Arrogant Boy
História por Jade | Revisão por Carol Mello
1 – Stop Talkin’
- ! Tô com fome. – choraminguei, me jogando no sofá e me agarrando ao pescoço do meu namorado que assistia algum jogo na TV.
- Porra, ! Sai da frente, tô assistindo o jogo. – ele falou tirando meus braços do seu pescoço.
- ! – revirei os olhos bufando e me sentei no sofá – Você pode assistir à reprise dessa droga, sabia? E eu tô com vontade de comer pizza. E minha vontade não tem reprise.
- Mas eu quero assistir ao vivo, e não enche. – falou friamente tomando um gole longo da sua querida cerveja, Stella Artois – E que porra! Você sente fome toda hora. Vai ganhar muitos quilos assim. – ele disse sarcasticamente, ainda prestando atenção na TV.
- Não acredito que você disse isso! Seu estúpido! – o encarei incrédula.
- GOL! GOL PORRA! – ele gritou, me ignorando totalmente.
Bufei alto e fui para o quarto batendo os pés com raiva. Abri as portas brancas do closet com uma brutalidade anormal, puxei minha mala preta com grandes orelhinhas do Mickey estampadas e joguei todos os meus cabides no chão, sentando-me e começando a dobrar minhas roupas lentamente.
Após uma hora arrumando as coisas, todas as roupas e bugigangas dentro da mala, faltando apenas minha maleta de maquiagem e escova de dente, levantei arrastando minha mala para fora do closet, fechando as portas do mesmo e a colocando ao lado da porta do banheiro do quarto. Tomei um banho rápido, vestindo uma meia-calça arrastão preta, shorts jeans e blusa folgada do Green Day com um colar de pérolas na cintura servindo de cinto. Escovei os dentes e puxei a maleta de maquiagem. Passei rímel, delineador e sombra preta, esfumaçando um pouco os olhos. Organizei a maleta e coloquei meu All Star branco. SaÍ do banheiro com a maleta em uma mão e a mala na outra, quando encontrei um sem camisa, vestindo calça jeans surrada, sentado na cama encarando fixamente o chão, com os cabelos extremamente bagunçados. Confesso que mordi meu lábio inferior bem forte para não soltar um suspiro alto, pois estava encantadoramente charmoso daquele jeito. Comecei a andar e ele levantou a cabeça acordando dos seus pensamentos.
- ? – ele olhou para minha mala um pouco assustado – O que você está fazendo?
- Indo embora. – revirei os olhos na frente do espelho, tentando prender o cabelo em um rabo-de-cavalo.
- Pra onde, posso saber? – ele riu sarcasticamente.
- Não. Não devo satisfações ao meu ex-namorado. – respondi friamente.
- Como é que é, garota? – ele disse entre os dentes.
- Eu cansei. Cansei de aturar seu mau-humor e grosserias. Cansei de tentar aproveitar o pouco do tempo que temos juntos quando você volta das turnês e só levar patadas. Cansei de você.
- Ah é? – ele deu uma risada irônica – O que eu posso fazer se você quer tudo do seu jeito, na hora que você quer? Porra! Você quer controlar tudo e sabe que eu não gosto de ninguém me controlando.
- CALA A BOCA! – eu gritei – você acha que eu não sei que mês passado você estava de férias?! Porra, ! EU SEI. Eu ouvi a Holly comentar com a da viagem para Austrália uma semana antes da turnê acabar. E você me disse que estaria trabalhando o mês de junho inteiro! Você mentiu. Não deu notícias. Eu teria entendido se você tivesse ao menos ligado, dizendo “olha, ... Eu saio de férias em Junho e vou para Austrália com meus amigos, preciso de um tempo sozinho, não quero que você vá.” Eu teria entendido. Não seria um dos melhores momentos da minha vida, mas você estaria me contando a verdade. – respirei fundo tentando engolir todos os sentimentos que formavam um bolo na minha garganta – Eu deixei passar, né? Você voltou, mas voltou mais ignorante e arrogante do que quando foi. E eu continuo sendo idiota e engolindo suas críticas calada, mas chega. EU TE AMO! Que merda! Mas nem por isso eu vou deixar que você continue me tratando assim.
Deixei uma lágrima quente e grossa de raiva escorrer na minha bochecha esquerda. Sentia-me uma adolescente tendo a primeira briga com o primeiro namorado, completamente idiota. Eu devia estar vermelha de raiva e principalmente por segurar o choro. Peguei meus óculos de sol e o coloquei na gola da blusa, encarando sem expressão.
- Sabe quando você me disse que eu sou nojenta por não trocar a fronha do travesseiro? É porque essa fronha é a única coisa que tenho e tem seu cheiro. Você vem pra casa um final de semana a cada três meses! Eu entendo que você tem uma banda famosa e precisa trabalhar, mas é ruim ficar sozinha, sabe? Tenho vontade de largar tudo e voltar pra Califórnia. Eu sinto falta da minha mãe, do meu pai e até mesmo do chato do meu irmão, mas deito toda noite nessa cama e me lembro do que me fez mudar pra cá e deixar minha família quando sinto seu cheiro invadindo meus pulmões. Eu nunca deixaria minha casa por outro homem, . Sabe quando você reclama que eu abro os cookies e nunca como tudo? Eu não como porque sei que você adora aqueles cookies, e eu deixo pra você. – peguei minhas coisas e comecei a andar em direção à porta da casa – Ou quando você fala que eu demoro muito no banho. Isso é porque eu quero ficar bonita pra você. Só pra você, seu idiota!
Parei de andar quando cheguei na porta, me recusando a virar para olhá-lo, temendo um dos seus sorrisos irônicos que eu tanto odeio. Abri a porta e ainda de costas para , disse:
- Cansei de fingir não me importar com suas palavras rudes quando uma por uma me derrubam cada vez mais. Eu não mereço sofrer por um cara que não se importa comigo, por mais que eu o ame. Até porque já não sei se sou correspondida.
Antes que pudesse abrir a porta, senti os dedos de no meu braço, virando-me fortemente ao seu encontro. Ele me olhava com tanta intensidade no fundo dos olhos, como se estivesse a ponto de cometer uma loucura, e sua respiração agressiva e descompassada batia na minha boca. Não desviei meu olhar do seu e vi arrependimento, mágoa e uma mistura de sentimentos nos seus olhos.
- Então vai. – ele falou com um sussurro e me soltou.
Bati a porta e corri arrastando minhas coisas para o carro, colocando-as no porta-malas e adentrando o mesmo. Enquanto esperava o portão da garagem abrir, ouvi um barulho de vidro se quebrando dentro de casa e respirei fundo. Saí sem ao menos saber para onde ir. Não tinha amigos, mesmo depois de três anos em Maryland. As únicas pessoas que conhecia aqui eram Jack, e Rian (amigos de banda do ), Holly (namorada do Jack), (namorada do ), Cass (namorada do Rian) e May (irmã do Jack). Ir para a casa de um dos meninos estava fora de cogitação. Além de estarem sempre viajando, andava constantemente na casa de todos e o que eu mais precisava agora era distância. Não tenho intimidade com a Holly para aparecer na casa dela, a mora com o , o que seria uma péssima ideia ir até lá. A Cass, além de morar com o Rian, tem uma banda famosa e nunca está em casa. Restava-me a May. Ela é uma boa pessoa, porém viaja demais. Não sei se está na cidade, mas não custa nada ligar.
2 – Trying to forget love ‘cause love’s forgotten me
Sentei em uma das cadeiras de madeira da Starbucks, após pegar um chocolate quente e uma rosquinha doce. Joguei as chaves do carro no bolso do short, coloquei minha bolsa em cima da mesa e peguei o celular ligando para May. Depois de chamar três vezes, ouvi uma voz arrastando um riso.
- Alôôôôôô? – ela atendeu rindo – PÁRA JACK!
- Wow! Parece que a festa está boa aí, hein?! – falei rindo também.
- ! – ela exclamou animada – Tudo bem? Estou aqui com o... JACK! NÃO MEXE NAS MINHAS COISAS. SAI, GAROTO! – ela gritava com o irmão me fazendo rir.
- Imagino a bagunça que ele deve estar fazendo.
- Nem fale! Cheguei hoje e encontrei com esse ser que chamo de irmão, dizendo que estava com saudades. – então ela começou a gritar – MAS ELE ACHA QUE ME ENGANA. ACHA QUE EU NÃO SEI QUE ELE SÓ VEIO PORQUE A HOLLY ESTÁ EM SEATTLE TRABALHANDO E ELE NÃO SABE COZINHAR! – então ouvi um riso alto do Jack no fundo.
- Abusado, né?!
- Demais! – ela disse rindo – Mas então, como você está?
- Então... Tô precisando conversar com você. Posso ir aí ou você tá ocupada?
Ouvi May murmurar algo como “larga isso, Jack!” e respirar fundo. Conhecendo-a, deve estar revirando os olhos de impaciência com o irmão.
- Pode sim. Estou te esperando.
- Estou indo. Beijos, May. Até daqui a pouco.
Desliguei o celular e coloquei em cima da mesa ao lado da minha bolsa. Comecei a comer, mas logo o celular tocou e eu tive de parar para atender.
- Alô?
- ? É o Jack. Você pode trazer um copo de café para May, por favor? Ela tá com preguiça de ir comprar e tem uma Starbucks no caminho da sua casa pra cá.
- Tudo bem, Jack.
Desliguei o aparelho e não me contive em procurar uma chamada perdida ou mensagem do , mas nada. Soltei um suspiro frustrado e pedi o café da May para ir embora.
Entrei no carro e ainda peguei um engarrafamento até a casa dela, mas em vinte minutos tinha chegado. Respirei fundo e saí do carro com minha bolsa e o café. Bati na porta e logo uma May sorridente a abriu, dando-me um abraço apertado.
- ! – ela exclamou.
- Oi, May! – dei um sorriso e entrei – Ah, seu café.
- Café? – ela fez uma cara confusa – Eu não pedi café nenhum.
- Mas...
- , meu amor! Obrigado pelo café. – Jack me interrompeu abrindo um sorriso igual ao da irmã e pegando o café da minha mão.
- Seu safado! Você disse que era pra May. – fingi um tom de raiva, mas acabei rindo.
- Desculpa, mas se eu falasse que era pra mim, você certamente não compraria – ele respondeu com a sobrancelha esquerda arqueada.
- Tanto faz. Você me deve um café. – eu ri. – May, será que eu poderia conversar contigo por um momento?
- Já tô saindo. – disse Jack e eu apenas dei um sorriso agradecendo.
- Então... – May começou quando Jack tinha saído – O que houve?
Suspirei cansada ao ver a cara confusa que ela fazia e comecei a explicar a briga com . Falei de como ele estava estranho e me evitava ao máximo. Contei tudo enquanto May apenas ouvia e assentia. Senti minha mente mais leve e um alívio percorrer meu corpo quando terminei de contar tudo.
- Olha ... Eu realmente quero ajudar, mas viajo em dois dias e fico fora por um mês inteiro. Acho que você vai precisar procurar outro lugar. Fala com o Jack. Ele pode ser bobo, mas tenho certeza que vai querer ajudar.
- Obrigada pela indicação, May, mas o Jack é o melhor amigo do e consequentemente ele aparece com frequência na casa do Jack. Eu já tenho onde ficar, mas posso ficar esses dois dias aqui com você? Por favor.
- Claro! – ela abriu um sorriso – Deixa suas coisas no quarto de hóspedes. É o segundo assim que você subir as escadas.
- Quando o Jack for embora... – sorri envergonhada – Não quero que ele pergunte por que estou aqui, essa estória não vale a pena ser lembrada.
- Tudo bem. Acho que você deveria descansar um pouco.
- É. Vou tomar um banho e dormir.
May se levantou e me deu um beijo na testa. Fui até o carro e abri o porta-malas pegando uma camisola longa de seda, blusa roxa, meu casaco favorito e calça jeans escura. Voltei para tomar banho e vestir a camisola, mas antes de dormir fiz a ligação que mudaria minha vida.
3 - All my life I’ve been good, but now I think “What the hell?”
- Alô? Eu gostaria de uma passagem de Maryland para L.A para amanhã, por favor.
Aguardei a atendente checar os voos e logo ela disse que havia cinco para amanhã, ainda vagos. Reservei minha passagem para após o almoço e desliguei, me jogando na cama, completamente exausta.
Abri os olhos lentamente e me arrastei da cama para o banheiro fazer minha higiene matinal. Vesti a roupa que tinha pegado ontem no carro e desci encontrando Jack e Rian assistindo tv. Droga.
- Bom dia.
- ? – Jack me olhou confuso enquanto Rian deu de ombros.
- Eu disse “bom dia”, Barakat! – falei dando língua.
- Bom dia, . – ele riu – Dormiu aqui?
- É. – dei de ombros
Ele pareceu entender que eu não queria falar sobre o assunto e voltou a assistir televisão. May parecia ainda estar dormindo e o relógio marcava 10 da manhã. Fui para cozinha, fiz café e fritei ovos com bacon. Voltei para sala com uma bandeja com pratos e xícaras para mim, Jack e Rian.
- ! Eu te amo! Casa comigo, por favor. – Jack brincou com os olhos brilhando ao ver a bandeja.
- Só se você largar a Holly! – resolvi entrar em sua brincadeira.
- Jack fura-olho! – Rian finalmente falou rindo.
- Se o não fosse meu amigo e eu não gostasse tanto da Holly, você não me escaparia.
Soltei uma risada alta para esconder a tristeza que tinha me acertado ao ouvir falarem do . Perguntei-me onde ele estava ou se estava bem, mas tratei de tirá-lo da cabeça quando May entrou na sala vestindo um pijama de flanela comprido e azul com macaquinhos e a boca cheia de bacon com um bigode de leite. Não pude evitar rir.
- Qoue tfoi? – May falou embolado, com a boca cheia.
- Tapada! Sua boca tá suja de leite. Tem certeza de que é minha irmã? – Jack perguntou segurando o riso enquanto Rian e eu já chorávamos de rir.
- Cala a boca, otário! Hey, . Para de rir e vem cá.
Levantei ainda rindo e entrei na cozinha sendo seguida por May.
- Então, já sabe o que vai fazer? Eu tava pensando... Você pode vir comigo para New York! Um mês naquela cidade vai te fazer bem, e... – ela disparou.
- May, calma! Respira! – eu ri do desespero dela – Comprei minhas passagens, vou voltar para casa dos meus pais.
- Ah... Que dia? – ela perguntou pegando mais leite.
- Erm.. Daqui a.. – olhei pro relógio que marcava 11:15 da manhã. – 2 horas e 45 minutos.
- O QUE? NÃO! Hoje? – ela fez um biquinho de criança emburrada e eu ri.
- É... Não tenho mais nada para fazer aqui, May.
- Obrigada pela parte que me toca, . – ela fez cara de indignada.
- Ó, que fofa! – apertei suas bochechas e ri quando ela fez uma careta.
- Vocês são estranhas. – Jack falou entrando na cozinha e Rian só ria.
Corri e abracei Jack como nunca tinha abraçado antes.
- ... Eu estava brincando quando disse que queria casar com você, tá? Não me entenda mal, mas é que eu tô bem com a Holly, e o é meu amigo, e...
- Cala a boca, Jack! – o cortei mordendo o lábio inferior ao ouvir a palavra “”.
Soltei Jack e corri para Rian, apertando aquelas bochechas fofas e dando um mega abraço no garoto que ficou surpreso com minha atitude, mas logo retribuiu.
- Vou sentir saudades. – falei ao soltar Rian.
- Tá falando de que, garota? – Jack perguntou fazendo uma cara confusa, porém soltando um risinho.
- May... Por favor?
May entendeu o que eu queria e assentiu com um sorriso enquanto eu corria para um banho, deixando Jack e Rian confusos e May pensando em como começar a contar minha estória pros dois.
Tomei um banho relaxante e demorado, vesti uma calça skinny preta, uma bata dourada metalizada, calcei meu salto preto, escovei os dentes e passei uma maquiagem leve.
Desci e já era 1 da tarde. Olhei para o sofá e May me encarava com um sorriso de canto, Rian sorria tentando me passar confiança e Jack não tinha expressão.
- Está na minha hora de ir... – falei sorrindo de lado.
- Eu te levo. – Jack falou e eu assenti.
- Vou sentir saudades!
- Qualquer dia desses, apareço lá para te visitar. – May falou me abraçando.
- Pode ir sempre que quiser, você sabe.
Rian nada falou, apenas deu um sorriso e me abraçou. Limitei-me a fazer o mesmo.
Caminhei até a garagem e entrei no carro após Jack, depois de dar um aceno para May e Rian que sorriam na porta.
- Jack? Pode deixar meu carro na casa do ander depois, por favor? – perguntei e vi Jack apenas assentir.
- ... Tem certeza de que está fazendo certo? – ele me perguntou.
- Não sei, Jack. – suspirei cansada – Só sei que aqui não fico mais. E faz três anos que não vejo minha família. Estou com saudades.
Jack assentiu e ligou o rádio. Logo reconheci os primeiros acordes de Decoy da banda Paramore e comecei a cantar junto com a vocalista, Hayley Williams, enquanto Jack ria.
Quando a música acabou, peguei meu celular e abri o twitter que estava meio abandonado. Nunca fui muito ligada com internet e atualizava a rede social semanalmente, ou até mensalmente.
Algumas replies em outras línguas estavam lotando minha página e eu não fazia ideia do que elas significavam. Procurei alguma do , mas nada achei, como sempre. Abri seu twitter e li seus últimos tweets:
“@: Péssimo pesadelo, péssimo.”
“@: @ Valeu, cara!”
“@: Pizza de quatro queijos ou presunto?”
“@: Não vejo a hora de voltar para estrada e sentir a melhor sensação do mundo.”
Nada de interessante. Voltei para minha timeline e escrevi:
“@: Hoje é um grande dia! :)”
Então olhei para Jack que cantava Wannabe das Spice Girls e ri.
“@: e o @JackAllTimeLow é muito fofo cantando Spice Girls! Go Jack!”
Ri do meu ultimo tweet e guardei o celular já no aeroporto. Dei um último abraço em Jack e fui para sala de espera. Liguei o iPod e Womanizer da Britney começou a tocar. Abri o twitter de novo para passar o tempo e vi que Jack tinha respondido meu tweet.
“@: @ Você quer parar de contar meus segredos, por favor?”
Ri baixo e respondi:
“@: @ desculpa! Não resisti.”
Dois novos tweets apareceram, um do Jack e outro do . Senti meu coração disparar.
“@: Vamos todos desejar boa sorte para a minha grande amiga @! Boa Sorte .”
“@: I wanna hold your hand.” (eu quero segurar sua mão)
Sorri sem ao menos saber se aquilo era uma indireta pra mim, mas descobrindo que não com o tweet seguinte dele:
“@: Minha música favorita! The Beatles.”
Meu sorriso murchou ao lembrar que aquela era a música favorita dele, e não uma indireta pra mim.
Ouvi uma voz feminina anunciar no alto-falante que a aeronave do meu voo já estava no pátio e caminhei até a pequena fila do portão indicado. Respirei fundo, contei até dez, entrei na aeronave com minha bolsa no ombro direito e sentei na poltrona desejando mais do que nunca, chegar logo em casa.
4 – But I’m smiling at everything
Estava no aeroporto de Tennessee, esperava meu voo para Califórnia. Chovia forte e o avião teve que pousar aqui. O lugar estava lotado, uma tempestade caía lá fora e eu tomava meu chocolate quente quando ouvi uma voz avisando que a chuva tinha reduzido e meu voo ia partir. Peguei minhas coisas na cadeira ao lado e segui meu caminho à aeronave.
Vesti meu casaco preto devido ao frio e senti uma pessoa esbarrar o braço em mim.
- Descul... ? – um homem alto, loiro com cabelos formando um topete alto na frente, barba não muito cheia, óculos de grau, olhos azuis e piercing no nariz, sentado na poltrona ao meu lado falou.
- Jeremy! Tudo bom?
- Tudo sim. – ele deu um sorriso lindo – E com você?
- Bem. – sorri de lado – Como vai a banda?
- Estamos bem! Muitos shows, estrada e finalmente tivemos uma folga para curtir o verão californiano. – ele apontou para duas poltronas na nossa direção ao lado esquerdo e eu vi Hayley Williams e Taylor York em uma conversa muito empolgada.
- Vida de estrada é difícil, né? – soltei um risinho.
- É cansativo. Mas vale a pena. – ele seguiu meu riso - E você? Tá indo pra Califórnia por quê?
- Eu sou Californiana! Vou visitar minha família... Talvez ficar lá por um tempo.
- Mas você não mora em Maryland? – ele me olhou confuso – Com o do All Time Low?
- Não. Morava. Não estamos mais juntos.
- Ah... Bem, se algum dia estiver no tédio, me liga. Aposto que a Hayley e o Taylor vão gostar de diversão com .
Dei um riso alto tirando atenção de Taylor e Hayley que acenaram para mim e eu retribui com um sorriso.
Flashback on.
- , esse é o Jeremy, baixista da Paramore. Jeremy, essa é minha namorada, .
- Oi, . – o loiro sorriu.
- Oi, Jeremy.
disse que precisava se arrumar e entrar no palco agora, então me despedi dele com um selinho e um boa sorte.
Comecei a conversar com Jeremy nos bastidores da Warped Tour, que me contava como era estar na estrada e em uma banda onde era uma mulher e quatro homens. Confesso que engatei numa conversa animadora e o tempo passou que nem percebi. Ele me apresentou aos amigos de banda, Hayley a vocalista, era baixinha, olhos verdes e cabelos vermelhos como fogo. Taylor, guitarrista, tinha olhos castanhos, piercing no nariz igual ao Jeremy e cabelos escuros bem cacheados. Josh, outro guitarrista, tinha olhos castanhos, cabelo curto e um piercing no lábio. Por fim, Zac, o baterista que era também irmão de Josh, cabelos bagunçados e pretos, olhos escuros e parecia uma versão mais alegre e brincalhona do Josh. Começamos a conversar até , namorada do , chegar e me avisar que o All Time Low já estava entrando no palco.
Flashback off.
Continuei a conversar com Jeremy, até conseguir esquecer o motivo de estar voltando para Califórnia. Jeremy conseguia tirar sorrisos de mim de um jeito espontâneo como eu não fazia desde que tinha virado algo que eu não identificava.
- Então , foi bom te rever, já sabe né? Se quiser sair ou sei lá, pode me ligar.
- Olha que eu ligo viu!
- Estarei esperando. – ele deu uma piscada de olho sexy e saiu rindo.
Estávamos conversando enquanto a van que ia levá-los ao hotel não chegava, quando a Hayley me perguntou:
- , você era da assessoria, ou produtora do All Time Low?
- Não. – ri com o engano dela – Eu namorava com o vocalista, . Por isso estava com eles a Warped Tour toda. Mas a namorada do , , também estava lá.
- Ah, claro. Eu pensei que você trabalhava com eles, estava sempre ajudando no camarim.
- Bem, sou amiga deles, ajudava sempre quando eles precisavam de algo.
- Entendo. É que o nosso produtor resolveu se aposentar, e estamos sem ninguém pra cuidar da produção dos shows. Pensei que você gostaria de trabalhar na nossa produção.
Vamos raciocinar. Eu não gosto de ficar parada, voltar a morar com meus pais vai ser um saco, por mais que eu tenha saudades, viver com meu irmão torna tudo pior, preciso de um emprego e eles são pessoas legais.
- Nunca fui produtora, mas se vocês quiserem, posso ficar no lugar até arranjarem um profissional.
- Sério? É que a gente tá meio desesperado sem ninguém, né Jeremy?
- Concordo. Fico perdido sem um produtor para dizer minha agenda. Nunca fui organizado, sabe. – ele coçou a nuca meio envergonhado.
Ri baixo e me despedi deles ao ver que a van já tinha chegado. Ouvi Jeremy gritar “me liga quando puder” e fui procurar um táxi. Indiquei o endereço da casa dos meus pais sendo consumida pela ansiedade de ver minha família depois de três anos. Pensei em ligar para , não posso mentir, mas me controlei ligando pra May e avisando que já tinha chegado.
Paguei o táxi, minha mala e bati na porta da casa branca com detalhes bege e esperei abrirem.
- Oi, mãe.
5 - I feel like dancin’ tonight
2 meses depois
Olhei para os papéis na minha frente e soltei um suspiro cansado. Finalmente tinha terminado a tabela com a agenda da banda. Um mês trabalhando para a Paramore e não me arrependo. Apesar da parte de contrato, contato, divulgação e organização dos shows e da banda serem cansativas, adorei passar duas semanas de estrada com eles. Já é Setembro e logo tem a Warped Tour, mas a parte administrativa já estava finalizada, o que significava que era só esperar até os shows. Minha mente andava ocupada e meu corpo cansado o bastante para eu não lembrar de Maryland, porém, sabia que iria passar por lá na Warped Tour. Planejei visitar May, Holly e , já que o All Time Low está na Warped Tour e Hey Monday também, não precisarei visitar Cass e os meninos. Essa é a única parte que me aborrece. Depois de cinco anos de namoro com , não sei como vou reagir ao vê-lo. Por outro lado, vou passar longos dias com Jeremy, Hayley, Taylor, Cass, , Rian e Jack.
O relógio do notebook marcava duas da manhã quando eu terminei todo o trabalho da produção da Warped. Um vento gelado entrava no quarto pela janela aberta do quarto e Taylor, Jeremy e Hayley assistiam a algum filme de terror na minha sala. Fechei a janela e fui para sala assistir também, mas encontrei os três dormindo no tapete. Jeremy tinha um braço no puff roxo ao lado do sofá, Taylor estava esparramado no tapete e a cabeça apoiada na ponta do sofá e Hayley encolhida na poltrona branca ao lado do puff roxo. Ri baixo e acordei Taylor.
- SAI DAQUI! O DOCE É MEU! MEU! – Taylor gritou assustado.
- Taylor? Acorda! – ri baixo cutucando-o.
- ? – ele coçou os olhos – Ah... Foi um sonho.
- Já são duas da manhã. Acho melhor vocês irem pra casa.
- É. Vou pegar o carro, acorda a Hayley pra mim, por favor? O carro dela quebrou e eu ainda vou deixá-la em casa.
Assenti e vi Taylor sair de casa cambaleado de sono. Acordar Hayley foi fácil, mal encostei nela e a mesma abriu os olhos. Avisei que Taylor estava a esperando no carro e ela disse que Jeremy queria falar comigo antes de sair. Tentei acordá-lo, mas não estava conseguindo. Ele tinha sono de pedra.
- ? Tenta mexer no piercing dele. – ela deu uma risadinha e saiu da casa dando um tchau.
Hesitei um pouco antes de fazer no que Hayley falou, mas comecei a brincar com o piercing dele e Jeremy logo acordou.
- Para Hayley... – Jeremy murmurou.
- Errm... É a . – eu ri baixinho quando ele arregalou os olhos.
- A Hayley me paga por ter te contado que eu acordo assim. – ele falou revirando os olhos e me fazendo rir.
- Então, ela disse que você queria falar comigo. Mas acho melhor você falar amanhã né? Já são duas da manhã e você tá caindo de sono.
- É. Cadê o Taylor?
- Ele já foi. Foi levar a Hayley e depois ia pra casa.
- Ahn? O Taylor me esqueceu? – eu fiz uma cara confusa – Eu vim com a Hayley no carro dele. Tô sem carro.
Comecei a rir freneticamente enquanto Jeremy fazia uma cara de quem não estava entendendo nada. Depois de um tempo ele entendeu e começou a rir também.
- Não acredito que ela fez isso! – ele ria compulsivamente – Para de rir, !
- Desculpa! Mas eu sabia que tinha algo errado quando ela disse que você queria falar comigo! Só não sabia que ela tinha dito aquilo pra ir embora e te largar aqui. Foi de propósito! – eu já chorava de rir.
- Por que eu não iria querer falar com você? – ele disse parando de rir aos poucos.
Quando finalmente parei de rir, senti como estávamos próximos. A respiração dele batia fracamente na minha bochecha esquerda e eu estava praticamente sentada entre as pernas dele, sem nem saber como fui parar lá. Senti minha mão ir à bochecha esquerda do Jeremy sem que eu tenha mandado e ele entendeu aquilo como um aviso para seguir adiante.
Ele passou o nariz pela minha bochecha e me deu um beijo no canto da boca. Meu coração travou uma maratona com meu corpo quando senti seus lábios encostarem-se aos meus. Jeremy tinha hálito de canela misturado com creme dental de menta e suas mãos apertavam minha cintura e nuca. A imagem de veio na minha mente e eu me separei dele numa velocidade que até me assustou.
- Eu fiz algo que... – Jeremy começou.
- Não. Vamos esquecer isso, Jeremy? Por favor.
Ele apenas assentiu de leve com uma feição confusa e pegou o celular alegando estar tarde e precisar ir pra casa. Ele me deu um abraço rápido e saiu, me deixando completamente irritada comigo mesma.
“ é passado, . Tira ele da sua mente! O Jeremy é um cara legal, divertido, bonito e inteligente. Investe. Bom investimento.” Uma vozinha dizia dentro da minha mente.
“Não, ! Você ama o . Ele pode ter sido um idiota, mas não desista dele. Você prefere ficar com um cara legal, divertido, bonito e inteligente ou um cara que acima de tudo você ama?” Uma vozinha dizia dentro do meu coração.
Droga.
6 – You can take the bluest sky and turn it gray.
Estávamos em San Diego há uma semana por conta da Warped Tour. Eram 10 da manhã e todos dormiam no ônibus, cansados, após um grande show na noite passada. Depois de um mês do incidente com Jeremy, eu tinha dito a ele que nada além da amizade aconteceria entre nós. Ele é um grande amigo, mas depois de cinco anos com , nem se eu quisesse, conseguiria ficar com outro homem tão rápido. Era como se fisicamente ele estivesse muito distante, porém, o perfume dele ainda teimava em ficar nas minhas blusas, a voz rouca continuasse sussurrando em meu ouvido e sua imagem perseguia meus sonhos e pensamentos diariamente. Odiava admitir até para mim mesma, como eu sou dependente desse homem, nem que seja sentimentalmente falando.
Levantei da pequena poltrona do lado esquerdo do ônibus, larguei o livro que tentava ler em cima da mesa e desci irritada comigo por não conseguir me concentrar na leitura. Sabia muito bem que o motivo de distração estava no ônibus ao lado, o do All Time Low.
Sentei no primeiro degrau do ônibus mexendo em um graveto que estava na grama baixa e senti alguém bagunçar meu cabelo:
- Mas que por... Rian! – levantei dando um abraço-urso nele.
- Oi, . Vim te convidar pra minha festa! É em Dezembro, daqui a três meses, eu sei, mas quero ter certeza de que você vai. Você tem que ir. – Ele disse sorrindo.
- Dezembro, é? – mordi o lábio inferior ao lembrar que o aniversário de Rian era bem perto do aniversário dele.
- Você vai. – ele disse revirando os olhos.
- Eu quero ir! Mas vou ter que cuidar do meu sobrinho. Meu irmão vai ter sua lua-de-mel com a esposa e me pediu para cuidar do John. Eu saberia da existência dele ou do casório do meu irmão se não tivesse me mudado para Maryland e perdido contato com minha família. – falei num tom de desculpas.
- Então se arrepende? - uma voz vinda da entrada do ônibus deles, falou – Se arrepende de ter ido morar comigo, ?
Senti meu estômago girar ao ver sentado na porta do ônibus com um olhar de mágoa e raiva. Ele vestia um jeans escuro e surrado, calçava Vans pretos e vestia uma blusa vermelha escrito JAGK.
- Sim. – em parte era verdade – Me arrependo de ter ido para outro estado sem ao menos saber como era o mundo lá fora. Também me arrependo de me esquecer da minha família para me dedicar a um simples namorado, perdendo o casório do meu irmão e o nascimento do meu sobrinho, que até então eu nem sabia que existia. Minha mãe está magoada e meu pai nem fala comigo. Meu irmão tem a vida dele agora e bem sucedida. Fui muito burra de ter deixado tudo pra trás por um homem. – Falei tudo sentindo uma enorme pontada no peito ao ver dor nos olhos dele.
- Pois eu me arrependo mais ainda. Perdi cinco anos da minha vida com você, por pena.
Então ele saiu. Simples assim. Levantou e entrou no ônibus como se nada tivesse acontecido. Braços me apertaram e eu estava sem reação. Nem lembrava que Rian estava ali, em meio ao nosso campo de guerra. Só lembrava das palavras de . Então ele ficou comigo esse tempo todo por pena?
7- The innocence has all been broken.
Finalmente Dezembro! Estar na estrada com seus amigos era tão bom, mas depois de três meses e com o pior inimigo morando no ônibus ao lado, é cansativo. Finalmente a Warped Tour tinha chegado ao fim e a melhor parte: férias. Um mês com John e logo o aniversário do Rian. Sabia que para ir teria que levar John, mas era um churrasco, e segundo Rian, os primos pequenos dele estariam lá, John não se sentiria deslocado em meio a tanto adulto.
Estávamos comemorando o fim da Tour em um bar de New York, a última cidade da turnê. Todos estavam aqui e eu estava em uma mesa com novos amigos. Conversava com Chris Drew, Jordan, conhecido pelo The Ready Set e John e Garrett do The Maine, quando senti mãos vendarem meus olhos.
- QUEM É? – gritei por conta da música alta.
- I am too sexy for my shirt... Too sexy for my shirt, so sexy it hurts. – uma voz sexy sussurrou no meu ouvido e eu dei uma gargalhada alta.
- Jack! – virei-me para ele e encontrei outros 2 – Rian, !
- Oi, . – eles falaram e se sentaram nas cadeiras perto de mim.
Apresentei os três a Chris, Jordan, John e Garrett e pedi uma cerveja enquanto Chris, Jordan, Garrett e Rian conversavam sobre música e John, e Jack falavam sobre mulheres. Dei um sorriso para Cass que passava com a feição tensa e olhando para algo atrás de mim e resolvi ver o que era. Maldita curiosidade. Mesmo de costas, percebi que era por conta do seu cabelo bagunçado. Ele apertava uma ruiva baixinha contra a parede, tinha suas mãos na coxa e cintura dela e a beijava ferozmente. As mãos dela puxavam os cabelos da nuca dele e mesmo distante, eu sabia que ele estava se arrepiando. Suspirei e virei para frente, encontrando , Cass, Jack e Rian me encarando, enquanto Garrett, John e Jordan estavam confusos. Chris parecia chapado demais para entender o que acontecia.
- O que foi? – perguntei arqueando a sobrancelha esquerda como se nada tivesse acontecido.
Cass, e Rian voltaram a conversar, mas Jack ainda me olhava desconfiado. Sorri de leve e ele deu de ombros.
Mas na verdade aquilo tinha me incomodado. Não o fato de ele estar comendo qualquer uma em poucos minutos, mas sim o fato de ser visível que ele não precisava nem um nono de mim e não sente minha falta, quando eu não consigo passar uma noite sem me perguntar se ele ao menos está bem.
8 – I wear the biggest smile.
- JOHN! – suspirei cansada ao ver John todo sujo de chocolate – Eu falei para você não comer tanto chocolate! Seu pai vai me matar.
Peguei meu sobrinho que me olhava com culpa e subi para dar banho nele. John era calmo, mas não me obedecia e eu já estava enlouquecendo. Dei banho nele e o coloquei na cama para dormir. Desci novamente, peguei alguns chocolates na geladeira e me joguei no sofá para assistir algum filme.
Abri os olhos ouvindo meu celular tocar A Beautiful Lie freneticamente.
- Alô...
- Te acordei? Desculpa, mas é que já são sete horas e hoje tem a festa do , você quer que eu vá te buscar? – a voz do Jeremy saía do aparelho.
- Não. Eu não vou. Passei o dia com John e estou cansada. Além do mais, eu nem sabia dessa festa.
- Espera. Você não foi convidada?
- Parece que não. – revirei os olhos.
- Achava que você era amiga dos caras... Então tudo bem, te vejo daqui a alguns dias no aniversário do Rian. – ele disse desligando.
Suspirei deixando um tsunami de tristeza me atingir. Pode parecer exagero, mas pelo jeito, eu devo estar morta para .
Tentei de todos os jeitos voltar a dormir, mas o sono parecia ter evaporado. Peguei meu celular diversas vezes e até cheguei a digitar o número e uma mensagem de feliz aniversário para ele, mas concluí que se ele não me queria por perto, não valeria a pena perder tempo ligando ou desejando feliz aniversário.
Ouvi um choro do andar de cima e me arrastei para o quarto onde John estava.
- O que foi, pequeno? – Perguntei preocupada.
- Papai! Quero papai! – John choramingava.
Era só o que me faltava! Meu irmão só voltava em vinte dias.
Cantei, dei comida, dei banho, suco, doce, liguei a TV no desenho favorito dele, mas nada acalmava aquela criança. John chorava desesperadamente e seus soluços eram audíveis. Já estava começando a perder a paciência sem saber o que fazer. Liguei para Jack na tentativa de ter alguma ajuda.
- Jack? Preciso de ajuda. – falei com pressa assim que ele atendeu.
- O que foi? – ele perguntou gritando, a música alta deveria estar ensurdecedora.
- John não quer parar de chorar. Já tentei de tudo, me ajuda. – supliquei desesperada.
- Porra, agora? Tô no meio de uma festa.
- Jack! Por favor.
Ouvi Jack suspirar e resmungar que já estava vindo. Desliguei o celular e peguei John no colo, quase ficando surda com os gritos em meio ao choro do menino.
Depois de longos vinte minutos que pareceram vinte anos com John gritando e chorando no meu colo, alguém bateu na porta e eu corri para abri-la.
- Jack, finalmente... – falei abrindo a porta - ?
Encarei assustada a figura de . Chovia muito e ele estava encharcado. Sua franja colada na testa, ele pingava e seus olhos estavam um pouco vermelhos, denunciando que ele havia bebido demais ou chorado. Primeira opção, claro. Sua respiração estava descompassada, indicando que ele havia corrido e tremia de frio.
- Posso entrar?
9 – Tease me.
- Só porque está chovendo. – falei ainda surpresa por encontrar , e não Jack, na minha porta.
Deixei John chorando com na sala e fui pegar uma toalha para o mesmo se enxugar. Quando voltei, a sala não era preenchida com os soluços e choros de John, e sim com gargalhadas. Deparei-me com fazendo cosquinhas em John, que se contorcia de rir em cima da mesa.
- Deixe o menino respirar.
Ele não disse nada. Apenas pegou a toalha da minha mão e começou a se enxugar. John parava de rir e começava a esfregar os pequenos olhos verdes.
- Tá com sono, pequeno? – Perguntei ao garoto e o vi assentir quase fechando os olhos.
Subi com John e deixei na sala. Coloquei-o na cama e cantei uma música infantil para ele dormir mais rápido. Em pouco tempo John já estava dormindo e eu voltei pra sala.
- Afinal, o que veio fazer aqui? – perguntei.
- Jack não parecia contente em sair da festa e vir te ajudar. Então eu vim. – Ele disse simplesmente.
- Já ajudou, obrigada, mas pode voltar pra sua festa. – disse friamente.
- Posso esperar a chuva passar, senhora? Estou congelando. – ele disse revirando os olhos.
- Tanto faz.
Sentei no sofá e liguei a TV, procurando algum canal com algum filme bom. Vi sentar no tapete, mas fingi não prestar atenção. Passava The Big Bang Theory na Warner e eu resolvi deixar nesse canal.
- ?
- O que? – perguntei me desconcentrando do seriado.
- Posse te perguntar uma coisa?
- Você já está perguntando. – revirei os olhos impaciente.
- Quando você ficou igual a mim?
- O que? – perguntei confusa.
- Quando você ficou igual a mim? – ele repetiu – Assim, fria.
Abri e fechei a boca algumas vezes, sem saber o que falar. Estava completamente sem palavras. Nunca tinha percebido isso. Tinha mesmo me tornado uma pessoa fria? Tão fria quanto... Ele?
- Eu não sou fria! Você é. Você não tem sentimentos.
- Eu sou frio? Tem certeza? – Ele riu sarcasticamente – Se eu fosse frio, não estaria julgando ninguém sem saber nada, como você está fazendo.
- Eu não sei nada? Sai daqui, vai.
- É, . Você não sabe de nada. Nem metade do que você pensa saber. – ele disse estreitando os olhos.
- Então diz. Diz o que eu não sei.
- Iria fazer alguma diferença? – Ele sussurrou.
- Iria. – eu também abaixei o tom de voz.
Suspirei cansada e o abracei. Sabia que se fizesse isso ele abaixaria a guarda. Sabia que ele não resistiria e estava me aproveitando disso. Talvez eu tenha mesmo me tornado uma pessoa fria, talvez isso tenha acontecido porque passei cinco anos com ele. retribuiu o abraço e apoiou o queixo na minha cabeça.
- Você sente a minha falta? – perguntei baixo.
- Sinto. – Ele sussurrou.
- Não tanto quanto eu. – levantei o rosto para encará-lo - Por que você sente a minha falta, ? Até onde eu percebi, eu não fiz diferença alguma na sua vida.
- Eu tentei fugir do que me alimentava. E sem alimento, não se sobrevive.
Fiz uma cara confusa com a frase dele e ele deu um riso baixo.
- É tarde demais? – Ele perguntou com um sorriso de lado.
- Talvez. – vi o sorriso dele murchar.
- Não esperava que você fosse dizer não. – Ele suspirou e levantou do sofá - Acho melhor ir. A chuva passou.
- Não... Dorme aqui? Tá tarde. – desculpa esfarrapada, . – Ah, esqueci que você tem uma festa pra cuidar.
- Você sabe que eu largaria qualquer festa pra ficar com você, não é?
- Não. Sinceramente? Não sei. Depois dos últimos meses, eu já não sei de nada. Você mesmo me disse isso.
- Posso provar que sim? – Ele me perguntou sorrindo.
Sorri de leve e subi com ao meu encalço. Logo lembrei que John estava no quarto de hóspedes e só restava meu quarto.
- Droga. John está no quarto de hóspedes.
- Tudo bem, eu posso dormir na sala. – Ele disse já descendo as escadas.
- Não! Tá louco? Vai acordar com uma dor na coluna terrível. Dorme aqui no quarto mesmo. – falei na inocência.
- Tem certeza? – Ele parecia um pouco surpreso.
- Claro. Passamos anos dividindo a mesma cama, por que não podemos ficar uma noite?
- Talvez porque você não seja mais minha. – Ele sussurrou com ciúmes.
- O que você quer dizer com isso? – parei no meio do quarto pra perguntar.
- Nada.
- Fala, . – revirei os olhos.
- Você está... Namorando? Com o Jeremy? – Ele disse coçando a nuca.
- E se estiver? – arqueei a sobrancelha.
Ele deu de ombros e entrou no banheiro. Joguei meus sapatos pra um lado e coloquei minha camisola de seda amarela enquanto ouvia o barulho do chuveiro bater no azulejo branco. Deitei na cama me sentindo extremamente cansada.
- Tem algum short meu, ou sei lá, aqui? – Ele perguntou saindo do banheiro, enrolado na toalha - É meio complicado dormir de jeans.
- Tem um short que o meu irmão deixou aqui uma vez, se servir... – disse rindo baixo.
Ele agradeceu com um sorriso e tornou a entrar no banheiro. Como se eu já não tivesse visto nada ali. Deitei de novo e tentei dormir, mas o sono não vinha. Senti o colchão afundar ao meu lado e virei, vendo encarar o teto.
- Não. – eu disse.
- Não o que? – ele perguntou virando o rosto para mim.
- Não estou namorando com o Jeremy. E nem com ninguém.
Ele sorriu e me deu um beijo na testa, virando para o outro lado logo em seguida. Não sabia se ele já estava dormindo ou não, só sei que passei longos minutos com pensamentos bagunçados na mente, até finalmente pegar no sono.
10 – Happy Bday Sweetheart!
- Dinda ? Dinda?
- Hmmm... Que foi John? – resmunguei abrindo os olhos.
- Quem é o moço? Titio?
- O que? – Levantei da cama atordoada.
O relógio marcava 2 da manhã. John estava com seu pijama, sentado na cama entre mim e . Ele encarava confuso.
- Não John. Não é titio. John, tá tarde... Vai dormir.
- Se ele não é titio, o que ele está fazendo aqui? – ele perguntou me ignorando.
- John! Por favor.
- Vamos ali fora, John? - falou, me assustando.
- Posso ir com o titio, dinda?
- Ele não é o titio, John... – suspirei cansada – Pode.
levantou da cama, colocou John no colo e saiu do quarto. Não pude deixar de sorrir ao ver John relaxando a cabeça no ombro de , enquanto ele fazia carinho na nuca do pequeno, que ia fechando os olhos lentamente.
Suspirei ao pensar que poderia ser tudo melhor com . Poderíamos seguir em frente, mas a sorte nunca foi minha amiga.
Senti deitar a cabeça no travesseiro que estava no meu colo e automaticamente comecei a fazer um cafuné nele.
- Você perdoaria um cara se ele tivesse feito uma escolha ruim, mas pensando em você? – ele me perguntou.
- Depende. – respondi confusa.
- Sim ou não?
- Se esse cara fosse você... Sim.
Ele levantou um pouco, chegando tão perto que sua respiração batia no meu rosto. Uma das suas mãos estava na minha nuca e a outra na minha cintura. Seus lábios quentes encontraram os meus e eu senti todo meu corpo relaxar. me deitou lentamente na cama e me prendeu entre suas pernas sem partir o beijo, que começava a se tornar feroz. O lugar parecia pequeno demais para mim agora. O calor e os arrepios na espinha toda vez que ele percorria suas mãos por alguma parte do meu corpo, eram frequentes.
Puxei a gola da sua camisa para perto de mim e ele levantou um pouco para tirá-la. Tudo acontecia rápido, tamanho era o desespero dos dois. Em pouco tempo eu já não sabia onde minhas roupas estavam e pouco me importava. fazia movimentos rápidos e fortes, me fazendo gritar e me levando à loucura.
Senti meu corpo estremecer e relaxar, sendo seguida por , que caiu ofegante ao meu lado. Ele levantou e foi ao banheiro, enquanto eu tentava arrumar meu cabelo e controlar a respiração descompassada. Logo ele voltou e eu me aninhei em seu peito nu.
- Como eu senti falta disso. – ele disse quando conseguiu controlar a respiração.
- Pervertido! – dei um riso, sendo seguida por ele.
- Você me cansa, garota. – ele disse sorrindo.
- Bom saber. – sorri - ... Como vai ser amanhã?
- Não vamos falar sobre isso depois do sexo, né? – ele disse revirando os olhos.
- Depois de tudo você ainda acha que eu não tenho receio de acordar e você não estar mais aqui? – falei me sentando do outro lado da cama.
- Qual foi, ? – ele disse irritado – Mesmo depois de hoje você não confia em mim?
- Não. Porque você está sendo o mesmo que eu deixei há meses atrás! Você não vê? – disse quase gritando.
- Como eu fui me apaixonar logo por você? – ele disse impaciente.
- Também não sei! Vai embora. E nunca, NUNCA MAIS SE ATREVA A CHEGAR PERTO DE MIM! – eu gritei vendo-o levantar da cama atrás das roupas.
Em poucos segundos ouvi o choro de John. Droga, ! Esqueci que ele estava dormindo e deve ter acordado com meus gritos. Levantei vestindo meu roupão e fui ao quarto dele.
- John? O que foi?
- Ouvi... – soluço – Dinda... – soluço – Gritar alto. – soluço.
- Foi um pesadelo, meu amor. Dorme de novo, vai.
Ainda fiquei quinze minutos cantando até John dormir e quando saí do quarto me deparei com saindo do meu quarto tentando não fazer barulho.
- Ele dormiu de novo? – ele perguntou e eu assenti.
- Feliz aniversário atrasado.
Vi meu ex-namorado descer as escadas e sair sem olhar pra trás. Vi também se tornar um ex-amigo, e dessa vez não era culpa dele.
11 - I don’t believe when you say you don’t need me anymore.
- John, fica parado! Deixa a dinda arrumar seu cabelo. – eu tentava pentear o cabelo do pequeno, que não parava.
- Para onde a gente vamos, dinda?
- Para a casa do tio Rian. E é "para onde nós vamos", querido. A gente vamos é errado.
- Então, é seu marido? Titio Rian? Daquele dia? – ele perguntou sorrindo.
- Não, John. – ri baixo. - Eu não tenho marido. O Rian é meu amigo e a namorada dele se chama Cass.
- Então por que ele é titio? – ele perguntou confuso.
- Não é titio... Foi só modo de falar, meu amor. Vamos, já estamos atrasados.
Peguei John no colo, com minha bolsa e uma mochila com as coisas dele e entrei no carro alugado.
As ruas estavam engarrafadas, já tinha esquecido como o trânsito em Maryland era terrível. John dançava uma música natalina que tocava na rádio. Em poucos dias, era Natal e eu ainda não sabia como iria ser. Meu irmão chegava no dia 24 e iria passar no meu apartamento para buscar John. Ele, John e sua esposa, Jennifer, iriam passar Natal com meus pais e o Ano Novo na casa dos pais da Jennifer. Sabia que ir para a casa no Natal estava fora de cogitação. Meu pai ainda não está falando comigo e isso deixaria o clima tenso na casa. Não conheço ninguém em L.A porque sou de Sacramento e quando fui para Maryland, meus pais ainda estavam em Sacramento. Parecia que meu Natal seria inovador... Forever alone.
Estacionei o carro em frente à casa de Rian. Nevava muito e o frio estava quase deixando minhas mãos azuis. Peguei John, que parecia um pacote com tantos casacos, e praticamente corri para a porta de Rian, tentando fugir do frio. Esperei um pouco e Cass logo abriu a porta:
- ! – ela disse sorrindo. – Esse deve ser o famoso John.
- Oi Cass. – entrei, dando um abraço de lado nela. – Sim. Diz oi para a Cass, John.
- Oi. – ele disse, fazendo uma cara sapeca.
- Que menino lindo! – ela disse, dando um beijo na bochecha de John. - , pode deixar suas coisas no armário. Os meninos estão lá fora, tá?
Assenti para Cass e a mesma pediu licença, indo buscar alguma coisa na cozinha. Deixei minha bolsa e as coisas de John no armário que ficava na entrada e fui para o quintal, que estava coberto por uma tenda grossa. Rian tinha levado o aquecedor para o quintal, então deixei meu casaco no armário.
- Cheiro bom de comida! – falei, atraindo olhares.
- ! – Rian me abraçou. – John!
- Feliz aniversário, Rian. – John falou, entregando o presente.
- Obrigado, John. – Rian disse, mostrando todos os seus dentes extremamente brancos, e guardou o presente. – Tem cerveja no balcão, .
Assenti e sentei em uma mesa onde estava , , Taylor e uma garotinha muito parecida com Rian.
Jack, Holly e May chegaram logo depois de mim. Jeremy, Hayley e uma menina baixinha, que eu deduzi ser irmã de Hayley, chegaram quase na mesma hora que Jack, Holly e May. chegou meia hora atrasado e com uma loira uns vinte centímetros mais baixa que ele e olhos claros. Nem depois de cinco anos, eu esqueceria. Gulia. Foi minha melhor amiga no ensino médio, até eu começar a namorar e nós brigarmos por causa dele. sempre teve uma queda por ela, eles ficaram juntos um tempo, mas logo terminaram, quando toda a escola ficou sabendo que Gulia tinha pegado Scott, um alemão intercambista, que era jogador de futebol na época.
Eu era a melhor amiga de e o ajudei a esquecê-la. Gulia sabia que eu era louca por ele e não ficou surpresa ao saber que meses depois do término dos dois, ele estava comigo. Mas isso a deixou enfurecida e, desde então, nós passamos a nos odiar.
Ela conversava com e Holly ao meu lado. Não chegou a olhar para mim e tinha um sotaque francês irritante. nem me olhou. Ele estava sorridente, conversando com todo mundo, exatamente como o meu agiria.
- Dinda, colo! – John reclamava, emburrado.
Coloquei-o sentado em meu colo e logo ele dormiu. Levantei e fui para dentro de casa com John no colo. Fazia um barulho enorme no quintal devido à música alta e resolvi entrar para não acordá-lo.
Não sei quanto tempo se passou naquele quarto, só sei que John dormia feito um anjo no meu colo, estava escuro e eu tinha perdido grande parte da festa do Rian.
Eu estava sentada na cama, com John dormindo tranquilamente no meu colo, quando alguém abriu a porta. Ou alguéns, no caso. e Gulia entraram na maior pegação, a blusa dele já estava presa na maçaneta da porta, suas mãos dentro da blusa da mulher e ela na ponta dos pés por ser baixinha.
- Arranjem outro quarto! Vão acordar John assim. – falei sorrindo, irônica.
- Desculpa. – ela disse, com os olhos levemente arregalados.
Apenas revirei os olhos com nojo. nem se deu ao trabalho de parar de beijar o pescoço dela. Continuou seu "serviço" fechando a porta com o pé e saindo em seguida.
Senti meu corpo despencar na cama. Um nó se formava em minha garganta, mas eu não iria chorar. Não por ele.
A porta se abriu novamente e antes que eu pudesse dizer alguma coisa, Jeremy enfiou-se no quarto com um sorriso estampado no rosto.
- Você sumiu! – ele disse, sorrindo envergonhado.
- John dormiu. Fiquei com preguiça de descer. – fiz uma careta.
- Perdeu Jack dançando Like a Virgin bêbado. Ele estava se sentindo a própria Madonna. – ele riu.
- Você filmou? – perguntei, rindo baixo para não acordar John.
- Não. Esqueci!
- Tudo bem. – disse sorrindo.
- Erm... . Eu queria... Bem... – ele corou ao falar. – Me desculpar, sabe? Por aquela noite... Foi por impulso.
- Tudo bem, Jeremy. Você é um cara legal. – disse sorrindo e dando um soquinho no braço dele.
- Então... Eu teria outra chance? – ele perguntou maroto.
estava com outra. Preciso aceitar o fato e Jeremy é um doce. Preciso seguir em frente, esquecer o passado e alimentar o futuro.
- Por que não? – respondi com outra pergunta, chegando perto dele.
Jeremy depositou uma de suas mãos na minha nuca e a outra sobre minha mão. Roçou seus lábios nos meus e eu o beijei. Sua língua enroscava-se na minha e seus dedos massageavam minha nuca. Eu enrolava as pequenas mechas da nuca dele com minhas unhas e passava a outra mão em seu peito.
Passamos algum tempo assim, até decidirmos descer e deixar John dormir em paz. Ele colocou as mãos nos bolsos do casaco e saiu do quarto.
- Jeremy! – o chamei. - Espera.
Corri ao seu encontro no topo da escada e entrelacei meus dedos aos seus, dando um selinho nele, que abriu um grande sorriso. Retribuí e me virei para descer e encontrar e nos encarando no pé da escada.
Capítulo betado por Isabela H.
12 - It’s driving me crazy.
(se quiser colocar pra carregar)
Passamos um bom tempo conversando e bebendo no quintal, até eu achar que estava na hora de ir pra casa com John. Despedi-me de todos e dei um selinho em Jeremy, arrancando olhares surpresos. Apenas dei de ombros e subi. John ainda dormia e fiquei com pena de acordá-lo. Abri a porta de vidro da varanda e um vento congelante invadiu o quarto, mas logo a fechei, encarando o horizonte pelo quarto de hóspedes de Rian. Ouvi o barulho da porta se fechando atrás de mim, mas preferi não ver quem era.
- Está congelante aqui.
- Quem se importa? - perguntei sem olhá-lo.
- Quando volta pra casa?
- Amanhã de manhã. - respondi simplesmente.
- Então você está oficialmente com o Jeremy? - perguntou depois de um tempo.
- Não me diga que está com ciúmes. - falei irônica.
- Quem se importa?
- É, estou. E ele é melhor do que você. - respondi ácida.
- Aposto que ele não te faz sorrir como eu faço. - ele riu baixo.
- Fazia.
- Aposto que ele não te faz sorrir como eu fazia. - falou impaciente.
- E não faz. Mas pelo menos ele não me faz chorar como você fez. - virei meu rosto para finalmente encará-lo.
- Bom para ele.
- Por que eu ainda tento te entender, hein?
Soltei um riso nasalado e saí da varanda, pegando John que ainda dormia. Amanhã voltaria para Los Angeles e em seis dias, John estaria com meu irmão.
Ainda passei meia hora com o pessoal perto da churrasqueira. John tinha finalmente acordado e Cass e Rian estavam na maior diversão com ele.
- Effy! Você precisa saber da novidade... - May falou quando eu já ia saindo.
- Conta tudo! - disse soltando um riso.
- Espera, e você aí, Jeremy. Cuida bem dessa garota, ou vai se arrepender. - ela falou lançando um olhar ameaçador para Jeremy, que estava ao meu lado, com o braço apoiado no meu ombro.
- Preciso comentar que fiquei com medo? - ele sussurrou no meu ouvido.
- Jeremy! - ri alto, fazendo May rir também.
- Brincadeira, Jeremy. Mas acho bom você cuidar dela mesmo.
- May! Nós não estamos namorando ou coisa do tipo, por favor. - falei rindo baixo.
- É, May. Estamos nos conhecendo. - ele sorriu.
- Tá, tá, tanto faz. - ela fez uma cara de tédio. - Posso contar a novidade agora?
- Pode sim. - eu disse.
- O CD novo do All Time Low está pronto! E eu ouvi! FUI A PRIMEIRA A OUVIR! - ela quase gritou a última parte. - Minha vingança, Glasgow! Por você ter ouvindo o primeiro CD deles antes de mim! Mancada do Jack, eu sou a irmã dele, o conheço desde que nasci, ele deveria ter me deixado ouvir primeiro.
- Talvez se você não viajasse tanto. - falei rindo da empolgação dela - E naquela época, eu ia pro estúdio todos os dias, se você não lembra, eu namorava o . Por isso fui a primeira a ouvir, boba.
- Enfim, eu ouvi primeiro. - ela começou a rir.
- Ah, que inveja! Também quero ouvir. - fiz muxoxo.
- Pede ao Jack. Mas fui a primeira mesmo, isso que importa.
- E eu fui a primeira a ouvir o primeiro álbum. Você nunca ganhará de mim, May Barakat. - falei com um sorriso vitorioso.
- Você sabe acabar com a felicidade de alguém. - ela revirou os olhos - Tchau Effy, tchau Jeremy, estou com fome.
- Jack! - gritei
- Que foi? - ele respondeu já do meu lado.
- Quer dizer que você mostrou o novo CD pra May e não me mostrou? - falei fazendo um biquinho.
- Você não tem noção de como minha irmã é insuportável! Ela disse que se eu não mostrasse, eu não poderia ir almoçar na casa dela nunca mais. Você queria que eu morresse de fome quando a Holly viajasse, Effy? Grande amiga você. - ele disse em um tom indignado.
- Eu quero ouvir esse CD! Pelo menos uma música, vai, Jack! Eu sei que você deve ter alguma cópia por aqui! Nem que seja no iPod. JACK!
- Que garota chata. Calma. - ele começou a gritar - , VAMOS TOCAR UMA MÚSICA DO ÁLBUM NOVO PRA GALERA?
- VAMOS! VOU PEGAR O VIOLÃO DO RIAN! - gritou de volta, subindo as escadas.
Logo voltou com um violão na mão e um sorriso lindo no rosto. Sentou em um banquinho perto da porta e Jack sentou-se ao seu lado. Zack estava comendo algum salgadinho, Rian e Cass se sentaram na ponta do arco que fizemos de cadeiras, com John no colo de Cass. Ao lado dela estava Gulia, depois May, eu, Jeremy, Holly, Ashley e Hayley. A irmã da Hayley estava sentada no chão junto com Taylor, Matt, Kendra, Evan, Vinny Vegas, Jeff, duas garotinhas e um menininho que eram primos de Rian. Abri um sorriso ao ver todos os meus amigos reunidos. Percebi que havia sentado em frente a , tentei procurar outra cadeira vazia, mas todas estavam ocupadas, então o jeito era ficar ali mesmo.
- Essa música é do álbum novo que ninguém ouviu ain...
- EU OUVI! - May gritou ao meu lado.
- Como eu ia dizendo... - continuou - Essa é a música do álbum novo que apenas a May ouviu. Chama-se Six Feet Under The Stars.
(pode apertar o play!)
Time to lay claim to the evidence
(Hora de recorrer a evidência)
Fingerprints sold me out
(Impressões digitais me entregam)
But our footprints washed away
(Mas nossas pegadas se apagaram)
From the docks downtown
(Das docas do centro)
It's been getting late for days
(Tem ficado tarde há dias)
And I feel myself deserving of a little time off
(E eu sinto que mereço uma folga)
We can kick it, hang for hours
(Nós podemos deixar pra lá, passear por horas)
And just mouth off about the world
(E apenas falar sobre o mundo)
And how we know it's going straight to hell
(E como nós sabemos que ele está indo direto pro inferno)
Eu sentia tanta falta daquela voz aveludada, e a feição angelical de quando ele canta. Fazia tanto tempo que não o via cantar, que eu já não ligava em ir a um show da banda, eu já estava tão acostumada com o sarcasmo e a falta de educação dele, que tinha esquecido como ele se transformava quando estava cantando. Como ele voltava a ser o meu .
Pass me another bottle, honey
(Passe-me outra garrafa, querida)
The Jaeger's so sweet
(A Jaeger é tão doce)
But if it keeps you around, then I'm down
(Mas se isso te mantém aqui, então eu estou dentro!)
cantava encarando o nada, sua voz estava ali, firme e forte, mas seus olhos estavam vazios e era fato que sua mente viajava em algum lugar muito distante. Então ele levantou o rosto e com um sorriso meigo no rosto, ele encarou Gulia para cantar o refrão.
Meet me on Thames Street
(Me encontre na rua Thames)
I'll take you out
(Vou te levar para sair)
Though I'm hardly worth your time
(Embora eu dificilmente valha a pena)
In the cold, you look so fierce
(No frio você é parece tão feroz)
But I'm warming up
(Mas eu estou aquecendo)
Because the tension's like a fire
(Porque a tensão é como fogo)
We'll hit South Broadway in a matter of minutes
(Nós chegaremos ao sul da Broadway em alguns minutos)
se levantou e caminhou lentamente até Gulia, que olhava para ele um pouco envergonhada. Ele deu um sorriso confiante para a loira e a puxou da cadeira delicadamente. Eu sentia meu estômago ser socado várias vezes, sem parar. Abaixei meu olhar e Jeremy percebeu, me olhando e apertando de leve a minha mão com um sorriso no rosto. Tentei sorrir de volta, mas não consegui.
And like a bad movie, I'll drop a line
(E como um filme ruim, eu vou soltar uma fala:)
Fall in the grave I've been digging myself
(Caia em uma sepultura, eu tenho me enterrado)
But there's room for two
(Mas há lugar para dois)
Six feet under the stars
(Seis pés abaixo das estrelas)
Flashback on.
3 anos atrás.
Minhas coisas já estavam prontas, tudo planejado para Maryland. Meus pais não estavam nada contentes por eu deixar tudo pra trás, na Califórnia aos 18 anos, mas eu tinha um sentimento bom de que tudo daria certo com em Maryland. Meu celular começou a tocar e atendi rapidamente ao ver o nome de brilhar na tela.
- A que devo a honra da ligação? - falei rindo.
- Olha pro céu. - ele disse num tom brincalhão.
- O que? Pra quê, ?
- Olha.
Abri a janela e encarei o céu estrelado da minha última noite na Califórnia.
- Pronto.
- Está vendo as estrelas? - ele perguntou.
- Estou.
- Estamos seis pés abaixo delas.
- O que? Você está bem, garoto? - perguntei rindo.
- Eu te amo, Effy.
- Eu também, .
Flashback off.
Senti meu sangue borbulhar ao ouvir a última frase da música e me levantei dizendo que ia ao toalete.
Entrei no banheiro do andar de cima e tranquei a porta, escorregando pela mesma até sentar no chão frio. Meu coração palpitava em agonia de saber que ele tinha escrito uma música pra ela com o que ele me disse, anos atrás. Eu odiava o fato de ser tão fraca em relação a ele, odiava chorar por ele, por favor, eu tenho 21 anos e não 10! Odiava ser sentimental. Odiava acima de todas as estrelas, amá-lo.
Senti alguém bater na porta do banheiro e levei um leve susto, levantando-me apressadamente e abrindo a porta.
- O que aconteceu exatamente? - May me encarava preocupada.
- O que acha? O de sempre. - falei baixo.
- Sabe de uma coisa, Effy? Limpa esse rosto vermelho e desce com um sorriso no rosto, já que tem um homem maravilhoso, chamado Jeremy, lá em baixo te esperando.
- Tudo bem. Jeremy. Foco. - suspirei cansada e tentei dar um jeito no cabelo e rosto.
- Isso. Agora vamos. - May disse sorrindo.
Ajeitei a blusa e saí com May ao meu lado. Ao chegar no quintal, a música já tinha acabado. John agora estava com Cass, a irmã da Hayley e os 3 primos do Rian. Zack, Vinny e Jack conversavam em uma mesa perto da churrasqueira. Em outra mesa estavam Holly, Jeff, Evan, Matt, Hayley, Taylor, Jeremy, Kendra e Ashley. Rian assava as carnes na churrasqueira e estava sentado em um cantinho ao lado da piscina, com Gulia em seu colo.
- Effy... O Jeremy. - May me cutucou.
Jeremy me olhava um pouco preocupado e eu dei um sorriso de lado tentando demonstrar que estava tudo bem. Suas feições relaxaram um pouco e ele retribuiu o sorriso.
- Você tá bem? - ele perguntou se aproximando.
- Tô. - sorri.
- Quer comer? - ele passou um dos braços por minha cintura.
- Não. Vamos ver se John quer algo.
Caminhei lentamente até o outro lado do quintal, com Jeremy me dando um abraço de lado. Ele cheirava a perfume masculino misturado com canela. John estava brincando animadamente com Cass e algumas crianças.
- Crianças, estão com fome? - perguntei.
- Eu tô. - Cass respondeu.
- Tô não. - as gêmeas responderam ao mesmo tempo.
- Não, dinda. - John falou.
- Eu disse "crianças", Cass. - falei gargalhando.
- Sua dinda é chata, John! - ela levantou me dando língua e saiu para comer.
- Tem certeza que não quer nada, John? - perguntei me abaixando a sua altura.
- Tenho.
- Então tá. - Dei um beijo na bochecha dele e voltei pra mesa com Jeremy. Cass estava ali agora, comendo.
- Jeremy, acho que já vou embora. Ainda preciso arrumar a mala.
- Eu vou com você. Estamos no mesmo hotel.
- Tudo bem, espera um pouco que eu vou pegar minhas coisas.
Peguei tudo que tinha deixado no armário da entrada e voltei para me despedir de todos. Ouvi uma das típicas piadas sem graça de bêbado do Jack, pedi a Jeremy para pegar John, que corria sem parar com um dos primos de Rian e fiquei sentada no meio-fio da calçada esperando.
- Oi Effy. - uma voz feminina falou.
- Gulia? - perguntei arqueando a sobrancelha.
- Podemos conversar? É rápido, prometo. - ela sentou ao meu lado.
- Tudo bem.
- Eu queria saber se está tudo bem entre a gente. Sabe, depois de todos esses anos, não há nada que atrapalhe nossa convivência em harmonia, certo?
- Por mim tudo bem. - dei de ombros.
- Eu queria te pedir desculpas também, por ter sido tão infantil naquela época. - ela corou um pouco.
- Sem problemas, Gulia. - Sorri verdadeiramente.
- Bom, vou voltar porque está congelando aqui fora. - ela fez uma careta - Foi bom te rever, Effy. Até mais.
- Tchau, Gulia.
A figura de Gulia tinha mudado completamente. Lembro que ela tinha cabelos loiros platinados com mechas rosas e verdes, vivia com uma maquiagem preta pesada e não desgrudava do seu grupinho de animadoras de torcida. Era também a líder delas, a "abelha rainha" do colégio. Andava esnobando e rebaixando todos. Hoje ela tinha cabelos loiros escuros, sua maquiagem era mínima e parecia calma e simpática.
- A Cass quase me bateu porque eu disse que já estava indo embora e o John vinha junto! Acho que ela gostou dele. - a voz de Jeremy me tirou de meus pensamentos.
- Bem, essa é a Cass. - soltei um risinho - Vamos? Estou congelando aqui.
Entrei no carro e sentei no banco do passageiro. Jeremy colocou John na cadeirinha no banco de trás e eu entreguei as chaves a ele.
O trânsito estava parado. Nevava muito e os carros não saíam do lugar. All You Need Is Love tocava na rádio e eu cantarolava baixinho.
- O que vai fazer no Natal? - Jeremy me perguntou.
- Tomar sorvete e assistir o especial de Natal do The Big Bang Theory, provavelmente. - ri da minha própria tragédia - E você?
- Ao que parece, eu vou tomar sorvete e assistir a alguma série que eu não conheço. - ele sorriu - Ou, vou para Nashville com uma pessoa muito especial.
- Epa! Já pode ir dizendo quem é essa outra aí, hein. - falei segurando o riso.
- Engraçadinha. Então, quer ir comigo pra Nashville, ou vamos nos entupir de sorvete no inverno e assistir The Bong Big Theory?
- É The Big Bang Theory, Jeremy! - falei rindo - Mas acho que vou aceitar Nashville.
- Viajamos dia 23. - ele sorriu.
- Não. O James só vai buscar o John dia 24 de manhã.
- Então podemos ir logo depois do almoço e chegar antes da ceia.
- Tudo bem.
Passamos algum tempo conversando e finalmente chegamos no hotel. Hayley ligou dizendo que a neve não parava de cair na casa do Rian e todos iriam dormir lá por causa da tempestade.
Liguei a TV em um canal de desenho e John correu para o sofá segurando seu copo de suco e um pacote de biscoito. Fazia frio e eu me joguei na cama por cima do Jeremy, me encolhendo em seu peito. Ele puxou o edredom para nos cobrir e me abraçou. Logo ele começou a cantar The Only Exception baixinho e eu adormeci.
- Hey, Effy. Acorda, linda. Já são 6:30, precisamos estar no aeroporto às 7. Hayley ligou dizendo que já está lá.
- Mmm...Tô indo. - abri meus olhos lentamente e encontrei com Jeremy sentado ao meu lado na cama.
- Vamos Effy. Ou perderemos o voo. A tempestade passou e já não cai mais neve. John e eu já estamos prontos. - ele falou.
- Você arrumou o John? - perguntei me arrastando para o banheiro e ele assentiu - Daria um bom pai.
Entrei no banheiro ouvindo uma gargalhada de Jeremy. Estava frio, mas eu precisava de um banho bem quente.
Despi-me e liguei o chuveiro, sentindo a água quente bater na minha pele e relaxar meus músculos. Não demorei muito, estava atrasada. Saí do banheiro enrolada na toalha e encontrei Jeremy e John sentados no chão do quarto, brincando.
- Ei, quero trocar de roupa! - reclamei.
- É, vai lá pra fora, John. - Jeremy falou e ele obedeceu.
- Primeiro: desde quando o John te obedece? Segundo: o que você acha que está fazendo? - arqueei a sobrancelha - E terceiro: cai fora!
- Qual foi,Effy. Não sou nenhum virgem ou criança. - ele disse rindo.
- Jeremy. - falei séria - Tchau.
Ele bufou alto e saiu do quarto. Vesti uma calça jeans azul escura e uma bata branca com detalhes azul claro e calcei sapatilhas brancas. Deixei meu cabelo solto e passei uma camada fina de lápis de olho preto. Peguei minha mala e fui pra sala, avisando que já poderíamos ir.
13 - MarryXmas.
- Jeremy! Atende a porta, por favor? Estou me arrumando. - gritei do quarto e ouvi Jeremy gritar de volta um sim.
Encarei minha imagem no espelho e estava aceitável. John tinha ficado insuportável na última semana. Chorava todos os dias atrás do pai, perguntava a cada dois segundos pela Cass e para piorar ele falava do várias vezes por dia, o chamando de titio, o que fazia Jeremy ficar pouco contente. Passei dois dias sem dormir com essa criança chorando. Maldita hora em que fui fazer um favor ao meu irmão. Jeremy dormiu o resto da semana aqui e estava me ajudando com John. Na verdade, se não fosse por ele, eu não sei se conseguiria passar mais uma semana até o Jesen e a Jennifer voltarem da lua-de-mel.
- Effy, vamos. - Jeremy apareceu na porta do meu quarto.
- Era o Jesen?
- Sim. Ele está lá na sala com a Jennifer e o John. - ele disse sorrindo - Você está linda.
- Com certeza. Estou maravilhosa com essa cara de sono, olheiras, cansaço e mau humor. - fiz uma cara de tédio.
- Continua linda. - ele disse me abraçando de lado e dando-me um beijo na bochecha.
- Obrigada. - falei sorrindo e dei um selinho nele.
Porém, Jeremy me puxou contra ele e me deu outro selinho. E outro. Outro. Outro. Até finalmente parar com a tortura e me beijar. Mas tudo que é bom acaba logo, e fomos interrompidos por Jesen pigarreando na porta do quarto.
- O que é, Jesen? - falei irritada pela interrupção.
- Bom dia maninha, vou bem também, obrigado. - ele falou irônico.
- Bom dia, Jesen. Como vai você? Como foi sua lua-de-mel? Tudo ótimo? - revirei os olhos - Satisfeito?
- Muito. - ele disse com um sorriso forçado no rosto.
- Vocês são sempre assim... Tão... Amáveis? - Jeremy perguntou arqueando as sobrancelhas.
- Você se acostuma. - disse rindo. - Então, vamos?
- Vamos. - ele respondeu sorrindo.
Conversei com Jennifer rapidamente, enquanto Jeremy e Jesen colocavam as malas no carro. Ela estava bronzeada, seus longos cabelos pretos agora estavam na altura do ombro, e John tinha os olhos azuis iguais aos dela.
- Tudo no carro. Precisamos ir para o aeroporto, Effy. - Jeremy veio me chamar.
- Aeroporto? Não vai passar o Natal conosco, Effy? - Jesen perguntou confuso.
- Não. - respirei fundo - Achei melhor ir com o Jeremy pra Nashville, ele me convidou e eu aceitei.
- Mas por quê? Papai e mamãe ficarão chateados.
- Mais do que estão, Jesen? Não pode ser possível. Papai não quer me ver nem pintada de ouro.
- Ele é nosso pai, Effy. Pode estar chateado, mas ele vai esquecer. Se você não for pra casa ele vai ter mais um motivo para ficar mais chateado ainda. - Jesen disse.
- Eu não posso ir. Já marquei com Jeremy e não vou furar.
- Prefere mesmo um namorado à família, não é? Percebe que você estava fazendo a mesma burrada de novo? - ele suspirou cansado - Vai. Mas não volte.
- Jesen! Por favor! EU NÃO VOU MORAR COM O JEREMY! Vou passar Natal, qual o problema? São quatro dias, para de drama. - falei irritada.
- Tudo bem, só não chore pelo leite derramado depois. - ele disse pegando John- vamos Jennifer.
Jennifer deu um sorriso e saiu com Jesen e John. Jeremy me olhava estranho da porta da casa.
- O que? - perguntei.
- Nada. Não acha que seu irmão está certo?
- Ah, por favor, Jeremy! Vamos logo. - disse pegando minha bolsa e saindo.
Passamos todo o caminho até o aeroporto sem trocar uma palavra. Jeremy parecia incrivelmente concentrado no trânsito e eu na voz do Adam Levine que saía dos fones do iPod.
Esperávamos nosso voo na sala de espera, estava atrasado trinta minuto devido à neve que caia lentamente lá fora. Peguei meu celular para checar o twitter. Algumas replies do Chris, Jordan e Garrett com fotos nossas na Warped Tour, me fizeram rir. Taylor estava online e disse que iria responder alguns fãs.
“@: @itstayloryall estou chegando!"
Em poucos segundos ele me respondeu.
“@itstayloryall: @ estamos te esperando! Vamos ficar juntos de novo?"
Perguntei a Jeremy se iriamos passar o Natal com Taylor e ele me disse que a família dele iria fazer a ceia em um clube, onde as famílias de Taylor e de Hayley também estariam.
“@: @itstayloryall parece que sim. :) “
“@: neve, pare um pouco! Preciso pegar meu voo :( “
“@JackAllTimeLow: @ criança não pode viajar sozinha, Effy. Para onde vai? “
“@: @JackAllTimeLow que amigo engraçado eu tenho. Nashville! “
Surpreendi-me em ver a nova reply:
“@: @JackAllTimelow @ com essa comissão de frente, eles não vão perceber que ela é uma criança. “
Aquilo tinha me irritado profundamente. Sentia uma vontade incontrolável de estapear Alexander como nunca tinha sentido antes.
“@: @JackAllTimeLow @ depois eu que sou criança, né? “
“@JackAllTimeLow: @ pegou pesado, dude.“
Senti Jeremy tirar um dos fones do meu ouvido e dizer que poderíamos finalmente voar para Nashville.
Dormi até chegar ao aeroporto de Nashville, depois de uma semana sem dormir com John chorando no quarto ao lado, as poucas horas dentro do avião pareciam o céu para mim.
Fomos a um hotel porque segundo Jeremy, seria um saco ficar na casa dele com todos seus familiares lá. Tentei argumentar, mas de nada adiantou.
Depois de deixarmos tudo no hotel, Jeremy me levou a um parque bem interessante. Principalmente porque tinha uma reconstrução do Parthenon e ele sabia que eu adorava história grega. Passamos o resto da tarde no parque, apesar de estar frio foi bem agradável.
Ao voltarmos para o hotel, eu liguei para Taylor e o avisei que tínhamos chegado. O relógio marcava 8 da noite e Jeremy estava deitado no lado esquerdo da cama, pronto para sair, enquanto eu ainda estava de toalha, sem saber qual vestido usaria.
- Jeremy! Me ajuda, vai. O vestido vermelho ou o azul? - perguntei erguendo os dois vestidos para ele.
O vestido vermelho era estilo tubinho, colado no corpo, alça de um lado só e com finas listras vermelhas também. O azul era clarinho, de seda, estilo 1940, justo na cintura e rodado.
- O vermelho. - ele respondeu sem olhar.
- Mas você nem viu os vestidos! - resmunguei.
- Não preciso ver para saber que vermelho vai te deixar muito melhor do que o azul. - ele disse levantando.
- Por quê?
- É vermelho, Effy. Vermelho.
- Então tá, né. - falei entrando no banheiro com o vestido vermelho em mãos.
Coloquei o vestido, calcei meus sapatos pretos com os saltos vermelhos e passei uma maquiagem preta que realçasse meus olhos, mas nada exagerado. Olhei-me no espelho mais uma vez e saí do banheiro, encarando Jeremy.
- WOW! - ele arqueou as sobrancelhas.
- Como estou? - disse dando uma voltinha e sorrindo em seguida.
- Podemos desistir da ceia e ficarmos por aqui mesmo? - ele disse sorrindo maliciosamente.
- De jeito nenhum! É Natal, vamos. - puxei-o pela mão e peguei minha bolsa preta.
A cidade passava como um borrão enquanto estávamos no carro. Decorações verdes e vermelhas enfeitavam as ruas de Nashville e as luzes natalinas brilhavam fortemente por todo percurso. Não demorou muito para chegarmos a um clube bem iluminado com alguns presentes decorativos e um enorme trenó com um Papai Noel e uma Mamãe Noel, sendo puxados por renas de madeira. Uma mulher de olhos claros e vestido verde formal estava sorrindo na porta do local, com uma criança de aparentemente seis ou sete anos, ao seu lado.
- Jeremy, querido! - a mulher falou abraçando Jeremy - Você dever ser , estou certa?
- Sou eu. - sorri olhando para Jeremy, confusa.
- Sou a mãe da Hayley. - a mulher sorriu.
- E eu sou a irmã dela. - a menina falou um pouco entediada.
- Ah, claro. - sorri para as duas - Prazer em conhecê-las, podem me chamar de Effy.
- Vamos entrar, está congelando aqui fora. - Jeremy falou.
- Entrem, entrem! Hayley e Taylor estão lá dentro. - a mulher falou.
Entramos em um pequeno corredor e no final um grande salão aparecia. Uma longa mesa com um belo banquete estava ao lado esquerdo do lugar. No fim do salão havia uma pista de dança e algumas mesas eram espalhadas pelo resto do local. Balões verdes e vermelhos estavam grudados no teto e havia várias esculturas de Papai Noel, duendes, bonecos de neve e uma árvore de Natal gigantesca com um amontoado de presentes com papéis de presentes coloridos em volta. Colocamos nossos presentes em volta da árvore e fomos em direção a Hayley que conversava com um grupo de adolescentes.
- Feliz Natal! - falei ao chegar perto deles.
- Effy! Jeremy! Feliz Natal. - Hayley sorriu e nos abraçou.
- Feliz Natal, Hayley. - Jeremy disse.
- Vamos tirar uma foto? Vou chamar o Taylor. - eu disse indo até Taylor.
- Taylor! Feliz Natal!
- Oi Effy. Feliz Natal. - ele sorriu.
- Vamos tirar uma foto!
- Claro. - ele respondeu.
Dei meu celular a uma mulher que passava e pedi para ela tirar a foto. Eu, Hayley, Jeremy, Taylor sorrimos quando a mulher falou "diga x" e tirou a foto. Agradeci e fui tirar uma foto da enorme árvore de Natal. Após tirar, abri o Twitter para desejar Feliz Natal aos meus followers e publicar as fotos.
"@: Estou em Nashville com Jeremy, Hayley e Taylor"
Twittei junto com a foto que a mulher tinha tirado para mim.
"@: Feliz Natal!"
E então publiquei a foto da árvore. Li algumas replies de pessoas falando que viram o com a Gulia, que tínhamos terminado outros desejando feliz Natal. E Jack dizendo que tinha comprado um presente de Natal pra mim, mas que ele não ia me dar porque eu vim pra Nashville e não pra Maryland. Ri baixo e li o último tweet da página.
"@: @ Feliz Natal. Te mandei um sms."
Encarei o tweet por alguns segundos e até cliquei no twitter para ver se era o mesmo ou algum fake. Era ele. Cogitei a ideia dele ter sido hackeado, mas abri minha caixa de mensagens e ele tinha mesmo me mandado um sms.
De:
Feliz natal. Fique com o celular quando der meia-noite. .
Minha primeira reação foi rir. Só podia ser brincadeira. Com certeza ele só estava brincando comigo. Depois de tudo, ele finge que nada aconteceu?
Fechei a mensagem e coloquei o celular dentro da bolsa, voltando para mesa onde Taylor, Hayley e Jeremy conversavam. Uma senhora de idade estava sentada ao lado direito de Jeremy agora. Sentei-me na cadeira ao lado esquerdo dele e ele passou o braço pelos meus ombros, beijando minha bochecha.
- Não vai me dizer quem é essa bela moça, meu filho? - a senhora falou e Taylor e Hayley riram baixinho.
- Ah sim, vovó... - Jeremy começou um pouco envergonhado e eu arqueei a sobrancelha esquerda.
- Então, diga-me... - a senhora disse.
- É minha namorada, Effy. - ele disse me olhando e eu arregalei um pouco os olhos.
- Prazer em te conhecer, Effy. Cuide bem desse menino, viu? É um rapaz de ouro esse meu neto. - ela disse levantando.
- Mmm.. Claro. Não poderia ter um namorado melhor. - sorri de leve.
- Jeremy, meu filho, vou sentar com seu avô, não quero que ele durma antes da ceia. - ela falou e Jeremy assentiu, dando um beijo em sua bochecha.
- O que foi isso? - sussurrei em seu ouvido assim que ela se afastou.
- Desculpa. Ela reclamaria até o Ano Novo se eu dissesse que não temos nada sério. - ele sussurrou de volta.
- Ah, tudo bem. - sorri de lado.
- Jovens, vamos! Hora do Amigo Oculto. - uma mulher que parecia muito com Taylor, disse.
- Estamos indo, mãe. - Taylor respondeu.
- Quem você tirou,Effy? - Hayley me perguntou enquanto íamos para perto da árvore.
- Se eu te contasse não se chamaria Amigo Oculto, né?! - respondi óbvia.
Ela apenas deu de ombros. O Amigo Oculto começou pela mãe do Taylor, que tirou a avó do Jeremy, que tirou a irmã mais nova da Hayley, que tirou o avô do Jeremy, que tirou o Jeremy.
- Acho que não poderia tirar uma pessoa melhor. - Jeremy começou.
- Oh meu filho, sabia que tinha me tirado! - a mãe dele falou.
- Desculpa, mamãe, mas não foi a senhora. - ele falou e todos riram. - Como eu ia dizendo.. Essa pessoa é muito especial porque...
- Ah, ele tirou a Effy. - Taylor disse.
- Obrigado por contar, Taylor. - ele revirou os olhos.
Sorri e ele me entregou o presente. Era uma pulseira com uma tira dourada no meio. Simples e fofa. Agradeci abraçando-o e ele roubou um beijo. Ouvi alguns assovios e corei ao sentar.
- Olhe o outro lado da pulseira. - Jeremy sussurrou e voltou a se sentar ao lado da mãe.
Virei a pulseira e o encarei confusa, que sorria pra mim do outro lado do círculo de gente. Havia uma frase gravada na parte de dentro da pulseira.
"You are the only exception"
Sorri involuntariamente e vi que havia um pedaço de papel na caixinha da pulseira.
"Keep on rocking"
- Vai Effy! Sua vez de entregar o presente. - Hayley falou.
Levantei abobada e comecei a falar:
- Eu tirei uma pessoa que conheci na Warped Tour e...
- EU! - Hayley e Taylor falaram ao mesmo tempo e eu ri.
- Taylor. Feliz Natal!- disse entregando o presente a ele.
- Obrigado, Effy. E feliz Natal. - ele agradeceu abrindo o presente, que era um chapéu.
Taylor colocou o chapéu na cabeça e continuou o Amigo Oculto. Estava atordoada com a atitude de Jeremy, estávamos ficando há uma semana, o que é pouco tempo, mas ele tem se mostrado um cara super carinhoso. Pensamentos soltos percorriam a minha cabeça, quando Jeremy apareceu na minha frente, percebi que todos já tinham trocado os presentes.
- Feliz Natal, Effy. - ele sorriu.
- Feliz Natal, Jeremy. - eu sorri de volta.
- Vou comer, quer algo?
- Agora não.
Jeremy me deu um selinho e saiu em direção à mesa com comida. Em poucos segundos meu celular tocou e o nome do apareceu na tela, fazendo meu coração pular. Saí do lugar apressadamente e atendi o celular.
- Alô?
- Feliz Natal, Effy. - a voz rouca de respondeu.
14 - You'll be my prisioner tonight.
- Feliz Natal, .
- Como está aí em Nashville? - ele perguntou.
- Tudo bem. E em Maryland?
- Tudo péssimo. - ele riu baixo.
- Por quê? - perguntei confusa.
- Passando Natal sozinho. Gulia está na Califórnia com os pais e os meus em um cruzeiro pra Grécia.
- E o Jack? Rian, Zack?
- Cada um tem sua vida. - ele falou meio triste.
- Pois é. - não sabia o que falar.
- Jack perguntou hoje se você vem pra Maryland no Ano Novo. - ele disse depois de um tempo.
- Não sei. As coisas mudaram . - suspirei cansada.
- Eu sei. Tente vir, vamos fazer uma festa.
- Posso levar o Jeremy? - perguntei receosa.
- Por mim tudo bem. - ele respondeu baixo - Podemos ser amigos?
- Acho que não.
- Já esperava essa resposta. - ele suspirou - Por favor?
- ...
- Por favor, Effy. Preciso tirar esse peso da consciência.
- Tudo bem. - respirei fundo.
- Então... Tchau. E feliz Natal.
- Espera! ?
- Sim? - ele respondeu.
- Por que você cantou aquela música no aniversário do Rian para Gulia? - não consegui me controlar e perguntei.
- Para te manter longe de mim.
- Por quê? - quase minha voz falhou.
- Porque... Eu não sei. - ele suspirou cansado - Preciso ir.
Então ele desligou. Sem me dar tempo para responder, ele desligou.
O frio congelava meus ossos, então, resolvi voltar para o salão. Todos estavam tão felizes, conversavam animadamente e comemoravam o Natal. Sorri involuntariamente por ter a sorte de conhecer pessoas tão boas como aquelas, por trabalhar com a banda, por estar com o Jeremy, mas ainda assim algo essencial faltava. Algo com nome e sobrenome, .
Sentei em uma cadeira um pouco distante, observando Jeremy, Hayley e Taylor conversarem de longe. Hayley e Jeremy riam de algo que Taylor disse e mesmo distante eu percebi que o mesmo fazia uma cara confusa. Todos pareciam felizes ali, e por mais que eu tentasse, a ligação do tinha feito memórias até então mortas para mim, renascerem.
Flashes rápidos passavam pela minha mente, por mais que eu tentasse evitar. Tinha decidido nunca mais lembrar esses momentos, mas era como álcool e nossas lembranças como fogo. Mesmo que haja uma pequena chama, quando se joga álcool, ela crescerá. Ele alimentava todas as minhas memórias deixadas em Maryland.
Lembrei-me do nosso primeiro beijo, de quando ele me pediu em namoro, minha mudança para Maryland, das músicas para mim, do primeiro CD deles, das festas, do seu sumiço repentino, do comportamento estranho, das grosserias, das brigas, das mentiras e traições.
Respirei fundo na tentativa inútil de afastar tudo que envolvesse da minha mente. Levantei decidida a esquecê-lo e aproveitar o tempo com Jeremy. é passado, eu o deixei em Maryland e em Maryland ele ficará. Agora eu estou em Nashville, com o Jeremy, um cara educado, inteligente e bonito. Apenas um defeito Jeremy tinha. Ele não é o .
- De que falam, posso saber? - perguntei sentando ao lado de Jeremy.
- Músicas novas. - Taylor deu de ombros.
- Já são duas da manhã, sua irmã está dormindo, Hayley. - Jeremy riu apontando para uma menina que dormia na cadeira.
- Seu avô também. - Hayley apontou para outra mesa, onde o avô do Jeremy dormia.
- Isso é um sinal de que deveríamos ir pra casa. - Taylor falou se levantando - Tchau pessoal, tô indo, foi mais um ótimo Natal, bem-vinda a Nashville, Effy, e eu amei o chapéu.
- Obrigada, Taylor. - sorri - Ainda bem que acertei no presente.
- Também vou indo, esses saltos estão me matando, preciso de meus tênis logo. - Hayley reclamou.
- Então vamos todos. - Jeremy se pronunciou.
Despedimo-nos de todos os parentes que ainda estavam no local e cada um foi para seu carro.
- Jeremy, por que estamos em um hotel mesmo? - perguntei colocando o cinto de segurança.
- Ah... Meu apartamento está uma bagunça, só isso. - ele respondeu meio envergonhado.
- Claro. - ri baixo enquanto ele dava a partida.
Em pouco tempo já estávamos abrindo a porta do quarto as escuras, enquanto eu puxava fortemente os cabelos da nuca dele e ele distribuía beijos pelo meu pescoço.
Assim que entramos e Jeremy fechou a porta com o pé, eu entrelacei minhas pernas em torno de seu corpo e ele me deitou calmamente na cama. Eu arranhava suas costas nuas sem piedade, mas ele não parecia se importar com isso.
- Tem certeza que quer continuar? - ele perguntou - Depois não vou conseguir parar.
- Absoluta certeza. - sussurrei.
Então eu segui o plano de aproveitar meu tempo com Jeremy ao máximo.
Abri os olhos lentamente ao ouvir meu celular vibrar no chão.
- Alô? - resmunguei.
- Abre a porta! São onze da manhã! - Hayley falou normalmente e desligou na minha cara.
Levantei vestindo um short e um blusão do Jeremy que tinha achado no caminho pra sala e prendi meu cabelo num coque todo desorganizado. Abri a porta e me atirei no sofá, exausta.
- Que bagunça é es... - Taylor começou e me encarou malicioso - Credo, vocês procriaram ontem.
- Cala boca, Taylor. - falei me levantando e indo ao banheiro.
- Onde está o Jeremy? - Hayley gritou da sala.
- Dormindo! - Gritei de volta, me despindo e entrando no box.
Tomei um banho rápido e saí do banheiro enrolada em uma toalha branca. Jeremy estava sentado na ponta da cama com a cara amassada, o cabelo bagunçado, apenas de boxers.
- Não poderia ter acordado com uma visão melhor essa manhã. - falei dando-lhe um selinho.
- O que esses dois estão fazendo aqui tão cedo? - ele reclamou.
- Não sei. Por que não vai lá perguntar enquanto eu me arrumo?
- Eu não. Vou é tomar um banho. - ele disse entrando no banheiro.
Vesti um vestido solto e coloquei um blusão grosso do Jeremy por cima. Prendi o cabelo num rabo-de-cavalo e fui pra sala.
- Desculpa Effy! Que momento vergonhoso. Não sabia que vocês estavam dormindo. - Hayley desculpou-se.
- Relaxa. Tava na hora de acordar mesmo. - sorri - Então, o que faremos hoje?
- Vamos ficar aqui. Está congelando lá fora. - Taylor fez uma careta.
- Gostam de Friends? - perguntei ao ver Jeremy entrar na sala, lindo, cheiroso e arrumado.
15 - Happy New Year!
Saí do avião e procurei pisar em Maryland com o pé direito, porque eu iria precisar de muita sorte com Jeremy e em uma festa de Ano Novo. Mas como dizem: Ano Novo, vida nova e namorado novo. Não que eu esteja namorando com Jeremy, mas estamos ficando.
- Pronto. Qual o endereço, ? - Jeremy me perguntou.
- Tá no celular.
Estávamos no táxi indo para casa da May. Quando disse que iria passar a virada do ano em Maryland, ela quase me obrigou a ficar na casa dela. Como sou uma boa amiga, estamos indo para lá.
A neve caía lentamente e algumas crianças brincavam em parques cobertos de neve, no último dia do ano. Depois de passar longos minutos no terrível tráfico de Baltimore, chegamos.
- MAY, CHEGUEI! - gritei ao sair do táxi.
Pegamos nossas coisas e esperamos alguém abrir a porta.
- ! Jeremy! - Jack abriu a porta sorrindo.
- Você se mudou pra casa da sua irmã? - entrei rindo.
- Nah, sabe como é né... ALGUÉM TEM A MACARRONADA AO MOLHO BRANCO MUITO BOA! - ele gritou a última parte e nós rimos
- Bem, você já conhece o Jeremy. - falei sorrindo.
- E aí, cara. - Jack cumprimentou Jeremy.
- Beleza, dude.
- ! Jeremy! Finalmente chegaram! - May apareceu vestindo um avental.
- Oi May! Vejo que está cozinhando, quer ajuda? - me ofereci.
- Não precisa. Já estou terminando. - ela sorriu - tudo bem, Jeremy?
- Tudo, May. E você?
- Tudo ótimo. Podem deixar suas coisas lá em cima, você sabe onde é o quarto de hóspedes, . E podem deitar se estiverem cansados da viagem, qualquer coisa eu abuso do irmão chato que tenho.
- Sempre Jack! - Jack disse. - E vocês dois, nada de atos imorais naquela cama, eu durmo ali quando venho pra cá, se vocês querem saber!
- Jack! - May revirou os olhos.
- Sua cama vai ser o paraíso da perdição hoje à noite, Jack. - provoquei.
- Isso soou como um filme pornô. - ele sorriu.
- Credo, chega, vamos subir logo, Jeremy. - falei rindo
Coloquei as coisas em um canto do quarto e me joguei na cama, sentindo meus músculos relaxarem, o sono me dominar e os braços de Jeremy me envolverem antes de dormir.
Abri os olhos lentamente ao sentir alguém me cutucar.
- Acorda ! São 7 da noite, vai se arrumar. - a voz do Jack me acordou.
- Argh, como eu dormi o dia inteiro? - levantei cambaleando até o banheiro.
A imagem que eu via no espelho era deprimente. Meu olho estava minúsculo, meu cabelo bagunçado e cheio de nós e meu rosto todo amaçado. Cocei o olho e me despi, jogando-me em baixo da água quente. Quando finalmente me senti relaxada e acordada o suficiente para me arrumar, saí do chuveiro enrolada numa toalha que estava atrás da porta.
Vesti um vestido branco com detalhes prateados, alças grossas, apertado na cintura e folgado na saia, sentia-me a Marylin Monroe naquele vestido. Saltos prateados e maquiagem combinando estavam prontos. Fiz uma trança embutida e peguei minha carteira branca. Olhei-me no espelho e gostei do que vi. Desci as escadas lentamente e encontrei Jeremy, Jack e já arrumados conversando no sofá.
- Olá, rapazes. - falei sorrindo.
- Wow, ! - Jack me olhou de cima a baixo malicioso - Que pedaço, hein?
- Jack! - ri alto.
- Tira o olho, cabra. - Jeremy deu-lhe um soquinho.
- Onde está a May? - perguntei sentando no colo de Jeremy.
- Com a lá em cima, estão se arrumando. - respondeu.
- Nah, que demora. - reclamei.
- Você é um cara de sorte, Jeremy. - Jack disse - a se arruma num instante e fica linda.
- Obrigada, Jack. - sorri satisfeita.
- Já falei pra tirar o olho, Jack. - Jeremy retrucou brincalhão.
- Ainda prefiro a Holly. - ele respondeu.
- Podemos ir!
Todos nos viramos para trás ao ouvir a voz de May. Ela estava linda. Vestido longo e prateado, scarpin vermelho e maquiagem leve. vestia um tomara-que-caia branco com riscos prateados e verdes, saltos verde-claro nos pés e maquiagem preta, porém pouca. Estavam lindas.
- Vou ter grande concorrência nessa festa. - comentei rindo.
- Vamos logo! - Jack falou impaciente.
- Que pressa, Jack. - falei.
- O nome disso é falta de sexo. - disse nos fazendo rir.
- Não está satisfeito com a nossa rapidinha minutos atrás, ? - Jack falou num tom incrédulo.
- Para de nos entregar, amor! - entrou na brincadeira.
- Desse jeito eu vou perder meu namorado pra outra. - riu - No caso, outro.
Saímos rindo do comentário de e dividimos os carros. Jack no carro dele comigo e Jeremy, e no carro dele com e May.
Conversamos o trajeto inteiro até a casa de , onde seria a virada do ano. Estava nervosa em voltar lá. Por mais que tivesse bons momentos naquela casa, sabia que ao pisar lá, as lembranças ruins voltariam à tona.
Senti o carro parar e desci, encarando aquela casa depois de quase seis meses. Meu coração disparou ao perceber que por fora ela era a mesma, mas por dentro havia mudado. As posições dos móveis não eram mais as mesmas, todos os objetos decorativos, vasos, porta-retratos, quadros e plantas que eu havia colocado, não existiam mais. Agora, bolas de futebol americano, de basquete, bandeiras de times, guitarras e outras coisas, tornavam o ambiente bastante masculino.
Senti uma pontada no peito ao ver que os porta-retratos haviam sumido e os poucos que sobraram tiveram as nossas fotos substituídas por fotos do com Jack, , Rian, a mãe dele, o pai, a irmã e até mesmo com a Gulia. O que significava que a relação deles não poderia estar melhor.
Mas o que fez a ficha cair foi quando eu vi a foto que eu tinha tirado anos atrás, quando e Gulia começaram a namorar. Ele olhava para ela como nunca tinha olhado para mim. De um jeito suave a apaixonado.
Flashback on.
- Pois eu me arrependo mais ainda. Perdi cinco anos da minha vida com você, por pena.
Flashback off.
Então tudo fez sentido quando eu lembrei daquela frase. Ele sempre gostou da Gulia. Eu sempre fui a segunda opção, porque ele nunca realmente a teve. Fui muito estúpida em acreditar que ele um dia me amou. Droga, !
- Hey! ? Tudo bem?! - perguntou.
- Hm? Ah, sim. Tudo. Tudo ótimo. - sorri de lado.
- Faltam cinco minutos para meia-noite, o Jeremy tá lá fora com o pessoal e pediu pra te chamar.
- Diz a ele que eu já vou. - ela assentiu e saiu.
Senti uma vontade enorme de ir ao lugar que costumava ser o meu favorito da casa: a varanda. Corri escada acima e abri a porta do quarto dele, indo direto à varanda.
Apesar de estar fria, a sensação que eu tinha ao estar ali, compensava. Lembrei-me de meu primeiro verão em Maryland, de ficar sentada no canto da varanda, enquanto cantava e tocava seu violão do outro lado, minhas músicas favoritas. Enquanto a casa me trazia más memórias, aquela varanda trazia as boas. E junto uma avalanche de sentimentos. Senti uma lágrima escorrer minha bochecha ao ver os fogos explodirem em minha frente, todos se abraçavam bem embaixo da varanda, a saudade de estar ali e a vontade de ficar com ele me consumiam, principalmente quando ele foi o único ao olhar para cima e me ver.
Sentei no canto da varanda como costumava fazer e fiquei observando os fogos queimarem em baixo do meu nariz. Pouco tempo depois, alguém sentou do outro lado da varando e eu o encarei.
- Você não deveria estar aqui. - disse ao ver sentado com um violão nas mãos - Deveria estar com os outros, lá em baixo.
- Eu não quero. - ele deu de ombros.
- Você não tem que querer. - disse e vi sorrir de lado.
He woke up from dreaming and put on his shoes
(Ele acordou de seus sonhos e calçou seus sapatos)
Started making his way past 2 in the morning
(Começou sua rotina, passadas 2 da manhã)
He hasn't been sober for days
(Ele não tem estado sóbrio por dias)
começou a cantar uma música que até então eu desconhecia.
Leaning now, into the breeze
(Inclinando-se agora, para dentro da brisa)
Remembering Sunday, he falls to his knees
(Relembrando Domingo, ele cai de joelhos)
They had breakfast together
(Eles tomaram café-da-manhã juntos)
But two eggs don't last like the feeling of what he needs
(Mas dois ovos não duram como a sensação da qual ele precisa)
Eu me balançava lentamente, de acordo com o ritmo da música.
Now this place seems familiar to him
(Agora esse lugar lhe parece familiar)
She pulled on his hand with a devilish grin
(Ela puxou sua mão com um riso malicioso)
She led him upstairs
(Ela o guiou escada acima)
She led him upstairs
(Ela o guiou escada acima)
Left him dying to get in
(Deixou-o morrendo para entrar)
Encarei que estava concentrado no violão. Ele estava lindo.
Forgive me, I'm trying to find
(Perdoi-me, eu estou tentando encontrar)
My calling, I'm calling at night
(Meu apelo, estou chamando através da noite)
I don't mean to be a bother
(Não quero ser um incômodo)
But have you seen this girl?
(Mas você tem visto essa garota?)
She's been running through my dreams
(Ela tem fugido dos meus sonhos)
And it's driving me crazy, it seems
(E isso está me deixando maluco, parece)
I'm gonna ask her to marry me.
(Que eu vou pedi-la em casamento.)
Então ele parou de tocar para me encarar, mas antes que eu pudesse dizer algo, ele voltou a se concentrar na música.
Even though she doesn't believe in love
(Mesmo que ela não acredite em amor)
He's determined to call her bluff
(Ele está determinado a convencê-la)
Who could deny these butterflies?
(Quem poderia negar essas borboletas?)
They're filling his gut
(Elas estão preenchendo sua barriga)
Cada palavra que ele dizia eu sentia minha mente gritar para sair dali, mas meu corpo não saía do lugar.
Waking the neighbors, unfamilliar faces
(Acordando os vizinhos, rostos desconhecidos)
He pleads though he tries
(Ele suplica, ainda que tenta)
But he's only denied
(Mas só é negado)
Now he's dying to get inside
(Agora ele está morrendo para entrar)
A voz de agora repetia algo que eu entendi ser o refrão da música. Cada segundo que passava, eu sentia meu corpo relaxar mais no frio.
The neighbors said she moved away
(Os vizinhos falaram que ela se mudou para longe)
Funny how it rained all day
(Engraçado como choveu o dia inteiro)
I didn't think much of it then
(Eu não pensei muito sobre isso até então)
But it's starting to all make sense
(Mas tudo está começando a fazer sentido)
Oh, I can see now that all of these clouds are following me in my desperate endeavor to find my whoever wherever she may be
(Oh, eu posso ver agora que todas essas nuvens estão me seguindo em meu empenho desesperado para encontrar meu alguém, onde quer que ela esteja)
, que mantinha uma expressão suave no rosto, passou a ficar tenso, vi sua testa se franzir e seus dedos apertarem as cordas do violão com mais força. Ele parecia desconfortável em cantar de uma hora pra outra.
I'm not coming back
(Eu não estou voltando)
I've done something so terrible
(Eu fiz algo tão terrível)
I'm terrified to speak, but you'd expect that from me
(Estou aterrorizada para falar, mas você esperaria isso de mim)
I'm mixed up, I'll be blunt
(Estou confusa, serei insensível)
And now the rain is just washing you out of my hair
(E agora a chuva está apenas lavando você do meu cabelo)
And out of my mind
(E da minha mente)
Keeping an eye on the world
(Mantendo um olho no mundo)
From so many thousands of feet off the ground
(Há milhares de pés afastada do solo)
I'm over you now
(Estou sobre você agora)
I'm at home in the clouds
(Estou em casa nas núvens)
Towering over your head
(Me elevando sobre sua cabeça)
Seu corpo então relaxou, e como se ele tivesse tirado um peso enorme das costas, um suspirou cansado escapou.
I guess I'll go home now
(Eu acho que vou pra casa agora)
I guess I'll go home now
(Eu acho que vou pra casa agora)
I guess I'll go home now
(Eu acho que vou pra casa agora)
I guess I go home.
(Eu acho que vou pra casa.)
terminou a música e deixou o violão escorregar em seu colo. Eu o conhecia bem o bastante para saber que ele não iria falar nada agora. Várias perguntas e conclusões se formavam na minha mente, um furacão de dúvidas, mas nenhuma delas parecia querer sair.
Eu sentia a confusão fazer uma festa na minha cabeça. Não sabia se perguntava por que ele cantou aquela música, o que tudo aquilo significava ou por que ele tinha mudado de comportamento como da água pro vinho. Preferi ficar calada e não estragar a harmonia de paz que estava.
- Acho que minha parte está feita. - ele disse encarando o horizonte, depois de um tempo.
- Do que você está falando? - o encarei confusa.
- Da minha promessa, lembra? Aquela que eu fiz no último dia no estúdio para gravar o primeiro CD. - ele ainda fitava o nada.
Flashback on
- Muito bom! Quero logo ouvir esse CD pronto. - falei sorrindo ao ver , Jack, e Rian saírem do estúdio.
- Vai demorar mais um pouco. - falou - Marquei de almoçar com a , então tchau para todos.
- Espera . Eu vou almoçar também, Rian, e , vão vir também? - Jack perguntou.
- Eu vou. Tô morrendo de fome! - Rian disse.
- Quer ir? - sussurrou no meu ouvido.
- Não tô com fome. Vamos ficar por aqui mesmo. - respondi.
- Vamos não, dude. - disse a Jack.
- Beleza, vamos Rian. - ele disse saindo - e lembre-se que nós trabalhamos aqui, então, nada de reprodução nesse estúdio.
- Cai fora, Jack! - gritou me fazendo rir.
Ficamos um tempo conversando sobre o primeiro CD do All Time Low e eu tentei de tudo para ouvir uma música deles, mas não consegui.
- Vai ! Só uma música, por favor! - choraminguei.
- Não. Agora não. Mas te prometo que você sempre será a primeira a ouvir pelo menos uma música nova de todas as vezes que lançarmos um CD, tudo bem?
- Então tá.
Flashback off
- Lembro. Então essa é uma das músicas novas que estarão no CD? - perguntei.
- É. - ele respondeu simplesmente.
- E por que você escolheu cantar essa? - hesitei antes de perguntar, mas perguntei.
Mas ele não teve tempo de responder, alguém entrou na varanda nos procurando, e esse alguém se chamava Gulia.
- ?
16 - When we were in love, things were better than they are.
- ? - a voz de Gulia o assustou - O que você tá fazen... Ah, oi !
- Oi. - sorri sem graça.
- Que vista maravilhosa. - ela disse dando um selinho em e sentando ao seu lado - Por que nunca me mostrou essa varanda, ?
- Não sei. Talvez porque não é um dos meus lugares favoritos. - ele deu de ombros.
- Ah sim. - ela apoiou a cabeça em seu ombro - E esse violão? Toca alguma música aí. Aposto que a quer ouvir alguma música do CD novo também.
- Eu? Não, na verdade eu preciso procurar o Jeremy, sabe? - falei me levantando - Tchau Gulia, tchau .
Saí rapidamente, percebendo que me acompanhava com o olhar, um sinal claro de que ele ainda tinha algo para falar. Desci as escadas e Jeremy e Holly riam de alguma piada que Jack tinha contado.
- Do que estão rindo? - perguntei ao sentar-me ao lado de Jeremy.
- ! Por onde andou? - Jeremy me perguntou.
Lancei um olhar de ajuda para Jack, que logo entendeu e mudou de assunto.
- Eu contei uma piada muito boa! - ele riu.
- Mais uma do Mr. Barakat? - disse rindo.
- Ouve essa, . - Holly falou.
- Por que a cobra quis virar escova? - Jack perguntou.
- Sei lá, Jack. - respondi confusa.
- Porque ela cansou de serpente!
Os três explodiram em gargalhadas, mas eu acho que o álcool estava fazendo efeito, então eu comecei a rir deles.
Peguei uma cerveja e continuamos conversando até Gulia e descerem e avisarem que uma tempestade de neve caía lá fora. Nada que fosse nos empatar até o relógio marcar quatro da manhã, todos estavam querendo ir embora, mas a tempestade não permitia.
- Estou com muito tédio! - May reclamou.
- Eu também! - me joguei no puff.
- Que tal um jogo para animar isso aqui? - Matt propôs.
- Diz aí, Matt. - Jack se interessou.
- Fazemos duplas, mas nada de casais, então Jack não pode ser com a Holly, não pode com a Gulia, Jeremy sem e assim sucessivamente. - Matt começou - Faremos o jogo da verdade. Por exemplo, vamos supor que minha dupla seja a . E nessa rodada seja eu e a contra e May. Eu pergunto a May se ela já ficou bêbada, se ela responder que sim, nós ganhamos um ponto e..
- Calado, Matt. - Jack reclamou - Jogo chato.
- Continue Matt. - revirei os olhos.
- Obrigado, . - Matt mostrou o dedo do meio a Jack - Continuando, ganhamos um ponto e a May toma um gole de tequila. Quem fizer vinte pontos primeiro, ganha. E a dupla com menos pontos vai ter que passar o resto da madrugada e do dia trancados no sótão, como castigo. Alguém tem uma ideia melhor?
- Tô dentro. - May falou.
- Quem são as duplas? - Cass perguntou.
- Eu vou com o Matt! - Holly se adiantou.
- Vamos, Jeremy! - Holly o chamou.
Quando eu fui abrir a boca para chamar alguém, percebi que só restava eu, , Gulia e Jeremy.
- Sem casais! – Matt gritou – Gulia com , Jeremy com , só lamento.
Sentei-me ao seu lado, fechando o círculo. As duplas ficaram: eu e Gulia, Holly e Matt, e Jeremy, May e , e Jack, Cass e Evan, Rian e Gwen, a prima de . Matt girou a garrafa e as primeiras duplas foram: e Jeremy, contra Cass e Evan.
- Jeremy, você já dormiu com duas ao mesmo tempo? - Cass perguntou.
Ele lançou um sorriso envergonhado para mim e eu o encarei incrédula ao vê-lo tomar um gole da tequila.
- Boa Cass! - Evan comemorou.
- Porra, Jeremy! - reclamou ao ver Matt anotar um ponto para Evan e Cass - Nossa vez!
- Cass, você gosta do Rian? - Jeremy sorriu vitorioso.
- Não. - ela respondeu simplesmente e todos a encararam incrédulos - Eu amo o Rian.
- Nenhum ponto para e Jeremy. - Matt falou.
- Você é péssimo, Jeremy! - reclamou.
A brincadeira continuou, sendo seguida por e Jack, contra Rian e Gwen, eu e Gulia, contra May e , May e , contra Holly e Matt... E por aí foi. Depois de uma hora, Matt declarou e Jack os vencedores. Holly dormia, estava bêbado.
- E os perdedores vão pro sótão! e Jeremy. - Matt riu.
Minha visão estava um pouco embaçada, depois de alguns goles de tequila. parecia extremamente sóbrio, mas ele era forte pra bebida, então não conta.
- Eu posso ir no lugar do Jeremy? – perguntei antes que faltasse coragem.
- Tem certeza? – Jeremy me olhou desconfiado.
- Sim. – encarei .
- Por mim tudo bem. – Matt disse.
- Hey, por que você quer ir? – Jeremy segurou meu pulso.
- Preciso terminar uma conversa. – sorri de lado.
- Se é o que você quer... – ele soltou meu pulso.
Segui meu caminho até a escada marrom que ia ao sótão. parecia tenso e alheio à gritaria e quando liguei a luz do sótão, eu entendi por quê. Todas as coisas que eu tinha colocado lá em baixo há três anos, mofavam no sótão agora. Nossas fotos, meus quadros, vasos e alguns pertences que eu havia esquecido, estavam amontoados num canto do local. Sentei-me num banquinho velho que ali estava e esperei o tempo passar.
- Não tive coragem de jogar fora. - ele disse apontando para o amontoado de coisas.
- E o que você fez ao deixar tudo isso entulhado aqui em cima? - perguntei irônica.
- Livrei-me de tudo que lembrava você, apenas. - ele deu de ombros.
- Por que você cantou aquela música? - suspirei cansada.
- A promessa. Já te disse isso.
- Mas por que escolheu aquela música?
- Porque eu escrevi pensando em você. - ele me encarou.
- É um pedido de desculpas? - perguntei confusa.
- Interprete como quiser. - ele se sentou na minha frente.
- Cada dia que passa eu te entendo menos.
- Qual o propósito de saber o significado daquela música? Vai mudar alguma coisa na sua vida? Ou você só quer saber pra depois esfregar na minha cara que é tarde demais? - ele disse entre os dentes - eu nunca digo o que minhas músicas significam, . Nem para mim mesmo.
- Talvez porque você seja egoísta demais para compartilhar alguma coisa com alguém!
- Talvez eu seja mesmo. Mas só talvez.
Passamos horas calados, mergulhados em nossos próprios pensamentos, formando nossas dúvidas, tirando nossas conclusões. Só percebi que era manhã, quando Jack abriu a porta com nosso café. Não estava com fome e dei o prato a . Ainda assim, ele deixou algumas panquecas no prato e me obrigou a tomar o chocolate quente.
- Vamos lá, . Só uma panqueca. - ele falava sério.
- Para de fingir que se importa! - bufei irritada.
- Então morra de fome. - ele revirou os olhos e se jogou no colchão.
- Eu não estou com fome, que droga. - reclamei.
- Então está doente. - ele me olhava sério.
- Não estou. Estou ótima. E para de encher o saco - disse irritada.
- Se fosse o Jeremy, você já tinha comido. - ele murmurou.
- Qual é a sua, ? De onde saiu essa sua preocupação, depois de um ano sem quase olhar pra minha cara? - sorri irônica.
- Quer saber? Coma se quiser, se quer ficar com fome, que fique. - ele disse enfiando os fones nos ouvidos.
Gritei por Jack e devolvi o prato com as panquecas.
Sentei-me em um pequeno espaço entre a parede e o armário, me encolhendo, na tentativa ridícula de me livrar do frio. Estava de costas para , mas minha vontade era de me jogar naquele colchão e dizer as mil e uma coisas que estavam entaladas na minha garganta.
E foi o que eu fiz. Pois é, eu levantei e sentei na ponta do colchão, ao seu lado. Eu só não fazia ideia do que falar. Tirei meu sapato e cruzei as pernas, me virando no colchão para ficar em frente a . Peguei seu celular e pausei a música The Suburbs do Arcade Fire que tocava, o que fez abrir os olhos e tirar os fones do ouvido, me encarando sem expressão.
- O que você quer? - ele perguntou frio, sentando-se no colchão.
- Você sente isso? - passei as pontas gélidas dos meus dedos em seu pescoço quente.
- Mergulhou aos mãos em baldes de gelo? - ele perguntou afastando meu pulso.
- Não. - eu me levantei do colchão - Você me deixou assim. Tão fria quanto você.
Ele riu baixo e se deitou novamente, concentrando-se no celular. Eu calcei meus sapatos e voltei para o pequeno espaço perto do armário, sentindo o álcool ir lentamente embora e o sono rapidamente chegar.
Não sei quanto tempo passou, mas acabei dormindo, exausta da festa. Quando acordei, Jack e discutiam, e estava muito mais frio quanto antes.
- Porra ! Você é maluco? - Jack quase gritava.
- O que é? - reclamou.
- Não tá percebendo o frio? Por que não deu uns casacos à ? Ela vai congelar ali! - Jack reclamou jogando alguns casacos para mim.
- Ela é adulta e eu não tenho obrigação nenhuma de me preocupar com ela. - ele revirou os olhos.
- Eu estou bem, Jack. - falei.
- Deixa de ser otário, ! - ele me ignorou - Você ainda vai quebrar muito a sua cara se continuar assim.
Jack saiu batendo a porta com força. recolheu seu celular e fones de ouvido e abriu a porta.
- Já podemos sair. - ele falou sem me olhar.
O frio parecia ter congelado meu corpo. Não conseguia me mexer, mas também não fiz nenhum esforço para avisar . Vi o mesmo sair e bater a porta sem delicadeza alguma. Senti minha visão embaçar, uma lágrima escorrer em minha bochecha e um soluço escapar. Sempre tive medo de acabar sozinha, e olhando para onde estava agora, eu me via com ninguém. Jack me ignorou, nem me olha e nem ao menos sabia onde Jeremy estava.
Deixei as lágrimas escorrerem livremente, depois de anos prendendo todas elas em meus olhos. Com certeza, quem olhasse me perguntaria se eu tinha cinco anos, porque chegava a ser patético o jeito que eu chorava sem motivo aparente.
Fechei os olhos tentando controlar as lágrimas, mas só consegui parar de soluçar. Senti uma mão segurar a minha e arregalei os olhos, encontrando Jack em minha frente.
- Vamos descer, . - ele me levantou.
Desci as escadas lentamente com Jack me abraçando de lado. Já tinha parado de chorar, mas meus olhos deveriam estar vermelhos. Encontrei com Jeremy dormindo na poltrona e com no sofá. estava na janela abraçado à Gulia.
- A May já foi? - perguntei a Jack.
- Já. Ela e a Holly acordaram e foram pra casa.
- Eu vou indo também. Diz ao Jeremy que eu já fui, quando ele acordar, por favor. - disse me virando.
- Eu te levo. - Jack pegou as chaves do carro. - Gulia, estamos indo, avisa ao Jeremy e o que estamos na casa da May, quando eles acordarem, por favor?
- Tudo bem. Tchau Jack, tchau . - ela sorriu confusa.
Sorri de volta e saí da casa, sentindo o frio atingir meus ossos. Entrei no carro o mais rápido possível, antes que congelasse do lado de fora. Liguei o aquecedor e relaxei no banco, observando Jack que dirigia com as feições sérias.
- Aconteceu algo, Jack? - perguntei.
- O que exatamente aconteceu entre você e o no sótão? - ele disse entre os dentes.
- Nada demais. Eu só disse que não estava com fome e isso gerou uma discussão. - falei um pouco assustada pela forma que ele estava.
- Eu sou seu amigo, . Não minta. - ele revirou os olhos.
- Por que eu mentiria, Jack? - bufei irritada - você é o melhor amigo dele também. E esse assunto é meu e do . Aliás, assunto morto.
- Não está mais aqui quem falou! - ele murmurou.
- Você é meu melhor amigo, Jack. Mas tem coisas que eu não consigo te contar. O assunto "" é muito delicado pra mim, principalmente porque ele é seu melhor amigo e caso ele te conte alguma coisa, você ficaria naquela péssima situação de não saber quem apoiar.
- Deixa pra lá, . Eu só queria saber o que tinha acontecido porque você estava tremendo quando eu cheguei lá. - ele me encarou ao parar no sinal vermelho.
- Estava? - fiz uma careta - Acho que tive um pesadelo então.
- Com o ! - ele riu.
- Jack! - fiz biquinho - Foi com você!
- Engraçadinha. - ele riu sem humor e continuou a dirigir até a casa da May.
17 - And now we're enemies
14 de Fevereiro - Dia dos Namorados
- Damon?
- Hello, brother.
Desliguei a televisão quando passava um episódio de The Vampire Diaries. Era meu primeiro Dia dos Namorados sozinha desde que eu tinha dezesseis anos e eu não tinha ideia do que fazer. O lance com o Jeremy não tinha funcionado. Por mais que ele seja um cara maravilhoso, não é nele que penso vinte e cinco horas por dia. Eu estava cansada de tudo, principalmente de não conseguir esquecer o , embora eu tenha terminado com ele.
Paramore logo arranjou um produtor experiente e eu voltei para minha vida de fazer nada em Los Angeles. Eu estava trabalhando na empresa do meu pai, e não estava nada contente com isso. Na verdade, eu só estava lá porque não corria o risco de ser demitida, e porque meu pai me paga bem. Estava trabalhando de secretária, o que era muito chato. Atender telefonemas, fazer planilhas, organizar agendas, atender telefonemas, anotar recados, fazer relatórios e atender telefonemas. Uma vida tão monótona que eu acabei me tornando preguiçosa ao extremo. Tudo o que fazia era ir trabalhar, assistir televisão, comer e dormir. Às vezes eu levava e buscava John na escola, quando meu irmão ou Jennifer estavam trabalhando demais e não podiam fazer isso.
Guardei o pote de sorvete quase descongelado no freezer e voltei correndo pra sala ao ouvir meu celular tocar.
- Alô? - atendi ofegante devido à corrida.
- Oi , é o Rian.
- Oi Rian! Qual a boa? - sorri
- Estamos em L.A, baby! - ele riu fraco - Show hoje, quer ir? A Holly, a e a Cass vão estar lá também.
- Beleza! Onde vai ser?
- No mesmo lugar do último show. Às sete em ponto!
- Que show cedo. - estranhei.
- Começa às dez, mas vamos jogar conversa fora antes do show, como nos velhos tempos. - ele explicou.
- Tudo bem. E feliz dia dos namorados! Manda um abraço pra galera aí.
- Pra você também. Vou mandar. Até mais tarde, . - ele falou desligando.
Eram cinco da tarde e eu resolvi começar a me arrumar. Tomei um banho demorado, aproveitando o clima não muito frio pra lavar o cabelo e o sequei, deixando solto com algumas ondulações nas pontas. Abri o closet procurando alguma roupa decente e depois de muito procurar, achei minha jaqueta preta, perfeita com uma bata branca e jeans. Com saltos nos pés devido à minha estatura baixa, rímel e gloss pra finalizar, peguei minha bolsa e o celular, que marcava seis e quinze. Esperei mais quinze minutos e saí de casa atrás de um táxi, o que foi fácil de achar. Quando cheguei no local, uma fila de fãs esperavam os portões serem abertos, parecia que o lugar iria lotar. Fui até a entrada do local e liguei pra Rian, avisando que tinha chegado. Algumas fãs me olhavam curiosas, quando uma se aproximou.
- Oi... Desculpa incomodar, mas você não é a ? - ela perguntou tímida.
- Sou sim. - sorri confusa.
- Sou fã da banda de longa data, sei que você namorava o . - ela sorriu - Sou a Chelsy.
- Ah, sim. Prazer em conhecê-la, Chelsy.
- Poderia tirar uma foto comigo? - ela perguntou apontando para câmera.
- Claro.
Tirei a foto me sentindo estranhamente desconfortável. A menina agradeceu e voltou para fila. Nunca quando eu namorava o , uma fã da banda quis tirar foto comigo. O máximo era me reconhecerem algumas vezes. Ainda estranhando a situação, entrei ao ver Evan chegar com a credencial. Logo no primeiro corredor, Rian estava batucando na parede.
- Que situação bizarra acabei de passar! - falei sorrindo.
- ! - ele sorriu de volta - Qual situação?
- Uma fã pediu uma foto comigo. Estranho.
- E você tirou? - ele riu.
- Tirei. Por que tá rindo?
- Ela provavelmente é de algum fã-clube e amanhã sairá a notícia de que , ex-namorada do vocalista do All Time Low, , compareceu ao show da banda no Dia dos Namorados em Los Angeles, California.
- Péssimo! - resmunguei.
- Droga! Esqueci as baquetas da sorte na outra sala. Vou buscar. Se quiser ficar com as meninas, primeira porta à direita. Para escolha Jack, terceira porta à esquerda. - ele falou saindo.
Caminhei até a terceira porta à esquerda, onde tinha escrito "Camarim: All Time Low" e antes de abri-la, não pude deixar de ouvir a conversa de Jack e .
- E o que você vai fazer agora? - Jack perguntou - As duas vão estar aí hoje.
- Eu sei. - parecia nervoso - Já decidi. Vou terminar com a Gulia e voltar com a .
- Você acha que vai ser tão fácil assim? - Jack riu sem humor.
- Ela não vai resistir a mim, Jack. A nunca resiste. - falou malicioso.
Desisti de entrar e fui para sala onde as meninas estavam.
Então está pensando que vai ser assim tão fácil? Ele acha mesmo que depois de tudo o que fez, eu vou voltar pra ele como se nada tivesse acontecido, perdoá-lo e voltar pra Maryland? Ele que tire o cavalinho da chuva, porque está muito enganado. Agora é a hora da minha vingança, .
18 - Let the flames begin
Entrei na sala da porta verde, encontrando Holly, , Cass e Gulia. Por que eu vim mesmo?
- ! - sorriu.
- Oi . Oi gente. - sorri.
- Oi . - elas responderam.
Sentei-me entre Cass e e começamos a conversar sobre o show. De alguma forma essa conversa chegou ao assunto Dia dos Namorados e eu me senti deslocada entre as duas.
- Como vai com o Jeremy, ? - Cass perguntou.
- Não deu certo. - fiz uma careta - Mas somos amigos, ele é um cara legal.
- Entendo. - ela fez uma cara pensativa - Vamos pra um pub comemorar o Dia dos Namorados, você vai né?!
Eu ia recusar, mas parecia o local perfeito para começar a colocar meu plano de vingança em prática. Nada muito exagerado, só iria provocar , mostrá-lo o que perdeu e que vai ser difícil reconquistar.
- Claro. Tô precisando de diversão. - sorri maliciosa.
- na pista hoje, vestida para matar. - riu.
- Pode apostar que sim. - gargalhei alto.
- O show vai começar, ladies. - Jack disse ao abrir a porta da sala - Ah, oi .
- Oi Jack. Estamos indo. - sorri.
Fomos todas ao camarote reservado para nós, de frente pro palco. Lá em baixo a pista fervia, o lugar estava lotado, as cortinas iam se abrindo e revelando , Jack, e Rian, que sorriam orgulhosos ao verem o lugar cheio.
Abriram o show com Lost In Stereo, cantaram Holly, Stay Awake e até mesmo a música que tinha cantado para mim na varanda no Ano Novo, com a participação de uma loira alta e magra, muito bonita. Perguntei à Cass e ela disse que chamava-se Remembering Sunday e a cantora era a Juliet Simms. O show foi bem animado, cerca de uma hora e meia. Esperamos todos os fãs saírem da pista e descemos, encontrando-os no palco.
Desci quase me arrastando para chegar lá depois que toda a melação pós-show dos casais, terminasse. Sentei-me na caixa de som, com as pernas do lado de fora do palco, relembrando a Warped Tour.
- Alguns costumes nunca mudam, certo? - disse sentando-se ao meu lado.
- Sempre gostei de vir ao palco depois dos shows. - dei de ombros.
- Eu sei.
- O que está fazendo aqui, aliás? - arqueei a sobrancelha.
- Queria pedir desculpas por tudo ter acabado desse jeito. - ele encarou a pista vazia.
- Tudo bem, . - vi sua testa franzir ao ouvir seu sobrenome.
- Sério mesmo? - ele me encarou - Está tudo bem e tudo voltará a ser como era antes?
- Depende de quando é "antes".
- Você sabe, quando você se mudou para Maryland. - ele sorriu.
- Você espera que eu te aceite de volta? - sussurrei me aproximando.
- Sim. - ele sorriu sapeca.
- Então... - sorri maliciosa e encostei minha boca em seu ouvido - De jeito nenhum.
Afastei-me sorrindo vitoriosa ao ver sua cara confusa e mandei um beijo no ar, levantando-me e saindo, deixando extremamente irritado por não ter conseguido o que queria.
Abri a porta da sala que as meninas estavam antes, e agora , Jack e Rian estavam lá também.
- Então, vamos logo comemorar ou não?
- Oui! - Gulia falou com seu sotaque francês.
Depois de dez minutos na van para a boate, chegamos. O lugar escuro era fracamente iluminado por globos azuis, verdes, amarelos e vermelhos que giravam pela pista de dança, formando sombra na quantidade razoável de pessoas que ali estavam. Duas pistas superiores, uma de cada lado do salão, com mesas e cadeiras, formando uma área mais reservada da agitação da pista.
Peguei a mesa mais reservada do local, com pouquíssima iluminação e todos se acomodaram nas cadeiras.
- Vou pedir umas bebidas, alguém quer? - Jack perguntou.
- Eu vou! - levantei-me.
- Eu também. - Gulia nos seguiu.
Encarei Jack com a expressão de tédio e ele riu ao ver Gulia do meu lado. Fomos até o bar, que estava relativamente vazio em relação à boate.
- Duas cervejas, por favor. - Gulia pediu.
- Uma garrafa de Jack! - Jack riu.
- E um cosmopolitan. - eu pedi, sentando num banco rosa alto.
- Já vão começar tão forte assim? - Gulia se assustou.
- Bem-vinda ao nosso mundo. - falei.
- Vamos curtir! - Jack gritou ao pegar a garrafa de vodca.
Peguei meu copo e Gulia as cervejas, voltamos para mesa e comecei a conversar com e , enquanto Cass, Rian, Jack e Holly iam dançar e Gulia e bebiam do outro lado da mesa.
- Eu pagava pra ver o dançando! - ri alto.
- Dinheiro desperdiçado! - também riu.
- Vocês não prestam! - reclamou.
- Que fofo meu namorado. - brincou.
- Vou dançar! Alguém quer ir? - levantei-me.
- Eu vou. - Gulia se levantou - Vamos, amor.
- Agora? - reclamou e eu revirei os olhos.
- Vamos! - Gulia choramingou.
- Tá, vamos.
Descemos para pista, que parecia um pouco cheia, e tocava Radar da Britney. Sorri ao reconhecer a música e me aproximei de um homem alto, cabelos negros e olhos claros, que tinha acabado de chegar também. Ele sorriu ao me ver e eu comecei a dançar lentamente, sorrindo maliciosa ao ver me encarar com cara de poucos amigos, e continuei a dançar com meu novo amigo.
Depois de umas sete músicas, três cervejas e alguns beijos, descobri que o nome dele era Mike, era australiano e estava de férias na Califórnia. Dancei como se não houvesse amanhã, até o DJ parar a playlist.
- Como hoje é Dia dos Namorados, uma playlist romântica para os casais agora. - o DJ falou.
- Vamos sentar? - Mike perguntou - Dança lenta não é o meu forte.
- Pod.. - comecei, mas fui interrompida.
- Quer dançar comigo, ? - perguntou ignorando Mike.
- Bem, qualquer coisa eu tô no bar. - Mike saiu sorrindo.
I'm so glad you made time to see me
(Eu estou tão feliz que você arranjou um tempo pra me ver)
How's life? Tell me how's your family
(Como anda a vida? Me conte como vai sua família)
I haven't seen them in a while
(Não tenho os visto há um tempo)
Encarei , abraçando-o pelo pescoço e acompanhando seus passos lentos.
- Por que você veio dançar comigo? Eu estava com o Mike, não viu? - perguntei um pouco aborrecida.
- Gulia está bêbada demais pra dançar. - ele deu de ombros.
You've been good, busier than ever
(Você tem estado bem, mais ocupado do que nunca)
We small talk, work and the weather
(Conversa fiada, trabalho e clima)
Your guard is up, and I know why
(Você levantou sua guarda, e eu sei por quê)
- Porque eu sou a segunda opção, claro. - ri sem humor - Sempre foi assim, não é?!
- Você não sabe da metade, . - ele falou sério.
- E você sabe, ? - perguntei irônica.
Because the last time you saw me
(Porque a última vez que você me viu)
Is still burned in the back of your mind
(Ainda queima no fundo da sua mente)
You gave me roses, and I left them there to die.
(Você me deu rosas, e eu as deixei todas morrerem)
- Do meu ponto de vista, sei. Muito mais do que você imagina. - ele sussurrou.
- Quem disse que você decifra meus sentimentos? - sussurrei sentindo os pelos de sua nuca arrepiarem.
- Eu disse do meu ponto de vista. - ele sorriu.
So this is me swallowing my pride
(Essa sou eu engolindo meu orgulho)
Standing in front of you, saying I'm sorry for that night
(Na sua frente, pedindo desculpas por aquela noite)
And I go back to December all the time.
(E eu volto em Dezembro o tempo todo.)
- Presta atenção na letra da música. - ele disse.
- Eu já conheço. - suspirei cansada.
It turns out freedom ain't nothing but missing you
(Revela que a liberdade não é nada, mas saudades de você)
Wishing I'd realized what I had when you were mine
(Desejando que eu tivesse realizado o que tinha quando você era meu)
I go back to December, turn around and make it alright
(Eu volto em Dezembro, dou meia-volta e fica tudo bem)
I go back to December all the time
(Eu volto em Dezembro o tempo todo)
Relaxei minha testa em seu ombro e senti me abraçar mais forte. Por um momento eu quase esqueci da minha vingança.
These days, I haven't been sleeping
(Esses dias, eu não tenho dormido)
Staying up, playing back myself leaving
(Ficando acordada, relembrando de como fui embora)
When your birthday passed
(Quando seu aniversário passou)
And I didn't call
(E eu não liguei)
- Desculpa pelo incidente no seu aniversário. - fiz uma careta - Acho que o estraguei.
- Foi o melhor e o pior dia da minha vida. - ele suspirou.
- Por quê? - encarei confusa.
Then I think about summer, all the beautiful times.
(Então eu penso no verão, todos os belos momentos)
I watched you laughing from the passenger side
(Eu te assisti rindo do banco de passageiro)
And realized I loved you in the Fall
(E realizei que te amava no Outono)
- Melhor porque eu acreditei que você voltaria para mim. - ele sorriu triste - E pior porque eu vi você desistir de mim.
- Você construiu tudo isso. - voltei a apoiar minha testa em seu ombro.
And then the cold came
(E então o frio veio)
With dark days, when the fear crept into my mind
(Com dias escuros, quando o medo se arrastou na minha mente)
You gave me all your love and all I gave you was goodbye.
(Você me deu todo seu amor e tudo que dei foi adeus)
- Por que você acha que eu estou aqui então? - ele passou a mão no meu cabelo.
- Porque é Dia dos Namorados e você veio comemorar com a Gulia. - suspirei um pouco aborrecida.
I miss your tan skin, your sweet smile
(Sinto falta da sua pele bronzeada, do seu sorriso doce)
So good to me, so right
(Tão bom para mim, tão certo)
And how you held me in your arms that September night
(E como você me segurou em seus braços, naquela noite de Setembro)
The first time you ever saw me cry
(A primeira vez que você me viu chorar)
Maybe this is wishful thinking
(Talvez isso seja um pensamento positivo)
Probably mindless dreaming
(Provavelmente meus sonhos sem fundamentos)
If we loved again, I swear I'd love you right
(Se nós nos amassemos de novo, eu juro que te amaria certo)
I'd go back in time and change it, but I can't
(Eu voltaria no tempo e mudaria isso, mas não posso)
So if the chain is on your door, I understand
(Então se sua porta estiver trancada, eu entendo)
- Gulia não é ninguém perto de você, . Só outra vadia que eu arranjei.
- Seu idiota. - dei um tapa em seu rosto - Ela pode não ser minha amiga, mas quem é você para chamar uma mulher de vadia?
- Vai me dizer que agora você virou protetora dela? - ele disse irônico, com a mão na bochecha do tapa.
- Você não tem direito algum de chamar uma mulher de vadia. - falei friamente - Até porque você não é muito melhor que uma.
Saí da pista com o sangue a mil por segundo e uma dor de cabeça terrível. Peguei minha bolsa em cima da mesa e me despedir de todos que estavam na mesa.
Peguei um táxi na frente da boate e fui pra casa, sentindo um terremoto bagunçar todo meu cérebro. Em pouco tempo eu já estava me jogando embaixo da água quente do chuveiro, sentindo meus músculos relaxarem e o sono tomar conta. A única coisa que lembro de ter feito antes de finalmente apagar na cama, foi ler uma mensagem que tinham me mandado quando eu já ia dormir.
"O que aconteceu? Por que saiu daqui correndo?
Cass xx"
19 – You hate being alone, you ain’t the only one
Acordei com meu celular tocando em cima da cama. Fui atender, mas a pessoa desligou, então virei e fui tentar dormir de novo. Só que o celular tocou de novo.
- Alô? - atendi com a voz arrastada.
- Podemos conversar? - uma voz masculina perguntou.
- Quem é? - sentei na cama.
- . - ele respondeu impaciente.
- Pode começar a falar. - bocejei.
- Te vejo daqui a vinte minutos na Starbucks perto da sua casa. - ele desligou.
Até parece que ele manda em mim. Levantei e calcei minhas pantufas, indo ao banheiro e lavando o rosto. Prendi meu cabelo num rabo-de-cavalo e fui pra sala com minha caixa de DVDs. Peguei o primeiro DVD da primeira temporada de Gossip Girl e coloquei para rodar.
Eu estava babando pelo gostoso do Chace Crawford na TV, quando alguém tocou a campainha. Levantei e abri a porta ainda prestando atenção na série, sem nem parar para olhar quem estava na porta.
- Eu te esperei por uma hora na Starbucks. - uma voz falou friamente.
- O QUÊ? - gritei - Não acredito!
- Acredite. Por que você me deixou esperando?
- Não acredito! A Blair tem que ficar com o Chuck, não com o Nate. - falei vidrada na tv.
- ! - algo segurou meu rosto, desviando minha atenção da TV - Me ouve!
- ?! - o encarei - O que você está fazendo aqui?
- Alguém me deixou esperando por uma hora na Starbucks. - ele respondeu com raiva.
- Sim, e o que você está fazendo aqui?
- Estou falando sério, . - ele revirou os olhos - Precisamos conversar.
- Diz aí. - me sentei no sofá e sentou num puff em minha frente.
- Lembra aquela música que eu cantei na varanda na virada do ano? - ele me olhou sério.
- Lembro. - o encarei desconfiada.
- Eu sou ruim em demonstrar o que sinto, por isso escrevi aquela música.
- Eu sei. Te conheço muito bem. - vi um pequeno sorriso se formar em seu rosto.
- Pode ser difícil de acreditar, mas eu sinto sua falta. - ele abaixou o olhar.
- Olha pra mim. - levantei um pouco seu queixo para que ele me olhasse - Você não pensou que sentiria minha falta quando me traiu. Ou quando mentiu e me tratou mal. Por isso é tão difícil de acreditar que você sente saudades, .
- Você acha que eu me orgulho disso, ? - ele segurou meu pulso delicadamente - Acredita em mim, por favor.
Respirei fundo. mantinha uma expressão de desespero no rosto, senti meu coração apertar tanto que eu pensei que ficaria sem ar, mas ele já fez com que eu me sentisse perdida, sozinha e profundamente magoada. Pode me chamar de egoísta e vingativa, mas eu precisava fazê-lo sofrer um pouco, testar se ele não desistiria de mim, porque eu passei dois anos sofrendo calada, ele também pode passar.
- Não, desculpa. - retirei minha mão de seu queixo - Você deveria seguir em frente, me esquecer. Nosso relacionamento é passado, não existe mais nada entre a gente.
- Eu não vou desistir. - ele se levantou.
- Faça o que quiser, só saiba que eu já desisti.
- Diga que me odeia e eu prometo desistir. - ele me encarou sério.
- Vai embora . - revirei os olhos impaciente - E manda um beijo pro Jack por mim.
- Pode deixar. - ele falou irônico - E pode ficar com isso aí.
soltou uma folha de papel toda amassada em cima do sofá antes de sair e bater a porta da rua com força. Peguei a bolinha de papel e comecei a desamassar, encontrando um texto que eu diria ser a letra de uma música.
(N/A: só vou colocar a tradução porque o que importa é a letra)
Para . Eu espero que você goste, mais uma música em meio de tantas para você.
Let It Roll
A hora no relógio mostra quatro e meia
Estou bem acordado e pensando
Com o meu travesseiro no chão
Mas talvez estou só gastando meu tempo pensando
Numa dura realidade
Não quero acordar
Só para descobrir o seu erro
Deixe rolar
Nosso tempo está passando rapidamente então tomamos controle
Desde California até meu lar doce lar
Nosso dia está repetindo-se como se fosse tudo o que sabemos
É tudo o que sabemos
Aqui fora as colinas continuam por milhas
O sol é como meu único senso de direção
Estou sempre atraído para cada horizonte
Quando ele nasce e quando ele se põe
Mas tudo o que eu consigo pensar é sexo
E jogando todos aqueles jogos
Para seis clubes no quintal na cunha
Eu sei que eu nunca vou morrer sozinha tudo por causa de você
Deixe rolar
Nosso tempo está passando rapidamente então tomamos controle
Desde California até meu lar doce lar
Nosso dia está repetindo-se como se fosse tudo o que sabemos
É tudo o que sabemos
Tome, tome fôlego
Temos todo o tempo do mundo
Para sacar o fato de que não duramos
Mas neste momento eu quero ver a maré rolar
Com os meus melhores amigos
Deixe rolar
Nosso tempo está passando rapidamente então tomamos controle
Desde California
Deixe rolar
Nosso tempo está passando rapidamente então tomamos controle
Desde California até meu lar doce lar
Deixe Rolar
É tudo o que sabemos
É tudo o que sabemos
20 - I will always love you
Eu tentava encontrar a porta do camarim do All Time Low. Estava num extenso corredor com várias portas, algumas delas com placas comunicando qual banda estava ali dentro. Lembro de ter passado pela porta do Simple Plan, VersaEmerge, A Rocket To The Moon, A Day To Remember e de alguns conhecidos com quem falei rapidamente, como: The Ready Set, The Maine, NeverShoutNever e Hey Monday. Perguntei à Cass qual era o camarim dos meninos, mas ela não sabia informar. Tudo bem, era só continuar andando pelos bastidores do festival até encontrar alguém. Prestando atenção nas placas das portas, me bati com alguém sem querer.
- Desculpa! - falei automaticamente. - Hayley!
- ! - ela me abraçou - Quanto tempo!
- Pois é, estou com saudades da estrada com vocês. - sorri.
- Eu também. Precisamos marcar alguma coisa. - ela sorriu - Vou me arrumar agora, fica aí com o Jeremy.
Hayley se afastou e só então percebi que Jeremy estava atrás dela o tempo todo. O clima ficou meio pesado, mas ele deu um sorriso de lado e eu senti meus músculos relaxarem um pouco.
- Oi . - ele me abraçou.
- Eu senti tanta saudade! - o abracei com força.
Jeremy me abraçou pela cintura e eu repousei meu queixo em seu ombro. Ele fazia me sentir tão segura e protegida. Eu sentia falta dos abraços dele, de suas brincadeiras e caretas, do jeito como ele me tratava tão carinhosamente e como ele sempre sabia o que dizer para arrancar um sorriso do meu rosto. Sim, eu sentia muita falta dele, ele me ajudou tanto quando eu mais precisei. Ele ficou comigo todo o tempo que eu pedi para ele ficar, ele falou quando necessário e me ouviu quando eu sentia as palavras arranharem minha garganta. Por que eu não podia amá-lo como eu amava ?
Ainda me desfrutando do abraço de Jeremy, vi uma porta se abrir um pouco à frente e e Jack saírem da sala. Jack me olhava surpreso e sorrindo, mas estava sério e eu via seus olhos queimarem em ciúmes.
- ! – Jack sorriu.
- Jack! – me soltei de Jeremy para abraçar Jack.
Dei um sorriso de lado para enquanto Jack cumprimentava Jeremy, mas seu rosto ainda estava rígido e ele não moveu um músculo.
- Também é bom te ver de novo, . – sorri irônica.
O mesmo não me respondeu, só continuou a me fitar como se eu fosse um poste insignificante. Jack percebeu que o clima tinha ficado pesado com o silêncio e resolveu falar algo, mas eu o cortei:
- Então agora você resolveu fazer o tratamento do gelo comigo?! – encarei – Voltamos a ter cinco anos e eu não sabia.
não esboçou reação, apenas continuou parado como se ninguém estivesse falando com ele. Jeremy se mexeu desconfortavelmente ao meu lado, pigarreando para Jack fazer algo.
- Vamos agir como adultos, certo?! – puxei a mão direita de – Não é isso que somos? Pois então, vamos resolver como adultos.
Arrastei até a sala que tinha escrito “All Time Low” na porta, fechando-a atrás de mim e soltando sua mão logo em seguida. Cruzei meus braços e encostei-me à porta, enquanto se jogava em um dos puff’s em minha frente.
- Você entrou calado e espero que assim continue até eu terminar de falar. – o encarei séria – Eu não sei se você percebeu, mas me magoou profundamente. Você sabe que eu nunca faria isso contigo, , por que você fez comigo? Eu ainda estou buscando os motivos de você ter começado a agir tão frio de uma hora pra outra, com todas aquelas mentiras e tudo mais. Você sabe que eu já te perdoei, e também não sou santa na história, mas espero sair dessa sala sem maiores problemas contigo.
Ele continuou me encarando, mas com uma expressão de dúvida. desviou seu olhar para o chão, mergulhando em pensamentos.
- Essa é a hora em que você me responde. – estalei os dedos em sua frente.
- Não te devo satisfação. – ele me olhou – Não quero ser rude, não me entenda mal. Mas as coisas estão complicadas agora, preciso que você acredite em mim.
- Me diga o que está complicado e eu acreditarei. – disse séria.
- Eu não posso. – ele soltou um suspiro cansado - Por que estamos aqui mesmo? Pensei que deveríamos seguir nossos caminhos sem olhar pra trás.
- Tudo bem. Se é assim que você quer, eu não posso te forçar a fazer nada. – dei de ombros.
deu alguns passos até parar bem perto de mim. Perto até demais. Ajeitou uma mecha da minha franja, colocando-a atrás da minha orelha e levantou um pouco meu queixo, dando um longo beijo quente em minha bochecha.
- Um dia você vai entender que eu te amo. – ele bagunçou um pouco meu cabelo e deixou a sala.
21 - It's got me mixed up, trying not to give up
- Alô? - Cass atendeu o telefone.
- Oi Cass. É a . Vi sua mensagem, tá tudo bem. - falei - Então, vocês querem vir aqui em casa?
- Oi . Pode ser, eu vou falar com a galera. - ela disse animada.
- Te vejo em uma hora então. - disse e desliguei.
Arrumei a bagunça na sala, pedi sushi para o almoço e alguém bateu na porta depois de algum tempo.
- Meu exército chegou! - disse rindo ao abrir a porta.
- Olá . - disse.
Cumprimentei todos, inclusive , e avisei que tinha pedido sushi. Jack invadiu a cozinha atrás de cerveja, enquanto os outros se espalhavam pela sala.
- Hey, cadê a Gulia? - sussurrei discretamente para .
- Acho que não sou a pessoa certa pra te contar. - ela sorriu de lado.
- O que vocês estão cochichando aí? - Rian perguntou divertido.
Antes que alguém pudesse responder, alguém bateu na porta e Jack correu para abrir, mas era só o entregador com a comida.
Sentei-me no puff roxo encostado na parede e observei a sala. Rian e Cass estavam do outro lado do cômodo, comendo e conversando. Jack, Holly, May e estavam em volta da mesa. no sofá não tirava os olhos da TV, comia como se fosse um robô. era o único que não comia, não falava, não piscava, não bebia, nem se mexia. Ele estava sentado na poltrona, encarando o próprio celular, em suas mãos.
Levantei-me e fui para cozinha, colocando o prato na lava-louças e a lata de coca-cola na lixeira.
- Podemos conversar? - uma voz rouca veio da porta.
- Diga. - disse encarando .
- Terminei com a Gulia. - ele sorriu de lado.
- Sorte dela. - revirei os olhos impaciente.
- Eu terminei com ela pra ficar com você.
- Fez uma péssima ação então. Eu não vou voltar com você, . - disse séria.
- Outra chance. Por favor. - ele me encarou.
- Não me peça isso. - suspirei.
- Eu prometo não errar dessa vez. - ele disse se aproximando.
- Você já me prometeu muito, . - falei séria.
- Eu te amo. - ele colocou meu rosto em suas mãos.
- Eu não acredito em você. Sinceramente, não acredito.
- O que eu preciso fazer pra você acreditar? - ele perguntou um pouco aborrecido.
- Desistir. Deixa-me em paz. - falei querendo dizer o contrário, mas a vingança falava mais alto.
- Você sempre mimada, quer tudo do seu jeito. - ele riu irônico e eu senti meu sangue ferver.
- Eu te odeio, . Odeio suas ironias, odeio tudo que me lembra você. Odeio como você é bipolar! Ontem mesmo você deixou bem claro que estava tudo acabado e agora você quer voltar?! - falei entre os dentes. - Vai pro inferno!
- Você me odeia? - ele parecia surpreso.
- Eu.. Eu.. - a raiva tinha subido e eu não tinha percebido que tinha dito aquilo. - O-o que-e?
- Você me odeia! Não, tudo bem. - ele parecia confuso - Não se preocupe. Eu acabei de desistir.
Ele saiu da cozinha, me deixando sozinha, percebendo o tamanho da burrada que eu tinha feito. Sai atrás dele, chegando na sala e encontrando todos me encarando confusos e a porta da rua aberta. Parece que minha vingança tinha ido um pouco longe demais.
22 - Don't say you love me, you're leaving me
- Vai lá falar com ele! - repetia a mesma frase pela décima vez.
- NÃO! - respondi alto, atraindo alguns olhares na cafeteria - Já disse que não, e não é não.
- Mas a culpa é sua. Ele largou a Gulia pra ficar com você. - ela me encarava séria - Vai lá. Agora.
- , primeiro: ele largou a Gulia porque quis. Porque quando ele estava comigo, ele comia todas por aí e nem se preocupava em saber se eu ainda existia. - falei séria largando o lápis em cima do caderno na mesa - Segundo: eu sei que a culpa é minha, mas já pensou se não é melhor assim? Se ele acha mesmo que eu o odeio, quer dizer que ele não sabe nada sobre mim, o que é péssimo. E terceiro: para de cuidar da minha vida!
- Tudo bem. Não tá mais aqui quem falou. - ela reclamou se levantando - Mas cuidado, . Você está conseguindo afastar todos os seus amigos de você.
Suspirei cansada ao vê-la indo se sentar-se à mesa do outro lado da cafeteria, com , Jack, , Rian, Cass e Holly. Por obra do destino, todos nós resolvemos comer no mesmo lugar, dia e hora. Não poderia ficar pior? Poderia. Depois de toda a cena com no dia anterior, todos resolveram manter distância, só veio falar comigo quando eles me viram e segundo ela, eles não queriam deixar um "clima tenso" porque certamente não quer falar comigo.
Achava aquela desculpa totalmente esfarrapada. Era óbvio que havia outro motivo, mas parece que ninguém queria me contar, já que o máximo que fizeram foi acenar ou sorrir.
Larguei o lápis novamente, irritada por não conseguir me concentrar no livro. Teria uma entrevista de emprego no dia seguinte, e como é em uma empresa que cuida de animais silvestres abandonados ou machucados, estava estudando biologia, para passar a imagem de que eu pelo menos estou interessada no assunto da empresa, mas com aquela tensão no ar, não tinha como me concentrar.
Joguei todas as minhas coisas na bolsa e puxei o livro, indo ao caixa para pedir uma rosquinha de chocolate. Sem muita demora, paguei pela rosquinha e saí, procurando um táxi no frio cortante que estava do lado de fora.
- . - alguém me chamou.
- Oi? - me virei - Jack.
- Como vai? - ele deu um meio sorriso.
- De táxi. - ri baixo.
- Engraçadinha! - ele apertou a ponta do meu nariz, rindo - O clima estava estranho lá dentro.
- Eu sei. - suspirei cansada.
- Tenta falar com ele. - ele sorriu sapeca.
- Você também? - revirei os olhos impaciente - Eu não vou lá. Eu não vou falar com ele.
- Calma. - ele segurou meu pulso - Qual o problema? Por que você não quer ir falar com ele?
- Quando ele fez a burrada, ele veio atrás de mim? Ele tentou me impedir de voltar pra Califórnia? - perguntei séria - Não. Então também não vejo por que voltar lá e tentar consertar meu erro quando ele não fez o mesmo por mim.
- Você vai mesmo se igualar a ele? Vai mesmo pagar na mesma moeda? Vamos lá, ! Você está sendo tão idiota quanto ele foi. Mostre que você é melhor do que ele pensa.
- Não! Eu não volto lá. Eu vou fazê-lo pagar por todos os dias que eu sofri. - resmunguei.
- Então é isso? É uma vingança barata? - Jack riu - Desista. não é . Ele nunca vai sofrer como você. No máximo ele vai comer uma por noite até finalmente arranjar outra e então... Então você vai ser esquecida.
- Então me deixe ser esquecida. Talvez seja melhor assim. - falei voltando minha atenção aos táxis.
- Olha pra mim. - ele me puxou - Você é a minha melhor amiga, ele é meu melhor amigo e eu quero ver a felicidade dos dois.
- Eu sei! - eu o abracei - Mas não quero sair perdendo nessa história! Eu preciso saber que ele se arrepende mesmo, que não fala da boca pra fora.
- Você é quem sabe. Eu ainda acho que você deveria conversar com ele. - ele me deu um beijo na testa.
- Por que vocês querem tanto que eu vá conversar com ele? - perguntei desconfiada.
- Porque ele precisa de você. - vi Jack ficar nervoso.
- O que você está escondendo? - perguntei séria.
- Nada. - ele sorriu olhando pros lados.
- Olha pra mim! - segurei seu rosto - Para de mentir e diz o que tá acontecendo.
- Pergunta ao .
- Tchau Jack. - dei um beijo em sua bochecha e saí.
Por sorte, um táxi vazio passava na hora e eu entrei, indicando meu endereço e olhando para porta da cafeteria, mas Jack já tinha saído.
Ao chegar em casa o relógio marcava oito da noite, duas horas se passaram voando naquela cafeteria. Joguei tudo em cima da mesa e tomei um banho rápido, pegando no sono em seguida.
Abri meus olhos lentamente, ouvindo o barulho da campainha ecoar pela casa.
O relógio marcava duas da manhã e me assustei por ter dormido tanto e por ter alguém batendo na minha porta a essa hora. Levantei cambaleando e fui até lá, olhando através do olho mágico, mas estava escuro e eu não via nada. Abri a porta lentamente e estava sentado no tapete de entrada.
- ! - chamei - O que você está fazendo aqui?
- Mas o não deixa só mais.. - ele disse embolado e começou a rir.
- Levanta. - falei séria.
- Me ajuda! - ele ainda ria.
- Você tá bêbado! - o levantei, puxando-o para o sofá. - Senta aí.
- Por quê? - ele já estava fechando os olhos.
- Que droga, ! - o levei ao banheiro - Você vai tomar banho.
- Nãoooo! não quer banxo! - ele reclamou.
- Você não tem que querer nada aqui.
Deixei a banheira enchendo e fui tirar os sapatos dele. Por incrível que pareça, ele não reclamou. Sentou no chão do banheiro e tirou a blusa, ficando apenas com uma calça jeans surrada. se levantou e tirou o jeans, passando a ideia de um sóbrio até quase cair ao dar três passos até a banheira.
- Eu não vou entrar! - ele dizia embolado.
- Vai sim! - o empurrei pra água.
O que eu menos esperava era que ele me puxasse junto. Senti a água gelada em contato com meus músculos e senti que iria morrer congelada naquele momento.
- Porra ! - xinguei alto.
- Desculpa. - ele me soltou.
- Tudo bem... Eu acho. - falei sentindo a vergonha no ar.
Com o clima bem incômodo, eu saí da banheira tremendo de frio, peguei uma toalha e me enrolei. Olhei para e ele me encarava estranhamente.
- O que foi? - perguntei.
Ele nada respondeu. Peguei os vidros de shampoo e condicionador que estavam em cima da pia e ajudei a terminar logo no banho. Fomos até o quarto de hóspedes e eu peguei uma roupa dele que não sei como, estava no meu closet.
- Boa noite. - disse entregando-o a roupa.
- Você vai embora também? - ele me encarou.
- Vou pro meu quarto. - falei confusa.
- Eu também vou embora. - ele bocejou.
- Do que você falando?
- Londres, Inglaterra. Acho que tenho um voo daqui a algumas horas.- se deitou.
- Por quê? - perguntei, mas ele já havia dormido.
Fui pro meu quarto e tentei dormir, mas não consegui. Essa história de Londres estava apertando meu juízo. Não sei o que, mas alguma coisa dentro de mim me mandava ir até o quarto vizinho, e eu fui. Abri a porta lentamente e me deitei ao lado dele, que acordou.
- Hey, dorme de novo. - sussurrei.
- Eu te amo, . - ele me abraçou.
Continua...
Nota da Beta: Qualquer tipo de erro encontrado nessa atualização, contacte-me por e-mail, não utilizem a caixa de comentários. Obrigada, espero que gostem da fic. XX