
- Corre, Corre! É a última sala à esquerda!
- Cinco minutos!
- Eu disse ESQUERDA, !
Entramos na grande biblioteca da sala da família Russell. vigiava a porta, enquanto eu, e nos espalhávamos pelo lugar.
- Atrás do quadro! – Berrei, e correu para arrancá-lo da parede.
Um cofre pequeno e prateado, completamente digital, apareceu. Sorri sozinho. ainda me encarava, esperando que eu lhe dissesse a senha.
- Quatro minutos. – repetiu, e eu bufei.
- Tá, cala a boca! – Resmunguei. – Quatorze. Dezenove. Quarenta e três... – Comecei a ditar, vendo que digitava rapidamente – Cinquenta e oito. Trinta e nove.
Suspirei. acionou o botão, mas o cofre não abriu.
- Não é isso, . – Ele disse calmamente. Meu coração acelerou.
- Três minutos.
Ignorei esse último comentário, pro bem da vida de .
- Claro que é, tenta de novo! – Revidei.
Vi digitando novamente e me aproximei. O cofre permaneceu fechado.
- Porra! – reclamou, também se aproximando.
- Quatorze. Dezenove. Quarenta e três. Cinqüenta e oito. Trinta e... – Fechei os olhos, tentando me esforçar ao máximo pra lembrar a merda da senha. Olhei para , completamente desesperado.
- Tenta trinta e oito. – Ele disse, e obedeceu. Nada.
- Dois minutos.
- CALA A MERDA DA SUA BOCA, PUTA QUE PARIU! – Berrei e arregalou os olhos, murmurando alguma coisa inaudível. Ele estava me irritando. E querendo ou não, eu só tinha a porra dos dois minutos pra lembrar a senha e sair dali, antes que a governanta voltasse.
18 horas antes...
A música estava completamente ensurdecedora, mas não estava incomodando. Depois da sétima cerveja, as coisas começam a ficar um pouco mais toleráveis. Ainda estava cedo, e talvez por isso todos os vizinhos dos Russell não tivessem se unido e chamado a polícia para acabarem com a baderna. Seria muito bem feito, diga-se de passagem. Eu adorava ver a cara de merda daquele Michael. Uma festa dele que acabasse com polícia, certamente o irritaria. Outra coisa que provavelmente o irritaria: o fato de sua irmã mais nova estar sentada no meu colo com um vestido mínimo, gemendo como uma vadia, no meio da sala de estar lotada de gente. Apertei minhas mãos com força do lado de suas pernas, enquanto descia em beijos de seu pescoço para seu colo. Mesmo com a música, podia ouvi-la sussurrar meu nome. Ri malicioso e a puxei pelo pescoço sem nenhuma delicadeza, quase chocando nossas bocas.
- Vamos pro meu quarto, por favor... – Ela disse e eu sorri, encarando seu estado. Olhei por sobre seu ombro e avistei praticamente comendo a outra irmã de Michael, a mais velha, e ri alto. Esse é o meu garoto. – , por favor... – A voz de Kelsey era quase uma súplica, como se a vida dela dependesse de mim. Tive que segurar o riso.
Estava na hora.
- Kel – sussurrei, sabendo que ela adorava quando eu usava seu apelido. – Ali tá mais perto... – Disse apontando para a biblioteca, e ela não fez nenhuma objeção, só me puxou rapidamente, enquanto eu sorria vitorioso.
- Essa foi a melhor noite da minha vida! – Kelsey disse empolgada, fechando seu vestido laranja. Sorri, tentando parecer simpático. A verdade é que aquela noite não tinha significado porcaria nenhuma pra mim, então não vale nem a pena ser comentada. Ela era gostosa, mas grande merda. Já comi melhores. Apontei para a parede, dando de ombros.
- Belo quadro. – Disse, e ela sorriu.
- Não sabia que você tinha gosto para artes, .
- Tem muitas coisas que você não sabe sobre mim, Kel. – Sorri furtivamente, a abraçando pelas costas e apertando minhas mãos em sua cintura. Ela suspirou pesadamente. – Você deveria merecer um prêmio por bom desempenho essa noite. – Disse, a virando pra mim – Uma joia, talvez. Um colar... – Passei as pontas dos dedos por seu pescoço, vendo-a arrepiar. – Mas infelizmente o colar que você merecia, já está fora do mercado.
- Do que você está falando? – A garota parecia estar em outra órbita. Tive que me esforçar pra não a chacoalhar com força.
- Seu irmão comprou um colar para a namorada, não é mesmo? – Perguntei num tom de voz despreocupado, e ela sorriu fraco.
- Sei do que você está falando. Achei um exagero, aquela biscate da Chloe não merece tanto.
- Sou obrigado a concordar... – Sorri, e ela também.
- Quer ver o colar? – Bingo. Eu amo sua burrice, Kelsey.
- Você não acha que ele vai se importar? – Fiz minha melhor cara de bom moço, aquela que convencia tanto garotinhas inocentes, quanto meus pais. Bastante útil. Ela riu.
- Fica como o nosso segredo, okay, gato?
Kelsey caminhou até o quadro e o retirou de lá. Em seguida, digitou uma seqüência imensa de números. Mas eu teria que decorar.
Quatorze. Dezenove. Quarenta e três. Cinqüenta e oito. Trinta e...
- SEIS! – Berrei. – Trinta e seis, !
digitou a sequência novamente, e o cofre destravou. deu um grito animado e o repreendeu com o olhar.
Tirei de dentro do cofre uma caixa preta, a mesma que eu tinha visto na noite anterior, e sorri largamente. Abri e vi três pares de olhos arregalados se aproximarem. Um Bulgari legítimo, todo cravado em diamantes.
- Cacete! – gaguejou e eu ri.
- Eu te disse... – Ri convencido, e todos me olharam.
- Tem certeza que não vai dar em nada? – perguntou preocupado. rolou os olhos.
- Sempre dá certo! – sorriu convencido, e eu fiz o mesmo. Ele estava certo. – Hey, que tal alguns dólares para patrocinar nossa festa mais tarde? – gargalhou e fez o mesmo.
- Pega uns quatro desses aqui... – pegou alguns bolos de notas e eu gargalhei.
Foi quando ouvimos o barulho de saltos contra o piso.
- Merda. – disse e eu arregalei os olhos, jogando a caixa com o colar e os dólares na mochila de . Colocamos o quadro no lugar em segundos e encaramos a janela entreaberta.
- É tudo ou nada. – Disse rápido, e saímos correndo.
Pulamos a janela o mais rápido que conseguimos e também o muro baixo que dava para a casa ao lado, logo em seguida. Vez ou outra, algum de nós olhava para trás, mas tudo parecia tranquilo. Fizemos a volta pela frente da casa e passamos pela mansão dos Russell novamente. Não pude deixar de rir, de gargalhar. Michael, filho da puta, quero ver se meter onde não deve agora!
- Ei! – Ouvi um berro e olhei para trás.
- Ah, não... – resmungou, vendo que Michael, Eric e Johnny se aproximavam de nós. Engoli seco.
- No três. – sussurrou. – TRÊS.
Quando disse isso, saímos correndo em direção ao Porsche de – nunca entendi a necessidade daquele carro ser amarelo, mas esse era . Vi os três idiotas entrarem no carro de Johnny e começarem a nos seguir.
- Fodeu! A gente precisa esconder esse colar! – dizia quando eu ri, fazendo com que todos me olhassem.
- Esconder? Tá maluco?
Abri a mochila de e peguei a caixa preta.
- Reduz, . – Disse calmamente.
- Como é? – me encarou de sobrancelha erguida.
- Reduz! – Respondi firme e ele me obedeceu. O carro de Johnny encostou na lateral do nosso.
- O que vocês estavam fazendo na minha casa, ?
Michael perguntou e eu ri. Não respondi nada. Apenas enrolei o colar entre os dedos e chacoalhei pro lado de fora, enquanto todos me encaravam paralisados.
- COMO VOCÊ PEGOU ISSO? – Dessa vez, Russell berrou. Ri alto.
- Pergunta pra Kelsey. Aliás, muito gostosinha sua irmã... – Respondi presunçoso e fechei o vidro até a metade. – Ah, espero que se comporte quando você vir esse colar hoje à noite. Seus pais não precisam saber do beco de drogas que você anda frequentando em Hampstead. Pode ser muito pro coração do seu velho...
Fechei o vidro até o final e durante alguns segundos, ninguém disse nada. Ouvi um berro escandaloso de Michael.
- Você vai me pagar, ! Vocês todos vão me pagar!
Abrimos as quatro janelas simultaneamente e mostramos os dedos para trás, caindo na gargalhada depois.
- Ah, caralho, a gente é foda! – berrou e eu ri, chacoalhando a cabeça e jogando os dólares dentro do carro, enquanto ria. Peguei uma garrafa de Black Label que estava pela metade e virei um gole, passando para a mão dos demais.
- Um brinde a nós, que mais uma vez fodemos com a vida do Russell!
- Cheers! – Todos gritaram e riram, enquanto pisava fundo no acelerador.
Arrumei minha gravata devagar e entrei na enorme mansão dos Campbell. Avistei lá dentro e trocamos um sorriso cúmplice, que quase me deu vontade de rir.
- , querido! – Sra. Campbell aproximou-se e me encarou dos pés a cabeça, com um sorrisinho malicioso em seguida. – Você está tão elegante!
- Obrigada, Joanna. – Sra. Campbell sorriu ao ver que eu me referi a ela pelo primeiro nome. Ela realmente era jovem demais pra ser considerada uma senhora. – Meus pais vão demorar um pouco, você conhece minha mãe...
Ela riu.
- Oh, Susan! Passa horas tentando ficar mais deslumbrante que eu! – Nós dois rimos, mesmo que eu não tenha achado graça. – Querido, você poderia apressar a ? Hoje é aniversário dela, não casamento! – Joanna riu e eu assenti, sorrindo.
- Vou atrás dela.
Sorri malicioso enquanto subia as escadas. Cumprimentei várias pessoas de longe, não estava a fim de parar pra fazer social. Peguei duas taças de champagne com um garçon e finalmente cheguei no andar de cima, andando pelo imenso corredor cheio de obras de arte nas paredes. Fui até a penúltima porta e bati devagar.
- , até que enfim você resolveu aparecer, eu preciso que... ! – Ela se assustou ao me ver, me fazendo rir baixo.
segurou a parte da frente do vestido, e eu pude perceber que o zíper estava aberto atrás. Não precisei olhar, mas acabei mordendo o lábio na mesma hora. Aquela garota me enlouquecia até sem perceber! Estiquei a taça de champagne pra ela, que sorriu em agradecimento.
- Entra. – Disse sorrindo, e eu fiz o que ela pedia. – Você sumiu hoje... – comentou olhando pras unhas, como se não se importasse com o fato. Na verdade, tinha quase certeza que ela realmente não se importava. Sorri furtivamente, agora observando suas costas descobertas pelo vestido preto.
- Eu estava providenciando seu presente.
A palavra presente pareceu despertá-la de um transe. Ela me encarou, de sobrancelha erguida, e caminhou até mim.
- Você acabou de mencionar um presente, sendo que está no mesmo ambiente que eu há dois minutos e sequer me deu parabéns por meus dezoito anos... – chacoalhou a cabeça de um lado para o outro, e eu apoiei a taça numa mesinha, caminhando até ela.
- Me desculpe, seu vestido semiaberto acabou com a minha atenção... – Disse baixo, e riu, mordendo o lábio.
- Você poderia parar de tentar me despir com os olhos e me ajudar a fechar esse vestido? – Ela perguntou, e eu ri, puxando-a pela cintura. Senti sua respiração quente perto do meu rosto e deu um pulinho quando meus dedos frios tocaram a pele de suas costas descobertas.
- Eu não preciso te despir com o olhar, quando posso fazer isso com minhas próprias mãos... – Sussurrei, e deu um risinho baixo próximo ao meu ouvido. Acariciei sua pele e pude perceber que ela se arrepiava.
- , o zíper... – murmurou e eu ri, fechando-o totalmente contrariado.
virou e encarou seu próprio reflexo no espelho. Ela estava linda, com o cabelo amarrado em um coque e o vestido que parecia ter sido feito para ela. Muito provavelmente era, os estilistas adoravam fazer designs exclusivos para a ilustre herdeira dos Campbell.
- Como estou? – Ela perguntou, ainda dando voltinhas, e eu sorri, perplexo.
- Quase perfeita. – Respondi a abraçando pelas costas, e a cara de indignação de foi hilária. Antes que ela começasse a questionar aquele quase perfeita, eu tirei a caixa preta do meu bolso, e abri em sua frente. – Feliz aniversário. – Sorri simplesmente.
Os olhos de se arregalaram e depois um sorriso enorme apareceu em seu rosto.
- ... Como... Meu Deus, é perfeito! – Ela exclamou e pulou em meu pescoço, me beijando rapidamente. – Mas espera aí... Esse colar é modelo único, e o Mike tinha comprado para a biscate loira que ele chama de namorada... !
Ri de nervoso. Não por ter sido muito esperta com a minha farsa, mas por ela tê-lo chamado de Mike. Eu simplesmente odiava aquela relação amigável que ela mantinha com o ex, que sempre fora presente na minha lista negra. Eternamente.
- Quer parar de reclamar? – Peguei o colar e coloquei em seu pescoço, virando-a de frente para o espelho.
sorriu e seu olhar brilhava de luxúria. Passou uma das mãos delicadamente pelo colar, sem dizer uma palavra, e seu sorriso aumentava cada vez mais.
- Obrigada.
Ela sussurrou e eu a virei de frente, sorrindo largamente. Segurei em sua nuca e encostei minha boca na dela, que cedeu rapidamente e deixou que nossas línguas se tocassem. Apertei sua cintura, intensificando o beijo e a empurrando para trás, de encontro a sua escrivaninha. sentou bagunçando meus cabelos, e colocou as pernas ao redor do meu corpo, enquanto minhas mãos desciam e apertavam suas coxas.
- Como você conseguiu isso? – Ela sussurrou, enquanto eu subia minhas mãos por dentro de seu vestido.
- Peguei do cofre dos Russell – Respondi rapidamente, mas não mostrou nenhum espanto com o fato. Ela já devia imaginar.
- Como? – Ela perguntou mordendo meu pescoço e eu dei um gemido baixo, em protesto. Não queria conversar. Minha mão encontrou a lateral de sua calcinha, e eu tentei puxá-la para baixo.
- Descobri a senha na festa da Maddie.
No mesmo instante, parou de me beijar. Respirou fundo e me encarou nos olhos, segurando meu pulso com força.
- Você dormiu com uma delas, não foi? – Perguntou séria. Engoli seco, não teria como mentir. Aliás, sempre descobria quando eu estava mentindo. Assenti com a cabeça. – FILHO DA PUTA!
Ela berrou e começou a me estapear com uma das mãos, enquanto apertava cada vez mais meu pulso com a outra. Puta merda, aquela garota aparentemente pequena e indefesa era forte! Segurei suas duas mãos, com um pouco de esforço.
- Quer parar? – Disse alto, e mordeu o lábio.
- Qual das duas?
- O quê? – Gaguejei.
- Qual das duas putas Russell você comeu, ? Maddie ou Kelsey? Qual? – me encarava com o rosto vermelho. Meu coração acelerou.
- Isso realmente importa? – Perguntei, soltando uma de suas mãos e beijando seu pescoço, numa tentativa frustrada de fazê-la esquecer. pegou meu cabelo com a mão livre e puxou minha cabeça pra trás.
- Quando eu faço uma pergunta, eu espero que você responda. – Disse séria. Gelei. – Qual das duas, ?
- Ke-Kelsey. – Gaguejei. Então eu ouvi um berro fininho e descontrolado de .
- EU TE ODEIO! FILHO DA PUTA! – Ela gritava, batendo com os punhos fechados no meu peito. – Se tinha que comer uma daquelas vadias, que fosse a idiota da Maddie! Você sabe que eu ODEIO a Kelsey! EU ODEIO VOCÊ, SEU IDIOTA!
berrava e eu podia ver as veias de seu pescoço saltadas de tanta raiva. Ela me batia com toda força que conseguia, e aquilo começou a me irritar.
- Você não queria a porra do colar? – Gritei, e ela me olhou nos olhos, profundamente irada.
- Eu queria! Mas você...
- ... Se eu não dormisse com aquela burra da Kelsey, esse colar não estaria no seu pescoço e sim no da Chloe, e ela destruiria sua festa, tá bom pra você? – Me descontrolei. Os pulsos de relaxaram, e ela respirou fundo. – Você quer parar de agir como uma criança agora?
- Você transou com a Kelsey, eu tô com nojo de você! – disse baixo, fazendo careta. A puxei pra mais perto, me colocando exatamente entre suas pernas, e levantei seu rosto.
- Não significou nada. – Disse, e era verdade.
- Você dormiu com a Kelsey. Ah! – Ela olhava para o teto, e eu quase ri. Comecei a beijar seu pescoço, e suas mãos se fecharam em meu braço.
- , para. – Ela disse com a voz mole. Sorri malicioso.
- Você não quer que eu pare... – Disse baixo, mordendo de leve o lóbulo de sua orelha. Eu sabia que aquilo a enlouquecia. me puxou pela gola da camisa e me beijou ferozmente. Retribui da mesma forma, sentindo meu lábio formigar com o toque. Minhas mãos já tomavam o mesmo caminho de antes, por dentro do vestido, quando ela parou o beijo, apertando minha nuca.
- Como ela foi? – Perguntou, de olhos fechados, e eu franzi a testa.
- Eu não acredito que você tá me perguntando isso... – Murmurei um pouco irritado, enquanto beijava seu queixo.
- Pode acreditar. – Ela respondeu firme. Rolei os olhos.
Encostei minha boca em sua orelha, e sussurrei.
- Uma merda. Eu pensei em você o tempo todo.
- Mentiroso. – Ela riu baixo. – Sou melhor do que ela?
Apertei um de seus seios, enquanto abria devagar o zíper do vestido, sorrindo.
- Você tá brincando comigo? – Eu ri – Nem dez Kelsey’s se comparam a você. Ela só era um obstáculo que eu tive que vencer pra presentear a minha garota do jeito que ela merece...
estava sorrindo, eu não precisava olhar pra saber. Beijou algumas vezes o meu pescoço.
- Sua garota agradece. – Ela sorriu, me empurrando para trás. – Agora, infelizmente, ela tem que descer pra porcaria de festa high society que os pais dela organizaram...
Rolei os olhos, lembrando que a mãe dela apareceria a qualquer momento ali e nos pegaria numa situação não muito bonita. Fechei o zíper e a beijei, puxando-a pela mão. parou de andar e encarou novamente o espelho.
- Quero só ver a cara da Chloe... – Ela murmurou e eu ri. As vezes eu acho que é minha versão de saias. E muito mais gostosa.
- Você me deve uma comemoração mais tarde... – Beijei seu ombro e ela sorriu, piscando para o espelho.
- Pode apostar.
Desci as escadas primeiro que , afinal, todas as atenções teriam que estar voltadas a ela, como ela sempre gostava. Não tinha dúvidas que todas as duzentas pessoas daquela sala iriam ficar boquiabertas quando aparecesse. Avistei Michael entre algumas pessoas e sorri malicioso.
- Russell! – Cumprimentei sorridente. Percebi que Michael apertara o copo com um pouco mais de força que o necessário. – Chloe, como vai?
- Muito bem, . – Ela sorriu com todos os dentes e eu a encarei dos pés a cabeça. Sinceramente, nem precisaria de colar algum pra ficar mais bonita que ela.
- Ótimo! Posso falar com você, Michael? – Disse já o puxando, para que não negasse. Permaneci com o olhar fixo na escadaria em minha frente, esperando a entrada triunfal de .
- O que você quer, ? – Russell bufou e eu sorri, tomando um gole do meu champagne.
- Só vim te lembrar que é bom que você ande na linha. – Sorri para os pais de , que nos olhavam. – Ou vai se arrepender.
- Eu não tenho medo de você, .
- Deveria.
Continuei sem encará-lo, e vi aparecer no andar de cima. Todos os olhares se voltaram pra ela, e eu prendi o riso ao ver o queixo de Michael cair. Ela sorria, ainda parada e encarando os convidados.
- Ali estão as duas coisas que você mais quer na sua vida, mas como é um merda, nunca terá. – Gargalhei. - O colar ficou lindo na , huh?
- Você é um filho da puta! – Michael disse nervoso, mas mantendo o sorriso falso aparente.
Ri baixo, dando uns passos pra frente enquanto descia as escadas, e todos comentavam. Virei meu pescoço e encarei Russell nos olhos dessa vez.
- Isso é pra você aprender que amadores não devem se meter com profissionais, querido Russell. – Sorri. – Ah, não esquece de dizer pro seu pai que você pegou alguns dos dólares do cofre dele, antes que ele sinta falta... – Chacoalhei a cabeça negativamente – Grande filho você, Michael. Comporte-se melhor daqui pra frente, ou irritará seu amado pai! – Sorri debochado, e voltei a andar.
- Você vai me pagar. – Ouvi a ameaça e virei de costas, sorrindo.
- Duvido. Ah, e se você chegar perto da essa noite, teremos um problema sério.
Pisquei e larguei Michael com cara de merda, dando as costas. Eu não tinha tanto tempo assim pra perder com um idiota qualquer. Afinal, a garota mais linda da festa estava descendo. A minha garota.
Capítulo O2 -
aproximou-se da escada e eu sorri para ele, que fez o mesmo. Podia ouvir os comentários disfarçados por todos os lados. Olhei furtivamente para um ser loiro, com um vestido vermelho berrante e uma maquiagem “mamãe quero ser drag queen” no meio da minha sala. Chloe. Ela estava da cor do vestido, tamanho o ódio. Há, desculpe querida, mas o colar é meu! Sorri maliciosa em sua direção, e a vi dar as costas e sair em segundos dali, o que quase me fez gargalhar. Dei uma olhada rápida e alguns sorrisos para algumas pessoas, mas não estava nem aí para nenhuma delas. Estendi minha mão para quando alcancei o primeiro degrau da escada, e ele sorriu, beijando minha mão enquanto a parte mais velha da festa achava aquilo tudo muito lindo. Nunca poderei negar que é um gentleman. Quando não está irritado com algo, bêbado ou coisa do tipo, devo acrescentar. Tudo bem, eu sempre preferi os vilões, eles sempre foram muito mais espertos e instigantes. E muito mais sexies, é claro. Príncipes encantados são tão last week!
- Minha filha, você está perfeita! – Mamãe apareceu e eu sorri, enquanto ela me encarava curiosa. – Que colar lindo é esse, posso saber?
Dei um sorrisinho tímido, completamente treinado. abaixou o olhar como quem estava envergonhado, um farsante completo.
- O que me deu, mãe. – Sorri e todos os olhares e aquele zumbido de fofocas voltou. Uma Joanna Campbell boquiaberta me encarou, depois fitou .
- Meu querido, isso deve ter sido uma fortuna! – disse, e encarou os pais mais adiante, coçando o pescoço.
- Foi realmente um pouco caro. – Ele sorriu. – Mas a garota dos meus sonhos merece isso e muito mais – disse por fim, e meu coração acelerou com essas palavras, embora eu visse claramente o exagero por trás delas. Conhecia muito bem.
- Aaaaaaw, que coisa mais linda!
Alguém gritou e todos riram. Sorri, dando um selinho em .
- Obrigada, amor. Você também é o garoto dos meus sonhos.
Vi rindo descaradamente da cena e quase ri junto.
- Sinto que em breve os e os Campbell serão uma família só! – Susan apareceu, toda sorridente, e eu sorri em falso. Casamento? Fora de cogitação.
- Estamos muito novos pra isso, mãe – disse com seu olhar fofo, e ela sorriu.
- Eca, que melação! Só falta chamar o padre pra casar os dois aqui mesmo!
Ouvi uma voz fininha vindo de baixo e sorri largamente, dando pulinhos pra fora da escada, enquanto ria do comentário.
- Emma, isso são modos?
Mamãe repreendeu-a e eu a peguei no colo. Acho que minha irmãzinha é mutante, cinco anos de idade e usa muito mais o cérebro que metade daquela sala. Meu orgulho! Ela estava linda com um vestido rodado vermelho e uma fita no cabelo, enfeitando seus cachinhos que vinham até o ombro. Sabia que ela odiava aqueles vestidos que mamãe comprava, então seu humor estaria meio ácido hoje. Parece maldade, mas eu amava quando isso acontecia.
- Minha pequenininha! – A apertei e Em riu, com suas bochechas coradas.
- Eu já tô quase na sua cintura, . Não sou tão pequena... – Ela fez bico e eu ri.
- Tudo bem, mocinha! – Sorri, tocando seu nariz de leve – Você está linda.
- Eu sei. Mas esse vestido é um saco... – Ela fez careta. – Você está linda! – Emma tocou meu colar com seus dedinhos delicados. – bobão caprichou, hein?
Gargalhei. Então abaixou do meu lado, rindo.
- Ei, eu ouvi isso, tampinha! – ele reclamou e Em gargalhou.
- Bobão! – Ela mostrou a língua e depois sussurrou: – Ano que vem ele compra uma ilha pra você.
Desatamos a rir, vendo-a correr entre os convidados e sumir em segundos.
- Uma ilha... – Arqueei a sobrancelha, levantando. – Não é uma ideia tão ruim assim...
riu, me puxando pela cintura.
- Um aniversário de cada vez, .
A festa se arrastava da maneira esperada. Por mais que eu amasse a sociedade da qual fazia parte, aquelas festas eram um verdadeiro porre. Uma pessoa pior que a outra, todas tentando exibir suas novas posses, que iam de colares, carros e até namorados e esposas. Ridículo. Aquilo só não estava pior porque , , , e estavam comigo. Eu não precisava de mais ninguém para completar meu cenário. Até que uma certa pessoa entrou no meu campo de visão, e minha reação imediata foi apertar o pulso de com força.
- Outch! , o que foi isso? – ele reclamou, rindo, e eu bufei.
- Mas é muita cara de pau...
Murmurei para mim mesma, enquanto encarava Kelsey Russell do outro lado da sala. Perto dela, pelo menos essa noite, Chloe era um anjo de pessoa. me encarou apreensiva. Não tinha tido tempo de explicar nada para ela.
- O que foi, ? – ela perguntou e olhou para trás, engolindo seco.
- Tem vadias demais nesse ambiente – respondi, tensa. apertou seu corpo contra o meu, e eu respirei fundo. – Ela é tão bizarra, ! Tão bizarra! – reclamei entredentes, encarando o figurino de liquidação do outono passado e aquele cabelo que ela achava que estava bonito. Deprimente.
- , não começa... – sussurrou e eu apertei as unhas em seu pulso. teve um sobressalto.
- Amiga, qual é? Aquela garota não chega nem aos seus pés, parece que não sabe disso! – gisse ingenuamente e riu baixo perto do meu ouvido.
- Finalmente! Obrigado, ! – ele agradeceu e fez cara de confusa.
Virei de frente para , mais irritada ainda.
- Estou me perguntando há exatas três horas e vinte minutos a mesma coisa, poderia me responder? – disse sorrindo, e arqueou uma sobrancelha. Tinha certeza que ele sabia que coisa boa não era.
- Claro... – Ele deu meu sorriso preferido, e eu senti a nuca arrepiar. Mas que merda! Suspirei, voltando ao foco. Olhei em volta, sorridente.
- Estava me perguntando se certas pessoas nessa roda encontraram aquilo que chamam de pênis no lixo! – disse num tom baixo e ameaçador, e vi o queixo de cair. me encarou, sem conseguir falar nada.
– Foi o que eu pensei - disse nervosa e saí de perto deles, percebendo que me seguia. Fiquei feliz com isso, eu realmente precisava colocá-la a par dos últimos acontecimentos. É claro que eu estava feliz com aquele colar em meu pescoço, foi o melhor presente que ele podia ter me dado! Mas puta merda, transar com a Kelsey era demais pra minha sanidade.
parecia indecisa sobre seu julgamento do fato. Ótimo, tudo o que eu precisava era alguém para ficar com cara de nada em minha frente. Brilhante!
- , eu acho que...
- Aleluia, ela achou alguma coisa! – interrompi, e mostrou o dedo do meio, tacando uma almofada na minha cara. Ri brevemente.
- Eu acho que realmente não deve ter significado nada. Você acha mesmo que o seria idiota ao ponto de te trocar por aquela coisinha? – disse com desprezo e eu sorri.
- Não acho que ele vá me trocar por ela, esse não é o ponto! O fato é que ele TRANSOU com ela, , que nojo! Aquela aprendiz de biscate deve estar rindo da minha cara, argh! – Escondi o rosto nas mãos, e riu.
- Deixa de ser idiota! Ele fez tudo isso por você, e...
A porta abriu. Já estava preparada pra xingar o acéfalo que entrou sem bater, quando vi Emma parada, fazendo uma careta.
- Mamãe mandou vocês descerem. Você tem que dar atenção pros seus convidados! – Ela imitou a voz da nossa mãe e nós gargalhamos, enquanto eu fazia minha melhor cara de tédio e andava até a porta.
- Belo colar, ... – Mike chegou sorridente e eu o acompanhei. – Sou obrigado a admitir que não há melhor dona para ele do que você, mesmo.
- Obrigada, Mike. A Chloe que deve ter adorado vê-lo em meu pescoço, huh? – Dei uma risadinha baixa e ele fez careta.
- Ela foi embora brava comigo. – Mike fez bico e eu sorri. Ele era uma graça, como sempre fora. E lindo. Eu tinha total bom gosto para homens.
- Não posso dizer que sinto muito, pois estaria mentindo. – Sorri, fazendo-o rir.
Então percebi os olhares indiscretos de e em minha direção. estava de costas para eles. Não demorou muito – cerca de trinta segundos – para que virasse a cabeça e me encarasse. Michael falava sem parar em minha frente, e eu sorri maliciosa.
- Mike, vamos sentar ali? – perguntei com a voz doce e vi o garoto quase babar. Ri baixo, e ele fez que sim com a cabeça. Fomos juntos até um sofá em frente à varanda. – Você estava dizendo...
Incentivei-o a continuar com a historinha idiota que estava contando, rindo alto em algumas partes. Cruzei as pernas e coloquei um dos pés encostado na perna de Mike, movimentando devagar. Podia ver inquieto do outro lado da sala, e sorri. Coloquei uma das mãos na coxa de Russell, que olhou surpreso, mas é claro que não disse nada. Ele não reparou no que eu estava pretendendo, então colocou sua mão sutilmente perto da minha e a afagou. Usei a desculpa das várias pessoas conversando ao mesmo tempo para aproximar meu rosto do dele e falar algo em seu ouvido. No mesmo instante, ouvi o barulho ensurdecedor de várias coisas caindo no chão e dei um pulo, assustada - que não ousasse quebrar alguém na minha sala. Olhei para frente, vendo várias taças de vinho espatifadas no chão e uma garçonete desesperada. De relance, vi sumir pelo jardim da minha casa.
Já tinha se passado praticamente uma hora desde que sumira porta afora. Eu não procurei, afinal, eu tenho orgulho próprio. Muito orgulho, aliás. Ele poderia morrer do lado de fora, eu não iria buscá-lo. Aquele idiota estava provavelmente longe da minha casa, comendo qualquer vadiazinha dentro do carro só para descontar a frustração. Depois viria com a maior carinha de cão sem dono pro meu lado, eu bateria nele, gritaria, e acabaríamos na cama. Era sempre assim. Minha cabeça estava doendo, eu odiava brigar com ele, de qualquer forma. Caminhei despercebida para a cozinha, buscando algum remédio ou coisa do tipo. Apoiei as duas mãos na bancada, soltando o peso do meu corpo. Eu estava quebrada, minha mandíbula doía de tantos sorrisos forçados. Inferno. Senti o vento frio vindo do lado de fora e caminhei pela parte de trás do jardim, apertando os braços contra o corpo. Vi uma movimentação estranha mais adiante, e cerrei os olhos pra ver do que se tratava. Primeiro avistei Chloe – com aquele vestido, era impossível não vê-la –, e ela gritava desesperadamente. Demorei só dois segundos para entender, e saí correndo até eles.
- ! Solta o Mike! – berrei, e virou um murro na cara do garoto.
- Cala a boca! – berrou totalmente transtornado. Engoli a raiva que subia por minha garganta.
- Manda a tua mãe calar a boca, cacete! – gritei, e me encarou, seus olhos transmitiam tanta ira que fiquei até com medo. Então Michael acertou um murro na barriga de , que urrou de dor.
- Toma isso, seu filho da puta! – Russell gritou, e eu vi cambalear e levantar.
- Chloe, sua mula, tira esse garoto daqui! AGORA! – murmurei, vendo que ela não conseguia puxá-lo para trás. Entrei em desespero, vendo levantar a mão para mais um golpe, e me enfiei no meio dos dois. O pulso de caiu.
- Sai da minha frente, – ele disse entredentes.
Estiquei as mãos pra frente, tentando tocar seu rosto, mas ele desviou.
- Tira essa mão de mim, porra! – gritou e eu senti meu coração acelerar e meus olhos esquentarem.
- , por favor... – pedi baixo. – Chloe, tira o Mike daqui! Anda logo, merda!
- Agora você vai defendê-lo? – berrou incrédulo. Michael deu uma risada alta, e eu vi o rosto de retorcer.
- Vaza daqui, Michael! Agora! – gritei em vão, ouvindo o carro da biscate cantar pneus atrás de mim.
- Me diz quem é o amador agora, ! – Mike ainda gritou, e chutou uma lata de lixo com força.
- ERA ISSO QUE VOCÊ QUERIA? HEIN? – Ele berrava, me segurando pelos ombros – FALA, PORRA!
- Dá pra você parar de gritar? – respondi alto, mas ainda não estava gritando. riu sarcástico.
- Por que você tem que esfregar aquele idiota na minha cara, hein? Qual é o teu problema, garota? – dizia alto, e eu senti uma lágrima escorrer em meu rosto.
- O meu problema é você, ! – berrei de volta, encarando seu rosto furioso e machucado. Doía vê-lo daquela forma.
- Há, era só o que faltava! – ele murmurou, chacoalhando a cabeça – Agora o problema sou eu. Você quem fica se esfregando com o Russell e eu...
Comecei a rir, o ódio me consumindo. Eu não acreditava no que estava ouvindo.
- Engraçado, você pode comer a Russell, e eu não posso sequer tocar no Russell! Curioso, huh? – disse, debochada.
- Eu fiz aquilo POR VOCÊ, caralho! – berrou.
- E eu também fiz aquilo POR VOCÊ! – gritei de volta, e um silêncio cortante tomou conta do lugar.
- Pra me provocar... – Ele chacoalhou a cabeça e eu suspirei, assentindo. – Parabéns, você conseguiu – disse sem empolgação, e deu alguns passos em minha direção, me empurrando contra a primeira árvore que viu. – Você sempre consegue. Você me deixa louco, eu perco o controle. Parabéns.
Ele disse aquilo me prendendo, e eu senti meu estômago revirar com seu sarcasmo. Fechei os olhos e respirei fundo, sentindo os olhos arderem de novo.
- Eu costumo ser bastante boa no que me presto a fazer – respondi baixo, e rolou os olhos. O que ele queria? Que eu pedisse desculpas? Até parece.
- Você nunca vai mudar.
- Você quer que eu mude? – respondi baixo, deixando a maldita lágrima que cismava em escapar correr meu rosto. A expressão de era de dor. Ele respirou fundo, passando o dedo suavemente pela lágrima que escorria.
- Puta merda, quantas vezes eu preciso te falar que eu não suporto ver você chorando? – dizia baixo, passando a mão pelas minhas costas e me apertando com força. Deixei que mais algumas lágrimas escapassem, e afastei meu corpo do dele.
- Você quer que eu mude, ? – repeti a pergunta. Ele levantou o olhar, e ficou por alguns segundos apenas me encarando.
- Não.
Respondeu firmemente, e antes que eu tivesse tempo de sequer pensar, colou nossas bocas com voracidade, apertando meu corpo com força como se tudo fosse acabar. Meu coração acelerou rapidamente, e eu apertei minhas mãos com força em seu peito, praticamente cravando minhas unhas ali. gemeu – de dor.
- Desculpa! Desculpa! – Beijei seu rosto repetidas vezes e ele gargalhou.
- Não foi sua culpa, foi aquele idiota do Russell... – Ele quase cuspiu o nome. – Mas vai ter volta.
Olhei feio pra ele, que riu de novo.
- Tá, vou tentar me controlar.
- Agradeço. – Sorri maliciosa, mordendo seu lábio. – Agora vamos entrar, quero cortar logo aquele bolo e fugir daqui!
- Fugir! Fugir! Amém! – levantou as mãos pro céu e eu gargalhei, entrelaçando minha mão na dele e voltando para casa.
- Ei, tá faltando um! – olhou para os lados dentro do carro e riu. – Cadê o ?
- Alguém tinha que ir esquentando a festa de verdade, enquanto a gente fazia social na festa fake! – respondeu simplesmente, e eu gargalhei.
- Nossa, a dona da festa fake tá no carro, lindinho!
Dessa vez ele quem riu.
- Grande coisa, tenho certeza que você vai gostar muito mais da nossa festa! – arqueou uma sobrancelha.
- Sem dúvidas! – respondi rapidamente, e sorriu.
tirou um baseado do bolso e sorriu furtivamente. Gargalhei, tomando um gole da garrafa de vodka que passeava de mão em mão. Nosso esquenta começava ali, no carro de . acendeu o cigarro e estendeu a mão pra mim.
- Primeiro a aniversariante! – Ele sorriu e eu abri a boca, totalmente pasma.
- Não acredito que você está cedendo a primeira tragada, NÃO ACREDITO! – disse empolgada, e desatou a rir, assim como o resto do carro.
- O que eu não faço pela minha irmãzinha de consideração no aniversário dela, huh? – ele gargalhou. – Posso não ter roubado um colar de diamantes pra você, mas te dou a primeira tragada do meu baseado!
- O que no mundo do é praticamente a mesma coisa, – disse rindo, e eu apertei o nariz de , que era a única coisa que dava pra fazer, já que ele estava no banco traseiro.
- Obrigada, irmãozinho.
Segurei o cigarro já aceso e dei uma tragada, fechando os olhos. Maconha, para mim, não era algo que tivesse um efeito surpreendente. Era normal, até. Funcionava como um calmante. Afinal, pessoas fumam cigarros para relaxar, não é mesmo? Cada qual com seus problemas, esse é o meu cigarro. Nunca fui viciada, fumo por diversão quando estou com meus amigos ou quando estou afim de matar alguém. Bom, antes ser presa por porte ilegal de drogas do que por um homicídio. Veja só o bem que a maconha tem feito para a sociedade! Estiquei o braço, passando o cigarro para .
- Ei, qual é? – reclamou, e eu dei uma risada alta.
- Deixa de ser regulado, irmãozinho!
- Você é a aniversariante, não ele! – fez bico e gargalhou, apertando suas bochechas.
- Como se você não carregasse sempre um extra nos bolsos... – ela disse de sobrancelha erguida, e riu, dando uma tragada.
- Pior que dessa vez eu não tenho nada! Ficou tudo com o , pra já ir animando a festinha... – gargalhou. – Me dá essa porra! – ele reclamou, e sorriu.
- Pega! – Ele esticou o braço, mas tirou antes que alcançasse. Comecei a rir descontroladamente, eu sabia no que aquilo ia dar. pegou o cigarro da mão de .
- Ei, me dá isso, puta merda! – xingava, enquanto passava o cigarro adiante. Ela não gostava de substâncias ilícitas, mas já ficara em coma alcoólico duas vezes. Brilhante.
- Qual é, irmãozinho? Tá devagar, hein? – Dei uma tragada e bufou, xingando alto.
- ME DÁ A PORRA DESSE CIGARRO, CARALHO!
Todos ficamos em silêncio. Em seguida, começamos a rir feito idiotas. pegou o cigarro, murmurando xingamentos em francês – o pai dele o obrigara a estudar na França durante um ano. Isso só nos fez rir ainda mais, e foi emburrado o resto do caminho, enquanto ríamos feito loucos e terminávamos com a garrafa de vodka.
[n/a: coloquem beautiful dirty rich, by lady gaga, pra carregar ;D]
Chegamos à casa de , onde a festa aconteceria. Ele não morava lá. Aquela mansão de quatro andares e uma piscina gigantesca era apenas mais uma aquisição imobiliária da família , e era nosso lugar preferido para as festas mais cobiçadas de Londres. Assim que descemos do carro, soltei meu cabelo e percebi o quanto aquele lugar estava lotado: observei pessoas nas varandas, no gramado, na piscina e nos cômodos interiores através das enormes janelas. veio correndo em nossa direção, saltitando feito uma gazela, e vi, pela visão periférica, se contorcer de rir.
- Se não é a lindona da aniversariante! – me abraçou pela cintura e me rodou no ar, enquanto eu gargalhava – Parabéns, !
- Obrigada, amor! – Sorri e beijei sua bochecha – Quem está aí? – perguntei, apontando para a casa. gargalhou.
- A nata... O creme de la creme, a High Society de Londres e quiçá DO MUNDO! – disse engraçadamente, e eu desatei a rir.
- Você não existe, criatura! – eu disse, e me abraçou pelas costas.
- Vamos entrar? Aposto que lá dentro está muito melhor! – Ele mordeu meu pescoço, e eu senti minha pele arrepiar, concordando.
A sala principal da casa havia sido transformada numa pista, onde várias pessoas se amassavam, bebiam, enlouqueciam e dançavam. Um DJ amigo nosso tocava as minhas músicas preferidas, e tudo estava perfeito. As bebidas coloridas e fortes, as drogas rolando sem nenhum pudor, e todos os quartos ocupados por vários casais. e pensaram em tudo: a decoração, de iluminação fraca, lembrava um bordel dos anos vinte, tudo tinha tons de vermelho e rosa bordô. Em cada canto, , um ser pervertido e precavido, colocara vasos lotados de preservativos. Eu sinceramente estava com medo de abrir qualquer porta e encontrar aquelas alpinistas sociais fazendo ménage a trois com nerds penetras. Definitivamente não.
- No que estava pensando? – Ouvi a voz rouca de em meu ouvido e virei de frente.
- Pensando que queria uma bebida exatamente como essa... – Sorri, furtando a taça de , que gargalhou.
- Você poderia ter dito que estava pensando em mim... – ele disse, enrolando uma mecha do meu cabelo entre os dedos. Ri baixo.
- Não gosto de mentir.
Arqueei uma sobrancelha e mordi o lábio, vendo o sorriso malicioso no rosto de , que me puxou devagar e colou os lábios em meu pescoço, soltando seu hálito quente. Senti meu corpo estremecer só com isso, e quando começou a dar alguns chupões ali, finquei minhas unhas em sua nuca, fechando os olhos.
- Está pensando em mim agora? – ele sussurrou, e continuou com algumas mordidas. Puxei seu pescoço, procurando vorazmente por sua boca. desviou e riu, apertando minha cintura. – Acho que isso foi um sim!
- Cala a boca! – murmurei, derrotada, e mordi seu lábio. não me torturou dessa vez, me beijando do jeito que eu gostava.
Capítulo O3 –
O volume do rádio estava alto quando estacionei meu carro no colégio. Várias pessoas pararam pra olhar, como sempre, mas eu não dei a mínima. Deixei o CD do Kings of Leon tocando, coloquei meus óculos escuros e acendi um cigarro ao descer do carro. Algumas líderes de torcida fixaram o olhar em mim, enquanto me lançavam sorrisos pervertidos. Ri sozinho, encostando no capô do Audi, enquanto se aproximava.
- E aí, dude? - Ele me cumprimentou, e olhou para trás, rindo. – A ruivinha ali quer ter a melhor noite da vida dela com você... - Ele apontou para o grupo de cheerleaders, e nós rimos juntos, enquanto ele acendia um cigarro.
- Grande novidade...
Dei de ombros, lançando um sorriso para o lado da garota ruiva, que devia ser nova na equipe. Poucos segundos depois, April Atherton, a capitã do time, veio em minha direção.
- Bom dia, - ela sorriu. – Oi, .
A garota jogou seus cabelos escuros e compridos para o lado, lançando um olhar sexy para mim.
- Bom dia, April - respondeu com cara de idiota, encarando a saia do uniforme que devia ter sido diminuída umas quatro vezes. Segurei o riso.
- Sabe, ... - April aproximou-se, passando suas unhas compridas em meu pescoço. – Meus pais estão viajando essa semana, não seria divertido se você passasse lá em casa hoje à tarde? - Ela sorriu largamente. – Me sinto tão sozinha...
Mordi o lábio, tentando manter minha mão no capô do carro, mas ela se movia automaticamente para a cintura de April. Qual é? A garota está com um me coma praticamente estampado na testa! Eu sou homem, porra!
- Se você continuar se jogando pra cima do meu namorado, vai continuar sozinha... E sem sequer um dente na boca. - Ouvi a voz de e saí de um transe, vendo-a parada atrás de Atherton. Merda.
Não que eu realmente fosse fazer alguma coisa, mas ela nunca acreditaria nisso. Ouvi a risada fininha e irritante de April, e ela virou de frente para .
- Bom dia, Campbell... – sorriu. – Já está de mau humor a essa hora da manhã?
riu sem humor algum, e vi reprimir o riso ao meu lado. Se tinha algo que o interessava, era briga de mulher.
- Atherton, querida... - sorriu de lado. – Vou falar apenas uma vez, e espero que você entenda o recado, pelo bem do seu rostinho reformado com botox... - Ela se aproximou de April, e algumas pessoas ao nosso redor começavam a olhar. – Fique longe do que é meu, ou você vai se arrepender pro resto da sua vida. Você não sabe com quem está brincando, queridinha.
April engoliu seco, e depois arqueou uma sobrancelha, desafiadora.
- Engraçado, ... Ouvi dizer que aquilo que é seu - dessa vez April olhou para mim – levou a Kelsey Russell ao paraíso esses dias...
O rosto de empalideceu no mesmo instante. Essa conversa estava começando a ficar perigosa demais, tanto para mim quanto para os dentes da April, sem dúvida alguma. deu dois passos à frente, e eu fiz menção em a segurar pelo braço, mas ela me lançou um olhar que, se tivesse lasers, eu estaria morto. Segurou April pelo queixo, apertando um pouco mais que o recomendável, e eu ouvi a garota gemer. Em seguida, falou em seu ouvido:
- Você não devia acreditar em tudo o que você ouve por aí, Atherton. Acha mesmo que com alguém como eu, ele iria pegar uma biscatinha em treinamento como a Russell? - gargalhou, e April não conseguia responder, seu rosto estava ficando vermelho. – Agora vá para seu grupo de vadias, e tente não cruzar meu caminho, ou irá se arrepender.
a soltou bruscamente, e o queixo de caiu ao ver as marcas das unhas que ela tinha deixado nas bochechas de April. A garota me encarou, com pânico no olhar, e sumiu em questão de segundos.
- O que diabos foi aquilo? - disse, e só então me dei conta que ele havia chegado. Com ao seu lado.
- A quase matando a April? - riu alto. – A imagem do meu dia.
também riu, mas permaneceu calada, e eu também. Puxei pelo braço, e seu corpo colou no meu, entre minhas pernas. Ela virou o rosto, quando eu ameacei tocá-lo. Eu estava muito ferrado.
- Ah, , qual é? - disse baixo, aproximando meu rosto de seu pescoço, e depositando alguns beijos ali. - Eu não fiz nada...
se contorceu e empurrou meu rosto para trás, me olhando intensamente nos olhos.
- Exceto pelo fato de que você fez o que estão dizendo, . - Ela chacoalhou a cabeça. – E agora eu sou quem? A corna de ? E o pior de tudo... Com a Kelsey Russell?
Segurei sua cintura, mordendo o lóbulo de sua orelha. xingou baixo, mas sua pele se arrepiou, e eu reprimi um sorriso vitorioso.
- Só é verdade se você quiser... – sussurrei. – E eu sei que você não quer. - Embrenhei meus dedos em seu cabelo, olhando-a nos olhos e falando perto de sua boca: – É a sua palavra contra a de uma novata do primeiro ano. Em quem vão acreditar?
- Em mim... - Ela sorriu de lado, e eu sorri junto, sentindo suas mãos em minha nuca.
- E o único que poderia resolver esse impasse seria eu... - Mordi seu lábio inferior. – E eu nunca dormi com a Kelsey Russell... Aliás, quem é essa? - disse sorrindo e riu, dando um tapa em meu braço, e em seguida sussurrou em meu ouvido:
- Boa jogada, ... - ela disse, e nesse exato momento, a própria Kelsey passou por nós. Virei a cabeça para olhar, e beliscou minha nuca com força.
- Outch! - reclamei, olhando em seus olhos.
- Eu não acredito que você tava olhando pra ela, ! - A expressão de mudou de novo. – Você é um puto, isso que você é! - Ela continuou me apertando, e eu gemi.
- Eu só olhei porque ela passou do meu lado, ! - E era verdade, diga-se de passagem.
- Dane-se. Ela poderia passar nua e dançando Single Ladies do seu lado, você não podia olhar! - Sua voz era severa, mas eu não consegui segurar uma gargalhada pela comparação, levando outro tapa no braço. – Tá rindo do quê, ? Para de imaginar!
Continuei rindo, e bufou. Puxei-a para perto, beijando seus lábios devagar, mas ela me interrompeu.
- Não tô pra gracinha, . Vou pra minha aula - murmurou, chegando perto de , que estava mais adiante com o resto do pessoal. – Vamos, .
- , volta aqui!
Ela lançou o dedo do meio para trás, e eu chacoalhei a cabeça, rindo baixo. Depois me resolveria com ela. O sinal tocou, e eu olhei para .
- Matemática? - Fiz uma careta, passando o braço por seu ombro.
- Tenho outra escolha? - Ela fez bico e nós rimos, seguindo pra nossa aula.
Quando o sinal tocou indicando o final da segunda aula – tínhamos dobradinha de matemática –, fechou o livro apressada, com um sorriso imenso no rosto, e ficou em pé num pulo.
- Anda, , anda!
Ela me encarava inquieta, e eu bufei, xingando baixo. Segundas-feiras já eram terríveis, mas esse ano tinham ficado ainda piores: a maldita aula de física com o babaca do professor Peter Hannigan. Dez entre dez garotas do colégio dariam a vida por cinco minutos de sexo escondido com ele no laboratório. O pior disso tudo? Isso inclui a minha garota. Quando eu digo que um dia quebro a cara daquele babaca, os caras dão risada, mas eu não estou mentindo. Perdi a conta do tanto de vezes que quase liguei para o colégio, com uma falsa acusação de pedofilia pra cima daquele loiro filho da puta.
- , anda logo ou vou deixar você aí! - disse, parecia nervosa. Rolei os olhos e peguei meus livros bruscamente da mesa, andando atrás dela.
Quando entramos na sala, e já estavam lá. disparou em minha frente e ocupou a carteira ao lado da de , e eu sentei ao lado de , atrás das duas. Apoiei meu queixo no ombro de , passando o nariz em seu pescoço.
- O que você quer, ? - ela bufou, e eu ri.
- Quer parar de manha e falar direito comigo?
- Não - ela disse simplesmente, e eu rolei os olhos. conseguia ser bastante insuportável quando queria.
Antes que eu continuasse argumentando, ela virou para , empolgada.
- Meu blush tá bom, amiga? – perguntou, e sorriu.
- Um arraso! - a outra respondeu. – Preso ou solto? - apontou para o próprio cabelo.
- Preso, eu acho que o Pete gosta da sua nuca... - disse, e as duas gargalharam.
Senti meu rosto esquentar, que intimidade era essa para chamar o cara pelo apelido?
- Esse cara deve ter mel, não é possível... - bufou, e eu fiz o mesmo. Não tive tempo de responder, porque o professor alvo de suspiros entrou na sala, com seu habitual sorriso de propaganda de creme dental. Teria um prazer imenso em obrigá-lo a fazer propagandas de implantes dentários.
- Bom dia, classe!
Um coro feminino absurdo respondeu educadamente, e eu bati a testa na mesa, derrotado.
- Bom, antes de começarmos a matéria de hoje, gostariam de saber o resultado das provas?
Ele sorriu, e tudo ficou meio confuso, as pessoas começaram a falar ao mesmo tempo. Metade queria saber, a outra metade fugia. Eu só queria uma boa desculpa pra sair daquele inferno e acender um cigarro.
- Adoro quando ele veste camisa branca... - cochichou, e prendeu o riso. – Sou eu que estou pirando, ou aqueles peitoral definido está pedindo por uns arranhões?
Apertei a caneta com mais força que devia, quase a quebrei no meio. Respirei fundo e aproximei minha boca do ouvido de .
- Eu estou bem aqui, ouvindo tudo o que você fala - disse simplesmente. Ela riu, e virou o pescoço para trás, olhando sutilmente em minha direção.
- Quem disse que eu me importo? - respondeu, com um sorriso cínico, e eu teria cometido alguma coisa de que me arrependeria depois, se não segurasse meu braço.
- ! - A voz de Hannigan se aproximou, e ele colocou a folha da prova na mesa de – Parabéns, C+.
Continuou andando de um lado para o outro, enquanto eu tentava engolir a saliva normalmente.
- ... - Ele me encarou. – B.
Ele continuou sorrindo, e dois nomes depois, anunciou o de . Aproximou-se devagar da mesa dela, e abaixou um pouco.
- Você tirou um D-, - disse baixo, e ela fez bico.
- Mas professor... - Sua voz era mole. Tudo o que eu queria era arrancá-la dali.
- Sinto muito. Você sabe que eu sempre faço o possível para ajudá-la, mas essa foi sua nota. - A voz de Peter soava calma demais, quase derretida.
- Tenho certeza que o senhor pode me ajudar só mais um pouquinho... - lançou um sorriso malicioso para Hannigan, que riu baixo, passando a mão pelo pescoço.
- Falamos disso no fim da aula, Campbell.
O QUÊ? O que diabos aquele merda queria com a MINHA NAMORADA depois da aula? Há, mas hoje seria o dia que ele perderia o emprego. Taquei a caneta com força na mesa, e virou o pescoço para trás, assustada. continuou imóvel, mas eu não precisava nem olhar seu rosto para saber do sorriso vitorioso que ela tinha. Ela iria me pagar muito caro.
Segurei seu braço, apertando um pouco, e ela olhou para trás, irritada.
- O que diabos você pensa que está fazendo? - disse entre dentes, e ela sorriu.
- Tentando melhorar minha nota, queridinho.
Apertei seu braço um pouco mais, e ela fez uma careta de dor. Mas não ousou reclamar, ela nunca faria isso.
- Você não vai ficar em sala nenhuma com o comedor de aluninhas, - eu disse um pouco mais alto.
riu, e eu só não a machuquei de verdade por um segundo de sanidade.
- Não acho que ele seja um comedor de aluninhas, ... Embora a ideia de ser a primeira aluna a dormir com ele me agrade bastante... - sorriu maliciosa. – E você não manda em mim, então pare de dizer o que eu devo fazer.
- Eu posso foder com a vida desse cara, e você sabe disso - ameacei, mas ela não transpareceu nenhum medo no olhar. – Pedofilia é crime.
- Tudo bem, eu já tenho dezoito, esqueceu? - Ela sorriu vitoriosa, puxando o braço com força, e virando para frente.
Aquele Hannigan filho-da-puta estava fodido na minha mão.
Os cinquenta minutos de aula pareceram uma eternidade, eu estava tão nervoso que poderia matar um com minhas próprias mãos. Era impressionante como adorava me tirar do sério, com aqueles risinhos indiscretos e chamando aquele merda o tempo inteiro pra tirar dúvidas. Sei bem que dúvidas ela tinha, aquela...
- Bom, classe, por hoje é só! Não se esqueçam de fazer os exercícios da página 205, vão valer alguns pontos que podem ajudar os mais necessitados... - Peter riu.
Peguei minhas coisas, conseguindo soltar o ar, finalmente. continuava sentada, e eu bufei.
- Você realmente vai ficar aqui com o Hannigan, não? - Minha voz saiu calma, pra minha própria surpresa. Ela apenas assentiu com um sorriso. - Algo me diz que você irá se arrepender disso - murmurei, voando pra fora da classe.
Cheguei ao corredor tão puto que quase derrubei uma garota que passava, mas nem pedi desculpas. Você deve estar pensando: esse cara é um babaca, só ele pode pegar outras pessoas? Eu te digo que sim, e estou pouco me fodendo para sua reação. pode fazer absolutamente o que quiser, contanto que isso não envolva outro cara na jogada. E isso não é ciúme, estou apenas zelando pelo o que é meu.
- Dude, o e o estão esperando no refeitório... - apareceu, e eu encostei na parede.
- Vai lá. Tenho um assunto pra resolver aqui - disse, acendendo um cigarro. O inspetor estava no final do corredor, mas sabia que ele faria vista grossa, como sempre.
- Vê lá o que você vai fazer, ... - me repreendeu, e eu rolei os olhos.
- Eu sempre faço a coisa certa. Vai, encontro com vocês daqui a pouco.
sumiu entre as pessoas, e eu não vi sair. Aos poucos, o corredor ficava completamente vazio, e a porta da sala de física estava fechada. Olhei pelo vidro, e vi a dois centímetros do rosto de Peter, enquanto ele sorria idiotamente. Respirei fundo, eu não podia perder o controle, não podia. Comecei a bater o pé insistentemente no chão, e já tinham se passado sete minutos desde que aquele físico maldito tinha fechado a porta. Olhei de novo, e vi dar alguns pulinhos animados, e em seguida beijar o rosto do professor. Encostei na parede, com um sorriso de lado. Ela sempre conseguia o que queria, não?
- Professor, muito obrigada, nem sei como agradecer! - Ouvi sua voz animada e dei alguns passos para o lado.
- Tente estudar mais no próximo bimestre, . - Ele sorriu. - Qualquer dúvida sobre a matéria, pode me ligar.
Filho-da-puta. Filho-da-puta. Filho-da-puta.
riu.
- Com toda certeza.
Ouvi o baque surdo da porta, e os passos do sapato de no assoalho. Assim que ela surgiu em meu campo de visão, segurei seu braço com força, e ela me olhou assustada. A empurrei para dentro da primeira sala que vi, trancando a porta atrás de mim.
- Esperando por mim, ? - ela sorriu, enrolando uma mecha de cabelo com o dedo.
Não respondi a provocação, apenas a segurei pelos ombros, empurrando-a em direção a mesa do professor. Ouvi o baque das costas de contra a madeira, mas não me importei.
- Conseguiu aumentar sua nota? - Sorri de lado, e arqueou uma sobrancelha, confusa.
- Como sempre... - Ela riu.
- Ótimo... - A empurrei um pouco mais, até que sentasse na mesa, e coloquei meu corpo entre suas pernas. - Quais os métodos que usou dessa vez? - Comecei a beijar seu pescoço, passando a ponta da língua perto de sua orelha.
gemeu, e apertou as pernas em minha cintura.
- Os tradicionais... - Ela sorriu e me olhou nos olhos. – Uma pena que eu não possa usar todos os métodos que quero com ele, sabe, ? Pete é muito puritano. - Ela riu, e puxou meu lábio inferior com os dentes.
Forcei uma risada, mas fechei os olhos assim que senti suas unhas arranharem minha barriga, por baixo da camisa. mordia meu pescoço devagar, e eu respirei fundo.
- Puritano? - Dei uma risada abafada. – Sempre te disse que sou melhor que ele, .
Subi uma das mãos por sua coxa, e não demorei para alcançar a lateral de sua calcinha, já que a saia do uniforme facilitava bastante. mordeu o próprio lábio, e eu sorri, malicioso, beijando-a devagar, segurando o ritmo que tentava impor, e depois segurei seu lábio com os dentes, puxando sua calcinha para baixo com a outra mão.
- Aposto que ele não faria isso...
Sussurrei em seu ouvido, e então a invadi com dois dedos. gemeu um pouco alto, e eu sorri, movimentando os dedos sem pressa.
- ...
Ela me repreendeu, mas sua voz era mole, sabia que estava adorando aquela situação. Dei alguns beijos em seu pescoço, perto de seu colo, intensificando um pouco mais os movimentos. jogou a cabeça para trás, a respiração alta e falha.
- Mais... rápido - arfou, e a puxei pelo pescoço, encostando sua testa na minha.
- Quem é o melhor agora? - perguntei baixo, olhando fundo em seus olhos, e movimentando meus dedos cada vez mais rapidamente. tentou rir, mordendo o próprio lábio para reprimir um grito.
- Você, sempre você - respondeu com a voz falha.
- Era isso que eu queria ouvir - sussurrei em seu ouvido.
Sabia exatamente como fazer e aonde tocar, conhecia aquele corpo como uma extensão do meu. envergou as costas, e eu sabia o que estava por vir. Sorri de lado e, em vez de manter os movimentos, retirei rapidamente meus dedos de dentro dela, fazendo com que abrisse os olhos e me encarasse.
- Não... Não era pra parar! - Sua voz estava arrastada, beirando a decepção, e eu gargalhei.
- Não? - Sorri malicioso. – Isso não é problema meu.
Dei alguns passos pra trás, e me encarou, podia ver a raiva em seu olhar.
- , não OUSE fazer isso! - ela gritou e eu ri mais, destrancando a porta.
- Por que você não chama o Hannigan pra terminar meu serviço, ? - perguntei rindo, e me aproximei, segurando seu rosto com uma das mãos. – Ah, já sei! - Aproximei minha boca de seu ouvido: - Porque ele é bicha, e porque ninguém vai te fazer sentir tudo o que eu faço, garota.
Beijei seu pescoço, e a soltei bruscamente.
abriu a boca, mas não conseguiu emitir som algum. Sorri vitorioso.
- E vê se não esquece: da próxima vez que você ficar de gracinha com o Hannigan, eu posso ser bem pior.
Ouvi o grito de ódio de , e bati a porta atrás de mim, rindo. O corredor ainda estava vazio, e eu fui até o banheiro, tentar me acalmar. Afinal, eu também tinha me empolgado mais do que o previsto, mas valeu a pena, só em imaginar a raiva que ela estava.
As minhas duas aulas seguintes não eram com , mas ela não tinha dado nenhum sinal de vida via SMS, devia estar realmente puta. Não que eu me importasse, é claro. Nossa última aula era de Biologia, e ela teria que sentar ao meu lado por obrigação, afinal ela era minha dupla. Cheguei na sala e várias pessoas já estavam lá, mas não falei com nenhuma delas, apenas sorri para as gêmeas bonitas que sentavam perto de mim. Quando faltavam exatos dois minutos para que a professora começasse a aula, entrou como um furacão, e em um segundo ocupou o lugar vago ao meu lado. Ouvi uma das gêmeas bufar.
- E aí, se divertiu bastante no intervalo? - provoquei, rindo, e olhou para mim.
- Muito, uma garota como eu nem sempre precisa de homens para se divertir... - Ela sorriu com todos os dentes.
- Uh, achei que você fosse convidar o Pete - fiz uma voz afetada, de propósito – para se juntar a você...
- E eu convidei - ela respondeu rapidamente, e eu senti meu queixo cair, o que a fez rir. - Mas isso são detalhes.
virou para frente, prestando atenção no que a Sra. Bradlock falava. Apenas engoli seco, sabendo que o que ela tinha dito não era verdade, e fiz o mesmo.
A aula passava em um ritmo lento, estava imóvel ao meu lado e aquilo estava começando a incomodar. A arte de ignorar de Campbell é uma das piores, eu a olhava e sentia que era com se eu mesmo não tivesse ali. A voz da velhinha estava começando a irritar, então percebi que tinha virado o rosto para mim.
- O que foi? - sussurrei, indiferente. Ela sorriu.
- Nada. - Aproximou-se um pouco da minha cadeira, e eu sorri de lado. - Odeio essa aula - murmurou.
manteve o olhar fixo no meu, e quando abri a boca para comentar alguma coisa, senti sua mão pousar em cima do meu membro, por cima da calça. Me lançou um olhar pervetido, e eu senti meu corpo inteiro estremecer quando ela começou a fazer movimentos circulares ali. Uma gota de suor escorreu em minha testa, e num movimento rápido, eu a segurei pelo pulso.
- Para com isso - sussurrei, e ela riu.
- Você não manda em mim, . - Ela sorriu de novo, e voltou a mexer a mão, mesmo sentindo que eu apertava seu pulso.
- , tem trinta alunos aqui... - A excitação começou a dar sinais, e eu não conseguia me conter. Sua mão alternava movimentos rápidos e lentos, e eu me contorci, apertando-a no pulso, para que parasse.
riu, e então, ouvi a professora chamar meu nome.
- , pode responder a pergunta que eu acabei de fazer?
Merda. Mil vezes merda. Olhei para frente, e quando tentei me ajeitar na cadeira, deslizou os dedos até o botão e ao zíper da minha calça. Arfei.
- Desculpe, a senhora pode repetir a pergunta? - Tentei segurar seu pulso, mas ela se movia rapidamente e eu não conseguia encarar a velha e controlar meus próprios instintos ao mesmo tempo.
- Eu perguntei em qual fase da mitose os nucléolos reaparecem.
começou a mexer com as pontas dos dedos na extensão do meu membro, dessa vez por cima das boxers, e eu senti que ele já estava duro. Lancei um olhar para lado, e aquela filha da mãe estava prendendo o riso. Meu corpo tremia, ao mesmo tempo que eu queria tirar a mão dela dali, queria pedir para que não parasse. E ela sabia disso.
- , responda a pergunta! - Perfeito, agora a sala toda me olhava.
Tentei respirar fundo.
- A... anáfase? - gaguejei, e Bradlock me encarou de sobrancelha erguida.
- Errado, . A resposta correta seria telófase.
A professora virou de costas para nós, e me encarou.
- Ainda estou me decidindo entre te levar ao orgasmo no meio de uma sala lotada... - ela riu baixo –, ou parar quando você estiver a ponto de explodir.
Mordi o lábio para reprimir um gemido, e segurei seu pulso com força.
- Chega, .
Ela riu.
- Quem dita o tempo aqui sou eu, . - Então aproximou sua boca de meu pescoço, passando sua língua quente em minha pele. - E eu ainda quero continuar.
aumentou freneticamente a velocidade da mão, e eu fechei os olhos, tentando me segurar. Eu não conseguia, ela iria me levar à loucura. Tudo o que eu queria era rasgar suas roupas ali mesmo.
E então o sinal tocou, e o movimento parou abruptamente.
Puta que pariu.
A segurei pelos dois braços antes que ela sonhasse em repetir o que eu tinha feito com ela.
- Ops, o sinal tocou! - ela riu. – Pode me soltar, ? Eu tenho horário para almoçar com a minha mãe.
A puxei com força, fazendo com que quase caísse em meu colo. Algumas pessoas olharam.
- Você vai ficar aqui comigo. Quando todo mundo sumir, você vai terminar o que começou. Eu não estou brincando - disse entre dentes, e ela riu de novo.
- Simples, . Você quem começou, eu apenas devolvo na mesma moeda. Ou um pouco pior. - Ela ajeitou o material com a mão que eu havia soltado. – Eu não ficarei aqui para terminar absolutamente nada. - puxou a outra mão, e vendo que uma garota nos olhava, soltei.
- Volta aqui...! - sussurrei, o ódio transbordando em minha voz, e aproximou sua boca da minha.
- Vem me pegar, ... - ela riu, tomando um pouco de distância. – Sabe a vantagem de ser uma garota? - Ela chegou perto do meu ouvido: – Quando você foi babaca o suficiente de me deixar naquele estado dentro da outra sala, eu pude simplesmente andar pelos corredores como se nada tivesse acontecido. – Ela gargalhou, olhando para minhas calças. – Acho que não vai rolar pra você, garoto. Só você e sua mão agora.
piscou e riu, dando as costas, e me deixando num estado lamentável na sala.
Eu por acaso já comentei que Campbell é minha versão de saias?
Cheguei em casa tão puto que gritei com a empregada, e a coitada só queria saber se eu já tinha almoçado. Não estava com a mínima fome, só queria me jogar na cama e xingar mentalmente até cansar. Porque, se ela pensava que eu ia até a casa dela resolver aquilo, estava muito enganada. Não que eu não quisesse – só de pensar nela, mesmo que fosse para xingá-la, meus pensamentos partiam para lugares muito melhores e excitantes, com ela, claro. E eu poderia muito bem ligar para uma ou duas vadias e elas resolveriam meu pequeno problema, mas eu estava estressado demais pra isso. Depois de fritar na cama por uns quarenta minutos, acabei pegando no sono.
Acordei com o celular aos berros, o que já aumentou minha dose de mau humor. O filho-da-puta que inventou de me ligar deveria morrer atropelado por um caminhão.
- Que é? – falei, sem olhar o visor.
- E aí, dude? É o Zac, tudo bem?
- Tudo ótimo até você ligar... - disse com a voz arrastada, e ele riu.
- Mal, te acordei?
- O que você acha? Fala logo o que você quer, Johansson.
Zac Johansson era filho de uma família nobre e quase falida de Londres. Quase porque ainda mantinham algumas posses, como seus carros importados. Seu irmão, Brandon, era uma lenda das corridas ilegais. Ele também era, mas não chegava aos pés do irmão.
- Racha hoje no lugar de sempre, conto com você? - A voz de Zac soou como música pra mim. Era tudo o que eu precisava, velocidade. Nada melhor do que isso para esquecer os problemas.
- Pode contar comigo. Que horas?
- Meia noite e cinco, como sempre - ele respondeu.
- Ótimo, prepare-se para comer poeira, meu caro Johansson – ri, e ele também.
- É o que veremos, . Até mais tarde.
Desliguei o telefone sorrindo e pulei da cama, para tomar um banho demorado. Tinha dormido demais, eram quase sete da noite. Comi alguma coisa e liguei para os caras, pra ver quem poderia ir. também adorava corridas, já e preferiam assistir. ficou de ligar para , e troquei de roupa, descendo até a garagem. Nove e meia, e eu teria duas boas horas para me entender com . Abri o Lamborghini, o carro que eu usava para minhas brincadeiras, vamos dizer assim, e liguei o som alto, partindo pela vizinhança. Não demorei três minutos para chegar até a casa de , e toquei a campainha.
Ela mesma abriu, com seu short minúsculo e perfeitamente tentador. Ela olhou por sobre meu ombro, e sorriu.
- Tirou o filhote da garagem... Hm, algo me diz que essa noite terá um pouco de velocidade - riu, e eu também.
- Garota esperta. - Passei a mão em seu cabelo. – Você foi muito, muito má hoje, . Eu nem devia estar aqui...
Ela sorriu, passando os braços ao redor do meu pescoço.
- Mas está. E por pouco não encontrou com o Pete, sabe, ele estava aqui fazendo um serviço completo... - disse, com um sorrisinho cínico, e eu rolei os olhos.
- Não teve graça.
- Eu não quis ser engraçada - ela riu.
- Vem comigo? - Apontei com a cabeça para o carro, e ela sorriu. – Preciso de torcida, sabe como é... E sei que você adora andar no meu carro por aí. Te conheço.
gargalhou, e em seguida mordeu meu lábio.
- Vem, eu vou me trocar...
- Não respondo por mim se te vir de sutiã e calcinha... - Eu disse e ela deu um tapa no meu braço, rindo.
- , cala a boca, meu pai tá na sala!
Tossi.
- E você não me avisa uma coisa dessas? – disse, e ela riu ainda mais, subindo as escadas correndo e me deixando com seu pai e sua irmãzinha.
Era quase onze da noite quando consegui arrastar para fora de casa. Por que diabos mulheres demoram tanto pra se arrumar? Encontrei com em frente à sua casa, e estava lá. estava meio mal por algo que tinha comido, e eu desconfio que tenha sido a cheerleader novata. não conseguira fugir dos pais, ela era a única que vez ou outra tinha esse problema. Quando chegamos ao lugar de sempre, alguns carros já estavam estacionados, e eu vi Zac ao longe, com uma garota morena ao lado.
- ! - ele me cumprimentou. - E aí, ? Os dois vão correr hoje?
- Sempre! - respondeu rindo.
- Legal, as apostas estão mais altas hoje... - Ele apontou para trás, e logo avistei o Scorpion verde de Brandon Johansson.
Ok, a noite iria ser quente. Zac era um bom competidor, mas já era presa fácil. Com Brandon as coisas eram bem mais interessantes.
Zac gritou pelo irmão, que chegou com uma garrafa de Absolut na mão.
- Se não é o meu caro ! - ele me cumprimentou, rindo. Depois seu olhar parou em . - Wow, e você continua incrível, Campbell. - Ele pegou sua mão e beijou, e riu da minha cara.
- Obrigada, Brandon - ela sorriu, fazendo uma cara estranha. não curtia Brandon, e isso me deixava um pouco aliviado. É difícil ter uma namorada gostosa nos dias de hoje!
As competições começaram, sempre dois carros por vez na pista. Ignorei todas as tentativas de em me convencer que seria legal se ela desse partida uma vez, não queria minha garota tirando o sutiã no meio de dois carros. perdeu para Zac, mas venceu um japonês. Eu venci Zac, Brandon e outro cara, mas também perdi uma para Brandon. Estava beijando contra meu carro, ouvindo sua respiração falha, quando senti alguém parar perto de mim, e virei para o lado.
- Eu e você, , o desempate - Brandon sorriu, e eu ri.
- Valendo o quê? - perguntei, o encarando. Várias pessoas nos cercaram.
- Aposto tudo o que eu ganhei essa noite, mais tudo o que o Zac ganhou.
- Ei! - Zac se manifestou e eu ri.
- Certo, eu aposto tudo o que ganhei essa noite... - disse, chegando perto de Johansson, que riu, negando.
- Pouco.
Bufei.
- O que você quer, então?
E de repente, todos estavam em nossa volta.
- Quero que aposte sua garota.
Um mar de pessoas falando ao mesmo tempo me rodeou, e eu comecei a rir, sem tirar meu olhar do de Brandon.
- Você só pode estar brincando - disse, sério, e dessa vez ele riu.
- Tá com medo de perder, ? - ele provocou. – Se você é tão bom assim, não devia temer uma aposta bobinha dessas...
- Brandon, cala a boca, ele não vai apostar a... - se intrometeu, e eu o parei com o braço.
- Fechado - eu disse, e uma maré de aplausos e gritinhos me rodearam.
Não escutei nada do que diziam, vi apenas Brandon tomar o caminho de seu carro, e virei de costas, indo até .
- VOCÊ TÁ MALUCO? - ela gritou, assim que eu me aproximei – Você não tem o direito de me apostar, ! - Ela levantou a mão para estapear meu rosto, mas eu a segurei.
- Eu não vou perder, ! - disse firme, e ela bateu em meu rosto com a mão livre.
- Dane-se! A partir do momento que você me apostou, você perdeu qualquer credibilidade, ! - O rosto de estava vermelho, eu tinha certeza que estava segurando o choro.
- , eu apostei sem querer, você sabe que eu detesto ser desafiado... E eu VOU ganhar! - disse, tentando alcançar sua boca, mas ela virou o rosto. – Eu nunca apostaria tão alto se não tivesse certeza disso. Confia em mim? - Segurei seu rosto entre mãos, e ela ficou em silêncio. Depois disparou a falar.
- Eu não quero saber, , eu...
- , qual é? Não tenho o dia todo! - Brandon reapareceu, e eu bufei. - Sua vida vai mudar quando eu ganhar essa corrida, gatinha... - Ele segurou o rosto de , e eu me controlei para não socá-lo ali mesmo.
- Você fez alguma coisa com o carro dele? - perguntou, andando ao meu lado. Neguei. - Porra, ! Você é maluco? - ele disse, em voz baixa.
- Eu vou ganhar essa merda de corrida, . - Virei para ele, antes de entrar no carro. – Tente fazer a acreditar nisso - eu disse, e ele chacoalhou a cabeça, indo até onde e estavam.
Uma garota ruiva se posicionou entre o Scorpion de Brandon e minha Lamborghini. Assim que deu a partida, arrancamos com os carros, praticamente na mesma velocidade. Não tirei os olhos da estrada em minha frente, eu não iria perder essa, nunca. Pisei fundo no acelerador e cortei na frente de Brandon, disparando em seguida. Não demorou muito, e seu carro colou atrás do meu, com os faróis muito altos. Apertei os olhos, xingando baixo, e ele veio para o meu lado.
- Prepare-se para perder sua garota, .
Gritou, e em seguida cortou em minha frente. Acelerei o máximo que pude, colando na traseira de Brandon, e depois o ultrapassando pela direita. Ri sozinho, ouvindo os palavrões que ele gritava. Não faltava muito para a linha de chegada, percebi que Brandon ganhava velocidade. Ele encostou do lado do meu carro, e sem dizer uma palavra, jogou o carro para cima do meu, empurrando.
- Você tá maluco? - gritei, e ele seguiu empurrando o carro com várias batidas na lateral. Quando a pista abriu um pouco, avistei a linha de chegada. Então Johansson jogou o carro para cima do meu, batendo até que eu perdesse um pouco do controle. Saiu em disparada, e eu ainda recuperei, estava a centímetros atrás.
O Scorpion cruzou a linha de chegada a um segundo de mim.
Ouvi várias pessoas gritando, empolgadas, vi Brandon descer do carro. Bati o rosto no volante, enfurecido. Quando levantei, meu olhar cruzou com o de no meio das pessoas, e eu podia ver o quanto decepcionada ela estava. Senti algo estranho, como se meu coração fosse parar de bater a qualquer instante, e abri a porta do carro. Vi se perder no meio das pessoas, e em seguida, percebi onde estava.
- Olá, prêmio da noite... - Brandon a segurou pelo pescoço, e eu corri em sua direção.
- Me larga, idiota! - o empurrou, e eu me aproximei.
- Larga ela agora, Johansson - disse, e ele me encarou, rindo.
- , ... - ele chacoalhou a cabeça. – Seu pai não te ensinou que é feio não aceitar quando perde?
- Se você encostar um dedo na , eu quebro a sua cara agora mesmo! - O segurei pelo colarinho, e ele riu, quando o larguei no chão.
- Dude, calma... - segurou meu braço.
- Desculpe lembrar, , mas quem apostou a própria namorada aqui foi você - Brandon disse, e depois olhou para . – Eu nunca faria isso com você, gatinha. - Ele piscou, e eu me soltei de .
Andei em direção a , e a puxei pelo braço.
- Ei, ei, aonde você pensa que vai com o meu prêmio, ? - Dessa vez Brandon falou mais sério. – Eu não estou brincando, a garota fica.
- Ela vai embora comigo, Brandon - respondi, tentando manter a calma. estava com os olhos vermelhos. - Mas eu sei que te devo uma aposta. O que você quer?
- A garota.
- Isso você não vai ter - respondi. - Quanto você quer?
Brandon pareceu pensar, abriu a boca algumas vezes, mas não disse nada. Um amigo dele se aproximou, e cochichou algo em seu ouvido. Os dois gargalharam, e ele me olhou.
- Tudo bem então, . - Ele veio até mim. – Ou é a garota...
- Ou... - arqueei uma sobrancelha.
- Ou você pode deixar seu Lamborghini aqui.
Todos começaram a rir, e diziam coisas que eu não estava entendendo. Sorri de lado e, sem olhar ao redor, joguei a chave para Brandon, e em seguida, tudo ficou em silêncio.
- O que você tá fazendo? - Brandon gaguejou, e eu sorri.
- Apostas são apostas, não é? - disse, e me puxou para trás.
- , você tá maluco? – sussurrou. – É o seu carro preferido, e aquilo custa uma fortuna! Você não pode deixar aqui, eu posso...
- Nem pense! - a interrompi, e depois olhei em seus olhos, encostando minha testa na dela. – Eu te disse que era pra você confiar em mim, e eu não vou te decepcionar.
abriu a boca, mas não conseguiu dizer nada, uma lágrima escorreu em seu rosto.
- Você não precisa fazer isso, . - Ela segurou em minha nuca.
Respirei fundo, olhando para o carro, e depois voltei meu olhar para o dela, sorrindo.
- A única coisa que não pode acontecer aqui é eu perder você.
Capítulo O4 –
“A única coisa que não pode acontecer aqui é eu perder você.”
Suspirei com um sorriso idiota no rosto, ao relembrar pela milésima vez aquela frase, já que não conseguira dormir. Era praticamente impossível com um certo garoto dormindo só de boxer ao meu lado, com aquela carinha de anjo que poucas vezes eu via. ficava simplesmente perfeito daquela forma... Tão sereno e sexy que me fazia ter sensações bastante estranhas... Borboletas no estômago? Ugh, estou ficando patética demais! Aproximei meu rosto de sua nuca, depositando um beijo ali. se moveu, mas não acordou, e eu ri baixo. Passei a unha em suas costas devagar, e continuei beijando seu pescoço, mas ele não acordava de jeito algum, e aquilo me deixou um pouco irritada. É, bipolaridade é comigo mesma! Chacoalhei seu corpo com força.
- , acorda!
- Hm? Não quero jantar não mãe, obrigado. - Ele resmungou e eu bufei.
- !
Empurrei seu corpo com um pouco mais de força que o planejado, ouvindo o baque surdo de sua queda no chão. Um misto de desespero e uma vontade absurda de gargalhar tomou conta de mim.
- Caralho! Tá maluca? - quase gritou, e eu fiz sinal para que falasse mais baixo. Comecei a rir de verdade, o puxando pela mão.
- Desculpa... - disse entre risos, tentando puxá-lo para cima. – Você precisa ir embora - sussurrei.
riu.
- Não preciso não. - O garoto se jogou de volta em minha cama, afundando o rosto nos travesseiros.
- ! - disse entre dentes, puxando o edredon de volta. – São seis da manhã! Você tem que ir pra casa!
- Me deixa dormir! - Sua voz era arrastada, e eu quase tive dó por um momento. Ele ficava tão bonitinho dormindo...
- Não! - Acordei do meu súbito momento de bondade. – Daqui a pouco algum dos empregados vai vir me acordar pro colégio, você não pode estar aqui! - Taquei sua camiseta e a calça em sua cabeça, e ouvi alguns xingamentos baixos.
- ... - ele respirou fundo, coçando os olhos – EU DORMI QUARENTA MINUTOS! - disse alto e eu bufei.
- Olha, eu não dormi nada, então trate de pular aquela janela antes que seus acessos acordem a casa inteira - disse, olhando para as unhas.
se colocou de pé em minha frente, acabando de abotoar as calças, e depois me lançou um sorrisinho cínico e malicioso.
- Não dormiu por quê? Ficou me olhando enquanto eu dormia? - Ele riu baixo, aproximando-se. Ah, babaca. Até parece! Tudo bem, vamos relevar o fato de que eu realmente estava... E aceitar que ele nunca saberá disso.
- Ah, bem que você queria, né, queridinho? - Ri junto, passando meus braços ao redor de seu pescoço e sentindo um beijo gentil em minha testa. – , eu estava pensando no que podemos fazer para poder reaver seu carro...
Senti o corpo de enrijecer e e ele tomou uma certa distância de mim, olhando em meus olhos.
- Nós não faremos nada. Eu farei alguma coisa. - Ele disse sério, os olhos quase fulminando. – Quero que fique fora disso, .
- , eu só quero ajudar, eu estive pensando... - Tentei falar, mas ele me interrompeu novamente, selando meus lábios.
- Você não esteve pensando nada, e você não vai se meter isso. - Ele puxou meu lábio com os dentes, e depois sorriu. - Vou faltar hoje, preciso dormir.
- Você tá mudando de assun... - Parei a frase no meio, sentindo seu olhar de repreensão – Tá, eu terei que ir, tenho uma prova no segundo tempo. Geografia. - Bufei e ele riu, me beijando rapidamente.
- Boa sorte. Te busco na saída... - ele disse, tomando o caminho da janela e pulando sem dificuldade.
Observei mover-se devagar, praticamente parando, até o portão da minha casa, virando a esquina a pé. Mordi o lábio, lembrando do motivo que tinha o feito ficar sem carro... E não era qualquer carro, era a paixão dele. Tudo bem, ele foi bastante ridículo ao me apostar com aquele nojento do Brandon. Mas, no fim das contas, tinha tido uma atitude que me surpreendeu. Eu esperava que agisse de alguma forma, no fundo sempre confiei que mesmo que perdesse, faria algo para me salvar. Mas nunca imaginei aquilo. E ele havia pedido para que eu ficasse fora desse assunto. Tudo bem.
Pobre iludido.
Já mencionei que pode tentar, mas nunca mandará em mim?
Bom, acho que isso ficará bem claro agora, porque de forma alguma vou ficar sem fazer nada enquanto aquele babaca do Brandon tiver o Lamborghini em mãos. E não pense você que eu ainda preciso de um plano. E daí que Brandon Johansson é perigoso? Não tenho medo, vergonha, ou juízo.
Eu sou Campbell.
Bati a porta do carro e dei uma rápida olhada ao meu redor, mas pouco enxergava. Eu simplesmente não tinha dormido nada, e para completar, não tinha nem aberto os livros de Geografia para fazer aquela maldita prova. Não colaria mais meus desmaios repentinos, fiz isso nas últimas avaliações de História da Arte e Educação Física, os inspetores daquele colégio são bobos, mas nem tanto. Eu deveria comprá-los – todas as pessoas tem seu preço, até as mais castas – mas já que estava acordada, faria aquela porcaria de teste e fugiria dali. Tinha muitas coisas para resolver naquele dia.
- ! ! - chegou correndo e vi em seu encalço. – Fiquei sabendo de ontem! Menina, me conta tudo, eu preciso de DE-TA-LHES! Muitos! Eu conheço o a minha vida inteira e nunca imaginei isso, ele foi...
- Nossa, você tá a cara dos zumbis que eu exterminei no Resident Evil ontem! - a interrompeu e eu fiz uma careta, mostrando o dedo. Ele riu.
- Você é um grosso, ! - se manifestou. – Não tá feia não, amiga, agora me conta!
- Não tá feia não? - Arqueei a sobrancelha. – Disfarça melhor, ! - Ri baixo. – Tudo bem, eu explico as coisas pra você a caminho da sala... O não vem hoje, !
- Ah, droga! Eu queria fofocar também! - fez uma voz afetada e nós gargalhamos. – Por quê?
Dessa vez eu ri, maliciosa.
- Vamos dizer que ele perdeu um Lamborghini ontem... - sussurrei. – Mas ganhou muitas coisas no meu quarto! - Dei uma piscadinha, saindo, vendo pela visão periférica que ria, enquanto disparava em perguntas ao meu lado.
A prova de Geografia não foi tão difícil quanto eu esperava – viajar para os quatro cantos do mundo pode ser muito útil para lembrar climas, fusos e capitais –, e isso me deixou um pouco mais aliviada, mas ainda assim caindo de sono. A aula era de Língua Inglesa, e enquanto tentava manter os olhos abertos, pensava em como colocar meu plano em prática. Uma dose de adrenalina me acordou, e eu resolvi que quanto antes eu começasse, melhor. Pedi licença ao professor para ir ao banheiro, e ainda no corredor, peguei meu celular no bolso do casaco, procurando apressadamente um número específico em minha agenda.
- Alô... - A voz era sonolenta, o que me deu vontade de rir.
- Zac? Você não deveria estar no colégio? - Disparei, sem me preocupar com formalidades como “Bom dia, Zac? Como você está hoje? De ressaca? Imaginei!”
- Eu tô... - ele murmurou. – Tô dormindo na aula de Biologia. - Riu fraco. – Tudo bem, ?
- Mais ou menos. - Disse, enquanto enrolava uma mecha de cabelo com os dedos – Eu preciso do telefone do babaca do seu irmão.
Zac ficou quase um minuto em silêncio, e eu já estava me perguntando se ele tinha dormido durante nossa conversa.
- Pra que diabos você quer o telefone do Brandon? - Zac soou subitamente firme.
- Porque eu estou super interessada em sexo animal só por uma noite - respondi, entediada, depois caí na gargalhada. Zac riu um pouco. - Você sabe por quê, Zac.
- , eu acho que você não devia se meter com isso. Especialmente com meu irmão, entende? - Johansson parecia explicar para uma criança de cinco anos porque ela não pode bular de bungee jump. Rolei os olhos, sentindo a irritação percorrer minhas veias.
Grande MERDA, aquele Brandon.
Ninguém me diz o que fazer, ninguém me impede de agir como eu quero.
Nem . Muito menos Zac. E grande MERDA, aquele Brandon.
- ? - Dessa vez eu que fiquei algum tempo muda.
- Zac, você me conhece... - Minha voz soou assustadoramente calma, até para mim. – Eu não faria nada que pudesse me colocar em perigo. Eu só quero conversar com ele. Eu juro.
Zac era um bom garoto. Nem parecia irmão daquele idiota. Tirando o fato de que ele já teve mais experiências ilegais do que seus recém completos quinze anos permitem, ele era sim, um cara legal. Daquele que você desconfia que é um bom filho e tudo mais. Quero dizer, não para mim, porque eu reconheço de longe quando alguém já está perdido. Zac definitivamente não tinha juízo algum, mas talvez ainda tivesse salvação. Não que eu acreditasse nisso.
- Anota aí... - Ele sussurrou derrotado, e eu ri vitoriosa.
Bingo.
Parece que terei algumas contas a acertar com um certo Johansson hoje.
Não com o melhor deles.
Dormi o restante dos vinte minutos que ainda restavam daquela aula insuportável, e o sinal do intervalo tocou. Os corredores se encheram de gente, e subitamente lembrei que estava com fome. Muita fome. Encontrei com sem esforço, na nossa mesa de sempre, aquela que ninguém ousava sentar. Pode parecer babaquice de filme americano, mas aqui no colégio é exatamente assim que funciona. Ela estava lá, junto com e .
- também não veio? - Apoiei minha bandeja na mesa, me juntando a eles. sorriu.
- Bom dia pra você também, Campbell.
Eu ri fraco. Estava muito ansiosa para arrumar uma forma de fugir dali, nem estava prestando atenção nas coisas que dizia. Não podia pedir ajuda aos garotos, eles com certeza me proibiriam assim que soubessem que Brandon estava incluso no que eu pretendia fazer lá fora. Só me restava .
- , vamos ao banheiro? Preciso dar um jeito no meu rosto, tô parecendo um zumbi! - disse e ela riu. – Sem comentários, .
- Ah, droga! - ele resmungou e eu ri.
Assim que entramos no banheiro, interrompi os devaneios de sobre tons de sombra que estão na última moda em Paris e disparei:
- Você precisa me ajudar a fugir daqui.
parecia entediada.
- De novo? - Ela rolou os olhos – Não acho que desmaios vão colar dessa vez, amiga.
- , é sério. Eu preciso resolver uma coisa...
- Coisa? Que coisa? - Droga. Esqueci que é mais curiosa que... Que o Curious George.
- Você não pode contar isso pra ninguém, nem para os meninos.
- Vai, fala logo, perua! - tirou os olhos do espelho e me encarou.
- Eu vou atrás do Brandon para fazê-lo devolver o carro do .
O queixo de por muito pouco não abriu uma cratera no chão. Mas ela não falou o que eu imaginava. Que o Brandon é perigoso, que eu não devia me meter, e toda aquela chatice básica. O choque de foi outro.
- Mentira, amiga! Você e o andam muito crazy in love ultimamente, ele perde o carro por você, você faz o Brandon-Gostoso-Perigoso-Johansson devolver, ah! - Ela deu alguns pulinhos animados. – Adoro vocês dois!
Não pude conter minha vontade de rir. Tá aí uma das razões que me fazem amar minha melhor amiga. Ela simplesmente nunca pensa da mesma forma que os outros.
- Tá, dá pra você me ajudar? Os meninos não podem desconfiar, eles não deixariam eu ir... - Rolei os olhos – não quer que eu me meta nisso.
- Bom, então temos um problema. Acho que você só vai conseguir sair depois da Educação Física, porque temos aula com o nos próximos tempos, não?
- Merda - resmunguei. – Odeio Filosofia.
- Eu também, principalmente depois que tiraram o professor turco gostoso e...
- , pelo amor de Deus, foco! - interrompi. – Então você me ajuda na Educação Física? Você vai ter que distrair o , porque o estará em outra aula, mas ele...
riu, maliciosa.
- não será um problema.
Dei um tapa na bunda dela, rindo alto.
- Biscate.
- Ei, olha o respeito, sua vaca!
Nós duas gargalhamos. E o sinal tocou.
- Droga! Vamos? - disse, entediada. Concordei com a cabeça.
- , só mais uma coisa... - Ela olhou para mim, esperando que eu continuasse – O professor turco? Sério mesmo? - Gargalhei. – Ele parecia um bandido, sei lá! Ele fedia!
- Cala a boca, Campbell. - Ela riu.
As aulas de filosofia, curiosamente, passaram mais rápido do que eu esperava. Será que é porque eu estava dormindo? Bom, alguns minutos antes do sinal tocar, fiz o combinado com . Pedi autorização para ir beber água, e parei no final do corredor. Minhas mãos estavam suadas, e querendo ou não, eu estava um pouco nervosa com tudo aquilo. Não que eu achasse que Brandon fosse me matar ou coisa do tipo, ele não teria essa coragem. Mas medo do meu plano falhar. Até porque eu não sei o que é falhar. Tudo que eu faço dá certo. Mas nas duas vezes que tentei, o celular estava desligado. E em pouco tempo, os alunos foram liberados, e não consegui discar outra vez. Bom, então é isso. Meu cara a cara com Brandon não seria anunciado antes. Talvez fosse até melhor.
Assim que todas as garotas saíram do vestiário, tranquei a porta para que pudesse conversar em paz com . Ela estava amarrando os tênis pacientemente nos últimos quinze minutos só pra enrolar lá dentro.
- Ok, como vamos fazer isso? - disse, e ela me olhou.
- Bom, acho que vamos ter que usar o clássico da Educação Física – ela continuou, vendo que eu ainda a encarava sem dizer nada. – O pé torcido.
Ri baixo.
- Não podia ser algo mais rápido? Vou ter que esperar o jogo começar, pseudo-cair-torcer-o-pé, vai demorar muito! - reclamei. bufou.
- Nasceu de sete meses, colega? - Fiz careta e ela prosseguiu: – Bom, pra evitar que seja o quem socorra sua queda, vou dar um jeito de levá-lo para o almoxarifado e distraí-lo... - Ela riu maliciosa e eu gargalhei. – Eu sou demais, pode falar. Agora me conta como você vai fazer com o Brandon!
- Bom, como ele não atendeu ao telefone... Vou direto até a casa dele!
- Fumou um baseado, ? - arregalou os olhos.
- Hoje não. - Dei de ombros e nós duas rimos.
- Sério, e se ele sei lá... Tentar te agarrar? Menina, acho difícil você fugir daqueles braços imensos! - Ela se abanou.
- Desde quando você é tão tarada?
- Eu sou um anjo. - respondeu e eu gargalhei.
- Um anjo que vai dar uns pegas no no almoxarifado em cinco minutos. - Sorri maliciosa.
- Anjos também podem se divertir, amiga. - Ela piscou e riu. - Mas é sério, , cuidado com ele. Sei lá, liga pro Zac antes, pede pra ele ficar em casa...
- Ai, você também? - resmunguei. – , não vai acontecer nada. Eu sei o que estou fazendo. Está absolutamente planejado, eu vou até lá, vou fazê-lo devolver o Lamborguini, e depois me entendo com o . Ele vai ficar putinho, mas grande coisa. Nada que eu não possa resolver no banco traseiro do próprio Lamborguini. - Dessa vez fui em quem sorriu maliciosa.
- Você não presta. - amarrou o cabelo. – Certo. Vou atrás do , dê uns cinco minutos aí e vá torcer o pé.
Ri baixo. E ela completou.
- Boa sorte.
saiu do banheiro e eu encarei meu reflexo no espelho, tentando amarrar o cabelo de alguma forma que ficasse decente. Então eu ouvi o choque da porta contra a parede, e dei um pulo, virando para trás.
- Ora ora, mas não é a vadia, digo... Kelsey Russell? - Sorri, me aproximando, e Kelsey retribuiu falsamente.
- Ora ora, mas não é a Campbell, que vai se meter onde não deve e irritar o namoradinho?
Merda. Merda. Mil vezes merda. Além de vadia, ainda é fofoqueira?
Acho que a pirralha não sabe com quem está se metendo.
- Do que você está falando, queridinha?
Lancei meu melhor olhar Madre Teresa e continuei entretida com meu cabelo. Kelsey deslizou em minha frente, colocando-se entre mim e o espelho, e me encarou nos olhos. Devo acrescentar atrevida à minha lista negra sobre Kelsey.
- Você sabe exatamente do que eu estou falando, Campbell. Essa carinha de santa não engana ninguém.
- Enganava seu irmão direitinho. - Ri baixo da cara de nojo que Kelsey fez. - Agora se me der licença, tenho coisas demais para resolver hoje, perder meu tempo com uma vadiazinha aspirante a rainha do baile não está nos meus planos.
Joguei um beijo no ar, e assim que virei meu corpo para alcançar a maçaneta, Russell me interrompeu. Senti o sangue correr mais rápido pelas veias, e contei até três pra não enfiar um murro no meio do nariz plastificado daquela babaca.
- Eu sei que você está se metendo aonde não deve, querida. - Ela sorriu. - Sei também que se eu discar um certo número da minha agenda telefônica, você estará encrencada - Ela riu, maliciosa. - Hm, vejamos... Deixo você ir ou acabo com você e ainda levo as sobras do teu namoro pra casa?
A risada maligna de Kelsey ecoou pelo vestiário completamente vazio. Deslizou o flip do celular com uma das mãos, e então eu perdi totalmente o controle. Russell levou o celular pra perto do ouvido, e eu cravei as unhas em seu pulso, empurrando-a contra a porta. Percebi que ela reprimiu um grito e apertei ainda mais, ouvindo o baque do celular contra o piso, e vendo que ele se despedaçou em várias direções.
- Escuta aqui, vadia - Disse baixo, me deliciando com a cara de dor da garota. - Eu disse pra você ficar longe do meu caminho, mas você está saidinha demais... Eu não ligo pra merda alguma que você diga! E nem que eu chifrasse o e terminasse com ele na frente de todo o colégio ele olharia pra você. - Sorri de lado. - Você não passa de um objeto. Um estepe que ele usou pra conseguir o que queria. Descartável. Digna de PE-NA.
Empurrei Kelsey contra a porta, soltando seu pulso, e vi uma lágrima escorrer em seu rosto. Abaixei e peguei delicadamente as peças de seu celular de última geração, e a encarei.
- Sabe porque eu não tenho medo de você, K.? - Ri ao pronunciar o apelido que as amigas dela usavam. Vi que ela se aproximava de mim e sorri, tacando o que sobrou do celular com força na parede. - Porque você sabe que eu sei muito mais podres sobre você que o contrário.
- Você não sabe porra nenhuma! - Ela gritou e eu fiz cara de espanto, dando alguns passos para trás em direção à porta. - Eu vou acabar com você, sua vadia!
- Eu não sei nada, K.? Tem certeza? - Ri, destrancando a porta delicadamente, mas ainda olhando para ela. - Eu sei que você abortou uma criança quando tinha apenas quatorze... - Gargalhei de sua cara de espanto. - É, querida, eu namorava seu irmão, esqueceu? - Deixei que Kelsey se aproximasse suficientemente: - Sei que na verdade, quando seus pais “a enviaram para estudar na França”, você estava em Rehab por cocaína... - Chacoalhei a cabeça. - E o que dizer da sua anorexia? Ah, querida, se eu colocar isso nas bocas das pessoas certas, seus planos de rainha do baile vazam completamente pelo...
Abri a porta com força para trás, no mesmo segundo que Kelsey partiu para cima de mim.
Deixei que acertasse um tapa em meu rosto. Não foi nada demais, mas simulei uma queda dramática. E logo todos estavam olhando.
- Ke-Kelsey! - Arregalei os olhos - Por quê? Por que você está agindo assim comigo? Por que você me estapeou, garota?
Levantei, fingindo dor, e quando vi que ela iria partir para cima de mim, gritando coisas desconexas, estapeei seu rosto com tanta força que chegou a doer minha mão.
- Vocês viram, não é? - Olhei em volta para uma porção de garotas e garotos da sala que já nos cercavam - Eu simplesmente... Me defendi. - Respondi com minha carinha super treinada de gatinho de botas do Shrek.
- VOCÊ É UMA VACA! EU VOU TE MATAR, CAMPBELL! - Kelsey partiu para cima, e vi que alguns garotos iam segurá-la. A segurei pelos cabelos, e num movimento rápido, ela estava se debatendo dentro da piscina.
Todos riam da desgraça da putinha Russell e eu tentei reprimir uma gargalhada.
- Ah, K.! Eu falei pra você não se meter aonde não é chamada! - Sorri e murmurei: - Vê se aprende, vadia.
Caminhei pelos corredores do colégio sem ser notada. É claro que eu ganharia uma detenção por aquilo, mas todos tinham visto que eu era a vítima, logo, poderia me livrar. Corri o mais rápido que pude até entrar em meu carro e dar partida, rindo alto.
Enquanto dirigia para meu primeiro destino - que não era ainda a propriedade dos Johansson, para o bem da minha ansiedade -, lembrei que havia dito que me buscaria no colégio aquele dia. Xinguei baixo - não que eu não adorasse quando ele fazia coisas desse tipo, claro - mas eu não estaria lá quando ele chegasse. Digitei rapidamente um SMS e enviei.
“, meu pai resolveu me buscar no colégio porque ele quer almoçar cmg ou algo do tipo. Desculpe, te ligo mais tarde! Xx ”
respondeu qualquer coisa concordando, mas aquilo não importava muito no momento. Corri até em casa, diretamente para meu quarto, e troquei de roupa. Abri uma gaveta rapidamente e vasculhei por entre vários papéis, até achar um envelope de cor bege. Sorri maliciosa, sem ser notada. Caminhei apressadamente pelas ruas que separavam minha casa da propriedade dos Johansson. Sabe aquela sensação de frio na barriga que você sente quando está em uma montanha russa? Pois é, isso define muito bem o momento. Estacionei meu carro próximo ao tão famoso Scorpion de Brandon, e respirei fundo, andando calmamente até à porta principal. Toquei a campainha, esperando ver o rosto de algum empregado ou governanta, e dei um pulo para trás quando vi o corpo musculoso de Brandon, que estava sem camisa e segurava um copo de suco.
- Campbell! - Ele sorriu daquele jeito malicioso de sempre, quase zombeteiro. - Que surpresa... - Ele riu, me olhando sem pudor algum.
- Eu preciso conversar com você, Brandon - disse com a voz serena. - Em particular.
Johansson arqueou uma sobrancelha, parecendo confuso. Mas isso durou apenas segundos, seu olhar matador de sempre veio acompanhado de um sorriso quase pervertido.
- Tenho todo tempo do mundo pra conversar com você - ele riu, colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. Respirei fundo, tentando conter o súbito nojo que subiu em minha garganta. - Mas não sou muito de papo, você sabe, ... Prefiro mais ação.
- Te digo uma coisa, Brandon - sorri, subindo um degrau da escada, a ponto de encará-lo nos olhos. - Você escuta o que eu tenho a dizer, depois vemos que tipo de ação você tem a me oferecer. - Mandei uma piscadela e entrei em sua casa, sem pedir autorização.
Brandon coçou a cabeça, rindo baixo.
- Atrevida, você, Campbell.
- Você não viu nada, Johansson.
Subi as escadas até o corredor que dava para os quartos. Eu conhecia muito bem aquela casa, todas as festas lendárias que participei vieram em minha mente como flashes bem turvos. É difícil lembrar claramente das coisas quando se está alta, vamos assim dizer. Não olhei para trás, apenas passei direto pela porta de Zac, rezando para que ele estivesse ali e pudesse me socorrer caso seu irmão virasse alguma criatura possuída de outro mundo. Não sabia muito bem o que esperar de Brandon.
- Lembra bem onde é meu quarto, não é? - Ele riu, passando a chave na porta. Reparei bem nesse movimento e senti minhas mãos gelarem, mas sorri de maneira falas.
- Claro que lembro. Foi nele em que eu te dispensei nas últimas... Mil festas? - Ri da cara de derrotado de Johansson, mas ele também deu risada. Provavelmente para não se sentir inferior, conheço bem esse tipinho.
Brandon me encurralou contra uma mesa, praticamente obrigando-me a sentar em cima dela, e eu estava de saia. Perigoso. Respirei fundo, tentando prestar atenção no que ele dizia.
- O que você quer aqui, Campbell? Não ficou feliz com a ceninha gay do seu namoradinho? - Ele riu, mordendo devagar minha orelha. - Queria ser o prêmio da noite?
O empurrei sutilmente para trás, descendo da mesa, e depois me colocando atrás dela. Sorri ao abrir minha bolsa.
- Nos seus sonhos, Brandon.
- Então o que diabos você quer?
- Simples. - Lancei meu melhor sorriso - Quero que você devolva o Lamborguini do Danny.
A quietude do quarto foi tomada por um acesso interminável e bastante sarcástico de risadas. A vontade que eu tive era dar um murro naquela cara de vilão Hollywoodiano de Johansson.
- Ah, Campbell - ele se aproximou, ainda rindo. - Você é tão ingênua! O que te faz pensar que eu vou devolver aquele carro pra você? - Ele arqueou a sobrancelha. - Por acaso está considerando se oferecer em troca?
Ri baixo. Aquele babaca realmente se achava a última gota de Coca-Cola no deserto.
Andei em sua direção, vendo que seu sorriso ficava cada vez mais pervertido, e quando cheguei perto o suficiente, sussurrei em seu ouvido:
- Veja o que você acha disso, Johansson.
Espalmei o envelope bege em seu peito nu, depois dei alguns passos para trás, a fim de me sentar novamente na mesa. Não consegui disfarçar o sorriso vitorioso imenso que surgiu em meus lábios com a cara de susto que Brandon fez ao olhar o que tinha dentro.
Eu estava mesmo pegando fogo aquele dia.
- MAS QUE PORRA É ESSA? - O grito de Brandon podia muito bem deixar qualquer um surdo. Levantei, praticamente desfilando em sua direção. Ri, sarcástica.
- Você quem me diz, Johansson - falei, caminhando em círculos pelo quarto.
- COMO VOCÊ CONSEGUIU ISSO? - Brandon me segurou com força pelo braço, e eu gemi.
- Easy, Tiger. Quer fazer o favor de soltar meu braço?
Brandon me soltou bruscamente, e eu quase desequilibrei.
- Vamos ao que interessa, Brandon. - O encarei. - Há alguns meses eu sei do que você anda fazendo. - Chacoalhei a cabeça, em sinal de desaprovação. - E eu sempre soube que essas fotos, esses comprovantes de motel e todas essas coisinhas desse envelope seriam úteis algum dia. - Ri baixo. - Você é um garoto muito, muito mau, Brandon. Não deveria fazer isso com seu pai.
- CALA A BOCA, SUA...
- CALA A BOCA VOCÊ, EU NÃO TÔ AQUI DE BRINCADEIRA! - Gritei, o interrompendo. - Transando com sua própria MADRASTA? - Ri maliciosa. - Deixando seu pai pagar todas as contas absurdas de motel enquanto você come A MULHER DELE?
- Você não sabe com quem tá se metendo, Campbell! - Brandon quase cuspiu as palavras. - Se manda daqui, pro teu próprio bem! Você não sabe do que eu sou capaz!
Ri, sarcástica. Como eu amo ter o controle da situação!
Virei meu notebook para Brandon. Meu email está aberto.
- Eu não curto perder meu tempo, querido. - Sorri, mostrando a ele os anexos. Todas as fotos e scans que eu havia conseguido no motel. Adoro ter contatos! - Você está vendo isso aqui? São cerca de oitocentos emails cadastrados apenas de Londres. - Ri baixo. - Ou você coloca a chave do Lamborguini na minha mão AGORA e fica quietinho sobre isso tudo, ou eu clico em ENTER e te deserdo. Acabo com a sua vida. O que vai ser?
Vi o garoto se distanciar e senti um frio na espinha. Ele vasculhou os bolsos de uma calça que estava jogada em uma poltrona e voltou.
- Apaga essa merda. AGORA! - Ele gritou, e eu vi que segurava a chave. Ri baixo.
- A chave.
Brandon me deu a chave e eu cliquei em ESC no email, fechando o notebook. Não disse uma palavra, apenas me direcionei até a porta, controlando meus anseios de gritar de felicidade e de rir alto. Mas as coisas não são assim tão fáceis. Senti as mãos de Brandon em minha cintura, e ele rapidamente me empurrou contra a parede, com tanta força que ouvi o choque da minha cabeça e cotovelos. Não tive tempo de gritar, ele me segurou pelos braços e eu arfei de dor.
- Então é isso? Seu namoradinho simplesmente não podia resolver isso sozinho? - Ele riu, descontrolado.
- Ele não sabe que eu estou... Aqui! - gemi. - Me solta!
- Ele estava certo, garota! Você acabou de comprar uma briga feia!
Brandon me puxou pelos cabelos e distribuiu algumas mordidas em meu pescoço, ainda apertando meu braço com uma força surreal, enquanto apertava minha coxa. Senti uma lágrima escorrer, mas era de ódio. Eu simplesmente tinha nojo daquele cara.
- O que você vai fazer? Me matar?
Dessa vez ele me encarou nos olhos.
- Muito trabalho pra nada. Sem ofensas, mas você não vale tudo isso, Campbell - Ele abriu o botão da calça com a mão que antes estava em minha coxa. - Mas vou me divertir com você. O suficiente pra pôr a porra do teu namoradinho no lugar dele! - Senti seus dedos apertarem meu seio sem delicadeza alguma. - E pra você colocar na merda da sua cabecinha fútil que você mexeu com a pessoa errada.
Johansson pressionou sua boca contra a minha, e eu não abri os lábios, o que o deixou ainda mais puto. Apertou minha coxa por baixo da saia, buscando minha calcinha, e eu deixei escapar um grito de desespero. Ele riu sadicamente.
- Não tem ninguém aqui, Campbell. Pode gritar o quanto quiser.
Quando ele puxou a lateral da minha calcinha, cedi um pouco a seus lábios, com imensa vontade de vomitar. Assim que vi para onde aquela peça iria se eu não agisse rápido, mordi seu lábio inferior com tanta voracidade que senti o gosto de seu sangue. Quando ele parou de me beijar para gritar, o atingi com o joelho nas partes baixas.
- SUA PUTA! - Ele gritou, tentando me segurar, e eu destranquei sua porta com a visão turva e com as mãos trêmulas.
Corri descontroladamente escadaria abaixo, percebendo que ele se arrastava atrás de mim. Abri o Lamborguini e dei partida o mais rápido que meu controle emocional permitiu, mas não a tempo de fugir sem ver aqueles olhos cheios de ira. Ele foi categórico nas únicas quatro palavras que proferiu antes que eu sumisse a 200 por hora:
- Você está morta, Campbell.
Capítulo O5 -
Mudei o canal da televisão insistentemente naquela tarde. Não havia nada de bom pra fazer, os caras estavam ocupados com suas próprias vidas, e tinha ido fazer qualquer porcaria com o pai dela. Já estava escuro e eu detesto tardes entediantes, devo acrescentar. É claro que eu poderia estudar ou algo do tipo, mas comprar professores sempre foi mais meu estilo. Alguém bateu devagar em minha porta e eu respirei aliviado, mesmo tendo quase certeza de que seria apenas algum empregado.
- Sr. ? - Uma senhora de quarenta e poucos anos que eu jurava nunca ter visto na vida entrou em meu quarto. Minha mãe e sua péssima mania de descartar empregados.
- O que foi?
- Telefone para o senhor. É a .
Peguei o aparelho da mão da mulher, que fechou a porta rapidamente, e sorri.
- Pensei que nunca mais fosse dar notícias! - disse, jogando o controle da TV pro lado. - Como foi com seu pai?
não respondeu nada, o que foi meio estranho.
- , eu tô aqui em frente à sua casa. - Ela disse simplesmente e eu franzi a testa, rindo.
- Então por que não entra?
- Não - Ela disse rapidamente - Preciso que você venha até aqui.
- , deixa de graça, vai - disse, me espreguiçando. - Eu tô esperando você aqui no quarto e...
- , cinco minutos, desce logo - disse impaciente e, antes que eu pudesse me manifestar, desligou o celular na minha cara. Que porra era aquela mesmo? Odiava acessos de TPM.
Calcei meus tênis devagar - se ela tava com tanta pressa, teria que esperar -, dei uma ajeitada no cabelo e desci as escadas despreocupadamente. Passei na cozinha, provavelmente já havia passado uns sete minutos da hora que ela desligou, peguei um suco na geladeira e fui até a porta, totalizando uns dez minutos, que a deixariam furiosa. Mas quando abri a porta, com meu sorriso cínico nos lábios, quase caí pra trás.
estava lá, gostosa como sempre em sua minissaia jeans e sua jaqueta preta, mas a questão não era essa.
Ela estava encostada num Lambourghini.
O meu Lambourghini.
Andei tão rápido a distância entre o gramado e a rua que cheguei em sua frente em menos de dez segundos.
- O que diabos é isso? - perguntei, praticamente gritando, ao me aproximar de , que manteve sua pose inicial.
- Isso é seu carro, já esqueceu dele? - ela riu, arqueando a sobrancelha, e eu me descontrolei.
- Por que você tá com esse carro, ? - gritei, segurando-a pelo braço. gemeu, e eu a soltei bruscamente.
- Eu disse que queria ajudar, ! - ela já respondeu com a voz mais alta.
- EU MANDEI VOCÊ FICAR FORA DISSO!
- EU JÁ TE DISSE QUE VOCÊ NÃO MANDA EM MIM!
respirou ruidosamente, e eu passei as mãos pelo cabelo, extremamente puto. Não apenas porque detestava que pessoas se metessem onde não eram chamadas, mas especialmente porque tinha ordenado que ela ficasse fora daquilo.
- Eu pedi pra você ficar longe daquele cara - disse, prendendo-a entre meus braços, contra a lateral do carro. - Mas que merda, !
- Não aconteceu nada! - ela protestou, já podia notar, por seu tom de voz, que estava perdendo a paciência. - Quer parar de agir como se fosse meu pai e me agradecer por ter trazido seu carro de volta?
Eu ri, sarcástico, e voltei a encará-la nos olhos.
- Eu nunca vou te agradecer por isso - quase cuspi as palavras. - Como conseguiu isso, hein? Espero que você não responda que...
- Melhor parar por aí, ! - me interrompeu, dando um passo a frente, até quase colar seu rosto no meu. - Você não vai gostar de receber o tapa que eu vou dar na sua cara se você continuar essa frase.
Não consegui falar nada por alguns segundos. Será que ela não entendia a porra do perigo que tinha passado, o que quer que fosse que tinha feito?
- , pelo amor de Deus! Se eu pedi pra você ficar longe do Brandon, foi por um motivo! - Tentei parecer o mais calmo possível, mas minha voz continuava estranha. - Aquele cara é perigoso, porra!
- Grande merda! Não é como se ele pudesse fazer algo contra mim, de qualquer forma... - disse calma, e eu franzi a testa.
- Do que você tá falando?
- Ele tem muito mais a perder se fizer algo contra mim. - Ela sorriu, vitoriosa, e eu senti o sangue esquentar.
- DO QUE VOCÊ TÁ FALANDO? – repeti, e ela sorriu de novo.
- Do dossiê que prova que ele anda transando com a madras...
De repente tudo ficou muito claro pra mim.
Merda, merda, mil vezes merda. Aquilo não podia ficar pior.
- Você chantageou o Brandon? - interrompi, e quase tive uma síncope, seja lá o que isso signifique, quando ela afirmou com a cabeça, assustada. - O QUE VOCÊ TEM NA CABEÇA? - Antes que pudesse responder, a segurei pelo braço. - , o Brandon não é qualquer garoto que você pode chantagear e achar que vai ficar tudo bem! NÃO VAI FICAR! - gritei, tentando respirar fundo.
- Era pra EU ter cuidado disso! EU posso me virar com ele! Você foi se meter nisso, e agora ele não vai sossegar enquanto não aprontar alguma contra você, pode ter certeza!
engoliu seco, e eu me aproximei, instintivamente.
- Ele não fez nada com você, fez? - perguntei baixo, quase inaudível, percebendo que tinha esquecido de me preocupar com o óbvio. Claro que ele é muito mais forte que ela, e se tivesse encostado um dedo na minha garota, eu não responderia por mim. - Responde! - sussurrei, autoritário.
- Não! - respondeu rapidamente. - É óbvio que não, !
- Você está mentindo! - disse, e ela encostou em mim, passando os braços em meu pescoço. Tentei me esquivar, mas foi mais rápida.
- É verdade, . Agora por favor, para com isso! - ela disse, quase suplicante. - Eu tentei fazer uma coisa boa por você. Não vai acontecer nada comigo...
- Como não vai? - interrompi, sentindo uma perna de roçar entre as minhas, enquanto ela acabava com qualquer espaço mínimo que houvesse entre nós. Fechei os olhos, tentando me concentrar. - Você é maluca! Aquele cara...
- Shhh... - Ela mordeu o lóbulo da minha orelha, trilhando beijos em meu pescoço, fazendo com que me arrepiasse. - Eu não quero ouvir nada disso.
subiu com uma mão por baixo da minha camiseta, arranhando devagar, e eu arfei. Como conseguia perder o foco tão rápido quando estava perto dela? Me afastei um pouco, nervoso comigo mesmo por parar aquilo, e com ela, por fazer aquilo.
- ! Eu não vou, esquece! - disse friamente - Não quero saber! Eu pedi pra você não se meter nisso! Você não vê? - Ela já estava me puxando pelo passante de novo, e eu fiquei meio perturbado com o cheiro que emanava de seu pescoço... - Você...
- Cala a boca, ! - ela disse baixo, mas firme. - Nada vai acontecer, e se acontecer, eu tenho você pra me proteger - ela riu baixo da expressão em minha cara, enquanto mordia novamente meu pescoço.
- Eu não vou proteger ninguém. Ninguém mandou você fazer isso - respondi, tentando parecer frio, mas o máximo que consegui foi soar como uma bicha derretida. Puta merda, mordidas no pescoço é muita maldade!
riu.
- Você está bravo, eu entendi - me encarou nos olhos. - Eu deixo você se vingar de mim. - Ouvi o barulho que dizia que as portas do carro estavam destrancadas. - Mas vai ter que ser lá dentro. E tem que ser agora.
sorriu maliciosa e entrou na Lambourguini. Tentei não deixar que um sorriso pervertido aparecesse em meu rosto, mas era impossível.
Ela sabia como lidar comigo.
Respirei fundo, tentando parecer correto, e virei as costas, caminhando em direção à grama. Mas parei, e meio segundo depois, estava abrindo a porta do carro, vendo, mesmo no escuro, um sorriso vitorioso no rosto de .
- Pode parar de sorrir, isso aqui é uma vingança.
Ela riu baixo.
- Como quiser.
Eu não me importava por ser menos de sete da noite. Realmente não me importava de estar em frente à minha casa. Aquela garota me tirava do sério num grau incalculável pela mente humana. Puxei-a para meu colo, sem me preocupar em mudar de banco ou qualquer coisa do tipo. apoiou uma perna de cada lado do meu corpo, e eu agarrei seus cabelos rapidamente, quase chocando nossas bocas e beijando-a sem pedir permissão, e sem ligar para a voracidade daquilo. Talvez eu deixasse uma marca, e com certeza essa possibilidade me agradava. Subi com a mão por baixo de sua camiseta, sem saber como sua jaqueta já tinha sumido dali, e apertei sua cintura com força, fazendo arfar quando meus dedos gelados entraram em contato com sua pele quente. Parei de beijá-la na boca, passando a beijar e morder seu pescoço, alternadamente, enquanto ela puxava minha camiseta para cima, me interrompendo apenas para que a jogasse longe. Aproveitei o momento e também me livrei da dela, distribuindo alguns beijos por sua barriga. arranhava meu peito nu, buscando o botão da minha calça com a outra mão, lançando um olhar de luxúria que me fez sorrir malicioso. Sua respiração ofegante e quente perto do meu ouvido estava me deixando louco, e ela sabia disso, pode ter certeza. abriu o zíper da minha calça segurando firmemente em meu membro que já dava sinais de vida bem claros, e começou a massagear aquela área, tão devagar que chegava a ser torturante, e eu deixei escapar um gemido que mostrava minha vontade que continuasse, mas que acelerasse o processo. Soltei seu sutiã com uma das mãos, tentando me concentrar enquanto aumentava os movimentos, e ela me encarou com os olhos semicerrados, livrando-se sozinha da peça, e eu devolvi seu olhar como se fosse um garoto de 13 anos que nunca tinha visto peitos na vida - podia ter transado mil vezes com ela, mas sempre fui fascinado por essa parte. Deus foi muito bom comigo quando me deu uma namorada tão gostosa. Rapidamente segurei seus seios, apertando-os e beijando, enquanto fincava suas unhas em minha nuca, puxando meus cabelos sem muita delicadeza, respirando cada vez mais alto. Não estávamos mais conseguindo controlar nossos instintos, e em meio a um beijo meio descontrolado e afobado, desabotoei sua saia e consegui puxá-la por cima. movimentou-se rapidamente para cima de mim, e eu não entendi o que queria de primeira, só quando ouvi o barulho dá alavanca do banco, que nos empurrou para trás, dando mais espaço. Sorri, aprovando, e deslizei minhas mãos pelas laterais de seu corpo, apertando sua bunda com força. Não tinha idéia da temperatura do lado de fora, mas dentro do carro parecia uma sauna, e ainda tínhamos roupas demais atrapalhando. puxou minha calça com força para baixo, e pareceu irritada ao reparar que aquilo seria difícil. Dei uma risada estranha e sem fôlego, mas consegui concluir uma frase, ao menos.
- Porta-luvas.
pulou para o banco de passageiro, enquanto me livrei do jeans que usava. Quando pensei em me livrar da boxer, ela segurou meu pulso, sorrindo de maneira quase pervertida. Não precisou dizer nada - parei o que estava fazendo, deixando que puxasse a cueca até que a mesma caísse no chão, e eu a puxei para perto, praticamente voando em seu pescoço. Me livrei da única peça que não estava ainda no lugar certo - no chão - e coloquei a camisinha depressa, já estava pirando e não sabia por quanto tempo ainda aguentaria. apoiou as pernas como estavam antes, me beijando com toda a fúria e eu a puxei pelo pescoço, fazendo com que me olhasse. Ela lançou um olhar suplicante, e eu sabia bem o que queria. A questão é que em nosso relacionamento, o ego e o orgulho andam lado a lado. Ela queria dominar, e naquela hora, se eu soubesse responder meu nome, já seria um puta lucro. Concordei com o olhar , e ela disse, com a voz falha:
- Pensei que isso era uma vingança...
Segurei em seu quadril, sorrindo de canto.
- Você não viu nada.
A puxei com força, invadindo-a por inteiro e de uma vez só. deixou escapar um grito, e eu sorri malicioso, ainda que perdendo totalmente os sentidos ou o que me sobrara de sanidade. começou a movimentar o quadril de forma lenta, mas logo aumentou a velocidade, enquanto eu beijava seu pescoço suado ou tentava, em vão, me concentrar em um beijo. Suas mãos corriam sem rumo por meus braços, costas e ombros, vez ou outra ela fincava suas unhas em algum lugar, e eu tinha certeza que devia ter sentido dor, mas não conseguia pensar ou sentir mais nada além do que estávamos fazendo. Minha mente apagou totalmente, e eu comecei a agir instintivamente, apertando seu corpo contra o meu até que não houvesse mais espaço algum, mordendo seu pescoço, e já não conseguia mais controlar os gemidos ao ouvi-la fazer o mesmo, ou sussurrar meu nome perto do meu ouvido. Busquei sua boca urgentemente, mas não conseguia mais me concentrar nisso, sabendo o que estava por vir. encostou a testa na minha, segurando fortemente meus ombros, enquanto eu apertava suas coxas. Em momento algum desviamos o olhar. Atingi meu ponto máximo, segurando-a com força e me movimentando, exausto, até que seu corpo relaxou sobre o meu.
Ficamos em silêncio por um bom tempo, tudo que se ouvia eram as respirações tentando ser normalizadas. deitou a cabeça em meu peito e fechou os olhos, e eu fiquei mexendo em seus cabelos, totalmente esgotado. Se existisse um top 5 das melhores transas que eu já tive, era capaz dessa ter entrado. Adoro resolver brigas com sexo. Comecei a ficar com sono, e encarei o relógio no painel do carro, o que me fez lembrar aonde estávamos, e beijei a testa de , que estava quase dormindo.
- Nós precisamos sair daqui - disse baixo e ela negou, ainda de olhos fechados.
- Não precisamos não - disse, com a voz arrastada, e eu ri baixo.
- Estamos na frente da minha casa e mal passou das oito da noite.
abriu os olhos com algum esforço, e fez careta.
- Vai, se troca - eu disse, tentando alcançar minhas boxers - A gente sobe pro meu quarto, toma um banho e come alguma coisa... - Beijei seu ombro e sorriu.
- Qualquer coisa que eu quiser?
- Qualquer coisa - respondi, e ela riu.
- Quero comida tailandesa daquele restaurante perto de Cardiff - ela disse, rindo da minha cara, e eu acompanhei.
- Qualquer coisa que tenha na minha geladeira - consertei e ela riu, vestindo sua calcinha.
Consegui me vestir mais rápido do que , que ainda estava apenas de sutiã na parte de cima, tateando o chão. Chacoalhei a cabeça, rindo.
- O que você quer fazer? - perguntei e ela levantou a cabeça.
- A chave do seu carro. - Esticou as mãos e abaixou novamente. - Eu não acho minha camiseta - respondeu, rindo um pouco.
- Não pode estar muito longe... - disse e ela estendeu o dedo do meio, o que me fez rir.
- Fica quieto e acende a luz - disse com um falso tom autoritário e riu, e eu o fiz, abaixando para tentar ajudá-la.
- HÁ! Achei! - Ela pulou de volta para o banco, e eu levantei, rindo.
Foi quando eu realmente consegui reparar nela - a luz do carro estava apagada nesse meio tempo - e minha primeira reação foi puxá-la pelo pulso, fazendo que seu rosto quase colasse no meu, e ela me encarou, assustada.
- Que merda é essa? - disse alto, e pude perceber a confusão no rosto de - QUE MERDA É ESSA?
abaixou o rosto, olhando para onde eu apontava - seu braço - que tinha uma enorme marca roxa. Ela tentou disfarçar, mas parece ter entrado em pânico.
Mil imagens passaram pela minha cabeça em um instante só.
E todas culminaram em apenas uma pessoa: Brandon Johansson.
- FOI ELE, NÃO FOI? - gritei, esbarrando no volante e acionando a buzina. olhou para o lado, e eu só fiquei mais puto, segurando seu rosto com força para que me encarasse. - FALA!
- Claro que não, - ela disse, a voz entrecortada. - Deve ter sido você, aqui no carro ou ali fora, não sei...
Respirei fundo, deixando escapar uma risada cínica.
- Eu NUNCA chegaria nem perto de fazer isso com você - respondi, um pouco mais baixo, mas anda segurava seu pulso com um pouco mais de força que o necessário. - Só fala a verdade, porra!
- Eu estou falando a verdade! - ela disse alto e eu a soltei com força, passando a mão pela cabeça.
- Para de mentir pra mim! - disse com o olhar fixo na rua em minha frente, com o ódio correndo nas veias mais rápido do que era considerado normal para a sanidade de alguém. - Só me fala uma coisa... - disse, sem me mexer - O que ele fez além disso?
respirou fundo, e eu sabia que estava me olhando, mesmo sem estar virado para ela.
- Nada. Ele só tentou... - ela parou, editando a frase. - Mas o que importa, , é que ele não conseguiu nada e...
Foi o suficiente. Coloquei a chave no contato e arranquei com o carro, cheguei a cem por hora em menos de trinta segundos. deu um grito, sendo jogada para trás.
- , o que diabos você ta fazendo? - ela gritou, segurando-se. - !
Não respondi nada. Minha mente estava roboticamente programada com a função “Matar aquele filho da puta, a.k.a. Brandon”. Minhas mãos estavam geladas, e meu raciocínio era instintivo, passei três faróis vermelhos, mas não estava ligando para isso.
- , pelo amor de Deus, para com isso! - gritou, encostando em meu braço, e eu fiz um movimento brusco.
- Cala a boca.
Estacionei no jardim dos Johansson em três minutos ou menos, saí do carro e bati a porta com força. vestiu a camiseta correndo, e logo estava atrás de mim. Sua voz era de total desespero, e ela tentava, em vão, me segurar.
- Me larga, porra! - disse rapidamente, indo até a campainha e tocando-a insistentemente, sem parar.
- , para com isso! - ela disse baixo, e então ouvi uma voz atrás de mim, que não era de .
- Procurando por alguém, ? - Brandon estava no jardim, com uma chave inglesa na mão e sujo de graxa.
Não consegui pensar. Parti para cima dele, acertando um soco certeiro em seu rosto. gritou, e Brandon desequilibrou, mas não chegou a cair no chão.
- É assim agora? - Ele riu, sarcástico, enquanto segurava o rosto - Você manda sua putinha fazer o trabalho sujo, pra depois bancar o herói?
- , não! - gritou, e eu parti para outro soco, mas Brandon desviou, e veio com a chave inglesa em direção ao meu rosto, mas acabou batendo sem tanta força no braço.
Zac apareceu pela porta da frente, e disse alguma coisa que, no calor do momento, não consegui entender. Antes que conseguisse me alcançar, derrubei Brandon no chão, dando vários socos seguidos em seu rosto, sem parar.
- Eu disse para você ficar longe dela! - disse entre dentes, socando-o de novo. - Você está morto, Johansson! - gritei, e Zac me puxou para trás, não sei como.
Brandon riu, mas podia perceber que estava com dor, e aquilo serviu apenas para aumentar minha adrenalina. Ele andou devagar, e enquanto me livrava de Zac, acertou um soco em meu rosto.
- Você tem sorte que foi apenas um soco, - ele gritou, com fúria no olhar.
- , vamos embora daqui, agora! - me puxou pelo braço, e eu continuei parado, encarando o rosto ensangüentado de Brandon. - , por favor! - A voz de era suplicante. Senti minha mão dolorida, e a encarei. Ela estava com os olhos vermelhos.
- , sai daqui! - Zac disse, puxando o irmão pra dentro.
Respirei fundo enquanto me puxava pelo braço, em direção ao carro.
- Isso não acabou, Johansson! – gritei. - Na verdade... Está apenas começando.
- , por favor, fala comigo! - estava impaciente quando desceu do carro em frente à minha casa, me seguindo, devo acrescentar. - ! - ela gritou, um pouco nervosa, e eu bufei, a encarando nos olhos.
- Você mentiu pra mim. Você estava acobertando aquele cara! - respondi, com nojo, e ela bateu o pé no chão, rolando os olhos.
- Eu não menti, porque não aconteceu nada - disse, e antes que eu abrisse a boca, ela continuou. - Poderia ter acontecido, mas não aconteceu. E eu só omiti isso porque tive medo que você... Agisse exatamente dessa forma e acabasse encrencado.
Ri baixo, chacoalhando a cabeça em desaprovação. Ela queria me proteger? Olha meu tamanho! Não respondi nada, apenas entrei em casa, e ela ainda estava atrás de mim. Subi as escadas, e lá estava ela. Quando entrei em meu quarto, ela passou direto até meu banheiro, e eu franzi a testa. Demorou meio minuto e ela saiu de lá com um kit de primeiros socorros.
- O que você tá fazendo?
- Cala a boca. - Cah colocou uma perna de cada lado do meu corpo novamente, como tinha feito no carro, e eu quase sorri, mas me mantive sério. - Tem um corte na sua boca.
- E daí? - Resmuguei.
- Cala a boca, .
pegou alguma coisa que eu não vi o que era dentro da caixa, mas quando encostou em meu lábio, senti um ardor e arfei, fazendo-a rir.
- Gay - ela disse baixo e rindo. Resmunguei, segurando o riso.
- Cala a boca. - Dessa vez eu quem falei, e ela sorriu.
cuidou do meu corte com calma, praticamente acariciando meu rosto, e eu fechei os olhos, me sentindo bem ali. Por mais que ela me fizesse perder a cabeça, era também ela que conseguia colocar tudo no lugar novamente. Quando terminou, ela sorriu e me empurrou sutilmente para trás, fazendo com que eu caísse de costas na cama, e jogou o cabelo para o lado, aproximando o rosto do meu, e de olhos fechados, passava a ponta do nariz em minha pele, até me dar um beijo suave. Ela sorriu e levantou, pegando a caixinha de remédios.
- Aonde você vai? - sussurrei, a encarando. Ela sorriu.
- Para casa - respondeu simplesmente, enquanto entrava no banheiro. Quando voltou, pareceu lutar com ela mesma, e disse, quase inaudível.
- Desculpe por isso tudo.
Ajeitei os travesseiros atrás de mim, e não consegui deixar de sorrir pra ela. Merda. Detesto meus acessos de bondade.
- Desculpe... - eu olhei, confuso - por isso tudo também.
Ela riu, pegando sua bolsa, e quando estava quase fechando a porta, resolvi interromper.
- ?
Ela colocou a cabeça pra dentro, me olhando.
- Fala.
- Dorme aqui comigo? - perguntei, e só depois reparei que provavelmente tinha soado como um garotinho de cinco anos, mas já não estava mais ligando. Ela sorriu sem responder, e entrou de novo, tirou as sandálias e subiu na cama, apoiando a cabeça em meu peito. A beijei rapidamente - o corte ainda incomodava - e apaguei o abajour.
O cheiro dela fez com que eu apagasse quase instantaneamente.
Mas isso fica só entre nós.
Pra todos os efeitos, eu estava muito cansado.
Acordei no dia seguinte com dor na mão, tinha esquecido que socar alguém pode render uma espécie de ressaca no dia seguinte. não estava ao meu lado, mas sabia que não tinha ido embora, pois suas coisas estavam em minha poltrona. Sentei, encarando o relógio que marcava onze e meia - cedo demais, devo acrescentar - e saiu do banheiro. Ela estava com o cabelo amarrado em um coque, uma camisa xadrez (minha, mas que ficava extremamente melhor nela), e com seu celular na mão.
- Bom dia - ela disse simplesmente e sorriu, aproximando-se para um selinho. A segurei pela cintura e derrubei na cama, beijando-a de verdade, e ela riu.
- Bom dia! - respondi, me jogando de volta na cama.
- Estava com Zac no celular - ela me encarou. - Você quebrou o nariz do Brandon.
Ao ouvir isso, acordei subitamente, tendo um ataque interminável de risos. me acompanhou, depois estapeou meu braço.
- Você é um garoto muito, muito mau - disse, puxando meu lábio com os dentes.
- Eu sei, e você adora – falei, e ela gargalhou.
Ainda que essa notícia tinha feito meu dia começar com o pé direito, eu não estava cem por cento satisfeito com minha vingança ao Johansson. Na verdade, não estava nem setenta por cento feliz. Tive uma ideia súbita, enquanto tomava café da manhã com , e dei um jeito para que ela estivesse bem ocupada para não ficar putinha comigo por estar me metendo nisso de novo. Liguei para os caras, para executar a primeira parte da minha idéia que não era brilhante, mas devia dar pra alguma coisa. Naquelas circunstâncias, tudo valia. E ele precisava saber quem estava no comando.
- Eu achei que fosse ser mais difícil entrar aqui - disse, encarandos móveis da sala dos Johansson.
- Cadê os empregados? - murmurou e eu ri.
- Que empregados? Eles estão meio falidos, esqueceu? - respondi e riu, sarcástico. - Vamos logo fazer isso, também não precisamos ficar dando sorte para o azar.
Caminhamos pela sala, até alcançar um pequeno e estreito corredor com quatro portas. Lembrei que uma delas pertencia à sala de televisão, outra era uma biblioteca, e no final, havia o escritório do pai de Zac e Brandon. A quarta porta estava trancada, eu não sabia do que se tratava. destrancou o escritório - não era muito diferente do dos Russell - e vi se jogar em um sofá.
- Ok, o que estamos fazendo aqui mesmo? - ele perguntou e eu bufei.
- Nós precisamos levar algo de importância para a família, não necessariamente dinheiro - sentei, pensativo. - Algo que deixe o Brandon muito puto.
- Ué, por que não roubamos o Scorpion dele então? - falou, e por um momento pensei que ele tinha tido uma grande ideia, até lembrar que o carro de Brandon era modelo único e verde, não chegaríamos na próxima esquina com ele sem que fôssemos notados. pareceu entender, sem que eu dissesse nada, e ficou calado.
- Ei, achei uma chave aqui - falou. - Vou testar naquela porta trancada.
Resolvemos segui-lo, não tínhamos tanto tempo assim, a qualquer momento alguém poderia aparecer. estava certo, a porta destrancou, e assim que acendeu a luz, uma sala empoeirada se revelou. A janela estava fechada e tinha cortinas bordô cobrindo qualquer feixe de luz que se atreveria a tentar passar. Um enorme piano preto estava no meio da sala, com alguns porta-retratos em cima, que tinham fotos da família, ainda na época que a Sra. Johansson estava viva. Eu não conseguia me lembrar da história direito, devia ter uns cinco anos que ela tinha morrido, lembro que estava muito doente e eu tinha uns doze ou treze anos. Na época, Zac era muito novo pra entender qualquer coisa, e Brandon, que tinha quinze, ficara extremamente arrasado. Ele amava a mãe, era um ótimo filho (dizem!), e surtou quando ela adoeceu e morreu. Depois disso, tornou-se revoltado. Não frequentava mais as aulas, saía sem data certa para voltar, começou a se drogar e coisas do tipo. Zac acabara no mesmo caminho, seguindo o exemplo do irmão. Millicent, a mãe deles, era pianista. Ganhara vários prêmios com isso, e eu logo entendi que aquela sala era dela. Não me chamem de sem coração - eu realmente me senti mal em pensar o que eu pensei - mas tinha achado exatamente a coisa que deixaria Brandon mais do que puto. O piano. Mas também, quem mandou aquele merda se meter comigo? Melhor ainda - quem mandou ele sequer cogitar machucar ou, argh! Fazer algo pior ainda com a ? Dona Millicent que me perdoe, mas o filho dela é um babaca e vai pagar por isso.
- , acorda, porra! - falou, me tirando de um transe. - O que você tá pensando em fazer?
- O piano. Era da mãe dele - disse simplesmente e arregalou os olhos, assim como e .
- Você quer roubar UM PIANO?- disse alto, e riu, nervoso.
- Dude, isso é impossível!
- Por quê? - indaguei, encostando no instrumento. - Somos quatro.
- , o tá certo - se apressou em dizer. - Somos quatro, mas essa merda deve pesar uma tonelada! E outra coisa, viemos com uma Range Rover, não com um caminhão de mudança!
Ouvi rir e bufei. Tudo bem, eles estavam certos. Mas que porra!
- O que vamos fazer? - perguntei e deu de ombros, olhando em volta.
- Ei, dude, olha isso aqui! - falou atrás de nós, e eu virei para ele.
segurava um troféu de cristal e ouro, que tinha as inscrições de alguma menção honrosa ao trabalho que Millicent Johansson tinha feito em vida, por sua música e pelo mundo.
- Bingo - sorri, malicioso. - Isso deve servir.
colocou o troféu cuidadosamente na mochila, de qualquer forma, não queríamos que acontecesse nada com aquilo, pelo menos não agora. E a pobre mãe não tinha culpa do filho ser um filho da puta. Ok, xinguei a mãe dele de novo? Foda-se! tirou um pedaço de papel da mochila, e me deu uma caneta. Escrevi um bilhete para Brandon, sem me preocupar em manter uma letra legível, corri até o escritório e deixei a porta do quarto de coisas da sua mãe aberta. Só com esse fato, ele já procuraria por alguma coisa. E saberia que eu estava no meio.
- Vamos? - disse e em seguida, parou, pegando um bolo de notas em uma mesa. - Olha! - Ele riu.
chacoalhou a cabeça.
- Vai roubar a grana dos caras também?
riu.
- O que você chama de grana dos caras, eu chamo de cocaína - disse simplesmente, e nós quatro rimos, caminhando até o carro.
Acendi um cigarro enquanto abria algumas Heineken's para nós. Tinha que ter o brinde, sempre tinha.
- A gente é foda ou não é? - anunciou e nós gargalhamos.
- Foda são vocês, eu sou o orgasmo! - respondi simplesmente, fazendo todos gargalharem e jogarem cerveja em mim. Xinguei, mas continue rindo. Aquela noite só estava começando, e tinha tudo pra ser uma das melhores.
A casa de campo que meus pais tinham adquirido há pouco tempo era um pouco distante da cidade, e perfeita para ser inaugurada com uma festa. As garotas tinham passado o dia cuidando disso - precisava manter a cabeça da ocupada, senão ela ficaria puta ao saber o que eu estava armando - e quando liguei para ela, logo depois de chegar em casa com o troféu da mãe dos Johansson, já estava tudo pronto por lá, ela tinha acabado de chegar para se arrumar e voltar comigo. Esperaria a hora certa pra dizer a ela que teria um segundo round com Brandon nessa festa. Eu ainda não estava satisfeito em ter quebrado o nariz dele - por mais que isso tenha me feito rir por horas - eu precisava de muito mais que isso. Anos de ódio acumulados estavam correndo em minhas veias, me entorpecendo mais do que qualquer droga faria. Uma mistura de adrenaliana com uma vontade louca de matar aquele cara com as minhas próprias mãos. Não sou idiota, sei que arrumar briga com o Brandon é praticamente assinar o atestado de óbito, mas não estava mais ligando. Acendi um baseado e me joguei na poltrona, respirando fundo e rindo idiotamente da nossa ida à casa dos Johansson. Nunca pensei que seria tão fácil. Liguei o iPod e não reconheci a banda, mas os acordes e as guitarras pesadas estavam completando o cenário perfeito do meu dia. Fechei os olhos, apagando tudo ao meu redor e escutando apenas a música, quando ouvi o telefone tocar.
- , tô pronta, pode vir! - disse eu apaguei o cigarro, dando uma ajeitada na camisa e passando perfume. Peguei um chiclete e as chaves do carro - estava com saudades dele, mesmo que tenha passado um dia longe - e parti para lá.
estava linda em um vestido preto e sandálias de salto alto. Não ficamos enrolando antes de ir, afinal, a festa era longe, e mesmo com um Lambourghini, tivemos que correr. Já estava meio cheio quando chegamos, e estavam por lá, perdidos entre carreiras de cocaínas e garrafas de Blue Label. A única coisa que eu conseguia pensar, mesmo com uma festa foda rolando, com a garota mais gostosa da festa ao meu lado, era que Brandon chegaria a qualquer momento. É óbvio que ele viria. Eu ainda não tinha dito nada para , e não podia demorar mais.
- , vamos lá pro terraço? - perguntei e ela riu, maliciosa.
- Tá pervertido hoje, hein? - disse e gargalhou.
- Sempre estou - disse, e ela riu de novo.
Não continuei dizendo nada, apenas a puxei pela mão e subimos os três andares que davam no terraço. Era uma enorme sala fechada, o som estava tão alto que chegava lá em cima. Tinha sofás espalhados por todos os lados, uma mesa de sinuca e era cercada por imensas janelas de vidro e uma porta, também desse material, que dava para uma varanda gigantesca que tinha sido planejada para churrascos e coisas do tipo. pareceu analisar bem o local, estupefata, e depois sorriu de canto, me encarando e passando os braços por meus ombros, aproximando a boca da minha.
- Nós precisamos conversar - interrompi, antes que perdêssemos o controle, coisa que não demoraria a acontecer. pareceu surpresa, mas depois relaxou.
- O que houve dessa vez? - disse, com uma mão na cintura, e eu cocei a cabeça.
Preferi não responder com palavras. Peguei a mochila de , que já estava no terraço, como eu tinha mandado que fizesse, e tirei de lá de dentro o troféu. se aproximou, com os olhos arregalados, primeiramente sem entender muito bem o que se passava, mas quando leu as inscrições na base do prêmio, sua expressão transformou-se em fúria.
- EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FEZ...
- Não começa! – interrompi. - Eu disse que isso não estava acabado. E não está.
- , por favor, você já quebrou a cara dele, não é suficiente? Não é você que fica dizendo o quanto ele é perigoso?
- Perigoso para você - respondi tranquilamente. - Eu não dou a mínima pra aquele cara.
respirou fundo, como se buscasse forças sobrenaturais para não me xingar.
- O que você vai fazer com isso? - disse baixo, para meu espanto.
- Isso foi pra atraí-lo até aqui. Quero terminar nossa conversinha, e dessa vez, sem interrupções.
rolou os olhos.
- Você é maluco.
- Eu sei.
- E idiota. E não tem amor à vida.
Eu ri da cara emburrada que ela fez. Muito provavelmente estava assim porque eu tinha dado um esporro nela mais cedo, e estava agindo da mesma forma agora. Mas tudo bem, eu posso me meter com o Johansson. Ela não. Preferi não dizer isso, não queria confusão para o meu lado, a puxei com força para perto e a beijei, puxando-a para cima e fazendo com que entrelaçasse as pernas em minha cintura. Apertei sua coxa por baixo do vestido, e já sabia, só pelo beijo, que estava perdoado. Ouvi alguém bater na porta e xinguei mentalmente.
, , e abriram a porta, fazendo piadas da situação que nos encontraram.
- A festa é aqui, então? - debochou, e jogou uma almofada nele.
- Era, até você chegar! - disse e riu.
- Vocês viram a quantidade de penetras nessa festa? - parecia chocada, ao sentar no sofá ao meu lado - Vi um garoto do grupo de matemática xavecando uma menina indefesa lá embaixo! Cadê a segurança?
Todos riram e arqueou a sobrancelha, malicioso.
- Deixem a ralé lá embaixo. Nossa festa aqui vai ser muito melhor. - Ele riu, ligando o som da sala e jogando alguns cigarros e pacotes com pó na mesa. Rimos em conjunto, e colocou na mesa duas garrafas de vodka, uma de whisky e algumas cervejas.
pegou um copo e todos fizemos o mesmo.
- Um brinde à melhor noite de nossas vidas! - ela sorriu, e todos beberam.
- Você já reparou que diz isso em todas as festas? - indagou e riu baixo.
- E nunca estive errada.
- Faz sentido - e concordaram juntos, enquanto e já quase reproduziam a espécie no outro canto do sofá.
Bebi um gole da minha cerveja, rindo, e apenas esperando para o que já era bom, ficasse ainda melhor.
O relógio marcava meia noite e meia quando a porta abriu de vez, e eu olhei para trás, com a adrenalina pulsando, esperando pela atração da noite.
Mas tudo o que eu vi foi o Johansson errado. Zac estava ali.
- Zac! Você veio! - cambaleou até ele, já estava alta, sendo que ainda não tinha cheirado absolutamente nada. Continuei minha partida contra , calmamente. Zac era da galera. Não era estranho ele estar ali, alguém devia tê-lo convidado.
- Cadê teu irmão? - disse, tragando meu cigarro, e ele passou as mãos pelo cabelo.
- Foi por isso que eu vim - Zac respondeu rapidamente. - Dude, o que você fez?
O olhar no rosto do garoto era de pânico, o que era, pelo menos para mim, um pouco engraçado. Ri um pouco, fazendo um sinal com a cabeça para , que trouxe o troféu. Zac engoliu seco, e logo todos estavam perto de nós.
- Cara! Você não podia! Isso é da minha mãe! - ele disse com a voz entrecortada, e murmurou um “eu te disse”, o que só me fez ficar mais irado.
- Zac, relaxa. - Encostei a mão em seu ombro. - Não vamos fazer nada com isso. Eu só preciso que seu irmão venha pra cá pra terminarmos de resolver nossos problemas de uma vez por todas.
Virei de costas, sem examinar a reação dele, e dei uma tacada.
- , você não sabe onde tá se metendo! Isso é muito importante pra mim, pro meu irmão... Pra minha família! Ele vai te matar!
Dei uma risada alta, acompanhado pelos caras.
- Ele não vai matar ninguém - respondi calmamente.
- Estamos falando do meu irmão, porra! - Zac puxou o troféu da minha mão. - Me dá isso, eu levo pra casa, tiro o bilhete que você deixou e tá tudo resolvido. Ninguém vai precisar se machucar.
Ri de novo, puxando o troféu de volta.
- Por mais que eu aprecie sua atitude, Zac - dei mais uma tragada no cigarro, soltando a fumaça na cara dele -, isso não vai acontecer. O troféu fica. E eu me resolvo com seu irmão de qualquer jeito essa noite. Pode esperar.
Vi se aproximar, mas lancei um olhar para ela que fez com que entendesse o recado.
Eu não sossegaria aquela noite se não estragasse aquela carinha de bad boy filho da puta do Brandon. Mas estragasse de jeito, não só algo no nariz que ele poderia consertar em poucos dias. A mistura da bebida e das drogas estavam fazendo algum efeito, e eu tinha sede por sangue - o dele, e eu mesmo quebraria osso por osso com todo prazer.
- Zac, tive uma ideia - se aproximou. - Por que você não desce, curte a festa, bebe um pouco? Nós temos cigarros e tudo mais por aqui - ele sorriu malicioso - Tem algumas ninfetinhas do primeiro ano lá embaixo. Use camisinha, respire fundo e divirta-se! Volte aqui se precisar de alguma coisa, ou se quiser jogar e ficar de boa...
Pela primeira vez o garoto riu, chacoalhando a cabeça.
- Vocês são malucos! - ele disse, ainda rindo. - Tudo bem, vou dar uma volta pela festa, daqui a pouco eu tô de volta.
Zac fechou a porta e e tiveram um ataque de risos, não sei exatamente por quê. Dei minha tacada final e arrasadora, partindo para mais uma rodada de whisky, e, quem sabe, fazer com que relaxasse e parasse de pensar besteiras, encostada na porta de vidro. Queria que ela se divertisse, afinal, eu estava me divertindo, e estava tudo sobre controle.
Meus nervos estavam à flor da pele. Era pouco mais de duas da manhã e nada de Brandon aparecer. Será que aquele merda não liga nem para a memória da falecida mãe? Olhei para a porta pela milésima vez - se todos que estavam na sala não tivessem certeza de que eu estava o esperando por motivos de acerto de contas, achariam facilmente que eu era um boiola enrustido. Minha visão já estava comprometida por horas ininterruptas de whisky e outras bebidas, pelo cigarro e pela cocaína. Mas eu estava nervoso demais, não conseguia relaxar e tudo que eu consumia me deixava mais ansioso. Vi arrumar mais uma carreira de pó na mesa, e me apressei em tentar relaxar um pouco, provavelmente em vão, inalando praticamente tudo de uma vez, até sentir um ardor no nariz, que parecia ter começado a sangrar.
- , se controla, cara - colocou a mão em meu ombro. - Você tá passando do ponto.
- Não me enche - respondi entre dentes, me jogando no sofá e fechando os olhos.
Passei a mão pelo rosto, limpando o sangramento, e me encarou.
- Hey - ela encostou a cabeça perto da minha. - Esquece isso. Pelo menos por hoje - disse calmamente, bebendo um gole de cerveja. - Vamos sair daqui, ir pra algum lugar, só nós dois?
Aquilo não parecia má idéia, continuou falando, mas eu não estava prestando atenção. Fechei e abri os olhos algumas vezes, com a visão meio turva, e respirei fundo, tentando me concentrar em qualquer coisa, quando ouvi o baque da porta contra a parede. Um sorriso apareceu prontamente em meu rosto - a hora tinha chegado.
Levantei para encarar Brandon, mas tudo o que eu vi foi... Zac. De novo.
Bufei, me jogando de volta no sofá, e ia abrir a boca para dizer algo ao garoto, quando ele mesmo disparou a falar.
- PODE ME DEVOLVER A PORRA DO TROFÉU DA MINHA MÃE! - ele berrou. - AGORA!
Comecei a rir, chacoalhando a cabeça. Depois eu é quem tinha passado do ponto. Os garotos também riram, e se aproximou dele.
- Zac, menos, quase nada - disse, praticamente rindo - Senta aí, toma uma cerveja e...
- Eu não vou tomar PORRA NENHUMA - ele respondeu, empurrando-a e indo até onde o troféu estava, ao lado de .
Numa reação rápida, pegou o prêmio, jogando-o para mim. Comecei a rir descontroladamente da cara que Zac fez.
- , me dá isso! - ele disse com a voz irada, mas ainda baixo.
- Vem pegar, Little Zac... – disse, e o garoto partiu com tudo para cima de mim, e eu joguei a peça para .
Zac não pareceu se importar com isso, quando me empurrou em direção ao sofá, dando um soco que, aparentemente, era direcionado para a minha cara, mas atingiu meu ombro. Foi o que bastou. Empurrei-o para trás, e ele tropeçou, caindo sobre a mesa de centro e derrubando algumas garrafas de vidro no chão. Ouvi um grito de susto de , que estava ali perto.
- O que há de errado com você, garoto? - disse alto, enquanto ele levantava, e já estava colado em mim.
- Dude, calma... - disse baixo.
Respirei fundo, vendo que Zac estava levantando.
- Chega, ! Cansei disso! Me dá a porra do troféu e eu tô indo pra casa! - ele falou, nervoso, e eu ri sarcástico.
- Sinto muito, Zac, mas você não é o Johansson que eu estou procurando - respondi, indo até uma mesa de escritório no canto da sala, que tinha mais algumas garrafas fechadas em cima.
- Meu irmão já está vindo - ele gritou - Me dá a porra do negócio! Você não entende? É da minha mãe!
aproximou-se de mim, e eu já sabia onde aquilo ia dar. Se não estivesse tão convencido de que ela era minha e de mais ninguém, desconfiaria dessa proteção para o lado do mini-Johansson.
- ...
- Nem comece - interrompi, abrindo um Jack Daniels e tomando direto da garrafa.
Zac veio até mim, e vi movimentar-se para impedi-lo, mas foi tarde demais.
O garoto pegou uma garrafa e jogou contra a parede, e o cheiro de álcool invadiu a sala. Antes que eu pudesse reclamar de qualquer coisa, atingiu um soco em meu rosto, abrindo o corte que o próprio irmão tinha deixado na noite passada.
- Zac, para! - gritou.
- Sai daqui, Zac! - Vi o puxar, mas de novo, ele estava atrasado, e eu atingi um soco no menino, que caiu direto no chão.
Ele riu, levantando, e me encarou de perto.
- Isso é o melhor que você pode fazer, ? - Zac provocou, e eu imediatamente levantei meu braço para socá-lo, mas me segurou.
Respirei fundo. Repeti o mantra “É apenas o Zac. É apenas o Zac. Não é nele que você tem que bater” em minha mente, mas estava com tanto ódio que era capaz de bater em até um dos caras.
- Zac, sai daqui - respondi baixo, mas autoritário. - Sai daqui agora. Eu não quero estragar sua cara. Se manda.
Virei de costas, encostando uma mão na parede, tentando me acalmar. Eu sabia que ele não tinha se movido.
- Zac. AGORA! - gritei, e ele gargalhou.
- Esperava mais de você, ! - ele provocou - Cadê aquela pose toda de “eu sou foda e faço o que quero”, hein?
- Zac, cala a boca! - gritou e o empurrou para trás.
- Você bebeu demais, dude, sai daqui... - o puxou, e ele fez um movimento rápido, fazendo com que tropeçasse.
- Tira as mãos de mim, caralho! - ele gritou - Não é com você que eu tô falando!
O vi aproximar-se de novo, e perdi totalmente a sanidade.
Abri uma gaveta da mesa, e apontei uma arma para ele.
Ouvi o grito de alguém, mas não prestei atenção. Minha mão estava tremendo de raiva. Eu não conseguia respirar direito, parecia que ia ter um ataque do coração.
- Meu Deus! !
- , abaixa isso!
- Tá com medinho agora, Zac? - gritei, ainda rindo. - Sai da porra dessa casa AGORA!
- , por favor! - a voz de era de pânico, mas ela não se aproximou de mim.
- CALA A BOCA TODO MUNDO! – gritei. - Você, Johansson, SAI DAQUI AGORA!
O olhar de Zac não era de pânico, como de todos que estavam ali. Ele deveria estar mesmo muito louco, tanto que ele apenas sorriu de canto.
- Você vai atirar em mim, ? - ele disse, baixo. - EM MIM?
Dessa vez eu ri, aproximando o dedo do gatilho.
- Você não me conhece - respondi, baixo. - Vá embora! Eu to mandando!
- Zac, por favor, sai daqui! - já estava chorando, o que de algum modo, me deixou com mais raiva.
- Dude! - chegou perto. - Ponha isso na mesa! Cara, isso não é brincadeira! Não vale a pena!
Não conseguia entender direito o que ele continuou a dizer, só conseguia focar no olhar desafiador do moleque na minha frente.
- Vá em frente, ! - Zac disse. - Não é como se você tivesse coragem de fazer isso! - Ele riu.
- VOCÊ NÃO ME CONHECE! - berrei, minha mão tremendo mais do que qualquer coisa.
- CALA A BOCA, ZAC!
- Tô esperando, ! - ele disse, e eu fechei os olhos, tentando oxigenar o cérebro - Atire! Eu sei que você não...
Apertei o gatilho, e ouvi um grito.
Tudo passou como se tivesse em câmera lenta, e eu arregalei os olhos, vendo Zac despencar no chão, com o peito sangrando. Todas as vozes, os gritos de horror, se misturaram. Minha visão estava turva, e eu consegui distinguir o barulho da arma caindo no chão, enquanto eu tremia dos pés a cabeça. Não demorou muito para eu cair em uma poltrona, sem conseguir respirar direito, e quando consegui focar o olhar em alguém, vi chorar, desesperada, e estava a segurando. Deixei uma lágrima escorrer, chocado demais para conseguir mover qualquer outra parte do corpo, quando consegui escutar o que praticamente berrava no meio da sala.
Zac estava morto.
Capítulo O6 -
- Pronto, expulsei todo mundo - chegou correndo no terraço, com o rosto vermelho e o olhar vidrado.
Eu não consegui pronunciar nada por mais de quarenta minutos.
Eu não consegui nem piscar.
Zac estava ali, diante de mim, branco feito papel, e eu só queria que ele levantasse e dissesse que aquilo tudo era um puta de um pesadelo horrível.
O silêncio na sala era cortante - eu conseguia ouvir alguns gritos abafados de pânico de alguma das meninas do lado de fora, nem consegui distinguir quem era. tinha saído com elas. estava ao meu lado, chocado demais para dizer qualquer coisa. E apenas me encarava como quem espera algum tipo de reação.
- Que merda foi essa? - apoiei a cabeça nas mãos, sentindo o estômago rodar e uma vontade terrível de desabar ali mesmo. Não estava me importando.
- Dude, a gente precisa fazer alguma coisa - abriu a porta bruscamente. - Não vai demorar até o Brandon aparecer aqui. Estamos fodidos.
Corri os olhos de para Zac no chão, e várias imagens do garoto rindo e bebendo com a gente apareceram na minha mente. Meus olhos ardiam, e uma dor tão forte parecia que ia explodir meu cérebro em mil pedaços.
Andei dois passos até o corpo magrelo do menino, que ainda tinha uma expressão sorridente, e senti meus joelhos penderem ao seu lado.
- DUDE! DUDE! ACORDA, ACORDA, PORRA! - Berrei, segurando a camisa de Zac e deixando que as lágrimas escapassem. - CARALHO, ZAC, ISSO NÃO TEM GRAÇA, PARA COM ISSO, LEVANTA, PUTA QUE PARIU!
Chacoalhei o corpo mole em minhas mãos, desabando, e me puxou para cima, mas não conseguiu me levantar.
- EU NÃO FIZ ISSO COM VOCÊ! EU NÃO... - berrei, sujando minhas mãos em sua camisa ensanguentada. - EU NÃO SOU A PORRA DE UM ASSASSINO!
Larguei o braço do garoto, finalmente deixando todas as emoções que eu controlei durante aqueles minutos virem à tona. Levantei o olhar, e encarei , parada atrás da porta de vidro entreaberta.
Seus cabelos estavam bagunçados e seus olhos muito vermelhos, com a maquiagem escura um pouco borrada ao redor dos olhos. Ela passou por e , e ajoelhou perto de mim. Encarou Zac por alguns instantes, enquanto eu respirava alto demais, depois encarou minhas mãos.
- O que você tem na cabeça, ? - sua voz era praticamente um sussurro. Logo e estavam por ali também.
Olhei-a nos olhos, mas ela ainda não me encarava. De alguma forma, aquilo foi dez vezes pior do que eu esperava.
- Eu não quis... Eu não sei... - gaguejei, e me olhou pela primeira vez.
- Você o matou!
- , você - ia interrompê-la, mas eu empurrei sua mão, e ele ficou quieto.
- Eu não queria ter feito isso, .
- Mas você fez.
Era isso! Que porra era aquela, afinal? Tudo parecia dar errado ao mesmo tempo. Aquilo não era planejado, e eu só precisava que ela... Entendesse.
- O que você quer que eu diga? - levantei o tom de voz subitamente. - Quer que eu peça desculpas? PRA QUEM? Ele não pode mais... Ele... Morreu! - levantei, agoniado, e ela me seguiu até o canto da sala.
- Eu não quero que você peça desculpas - continuou quase sussurrando, e eu sabia que ela ia chorar a qualquer momento. - Eu só quero saber o que vai acontecer daqui pra frente. Com você. Com a gente! - já chorava. - Que merda, ! Você não tinha o direito! Você foi longe demais!
Respirei fundo, e tentei segurá-la pelos ombros, mas recuou, abraçando os próprios braços. Estremeci.
- Eu não quis... Foi um acidente - murmurei.
- Acidente? - chacoalhou cabeça, sem humor. - Você apertou o gatilho! Você quis atirar nele!
- EU NÃO QUIS, PORRA! - gritei, a segurando pelos ombros, enquanto ela chorava. - Eu não sei o que deu em mim! ERA O ZAC! Você acha mesmo que eu... Você acha que eu queria matar o cara? Você acha que eu mataria meu próprio amigo?
suspirou, engolindo algumas lágrimas. Eu já não sabia mais onde estavam todos na sala. Ela só podia estar de brincadeira se achasse que eu era aquele tipo... Aquele tipo de cara. Uma lágrima escorreu em seu rosto e ela soluçou, negando com a cabeça.
- Eu sei que você... Eu sei que você não fez por querer - disse, chorando de verdade. - Eu acredito em você.
Respirei fundo e a puxei para perto, afundando meu rosto em seu pescoço e apertando-a contra mim, como se minha vida dependesse daquilo. Não conseguia conter as lágrimas, enquanto sentia as suas em meu peito. Não sei quanto tempo ficamos assim, até que a súbita imagem de Brandon surgiu em minha mente.
Eu odiava aquele cara, mas tinha ido longe demais. Eu nunca teria feito coisa parecida em sã consciência. Afastei-me de , dei um beijo em sua testa e depois caminhei até onde os caras estavam.
- Precisamos fazer alguma coisa - disse rapidamente, e levantou o rosto para me olhar. Ela estava com uma expressão tão chocada que meu coração palpitou.
- Precisamos, e tem que ser rápido - disse.
Andei de um lado para o outro, tentando pensar em alguma coisa, mas minha mente estava bloqueada. se aproximou de mim.
- Dude... Isso é sério. A gente vai ser preso! - ele disse baixo, provavelmente tentando não alarmar as garotas.
- Vocês não fizeram nada! Eu que estou literalmente fodido nessa história - falei rapidamente e ele chacoalhou a cabeça.
- , acho que você não entendeu: Primeiro, nós somos cúmplices, nós vimos o crime e estamos aqui ainda sem te denunciar - olhou em meus olhos cautelosamente. - E segundo: Nós não vamos abandonar você. Nós vamos fazer o que você fizer, estamos todos juntos nessa.
Tentei sorrir, mas não consegui. Não sabia se era muito correto deixar que se envolvessem nisso, mas estava me cagando de medo de ter que enfrentar tudo sozinho.
- Vocês têm certeza? - perguntei, e ele assentiu.
- É pra isso que estamos aqui - sorriu minimamente. - Você pisou na bola pra caralho, hein? Que porra! - disse, e eu quase ri.
Aquilo soava mais .
- Eu estava pensando... - ele disse, receoso. - A gente podia se livrar... Do corpo.
Vi os olhos de se arregalarem atrás de , e engoli seco.
- A gente não pode fazer isso - sussurrei, com a cabeça rodando. - É o Zac, dude!
- É, mas você vai ser preso, porra! - pareceu perder um pouco a paciência - Você não entende? A cada segundo que perdemos aqui, mais fodido você está! NÓS ESTAMOS!
se aproximou de nós.
- Ele está certo, - o próprio pareceu contrariado ao dizer essas palavras. - A merda já está feita, não há mais quem salve o Johansson. A gente só pode salvar você agora.
- Eu... Não posso fazer isso com ele - disse, enjoado com a ideia. Sentei numa poltrona atrás de mim e abaixei a cabeça.
- Nós não temos escolha, cara - falou.
Então o olhei.
- Temos, sim - murmurei, e pareceu espantado.
- Você não está sugerindo ir preso por isso, né? - soluçou alto quando disse isso.
- Não - respondi olhando para ela, depois me voltei pra . - Nós vamos esconder o corpo, mas vamos fazer com que o Brandon ache, em alguns dias.
- COMO É QUE É? - chegou perto de nós, com o desespero no olhar.
- Deixaremos um bilhete ou alguma coisa assim, pouco importa - disse, e as meninas chegaram mais perto. - Nós vamos arrumar um carro, pegar alguns RG's falsos e viajarmos pra qualquer lugar muito longe daqui. Onde ninguém nos reconheça. Quando o Brandon encontrar o corpo do Zac, já estaremos longe.
Todos me encaravam como se eu fosse maluco, tivesse batido a cabeça na pedra ou algo assim.
- Por que você precisa por o Brandon no meio da porra da história, ? - rolou os olhos. - Não é hora de joguinhos, se liga!
- Eu só quero que o Zac tenha um enterro ou coisa assim - confessei, meio contrariado. - O moleque... Ele não merecia ter... - chacoalhei a cabeça, sem conseguir terminar a frase.
Fez silêncio na sala. ainda soluçava. Eu não conseguia olhar para .
- Está bem - foi o primeiro a falar. - Eu não sei como diabos isso vai dar certo, pra falar a verdade.
- Nós vamos ser pegos! - se pronunciou pela primeira vez e todos a encararam.
- Ela tá certa, cara! - chacoalhou a cabeça, incrédulo. - Isso é uma puta duma maluquice! Você acha que não vão colocar a polícia atrás da gente? Nós vamos ser presos em uma semana!
- Se nós planejarmos direito, nós... - tentei dizer, mas fui interrompido.
- Não tem tempo, caralho! - rolou os olhos. - Vamos viver como fugitivos? Isso é ridículo! E outra, , não é hora de querer ser benfeitor, a pior merda já tá feita.
Minha vontade era de esmurrar , literalmente. Mas sabia que eu me arrependeria disso depois.
- Nós temos muito dinheiro nessas contas paralelas em bancos Suíços! Temos RG's falsos! Para e pensa, porra! - gritei, e ele arqueou a sobrancelha. - Vamos ter uma vida foda em qualquer outro lugar!
olhou significativamente para . Não entendi aquela reação dele, até que ela se aproximasse de mim, me empurrando um pouco pra trás.
- - ela suspirou, falando muito baixo. - O que você quer fazer... É muito bonito da sua parte - torceu o nariz, deixando claro que nada fica muito bonito quando você acaba de matar um cara. - Mas... Acho que o tem razão, por mais que a gente consiga fugir, cedo ou tarde vamos acabar com alguém na nossa cola. Brandon não vai descansar, você sabe disso.
Respirei fundo.
Por que diabos as coisas na voz dela pareciam fazer mais sentido?
Mas eu não podia fazer isso. Nunca conseguiria viver sabendo que escondi o corpo de um cara que duas horas antes estava brincando comigo e agindo como um amigo. Ele era meu amigo. Eu sabia bem disso.
- Ok, eu sei o que vocês estão fazendo - olhei de para , e ele desviou o olhar. - E eu sei que talvez vocês tenham...
- ... A gente tem razão. - disse, e eu rolei os olhos.
- Cala a boca pela merda de um minuto, ? - resmunguei, e me encarou com firmeza, talvez um pouco assustado. - Nós temos tudo o que precisamos... Sempre quisemos ligar o foda-se pra tudo aqui. Pais chatos, mesmas pessoas... E vou colocar isso de um jeito que todo mundo entenda de uma vez por todas - corri meu olhar rapidamente por cada um da sala. - Se algum de nós tivesse tomado a porra de um tiro, vocês iam querer que eu escondesse a merda do corpo? Aposto que vocês iriam querer um enterro, no mínimo. E se vocês forem contra isso, eu farei sozinho. Eu fujo sozinho.
Todos me encararam estupefatos. , e estavam de queixo caído.
- O que vai ser? - perguntei, respirando fundo.
Esperava com todas as forças que ninguém ligasse o foda-se para mim e me mandasse embora.
- À esquerda, dude! - gritou do banco de trás, enquanto manobrava seu Porsche madrugada afora a uma velocidade considerada abusiva mesmo para quem tem um carro daqueles. - Porra, quer me matar? - ele reclamou, quando jogou o carro para o lado.
Olhei para o banco de trás com raiva, e entendeu o recado.
Há dez minutos estávamos no último andar da enorme mansão de veraneio dos .
Agora estávamos ali, os três, e na Lambourghini, e as garotas. Não teria o deixado dirigir, se tivesse condições pra isso.
E Zac estava no porta-malas.
Engoli seco, estremecendo, ao lembrar-me desse pequeno detalhe.
- Dude, para de correr, você vai bater em alguma... - não conseguiu completar a frase, berrando quando desviou de uma árvore. - PUTA QUE PARIU!
- CALA A BOCA, ! - gritamos juntos, entrando no meio da mata.
Honestamente, eu preferia não saber como conhecia aquele lugar.
- Você tem certeza que quer fazer isso, dude? - se pronunciou pela primeira vez desde que entramos no carro.
Suspirei.
- Tenho - disse, com firmeza. - Mas vou entender se vocês preferirem ficar de fora, sério. Vocês não têm nada com... - A risada nervosa de me interrompeu. Ele tomou um gole de Whisky.
- Não temos nada com isso, ? - gargalhou. - Vejamos. Você mata um cara na casa do , na frente de todo mundo. A gente toca toda a galera da festa pra fora, fica papeando por meia hora e agora, o corpo do moleque está no porta-malas da porra do meu carro - chacoalhou a cabeça. - Para mim, estamos enterrados nisso até o pescoço.
- Que merda de lugar é esse, ? - desceu do carro e apagou um cigarro em uma árvore. Ela pressionou as mãos contra mesma, tentando se aquecer. O vento gelado no meio daquele matagal estranho estava insuportável.
- Não é aqui ainda - ele murmurou. - Não dá pra ir de carro aonde nós vamos.
- O QUÊ? - berrou, olhando para os próprios saltos. - Acho que você fumou mais do que o considerado normal hoje, .
Ele rolou os olhos, repetindo o gesto de com o cigarro.
- , manda a sua namoradinha calar a boca - murmurou, e vi sussurrar um "Filho da puta" quando a empurrou para trás, dizendo algo que não ouvi.
- Aonde exatamente estamos indo? - Perguntei, com o olhar travado no porta-malas. Calafrios. Muitos.
- Acho que as garotas podem ficar aqui - olhou de forma irônica para , que novamente murmurou algum xingamento.
- Sem ofensas, , mas se é pra ficar parada no meio desse matagal, eu prefiro atolar meus Louboutins - pareceu sentir dor ao dizer isso.
- Faça como quiser - ele murmurou, abrindo o porta-malas do carro. virou o rosto e eu senti meu estômago rodar. - Todo seu, .
Passei as mãos pelo cabelo, quase me perguntando se aquilo era o mais certo a se fazer. tinha colocado uma blusa limpa do caseiro por cima da ensanguentada de Zac, mas toda vez que eu o encarava, sentia vontade de vomitar ou gritar, ou tudo ao mesmo tempo.
Um puta de um merda.
Minhas mãos tremiam quando vi adentrando a mata, enquanto eu ainda encarava o corpo de Zac.
- Anda logo! - ele disse, e eu tentei levantá-lo, mas parecia haver uma força sobrenatural me impedindo de fazer aquilo. Senti uma mão em meu pulso.
- Deixa comigo, dude - me encarou, com pena, e eu quase neguei, mas sabia que não conseguiria fazer aquilo sozinho.
Ele colocou o corpo nas costas, com ajuda de , e apenas tentei sorrir. Coloquei as mãos nos bolsos e segui e , que se apoiavam uma na outra com os saltos afundando na lama, enquanto xingava. Parecia mais puta com aquilo do que com o que estávamos fazendo.
- Voilá - disse, ao chegarmos a um casebre de madeira parcialmente destruído.
As garotas pareciam exaustas de uma caminhada que durara dez minutos no máximo. Ainda bem que havia lanternas em nossos carros, por causa dos rachas. e ainda olhavam inexpressivas.
Eu queria morrer e cair fora dali, aquilo era o pior pesadelo de todos.
- Como diabos você...? - ia perguntar, mas sorriu.
- Aqui atrás é minha plantação de maconha - disse calmamente.
Eu sempre soube da plantação clandestina de . Ele não era traficante nem nada do tipo.
É que nós dávamos muitas festas, e sempre fomos famosos por fornecer todo o tipo de substâncias gratuitamente para os VIP's que tivessem direito e moral de frequentar os mesmos lugares que nós. Realmente aquele era um bom esconderijo.
O casebre não tinha luz - tinha lampiões. Era estranho e macabro, não tinha porcaria alguma que prestasse dentro, e parecia um cativeiro de sequestrador. estremeceu. Eu teria a abraçado se ela não estivesse grudada com o tempo todo.
- Por que a casa? - sussurrou, como se alguém pudesse nos ouvir.
- Não sei exatamente, coisa do Stephen.
Stephen é tipo um empregado do . Não que realmente seja, ele era mais um puxa-saco que fazia absolutamente tudo que mandava, na esperança de um dia ser um de nós. Coitado daquele cara! Aposto que aquela era a segunda vez que visitava aquele lugar. nunca fazia o trabalho sujo, assim como nenhum de nós. Até hoje.
- A gente vai... Deixá-lo aqui? - perguntou, com os olhos semicerrados.
- Não há nada que possamos fazer, - disse, com a voz baixa.
Ele e deixaram Zac em cima de uma mesa. A luz fraca parecia deixá-lo muito mais pálido, e aquele lugar era estranho demais. deu a volta no casebre, e voltara em dois minutos com algumas plantas para fazer fumo.
Precavido.
Acendi um cigarro, respirando fundo, enquanto todos me olhavam.
- Vamos fazer assim - disse, sério, robótico. - Temos RG's falsos, mas precisaremos de passaportes falsos também, provavelmente. , você vai pra sua casa providenciar isso. , a gente vai precisar de um carro discreto. Consegue na loja do teu pai?
- Fácil.
- Ok. Vamos ter que fazer uma boa parte do percurso de carro. Precisamos movimentar a grana dos bancos pra uma conta falsa. Pode ser aquela que abrimos pra bancar a festa de final de ano. Vamos precisar de roupas e coisa e tal, então, cada um tem que ir pra sua casa pegar alguma coisa, pouca coisa - olhei para as garotas.
- Não acha melhor a gente passar em um Wal-Mart 24h? Pegar roupas em casa só vai fazer a gente perder mais tempo - disse, e eu concordei. fez careta quando interligou "roupas" e "Wal-Mart".
- Certo. Bem pensado. As meninas vão até alguma loja de conveniência comprar alguma coisa pra comer e beber pra deixar no carro, não vai dar pra ficar parando no começo. Eu e o vamos até a casa de praia, deixar o bilhete pro Brandon, e dar uma ajeitada no lugar. Mais tarde alguém liga pra secretária de casa e diz que fomos viajar.
Todos assentiram, e começaram a sair do casebre, sem dizer uma palavra.
Meus olhos estavam vidrados na imagem de Zac, e eu segurei no batente da porta, observando-o um pouco tonto. Os braços de envolveram minha cintura, e ela beijou meu ombro.
Seus olhos estavam vermelhos.
- - ela sussurrou, mas continuei virado pra frente.
- O que foi?
- Me diz que... Me diz que tudo vai ficar bem - ela gaguejou, a voz falha. Nunca tinha ouvido falar daquela forma. Ela sempre fora forte demais, superior demais, nunca se deixara abater na frente de ninguém. - Me diz que vai dar tudo certo - disse com um tom suplicante.
Respirei fundo, e virei para encará-la nos olhos de novo.
- Eu não posso dizer isso - respondi igualmente baixo. - Não posso prometer algo que eu não sei se posso cumprir, não agora.
Ela assentiu, e eu toquei seus lábios com os meus rapidamente.
- Mas prometo tentar - disse, enquanto me abraçava. Ela respirou fundo.
- Isso já basta - respondeu, e então afastou-se de mim, dando uma última olhada em Zac.
- Descansa, Little Zac - ela sussurrou, e eu percebi que derrubou algumas lágrimas, que secou rapidamente, passando direto por mim para o lado de fora. Observei-a ir até , e as duas andaram abraçadas até o carro.
- Dude, vem logo! - gritou e eu assenti.
Lancei um sorriso mórbido, um pedido de desculpas mental e segurei toda aquela vontade de explodir dentro de mim. Lá fora estavam as cinco pessoas que eu precisava me importar agora. Só eles.
- Tchau, dude - sussurrei, antes de apagar o lampião e correr até o Porsche.
Encostei a cabeça no assento enquanto tentava não me concentrar no silêncio cortante dentro do carro. Peguei uma garrafa de Blue Label que estava parcialmente vazia jogada no chão, e dei três goles longos, sentindo a garganta queimar. dirigia com o olhar vazio, as mãos tão firmes no volante que parecia querer arrancá-lo dali. estava estático, o que não era normal dele, ele falava o tempo inteiro. Ninguém ligou o rádio. Dei mais dois goles longos e vi a mão de encostar na garrafa. Soltei-a e deixei que ele também afogasse as mágoas, enquanto encarava o teto.
Flashback
- Zac, foda-se que é seu aniversário - tomei um longo gole de um líquido colorido que eu sabia que tinha rum em algum lugar, mas não tinha ideia do restante dos ingredientes. - Eu não vou falar com a .
O garoto em minha frente rolou os olhos, jogando a franja para o lado.
- Vocês são patéticos - ele murmurou, tomando um gole de cerveja.
A festa de quinze anos de Zac Johansson estava rolando há três horas. havia lhe emprestado sua casa de campo, e o local estava tão abarrotado que chegava a ser claustrofóbico. Pior ainda era ter que aturar com um micro vestido preto e rodeada por caras que eu nunca tinha visto na vida, rindo de tudo o que eles diziam.
Filha de uma puta, aquela desgraçada.
- Que merda que você fez dessa vez? - ele murmurou, me tirando do transe. Deixei transparecer minha raiva.
- Por que diabos você acha que o errado sou EU? - disse um pouco mais alto, e Zac riu.
- Sem ofensas, , você pode ser meu amigo e tal... Mas quando a dança com os caras assim, é porque você fez merda - ele riu da minha cara, e eu quis socá-lo por um segundo. - Vai, quem você comeu?
- Cala a boca - disse, entre dentes, e ele ficou em silêncio. Bufei, derrotado. - Não foi exatamente comer... Ela viu a Lauren sair lá de casa hoje de manhã... Mas eu não tinha tido nada com ela.
Zac gargalhou.
- Tá rindo do quê, porra? - ele continuou rindo, e eu soquei seu ombro, fazendo-o gemer de dor entre risos. - Tá, mas eu tinha bebido e fumado demais ontem. Nem sei como diabos aquela garota foi parar lá em casa. Nem lembro de ter dormido com...
Parei no meio da frase. Um cara que eu nunca tinha visto na vida tinha encostado na parede, e ela sorriu, me lançando um olhar malicioso e cheio de ódio antes de puxá-lo pelo pescoço e beijá-lo.
Quando dei por mim, já tinha puxado o cara dali com tanta força que ele tinha quase caído na piscina.
- Qual a porra do teu problema, ? - berrei, e Zac correu até nós. também chegou por ali.
- Dude, menos... - Zac falou e eu o ignorei. sorriu, maliciosa.
- Meu problema, ? - ela cruzou os braços, aproximando-se. - Meu problema é você. E você não tem a merda de nenhum direito de dar ataques de ciúme. Vá atrás da sua putinha, seu idiota!
esbarrou em mim, me deixando com cara de nada ao sair dali, puxando o cara pela mão para o interior da casa.
- Você quer parar com isso? - gritei, puxando-a dos braços do cara, fazendo-a levantar do sofá.
- Cara, sai daqui, pro seu próprio bem - o cidadão respondeu e eu ri sarcástico.
Estava muito bêbado, mas se fosse medir, estava cinco vezes mais puto.
Quem diabos ela pensava que era pra se atracar com um cara que eu nunca vi na merda da minha vida em pleno sofá do ?
- Se você tem amor pelos seus dentes, cale a boca - respondi, áspero, puxando pelo braço.
- , você está me machucando! - ela gritou, enquanto eu a arrastava para dentro do banheiro. - Me larga!
Segurei-a com força pelos pulsos, prensando-a contra a parede.
- Para com isso, porra - disse baixo, mas muito nervoso. - Eu nem lembro o que diabos a Lauren estava...
- Cala a boca! - riu, rolando os olhos. - Você acha que eu vou acreditar nessa sua historinha? Beber e fumar não é desculpa pra comer qualquer garota que você vê na merda da sua frente, ! - ela gritou.
- , pelo amor de...
- CALA A BOCA! - Ela me empurrou, fazendo com que eu cambaleasse pra trás e quase caísse no chão, devido à bebida. - Não fala comigo, . Esquece que eu existo, de verdade.
bateu a porta e eu escorreguei para o chão, tonto, e acendi um cigarro de maconha que estava no bolso, encarando os azulejos brancos.
Atravessei o salão com em meu encalço, quase correndo, vendo as pessoas como vultos. Minha cabeça girava e doía, e tudo ao meu redor parecia que iria explodir.
- Fica calmo, cara - disse e eu não parei de andar.
- Ficar calmo? - gritei. - Um infarto, caralho, um infarto! Meu avô!
A bebida, junto à maconha e a cocaína, somadas à ligação desesperada do meu pai, faziam meu estômago dar voltas. Quase derrubei uma garota no jardim.
- Ele vai ficar bem - disse e eu não respondi.
Ao lado do meu Audi, e Zac estavam parados. E havia uma garota. Demorei meio segundo para distinguir , que vestia um casaco de moletom azul escuro que Zac usava minutos antes. Ela estava sentada no capô do carro, e levantou assim que eu cheguei, passando direto por e Johansson. Antes que eu passasse direto por ela também, ela segurou a chave que estava em minha mão.
- Eu levo você - disse muito baixo, quase como se estivesse envergonhada em falar comigo. Tirei meu olhar do chão e a encarei nos olhos.
Ela deu um sorriso de compaixão, e então, para minha surpresa e muito provavelmente para a surpresa dos caras, me puxou para perto e fez com que eu afundasse minha cabeça em seu pescoço, me abraçando com força.
- Vai ficar tudo bem, acredite - ela sussurrou.
- E se não ficar? - respondi baixo. Ela ficou em silêncio.
- Se não ficar, eu estarei com você - disse baixo, e então segurou meu rosto com as mãos, dando um selinho rápido, antes de entrar no carro.
- Pode ficar tranqüilo, Sr. - o médico disse, olhando meu pai. - Seu pai ficará bem. Ele terá que ficar alguns dias em observação e depois em repouso absoluto em casa, mas não corre risco de vida. O senhor queira, por favor, me acompanhar, vou lhe passar as prescrições médicas e a dieta que ele deverá seguir, além de...
Vi os dois se afastarem. estava sentada ao meu lado no sofá da recepção. O tempo inteiro, não tirou sua mão da minha.
Não havia ninguém ali, já era quase cinco da madrugada e a recepcionista de plantão parecia estar dormindo.
Entrelacei meus dedos nos dela, sem dizer uma palavra.
Alguns enfermeiros passaram correndo pelo corredor com uma maca, e percebi que ficou tensa, pelo jeito que apertou minha mão. Olhei-a pela primeira vez.
- Por que você fez isso? - perguntei, e ela retribuiu o olhar, confusa.
- Isso o que? - perguntou.
- Por que você está aqui? Por que veio comigo, largou a festa, por que está me tratando bem, quando há algumas horas você não queria nem olhar na minha cara? Por quê?
Ela sorriu.
- Porque eu sou idiota - respondeu, e antes que eu dissesse algo, continuou. - Porque mesmo você sendo um puta de um babaca, eu me preocupo com você. E porque isso aqui é mais importante do que putinhas, bebedeiras e brigas idiotas.
Sorri abertamente, me sentindo extremamente sortudo por tê-la naquele instante. Bem gay, eu sei. Segurei-a pelo rosto e a puxei para perto, beijando-a suavemente. entrelaçou os dedos em meu cabelo e intensificou o beijo.
Sorri de novo quando nos separamos.
- Desculpe por tudo... - disse, e por incrível que pareça, não foi difícil. Foi fácil engolir meu orgulho ao menos dessa vez. - E obrigado por estar aqui.
- Você precisa ir pra casa? - perguntei, quando parei o carro no farol vermelho. Estranho era eu fazer isso de madrugada, mas queria prolongar o tempo. Ainda estava um pouco atordoado com tudo que havia ocorrido naquela noite.
- Não. Meus pais acham que eu estou dormindo na - respondeu baixo.
- Quer ir lá pra casa? - perguntei e ela assentiu, fechando os olhos.
se jogou no sofá da sala de estar assim que entramos. Sorri, arremessando as chaves do carro em qualquer lugar, depois me joguei em cima dela, fazendo-a gritar, rir e me estapear.
- Você vai me matar! - disse, e eu ri, me jogando para o lado. Segurei-a, de forma que apoiasse a cabeça em meu peito, e ela fechou os olhos novamente.
Beijei sua mão, seu ombro e seu pescoço, e ela se contorceu, sabia que ali era seu ponto fraco. Ri baixo. abriu os olhos e encarou os meus. A luz ainda estava apagada, mas as imensas janelas de vidro permitiam que os primeiros raios de sol da manhã iluminassem a sala.
Puxei-a pelo queixo e a beijei, e no pouco espaço do sofá, com nossos corpos quase colados, o beijo tornou-se um pouco mais quente que o previsto. estava com uma das mãos embaixo da minha camiseta, arranhando minhas costas, e eu apertei sua coxa, subindo uma mão até sua bunda, por baixo do vestido. ofegou, mordendo meu lábio de algum jeito que fez minha nuca arrepiar.
Afastei meu rosto do dela, encarando seus lábios vermelhos e pensando que deviam estar formigando tanto quanto os meus.
- A gente não devia... Sabe, por tudo que aconteceu hoje no hospital - dava longo suspiros entre as palavras. Assenti, sorrindo fraco.
- É, e estamos muito cansados, precisamos dormir um pouco... - deitei ao seu lado, olhando para o teto e tentando respirar direito. Minha mão continuava em sua coxa. respirou fundo.
- Seria uma falta de respeito ao seu avô - ela disse, com a voz meio estranha, e não sei por que, mas tive vontade de rir.
Silêncio.
- Mas se você parar pra pensar, ele está bem, não está? - eu disse, apertando minha mão em sua coxa. Ouvi a risada baixa de e ri também.
- É, ele não se importaria - a garota jogou o corpo por cima do meu, e eu gargalhei, antes de fazê-la encaixar as pernas em torno dos meus quadris e agarrar seus cabelos, beijando seu pescoço.
- Ele vai gostar de saber que estamos celebrando sua recuperação - disse, ofegante, e riu, me encarando com uma careta. - Vovô é moderninho - disse, fazendo-a gargalhar, e então a beijei com vontade.
Subi as escadas com facilidade, mesmo carregando , que tinha as pernas envoltas em minha cintura. Seu vestido estava caído na cintura, deixando à mostra seu sutiã rendado preto, e minha camisa tinha ficado no sofá. arranhava minha barriga e beijava e mordia meu pescoço com voracidade, me fazendo gemer e considerar seriamente a possibilidade de ficar com ela ali na escada. Coloquei-a no chão, na curva da escada, beijando seu colo e me livrando do vestido enquanto mordia e chupava sua barriga, fazendo-a gemer e me puxar pelo cabelo, até que sua boca encontrasse a minha. Segurei-a com força pelas coxas, carregando-a novamente, e cambaleando até meu quarto. Assim que abri a porta, me empurrou contra a mesma, fazendo com que batesse com certa força. Eu não me importava com o barulho, tendo em vista que os empregados estavam em suas casas no fundo da propriedade, e meus pais estavam no hospital. Ela procurou avidamente pelo zíper da minha calça, e quando elas caíram em meus pés, as chutei de qualquer jeito, enquanto empurrava em direção à cama.
Ela caiu ali, e eu a prendi entre as pernas, beijando-a na boca e descendo em beijos por seu pescoço, colo e barriga, beijando o interior de suas coxas, fazendo-a agarrar um travesseiro. Sorri, malicioso, e ela riu. Voltei trilhando beijos e me livrei de seu sutiã, beijando seus seios enquanto ela brincava de forma ansiosa com a barra da minha boxer, empurrando-a. Segurei seu pulso, sorrindo malicioso.
- Você é mau - ela sussurrou e eu ri.
- Como se você não soubesse - mordi seu lábio. - E gostasse.
Ainda consegui ver um sorriso divertido em seu rosto antes de me dirigir até suas pernas, e beijar sua intimidade. agarrou meus cabelos e curvou a coluna, enquanto eu beijava aquela área de forma alternada por seus suspiros e gemidos mais altos. Meu corpo inteiro estava arrepiado só com isso, e pra ser honesto, não aguentaria muito mais tempo. Quando voltei a beijar sua barriga até seu queixo, reclamou, tentando me empurrar de volta, e eu ri baixo.
Deixei que ela finalmente se livrasse da minha boxer, e ela mordeu o lábio, quase rindo, ao ver o estado em que já me encontrava. Antes de pegar uma camisinha na mesa de canto, liguei o iPod que estava ali no amplificador.
Nunca fui muito fã de sexo com música, mas de alguma maneira, queria naquela hora.
"Never Gonna Leave this Bed", do Maroon 5, começou a tocar no Shuffle, e eu tirei uma mecha de cabelo que caía no rosto de , a olhando com um olhar quase babaca.
Ela sorriu.
- Desde quando você é fofo? - ela perguntou com a voz baixa, e eu sorri.
- Desde quando você merece que eu seja - respondi, e ela sorriu.
Nossos olhares ficaram conectados ali, como se nada mais importasse, e eu a penetrei, fazendo-a soltar um suspiro leve.
Movi-me de forma calma dessa vez, e pareceu aprovar isso, com seus suspiros e pela forma que chamava meu nome. Ela fincou suas unhas compridas em minhas costas, mordendo e chupando meu pescoço, mas tudo de forma quase sincronizada, eu diria até... Romântica?
Nós não éramos assim, não mesmo.
Mas porra, aquilo era bom.
Não demorou muito para que atingíssemos o clímax, praticamente juntos.
Deixei meu corpo cair ao seu lado, e sorriu, meio ludibriada, e colocou a música do Maroon 5 no repeat, antes de deitar em meu peito e dormir em poucos minutos.
"Wake you up in the middle of the night to say,
I will never walk away again, I'm never gonna leave this bed".
Flashback OFF
Quando dei por mim, tínhamos estacionado na casa de . Desci do carro, sem dizer nada, e fez a curva, cantando pneus.
- Sejam rápidos. O cara já deve estar vindo.
Dito isso, voou com o Porsche para fora do meu campo de visão. me olhou e deu de ombros.
- Vou até a garagem pegar meu carro e deixar aqui fora, vai subindo lá - disse.
Senti um calafrio percorrer meu corpo inteiro e paralisei, olhando a porta. me encarou, rolando os olhos, e então me deu a chave do carro.
- Me encontra lá em cima - disse, e eu respirei mais aliviado.
Pra ser sincero estava tudo quase arrumado quando cheguei ao terraço. Estava com vontade de vomitar, mas o sangue já estava fora de visão, e eu encarei o troféu que tínhamos roubado da casa dos Johansson.
- Escreve logo o tal papel... temos que cair fora daqui - deu uma olhada ao redor, arrumando as almofadas do sofá.
Peguei a caneta de forma trêmula e respirei fundo.
"Brandon. É isso aqui que você veio buscar? Ótimo. Agradeça ao seu irmão por não ter encontrado apenas os pedaços. Fomos fazer nossa festa em outro lugar. Zac está conosco. Não tente dar uma de esperto enquanto estamos fora. ".
- O que acha? - perguntei, e arqueou a sobrancelha.
- Parece que sequestramos o moleque - ele disse com uma voz estranha que teria me feito rir, mas não naquelas circunstâncias.
- Dos males, o menor - murmurei, jogando o bilhete ao lado do troféu e fechando a porta.
Estávamos com no local onde costumávamos tirar os rachas. havia ligado dizendo que tinha se enrolado com os documentos, mas que já estava a caminho. Vi o carro de surgir no horizonte e respirei fundo.
- Está tudo aqui - ela mesma disse, ao descer do carro. Surpreendentemente, usava tênis. Nunca tinha a visto usar tênis. desceu logo atrás dela.
- Ótimo - disse, pegando as chaves do carro dela para estacionar junto com os outros que ficariam ali abandonados por sabe-se lá quanto tempo.
Algo dentro de mim começava a gritar que aquela era uma ideia terrível. Mas já era tarde para voltar atrás.
Ao ver os faróis de ao longe, puxei pela mão, a levando para trás de uma enorme casa, onde os carros estavam estacionados. nos acompanhou com o olhar.
- Está tudo bem? - perguntou, colocando as mãos nos bolsos do casaco que usava. Neguei com a cabeça, encostando-me ao muro. - O que foi, ?
- Houve uma pequena mudança nos planos - disse, com a voz baixa. - Você e a vão voltar pra casa.
- Pra fazer o que? - disse alto, e eu fiz sinal para que não gritasse.
- Pra... Pra ficar lá.
- Como é que é? - cruzou os braços, me encarando bastante confusa. Respirei fundo, colocando as mãos nos bolsos.
- Vocês duas vão pegar o carro da , e irão para a casa dela. Nós iremos fugir. Daqui uns dias, quando começarem a perguntar sobre nós ou descobrirem sobre o Zac, vocês dirão que estavam na festa, mas a bebeu demais e teve outro surto devido à bebida e passou mal, desmaiou. Não é difícil de provar, tendo em vista que ela já foi internada mil vezes por isso. Ela passou mal, você dirigiu o carro dela. Você cuidou dela e dormiu lá. Eu simplesmente sumi. - respirei fundo, olhando para a cara inexpressiva de . - Esse é o álibi de vocês.
abriu a boca algumas vezes, mas não emitiu som algum. Quando ia começar a falar, ela me encarou, furiosa.
- Você quer se livrar da gente? - disse, quase gritando. - Eu estava lá, , essa merda de história nunca vai funcionar! Não faz sentido!
- Claro que faz, , é muito simples, você... - eu ia dizer, mas ela me interrompeu.
- Nós estamos todos juntos nisso. Nessa MERDA de história - ela disse ainda alto demais. Tinha certeza que todos estavam ouvindo. - Não me interessa se você acha que teve uma ideia brilhante pra livrar nossa cara. Eu não vou ficar aqui, não sabendo que vocês estarão por aí, perdidos em qualquer lugar! Eu vou com você!
Girei os olhos, já perdendo a paciência.
Tinha que saber que ela iria complicar as coisas.
- , pelo amor de Deus, cala a boca! - disse, nervoso. - Não faz sentido nenhum vocês nos seguirem nisso! Vá pra casa, eu não estou pedindo! - disse, e ela riu, sarcástica.
- Vá à merda, - ela continuou rindo. - Você acha o que, que nós vamos atrapalhar vocês? Acha que essa história de fuga vai dar em merda e todos vão ser presos? É isso? - fiquei em silêncio. - Fala, !
- É! - respondi, seco. - É exatamente isso.
- Eu não acredito que você tá falando isso! Desde quando nós duas atrapalhamos vocês? Eu sou mestre em livrar tua cara! - ela disse, muito nervosa. Respirei fundo.
- Grande merda, ! Você não entende a situação? Isso aqui não é uma ceninha porque eu fumei maconha no colégio e você convenceu os inspetores a calarem a boca! – segurei-a pelos ombros. - Eu matei um cara, ! Não há como me livrar disso!
- Mas eu quero ir com você! - ela disse firme. - Eu quero estar com vocês! Eu não vou aguentar ficar aqui... - ela rolou os olhos, contrariada. Suas bochechas estavam rosadas. - Aqui, sabendo que você está correndo perigo... Longe de você.
Desviei meu olhar do dela.
- Você não entende... Eu... Eu não quero que você vá - disse, e ela arregalou os olhos.
- Por quê? Eu preciso saber por quê.
- Eu já disse por quê. - respondi seco, e ela sorriu de forma irônica.
- Nós não vamos atrapalhar ninguém e você sabe disso. A verdade, . Só quero saber isso.
- Comece uma vida nova, - disse, sério. - Eu não quero você na minha.
- O quê? - ela gaguejou.
- É isso mesmo - respondi, olhando em seus olhos. - Eu quero uma vida nova, longe de você.
- Cala a boca - ela disse, com os olhos vermelhos.
- Não se mete na minha vida, . Acabou - disse, e quando comecei a andar, ela me segurou com força pelo braço.
- Não acabou merda nenhuma! - ela gritou. - Você só está assustado com tudo o que houve, eu vou com você e...
- Cala a boca, você! Eu não quero que você vá, ! Eu não quero você perto de mim! Vá pra porra da tua casa, esquece que eu existo, viva sua vida!
Vi uma lágrima escorrer em seu rosto.
- Então é assim? - ela enxugou a lágrima rapidamente. - Olha nos meus olhos, . Diz que não está fazendo isso porque me ama. Diz que quer que eu vá pra casa, e eu vou.
Passei as mãos pelo cabelo, nervoso. E então a olhei nos olhos.
- Se eu a amasse, eu já teria te dito isso - respondi com a voz séria.
- Mas nós sempre dissemos que essas palavras... - ela ia interromper, mas a cortei.
- Eu não a amo. Eu nunca te amei. Você pra mim foi sempre mais uma. Mais uma na minha cama - disse seco, e voltou a chorar. - E você acreditou em todas as vezes que eu a traí e culpei a bebida ou as drogas? Quando dizia fazer algo por você? - ri, sarcástico. - Você se acha muito esperta, mas é uma puta de uma garotinha mimada e ingênua, Campbell.
Agora ela já chorava de verdade.
- Vá embora. Eu não quero que você vá conosco - sussurrei, e chacoalhou a cabeça, chorando. Ela pegou o colar que eu tinha roubado de Russell e jogou na minha direção, sem dizer uma palavra.
E correu.
Eu ouvi o barulho estrondoso da porta do carro e depois um cantar absurdo de pneus.
Caí no chão, sentado na calçada, e abracei os joelhos, tremendo.
apareceu ali correndo.
- O que diabos você disse pra pra ela sair daqui naquele estado? - ele perguntou, espantado, e eu sorri, melancólico.
- Eu contei pra ela a maior mentira que já inventei - chacoalhei a cabeça, sentindo os olhos arderem. - E ela acreditou.
Capítulo O7 –
- , pelo amor de Deus, DIMINUI A VELOCIDADE – gritou, segurando no banco com força. – !
- Eu não a amo. Eu nunca te amei. Você para mim foi sempre mais uma. Mais uma na minha cama.
Aquelas palavras pareciam gritar dentro da minha cabeça. Como um disco quebrado, elas se repetiam e repetiam, e eu não conseguia pensar. Eu não conseguia sequer enxergar nada.
- CUIDADO! – ouvi o grito de bem a tempo de frear bruscamente antes da linha do trem.
O trem passou diante de meus olhos, fazendo um barulho ensurdecedor e eu segurei a respiração, antes de bater a cabeça no volante e deixar que as lágrimas que tanto me atordoavam caíssem. Ao longe, ouvia fazer uma série de perguntas, gritar sobre o trem, mas parecia que ela estava falando em um idioma que eu simplesmente desconhecia. Como ele podia ter dito aquelas coisas? Como ele podia ter... Matado o Zac?
Aquele não era o que eu conhecia.
Senti meu corpo inteiro tremer e abracei os joelhos, escondendo o rosto.
- , fala comigo. – estava chorando, eu sabia. – O que diabos o falou para você que...
- Não fale o nome dele – praticamente rosnei, e arregalou os olhos.
- Mas...
- NÃO FALA A PORRA DO NOME DELE! – gritei, soltei o cinto e saí do carro, sem saber o que fazer.
Nenhum cara me faz chorar desse jeito. Quem aquele idiota pensava que era?
- , você está me assustando, o que houve naquela merda de conversa de vocês dois? – estava atrás de mim.
- Você quer saber? Você quer saber o que houve naquela MERDA de conversa? – minha voz ecoava no meio do nada, mas aquilo não me amedrontou. – Nós temos a porra de um álibi agora. O idiota do ... Ele quer nos deixar para trás.
- O quê? – parecia confusa.
- Ele disse... Ele... – senti minha voz embargar e decidi que não ia mais gastar minhas lágrimas com aquele assassino de merda. Pelo menos não enquanto alguém pudesse me ver. – Não importa o que ele me disse.
Ouvi um barulho na mata. também pareceu perceber, porque se aproximou de mim e se encolheu.
- Nós precisamos sair daqui...Agora - assenti, e ela entrou primeiro no carro. – E eu vou dirigir.
Rolei os olhos, empurrando-a para fora.
- Desculpe, você sabe que isso não vai acontecer – sentei no banco de motorista, e ela bufou.
- Apenas tente não nos matar – ela resmungou. – Estou farta de mortes por hoje.
O caminho até o centro de Londres foi quase silencioso, a não ser por batucando constantemente com suas unhas compridas no painel do carro. Eu sabia que ela queria conversar, mas por outro lado, eu queria que o mundo inteiro explodisse, então achei melhor calar a boca. Meus olhos ainda ardiam e eu estava morrendo por alguns minutos sozinha, no escuro do meu quarto, onde ninguém pudesse me julgar por ser tão ingênua e estúpida. E onde eu pudesse estraçalhar alguns vasos contra as paredes.
- Amiga? – perguntou, com a voz baixa. Rolei os olhos.
- Fala.
- Você está um pouco melhor? Está a fim de... Sei lá, desabafar? – ela perguntou com cautela. Freei o carro em frente à casa de .
- A única coisa que eu quero agora é alguns comprimidos para dormir e meia garrafa de vodka – suspirei, percebendo que minha voz estava embargada.
- Eu tenho isso aqui, , se você quiser a gente... – interrompi antes que ela continuasse.
- NÃO! – gritei, e ela deu um pulo no banco. Não é como se fosse sua culpa ou nada do tipo, mas eu não estava em meu juízo perfeito. – Só me deixa sozinha, por favor.
assentiu e não disse nada ao descer do carro. Ela realmente me conhecia. Quando dei partida e ouvi os pneus cantarem, todas as coisas que eu tinha escutado do merda do aquela noite, misturadas com alguns flashes de nosso namoro e da cena apavorante que ocorrera um tempo antes vieram à tona, surtindo um efeito confuso que beirava o ódio e a depressão.
Sem pensar, comecei a dar ré com o carro, até parar na porta de novamente. Ela me encarava, parada em frente à porta.
- Mudou de ideia? – perguntou, e eu fiz sinal para que entrasse novamente no carro. Ela obedeceu.
- Escuta aqui, , presta muita atenção no que eu vou te falar.
- Claro – ela respondeu, assustada.
Nos minutos seguintes expliquei o plano para que ela ficasse ciente, com ira no olhar. Ela não me interrompeu em nenhum segundo, apenas concordou quando eu disse que precisava de um tempo sozinha primeiro e que voltaria para sua casa mais tarde.
Subi as escadas de casa pé ante pé, pois não queria chamar atenção de ninguém. Quando encontrei a escuridão do meu quarto, deixei meu corpo escorregar na parede e pude chorar em paz pela primeira vez naquele dia estúpido. Eu só queria acordar de um pesadelo, e tudo estaria do jeito que sempre foi – inconsequente, talvez, mas do nosso jeito. E agora tudo escorrera pelo ralo. Peguei meu celular no bolso e apertei algumas teclas, deixando o aparelho no viva voz.
- Alô.
- Oi. Sou eu – disse baixo, e tudo o que escutei foi silêncio. – Está aí?
- Sim. – ele bufou.
- Pode vir aqui em casa?
Mais silêncio. Enxuguei o rosto com as costas da mão, impaciente.
- Dez minutos. – ele respondeu, por fim.
- Cinco. – retruquei, antes de desligar.
A ligação com Brandon Johansson está finalizada.
Vi o carro de Brandon pela janela, e corri escadaria abaixo. Quando abri a porta, ele estava prestes a tocar a campainha.
- Você está maluco? – segurei seu braço, impedindo-o de fazer barulho. – Sabe o que acontece comigo se meus pais derem de cara com você aqui?
Ele riu, de forma rouca, e me lançou seu peculiar sorriso torto.
- Você não tem medo deles, pare de agir como uma garotinha indefesa, Campbell – ele acendeu um cigarro, ainda sorrindo. – A que devo a honra de receber uma ligação sua essa hora? Hum, deixe-me adivinhar... O bicha do seu namoradinho pediu para você lidar comigo, porque ele tá se cagando de medo de ter roubado o troféu da minha mãe?
Engoli seco. O que diabos eu estava fazendo?
Brandon percebeu que eu estava inquieta, porque sorriu mais. Sempre, sempre um filho de uma...
- Vai me responder algum dia, gata? – ele mexeu em meu cabelo e eu dei um tapa em sua mão.
- Você é nojento – rolei os olhos, caminhando pelo jardim com Johansson em meu encalço. – E já disse para você que a próxima vez que me chamar de gata, vai perder os dois dentes da frente.
Continuei caminhando, tentando buscar alguma coisa para falar – estava tão absurdamente puta com e sabia que aquela era a melhor vingança... Mas ele sequer ligaria? Enquanto devaneava, Brandon me puxou, sem paciência, e me prendeu contra a parede lateral de minha casa.
- Eu não tenho todo o tempo do mundo, Campbell – ele soltou a fumaça do cigarro em meu rosto, e eu tossi. – O que você quer?
Suspirei.
- Você – respondi baixo, e minha resposta foi uma estrondosa gargalhada.
Estapeei seu braço e tampei sua boca com a mão livre.
- Pare de agir como um maluco, cacete! – sussurrei, e ele se livrou da minha mão, voltando a me prender.
- Você está muito, muito dopada.
- Não estou.
- O que diabos o merda do fez que te desagradou tanto então, hein? – ele riu, passando o nariz em minha bochecha. Mordeu devagar o lóbulo da minha orelha, e sussurrou. – Eu não sou idiota, . Isso aqui não é de graça. Eu te conheço muito bem. Foi você quem ditou as regras, não é mesmo?
Senti as palavras pararem na garganta.
Era o que ele merecia, afinal. Merecia que eu contasse para Brandon para que ele acabasse com a raça daquele puto com as próprias mãos. Que vingasse a merda que ele tinha feito com o Zac.
Claro que merecia.
- Isso importa? – sussurrei, empurrando todas as palavras de volta.
Mulheres são realmente idiotas.
- Claro que importa. – ele sorriu. – Pensei que você também me conhecesse.
- Ele fez algo... Que não devia fazer – disse baixo, e ele segurou meu queixo.
- Olha para mim quando fala, garota – me lançou mais um daqueles sorrisinhos odiosos e sexies. – Ah, é? Que tipo de coisa?
Rolei os olhos e o empurrei para trás.
- Nós acabamos, se você precisa tanto saber. – quase gritei, e ele riu, mas parecia um pouco chocado.
- Nossa – disse, rindo. – O que possivelmente pode ter feito a ponto de que vocês terminassem o namoro? e Campbell acabou? – Brandon deu uma risada sarcástica e fez cara de triste. – Poxa, vocês acabam com a minha vida. É como se meu shipper favorito tivesse acabado.
O empurrei contra a parede, nervosa.
- Escuta aqui, seu idiota, se você for ficar falando merda e agindo como... Como você mesmo, eu vou logo te avisando que...
Não terminei a frase.
Brandon me puxara com força, colando meu corpo no seu. Beijou-me com voracidade, sem pedir licença, quase como se fosse arrancar minha boca fora. Foi estranho, como se ele quisesse me machucar secretamente – ou abertamente – e tinha certeza que suas mãos que apertavam minha cintura e coxa iriam deixar alguma marca. Eu estava com tanto ódio de que minha tradicional repulsa por Johansson pareceu diminuir.
E no fim das contas, ele sempre fora um puta de um gostoso, eu que nunca quis admitir.
Bom... Talvez um dia eu tenha quase admitido.
Flashback: ON
4 de fevereiro de 2010 – Johansson’s Residence
Tomei um gole de uma bebida verde limão que eu não sabia o que tinha dentro, mas definitivamente estava me deixando mais feliz – isso e os dois baseados que eu fumara pouco menos de duas horas antes. continuava a dizer que aquilo era um péssimo hábito e que eu era uma diva, e divas não devem fumar esse tipo de coisa, e que eu deveria arrumar alguma droga mais chique. É claro que todo esse papo dela surgira depois de incontáveis tequilas que entornara, como sempre. A casa dos Johansson estava lotada, tinha gente quase caindo pelas janelas – e confesso que nem todo aquele público era o que eu estava acostumada. Zac me dissera mais cedo que aquilo era culpa de Brandon, o idiota de seu irmão mais velho, que convidou alguns “amigos” que conhecera nos tempos que viajou pela Inglaterra vivendo ilegalmente e fazendo sabe-se lá o que.
Ele tinha cara de matador de aluguel. Tinha mesmo.
Avistei perto da porta e forcei passagem até ele, derrubando algumas vadias pelo caminho, e me livrando de algumas mãos taradas também.
Gente sem berço é mesmo uma merda.
- ! – gritei, mas ele continuou olhando para o celular. – !
- Hey, um rosto conhecido! – ele sorriu e eu retribui.
- Cadê o ? – perguntei e ele riu.
- Você nem consegue disfarçar a alegria em me ver e já vem perguntando onde o está? Porra, , assim você me decepciona!
Eu ri e o abracei, meio abalada pelo álcool.
- Você sabe que eu amo você, coração – disse e ele sorriu. – Certo, agora cadê meu homem?
Dessa vez gargalhou, disse algo desconexo e me encarou.
- Seu homem me falou que já estava vindo para cá, faz um tempinho...
- Quanto tempo?
- Sei lá, meia hora? – ele disse, e avistou alguém no meio da multidão de gente pobre. – Liga para ele! – disse, antes de me deixar sozinha na porta.
Vaguei indefinidamente pela festa, e vi com duas garotas, muito provavelmente a caminho do banheiro mais próximo para um rápido ménage, pensei ter visto , mas então lembrei que ele estava na Irlanda, e nada de .
E aquele filho da puta não atendia o telefone.
Aquilo tinha cheiro de armação e/ou traição, e eu já estava irritada antes mesmo de saber se o que pensava era verdade. Quando desliguei o telefone pela milésima vez, ouvi uma risada rouca no jardim.
Brandon estava com um pé apoiado na parede, o cigarro preso na boca. Vestia uma regata branca, jeans surrados e coturnos. Era como ver um vilão de seriado, daqueles que surgiam na história no momento certo para desencaminhar a mocinha, e se meter no meio do relacionamento dela com o bom rapaz principal.
O único problema da minha percepção é que de bom rapaz, meu namorado não tinha nada.
- Tomou um bolo? – ele finalmente falou, e eu rolei os olhos.
- Está falando comigo? – retruquei.
- Por algum acaso tem alguém aqui além de nós dois? – ele riu, sarcástico, e apagou o cigarro na parede antes de se aproximar. – Cadê seu namoradinho, Campbell? Estou com saudade de quebrar a cara dele.
Sorri, nervosa, e comecei a andar em direção à porta.
- Você não me conhece, cara, então se pensa que eu vou conversar com você, está muito enganado – dei as costas, mas então tive um estalo. – Ei... Quebrar a cara do meu namorado? Desde quando você sequer fala com o ?
Ele riu, mas dessa vez não se moveu.
- Você não disse que não ia falar comigo?
- Apenas responda. – quase rosnei.
- Você acha que conhece seu namoradinho muito bem, não é, gata? – ele sorriu. – Você está enganada. Ele é muito pior do que você pensa.
- O que você quer dizer com isso? – dei um passo para trás.
- Quero dizer que você é inteligente o suficiente para descobrir sozinha. – Brandon caminhou até a porta, mas virou antes de entrar. – Se cansar de esperar, pode me encontrar em meu quarto. Garanto que é muito mais divertido do que ficar aqui esperando alguém que não vai chegar.
Antes que ele virasse, o chamei.
- Só mais uma coisa, Johansson. Da próxima vez que me chamar de gata, eu corto seu pau fora – resmunguei. – E é melhor você esperar deitado e preferencialmente dormindo, porque eu não vou aparecer.
Ele me lançou um olhar que parecia me despir, e eu senti o rosto esquentar.
- A escolha é sua.
- Esse Brandon é um idiota, quem ele pensa que é para achar que pode ME levar pra cama? – berrei e riu.
- Ele acha que é Brandon Johansson, o herdeiro dos Johansson, um gostosão com pinta de bad boy – ela respondeu e gargalhou, mas parou logo quando viu minha cara de revoltada.
- Você devia parar de beber – disse, séria, e dessa vez ela riu de verdade.
- Vá arrumar alguma coisa para fazer, tipo ligar para o , e me deixa aqui com meu brother Johnny Walker – ela beijou a garrafa, e eu rolei os olhos.
Quando saí de perto dela, senti o celular vibrar na bolsa. Era uma mensagem de .
, desculpa, não vou poder ir. Depois nos falamos.
Encarei o aparelho, incrédula com a frieza daquele SMS. Como ele podia agir como um idiota SEMPRE? O que diabos eu via num cara desses?
Antes que eu respondesse, olhei as escadarias lotadas da casa e lembrei do convite de Brandon.
Com certeza estava com outra.
Com certeza teríamos uma briga terrível no dia seguinte.
Talvez fosse a hora de eu dar um motivo, para variar.
Subi as escadas, cega pela fúria e pela vontade de vingança antecipada. Analisei as portas, e lembrei do dia em que Zac tinha me mostrado o quarto do irmão dele, pouco depois dele ter sumido no mundo. Passei por alguns casais se amassando contra as paredes, e vi sair do banheiro. Quando alcancei a maçaneta do quarto de Brandon, senti o olhar de em mim, e me arrisquei a olhar de volta. Ele não tinha dito nada, mas era como mandasse que eu recuasse e não fizesse nada de errado.
O que, é claro, me fez querer ainda mais irritar .
Quando fechei a porta atrás de mim, entrando no quarto escuro e esfumaçado – ele estava fumando em algum lugar – senti um arrepio na espinha. Eu poderia me meter com tantos caras no mundo, porque justo Brandon Johansson?
Antes que eu pudesse me arrepender, vi sua silhueta próxima à janela, e ele disse:
- Eu sabia que você não iria me decepcionar, Campbell.
Respirei fundo.
- A festa estava muito barulhenta – menti, e ele riu ao acender um pequeno abajur na escrivaninha extremamente bagunçada.
- É claro que estava – ele sorriu com ironia, e eu quis chocar sua cabeça contra a parede.
Sério, onde diabos estava me metendo?
Mas a lembrança de todas as mancadas de – como a dessa noite – me fizeram lançar-lhe um sorriso sedutor, convidando-o para se aproximar. Ele entendeu perfeitamente o recado, e estava a poucos centímetros de mim antes que eu pudesse piscar.
Segurou-me pela cintura e aproximou sua boca da minha – e eu imediatamente coloquei minha mão na frente, impedindo-o.
- Não tão rápido, Johansson – sorri, maliciosa, e ele soltou um ar quente de desaprovação contra minha mão. – Eu nem sei direito o que estou fazendo aqui.
Ele riu, e se livrou da mão.
- Claro que você sabe.
Me desvencilhei de seus braços extremamente malhados e andei pelo quarto.
- Você não vai me beijar, e não vai falar comigo – disse, autoritária. Eu nem sabia de onde aquela força toda surgira. – Eu não quero ouvir sua voz, a não ser que você queira ser deixado sozinho e ter a humilhante tarefa de terminar meu serviço sozinho.
Brandon gargalhou. Gargalhou de verdade, sem sarcasmo, como se achasse aquela cena toda o máximo. Apontou para as carreiras de cocaína na ponta da escrivaninha e sorriu.
- Sirva-se – disse, sorrindente.
Eu nunca tinha usado cocaína, não até aquele dia. Mas pensei que pudesse ser uma boa idéia, já que eu estava prestes a ir para a cama com um cara que me causava uma espécie estranha de repulsa misturada com tesão.
Caminhei até lá, e abaixei para inalar a carreira como ele tinha feito segundos antes. Senti meu nariz arder e cheguei a pensar que ele estava sangrando, mas fiz minha melhor cara de entendida do assunto – não queria deixar Brandon dominar a situação, de forma alguma.
- Eu pensei que você fosse diferente, Campbell – ele disse e eu me virei.
- Diferente como?
- Achei que você fosse só mais uma patricinha na vida e puta na cama, mas acho que você é um pouco mais esperta do que aparenta – ele sorriu, e eu me vi desejando aquela boca, mesmo ela estando levemente cortada.
Ele era tão gostoso assim?
Era como se meus sentidos tivessem se aguçado – e pior, inibido toda minha repulsa. Observei sua boca se movimentar dizendo alguma coisa, mas não prestei atenção em absolutamente nada. Caminhei até ele e finquei minhas unhas em suas bochechas, fazendo com que fizesse um biquinho – e calasse a boca.
- Eu não quero ouvir porra nenhuma – disse, nervosa. – Só faça seu trabalho, e nunca conte isso a ninguém – sorri, maliciosa, ao ver a cara de pura excitação de Brandon.
Era nítido o tesão que ele sentia por mim, e não era de hoje. Ele nunca chegara muito perto – não pelo menos até essa data – mas sempre o via me observando como quem pudesse ver muito mais além dos meus vestidos ligeiramente curtos e de meus saltos altos.
Suas mãos me puxaram com força e nossos corpos se colaram, enquanto Brandon beijava meu pescoço vorazmente e com muita habilidade. Ele segurou um de meus seios e apertou, e eu tirei sua camiseta. Seu corpo era másculo, definido e bronzeado, e eu não me contive: finquei minhas unhas em seu peitoral e distribuí alguns beijos e mordidas em sua barriga/tanque. Brandon pareceu gostar, pois me puxou nada educadamente para cima, procurando minha boca, mas ao perceber que aquela área era “proibida”, não pareceu se abalar. Empurrou-me em direção à escrivaninha e eu rapidamente sentei, ouvindo o barulho espalhafatoso de coisas quebrando no chão.
Brandon trabalhava rápido – e silenciosamente – beijando meu colo e puxando minha calcinha por baixo do vestido. Quando vi um pedaço de renda rosa voar pelo quarto, ele me encarou com seus olhos extremamente azuis e sussurrou.
- Vamos ver agora se você não vai pedir por mais.
Antes que eu pudesse dar um chilique por ele estar falando, Johansson subiu meu vestido e começou, vagarosamente, a lamber e mordiscar o interior de minhas coxas. Arfei, sabendo onde aquilo ia dar, mas a sensação de euforia da cocaína fez com que eu ficasse muito mais interessada no que vinha a seguir. Finquei as unhas em seu ombro, sentindo sua respiração quente em minha pele, e quase me vi pedindo para que começasse logo aquilo ou me deixasse em paz.
Mais uma vez, ele pareceu ler meus pensamentos ao tocar suavemente minha intimidade, dando selinhos alternados, quase como se apresentasse. Brandon segurou meus quadris com força e começou a beijar aquela área, como se estivesse fazendo isso em minha boca. Senti sua língua explorar cada centímetro de mim como se sempre fizesse aquilo, enquanto meu corpo se arrepiava por inteiro e eu rezava para não soltar nenhum gemido ou grito e fazer com que ele me importunasse pelo resto dos meus dias.
Foi quando a língua de Brandon realmente me invadiu que eu senti que aquele joguinho não iria dar certo – cada centímetro da minha pele estava arrepiado, e eu sabia que ia deixar uma marca considerável em seus ombros. Meu corpo inteiro pedia por mais, e eu queria guiá-lo e dizer exatamente o que fazer – ou, mais precisamente, não parar o que estava fazendo. Minha respiração estava alta demais enquanto ele percorria e brincava comigo sem dó, e eu tinha certeza que ele sabia o que estava provocando.
Não consegui me segurar e deixei escapar um gemido – o que foi suficiente para que sua língua me tocasse muito mais vorazmente. Foi exatamente nesse momento que eu liguei o ‘foda-se’ – sabia que estava gemendo alto, enquanto contorcia os dedos dos pés e o apertava com força contra mim. Não demorou muito até que eu arqueasse meu corpo para trás, em êxtase, respirando como estivesse morrendo de falta de ar.
Puta que pariu. Brandon Johansson sabia muito bem o que estava fazendo.
Ele parou diante de mim e limpou os lábios com as costas da mão, antes de me lançar um sorriso torto e malicioso. Quando foi dizer alguma coisa, meu celular vibrou. Ao pegar o aparelho, pareci ter um choque de realidade.
5 ligações perdidas de .
Duas novas mensagens:
, eu sei que você está puta comigo, mas quando ler isso me liga. Meus pais tiveram uma daquelas brigas de novo e acabou quase dando merda. Você sabe como meu pai fica... E como eu fico quando ele ameaça minha mãe.
Preciso falar com você. Me liga, por favor. .
Foi naquele momento em que eu me senti extremamente suja. Não por ter transado com outro cara estando com – isso já tinha acontecido. Mas por ter me vingado de algo que nem sabia, e utilizado o que parecia ser um grande inimigo de meu próprio namorado na façanha – e gostado disso.
Empurrei Brandon para trás e ele disse alguma coisa como “Ei, agora é sua vez, nem pense que vai me deixar aqui” enquanto eu procurava minha calcinha freneticamente.
Eu estava arfando e passando mal. Me sentia uma completa idiota.
Uma puta.
Olhei para Brandon, que parecia confuso e extremamente puto.
- Isso nunca mais vai acontecer – disse, séria, e ele me segurou pelo braço.
- Você não vai embora – ele tinha ódio no olhar, e pela primeira vez na vida, senti medo.
- Eu vou sim. E isso nunca aconteceu, eu nem te conheço.
- Quem você pensa que é para vir aqui e depois ir embora sem... – ele gritava, mas eu caminhei até a porta, decidida.
- Eu sou Campbell. E eu faço o que eu quiser, na hora que eu quiser. E agora a única coisa que eu quero é apagar você da minha vida. – sorri, mas não soube bem por que. – Se um dia você comentar isso com alguém, você vai pagar muito, muito caro.
Ele sorriu com ironia, mas não deixei que dissesse nada.
- E você sabe que eu estou falando muito sério. Agora você conhece meu tipo. – bati a porta, sem olhar para trás.
E foi exatamente nesse dia que minha relação à flor da pele com Brandon teve início. Ele não aceitara muito bem minhas condições, mas eu sempre arrumara algum jeito de fazê-lo ficar quieto – e ele sempre sumia esporadicamente. nunca soube de nada, e encarar Brandon trazia de volta à superfície todos os sentimentos de nojo que eu tinha por mim mesma desde aquele 4 de fevereiro de 2010. E eu prometi a mim mesma que ficaria longe dele, não importava o quanto isso custasse.
Flashback OFF
Lembrar de toda aquela cena de mais de um ano antes com Brandon fez minha garganta fechar, e eu o empurrei para longe. Ele não pareceu surpreso, muito menos assustado. Apenas sorriu daquela forma sedutora de sempre, e eu sorri de volta.
- Dessa vez prometo que não vou te deixar na mão – ouvi minha própria voz dizer, e Brandon riu. Sabia que ele pensou na mesma coisa, exatamente no momento em que o empurrei.
O guiei entre beijos e amassos até a casa da piscina, e o vi tropeçar e cair de costas no sofá. Rimos juntos – aquilo sim era uma cena estranha – e eu tirei meu vestido, revelando meu conjunto de lingerie rendado e preto.
Brandon pareceu gostar da ideia, me puxando para perto, e eu beijei seu pescoço antes de tirar sua camiseta.
- Ei – disse baixo, e ele me olhou. – Vamos tomar alguma coisa antes?
- Tomar alguma coisa? – Brandon me encarou com desconfiança, mas riu. – Tipo, mas a gente já está...
- Eu sei – eu ri. - Mas eu estou nervosa. Tem como você me preparar um Martini?
O vi se distanciar com uma certa má vontade até o bar que estava na extremidade oposta do sofá. Sorri, vendo suas costas definidas e suas covinhas enquanto ele mexia nos copos e buscava os ingredientes para minha bebida.
Ele devia ter uma bundinha muito, muito sexy.
Caminhei até ele e o abracei por trás, beijando suas costas. Ele riu, mas vi que estava arrepiado.
Antes que dissesse alguma coisa, peguei o lenço com a mistura tradicional do “boa noite, cinderela” e pressionei contra seu nariz. Brandon tentou se virar e se debateu, e os copos caíram no chão, mas eu não liguei. Sua força era extraordinária, e ele tentou se virar, mas estava grogue demais para isso.
Ainda conseguiu me derrubar no chão, aquele filho da puta.
Ele caiu logo em seguida, totalmente inconsciente.
Corri até meu vestido e o coloquei rapidamente, sacando o celular com a outra mão. A mensagem já estava salva nos rascunhos, apenas a enviei. Depois, olhei para um homem de um metro e noventa caído no meu tapete e suspirei.
- Porra, eu devia ter pensado melhor nisso – disse, tentando calcular como o carregaria até o carro.
Corri pelo jardim, tentando fazer o mínimo de barulho, e estacionei em frente à porta da sala da piscina, me sentindo uma espiã ou algo parecido.
Eu não tinha cheirado nada, mas minha adrenalina estava nas alturas.
Arrastei Brandon pelo chão até perto do carro, e então levantei-o com muito esforço até conseguir jogá-lo no banco de trás. Corri para a frente e dei partida no carro, atropelando o canteiro de orquídeas que minha mãe tinha mandado vir de algum outro país – ela tentaria me matar, certamente, mas já era tarde demais pra isso.
Dirigi como uma louca, olhando freneticamente para trás para me certificar de que Brandon estava realmente apagado, embora tivesse certeza que ele dormia como uma criança. Estacionei na frente da casa de em dois minutos, e ela pulou no banco de carona. Minha pulsação estava mais acelerada que o normal.
- Pegou o bilhete? – perguntei e ela sorriu, como se fosse a heroína do dia.
- Claro – ela mostrou o pequeno papel, e depois deu um berro. – Puta que pariu, meu Deus, meu Deus, o que o Brandon está fazendo aqui?
- Para de gritar, porra – gritei de volta. – Eu tive que retardá-lo antes que ele pudesse fazer besteira.
- E ele está sem camisa por...
- Porque eu tive que usar minha melhor arma para isso, agora para de rir, ! – disse, mas já era tarde demais. E eu acabei rindo junto, daquela cena extremamente bizarra.
Paramos na frente da casa dos Johansson e me xingou em todos os idiomas que ela conhecia quando a fiz descer do carro e despencar um homem inconsciente e sem camisa no próprio jardim da casa dele. Quando voltamos ao carro, ela me encarou.
- , posso te perguntar uma coisa?
- Já perguntou.
- Dane-se – ela sorriu, mas sabia que estava em pânico. – Não foi isso que o nos mandou fazer, não é?
Dessa vez eu sorri largamente, sem tirar os olhos da estrada.
- O que você acha?
Quando cheguei de volta no local onde , , e estavam, percebi o olhar de pânico de todos. Desci do carro, com em meu encalço, e não olhei para – embora soubesse que seu olhar estava quase me fuzilando. quem tomou a iniciativa, vindo extremamente nervoso ao meu encontro.
- O que diabos você quis dizer com aquela porra de mensagem? – ele gritou, e eu sorri.
- Você não sabe ler, ? – segurei o papel que estava na casa de praia de minutos antes, ao lado do troféu da mãe de Zac e Brandon. – Antes de mais nada... Eu pensei que você fosse mais esperto, , mas não passa de um garotinho mimado metido a inteligente.
- O que você está falando? – ele não teve forças para gritar. Continuou parado ao lado de , com as mãos nos bolsos. Senti meu coração apertar, mas me contive.
- "Brandon. É isso aqui que você veio buscar? Ótimo. Agradeça ao seu irmão por não ter encontrado apenas os pedaços. Fomos fazer nossa festa em outro lugar. Zac está conosco. Não tente dar uma de esperto enquanto estamos fora. ” Mas que merda de bilhete é essa, pelo amor de Deus? Você queria ser encontrado, não é? SÓ PODE! – gritei, pegando um isqueiro e tacando fogo no papel. Todos me encararam, embora ninguém tenha dito nada.
- Eu não acredito que vocês foram até lá, – parecia mais exaltado, caminhando em minha direção. – Você podia ter encontrado o Brandon lá, caralho! E o que você ia fazer, porra? – mesmo com os gritos, o olhar de estava perdido, quase como se estivesse em transe.
- O Brandon está desacordado em seu próprio jardim, e eu mesma providenciei isso, – sorri, quando vi a cara que ele fez.
- Você esteve com o Brandon? – ele berrou novamente.
- Claro que eu...
- Calem a boca, os dois! – gritou, para minha surpresa. – , o que diabos você fez? O que você quis dizer com “Estou com todo o dinheiro de vocês. É melhor que fiquem parados se quiserem saber mais sobre isso” – ele disse, lendo minha mensagem.
Sorri, olhando de um em um. Vi o pânico no olhar de , a confusão no olhar de , a surpresa no olhar de , o ódio estampado no rosto de e uma mistura de emoções indecifrável no rosto de .
- Vocês entenderam direitinho – sorri, jogando as cinzas do bilhete no chão. – Quando cheguei em casa, eu acessei nossa conta no exterior e mudei a senha. Meu pai sempre me disse pra fazer isso constantemente, desde meus quinze anos. Sempre pode ter alguém querendo mexer onde não deve – olhei para significativamente, e agora ele parecia extremamente puto.
Tão puto que correu o espaço que tinha entre nós, agarrando meu braço com força.
- Me diz, me diz que você não fez isso.
- Claro que eu fiz, queridinho – me soltei, dando um passo para trás. – E eu não darei a senha nova para vocês.
- Você está maluca, porra? – surgiu do outro lado, segurando meu braço. Foi estranho, porque mesmo me odiando como ele estava, empurrou o braço do amigo para que me largasse. – Diz logo essas senhas, você quer que todo mundo vá preso? VOCÊ QUER IR PRESA?
Girei as chaves do carro entre os dedos e encarei .
- Eu não importo com as merdas que você me disse uma hora atrás. Você é a última pessoa que eu quero ver agora, e eu acho que preferia que você estivesse lá, no lugar do Zac – disse, nervosa e com o coração extremamente acelerado. sustentou meu olhar, mas não mais com ódio. – Acontece que eu não vou ficar aqui para ser a primeira a rodar quando isso der errado...
- Eu te dei um álibi – a voz de era um sussurro. O encarei, sorrindo de forma irônica.
- Foda-se você e seus álibis.
- – ele me segurou novamente pelo braço. – Pelo seu próprio bem, nos dê o número dessa conta e vá para casa. Eu... Eu estou te pedindo. Por favor.
O encarei, momentaneamente atordoada.
- É tarde demais para pedir por favor, – disse. – E você devia saber que só manda na vida das putinhas que passam diariamente na sua cama, e não em mim. Isso aqui pode ser seu jogo, mas são as minhas regras.
Olhei ao redor, e depois fixei meu olhar em . Estávamos tão próximos que um sopro de ar poderia colar nossas bocas.
- Você só tem uma escolha, . Ou vocês viajam comigo e com a , e podem seguir todos os seus planinhos de mafiosos de quinta categoria – sorri, vendo o pânico em seu olhar. – Ou todo mundo vai ficar aqui, sem dinheiro, só esperando que o corpo do Zac seja encontrado para passar o resto da vida atrás das grades.
- ... – ele se aproximou, mas eu me desvencilhei dele, sustentando olhar.
- A escolha é toda sua, . O que vai ser?
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