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[Narrador]

Uma bela manhã de sol despontava sobre Londres. Havia tudo para aquele dia ser maravilhoso. Mas para uma garota não. Essa garota tristemente arrumava suas malas para partir para um novo rumo. Tudo tinha sido causado por um grave acidente em que os pais e as duas irmãs dela estavam em um carro que se chocou com um caminhão, todos morreram instantaneamente. Como ela ainda era menor de idade, teria de morar com os tios em Montreal. Ela não cansava de pensar em tudo que deixaria em Londres. Amigos, sonhos, carreira, paixões. “Mas tudo bem!”. Ela pensava. É daquelas pessoas que acham que tudo acontece por um motivo. Se iria se mudar para Montreal, era porque algo grande esperava por ela. Quem é essa garota misteriosa e tão infeliz de que falo? Seu nome é . Uma garota muito bonita e que antes dessa tragédia exalava uma aura de pura felicidade. Agora, aquela menina sempre alegre e de bem com a vida tornou-se uma garota depressiva, amargurada, fechada e extremamente frágil.
Depois de arrumar as últimas malas que lhe restavam, ela deu uma última olhada no lugar em que tinha sido tão feliz e, com lágrimas rolando em seu rosto, ela saiu. Tomou um táxi até o aeroporto e, depois de uma meia hora esperando, embarcou no avião.
Sentou-se na poltrona marcada e apreciou muito que estivesse bem ao lado da janela. Ligou seu MP4 para se distrair um pouco, encostou a cabeça na janela e ficou olhando a bela Londres que deixava para trás.
- Com licença, senhorita, tem alguém sentado aqui? – um rapaz de olhos perguntou, indicando a poltrona ao lado dela. Ela olhou para ele, que sorria, e fez que não com a cabeça – Obrigado! – ele disse e sentou-se.
Ela voltou ao seu estado de pura melancolia, recolocando os fones de ouvido e colocando o volume no máximo, porque não queria falar com ninguém, nem mesmo com aquele belo moço que se sentou ao seu lado. Ficou em um tipo de transe olhando para a janela, chorando. Então, sentiu que ele a cutucava. Ela tirou os fones de ouvido e secou as lágrimas do rosto.
- Desculpe incomodá-la novamente, moça, mas... Você está ouvindo Good Charlotte? – perguntou.
- Sim. – ela disse com a voz rouca – É a minha banda favorita!
- Mesmo? A minha também! – ele disse sorridente e ela pensou irritada “Como é que esse cara consegue sorrir tanto?”.
- Que coincidência, não? – ela disse entediada e, como se colocasse um fim na conversa, começou a recolocar os fones no ouvido, mas, novamente, teve que tirá-los, pois logo ele falou.
- Você está indo para Montreal ou voltando pra lá?
- Estou indo. – ela respondeu e pensou “Infelizmente”.
- Interessante, eu estou voltando para lá! Você está se mudando para lá?
- Aham. – ela disse sem emoção.
- Sério? E por quê?
- Bom... Porque fui obrigada.
- Como assim? – ele perguntou aturdido.
- Minha família sofreu um acidente de carro e todos: mãe, pai e irmãs; morreram. Então tenho que morar com meus tios em Montreal. – ela explicou com a voz embargada e imediatamente secou as lágrimas que se formaram.
- Desculpe... Eu não imaginei...
- Tudo bem. – ela disse com simplicidade.
- Sinto muito, muito mesmo! Você deve estar bem abalada!
- É... Um pouco. – ela disse, mas não queria que ele sentisse pena dela e acrescentou – Aos poucos vou me reerguendo.
- Bom, se você precisar de qualquer coisa, pode me ligar! E... À propósito, meu nome é ! – ele disse, entregando um cartão que continha seu telefone.
- Obrigada, ! Eu sou ! – ela disse sorrindo pela primeira vez em muito tempo. Pegou o cartão e guardou-o na bolsa, depois pegou o dela e entregou a ele.
Ambos não disseram mais nada e então ela recolocou os fones no ouvido e encostou a cabeça na janela. Constatou, com um aperto no peito, que não poderia mais ver Londres e então foi embalada em um sono onde a dor que sentia havia sido dissipada.
Acordou um tempo depois, com cutucando-a.
- O avião já aterrissou, ! – ele disse baixinho.
Ela levantou-se, pegou a bolsa e desceu. Ele foi ao seu lado.
- Quer ajuda com a bagagem? – ele perguntou.
- Não, obrigada, meus tios estão me esperando ali! – ela disse localizando-os.
- Ah... Ok então! A gente se vê! – ele disse dando-lhe um beijo no rosto.
- Espero! – ela sussurrou – Tchau!
- Tchau! Foi muito bom te conhecer! – ele disse sorrindo e logo desapareceu.
Ela foi até os tios que a aguardavam com sorrisos estampados.
- Olá, minha sobrinha predileta! – disse sua tia, de nome Louise.
- Oi, tia! – ela disse sem emoção.
- Calma, minha querida! Isso tudo vai passar, eu te prometo! – ela disse abraçando-a comovida.
- Como vai, ? – disse o tio.
- Vou indo, tio Réal, na medida do possível! – disse quando se soltou da tia e abraçou-o.
- Tem alguém que está ansiosíssimo para te ver! – Louise falou.
- Quem? – ela perguntou confusa.
- Seu primo, ! – Réal respondeu.
- Ah! É mesmo! Como ele está? – disse admirada consigo mesma por ter esquecido dele.
- Acho que está bem! Ele não mora mais conosco! – Louise falou.
- Como assim? – ela disse surpresa.
- Ele está morando com os amigos, montou uma banda há pouco tempo e preferiu se mudar. – Louise explicou.
- Nossa! E quando irei vê-lo, então?
- Mais tardar amanhã! Ele disse que viria nos visitar! – Réal disse.
- Vamos então? – disse.
- Vamos! – Réal disse e ajudou-a a levar as malas até o carro. Logo eles chegaram à casa deles.

[/Narrador]

[]

Enfim cheguei à Montreal. Encontrei meus tios no aeroporto e eles me levaram até minha nova casa. Dela eu não podia reclamar, era uma casa grande, de dois andares, e tinha de tudo: piscina, salão de festa, de jogos, sala de TV, entre outros. Meu quarto era lindo. Era uma suíte no segundo andar, tinha uma sacada com vista para as lindas montanhas de Montreal. Fiquei muito grata, era um quarto bem aconchegante. Depois de arrumar minhas coisas, deitei em minha cama e novamente liguei o MP4. Esse tinha se tornado meu companheiro fiel. Então o garoto do avião veio em minha mente. Nossa! Como ele era lindo! Seu nome era . Parece ser uma ótima pessoa.
Uma semana se passou depois que cheguei à Montreal. Duas coisas me incomodavam: uma era que eu ainda não tinha visto o meu primo. A outra era que eu não conseguia parar de pensar no . Amanhã começavam as aulas, mas eu não estava tão animada assim. Na verdade, eu não estava animada para nada. Saí algumas vezes para conhecer a cidade e constatei que era muito linda. As pessoas daqui eram muito hospitaleiras e amigáveis. Claro que não era como Londres, mas eu já estava começando a gostar daqui.
Enfim, meu primeiro dia chegou. Acordei bem cedo, tomei um banho, escovei meus dentes e coloquei uma calça jeans com uma blusa preta e meu all star. Fiz minha maquiagem habitual e passei um perfume. Quando estava pronta, peguei minha mochila e desci. Tomei um café rápido e meu tio me levou para a escola, pois era no caminho do trabalho dele. Quando chegamos, ele se despediu, me desejou boa sorte e saí.
Assim que cheguei, olhei o horário das aulas e vi que a primeira aula era Biologia, decidi procurar logo a sala para não me atrasar. Quando estava no corredor dei de cara com “ele”, que arregalou seus lindos olhos.
- ? Que surpresa encontrar você por aqui! – ele disse sorrindo. Eu já disse que ele tem um sorriso irritante de tão lindo? Pois é, ele tem.
- Oi, ! Pode me chamar de e... É uma surpresa mesmo! – eu falei.
- Ok, ! E você pode me chamar de ! - ele disse – Em que ano você está?
- Primeiro, e você?
- Segundo – ele disse parecendo desapontado.
- Será que você pode me ajudar a encontrar a sala de Biologia?
- Posso sim! – ele disse animado.
Ao longo do caminho conversamos sobre vários assuntos. Ele era super fofo e gostava das mesmas coisas que eu. Quando chegamos à sala, ficamos conversando na porta até o sinal bater.
- A gente se vê no intervalo? – ele perguntou.
- Claro! Você é meu único amigo aqui até agora! – respondi e ele abriu um largo sorriso.
- Então até logo! – ele disse me dando um beijo no rosto. Senti que fiquei corada.
- Até! – eu disse e entrei na sala.
Dali a poucos minutos o professor entrou na sala, seguido de outros alunos, sentei nos fundos, porque não queria chamar atenção para o fato de ser nova no lugar. O que foi em vão, pois assim que todos sentaram o professor me anunciou.
- É com grande alegria que dou a vocês bom retorno! Parece que temos uma nova aluna! Por favor, se apresente à turma senhorita, não se acanhe! – ele disse gentilmente.
- Ok! Ok! – eu disse baixinho – Oi! – eu disse e uma garota sentada à minha frente começou a rir – Meu nome é , mas podem me chamar de !
- Prazer em conhecê-la, ! – o professor disse sorrindo – De onde você é?
- Londres. – respondi sentindo o conhecido aperto no peito por lembrar de lá.
- Seja bem vinda então! Esperamos que aprecie o Saint Lourence!
- Obrigada!
- Então, turma, esse ano iremos... – o professor começou a explicar.
- Então... , não é? – a garota sentada à minha frente se virou e disse, concordei com a cabeça – Eu sou , mas pode me chamar de ! Aquela é a , mas pode chamá-la de . – disse mostrando a garota sentada à minha esquerda – E aquela é a , mas pode chamá-la de ! – mostrou a garota sentada à esquerda dela.
- Prazer em conhecê-la! – elas disseram.
- É um prazer conhecê-las também! – eu disse.
- Então, você veio de Londres, né? Como era lá? – perguntou.
- Era maravilhoso! – eu disse e comecei a falar tudo sobre lá, desde a escola até as baladas, revivendo cada pedacinho da vida maravilhosa que tive. Era incrível a afinidade que eu estava tendo com elas. Quando terminei de contar, as meninas estavam admiradas.
- Nossa! Lá devia ser perfeito! – disse.
- Era sim! – eu disse suspirando.
- Mas por que você veio pra cá então? – perguntou.
- Porque... Bem... É bem doloroso falar sobre isso. – eu disse sentindo o costumeiro aperto no peito.
- Se você não quiser falar, a gente entende, ! – falou.
- Obrigada, ! Mas acho que vou falar sim... Uma hora ou outra eu vou ter que tocar no assunto, tenho que aceitar! – eu disse, engoli em seco e prossegui – Eu vim para cá porque minha família sofreu um grave acidente. O carro em que eles estavam se chocou com um caminhão e eles morreram instantaneamente. Então tive de vir morar com meus tios Réal e Louise aqui! – eu disse e arregalou os olhos.
- Sinto muito, ! Muito mesmo! – falou penalizada.
- É. Deve ter sido horrível perder a família assim! – disse em igual tom.
- É, tem sido sim – concordei – Mas aos poucos vou me reerguendo, não posso parar minha vida, né? Até porque eles não iriam gostar!
- É assim que se fala! – e disseram.
- Que foi, ? – perguntei curiosa.
- V-você disse que seus tios se chamam Réal e Louise? – disse estupefata.
- Disse sim p...
- Então você é prima do ? – ela disse com os olhos repentinamente adquirindo um brilho ofuscante.
- Sou sim, mas ainda não o vi! – eu disse – Você o conhece?
- Ô, se conhece! – disse – Ela é apai...
- Shiu! – disse ríspida.
- Mas vocês o conhecem de onde? – perguntei, fingindo que não escutei o comentário, pois se ela não queria falar, mesmo eu vendo nos olhos dela, não era eu que iria forçar.
- Daqui mesmo. – respondeu.
- D-daqui? Vocês querem dizer que ele estuda aqui? – perguntei estupefata. “Por que será que meus tios não contaram?”.
- Sim. No terceiro ano – disse.
- Caramba! Mal vejo a hora de falar com ele! – eu disse animada.
- Você vai “falar” com ele? – disse espantada.
- Claro, gente! Ele é meu primo! Por que o espanto? – eu disse ao ver que as outras duas também exibiam cara de espanto.
- É que... Bem... Ele é o cara mais popular da escola. – disse.
- E daí? – eu disse indiferente.
- E daí que ele e os amiguinhos dele tratam a gente como se fosse lixo, só ligam para aquelas líderes de torcida! – disse.
- Mas ele NÃO pode me tratar como lixo! Eu sou PRIMA dele! – eu disse indignada.
- A questão é que ele pode não te tratar assim, mas os amiguinhos dele vão e você vai se sentir tão mal que não vai conseguir chegar perto dele. – disse, aparentemente triste ao ouvir as próprias palavras.
- Nossa! Eles são tão metidos assim, é? – eu disse espantada, pois nunca tinha sido assim comigo.
- São sim! Ainda mais agora que ganharam o concurso de bandas e vão gravar CD. – disse .
- É, ouvi meus tios falarem algo sobre uma banda. – eu disse lembrando – Eles são bons?
- São sim, bons até demais! O problema é que se acham o máximo por isso! – respondeu.
- Nossa! Esse definitivamente não é o primo que eu achei que tinha. – eu disse, desapontada.
O sinal tocou e tínhamos que ir para as duas aulas de química. Quando estávamos no corredor vi com um outro garoto ao seu lado, muito bonito, por sinal, eu sorri e acenei, ele retribuiu.
- É impressão minha ou você acabou de acenar para o ? – disse .
- Sim, por quê? – eu disse confusa.
- Porque ele é um dos idiotas que andam com o seu primo. – falou.
- Não, o não é idiota! Conheci ele no avião e ele foi super fofo comigo! – eu disse.
- Estranho, porque ele é um dos que mais se acha! Não toca e nem canta na banda, mas se acha porque é como o empresário deles! – disse .
- Esbarrei nele aqui no corredor antes e ele nem mencionou que tinha banda, até me levou para a sala de aula! Vocês têm certeza de que não estão julgando eles errado? – eu disse com cautela.
- Claro que não, e não é só a gente que pensa isso não, ! É a escola inteira! – falou.
- Eles se acham importantes demais para se enturmar! – completou. Chegamos à sala e nos encaminhamos para os fundos.
- Pelo jeito o idiota não veio mesmo! – disse indicando um lugar vazio à minha direita.
- Quem? – eu disse confusa.
- Outro idiota que anda com o . – respondeu.
- Então eles não estudam todos na mesma sala. – concluí.
- Não! Tem o que já se formou. – disse .
- O e o estão no terceiro ano. – disse .
- O e o estão no segundo. – disse.
- E o no primeiro, com a gente. – completou.
- Esse é o tal idiota ? – perguntei.
- É! – elas confirmaram.
- Mas por que vocês o chamam assim?
- Porque é o que ele é! – falou.
- Ele se acha, não fala com ninguém e... – disse.
- É um nerd irritante – completou.
- Se ele é nerd, não é tão idiota assim! Porque eu me considero meio nerd e vocês não me acharam idiota... Ou acharam? – eu disse.
- Não, não achamos! – elas disseram rindo.
- Então quer dizer que o idiota vai ter uma concorrente! – disse.
- Quero só ver a cara dele quando a responder por ele. – disse.
- Vocês não gostam deles mesmo, hein? – eu disse.
- Não é isso, só achamos que eles são idiotas! – disse .
- Ok, ok! – eu disse rindo.
As duas aulas correram muito bem, eu e as meninas demos boas risadas. E toda vez que o professor perguntava algo pra tentar nos expor ao ridículo por não estarmos prestando atenção, eu tinha a resposta na ponta da língua, fazendo com que ele ficasse com cara de idiota.
O sinal tocou e íamos descendo para o refeitório quando escutei alguém me chamando.
- ! ! - me virei e era o . Arrisquei uma olhada para as meninas e elas estavam espantadas.
- Oi, ! - eu disse sorrindo - Acho que você deve conhecê-las, não? - eu mostrei as meninas.
- Ah sim! Como vão... ... ... ? - ele se dirigiu às meninas.
- B-bem. - elas responderam.
- Soube que você conhece o meu primo! - eu disse.
- Seu primo? Quem? - ele disse confuso.
- O . - informei.
- Sério que você é prima dele? - ele disse surpreso - Venham comigo, ele deve estar no campo com os outros caras! - eu ia seguindo-o, aí me dei conta de que as meninas continuavam lá paradas.
- Vocês não vêm? - eu disse.
- Ahn... Não sei não, ! - disse .
- Venham, meninas! - insistiu e elas concordaram.
Chegamos ao campo e lá estavam eles, logo identifiquei que se virou ao ver e quando seu olhar bateu em mim ficou extremamente surpreso.
- ? - ele disse estupefato.
- Eu! - falei sorrindo e ele me abraçou.
- Que saudade de você, prima! - ele disse.
- Também estava! Mas pensei que você fosse lá na casa da tia e do tio para me ver na semana passada! - eu disse.
- Eu ia, mas... Mas... Tive um compromisso urgente... E não deu para ir... Coisas com a gravadora - ele se explicou atrapalhado.
- Tudo bem, eu perdôo você, priminho! - eu disse.
- Caras, essa aqui é a minha prima, ! Acho que você já a conhece, né, ?
- Sim, a conheci no... Avião! - ele disse corando, pois olhou feio para ele.
- , esses são (indicou o menino que vi mais cedo com o ) – ele sorriu – E (indicou um garoto que olhava distraido para o campo).
- Prazer em conhecê-los. – eu disse.
- Bom, logo eu apresento dois que estão faltando. Tem o que...
- Já se formou, eu sei! – completei.
- Sabe? Err... – ele disse surpreso – Então... E tem o que está em Londres (meu coração se apertou ao ouvi-lo mencionar minha tão amada cidade), ele devia ter voltado com o , mas... O que aconteceu, ? – ele disse confuso.
- Os pais dele resolveram ficar mais um tempo lá, e acho... Que vão passar um mês lá. – informou.
- UM MÊS? – disse estupefato – Mas e a banda? E a escola?
- Vocês conhecem os pais dele e sabem como eles são. E, bem... Vocês só vão começar a gravar daqui a dois meses! – disse.
- É, mas a gente tem shows pra fazer! – insistiu indignado.
- Então teremos que arranjar um substituto! – disse .
- Substituto? – disse chocado.
- Sim... É... Até ele voltar temos muitos shows... Não dá pra cancelar, isso seria péssimo pra início de carreira. Tenho certeza que ele não vai se opor. – disse.
- Mas até a gente marcar os testes e encontrar alguém a altura dele! – falou desanimado.
- Acho que isso não é problema. – disse e todos olharam surpresos pra ele.
- Como assim? – perguntou por todos.
- Eu conheço alguém que pode substituir o . – explicou.
- E quem é? A gente conhece? – disse.
- Conheceram agora! - ele disse e entendi de quem ele falava, mas os caras continuavam confusos.
- Quem? - disse.
- Não é óbvio? - disse e sorriu para ela, que ficou super vermelha.
- A . - ele respondeu.
- Não sabia que você tocava, ! - disse surpreso.
- E toca bem pra caramba! - disse.
- Não inventa, ! Nem toco tão bem assim. - eu disse.
- Como ela é modesta! - disse.
- Todos são a favor da substituir o ? - disse.
- Sim. - todos responderam.
- E se eu não quiser? - eu desafiei.
- A gente te força! - disse com cara de psicopata.
- Apoiado! - disse.
- Até você, ? - eu disse estupefata.
- Eu não acredito que você vai negar tocar com eles, ! - disse.
- Pra quem dizia até poucos minutos atrás que eles são idiotas, vocês mudaram de opinião bem rapidinho, hein? - eu disse.
- Por que vocês achavam isso? - perguntou, curioso.
- Hey! Não era só a gente não! - interveio.
- É a escola inteira! - completou.
- Mas por quê? - perguntou.
- Porque vocês sempre andam só no grupinho de vocês... Só ligam pras líderes de torcida e não se enturmam com mais ninguém. - disse.
- A gente não se enturma porque não falam com a gente! - disse indignado.
- E mais, muita gente nos olha de cara feia. - disse.
- Hey! Quem disse que a gente só liga pras líderes de torcida? - falou.
- Não ligam? - disse incrédula.
- Claro que não! Eu gosto bem mais de garotas como vocês! - ele disse e teve um repentino acesso de tosse.
- Eu não disse que vocês os julgavam errado? - eu disse.
- É verdade! E nós pedimos desculpas por isso, né meninas? - disse olhando para o .
- É! - elas se apressaram a confirmar.
- Tudo bem! Aceitamos as desculpas! - disse sorrindo.
- Mas então, vai topar ou não, ? - insistiu sorrindo para mim, quase não resisti.
- Eu topo com duas condições. - eu disse, por fim.
- Quais? - perguntou .
- Primeiro... Vocês vão perguntar a ele se podem substituí-lo... E, segundo... Eu farei um teste, como deve ser. - eu disse.
- Ok... Se você insiste tanto, né! Então... Amanhã tem ensaio na nossa casa! Vocês também estão convidadas, meninas! - disse ao ouvir o sinal tocar e saindo com os meninos.
- ! - chamei.
- Sim?
- Eu não sei onde você mora! - eu disse.
- Não tem problema, ! Eu levo você! - disse.
- Mas você não...
- Você disse que mora com seus tios, não é?
- Sim!
- Então eu sei onde é, pois o morava lá, lembra?
- É mesmo. - lembrei.
- Então está combinado! Amanhã às duas horas eu busco você! - ele disse sorrindo.
- Ok - eu disse e ele me deu um beijo no rosto, ficou vermelhíssimo e olhou feio para ele.
Quando o acompanhou, percebi que discutia com ele.
- Seu primo é bem ciumento, né? - disse.
- Ciumento? - eu disse confusa.
- Vai dizer que você não notou que ele estava morrendo de ciúmes de você com o ? - disse .
- Mas ele é meu primo! Considero ele um irmão! - me apressei a dizer.
- Se ele considerar você uma irmã é normal ele sentir ciúmes, sabe? - disse .
- É... Você tem razão. - falei - Mas por que do ?
- Ah, ! Não pense que somos idiotas! A gente percebeu o clima entre vocês! - disse.
- Que clima? Está bem! Eu acho que estou gostando dele de verdade! - eu disse ao ver o olhar inquisitivo delas.
- E ele de você! - falou.
- Não! Imagina... Capaz! - eu falei.
- E por que não, ? - disse - Você é bonita, é inteligente, simpática, por que ele não gostaria de você?
- Ah...
- Não vem querer se rebaixar não! - disse zangada.
- Vocês acham mesmo que ele está interessado em mim? - perguntei.
- É lógico! - elas disseram impacientes.

[/]

[]


Como coisas boas surgem tão rápido. Fico impressionado. Sempre que penso que minha vida está uma droga acontece alguma coisa que me prova exatamente o contrário. Dessa vez foi melhor do que eu poderia sonhar. Em um simples vôo de volta à Montreal, conheci uma garota maravilhosa. Parece que foi predestinado. Conheci ela quando precisava de alguém e ela também. Talvez num dos piores momentos da vida dela. E que ironia do destino! Ela é prima do . Que coisa incrível. O problema é que parece que ele não está gostando nada e eu realmente gostaria de saber o porquê.
Ela é tão maravilhosa, tem todas as qualidades que eu sempre quis em uma garota. É bonita, inteligente, meiga, simpática, gosta das mesmas coisas que eu, enfim, uma infinidade de qualidades que, se eu for citar, vou passar o resto da vida fazendo isso.
Como ela mesma me pediu, decidi ligar para o , para confirmar se ela pode substituí-lo enquanto ele está fora.

Ligação on

- Alô?
- ? É o !
- Oi, ! Como estão as coisas aí?
- Estão ótimas! E aí?
- Está tudo bem aqui sim! Mal vejo a hora de voltar para contar tudo o que vi aqui!
- Que bom! Bom... Era sobre isso que eu queria falar com você! Quando você volta?
- Não sei, cara! Mas meus pais disseram que talvez no mês que vem, ou pouco antes!
- Ok! Escuta, ... Você sabe que temos alguns shows por aqui, não sabe?
- Sei sim! E não sei o que podemos fazer. Meus pais não querem voltar ainda e não deixaram eu voltar sozinho.
- Bom, nós pensamos em uma solução, mas não sei se você vai concordar!
- Fala! Talvez eu concorde.
- Pensamos em colocar alguém para substituí-lo até você voltar.
- Me substituir?
- É!
- Parece uma boa idéia... - ele disse pensativo - Mas não vai demorar um pouco até acharem?
- Já achamos!
- Já? - ele disse desconcertado - Quando foi que vocês pensaram nisso? - ele disse desconfiado.
- Hoje.
- Hoje? E já encontraram? Quem é?
- É a prima do ... Chama-se . - eu disse com a voz mais empolgada do que esperava, só me restava esperar que ele não notasse.
- É impressão minha ou você está afim dessa garota?
- Por que eu não consigo esconder nada de você? - ele riu.
- Mas então... Ela toca bem?
- Não sei, o garante que sim, mas amanhã ela vai fazer um teste e saberemos.
- Hum...
- Então... Você concorda? Porque ela disse que só vai te substituir se você concordar.
- Muito gentil da parte dela.
- Não é?
- Hm... Concordo sim, né? Fazer o que! Não quero que a banda se prejudique por minha causa!
- Ok, ! Eu sabia que você ia concordar!
- Mas, me fala! Tá rolando alguma coisa entre vocês?
- Ainda não, conheci ela há pouco tempo... - contei a ele a história do avião e quando nos revimos hoje - E foi assim!
- Nossa cara, que sorte a sua né? E você... Está gostando dela?
- Eu acho que sim, nunca senti isso antes.
- É, eu sei, nunca vi você falar assim de ninguém!
- Assim como?
- Nas nuvens. - rimos.
- É!
- E por que você ainda não disse isso a ela?
- Você acha que eu devo?
- Demorou já.
- É, acho que vou seguir seu conselho sim, ! Valeu!
- De nada, cara! E esse foi de graça! - rimos - Você sabe que pode contar comigo pra tudo, não sabe?
- Sei sim.
- Bom, agora preciso desligar... Meu pai já está me dando bronca!
- Ok! Mais uma vez, obrigado! Se cuida, hein!
- Você também! Manda um abraço pro pessoal!
- Pode deixar! Tchau!
- Tchau, !

Ligação off


Desligamos, depois de tomar um banho demorado, deitei em minha cama e fiquei pensando, pensando na e no que o me disse. Concordei que ele tinha razão. Amanhã mesmo vou dizer tudo a ela.
- ? - disse após dar leves batidas na porta - Tá acordado ainda?
- To sim, por quê?
- É que o pediu para você descer, ele chegou agora com umas garotas. - ele respondeu. Meu coração deu um salto. Pulei da cama, troquei de roupa, pois estava de pijama, e desci. Como pensei, era a que estava lá com a , a e a .
- Oi, meninas! - cumprimentei.
- Oi, ! - , e disseram.
- Oi. - secundou. Cumprimentei cada uma delas com um beijo no rosto e quando cheguei na , senti que ela estava nervosa.
- Tudo bem? - perguntei a ela.
- Sim. - ela disse com a voz fraca, não me convenceu.
- Tá tudo bem mesmo, ? - tornei a perguntar.
- Tá sim. - ela diz, sua voz voltando ao tom normal.
- Pensei que você não descia mais, Bela Adormecida! - disse.
- Muito engraçado! - eu disse debochado - Eu falei com o .
- Falou? E o que ele disse? - perguntou ansioso.
- Mandou um abraço pra vocês e concordou que a o substitua - eu disse olhando para ela e sorrindo.
- Mesmo assim, eu insisto em fazer o teste. - ela disse decidida.
- Eu diria que não precisa, mas já que você insiste tanto. - disse abraçando-a - , eu trouxe as meninas aqui pra gente fazer alguma coisa, ou sair ou alugar um filme e pedir pizza!
- Ok. - eu disse.
- Então... O que vamos fazer? - perguntou.
- Quem quer sair? - eu perguntei. , , , e levantaram a mão.
- E quem não quer? - perguntou. , e levantaram a mão - E você, ?
- E-eu?
- Se você conhece outro ! - disse irônico e soltou uma gargalhada histérica, causando risos aos demais.
- Quero sair. - eu respondi quando todos tinham se acalmado.
- Aposto que ele disse isso só porque a disse também. - disse para , senti minhas bochechas esquentarem.
- Então, vamos sair, né? E vamos aonde? - disse me encarando sério, pelo jeito havia escutado o comentário da .
- Eu não sei vocês, mas me deu uma vontade louca de dançar e eu ouvi que tem uma festa de um colega lá da nossa sala. - disse.
- Ah! É mesmo. A festa do Henry. - disse .
- Recebemos o convite hoje. - disse .
- É mesmo, nós também. - disse.
- Ele convidou a escola inteira, pelo jeito. - disse.
- Então... Vamos até lá? - disse ansiosa.
- Por mim, nós vamos. - eu concordei.
- Novidade que ele concorda com a . - disse às meninas, ouviu e ficou vermelhíssima, meu coração deu um salto e minhas mãos começaram a suar. Mais uma vez o me olhou de cara feia.
- Vamos então à essa festa. - ele disse.
Nos acomodamos em dois carros e - de propósito, penso eu - levou no carro dele com , e . Comigo foram , e . Quando chegamos à festa, a casa estava lotada. Entramos todos juntos. O dono da festa cumprimentou a todos, lançando à um olhar que não gostei nem um pouco. Ela e as meninas seguiram para a pista de dança. Eu, assim como os outros quatro, fiquei parado olhando abobado. se juntou a elas, seguido por . Para meu total desagrado, o tal Henry começou a dançar com a . Senti meu sangue ferver.
- Vamos pegar algo para beber? - perguntou.
- Vão vocês! Não estou com sede ainda! - eu disse, sem tirar os olhos deles.
- Pelo visto, tem alguém morrendo de ciúmes da priminha do . - disse.
- Por que você não vai lá, tira aquele cara de lá e dança com ela? - perguntou.
- Boa idéia! Eu vou. - falei quando uma coragem poderosa tomou conta de mim. Eles foram buscar bebidas. Quando ia executar o conselho do , porém, ela saiu correndo da pista. Sem entender, fui atrás dela. Encontrei-a sentada no jardim. Ouvi seus soluços.
- ? - chamei com cautela, ela ergueu a cabeça, seu belo rosto estava lavado de lágrimas. - Que aconteceu?
- O-o acidente. Veio na minha cabeça... Nem sei o porquê. Lembrei da minha vida em Londres, sabe... E-e n-não consegui agüentar! É tudo muito recente para mim. - ela disse, me sentei ao lado dela e abracei.
- Como eu queria que isso tudo não tivesse acontecido! Penso... Em como seria se eu ainda morasse em... Morasse em... L-Londres. - ela disse quando nos desvencilhamos.
- Mas tem um lado bom, !
- Tem? Qual? - ela disse confusa.
- Se tudo isso não tivesse acontecido, nós não teríamos nos conhecido!
- Claro que sim, ! Esqueceu que você é amigo do meu primo? - ela disse sorrindo pela primeira vez.
- Mas talvez eu n... - parei abruptamente de falar.
- Fala, ! O quê? - ela perguntou curiosa.
- Nada não... Esquece.
- Ah, fala, vai! Por favor! - ela insistiu.
- Não sei se devo dizer isso... Não agora.
- Ok. Se você não quer falar, eu não vou forçar. - ela disse um pouco desapontada.
Ficamos em silêncio por um tempo e então ela recomeçou a falar.
- Mas... Pensando bem. Acho que se isso não tivesse acontecido, talvez eu não precisasse tanto de você e também... Não gostasse tanto de você. - ela disse e meu coração quase saltou pela boca.
- Q-que foi que você disse? - eu perguntei, pensando que talvez tivesse ouvido mal.
- O que? Que eu gosto de você? - ela disse confusa.
- É. Isso... É verdade?
- É claro que é. Por que eu mentiria pra você? Hein? - ela disse e começou a se aproximar de mim - E... Você, ? Também gosta de mim? Era isso que você ia dizer? - ela disse olhando em meus olhos, como se estivesse me radiografando.
- É! Eu gosto de você sim, ... E bastante. - eu disse rouco e então ela me beijou. Tive uma sensação maravilhosa de amar e ser amado. Passei meus braços em volta de sua cintura e ela acariciou meus cabelos. O beijo foi longo e maravilhoso, um beijo que eu nunca tinha provado antes.
Ouvimos um pigarro. Nos sobressaltamos e vimos nos encarando, lívido.
- Bonito, hein, dona !
- Também acho. - ela disse e riu, mas ele continuou sério.
- E você, ! Achei que fosse meu amigo!
- E eu pensei que você fosse meu primo e não meu pai! - disse irritada.
- Mas como seu pai não está mais entre nós, eu sou como...
- Como meu irmão, ... Porque quem cuida de mim é o seu pai e não você!
- Como irmão eu também tenho autoridade sobre você!
- E qual é o problema de eu ficar com o ?
- O problema é que ele vai te usar, te enrolar e depois te dispensar!
- Hey! Quem disse que eu vou fazer isso, hein? - eu disse indignado.
- Ah, você pretende assumir um compromisso sério com ela, ? - ele disse cético.
- É claro! - eu disse com sinceridade - Só se ela quiser, é claro! - eu disse olhando para ela.
- E se eu permitir também! - ele completou.
- É... Então, ... Vai deixar eu namorar a sua prima? - eu perguntei, torcendo intimamente para que ele deixasse de ser cabeça dura e deixasse.
- Você quer namorar ele, ? - ele disse esperançoso.
- Quero sim! É lógico que eu quero! Eu gosto dele! - ao ouvir isso meu coração se encheu de alívio e alegria.
- Então, já que não tem outro jeito... Eu deixo, né! - ele disse de má vontade - Mas já vou avisando... Vou ficar de olho, hein!
- Ok, . - disse rindo - Acho que nem um irmão seria tão ciumento quanto você! - ela disse e deu-lhe eu beijo na bochecha.
- Saiba que o aqui, é beem pior! Tem ciúmes até da própria sombra! - ele disse e ela arregalou os olhos.
- Sério?
- Nem sou tão ciumento assim não! - protestei.
- Pensa que o não me falou que você parecia que ia explodir quando viu a dançando com aquele Henry? - ele disse e senti que estava corando.
- Era só o que me faltava. DOIS no meu pé agora! Antes eu não tinha ninguém, mas dois de uma vez só é covardia! Só pode ser castigo! - ela disse rindo.
- Mas se você terminar com o , só vai ter um! - ele disse esperançoso.
- Acho que o amor pode vencer até o ciúmes - ela retrucou.
- Desculpa aí, ! - eu disse satisfeito.
- Hey! Só porque eu dei licença, não quer dizer que não possa retirar...
- Licença? - caçoou - Desde quando você me dá licença para eu fazer alguma coisa?
- Desde o momento em que você se tornou minha irmãzinha!
- Engraçadinho! - ela disse com ar de deboche.
- Vamos entrar, então? - ele disse.
- Pode ir, daqui a pouco a gente vai! - ela disse.
- Não senhora! Não quero que vocês dois fiquem se agarrando aqui fora! - ele disse rabugento.
- Ok. - ela disse baixinho - Nós nos agarramos lá dentro!

[/]

[]

Quando voltamos para a festa, a estava ficando com o tal Henry. Senti uma fisgada incômoda no estômago. Isso era estranho, pois conheço ela há tanto tempo, sempre vi ela com outros garotos e nunca me importei. Agora que estou realmente conhecendo ela, parece que tudo está mudando. É melhor eu desencanar dela agora, porque pelo jeito ela nem quer nada comigo.
- Hey, ! Terra Chamando! - disse , acenando freneticamente em meu rosto.
- Que foi? - perguntei, despertando.
- Eu estava me perguntando se você teria visto a sua prima! - disse .
- Ahn? Minha prima? Como assim? - eu disse confuso.
- Você não viu ela e o quase se engolindo ali? - perguntou perplexo indicando o local que eles estavam. Só então foi que eu vi o que tentava me dizer. Eles, de fato, estavam quase se engolindo. Antes que eu pudesse ir até lá, eles me seguraram.
- Me soltem! - eu disse irritado.
- Nós não vamos deixar você estragar tudo! - disse, zangado.
- Eu... Eles têm... Eles podem se agarrar em um lugar que não seja público! - eu disse, tentando me soltar.
- Deixa eles, ! Não é porque sua noite não deu certo que você precisa estragar a deles! - falou.
- E quem disse que a minha noite deu errado? - eu perguntei surpreso. "Será que é tão visível assim que eu estou me mordendo de ciúmes da ?”
- Pela sua cara de desapontamento e frustração quando viu a com o Henry! - respondeu.
- De onde você tirou essa bobagem? - eu perguntei, tentando mentir.
- De onde eu tirei? Eu vi! - disse, indignado.
- Pois você está imaginando coisas! - eu teimei.
- Diga o que quiser, mas você sabe muito bem que não nos engana! - retrucou.
Voltei à pista de dança e vi uma garota muito bonita conversando com a . Fui até elas.
- E aí, ! - eu disse fingindo animação e tentando não olhar para a .
- Oi, ! Essa aqui é a Karen! - ela apresentou a garota.
- Prazer em conhecê-la, Karen... Eu sou o ! - eu disse sorrindo e dando-lhe um beijo no rosto.
- É um prazer conhecê-lo também, ! - ela disse sorrindo.
- Você não estuda no Saint Lourence, não é? Nunca te vi por lá! - eu disse.
- Não. Estudo do Roosevelt. - ela falou - Conheço a , porque somos vizinhas.
- Ah! E como você acabou convidada então? Pensei que o Henry só tinha convidado o pessoal do colégio... - perguntei, confuso.
- E foi sim. É que eu sou irmã dele. - ela disse. Senti uma raiva incontrolável daquele garoto.
- Gente, eu vou lá pegar uma bebida, vocês querem? - disse.
- Não, obrigado! - eu falei.
- E você, Kah? - ela perguntou.
- Ahn? Eu... Ah... Não quero não, . - ela disse, distraída.
saiu e deixou nós dois sozinhos na pista.
- Então... Você é primo daquela garota, né? - ela indicou , que agora conversava animadamente com o .
- Sim.
- A disse que você estava morrendo de ciúmes dela com seu amigo - ela disse.
- É... É que... Ela é como um... Bem... Uma irmã pra mim - expliquei.
- A garota que está com o meu irmão também? - ela perguntou e senti a estranha sensação do estômago despencar.
- Quê? Você acha que eu estou com ciúmes da ? - falei, fingindo incredulidade.
- Bom, é que... Por um momento pensei que você...
- Gostasse dela? É lógico que não! - eu disse, num tom meio grosseiro demais. "É lógico que sim! Mas eu não iria admitir isso pra ela, certo?".
- Desculpe... - ela disse, constrangida.
- Não precisa se desculpar, não! Eu é que peço desculpas pela minha grosseria.
- Sem problema. - ela disse, ainda sem graça.
- Então... Por que a gente não muda de assunto, hein? - perguntei e ela sorriu.
- Excelente idéia. - disse.
- Você tem namorado, Karen? - perguntei.
- Me chame só de Kah. E, não... Não tenho namorado, - ela disse.
- Nossa! Uma garota linda como você dando sopa por aí? - eu disse incrédulo. Ela enrubesceu.
- E você... Tem namorada?
- Não.
- Um cara lindo como você dando sopa por aí? - ela disse, me imitando, e nós rimos - Você tem um sorriso muito bonito, .
- Obrigado. Você também tem. - eu disse - Mas, então... Eu solteiro, você solteira... O que a gente faz quanto a isso, hein?
- Bom... Aí é com você, né? - ela sorriu. Colei seu corpo ao meu e selei nossos lábios dando início a um beijo que foi muito bom. Depois de uma hora, mais ou menos, nós nos reunimos; a , , , e , que conversavam animados próximo à mesa de bebidas.
- Olha só! O hipócrita chegou! - disse, com ar de deboche.
- Como assim? - Kah disse sem entender.
- É que ele só faltou bater no , porque estávamos nos "agarrando" - ela fez sinal de aspas com os dedos - Onde não tinha ninguém e depois ele aparece se agarrando com você no meio da pista de dança! - explicou e Kah enrubesceu.
- Mas é diferente! - eu interpus.
- Não é não! Se você se acha no direito de se meter na minha vida, eu tenho direito de me meter na sua! - ela disse e confesso que não sabia como contra-argumentar. Foi aí que e apareceram e pelo visto estavam completamente chapados.
- Ainda bem que ela vai dormir na sua casa, ! A mãe dela não ia gostar nadinha de vê-la nesse estado! - disse.
- O quê? A tá chapada de novo? - disse que acabara de aparecer de mãos dadas com Henry, senti a veia da minha garganta pulsar e instintivamente segurei a mão da Karen.
- Ela e o . - confirmou.
- Também! Olha o parceiro que ela foi arrumar! Logo o ! - disse .
- Só espero que o não comece com os shows dele! - disse, olhando-o com receio, mas, por enquanto, ele estava muito quieto sentado em uma cadeira, olhando fixamente para a . Então, de repente, ele agarrou ela e a beijou. Ela não hesitou em corresponder.
- Nossa! - disse , surpresa.
- Por que a surpresa? - perguntou .
- Bom... O era definitivamente de quem ela menos gostava - respondeu.
- Você está sendo sensível demais... Na verdade, ela o odiava. - disse .
- Então quer dizer que ela tinha era amor reprimido. - disse.
- AMOR? - gritou se desvencilhando da e subindo na cadeira - EU AMO VOCÊ, ! - ele gritou e várias pessoas olharam para ele.
- ! Por favor! - gemeu. Para nossa surpresa, também subiu na cadeira.
- EU TAMBÉM AMO VOCÊ, ! - ela gritou.
- EU TE AMO... VOCÊ ME AMA... SOMOS UMA FAMÍLIA FELIZ... COM UM FORTE ABRAÇO E UM BEIJO TE DIREI... MEU CARINHO É PRA VOCÊ! - eles começaram a contar. "Fala sério!".
- God! Vamos embora! To ficando nauseado! - disse.
- Vamos! Estou cansada e amanhã tem aula! - disse.
Me despedi da Karen e com a conhecida sensação, vi a se despedindo do Henry. Na volta, a distribuição dos carros foi diferente, pois queria deixar a em casa.
Então no carro dele foram as meninas que iam dormir na casa dela. E no meu foram os caras. Para separar o da foi o maior sacrifício.
- NÃO... VOCÊS NÃO ENTENDEM? ELA É A MULHER DA MINHA VIDA! - ele gritava.
- Tá bom, , mas agora precisamos ir. Amanhã você vai ver ela de novo! - eu disse.
- Vou mesmo? - ele perguntou aflito.
- É claro. - eu disse - Agora VAMOS!
- TCHAU, MEU AMOR! - ele gritou para a e finalmente entrou no carro.
Quando chegamos em casa, os caras me ajudaram a colocar o na cama e, quando conseguimos, chegou. Exibia um largo sorriso no rosto.
- Não esqueça que estou de olho em você, ! - eu disse, em tom ameaçador.
- Pode deixar, . - ele disse - Boa noite à todos! - ele foi para o quarto.
- É, boa noite! - eu disse, indo para o meu.
- Boa noite. - e disseram.
Quando cheguei ao meu quarto, me joguei na cama e adormeci quase instantaneamente.

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[]


Acordei no dia seguinte com uma baita dor de cabeça. E o pior é que eu mal lembrava o que tinha feito. Só lembro o que aconteceu até o momento em que eu olhava para a e reparava em como ela é bonita. Nós brindamos à e ao (que estavam se agarrando), à minha banda e ao (que só chegava mês que vem). O resto, parece que foi deletado da minha memória. Nem sei como cheguei em casa. Levantei, apanhei um comprimido para a dor de cabeça e depois de um banho demorado, coloquei o uniforme e desci. Quando cheguei à cozinha encontrei e .
- Bom dia, flor do dia! - disse, animado.
- Não grita! - eu disse, ríspido.
- Mas eu não gritei! - ele protestou, perplexo.
- Então fala mais baixo, porque acordei com uma dor de cabeça insuportável. - eu disse.
- Também, depois do porre que você e a tomaram ontem! - disse.
- Eu e a tomamos um porre? - eu perguntei, surpreso.
- Você não lembra?! - exclamou, chocado.
- A única coisa que lembro foi que eu e ela fizemos um brinde a você e a . - eu disse.
- Então disso você sabe. - disse com um quê de irritação na voz.
- O quê? Só vi o e a se agarrando! Então vocês ficaram? - perguntei ao .
- Não... Estamos namorando. - disse.
- Já? - eu disse perplexo - E o que mais eu perdi?
- Bom... O ficou com uma tal de Karen. - informou.
- É. Ela é irmã do dono da festa. - explicou.
- O Henry? - perguntei.
- Sim. E a ficou com ele. - completou.
- Com o Henry? - exclamei surpreso, pois sempre achei que ela tinha uma quedinha pelo .
- Por que a surpresa? - perguntou desconfiado.
- Bom... É que... Eu achava que ela era afim de você. - eu disse e ele pareceu aturdido.
- Sério?
- Bom... É! Mas e eu? Fiz alguém passar vergonha? Eu não tirei a roupa de novo, tirei? - Perguntei, assustado.
- Não. Pode ficar tranqüilo que dessa vez você não envergonhou ninguém! - me tranqüilizou.
- Ele talvez tenha envergonhado a , mas acho que ela gostou. - disse ao .
- Como assim? - perguntei assustado.
- Caramba! Ele não lembra nada mesmo! - disse.
- Fala, caralho! - eu disse aflito.
- Você ficou com a ontem. - disse.
- Sério? - Perguntei, num misto de surpresa e animação.
- Sim, e mais... - disse.
- Mais? - eu exclamei apreensivo.
- Aham! Você não parava de gritar que era apaixonado por ela. - continuou.
- Eu disse isso? - senti minha bochechas esquentarem - Bom... Mas... É... Verdade!
- Sério que você é apaixonado por ela? - perguntou.
- Sim.
- E você não nos contou, seu babaca! - disse.
- Sei lá... - eu disse com sinceridade.
- Você é um cara de sorte, , porque ela também gosta de você. - disse.
- Como vocês sabem? - perguntei surpreso.
- Bom, ela gritou que te amava e depois vocês cantaram a musiquinha do Barney! - disse.
- O QUÊ? - eu gritei e senti uma pontada de dor na cabeça - Ai!
- Isso mesmo que você ouviu. - disse.
- Mas de que importa como ela disse isso, ? Pelo menos ela também gosta de você. - disse.
- É, tem razão. - abri um largo sorriso - Manhã linda, não é mesmo? - Sorri, servindo de uma torrada e voltando para meu quarto, deu tempo de ouvir dizendo perplexo:
- Mas, cara, tá nublado!

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[]


Que festa maravilhosa foi aquela! O era tudo o que eu queria em alguém. Quando fiquei com ele ontem eu queria que o tempo parasse para ficarmos sempre assim, juntinhos. Ele é um cara maravilhoso e demonstrava gostar de mim de verdade. Confesso que também estou gostando muito dele. Enfim...
Quando acordei, encontrei deitada em um colchão próximo, estava com os olhos inchados, vermelhos e arregalados.
- Que foi, ? - perguntei assustada.
- Me diz que eu não fiz besteira! - ela disse, rouca.
- Como assim? - perguntei confusa.
- Não consigo lembrar o que fiz ontem! - ela explicou.
- Bom... Nada de mais! Você só ficou com o . - eu disse, atônita.
- Eu O QUÊ? - ela disse sentando e me olhando assustada, em seguida levou a mão aos lábios e sorriu - Sério?
- Sim. Ele ainda gritou pra todo mundo ouvir que é apaixonado por você. - eu disse.
- Não acredito! Como eu posso não lembrar disso? - ela disse meio desapontada - Nem lembro se ele beija bem!
- Mas se ele gosta de você, acho que você terá outras oportunidades, né? - eu disse.
- É! Você tem razão, amiga! - ela disse sorridente, retribuí o sorriso - Mas me conta! E você e o ?
- O que tem a gente? - Perguntei, disfarçando.
- Não se faça de desentendida, eu lembro muito bem de ter visto vocês dois! - ela disse sorrindo.
- Tá! Ok. Nós... Estamos namorando! - eu disse, contente.
- Eu ouvi direito ou você disse que está namorando o ? - disse, acordando.
- Quem está namorando o ? - perguntou, assustada.
- A está namorando o , - falou.
- Sério? - perguntou surpresa e contente - Quer dizer, eu vi vocês dois juntos ontem, mas pensei que estavam só ficando. - ela disse.
- Estamos namorando. - repeti - Ele pediu permissão para o ontem! - contei.
- Como assim, pediu permissão? - perguntou .
- É que o pegou a gente se beijando lá fora e fez uma cena de ciúmes porque "eu sou como uma irmã dele e ele tem autoridade sobre mim". - eu imitei ele e elas riram - Então o disse que o ia me usar e depois descartar, o protestou e disse que não, então pediu para o se podia me namorar. - contei.
- Nossa! O é ciumento pra caramba! - disse .
- Se ele é assim com você que é prima dele, imagina a coitada que namorar ele! - disse e olhou para a , que desviou o olhar.
- Você viu ele com a Karen ontem? - eu perguntei.
- Qual Karen? A irmã do Henry? - perguntou.
- A própria! - respondi.
- Ela ficou com... O ? - ela perguntou, surpresa.
- Ficou. - disse.
- E a ficou com o Henry! - falei.
- Espera aí! Conta isso direito... ! - falou.
- Bom, depois que a saiu da pista, o foi atrás dela quando viu o a seguindo. Então o Henry veio dançar comigo... E pediu pra ficar comigo, então eu fiquei. - ela contou.
- E você, ? - se virou para ela.
- Que tem eu? - ela perguntou confusa.
- Ficou com quem? O ou o ? Ou outro? - ela disse.
- Não fiquei com ninguém não! – disse.
- Não? – perguntou, desapontada e surpresa ao mesmo tempo.
- Não. – repetiu, suspirando.
- Mas por quê? – perguntou curiosa.
- Bem... Alguém tinha que estar com os pés no chão, não acham? – disse sensatamente.
- E quem disse que não estávamos com os pés no chão? – eu e perguntamos, indignadas.
- Ah, nem vem! Você, , só tinha olhos para o ... E você, , não parava de olhar para o com a Kah. – disse.
- Eu não esta... – ia dizendo.
- Ah! Corta essa, ! Sabemos muito bem que você é apaixonada pelo . – eu disse.
- E se for? Isso não muda nada! – ela disse desanimada.
- Claro que muda, ! Você tem que lutar por ele e eu posso te ajudar nisso. – eu disse.
- Como? – ela perguntou, confusa.
- Esqueceu que eu sou prima dele, ? – falei.
- É mesmo! – ela sorriu – Mas devo ter colocado tudo a perder quando fiquei com o Henry. – seu sorriso desapareceu.
- Você só está falando isso porque não viu a cara dele quando viu você com o Henry. – disse.
- Como assim? – ela perguntou, ansiosa.
- Ele ficou vermelhíssimo e parecia tentar evitar olhar para vocês. – eu disse.
- Aí ele veio dançar comigo e a Kah e... Bem... Ela estava afim dele. Eu disse que achava que você gostava dele, mas quando ela viu você com o irmão dela, achou que não e... O resto você sabe. – disse.
- É! Eu sei. – disse.
- Mas eu não entendo... – disse.
- Não entende o quê? – perguntou.
- Por que você ficou com o Henry se gosta do ? – perguntou.
- É uma ótima pergunta. – falei.
- Foi mais uma tentativa inútil de esquecê-lo. – ela explicou.
- Olha, , prometo que vou te ajudar, tá? – eu repeti.
- Obrigada, , muito obrigada mesmo. – ela disse sorrindo.
- Acho que a gente devia se arrumar ou vamos nos atrasar para a aula. – disse e concordamos.
Quando todas estávamos prontas, descemos para tomar café e meus tios estavam na cozinha.
- Bom dia, tio Réal! Bom dia, tia Louise! – cumprimentei-os com um beijo no rosto de cada.
- Bom dia, querida! – Louise disse.
- Essas são minhas amigas, , e . – apresentei-as.
- Prazer em conhecê-las, meninas! Sintam-se em casa! – Réal sorriu.
- Obrigada! – elas disseram juntas.
- Eu vi o ontem! – contei a eles.
- É mesmo? – Louise disse surpresa.
- Sim. Encontrei ele lá na escola, aliás, por que não me disseram que ele também estudava lá? – indaguei.
- Bem... É que... Na verdade... Não sabíamos que ele estudava lá. – Louise respondeu constrangida.
- Como assim? – perguntei, surpresa e confusa.
- É que tivemos uma briga terrível com o por causa da banda dele e é por isso que ele não mora mais aqui. – Réal explicou.
- Então foi por isso que ele não apareceu! – eu concluí.
- É! – Louise confirmou, sorrindo fraco.
- Vocês vão se reconciliar, aposto. – eu disse, tentando confortá-los.
- Espero! – Réal disse – Bom, agora preciso ir! Louise, você vem comigo, querida?
- Vou sim. Só preciso pegar minha bolsa. – ela disse e logo eles saíram, após se despedirem.
- Nossa! Estou de queixo caído até agora. – disse .
- E eu então? – eu disse – Nunca que eu ia imaginar que eles estivessem brigados desse jeito, sempre foram tão unidos! – com uma pontada forte de pesar, senti meus olhos ficarem marejados.
- Que foi, ? – perguntou, preocupada.
- É que... Sinto falta da minha família. Me sinto tão só sem eles! – eu disse.
- Não fala assim, ! – disse.
- Agora nós somos sua família. – disse.
- Muito obrigada, meninas! – eu disse, enxugando as lágrimas – Vamos?
- Vamos. – concordou e fomos à escola.
Chegando lá ainda era cedo. Sentamos embaixo de uma grande árvore onde batia um vento suave e ficamos conversando. De repente duas mãos taparam meus olhos... Pela textura delas tinha um palpite de quem era e quando senti o cheiro dele não restava mais dúvidas.
- ? – chamei.
- Acertou. – ele sussurrou em meu ouvido e me deu um selinho – Tudo bem? Que cara é essa? Vai me dizer que andou chorando outra vez? – ele perguntou, parecia que estava ouvindo os meus pensamentos.
- S-só um pouquinho. – eu disse, ele me encarou com aqueles lindos olhos e sorriu compreensivo.
- Eu sei que está sendo difícil pra você, meu anjo! Mas saiba que sempre vou estar aqui pra você, ok? – ele disse.
- Ok. – eu sorri e nos beijamos, esquecendo de tudo, inclusive das meninas ao nosso lado.
Ouvimos alguém pigarrear irritado e então nos separamos e pela segunda vez demos de cara com o
– Vocês não têm vergonha? – ele perguntou, irritado.
- Para falar a verdade, não temos não! – eu o desafiei.
- Olha...
- O quê, ? Acho melhor você parar de se meter ma minha vida e cuidar melhor da sua, ok? Aliás, eu preciso mesmo ter uma conversinha a sós com você. – eu disse, séria.
- Ok, então! – ele disse ríspido. Dei um selinho no , murmurei um “Vejo vocês na aula” e segui com ele pelos campos de futebol.

~x~

- Bom... Então... O que você quer falar? – ele parou e me encarou.
- Soube que você brigou com os seus pais. – eu disse.
- E daí? – ele perguntou, ríspido.
- Acho que você devia me tratar melhor, ! Essa sua atitude não vai fazer com que eu não namore o !
- Você não enten...
- O quê eu não entendo, ? – o interrompi – Eu gosto dele e ele gosta de mim! Não sei o que você vê de errado nisso!
- O problema é que não acho que ele seja o cara certo para você!
- Como assim?
- Olha... O é um cara maravilhoso, mas, como eu te disse ontem, é ciumento e obsessivo. E sabe por quê? Porque ele se apega demais, entende? E eu tenho certeza que mais cedo ou mais tarde você vai descobrir que ele não é o seu tipo!
- Pois para mim isso não passa de um ciúme ridículo! Mas não chamei você pra discutir o meu namoro e sim pra falar sobre você e seus pais!
- E o que tem isso? Nós brigamos, sim! E você tem que entender, ! Eles queriam que eu deixasse a banda, me proibiram de ir a casa do pra ensaiar e eu não tive opção! É meu maior sonho! – ele disse, suplicando.
- Até esse ponto eu entendo, , mas eles estão realmente arrependidos e acho que não tem mais por que vocês ficarem sem se falar! A essa altura eles já aceitaram a banda!
- E como você pode ter tanta certeza disso?
- Você devia ter visto a cara de orgulho deles quando me contaram que você tem uma banda!
- Sério? – ele perguntou, surpreso.
- Com certeza. Foi a primeira coisa que me falaram sobre você quando cheguei. – sorri e ele retribuiu.
- Tudo bem. Vou pensar no assunto, ok? – ele disse e começou a andar, achando que tínhamos terminado a conversa.
- Espera! Tem mais uma coisa! – eu disse.
- O quê? – ele perguntou, intrigado.
- . – falei.
- Que tem ela?
- Ah, ! Pra cima de mim não! Eu vi muito bem que você estava morrendo de ciúmes dela com o Henry!
- Não sei do que você está falando.
- Sabe sim, ! – eu disse, séria.
- Ok, ok! Eu estava com ciúmes dela sim! Agora corre lá para contar para ela, vai!
- Quem disse que eu vou fazer isso, hein? Que tipo de pessoa você acha que eu sou? – eu perguntei, indignada.
- Desculpe, eu não tive intenção.
- A questão é a seguinte: você gosta dela, ?
- Eu...
- !
- Tá bom! Eu gosto dela sim, satisfeita?
- Com certeza. – sorri – Isso facilita as coisas para mim!
- Que quer dizer? – ele perguntou, parecendo confuso.
- Você não notou?
- Notei o quê?
- Que ela gosta de você, seu lesado!
- Sério? – ele sorriu.
- Não, ! To brincando! – eu disse irônica – É lógico que eu estou falando sério, besta. – sorrimos.
- Você é um anjo, sabia? – ele disse e me deu um beijo no rosto.
- To mais pra cupido, isso sim! Mas não acho que você seja o cara certo para ela! – eu disse, sarcástica. Rimos.
- Prometo que vou tentar não me meter mais no seu namoro, tá? – ele disse.
- Melhor assim. – sorri e voltamos bem na hora que o sinal tocou. Nos despedimos e fui para a sala de aula.
- Você demorou, hein! – disse.
- Tinha dois assuntos muito sérios com ele! Mas tenho boas notícias, ! – eu disse a ela, que tinha virado pra escutar.
- Como assim? – ela ergueu as sobrancelhas – Não vai me dizer que você falou sobre...
- Exatamente! – confirmei e ela arregalou os olhos.
- Não acredito que você fez isso! O que ele vai pensar de mim? – ela perguntou, indignada.
- Mas eu não disse pra ele que você gostava dele! – protestei.
- Não? – e perguntaram.
- Não! Primeiro perguntei se ELE gostava de você!
- E? – perguntou, ansiosa.
- Ele disse que sim! – eu respondi contente e ela abriu um largo sorriso – Então eu contei que você gostava dele.
- E o que ele disse? – ela perguntou apreensiva.
- Que eu sou um anjo! – respondi e elas riram – Bom, isso significa uma coisa.
- O quê? – ela disse confusa.
- Você vai ter que se livrar do Henry! – respondi.
- É mesmo! – ela disse meio desanimada – Mas não deve ser muito difícil.
Pelo visto ela estava completamente enganada. O Henry ficou a manhã inteira junto com ela e todas as vezes que ela tentava terminar com ele, ele desviava o assunto ou a agarrava. E assim foi até o fim da aula. foi comigo para casa, pois ia ao ensaio da banda. fez questão de convidá-la pessoalmente, embora já tivesse me dito para levá-las. e iriam depois.
Como foi combinado, às duas horas o passou pra nos levar a casa dos garotos. Chegamos lá e eles já estavam se arrumando na garagem.
- Oi, pessoal! – eu disse.
- Oi, – eles disseram em resposta.
saiu correndo para o local onde o estava, ele sorriu e disse:
- Oi, minha linda! – largou o baixo que estava afinando e a agarrou.
Ficamos olhando uns para a cara dos outros, completamente constrangidos e então e chegaram e, para o desapontamento do , Henry vinha com ela.
- Não acredito que ela ainda não se livrou dele! – eu disse para a .
- Pois é, nem eu! Quando ele soube que ela vinha para cá comigo, praticamente me obrigou a trazê-lo. Grudou nela como se fosse chiclete! – disse em resposta.
- Pois eu to começando a desconfiar desse cara. – eu disse.
- Como assim, ? Por quê? – ela perguntou, curiosa.
- Sei lá, acho estranho que ele só gruda nela quando o está por perto! – falei.
- Você acha que ele tem ciúme do ? – perguntou.
- Ciúmes eu não diria, sabe? Mas talvez... Não, claro que não! – eu disse.
- O quê? – ela perguntou, curiosa.
- Nada não. Pensei besteira. – falei.
- Ah, não! Agora fala, ! – insistiu.
- Promete que não vai comentar com ninguém? Até porque é só uma suspeita!
- Prometo, claro! – ela se prontificou.
- Nem pra ?
- Nem pra .
- Acho... Que o Henry só está com a porque o gosta dela!
- Como assim? Não entendi... – ela disse, confusa.
- Acho que ele está usando ela pra afetar o , sabe! Lembrei que vocês disseram que o resto da escola os odeia. – eu disse.
- Sabe que pensando no que você disse... Faz sentido? – disse.
- Não faz? É muito estranho, porque antes de ele ficar com a , ele tentou ficar comigo! – contei.

(Flashback on)

Estava dançando animada com o pessoal quando o dono da festa, o tal Henry, se aproximou e começou a dançar comigo.
- Você é o Henry, não é? – falei.
- Sim. Estudo com você. – ele disse – E você é a , certo?
- Sou.
- Então, , você é muito linda, sabia? – ele disse, se aproximando.
- Obrigada, Henry.
- Então... Você tem namorado?
- Não.
- Não? – sorriu – Então, será que você não...
- Não tenho namorado, mas gosto de outra pessoa. – eu cortei.
- É? Ahn... Você veio de Londres, né? – ele disse, desconcertado.
- É. – eu disse e senti uma vontade louca de chorar. Sem dizer mais nada, saí correndo.

(Flashback off)


- Sério? – perguntou, surpresa.
- Sim.
- E por que você não ficou com ele? – ela perguntou.
- Porque eu gosto do . – ela sorriu.
- É. Tem razão, antes o do que esse Henry aí! – ela disse.
- Agora que todos chegaram, podemos começar? – perguntou e todos concordaram.
- Espera aí! – eu disse.
- O que foi, ? – perguntou.
- Eu não falei que ia fazer um teste primeiro? – perguntei, arqueando as sobrancelhas.
- É mesmo! – lembrou.
- Então toca alguma coisa para a gente! – disse .
- Tá! – eu disse nervosa e tirei minha guitarra da capa.
- Nossa! Que guitarra linda, ! – disse.
Sempre amei muito essa guitarra, era vermelha e branca.
- Que música vai tocar? – perguntou – Eu posso te acompanhar na bateria!
- Hmm... Vou tocar minha música preferida, que é Wake Me Up When September Ends, do Green Day.
- Sério que essa é sua música favorita? – perguntou, surpreso.
- Sim, por quê? – perguntei intrigada.
- É a música preferida do . – respondeu.
- Sério? Pelo jeito temos o mesmo gosto, né? Londres, guitarra, Green Day... – falei.
- Só falta ela falar do ! – disse.
- Hey! Tá me estranhando? – protestou.
- A não ia tocar? – lembrou .
- Ia não... Vou – eu disse.
Todos silenciaram e comecei a tocar, me acompanhou na bateria e arrisquei cantar também.

Summer has come and passed
The innocent can never last
Wake me up when september ends...


Quando terminei, olhei ansiosa para eles.
- Ai, gente! Falem alguma coisa! – eu disse, agoniada.
- Você foi... Você foi... Err... – começou.
- Incrível! – completou sorrindo para ele, Henry amarrou a cara.
- Sério? – eu perguntei, aliviada.
- Com certeza, ! Você toca muito! – disse.
- E tem uma voz linda! – disse, sorrindo – Estou orgulhoso da minha namorada! – ele me abraçou e me deu um selinho. Instintivamente olhei para o , que, surpreendentemente, sorria para nós.
- Então, agora todos são a favor da substituir o ? – perguntou e todos, inclusive as meninas, que não tinham nada a ver com a banda, concordaram – Ok, então! Vamos ensaiar!
Eles me passaram algumas músicas deles e eram realmente boas. E, particularmente, adorei When I’m With You e I’m just a kid. O ensaio acabou lá pelas oito horas da noite, resolvemos pedir uma pizza e ficamos jogando conversa fora até as dez. Então finalmente nos obrigamos a cada um ir para sua respectiva casa.
Uma semana se passou, estávamos reunidos na casa da e decidimos dar uma volta no shopping.
Chegando lá, fomos dar uma olhada no cinema e escolhemos assistir Premonição 2. Estava tudo bem até determinado momento. Logo no começo do filme, passou a cena de um acidente de carro, aquilo não me fez nada bem. Na mesma hora, imaginei o sofrimento que a minha família passou. Os momentos de terror antes de sua morte e me bateu um desespero incontrolável. Minhas mãos tremiam. me olhou preocupado e eu o abracei e chorei desesperadamente, chorei de soluçar.
- Calma! – ele disse, acariciando meus cabelos – Quer sair daqui?
- Q-quero. – eu disse e nós saímos. Fomos até a praça de alimentação e sentamos.
- Foi a cena do acidente, né? – ele perguntou e, incapaz de falar, fiz que sim com a cabeça. Ele me abraçou forte e senti que em seus braços eu estava segura e todo o desespero foi se dissipando aos poucos.
- Dói tanto te ver desse jeito, meu anjo! – ele disse.
- Obrigada por me dar tanta força, ! Não sei o que seria de mim se não fosse você! – eu disse, ele enxugou as lágrimas do meu rosto e sorriu.
- Eu nunca vou te deixar desamparada, ! Eu gosto muito de você! – ele disse e suas palavras finalmente apagaram todo o sofrimento. Então nos beijamos e senti que com mais intensidade que nunca. Ficamos aproveitando o tempo que tínhamos juntinhos até o filme acabar e o resto da galera aparecer.
- Que foi que aconteceu, ? – perguntou, preocupado.
- Digamos que aquele filme não me trouxe boas recordações. – eu respondi, dando de ombros.
- Como assim? – ele perguntou, confuso.
- Bom, se você não reparou, o filme começa com um acidente envolvendo carros e caminhões! Isso não te lembra nada? – eu indaguei.
- Ah! Me desculpe! Me esqueci que isso te afeta, – ele disse.
- Não faz mal – sorri.
- Claro que não, né? Pelo jeito eles aproveitaram bem o tempo. – disse, sorrindo malicioso.
- Pelo menos eles tiveram a decência de sair da sala de cinema e não ficaram atrapalhando a visão das outras pessoas! – disse e ficou escarlate.
- Quê? Resolveu implicar comigo agora? – exclamou, indignado – Não é porque você não está com a pessoa que gosta que tenha o direito de se meter no relacionamento dos outros! – corou.
- Vou... Ao banheiro! – ele saiu.
- Você não devia ter dito isso! – eu disse ríspida para ele.
- Eu só falei a verdade, . Primeiro ele implica no seu namoro com o e agora implica no meu namoro com a ! – ele disse.
- Hey! Mas a gente não está namorando! – falou – Pelo menos você não me pediu em namoro!
- Não seja por isso! – ele se ajoelhou e pegou a mão dela – , você quer namorar comigo?
- Nossa! E-eu quero sim, é claro! – ela respondeu surpresa. Ele se levantou e a beijou.
- , cadê o Henry? – perguntei, percebendo que ele não estava mais ali.
- Atendendo ao telefone. – ela respondeu, desanimada.
- Escuta, por que você ainda não deu um ponto final nessa história, hein? Não é porque vocês ficaram na festa dele que têm que continuar juntos! – eu disse, levando-a para um pouco mais longe da galera.
- Eu sei, , mas toda vez que eu tento falar com ele, ele desvia o assunto! – ela disse.
- Se você quiser, eu fico junto com você e se ele tentar desviar o assunto, dou um murro na cara dele! – eu disse, fazendo-a rir.
- Com uma amiga como você pra me ajudar, eu nunca terei inimigas. – ela disse sorrindo – Quero que você me ajude sim!
- Ok, então! Porque chegou a hora, lá vem ele! – eu o indiquei com a cabeça e logo atrás dele vinha . Henry se juntou a nós e pelas costas dele pisquei para o e ele pareceu compreender, pois retribuiu e começou a conversar animadamente com o , dando uma olhada ansiosa em nossa direção de vez em quando.
- Henry... Eu... Eu preciso falar com você! – disse.
- Ah! Tem que ser agora? – ele perguntou, impaciente.
- Tem sim. – eu respondi ríspida e ele me olhou assustado.
- Que foi, ? Que eu te fiz? – ele disse. Aí não me agüentei.
- Não pense que eu não saquei qual é a sua, Henry! Você só está com a porque sabe que o gosta dela! – explodi.
- O quê? – perguntou, confusa.
- Isso mesmo! Antes de ficar com você ele deu em cima de mim, ! Mas quando viu que eu não dava bola pra ele, ficou com você. Você nunca percebeu que ele só gruda em você quando o está por perto? – eu perguntei.
- Que absurdo! – Henry bufou – Você não acreditar nisso, né, minha flor?
- Você está chamando minha amiga de mentirosa? – perguntou, inflamada.
- Tá na cara que ela está com ciúmes, princesa! – Henry disse.
- E por que eu teria ciúmes, Henry? Eu estou com o ! Eu gosto do ! – eu disse zangada e virei para a – Lembra do que você me disse, ? Que a escola inteira odeia os caras?
- Claro que lembro! – disse.
- Então... Esse panaca tá te usando pra atingir o ! – eu disse.
- Que história mais ridícula! – Henry disse.
- Ridículo é você, Henry! Acabou! – disse, enfurecida.
- Não, , espere...
- VOCÊ É SURDO OU RETARDADO? EU NÃO TE QUERO MAIS, BABACA! – ela gritou e vi dar um sorriso de triunfo.
- Você vai pagar caro por isso, ! – Henry ameaçou.
- Nossa! To morrendo de medo de você! – eu disse, sarcástica.
- Pois se eu fosse você, teria. Posso acabar com a sua vida se quiser! – ele disse.
- E eu posso quebrar a sua cara inteirinha, é só continuar me ameaçando! – eu disse.
- Você acha que eu tenho medo de você? – ele disse, me enfrentando. Não agüentei, fechei a mão e soquei a cara dele com força, acertando o seu nariz que imediatamente começou a sangrar.
- Pois devia ter, seu verme! – eu gritei.
- O que está acontecendo aqui? – perguntou assustado, olhando de mim, que tinha erguido a mão novamente pronta a dar outro soco na cara dele, passando pela , que estava em choque, e parando em Henry, que segurava o nariz que sangrava.
- Sua... Sua... Vaga... – Henry tentava falar.
- Meça bem suas palavras antes de falar da minha namorada! – disse, anormalmente furioso.
- Se manda daqui, imbecil! – disse .
- Vocês vão ver! Vai ter volta! – Henry disse e saiu.
- Nossa, ! Não sabia que você socava tão bem! – disse , admirado.
- Só quando estou com muita raiva! – falei.
- Mas por quê? – perguntou, confuso. Rapidamente contei a história toda pra eles. Todos se mostraram indignados, nada disse e continuava com cara de choque.
- Você está bem, ? – perguntou e ela despertou.
- Ahn... Estou bem sim, , obrigada. – disse – Só estou chocada com as informações.
- Qualquer um estaria! – disse.
- Obrigada, , muito obrigada mesmo, amiga! Finalmente consegui me livrar daquele chiclete! – disse pra mim e me abraçou.
- Pois eu acho que não vamos nos livrar dele tão cedo. – disse.
- Se ele tentar qualquer coisa contra a gente eu acabo com ele – disse .
- E eu te ajudo! – disse.
Uma coisa qualquer um podia notar. Apesar de toda a confusão, e estavam visivelmente felizes.

--x--

Mas se vocês acharam que eles ficaram juntos depois de ela ter terminado com o Henry, se enganaram redondamente. Duas semanas se passaram e nenhum dos dois tomou iniciativa. Ontem fizemos nosso primeiro show juntos e tudo não poderia ter corrido melhor. O público realmente me aprovou, e meu entrosamento com os caras no palco era impressionante. Eu estava muito feliz com tudo, mas também estava furiosa com os dois. Se eles se gostam e sabem disso, pra quê ficar enrolando? Pra quê fingir que não sentem nada um pelo outro?
Comigo e o tinha sido assim e nós estamos indo muito bem juntos. Cada dia que eu passo com ele, gosto mais de estar com ele. Quanto mais o conheço, mais me apaixono por ele. Ao contrário do que disse, ele não era ciumento obsessivo, ou por querer contrariá-lo ou por realmente não ser. Outra coisa que nos pegou de surpresa: A estava com o . O estranho é que sempre achei que ela gostasse do . Ele, por sua vez (e notei que só eu via isso), se esforçava ao máximo para não mostrar que estava sofrendo com isso. Um dia desses eu até tentei tirar alguma coisa dele, mas ele se recusou terminantemente a contar.
Mas enfim, quanto a e o , tomei uma decisão. Vou dar uma de cupido outra vez e dar um jeito de juntá-los. Hoje teríamos mais um ensaio. Às duas horas cheguei com as meninas, como de costume. O ensaio correu super bem como sempre, cada dia rendia mais. Agora eu já estava bem familiarizada com as músicas e todos pareciam contentes com o meu trabalho. Quando o ensaio acabou enfim pude executar o meu plano. Os garotos foram lá para dentro, e como sempre, ficou arrumando a garagem. Eu, as meninas e o fomos lá para fora. De propósito deixei a bolsa da na garagem.
- Caramba, ! – eu exclamei, fingindo que lembrava de algo.
- Que foi? – ela perguntou assustada.
- Esqueci sua bolsa lá dentro – falei. – Mas eu pego!
- Não não, deixa que eu pego, ! – ela disse e voltou.

[/]

[]


- Não não, deixa que eu pego! – eu disse e voltei à garagem. Pensei que ia encontrá-la vazia, mas para minha surpresa e inquietação, o estava lá.
- Ah! Não sabia que você ainda estava aqui! – eu disse constrangida. – Esqueci... Quer dizer... A esqueceu minha... Minha b-bolsa!
- Ah... Ok! Fica à vontade para procurar! – ele disse e sorriu.
- Achei! – eu disse ao encontrá-la no sofá. – Então... Err... Tchau, ! – eu disse e nem sei porque, dei um beijo no rosto dele e me dirigi à porta.
- Espera – ele disse subitamente, me assustei e virei. Ele veio em minha direção, me encarando sério – Eu... Preciso... Dizer uma coisa... Mas... Acho que v-você já sabe! – ele corou.
- Fala! – insisti, meu coração começou a bater absurdamente rápido, parecia que eu estava vendo a hora que ia enfartar.
- Eu... Eu... S-sou completamente apaixonado por você, ! – ele disse, me fitando demoradamente com aqueles olhos castanhos que eu tanto sabia apreciar e que tanto gostava.
- Mesmo? – eu disse, mesmo já sabendo. Eu não conseguia acreditar, parecia um sonho.
- Mesmo – ele confirmou e selou seus lábios nos meus, pedindo passagem com sua língua, ao que concedi sem hesitação. Aquele beijo foi o melhor, o mais perfeito beijo de toda a minha vida. Foi longo, calmo, doce e apaixonado. Nele eu podia sentir que realmente gostava de mim. Isso inundou meu coração de alegria. Ao término abri meus olhos e novamente encontrei os dele me encarando.
- Também sou apaixonada por você, ! – eu disse, sorrindo. Ele acariciou meu rosto e disse:
- Você é tão linda! – sorriu e me beijou novamente. Ficamos um bom tempo ali, até eu me dar conta de que as meninas estavam me esperando lá fora. Me despedi dele e saí. Encontrei elas lá fora sentadas.
- Nossa! Como você demorou pra encontrar essa bolsa, hein? – disse desconfiada.
- Desculpa a demora, meninas! – eu disse, constrangida.
- Pelo jeito o meu plano deu certo! – disse, sorrindo.
- Plano? – eu disse, confusa.
- É que dá pra ver na sua cara que você ficou com o – ela disse.
- Err... Fiquei sim. – As meninas deram gritinhos de alegria. – Mas o quê isso tem a ver com plano? – eu disse, ainda sem entender o que ela queria dizer.
- Tem tudo a ver! – ela respondeu.
- Como assim?
- Meu plano era fazer você voltar para pegar a bolsa e ficar sozinha com o , porque ele tem bem mais coragem de chegar numa garota que gosta se estiver sozinho com ela – ela contou.
- Isso é verdade – concordou.
- Então isso foi de propósito? – eu disse.
- Foi, mas... – ela ia dizendo, pensando que eu tinha ficado zangada.
- Genial, ! Nem sei como te agradecer! – eu disse e a abracei.
- Vote em mim pra cupido do mês! – ela disse e nós rimos.
- Vamos então? – disse.
- Vamos! – eu disse. se despediu do e então fomos para a casa dela.

[/]

[Narrador]


(N/a: Coloquem essa música para carregar e quando a letra começar apertem play!).

Um mês se passou. e continuavam mais firmes do que nunca. Assim como e e e . e terminaram há uma semana, mas pareciam super bem. Hoje era o último show que faria com os garotos, pois chegaria amanhã. finalmente se reconciliou com os pais, mas continuou morando com os caras.
Estavam no camarim: , , , e . O restante da galera estava na platéia aguardando ansiosos, como sempre ocorria.
- Então meninos! Última apresentação com vocês! – disse. – Espero ter substituído bem o amigo de vocês!
- Com certeza, ! Você foi incrível! – disse.
- Nunca vamos esquecer a força que você nos deu! – disse . Ela sorriu.
- , preciso falar com você sobre essa última apresentação! – disse.
- Fala, Pete! – disse.
- Estava pensando que talvez você pudesse cantar uma música no final – ele disse.
- Cantar? – ela disse surpresa.
- Caramba, ! Essa é uma ótima idéia! – disse.
- A melhor, eu diria – disse .
- Ai gente, não sei não – ela disse, insegura. – A gente nunca ensaiou comigo no vocal.
- Isso é o de menos, ! – disse . – Canta, vai! – ele fez biquinho.
- Não sei se vou conseguir! – ela disse.
- E por que não? Você sempre fez o backing junto com o ! – argumentou.
- Mas e qual música, gente? Não preparamos nenhuma música – ela disse.
- Você escolhe – disse.
- Olha meninos, seria uma boa idéia se a gente tivesse se preparado – ela disse.
- Pensei que você queria marcar a sua passagem pela banda! – disse , eles a olharam com cara de gatinho do Shrek. – Pelo !
- Ta bom, ta bom... Eu canto – ela disse, não resistindo a eles.
- Aeh!!! – gritou tão histérico que parecia uma mulher. o olhou com receio.
- Cada dia você se revela mais gay – ele disse sério e todos riram.
- Não teve graça não – fez beicinho.
- Aiin tadinho dele! – disse, irônica.
- Vocês vão ver só, eu vou contar tudo pra minha namorada! – ele disse.
- Não faz isso não, , vai decepcionar a coitada! – disse .
- Cala a boca – ele disse, ríspido.
- Então, . Que música você vai cantar? – ela sorriu.

- Boa noite, galeraa! – gritou quando eles subiram no palco.
- Boa noite!! – ecoou da platéia.
- Prontos pra se divertir hoje? – disse .
- Yeah!
- Então, vamos lá! – disse e eles começaram tocando Addicted.
cantou sua última música: Perfect, depois que a gritaria da platéia diminuiu um pouco ele se pronunciou.
- Bom gente, como algumas pessoas devem saber... Esse é o último show da como nossa guitarrista. Ela estava substituindo o , que está em Londres. Bom... Ele volta amanhã. Então esse foi o show de despedida da !
- ! ! – gritaram.
- Garanto a vocês ela vai continuar atuando na nossa banda, ajudando como o ... Então galera! Pra fechar esse tempo que ela passou na banda com chave de ouro, ela vai cantar a última música do show!
- Uhul!! – berraram.
- A ? – berrou , surpreso.
- Isso aí, ! A disse, sorrindo.
- Bom , o palco é todo seu! – disse e entregou o microfone a ela.
- Eu só queria dizer que foi maravilhoso tocar com vocês e agradeço o carinho! – ela disse aos caras e depois à platéia que berrava:
- ! !
- Bom... Vou cantar uma música de uma banda que costumava ser minha banda preferida até eu conhecer esses caras aqui! – ela disse, apontando para os caras. – A música se chama Something Else do Good Charlotte – ela disse e a platéia berrou.

She is a diamond, I am a stone
Ela é um diamante, eu sou uma pedra
I come from nowhere, she’s been to Rome
Eu venho de lugar nenhum, ela é Roma
Her daddy’s a lawyer and mines not around
O pai dela é um advogado e o meu não está por perto
She has good manners, I’m rough all around
Ela tem boas maneiras, eu sou um rude

A voz da garota preencheu o local e a platéia vibrou mais ainda, passando a cantar junto. sentiu uma felicidade inexplicável tomar conta de si. Jamais havia pensado em estar numa situação como aquela, a sensação de estar diante de uma platéia enorme que vibrava e gritava seu nome era indescritível, e isso fez com que lágrimas brotassem nos olhos da garota.

But you could come from something, you could come from nothing
Mas você poderia vir de algo, você poderia vir do nada
You could be a princess, you could be a working man
Você pode ser uma princesa, você pode ser um operário
But in the end...
Mas no fim...

We all want something else
Nós todos queremos algo mais
We all want something we can’t have
Nós todos queremos algo que nós não podemos ter
We all want something else
Nós todos queremos algo mais
We all want something strange to us
Nós todos queremos algo estranho para nós
Maybe a roll in the dirt or it’s a seat in first class
Talvez uma rolada na sujeira, talvez um assento na primeira classe
We all want something we can’t have
Nós todos queremos algo que não podemos ter

olhava para a garota em completa adoração. Se é que fosse possível se sentia ainda mais apaixonado por . Ela olhou em sua direção e ele lhe sorriu radiante. Nos olhos dela então brotaram a frase que ele tanto ansiava por ouvir: Eu te amo! olhou-a com ainda mais intensidade, como se lhe respondesse: Eu também! Muito.
A música prosseguiu até seu fim e então os garotos foram abraçar , felizes.
- Muito obrigada , pela força que você nos deu! – disse.
- Quê isso meninos, foi de coração! – disse .
- Eu acho que você devia seguir carreira, vocês não acham galera? – disse.
- Yeah! – ecoou.
- Vamos ver – disse e sorriu. – Bom gente, valeu pelo carinho e... Até logo, eu espero!
- Tchau galeraaa! – disse e eles desceram.

Enquanto isso... Em Londres...

arrumava suas malas animadamente. Estava louco para voltar a Montreal. Não é que não gostasse de Londres, mas sentia falta dos amigos e da banda. Quando foi se deitar, desejou que amanhecesse logo.

[/Narrador]

[]


Passei a noite praticamente em claro. A ansiedade tomava conta de mim cada vez mais. Fui o último a me deitar e o primeiro a me levantar. Quando meus pais saíram do quarto ainda de pijamas, eu já estava pronto e já tinha tomado café. O tempo parecia demorar a passar. Por volta das 9hs deixamos o hotel e fomos ao aeroporto onde finalmente pegamos o vôo de volta a Montreal.
Chegamos ao meio dia. Depois do almoço decidi visitar meus amigos e assim o fiz. Quando cheguei, toquei a campainha. Uns dois minutos depois, uma garota excepcionalmente linda abriu a porta. Seus olhos encontraram os meus e ficamos nos encarando por algum tempo sem saber o que dizer, então ela sorriu e quebrou o silêncio.
- V-você deve ser o – ela disse. Sua voz era doce, meiga e suave, assim como o seu olhar.
- S-sou sim – respondi.
- Prazer finalmente conhecê-lo – ela disse sorrindo e me abraçou. Senti seu perfume invadir minhas narinas e parecia me enfeitiçar. Ela se desvencilhou, fiquei simplesmente hipnotizado olhando para ela – Eu sou – ela se apresentou. Foi como se um balde de água fria fosse lançado sobre mim. Essa era a namorada do !
- É-é um prazer conhecê-la também – eu disse, tentando esconder minha expressão de desapontamento. – Você é prima do , né?
- Sou sim – ela respondeu.
- ! – ouvi um grito. Era o , ele veio até mim e me abraçou. – Que bom te ver, cara!
- É muito bom te ver também, ! – eu disse.
- Conheceu minha namorada então – ele disse contente, indicando , que deu um lindo sorriso – Graças a você, cara! – com um baque surdo no estômago foi que me dei conta disso.
- Então foi você que me substituiu, certo? – perguntei a ela.
- Foi – ela respondeu. – E espero tê-lo substituído à altura! Pelo que sei você é um grande guitarrista!
- Capaz! Nem sou grande coisa – eu disse.
- Você fala que nem a , ! Ela também diz que não toca nada, mas toca bem pra caramba e tem uma voz linda – disse.
- Você canta também? – eu disse impressionado.
- Canto – ela confirmou.
- Que legal – eu disse.
- ! – exclamaram e juntos e, como , vieram me abraçar, seguidos por e .
- Como você está, cara? – disse.
- Estou bem. Na verdade melhor agora que voltei – eu disse sorridente. “E que conheci essa bela criatura também... Nem pense nisso , ela é namorada do seu melhor amigo!”. “Mas isso não significa que eu não possa olhar pra ela, admirar ela e... falar com ela!”.
- ? Você ainda está entre nós? – disse .
- Ahn? ... Ah sim! Claro! O que foi que vocês disseram? – eu disse, tentando disfarçar, pois olhava abobado para a .
- Você não gostou de Londres? – repetiu, me olhando com uma cara de quem sacou tudo.
- Claro que eu gostei! É um lugar fascinante! A cidade é muito linda e tem muitos lugares que eu adorei visitar, mas nada melhor do que nossa cidade natal, certo? – expliquei.
- Gente, vou ter que sair agora! Marquei com a ! – disse.
- Ela não está na casa da ? – perguntou .
- Aham. Vou buscá-la lá – explicou.
- Posso ir com você? Quero ver a ! – ele pediu.
- Ok. Mas eu estou saindo agora – disse.
- Não tem problema, estou pronto – disse.
- Vamos então. Alguém mais quer carona? – disse .
- Pode ser, né ? – disse . – Temos um assunto para resolver mesmo!
- Aham – disse.
- E vocês? – disse para mim, e .
- Não, vamos ficar aqui – disse , e confirmou com a cabeça.
- É – falei.
- Ok então! Tchau pra vocês! – disse e eles saíram.
- Quem são e ? – perguntei.
- São amigas da disse.
- A é namorada do e a do disse. – Mas você deve conhecê-las, não? Estudam na mesma sala.
- Espera. e ? – eu disse, lembrando.
- É – confirmou.
- E tem mais uma também, não é? – eu disse, pois lembrava que andavam em trio.
- Sim. A , ou como preferir – disse.
- E ela é namorada de quem? – eu disse.
- Era namorada do falou.
- Do ? Mas por que era? – eu disse.
- Terminaram há uma semana – disse.
- Bom, se me dão licença, vou ao banheiro e volto em um instante! – disse.
- Claro, amor – disse com meiguice. se retirou, deixando eu e aquela linda garota sozinhos. Senti minhas mãos suarem.
- Você é de Londres, não é? – perguntei.
- Sim – ela respondeu.
- me contou o que aconteceu. Lamento muito. Deve ser horrível pra você, não é? Mesmo que passe anos, você sempre vai lembrar do que aconteceu – eu disse e ela me encarou, seus olhos negros fitaram os meus como se ela estivesse lendo os meus pensamentos.
- Tem sido horrível sim. É difícil se acostumar com a idéia de não morar mais em Londres, não ter mais pais e nem irmãs – ela disse. Seus olhos se encheram de lágrimas.
- Não chore! – eu disse. – Me corta o coração ver uma garota tão linda como você chorando! – disse, sem pensar. Ela ergueu a cabeça e me fitou demoradamente, pensei que fosse brigar comigo ou falar para o , mas ela sorriu.
- Obrigada pelo elogio, – ela disse e secou as lágrimas. – Você também é um garoto muito lindo.
- Obrigado – falei, sentindo que enrubescia. – Pode me chamar apenas de – eu disse e retribuí o sorriso.
- E você pode me chamar de – ela disse.
- Ok – foi tudo o que consegui dizer. A beleza, a doçura, a meiguice dela me hipnotizavam e me faziam perder a fala.
- me disse que você curte Green Day – ela disse, depois de alguns segundos de silêncio.
- Sim. E muito! – eu disse surpreso.
- Eu também – ela disse. – Toquei uma música deles no meu teste para te substituir.
- E o não gravou isso? Ele geralmente grava tudo!
- Não sei. Se gravou, nunca me disse – ela falou aturdida.
- Qualquer dia desses quero ouvir você tocar, hein? – eu disse, sorrindo.
- Pode deixar! Só espero não desapontar você – ela disse.
- Tenho certeza que não vai – falei. Mais uma vez encaramos um ao outro sem saber o que dizer. Vez ou outra sorríamos um para o outro, então voltou.
- Demorei? – ele perguntou.
- Só um pouquinho – ela disse e sorriu. Ele se sentou ao lado dela e passou o braço por volta do seu ombro.
- Pelo visto vocês se deram bem, não é? – ele disse com aprovação.
- Sim – respondemos juntos.
- E aí , o que achou da minha namorada? Linda, não é? – disse. Me senti meio esquisito, se eu dissesse que sim, daria pra ver na minha cara que eu estava interessado nela. Abaixei a cabeça e olhei para meus pés.
- É, ela é linda sim – falei. Ergui a cabeça, me olhava com a testa franzida. Sorri pra tentar disfarçar.
- Bom... Eu... Eu preciso ir, tenho uns assuntos pra resolver – ela disse.
- Que assuntos? Você disse que ia ficar aqui comigo – ele disse.
- Bom, vocês devem ter muito que conversar, não? Eu não quero atrapalhar vocês – ela disse.
- Quê isso! Não atrapalha não, amor! – ele disse.
- Mesmo assim eu insisto, e eu realmente tenho umas coisas pra resolver – ela disse.
- Você não vai me dizer o que é? – ele disse.
- Só vou dizer que vou à casa da – ela disse.
- Espera! Você não vai atacar de cupido outra vez, não é? – ele disse.
- Cupido? – eu disse curioso.
- É. Foi ela que juntou o e a explicou.
- Nossa – falei.
- É, eles estavam demorando demais pra se acertar, a me disse que gostava dele e ele... Dava pra ver pela cara dele! – ela disse. “Será que dava pra ver também que eu estava afim dela? Não... Espero que não! O que ela vai pensar de mim? Que sou um amigo da onça!”.
- Mas eu não vou atacar de cupido não, é outra coisa! – ela disse.
- E você não vai me dizer mesmo então – ele disse, desapontado.
- Fica tranqüilo que eu não vou trair você – ela disse, rindo.
- Não foi isso que eu pensei – ele protestou.
- Imagina se não – ela disse.
- Não – ele insistiu.
- Tá bom, eu finjo que acredito, tá? Mas agora eu preciso ir! Ah! Não faz essa cara, . Depois a gente se vê! – ela disse, pois ele continuava com cara de desapontado.
- Você vai voltar aqui? – ele perguntou esperançoso.
- Não, né – ela disse.
- Tá, eu vou na tua casa depois então – ele disse.
- NÃO! – ela disse escandalizada.
- E por que não? – disse desconfiado.
- Porque... Porque... Ah! Eu não vou voltar pra casa! – ela disse.
- Como assim? – disse, confuso.
- Vou ficar na casa da Ka... Digo, da ! – ela disse.
- Tá bom então né, fazer o que! – ele disse e levantou. Fiz o mesmo.
- Tchau, ! – ela disse e me deu um beijo no rosto. Tentei ao máximo me controlar pra não ficar vermelho, no que não tive o mínimo sucesso. Ainda bem que o não estava olhando pra mim.
- Tchau, – falei. Ela sorriu e se encaminhou para a porta. foi junto a ela.
- Fica mais um pouco! – ele disse súplice.
- Não, ... Fica conversando com o seu amigo! – ela disse.
- Tá – ele disse de má vontade e abriu a porta pra ela. – Tchau então!
- Não vai nem me dar um beijo? – ela disse, sorrindo. – Ah! Por favor, ! Não fica emburrado comigo! Faz o seguinte, me encontra na casa da depois então! – ela disse.
- Ok – ele disse visivelmente mais animado. Puxou ela, pegou em sua cintura e a beijou. “Como eu queria estar no lugar dele cara!” “Se controla, !” “Ai, mas o beijo dela parece ser tão bom!” “Tira o olho, pára de olhar seu babaca!” “Tá, eu vou parar, vou parar, depois!” “NÃO, agora!” “Tá bom!”. Baixei a cabeça e olhei para meus pés. Ouvi eles se despedirem e depois o fechar a porta. Segundos depois ele veio e sentou na minha frente.
- Que achou? – perguntou.
- Do que? – perguntei confuso.
- Da – ele falou.
- Ah! Gente boa – falei. “Linda, maravilhosa, perfeita”.
- Ai cara! To tão feliz com ela – ele disse.
- Que bom, ! – “Também, quem não estaria?”.
- Mas e você?
- Eu o que?
- Conheceu alguma inglesa? – ele perguntou interessado.
- Não – falei.
- Ah, fala sério, ! – disse. – Vai me dizer que você ficou esse tempo todo lá e não pegou ninguém?
- Bem... Não. Você me conhece, sabe que eu não saio por aí ficando com qualquer uma – eu falei.
- Não, claro ! Longe de mim falar que você faz isso. Mas você não conheceu nenhuma garota que mexeu com você? – ele perguntou. “Claro que conheci! Acabou de sair por aquela porta! Ah! E a propósito, é a sua namorada!”.
- Não – falei.
- Também, com seus pais por perto não dá pra fazer nada, não é?
- Bom, não é bem por isso!
- Não gosta das inglesas? – ele perguntou. – Eu também não.
- Mas a não é inglesa? – eu disse confuso.
- Não. Ela é daqui, mas foi pra Londres pouco depois que nasceu – ele disse.
- Ah! – falei.
Ficamos mais um bom tempo jogando conversa fora. A maior parte do tempo o falava da , o que fazia eu me sentir mal.
Um mês se passou e adivinha? Não consigo tirá-la da cabeça. Quanto mais a conheço, mais me encanto pelo seu jeito. Ela é meiga, inteligente, bonita, tinha um olhar doce e cativante, uma voz que soava suave e graciosa aos meus ouvidos, o próprio caminhar dela era como se deslizasse. Ela era tão linda, tão maravilhosa, tão perfeita! Eu não conseguia parar de olhá-la! Teve dias que até perdi a atenção à aula para ficar contemplando-a. Sua voz era como a canção dos deuses, seu sorriso como o raio do sol e seus olhos o brilho do luar. Que me preenchiam e me enchiam de luz. Ela era meu motivo de sorrir. Minha razão de existir.
Mas era fruto proibido e intocável. Eu não podia jogar fora uma amizade de tantos anos fora só por causa de uma garota. Uma garota maravilhosa que por mais que eu lutasse, não consegui impedir que implantasse em mim esse sentimento novo e imensamente poderoso: O amor.
Mas ela e o se gostam e não há nada que eu possa fazer. A não ser guardar esse sentimento só pra mim e tentar reverte-lo em amizade.

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--x--

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Minha vida não podia estar melhor. Eu tinha o namorado perfeito, amigos maravilhosos, tios que eram como pais e um primo tão preocupado quanto um irmão. Na escola eu ia melhor do que nunca.
Bom, estava na casa dos meninos conversando, então a campainha tocou e me dispus a atender. Quando abri a porta dei de cara com um garoto simplesmente perfeito, o garoto mais lindo que já vi na vida. Tinha cabelos castanhos claros, pele clara, estatura mediana e olhos tão azuis que deixavam o céu e o mar no chinelo. Seus olhos encontraram os meus e nós ficamos nos encarando. Eu simplesmente não encontrava palavras para dizer. Fiquei numa espécie de transe, olhando para ele. Foi aí que o bom senso me despertou e quebrei o silêncio.
- V-você deve ser o ? – arrisquei.
- S-sou sim! – ele respondeu, certo, então esse era o melhor amigo do .
- Prazer finalmente conhecê-lo – eu disse e o abracei, pensando que assim pudesse quebrar o encanto e me forçar a parar de olhar para ele. Mas a tentativa não teve o menor sucesso. No instante que o abracei, seu cheiro inundou-me e senti algo diferente, muito parecido com o que eu sentia quando estava com o , talvez até um pouco mais forte. Quando ele retribuiu o abraço, tímido, senti uma sensação estranha, como se minhas entranhas revirassem e minhas pernas não quisessem mais tocar o chão. Me desvencilhei dele e evitei seu olhar, mas senti o dele sobre mim.
- Eu sou ! – me apresentei.
- É um prazer conhecê-la também! – ele disse com uma expressão estranha. – Você é a prima do né?
- Sou sim – respondi.
Então o chegou e abraçou-o seguido pelos outros garotos. Então , , e saíram e deixaram nós três em casa. Ele perguntou sobre as meninas e explicamos a ele tudo. Então de repente levantou e disse que ia ao banheiro. Senti uma coisa muito esquisita, não que eu não tivesse sentido isso antes, mas era esquisito sentir isso por mais alguém. Parecia que meu coração ia sair pela boca. Eu estava na sala sozinha com aquele deus grego, ou melhor, deus canadense. “Nossa! Aqui de repente ficou tão quente!” “UI!” O que está acontecendo comigo?
- Você é de Londres, não é? – ele perguntou de repente.
- Sim – respondi.
- me contou o que aconteceu. Lamento muito. Deve ser horrível pra você, não é? Mesmo que passe anos, você sempre vai lembrar do que aconteceu – ele disse, mostrando compreensão. Encarei ele por algum tempo, avaliando o que deveria responder.
- Tem sido horrível sim. É difícil se acostumar com a idéia de não morar mais em Londres, não ter mais pais e nem irmãs – eu disse, sentindo meus olhos marejarem.
- Não chore! – ele disse. – Me corta o coração ver uma garota tão linda como você chorando! – Me surpreendi com o elogio dele e o encarei, olhei bem no fundo de seus olhos azuis e senti uma alegria repentina.
- Obrigada pelo elogio, – eu disse, secando as lágrimas e sorrindo. – Você também é um garoto muito lindo – falei sem conseguir me conter.
- Obrigado – ele disse, enrubescendo. “Que fofo!” – Pode me chamar apenas de – ele disse e retribuiu o sorriso.
- E você pode me chamar de – eu disse.
- Ok - ele disse.
- me disse que você curte Green Day – eu disse quebrando o silêncio que se instalou por uns segundos.
- Sim. E muito! – ele disse surpreso.
- Eu também – eu disse. – Toquei uma música deles no meu teste para te substituir.
- E o não gravou isso? Ele geralmente grava tudo!
- Não sei. Se gravou, nunca me disse – eu disse, meio aturdida, não lembrava de ter visto o gravando nada.
- Qualquer dia desses quero ouvir você tocar hein? – ele disse, sorrindo.
- Pode deixar! Só espero não desapontar você – eu concordei.
- Tenho certeza que não vai – ele disse, mais uma vez encaramos um ao outro sem saber o que dizer. Vez ou outra sorríamos um para o outro, então voltou.
Lembrei de um compromisso que tinha, me despedi deles e fui.
Um mês se passou e adivinha? Não consigo tirar o da cabeça. A cada dia eu fico mais confusa com relação a ele e aos meus sentimentos. Quando o vi pela primeira vez senti a semente do amor ser implantada em mim, como no dia que conheci o . Quanto mais o conheço, mais me encanto pelo seu jeito de ser. Não nego que tenha me apaixonado por ele, mas amo o e disso não tenho dúvidas. Nem preciso dizer que minha cabeça está dando voltas completas a cada instante, como eu posso gostar de dois homens ao mesmo tempo?
Pra completar, o meu namoro com o estava começando a ter problemas. Tivemos nossa primeira briga, porque eu não queria dizer o que faço quando “supostamente” vou à casa da . Desde então ele tem andando frio comigo e isso está me entristecendo.
Uma coisa me intrigava muito ultimamente. A era outra pessoa que não andava nada bem. Falava pouco, não se alimentava direito e chorava por qualquer coisa. Cheguei a pensar que fosse por causa do , mas ela me garantiu que não tinha nada a ver com ele. Achei a atitude dela super estranha, ela sempre foi uma pessoa alegre e adorava fazer coro ao nas brincadeiras. Ela estava parecendo eu quando o acidente era bem recente.

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Mais um dia passa. Mais uma vez não consigo dizer a ele o que sinto. Isso já estava me corroendo por dentro. Antes eu estava muito confusa. Antes eu pensava que gostava do , mas hoje tenho convicção de que não gosto e nunca gostei. Só agora posso ver que era pra ele que eu não conseguia parar de olhar, que não parava de sorrir, era com ele que eu me preocupava, que sonhava toda noite. Mas acho que agora é tarde demais. Acho que talvez não me reste mais esperanças. E isso me entristece, isso me causa dor. Eu o amo. Tenho certeza disso, mas tenho medo que ele já não goste mais de mim. Porque quando eu estava com o , percebi que ele tentava esconder que estava triste e a vivia me dizendo isso também.
Ah! Se eu pudesse voltar no tempo, ! Faria tudo diferente. Jamais teria ficado com o . Teria lutado por você como a , a e a lutaram pelo , o e o . Me envergonho tanto de ter sido tão cega pelos meus próprios sentimentos. Me sinto tão sem chão.

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Sua tristeza me preocupa, mas não me faz parar de pensar que seja por ele. Vocês ficaram um bom tempo juntos e acho que você gosta mesmo dele. Ele é meu amigo e, por isso mesmo que posso afirmar que ele não ama você. Ele gostava de estar com você, achava você uma garota incrível, mas não amava você. E eu sei disso porque, inconsciente dos meus sentimentos por você, ele me contou tudo isso. Não deixo de me sentir mal por ver você mal, e ainda mais se for por ele.
- ? – eu disse quando a vi sozinha na conhecida árvore lá da escola.
- Oi – Ela sorriu fraco.
- Está tudo bem? – perguntei preocupado, pois vi que seus olhos estavam inchados.
- Sim – ela disse, desviando o olhar.
- Olha, não precisa mentir pra mim. Eu quero te ajudar! Me preocupo contigo!
- Verdade? – ela disse, olhando em meus olhos.
- É claro – confirmei.
- Bom, eu estou assim porque gosto de alguém que acho que não gosta mais de mim – ela contou e com um tranco violento no estômago confirmei minhas suspeitas: era o .
- Eu não sei o que te dizer, sabe... Acho que ele nunca amou você de verdade – falei.
- Como assim?
- Quando vocês est...
- De quem você acha que eu estou falando? – ela me interrompeu.
- Não é do ? – perguntei, confuso.
- Não. Pra falar a verdade acho que nunca gostei dele de verdade – ela disse.
- De quem você está falando então? – perguntei, mais confuso ainda.
- De... De você – ela falou e meu estômago deu um solavanco.
- Quê?
- Você me ouviu, eu estava falando de você – ela repetiu.
- Você está falando sério mesmo? – eu disse, incrédulo.
- Estou, ! Eu sempre gostei de você, mas só quando comecei a namorar o que me dei conta disso! E foi por isso que nós terminamos! – ela falou e senti uma onda de felicidade enorme.
- E-eu nem sei o que dizer!
- Olha, não precisa dizer nada! Só quero que você saiba, mesmo que não goste de mim! – ela desviou o olhar.
- Mas eu gosto de você! Eu amo você! – eu falei e ela tornou a me encarar, então sorriu. Fui me aproximando mais dela e ela fechou os olhos, como se assentisse e então eu a beijei. Foi um beijo intenso e sincero. Um beijo verdadeiro. Um beijo realmente bom.
- Mal posso acreditar nisso que está acontecendo! – eu falei ao término.
- Nem eu! – ela falou.
- Quando você estava com o achei que tinha te perdido para sempre – falei.
- Mas não perdeu, não é? Agora eu sou só sua e de mais ninguém! – ela disse e sorriu. Retribuí o sorriso e a beijei novamente.
- Não sabia que era tão bom ficar com você! – ela disse.
- É eu também não sabia que era bom ficar com você, embora vivesse sonhando com isso! – falei.
Ficamos lá, embaixo daquela árvore, até o sinal tocar e depois nos separamos, cada um indo para a sua classe.

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Agora já faz dois meses que a conheci. Me conformei que entre nós só pode haver amizade. Uma amizade que estava se tornando cada fez mais forte. Ela me contava muito da vida dela, coisas que ela não falava nem pro e nem pro . Fiquei feliz em ser seu amigo. Ela era simplesmente incrível.
- ? – a ouvi chamando na carteira ao lado.
- Sim? – respondi.
- Você soube? – ela perguntou.
- O que? – perguntei confuso.
- O não te contou? – ela disse surpresa.
- Me contou o que? – perguntei preocupado.
- O primo dele morreu – ela disse triste.
- Ah! Hoje mesmo ele me contou. Está arrasado – falei lembrando, era incrível como eu esquecia de tudo quando estava com ela.
- Que coisa horrível né?
- Aham... E ele me falava bastante dele, era bem apegado.
- Ele está péssimo – ela falou.
- Mas... Quer dizer que ele vai pra lá então?
- Pra onde? – ela disse distraída.
- Pra Vancouver – expliquei.
- Vancouver? – ela disse ainda distraída.
- É. Era onde o primo dele morava – falei.
- Ah sim. Desculpe , eu não estou muito bem também não – ela disse.
- Você vai com ele?
- Não. Eu mal conheço a família dele , e não posso viajar em época de provas, meus tios me matariam! – ela falou.
- Mas você não pode marcar as provas pra depois?
- Poder eu até posso, mas o não quer que eu vá – ela falou.
- Como assim não quer que você vá? – perguntei, achando isso muito estranho.
- Foi o que ele disse. Pra mim não me preocupar com ele, que ele pode enfrentar isso sozinho e que não preciso ir.
- Estranho, porque o sempre foi do tipo de pessoa que precisa constantemente de alguém por perto – falei pensativo.
- Ele anda muito estranho ultimamente, ... Mas acho que é por causa da morte do primo – ela suspirou. O sinal tocou e antes que nos encontrássemos com ele lá embaixo, a parei no corredor.
- Como assim estranho? O que ele faz? Fala a verdade, ! – eu disse.
- Ah... Tudo bem, eu falo. De uns tempos pra cá nosso namoro está bem abalado. Ele tem estado bem frio comigo e briga por qualquer coisa. Tem dia que nem nos falamos... Acho que ele não me ama mais – ela disse com os olhos marejados.
- Não fala besteira, ! O é louco por você! ... Eu não acredito que ele esteja agindo assim com você! – falei indignado.
- ! Não fala nada pra ele! Eu não quero estar brigada com ele quando ele viajar – ela disse.
- Mas ...
- Por favor, ! Deixa ele voltar, daí eu converso com ele – ela disse.
- Ok! Se você prefere assim – eu disse conformado.
Encontramos o e o resto da galera lá embaixo. Chegamos bem na hora que o dizia:
- Pois é, só o e o que continuam solteirões!
- Já ta na hora de se mexer, né ? – disse.
- Me mexer pra quê? – perguntei confuso.
- Pra arranjar uma namorada, seu lerdo! – ele disse.
- Nem penso nisso ainda – isso era uma mentira deslavada, mas a garota que eu queria era namorada do meu melhor amigo, portanto um amor impossível. – Estou me concentrando mais na música no momento.
- e sua mania de certinho! – disse , rindo.
- E você, ? Não vai me dizer que é a mesma coisa, porque sabemos que não é! – disse , dando uma olhada rápida em , que estava abraçada com o .
- Estou saindo com uma garota sim, mas não vou dizer ainda quem é! – ele disse, olhou de esguelha para a , que fez menção de falar e piscou pra ela. Pelo jeito ela sabia quem era a garota.
- Ah! Por que não? – disse desapontada.
- Porque não acho que ainda seja hora! – ele explicou.
- Seu estraga prazer! – resmungou.
- Então o único solteirão aqui é o – concluiu .
- Porque é lesado demais! – disse, antes que eu pudesse me defender, alguém fez isso primeiro.
- O não é lesado, ! Pára de falar assim! – com um solavanco vi que foi a que falou. Diferentemente de todos os outros casais que estavam ou abraçados ou de mãos dadas, ela e o estavam sentados entre o e a .
- ! Preciso falar com você! – eu disse subitamente. me olhou nervosa e disse um “NÃO”, mudamente. Mas eu estava decidido. se levantou e me acompanhou para longe da galera.
- Que houve com você e a ? – perguntei assim que tive oportunidade.
- Nada – ele respondeu.
- Não adianta mentir pra mim ! Eu percebi muito bem que vocês estão afastados – falei, insistindo.
- Não aconteceu nada, ! Só estou um pouco abalado com a morte do meu primo e estou querendo ficar mais sozinho – ele falou.
- Desde quando você prefere ficar sozinho num momento como esse hein? A está muito mal por causa disso – falei.
- Ela falou pra você? – ele disse surpreso.
- Falou. E acho bom você falar a verdade pra mim, porque eu te conheço muito bem e também não gosto de ver ela assim – falei.
- Eu... Eu... A-acho que vou dar um tempo com ela – ele confessou.
- Como assim? Por quê? – perguntei surpreso.
- Porque... Aconteceram umas coisas aí e... Não tenho certeza se realmente combinamos – ele disse pensativo.
- Espera aí! Quando você diz que “aconteceram umas coisas aí”, você quer dizer o que? ... ! Você não andou traindo ela, andou? – eu disse indignado.
- Não! Claro que não! Eu... Eu a amo... Acho!
- Como assim acho?
- Ai , eu estou muito confuso! – ele disse aflito.
- Não acredito que... – eu ia dizer e me calei. Quase falo besteira.
- Que o quê? – ele perguntou, arqueando as sobrancelhas.
- Que depois de você ter desafiado o , vai simplesmente pedir um tempo! – menti.
- Não um tempo indefinido, sabe? É até eu voltar da viagem! Vou usar essa viagem como um meio de refletir sobre o meu relacionamento com ela – ele se explicou.
- Olha , acho que você vai fazê-la sofrer muito, mas se você realmente quer dar esse tempo com ela, só posso dizer que vá em frente – falei.
- Sabia que você ia me entender, ! – ele falou, sorrindo.
- Não entendo, mas te apoio mesmo assim, se é mesmo o que você quer – eu disse com sinceridade. – Agora acho melhor voltarmos, você precisa se despedir.
- Ok – ele falou e voltamos para lá.
Quando chegamos, me olhou ansiosa e retribuí com o olhar um pouco triste. Eu sabia muito bem que ela ia sofrer. Ela veio e se sentou ao meu lado, enquanto o foi ao banheiro.
- Eu não falei para deixar que eu conversava com ele? – ela disse chateada.
- Não falei nada do que você me disse, só falei o que todo mundo está achando. Que vocês estão afastados. E perguntei por que! – eu falei.
- E o que ele disse? – ela perguntou ansiosa.
- Disse que está muito abalado com a morte do primo – contei.
- Eu sabia – ela disse com um sorriso se formando, mas quando olhei para ela triste, o sorriso desapareceu.
- , as notícias não são nada boas – falei.
- É, percebi pela sua cara. Fala, !
- Ele... Bom, você verá agora. Ele está voltando. Não quero que ele suspeite que te contei – rapidamente me meti na conversa da galera. Metade do meu peito estava pequenininho de tanta dor por ela, mas a outra estava feliz, porque finalmente teria uma chance.
- Posso falar com você? – ouvi falar para ela.

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- Posso falar com você? – disse, sem me olhar.
- Claro que pode, ! – eu falei e o acompanhei.
Andamos em silêncio até um lugar que não tinha ninguém. Ele parou e olhou para os pés.
- ... Eu estive pensando muito e... Decidi que... Que quero dar um tempo no namoro – ele disse e me encarou. Aquilo foi como uma faca me atravessando o peito.
- Mas p-por quê? – falei, segurando o choro.
- Eu p-preciso pensar melhor sobre nosso relacionamento... Saber se realmente amo você – ele falou.
- Pensei que você me amasse!
- Eu também pensei. E é por isso que quero dar esse tempo. É só até eu voltar da viagem. Aí conversamos novamente – ele disse.
- Eu nunca precisei de tempo pra saber se amo ou não alguém! Eu... – me calei. Quase falo besteira.
- Você o que? – ele disse, desconfiado.
- Se você insiste nesse tempo, você terá. Só não espere que eu vá voltar que nem um cachorrinho pra você quando você voltar dessa viagem, porque eu não vou! Bem que o me avisou que você ia me usar e me jogar fora! – eu disse enfurecida.
- ...
- Tchau, ! Tenha uma boa viagem – falei e saí. Só aí sucumbi ao pranto. Passei correndo pelo pessoal e fui para a parte de trás da escola. Um lugar quase sempre deserto, onde eu sabia que não seria incomodada. Sentei e chorei, chorei desesperadamente. Senti uma mão tocar em meus ombros e por um momento delirante achei que era o . Mas ergui a cabeça e vi que era o .
- Eu disse pra você que não era nada bom – ele falou triste.
- ! Você acredita que ele disse que não sabe o que sente por mim? – eu disse.

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- ! Você acredita que ele disse que não sabe o que sente por mim? – ela disse em meio ao choro. Meu coração está despedaçado por vê-la assim.
- Eu nunca tive dúvidas sobre o que sinto por você – eu disse baixinho.
- Desculpa, . Não te ouvi. O que disse? – ela falou.
- Nada não! Só pensei alto – falei disfarçando.
- Ah – ela disse.
- Eu disse pra ele que não entendia essa atitude – contei.
- Mas é fácil entender, ! Ele não me ama! Nunca me amou – ela disse e começou a soluçar. – O-o t-tinha r-razão! E-ele s-só m-me u-usou, m-me en-enrolou e m-me d-dispensou – ela disse amargurada.
- O disse isso? – perguntei espantado. Eu sabia que ele tinha tentado impedir, mas não sabia o que ele tinha dito.
- Disse. E ainda me falou que não achava que ele era o cara certo pra mim – ela contou.
- Sério? E por quê? – achei estranho, pois o sempre aprovou o caráter do .
- Ele acha, ou achava, que não combinamos em muita coisa e disse que o é ciumento obsessivo.
- Isso ele é mesmo – concordei.
- Então você há de concordar comigo, que é estranho ele nunca ter demonstrado isso – ela falou e foi aí que me dei conta disso. O que eu conheço, jamais me deixaria ser amigo da namorada dele.
- É... Vou ter que concordar com você – falei pensativo.
- Está vendo, ? Ele não me ama! – ela falou e caiu no choro outra vez.
Mesmo sabendo o que eu sentiria, abracei ela mesmo assim.
- Calma ! – falei, acariciando seus cabelos, enquanto ela soluçava.
- E-eu não sei c-como vai ser agora. Eu gosto dele de ver-verdade ! – ela disse.
- Você vai se recuperar, eu tenho certeza! Você é uma garota linda, tenho certeza que vai encontrar alguém que te ajude a superar isso! – falei.
- Mas disso eu não preciso – ela falou.
- Como assim? – perguntei confuso.
- Tenho você – ela falou.
- Quê? – falei incrédulo, com certeza eu tinha entendido mal.
- Você tem sido um excelente amigo , e com certeza está me ajudando e vai continuar a me ajudar a superar isso – ela disse, me encarando.
- É. Isso é – falei, tentando esconder o desapontamento. – Mas falo de alguém que você vai amar mais do que ama o , alguém que vai te fazer esquecê-lo! – “E como eu queria ser esse alguém!”.
- Ah! Espero que eu encontre – ela disse e tornou a me abraçar, o sinal tocou.
- Quer voltar para a aula? – perguntei.
- Não. Mas se você quiser ir, vai ! – ela falou.
- Imagina se eu vou te deixar aqui sozinha nesse estado, ! – eu disse indignado.
- Você é mesmo um amor, ! Nem sei o que seria de mim sem você – ela disse, sorrindo.
Tentei distraí-la ao máximo, conversando sobre várias coisas. Assunto com ela não faltava. Quando a aula acabou encontramos todos, menos o , que provavelmente já tinha ido. As meninas estavam loucas de preocupação.
- Que aconteceu, ? – disse .
- A gente precisa ir, depois conversamos – , e disseram.
- Ok. Podem ir – disse .
- Você não vem? – perguntou.
- Claro que não! Estou preocupado com a minha irmãzinha – ele disse indignado.
- Ok então – disse e logo eles foram.
- Agora fala, disse.
- Pelo amor de Deus! – disse.
- O... O ...
- Quê ele fez? – disse, ficando vermelho.
- Calma, – eu disse.
- Calma o quê, ? Olha o estado em que ela está? – ele disse.
- Você não viu nada. Agora ela está bem mais calma – eu disse.
- Eu vou atrás do e vou acabar co...
- Vocês vão deixar ela falar ou não? – disse irritada.
- Desculpe – murmurei.
- Ele... Ele... Terminou – disse, seus olhos imediatamente se encheram de lágrimas.
- O QUÊ? – , e disseram juntas.
- Isso mesmo que vocês ouviram – eu falei. – Pior é o motivo dele.
- E qual é? – disse lívido.
- Ele falou que... Quer dar um tempo porque não sabe o que sente por mim – disse, instintivamente eu a abracei e aos poucos ela se acalmou novamente.
- Cafajeste! – urrou.
- Você tinha razão sobre ele! Você me avisou que ele ia me usar, enrolar e dispensar – ela disse com a voz pastosa.
- Mas eu só disse isso por que não aceitava vocês juntos! – ele falou. – nunca foi de fazer isso!
- E outra coisa, . Você disse que ele era ciumento obsessivo – ela prosseguiu.
- Mas é verdade, não é ?
- Sim. Eu disse a ela – eu falei.
- O problema é que em nenhum momento ele fez cena de ciúmes – falou.
- Como não? E aquela vez na festa do Henry, que ele só faltou avançar nele? – disse.
- Aquela foi a única vez que ele demonstrou ciúmes da e eles nem estavam juntos – lembrou .
- E você não acha estranho que ele não implique com a minha amizade com a ? – falei.
- Você é o melhor amigo dele! – argumentou.
- Você sabe muito bem que o jamais permitiria que eu fosse tão amigo da namorada dele, por mais que seja seu melhor amigo! – eu disse.
- Ok, mas o que você está tentando dizer com isso? – falou.
- Não é óbvio? O não me ama! Nunca me amou! – disse.
- , eu... – se calou, aparentemente não sabia o que dizer.
- Não quero que você faça nada contra ele, ok? Vou seguir minha vida normalmente... Ou pelo menos vou tentar – falou.
- Nem um murro na cara? – ele disse suplicante e ela sorriu fraco.
- Não, – ela disse.
Levamos ela para cada e passamos a tarde lá com ela. Ela pareceu se animar um pouquinho. Voltamos para casa só à noite, quando os tios dela chegaram.
Quando cheguei em casa, tomei um banho, vesti um calção e fui me deitar. Dormi mal, não conseguia parar de pensar na e no que ela estava sentindo. Na dor que vi em seu olhar. No seu desespero. É duro perder um amor de verdade. Eu sei o quanto sofri por saber que nunca ia poder tê-la em meus braços. Ela o ama de verdade. Uma raiva cresceu em mim. Jurei para mim mesmo que seria o homem que faria ela esquecer o , por mais que ela só me visse como um amigo.

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Cinco semanas passaram, e o ainda não voltou. estava bem melhor. Tinha voltado a ser a garota alegre e espontânea que sempre foi, apesar de às vezes ter uma recaída e chorar até não poder mais em meus ombros. Mas a cada dia eu me convencia mais de que ela estava esquecendo o . Hoje acabavam as aulas do primeiro semestre e todos combinamos de comemorar na casa dos guys.
- Hoje você não me escapa, hein dona ! Hoje você vai tocar uma música pra mim! – falei a ela quando descíamos pelos corredores animados.
- Pensei que você já tinha esquecido – ela disse surpresa.
- Tenho uma excelente memória, obrigado! – eu falei e ela sorriu.
- Tenho certeza que tem – ela disse.
- Com licença ! – disse o professor de Biologia.
- Sim Sr. Robinson? – ela disse.
- Preciso falar com a senhorita, e com o senhor também – ele disse e o acompanhamos até a sala dele. – Sentem-se! – Nos sentamos e o olhamos intrigados. – Bom, é o seguinte. Temos uma feira de ciências anual na cidade. Acho que você já ouviu falar, não é ?
- Ah sim! Já participei de uma sim – lembrei.
- Excelente. Então ... Como o bem sabe, nós nunca ganhamos o prêmio, mas tenho certeza de que se vocês dois apresentarem um trabalho juntos, esse prêmio está no papo! – ele disse.
- O senhor quer que a gente participe da feira? – falou.
- Exatamente! Mas entendam, não é obrigatório. Só acho que vocês têm muita chance de vencer e o prêmio é uma boa quantia em dinheiro – ele disse.
- De quanto, o senhor sabe? – disse.
- Dois mil, e como vêm cientistas de todo o país, há uma grande chance de vocês serem chamados pra trabalhar em alguma dessas companhias, sabe? – ele disse.
- Nossa! – exclamou admirada.
- E então? Vão topar? Eu posso ajudar vocês com o tema, se quiserem – ele disse empolgado.
- Olha professor, precisamos pensar no assunto – disse, no que concordei em gênero, número e grau.
- Tudo bem. Como quiserem. Só pensem com carinho e me avisem quando tomarem a decisão, e que seja logo ok? – ele disse, se levantando.
- Ok – dissemos juntos. – Até mais, professor.
- Até. E pensem hein! – ele insistiu e nós saímos da sala. O corredor já estava deserto.
- Que você acha? – perguntou enquanto íamos apressados para a casa dos garotos.
- Ah, sei lá! Um pouco em cima da hora para ele falar. Essas coisas a gente começa no começo do ano – respondi.
- Mas tem um prêmio ótimo – ela replicou.
- Como se você precisasse disso com a grana que seus tios têm, ! – eu disse.
- E você acha que vou depender deles pra tudo? E duvido que eles me ajudem no que estou fazendo! – ela disse.
- Você não vai me contar mesmo o que você anda aprontando né? – eu disse.
- Não, por enquanto não! Não faz essa cara, não vai adiantar! , se você insistir eu não falo com você! – ela ameaçou. Era sempre assim quando eu tentava perguntar o que ela andava fazendo que não queria contar pra ninguém.
- Ok. Eu não insisto mais. Prometo – já perdi a conta de quantas vezes eu disse isso.
Logo chegamos e todos já estavam lá.
- Que aconteceu? Por que demoraram? – perguntou .
- Não vão dizer que estavam estudando? – disse .
- Não, o Sr. Robinson nos chamou – contei.
- Por quê? Que foi que vocês aprontaram? – perguntou.
- Nada. Chamaram a gente pra competir numa feira de ciências – disse.
- Também! Imagina se não iam chamar vocês! – disse sarcástico.
- Não entendi! – falou.
- Ah ! Vocês dois são os nerds mais irritantes que a gente já viu – disse .
- Obrigada pelo irritantes, “amiga” – falou fazendo aspas com os dedos e ela riu.
Almoçamos e arrumamos a cozinha.
- Que vamos fazer agora? – disse .
- Que tal pegar um filme? – sugeriu .
- Boa idéia! – disse .
- Só não vão pegar filme de acidente, pelo amor de Deus! – disse .
- Pode deixar... Então, quem vai? – perguntou e todos quiseram.
- Deixa que eu fico e arrumo pipoca e outras coisas – falei.
- Tá. Vamos então! – disse.
- Cadê a ? – perguntou.
- Na cozinha terminando de varrer – disse .
- Ah ta – disse . – Vamos – e todos se encaminharam para a porta.
- Vocês não vão esperar a ? – perguntei.
- Não. Ela fica aí ajudando você – disse .
- Ok – falei e logo eles saíram. Senti um frio na barriga, eu estava pela primeira vez completamente sozinho com ela. Alguns minutos depois ela apareceu.
- Ué! Cadê o povo? – ela perguntou surpresa.
- Foram alugar filme – informei.
- Ah – disse ela e ia se sentar, mas não deixei.
- Espera! – falei.
- Que foi? – ela perguntou olhando para o sofá, como se esperasse que eu dissesse que ela ia sentar em algo.
- Vamos lá na garagem – falei.
- Pra quê? – ela disse confusa.
- Pra você me mostrar se me substituiu bem – falei.
- Ah ...
- Nem pense em recusar. Faz séculos que você está prometendo – falei, fazendo biquinho.
- Ok, ok, vamos – ela disse vencida. – Eu nem trouxe a minha guitarra.
- Não tem problema, pode usar a minha – falei.
- Nossa! Que coisa inédita! Você emprestando sua guitarra! – ela disse sarcástica.
- É pra você não achar desculpa!
- Pelo jeito quando você quer, você não desiste nunca! – ela disse.
- Exatamente – eu disse. O que era a mais pura verdade, eu nunca desisti e nunca vou desistir dela, mesmo se ela me der um fora.
- Que música você quer que eu toque? – ela disse depois que pegou a guitarra.
- Ah... Sei lá... Escolhe você... Toca sua preferida – eu disse, ela sorriu.
- Do que tá rindo? – perguntei confuso.
- Até parece que você não sabe que é a mesma que a sua! – ela disse.
- É mesmo né? – falei constrangido, pois tinha esquecido desse detalhe. Ela sorriu e começou a tocar e cantar.

(N/a: Leiam ouvindo essa música).

Summer has come and passed
The innocent can never last
Wake me up when september ends
Like my father’s come to pass
Seven years has gone so fast
Wake me up when september ends
Here comes the rain again
Falling from the stars
Drenched in my pain again
Becoming who we are
As my memory rests
But never forgets what I lost
Wake me up when september ends


Sua voz preencheu minha alma, a música inundou meu coração e aumentou a intensidade do amor que eu sentia por ela.

Summer has come and passed
The innocent can never last
Wake me up when september ends
Ring out the bells again
Like we did when spring began
Wake me up when september ends
Here comes the rain again
Falling from the stars
Drenched in my pain again
Becoming who we are
As my memory rests
But never forgets what I lost
Wake my up when september ends


E comecei a cantar com ela. A voz de um completava a do outro.

Summer has come and passed
The innocent can never last
Wake me up when september ends
Like my fathers come to pass
Twenty years has gone so fast
Wake me up when september ends
Wake me up when september ends
Wake me up when september ends


Quando terminamos tudo aconteceu muito rápido. Ela olhou para mim, me aproximei dela e a beijei.
Foi um simples selinho, que fez meu coração retumbar. Aí percebi o que estava fazendo e recuei.
- D-desculpe! – falei constrangido e com a cabeça baixa.
Então ela largou a guitarra na base, segurou minha mão e me beijou. Sua língua pediu passagem e concedi imediatamente. Nossas mãos permaneceram entrelaçadas enquanto nos beijávamos. Então ouvimos alguém abrir a porta da sala e nos desvencilhamos rapidamente.
- ! A gente não devia ter feito isso! – ela falou corada.
- Por que não? – eu disse desapontado, por um instante pensei que ela queria também.
- É que...
- Olha , eu gosto de você. E de verdade. Desde a primeira vez que te vi, me apaixonei por você! – falei e ela sorriu.
- Eu sabia que você não queria ser só meu amigo – ela disse.
- Não escolhi me apaixonar, mas aconteceu! E eu me contentei em ser seu amigo, porque você estava com o . Mas agora não tenho mais motivos para esconder. Eu amo você. E se você não quiser ficar comigo eu vou entender e vou continuar sendo seu amigo – eu disse indo em direção à porta.
- Espera, ! – ela falou e me virei. – Eu quero ficar com você sim! – ela disse, me olhando séria. – Eu só... Tenho medo da reação da galera e... Do .
- Acho que a galera vai nos aceitar, não viu a e o ?
- O caso deles foi diferente. Todo mundo sabia que eles se gostavam. Mas eu não, todo mundo acha que eu amo o . Se aparecermos juntos vão achar que ele terminou porque eu o traí com você!
- Claro que não, ! – eu disse.
- Olha, só por enquanto quero manter isso em segredo, pode ser? – ela disse, passando os braços em volta do meu pescoço.
- Tudo bem, até porque não quero que me vejam como amigo da onça – eu disse. Ela me deu selinho.
- Olha , por muito tempo eu tentei fingir que o que o que sentia por você era amizade, mas com o passar do tempo fui ficando cada vez mais confusa. Amo o sim, não nego isso. Mas amo você também. Não sei se isso é certo, mas o fato é esse. Acho que isso precisava acontecer para que eu me desse conta disso – ela disse e fiquei tão feliz que esqueci que o pessoal já estava em casa e a beijei.
- – ela disse, se desvencilhando. – Só até a poeira baixar ta? – Assenti e ela sorriu.
- Hey! Eles estão aqui! – gritou e apareceu na porta.
- Oi pra você também, – falei.
- Caramba! Que susto vocês deram na gente! – disse .
- Que vocês estavam fazendo aqui? – perguntou .
- Tocando – respondeu.
- Tocando? – disse confusa.
- É, . Faz um tempão que prometi ao que ia tocar uma música pra ele ver se eu o substituí bem aquela vez – ela explicou.
- Então , ela não é o máximo? – disse orgulhoso.
- Com certeza – falei contendo um sorriso.
- Vamos voltar para a sala? – sugeriu.
- Vamos sim – disse e todos foram retornando à sala. Quando estava somente eu, e na sala, falou:
- Vocês dois pensam que me enganam?
- Como assim? – eu e dissemos nervosos.
- Vocês acham que não percebi a voz ofegante de vocês e o brilhinho nos olhos? – ela disse séria.
- , eu... – disse, mas sorriu.
- Fica tranquila, . Acho que vocês formam um casal lindo! – ela disse animada, senti o alívio passar da para mim.
- Só promete que não vai contar para ninguém? – disse.
- Mas por quê? Não há nada de errado, ! Você nem está mais com o ! – ela disse aturdida.
- Só por algum tempo ta? – insistiu.
- Se vocês preferem assim, tudo bem né! – ela falou e a abraçou.
- Obrigada amiga! – disse contente. – Vamos, .
Ela pegou na minha mão e nós fomos para a sala, onde todos já estavam acomodados. Não era muito difícil esconder que estávamos juntos, como amigos sempre fazíamos coisas do tipo: pegar na mão, abraçar, deitar com a cabeça no colo um do outro e etc... Sempre estranhei que o não falasse nada sobre isso. Então sentamos num sofá que estava vazio, deitei a cabeça no colo dela e ela acariciava meus cabelos. Sem que ninguém ouvisse murmurei para ela:
- Eu te amo. – Ela sorriu.
- Eu também te amo – respondeu, sorri e voltei a atenção para o filme que acabara de começar.

[/]

[]


Uma confusão muito forte tomou conta de mim. De um lado tinha o , que apesar de tudo que fez, eu ainda gosto dele, meu coração já sente que em breve ele volta. Do outro lado tem o , não nego que me apaixonei por ele desde a primeira vez que o vi, mas pode alguém amar duas pessoas? Ele sempre foi meu melhor amigo e quando nos beijamos, foi tão perfeito! Ele é um cara super do bem e sempre me deu força em tudo. Além de me conhecer muito bem e ser o cara mais lindo e fofo que eu já vi. Meu medo é o fato de ele ser melhor amigo do e não sei como o pode reagir. Eu sei que ele disse que não sabe o que sente e que isso é o mesmo que dizer que não me ama, mas algo me diz que por enquanto é melhor esconder que eu e o estamos juntos. A reação do também pode não ser nada boa, só eu sei o quanto foi complicado fazê-lo aceitar meu namoro com o .
Não sei o que vai acontecer quando o voltar. E se ele disser que quer voltar? E se disser que me ama? Mas o também disse que me ama, e isso eu posso ver naqueles olhos maravilhosos que ele tem.
Faz pouco menos de um mês que eu e o estamos juntos. Estávamos na sala da casa dos garotos. estava na cozinha com a e o restante do pessoal tinha ido comprar bebidas. Eu estava louca de vontade de agarrar ele, mas tinha medo que talvez o voltasse. Talvez demorasse, talvez a piscadela que a deu quando disse que ia com ele era porque fosse atrasá-lo.
- ? – disse.
- Fala! – eu disse.
- Eu... – ele se aproximou – Você acha que o vai demorar?
- Por quê? – falei, me fazendo de desentendida.
- Bom, é que... Eu estou morrendo de saudades de você! – ele disse com uma cara fofa.
- É mesmo? – eu disse e me aproximei dele, agora podia sentir sua respiração.
- É!... Eu... Posso te dar um beijo? – ele perguntou.
- Você não precisa nem pedir, bobinho! – falei, ele sorriu e me beijou. Sua língua pediu passagem e concedi, o beijo foi tão intenso, tão perfeito, que eu queria ficar assim pro resto da minha vida. Quando terminamos, ficamos um tempo nos olhando.
- ... Eu estava pensando – eu disse.
- No quê? – ele disse, me olhando meio aflito.
- Calma! É sobre a feira de ciências!
- Que tem ela? – ele perguntou confuso.
- Acho que devíamos aceitar participar, ou pelo menos fingir que vamos.
- Mas ... Como assim fingir que vamos?
- Pensa, . Se “tivermos” esse trabalho, temos uma desculpa para nos encontrarmos sem a galera desconfiar de nada.
- É mesmo... Você é um gênio, meu amor! – ele disse e começou a me encher de selinhos. Ouvimos as vozes do e da se aproximando e nos desvencilhamos.
O engraçado é que era mais fácil esconder o que estava acontecendo do que se no lugar do fosse o . Será que significa que eu goste mais do ? Não! Não pode ser. Ou será que pode? Às vezes acho que estou enlouquecendo. ligou a TV e encontrou algum canal que falava do Brasil. Aquilo me fez sentir saudades de uma amiga minha de Londres que sempre comentava que era louca para conhecer o país. Quando vim pra cá nós mantivemos contato por um tempo, mas aos poucos paramos de nos falar. Então senti vontade de ligar para ela.
- Já volto – falei e fui à cozinha.
Peguei o celular e disquei os números.

(Ligação on)

- Alô?
– disse uma voz masculina.
- Alô! A Paty está? Aqui é a !
- Oi ! Aqui é o Brendon!
- Brendon? – eu disse confusa.
- Vai dizer que você não lembra de mim? Assistente do pai dela e...
- Ah! Claro! Meu ex-namorado. Nossa! Nem sei como não reconheci sua voz – eu disse surpresa.
- Pois é né! Eu reconheceria sua voz de qualquer jeito!
- Brendon, não fala assim.
- Vai dizer que você não sente falta de nós dois?
- Olha Brendon, eu sei que o que tivemos foi especial e tudo, mas...
- Mas o quê? – meu coração gelou, olhei para a geladeira e dei de cara com o reflexo do me encarando vermelhíssimo, fingi que não o vi.
- Mas passou, entende? Eu amo outra pessoa!
- Como assim? E nós?
- Não tem nós, Brendon. O nós ficou no passado. Mas e cadê a Paty? Não liguei para falar com você, liguei para falar com ela.
- A Paty foi para o Brasil.
- O QUÊ? Foi fazer o que no Brasil? – eu disse surpresa.
- Vai passar seis meses lá – ele contou.
- Quando ela foi?
- Semana passada.
- OH MY GOD! Obrigada por me contar, Brendon. Por acaso você não sabe o telefone dela de lá?
- Infelizmente não. Ela ainda não ligou para cá.
- Sério? Nossa! Bom... Se descobrir me liga ta?
- Pode deixar e...
- O quê?
- Tem certeza que não tenho mais chance?
- Você não desiste mesmo hein?
- De você? Nunca!
- Não tem chance não. Eu amo o...
- Quem?
- Um cara lindo, de olhos azuis – falei e olhei para o , que abriu um sorriso todo bobo.
- Nossa! Resolveu me humilhar agora?
- O que? Ah... Não! De jeito nenhum. Preciso desligar agora - eu disse, despertando de meu transe repentino.
- Ok então. Se mudar de idéia já sabe né?
- Sei – Ri. – Tchau e mais uma vez obrigada Brendon.
- De nada, linda. Tchau! – ele disse e desligamos.

(Ligação off)

- Não sabia que você mantinha contato com o seu ex – disse sério.
- E não mantenho. Só que ele é assistente do pai da minha amiga lá de Londres e infelizmente foi ele que me atendeu.
- Devo entender que ele quer voltar com você?
- Sim. Sabe, terminamos porque eu vinha morar para cá e ele não se conforma e...
- E?
- E foi até bom, sabe? Descobri que não gostava tanto dele como pensava, que não o amava.
- E quem você ama?
- Ah! Um cara aí. Que quase me matou do coração quando o vi pela primeira vez – falei e ele abriu um largo sorriso.
- Sério?
- Pode acreditar – falei e me aproximei dele. Ele passou as mãos em volta da minha cintura e passei as minhas em volta do seu pescoço, então nos beijamos, só que dessa vez foi de um jeito diferente. Havia fogo, havia desejo mútuo naquele beijo. Eu sabia que tinha que parar, mas não queria. E a cada minuto o clima esquentava mais.
- ... – eu dizia entre um beijo e outro. – ... A gente precisa parar... E se pegam... A gente?
- Relaxa... Não vão... Pegar não – ele disse e começou a beijar o meu pescoço. Quando comecei a tirar a camiseta dele, ouvimos a campainha tocar. Nos desvencilhamos. Nosso estado nos denunciaria se alguém entrasse na cozinha.
- ?
- Sim? – ele disse com os olhos arregalados.
- Quer sair daqui?
- Por quê? – ele disse confuso.
- Quer ou não quer? – repeti.
- Quero. Mas por quê?
- Tive uma idéia. Vem... – Puxei ele pela mão e fomos até a sala e encontramos o pessoal lá.
- Demoraram hein? – eu disse a eles.
- Foi mau gente – disse .
- Foi mau nada. Agora a gente não vai poder ficar! – eu disse e me lançou um olhar confuso, dei uma piscadela disfarçadamente para ele.
- Por quê? – perguntou surpreso.
- Eu e o decidimos que vamos participar da feira de ciência.
- E daí? – disse .
- E daí que o professor ligou para a gente e quer que a gente vá até a escola pra falar com ele sobre o tema o mais rápido possível – eu disse. Nem sei porque estava fazendo isso, acho que não era nem a minha cabeça que estava me comandando, mas sim o corpo, o desejo.
- É, nós vamos selecionar uns temas do nosso interesse e vamos mostrar pra ele, daí ele nos dirá qual tem mais chance – completou.
- E vocês não podem deixar isso para outra hora não? – disse .
- Não. Tem que ser agora – disse, parecendo angustiado. Contive um sorriso malicioso.
- Bom, vão então né! Fazer o que! – disse conformado. – Mas vocês vão pelo menos sair com a gente à noite!
- Tá – eu disse, nos despedimos e saímos. Assim que tomamos uma boa distância da casa, comecei a rir.
- Do que ta rindo? – disse.
- Do jeito que você pareceu agoniado – falei e ele enrubesceu. – Não precisa ficar envergonhado, . Eu acho... Que entendo o seu lado.
- Vai dizer que você não ficou no mesmo estado que eu? – ele disse.
- No mesmo eu não diria, mas é só você me dizer aonde vamos que resolvo o seu probleminha – falei e pisquei pra ele.
- Onde? Não sei, você quem sabe. Seus tios estão em casa?
- Estão. E seus pais?
- Viajando.
- Então?
- Tem certeza que você quer isso mesmo? – ele disse um pouco constrangido.
- Claro que eu quero. E por que não ia querer, ?
- Ah, sei lá. – Ficamos em silêncio um bom tempo, enquanto andávamos rumo à casa dele. – ? – ele chamou tímido.
- Sim? – respondi.
- Posso... Posso perguntar uma coisa? – ele disse.
- Claro!
- V-você e o ... Já... Err...
- Se já fizemos sexo? - falei e ele confirmou. – Não.
- Então... Você é...
- Não ter feito sexo com ele, não quer dizer que eu seja virgem, – falei.
- Você não é? – ele disse surpreso.
- Claro que sou! Você acha que sou o quê? Alguma vadia? – falei fingindo indignação.
- Desculpe! Não foi isso que eu quis dizer – ele disse de cabeça baixa.
- Relaxa amor, eu estava brincando com você – falei e ele sorriu.
- Verdade?
- O quê?
- Que sou seu amor? – Ele fez uma cara fofa.
- Claro que é – falei, ele sorriu e me beijou. Mais uma vez o desejo aflorou em nossa pele, mas estávamos no meio da rua.
- ... A gente... Ta no meio da rua! – falei.
- Nossa! – ele disse, se desvencilhando. – É mesmo. – Rimos.
- Falta muito? – perguntei e ele olhou em volta.
- Na verdade não, estamos na frente da minha casa – ele disse, indicando uma casa verde.
- Que tal a gente entrar logo então? – eu disse, mordendo o lábio inferior de leve.
- Ok. – Ele suspirou e abriu a porta. Era uma casa simples. Entrei e ele entrou em seguida. Fechou a porta e ficamos nos encarando por alguns instantes. Aqueles olhos azuis sabiam me hipnotizar de uma forma surpreendente. Ele pegou na minha mão e lentamente fomos ao quarto dele. Estranhamente era um quarto super limpo e organizado. Nem parecia quarto de garoto.
- Tem certeza que esse não é o quarto da sua irmã? – falei e ele sorriu.
- Não, minha irmã detesta Green Day – ele disse, foi aí que notei dois posters na parede, um do Green Day e outro do Good Charlotte. Ao lado da cama tinha dois porta-retratos com duas fotos da banda dele, uma com ele e outra comigo na formação.
- Onde você arranjou essa foto hein? – falei surpresa.
- me deu na época... Na época que vocês estavam juntos – ele disse. – Desculpe. Deve ser ruim falar disso ainda.
- Não, não é mais. Mas acho que temos coisas mais interessantes para fazer do que ficar falando do – eu disse, fechando a porta.
Assim que soltei a maçaneta, nos beijamos vorazmente, com aquele desejo incontrolável que nos fez vir da casa dos meninos até a casa dele. A mão dele deslizava por todo o meu corpo, me fazendo ficar cada vez mais arrepiada. A cada beijo, a cada toque, cada vez que ouvíamos a respiração ofegante um do outro, o desejo aumentava, a intensidade aumentava. Parecia que mais nada importava naquele momento, só eu e ele. Quando eu imaginaria que um dia estaria assim com ele? Que fosse tão bom estar assim com o cara que eu considerava meu melhor amigo? Então, com um baque me dei conta disso. Não nego que senti uma ponta de arrependimento. Me desvencilhei e quando olhei naqueles lindos olhos azuis que me encaravam confusos, então pude entender o que me disse certa vez: O não era o cara certo, esse cara era o . Meu coração parecia que ia saltar pela boca. Ao olhar assim para ele, percebi o quanto meu sentimento por ele cresceu. Percebi o quanto o amo.
- Que foi? – ele disse confuso. – Você... Está arrependida?
- Arrependida? – falei.
- É... Você... N-não quer mais? – ele perguntou apreensivo.
- Eu quero sim. Claro que eu quero... É só que...
- O quê?
- Me acaba de ocorrer que... Você era meu melhor amigo – falei.
- E isso é ruim? – ele perguntou. – Olha, eu deixei bem claro pra você que sempre te amei, que só me contentei em ser seu amigo, porque você namorava o .
- Eu sei , e eu não acho isso ruim não.
- Não?
- Não, no fundo eu nunca te considerei meu melhor amigo, sabe? Acho que inventei essa história de melhor amigo para ver se escondia de mim mesma o fato de ser completamente apaixonada por você. – Ele sorriu, encarei-o por alguns instantes – Sabe... Era bem difícil ter um amigo tão lindo como você, eu sempre tinha que me controlar pra não te agarrar.
- Bem vindo a minha vida – ele disse. – Senti isso por você, desde a primeira vez que te vi.
- É? – eu disse, me reaproximando até sentir sua respiração, passando a mão pelo corpo dele até chegar à barra da camiseta e fui tirando-a lentamente.
- É – ele disse. – , eu...
- Por que a gente não para de falar hein? – eu disse, tirando por fim a camiseta dele e começando a beijar seu pescoço. – E em vez disso... Faz o que estamos tão loucos para fazer?

[/]

[]

Por um fugaz momento achei que ela ia querer terminar porque éramos melhores amigos. Mas quando ela disse que sempre foi apaixonada por mim e se reaproximou esqueci completamente disso.
- Sabe... Era bem difícil ter um amigo tão lindo como você, eu sempre tinha que me controlar pra não te agarrar – ela disse.
- Bem vindo a minha vida – eu disse. – Senti isso por você, desde a primeira vez que te vi.
- É? – ela disse, deslizando as mãos pelo meu corpo até chegar à barra da minha camiseta, que foi tirando lentamente.
- É – eu disse. – , eu...
- Por que a gente não para de falar hein? – ela disse, tirando por fim minha camiseta e beijando meu pescoço. A cada beijo me deixando mais arrepiado. – E em vez disso... Faz o que estamos tão loucos para fazer? – Ela me olhou com malícia e mordeu o lábio inferior, em seguida tirou a blusa.
Quebrei a mínima distância que tínhamos e a beijei com desejo.
- Eu... Amo tanto... Você! – eu disse com a voz ofegante.
- Ama mesmo? Prova então! – ela provocou.
- Você ainda quer que eu prove? – eu disse, fingindo indignação.
- Quero – ela disse.
- Então tá. Vou provar! – eu disse e a empurrei, fazendo com que caísse deitada na cama. Subi por cima dela, mas mantive uma distância de um palmo, mais ou menos, então a encarei nos olhos.
- Tá esperando o que? – ela disse confusa.
- Nada. Estou só admirando como você é linda. – Ela sorriu, ergueu a cabeça perto do meu ouvido e sussurrou:
- É tudinho seu. – Então deitou novamente e sustentou meu olhar.
Beijei-a com ardor, minhas mãos deslizando por seu corpo. Desci os beijos para seu pescoço, depois desci mais um pouco até seus seios, ela deslizava as mãos por minhas costas e começou a dar leves arranhões, dando leves gemidos. Desci mais uma vez os beijos e fui descendo até a calça dela, então fui subindo lentamente até chegar ao seu pescoço, vez ou outra dando chupões, abri o botão da calça dela e fui tirando-a, deixando-a só de calcinha e sutiã, parei e contemplei o seu corpo. Man! Como ela era linda! Mordi o lábio inferior e então ela inverteu nossas posições, ficando por cima de mim. Enquanto me beijava, deslizava as mãos até chegar à minha calça. Soltou o cinto e lentamente desabotoou a calça. Depois foi tirando, me deixando só de boxe. Colocou as mãos por dentro dela e começou a acariciar e manipular meu membro, o que me fez soltar um urro de prazer. Passei minhas mãos em suas costas até encontrar o feixe do seu sutiã, enquanto dava chupões em seu pescoço. Encontrei o feixe e soltei-o. Ela parou de acariciar meu membro e tirou o sutiã revelando seus seios belos e fartos. Inverti nossas posições e por cima dela, lambi e dei leves mordidas lentamente em seus seios. Ela gemia cada vez mais alto. Beijei-a novamente, tirei a boxe enquanto ela dava chupões em meu pescoço, peguei uma camisinha e vesti meu membro. Mais uma vez ela me olhou maliciosa e mordeu o lábio inferior. Passei minhas mãos lentamente por seu corpo, fazendo-a arrepiar, até chegar à sua calcinha, que fui tirando lentamente. Mantendo contato visual então a penetrei bem devagar. Ela soltou um gemido de dor que logo foi se transformando em prazer. Fui aos poucos aumentando a velocidade. Gemíamos cada vez mais alto. Quanto mais o prazer aumentava, mais alto nós gemíamos. Parecia que eu estava indo aos céus. Gozei um pouco depois dela. Com a voz ofegante e ainda dentro dela, eu disse:
- Se algum dia eu tive dúvidas, hoje tenho convicção de que você é a mulher da minha vida. Amo você mais do que tudo. – Ela sorriu.
- Você também é o homem da minha vida e eu também amo você – ela disse. Saí de dentro dela e tombei ao seu lado. Permanecemos em silêncio por longos minutos, ela com a cabeça em meu peito, e eu acariciando seus lindos cabelos negros.
- ?
- Sim?
- Eu... Não... Machuquei você, né?
- Não. Você foi perfeito – ela disse, se virando e me olhando nos olhos. Sorri, ela retribuiu o sorriso e nos beijamos com amor.
Então a campainha tocou, nos desvencilhamos e ela me olhou assustada.


--x--


- Quem será? – disse.
- Não faço idéia – eu falei. Levantei e me vesti o mais rápido que pude e ela fez o mesmo. – Eu vou lá atender!
- Tá – ela disse. A campainha tocou mais umas quatro vezes, pelo visto a pessoa estava impaciente.
Quando atendi dei de cara com a galera.
- E aí, como vai o trabalho? – disse, entrando. Meu estado provavelmente estava me denunciando, eu estava descabelado, suado e um pouco ofegante.
- Trabalho? Que trabalho? – eu disse confuso, ele me olhou estupefato, então lembrei que dissemos a eles que íamos fazer o trabalho da feira de ciência. – Ah sim! Vai ótimo.
- E a ? – perguntou.
- A-aqui! – veio e teve o cuidado de arrumar os cabelos.
- E sobre o que vocês estão fazendo? – perguntou desconfiada.
- Ainda estamos escolhendo os temas, o professor ficou entre fissão nuclear, teoria da relatividade e ondulatória – disse rapidamente, era incrível como ela conseguia raciocinar numa situação como essa. Provavelmente minha cara estava nos entregando, mas por sorte só a continuava me olhando e ela sabia de tudo.
- Mas o que vocês vieram fazer aqui? – disse.
- Esqueceram que falei que vocês iam sair com a gente à noite? – disse. – Vamos dar uma volta na cidade?
- Bom... Err... – Na verdade eu não queria, esperava ficar mais um tempo com a , assistir um filme só nós dois, ou algo parecido.
- É uma boa idéia – ela disse e me lançou um olhar significativo.
- É... Vamos sim! – falei, mas naquele momento a campainha tocou. atendeu e ninguém mais, ninguém menos do que o estava à porta.
- ? – e exclamaram surpresos.
- Me disseram que vocês estavam aqui – ele disse.
- Vou esperar lá fora – disse ríspida. Era óbvio que estava meio abalada com a presença deles, afinal, era a primeira vez que ela o via depois de eles terem terminado. Quando ela passou por ele, ele a segurou pelo braço.
- Eu preciso falar com você – disse a ela.
- Não tenho nada para falar com você – ela disse sem olhá-lo. – Me solta!
- ! – ele chamou.
- Não te dei intimidade pra me chamar pelo apelido, ! – ela disse secamente, se desvencilhando das mãos dele.
- ! – ele disse, fazendo uma careta.
- Que foi agora? – ela disse, se virando para encará-lo.
- O que é isso?
- Isso o que? – ela disse confusa.
- No seu pescoço – ele disse, apontando desconfiado para uma mancha vermelha em seu pescoço, uma mancha que era decididamente um chupão. “Fudeu!”. Ela ficou escarlate.
- Onde foi que você arrumou isso? – disse.
- Eu... Err... Eu – ela balbuciou. me olhou surpresa, olhei para o chão com os olhos arregalados. “E agora?”.
- Onde hein, dona ? – Pat disse zangado.
- Não é de sua conta! – ela retrucou.
- Mas é da minha! – disse.
- Foi... Foi... É...
- Sabe o que parece? – disse.
- O que? – disse.
- Parece... Ah... Melhor eu não dizer. Deixa pra lá – ele disse.
- Agora fala, – disse .
- Ta bom, parece um chupão – disse.
- O que? – disse indignada. – Me diga onde eu iria arrumar um chupão?
- Quem tem que dizer isso é você! – disse .
- Como eu já disse, não devo satisfações a você! – disse. – Não é de sua conta com quem eu ando ou deixo de andar!
- Então isso é mesmo um chupão! – disse surpreso.
- Com quem você anda se esfregando, hein ? – disse encolerizado.
- Olha bem como você fala comigo, ! – ela disse lívida.
- E você quer que eu fale como? Eu volto disposto a retomar o nosso namoro e encontro você com um chupão no pescoço! – ele disse. – Bem que eu desconfiava que você andava me traindo.
- Hey, espera aí! Você não tem o direito de acusar, ela ! – eu disse zangado.
- Por que ta defendendo ela, ? – disse desconfiado.
- Porque todo mundo aqui está de prova do quanto ela sofreu por sua causa – eu disse.
- Isso é verdade. E eu não vou permitir que você fale desse jeito com a minha prima – disse.
- Mas você não respondeu , com quem você andou? – insistiu.
- Não andei com ninguém – ela disse.
- Como não? E esse chupão? – disse .
- Quem disse que isso é um chupão? – ela disse.
- Se não é chupão é o que? – disse .
- É mordida de mosquito – ela disse e caiu na gargalhada.
- Mordida de mosquito? – ele disse com a voz abafada pelo riso.
- É sim. E você, , sabe muito bem que sou alérgica a picada de mosquito e que fica uma mancha enorme – ela disse.
- Isso é verdade – ele confirmou pensativo.
- E então, vão parar de me acusar injustamente agora? – ela disse.
- Foi mal aí, – disse .
- É, desculpe – disseram e .
- Eu nem sei o que te dizer – disse .
- Prefiro que você nem me dirija a palavra – ela disse seca.
- Vamos então? – disse .
- Aonde? – perguntou.
- Dar uma volta – disse .
- Quer ir com a gente? – convidou.
- Claro – ele disse e bufou.
- Vou pegar a minha bolsa – ela disse, passou por mim e murmurou “Vem!”. E foi para o meu quarto.
- O que a bolsa dela faz no seu quarto, ? – disse desconfiado.
- Estávamos fazendo nosso trabalho da feira de ciências – falei, dando de ombros. – Bom... Vou pegar o meu celular – disse e fui para o quarto.
- Essa foi por pouco – eu disse a ela.
- Por pouco? , a gente precisa ter cuidado! O quase descobriu! – ela disse.
- Ainda acho que não devíamos esconder – eu disse.
- Como não? Você viu a cara do quando o disse que era um chupão – ela disse.
- É... Ficou possesso. Parece... Que ele gosta de você mesmo, então – eu disse cabisbaixo.
- Hey! Que foi? – ela pegou em meu queixo e ergueu minha cabeça, olhou em meus olhos – Você não está achando que eu vou voltar com ele, está?
- Bom, se você quiser voltar... Eu vou entender.
- , ele teve a chance dele e desperdiçou. Eu amo você e é com você que eu quero ficar. – Sorri. – Não acredito que você pensou que eu ia terminar com você depois do que aconteceu – ela disse.
- Você gostou então? – eu disse.
- Claro que gostei! Foi maravilhoso. E... Logo vou querer um bis! – Ela piscou e me deu um selinho. – Agora vamos, senão vão ficar desconfiados de novo.
- Vamos, meu anjo – eu disse e então saímos.

[/]

[]


Não sei direito o porquê, mas alguma coisa me dizia que o escondia algo de mim. Algo que envolvia a . E só pude pensar que aquela história de mordida de mosquito era uma mentira deslavada. Faz uma semana desde que voltei e reparei que ela não parece nem um pouco abatida como no dia em que terminei com ela. Na verdade ela agia como se eu nem existisse. E isso me machucava. Eu sabia que tinha magoado ela, que tinha colocado nela dúvidas sobre meus sentimentos. Mas eu realmente não tinha escolha. Eu tinha que agir daquela maneira. Ela nunca ia me perdoar se soubesse da história verdadeira. Além disso, a vida dela dependia disso também.

(Flashback on)

havia acabado de fazer seu último show com os meninos do . Agora estávamos na frente da casa dela sozinhos em meu carro.
- Estou muito orgulhoso de você – eu disse e ela abriu um lindo sorriso.
- Que bom que você gostou, só isso importa pra mim – ela disse. Retribuí seu sorriso e envolvi seu rosto com minhas mãos, beijando-a em seguida, um beijo calmo que foi se intensificando aos poucos. Desci minhas mãos, chegando em sua cintura e puxando-a mais para perto de mim. As mãos dela envolveram minha nuca embrenhando seus dedos em meus cabelos. Meu corpo gritava pelo dela e não demorou muito para que eu me “animasse” com aquilo. Tirei sua blusa e deslizei minhas mãos por sua barriga, subindo mais um pouco e apertando seus seios por cima do sutiã. Ela gemeu baixinho contra meus lábios. Suas mãos deslizaram por meu abdômen por baixo da minha camiseta. Desceram mais um pouco e roçaram em minha ereção. Ela se desvencilhou rapidamente, olhando para os lados um pouco assustada.
- D-Desculpe – ela disse, já vestindo sua blusa. – Não sei se estou pronta pra dar esse passo agora.
- Tudo bem. Eu entendo – eu disse escondendo o desapontamento. Ela me olhou, hesitando um pouco, como se refletisse se devia ou não.
- Acho que não é hora e nem lugar para isso, . Meus tios podem aparecer a qualquer momento – ela continuou se desculpando.
- Já disse que entendo, meu amor, não se preocupe com isso – eu falei. Ela sorriu fraco.
- Melhor eu ir então – ela disse e me deu um selinho demorado. – Até amanhã.
- Até – eu disse e ela abriu a porta para sair do carro.
- Te amo – ela disse, sorrindo.
- Eu também – eu disse, retribuindo.
Quando ela entrou em casa, liguei o carro e fui até a casa do James ver o que ele queria, pois durante o show recebi uma ligação dele e nem pude atender.
Cheguei em questão de minutos e toquei a campainha. Quando abriram a porta dei de cara com dois olhos muito verdes me encarando. Era a irmã do James. Kathelyn, um antigo rolo meu na escola. Não pude deixar de olhá-la da cabeça aos pés, pois ela estava com um short curtíssimo.
- ! Que surpresa – ela sorriu. – Entra! – convidou, me dando passagem e entrei. Pigarreei.
- Seu irmão está? – eu perguntei, um pouco nervoso por estar sozinho na sala com ela.
- James saiu faz uns quinze minutos. Acho que não volta tão cedo – ela disse.
- Ah... – eu fiquei desconcertado. – Tudo bem então, eu volto outra hora – eu disse, me encaminhando para a porta.
- Espere – ela disse e me virei para encará-la. – Não quer ficar mais um pouco, eu posso ligar para ele e dizer que você está aqui. Assim você não perde sua viagem.
- Ah... Não acho que seja uma boa ideia – eu disse, vendo que do jeito que havia me deixado eu não ia conseguir me segurar com uma garota daquelas na minha frente.
- E por que não? Há tanta coisa que a gente pode fazer – ela disse, me olhando de cima a baixo.
- Eu... Não posso, Kathelyn. Estou comprometido – eu disse, engolindo em seco. Eu não podia fazer isso com a . Eu a amava e cada célula do meu corpo sabia disso.
- Com a garota que substituiu o , não é? – ela perguntou e assenti. Ela se aproximou de mim e começou a beijar o lóbulo de minha orelha. Eu não consegui fazer ela se afastar, soltei um gemido baixo. – Pelo jeito ela não está tomando conta direito de você, não é?
- Nós... Estamos juntos a pouco tempo – eu expliquei com a voz falha.
- Não resista, – ela sussurrou no meu ouvido, me deixando arrepiado. E eu realmente não consegui. Virei de frente para ela e puxei-a para mim. Dando início a um beijo repleto de desejo.

...

- Pára Kathelyn – eu disse, com a consciência voltando aos poucos.
- Pare de lutar, ! Eu sei que você nunca me esqueceu – ela disse enquanto beijava meu pescoço. Afastei ela como se recebesse choques elétricos ao ouvir o que ela dissera.
- Kathelyn, eu estou com a agora. É ela que eu amo!
- Ama nada, ! Você nem conhece ela direito!
- Amo sim. Ela é a garota mais incrível que já conheci e eu não vou me perdoar nunca se traí-la com você!
- Se você ama ela tanto assim, o que veio fazer aqui?
- Você sabe muito bem que vim atrás do James. Ele não parava de me ligar durante o show – eu disse.
- Então você tem certeza de que não vai largar aquela idiota? Vai continuar... Resistindo – ela disse e começou a acariciar meu pênis por cima da calça.
- Oh... Pare com isso, Kathelyn! Eu não vou largar a ! – eu disse com firmeza e ela parou imediatamente.
- Você me conhece bem, não conhece, ? Sabe que ninguém rejeita Kathelyn Mason! – ela disse furiosa.
- Não ouse fazer nada contra a ! – eu disse zangado. Que audácia dessa garota!
- E quem disse que ela que vai pagar? – Kathelyn disse. – Por mais idiota que ela seja, não me fez nada. É você que vai!
- Kathelyn... – fomos interrompidos pela porta que se abria. Era James que acabava de chegar em casa.
- , você por aqui? – ele disse surpreso ao me ver.
- Bom, você me ligou durante o show e eu não pude atender. Como não consegui falar com você, resolvi vir até aqui – eu expliquei.
- Ah sim. Preciso falar com você mesmo. Kathe, pode nos dar licença? – ele disse.
- Claro – Kathelyn disse e saiu, me lançando um último olhar fulminante.
- Bom , o que tenho para te falar é algo muito sério – ele disse.
- Aconteceu alguma coisa, James? – perguntei um pouco assustado.
- Henry mandou um recado para você. Você sabe que não sou de fazer isso, mas ele é meu primo e está realmente furioso – ele disse.
- Pois fale então. Qual é o recado? – perguntei.
- Sua namorada não devia ter humilhado ele daquele jeito – James começou.
- Mas ele mereceu. Estava armando contra o .
- Mesmo assim. Você conhece o Henry e sabe mais do que ninguém que ele não deixa barato. ... O Henry estava planejando mandar matar a sua namorada – meu estômago despencou.
- O QUÊ? – eu disse apavorado. Todos conheciam o poder que Henry tinha. Quando ele dizia “matar” ele queria dizer “torturar a pessoa da maneira mais cruel possível até que ela suplicasse pela morte”.
- Isso mesmo. Ele diz que só não fez isso em consideração a você. Porque você já namorou minha irmã – James explicou – Mas...
- O que?
- Tem uma condição.
- E qual é?
- Você vai ter que terminar com ela se quer que ela viva... E da pior maneira possível. Ele poupa a vida dela, mas quer que ela sofra com alguma coisa pelo menos.
- Eu... Eu...
- Olha , eu tentei fazê-lo desistir dessa loucura, deixar vocês em paz, mas você sabe como o Henry odeia os e quando sua namorada atrapalhou os planos dele ele ficou possesso. Ela não devia ter se metido no caminho dele.
- E o único jeito é... – eu não conseguia nem pensar no assunto. Já sentia a dor assolar o meu peito.
- Fazendo o que ele pediu. Terminar com ela – James disse. – Sabe... Tenho a impressão de que Henry sente alguma coisa por ela também... Mas é só uma teoria.
- Aquele... – me contive. – Bom... Que outra escolha eu tenho? Sou capaz de qualquer coisa pela ... Até disso.
- Vou dizer isso a ele então – ele disse. – Desculpe ser eu a lhe dizer isso , você sabe que não tenho nada contra você.
- Claro – eu disse, mal encontrando minha voz.
- Tem mais uma coisa – ele disse.
- O que?
- Não pode dizer nada a ela – ele disse.
- Ok... Vou indo então – eu disse e James me acompanhou até a porta.
- Tchau cara e, mais uma vez, desculpe por ser eu a te dizer isso.
- Não foi nada – menti, sentindo que meu mundo desmoronava. – Tchau James.

(Flashback off)


Se ao menos eu pudesse explicar a ela tudo isso. Se pudesse contar, talvez pudesse evitar toda essa frieza com que ela me trata agora, talvez evitasse seu sofrimento que a tornou tão amarga comigo.
Sinto muita falta dela, é como se metade do meu coração tivesse partido. Como se com ela tudo se encaixasse. Sem ela comigo tudo perdeu a graça, tudo perdeu o sentido. E o pior é que sei que jamais terei ela novamente. Mas mesmo assim estou disposto a lutar por ela. Decidi que não vou aceitar as chantagens de Henry. Vou encontrar um jeito de proteger a vida dela. Nem que tenha que fugir com ela para o outro lado do mundo. Porque alguma coisa dentro de mim diz que ela ainda me ama. Pude ver alguma coisa além da raiva em seu olhar. Aquele brilho que eu conhecia e que tanto gostava.
- Não, eu não posso ir aí agora – ela dizia ao telefone, estava na porta da cozinha e falava de um jeito que me deixava casa vez mais desconfiado. – Agora ficou meio arriscado com o me cercando o tempo todo... Eu sei, também sinto... Vamos dar um jeito nisso, eu prometo... Mais tarde nos falamos então... Eu também – e desligou.
- Depois fica braba quando fico desconfiado – eu disse. – Com quem você estava falando?
- Minha vida não diz respeito a você – ela respondeu seca. – Nem sei por que continua falando comigo. Não vê que você me dá náuseas?
- Dou mesmo? – eu disse, me aproximando perigosamente dela e senti que ela ficou nervosa com isso.
- Sai de perto de mim, ! – ela sibilou.
- Tem certeza que é isso mesmo que você quer? – eu disse quase tocando nossos lábios. Ela abriu a boca para responder, mas pelo jeito não encontrou as palavras. – Diga que não me ama, ... Diga e eu prometo que não incomodo mais você!
- Eu não te amo – ela disse com os olhos fixos em um ponto qualquer atrás de mim.
- Olhe nos meus olhos – eu disse e ela obedeceu. – Agora diga.
- Eu... Eu... – ela disse sem deixar de me fitar. – Tudo bem... Eu amo você – ela disse vencida e meu coração retumbou de felicidade em resposta.
- Eu sabia disso – Sorri. E ia tocar nossos lábios, mas ela virou o rosto e olhei para ela completamente confuso. – O que foi?
- Amo você, mas a dor que você me causou fez nascer uma raiva tão forte dentro de mim, que não lembro mais o que é amar você – ela disse e seus olhos ficaram marejados. A dor que senti ao ouvir suas palavras foi maior do que qualquer coisa que já senti.
- Tem certeza de que é isso que sente? – eu disse sério.
- Não consigo perdoar você – ela disse firme. As lágrimas teimosas rolaram de meus olhos e vi que ela chorava também.
- Tudo bem então. Mas saiba que não vou desistir de você... – eu disse e sem dar tempo para que ela pensasse em fugir, toquei seus lábios com os meus. Ela cedeu de início, por alguns segundos e depois se desvencilhou. – Nunca – eu disse e a soltei. Ela saiu correndo e bateu a porta ao sair.
- Eu amo tanto você, – eu disse olhando para a porta. – Queria ter coragem suficiente para te explicar tudo.

[/]

[]

Eu chorava compulsivamente encostada na porta, do lado de fora da casa.
- Droga, ! Por que não me deixa viver minha vida? – eu disse. – Foi você quem pediu para que isso acontecesse!
Senti meu celular vibrar e em seguida ouvi o toque.
Summer has gone and passed...
- Alô? – eu atendi, mesmo sabendo que minha voz estaria me entregando.
- Amor... Aconteceu alguma coisa? disse preocupado.
- ! Ah ! – eu desmoronei.
- Fala alguma coisa, ! Você está aonde?
- Na c-casa dos m-meninos – eu disse.
- Espera aí que vou te buscar então! – ele disse todo nervoso e em seguida desligou.
Guardei o celular no bolso e fui deslizando de costas na porta até cair sentada. Eu não queria que me visse naquele estado, ainda mais por , mas eu sentia que precisava dele nesse momento. Não conseguiria passar por isso sem seus braços a me confortar. Abracei meus joelhos e fiquei ali só sentindo as lágrimas rolarem pelo meu rosto e a dor pulsar em meu peito.
Logo ouvi o barulho de um carro parando e instintivamente ergui a cabeça para ver quem era. Não gostaria que mais ninguém me visse naquele estado. Mas era o . Ele saiu rapidamente do carro e veio ansioso em minha direção. Levantei, sentindo que não teria forças para ficar em pé por muito tempo.
- Amor, o que foi? – ele disse todo preocupado.
- ! – eu disse, sentindo um alívio muito grande ao vê-lo. O abracei como nunca tinha feito antes e minhas lágrimas não tardaram a arruinar sua camiseta.
- Vem... Vamos sair daqui – ele disse, tinha agonia em sua voz. Tudo o que eu menos queria era lhe causar dor. Ele praticamente me carregou até o carro. Abriu a porta do carona para mim e eu entrei, tentando controlar meus soluços. Nem eu mesmo entendia o porquê de tanto desespero. Talvez fosse pela confusão que se fortaleceu dentro de mim.
estava de volta. Disse que me ama, que não vai desistir de mim. E por um momento quase não consegui resistir a ele. Mas ele me magoou de uma maneira horrível e eu amava . Não podia dizer que amava mais um ou outro... Na verdade eu não sabia quem amava mais. E eu não queria magoar nenhum dos dois. Porque sabia que se fizesse isso, sua dor seria minha dor. Eu não poderia fazer um sofrer sem sofrer por isso também. As lágrimas de doíam em meu peito, mas a agonia de também.
Sem que eu reparasse já estávamos na frente da casa dele e ele abria a porta do carro para mim. Estendeu a mão e segurei-a, deixando que ele me conduzisse para a casa.
- Desculpa, ... Eu não queria que me visse assim... Sei que devo estar lhe causando uma dor imperdoável agora – eu disse assim que ele fechou a porta e se virou para me encarar.
- Não precisa se desculpar, . Mas me diga, o que aconteceu? Foi ele, não foi? – ele perguntou, me encarando.
- disse que... Que... Não vai desistir de mim... Nunca – eu balbuciei – Ai , por que ele faz isso comigo? Por que fica assolando a minha vida? – eu desabafei. me abraçou forte.
- Ele ama você... Por mais que tenha negado isso – ele disse, acariciando meu rosto. – E quando ele gosta de alguém não costuma desistir tão fácil.
- ... Eu amo você! Amo de verdade. Você é que me faz feliz. Estar ao seu lado é tudo o que preciso – eu disse, fitando demoradamente seus olhos azuis. Ele sorriu. – É tudo o que eu quero.
- Também quero muito ficar com você. Você é o amor da minha vida. Entendo perfeitamente o que você está sentindo e quero que saiba que não importa o que aconteça... Não importa a decisão que você tome... Eu sempre estarei ao seu lado... Sempre estarei aqui para você – ele disse ternamente.
- Já tomei minha decisão, ... Eu quero você – eu disse. – Só você. – Ele sorriu radiante, enxugando as lágrimas do meu rosto.
- Amo você... – ele sussurrou com seus lábios bem próximos aos meus. Sem pensar duas vezes venci a barreira invisível que nos separava, pressionando seus lábios com os meus e pedindo passagem com a língua. Enquanto nossas línguas se acariciavam em uma sintonia perfeita esqueci de tudo ao meu redor. Esqueci de qualquer dor que estivesse sentindo... Esqueci até de mim mesma. Se me perguntassem meu nome, eu não saberia responder. Suas mãos envolviam ternamente minha cintura. Eu podia sentir o coração dele batendo rapidamente, o que me dava convicção de que seus sentimentos eram verdadeiros. Ele realmente me amava e isso só me deixava mais feliz e me fez tomar outra decisão muito importante. Não importa o quanto me magoe, eu jamais vou derramar uma lágrima sequer por ele na frente de de novo. Ele sugou delicadamente meu lábio inferior, partindo o beijo. Abri meus olhos e encontrei os dele tão lindos, tão azuis, radiantes, me encarando como se eu fosse a única coisa que existisse no mundo.
- Nunca se esqueça disso – ele completou.
- Nem você. – Sorri e ele retribuiu.

(...)

Não era justo com o eu ainda pensar no . Não era certo eu estar com ele gostando de outro. Mas só de pensar em deixar o , sinto como se pensasse em tirar meu coração. Eu o amava e amava com força.
Pensei que com o tempo fosse esquecer o que sentia pelo . E que esse conflito interno fosse passar. Mas não, eu ainda estava confusa. Mesmo o tendo feito o que fez, mesmo sabendo que nunca perdoaria ele.
Pelo menos isso é o que me dava certeza de que o era o cara certo. Porque ele nunca me enganou. Nunca me fez duvidar de seus sentimentos.
- Querida, tem certeza de que vai ficar bem? – Louise disse.
- Tenho sim, tia – eu respondi.
- Se você se sentir sozinha, liga para o e ele vem ficar com você. Já conversei com ele. Talvez ele venha sem você chamar mesmo – ela disse.
- Ta bom tia, mas não precisa. Eu me viro – eu disse.
- Tudo bem então. Voltamos na quinta-feira. Juízo em? – ela se despediu.
- Claro! Pode deixar! – Sorri para ela e retribuí seu abraço.
- Boa viagem – eu disse.
- Obrigada, meu bem! Tchau! – ela disse e logo entrou no carro.
- Tchau tio! – eu acenei para ele e ele retribuiu. Partiram logo depois.
Meus tios iam viajar para Ontário, passar uma semana lá. Não fiquei nem um pouco avessa ao fato de ter que ficar sozinha. Além da viagem ser como uma segunda lua de mel deles, eu ainda poderia me encontrar com o sem ter que dar satisfações para eles, o que sempre acabava caindo nos ouvidos do .
Subi para meu quarto e fiquei lendo um livro. Depois de algum tempo a leitura começou a me entediar. Olhei para a janela e o sol estava escaldante. Decidi dar um mergulho na piscina e logo troquei de roupa. Quando estava prestes a entrar na piscina me ocorreu uma idéia.
Fui até a sala, peguei o telefone e disquei os números conhecidos.
- Alô?
- Amor, sou eu! Ta ocupado?
- Não. Por quê?
- Ta afim de vir aqui em casa dar um mergulho comigo?
- Claro, mas... E os seus tios?
- Foram viajar para Ontário e só voltam semana que vem... Aí eu pensei em dar um mergulho, mas sozinha não tem graça... E se eu ficar com frio? – Ele riu.
- Ok! To indo para aí então – ele disse.
- To te esperando então! Beijo. Te amo.
- Outro. Também te amo.
Desligamos. Fui até a cozinha beber um copo d’água. Então a campainha tocou e abri um largo sorriso.
- Tão rápido? – eu disse confusa. Será que era ele mesmo? Fui atender e quase desmaiei de choque quando abri a porta.
- ? – eu disse apavorada. E agora? O que ele ia pensar quando o chegasse?
- , eu preciso falar com você. É um assunto muito sério.
- N-Não pode ser outra hora? – eu disse.
- Por quê? Ta esperando alguém? – ele disse desconfiado.
- NÃO... Não, na verdade eu tenho um compromisso importante agora. Estava até de saída – menti.
- De biquíni? – ele disse, mais desconfiado ainda.
- Ah! É que... Eu estava indo para a piscina quando uma pessoa ligou pedindo para eu ir à casa dela urgente. Eu estava subindo para me arrumar quando você chegou – inventei. Às vezes minha capacidade de mentir era incrível, mas ainda doía mentir para ele.
- Uma das meninas? – ele perguntou.
- Não. Outra pessoa, mas não devo esse tipo de informação a você. Eu realmente estou com pressa, – eu disse.
- Prometo que não vou demorar. É um assunto importante o que tenho para te dizer. Você não imagina... – mas o restante do que ele disse eu não ouvi. Meu coração quase parou quando vi o carro do passando na frente de casa. Ele baixou o vidro e olhou assustado.
- É o ? – ele moveu os lábios sem emitir som.
- É – fiz um sinal imperceptível com a cabeça.
- O que ele quer? – ele perguntou.
- Não sei.
- Quando ele sair me liga, ta?
Fiz que sim com a cabeça mais uma vez bem na hora que o me perguntava algo.
- Tudo bem, . Entre. Mas seja rápido – eu fiz sinal para ele entrar, torcendo para que ele não visse o ligando o carro. Mas ele ouviu o barulho do motor e virou bem na hora que o partiu.
- Era o ? – ele perguntou.
- Claro que não! – menti.
- Pensei ter visto o carro dele... Devo ter me enganado – ele murmurou, entrando na casa e sentando no sofá da sala – Você e ele estão muito próximos, não é? – ele disse com uma nota de desconfiança na voz.
- Sempre fomos, desde quando eu estava com você. O é meu melhor amigo – eu disse, e parte daquilo era verdade. Antes de mais nada ele era mesmo meu melhor amigo.
- Desculpe. É claro que é. O jamais faria uma sacanagem dessas comigo. E se fizesse eu mataria vocês dois – ele disse. Meu estomago despencou e engoli em seco.
- Mas você n-não veio aqui para falar disso, veio?
- Não... Não vim... Mas antes de eu lhe dizer qualquer coisa, quero que prometa que vai ouvir tudo o que eu tenho para dizer antes de falar qualquer coisa – ele disse.
- Tudo bem – eu disse, um pouco apreensiva.
- Ok – ele pigarreou. – eu queria dizer que, eu sei que pode parecer difícil de acreditar agora, mas... Eu amo você como nunca amei ninguém... – Senti meu coração acelerar ao ouvir a sinceridade dele. – E eu me odeio a cada segundo por ter mentido para você. Ver a dor que lhe causei foi o pior dos castigos... Eu... Eu não devia ter cedido àquela chantagem nojenta! Devia ter arranjado um jeito de contornar isso ao seu lado...
- Chantagem? – eu disse estupefata. – Que chantagem? , do que você está falando?
- ... Você lembra do dia do seu ultimo show com os caras? – ele perguntou. – Lembra que recebi telefonemas de um cara chamado James?
- Sim, mas o que isso tem a ver? – eu disse confusa.
- James é primo do Henry. Eu procurei por ele naquele dia e James disse que tinha um assunto desagradável. Disse que Henry estava furioso pelo que você fez com ele. Há anos que Henry odeia os , porque, segundo ele, seus tios roubaram a parte do pai do Henry na empresa. Henry sempre fez de tudo para atingir o e quando você acabou com os planos dele, ele ficou possesso. Ele... Estava planejando... Matar você – sua voz falhou no fim. Senti uma onda de pânico se alojar em mim.
- Me matar? – eu disse apavorada.
- Sim. Mas Henry era meio afim de você e mandou James me fazer uma proposta. Ele me disse que pouparia sua vida se eu terminasse com você. E terminasse da pior maneira possível, porque ele queria que você sofresse já que impediu que ele fizesse o sofrer. – Senti meus olhos marejarem.
- Então... Então quer dizer que você... Salvou minha vida? – engasguei nas palavras, tentando conter as lágrimas.
- Eu não podia contar a você, pois colocaria a minha vida em risco também. Mas eu não me importo mais. Prefiro morrer tendo o seu amor, tendo você em meus braços do que viver sem você... , por favor, volte para mim? – não pude mais suportar e comecei a chorar.
- ... , eu não acredito que fez isso por mim – eu disse.
- Eu daria a minha vida por você – ele disse, afagando meu rosto e enxugando algumas lágrimas. – Eu amo tanto você. Preciso tanto de você – ele disse, se aproximando. Por um momento me senti entorpecida por suas palavras, mas então senti uma dor pulsar em mim. Por mais que eu amasse , não podia enganar . Eu o amava mais do que tudo. E agora eu sabia que esse amor era mais forte do que o que eu sentia pelo .
- , eu não posso – afastei-me dele.
- Eu entendo que deve estar tudo muito confuso para você agora e eu vou respeitar isso. Vou esperar sua decisão – ele disse e eu o abracei forte. Eu não queria magoá-lo, mas minha decisão já estava tomada. Eu não sabia se teria coragem de fazer isso hoje ou amanhã, mas eu ia assumir para todos o meu romance com o .
- Obrigada por me entender – eu disse, me desvencilhando.
- Obrigado por me ouvir – ele disse, beijou minha testa e se encaminhou para a porta. – Eu amo você, não esqueça disso. – Sorri e ele saiu em seguida.

(...)

Uma semana se passou. É, eu ainda não tinha assumido nada, mas hoje eu estava decidida. Liguei para e pedi para conversar com ele quando ele chegasse, pois ele tinha saído com a . Ele seria a primeira pessoa para quem eu ia contar.
Depois de me arrumar decidi ir à casa do para dizer a ele minha decisão. Eu sabia que ele ia ficar super feliz, pois se dependesse dele, nós nunca teríamos escondido e hoje eu concordo com ele.
Eu estava animada, quase aliviada por finalmente me livrar desse peso. Mesmo que esteja causando uma dor terrível ao . Eu sentia uma fisgada em meu peito por fazer isso com ele, mas eu não podia enganar a mim mesma.
O caminho até a casa do era meio longo, por isso peguei o carro da minha tia emprestado. Ela até tinha me oferecido um, mas eu recusei, pois não queria depender deles para tudo. Quando eu pudesse, eu mesma compraria meu carro.
Mas minha animação evaporou instantaneamente assim que parei na frente da casa do . Sendo substituída por uma dor lancinante e uma vontade louca de sair dali.
Ali, bem na porta da casa, estava aos beijos com uma garota loira.

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[]


- Vanessa, o que você está fazendo aqui? – eu disse surpreso quando atendi a porta e vi a loira de olhos amendoados parada na entrada me olhando dos pés à cabeça.
- Isso é pergunta que se faça, ? Eu vim ver você – ela disse e sem aviso me agarrou. Não tive tempo para me desvencilhar dela e confesso que não consegui resistir e retribui seu beijo, agarrando-a pela cintura. Foi aí que ouvi um carro parar e a voz dela soar embargada “?”, foi seguida de um soluço que fez meu coração se rasgar por dentro.
- Me solta, garota! – me desvencilhei. – ! – eu chamei, mas ela partiu. – Olha só o que você fez! – eu gritei.
- Ah! Era sua namorada, é? – ela perguntou cinicamente. – Pensei que ela fosse a ex do .
- O quê? Com... – mas eu não podia perder tempo com Vanessa. Eu tinha que ir atrás da . Tinha que dizer que aquilo foi um mal entendido, que aquela louca me agarrou. – Sai da minha frente – eu gritei para Vanessa, esbarrando nela e correndo o mais rápido possível até meu carro.
Cerca de cinco minutos depois eu estava na frente da casa dela. Toquei a campainha e a mãe do atendeu.
- Sra. , a está aí? – perguntei angustiado.
- No quarto dela, mas não acho que seja uma bo...
- Eu preciso falar com ela – eu disse.
- Tudo bem, você quem sabe – ela deu espaço para eu passar.
- Obrigado, Sra. – eu disse e entrei, subindo as escadas rapidamente.
Parei diante da porta de seu quarto e bati algumas vezes, sem receber resposta.
- , abre, por favor! – pedi.
- Vai embora! – ela gritou com a voz embargada, senti lágrimas rolarem de meus olhos também.
- Por favor, ! Deixe-me explicar! – insisti.
- Explicar o que, ? Eu vi você com aquela loira de farmácia! – ela gritou com raiva.
- Abre – eu sussurrei, entrando em desespero. Não podia ser verdade. E milagrosamente ela abriu a porta do quarto e me deu passagem, sem olhar para mim. As lágrimas rolavam de seus olhos, o que só aumentava minha dor. Assim que entrei, ela fechou a porta.
- Anda! Despeja logo as mentiras! – ela disse seca, ainda evitando olhar para mim.
- Não é nada do que você está pensando... – comecei, mas fui interrompido por ela, que começou a me socar. Nem tentei me esquivar, eu merecia coisa pior por fazê-la sofrer.
- Não-é-nada-do-que-estou-pensando? O-que-quer que-eu-pense? Você-estava-me traindo-e-eu-pensei-que você-me-amasse – suas mãos caíram ao lado de seu corpo e ela começou a soluçar.
- ...
- Droga, ! Logo agora que eu ia passar por cima de tudo para ficar com você – ela disse.
- Como assim? – eu disse surpreso.
- Eu... Ia dizer, que ia assumir... Eu ia falar com o hoje – ela disse.
- Você... Ia contar? – eu disse perplexo.
- Sabe o que é pior, ? O pior é que eu estava decidida... Eu acreditei que você me amasse de verdade, mas não... A única pessoa que realmente me ama é aquela que eu estava prestes a rejeitar!
- De quem você está falando? – eu disse confuso.
- Do , é claro! – ela disse.
- Como pode dizer isso? – eu protestei indignado. – Ele disse que não amava você... Ele...
- Ele foi capaz de negar o amor que sentia por mim para salvar a minha vida! – ela gritou.
- O quê?
- terminou comigo, porque Henry queria se vingar de mim. Henry ia me matar... Porque ele odeia os e eu atrapalhei os planos dele – ela disse e fiquei completamente sem fala. Então aquilo tinha sido uma prova de amor?
- Ele pediu para voltar. Disse coisas lindas para mim. Mas eu preferi ficar com você. Eu queria ficar com você porque pensava que você nunca fosse me enganar.
- , foi um mal entendido! – eu disse, agoniado. – Aquela louca me agarrou!
- E você gostou! – ela disse com raiva.
- Não! Claro que não! Ela tinha acabado de me agarrar na hora que você chegou – eu disse. – Eu jamais trairia você, ! Acredite em mim! – implorei.
- Não dá, ... Sinceramente não dá – ela disse.
Aproximei-me dela, erguendo seu queixo com uma das mãos.
- Por favor! Eu amo você! – eu disse, olhando em seus olhos.
- Acabou, ! – ela disse as palavras que rasgaram de vez meu coração. Senti-me dilacerado.
- Não! – eu disse desesperado. – Não pode acabar assim! Eu não vou conseguir viver sem você!
- Pensasse nisso antes de fazer o que você fez – ela disse. – Eu amo você, . Amo de verdade. Mas eu te juro que vou dar o máximo de mim para te esquecer. Nem que eu tenha que arrancar esse amor à força!
- Não faz isso comigo, ... Não faz! – eu disse com a voz embargada.
- Vá embora, ! Vá embora! – ela disse. Não parou de chorar um minuto sequer.
- Eu preciso de você – eu disse, já sem esperança. E então, sem aviso, ela me beijou. Seus lábios quentes e macios tocaram os meus de uma maneira diferente. E eu sabia que não tinha vencido. Era nosso último beijo, eu nunca mais a teria de volta.
- Vá, – ela disse ao partir o beijo. Sua voz tinha uma frieza que me atingia como se eu fosse mergulhado em ácido. Olhei uma última vez em seus lindos olhos castanhos e saí do quarto. Eu sabia que uma eternidade de dor me esperava.

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[]


A dor me invadiu de maneira assustadora quando ele partiu. Eu queria gritar para que ele voltasse, mas eu sabia que não conseguiria perdoar o que ele fez.
Fiquei deitada na cama enroscada como uma bola e completamente entorpecida pela dor, sem prestar atenção no tempo. Parecia que cada segundo custava demais a passar. E quanto mais demorava, mais a dor aumentava.
- , querida? – ouvi minha tia dizer após bater a porta.
- Sim? – eu disse com a voz falha.
- Seu primo está aqui. Quer falar com você – ela disse. Eu não sabia se estava pronta para falar com ele. Será que fazia sentido eu contar tudo agora que acabara? Eu não queria que fizesse qualquer coisa com o , mesmo ele merecendo.
- Tudo bem – eu disse, respirando fundo e lavando o rosto na pia do banheiro. Lentamente fui abrir a porta, respirando fundo mais uma vez. Para minha surpresa, seus olhos estavam tão inchados quanto os meus.
- Entra – eu disse, dando espaço, completamente surpresa com ele.
- Estarei lá em baixo com o seu pai – Louise disse e saiu. Ele entrou e eu fechei a porta, sentando ao lado dele na cama. Ele parecia péssimo.
- Que aconteceu, ? – perguntei preocupada, esquecendo por um momento de minha própria tristeza.
- Eu... A... – sua voz falhou e ele começou a chorar.
- Aconteceu alguma coisa com ela? – perguntei com a voz esganiçada de preocupação.
- Eu... – suspirou – Peguei ela... Com o Henry – meu queixo caiu.
- O QUÊ? – eu disse chocada.
- Isso mesmo que você ouviu – ele disse, conseguindo se controlar um pouco. – Fui buscá-la como tínhamos combinado e a mãe dela disse que ela estava na casa da . Fui até lá e encontrei ela saindo da casa do Henry... Do HENRY, ! – desandou a chorar de novo.
- Mas , o Henry é irmão da Karen. Já se passou pela sua cabeça que ela estivesse conversando com a Kah? – eu disse um pouco aliviada, mas a expressão dele continuou a mesma.
- Passaria se ele não saísse junto com ela e eles se beijassem. Bem na minha frente, !
- E o que você fez? – eu disse mal acreditando que a fosse capaz de fazer uma coisa dessas. Ela odiava o Henry, ou pelo menos era isso o que ela dizia.
- No começo eu fiquei sem reação. Aí ela me viu e eu voltei para o carro, e ela veio atrás de mim. Tivemos uma briga horrível e ela negou, ! Negou o que eu vi com meus próprios olhos. Se me contassem eu não acreditaria, mas eu vi. E aí... Tudo acabou – ele disse e então flashes do que tinha acabado de acontecer se passaram por minha mente e não consegui reprimir o soluço que se formou. me olhou assustado.
- O que foi, ?
- Tenho que te contar uma coisa – tomei coragem e mesmo tudo acabado, eu decidi contar a ele.
- É mesmo, você ligou mais cedo, né? Pode falar – ele disse.
- Eu... Eu... F-fiquei com o – eu disse apavorada com a reação que ele pudesse ter, mas ele me surpreendeu.
- Não acredito! Quando? – ele disse. – Eu sabia que vocês iam acabar se pegando!
- Há alguns meses – eu disse. – Na verdade a gente estava namorando, desculpa ter escondido. É que eu tive medo da reação de todos. Principalmente de você – eu disse.
- Mas por que, ? Sabe por que eu dizia que o não era o cara certo para você? Porque vocês não tinham nada a ver. Mas você e o ! Vocês combinam em tudo. É óbvio que eu aprovo vocês juntos! Eu sabia que ele gostava de você.
- Não tem mais o que aprovar, ... Acabou – senti um nó se formar em minha garganta.
- Como assim acabou? O que aconteceu, ? – disse preocupado.
- Primeiro prometa que não vai fazer nada contra ele – eu disse, sentindo arrepios só de pensar no que podia fazer com o .
- O que foi que aquele idiota fez com você? – ficou vermelhíssimo.
- Prometa, – insisti.
- Mas... Tudo bem, eu prometo – ele disse vencido.
- Aconteceu a mesma coisa que aconteceu com você. Eu peguei o me traindo... Com uma loira de farmácia.
- Vanessa – disse sério. Claro que estava possesso de ódio, era mexer em um só fio de cabelo meu e podia ser considerado morto. Eu mesma estranhava esse comportamento dele comigo às vezes, mas talvez seja só um forte instinto de me proteger, já que eu não tinha irmão mais velho.
- Como? – eu disse confusa.
- A garota que você viu com ele. Era Vanessa, eu tenho certeza. É uma das líderes de torcida lá da escola. Eles viviam se pegando, mas o dizia que era só diversão – explicou e senti a dor aumentar.
- Pelo visto eu também era só diversão – eu disse amargurada.
- ...
- Como eu pude ser tão burra, ? A ponto de não dar valor a tudo o que fez por mim e confiar cegamente no ? Afinal ele nem ao menos se importou com o melhor amigo dele – eu disse, agarrando meus cabelos e urrando de frustração.
- ! Não fale assim! – ele segurou minhas mãos, impedindo-me. – Pelo menos você ainda tem alguém que ama você. E eu que não tenho? – ele disse frustrado.
- Não, ! Você é um cara lindo, é gentil, engraçado. Tenho certeza de que tem alguém morrendo de amores por você. Você só não viu isso.
- Acha isso mesmo? – ele disse aflito.
- É claro que sim. Você é incrível, – eu disse, olhando em seus olhos e sentindo uma sensação estranha. – E eu não tenho ninguém não! Não acho justo usar o como reserva... Ai , eu sou um monstro! – desandei a chorar e ele me abraçou com força. Fiquei por alguns minutos chorando e ele ficou calado. Aos poucos fui me acalmando, sentindo seu perfume me invadir e acentuar ainda mais aquela sensação esquisita.
- Você não é um monstro, . É a pessoa mais maravilhosa que eu conheço e eu tenho certeza que vai encontrar alguém que mereça seu amor. Alguém que caia de amores por você. – Me olhou nos olhos com uma intensidade diferente, não mais com aquele carinho de irmão que eu sempre via. – Você é uma garota muito atraente, é impossível não se interessar por você. – Senti ele se aproximar lentamente e, mesmo sabendo que aquilo era extremamente errado, deixei-me levar pela carência que sentia e fechei meus olhos, sentindo seus lábios tocarem os meus levemente. Ele parecia meio assustado com o que estava fazendo. Me deu um selinho demorado e me encarou nos olhos. Sorri e ele voltou a tocar meus lábios, dando início a um beijo mais urgente. Suas mãos passaram a explorar cada centímetro do meu corpo e eu retribuía com igual entusiasmo.
Mas tão urgente como começou, as imagens de , e surgiram na minha mente e a luz vermelha começou a piscar.
- Não, ! – eu disse, descolando nossos lábios. Ele me olhou um tanto confuso, mas logo compreendeu, arregalando os olhos.
- Me desculpe, ! E-eu realmente não sei o que deu em mim – ele disse nervoso.
- Tudo bem, – eu disse gentilmente.
- Eu sei que sou um idiota... Não! Sou a pior pessoa do mundo em fazer isso com você, mas... – ele dizia todo atrapalhado sem ter ouvido o que eu disse, aparentemente. E eu o interrompi.
- , me escuta – ele me olhou aflito e ainda murmurou algo como “me desculpe” mais uma vez. – Foi extremamente errado o que acabamos de fazer, mas não culpe somente a si mesmo. Eu também fiz... Eu “quis” beijar você.
- C-como é? V-você q-quis? – ele disse, completamente surpreso.
- Eu quis porque estava frágil. Quis porque me senti só, porque pensava que ninguém olhasse para mim. E você me disse aquelas coisas e... Fiquei confusa – eu expliquei.
- Já te disse que não é verdade, . Você não está só. Tem alguém que te ama. Alguém que me provou que o sentimento por você era verdadeiro. Que salvou sua vida. E esse alguém é o ... Eu sei que você está louca para procurá-lo e por que não faz isso? Vá, ! – disse, me surpreendendo um pouco. É claro, ele vivia implicando comigo e o e agora ta me mandando ir atrás dele? Como assim?
- , não é tão simples assim – eu disse.
- Como não é? O cara é louco por você! Ele só falta beijar seus pés! E está sozinho em casa agora. Aproveita, ! Vá atrás dele! – quase gritou essa última frase.
- Ta bom, estressadinho, eu vou – eu disse e rimos.
- Vou investigar direitinho essa história da – avisei e ele ficou sério instantaneamente.
- Não, ! Não tem o que investigar, eu vi! – ele disse.
- Mas eu não acredito que ela tenha sido capaz de fazer uma coisa dessas com você. Para mim é tudo armação... – ele abriu a boca para falar. – Eu vou investigar e ponto final, . Agora eu vou tomar um banho e seguir seu conselho. – Sorri torto e como eu sabia que ele faria, ele não resistiu e retribuiu. Levantou-se e foi em direção à porta.
- ? – chamou de repente.
- Sim? – eu disse encarando-o, ele se virou para mim.
- Sobre o beijo, eu... – interrompi-o.
- Não quero que isso interfira em nada, . Foi um momento de fraqueza e só... Você sempre vai ser o irmão mais velho que eu nunca tive – eu disse, ele sorriu e me abraçou.
- Você também sempre será minha irmãzinha caçula – ele disse, acariciando meus cabelos e beijando o topo de minha cabeça. – Agora vou deixar você se arrumar e só por via das dúvidas vou ligar para o e obrigá-lo a ficar em casa. – Sorri de leve.
- Tchau então, maninho. E obrigada por tudo. – Dei um beijo em sua bochecha.
- Eu é que tenho que te agradecer, maninha. – Retribuiu o beijo. – Até logo.
- Até – eu disse e ele saiu.
Sentindo que talvez não fosse o fim para mim, fui para o banheiro. Meio saltitante, eu confesso.

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[]


Estava esparramado no sofá, zapeando pelos canais e procurando algo interessante para ver. Logo me distraí com um episódio de “Os Simpsons”. Na melhor parte meu celular toca.
- Quem será o energúmeno! – eu disse irritado e logo vi “” no visor.
- Fala, animal! – eu disse com um quê de irritação na voz.
- Ta aonde? – ele perguntou. “Que cara de pau”.
- To em casa, por quê? – respondi.
- Vai sair?
- Não, acho que não. Por quê? – eu disse, mais irritado ainda. Odeio quando me perguntam um monte de coisas sem dizer o motivo.
- Não sai! Por mais que um tsunami se aproxime, NÃO SAIA! – disse dramático.
- Por que, ? O que você ta aprontando agora? – eu disse.
- Nada demais. É uma surpresa, mas não sou eu que vou fazer – ele disse misterioso.
- Porra, ! Você me liga na melhor parte da série, me enche de perguntas e ainda me deixa curioso? Ah! Vá se f*** - eu disse, visivelmente puto.
- Também te amo, honey! – isso foi tão gay! - - Até mais!! – e desligou, rindo.
Grr... Ele me paga!
Voltei a me esparramar no sofá urrando de raiva. Uma meia hora depois a campainha tocou. “Só falta ser a bicha do que esqueceu a chave”. Bufei e fui atender.
Abri a porta e paralisei ao dar de cara com ela.
- , eu posso entrar? – ela disse, me lançando um sorriso doce.
- C-claro, – eu disse, ainda paralisado. Então essa era a surpresa que o falou! Wow! Eu realmente não esperava por isso! Dei passagem para ela, que entrou e sentou no sofá, me encarando. Bateu com a mão de leve ao seu lado, em um sinal de que eu me sentasse lá. Meio bobo, eu fui, sentei e fiquei fitando-a completamente besta com sua repentina aparição.
- , o-o que v-você veio f-fazer aqui? – eu disse nervoso.
- Precisamos conversar... – ela disse e pude jurar que senti ela se aproximar. – Sobre nós dois – ela completou, fitando meus lábios. Suei frio.
- , eu... – senti ela tocar meus lábios com o dedo indicador.
- Shiu – ela sussurrou, se aproximando de modo que eu sentisse sua respiração. – Desistiu de mim? – perguntou.
- Não, já disse que nunca vou desistir – eu disse, arrepiando-me por inteiro.
- Você me ama? – ela perguntou, roçando seu nariz no meu.
- Demais – eu sussurrei em resposta e ela sorriu, em seguida senti seus lábios tocarem os meus, dando início a um beijo calmo e doce. Céus! Como eu sentia falta disso!
Com uma mão a puxei pela cintura e com a outra agarrei seus cabelos, intensificando o beijo que aos poucos se tornou voraz. As mãos dela desceram por meus ombros, deslizando por meu peito e chegando a barra da minha camiseta, que logo estava longe.
Desci minhas mãos, apertando levemente suas coxas. Ela entrelaçou suas pernas ao redor da minha cintura e tive uma idéia. Desci minhas mãos, parando em seu bumbum, segurei-a com firmeza e a ergui em meu colo, seguindo para o meu quarto.
Chegando lá, joguei-a na cama e logo subi por cima dela delicadamente. Distribuí beijos por seu pescoço e colo, deslizando minhas mãos por seus seios, cintura e coxas. Tirei a blusa dela lentamente, sentindo o tesão se acumular em cada pedaço de mim ao ver seu corpo perfeito. Não me contentei em só tirar sua blusa e logo sua calça estava em um lugar qualquer.
Agora eu a beijava com tanta vontade que meus lábios chegavam a formigar, explorando cada pedaço de seu corpo. Comecei a acariciar seu clitóris por cima da calcinha e ela delirou de prazer, suspirando arfantemente durante o beijo. Após um tempo decidi ir mais além. Tirei seu sutiã e sua calcinha, e lhe penetrei dois dedos enquanto sugava seu seio direito. Ela gemeu alto e rebolava inconscientemente, intensificando ainda mais meus movimentos. Só de ver sua expressão contorcida de prazer, me levava à loucura. Senti-a intensificar ainda mais os movimentos, fazendo movimentos circulares em seu clitóris com a própria mão e logo sentia ela se contrair de prazer, gozando em seguida. Tirei meus dedos dela, encarando seus lindos olhos e ela sorria, ofegando.
Num movimento rápido já me vi deitado com ela por cima de mim sugando meu pescoço e descendo seus beijos para meu peito e barriga enquanto desabotoava minha bermuda com facilidade. Ela me lançou um olhar malicioso e mordeu o lábio inferior antes de puxar minha bermuda, levando minha boxe junto. Com uma habilidade que me surpreendeu (porque eu achava que ela ainda era err... você sabe) ela pegou meu membro bastante enrijecido e começou a me masturbar com movimentos rápidos. Ela me olhava enquanto eu lutava para não gritar de prazer e sorriu marota, se inclinando e passando a língua lentamente por minha glande. Agora eu não aguentei e gritei. Sim, gritei de prazer. Senti sua boca envolver meu membro e suas mãos envolverem a base, se movimentando eficientemente. Cara, ela era boa nisso! Mas onde aprendeu? Anotei mentalmente a pergunta.
Senti meu membro pulsar e ela deve ter percebido, porque foi parando seus movimentos e voltou a me encarar. Beijei-a delicadamente, invertendo nossas posições. Peguei uma camisinha na gaveta do criado-mudo e vesti meu membro, me posicionando em sua entrada. Olhei-a como quem pede permissão e ela sorriu docemente. Penetrei-a lentamente, pois tinha medo de machucá-la e ela soltou um gemido rouco. Fui fazendo movimentos ainda lentos e ela me surpreendeu, gemendo em reprovação. Prontamente aumentei a intensidade de meus movimentos, penetrava-a com cada vez mais força quando ela gemia e gritava por mais.
Eu penetrava-a tão forte que dava para ouvir o atrito de nossas coxas. Gemíamos descontroladamente e cada vez mais alto.
Senti meu membro pulsar e percebi que ela também estava chegando lá. Então ela apertou os olhos com força e senti sua vagina se contrair sobre meu membro e parei de me aguentar, gozando junto com ela.
Desmontei ao seu lado, tirando a camisinha e indo até o banheiro jogá-la no lixo. Deitei ao seu lado e ela aninhou-se em meu peito. Nossas respirações voltando ao normal.
- Wow! – exclamei. – Pensei que você fosse...
- Não – de repente suas feições se tornaram tristes.
- O que foi, amor? – eu disse, preocupado.
- Não quero falar disso agora. Não importa, mas eu prometo te explicar um dia – ela disse, me encarando triste.
- Hey! Tudo bem, eu entendo! Esquece o que eu disse ta? Eu amo você, não gosto de ver você assim! – eu disse, olhando-a intensamente e ela sorriu fraco.
- Eu também amo você, – ela disse docemente e nos beijamos calmamente.
Logo o sono nos dominou e nos embalou suavemente. Eu me sentindo o homem mais feliz da terra, mas também preocupado e curioso com sua tristeza. O que será que houve?

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[]


Eu me sentia feliz mais uma vez. Completa, de certa forma. Dava o máximo de mim para esquecer o vazio que estava sentindo e posso dizer que até obtinha algum sucesso de vez em quando.
Estava feliz tendo ao meu lado novamente, mas triste por não ter . Amaldiçoei-me internamente por ainda pensar nele depois de tudo o que aconteceu. Tudo bem que as coisas aconteceram muito recentemente e qualquer um demoraria para se recuperar, mas eu tinha o . E eu o amava. Não era justo com ele que eu ainda pensasse em . Que quisesse que ele estivesse ali comigo, acariciando os meus cabelos, enquanto o sol iluminava gradativamente o quarto.
Mas uma coisa me perturbava. Eu não podia continuar com sem que ele soubesse de tudo o que aconteceu. Eu precisava contar tudo a ele, mesmo que ele não quisesse mais me ver.
- Bom dia, meu amor – ouvi-o sussurrar em meu ouvido, me dando um longo selinho em seguida.
- Bom dia – sorri involuntariamente. O carinho que ele tinha comigo era de certa forma contagiante.
Levantei e me sentei de frente para ele, coberta pelo lençol. Suspirei.
- , eu preciso falar com você – eu disse, tomando coragem.
- Eu já sei – ele me surpreendeu. Falávamos da mesma coisa?
- Você... Sabe? – eu disse, confusa.
- Sei – ele disse.
- C-Como?
- Não é difícil perceber, . E eu não estou chateado com você. Nós não estávamos juntos e era certo que você seguisse em frente – ele disse.
- Eu não entendo, . Era para você estar furioso comigo. Principalmente porque...
- , esquece isso. Não posso cobrar nada de você. O passado não importa mais. O que importa é que estamos aqui juntos – ele disse, envolvendo meu rosto em suas mãos.
- Mas , eu estava com o...
- Shiu, ! Já disse para você esquecer isso – ele disse, colocando o dedo indicador sobre meus lábios. Então ele sabia que eu e tivemos um caso e não se importava?
Eu estava confusa. Muito confusa.

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Duas semanas depois...

[]

A dor que eu sentia era maior do que qualquer outra que senti na vida. Ouvir tudo o que ele disse, sentir todo seu desprezo, sua frieza... Aquilo estava me matando. Se eu pudesse ao menos dizer a ele tudo o que estava acontecendo. Se ele soubesse que eu ainda repugnava a presença de Henry. Que sentia nojo de mim mesma por permitir que ele me tocasse.
Mas eu não tinha escolha. Henry ameaçava a vida de e a minha também. Ele era um monstro e eu não podia contrariá-lo. Ele sentia um ódio mortal de e agora de também.
Eu tive que ceder. Tive que me entregar a Henry ou as conseqüências seriam terríveis. A emboscada estava feita para e Henry me prometeu que não faria nada contra ele se me tivesse. E aí o que eu fiz? Entreguei-me. Só não contava que fosse aparecer e que tudo fosse acabar.
O pior é que eu não podia contar nada a ou a vida dele estaria acabada.
Eu não conseguia reprimir os soluços intermináveis que surgiam em minha garganta. Eu chorava desesperadamente e não tinha ânimo para mais nada.
Como se não bastasse perder o amor da minha vida, Henry queria que eu armasse contra minha melhor amiga.
- Não Henry, eu não posso fazer isso – eu dizia, desesperada.
- Você vai fazer isso . Você vai fazer ou eu acabo com a vida do seu namoradinho – ele disse.
- Mas o que você vai fazer com ela, Henry? V-você não vai m-matá-la, vai? – eu disse, apavorada. As lágrimas rolavam constantemente de meus olhos.
- Não te interessa o que vou fazer com ela. Você só tem que fazer o que estou mandando – ele retrucou.
- Não vou fazer nada do que está pedindo! Não vou deixar que você mate minha melhor amiga! – eu gritei. Em seguida senti uma dor lancinante em meu rosto, pois Henry me deu um tapa.
- Você vai fazer sim, ouviu bem? Ou vai ser torturada da pior maneira possível! – ele disse, me puxando pelos cabelos. – Você vai lá e vai trazer sua amiguinha aqui para mim.
- Não! Não! – eu sussurrei sem forças.
- Eu disse ao para não contar a ela. Eu avisei, mas ele não deu ouvidos. Agora eu vou ter que matar a namoradinha dele – Henry disse, parecia falar consigo mesmo.
- Por favor, não me obrigue a fazer isso – eu implorei.
- O que está esperando? Vá! E traga-a até aqui! – ele gritou e me empurrou.
Saí desnorteada pelas ruas. Eu não podia fazer isso. Não podia levar minha amiga para a morte.
Eu chorava descontroladamente e não enxergava nada ao meu redor. Foi aí que esbarrei em alguém.
- Me d-desculpe – eu disse, olhando para a pessoa. Tive a mera impressão de que o conhecia, mas minha visão estava turva demais para reconhecer.
- ? – ele disse, surpreso. – O que aconteceu? – Então reconheci a voz.
- ? – eu disse e sem me conter voltei a chorar.
- , pelo amor de Deus, o que aconteceu? Me fala! – ele disse agoniado.
- A ... – comecei.
- O que aconteceu com ela? Fala, ! – ele disse desesperado.
- O Henry...
- O que ele fez com ela?
- Nada... Mas vai fazer... Ele... Ele... Vai matá-la – senti que ele vacilava e por reflexo segurei-o, que por pouco não caiu.
- O que? – ele sussurrou com a voz falha.
- Ele vai matá-la, ... Me mandou ir atrás dela... Disse que se eu não fizer isso ele vai me matar – eu disse. – Eu não posso fazer isso... – minha voz sumiu.
- Mas por quê? O que ela fez? Por quê? – ele disse com a voz embargada. Olhei em seus olhos e vi que lágrimas rolavam deles.
- Ele disse que avisou ao para não contar a ela o porquê de ter terminado... Disse que agora ele vai sofrer as consequências – eu disse.
- E a consequência é matar a ? – ele se desesperou. – Não faça isso, ! Não faça!
- Eu não tenho escolha, . Eu tenho que fazer isso. Henry vai me matar... E o também.
- Não! Por... Favor... Não! – ele chorava que nem uma criança. Eu não sabia o que fazer.
Eu só não entendia muito bem o desespero dele. Pelo que eu saiba a pegou ele com outra... Espera! É claro! Vanessa ligou para Henry naquele dia. Faz sentido. Era armação. Henry mandou Vanessa ir à casa do e agarrá-lo na frente da .
- ! Eu sei quem armou pra você – eu disse.
- V-você acredita em mim? – ele perguntou surpreso.
- Acredito, porque naquele dia Vanessa ligou para Henry. Eu estava lá – eu disse.
- Então... Foi o Henry que mandou a Vanessa fazer aquilo? – ele disse surpreso.
- Foi – de repente ele ficou muito vermelho e percebi que estava furioso.
- Eu vou matá-lo! – ele disse, seguindo na direção da rua em que Henry morava.
- Não Séb! – eu gritei, segurando-o.
- Eu vou! Solte-me! – ele disse.
- Não, ! Não seja burro, você sabe muito bem que o Henry anda com capangas ao redor... Se você tentar matá-lo, vai morrer! – eu alertei.
- Ótimo! É exatamente o que eu quero – ele se desvencilhou e continuou a andar.
- Pensei que quisesse a de volta – eu disse.
- E eu quero, . Mas do que isso vai adiantar se Henry vai matá-la? ... E... Ela voltou com o – ele disse, parando e me olhando agoniado.
- Eu sei que voltou... Mas eu sei também que ela ama você – eu disse. – Conversa com ela, .
- Mas... E o que você vai fazer? – ele perguntou e eu sabia muito bem a que se referia.
- Eu não sei, ... Tenho muito medo do que Henry possa fazer comigo se eu não fizer o que ele quer, mas não quero entregar minha melhor amiga para a morte – eu disse, sentindo uma angustia muito grande dentro de mim.
- , você devia conversar com o – ele disse.
- Mas como, ? Ele não quer me ouvir! – eu disse triste.
- E você acha que a quer me ouvir? É lógico que não! Ela não olha na minha cara! – ele disse. – Mas mesmo assim eu vou tentar.
- É... Você tem razão. Vou atrás do e vou contar tudo o que aconteceu – eu disse.
- Vai por mim. Ele vai te perdoar e vai saber o que fazer – ele disse.
- Obrigada, . Mesmo com o mundo desabando em você, você ainda consegue me ajudar – eu disse, sorrindo fraco.
- Eu é que tenho que te agradecer – ele disse.
- Se precisar fala comigo que eu confirmo tudo para a – eu disse.
- Ta... Vou atrás dela então. Sabe se ela está em casa? – ele perguntou.
- Ela está lá na casa dos meninos, tem ensaio de vocês hoje, não é? – eu disse.
- Ah, é mesmo! – ele disse. – Obrigado, – e saiu correndo.
Suspirei e pensei em ir para minha casa. Comecei a dar passos em direção à rua em que eu morava, mas senti alguém me segurar fortemente no braço.
- O que pensa que está fazendo? – Henry disse furioso.
- Eu... – senti uma dor lancinante e perdi a consciência.

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[]

Perdi o ânimo para tudo. Minha vida simplesmente não fazia mais sentido sem ela. E pior de tudo isso é que eu não tenho para onde correr. Ninguém sabia do nosso relacionamento então eu não tinha com quem desabafar. Meu melhor amigo... Bem, ele jamais aceitaria. Provavelmente eu receberia um murro na cara se contasse para ele tudo o que aconteceu. Fora que a afastaria ainda mais de mim.
Sinceramente não sei o que farei daqui para frente. Vou tentar levar a vida até onde dá, mas ter que vê-la com já era demais para mim. Pois é, ela voltou com ele. E os dois estavam melhores do que nunca.
É claro que notei que ela estava triste sim, mas pelo jeito estava conseguindo distraí-la, mesmo que inconscientemente.
Por várias vezes eu tentei conversar com ela. Tentei explicar que eu não quis fazer aquilo, mas ela não me ouvia. Na verdade era como se eu nem existisse. Ela me tratava com frieza, coisa que até notou. Até ouvi ele perguntando a ela o que tinha acontecido entre nós para ela me tratar daquele jeito. Ela simplesmente disse que era impressão dele. Que estava completamente normal, só estava se afastando um pouco de mim para ele não ficar com ciúmes. É, de fato ela se afastou de mim, mas não um pouco e sim completamente.
Eu não conseguia disfarçar a tristeza que sentia. A depressão tomava conta de mim. até veio perguntar o que eu tinha, mas eu não podia contar para ele.
- Hey, – ouvi me chamar.
- Ah, oi – eu disse com a voz morta. É, era assim que eu estava ultimamente. Sem vida.
- Será que posso falar com você um instante? – ele perguntou.
- Claro, pode falar – eu disse.
- , o que está acontecendo com você cara? Parece que ta meio morto! Estamos preocupados – ele começou. Eu devia ter previsto.
- Nada, . Eu estou bem. É impressão de vocês – menti, como andava fazendo quando alguém me perguntava isso.
- É por causa da , não é? – ele perguntou e arregalei os olhos, completamente surpreso.
- C-como? – eu gaguejei de tão surpreso que fiquei.
- Ela me contou sobre o que aconteceu entre vocês – ele explicou. Não acreditei de inicio, mas por que falaria uma coisa dessas se não soubesse? Caramba, ela contou para ele mesmo. Suspirei.
- É, ... É por causa dela sim. Olha, tenta entender. Eu não fiz nada! A maluca da Vanessa apareceu do nada lá em casa e veio me agarrando. Aí a chegou bem na hora. Acredita em mim , eu jamais trairia a , eu a amo! – eu disse aflito.
- Calma, ! Eu acredito em você sim. Mas ela está muito magoada com você... Vai ser difícil fazê-la acreditar em você – disse.
- Eu sei que vai. Ela nem quer olhar na minha cara – eu disse, sentindo um nó se formar em minha garganta. – E está com o – uma lágrima escorreu.
- Caramba , você está mal mesmo! – exclamou. – Calma cara, eu vou te ajudar! – ele me abraçou. Não aguentei e acabei desabando e chorando mais ainda no ombro dele.
Vi uma mecha de cabelos negros passar e eu sabia que era ela.
- ! – ela chamou. Me desvencilhei e virei para outro lado, para que ela não visse.
- Desculpe – ela murmurou e senti seu olhar sobre mim. Um silêncio se seguiu, mas senti que eles se mexiam. Olhei para eles que enrijeceram na hora, como se estivessem tendo uma conversa muda. E de fato estavam.
- está te chamando – ela disse para .
- Vou lá ver o que ele quer então – disse, indo em direção às escadas. Ela fez menção de segui-lo – Não, você fica aí e conversa com ele – pude ouvi-lo sussurrar.
- Não – ela gemeu.
- – ele disse sério.
- – ela disse e eles riram de leve. aproveitou e saiu correndo. Deixando-a sozinha comigo.
Sentei no sofá e afundei o rosto em minhas mãos, colocando a cabeça entre os joelhos e tentando reprimir as lágrimas que ainda teimavam em cair, mas o único resultado que obtive foi que em vez de chorar silenciosamente eu comecei a soluçar. Senti meu lado esquerdo afundar e não precisei olhar para constatar que ela se sentara ao meu lado.
- , o que foi? – ela disse com uma nota de preocupação na voz. Não consegui responder, só solucei ainda mais – , por favor, fala comigo! – Ela me chamou mesmo pelo apelido?
- Eu... Não aguento mais – falei com a voz embargada.
- Não aguenta mais o que? – ela disse.
- Ficar longe de você – eu disse e encarei-a nos olhos. Seus olhos marejaram.
- ...
- , pelo amor de Deus, acredita em mim! Foi o Henry que armou tudo, pode perguntar para a . Ela disse que estava com o Henry quando Vanessa ligou para ele. , por favor, eu amo você! – eu disse desesperado.
- ... Eu não posso – ela disse, as lágrimas escorreram por seu rosto. – Tem... O .
- Não faz isso comigo, ... Eu amo demais você! – eu disse.

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- Caramba, eu nem acredito! – disse todo animado quando desligou o telefone. Estávamos em seu quarto e eu estava sentada em sua cama, observando-o pulando de alegria.
- No que? – eu disse e fui surpreendida com ele pulando em cima de mim e me enchendo de selinhos por todo o rosto. Depois me beijou com entusiasmo. – Hey, calma aí, apressadinho! – eu ri, me desvencilhando. – Posso saber o motivo da alegria?
- Ai amor, você é tão linda! – ele disse, sorrindo tolamente.
- Conta logo, ! – insisti, fazendo bico.
- Olha como ela é fofa! – ele riu e me deu um selinho. – Eu conto, meu amorzinho... Acontece que seu namorado gostoso aqui conseguiu um contrato com a Lava Records!
- O QUÊ? – eu gritei, surpresa.
- Isso mesmo, meu amor! E não pára por aí... Nós vamos abrir o show do Good Charlotte – ele disse, sabendo exatamente qual seria a minha reação.
- Oh meu Deus!! Good Charlotte! – meus olhos brilharam. – Não acredito, ! Oh meu Deus! Você vai me levar junto, né? Vai me levar para conhecer o Joel Madden né? – eu pedi.
- Claro que vou. Se você prometer que não vai me trocar por ele...
- Seu bobo! – eu ri, lhe dando um selinho que se transformou num beijo intenso. Aos poucos eu já ficava sem fôlego.
- Hm... Amor, eu adoraria ficar aqui com você, mas eu preciso falar com o . Ah... Será que o já chegou? – ele disse pensativo. Senti uma fisgada, como todas as vezes que eu ouvia mencionarem o . Eu estava feliz com o , mas uma parte de mim ainda queria .
- Não sei amor, ele vinha para cá? – eu disse.
- Vinha sim. Eles têm ensaio hoje – disse. – Chama o para mim? Preciso conversar com ele.
- Ta, vou lá chamá-lo – eu disse, dei um selinho nele e desci. Antes eu não tivesse feito isso.
A cena que eu vi me causou uma dor lancinante, quase desesperadora.
Lá na sala, abraçava , que soluçava em seus ombros.
- Calma cara, eu vou te ajudar! – disse para ele.
No primeiro instante eu fiquei sem reação. A dor que ele sentia me tomou e senti uma vontade absurda de estar no lugar de . Queria dissipar toda a dor que ele sentia.
Eu não podia ficar lá parada vendo aquela cena, eu tinha que falar com .
- ! – chamei e se desvencilhou dele, virando de costas para mim, acho que para que eu não notasse que ele chorava.
- Desculpe – eu murmurei, afinal, eu tinha atrapalhado. Fixei meu olhar em , sentindo a vontade de abraçá-lo crescer ainda mais dentro de mim. Voltei a encarar , que me olhava sério.
- Você devia falar com ele – moveu os lábios.
- Não posso, – eu disse do mesmo modo.
- , por favor, foi um mal entendido! Ele ama você! Olha só o estado dele – disse.
- Isso é por minha causa? – eu perguntei, sentindo um aperto absurdamente forte em meu peito. assentiu.
- Conversa com ele, – ele insistiu. notou nossa conversa silenciosa e olhou para nós, que tomamos um susto.
- está te chamando – eu disse para .
- Vou lá ver o que ele quer então – disse, indo ao quarto de , fiz menção de segui-lo ele se virou – Não, você fica aí e conversa com ele – sussurrou.
- Não – gemi.
- – ele disse sério.
- – retruquei da mesma forma e então rimos. aproveitou minha distração e correu para o quarto de , me deixando sozinha com .
Ele não disse nada. Simplesmente sentou-se no sofá e afundou a cabeça entre as mãos, colocando-a entre os joelhos em seguida. Surpreendi-me vendo seu corpo todo sacudir. Ele não só chorava, mas soluçava. Fiquei desesperada em vê-lo naquele estado. Sentei-me ao lado dele.
- , o que foi? – eu disse preocupada, mas ele não respondeu e seus soluços aumentaram. – , por favor, fala comigo! – eu disse agoniada.
- Eu... Não aguento mais – ele disse com a voz embargada.
- Não aguenta mais o que? – eu disse, louca para saber o que tanto o afligia.
- Ficar longe de você – ele disse. Senti uma fisgada muito forte em meu peito e meus olhos ficaram marejados. Ele levantou o rosto e me olhou nos olhos. Seus olhos tão lindos, tão azuis, estavam inchados e vermelhos. Vê-lo naquele estado aumentava a minha dor.
- ...
- , pelo amor de Deus, acredita em mim! Foi o Henry que armou tudo, pode perguntar para a . Ela disse que estava com o Henry quando Vanessa ligou para ele. , por favor, eu amo você! – ele disse, desesperado. Então era tudo uma armação? Ele não tinha me traído? Odiei a mim mesma por não ter dado ouvidos a ele. Por ter deixado Henry acabar com nosso romance. Senti um alivio em meu peito, mas senti uma dor também. Eu não podia ficar com o . Eu estava com agora, e eu o amava também.
- ... Eu não posso – eu disse, sentindo as lágrimas teimosas caírem de meus olhos. – Tem... O – minha voz saiu quase num sussurro.
- Não faz isso comigo, ... Eu amo demais você! – ele disse, me encarando intensamente.
- Eu também amo você, ! Mas não é tão simples assim... – eu comecei.
- Antes de isso acontecer você não disse que já tinha decidido? Não disse que ia ficar comigo? Que ia confessar para todo mundo que estávamos juntos? – ele perguntou. E era a mais pura verdade. Eu tinha optado por ele, só ele. Havia constatado que era ele que eu queria ao meu lado para o resto da vida. E isso não mudou. Eu o amo. Eu o quero mais do que tudo na vida. E eu preciso dele mais do que o ar para respirar.
- É claro que eu decidi. Eu quero você... Só você – eu disse, encarando-o intensamente. – Você é o amor da minha vida, . – ele sorriu radiante e uma lágrima teimosa escorreu pelo seu rosto. Enxuguei-a com o polegar, acariciando seu rosto. Olhando fixamente seus lindos olhos azuis, baixando o olhar para seus lábios perfeitos. Ele aproximou seu rosto do meu lentamente e eu ficava cada vez mais desesperada para sentir seus lábios nos meus. Venci a barreira que ainda nos separava, colando seus lábios nos meus e dando início a um beijo que continha amor, saudade, carinho, desejo... Tudo englobado. Eu podia ficar pela eternidade sentindo seus lábios se movendo com os meus e sua língua brincando em sintonia perfeita com a minha. Naquele momento eu esqueci de tudo ao meu redor. Só o que importava era que finalmente eu me sentia completa novamente. Nos separamos com alguns selinhos demorados e abri meus olhos lentamente, encontrando os seus me fitando intensamente. Ele acariciou meus cabelos e sorri, sendo retribuída por ele. Abracei-o, sentindo seu perfume me invadir. Como era bom tê-lo em meus braços!
- Eu vou dar um jeito nisso, meu amor, eu prometo – eu disse para ele.
- Confio em você – ele disse e depositou um beijo em meu pescoço.
- ? – congelei brevemente quando ouvi a voz de me chamar. se desvencilhou rapidamente. Logo em seguida apareceu nas escadas, ainda estava radiante com o contrato, mas seu sorriso murchou quando ele viu o rosto de , inchado devido ao choro.
- , aconteceu alguma coisa? – ele perguntou preocupado.
- – respirei fundo, vendo-o desviar o olhar para mim. – Preciso falar com você.
- , pode vir aqui um instante? – chamou e saiu atrás dele, que estava na garagem.
- Pode falar, disse.
- Aqui não, vamos lá no seu quarto – eu disse. Ele me lançou um olhar malicioso. Não pude não rir com isso.
- Seu pervertido, não é nada disso – eu disse, rindo. – É um assunto sério.
- Ok, vamos então – ele disse e seguimos em silencio para o quarto dele.
- Feche a porta – eu disse quando chegamos e ele me obedeceu.
- E então? – ele disse, me olhando. Respirei fundo. Como eu ia começar? Droga! Preciso falar alguma coisa, não posso ficar aqui olhando para a cara dele que nem uma idiota.
- ... Eu... A gente não pode mais continuar junto – eu fui direta. Ele me olhou espantado e então começou a rir. – O que foi? – eu disse surpresa.
- Haha Essa foi boa, ! Eu quase caí, sua boba! – ele disse, gargalhando.
- , não é brincadeira – eu disse.
- Não? – ele congelou.
- Eu... Eu... Não sei como te dizer isso... eu... Eu amo o – eu disse, o encarando. Pude ver sua expressão surpresa mudar para uma expressão de raiva. Muita raiva. Ele foi ficando cada vez mais vermelho, me causando medo.
- O QUÊ? – ele gritou lívido. – EU ENTENDI BEM O QUE VOCÊ DISSE? – respirei fundo.
- Sim. , não tem porque eu continuar com você e te enganar, escondendo o que eu sinto por ele. Sabe, o que aconteceu entre nós foi maravilhoso e eu sinto que ainda amo você, mas eu não consigo reprimir o que sinto pelo . Eu o amo e é ele que eu quero ao meu lado – eu disse, sentindo um peso enorme por ter que fazê-lo sentir a dor que vi em seu olhar.
- Você ta me dizendo que tem um caso com o meu melhor amigo, ? – ele disse, ficando cada vez mais vermelho.
- , eu...
- COMO VOCÊ PÔDE FAZER UMA COISA DESSAS COMIGO, ? COMO? – ele gritou.
- , por favor, me escuta. Eu não te traí com o – eu disse.
- AH NÃO TRAIU? ENTÃO POR QUE TÁ ME DIZENDO QUE AMA ELE?
- Foi quando nós terminamos, ... E eu pensei que você soubesse disso... Eu te disse.
- Você disse que ficou com alguém e não que esse alguém era o meu melhor amigo, garota!
- Você disse que sabia! Você não me deixou terminar de falar! Disse que não se importava! – eu disse agoniada.
- É CLARO QUE EU ME IMPORTO! ELE É MEU MELHOR AMIGO, CARAMBA! – ele gritou, revoltado. – EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ PÔDE FAZER ISSO! E ELE? DEVIA RIR PELAS MINHAS COSTAS QUANDO EU ME QUEIXAVA QUE SENTIA A SUA FALTA!
- Você sabe muito bem que o jamais faria uma coisa dessas...
- AH SEI? EU NÃO O CONHEÇO MAIS! ELE ME ENGANOU! ENQUANTO EU CHORAVA PELOS CANTOS ELE COMIA A MINHA NAMORADA! – ele gritou.
- NÃO FALE ASSIM! VOCÊ NÃO SABE COMO ELE SOFREU POR ISSO! – eu gritei inflamada.
- EU FALO COMO QUISER! ERA POR ELE QUE VOCÊ CHORAVA NO MEU OMBRO, NÃO É? ERA O NOME DELE QUE VOCÊ REPRIMIA GEMER QUANDO TAVA NA CAMA COMIGO, NÃO É? ME DIZ , ME DIZ! ME DIZ QUE VOCÊ ME USOU! – ele me sacudiu fortemente.
- ...
- VOCÊ SABE O QUE EU VOU FAZER AGORA, ? EU VOU ATRÁS DELE E VOU ACABAR COM A VIDA DELE! EU VOU MATÁ-LO! – ele disse e uma onda de pânico me tomou.
- NÃO! PELO AMOR DE DEUS, NÃO FAÇA ISSO! FAÇA O QUE VOCÊ QUISER COMIGO, MAS NÃO FAÇA NADA CONTRA O ! – eu disse, sentindo a fisgada de agonia me corroer. Ele me encarou e seus olhos faiscaram. Não consegui identificar o que era, mas logo desejei não ter descoberto.
me puxou pela cintura com força e colou seus lábios nos meus. Desvencilhei-me, virando o rosto.
- O que você está fazendo? – eu disse assustada.
- Ué! Você não disse para eu fazer o que quisesse com você? – ele disse, arqueando a sobrancelha. Senti o chão despencar. Ele não ia fazer isso. Não ia me agarrar à força. Esse não era o que eu conhecia.
- Não, ! – eu disse cada vez mais apavorada. Os olhos dele brilhavam de raiva e luxúria. Ele deu uma risada sarcástica e começou a beijar meu pescoço furiosamente.
- Pára, ... Não, não faz isso – senti meus olhos marejarem. Uma de suas mãos agarrou com força meus cabelos, enquanto a outra deslizava pelo meu corpo. Ele abriu minha blusa com tanta violência que vários botões arrebentaram. Abriu meu sutiã de fecho frontal e começou a sugar meus seios com voracidade enquanto suas mãos apertavam minhas coxas fortemente. Por várias vezes eu tentei me desvencilhar dele, mas o único resultado que obtive foi senti-lo me imprensar com força na parede, sugando meu pescoço dolorosamente. As lágrimas corriam pelo meu rosto.
- Por que esse desespero todo? TA ME REJEITANDO AGORA POR QUÊ? – ele disse com raiva e me jogou na cama com tal força que eu quase escorreguei e caí no chão.
- Pára ! – eu disse num sussurro desesperado. Ele rapidamente tirou as calças e veio para cima de mim, segurando meus pulsos no alto de minha cabeça e me impossibilitando de me mover. – Não faz isso comigo... Por favor! – ele me deu uma tapa com força e senti meu rosto arder.
- Cala a boca, sua vadia! – ele rosnou, completamente fora de si. Em seguida me beijou vorazmente, voltando a explorar meu corpo. Suas mãos pararam em minha intimidade e não demorei a senti-lo tocá-la. Ele fazia movimentos rápidos e senti meu corpo se contrair involuntariamente, embora eu não conseguisse sentir nada naquele momento. Ele mordeu meu lábio inferior com muita força, me fazendo grunhir de dor e sentir gosto de sangue. Ele parou de me beijar e tocou meus lábios com a mão livre, olhando para o sangue e dando um sorriso diabólico. E voltou a mordê-lo com mais força ainda. Eu me debatia e grunhia desesperada, mas mesmo que alguém pudesse nos ouvir, não conseguiria fazer nada, pois a porta estava trancada.
Ele levantou minha saia e arrancou minha calcinha com ferocidade, se livrando da boxer em seguida.
- Não, ... – eu sussurrei num último fio de esperança, ele sorriu maleficamente e em seguida me penetrou com força, investindo cada vez mais forte e urrando de prazer.
Em qualquer outra situação aquilo me entorpeceria e eu gritaria de prazer junto com ele, mas eu não sentia prazer. Sentia uma dor incalculável. Meus gritos eram de desespero, até que ele tapou minha boca com uma de suas mãos e a única coisa que pude fazer foi chorar e rezar para que aquela tortura acabasse de uma vez.
Os movimentos torturantes dele se intensificaram e nunca pensei que sentiria tanta dor. Parecia que o tempo não queria passar, parecia uma eternidade de dor e sofrimento. Naquele momento eu desejei desesperadamente a morte. Preferia morrer a passar por isso. Ver que o homem que eu tanto amei era capaz de fazer uma coisa dessas comigo. Que pudesse violar o meu corpo. Usá-lo como algo banal.
Então ele deu um último urro de prazer e senti-o gozar dentro de mim. Ele tombou em cima de mim, respirando ofegante e permaneceu ali até sua respiração normalizar. Então ele se levantou rapidamente e vestiu suas roupas.
Dirigiu-se a porta e destrancou-a.
- – chamei com a voz fraca. Ele me olhou com ódio.
- Não se preocupe com aquele desgraçado. Não vou fazer nada contra ele, você sabe muito bem que eu cumpro o que prometo – ele disse e saiu do quarto.
O desespero voltou a tomar conta de mim. Sentei-me na cama e senti a dor aumentar. Procurei por minha calcinha e logo a localizei jogada ao lado da cama. Vesti-a e fechei meu sutiã. Tentei fechar minha blusa, mas ela estava completamente arruinada.
Não consegui reprimir os soluços agonizantes que se formaram. Então escutei passos se aproximando e me encolhi apavorada, achando que tivesse voltado e decidido me torturar mais.
- Não... Não... Vai embora... – eu soluçava desesperada.
- ! – pude ouvir a voz de gritar apavorado. Ele correu até mim e se sentou ao meu lado, me segurando pelos ombros. – O que aconteceu? , PELO AMOR DE DEUS, FALA COMIGO! – ele gritou apavorado.
- ... ... – eu chorava cada vez mais. Senti-o me abraçar e acariciar meus cabelos, disposto a fazer eu me acalmar.
- Calma, meu amor, calma. Já passou... – ele dizia, mesmo que não soubesse do que se tratava. E como eu ia contar uma coisa dessas para ele? Aos poucos minha respiração foi voltando ao normal e eu consegui me acalmar um pouco. Mas ainda sentia as lágrimas escorrerem por meu rosto.
- Agora me conta, o que aconteceu? Por que você está nesse estado? – ele perguntou. Olhei em seus olhos e vi a agonia estampada neles. Mas ao mesmo tempo senti uma paz me envolver. Vi uma luz para todo aquele sofrimento. Uma luz que irradiava de seus olhos azuis.
- Eu... Contei tudo ao... ... – respirei fundo, sentindo a dor se retorcer dentro de mim em ter que dizer o nome dele. – Ao arregalou os olhos de surpresa.
- V-Você contou? – ele disse.
- S-Sim... Eu terminei com ele, ... Na verdade eu pensei... Pensei que ele soubesse o que tinha acontecido entre nós, porque eu tentei contar para ele antes, mas ele disse que sabia... ... – o abracei novamente.
- Pelo amor de Deus, ! Me diz o que aconteceu, ou vou morrer por ver você assim! – ele disse angustiado.
- Ele... Ficou furioso, ... Ele me disse coisas horríveis... Gritou comigo... E...
- O que?
- Ele... E-Ele... M-me agarrou... À força – eu disse, sentindo o pavor tomar conta de mim novamente só em lembrar o que aconteceu.
- O QUÊ? – gritou, seu rosto ficou vermelho rapidamente. – , me diz que isso não é verdade!
- ... Ele disse que ia matar você... Eu não podia deixá-lo te matar! Eu implorei para que ele não fizesse nada contra você... Aí ele veio para cima de mim e... Ah ! – eu disse, afundando meu rosto em minhas mãos e voltando a sentir o desespero me envolver.
- Pois quem vai matá-lo sou eu! EU É QUE VOU MATÁ-LO! – gritou possesso.
- Não, ! Por favor, não me deixe sozinha! Fica comigo... – os soluços aumentaram, ele voltou a me abraçar com firmeza.
- Eu não acredito que ele foi capaz de fazer isso com você, ... Eu não acredito – ele disse com a voz embargada.
- Prometa que não vai atrás dele, – eu pedi, ele hesitou. – Por favor, por mim. Prometa! – ele suspirou derrotado.
- Eu prometo, meu amor – ele disse e beijou o topo da minha cabeça. Ficamos por alguns minutos abraçados, eu chorava silenciosamente em seu ombro.

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O desespero tomou conta de mim quando vi o que foi capaz de fazer com ela. Violar o corpo que eu tanto amava. Abracei-a querendo mais do que tudo fazê-la esquecer o que aconteceu. Eu sentia minha camiseta ficar cada vez mais encharcada pelas lágrimas dela, mas não me importei.
- Espera um minuto. Vou arrumar alguma coisa para você vestir – eu disse, pois a blusa dela estava arruinada. Senti a raiva ferver dentro de mim, mas me reprimi.
- NÃO! – ela disse, apavorada. – Não me deixa!
- Calma, meu amor, eu não vou deixar você! – eu disse, acariciando seu rosto e enxugando algumas lágrimas. – Eu só preciso achar uma camiseta para você, você não pode sair assim.
- Eu sei, mas não sai de perto de mim, – ela pediu. Era evidente que ela estava em choque. – Por favor! – ela implorou com a voz falha.
- ? Cadê você, garota? – a voz de se aproximou. Logo ele parava a porta e congelou com a cena. – ! – ele disse, apavorado. – O que aconteceu?
Ela não respondeu nada, simplesmente continuou abraçada a mim. Seus olhos estavam vidrados e as lágrimas rolavam.
- , pelo amor de Deus, me fala o que aconteceu! – ele pediu.
- Ela... Contou para o – eu disse.
- Sobre vocês? – ele perguntou e assenti, ele deu um breve sorriso, mas logo sua expressão se fechou ao ver o estado em que ela estava. – O que foi que ele fez, ?
- Agarrou ela... À força – eu disse, engolindo em seco.
- O QUÊ? – gritou mais do que furioso. – EU VOU MATAR AQUELE DESGRAÇADO! EU VOU!
- Que foi, , o que houve? – apareceu no quarto com que ao ver naquele estado, gritou apavorada e veio em nossa direção, se ajoelhando em frente a ela.
- Amiga, o que foi? Me conta! – ela disse aflita, mas parecia estar em outro lugar. Não respondeu e seu olhar continuou vidrado.
- , tem como você conseguir uma... Uma roupa pra ela? – eu murmurei para ela, que assentiu e logo sumiu, voltando logo depois com uma blusa dela e ajudando a vesti-la.
- Procura se acalmar, ! Matar o não vai resolver nada! – dizia para ele, que andava de um lado para o outro no quarto.
- , ele agarrou a a força! Você tem noção do que é isso! – disse vermelhíssimo.
- Ele fez o que? – disse apavorada. Ela já estava do outro lado da , acariciando os cabelos dela. – Amiga, pelo amor de Deus, fala comigo!
- Ela está em choque – eu disse, sentindo a tristeza se aprofundar em mim.
- Ta vendo? Aquele crápula tem que pagar pelo que fez! – ergueu os punhos no ar. – Eu vou matá-lo! Juro que vou!
- N-Não... – disse com a voz rouca.
- Amiga? Amiga, por favor, me diz o que está acontecendo! – pediu.
- E-Eu só queria ficar com o ... Eu disse pra ele que era o que eu amava... E ele disse que ia matá-lo... Ele disse que ia me usar... – ela disse e afundou o rosto em meu pescoço, chorando agoniada.
- Peraí, eu entendi direito? Ela disse que queria ficar com “você”? – perguntou para mim.
- É uma longa história, disse.
- Como o foi capaz de fazer uma coisa dessas! – disse indignada.
- Ele devia estar cego pela raiva – disse .
- Mas isso não justifica ter feito o que ele fez com ela! – eu disse. – Nem em meu momento mais insano eu faria uma coisa dessas com a garota que eu amo!
- Isso é porque você a ama realmente, ... Agora ele... Ele não ama nem a si mesmo – disse, amargurado. – E o pior de tudo foi que eu a encorajei a voltar com ele. Fui eu que disse para ela ir atrás dele.
- Não se culpe, . Você só fez o que julgava certo. Ninguém podia imaginar que o fosse fazer isso – o tranquilizou, que deu um sorriso fraco.
- Acho que a gente devia dar uma água com açúcar para ela. Ela precisa se acalmar – disse . Fiz menção de levantar para ir buscar, mas me impediu.
- Não , você fica aqui com ela. Deixa que eu vou – ela disse e saiu com ao seu encalço.
O silêncio se formou enquanto eu acariciava os cabelos dela incessantemente. Ela não movia um músculo sequer, mas eu podia sentir seu coração ainda batendo acelerado. olhava para ela aterrorizado e com os olhos marejados.
- Que péssimo irmão eu sou... Eu prometi que ia cuidar de você e agora olha só o que aconteceu – ele disse triste. Ela ergueu o rosto para encará-lo.
- Não se culpe – ela disse e forçou um sorriso. Então arregalou os olhos e apertou ainda mais meu abraço quando ouviu passos no corredor. Relaxou assim que viu adentrar o quarto com a água.
- Toma, . Beba isso, vai se sentir melhor – ela disse gentilmente e entregou o copo a . Ela tremia tanto que quase derrubou o copo, então segurei a mão dela com firmeza, guiando o copo até sua boca. Ela bebeu a água rapidamente e entreguei o copo para . me encarou nos olhos.
- Me perdoa, ... Me perdoa por não ter confiado em você – ela disse.
- , você não precisa me pedir perdão – eu disse.
- Não, eu preciso sim. Eu não acreditei em você, eu duvidei do seu amor – ela disse. – Por favor, diz que me perdoa!
- É claro que eu perdoo você, meu amor! Eu amo você mais do que tudo na minha vida – eu disse, acariciando seu rosto. Ela sorriu fraco.
- Eu também amo muito você – ela disse, aproximando seu rosto do meu e me beijando calmamente. Mas não durou muito tempo, pois ainda estava no quarto. Separamos nossos lábios com um breve selinho.
- Acho melhor a gente sair daqui – ela disse, fazendo uma careta. Concordamos e fomos todos para sala. Onde estavam , , e . Que provavelmente já sabiam de tudo e estavam espantados.
- murmurou. – Ta melhor?
- Um pouco – ela disse com a voz rouca. – Ainda bem que eu tenho vocês todos pra me apoiar – ela sorriu fraco.
- Imagina , amigo é pra essas coisas – disse, sorrindo para ela.
- Obrigada gente, de verdade – ela disse. Sentamos no sofá e ela encostou a cabeça em meu peito.
O silêncio reinou por um longo tempo. Até que a campainha tocou.
- Quem será? – disse surpreso. A campainha tocou mais insistentemente.
- Pelo jeito está com pressa – disse .
foi até a porta e abriu-a. No mesmo instante entrou desesperada.
- O que foi, ? – disse surpreso, correndo ao encontro dela.
- A – ela sussurrou.
- O que houve com ela? – disse preocupada.
- Ela sumiu, ... A mãe dela está desesperada atrás dela – ela disse.
- Já tentaram ligar para a Karen? – eu perguntei.
- Sim... E nada. Mas o pior veio depois – disse .
- Como assim? – disse apavorada.
- Ligaram para a mãe dela e... – a voz dela falhou.
- E o que? Fala ! – disse agoniado.
- A sequestraram – disse , fazendo com que todos congelassem de pavor e soltasse um soluço desesperado.

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- A sequestraram – disse .
- NÃO! – eu gritei quando senti uma pontada forte em meu peito. – NÃO! A NÃO! – senti lágrimas rolarem pelo meu rosto. O desespero tomava conta de mim.
- Calma , calma – me abraçou forte. Seu rosto, que apesar de possuir um olhar vidrado, estava se normalizando até ouvir a noticia, e agora lágrimas rolavam de seus olhos.
- Ela não, ... Eu não vou aguentar! Por mais que ela tenha feito o que fez... Eu não posso perdê-la! – eu disse com a voz abafada, próximo ao seu pescoço. Ela podia ter me traído, podia ter me usado, mas eu ainda a amava. Eu ainda precisava dela, e a ideia de não tê-la mais ao meu lado me fez sentir uma agonia tão grande que eu não só soluçava de tanto chorar como soltava espécies de grunhidos.
- A gente vai ajudá-la , acalme-se! – disse .
- Como, ? A gente nem sabe onde ela está! – eu exclamei frustrado. Nessa hora o celular da tocou e meu coração deu um salto.

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Senti um leve calafrio quando olhei no visor do celular e encontrei “Nº Confidencial”. Será que era o tal sequestrador da que tinha descoberto meu celular? Oh meu Deus, minha melhor amiga correndo perigo de vida! Vou enlouquecer desse jeito!
- A-Alô? – atendi receosa.
- Oi ... Você está bem? – aquela voz não tinha como não reconhecer.
- E-Eu estou ótima, o que você quer? – perguntei, sentindo o medo e a raiva crescerem monstruosamente dentro de mim.
- Eu queria que você me perdoasse, . Não sei onde estava com a cabeça. Eu fiquei com muita raiva de você e... Não consigo segurar quando estou com tanta raiva assim – ele desandou a falar.
- Você tem mera noção do que fez comigo, garoto? – eu disse, trincando os dentes.
- Eu... Me perdoa, ! Eu amo você! – ele disse com a voz embargada, mas não me abalei nem um pouco.
- AMA O CARALHO! VOCÊ É UM MONSTRO ! – eu gritei enraivecida, fazendo com que me olhasse surpreso e logo vir ao meu encontro.
- É o ? – ele disse sério. Concordei com um aceno de cabeça. Ele estendeu a mão para que eu lhe entregasse o telefone. Olhei-o com certa dúvida e ele deu um meio sorriso.
- Tudo bem, meu amor – ele disse e não resisti ao jeito fofo dele, entregando o celular para ele.
- Considere-se um homem morto se tornar a procurar a – ele disse ameaçador e desligou o telefone sem fazer mais nada. Me entregou em seguida.
- Nossa... Err... Obrigada, – eu dei um sorriso fraco.
- Não tem que me agradecer, meu anjo. Não vou deixar que nada de ruim te aconteça de novo – ele disse, olhando intensamente em meus olhos. E naquele momento eu senti que realmente, enquanto ele estivesse ao meu lado, não havia o que temer.

Uma semana depois...

- Hm... Amor? – parou repentinamente de beijar meu pescoço e me olhou nos olhos.
- O que foi? – perguntei atordoada. Estávamos no sofá da casa dos meus tios. O propósito era vermos um filme juntos, mas se me perguntassem do que o filme falava eu com certeza não saberia responder.
- Você tem certeza de que quer isso? – ele perguntou.
- Por que ta me perguntando isso? – perguntei confusa.
- É que... Deve ter sido horrível o que o fez com você e... Eu sei que você ficou traumatizada – ele disse, ficando vermelho. Ai meu Deus, existe um ser mais fofo na face da Terra?
- , eu confio em você e confio no nosso amor. Você jamais faria o que o fez. Você é mais do que meu amor, é meu anjo da guarda – eu disse sorrindo e ele retribuiu.
- Sério , eu não quero te forçar a nada. Entendo perfeitamente o que você está sentindo e...
- Cala a boca ... E me beija – eu disse, colocando o dedo indicador sobre os lábios dele. Ele riu um pouco envergonhado e logo selou nossos lábios em um beijo calmo, mas intenso. Era evidente que ele realmente não queria me forçar a nada.
Senti ele passar a mão por baixo das minhas pernas, enquanto a outra segurava firme em minhas costas. Segurei-me em seus ombros e ele me carregou lentamente até o meu quarto, depositando selinhos demorados pelo meu queixo e bochechas. Aproximou seus lábios de meu ouvido e sussurrou:
- Eu amo você – sorri abobada.
- Também amo você – eu disse e senti ele me deitar sobre a cama, caindo por cima de mim delicadamente e me beijando carinhosamente.
Cada movimento era intenso. Nada era movido por instinto e sim por amor. As mãos dele deslizavam pelo meu corpo e foram subindo vagarosamente o vestido que eu usava. Logo eu mesma o tirei por completo, vendo-o tirar a camiseta dele também. Seus olhos intensos me fitaram demoradamente.
- Eu já disse que você é a mulher mais linda que eu já vi? – ele disse todo fofo.
- E eu já disse que você é o ser mais fofo da face da Terra? – respondi com outra pergunta. Ele sorriu.
Definitivamente nunca senti nada igual. O jeito que ele me acariciava, com cuidado e desejo ao mesmo tempo, e as palavras que ele sussurrava faziam eu me sentir feliz, desejada, amada.
Nenhum tecido mais cobria nossos corpos e ele estava posicionado em minha entrada. Nos encaramos por um tempo até o desejo falar mais alto e ele me penetrar. O que eu senti naquele momento não tem explicação. Um prazer incalculável.
- Eu amo você – ele sussurrou com todo seu membro já dentro de mim.
- Eu te amo! – eu gemia a casa investida dele. Até que chegamos juntos ao clímax e ele tombou ao meu lado, me aconchegando em seu peito.
- Eu quero que você saiba que, aconteça o que acontecer, eu sempre amarei você. Sempre estarei ao seu lado. Cuidando de você, amando você – ele disse, me encarando.
- E eu prometo que nunca mais vou duvidar do seu amor. Porque é ele que me mantém viva – eu respondi.
Seus lábios tocaram os meus carinhosamente e ficamos nos encarando por mais algum tempo. Minhas pálpebras começaram a pesar e eu estava quase adormecendo.
Foi quando o telefone tocou.
- Quem será a uma hora dessas? - murmurei surpresa, indo em direção ao telefone.
- Alô? - atendi, sentindo uma pontada de medo, enquanto me observava ansioso.
- , pelo amor de Deus, presta atenção em tudo o que eu disser. Não tenho muito tempo - ouvi uma voz conhecida dizer apressada.
- ? - eu disse completamente surpresa e até emocionada.
- Sim, sou eu. , escuta...
- Como... O-Onde você está? - eu disse, sentindo as lágrimas descerem pelo meu rosto - Estou tão preocupada com você!
- , eu sei, mas você precisa me ouvir. Eles me soltaram! E-Eu não sei exatamente onde estou, mas vou ficar bem - ela disse.
- Me dê um ponto de referência, eu dou um jeito!
- Não precisa! Eu pego um táxi.
- Mas...
- , o ficou no meu lugar - aquilo me golpeou como um balde de água fria. Tudo bem que ele tinha feito o que fez, mas as lembranças ruins não me impediram de sentir uma pontada forte no peito.
- O QUÊ? - eu gritei, sentindo o pânico me dominar. veio rapidamente até mim, preocupado.
- Isso mesmo que você ouviu. Eu não sei direito o que aconteceu, mas eles queriam me usar pra chegar até você, e o apareceu do nada dizendo para matarem ele. Que ele preferia morrer a ver você sofrendo de novo por causa dele. , o que aconteceu?
- Muita coisa, ... Muita coisa - suspirei - Mas quem são "eles"? Quem sequestrou você? - perguntei.
- No começo eu achei que fosse só o Henry, mas...
- E não é?
- Eu não sei, tem mais pessoas, eu acho. Mas acho que ele é o líder.
- Quem?
- Às vezes aparece a Kathelyn, que é irmã do James... Aí tem a Vanessa e... , você TEM que acreditar no ! - ela disse agoniada.
- Eu acredito, . Como eu disse, muita coisa aconteceu.
- , eu preciso ir, mas antes preciso que você me prometa uma coisa - ela pediu.
- O que?
- Prometa que não vai atrás do ! Provavelmente vão mudar o cativeiro agora, mas não importa o que digam a você, NÃO VÁ! É uma armadilha! Eles querem matar você! - ela disse agoniada - Por favor, prometa !
- E-Eu...
- Por favor! A gente dá um jeito! - ela insistiu frustrada.
- Não posso prometer uma coisa dessas! Por enquanto eu sei que jamais me arriscaria pelo , mas não sei... As coisas podem mudar.
- Do que você está falando, ? - disse confuso.
- Preciso ir, . Nos vemos logo.
- Tudo bem. Eu amo você, amiga!
- Eu amo mais - rimos e ela desligou.
- o que... , você está bem? - me olhou preocupado. Senti tudo à minha volta girar e a escuridão me envolver.

[/]

[]

Saí desnorteado daquele quarto. Eu não sabia o que pensar, não sabia o que sentir. Só sei que quando senti a brisa tocar meu rosto, o desespero tomou conta de mim. As lembranças do que eu tinha acabado de fazer surgiram num flash. Então passei a sentir nojo de mim mesmo. Senti ódio e uma vontade esmagadora de tirar minha própria vida. Eu não merecia viver. Não sendo o monstro que eu havia me tornado. Capaz de causar sofrimento à pessoa mais importante da minha vida.
- Você é o ser mais desprezível, – eu disse a mim mesmo, urrando de frustração em seguida.

(...)

- Considere-se um homem morto se tornar a procurar a disse sério. Uma seriedade que eu tinha visto poucas vezes na vida.
O ódio de mim mesmo só aumentou quando eu percebi o que tinha feito. Tinha entregado de bandeja o amor da minha vida para o meu melhor amigo.
- Burro, burro, burro! Estúpido! Idiota! Imbecil! Olha só o que você fez!! – eu bufava, completamente dominado pela raiva.
- Frustrado? – ouvi uma voz conhecida.
- O que você quer, Kathelyn? – perguntei irritado.
- Eu disse que ela não era mulher para você! – ela disse pretensiosa.
- E quem é? Você? – eu disse sarcástico.
- Eu...
- Pois saiba que você não chega nem ao chão que ela pisa! É uma pessoa maravilhosa. Eu é que não a mereço! – eu disse.
- Mais um motivo para nós...
- Não vou ficar com você, é difícil entender? Eu amo a ! Por mais desprezível que eu seja, eu a amo! E não vou desistir dela só porque ela está com o !
- Saiba que ela está com a corda no pescoço – ela disse, fazendo pouco caso – É só uma questão de tempo!
- O que quer dizer com isso? – perguntei confuso.
- Você contou o plano, ! Agora ela vai morrer – ela disse e me deixou sozinho com a dor que se instalou.

(N/a: Coloquem essa música para tocar xD)

In this farewell
Nesta despedida
There's no blood
Não há sangue
There's no alibi
Não há álibi
'Cause I've drawn regret
Porque eu retirei arrependimento
From the truth
Da verdade
Of a thousand lie
De mil mentiras
So let mercy come
Então deixe a compaixão chegar
And wash away
E limpar

What I've done
O que eu fiz
I'll face myself
Eu vou me encarar
To cross out what I've become
Para eliminar o que eu me tornei
Erase myself
Me apagar
And let go of what I've done
E esquecer o que eu fiz

Minha decisão estava tomada. Eu não tinha mais nada a perder. Ela estava feliz com meu ex-melhor amigo. Meus outros amigos provavelmente me odiavam agora e eu nem ousaria chegar na frente do . De alguma forma, meus pais souberam do que aconteceu e bem, praticamente me deserdaram. Mas eu não sinto raiva de ninguém. Eu sei que mereço coisa pior.
Talvez essa seja minha última chance. Uma oportunidade única para a minha redenção. Quem sabe se eu trocar minha vida pela dela, ela possa pelo menos pensar em me perdoar.
- Kathelyn, se você me disser onde a está, eu serei seu – eu disse assim que ela atendeu a porta.

Put to rest
Deixe para trás
What you thought of me
O que você pensou de mim
While I clean this slate
Enquanto eu limpo essa ficha
With the hands
Com as mãos
Of uncertainty
Da incerteza
So let mercy come
Então deixe a compaixão chegar
And wash away
E limpar

What I've done
O que eu fiz
I'll face myself
Eu vou me encarar
To cross out what I've become
Para eliminar o que eu me tornei
Erase myself
Me apagar
And let go of what I've done
E esquecer o que eu fiz

- Uh! Até que você tem atitude. E bem, o prêmio é ótimo, mas quem garante que você não está blefando? – ela disse desconfiada.
- Você vai ter que acreditar em mim – eu disse e sem dar tempo a ela, puxei-a para um beijo. Atitudes como essa me davam mais nojo de mim mesmo, apesar de ser necessário, já que eu precisava da informação que eu sabia que ela tinha e que me daria sem pestanejar.
O beijo não durou muito tempo. Não sei se conseguiria ser tão forte e conter a vontade que eu tinha de me matar. Talvez assim a dor fosse passar. Eu me apegava a isso. Porque eu sabia que eles me matariam. E era só nisso que eu pensava, só isso que eu queria. Morrer por ela e provar que apesar de ser um monstro, eu a amava.
- Venha, vou levar você até o cativeiro. Mas o que você pretende com isso, ? – ela perguntou quando nos separamos.
- Você vai ver, Kathy. Mas não se preocupe, pode confiar em mim – eu disse e ela assentiu.
Não demorou muito e já estávamos no local. Como eu imaginei, era uma casa meio abandonada bem perto da casa do Henry. Kathelyn ainda me lançou alguns olhares desconfiados, mas como sempre encontrava um sorriso da minha parte, acabou relaxando depois de um certo tempo.
- É aqui – ela disse, soltando um suspiro. Me deu um selinho – Vamos lá. Torça para eles não te matarem de primeira.
- Não acho que vão precisar disso. Eu ao menos armado estou. E ainda estou com você – eu disse.
- É, talvez você tenha razão – ela disse.
Entramos na casa e de cara já encontramos James e Drake (que era o outro irmão da Kathelyn).
- Kathy, mas o que é que você está fazendo? O que ele faz aqui? – disse James.
- Tenho uma proposta para vocês – eu disse sem esperar que ela respondesse.
- Henry! – Drake chamou. Minutos depois Henry apareceu.
- O que foi agora... Ah! Olha o que temos aqui! O nosso herói! – Henry disse sarcástico ao me ver – Drake, vá lá vigiar a . Não confio muito na Vanessa – ele disse e Drake sumiu pela porta em que Henry surgiu.
- Henry, eu... – Kathelyn ia dizendo.
- Não é que subestimei sua capacidade, Kathy? Jamais imaginei que conseguiria capturar o – Henry a interrompeu.
- Mas eu não capturei ele. Foi ele quem quis vir – ela disse.
- Tenho uma proposta para você, Henry – eu disse.
- Pois diga logo. Eu não tenho o dia todo – ele disse ríspido.
- Proponho uma troca – eu disse sem me abalar. Eu estava mesmo decidido.
- Uma troca... Que tipo de troca? – ele perguntou, levemente interessado.
- Eu pela . Você solta ela e eu fico no lugar – eu disse. Então ele começou a rir.
- Você... Acha... Que sou... Idiota? – ele disse entre gargalhadas.
- Ficou maluco, ? – Kathelyn disse surpresa.
- Você pode até me matar se quiser, mas solte a antes – eu disse, ignorando a reação dos dois.
- E por que eu aceitaria isso? O que eu ganho? – Henry questionou.
- Pensando bem, Henry. Se trocarmos a pelo , as chances de chegarmos até a são muito maiores. Aposto que ela viria correndo atrás dele – James disse.
- NÃO! – eu gritei sem conseguir me conter. Eu queria morrer no lugar dela e não conduzi-la para a morte. Mas, pensando bem, talvez ela não viesse. Talvez não se importasse mais comigo. Ou até se importasse, mas talvez o não deixasse ela vir atrás de mim.
- Se arrependeu? – Henry disse, sarcástico. – Tarde demais! Levem-no e soltem a . Vamos para outro lugar, para garantir que não seremos descobertos.

[/]

[]


Acordei um pouco zonza, encontrando um completamente aflito me encarando com ansiedade.
- Oh! Graças a Deus! Eu já estava quase te levando a um hospital! – ele disse assim que viu meus olhos se abrirem.
- O que aconteceu? – eu disse atordoada.
- Você desmaiou. Eu não entendi muito bem. Você desligou o telefone e parecia assustada...
- O telefone? Espera! – tudo o que havia me dito caiu como uma bomba e eu teria desmaiado de novo se meu coração não implorasse para que eu fizesse alguma coisa.
- ! – eu berrei e me olhou mais confuso do que nunca.
- O que tem ele, ? Ele aprontou alguma coisa? Te ameaçou? – ele disse.
- Não, ... Ele... Ele... T-trocou de lugar com a... – eu disse, sentindo meus olhos marejarem, assim como minha voz que se tornou embargada.
- Como é? – disse surpreso – E por que aquele idiota vez isso?
- Eu preciso fazer alguma coisa, preciso ir atrás dele... Preciso...
- Espera aí, você não vai a lugar algum – disse repentinamente sério.
- Quem disse que não vou? – eu disse surpresa com a atitude dele.
- , ele abusou de você! Eu não vou deixar você arriscar sua vida pra salvar um monstro! – disse, se alterando.
- Você não entendeu? O ta correndo perigo de vida! O seu melh...
- Não venha me dizer que ele é meu melhor amigo, porque ele morreu pra mim – disse.
- O que aconteceu, ? Por que você está agindo desse jeito? – eu disse, completamente indignada com a reação dele.
- O que aconteceu? Você me pergunta isso? , eu não acredito que você perdoou o depois de tudo o que ele fez pra você!
- Eu não disse que estou perdoando... Só que preciso salvá-lo. Por mais que ele tenha feito o que fez, é um ser humano e não vou ficar de braços cruzados enquanto aquele Henry tortura ele! E eu sei que sou a única pessoa que pode fazer isso.
- É sua palavra final? – disse, me encarando.
- Eu tenho que ir, – eu disse e ele desviou o olhar – Olhe pra mim, !
- Entendi – ele disse, sua voz morrendo aos poucos.
- Entendeu o que?
- Você ainda o ama, ! Apesar de tudo! Apesar de ele ser um monstro você o ama! – quase gritou essas palavras.
- Eu... – não sabia o que dizer. Eu queria negar. Dizer que ele estava errado, mas uma pequena parte no meu intimo me dizia que aquilo era verdade – ... – chamei e ele enxugou rapidamente algumas lágrimas que caíam de seus olhos.
- Se você atravessar aquela porta, esqueça tudo o que houve entre nós dois – ele disse, finalmente me encarando. Sua expressão era fechada, ele parecia... Decidido.
- O QUE? – eu disse surpresa e senti meus olhos marejarem.
- Eu cansei da sua indecisão, . Se é pra escolher um de nós dois escolha agora. Ou você fica aqui comigo e esquece isso... Ou você... Ou você vai atrás dele e fica com ele – disse.
- Não acredito que você está me dizendo isso – eu disse com a voz embargada.
- É duro pra mim, mas eu não quero mais sofrer por você. Se você não quer o meu amor, vou procurar alguém que mereça – ele disse e aquelas palavras me feriram como facas.
- Então é isso que você pensa de mim? Que meu amor por você é uma mentira? – eu disse indignada. Ele permaneceu em silencio – Muito bem então... – engolindo o choro, peguei minha bolsa e fui em direção à porta, levando a mão à maçaneta.
- Sabe por que o assumiu o lugar da ? Porque o Henry quer me matar, na verdade ele está trocando a minha vida pela dele. Mais uma vez ele está salvando minha vida... Mais uma vez por amor – eu disse encarando-o, ele estava parado e me fitava parecendo distante – Adeus , vai encontrar o seu amor já que eu não sou boa o bastante pra você – eu disse e saí.
Assim que bati a porta senti todo meu interior queimar dolorosamente. As lágrimas que eu tentava reprimir desceram sem controle. Soltei um grunhido desesperado, sentindo que deixava uma parte de meu coração ali dentro com ele.
Suspirei, tentando reunir forças, engolindo em seco. Eu tinha que salvar . Eu tinha que evitar que ele cometesse a maior loucura de sua vida, mesmo que pra isso eu tivesse que morrer.

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Eu não tinha idéia de para onde ir. As palavras dele ainda me feriam. Como ele pôde dizer que eu ainda amava o ? Eu não tinha enfrentado tudo para ficar com ele? Droga! Eu só não queria que fizesse uma besteira por minha causa.
Minha mente trabalhava a mil enquanto minhas pernas me guiavam e só quando parei, foi que percebi que estava na frente da casa do Henry. Sem pensar direito toquei a campainha e esperei. Não demorou muito e uma senhora simpática abriu a porta.
- Posso ajudar? – ela disse bondosamente e por um minuto me ocorreu uma coisa “Como uma senhora bondosa como ela pode trabalhar na casa de alguém como o Henry? Se bem que ela não deve ter idéia do que ele faz”.
- Sim. Estou procurando o Henry, ele está? – eu disse, sorrindo para ela.
- Ah sim. Entre, vou chamá-lo – ela deu passagem para mim e entrei na casa. – Fique à vontade. Posso oferecer alguma coisa? Uma água... Um café?
- Não, obrigada. Estou bem – eu disse.
- Certo. Vou chamá-lo – ela disse e saiu.
Fiquei um pouco inquieta enquanto observava a casa. Realmente era um lugar muito bonito.
- ? – ouvi uma voz conhecida e virei, encontrando Karen parada na entrada da cozinha.
- Oi Kah – sorri fraco.
- O que você está fazendo aqui? – ela disse surpresa.
- Eu... Vim falar com seu irmão – eu disse. De repente ela adquiriu uma expressão assustada.
- , não faça isso! Vá embora antes que seja tarde – ela alertou. Uma onda de pânico me tomou e eu tinha acabado de decidir seguir o conselho dela, mas realmente agora era tarde demais.
- Ora ora ora, o que temos aqui! – ouvi ele dizer sarcástico.
- Henry – não demorei a localizá-lo, vindo de algum lugar com a simpática governanta ao lado.
- Será que podem nos deixar a sós? – Henry disse. Karen me olhou assustada e assenti brevemente.
- NÃO! – ela moveu os lábios sem emitir som e depois saiu com a governanta.
- Bela casa – eu disse à Henry. – Você sabe muito bem o porquê de eu estar aqui – falei sem rodeios.
- Sei, e confesso que não pensei que você viesse tão rápido – ele disse.
- Bom, mas aqui estou eu. Exatamente como você queria, então... Que tal andar logo com isso? Solte o e me mate de uma vez – eu disse, reunindo a pouca coragem que me restava.
- Uau! Pelo jeito a fez exatamente o que eu queria! Foi correndo contar para você! – ele disse.
- Deixe a fora disso! O assunto é entre eu e você – eu disse com raiva.
- Sabe que não precisava ser assim? – ele se aproximou o bastante para que eu sentisse sua respiração e eu fiquei paralisada com medo do que ele poderia fazer comigo. – Você podia simplesmente ter deixado o de lado e ficado comigo... Mas não, você queria ele – roçou seu nariz no meu. – Agora vai morrer com ele!
- Não! Por favor, faça o que quiser comigo, mas isso não – e como um flash eu lembrei de tudo o que fez comigo. Uma onda de pânico percorreu o meu corpo quando ele pressionou seu corpo contra o meu e começou a beijar meu pescoço, subindo para o maxilar.
- Imagine que sou o ... Aposto que não vai ser tão ruim para você – ele sussurrou no meu ouvido. As palavras dele desencadearam um ódio mortal dentro de mim. Empurrei-o para longe e lhe dei um tapa no rosto com toda força que pude reunir.
- De novo, NÃO! – eu disse furiosa. Ele me olhou sem entender – Não encoste mais essa mão suja em mim!
- Que foi, esqueceu que seu namoradinho está nas minhas mãos? – ele disse.
- Você anda muito desatualizado, Henry. Eu e não estamos mais juntos – eu disse.
- E por que você veio até aqui? Se sentiu culpada por ele vir morrer no seu lugar? Não me faça rir! – ele disse descrente.
- É exatamente isso – eu disse e ele gargalhou.
- Henry, rápido! Ele está tentando fugir! – Vanessa apareceu aflita.
- Argh! Será que eu tenho que resolver tudo? – ele disse irritado. – E você vem comigo! – me puxou pelo braço.
- Espera! Ele está aqui na sua casa? – eu disse sem pensar.
- O último lugar que procurariam, não acha? Porque é óbvio demais – ele disse, aparentemente encantado com o próprio plano.
Andamos por alguns minutos até os fundos da casa dele que tinha uma espécie de cabana. Seguimos por lá e nos embrenhamos nos fundos da cabana até chegar em uma espécie de alçapão. Vanessa abriu a ‘porta’ e esperou eu e Henry entrarmos primeiro.
O ambiente estava fracamente iluminado e logo reconheci o rapaz que estava mais próximo. James. E mais adiante estava ele... Antes mesmo que eu pudesse reconhecê-lo já pude ouvir sua voz gritar com uma nota aguda de pânico.
- !
Henry me empurrou bruscamente mais perto dele e encarei por alguns segundos seu rosto contorcido de agonia.
- , vai embora! O que você faz aqui? Vai embora! – ele disse com a voz falha.
- Não posso – eu disse no que pareceu apenas um murmúrio sem vida.
- Por que você está aqui? Por quê? Eu pensei que você jamais viesse! Pensei que me odiasse! – ele disse, as lágrimas rolavam por seu rosto.
- Porque eu sou burra! Porque sou tão idiota a ponto de ainda amar você! – eu disse, já chorando também, sentindo a dor da verdade me atingir. É claro que eu ainda o amava, é claro que o estava certo. Eu o amava a ponto de esquecer o monstro que ele se tornara e ir atrás dele.
- O que? – ele disse surpreso.
- Eu ainda amo você, . É ridículo, é estúpido e burrice da minha parte ainda te amar, mas eu não consigo evitar. E só de pensar que você ia morrer por minha causa...
- Não é por sua causa, ! É por minha causa! Porque eu já não sei mais quem eu sou! – ele disse. Pra isso eu não tive resposta. Dei um longo suspiro e mordi o lábio, num ato de nervosismo, simplesmente encarando-o e deixando as lágrimas rolarem.
- Oh que comovente! – Henry disse sarcástico.
- Cala a boca, Henry! – eu disse, sentindo uma raiva crescer em mim. Frase errada. Logo senti meu rosto arder e fiquei levemente tonta ao sentir o tapa forte no lado esquerdo de meu rosto.
- Como ousa? – ele disse furioso. – Você acha que está em condições de me mandar calar a boca? Quem você pensa que é? – eu não respondi. Senti as lágrimas aumentarem e meu rosto sacudir de desespero.
- Se você encostar mais um dedo nela eu juro que... – ia dizendo.
- Eu acho que vocês não estão entendendo, não é? A vida dos dois está nas MINHAS mãos! – Henry disse ainda mais furioso. Senti um calafrio percorrer minha espinha.
- D-Dos dois? – eu disse.
- É claro! Ou você acha que por você ter vindo até aqui, vou poupar a vida do seu amorzinho? – ele disse voltando ao sarcasmo que tanto me irritava.
- Por que você está fazendo isso, Henry? Por quê? – eu disse, entrando em desespero.
- Você quer mesmo que eu diga? – ele me encarou com um brilho estranho no olhar. – Porque eu sempre gostei de você! Desde o dia em que te conheci! Mas não... Você não me queria! Você queria esse idiota ali que teve a capacidade de abusar de você! Eu jamais faria isso, ! JAMAIS! – ele disse, apontando para .
- Henry... – eu ia dizendo, completamente surpresa com as palavras dele.
- Você tem noção do que foi pra mim ver você com ELE? E depois, quando eu pensei que finalmente você olharia pra mim, você aparece com o ! – ele bufou. – Por que você nunca me nota, , POR QUÊ? – ele me encarou.
- P-Porque... Porque – engoli em seco – Porque você age como se fosse um maníaco! Olha só o que você está fazendo Henry? Acha que ameaçar a minha vida e a do vai me fazer te amar?
- Se você consegue amar alguém que abusou de você, acho que tenho chances – ele retrucou.
- PARA DE FALAR ISSO! Você acha que eu não sinto nada quando você me faz lembrar? Só de pensar em tudo eu... eu... – de repente comecei a sentir um frio tomar conta de mim e tremi involuntariamente com o olhar fixo em um ponto qualquer. Tomada pela dor que a lembrança me causava.
- ! ! – ouvi alguém gritar ao longe. E depois senti alguém me sacudir.
- Hey! Desculpa, não queria te deixar assim – me assustei ao ver Henry com o rosto bem perto do meu, me encarando de um jeito que eu nunca tinha visto. Ele parecia preocupado comigo, sua expressão continha... Dor. Suspirei fundo e olhei para , um pouco atrás de Henry. Ele encarava os próprios pés enquanto seu corpo sacudia pelos soluços. Como se meu olhar o chamasse, ele levantou os olhos e me encarou triste.
- Me perdoa, ! Por favor, me perdoa! – ele disse.
- Não sei mais quem você é... Me pergunto onde está o que eu conheci! – eu disse triste.
- ...
- E eu acho que é tudo culpa minha... No final das contas o monstro sou eu! Eu que não consegui controlar meu amor pelo ... Que não consegui escolher um de vocês... Quem sabe o certo não era ficar com o Henry mesmo, talvez eu livrasse você disso – continuei, sentindo minha conclusão me sufocar.
- Não diga isso! Se alguém tem culpa aqui é ELE! Você não tem culpa de nada! – Henry disse. – E é por isso que vou facilitar tudo pra nós.
- Como assim? – eu disse, arregalando os olhos e então Henry pegou uma arma. Apontando-a na direção de .
- NÃO! Não faça isso, Henry, por favor! Eu faço qualquer coisa! – implorei desesperada.
- Eu sei que você pode me odiar por isso, mas no fim vai perceber que eu estava certo – ele disse e então apertou o gatilho. A bala acertou em cheio no seu peito e ele ofegou.
- NÃÃÃO! – eu gritei, correndo para perto dele, antes que alguém pudesse me segurar. – Não, , não me deixa, NÃO! – ele já estava caindo no chão, agonizando. Caí por cima dele, abraçando-o e chorando desesperada. – SEU ANIMAL! – berrei para Henry.
- Vamos sair daqui! O motorista já está lá na frente? – Henry perguntou para alguém que nem tive interesse em saber quem era.
- Está – a pessoa respondeu e identifiquei uma voz feminina, mas só.
- Então vamos – e sem olhar para trás Henry me deixou lá, chorando convulsivamente pelo corpo de , já quase sem vida.
- Por favor, não vai! Fica aqui comigo! Eu não vou suportar perder você também – eu sussurrei por falta de forças.
- Me... Me perdoa, ! Eu amo você – ele dizia, suas pálpebras vacilavam.
- Eu também amo você, , mas não sei se consigo te perdoar agora! Quem sabe um dia – eu disse triste.
- Promete? – ele pediu.
- O quê?
- Que vai me perdoar um dia? E que vai ser feliz?
- Eu... Eu prometo, ! Mas não... – tarde demais, ele deu um último suspiro e fechou os olhos. Eu sabia que ele nunca mais tornaria a abri-los, eu podia sentir meu coração se rasgando por dentro e isso confirmava o que meus olhos presenciavam.
Eu podia ver a imensidão de tortura e solidão que esperavam por mim. E me entreguei, sabendo que eu não tinha escolha.
Eu sentia meu corpo sacudir violentamente. A tristeza tomava cada centímetro de mim. Eu jamais quis um destino desses pra ele. Não pra ele, o homem que eu tanto amei. Que foi capaz de tudo por mim. Da maior loucura para a pior.
Meu coração pulsava desesperado, a dor parecia só aumentar. Parecia que jamais teria um fim. O que eu mais queria era que tudo fosse um sonho ruim. Que eu acordaria e ele ainda estaria vivo. Queria poder ver novamente seus olhos radiantes pra mim, com aquele brilho que eu só via quando estávamos juntos. Queria que ele me abraçasse e dissesse que tudo estava bem. Se eu ao menos pudesse ouvir sua respiração já seria como o paraíso para mim.
Eu o perdi... Ele se foi. Deus! Como isso pôde acontecer?
À dor se juntou o remorso. Por que eu não consegui perdoá-lo? Por que eu tinha que sentir o pânico aflorar em mim só de pensar no que ele fez? Eu bem que podia ter esquecido tudo isso e dizer que o amava. Dizer que eu estava aqui, que não importava mais o que aconteceu.
Mas agora era tarde. Agora seu corpo jazia sem vida diante de mim. Eu não conseguia me desvencilhar do corpo dele. Chorava convulsivamente e me agarrava a camiseta ensopada pelo sangue dele como se minha vida dependesse disso.
- ? – ouvi uma voz ao fundo – OH MEU DEUS! Não acredito que o Henry fez isso!
Nem me mexi para ver quem era, mas alguma coisa me dizia que era Karen.
- Vem amiga, a gente precisa chamar ajuda! O Henry foi embora – ela disse e continuei debruçada sobre o corpo dele. Sem ao menos responder.
Houve mais tentativas da parte dela, mas como ela percebeu que eu não ia ceder, se afastou um pouco e logo pude ver que ela falava com alguém ao telefone.
- NÃO! VOLTA VOLTA! NÃO ME DEIXA! EU TE AMO! – depois de algum tempo reconheci minha voz gritando com desespero. – EU PRECISO DE VOCÊ! VOLTA!
Era demais pra mim, eu tinha perdido os dois amores da minha vida. Tudo porque eu não conseguia escolher, quando eu tinha um, sempre faltava o outro.
Eu me odiava. Era tudo minha culpa. Eu destruí a amizade dele com , destruí o doce que eu conhecia, destruí a vida de . Se hoje ele jazia morto em meus braços a culpa era toda e exclusivamente minha. Eu não merecia nenhum deles. No fim das contas o monstro sempre fui eu. As atitudes de foram reflexo das minhas. Se ele tinha feito o que fez, foi porque eu o transformei nisso. Eu não merecia viver.
- NÃO ERA PRA VOCÊ MORRER! NÃO ERA! ERA PRA MIM ESTAR NO SEU LUGAR! EU SOU CULPADA! EU! – eu gritava, meu corpo todo sacudia, ainda agarrada a ele. Eu estava completamente fora de mim. – Eu te amo, eu te amo – eu disse, dando um selinho nos lábios frios dele. Eu não me importava de estar beijando um cadáver, até porque era ele. O homem que foi capaz de tudo por mim. Ele trocou a vida dele pela minha. Eu não conseguia me controlar. Eu sentia um frio terrível que gelava meu coração e a dor era insuportável.
Senti mãos quentes me segurarem e me trazerem para junto de um corpo que reconheci imediatamente, é claro que ele estaria ali. Ele sempre estaria.
- ! – sussurrei em meio a agonia. – Ele se foi, , ele me deixou!
- Calma, pequena, calma! – disse, me abraçando contra seu peito e acariciando meus cabelos. – Vamos, você precisa sair daqui.
- NÃO! Eu não posso deixá-lo, não posso! – eu disse desesperada.
- Você precisa vir comigo , você precisa se acalmar – ele disse, me encarando sério. E vendo que ele não desistiria, eu o acompanhei.

Dois dias depois...

Eu me sentia completamente sem vida. Simplesmente perdi o ânimo pra tudo e só queria ficar trancada no quarto. As lágrimas sempre me fazendo companhia.
- ! – ouvi me chamar após dar leves batidas na porta. se mudou de volta para a casa dos pais, logo depois do que aconteceu. Segundo ele, precisava ‘cuidar da irmãzinha’, e isso até fez eu me sentir melhor. Ele era o único que eu queria ver. Não falava com nenhum dos outros, e eu nem sabia o porquê.
- Sim? – respondi e ele abriu a porta, me encarando com a mesma expressão de tristeza de ultimamente.
- Você precisa vir – ele disse e foi aí que reparei que ele estava com uma camisa social preta, calças da mesma cor e sapatos sociais.
- Eu... Não consigo – eu disse e não me surpreendi ao perceber que chorava.
- É o enterro dele, . Eu conheço você e sei que não vai se perdoar se não for – ele disse, sério. Suspirei, ele estava certo.
- Tem razão... Vou trocar de roupa e já estarei lá – enxuguei as lágrimas e sorri fraco. Ele concordou com um aceno de cabeça e saiu, fechando a porta.
Coloquei o primeiro vestido preto que encontrei, uma sandália de salto e arrumei os cabelos, deixando-os soltos mesmo. Nem me preocupei com maquiagem, eu sabia que logo eu borraria tudo e era melhor nem passar.
Desci e encontrei e me esperando. Estremeci ao ver ali e sorri fraco pra ela. Eu achava muito estranho a sensação que eu tinha toda vez que via meus amigos, mas não era algo que eu pudesse controlar.
- Vamos – eu disse com a voz falha.
- Vamos – concordou e logo estávamos os três no carro. Fiquei entorpecida olhando a rua pela janela e pude ouvir os dois conversarem baixinho.
- Você acha que ele vai? – perguntava para .
- Acho. Apesar de tudo, o era o melhor amigo dele – disse.
- Mas ele e a , você não acha que...
- Seria bom se os dois conversassem, sabe, não está sendo nada fácil pra . Se ao menos ela tivesse o ao lado dela, seria um pouco menos doloroso – disse.
Fechei os olhos com força, me esforçando ao máximo para não ouvir mais a conversa dos dois. tinha razão. Com ao meu lado tudo seria mais fácil, porque meu coração não estaria duplamente ferido como estava. podia não ter morrido como , mas eu sentia que não tinha mais volta pra nós dois. Dessa vez era ele que não queria mais. A dor da rejeição me tomou de forma agonizante e eu abafei um soluço. olhou imediatamente pra mim, assustado.
- , o que...
- Eu não posso ir, ... Não se ele estiver lá – eu disse.
- Mas ...
- Você não entende... Se eu encontrar ele lá vai ser como se eu estivesse enterrando os dois, porque sei que não vai ter volta. E essa dor eu jamais conseguirei suportar.
- , não diga isso, vocês precisam conversar. Tenho certeza que tudo dará certo. O ama você – disse.
- – implorei, já sem esperanças.
- Você já chegou até aqui, não vou voltar atrás – ele disse assim que chegamos à entrada da pequena igreja.
Internamente eu pedia com todas as minhas forças pra ele não estar lá. Eu não queria ver acusação nos olhos dele e nem ser rejeitada por ele novamente. Eu já sabia que entre nós não haveria mais conversa.
Obviamente minhas ‘preces’ não foram atendidas, o carro dele estava lá. Estremeci e minhas pernas vacilaram. Me senti fraca e teria caído se alguém não tivesse me segurado.
- Você está bem? – ouvi dizer, me olhando preocupado. Olhei para ele e dei um sorrisinho de canto.
- Quer mesmo que eu responda? – ele fez uma careta, retribuindo o sorriso, um pouco sem graça. – Ele está aí, não está? – eu disse, sentindo um nó se formar em minha garganta.
- Está – confirmou.
- Sabia que não devia ter vindo – eu disse e me virei, pensando em arranjar um táxi e voltar para casa.
- Hey, nem pense nisso – ouvi dizer, ele e estavam um pouco a nossa frente. Suspirei fundo e entrei na igreja. Andei de cabeça baixa, porque não queria vê-lo.
- Amiga! – ouvi exclamar e me abraçar. – Sinto tanto! – ela disse chorosa. Então perdi a fala quando o vi. Ele estava um pouco mais adiante, conversando com . Mas no momento em que o vi foi como se algo o chamasse e ele olhou para mim.
Não era o tipo de olhar que ele costumava ter. Eu nunca tinha visto aquela expressão, não para mim. Era fria, rude, quase... Cruel. Como se eu fosse algo repugnante, e, pensando bem, eu deveria ser mesmo.
Senti as lágrimas já descerem por meu rosto e desviei o meu olhar do dele. Talvez antes não tivesse feito. Eu não sabia o que era pior. Ver me encarando com desprezo ou em um caixão. No momento as duas coisas me pareciam igualmente dolorosas. Olhei rapidamente para e senti a fisgada no peito chegar mais uma vez. Em questão de segundos ele já me abraçava enquanto eu soluçava e até grunhia de desespero. Senti outra pessoa me abraçar também, era .
Eu não conseguia falar, só conseguia chorar e eles entendiam perfeitamente que minha teoria estava confirmada. Foi como se os dois estivessem sendo enterrados.
Durante todo o velório eu chorei sem conseguir prestar atenção no que o padre dizia. Eu só conseguia ver as duas últimas imagens que minha mente captou. num caixão e o olhar frio de .
- Eu acho que você devia tirá-la daqui, . Realmente isso não está fazendo bem a ela – disse .
- Se ao menos alguém não fosse tão cabeça dura – disse e eu sabia que ele falou um pouco alto para que ouvisse.
Não aguentei mais. Levantei e saí correndo o mais rápido que pude.
- ! – congelei quando ouvi aquela voz. O pânico e o ódio me dominavam.
- O que você está fazendo aqui? Veio confirmar se conseguiu o que queria? – olhei-o com raiva.
- Não – ele disse simplesmente. – Vim te dar um aviso.
- Qual é? – perguntei, tentando fingir indiferença, mesmo estando apavorada.
- Se quer o seu namoradinho vivo, fique longe dele – ele disse e foi embora.
Então era isso, eu nunca mais teria uma vida normal, Henry sempre ameaçaria as pessoas que eu amo.
Talvez ele me julgasse fraca, um alvo fácil. Pois ele ia se arrepender por suas ameaças.
- , ta tudo bem? – perguntou quando retornei à igreja, encontrando ela e os outros reunidos na entrada.
- , eu vou para casa – anunciei.
- Mas e... – ele ia dizer.
- Você estava errado, eu não vou me perdoar por ter vindo – eu disse e suspirei fundo. – Mas não se preocupem mais comigo – me dirigi à todos – Essa será a última vez que me verão chorar por alguém – eu disse e então virei as costas. Eu estava determinada. Desse dia em diante a sempre cheia de dúvidas e inseguranças não existiria mais.
Enquanto o caixão era deixado cada vez mais fundo, algo mudava dentro de mim. Eu não deixaria de ser a pessoa que sempre fui, de maneira nenhuma. Só não seria mais tão idiota a ponto de me entregar totalmente ao amor. A vida me ensinou que o amor é um sentimento forte demais para os humanos entenderem. O amor não é só alegria, uma vida perfeita com a pessoa que te faz sentir bem, não... O amor também tem seu lado negativo, ele pode nos transformar em verdadeiros monstros, capazes de tudo para ter o que queremos.
Eu jamais amaria novamente, jamais deixaria esse sentimento traiçoeiro tomar conta de mim. Ele seria enterrado ali, junto com . A partir daquele dia eu seria uma garota forte, ia lutar por tudo o que eu quero construir e jamais me entregaria tão facilmente ao amor. Nem que pra isso eu tivesse que passar o resto da minha vida sozinha.


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Um mês depois...

As coisas estavam diferentes, mas é claro que estariam. Nada seria como antes, não sem ele por perto. Suspirei fundo, pegando minha mochila e saindo de meu quarto.
- Bom dia, me disse, sorridente.
- Bom dia , que alegria toda é essa? – perguntei.
- Nada não, só uma visita que receberemos hoje – ele disse. – Espero que você não se importe dos garotos virem pra cá.
- E por que eu me importaria? A casa é sua – eu disse.
- E sua também, visto que você mora aqui – ele arqueou a sobrancelha. Suspirei pesadamente, vendo que seria inútil discutir.
- Pode me dar uma carona hoje? Karen disse que não está bem – pedi.
- Sem problemas – ele sorriu. – É bom passar um tempinho a mais com a minha irmãzinha.
- Como se você não morasse na mesma casa que eu – bufei.
- Você sabe muito bem que não é disso que estou falando – ele bufou também. – , você se afastou de todo mundo. Agora só anda com a Karen e aquele tal Christopher – revirou os olhos.
- E você sabe muito bem que eu só não ando com vocês porque vocês andam com o – observei.
- Argh! Já passou do tempo de vocês se acertarem, poxa! Mas hoje vocês não me escapam, pode apostar, hoje vocês vão conversar nem que eu tenha que trancar vocês dois no banheiro – ele disse, determinado.
- Nem estarei em casa quando eles vierem aqui. Vou...
- Você não vai a lugar algum! Vai ficar aqui. Eu tenho uma surpresa pra você – fez bico. Suspirei, derrotada.
- Tudo bem, eu fico. Mas sem essa de me trancar no banheiro com o – eu disse.
- Espera pra ver – ele disse, me lançando um olhar de psicopata.
- ! – o repreendi. – Vamos logo, seu bobo!
Ele riu e logo nós já estávamos diante da escola.
- Anda comigo hoje, por favor? – ele pediu, fazendo uma cara fofa, assim que trancou o carro, ativando o alarme.
- Eu... – estava pronta pra negar, mas ele interrompeu.
- Ah , por favor! Não é a mesma coisa sem você – ele disse.
- Mas e o Chris? – eu disse, pensativa.
- Ele não vai morrer se ficar um dia longe de você – disse sério.
- E quem disse? Você não sabe nada sobre eu e o Chris – eu disse.
- Vocês estão juntos? – disse, me olhando surpreso. Estava pronta pra negar, porque eu e Christopher éramos só amigos e bem, ele era gay, mas fui impedida por alguém que me abraçou forte.
- Oi, princesa! – Christopher disse, sorridente.
- Oi, amore! – sorri de volta. me lançou um olhar suplicante. – Só ando com vocês se o Chris também puder! – fiz bico. Ele pensou por uns instantes e revirou os olhos.
- Tudo bem – ele disse. E foi em direção a e os outros.
- Vamos andar com o hoje? – Christopher perguntou.
- Tem problema pra você? – eu disse, meio insegura.
- Não flor, problema algum. É que pensei que você não quisesse andar com ele por causa do – Chris disse.
- Não quero, mas ele insistiu tanto que fui obrigada a aceitar, pelo menos hoje – eu disse.
- , tem certeza de que quer fazer isso? Porque sinceramente acho que isso não te fará nada bem – ele disse.
- Chris, se você não quer ficar perto deles é só me dizer – eu disse, rindo.
- Não é isso querida, só estou preocupado com você – ele disse, sorrindo de canto.
- Estou bem, de verdade. Vou fingir que o não existe – eu disse.
- , será que eu preciso te arrastar comigo? – me assustei ouvindo a voz de tão próxima.
- Eu já to indo , não posso conversar com meu amore antes? – eu disse, emburrada.
- Você conversa com ele todos os dias, agora vem comigo – e me puxou pela mão, me fazendo puxar Christopher junto.

(...)

Ao contrario do que pensei e para meu total alívio, não andou junto conosco. Pra falar a verdade eu nem o vi nos intervalos. Só na sala de aula onde eu tentei ao máximo evitá-lo como sempre fazia. Mas sei lá, alguma coisa me fazia querer olhar pra ele, para tentar descobrir porque não andou com e os outros hoje.
Mas é claro que isso era óbvio. Ele não estava andando com por minha causa. Bufei, frustrada.
- Tudo bem, ? – Chris disse imediatamente.
- Sim, só to louca pra ir pra casa. Não aguento mais biologia por hoje – eu disse.
- Definitivamente, você não está bem. Desde quando não está animada com uma aula de biologia? – ele disse, me olhando surpreso.
- Sei lá, não estou com muito animo pra nada hoje. Acho que você estava certo, eu não devia ter concordado em andar com hoje – eu disse, suspirando.
- Calma, meu anjo, a aula já está acabando – ele sorriu de canto. Só foi ele dizer isso e o sinal tocou.
Sorri aliviada e guardei minhas coisas imediatamente na mochila.
- Chris, pode me dar carona? Não quero voltar com – eu disse.
- Claro, – Chris sorriu.
Estava um tanto distraída e esbarrei em sem querer.
- Hm, desculpe – murmurei meio sem graça. Ele me lançou o mesmo olhar frio, sempre que eu ousava olhá-lo era assim. Arqueou as sobrancelhas, bufando irritado e saiu.
Suspirei, balançando a cabeça. Idiota, ele era um idiota.

(...)
Duas e meia da tarde e eu estava trancada no meu quarto arrumando forças para descer e encarar todos eles. Não sei por que sentia essa necessidade de me manter afastada, mas estar perto deles me doía, porque me fazia lembrar de tudo o que aconteceu.
- ? – me chamou.
- Eu já estou indo, – eu disse, saindo do quarto e acompanhando-o até a sala.
E antes eu não tivesse feito isso. Quando cheguei lá dei de cara com de mãos dadas com uma garota.
- Gente, essa aqui é a Laurence – ele disse, apresentando-a.
Na hora perdi o chão. Senti meus olhos marejarem imediatamente e me odiei por isso. Engoli o choro e terminei de descer as escadas.
- Prazer, – eu disse, sorrindo forçado para ela, arrancado um olhar surpreso de , mas nem olhei na cara dele. – Bom, preciso ir.
- O que? – disse. – Mas você não disse que ia...
- Não , lembrei que tenho... Uma coisa pra resolver – menti.
Não dei tempo pra ninguém me impedir e saí, batendo a porta com um pouco de força. Saí correndo, sentindo as lágrimas descendo por meu rosto.
Eu sabia que esse dia chegaria, mas não esperava que fosse tão rápido, muito menos que ele fosse ter a cara de pau de apresentá-la na minha casa. Ridículo, era isso que ele era.
- Droga, droga, droga! – eu corria às cegas, sem saber aonde ia.
Foi quando ouvi uma freada brusca e senti algo se chocar contra meu corpo, seguida de uma dor forte, pelo que percebi voei por cima do capô do carro e voltei ao chão, caindo na inconsciência.
As imagens que vieram a minha mente não eram nem um pouco agradáveis e eu desejei não ter desmaiado.
Eu lembrava de tudo o que passei, dos meus pais mortos, do quanto me ajudou, do surgimento do e a forma como me senti igualmente atraída pelos dois. Por fim, as piores lembranças prevaleceram, o abuso de e sua morte, o rompimento com e o aparecimento dele com a nova namorada.
Dentre isso me perguntei: ‘E eu? O que aconteceria comigo? Será que meu destino era morrer atropelada por um estranho qualquer ou quem sabe passar o resto da vida sozinha, pagando pela minha indecisão?’
Isso me apavorou. Me causou um medo tão grande que acordei.
- NÃO! NÃO! – exclamei e então abri os olhos, encontrando um par de olhos castanhos brilhantes e incrivelmente bonitos, o rosto era perfeito, moldado por um sorriso estonteante em uma boca bem desenhada. Eu o conhecia de algum lugar, disso eu tinha certeza.
- Por favor, não se mexa! A ambulância já está chegando – ele disse, meio nervoso.
- Quem é você? – no instante seguinte eu o reconheci. Não podia ser! Eu tinha mesmo sido socorrida por ele? Ou será que foi ele quem me atropelou? Isso só pode ser sonho!
- Eu juro que não consegui evitar! Você surgiu do nada e eu nem tive como parar o carro – ele dizia, pelo jeito não tinha ouvido minha pergunta.
- Você é Joel Madden! – eu quase gritei, estupefata.


---x---x---

- Sou – ele confirmou meio atordoado, já que segundos antes ele ainda se desculpava.
- Oh... Meu... Deus! – exclamei. – OH MEU DEUS!
- Eu sei, me desculpe. Eu sou um irresponsável e...
- Não é isso – dei uma risadinha. – Eu só não acredito que estou conhecendo meu ídolo e... AAH! Eu fui atropelada por Joel Madden, dá pra acreditar? – eu ria escandalosamente.
- Eu...
- Cara, eu sou louca por você! Sabe o quanto sonhei com esse dia? – eu dizia sem conseguir me conter e sem parar pra pensar que podia estar assustando ele. – Ah! Me abraça? Tira uma foto comigo?
- Hm, quantas você quiser. Mas não acho que agora seja uma boa idéia. Você precisa ficar parada aí no caso de ter quebrado alguma coisa – ele disse e sem conseguir conter, deu um sorriso de canto.
- Mas eu estou bem! Não sinto dor algu... AI! – exclamei ao sentir uma dor forte em meu braço direito.
- Quietinha! Olha, a ambulância está vindo – ele disse e em questão de minutos eu era removida para uma ambulância por dois bombeiros.
Estavam prestes a fechar a porta, mas Joel impediu.
- Espera! Eu vou com ela – ele disse, entrando na ambulância e sentando ao lado da maca onde eu estava.
- E o seu carro? – perguntei quando a ambulância começou a se mover.
- Benji cuida dele pra mim – deu um sorriso lindo e retribuí automaticamente. – Você sabe meu nome, mas eu não sei o seu, então... Qual é o seu nome?
- , mas pode me chamar de .
- – ele repetiu meio pensativo.
- Algum problema com meu nome? – eu disse, rindo baixinho.
- Não, é que eu tive a impressão de ter ouvido seu nome em algum lugar – ele disse.
- Ah, eu também ouvi o seu em algum lugar – eu disse, arrancando uma risada dele.
A presença dele estava me fazendo muito bem, eu sempre sonhei com o dia que conheceria Joel Madden. Sempre tive receio de me decepcionar quando o conhecesse, mas descobri que ele era tudo o que pensei que fosse e até um pouco mais. Não é qualquer um que depois de te atropelar, te socorre e ainda te acompanha ao hospital.
Durante todo o trajeto, Joel foi atencioso. Logo chegamos ao hospital e fui levada para um dos quartos depois de uma série de exames.
A presença de Joel me trazia uma paz impressionante. É claro que eu estava com os nervos à flor da pele por estar no mesmo lugar que ele, afinal, ele era nada mais nada menos, do que meu maior ídolo.
Lembrar de Good Charlotte me fez pensar na última pessoa que eu queria pensar no momento. As lembranças vieram tão rapidamente como se fossem reais.
"- Desculpe incomodá-la novamente moça, mas... Você está ouvindo Good Charlotte? – perguntou.
- Sim – ela disse com a voz rouca. – É a minha banda favorita!
- Mesmo? A minha também! – ele disse sorridente, e ela pensou irritada “Como é que esse cara consegue sorrir tanto?”. "

Meus olhos marejaram, lembrar de era como fazer a faca enfiada em meu peito afundar mais ainda e a dor voltava ainda mais forte, como se nunca tivesse ido embora. Não consegui conter as lágrimas. Pensar na pessoa que tinha sido meu porto seguro nos momentos mais difíceis da minha vida me fazia perder toda a força e controle que eu fingia ter.
- Hey, o que foi? - Joel perguntou preocupado. A preocupação dele me lembrou ainda mais do jeito que era comigo e isso só aumentou o desespero que crescia assustadoramente dentro de mim.
- ! - ele chamou mais uma vez, se aproximando mais e me encarando aflito.
- D-Desculpe - soluçei. - É-É que... A-Ando numa fase complicada - eu disse e respirei fundo, tentando me controlar.
- Você pode me contar, se quiser. Talvez isso faça você se sentir melhor - ele disse, me olhando atentamente. Fiquei emocionada novamente, mas dessa vez consegui conter o choro. Pensei na proposta dele e senti uma segurança inexplicável. O que me fez suspirar mais uma vez e começar a contar toda a história para ele. Desde o começo, quando perdi meus pais, até o fim, quando perdi os dois amores da minha vida. Incrível como na minha vida eu só ando perdendo as pessoas que amo ultimamente.
- Nossa! Não sei nem o que dizer - ele disse, impressionado. - Espera! Você disse que era a namorada do ? - ele disse, surpreso.
- Sim... Por quê? - perguntei, confusa.
- Porque eu conhecia ele - Joel disse um pouco pensativo. - Inclusive eu estava indo ensaiar com a banda dele.
- Como é? - eu disse, quase gritando de surpresa.
- me apresentou o ... Bom, mais ou menos isso. Ele entregou uma demo para nosso empresário, eu ouvi junto e adorei. Nós procuramos ele e hoje iríamos combinar sobre o abrir nossos shows - ele disse.
- É... tinha me contado isso - eu disse ao lembrar.
- Você é a prima do , não é?
- Como sabe?
- falava muito de você, e agora eu entendo o porquê - senti que enrubescia. - Ele te amava muito, apesar de tudo - Joel disse. Senti mais uma fisgada no peito. Suspirei pela milésima vez.
- Não tem sido fácil sem ele... Eu fico me perguntando como seria se tudo tivesse sido diferente. Bom... Se pelo menos o não me olhasse como se eu fosse a pior pessoa do mundo, eu pelo menos me sentiria melhor - eu disse, triste.
- Olha, eu sei que a gente acabou de se conhecer e que talvez eu seja um maníaco, mas... - eu ri de lado. - Saiba que estou aqui e você pode contar comigo. Pode parecer ridículo, ou estranho ao extremo, mas eu sinto que devo proteger você. - Sorri inebriada ao ouvir essas palavras.
- Obrigada - eu disse nas nuvens.
- É bom te ver sorrir, parece que quando você faz isso em algum lugar do mundo uma luz se acendeu - ele disse. E com isso eu derreti completamente. Fiquei encarando-o abobada, sem saber o que dizer. Me perdi no olhar dele, seus olhos brilhantes me causavam uma sensação tão boa. Era como se tudo ao meu redor sumisse e toda dor que me atormentava passasse.

Me assustei quando ouvi batidas na porta.
- Com licença - o médico pediu antes de entrar no quarto.
- E então doutor, como ela está? - Joel perguntou.
- Bom, ela fraturou o braço direito. Mas fora isso, ela está bem. Vamos engessá-lo e por precaução ela passa a noite aqui em observação - o médico respondeu. Assentimos e ele logo saiu.
- Droga, eu sabia que tinha feito um estrago! - Joel disse, visivelmente irritado consigo mesmo.
- Calma Joel, é só um braço quebrado. Podia ter sido pior - eu disse, tentando acalmá-lo.
- Só um braço? , se não fosse por minha causa, você estaria inteira agora - ele disse.
- Correção: se não fosse por você eu estaria morta agora. Porque eu estava pensando sériamente em me suicidar - eu disse séria.
- Não diga mais isso nem brincando - ele me repreendeu mais sério do que eu. - Você não pode desistir de viver por alguém que não te merece.
- É, tem razão. Eu sou uma idiota mesmo. Mas é que vê-lo lá com outra... E foi tão rápido... Eu não consegui suportar, não consegui pensar em mais nada. Foi como se eu o perdesse mais uma vez - eu disse, me sentindo extremamente angustiada.
- Eu entendo você. E acredite, eu vou te ajudar a superar isso - ele falou, segurando minhas mãos e me olhando sério.
- Por que está fazendo isso por mim? - perguntei, completamente encantada com o jeito lindo dele.
- Eu não sei bem. É como eu disse, sinto que devo proteger você. Nem eu entendo isso e... Me sinto tão bem conversando com você - ele disse.
- Também sinto isso - eu disse e sorrimos.
A enfermeira logo chegou para engessar meu braço. Toda a careta de dor que eu fazia era retribuída por ele. O que eu achei extremamente fofo e, de certa forma, engraçado. A enfermeira também avisou que ia me sedar, porque meu corpo todo doía e isso amenizaria a dor. Estremeci meio apavorada com a ideia da agulha em minha pele, é, eu tenho fobia de agulhas. Joel percebeu isso e ficou ao meu lado, cantando bem baixinho para que só eu ouvisse. Me derreti inteira e quase não senti a agulha me picar. Logo o sedativo fez efeito e fui fechando lentamente meus olhos, para enfim deixar que o sono me vencesse.

[/]

[Joel]


Fiquei ali sentado, observando a linda garota dormir. Era incrível o que ela fazia eu sentir em tão pouco tempo. Cada sorriso dela era contagiante, fora que parecia que nos conhecíamos há anos. Eu não conseguia parar de olhá-la, era como se eu estivesse enfeitiçado, como se eu dependesse daquilo para viver.
Enquanto ela dormia eu me perdia em pensamentos, imaginando o quanto deve estar sendo difícil para ela. Apesar do momento de desespero, ela era uma garota forte e estava lidando com os fatos de um modo impressionante. Quer dizer, se você olhasse bem nos olhos dela, veria a tristeza e a dor estampados neles. Mas isso era muito bem disfarçado com um lindo sorriso.
É, meu caso era sério. Tudo nela eu achava lindo, até o sorriso mais desengonçado dela me atraía. Era o tipo de coisa que eu jamais senti.
Eu poderia simplesmente ter ido embora agora que ela estava bem, mas eu não conseguia nem me imaginar levantando daquela poltrona. Parecia que se eu saísse, o pior aconteceria com ela e isso me causava uma angústia inevitável. Realmente meu caso era sério. Eu pareço aqueles bobos apaixonados. Espera aí! Será que é isso? Será que eu realmente estou apaixonado por ela? Assim tão rápido? Eu mal a conheço!
- Há quanto tempo estou dormindo? - ouvi a voz dela soar sonolenta e extremamente linda. Percebi que olhava pra ela com a cara mais patética possível. Tratei de espantar meus pensamentos e responder à pergunta dela.
- Não sei dizer, umas doze horas, eu acho - menti.
- O quê? I-Isso é sério? - ela disse, sentando na cama assustada. Eu não aguentei e comecei a rir. - Seu bobo! Não faz mais isso! Eu já estava pensando que tenho problemas sérios!
- E por quê? Não vejo problema algum em dormir doze horas! - eu disse.
- Você dorme doze horas? - ela disse surpresa.
- Bom, quando eu posso, sim - dei de ombros.
- Mas você é um caso à parte, né? Com tantos shows - ela disse. - Mas não desvie o assunto, quanto eu tempo eu dormi? Fale a verdade dessa vez.
- Duas horas, no máximo - respondi.
- Agora sim! Eu não estava me reconhecendo.
- Não me diga que você só dorme duas horas? - eu disse espantado.
- Digamos que meus sonhos não sejam muito agradáveis, então sim. No momento é por aí - ela respondeu tranquila.
- Uau! - eu disse ainda mais espantado.
- Deve estar pensando que eu sou uma louca, depressiva e suicida - ela fez uma careta.
- Eu diria que pelo que você passou, isso é até razoável. Você é mais forte do que pensa - eu disse.
- Acha mesmo? - ela perguntou, sorrindo docemente.
- Eu acho. Na verdade era nisso que eu pensava quando você acordou - eu disse sem pensar.
- V-Você estava pensando em mim? - ela disse surpresa. Senti minhas bochechas esquentarem na hora. Coisa que nunca tinha acontecido com garota alguma, vale ressaltar.
- É meio inevitável não pensar, você mexeu comigo de um jeito que ninguém nunca mexeu - eu disse num impulso. Certo, agora que ela me chama de maluco? - Você deve estar pensando que sou maluco - eu disse ao ver a expressão paralisada dela.
- Não, estou te achando o ser mais fofo da face da Terra - ela disse, nos encaramos nos olhos. - Jamais pensei que alguém como você diria isso para mim.
- Alguém como eu? Por quê?
- Você é Joel Madden! Quando eu ia imaginar Joel Madden dizendo que mexo com ele? Só em sonho isso aconteceria - ela disse.
- Sua admiração por mim me deixa lisonjeado - eu disse, sorrindo bobamente.
- Não é só admiração. É o que você me faz sentir quando estou com você - ela disse.
- E o que eu faço você sentir? - perguntei, sentindo uma ansiedade monstruosa surgir dentro de mim.
E quando ela estava prestes a responder, a porta se abriu.

[/Joel]

[]


Eu sentia o infarto cada vez mais próximo. A cada minuto eu acreditava mais que aquilo era um sonho estranhamente perfeito e longo. Era praticamente impossível que minha vida pudesse ficar tão perfeita de repente. Não que quebrar um braço fosse perfeito, mas a consequência disso era poder ver que ainda havia esperanças para mim. Eu ainda poderia ter meu final feliz. Mesmo que eu e Joel acabássemos só como amigos, pelo menos eu teria a presença dele ao meu lado e isso com certeza não era pouco.
- E o que eu faço você sentir? – ele perguntou e eu me enforquei mentalmente por ter dito aquela besteira. Então num súbito momento de coragem, decidi dizer a verdade, mas fui impedida de cometer tal loucura pela porta que se abriu violentamente.
- ! – adentrou o quarto, vindo em minha direção.
- Como sabia que eu estava aqui? – perguntei, surpresa.
- Joel ligou para mim e avisou – respondeu.
- Achei que devia, desculpe – Joel disse.
- Não, tudo bem. Fez bem – eu disse, sorrindo torto. Ele retribuiu.
- Vou deixar vocês sozinhos – Joel disse e logo saiu.
- , quem está aí? – disparei.
- Ahn? – ele disse, parecendo distraído.
- Quem veio com você? – reformulei a pergunta.
- Ah! Todo mundo – ele deu de ombros.
- Até... – fiz uma careta.
- Ele ficou preocupado com você – disse.
- Bom, diga a ele pra não se preocupar e nem se sentir culpado. Afinal, por causa disso eu conheci Joel Madden – eu disse.
- Você conheceria de qualquer jeito , ele estava indo lá em casa – disse. Suspirei – Espera! O que aconteceu? – ele abriu seu típico sorriso malicioso.
- Nada demais, ele me ajudou e nós conversamos bastante – eu disse, mas minha cara devia me entregar.
- Você tá afim dele – afirmou. Não disse?
- Tá maluco? – tentei fugir, mas ao vê-lo me fuzilar com o olhar, suspirei vencida – Ta, eu estou. Na verdade sempre fui, não é? Ele é Joel Madden – eu disse como se isso definisse mesmo a questão.
- E ele tá afim de você também – ele disse com firmeza.
- E como você tem tanta certeza? – perguntei, arqueando a sobrancelha.
- Bom, ele simplesmente não tira os olhos de você – disse e senti uma coisa que não sentia há um certo tempo. O coração bater acelerado, como se estivesse louco para pular de minha boca. Suspirei de novo.
- E eu achando que você estava abalada por causa do – ele disse, balançando a cabeça negativamente.
- Não vou mentir que não fiquei – eu disse, não tardando a sentir o nó na garganta se formar. Eu não devia me deixar afetar por , mas isso era inevitável assim como era inevitável respirar. Apesar de tudo o que aconteceu, eu ainda o amava e tinha plena consciência disso. Assim como sabia que mais uma vez meu coração se dividia em dois amores. É, era minha sina. Ter o coração dividido e sempre ter que escolher. Mas dessa vez eu faria a escolha certa. Escolheria o que era melhor pra mim desde o começo. Esqueceria completamente da existência de e me entregaria por completo ao que sentia por Joel Madden. Eu sei, prometi jamais me apaixonar de novo, mas quem manda no coração? Eu estava irrevogavelmente apaixonada por ele, e precisava lutar pela minha felicidade, mesmo que tudo apontasse que eu não a merecia.
- Acredite , nós ficamos tão abalados quanto você, ou pelo menos quase. Eu nem sabia que ele estava saindo com alguém – disse sincero, me tirando de meus pensamentos.
- Que tal mudarmos de assunto, hein? – propus, sabendo que logo eu começaria mais uma sessão ‘Drama Queen’ se continuássemos com isso.
- Ele está aí fora, está preocupado com você. Só não entrou porque não deixei – ele disse.
- Não consigo entendê-lo, . Por que ele está tão preocupado comigo se me olha como se eu fosse um verme? – eu disse com certo histerismo na voz.
- Porque ele ainda te ama, mas não quer dar o braço a torcer – ele disse.
- Ah ele me ama? – ironizei. – Me explica então, que tipo de amor é esse? Se ele me ama, porque está com aquela branquela ridícula? – eu disse. Ele riu do meu adjetivo super amoroso.
- Depois diz que não está nem aí pra ele – disse, balançando a cabeça negativamente.
- Mas eu não estou – protestei, indignada.
- Claro que não. É por isso que você está morrendo de ciúmes – ele disse, piscando para mim.
- Não é ciúme, é que não lembro o nome dela mesmo – menti.
- E precisava chamá-la de branquela ridícula? – ele riu e não tive como não rir com ele. – Enfim, você sai quando daqui?
- Amanhã, eu acho. O médico só vai me manter em observação por uma noite. Eu só quebrei o braço, como pode ver – contei.
- E eu posso saber como a senhorita conseguiu ser atropelada?
- Bom – suspirei. – Eu estava com pressa, não vi o carro e PUFF... Fui atropelada – resumi.
- Mas devia estar muito atrasada mesmo então – ele disse.
- Eu disse que tinha um compromisso – menti.
- Sei – ele me olhou desconfiado. Por que mesmo que eu não conseguia mentir pra ele? Ah sim, porque além de meu primo-irmão ele era meu melhor amigo (pelo menos agora era ele, já que meu ex-melhor amigo e namorado agora me odeia).
- Tudo bem – bufei, frustrada. – Você acha que eu ia ficar lá depois daquilo? – perguntei, arqueando a sobrancelha. Ele bufou irritado.
- Quer saber? Essa história de vocês dois já me irritou demais! Vou dar um ultimato no disse sério.
- Se você fizer isso, esquece que eu existo – eu disse mais séria do que ele. Só o que faltava eu ter que passar pela humilhação do meu primo perguntar qual o problema do ! Seria como se eu tivesse mandado e com certeza ia se sentir o máximo por isso.
- Por quê? Você não quer saber por que ele te olha como se quisesse te esganar? – ele disse, surpreso.
- Mas eu sei o porquê – eu murmurei, esperando que ele não ouvisse. Obviamente me enganei, porque ele ergueu a cabeça rapidamente, me encarando curioso – Porque eu fui tentar salvar o . Nós tivemos uma briga feia naquele dia e ele disse que se eu fosse atrás do estaria acabado entre nós.
- Isso você não me contou – ele disse.
- Ele não entende... Eu não podia deixar o lá, não podia – senti as lágrimas tomarem meus olhos.
- Calma, disse, me abraçando – Ele vai entender. Ele só está magoado.
- Não me importa mais se ele vai entender ou não. Eu não quero mais ele – eu disse, enxugando as lágrimas.
- Não diga besteira, você o ama – ele me repreendeu.
- Posso amá-lo, mas já fiz minha escolha. E dessa vez escolhi o certo – eu disse.
- E quem você escolheu? – ele perguntou, confuso.
- Com licença – ouvi Joel dizer antes de voltar para o quarto. – Hm, parece que tem mais alguém querendo ver você – ele disse, me lançando um olhar que me dizia exatamente quem era: .
- Eu disse que ele estava preocupado – falou. – Chega disso, ! Eu vou chamá-lo agora mesmo. Vocês precisam conversar – e saiu do quarto, sem me dar chances de contrariar.
- Não acredito que ele está fazendo isso comigo – eu disse, me sentindo torturada.
- Vai dar tudo certo – Joel disse, tentando me tranqüilizar.
- Fica aqui comigo? Eu aposto que o vai mandar ele entrar e me deixar sozinha com ele – eu pedi, na verdade eu supliquei.
- Fico – ele disse, sentando na poltrona ao meu lado e segurando minha mão livre. Senti meu coração acelerar com o gesto. Não demorou muito e ouvimos batidas na porta. O que me assustou de leve, já que eu estava olhando fixamente os olhos de Joel, completamente hipnotizada.
- Posso entrar? – ouvi ele dizer, apreensivo.
- Já entrou, não é? – eu disse, ríspida. É claro que eu faria ele sentir na pele como é ser desprezada e tratada como verme. Ele entrou e eu o encarava tentando parecer indiferente com a presença dele. Imediatamente o olhar dele parou na minha mão entrelaçada com a de Joel. Ele me encarou com um olhar indagador, ficando vermelho e suspirando pesadamente. Quase ri de satisfação.
- Então, veio aqui pra ficar parado aí me olhando com essa cara? – eu disse, arqueando a sobrancelha.
- Hm... Não, desculpe. Então você... Quebrou o braço? – ele disse, meio sem graça.
- Não sei, talvez seja por isso que ele esteja engessado – eu disse, irônica. Eu sempre fui assim, extremamente sarcástica e grosseira quando estava com muita raiva de alguém.
- E... Está se sentindo como? Bem? – ele perguntou. Preciso dizer que isso me irritou ainda mais?
- Estou mais do que bem! Não podia estar melhor – eu disse, sorrindo para Joel e sendo prontamente retribuída. ficou ainda mais vermelho.
- Ah é? Não podia estar melhor? – ele disse, deixando sua irritação transparecer.
- Sim, por quê? – retruquei, elevando um pouco o tom de voz.
- Eu sou um idiota mesmo! É melhor eu ir embora já que você não podia estar melhor! – ele disse, quase gritando.
- Vai então! Vai logo e me deixa em paz! – eu gritei.
- Eu vou mesmo, vou embora e você nunca mais vai me ver! – ele gritou em resposta.
- Vai logo, seu bipolar!
- Bipolar? Eu? Por acaso sou eu que estou te tratando desse jeito? Eu aqui preocupado com você e você sendo grosseira comigo? Eu realmente não consigo te entender, ! – ele disse.
- NÃO ENTENDE? E eu que sou bipolar? Uma hora você me olha como se eu fosse a pior pessoa do mundo e aí, do nada fica todo preocupado comigo e espera que eu aja como se nada tivesse acontecido? Sabe , o que eu to passando agora não é nada comparado ao que eu passei nesses últimos tempos... E podia ter sido melhor, mas não foi por SUA CAUSA!
- , eu... – ele ia dizendo, parecendo chocado com minhas palavras.
- Sai daqui, ! Eu não quero mais te ver! ... – ele ficou paralisado. – Vai lá, vai! Volte pra sua namoradinha – eu disse com amargura.
- Mas ela... – ele balbuciou.
- SAI DAQUI! SAI, SAI, SAI! – eu gritava, colocando as mãos no rosto. Escutei a porta bater e comecei a chorar convulsivamente.
- Calma linda, calma. Já passou – Joel dizia, acariciando meus cabelos e sem me conter eu o abracei forte, automaticamente sentindo a paz e a segurança que ultimamente só ele me dava.
- Eu jurei pra mim mesma que jamais choraria por alguém novamente. E olha só, só hoje chorei inúmeras vezes por causa dele – eu disse com uma nota de frustração na voz.
- Ele é realmente um idiota , não ligue pra ele... Eu jamais faria você chorar – ele disse após alguns minutos em que só se ouvia eu fungando devido ao choro. – Isso é uma promessa.
Sorri meio abobada, sentindo que realmente ele dizia a verdade. Ele jamais me magoaria. Ele abriu um sorriso lindo, enxugando as lágrimas de meu rosto, enquanto eu o encarava entorpecida.
Involuntariamente nossos rostos se aproximaram até quase não haver distância entre eles. Então eu senti uma certa angústia. Depois de tanto sofrer por amor, isso era completamente normal. Eu estava com medo de amar novamente. Estava prestes a evitar que aquilo acontecesse quando ele foi mais rápido e pressionou seus lábios aos meus. Era um beijo calmo, sem nenhum tipo de pressa. Ele não tardou a pedir passagem com a língua e foi prontamente retribuído. Agora que eu estava completamente entregue ao beijo, não via chance alguma de parar. Ambos suspiramos quase gemendo, como se aquilo fosse o que queríamos fazer desde o começo, desde o primeiro ‘oi’, o que de fato não era mentira. Minha mão livre foi parar na nuca dele, arranhando-a delicadamente enquanto as mãos dele pousaram em minha cintura, apertando-a de leve. Senti ele sorrir durante o beijo e eu retribuí contagiada, voltando a beijá-lo em seguida. Quando senti que nossas respirações ficavam ofegantes e estava decidida a não parar o beijo por nada a porta se abriu novamente.
Me afastei um pouco de Joel só para ver quem nos interrompera, encontrando um paralisado com os olhos brilhantes de fúria oscilando entre meu rosto levemente afogueado e a mão de Joel em minha cintura.
- Que foi agora? – perguntei assim que encontrei minha voz.
- Vim te explicar uma coisa, mas vejo que está ocupada. Desculpe se atrapalhei – ele disse seco.
- Imagina, não atrap... – Joel ia dizendo.
- Pois é, atrapalhou e continua atrapalhando. Então que tal nos dar licença? – eu disse e sem esperar que ele saísse, puxei Joel pela nuca, voltando a beijá-lo. Ele cedeu prontamente e segundos depois ouvimos a porta bater com força.
- Você não devia ter feito isso – Joel disse, quebrando o beijo.
- É pra ele ver como é ruim – eu disse.
- Não quero que você fique comigo pra fazer ciúmes nele – Joel disse sério.
- Não estou com você por isso, Joel. Eu gosto de você... Gosto muito – eu disse sincera, ele sorriu.
- Gosta mesmo? – ele disse radiante.
- Gosto – eu respondi. Ele alargou o sorriso.
- Garota, eu to completamente louco por você. Sério! Eu nunca senti isso por ninguém – ele disse e senti meu coração triplicar os batimentos. Sorri extasiada e ele voltou a unir nossos lábios.
E era aqui que minha nova vida começava.

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- Droga, droga, droga! - bufei, irritado. Mas que porra era aquela? Por que eu tinha que sentir toda aquela raiva por vê-la com outro? Eu tinha prometido para mim mesmo que esqueceria a existência dela e agora lá estava eu, grunhindo irritado e passando à toda velocidade por meus amigos que me olhavam confusos.
- ! , espera porra! - disse, correndo atrás de mim.
- Que é? Não posso ficar sozinho? - eu disse com rispidez, parando do lado de fora do hospital.
- Que aconteceu, por que você está desse jeito? - ele perguntou e eu simplesmente bufei mais uma vez, evitando olhar para ele. - Foi a ? - permaneci em silêncio - Sabe, eu realmente não entendo você. Termina com ela do nada e depois fica aí se mordendo de ciúmes.
- E quem disse que eu tô com ciúmes dela? - eu disse, indignado.
- Então me diz, por que tá tão irritado? - ele perguntou, arqueando a sobrancelha.
- Eu não devia ter vindo aqui, - eu disse.
- Cara, você sabe que pode me contar tudo, não sabe? - ele disse, olhando em meus olhos. Então resolvi desabafar. Que mal podia fazer? Eu não tinha nada a perder mesmo.
- Eu não terminei com ela do nada, - contei. - Terminei porque eu sabia que ela ainda amava o , do contrário, por que ela iria atrás dele? Por que arriscaria a própria vida? A indecisão dela me cansou. Eu não suportei mais ficar esperando ela perceber quem de nós dois ela amava de verdade.
- Mas , o tava correndo risco de vida! - disse.
- E por que ela não chamou a polícia? Por que tinha que ir ela mesma atrás do ? Você não percebe, ? Uma loucura dessas só é feita por amor! - eu disse, sentindo a conhecida pontada em meu peito.
- Olha , eu não vou mentir pra você dizendo que ela não amava o , porque todo mundo via isso. Mas qualquer um também percebe que ela estava disposta a ficar com você. Ela tinha feito a escolha dela, e deixar o ser morto não é uma coisa que ela seja capaz de fazer. Por mais que ele tenha magoado muito ela - disse. - Ela está sofrendo muito por sua causa, . No momento em que ela mais precisou de você, você deu as costas a ela. Ela sofreu bem mais do que devia sofrer, e se culpa até hoje pela morte do .
- Eu não consigo perdoá-la, . Toda vez que penso em fazer isso, a imagem dela partindo pra salvá-lo volta em minha mente. Eu pedi pra ela escolher entre mim e ele, e ela escolheu ele. O que me resta é seguir a minha vida e esquecê-la.
- E você acha que a melhor maneira de fazer isso é ficando com outra? - arqueou a sobrancelha.
- Laurence gosta de mim e eu me sinto bem ao lado dela. Posso não amá-la agora, mas sei que ela me fará esquecer a - eu disse, mais para convencer a mim mesmo do que qualquer outra coisa.
- Eu ainda acho uma idiotice. Você não precisa esquecer a . Ela te ama, e sente sua falta. Você viu muito bem como ela ficou quando viu você apresentar a Laurence - disse.
- É... E também vi no quarto dela agora, como ela sente minha falta - deixei escapar.
- Como assim? - perguntou, confuso.
- Olha , quando eu soube que ela tinha sido atropelada, fiquei desesperado. Esqueci de toda a mágoa que sentia por ela e tudo o que eu queria era vê-la bem. Estava disposto a esquecer tudo e pensei que nós podíamos ficar juntos. Uma pequena recaída, eu diria. Mas quando fui até lá, dissemos coisas horríveis um ao outro e eu vi como ela estava magoada comigo também. Voltei para pedir desculpas e dizer que Laurence não significa nada pra mim, mas percebi que eu já a perdi! - confessei.
- Perdeu? Como assim? Pra quem? - ele disse.
- Joel Madden - disse o nome com certa irritação, e a imagem dos dois se agarrando voltou a minha mente, me fazendo bufar de raiva.
- Joel Madden? , deixa de ser idiota! O cara atropelou ela! Está tão preocupado quanto qualquer um de nós. É normal que queira ficar ao lado dela até ela se recuperar.
- É normal também ele ficar lá se agarrando com ela? - não aguentei e deixei escapar essa também.
- Mentira! - disse boquiaberto. - Eles estavam ficando quando você entrou?
- Sim, . Estavam... E ela ainda me mandou dar licença - eu disse, vendo que não poderia esconder nada dele. Mas também, ele parecia o único que não estava furioso comigo por ter apresentado Laurence na casa da .
- Uou, o Joel é rápido mesmo - disse.
- O que quer dizer com isso? - perguntei, sem entender.
- Ah , vai dizer que você não conhece a fama dele? O cara só pega mulher por diversão. É raro aparecer com uma garota por mais de dois meses.
- Você quer dizer então... Que ele só está pegando a por diversão? - eu disse, sentindo meu sangue ferver.
- É , exatamente isso. Você não vai discordar de mim quando eu digo que ela é linda né, até porque você caiu no charme dela também. O Joel não é idiota, claro que iria partir pro ataque. Por isso ele ajudou ela - disse como se tudo isso fosse óbvio. E na verdade era mesmo, eu devia saber. É claro que sim.
- E você acha que a sabe disso? - perguntei.
- Lógico que sabe, . Ela é fã do cara, não é? - então quer dizer que ela também só estava com ele por diversão? Será que isso era uma luz no fim do túnel para mim? Sorri e me propus a acreditar piamente nisso. Mas o que é que eu estava pensando? Eu não tinha que ter esperanças de nada com a ! Eu tinha que esquecê-la, nem que tivesse que arrancar meu coração pra isso.
Então, decidido à esquecê-la de uma vez por todas, peguei meu telefone e disquei o número de Laurence.

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[]


Depois de receber as visitas dos meus amigos, a enfermeira os dispensou dizendo que eu merecia uma boa noite de sono. A única pessoa que ficou no quarto comigo foi Joel, como era de se esperar.
Pela primeira vez não tive pesadelos, sonhei que estava num lugar lindo e tranquilo.

Era extremamente claro e a sensação era a de que eu estava deitada em uma nuvem, de tão macio que era. Fiquei deitada lá por vários minutos até sentir que alguém se aproximava. Olhei em volta e vi que realmente alguém vinha em minha direção. O vulto indistinto logo tomou forma e reconheci quem era.
- ? – diferente de meus pesadelos, onde eu sempre sentia a dor e o desespero, senti uma felicidade imensurável. Nem parecia sonho, parecia que era tudo real. Que estava ali diante de mim mais uma vez.
- – ele disse com um sorriso lindo. – Descanse meu amor, você tem uma missão difícil pela frente, descanse.
- Eu não quero. E se você sumir?
- Eu nunca vou sumir, . Eu sempre estarei ao seu lado, olhando por você e protegendo você. Não importa como – ele disse calmamente.
- ... Eu não sei se consigo seguir em frente sem você.
- Você consegue sim, . Seja forte, agora mais do que nunca você precisa ser forte.
- O que quer dizer com isso? – perguntei confusa, ele não respondeu, simplesmente começou a se afastar.
- Espere, ! Aonde você vai? Eu preciso saber, por que eu preciso ser forte? Que missão é essa?
- Seja forte, meu amor. Eu te amo – ele disse e então sumiu.


Acordei suando frio e tremendo feito louca.
- Não, volta! Que missão é essa? – eu teria gritado se minha voz não estivesse tão falha.
- ? – ouvi a voz de Joel, mas era como se estivesse abafada por algo.
Senti um embrulho forte no estomago, e quando dei por mim, estava curvada diante do vaso sanitário do banheiro, vomitando o que eu não tinha comido.
- , o que houve? – Joel dizia, segurando meu cabelo, não era uma cena que eu queria que ele visse, mas no momento não encontrei forças para expulsá-lo.
Tão rápido como surgiu o enjôo passou e me levantei, lavando a boca na pia em seguida.
- Que horas são? – perguntei para Joel.
- Nove da manhã, daqui a pouco o médico passa aqui pra dizer o resultado de seus outros exames e liberar você – ele respondeu.
Sem dizer nada, voltei à minha cama e me aconcheguei mais uma vez. Joel sentou ao meu lado e me olhou, suplicando por uma explicação.
- Tive um sonho estranho com o – contei. – Ele dizia que era pra eu ser forte, porque eu tinha uma missão.
- Que tipo de missão? – Joel perguntou.
- Não sei. Mas, sei lá... É como se eu soubesse, mas não lembrasse, faz sentido?
- Talvez tenha sido só um sonho, . Por que você não descansa mais um pouco? Você parece pálida.
- Não consigo, perdi o sono – eu disse.
Ficamos um bom tempo em silêncio, eu perdida em pensamentos, tentando entender o que quis dizer no sonho. Então o médico entrou no quarto.
- Srta. – ele disse, sorrindo bondosamente.
- Olá, Doutor – eu disse.
- Como se sente? – ele perguntou com eficiência.
- Agora bem, mas há alguns minutos senti um mal estar forte – eu disse.
- Bom, isso é normal nas suas condições, não é? – não entendi o que ele disse, mas deixei que prosseguisse. – Olhei o restante de seus exames e concluí que você já pode ir pra casa. Você e o bebê estão em perfeitas condições. – Ele sorriu, mas eu engasguei na hora.



- C-Como é? – eu disse assim que recuperei a voz.
- Você está ótima, vou te dar alta agora mesmo – ele repetiu sem entender o motivo do meu pânico.
- Não, você disse que... Que... Eu e o bebê estamos bem, mas que bebê? – eu disse.
- Ora, a senhorita está grávida, não sabia? – ele disse confuso.
- Claro que não. Como assim grávida? – eu disse apavorada.
- Bem, seus exames de sangue apontaram uma gravidez de quase dois meses – ele disse.
- U-Uma gravidez d-de dois meses? – balbuciei sem conseguir acreditar. Era tudo o que estava faltando, eu ficar grávida do ! (sentiu a ironia né?) – Não pode ser doutor, não pode! – eu disse, atordoada.
- Bom, vou providenciar a sua alta então. Até logo – o médico disse e saiu, provavelmente queria me dar um tempo para digerir a informação.
- Grávida... Grávida – eu repetia sem conseguir acreditar.
- ...
- Você tem noção do que isso significa, Joel? – perguntei antes que ele dissesse qualquer coisa. – Quer dizer que minha vida acabou. Eu bem que vi que tudo estava indo bem demais. Você aqui comigo, e eu sentindo uma alegria que não sentia há um bom tempo. É claro que uma coisa dessas ia acontecer.
- ...
- Como eu vou dizer isso aos meus tios? E ao ? E pior... Como eu vou dizer ao ? Porque eu não tenho dúvida alguma de que esse filho é dele – eu dizia sem prestar atenção em nada. Era como se tudo tivesse parado e a notícia ecoasse em minha mente sem parar.
- , por favor, quer me ouvir? – Joel disse, quase gritando. Claro, eu nem tinha notado que ele me chamava. Olhei para ele com a visão ainda turva – Você não precisa dizer nada ao .
- Como assim, não preciso? Por quê? – perguntei, confusa.
- Porque eu vou te ajudar. Vou assumir esse filho como meu – ele disse com firmeza. Se eu já estava completamente atordoada, agora eu não sabia nem mais quem eu era, de tão confusa.
- O que? – eu disse com a voz histérica. – Ficou maluco, Joel?
- Não, não fiquei. Eu sei que nós acabamos de nos conhecer, mas eu quero assumir essa criança, . Quero ser o pai dela e criá-la com você – ele disse.
- Joel, você entende o que isso significa? Toda a sua vida vai mudar. Você não precisa fazer isso!
- Preciso sim. Preciso porque eu gosto de você. E também porque eu sinto que devo ajudar você. Pode parecer loucura, mas é como se eu esperasse por isso a minha vida inteira. Ter uma família com você – ele disse. Meus olhos marejaram.
- Joel, eu... Eu não sei.
- Por favor , me deixa assumir essa criança. Casa comigo e vamos ter nossa família. É a chance que você esperava de ser feliz – ele disse, me olhando nos olhos.
- De onde você surgiu hein? Você não é real, deve ser só um sonho bom, é a única explicação – eu disse, sem acreditar.
- Posso te provar que sou real. Me deixa te ajudar, . É tudo o que eu peço – ele disse e então não vi mais porque dizer não.
- Tudo bem. Eu aceito sua ajuda, aceito que você seja pai do meu filho e aceito casar com você – ele abriu um largo sorriso. – Se você me prometer que está fazendo isso por livre e espontânea vontade. Não quero que se sinta obrigado a nada.
- Eu prometo, meu anjo. Não sei o que me fez tomar essa decisão e nem o que me trouxe até você, só o que eu sei é que eu sinto algo muito forte por você e que vou te fazer feliz pro resto da sua vida – ele disse. Sorri extasiada e senti os lábios dele tocarem os meus.
Era incrível como a presença dele fazia todo o sentimento ruim sumir. Era como eu me sentia quando estava com , antes de todo aquele sofrimento surgir. E enquanto eu estava aconchegada nos braços de Joel, me perguntei se tudo o que estava acontecendo não seria obra do próprio .
Uma coisa era certa: meu destino não era ficar sozinha e nem morrer atropelada. Era ter uma nova vida e agora uma família, tudo o que eu sempre sonhei.

(...)

- , tem certeza que vai fazer isso mesmo? – perguntou cauteloso.
- Nunca tive tanta certeza na vida, . Fiz a escolha certa dessa vez – eu disse. Fazia uma semana que eu tinha voltado do hospital. Reuni todos os meus amigos na minha casa e dei a notícia. Eu seguiria Joel no fim da turnê dele e depois nos mudaríamos para Boston.
Quando digo que todos estavam ali, eram todos mesmo. Inclusive e a namorada dele: Laurence. Ele me olhou rapidamente ao ouvir meu comentário.
- Bom, se é isso que você quer, eu só posso te apoiar e desejar boa sorte. Mesmo querendo que você ficasse aqui comigo – disse, fazendo bico.
- Acredite , será melhor assim. Preciso me afastar de todas as lembranças ruins daqui e o único jeito de fazer isso é me mudando, exatamente como fiz quando meus pais morreram – eu disse.
- Eu entendo, mas não quer dizer que não vá sentir saudades – ele disse.
- Oh meu irmãozinho! – eu disse, apertando as bochechas dele. – Amo você – dei um beijo no rosto dele e o abracei forte.
- E quando você vai, ? – ouvi perguntar.
- Nós partimos amanhã – disse Joel.
- Ah, não vai dar nem pra fazer uma festinha! – reclamou.
- Por que você acha que chamei vocês aqui? Pra me despedir, é claro – eu disse.
- Ai , não acredito que você vai mesmo embora – disse cabisbaixa.
- Vou sentir falta de todos vocês, podem ter certeza disso – eu disse, abraçando-a. – Apesar de tudo, eu até que gostei de morar aqui – sorri, sentindo meus olhos marejados.
- Vê se não esquece de nós aqui né, e liga de vez em quando – disse assim que me abraçou.
- Prometo não esquecer – eu disse. Fui abraçando um por um, até abracei Laurence. E por último, restou . Olhei para ele meio incerta, eu não sabia se queria abraçá-lo e nem se ele queria me abraçar. E quando optei por não abraçá-lo ele veio em minha direção e me abraçou.
- Me perdoe... Por não ter te apoiado quando você precisou, eu fui um egoísta. Só quero que você seja feliz – ele disse baixinho. Me surpreendi completamente com a atitude dele e senti minhas pernas tremerem. Por que ele tinha que fazer isso comigo logo agora?
- Eu é que peço que me perdoe... Eu fui burra de achar que podia salvá-lo. Também quero que você seja muito feliz – eu disse. Me desvencilhei dele e encontrei seus olhos brilhantes. Ele sorriu de lado e então se afastou.

(...)

Eu estava atordoada. Não sabia se tinha tomado a decisão certa escondendo de que estava esperando um filho dele. Mas eu precisava esquecer tudo, agora tudo o que importava era essa criança que crescia em meu ventre.
Era impossível não pensar em tudo o que aconteceu. Era impossível não lembrar dos momentos que passei com ele. De toda a felicidade que sentimos, mas agora não tinha mais volta. Nós tomamos decisões opostas, seguimos caminhos opostos e talvez nunca mais nos encontraríamos. No final de tudo esse sempre foi o nosso destino. No final não nascemos um para o outro. O conto de fadas estava encerrado e era agora que a vida real começava.
- No que você tanto pensa, ? – ouvi a voz de Joel ao meu lado. Olhei para ele e o encontrei me fitando curioso.
- Nada demais – menti.
- Você não precisa mentir pra mim, eu sei que você está pensando nele – suspirei pesadamente, me entregando. – Olha , eu não quero que você se sinta pressionada a nada, se você não quiser vir comigo eu vou entender.
- Não Joel, eu não estou arrependida nem nada do tipo. É que é impossível não lembrar de tudo o que eu passei aqui, ainda mais com ele e... Mas isso é passado, e agora eu estou indo para uma vida nova. Desculpe por isso, eu sou uma idiota – eu disse.
- Você não tem por que se desculpar. Eu entendo você. Sei que não está sendo fácil suportar tudo o que você está passando. Mas saiba que eu estou aqui para apoiar você em tudo o que você precisar – ele disse. Era incrível como as palavras dele tendiam a me acalmar, a me trazer uma paz inexplicável. Era nessas horas que eu tinha vontade de abraçá-lo até cansar.
Sorri aliviada e soltei um longo suspiro.
- Eu já disse que você não existe? – eu disse.
- Disse, e acho que eu também disse que posso provar que eu existo sim – ele sorriu.
- Como?
- Assim – em seguida me beijou calmamente.
Eu sabia que tinha uma grande luta pela frente, mas também sabia que ao meu lado tinha alguém que me daria toda a segurança e apoio que eu precisava.

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[]


Não vou dizer que foi fácil vê-la partir daquele jeito e ainda por cima com outro. Pelo visto estava errado, Joel não queria ficar com ela só por diversão. Pelo que eu entendi ela ia seguir a turnê com ele e depois eles se casariam.
- Não acha estranho eles se casarem tão rápido? – perguntei a Laurence quando chegamos ao lugar em que meu carro estava.
- Não, o mundo anda tão moderno, hoje em dia é normal – ela disse, dando de ombros. – Mas, mudando de assunto, que acha de irmos lá pra minha casa? – ela disse, envolvendo seus braços em volta do meu pescoço.
- Acho melhor não, eu preciso pensar... Em umas coisas – eu disse. Lhe lancei um sorriso breve e entrei no carro, sendo acompanhado por ela. Logo paramos diante de sua casa.
- , eu preciso ter uma conversa séria com você. O que há entre você e essa ? – ela disse, me olhando séria.
- Nada Laurence, não há nada – eu disse, tentando de todas as maneiras fugir desse assunto.
- Eu não sou nenhuma idiota , se não tem nada então algum dia teve. Eu vi o jeito que vocês dois se abraçaram.
- Eu... Tudo bem, eu conto – eu disse rapidamente ao receber um olhar mais sério dela. – A gente namorou há algum tempo.
- Quanto tempo?
- Eu não sei, há uns dois meses, eu acho – respondi.
- E você ainda gosta dela, não é?
- Não! – eu exclamei, meio nervoso. – Claro que não, Laurence! Você acha que se eu ainda gostasse dela estaria com você?
- , dá pra ver nos seus olhos que você ainda gosta dela. Só que está magoado ou algo do tipo, e está me usando como válvula de escape – ela disse.
- Como você pode dizer uma coisa dessas, Laurence? Que tipo de homem você acha que eu sou?
- O que ela fez, te traiu ou algo do tipo? – ela prosseguiu sem me dar atenção.
- Nosso namoro era um lance complicado. Ela era... Namorada do quando nos conhecemos – contei.
- era aquele seu amigo que morreu?
- Isso. Era meu melhor amigo na época, mas é claro que nós brigamos quando ele descobriu que eu estava com ela.
- Então ela o traiu com você?
- Não. É uma longa história Laurence, mas tudo se resume a isso: Ela dizia que gostava de mim e dele, mas nunca conseguia decidir com quem ia ficar. E no fim eu acabei me cansando disso e nós terminamos.
- Mas você a ama e agora está arrependido de ter terminado.
- Não! Quantas vezes eu terei que negar?
- Quantas você quiser, eu não vou acreditar, . Você a ama, é com ela que você devia estar e não comigo.
- Mesmo que seja verdade, você não vê que é tarde demais? Ela foi embora, ela está com outro e está feliz.
- Nunca é tarde demais. Olha, eu não quero continuar com isso, acho que devemos terminar.
- Ficou maluca? Por que está dizendo isso agora? – eu disse surpreso.
- , eu gosto de você. Gosto mesmo. Mas não quero que você fique comigo se gosta de outra. Não quero ser aquela que te impede de ser feliz com quem você ama.
- Mas você não é! Você não percebe que é a única pessoa que me faz não pensar nela?
- Não é isso que eu quero, . Quero que você fique comigo porque gosta de mim e não porque te faço esquecer ela – então eu entendi o que estava bem na minha cara. Laurence estava certa, eu não podia ficar com ela se ainda amava a . Não era certo comigo, com ela e nem com a .
- É, você tem razão. No fundo eu também acho que devemos terminar – eu disse, vencido.
- Vai atrás dela , ainda dá tempo de consertar as coisas – Laurence disse.
- Podemos ser amigos? – perguntei meio incerto.
- É claro que sim. Agora, você precisa ir atrás dela. Volta lá e diz pra ela que você a ama.
- É isso mesmo que eu vou fazer – eu disse e lhe lancei um sorriso breve, ela saiu do carro e se despediu.
- Tchau, – disse.
- Tchau – eu disse, liguei o carro e acelerei, eu precisava chegar na casa de o mais rápido possível.
Senti meu coração bater desesperado. Como se estivesse dormindo por um longo tempo e minha decisão o tivesse despertado. A sensação era maravilhosa. Eu me sentia vivo novamente.
Mas ao mesmo tempo em que me sentia feliz, eu me sentia inseguro. Não sabia se chegaria a tempo. Se conseguiria impedi-la de partir e o pior: Não sabia se ela ia querer ficar comigo. E se ela tivesse se apaixonado pelo Joel e tivesse me esquecido completamente? Ela ia casar com ele, tudo era possível. Mas talvez estivesse com ele pra me esquecer, do mesmo jeito que eu fiz.
Sacudi a cabeça, espantando esses pensamentos confusos, e acelerei ainda mais. Ainda bem que não tinha nenhum policial por perto. Provavelmente eu seria multado se vissem a velocidade que eu corria.
Meu coração parecia uma bomba-relógio quando cheguei na frente da casa dela. Na pressa de chegar logo até a porta, quase me enrosquei no cinto do carro. Quando finalmente consegui me livrar e sair do carro, disparei até a porta da casa e toquei a campainha ansioso. Fui atendido pela Sra. .
- Ah, olá querido. Veio falar com o ? – ela perguntou.
- Não exatamente. Vim falar com a – eu disse, ela soltou um longo suspiro. Nada bom.
- Sinto muito, ela já foi para o aeroporto – ela disse.
- Já foi? – senti meu peito apertar. – Não pode ser.
- , o que você faz aqui? – apareceu na porta, me olhando surpreso.
- O vôo parte às 21:30h, se você correr quem sabe consegue alcançá-la – ela disse e sorriu.
- Acha que dá tempo? – perguntei meio incerto, olhei no relógio e eram 21:13h.
- Se você correr – ela repetiu. Fiquei parado sem saber o que dizer.
- Anda quase gritou comigo. Acordei do breve transe e corri de volta ao carro. Nem coloquei cinto nem nada, e logo eu acelerava novamente, como se minha vida dependesse disso. Bom... Ela dependia.
Não sei como consegui chegar ao aeroporto em dez minutos. Na verdade nem parei pra pensar nisso. Estacionei de qualquer jeito. Talvez até guinchassem meu carro, mas no momento eu não estava nem aí pra isso.
Corri até o balcão de informações.
- Moça, qual o portão de embarque do vôo para Nova Iorque? – perguntei desesperado.
- Portão C – ela disse com voz de tédio. Nem agradeci e disparei mais uma vez. Esbarrei em várias pessoas e recebi vários xingamentos por isso, mas eu não via mais nada, só queria chegar o mais rápido possível ao portão C.
Como uma luz no fim do túnel, enxerguei o letreiro que informava que eu estava no caminho certo. E passando por aquele portão, estava ela. Não sei como consegui distingui-la no meio do bolo de pessoas que entravam pelo portão.
Eu não tinha tempo a perder, ela estava passando pelo portão. Se eu não conseguisse alcançá-la, talvez nunca mais voltaria a vê-la. Senti a agonia aflorar meu peito. Minha voz sumiu, substituída por um nó forte na garganta. Corri mais um pouco e ela estava desaparecendo no meio daquela multidão.
- ! – gritei sem forças – !
E continuei gritando, esperando que ela me ouvisse. Quando já estava sem esperanças, ela olhou para trás, procurando quem a havia chamado. Falou algo com Joel e continuou procurando.
- ! – gritei mais uma vez e ela olhou em minha direção. Ou pelo menos eu achei que tivesse olhado. Então a multidão engolfou-a e não pude mais vê-la.
A dor me atravessou como uma bala e se instaurou em meu peito. Estava acabado. Eu a perdi e dessa vez não tinha volta.

[/]

[]


Fechei os olhos e respirei fundo, involuntariamente apertando a mão de Joel. Ele acariciou a minha, como se demonstrasse que compreendia o que eu sentia. E eu diria que pelo que pude perceber através das atitudes dele, realmente ele me entendia, e isso me confortava. Só mais uma pessoa no mundo me entendia tão bem… .
Pensar nele ainda doía, lembrar de tudo que passamos juntos e me dar conta de que ele nunca mais voltaria fazia eu me sentir sufocada. Mas agora que eu estava com Joel eu me sentia menos infeliz, bem menos infeliz eu diria.
Pode parecer loucura, mas eu tinha a impressão que o fato de eu e Joel estarmos juntos era obra de . Que ele, em algum lugar lá de cima, me enviou alguém pra me fazer feliz, pra cuidar de mim, alguém pra me amar.
Sorri com esse pensamento, acariciando a mão de Joel. Aproximei meu rosto do dele e lhe dei um beijo na bochecha.
- Obrigada – eu disse, olhando firme em seus olhos.
- Pelo que? – ele disse sem entender.
- Por ter aparecido na minha vida. Eu não sei o que seria da minha vida se você não estivesse nela – ele sorriu.
- Eu é que te agradeço por me fazer te amar. E por me fazer o homem mais feliz do mundo – naquele momento as palavras fugiram, fiquei ali, olhando pra ele e sentindo uma vontade imensa de abracá-lo e nunca mais deixá-lo fugir. É, talvez eu fizesse isso mesmo. Talvez a sensação de que eu cometia um grave erro fosse embora com esse ato. Definitivamente não me parecia errado partir com ele. Eu me sentia segura em seus braços, me sentia feliz, mas por que… É claro! Nunca seria a mesma coisa. Eu nunca me sentiria tão feliz com Joel, como eu me sentia com o .
A conclusão me assustou. Mas isso é ridículo! Eu não posso ser tão idiota a ponto de ainda pensar nele depois de tudo que aconteceu. Não posso criar essa falsa esperança de que ele virá atrás de mim pra me impedir de partir. Preciso parar de ter a falsa ilusão de que ele chamava desesperadamente o meu nome. Mas parecia tão real, tão real que até olhei pra trás enquanto eu e Joel cruzávamos o portão de embarque. Pude jurar que vi um par de olhos azuis brilhantes, me encarando num misto de ansiedade e desespero.
- – ouvi minha voz murmurar. Senti Joel apertar de leve a minha mão quase que instantaneamente.
- Vamos, – ele disse. Soltei um longo suspiro e mesmo contrariada eu acompanhei-o.
Espera! Contrariada por que? Não era isso que eu queria? Não fui eu mesma quem impôs isso ao meu próprio coração? Esquecer e dedicar todo o meu amor a Joel? Então por que eu me sentia culpada? Por que me sentia tão fria, tão… vazia?
Mal me dei conta de que já estava acomodada em uma das poltronas do avião e esse mesmo já decolava. Senti uma lágrima solitária escorrer por minha bochecha.
Estava acabado, era mesmo o fim.




Sete anos depois…

- dá pra você tirar esse menino daqui? Eu to tentando trabalhar! – Joel gritava irritado. Respirei fundo antes de enxugar minhas mãos e ir até a sala.
- , vem cá com a mamãe, vem – chamei meu filho que tentava, em vão, chamar a atenção de Joel.
- Mas mamãe eu quero brincar com o papai – ele disse manhoso, seus olhinhos azuis se enchendo de lágrimas. É, você não leu errado, olhos azuis. herdou isso e quase todo o resto da fisionomia de . Não sei o que era pior, se eram as pessoas comentando que o menino não tinha nada de Joel, ou se era a indiferença dele com o meu filho.
- … - Joel ia dizendo.
- EU JÁ ENTENDI JOEL! VOCÊ QUER TRABALHAR! – gritei irritada.
- O QUE QUE FOI AGORA? – ele levantou em um pulo do sofá e me encarou com o olhar raivoso.
- Eu é que te pergunto! O que deu em você? Por que me trata desse jeito? Por que trata o nosso filho desse jeito? – eu gritei, já sentindo meus olhos se encherem de lágrimas. Eu sempre fui assim, chorava quando estava com raiva.
- Nosso? Desde quando é nosso? – ele retrucou, aquilo me atingiu de tal forma que a única coisa que pude fazer foi pegar meu filho no colo e correr para o quarto dele, colocando-o na cama e me deitando ao seu lado. Abraçando-o e chorando silenciosamente.
- Por que você tá chorando, mamãe? – perguntou e não encontrei forças pra responder. – É por causa do papai?
Novamente, não respondi.
- É, mamãe? – ele continuou esperando a resposta e como essa não veio ele entendeu como um sim, porque logo continuou. – Não chora mamãe, eu vou colocar ele de castigo, aí ele não 'biga' mais com a mamãe – as palavras dele só fizeram eu me sentir mais infeliz e o choro aumentou.
- Dorme filhinho, a mamãe só ta um pouco cansada. Dorme que amanhã a gente vai passear – eu disse, acariciando seus cabelos e beijando o topo de sua cabeça.
Era incrível a semelhança dele com . E não só os olhos, mas também os cabelos, o sorriso que tanto me encantava, e até no jeito de se comportar. não tinha quase nenhuma característica minha, só quem sabe o formato das mãos.
Não consegui pensar em nenhum outro nome que fosse melhor do que . Era como uma forma de mostrar ao que finalmente eu o havia perdoado. Que agora ele estava finalmente redimido e podia descansar em paz. Porque eu sabia que onde quer que ele estivesse, não sossegaria enquanto eu não o perdoasse.
Eu não poderia deixar de perdoá-lo depois do que ele tinha feito por mim. Ele tinha me dado uma família.
Uma família que, por incrível que pareça, estava desmoronando.
Percebi que já estava dormindo e, depois de beijar mais uma vez o topo de sua cabeça e ajeitá-lo melhor na cama, fui para meu quarto. Talvez um banho quente e uma boa noite de sono fizessem eu me sentir melhor.
Mas antes que eu pudesse chegar ao banheiro, duas mãos me puxaram e um corpo me prensou na parede com firmeza.
- Me solta – eu disse sem olhar em seus olhos.
-
- Me solta, Joel – repeti.
- Amor, não faz assim – ele insistiu, distribuindo beijos pelo meu pescoço.
- ME SOLTA, JOEL – gritei irritada e tentei empurrá-lo. Isso só o atiçou ainda mais.
- Quero ver você tentar resistir – ele disse, me imprensando ainda mais na parede, fazendo com que eu sentisse sua excitação mais do que evidente. Senti uma arrepio percorrer minha espinha.
- Não Joel, pára – eu disse, já sentindo meus olhos se fecharem e mordendo o lábio involuntariamente.
- Pára você de resistir – ele disse, segurando meus pulsos e me encarando com firmeza.
- Você acha que é assim? Diz um monte de besteiras, magoa a mim e ao meu filho e depois vem como se nada tivesse acontecido e espera que eu…
- Eu te amo, – ele disse.
- Não é assim que as coisas são, Joel. Eu tenho sentimentos, e eu não vou mais aceitar que você me trate do jeito que você vem me tratando…
- , eu amo você. Por favor, amor, me perdoa. Eu ando muito estressado com o trabalho e acabei descontando tudo em você e no nosso filho. Prometo que vou tentar me controlar mais, ok? Agora vem aqui vem, eu amo você – ele disse e como eu já sabia que aconteceria, acabei amolecendo com as palavras dele.
Era sempre assim, ele sempre me magoava e depois vinha com a mesma desculpa. E eu, como total idiota, acreditava nele e o perdoava. Meio masoquista, não acha? Bom, pelo menos nisso eu não mudei e acho que nunca vou mudar.
Senti os lábios dele tocarem os meus com certa urgência e retribuí o beijo com total entusiasmo. Ele me amava e era tudo o que importava. Porque era o amor dele que me dava forças pra seguir em frente e cuidar do meu filho. Era o amor dele que apagava a dor que eu ainda sentia por ter perdido e .
As mãos dele me apertaram mais contra seu corpo e foram subindo até encontrar meus seios, que ele acariciou de um jeito estonteante. O calor de nossos corpos pareceu triplicar depois desse ato.
Não demorou muito e minhas mãos descontroladas já atiravam a camiseta dele para um canto qualquer e desabotoavam sua bermuda. Ele soltou um suspiro rouco que me arrepiou por inteiro e assim que tirei a peça ele avançou em meu pescoço, beijando-o com fervor e roçando sua ereção em mim. Suspirei alto, reprimindo um gemido. Ele então desceu suas mãos para a barra da minha blusa e logo minha blusa e meu sutiã se juntaram às roupas dele. Seus beijos desceram para meus seios e se demoraram por ali, lambendo e mordiscando de leve, fazendo com que eu gemesse sem conseguir me controlar dessa vez.
Ele me puxou para mais perto de seu corpo e eu senti que era conduzida para a cama, onde ele me deitou com delicadeza e sem se demorar tirou o shorts que eu usava, seguido de minha calcinha. Ele acariciou minhas coxas, apertando-as e eu mordi meus lábios, excitada. Ele então me lançou um último olhar fumegante de desejo e eu fechei meus olhos, já sabendo qual seria seu próximo passo.
Sua língua tocou-me com delicadeza, passando logo para uma voracidade e precisão incrível. O ar fugiu de meus pulmões. Meu baixo ventre pegando fogo com as carícias dele.
Sem conseguir esperar por muito tempo, puxei-o para mim e beijei-o com força, puxando sua boxer para baixo e sussurrando rouca em seu ouvido:
- Eu quero você. Agora!
Após tomar os devidos cuidados eu finalmente senti-o me penetrar fortemente. Soltei um grunhido alto, enlouquecida com a sensação de tê-lo dentro de mim. Os movimentos dele não pararam, pelo contrário, pareciam tomar mais força e virilidade a cada estocada. Meus gemidos eram incontidos, devido ao prazer que eu sentia.
Os movimentos dele aumentaram ainda mais sua intensidade e quando ele começou a soltar grunhidos baixos eu já sabia que ele estava chegando lá. Movi meus quadris como que para ajudá-lo e isso o fez dar uma estocada mais forte me fazendo finalmente sentir a sensação de prazer extremo. Ele estocou mais algumas vezes, desse mesmo jeito até soltar um gemido alto e desabar sobre mim, saciado.
Ficamos em silêncio até nossas respirações voltarem ao normal e então ele foi ao banheiro se livrar da camisinha. Não tardou a voltar e se deitar ao meu lado, me aconchegando em seus braços e fazendo um carinho gostoso em meus cabelos.
Fechei meus olhos, sentindo seus toques e mais uma vez me deixando mergulhar nas lembranças que surgiam toda vez que eu estava com ele dessa forma.

- Eu quero que você saiba que, aconteça o que acontecer, eu sempre amarei você. Sempre estarei ao seu lado. Cuidando de você, amando você – ele disse, me encarando.

Eu ainda podia ouvir sua voz sussurrar as doces palavras em meu ouvido. Mentiras. Ele não estava mais ao meu lado, ele não estava cuidando de mim e provavelmente já tinha me esquecido, como prometeu que faria.
Senti lágrimas se formarem em meus olhos. Que tipo de idiota eu era? Por que ainda me permitia pensar nele? Pior, por que me permitia ainda amar ? Depois de todos esses anos, depois de tudo o que aconteceu, esse sentimento continuava intenso e só me doía pensar que agora ele pode ter uma família com outra mulher e que… Não era eu.
Talvez eu nunca pudesse esquecê-lo. Meu filho jamais permitiria isso. A semelhança deles era gritante e às vezes olhar para meu filho me doía também.
Agora eu entendia o porquê de Joel odiá-lo tanto. Ele sabia que me lembrava , e sabia que eu ainda o amava.
- Eu não suporto mais ver que você está pensando nele – Joel disse, parando com suas carícias e me encarando com uma expressão de dor.
- Joel, eu…
- Caramba, ! Já se passaram sete anos! Como você ainda pode amá-lo? Como pode ser tão masoquista? – ele exclamou com um olhar raivoso.
- Eu… Eu não sei, Joel…
- Você pensa o que? Que ele vai voltar e tudo vai ser como antes? Não vai, . As coisas mudaram. Vocês não são mais dois adolescentes! Será que você não consegue ver? Vocês não nasceram um para o outro! – não consegui mais dizer uma só palavra. Senti as lágrimas tomarem intensidade e meu corpo sacudir devido ao choro. É claro que ele estava certo.
As coisas mudaram. Agora eu era uma mulher casada e com um filho de seis anos pra criar e ele provavelmente nem lembrava mais da minha existencia. E, se lembrava, devia ignorar completamente. Eu não devia significar mais nada pra ele.
- Me perdoa, Joel. Eu não queria sentir isso – eu disse após um tempo fungando nos ombros dele.
- Se você realmente não quisesse sentir isso, já teria o esquecido – Joel disse sério e soltou um longo suspiro. – Bom, amanhã eu tenho que acordar cedo, Benji me ligou e parece que houve mudança de planos. Nosso primeiro show da turnê será amanhã, então daqui a algumas horas nós embarcamos.
- Vai nos deixar aqui de novo? – perguntei, o encarando. Desde quando o nasceu ele não me levava mais nas turnês da banda.
- Eu quero que você use esse tempo que ficarmos afastados pra refletir sobre o que você realmente quer. Porque, sinceramente , eu não aguento mais amar por nós dois – ele disse isso, me encarando nos olhos. – Boa noite, querida – beijou o alto da minha cabeça e foi para o quarto de hóspedes. Ele costumava dormir lá quando nós não estávamos muito bem. O que ultimamente acontecia com frequência.
- Boa noite, Joel – suspirei derrotada e, sem mais ânimo para tomar o banho que pretendia, me joguei na cama e adormeci quase que instantaneamente pra não me torturar ainda mais com as lembranças e incertezas que assolavam a minha mente.

No dia seguinte Joel já havia partido. Sem ao menos dizer adeus. Por mais que estivéssemos brigados um com o outro, ele nunca deixava de se despedir quando ia para suas turnês. Ao pensar nisso eu senti um aperto no peito. Mais uma vez eu estava perdendo alguém que gostava. Sim, gostava… Eu não o amava como amava , mas eu gostava muito de Joel. Eu era apaixonada por ele e vê-lo partir sem dizer adeus doía. Doía porque eu sabia que quando ele retornasse as coisas não seriam mais as mesmas. Era o fim do nosso casamento.
Meus olhos marejaram, mas eu engoli o choro. Respirei fundo e fui acordar para ir à escola.
Meu filho sempre notava quando alguma coisa estava errada comigo, e durante todo o caminho ele me questionou o que havia acontecido. Como eu diria a ele que eu e o suposto ‘pai’ dele íriamos nos separar? Como explicar a uma criança de seis anos que eu ainda amava , o verdadeiro pai dele, e que por isso, meu casamento com Joel não estava dando certo?
Eu simplesmente sorria e dizia que estava tudo bem. Pedia pra ele não se preocupar, inventava alguma desculpa qualquer.
Depois de deixá-lo na escola eu segui pra gravadora onde trabalhava. Normalmente eu só trabalhava no período da tarde, mas meu chefe havia ligado pedindo que eu fosse até lá imediatamente.
Cheguei o mais rápido que pude e me dirigi à sala de reuniões, mas antes que pudesse entrar nela, fui barrada no corredor por meu chefe.
- O que houve, Bob? – perguntei, preocupada.
- Calma , não é nenhuma desgraça – ele disse, rindo um pouco da minha expressão apavorada. – Como você mesma está sabendo, fechamos contrato com mais uma banda essa semana, e parece que eles querem trabalhar com você no processo de gravação do novo cd.
- Comigo? – eu disse surpresa, geralmente eu é que escolhia com quais bandas eu queria trabalhar, essa era nova pra mim.
- Isso. É claro que se você não quiser, tudo bem. Por isso te chamei aqui agora, eles estão ali dentro, você entra, conversa com eles e se gostar da banda, ela é toda sua – Bob sorriu.
- Tudo bem – eu disse, mais aliviada por não ser nada sério. – Vamos lá conhecer essa banda então – sorri de volta para Bob e ele abriu a porta, murmurando algo que entendi como “Essa é a minha garota”. Hm, então tá, né chefe. Mantive o sorriso, me segurando para não rir da frase.
Meu sorriso murchou quando entrei na sala e vi de qual banda Bob falava.
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Eu só tive tempo pra perceber que eles estavam ali, porque no instante seguinte eu era quase esmagada por .
- ! Meu Deus, que saudades de você! – ele disse todo contente. Eu nada consegui responder, estava paralisada de surpresa. Meu corpo inteiro tremeu, minha garganta secou e a única coisa que eu conseguia enxergar eram os olhos dele fixos aos meus.
Ele que eu tanto lutei pra esquecer. O motivo pelo qual meu casamento havia acabado. Ele quem eu sempre amei e sempre iria amar, apesar de tudo.
.
Sem que eu pudesse sequer controlar, as lágrimas surgiram em meus olhos. Como eu sentia falta daqueles rapazes!
- T-Também senti sua falta, – eu disse com a voz rouca. – De todos vocês – completei e pude ver abrir um sorriso lindo.
- Eu jurei que iria matar você por não ter mais nos ligado, mas pelo que eu soube você andou super ocupada, cadê meu afilhado? – disse, vindo me abraçar assim que me soltou.
Sim, eles sabiam da existência de , só não sabiam que ele era filho de , eu tinha sido covarde o suficiente pra não contar. Mas também que sentido isso faria se Joel assumiu meu filho? Tá certo que tinha o direito de saber que tinha um filho, mas como eu disse, eu tinha medo da reação dele. E esse medo aumentou quando percebi o que havia dito: eles queriam conhecer o meu filho.
- E-Ele está na escola agora, acabei de deixá-lo lá – murmurei.
- Então quer dizer que você me traiu mesmo e colocou o de padrinho! – disse indignado, me fazendo rir.
- , você já é tio dele, deixe de ser egoísta – disse emburrado.
- E quem disse que você é o padrinho dele? O padrinho sou eu! – disse convencido.
- Pra informação de vocês, o padrinho do é o – eu disse, trocando um sorriso cúmplice com ele.
- Eu não falei? – disse, triunfante.
- O que é muito injusto né, já que o padrinho dele devia ser quem não ficou brigando por isso – se pronunciou. Meu coração deu um solavanco só de ouvir a voz dele. Depois que eu fui pensar no que ele havia dito. Se ele soubesse o quanto estranho seria colocar ele como padrinho!
- Cortei relações com você, ! – disse dramático.
- Lá vem ele com as crises gay – disse, rolando os olhos e recebendo um tapa como resposta – Calma aí, querida! – sorri abertamente, eu realmente sentia falta de estar com todos eles.
- Mas e aí , como anda o casamento? E o Joel? – meu sorriso murchou instantaneamente ao ouvir a pergunta de e eu baixei a cabeça, tentando desfazer o nó que se formou em minha garganta.
- Joel está bem, ele partiu hoje cedo pra nova turnê da banda – eu disse, tentando disfarçar.
- Mas você não ia sempre com ele? – perguntou, confuso.
- Eu ia, antes do nascer – eu disse (e antes de começarmos a brigar também, hm).
- , o que foi? – perguntou , percebendo minha mudança de humor. Soltei um longo suspiro.
- Nada não – menti.
- me repreendeu.
- Nós demos um tempo no casamento – confessei, vendo que não conseguiria esconder nada deles.
- Como assim deram um tempo? Desde quando? Por quê? – disparou.
- Calma irmãozinho, uma pergunta de cada vez – tentei descontrair. – Tivemos uma discussão ontem e no fim Joel decidiu que queria dar um tempo.
- Mas por quê? Ele não andou aprontando, andou? – perguntou, ficando vermelho. Eu também senti falta desse instinto protetor do meu primo.
- Não, não. Foi por minha causa mesmo. Mas vamos mudar de assunto, sim? – eu pedi suplicante.
- Você aprontou, dona ? – disse malicioso.
- Não foi isso que eu quis dizer, seu tolo – eu ri. – Eu não andei aprontando, como eu disse, foi por minha causa – sem conseguir me conter, meu olhar encontrou o de . – Vamos mudar de assunto? – insisti.
- Ok, ok. A gente pára com o questionário – disse, fazendo cara de desapontado. Ri de leve.
- Agora, quem disse que eu quero trabalhar com vocês? – eu disse, fazendo cara de desdém.
- Mas é claro que você quer. Nós somos os caras mais sexys do mundo da música. Bom, pelo menos é o que dizem, embora eu ache que eu seja o mais gostoso – disse, convencido. Gargalhei.
- Ah sim, tudo bem Bob, eu aceito trabalhar com os caras mais gostosos do mundo da música – eu disse a meu chefe, que até então só observava a cena. Claro que ele tinha planejado aquilo junto com os outros cinco.
Começamos a discutir algumas coisas sobre a gravação do CD e enquanto explicava algumas ideias meu pensamento vagou um pouco. Comecei a observar todos eles, com a aparencia mais madura e ao mesmo tempo sendo as mesmas crianças de sempre. Todos extremamente lindos, sem exceção. Mas era claro qual deles sempre me atrairia mais. estava ainda mais bonito, e eu achei que isso seria impossível. Mas ele conseguia se superar. E aqueles olhos dele, simplesmente acabavam comigo, ainda mais quando somados àquele sorriso deslumbrante, capaz de fazer qualquer garota perder o fio dos pensamentos.
Percebi que estava a tempo demais observando-o e logo ele perceberia isso. Mal tive tempo de desviar o olhar e ele ergueu o dele em minha direção. Uma vez que seus olhos encontraram os meus, eu não vi mais pra onde correr, eu simplesmente não queria mais desviar o olhar. Ele me observava minunciosamente, e então seus olhos me disseram algo que fez meu coração acelerar absurdamente.
“Sinto sua falta”.
Engoli em seco, mas não consegui impedir que meus olhos respondessem.
“Eu também sinto sua falta, ”.
E mais uma vez ele abriu um sorriso lindo em minha direção, sorriso que dessa vez foi retribuído por mim.
Apesar de meu dia ter começado de maneira dolorosa, eu não podia negar. Eu estava feliz, como há tempos eu não me sentia. E isso só de olhar para ele.


– Betado por Lara




Acho que uma das coisas que eu mais quis adiar na vida foi aquele momento que estava cada vez mais próximo. O momento em que eles olhariam para meu filho e teriam certeza de que ele não era filho de Joel. Pior que não havia nem como tentar negar, a semelhança era indiscutível, mas mesmo assim eu ainda me agarrava a um fio de esperança de que eles não notariam nada e acreditariam na minha mentira fajuta.
Após acertar todos os detalhes do contrato, eles disseram que voltariam para o hotel em que estavam hospedados e viriam me visitar mais tarde para conhecer . Eu então, em um momento de insanidade, convidei-os para ficarem em minha casa, já que a mesma era enorme e teria espaço suficiente para todos eles. Só depois que fiz o convite foi que parei pra pensar no que estava fazendo. E então eu mesma havia adiantado ainda mais o momento tão (in)esperado por mim.
Com o nervosismo me consumindo da cabeça aos pés fui buscar meu filho na escola, e esse nervosismo todo escapou assim que eu o vi correr em minha direção com um sorriso lindo nos lábios. O sorriso dele.
- Mamãe! – ele gritou pulando em meus braços.
- Oi meu amor! – eu sorri involuntariamente, logo estávamos dentro do carro e eu dirigia pra nossa casa – Como foi sua aula?
- Foi tão legal, mamãe. Brincamos de pirata no recreio e teve bolo de chocolate! – ele disse todo empolgado.
- Só pensa no recreio, é? – eu comecei a rir – Parece seu tio.
- O tio , mamãe? – ele disse rindo comigo. É, eu costumava falar pra ele dos meninos e ele até já tinha os visto na televisão.
- Sim, meu amor. O tio . Aliás, a mamãe tem uma novidade pra contar.
- Novidade? É um brinquedo novo? Conta, mamãe, conta! – ele começou a dar pulinhos no banco.
- Eita menino curioso esse meu filho. – eu ri do desespero dele pra saber – É que assim…
- Mamãe, não enrola! Conta logo. – ele disse emburrando.
- Tá bom eu falo logo. Seu tio está na cidade e você vai conhecê-lo daqui a pouco. – ele abriu um sorriso animado e fez menção de que ia dizer algo, mas eu prossegui – E ele vai passar uns tempos lá em casa com a gente.
- Sério, mamãe? E o padrinho ? E o tio também? E… E… - ele dizia todo contente.
- Sim, meu anjo, todos os seus tios vêm. – eu disse sorrindo por ver a alegria dele. Estacionei o carro na frente da nossa casa e logo estava abrindo a porta do carro pra que ele saísse.
- Ah mamãe, você é linda, sabia? – ele disse me abraçando e me dando um beijo no rosto.
- Sou linda só porque seus tios vêm pra cá, né? Interesseirinho. – eu disse olhando-o desconfiada.
- Claro que não mamãe, você é linda porque… Porque…
- Sabia! – eu disse fingindo estar desapontada.
- Porque eu te amo, oras. – ele disse e eu então o abracei e o cobri de beijos.
- Você que é um lindo. O lindo da mamãe. – eu disse.
- Ai mamãe, chega, tá me melando todo. – ele reclamou e eu o larguei rindo.
Entramos em casa e ele foi direto pro quarto, porque queria se arrumar pra esperar os tios. Eu fui pra cozinha preparar algo, já que eles viriam para o almoço.

recém tinha chegado na sala e ligado a televisão quando a campainha tocou. Senti meu coração dar um solavanco e meus batimentos acelerarem consideravelmente. Desliguei as panelas, já que o almoço estava pronto, tirei o avental apressadamente e fui atender a porta.
- São eles, mamãe? – disse animado.
- Acho que sim, meu bebê. – eu disse sorrindo nervosa e ele retribuiu da mesma forma, porém os motivos não eram os mesmos, obviamente.
Respirei fundo, engoli em seco e abri a porta, dando de cara com os cinco homens da minha vida.
- Cadê meu sobrinho? Cadê? Cadê? – disse, entrando em casa sem ao menos me olhar.
Ele parou na metade do caminho, assim que se virou para ele. Seus olhos surpresos.
- Tio ! – mas não percebeu e correu o resto da distância em sua direção. pareceu despertar de um transe e pegou meu filho no colo, abraçando-o em seguida.
- Eita que até ele já me conhece, me senti o astro de Hollywood! – ele brincou rindo.
- Mas é um bobo mesmo esse disse rindo – Deixe-me abraçar meu afilhado!
- Ei, o sobrinho não é só seu! – berrou e foi em direção aos dois.
- Calma gente, tem pra todo mundo. – meu filho disse, nos arrancando gargalhadas.
- Será que ele já sabe o nome desse tio aqui com os cabelos mais lindos do mundo?
- Tio ! – exclamou e correu abraçá-lo também. Tá bom, me senti abandonada ali, já que todos eles passaram direto por mim sem ao menos me dar um ‘oi’. Err… Todos menos…
- Oi ainda estava parado do lado de fora, me encarando com um sorriso.
- Oi – eu disse meio sem graça – Entra! – dei espaço para que ele passasse e inevitavelmente seu perfume chegou até mim. Senti-me brevemente tonta, o cheiro dele continuava o mesmo.
- Ele é lindo – disse encarando – Achei muito legal você ter dado o nome do pra ele.
- Achou mesmo? – perguntei incerta. Até onde eu sabia ele odiava o , por tudo o que aconteceu.
- Sim. Com o tempo a gente meio que aprende a perdoar as pessoas. – ele disse e não sei se era só impressão minha, mas o olhar dele tinha ficado mais intenso sobre mim. Eu sorri de leve e então desviei o olhar antes que todas aquelas lembranças que vinham em minha mente tomassem conta de mim e eu resolvesse desabar em lágrimas ali.
- Filho esse aqui é o…
- Tio ! – ele disse correndo em direção a , que o pegou no colo imediatamente.
- Hey, anjo. – disse abraçando-o – Está cuidando bem da sua mãe?
- Tô sim! Agora que o papai foi embora eu sou o homem da casa! – disse todo convencido.
- Hey, seu pai não foi embora filho. – eu disse sem jeito.
- Foi sim mamãe, ele disse que ia. – disse e eu fiquei meio em choque. Joel tinha falado aquilo pra ele?
- Filho, você entendeu errado meu anjo, o papai só foi pra turnê dele. Ele volta logo logo, tá bom? – eu disse.
- Não volta não. É por isso que eu vou escolher um pai novo pra mim. E vai ser o tio . – ele disse fazendo bico. Preciso dizer que meu coração deu a volta completa ali?
Sem conseguir me controlar olhei para , que me lançava um olhar que dizia tudo. “Quero ter uma conversinha com você, senhorita”.
- Não diga uma coisa dessas, anjo, seu pai sempre será o Joel. – disse. Outro aperto no peito. Será que eu aguentaria?

Já fazia cinco dias que eles estavam hospedados lá em casa e eu tentava ao máximo não ficar sozinha com . Quanto mais eu pudesse adiar o momento daquela conversa que ele queria ter, melhor. Se eu conseguisse adiar até o processo de gravação deles terminar e eles começassem a turnê, melhor ainda. Mas eu sabia que não podia sonhar demais.
Estávamos todos lá na sala, era um fim de tarde e assistíamos a algum programa bobo na televisão.
- Tio , sabia que eu sei tocar baixo? – disse se levantando e indo em direção a .
- É mesmo? – ele disse contente e olhou lançou um olhar convencido para os outros.
- Aham, vem aqui que eu vou te mostrar. – disse e puxou pela mão em direção ao seu quarto.
- Vão lá seus curiosos, eu sei que vocês tão loucos pra saber se meu filho toca mesmo. – eu disse para os outros, que foram quase correndo atrás deles ao me ouvirem dizer isso. Como esperado, ficou para trás e me encarou sério. Meu sangue congelou.
- , preciso falar com você – ele disse.
- Eu sei. – respondi receosa – Mas não aqui, por favor, e nem agora…
- , você não pode esconder isso dele. – disse sem me dar atenção.
- , por favor, eu não estou pronta pra ter essa conversa agora.
- Pois deveria estar. Chega de adiar isso, pensa que eu não percebi você tentando me evitar?
- É que…
- O é filho dele, não é? – perguntou sem mais delongas.
- Eu…
- Responde, !
- É sim, o é filho dele, mas…
- Então o tem o direito de saber! Você acha que ele não ficou desconfiado ? O menino é a cara dele! – disse.
- O que, ele… Ele te disse alguma coisa? – perguntei entrando em pânico.
- É claro que ele não me disse nada, mas eu vi o jeito que ele olha pro menino. Não negue , ele é a cara do .
- Eu sei que é , mas eu não posso simplesmente chamar o aqui agora e dizer que o é filho dele! – eu disse desesperada.
- O o que? – escutei uma voz dizer em tom de surpresa. Acho que nunca na minha vida eu desejei tanto que aquela voz não fosse dele.
Engolindo seco eu virei para trás lentamente e então encontrei nos encarando surpreso.
- Bom, eu vou deixar vocês conversarem. Agora não tem escapatória disse e foi em direção ao quarto de . Talvez fosse impedir que os outros viessem até aqui naquele momento. Na verdade não parei pra pensar direito no que quer que ele fosse fazer. Eu estava tensa, receosa, em verdadeiro pânico.



- , me diz que eu estou delirando e você não me escondeu isso por todo esse tempo – ele disse, me olhando súplice.
- , eu…
- Como você pôde, ? O que você pensou que eu fosse fazer? Que eu iria abandonar nosso filho? – ele disse, indignado.
- Eu… Eu não sei o que eu pensei! Eu tive medo, tá legal – eu disse, já sentindo as lágrimas caírem do meu rosto.
- Medo do que, ? Me diz! Alguma vez eu te dei motivos pra ter medo de mim?
- Não era medo de você, era medo de você achar que eu estivesse mentindo pra você, ou sei lá, que você me rejeitasse…
- Você sabe muito bem que eu jamais rejeitaria nem a você e nem a um filho meu!
- E você acha mesmo que eu acreditava nisso? , você estava feliz, estava com outra… Eu não queria simplesmente chegar pra você e dizer que estava grávida. Você nem me olhava direito, lembra?
- Eu… Eu sei que eu não devia ter agido como eu agi, mas isso não te dá o direito de me privar de ser pai, ! Poxa!
- Eu sei que não tenho, só que… Argh! Eu estava confusa, assustada, não sabia o que fazer e… E chegou o Joel, me fazendo mil e uma promessas, dizendo que ia assumir meu filho e que tudo ia ficar bem, eu… Eu me deixei levar.
-
- Eu sei que eu fiz a maior burrada da minha vida, só Deus sabe o quanto eu me arrependo. E eu não posso voltar no tempo pra apagar isso. Tenta me entender, , eu achava que você me odiava!
- Eu jamais poderia odiar você, , jamais! Eu sempre amei você, e…
- E?
- Eu ainda amo.
Aquelas palavras dele me aqueceram por inteiro. Era como se eu finalmente voltasse a viver. Os olhos dele me fitavam tão intensos, porém uma nuvem de tristeza encobria-os.
- , eu também amo você. Eu nunca deixei de te amar e… Mesmo que eu quisesse te esquecer, nosso filho jamais deixou que isso acontecesse. Ele estava ali todos os dias pra me lembrar a quem eu realmente pertencia. E foi por isso que meu casamento acabou. Porque aquela não era minha família de verdade. Aquele não era meu lugar. Meu lugar é ao seu lado. É a você que eu pertenço – as palavras saíam de minha boca sem qualquer controle. Sem que eu percebesse ele se aproximava vagarosamente e quando me dei conta disso ele já estava diante de mim, com o corpo colado ao meu. Sua mão seguiu em direção ao meu rosto, limpando algumas lágrimas que insistiam em cair.
-
- Me perdoa, , me perdoa por tudo. Por todas as besteiras que eu fiz. Por ser essa idiota impulsiva que não consegue pensar antes de agir. Por querer sempre agradar a todo mundo e… Argh! Eu sou tão tola!
- Você não é tola, , você é perfeita. É a garota mais maravilhosa que eu já conheci. É claro que eu perdoo você, minha linda, na verdade eu não consigo ficar brabo com você. No momento em que você bateu a porta naquele dia a minha real vontade era correr atrás de você e te dizer pra esquecer todas as besteiras que eu tinha dito. Só que… O orgulho me venceu. Mas agora… Agora eu não quero mais saber de nada. Não quero saber se eu deveria te odiar, não quero saber também se nós fomos feitos um para o outro ou não… A única coisa que eu sei é que eu amo você como eu jamais amarei outra pessoa, que você mudou a minha vida, que eu preciso de você e que tudo que eu mais quero é construir uma familia com você e... , você… Quer se casar comigo?
E o meu mundo parou naquele exato momento. Tudo ao meu redor pareceu congelar e a única coisa que eu conseguia enxergar eram os olhos dele. Tão radiantes, me encarando com aquele brilho que só ele tinha. O sorriso nos meus lábios já era incontido e agora as lágrimas que caíam de meus olhos eram de felicidade. A felicidade que eu tanto desejava ter de volta. A felicidade de estar nos braços dele.
Não consegui me conter, meus lábios tomaram os dele com a saudade explícita. Ele não hesitou em momento algum e nossas línguas se acariciaram com fúria. Minhas mãos agarraram seus ombros com força, puxando-o contra mim e colando ainda mais nossos corpos, e eu senti as mãos dele segurarem minha cintura da mesma forma.
Ficamos incontáveis minutos expressando tudo o que as palavras não conseguiram expressar através daquele beijo e então nos separei por um breve momento, já que eu tinha uma resposta para dar.
- É tudo o que eu mais quero, . Me casar com você! – eu disse, emocionada, e um sorriso iluminou o rosto dele.
Finalmente as coisas para mim pareciam estar se ajeitando. Eu só precisava consertar mais um pequeno detalhe.
Detalhe esse que poderia fazer toda a diferença do mundo.
- Mamãe?

- Você precisa conversar com ele – disse, me dando um breve selinho e se desvencilhando.
- Eu sei – suspirei.
- Mamãe? – chamou, impaciente.
- Fala, meu amor, estou aqui na sala – eu disse e logo apareceu, me encarando sério. – Que foi, filho? – perguntei, apreensiva, achando que mais uma vez tinha sido pega no ‘flagra’.
- Mamãe, por que a senhora não me ensinou a tocar guitarra? – ele disse, emburrado. Suspirei, aliviada.
- Porque você não me pediu, né meu lindo – eu disse, rindo.
- Pode deixar que eu te ensino, meu anjo – disse, sorrindo para ele.
- Eba! O tio vai me ensinaaaar! – ele começou a cantarolar. Eu e nos entreolhamos e eu senti que aquela era a hora de conversar com meu filho.
- Meu amor, a mamãe precisa te contar uma coisa – eu disse, apreensiva.
- O que foi, mamãe? Por que a senhora ta com essa carinha? – ele disse, me encarando curioso.
- É que o que eu vou te contar é muito delicado, meu amor. Antes de qualquer coisa, eu quero que você saiba que tudo o que eu fiz foi pelo seu bem. Ou, pelo menos, pelo que eu achei que fosse o seu bem – eu disse, soltando um longo suspiro e sentindo meus olhos se encherem de lágrimas. Eu estava com medo da reação dele. Medo de ele não aceitar, de ficar chateado por eu ter lhe enganado todo esse tempo, medo de ele ficar com raiva do . Pensar nisso tudo quase me fez fraquejar, mas estava ali do meu lado, pra me dar forças para enfrentar o que quer que fosse. Ele segurou minha mão, me fazendo olhá-lo, e deu um leve sorriso, me encorajando. Eu sorri fraco como retribuição.
- Vocês estão me assustando, mamãe. Aconteceu alguma coisa com o papai? – perguntou, tenso. Isso me fez voltar minha atenção para ele e negar brevemente. – Então o que foi, mãe?
- Não aconteceu nada com o Joel, meu anjo. É que… - respirei fundo, tomando minha última dose de coragem. – Eu sei que a mamãe sempre disse pra você que o Joel era seu pai, mas… Bem, acontece que isso não é verdade.
- Como assim não é verdade? Ele não é meu pai? É isso? – disse, assustado.
- Me perdoe, meu amor! Me perdoe, por favor! Eu sei que eu devia ter te contado, mas… Eu tive medo. Medo de você não me perdoar e não me querer mais como mãe – eu disse com a voz falha, sentindo as lágrimas teimosas descerem sem controle. Eu esperava que gritasse comigo, que dissesse que me odiava, que me xingasse.
Eu só não esperava que ele me abraçasse.
- Calma mamãe, calma! É claro que eu perdoo a senhora. Eu te amo mamãe, e eu sei que a senhora só quer o melhor pra mim. Eu nunca diria uma coisa dessas, que não te quero como mãe. Você é a minha mãe e sempre será – ele dizia, acariciando meus cabelos enquanto eu ainda chorava. tinha essa característica de às vezes parecer mais maduro do que a idade o permitia, e momentos como esse me faziam sorrir orgulhosa. E eu sorri, de orgulho e de alívio também.
Ficamos ali abraçados por um tempo indeterminado e quando percebi eu já não chorava mais.
- Mãe, posso te fazer uma pergunta? – ele disse suave.
- Claro que pode, filho – eu disse, me desvencilhando e o encarando.
- Se o Joel não é meu pai. Quem é? – ele perguntou. Involuntariamente eu olhei para , que durante todo aquele tempo ainda estava ao meu lado. Ele sorriu de canto e eu retribuí, suspirando. olhou de mim para e então eu não precisava mais responder, porque a conclusão já se formava na cabeçinha de meu filho. Sempre tão esperto!
Mesmo assim eu senti a necessidade de pronunciar minha resposta em voz alta.
- O . Seu verdadeiro pai é o – eu disse. Por breves segundos não mostrou nenhuma reação. Porém em seguida um sorriso abriu em seu rosto e rapidamente ele já estava nos braços de .
- É verdade isso, tio ? Você é meu pai? – ele dizia enquanto pegava ele no colo e sorria todo bobo. Nada diferente de mim, é claro. A cena não poderia ser mais bonita. Ver meu filho e seu verdadeiro pai abraçados ao meu lado, como uma verdadeira família. Eu posso ter me enganado por todos esses anos achando que eu estava feliz com o que tinha. Mas eu não estava, minha verdadeira felicidade estava ali com a minha verdadeira família.
- É verdade sim, meu anjo. Eu sou seu pai e lhe prometo que de agora em diante eu vou cuidar de você e de sua mãe e nunca, nunca vou deixá-los – ele disse essa última parte olhando para mim.
- Eu amo vocês – eu disse, emocionada, e corri para os braços dos dois homens da minha vida para compartilhar nosso primeiro de muitos abraços em família.
- Que cena bonita é essa? – entrou na sala sorrindo.
- Abraço em família – disse, contente.
- E como é que você deixa seu tio de fora? – disse, fingindo estar indignado.
- E o seu padrinho também! – aparece, acompanhado pelos outros dois.
- Ah, seus bobos, venham logo pra cá! – exclamou, fazendo todos rirem e em seguida eu era (esmagada) abraçada por todos eles ainda rindo sem conseguir me conter.
- Será que podemos saber o motivo de toda essa felicidade? Vocês não resolveram se abraçar assim do nada, certo? – disse quando todos nos desvencilhamos. Estávamos agora distribuídos pelos sofás da sala.
- E se tivéssemos resolvido, hein maninho? - brinquei. – Mas não, nós temos um motivo sim – sorri mais uma vez.
- E qual é esse motivo, será que temos a honra de saber? – disse, brincalhão.
- É claro que sim. Bom… Quer contar ou eu conto? – eu disse para .
- Peraí, tem mais coisa que eu não sei? – disse, nos olhando curioso.
- Eu conto – disse, sorrindo. – Acabo de receber duas notícias. Que sou pai e que essa linda dama aceitou ser minha esposa!
- Espera aí! Deixa eu digerir tudo porque é fofoca demais pra uma pessoa só! – disse com uma cara engraçada.
- Minha irmãzinha vai casar, é isso mesmo?! – disse, vindo me abraçar contente.
- É, sim – eu sorri, radiante.
- Eu desejo o melhor pra vocês. Sempre apoiei desde o ínicio que vocês ficassem juntos e você sabe disso, não é? – ele disse, me olhando com ternura.
- Eu sei sim, . Obrigada por tudo! – lhe dei um beijo na bochecha e ele sorriu. – E é por isso que você será nosso padrinho!
- Viram só? – disse, olhando os outros – MORRAM de inveja! O padrinho sou eu! – ele mostrou a língua.
- Mas é um babaca mesmo esse ! – disse, rindo. – Apesar de ainda estar chocado com a quantidade de informações, hm… Eu também desejo o melhor pra vocês dois, saibam que podem contar conosco sempre que precisarem – ele disse, vindo me abraçar também.
- Vocês são os melhores amigos do mundo, alguém já disse isso pra vocês? – eu disse, toda boba.
- Ah, sabe como é, escutamos isso direto! – brincou.
- Idiota! – disse, rindo.
E mais uma vez se seguiu uma sessão de abraços pra lá, abraços pra cá. Realmente aqueles garotos (agora homens, né), eram tudo na minha vida. Eu não sabia como tinha conseguido ficar tanto tempo sem eles. No fundo, acho que eu não vivia. Era fato, minha vida sem o , nunca seria vida.

Havia se passado cerca de um mês desde que o estava de volta a minha vida. As coisas pareciam finalmente estarem dando certo. A única coisa que me incomodava era a reação de Joel quando soubesse que eu voltei com e que tinha contado toda a verdade sobre a ele.
Eu sabia que ficar furioso ou algo do tipo não era a reação que ele teria. Ele sempre foi amoroso e sabia que isso poderia acontecer quando deu um tempo em nosso casamento.
Meu receio era que ele ficasse magoado e essa era a última coisa que eu queria. Apesar do comportamento de rejeição com relação ao meu filho, ele sempre me tratou bem, cuidou de mim, me deu apoio quando eu mais precisei de alguém… Ele me amava, disso eu não tinha dúvidas, e fazê-lo sofrer me machucava.
Eu estava sozinha em casa, era terça-feira, um feriado. Os rapazes tinham ido dar uma volta pela cidade e levaram consigo, eu havia decidido ficar em casa porque precisava dar um jeito em tudo, era o que eu sempre fazia quando me sobrava um tempo extra: dispensava a empregada e arrumava a casa eu mesma.
Olhei para a despensa vazia e percebi que precisava ir ao mercado urgentemente. Não demorei muito a estar em um dos corredores fazendo as devidas compras.
Eu andava despreocupada pela àrea de hortifruti quando alguém segurou meu braço bruscamente. Assustada, me virei e dei de cara com…
- Henry? – exclamei, concluindo meus pensamentos com uma pontada de medo começando a me dominar.


– Betado por Lara



-----------x-----------

- Olá, querida ! – ele disse, sorrindo cínico. – Só vim te dar um pequeno aviso: ainda não acabou! Jurei que você jamais seria feliz e, acredite, eu sempre cumpro minhas promessas. Você nunca será! – ele disse VIRGULA em tom ameaçador.
- O quê? – eu disse, sentindo aquele frio incômodo.
- Case-se com e não só Joel, como seu filho, , e seu amado primo, , morrerão. Na sua frente, assim como seu antigo amor – ele disse, abrindo um sorriso sarcástico.
- Por que você está fazendo isso? Deixe-me em paz, deixe minha família em paz! – eu disse, desesperada.
- Ninguém te mandou se meter nos meus caminhos, agora sofra com as consequências! – e, sem me deixar tempo para responder, ele se afastou rapidamente. Olhei em volta e nem sinal dele, era como se aquilo tivesse sido uma alucinação. Eu queria realmente acreditar nisso, mas eu sabia que não podia enganar a mim mesma. Foi real. Henry estava ali momentos atrás, ameaçando-me e dizendo que eu jamais seria feliz. Que iria destruir a minha vida mais uma vez.
- Não! Não, não, não! – murmurei, sentindo algumas lágrimas começarem a cair. – De novo não!

Os dias passaram e eu me vi dominada pelo medo e sem saber ao certo o que fazer. Apenas sobre uma coisa eu estava decidida: não desistiria de me casar com . Minha aflição era relacionada ao que eu deveria fazer para que aquele louco não matasse as pessoas que amo e, depois de muito pensar, resolvi que devia buscar ajuda. Esse tempo todo escondendo aquilo tudo só pra mim não estava me fazendo nada bem.
Eu ia ligar para quando ouvi o barulho da chave destrancando a porta. Joel.
- ? – ouvi sua voz pronunciar, indagadora.
- Aqui – saí da cozinha e fui até ele na sala. Ele sorriu de lado e não pude evitar sorrir de volta e correr para lhe abraçar. Eu tinha um carinho muito grande por ele, isso era incontestável, e vê-lo novamente me deixou contente.
- Olá – ele disse quando nos desvencilhamos do abraço.
- Oi – eu disse tímida. – Chegou faz muito tempo?
- Estou na casa do Benji há umas… Duas semanas – ele disse, meio sem graça. Torci a boca, ainda mais tímida.
- Hum… Acho que precisamos conversar, certo? – eu disse, convidando-o a se sentar com um gesto. Ele o fez e eu sentei ao seu lado.
- Eu sei que o está na cidade, – ele disse, sem rodeios.
- Sabe? – eu disse, surpresa.
- Sei. E sei também que vocês se acertaram e vão se casar – fiquei sem reação, completamente confusa, como ele sab… - Eu estive na escola do há alguns dias e ele acabou me contando – Joel disse, parecendo ler meus pensamentos.
- Me… Me perdoe, Joel. Eu jamais quis te magoar ou algo do tipo – eu disse após alguns segundos digerindo aquilo que ele havia dito. Senti um nó se formar em minha garganta.
- Você não precisa me pedir perdão, . Não estou magoado, de verdade… Olha, eu realmente amo você… Só que desde o começo eu sabia que você pertencia a ele. Quero ver sua felicidade, , sua e de . Eu vim aqui porque precisava te dizer isso – ele foi dizendo aquilo e eu senti as lágrimas descendo. Sem me controlar eu o abraçei forte e ele retribuiu no mesmo instante. O abraço que deveria me alivar acabou intensificando ainda mais o choro.
- Ah, Joel, eu estou com tanto medo! – confessei contra o pescoço dele.
- Medo do que, ? – ele se desvencilhou, olhando-me preocupado.
E eu contei a ele tudo sobre o ocorrido com Henry.
- Eu não sabia que tinha sido assassinado. Ninguém nunca me contou e eu não quis te machucar tocando no assunto – ele comentou ao término do meu relato.
- Sim, ele foi assassinado – suspirei. – Henry o matou e… Na minha frente, sem que eu pudesse fazer nada… E agora… Agora ele diz que vai fazer tudo de novo… Não quero perder meu filho, ... Nem e nem… Você – eu disse entre soluços. – Eu gosto muito de você, Joel, você foi e continua sendo uma das pessoas mais importantes na minha vida! Não vou aguentar se a história se repetir!
- , fique calma, por favor. Esse cara não vai fazer nada! Eu vou te ajudar. Vou achar esse canalha e entregá-lo para a polícia! – Joel disse, carinhoso. – Por favor, se acalme – ele me fez olhá-lo nos olhos e o brilho intenso deles sobre mim me fez suspirar um pouco aliviada. Eu torcia para que ele conseguisse. Na verdade, eu dependia daquilo.

- Amor, o que você tem? – fui surpreendida por me abraçando por trás enquanto eu terminava de lavar a louça, olhando para a janela perdida em pensamentos.
- N-Nada, , eu estou bem – menti.
- , por favor, conte-me o que está acontecendo! Há dias você anda assim, toda triste e pensativa… Tem alguma coisa a ver com o Joel? Ele voltou, é isso? – ele disse, agoniado. Soltei um longo suspiro e me virei para ele, engolindo em seco quando encontrei seus olhos azuis preocupados fitando os meus. Levei mais alguns segundos só o encarando e me preparando psicologicamente para despejar a verdade que tanto me torturava nos últimos dias.
- , encontrei o Henry esses dias – comecei.
- O Henry? – ele disse, surpreso. Concordei com um aceno e senti meus olhos se encherem de lágrimas. – , o que foi que ele fez com você? – segurou meus braços com sutileza, lançando-me um olhar angustiado.
- Ele… Ele…
- O quê?
- Ele disse que ia matar o nosso filho se… Eu me casasse com você – primeiro vi seus olhos serem tomados por uma raiva inexplicável e essa raiva foi se transformando em algo que eu demorei alguns segundos para decifrar. Na verdade, só quando ele falou foi que eu percebi que era tristeza.
- E o que você decidiu fazer? Se você quiser desistir, , eu vou entender… É a vida do nosso filho e… - tomei seu rosto em minhas mãos e dei um leve selinho em seus lábios, calando-o.
- Não seja bobo. Eu jamais vou desistir de nós dois. Tudo que eu mais quero é me casar com você, ter uma vida ao seu lado e nada nem ninguém vai me privar disso – eu disse, firme. Ele sorriu, seus olhos se iluminando – Quanto ao que eu vou fazer, eu realmente não sei, . Henry não ameaçou só a vida do , ele ameaçou matar o Joel, o e até você! Ele quer acabar com a minha vida!
- Eu não acredito que esse cara fez isso, ! Juro que se o vejo faço ele pagar por todo sofrimento que ele está te causando! – disse, com raiva.
- Joel esteve aqui hoje mais cedo e...
- Você contou pra ele? Tudo? – perguntou.
- Contei. Na verdade, sobre nós ele já sabia e aceitou tudo numa boa.
- E sobre o canalha do Henry?
- Ele teve quase a mesma reação que você. Disse que ia encontrá-lo e entregá-lo para a polícia – contei.
- E ele não está sozinho nessa, . Eu prometo pra você que esse cara vai pagar por tudo o que fez. Nós vamos resolver isso – ele disse.
Respirei fundo e tentei convencer a mim mesma que eles estavam certos.

Já haviam se passado dezessete dias e por enquanto nenhum sinal de Henry. Meu casamento com estava chegando, nós tínhamos decidido não esperar muito, por isso dali a quatro semanas tudo seria consumado.
Eu estava na minha sala organizando alguns papéis quando a porta foi aberta bruscamente e me deparei com um numa expressão de pânico. Senti meu coração dar um solavanco como se soubesse exatamente o que ele iria dizer.
-
- Fala logo o que aconteceu, ! Não me diga que…
- , o Henry invadiu a escola do – todo o ar fugiu de meus pulmões.




--x--

- O-o o que? – soprei, paralisada.
- A polícia cercou, mas parece que o Henry fez o de refém e…
- E?
- E tá com a arma apontada pra cabeça dele… Eu acabei de ver isso na televisão – ele disse com dificuldade. Fiquei alguns segundos numa espécie de transe, sem saber exatamente como agir ou o que pensar.
- O ?
- Ele saiu desesperado daqui. Parece que foi até lá. Eu até tentei impedi-lo, mas…
- NÃO! – demorei alguns instantes para perceber que aquele grito tinha sido meu. As lágrimas tomaram meu rosto e correu ao meu encontro, me abraçando, ou pelo menos tentando fazer isso, já que o desespero tinha tomado conta de mim e eu me vi me debatendo descontrolada – EU VOU ATÉ LÁ!
- Não, ! Não há nada que…
- EU NÃO VOU DEIXAR AQUELE DESGRAÇADO MATAR O MEU FILHO E O ! – eu gritei, me soltando dos braços dele e desatando a correr. automaticamente me seguiu, mas não conseguiu me alcançar e rapidamente eu cheguei ao meu carro e dei partida.
Não sei como eu consegui dirigir, minha atenção estava voltada a encontrar uma solução. Eu não podia deixar que o pior acontecesse. Lutaria até o fim, mesmo que precisasse morrer no lugar deles para isso.
Peguei meu celular e disquei o número de Joel, num movimento involuntário.
O celular encontra-se desligado ou fora de àrea de cobertura.
E pela terceira vez naquele dia eu senti mais uma dose de pavor percorrer meu corpo.
Não precisava de nenhuma confirmação, eu sabia muito bem onde Joel estava.
Pisei mais forte o acelerador, quase não conseguindo enxergar, pois minha visão estava anuviada pelas lágrimas.
- Não, por favor, não – eu murmurava entre soluços.
Não demorei a chegar à escola e a cena era bem pior do que eu imaginava.
Além da polícia que cercava toda região, havia umas duas ambulâncias, a imprensa e várias pessoas. Uns eram curiosos que moravam na região. Outros eram as próprias professoras da escola e algumas mães que choravam desesperadas.
- – ouvi a voz de Lizzie soar abafada. Ela era professora do . Não consegui responder, nem sequer olhar em sua direção.
- ! – dessa vez era que finalmente me alcançava.
- Solte o menino e se renda, rapaz. Nada vai acontecer – ouvi um dos policiais dizer ao megafone.
- Eu só solto quando se apresentar.
E foi então que eu o vi.
Henry com um olhar assassino numa das janelas, segurando meu filho nos braços firmemente e sem nenhum tipo de cuidado se o machucava ou não. A arma estava apontada em sua cabeça e chorava tanto que chegava a soluçar. Senti meu corpo tremer de desespero e num movimento impensado eu me vi correndo em direção à porta da escola.
Um dos policiais tentou me impedir, mas eu o empurrei com uma força que jamais pensei que tivesse e o tirei do meu caminho.
Consegui entrar e fui subindo as escadas desesperadamente, só depois me dando conta de que não sabia em que andar Henry estava.
Parei no meio de um corredor levando a mão aos meus cabelos e os puxando com força, reprimindo o grito de agonia.
- ? – ouvi a voz de ecoar e olhei em volta, encontrando-o no fim do corredor.
- – soprei sem forças e ele correu ao meu encontro, me tomando em seus braços.
- Onde ele está, ? Onde? – eu disse com a voz embargada.
- Ele está no terceiro andar , mas não vá até lá, eu vou resolver isso. Não se arrisque – ele disse, mas não o obedeci. Na verdade eu ouvi vagamente sua resposta, porque no momento seguinte eu corria mais uma vez, sentindo aquela força descomunal sobre mim.
- ! – escutei ele gritar antes de me seguir.
Em questão de segundos eu consegui encontrar a sala onde Henry estava. Era a única em que a porta estava trancada.
Com a adrenalina percorrendo minhas veias eu comecei a socar e chutar a porta, até que ela não resistiu e desabou à minha frente com um estrondo.
Henry ficou me encarando surpreso por alguns instantes e então soltou uma risadinha debochada.
- Não é que a mamãe veio? – ele disse.
- Solte meu filho, Henry! Ou vai se arrepender! – eu disse com o ódio expresso.
- Acho que você não está em condições de exigir alguma coisa, mamãe. Que eu saiba não é o meu filho que está com uma arma apontada na cabeça – ele disse, sarcástico.
- Mamãe – disse choroso e Henry lhe deu um tapa sem piedade alguma. Foi como se ele tivesse me esmurrado com uma força cem vezes pior. Meu filho estava ali, indefeso em suas mãos e eu não podia fazer nada, porque cada movimento que eu fizesse poderia refletir na morte dele.
- Por favor, Henry… - comecei a dizer com a voz esganiçada.
- Ora ora, agora ela pede por favor! – ele debochou.
- Henry…
- Anda, Simmons, solta o nosso filho! A polícia cercou todo o lugar, você não tem escapatória! – a voz de se fez ecoar pela sala, mas eu não consegui me mover para olhá-lo. Eu estava com toda minha atenção voltada para meu filho, que chorava silenciosamente. Seus olhos me fitavam com desespero, como se implorassem por socorro.
- Por que você não tenta vir aqui me fazer soltar? – Henry desafiou e tudo aconteceu muito rápido.
Eu nunca pensei que fosse aceitar a provocação. Não numa situação como essa. Ele correu em direção a Henry, disposto a enfrentá-lo, mas num movimento rápido Henry atirou na direção de e eu soltei um grito de terror.
Ele caiu, grunhindo de dor, e eu me joguei ao seu encontro sem conseguir ver nada além do seu sangue escorrendo sem controle.
- Henry, por favor! Faça qualquer coisa comigo, me mate! Mas não faça mal a minha família. Por favor! – eu me voltei para ele, segurando em meus braços e chorando compulsivamente.
- Você não entende mesmo, não é? – Henry disse com desdém. – Sua morte não é vingança o suficiente pra mim. Eu quero ver você sofrendo. Quero que definhe tanto de culpa pela morte das pessoas que você ama, que eu não vou precisar nem sujar minhas mãos matando você, porque você mesma vai fazer isso.
- Não é possível que você possa ter tanto ódio assim de mim, Henry! O que de tão ruim eu fiz pra você pra merecer isso?
- Você e esse seu sangue maldito de destruíram a minha vida! Por causa da sua família nojenta que hoje minha mãe está morta!
- O que? – eu disse, surpresa.
- Se o seu tio não tivesse denunciado meu pai por roubar da empresa que ele trabalhava, minha mãe não teria se matado! Ela entrou em depressão e esqueceu completamente que deixava um filho no mundo! – ele disse, rancoroso.
- Henry, eu… Eu não sabia disso, eu…
- Cala a boca! Eu ia me vingar sim. Mas não ia fazer nada contra você. O era meu escolhido para sofrer, mas você tinha que bancar a heroína e se meter no meio! Agora você vai pagar por isso! E vai pagar com a vida de todos que você ama! – ele disse e eu senti o pavor me sufocar quando vi os dedos dele se moverem para puxar o gatilho.
Fechei meus olhos com força e então ouvi o disparo.


Minha mente registrou vagamente que havia gritado e eu senti meu corpo sacudir de desespero, me recusando a ver a cena. Não podia ser, Henry não tinha matado o meu filho na minha frente! Ele não tinha vencido.
- Não, não, não! – eu gritava entre soluços.
Foi aí que eu senti braços pequenos envolverem minha cintura e por um segundo eu achei que estivesse delirando. Ouvi então uma voz conhecida chamando meu nome.
- , se acalma! Já passou! – eu abri meus olhos lentamente e deparei com Joel me encarando. Logo atrás dele, Henry tinha sido atingido em cheio na cabeça. Olhei para baixo e encontrei me abraçando desesperadamente.
- Meu filho! Meu filho! – eu sorri aliviada e o peguei no colo, abraçando-o com toda força e o beijando por todo o rosto.
- Calma mamãe, está tudo bem agora – ele disse com a voz meio trêmula.
- Eu amo tanto você, por um momento achei que tinha te perdido – eu disse, embargada.
- Eu prometi pra você que ia resolver isso. Que ia entregá-lo pra polícia – Joel disse e então eu o encarei mais uma vez e só então percebi que ao meu lado um policial cuidava do ferimento de . Este me encarava com os olhos marejados e cansados.
-
- Fique calma, senhorita, o tiro pegou no ombro esquedo, mas foi de raspão. Ele vai precisar ir até a ambulância fazer alguns pontos, mas não corre perigo – o policial disse, enquanto ajudava a se levantar. Coloquei sentado em uma cadeira e fui em sua direção.
- , você está bem mesmo? – eu disse, olhando em seus olhos. Ele sorriu fraco.
- Só está doendo um pouco, mas estou bem. Finalmente esse pesadelo acabou – ele disse e tocou meu rosto com o braço bom. – Eu amo você.
- Eu também te amo, . Muito – eu disse e o beijei brevemente.
O policial me lançou um sorriso leve e então eles sumiram de vista.
- Não sei como te agradecer por isso, Joel. Você salvou a vida do meu filho – eu disse, voltando a encará-lo.
- Não me agradeça, . Leve esse gesto como uma prova de que eu sempre amei o como meu filho. Mesmo que demonstrasse o contrário – ele disse, sem desviar o olhar do meu.
- Você não imagina como me faz feliz ao dizer isso – eu disse, sentindo um sorriso se formar em meus lábios, e eu então o abracei. – Não sei como isso vai soar pra você, mas… Eu te amo, Joel. Você é como um anjo que veio pra me proteger e proteger ao meu filho. Eu espero de verdade que possamos ser amigos – confessei.
- Eu também amo você, . E sabe de uma coisa? Acho que desde o começo era para sermos amigos, eu é que acabei confundindo um pouco as coisas – ele disse e sorriu torto. Retribuí.
- E eu amo demais vocês dois e o papai também – se fez ouvir e eu o peguei mais uma vez no colo, o apertando forte.
- Nós também, querido. Nós também – eu disse, estalando um beijo em sua bochecha.
- Vamos sair daqui? – Joel disse e lançou um olhar enojado para Henry.
Concordei prontamente e logo nós estávamos na porta da escola.
- ! – ouvi o grito de e logo me senti envolvida pelos braços dele. – Graças a Deus! Eu tive tanto medo!
- Está tudo bem, , agora tudo vai ficar bem! – eu disse com a voz abafada pelo abraço. Olhei para , que estava sentado na ambulância não muito longe dali, e ele sorriu. Eu então retribuí, sorrindo verdadeiramente, sentindo dessa vez com convicção que finalmente eu seria feliz e nada nem ninguém me impediria disso.

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Continua...

(N/a 08/01/2013): Ai, Deus! A próxima att é a última e eu estou agoniada demais, vocês não têm noção!
Essa fanfic é meu bebê, to quase chorando aqui, porque nunca é fácil pra uma autora 'desapegar' de sua fanfic (mesmo eu tendo finalizado essa há um tempão :x).
Maaaas, tenho outras fics por aqui (Leiam!) e vocês vão ter que me aguentar por um bom tempo ainda (ou não) hahahahaha :P
Comentem, me deixem feliz e até a próxima (e última) att!
Meus contatos vão abaixo ;)
xx Sté.

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Nota da Beta: Caso encontre algum erro nessa fanfic, entre em contato comigo por email.

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