da puta! – Fui na direção dele, mas Brooke me segurou com a ajuda de , que estava pouco a frente de nós. Que raiva desse desgraçado. Eu tentei defender ele com essa brincadeira e é assim que ele agradece? – Eu te mato garoto!
- Calma , eu só queria retribuir a brincadeira... – Ele falou, levantando as mãos, como se tivesse se rendendo.
- Você é uma anta , a foi a única que tentou impedir que a gente deixasse você no ônibus. – Brooke me defendeu.
- Pensei que só o estava no ônibus. – falou. – Muito covarde da sua parte, dude!
- Desculpa, desculpa. Olha, eu já ouvi tudo isso, quase apanhei do , vocês não precisam ficar me enchendo, ok? – Ele falou e se jogou em uma poltrona qualquer.

entrou no ônibus segurando duas mochilas, uma delas, a minha. Claro, eu pensando que ele tinha me abandonado no ônibus e o coitado só foi pegar as minhas coisas. Logo entraram Ashley, Brittany, , e Fletch, que pela cara não entendeu o porquê de e Brooke estarem me segurando, mas logo me soltei e voltei para a minha poltrona. Brittany me olhava com raiva nos olhos, estava bem claro que ela soube o que aconteceu e deve ter imaginado que eu e ele... Bem, não chega a ser mentira, mas não foi culpa minha, ela que brigasse com ele depois. Fletch mandou que todos sentassem, todos o fizeram, colocou as duas mochilas no maleiro acima de nós, onde antes estava o violão que ele pegou. Assim que se certificou de que as mochilas estavam seguras, sentou ao meu lado e começou a dedilhar alguma coisa no violão.

- Obrigada! – Falei olhando para o violão. Eu não queria olhar para , estava totalmente desconcertada.
- Hum? – Ele olhou para mim e eu não pude evitar que meu olhar encontrasse o dele.
- Obrigada por pegar minha mochila! – Falei, depois de alguns segundos viajando em seus olhos extremamente profundos e expressivos. – E por dar um esporro no ! – Sorri.
- Tudo bem, não foi difícil trazer sua mochila! – Ele sorriu. – Dar um esporro no também não, para falar a verdade, foi bem fácil. – Eu ri.
- A Britt está querendo me matar, da para ver pelo olhar dela. – Nós olhamos na direção dela. – Você vai ver, daqui a pouco ela olha! – Assim que terminei de falar, Brittany olhou para a gente. desatou a rir. – Para com isso, ! – Dei um tapa em seu braço.
- E olha que ela ainda nem sabe o que aconteceu ontem! – Dei outro tapa no braço dele, que ainda ria, eu estava séria. Brooke olhou para a gente, acho que ela ouviu.
- Como assim “ainda”? – Sussurrei, quando a Brookie desviou o olhar para , que agora estava, oficialmente, em turnê com o McFly. me olhou confuso. – O que aconteceu ontem não sai daqui, está me ouvindo? – Fiquei vermelha, roxa, amarela, azul, verde, virei uma mutante. sorriu, eu não devia, mas conheço esse sorriso malicioso.
- Tudo bem então, mas acho que você vai ser obrigada a contar para Brookie! – Ele falou, apontando discretamente para Brooke que voltou a olhar para a gente, eu a encarei e ela desviou o olhar novamente, depois daquele mesmo sorrisinho de quando ela fez a complexa pergunta “E aí?”.
- Culpa sua, fica falando alto. – Virei uma mutante gay de novo. – Eu vou dar um jeito.
- Adoro fazer coisas escondido! – Ele ainda estava com aquele sorrisinho lindo, digo, constrangedor. - E isso não vai se repetir! – Acabei com a felicidade dele! ignorou o que eu falei e voltou a dedilhar alguma coisa.
- Quer aprender a tocar “From Me To You”? – Está vendo? Ele me ignorou completamente. Melhor assim! Pelo menos ele entendeu. Respondi com um “uhum” e ele começou a tocar essa música, meus olhos já não lacrimejavam mais, mas minha minhas lembranças passavam como um filme em minha cabeça. Depois de tocar a primeira parte da música, aquela do “da da da”, ele me entregou o violão. – Você conhece as notas?
- Só algumas! – Respondi, pegando o violão e ajeitando-o em meu colo.
- É fácil, começa com um dó e um lá menor. – Eu tenho certeza de que sabia, o problema é lembrar.

colocou meus dedos nas cordas e eu toquei, a batida estava estranha, mas meu pai dizia que era assim mesmo no começo, no refrão da música que veio o problema chamado “dó, sol, dó”! Era muito rápido, ria com todas as minhas tentativas, a batida ainda estava horrível. colocou um braço em volta de mim e segurou a minha mão direita, fazendo a batida da música. Sorri em agradecimento, mas ele não pôde ver, ele se afastou e eu tentei tocar novamente, estava um pouco melhor, mas ainda estranho.

- Desisto, prefiro digitação. – Ele sorriu surpreso. – Meu pai disse que quando eu chegar, ele vai me ensinar a tocar “Stairway to Heaven” porque é bem completa.
- É sim, mas eu acho difícil, você já sabe alguma coisa? – Ele perguntou, dedilhei o começo da música e ele sorriu. – É, você é melhor no dedilhado.
- Só sei essa parte. – Falei, ele pegou o violão e tocou a outra parte, até que começamos a cantar, chegamos ao meio da música e ele parou. – Esqueceu o resto?
- Não, esqueci que eu estou te ensinando! – Eu ri. Ele me devolveu o violão e colocou meus dedos nas cordas, conforme falava o nome dos acordes. Alguns minutos depois, eu estava tocando certinho, só faltava velocidade, mas sempre que eu tentava tocar mais rápido, eu errava alguma coisa. – Você está indo bem, tente se acostumar com a ordem, depois você toca no tempo certo.
- Ok professor! – Eu sorri, ele fez o mesmo. Depois de mais alguns minutos, eu já estava tocando até a parte que começava a cantar, no tempo certo e sem errar, cara, eu sou demais. , que antes estava olhando para meus dedos, agora observava minha expressão de uma garotinha que aprendeu a andar de bicicleta, ele tirou a minha concentração e eu acabei errando. Parei de tocar e olhei para ele.
- Você aprende rápido. – Foi a única coisa que ele falou, eu olhei em volta, Britt, Brooke e olhavam para mim. Caralho!
- Pois é! – Respondi olhando para baixo, para o violão. – Só falta aprender a cantar como o Plant. – Nós dois rimos, quebrando o clima tenso.
- Boa sorte! – Ele falou, ainda rindo.
- A Britt está com ciúmes, acho melhor ficarmos quietos! Ela olha para cá o tempo todo. – Falei baixo, olhando na direção da Brittany, juro que isso está começando a me incomodar.
- Depois eu converso com ela, isso está me irritando também! – Ele terminou de falar e deu um sorrisinho parecido com o outro, o malicioso. olhou de mim para Brittany e da Brittany para mim umas três vezes e segurou meu braço, me puxando para baixo. Nos abaixamos no banco, de forma que a Britt não podia nos ver, começamos a rir, Brooke e tentavam entender, mas, pela cara delas, estavam longe disso. – Hey! – sussurrou, para que Brooke olhasse para ele. – A Brittany está olhando para cá?
- Está! – Brookie respondeu com um sorrisinho, esses sorrisinhos dela e do estão começando a me assustar! – O que vocês estão fazendo?
- Fugindo dela! – não parava de rir, que idiota, eu sou mais idiota ainda, que, além de concordar com isso, ainda dou risada com ele.

Ficamos abaixados por um bom tempo, até que minhas costas começaram a reclamar, ficamos conversando sobre um monte de besteira, agora estávamos conversando com Brooke e também, estava se tornando um amigo, isso é bom, eu sempre tive mais amigos do que amigas. Eu sempre falei com todos onde morava e estudava, mas eu sempre fui mais próxima de meninos, é legal, mas garotas precisam de garotas, eu acho, é... Talvez não necessariamente, mas é bom, não é?! Acho que tenho facilidade de me entrosar com meninos, mas enfim, o é uma boa pessoa, parece se preocupar comigo e querer me agradar, acho que não preciso me preocupar mais com o fato dele estar me olhando demais ou algo assim.

A viagem estava começando a ficar chata, estávamos começando a ficar sem assunto. Isso não costuma acontecer comigo, já que sempre tenho uma solução para falta de diálogo – falou a tagarela. Levantei da poltrona, quase caindo em cima de , me estiquei para pegar minha mochila e comecei a vasculhá-la, aposto que estava olhando para minha barriga, minha blusa levantou um pouco quando eu me estiquei e, pelo pouco tempo que eu passei com o , percebi que ele não perde uma oportunidade. Finalmente achei minha câmera e a primeira coisa que fiz foi tirar uma foto do , ele ficou engraçado com uma cara de surpresa, ao mesmo tempo, com um olhar sapeca.

Pervertido!

Comecei a tirar fotos de todos no ônibus, cheguei em Brittany e Ashley, a Ash sorriu, mas a Brittany ficou séria e virou o rosto para o lado oposto ao meu, eu apenas ri. Voltei para o meu lugar, não tinha nada de engraçado para fotografar, me contentei com as espontâneas.

- Deixa eu ver... – pediu, eu lhe entreguei a câmera e ele a apontou para mim, só tive tempo de ver o flash quase me cegando.
- Filho da p...
- Hey, minha mãe não tem nada com isso! – Ele me interrompeu rindo. Quando eu ia falar alguma coisa, vi outro flash sendo disparado na minha direção, outro, mais outro e outro, até que eu consegui enxergar por alguns segundos, o que foi o suficiente para pegar a câmera da mão de e começar a tirar várias fotos dele, metade delas com sua mão cobrindo o rosto. Sem graça!
- Isso é injusto! – Bufei levantando para guardar a câmera. Ele me puxou.
- Espera! – Fiquei feliz, achando que ele me deixaria tirar fotos dele. – Eu quero ver todas as fotos!
Ah claro, eu vou deixar que ele apague...
- Ok, mas não toca na câmera! – Encostei-me ao lado dele e comecei a passar as fotos.
- Vira para cá! – Ele falava, aproximando a mão da câmera.
- Epa! Não encosta na câmera! – Falei sorrindo e virei um pouco a câmera para ele. Depois de passar todas as fotos e rir da metade delas, as que nós aparecíamos, eu levantei para guardar a câmera, dessa vez eu consegui.
- Estou entediado! – falou, estávamos deitados na poltrona, que estava totalmente inclinada para trás, com os pés em cima da poltrona da frente. Ficamos muitos minutos assim, sem falar nada.
- Eu também. Alguma idéia? – Perguntei, torcendo para que ele pensasse alguma coisa.
- Podemos fazer aquela brincadeira de ontem. – Ele sorriu, daquele jeito.
- Nem pensar ! – Falei, lembrando-me do fim que teve a brincadeira. Fiquei vermelha.
- Tudo bem então, o tem vodka na mochila, se quiser podemos brincar. – Até que não é uma má idéia, contanto que o Fletch não visse, fiz que sim com a cabeça, olhando para e ele foi falar com . Logo depois, voltou com a garrafa, alguns copos descartáveis e atrás. sentou na poltrona vazia, atrás da nossa. – Do que vamos brincar?
- Boa pergunta! – Falei.
- Por que não brincamos de ‘eu nunca’? – Brookie perguntou, se autoconvidando para brincar. Por mim tudo bem, mesmo que essa brincadeira já esteja meio enjoada.
- Ok, quem começa? – Perguntei.
- A Brooke, a idéia foi dela! – respondeu, provavelmente não sabia o que falar, assim como eu.
- Ok, eu nunca... Ai, eu não sei, eu nunca saí da Inglaterra... – Bebi, e também. A Brooke não é muito criativa. Ela olhou para a gente com uma pergunta escrita nos olhos.
- A família da minha mãe é brasileira. – Expliquei.
- Meu pai é holandês. – falou.
- Eu já fui à França, Irlanda e Holanda. – Foi a vez de explicar, e depois de tudo explicado, – , sua vez.
- Eu nunca fiquei com mulheres! – Rápida e objetiva. e Brookie beberam e os meninos beberam, eu ri.
- Foi em um momento de tédio! – Brooke falou.
- E estávamos bêbadas! – falou.
- Vocês duas? – Perguntei, rindo ainda mais.
- Foi na turnê do ano passado, estávamos todos bêbados e tinham gays e... Pelo menos foi engraçado. – falou, ficando ainda mais vermelha, eu também ria muito, até que começou a perder a graça e era a vez do .
- Eu nunca agarrei ninguém em um ônibus. – Ele falou inocentemente, olhando em volta.
Viado! Eu e bebemos, fiquei vermelha até a alma, apenas sorriu. Brooke olhou para mim e sorriu também.
- Minha vez! – falou rápido, a fim de evitar explicações. Fiquei super agradecida. – Eu nunca tive vontade de ficar com ninguém dessa roda! – Ele falou e bebeu. Eu senti seu olhar cair sobre mim, o tomate. Fiquei olhando para ele enquanto todos bebiam. Eu devia fingir que nada aconteceu, mas eu bebi rapidamente.
- Eu nunca fiquei com garotos de bandas! – Foi a vez de dar o sorrisinho, isso é um complô contra mim. Eu bebi. Só eu bebi! Ignorei os risinhos do meu lado e olhei para Brooke, esperando que ela falasse. Ela não falou. Apenas olhava para mim e para , ria, eu estava colorida, também ria e fingia que não estava entendendo. Virei o copo que estava em minha mão, quase cheio, senti minha garganta queimar e meu estômago dar uma volta. Todos olhavam para mim, abaixei a cabeça e cobri o rosto com as mãos, ouvi a voz da Brookie.
- Vocês não me enganam! – Ela ria.
- Ahn? – Me fiz de desentendida. Se a Brooke não tivesse certeza absoluta de que eu tinha ficado com , ela acreditaria na minha pequena encenação.
- Ah , vocês querem que a gente acredite que vocês ficaram trancados em um ônibus a noite toda e não trocaram nenhum beijinho? – Eu vou matar a por esse comentário, que me deixou mais vermelha do que antes. sorriu, eu vou matá-lo também, ele só sabe sorrir, por que ele não me ajuda a disfarçar? Mesmo sabendo que não tem jeito e que eu vou ter que contar todos os mínimos detalhes para elas, depois!
- Gente, eu conheço várias pessoas que têm bandas, e o e eu somos amigos! – Falei. Ele concordou com a cabeça.
Ainda não está ajudando muito, !
- Aham! Você está dessa cor por que então? – perguntou, desisto!
- Ok, ok! – Vi um sorriso enorme surgir no rosto de . Levantei uma sobrancelha olhando para ele. Então era isso que ele queria! – Eueoficamos!
Desaprendi o significado de espaços! As meninas me olharam com cara de que não entenderam absolutamente nada!
- Eu e a ficamos! – respondeu claramente, para minha sorte, não dava para ouvir lá da frente. Enchi, novamente, o meu copo e o virei goela a baixo.
- Vocês acharam que eu não ia perceber? – Brooke tinha um sorriso triunfante.
- Chega Brooke, agora você já sabe, fica na sua! – Falei séria.
- Mas por que? – Ela perguntou e eu lancei um olhar de repreensão para ela, que logo ficou quieta.
- Cansei dessa brincadeira! - Voltei para o canto da poltrona, a garrafa estava na minha mão. Vi voltar para sua poltrona e , que estava sentado do lado dele no banco de trás, voltou a sentar do meu lado.
- Acho que não foi uma boa idéia! – Ele comentou, pegando a garrafa e tomando um generoso gole.
- É, não foi! – Fiz o mesmo, bebemos e repetimos as doses várias vezes, até a garrafa (que estava cheia até pouco mais que a metade) esvaziar.

Estávamos rindo de tudo e falando coisas incompreensíveis, Brooke e estavam rindo da gente. Nem me importei. Eu estava mexendo/bagunçando o cabelo de e ele estava com uma de suas mãos em minha cintura, praticamente me abraçando, enquanto eu tentava imitar a Janis cantando Mercedes Benz. rachava de rir. Alguns minutos depois, eu nem sabia mais o que estava cantando, estava rindo da cara da Brittany que o tempo todo olhava para trás, para ver se eu estava agarrando o seu , enquanto o mesmo falava barbaridades da garota na cama, garoto mau caráter. Logo estávamos cantando “I Wanna Be Well”, parecendo dois drogados, se bem que não estávamos muito diferentes disso. Uma curiosidade imensa sobre o comportamento de surgiu em minha cabeça.

- ? – Ele olhou para mim, estávamos bem próximos. – O que eu sou para você? – Ele pareceu não entender a minha pergunta (nem eu entendi, não era exatamente o que eu queria dizer, mas era a única maneira de perguntar, pelo menos naquele momento), mas ele ia responder.
- Chegamos! – gritou na hora em que abriu a boca.
Puta que pariu!
Eu vou bater no !

Desviei o olhar dos olhos de e sorri, o típico sorriso bêbado. levantou e eu fiz o mesmo, vendo-o pegar sua mochila e, logo depois, entregar-me a minha, fofo. Depois que todos à minha frente desceram do Ringo, eu já estava bufando com a lerdeza das pessoas para sair de um ônibus, eu desci e fiquei parada, esperando que Pete abrisse o compartimento ao lado do ônibus para podermos levar os instrumentos, o que era inútil, já que nunca vi os meninos ensaiarem no hotel. Mesmo assim, peguei um dos cases e entrei no hotel, os meninos fizeram o mesmo com o resto dos cases e instrumentos. Dessa vez estávamos no oitavo andar, esse prédio era um pouco mais alto que os outros, ainda com quatro quartos por andar, só que, dessa vez, nos dividimos em dois. e , e , Fletch e Pete, Ashley e Brittany, Eu e Brooke, ficaria em um quarto com a Sally, no nono andar.

- Então... - Fletch começou a falar, nos entregando as chaves e entrando no elevador. – Qualquer coisa, estou no sétimo andar, quarto 702, , , , e , vamos fazer uma reunião algumas horas antes do show, eu ligo para o quarto de vocês. Até mais. – O elevador fechou.

- O que vamos fazer agora? – Brooke perguntou. Olhei para ela, séria, apesar de ainda estar meio bêbada.
- Você eu não sei, mas eu e os meninos vamos levar isso lá para cima. – Falei, olhando para os meninos e chamando o elevador que Fletch não teve nem o bom senso de nos deixar entrar quando subiu. – Não é, meninos?
- Aham, em que andar nós estamos? – perguntou, acho que ainda estava sob efeito do álcool também.
- Oitavo! – respondeu.
O elevador chegou, , e eu entramos, deixando e olhando para a gente com cara de cachorro abandonado. Meigo. O que posso fazer se não tinha espaço? Colocá-los no bolso? É, bem que dá para guardar o Dougie. Ok, parei! Chegamos ao nosso andar, eu estava no 804 e os meninos no 801, finalmente eu não estava no quarto em frente ao de . Coloquei os instrumentos no quarto deles e fui para o meu, colocar a minha mochila, para descer e encontrar as meninas no saguão, para ficarmos em umsofazinho desconfortável, com a maior cara de tédio, porque era tudo o que se tinha pra fazer, além de...
- Estou com fome! – interrompeu meus pensamentos quando eu estava chegando na parte da comida, as vezes eu desconfio de que essas pessoas lêem mentes, é sério, eles me assustam!
- Vamos ao restaurante? – Perguntei indo para o elevador, que chegou trazendo , e um monte de instrumentos.
- Já vamos, pode ir na frente! – falou, mas me seguiu.

Encontramos as meninas no saguão e fomos para o restaurante, eu precisava de uma boa pizza, previ que os meninos também precisavam, então, assim que sentamos, sem nem perguntar às meninas e ao , pedi três pizzas, peperone, marguerita e mussarela. Alguns refrigerantes e um suco de laranja, pois é, eu sou saudável na medida do possível. Deixei que escolhessem os refrigerantes já que não tomaria, pelo menos isso, não é?! Não me surpreendi quando todos pediram Coca-Cola.

- Então são três pizzas, mussarela, peperone e marguerita, três Cocas e um suco de laranja? – O garçom perguntou, para confirmar o pedido
- Não, são uma, duas... – Eu contava nos dedos. – São seis cocas. – Ri da cara do garçom, ele deve achar que somos uns monstros, imagina, Brookie, , e eu comendo e bebendo isso tudo?! Nem que eu estivesse a uma semana a base de pão e água.
- O que pediram? – chegou, sentando ao meu lado, e logo sentaram-se conosco.
- Três pizzas, seis cocas e um suco de laranja. – respondeu e eu ri, lembrando da cara do garçom.
- Pizzas de que? – perguntou. – E quem vai tomar suco de laranja?
- Marguerita, peperone e mussarela! – Ele sorriu. – Eu sei que você gosta de mussarela e eu vou tomar o suco de laranja. – Ele mudou o sorriso de feliz para sem graça. Eu ri, junto com todos na mesa.
- Já conhecem até os gostos um do outro! – brincou, dando uma risadinha divertida, não para mim, que enrubesci com o inocente comentário. Vou bater no .
- , você está deixando o casal constrangido! – Brooke fingiu se preocupar com a pobre amiga. Vou bater na Brooke. Estou tão violenta ultimamente!

- Parem com isso. Eu e o somos amigos, nada mais que isso! – concordou, mas não parecia querer fazer isso, agora que eu sei que ele me ‘deseja’ (sim, deseja, foi o que ele quis dizer ontem, ou hoje? Tanto faz...), eu parei de reclamar mentalmente por ele não estar mais me olhando, mesmo que ele tivesse parado de fazer isso, mas também nem me importa mais, o problema é ele não reparar em mim, sabendo que ele está reparando, não dou a mínima para ele. Eu tenho complexo de superioridade!
- Sei, amigos que se agarram em ônibus! – Lancei um olhar fulminante para . Dessa vez eu realmente vou bater nela. Como ela fala isso, assim? Ela prometeu que ficaria calada. O jeito seria me fazer de desentendida, como sempre, só que agora, com a ajuda de , e Brooke.
- Como assim se agarram no ônibus? – perguntou, lançando um olhar de mim para , eu fingi nem reparar nele.
- Também não entendi, e sua mente fértil! – Falei e me olhou com dúvida nos olhos, torci para que ele não percebesse nada.
- Só pode ser coisa da mesmo! Cadê essa pizza que não chega? – está aprendendo.
Comigo, claro!

Eu sou o melhor dos exemplos. Primeiro eu o ensino uma brincadeira, de certa forma, intimidadora, depois o ensino como ser sonso, não quero nem pensar em qual vai ser a próxima lição. Ri dos meus pensamentos e vi o garçom se aproximar da mesa, checando no bloquinho se é a mesa certa, já que o numero de pessoas aumentou, é essa tio, dá logo a pizza. Para o meu azar, a pizza era da mesa ao lado.
Broxei.

Começamos a rir da brincadeira sem graça do garçom, mas logo nos recompomos ao ver a nossa pizza ser colocada sobre a mesa. Agora sim, pensei que ficaria aqui babando e tendo que agüentar insinuações sobre mim e o . A pizza era a marguerita, adoro. Fui a primeira a pegar um pedaço, logo vi outro garçom equilibrando uma bandeja com várias latinhas de coca-cola, vários copos e uma pequena jarra de suco, essa não tinha como errar. Logo chegou a pizza de mussarela, adoro também. Esperei o garçom terminar de servir o meu suco e as cocas e comecei a comer. Éramos sete, cada pizza tinha oito fatias, a oitava fatia da primeira foi para o , que foi o mais rápido, a da segunda foi para o e conseguiu a terceira, pobre .
Bemfeitofilhodamãe!

Mentira, eu nem estou mais com raiva do . Mas bem que ele merecia pagar pela sacanagem que fez, mas só pelo fato de ter agarrado o e de ter sido bem melhor do que eu imaginava, ok, eu não imaginava, mas mesmo assim valeu a pena.
Só para deixar bem claro, isso não vai se repetir!
Terminamos de comer e pedimos a sobremesa, torta de chocolate para todo mundo. Wee!
Depois de devorarmos os enormes pedaços de torta, ficamos algum tempo conversando e subimos para nossos quartos.

7


I Really Wish It Was Only Me And You


Eu não me entendo, primeiro eu reclamo do me comendo com os olhos, depois reclamo que ele parou de me olhar, aí eu me agarro com ele no Ringo, agora repito para mim mesma que isso foi uma besteira e que não vai acontecer de novo, mesmo que, no meu subconsciente, eu saiba que foi demais. Dude, o garoto tem pegada. Mas e daí? Não estou nem aí, posso arranjar alguém muito melhor que ele. Assim que eu pegar o telefone do Depp, eu resolvo minha vida!

Livrei-me de meus pensamentos idiotas e fui tomar um banho, eu estava no quarto há alguns minutos, filosofando sobre a minha vida, ou melhor, a minha viagem. Tinha até esquecido do show e da reunião com Fletch, no caminho para o banheiro, ouvi uma gritaria que vinha do quarto ao lado, parecia uma discussão, ignorei totalmente, o quarto ao lado era o da Brittany, não fazia a mínima questão de saber o motivo da briga, provavelmente tinha perdido um brinco, ou alguma outra coisa fútil.
Saí do banheiro e ouvi o telefone tocar. Cadê o meu descanso?

- Alô!
- , é o Fletch! – Não diga, eu nem tinha percebido! Sem falar que ele é uma das únicas pessoas que, quase sempre, me chamam pelo nome. – Chama os meninos, vamos rever o que faremos nesse show.
- Ok, estou indo! – Desliguei o telefone, terminei de me arrumar e saí do quarto.

Vi entrando na porta em frente a minha, ele não estava no outro quarto? Vai entender. Ele parecia estressado, hesitei por um instante, mas eu tinha que chamar os meninos, mesmo correndo o risco de levar uma voadora. Vida de produtora não é fácil. Oh God!

- Hey hou hou ae... Outch! – Tentei chamar o antes de ele fechar/bater a porta na minha cara. Mal educado!
- Desculpa ! – Ele abriu a porta, com a maior cara de culpa. Eu ri.
- Tudo bem, o Fletch me pediu para chamar vocês para uma reunião no quarto dele. – Falei.
- Agora? – Ele fez uma cara de derrota. Eu concordei com a cabeça.
- O show é daqui a algumas horas... – Expliquei. Pela cara, acho que ele entendeu a urgência. – Então?
- Vamos. – Ele deu de ombros. – ! – Ele gritou, me dando um "leve" susto. Como é que ele berra assim, do nada, sem dar ao menos um aviso prévio para que eu pudesse preparar o meu psicológico?
- Fala! – Um , com cara de sono, surgiu trajando uma boxer. Juro que se não os conhecesse diria que estavam se amando ali dentro. – Opa! Foi mal ! – Ele riu sem graça, se cobrindo com um lençol. Cômico!
- Porra , agora ela sabe do nosso caso! – reclamou. Eu segurava o riso. – Reunião no quarto do Fletch, veste uma roupa, vamos.
- Vou chamar os outros meninos. – Falei, indo para o outro quarto, bati na porta.

abriu, a única coisa que o diferenciava de era uma bermuda que cobria menos da metade de sua boxer. Assim que abri a boca, ouvi uma porta sendo batida, fortemente, atrás de mim, olhei para trás e vi a Brittany andar até o elevador e o chamar, segundos depois, ela entrou no mesmo, me fitando com fogo nos olhos. Tenho medo dela. Até que, finalmente, ela sumiu do meu campo de visão. Ignorei o fato e voltei a atenção para o .
- Dude, qual o problema de vocês? – Perguntei e ele arqueou uma sobrancelha. Claro que ele não entendeu, ele não viu o de boxer e, provavelmente, nem sabe o que está vestindo, tamanha é a cara de sono da criatura. – Esquece. Reunião no Fletch, avisa ao ! – Virei para voltar ao quarto do , mas, logo em seguida, virei para o de novo. – E vê se veste uma camisa e lava esse rosto.

Bati na porta do quarto 702, os meninos estavam com a maior cara de tédio. Mas o que eu posso fazer? O produtor mor aqui é o Fletch! Falando, er, pensando nele, Fletch abriu a porta e nos deu espaço para entrarmos. Joguei-me em um sofazinho perto da varanda e fez o mesmo, se jogou na cama, e sentaram em uns pufes, Fletch sentou na cama, ao lado dos pés do . Depois de alguns minutos de reunião, não chegamos a nenhuma decisão.

- Eu acho que devíamos tocar “I Wanna Hold Your Hand” de novo, a galera de Manchester gostou, com certeza as pessoas aqui vão gostar também. – deu sua opinião.
- Eu acho que deveríamos tocar outro cover! – falou.
- Mas não vai fazer tanta diferença, não são as mesmas pessoas. Acho que deveríamos fazer o mesmo. – Foi a vez de .
- Está muito em cima da hora para mudar o repertório, mas eu acho... – Todos olharam para mim, meu ego não tem mais para onde subir. – Que vocês deveriam tocar outro cover! – Eu não estou puxando saco do , mas veja bem. – Tudo bem tocar o mesmo, mas a gente devia tentar outros, assim sabemos qual a preferência do público.
- A gente sempre mexe no repertório assim, do nada. Eu concordo com a . Mr. Brightside? – falou. Cara, eu amo essa música, mas ela nem tinha passado pela minha cabeça!
- Não sei, tem tempo que não tocamos essa nos ensaios! – respondeu. Idiota.
- Psra que vocês ensaiam se não vão tocar? – Fletch perguntou. – Vamos subir, vocês vão repassar essa música agora!
- Mas e os outros hóspedes? – Perguntei. O Fletch só pode estar louco. Daqui a pouco surge o gerente do hotel reclamando do barulho.
- A gente ajusta o volume das caixas, e a maioria dos hóspedes são músicos, não vai fazer diferença para eles. – Fletch respondeu. Tudo bem, então.

Fomos para o quarto do , que antes era do , ainda quero entender essa parte. Arrumamos todos os instrumentos em seus respectivos lugares, naquele quarto que, obviamente, não foi projetado para ensaios de bandas, cada McGuy foi para o seu lugar. Adoro chamá-los assim. Começaram a tocar, começou errado umas três vezes e o errou duas. Assim fica difícil. Depois de umas sete tentativas – olha que eles são bons –, tocaram toda a música certa, a ensaiaram três vezes, depois tocaram Broccoli, Not Alone e Surfer Babe. Segundo eles, as outras estavam bem ensaiadas.
Fui para o meu quarto, me arrumar para o show e os meninos fizeram o mesmo. O quarto ainda estava vazio, não sabia onde estava a Brooke, nem a , que, por incrível que pareça, não surgiu no meu quarto até agora.

Vesti uma blusa qualquer que achei e um short curto, apesar do frio, e uma sapatilha preta, eu não tenho só All Stars, ok? Apesar de ter trazido três deles. Quando eu digo que a minha mochila é tamanho família. Minha mãe a chamava de mochila mágica. É sério! Você nunca imagina o que cabe nela, é ótima para essas viagens curtas, melhor que ficar carregando uma mala na mão.

Saí do quarto e fui procurar as meninas pelo hotel, primeiro fui ao saguão, nada, depois ao restaurante, nada, resolvi ir ao lugar mais óbvio, nada no quarto da também. Peguei meu celular, eu tinha que ter o número de, pelo menos, uma delas. Ahá, . Tocou uma vez, tocou duas, três, quatro, cinco...

- Oi! – Ouvi quando estava afastando o telefone do ouvido para desligar.
- Onde você está, Dona ? – Perguntei em um tom imperativo e brincalhão. Elas me fizeram andar todo o hotel, apesar do meu tom, eu estava meio irritada.
- Estamos no quarto do James, dude, esses meninos são loucos. – Ela estava rindo.
- O que estão fazendo? Dando uma de groupies?
- Vira essa boca para lá , estamos conversando. A Brooke está indo para o quarto dela, eu vou me arrumar e vamos para o show, ok? Eu vou com vocês!
Novidade!

Voltei para o quarto para dar um jeito na minha maquiagem, não uso muita maquiagem, mas de vez em quando é legal, só uso o básico para os shows, rímel e gloss, de vez em “nunca” uso sombra ou delineador, só em ocasiões muito especiais. Deu para perceber que futilidades não são comigo, não é?
Brooke entrou no quarto, pegou sua mochila e correu para o banheiro, ela é outra que também usa mochila, acho que só a Brittany e a Ashley fazem uma viagem de menos de duas semanas com uma mala gigantesca de mão, que mal conseguem carregar.

Brooke saiu do banheiro com uma calça à francesa, uma blusa preta do Oasis e calçou seu All Star branco, que, por sinal, eu tenho uma igual, só que com a listra lateral vermelha, a dela é preta. Ouvi uma batida na porta e não tive nem tempo de perguntar quem era, entrou, usando uma calça jeans sarouel, uma blusa azul do New Found Glory, que eu também tenho igual, e All Star preto, esse eu não tenho.

- Estão prontas? – Ela perguntou, olhando para mim e para Brookie.
- Só falta arrumar meu cabelo. – A Brooke falou, me empurrando para que saísse da frente do espelho! – E era uma vez uma pobre educação.
- Vamos Brookie, não vai fazer diferença, joga para frente, depois para trás que ele fica lindo. Aprendi com a minha mãe. – Ela jogou a cabeça para frente, deixando o cabelo longo, liso e loiro cair, depois jogou a cabeça para trás, o cabelo caiu pelo rosto e ficou arrumado de forma bagunçada, do jeito que só eu e os meninos do McFly sabíamos fazer, agora revelei meu segredo. É claro que o deles é muito mais complexo!
- , eu te amo! – Ela falou, concertando a franja que estava caída no olho, já falei que ela abomina emos e tudo que a faz lembrar-se deles?
Saímos do quarto e, enquanto elas iam chamar o elevador, eu bati na porta do quarto de e .
- , bate nessa porta para mim? – Pedi, apontando para o quarto do . Ela o fez.
- Hey! – falou, abrindo a porta.
- Er... Oi? – falou, abrindo a porta.
Eu ri. A fez uma cara de que não sabia o que fazer.
- Vamos? – Chamei e saiu do quarto. – Cadê o ?
- Lá em baixo, já levamos os instrumentos. – Ele respondeu.
- Vamos meninas? ? – Chamei, enquanto passava pela porta onde estava parado.
- Vamos! – saiu, empurrando o coitado do . Essas pessoas não conhecem o significado da palavra “licença”.

Entramos no elevador. Chegamos ao saguão, dava para ver , Fletch e Pete conversando em frente a porta do Ringo. Ash e Britt já deviam estar dentro do ônibus, os educados (, e Brooke) entraram primeiro, logo depois , Fletch, eu, e Pete. Quando passei pela Brittany, ela me lançou um olhar amedrontador, como aquele de quando eu fui chamar os meninos para a reunião e ela passou. Deve achar que eu estou tendo um caso com o ‘peguete’ dela! Eu mereço!

- Sua “namoradinha” está me matando com os olhos! – Falei, segurando no braço de , como que para me proteger. Ele riu.
- Nós meio que terminamos! – Ele falou quando sentamos nas nossas poltronas. – E ela nunca foi minha “namoradinha”! – Ele falou debochadamente a última palavra, assim como eu havia feito.
- Desculpa, ela era a sua groupie número um. Está explicado porque ela me olha assim. Ela deve achar que temos alguma coisa. – Falei, pensativa.
- Ela acha. – Olhei para , ele falou com uma certeza inquestionável. – Quando eu terminei com ela, ela perguntou se era por causa de você! – Morri.
- O que você disse? – Perguntei, preocupada.
- Que não, não é ? – Ufa! – Eu disse que nós éramos amigos e tal, mas acho que ela não acreditou. Fazer o que? – Ele deu de ombros.
- Coitada! Você nem se importa com a garota! – Falei com pena. A menina está sofrendo (eu acho) e ele nem ao menos finge preocupação. Vê se eu tenho coragem de me envolver com essa criatura?
- Ela arranja outro. – Ele riu. Não pude deixar de fazer o mesmo. – Esquece isso. E aí, você acha mesmo que vai ficar legal o cover do Killers?
- Claro. O do Beatles ficou perfeito, não ficou? – Perguntei, esquecendo o assunto Brittany. Ele concordou com a cabeça. – Então, esse vai ficar perfeito também. Vocês são bons!
- Eu sei! – Juro que esperava um “você acha mesmo?”, um “obrigado” ou algo do tipo.
- E modestos! – Completei a minha frase. Ele riu.

Entrei no camarim com duas cervejas na mão, os meninos estavam repassando as músicas, Brookie e estavam no meio do backstage conversando com os meninos do Busted, pelo visto, eles se dão muito bem. Entreguei uma cerveja ao e sentei o mais longe possível de Brittany e Ashley, que me olharam feio. Fletch sentou do meu lado.

- Eles não deviam beber antes do show! – Fletch falou, olhando para a mão de .
- Relaxa Fletch! – falou, pegando a garrafinha da minha mão. – É só uma cerveja.
Não disse? São todos educadíssimos!
- Mesmo assim ! Essa é a última, ok? – concordou com a cabeça, me entregou a bebida e saiu do camarim.
- Falta quanto tempo para entrarmos? – perguntou, sentando do meu lado.
- Uns vinte minutos. – Respondi. – Por que essa ansiedade?
- Não sei. – Ele respondeu, pegando a minha garrafinha. Por que essas pessoas não se dão o trabalho de sair para comprar uma cerveja e ficam pegando a minha? – Cadê as meninas? – Apontei para onde estavam Brittany e Ashley. – Não essas!
- Ah tá! A está aí fora! – Respondi sorrindo. fez uma cara de “não foi o que eu perguntei”. Eu ri. – Vou dar uma volta. – Avisei e saí do camarim, eu ia comprar mais uma cerveja, mas tenho certeza que se falasse isso, o Fletch me mandaria de volta para casa com um pontapé. Passei por e Brooke, que conversavam com James e Matt. – O estava perguntando por você! – Falei, para que só a ouvisse e saí do backstage em direção ao bar.

Quase peguei uma fila enorme, se não fosse pela minha credencial, vida de produtora é tudo! Peguei a minha cerveja e voltei. O cara da portaria já não agüenta mais me ver. Passei por onde as meninas estavam e só encontrei a Brooke conversando com os meninos. Além de ótima produtora musical, sou um ótimo cúpido também. Está na hora de fazer um cartão de “Trago a pessoa amada em... Dez minutos?”. Ri das minhas maluquices, entrando no camarim do McFly, vi a e o conversando animadamente, em um sofazinho. Sorri e sentei entre e Fletch. Fletch me lançou um olhar ameaçador, tinha até esquecido que não era para beber na frente dele, agora já era.

- Relaxa Fletch, não vou mais deixar os meninos beberem antes dos shows. Nem um gole! – Prometi, recebendo um olhar fulminante de .
- Espero! – Fletch não estava de muito bom humor. Parece que esse show os deixaram mais ansiosos. Talvez por causa da nova música no repertório. Como se isso fosse novidade!
- Vocês estão estressados demais hoje! – Comentei. Não consegui ficar calada. Minha curiosidade é maior que tudo!
- Acho que essa música do The Killers não vai dar certo! – Fletch respondeu à pergunta que eu fiz mentalmente.
- Claro que vai, os meninos a tocam perfeitamente bem! – Falei.
- Eu não sei , tem meses que eles não tocavam essas músicas no ensaio. E se esquecerem alguma coisa? – Fletch estava realmente preocupado. Sem motivos, pois os meninos ensaiaram e reensaiaram no hotel, e estava muito bom.
- Relaxa Fletch, a sabe o que faz! – comentou, bagunçando meu cabelo.
- Pois é, agora esqueçam essa ansiedade fora do normal e se preparem, faltam três minutos! – Falei, olhando para o relógio branco no meu pulso. Adoro branco, por mais que eu goste de cores, o branco sempre dá um toque especial. Melhor que o preto, que é muito básico.
- Que frase mais sem sentido. Como você pede para a gente se acalmar e fala que o show começa em três minutos? – reclamou. Ele já devia estar acostumado com isso, afinal, eles estão em turnê.
- Dois! – Corrigi rindo. – Vou chamar os outros meninos.

ainda estava conversando com , mas eu não sabia onde estavam e . Quando saí do camarim, os vi conversando com o James, agora a Brooke, onde ela se meteu? Avisei aos meninos que o show começaria em dois minutos e fomos para o camarim. A banda que tocava saiu do palco e corremos para levar os instrumentos. Minha função agora é de roadie! Ninguém merece. Depois de alguns minutos arrumando tudo, saí do palco e fui para trás dos superamplificadores. Brookie, , Ash e Brittany, como sempre, estavam lá. Eu e Fletch nos ajeitamos no meio delas e o show começou com “Five Colours in Her Hair”. A penúltima música foi “Mr. Brightside”, eu sou demais, não erro uma. A galera adorou, as meninas, atrás de mim, também. Não pude deixar de olhar para elas e falar:

- Foi idéia minha! – Mentira, foi idéia do , mas elas não precisam saber disso, sem falar que os créditos são meus de qualquer jeito, porque, se não fosse por mim, eles teriam desistido.
Depois de finalizarem com “Down By The Lake”, os meninos saíram do palco direto para o camarim, deixando o trabalho pesado para mim e Fletch.
- Vocês são umas bixas! – Falei, entrando no camarim com um amplificador. – Levantem, vamos colocar isso no ônibus.
- Relaxa , deixa a gente descansar um pouco. – reclamou, se ajeitando no sofá.
- Um rockstar não descansa. Vamos, eu quero dormir! – Chutei a perna de para que ele levantasse.
- Outch! – Ele massageou o local atingido. – Estamos indo, não precisa dessa violência! – Ele falou, levantando e guardando os instrumentos.
- Para onde vamos hoje? – perguntou, entrando no camarim.
- Para a cama , estou cansada! – Respondi.
- Cansada? Você não ficou meia hora se esgoelando e sentindo o peso de um instrumento nos ombros! – falou. Exagerado. Eu ri!
- Não foi você que trouxe todas essas coisas do palco. – Rebati.
- Ok, parem com isso. Vamos levar essas coisas que eu quero ir embora. E nada de brincadeiras sem graças, como deixar alguém dormindo no ônibus! – Fletch falou autoritário. Parecia até que ele sabia da vingança do !
Todos obedeceram, os meninos levantaram e até e Brookie nos ajudaram a levar os instrumentos para o Ringo.


8

Why Don’t You Like Me?


Entrei no restaurante do hotel e todos já estavam lá, nem acordei muito tarde. Dez e meia da manhã não é tarde, é? Depois de passar alguns minutos dormindo em um ônibus, as pessoas tendem a acordar cansadas e, se não fosse pelo Fletch, que proibiu brincadeiras e farras durante a turnê, eu estaria um caco. Cumprimentei todos na mesa com um “bom dia” e me juntei a eles. Todos conversavam animados, pareciam ter dormido bem, mas meus olhos se concentravam em uma figura do outro lado da mesa, sorrindo timidamente, seu cabelo preso em um rabo de cavalo frouxo e com alguns fios soltos, estava linda e tão animada quanto os outros na mesa, a estava realmente bonita para alguém que tinha acabado de acordar. Sim, ela tinha acabado de acordar, eu sei disso porque dava para perceber que ela ainda estava com sono e seus olhos estavam levemente inchados.

Depois do café da manhã, não se tinha muito que fazer, já que só viajaríamos para Sheffield no dia seguinte, então eu, assim como todos, ou quase todos, na mesa, fui para o meu quarto. A única coisa interessante que dava para fazer era dormir, mas, por incrível que pareça, eu não queria fazer isso. Lembrei que tinha prometido a que a ensinaria a tocar violão, espero que ela ainda queira as aulas. Fui ao quarto de Fletch pedir a chave do ônibus ao Pete, fui até o Ringo e peguei o violão que ficava no maleiro. Quando saí do ônibus, notei que o hotel era perto da praia, dava para ir andando. Voltei para o meu quarto, deixei o violão lá e fui ao quarto da . Bati na porta e logo ela se abriu, estava sentada em uma das camas e Brooke segurava a porta.

- Hey ! – Brooke sorriu. Sorri de volta. – Eu vou... Eu vou ao quarto da ... – Ela saiu do quarto. Eu ri.
- O que foi, ? – perguntou, se levantando.
- É que eu lembrei que tinha te prometido aulas de violão... – Respondi, ela sorriu.
- É mesmo. Cadê o violão?
- É que eu tive uma idéia melhor! – Sorri, ela sorriu tímida. Acho que ela entendeu errado. Expliquei rapidamente. – Tem uma praia aqui perto, a gente podia ir lá.
- Mas , está frio!
- Não precisamos entrar na água. Vamos! – Insisti. – A gente chama o povo.
- Ok. Pega o violão.

Nós chamamos , , , e Brooke. Claro que eu não teria coragem de chamar a Brittany, por isso não dava para levar a Ash. Mas, sem problemas. A praia era realmente perto, só precisamos atravessar a rua e andar alguns metros. Estava frio. Eu estava usando um casaco vermelho e uma bermuda cinza. estava de calça jeans e camiseta branca. Perguntei-me se ela não estava com frio. e eu levávamos os violões. Sentamos na areia, e continuaram andando, até que não os vimos mais. segurava sua inseparável câmera, ela tirou uma foto sem que percebêssemos e guardou a câmera na capa, colocando na areia, depois pegou o violão da mão de , quem conversava com e Brooke.

- Qual a primeira? – Ela perguntou. Acredito que estava se referindo à qual música eu ensinaria.
- Quantas músicas você pretende aprender hoje? - Como se fosse fácil assim! Ela sorriu e eu continuei - Eu pensei em te ensinar alguma coisa dos Beatles, mas as músicas deles são muito fáceis - fez uma careta.
- E você quer me ensinar coisas difíceis? - Ela arqueou uma sobrancelha.
- Não exatamente. Quer aprender Mr. Brightside? - Perguntei. Ela abriu um sorriso de uma orelha à outra e eu entendi a resposta. - É fácil, só tem quatro acordes mais o dedilhado.

A aprende as coisas rapidamente, deve ser o sangue musical, sem falar que ela fica linda tocando, toda séria, concentrada e quando erra alguma coisa, começa a rir, parece uma criança. Engraçado quando ela coloca a pestana, eu tenho que colocar os dedos dela nas cordas e ainda dar o exemplo no meu violão. Mas vale a pena, só pelo fato de tê-la por perto. Eu não entendo, a não é igual às outras meninas, ela é tímida e ao mesmo tempo espontânea, é ela mesma, todas essas meninas que viajam com bandas têm como objetivo “pegar” os músicos, claro que tem suas exceções, como a Brooke, que já viaja com a gente há um bom tempo, mas eu já percebi como ela olha para o , mas a é totalmente diferente, não está nem aí para nada, claro que ela se importa com as pessoas, como quando ficamos no ônibus, que ela falou da Brittany, mas não é como se ela fizesse as coisas para agradar as pessoas, e sim a si mesma. O problema dela é que ela consegue me ignorar, enquanto eu fico parecendo um retardado olhando para ela.

- Não , esse dedo é aqui! – Concertei a posição dos dedos. Ela já estava com cara de tédio quando repetiu o verso.
- But she’s touching his chest now. – Ela cantou e conseguiu colocar a nota certa e no tempo certo. Sorri, ela fez o mesmo. – Já falei que odeio pestana?
- Umas quinze vezes! – Na verdade ela falou isso umas cinco ou seis vezes, mas a graça está no exagero! Ela fez uma careta e eu ri. - Desculpa. Eu sou chata, não é? Você aqui com a melhor das intenções e eu reclamando do acorde! – Minha intenção não era exatamente das melhores não, mas tudo bem.
- Relaxa , é normal, você já conseguiu, agora só precisa praticar um pouco, não é difícil! – Ela sorriu, colocou o violão ao lado e se jogou para trás, deitando na areia. Fiquei apenas olhando. – Vamos tentar de novo!
- Isso cansa, sabia? – Ela levantou e pegou o violão. Isso porque ela não está em turnê com a banda!
- I neveeeeeer, I neveeeeeeer... – , , , Brooke e eu finalizamos com risos, ficou legal, mas a começou a rir, eu não resisti, comecei a rir também.
- Bravo! – batia palmas sorrindo e se aproximando. Os olhos da brilhavam.
- Está vendo como é fácil? – Falei, ela sorriu.

, e Brookie estavam brincando de pega-pega em volta da gente, e riam. levantou, a fim de participar. Como ela entrou por último, ela pegava. e riam mais ainda, eu estava com um sorriso bobo no rosto, como ela consegue ser tão natural enquanto eu não consigo parar de tirar os olhos dela?

- DOIS ALTOS! – gritou. Cara, há séculos que eu não ouço isso. Rolei de rir, junto com todos os outros quando ela falou.

achou um pedaço de madeira, provavelmente algum galho de árvore. Paramos para observar o que ela iria fazer. Ela se curvou para frente e desenhou um enorme coração em volta de si mesma. Levantei e fui até lá. Por incrível que pareça, estava bonito. Peguei o pedaço de madeira da mão dela, a expulsei do coração e escrevi meu nome no meio.

- Engraçadinho. – Ela falou rindo. Os outros se aproximaram. arrancou o galho da minha mão e escreveu o seu nome um pouco abaixo do meu.
- Vocês fazem um casal lindo! – zoou, pagando o galho e escrevendo o seu nome em cima do meu. Logo todos escreveram seus nomes. fotografou tudo sem que percebêssemos. A câmera dela não fazia barulho e como estava claro não precisava de flash.

Sentamos em volta do desenho e começamos a tocar. A , que antes estava do meu lado, agora estava para lá e para cá, tirando fotos de todos os ângulos possíveis e nos obrigando a parecer espontâneos. Ela voltou a sentar ao meu lado, agora e tocavam. Descobrimos que a Brooke tem uma voz linda cantando, fizemos ela cantar Cranberries, Veruca Salt, Elástica e Guns n’Roses. Essa última parte foi culpa da , ela disse que não precisava ter a voz do Axl para imitar ele, só o cabelo já basta. Quando ela quer, ela tem bons argumentos, mas acho que ela não faz muita questão de usá-los. A estava tremendo do meu lado. Em meio a zoações de Brooke e , eu tirei meu casaco e emprestei a ela.

O sol estava se pondo, eu não sabia, mas estávamos justamente do lado onde ele se escondia, acompanhamos o pôr-do-sol, enquanto cantava Beatles e tirava fotos da gente para aproveitar o efeito que aquela luz daria. Já estávamos cansados quando voltamos para o hotel. Encontramos Fletch no saguão, esperando por nós.

- Por que não avisaram que sairiam? – Ele perguntou, estressado.
- A gente esqueceu, mas não pretendíamos voltar tarde. – Respondi.
- Foi culpa minha Fletch, eu os chamei. Eu tinha a obrigação de avisar, desculpa. – falou. Não entendi porque ela assumiu a culpa, sendo que a idéia foi minha. Mas quando Fletch abaixou o tom de voz, ficou bem claro o motivo.
- Onde vocês estavam?
- Podem subir! – Ela falou com a gente, todos subiram, mas eu fiquei lá, se a culpa foi minha, eu não podia deixar que ela ouvisse o sermão sozinha. – Nós fomos à praia, o me prometeu aulas de violão, então levamos os violões para lá, achamos que seria mais legal, então nos distraímos e quando estávamos voltando, vimos o pôr-do-sol e decidimos esperar um pouco, quer ver as fotos? – Ela sorriu, cara de pau! Abafei o riso.
- Não, depois você me mostra, agora vão descansar e esperar pelo jantar. Aposto que não comeram nada depois do café da manhã. – Fletch tinha a gente como filhos, mas com sua preocupação parecia maior.

O pior é que era verdade, não tínhamos comido nada, minha barriga reclamou ao perceber isso. Depois de dispensados, fomos para o elevador, junto com Fletch, ele ficou em seu andar e e eu seguimos para o nosso.

- Por que assumiu a culpa? – Perguntei de repente. me olhou pensativa.
- Às vezes é chato receber toda essa atenção do Fletch, porque ele é meu “tio”. – Fez aspas. – Mas tinha que usar isso ao meu favor algum dia, acho que se ele soubesse que foi você, ele não nos liberaria tão rápido, sem falar que a culpa também foi minha, eu tinha a obrigação de avisar.

Não falei mais nada enquanto seguíamos pelo corredor, ela já estava entrando no seu quarto quando lembrei de quando estávamos no ônibus, ela me perguntou o que era para mim, não sei como responder a essa pergunta, mas ela ficou martelando na minha cabeça, por que ela perguntou isso? Tudo bem que estávamos quase bêbados, mas a bebida entra e a verdade sai, não é o que falam? Eu sou muito curioso, não dava para ficar apenas pensando nisso.

- ? – Chamei, ela virou e respondeu com um “hum”. – Quando estávamos no ônibus, você me perguntou...
- ! – Ela me cortou. – Eu estava sob o efeito do álcool, nem me lembrava disso.
- Por isso mesmo, os bêbados e as crianças são os mais sinceros. – Ela sorriu sem graça. – Por que você perguntou isso?
- Eu não sei, esquece isso! – Ela falou, tentando finalizar o assunto. Fui até onde ela estava.
- Olha , eu não sei como te convencer disso, mas você não é igual às outras meninas! – Comecei, respondendo à pergunta que ela havia feito no ônibus, ela tentou me interromper, mas eu continuei. – Também não sei explicar exatamente o que é, mas não quero que você pense que eu te vejo como uma groupie.
- Eu sei ! – Ela conseguiu me interromper. – Não precisa explicar, somos amigos e pronto!
- Esse é o problema... – Me aproximei dela, ela respirou fundo e olhou diretamente nos meus olhos.
- Eu prometi a mim mesma que não aconteceria de novo, não faz isso! – Ela falou calmamente, me afastando com as mãos.
- Por que ?


9

But I’m Only Pretending, You Know.


- Eu não quero! – Falei, já ficando irritada com isso. Por que ele faz isso? Por que não se contenta com a Brittany, esquece que eu existo e pára de fazer isso comigo?
- Eu sei que não é verdade. – E eu sei que ele sabe disso (me senti o Pete Doherty agora). Ou ele diz isso só para me complicar de vez!
- Como você pode afirmar isso com tanta certeza? – Arqueei uma sobrancelha, andei pelo corredor. me segurou pelo braço e, segundos depois, senti minhas costas se chocarem contra a parede e seu corpo colado ao meu, minha respiração estava falha.
- Eu não sei! – Ele respondeu e se aproximou um pouco mais, eu senti a sua respiração batendo na minha boca, tentei resistir, mas ele foi mais rápido e me segurou, colando nossos lábios.

Deixei-me levar por aquela sensação, ele parecia saber o que estava fazendo, nos beijávamos com intensidade e leveza ao mesmo tempo, as mão dele, que antes seguravam as minhas, aos poucos desceram até a minha cintura, e as minhas mãos, automaticamente, pararam na nuca dele, brincando com seus cabelos, e, pela segunda vez, me dei conta do que estava fazendo e o empurrei, ele me olhou assustado e eu saí de perto dele, fui em direção do elevador e senti ele me segurar. Virei para ele, ficando de costas para o elevador.

- , espera. Desculpa – Ele se aproximou, ouvi o barulhinho do elevador e senti uma pancada no ombro, logo em seguida, vi a Brittany passando por mim. Provavelmente ela ouviu o pedido de desculpas de .
- Você não olha por onde anda, garota? – Perguntei irritada. Não já basta o , agora essa aí?! Ela ia responder alguma coisa, mas a Ashley, que estava com ela, falou.
- Desculpa! Ela não te viu! – E puxou a amiga na direção do quarto.
- Claro que viu! – Reclamei. Eu não devia estar arranjando uma briga, mas eu estava tão irritada que nem pensava antes de falar. Brittany olhou para o casaco que eu estava vestindo, ela devia saber que era do . A raiva era tão grande e aparente na expressão dela.
- Agora resolveu mostrar quem é, ? – Ela perguntou. Cínica! – Você é ridícula, garota!
- Eu sou ridícula? Você me odeia por que o te largou e eu que sou a ridícula? – A olhei de cima a baixo e tenho certeza que se a Ashley não tivesse segurando ela pelo braço, ela voaria em mim. – Fica com ele para você, vocês dois se merecem. Só o para agüentar uma groupiezinha de merda como você! – Virei de costas e senti algo puxar meu cabelo. Virei de volta e recebi um belo tapa no rosto, só então me dei conta do que estava acontecendo.

Fechei a mão com força, depositando toda a minha raiva ali e bati nela, vi o sangue escorrer pelo nariz dela. Brittany cambaleou e voltou a puxar meu cabelo e me xingava de algumas coisas que eu nem entendia, mas sabia que ela estava me esculhambando. Eu estava me preparando para dar outro soco na vadia, nos afastou e logo vi a Ashley vindo na nossa direção com , e , ela tinha ido chamar os meninos. me segurou, me abraçando, tentando me acalmar e segurou a Brittany, que ainda me xingava de todos os nomes que conhecia. Ashley e Brittany entraram no quarto delas, com a “ajuda” dos meninos, tentou se aproximar de mim para falar alguma coisa, mas fez um sinal com as mãos e ele foi para o seu quarto. bateu na porta do meu quarto e logo Brookie a abriu.

- Meu Deus, o que houve? – Brooke perguntou, levantando ao me ver.
- , você está pálida! – falou com uma mão no meu cabelo, analisando a bagunça deixada pela groupie idiota. – , pega água. – Ela pediu, apontando para o frigobar no canto do quarto.
- Ela brigou com a Brittany – falou, me sentando na cama, depois correu para pegar a água. Eu ainda estava em choque.
- Aquela groupie desgraçada, quem ela pensa que é? – A Brooke falou, ameaçando ir tirar satisfações, mas a a segurou.
- Fica aqui criatura, deixa a groupie lá.
- Isso é culpa sua! – Falei, quase gritei, apontando para . As meninas me olharam confusas, eu ignorei e peguei a garrafa de água com brutalidade da mão dele. Eu estava tremendo, mas era de raiva.
- Desculpa , eu não sabia que a Brittany era tão desequilibrada.
- Alguém pode explicar essa história direito? – Brooke perguntou irritada, interrompendo .
- Relaxa Brooke. – pediu. – , volta para o seu quarto, nós conversamos com a !
- Mas...
- , nós somos amigas dela, será que podemos conversar com ela a sós? – o interrompeu. Ele abaixou a cabeça, depois me encarou por alguns segundos.
- Desculpa! – Ele murmurou antes de sair do quarto.
- Agora conta, ! – Brooke ordenou.

Contei tudo, desde o que aconteceu no corredor até quando me arrastou pro quarto. As meninas não falavam nada, nem se mexiam, parecia que nem piscavam.

- Então ele me trouxe para cá. – Terminei de contar, tomando um generoso gole de água. Mas o que eu mais queria era alguma coisa com muito álcool.
- Ele gosta de você! – Brooke falou, como se tivesse acabado de desvendar um mistério.
- Sério? E você chegou a essa conclusão sozinha? – perguntou irônica.
- Gente, pára com isso! – Reclamei.
- Tenho culpa se a loira aqui não fala algo que preste? – falou, recebendo pedalas, meu e da Brooke. – Outch! Está na cara que ele está afim de você, está na cara que a Brittany está com dor de cotovelo e está na cara que você está totalmente perdida!
- Ótima observação gênio, obrigada pela ajuda! – Ironic mode: On.
Isso eu já percebi, fui obrigada a perceber, ela não precisava jogar na cara que eu não sabia o que fazer, afinal, amigas servem para ajudar nessas horas, certo? Mesmo que nós tenhamos nos conhecido há alguns dias. Mas elas não estão ajudando!
- Eu acho que você deveria dar uma chance a ele – A Brooke falou, eu ri.
- E ter meus cabelos arrancados pela groupie? – Perguntei.
- Se você quiser, dá uma chance a ele, a groupie não vai poder fazer nada, mas se não quiser, continua sendo só amiga, ou o ignora, pelo menos você não corre perigo de apanhar, nem de se chatear com ele, porque não podemos descartar a possibilidade de que ele só quer te comer! – , a delicada, expôs sua opinião, que também não ajudou muito. Lancei-lhe um olhar e um sorrisinho carregado de ironia e fiz um joinha com as mãos.
- Pára com isso, ele está louco por você. – Brooke falou.
- Olha, vocês não estão ajudando muito! – Finalmente falei. – Eu vou tomar um banho para ver se esfrio a cabeça e concertar meu cabelo, por que a retardada da groupie acabou com ele!
- Toma mais cuidado com a groupiekiller! – , além de super delicada, não é nada exagerada! Tenho que parar de ser tão sarcástica.
- É, quando acontecer qualquer coisa do tipo, você grita!
- Ok meninas, qualquer coisa eu grito por vocês, minhas seguranças-oficiais-contra-groupiekillers! – Entrei no banheiro rindo.

Tomei um banho quente, demorado e relaxante, vesti um short que peguei da Brooke e uma blusa enorme que roubei do meu amigo de Bristol, o Drew.
Adoro blusas masculinas, já furtei várias na casa dos meus amigos, são sempre úteis no frio. Peguei meu iPod, saí do quarto e desci, e Brooke com certeza já estavam no restaurante.

Estava ouvindo Sex Pistols enquanto esperava o elevador, ele logo chegou, trazendo alguns hóspedes desconhecidos que me olhavam estranho, talvez pela minha empolgação com a música. Eu não estava cantando nem nada, não que eu não queria fazer isso, mas eu só mexia a boca de acordo com a letra da música, não sei porque o espanto deles então. Passei por no saguão, ele pareceu ter me chamado, mas eu fingi não ter visto, aproveitando que também não ouvi, por causa do iPod. Continuei andando e encontrei e Brooke no restaurante, acenando para mim, como se eu não as tivesse visto. Sentei à mesa e as meninas me encheram de perguntas sobre , acho que elas não perguntaram tanta coisa antes por causa do meu estresse.

Droga, eu estava tentando esquecer-me da existência dele. Sendo obrigada pelas duas, comecei a falar dobre o , lembrando de como ele estava olhando para mim hoje, de como ele me segurou, como me encostou na parede, como me beijou, como doeu quando aquela filha da puta puxou meu cabelo.
Eu tentava pensar nele de uma maneira positiva, mas sempre surgia algo negativo invadindo meus pensamentos.
Lembrei do Drew, sempre que saíamos para alguma festa, a mãe dele dizia: “Não beba demais, não use drogas e não mexa com a mulher dos outros!”. Ela era uma figura. Saudades dos amigos! O Drew nunca respeitou nenhuma das regras, eu também as ignorava completamente, mas agora acho aquela mulher uma sábia e vou seguir seus conselhos, principalmente a parte de não mexer com o homem dos outros.

Todos chegaram ao restaurante e sentaram-se na nossa mesa. Estávamos esperando o garçom servir o rango. Brittany me lançava olhares fulminantes, como sempre, me olhava com preocupação, e Brooke me olhavam com curiosidade. Todos me olhavam, idiotas! Comi o mais rápido que pude, não tanto para não ter um ataque no estômago, mas fiz o que pude para sair daquela mesa o mais rápido possível, e, como esperado, eu fui a primeira a sair. Liguei meu iPod de novo e esperei o elevador, quando o mesmo chegou, entrei achando que estava sozinha, mas, para minha surpresa, estava atrás de mim. Não falei nada enquanto o elevador subia. Quando ele chegou, eu estava saindo. me puxou pelo braço e arrancou meus fones.

- Vai passar a me ignorar agora? – Ele perguntou enquanto me puxava para que eu virasse de frente para ele.
- Esses fones são novos. – Falei, tirando os fios da mão dele.
- Que se fodam os fones! Você vai ficar agindo assim? – Ele insistiu na pergunta.
- , depois a gente conversa, estou com sono. – Tentei me soltar, mas ele ainda segurava meu braço com força. Mas eu não me importava com a força que ele usava para me segurar, eu só não queria ter que olhar para ele, não queria que ele percebesse como era difícil ter que fingir que ele não existe.
- Não faz isso. – Ele abaixou a voz em um tom quase inaudível. Estava ficando cada vez mais complicado agir assim com ele. Era muito difícil ignorar o , ele é, ou era, um ótimo amigo.
- Foi você quem fez isso, ! – Falei, coloquei os fones de volta e segui para o meu quarto. Me joguei na cama afim de conseguir relaxar e dormir, senti o sono chegar e, por incrível que pareça, lembrei de tirar os fones e colocar o meu iPod em cima do criado-mudo, dormi profundamente, como se nada tivesse me abalado durante o dia.

Eu estava no ônibus, o Ringo, no lugar de sempre, só que não na ordem exata, eu não estava no lugar certo, mas sentia como se estivesse, é estranho, eu estava conversando com a Brooke. A não estava. Chovia forte, a vista estava mais embaçada que o normal, como se eu estivesse bêbada, apenas a imagem do e da Brooke estavam nítidas, conversávamos animados, quando o ônibus freou bruscamente e foi jogado para o lado, nesse momento, me abraçou e falou alguma coisa que eu não consegui escutar, senti um impacto e acordei assustada.

- ? – Brooke acendeu o abajur que ficava no criado-mudo.
- Que horas são? – Perguntei, piscando os olhos repetidamente, para que se acostumassem com a luz.
- Três e quarenta. – Falou depois de olhar para o relógio vermelho que usava no pulso. – Tudo bem? – Ela perguntou preocupada. Concordei com a cabeça, Brooke sorriu e apagou o abajur. – Volta a dormir!

Deitei, tentei, mas não consegui esquecer o sonho, talvez fosse por causa do que aconteceu à tarde, eu estava apenas abalada. Mesmo assim fiquei acordada, fitando o teto, o quarto estava sendo iluminado apenas pela luz da lua que dava para ser vista claramente pela janela em frente a cama. Nem percebi quando peguei no sono, um sono profundo, assim como algumas horas atrás. Dessa vez não tive nenhum sonho, ou pelo menos não um que pudesse ser lembrado.

10

It's More A Question Of Feeling Than It Is A Question Of Fun


Acordei com a Brooke jogando almofadas em mim, isso tá ficando chato, não dá para acordar normalmente quando se dorme ao lado de alguém como a Brooke. Levantei pegando a primeira almofada que achei e jogando de volta nela, que caiu na cama ao receber uma almofadada na cara, começamos a rir, ela queria falar alguma coisa, mas não parava de rir, comecei a jogar almofadas nela para que ela falasse.

- Fala, Brooke, o que foi? – Perguntei rindo e abracei uma almofada.
- Já vamos! – Ela se recuperou. – Arruma suas coisas!
- Esse escândalo todo para isso? – Apontei para o estado em que ela se encontrava, jogada na cama, se recuperando de um ataque de risos.
- Tenho culpa se você quase me matou com uma almofada? – Ela levantou, guardando seu All Star branco na mochila. – Vamos, , arruma suas coisas!
- Estou indo, estou indo! – Peguei minha mochila, largada num canto do quarto, peguei a roupa que usei ontem, que estava no sofá e guardei meu All Star roxo. – Vamos!

Saímos do quarto e fomos direto para o elevador, eu não estava nem um pouco a fim de carregar instrumentos, vou acabar me tornando roadie do McFly de verdade! Brooke pegou o celular e deu um toque para , pra avisar que estávamos indo, chegamos ao saguão, os meninos estavam conversando com garotas que eu nunca tinha visto, Fletch, como em toda viagem, estava do lado de fora do hotel, conversando com o Pete em frente à entrada do Ringo, Brittany e Ashley estavam num sofá. Os meninos olharam na minha direção e fez menção de vir até mim, mas foi mais rápido e veio falar comigo.

- Tudo bem? – Ele perguntou.
- Por que não estaria? – Sorri. Ele retribuiu.
- Eu vou levar as coisas para o ônibus. – Brooke falou. – Quer que eu leve sua mochila, ? – Neguei com a cabeça, mas ela pegou assim mesmo e saiu na direção do Ringo.
- O gosta de você! – Revirei os olhos. Eu não agüento mais ouvir isso! – É sério, , ele está estranho, ou ele te considera muito como amiga, ou é louco por você! É muito ruim ouvir isso e ver o conversando todo animadinho com meninas que ele provavelmente nunca tinha visto!
- Olha, , eu considerava o como um amigo. Mas depois de ser atacada pela groupie, acho melhor me afastar dele o máximo possível. – Terminei de falar e passou pela gente, indo para o restaurante. – Hey. Está indo pra onde rebolativa?
- Vou falar com a Sally! – Ela respondeu rindo.
- Vamos para o Ringo? – Perguntei e concordou, andando comigo em direção ao Ringo. – Quem são aquelas meninas? – Apontei para onde estavam os outros meninos.
- São fãs, estamos ficando famosos, ! – Ele me abraçou empolgado. Eu ri.
- Agora resolveu partir para o ! – Ouvi uma voz insuportável atrás de mim. – Depois eu que sou a groupie!
- Olha, Brittany, se você não tem amigos, o problema não é meu, agora vai correr atrás do que é a única coisa que você sabe fazer! – Virei de costas e saí com . Dessa vez ela nem tocou no meu cabelo, sabia que Fletch a mandaria de volta para casa na mesma hora.
- Você provoca e não quer que ela se estresse! – comentou rindo enquanto entravamos no ônibus.
- Eu provoco? Ela vem me comparar com ela e eu que provoco? – Perguntei, incrédula com o comentário dele!

Sentei na mesma poltrona de sempre e, dessa vez, o sentou do meu lado, claro, eu o puxei, não queria sentar com , não hoje. Logo entraram , , e , Brookie já estava sentada no lugar dela. parou por um momento, ao me ver sentada ao lado de , e sentou ao lado do . Depois de todos sentarem em seus devidos lugares, Pete se ajeitou na cadeira e deu a partida no ônibus, a viagem provavelmente seria tediosa, igual às outras. Peguei meu iPod, dei um fone ao , não deixaria o coitado morrer de tédio sozinho. Estava no shuffle, começou a tocar “The man who would be king”. Não ajudou muito no tédio, mas pelo menos era alguma coisa.

- Well I know, you know I know you know I knooow. – Eu cantava a difícil letra dos Libertines empolgada, enquanto ria.
- Vamos arranjar alguma coisa para fazer, estou entediado.
- Eu também, tem uma brincadeira que eu faço com o , mas acho que não ia ajudar muito. – Lembrei da primeira vez que fiz um “ping-pong” com o .
- Vamos brincar de jokenpo! – Ele falou, parecendo uma criança feliz.
- JOKENPO! – Falamos alto, eu coloquei tesoura, ele papel.
- Há. – Falei depois de milhões de rodadas. – Temos que começar a brincar com apostas, assim é sem graça, você perde o tempo todo e eu não ganho nada em troca!
- Está bom então, se eu ganhar cinco vezes primeiro, você dá uma chance ao ! – Ele falou se achando o esperto!
- Há-há-há! – Ri debochada. Eu precisava saber o que ele tinha em mente. – E se eu ganhar? – Não resisti. Eu não estava pensando em participar disso, só estava curiosa.
- Você não dá uma chance para o , simples! – Esperto o .
- Se eu ganhar, você vai ficar com a Brooke? – Sorri triunfante! Os olhos de quase saltaram.
- O QUE? – Eu ri. – Você está ficando doida? A gente não tem nada a ver!
- Como não, ? Você a acha bonita que eu sei, e eu sei que ela acha o mesmo de você. Seja homem, criatura! – Falei rindo e bati no ombro dele, brincando. – Jokenpo! – Ele acabou aceitando. – Háááá! Tesoura! Um a zero para mim!
- Não é possível, você está roubando! – Ele acusou, como é lerdo!
- Como que eu vou roubar no jokenpo, ? Lendo sua mente? Vamos de novo!
- Jokenpo! – Falamos juntos, coloquei pedra, mas o infeliz colocou papel.
- Um a um! – Ele sorriu vitorioso.
- Não por muito tempo, ! – E mais uma vez: - Jokenpo!
- Pois é, , não por muito tempo, agora são dois a um para mim! – Ele usou o mesmo tom de superioridade que eu usava. Revirei os olhos.
- Jokenpo!
Ganhei!
- Jokenpo!
Ganhei de novo!
- Jokenpo!
ganhou, grande coisa, daqui a pouco eu ganho de novo e ele vai ter que ficar com a Brooke, até parece que ele não quer!
- Jokenpo! – ganhou de novo.
- Falta um para eu ganhar! – Ele falou todo feliz.
- JOKENPO! – Dessa vez falamos mais alto, alguns no ônibus olharam, inclusive as meninas do meu lado e . Eu ganhei! Agora empatou. Meu coração pulou, nessa hora que eu realmente me dei conta do que poderia acontecer se ganhasse, olhei para , que ainda olhava para a gente, depois olhei fundo nos olhos de , ele fez o mesmo, respirei fundo – JOKENPO!
- CARALHO! – Gritei chamando, novamente, a atenção de todos, mas nem percebi, tamanha foi a felicidade, na verdade, foi um alívio. – Eu sou foda, ! – Falei, fiz a dancinha da vitória e o abracei.
ainda nos observava e sua expressão não foi uma das melhores. Mal sabe ele que minha intenções com são totalmente opostas que com ele, digo... Que o que ele pensa.
- Foi injusto! – Ele cruzou os braços.
- Foi mais do que justo, amorzinho! – Sorri e olhei dele para Brooke. – Não faz essa cara, , eu sei que não vai ser nenhum sacrifício para você!

Ficamos conversando um tempo, eu tentava convencer de que o jogo havia sido mais do que justo e que ele teria que cumprir com a aposta dele. Ainda estávamos ouvindo música, de vez em quando , Brooke ou Brittany olhavam pra gente, sim, a Brittany, mesmo sabendo que eu estava longe do , ainda me observava constantemente, mas eu já nem me importava mais, já havia me acostumado com isso, com o do meu lado era bem pior, será que não posso ser amiga dos meninos? Isso me irrita profundamente, não só pelo fato dela ter ciúmes de , mas dela achar que tenho algo com eles, só porque estamos conversando ou sentamos juntos. A maioria dos meus amigos são meninos e eu odeio esse tipo de insinuação. Tentei me distrair com a música que ainda tocava no meu iPod e pude ouvir a introdução de Pinball Wizard.

- Nós também sabemos tocar essa música. – comentou. O que eles não sabem tocar?
- Vai me dando a lista das coisas que vocês tocam, porque assim fica difícil! – Ele riu.
- Não dá pra me lembrar de tudo, mas, se você quiser, posso falar com os meninos, a gente ensaia e toca hoje. – Ele sugeriu. Adorei!
- Pode ser, é bom que me poupa o trabalho de escolher uma música e vocês não tocam a mesma música, assim, as que forem melhor recebidas pela galera podem ser regravadas! – Cara, eu sou ou não sou demais?!
- Boa idéia! – Ele comentou pensativo. – Vamos regravar um monte de coisa, o povo gosta de tudo!
- Convencido! Vou conversar com o Fletch depois sobre isso, falando nisso, vocês estão subindo na fama, né? Até fã atrás de vocês no hotel já tem!
- Pois é, só que a gente precisa de um show só nosso, né? Não de uma turnêzinha com outras bandas.
- Todo mundo começa de baixo, , calma! Um dia vocês vão estar no top dez dos mais escutados em toda a Inglaterra!
- Inglaterra? No mundo todo, ! – Ele deu um sorriso contagiante. Quem sou eu para discordar? Com o carisma e o talento que têm, não vai demorar muito!

Entrei no hotel ao lado de Brooke e , ficou para ajudar os meninos a carregar os instrumentos. Depois dessas horas de viagem, tudo o que eu mais preciso é de um banho quente, um bom café da manhã atrasado e uma cama bem confortável. Se eu não tivesse que esperar o Fletch entrar para pegar a chave do quarto, já teria subido o elevador, mas como não tinha escolha, me joguei no sofá do saguão e as meninas sentaram ao meu lado, vi os meninos entrarem com todas aquelas tralhas e logo Fletch entrou, não me dei ao trabalho de levantar, teria que esperar de qualquer jeito. Fiquei olhando Fletch conversar com a mulher da recepção, a conversa parecia animada, porque ele demorou mais que o normal, ou era só implicância minha mesmo. Quando vi que Fletch nos entregaria as chaves, levantei e fui até ele com as meninas.

- Bom pessoal, como dá para notar, esse hotel é maior que o outro e, consequentemente, mais caro, só pudemos alugar três quartos, espero que não se incomodem em dividir. – Fletch falou com a maior calma. Claro, ele não teria que dividir um quarto com uma groupie insuportável, só com o motorista que quase não fala!
- NO WAY! – Gritei e senti uma mão em meu ombro.
- Calma, , é só por um dia! – tentou me acalmar. Hum, um dia!
- Eu não estou entendendo! – Fletch falou sério.
- Eu não vou ficar no mesmo quarto que a groupie, Fletch, só isso! – Falei e tirei as mãos de dos meus ombros.
- Por mim você nem estaria aqui, garota. Aposto que você nem ajudou a pagar as contas! – Brittany falou daquele jeito que eu passei a odiar depois que a conheci.
- Não falei com você, cala a boca! – Gritei apontando para ela. Eu não paguei nada mesmo, o Fletch disse que não precisava. – Eu não vou ficar no mesmo quarto que ela e ponto final!
- , acho que você pode ficar no meu quarto, vou falar com a Sally. – pegou o celular da bolsa e saiu a procura da garota.
- Relaxa, , vamos comer alguma coisa! – Brooke me puxou para o restaurante. Os meninos, Fletch e as groupies subiram, por mais que eu não tenha nada contra Ashley, me acostumei a me referir a ela como groupie, assim como a Brittany, é mais fácil e não é nenhuma mentira, já que as duas são iguais em relação a isso.

Fomos para o restaurante, perdi até a fome, mas fui assim mesmo, sentamos em qualquer mesa e ficamos conversando até os meninos aparecerem, logo Fletch também apareceu, as groupies e, finalmente, . Ela sentou com a gente. Os outros sentaram em uma outra mesa, para evitar uma discussão. Pedimos lasanha, embora não tivesse mais com tanta fome, eu precisava comer algo muito bom, saímos de Liverpool muito cedo, nem tomamos café da manhã. e levantaram da mesa onde estavam e sentaram com a gente. Será que eles ouviram nosso pedido?

- Não vão comer? – perguntou, sentando ao lado da Brooke.
- Acabamos de pedir. E vocês? O que vieram fazer aqui? – Ela perguntou.
- Okay. A gente sai então! – , que tinha sentado do meu lado, falou. Ele riu. Revirei os olhos.
- Não foi o que eu quis dizer, ! – Brookie se defendeu. Revirei os olhos de novo.
- Ninguém chega a um acordo naquela mesa, vimos que vocês não pediram também e viemos para cá! – explicou.
- Nós acabamos de pedir uma lasanha. – falou.
- Opa, vamos ficar por aqui mesmo! – se empolgou. Revirei os olhos pela terceira vez. – Pára de fazer essa cara, !
- Ah, claro! Você quer o quê? Que eu fique feliz da vida por ter que dividir o quarto com uma groupie que me odeia? – Perguntei, sorrindo sarcasticamente. – E que por sinal é culpa sua!
- Vamos esquecer isso por um momento, por favor? – Brooke pediu. – Aliás, falando nisso... , você falou com a Sally?
- Não, eu não a encontrei. – Ela terminou de falar e o garçom chegou com o nosso pedido. – Mais dois pratos! – Ela pediu, o garçom acenou positivamente com a cabeça e saiu.

Subi o elevador, preparada para entrar no quarto e dar de cara com a groupie, já que depois de comermos ficamos conversando horas no restaurante, nosso andar é o mesmo que o de , qualquer coisa eu grito. Entrei no quarto, uma cama de casal e duas de solteiro, como no hotel de Manchester, quando eu ainda não tinha nada contra a Brittany. As duas, Ash e Brittany, estavam sentadas na cama de casal conversando e pararam no momento em que me viram, a groupie mor me olhou de cima a baixo, eu dei meia volta e saí do quarto, não dava para ficar ali! Bati na porta do quarto de e ouvi um “quem é?”, quando ia responder a porta abriu. me puxou para dentro do quarto, cumprimentei as outras duas meninas com um “oi”, seguido de um sorrisinho meio sem graça.

- Comofas? Nós também somos quatro e só tem três camas! – falou. - Posso deixar minhas coisas aqui? Vou tentar ter alguma idéia! – Pedi, concordou com a cabeça e eu joguei minhas coisas perto de um armário. Delicadeza! - O que você vai fazer? – Ela perguntou. Será que ela não me ouviu dizer que ia “tentar” ter uma idéia? - Não sei, . O que você vai fazer agora pela tarde? – Perguntei. - O mesmo de sempre, nada, vou ficar por aí conversando com a Brooke. - Eu estou indo conversar com o Fletch agora e mais tarde eu venho para cá, então, estou morrendo de sono. – Falei, ela fez que sim com a cabeça e sorriu, eu saí do quarto.

e estavam conversando no corredor, fui até eles, eu ainda estava pirada com o , mas tinha que falar com o sobre o cover que ele deu a idéia. Eles sorriram ao me ver aproximando.

- Vou falar com o Fletch agora, você já falou com os meninos? – Perguntei olhando para o .
- Falou o que? – perguntou, ele não estava mais sorrindo.
- É que eu e a estamos namorando – me abraçou, eu ri da cara de . rachou de rir. – É brincadeira, dude! – fingiu não se importar, mas percebi um projeto de sorriso em seu rosto. Cara, minha auto-estima está transbordando esses dias. – Nós tivemos uma idéia para um cover.
- De que?
- The Who! – Respondi. Ele pareceu gostar. – Pinball Wizard, não querem ir lá comigo para falar com o Fletch? E depois vocês ensaiam e eu vou dormir.
- Dormir? – perguntou enquanto chamava o elevador. – Você tem que ver a gente ensaiando!
- Até que eu queria, amorzinho, mas eu estou morrendo de sono. – Acho que crio intimidade com os amigos muito rápido, não gostou do apelido carinhoso como eu chamei , ele se acostuma. Mas eu só uso esses apelidos melosos com amigos e em casos de ironia, nunca com um namorado ou algo do tipo. Não sei por quê!

Batemos na porta, parecia que íamos derrubá-la, tamanha foi a zoada. Nada de Fletch, batemos de novo, ainda mais forte, fizemos o maior batuque na porta até que ela abriu e um Fletch com uma toalha na mão apareceu, sua camisa estava meio molhada da água que escorria de seu cabelo. Entramos no quarto mesmo sem o consentimento dele. Ele balançou a cabeça em sinal de desaprovação e sorriu. Só o Fletch mesmo para agüentar essas criaturas, ainda mais elas estando comigo.

- O que vocês querem? – Ele perguntou sentando no sofá, já que tínhamos ocupado as duas camas de solteiro.
- É que tivemos uma idéia para um cover! – , que estava deitado/jogado do meu lado, falou.
- O teve uma idéia – Corrigi.
- E eu gostei, acho que os outros meninos também vão gostar. – comentou.
- E eles sabem tocar...
- Vocês querem fazer o favor de parar de enrolar e falar logo? – Fletch me interrompeu impaciente, mas estava rindo da nossa confusão.
- É bom mesmo que eu estou precisando dormir – Fletch revirou os olhos. Eu ri. Resolvi falar logo, antes que ele nos chutasse do quarto – Pinball Wizard! – Ele sorriu.
- Vocês têm certeza que sabem tocar essa música perfeitamente? – Fletch perguntou, olhando para os meninos.
- Perfeitamente, não, mas nós podemos ensaiar. – , que estava na outra cama, falou.
- Ótimo, agora vão ensaiar que eu vou dormir.
- Espera, . – Aimeupaicelestial. O que é agora? – Seu pai ligou, ele disse que tentou ligar para você, mas seu celular parecia estar desligado, então ele ligou para mim e pediu para você ligar para ele. – Fletch falou, ainda bem que é só isso.
- Ok, obrigada Fletch e boa sorte meninos. – Depositei um beijo na testa de e levantei, acenei para os outros dois e saí do quarto.

Entrei no meu quarto, digo, o quarto das groupies, sentei no sofá, que ficava entre a varanda e o telefone, e disquei o número do meu pai. Chamou três vezes e eu ouvi uma voz feminina e doce, era a Jean, pedi que ela chamasse meu pai, ela prontamente o fez e eu logo ouvi a voz rouca dele.

- Hey!
- Hey, pai, você ligou? – Claro que eu sabia que ele tinha ligado, era só um meio de perguntar o porquê da ligação.
- Sim, o Fletch me falou que você está trabalhando com ele – Pois é, agora só falta a remuneração. – Ele disse que você é ótima. Vai ficar igual a mim! – Ele riu. Convencido! Eu tive de quem herdar né?!
- É, vou sim. Um dos meninos da banda estava me ensinando a tocar violão. – Falei.
- Sério? E já está tocando bem? Não esqueça de praticar os solos que eu te ensinei! Ah, sim... – Ele lembrou de alguma coisa – O Fletch falou que você não está se dando bem com uma das meninas, está tudo bem por aí? – Ele estava mais preocupado do que a fim de me dar uma bronca.
- Está sim, é só uma groupie ciumenta que está no mesmo quarto que eu, mas eu consegui outro quarto com uma amiga. Pai, eu estou com sono, tivemos que acordar cedo hoje para sair de Liverpool. Vou dormir, até daqui a alguns dias, quando eu voltar para casa. – Estava quase desligando na cara dele.
- Ok, é bom saber que você está se socializando! – Até demais! – Mas não se envolva com garotos de bandas, boa parte deles não presta! Não arranje brigas e não use drogas! – Ele falou num tom autoritário e eu ri. Ele também e logo mudou seu tom pra um divertido. – É sério, depois você fica viciada, se arrepende e volta a fazer tudo de novo, sei como é isso. Bom, vá dormir, beijos. Lembre, não se envolva com músicos!
- Beijos pai. – Desliguei, meu pai consegue ser estranho às vezes. Como diz isso a uma filha? Se eu tivesse uma mente fraca estaria usando heroína, dando um chilique ou cortando meus pulsos por ter um pai drogado, ou ex-drogado. Tanto faz!

Saí do quarto, teoricamente meu, e fui ao quarto dos meninos e peguei o violão deles, depois fui para o quarto da , que estava vazio. Sentei em uma das camas, a de casal - toda usurária eu - e comecei a tocar Stairway to heaven, a música que meu pai e tentam me ensinar, e eu tenho a cifra dela, que o deixou no meu quarto no dia em que ele estava me ensinando a tocar, então eu a guardei. Ele não disse que eu precisava praticar?

Depois de um bom tempo ‘praticando’ a música, eu já estava tocando direitinho, parecia que meus dedos seguiam automaticamente para as cordas, claro, eu me atrapalhava com algumas coisas, mas eu estava bem melhor. Enfim, dormi profundamente.

Eu não sabia ao certo onde estava, mas eu via tudo escuro, barulho de chuva, alguns gritos e logo algumas pessoas me segurando, essas pessoas vestiam roupas iguais e tinham várias delas por todas as partes e seus rostos estavam embaçados, olhei pro lado e vi , ele estava dormindo tranquilamente, as pessoas que me seguravam estavam em volta dele, ouvi o barulho da chuva ficar mais alto e tudo ficou muito claro pra que eu pudesse enxergar, logo eu estava num dos shows do McFly, onde haviam várias groupies gritando por , Brittany estava do meu lado, não parecia incomodada em estar ali e sorria orgulhosamente batendo palminhas, de repente, eu estava na platéia, junto com algumas groupies barulhentas, ouvi um estrondo e acordei.

Abri e fechei os olhos várias vezes seguidas até conseguir colocar minha visão em foco, vi remexendo sua mochila, ela estava de toalha, pegou alguma coisa na mochila e correu pro banheiro, nem notou que eu estava acordada. Levantei e peguei meu celular no bolso, sim, eu dormi do jeito que estava, calça jeans e blusa básica. Seis e meia, eu vou enforcar , jogar da janela desse quarto – que por sinal é o décimo primeiro andar – pegá-la de volta e jogar na pista. A minha querida vítima saiu do banheiro usando uma legging vermelha com uma blusa branca e o All Star preto, parece que saiu do clipe do White Stripes, ela não trouxe outro All Star, diz que gosta desse porque é básico. Enquanto eu trouxe uns três ou quatro, nem sei.

- Hey, você acordou. – Ela sorriu, fiquei até com pena de matá-la.
- É, mas se dependesse da amiga que eu tenho, eu perderia o show que eu mesma estou ajudando a produzir! – Levantei pegando minha mochila e entrando no banheiro. – Cadê as outras meninas? – Eu me referia à Sally e as outras, ela entendeu.
- Foram na frente, eu não queria te acordar, fiquei com pena, mas eu ia fazer isso assim que terminasse de me arrumar. – Ela falou, fazendo uns gestos a lá Jack Sparrow para que entrasse no banheiro.

Entrei no banheiro, tomei um banho rápido, vesti um short xadrez cinza, uma meia-calça preta, meu All Star vermelho, uma blusa branca e uma jaqueta de couro. Comum, mas com o toque clássico. Saí do banheiro, estava me esperando sentada na cama, saímos do quarto, eu ainda não estava afim de ajudar os meninos a carregar coisas e acho que nem precisava, porque, pela hora, eles já deviam estar no ônibus só esperando por mim. E foi exatamente assim, não extameeeente, mas é isso aí. Alguns estavam no saguão conversando, outros no ônibus e Fletch e Pete no lugar de sempre, conversando em frente à porta do Ringo.

Entrei no ônibus, entrou atrás, Brooke estava no lugar de sempre e estava na terceira fileira, onde sentava, ou era , não sei. Sentei no meu lugar de sempre e no dela, até a que não está na turnê da gente, já tem lugar marcado no Ringo. Vi levantar, olhei para ele curiosa para saber aonde ele iria e me surpreendi ao vê-lo sentar ao meu lado. Não falei nada, nem ele. Todos que estavam fora do ônibus entraram. Brittany já estava no ônibus e olhou para trás, como sempre, e também se surpreendeu ao ver ao meu lado. O ônibus começou a andar e eu resolvi quebrar aquele silêncio insuportável.

- Vocês ensaiaram a música?
- Sim, esse show vai ser tão perfeito quanto os outros. – respondeu empolgado. Mas logo abaixou a cabeça e falou sem graça. – Você tem as melhores idéias!
- A idéia foi do , eu só fui a primeira a concordar. – Falei, ele não mudou a expressão e murmurou um “hum”. – Mas obrigada mesmo assim – Sorri.
- Mas as outras idéias foram suas, e ficaram perfeitas. – Ele sorriu. - Obrigada de novo, . – Falei num tom divertido – É porque vocês são muito bons, até se cantassem Mariah Carey ficava legal.
- Você está exagerando, mas obrigada, eu acho. – Eu ri.

Passamos todo o caminho falando sobre as expectativas para o show, eu estava curiosa para vê-los tocando The Who.

11

Well, I Bet That You Look Good On The Dancefloor


Chegamos ao backstage, acenei para algumas pessoas que conheci nos hotéis, entramos no camarim, os meninos tinham passado a tarde toda ensaiando, não tinham mais o que ensaiar, ou seja, iríamos ficar no tédio até a hora do show, eu mereço! Saí do camarim e fui comprar uma cerveja, eu precisava de uma. Quando pedi uma cerveja, uma garota loira veio até mim, sorrindo.

- Você não é a namorada daquele cara do McFly? – Ela perguntou. Ahn? Como assim?
- Não. Por quê? – Me fiz de desinteressada.
- Sei lá, eu vi umas fotos na internet... – Eles estão famosos mesmo. Até paparazzi já têm. – Mas você é amiga deles, não é?
- Sim, eu trabalho na produção deles. – Respondi sorrindo, e mostrei a credencial.
- A sim, eu sou Alexia Waller! – Ela estendeu a mão e eu fiz o mesmo, cumprimentando-a.
- ! – Ela abriu um sorriso enorme.
- Você é filha do produtor ? – Cara, o meu pai é conhecido assim e eu não sabia? Fiz que sim com a cabeça. – Eu adooooro o seu pai, ele toca muito! – A minha cerveja chegou. – Tira uma foto comigo? – Gente, comolidar?
- Claro! – Sorri ainda meio hesitante, eu estou famosa! Wee! Ela me abraçou de lado e esticou o braço livre, com a câmera na mão e bateu a foto. Devo ter ficado horrível, nem maquiagem eu tive tempo de colocar, só um rímel. – Er... Eu tenho que voltar para o backstage.
- Tchau, linda! – Linda? Essa garota torce para o outro time, não é possível, ela vem com essa conversinha, querendo saber se eu namoro um dos McGuys, elogia meu pai, tira foto comigo e vem me dar beijinhos me chamando de linda?
Dei um sorrisinho e voltei para o camarim o mais rápido possível, com a minha preciosa garrafinha na mão.

Entrei no camarim, onde todos estavam conversando, provavelmente falando de política ou religião, porque estavam todos com a maior cara de tédio. Acho melhor eles comprarem uma cerveja também, pensando bem... Melhor não! Vai que a garota de opção sexual indefinida resolve “tietar” eles? Sentei ao lado da Brooke, fazendo ela chegar para o lado, perto do , tinha muitos lugares vazios no camarim, mas eu queria estreitar aquele espaço entre eles no sofá. riu, eu percebi e ri também. Brookie ficou com cara de “ahn” e eu, que odeio silêncio, falei.

- Menines! Vocês estão ficando famosos. Uma garota me parou lá fora, perguntou se eu namorava um de vocês, disse que viu umas fotos na internet onde eu apareço e tal, disse que conhece o meu pai e até tirou foto comigo! – Respirei. Depois de falar tudo isso sem pausas, esperando que tenham entendido. Não iria repetir.
- Sério? E o que você disse a ela? – perguntou. Eu fiz uma cara de quem não entendeu. – Ela não perguntou se você namorav...
- Ah, tá, eu disse que namorava você e que estávamos de casamento marcado. – Respondi. O que ele acha que eu vou responder?
- Mentira?! – Ele mais perguntou do que afirmou.
- Claro, né, ?! Cacete, você é uma anta. Eu disse que trabalhava na produção de vocês, ai ela reconheceu meu nome e começou a falar do meu pai. Depois me pediu para tirar uma foto e minha cerveja está acabando, mas eu não tenho coragem de ir lá comprar outra. – Misturei tudo!
- Eu vou lá! – levantou, se achando, e recebeu um olhar ameaçador de Fletch.
- Dude, a gente está famoso! – falou, levantando para acompanhar , acho que ele não viu a cara de Fletch.
- Vai chover groupies em cima de vocês! – Falei fechando a cara.
- Está com ciúmes, ? – Brittany perguntou e recebeu o maior de todos os dedos (vulgo dedo médio) em resposta. Ela resmungou alguma coisa, mas eu estava “ocupada” demais para ouvi-la.
- Não se preocupa, . – me abraçou e a Brittany me olhou muito feio, eu ia afastá-lo, ainda não estava totalmente a vontade com ele.
- É, , a gente só tem olhos para você! – falou me abraçando do outro lado. – Agora vamos lá fora.
- Porra, ! Eu cheguei primeiro! – empurrou enquanto saíamos.
- Voltem vivos meninos, eu preciso de vocês, são o meu sustento! – Fletch falou. Por trás daquele coroa, digo, cara sério, há uma criança (um pouco amadurecida demais – parei) feliz e divertida.
- Pode deixar, tio, eu cuido deles! – Falei. – Não briguem, meninos!

Assim saímos do camarim, com os outros rindo do pedido de Fletch e a Brittany me matando com o olhar-lazer-supersônico dela. Saímos do backstage, ainda abraçados e fomos para o bar, a garota ainda estava lá, só que com mais duas amigas. Vi um flash, procurei de onde veio, mas não achei, soltei os meninos. Chegamos ao bar e pedi três cervejas.

- , o Fletch não deixa a gente beber antes dos shows. – falou e eu sorri marotamente.
- Quem disse que o Fletch precisa saber? – perguntou com um sorriso igual ao meu, só que o dele era mais bonito.
- E quem disse que são para vocês? – Peguei as três garrafinhas e sorri, agora maleficamente, recebendo olhar de reprovação de ambos.
- Hey, ! – Ouvi uma voz feminina me chamando.
- Hey... A-Alexia? – Perguntei, ela fez que sim com a cabeça. A garota já estava me chamando pelo apelido e eu nem lembrava direito o nome dela. – Esses são e .
- Eu sei, essas são minhas amigas Eve e Bronwen. – Cumprimentei as duas.
- Será que nós podemos tirar fotos com vocês? – Bronwen perguntou.
- Claro! – respondeu, da mesma forma que eu alguns minutos antes. Eles abraçaram as meninas que colocaram a câmera no balcão com o timer ligado. - Vem, ! – A tal da Bronwen me chamou. Está vendo aí que eu também estou ficando famosa?! Fiquei na ponta, abraçada à Alexia.
- Gente, eu não quero acabar com a felicidade de vocês, mas temos que voltar para o camarim. – Falei, pegando as outras duas cervejas do balcão e entregando aos meninos, a outra já estava na minha mão, aberta e quase na metade, eu estava bebendo que nem sentia. Devia estar me acostumando.
- Tudo bem. – Alexia falou – Nós vamos à um pub depois do show, se vocês tiverem afim de uma after party...
- Acho que o Fletch não vai gostar disso. – falou.
- Pode ser, depois do show nós podemos nos encontrar aqui e eu respondo se vamos ou não. – Falei e me despedi de todas elas com beijinhos no rosto. Isso é estranho! Os meninos fizeram o mesmo e nós voltamos para o backstage. – , me dá essa cerveja! – Pedi/Ordenei que ele me desse, já pegando a cerveja em sua mão e jogando a minha garrafinha vazia no lixo. Peguei do bolso meu abridor em forma de violão que o meu pai me deu quando saiu de casa. Na verdade, ele não me deu, ele deixou em casa e eu peguei, sabia que um dia ia precisar!
- Você é louca? Dude, deixa eu ver? – pegou meu abridor. Eu entreguei e sorri. – Não mude de assunto, , o Fletch vai nos matar se sairmos. – Cara, o tem problemas sérios!
- Relaxa, amorzinho. Vocês estão comigo! - Falei da forma mais convencida que já fiz em toda a minha vida, essa coisa de fama está subindo à minha cabeça, isso faz mal.
- E era uma vez a humildade! – comentou enquanto entrávamos no camarim.
- , você não disse que ia cuidar deles? – Fletch perguntou apontando pra cerveja na mão de .
- Eu estou cuidando, essa cerveja é minha, eu prometi que não os deixaria beber, não foi? – Peguei meu abridor na mão de .
- Acho bom, mas é melhor você parar por aí, não quero ter que dar uma de dedo-duro para o seu pai. – Fletch reclamou de novo.
- Não se preocupe com isso, meu pai não está nem aí! Ah, acabamos de tirar fotos com fãs! – Falei animada e sentei no sofazinho ao lado da Brooke. – Elas nos chamaram para uma festa depois do show, e você sabe, amanhã não temos nada pra fazer... – Comecei.
- Já entendi, , tudo bem. Só não entrem em coma alcoólico! – Fletch falou. – Quinze minutos para o show, estão prontos?

Dei o gole final na minha cerveja e peguei a que estava na mão de . Abri, joguei a tampinha em qualquer lugar e comecei a levar os cases e o baixo, indo na direção do palco, sendo seguida pelos meninos e Fletch. Por que eu era a única garota que carrega essas coisas? Coloquei o baixo no palco, ajeitei o case e os pedais, olhei para trás e vi uma platéia gigantesca, pelo menos vista de cima, avistei Alexia que me dava um tchau um tanto... Escandaloso, não retribui, apenas sorri e saí pra pegar o resto das coisas. Imagina o que o público pensa, uma criatura entra com um instrumento e uma cerveja em mãos, larga o instrumento lá, olha para eles, sorri e sai do palco. Peguei agora uma guitarra e coloquei no lugar, minutos depois, estava tudo em seu devido lugar, os meninos entraram no palco, ouvi alguns gritos. Eles tocaram todas as músicas de sempre. As que saíram no CD, algumas pessoas na platéia acompanhavam. Ouvi o comecinho de Pinball Wizard e sorri abobalhada. Teria sido perfeito se minha cerveja não tivesse acabado no meio do show! Os meninos saíram do palco e eu recebi um forte abraço de e um grito também.

- FOI PERFEITO, DUDE!
- Foi, , muito lindo! Agora vamos que temos uma noite inteira para curtir. – Falei e fui até o palco ajudar a desarmar a bateria.
- Nós vamos ao pub? – perguntou enquanto guardávamos os instrumentos. - Claro! Pergunta se o e o vão? – Pedi, terminando de guardar o último prato da bateria. – ... – Chamei quando a vi passar. – Você vai ao pub com a gente? Cadê a Brooke?
- Vamos sim. Está por aí, vou chamá-la. Nós vamos agora? – Ela perguntou na porta do camarim.
- Sim, eu vou lá fora falar com a garota que nos chamou. – Falei e ela saiu do camarim à procura de Brooke, logo depois, eu saí do backstage à procura de Alexia.
- Aonde você vai? – Senti uma presença atrás de mim.
- Procurar a garota que nos chamou pro pub. Vamos lá? – Perguntei e concordou.

Saímos do backstage e eu percebi vários olhares sobre mim, segurei no braço de quando percebi algumas garotas querendo se aproximar. Fui até o bar com certa dificuldade, porque parecia que quanto mais andávamos, mais as pessoas se aproximavam e mais apertado ficava o espaço. Consegui achar a garota e acenei pra ela, sorrindo, algumas pessoas, curiosos, olharam para ela que veio até nós sorrindo, se eu fosse uma fã, iria adorar ser vista por milhões de pessoas ao lado do meu ídolo, eu estou fazendo uma fã feliz, mentira, o está. Senti alguns flashes, odeio flashes, ainda mais quando não sei de onde eles vêm!

- Vocês vão? – Ela perguntou, eu soltei o braço de por causa dos flashes.
- Vamos sim. Podemos encontrar vocês lá fora? Aqui está meio difícil. – Perguntei, ela concordou com a cabeça e deu meia volta para falar com as amigas, eu e também voltamos. - Hey, , posso tirar uma foto com você? – Uma garota perguntou.
- Claro, linda!
- Linda? – Não resisti. Não sei porquê, mas esse “linda” me incomodou e eu não consegui esconder o ciúme. Ela o abraçou e alguém tirou a foto, provavelmente uma amiga.
- , eu também quero tirar uma foto com você! – Uma outra garota surgiu. Cerrei os olhos. Ele a abraçou e ela mesma bateu a foto. Quando percebi outra garota se aproximando, havia quase uma fila se formando, peguei no braço de e apressei o passo.
- Você é lindo, ! – Outra garota falou. Revirei os olhos e andei mais rápido.
- , você é muito sexy.
- Hey, , me dá um autógrafo?
- , eu preciso falar com as fãs, como você quer que eu fique famoso se não dou atenção para elas? – perguntou sorrindo, super feliz pela atenção que estava recebendo.
- , você é o mais lindo da banda! – Uma guria falou e eu lancei um olhar fulminante para ela.
- Você não vai falar com essas gurias assanhadas! – Falei irritada, sorriu mais ainda, se é que era possível, mas de uma forma diferente, só então percebi o que tinha dito. – Não agora, estão nos esperando! – Tentei disfarçar, mas ele ainda tinha aquele sorriso, não tinha como disfarçar mais, eu sou uma idiota, folguei o aperto em seu braço, sem graça, mas ele o passou em volta do meu corpo, me abraçando de lado.

Entramos no backstage, encontrei a Brooke e a na entrada do nosso camarim. , e estavam dentro dele. Entramos no camarim, pegamos os instrumentos e o levamos para o Ringo, cada um ajudou em alguma coisa, inclusive , Brooke, Ashley e até a groupie mor! Com tanta ajuda, terminamos rápido. Cara, precisamos de um roadie, um pobre sofredor que nos ajudasse a dar conta de tanto instrumento. Encontramos a Alexia do lado de fora, como havíamos combinado, todos quiseram ir ao pub, , , , , e Brooke. Ashley queria ir, mas não podia deixar a amiga sozinha, até porque a Brittany não foi convidada, a Ash sim. Já que a Alexia me chamou, eu chamava quem eu quisesse e eu não queria chamar a groupie.

- Como vamos? – Perguntei a Alexia.
- Quantos são? – Ela perguntou olhando a minha volta.
- Os quatro McGuys, eu e mais duas garotas. Sete! – Eu sou boa de conta!
- De carro, vão quatro no meu carro e três no da Bronwen. – Ela falou.
- Eu vou com você, . – falou.
- Eu e a vamos com você. Os meninos vão no outro carro. – Brooke falou.
- Eu vou com vocês três e os outros vão com elas! – falou, apontando para mim, depois pra os meninos e depois pra Eve e Bronwen.
- Ok! – Tentei esconder que tive ciúmes dessas meninas que estavam no mesmo carro que o , já que não íamos no mesmo carro e ele estaria com duas garotas loiras e bonitas. Falando nisso, as três são loiras. Será que usam a mesma tinta? Parei.

Dei tchau para o Fletch e fui atrás da Alexia até o carro dela. Quando ela ligou o carro, começou a tocar Radiohead, fomos o caminho todo cantando, eu fui na frente, o tempo todo eu me pegava olhando para o carro onde estava , tentava evitar, mas parecia automático. O que esse garoto tem?

Finalmente chegamos ao pub que tinha a entrada colorida com desenhos psicodélicos, estava bem movimentado. A Alexia conhecia o segurança, entramos bem rápido, nem pegamos a fila. Imagina, a garota vem toda feliz convidando a gente para ir ao pub e, quando chegamos, somos barrados?! Mas, enfim, quando entramos, algumas pessoas pararam para nos olhar, os meninos estão ficando realmente famosos, daqui a alguns dias, não poderemos nem sair do hotel. Ou de casa. É chato pensar que a viagem está chegando ao fim. Mas ainda temos quatro dias para aproveitar!

Sentamos numa mesa, perto do balcão, eu não sobreviveria longe dele. Sentei entre e , Puxei Brooke para sentar do meu lado e a coloquei entre mim e . Eu sei que aposta é aposta e o teria que cumprir sozinho, mas valia a pena jogar o veneno. Um garçom com um uniforme de cores vivas veio atender a gente. Adorei esse pub, parecia uma boate gay. pediu um drink que eu nem sei pronunciar o nome, eu pedi o mesmo e ele riu, sabia que eu não fazia idéia do que era. Os outros pediram margueritas, sex on the beach e cervejas. Ficamos conversando sobre o show e os drinks chegaram, o meu era uma coisa vermelha, meio enfeitada e esquisita. Parecia um drink afrodisíaco, sei lá, fiquei até com medo de tomar aquilo. Acho que não era um drink inglês!

- ? – Pedi ajuda e ele riu.
- Você é louca, como você pede sem ter idéia do que é? – Ele perguntou rindo e tirando um dos enfeites da taça.
- Eu gosto de surpresas. – Sorri marota. Ele virou a tacinha de vez e fez uma careta, depois abriu um sorriso engraçado à la . – Isso é bom?
- É, bebe de uma vez! – Ele falou e eu o fiz, bebi aquela coisa, senti aquilo queimar minha garganta e fiz uma careta, mas era bem doce no final. Ele riu. – E aí? – Eu sorri e ele entendeu como resposta. – Vamos juntos. – Ele acenou para o garçom trazer outro, o que não demorou muito. tirou de novo o enfeite e levantou a taça, como um brinde, eu fiz o mesmo e bebemos todo. Depois rimos.
- Cara, isso é muito bom! – Falei já sentindo aquilo fazer efeito. Quando eu digo que sou fraca para bebida! Claro, depois de tanta cerveja!
- Eu vou lá fora. – Alexia levantou fazendo um gesto disfarçadamente com os dedos polegar e indicador. Eu não entendi. Alguns não falaram nada, outros fizeram gestos negativos com a cabeça, Bronwen levantou, também, acho que entendi alguma coisa errada entre esses dois.
- Vem! – me puxou. Ah, tá, não era o que estava pensando. Fui com eles.

Chegamos do lado de fora do pub, saímos pela parte dos fundos, onde tinha uma rua praticamente deserta, Alexia conhecia o segurança que ficava lá também. Ela tirou a bolsa do braço e sentou num batente com ela no colo. Ela podia ter deixado a bolsa na mesa, né?! Ela tirou uma bolsinha pequena de lá. Não, ela não podia ter deixado a bolsa! Da bolsinha, ela tirou uma caixinha retangular e um saquinho. Cara, quanta coisa dentro da outra. Essa minha frase não soou bem, mas não tem problema, acho que ninguém ouve meus pensamentos mesmo. Ou ouve? Balancei a cabeça espantando essas maluquices, vi Alexia tirar um papel da caixinha, na verdade uma seda, e do saquinho um farelo. Colocou o farelo de cor meio esverdeada na seda e enrolou com cuidado, lambeu a pontinha e terminou de enrolar, colando a ponta. tirou um isqueiro daqueles bem clássicos, quadradinho e prateado, que abre a acende. Meu pai tinha um desse, eu lembro, ele fumava na varanda e minha mãe ficava reclamando. pegou o baseado na mão de Alexia e acendeu, apertou-o contra o dedo indicador e polegar e tragou. Passou pra mim, mas eu não aceitei.

- Eu não fumo! – Ele fez uma cara de “como assim?”
- Ah, qual é, ? Você veio aqui para ver a gente fumando? – Bronwen perguntou, eu juro que estava curiosa para experimentar aquilo, mas lembrei do que meu pai me disse, não é muito legal depois de um tempo.
- Experimenta pelo menos! – Alexia falou.
- Olha, se você não quer, não fuma! – olhou para mim e eu estiquei o braço para pegar o baseado. Ele me entregou hesitante e eu traguei. O máximo que eu tinha fumado foi um black e malrboro light quando tinha treze anos e estava na casa do Drew. Senti minha garganta arder, parecia que ia fechar, era esquisito! Traguei de novo e entreguei a Bronwen que estava ansiosa do meu lado, esperando que eu entregasse o fumo a ela.
- E aí? – perguntou. E ai o quê, habibi? – Bateu? – Ele especificou a pergunta, percebendo que eu não tinha entendido.
- Não sei! – Falei, eu estava um pouco relaxada, mas acho que não era o efeito da erva. riu e pegou o baseado da mão de Alexia, tragou três vezes e passou para mim. Traguei uma vez, sentindo meu corpo mais leve, traguei a segunda, sentindo minha mente se desligar e traguei a terceira, sentindo como se tivesse muito, mas muito bêbada. Tem tempo que não me sinto assim. Passei a morte para Bronwen, estava bem no finalzinho, dava para tragar uma vez e queimar a mão na segunda.
- Vamos voltar. – me puxou, eu fui com ele. Ele fez um sinal com a cabeça chamando Alexia.
- Vamos ficar mais um tempo. – Ela falou se aproximando de Bronwen. – Depois a gente fuma outro se vocês quiserem.

Eu sabia que ela era lésbica, quando entramos no pub, ela estava prestes a agarrar Bronwen. Eu e estávamos conversando sobre um monte de merda que eu nem lembro como fomos parar em religião. Pois é, estávamos discutindo sobre religião, depois começamos a comparar nossas vidas com novelas mexicanas. Dougie era o vilão que virava mocinho no final e eu era a mocinha ingênua, como, eu não sei, já que éramos os únicos personagens! Estávamos rachando de rir quando chegamos à mesa. Todos nos olharam como se falassem: “Esse dois fumaram um”. Eu ri. Sentamos e começamos a nomear todos com nomes bregas de novelas mexicanas. Mais personagens! Nem lembro quantos nomes criamos, mas o era o mocinho que brigava com e , era figurante, eu e Brooke éramos mocinhas e Brittany, que nem estava presente, foi nomeada Paola Bracho.

- Vocês estão bem? – Brooke perguntou rindo da nossa maluquice.
- Eu estou ótima. – Ri. – Vamos dançar? – Puxei ela e , já que estavam do meu lado. Brooke puxou que puxou , que puxou que não sabia o que fazer e puxou . Todos foram puxados, teoricamente, por mim em direção a pista de dança. – , vamos tomar um troço daquele que a gente tomou?
- , você já está muito doida, vai tomar aquilo pra quê? – Ele perguntou.
- Sei lá, vamos lá então, ! – Ele não estava em condições de recusar nada, então fomos até o balcão. – Como é o nome?
- Nome de que? – Ele perguntou sem entender nada.
- Daquela bebida que eu tomei com o . – Ele deu de ombros.
- Que bebida?
- A que o Jones pediu. Vai lá perguntar a ele?! – Pedi com o maior sorriso convincente que pude fazer e lá foi o . Depois de alguns minutos ele voltou com uma cara confusa.
- Esqueci o nome, é muito estranho. Eu pedi pro vir, mas ele disse que era melhor mesmo a gente não beber aquilo de novo.
- Vamos pedir outra coisa. O que o senhor sugere? – Perguntei ao garçom que havia nos atendido, ele ria da nossa confusão.
- São muitos drinks, mas como vocês parecem estar um pouco altos, uma marguerita! – Ele falou, acho marguerita muito fraca, mas tudo bem, eu sou fraca também (Eu acho, porque depois disso tudo...). Fiz que sim com a cabeça e em questão de minutos ele trouxe duas. Pegamos as margueritas e seguimos pra pista, onde todos ainda dançavam.

Dançamos Skazy, Fatboy Slim, Bob Sinclair e mais um monte de DJ’s conhecidos. Eu conhecia um monte, já que sempre ajudava a galera a organizar as festas em Bristol, eu estava sempre na parte do som. Todos dançavam individualmente, estavam animados, vários garçons passavam e sempre pedíamos um drink diferente, já estávamos trocando passos quando começou a tocar “erótica” da Madonna numa versão remixada. Comecei a dançar com o , detalhe: Eu estava com um drink na mão, que por sinal, deveria ser o sexto depois daquela marguerita. É claro que o que tinha que sofrer com as provocações, claro, não ia dançar com o , senão ela não o atrapalharia com a aposta da Brooke, nem com o que parecia querer pegar a e o não tinha graça. Sobrou o . Pobre Eve, estava sozinha na mesa. estava segurando na minha cintura, enquanto minhas mãos estavam espalmadas em seu peito. Eu estava mais a fim de dançar do que provocar ele, mas parecia o contrário, ele mordia o lábio inferior, nervoso. Me aproximei dele e comecei a dançar com seu corpo colado ao meu e olhando em seus olhos. Me aproximei ainda mais, não era fácil resistir a aqueles olhinhos infantis e ao mesmo tempo maliciosos.

- , você está bêbada! – Ele falou, gostei disso, mostra que ele se preocupa. Mas eu não!
- Sshh! – Falei e o beijei com intensidade. Ele não hesitou, retribuiu da mesma forma.
- Não acredito! – Ouvi a voz de e gargalhei internamente imaginando a cara dela.
- Cala a boca, porra! – Ouvi reclamar e soltar um “outch”. Provavelmente levou um pedala. Senti um sorriso se formando nos lábios de , mas ele não interrompeu o beijo, apenas passou a me beijar com menos intensidade. Senti um flash e o empurrei. Ele me olhou assustado. Todos em volta fingiram que não estavam vidrados prestando atenção à cena.
- Odeio esses flashes, não quero mais andar com gente famosa! – Fiz cara de criança triste e todos riram. Há, eu sabia que eles estavam ligados em mim.
- Vamos voltar para a mesa. – falou e todos concordamos. Estávamos dançando a um tempão. Aliás, já eram três da manhã.
- Estou com sono! – falou quando sentamos à mesa. Alexia estava sentada. A mesa cheirava à maconha. Eu cheirava à maconha!
- Vamos embora. – Brooke falou.
- Ah, não, galere! Eu não quero ir. – Reclamei. Eu não queria ter que voltar pro hotel para dormir naquele quarto com a groupie.
- Vamos lá fora? – perguntou olhando pra Alexia, ela levantou, assim como Bronwen, e me puxou pra levantar também. Agora eu já sabia o que eles tinham em mente. – Depois a gente volta pro hotel. – Ele falou e andamos em direção a saída dos fundos. Dessa vez seguiu a gente.

Alexia, mais uma vez, pegou da bolsinha a erva e a seda e deu a bolsinha a , cada um enrolou um baseado. Depois de enrolados, acendeu um e tragou duas vezes, depois entregou pra que tragou algumas vezes e me entregou. Traguei também, algumas vezes e passei pra Alexia, ela tragou e passou pra Bronwen que fez o mesmo, passando pra . Ele tragou uma vez e se aproximou de mim.

- Vem cá. – Ele falou me puxando. Puxou fortemente o baseado e me beijou, passando toda a fumaça pra mim. Soltei a fumaça e sorri. Ele tragou mais uma vez e me entregou. Fumamos o primeiro e acendemos o segundo. Repetimos aquela brincadeira de passar a fumaça um pro outro algumas vezes. Traguei o fim e joguei o resto longe. se aproximou de mim e me beijou querendo aproveitar aquela última tragada. Depois de algum tempo conversando e rindo, voltamos pro pub e sentamos na mesa.

- Vamos? – Brooke perguntou e assentiu com a cabeça. Todos levantaram.
- Vou comprar uma última cerveja. – Saí em direção ao bar. Comprei três garrafinhas e voltei. Todos me esperavam de pé ao lado da mesa.
- Não era a última? – perguntou esticando o braço pra pegar uma.
- É pra viagem! – Afastei as cervejas dele, parecendo uma criança que não quer dar o doce. – Então, vocês vão nos deixar no hotel? – Perguntei pra Alexia.
- Claro linda, você acha que vou deixar vocês aqui? – Não tenho nada contra a opção sexual dela. Mas se ela parar de me chamar de linda e de me olhar assim, eu agradeço. Sorri.
- Vamos, então? – passou os braços em minha cintura. – , você vai com o e o dessa vez, eu não quero ter que ficar vendo eles se jogando pra cima das meninas.
- Hey! – Alexia reclamou e abraçou a Bronwen. – Que história é essa?
- É só uma brincadeira do ! – falou se defendendo. Provavelmente, ele estava dando em cima dela! Eu ri. Aliás, eu só sabia rir. Estava totalmente bêbada e chapada. Como não riria? O também, só estava um pouco mais controlado que eu, assim como a Alexia e a Bronwen.
- Vamos! – Alexia riu e nós fomos pro estacionamento. Entrei no carro dela, dessa vez Brooke foi na frente, pediu que eu fosse atrás com ele. Eu não tinha como recusar, ele estava me segurando e praticamente me jogou no banco de trás.

Eu ainda estava com as três garrafas de cerveja na mão, uma aberta. Ok, eu admito, não fui eu quem abriu, foi o , não tenho coordenação motora quando estou bêbada. Deixei ele ficar com uma garrafa, não tive escolha, ou ele ficava com a garrafa, ou eu não bebia a minha cerveja, ficaria a viagem toda tentando abri-la. A primeira cerveja acabou quando entramos na rua do hotel. Eu demorei pra beber porque estava meio ocupada agarrando o . Ele abriu a terceira garrafa, tomou um gole, recebendo um olhar fulminante e me entregou.

- Tchau, Alexia! Até algum dia! – Mandei beijos no ar pra ela e saí do carro. Dei de cara com um rapaz moreno, baixinho, com cara de uns trinta anos e adivinha? Uma câmera na mão. O carro de Bronwen estava um pouco a frente, todos estavam ao lado do carro, sendo fotografados pelo paparazzi solitário. Eles nem se importaram, mas eu não gostei. No dia seguinte as fotos estariam na internet e eu com cara de acabada. me abraçou e entramos no hotel. O paparazzi fotografou cada passo, filho da puta, e foi embora depois que nós sumimos dentro do hotel. Se minha garrafa não estivesse cheia, eu tocava na cara dele!

Entramos no elevador, eu estava reclamando do fotógrafo. Eu sou engraçada quando estou bêbada, mas se me estressarem, eu fico insuportável. Chegamos ao décimo primeiro andar. Eu estava me agarrando com o e fomos direto pro quarto onde eu estaria hospedada, eu nem lembrava da existência da groupie. Quando abri a porta e acendi a luz, me afastei de , percebendo o que estava fazendo e olhei pro quarto, vendo uma Brittany muito puta por ter sido acordada e pior, por ter sido acordada por mim e pelo quase nos comendo.

- Foi mal! – Falei rindo. Eu não controlava o riso no estado que estava.
- Sai daqui, vadia. – Ela gritou acordando Ashley. Coitada.
- Olha aqui, sua groupie desgraçada. – Falei tentando me aproximar e apontando pra ela. Mas me segurava.
- Vamos sair daqui, ! – Ele me puxou e eu saí batendo a porta, ainda rindo descontroladamente.
- Isso, vai comer ela, ! – A ouvi gritando e caí no chão de tanto rir. tentava se controlar e me controlar.
- Pára com isso, . Vamos lá pro meu quarto, você precisa de um banho gelado! – me levantou.
- Banho gelado? Você enlouqueceu? – Perguntei gritando. O não vai me dar banho. No Way!
Vi uma porta sendo aberta, cara, ainda bem que proteção acústica nos andares, senão nós já teríamos acordado todo o hotel, e ainda bem que nesse andar só tem a gente.
- Vocês querem fazer o favor de calar a boca? – perguntou saindo do quarto dela. – , as meninas não estão aqui. Devem estar no quarto de alguns dos músicos.

Sorri. Achei um quarto! Acho que o que tinha na cabeça não dava para ser feito na presença dos meninos! Sem falar que eu não ia dormir num quarto com quatro caras. Tudo bem que eu não estava em condições de pensar nisso, mas é isso aí. Entrei no quarto da e o veio atrás de mim. A Brooke estava numa das camas de solteiro, ia deitar na cama de casal, mas eu fui mais rápida e me joguei, deixando cair cerveja na cama. se jogou também e eu ri. desviou o caminho e deitou na cama de solteiro. Bebi a cerveja na intenção de largar logo aquela garrafa, mas o pegou na minha mão quando estava quase acabando, bebeu tudo e largou no chão, perto da cama. Ele subiu em cima de mim e começou a beijar meu pescoço, eu apenas ria, cara, eu estava muito doida! Ele estava com as duas pernas em volta das minhas e segurava minhas duas mãos na altura da minha cabeça. Eu estava totalmente sob controle. Atoron!

- Hey, vocês dois não estão sozinhos! – Brooke reclamou.
- Deixa de ser chata, Brooke! – Respondi rindo. também riu. Elas não estavam tão bêbadas quanto eu, mas não estavam muito longe disso.
- Você diz isso porque dormiu a tarde toda. – falou. – E não é você quem tem que ficar agüentando um casal se comendo no mesmo quarto que você!
- Ok, nós ficamos quietos. – Falei e tentei afastar , mas ele ainda me segurava e me beijou intensamente.
- Vocês estão com sono? – Ouvi a Brooke perguntar quebrando o silêncio que tinha se instalado há alguns minutos. Se eu tivesse como responder.
- Não! – respondeu. – E vocês? – Ninguém respondeu. – ? – Nada. – ?
- Porra, o que foi, ? – Ele perguntou. Eu ri.
- Nossa, , por que esse estresse todo? A gente só queria saber se você está com sono. – Ela respondeu.
- Vamos ao quarto dos meninos? – Perguntei animada, conseguindo me soltar de .
- Fazer...? – Brooke perguntou.
- Sei lá, acordar eles. – Respondi, todos levantaram e saímos do quarto sem fazer barulho.

Andamos no corredor falando vários “ssshhhiu’s” e entramos no quarto dos meninos com o máximo de cuidado possível. Fechei a porta devagar e quando acendemos a luz para assustá-los, eles levantaram.

- Haaaaa, viemos acordar vocês! – Me joguei na cama onde estava . De casal! – Você ia dormir com o , ?
- Claro, eu achei que você soubesse do nosso caso, , não fica com ciúmes! – riu e sentou na cama ao meu lado, todos se acomodaram em algum canto do quarto.
- Háháhá! – Ri debochadamente. – Com ciúmes de você, ?
- Viemos porque estávamos sem sono! – falou do nada. Eu ainda ria do bico que fez.
- E aí resolveram descontar na gente? – perguntou. – Que amigos eu tenho! E você ainda concorda com isso, ?
- Elas são três dude! – Ele respondeu rindo. Todos riram.
- Bicha! Nós também estávamos sem sono. O que vamos fazer? – perguntou bagunçando meu cabelo.
- Sei lá! – Respondi e joguei uma almofada nele. Ele riu e descontou, só que o nosso gênio do basquete acertou em ao invés de me acertar.
- Sua bicha desgraçada! – falou e descontou.
- Parem com isso! – Brooke jogou uma almofada na gente, todos nós descontamos, ela recebeu três almofadadas de vez, isso é uma vingança pelos dias que ela me acordou dessa maneira singela e delicada! Travamos uma guerra de almofadas, quase rasgamos as almofadinhas do hotel, tinha travesseiros e almofadas para todos os lados, até que cansamos e acabamos dormindo ali mesmo.



12

And They Woke Up Together Not Quite Realising How


Eu estava num lugar muito, muito claro, onde estavam , , , , Fletch, Pete, , Brookie, Ashley, Brittany, meu pai, cara, a minha mãe e mais algumas pessoas que eu não conhecia. Até o Drew estava lá. Fiquei feliz por um momento, ao ver todas aquelas pessoas queridas reunidas, mas ao perceber a cara de todos, fiquei séria. Estavam todos com expressões tristes, preocupadas ou apenas entediadas. Várias pessoas passavam por todos os lados, depois eu estava sentada em um sofá, com quase todas essas pessoas, eu tentava falar, mas na primeira vez que tentei, eles pareciam não me ouvir, e na segunda, a minha voz não saía, nem a minha boca mexia. Mais tarde eu estava em uma cama, senti um impacto como se estivesse caindo. Estremeci e acordei ao lado de , parecia que eu estava flutuando e tinha acabado de cair na cama, meu coração estava acelerado e minha respiração ofegante, sentei na cama bruscamente e senti uma mão segurar a minha, rapidamente olhei para o lado e vi olhando para mim, preocupado.

- Tudo bem? – Ele perguntou, eu respondi com um “uhum” e assentindo com a cabeça. – Pesadelo?
- Não exatamente. Eu só senti o impacto e acordei, como se eu sonhasse que estava caindo, entende? Mas eu não sonhei com isso. – Expliquei, ainda um pouco assustada.
- E com o que você sonhou? – Ele perguntou, ainda segurando a minha mão.
- Eu não sei, foi estranho, nós estávamos num lugar muito claro, todos nós, eu, você, os meninos, as meninas, Fletch, Pete, minha mãe, meu pai e meu melhor amigo, o Drew. – Expliquei baixo, porque os outros ainda dormiam. Aliás, o que eu estava fazendo ali? fez um gesto para que eu continuasse. Contei tudo. – Eu venho tendo uns sonhos esquisitos esses dias.
- Como foram os outros? – Ele perguntou curioso. Talvez ele pudesse me ajudar a entender isso. Mas só de lembrar, eu estremecia.
- Eu não quero falar disso, deve ser só estresse. Minha cabeça está doendo. Por que estamos aqui? – Eu sabia que tinha bebido a noite toda. Não costumo ter ressaca ou amnésia depois de uma bebedeira, mas acho que exagerei um pouco ontem. Eu lembrava-me de tudo, fora de ordem, mas lembrava, só não lembrava porque estávamos todos no quarto. Eu, e na cama. dormiu em uma cama de solteiro. e Brooke dormiam no chão, cada um de um lado do quarto, e dormia na outra cama.
- A gente veio para cá ontem porque estávamos sem sono. – Ele explicou, de repente arregalou os olhos. – Você lembra-se de alguma coisa? – Ele perguntou assustado.
- Lembro, mas só até a parte que entramos no hotel. – Parecia que tudo tinha sido apenas um sonho, o qual eu não lembrava quase nada, apenas alguns detalhes surgiam em minha mente. Esse é o grande problema da bebida. Ou a grande dádiva?
- Calem a boca vocês! – Senti uma almofada no meu rosto. Tinha que ser a Brooke, eu ia descontar, mas ela estava certa.
- Vamos descer para tomar café? – perguntou.
- Vamos! – levantou na mesma hora. Era só falar em comida!

Nós três levantamos e saímos do quarto. Ouvimos uma barulheira e todos saíram do quarto reclamando. Eu ri. Brooke foi a última a sair, rindo. Chegamos ao restaurante prontos para tomarmos um café da manhã farto, com todas as frutas, pães, sucos, chocolates e delicias de um café da manhã digno de Deuses. O garçom veio dizer que já eram duas horas da tarde e não podíamos tomar café, pois não tinha nada de café da manhã preparado no momento. Mas, cara, duas horas da tarde, por que não almoçar?

- Quem quer pizza? – Perguntei e todos levantaram as mãos, parecendo crianças esfomeadas em colégios públicos. – Quatro pizzas família, mussarela, marguerita, peperone, e? – Perguntei, eu amo marguerita e peperone, gosta de mussarela, também gosta de marguerita, mas eu não sabia de que pedir a outra.
- Brócolis! – sugeriu.
- Frango com catupiry! – Brooke.
- Atum! – .
Todos falaram na mesma hora.
- Querem fazer o favor de se resolver? – perguntou. – Eu voto em frango com catupiry.
- Quatro pizzas é muito! Vamos pedir três! – falou.
- Você nunca viu o com fome! – respondeu.
- Vamos pegar três mesmo, ainda tem a sobremesa, vocês têm muito o que comer. A tamanho família tem doze fatias, ficam cinco fatias para cada um e seis pro , já que ele é o que mais come.
- Injusto! – reclamou fazendo bico. – Eu quero seis também.
- Deixa de ser invejoso, ! – falou dando um pedala nele.
- Outch! – Ele aumentou o bico fazendo uma cara de criança que apanhou do pai.
- Oun! – Fiquei com pena! – Você come a minha, bebê! – Essa frase ficou estranha! Ele abriu um sorrisão. Eu ri. – Eu não consigo comer cinco fatias.
- E eu pensando que você ia se sacrificar por mim. Pobre alma sonhadora! – Ele se lamentou.
- Se chorar vai ficar só com três fatias! – Ameacei. parou na mesma hora e os outros riram.
- Dude, vocês se amam! – comentou e eu corei, mais pelo fato de ter ficado com ele na noite passada, espero que ninguém toque nesse assunto, vou fingir que esqueci isso!
- A não ama ninguém! – falou. – Ela é fria e calculista, igual aos russos!
- Cuidado com o que fala, ! Não pense que eu esqueci que você tem uma dívida comigo! – Falei. Todos soltaram risinhos e pequenas vaias. Eu ri e o se calou.

As duas primeiras pizzas chegaram, mussarela e marguerita. Cada um comeu uma fatia e chegou a outra. Todos comeram uma fatia de cada pizza, depois eu comi uma a mais de marguerita, comeu a que seria a minha mussarela e outra peperone. Todos comeram seus devidos cinco pedaços. Exceto , e eu, que comi quatro, enquanto eles comeram seis. Mas, enfim, pedimos a sobremesa. Pettit Gateau, haja chocolate! Cada um comeu um, mas eu, e , como sempre os diferentes, pedimos duas bolas de sorvete a mais para cada um. Depois de nos empanturrarmos de besteiras e conversarmos durante um tempo na mesa, ficamos sem saber o que fazer.

- E agora? – perguntou.
- Vamos fazer uma festa? – deu a idéia.
- Agora? – Perguntei, achando um absurdo.
- Não, , de noite. Festa no quarto dos meninos. – Ela respondeu.
- Por mim tudo bem. – concordou.
- Temos que comprar bebidas! – ressaltou. Claro, a parte mais importante.
- Pronto, já temos o que fazer, vamos ao mercado. – Brooke falou.
- Assim que eu tomar um banho. Vamos subir. – Falei e todos fomos para o elevador. Eu ainda usava a roupa da noite anterior, meia calça preta, short xadrez, blusa branca, minha jaqueta estava no quarto da que “sem querer”, fez o favor de jogar no chão. Eu não estava de All Star, apenas de meia, que já devia estar totalmente acabada, depois de andar pelo hotel com ela, por sorte não levei um tombo.

Peguei minhas coisas no quarto de e entrei no meu quarto. Brittany e Ashley estavam lá, elas tinham que estar, né?! Brittany revirou os olhos quando entrei, nem me importei, fui direto ao banheiro, tomei um daqueles banhos bem demorados e relaxantes, eu precisava de um desses, bem quente. Estava pensando sobre o que havia feito, eu briguei com a Brittany, ok, eu odeio ela, mas por que? Fui eu quem roubou o cara com quem ela ficava, eu estou de intrusa nessa turnê, nem conhecia os meninos, de repente eu me torno a queridinha do Fletch, como ela mesma faz questão de deixar claro, e ainda fico com o namorado/peguete/coiso dela. Eu não estou certa nessa história, mas eu tentei poupá-la. Quando fiquei com no ônibus, a minha primeira preocupação foi ela, mas ela já me odiava e desconfiava de mim bem antes disso. Mas isso não importa, como o mesmo disse, ela é uma groupie e tem outros!

Saí do banheiro vestindo um short preto e a blusa do Drew. Sentei na cama pequena perto do banheiro para calçar meu All Star. Senti o peso do olhar de Brittany em mim, ela e sua aura negra estavam me passando uma energia ruim. Peguei meu iPod e coloquei meu WayFarer preto clássico, estava terminando de fechar minha mochila para sair do quarto quando ela falou:

- Dormiu bem, ? – Perguntou provocativa. Deve pensar que eu não achei um lugar bom para dormir. E é verdade, eu não achei, mas achei um lugar ótimo para bagunçar, pena que acabei dormindo.
- Você nem imagina o quanto! Mas se eu não estivesse tão bêbada, teria aproveitado melhor! – Respondi sorrindo sarcástica e descaradamente. Ouvi alguém bater no quarto e abri a porta, já estava de pé mesmo. Brittany bufou quando viu .
- Você estava demorando. – Ele usava uma bermuda creme e uma camisa preta da Volcon.
- Eu já estava saindo, mas estava conversando com a Britt sobre a nossa noite. Ela estava curiosa. – Falei, Brittany fez um barulho com a boca, mostrando que não tinha gostado do meu comentário. Eu saí do quarto.
- O que foi isso, ? – perguntou com um tom de reprovação, provavelmente não entendeu o que eu quis dizer com “ela estava curiosa” e achou que eu estava provocando.
- A groupie veio se achando, perguntar se eu dormi bem, eu só falei a verdade. – Dei de ombros.
- Então você não estava apenas provocando quando falou aquilo? – Arregalei os olhos, assustada, oh my, ele ouviu. Fiz cara de “ahn” e ele riu. – Quando você disse que teria aproveitado melhor.
- É... Eu... Er... Essa parte foi provocação! – Tentei!

saiu do quarto interrompendo minha conversa com , eu sorri agradecida.

- Cadê os meninos? – Perguntei me certificando de que a conversa mudaria de rumo.
- Estão lá embaixo nos esperando. – respondeu.
- A Brooke também já desceu. – completou. – Só que ela demorou tanto para tomar banho que eu quase fiquei para trás.
- A gente ia esperar você, bebê! – Falei sorrindo. – Vocês falaram com Fletch?
- Como? Oi, Fletch, vamos dar uma festa no quarto do hotel, quer ir? – perguntou. – Ele nos mata!
- Não, , ele não precisa saber essa parte, mas eu preciso avisar a ele que vamos sair.
- Ah, tá. Nós avisamos agora.

Chegamos ao saguão, todos estavam sentados no sofá, e foram até lá e eu fui à recepção ligar para o quarto do Fletch. Avisei que iríamos sair para conhecer um pouco a cidade, ele disse para não nos perdermos, não fez mais nenhuma restrição. Bom, vamos às compras! Pegamos dois táxis. Estava frio, mas estava muito claro. Parecia que era de manhã quando já eram quase três horas da tarde. , , e eu fomos em um táxi e Brooke, e foram no outro. Paramos em frente ao mercado.

- Faz assim, é mais rápido. Eu e a vamos comprar as comidas, salgadinhos, biscoitos, essas coisas. e vão para a parte de copos e pratos descartáveis. , e vão comprar as bebidas. - Brook sugeriu.
- Ok! – Falei e, assim, nos separamos – Espera! – Gritei. – Onde nos encontramos?
- Aqui mesmo, cabeção. – falou, revirando os olhos e rindo.
- Ok! – Eu ri.

Dessa vez nós nos separamos e fomos aos nossos destinos. Chegamos à parte de bebidas, peguei várias garrafinhas de cerveja, até que avistei o engradado.

- , pega um carrinho. – Pedi.
- , pega um carrinho. – Ele pediu. Engraçado ele, né? Pobre, ! - Eu pedi para você, não explora o ! – Reclamei, ele riu. – Cerveja, vodka e o que mais?
- Tequila, licor, vinho e alguma coisa que dê para misturar com algumas frutas. – respondeu contando nos dedos e fazendo cara de pensativo.
- As frutas! – Falei. Bem lembrado, voltou com o carrinho, coloquei as caixas de cerveja, a vodka, a tequila, as três garrafas de licor que insistiu em pegar, o vinho e mais duas vodkas. Se não morrermos de coma alcoólico hoje, morreremos de cirrose daqui vinte anos.
- Vamos pegar as frutas e o açúcar. – falou.
- Mas o açúcar fica do outro lad... ! – Fiz a maior cara de anjo. Ele riu.
- Ok, , eu faço esse sacrifício! – saiu na direção oposta a que nós estávamos indo.
- Morango, limão... – Fui pegando as frutas já nos pacotinhos pesados. Não demoramos muito e voltamos. - Como vamos misturar as frutas, não dá para pedir um liquidificador emprestado! – Falei e riu. – Vamos levar só essas. A gente usa uma garrafa qualquer para misturar tudo, e a gente pode comprar algum tipo de calda de chocolate pra misturar com morango, como petisco. - Que sexy! – comentou. Eu ri. Que louco! – Vamos atrás do para pegar a cobertura. Espero que as meninas lembrem-se de pegar chocolate!

Concordei e fomos andando até a sessão de doces, não falamos nada, eu não tinha um assunto e o parecia não querer falar muito. Apenas andávamos um do lado do outro, eu ainda me sentia constrangida pela noite passada, ainda mais depois do que eu falei para Brittany e ouviu. Pior que era verdade!

- ... – Ele me chamou, me despertando de meus pensamentos. Olhei para e ele continuou. –... O que você disse a Britt... – Ele leu meus pensamentos. Oh, shit! –... Era verdade ou não? Digo, você teria ficado comigo se não estivesse bêbada?
- Temos que achar as meninas! – Tentei desconversar, mas ele respirou profundamente e me olhou nos olhos, eu não olhava para ele, mas pude perceber isso.
- Não tente mudar de assunto! – Ele falou calmo e sério.
- Eu não sei, , sou muito medrosa, tenho medo de me machucar, machucar os outros, não ficaria com você estando sóbria, sabendo que aquilo não significa nada, tanto para mim quanto para você! – Falei, por mais que aquilo significasse para mim.
- Eu não sabia que não tinha significado nada para você, mas deveria ter imaginado! – Ele falou e saiu andando com as mãos nos bolsos. Me arrependi de ter dito aquilo, tinha um significado pra ele.
- , eu não... Nós somos amigos. – Tentei conversar, mas ele me ignorou e continuou andando, logo encontramos e as meninas na sessão de doces. – Ai está você, ! – Falei, tentando me desfazer daquele clima pesado. – Pegamos morango, tivemos a idéia de comprar uma calda de chocolate ou algo assim.
Na mesma hora, pegou uma calda.
- Vamos? Acho que já está tudo aqui! – Brooke falou.
- Vocês pegaram chocolate? – perguntou.
- Muitos e muitos chocolates! – falou com os olhinhos brilhando. Eu ri.

Nós fomos até o caixa e foi pro lugar onde nos encontraríamos para esperar os outros meninos que já estavam lá quando ela chegou. Passamos tudo, dividimos a conta e fomos pegar os táxis. Enquanto esperávamos algum táxi passar, vi algumas garotas olhando para a gente e dando sorrisinhos. Eu não agüentava mais, daqui a pouco surgiriam várias groupies dando em cima do , digo... Dos meninos! O que eu tinha dito ao há alguns minutos estava martelando na minha cabeça.

- . – Chamei me afastando um pouco dos outros. – O que eu falei... Não foi exatamente o que... - Tudo bem, ! Somos amigos, certo? – Ele falou, eu forcei um sorriso. Eu sempre digo isso, mas ouvir dele era quase insuportável. Segurei em sua mão e ele sorriu um pouco desconfortável.
- Hey, você não é o ? – Uma garota interrompeu meu momento humilhação.
- Sou, sim. – Ele sorriu.
- Você pode me dar um autógrafo? – Ela falou toda felizinha e assanhadinha! – Você é muito lindo. Tira uma foto comigo? – Ela está explorando. Mas o apenas respondeu com um “claro” e a abraçou, ela tirou a foto e olhou para ver como tinha ficado. Que ser normal vai ao mercado com uma câmera na bolsa? Coisas que só se vê em Sheffield!
- Um táxi, vamos? – Chamei , segurando-o pelo braço, acenando para que o táxi parasse.
- Vai nesse, eu vou depois com os meninos! – Ele falou e soltou seu braço. A fã que ainda estava plantada do lado dele riu. Vaca.
- Você está chateado comigo. – Afirmei.
- Não, eu não estou, pode ir! – Ele falou sério, a fã riu de novo, outro táxi passou. chamou.
- Vamos gente! – gritou!
- Vamos! – Falei respondendo , mas ainda olhando para . Virei e saí em direção ao táxi onde estava . Que era onde estavam e Brooke. Vi se despedir da assanhada com um beijo no rosto e entrou no outro táxi.

Chegamos ao hotel, eu não tinha falado nada desde que entrei no táxi, peguei as coisas que havíamos comprado, na mala do carro, e entrei no hotel levando algumas sacolas com bebidas. Todos vieram atrás, cada um ajudava do jeito que dava, assim só precisaríamos fazer uma viagem para levar tudo! Os funcionários do hotel olhavam para a gente, provavelmente se perguntando o que estávamos fazendo. Colocamos todas as coisas no quarto dos meninos, eu ainda não tinha falado nada, apenas os obedeci quando pediram para deixar as sacolas no canto do quarto, também não falou nada. Saí do quarto e fui para o quarto da , onde estavam ela e Brooke.

- O que foi? – perguntou me parando em frente a porta do quarto. passou por nós em direção ao elevador e eu fitei meus pés. – O que o fez? – Estava tão na cara assim que era por causa do ? Ou o anda lendo meus pensamentos também?
- Nada. – Falei e tentei entrar no quarto.
- Aconteceu alguma coisa, eu sei! – Ele falou. Acho que ele me conhece bem, até porque não é muito difícil.
- O não fez nada! – Falei com a maior paciência do mundo, mas não o convenci.
- Vocês estão estranhos desde que saímos do mercado. Claro que ele fez alguma coisa! – Ele insistiu. Ok, desisto!
- Ele não fez nada, , eu fiz! – Falei e abri a porta do quarto. – Satisfeito? – Não esperei que ele respondesse e entrei fechando a porta de qualquer jeito. Me joguei na cama e minhas queridas amigas, é claro, dispararam as perguntas.
- O que aconteceu? – Brooke perguntou olhando pra mim e pra porta.
- Por que você ficou esquisita do nada? – perguntou.
- A não, gente, por favor. Já basta o ! – Falei e as deixei com expressões confusas. – Anima, galere! Festa! – Mudei de assunto. – Vamos chamar os meninos do Busted e mais algumas pessoas?
- Ok! Mas depois você vai me contar o que está acontecendo. – Brooke falou e saiu do quarto, eu a segui e veio atrás de mim.

Fomos ao saguão, pedimos ao recepcionista o número do quarto dos meninos do Busted, ele achou que éramos fãs ou algo do tipo e só nos falou o número do quarto quando mostramos nossas chaves e o convencemos de que estávamos na produção da turnê e precisávamos falar com eles urgentemente. Voltamos para o elevador rindo. mandou o recepcionista tomar cuidado com as fãs e eu ri. Chegamos ao andar dos meninos e batucamos na porta. Um James com a cara amassada abriu a porta. Cinco horas da tarde, isso é hora de dormir, bonito?

- Jiiiiiimmy! – Berrei o abraçando e entrando no quarto sem ao menos ter a educação de esperar um convite para isso.
- Eu não tenho dinheiro! – Ele falou com os braços para cima, como se estivesse se rendendo. Eu ri.
- A gente vem aqui, com toda a boa vontade, para te convidar para a festa que vamos fazer no quarto do McFly e você nos acusa dessa forma?! – explicou o motivo da visita, de forma um tanto dramática, mas explicou.
- Festa? Quando? – James abriu aquele sorriso.
- Sei lá, daqui algumas horas, lá no 1102. – Respondi. – Avisa ao Charlie e ao Matt.
- Agora vamos subir, porque aquele recepcionista retardado nos fez perder muito tempo e temos que preparar o rango da festa! – Brooke falou nos puxando para fora do quarto. – Não podemos deixar que os meninos façam isso. – Nós rimos.
- Até mais, Jimmy! – falou e saímos do quarto.

Entramos no quarto dos meninos depois de algumas batidas na porta, nem esperamos resposta. Eles estavam jogados na cama, conversando, pareciam adolescentes fofoqueiras falando do novo corte de cabelo da vizinha. Eles pararam de falar quando nos viram entrar. Não disse que estavam fofocando? Me joguei em cima de , que estava deitado de barriga pra baixo,ou seja, encoxei ele. e riram e não teve nenhuma reação comentável. e Brooke sentaram educadamente no sofá, eu sou a única doida aqui, oi?

- Do que vocês estavam falando? – Perguntei mexendo no cabelo de .
- , sai de cima de mim! – riu, virando e me jogando pro lado, perto do . – Vai que você é um traveco e eu não sei, não gosto de correr esses riscos!
- Besta! – Dei um pedala nele.
- Pergunta para o , ! – brincou. Corei. Sempre o ! Brincadeira sem graça. também pareceu não gostar. Ele bufou. riu e me olhou de forma pervertida, levou outro pedala.
- Nós viemos arrumar as coisas pra festa! – Falei.
- É bom mesmo. , onde estão os copos? – perguntou vasculhando as sacolas.
- Procura aí. Quem vai fazer os drinks? – perguntou e eu e nos olhamos na mesma hora com sorrisos de crianças que vão aprontar.
- Está pensando no que eu estou pensando, B1? – Ele perguntou e eu ri.
- Acho que sim, B2! – Todos riram. Levantamos e pegamos as sacolas com bebidas e os copos, levando-os pra uma mesinha no canto do quarto. – Dude, isso vai ser uma bagunça! – Falei olhando para o quarto, não era pequeno, mas também não era enorme, aquela galera toda ali não ia dar muito certo. Mas fazer o que?!
- Vamos preparar as comidas! – Brooke falou desocupando o criado-mudo para colocar os pratos. – Essa vai ser a festa mais “armengada” que eu já fui!
- Se contenta com isso, amorzinho, pelo menos a gente pode beber até cair e tem camas esperando por nós! – Falei sorrindo, eu estava feliz, cara, como era bom saber que não precisaria me arrastar até o meu quarto para poder dormir.
- Meu Deus, essa garota só pensa em bebida, vai morrer de cirrose! – comentou.
- Vira essa boca pra lá, ! – reclamou.
- Obrigada, , mas, , eu já cheguei a essa conclusão há muito tempo, e sozinha! – Falei e ele riu.

Eu e o arrumamos as garrafas de licor, uma do lado ao outra, em cima da mesa, limão, chocolate e morango. Era a festa do limão com chocolate e morango! O licor de limão parecia anticéptico bucal! Colocamos as cervejas no frigobar, não tinha espaço pra tanta garrafa, decidimos colocar o resto das cervejas lá conforme iam acabando. Brooke e colocaram salgadinhos, biscoitos, jujubas e pedaços partidos de barras de chocolate em pratinhos. Percebemos então que faltava um pouco mais de organização. Não tínhamos faca para descascarmos e cortarmos o limão, precisávamos de gelo e alguma garrafa com tampa para fazer roskas e palitinhos para que as frutas pudessem ser pegas. Ligamos para a cozinha pedindo gelo, faca, palitos de dente, garrafa com tampa e taças de sobremesas. Não quero nem imaginar o que o funcionário pensou ao anotar o que pedimos.

Em alguns minutos, uma mulher uniformizada chegou trazendo as coisas numa daquelas mesinhas que usam em hotéis para transportar comida, ela ia deixar tudo na mesa do quarto e levar o transportador, como normalmente fazem, mas os meninos nem a deixaram entrar no quarto, pegaram a mesa e a mandaram embora, nem uma gorjetinha a coitada ganhou. descascou os limões, Brooke despejou toda a calda de chocolate em uma taça, colocou os morangos num prato com palitinhos do lado, alguns espetados nos morangos, e cortou os limões em cubos, jogando dentro de uma garrafa com açúcar e vodka. Mas que porra ela está fazendo? Colocaram tudo em cima do transportador e deixaram no canto, enquanto saía sacudindo a garrafinha com a mistura dela, dizendo que aprendeu a fazer com uma amiga estrangeira.

Enquanto isso, eu e fazíamos a mesma coisa com morango, se ficava bem com limão, talvez combinasse com morango também. Deixamos algumas dessas bebidas prontas em cima da mesa e colocamos a vodka, a tequila e o vinho atrás das garrafas de licor. e arrumavam os pratos com salgadinhos e doces no criado-mudo que haviam arrastado pra perto da mesa de bebidas. Apagamos a luz, só o que clareava o quarto era a luz da varanda. Nossa festa estava pobre, mas estava bonita. Nunca subestime uma boa produtora! Dá pra perceber que meu ego é forte! Já eram quase sete horas e os meninos do Busted chegaram. Colocamos um CD da Madonna para tocar, sempre anda com seu porta-cd. Adoro pessoas prevenidas. Fui ao “meu quarto” chamar a Ashley, eu sabia que se ela fosse, a Brittany também iria, mas eu tinha que ser educada e a Ash é legal. Ela aceitou ir, mesmo que a Brittany demorasse um pouco para aceitar. Voltei ao quarto dos meninos e elas vieram atrás de mim, logo entraram Sally e as duas amigas que eu nunca lembrava o nome. A festa estava precisando de um pouco de animação, todos que entraram, falaram que a gente fez um bom trabalho e só isso, não se animavam, ficavam apenas se balançando para lá e para cá. Nem se serviram. Arrastei os três meninos do Busted para a mesa de bebidas e entreguei uma bebida para cada um. Peguei um copo de tequila e chamei o .

- , vamos estrear essa porra? – Perguntei olhando maleficamente para a mesa onde tinha alguns cubos cortados de limão, como fizeram isso eu não sei, mas deve ter dado trabalho.
- Não sei se devo confiar em você, mas álcool é álcool! – Ele sorriu e pegou um copo, se servindo com tequila, colocamos limão e insistiu em jogar açúcar, ia ficar pior que a mistura de , que nem ficou ruim, mas isso não importa. Por isso que eu adoro o !
- À nossa capacidade de improvisação! – Levantei o copo, propondo um brinde. sorriu e levantou o copo também. Viramos nossos copos com pequenas doses de tequila com limão e coberto de açúcar. Viva ao meu primeiro copo da noite!
- Ficou uma merda! – Ele falou. - Vamos fazer com morango? – Ele perguntou.
- Mas a graça é misturar o azedo do limão com o ardor do álcool e o doce do açúcar! – Falei. Dude, falei bonito!
- Olha, ficando inteligente! – zoou e levou um pedala. Dar pedala em está virando um esporte para mim! Pratique você também!
- Mas vamos beber assim mesmo. Quando a cachaça chegar à cabeça, você não vai nem querer saber que porra é limão! – Falei e ele riu. Enchemos novamente três quartos do nosso copo com uma pequena dose de tequila, o suficiente para que pudéssemos beber num gole só e mergulhamos o morango no chocolate. – Um, dois, três. – Viramos a tequila e comemos o morango, ficou bom, mas com limão disfarçava melhor o gosto do álcool!
- O que vocês estão aprontando? – James perguntou, olhando para a gente com o copo na mão e com cara de retardados.
- Estamos estudando as várias formas de se beber tequila! – explicou rindo. – Prefiro com limão. – James não entendeu, mas eu sorri concordando.
- Eu quero experimentar esse licor! – Peguei a garrafa de licor de morango e enchi meu copo.
- Vai devagar, ! – Ouvi falar do meu lado, pegando um copo com o drink de limão e tomando um gole. – Falta açúcar! – Como assim? O encheu isso de açúcar!
- Impossível! – falou. Eu ri, ele sabia que tinha exagerado no açúcar, o que era problemático mesmo. pegou o anticéptico, digo, o licor de limão e se serviu dele. Tomei um gole do meu de morango e achei um pouco enjoado. Peguei o copo da mão de .
- Hey! – Ele reclamou, mas eu ignorei, tomando um gole, igualmente enjoado, mas o de morango era melhor, achei melhor nem experimentar o de chocolate! Mentira, eu iria acabar experimentando de qualquer jeito.
- Essa é a festa do limão com morango? – perguntou, ainda do meu lado, mexendo no limão em seu copo.
- E do chocolate também! – Completei e ri por ele ter falado a mesma coisa (ou quase a mesma coisa) que eu pensei quando arrumava a mesa.

Com meu copo de licor na mão, fui para o meio do quarto dançar com e Brooke, afinal, Madonna é tudo, não dá para ficar parada ouvindo! Estava tocando “Music”, umas das minhas preferidas. Dançamos a música toda e eu fui pegar mais bebidas. A graça da festa, para mim, era a bebida! Peguei uma batida de morango e sentei ao lado de , onde alguns minutos atrás estava , mas aproveitando que ele levantou... olhou para mim e eu sorri, queria ter uma conversa amigável com ele. Nada de amasso nem brigas, só uma conversa entre amigos.

- Você está bêbada, né? – Ele perguntou, acho que era automático. Eu bebia um pouco e chegava perto do e ele achava que eu estava bêbada e queria agarrar ele. Mas não é bem assim, e isso me incomoda.
- Não, eu não estou. Por que você está assim? Por que não pára de fazer drama e me ouve? – Perguntei. Eu sei, estava um pouco afetada pela bebida, mas não estava nem perto de ficar bêbada, ainda. O Drew sempre dizia que a grande dádiva de um bêbado, é saber quando está bêbado! Sábio ele, assim como a mãe!
- Dude, você não sabe nem o que está falando! – Ele falou rindo, mas com uma expressão de desapontamento estampada no rosto.
- Eu vim tentar ter uma conversa amigável, mas está ficando impossível conversar com você! Primeiro você me ignora, agora você é arrogante, eu só queria que você me escutasse e tentasse entender essa merda toda. – Falei de forma triste e levantei, deixando com uma cara de nada, me olhando.




13

He thinks it's alright to act like a dickhead


Eu precisava de uma cerveja! Abri o frigobar e peguei uma, me surpreendi ao ver que metade da cerveja que eu e havíamos colocado não estava mais ali, reabasteci o frigobar e fui procurar o que fazer naquela festa que já tinha perdido a graça para mim. Peguei meu abridor de estimação no bolso e abri a minha garrafa, deixando a tampa voar em qualquer canto do quarto. Vi sentado, olhando a Brooke dançando e sentei ao lado dele, rindo.

- Vai falar com ela, dude! – Me senti um dos amigos dele falando isso.
- Eu não! Ela vai me dar um fora bonito! – Ele falou.
- Foi a nossa aposta, , você tem que tentar pelo menos! – Insisti, estava na cara que os dois queriam ficar. Eu já percebi a Brookie jogando charme para o e ele fica olhando para ela, depois vem dizer que não está nem aí.
- Mas você ganhou a aposta e ficou com o ! – Argumentação mais chula!
- Uma coisa não tem nada a ver com a outra, ! – Adoro o chamar de . – E eu estava bêbada, não vou mais ficar com o ! – Falei, eu precisava falar com alguém sobre aquele assunto, o não era a melhor pessoa, até porque ele é o melhor amigo do , a Brooke e a iriam dizer que eu tinha que esquecer isso e tudo o mais, sem contar que elas estavam dançando e eu não ia interrompê-las para falar do ! Não vou falar mais nada para ninguém!
- O que ele fez? – perguntou, curioso, ele ainda estava querendo saber o que aconteceu à tarde e ele deve ter me visto conversando com o agora à pouco.
- Eu já disse que ele não fez nada! – Respondi sem paciência, mas foi mais forte que eu e eu falei. – Ele acha que eu só fiquei com ele porque estava bêbada e que não estou nem aí pra ele. Na verdade, eu disse isso, mas não com essas palavras, mas não era exatamente o que eu queria dizer... – estava com o olhar confuso, parecia tentar entender o que eu dizia. Respirei fundo. – Agora ele não quer me ouvir! – Terminei.
- E você gosta dele?! – Ele mais afirmou do que perguntou, essas pessoas afirmam as coisas assim! Eu não gosto disso.
- O é meu amigo, eu só queria que voltasse a ser como era antes! – Falando assim, parece que são anos e anos de convivência, quando, na verdade, eu falava de alguns dias, alguns dias que nos conhecemos. – Ele estava prestes a se tornar um grande amigo, assim como você! – sorriu.
- O é teimoso, mas ele vai se arrepender quando perceber o que perdeu. – me lançou um olhar malicioso e levou um pedala. – Eu estou falando da sua amizade! – Ele se explicou com a mão na cabeça, massageando o local da porrada que eu havia dado. Sei! – Ah, vamos beber que é o melhor que a gente faz! – Ele me abraçou de lado e me arrastou para a mesa de bebidas. Eu ri e retribui o abraço, escolhendo mentalmente qual daquelas coisas eu iria beber.

Escolhi o licor de chocolate, era exatamente o que eu precisava no momento, doce, muito doce e álcool, muito álcool! pegou um daquele drink de morango. Tomei meu licor até a metade e peguei uma bebida igual à dele. Depois ainda bebemos de novo, ou seja, ele tomou aquilo três vezes seguidas e eu, duas, fora o licor, quase senti o álcool fazer o efeito que eu gosto. Aquele que me deixa inconsciente dos meus atos, aquele que eu posso fazer o que quiser e botar a culpa na bebida depois, aquele estado no qual eu não sinto nada, o estado no qual, no dia seguinte, tudo parece um sonho ou apenas um filme que assisti antes de dormir. Mas eu ainda estava irritantemente consciente! Terminei de tomar o meu licor e peguei um drink nem sei de que, só tinha de limão e morango mesmo! Fui dançar com as meninas. Abandonei , claro, o retardado foi sentar ao lado do .

- Hey, , que cara é essa? – Brooke perguntou.
- Que cara? – Sorri da forma mais sonsa que eu sabia e ela retribuiu o sorriso, mas não era sonso.
- Brooke, o está olhando pra você! – Cara, eu te amo, ! O melhor comentário que eu ouvi essa noite foi esse dela!
- Deixa de ser boba, ! – Brookie riu, mas eu percebi que ela ficou mesmo desconcertada com o que a falou.
- Ele acha você bonita! – Falei, fingindo que não me importava.
- Ele fala de mim? – Ela perguntou, toda feliz. – Digo, o que ele vai falar de mim? Hum!
- O me disse que você é bonita, se eu fosse você, ia falar com ele. – Joguei o veneno! Eu sou um cupido diferente, invés de uma aureola, eu tenho dois chifrinhos vermelhos na cabeça. E não é de corno, para deixar claro!
- Me poupe, ! Eu não correria atrás dele nem que quisesse, se ele quiser, ele fala comigo, eu sou uma pessoa conservadora e acho que quem toma a iniciativa é o homem! – Ela se acha! Nem toquei mais no assunto, afinal, eu tinha que fingir que não me importava.

Dançávamos agora, Britney Spears, ela também é ótima para festas, daria tudo pra ir à uma boate com a Britney! Seria super fechativo! Só não sei o nome da música, mas era legal. Ficamos dançando algumas músicas, até que eu cansei, fui à mesa, virei uma dose considerável de vodka e comi um morango com calda de chocolate, peguei um copo de licor de morango e fui sentar com o , que ainda estava do lado do , mas eu não ligava, era legal e engraçado, além de uma ótima companhia para beber. olhava para Brooke. Evitei olhar para , mas era difícil. Acho que percebeu a minha dificuldade para ficar ali e resolveu piorar a minha situação. Meu querido amigo simplesmente levantou e me largou ali, ao lado do .

também olhava para mim, desviei o olhar e acompanhei com os olhos. Ele foi à direção da Brooke, vi se afastar e em questão de segundos estavam se agarrando na frente de todos.

- ? – me chamou, eu olhei para ele. - Desculpa, eu não devia ter falado daquela maneira com você!
- Tudo bem, ! Não precisa me pedir desculpas! Eu só não queria que você pensasse que eu não me importo com você! – Falei, eu já estava bêbada, bêbados não mentem, mas eu ainda tinha consciência do que fazia ou falava, bêbados podem omitir algumas coisas. Ele ficou calado por um tempo. Eu virei o resto do licor, que não era pouco, do meu copo.
- Eu também não quero que você pense isso! – Ele falou, quebrando o silêncio e se aproximando.
- Desculpa, , eu estou bêbada! – Falei e levantei dali. Saí em direção a minha querida mesa de bebidas. Minha melhor amiga nas horas de desespero, não a mesa, a bebida!

Senti uma mão no meu ombro e virei, pronta para mandar embora, mas, para a minha surpresa, não era ele quem estava atrás de mim, e sim a , pelo menos uma das minhas amigas lembram de mim. Já que a Brooke estava muito ocupada com o ! Peguei um copo e me servi de vinho, pegou licor de morango. Vinho é ótimo para essas horas que você quer esquecer tudo de vez, o problema é que junto com o desligamento de tudo, vem o mal estar.

- Me explica o que acontece entre você e o ? – perguntou sorrindo, tomando um gole do seu licor.
- Eu esperava que alguém explicasse isso para mim! – Sorri e tomei um generoso gole de vinho. – Mudando de assunto, o e a Brooke não vão se desgrudar hoje, né? – Perguntei rindo, olhando para os dois se beijando com vontade no meio do quarto, onde algumas pessoas passavam e olhavam e outras nem ligavam.
- Cara, o é muito cara de pau, a gente estava dançando lá e do nada ele vem e agarra a Brook. Pelo menos ele tem alguma atitude!
- Atitude? Se ele não tivesse perdido a aposta, não teria coragem nem de conversar com ela!
- Aposta? – franziu o cenho. Puta que pariu!
- Oi? - arqueou uma sobrancelha como se dissesse: “É melhor você falar!”. – Foi uma aposta que nós fizemos, eu percebi que ele olhava para a Brooke e só queria dar um empurrãozinho.
- Você sabe que se a Brookie descobre, você está fodida! – Ela falou e eu concordei com a cabeça. – E se você perdesse?
- Ahn? – Eu não queria que ela perguntasse isso. – Nada de mais!
- Fala, ! – Ela mandou.
- Eu ficava com o ! – Falei, engolindo espaços.
- Vocês são loucos, e você ficou com o do mesmo jeito! – Ela falou rindo.
- Pois é, vamos dançar que essa conversa está enchendo! – Enchi novamente meu copo com vinho e fui dançar com a .
- Vocês não respiram? – Perguntei passando por Brooke e , recebi um pedala de . Os dois sorriram envergonhados. Eu ri.
- Porra, ! – reclamou rindo. – Sua sem graça! – Ele puxou Brooke e foram para o sofá.
- Crueldade, ! – riu, dançávamos Skazy, já disse que amo esse cara? Ele é demais!

Senti um cheiro conhecido, não que eu fosse expert, mas eu reconheceria aquele cheiro em qualquer lugar. Vinha da varanda. Deixei dançando com e e fui até lá, encontrei debruçado na varanda, soltando uma fumaça escura pela boca. Me aproximei e me debrucei ao seu lado. Não falei nada, apenas o observei tragando aquilo com vontade. Seus olhos estavam avermelhados. Ele não olhava para mim, mas sabia que eu olhava para ele, eu estava bêbada demais para não fazer besteira e consciente demais para me arriscar a fazer alguma besteira, por mais que eu quisesse. Ele me ofereceu o beck que estava em sua mão e por um momento eu hesitei, mas quando percebi já estava tragando. Eu ainda o encarava, mas agora ele olhava para mim.

- Que casal lindo! – Ouvi uma voz feminina debochada. Olhei pra trás e pude ver a Brittany se segurando na porta, sua outra mão carregava um copo, obviamente, contendo álcool. Ela estava rindo, mas com um olhar triste, por um momento eu tive raiva dela, mas logo tive pena, raiva de mim mesma por ser a culpada por isso. Por mais que ela fosse uma groupie, ela parecia gostar do , por mais que ele tenha me dito que a relação deles era aberta e tanto ele quanto ela ficavam com quem quisessem, eu me sentia a outra, e por mais que eu desejasse o naquele momento, eu não podia aceitar o fato de estar fazendo isso com ela e comigo mesma.
- Brittany, você está bem? – Mesmo estando fora de mim, foi um impulso a preocupação com o estado dela.
- Me solta, garota! – Ela me empurrou. – Eu não preciso da sua ajuda! – Sim, ela precisava, mas não da minha ajuda. Eu estava quase no mesmo estado deplorável que ela.
- Olha, Brittany, eu sei que você me odeia e sei que a causa de tudo isso é o . – Ela ia falar alguma coisa, mas eu continuei. – Eu só quero que você saiba que eu e ele somos apenas amigos, não temos absolutamente nada, nada! – Falei. riu ironicamente e a expressão da Brittany se tornou confusa.
- Claro, nós não temos absolutamente nada, apenas somos amigos em um dia, quase transamos no outro e no dia seguinte brigamos! – Seu tom de voz transbordava ironia. – Hoje é o dia em que brigamos, quem sabe amanhã não seremos melhores amigos, o que você acha? - Cala a boca, , nós estávamos bêbados! – Falei, tentando me defender, a Brittany ainda nos encarava.
- E você não está bêbada agora? – Ele perguntou debochado, ele também estava bêbado, mas não tanto quanto eu. – Você não teria ficado comigo se estivesse lúcida, eu sei. Mas você não pode simplesmente dizer que não temos nada, mas você não é capaz de assumir que a culpa disso tudo é sua. Se você não estivesse nessa droga de viagem, tudo estaria normal, como sempre foi! – Ele se virou de costas, bagunçando freneticamente os cabelos em sinal de nervosismo.
- Você é um belo de um filho da puta, ! Você fez isso! Não coloque a culpa em mim, foi você quem me agarrou naquele ônibus e naquele corredor. Não tenho culpa se você não controla seus instintos. Você fez isso com a Brittany, não eu! – Falei irritada, meus olhos lacrimejavam, era uma mistura de dor ou mágoa, e raiva, mas muita raiva. Ele não tinha o direito de falar assim comigo, por mais que estivesse bêbado! – Você é ridículo, !
- Lindo! – Brittany batia palmas, já tinha largado o copo no chão, onde agora havia uma grande mancha cor de vinho. – Lindo o teatro de vocês. Vocês são dois ridículos!
- Eu concordo, Britt, somos ridículos e burros! – falou, ele ainda ria ironicamente.

Senti uma lágrima escorregar pelo meu rosto, até que senti aquele gosto salgado, percebeu que eu estava chorando, nos olhávamos diretamente um nos olhos do outro, sua expressão que mantinha um sorriso irônico, agora se transformava em arrependimento, não sabia dizer se era exatamente isso, mas ele sentiu algum tipo de remorso.

Seus olhos profundamente expressivos me deixavam tonta, eu não conseguia ficar ali por mais tempo. Voltei para o quarto, deixando Brittany e na varanda, peguei a garrafa de vinho que estava em cima da mesa e saí do quarto o mais rápido que pude, entrei no quarto da e fui direto pra varanda, eu precisava de ar fresco. Ouvi pessoas falando alto na varanda do quarto ao lado, que era dividida por uma grossa parede, parecia uma discussão entre e . Tentei não prestar atenção ao que falavam, para esquecê-los. Encostei-me à parede e deixei meu corpo desabar, sentando de qualquer jeito no chão. A garrafa de vinho ainda estava quase cheia, tomei um grande gole e olhei para o céu, nenhuma estrela, apenas algumas nuvens e a escuridão. Estava frio, mas eu não me importava, todas as sensações físicas provocadas no estado em que eu estava pareciam fictícias.

Ouvi a porta do quarto batendo e não me importei em olhar para trás, não me interessava quem era. Aliás, nada além da minha garrafa de vinho me interessava naquele momento. sentou ao meu lado, seu olhar era curioso, mas ele não falou nada, por mais que quisesse, não fez perguntas. O é o melhor amigo que eu podia ter nessas horas, ele sabia que eu não estava afim de falar. Mas ele estava ali, do meu lado, mesmo sem saber o que estava acontecendo.

- Onde está a Brooke? – Perguntei, ele deu de ombros.
- Ela vinha atrás de você, mas eu não deixei, achei que precisava de um tempo, mas fiquei com medo que você fizesse alguma besteira. – Ele falou pegando minha garrafa e tomando um gole, pensei que ele fosse tomar a garrafa da minha mão para que eu parasse de beber.
- E o ? – Eu sei que não deveria me preocupar com ele, mas eu não conseguia ficar calada, mesmo sabendo que isso é culpa dele, não dá para simplesmente esquecer que ele existe.
- Eu não sei, ele ia atrás de você, mas a gente discutiu e ele saiu do quarto algum tempo depois de você, levando uma garrafa também, estava bastante irritado e pereceu chateado com alguma coisa. O que aconteceu? – Ele não sabia exatamente o que tinha acontecido e realmente ficou magoado com alguma coisa que ouviu ou disse. Mas eu ainda acredito que bêbados não mentem, não literalmente.

Ficamos parados, apenas olhando para frente, enquanto eu entornava minha garrafa de vinho, não falávamos nada. Mas eu estava bebendo vinho muito rápido e comecei a me sentir mal, ficou preocupado e tentou me levantar, para que não vomitasse ali, mas foi tarde demais, coloquei todo o vinho que tinha bebido pra fora, sujando minhas roupas, minha perna e o , coitado. Ele segurou meu cabelo, pra que não o sujasse também e mais uma vez, não pude esperar e vomitei no pé do .

- Você está bem? – Ele perguntou. Eu devia estar melhor depois de colocar tudo para fora, mas eu ainda estava mal. – Você vai ficar melhor, mas você precisa de um banho, vou chamar a Brooke!
- Não, não vá. – Pedi, segurando a mão dele.
- Eu não posso deixar você assim, eu preciso falar com alguma das meninas.
- Não me deixa aqui sozinha! E não chama a Brook, não chama! – Pedi novamente. Eu queria sentar no chão, não conseguia ficar em pé, mas me segurava.
- Bloody hell! – Ele parou por um tempo, para pensar. – Espero que você não me leve a mal, é por você mesma!

me carregou até o banheiro e me colocou em baixo da água gelada. Dessa vez eu senti o frio, aquela água parecia pinicar a minha pele. Me abracei tentando me esquentar, mas era impossível. tirou seu tênis e eu me joguei no chão de qualquer jeito, sentando embaixo do chuveiro.


Don’t You Cry Tonight


A não estava nada bem, tinha bebido muito vinho, quase esvaziou a garrafa em pouquíssimo tempo, eu sabia o que ela estava sentindo, já quase entrei em coma alcoólico uma vez, é horrível. Espero que ela fique melhor depois de vomitar tanto. Coloquei ela embaixo do chuveiro gelado, mas eu não podia dar um banho nela, ainda mais sozinho, eu tinha que chamar a ou a Brookie. Virei para tirar meu tênis, todo sujo, e quando virei de volta, a estava sentada no chão, nem conseguia ficar em pé direito.

- Por que eu fui deixar você beber desse jeito? – Perguntei, vendo a no chão e tirando o tênis dela.
- A culpa é minha! – Olhei para ela, sem entender. – Ele disse que a culpa é minha, eu não queria estragar a turnê, não queria deixar a Brittany daquele jeito. Por que o falou isso? – Ela estava chorando. O é um idiota!
- Ele não falou porque quis, estava estressado e não sabia o que estava falando. Você não tem culpa de nada, pequena! – Ela sorriu. – , eu preciso chamar alguém, não posso cuidar de você sozinho.
- Chama o , . Eu quero que você chame o . Eu quero o ! – Como ela me pede pra chamar o depois de tudo o que ele fez, é culpa dele ela estar nesse estado.
- Eu preciso chamar a Brook, você não está bem! – Falei e ela continuou insistindo que só queria ver o . – Você vai acabar se arrependendo disso!

Peguei meu celular e tentei ligar para o algumas vezes, mas ele não queria me atender. Então mandei uma mensagem “A está mal, cadê você, idiota?”. Alguns segundos depois o ligou.

- ! O que aconteceu? – Ele perguntou alterado, aparentemente preocupado.
- E você ainda pergunta. Ela está completamente bêbada! Eu odeio ter que fazer isso, mas ela pediu para eu te chamar. – Falei com raiva de mim mesmo por isso.
- Droga! Droga! Onde vocês estão?
- No quarto da , 1103.

Terminei de falar e desliguei o telefone, tinha que dar atenção a , que ainda estava embaixo d’água com as mãos no rosto. Ela estava tremendo, não podia deixá-la embaixo do chuveiro por tanto tempo, mas também não podia deixá-la com roupas molhadas, se eu ao menos tivesse o número da Brooke! Ou se a me deixasse chamá-la. Levantei-a devagar.

- , me desculpa mesmo, mas eu tenho que fazer isso! – Eu sabia que ela não estava nem assimilando o que eu falava, mas eu estava me sentindo um idiota aproveitador. – Vem, levanta.

Segurei a em pé e tirei a sua blusa, tentando me concentrar no estado dela, ao invés de seu corpo. Peguei a toalha que estava pendurada no banheiro e a coloquei sobre o ombro da . Nesse momento ouvi a porta do quarto bater. entrou no banheiro perguntando como ela estava, mas parou de falar ao olhar para ela.

- Onde você estava? – Perguntei.
- Lá embaixo, perto da piscina, estava tentando relaxar, mas vim assim que falei com você. – Ele se explicou, me ajudando a segurar a . – Você tirou a roupa dela?
- Você queria que eu deixasse a garota morrer de frio? Ela não me deixou chamar ninguém, só você. – Quando falei isso, ficou com uma expressão estranha, não sei dizer o que parecia.
- Droga! Eu sou um idiota!
- Pelo menos você reconhece isso! A gente vai ter que chamar a Brook, ela não pode ficar com essa roupa molhada. – Falei, já saindo do banheiro. - , não. A gente só precisa tirar o short dela, não tem problema nisso. Vou procurar alguma coisa para ela vestir. Mas não chame as meninas, elas vão ficar preocupadas e estressadas, e a Brooke não vai gostar de saber que você deu banho na ! Faz o seguinte, fala para a Brittany dormir no quarto da gente e nós vamos para o quarto delas com a Brooke. – falou, mas eu fiquei inseguro de deixá-lo sozinho com a .
- Vê se não se aproveita dela!
- Que tipo de idiota você pensa que eu sou? Vai logo! – Saí do quarto e fui fazer o que ele pediu.


You’ll Feel Better tomorrow


saiu do quarto, eu fiquei um tempo sem saber o que fazer, a não falava nada, apenas me olhava com uma expressão triste. Coloquei ela sentada na cama, enrolada na toalha, para procurar sua mochila, mas assim que me afastei, ela se jogou para trás, deitando na cama.

- Não, . Não dorme, não ainda. Espera. Onde está sua mochila? – Perguntei fazendo com que ela olhasse para mim. Ela não respondeu. – , olha para mim, onde está sua mochila?
De novo ela não respondeu, apenas olhou em volta, não acredito que ela estivesse enxergando bem. Fiz ela levantar, peguei a toalha com a qual ela se enrolava para enxugar seu cabelo, era difícil não olhar para a barriga ou para os seios dela, mas eu tinha que secá-la.

- Eu preciso tirar o seu short. – Falei olhando para ela, ela afirmou com a cabeça, como se desse permissão e eu abri seu short, tirando-o e, logo após, enrolei-a na toalha. Eu não estava encontrando a mochila dela em lugar nenhum. Então tirei a minha camisa e coloquei nela. Ficou perfeito, parecia um vestido, muito curto, mas parecia um vestido, só então eu reparei que o sutiã molhado por baixo da blusa deixaria ela enxarcada novamente. Coloquei as mãos por baixo da blusa e desabotoei o sutiã dela, tirando também as alças para facilitar a situação. Ela estava com os olhos fechando, me senti um idiota por ter causado tudo isso. – Desculpa, minha pequena, eu sou um idiota, não devia ter dito o que disse! – Falando isso a abracei forte, e por mais difícil que eu pensei que seria, ela retribuiu.
- Eu estraguei tudo! – Ela falou, senti suas lágrimas em meu peito, eu estava me sentindo cada vez pior.
- Não pequena, não diz isso. Eu estava estressado, não pensei antes de falar. Desculpa. – Falei, ela não parava de chorar. Comecei a mexer em seu cabelo carinhosamente. – Amanhã você não vai nem se lembrar disso! Só vai lembrar a parte ruim.
- Eu vou lembrar sim! – Ela se afastou e me olhou nos olhos, tentando sorrir, com o rosto coberto de lágrimas. Não pude segurar a vontade de beijá-la naquela hora, segurei seu rosto com as duas mãos, limpando as lágrimas com o polegar e a beijei de leve, depois a abracei de novo. Eu nunca vou conseguir entender o que essa menina faz comigo. Como ela consegue fazer com que eu me sinta assim? - Estou com sono! – Sorri ao ouvir sua voz infantil.
- Quando o voltar, eu te levo para o seu quarto.
- Eu não quero ir, a Brittany está lá! – Ela falava tudo embolado, eu ia dizer que a Brittany não estava lá e que a Brooke ficaria lá com ela, mas não faria diferença.

Ouvi a porta do quarto abrir e entrou rápido, parecendo apressado e preocupado com o que encontraria, mas ficou um tempo parado olhando para mim, abraçado a ela. Brook entrou logo depois dele e não parecia ter gostado de me ver com ela. Mas nenhum dos dois falou nada, apenas se aproximaram.

- Pronto, , vamos. – Falei, ela se afastou de mim e fez um gesto negativo com a cabeça. – A Brittany não está lá, a Brooke vai te fazer companhia.
- Você disse que ia procurar algo para ela vestir! – falou em tom de reprovação.
- Ela está vestida! Não achei a mochila dela.
- Como ela está? – Brooke perguntou, se aproximando dela. – Por que não me chamaram para dar banho nela?
- Ela não deixou! – respondeu.
- , ela está bêbada! Não pode decidir nada, deviam ter me chamado.

Enquanto e Brook discutiam sobre não tê-la chamado, eu carreguei a e a levei para o quarto dela. Assim que os dois notaram, pararam de discutir e me seguiram. Brooke abriu a porta e eu entrei, colocando a na cama de casal.

- Vocês falaram com as meninas, não foi? – Perguntei sobre a Brittany e a Ashley.
- Elas vão dormir no quarto de vocês. – Brooke falou. – Acho que isso não é um problema para você! – Ela falou num tom sério.
- Não, elas podem dormir juntas em uma cama e eu e dividimos outra. – Respondi normalmente, ignorando a intenção dela de me ofender.
- , fica aqui comigo? – A perguntou, eu sorri e Brooke fez um barulho com a boca, em sinal de reprovação.
- Não dá, , não posso.
- Por favor!
- Faz o que ela está pedindo, eu posso dormir aqui também, a gente fica no lugar das meninas. – falou e eu concordei.

foi deitar em uma cama e Brooke na outra, eu deitei ao lado da , ela sorriu e se encolheu perto de mim, peguei o cobertor e coloquei sobre ela, logo depois deitei e a abracei, mexendo em seu cabelo, o que a fez dormir mais rápido.



14

Nobody's Fault But Mine

Acordei de madrugada sem saber exatamente onde estava, minha cabeça latejava. Olhei em volta e vi roncando em uma cama, Brooke se mexia em outra e a dormia tranquilamente ao meu lado. Aos poucos lembrei do que havia acontecido, da Brittany, da discussão, do estado da ...

Fiquei um tempo observando a dormir, ela estava tão tranquila, nem parecia a mesma garota com quem discuti à noite. Selei nossos lábios levemente e saí do quarto desejando que ela esquecesse tudo que houve, mesmo sabendo que ela só esqueceria a parte que eu queria que ela lembrasse. Entrei no meu quarto a fim de dormir mais um pouco, então me deparei com pessoas dormindo no chão e outras nas camas, poucas delas se deram o trabalho de voltar a seus quartos, boa parte sem roupa. Então peguei minha mochila, procurando por um beck que havia fechado na noite anterior. Assim que encontrei, peguei o violão e saí do quarto.

Sentei em um dos bancos do jardim, perto da piscina, onde boiavam algumas folhas secas, uma corrente de ar muito fria balançava as plantas, um lindo cenário, se a estivesse vendo, provavelmente tiraria muitas fotos, eu realmente queria que ela estivesse comigo. Dei um sorriso triste ao lembrar de quando estávamos no quarto esperando o , ela estava tão linda com a minha camisa, ela parecia tão... tão sensível, tão vulnerável. Naquele momento eu me arrependi amargamente de ter dito o que disse, de ter sido tão teimoso quando ela tentou se explicar pelo que me disse no mercado.

Meus olhos lacrimejavam enquanto eu pensava nisso, mas meu pai me ensinou que homens não choram, talvez isso fosse machista da parte dele, ou talvez ele quisesse que eu me tornasse uma pessoa forte, mas, sinceramente, a melhor explicação que eu tenho pra ele ter dito isso tantas vezes é pelo fato de eu ter sido uma criança mimada que chorava por tudo. Ainda bem que não demorei muito a aprender essa lição, ou seria um playboy nojento. Enfim, o importante é que homens choram. Mas eu não queria ficar me martirizando por isso, foi burrice minha, eu sei. Mas ao invés de lamentar por isso, o melhor a fazer seria tentar reverter a situação.

Depois de perder tempo pensando besteira, tirei meu isqueiro do bolso e finalmente acendi meu querido beck. O dia já estava clareando, parecia que já eram cinco da manhã, talvez quatro. Peguei o violão e comecei a tocar a primeira música que veio na minha cabeça: "You see me crying" do Aerosmith.


Honey, What's The Words That I Said?

- ! – Acordei gritando por seu nome sem saber o motivo. Vi e Brookie olhando pra mim assustados.

Olhei para com uma expressão confusa, afinal, o que ele estava fazendo ali? Senti meu corpo pesado, imaginei que talvez tivesse bebido demais à noite, não lembrava de muita coisa, também não me preocupei com isso, estava pensando no meu sonho, quer dizer, tentando pensar, havia esquecido completamente o que havia sonhado.

- O que foi, menina? – Brooke perguntou depois de me analisar por um tempo e perceber que eu não ia falar por conta própria.
- Eu não sei, tive um sonho estranho, mas não consigo lembrar.
- Talvez ela tenha sonhado com o que aconteceu ontem. – falou olhando pra Brooke. Não entendi direito o que ele quis dizer. Então lembrei da festa e da briga com e Brittany.
- Não, , foi algo estranho, não tinha nada haver com ontem, mas eu não lembro mais que isso.
- Que estranho!
- Não é tão estranho assim, , você nunca esqueceu um sonho? – Brooke falou levantando e sentando na cama onde eu estava.
- Quantas vezes você acordou chamando por e esqueceu o por quê? – ironizou.
- Talvez ela não se lembre de tudo que aconteceu ontem.
- O QUE ACONTECEU? – Perguntei assustada, acho que não deixei isso claro, mas o meu sonho não foi nada bom.
- Você discutiu com , não lembra? – Brooke tentou explicar.
- Sim, amiga, eu lembro, mas não foi isso! Ah gente, esquece. Foi só um sonho!
- ? – Brook me chamou cautelosa – Você realmente se lembra de tudo que aconteceu ontem?
- Sim, a Brittany encheu a cara, eu discuti com o . Não quero pensar nisso ag... O que aconteceu depois disso?

Brooke e se olharam estranho, fiquei preocupada, tive medo do que podia ter acontecido, medo do que o idiota do ou a retardada da Brittany pudessem ter feito. Pedi a Brookie que falasse logo, ela fez uma cara de que não queria – ou não sabia – como falar, então começou:

- Você pegou uma garrafa e saiu do quarto chorando...

Eles contaram tudo sobre eu ter passado mal no quarto da , sobre ter tentado me dar um banho sem chamar a Brooke, porque eu não deixava, sobre eu ter chamado por mesmo depois de ele ter falado merda... Enfim, tudo o que aconteceu.

- Eu não acredito que depois de tudo eu ainda tive coragem de olhar na cara daquele desgraçado. – Falei para mim mesma com raiva, com os dois me contando toda a história.

Eu lembrei de algumas coisas e até de outros acontecimentos que eles não contaram, como quando me deu a camisa dele, que eu só percebi que estava vestindo quando lembrei dele falando alguma coisa e me abraçando, eram cenas perdidas que pareciam não se encaixar na história, o que me levou a pensar que era coisa da minha cabeça, mas como me contou que teve que sair pra chamar a Brooke, eu meio que acreditei nas minhas lembranças.

Levantei ainda estressada, confusa e sentindo meu corpo pesado, peguei minha mochila e entrei no banheiro. Olhei-me no espelho me deparando com um ser horrível com uma maquiagem derretida, então meu olhar caiu sobre a camisa de . Por que eu ainda estava vestindo aquilo?

Tirei a camisa e joguei na parede esperando que aquilo pudesse me ajudar a descontar a raiva que sentia dele, mas não melhorou muito, eu queria quebrar tudo naquele banheiro. Eu tenho uma mania de querer descontar estresses e frustrações destruindo coisas, mas não qualquer coisa, só aquelas que quebram de verdade e fazem barulho ao se espatifar na parede ou no chão, só assim eu me sentia melhor, mas eu estava sã o suficiente para pensar no prejuízo que aquilo me traria.

Voltei a lembrar da cena em que me abraçava e falava que eu não iria lembrar disso, então eu disse que iria, me senti uma retardada por estar retribuindo o abraço dele naquele momento, mas ao mesmo tempo sorri sozinha com a frase dele. Apesar de tudo, eu lembrei do que ele “dizia” ser a parte boa de tudo aquilo. Andei até onde tinha jogado a camisa e peguei de volta a abraçando, como para me confortar. Então lembrei de quando ele me beijou, parecia que ele estava se aproveitando, mas também parecia ser um beijo carinhoso. Não podia confiar plenamente em minhas lembranças de bêbada, mas não conseguia sentir tanta raiva dele quanto queria.

Tentei me livrar de todos esses pensamentos, coloquei a blusa delicadamente perto da pia e entrei no chuveiro quente e depois de alguns (muitos) minutos deixando a água cair em mim enquanto pensava no abraço de , terminei o meu banho e saí do box molhando todo o banheiro. Eu estava distraída, com o olhar perdido, até que meu olhar – novamente – caiu sobre a camisa de . Ela era vermelha, eu adoro vermelho, adoro o de vermelho, ele fica tão lindo. Saí do transe e peguei a minha toalha. Assim que me vesti, peguei novamente aquela camisa, dessa vez pensando em como devolveria. Eu podia pedir que fizesse isso, mas a verdade é que eu não queria devolvê-la.

Quando saí do banheiro não tinha mais ninguém no quarto, talvez tivessem descido para tomar o café da manhã e não queriam me incomodar. Percebendo que a mochila da Brookie não estava mais no mesmo lugar de antes, coloquei minha mochila nas costas e saí do quarto, dando de cara com a Brittany. Ela não falou nada, muito menos eu. Ela entrou rapidamente, pegou sua mala e saiu no momento exato que o elevador chegou. Ela hesitou, mas acabou entrando no elevador, eu fiquei nervosa achando que ela iria falar alguma coisa e então começaríamos uma discussão bizarra. Mas ela ficou calada, nem ao menos olhou pra mim, devia estar sem graça pela cena de ontem. Pelo menos eu estava!

O elevador parou no térreo e nós fomos até a porta deixar a bagagem com o Pete, depois fomos ao restaurante. Todos nos olharam estranho, talvez por estarmos andando “juntas”, mas eu não tenho culpa se estávamos seguindo o mesmo caminho. Sentei ao lado da Brooke dando um bom dia rouco a todos na mesa.


Do me a favor, break my nose!

Estávamos no restaurante do hotel, todos juntos tomando café da manhã, ninguém falava nada. Nossas malas estavam arrumadas, estávamos indo para última cidade da turnê, tudo estava chegando ao fim. Fletch estranhou o nosso comportamento, estávamos muito quietos, mas o falou que era por causa do fim da viagem. No meu caso, era ressaca moral. Eu tentei não cruzar o meu olhar com o da , mas foi bem difícil, eu tinha certeza absoluta de que ela não lembrava de quase nada sobre a noite e não teria coragem de falar com ela sobre isso. Ela parecia chateada e pensativa, mal tocou no café, logo ela, que adora doces, não tocou nas panquecas, apenas tentou disfarçar sua falta de apetite com um suco e um único biscoito que levou uma eternidade na mão dela. O estava pirado comigo. Eu já estava mal sozinho, com o me ignorando eu estava péssimo.

Entrei no ônibus e vi o ao lado da , eles realmente se tornaram amigos e eu estaria ali se não fosse tão idiota. Sentei em qualquer lugar vazio no meio do ônibus, sozinho. O estava com o , a estava com a Brooke, com , Ashley com Brittany e o Fletch sempre ia sozinho, então não conta. Melhor assim, eu não precisava de ninguém para encher o meu saco! Liguei meu Ipod, eu estava ouvindo Descendents e observando a estrada. Meus pensamentos estavam no acontecimento de ontem à noite. Eu sempre esqueço de muita coisa quando bebo daquele jeito, mas era impossível esquecer as merdas que falei, o olhar triste da , a Brittany naquele estado, logo ela, que nunca bebia demais. Eu achei que nunca fosse ver a daquele jeito, ela tem uma personalidade muito forte, é difícil de ser influenciada ou ficar mal por alguém. Tudo culpa minha! Eu ainda tive audácia de dizer que era culpa dela, a deve estar querendo me matar, ela nunca mais vai olhar na minha cara, eu sei disso! Eu mereço isso! Eu sou um idiota!


For a Minute There, I Lost Myself

Finalmente ia acabar, estávamos chegando na última cidade, mais dois dias e eu estaria em casa. Essa manhã foi esquisita, ninguém falou nada, não sabia que uma briga com o causaria tanta mudança no comportamento de todos. Eu e nos olhamos várias vezes, quer dizer, não ficamos exatamente nos encarando, mas às vezes eu olhava para ele distraída e quando ele olhava pra mim eu desviava o olhar, completamente sem graça. Mas era difícil não olhar para ele, mesmo naquela situação.

estava do meu lado, não sei se ele tinha conversado com Brooke sobre a noite anterior, não sabia se eles estavam bem ou se foi apenas uma noite. Nenhum dos dois falou nada sobre isso essa manhã, pelo menos não que eu tenha visto. Brooke tentou conversar comigo depois do café, perguntou se estava tudo bem, eu disse que estava ótima, uma briguinha com o não me afetaria muito. Mas por dentro eu estava péssima e sabia disso. Não que eu fosse mais amiga do do que da Brooke, mas às vezes confiar certas situações à meninas pode ser chato, a maioria pergunta demais, quer dizer, não sei se é exatamente assim, não tive tantas amigas, mas a Brooke e a às vezes incomodam. É estranho, mas o me entende melhor e só pergunta as coisas quando eu dou espaço para isso, assim como o Drew.

Eu estava encarando o vidro, as árvores passando através do meu reflexo, lembrando da briga com o . Eu lembrava de cada detalhe, desde seu tom irônico à sua expressão infeliz. Nunca passou por minha cabeça que ele fosse capaz de falar daquela maneira comigo, nem com ninguém, ele parecia tão... Meigo. Não exatamente meigo, mas uma pessoa legal, do tipo que nunca falaria para mim que eu sou a culpada disso, que se eu não estivesse aqui tudo seria normal, que eu estraguei a turnê pra ele. E a Brittany... Lembrei de seu estado, seu olhar abatido. Eu não queria fazer isso com ela, não queria fazer isso comigo. Eu estava me sentindo um lixo.

- Vamos esquecer essa história por um momento? – perguntou do nada, me despertando das minhas lembranças, observando a minha expressão triste.
- Bem que eu queria, ! – Falei e sorri tristemente. – A culpa por ter deixado a Brittany naquele estado não me deixa esquecer.
- Caralho, , eu já disse que isso não é culpa sua. O único culpado por tudo isso é o ! Até ele disse isso! – Ele tentou de novo, mas não adiantava, nada que ele pudesse falar mudaria o que eu sentia. – Esquece, . Eu cumpri a aposta – Ele sorriu, tentando mudar o rumo da conversa.
- Desculpa ter estragado o seu momento! – Falei. Era uma vez o meu ego! Aquele que estava sempre nas alturas agora estava no chão.
- Eu tô começando a me estressar com isso! Tá tudo bem, , você não fez muito estrago! – Ele riu, não contive o riso. O sabe melhorar o astral de uma pessoa. Ele só não faz milagres!
- Ok, , você venceu! – Sorri, tentando mostrar que estava me sentindo melhor, embora não fosse verdade. Lembrei de algo que foi um tanto gratificante de ver ontem. – De onde você tirou toda aquela coragem? – Falei baixo, Brooke estava do lado oposto ao nosso, mas muito perto, não podia arriscar.
- Oi? – Ele tá aprendendo essas coisas comigo. Nós rimos. – Eu não sei, foi impulso. Álcool!
- Claro! Às vezes ele serve pra alguma coisa! – Falei.
- Eu vou jogar você da janela! – Ele ameaçou e eu ri. Se eu passasse naquela micro-janela, até dava para ficar com medo. – Eu sou ou não sou demais? – Ele perguntou ainda se gabando por ter pegado a Brooke.
- Sim, , você é demais, mas tá tudo bem entre vocês? Digo, vocês conversaram ontem? – Perguntei.
- Sim, sim, está tudo bem! Nós conversamos hoje quando você estava no banheiro. A noite foi desgastante pra todos. – Ele explicou. Bom saber que eles estavam se dando bem, pelo menos alguém tinha que sair lucrando dessa história.

Passamos mais um tempo conversando sobre os assuntos que arranjava para me fazer esquecer o fato que ainda passava como um filme em minha cabeça o tempo todo. Passamos horas falando da Brooke. Espero que ela não tenha escutado. Não que estivéssemos falando coisas ruins, mas não seria muito legal que ela ouvisse. Se não fosse por me distraindo, eu passaria a viagem toda pensando em .

Chegamos ao hotel em Bradford do jeito que saímos de Sheffield, todos estavam quietos. Como sempre, sentamos no sofá do saguão, esperando Fletch nos entregar as chaves dos quartos. Alguns minutos depois estávamos subindo no elevador. Quinto andar, eu estava num quarto com a Brooke, com , a Brittany com a Ashley e com . Tudo normal. Exceto por , que se recusou a ficar no mesmo quarto que , ele estava realmente pirado com o até agora. Ele falava de mim, mas mal olhava para o amigo. Senti-me culpada de novo, mas como eu não podia fazer nada, resolvi tentar relaxar. Entrei no quarto, larguei minhas coisas em qualquer lugar e me joguei na cama.

Brooke entrou no quarto sorrindo e eu percebi no mesmo momento que era por causa do , parecia que eles se davam bem.

- Então, amiga, me fala do ! – Falei empolgada.
- Nossa, que animação pra saber da vida dos outros! – Revirei os olhos e fiz um gesto para que ela falasse. – Ai, ele é tão fofo!
- Eu sempre soube que você era louca pelo !
- Isso não é verdade – olhei pra ela com cara de “você não me engana” e ela riu – Tá, eu achava ele lindo, mas não imaginava que a gente se daria bem.

Brooke se empolgou e começou a falar do , ficamos horas no quarto conversando sobre isso, até que ela me perguntou sobre o . Ela sabia que aquilo poderia fazer com que eu ficasse chateada, mas ela soube como perguntar e usou bons argumentos. Ela não queria saber o que eu pensava sobre o que aconteceu, mas sim o que acontecia antes disso. A Brookie tem talento para psicologia, ela devia pensar nisso.

- Eu não sei explicar, não é como se estivéssemos apaixonados ou algo assim como você e o parecem estar - nós rimos. - Nós apenas ficávamos quando tínhamos vontade, nada demais, até porque era meu amigo, quase como o , só que agora o é como um irmão, entende? É realmente estranho.
- Tá, se você não quiser responder isso, não responde. Mas vou perguntar mesmo assim – ela adiantou, confesso que fiquei com medo do que poderia ser, mas eu resolvi que responderia, afinal, não poderia ser tão difícil assim. – Como você se sente agora em relação a ele? – Eu ia responder, mas ela me cortou. – Não sobre a situação, apenas sobre ele. – A Brooke adora complicar as coisas.
- Eu não sei, sinceramente – Parei para pensar por um tempo, Brook respeitou isso e não falou nada, apenas esperou que eu respondesse, o que me irritou um pouco. – Eu gosto do . Eu não devia, nem queria, mas eu gosto dele, e acho que ele gosta de mim, mas eu não tenho tanta certeza depois de ontem, talvez ele só queira se aproveitar, ou apenas sente atração por mim, eu não sei. Não gosto de criar esperanças com essas coisas.
- Que lindo. – Arqueei a sobrancelha – É sério, , vocês se gostam, então por que complicar tanto? Eu não entendo.
- Não sei, eu não sabia que gostava dele, também não tinha certeza se ele gostava de mim, e ele tem essa coisa com a Brittany. O que eu não entendo é porque você e demoraram tanto pra tentarem se aproximar! É a prova de que tudo isso precisa de uma ajuda.
- Mas o não agiu por conta própria? – Quase falei besteira!
- Ah sim, falo da coragem, sabe?! A bebida o ajudou a esquecer a timidez, não que ele não quisesse ficar com você e tal... Enfim, estou entediada. – Mudei de assunto rapidamente. Brooke não mostrou nenhuma desconfiança. Ainda bem.
- Vamos descer e ver o que tem pra fazer nesse hotel.

Nós descemos e encontramos um salão de jogos, e mesmo com todas as opções, a primeira coisa que eu olhei foi a mesa de sinuca. Sempre gostei de sinuca, eu sempre pensava em entrar num bar com um monte de motoqueiros enormes e barbudos jogando sinuca e acabar com eles no jogo. Um dia ainda faço isso! Brooke foi chamar a e o enquanto eu colocava as bolas no lugar - que frase estranha.

Ouvi um barulho perto da porta e imaginei que fosse Brook entrando com e . Estava escolhendo um taco enquanto esperava eles se aproximarem. Mas não aconteceu, então eu finalmente olhei para trás dando de cara com segurando um violão. Não soube o que falar. Ele também não falou nada, apenas se aproximou e colocou o instrumento num banco qualquer. - Por favor, não piore a situação – Pedi enquanto ele se aproximava, o que o fez parar no lugar. – A viagem já está acabando, vamos deixar tudo como está.
- Eu não quero deixar como está!
- Por quê? – Perguntei indiferentemente, voltando à atenção para os tacos. Era difícil olhar para ele, eu não sabia se queria agarrá-lo ou espancá-lo ali mesmo. – Digo, por que dificultar tudo? Por que nós não simplesmente aceitamos o que aconteceu e esquecemos todo o resto, antes que piore?!
- Eu não...
- É sério, , eu sei o que você vai dizer, não vai adiantar. Estraguei sua viagem, entendo, mas já está acabando - finalmente escolhi um taco.
- Você não tem culpa de nada! – Dessa vez ele não me deixou interromper. – A Brittany estava daquele jeito porque bebeu demais. Eu estava daquele jeito por causa da bebida e não foi diferente com você!
- E todos nós chegamos àquele estado de embriaguês por um motivo em comum!
- Eu só queria te pedir desculpas, eu não queria ter dito aquilo. – Ele já havia falado aquilo antes.
- Okay! Só isso? – Falei fria e ríspida.
- Eu quero que você me perdoe!

Larguei o taco em cima da mesa e fui em sua direção, na direção da porta. Queria sair dali, era bem complicado ficar perto do . Minha mão estava prestes a alcançar a maçaneta quando trancou a porta.
- A gente tem que conversar - ele falou, eu ignorei. - ! - Falou num tom baixo, fraco, mas segurando meu braço com força enquanto me virava de frente pra ele.
A primeira coisa que me veio à cabeça foi dar um belo tapa nele e sair daquele salão o mais rápido possível. Essa idéia foi embora assim que o encarei, seus olhos estavam levemente avermelhados, embaixo deles enormes olheiras, pode não soar muito atraente, mas o continuava lindo mesmo com aquela cara de quem não dormiu direito e acordou de ressaca. Aproximei-me e o beijei de forma rápida e violenta. Não sabia exatamente o que estava fazendo, estava agindo impulsivamente, apesar da raiva que ainda sentia. pôs as mãos em minha cintura hesitante. Se eu não entendia o que estava acontecendo, imagina como estava o ! Minhas mãos, que antes estavam perdidas, foram parar em seus cabelos. apertou minha cintura com força ao sentir minhas mãos geladas passeando por seu pescoço. Logo em seguida, senti suas mãos subirem pela minha cintura, uma delas foi parar na minha nuca, enquanto a outra estava nas minhas costas me puxando para perto. Já estava quase arrancando sua camisa quando senti me arrastando até onde eu acreditava ser a mesa de sinuca. Naquele momento, tudo o que tinha acontecido na noite anterior fugiu da minha mente, nem ao menos lembrava quem era Brittany. Sentei-me na mesa, entrelaçando as pernas em volta do , que ainda estava de pé. Sem cuidado algum, finalmente arranquei sua camisa, deixando que alguns botões voassem pela sala. Ele ainda apertava minha cintura com força por baixo da minha camisa, enquanto eu passava as unhas também com força por todo o seu tronco. Suas mãos subiram, junto com minha camisa, que foi parar no chão ou em algum outro canto da sala. Desci minhas mãos até sua bermuda com certa pressa e entendeu o recado, me deitando na mesa de sinuca. Foi uma mistura de desejo e raiva, não sei se amor é uma palavra que se encaixa, mas com certeza foi muito intenso. Algo que algumas batidas na porta não puderam atrapalhar.

- Acredito que se lembre de tudo que houve ontem - falou enquanto eu levantava atrás das minhas roupas. - Digo, tudo!
- Sinceramente, eu preferia não lembrar! - respondi jogando a camisa de , que estava no chão, na direção dele.

já tinha colocado a bermuda, vesti minha camisa e saí do salão de jogos antes que ele dissesse alguma coisa. Eu não precisava explicação para saber que ele estava falando sobre nossa última conversa na noite anterior, mas não queria falar sobre isso. Eu me sentia uma idiota pelo que houve no quarto da , não me sentia mais idiota por ter transado com ele, eu queria isso. Mas agora que ele havia conseguido o que queria, poderia resolver seu problema com a Brittany. Então tudo voltaria ao normal. Pensar sobre isso fez com que algumas lágrimas escapassem.

Avistei , Brook e num banco na parte de trás do hotel, onde havia um jardim. Enxuguei as lágrimas, fiz minha melhor cara de quem não sabia de nada e fui falar com eles. me olhou desconfiado, ele sabia que alguma coisa havia acontecido. Brook me lançou um olhar preocupado.
- , onde você estava? Te procuramos por todo o hotel! - Ela perguntou.
- Eu...
- O que aconteceu? Você tá estranha! - me interrompeu.
- Trancaram a porta do salão - falou, eu tinha certeza de que ele desconfiava de alguma coisa -, resolvemos procurar você.
- Hm... estava procurando vocês também, vocês estavam demorando - menti, eles realmente haviam demorado a voltar, lembro de quando bateram na porta. - Acabei de passar pelo salão, a porta está aberta.
- Ótimo! Se ainda quiserem jogar... - falou levantando.

Entramos no hotel e fomos em direção ao salão de jogos, estava passando com um violão na mão, em direção ao elevador. Estava lindo com o cabelo bagunçado e com um botão a menos em sua camisa, espero que ninguém tenha notado essa parte, embora tivesse certeza de que tinha percebido. Não por ele ser esperto, nem nada assim. É só que as coisas acontecem quando não queremos que aconteça! Em qualquer outra situação, tenho certeza de que ele não notaria. E eu não estou sendo pessimista, isso é lei. Enquanto passava por mim, olhou diretamente nos meus olhos, ele ia falar alguma coisa, mas fiz um movimento negativo com a cabeça e ele passou direto. me olhou ainda desconfiado, vi em sua expressão que estava se perguntando porque passou direto, sem dizer nada. Ele ameaçou dar a volta e ir falar com o , mas eu o segurei pelo braço.

- Agora não, , vamos jogar! - Falei, tentando disfarçar o quanto estava com medo que falasse alguma coisa.
- Eu acho que a gente precisa conversar, .

Disfarcei tudo isso o melhor que pude e ficamos a tarde toda jogando sinuca.


It's all a terrible mess

Não entendi exatamente o que aconteceu, a é uma criatura muito estranha. Não entendi o que ela quis dizer com "preferia não lembrar". Então, depois de ser ignorado no saguão, fui para o meu quarto, estava tocando violão sentado em uma das camas, eu entrei, coloquei o meu violão em um quanto qualquer e me joguei na minha cama. Estava cansado e confuso.

- Onde você estava?
- Lá em baixo! – Respondi pensativo.
- Falou com a ? – Ele perguntou, por um momento não soube o que responder, provavelmente a não queria que ninguém soubesse.
- Ela não quer falar comigo - pelo menos não menti! - Uma hora vocês têm que conversar, cara! Enfim, vamos comer! O Fletch veio nos chamar, mas você tinha sumido. - falou levantando.

Eu não queria ter que encarar a expressão indecifrável da , ou a de raiva do , mas a minha fome falava mais alto, eu precisava recuperar minhas energias. Cheguei à mesa, todos estavam conversando normalmente, até que enfim! Como sempre, Ashley e Brittany estavam entretidas numa conversa paralela, todo o resto discutia o mesmo assunto. Sentei ao lado do e o sentou ao meu lado. Entramos na conversa sobre música, como sempre.

Enquanto tentávamos manter a conversa na mesa, sem constrangimentos ou coisa do tipo, Fletch falou que teríamos uma reunião à noite. Tudo o que eu precisava! Na mesma hora, todos pararam de conversar e o silêncio se instalou na mesa. Obrigado, Fletch!

Entrei no quarto e peguei o violão, depois sentei na cama e comecei a tocar, quando invadiu o quarto apressado.

- Fletch está nos chamando! O que você estava tocando? – Ele perguntou.
- Uma música aí, fiz um dia desses, depois te mostro!
- Ah tá. Vamos? – Ele nem ao menos esperou uma resposta e saiu do quarto.

Entrei no quarto do Fletch, estavam todos lá, inclusive a , sentei na cama e fiquei ouvindo uma discussão sobre qual cover tocaríamos dessa vez. Sinceramente, estou cansado de ficar tocando covers diferentes a cada show, ensaiar antes dos shows me deixa acabado, é bem melhor tocarmos aquilo que já temos ensaiado do que ficar ensaiando coisas “novas” só pra complicar ainda mais o repertório, a galera curte tudo mesmo!

- Por que não tocamos Mr. Brightside de novo? – Perguntei. Eu tinha que me manifestar.
- Foi o melhor de todos – completou sorridente. Concordo com ele.
- Por mim tanto faz! – Fletch deu de ombros. Três a zero pra mim!
- É o último show, acho que deveríamos escolher o melhor entre todos que tocamos! – Falei tentando convencer os outros três para que pudéssemos chegar a um acordo, mas precisava de argumentos melhores.
- Eu acho que deviam tentar outro! – sugeriu. Ela queria acabar com a minha felicidade, eu tinha certeza!
- Pode ser – Fletch apoiou a queridinha dele. Só porque ela é filha do , grandes coisas! – Que tal Beatles?
- Help? – perguntou. – O queria tocar essa no segundo show, acho que dá pra tocarmos agora, sem falar que nem precisamos ensaiar tanto! – sorriu. Três a três, mas até que eu gostei da ideia!
- Ótimo! Vão ensaiar, eu vou dormir! – levantou do sofá, onde estava ao lado de , depositou um beijo na testa dele e seguiu até a porta. – Boa noite! – Falou antes de fechar a porta. Não tivemos tempo nem de responder.
- Bom, vamos ao ensaio! – Fletch falou.

Eu não devia, mas eu tinha ciúmes do com a , mesmo sabendo que eles se tratam como irmãos, talvez isso seja melhor qualificado como inveja, eu queria estar no lugar dele, não me importava em ser considerado um irmão para ela, se ela ao menos falasse comigo eu estaria feliz, mas ela parecia nem ao menos querer olhar pra minha cara.

Ensaiaríamos a música, mas teve uma ideia melhor e trocamos de música, trocamos por uma que se encaixava estranhamente na situação. Então finalmente ensaiamos e, cansados, fomos dormir.


15

Stop Pretending

Acordei, como sempre, lá pras dez da manhã, não estava com fome, não desci pro café. A Brooke não estava no quarto, provavelmente estava no restaurante do hotel junto com os outros. Finalmente o último dia. Nem dava pra acreditar, dez dias que marcaram a minha vida para sempre, agora estava chegando ao fim. É triste, mas ao mesmo tempo é um alívio. Por um lado o agora eu raramente verei e a terá que voltar pra Bristol, mas a Brooke eu acho que verei sempre. Eu me acostumei a acordar todos os dias e dar de cara com todas essas pessoas, tomar café juntos, passar o dia todo juntos, entediados, até dessa parte eu sentiria falta. Mas, por outro lado, eu não teria mais que olhar para o todo dia e lembrar de todas as besteiras que fiz nesse pouco tempo, não teria mais que aguentar a Brittany, nem ouvir as provocações dela.

Mesmo com tudo isso, eu não queria ir embora, não queria me afastar do . Por mais que ele tenha sido um idiota, e eu mais ainda, não conseguia me imaginar longe dele, longe de suas provocações, suas brincadeiras, suas burradas, seus beijos. É difícil esquecer pessoas assim, pessoas que marcam a gente. Por que eu não segui o conselho do meu pai desde o início? Por que eu não simplesmente levei tudo na brincadeira? Por que eu levo as coisas tão a sério? Meu pai estava certo, sempre esteve, se eu não tivesse levado tudo tão a sério, nunca teria me machucado. Ou teria?

Peguei a minha mochila e entrei no banheiro, joguei-a em qualquer lugar no chão e entrei debaixo do chuveiro. Senti como se aquela água gelada espetasse a minha pele, mas eu precisava de um banho frio, talvez para dar um choque de realidade e parar de pensar besteira. Peguei o meu xampu de camomila - eu usava um com cheiro de morango, mas enjoei, então resolvi mudar e comprei esse antes de ir para Londres -, eu sempre gostei desse cheiro de camomila. Depois um bom tempo esfregando meu cabelo – enrolando para voltar para água fria – tornei a ligar o chuveiro e fiquei algum tempo sentindo meus órgãos internos parecendo que se encolhiam e minha pele que parecia querer rasgar. Desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha, me olhei no espelho que ficava em cima da pia, eu estava pálida, quase verde. Abri minha mochila e peguei uma calça jeans qualquer e uma camisa vermelha. Calcei uma sandália qualquer e desci o elevador com meu Ipod no volume máximo. Eu estava ouvindo "Since I've been loving you". Amo essa música! Ah, se eu pudesse, voltava no tempo para casar com o Robert Plant, ele era tão lindo e tem a voz mais perfeita do mundo, eu daria tudo para agarrá-lo pelo menos uma vez. Não agora! Quero dizer, não sinto muita atração por velhos, mas eu sempre fui apaixonada por esses roqueiros de antigamente, Steve Harris, Jim Morrison, Sid Vicious, Axl Rose... David Bowie é a minha maior paixão platônica. Por que esses viados tinham que envelhecer ou morrer?

Cheguei ao saguão do hotel cantando baixo o refrão da música e tentando me acalmar depois de xingar mentalmente o tempo por ter deteriorado os mais lindos astros do rock. Encontrei e Brooke numa mesinha pelo restaurante do hotel e sentei com elas, que me olharam surpresas, na verdade assustadas, é que eu surgi do nada cantando Led Zeppelin, eu estava quase tentando imitar a voz do Plant, só que como estava cantando baixo, seria impossível chegar perto do tom dele, mas enfim, eu estou com fome!

- Bom dia, menines! – Sorri para elas.
- Boa tarde, ! – falou e riu. Eu fiz careta. Nem tinha acordado tão tarde, acho que demorei muito no banho.
- Você está bem? – Brooke perguntou com uma cara meio preocupada, talvez estivesse estranhando o meu humor. Eu também estranharia. Mas não devo levar nada a sério, certo? Acho que vou ficar repetindo essa frase mentalmente pelo resto da vida!
- Estou ótima! – Sorri. arqueou uma sobrancelha e Brooke riu como se não acreditasse. – Estou com fome! - As duas riram. – Hey – Chamei o garçom que passava pela mesa, ele veio até mim. – Eu quero uma torta de chocolate, das grandes! – Sorri. Ele riu e saiu.
- , você vai engordar! – Brooke comentou. Come algo que preste, depois você acaba com todo o chocolate que sobrou da festa!
- Eu quero torta. Relaxa, gente, eu não vou engordar por causa de uma pedaço de torta tamanho família. – Falei rindo. Elas estavam com expressões preocupadas que eu não aguentava mais ver. – E podem mudar essas caras! – Elas ficaram sérias. – Cara, é sério, parem de me olhar assim!
- Não até você voltar a agir normalmente e nos contar o que aconteceu! – respondeu, ainda séria.
- Eu estou agindo normalmente – O garçom chegou com a minha torta, ele trouxe um pedaço bem, mas beem grande. Agradeci, ele sorriu e saiu. Voltei minha atenção para as meninas. – Eu só não quero ficar me lamentando, não tenho culpa se o , a Brittany e eu não nos damos bem. Querem? – Ofereci um pedaço da torta.
- Bom, está explicado, mas eu ainda não entendi o exatamente o motivo da discussão do dia da festa. – falou pegando o meu garfo e tirando um pedaço da minha torta.
- Eu também não entendi, mas acho que você não tá muito afim de falar nisso, né? – Brookie perguntou, pegando o garfo da mão da .
- Não, tudo bem. Os motivos foram o ciúme da Brittany, o orgulho do e a minha falta de coragem! – Expliquei, eu realmente não estava afim de falar naquele assunto, mas acho que elas deviam pelo menos entender o que eu não conseguia.
- Okay, eu vou fingir que entendi isso e a gente encerra esse assunto que tá começando a ficar chato! – Brooke falou, agradeci mentalmente e continuei comendo a minha torta.
- Último dia, menines! – Falei fingindo choro. Elas riram. – Não riam, é triste!
- É triste porque a tem que voltar pra Bristol, mas eu vou na sua casa todo dia pra encher seu saco. Você não vai me aguentar mais! – Brooke brincou, eu ri. – Mas terão outras turnês, meninas.
- Pra vocês, né? Porque pra mim já chega, esses dias foram ótimos, uma experiência que vou levar pra vida toda, mas eu não quero ter que aguentar groupies de novo. – Falei. Era uma vez o meu sonho de trabalhar com bandas!

As meninas reviraram os olhos e nós rimos, ficamos falando sobre o fim da turnê, bandas, produção, shows, cidades e tudo que estava ligado à música. Music is my hot hot sex, diria a Lovefox. Subimos e fomos para o quarto da . Eu ainda não tinha visto os meninos naquele dia, nem o Fletch, só e Brookie. pegou do frigobar o chocolate que sobrou da festa, tinham duas barras fechadas e uma pela metade. Com certeza tinha muita bebida no quarto dos meninos. Ficamos comendo e escolhendo a roupa que usaríamos no último show. Não sou muito fútil, acho que qualquer um que passa mais de uma semana comigo percebe que eu não me importo em como me vestir, a primeira coisa que eu acho, eu visto. e Brooke não eram muito diferentes, mas essa era uma ocasião especial.

Depois de passarmos o dia inteiro conversando e fazendo planos para quando voltássemos para casa, chegou a hora de nos arrumarmos. Eu fui a primeira a entrar no banheiro, não demorei muito no banho, e a água estava quente. Coloquei uma calça skinny cinza escura que peguei da , uma camisa do Ramones e o meu All Star branco, como sempre, simples. Logo depois, foi tomar banho enquanto eu me maquiava e conversava com a Brooke. Depois de alguns minutos, saiu do banheiro com um short branco e uma camisa de manga comprida azul com estampa gatinhos. Era a vez da Brooke tomar banho. calçou seu All Star preto e começou a se maquiar também. Logo Brooke saiu do banheiro com um vestido cinza simples, com cinto preto preso abaixo do busto e também de All Star. Ela também disputava o espelho para se maquiar, e quando terminamos fomos para o saguão do hotel esperar o resto do pessoal. Era a primeira vez que eu descia para esperar alguém, eu sempre era a última a chegar. Todos chegaram e entramos no ônibus.

Sentei com a dessa vez, a Brooke estava com o , com e o resto estava igual. Brittany parece ter adquirido a mania de olhar pra mim, digo, pra trás o tempo todo! Mesmo com o à metros distante de mim, ela ainda ficava virando pra trás, só que agora ela olhava pra mim e pra , e ele não estava muito diferente, o tempo todo olhava pra trás. Fazer o que, né? Deixa eles olharem! Quem está perdendo tempo são eles! Eu e fomos a viagem toda conversando sobre inutilidades particulares, ou seja, aquilo que toda mulher conversa com a amiga.

Chegamos ao lugar onde seria o show, o último show. A despedida oficial. Acho que estou sendo dramática, mas isso faria muita, mas muita falta. Entramos no camarim e ficamos conversando, em grupos, raramente fazíamos isso, na maioria das vezes todos nós falamos sobre um mesmo assunto, mas dessa vez pareciam duplas de estranhos em uma sala. Eu sei que não devia, mas eu fui comprar uma cerveja, eu não aguentava mais, estava o maior tédio no camarim. Algumas pessoas olhavam pra mim, poucas, nem todos me reconhecem, pra minha sorte! Fui até o bar e comprei duas cervejas, como sempre, eu tenho que comprar a reserva. Voltei pro backstage e encontrei o James, quando eu ia lá falar com ele, alguém apareceu na minha frente e parou. . O que ele queria? Ele me olhava com cara de nada, uma expressão séria sem muitas variações. Esperei que ele falasse alguma coisa ou saísse da minha frente, mas ele não fez nenhum dos dois. Resolvi sair dali e seguir meu rumo.

- Espera... – segurou meu braço. Ele já falou o que tinha que falar. O que mais ele queria? – Me ouve. – Ele pediu. Ok, se ele falar, ajuda!
- Bom, se você realmente pretende falar alguma coisa... – Falei incomodada com a demora.
- Eu já te pedi desculpas e achei que ficaria tudo bem depois do que aconteceu. Por que você ainda me ignora? Você sabe que não quer fazer isso.

Eu lembrei da gente no dia da festa, a cena ridícula que fiz no quarto da , tentava não pensar no que havia acontecido no salão de jogos, eu não devia ter nem olhado pra cara dele naquele dia, nem depois da discussão. Porra de vinho! Porra de salão de jogos! Fingi não ouvir o que ele havia falado. Arqueei a sobrancelha e tentei controlar a minha expressão.

- Eu não estou te ignorando, estou aqui falando com você, o que mais você quer?
- Quero que você pare de agir assim e seja você mesma – Essa frase me abalou por dentro, mas não deixei que percebesse. – Quero que você pare de fingir que está bem assim, eu sei que não está.
- Você não me conhece tão bem quanto pensa, !
- E você não me engana tão bem quanto gostaria! Eu só quero que você pense no que está fazendo antes que seja tarde demais. – Ele falou sério, mas visivelmente abatido.
- Ok, , eu já entendi. O que mais você quer? – Perguntei da forma mais fria que pude, apesar de estar confusa emocionalmente.
- Eu só quero que as coisas voltem a ser como antes! – finalmente soltou meu braço. Sua expressão não mudava, mas o brilho dos seus olhos sumia conforme ele falava. Aquilo, de certa forma, me perturbava.
- Não vai voltar a ser como antes, ! – E não é porque eu quero, ou por culpa minha. Eu já disse que não dá pra simplesmente esquecer o que aconteceu. Até que eu queria, mas não é tão fácil!

Saí dali, deixando o com a mesma expressão séria, encarando os próprios pés. Mudei a minha direção de James para o camarim, onde provavelmente , Brooke ou me distrairiam com alguma coisa. Dito e certo, assim que passei pela porta do camarim, o me olhou com uma expressão preocupada. e Brooke me olharam com expressões curiosas. Tá vendo o benefício de ter amigos homens?! Eles se preocupam de verdade, as mulheres, por mais que se preocupem, perguntam as coisas por curiosidade, mesmo que não percebam. ia perguntar alguma coisa, mas o foi mais rápido.

- Cara, você poderia ser mais legal com seus amigos e não beber na frente da gente, você sabe que o Fletch não nos deixa beber antes dos shows! – Ele falou, tentando evitar que tocasse num assunto desconfortável, tanto pra mim quanto pra eles, e apontando para as minhas garrafinhas. Falando nisso, uma delas já estava quase vazia. Tomeiei o que restava e larguei em uma mesinha tão grande quanto um criado-mudo. Abri a segunda garrafa e sorri pra , que riu. – Você vai morrer de cirrose! – Ele falou fingindo estar bravo. Eu ri.
- Também te amo, ! – Mandei um beijo no ar pra ele, que riu.
- É... Eu sei! – Ele falou transbordando ironia. Eu estava falando sério.
- Isso aqui tá um saco! – Falei entediada. Minha vida está ficando muito monótona e sem emoção. Ou talvez eu seja muito exagerada, tenho que parar com isso. – Que horas vocês vão tocar?
- Você está na produção, , deveria saber. – falou entrando no camarim. Esse exu me persegue! Parei! – Somos a próxima banda. – Pelo menos ele respondeu. Dei o meu melhor sorriso irônico e o ignorei enquanto ele falava mais algumas coisas e começava a conversar com o . Em pensar que ele me pediu que parasse de ignorá-lo. Juro que eu tento!
Mentira!
- Eu preciso de outra cerveja! – Eu vou acabar ficando com uma barriga de chop que nem aqueles velhos que passam o dia vendo TV e tomando cerveja.
Saí do camarim, de novo. veio atrás de mim.
- Você tem que parar de descontar tudo em bebida! – Ele reclamou.

Estávamos no bar, algumas pessoas nos olhavam, mas dessa vez havia mais gente olhando. Claro, é meio difícil não reconhecer o . Pelo menos não tinha flashes. E dessa vez eu comprei três cervejas. Não queria ter que voltar! Se a festa de anteontem não fosse tão desastrosa, nós poderíamos sair para nos despedirmos de verdade. Maldita hora que alguém inventou essa festa! Não. Maldita hora que eu concordei com isso. Isso não é a verdade. Maldita hora que eu disse ao que não me importava com ele, mesmo não sendo exatamente isso o que eu disse. Se eu não tivesse dito isso no mercado, tudo estaria normal. Eu sou uma idiota.

- Bem que eu queria poder descontar tudo em bebida! – Falei, fez uma cara de reprovação. Fiquei séria.
- Então para de beber. Já que não adianta – Ele reclamou de novo. Até parece que ele não bebe mais que eu! – Eu não quero ter uma amiga alcoólatra. – Pobre . Por que ele se preocupa assim comigo? Por que quando ele faz isso a minha consciência pesa tanto?
- Para com isso, ! – Tentei falar séria e seca. Mas soou fraco.
- O que aconteceu? – Ele perguntou. Tava demorando.
- Nad...
- . – Ele falou como um pai reclamando com o filho. – É o , né? Você sabe que pode me falar. – É, eu sei. Por que será que sempre que eu tenho esse tipo de conversa com o , é sobre o ?
- É, o veio falar comigo. Mas eu estou bem, não estou bebendo por isso. Para de se preocupar. – Sorri, foi um sorriso sincero, é legal saber que ele se preocupa comigo, mas ao mesmo tempo é meio chato.
- Você gosta dele, não é? – Odeio quando ele pergunta essas coisas. Eu sempre digo que o é meu amigo, tentando convencer o de que não sinto nada por ele, quando, na verdade, eu estou tentando ME convencer disso.
- , eu já...
- , para com isso. Você sabe que não adianta tentar se convencer do contrário. – Por isso digo que o me conhece mais do que eu queria. Isso é irritante.
- Você não pode afirmar isso com tanta convicção! – E ele realmente não podia. Isso confunde a mente do indivíduo! riu e passou um dos braços pelo meu ombro, me dando um beijo na testa. Peguei as minhas duas cervejas que sobraram e voltamos para o camarim.

O McFly subiu no palco. Quando eu e entramos no camarim, os meninos e Fletch reclamaram e perguntaram onde ele estava, o show ia começar e eles estavam ficando desesperados. Começaram com 'Not alone', essa música é tão lindinha. Depois tocaram 'Met this girl', , olhava para o lado o tempo todo, pra gente, okay, pra mim. Depois de mais algumas músicas, ouvi uma introdução conhecida, mas não soube identificar. Eles começaram a cantar, sorria abertamente, também sorria, mas era um sorriso fraco, os outros dois mantinham a mesma expressão sem muito o que comentar. Meus olhos lacrimejaram, a minha mãe cresceu ouvindo 'James Taylor', tínhamos, quer dizer, ela ainda tem todos os discos. E 'You've got a friend' é a música que eu mais gostava dele. Essa é 'Summertime Blues, que apesar de ser do Eddie Cochran, eu adorava a versão do James Taylor.

Meus olhos só lacrimejaram, já falei que tenho problemas pra chorar, ainda mais em público, eu coloco minhas emoções pra fora ouvindo música, é bom assim que pelo menos eu não desconto em ninguém, digo, às vezes não desconto em ninguém. Eles terminaram de tocar 'You've got a friend', a última música. Todos saíram do palco, veio na minha direção e me abraçou, retribuí o abraço com a mesma força.

- Foi lindo! – Falei e sorri, ainda abraçada à .
- Foi pra você! – Ele falou. Sorri ainda mais.

Quando saí de Bristol, pensava que não teria amigos iguais aos que tinha lá, como o Drew. Mas me enganei profundamente. O , a Brooke e a são os melhores amigos que eu podia ter. podia estar nessa lista se não fosse... Não fôssemos tão idiotas.

- Cara, eu te amo! – O abracei ainda mais forte e o soltei. – A Brooke vai ficar com ciúmes. – Falei e ri, e Brooke também riram. É, ela tava do nosso lado, assim como todos os outros. Mas nem todos prestavam atenção em nós, só as minhas amigas e . Abracei as duas e nos abraçou, fizemos um abraço coletivo. – Eu amo vocês! – Falei e senti uma lágrima descer em meus olhos. Sim, eu estava chorando, em pensar que eu voltaria a vida real no dia seguinte, que não iria mais acordar com as almofadadas da Brooke, não iria mais beber até cair com o todos os dias, nem ver mais a por tempo indefinido.
- A gente também ama você, bebê! – Brooke sorriu. Finalmente nos soltamos, nos olhava com um sorriso bobo nos lábios, parecia que estava assistindo a um filme fofo, como 'Marley e Eu'. Fomos arrumar as coisas para voltarmos para o hotel.

Estávamos no ônibus conversando, ainda, sobre o fim da turnê. Não tinha como mudar de assunto! , Brooke, e eu tentávamos ter alguma idéia, então resolvemos fazer algo tipo um luau no jardim do hotel. Sim, porque praia tá difícil! Só que todos participariam, desde à Brittany. Menos Fletch, claro, que ia dormir e nem sabia desse luau. Esperamos para falar aos outros quando chegássemos ao hotel. Chegamos e avisamos a galera com cuidado, para que Fletch não soubesse disso. Esperava que ninguém reclamasse da gente fazendo zoada atrás do hotel, mesmo que o jardim fosse afastado do lugar onde ficavam os quartos.

Todos concordaram com a nossa ideia e, disfarçadamente, foram pros seus quartos, tomar banho, trocar de roupa, ou sei lá o quê, e descer para o jardim. Logo todos estavam lá e e seguravam violões. , é claro, não esqueceu as bebidas. Por que ele tinha que fazer isso comigo? Que amigo! As bebidas que o pegou foram as que sobraram da festa. Como eu havia imaginado, sobrou bastante coisa. Ainda tinha licor, os três, uma garrafa quase cheia de vodka e um resto de tequila.

No jardim do hotel tinha uma piscina grande, o que tornava o clima ainda mais frio. Sentamos em círculo perto da piscina, colocamos as bebidas e os copos no meio e os meninos começaram a tocar algumas músicas deles. Tocaram 'She left me', o sabia que eu gostava dessa música. Depois tocaram 'Not alone' e 'Broccoli'. São as mais bonitinhas deles. Depois de tocarem essas, começou a tocar uma música que nenhum de nós conhecíamos, eu acho, pela cara dos meninos.

- Que legal, cara, você que fez? – perguntou quando parou de tocar.
- Sim, fiz um dia desses. – respondeu sorrindo tímido.
- Como é o nome? – Dessa vez perguntou, eu também estava curiosa, a música tinha que ter um nome, certo?
- Não sei. Não tem nem letra. Só esse começo. Mas eu quero melhorar algumas coisas – respondeu novamente, a melodia estava linda, o que ele queria mudar? – Só a gente vai tocar? – Ele perguntou do nada, olhando para mim.
Ele não fez isso!
- É, , toca alguma coisa pra gente? – me passou o violão. Estava na hora de tocar o que eu pratiquei. Sem erros! Comecei a dedilhar o começo de 'Stairway to heaven' e me acompanhou com a melodia. Ele fazia a batida e eu o dedilhado. Estava legal.
- There's a lady who's sure all that glitters is gold. – Comecei a cantar e me acompanhou de novo. Eu esperava que todos cantassem, assim como nas outras músicas. Mas, irritantemente, só o o fez. Os outros pareciam não saber a letra, ou não querer atrapalhar a bela cena do casal. Isso é ridículo!

Todos olhavam nos olhavam como se estivessem assistindo a um musical romântico, como "O Fantasma da Ópera". Eu e as minhas referências cinematográficas! Por que eu tinha que lembrar logo desse filme, que é justamente o nome da música que deve ter feito a minha mãe chorar oceanos? Falando em música, por incrível que pareça, eu não errei um acorde, fez o solo, é muito difícil pra mim. A minha voz é legal, não muito, mas não desafinei nem nada do tipo, não era algo desagradável, e a voz rouca e perfeita de não precisa de mais comentários. Eu tenho que parar com isso! O que eu quis dizer foi ‘apenas’ que a voz dele é legal!

- And she’s buying a stairway... – Comecei a última frase e logo, e eu continuamos. - To heaven. – Claro que não ficou tão lindo quanto o Page e o Plant fazem, mas ficou bem fofo. Todos ficaram maravilhados e bateram palminhas no final. Se batessem palmas muito forte, alguém provavelmente iria reclamar.
- Cara, o que é o Led Zeppelin perto de vocês? – brincou. Eu ri corando levemente. Acho que só a Brittany não gostou muito, mas eu resolvi ignorar a existência dela de uma vez por todas.
- Eu sei. Somos demais! – falou sorrindo abertamente pra mim. Mas não era somente com aquela expressão tímida e ao mesmo tempo metida que ele sempre tinha. Agora ele, além disso, tinha um brilho nos olhos, um orgulho. Não sei se foi pelo fato de ‘ele’ ter me ensinado a música, por eu não ter errado nada, ou simplesmente porque ficou lindo. Talvez fosse tudo isso. Ou talvez eu estivesse vendo coisas onde não havia.
- Próxima música? – pediu tirando as palavras da minha boca.

Devolvi o violão à e eles começaram a tocar Beatles, tava demorando! Eles estavam tocando uma das minhas preferidas, "Penny Lane”, não sei por que, mas eu amo essa música, às vezes ela me dá uma nostalgia, é o efeito que quase todas as músicas dos Beatles têm sobre mim, mas eu os amo mesmo assim. Peguei um copo e me servi de licor de morango. Eu estava bebendo com calma dessa vez, não queria exagerar. Eu não precisava disso.
Começaram a tocar "Linger", do Cranberries, pois é, só os clássicos! Eu e Brooke – que tinha uma voz bem agradável – cantávamos um pouco mais alto que os meninos, é estranho ouvir uma voz masculina nessa música. Tocaram "Dream on", "I Don’t Wanna Miss That Thing" e "Sweet Emotion" do Aerosmith; "Dysentery Gary", "Please take me home" e "First date" do Blink 182; Killers, Offspring, New Found Glory, Descendents, The Smiths, The Doors, Beach Boys, The Clash e todas as coisas que gostávamos. Estava ficando tarde e eu já estava começando a ficar com sono. Eu disse que ia moderar na bebida, mas ela já estava me derrubando.

- Galere, estou com sono. – Falei e todos sorriram, alguns concordaram.
- Eu também estou, vamos tocar a última e então vamos dormir. – falou.
- , eu vou deixar que você toque a última. – Engraçado o , né? Neguei com a cabeça, mas os meus amigos, que como sempre estão aqui pra me ajudar, insistiram nessa idéia.
- Vai, , é a última! – pediu sorrindo.
- É, , vamos, escolhe uma! – falou. Mandou.
- Okay, okay. "Imagine" do Lennon. – Essa é a música mais linda! Uma das poucas músicas que eu sabia tocar bem. concordou sorrindo e eu comecei a tocar, ele me acompanhou - Imagine there's no heaven.
- It's easy if you try – , Brooke e eu cantamos. Eu queria deixar só os dois cantarem, eles cantam tão bem! – No hell below us, above us only sky.
- Imagine all the people living for todaaaay, ah-haaaa – Todos cantamos e, assim, seguimos e terminamos o nosso luau.

Quando terminamos de verdade, Ashley e Brittany subiram para os seus quartos, e também. foi procurar alguma noticia da Sally, que provavelmente estava no quarto de algum dos meninos, mas a precisava saber onde ela estava. Eu, , e Brooke ficamos para arrumar a bagunça que deixamos no jardim. Eu peguei duas garrafas vazias, a de licor de morango e a de tequila, saiu catando os copos que estavam espalhados pela grama, pegou a garrafa vazia de licor de limão e Brooke pegou as garrafas cheias, de vodka e de licor de chocolate, levando-as para o quarto. Jogamos as garrafas numa lixeira que havia dentro do hotel e voltamos pra pegar o violão. Nessa hora, saía para jogar os copos no lixo.

- Você vai continuar me ignorando? – perguntou do nada. Eu não esperava essa pergunta, na verdade eu nem esperava que ele falasse alguma coisa.
- Hã? – Perguntei e virei. Ao virar percebi numa distância relativamente curta.
- Você me ouviu. – Eu juro que não estava me fazendo de desentendida. Claro que eu ouvi o que ele falou, o ‘hã’ foi mais por causa da surpresa.
- Eu não estou te ignorando, estou apenas adiantando as coisas pra que eu possa dormir pra, finalmente, voltar pra casa amanhã. – Quase sempre que eu falo em voltar pra casa, eu uso o termo “finalmente”. A turnê nem foi chata assim!
- Eu sei que no fundo não é exatamente isso o que sente, você não está tão ansiosa pela volta. – E quem ele pensa que é? O Mister M? Ele se aproximou.
- Não complica as coisas, ! – Falei e ele se aproximou ainda mais, eu já sentia o calor de seu corpo.
- Não tem como complicar mais. – Ele estreitou o espaço que havia entre nós, definitivamente. Eu queria sair dali, empurrar ele, evitar que a situação piorasse ainda mais. Eu queria, mas me faltou força de vontade e eu não mexi um músculo. Senti as mãos de entrelaçarem minha cintura e a sua respiração batia em minha boca, nós nos encarávamos, os dois com desejo refletido nos olhos. Ele aproximou mais o seu rosto e eu fechei os olhos sentindo os lábios dele tocarem os meus. Foi quando ouvi uma zoada e o empurrei. estava entrando no hotel com um violão na mão e pisou em um copo descartável.
- Caralho! – Ele exclamou baixinho. – Desculpa, eu não queria atrapalhar, eu... er... fui! – Ele entrou no hotel e sumiu de vista.

Fiz uma cara de reprovação olhando pra e saí dali sem falar nada. também permaneceu calado.
Joguei-me na cama e tentei dormir, mas meus olhos não queriam ficar fechados. Virei para um lado e para o outro várias vezes, troquei de posição, tentando me acomodar de forma confortável, para que eu conseguisse pegar no sono. Mas não deu certo, eu estava inquieta e nada do sono chegar ou do tempo passar. Eu estava ansiosa por causa viagem. Não ansiosa pra viajar logo, acho que a palavra certa é ‘nervosismo’, eu estava nervosa por causa da viagem.

Levantei, peguei o meu Ipod na mochila e voltei pra cama. Como sempre, estava no shuffle, eu não tinha paciência pra escolher música, muito menos pra ouvir várias músicas de uma só banda. Finalmente conseguir relaxar ouvindo Since I've been loving you. Led Zeppelin sempre me acalmava. Só em imaginar Robert Plant rebolando, eu esquecia tudo em volta. Lindo! Meu amor platônico pelo Plant e sua voz perfeita me fizeram dormir profundamente, completamente relaxada. E com os fones no ouvido, que, pra variar, eu esqueci de tirar.

16

I Don’t Want To Miss A Thing

Acordei assustada, não sabia por que, mas eu senti um impacto de novo, como se tivesse caído na cama. Eu não lembro do meu sonho, mas a maneira como eu acordei foi bem estranha (de novo), meus fones de ouvido estavam enrolados pelos meus braços e meu pescoço. Brooke ainda estava dormindo. Levantei pqra arrumar minhas coisas e tomar um banho, pra ver se eu relaxava um pouco. Saí do chuveiro quente e vesti uma roupa qualquer, um short e uma camisa de manga comprida, com meu All Star, claro. Fui até o quarto de Fletch saber quando iríamos.
Bati na porta e ele abriu já saindo com algumas coisas na mão.

- Hey, . Foi rápida hoje. – Ele sorriu.
- Pois é, nós vamos agora? – Perguntei.
- Não exatamente, vou colocar essas coisas no ônibus e nós vamos comer. Você pode fazer um favor pra mim? – Perguntou – Vê se os meninos estão acordados. Se não estiverem, acorda eles, manda eles se arrumarem e descerem pro café!
- O-okay! – Eu não queria ter que fazer isso, mas lá vou eu.

Voltei pro meu andar e bati na porta do quarto de , é claro que eu ia começar por ele, talvez ele pudesse acordar o por mim. Mas ele não abriu a porta, nem deu sinal de vida. Bati de novo. Resolvi entrar. Segurei o riso quando vi o de boxer todo torto na cama e dormindo feito uma pedra. não estava muito diferente, só que estava deitado de lado com uma cueca samba-canção e o cobertor enrolado na perna, fazendo quase um nó. Eu ri. Fui até e o sacudi delicadamente. Cara, como esse menino dorme! Tentei acordar , sacudi ele do mesmo jeito como fiz com , ele abriu os olhos devagar, mas virou pro outro lado e dormiu. Sacudi ele de novo, sussurrando um : “Acorda !”. Ele abriu os olhos de novo e piscou algumas vezes, eu sorri, ele é muito fofo. Quando conseguiu, finalmente, assimilar o fato de que eu estava ali, tentando acordá-los, ele sentou na cama bagunçando os cabelos e passando as mãos no rosto. Tentei acordar de novo.

- , acorda! – Falei baixo, ele se mexeu. Porra, esses meninos são umas bichas! – Acorda, ! – Falei um pouco mais alto, o sacudindo com mais força. Ele finalmente acordou. – Nós já vamos, vão se arrumar. entrou no banheiro.
- Já? – Ele olhou no relógio do criado-mudo. – , são sete e vinte da madrugada, nós vamos agora? – Exagerado o !
- Sim, . – Falei sem paciência. – Me ajuda a acordar os outros.
- Ah nãao. Só mais cinco minutos. – Ele se jogou de volta na cama. - , levanta. Você vai me ajudar a acordar o e o . – Puxei o e ele levantou bufando e saímos do quarto.

Fomos até o quarto dos meninos, bagunçava os cabelos e passava a mão no rosto tentando acordar, assim como havia feito. Batemos no quarto dos meninos e, como era de se esperar, nenhuma resposta. Batemos de novo, com mais força, tínhamos o dom de batucar nas portas, mas mesmo assim, ninguém a abriu. Nós entramos. estava roncando, totalmente espalhado pela cama, usando uma camisa listrada e uma boxer preta. também estava esparramado na cama, mas não estava roncando, apenas dormia tranquila e pesadamente, usando apenas uma samba-canção da Doc Dog. riu.

- Não ri não. Você não está muito diferente deles. – Falei e ele olhou pra si, percebendo que não tinha nem trocado de roupa, ou melhor, vestido uma.
- Oops! – Ele falou tentando se cobrir com as mãos.
- Deixa de ser gay, ! Vamos acordá-los. – Falei e ele foi na direção de , o cutucando com o dedo. Fui atrás dele. - ! – Ele chamou, depois olhou pra mim. – Vai acordar o , pra ser mais rápido. – Virei e bufei. Em pensar que eu tinha chamado ele pra acordar o .
- ! – Chamei sacudindo-o pelo ombro. Ele se mexeu, mas nem abriu os olhos. – , acooorda! – Continuei sacudindo ele. Olhei pra trás pra ver como estava indo e o vi com uma almofada na mão pronto pra jogá-la em . – , menos!
Reclamei. Ele riu e jogou a almofada em , que abriu os olhos assustado. Eu ri.
- Agora é a vez do . – Ele veio sorrindo maleficamente.
- Não, . – Eu reclamei de novo, ele me olhou estranho e deu um sorrisinho que eu conhecia. – Eu chamei você pra acordar os meninos, não pra matá-los do coração! – Falei e voltei a minha atenção para , voltando a sacudi-lo pelo ombro. – , acorda. – Ele abriu os olhos, sorriu, murmurou um “hum” e virou pro lado. riu. Eu revirei os olhos segurando o riso. – Vamos, , levanta. – O sacudi freneticamente, dessa vez ele acordava. Ele abriu os olhos novamente e os esfregou.
- ? – Ele perguntou com a voz embolada. Claro, acabou de acordar!
- Sim, nós já vamos. – Afastei-me da cama. - Vão se arrumar. – Fui até a porta. – E não voltem a dormir. ! – Chamei e saímos do quarto, deixando e sentados em suas camas, bagunçava o cabelo. Por que eles têm essa mania quando acordam? Tá, eu também faço isso, mas eles são todos iguais! – Vou acordar as groupies. Vai se arrumar! – Falei e segui para o quarto de Ashley e Brittany enquanto seguia pro quarto dele.

Bati na porta e nem esperei resposta. Entrei no quarto. Ashley estava acordada, mas ainda estava deitada. Falei que estávamos saindo e ela levantou pra acordar a Brittany. Voltei pro meu quarto, Brooke estava terminando de arrumar sua mochila, já vestida pra viagem.

Todos nós já estávamos terminando o café da manhã. estava com a gente, eu a chamei, o último café da manhã sem ela não seria o mesmo! Terminamos de comer e nos despedimos dos meninos do Busted, que só voltariam pra Londres à tarde, da e do resto das pessoas que conhecemos, ou melhor, eu conheci, porque os meninos já conheciam.

Entrei no ônibus, Brooke estava conversando com na porta, Pete e Fletch também, Ashley e Brittany já estavam no ônibus, assim como , que por sinal estava dormindo na poltrona. Sentei na minha poltrona, na última fileira, como sempre, e liguei meu Ipod.
Vi uma sombra ao meu lado e não me preocupei em olhar até que o indivíduo sentasse, foi o que fez. Todos entraram no ônibus. Brooke sentou no lugar que sempre sentava, ela ia sentar do meu lado, eu percebi isso, mas depois que viu , desviou e seguiu pra sua poltrona, estava com . Pete deu a partida no ônibus. olhou pra mim e sorriu hesitante. Tirei os fones.

- Com várias poltronas vazias no ônibus, o que te faz sentar aqui? – Perguntei indiferente, mas por dentro eu estava intrigada.
- Acho que não preciso responder a essa pergunta! – Ele falou sério me encarando.
- Já estamos indo embora. Por que você ainda insiste? – Desviei meu olhar dele para a janela. Ele não respondeu. Olhei pra ele, mas seu olhar estava em suas mãos, onde ele brincava com as unhas, fingindo se distrair com aquilo.
- , eu sei que você gosta de mim - convencido! - Mesmo que seja só um pouco. Você não pode continuar me tratando com tanta indiferença! Ainda mais depois do que aconteceu no salão de jogos.
- , se você não se importa, eu prefiro não falar nisso! - Falei desviando o olhar dele.
- Foi tão ruim assim? - Perguntou rindo.
- Cala a boca! - Eu ri também, super sem graça.
- Tô falando sério! - Claro que não foi ruim, aposto que ele ainda tinha a prova disso nas costas. - Essa pode ser a última vez que nos vemos, você precisa responder.
- Deixa de ser dramático, - eu estava exageradamente vermelha. Dougie deu uma risada convencida enquanto olhava pra mim.

Ficamos em silêncio algum tempo.

– Troca de lugar comigo? – Pedi. Ele arqueou uma sobrancelha. – A Brooke está sozinha e essa viagem é sempre um saco! – Ele sorriu e levantou passando para o canto, eu me arrastei até a ponta. – Hey, amiga! Aconteceu alguma coisa entre você e o ?
- Como assim? – Ela me olhou confusa.
- Ele tá sentado com o . – Expliquei.
- Ah tá. Não, está tudo bem. – Ela sorriu, parecia muito feliz de estar com o . Graças a mim, pra deixar bem claro! – É porque eu sentaria com você, mas o foi mas rápido. – Nós rimos, revirei os olhos e pude ouvir a risada de .
Nós duas ficamos falando algumas besteiras sobre o por algum tempo. Começou a chover.
- CARA, eu nem acredito que vou chegar em casa! – Falei sorrindo nervosa. Brooke riu.

Fiquei séria por um momento. Senti um déjà vu, olhei em volta e reconheci aquilo. Não o ônibus. A situação, a vista da janela, a chuva, as expressões do e da Brookie. Eu tentei, mas não consegui lembrar de onde conhecia essa cena, nem entendi o porquê dessa sensação de já tê-la visto. Mas ignorei, talvez fosse só o costume, algo assim. Ou então era a ansiedade de novo.

- ? Você está bem? – Brooke perguntou preocupada, me acordando do transe.
- Ah, estou sim, desculpa, é que eu estava pensando em como tudo vai ser diferente. – Menti. Não sei porquê, mas não me senti à vontade pra falar sobre o déjà vu.

Lembrei dos meus sonhos, só podia ter alguma ligação com isso, mas eu realmente não acreditava nessas coisas, nunca acreditei, só parecia o meu sonho, não significava que algo aconteceria, nada daquilo ia acontecer, mas eu tinha pelo menos que contar a alguém, eu ia levantar, pra tentar fazer alguma coisa. Mas assim que eu fiquei de pé, senti um impacto me fazendo sentar de volta. Talvez fosse verdade, a minha avó tinha essas coisas, sempre sonhava com algo ruim que estava prestes a acontecer. Eu tinha que dar um jeito de impedir isso, falar com alguém, deixá-los avisados. Mas um outro impacto fez a minha mente apagar, como um computador sendo formatado, eu não conseguia pensar em nada, até que senti o ônibus sendo jogado pro lado e ouvi alguns gritos e reconheci como sendo da Brittany e da Ashley. Brooke estava tão paralisada quanto eu. segurou a minha mão, como se quisesse me passar segurança. Tentei sorrir olhando pra ele, mas eu estava com muito medo, o que estava estampado em minha face. Eu estava chorando. Então me abraçou. Retribui o abraço com força, afundando o rosto em seu peito enquanto ele afagava meus cabelos. Será que ele também sabia o que estava prestes a acontecer? Afinal, ele disse que essa poderia ser a última vez que nos veríamos.

- Vai ficar tudo bem, meu amor, confie em mim. – Ouvi o sussurrar no meu ouvido. Sabia que ele também estava com medo, seria um idiota se não estivesse. – Eu te amo. – Estremeci.

Logo senti outro impacto e tudo ficou embaçado. Olhei em volta, Brooke ainda mantinha a mesma expressão de terror, mas estava desacordado, seus braços ainda estavam entrelaçados em meu corpo. Meus olhos estavam pesados, queriam fechar, mas eu não podia ficar inconsciente naquela situação, não eu! Eu deveria ter contado antes, pra qualquer pessoa, o me perguntou sobre meus sonhos uma vez, talvez devesse ter contado, assim ele estaria prevenido. O que eu tenho na cabeça?! Ele não acreditaria! Tentei me mexer na esperança de acordá-lo e perguntar se ele estava bem, mas não consegui, havia sangue em meus braços, o ônibus sacudia brutalmente, percebi então que o sangue escorria da cabeça de , entrei em desespero, eu não queria perdê-lo. Meus olhos ainda pesavam, tentei não dormir, mas, de repente, tudo apagou.

n/a: Dramático, eu sei! Mas não poderia terminar assim tão rápido. Não teria graça. :DD
Enfim, desculpem a demora, minha vida anda meio doida.
Continuem comentando, me xinguem, eu matei todo mundo!!
Brincs
Enfim, beijos.


n/b: Se encontrar algum erro, mande um e-mail para drainnotes@live.com ou me avise pelo Twitter.