Escrita por Carol Balduini
Betada por Cah Almeida


"E se uma alma pecar... Então deverá suportar sua iniqüidade,
Ou se uma alma tocar qualquer coisa impura, ficará manchada e culpada,
Ou se alguém tocar uma imundice humana... Então será culpado”
Lv 5-7, Bíblia.

Capítulo 1
[n/a: para quem gosta de acompanhar fics com música, deixarei em todos os capítulos uma sugestão de música que pode ser usada como seu reflexo em determinada parte da história!
Sugestão de música: Secrets – One Republic]


Beamount. Texas. Duas e vinte e cinco da manhã. Eu, meu cigarro e minha garrafa de Vodka na mão, mais um dia repetitivo nessa cidadezinha medíocre de sempre. O único porém a mais que existia foi mais uma briga com Steve, isso acontece mensalmente, mas foda-se, ele era só mais um capacho metido a importante, para mim não passava de mais um. Comigo era assim, poucas pessoas conseguiram minha confiança, consigo contar nos dedos, na verdade, em apenas uma mão. e . Nada, além disso, merecia meu respeito ou apenas a minha tolerância. Aprendi a ser assim com a minha criação. Como dizem as bocas abertas, a infância é a base de uma pessoa, sendo assim, eu sou o perfeito exemplo de uma pessoa no formato de uma Torre pendente de Pisa. Fui criada em um bordel. Não é um lugar bom para se educar uma menina, mas pelo menos era o melhor da cidade, nada aqui estava caindo aos pedaços ou algo do tipo, tudo limpo e em perfeitas condições já que era um dos lugares que mais lucravam da cidade, o que não quer dizer nada, pois ninguém foi disposto a querer me dar atenção além dos olhos de velhos mal cuidados caindo de bêbados prestes a morrerem e implorando por um sexo descente com viagra depois de 60 anos de existência, querendo aproveitar os últimos segundos restantes. Como um homem pode ter uma vida digna e recair literalmente seu nível em seus últimos dias, não é mesmo? Um homem de família sabe que está com uma doença terminal e não agüenta mais o sexo mamãe e papai de sua esposa com apetrechos caídos e desanimadores em qualquer sentido que você queira encarar, então ele corre para cá. Corre para cá. Para onde eu cresci. Foda-se. Quanto a eu ter sido criada aqui foi conseqüência do destino, óbvio. De um lado estava minha mãe que resolveu abandonar meu pai para acompanhar a vida de um corredor de moto de perto, uma verdadeira puta em busca de sexo animal se quer saber a minha opinião, e do outro lado, para minha vida ficar mais normal, estava meu pai que me vendeu a este miserável bordel porque queria se mudar desta cidade e formar uma família feliz, estilo comercial de Colgate, longe daqui. Até onde eu sei, sou canadense, agradeço por isso, pelo menos uma vez alguém lá em cima teve piedade de mim e não me deu a carga inteira de desgraça para carregar nas costas... Beamount não era um lugar ruim de se morar, porém seu jeito country de ser me irritava completamente, não sei se é a raiva que eu tinha daqui por ser o lugar no qual me enxotaram, ou por causa das lembranças que me traziam a tona sobre minha criação mal elaborada, deve ser por isso que tudo aqui me irritava e eu parecia nunca achar o que procurava. Na verdade, eu nem sabia o que procurava. Apertei meu cigarro contra o cinzeiro, estraçalhando seus últimos centímetros contra o vidro sujo de cinzas, virando um longo gole de vodka, álcool, salve a vida sexual de seu inventor, meu amor. Enfim, não sou uma puta como minha mãe e como devem imaginar por eu ter sido criada em um bordel. É claro que com a minha chegada aqui foi impossível não ter que fazer alguns serviços, ou era isso ou o filho da puta do cafetão do Chandler me batia e não me alimentava durante semanas. Eu cresci e consegui me defender melhor. Concentrei todas as minhas forças para pegar aquele idiota no flagra, tanto tentei que consegui... E muito bem. Porque a partir do dia em que tirei no mínimo umas trinta fotos daquele babão transando com duas meninas que deviam ter no máximo 13 anos, ele obviamente não me obrigou a me ridicularizar novamente, se não era cadeia na certa. Tudo bem que não acredito em justiça, me julgo crescidinha demais a crer que esse mundo é para os fortes e espertos, o resto é morto lentamente pelas mentiras e covardias humanas. Chandler, também conhecido como kingrock (O rei do bordel Rockings, se existir algo mais clichê do que isso, por favor, me mantenha informada!) agora me sustentava e muito bem sustentada, mais da metade de seus lucros vinham para mim e para minhas duas queridas amigas, únicas nessa terrinha que mereciam minha amizade e conhecimento, provavelmente as únicas que conheciam além da minha capa revoltada e realista. As únicas. e também foram criadas aqui, logo quando cheguei elas me ajudaram a me acostumar com o clima pesado deste lugar. Como eu, ambas odiavam a vida aqui e me ajudaram a destruir o nosso querido cafetão, fizemos uma vaquinha para comprar uma máquina, a máquina que tirou as gloriosas fotos de Chandler. Hoje virou uma promoter de sucesso no Texas e ganha dinheiro a partir de fotos, uma excelente fotógrafa por sinal. Eu? Eu me sustento com o dinheiro que recebemos de Chandler mesmo, não preciso de muito; já havia feito uma poupança para guardar o dinheiro que todas nós depositávamos mensalmente para conseguirmos sair deste lugar, tirando isso e minhas contas, não havia muito em se gastar... Depois de certo tempo de vida, nós vemos o quanto é realmente entediante passar o dia comprando roupas e móveis, meu único real prazer mesmo era beber e ficar com as minhas amigas. Em relação a e , igual a mim, nenhuma das duas obtinham boas lembranças do Texas, fora adotada por Chandler, pois era órfã e foi gravemente ferida por um tiroteio, o qual tirou a vida de seus pais, Chandler entrou em ação novamente porque não tem nada de idiota e adoraria lançar um novo modelo de bordel juvenil, logo, adotou também.

Apesar de todas essas desgraças que tínhamos em nossas vidas, eu me lembro perfeitamente do dia em que cheguei aqui e as duas vieram me acalmar, pois havia me trancado no porão e não parava de soluçar e chorar. Sorri ao lembrar de nós três juntas pequenas. Tínhamos apenas onze anos e nos defendíamos com garra, nos ajudávamos, dávamos um jeito de garantir a alimentação de todas quando nos recusávamos a fazer as vontades de Chandler e ele recusava nos dar comida... Infelizmente estas duas devem ser as minhas únicas lembranças boas quanto ao meu passado miserável. Mas tudo já melhorou, o pior já passou e nós estamos por cima desta vez.

Parei de refletir sobre meu passado e voltei à realidade, essa história toda me causava agonia, então socorri ao meu melhor amigo chamado álcool dando mais um belo gole, vi estrelas e sorri comigo mesma jogando a cabeça para trás. Eu estava no andar de cima do bordel, a música do andar de baixo estava servindo como uma metralhadora ao meu cérebro, homens berrando por uma bunda descente para se aproveitarem e batidas em madeiras misturadas com gemidos vindos dos quartos. Provavelmente a dançarina desta vez deveria ser boa, ou estavam servindo um absinto bem dos fortes. Em falar em álcool... O que eu havia ingerido agora pouco em grande quantidade parecia começar a fazer efeito sobre mim e me anestesiar prazerosamente. À tona me veio a briga com o idiota do Steve, junto aos gritos do andar de baixo e minha excitação noturna. Comecei a sorrir e me levantei do divã do corredor, pode me chamar de maluca, mas hoje eu precisava dançar.
Subi ao terceiro andar, meu camarim em perfeitas condições me esperava, fazia tempo que não o visitava. Tá bem, uma vez por semana, no máximo. Dançar era bom para mim, aumentava meu ego ver aqueles caras babando e implorando por nem que fosse uma rapidinha no banheiro, era uma sensação de superioridade misturada com um prazer genuíno. Mas nada do que eles queriam era dado a eles, pois como já disse: eu não sou uma puta. Querer dançar é bem diferente do que querer dar por dinheiro. Eu não ganho por dançar. Quer dizer, eu não ganho nada material, porque de paz de espírito eu recebo sim, e muito... Mas ao contrário do que muitos pensam, não é de meu gosto sair e me envolver com o primeiro cara descente que vejo pela rua. Na verdade, bem longe disso. Tá, eu já fiz isso e/ou faço isso, mas é raro, só se a pessoa realmente me interesse... Mas nunca me rebaixava como os desesperados do andar do palco, que batiam na mesa, berravam, babavam e jogavam dinheiro ao palco.

Tirei minhas roupas e peguei um par íntimo preto com rendinha, uma meia cinta liga perfeita, junto a um salto bem alto e para dar um toque final, um espartilho cor de vinho. Olhei-me no espelho já com minha bolsinha de maquiagem na mão. Muito lápis e efeito esfumaçado nos meus olhos, realçando os brilhos devido à ansiedade e nenhuma moderação em meu batom vinho e ainda com um pouquinho de gloss para chamar mais atenção ainda, se fosse possível. Guardei tudo em seu devido lugar e desci as escadas, andei pelo corredor onde havia quartos, dos quais soltavam gemidos ensurdecedores, continuei andando determinada e apenas ri ao olhar um cara se atracando com uma vadia, prestes a entrar em um quarto, mas, magicamente, parando para me olhar ao passar do seu lado. Soltei uma gargalhada alta e adentrei ao piso do bar; por onde eu vim, dei na parte de trás do palco, avistei várias dançarinas formando uma fila ao lado da entrada do palco, suponho que iriam fazer um showzinho grupal, ou um ménage desta vez. Grotesco. Parei no meio da sala procurando o velho do Chandler.

- Resolveu ser boazinha com o papai e ajudar nas despesas, filhinha? – Senti um hálito de ovo podre perto ao meu ouvido e mãos ásperas massagearem meus ombros. Se não fosse por aquela voz oi-mamãe-eu-fodo-para-não-desconfiarem-da-minha-bixisse eu poderia ter confundido com algum dos clientes já que eram todos do mesmo calão, mas não... Era exatamente quem eu estava procurando – Sabe, mesmo você me subornando, eu sou louco para te pegar por trás e dar o que você bem merece, cachorra.
- Se fosse homem mesmo, estaria longe de ser cafetão. Então não venha com esse papinho de mauzinho, porque isso não me excita e muito menos me atrai – Sorri com a escrotisse daquele homem e o empurrei para longe de mim – Agora, escuta aqui, seu idiota, trate de tirar as suas putas do palco, agora!
- Você vai dividir comigo o dinheiro, dessa vez, filhinha? – Ele sorriu para mim revelando seus dentes amarelados, e sem contar os espaços que haviam lá devido à ausência de dentes. Eca. Resolvi parar de olhar se não aquilo me faria vomitar ali mesmo. Mas não contive uma gargalhada alta.
- Realmente, seu velho, ainda não ficou claro que de mim você não tira dinheiro? Apenas dá. Procure na bunda de suas putas, lá deve ter alguma sobrinha para você que se contenta com merda. Agora se me der licença, eu tenho mais o que fazer – Sorri satisfeita com as minhas respostas e o empurrei para o lado quando passei.
Parei em frente à entrada do palco, não havia dado tempo de expulsar aquelas dançarinas antes delas entrarem, então tive que esperar elas tirarem suas roupas e ficarem se esfregando e se beijando para poder entrar em paz no palco. Onde eu poderia me libertar.
Escuro. Antes de entrar havia pedido ao Lucky, quem coordenava as luzes, para fazer do jeito que eu gostava para dançar. Sorri ao adentrar no palco sem ninguém me ver e agarrar o poste que havia bem em seu centro. O palco era largo, mas no meio se estendia uma espécie de corredor que servia para que pudéssemos interagir com a platéia enquanto dançávamos. As luzes foram dando sinais de vida aos poucos e o meu sorriso aumentou, especialmente ao ver minha imagem sendo iluminada, levando vários dos bêbados da platéia aos berros. Modesta parte? Eu era muito bem conhecida pela cidade devido aos meus talentos extras, como dançar, ou como ter uma bunda grande acompanhada por seios em perfeitas condições e adorar expô-los por meio a decotes e vestes apertadas. A música alta já havia adentrado ao palco. Era hora do show.
Agarrei a barra a minha frente e comecei a subir e a descer lentamente, aproveitando para esticar minha perna direita para o lado toda vez que abaixava, expondo toda a lateral de minha perna, sorrindo com os assovios, abri os olhos e fiquei ao lado do poste, encaixei lá uma de minhas pernas e apoiei minhas mãos sobre o mesmo, comecei a rebolar diante do poste em um ritmo frenético, ainda com uma de minhas pernas lá, a ergui, fazendo com que o homem sentado a frente de mim, se jogasse para o palco gritando pelo meu nome, eu apenas sorri e parei minha performance diante dos dois postes, cada mão minha agarrou um poste, encostei a lateral de meus pés sobre os devidos postes e me alonguei jogando minha cabeça para trás e fazendo movimento circular com ela, expondo toda parte de meu tronco coberto por meu sinuoso espartilho vinho, sem deixar o rebolado e meu sorriso de satisfação pelos berros sumir, segui um pouco a frente rebolando em busca de um alvo fácil. Ao olhar em volta, nem ligando para os homens desesperados gritando por mim, avistei dois globos me observando com um sorriso de canto, logo em frente ao palco, uma postura jogada descuidadosamente sobre uma cadeira, acompanhado por mais dois jovens, um deles identifiquei como fazendo parte da polícia, O’Connell se não me engano, o outro... Um nerd que usava óculos de garrafa (Estou tentando ser o máximo que posso em delicadeza, pois aquilo era... bom, oremos). Passei a encarar o homem misterioso com o melhor sorriso de segundas intenções que poderia fazer, levando alguns dos desesperados a ejacularem ali mesmo, fui em direção ao Senhor X enquanto brincava e alargava o elástico de minha calcinha, seu sorriso pareceu aumentar ao me ver se aproximar. Quando a minha distância de mais ou menos um metro do palco ao homem estava perfeita, me agachei no chão com um dedo na boca e ele se aproximou do palco um pouco mais sério. Sorri e comecei meu show particular. Fiquei de costas para o público, deixando sem querer o Senhor X encarar o meu traseiro coberto apenas por uma calcinha aprendiz de fio dental, olhei para trás e o vi encostar na cadeira para poder aproveitar seu melhor ângulo de visão e deixei a música me levar, sem moderar em movimentos extremamente provocantes e soltando alguns gemidos para conseguir excitar mais ainda os homens que gritavam pelo meu nome, dizendo o que fariam comigo se estivessem às luzes escuras e sozinhos, outros jogavam dinheiros sobre mim, desperdício, ficaria tudo ali, já os mais apelativos, acariciavam seus próprios trompetes sexuais em busca da calma e do prazer. Tudo ali me agradava, ver a humilhação masculina, a devoção a mim e o desespero por nem que seja dois minutos a sós comigo. Isso tudo só me fez dançar mais e mais e de modo bem mais caprichado. Descendo até o chão enquanto passava as mãos em partes de meu corpo, as quais os homens dali dariam a vida para passar, quando me ergui, joguei meus braços para cima, me esticando e deixando toda a extensão de meu decote à mostra, me ajoelhei sobre o palco, sem tirar os olhos do Senhor X e comecei a desfazer os nós que tinham em minhas costas do espartilho, a partir daí, os gritos faziam eco no salão, quando todos os nós já haviam sumido, peguei cada lateral do espartilho, rodando a parte aberta para ficar a minha frente, mordi meu próprio lábio inferior ao encarar a excitação do homem a minha frente, rodei meu espartilho para frente ainda sem o abrir... Levantei-me e pressionei o espartilho contra mim mesma, voltando a dançar com a música, segundos depois o abri, está foi a gota d’água para cada homem de cada mesa se tacarem para cima do palco e os seguranças terem que entrar em ação. Eu apenas gargalhei alto, jogando meu espartilho para o lado, deve ter caído nas mãos de algum desesperado, pois ouvi um grito de prazer chocar meus ouvidos, nada preocupante, pois estava com os olhos vidrados nos do Senhor X que mordia o lábio inferior, como a mim, junto a uma expressão de prazer desde a hora que entrei naquele palco, voltei a rebolar, dessa vez um pouco mais discreta e comecei a rodar o barbante que havia tirado do espartilho em meus dedos, sorri e fiquei em pé sobre a ponta do palco, apoiei e pressionei um de meus saltos com força nos ombros do dono dos olhos tão bonitos e chamativos, que não conteve um gemido ao se chocar contra as costas da cadeira devido a minha força investida sobre ele, sorri com isso e sentei sobre o palco com as pernas levemente abertas, desta vez meus dois saltos se apoiaram em seus ombros, rodei os barbantes sobre meus dedos e como se fosse uma cordinha, o joguei em volta do pescoço do homem, vagarosamente fui o puxando para frente, deixando-o a centímetros de meu colo, ele não agüentou e passou uma de suas mãos sobre minha coxa, a apertando e arranhando com suas unhas curtas, nada comparadas com as minhas, tão longas e avermelhadas. Abri os olhos e agarrei a mão dele, dei um pulo para ficar sobre o mesmo piso que ele e me virei de costas, ficando com cada perna de cada lado seu, agora o encarava e não pude conter o riso ao ver rapidamente o desconhecido-nerd ao seu lado tremendo de prazer, sentei em seu colo e o ouvi gemer algo que não pude entender, levei a mão dele à minha cintura fazendo com que ele a abraçasse, ele dedilhou o caminho de meu peito e eu ergui minha cabeça para trás, encaixando-a em seu ombro, já sentindo sua excitação roçar em minha bunda, comecei a gemer na ponta de seu ouvido e dar fortes mordidinhas sobre a região, ele jogou sua outra mão em minha barriga, juntando nossos corpos e a outra não havia parado de se preocupar em me dar prazer ao redor de meu peito, sorri já o sentindo extrapolar os limites e me levantei para ficar sentada de frente e poder ter um papinho inocente com ele. Ele não entendeu ao me ver levantar, mas pareceu ficar alegrinho ao me ver sentando sobre ele de novo. Sentando bem em cima de sua ereção e a pressionado contra minha calcinha e falta de roupa. A felicidade dele parecia ter ido embora exatamente naquele momento, pois sua expressão agora foi de dor, sorri com isso e mordi seu queixo, coloquei meus braços ao redor de seus ombros, assumi um tom de voz calmo e inocente ao falar:

- Oi – Sorri para ele que agora estava com uma expressão neutra, devia estar tentando amenizar o prazer incontrolável. Eu adorava o efeito que causava sobre os homens, mas ele ficou em silêncio uns dois minutos, me causando certo medo e estranheza – O gato comeu sua língua? – Pressionei o meu corpo ao dele, sorrindo ao vê-lo fechar os olhos mais uma vez.
- – Ele falou agora abrindo os olhos e assumindo uma expressão séria e de prazer ao mesmo tempo. Passou a mão pelo meu corpo e resolveu estacioná-las sobre minhas costas, covarde.
- Já ocupava seus sonhos antes, querido? – Sorri indiferente e tentando descobrir como ele sabia meu nome. A cidade inteira me conhecia, desde criancinhas perguntando para as mamães sobre onde eu comprava minhas roupas apertadas até aos velhos miseráveis que rondavam este recinto, logo, era uma missão difícil saber de onde ele me conhecia, mas nada que fosse tão importante.
- Os meus não, o do governo sim – Ele deu um sorriso esperto e eu ergui a sobrancelha sem entender mais nada – Duas vezes presa por dirigir alcoolizada, cinco vezes pega por porte de drogas e vinte e sete vezes envolvida em brigas de bar. Sim, posso dizer que te conheço. – Ele ressaltou a última parte e balançou a cabeça com desaprovação. Sorri prazerosamente ao me lembrar de todas estas aventuras, nada tão velho, pois a última vez que fui pega foi semana passada quando dei um soco em um cara abusado num bar aqui perto. Deve se perguntar como consegui escapar de todas essas criminalidades, mas lembra que disse que tem gente que implora por cinco minutos dentro de um quarto comigo? É exatamente isso que eles ganham em troca de minha liberdade. Cinco minutos.
- Uhh, um detetive? – Sorri enquanto pegava em seu bolso frontal da blusa um maço e um isqueiro, peguei um cigarro e acendi, quando devolvi o maço ao seu bolso, joguei um pouco da fumaça que saía de minha boca em sua cara ao encarar sorrindo o distintivo policial majoritário servindo de broche a sua camiseta – Xerife – Ergui minhas mãos para cima rapidamente enquanto sorria para ele - Me prenda.
- Um dia – Ele disse pegando o cigarro de mim e tragando. Dei uma gargalhada alta e tirei seu distintivo da camiseta, o olhando de perto – Sem dúvidas você é um problema para Beamount.
- O problema pela causa de problemas você quer dizer, como deu uma de sabe tudo, deve saber muito bem que todos aqui caem aos meus pés, então é muito fácil sair dos problemas quando eu quero – Sorri deixando todos meus dentes a mostra, me levantei ainda com cada perna em sua lateral e lancei um sorriso orgulhoso para seu quadril – Eu nem tinha começado para você ficar armado xerife... Agora vou ter que ir. Quem sabe um dia eu não apareça na sua prisão, para sua felicidade.
- Eu não tenho dúvidas de que isso vai acontecer – Ele tragou o cigarro sério enquanto debruçava sobre a mesa e eu me afastei aos poucos – Foi exatamente por isso que vim aqui, conhecer o meu próximo alvo.
- Só se você tiver algemas – Foi a última coisa que falei antes de me virar completamente sorridente e seguir em direção ao meu camarim ignorando todos os olhos babões sobre mim.

Enquanto me dirigia ao camarim para vestir uma roupa com um pouquinho mais de pano, cobrindo minhas curvas, eu sorri lembrando-me do novo xerife, ele era bonitinho, mas não facilito para policiais, então é melhor não me meter com ele. Ou me meter... Se quiser de forma mais clara: Deixar ele se meter comigo. Pelo menos para pararem de me encher o saco quando saio por aí com maconha ou esmurrando qualquer filho da puta. Poderia me render um bom negócio isso...

- Vira, vira, vira, vira, vira! – Já com a visão turva e virando o meu quinto copo de rum, ouvia todos ao redor de minha mesa berrando e gargalhando. , , Mike e alguns homens de penetra. Deixei todo o líquido invadir minha garganta e soltei um berro quando bati o copo fortemente contra a madeira da mesa erguendo os braços.
- Ninguém segura essa menina com um álcool do lado, meu bem! – gritou sorridente e eu soltei uma gargalhada depois a agarrando de lado. Ouvi os homens uivarem feito cachorrinhos no cio e olhei para Mike que estava conversando com , sua namorada e uma de minhas melhores amigas. Na verdade, só tenho duas.
- Acho que preciso ir para casa, , você vai comigo? – Arrastei minha voz em meio a minha sonolência misturada com o efeito do álcool agindo sobre mim.
- Não, existem coisas muito mais interessantes para se fazer aqui – Ela apontou para os dois caras que estavam ao seu lado e sorriu safada para mim, que retribuí com um biquinho triste devido a minha falta de ânimo, especialmente para este tipo de assunto. Nem ia ousar perguntar a se ela iria para casa comigo porque se fosse, não ia ser exatamente de mim que ela estaria acompanhada, sabe, Mike existe.
- Tudo bem então, eu vou lá, preciso que meu travesseiro me dê uma boa lição, fui muito má hoje – Sorri para ela que balançou a cabeça negativamente sorrindo junto a mim – Beijo, beijo, beijo! – Dei um beijo em , e Mike antes de sair e acenei para o resto que mal sabia quem eram.

O meu apartamento era a menos de dois quarteirões dali, mas tive que ir andando junto à parede das casas e lojas da calçada, se não eu caía sentada no chão e acabava dormindo no meio da rua. Misturar álcool quando já se está com sono é uma péssima idéia, mas quem disse que eu ligo? Vale a pena o esforço. Continuei andando e levei um pulo ao sentir meu antebraço ser agarrado por uma mão que devia ser o dobro da minha devido à força que apertou, olhei para trás reconhecendo o cara como sendo um dos que estavam sentados na rodinha do bar, junto a mim, e Mike e sei lá mais quem, já foi esforço demais eu o reconhecer. Fingi um sorriso e balancei meu braço discretamente, que estava sendo apertado com certa força e que estava me incomodando.
- Se eu te acompanhar, você me dá uma hora extra na sua cama, gatinha? – Ele me prensou contra a parede e falava enquanto pressionava sua boca fortemente contra o meu pescoço, eu apenas tentei juntar os fatos e, em um pique de consciência, o empurrei para trás com toda a força que tinha. Ele cambaleou para todas direções devido ao efeito do álcool que provavelmente havia bebido no bar.
- Quem você pensa que é para falar assim comigo, palhaço? – Olhei-o enfurecida enquanto passava a mão sobre a parte que ele havia pressionado em meu antebraço, estava doendo – Não chega mais perto de mim se não eu grito! – Encolhi-me e me afastei rapidamente, já sentindo um frio na barriga, com a esperança dessa desculpa funcionar, pois se a rua não estava deserta, era porque estava infestada de bichos noturnos e pelo som que vinha de dentro dos bares e restaurante de perto.
- Como se alguém que fizesse aquele tipo de showzinho no Rockings não quisesse um bom homem para calar a sua boquinha boqueteira durante a noite, não é mesmo, vadia? – Ele sorriu de forma doentia e jogou a cabeça para trás, agarrou meus dois braços e me puxou grosseiramente até nossos corpos se chocarem, invadiu minha boca com seu hálito fedendo a cerveja barata e eu mal conseguia o estapear para tentar pará-lo. Os minutos foram passando e ele não parava de me beijar daquela forma extremamente repulsiva, estava machucando, minha boca inteira estava latejando, sentia já o gosto de sangue invadindo meu paladar e deixei uma lágrima escorrer sobre meu rosto, pelo jeito, ele gostou de me ver sofrer, pois abriu minhas pernas rapidamente, afastando as abas de minha saia, quando me dei conta, vi-o abrir o zíper de sua calça e, um segundo depois, havia pressionado seu membro contra mim, não desistia de me chacoalhar em busca dele me soltar, sem nenhum sucesso, quando estava prestes a desistir de me soltar, lembrei do ponto fraco de qualquer homem. Chutei e pressionei com meu bico fino sua área mais sensível, localizada ao meio de suas pernas como devem imaginar, que pela graça do bom deus, estava exposta. Literalmente exposta. Ele me jogou no chão e soltou um urro de dor – Vadia, filha da puta! – Ele gritou enquanto tentava andar até mim que estava me afastando rápido. Vi-o, a meio de gemidos, levantar um pouco mais a calça e logo depois ficar um pouco curvado.
- É isso que você ganha se você se meter comigo de novo, entendeu bem, seu broxa? – Gritei já a uns 2 metros de distância e ele se levantou calmamente e me olhou com um sorriso, para a minha surpresa ele disparou em minha direção e com o meu desespero, o máximo que pude fazer foi entrar no restaurante no qual estava do lado. Fechei a porta batendo e atraindo a atenção de olhos curiosos de famílias que jantavam calmamente na pizzaria, ele entrou logo atrás de mim e me agarrou por trás, me agarrei à lateral da parede de entrada berrando e vi vários garçons se dirigirem até mim, o doente agarrou minhas pernas e me levantou, batendo minhas costas com força na parede, olhei para os lados e peguei uma garrafa de vinho que havia sobre o balcão de entrada junto a várias outras e não hesitei em batê-la com força na cabeça do cara, que desmaiou ali mesmo me deixando cair sobre ele.
- Pelo amor de deus, o que foi isso que acabou de acontecer em meu restaurante, mocinha? – Virei-me no chão e cobri minhas pernas que haviam sido expostas devido a minha saia esvoaçante, olhei para cima e vi uma mulher de terninho vermelho me olhando com as mãos na cintura, acompanhada por diversos garçons, ainda sem ar, olhei para o corpo caído ao meu lado e me afastei rapidamente, com medo de que ele acordasse e voltasse a me agarrar – Eu vou chamar a polícia imediatamente!
- Não, não, não! Por favor, senhora, este homem estava tentando se aproveitar de mim e minha única escolha foi entrar aqui em busca de ajuda, eu juro que vou sumir daqui, não precisa meter a polícia no meio! – Exclamei com a minha voz mais angelical e a mulher me olhou com um sorriso cínico.
- Roger! Me de o telefone imediatamente – Ela praticamente gritou para um dos que deviam ser um dos garçons de lá, pois o homem a seu lado levou um pulo de susto e depois disparou para algum lugar. Já prevendo o que ia acontecer nos próximos minutos, encostei minha cabeça no chão, sem nem me importar em levantar, já sabia de cor como funcionava a polícia nestes casos de brigas de... casais/bar? São vinte e sete vezes, contando com essa, vinte e oito vezes que estive envolvida com tal. Não me importando muito, pois este tipo de queixa nunca dava em nada, apenas em boas horas de cansaço me explicando para a polícia até que o sol se posse, o que rendia ainda mais horas na prisão, e se não fosse eu, bons dias de cadeia seria transportar drogas, já fui pega cinco vezes, mas a polícia hoje em dia é tão fácil de ser chantageada que me deprime saber que são eles quem cuidam da nossa querida, porém podre cidade. Depois de alguns minutos, ouvindo os absurdos que a dona do restaurante falava ao telefone, ouvi as sirenes da polícia se aproximarem da rua do restaurante, me levantei despreocupadamente, já que aquela velha louca havia me dedado e me apoiei na parede.
- Aqui, a menina e o menino estão aqui, ele deve estar em algum tipo de coma, mas ela está consciente e espero que seja prejudicada pelo susto que proporcionou a mim e aos queridos clientes de meu restaurante, por favor, entrem! – A maluca deu passagem para que os guardas entrassem e dessem de cara com o homem, que nem sei o nome, caído no chão com uma mancha de sangue escorrendo da lateral de seu rosto.
- O que ocorreu aqui? – O policial exclamou assustado, olhando para mim e para o corpo no chão junto a diversos cacos de vidro. Ah, já lembrei de onde conhecia um dos acompanhantes do Senhor X, este era O’Connell, sempre ele quem vinha me buscar quando eu era intimada por algum motivo (vários motivos) a ir na polícia depor.
- Eu posso explicar, eu estava saindo de um bar aqui perto e...
- Leve está maluca daqui, nunca mais quero ver de novo está mocinha na minha frente! – A dona do restaurante começou a abrir o berreiro e eu a olhei assustada.
- Da para calar esta boca que eu estou dando um depoimento, sua descontrolada? – Exclamei séria para a mulher que me olhou indignada, eu apenas soltei um sorriso debochado em troca e me dirigi novamente ao policial que parecia estar confuso – Como estava dizendo, antes que uma doente me interrompesse, era que eu estava saindo de um bar aqui perto para voltar para casa, que deve estar a um quarteirão daqui, nem sei mais onde estou, foi tudo confuso. Eu sei que este cara estava sentado em minha mesa por convite de alguma amiga minha e quando me dei conta, ele estava me agarrando quando tentava voltar para casa.
- Uma mulher de tal escalão feito o seu não deve mesmo nem notar mais quando é violada – A mulher fez menção a minha saia curta e eu apenas gargalhei em troca.
- Isto é inveja, querida?
- Tudo bem, tudo bem. Parem de brigar! – Logo depois O’Connell se dirigiu a mim e praticamente soletrou as seguintes palavras... – Vou ter que te levar para a delegacia, temos contas para resolver e você deverá se explicar para autoridades maiores, não a mim. Faça o favor e me acompanhe, senhorita.
- O que você quiser – Bufei saindo do restaurante e não hesitei meu riso ao mandar um belo dedo do meio para a dona do restaurante que me olhava furiosa. Percebi o policial revirar os olhos e me puxar para dentro de um carro policial.
- O que eu faço com este corpo diante a entrada de meu luxuoso restaurante, sargento? – Ela exclamou para o policial que não se apressou a olhá-la sem expressão, apenas respondeu de forma despreocupada.
- Já deve chegar alguma ambulância para pegá-lo, fique atenta às sirenes – Soltei um risinho ao ouvir a indignação da mulher e entrei no carro policial quando o homem abriu a porta para mim e fez menção para que eu entrasse. Depois de apenas alguns segundos, ele já estava sentado à frente girando o volante e se dirigindo à delegacia – Por que você sempre está envolvida em brigas? Não me recordo seu nome, mas já devo ter te levado para a delegacia, no mínimo, umas quinze vezes... Eu sorri e ele me olhou com estranheza.
- Destino, provavelmente. Doce destino.

Estava aguardando já devia fazer pelo menos umas duas horas na sala da delegacia, esperando para que me chamassem, mas antes, devo ter ficado no mínimo uma hora explicando o que havia me acontecido naquela noite, separadamente, para umas dez pessoas diferentes. Olhei para os ponteiros do relógio ao meu alto e marcava cinco e trinta e quatro da madrugada, pressionei minhas pálpebras soltando um gemido cansado e apoiei minha cabeça no encosto da cadeira desconfortável, em busca de algum cochilo, mas tinha que ficar segurando um pano com gelo sobre minha boca machucada, então era inútil tentar descansar naquele lugar já que estava carregada de certeza de que não iria descansar nem um minuto se quer, enquanto estivesse na delegacia. Soltei outro gemido ao lembrar-me de minha cama fofa e quentinha em minha casa desocupada, essas merdas sempre acontecem somente e exclusivamente comigo, parece até mesmo ser uma lei que consta que minha vida desde o nascimento ao leito de morte deverá ser um inferno.
- Senhorita ? – Um homem com um chapéu engraçado, estilo cowboy me chamou enquanto lia um papel. Eu ria, porém era típico do Texas você trombar com um aspirante a cowboy de tempos antigos todo dia na rua... Ele devia pertencer à segurança máxima pelo uniforme... Assenti com a cabeça enquanto saía de minha transe e ele fez menção para que eu o seguisse – Segue aquele corredor, primeira porta à direita – Apontou para o final do corredor ainda lendo o papel de sua mão.
- Obrigada – Andei para onde ele havia apontado e limpei um pouco meu rosto, por tudo que havia passado naquela noite/madrugada, meu rosto devia estar parecido com o de um drag queen que acabou de sair da parada gay, e para ajudar, minha boca estava inchada e coberta por gelo, bufei e bati na porta que era a que eu havia sido orientada a bater.
- Pode entrar – Ouvi uma voz masculina do outro lado da porta ser pronunciada calmamente. Bufei e girei a maçaneta, quando fechei a porta dei de cara com uma figura conhecida, apoiada sobre sua grande escrivaninha enquanto dava instruções a um homem sentado diante a um computador logo ao seu lado, lá estava ele, o mais novo e mais gostoso Xerife de Beamount – Sabe o que eu mais gosto desta cidade? – Ele soltou um risinho descontraído e voltou a falar com o humor aparente na voz - Vim aqui para me livrar dos lunáticos que matam sem razões em São Francisco para vir para cá e cuidar de menininhas indefesas – Ele ressaltou a parte do ‘menininhas indefesas’ e deu uma risada, respirou fundo com as mãos cruzadas em frente ao peitoral forte e me olhou com um sorriso desconhecido.
- Fala sério, cadê o Mark Goyas? – Perguntei emburrada pelo antigo xerife que atendeu todas as minhas milhares de idas ao quartel general da polícia, pois não estava nada disposta em resolver este tipo de assunto com o cara no qual eu tinha um certo interesse a respeito.
- Ele se aposentou, e obrigado, eu também fiquei lisonjeado pela boa educação, – Sua voz ficou mais agitada e seu sorriso só aumentou, eu o olhei perplexa e coloquei as mãos na cintura, tirado o gelo que pressionava meus lábios – Como deve saber, eu sou o novo Xerife de Beamount. Fui transferido para cá e meu nome é . Ao seu dispor – Ele semicerrou os olhos dando um sorriso irônico e ao mesmo tempo mal humorado.
- Que bom, é válido que você tenha uma boa impressão sobre mim, eu atraio confusões, então acho que você ainda me verá bastante, agora se não se importa, eu posso ir embora? Estou exausta – Sorri com meus próprios pensamentos, Mark, o antigo xerife era um senhor com cabelos grisalhos e com uma bela barriga de shop, já o novo xerife... Corpo pecaminosamente definido, uma expressão forte que possuía olhos tão quanto encantadores. Suspirei e nem me dei conta de que ele devia ter falado alguma coisa, pois me olhava com cara de dúvida.
- Terra chamando – Ele estalou os dedos fazendo com que eu acordasse e o encarasse rapidamente com uma cara de dúvida, ele bufou e voltou a falar o que devia ter acabado de falar – Você não vai embora até me explicar direitinho o que aconteceu nesta madrugada, .
- Não está claro demais, não? Olhe minha boca e pense um pouco Xerife – Ironizei e ele me olhou com as sobrancelhas arqueadas em sinal de irritação, bufei e voltei a falar a mesma história que já havia repetido no mínimo mil vezes naquela madrugada – Eu estava em um bar com as minhas amigas. Quando resolvi ir embora, aquele canalha que eu nem sei o nome me seguiu e começou a me agarrar no meio da rua, tentei me soltar, mas não deu, quando ele havia parado de correr atrás de mim eu entrei no restaurante em busca de ajuda – Sim, preferi pular a parte de ter chutado ele, já era demais eu ter quebrado uma garrafa de vidro em sua cabeça, acrescentar aquele detalhe só pioraria a minha situação... Depois de alguns minutos, percebi que o homem a qual o havia dado instruções, logo quando eu havia entrado na sala, estava digitando tudo o que eu estava dizendo, fingi ignorar esta parte e voltei a falar com a testa franzida em sinal de cansaço – Só que ele resolveu entrar no restaurante também, então eu quebrei uma garrafa de bebida na cabeça dele que estava sobre um móvel ao lado da porta junto a muitas outras, para que parasse de me agarrar - Respirei fundo ao repetir, espero que pela última vez, aquela história e voltei a por o gelo em minha boca.
- E em que parte entra esta sua boca inchada e machucada? – Ele me perguntou com uma expressão neutra enquanto passava seu dedo receosamente sobre o maxilar forte.
- Na parte que ele me agarrou a força e quase me assediou no meio da rua – Olhei-o com uma expressão de tédio devido a sua lerdeza – Posso ir agora, Xerife?
- Não tão rápido, , preciso que assine um documento provando tudo que você falou e, para sua felicidade, estará livre depois – Ele se virou e começou a cochichar alguma coisa com o homem que tinha digitado tudo o que eu havia falado, depois de uns cinco minutos me trouxe um papel com as minhas palavras tecladas e no final tinha duas linhas horizontais que provavelmente eram para que eu e o Xerife assinássemos, ele me deu a caneta e apontou a última linha, escrevi meu nome de qualquer jeito, só mentalizando a minha cama quentinha que estava me aguardando a poucos quilômetros de distância, a meio de minha imaginação fértil, o Xerife já havia pegado de minha mão o papel e assinado - Você quer uma carona até a sua casa? – Ele me acompanhou enquanto colocava seu casaco e pegava as chaves sobre sua mesa, assenti e ele me puxou para fora da sala.
Andamos para fora da delegacia e demoramos um pouco até encontrar um Beat vinho, quando ele destrancou o carro, me acomodei no banco espaçoso na maior vontade de dormir.
- Cinto – Ele me olhou sorrindo e eu bufei em troca. Eu nunca vou querer se quer ter um amigo policial, viver a base de regras e mais regras é a coisa mais chata e entediante possível. Ele pôs óculos escuros, pois os raios de sol já estavam nascendo a nossa frente e me olhou com um sorriso esperto – Você achou mesmo que eu ia te deixar fazer o que quisesse só porque é bonitinha?
- Bonitinha – Repeti de forma sarcástica e rindo ao mesmo tempo.
- Te deixo no Rockings? – Indagou já virando o volante para sair do estacionamento policial.
- Não, credo! – Dei um pulo com a idéia de voltar para aquele bar ainda hoje, já foi demais ontem – Eu moro aqui perto, na verdade, é em um dos próximos quarteirões, eu te indico na hora de virar, chama edifício... – Ele me olhou com estranheza e voltou a olhar para as ruas à frente.
- Eu sei onde fica, O’Connell mora lá, eu fiquei hospedado durante uns dias por lá antes de assumir o papel majoritário da polícia. Nunca te encontrei enquanto andava pelos corredores de lá.
- Quem disse que eu ligo? – Sorri querendo dar um fim na conversa e poder ficar quietinha para descansar e, pelo o que pude ver pela lateral de seu rosto, ele revirou os olhos.
- Menina mal educada, por isso que não pára de ir para a polícia levar castigo – Ele debochou e dessa vez foi minha vez de revirar os olhos.
- Uh... Mas é claro, porque nunca tinha pensado antes em deixar você me punir pela minha falta de educação, xerife? – Joguei as mãos para cima como que se eu tivesse arranjado uma solução genuína, ele me olhou e partiu o silêncio.
- Quem sabe um dia – Murmurou.
- Vai sonhando, xerife, eu não gosto muito de me envolver com tiras, sabe, tudo muito dentro da lei, não sobra quase nada para que agente possa se divertir legalmente.
- Isso é a sua opinião, e... Bom... Totalmente errada – Ele sorriu sem tirar os olhos da rua e eu olhei para ele com certo tédio, ele pareceu notar, pois seu sorriso pareceu se alargar. Já a certa distância, avistei meu prédio e sorri com isso, awn, awn, awn... caminha, o melhor prazer que uma pessoa poderia ter na vida é uma cama, pelo menos é onde acontece as duas melhores coisas da vida, uma delas não precisa ser exatamente na cama, mas posso incluir como sendo. Raciocinar direito enquanto estou com sono e com indícios de álcool no sangue não é o meu forte.
- Bom, obrigada pela carona – Aproveitei para tirar o cinto quando ele estava a poucos metros da entrada de meu prédio e o agradeci, quando parou o carro, ele tirou os óculos e assentiu. Fechei a porta cuidadosamente e ajeitei minha roupa toda amarrotada, já indo em direção ao prédio, quando passei pela portaria, acenei para o porteiro que mal lembrava na hora quem era e corri em direção ao elevador mais próximo.

Naquele dia, quer dizer... Naquela noite, pois só acordei próximo às oito horas da noite, tive que ir tomar conta de algumas papeladas de . Pois é, eu e a estávamos organizando uma festa surpresa-fantasia para que iria completar 23 anos dali dois dias! E é para casa de que estava indo agora, precisávamos resolver algumas coisas ainda, o que não ia levar muito tempo, pois nós três éramos vizinhas... Sim, a partir do dia em que Chandler começou a direcionar a mim a maioria do dinheiro que o Rockings lhe rendia, posso dizer que fui ficando um pouco mais rica a cada dia, então pouco me hesitei em ocupar os três apartamentos por andar que havia em meu prédio para comprar uma casa descente a mim, e . Bati três vezes na porta do apartamento ao lado do meu e aguardei do lado de fora alguns minutos até aparecer saltitante a minha frente e me cumprimentar.
- Oi! – A abracei e dei um sorriso de orelha a orelha. Rever ela e a sempre me causava uma alegria súbita, incrível.
- Aí, me diz, tudo certo com as papeladas do aniversário da ? – Ela bateu palminhas enquanto nos acomodávamos em um chão cheio de almofadas. A mobília da casa dela era muito contemporânea, tudo diferente e ao mesmo tempo bonito e confortável, quando eu me mudar com elas para fora de Beamount, e morarmos juntas, feito três velhas gordas, é ela quem vai mobiliar a nossa casa.
- As papeladas que você diz é o aluguel do salão e o aluguel dos go go boys que vão sair do bolo com tanguinha e agarrando ela, né? – Eu corrigi sua frase e ela sorriu parecendo ter visto um doce.
- Você não acha esta idéia muito clichê? Eu adorei, mas a festa vai estar inundada de gente – Eu neguei com a cabeça enquanto pegava os papéis de contrato dos go go boys para mostrar a ela – Bom, então eu vou adorar! Quero ver a cara dos homens que estarão na festa, vai ser impecável!
- Sem dúvidas...
- Como sou desnaturada, tinha me esquecido completamente, o que aconteceu com você? Eu sei só até a parte da delegacia, depois aconteceu alguma coisa de mais? – Ergui minha cabeça para que pudesse olhá-la e estiquei a ela o documento, me lembrando só agora de tudo que havia acontecido na noite anterior.
- Nada de mais, a mesma coisa de sempre, contei a história para a polícia e pelo estado da minha boca eles não puderam me prejudicar, porque estava na cara que aquele cara queria me estuprar – Fiz um bico para ela que me olhou com certa... pena?
- Que horror, ! Aquele Benny Ryan é um filho da puta! Já falei com Mike e ele ficou de boca aberta com tudo isso, disse que jurava de pés juntos que esse cara não era de más intenções...
- Eu quem diga – Revirei os olhos ao lembrar daquele infeliz – Então é esse o nome dele? Benny Ryan? – Ela assentiu tristemente – O que mais você sabe sobre ele?
- Bom, até onde o Mike me contou... Ele veio de Los Angeles para cá, não se sabe exatamente o porquê, mas ele era amigo do Mike quando eram pequenos e aproveitou que Mike morava aqui para ficar na casa dele de férias, ele chegou à cidade ontem. Mal chegou e já fez merda, tomara que ele volte de onde veio e não nos cause mais problemas...
- Já está tudo bem, o Xerife deve ter cuidado de tudo – Me veio uma pontada de estranheza dessa vez por ter mudado o xerife e eu estar me referindo ao cara no qual fiquei rebolando horas antes de me atender machucada na delegacia – Duvido que ele dure muito tempo no Texas, muito filhinho de papai ele parece ser, aqui precisa ser esperto para agüentar... Enfim... Quem liga, não é mesmo? O idiota já deve ter ganhado uma bela multa e se não duvidar, foi até mesmo preso.
- É possivel... e tomara, não é mesmo? Cara sem noção. Me deixe ver sua boca – Ela se aproximou de mim e ergueu um pouco meu queixo para que ficasse mais à exposição da luz – Bom, não está inchado, mas já deve sumir o vermelho... Tente passar manteiga de cacau porque este ar seco só vai piorar o ferimento – Ela voltou a se sentar a minha frente e fez um bico fofo.
- Vamos voltar a falar do aniversario da para animar, já me acostumei com estes folgados querendo se aproveitar de mim, não quero que vire assunto – Olhei descontraída para os lados em busca de alguma coisa para resolver sobre o aniversário, quase inútil, pois havíamos já cuidado de tudo menos de um pequeno, porém importante detalhe – E os convites? Quem vamos convidar?
- Nossa, como a gente é idiota, fizemos tudo menos convidar as pessoas. Uma festa sem convidados com certeza iria ser lindo – Ela bateu na própria cabeça em forma de decepção e eu soltei uma breve risada – Mas então... acho que é só mandar fazer uns convites simples e convidar... Todo mundo? – Ela voltou a bater palminhas animada e sorri em troca
- Combinado, Beamount inteiro estará na festa então! Você sabe de alguém que fabrica esses convites?
- Deixa comigo, esta eu resolvo.


Capítulo 2
[n/a: Sugestão de música: Map Of The Problematique - Muse]

- Tchau, , se cuida! – me deu o milésimo beijo de despedida.
- Chega, , eu não vou me meter em encrenca! – Falei brava, mas deixei uma risadinha irônica sair no final da frase fazendo com que ela lançasse um olhar with lasers e fechasse a porta.
Dei uns quatro passos até ficar de cara com a porta de minha casa e comecei a vasculhar minha bolsa em busca da chave, tomei um tremendo susto quando vi uma luz no fundo da minha bolsa brilhar e vibrar, quando minha sanidade havia voltado, entendi que aquilo era apenas meu celular recebendo uma chamada. Bufei e peguei o aparelho, desistindo de tentar achar a chave dentro de minha bolsa, joguei-a no chão e me agachei para pegar a reserva que estava em baixo do tapete. Enquanto apalpava o chão olhei o visor de meu celular com a outra mão, o celular obtinha o titulo “Número desconhecido” na tela, pensei em não atender, mas como aquela droga não parava de vibrar insistentemente, aceitei a ligação e sentei encostada na porta de entrada de minha casa. Tentei juntar todo o bom humor possível, mas nada ajudou, minha voz soou bem mal educada e tediosa.
- Alô?
- ?
- Quem é? – Indaguei séria.
- – Fiz uma cara de dúvida para a parede a minha frente, quem é esse? Cocei os olhos e a voz voltou a ser pronunciada – O novo xerife – Ele bufou, logo me veio a tona o dia cansativo que havia tido ontem, fazendo meu mau humor milagrosamente ficar mais e mais forte.
- O que você quer? – Agora foi a minha vez de bufar.
- Que você venha aqui. Precisamos conversar sobre umas coisas que ocorreram ontem.
- Já não tínhamos resolvido tudo que tinha para resolver? Ei... como você arranjou meu telefone?
- Isso não te interessa. Apareça aqui o mais rápido possível – Ele resmungou de um modo autoritário do outro lado da linha me fazendo dar uma risada irônica, mais para mim mesma do que para ele. – O caso ainda está em aberto.
Desliguei o telefone e me levantei da forma mais desajeitada possível, peguei minha bolsa de ombro e fui em direção ao elevador, aguardando-o chegar ao décimo oitavo andar para que eu pudesse entrar e depois seguir em direção ao tão visitado quartel general.
Entrei no quartel general que estava vazio, tinha uma recepcionista logo na entrada, dois policiais ao fundo tomando café e nenhum sinal de vida de . Fui em direção à recepcionista que me atendeu com um sorriso extremamente forçado, exatamente igual ao meu enquanto mastigava escandalosamente uma imensa goma de mascar amarela que minhas narinas apuradas me informaram como sendo de banana. Eca, enjôo.
- ?
- Segue o próximo corredor, é a primeira porta à direita – Ela me indicou o mesmo caminho que eu havia seguido um dia antes, agradeci silenciosamente e fui em direção à porta de madeira, não conseguindo não notar a secretária que parecia prestar serviços além dos que já prestava para , com os olhos cravados em minhas costas e o barulho irritante de chiclete amassado ecoando pelo vácuo da sala.
A porta estava aberta, então coloquei minha cabeça para frente da sala, dando de cara com lendo um documento com uma expressão séria, como pareceu não notar a minha presença, dei três batidas sobre a lateral da porta e ele se levantou rapidamente lançando um sorriso desajeitado para mim e adentrei o escritório.
- Achei que não viria – Ele se dirigiu a mim, ficando poucos passos a minha frente.
- Não vou desobedecer à polícia, já sou extremamente fodida sem a ajuda dela, imagina então com ela – Ele sorriu e fez menção para que eu sentasse em uma das duas cadeiras grandes que havia em frente à escrivaninha que parecia ser onde ele trabalhava.
- Então... – Ele fechou a porta do escritório e depois de uns segundos se sentou à minha frente – Hoje eu falei com Benny – Ele me olhou sem expressão e eu franzi a testa.
- E? – Sorri para ele sem entender onde ele estava querendo chegar.
- E que eu ouvi o lado dele da história.
- E o que ele disse? Que eu tentei estuprar ele no meio da rua? – Falei de forma irônica fazendo com que me encarasse sério.
- Não – Ele se levantou e passou a andar pela sala com as mãos cruzadas em suas costas e olhar vago – Na verdade, tudo que ele me falou bateu com as informações que você me deu. Caso te interesse ver... Ele começou a vasculhar uma gaveta de uma cômoda que se encontrava ao lado da porta e, depois de uns minutos, voltou com uma sulfite preenchida por diversas letrinhas, que me deram sono só de olhar – Eu mesmo fiz uma cópia do que ele falou, para você – Parou ao meu lado me olhando orgulhoso.
- Tudo bem, mas eu não ligo mais pra isso, já passou e eu não estou presa, logo, estou nem ligando – Falei com a voz mais lógica que pude e me levantei da cadeira indo em direção à porta – Tchau, .
- Espera – Ele foi atrás de mim e segurou a parte lateral de meu quadril, estranhei e o olhei frustrada – Eu só... – Pareceu um pouco confuso e me tirou do caminho para a porta escancarada, a fechando – Não sou muito bom com preliminares... – O olhei com os braços cruzados e testa franzida.
- Preliminares de um crime? – Fiz uma cara de dúvida e logo depois me veio a resposta na cabeça e levei uma mão à testa, devido a minha mente momentaneamente e duravelmente inocente.
Sorri maliciosamente com a minha inocência, ele retribuiu e levou suas mãos a minha cintura, o envolvi com uma de minhas pernas em seu joelho, para que viesse mais para perto de mim, ele passou a ocupar sua boca dando chupões pela região e suas mãos que antes acariciavam minha cintura, agora a agarrava fortemente em sinal de aprovação, alisei toda a extensão de sua nuca até sua bunda, dando um leve apertão na região, o que ele respondeu com um sorriso, quando parou de se ocupar com o meu pescoço, puxei-o fortemente para o encontro de nossas bocas, ele não hesitou em me corresponder rapidamente e agarrar minha nuca com as mãos que antes caminhavam sobre meu quadril e cintura, ele intensificava cada vez mais os beijos com as suas carícias bruscas, mas que me faziam gemer durante apenas um simples selinho, ainda sem desgrudar a minha boca da dele, desabotoei o seu cinto. Deixei minha bolsa cair no chão fazendo um barulho baixo e ocupei minhas mãos em suas costas largas que estavam sedutoramente expostas devido a sua justa camisa. Suas mãos estavam sobre a barra de minha blusa, ameaçando subi-la a qualquer hora, porém ele as tirou e eu, sem entender, continuei dando mordidinhas pelo seu pescoço, senti um movimento brusco contra minha barriga e o vi tirar alguma coisa do bolso. Com apenas uma mão ele ergueu minha cabeça pelo meu cabelo da nuca e invadiu minha boca, nossas línguas se movimentavam descompassadas quase que se fundindo e quando faltava muito pouco para ser perfeito, ele quebrou o beijo e me olhou com pressa.
- Quanto? – Seu tom de voz era frenético.
- O quê? – Sorri para ele quebrando o espaço que havia entre nossas bocas novamente, passei a dar leves mordidinhas sobre seu lábio inferior e ele passou a alisar toda a extensão das minhas costas.
- Quanto você cobra por uma noite? – Meus olhos se arregalaram e eu fiquei estática.
- O QUÊ? – Repeti minha pergunta anterior com um tom de voz mais alto e o olhei de forma assustada.
- O que o quê? – Ele me olhou com cara de dúvida e eu o empurrei para que parasse de me prensar contra a parede.
- Você... você está dizendo que quer me pagar para dormir com você? – Esperneei e ele se afastou com as mãos sobre a nuca e testa franzida. Uma de suas mãos estava ocupada por sua carteira, depois disso entendi tudo e só pude ficar ainda mais brava com tudo o que estava acontecendo.
- Mas...
- Não, , eu não sou uma puta, vadiazinha qualquer que você dá cinco reais para poder dormir junto! – Ele dirigiu seus braços ao meu ombro para começar a falar alguma coisa, mas quando vi aquela carteira se aproximar de mim, antes mesmo dele tocar em meus ombros, havia batido e, conseqüentemente, jogado longe a carteira que estava sobre uma de suas mãos.
- Como não? E quanto a ontem? – Ele franziu a testa, ignorando, como eu, o barulho da carteira chocando-se contra a parede e o som de diversas moedas rolarem pelo chão. Sorri ironicamente para ele, que só pareceu entender menos ainda. Peguei minha bolsa que estava estatelada sobre o chão e arrumei as alças de minha blusa que estavam caídas.
- Bola fora, . Muito fora – Rosnei para ele, que andou atrás de mim enquanto eu ia à saída do quartel general. Bufei e o parei com a minha mão sobre seu peitoral, ainda o olhando com ódio. Resolvi voltar ao meu rumo e sair daquela merda de lugar.

Com certa dificuldade em encaixar a chave em meu carro, devido a tremedeira que a raiva havia me proporcionado, olhei de relance para a porta do quartel, avistando parado à frente, com a camisa toda amassada e um pouco aberta, me olhando sério, encarei-o durante alguns segundos com a expressão mais raivosa que já devia ter feito e finalmente dei partida, a destino de um lugar muito longe dali. Talvez não tão longe, apenas um lugar no qual poderia descansar sem ser ofendida ou aproveitada por alguém. Casa.

Será mesmo esta uma boa escolha de fantasia? Olhei-me pela milésima vez no espelho um pouco aflita. Estava tudo pronto para a festa de , com exceção de minha roupa, como sempre. Festa para a qual eu já estava atrasada. Comprei uma fantasia de policial, clichê... Eu sei... Mas era a mais bonitinha que havia achado, acho que dava para o gasto... Um minidress bege, uma bota de cano alto e um cassetete, que confesso ter tirado do meu camarim do Rockings. Sorri ao olhá-lo repousando sobre minha cama.
Apressei-me na maquiagem, pois ainda teria que buscar na casa dela, aqui do lado da minha, para irmos, de acordo com ela, a uma simples festa a fantasia, peguei minha bolsa preta e fui em direção à porta dela, que era do lado da minha, que ficava bem ao meio do apartamento de e . Bati na porta e aguardei, em menos de alguns segundos, ela já havia aberto a porta e com um sorriso de ponta a ponta, abracei-a e depois a fiz dar uma voltinha para que eu pudesse ver seu look completo. Ela estava fantasiada de bruxinha má, com uma mini saia preta, com arroxeados pela volta, uma regata com alguns símbolos, reconheci um deles como sendo a estrela de Davi e um chapéu pontiagudo de bruxa, ela olhou para mim e soltou um sorriso de aprovação.
- Ulalá, hoje não tem um peixe que não caia na nossa rede, amiga – Ela fez uma voz mais grossa e teatral com as duas mãos na cintura, gargalhei alto e ela me puxou para o elevador.
- Não mesmo – Eu sorri e ela bateu os pés pela ansiedade – Mas então... Tá querendo quem? Essa roupa aí não é por acaso, aposto – Ela fez uma carinha triste e começou a falar com a voz um pouco melancólica.
- Hoje é meu aniversário... – Minha vontade era de rir na cara dela, mas tinha que fingir surpresa, então engatei em minha pouca experiência teatral de enganar a polícia. Fiz uma cara de espanto e levei as mãos à boca, ela abaixou a cabeça e fez um bico triste.
- Meu deus, como pude me esquecer? – Exclamei e ela cruzou os braços me olhando com desaprovação – Parabéns, amiga! – A agarrei, que retribuiu meu abraço, e dei uma risada baixa enquanto meu rosto não era visível ao dela por estar sobre seu ombro.
- Francamente, , mil anos convivendo juntas e tudo que eu ganho é um ‘desculpa por ter esquecido que hoje era seu aniversário’? – Ainda chateada, ela entrou no elevador com um olhar de tédio sobre as paredes que se fechavam a nossa frente.
- Awn, pequena, foi sem querer! – Brinquei com ela e comei a cutucar sua barriga, ela não agüentou e deixou escapar um sorriso – Ah, viu, está sorrindo! – Eu brinquei com ela que me mostrou o dedo do meio junto a sua língua.
- Deixa de ser idiota, . Nunca vou esquecer o que você fez! – Ela berrou dramatizando a situação e eu dei um tapinha nos ombros expostos dela.
As portas do elevador se abriram e fomos em direção ao nosso táxi enquanto conversávamos qualquer bobagem, foi engraçado, pois o quanto mais perto chegávamos do local da festa, mais via pessoas andando em direção a ela, todas fantasiadas de alguma coisa e agradeci por não ter nenhuma policial lá no meio, minha idéia pode ter sido clichê, mas foi eficaz, porque ninguém havia pensado em se fantasiar de polícia, exatamente porque acharam que todo mundo ia estar de polícia. Há! Prêmio joinha para mim.
– Awn, não! – Ela me puxou para seu lado do banco traseiro e apontou para fora da janela – Aquela menina está igualzinha a mim! – Ela me olhou com um bico e eu olhei pela janela avistando uma menina fantasiada de bruxa.
- Ai, , ela está de bruxa, mas a fantasia é completamente diferente da sua, não reclame, você está bem mais gostosa que ela – Ela me olhou com cara de tédio e eu olhei para fora de novo, fiscalizando se havia alguma policial pela região. Quando a visão do meu lado da janela foi ocupada por uma residência cheia de luzes e com uma música alta saindo dela, foi minha vez de bater palminhas, era ótimo saber que minha experiência em montar festas não era tão ruim porque sempre que íamos festejar alguma coisa era quem arrumava tudo isso, também né, ela vivia disso, era uma promoter... – Chegamos, vamos, vamos, vamos! – Puxei ela para fora do carro e antes agradeci rapidamente o táxi e joguei algumas notas para ele.
- Ai, , calma, se meu salto quebrar, eu te quebro com ele! – Ela me seguiu toda destrambelhada e também não conseguiu segurar um sorriso animado ao ver o local bombando – A já chegou? – Assenti com a cabeça enquanto pegava meu celular para avisá-la que havíamos chegado.
- Alô? , estamos na porta, vem aqui fora para falar com o segurança e nos dar autorização para entrar – Esse foi um meio de falar para ela mandar Mike organizar todo mundo que havia chegado já em silêncio e abaixar um pouquinho a música, como havíamos combinado. Aguardamos alguns minutos e, enquanto isso, ficava reclamando para mim que queria entrar logo na festa, eu só fiquei rindo e quando avistei chegando, fantasiada de pirata, dei um breve aceno animado.
- Oi, meus amores! – Ela abraçou nós duas e nos puxou para dentro, seguimos um corredor e a música já estava bem mais baixa, enquanto esperávamos o elevador para subir, eu vi com uma cara brava, provavelmente porque deve ter suspeitado que também havia esquecido seu aniversário. Não demorou muito para chegarmos em frente ao salão que tinha a porta fechada, pegou as duas maçanetas longas das duas portas grandes a nossa frente e nos olhou animada – Preparadas?
- Sim! – Eu e berramos em resposta, abriu a porta e eu vi um monte de gente pulando e fazendo festa quando avistaram , meu deus, havia muita gente, nem eu sabia que havíamos convidado tanta! Tudo bem... Beamount inteiro, mas Beamount não era tão grande assim, enfim, quando me permiti sair de meus pensamentos completamente nada a ver, pulei em cima de que berrava animada.
- Parabéns! – Todo mundo gritou ao mesmo tempo e ela me apertou dando um beijo estalado em minha bochecha.
- Como vocês são lindas! – Ela não tirava os olhos de todo mundo e esboçava um sorriso animado para mim e , que também a agarrou, ficamos lá durante uns minutos desejando a ela felicidades, sucesso e brincando com ela porque ela havia achado que tínhamos esquecido do aniversário dela. Como ia poder esquecer o aniversário da minha melhor amiga? Mas a conversa feliz não durou tanto, pois, logo depois, veio um batalhão de gente querendo cumprimentá-la, fui praticamente enxotada de perto de , então resolvi ir cumprimentar Mike, que sorria animado ao ver todo mundo indo para cima de .
- Oi, Mike! – Falei animada e ele me cumprimentou no mesmo entusiasmo com um beijo na testa, colocou os braços em meu ombro e me olhou feliz.
- Grande festa, ein? Você com essas meninas são imbatíveis – Ele soltou uma risada e eu concordei rindo junto – Quer ponche?
- Ah não, agora não, brigada, Mike, mas preciso começar a maneirar mais – Cruzei os braços e suspirei com indiferença, ele me olhou agora gargalhando de forma exagerada.
- Só porque está de policial está falando assim? Aposto que isso não vai durar nem mais quinze minutos.
- É, eu também, mas preciso fazer boa impressão para os convidados – Sorri em troca e o olhei dos pés a cabeça – Ulalá, está de parzinho com a minha amiga pirata? - Olhei para ele que estava com uma camisa social branca, uma calça marrom, um paletó por cima da camisa com o tom um pouco mais escurecido que o da calça e um chapéu pirata com vários lenços e cintos pelo corpo. Ele assentiu com certa vergonha aparente e eu ri da sua cara – Não dá palha, Michael! Não resisto a um Jack Sparrow – Ele gargalhou e eu peguei seu chapéu e coloquei em mim, peguei minha máquina em minha bolsa e tirei uma foto de nós dois.
Fiquei conversando com Mike durante mais alguns minutos, nossa conversa não estava tomando um rumo muito agradável, mas a sorte parecia sorrir para mim, pelo menos hoje, pois chegou a nós dois pulando em cima de cada um e nos dando beijinhos estalados na bochecha, começamos a conversar alegremente como se nada tivesse acontecido, senti pena de , que mal pôde ficar com a gente porque não parava de chegar pessoas lhe parabenizando ou dando presentes. Ela estava segurando umas cinco caixas grandes enquanto falava com os convidados, e Mike foram correndo a ajudar e mostrar onde ficava onde eles já haviam guardado alguns presentes. Fiquei sozinha no meio do salão, Mike estava certo, certamente a minha abstinência não durou nem dez minutos, pois depois que eles me deixaram lá, eu fui correndo em busca dos ponches, vodkas, tequilas..., qualquer coisa que houvesse com álcool para eu beber. A música estava ensurdecedora, se não fosse, infelizmente, daquele jeito que o povo gostava, eu teria pedido para abaixar, mas como os convidados, e isso inclui , que já havia voltado à festa e estava dançando toda feliz em meio a uma rodinha de meninos, estavam gostando, eu não pude fazer nada, só lamentar por minha cabeça. Cheguei ao bar e pedi ao barman que me servisse de ponche, ele me deu um copo com um ponche azul, nunca havia visto ou tomado antes, mas parecia gostoso pelo menos... Tomei um gole e, como havia suspeitado, minha bebida estava ótima, lambi um pouco do sal que havia em volta de minha boca devido a borda do copo e me apoiei sobre o balcão observando a movimentação da festa.
- Doce sarcasmo, não é mesmo? – Dei um pulo quando ouvi uma voz deliciosamente masculina perto ao meu ouvido e olhei para o lado, reconhecendo sentado em um dos banquinhos que haviam em frente ao balcão, ao meu lado, debruçado enquanto pedia alguma coisa ao garçom e me olhava dos pés a cabeça, sorrindo ironicamente, suponho que seja por causa da minha fantasia de polícia, ele viu que o havia notado ali e virou seu banquinho para o lado, ficando de frente para mim.
- Não quero falar com você, – O olhei com nojo e ele abaixou os olhos, quando estava prestes a me virar e sair daquele lugar que havia passado a ser desagradável, ele segurou meu braço me fazendo lembrar rapidamente da noite que quase fui assediada, fechei os olhos, acumulando toda paciência que pude, e voltei meu rosto para ele novamente com uma expressão próxima a de um serial killer.
- Não vai embora, eu queria falar com você – Ele me olhou com os olhos indiferentes – Podemos ir para um lugar mais calmo e sem tanto barulho? Enquanto vinha para este salão vi que tinham várias salas sem nada dentro, podemos ir até uma delas conversar?
- Eu achei que já havia deixado muito claro que não queria mais ver sua cara na minha frente, – Fugi meu olhar do dele, que parecia ter acabado de relampejar fogo em seus globos , ele pegou minha mão e me puxou fraco para irmos em direção às tais salas, ignorando o meu olhar mau humorado – Eu acho que o assunto que você tem a tratar comigo é mais apropriado para um quarto do que para uma sala – Soltei um lampejo irônico e ele apertou um pouco minha mão.
- Não, você não deixou nada claro – Ele se virou para mim sorrindo ironicamente e respondeu minha primeira fala, depois aproximou seu rosto do meu, até faltar apenas milímetros para se encontrarem, e pronunciou numa voz firme e baixa: – Você vai vir agora comigo, eu não estou pedindo sua autorização, posso muito bem te levar arrastada até a merda da sala – Continuou tentando me puxar para fora do salão barulhento, mas agora de forma mais agressiva, apertou meu braço mais forte e eu não cedi, apenas o olhei firme, ele lançava uma expressão séria e incomodada para mim e eu desviei meu olhar já prevendo que iria ceder àquele filho da puta – Vamos.
- Espero que seja rápido e breve – Revirei os olhos – E que não encoste nem um dedo em mim, está me entendendo? – Exclamei enquanto tirava suas mãos fortes que envolviam as minhas de um jeito que as deixavam doloridas, não me preocupando durante nenhum segundo em ser delicada.
- Tudo bem – Ele colocou as mãos no bolso – Venha comigo – Ele seguiu em frente e eu o segui. Demoramos um pouco para chegar em um lugar mais calmo e sem barulho, mas quando mal havíamos chegado, ele já tinha começado a falar, sentei-me em um sofá e ouvi atenta tudo o que ele estava dizendo - Eu não fazia idéia. Depois daquele dia que fui ao Rockings e te vi lá dançando para mim, tive certeza de que você era uma prostituta, você ainda apareceu depois na polícia toda machucada e com roupas curtas, então tudo indicava que você era, não foi por mal, ou porque queria te ofender, que aquilo aconteceu ontem à noite. Mas de fato, continuo sem entender se você é ou não é uma, de qualquer forma, queria que você me desculpasse. A meu ver, tudo não passou de um mal entendido... – Ele ia continuar a falar qualquer coisa, mas eu me levantei do sofá fazendo com que ele abandonasse seu olhar chamego e me olhasse com uma cara aparente de dúvida.
- Eu não quero mais saber, ! – Comecei a explodir completamente brava ao ouvi-lo falando que tinha certeza de que eu era uma prostituta e que ainda estava em dúvida, aquilo havia me deixado maluca – Se você está em busca de uma prostituta, querido, procure aquelas vagabundas que ficam na esquina, eu não sou nem de longe parecida com elas, está me ouvindo?! – Berrei e ele me olhou assustado, não pude deixar de não chorar um pouco, duas lágrimas haviam escapado de meus olhos e ele me olhou de forma mais desconfortante ainda, não existia nada pior do que uma pessoa sentir pena de você – Agora vê se me esquece! – Bufei irritada me arrancando para fora daquela sala, não o deixando falar nem, se quer, mais uma palavra.
Quando cheguei à sala onde a festa estava acontecendo, olhei em volta e vi correr até mim com uma feição estranha.
- Amiga, você está bem? – Ela segurou meus ombros e eu assenti, olhando para qualquer lugar que não fossem seus olhos, porém minhas lágrimas insistiram em querer sair e eu a abracei – O que aconteceu? – Ela me abraçou de forma reconfortante enquanto me guiava a uns puffs para poder sentar logo perto de onde estávamos.
- Nada, bobagem... – Olhei para o chão e a senti passar um dos dedos em meu rosto corado, tirando algumas lágrimas de lá.
- Não é bobagem, você é a menina mais forte que eu conheço e te ver chorando é algo raro para mim, porque quem costuma consolar eu e é sempre a dona aí – Ela negou com a cabeça e se ajoelhou, ficando logo a minha frente e encostando o queixo em meus joelhos, fez um bico fofo para mim e eu não pude deixar de soltar uma risada fraca – Ah, tá rindo, isso aí! – Ela fez cócegas em mim e a empurrei para trás sorrindo.
- Brigada, mas não foi nada mesmo, pura bobagem, quando chegarmos em casa eu te conto tudo direitinho – Arrastei minha voz enquanto adiava aquela conversa, ela provavelmente me daria bronca por não ter contato a ela aquilo antes, então a melhor coisa que tinha para fazer era adiar mesmo aquela conversa.
- Ah não, olha lá a aspirante de puta – Ouvi uma voz que me causava enjôo se aproximar de mim e olhei a minha frente, lá estava Cheyanne, uma prostituta do Rockings, provavelmente, a favorita de Chandler, porque além de render muito dinheiro, dava para ele constantemente em forma de puxar seu saco. Aquela maldita sempre implicava comigo, com motivos, é claro, ela havia sido criada como eu no Rockings, mas ao contrário de mim, ela adorava ganhar dinheiro enquanto dava para quase todos habitantes do Texas, e isso inclui o Chandler, este meu último pensamento me causou nojo, então voltei minha atenção a ela novamente. Aquela filha da puta estava fantasiada de policial, assim como eu – Posso saber o que a vadiazinha aí está fazendo com a minha fantasia? – Ela colocou as mãos na cintura enquanto fazia uma cara de chocada ao meio de mais duas vadias que trabalhavam no Rockings.
- Ai, a maldita sempre odiando a rainha do baile, não é mesmo? – se levantou ficando a frente dela, enquanto cruzava as mãos ao nível do peito, o mesmo fiz eu.
- Como é que é? A prostituta querendo colocar ordem na festa que eu e minhas amigas fizemos? Querida, nem em puteiro você coloca ordem, imagina em algo patrocinado por mim – Gargalhei alto – Eu fico muito melhor nesta fantasia do que você, aliás, este chapéu deixa essa sua cabeça oca muito à mostra, querida, não faça isso, os clientes querem transar com mulheres que tenham no mínimo dois neurônios.
- Mesmo você não estando com a mesma roupa que eu, eu tenho certeza que esse seu vestidinho podre ficaria muito melhor em minhas curvas, não em você, que é toda reta – Ela jogou os cabelos para trás e me olhou dos pés a cabeça, suas amiguinhas começaram a rir logo atrás. Eu soltei uma gargalhada diante de seus argumentos que causavam vergonha até em mim e voltei a falar com a voz mais calma que pude.
- Realmente, vamos ver quem fica melhor com essa roupa, não é mesmo, Cheyanne? – Pronunciei seu nome com certo nojo e voltei a falar – Você que dá para qualquer um que vá para o Rockings e que te pague mais de duas moedas, que faz a mesma dancinha no poledance toda santa noite e que fede a vagabunda... ou – Sorri ao começar a me descrever e ela só piorou sua cara de vadia em choque – Eu, que mantenho minha dignidade intacta e que não vendo meu corpo a preço de banana. Você pode dar para todo mundo dessa cidade nojenta, querida, mas é em mim que eles vão estar pensando enquanto você chupa ele – Soltei um sorriso esperto e ouvi alguma das pessoas que estavam ao nosso redor baterem palmas, isso inclui , que estava me olhando sem parar de rir.
- Olha aqui, sua nojenta! – Ela apontou o dedo para mim.
- Não experimente apontar esse dedo punheteiro para mim de novo, sua cachorra – Bati em sua mão que estava logo a minha frente e ela pareceu se segurar para não me bater, pois ficou estática enquanto suas mãos faziam um formato de punho ao lado da cintura – A conversa acaba aqui para a sua sorte – Puxei comigo para o outro lado da sala sem deixar de lançar a Cheyanne um olhar de nojo, o mesmo que eu havia feito ao minutos atrás.
- Ninguém te segura, ein, ? – Ela começou a gargalhar alto enquanto pedíamos bebidas ao barmen e eu sorri em troca, já esquecendo meu momento humilhante com .
- Aquela menina tem o dom de me irritar mais do que aquele filho da puta do Chandler, mesmo me causando pena logo ao abrir a boca – Afoguei minhas mágoas mordendo o limão que veio em meu copo de caipirinha e fiz uma careta engraçada depois, fazendo com que me olhasse com desaprovação.
- Ela é uma vadia mesmo... – Ela olhou ao redor e voltou a se concentrar em mim – , precisamos cantar o parabéns antes da meia noite e já são onze e meia, acha que devemos avisar todo mundo para entrar no salão já? – Bebi um gole de minha bebida e olhei para a porta fechada que dava a entrada para mais um salão grande que se revelaria sendo uma pista de dança maior depois do parabéns e onde guardava o bolo de aniversário imenso de .
- Eu vou lá ver se está tudo certo e se estiver, te ligo de lá, o que acha? Aqui já está ficando muito cheio, cada vez chega mais gente, é melhor a gente começar a usar todo o espaço possível desse condomínio – Ela concordou brevemente e eu virei meu copo de caipirinha. Levantei-me dando um beijo na bochecha dela e ajeitando meu vestido, que havia encurtado porque sentei; fui em direção ao salão pela parte de trás do condomínio, porque se fosse pela frente as pessoas iam me jogar para o lado e sair correndo em direção ao bolo se lambuzar, conheço esse povinho.
Dirigi-me ao final da sala e segui para a cozinha, ignorando as salas que haviam por ali sendo trancadas por casais que se fechavam lá dentro para se comerem. Tão típico. Enquanto caminhava pelos corredores que passaram a ficar desertos, senti um mau pressentimento, não parava de olhar para trás porque tinha a impressão de estar sendo seguida, cocei meus punhos em forma de nervosismo e apertei o passo para chegar logo a um cômodo onde estaria acompanhada. Cozinha. Quando cheguei a ela, que por sinal era uma das maiores que já tinha visto, encostei-me ao balcão e olhei em direção à porta, enquanto recuperava o fôlego devido a minha velocidade, franzi a testa e voltei a minha pose normal em busca de tirar aqueles pensamentos bobos da minha cabeça. Foco , você está ficando pirada e perseguida por si própria. Olhei mais para o meio da cozinha e avistei os cozinheiros sorrindo e bebendo juntos, fui em direção a eles e os cumprimentei, eles me disseram que haviam aprontado a mesa há mais ou menos duas horas, bati palminhas e resolvi ir ver o resultado. Cheguei em frente a porta de trás do salão e peguei meu celular na mão, já atenta para começar discar o número de para darmos início ao parabéns, ouvi uma movimentação estranha vindo de dentro do salão e abri a porta com ansiedade, sem entender de onde vinham estas vozes.
Gritei.
O mínimo que pude fazer foi gritar. O segundo foi muito difuso, só consegui ver alguns homens encapuzados de preto saírem pela janela, pulando rapidamente e deixando um corpo completamente deformado caído no chão, que estava ensangüentado, meus olhos se prenderam no homem, ele estava nu e parecia ser feito de borracha, a pele estava muito estranha, como se alguém houvesse retirado tudo o que havia de dentro daquele homem e só sobrasse pele com pele, um inchado estranho. Não consegui me calar e senti minhas costas serem tocadas, pulei para o lado sem conseguir fechar a boca, avistando , que estava com uma cara assustada, direcionada para algo atrás de mim, ele me puxou pela cintura e me apertou contra seu peitoral a meio de tirar meus olhos daquela cena, sem me controlar, comecei a chorar em seu colo.
Ele me pedia silêncio, mas o tempo não passava para mim, havia acabado de presenciar um... Assassinato? Ele continuou me pedindo silêncio, mas eu não conseguia parar de chorar de forma escandalosa, ele voltou a me abraçar enquanto pegava alguma coisa de dentro de seu bolso que identifiquei como sendo um celular, pois ele havia começado a falar alguma coisa, provavelmente chamou a ambulância e a polícia, abracei-o mais fortemente e pude ver os cozinheiros olharem chocados para a direção na qual eu estava evitando encarar novamente. Ouvi um empurrão logo atrás de mim e olhei assustada para trás, ignorando a parte inferior de minha visão e só avistando , que havia aberto a porta que dava para o salão que estava sendo usado para festa, ela olhou para o chão cheio de sangue com as mãos sobre a boca e os olhos arregalados, a maioria das pessoas que estavam na festa foram ver o que estava acontecendo, algumas reagiram como eu, outras simplesmente saíram correndo.
- Fecha a porta! – Senti o corpo de se movimentar bruscamente e observei olhá-lo com uma expressão de medo – Fecha agora esta porta, porra! – Ele berrou mais forte apontando para a porta com o celular na mão, vi surgir ao lado dela e dar um grito agonizante, começou a chorar e Mike surgiu ao lado delas fechando a porta enquanto acolhia e em seu colo, fechei os olhos novamente, encostando minha testa no ombro de , que voltou a falar qualquer coisa no celular, não queria saber sobre o que era ou com quem era, só queria paz.
- Você está bem? – me afastou para que pudesse me olhar depois de uns cinco minutos e eu não respondi, ele me balançou um pouco e eu o olhei com os olhos cheios de água – Você está em estado de choque!
- Desculpa, , sabe como é que é, eu vejo gente morta todos os dias, sabia? Não sei o que deu em mim hoje! – Berrei e ele me olhou impaciente, deixou o espaço entre nós se limitar novamente e me abraçou – Por favor – Ele se dirigiu a cozinha comigo e acenou para um dos cozinheiros que haviam feito uma rodinha em volta da mesa e conversavam enquanto deixavam transparecer uma cara de medo e espanto – Me de água com açúcar – Ele esperou impacientemente enquanto eu olhava para qualquer coisa com os olhos arregalados – Beba isto, vai te fazer bem – Ele se afastou um pouco de mim e balançou um copo para eu poder pegar e beber, fiz isto, estava em busca de qualquer coisa para me acalmar, mas não adiantou nada, pois segundos depois, um batalhão de homens uniformizados invadiram o local, seguido por uma maca dirigida por alguns enfermeiros – Ali, adentre aquela porta! – Ele falou se atrapalhando nas palavras e apontou para a porta de onde havíamos saído, depois se voltou a mim novamente – Como se sente? – Balancei a cabeça para qualquer lado e ele segurou meu queixo – Eu vou precisar que você me conte tudo o que viu. De novo.
Comecei a negar com a cabeça e voltei a berrar e a chorar.
- Não, você não pode me obrigar a reviver aquilo de novo! – Cocei os olhos devido ao excesso de lágrimas que eu soltava – Você não pode! - Exclamei novamente e ele pareceu inquieto.
- Vamos para um lugar mais calmo, ? – Indagou enquanto passava as mãos pelo cabelo, eu assenti, qualquer lugar era melhor do que continuar ali, ele me puxou para fora dali e pude ver alguns policiais falando com os cozinheiros, perguntando se ninguém havia entrado ali, os vi recusando e assumindo o desespero, as lágrimas a partir daquele momento mal pediam autorização para sair.
Porém, quando estávamos quase saindo da cozinha, um homem parou e começou a conversar em voz baixa com ele, nem prestei atenção ou tentei entender o que eles falavam, pois pensar naquilo só pioraria minha situação, então abaixei a cabeça e comecei a encarar meus próprios pés, respirei fundo algumas vezes enquanto o cochicho dos dois se chocavam em meu ouvido e meu choro foi ficando mais controlado, isso não durou muito tempo, pois estava conversando com o policial havia no mínimo dez minutos e de repente uma maca, carregando um corpo com um lençol branco por cima, adentrou minha visão. Levei minhas mãos à boca quando vi a mão desfragmentada do morto caída pela lateral da maca e meus olhos voltaram a se embaçar rapidamente. falou alto algum palavrão que não entendi muito bem o motivo. Admito que eu estava completamente perdida depois que vi aquela cena no salão, então nem me esforcei a raciocinar em relação aquilo. Ele me puxou para fora da sala e seguiu o caminho contrário que a maca estava seguindo, logo à nossa frente, quando estávamos na cozinha. Pegou o caminho mais longo em direção a saída daquele lugar, mas presumo que tenha sido para não me obrigar a ficar vendo aquilo durante mais tempo.
me levou até seu carro e eu nem prestei atenção na estrada que estava tomando, só sei que alguns minutos depois ele já havia me aberto a porta do carro e se ajoelhado em frente a ela enquanto me olhava preocupado – Como se sente? – Indagou e, pela minha demora, resolveu pegar minhas mãos como se me incentivasse a falar algo, nem que fosse incompreensível.
- O que você acha? – Sussurrei com uma voz arrastada e quase inaudível enquanto observava os carinhos que suas mãos forneciam sobre as minhas.
- Já está tudo bem, eu tô aqui, só preciso que você me conte tudo o que você viu, , se não as investigações não vão conseguir ao menos começar o andamento.
- Eu não vi nada, porra! – Voltei a berrar e a chorar ao mesmo tempo, coloquei minhas duas mãos sobre a testa e ele não tirou os olhos de mim, parecia preocupado, mas eu estava desesperada demais para fazer ligações entre as coisas ou se quer formar uma frase, funguei algumas vezes e tomei coragem para continuar – Eu não vi nada, não vi nada – Repetia em voz baixa – Eu, eu...
- Calma, , você está em pânico, eu já te tirei daquele lugar, tudo está bem agora, por favor, não fique deste jeito – Ele não tirava os olhos de mim e eu ergui meus olhos aos dele que esboçavam preocupação.
- Eu, eu... eu vi uns homens encapuzados, só isso – As lágrimas despejavam de meus olhos e ele deu um pulo de susto, me olhou com os olhos ansiosos e eu continuei a falar gaguejando – Eu, eu vi eles indo embora também, mas foi só isso, pare de me perguntar, por favor – Ele avançou para mais perto de mim e segurou meus braços que estavam inquietos.
- Como eles foram embora, me diga só mais isso, .
- Eles, é... eles saíram pela janela – Franzi a testa em busca de mais vestígios de memória, mas parecia ser tudo o que eu sabia. Olhei para ele que balançou a cabeça e pegou novamente seu celular, discando algum número. Ele ameaçou se afastar do carro para poder falar no telefone, mas eu o impedi segurando na manga de sua jaqueta – Fique comigo, por favor... – Ele me olhou rapidamente e começou a falar no celular enquanto ficava em pé e segurava minha mão.
- Um amigo meu, da polícia também, vai vir aqui para eu explicar para ele o que aconteceu, depois disso eu te levo de volta para casa, tudo bem? – Assenti com apenas um movimento e me encostei no banco largo do carro em busca de calma, ele começou a conversar comigo sobre qualquer coisa de forma distraída, eu sorria algumas vezes ao ver ele tentando me acalmar, mas era inútil, apenas respondia suas perguntas enquanto ele brincava com os dedos de minhas mãos.
Não demorou muito para um carro estacionar logo ao lado do carro de e um homem, que eu havia conhecido de algum lugar, saísse dele. Depois de uns segundos me lembrei de onde o conhecia, ele estava com na noite em que foi ao Rockings junto ao O’Connell e também era o mesmo homem que ficara conversando com no meio da cozinha quando estávamos quase saindo daquela merda de lugar. Ele se dirigiu a nós dois e me olhou com certo ar de pena, eu desviei meus olhos dos dele e se virou para ele e depois para mim novamente – Consegue ficar aqui um pouco enquanto eu converso com o ? Vai durar apenas alguns minutos, mas ouvir a história toda de novo vai acabar sendo pior para você. Quando acabar eu vou te levar para casa.
- Tudo bem – Encarei o chão respirando fundo, ele se levantou e foi em direção ao tal que carregava algumas papeladas consigo.
Eles estavam logo à minha frente conversando, devia fazer no mínimo uma hora, eu estava inquieta, ficava mexendo em meu celular, conversei com um bom tempo, a explicando onde eu tava e que estava bem, liguei o rádio que estava em uma estação de notícias policiais, o que me fez desligá-lo logo depois, as únicas coisas que me restavam a fazer era ou dormir ou apreciar a lua cheia, duas coisas que estavam extremamente fora de cogitação. Depois de um bom tempo vi e seu amigo virem em minha direção, saí do carro, colocando a jaqueta que havia me emprestado para me aquecer, devido a baixa temperatura sobre o banco de carona de seu carro.
- ... – se dirigiu a mim com as mãos no bolso – Eu vou precisar te envolver neste caso um pouco mais, infelizmente – Arregalei os olhos ao ver os dois e fiz menção para que continuasse – Você viu o corpo então deve ter notado a falta de roupa da vítima, certo? – Afirmei com a cabeça e ele voltou a falar em um tom preocupado – As roupas foram achadas em um lixão perto do final da cidade, dentro do bolso da calça tinha este celular – Ele me ergueu um blackberry – Aqui grava o seu telefone como última chamada.
- O quê? – Exclamei para , mas que absurdo! – Você está achando que fui eu quem matou aquele cara?
- Não, eu estou achando que ele, antes de morrer, queria falar com você.
- Ai meu deus, você está achando que eu matei aquele homem? – Voltei a chorar e ele me olhou soltando um suspiro cansado.
- Eu não estou achando que você matou ele, – Ele se apoiou na lateral do carro e eu comecei a soluçar tentando engolir o choro – Você infelizmente é a única que pode nos ajudar, por favor, se esforce – Cruzou os braços na altura do peitoral e me olhou de lado. Eu dei a ele meu celular.
- Pode ficar – Eu me encolhi no banco novamente e ele começou a mexer no celular.
- , vem aqui – fez menção para que o tal se aproximasse – Aqui registra como duas chamadas perdidas, às quinze para onze horas. – Ele se voltou a mim – Onde você estava às dez horas?
- Provavelmente berrando com você naquela sala ao lado da festa – Respondi sem expressão alguma e percebi fazer uma cara de interrogação.
- Não pergunte, depois eu explico – se direcionou ao e voltou a falar comigo logo depois - Onde estava sua bolsa?
- Comigo, eu deixo meu celular no vibra então não devo ter notado que ele estava tocando – Respondi impaciente.
- Tudo bem, agora preciso que você olhe isto – ele pegou um papel que estava na mão de e me ergueu.
Peguei o papel e dei de cara com uma foto do que havia visto horas atrás, um corpo nu, completamente deformado, caído no chão. Havia riscos da foto para a parte branca do papel, seguidos de setinhas indicando informações tomadas por alguém de ordem maior, ele me deu outra foto que tinha a cara da vítima, respirei fundo antes de olhar, inútil, pois entrei em pânico como o esperado ao ver o rosto de perto. O rosto estava destorcido como o corpo, na testa tinha uma marca feita com uma espécie de tinta, lá estava o contorno de uma fita entrelaçada, tampei o rosto do homem e olhei só o símbolo sem entender nada e, ao mesmo tempo, sentindo o enjôo me dominar.
- Está entendendo a gravidade da coisa, ? Este infeliz teve todos os ossos retirados do corpo e costurado dos pés a cabeça, com um símbolo que não quer dizer nada com nada em sua testa – Falou de forma eufórica e sem tirar a expressão forte sobre mim – Então eu espero que você nos de todas as informações, porque eu não estou brincando aqui, e muito menos o cara que fez isto com este homem. Pense que podia ser você aí.
Levei as mãos à boca e finalmente pude entender o porquê do corpo estar todo destorcido, observei mais de perto a foto e, ao lado de cada membro, existia uma grossa linha preta costurada, indicando a abertura do corpo para a retirada dos ossos, gelei com isso e voltei meus olhos ao estranho símbolo em sua testa, a feição do homem estava estranha, quem era aquele pobre coitado? Segurei meu estômago com todas as forças e voltei a analisar a feição, me veio uns pingos de esperança por quase descobrir de onde era aquele homem. Voltei a olhar seu corpo, ao lado havia uma foto aumentada de seu braço, apertei meus olhos e pude ler algo ali, uma palavra escrita, em tamanho maior, o nome “Maet”, a baixo haviam esboços de letras, as quais não entendia nada devido seu mínimo tamanho, me desviei então para uma seta que ligava aquele local a parte inferior da folha, onde estava escrito à tinta “Maet, Gevura! Guementart”, Ainda tentando entender em minha cabeça a razão de tudo aquilo ter acontecido, pude ouvir bufar ao meu lado.
- Quem é ele? – Indaguei com uma expressão enojada e ao mesmo tempo preocupada. me olhou com certo incômodo aparente e eu olhei pela milésima vez naquela noite as fotos que ele me dera – Não foi nada delicado de sua parte me enfiar estas fotos na cara, – Lamentei ainda olhando o contorno do corpo sujo de sangue, dei-lhe a foto, pois minha visão já havia ficado turva e quando a ergui, dei um pulo de susto, ele já havia pegado a foto, mas eu arranquei-a de sua mão, senti as lágrimas corarem meu rosto novamente. Meu deus. Era o Benny Ryan quem havia sido massacrado daquele jeito horrível. O cara que tentou me assediar no meio de uma rua, agora estava morto. Morto da forma mais brutal e maldosa possível.

Escuro. Náuseas. Era tudo o que pude distinguir naquela hora.
De repente tomei um susto e me levantei rapidamente de uma cama larga na qual estava repousando, meu coração parecia pular e voltar de meu peito em questão de segundos, me sentia como se tivesse apanhado, e ainda por cima não fazia idéia de onde eu estava.


Capítulo 3
[n/a: Sugestão de música: Harder to Breathe – Maroon 5]

- ? – apareceu num vulto de luz à frente da porta do quarto, com uma panela na mão. Assustei-me com aquilo e peguei um copo que estava ao lado do lustre da cama, provavelmente para que eu bebesse se estivesse com sede na hora em que acordasse. Mas parecia estar em uma circunstância na qual ele teria outra utilidade. Derramei a água que havia dentro do mesmo no chão e me encolhi no escuro do quarto.
- Não chegue perto de mim! – exclamei e ele me olhou, soltando um sorriso irônico e adentrando no quarto. Eu joguei o copo na parede ao lado dele, provocando um grande estalo; segundos depois, o barulho de suas migalhas de vidro se chocou com o chão do carpete de madeira. Ele pulou para o lado, me olhando assustado com a boca entreaberta, sem abandonar o seu sorriso deliciosamente irônico. Mas agora, misturado com certa surpresa.
- Você está maluca? – ele colocou a panela sobre a mesa de centro ao lado dele e andou até mim, olhando apenas para os restos mortais do copo no chão, logo atrás dele, perto da porta de saída do quarto. Assentiu com a cabeça algumas vezes, fazendo um movimento de aprovação.
- Se você chegar um passo mais perto de mim, eu começo a berrar. Seu doente! – ele parou no meio do caminho. Coçou a cabeça e me olhou com uma feição de indagação, deixando seu sorriso fluir da forma mais simpática sobre os traços de seu rosto.
- , não é nada do que você está pensando. Eu te trouxe até aqui porque você caiu dura dentro do carro, não porque quero algo com você. Eu já te pedi desculpas, achei que esse seu trauma de mim já havia passado. – ele fez uma cara de decepção e encarou a janela grande e larga que havia bem acima de sua cama, provavelmente porque devia estar procurando fugir do assunto. A janela que ele olhava ocupava quase que uma parede inteira de seu quarto. Olhei rapidamente e, se não fosse por estar quase molhando as próprias calças de tanto medo daquela situação, ficaria ali, admirando a lua cheia junto à paisagem linda que se formava no horizonte de montanhas marrons e rochosas. Era típico do tempo árido do Texas. E logo adiante da paisagem, havia algumas árvores secas; feias, porém, que traziam certo charme diferente à paisagem deserta.
- Devia ter pensado nisso antes de... primeiro: me confundir com uma prostituta. Segundo: ficar ao meu lado quando vi um homem morto. Terceiro: ficar me jogando na cara fotos as quais você não devia ficar expondo para qualquer um e... – gaguejei um pouco para formar a próxima frase devido à difícil circunstância. Levei minhas duas mãos à testa, massageando-a em busca de vestígios de tranqüilidade e calma. - Quarto: - respirei fundo, ajeitando minha postura. - saber que eu tinha um tipo de ligação com a vítima, mesmo ela sendo a mais miserável possível. – elevei o tom de minha voz com a coragem que havia juntado e ele mordeu o próprio lábio inferior, filtrando tudo o que eu falava. – E se quiser contar mais um fator, o fato de você existir passou a me estressar também. – agora foi minha vez de falsificar um sorriso irônico.
- Escuta, . Posso te chamar de ? – ergui uma de minhas sobrancelhas, devido à formalidade que ele nunca havia se preocupado em usar comigo, e escutei atentamente o resto de sua fala. Ele havia percebido que eu não responderia aquilo, então bufou e continuou com suas palavras irritantes. – Bom, ... primeiro, eu já te pedi desculpas pelo mal entendido. E tudo indicava, para o meu ponto de vista, – ele ressaltou esta parte. – que você era uma prostituta, por mais que você negue isto. Segundo, você não precisa ter medo de mim. Eu estava com você na hora do assassinato porque te segui em busca de que você me desculpasse, pois fiquei e ainda estou culpado por ter te chamado de prostituta. Terceiro, – ele respirou fundo. – você precisava cair na real e encarar a gravidade daquilo. Você só sabia chorar e berrar, eu não tinha outro jeito de te fazer acordar. Agora chega de contagens, nunca fui bom com números – disse derrotado.
- Então você resolve isso me mostrando fotos do cara que quase conseguiu me estuprar todo massacrado, sem ao menos uma razão? Simplesmente porque queria me acordar? Porque não queria que eu chorasse por ter visto aquele individuo naquele estado? Não sei se você sabe, mas ver mortos para mim é uma das coisas mais normais do mundo, inclusive quando estão todos destorcidos e sem nada dentro do corpo! – elevei minha voz ao máximo que pude, destacando o sarcasmo a cada palavra. Ele fechou os olhos em sinal de irritação. Eu pouco liguei e continuei a falar com o tom que havia escolhido desde o início de minha fala. - Você precisa de sérios tratamentos psicológicos, .
- Eu sou especialista em análise psicológica. – disse mais para si mesmo do que para mim, como se estivesse se auto-acalmando. Ele apoiou uma de suas mãos sobre a cintura e bufou cansado, enquanto passava a outra sobre a testa franzida, retirando o pouco cabelo que caia sobre ela. - Eu posso conversar alguma hora com você sem essa gritaria toda? De forma normal, os dois sentados em uma mesa, discutindo assuntos sérios, como dois adultos civilizados?
- Não. A única coisa que você pode agora é me levar para a casa. É o mínimo que você pode fazer por mim; entendeu seu idiota? – deixei minha voz ir acalmando, mas dessa vez ele quem ficou irritado e começou a berrar.
- Escuta , eu não ligo para você, não se preocupe. Com o que eu estou preocupado é com o assassinato extremamente violento que teve esta noite, que não é nada típico de se ter no Texas. Agradeceria muito se você me ajudasse com umas coisas que queria esclarecer sobre tudo isso. Então eu te peço: por favor, vamos conversar? – ele praticamente me implorou e eu o olhei, desconfiada.
- Como eu posso confiar em você? Você é um policial, tira, sei lá! Pode me matar a qualquer hora. Pode ter sido você quem fez aquilo com o Benny. Não quero que você fique perto de mim! – apertei minhas mãos em forma de punho ao vê-lo se aproximar da saída do quarto.
- Por favor, , venha comigo. – ele saiu do quarto, me deixando sozinha ali, e ignorando a minha hipótese dele ser o assassino. Cá entre nós, até eu achei está idéia ridícula. Mas tudo estava sendo válido para que eu conseguisse sair daquela droga de lugar, que eu nem sabia onde estava localizado em Beamount.

Fiquei parada em forma de estátua durante, no mínimo, uns trinta segundos. Quando acordei do meu transe, me agachei e afivelei minha bota. Ouvi passos vindos da sala ao lado do quarto, e fui me aproximando da porta bem devagar. Quem me visse agora poderia me achar uma completa retardada, mas acho que depois de tudo que passei está noite, vou ser eu quem vai precisar de acompanhamento psicológico. Voltei ao centro do quarto e olhei em minha volta, desconfiada. Aproveitei minha solidão no quarto para limpar minhas mãos, que estavam molhadas pela água que preenchia o pobre copo já estraçalhado, e senti um relevo vindo de meu bolso. Como minha curiosidade sempre foi maior que minhas próprias vontades, peguei o que estava lá dentro e estranhei com a presença de meu celular ali. Fiquei durante mais uns bons minutos tentando juntar o quebra-cabeça mal feito, mas desisti. Porém, tive uma idéia genuína, e resolvi fazer uma ligação antes mesmo de ir para a sala para ter a maldita conversa com . Me curvei e fui até o fundo de seu quarto, me certificando de que não ouviria nenhum piu de minha futura ligação, e disquei o número conhecido.

- Seja rápido. – depois de cumprir minha ligação, fui ao cômodo e falei com . Mas não antes de dar mais uma bela espiada pela lateral da porta do quarto, na sala em que ele estava localizado a frente de uma das várias cadeiras que estavam em volta de uma grande mesa retangular. Adentrei a sala e me sentei em frente à mesa que ele estava ao lado, em pé, organizando uns papéis sobre ela.
- Primeiro, quero que você me diga sobre a noite que ele quase te violentou no meio da rua; se existia alguma ligação entre vocês dois.
- Vou repetir pela última vez o que vou falar agora, porque já devo ter lhe contado o que ocorreu aquela noite umas trocentas vezes! – mesmo ele ainda ocupando suas atenções com os papéis que estava organizando, pude ver o singelamente revirando os olhos. - Eu estava com a e com a em um bar, estávamos bebendo e, quando eu havia chegado lá, este tal Benny já estava sentado com as meninas e uns garotos amigos de Mike. Nunca o tinha visto na vida, mas quando saí do bar, ele me agarrou no meio do caminho e citou que me viu dançando no Rockings. – olhei discretamente para ele, que havia soltado um sorriso ao me ouvir mencionar aquela parte. Foi minha vez de revirar os olhos. Voltei a falar em um tom monótono. – Aí, foi tudo aquilo que você sabe. Ontem, a disse que ele era um amigo de infância do Mike e que, no mesmo dia que ele me agarrou no meio da rua, foi o dia que ele havia chegado a Beamount. Falou que ele parecia ser um cara legal. Isso é tudo o que eu sei. – me encolhi um pouco ao repetir toda aquela história. Não gostava muito de parar para analisar as coisas que se ligavam entre mim e Benny, então quando acabava me explicando para alguém, as palavras me traziam o óbvio a tona. Olhei para , que anotava coisas em um papel e deixei meus olhos caírem sobre seu bíceps. Franzi a testa e fechei os olhos rapidamente para que parasse de me concentrar nessas... baboseiras sexuais? É isso mesmo, baboseiras sexuais. Sem querer aturar muito mais tempo a demora, bufei num som que fizesse acordar de suas anotações e largasse seu instrumento de escrita. Ele me olhou cansado e se virou para pegar uma pasta que estava em uma mesa próxima dele. De repente ouvi um barulho de metal se chocando contra uma das pernas da mesa e, sem chamar muita atenção, olhei na direção do barulho e me deparei com uma arma pendurada na calça de . Aquilo fez meus olhos arregalarem e meu corpo suar frio.
- Certo... agora... – ele se sentou na cadeira a minha frente, sem a mínima preocupação em não ser mais educado. Após isso, ele escreveu mais alguma coisa na folha sulfite. Me olhou atento, voltando sua atenção a mim, me causando certo incomodo. – Hoje. O que você viu hoje? Eu quero que você me desculpe de novo por estar de perguntando essas coisas, mas você é a única que pode nos ajudar.
- Bom... – ignorei as desculpas dele. Queria mais era que ele se ferrasse. Responder as perguntas iria fazer com que ele desgrudasse do meu pé, só por isso então, que estava respondendo tudo de bom grado. Bom, as desculpas posso ter até ignorado, mas a presença daquela arma na sala estava me causando sérias vertigens. – Eu fui ao salão ver se estava tudo pronto para cantar os parabéns para . Os cozinheiros me disseram que eles haviam aprontado tudo aquilo há umas duas horas já. Eu fui ver como estava à mesa... queria ver se estava tudo bonitinho. Só que quando entrei lá, eu dei de cara com aquele corpo todo cheio de sangue... e... e... e vi uns homens com capuz saindo pela janela, falando algo que não consegui entender. Na minha opinião, nem a nossa língua era, mas... bom, é tudo o que eu sei.
- Quantos homens eram? – indagou, sem parar de escrever coisas no papel. Eu não conseguia parar de olhar para a arma na lateral de sua cintura. Ele me olhou e sorriu, balançando a cabeça. Pegou sua arma e desarmou-a, jogando a munição na minha frente. Acabou provocando um grande estalo da munição contra a parte de vidro grosso da mesa, fazendo com que seu humor rude ficasse óbvio. Colocou a arma ao seu lado e tirou outra que estava presa abaixo de seu joelho, por baixo da calça. Jogou seu distintivo na minha frente, junto a um par de algemas que estavam penduradas em sua cintura, e olhou para mim com as mãos abanando e uma expressão indiferente. – Se sente melhor?
- Se dá para ficar melhor assim, tudo bem. – encarei agora a munição da arma que estava logo a minha frente, e franzi a testa tentando me lembrar de quantos homens estavam naquela sala, fugindo pela janela. – Bom, ao certo eu não vou poder te dizer. Pelo o que eu lembro, eram uns três homens pulando a janela, mas devia haver mais alguns que saíram antes. Eu entrei naquela sala justamente por causa de barulhos estranhos, vindo de dentro dela, além de também querer ver a mesa montada...
- Tudo bem. Teve algum contato com Benny naquela noite? – ele parou de escrever e me olhou sério, com a ponta da caneta batendo sobre o sulfite, já quase que todo preenchido. Levantei meu rosto e encarei o lustre acima de nós, que estava desligado.

Flashback ON

- ? – Mike desviou minha atenção de , que estava berrando enquanto era parabenizada pela maioria dos convidados que chegaram atrasados. Olhei para ele lançando um sorriso família feliz. Ele prosseguiu com uma voz mais baixa e simpática, causando minha estranheza, e me aproximando mais dele, para que pudesse ouvir com atenção o que fosse que ele ia falar que, pelo jeito, era importante. – Acho que alguém quer falar com você. – ele indicou com a cabeça, por meio de um movimento discreto, para a direção do canto da sala em que estávamos.
Olhei para a direção que ele indicou e me deparei com aquela pessoa, a qual não desejava nunca mais nem sequer ouvir o nome, de tão desgraçada que era; que me causava repulsa somente por existir. E lá estava ele. Benny me olhava fixamente, com um copo de bebida em suas mãos e com a outra frenética ao seu lado, fazendo menção para que eu me aproximasse. Cerrei os olhos e olhei para Mike, que continuava olhando para o amigo, com as mãos nos bolsos.
- Eu andei falando com ele hoje, parece estar arrependido de ter agido por impulso. Eu acho que vocês deviam ao menos conversar. Não precisa desculpá-lo, é só ouvir o que ele tem a dizer. – Mike agora me lançou um olhar que trazia conforto e deu um sorriso que, se eu não estivesse tão irritada com a vinda de Benny a festa de aniversário de minha melhor amiga, consideraria fofo.
- Olha Mike, eu...
- Morecos! – pulou em cima de mim e lançou um beijo estalado na bochecha de Mike que, como eu, acordou daquela atmosfera estranha que estávamos. Lançamos a ela um sorriso. Disposta a não dar continuidade àquela conversa absurda, comecei a inventar rapidamente um assunto para falar com . Senti um olhar decepcionado de Mike pesar sobre mim e encarei suas costas fortes indo em direção ao amigo, no final da sala, enquanto assentia com o rosto para que não percebesse que eu estava ignorando, literalmente, tudo que ela estava falando.

Depois de um tempo Mike já havia voltado a falar normalmente comigo. Isso deve ter custado longos minutos, pois não fiz a questão de contar; o importante é que agora estava eu, ele e conversando animadamente, já fazendo planos para a próxima festa que faríamos. Estávamos concentrados em achar alguém que pudéssemos usar como justificativa para mais uma festa; um aniversariante seria lindo, mas como não conseguimos pensar em nenhum em especial, decidimos fazer uma festa qualquer só para os amigos mais íntimos mesmo deles, porque minha intimidade só interessava a e a . Quer dizer, depende do sentido figurado que vocês levarem essa fala, claro.

- Podíamos continuar com esta iluminação na próxima festa. Não só eu, mas todo mundo adorou. Lucky realmente é muito bom no que faz. Podíamos tentar tirá-lo daquela jossa de bordel e ficarmos dando festas com ele sendo nosso DJ e iluminador. – bateu palminhas para mim e depois me olhou com uma cara óbvia de quem possuía problemas mentais.
- Sim, adoraria. Ela ia se dar muito melhor na carreira dela com ele trabalhando para ela! – sorri animada. – Mas até onde eu sei, ela contrata os DJs de acordo com as especialidades de cada um em relação à preferência do cliente no tipo de música. Acho que o serviço de bebidas e coquetéis deveria continuar também. Adorei; eles fazem cada mistura que me viciam! – brinquei dando um exagerado gole em meu delicioso Sex on the Beach.
- Ah, mas ele toca de tudo, que seja. – ela olhou descontraidamente para o lado e aproveitou para dar um selinho rápido em Mike, que estava exatamente na direção para qual ela tinha virado; dando a idéia de que aquilo havia sido proposital. Voltou o olhar para mim com um sentido cruel e disse sorrindo. - É, realmente... é muito difícil te viciar em álcool... – fez uma cara de sarcasmo, depois me mandou um beijinho ao vento, percebendo a minha cara de irritação. Mike estava estático, só rindo e acompanhando a nossa conversa. E como eu, estava acompanhado com uma fiel bebida alcoólica, que nós fazia manter a calma e fingir muito bem que nada estava acontecendo.
- Com licença... – senti um leve toque sobre o meu antebraço desnudo e me virei, soltando uma gargalhada derrotada para , que piscou marota para mim. – ?
- Sim? - ergui uma sobrancelha, em sinal de desentendimento, para um baixinho barrigudo que vestia uma camiseta social branca de botões, a mesma que os barmen estavam vestindo. Ele me olhou esperto e prosseguiu sua fala.
- Um senhor que estava no bar pediu para que eu lhe entregasse isto. – ele me ergueu um chumaço de papel amassado. Eu tomei um gole de minha bebida pelo canudo e olhei com mau pressentimento para o papel. O homem, sem entender, balançou o papel em suas mãos para que eu pegasse logo e ele pudesse voltar ao trabalho.
- Obrigada. – hesitei um pouco antes de pegar o papel amarelado, todo danificado, e assenti para o homem, que fez o mesmo, e logo depois partiu para fora de meu cenário de visão. Fiquei angustiada com o ocorrido e bebi mais um longo gole de minha bebida, fazendo com que ela, infelizmente, chegasse ao seu fim. A causa do meu afogamento de mágoas era óbvia, pois não havia dúvidas de quem era o autor daquela merda de bilhete.
Ignorei um pouco Mike e , que conversavam frenéticos e mal notavam minha presença ali, e me direcionei a um balcão, logo atrás de nós, para que ele servisse rapidamente como encosto ao meu copo sem nenhum preenchimento mais. Respirei fundo e fechei fortemente os olhos, com medo do que estava por vir, e abri rapidamente o papel amarelado e distorcido, o qual revelou palavras mal elaboradas. Eu alisei sua extensão para facilitar um pouco a compreensão da letra garrancho.

Não tente fugir de mm. Sei o que fiz, e as conseqüências do que isto trouxe e irá trazer para ambos. Quero conversar com você nem que seja a última coisa que eu faça. Parti em direção ao salão onde será cantado o parabéns para a conversa seguir de forma mais reservada. Não se preocupe, tem pessoas ao redor; não irei tentar fazer nada, como você já deve estar imaginando.
Benny xx


-, estamos indo ajudar a Dona com os presentes. – lançou beijinhos para mim e seguiu de mãos dadas com Mike para o rumo deles. Não me lembro direito se os respondi direito ou não. Estava sobrecarregada de adrenalina naquele exato momento, e tudo o que estava querendo era me esquecer do que acabara de acontecer. Revirei os olhos e xinguei mentalmente aquele abusado autor do bilhete. Álcool, onde está você?

Flashback OFF

- Bom, depois de alguns minutos de minha chegada, fui conversar com Mike, que me disse que Benny estava no final da sala e queria falar comigo. Eu simplesmente ignorei isso e voltei a conversar com a minha amiga. – franzi a testa e me lembrei do ocorrido. Eu realmente não havia parado ainda para pensar em meu último ‘contato’ com Benny. Nem ao menos lembrava que havia o visto... é, como havia pedido, o álcool, eterno amigo, me deu uma ajudinha.
- E depois disso, você viu para onde ele foi? Se saiu do prédio, foi dançar, essas coisas... – indagou, com os olhos presos ao papel, parecendo estar relendo tudo que já havia escrito com base nas minhas palavras de testemunha. Estremeci, porque me causava até calafrios imaginar a reação dele quando eu fosse dizer sobre o bilhete, e pior... mostrá-lo. Tudo que eu temia era me tratarem como uma suspeita e, provavelmente, é o que iria acontecer. Mas esconder coisas da polícia só iria complicar mais ainda para o meu lado. Respirei fundo, derrotada, e olhei-o sem emoção.
- Tem mais uma coisa que aconteceu hoje. – minha expressão passou a ficar entristecida, e ele arqueou suas sobrancelhas com interesse. – Bom, obviamente, ele percebeu que eu havia ignorado ele. E se não percebeu por si só, Mike, que foi falar com ele logo após eu me recusar a conversar com Benny, deve ter dito algo do gênero. Depois de uma boa quantidade de minutos, um barman veio até mim e me entregou isto... – fui em busca da minha bolsa, que estava sob a mesa, e retirei de lá o mesmo chumaço de papel amarelado que havia recebido hoje mais cedo, quando sua autoria ainda respirava e seu sangue circulava em suas veias; quando seus ossos ainda faziam parte de seu corpo. Apertei o bolinho de papel contra a minha mão, e observei olhá-la com uma cara suspeita e séria ao mesmo tempo – , primeiro eu queria que você soubesse que eu não tenho nada a ver com isso, tudo bem? Eu juro que não fiz nada, juro mesmo. – entreguei a ele, que abriu sua mão larga para mim, e depositei o papel amassado, com um pouco de medo. - Isto foi só entregue para mim, não posso fazer nada.
Primeiro, como eu na festa, ele endireitou o papel sobre a mesa e passou a mão diversas vezes sobre o mesmo, para que pudesse entender aquela letra melhor e tirar as dobradiças fixas que o amasso causava ao papel. Quando viu que não poderia melhorar, ergueu o papel um pouco para cima e analisou a escrita. Seus olhos percorreram o papel inteiro. Pelo o que pude perceber, até para partes onde não havia escrito, como o lado de trás da folha, onde não havia escrita alguma.
- Você foi ao encontro dele? – ele tirou, depois de diversos minutos, os olhos do papel e os dirigiu a mim, que estava com o comportamento, provavelmente, de um criminoso dos feios. Eu respirava com dificuldade e a tremedeira da minha mão chamava até mesmo a minha atenção. Fui obrigada a colocá-las escondidas em meio de minha perna cruzada e rezar para que não tivesse percebido. Mexi minha cabeça negando a sua pergunta e ele não tirou os olhos de mim. Abaixou o papel e o deixou sob a mesa. – Então por que mesmo você foi para o salão depois?
- Bom, – levei uma de minhas mãos trêmulas a testa e fechei os olhos, devido ao cansaço desse assunto. – eu conversei com mais tarde, e ela me perguntou se já não estava na hora dos parabéns. Eu me ofereci então para ir lá ver se estava tudo preparado, pois já era quase meia noite e o parabéns, para não passar da data do aniversário de , teria que ser antes da meia noite. Eu já te disse isso !
- Você quer me dizer mais alguma coisa? – balancei a cabeça negativamente. Ele encostou as costas na cadeira e me olhou com uma cara pensante, enquanto coçava a parte inferior de seu queixo com a ponta do lápis. – Tem idéia do por que Benny tentou te ligar?
- Não... Eu quebrei uma garrafa na cabeça dele! Não sei o porquê dele querer falar comigo. Provavelmente devia estar querendo me bater, mas insistiu bastante para falar comigo. Como rejeitei todas às vezes, ele deve ter achado que me ligando, tudo seria mais fácil, pois o nome dele não consta na minha lista telefônica, e eu atenderia como sendo um número desconhecido... – descansei minhas costas na cadeira, igual a ele. – Bom, também tem aquilo da festa. Eu simplesmente o ignorei e ele devia estar querendo falar algo para mim para se desculpar. Ou me bater, tanto faz. Mas provavelmente não era nada sério. Ele escreveu suas últimas anotações sobre o papel e o dobrou, colocando dentro da pasta, seguido do bilhete que havia recebido de Benny horas antes de sua morte.
– Eu vou ter que ficar com este bilhete. Tenho que enviá-lo para exames e analisar melhor o escrito, pode ter algo por trás dele; desculpe-me. – ele levantou sua pasta sob a mesa e me olhou compreensivo. Eu balancei minha cabeça positivamente para ele ,que voltou a falar com sua voz cansada. - Vou ajeitar ainda mais umas coisas e te levarei para sua casa, mas queria te alertar de algumas coisas... – ele se debruçou sobre a mesa e entrelaçou os próprios dedos, me olhando sério, deixando sua pasta sobre a mesinha perto dele. Seus olhos traziam vestígios de cansaço devido as discretas bolsas de olheiras arroxeadas que estavam se formando a baixo de seus olhos. – Tome muito, muito cuidado quando estiver andando pela rua, tudo bem? Evite sair no período noturno desacompanhada de presença masculina e, o mais importante, tudo que você disse aqui está em um sigiloso segredo, entendeu? – assenti e ri fraco com o momento papai e filhinha. – Eu não estou brincando . – ele levou seu indicador e seu polegar a área franzida entre seus dois olhos e a apertou, enquanto fechava-os fortemente. Certamente, não era só eu a cansada ali.
- , está tudo bem, eu não vou...
- Você vai sim e vai fazer tudo o que eu mandei. Ainda não ficou claro? – ele elevou o tom de sua voz e, num pique de energia restante, me olhou com olhos que pareciam cavar minha cova. – Você é a testemunha mais importante que eu tenho, não posso te perder agora; não nessas circunstâncias. – ergui meu olhar a ele, pois haviam se direcionado ao chão devido a sua bronquinha e, iludida, voltei a falar.
- Que circunstâncias, ? – apoiei meu cotovelo sobre a mesa de vidro e o olhei sorrindo por ter medo de me perder.
– Realmente... o que seria do grande e tão famoso xerife sem provas, não é mesmo? – bufei irritada com ele querendo me proteger porque eu era a prova de algo. Nem eu mesma havia entendido a situação, mas era isso que estava parecendo acontecer. O grande lamento pela perda de minha vida miserável seria a falta de provas descentes de um assassinato violento de Beaumont.
- Não seja infantil a ponto de ficar magoada, . Eu só estou fazendo o meu trabalho! Você sabe de muita coisa que, por mais inútil que seja, vai nos dar rumo as investigações. – meu sorriso irônico desapareceu por motivos óbvios, e ele não se alterou nem um pouco com a minha afirmação maldosa em relação a mim mesma. Simplesmente a ignorou e respondeu como se nada tivesse ocorrido, conseguindo me irritar mais ainda. – Quem quer que seja que assassinou Benny, não estava brincando. Aquilo não era nada normal. Você ainda mencionou que presenciou a saída de homens encapuzados pela janela... – ele olhou atentamente para o chão e encostou suas costas na cadeira, vencido. Manteve um de seus braços sobre a mesa, brincando com a caneta, a qual havia usado minutos antes desta conversa em seu relatório. – Aquilo deve fazer parte de algum tipo de brincadeira. Cá entre nós, quem deixaria uma pessoa sem ossos? Simplesmente desossaram Benny e o deixaram pele com pele, com exceção dos órgãos, que a perícia já me confirmou estarem todos lá...

voltou a se aproximar da mesa e, como eu, apoiou o cotovelo sobre a ela, fazendo com que suas mãos servissem de encosto a sua cabeça. Pelo seu jeito inquieto, parecia estar pensando em hipóteses ou algo relacionado ao crime. Não conseguia me manifestar, estava imóvel desde a hora que ele havia começado a falar sobre os detalhes do assassinato, que me levaram a flashes daquela situação que havia presenciado... Comecei a pensar junto a sobre tudo que havia ocorrido, ignorando meu medo e angústia em relação ao momento sanguinário de minha vida. Alguém que simplesmente retira os ossos de uma pessoa não possui nenhum intuito; só se estiver relacionado a bruxaria, macumba e essas coisas que não haviam sentido em ser...

- As torturas conhecidas hoje em dia da Idade Média não chegam nem perto desta atrocidade. Duvido que fosse modo de puni-lo ou algo do tipo. – me olhou sério e continuou raciocinando em sua cabeça, falando alto seus pensamentos. Quando mencionou a palavra punição, eu estremeci na cadeira. Porque, se tivesse sido mesmo esse motivo, a punição seria por minha causa? Quero dizer, tinha me dito que Mike a contou que Benny não era um homem de fazer o tipo de coisa que tentou fazer comigo... então tudo seria automaticamente direcionado a mim, com historinhas infames de eu estar sedenta por vingança? Lamentei ali e franzi meu cenho, em sinal de preocupação. Era tudo tão injusto. Eu não havia feito nada, mas tinha que estar no meio dessa confusão? É, ainda não sei por que as pessoas ficam chocadas com a minha auto estima, que sempre era baixa. Olha as coisas que acontecem comigo... Sempre eu, sempre! Afundei meu rosto em minhas mãos abertas e me lembrei de algo que ainda não estava esclarecido sobre o episódio mortal. Não que as coisas estivessem claras, mas em relação a isto, eu não fazia nem idéia de onde era a origem ou algum tipo de sinônimo coerente. - Ainda tinha aquelas três palavras que nem imagino o significado... – Coloquei o meu indicador na boca tentando tirar respostas do além. Não tive sucesso, então voltei a falar. estava quieto havia minutos e aquilo estava me incomodando profundamente.
- ... – ele me ergueu o olhar, e eu consegui me lembrar claramente das três palavras que estavam relacionadas ao assassinato... Maet, Gevura e Guementart, todas localizadas em seu antebraço flácido devido à ausência de ossos. Realmente não havia intuito nenhum naquele assassinato. Poderiam ser capangas de rivais de Benny, mas muito improvável. Ninguém retornaria ao século vinte e daria todo aquele ar teatral de até capuz serem usados, para cometer um crime mortal... hoje em dia todos os problemas eram resolvidos por meio de um tiro na boca ou algo do tipo... Estava mais do que óbvio que algo místico envolvia toda a razão do assassino. – Você precisa descobrir o que aquelas palavras significam; provavelmente são a chave de tudo.
- Eu sei. – ele assentiu com uma voz vaga.
- Elas podem fazer parte de algum tipo de ritual que possa te levar ao objetivo e causa disso tudo. Bom, é em rituais que as palavras desconhecidas são mencionadas, não é? – sorri ao levar meus conhecimentos criminais inspirados em livros como o Código da Vinci e Anjos e Demônios como hipótese. Bom, pelo menos minhas horas de leituras no cabeleireiro demorado não passariam em vão...
- É bem possível. – ele me olhou com uma cara inexpressiva e voltou a falar com mais emoção na voz. – Na verdade, é a hipótese que mais chega perto. Pelo menos com as informações que temos até agora. Amanhã eu vou pensar melhor sobre isso. O local onde tudo ocorreu foi lacrado e ninguém sairá de lá sem ser interrogado. Deve existir alguma informação extra por lá; precisamos só de mais um pouco para engatarmos as investigações e vou pegar este assassino com minhas próprias mãos, futuramente. – arregalei os olhos para ele, que havia se empolgado com a situação. – Só existe um mal nisso... – ele me olhou com a expressão mais serena que devia estar conseguindo forçar e voltou a falar com a voz um pouco mais séria e descontraída. – Se isso foi mesmo um ritual... o assassino continuará a matar. Nada se resolve em uma morte para esses fanáticos religiosos ou seguidores de crenças. – estremeci. – Desculpa. – ele se aproximou um pouco de mim, notando o medo gelar meu sangue. – Desculpa, eu acabei raciocinando alto, não queria te assustar. Nada vai te acontecer, tudo bem? Vou te por no programa de proteção à testemunha e tudo vai ficar bem. Ignore o que eu disse. Leve sua vida normalmente, só que de forma mais madura. – sorri ao ouvir sua última fala. O lema da minha vida era não ligar para nada; como eu a levaria tendo que maneirar minhas saídas e atitudes noturnas? Quero dizer... eu nunca tive juízo! Principalmente quando o sol se ausentava.
O meu único juízo após as sete horas da noite se chamava álcool, e eu posso te garantir que com ele não existem limites.
- Você... você acha que isso tudo vai continuar? – senti meu rosto corar e bolsas de lágrimas se formarem em meus olhos, prestes a se explodirem pela milésima vez já naquela noite.
- Não, não. Bom, tudo indica que sim, mas eu vou pegá-lo antes que tenha chance de continuar isso, e nada vai te acontecer. Faço questão de eu mesmo lhe proteger, tudo bem? – ele passou levemente uma de suas mãos sobre a minha trêmula, que repousava na mesa. Mas que ao sentir seu toque, ela evacuou rapidamente para trás e foi acolher meus olhos teimosos, que deixavam algumas lágrimas escaparem. – Bom, eu queria que você ficasse tranqüila. Eu sei que você não tem nada a ver com isso, então não tem diretamente o porquê de você sentir medo. Finja que nada aconteceu, tudo bem?
- Posso saber por que esta certeza absoluta que eu não fiz nada, Xerfie? - ele se debruçou na mesa novamente e me encarou sério. Eu forcei mais um pouco minha voz para que ela parecesse mais determinada, e não sobrasse mais nenhum indício de choro sobre mim.
- Eu te segui... Eu vi você saindo do salão de festa na hora que eu estava indo embora. Então te segui não sei exatamente o porquê, provavelmente foi algo instintivo... Bom, eu fiquei na cozinha esperando por você sair de lá e a ouvi berrar, fui ver o que aconteceu e você já sabe o resto da história.
- Tudo bem , não se preocupe. – respondi com a voz já cansada, e ele me olhou inexpressivo.
- Desculpa , mas não foi desta vez que você conseguiu ser presa, de novo. – ele sorriu, e eu ergui as sobrancelhas sem humor. Ficamos em silêncio durante alguns minutos e ficaríamos por mais se não fosse minha teimosa barriga, que resolveu roncar de fome naquele exato momento silencioso, de forma notória. Corei. Ele estava olhando para algo longe, mas logo quando ouviu o barulho, direcionou seu olhar a minha barriga, que havia sido envolvida pelos meus dois braços envergonhados. Me lançou um sorriso divertido e perguntou de forma sarcástica. - Tá com fome?

Sem nem me dar tempo para negar, ele se levantou sorrateiramente, enquanto pegava sua pasta localizada numa mesinha e a colocava dentro de uma gaveta do grande cômodo perto de nós, trancando-a e depositando a chave em um de seus bolsos. Voltou-se a mim e eu afirmei. Acho que eu havia ingerido alguma coisa só na hora do almoço e já era madrugada. Resultado de tudo isso: eu estava faminta e meu estômago estava roncando de forma vergonhosa.

- Eu não sou um bom cozinheiro, mas antes de você acordar e começar a berrar, eu havia preparado um chocolate de panela para você. – ele respondeu sério e não pareceu entender o porquê da minha risada. Foi em direção ao quarto e voltou à sala, com a panela que eu havia visto em sua mão na hora que tinha acordado. Colocou a panela na minha frente e saiu da sala. Eu estava completamente perdida, pois mal sabia em que cômodo ao certo da casa estava; só sabia que, ao lado de mim, existia um quarto com uma linda paisagem na janela. E que na sala onde estava tinha uma porta que devia ser a saída/entrada da casa ampla. Ele voltou à sala com duas colheres nas mãos e me balançou uma delas para que eu pegasse.
– Me fale, qual é sua origem aqui? – ele pegou um pouco de chocolate com uma colher e comeu. Fiz o mesmo, e eu não pude evitar uma careta de prazer por estar preenchendo minha barriga finalmente.
- Eu, na verdade, sou do Canadá. Minha mãe abandonou meu pai quando eu era pequena e meu pai me vendeu ao Rockings. – falei sem mudar de expressão, pois essa desgraça já era tão real para mim que parei de me sentir afetada ao comentar a respeito dela havia tempos. Diferente de , que me olhou com os olhos um pouco arregalados, indicando sua inconformação. Eu observei sua reação, que era idêntica a das outras pessoas quando eram expostas a minha história do passado distante, e sorri.
- Você... é órfã? – indagou sério, e eu mantive meu sorriso fraco para ele, enquanto pegava outra colher de chocolate, sentindo meu estômago ainda latejar de fome.
- Prazer, meu nome é – ele voltou a comer olhando para o nada. – E você, qual é a sua origem?
- Eu sou de São Francisco. Meu pai era policial também e foi por causa dele que acabei virando isto aqui... Eu estava trabalhando por lá, mas como todos os meus parentes já estão mortos, e eu me cansei daquela cidade, pedi transferência. E colidiu com a aposentadoria de Mark Goyas. Voilá.
- Hum. Mark era legal. – respirei fundo, tentando espantar a minha canseira, e peguei mais chocolate. Ele colocou a colher dele sobre a mesa e se encostou na cadeira pela milésima vez já naquela noite; ergueu o pescoço para trás com os olhos fechados. Igualmente cansado como eu.
- Eu não sou legal?
- Nem sei quem você é direito. Para falar a verdade, você esteve presente em todos os meus piores momentos recentes. Então, a má impressão é inevitável, desculpe. – sorri, e ele abriu os olhos, me encarando vorazmente.
- Posso saber então o que aconteceu depois que você teve que morar no Rockings, ou vai começar a me bater de novo?
- Bom, eu cresci lá, mas depois de um tempo... vamos dizer que Chandler teve que começar a me respeitar por obrigação. – sorri ao lembrar-me das fotos que o chantageiam até hoje, trancadas a sete chaves em um esconderijo secreto. Ele me olhou sem entender e eu suspirei. – Digamos que nada que uma boa chantagem não resolva.
- Chantagem? – ele sorriu esperto para mim, desencostando as costas da cadeira e aproximando-se da mesa, consequentemente se aproximando de mim. Eu concordei com a cabeça e coloquei minha colher junto à dele, já me sentindo enjoada de tanto chocolate. – Posso saber que tipo de chantagem é essa?
- Ah, mas você adoraria saber não é mesmo? – sorri para ele, mordendo os próprios lábios timidamente, para me assegurar que não restaria nenhum resíduo de chocolate pela região, e sem quere acabei fazendo franzir a testa e sorrir junto a mim.
- Chantagear é crime. – ele aproximou a cadeira dele da minha e eu gargalhei alto.
- Vai finalmente me prender, xerife? – sorri, partindo mais ainda o espaço entre nos e dei um selinho rápido nele, que pareceu surpreso, mas depois sorriu mais abertamente.
- Quem sabe... – ele colocou as mãos sobre as costas da minha cadeira e não tirou os olhos de minha boca até puxar minha cadeira rapidamente ao encontro da dele, e me puxar pela barra do vestido curto para um beijo.

Não hesitei em abrir passagem para que sua língua me invadisse. Muito pelo contrário, deslizei minha língua a sua boca mais rapidamente que o próprio, que me pressionava contra ele por meio da força contrária que investia em minhas costas.
Eu sorri durante o beijo, e ele mexia sua língua cada vez de forma mais sincronizada e rápida com a minha. Uma de suas mãos foi em torno de minha cintura, dando leves apertões pela região, e eu parti o beijo rapidamente. Ele me olhou completamente perdido, quando me levantei de minha cadeira, ficando a sua frente. Ele direcionou suas duas mãos para cada lateral de meu quadril, eu coloquei as minhas mãos sobre as dele e ergui meu pescoço para trás soltando um breve gemido. Ele explorava toda a região de meu quadril com suas mãos e logo depois, alcançou minha bunda. Eu sorri e voltei a encará-lo. Subi a barra de meu vestido, prendendo os olhos dele sobre minha coxa quase que inteiramente exposta e me ajoelhei sobre a cadeira que ele repousava. Flexionei meus joelhos, um de cada lado dele, e ele me puxou pela cintura e começou a mordiscar meu busto, exposto pelo grande decote de meu vestido bege. Embrenhei uma de minhas mãos em seu cabelo e comecei a bagunçá-lo à medida que ele beijava agora a região de meu colo. Ele colocou as duas mãos sobre meus ombros me puxando para baixo, querendo que eu sentasse sobre sua ereção que, pelo que pude ver, já estava bem evoluída. Sorri para ele, soltando um gemido de negação, e flexionei mais meus joelhos, fazendo com que assumisse uma posição parecida com a de quatro, só que mais desajeitada devido à cadeira em meu caminho. Encarei sua ereção sobre a calça jeans de perto; dedilhei a parte inferior ao seu umbigo até o botão de sua calça. Àquela hora, ele já havia desabotoado todos os botões de sua blusa e eu sua calça; puxei-a um pouco mais para baixo e rocei minha boca em sua ereção, coberta ainda pela boxer preta. Ele jogou sua cabeça para trás, embrenhando agora suas mãos em meu cabelo, forçando minha boca ao encontro de seu membro novamente. Abri a boca e ameacei varias vezes a colocá-la em sua ereção. Sorri com minha própria maldade e apenas depositei um beijo sobre ela, subindo minha trilha de carinhos até chegar próximo ao seu ouvido. – Vai me prender, Xerfie? – gemi perto de seu ouvido enquanto mordia o lóbulo de sua orelha. Ele colocou as mãos sobre minhas coxas e sorriu.

- Você quer ser presa? – voltei a minha trilha de beijos até chegar a sua boca, depositando um selinho lá como havia feito logo abaixo. Coloquei minhas mãos em volta de seus ombros largos e sorri, concordando com a cabeça e de olhos fechados. – Menina má. – eu gargalhei mais alto agora, devido a está fala tão clichê, mas que pareceu me incendiar mais ainda por dentro. Passei uma de minhas mãos, que repousava sobre seus ombros, para sua nuca, o puxando para mais um beijo, mas não tão caprichado, já que era outra coisa que eu tinha em mente. Enquanto o distraía com o beijo, ergui minhas mãos para trás de , fazendo com que elas encontrassem a ponta da mesa. Alcancei a roda de ferro e sorri, abrindo os olhos.
– Feche os olhos, tenho uma surpresa para você. – ele bufou e fechou os olhos. Sorri ao colocar em meu ombro o par de algemas que ele havia colocado sobre a mesa quando conversávamos sobre assuntos mais sérios que esse, e me levantei de seu colo. Quando ele estava quase se levantando em sinal da impaciência e reprovação por minha atitude eu o impedi. – Se você ousar se mexer ou abrir os olhos, estará mais frito do que já está, xerife.

Ele se sentou novamente e eu caminhei até as costas da cadeira que ele estava sentado, ergui sua cabeça para trás, repousando-a sobre meu busto. Dei um breve beijo em seu maxilar e comecei a massagear a lateral de seu braço. Eu dei um sorriso ainda de olhos fechados e abaixei minhas carícias até chegarem a seus pulsos, os juntando nas costas da cadeira. Peguei as algemas e fechei seus pulsos nela. Sorri de forma genuína ao ouvir o estalo do ferro travando, me levantei novamente e comecei a beijar sua nuca. Ele abriu os olhos com certa fúria e me olhou.

– O que você pensa que está fazendo? – eu sorri e ele me olhou como se estivesse olhando para uma maluca com ida de graça para o manicômio.
- Te divertindo e me divertindo. Cala boca, . – dei nele um selinho demorado e voltei a ficar na sua frente.

Olhei para ele com dúvida em qual peça retirar primeiro. A blusa já aberta cobria demais aquele peitoral forte e largo, então como era praticamente impossível tirá-la com as mãos dele algemadas, peguei as mangas de sua blusa e as rasguei, jogando os trapos de pano logo atrás de mim. Ele balançou a cabeça negativamente e pronunciou algo relacionado à “maluca”. Sorri com o elogio e me ajoelhei sobre ele puxando sua jeans para baixo. Não consegui prender um gemido ao ver o imenso volume que sua boxer já deixava a mostra. Me sentei sobre ele, que também se sentiu obrigado a soltar um gemido quando teve sua ereção deliciosa pressionada por minha bunda em seu colo. Do mesmo jeito que fiz para pegar as algemas, peguei minha bolsa que estava na cadeira onde eu estava sentada, tirando dela um cassetete, que fazia parte de minha fantasia policial. Ele me olhou com espanto e eu lancei a ele um sorriso esperto. Balancei o cassetete para os lados e peguei cada ponta com uma mão, deixando o cassetete cair em volta de sua cabeça. O puxei, fazendo com que ele viesse mais para frente e desse com a boca em meu pescoço. O próprio começou a dar fortes chupões e beijos sobre a região. Fiquei ali, aproveitando o prazer que ele estava me proporcionando, durante alguns minutos, e distanciei um pouco meu corpo do seu. Peguei a panela de chocolate que estava repousando na mesa logo atrás de e sorri maldosa para ele.

– Quer chocolate, ? – eu mordi os próprios lábios ao oferecer um pouco daquele delicioso chocolate a ele. Ele assentiu com um sorriso esperto, já entrando na brincadeira. – Abre a boca.
- ... pense melhor. Porque, depois destas provocações todas, não vai existir orgulho que me faça parar. – ele disse com a voz falha, antes de abrir um pouco a boca. Direcionei uma bela colher de chocolate a sua boca, deixando escapar chocolate dela de propósito, antes mesmo dele fechá-la. Comecei a limpar a parte suja em seu abdômen musculoso de chocolate, com a minha língua. Enquanto ele degustava o chocolate, derramei mais um pouco sobre ele, só que desta vez em seu pescoço, que escorregou sorrateiramente pela extensão de sua clavícula. Sorri maleficamente antes de chupar cada centímetro sujo de chocolate da região.
- ... – ele balançou a cabeça de olhos fechados, me encorajando a continuar e eu me ergui, ficando com a minha boca a centímetros da dele. Percebendo a aproximação, ele me encarou com os aqueles globos brilhando.
Eu enchi mais uma colher de chocolate, coloquei a panela de volta na mesa e encostei minha boca na dele, o fazendo abrir a sua. Peguei a colher com mais chocolate e a depositei dentro de sua boca, retirando-a depois e deixando apenas o doce. Quando ainda nem havia fechado a boca, eu já havia o beijado com vontade, pressionando meu corpo ao dele meio a movimentos circulares, sentindo sua ereção pulsar em minha intimidade.
– Me diz... – gemi meio aquele beijo, que estava quase me fazendo chegar ao orgasmo ali mesmo. – Onde você quer... – dei uma mordidinha na parte inferior de seu lábio. – Que eu coloque... – voltei a beijá-lo velozmente, que retribuiu com a mesma intensidade. – O resto do chocolate? – finalizei o beijo com minha língua limpando em volta de sua boca suja por chocolate. Senti ele sorrir contra o meu lábio e me lançar seu olhar.

Ainda em seu colo eu me virei de costas e inclinei minha postura um pouco mais para frente, para que pudesse subir e descer o zíper de meu vestido, localizado na parte bem inferior de minhas costas, revelando minha região lombar e, como dizem, o cofrinho. Com os olhos de observando minha atitude, fechei novamente o zíper e me virei para ele, que estava com um sorriso encantado no rosto. Alonguei um pouco meus dedos e depois a lancei contra sua ereção, massageando-a calmamente, mas parando subitamente ao ouvir uma buzina. soltou um urro de dor. Quando demos conta da buzina, fingi uma cara de espanto, e ele bufou irritado.

- Deve ser o . – revirou os olhos. – Me solte e entre no quarto, depois darei um jeito em você.
- Que blefe, ! – dei um tapinha em seu peitoral gargalhando. Ele me olhou apreensivo, pois, provavelmente, não estava entendendo o meu bom humor. Voltei a falar de forma óbvia e clara, sem tirar o humor do rosto - Não é não, tenho certeza que da Washington Boulevard até este fim de mundo, deve demorar umas boas horas de viagem. É apenas o táxi que eu chamei! – sorri vitoriosa para ele, que me lançou uma expressão incrédula e, ao mesmo tempo, de interrogação. Sorri inocentemente e me levantei de seu colo. Apenas estiquei meu indicador para que encontrasse a alça de minha bolsa que estava sobre a mesa e me distanciei de . Ele não disse mais nada, apenas ficou me olhando com uma expressão difícil de justificar. O maxilar travado trazia a impressão de ódio, mas os olhos arqueados me lembravam algo relacionado à decepção. Então parei ao seu lado e dei um beijo estalado em sua bochecha. – Até mais . Tente se soltar, ou não assustar o . Ele deve estar para chegar.

Saltitei infantilmente até a porta, que se localizava a alguns metros da cadeira em que estava sentado, e destranquei-a com a chave que estava já em sua maçaneta. Abri a porta e fiquei entre ela e a saída. Lancei um último olhar de pena para , que ainda estava imóvel e me olhando com a expressão X.
– Eu disse que teria troco, .
Lancei beijinhos ao ar e me dirigi ao táxi, que me esperava com a primeira sensação boa daquelas vinte e quatro horas infernais. Provavelmente havia sido a sensação mais vitoriosa e cômica que poderia ter sentido naquela noite desastrosa.


Capítulo 4
[n/a: Sugestão de música: Butterflies and Hurricanes – Muse]

O ar fugia de meu pulmão. O vento passava rapidamente, causando a impressão de lâminas ácidas sobre minha pele antes pura. Minhas pernas se mexiam como se não houvesse outra alternativa, e de fato, não havia. Sem destino. Sem caminho. Meu caminho havia acabado. Meu destino havia acabado. A resposta estava a minha frente, porém protegida por ossos espetados sobre a terra maciça. Ossos? Ah, ironia. Meus olhos se confundiram na ilusão e passaram a encarar símbolos sem sentido, um deles era reto com listras grossas e se aproximou virtualmente de minha imagem deplorável encolhida no chão árido, uma estrela? Ah, Texas. Não, uma estrela não iria me matar. Não iria, iria? A mesma estrela se ergueu ao meu alto, estourando luzes que flamejavam, meus sentidos se enfraqueceram e meus olhos se perderam, juntamente com meus membros antes umedecidos e agora desidratados.

Ah, respostas... algumas vêm com o jornal pela manhã. Infelizmente nem todas.
Faz duas semanas depois do alvoroço todo que ocorreu na festa de aniversário de , aniversário arruinado para falar a verdade. Fiz questão de chamar alguns poucos amigos íntimos de para comerem um lanchinho aqui em minha casa e cantar um parabéns descente a ela já que isto acabou estando fora de cogitação em sua própria festa de aniversário.
Bom, como havia mencionado, o tempo passou e pelo o que O’Connell me informou, as investigações começaram seu andamento logo após o dia em que o assassinato ocorreu, parecia que o porteiro havia vendido informações de ouro a polícia, informações das quais eu infelizmente não tinha acesso devido ao momento de má sorte que fiz passar... Depois do dia da minha mera vingancinha não havíamos mais nos falado, provavelmente deve estar constrangido demais para olhar em minha cara, mas pensar naquilo me fazia ter que segurar boas risadas... encontrando na cadeira algemado só de boxer devia ter sido um momento impagável... Mas para falar a verdade, devia ter sido esperta um pouquinho mais só e ter colocado uma câmera gravando a cena, só para ter o gostinho de fazê-lo reviver aquele momento toda hora que fosse me importunar... Ok, , você e esse seu vício de congelar momentos constrangedores das pessoas por meio de maquinas tecnológicas, precisa seriamente parar com isso... Bom, mas o que eu preciso parar mesmo é de ficar filosofando logo na hora em que acordo, um bom banho, isso sim me faria um ótimo grado.
Sentei-me sobre a cama e não moderei em minha espreguiçada e em meu bocejo, não contive um olhar feio aos raios solares que insistiam em entrar através de minha veneziana e bufei indo em direção a própria decidida em encarar o mal pela raiz. Respirei fundo e puxei o cordão que expunha as finas tiras de minha veneziana para cima, fazendo com que os raios antes tímidos, agora invadissem sem moderação meu quarto, fazendo minha careta só piorar e eu fechar os olhos fortemente. Soltei um gemido de desilusão e fui em direção do banheiro para minha limpeza matinal enquanto já tirava minha blusa.
Deveria ser proibido uma pessoa se encarar logo ao acordar no espelho. As pias não deveriam ser acompanhadas por espelhos, porque minha auto estima cair ferida logo às nove e meia da manhã não é algo bom para o decorrer do dia que sempre só tende a piorar. Fingi ignorar minha imagem semi-zumbi que o espelho insistia refletir e apertei a pasta de dente sobre minha escova, preenchendo-a por um líquido pastoso azul com “floquinhos” brancos, sorri com a minha infantilidade ao ficar reparando nestas coisas e comecei a escovar os dentes calmamente, enquanto erguia minha atenção, vez ou outra, para a televisão ligada no noticiário da cidade. Como sempre, nada de importante, então resolvi terminar minha higiene matinal sossegada sem interferência tecnológica ou social. Minha barriga roncava de fome então fui a cozinha fazer um pouco de cereal para acalmá-la antes de tomar banho.
- Glaciers melting in the death of night and the superstars sucked into the supermassive, uhhhhhh-ahhhhhh you set my soul a-light! – Cantava da forma mais desafinada possível e dançava enquanto mexia meu cereal de um jeito juntamente desajeitado sorrindo comigo mesma, voltei para o meu quarto sorrindo para minha futura refeição e sentei em minha cama, voltando a ver aquele noticiário chato de televisão.
A televisão é uma coisa complicada, não é? Se você for ver de manhã, vai provavelmente se divertir muito com desenhos infantis ou reportagens de como o tempo está, e isso foi irônico! Bem, aí chega a tarde, o horário que a maioria das pessoas tem o que fazer e a única hora na qual passa coisa decente nos canais, bom, mas se você não se contenta com a infelicidade de não poder ver nestes dois horários, (Ontem foi incluído mais dois suspeitos a lista de assassinos do jovem Benny Ryan, um adolescente morto brutalmente há duas semanas atrás...) você tem a noite, onde ou é filme de bonecos de cera girando as próprias cabeças enquanto estão exprimindo guacamole da goela, ou (A reunião ocorrerá no final desta tarde em busca de mais indícios...) a melhor opção de todas, você pode ver uma mulher elástica sendo magicamente comida por vinte homens ao mesmo tempo. Enfiei minha colher na tigela com força devido ao meu desabafo mental fazendo um pouco de leite cair sobre a minha roupa. Eca, droga, droga, droga, ! Por que você gosta de ser tão desastrada? (Estarão presentes os policiais dentro do caso, testemunhas, familiares e o Xerife ) Porque, sabe, eu juro que não entendo o sentido nisso tudo, você simplesmente é uma destrambelhada sem causas! Reclamei enquanto falava comigo mesma e limpava com o dedo meu microshorts danificado por lactose (Esperamos que este caso chegue logo ao fim, com todas as perguntas já respondidas. Todos nós e a família do jovem Benny Ryan, estamos rezando para que isto aconteça).
Epa! Benny o quê? Petrifiquei na posição em que estava e arregalei os olhos para a TV que agora entrevistava no local onde havia ocorrido todo aquele assassinato que assombrava minha memória. Agachei-me sobre a cama e aumentei o volume da televisão, prestando atenção no que ela informava. Porém, nada novo, estava ao vivo de onde tudo havia ocorrido dizendo coisas que pelo menos eu já sabia em relação ao assassinato, a única coisa que não sabia é que o local havia sido fechado para investigações e só agora seria novamente aberto, provavelmente era por isso que ele estava lá. Só espero que esse ridículo não dê uma de presidente e resolva até cortar uma fita vermelhinha para abrir o local. Patético. Porém, duvido que aquilo volte a ser uma casa de festas, vai estar mais para uma funerária ou algo assim. Estremeci e resolvi desligar a televisão, olhei para a paisagem de meu andar alto do prédio e encarei o céu limpo e completamente azul bebê, franzi o cenho e minhas vertigens em relação àquela droga de assunto pareciam ter voltado, me apoiei no encosto de minha cama e levei minhas duas mãos a cabeça, puxando meu cabelo para a direção contrária enquanto tentava relaxar.
Ding Dong.
Arregalei os olhos e gemi de forma derrotada. Levantei-me de minha cama, pegando a tigela de minha cômoda e a levando comigo, já aproveitando o balcão de minha cozinha ao lado da porta de entrada, deixei minha tigela lá e olhei o olho mágico da porta, me deparei apenas com um chapéu marrom com um distintivo da polícia e bufei revirando os olhos, destranquei a porta, porém não a corrente dourada que havia a cima da maçaneta, abri um pouco a porta, o máximo que a corrente me permitia, coloquei apenas meu rosto na parte aberta devido a minha falta de blusa e me deparei com um ser minúsculo e gordo olhando para mim com uns óculos de garrafa.
- Sim?
- Srta. , venho lhe trazer uma intimação para uma reunião que ocorrerá mais tarde sobre o homicídio de Benny Ryan no departamento policial de Beaumont – O gordinho me ergueu um envelope grosso e sorriu de forma cordial.
- Sou intimada ou convidada? – Assumi já meu mau humor de todos os dias e peguei o envelope da mão do trabalhador.
- Intimada, o Xerife alega que você tenha visto demais para sair impune desta reunião – Ele disse com indiferença e eu, na mesma hora, arregalei os olhos e abri a porta furiosamente, provocando um estouro devido ao barulho da maçaneta se chocando com a parede e a corrente caindo estraçalhada pelo chão. O gordinho agora assumia uma expressão assustada e tirou o chapéu, encostando-o em sua barriga e indo para trás calmamente sem tirar seus olhos aflitos de mim.
- COMO É QUE É? – Rosnei, saindo de meu apartamento enquanto ia em direção do gordinho que se distanciava cegamente por passos para trás – O XERIFE INTIMA? – Ele me olhou aflito quando suas costas bateram contra a parede do corredor e ele passou a ir para o lado tentando alcançar o botão do elevador.
- É... é... foi o que ele me disse, desculpe, senhorita, eu só estou fazendo o meu trabalho – Soltei uma gargalhada alta enquanto continuava me aproximando do policial – Adeus! – Ele se despediu rapidamente não me deixando responder e se atirando dentro do elevador, que acabara de abrir as portas, fiquei parada para fora do elevador o encarando ainda indignada, até que as portas a minha frente se fechassem.
Depois de cinco minutos me dei conta de que estava parada estática no meio de meu corredor com um microshorts preto e um sutiã com estampa de zebra. Claro que não fui eu quem tomou a iniciativa, já que um grupo de meninos entrou por engano em meu corredor e assoviaram quando passaram ao meu lado, porém quando estavam já a belos metros distantes de mim, já que se estivessem perto não me intimidaria em dar a eles uma bela de uma porrada. Ainda mais hoje, que literalmente acordei com o pé esquerdo.

Virei meu copinho de licor e saí de casa, fechando a porta com a mesma intensidade da qual havia usado hoje mais cedo com aquele policial capacho para abrir a porta e estraçalhar minha pobre corrente. Bom, eram quinze para às quatro e eu odiaria estar atrasada para a reunião da qual eu fora intimada pelo meu querido Xerife a ir.
Já passado alguns minutos eu estava pontualmente na frente do departamento policial de Beaumont, junto a um grupo grande de pessoas, no mínimo umas trinta, chuto que todas ou pelo menos a maioria pertença à família de Benny Ryan, o resto devia estar lá de gaiato azarado como eu, simples assim. Um homem alto saiu do departamento policial e se aproximou de nós com um papel em suas mãos. Porém não desceu os dois degraus que haviam ali, apenas fixou seu olhar sério sobre nós enquanto limpava os óculos em sua camisa, já quando sua expressão passara a ficar monótona ele encaixou os óculos em seu devido lugar, aumentando milimetricamente seus olhos opacos e castanhos, aproximou o papel de sua vista e começou a falar com uma voz seca e alta.
- De acordo com os nomes que cito, podem ir entrando ao quartel, logo após a porta terão seguranças que lhe informarão que caminho prosseguir – Endireitei minha postura entrelaçando os braços sobre meu quadril e encarei o homem sério que nos lançou o último olhar antes de começar a falar com a voz engrossada – Christina Ryan, Vincent Ryan – O homem fez uma pausa e esperou que a mulher subisse os dois degraus com os braços entrelaçados no de um homem, literalmente fora de controle de tanto que chorava e entrava na sala. Provavelmente eram os pais de Benny Ryan... – Marisa Loft, Marcus Theodore – Outra pausa, mais um casal soluçando subiu em direção a porta que estava localizada atrás do policial, resolvi me distrair um pouco com a paisagem, provavelmente os familiares seriam chamados primeiro, e do tanto que havia de gente naquele local, demoraria um bocado para que lembrassem de minha mera, porém intimada, presença. Virei-me e ajeitei minha jaqueta de couro, senti a brisa generosa e abafada chocando-se contra meu rosto e de certa forma aquilo me fez sorrir comigo mesma e fechar os olhos.
Nada como estar viva. Deixei meus braços caírem paralelos a minha silhueta e abri as palmas de minhas duas mãos, disposta a aproveitar aquilo. Abri os olhos e observei cada detalhe das ruínas rochosas que se formavam a quilômetros daqui, Texas possuía muitas paisagens rochosas e áridas lindas... Lamento-me até hoje de nunca ter ido visitar alguma delas, mas era algo que pretendia para o meu futuro, antes de sumir deste lugar... Olhei em volta e restavam só algumas dez pessoas ali, provavelmente não eram mais da família de Benny, pois assumiam expressões normais como a minha. Ergui meu pulso e vi que eram quatro e quinze, revirei os olhos impaciente e senti meu ombro ser envolvido e pressionado levemente, me fazendo virar rapidamente e me deparar com um velho e querido amigo.
- Mike – Sorri amigavelmente para ele que retribuiu a expressão e me puxou para um abraço apertado – O que faz aqui?
- Não sei direito, acho que a polícia deve me considerar suspeito, porque ontem passei o dia inteiro sendo questionado pelo xerife e hoje fui convocado a vir aqui – Ele fez um bico de lado e envolveu meu tronco com seu braço.
- Qual é, Michael, todos nós somos suspeitos – Sorri na esperança de acalmá-lo – Você é menos suspeito do que eu, na verdade, porque até onde eu sei, era um dos melhores amigos deste cara...
- É... Bom, é esperar para ver, qualquer coisa fala para a que eu amo ela – Ele sorriu sem humor e eu dei um tapinha em sua mão que estava ao lado da minha enquanto envolvia minha silhueta – Bom, nem vou perguntar porque você está aqui. Na verdade nem consegui falar contigo depois de tudo que aconteceu, parece que a agenda de todos nós foram preenchidas por depoimentos a polícia. E eu queria que você soubesse que eu sinto muito por tudo isso – O sorriso sem humor continuava em seu rosto, porém agora de um jeito mais compreensivo, o máximo que consegui fazer foi sorrir para ele encantada e apertar suas bochechas.
- Está tudo bem, meu chuchu. Quer dizer, depois disso aqui, ficara, pelo menos iremos nos livrar desta tortura diária. Na verdade sou eu quem tem que sentir muito por você... Eu não tinha nenhum traço de amizade com o Benny Ryan, já você era amigo dele – Olhei para ele tentando transparecer o conforto, mas ele balançou a cabeça negativamente e me deu um soquinho fraco no ombro.
- Está tudo bem.
- , Cheyanne Boulevard – Ergui meu olhar, atentamente, ao homem que lia os nomes, horrorizada por ter ouvido algo que feriu meu cérebro e depois os lancei a uma figura com os cabelos esvoaçantes tão ruivos que meus olhos doíam ao olhar e, junto a eles, existia uma mecha preta que, por sua vez, me fez rir um pouco, um top rosa cintilante apertado, junto a um micro shorts jeans que seria mais adequado ser chamado de calcinha jeans e um tamanco de dez centímetros; ela subiu os degraus rebolando e me lançou um olhar enquanto passava a língua no canto dos lábios e sorria vitoriosa. Senti meu sangue borbulhar de raiva e, ao mesmo tempo, o nervosismo me pegar a tona – – O homem repetiu impaciente já me lançando um olhar de cansaço e eu o olhei sem conseguir assimilar os fatos. O homem me encarava nervoso fazendo com que sua respiração ofegante ondulasse seu bigode negro diversas vezes.
- , é você – Mike me cutucou sorrindo e eu revirei os olhos devido a minha falta de atenção – A gente se vê lá dentro – Mike disse me empurrando para a direção da porta e eu dei um beijo estalado em sua bochecha seguindo até a mesma, com a testa franzida ainda tentando juntar os fatos.
- Er, onde? – Já batendo a porta, lancei ao guarda que estava logo a sua frente a minha pergunta, ele não disse nada, apenas indicou para uma direção que dava para um longo corredor cheio de portas, porém, em seu final, havia uma entreaberta e bem maior em comparação com as outras, parecia ser para ela que eu deveria seguir.
Lancei meus olhos impaciente diversas vezes ao lustre ligado ao topo do teto em pleno sol de final de tarde, suspirei algumas vezes e, de repente, senti meu pescoço ser envolvido por duas mãos, me virei rapidamente e acabei me deparando com a imagem mais puta que eu era obrigada a encarar desde meus 11 anos, pronta para pular em cima daquela menina, ela se afastou rapidamente em direção a porta, gargalhando e dizendo com sua voz enjoada:
- Surpresa? – Deixou a palavra ao vento e abriu mais a porta entreaberta para que pudesse adentrar na sala.
Franzi meu cenho tentando entender o que aquela criatura bizarra estava fazendo em um local tão sério, mas desisti ao entrar na sala imensa, pois aquilo parecia mais um tribunal de justiça do que uma sala para reuniões. No final da sala havia uma imensa escrita em formas relevadas sobre a parede relatando a seguinte frase “Poder e Justiça” em baixo havia em palavras de fonte menor: “O caminho do homem sendo traçado em busca de uma humanidade mais humana” logo a baixo da frase estava um homem com uma peruca branca, provavelmente o juiz sentado logo a frente de uma mesa imensa e alta, olhando todos os convidados de forma desconfiada, aos seus lados haviam mais dois homens, vestidos igualmente e com o mesmo olhar desconfiado que o juiz trazia ao local, estavam apoiados sobre uma mesinha mais baixa do que a do juiz, uma de cada lado, estes dois provavelmente eram juízes também, mas o do centro, que carregava consigo uma peruca cômica, deveria, por alguma razão, ter mais importância do que os outros dois. Em frente aos três homens, que pareciam ser os mais autoritários do recinto, tinham várias cadeiras para que nos sentássemos na hora da reunião, suponho. Ao meu lado havia uma mesa com comes e bebes, o que eu estranhei, pois achei que aqui seria o último lugar apropriado para aquele tipo de coisa e me surpreendi mais ainda ao ver algumas pessoas comendo e conversando alegremente, como se estivessem colocando as fofocas em dia, mas ao contrário das que estavam se divertindo, haviam também outras se acabando no choro, soluçavam e se ajoelhavam enquanto rezavam diante de uma imensa cruz pendurada ao meio da sala. Posso dizer que os dois pólos exagerados estavam ali, eu, porém, era a única com expressão e atitude neutra. Procurei pela sala os olhos de alguém mais conhecido e o máximo que pude encontrar foi Cheyanne saltitando solitária enquanto comia algo e rebolava por si só, aquela menina realmente devia ter algum retardo mental, é sério. Depois de um tempo reconheci O’Connell e que conversavam animadamente com o... Bom, com , revirei os olhos ao ver aquela cena e percebi cutucar , que me lançou o olhar rapidamente com um sorriso egocêntrico no rosto. Fiz questão de me virar e esperar a entrada da única pessoa normal que haveria naquele lugar, alguns minutos passaram e vi Mike entrar apressadamente na sala, seguindo em minha direção com as mãos no bolso e sorrindo timidamente, ergui meus braços e estava fingindo um bico, o abracei.
- Awn, vão nos matar? – Meu bico ficou mais entristecido e ele sorriu para mim.
- Você e estas hipóteses malucas de sempre, não é, ? – Ele fingiu certa expressão de decepção, mas não agüentou muito tempo antes de dar uma bela gargalhada.
- Outch, Mike! – Ironizei minha fala e ele abriu mais seu sorriso.
- Atenção! – O homem de peruca se levantou, revelando estar usando uma túnica preta que devia seguir até o encontro do chão e bateu o martelo diversas vezes sobre a mesa, até que todos direcionassem a atenção àquele ser ambíguo. Virei um pouco minha cabeça e sorri para mim mesma ao ver aquela cena e relacioná-la a diversos filme policiais e justiceiros se tornando realidade logo a minha frente – Todos se sentem, por favor, e deixem os comes e bebes para mais tarde – O homem se sentou e o que estava ao seu lado se levantou com as mãos cruzadas para trás, o outro, de terno preto, aguardou até que todos nós nos acomodássemos nas cadeiras para começar sua fala, sentei logo a frente dos homens de preto, junto a Mike, e não tirei meus olhos das expressões de desconforto que os três faziam juntos, provavelmente, com todo o resto da sala devido ao assunto inapropriado para pessoas... Normais.
- Boa tarde a todos vocês, sejam bem-vindos ao quartel policial de Beaumont. Bom, estamos hoje aqui para relatarmos todas as informações que possuímos e que tivemos alcance em relação ao homicídio do diplomata Benny Ryan, nascido em Los Angeles em 1986, filho de Christina Ryan e Vincent Ryan. Porém assassinado em uma sexta feira dia vinte de agosto de 2010, entre as dez e dez e meia da noite, de forma brutal, na casa noturna denominada como “Villard’s Night”. Nossa reunião seguirá três partes básicas, primeiro iremos dizer tudo o que a polícia sabe sobre o que ocorreu e depois explicaremos algumas supostas ligações que fizemos para o fechamento do caso. Mas é muito importante que tudo o que lhe forneceremos de informações permaneçam aqui. Darei agora a minha palavra a quem está orientado o caso e nos dará as informações corretas. , o novo Xerife de Beaumont, boa noite.
- Boa noite, meritíssimo – apareceu ao seu lado e assentiu de forma amigável com o rosto, o homem que passou a fala para sorriu e se sentou novamente. adentrou mais a sala e ficou ao meio do pequeno palco de vinte centímetros que havia ali, conseqüentemente, ficando a apenas alguns centímetros também de mim, ele pigarreou antes de começar a falar e me lançou um olhar incomodado, virou de costas para mim e se direcionou a pequena mesa do homem que ainda não havia aberto a boca, ergueu sua mão esquerda para ele e começou a falar alto e em bom som – Ergo-me diante da bandeira desta nação para jurar exercer minha profissão Policial Militar com dignidade, seguindo fielmente os caminhos da honestidade, da honra, e da humildade. Ser o disseminador da busca pela justiça e pelos princípios humanos. No cumprimento de minha missão, ser imparcial no desenvolvimento das grandes e pequenas obras. Comprometo-me buscar por mudanças, empregando cumprir rigorosamente as ordens das autoridades a que estiver subordinado e dedicar-me inteiramente ao serviço policial-militar, à manutenção da ordem pública e à segurança da sociedade com o sacrifício e se preciso for, de minha própria vida.
- Diga seu nome inteiro, estado civil e profissão, por favor – O homem que ainda não havia aberto a boca disse a , que não mudou sua expressão porque já devia estar acostumado com aquele tipo de situação.
- Me chamo , sou solteiro e exerço o recente cargo de xerife de Beaumont, ocupando a vaga de Mark Goyas, antigo policial militar, já aposentado. Hoje a autoridade máxima policial do condado de Jefferson pertence a mim.
- Faça o juramento solene, por favor.
- Juro solenemente dizer tudo que sei, apenas a verdade e nada além disto em nome de Deus.
- Prossiga, – O homem se sentou e colocou as mãos com os dedos entrelaçados sobre o colo observando atentamente , que voltava ao centro do palco com as mãos no bolso.
- Primeiro quero desejar melhoras para família de Ryan pela infeliz e desnecessária perda – tirou de um de seus bolsos um controle e o ergueu para cima, depois disso uma enorme luz branca iluminou suas costas e maior parte da parede acima do juiz. Um retro-projetor – Benny Ryan, no horário matinal do dia 20 de agosto, havia acabado de chegar em Beamount por razões desconhecidas, provavelmente como turista ou algo relacionado a sua formatura, pois havia acabado de tirar a diplomacia na faculdade Federal de Los Angeles, sua cidade natal – Enquanto descrevia a vinda de Benny para cá e seus propósitos desconhecidos o retro projetor passou a rodar na parede um vídeo que mostrava Benny Ryan saindo da sala de embarque e pegando suas malas no aeroporto – Tinha uma típica vida juvenil em Los Angeles. Amigos, boates, brincadeiras que interferiam em sua ficha nada limpa, porém não tinha um histórico de uma má pessoa, podemos dizer que era um típico jovem americano de hoje em dia que acha o ilegal, legal. Sua estadia na cidade estava sobre custodia de Michael Brown, um amigo de infância, desde o segundo ano do ensino fundamental, porém sua amizade foi interrompida com a vinda de Michael para o Texas. O informativo que tenho até agora indica que por volta das três e meia da tarde, às oito da noite, ele se encontrava na companhia de Mike. Porém ainda não possuo informações sobre sua localização entre às oito da noite até as três da manhã do dia 21 de agosto, sábado. Bom, já dia 21, ele se encontrava no Rockings, um... – Ele franziu a testa e mudou o slide apertando um botão para o retro projetor. O novo slide continha informações que ele estava dizendo por si próprio e olhava de vez em quando para se certificar que não estava esquecendo-se de dizer nada, suponho – motel misturado com casa noturna, se assim podemos chamar. Permaneceu pelo lugar até por volta de umas quatro da madrugada, partindo daí para um bar com amigos, entre eles estavam Michael Brown, , duas meninas não muito importantes para o caso agora, chamadas e e mais um homem denominado como Scott Porter – Estremeci – Alguns minutos depois, a polícia foi acionada devido a uma tentativa de estupro no meio da Rua Freightoon, junto a pizzaria Italian Pasta, meus policiais seguiram até o local e encontraram Benny desacordado e se defendendo por legítima defesa, ela alega ter sido quase abusada por Benny Ryan que estava sobre efeito alcoólico e, em legítima defesa, quebrou uma garrafa em sua cabeça, o deixando inconsciente ou, se preferirem, desacordado durante algumas horas. já havia feito contato com Benny Ryan, ele, em seu depoimento, alegou que ela tinha se insinuado sexualmente no Rockings a ele, na noite ela dançava por lá e ele acrescentou ter ocorrido troca de olhares entre ambos...
- Você está acusando meu sobrinho? Essa estava se insinuando para o meu filho e ele quem leva a culpa no final? – Uma mulher descontrolada se levantou da cadeira e começou a berrar alto enquanto deixava algumas lágrimas escaparem pelos olhos. Eu arregalei os olhos e entreabri minha boca.
- Senhora, sem manifestações, estamos aqui só informando nosso itinerário – disse com um sorriso angelical no rosto e voltou sua atenção ao controle em suas mãos mudando mais uma vez o slide.
- Diga a esta que...
- Ei, ei, ei, eu estou bem aqui, meu bem – Me levantei fazendo com que minha mão assumisse uma forma de punho e erguesse apenas um dedo para a mulher que me olhou furiosa e passou a berrar coisas indecifráveis – Fala na cara, está bem? – Comecei a berrar junto com ela e ela marchou até minha direção, eu bati o pé algumas vezes e soltei gargalhadas irônicas, quando ela estava a centímetros de mim, Michael me puxou para trás – Me solta, agora!
- Você foi quem matou o meu sobrinho, não foi, sua menina abusada? – Ela se jogou em cima de mim e começou a tentar me estapear, por minha vez, eu passei a tentar tirá-la de perto de mim com chutes na canela.
- Eu não matei ninguém, não diz o que você não sabe, entendeu? – Berrei e minhas mãos que estavam em forma de punho foram ao encontro de seu corpo que se mexia rapidamente tentando fazer o mesmo comigo. Vi ela sendo puxada para trás por alguém e Michael me prendeu, segurando os meus dois braços e pedindo para que eu parasse. – ME SOLTA, AGORA!
- SILÊNCIO! – Ouvi o barulho do martelo se chocando contra a mesa de madeira exatamente como no inicio da reunião e olhei naquela direção avistando um juiz com a cara furiosa e chamando os seguranças por meio de um walk talk – Tirem estas duas daqui, imediatamente!
- Permita-me interferir, vossa excelência, mas neste caso as indiretas vieram por parte da senhora McGonagold, , por mais descontrolada e impetuosa que tenha sido, não teve tanta culpa.
- Policiais, tirem a senhora daqui, então – O juiz olhou para a mulher que não parava de gritar comigo, eu a olhava furiosa mas quando senti o olhar do juiz bravo pesar em minhas costas, involuntariamente, abaixei meu olhar ao chão, me acalmando, e sentindo as mãos de Michael sobre meus pulsos afrouxarem – Mais um piu vindo de sua parte, Srta. , e estará fora do quartel sem nem ter tido a chance de notar!
- Desculpe, vossa excelência – Me sentei e o mesmo fez o juiz que ainda não havia tirado os olhos bravos de mim, seu tom de pele estava próximo a de um tomate de feira. Vi voltar sua atenção ao slide e prosseguir com sua fala que estava me causando mais irritação do que já estava.
- Não se manifestem mais, caso contrário terão sua saída sendo exigida por vossa senhoria. Bom, continuando. No depoimento de , ela alegou ter sido quase violentada no meio da rua por Benny Ryan, porém conseguiu escapar e fugir para uma pizzaria em busca de ajuda. Interroguei eu mesmo alguns dos clientes que viram a cena de entrando no restaurante seguida de Benny Ryan, todos alegaram medo por parte das feições e ações de e concluíram que o protagonista estava com “Feições doentias, sob ação de drogas” e até mesmo “Problemático por natureza”. Bom, deixei Benny Ryan prosseguir o processo que havia aberto contra ele na polícia em liberdade, porque seu exame de sangue destacou uma imensa presença de álcool, e como sua ficha não constava nenhum tipo destes problemas de brigas e nem homicídios, ele seguiu a solta, porém com mandado sobre minha autoria em se internar em uma clínica de reabilitação de independência química, logo após sua volta a Los Angeles. Domingo, dia 22 de agosto, a maior parte da cidade foi convidada para uma festa patrocinada por e . Infelizmente, neste dia ainda não tive informações sobre seu paradeiro já que não esteve nem com Michael nem com , a única coisa que sei é que ele teve uma breve conversa com Michael por volta das nove horas da manhã, alegando estar arrependido com suas atitudes recentes e que voltaria a Los Angeles no dia seguinte a festa. Sua tarde, como disse, não sei onde foi. Volto a ter informações sobre sua localização apenas na parte noturna do dia. Por volta das nove horas, Benny Ryan chegou ao Villard’s Night, conversou com algumas pessoas, se socializou. Disse a senhorita Cheyanne Boulevard que estava a espera de que algo grandioso acontecesse naquela noite, porém não alegou o que era – Então era por isso que aquela vadia estava lá – Já passado algumas horas, recebeu um bilhete e um convite de conversa de Benny – mudou o slide que agora tinha a foto do bilhete do qual havia recebido naquela noite de Benny – Tem passagens interessantes no bilhetes, como... – Ele dirigiu seu olhar à parede preenchida pela imagem do bilhete e citou partes que estavam escritas ali - “as conseqüências do que isto trouxe e irá trazer para ambos” ou “Quero conversar com você nem que seja a última coisa que eu faça”. Chega a soar até irônico o sentido que estas palavras nos trazem agora, porém o conhecimento que temos em relação a isto ainda é vago. Neste bilhete, Benny pede para conversar com no salão desocupado onde, futuramente, será o local de sua morte. Bom, conversei com e por assuntos pessoais ela não foi ao salão e se manteve ocupada durante a festa a vista de todos que discordem. Conversei também com os cozinheiros e eles alegaram nem terem notado a entrada de Benny no salão. Destaca-se que a única entrada para o salão – Ele apertou mais um botão que mudou o slide agora para um que parecia ter a planta da casa de festas – é pela sala onde ocorria a festa – O controle dele soltou uma luzinha a laser e ele circulou a porta do salão onde ocorria a festa que dava para o salão solitário e logo depois se dirigiu a entrada da cozinha – ou pela cozinha. Esta então é outra parte destorcida que temos em relação ao crime, porém acreditamos que os cozinheiros se distraíram e não se deram conta da entrada de Benny ao salão. Por volta das quinze para meia noite, o corpo de Benny estatelado no piso já coberto de sangue do salão solitário é descoberto por , que havia ido em direção ao bolo, ver se a mesa estava arrumada para poderem cantar parabéns a aniversariante – Ele mudou o slide mais uma vez e agora um vídeo de mim andando até o salão era passado, provavelmente por câmera interna da casa, logo abaixo da imagem, no canto esquerdo, possuía um cronômetro que mostrava a passagem do tempo e que horas eram a que eu havia passado pelo corredor, quando meu vídeo havia acabado, apareceu Benny andando pelo mesmo corredor que eu e com o mesmo cronômetro contando a passagem de tempo – Infelizmente as câmeras da casa de festas foram queimadas e só temos acesso a esta que mostra os dois claramente se dirigindo ao salão – respirou fundo, orgulhoso, e eu me dei conta de que estava tremendo e que Mike acariciava meu ombro em busca de me acalmar.
O homem que havia conversado com antes de tudo acontecer e que o fez fazer todos aqueles juramentos chatos, localizado bem ao lado do juiz com sua mesa menor, se levantou e apoiou ambas mãos sobre a mesa e começou a falar em voz alta: - Agradeço por todas as informações nos concedida, Xerife , agora quero saber se algum membro da família ou testemunha presente tem alguma dúvida em relação ao dito até agora – Devido ao silêncio que a sala permaneceu, ele voltou a falar – Então quero agradecer novamente ao e alegar que agora iremos tomar conta de detalhes em sua pós-morte, sei que membros de sua família não se sentirão confortáveis com isto, então libero a saída para os que preferirem. Prossiga, .
- Sim, Vossa Senhoria – assentiu e lançou um olhar rápido para mim, que estava estática e horrorizada sem respirar em meu lugar, por mais que tenha ouvido aquela história mil vezes, nunca iria me sentir normal diante daquela tragédia e judiação toda – Bom, Benny Ryan foi encontrado morto no salão como havíamos dito. O seu tronco estava reto, assim como suas pernas, porém seus braços estavam um pouco mais abertos formando um ângulo de 30º – mudou de slide e uma foto do corpo de Benny Ryan tirada de cima foi revelada, fazendo várias pessoas das que estavam ali saírem correndo em direção a porta enquanto murmuravam xingamentos e outras até se queixavam de ânsia de vômito. Eu apenas senti uma lágrima escorrer sobre meu rosto – pigarreou e voltou a falar – Ao simples olho nú já se notava uma espessa linha preta ao redor de seu corpo – Ele voltou a usar seu controle, mudando de slide, desta vez a foto que se revelava na parede era uma tirada do corpo de Benny de lado, ele usou o laser do controle para contornar a parte com a costura preta – E, bom... A deformidade de sua anatomia também é notável, sem informações nenhuma tivemos a ideia da flacidez que o corpo se encontrava, mas depois com os exames feitos por minha perícia, descobrimos a ausência de seus ossos, alguns músculos e vísceras, ou seja, do tecido magro. O que preenchia então Benny, e o causava a aparência flácida era a falta de estrutura, e apenas presença de seus órgãos internos e externos. Isto nos faz caminhar em outra linha de pensamento, porque não é qualquer assaltante de esquina que consegue desossar um homem em questão de minutos, muito menos quando isto inclui também a maior parte dos músculos, já que esses são difíceis de serem localizados totalmente, pois estão por toda parte do corpo, porém discretos. Devo ressaltar mais uma coisa, como devem saber, o coração é considerado um músculo, logo, não estava presente no corpo que tínhamos de Benny, infelizmente. O ser humano tem cerca de 640 músculos e pelo o que meus legistas me informaram, por volta de 490 foram retirados a facada – Engoli seco, já prevendo, desta vez, a minha própria ânsia – Algo que nos chamou atenção também... – apertou mais um botão de seu controle e a foto da cara do cadáver preenchia a parede – Existia um símbolo na parte superior da testa de Benny, uma faixa entrelaçada feita por tinta nanquim que ainda estamos buscando o significado, existem vários, para cada religião possui um significado. Minha equipe fez uma pesquisa sobre o assunto e reconheceu este símbolo como sendo a Fita Entrelaçada Sem fim que significa a vida entrelaçada, onde há sempre uma continuidade em outras encarnações, ou pacto de sangue entre organizações, porém a nossa pesquisa está muito pobre e pretendemos nos aprofundar nisto e na próxima informação que darei a vocês – Ele fez uma pausa - Agora o mais importante – Ele mudou novamente o slide, o novo slide agora continha a foto da dimensão do ante braço de Ryan, onde três palavras estavam escritas - “Maet, Gevura! Guementart” – Ele leu em voz alta para a pouca audiência restante do local – Estas três palavras, também desconhecidas por nós estavam gravadas sobre a pele de Benny em nanquim. Sinto ainda muitíssimo por não saber responder a isto também, mas estamos crentes que iremos desvendar isto e liberaremos o corpo o mais rápido possível para a família de Ryan. Estes três últimos fatores são importantíssimos para o crime, pois nos diz quem devemos procurar, alguém de conhecimento anatômico e com boa educação, por sinal, por qual razão devemos procurar, provavelmente algo místico e por onde procurar, locais movimentados e públicos, por sinal freqüentado também por organizações secretas que será o nosso maior alvo devido aos indícios místicos deixados sobre o cadáver. Agradeço a vocês e espero ter esclarecido a maior parte das dúvidas que tinham a respeito do caso. Quando tudo for resolvido convocaremos a família e as testemunhas próximas para mais uma reunião. Obrigado e tomem cuidado.
- Finalmente acabou - Mike suspirou ao meu lado e disse enquanto se levantava e me erguia uma de suas mãos – Venha, vamos.
- Realmente, eu não sei se eles querem nos manter informados ou nos traumatizar de vez. Me sinto confusa – Disse decepcionada dando minha mão ao Mike e me levantando.
- Manter-los informados, posso lhe garantir isto – Uma voz pesada veio de trás de mim e me virei rápido para encarar a feição séria de .
- Ora, ora, . Ouvindo conversa dos outros? – Ironizei e puxei Mike em direção a saída daquela sala, sendo impedida pela voz de que foi pronunciada novamente de forma irritante.
- Tenho que falar com você, Michael.
- Er... , me espere lá fora, eu já vou – Mike me olhou estranho e partiu em direção a que já se dirigia ao outro lado da sala.

Revirei os olhos e marchei até a porta e futuramente até a saída daquele quartel infernal da polícia de Beaumont. Quando já me encontrava sobre aquela areia incômoda do interior da cidade onde me encontrava, senti meu celular vibrar na bolsa e pulei de susto, deixando minha bolsa cair no chão sem querer, já xingando em voz alta peguei meu celular de dentro da bolsa e atendi sem humor, enquanto dava tapinhas sobre a mesma para que aquela terra saísse do tecido.
- Alô?
- Chuchu, como foi aí? – Ouvi a voz de do outro lado da linha e sorri de canto enquanto já colocava a alça de minha bolsa sobre um de meus ombros.
- Olá! Foi tudo como previsto, uma chatice e poucas coisas além das que eu já sabia, uma perda de tempo.
- O cara morto e torturado e você falando desse jeito, juro que não te entendo, ! – Ela berrou com a voz surpresa do outro lado e eu gargalhei alto.
- Ai, , me deixa. O que está fazendo?
- Bom, nada, mas te liguei para outra coisa, queria te convidar para ir comigo, com a e mais um monte de gente da cidade para sair de Beaumont amanhã, a gente vai até o Monte Chambers em Port Arthur, topa?
- O que vocês vão fazer em Chambers? Ficaram doidos? – Estranhei e ela gargalhou do outro lado da linha, levantei minhas sobrancelhas sem entender ainda muito bem o que estava acontecendo, não estava nem um pouco no clima de ir até a cidade vizinha para ficar batendo papo com as amigas que na verdade vão estar caçando homem. Tudo isso poderia ser feito aqui, sem muito movimento, algo que me agradava bastante.
- Você não assiste televisão não, ? – Ela disse ainda rindo para mim, eu bufei em sinal de impaciência e ela voltou a falar – A gente vai para Chambers porque vai ter um Eclipse Solar.
- Jura? – Perguntei surpresa e dei uma breve risada ao me lembrar vendo televisão hoje cedo, é, eu não assisto televisão, se assisto é daquele jeito do de mais cedo, não prestando atenção em nada e depois agindo como uma perdida para as pessoas que vêem.
- Yeah! Bom, a gente nem vai entrar no centro da cidade porque não deve nem ser legal isto, só iremos ficar perto do monte de lá que parece ser de onde vai acontecer o Eclipse total, pelo menos é isto que o jornal anda dizendo nos últimos dias. Aí pensei em dar uma festinha particular lá, o que acha? – Gargalhei ironicamente no telefone.
- Ai, , como se a minha opinião contasse muito para você decidir se dá ou não dá a festa, eu já sei que você vai dar e que vai ficar tudo lindo.
- Ai, meu bem, a cada dia que passa parece que você me conhece mais – Ela fez uma voz teatral me fazendo rir do outro lado da linha – Bom, chuchu, te vejo hoje à noite aqui em casa só para uma sessão de filme comigo, você e a , besitos.
- Tchau, pirralha!


Capítulo 5
[n/a: Sugestão de música: Smells like teen spirit – Nirvana]

Já fazia duas horas que estávamos na estrada a caminho de Port Arthur. E o saco de aturar tudo isso parecia ter ido embora junto a estas duas horas que haviam passado de forma tortuosa e lenta, francamente, onde estava com a cabeça de aceitar toda essa babaquice?
- , melhora essa cara feia – me lançou um olhar autoritário do banco da frente.
- , se não for tão bonito quanto você diz ser, menina, você não vai querer voltar nem no mesmo carro que eu, entendeu? – Disse séria para ela que estava agora me mostrando a língua, e eu não pude conter um sorriso fraco.
No carro em que eu estava, eram eu, , , Mike e um namorado temporário de , mas logo a nossa frente tinha no mínimo uns seis carros, todos em direção a Port Arthur como a gente, isso sem mencionar os carros que estavam atrás de nós. organizou uma festa para acontecer no Monte Chambers depois que o Eclipse Solar acabasse, como ela não se contenta com pouco, além de convidar vários amigos, ela também convidou a maior parte da população juvenil de Beaumont.
- Pronto, , melhora a cara, olhe onde estamos! – se virou para mim e apontou para fora da janela, olhei em direção e localizei uma placa imensa com a escrita “Bem-vindo a Port Arthur!”
- Finalmente! – Comecei a bater palminhas e todos que estavam no carro começaram a rir da minha cara infantil. Mas logo depois entristeci e , que estava do meu lado, notou e cochichou baixo para mim.
- O que foi? – Indagou preocupada.
- Minha bunda... Acho que achatou – Fiz uma cara de dor e ela deu um soquinho fraco em minha perna descoberta devido ao pouco comprimento de minha saia jeans e gargalhou alto junto a mim.
- Só você mesmo, – Ela balançou a cabeça negativamente com uma cara de decepção no rosto.
Um sopro de vento veio ao meu lado e, quando percebi, já estava do lado de fora do carro e havia aberto a porta para eu sair, dava pulinhos animados e me olhava com ansiedade – Vamos, vamos, vamos! – Sorri para ela e saí do carro, o local chegava a estar abafado de tão incômodo o calor. Olhei em volta e me dei de cara com um local onde devia ter sido uma floresta, porém agora só havia tocos de árvores por terem sido cortadas e alguns arbustos. O lugar parecia não ter fim de tão grande e amplo, como as árvores que haviam ali foram serradas, dava para ver toda a extensão do monte. Chegava a dar pena ver o desmatamento, mas não deixava de ter uma vista linda inclusa.
- Todo mundo seja bem-vindo ao Monte Chambers! – pulou e se direcionou ao pico do monte, segui ela junto ao seu namorado temporário e me dei de cara com o nada. Vi apenas o céu e estremeci, me aproximei um pouco mais da ponta do monte, avistando, abaixo de mim, o que devia ter no mínimo uns 5.000 metros o chão, mas de forma bem distorcida devido a distância. Como meu medo de altura resolveu aflorar me distanciei dali e fiquei mais ao meio, resolvendo ignorar aquela altura e fingir estar em um lugar plano. Observei vários carros estacionarem por ali e virem em nossa direção.
- Gente, é o seguinte, a gente monta as mesas agora, ajeita os preparativos, vê o eclipse e só depois bebemos, beleza? – disse autoritária ao resto que se aproximava, ouvi grande parte resmungar quando ela mencionou que beberiam apenas após o eclipse e sorri. Ninguém a contrariou, muito pelo contrario. A maioria das pessoas dali conheciam o talento dela com festas então ninguém discordava e sabia que posteriormente seriam recompensados com uma ótima festa cheia de bebidas – Não quero saber de moleza, todo mundo ajudando! E eu ainda chamei o Lucky para pôr umas luzinhas e improvisarmos uma pista de dança – Sorri e fui em direção a Pick Up que eu havia estado dentro para ajudar a descarregar as coisas.

Quando tudo já havia sido arrumado, no mínimo as cem pessoas que deviam estar por aqui já haviam se acomodado em suas mesas de plásticos e pegado as cervejas. Eu estava em uma mesa que havia algumas cadeiras vagas, porém ninguém ainda estava bêbado o suficiente para se habilitar a sentar ali e passar a dar cantadas em mim e em que estávamos sozinhas. Havia duas cadeiras a minha frente, onde, supostamente, deveriam estar e seu namorado, mas ambos sumiram provavelmente para namorarem no meio do mato, já Mike tinha ido pegar mais algumas cervejas para nós duas que conversávamos de forma frenética e um pouco felizes demais por conta do álcool. Como podem ver, o lance de tomar álcool só depois do Eclipse não deu certo. Era de se imaginar.
- Meninas – Mike sentou do lado de e colocou duas garrafas de heineken em nossa frente, sorri e peguei uma, tirando sua tampa sem a mínima dificuldade e tomando já um belo gole.
- Calma, , desse jeito você dorme antes de ver o pôr do sol – riu e colocou um pouco de sua bebida no copo de Mike, depois tomando um gole pequeno e sorrindo marota para mim que em resposta só tomei mais um de meus goles monstros – Essa menina não tem jeito – Ela sorriu e levou Mike a gargalhada, eu simplesmente ignorei e olhei para o céu que ainda insistia em jogar os raios fortes de sol em meus olhos, talvez porque ainda fosse umas três da tarde.
- Para que horas está marcado o Eclipse? – indagou impaciente assim como eu para Mike que agora checava as horas em seu relógio de pulso.
- De acordo com o noticiário, deve acontecer lá pelas três e meia, quinze para as quatro, mas eu não confio, deve acontecer quando o sol estiver já indo embora – Joguei minha cabeça para trás absorvendo as informações de Mike e fechando os olhos pesadamente – , tem algum problema se eu levar a para ver a vista de um lugar aqui perto que eu achei enquanto vinha para cá? – Ele cochichou para mim, provavelmente não querendo estragar a surpresa que faria a ela. Eu neguei silenciosamente sorrindo e ele a puxou para fora dali. Finalmente a sós, eu e eu para finalmente relaxar, parece um milagre. Porém, impossível.
- Ora, ora, ora – Ouvi uma voz nojenta cuspida a chiclete sendo pronunciada e, graças a Deus, distante de mim, se não sua autoria levaria agora mesmo uma morte súbita. Cheyanne Boulevard – Se não é o nosso Xerife! – Meus olhos antes fechados, agora se arregalaram e forcei minha cabeça a virar em direção àquela tortura humana, me deparando com batendo a porta de seu carro vermelho, só que... o que havia acontecido com o Beat vinho? acabou de sair de um Studebaker Commander vermelho estilo anos antes de cristo que só possui meu conhecimento devido a filmes estilo Sin City, mas usar este automóvel em pleno século XXI, Texas? Bom... Ele saiu do carro juntamente com e O’Connell, sendo recebido com um selinho vindo de Cheyanne que já agarrava e apalpava seus braços musculosos. Ele deu um sorriso superior e colocou a mão em volta de seu quadril enquanto com a outra tirava seu Ray ban aviador. Incrédula, não tirei os olhos daquela cena bizarra. O’Connell se distanciou e junto a e a sua puta de estimação se aproximaram das pessoas que estavam aglomeradas em um local com uma bela vista, junto a cadeiras e freegobars para as cervejas, eu graças a deus estava em uma ponta que devia estar a uns dois metros distante do muvucão devido a exclusividade de por ter feito tudo aquilo. Agucei meu poder auditivo e me encostei mais na cadeira para ficar mais perto de onde eles estavam.
- Vamos, , vamos sentar comigo em minha mesa? – A voz arrastada de Cheyanne agora assumia um tom mais provocativo me causando náuseas.
- Aonde você está sentada? – Ele perguntou indiferente.
- Ali, junto com as minhas meninas – Minhas meninas seria uma abreviação para “minhas putas”, abreviação para “minhas amigas de trabalho”, que me lembrava Chandler, que me lembrava Rockings que me lembrava NOJO. Eca!
- Que tal ali? – ele deve ter apontado para algum lugar no qual eu não olhei, se não ficaria muito na cara que estava xeretando a vida alheia – Bem mais reservado, não acha?
- Ótimo, gatão! – Ela concordou ainda de forma nauseante e eu resolvi tomar mais um gole de meu amiguinho chamado álcool, só ele para tornar as coisas mais fáceis nessas horas. Como as pessoas gostam de se rebaixar, não? Ainda bem que eu tenho alergia a gente nojenta, então a minha obrigação é ficar longe, e se for pra estar perto, só se eu puder dar uma bela surra nela sem ir para a polícia. Algo que nesse momento também era impossível de se acontecer.
- Boa tarde, sorriu de forma sínica para mim puxando e se acomodando na cadeira ao meu lado. Eu ainda estava com minha Heineken na boca, o olhei com os olhos arregalados e diretamente engasguei com o líquido que estava descendo minha garganta.
- Boa tarde, put... quer dizer, – Cheyanne sentou-se ao lado de e me lançou um olhar de quem estava na maioria.
- Como é que é? – Falei de forma impaciente ainda tentando entender o que estava acontecendo ali, me levantei grosseiramente e encarei furiosa, ele apenas sorria consigo mesmo e me lançava um olhar de quem estava se divertindo muito com a situação. Ah, mas é claro que a intenção toda ali era me deixar puta de ódio. Pelo menos não existia outra explicação.
- Aqui era o único lugar vago, o que posso fazer? – Ele sorriu de forma mais aberta ainda e Cheyanne se aproximou dele, colocando seu braço entrelaçado com o dele sorrindo para mim de forma inocente.
- Aqui não tem lugar vago, tem gente sentada aqui comigo e isso não inclui os dois depravados aí. Eu, , , Michael, agora vaza daqui! – Controlei minha voz o máximo possível e disse autoritária a ele.
- São seis cadeiras, tem dois lugares vagos. Quer que eu te ensine a fazer conta, ? – Ele debochou e Cheyanne gargalhou, provavelmente porque antes de alguém aceitar comê-la, ela tinha que agradar muito a clientela, se não a burrice ficava muito evidente, porque se quer saber minha opinião, ela não deve ter achado graça no que ele falou pela falta de raciocínio e riu apenas para agradar . Mas quem liga para esse tipo de coisa? parece ser o típico filho da puta que come qualquer gostosinha só para fazer fama de pegador. E isso acabou de me dar enjôo.
- Se vocês não saírem, eu saio então – Sorri para ambos e assumiu um sorriso mais derrotado do que provocativo.
- Não é preciso não, chegou logo atrás de mim junto com seu namorado e mais um homem – Agora são cinco cadeiras ocupadas, despacha, Boulevard – Ela disse séria e Cheyanne se levantou com cara de chocada e olhou em busca de ajuda, porém ele apenas pegou a minha garrafa de Heineken e tomou um gole sorrindo, olhando para a paisagem a qual eu estava observando quando me encontrava em paz, sentada aqui, somente com amigos, há minutos atrás, quando essa ralé toda ainda não havia tocado o Monte Chambers.
- ! – Ela choramingou a ele que a olhou sem emoção – Vamos para outro lugar?
- Pode ir, Cheyanne, eu fico aqui, depois agente se fala.
Revirei os olhos.
- Você também pode sair, , ninguém liga.
- Eu estou bem aqui.
- Você me paga, ! – Cheyanne soltou mais um de seus gritinhos agudos que me davam vontade de metralhá-la em qualquer lugar público e foi embora ao encontro de seu bando enquanto rebolava revoltada.
- , eu e Marcus estávamos ajeitando as coisas, por isso sumimos – Ela franziu a testa tentando bolar uma mentira melhor para me contar e eu sorri com sinal de decepção para ela – Ai, cala boca! – Ela gritou rindo e eu arranquei minha Heineken da mão de para tomar mais um gole, rezando para que o álcool conseguisse apagar a imagem de sentado ao meu lado sorrindo olhando para o nada, aquilo realmente estava me perturbando – Agora, a gente já volta, ok? Preciso achar um lugar com sinal pro celular para conseguir falar com Lucky que já devia estar aqui para ajeitar a pista – Ela mandou beijinho ao ar e se distanciou de nós junto a seu namorado.
- Sinceramente, , não entendo o porquê deste ódio todo reprimido por mim – Ele apoiou-se no encosto de sua cadeira e eu sentei na que estava ao seu lado revirando os olhos por todas as outras estarem ocupadas por bolsas de minhas amigas ou casacos dos meninos.
- , hoje é para ser divertido, não encha o meu saco que só vim aqui para tentar me animar.
- Você está mesmo mal pelo Benny Ryan, não? – Assenti timidamente com a cabeça decidida a tentar ter uma conversa sensata com , que franziu a testa – Não sabia que se apegava tão facilmente a seus clientes – Ele soltou uma risada cínica e eu virei bruscamente para ele batendo em seu peito com toda a força que meu punho permitia, depois parti em outra direção daquele lugar que passou a ser nojento, deixando e sua risada idiota sozinhos.

Havia passado mais ou menos uma hora que eu estava sentada em um lugar aconchegante e meio distante do povo, era próximo ao pico do monte, mas não no local que me permitia ver a altura que estava, era antes, onde tinha uma imensa pedra da qual usei de encosto para minhas costas cansadas, pelo menos foi o único lugar bom que eu achei desde a hora que havia estourado minha paciência.
- ? – se aproximou. Eu levantei a mão sorrindo para ela que já estava a minha frente – Vamos, deve ser daqui alguns minutos que irá acontecer, Marcus conseguiu ligar uma TV portátil e ouviu as informações do jornal – Ela me ergueu sua mão.
- Ai, que preguiça – Eu peguei a mão dela e me levantei com dificuldade devido as seis Heinekens já ingeridas – Certeza que vai ser agora?
- Uhum, e eu vou mesmo querer saber o que aconteceu para você estar sentada ao, toda emo, se matando de beber cerveja sozinha? – Ela riu para mim enquanto já íamos em direção as pessoas que se juntavam no pico do monte para ver o Eclipse.
- Pode ter certeza que não – Eu forcei uma cara exagerada e ela bufou vencida.
- Okay, mocinha, venha aqui que preciso te apresentar um amigo meu que está louco para te conhecer!
- Que amigo? – Perguntei desinteressada por até hoje só ter me apresentado canalha e sempre terminar a frase da mesma forma. “Um amigo meu que está louco para te conhecer”.
- Desse você vai gostar, eu juro – Ela fez uma cara fofa junto a um biquinho meigo. Segurei-me para não revirar novamente os olhos e me espreguicei fazendo uma careta e sentindo todos meus ossos reclamando por ter ficado sentada na mesma posição durante quase uma hora.
- Estou sem paciência para sexo hoje, – Peguei minha bolsa que estava no chão logo ao lado de onde estava sentada e soltou uma gargalhada alta fazendo com que eu olhasse seca para ela que imediatamente tentou segurar o riso colocando uma de suas mãos sobre a boca. Quando se recuperou, ela virou puxando meu braço rápido para uma direção que fiquei tonta demais devido ao álcool para identificar.
- Ninguém recusa um bom e quente sexo, , mas infelizmente este não é o caso – Ela parou em frente a mesa de comes e bebes, ficando de cara com um homem que estava conversando com , Mike estava logo ao seu lado o olhando feio, dessa vez eu quem tive que segurar minha risada – Pietro Juliatto Bertolli – falou alto com um sotaque estranho, provavelmente bem forjado e o moço virou sorrindo para mim com uma cerveja nas mãos.
- ! – Ele se aproximou de mim e me deu um beijo no canto da boca – Que prazer – Ele sorriu para mim e agora estava atrás dele dizendo alguma coisa por mímica que eu não estava conseguindo entender. Mas se bem conheço o tipinho dela é alguma coisa relacionada ao estado civil dele, por exemplo “Ele está solteiro, leve ele pra cama ao luar de um eclipse solar”.
- Pietro – Ergui finalmente meus olhos aos verdes dele, que pareciam estar em tempestade, para analisar seu rosto. Quando passei a notar seus traços percebi que nunca havia conhecido homem mais bonito e bem formado do que ele, tinha uma boca fina e reta que agora se curvava ligeiramente resultando em um belo sorriso, o rosto perfeitamente geométrico, cabelo que deveria fazer alguns meses que fora raspado caindo levemente sobre sua testa e o seu resto espetado e bagunçado, mãos experientes segurando a cerveja que ia ao encontro de sua boca, sem desfazer o sorriso, e um corpo que... Bom, sendo modesta, lembrava muito o corpo de Ryan Reynolds. Parei de analisá-lo depois que vi sua expressão engraçada me olhando junto com a de e que estavam ao lado dele – Prazer - Pisquei algumas vezes tentando recuperar minha consciência e, conseqüentemente, minha sanidade. Ele gargalhou alto e pegou minha mão fazendo uma cara diferente para o meu ato educado. Senti meu rosto ferver e olhei para o chão imediatamente.
- Tudo bom? – Ele sorriu para mim deixando os dentes limpos, feito diamantes, à mostra e eu provavelmente devo ter sorrido boba nessa hora.
- Tudo... ótimo! – Segurei a alça de minha bolsa que estava pendurada sobre meu ombro, procurando por algo para me distrair devido ao meu nervosismo. Que vergonha, , você nunca fica assim, você vê na maioria dos seus dias homens bonitos dando em cima de você e logo hoje no dia de fossa você fica muda! Revirei os olhos mais para mim e isso me fez ver a feição dos que estavam ali ainda me olhando, me fazendo cair na real e perceber que devia ter ficado sem falar nada durante uns dois minutos, franzi a testa apertando os olhos e rindo baixo da minha cara – E você?
- Eu estou ótimo também – Ele sorriu de volta e que também estava rindo da minha cara, voltou a fazer uma mímica incompreensível pelas costas de Pietro.
- Que bom então, né... é... – Eu comecei a me atrapalhar pelas palavras o que o fez rir mais ainda. Eu realmente estava fazendo papel de uma completa retardada ali – Eu acho...
- Sim, , eu sou gay – Foi a vez dele de revirar os olhos e depois me encarar ainda sorrindo, ficou quieta na hora e depois deu um beijo estalado do pescoço dele, o mesmo fez do lado oposto. Agora eu realmente não estava entendendo mais nada ali.
- Não entendeu ainda, ? – fez um bico enojado para mim e depois me deu um tapinha na cabeça me fazendo fazer mais uma careta naquele dia, depois voltou a falar enquanto se servia de uma garrafa de Martini que estava sobre a mesa – Você não vivia reclamando que eu e éramos muito chatas com você e você precisava de um amigo gay que realmente fosse entender você? – Ela ergueu uma sobrancelha fingindo cara de nojo, o que me fez colocar o meu cabelo que caía sobre meu rosto para trás da orelha.
- Você é gay? – Tomei coragem e perguntei para ele que estava rindo alto e de forma aguda me fazendo rir junto a ele, porém envergonhada.
- Até demais! – Ele sorriu de forma cordial - Vem cá, vamos conversar em particular que essas bibas já me cansaram – Pietro me pegou pelo braço e me puxou para longe de onde estávamos, ficamos do lado do som, o que me causou certo desconforto, mas nada que melhorasse a tremenda vergonha que estava sentindo naquele momento.
- Ouvi tanto falar de você, um amigo de um amigo meu me disse muito sobre você, e ele estava certíssimo, você é uma gata! Olha esse cabelo, eu queria deixar um dia o meu assim, mas... – Levei minhas mãos à cabeça tentando absorver todas as coisas que ele falava e soltei um sorriso envergonhado, provavelmente notado por parte dele – Eu tô falando muito rápido, né? Desculpa é mania minha, mas depois você se acostuma, sabe, bom, eu vou me mudar para cá então você vai ter muito tempo para se acostumar, mas me conte sobre você, querida, como anda a vida? – Franzi o cenho ainda sorrindo para ele. Ele parecia realmente ser bem compulsivo, mas que mulher nunca quis ter um amigo gay, não?
- Você é italiano, né? – Indiquei para ele que gargalhou junto a mim – Bem típico, sabe, eu conheci um alguém italiano e ele era bem parecido com você, sabe, não parava de falar – Ele sorriu para mim enquanto indicava um banco próximo para sentarmos – Tá bem, foi indelicado, mas serve se eu disser que sou bem parecida?
- Eu já percebi, somos gatos e adoramos fofocar – Ele deu um berrinho estilo Michael Jackson quando acabou sua fala e eu me curvei para frente para segurar o riso, diferente dele que soltou mais um berrinho atraindo a atenção dos que estavam a nossa volta – Mas achei bem indelicado de sua parte também, duvido que conheça alguém que tenha o cabelo igual ao meu, porque eu invento, né, você sabe como que é a vaidade, fui dar uma de Lady Gaga clareando o cabelo ano passado, mas, menina, eu sofri tanto para ele ficar bom de volta, as anomalias nas cutículas e as escamas abertas eram u Ó, sofri horrores para tirar, mas também não mexo mais, sabe.
- Oh meu Deus, você é realmente gay. Eu não faço noção sobre o que seja escamas e anomalias – Fingi uma expressão de horror e ele começou a rir da minha cara.
- Relaxa, amiga, vou estar aqui para te ajudar e te ensinarei tudo, mas seu cabelo já é lindo, viu, tão brilhosos, olha! – Ele jogou o cabelo que estava sobre meu ombro para trás e abriu a boca me olhando, senti meu rosto ficar vermelho em questão de segundos – Meu cabelo era idêntico ao seu, sabe, acho que nunca mais vou recuperar o tom que ele era, mas estou feliz, só preciso arranjar mais bebida, sabe.
- Que seja, manterei contato – Lancei um sorriso família para ele que fez o mesmo – Você morava na Itália?
- Morava, mas lá é impossível entrar em faculdade, sabe, então decidi vir para cá, sou tão fissurado no estilo cowboy de séculos atrás que ainda preservam por aqui, já até comprei meu colete, você sabe, né, moda é tudo! – Ele curvou o pescoço para trás e soltou uma risada alta, um tanto teatral.
- Dá para ver pelo sotaque – Ele me deu um soquinho no ombro e eu dirigi a ele um olhar simpático.
- Por que está vermelinha, ein? Eu estou adorando nossa conversa apesar de ser o único que fala é difícil ter alguém que queira nos ouvir, sabe, ainda mais gente diferente como eu que sofre uma horrenda descriminação, mas sabe? É tudo falta de pau, falo mesmo, porque quem tá de bem com a vida sexual não se deixa cair por coisas tão insignificantes, sabe, é tanta coisa idiota, mas enfim.
- Meu Deus – sorri fraco para ele, ainda envergonhada enquanto praticamente engolia tudo o que ele falava rápido para mim – Bom, eu tenho vergonha de gente de fora assim, sabe, Europa é um dos lugares que adoraria fazer a extensão inteira porque é lindo! Aí eu me sinto uma caipira na frente dos europeus porque, ao contrário de você, me envergonho de morar aqui, é uma merda este lugar.
- Olha, gata, para ser sincero, isso aqui é mesmo um fim de mundo que só tem terra, mas todo mundo que conheci está sendo um amor, sabe, você também, a e a , só aquele Mike que acho que não gostou muito de mim, mas é um contra muitos, então não faz diferença sabe, e o maior desperdício também porque ele é um gatinho – Ele se abanou rindo - Mas eu adoro um cowboy! Só não sabia que você curtia a Europa, também, faz quantos minutos que a gente se conhece? – Ele soltou um som alto de indignação e voltou a falar com sua voz mais aguda do que o recomendado – Enfim, se você quiser, eu posso um dia te apresentar minha terrinha, sabe, o que você gostaria de ver lá? Conheço a minha botinha da cabeça aos pés!
- Para falar a verdade, eu sou doida em ir a Itália porque sou fissurada em macarrão – Desta vez nós dois gargalhamos juntos e eu senti todo meu rosto já vermelho – Mas também te...
- Ai, adoro essas falsas magras gostosas, sabe, eu não consigo sair com aquelas meninas que ficam comendo uma folha de alface e depois enfiam o dedo na guela! Gente, não me conformo com isso, porque quando eu era criança, eu peguei uma virose das bravas, sabe, e vomitava que nem torneira, abria boca e já saía, parecia o exorcista, sabe? – Ele tirou um pouco da franja que caía sobre sua testa e suspirou para tomar fôlego – Não entendo como gostam de ficar colocando para fora o dia inteiro, sabe? Eu conheço uma nutricionista maravilhosa que resolve qualquer pneuzinho em questão de semanas, não precisa de todo esse auê, sabe?
- Então é melhor eu não te levar ao Rockings, ali é tudo da mesma ralé e além de tudo não prestam nem o alface que vomitam – Fiz uma careta ao lembrar de Chandler e de Cheyanne, as duas figuras mentais sempre vinham a minha cabeça quando o assunto era Rockings, o resultado de tudo isso era meu estômago embrulhar em pleno sábado à noite.
- Jura? – Ele exclamou com uma expressão de choque – Que decepção, queria tanto ir um dia lá para fazer um showzinho, sabe, porque esse Rockings eu conheço ainda quando morava na Itália, achava que era um arraso! Você trabalhava lá, não trabalhava? Tá explicado então, você precisa me ensinar a dar uns passinhos, sabe, eu fico tentando de vez em quando e, ai... acho que não dá certo... – Agora foi a única hora de nossa conversa que ele forjou uma expressão triste me fazendo rir.
- Ow, pombinhos, venham que já vai começar a muvucada lá no pico para ver o eclipse – apareceu do nosso lado – Então se quiserem guardar o lugar de vocês é melhor serem rápidos – Ela foi embora lançando para nós beijinhos.
- É – nos entreolhamos rindo – Vamos lá, só que primeiro vou ir ao banheiro, acho que bebi muito, sabe, aí a gente se encontra mais tarde. Adorei te conhecer, viu, amiga – Ele deu um beijo estalado em minha bochecha, o mesmo fiz eu que não conseguia parar de rir.
- Assim espero – Acenei para ele quando estava indo em direção as pessoas que se reuniam e ele na direção oposta que também acenou para mim.

Já estávamos todos juntos no pico devia fazer uns dez minutos, não preciso nem dizer que isso me fez querer matar que ficava conversando descontraída comigo fingindo que o tempo que havia passado era mínimo. É, a minha paciência é bem limitada sim, bom saber que ela já me conhece o suficiente para se manter informada desta parte. Além disso, eu tinha adorado conhecer Pietro e apesar dele não me deixar falar quase nada na conversa, ou eu mesma ter optado por não falar, talvez por causa da minha vergonha ele parecia ser um cara bem legal, e espero que a gente se conheça melhor mesmo, já que ele se mudou para esse quinto dos infernos.
De repente todo mundo ficou calado e infelizmente tive que parar de pensar sozinha, olhei rapidamente, então, para o céu e vi uma coluna de sombra se deslocando rapidamente, saindo do oeste, como se fosse uma trovoada chegando, demorei alguns minutos para perceber que aquela mancha correspondia como sendo a lua indo em direção ao luminoso sol. O último bocado do disco solar passou a ficar cada vez mais fraco e franzi os olhos, lutando contra os poucos raios solares que ainda se opunham no céu, e como num passe de mágica observei a lua se posicionar diante da imensa roda de luz, deixando sua lateral soltar faíscas de luz, causando a impressão de uma coroa estar sendo desenhada perfeitamente acima de nós, a luz que o sol nos fornecia desceu bruscamente devido a lua que se opunha na sua frente. Nesse instante, pude ver no chão sombras voadoras, a luz parecia estar projetando a turbulência da alta atmosfera e toda a paisagem se cobriu de ondeados fugitivos como os que vemos no fundo das piscinas, um estalo grande fez eco e eu tropecei para trás, mas um braço no qual agradaceria posteriormente me segurou, olhei para o local de onde veio o estalo e me deparei com vários pássaros voando em direção contrária piando frenéticamente, causando a impressão de desespero, outros animais correndo se revelaram naquele escuro assutador, só observando atentamente as formigas no chão andando rapidamente em direção ao seu formigueiro que entendi que os animais ficaram confusos diante o anoitecer repentino e correram de volta para sua casa por causa do perigo que os predadores noturnos os forneciam, a onda de formiga andano pelo chão passava bem perto de mim o que me fez dar alguns passos cegos para trás e sem querer derrapar novamente em uma pedra que estava cravada no chão logo atrás de mim, fechei meus punhos que foram envolvidos e me encolhi ali mesmo ao sentir a temperatura abaixar bruscamente, um berro agudo feminino logo atrás de nós chamou a minha atenção fazendo com que eu me virasse e me deparasse com um par de olhos que revelaram ter a mesma intensidade da do eclipse o qual eu estava presenciando. Os olhos transpareciam harmonia, algo incomum de seu dono, ele me lançou um sorriso esperto e ao me ver toda encolhida ali, propositalmente encostada em seu peito devido ao meu tropeção, ele me virou para frente e encaixou sua jaqueta de couro quente em meus ombros, voltei meu olhar para a coroa formada, agora, com mais intensidade no céu revirando os olhos enquanto sorria com a situação. Engraçado que com era sempre assim, oito ou oitenta. O escuro foi tomando o local mais ainda de forma com que a lua se encaixasse cada vez mais perfeitamente a frente do sol e ouvi o berro de todo mundo já bêbado de surpresa. Bom, pelo menos quebrou aquele silêncio assustador, ainda mais em minha situação, que se encontrava mais assustadora ainda, já que meu arqui inimigo, nem tanto assim... havia depositado sua jaqueta sobre meus ombros querendo que meu frio escapasse.
Devíamos ter ficado ali observando o escuro e as luzes passando-se por trás da lua durante uns dez minutos, porém quando a manifestação havia já se acabado o sol não voltou, ficou ali sorrateiramente, bem fraco, fazendo com que o escuro melhorasse apenas um pouco e ficássemos em baixo do céu nublado, vestígios semelhantes a de um pós eclipse normal que me lembro ter visto quando era pequena junto a . Quando alguns indivíduos se distanciaram do local senti uma sensação ruim me dominar e com o pensamento de ser algum tipo de vertigem fechei os olhos fortemente com o estômago embrulhado, insatisfeita devido a não correspondência de meu organismo que continuava estranho, ouvi as pessoas começarem a gritar rindo devido ao efeito do álcool, é claro, fazendo com que minha irritação nascida a segundos atrás se tornasse mais aguda, a maioria das pessoas saíram do pico de vez, se dirigindo a pista de dança improvisada, eu acho, pelo menos a música alta dedava o motivo de tal atitude, com exceção de alguns namorados e amigas que continuaram ali conversando de forma animada. Permaneci ali olhando a lua com a sensação ruim sobre mim, não conseguia assimilar uma atitude ideal para fazer já que o responsável de minha vergonha sem explicação e talvez, também responsável pelo meu mal estar poderia continuar ali, bem atrás de mim... Como também poderia já ter sumido e ido dançar com Cheyanne. Este meu último pensamento fez minha garganta coçar e toda timidez parecia já ter ido embora, franzi o cenho vendo o papel de ridícula que estava fazendo e resolvi me retirar daquele lugar e ir para casa, o lugar que eu mais estou passando estes dias. Porém me surpreendi ao me virar e ver logo atrás de mim, observando o céu como eu há segundos atrás.
- .
- – Ele desviou seu olhar do céu e me olhou inexpressivo.
- Pegue o seu casaco, já estou bem – Retirei sua jaqueta de couro de meus ombros e dei a ele que continuava sem expressão alguma no rosto.
- Não estou mentindo quando digo que você fica bem melhor sem isto aqui – Seu rosto agora passou a ser expressivo demais por conta do sorriso de más intenções que se formou ali. Revirei os olhos e, decidida a sair daquele lugar, fui impedida por um de seus braços que envolveram o meu me impedindo de tomar meu rumo. Meu Deus, mas que mania mais irritante, – Você é muito estourada, , pega mais leve com você mesma – Dessa vez ele disse sério com a testa franzida, pelo menos foi isto o que minha visão periférica me informou.
Cruzei os braços ainda sem o encarar e indaguei com a voz firme:
- O que você quer?
- Hum... – Ele murmurou com humor na voz e fez uma cara mais descontraída – Bebe alguma coisa comigo?
- Se você prometer calar a boca depois disso, por mim tudo bem.
- Vem logo, – Ele disse achando graça de mim e deixando escapar um sorriso. Andou em minha direção colocando um de seus braços em volta de meus ombros e me dirigindo a mesa onde tinha um amigo de distribuindo as bebidas – Dois saquês.
Ficamos esperando o amigo de que estava servindo os comes e bebes durante alguns minutos, e quando me deu um copinho de saquê nos viramos e eu dei de cara com a figura que havia enchido meus ouvidos hoje mais cedo, logo antes ao eclipse.
- Gata! – Pietro gritou ao me ver e correu me cumprimentar de novo – Quanto tempo, né? Eu estava mesmo te procurando, queria te dar o meu telefone para não perdemos o contado, apesar de já ter combinado com e que vamos sair logo mais e mandei as duas te convidarem, aí você vai e a gente se fala, okay?
- Pietro – Sorri para ele e o abracei, depois segurei um cartãozinho dourado que possuía em seu título e ao centro “Pietro Juliatto Bertolli” – Tudo bem, eu ligo sim e pode deixar que eu vou.
- Assim que se fala, e eu ainda estou procurando uma casinha para morar aqui, sabe, então provavelmente dormirei na casa de porque o bofe da não foi muito com a minha cara, o que eu acho uma pena, sabe, não me importo nem um pouquinho em fazer um ménage a trois – Ele gargalhou alto e eu o olhei com os olhos arregalados rindo – Enfim, gata, a gente se vê porque já, já, eu vou sair daqui, essa mosquitada toda não vai muito com a minha cara - Ele passou a mão pelo meu rosto e olhou algo atrás de mim hipnotizado – Oi – Ele disse com certo charme e ergueu a mão.
- Como vai? – Ouvi a voz de bem firme atrás de mim e vi ele erguer sua mão a ele também o cumprimentando com a estranheza óbvia no ar. Nessa hora eu tive que me segurar muito para não ter um ataque de riso, e me segurar mais ainda quando Pietro puxou pela mão para mais perto, ele foi parar logo ao meu lado.
- Pietro Juliatto Bertolli, o prazer é todo meu – Ele sorriu deixando todos os dentes perfeitos a mostrar, nesta hora tive uma imagem mental de tremendo.
- É mesmo – disse com as sobrancelhas arqueadas – .
- Ai, gente, para tudo! – Pietro ergueu as mãos rapidamente e ficou com a boca entreaberta e os olhos encantados, ainda olhando que estava paralisado ao meu lado – Você é o xerifão, não é?! – Ele berrou fazendo alguns a nossa volta ficarem nos olhando e desta vez não consegui segurar o riso – Gato, precisamos sair também, ouviu? Vim para cá exatamente por causa dos cowboys – Ele forçou um rugido para que balançou a cabeça com uma expressão confusa e ao mesmo tempo engraçada, pelo menos para mim, porque para ele não devia estar sendo nenhum pouco engraçado.
- Voc...
- Shhh... – Pietro interrompeu o protesto de e colocou o indicador na frente de sua boca, ele deu um pulo para trás logo que o dedo de Pietro entrou em contato com sua boca, se juntou a mim e pegou minha cintura, não virei um soco nele só porque o coitado devia estar desesperado – Deixa para nos conhecermos mais tarde, gato – Pietro sorriu para ele enquanto ajeitava o cabelo e com a outra mão, dava a o mesmo cartão que havia me dado – Me liga... Quem sabe a gente não brinca de polícia e ladrão – Pietro lançou beijinhos ao ar para e depois para mim saindo do local rebolando mais do que o devido, provavelmente numa tentativa de seduzir .
- Outch, ! – Gritei para ele gargalhando tudo o que havia prendido para não ser mal educada na frente de Pietro que parecia ser um amor de pessoa.
- Meus Deus – Ele ainda estava sério e paralisado ao meu lado com a mandíbula travada e traços franzidos, lançando um olhar de inconformidade para Pietro que já estava bem distante do local que estávamos – Depois dessa... – Eu me virei para ele com as mãos na barriga que estava começando a doer devido ao meu ataque de riso sem fim e ele passou a me olhar ainda sério – Você vai ter que dar uma volta comigo para fazer meu psicológico melhorar.
- Tudo bem, , já falei que vou – Revirei os olhos já me recuperando das gargalhadas que havia dado – Só que... – Fui até a mesa e roubei sorrateiramente uma garrafa de champagne novinha que não havia sido nem aberta ainda das mãos do amigo de que estava lá servindo as pessoas – Minha bebida já acabou.
- Você é impossível mesmo – Ele balançou a cabeça em sinal de desaprovação e eu balancei os ombros sem ligar para o que ele falava. Começamos a andar para uma direção que ele me guiava, mas com o que eu estava preocupada agora, na verdade, era em abrir a garrafa que estava lacrada – Me dê isso – Ele tomou um pouco do saquê e depois me deu seu copo para que pudesse abrir a garrafa. pegou o adesivo de importação que estava colado na rolha e o arrancou dali, depois mirou para o céu e a rolha magicamente voou da garrafa, junto a espuma que o champagne fez, sujando inteiro.
- Ops – Olhei para ele rindo de forma exagerada, provavelmente porque a bebida já devia cair com peso sobre meu sangue e peguei minha garrafa, tomando já um gole no gargalo.
- Então... pelo menos vamos ter alguma história interessante para contar para nossos filhos já que o próximo eclipse solar total será lá para 2200 – Ele disse enquanto limpava as mãos sujas de líquido na calça e depois pegava seu saquê que eu estava segurando.
- Quem liga, – Disse séria, porém senti seus olhos pesarem sobre mim, me obrigando a dirigir os meus aos dele, soltei uma risada alta ao observar a cara de bunda que ele fizera diante de minha resposta e tomei mais um prolongado gole de minha querida garrafinha.
- Você costuma ser sempre assim? – Ele sorriu sem humor enquanto me ajudava a descer de umas pedras altas para continuarmos nosso caminho sem caminho.
- Assim como? – Perguntei desinteressada tomando outro gole do champagne gelado.
- Hebrefênica, estressada, Bipolar,...
- Se você quiser que algo cresça aqui é melhor não me tratar como um de seus criminosos, – O olhei séria.
- Você tem razão – Ele parou diante de uma floresta que se erguia a nossa frente, parecia que a área desmatada havia acabado. olhou aquilo e não deu continuidade a caminhada, se sentou em uma pedra grande que havia logo ali e fiz o mesmo, sentando ao seu lado.
- Está gostando? – Perguntei descontraída enquanto tomava mais um grande gole de meu champagne e cutucava a parte desfiada de minha saia – Do seu trabalho aqui no Texas – Completei em vista dele não ter entendido a pergunta e ter me olhado anteriormente com cara de indagação.
- Acaba sendo igual a São Francisco, a mesma chacina criminosa de sempre.
- Não sei por que você achava que teria paz aqui, aqui é muito mais interior do que São Francisco – Ele olhou com uma cara manhosa para mim e se eu não quisesse matar ele constantemente poderia agarrá-lo agora mesmo – Não é aqui onde todas aquelas merdas de filme de terror acontecem? – Sorri me virando para ele que concordou rindo.
- Você tem razão, foi uma má idéia vir para cá – Franzi a testa e ele voltou seu rosto a floresta a nossa frente – Onde exatamente estamos?
- Port Arthur, mas a cidade nem se formou ainda, estamos bem na entrada.
- Acho que daqui sei dirigir de volta para Beaumont, quer carona? – Sorri ao me lembrar de sua última carona, me encontrava no mesmo estado, toda acaba implorando por cama, apesar de não ser quase seis da manhã, eu realmente estava muito cansada.
- Tudo bem, mas usa meu celular que tem GPS, está bem? Eu não to afim de ficar perdida, já estou bem cansada.
- Eu vou levar para casa também, O’Connell disse que se vira, se importa em ir andando até o carro? Está longe da montanha, mas andamos mais do que o esperado, estamos quase do lado já. Me lembro de ter passado por esta floresta.
- Mas eu vi você chegando hoje – Fiz cara de desentendida e voltamos a andar na direção que ele indicava enquanto bebia mais um pouco de meu champagne.
- Sim, mas como era proibido ficar lá e só me avisaram depois, tive que descer o monte e estacionar aqui em baixo como todos os outros fizeram – Ele tomou um gole longo de seu saquê fazendo com que o mesmo acabasse em apenas um gole e jogou o copinho de vinho em uma pedra ao nosso lado fazendo com que ele quebrasse ao se chocar com a mesma. Depois ele indicou para minha garrafa, pegando-a de mim e tomando um gole da garrafa que já estava na metade.
- Sabia, xerife, que existe uma taxa limite de álcool no sangue para quem está no volante? – Cruzei os braços e ele me olhou com as mãos na cabeça gargalhando.
- Eu te disse que não era tão mal assim – Ele sorriu para mim e viu uma gota de água cair sobre meu ombro nu, em impulso olhamos juntos para o céu pela milésima vez já naquela noite, nos deparando com nuvens pesadas que deixavam escapar grossas bolsas de água sobre nós – Merda. Vamos para o carro, então, estamos bem perto – se levantou da pedra e voltou a andar, revirei os olhos já pela quinta vez naquela noite e o segui, rindo alto fazendo com que o mesmo me olhasse com a testa franzida tentando entende o porquê de minha felicidade.
- , é tudo tão simples, se quer saber. Por que eu estou feliz? Quero dizer, não é isso o que você está se perguntando? Bom, já experimentou álcool nas horas de tristeza, é um bom analgésico se quer saber – Balancei a garrafa em frente ao seu rosto e revirei mais um gole de champagne que desceu diretamente como uma lança de gelo em minha garganta.
- Prefiro viver minha depressão particular do que viver iludido por conta de uma substância orgânica fermentada – Ele disse indiferente fazendo com que meus olhos nada amigáveis se direcionassem a ele.
- Sabe, ... Eu não sei se você se lembra o que eu fiz com um cara que me desrespeitou quando estava só eu e ele dentro de uma sala. A única diferença agora é que estamos no meio de uma droga de uma floresta que, se quer saber, torna as coisas muito mais fáceis para mim porque daria um jeito em seu corpo por de baixo dessa terra toda em questão de instantes e força física.
- Algo que você não tem, então não me desperta a mínima insegurança – Ele sorriu sarcástico e o fogo que transpareciam em meus olhos, que podia ver através de suas irís que o refletia, só aumentaram – E sabe, – Ele repetiu o início de minha frase, porém substituindo o seu nome pelo meu com certo interesse – Eu não sei se você se lembra que sou xerife e, conseqüentemente, já vi coisas na minha vida das quais você não encara nem nos próprios pesadelos, os encarei com toda simplicidade do mundo, então mexer comigo não é algo que você realmente deseja.
- Não diga o que não sabe – Disse a ele me referindo da parte dos pesadelos, aposto que um homem tão macho como ele não agüentaria uma noite em minha pele por conta de pensamentos homicidas e até suicidas que rondam minha cabeça por conta de minha feliz, porém, abandonada família. Em casos mais extremos posso até sonhar com tais aspectos, mas nada que desperte o interesse de outro alguém a não ser de mim mesma.
- O que eu não sei? – Ele arqueou as sobrancelhas ironizando a situação – Bom, é claro que eu também sei que você quer mexer comigo já que sua personalidade autoritária e controladora repulsiva é aflorada.
- Dá para você parar de me analisar ou está difícil? – Elevei minha voz e ele sorriu para mim ainda com as sobrancelhas arqueadas, me deixando cada vez mais irritada; e meu senso de humor poder ser comparado com o instinto de um leão.
- Então você está dizendo que tudo o que disse é verdade? – Ele cruzou os braços sorrindo vitorioso me obrigando a segurar toda a vontade que tinha de pular no pescoço daquele homem; para disfarçar o ódio incontrolável subindo em minhas veias forjei um sorriso irônico e inocente – Você é uma pessoa interessante, . Adoraria estar numa sessão com você de psicanálise – Ele revirou os bolsos, revelando quando suas mãos estavam em meu campo de visão, um molho de chaves grande, sem dificuldade separou uma chave com o cabo vermelho com o indicador e me olhou ainda ironicamente.
- E que mal lhe pergunte, mas quando você não gostaria de estar a sós comigo dentro de uma sala? – ficou no mínimo um minuto encarando a parte inferior de meu rosto com sua boca torta, algo que dedava o futuro nascimento de um sorriso ali. Porém a chuva acabara de engrossar, obrigando-o a tirar os olhos de minha boca e olhar impaciente para os destinos dos pingos de água.
Quando estávamos já em frente ao carro, ele foi em direção ao porta-malas para fazer alguma coisa da qual minha preguiça não me permitiu investigar, então me encostei na porta que dava entrada ao banco da frente do carro com os braços cruzados, olhei para minha roupa já toda encharcada e resolvi torcer um pouco a barra de minha blusa que já adotava um tom avermelhado por conta da água reservada entre os tecidos para não fazer tanto estrago no carro novo de do tipo encharcar o banco com estofamento ainda a ser pago. Sem notar a volta de , continuei ali encostada na porta dando atenção a minha roupa encharcada, pelo menos até ele voltar a falar. Ai que coisa chata.
- Licença – Ele colocou apressado uma de suas mãos sobre meu quadril nú, porque o tecido que antes o cobria agora estava sendo torcido por mim, sorri descontentada e saí da frente da porta antes que ele começasse a chorar por estar tomando chuva em um lugar semi deserto e fiquei a apenas alguns centímetros de distancia do mesmo.
- Que foi, ? – Curvei meu rosto um pouco para o lado e perguntei inocente para ele que agora colocava alguma tralha que havia pegado no porta-malas no banco traseiro do carro. Ele se ergueu a minha frente e me olhou curioso, parte de seu cabelo caía sobre sua testa por conta da chuva e sua camisa azul marinho assumia tons mais escurecidos também devido a chuva, igualmente a minha.
- O que foi, você, , não vai reclamar que a chapinha está saindo? – Seus olhos que transpareciam curiosidade agora passaram a refletir de forma óbvia a irritação. Ele fez menção para a porta aberta do carro com o intuito que eu entrasse ali, olhei em direção a mesma e continuei sorrindo para ele, fazendo-o se irritar mais ainda.
- Medo de se molhar, ? – Sua expressão se acalmou e voltou ao olhar curioso, provavelmente porque não costumo chamá-lo pelo apelido, se é que já havia feito isso antes, alguma vez em minha vida. Supri os poucos centímetros que poderiam antes serem denominados pela palavra “distância” e apoiei minhas mãos em seu peitoral mais visível por conta do tecido que caía reto em seu corpo, delineando cada forma do mesmo. Passei meus olhos sobre as curvas da camiseta de sorrindo e senti seu olhar confuso pesar sobre mim me fazendo gargalhar alto, voltei a atenção de meus olhos a seu rosto que possuía o maxilar travado e encarei sua boca fina – Pois saiba que eu adoro me molhar.


(Hebrefenia – Oscilamento rápido de um estado melancólico para um expansivo, ficando facilmente irados. São jovens que, embora pensem e raciocinem corretamente, discutindo os mais variados assuntos com facilidade, têm de fato uma certa dificuldade em apreender de forma precisa a realidade. Entretanto, apesar desta forma de pensar dispersa e pouco útil, os hebóides, ao contrário dos hebefrênicos, não apresentam idéias delirantes verdadeiras.)
(Monte Chambers é um nome fictício. Estava em busca de algum monte conhecido pelos redores de Beaumont/Port Arthur, mas acabei não achando, então anexei fotos de um monte chamado na verdade Enchanted Rock que está localizado em Llano County, Texas; foi o mais próximo de Beaumont e com paisagem relativamente mais a ver com o que eu estava procurando que achei. Peço desculpas por isso, tento colocar aqui todas informações verdadeiras sobre o local, mas desta vez não foi possível.)


Capítulo 6
[n/a: Sugestão de música: Bodies – Robbie Williams]

Minhas mãos escorregaram ligeiramente para a gola da blusa de , não impedindo nem atrasando minha invasão ao seu paladar e, em questão de segundos, sua língua parecia já ter tido conhecimento de toda dimensão de minha boca, sorri durante o beijo que fora interrompido pelas mãos molhadas, mas magicamente quentes, ao mesmo tempo, de ; ambas repousaram sobre os meus ombros e exerceram certa força contrária a mim, fazendo com que os nossos lábios se separassem, assim como nossos corpos.
- Qual é o seu problema? – Ele me olhou com a sobrancelha arqueada e testa franzida, igualmente a todos os movimentos limites que seus músculos faciais o permitiam exercer. Olhei-o incrédula, porém rindo ironicamente ao mesmo tempo e sentindo minhas têmporas se contraírem.
- Eu acho que cabe a mim fazer esta pergunta, devido ao clima que nos encontrávamos antes desta pausa desnecessária – Seu olhar pareceu transmitir súplica, que se eu quisesse poderia sentir pena, mas não era uma de minhas grandes habilidades. Ainda sem falar nada, ele me observava com suas mãos grandes repousando sobre os meus ombros encolhidos, passei a analisá-lo da mesma forma que ele estava me analisando e acompanhava vagarosamente os choques que as gotas de chuva causavam sobre , os mesmos me davam arrepio por trazerem um ar mais selvagem ao momento, mas em um pingo de ansiedade tirei meus olhos de seu músculo peitoral maior contraído e visível por conta do pano encharcado caindo sobre o mesmo e capturando cada detalhe de sua anatomia.
- Você precisa se tratar – Depois de alguns demorados segundos, ajeitou sua postura e se distanciou de mim, arranjando um jeito de abrir a porta do carro sem nenhum contato físico comigo, o que obviamente me fez revirar os olhos e respirar fundo para não deixar o mau-humor diário me dominar, como sempre fazia.
- Incrível – Me distanciei dele, ficando de frente para a porta do carro, o olhando com os braços cruzados, estava ajeitando alguma coisa em seu banco, pela porta do banco passageiro, então só metade de seu tronco estava dentro do carro e o resto ainda mantinha se molhando por conta da chuva – que não desistia em parar de cair sobre nós. Depois de alguns minutos, ele se ergueu e me olhou sorrindo derrotado e batendo as mãos sobre o tecido molhado de suas calças, enriquecendo mais seu ar teatral.
- O que houve dessa vez? – Ele se virou novamente para o carro e retirou do chão um guarda-chuva que o fez bufar, provavelmente por não ter achado ou descido do carro mais cedo com o objeto. Depositou o guarda-chuva novamente em seu lugar de origem, de forma rude, jogando-o contra o carpete que o carro obtinha em seu chão e se voltou a mim, que demorara para responder, com um olhar impaciente.
- Nada, eu só acho muito estranho a sua fala querer uma coisa e o seu corpo querer outra – Deixei escapar um sorriso cordial de meus lábios molhados e ele levou os braços ao seu peitoral, os cruzando, do mesmo modo que me encontrava, provavelmente para esconder a ansiedade, que eu conhecia muito bem.
Permanecemos ali durante alguns minutos nos encarando com olhares de maus amigos, até o momento que, magicamente, surgiu um sorriso descontraído em seu rosto e ele desatou a dar passos lentos em minha direção, até ficar a apenas milímetros de distância de meu rosto, eu ainda estava com os olhos meio torcidos o encarando, devido a seu ataque de espírito esportivo e me encolhi um pouco mais para evitar que mais milímetros de distância fossem cortados por conta de
– Você... - Sem abandonar aquele sorriso que já estava me estressando, ele como o previsto, supriu mais milímetros de nossa distância e curvou suas costas, deixando nossos lábios tão pertos que um simples respirar fundo já fazia com que ambos se encontrassem – é... – Não conti olhar para sua boca, estava tão próxima de mim que pude sentir o ar vindo dela ao pronunciar o que dizia. Ela se abriu novamente denunciando mais algo a ser pronunciado por , me atentando e fazendo, pela minha infeliz tristeza, encarar novamente nos olhos que relampejavam segurança – louca. – Ele abriu um sorriso largo para mim e logo se virou novamente em direção ao outro lado do carro, provavelmente, indo sentar em seu lugar de motorista. Arregalei os olhos e entreabri minha boca sorrindo para a figura traseira de que se movimentava rapidamente por conta da chuva pesada que caía.
- Ei! – Em um lampejo de volta a realidade, corri em sua direção, o alcançando e cutucando (Lê-se: Dando leves tapas em) seus ombros, ele se virou novamente para mim, me queimando com os próprios globos de tanta raiva que os mesmos transpareciam, mas não antes de revirá-los ao céu que soltava a incansável chuva sobre nós. Não estávamos mais nos preocupando exatamente com ela, já que estávamos completamente encharcados e mesmo que ela parasse ou continuasse, nossa situação úmida continuaria a mesma – Você pensa que... – Sem conseguir nem ao menos assimilar o que ia dizer, senti os braços de envolverem minha região lombar e em questão de segundos minhas costas haviam se chocado contra algo duro e gelado. Em um ato de impulso, ele dirigiu seu lábio em direção ao meu com certa agressividade e invadiu minha boca, sem se preocupar em pedir permissão para entrar na mesma.
Ainda perdida e sem entender muito o que estava acontecendo, tirou minhas mãos que estavam espalmadas em seus ombros, as juntando e segurando com apenas uma de suas mãos, os meus dois pulsos, um pouco a baixo de meu peito; sua outra mão estava em meu pescoço, se movimentando em volta do mesmo. Fechei os olhos e mesmo estranhando o súbito momento de raiva de , resolvi aproveitar o beijo selvagem que ele estava me dando. Com os olhos fechados comecei a corresponder sua língua que se movia freneticamente em minha boca, massageando de forma bruta todos os cantos da mesma. Nossas línguas se debatiam uma contra a outra com censura e de forma intensa, fazendo com que eu deixasse escapar alguns suspiros derrotados de vez ou outra. A mão de , antes em meu pescoço, subiu e agora estava repousando em meu queixo, próxima ao nosso beijo caloroso, meus olhos abriram por um instante e se reviraram enlouquecidos devido as sensações que aquilo estava me causando. Devia fazer mais de bons cinco minutos que nos encontrávamos naquela situação estranha: segurando meu punho contra meu peito, enquanto me pressionava contra seu carro que reluzia cada vez mais devido a água da chuva e em meio a um beijo nada educado e muito menos gentil por parte de ambos.
Meu rosto balançava para os lados, facilitando a locomoção da língua de para acariciar e acalmar a minha que estava enlouquecida. A mão que ficara bons minutos em meu queixo passara a empurrar calmamente a minha boca da de , sem conseguir conter um suspiro derrotado e entristecido ao mesmo tempo, prendi a parte inferior do lábio de em meus dentes frontais, fazendo com que o mesmo mordesse a região quando finalmente havia imposto uma distância entre nós, distância na qual fora limitada segundos depois, já que desceu seus beijos para a lateral de meu pescoço, afrouxando a força que prendia minhas duas mãos e em poucos minutos as soltando. Fechei os olhos e o máximo que pude fazer diante daquilo foi embrenhar meus dedos em seu cabelo ensopado e bagunçando-o ainda mais enquanto erguia meu pescoço para trás, fazendo com que beijasse a maior parte da extensão de meu pescoço até chegar ao meu maxilar que estava travado em busca de controle, ele trilhou várias mordidas até chegar em minha orelha, voltou ao meu pescoço e fez mais carícias com sua língua sobre a região, antes de sugar com uma força deliciosa a região logo a cima de meu colo, agora exposto, já que segundos antes levou seu indicador que antes ajudava a segurar meus pulsos ao decote de meu tomara que caia, o forçando a descer além do que já havia descido entre nossos amassos encostados ao carro, deixando meu mamilo endurecido devido a minha excitação, por milímetros, quase a mostra. Soltei um gemido fraco diante da atenção de em sugar a região a cima de meu colo com força, já bem avermelhada e levei minhas mãos ao meu cabelo que caía reto, por conta da chuva, sobre minhas costas quase desnudas. Quando sugou pela última vez aquela mesma região, pude perceber que o mesmo estava sorrindo, devido ao vapor que se chocara contra meu colo frio. Olhei-o e ele desfez habilmente o nó de meu tomara que caia, fazendo com que o mesmo se desmanchasse e virasse apenas um trapo molhado, como fui pega por surpresa, soltei mais um gemido agradecido por , já que mais alguns minutos dentro daquele pano, possivelmente, entraria em combustão humana. Ainda sorrindo ele continuou dando algumas mordidas e carícias brutas sobre meu colo, minha cabeça, ainda jogada para trás soltava gemidos agonizantes pelo contato da boca de contra minha pele, e agora, pelo contato da chuva molhada, caindo sobre meu mamilo enrijecido, sorri com os olhos fechados e levei minhas duas mãos para trás, encostando-as no carro para que as mesmas me servissem de apoio ali e eu não me desconcentrasse e caísse por falta de equilíbrio. flexionou os joelhos, se abaixando mais diante meu tronco e envolveu meu peito com uma de suas mãos, massageando-o e dando leves apertões, já meu outro peito exposto foi envolvido pela boca de , que o mordiscava habilidosamente, fazendo com que meus gemidos apenas piorassem, ele apertou mais algumas vezes meu outro seio, porém, agora, já estava se ocupando com meu mamilo, o segundo lugar de meu corpo que mais precisava de contato com a boca de , já que o primeiro era evidente e parecia já estar queimado ao meio de minhas pernas. Sua língua exercia movimentos circulares ao redor de meu mamilo, meio a algumas mordidinhas bem fracas que o mesmo não se controlava e dava em sua ponta, ele voltou a envolver a maior parte de meu seio que pôde com sua boca e o sugou, fazendo com que meu rosto que o observava atentamente, despencasse novamente para trás em busca de mais e mais prazer.
- É isso, não é... – Ele disse entre dentes, sem deixar que suas carícias parassem de serem exercidas sobre meu peito, que já latejava de prazer. Eu fiz o sacrifício de dirigir meu rosto ao dele novamente, sem entender o que ele queria transmitir, apenas coloquei uma de minhas mãos sobre sua nuca, o pressionando mais contra mim, em uma tentativa fracassada de fazê-lo parar de falar naquele momento – O que você queria... – Ele relatou depois de depositar uma espécie de selinho sobre o meu mamilo e depois se ergueu um pouco, fazendo com que seu rosto se apoiasse sobre meu peito e sorriu maldosamente, de forma bem chantagista para mim. Ainda ofegante, meu peito se mexia em um vai e vem bem cansativo, ele notou isto e apenas sorriu mais ainda, fazendo com que meu antes bom humor se convertesse a mau humor misturado com uma ironia genuína.
Prendi meus dedos no cabelo de e puxei-o para cima, o obrigando a se levantar e ficar a minha frente, encarei sua boca, já trêmula devido a presença da minha logo perto e sorri.
- Não, ... É o que você queria – tornei meu sorriso mais sacana ainda e não me intimidei nenhum pouco ao puxá-lo rapidamente para mais um delicioso beijo, só que desta vez, enquanto nossas línguas brincavam dentro de sua boca, me desencostei um bocado do carro e levei minhas mãos ao zíper de sua calça jeans; a água que estava depositada entre os tecidos devido à chuva, ajudara na hora de tirar aquela calça, já que quando aberta, despencou com desespero ao encontro do chão. Sem quebrar o beijo, sorri ao passear minha mão pela boxer muito bem preenchida dele, o seu preenchimento gritava como a calça jeans para ser libertado, por conta do grande relevo que a boxer obtinha, fiquei durante alguns segundos a mais, só alisando aquele delicioso volume e o massageando de forma bem tortuosa, já que dedara isso quando soltara um suspiro na hora em que minha mão se encontrara com o tecido que envolvia seu membro. agora me beijava com mais ferocidade e fazia com que minha língua lutasse contra a dele por vontade própria, depois de algum tempo sem tocá-lo, coloquei rapidamente uma de minhas mãos por dentro da boxer de , que acabara se assustando já que ficou sem corresponder o beijo durante alguns intermináveis instantes. Confirmei minhas expectativas ao sentir o membro de extremamente duro em minhas mãos, chegando a pulsar sobre a mesma, me fazendo sorrir de satisfação durante o beijo, já não tão caprichoso, devido a provável concentração que devia estar fazendo.
Fazia movimentos rápidos e fortes enquanto pressionava sua glande já molhada por conta da chuva, de vez em quando o alisava desde sua base até o final de sua extensão, fazendo com que soltasse alguns suspiros vencidos durante o beijo, retirei minha mão de dentro de sua boxer e a abaixei rapidamente com a mesma mão, milagrosamente, sem quebrar o beijo, que já não possuía a mesma intensidade, nossos olhos se direcionaram para baixo, olhava atentamente todos os movimentos que minha mão estava tomando, mas ergueu sua cabeça para trás ao ver por segundos e sentir eu colocando o seu membro ao meio de minhas cochas expostas devido ao comprimento de meu curtíssimo shorts jeans, sorri ao começar masturbá-lo com uma de minhas mãos e a pressão de minhas pernas sobre ele ao mesmo tempo, ele derrotadamente quebrou o beijo e encostou sua testa na minha, observando cada toque de meus peitos em seu peitoral, sorri ao vê-lo observando e exagerei um pouquinho mais, roçando meus mamilos enrijecidos sobre seu peitoral contraído, sem conseguir conter, comecei a gemer fraco junto a ele que agora me olhava e pressionava algumas vezes meu corpo contra o dele, e com a outra mão, apertava meu traseiro, depois de no máximo dez minutos naquela posição extremamente torturante para ambos, me distanciei um pouco dele e parei de masturbá-lo com minhas coxas. Já decidida a tirar meu shorts e calcinha para parar com todo aquele sofrimento, coloquei minha mão sobre sua pélvis, abusando da proximidade de sua ereção já erguida em minha direção, implorando por mim cegamente e me virei de costas para ele, ainda sorrindo e agradecendo cada vez mais profundamente aquela chuva deliciosa, desabotoei minha jeans e abaixei o zíper, desci vagarosamente meu shorts jeans até o mesmo chegar aos meus pés, e fiquei um pouco em minha posição, deixando meu tronco para baixo enquanto minhas pernas entre abertas expusessem toda sua extensão, voltei a minha posição original ao ouvir reclamações baixas de e tirei minha calcinha, só que desta vez de forma mais rápida do que o shorts, quando minha calcinha rosa clara encostara em meus pés, a joguei para o lado e em questão de segundos, se não fosse o material gélido do carro chocando-se contra a minha cintura novamente, eu mal teria percebido que havia sido empurrada para o carro violentamente e preenchida pelo delicioso membro de , que agora estava me fornecendo um excitante e bruto sexo anal, a partir do momento em que seu membro se encaixou em mim, passei a gemer bem mais alto enquanto tentava me movimentar com dentro de mim, sem deixar o sorriso de lado, senti encostar a cabeça em meu ombro esquerdo e grunhir alto enquanto comandava meus movimentos, já que suas mãos estavam praticamente grudadas nas laterais de meu quadril. Como estava praticamente empolgada com aquilo na mesma intensidade que ele estava, resolvi tentar deixar aquilo um pouco melhor, dando a um espaço maior para se divertir comigo, então me debrucei sobre o carro e abri minhas pernas do modo mais confortável e possível que consegui. Meus gemidos descompassados aumentavam a cada tranco que me dava por trás, e a força que ele exercia sobre mim era tanta que até o carro no qual eu me encostava chegava a ser levemente balançado, ele passou uma de suas mãos para minha intimidade, mantendo a outra fixa em meu quadril, me obrigando a rebolar naquele vai e vem delicioso junto a ele, o mesmo nem pensou antes de injetar seus dois dedos em minha intimidade frontal, fazendo-me berrar vergonhosamente de prazer, com seu dedão, passou a acariciar meu clitóris enquanto exercia um vai e vem em todos meus pontos prazerosos inferiores. Abaixei minha cabeça tentando reciclar algum oxigênio que parecia escapar de meus pulmões e fechei fortemente os olhos, lutando contra aquele prazer pecaminoso, minha falta de fôlego me supria até mesmo de arranjar força para gemer, então mantive minha boca aberta durante alguns segundos e meu olhos fechados fortemente, quieta, só sentindo o membro de pulsar e percorrer toda minha intimidade interna, junto ao seus dois dedos que me penetravam rapidamente. Com minha concentração, consegui conter mais força e finalmente voltar a expressar meu prazer a fora, ergui meu pescoço para trás, encontrando o ombro de que sorria maldosamente e respirava dificilmente como eu, sorri e levei minha mão a sua nuca, a puxando para baixo, em minha direção, fazendo com que a boca de fosse ao encontro de meu pescoço exposto, já que me apoiava sobre seu ombro, voltei a gemer, só que desta vez dirigi meus gemidos ao seu ouvido que estava bem perto de minha boca. Deliciava-me a dar algumas mordidas no mesmo, enquanto gemia exclusivamente para ele e senti colar mais nossos corpos e tirar seus dedos de dentro de mim, levando esta mesma mão a um de meus peitos que mexiam freneticamente, junto ao corpo de .
- Vai, ... – Provoquei-o ainda com minha boca colada em seu lóbulo e sorri ao vê-lo fechar os olhos e passar a penetrar em mim com mais força – Oh... Você é bom – Mais alguns movimentos de e eu tinha certeza de que não agüentaria mais e chegaria logo ao meu clímax, mas nada custava esquentar cada vez mais a situação – Ah... Mas eu sei, – Gemi entre dentes enquanto mordia mais uma vez seu lóbulo e pude ver o mesmo franzir mais um pouco a testa e olhar de relance para mim, localizada logo a baixo de seu rosto – Sei que consegue melhorar isso, não consegue?
Senti seus pêlos da nuca se eriçarem contra minha testa suada que estava em contato com sua nuca e ele investiu em mim somente mais uma vez com a força duplicada, consegui segurar meu fôlego e agüentar aquilo sem gozar, sorri orgulhosa mas não conseguia parar de gemer, só o membro de dentro de mim me causava um súbito prazer, presenciei, quando suas carícias o acompanham e posso dizer que aquele homem podia muito bem me levar quando ele bem quisesse ao paraíso. Quando fui recuperando minha sanidade, senti os músculos de contraídos, devido aos nossos corpos estarem grudados e ele sem nem dizer nada retirou-se de dentro de mim, fazendo com que eu soltasse um gemido abafado e decepcionado, sua mão em minha cintura fez com que eu me virasse de frente para ele, ele estava com uma expressão séria e assumia toques dez vezes mais agressivos do que os de antes, sem entender, ele voltou a me chocar contra seu carro, só que me ergueu sem nenhum esforço, fazendo com que eu me sentasse naquele material gélido. Sentada sobre o carro, já entendendo o que queria, levei minhas costas para trás, me debruçando sobre o capô, e sorri o desafiando, ele balançou a cabeça em sinal de negação, mas se divertiu depois de ver o estado de meu corpo implorando contato, ele se aproximou de mim e eu coloquei um de meus pés, acompanhado por minha sandália, sobre o capô, ele segurou meu pé e a lateral inferior de minha outra coxa, os distanciando, propositalmente fazendo com que minhas pernas se abrissem e se encaixou ao meio delas. Fechei os olhos, só ao imaginar como seria este sexo estilo papai e mamãe com ele, a sensação do membro dele entrando em minha vagina, que implorava também por ele, devia ser uma das melhores aventuras sexuais que já tivera, já que o dote de se encontrava em ótimo estado, quando o assunto era em relação a sua anatomia íntima. Sua mão que segurava o meu pé, o levou até o seu ombro, fazendo com que uma de minhas pernas se erguesse para cima, com o tronco e ombro de me servindo de apoio, porém minha outra perna continuou apoiada no carro, abrindo passagem para ficar bem ao meio dela, como já estava, ele, com a menor pressa do mudo, o que já estava me irritando, colocou uma de suas mãos em minha coxa da perna que se encontrava apoiada nele e a outra em minha cintura, quando já havia cuidado de todos estes detalhes, sem nem aviso prévio ele me penetrou, juntamente a força que ele guardara durante aqueles instantes para exercer dentro de mim, quando feito eu tive que me segurar novamente para não berrar ali mesmo, com me olhando, algo que ele fazia irritantemente, pois parecia que fazia questão de observar tudo o que eu fazia e sentia durante o nosso sexo, ao contrário dos outros caras com quem já transei que querem somente um sexo rápido e dormir. me penetrava sedutoramente mas ao mesmo tempo violentamente, porém sem a mesma pressa da hora que estava praticando sexo anal comigo, o que me fez ficar momentaneamente irritadíssima, soltava vários grunhidos em protestos, mas ele parecia nem ligar, apenas continuava me observando com a boca entreaberta e com a tentativa de um sorriso sacana nascer em seu canto, ele começou a exercer cada vez menos força em seus movimentos, fazendo com que seu membro mal se locomovesse dentro de mim. Ele parou de se movimentar e retirou o meu louboutin do pé que estava apoiado em seu ombro, o jogando no chão, junto ao restante das roupas e passou a beijar meu tornozelo, com todo o cuidado. Como estava entorpecida demais para reclamar, apenas permaneci naquela posição sentindo-o dentro de mim de forma cada vez mais real, fazendo com que ocorressem várias explosões de prazer no decorrer de minha intimidade, depois de belos minutos de tortura, voltou a segurar minha cintura, junto a minha perna e voltou a fazer aquele movimento vai e vem delicioso dentro de mim, sorri satisfeita e ele levou a mão que estava sobre minha perna para o meu mamilo, o apertando delicadamente, enquanto massageava o restante de meu seio com o pulso. Agradeci mentalmente por aquilo e voltei a aproveitar as sensações que as estocadas de proporcionavam a mim, já que aquela posição me impossibilitava de fazer algo, levei minha mão ao meu seio descoberto e o massageei, seguida por , que ao ver aquilo, levou sua outra mão ao meu outro seio, agora, massageando ambos, com minhas mãos sobre as dele, exercendo força em ambas.
A força que estava depositando em minha intimidade diminuiu de novo, me fazendo tirar uma de minhas mãos que estava sobre a dele e levá-la ao pescoço, retirando meu cabelo do colo, e o olhando, para obrigá-lo psicologicamente a voltar a fazer como antes. Ele alargou o sorriso que antes só ameaçava a crescer e retirou minha perna de seu ombro, depositando nela outro beijo, e em seguida passando sua língua de forma tortuosa no local que havia beijado, se curvou, colocando seu dois braços um de cada lado meu e se aproximou mais de meu corpo, ficando quase deitado sobre mim por questão de centímetros. Ele abaixou sua cabeça, dando uma mordiscada de leve em meu mamilo e voltou à posição anterior, me encarando nos olhos, retirou seu membro de minha intimidade e o colocou novamente, só que se movimentava de forma bem vagarosa enquanto direcionava sua boca em direção a minha, coloquei uma de minhas mãos em seu ombro e ele invadiu minha boca, com aquele paladar frutificado dele, sorri meio ao beijo, mesmo não estando feliz com a velocidade que investia em mim e resolvi começar a gemer em protesto enquanto ele me beijava.
- Satisfeita? – Ele desgrudou nossos lábios e passou a sugar meu lábio inferior, eu reclamei a ele por meio a sons que minha boca se limitava a soltar e ele revirou os olhos, passando a investir mais devagar, algo que eu achava que fosse impossível – Você não queria que eu melhorasse? – Ele sorriu irônico para mim, e levou uma de suas mãos que estava usando de apoio para o meu rosto, o massageando, eu, naquele momento, não conseguiria dizer nada, então suspirei derrotada para ele que aproximava o indicador de me queixo, levei minha mão até a dele e coloquei um de seus dedos dentro de minha boca, percebi que ele estava observando meu ato, então passei a massageá-lo dentro de minha boca, fazendo-o relembrar de quando eu estava com as mãos em sua intimidade, sorri ao vê-lo entreabrir os olhos e suspirar, tirei seu dedo de minha boca e passei minha língua em volta do mesmo, ele sacudiu a cabeça, sem tirar o dedo de minhas mãos e voltou a falar – Você quer que eu continue te tocando até você chegar lá, não quer, minha linda? – Um prazer colossal me dominou ao ouvi-lo me chamando por aquele apelido tão íntimo, quase fazendo com que eu tivesse um orgasmo ali e estragasse toda a nossa festinha, então tirei o dedo de de minha boca e coloquei sua mão sobre o meu colo, ergui meu pescoço para trás em busca de algum tipo de auto controle e pude vê-lo sorrindo e levando à boca o dedo que eu havia acariciado, sorri para ele, e gemi aprovando minha vontade, ele então retirou o dedo de sua boca, colocando-o novamente em meu queixo – Você quer? – Ele me olhou da forma mais censurada possível enquanto abaixava seu corpo para que se chocasse com o meu por um segundo, algo que também me fez perder o controle. Gemi mais uma vez alto e confirmei a ele, gesticulando com meu maxilar. Era algo que eu queria, claro que era, nunca havia tido nenhuma relação com ele, e agora à beira das chamas, algo que aconteceu poucas vezes em todo minha vida sexual, eu obtinha um interesse sexual nele também desde o momento em que nos deparamos. Era evidente que eu queria que ele me fizesse ter um orgasmo para ele, ali – Então, pede – Ele disse sério enquanto percorria toda a extensão de meu corpo com sua mão molhada e habilidosa. Porém o olhei perplexa e rindo um pouco mais do que o recomendado diante o absurdo que ele dissera, ele apenas sorriu para mim enquanto chegava ao topo de minha cabeça com sua mão e tirava cabelos molhados de minha testa.
- , você es... – ele me interrompeu, impossibilitando-me de terminar a fala.
- Pede – O sorriso dele desapareceu momentaneamente – Você vai ter que pedir para eu te fazer chegar ao prazer – Ele dirigiu sua mão ao meu pescoço, como senti um arrepio ao senti-lo tocar minha pele, suponho que ele estivesse percorrendo com o dedo pelos lugares os quais já estavam vermelhos de tanta atenção dada anteriormente por – Porque você sabe que só eu consigo te deixar assim, suplicando, mesmo sendo nossa primeira vez – Ele pigarreou para mim. Olheio-o séria, tentando mentalizar que não existia aquela deliciosa sensação dele estar dentro de mim e juntei os pontos, sentindo minha raiva crescer. Ele ao menos me conhecia... Eu, pelo menos, não o conhecia e estava ali, submissa a ele, literalmente inferior, o implorando por um orgasmo. Céus, , ah que ponto de credulidade você pode chegar. Olhei-o nos olhos, ignorando seu cabelo dando um ar charmoso devido a bagunça que se encontrava, e agradecendo por seu rosto estar tampando o meu da chuva.
Em um lampejo de sanidade vi o quanto lamentável me encontrava e resolvi checar as cartas que tinha em minhas magas.
- Eu peço – Sorri para ele de forma cordial, observando-o sorrir vitorioso, o chamei pelo indicador para chegar mais perto de mim e ele aproximou sua boca da minha, sorri a milímetros de distância da dele, e percorri seu lábio com minha língua, em seguida, dando uma mordidinha no canto – Mas por uma condição – Entrelacei minhas duas pernas em volta da cintura de e o vi franzir o cenho – Você precisa me beijar primeiro – Pedi a ele enquanto provocava seu lábio com minha língua e quando mal pude esperar, sua boca já estava com toda a extensão da minha envolvida, ele mordiscava o interior dela e eu o retribuía, fazendo o beijo igualar a selvageria. Sorri meio ao beijo, pegando impulso de meu corpo apoiado no capô, segurei nos cabelos de e num impulso consegui inverter as posições entre nós, ficando por cima de que acabara de quebrar o beijo e me olhava com uma incredulidade misturada com mau humor, ele revirou os olhos e eu sorri, me curvando para dá-lo um selinho, ele retribuiu o selinho demorado enquanto massageava minha lombar – Você já devia saber, ... – Forcei um bico decepcionado para ele que ergueu as sobrancelhas a mim – Eu não sou submissa a ninguém e muito menos a você – Sorri para ele que abriu a boca diversas vezes, pois devia ter a menção de falar alguma coisa e ter desistido diversas vezes.
Ergui meu quadril para cima com certo custo, tirando o membro de de dentro de mim e me inclinando em sua direção para passar a massagear sua glande como anteriormente, , como um belo observador, não perdeu nada, ficou me olhando a cada movimento e quando ele havia pedido para parar de masturbá-lo, voltei a minha antiga posição, com seu sexo já dentro do meu. Sorri com a sensação e apoiei minhas mãos em seu peitoral rígido, comecei a me movimentar sobre e ele colocou suas duas mãos em volta de minha cintura, ele fechou os olhos e eu caprichei mais um pouco nos movimentos, erguia meu quadril para cima, fazendo com que o membro de entrasse e saísse de mim. Ambos estávamos tremendo, então forçou as mãos que estavam sobre minha cintura, para baixo, para que eu me mexesse fortemente contra, somente contra, o seu membro, entendendo o recado de que ejacularia logo, com minhas mãos apoiadas em seu peitoral, peguei impulso delas para começar a rebolar sobre , fazendo com que nossas intimidades se roçassem fortemente e deliciosamente, com ajuda especial da chuva que percorria todas as partes de nossos corpos, causando uma ótima sensação entre o quente e o frio, ficamos durante alguns minutos naquilo até eu ouvir um urro de prazer vindo de , em seguida, senti todo seu líquido me invadir, meus gemidos a partir daí passaram a ser ensurdecedores e comecei a me mexer bem mais rapidamente em que continuara ali para me ajudar a gozar, seu líquido morno permanecia dentro de mim, fazendo com que nossos movimentos ficassem mais confortáveis e gostosos, o mesmo me molhara internamente, servindo de amortecedor para todas as minhas regiões erógenas tanto quanto externamente, devido a grande quantidade que escapara para entre o choque de nossas virilhas que, junto a nossas intimidades, se roçavam incontáveis vezes, com aquele amortecedor delicioso que soltara para mim... Pensar e assimilar aquilo era algo que me fazia delirar. levantou seu tronco do capô, ficando sentado comigo em cima e passou a exercer cada vez mais força contra minha intimidade, uma de suas mãos, acompanhada pela outra que estava em minha cintura, escorregou para o meu traseiro, dando fortes apertões ali, o que fez nossos movimentos se descompassarem mais, com isso meus olhos passaram a se revirar por conta própria, sua outra mão, antes acompanhada pela outra em meu quadril, foi as minhas costelas, me empurrando e me obrigando a erguer meus braços novamente para trás, cegamente, para que me servissem de apoio.
- Não, ... – Choraminguei para ele, que não se preocupava em fazer outra coisa além de sorrir sacana e massagear agora minhas pernas que caíam sobre as dele. Inclinei minha cabeça para o lado, com os olhos fechados e senti-o voltar a me penetrar de forma ruidosa e deliciosa de antes em minha intimidade, obrigando-me a colocar os braços em volta do pescoço dele em busca de apoio em meio aqueles movimentos brutos e rápidos que ambos exerciam, ele levou uma de suas mãos novamente ao meu mamilo, acariciando o mesmo e depois dedilhando a curvatura de meu peito, não demorou muito para eu sentir uma onda de calor percorrer todo meu corpo e sentir todos os pêlos de meu corpo se arrepiarem, levou um de seus braços ao redor de meu pescoço já percebendo que logo chegaria ao prazer, e me obrigou a beijá-lo a beira de meu orgasmo. Aquele sexo estava sendo uma tortura viva. Sem conseguir correspondê-lo direito, levei minhas mãos ao redor de suas costas largas e finquei ali minhas unhas afiadas, fazendo gemer baixo, seguido a mim, só que de forma bem mais ruidosa e alta, em meio a aquele beijo, meus membros ficaram trêmulos e a sensação de luxúria pura havia durado míseros segundos, porém os melhores segundos que já havia presenciado.
Ainda muito entorpecida, deixei meus músculos finalmente se relaxarem naquela noite, deixando meu peso cair sobre o peito macio de que estava grudado ao meu e me fornecia apoio. Encostei minha cabeça em seu ombro e ficamos ali durante bons segundos, tentando normalizar nossa respiração ofegante, senti uma carícia em minha nuca e notei que havia dirigido uma de suas mãos a ela, e agora a massageava da forma mais gostosa, sorri discretamente por aquilo e levei minhas mãos que estavam apoiadas em seus ombros ao seu cabelo bagunçado, o alisando, do mesmo modo que ele fazia em minha nuca, ao sentir isto, parou sua carícia e colocou seus braços em torno de mim, me apertando contra o mesmo de um jeito manhoso, seu pescoço caiu sobre o meu ombro e eu levei minhas mãos igualmente as dele, em volta de seu corpo. Ficamos naquela posição confortável, com meu rosto escondido no ombro de , e o dele no meu, com nossos braços se fechando em volta um do outro e olhos fechados por mais um longo tempo. Por mais que a chuva fria insistisse em cair sobre nós, parecia que estávamos em uma atmosfera quente e confortante. Já sentindo meu coração bater normalmente e minha respiração ficando controlada, senti certa angústia em estar ali e achei melhor irmos embora logo.
- Eu preciso ir – Por um milagre consegui fazer com que minha voz saísse, apesar de entorpecida e fraca. Porém o nível convincente da mesma não enganara nem a mim mesma, já que ficar ali estava saindo melhor do que o previsto.
- Eu fiquei de ver ainda uns depoimentos, também preciso ir para casa – Abri os olhos sacudindo um pouco minha cabeça ao sentir afrouxar os braços que antes estavam em torno de minha cintura, massageando-a. Era óbvio que ele não aceitaria minha fala com um simples “Tudo bem, eu te levo para casa”.
- Então... vamos – Desci de cima dele que estava fazendo papel de minha cadeira particular já a alguns consideráveis minutos e senti um calafrio ao sentir seu membro sair de dentro de mim com a maior normalidade. É, eu havia me esquecido desta parte.
Ignorando o imprevisto, andei pela terra molhada até nossas roupas jogadas que nem trapo em cima de um tronco cortado e lancei as roupas a que ainda estava sentado sobre o carro, olhando para cima, não pude deixar de reparar nas gotas de chuva que caíam sobre o mesmo, fazendo com que seus ombros largos se reluzissem e seu cabelo ensopado caísse de forma cômica sobre sua testa, quando ele havia pegado no ar as roupas que havia lançado a ele, me virei para o tronco rindo e coloquei minha calcinha, seguida de meu shorts e tomara que caia. Cacei meus sapatos jogados pelo chão e esperei calçá-los quando estivesse com o pé seco e limpo, tomada as circunstâncias que já era um pecado pertencer um louboutin e o expor a chuva e terra úmida do Texas. Quando me dei conta, já havia se vestido, com exceção da blusa que ele agora torcia, estava igualmente encharcada como a minha devido a chuva que insistia em cair.
Forcei-me a parar de reparar em cada detalhe de ou em detalhes das ações que o mesmo tomava e resolvi entrar no carro, mas ao abrir a porta e me deparar com aquele couro bege novinho senti pena do mesmo em depositar meu peso úmido ali, então peguei sua capa de plástico que estava no banco traseiro, algo que me surpreendia não tê-lo jogado fora, pois aquilo devia ter vindo encapando o estofamento novo... Enfim, encapei o meu banco e sentei no mesmo, juntando meu cabelo em um rabo de cavalo e o torcendo para fora do carro, tentando evitar qualquer excesso de água ali, prevenindo-me de ter que pagar futuramente algum concerto inútil do carro de ; o qual não ligara muito, pois entrara no carro e sentara no couro limpinho, enquanto estava totalmente encharcado e sem camisa, em questão de segundos. Revirei os olhos por sua falta de cuidados e resolvi prestar atenção na janela a minha frente que começara a ilustrar diversas paisagens da floresta, já que partira do local que seu carro estava estacionado.

Depois de tudo o que ocorreu hoje, minha cabeça estava em uma confusão plena, então prestar atenção nas coisas se tornara mais difícil ainda para mim, ainda mais naquele momento. Talvez isso seja uma desculpa chula para eu ter demorado anos para atender o telefone que, de acordo com os resmungos de , estava tocando desde o momento que entramos no carro. Lancei a ele um último olhar irritado e atendi meu celular impacientemente.
- Alô?
- Chuchu, cadê você? – Reconheci a voz de do outro lado da linha e levei meus dedos à testa franzida, procurando vestígios de bom humor para falar com ela. Sem sucesso a respondi sem emoção.
- Eu já estou indo para casa, – Ela não me respondeu, provavelmente porque conhecia muito bem as coisas que eu armara e queria explicações. O surto que ela daria quando estivesse a sós comigo depois por eu estar saindo com o “xerifão” seria insuportável, mas eu estava tão exausta que estava sem saco até mesmo de bolar uma mentirinha para evitar o questionário gigante, no qual seria vítima em algumas horas. Existem vários benefícios quando se vive ao lado de sua melhor amiga, mas sempre existem também os malefícios. Nada é perfeito. – Bom, eu peguei uma carona com que também estava indo para casa.
- , você não presta, meu bem – Ela arrastou sua voz de maneira experta, e do jeito que conhecia bem aquela menina, já sabia que a mesma estava sorrindo para o nada, de mãos cruzadas e com um sorriso sacana no rosto – Enfim, então era exatamente por isso que eu havia te ligado, bem.
- Ahn? – Indaguei ainda exausta demais para raciocinar, rindo por minha própria ignorância.
- Entã, xú – Ela respirou fundo – Eu sabia que você já teria dado um jeito de catar o seu xerife, além do mais a aspirante de puta está aqui, entendo muito bem você querer proteger o que é seu e...
- , cala a boca e fala logo o que você quer.
- Outch! – Ela dramatizou fazendo com que ambas rissem – Ai, xú, enfim. Como eu estava dizendo, eu sabia que você estaria com o xerife, então o querido me pediu para informar que agradece por ter sido esquecido aqui no meio do deserto, mas para não se preocuparem porque eu vou dar uma caroninha para ele... – Fechei os olhos irritada, me lembrando exatamente das palavras ditas por mais cedo. “Eu vou levar para casa também, O’Connell disse que se vira, se importa em ir andando até o carro?” Deus, aquele dia só podia mesmo estar sendo o inferno.
- Merda. , espera na linha – Tampei com a palma da minha mão o meu celular e me virei para que parecia prestar atenção em mim de algum modo, com sua visão periférica ao notar que eu estava o encarando – Esquecemos o ... – Disse com calma, mas depois me encolhi no banco devido a freada acompanhada por um barulho agudo ensurdecedor completamente exagerada que acabara de dar no carro.
- Merda! – Ele repetiu minhas palavras iniciais e bateu discretamente no volante enquanto já dava marcha ré no carro, revirei os olhos novamente e segurei um dos braços de que agora girava o volante para poder fazer a curva e voltar para o local do eclipse.
- Calma, ! – Elevei minha voz, já deixando meu jeito irritado aflorar em meu modo de agir, Ele, ainda com o carro freado, continuou me olhando com os olhos transparecendo irritação e esperando alguma explicação – A está com ele e vai levá-lo para casa, as pessoas estão saindo de lá neste exato momento e ela está trazendo ele, relaxa – Ele revirou os olhos e voltou a dirigir assumindo uma velocidade maior do que a de anteriormente – Oi, , tudo bem, já avisei – Agradeci a ela que respondeu animada.
- Magina, xú, mais tarde agente se encontra e como o Pietro vai dormir lá... Já deve estar lá para falar a verdade – Ela completou sua fala mais para si mesma do que para mim – Você podia dar uma passada lá para nos dar um oi e a gente conversa mais um pouquinho! – Concluiu animada, sorri e balancei a cabeça negativamente.
- Tudo bem, vou fazer o possível, porque estou com sono e exausta.
- É, eu imagino – Ela disse esperta me fazendo revirar os olhos novamente.
- Tchau, ! – Falei mais alto, rindo e ao mesmo tempo chateada.
- Beijos, baby – Ela riu junto comigo e desligou o telefone.

- Está tudo bem, então? Podemos voltar sossegados para casa? – revisava seu olhar entre a estrada a nossa frente e a mim, carregava o mesmo mau humor que o meu, tanto na voz quanto na intensidade de sua fala.
- Sim, . está com tudo sobre controle, relaxe – Disse indiferente, sem tirar os olhos da estrada enquanto guardava meu celular cegamente em minha bolsa.
Depois de nosso breve diálogo não nos falamos mais na estrada. Agora começara a chover mais forte dando a impressão que os choques dos pingos de água com o carro fossem alguma espécie de granizo, deixando a visão do carro esfumaçada e a estrada, difícil de ser detalhada. O pára-brisa a minha frente não parava de se movimentar de um lado para o outro, deixando-me mais irritada ainda com aquele simples e ridículo ato, bufei cansada e resolvi encarar o meu lado da janela, também esfumaçado e escuro pela falta de faróis laterais do carro. As árvores de imagem carbonizadas passavam rapidamente ao meu lado, junto com o extenso matagal que se formava naquela região do Texas, isso indicava que estávamos um pouco longe ainda de Beaumont, já que lá a única coisa que sua paisagem nos proporciona é terra e montanhas de terra.
A velocidade que guiava seu carro era a mesma desde a hora que havia desligado nossa chamada, extremamente rápida, denunciando em minha cabeça ignorante em relação a automóveis, estar pelo menos a 120km/h. Esse pensamento só fez o frio em minha barriga piorar e eu apertar o sinto que laçava meu corpo, presa ao banco em busca de calma. Senti o olhar do individuo ao meu lado pesar sobre mim e quando já não era mais o centro de suas atenções, o olhei pelo canto do olho. certamente era uma pessoa estranha, me denunciara há poucas horas de ser bipolar e controladora, mas sua personalidade não era muito diferente da minha, já que sempre caçava algum motivo no dia a dia para se irritar com algo. E bom... Por mais idiota que fosse tinha um corpo lindo, e era por isso minha atração passageira por ele, é claro. Este meu último pensamento aflorou um pouco a mais minhas intenções e resolvi, como a paisagem estava difícil de ser observada, observar o corpo ao meu lado que possuía apenas o pano de seu jeans escuro o cobrindo, deixando toda a extensão de seu peitoral visível. Os braços de se mexiam calmamente para nos guiar pelas curvas da estrada e seu abdômen estava rígido, talvez pela atenção que o mesmo depositava em sua habilidade em dirigir naquele momento. Já percebendo seus olhares periféricos a mim, voltei minha atenção àquela chuva chula que escorria por todos os lados do carro. Eu particularmente gosto de chuva, mas não quando estou em uma estrada ou exposta literalmente à mesma, ela aumentava as chances de se acidentar de 50, para 100% então não era algo que momentaneamente estava me agradando.
Silêncio, silêncio e mais silêncio.
Aquilo estava sendo um saco, lamentei que pela minha ingenuidade não pude pensar nisso antes, enquanto ainda tinha tempo de pegar uma carona de volta para Beaumont, com minhas amigas em seu carro confortável e quente, onde rolariam vários diálogos engraçados. Não havia mais volta já que meu lugar agora estava sendo ocupado pelo amigo de , que devia estar fazendo um bom papel, já que tinha uma cara simpática... E, bom, já estava com , não dava para correr mesmo atrás.
- Eu te levo na minha casa ou na sua casa? – Indagou de forma simples e direta, fazendo meus olhos rolarem até o mesmo pela resposta ser óbvia e estar na ponta de minha língua desde a hora que entramos naquele carro.
- Minha casa, claro – Disse para ele que agora me olhava com a testa franzida, ele assentiu gesticulando seu maxilar e voltou sua atenção a estrada – Estamos perto?
Ele levou sua mão ao queixo e levantou suas sobrancelhas, tudo indicava que estava no meio de um raciocínio diante de minha pergunta, então esperei até que o mesmo chegasse à conclusão detalhada.
- Deve faltar bastante ainda, estamos na estrada faz uns... – Ele olhou para o relógio que o painel de seu carro obtinha – quase uma hora.
- Então ainda devemos levar uns quarenta minutos, talvez – Respondi tristonha e com um biquinho entristecido no rosto, já sentindo falta de minha cama.
- Por aí, mas se você quiser ficar em minha casa, leva apenas meia hora já que ela está mais próxima da saída da cidade do que da cidade propriamente dita – Ele deixou nascer um sorriso em seu rosto fazendo com que eu abrisse a minha boca incrédula por sua vontade e ri um pouco, revirei os olhos em seguida sem ter muita vontade de responder ao que dissera.
Ficamos naquele clima cômico-cruel mais alguns instantes até que o carro de pulasse na estrada. Ambos arregalamos os olhos e olhamos para trás logo em seguida ao movimento brusco que o carro fizera, rezando silenciosamente para não ter furado o pneu do carro com aquela... Pedra? Ouvi o barulho de abrindo sua porta enquanto colocava sua camisa molhada e verificava o que ocorrera na roda esquerda traseira de seu carro, com seu corpo ainda próximo a porta, a chuva estava tão grossa e violenta que tornara difícil identificar qualquer coisa que fosse no meio daquela queda de água incansável.
- Mas que... – começou a falar alguma coisa depois que analisara seu pneu, mas foi interrompido ao se assustar com algo pálido sendo jogado contra seu para brisa, fazendo com que eu desse um pulo e não soubesse identificar muito bem o que ocorrera já que havia levado as mãos aos olhos – Puta que pariu! – urrou e eu olhei para frente, tirando as mãos de meu rosto, juntando toda a coragem que tinha e dando de cara com uma espécie de corpo molhado feminino, nú, com coloração pálida em uma situação física deplorável, caído retorcido em cima do vidro a minha frente.


Capítulo 7
[n/a: Sugestão de música: Lullabies – All Time Low]

Fiquei paralisada diante aquele corpo com os olhos arregalados e cobertos por lágrimas que ameaçavam sair, até sentir meu braço ser fortemente agarrado, o que me fez levar um pulo de susto, mas ao perceber que era , me acalmei, ele me forçou a sair do carro, primeiramente eu discordava de seu ato e fazia força para continuar ali no banco, mas bufou e me arrancou daquele banco com força, segurando-me contra seu peito, ele achava que aquilo seria um meio de me acalmar? Mas quando ele havia resgatado uma arma de seu bolso, meus olhos já encharcados se fecharam, seguiu mais a frente comigo grudada em seu corpo e apontou a arma em direção ao matagal ao nosso lado, ironicamente, do lado de onde a morta se atirara em cima de nosso carro.
- Não se atreva a sair de perto de mim – me lançou um olhar autoritário e no estado de choque que me encontrava, o máximo que pude fazer foi concordar com um aceno e me encolher novamente sobre seu corpo, ele acabara de tirar o celular do bolso de sua camisa e discava um número que devia saber de cor apressadamente. Gemi fraco ao entender que o inferno todo iria se repetir diante de mim – ? – Pausa – Siga depressa a estrada, fale para o motorista de seu carro dirigir o mais rápido possível, porque ocorreu um homicídio no ponto da estrada onde estou– desligou o telefone provavelmente antes de escutar a resposta de , devido a rapidez e voltou a me acolher com um de seus braços.
virou sua cabeça em direção ao matagal novamente e se abaixou, levando-me junto a ele, ficamos próximos ao chão e encarei a feição de atenta ao mato, num relance um amontoado de flores junto a matos bem distante de nós, porém visível, se mexeu e pulei de susto ao ouvir disparar pelo menos três tiros em direção ao local, comecei a sentir o nervoso tomar conta de mim e as lágrimas antes armazenadas nas extremidades de meus olhos começaram a percorrer meu rosto junto as gotas da chuva, colocou sua mão em volta de minha boca fortemente, para fazer com que eu parasse de emitir sons e voltou atento a direção do barulho, observei junto a ele o horizonte de mato e mais a frente, mais um pouco de chumaço de mato se mexeu. me abandonou no chão e se ergueu rapidamente, dando três passos para frente enquanto atirava no local, em resposta aos tiros, diversos pássaros que estavam por perto voaram para o céu, revirei os olhos e, apoiando-me no chão, arranjei forças para conseguir me levantar com as minhas pernas já trêmulas. Já erguida, funguei algumas vezes e observei atento ao mato, com suas mãos caídas paralelas ao seu corpo, uma delas junto a uma arma.
olhou para mim e voltou a ficar na mesma atmosfera que a minha ao se aproximar de mim e voltar a deixar nossos corpos juntos, eu não entendia muito bem porque daquela atitude de manter-nos grudados, mas fiquei paralisada, na minha, observando os últimos relances de raios solares se distanciarem, junto ao sol, dando abertura a uma escuridão total na estrada. foi até o carro e ligou os faróis, fazendo com que não ficássemos totalmente no escuro, ele agora fazia mais alguma ligação, provavelmente chamando viaturas da polícia. Passei a analisar o local que estávamos, era amplo, desértico, com uma grande mata ao nosso lado, e do outro lado, um extenso lago, a mesma aparência continuava para as duas extremidades do local, pelo menos até onde meus olhos me permitiam analisar. Virei-me para o carro e encarei as costas do corpo grudado ao pára-brisa, cerrei os olhos observando cada detalhe de suas costas e da parte posterior de suas pernas, caídas flexionadas em direção ao chão do lado do carro. Respirei fundo estranhando minha normalidade em encarar aquela situação e me aproximei do corpo. As formas mais delineadas e delicadas, ao mesmo tempo, deixavam na cara que aquele cadáver pertencia a uma mulher. Sua pele era totalmente pálida, próxima ao branco que, com a chuva, só deixava mais esbranquiçada ainda. Suas duas mãos estavam presas por uma corda por trás do corpo, em sua região cervical. Aproximei-me mais um pouco daquela atrocidade, apoiando minhas mãos no pára-choque do carro e avancei meu rosto mais perto do corpo. Aquele corpo possuía várias marcas vermelhas em sua extensão, arroxeados, alguns grandes, alguns pequenos, a pequena parte visível de sua boca estava aberta e os olhos fechados, com poucas gotas de sangue em baixo; franzi minha testa tentando entender o que acontecera ali, mas algo que depois identifiquei como sendo me puxara rapidamente de perto do carro.
- O que você está fazendo? – Ele me olhou estranho, enquanto pronunciava suas palavras em um volume bem baixo e erguia suas sobrancelhas para mim, que agora estava me encolhendo devido a chuva que só ficava mais forte.
- O quê? – Indaguei sem entender o que ele queria, fazendo-o revirar os olhos e sorrir sem humor para mim.
- Eu não sei, um dia você desmaia porque vê a sombra de um homem morto e agora fica a centímetros de um cadáver mutilado, é algo difícil de se entender para mim, sim – Ele ironizou a fala e se virou ao ouvir barulho de pneus se chocando contra o cimento da estrada. Abaixou-se rapidamente e colocou mais munição em sua arma; em seguida a posicionou atrás de sua cervical com um de seus dedos no gatilho, em um local onde só eu poderia ter visão da tal, e mesmo nessas horas, o seu sorriso cínico dava sinais de vida.
Eu e esperamos atentamente a vinda do carro, mas ao passar dos segundos, percebemos que não era apenas um carro e, sim, vários dirigindo em nossa direção em alta velocidade, perdida naquela visão, percebi bem mais a minha frente só depois de alguns segundos, ele estava pegando alguma coisa dentro de sua carteira e se aproximando da fileira de carro que estava se formando a sua frente. Era óbvio, estavam todos retornando do Monte Chambers para Beaumont, não é? Revirei os olhos já prevendo o quanto aquela semi noite seria e segui , que agora conversava com o motorista do primeiro carro enquanto erguia seu distintivo ao resto dos carros. Logo mais, vi correndo na direção de e me lançando um olhar de estranheza, como se não quisesse nada me aproximei dos dois para poder escutar a conversa com a maior cara de inocente que eu poderia fazer.
- O que aconteceu dessa vez? – curvou sua cervical e apoiou-se em seus joelhos enquanto respirava ofegante – Desculpe a demora, o meu carro era um dos últimos, tive que vir correndo.
- Eu preciso que você examine para mim um corpo que simplesmente saltou contra o meu pára-brisa enquanto eu estava dirigindo. Já chamei a ambulância e as viaturas, mas nada até agora, além disso, a gente precisa dar um jeito de manter todas essas pessoas aqui, ninguém pode sair.
- Aquilo está vivo? – Ele apontou para o corpo desfigurado sobre o pára-brisa do carro de que estava a metros de nós e olhou surpreso. não vira de perto o corpo, mas de onde estávamos já dava para avistar um corpo descolorido com várias marcas vermelhas sobre a pele.
- Não, mas ele se encontra no mesmo estado mutilado de Benny, meu caro amigo, então a ambulância continua necessária – disse sínico enquanto cruzava os braços, sem antes guardar sua arma no bolso – Parece que alguém está querendo brincar com a gente.
- Reconheceu a vítima? – perguntou para enojado, provavelmente porque lembrara do caso de Benny.
- Desculpe me intrometer, mas você é exatamente o que, ? – Perguntei com voz indiferente, porém com certa curiosidade desvairada cutucando o meu cérebro, buscando inutilmente pelo motivo de um médico turista ficar a par da maioria das situações criminosas do Texas.
- Eu sou psiquiatra – Ele me direcionou o olhar e respondeu sem emoção, olhou para ele e para mim e depois riu fraco.
- Ele está aqui comigo, , fazendo um estágio porque quer permanecer na área criminosa, ajudando a polícia com a mente dos bandidos, velho amigo, me ajuda na hora de analisar as suspeitas e decifrar esses tipos de comportamentos humano junto a códigos, mais satisfeita ou tem mais alguma pergunta que queira fazer antes de voltarmos a dar importância ao que realmente é importante? – se aproximou de mim e sorriu de forma impetuosa enquanto falava comigo, como se estivesse ensinando uma criança que não quer aprender a ler.
- Você consegue ser incrivelmente estúpido até nessas horas, , só estava querendo saber o porquê deste cara que nem trabalhava para o Texas há, sei lá, um mês atrás, agora acompanha de perto toda essa matança – Revirei os olhos e em seguida fez o mesmo, voltando a sua posição inicial de antes, com os braços cruzados e olhando a direção oposta da que os carros estavam estacionados, provavelmente esperando as viaturas que diz ele ter chamado.
- Você quer o que? Acha que uma prostituta seria mais qualificada para o cargo? – Ele cuspiu as palavras no ar ainda sem me encarar e sorrindo consigo mesmo. De relance, eu primeiro fiquei estática, em choque com o comportamento dele, que há minutos atrás estava gentil e se preocupando com minha segurança.
- ? – Cerrei os olhos decidida a ignorar aquele canalha com toda a sua imundície; ouvi uma voz conhecida me chamando no aglomerado de carros e me virei, sem conseguir enxergar nada devido a chuva que só engrossava – , é você? – Franzi minha testa e forcei minha visão mais um pouco, até ver e Mike vindo em minha direção com um sorriso confortante, o mesmo fiz eu que chamei os dois com minha mão e acenei alegremente.
- Nem pense – me olhou autoritário, agarrando o meu pulso que chamava os dois – Você realmente quer trazer seus amiguinhos para cá, ? – Ele trancara seu maxilar e não tirara os olhos com expressão forte sobre mim. Bufando, afastei-o bruscamente com um empurrão no peito e parti em direção a e Mike que obviamente perceberam a repressão de e passaram a esperar na frente do primeiro carro que estacionara na estrada.
- Você está bem? – Mike me olhou preocupado e pegou minha mão como se estivesse checando se eu estava mesmo ali, ou até mesmo se estava viva, aquilo me fez soltar um risinho e agarrar os dois pelo pescoço.
- Awn, eu estou bem, sim, a mulher que voou no capô de que não está muito bem, não – Rolei os olhos e vi os dois me olharem com os olhos arregalados, gesticulou as mãos com menção para eu continuar a falar e eu sorri antes de repetir a história que contara a – Eu não sei, foi muito rápido, só sei que estávamos voltando para Beaumont e uma mulher morta voou no capô de ... – Os dois me olharam com cara de horror.
- O quê? – Ambos indagaram juntos em alto e bom som.
- É isso mesmo, parece que houve outro assassinato – Agora, pela primeira vez naquela noite, senti meu estômago embrulhar e cruzei meus braços sobre minha região abdominal tentando amenizar aquela sensação ruim.
- , que horror, você viu ela? – estava com uma cara horrorizada e provavelmente nem estava entendendo muito bem ou vendo nexo nas coisas que a própria dizia. Eu balancei minha cabeça positivamente, porém, ainda estava tentando fazer com que a sensação ruim que acabara de me predominar acabasse.
- Eu vi, mas...
- Polícia, parado! – Vi se dirigindo em nossa direção com a arma apontada para nós três, arregalei os olhos e quando ia começar a falar fui interrompida – Cala boca, . Peguem ele – ordenou para vários policiais que se dirigiram a nós três e agarraram os braços de Mike, imobilizando-o.
- O que está acontecendo? – Eu berrei para que ainda mantinha a arma apontada para Mike e o olhava furioso.
- Onde estava há duas horas? – indagou e ele permaneceu mudo – Onde estava quando o Eclipse estava acontecendo? – Mike permanecia calado, o que fez se aproximar do mesmo e encostar a arma contra o pescoço de Mike, inclinada para cima e a pressionava no local – Responda quando eu faço uma pergunta.
- Que tipo de brincadeira idiota é essa, ?! – Estapeei o ombro dele e me segurou pelo pulso, fazendo o mesmo com que estava ao meu lado, chocada demais para ter qualquer manifestação.
- Eu, eu... Eu estava no Eclipse! – Mike tremeu a voz, mas respondeu rapidamente ao sentir a arma de sendo pressionada em seu pescoço com o cano em direção aos seus miolos. Naquela hora o meu desespero que começara a pouquíssimos minutos já estava me dominando.
- Não, não estava – o desafiou e continuava o encarando com fúria – Onde você estava? – Ele repetiu de forma grosseira para Mike, que gemera ao sentir a arma de sendo pressionada contra seu pescoço por mais uma vez.
- O que você está dizendo, cara? Eu estava lá, qual é a sua? – Mike recuperava o tom normal de sua voz e agora tentava se soltar dos policias que o prendiam enquanto sacudia seu tronco
- Me dê uma testemunha, então – A força que segurava sua arma contra Mike amenizara já que a mesma abaixara, ficando em sua região abdominal, a conversa estava chegando perto de ser uma normal, sem berros e armas. Porém o local onde a arma estava pressionada, no pescoço de Mike, agora possuía uma coloração avermelhada por conta da força na qual usara para pressioná-la
- Eu não sei! Que horas? Porra! – Mike berrou, obviamente pelo nervosismo na situação.
- , dá para você parar de ser imbecil e grosso com Mike para podermos ter uma conversa civilizada? – Soltei-me do braço de que, pelo jeito, não fazia questão em me manter presa, aproximei-me de e disse próximo a seu ouvido esquerdo, ele revirou os olhos e me olhou, direcionando suas pupilas para o canto do olho.
- Na hora que o eclipse estava ocorrendo, porra – repetiu o final da frase de Mike, ridicularizando-o, porém seu tom rude e sério continuava ali, acompanhado de seus olhos que voltaram a Mike, agora encolhido e franzindo sua testa – Eu fiz uma pergunta! – voltou a apertar sua arma contra Mike.
- Eu estava no banheiro – Mike disse calmo, depois de analisar bastante a situação. riu elevando sua voz a um nível bem mais alto.
- Jura? E com quem eu posso contar em seu depoimento? A privada?
- Cara, qual é a sua?
- A minha não, a da sua camiseta – , ao contrário de sua última fala, agora pronunciava suas palavras sem nenhuma emoção, com um tom de obviedade genuína no ar. Direcionei os meus olhos a camiseta de Mike, acompanhada por , que estava ao meu lado, e levei minha mão a boca quando me deparei com toda a sua barra ensangüentada e suja de terra.
- Mas, como... – Mike olhou para a barra de sua camiseta e depois direcionou seu olhar surpreso para , que ainda o encarava com cara de poucos amigos e voltou a falar – Essa camiseta não é minha!
- Caramba, Mike, o circo está se fechando, seja sincero dessa vez – voltou a falar, e depois que eu vi aquela evidência na barra de sua camiseta não consegui mais interromper aquilo, só assistir.
- Ela não é, eu troquei antes de vir para cá, peguei uma camiseta seca que havia encontrado dentro de uma das malas que esqueceram em Chambers, aproveitei que estava trazendo para dá-las aos donos e peguei, a minha estava encharcada, esta camiseta não é minha! – Mike começou a se atrapalhar nas palavras por estar desesperado. Senti pegar uma de minhas mãos e começar a soluçar do meu lado.
- Certo, mas a querida , sabe deste ocorrido? – , ainda segurando Mike pela gola, e apontando a arma ao seu abdômen, se virou para nós duas e olhou , esperando por uma resposta.
- Não, foi escondido, ela nunca me deixaria pegar algo que não é meu – Mike respondeu vencido por , que começou a soluçar mais alto e deixou com que suas lágrimas se confundissem com as gotas de chuva que percorriam seu doce rosto, agora vermelho por conta do choro.
- Mike, eu... Desculpa – desabou no choro e abraçou meu ombro. Eu ainda estava chocada e revisava meu olhar entre a barra de sangue na camiseta de Mike, com a face do mesmo. Não era possível, isso estava ficando muito estranho, conheço Mike há um bom tempo e sei que ele é incapaz de fazer mal a sequer uma mosca. Envolvi o ombro de em meu braço, tentando acalmá-la, mas ainda encarava Mike, com certa desconfiança.
- Michael Brown, você está preso por ser uma ameaça para o resto dos habitantes – sorriu vitorioso e virou Mike, que ficou de frente para os policiais que antes o imobilizavam, e em segundos algemou o mesmo – Vamos fazer um teste de DNA com o sangue que está em sua camiseta com o da vítima, se forem compatíveis, você irá para a cadeia definitivamente, já que o mesmo também é o suspeito número um, tanto para a morte de Benny Ryan, quanto ao da vítima de hoje – se afastou de Mike e ficou ao meu lado, observando o mesmo que estava desesperado, pronunciando meias palavras sem sentido – Podem levá-lo à viatura e direcioná-lo a cadeia.
- Eu nunca mataria Benny – Mike berrou, dessa vez irritado, para , que revirou os olhos e se voltou a , que até agora não pronunciara nenhuma palavra, apenas assistia, como eu, o que acabara de ocorrer – Pode pedir para os investigadores irem anotar os nomes dos presentes na estrada e dispensá-los, diz para os mesmos avisarem os suspeitos que irão ser interrogados amanhã, o mais cedo possível no departamento policial.
- Tudo bem, assentiu e antes de partir, me lançou um olhar consolador.
- E... ! – berrou fazendo com que o mesmo se virasse para antes de continuar o seu caminho.
- Depois vá até a cena do crime, preciso do seu conhecimento anatômico – caçou e depois tirou seu celular do bolso, provavelmente verificando as mensagens para ver se nenhuma de suas piranhas havia o chamado, devido a excessiva normalidade na voz que me deixou extremamente raivosa.
- , por favor... O que vai acontecer com Mike? – se aproximou dele e o indagou enquanto limpava inutilmente suas lágrimas, junto as gotas de chuva.
- Ele vai ser preso e responderá o processo na cadeia – soltou um sorriso cínico e de orelha a orelha, depois voltou a sua seriedade e levou o seu celular ao ouvido. Era incrível como ele conseguia mudar o próprio humor em questão de poucas horas.
- ... – Como também deve ter ficado irritada com a resposta idiota de , ela se voltou a mim ainda chorando e começou a falar comigo enquanto soluçava – Eu vou para o carro, ok? Alguém precisa falar e explicar o que aconteceu para a , ela vai ficar pior do que nós duas juntas... – segurou uma de minhas mãos e me abraçou ainda triste.
- Tudo bem, vai lá, dê muita força a ela e diga que eu irei ao apartamento dela mais tarde – Disse para enquanto nos abraçávamos.
- Tudo bem, vou lá e vou te esperar também lá na casa dela... – se afastou e acenou para mim enquanto massageava a testa com seu polegar. Assenti a ela que teve sua imagem sendo dispersa ao meio da chuva.
Já sozinha ali, apenas com que acabara de desligar o telefone, porém ainda mexia no mesmo com sua mão sobre a tela, provavelmente o protegendo da chuva, a alguns metros de mim; pensei mais um pouco na turbulência que tudo acabara de acontecer. Era tão estranho e impossível que chegava a ser cômico acreditar que Mike havia matado alguém, ou melhor, duas pessoas, sendo que uma delas ainda foi um amigo de infância, mesmo que os fatos indicassem isso, era algo difícil de se acreditar. Mike era um cara fofo, apaixonável, leal, e terrivelmente medroso, algo que o limitava na presença de sangue e armas, então era extremamente ridículo o mesmo ser preso por duplo assassinato. Pelo menos o Mike que eu conhecia.
- Você se vira? Arranja alguma carona? – A voz de me acordou de meus pensamentos e fez com que minha figura extremamente encharcada devido aos longos minutos de baixo da chuva se direcionasse a ele, cruzei os braços e franzi a testa em busca de alguma resposta e, em apenas alguns segundos, encontrei uma que era perfeita.
- Eu posso ir junto com você olhar o corpo? – Perguntei temendo sua resposta, o mesmo me olhou com os olhos confusos enquanto retirava o cabelo molhado que caía sobre sua testa.
- Para quê?
- Não sei, , para falar a verdade, eu não faço a mínima idéia, mas de alguma forma estou me sentindo envolvida no meio disso tudo, me sinto na obrigação e no direito de encarar as coisas com meus próprios olhos, se é que me permite. E você vai permitir.
- , você não conseguiu nem olhar para Benny, eu preciso trabalhar, não vou poder ficar te consolando, você deve estar passando por algum momento sombrio de sua vida, até onde pude te observar, cadáveres e crimes não são algo que te envolvam. Então é melhor você voltar para a sua casa e ter uma boa noite de sono para absorver tudo o que aconteceu hoje – Seu tom rude de antes agora se absolvera e o mesmo indicava um sentimento de compaixão vindo de , algo que de relance me surpreendia.
- Eu tenho o direito, – Dei um passo em direção a ele, ficando a alguns poucos centímetros de distância do mesmo – Fui eu quem encontrei o corpo de Benny morto e hoje, bom, hoje eu estava presente na hora que tudo aconteceu lá no carro. Deixe-me ir. É sua obrigação.
- Isso vai te corroer e viciar por dentro, , experiência própria – Ele passou a analisar meu rosto com um olhar destemido.
- Eu quero ir, e como sou a única testemunha que pode impedir a sua inclusão na lista de suspeito, você está intimidado a me deixar a ir – Concluí de forma séria e precisa, ele bufou inconformado e segurou meu pulso novamente.
- Eu não vou aturar um sequer de seus pitis de choro, estou aqui a trabalho e odeio quando me interrompam, e se está com o objetivo de querer ficar fazendo minha cabeça para soltar o seu amiguinho criminoso, desista – Ele me puxou em direção ao seu carro, que agora estava em baixo de uma enorme tenda, com várias viaturas ao redor, quando fui chegando mais perto da tenda, pude avistar também um aglomerado de pessoas discutindo, outros anotando em suas pranchetas, e outros até mesmo tomando café.
Chegamos ao local e todos olharam para sério, quando o mesmo se dirigiu ao capô de seu carro para ver a vítima e falar com os homens com pranchetas que a examinavam. Minha imagem, que antes estava escondida por trás da de , se revelara ali e a maioria dos trabalhadores me lançaram olhares curiosos e ao mesmo tempo desconfortantes.
- Você tem autorização para estar aqui? – Um careca de jaleco que parecia estar coletando amostra de alguma coisa do asfalto me olhou bravo, acompanhado por seus óculos de graus imensos. Quando estava prestes a começar a falar, se voltara a mim novamente e disse sério com a voz alta, provavelmente para que todos ali ouvissem.
- Está é , está autorizada por mim a acompanhar as investigações de perto, pelo menos por hoje – Todos direcionavam os olhares de mim para seguidamente, e ao completar sua fala, o público de pesquisadores assentiram para ele e voltaram ao seus trabalhos tediosos. Já mais confortável, já que deixara de ser o centro das atenções. Dirigi-me a .
- Já possuem alguma informação? – Indagou sério para o gordinho também de jaleco que lia algo atentamente em sua prancheta enquanto batia a caneta preta em sua superfície. Depois de alguns segundos o mesmo assentiu e começou a falar.
- Obtivemos todas as informações possíveis que estavam ao alcance até agora, quando invertemos o corpo da senhorita, mais coisas serão esclarecidas, só estávamos esperando por sua autorização.
- Os fotógrafos já tiraram as fotos?
- Sim, senhor, já fotografaram a vítima e o local, a maioria da equipe já se direcionou ao estúdio para revelarem as fotos nas câmaras escuras e amanhã tudo já estará pronto para o senhor, mas se for preciso, alguns fotógrafos permaneceram aqui caso ocorra alguma nova descoberta – assentiu satisfeito para o gordinho que parecia nervoso pela presença de no local.
- Parece estar tudo bem, então – olhou novamente para o corpo ao seu lado e eu quase deixei escapar um risinho irônico, tudo dependia do ponto de vista para estar “tudo bem”, não é? – Então, diga-me, Abberline, em que conclusão seus conhecimentos puderam chegar? – O homem, agora nomeado, Abberline, respirou fundo e entortou o nariz insinuando suas vertigens.
- O caso chega a ser mais repulsivo do que o de Benny Ryan, senhor. Eu junto ao doutor quem analisamos o que sobrara do corpo de Benny, e parece que o assassino atacou novamente – O homem com imagem robusta fechou os olhos, respirou fundo e depois retornou a conversa com uma voz séria, porém trêmula – O modus operandi fora o mesmo utilizado para planejar a morte desta aqui. Como Benny, ela sofreu uma laceração de cerca de 20 centímetros na garganta, o que rasgou as artérias principais em cada lado do pescoço, porém, isso a manteve consciente por algum tempo a mais de vida, o que deve explicar as incisões adicionais no pescoço, bem como lacerações violentas no abdômen – Franzi o cenho, Benny Ryan foi esfaqueado? - Mas antes disso, tudo indica que ela estava junto aos outros vendo o Eclipse, suas roupas estavam perdidas em um matagal aqui perto e já conseguimos provar, pelos indícios de terra na barra de sua calça que era lá de onde ela viera, ambas as terras eram compatíveis e possuíam a mesma plasticina. Talvez esta seja a razão também do assassino ter amarrado suas duas mãos – Pausa, pareceu olhar para Abberline cada vez mais sério, o homem tomou fôlego e voltou a falar - Mas pelo que pude concluir, a senhorita, antes de ser arrastada para cá, fora agredida manualmente, o que explica vários dos hematomas que circundam seu corpo, também fora vítima de estrangulamento, o que também explica o inchaço em sua língua. É tudo isso que conseguimos descobrir até agora, senhor . Mas um fato me deixou entusiasmado... Neste assassinato, como no outro, também fora marcado por mensagens sublimes. Mas precisamos virar o corpo para ver se entendermos o que está escrito... Aqui, olhe – O homem se aproximou do cadáver e apontou com sua caneta para a parte superior da testa – Está vendo? Está marcado alguma coisa aí... E pela tentativa do organismo em cauterizar isso daí, devidamente fora feito enquanto a vítima ainda se encontrava viva – Aproximei-me, do corpo interessada e pude ver a carne escurecida da vítima exposta de forma curvilínea, indicando algo que fora escrito em sua testa – Mas como a maior parte do rosto dessa pobre coitada, uma lateral inteira, e a outra um pouco, possuímos apenas um terço para analisarmos, o ideal agora seria levar a vítima ao necrotério ou até mesmo para o Departamento de Pesquisa Criminal do Texas. Porém, acho que conseguimos dar continuidade durante mais alguns minutos as investigações estando aqui. Ao contrário da mensagem quase cauterizada, essa linha que... Costurou o olho dessa mulher, bom, ela foi costurada após sua morte, o pouco sangue escorrido ajuda a confirmar esta hipótese – Senti meu sangue gelar junto a mim ao acompanhar o que o homem dizia. A pobre coitada fora agredida manualmente, arrastada até aqui e além de tudo teve seus olhos costurados? Que tipo de animal faz essas coisas com uma pessoa? Encolhi-me em meus próprios braços, respirando fundo para encarar mais ocorrências do assassinato.
- Há quanto tempo acha que a vítima morreu? – perguntou com a voz indiferente.
- Devido à pele meio púrpura e com aspecto rígido – O homem seguia as partes do corpo da vítima que mencionava enquanto falava com sua caneta, analisando o cadáver, junto a - Os lábios, e as unhas dos dedos empalidecidos pela ausência de sangue – Ele levantou sua prancheta e anotou o que acabara de dizer, depois apontou para os membros inferiores da vítima - A mancha escura de sangue nas partes de baixo do corpo, indicando a lividez, os pés e mãos azulados... – ele voltara a atenção a sua prancheta, depois conclui, erguendo sua atenção novamente para - Tudo indica que aconteceu entre três a duas horas atrás. O que confirmaria isso seria ver os olhos, que neste estado já estariam afundados ao crânio, mas, bom, agora isto é impossível, só mais tarde poderemos confirmar – O legista? Aproximou-se da pequena parte exposta do rosto da vítima, ficando a apenas centímetros dos olhos costurados da mulher, passou o seu polegar coberto pela luva de plástico sobre o relevo do olho com cuidado e concluiu depois de analisar mais um pouco em sua prancheta – É, seu olho esta já com anatomia rigor mortis.
- Foi durante o Eclipse, talvez. O que confirma minhas suspeitas quanto a Mike – disse baixo, provavelmente mais para si mesmo do que para mim e para o legista, mas pela falta de atenção, já esquecera de minha presença ali e agora estava em sua bolha, pensando em todas as informações que o homem o fornecera e, provavelmente tentando fazer as coisas tomarem mais nexo, sentou – Bom, vamos virar o corpo. , ajuda aqui – que estava ao meu lado se aproximou da vítima, junto a e ao legista, depois de planejarem como virariam o corpo sem que causasse mais danos ao cadáver e não perdessem algum tipo de prova, eles o colocaram sobre uma maca de ambulância que haviam direcionado perto do carro. Quando o corpo fora virado, o legista que ajudara na transição do mesmo pegou um lenço que estava em seu jaleco e se distanciou rapidamente do cadáver, levando o lenço à boca e gesticulando com ânsia de vômito, vi se distanciar, na mesma hora que o corpo virara na maca e permaneceu quieto ao lado da vítima, eu me aproximei de ambos e franzi minha testa.
- Meu Deus – gemeu atrás de mim, levando as mãos a cabeça e se aproximou da face desbotada da vítima, tirando um pouco do cabelo castanho que caía na testa inchada e vermelha da mesma – Mas o que está escrito aqui?
- Se me permite, senhor, a desfocalização da frase indica que tenha sido feito com um objeto irregular, em chamas e que, obviamente, não possuía a função de marcar um cadáver, as linhas estão irregulares demais – O mesmo careca que invocara com minha chegada ali, agora estava do outro lado da maca, encarando o cadáver com ânsia, junto a que estava com expressão normal – Talvez uma chave ou uma faca.
- O que está escrito aqui? – repetiu e elevou a voz, se revoltando. Depois de alguns minutos, quando grande parte da equipe se direcionava a maca para verificar e ajudar a decifrar algo, ele concluiu em voz alta – Seth, Yesod, Lasirenors . Que droga é essa?
- Isso desde o primeiro assassinato está parecendo um ritual, – Disse pela primeira vez naquele lugar, com a voz fraca, analisando o resto do corpo da vítima nua e senti todos os olhares, inclusive os dos legistas se direcionarem a mim. Os vergões vermelhos em toda a extensão de seu corpo fora feito por violência... de acordo com o legista, isso era imperdoável. estava me olhando com os olhos semi-cerrados.
- Abberline – chamou o nome do gordinho que estava passando mal – Doutor Abberline! – repetiu, desta vez de forma mais grosseira. Depois de alguns minutos o legista apareceu do lado de com sua prancheta tampando sua imensa barriga – Examine novamente o corpo, tenho certeza que vamos ter mais informações agora que está virado.
- Tudo... Tudo bem, senhor – O homem disse fraco, fiquei com dó dele ao vê-lo se aproximar com uma cara extremamente enojada do cadáver que agora passara a ser o centro das atenções apenas para mim, e Abberline. Todos os membros da equipe, que antes estavam ali para olhar o estado frontal do corpo, correram fazer seus devidos trabalhos ao ver a atrocidade que aquele corpo se encontrava.
- Você tem certeza que essas manchas pelo corpo foram feitas por violência? – dedilhou um hematoma da vítima e eu anotei mentalmente em não deixá-lo me tocar com aquela mão mais tarde. Mas tirando este deslize, fizera a mesma pergunta que eu fiz antes, mentalmente, para o legista que agora observava a boca aberta da vítima – E por que diabos, essa boca está escancarada? – Ele demonstrou aversão pela primeira vez na noite ao indicar a parte do corpo da vítima que mencionara.
- Depois que os batimentos cardíacos param, todos os músculos se enrijecem, deixando a vitima, até 24 horas depois de sua morte, com a anatomia de seu último suspiro, neste caso a vitima morreu gritando, ou até mesmo agonizando, o que explica a sua boca aberta – O legista respondeu sem pensar muito e sem deixar de analisar a vítima – Ocorreu uma fratura nasal aqui – O legista apontou para o rosto da vítima e se aproximou, antes mesmo de começar o interrogar, o legista passou seu polegar no canto inferior de uma das narinas da vítima, retirou seu dedo coberto de sangue do local – Está vendo? Fraturas vêm de golpeamento, então continuo acreditando em minha teoria da vítima ter sido exposta a uma grande violência.
- O que é isso? – indagou depois de mais algum tempo analisando o nariz – É um... algodão? – Ele franziu o cenho, junto ao legista.
- Parece que sim – O legista respondeu sem emoção, saiu do local e depois voltou com uma pinça. Demorou alguns minutos para que ele conseguisse cuidadosamente retirar o pequeno pedaço de algodão encharcado de sangue do nariz da falecida – Olhe – Ele levou o algodão à cima, fazendo com que o mesmo fosse exposto a grande quantidade de luz que vinha da lâmpada logo a cima deles – Não tem só sangue, está vendo? – se aproximou do legista e olhou atentamente para o algodão. Para mim, aquilo só tinha sangue.
- Estou, está meio amarelado, não é?
- Bingo, isto pode ter deixado a vítima inconsciente alguma hora por alguma razão, vou mandar agora para o Departamento de Pesquisa! – O legista disse empolgado enquanto colocava o algodão dentro de um saquinho de plástico e depois entregou a um ajudante que olhava apreensivo para ele.
- Interessante, deixou a vítima inconsciente? – abaixara seu olhar novamente para o corpo desbotado.
- ! – O’Connell surgiu do meu lado, me fazendo dar um pulo de susto.
- O que foi? – Indagou curioso, porém um pouco irritado por tirarem ele de seu raciocínio, soltei um risinho disfarçado e ouvi atentamente o que o policial dizia de forma rápida para .
- Talvez acabamos de descobrir o motivo da vítima ter sido jogada contra o seu pára-brisa – o olhou com a testa franzida – Me acompanhe, por favor – Ele o seguiu, junto a mim que estava decidida a não perder nada daquilo.
- Está vendo? – O’Connell apontou para uma plataforma grossa e preta que estava de baixo da roda do carro de , ele arregalou os olhos ao ver aquele objeto indefinido de baixo de suas duas rodas da frente.
- Isso não estava aí quando saí do Monte Chambers! – exclamou curioso e se abaixou para observar de onde vinha aquilo, era um aço da largura de uma roda, ele preenchia a distância dos dois pneus e continuava até o gramado ao lado – Isso é o que? – tirou uma luva de seu bolso e a colocou agilmente, depois levou os dedos ao objeto desconhecido.
- Eu estava analisando está peça, , ela é um tipo de alavanca, está encaixada a cerca de uns quinze centímetros abaixo do asfalto, provavelmente para arranjar sustância, agora se quiser me acompanhar... – O’Connell fez menção para se levantar e deu a volta no carro, chegando ao matagal que ficava ao lado da estrada, o seguiu, mas eu fiquei esperando ambos no local que estava, pois a tenda que cobria o carro, não chegava até o ponto onde eles estavam e eu não estava querendo me molhar mais, já estava sentindo sintomas de febre, por tanto tempo que ficara exposta a chuva naquele dia, mais um pouco e uma virose me pegaria. Mas me esforcei ao máximo em ouvir tudo o que eles falavam do outro lado do carro – Esta placa é comprida e vai uns dois metros depois de seu carro, já examinei a mesma e observei um grupo de alavancas e articulações que, ao meu ver, fazem com que a outra extremidade da placa se levante quando a oposta é pressionada.
- O corpo estava então em cima desta extremidade da prancha? – franziu a testa, acompanhando o raciocínio de O’Connell.
- Isso mesmo, e ao mesmo tempo em que você passou no lado oposto da prancha, as alavancas atuaram e jogaram o corpo contra o seu pára-brisa. Como se fosse um balanço de criança, com um lado só que levantasse. O ponto de apoio passou a ser a roda e o corpo instintivamente foi lançado contra seu carro – O’Connell sorriu orgulhoso, acompanhado de que se entusiasmara. Eu apenas revirei os olhos me lembrando do ódio carnal que sentia pela física que insistia em me perseguir até mesmo quando meus anos letivos se acabaram.
- Fantásticom O’Connell! – disse com um sorriso discreto no rosto, dando tapinhas no ombro do amigo e depois ambos voltaram para debaixo da tenda, ficou parado ao meu lado e O’Connell agradeceu indo embora para algum lugar.
- Fala, ! – apareceu. Eu já estava confusa da velocidade com qual as pessoas conseguiam aparecer e desaparecer por ali, mas abstraí e voltei ao meu cargo de escuta – Já estão transferindo o cadáver para o Departamento, vamos embora? Arranjei uma carona para nós, já que seu carro vai ter que ser investigado também – sorriu brincalhão fazendo cerrar os olhos e assentir.
- Tudo bem, mas tem lugar para ?
- Sim, eu peguei emprestado uma das viaturas que vieram, podemos deixar ela em casa sem problema algum – sorriu maroto, fazendo com que eu sorrisse agradecida e encantada para ele – Vamos! – partiu em direção a chuva, eu e o seguimos.
A viatura acabou estando mais longe do que o desejável e ficamos andando por consideráveis dez minutos de baixo da chuva pesada. No carro, estava eu e no banco traseiro e e O’Connell na frente, por incrível que parecesse, aquele trio parecia nunca se separar. e O’Connell conversavam de forma entusiasmada sobre alguma pista que O’Connell havia achado no meio da estrada e eu e permanecíamos calados. Encostei meu rosto na janela ao meu lado que estava fria e esfumaçada, observando todos os pingos de chuva escorrerem e chocarem com a mesma, Texas parecia mesmo ser um fim do mundo ou algum tipo de lugar sem fim, porque a paisagem, desde a hora que estava com sozinha no carro, não mudara, eram apenas placas indicando as próximas entradas, outras pedindo cuidado e a floresta toda de antes. Senti o frio do ar condicionado se chocando contra a minha pele molhada, devido à abertura que dava passagem para o mesmo, logo ao topo de minha cabeça e me encolhi sem acreditar naqueles homens que acabaram de correr na chuva, pedindo por mais ar... refrescante.
- Desliga o ar condicionado – disse autoritário para os dois que estavam sentados a nossa frente.
- Cara, se eu soubesse, até podia desligar para você, mas peguei esse carro assim – disse envergonhado, talvez pelo seu pobre conhecimento sobre automóveis – O’Connell, vê se você acha aí como desliga. O lado bom é que as nossas roupas já estão quase secas! – disse tentando achar graça onde não havia e depois ficou quieto.
- A gente está em um jipe, para mim esses carros não servem para outra coisa a não ser escalar pedras, ter ar condicionado já é uma novidade para mim! – O’Connell murmurou enquanto cutucava o estranho painel do carro. Vi de relance revirar os olhos e se aproximar de mim.
- Vocês são impossíveis – murmurou mais para si mesmo do que para o resto, em um tom quase inaudível, tanto que, provavelmente, só eu que estava sentada a alguns centímetros do mesmo quem escutara seu xingamento. Depois de reclamar, ele tirou o cinto e se sentou ao meu lado, colocando um de seus braços por trás de meu ombro e me puxando para ele. Eu o olhei com uma expressão esquisita e ele, com seu habitual humor estressado, cochichou para mim – Você não está com frio?
- Sim – Respondi perspicaz e ele voltou a se endireitar no banco.
- Então não reclama – Disse enquanto retirava um maço de cigarro de seu bolso traseiro – O’Connell, acende um para mim – pediu e mandou ao mesmo tempo enquanto jogava a O’Connell o seu maço de cigarro – Vê se quer um também.
- Não, faz mal para saúde – Ele disse certinho enquanto retirava do maço um cigarro e devolvia a , depois encostou a ponta do cigarro no isqueiro elétrico do carro e devolveu a o cigarro aceso com fumaças já escapando de sua beira.
- Respirar também dá câncer no pulmão, se quer saber – sorriu consigo mesmo e tragou o cigarro.
- As chances são mínimas – O’Connell retrucou e olhou para fora da janela sorrindo.
- Não quando se mora do lado de várias indústrias petrolíferas. Olhei para onde olhara para fora da janela e vi diversas chaminés de ferro expelindo uma grossa camada de fumaça no céu que costumava ser limpo. gargalhou e socou o ombro de O’Connell que se encolheu e bufou derrotado, ele parecia ser incrivelmente certinho, daqueles que não deixam uma folha de papel fora do lugar.
- esperou o silêncio predominar no carro para começar a tirar suas conclusões, ergueu o olhar ao mesmo que o olhava pelo espelho retrovisor de dentro do carro – Precisamos de alguém que nos ajude com esses códigos. Chamar alguém da CIA ou FBI , talvez, ou até mesmo da Scotland Yard.
- Eu já estava vendo coisas relacionadas a isto desde o primeiro homicídio, porque era evidente saber que o assassino não pararia de matar, já que aquilo deve ser algum tipo de ritual, e, infelizmente, tenho um conhecido que possui grandes conhecimentos nessas áreas inúteis do tipo mitologias, religiões,... Estou esperançoso em chamá-lo para nos prestar uma ajudinha.
- Não é inútil, é bastante esperto, para falar a verdade – protestou o que acabara de falar e se não fosse O’Connell o interrompendo, continuaria a falar alguma coisa.
- Faça depressa – O’Connell se manifestou pela primeira vez após aquele silêncio e praticamente implorou pela ajuda de – Essas coisas estão indo longe demais, pelos conhecimentos que tivemos até agora, todas as vítimas foram bastante torturadas antes de morrerem.
- Pode deixar, O’Connell, não precisa ficar com medo – sorriu tragando mais uma vez seu cigarro.
- , se importa se passarmos no correio agora? Chapman me ligou agora pouco e disse que chegou uma papelada da NSA com alguns depoimentos dos estudiosos de simbologia quanto ao caso de Ryan – indagou e levantou seu olhar a ele interessado.
- Não, tudo bem, eu me interesso bastante em ver estes documentos.
- Parece que o diretor da área de simbologia quer que a gente pague algum tipo de taxa de conveniência para eles, por terem cedido a nós um pouco do conhecimento de sua equipe – disse enquanto sorria para pelo retrovisor e ao mesmo tempo fazia uma curva habilidosa na estrada, dando entrada, finalmente, a Beaumont.
- Esse país cada vez mais consumista, hu? – revirou os olhos, tragando pela última vez seu cigarro e depois o jogou pela janela.
Se fosse para eu chutar uma profissão que seguia, eu nunca chegaria nem perto de acertar. Para mim, a última coisa que ele parece é ser policial, quero dizer... Acho difícil se encontrar um policial por aí que ande a 120km/h em uma estrada, jogue lixo nas ruas, ergue a arma para a cara de uma pessoa antes de tomar satisfações, e principalmente, que não fosse um homem de família. A maioria dos caras deste tipo de profissão são casados, tem milhões de filhos e entregam flores as suas amadas. Ao contrário, finalmente, de , que deveria ter quase trinta anos, se já não tinha, e não está nem aí para nada, ainda agindo como um adolescente em relação as mulheres. Cerrei os olhos ao lembrar-me do que ocorrera hoje mais cedo e me encolhi mais um pouco, sentindo já todas minhas roupas secas.
- O correio fica por aqui, não? – indagou fazendo com que minha linha de pensamento quebrasse e eu voltasse minha atenção ao que estava acontecendo no carro. Todos estavam com cara de dúvida e me olhou como se estivesse pedindo ajuda.
- Vire a próxima direita – Concluí e sorriu ao dar de cara com a enorme placa amarela com o escrito “Correio” no meio.
- Ainda bem que na América é tudo 24 horas, se eu tentasse fazer isto em Londres, com certeza seria preso – murmurou enquanto estacionava o carro – Eu desço, mas preciso que alguma testemunha vá comigo para assinar os papéis confirmando que retirei a encomenda.
- Eu posso ir – disse se distanciando de mim e fazendo com que o calor que antes seu corpo proporcionava ao meu sumisse e meu frio voltasse, me segurei para não soltar um gemido de desaprovação e entristecido.
- Na verdade, , como seu cargo possui mais autoridade, você pode retirar o pacote sem nenhuma assinatura notificando que você estava lá, é só mostrar o seu distintivo de polícia majoritária – coçou a testa em sinal de cansaço e assentiu satisfeito.
- Então deixa comigo, dá menos trabalho. Alguém quer que eu pegue alguma correspondência? – perguntou já abrindo a porta do carro, eu me lembrei rápido das contas que já deviam ter chegado da festa de em meu nome no correio.
- Hum, eu quero, ! – Quando já estava saindo do carro eu o pedi e ele assentiu batendo a porta do carro com força e indo a entrada do correio rapidamente para não se molhar.
- Você está bem... ? – Ergui meu olhar a que agora virara em seu banco para me encarar e eu sorri gesticulando a cabeça positivamente.
- Estou sim, para falar a verdade, eu que quis acompanhar o caso de perto, não sei o que deu em mim, lembro que quando achei o corpo de Benny, quiseram até me levar a um psiquiatra, mas hoje, nada...
- Eu entendo, mas com o tempo a gente vai se acostumando e tomando jeito para lidar com a coisa, hoje você se deu muito bem, se quer saber minha opinião, acho que devia entrar para a área policial – Ele sorriu maroto.
- Pelo amor de Deus – Arregalei os olhos sorrindo e ele gargalhou.
- Essas coisas não precisam ser temidas, já estamos cuidando de tudo e prendemos o maior suspeito – Quando completou a frase eu me lembrei de Mike, nossa, eu havia me esquecido completamente de quando ele fora pego por – Ele era seu amigo, não era? – Indagou sério. Eu apenas assenti com minha face e ele olhou para baixo se desculpando. Aquela correria toda da última hora, junto com as informações que o legista, Abberline, disparou para ocuparam completamente meu tempo a ponto de me esquecer do que ocorrera com Mike. Tadinha de , ela devia estar tão mal...
- Aqui! – entrou correndo no carro me dando uma sacola com diversos envelopes, os quais estranhei bastante, e depois rasgou a embalagem de sua correspondência – Podemos ir, já peguei a carta, , mas antes deixe a em casa – disse sem tirar os olhos do envelope que possuía em suas mãos e começou a tirar as diversas camadas de plásticos, papéis e fios que o envolvia.
- Pode deixar – deu macha ré e começou o caminho para o centro da cidade – Onde você mora, ?
Ainda observando desembrulhar o papel, ignorei , eu estava tão ansiosa quanto o próprio em ver as informações que aquilo continha. Porém me chamou novamente, obrigando-me a direcioná-lo toda minha atenção – Oi, desculpa, er... No mesmo condomínio que O’Connell – Respondi baixo me lembrando do dia em que me levara para casa e dissera que havia ficado lá durante um tempo sobre estadia de O’Connell que também morava lá. Quando havia retirado a maioria da embalagem de sua correspondência, ele a guardou dentro do casaco, fazendo com que minha curiosidade toda se despencasse e virasse inquietação. Eu precisava saber o que a NSA havia escrito para eles, com certeza, no nível de controle que eles possuem, deveriam saber alguma coisa quanto as palavras ou até mesmo do símbolo que fora marcado na testa de Ryan. Ficamos ali dentro do carro sem falar nada durante mais alguns minutos até que chegasse em minha casa.
- Obrigada pela carona – Agradeci-os e acenei antes de sair do carro, todos me corresponderam e fui seguida por O’Connell que parecia também estar cansado e decidido a ficar em casa.
- Nada do que uma boa noite de sono para podermos raciocinar bem pela manhã, não? – Ele disse sorrindo enquanto nos dirigíamos ao elevador que se abria para algumas pessoas que entravam no mesmo e o seguraram para podermos entrar.
- É tudo o que eu mais quero! – Sorri para ele enquanto entrava no elevador realizada.

Deixei O’Connell no quinto andar e depois segui até o meu com mais algumas pessoas que ainda se encontravam dentro do elevador. Enfim cheguei ao meu corredor e quando estava prestes a abrir a porta de minha casa, lembrei-me do quanto mal devia estar e se estaria mesmo lá para ajudá-la, então me direcionei a porta de seu apartamento, logo ao lado da minha, e peguei a chave reserva que estava de baixo de seu tapete, assim como a minha. Entrei em sua casa sem fazer barulho e quando cheguei à sala, vi as duas caídas, uma em cada sofá, dormindo e com um balde de chocolate que deve ter feito em baixo de cada uma, era sua especialidade, e a televisão ligada. Sorri ao ver ambas dormindo, e me aproximei de , retirando o controle de sua barriga para desligar a televisão, devolvi o controle para , que ainda estava adormecida, e me dirigi a , que mesmo dormindo, deixava uma expressão triste ilustrar seu lindo rosto, fiz um bico de pena enquanto a olhava e levei o edredom que estava jogado aos seus pés até seus ombros, para que não passasse frio. Enquanto seguia de volta ao meu apartamento, vi ao lado da porta de entrada alguns vasos de vidro quebrados no chão e imaginei o ataque de raiva que provavelmente teve ao ouvir a notícia de que seu namorado de anos havia sido preso por um xerife que acabara de chegar na cidade, rolei a maçaneta e me dirigi até meu apartamento, decidida a tomar um banho bem quente que esvaziasse minha cabeça de tudo que acontecera e dormir em minha caminha, para amanhã acordar disposta a encarar o dia difícil que certamente iria ser.
Quando entrei em meu apartamento, retirei meu celular de minha bolsa e a joguei sobre o sofá que havia logo ao lado da porta, fui até meu quarto ainda com a sacola de correspondências na mão e retirei toda a papelada que a preenchia, fui verificando de carta em carta até chegar à conclusão de que todas eram sobre pagamentos de contas, menos a última que era apenas um envelope branco. Olhei para a mesma, estranhando o seu conteúdo fino que dava indícios de ser uma carta e a abri. Meus olhos se arregalaram e minha boca abriu devido ao tamanho do susto que levei ao ver a palavra “Mamãe” preenchendo o remetente da carta de dentro. Levei minhas mãos à boca e retirei a carta do envelope com pressa, desesperada para ver o que havia ali.
Uma letra curvilínea preenchendo toda a extensão do papel dobrado em quatro e uma assinatura mais uma vez como “mamãe” se revelara ao final do papel precário em tamanho de fonte maior. Ainda sem conter o choro, que veio sem pedir permissão, comecei a ler em voz alta cada palavra que tinha naquela carta, para não deixar escapar nenhum detalhe.

“Querida filha.
Como está, minha linda sunshine? Me desculpe aparecer deste jeito em sua vida, mas não havia outro modo de me comunicar com você que não deixasse minha extrema vergonha a mostra, por conta do que já fiz com você, então uma carta me pareceu de bom grado.
Palavras não expressam o modo com o qual estou arrependida de meu passado. É possível repousar sobre qualquer dor de qualquer desventura, exceto a do arrependimento, no arrependimento não há descanso nem paz, por isso é a maior ou a mais amarga de todas as desgraças. Hoje reconheço que coloquei uma vida maravilhosa a perder por conta de minha juventude e desespero por vida, mas agora virei uma mulher sozinha e vi o quanto cuidar de você me faz falta.
Espero que me responda, sunshine.
Com amor, de sua Mamãe.”


- Sunshine – Repeti em voz alta, porém abafada pelo choro que agora me predominava, encolhi-me e coloquei a carta contra meu peito.
Como ninguém estaria ali, não precisava mentir dizendo que aquela mulher não fazia mais nenhuma influência sobre mim. Ela era minha mãe. Mãe que me abandonara. Mas que agora estava arrependida? Levei minha mão desocupada ao rosto, enxugando as lágrimas que despencavam de meus olhos que já deviam estar completamente inchados e vermelhos, a outra mão ainda pressionava aquela maldita carta com força em mim. Mas que tipo de brincadeira era aquela? Respirei fundo já engolindo o choro e olhando novamente a carta para poder achar algum nexo naquilo tudo. Infelizmente eu era pequena demais quando ela me abandonou para poder lembrar-me de alguma pista da mesma que me indicasse que era realmente ela na carta. Eu ao menos sabia ler, não conseguiria verificar a verdade da carta, não poderia reconhecer sua letra, mas oh... Sunshine. Mergulhei de novo em meus braços fazendo o possível para o choro esvair, mas, infelizmente, tive que ficar mais um pouco ali, no conforto de meus braços para conseguir me acalmar novamente.
Aquela carta não podia ser verdadeira, a mulher que me deixara com meu pai não pareceu se arrepender do feito nenhum pouco, pelo menos era isso que ela demonstrara quando me abandounou. Não houve nem ao menos uma despedida, apenas uma ligação pelo telefone. Mas ela dizia estar arrependida... Ela estava mesmo arrependida? Pressionei meus olhos com o polegar e senti a dor de cabeça vir fluente como o choro ao meu corpo. Mas quem, além dela, tinha o costume de me chamar por sunshine? Era tudo tão confuso e a pressão que o dia exercera sobre mim me deixava mais inútil ainda para conseguir raciocinar algo que realmente fizesse sentido.

Flashback ON - (3ª pessoa)

Um homem de aparência atraente, por volta dos quarenta anos, com cabelos loiros e sorriso radiante brincava na sala de seu apartamento sujo de aluguel, de poucos e humildes móveis, com uma pequena menina que batia palmas ao ver o mesmo conseguir subir mais um andar de sua casa com as peças do dominó. Apesar da aparência bem humorada, o homem estava carregando dentro de si uma mágoa que não conseguiria torná-la discreta ou até mesmo secreta durante mais tempo. Aquilo o corroía por dentro.
- Está vendo? Chegamos no terceiro andar, pequena – Ele sorriu – O que acha de colocarmos seu quarto aqui? – A criança andou atrapalhada até o colo de seu pai e se sentou lá, sorria de um jeito reluzente, como o de qualquer criança ao admirar o pai que tem, ou melhor, o super herói que possui só para ela – Quando eu arranjar um emprego melhor e sairmos deste buraco... – Ele fez uma pausa e acariciou a cabeça da menininha que observava o pai colocar mais uma peça de dominó no terceiro andar da casa – Eu vou construir uma casa igualzinha a essa para morarmos e vamos ser mais felizes.
- Pai – A menina olhou para cima sorrindo e deixando os espaços de seus dentes de leite que caíram à mostra, de forma fofa – Pai... – Ela repetiu atrapalhada enquanto batia novamente palminhas para o pai que a abraçara.
- Sua mãe vai ficar mais satisfeita, quem sabe ela não pára de beber e nos dê mais atenção? – Ele soltou a criança em seu colo e olhou irônico para a escultura de dominós que fizera a sua frente – O futuro sorrirá para nós um dia, pequena. Só é preciso ter paciência.
- Pai, cadê a mamãe? – A menina concluiu a fala depois de se atrapalhar em formá-la. O pai respirou fundo encostando suas costas na parede logo atrás e fechou os olhos fortemente.
- Ela está... Trabalhando, pequena – Ele voltou a observar a menina, que agora correra em direção de mais uma caixa ainda embrulhada de dominó, entregando a mesma ao pai. Naquela manhã, o pai havia ido para a cidade e viu esses pequenos dominós em promoção, como sua carteira nunca lhe permitia dar algo decente a sua filha, decidiu presenteá-la com algo por mais miserável que fosse. O homem, por mais triste que se encontrava por dentro por mentir para sua garotinha, pegou cuidadosamente o brinquedo de sua mão e o desembrulhou, depois o entregou de volta a pequena.
- Ela está sempre – A menininha pegou de dentro da caixa de seu novo brinquedinho uma peça e ficou a apalpando com seus dedos pequenos e delicados. Quando o homem ia voltar a falar com sua filha o telefone de sua casa tocou.

- Alô? – Ele respondeu na linha do telefone, desejando que fosse sua mulher desaparecida já há alguns dias.
- Sou eu – A voz turbulenta da jovem indicava que a mesma estava alcoolizada – Não está dando mais.
- Graças a Deus – O homem festejou silencioso e sem emoção – Onde você está, amor?
- Eu já disse que não dá mais. Está surdo? Eu não vou mais voltar, não quero que me espere, já tive que ficar nove meses presa a você, por mim já chega. Pare de encher minha secretária eletrônica. Sou merecedora de uma vida digna – Ela pigarreou esnobando o pobre homem.
- Do que você está falando? – Ele se sentiu desnorteado e olhou para a menina que continuava no meio da sala brincando com suas pecinhas do brinquedo.
- Não me procure mais. Não me ligue mais. Eu arranjei outro. Outro que me dê uma vida melhor, se eu continuar com você, nunca iremos sair do buraco em que vivemos e eu não agüento mais essa vida de merda. Então não me retorne mais, se sinta sortudo já por eu ter lhe informado quanto ao meu destino.
- Você está onde? Quer que eu te busque? Por favor... – Ele se lamentou no telefone e sentiu a tristeza subir sua garganta.
- Eu não quero mais saber de você – O telefone ficou mudo.
- Pai... Olha... – A menininha se aproximou do pai, dando seus passos desnorteados em direção ao seu super herói e sorriu para o mesmo ao erguer o formato de uma flor que a menina havia feito com as peças de dominó sobre uma folha sulfite.
- Sai... – Ele levou suas mãos à testa disposto a nunca mais ter que aturar aquilo. Desistiu de engolir o choro, era algo miserável a fazer já que a causa de tudo isso estava logo a baixo dele. O homem olhou de relance para a menininha sorridente que ainda o mostrava a flor que fizera sobre a folha e o máximo que ele conseguiu sentir diante aquilo foi repulsa. Repulsa por ter trocado a mulher que amara durante anos por um ser que mal sabia seu nome inteiro. Um alguém que ao menos entendia o sentido da vida – Sai daqui, ! – Ele berrou para a criança que se encolhera no chão e de imediato desfizera o seu sorriso que antes radiava felicidade.
O homem disparou em direção ao seu quarto, esbarrando na menina que mal tinha completado um metro de altura. A criança caiu no chão e permaneceu ali sem entender o que havia ocorrido, depois de alguns minutos, ela olhou para o papel ao seu lado, os dominós que antes formavam uma linda flor agora estavam jogados pelo chão; com dificuldade a menina já chorando pegou a folha sulfite de papel vazia ao seu lado e seguiu em direção ao quarto do pai, de onde vinham diversos barulhos.
Ele estava jogando todos os seus pertences dentro de uma maleta grande e bufava consigo mesmo palavras nas quais a garotinha ainda não conhecia.
- Pai! – A menina estava na porta do quarto em que seu pai estava, encarando-o enquanto segurava a folha de papel sulfite junto ao seu corpo. O homem olhou furioso para a criança que estava enxugando os olhos com uma de suas pequenas mãozinhas e disparou em direção a mesma. A garotinha estranhou o movimento brusco do pai e deu três passos para trás, quando o pai chegou à porta de seu quarto, a olhava ainda impetuoso.
- Você foi meu maior mal, – Ele cuspiu as palavras e fechou a porta com tamanha força que chegou a fazer eco pelo corredor de sua pobre casa, fez com que até mesmo o pó escondido entre as madeiras da parede se movimentassem e caíssem ao chão.
No momento que a porta bateu, levou tamanho susto que perdeu o equilíbrio e caiu sentada no chão. Ainda com os olhos molhados, ela continuou a olhar pela porta.
- Eu amo, papai – Ela disse pausadamente, por sua dificuldade em montar as frases, o choro piorou sua concentração, fazendo-a errar a fala, o que a deixou furiosa, a garotinha, ainda chorando, se levantou com dificuldade do chão e andou até a porta, espalmou uma de suas pequenas mãozinhas ali, já que não alcançava a maçaneta e deixou o choro vir. Quem mais ela tinha no mundo a não ser seu pai que acabou de deixá-la?

Flashback OFF

Era melhor eu ir dormir. Pelo menos para ter certeza que hoje não passara de um sonho turbulento com um final surpreendente.



(Modus Operandi - “É uma expressão em latim que significa "modo de operação", utilizada para designar uma maneira de agir, operar ou executar uma atividade seguindo sempre os mesmos procedimentos.Em administração de empresas, modus operandi designa a maneira de realizar determinada tarefa segundo um padrão pré-estabelecido que dita as maneiras de como agir em determinados processos.No caso dos assassinos em série, o mesmo modo é usado para matar as vítimas: este modo identifica o criminoso como o mesmo autor de vários outros crimes.”)
(Rigor Mortis - “É um sinal reconhecível de morte que é causado por uma mudança química nos músculos, causando aos membros do cadáver um endurecimento ("rigor") e impossibilidade de mexê-los ou manipulá-los. Tipicamente o rigor acontece várias horas após a morte clínica e volta espontaneamente depois de dois dias, apesar do tempo de início e duração depender da temperatura ambiente. Na média, presumindo-se temperatura amena, começa entre 3 e 4 horas postmortem, com total efeito do rigor em aproximadamente 12 horas, e finalmente o relaxamento em aproximadamente 36 horas”)
(CIA – Central Intelligence Agency - “Agência Central de Inteligência” - Subordinação: Governo Federal dos Estados Unidos da América)
(FBI - Federal Bureau of Investigation - "Escritório Federal de Investigação" - Subordinação: Governo Federal dos Estados Unidos da América)
(NSA (ou CSS) - National Security Agency – “Agência de Segurança Nacional “ – É a maior agência de segurança do mundo.)
(Scotland Yard – Sede central da policia metropolitana de Londres.)
(Sunshine -
1. luz do sol
2. brilho do sol)


Capítulo 8
[n/a: Sugestão de música: Let It Be – The Beatles]

Primeiro batimento. Segundo. Terceiro. Quarto. Quinto. Sexto. Sétimo. Oitavo. Nono. Décimo.
Em questão de milésimos meu coração pulava de meu peito incontáveis vezes, pulsando talvez o suficiente para viver uma vida eterna. Aos olhos nus, me encarava no espelho, observando meu peito mexendo, talvez mexendo mais do que o recomendado para uma boa saúde cardíaca, mas mesmo assim eu respirava e estava sã. Pelo menos era o que eu achava. Aproximei-me do espelho, inclinando meu rosto para o lado e o erguendo vagarosamente, enrijecendo minha testa. Arregalei meus olhos em sinal de horror, ao perceber minha artéria carótida externa extremamente relevada sobre minha pele. Oh lágrimas, tão perto e tão presente. Afastei-me do espelho, e num instante meu corpo estava nu, dando passagem aos meus olhos à um reflexo extremamente deformado de meus membros externos. Minhas veias. Minhas artérias. Todas saltadas. Todas inchadas. Uma pontada na perna. Caí no chão me retorcendo enquanto agarrava com minhas mãos minhas duas pernas, sentindo uma segunda pontada vinda de meu coração dominando e se espalhando por todos os meus órgãos internos e externos. Ergui meus olhos a mesma perna extremamente dolorida, com minha veia safena saltada assustadoramente, a mesma pulando de minha perna, de forma mais frenética de que meu coração que ainda saltava de meu peito. Ambos pulsavam. Ambos viviam.
Olá.
Artéria vertebral, torácica, tireocervical, costocervical, branquiocefálica, epigástrica, torácica, interventricular, zigomático-órbital, ileolombar, intercostal, mediastinal, carótida, coronária, bronquial, musculofrênica, nodal, atrial. E veias. Arroxeadas veias.
- When I find myself in times of trouble, Mother Mary comes to me speaking words of wisdom: Let it be. (Quando eu me encontro em tempos difíceis, Mãe Maria vem pra mim falando sábias palavras: Deixe estar) - Sentindo agora minha veia da testa saltada, observei uma menininha com a face idêntica a minha de quando era criança, com o vestidinho roxo favorito que ganhara de presente de minha mãe uma semana antes da mesma me abandonar, brincando com uma siringa ao meu lado, dançando e cantando, enquanto me olhava admirada.
Sem estômago para aturar aquilo fechei meus olhos e inclinei minha cabeça para trás, agonizando a dor de todas minhas veias entupidas pelo próprio sangue em excesso que havia em meu corpo. Minhas mãos que estavam presas em minhas pernas flexionadas se escorregaram. O motivo. Abri os olhos e me encontrei repleta por sangue. A menininha havia sumido. A siringa estava ali, porém longe. O meu sangue abrindo todo tecido de meu corpo e rasgando as paredes de minhas veias e artérias, se espalhou pela minha pele, trazendo a sensação de imundisse a mim mesma. Uma pontada em minha veia próxima a minha testa fez com que eu me retorcesse no chão, minha cabeça parecia que ia explodir, e de fato foi isso que aconteceu. Apalpei minha nuca cegamente e notei várias feridas profundas se formando em torno de meu crânio, agora a dor me predominava e fazia o papel da mesma se retorcer em meu corpo. A dor retorcia meu corpo. Eu não retorcia meu corpo.
Eu estava pulsando. Eu estava explodindo. Eu estava sangrando. Eu estava agonizando. E ironicamente vivendo?
Meus membros passaram a tremer e minha boca travou, senti sensações de adrenalina predominarem meus nervos sensitivos. Eu estava fora de controle. Mas não por conta própria. Epilepsia? Convulção? Ainda tremendo involuntariamente me deparei com a siringa largada no chão, milagrosamente, agora, em alcance de minha mão. Forcei minha habilidade motora e finalmente, depois de diversos minutos consegui pegar a mesma, que possuía um líquido prateado em seu interior. E sem pensar duas vezes o injetei em uma das veias saltadas de meu braço, que não fora difícil de ser localizada, já que as mesmas continuavam pulsando inúmeras vezes como meu coração, em uma agilidade extrema.
Fiquei entorpecida. Adormeci?
Era melhor estar morta do que estar ali.

Aquela porcaria de telefone não parava de tocar. Irritantemente.
Alguém não parava de bater em minha porta. Incansavelmente.
Os raios de sol que o mesmo disparava contra minha janela, ultrapassavam a veneziana. Sem vergonha.
E a porcaria da minha cabeça não parava de latejar. Torturantemente.
Ironia. Era você quem batia em minha porta?
E por mais que a tentação me tentasse prender àquela cama deliciosa por mais algumas horas, parecia que o dia amanhecera decidido em me despertar e me colocar ao trabalho logo de manhã. Ainda zonza me levantei, colocando minhas pernas para fora da cama, mas ainda, desencorajada, permanecendo sentada ali, tentando amenizar todos os barulhos que vinham por todos os lados de minha casa. O telefone a minha esquerda, o despertador a minha direita, a porta na sala, os raios em minha cara e por aí vai... Cocei os olhos gemendo fraco e em um relance de reação matrix em meu cérebro, me imaginando triturando todos estes aparelhos e objetos indesejáveis para qualquer hora de sono. Espreguicei-me demoradamente e depois levei minhas mãos ao despertador, decidida a acabar com aquele ruído terrivelmente insuportável. Minha expressão enfezada deu lugar ao choque que, por conseqüência, me fez pular de susto ao ver as horas quando apertei o botãozinho que fazia o mesmo parar de gritar e vibrar, eram três horas da tarde. Gemi, desta vez relutando contra meu estresse já aflorado por conta de minha tamanha preguiça, e segui em direção a porta, mentalizando em ser educada, por mais desgraçado que o indivíduo do lado de fora pudesse ser. Um déjà vu percorreu minhas entranhas enquanto caminhava em direção a porta de madeira Braúna-Preta, me recordando perfeitamente do sargento que dias atrás havia vindo aqui me intimar a ir ao Departamento Policial. Mas por sorte, ele não havia me acordado, mas pena tenho do perturbador do meu sono. Deus sabe o quanto eu conseguia me estressar por conta de uma má noite de sono.
Respirei fundo, engolindo meu ódio matinal, forjei um sorriso cortês e destranquei a porta, torcendo a maçaneta e dando de cara com e Pietro. estava com cara de nojo me olhando, provavelmente porque os deixei esperando tempo demais do lado oposto da porta, já Pietro sorriu alegremente e deu um gritinho engraçado enquanto eu mal percebera que já estava sendo agarrada por ele.
- Querida! – Pietro continuou berrando. Senti meu sorriso murchar um pouquinho por conta do choque que o barulho causou a minha cabeça que já estava doendo, desde a hora que eu despertara – Mas que demora, ein? Estava dormindo? Ahh, me desculpe, a gente tentou te acordar mais cedo para ir na padaria, mas pareceu que você não quis acordar – Ele respirou fundo se perdendo nas próprias palavras – Mas como não resisti ontem a sua simpatia, eu trouxe um croissant recheado para você junto a um café com vanilla da Starbucks! – Ele me entregou o pacotinho já entrando na casa. A esse ponto já tinha tentado falar comigo diversas vezes mais foi interrompida em todas suas tentativas pelos gritinhos e palavras apressadas de Pietro. Ela desistiu de fazer algum tipo de comunicação comigo e apenas riu enquanto me dava um beijo estalado na bochecha, desmanchando seu mau humor forjado e adentrando a casa logo em seguida de Pietro – Que apartamento luxo! – Ele disse admirado enquanto passava o olhar pelos móveis do cômodo, eu sorri envergonhada e joguei algumas coisas que ocupavam o sofá ao lado da entrada para trás do balcão, que já fazia parte de minha cozinha, também perto da entrada de minha casa e da sala de visitas. Bom, ele disse que minha casa era bonita, não custava nada eu tentar aprimorar mais ainda este seu gosto tentando esconder mais um pouco minhas tralhas, não é? – Eu quero um desses, até pensei em ir hoje na imobiliária mas eu fiquei com tanta preguiça. Sabe né, ontem foi um fogo que só, acordei com minha cabeça estourando – Ele deu um sorriso de orelha a orelha e olhou para nós. Bebida... É, podia mesmo esta minha amiguinha ser a causa de minha dor de cabeça também – Estão quietinhas, o que foi? – Eu e estávamos uma do lado da outra, ainda próximas a porta, olhando-o enquanto segurávamos nossas risadas.
- Eu estou ainda tentando me acostumar, – Ela disparou em direção ao sofá que havia ao meio da sala e se jogou em cima dele, agarrando uma das almofadas que o mesmo possuía sobre – Coitada de você que não está podendo conviver diretamente com ele o dia inteiro. Vai sofrer bastante quando ficar as sós com ele, eu já estou me acostumando, entra por um ouvido e sai pelo outro – Caí na gargalhada e Pietro levou a mão ao peito, abrindo a boca, fazendo a digna expressão de quem estava chocadamente puto – Mas para você vai ser difícil, vai estar sempre se surpreendendo na habilidade de Pietro em não calar a boca!
- Ah, mas ele é um amor... Só fala demais! – Abracei-lhe.
- Vou me mudar para cá então, estou sendo enxotado do apartamento que estou hospedado pelo jeito! – Ele fingiu uma cara de nojo para que revirou os olhos e caiu na risada depois, como eu e Pietro. Logo depois, fez uma expressão mais séria e me olhou com um biquinho triste.
- Ai, ... Você não sabe o como a está... Foi um tremendo sacrifício ontem eu conseguir colocar a menina para dormir – Pietro se sentou em uma poltrona que havia ao lado do sofá em que estava estatelada e eu me dirigi a mesinha de centro, sentando ali mesmo e adquirindo a mesma expressão entristecida de para começar a falar.
- Eu fui lá quando cheguei ontem no apartamento... Vi o estado que o apartamento estava, o acesso de raiva dela permitiu com que ela jogasse na parede os diversos vasos de coleção. Achei bem estranho. Mas onde ela está agora?
- Nem fala, bee, eu fui lá com elas na hora da gritaria toda e quase que ela me tacou um vaso na cabeça, tive que correr para o apartamento de , se não sobrava para mim – Pietro disse sorrindo discreto – Mas ela foi na polícia falar com seu bofe hoje cedo e deve continuar lá, já que ainda não voltou ou fez alguma ligação.
- Meu bofe? – Repeti o que ele disse enfezada e soltei uma risada longa depois.
- Enfim... – sorriu junto e depois voltou a ficar séria – Sim, ela foi lá na polícia tirar satisfações, tentei impedir ela, porque no estado que ela estava era bem provável que futuramente fosse presa por desacato a autoridade! Mas como ela literalmente me proibiu de ir junto com ela, deixei estar.
- Fez bem, mas se ela for presa, pode deixar que tenho uma conversinha direta com o xerife – Revirei os olhos já me irritando com a situação e me lembrando de coisas nada agradáveis que aconteceram ontem à noite (E incluo nesta categoria todos os momentos que a respiração do mesmo se batia contra meu corpo, só para deixar claro.) – Que horas ela foi?
- Deve fazer já umas quatro horas, sei lá. Ela nem sequer retorna as minhas ligações.
- Olha, e , eu acho que isso é um assunto dela e que não devemos nos meter a não ser que seja para consolar ela. Deixe que ela enfrente isso sozinha que será mais fácil mais tarde se o pior acabar acontecendo – Pela primeira vez desde que conheci Pietro, ele assumira uma posição adulta.
- Eu acho que você está certo, melhor deixar ela lidar ela mesma com os problemas dela – Eu disse sem emoção.
- Eu também acho – afirmou, concordando com Pietro – Mas acho digníssimo você, senhor Pietro, passar a seguir os próprios conselhos, porque você acha que eu não percebi que você levou um homem para dormir ontem na minha casa, na minha cama, não é, senhor? – Ela disse enfurecida, enquanto encarava Pietro que agora repetia sua cara de choque.
- Eu?
- Você mesmo! – Ela voltou a berrar raivosa. Mas pelo o que conhecia , sua raiva nunca durava muito tempo, já já ela esqueceria do pequeno... Deslize de Pietro e começaria a rir novamente com a gente – Acha que eu não vi o seu homem se escondendo de baixo do balcão da cozinha e depois correndo em direção a porta, bem na hora que cheguei em casa e virei as costas? E mesmo se não tivesse visto, eu sou maníaca por organização e limpeza, nunca deixaria minha cama com os cobertores todos embolados e desarrumados!
- Eu? – Ele repetiu rindo, enquanto colocava a almofada contra sua cara, tentando disfarçar a risada, eu soltei uma gargalhada alta, fazendo com que direcionasse seu olhar mortal para mim, logo depois fiquei séria e prendi o riso como Pietro.
- Eu odeio gays! – Ela berrou ainda mais alto, fazendo com que eu a olhasse transtornada por conta do sentido que aquela frase trouxera ao local, Pietro abaixou a almofada de sua cara e a olhou sério – Além de serem tagarelas, eles roubam todos os nossos machos másculos! – Ela berrou igualmente e depois fez um bico entristecido.
- Ai, gata! – Ele começou a rir novamente, em seguida de mim que revirei os olhos e tomei mais um gole de meu café com croissant – Eu conheço vários bissexuais, se isso te agradar... Eu não me importo em te apresentar uns bonitinhos, não – Ele jogou a cabeça para trás e concordou ainda com o bico em sua expressão – Mas claro que vou apresentar só os que já fisguei, não tem graça nenhuma eu deixar uma carne novinha e fresquinha todinha para você...
- Desisto! – ergueu os braços para cima em sinal de rendição.
- Bom, então... – Disse descontraída, determinada a mudar aquele assunto para um mais agradável enquanto desembrulhava meu croissant recheado e dava uma bela mordida – Meu deus, que fome! – Choraminguei enquanto degustava o gosto do mesmo em minha boca e revirava os olhos exageradamente em forma de prazer.
- Ninguém mandou a dona dorminhoquinha aí ficar dormindo até as três da tarde! – Pietro sorriu para mim – Eu tenho uma proposta para vocês, gatas – Ele se ajeitou na poltrona com o olhar sério, mas ao mesmo tempo de más intenções, se curvando em nossa direção enquanto mexia no bolso da calça. Nesta hora, não pude deixar de abaixar o meu croissant para analisar mais a expressão e postura de Pietro. Oh, meu Deus, como ele era lindo e me lembrava deliciosamente o Ryan Reynolds, que desperdício! – Que tal... A gente se divertir hoje e apagar tudo que aconteceu ontem? Estou doido para ir em alguma imobiliária e arranjar meu cantinho! – Ele curvou os lábios formando um biquinho digno de pena, eu sorri enquanto tirava minha atenção dos presentes dados por Deus a Pietro e tomei um gole de meu café, me lembrando de algo que acabaria sendo uma ótima solução para o caso de Pietro.
- ! – Falei em um som mais alto enquanto engolia mais um pedaço de meu croissant, ela que estava olhando para o nada no chão enquanto cutucava os enfeitezinhos de minha almofada indiana toda colorida levou um susto, fazendo com que a mesma pulasse de onde estava sentada e me olhasse com os olhos visivelmente arregalados – O apartamento de Andy do andar de baixo, não esta à venda?
- Andy? – Ela me olhou encabulada enquanto voltava a se jogar em meu sofá com seu estilo preguiçoso de sempre ser. Pietro deu outro berrinho típico dele e bateu palminhas. Posso dizer que aquilo foi muito eu? Minha mania de bater palminhas nas horas que estava empolgada parecia estar contaminando até meus novos amigos.
- O seu ex-namorado! – Berrei inconformada me engasgando um pouco com meu café enquanto ria da cara de bunda que ela fazia.
- Ahhh – Ela relutou depois de alguns minutos – Andy, lembro sim! – Revirei os olhos e ela riu envergonhada, depois olhou para Pietro e sorriu mais ainda – É verdade! Ele vai se mudar daqui um mês e está querendo vender o apartamento, o que acha, Pietro? – Eu e ela gritamos no modo Pietro de ser, empolgadas.
- A deu um pé na bunda dele tão grande que fez o coitado querer até mudar de cidade! – Gargalhei, seguida dos dois novamente, Pietro achou tamanha graça que passou a se contorcer sobre a poltrona, reclamando que até sua barriga começara a doer de tanta risada.
- Eu quero! – Pietro tomou fôlego e disse feliz para nós duas – Vamos correr para imobiliária? Preciso parar de rir um pouco, as cólicas abdominais já estão dando sinais de vida aqui.
- Calma, me deixa comer primeiro! – Choraminguei enquanto dava uma de minhas últimas mordidas no croissant de queijo. Os dois riram e começaram a conversar sobre qualquer coisa que não me importei em acompanhar já que minha refeição parecia estar mais interessante. E só por que eu estava começando a me alegrar naquele dia e esquecer todos malfeitos que o mesmo me proporcionara logo de manhã, aquela porcaria de telefone voltou a tocar, fazendo com que eu desse minha última mordida no croissant e pulasse da mesa de centro irritada, em direção ao telefone em meu quarto, levando comigo meu café com vanilla. Chegando lá, tirei o mesmo de minha bolsa e vi em sua tela o título “Número Desconhecido” primeiramente pensei em não atender, mas depois me lembrei de que podia muito bem estar me ligando de algum orelhão, porque o telefone dela estava sem bateria ou qualquer um destes imprevistos.
- Alô? – Amenizei meu ódio tomando um gole de meu café.
- Estressadinha desde manhã, ? – A voz grossa e irônica do outro lado da linha dedara seu autor no primeiro instante, já que qualquer pessoa normal se mantinha longe de ser tão irritante e egocêntrica ao ponto do mesmo. Retirei o meu café de perto da boca, evitando dar futuros goles, porque do jeito que minha raiva começou a borbulhar dentro de mim, seria bem possível eu sofrer um engasgamento mortal se me arriscasse a mais um gole.
- O que você quer, exatamente, ? – Arrastei minha voz de tédio até chegar do outro lado da linha dando ênfase no exatamente e ouvi mais uma de suas risadinhas debochadas e sem graça de sempre. Parecia que ser direta era uma das mil coisas que não funcionavam quando se queria ter uma conversa descente com . Pelo menos eu já havia tentado de vários jeitos... Irritada, calma, berrando, sussurrando. Mas nada parecia funcionar.
- Eu particularmente não quero nada, só o favorzinho de você tirar a sua amiguinha que não pára de berrar de minha delegacia antes que seja presa por aberração de existência.
- ?
- Que bom que sabe de quem estou falando, agora... Tire ela daqui, ela já ficou horas conversando com Mike, algo que nem é permitido aqui, eu já disse tudo o que tinha a dizer e mesmo assim ela permanece aqui brigando com todo mundo e dando uma de invocadinha como você faz todo dia, então me faça esse favor.
- Olha, , isto é assunto dela e se você prendeu alguém injustamente, merece mesmo um castigo, então... – Falei com mais humor na voz – Agüente! – E desliguei o telefone sorridente, indo em direção a sala, com o objetivo de passar a tarde entre amigos, me divertindo, que cá entre nós, era algo que eu estava merecendo.

- Eu não acredito! – berrou enquanto saíamos da imobiliária – Quer dizer então que o nosso amiguinho vai morar um andar abaixo do nosso? E ao mesmo tempo a teve uma proposta de emprego? – Ela riu enquanto colocava seus óculos de sol.
- Pois é, meu bem! – Pietro jogou as mãos para cima, fazendo com que todos os olhares das pessoas da rua se voltassem a ele.
- Melhor em baixo do que em cima, já imaginou o barulho que ele deve fazer quando convida algum amiguinho para ir passar a noite? – Indaguei irônica, mesmo com tom de afirmação. riu alto e Pietro fez uma cara séria depois de rir do que eu disse.
- Quem disse? Se não fosse a estraga prazeres da chegando ontem à noite, ninguém saberia que teve um gatinho em casa – Ele continuou andando saltitante para lugar nenhum e o cutucou.
- Minha casa! E isso não é desculpa, porque até onde entendi você não queria que ninguém soubesse que tinha um namoradinho lá em minha casa, então você deve ter se comportado e ficado quietinho – Ela disse mais alto – Mas e aí, , vai trabalhar na imobiliária?
- Você é louca? – Ergui minhas sobrancelhas rindo – Eu odeio números! Aquele cara deve ter me convidado para trabalhar só por causa do comprimento do meu shorts – Fiz uma careta enquanto olhava para o próprio shorts jeans que envolviam minhas cochas. balançou a cabeça negativamente e sorriu – Se bem que eu estava mesmo precisando trabalhar para esquecer um pouco dos problemas que ficam na minha cabeça.
- Querida, se você for trabalhar, vai ter mais problemas ainda! – Pietro disse enquanto ajeitava cegamente o cabelo.
- Problemas dos quais pessoas normais tem que encarar, então eu adoraria ser uma pessoa normal e encará-los também! Já já o idiota do Chandler morre de sífilis ou qualquer DST e eu que me ferro. Não, é melhor eu tomar mesmo um rumo em minha vida. Não quero me arriscar a ponto de ter que tirar o dinheiro de nossa poupança futuramente, por estar sem nada na carteira.
- Olha, com a parada do Chandler morrer eu concordo. Aquele lá já passou do ponto – levantou a mão e sorriu – Mas se você quer tanto trabalhar, vai atrás de alguma coisa, eu amo trabalhar porque trabalho com o que gosto. Então acho que você deveria abrir um shopping! Ou usar aquele certificado que você tirou há alguns anos atrás em línguas – Ela deu um pulinho animado e eu a olhei com os olhos semicerrados, porém, rindo.
- Você é mesmo maluca, ! Eu abriria um shopping exatamente por quê? Você sabe que eu odeio ir as compras, só aturo quando alguma amiga inconveniente minha me arrasta para lá – Sorri irônica e depois de me dar conta no final da frase da mesma arregalei os olhos – ! Você é um gênio! Mesmo sendo um gênio, errou quanto ao certificado em línguas, o que eu fiz foi me aprofundar nas obras de Edgar Allan Poe, mas eu poderia usar isso para arranjar algum bico, sei lá, dando aulas ou até mesmo alguma palestra beneficente! – Pulei em cima dela enquanto batia palminhas – O difícil só vai ser alguém se interessar a respeito...
- Eu acho estranho também, acho que só você sabe detalhar a vida dele, o cara é sinistro demais para ser tão querido pela sociedade... – Ela cerrou os olhos e fez uma cara pensativa – Mas sempre existe um louco não é? Você ir para os centros acadêmicos se oferecendo a ensinar sobre ele ou até mesmo em fazer alguma palestra...
- Difícil me aceitarem a dar uma palestra, não tenho nenhum diploma, só um curso extracurricular em relação a um escritor de suspense que morreu há muito tempo... – Respondi sem emoção e depois de mais alguns incentivo por parte de e Pietro, ficamos em silêncio durante alguns minutos enquanto andávamos sem uma direção concreta pela Eastex Fwy – Que tal almoçarmos?
- Oh, por favor, estou morta! – fingiu choro e correu em direção a lanchonete que havia na esquina da rua, deixando eu e Pietro que continuamos andando calmamente em direção ao local e, conseqüentemente, dela, rindo.
- Você quer dizer um almojanta? – Pietro abriu para mim a porta da lanchonete e deu um sorriso cavalheiro, enquanto passava as próprias mãos sobre a barriga em sinal de fome – São quase cinco da tarde!
- É, vocês devem estar mortos – Franzi o cenho em sinal de pena e ele riu – É que eu comi faz só três horas. – Sentamos em uma espécie de sofá forrado por couro branco de uma mesa próxima da janela, quando me dei conta, já havia chamado o garçom e pedido seu prato, o mesmo me olhava com um sorriso opaco, indicando para que eu dissesse o que ia querer. Ainda perdida, pois nem o cardápio havia visto, pedi um Beirute de frango após me certificar que existia aquele prato no local, em seguida de mim, Pietro, que teve uns segundinhos a mais para poder checar rapidamente o cardápio, pediu um cheeseburguer com tudo o que tinha direito.
- Em falar de trabalho... – abriu um saquinho de ketchup que tinha em um recipiente em nossa frente com vários saquinhos do mesmo, maionese e mostarda dentro, e colocou um pouco em sua mão, lambendo a região. Eu e Pietro a olhamos totalmente enojados e rindo ao mesmo tempo e ela revirou os olhos – Que é? Eu estou com fome, seus bestas. Enfim, voltando ao assunto, ontem um pouquinho depois do Eclipse, estava toda animada e disse para mim que havia sido aprovada na Faculdade Federal de Psicologia.
- Jura? – Arregalei os olhos e ela confirmou, gesticulando seu rosto enquanto comia mais ketchup – Por que ela não me falou nada?
- Você devia estar ocupada demais pegando o seu “bofe” porque ela falou até pro Pietro que mal conhece – olhou rapidamente para Pietro, quem costumava usar essa palavra, e riu com ele, já eu... Estava revirando os olhos por conta desta brincadeirinha insuportável de 5ª série em ficar nomeando seus pares românticos, pela milésima vez já naquele dia – Ela recebeu a ligação logo após o eclipse, estranho, mas é bom para ela!
- É... é só ela não vir com aquelas de ficar me analisando que tudo bem – Eu franzi a testa me lembrando desta mania insuportável que portava.
- Revoltada, dramática, engraçada, histérica, feliz e ao mesmo tempo triste, tarada e gostosa? – olhou para fora da janela enquanto chupava seus dedos, um gesto vergonhoso que só alguém faminto faria – Ninguém sabe! – Ela finalmente me olhou e, percebendo minha cara enfezada, apertou minha bochecha enquanto dizia alguma coisa como fofa, com a voz afinada, como a de algum adulto idiota falando com uma criança.
- Tarada? – Ergui uma de minhas sobrancelhas e disse com a voz baixa já que apertava minha bochecha, formando uma boca de peixe com a mesma que estava espremida, depois de alguns angustiantes segundos ela parou com seu ato ignorante me encarando séria – Sou eu a tarada? Quantos namorados você teve só este mês, ?
- Só o Pietro – Ela cruzou os braços e encostou-se à poltrona.
- Sai dessa, bee. Credo! – Pietro disse com horror enquanto encarava com os olhos levemente arregalados, eu soltei uma gargalhada e ela fez uma cara de decepção – Rola um sentimento sim, mas nada além disso, meu negócio é leitinho – Ele virou o rosto e minha risada só piorou.
- Você me respeita, ein, Pietro, posso te despachar de casa a qualquer momento! – Ela apontou seu indicador para ele e fez uma cara enfurecida – Mas chega de papo – Ela olhou para o seu lado direito encantada, sem entender, eu e Pietro direcionamos nossa atenção até a direção que ela estava adorando e demos de cara com o garçom trazendo nossos pratos – Agora pouco papo e mais mordida – Ela disse satisfeita enquanto colocava, atrasada, o guardanapo sobre seu colo e dava espaço para o garçom colocar seu prato logo a sua frente, rindo maliciosa pelo duplo sentido de sua frase. Em seguida, Pietro soltou um rugidinho forçado estilo “graw” para ela, acompanhada com sua mãozinha torcida à frente.

Como os meus amigos sofrem de excesso de afeição por mim, era óbvio que me obrigariam a ir ao shopping, Pietro pelo menos fez um alarde após comermos e discutiu sobre minha preguiça em ir ao shopping, disposto a me convencer do contrário ele me levou até o maior shopping de Beaumont para fazer comprinhas, adorou, ele também, mas eu, como o previsto, estava quase dormindo enquanto os esperava experimentarem os milhares de sapatos e peças de roupas. Mas depois de longas horas torturantes em restaurante, shopping, cabeleireiro, mais restaurante e uma hora não tão torturante assim já que depois de toda chatice, fomos ao cinema assistir o lindíssimo Johnny Depp num filme que estava passando, finalmente chegamos ao nosso apartamento. Estávamos na casa de esperando por , que nos ligou mais cedo informando que entre as 11 horas chegaria em casa. E não preciso nem dizer que esta ligação destruiu todos os meus planejamentos para mais tarde, não é? Eu queria chegar em casa, beber chocolate quente enquanto assistia algum filme antigo e esperava o sono vir. Mas hoje mesmo, enquanto estávamos fazendo compras, disse para mim que ultimamente se não estava assistindo um homicídio de camarote, estava dormindo, resolvi analisar minha situação e cheguei a infeliz conclusão que, pela primeira vez na vida, aquele ser acéfalo estava certo. Então forjei um sorriso convincente quando Pietro deu a idéia de prepararmos uma comidinha caseira na casa de , da qual eu e ela, sabíamos que adorava.
- O risoto está pronto? – cutucava a mesa de sua cozinha impaciente.
- Você está desafiando a habilidade de um italiano em fazer risotos? – Pietro se sentou ao nosso lado, com uma luva de pano de dona de casa amarela vestida em uma de suas mãos. Era incrível o quanto eu tinha vontade de rir simplesmente ao ver a normalidade na qual Pietro encarava as coisas.
- Eu não desafiei nada, bello fez um biquinho exagerado e engraçado ao pronunciar a palavra italiana – Só o meu estômago que está reclamando um pouco, mas eu sobrevivo.
- Você come demais – Ele disse indiferente, fazendo dar um tampinha em seu ombro, ofendida – De qualquer maneira, bella, vamos ter que esperar a atiradora de vasos chegar, não vamos? – Concordei enquanto balançava tristemente meu queixo. Ah, Deus, que vontade de sumir! Ou melhor... Dormir!
- Pietro, você sabe fazer macarrão? – Sorri comigo mesma, fazendo um biquinho pidão.
- Sì, birichino – Ele disse com um lindo sotaque italiano e eu bati palminhas – Quer que eu vá na sua casa fazer um dia?
- Sim, sim, sim! Mas eu quero ver e anotar tudo! Até como você faz massa fresca. Eu comprei uma máquina de fazer macarrão esses dias, mas não deu muito certo, ela simplesmente destrói todos os meus rolinhos de espaguete na última rolagem, suponho que tenha sido o excesso de farinha que coloquei – Entristeci minha expressão, lembrando-me do dia que havia tentado fazer macarrão, neste mesmo dia havia macarrão até dentro de meu vestido de tanta confusão e bagunça que havia feito em minha casa, acabou que acabei pedindo um sanduíche do McDonald’s ao ver a desgraça que minha cozinha virara.
- Máquina? Mas que nada – Ele disse mais alto, rindo – Tem que ser tudo com a mão na massa, literalmente, faço macarrão por macarrão a mão. E você vai ajudar – Ele lançou uma piscadela para que não estava prestando muita atenção na conversa, mas como eu e Pietro, quando ouvimos o barulho da porta da entrada se abrindo e logo depois se fechando, erguemos nossos olhares ao local, junto a nossas cabeças em direção a abertura da porta.
- Oi – chegou à cozinha em segundos, já que como em minha casa, o balcão da cozinha já fazia parte da sala de entrada do apartamento. Ela deu um sorriso tristonho para nós e eu a olhei com um sorriso envergonhado. Não faço a mínima idéia no que falar para ela, este tipo de situação é delicada demais, para se quer dizer um “oi” animado.
- E aí? – Pietro deu a ela um abraço de urso e ela sorriu nos olhando.
- Foi tudo nos conformes, mas óbvio que bom não foi. Falei com o xerife e vou tentar arranjar um pedido de habeas corpus para Mike – Ela se sentou ao meu lado e eu dei um beijo estalado em sua bochecha, fazendo a mesma sorrir enquanto falava – Mas a situação dele até onde entendi é complicada...
- É, da para imaginar o quanto, está sendo acusado por dois homicídios e não duvido que as estripadas nada comuns de qualquer assassinato não adicione anos a mais na pena dele – falou pela primeira vez com que concordou com a fala da mesma.
- Eu demorei porque tive que ir atrás de um advogado, mas agora parece estar tudo certo e eu fiz o que pude... Não sei, acho que Mike está sendo injustiçado, conheço ele há tanto tempo e ele nunca foi violento. Mas é difícil conversar civilizadamente com aquele xerife, ele está muito certo de si sendo que nem tem provas contra Mike, os exames daquela maldita camiseta ainda nem estão prontos! – Eu rolei os olhos e Pietro trouxe a mesa seu fabuloso risoto de queijo com vinho tinto.
- E você falou com Mike? Como ele está? – Perguntei descontraída enquanto pegava os pratos que estavam em um armário ao meu lado, sem ao menos precisar sair da cadeira de onde estava sentada.
- Ele está péssimo – deixou que algumas lágrimas escapassem de seus olhos e percorressem seu rosto rosado – Disse que é horrível as condições de lá e jura de pés juntos que nunca matou ninguém – Seu choro engrossara.
- Vai ficar tudo bem, relaxa, você precisa parar um pouco de pensar nisso, porque ele foi o seu assunto o dia inteiro, vamos descontrair e falar sobre as baboseiras das quais adoramos falar, que tal? – Sorri de orelha a orelha e ela assentiu positivamente com seu rosto, novamente.
- Então nada melhor do que começar por um risoto de queijo, vindo diretamente da Itália! – Pietro engrossou a voz e retirou a tampa do recipiente de cima do risoto, deixando se revelar sobre a mesa um delicioso risoto de queijo, com aparência amarelada e pastosa, acompanhado por um cheiro misturado com vinho maravilhoso.

Então assim seguiu a noite, ficamos naquela de tentar consolar e animar até as três da manhã! Mas o risoto amortecera a paciência de todo mundo para isso. Acabou que se acalmou um pouco e aceitou ir ver alguns filmes italianos junto a Pietro, que trouxera da viagem, de início não quis, mas depois aceitou, já que o mesmo jogou na cara que ela quase o matara ontem com vasos na cabeça. Eu e podemos finalmente descansar, então partimos alegres e saltitantes para os nossos apartamentos, nos despedindo via um beijo estalado e um sorriso atordoado devido as três garrafas de vinho tinto repartidas.
Entrei em casa, retirando meu lenço do pescoço e o jogando, junto a minha bolsa, no sofá ao lado da porta de entrada de minha casa, só que desta vez sem me preocupar em pegar meu celular, já que estava decidida em ter uma boa noite de sono, e hoje aquele aparelho telecomunicador foi uma das desgraças de meu sono conturbado. Sentei em minha cama e soltei um gemido agradecido ao tirar meus dois saltos altos pretos, mas minha tentativa de sorriso se desfez depois de míseros segundos, quando eu ouvi alguém tocando minha campainha. Revirei os olhos, me levantando e marchando em direção a porta, já obtendo a absoluta certeza de que seria um daqueles três patetas. Abri a porta com pressa e me deparei com aquela silhueta do inferno.

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O mesmo deu um sorriso forte e amigável ao me ver abrindo a porta, e exagerou em seu olhar de meus pés a cabeça, fazendo com que eu armazenasse mais repulsa ainda dentro de mim em relação a aquele insignificante ser.
- Procurando emprego? – Ele finalmente voltou a me olhar nos olhos e entrou em minha casa sem esperar minha permissão, estava com as mãos entrelaçadas em suas costas e parecia examinar minha casa. De imediato achei que ele ia fazer alguma gracinha em relação ao meu corpo, que ele permanecera longos segundos olhando com a palavra “profissão”, mas quando continuou sua fala, percebi que essa era só mais uma mania terrivelmente insuportável que ele adquiriu de agir – Tenho uma proposta para você.
- Hum? – Indaguei sem entender nada e decidida a não estabelecer muito contato com ele. Fechei a porta de meu apartamento e me virei para ele.
- Quer ser minha ouvinte e conselheira? – Ele, desta vez, me olhou sério, dirigindo a mim o mesmo olhar que usava no trabalho – Calma – Ele riu, provavelmente percebendo minha expressão assustada – Não queria também te chamar para o cargo, acredite, sei o quanto vou acabar sofrendo por isso, mas hoje recebi uma visita do senador John Cornyn e ele sabe de sua presença nos dois homicídios, sobretudo e mais importante, é que ele concluiu que você sabe demais e se você abrir a boca eu vou ter que passar a te caçar e você vai ser presa por vários anos, provavelmente condenada por cumplicidade. Em suma ele quer que você dê sua palavra ao governo que sabe demais, mas que vai ficar bem quietinha, porque isso vai nos permitir mais facilmente de te matar caso fizer o contrário – Ele deu um sorriso cordial, fazendo com que meus olhos rolassem pela milésima vez já naquele dia.
- Comece a ter mais seriedade em sua fala que passo a acreditar mais em você, – Cruzei os braços e ergui minha sobrancelha em espera de mais uma fala sem sentido sua.
- Bom, a verdade é essa. Fui chamado por Chapman, o presidente do comitê de vigilância de Beaumont, junto ao senador, como disse, e eles me deram essas ordens, como sou subordinado a eles, preciso, infelizmente, respeitar as ordens deles. Você terá que acompanhar o meu dia a dia, e como sei que isso será insuportável, tenho a proposta de emprego para você, para nada sair tão ruim como o esperado. Vai me aconselhar, me ajudar nas pistas, acompanhar nas investigações e essas coisas. Ou se quiser e, melhor ainda, pode levar seu travesseiro para o Quartel e dormir, sem me importunar durante o dia inteiro.
- Qual o intuito disso? Você quer que eu saiba mais coisa, onde eu sofro risco de morte por saber apenas o começo de tudo, não tem o mínimo sentido.
- Com você sabendo menos coisas e não tendo nenhum compromisso comigo, nem com o governo, você pode abrir sua boquinha a qualquer momento e soltar indícios dos crimes para a mídia, com você sabendo de tudo e assinando um acordo onde aceita a fidelidade ao governo, é ele quem sai ganhando, entendeu? – Ele se aproximou de mim e estava com um sorriso vitorioso por isso – É tudo uma questão de proteção, como disse Cornyn.
- Eu não quero, , escuta...
- Eu não quero saber, é sua e minha obrigação com o governo, vai fazer o bem para todos, menos para você que vai ter que ficar comigo analisando defunto. Infelizmente vim aqui informar e não saber sua opinião a respeito. Estou tentando fazer tudo ficar mais agradável, te empregando e fazendo você receber por isso, não apenas ficar me olhando no trabalho o dia inteiro sem ganhar nada, e como você não tem emprego e não existe escolha para nenhum de nós. Não achei mal lhe oferecer este trabalho que minutos atrás nem existia.
- Olha aqui, eu não vou ficar analisando defunto coisa nenhuma, ! – Elevei minha voz e ele levantou suas sobrancelhas.
- Posso te poupar disso, já que existem pessoas com estômago fraco, mas você vai ter que acompanhar meu dia a dia sim, , me desculpe por isso, também não estou feliz em conviver com sua doce pessoa o dia inteiro, mas são ordens do governo as quais preciso, infelizmente, obedecer se não quero perder meu cargo.
- Eu vou receber mesmo? – Perguntei tentando ver o lado bom de ver a cara desse ser insiguinificante o dia inteiro.
- Vai, cinco mil reais por mês, com carteira assinada, vale transporte e refeição – Ele disse convincente, como se estivesse fazendo uma propagando política e não pude deixar de rir um pouco. Mas epa! Cinco mil reais só para ficar ouvindo as merdas que falava? Eu já adquiri a mania de deixar suas falas entrarem por um ouvido e saírem pelo outro, assim como e Pietro, então não seria um emprego difícil, tirando as piadinhas que o mesmo fazia quando eu estava em questão, claro. Quero dizer, um médico ainda sem estar em seu auge no mercado de trabalho, possui o salário de seis mil reais por mês, não?
- Eu não tenho escolha, não é mesmo?
- Não – Ele foi em direção a porta – Agora calce seus sapatos e pegue sua bolsa, preciso que você vá até o aeroporto comigo, pegar um velho amigo.
- O quê? – Exclamei alto, vendo meu sonho desejado indo às ruínas de vez – Mas já? – Choraminguei – O que a porcaria de seus assuntos particulares tem a ver com essa porcaria de emprego?
- Ele só vai decifrar todos os códigos subliminares que estavam nos corpos, só – Ele ironizou sua fala e já abriu a porta de entrada – Vamos – Revirei os olhos e fui em direção ao calçado torturador, depois voltei à sala e peguei meu lenço e bolsa, acompanhando o caminho de . Algo me dizia que aquilo não seria nada bom.
- Quem é este cara? – Perguntei indiferente enquanto já esperávamos o elevador descer em direção ao térreo – Policial também?
- Não, longe disso – Ele soltou um sorrisinho mais para si mesmo e eu não consegui muito bem decifrar o porquê – Antropólogo da religião, arqueólogo especializado em relatos bíblicos, judaico-critãs, têm um curso superior sobre astrofísica e salva-vidas. E está trabalhando para a NASA, algo relacionado com vida fora da terra.
- Ele fez tudo isso? – Arregalei os olhos – Salva vidas? – Franzi o cenho segurando minha vontade de rir e ele assentiu, também sorrindo.
- Sim – seguiu em direção a uma viatura quando o elevador abriu suas portas, segui-o ainda sem entender, passando pela portaria e atravessando a rua em direção a viatura. Em questão ao modelo diferente de carro, suponho que o seu Studebaker ainda estivesse fazendo parte de pesquisas na perícia, talvez, obrigando-o a alugar qualquer carro da polícia – Segundo ele, a síndrome do intestino irritável é algo preocupante quando se mora sozinho, então aprendeu primeiros socorros para se salvar caso haja obstinação ou dores abdominais.
- Oh, meu Deus, você está brincando, certo? – Soltei uma gargalhada alta, me esquecendo por segundos de que quem me fizera rir havia sido – Ele realmente acha que a diarréia vai matá-lo?
- Pode causar uma séria desidratação, o que reduzirá o fluxo de minha corrente sanguínea, forçando meu coração a aumentar o ritmo de seus batimentos causando a taquicardia supraventricular e me levando a morte fulminante sem ao menos conquistar meu Prêmio Nobel de Fisiologia – forjou uma voz bem mais fina e riu quando terminou sua fala, obviamente, inspirada em seu parente que pelo jeito era neurótico.
- Está então me dizendo que além de aturar você, vou ter que aturar um maluco compulsivo? – Disse tristonha, ignorando o efeito alcoólico que o vinho induzira em mim.
- Não, ele se encaixaria mais no padrão para nerd insuportável, mas vai ficar tudo bem, passei minha infância inteira agüentando ele e seus livros de história e estou vivo – Ele disse sério enquanto dava início ao caminho de seu carro entre as ruas de Beaumont, já desertas devido ao horário.

- Por que exatamente você quis que eu viesse nisso? – Perguntei quebrando o silêncio de incontáveis minutos.
- Sinceramente? – Ele me perguntou sério, sem tirar os olhos da estrada.
- Sim.
- Eu não queria aturá-lo sozinho – prendeu a risada e eu revirei os olhos, junto a ele.
- Não pode ser tão mal assim...
- Acredite, é sim.
Depois de mais alguns vinte minutos de estrada, finalmente chegamos ao aeroporto, agora estávamos esperando o que descobri ser seu primo nerd na sala de desembarque. parecia preocupado e levava as mãos ao rosto diversas vezes indicando seu nervosismo, pelo o que ele me descrevera o próprio primo, parecia que estava mais nervoso em como aturar sua chatice do que em dá-lo boas vindas.
- Olá – Um homem magrelo, de aparência física bem fraquinha, com óculos de grau, camisa de mangas xadrez compridas, suéter preto e calça moletom igualmente preta apareceu ao nosso lado, fazendo com que eu e nós levantássemos da cadeira e sorríssemos dando boas vindas.
- Fala, o puxou para um abraço, sorrindo fraco. O homem o abraçou incomodado enquanto fazia uma cara de nojo engraçada.
- Devo lembrar que a transmissão de Estafilococos, estreptococos, clamídeas, picornavírus, agentes de conjuntivites e mil e outras doenças é bem mais eficiente por contato físico, ou simplesmente por um aperto de mãos? – Ele gesticulou seu rosto sério para que franzira o dele – A não ser que você considere a transmissão por meios fômites e oronasais uma possibilidade.
- Não mudou nada, não é mesmo? – disse sério, pegando uma das malas de rodinha que o magrelo estava arrastando pelo chão.
- Você é? – Ele se virou para mim, sério, como em todos os poucos momentos até agora.
- – Estendi minha mão para um simples aperto de mão educado.
- Devo repetir o que acabara de falar ao meu primo primogênito? – Ele olhou para minha mão e depois para mim, com o rosto mais próximo.
- Não, não será necessário! – disse me puxando pela mão em direção a saída – Ela trabalha para a polícia – Ele disse ao seu primo que nos seguia em uma distância considerável. Eu apenas suspirei notando a estranheza que esta frase continha e prossegui o trajeto junto a eles.
- Você nunca mencionou nenhuma , e se não se importa, obtenho total conhecimento que para ser policial precisa de treinamento físico, em caso feminino, as mesmas precisam se exercitar bastante, neste exercícios ocorrem o fortalecimento muscular, o que não permitiria a mesma de ter o braquial, tríceps, bíceps, corabroquial, que são os músculos do braço e os músculos do peitoral maior com fibras musculares tão pouco desenvolvidas.
- ... – choramingou para o primo que o olhou bravo.
- Deixe com que eu termine meu raciocínio. Então tudo indica que você não é formada como polícia militar, caso sim, foi alguma falcatrua onde a senhorita se meteu para poder pegar seu diploma desmerecido, já que os treinamentos são bases básicas, acompanhado por níveis subseqüentes que crescem de acordo com sua habilidade. Chego à conclusão de que ou você é uma policial que não merecia estar trabalhando por não atingir os princípios máximos de conhecimentos ou... – Ele fez uma pausa e voltou a falar em seu tom frenético depois de alguns segundos - voltou a jogar – Eu estava o olhado estática enquanto esperava colocar as mochilas do mesmo no porta malas, ele fez uma expressão satisfeita de si mesmo e partiu em nossa direção descordando.
- Eu não voltei a jogar!
- Então presumo que esteja com uma ineficiente guarda costas na polícia. Caso contrário... Você está mentindo para mim, abrigando em seu trabalho alguém que você deve, por conta de seu antigo vício de apostar em jogos, mas presumo que não já que pelo visto você não olhou para cima ou para direita, seus movimentos pareceram normais e não mecânicos, não pareceu ficar mais relaxado agora na mudança de assunto, houve sincronismo entre gesto e palavras e não está de costas para a parede – Ele concluiu indiferente, eu permanecia o encarando com os olhos arregalados. Demitir-me virou uma possibilidade para o primeiro dia de trabalho? Infelizmente não - É interessante, não é? Uma pesquisa feita ano passado pelo The Journal of Counselling Psycology, vol 31 indica que pesquisadores foram a fundo em atos que uma pessoa toma ao mentir e chegaram a diversos movimentos e sintomas que indicam a falta de caráter – se direcionou ao banco da frente e se sentou lá sem parar de falar, eu e já estávamos dentro do carro com os cintos postos o olhando com a testa franzida, tentando absorver todas as coisas que o primo de disparava – O mais interessante é que quando você está de costas para a parede, incentiva a pessoa a mentir, porque o cérebro deixa causar uma impressão de que o individuo está pronto para se defender de qualquer coisa.
- De onde você tira estas coisas? – perguntou com uma voz tediosa, dando marcha ré no carro para finalmente irmos embora do aeroporto lotado, devido a temporada.
- Estas informações infelizmente enfatizam uma grande falha no sistema policial mundial já que os interrogatórios são feitos em salas de quatro paredes, com apenas uma janela, vocês nunca saberão quando uma pessoa dirá a verdade ou não e também existem aquelas que estão na dúvida se mentem em seus depoimentos ou não, irão sempre optar pelo mentir – O primo de fechou a janela do seu lado que antes estava aberta – , eu vou ter mesmo que repetir todas doenças que são pegas pelo simples contato? Isto inclui o ar, já que o mesmo carrega junto ao nitrogênio, oxigênio, gás carbônico e raras diversas impurezas que se alojarão em seu pulmão, formando uma grossa camada de impurezas.
- Você se incomoda em dormir em minha casa esta noite? – Olhei pelo espelho e o mesmo estava passando a mão sobre sua testa, provavelmente buscando paciência. Nem eu mais estava agüentando ouvir seu primo falando.
- Se você tiver um chuveiro elétrico, uma cama solteiro king e nenhum animal de estimação eu não me incomodo não.
- Hoje é seu dia de sorte - o olhou com um sorriso forjado.
- Mas é realmente uma cama Solteiro king? – fuzilou - A cama solteiro king têm 205cm de altura, e 100cm de largura, ao contrário da queen size que todos cometem o terrível erro de confundir, que possuem 198cm de altura por 158cm de largura. Eu sou alto então para mim é lastimável o desperdício de 7cm a mais de conforto.
- Eu tenho certeza que é uma Solteiro king – continuou sorrindo de forma cordial para o seu primo que assentiu satisfeito e olhou para mim que estava no banco de trás.
- Quem é você? – Ele abriu um pouco mais os olhos ao me olhar.
- ! – Disse sem entender o que o mesmo queria dizer.
- Isso eu já entendi, acha que porto paramnesia? – Ele me olhou inconformado – Pois saiba que meus descendentes são ótimos neurologicamente falando. Me refiro ao seu meio de viver, patrimônio e mestrado.
- Eu tenho meus rolos... Patrimônio? Só minha casa. Mestrado? Sério? – Soltei uma risada debochada e ele fez com que seu olhar se tornasse incrédulo.
- Você nunca tirou mestrado? Quantos anos você tem? 23? Eu tive meu primeiro mestrado com 20 anos e ainda fui considerado atrasado pelos meus colegas... Qual área é sua especialidade? – Fiquei em silêncio e sorri envergonhada – Lamento pela humanidade. Você não está aqui, por acaso, para roubar meu tema de doutorado, não é? – Ele ficou desconfiado, pude ver rindo disfarçadamente em seu banco enquanto dirigia.
- Não – Cerrei os olhos.
- Ótimo, estou mais seguro.
- Mas diga, priminho, como vai a sua vida? – indagou tedioso enquanto fazia uma curva habilidosa com seu novo carro e ao mesmo tempo debochava de seu primo que parecia não ligar.
- Como a de todo mundo. Sujeita a distúrbios de sono, depressão e morte eventual – disse sem tirar os olhos do painel do carro e eu não consegui conter o riso fluindo em minha expressão disfarçadamente – Ou você diz em relação a minha carreira? Se for, ela está estupenda, consegui um estágio na NASA para aprimorar minhas pesquisas no acelerador de partículas que eles criaram, pois o meu interesse em astrofísica só tende a crescer, e, por sorte, no dia que eles me agendaram em uma tour pelo corredor da máquina, o acelerador de partículas conseguiu produzir a colisão de dois feixes de prótons a 7 tetra-elétron volts, o que gerou uma explosão da qual os cientistas estão denominando como “Big Bang em Miniatura” Não é extremamente excitante? A probabilidade da partícula de Deus estar sendo criada dá início a uma nova física, o que me faz repensar em voltar a faculdade e fazer Astronomia!
- Claro, claro... – o olhou com os olhos levemente arregalados e eu saltei no banco.
- Tá brincando comigo! – Eu berrei enquanto fazia os dois pularem da cadeira e me olharem assustados.
- É, eu sei, é fascinante ter a criação da partícula de Deus tão próxima de nossos conhecimentos, Rolf Dieter, diretor do projeto, me informou que o que sabemos até agora é que ela pode ser composta por mais cinco outras partículas que...
- Não, não, não – Eu o interrompi animada e ele animado da mesma forma que eu, me olhou com incerteza – Me refiro a você estar na NASA.
- É completamente entendível já que meu currículo sempre foi aprimorado com minhas faculdades de ponta, mestrados e doutorados interessantíssimos e incontáveis projetos extracurriculares... A NASA está assinando uma papelada importante comigo também, querem me colocar no ramo de suas pesquisas quanto a vidas fora do planeta, disseram que estavam precisando de um antropólogo e como possuo o melhor currículo de qualquer antropólogo pelo mundo, vou ajudá-los, o que me causou felicidade já que provavelmente consegui um emprego excelente pelo resto de minha vida.
- Você é astronauta? – Indaguei sorridente e pude ouvir gargalhar alto no banco da frente e bater sua própria testa no volante quando o sinal havia fechado, já estava me olhando com uma expressão de quem levou um susto, ou seria uma expressão indignada?
- Você está falando sério?
- Eu sempre sonhei em ir pro espaço, você precisava ver, meu sonho desde criancinha!
- Pelo visto você ainda está no espaço, achando que está sonhando e com um provável desvio na glândula pineal, onde se localiza sua consciência. Mas se isso for saciar sua curiosidade, eu não sou astronauta e nem produtor de foguetes e ônibus espaciais, apenas fiz cursos extracurriculares em astrofísica, os quais me levaram a outro patamar, já que agora fica muito mais fácil se compreender a antropologia, apesar da mesma não ter a ver nada com astro, a física é muito simples e se encaixa em qualquer padrão, já que a mesma é a explicação e decorrência de tudo que se acontece na galáxia! – Ele concluiu entusiasmado e eu continuava o olhando com minha boca levemente aberta e meus olhos perdidos pelo carro.
- Posso dizer que a maldita física nada tem a ver com antropologia e arqueologia? – o esnobou e sorriu fraco, tirando os olhos por segundos da estrada para direcioná-los ao primo, agora enfurecido, que preparava mais um de seus discursos que ninguém mais agüentava. Eu disse que ninguém agüentava e não que estava prestando atenção nas coisas que ele dizia, só para deixar claro, porque existe uma grande diferença entre o ouvir e o compreender.
- A física está em todo lugar, inclusive em arqueologia e antropologia. Os artefatos deixariam de serem artefatos se não tivessem aparência de tal, e se não tivessem aparência de tal, ninguém estaria ligando para os mesmo, por serem simples vasos e mais que a metade da história antiga da humanidade estaria perdida. Como poderíamos distinguir o conviver do Egito antigo se seus indícios fossem tão perfeitos? Claro que saberíamos de muito mais coisas, pois nenhuma informação teria sido perdida pelo tempo. Mas esta acaba sendo a graça da coisa, você imaginar e pesquisar cada vez mais, se tudo estiver onde desejávamos, seria muito fácil e perderíamos o gosto pela coisa. A física deixa sua marca até mesmo na cultura e continua sendo fascinante. Para facilitar seu entendimento, , usarei exemplos, porque o cérebro absorve mais informações quando estão presentes na conversa analogias. Por exemplo... – Ele fez uma pausa rápida - Os cães vêem a preto e branco, para eles a realidade é preto e branco, certo. E nós, poderemos ter a certeza do que vemos é mesmo como vemos? Uma planta vermelha não é vermelha, ela absorve as outras cores e reflete o vermelho. E isso, meu amigo, é a física!
- Pois é, essa é a física. A mesma maldita física que me fez repetir o segundo grau do ensino médio! – forjou um ânimo cínico em sua voz.
- Biofisicamente falando, seu conjunto de sinapses nervosas, excitatóris e inibidoras que são ineficiente. A física é facilmente compreensível, só é preciso observar o meio ambiente.
- Antes fosse, sou experiente em ficar olhando o nada pela janela, mas isso nunca ajudou minha situação em física.
- Existem teorias sólidas sobre síndromes que atrasam o entendimento das pessoas em relação à área acadêmica, seria melhor que você procurasse seu médico para pedir indicação de algum psiquiatra para analisar sua situação. Mesmo duvidando de tal, já que o mesmo faz parte de minha família e reparte o mesmo DNA que o meu, e por mais que seja óbvio, posso repetir que meu processo intelecto-mental está e sempre esteve em perfeitas condições.
- Como a sua síndrome do intestino irritável? – fez sua piadinha e recebeu um ruído irritado de seu primo que agora estava vasculhando alguma coisa na maleta que segurava consigo, depois de alguns minutos ele tirou seus óculos e os colocou dentro de uma caixinha de couro, a devolvendo para a mala – Já jantou?
- Fui obrigado a comer a comida horrorosa daquele avião. Porém cumpri minha dieta, só ficou faltando a vitamina C, então qualquer brócolis, mamão ou acerola que você tiver em casa resolve meu problema. Claro que quando falo ‘qualquer’ não quer dizer que o mesmo possa estar infectado por germes, foi só uma expressão de eufemismo para dar a impressão de causar menos trabalho – Ele deu pela primeira vez naquela noite um sorriso, o que saiu bem estranho.
- E por que exatamente você precisa de Vitamina C? Eu almocei e jantei um hambúrguer.
- Isso é um grande mal feito seu, em nossa família existem inúmeros casos de escorbuto, o que acaba sendo hereditário. E é aí que entra a vitamina C, a vitamina C é um cofator da enzima prolil-hidrolixase que faz a hidroxilação do aminoácido prolina nas cadeias alfa de colágeno. Essa hidroxilação é importante porque aumenta o número de ligações de hidrogênios na molécula e dá maior rigidez ao colágeno, a principal proteína estrutural do corpo, nos prevenindo do escorbuto.

Remexi-me um pouco no banco, colocando minhas pernas estendidas no mesmo, apoiei minha nuca no vidro e fechei os olhos sem querer mais ouvir as chatices que o primo de disparava em questão de instantes que já faziam minha cefaléia voltar a dar sinais de vida. Era difícil de acreditar, mas realmente existia alguém que conseguia ser mais insuportável que , o que é uma pena porque me divirto bastante com nossa implicância lá no fundo, mas nada que fosse capaz de camuflar minha apatia pelo mesmo ou que conseguisse superar o afeto crescente que ando sentindo por meu mais novo amigo gay, Pietro, ele parecia ser uma pessoa tão de bem com a vida que o sorriso dele me contaminava até em meus momentos de acessos de raivas matinais, algo no qual já havia me acostumado em ter, mas hoje foi prova viva de que ele me fazia bem, o estranho é que depois dele aparecer lá em casa hoje de manhã, minha dor de cabeça parecia ter sumido, o que explica o que os vários médicos que já visitei me disseram, eles me disseram que minhas dores de cabeças poderiam ser por cansaço e o mais possível, por razões emocionais. Na época considerava ser algo totalmente ridículo, nunca coube em minha cabeça o motivo de uma dor ter raízes emocionais, mas pelo visto, até mesmo o câncer é causado pela depressão. Estranho. Quero dizer, não é como se tivessem tacado bomba em Hiroshima e Nagasaki e todos morreram de tristeza, mas para quem vive uma vida solitária e triste tende a ter algo mortal deste tipo. Era melhor mesmo eu tomar um rumo em minha vida. Mas que raio de pensamento idiota era esse? Onde tudo começou mesmo? Ah sim, o porquê de minha dor de cabeça diária, algo que eu morreria sem saber.
Ou talvez nem tanto.
Senti uma corrente gelada percorrer cada célula de meu corpo ao me lembrar pela primeira vez naquele dia que ontem havia recebido uma carta. A carta que possivelmente fora a razão de todo meu mau humor e dor de cabeça. Podemos tirar o mau humor de cogitação já que ele é eventual em meu dia a dia, mas quanto à dor de cabeça tudo faria sentido. E por mais incrível que fosse, eu só havia me lembrado daquela maldita carta agora... Bom, dizem que o cérebro faz o possível para anular as más memórias, mas como nunca me encaixo no padrão normal de ser, era mais do que óbvio que não dormiria naquela noite devido àquela carta, já que não pensara na mesma nem um segundo sequer durante o dia eu com certeza gastaria boas horas de sono tentando descobrir o motivo de tudo aquilo. Saudade? Difícil. Remorso? Mais difícil ainda. Amor? Ah, isso já está virando uma piada e me alegro em manter meus batimentos cardíacos compassados e controlados a presença de minha mãe em meus pensamentos, já que ontem eu meio que, bom... Eu chorei, e não foi pouco. Para falar a verdade, longe disso.
Batimentos cardíacos.
Olhei rapidamente para minha veia safena exposta por conta do pouco comprimento de meu short, me deparando com a mesma em perfeitas condições, arroxeada como sempre, mas sem pulsar. Mas por que ela pulsaria? Revirei os olhos com meu pensamento ridículo e passei a mão em minha perna, dedilhando cada parte visível da mesma veia. E como observado de novo, ela não estava pulsando, só carregando meu sangue ao meu coração, oxigenando-o. De forma normal. De forma saudável. Minha outra mão foi de encontro ao meu peito, massageando o mesmo, sentindo meu coração pulsar vagarosamente. Bombeando meu sangue. Dando ao mesmo a ordem de sair do átrio direito, descer ao ventrículo direito e percorrer seu caminho, dando a mim a fonte de vida. Tudo tão ridiculamente perfeito.
Pelo menos uma coisa perfeita nessa vida desastrosa, não é mesmo? Senti uma pontada vinda de meu peito novamente, tendo uma estranha sensação de déjà vu, o porquê não sei exatamente, mas sei que o motivo foi a volta da presença de minha nem tão querida mãe em meus pensamentos. Em busca de uma cura física, massageei, dedilhando a região de meu peito onde se localizava o meu coração interiormente e fechei os olhos. Eu sabia que nada curaria essa dor, já que a mesma não era física, terrivelmente longe disso. Era emocional. E por mais que passasse o dia inteiro massageando o lugar onde nem ao menos correspondia a esta dor, apenas de forma figurada, nunca passaria o que eu estava sentindo, a solidão que estava sentindo, a única coisa que conseguiria me fazer esquecer tudo seria eu resolver meus problemas, algo que é praticamente impossível diante de minha situação; mesmo me lembrando do pedido da mulher que me mandara a carta. Espero que me responda, sunshine. Algo humanamente impossível, pelo menos por enquanto, preciso ver se em mais alguns meses ela iria estar sentindo esta falta que diz sentir, ou se é apenas uma solidão temporária, eu poderia estar sendo o dono que faria carinho na nuca de um cachorro após o mesmo ter feito algo de errado. E depois esquecia novamente. Não estava disposta a passar por isso de novo, não seria tão inferior assim, precisava checar se todas as coisas ditas naquele pedaço de papel poderiam sair do mesmo ou se serão apenas tinta. Ou porque meu emocional não estava preparado para mais um desprezo.
- Não prefere que eu faça isso por você? – Perdida em meu pensamento, voltei à realidade depois que uma voz me despertara. Olhei para seu autor encabulada, me encontrando na mesma posição de quando havia me ajeitado no banco do carro, sem querer ouvir mais discursos vindos de .
- O quê? – Indaguei confusa e depois me toquei da realidade. Estava sentada, com os pés em cima do banco de , acariciando meu peito e minha perna. Algo que para mentes sujas como a dele devia soar erótico. Não revire os olhos, , você já exerceu esta prática demais hoje. Ele acenou para minha mão em cima de minha coxa e depois para a que estava massageando meu peito. Sim, eu revirei os olhos. E depois estapeei o mesmo que estava dando entrada no banco traseiro.
- Me deixa passar – Depois de empurrá-lo várias vezes, finalmente consegui passar pela porta e ficar do lado de fora, sem saber exatamente onde estava, um lugar com um número considerável de carros. Olhei para e o mesmo estava balançando a cabeça negativamente, ainda rindo sarcástico enquanto se ocupava em trancar a porta do carro – Onde a gente está?
- Em casa – Ele passou por mim, indo em direção as escadas que iriam para o topo de algum lugar desconhecido, já que nunca havia feito este caminho não fazia a mínima idéia de onde estava indo.
- Você não vai me levar para casa? – Aproximei-me dele, já sentindo meu sangue borbulhar, em sinal de que a resposta dele não seria um bom sinal. Agora sim. Agora sim todas minhas veias, artérias, músculos e partes anatômicas internas de meu corpo estavam pulsando. Meu ódio é capaz de mexer com diversas coisas, inclusive com coisas humanamente impossíveis, do tipo de mudar o fluxo de meu sangue quando estava nervosa.
- Estou cansando demais – Ele sorriu maroto e subiu as escadas. Fiz uma cara incrédula, mas disposta a não deixar barato, corri atrás dele, tentando alcançá-lo e quando subi as escadas dei de cara com a conhecida casa. Estava na sala na qual já havia sido interrogada. E provavelmente na que passou o maior mico da vida dele. Sorri satisfeita ao me mergulhar nestes pensamentos – Você realmente acha que eu fiquei preso nas algemas aquela noite, não é mesmo? – Ele leu meus pensamentos, e eu sorri vitoriosa, concordando com meu rosto – Não quero destruir seus sonhos nem nada do tipo, mas eu sei me livrar de uma algema, . Na verdade, com a profissão que tenho, consigo fazer isto até com os olhos fechados – Ele deu ênfase em meu apelido enquanto colocava seu casaco sobre uma das cadeiras que havia em volta da mesa.
- Sim, e eu sou o Bozo – Entediei minha expressão e olhei em volta. Tudo estava exatamente como minha última visita – Onde está o seu primo?
- Foi comer alguma coisa, não lembro mais o que ele queria exatamente, mas mandei ele ir na geladeira. Vamos dormir?
- Vamos? Primeira pessoa do plural? Mais de um? Nós dois? Sério mesmo? – Cruzei meus braços o olhando superior e dando um de seus sorrisinhos sínicos – Eu acho que não, deixa que eu durmo na sua cama e você dorme aqui no sofá – Olhei para o lado, onde se localizavam dois sofás brancos com aparência confortável, depois o olhei de volta; ele estava com as mãos caídas, paralelas ao seu corpo e prendendo uma risada, me olhando divertido – Qual a graça?
- Você na minha cama e eu no sofá? – Ele ergueu uma de suas sobrancelhas, tentando ficar sério – A gente ainda nem conseguiu chegar no que pode ser denominado casal para você já sair me enxotando para o sofá, – Ele, agora sério, partiu em direção a porta do quarto, passando do meu lado já que eu estava de costas para a mesma.
- , foi você quem não quis me levar para casa, agora vai ter que aturar! – Marchei em direção a ele e, quando entrei no quarto que, como a sala, não havia mudado nada desde minha última visita, me deparei com as costas de nuas, o mesmo estava tirando sua camiseta cinza e logo ao ouvir minha voz se virou em minha direção com um sorriso sacana no rosto enquanto tirava as mangas da camiseta de seus braços.
- Te aturar? No dia do eclipse pude notar que basta qualquer conversa que lhe desperte interesse e você passa a ser muito mais fácil e agradável de se aturar – Ele sorriu, ainda me olhando, dobrando sua blusa de um jeito desajeitado e a jogando dentro de uma cesta indígena de palha, localizada no canto de seu quarto. Depois disso passou a caminhar até mim. Sorri sarcástica, era óbvio que sorriria diante de um diálogo tão acéfalo como esse – Quem sabe se com o tempo, eu não consigo pegar o jeito? – Ele dedilhou meus ombros, até chegar à manga de minha camiseta pólo, puxando-a ligeiramente para o lado e direcionando seu rosto até meu ombro, agora exposto.
- Isso é uma piada? – Franzi a testa, enrijecendo o cenho e abaixando meu olhar ao seu rosto que agora fornecia carícias agradáveis sobre a pele de meu ombro.
- Está com medo de mim, ? Um dia você me agarra no meio da chuva e no outro se finge de desinteressada. Não te entendo – Ele endireitou sua postura e me olhou sério, com o maxilar travado e olhos franzidos. Não sabia exatamente se ficava encarando sua expressão séria ou se olhava mais para baixo, onde estava localizado seu peitoral que ao inspirar se chocava comigo de tão pouca a distância que nos encontrávamos. Não conseguia me decidir também se aquilo estava sendo perturbador ou delicioso – Já mudou de idéia? – Ele deu espaço a sua cara séria agora a um sorriso de más intenções, senti seu ar cômico ao perceber o sopro de em minha cara, dedando mais uma de suas risadinhas. Estava sendo delicioso.
- A questão não é essa, , a questão é que você vai dormir no sofá e eu na cama – Sorri comigo mesma ao perceber a reação de calafrio que o mesmo teve depois que eu aproximei minha boca da dele e entortava meu rosto, enquanto encostava meu nariz no dele. Falando em voz baixa e sutil, coloquei minhas mãos em volta de seus ombros desnudos e massageava tranqüilamente o mesmo, apertando e dedilhando-o.
- Tem lugares que podem se tornar melhores se você tiver a honra de minha companhia – Ele colocou as mãos em minha nuca e começou a massageá-la, dando fortes e curtos puxõezinhos em meu cabelo solto – Nem cogita a idéia de estar comigo na cama esta noite? – Indagou, fazendo-me esquecer de meus pensamentos e colocando um polegar sobre meu queixo, deixando meu lábio a milímetros do dele, sorri mostrando todos meus dentes e ele apenas observou minha boca, algo que já estava fazendo a consideráveis segundos.
- Já te abalei, em tão pouco tempo, ? – Ainda sorrindo, mordisquei seu lábio inferior que se contraiu ao voltar em sua posição de início, ele discordou com um aceno rindo, enquanto descia suas mãos que estavam em minha nuca para a parte de trás de minhas coxas.
Sem tirarmos o contato visual, ele dedilhou toda parte de trás de meu corpo, parando, como disse, em minha coxa, depois disso juntou nossos corpos mais ainda, fazendo os mesmo ficarem grudados um ao outro e finalmente chegássemos ao contato físico, ele colocou meu rosto para o lado, descansando o dele na curva de meu pescoço, sorri comigo mesma ao sentir as reações explosivas que aquilo me proporcionava. Ainda com a mão em minha coxa, ele a direcionou a barra de meu short, levantando-o até onde o tecido jeans o permita em fazer, e ao mesmo tempo dando demorados chupões em meu pescoço que provavelmente deixariam marcas na região ao amanhecer. Envolvi-o com meus braços em torno de seus ombros e passei a massagear seus cabelos próximos a testa, em busca de agradecê-lo pelas carícias tão excessivamente gostosas. Com uma de suas mãos ocupadas massageando minha coxa totalmente desnuda, já que o tecido agora só cobria a região de minha bunda, ele subiu a mão até a mesma, colocando-a dentro do short, sorrateiramente juntando minha calcinha para que a mesma ficasse quase inexistente e dando leves apertões em minha pele, ao sentir o contato de suas mãos grandes com a mesma, logo soltei um gemido abafado próximo ao seu ouvido, fazendo-o estremecer, apertei meus braços em torno dele e ele fez o mesmo com sua mão que estava me sustentando pela cintura. Já sentindo um volume considerável roçando contra minha barriga, o empurrei um pouco para trás; sem entender direito, ele retirou sua mão que estava dentro de meu shorts e de minha cintura, ainda sorrindo, coloquei cada palmo de minha mão em volta de seu maxilar, erguendo-o para trás; dei várias mordidas cuidadosas em seu pescoço até chegar em seu queixo, lugar no qual passei consideráveis minutos dando atenção. Logo depois, entrou na brincadeira e voltou a colocar sua mão em minha região lombar, sorri ao ser envolvida por um de seus braços musculosos e aproximei minha boca da dele vagarosamente, encostando nossas testas, ainda o encarando nos olhos, mas sem o beijar. Passei minha língua na entrada de sua boca diversas vezes, contornando e pressionando fragilmente a mesma, ele me pegou de surpresa e abriu rapidamente sua boca, envolvendo minha língua com seus lábios quentes, sorri aceitando suas carícias e o mesmo a envolvia e contornava com sua língua, às vezes até mesmo a mordiscando. Depois de ficarmos alguns incontáveis minutos nos divertindo enquanto explorávamos o corpo um do outro, , sem paciência, colocou um de seus braços em volta de meu pescoço, praticamente me obrigando a beijá-lo pela sua força, que devia ter o dobro de intensidade em relação a minha. Ele poderia ter me obrigado se eu não quisesse, mas não foi o caso. Como estava com minha boca já aberta, ele nem precisou pedir passagem para invadi-la novamente, envolvendo minha boca com a sua, em questão de segundos, precisei agarrar o seu bíceps braquial, que se encontrava contraído, para conseguir não cair diante as sensações prazerosas que passaram a se eclodir em meu paladar. Ele, percebendo minha reação, sorriu durante o beijo, enquanto travava uma batalha contra minha língua por via de carícias agressivas e rápidas, sua outra mão se direcionou a minha nuca, formando um frouxo rabo de cavalo que durara apenas alguns segundos, até o mesmo parar de puxá-lo e direcionar sua mão até minha clavícula. Nossas línguas já apresentadas pareciam agora se mexer em sincronia, dando um ar de menos desespero ao beijo em relação ao inicial, mas ainda ambos estavam eufóricos, explorando cada parte da boca um do outro. Mexíamos nossas cabeças de um lado para o outro, buscando a melhor posição para aquele beijo. O que era difícil, pois a cada movimento aquilo só parecia melhorar. Ambos sem ar, partiu o beijo sorrindo, voltando a olhar em meus olhos e logo depois voltou sua boca a minha, depositando ali um selinho que durara tempo suficiente para ele me dirigir a qualquer canto que agora não era importante saber qual, de seu quarto, me encochando contra uma parede, ainda durante o selinho o mesmo encostou sua língua em meus lábios, deixando a entender que estava disposto a começar mais um daqueles beijos enlouquecedores, mas quando estava prestes a ceder o encanto de sua língua, espalmei minhas mãos em seu peitoral o distanciando de mim.
- ... – Assim como o distanciei de mim, passei a dar alguns passos para o centro do quarto novamente, quase impedida por seu braço que tentou segurar a barra de meu shorts, mas eu forcei meu caminho e ele cruzou os braços olhando para onde eu iria - Nem cogita a idéia de estar comigo na cama esta noite! – Sorri, lançando-lhe um último sorriso de más intenções, depois me virei para a cama e engatinhei até a área onde se encontravam os diversos travesseiros, fiquei ajoelhada ali, enquanto abria meu botão e zíper do short. Segundos depois, notei a presença de respirando ofegante ao meu lado e ergui minha atenção, que antes estava em seu short, para seus olhos que observavam cada parte de meu corpo em intervalo de segundos.
- Eu adoro te ver arrepiada deste jeito – Ele encostou em meu braço, entrando em contato com todos meus membros que nem notara estar arrepiados. Peguei sua mão e a posicionei em minha barriga por dentro da blusa, próxima a meu umbigo, sorri enquanto soltava sua mão que não saíra do local, apenas descera seu caminho, proporcionando carinhos na região superior de minha calcinha, peguei a barra de minha blusa e a tirei sem cerimônia. Sorri mais ainda ao notar parar de massagear a região próxima a minha intimidade para direcionar imediatamente seu olhar ao meu busto, agora totalmente exposto, só não totalmente devido ao meu sutiã vermelho que já, já, sumiria dali.
- Faz um favorzinho? – Coloquei um dedo sobre sua boca, o descendo rapidamente para seu peitoral e depois me virando agilmente, ainda ajoelhada sobre a cama e sentindo a respiração de , que estava em pé, ao lado da mesma se chocando com minha nuca – Quer tirar para mim? – Fiz um rabo de cavalo frouxo com minhas próprias mãos em meu cabelo e o coloquei a frente de um de meus ombros, deixando agora toda extensão de minhas costas e pescoço expostos a que ainda não havia encostado e mim, com exceção de sua mão que fazia caricias próximas a minha intimidade que agora circundava meu quadril.
Pude notar um sorriso se formar em seu rosto e senti a mesma mão que estava em meu quadril, apertar o mesmo e me virar bruscamente para ele que sorria para mim, o mesmo direcionou sua mão ao fino tecido do sutiã que havia ao meio de meus seios, e puxou o mesmo, me obrigando a aproximar-me dele. Ele, na mesma hora que estávamos a apenas alguns centímetros de distância, enterrou uma de suas mãos em meu cabelo, envolvendo minha boca na dele, agora investia mais força em meu cabelo preso em sua mão, fazendo o beijo ficar dolorido de uma forma deliciosa, sem saber onde colocar minhas mãos devido à espontaneidade do momento, coloquei-as descansando cobre os ombros de novamente, ele colocou seu outro braço em volta de minhas costas, praticamente juntando nossas bocas ao extremo em uma só, mas sem interromper o movimento que sua língua mexia contra a minha, dominando-a totalmente. partiu o beijo e quando me dei conta estava deitada sobre a cama com ele no meio de minhas pernas. Depois de alguns segundos, senti uma dorzinha vindo de meu ombro, chegando a conclusão de que ele havia me empurrado, usando sua força do beijo, igualmente bruta. Cada uma das mãos de agarrou meus tornozelos, os afastando em direções opostas, ele largou os mesmos e deitou sobre mim, tomando todas medidas e cuidados para que sua ereção batesse contra minha intimidade ainda envolvida por tecidos desprezíveis que só estragavam momentos como aquele, enquanto acariciava meu seio e puxava meu sutiã para cima, peguei uma de suas mãos relativamente grandes em comparação com a minha e a coloquei sobre minha boca, depositando em seu dedo indicador um selinho demorado, enquanto fechava os olhos, disposta a aproveitar todas as sensações eróticas do paladar de que agora circundava um de meus mamilos, gemendo fraco, o indicador de em minha boca passou a contornar o desenho de minha boca e logo depois pediu passagem para entrar na mesma. Sorrindo com minha própria imaginação de que aquilo seria outra parte do corpo de , envolvi seu dedo com minha língua, massageando-o e explorando cada região do mesmo enquanto me lamentava da não tão prazerosa sensação já que em outra parte do corpo do mesmo, aquilo poderia ser algo eroticamente delicioso.
- ... – Pronunciei seu apelido, com seu indicador ainda em minha boca e olhos fechados, sorrindo com meus próprios desejos e futuras palavras – Me prova... Eu quero que você me prove – Fiz um pedido autoritário ao mesmo que subira de posição e agora estava com o rosto a milímetros do meu, com os olhos semicerrados de forma torturante, já que mexia vagarosamente seu quadril, pressionando sua ereção contra minha intimidade que estava para explodir. Ele dedilhou meu tronco até chegar em minha intimidade, por dentro de minha calcinha e sorriu para mim.
- Aqui? – Ele indagou enquanto pressionava minha intimidade com seu indicador lubrificado por minha saliva – Quer que eu te faça ter prazer com minha boca? – Ele roçou seu nariz no meu e eu concordei apenas por um aceno de cabeça enquanto o dava um selinho demorado, já que estava sem fôlego para outro tipo de carícia, ele sorriu separando nossos rostos e como num conto de fadas, se dirigiu ao meu short.
- Awn... Eu preciso tanto... – Curvei minhas costas ao sentir o contato da boca de contra a pele de minha barriga, me perdendo nas palavras - ... Tanto de você aí me dando prazer,
parou sua carícia e se ergueu durante alguns segundos para conseguir abaixar meu short, o bastante para que completasse sua tarefa, ele abaixou somente até meus joelhos. Sorrindo, voltou a se aproximar de meu quadril, enquanto uma de suas mãos se posicionavam em minha pélvis erguida, ele olhou para minha fina calcinha durante consideráveis minutos e logo depois aproximou sua boca da mesma, dando leves mordidinhas sobre o tecido úmido, direcionei uma de minhas mãos a mão de em minha pélvis, e a apertei contra mim, incentivando-o. Sua outra mão afastou o tecido de minha calcinha e quando estava prestes a entrar em contato com meu órgão, ouvimos uma voz que nos fez olhar rapidamente para a porta de entrada do quarto de .
- Eu não havia cogitado a hipótese de ser sua nova namorada, terrível falha de minha parte – estava em frente a porta, insatisfeito, fazendo com que eu e pulássemos de susto e apontou para nós dois que estávamos agarrados, arregalei os olhos e joguei para o outro lado do quarto, meio a um soco na barriga que devia ter doido, pelo menos sua cara de dor dedara isso – Ela não trabalha para a polícia. Namoram há quanto tempo? – Ele interrogou bravo. Eu pulei para a parte superior da cama, agarrando um dos travesseiros e me cobrindo enquanto arranjava um jeito qualquer de conseguir levantar meu short.
- Ela não é minha namorada – que estava ainda com a mão na barriga, me alcançou um olhar de ódio e depois olhou para seu primo sorrindo debochado.
- Vocês vão usar camisinha, né? – Ele indagou , ainda bravo – 50% da população é vítima de doenças que foram transmitidas por vias sexuais e eu não quero nenhum parente por enquanto. Conto com a herança do titio Loui para as pesquisas que estou desenvolvendo individualmente em relação a células tronco para o meu doutorado, não quero dividir com mais ninguém, já vai ser demais repartir com você.
- Relaxa, , ninguém aqui está querendo procriar – revirou os olhos e foi em direção a sua cesta de roupas sujas, pegando sua camisa de dentro e se preparando para colocá-la novamente.
- Eu não concordo. Se fazer sexo para você desperta mais atenção e ânimo, apoio sua vida sexual ativa, faz bem, já que é da polícia, precisa de muita atenção, e para a raça menos desenvolvida que define prazer estímulos físicos e nervosos, conseqüentemente ejaculação gerada pelo músculo bulbouretral que promove contrações rítmicas, algo tão paradisíaco, não me vejo no dever de discordar – O primo de disse com indiferença, com as mãos cruzadas atrás de suas costas, nos olhando sério.
- O que você quer aqui? – perguntou, pela primeira vez irritado naquela noite enquanto se dirigia para mais perto do mesmo.
- É totalmente compreensível, não se acanhe, Srta . Reconheço que meu primo é dotado por músculos que vocês fêmeas julgam atraente, para falar a verdade, mal sabem que o instinto biológico de vocês que as dominam, preferindo um macho mais másculo, para ter mais capacidade em proteger suas crias.
- Agradeço pelo elogio, priminho, mas diga logo o que você está querendo – tentou controlar sua raiva para falar com o primo, mas não deu certo, já que até mesmo o próprio percebeu sua raiva.
- Eu não queria incomodar, só acho válido espalhar conhecimentos quando pessoas parecem carentes pelos mesmos, para a humanidade ficar um pouco menos perdida, pelo menos. Vim aqui dizer que não possui nenhum alimento carregado ou com carga considerável de vitamina C na sua geladeira. Preciso que me leve ao supermercado.
- Já é madrugada, ficou doido? – assumiu mais controle e calma sob sua voz.
- Não estou doido, mas ficarei com você se for ao médico amanhã e o mesmo me notificar que estou sofrendo uma crise de escorbuto. Quando estávamos a caminho daqui notei um supermercado 24 horas no quilômetro dezesseis, não tão longe, se preferir eu posso dirigir, só quero que vá junto para que eu não me perca – Concluiu deixando o aposento, sem ao menos dar a uma chance de responder.
- Parece brincadeira – resmungou indo em direção a uma cômoda na qual havia depositado sua carteira e chaves, colocando-os nos bolsos da calça jeans – Você fica bem aqui sozinha? – Ainda paralisada no local no qual estava me atracando com , apenas respondi o mesmo com um aceno – Então tudo bem. Pode dormir na minha cama, quando eu voltar dou um jeito em algum lugar para dormir – Ele disse desinteressando enquanto colocava a jaqueta e andava com dificuldade, suponho que seja por causa do volume a mais ao meio de suas pernas, mas agora não era um momento muito adequado para rir da cara dele.
- Calma aí! – Eu disparei em direção a quando um surto de realidade acordou-me de minha transe – Você vai ir embora para o supermercado e me deixar aqui, assim? – Perguntei sorrindo irônica enquanto jogava a almofada sobre a cama de e fazia o mesmo com meu short, deixando-o jogado pelo chão. Deixando minha silhueta só não tão a mostra por conta de minhas mínimas vestes íntimas.
seguiu em direção a porta de seu quarto, pegando a maçaneta da mesma, me olhou de forma séria e depois soltou um sorriso agradável para fora.
- Boa noite. Durma bem que daqui algumas horas teremos um longo dia de trabalho – Ele encostou a porta de seu quarto, me deixando sozinha ali, para que eu tivesse finalmente uma ótima noite de sono como planejado desde hoje de manhã. Só que para minha infelicidade, a noite de meus sonhos passou a ser outra depois dos fatos que ocorreram poucos minutos atrás.
- Você me paga – Revirei os olhos enfezada, enquanto dizia baixo, pela segunda vez, aquela frase a , que havia me deixado na mão novamente.
Tudo bem, ele queria então que eu dormisse para trabalhar e viver uma vida monótona de qualquer adulto no dia seguinte? Tudo bem! Era isso que ele iria conseguir comigo a partir de agora. Apenas ordens de trabalho e nada além disso, como sempre deveria ter sido.
Porém, algo que era difícil para alguém que há poucos minutos estava sujeito a combustão humana.


(Edgar Allan Poe - Boston, 19 de janeiro de 1809 – Baltimore, 7 de outubro de 1849. Foi um escritor, poeta, romancista, crítico literário e editor estado-unidense. Poe é considerado, juntamente com Jules Verne, um dos precursores da literatura de ficção científica e fantástica modernas.)
(Habeas Corpus [...ad subjiciendum] - Etimologicamente significando em latim "Que tenhas o teu corpo" é uma garantia constitucional em favor de quem sofre violência ou ameaça de constrangimento ilegal na sua liberdade de locomoção, por parte de autoridade legítima - Todo cidadão que entender que ele, ou outro, sofre uma prisão ou constrangimento ilegal em sua liberdade, tem direito de pedir uma ordem de habeas corpus a seu favor.)
(NASA [National Aeronautics and Space Administration - Administração Nacional do Espaço e da Aeronáutica] - É uma agência do Governo dos Estados Unidos da América, responsável pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e programas de exploração espacial)


Capítulo 9
[n/a: Sugestão de música: Pyro – Kings Of Leon]


- Acorda, ! – Alguém que repousava as mãos sobre a lateral de meu corpo virado balançava-me insuportavelmente, sem parar – Trabalho, vamos, acorda!
- Hum... – Emiti um sol qualquer, irritado, na esperança de que quem estivesse me sacudindo obtivesse um pouco de compaixão e me deixasse dormir mais um pouco, porém o que aconteceu foi totalmente o contrário de minha vontade.
- – Ouve uma pausa, com menção de uma segunda voz – Ela está dormindo ainda, suspensa temporariamente de qualquer atividade pserptico-sensorial e movimentação voluntária. É um fiasco gastar sua saliva para acordá-la.
- Cala a boca – A primeira voz pareceu aborrecida – , vamos, estamos em cima da hora, preciso chegar lá antes das 8, por favor, acorde – A voz se acalmou e mãos passaram a percorrer meu corpo em busca de algum nervo que fosse me acordar, talvez. Mas que coisa ridícula. Não respondi, só mergulhei e aproveitei mais ainda o conforto que aquele travesseiro desconhecido, no qual eu estava agarrada, me proporcionava. A primeira voz bufou – , me dê o copo de água – Na mesma hora, senti um fluxo de sangue frio correr e oxigenar meu cérebro, fazendo-me analisar melhor as últimas palavras pronunciadas pela primeira voz. Consequentemente, acordei de imediato, sem saber aonde arranjei tamanha força de vontade a ponto de conseguir me mexer sobre aquela cama deliciosa.
- Ei! – Descordei, enquanto me sentava sobre a cama e perguntava imediatamente ao meu cérebro com quem estava, e o mais importante, aonde estava. Quando endireitei minhas costas, apoiando a mesma no encosto da cama, olhei para frente, dando de cara com dois indivíduos que quando estou em sã consciência considero insuportáveis. e . Ambos me olhavam sérios, enquanto carregavam duas caixas térmicas pequenas.
- Finalmente, estou a meia hora tentando te acordar! – A primeira voz, que agora se revelou sendo a de , cuspiu as palavras enfurecidas em minha cara. Eu ainda fazia esforço para me lembrar melhor das coisas, ou melhor, me localizar no espaço – Agora levante, vamos para a delegacia, estou atrasado – Ele deu as costas e foi em direção à porta de seu quarto, junto a , que havia sumido do cômodo a apenas alguns segundos.
- Que horas são? – Lamentei, enquanto apertava minhas pálpebras tentando relaxar um pouco mais. Eu podia ter dormido e acabado de acordar, mas a exaustão estava predominando em mim de forma absurda e insuportável.
- São quinze para as oito – Ele parou com a mão na maçaneta de sua porta, que dava saída do quarto, e me olhou atento depois de pronunciar as palavras, agora, calmas.
- Que tipo de animal é você? – Sem poupar minha exaustão ou energias contadas para o meu dia, berrei para ele, que continuou me olhando indiferente – Não são nem nove horas, pelo amor de Deus, volte para cama – Revirei os olhos, me atirando novamente sobre a cama, abraçada com o travesseiro, voltando à minha posição terrivelmente confortante de dormência.
- Você nem experimente voltar a dormir ou encostar a cabeça neste travesseiro – Ele revirou os olhos, e por mais que não houvesse falado mais alto que eu, e sim num tom sonoro normal, a intensidade na qual o mesmo distribuiu as palavras no espaço fez com que eu me assustasse – Eu te levo arrastada e nem deixo você voltar para colocar as roupas – Num segundo depois, ele já estava ao meu lado, puxando meu braço para que eu saísse da cama. Sem ligar muito, já acostumada com sua eventual brutalidade, apenas deixei com que ele me levantasse. Pelo menos foi só isso até eu ouvir o inicio de sua fala, assumindo atitude e expressão completamente diferente ao ouvir o complemento da mesma.
- Que merda é essa de eu estar sem roupa?! – O empurrei para longe de mim, sem ter tanto sucesso, e berrei o mais alto que pude enquanto cobria meus membros. Meu busto a vista por conta da única presença de meu sutiã, minhas coxas totalmente à mostra, minha barriga, que se mexia constante devido aos meus berros e atuação de meu diafragma. Eram tantas partes descobertas que desisti em me fazer de santa e apenas revirei os olhos, cruzando os braços e esperando pela chula explicação mal dada que o mesmo daria.
- Como é que é? Eu mal fiquei com você ontem à noite, com exceção da hora em que fui dormir, foi você quem me agarrou e chorou para que eu tirasse essas peças que faltaram – Ele passou as mãos no cabelo, revirando os olhos igualmente.
- Claro, porque eu ter você para mim é algo que desejo, sempre, não é? – Sorri diante aquela explicação absurda e fui em direção às minhas roupas, que estavam sobre um sofá no inicio do quarto. Chorei mentalmente ao ver o comprimento das mesmas em relação ao frio que já predominava o quarto.
- Quem te viu quem te vê, , contradição pura em pessoa – Ele, desta vez, sorriu enquanto olhava eu colocar meu shorts toda atrapalhada, pois queria terminar isto o mais rápido possível. Mas quando se quer uma coisa é exatamente o contrário dela que conseguimos, o que explica minha demora em colocá-lo enquanto me atrapalhava nos buracos do mesmo, colocando uma perna no lugar da outra em determinada cavidade do shorts. Apenas ouvi um risinho da parte dele.
- Diz que não fez nada comigo, mas se recusa em tirar os olhos de mim quase nua? – Indaguei irônica enquanto terminava finalmente de colocar aquela peça jeans apertada. Fui em direção à minha blusa, me aborrecendo pelo pouco pano que a mesma continha. Na hora, tive uma idéia não tão boa assim, mas que me faria parar de ter frio. Virei-me para a silhueta de Robert, que estava se direcionando à saída do quarto novamente, e perguntei inocentemente – Será que você não tem nenhum agasalho para me emprestar?
- Já já esquenta, .
- ! – Choraminguei, juntando toda expectativa de bondade que tinha em meu coração para implorar àquele ser uma peça de roupa. Em seguida, ele se direcionou ao mesmo sofá que antes obtinha minhas roupas sobre e me atirou um agasalho grande e preto na cara, depois saiu do quarto me deixando sozinha, finalmente para poder me vestir em paz.
Vesti o agasalho macio e fui ao banheiro da suíte em busca de um bochecho e de ver minhas olheiras mais discretas na face de meu rosto. Na verdade, as olheiras estavam discretas, pelo menos comparadas com as que tenho diariamente esta poderia passar despercebida - pelo menos para mim -, mas meu cabelo, do contrário, nunca dava uma trégua, então comecei a penteá-los com os próprios dedos, já que naquele banheiro inútil não tinha muito mais do que sabonete, creme barbeador e perfumes masculinos. Já com a aparência melhorzinha, voltei a me encarar no espelho. Eu não estava linda, mas estava aceitável. Abri a torneira e sacudi minhas mãos debaixo da mesma, levando a água de meus dedos ao meu rosto seco. Depois de todas as tarefas matinais, exceto a escovação dentária, que havia sido substituída por um bochecho e uma bala de menta, calcei meus sapatos e fui em direção à sala para encontrar os dois seres mais adoráveis desta terrinha. Ah ironia, sempre presente em minha doce e feliz vida.

- Finalmente – , que estava na sala em pé, com as mãos na cintura e rosto jogado para trás com os olhos fechados, se dirigiu à porta, que desde o que aprendi de ontem, dava entrada para a sua imensa garagem. Destrancou a porta e seu primo, que o seguiu, ergueu a mesma mini caixa térmica que havia levado para o quarto ao auto de sua cabeça para descer os degraus cuidadosamente, olhando para cada um e descendo os mesmos de forma lenta e irritante. Revirei os olhos e me apoiei no corrimão, esperando o mesmo completar o pequeno lance de degraus, que ao invés de serem concluídos em cinco segundos, estavam se saindo em um minuto.
- Por que a demora? – , ainda irritado, já entrava em seu carro enquanto indagava seu primo, que havia acabado de descer os degraus.
- Um leve descuido meu pode me levar a qualquer fratura cervical ou incontáveis descuidos do gênero, algo lamentável para o meu brilhante futuro – O primo concluiu enquanto abria a porta do carro. Eu já estava abrindo a mesma, só que a que dava para o banco de trás, como anteriormente, há algumas horas atrás.
O caminho seguiu quietamente. Graças a Deus, já que o sono latejava de tal forma em minha cabeça que se minha capacidade acústica se deparasse com mais um dos discursos de ou sermões de não hesitaria em torturar até a morte ambos indivíduos insuportáveis. Senti minha bolsa vibrar e cheguei à conclusão de que, mais uma vez, meu celular estava esgotando minha paciência limitada. Se não fosse a não continuidade do ato daquele telemóvel, eu não o pegaria. Atender ligações a essa hora da manhã e ainda me esforçar a demonstrar algum interesse ou felicidade era algo mais tortuoso do que se parecia; logo, fora de cogitação. Ao notar que era apenas uma mensagem, peguei o aparelho em meio a movimentos bruscos devido a minha irritação, aquele pedaço de artificialidade, dando de cara com a mensagem da operadora de que haviam duas chamadas perdidas de às 6:28 e 6:32. Estranhei ao notar o horário, pois como conhecia muito bem minha melhor amiga, sabia que a mesma era impossibilitada pela preguiça absurda em acordar num horário que fosse antes das dez da manhã. Franzi o cenho e resolvi entender aquilo mais tarde, já que era cedo demais para já começar os quebra cabeças, que pelo visto, e pelo meu mais novo trabalho, só tendiam a predominar todo o meu dia. Avistei a grande placa com o escrito “Delegacia” se aproximando, e já me preparando para descer, relutando comigo mesma, confesso, comecei a encaixar melhor os sapatos altos em meus pés e me encolhi dentro do agasalho de , que ficara bem estranho em mim, já que o tamanho dele era o dobro ou triplo do meu. A esse ponto o carro já estava estacionado em frente à delegacia. Suponho que seja uma vaga preferencial pelo cargo dele, ou algo do tipo, devido o fácil acesso ao carro. Desci do carro, e ao sentir a ventania fria, me encolhi e envolvi meu corpo com os próprios braços.
- Um belo imóvel, localizado ao meio da cidade. Isso faz falta em minha cidade, as delegacias por lá costumam ser longe da civilização, dificultando a ajuda dos mesmos em qualquer roubo ou seqüestro – disse indiferente, se dirigindo à porta de entrada da delegacia, ainda com sua caixa térmica nos braços. Percebi só agora que, além de carregar isto, o mesmo também portava uma mochila de alça lateral ao seu corpo, bege. Provavelmente, o local onde deveriam estar depositados todas seus conhecimentos na área em que havia pedido ajuda.
- Talvez seja tão perfeita assim, porque não fui eu quem escolheu, já que quando vim trabalhar aqui, já estava tudo construído – disse zombeteiro ao seu primo. Me aproximei dos mesmos, subindo os dois degraus que haviam antes da porta de entrada e parando ao lado de , que esperava o primo entrar primeiro ao seu local de trabalho.
- Fala, ! – Uma voz bem humorada veio de dentro do recinto, e quando dei entrada no mesmo, logo depois de , a reconheci como sendo a de – Noite longa, huh?
- Nem fala – passou seu cartão de trabalho em uma máquina que havia ao canto da sala e depois foi cumprimentar seu amigo. Reconheci a recepcionista que havia me olhado mal humorada como sendo a mesma do dia em que voltei aqui para visitar , e para variar, a mesma continuava me olhando brava. Mesmo sem ter explicação, retribui seu olhar sínico e me virei novamente para e , que sorriam.
- Este é meu priminho – disse irônico enquanto cumprimentava o mesmo com apenas um aceno de seu rosto.
- Finalmente alguém com educação por aqui – disse admirado enquanto retribuía o aceno de .
- ! – Ele se virou para mim, erguendo suas sobrancelhas, indicando surpresa e sorriu de forma confortável – Você por aqui, bom dia – Ele abriu um longo sorriso e me abraçou, sorri e o abracei também.
- Pois é, sobrou para mim também! – Lamentei ainda o abraçando e me divertindo com a mais nova risada que ele dera, depois o mesmo me soltou e permaneceu com uma de suas mãos sobre meu ombro, me olhando sorrindo.
- Calma, você já presenciou coisa pior, tenho certeza disso.
- Pois é, mas vamos trabalhar agora – nos reprimiu com o olhar bravo e endireitou sua postura, retirando a mão que estava sobre meu ombro e seguiu até a sala de , enquanto ambos conversavam freneticamente.
- Rose – gritou já de sua sala e todos haviam se acomodado na mesma, menos eu e ele, talvez porque houvesse apenas uma cadeira. A mulher apareceu ofegante na porta do escritório de e o mesmo não hesitou em pedir autoritário a mesma, algo que eu havia adorado, já que por um motivo qualquer aquela mulher parecia ter me odiado – Traga a cadeira de Goyas para Carolina poder sentar, pensei que tinha pedido para você não tirá-la daqui.
- Tudo bem, Sr. , Desculpe-me – Ela partiu ao corredor com as mãos em forma de punho me fazendo ter que segurar o riso.
- Então, para que necessitam de meu conhecimento? – perguntou enquanto abria sua caixa que estava repousando sobre suas pernas cruzadas.
- Precisa mesmo fazer isto agora? – revirou os olhos, ainda em pé ao meu lado, indicando o sanduiche que estava na caixa térmica, porém já sendo mordido por .
- Ora, mas o que posso fazer se meu metabolismo volta ao normal apenas depois de algumas horas de repouso depois de meu sono? – sorriu divertido, ele estava sentado logo a frente da mesa de , ao lado de , com as pernas abertas, cotovelo apoiado no braço da cadeira, dando sustância em seu corpo e o outro braço jogado em cima de sua perna. começou a estalar os dedos estressado, apressando a mulher que havia trazido a cadeira a sala do mesmo e posto do lado da de , para que eu pudesse sentar, ele finalmente sentou e eu fiz o mesmo.
se curvou e começou a remexer alguns papeis das gavetas que haviam em sua grande escrivaninha, tirando de lá as duas mesmas fotos que me mostrara na noite do assassinato de Benny, uma com o seu rosto desfigurado e outra de seu corpo, mais desfigurado ainda; não contive uma careta ao olhar aquilo e direcionei meu rosto ao rumo contrário que aquela foto tomara – O que me diz disso?
- Da figura? – perguntou e afirmou ao mesmo tempo, enquanto analisava a figura e dava mais uma mordida em seu sanduiche, me fazendo ficar impressionada com o controle de estomago que o mesmo tinha, se eu fosse ele, vomitaria na mesma hora que ingerisse algum alimento e me deparasse com aquela imagem grotesca – Isto faz parte da pele superior da cavidade da testa do individuo suponho – afirmou, balançando sua cabeça positivamente, enquanto se apoiava folgadamente sobre a sua cadeira grande, levando um dedo para perto de sua boca, observando que continuava analisando a foto. se debruçou e olhou para a mesma também, com a testa franzida, provavelmente analisando aquela foto pela milésima vez já em sua carga horária de trabalho – Tudo indica ser a fita entrelaçada sem fim – Ele colocou a foto sobre a mesa, sorrindo orgulhoso e mordeu mais uma vez seu sanduiche.
- E isso é exatamente o que?
- Depende do contexto em que você a utiliza, a mesma pode ter várias explicações, mas basicamente é usada por membros da organização da Nova Era, seu significado em geral é a vida entrelaçada, onde há sempre uma continuidade vital nas próximas encarnações, seu sentido é amplo, todavia seu significado mais conhecido e coerente diante desta situação é o pacto de sangue, onde fortalece os pactos entre organizações, dando inicio a tão querida e esperada Nova Era, dos membros da mesma organização.
- Nova Era? Eles querem o que? No sentido literal da palavra, mesmo? – indagou interessado.
- Nova Era já chegou a me interessar alguns anos atrás quando havia recebido o convite de um velho amigo, governador da Rússia em participar. Nova Era, como havia dito, propriamente dita é um movimento a base de ensinos metafísicos, crenças espiritualistas, animistas, paracientíficas e conceitos teológicos. Ela propõe um novo modelo de consciência moral, psicológica e social, envolvendo a natureza e até mesmo os cosmos.
- Então o nosso assassino é um membro deste movimento?
- Não , descordo da idéia de que alguém de autoria de diversos assassinatos que continuarão acontecendo daria a vocês sua identidade logo no primeiro homicídio, isto é uma questão de pura lógica – Ele deu a última mordida em seu sanduiche – Ele poderia estar querendo apenas atiçá-los, ou talvez o símbolo seja importante somente para o seu clã, servindo como o pacto de sangue mesmo, nada entrelaçado a explicação do rito que está exercendo, só algo adicional para a aliança, algo importante para eles.
- Mas não podemos desconsiderar nada – disse atento a que parecia pensar em alguma coisa, provavelmente em relação a este assunto – Não se esqueça que joguinhos psicológicos e persuasivos tendem muito em casos nos quais assassinos em série estão envolvidos. Pelo menos na tentativa dos mesmos em proteger a identidade, elas podem ser inúteis, mas existem.
- Já consideram ser caso de um serial killer? – indagou assustado.
- É o que tende a acontecer já que pela inserção de símbolos e palavras nas vitimas tudo indica que seja um ritual, conhece algo do tipo? – perguntou.
- Vocês não conseguiram nenhuma evidencia de quem possa ser? Os seriais killers são divididos no tipo organizados e desorganizados, os desorganizados tendem a agir de forma imediata, usam a arma como algo que fazia parte da cena do crime, as largando despercebidas tardiamente, deixando várias pistas se soltarem para a polícia, agora se for do tipo organizado terão que se aprofundar no jogo psicológico e objetivo que o mesmo quer, já que tendem a ser normais e bem sucedidos diante da sociedade.
- Eu sei, , eu e já discutimos bastante isto tudo, ele me informa sobre estas teorias. Ele é psiquiatra, está nos ajudando bastante – deu um sorriso discreto e voltou a ficar sério e puxou as fotos para perto de si, analisando as mesmas – , você reconheceu a vítima aquele dia em cima do carro?
- Não – Respondi indiferente e incomodada por ter sido citada no meio daquele assunto tão desagradável.
- Era Jeanette Stride – Ele respondeu com um sorriso maldoso no rosto, eu continuei o olhando com o olhar de interrogação - Dona do restaurante no qual você usou de fuga na noite de Benny Ryan, se lembra? – Uma corrente elétrica me alertando a se afastar dali subiu de minhas pernas até meu cérebro que havia começado a latejar, arregalei os olhos e com a garganta seca não pude evitar algumas tosses que vieram sem permissão, ainda em choque, levei minhas mãos a garganta e olhei novamente a que continuava a me analisar, só que de forma mais séria.
- Esta... Esta falando sério? – Indaguei com a voz baixa e ele afirmou movimentando a cabeça – Estranho como todas vitimas parecem se ligar a você, ou a aquela noite – Ele voltou sua atenção a mesa, retirando de baixo de uma papelada ao seu lado, mais uma foto, foto de Jeanette, e a aproximando das de Benny.
- Como podem então ter tanta certeza de que não é a autora dos crimes? – soltou um suspiro assustado e depois voltou a falar suas chatices de sempre, eu ainda meio ao choque consegui reservar um pouco de energia para revirar os olhos.
- Não pode ser ela, eu estava com ela em todas as horas – concluiu desinteressado, enquanto todos me olhavam desconfiados.
- Mas você sabe que a imprensa vai cair matando nisto não sabe, ? – disse perturbado – Vamos acobertar vocês e tudo mais, mas será meio que impossível deixar que as extrapoladas da imprensa não sejam publicadas. Por isso, , - Ele se virou para mim – É importante que você não diga nada que sabe aqui, lá fora.
- Tudo bem não vou dizer nada – Entortei a boca, incomodada com minha posição.
- Vamos voltar ao assunto, me fizeram migrar até esse fim de mundo que é o Texas para me perguntarem a respeito de um simples símbolo?
- Não, ainda quero te perguntar mais coisas que continuam sendo do caso de Benny, o cara do símbolo da Nova Era na testa.
- Oh sim, é este o que estava sem ossos? – riu.
- Qual a graça? – ficou bravo em respeito ao cadáver e franziu o cenho.
- A graça em relação a morte do homem não existe, o que achei interessante foi a hipótese que sua equipe tão bem treinada de pesquisadores levantou do ato da dissecação quanto a todos ossos do infeliz ter sido feita em questão de minutos.
- Pois acredite, foi isto que aconteceu, tenho exatamente a hora em que tudo começou e a de quando tudo terminou, a única dúvida nossa é quanto a tudo ter sido feito em questão de menos tempo que o que cogitamos, porque na hora em que entrou no salão de festas eles estavam saindo, e o que eu conto como sendo treze minutos de prática pode ser menos, porque estes treze minutos se encerram a partir do momento em que entrou lá, eles podem provavelmente terem feito tudo em um tempo mínimo e depois ficarem batendo um papinho do lado do ex Benny – concluiu com a maior normalidade do mundo e depois pegou uma pasta logo em sua frente e a abriu, enquanto colocava seus óculos de grau que até então mal sabia que ele usava – Mas quanto a rapidez dos ossos retirados eu também estranhei. Doutor Abberline, meu legista, me informou que realmente ocorreu a remoção de todos ossos com exceção da pélvis e do crânio, na região palmo plantar direita já deixou escapar os ossos trapezóide e pisiforme, e no esquerdo, os ossos lateral e intermediários também foram deixados – retirou os óculos de grau que lhe davam certo charme e parou de olhar o papel.
- Quando você diz que ele deixou para trás os ossos que correspondem aos pés e as mãos, quer dizer que estão intocados? – indagou serio, colocando a caixa térmica no chão.
- Não, como tudo ocorreu rápido demais, que suponho que tenha sido o motivo da mutilação ter sido tão violenta, a maioria dos ossos e tecidos acabaram danosos... Pelo excesso de força investida sobre o corpo, com exceção do crânio e pélvis que se encontram intocados e em perfeitas condições, os pequenos ossos das mãos e dos pés provavelmente foram perdidos diante o procedimento. Minha equipe examinou detalhadamente... – voltou a vasculhar a pasta e retirou de lá dois saquinhos plásticos, os jogando para – Estes são os dois ossos, perceba como estão danosos em relação a sua real estrutura, marcados com espécies de pinças, provavelmente nas diversas tentativas de pegá-lo quando estava dentro do corpo.
- Você sabe qual a potencia de uma faca para que a mesma seja capaz de perfurar desta maneira um osso, por mais pequeno que seja? – indagou assustado enquanto segurava os dois saquinhos contra a luz, ainda examinando os dois ossos. Encolhi-me incomodada com aquela situação, para variar.
- Sim, pesquisamos a fundo isto também e decididamente o instrumento usado para abrir o corpo de Ryan foi um Bisturi e para remoção de alguns ossos, provavelmente os mais delicados, porque não descartamos a possibilidade do autor atuar manualmente também, ele usou um Alicate Palmer que pode danar o osso dependendo da força do atuante. Por isso achamos que ele estava nervoso, porque utilizou uma força muito além do necessário para operar Ryan.
- Estes instrumentos são de ordens cirúrgicas, provavelmente foram roubados de algum hospital pela redondeza – se intrometeu na conversa e concordou gesticulando o cenho
– O excesso de força usado, por mais indesejável e desnecessário que fosse, como você mesmo disse, indica o nervosismo, mas isto ocorreu provavelmente porque foi apenas o primeiro assassinato da série e possivelmente o primeiro assassinato do atuante também. Ou você irá me chamar de vidente ao chegar a conclusão de que no segundo assassinato não ocorreu nada que indicasse o nervosismo?
- Certo. Mas receio que não seja ao primeiro assassinato do atuante, é perfeito demais – se intrometeu novamente.
- Provavelmente ele se sentiu mais a vontade ao perceber a ineficiência da policia ao ver que não deixou ou de que não foi pego nenhum rastro do mesmo.
- Ele não deixou rastro, não é algo que seja nossa culpa, travou o maxilar e revirou os olhos - Outra coisa que queria ver se você concorda comigo, ... Ontem recebi os papeis relacionados a autopsia de Benny Ryan, lá constatou que havia um pouco de uréia em forma liquida no estômago dele e de dicloroacetato de sódio também, o mesmo também foi encontrado em suas articulações em forma mais líquida que o recomendado e distribuída também pelos tecidos conjuntivos que envolviam os ossos, levando a hipótese do dicloroacetato ter sido esguichado sobre o corpo. Agora me diz se está certo o que eu estou pensando – concluiu dando a entender que queria que chegasse a mesma conclusão que ele, o seu primo apenas ficou imóvel enquanto pensava, eu e Mort apenas revezávamos nossos olhares entres e durante toda a conversa sem nos intrometermos mais.
- É fantástico! – concluiu um pouco animado demais diante a situação – Tudo é de novo só mais uma questão de lógica, os ossos são ligados por tecidos conjuntivos que ao mesmo tempo dão sustância para o corpo, este tecido é formado por diversos tipos de proteínas; as proteínas são extremamente frágeis a presença de uréia, fazendo com que as mesmas se enfraqueçam, e juntamente com o dicloroacetato de sódio, se desfaçam facilmente. O dicloroacetato eleva o PH ao extremo, fazendo com que as proteínas não sobrevivam, devido a sua baixa tolerância a PH alto e a alta temperatura – ele respirou fundo e eu cerrei os olhos – É claro que anos atrás ocorreram vários mitos de que dicloroacetato de sódio prevenia o individuo do câncer levando vários desprovidos acéfalicamente falando a tomarem esta substância extremamente tóxica, mas já desmentiram este boato, em suma com a presença da uréia e dicloroacetato adicional em Benny Ryan, tudo indica que o assassino fez o tal a ingerir estas duas substâncias.
- Era exatamente isto que eu estava pensando - sorriu orgulhoso – Só tem um porem, é muito pouco tempo para tanto acontecimento no organismo, não acha?
- Isto é evidente, para este plano dar certo, o individuo precisava estar ingerindo as duas substâncias pelo menos durante uma semana antes do assassinato em consideráveis vezes ao dia, para ir enfraquecendo aos poucos a vítima e para que no dia do assassinato só algumas doses mais elevadas que as anteriores fossem capazes de derrubá-lo no chão.
- Mas a causa da morte foi esfaqueamento, não isto, isto devia ser só mais um plano para executar o que estava querendo mais tarde, que agora sabemos que era retirar os ossos. Conhece algum ritual do tipo? – perguntou interessado.
- Esfaqueamento? Posso saber onde? Existem religiões que esfaqueamentos em determinados locais condizem com alguma pena ou forma de ridicularizar o indivíduo, como no nariz e nas orelhas, que antigamente dedava o portador da cicatriz por adultério ou furto na antiga Mesopotâmia – abriu sua mala de ombro e respondeu a pergunta de em seguida - Não, não conheço, existem tantos rituais... Tanto antigos quanto novos, que somos capazes de reconhecê-lo só se forem relacionados a nossa área de estudo.
- Benny Ryan sofreu um golpeamento por trás, a sua nuca foi cortada, o corte rompeu o ligamento de sua coluna cervical; e se quer minha opinião, isto foi estratégico para mais tarde poder retirá-las – concluiu seu pensamento.
- Isto acaba jogando mais evidencias para cima de Mike, já que era ele quem estava oferecendo a moradia temporária para Benny Ryan, não? – disse com a testa franzida o seu pensamento tardio, já que o assunto agora era outro – Ele podia colocar estas substancias nos alimentos dele, algo assim já que o organismo não digere isto, na verdade precisamos coletar toda a amostra de ambas substancias que se encontram no estomago de Benny para ter uma noção básica de quanto tempo ele estava ingerindo estas doses.
- Sim, a amostra já está com Abberline, agora só falta enviá-las ao Departamento de Pesquisas para que constatem serem mesmo estas duas substâncias, porque quem me informou sobre isto tudo foi Abberline, e ele não é um grande especialista em química já que sua área de conhecimento é outra, preciso ter a certeza convicta de que são realmente estas duas substancias, porque se forem, já vamos ter dado um grande passo aqui.
- Quem é Mike? Suponho que o diminutivo de Michael que possivelmente, diante de nossa cultura em herdar nomes masculinos para perseverar a autoridade seja do pai do mesmo, mas mesmo assim, não conheço – indagou incomodado, provavelmente porque não estava realmente por dentro de tudo que estava acontecendo.
- É a nossa suspeita número um, ele esta preso, mas falando resumidamente, ele era amigo de Benny Ryan, era quem fornecia a ele moradia e com quem passava a maior parte do tempo, até ai apenas suspeitávamos e o observávamos de longe, mas a partir do dia do assassinato de Jeanette, no qual ele estava com sangue dos pés a cabeça eu o enviei um mandato de prisão e esta até hoje mofando naquela cela – disse com raiva e repugnância indicando com o polegar o prédio presidiário intermediário, do lado de fora, ao lado da delegacia que podia ser avistado facilmente pela janela ao nosso lado.
- Já fizeram o exame de DNA? Não sei se sabem mas seriais killers são espertos demais, e se realmente for o assassino, eu pretendo nunca mais servir aos seus pedidos, por ter me feito vir até aqui quando já se tem o assassino preso – disse com uma mistura de inconformação e nervosismo na voz.
- A certeza não é cem por cento, , apenas o mantemos na lista de suspeitos em primeiro lugar, como em qualquer assassinato, sempre existe um suspeito número um que nem sempre é o culpado, te quero aqui para observar meus passos, e como possui grande conhecimento na área de coisas inúteis e simbólicas, agradeceria se me ajudasse, porque se não foi Mike o assassino, mais quebra cabeças da sua área de especialidade estão por vir.
- Eu vou ignorar o ‘coisas inúteis’ já que maior parte da população não existiria se não fosse por conta da sabedoria de seus ancestrais. Mas quero só sobressaltar que minha área de especialização não é esta de símbolos em geral, eu só possuo grande conhecimento em relação a relatos bíblicos e judaico-critãos, em geral, na história da religião, se esse termo lhe convém, mas até agora nada disso foi me apresentado. Se você quer alguém bom na área de símbolos deveria chamar um simbologista, não um antropólogo.
- , só responde e não reclama, faz esse favor uma vez na vida – disse cansado ao primo que só reclamava.
– E quanto as palavras que você mencionou no telefone? Ao meu ver é onde esta a chave de tudo e ficaria satisfeito ao desvendá-las logo para dar adeus a essa nação tão má estruturada.
- Com licença – A porta do escritório de se abriu, e um homem com más condições físicas que portava um belo bigode de português na face, junto a olhos extremamente caramelados se colocou para dentro da sala. O homem até agora sem nome trazia consigo uma bengala e um chapéu preto, suas vestimentas eram compatíveis com a da maioria dos cidadões de Beaumont. Cowboys malditos.
- Senhor Senador – e se levantaram e foram em direção do mesmo para cumprimentá-los, eu e nos entreolhamos confusos.
- Desculpem- me por aparecer sem avisar, mas preciso falar com você em particular, xerife.
- Tudo bem Cornyn, vamos para a sala do , então – acenou para como se estivesse pedindo uma permissão para o mesmo em silencio, ele acentiu e saiu da sala com o senador ao seu lado, com uma expressão mais aflita do que a sua em normal – , não saia daqui.
- O que aconteceu? – Indaguei confusa, enquanto roia as unhas.
- Cornyn não gostou da idéia de mais alguém fazer parte das investigações – lançou a um olhar de denuncia – Quero dizer, a mentalidade do assassino tá levando nossas pesquisas a graus muito avançados, obrigando-nos a cada vez incluir mais pessoas na investigação, mas o que a gente pode fazer? Precisamos de especialistas de todas áreas envolvidas; caso a gente queira descobrir quem esta por trás disso tudo, claro.
- Então é por isso que ele não me perguntou em relação as palavras mais cedo? Conheço muito bem meu primo primogênito, se não estivesse sobre nenhuma rédea ele teria me indagado em relação as frases logo no aeroporto, mas preferi me manter calado devido a preguiça em trabalhar depois de horas em vigília naquele avião – concluiu, colocando sobre a escrivanhia de os ossos que o mesmo havia dado ao primo para analisar.
- Se quer saber os caras aqui são uns canalhas, estão apressando a gente todo dia, cada vez mais para fecharmos o caso, mas não podemos simplesmente tirar tudo de nosso cérebro, precisamos de ajuda, nunca saberemos por conta própria o que aquelas palavras podem significar se não tivermos especialidade na área – agora parecia mais revoltado que antes, mexia no cabelo a cada segundo, dedando mais ainda seu nervosismo já evidente.
- Foi este cara que quis me comprometer nessa droga de caso não foi? – Me meti na conversa novamente, me lançou um olhar consolador e ao menos se mexeu.
- Foi ele, o senador, eu estava com no dia em que ele bateu aqui enchendo o nosso saco para fazermos você assinar um contrato de fidelidade com o estado, eu e discordamos, assinar papeis de políticos por aqui é se comprometer demais, nada se sabe, então preferimos colocá-la trabalhando aqui para que você se comprometesse tanto quanto a gente, não era preciso levar o caso aos extremos, imagina... – Assenti ainda me perdendo em meus pensamentos – Quer tomar alguma coisa comigo? – Me deparei com Mort sussurrando para mim. Aceitei a proposta de Mort e ele foi em direção a porta – , espere por que pelo visto ele continua querendo discutir umas coisas com você – assentiu.
- Desculpe , mas falou que você tinha que esperá-lo aqui – Fingi um bico entristecido e olhei para Mort que estava com as mãos na maçaneta, quando a virou, uma prateleira imensa de documentos caiu sobre ele devido ao esbarrão não proposital que dara no mesmo quando fora abrir a porta, levei as mãos a boca e olhei para ele agachado no chão, com papeis até na cabeça – Você esta bem? – Levei minhas mãos ao ombro dele e ele me olhou com um bico entristecido enquanto massageava a cabeça, porque a quina do móvel fora direta em sua direção.
- Machucou – Ele disse triste e logo depois Rose apareceu ao nosso lado, assustada.
- Tudo bem?
- Sim Rose, só um esbarrão – Ele disse com um sorriso cordial, já se levantando do chão e recolhendo uns papeis que estavam espalhados e os depositando sobre a mesa grande de .
- Pode deixar que eu arrumo isto – Ela disse triste desta vez.
- Ok, obrigada, vai ficar aqui porque ainda tem um assunto a discutir com que já já deve retornar para cá.
- Tudo bem...

- Desagradável, não? – sorriu enquanto caminhava comigo pelo corredor dizendo a mesma palavra que passara em minha cabeça, antes de seu incidente com os documentos. Talvez fosse o dia desagradável então, já que para todos, tudo estava desagradável.
- Você não deveria achar isto, você trabalha para a policia – Franzi o cenho e sorri ao mesmo tempo.
- Meu trabalho para policia é outro, analisar a mente dos caras, ajudar a entender o próximo passo e essas coisas, não ficar analisando defunto – Ele abriu a porta de saída da delegacia para mim e eu balancei a cabeça negativamente sorrindo – E você, você trabalha para nós também, não deveria ficar assim – Ele retribuiu minha fala irônico.
- Ah mas ai é diferente, eu não pedi por isso – Me encolhi novamente no imenso casaco de e desci os degraus.
- Olha quem está por aqui, ! – O’Connell apareceu em nossa frente enquanto ajeitava seu cinto de couro que estava dando sustância a calça mostarda, acompanhada pela blusa xadrez e chapéu, um típico cowboy do Texas. Sorri para ele e o abracei.
- Como está? – Perguntei entusiasmada, diferente de minutos atrás, talvez porque agora eu havia voltado para o mundo real e não estava discutindo as condições de um cadáver mutilado.
- Estou ótimo e você? – Ele respondeu, agora cumprimentando o amigo.
- Estou bem também.
- Estava pensando em ir ao Paintball hoje treinar um pouco, o que acha ? – O’Connell se encostou em seu carro e colocou as mãos no cinto pardo de couro, sorrindo para nós.
- Boa idéia, estava precisando mesmo relaxar. O que acha, ? – me olhou com um sorriso zombeteiro e eu forcei os olhos para entender aquilo, Qual é, eles eram policiais e sabiam atirar porque iam no Paintball treinar? – Podemos convidar o também, ele vai adorar. E depois saímos para comer, como havia prometido.
- Vocês estão falando sério? – Indaguei me divertindo para os dois que estavam com os olhos brilhando feito o de uma criancinha quando vê um doce a venda.
- É claro, tem algo mais próximo que a realidade do que um Paintball? Eu quando estava estagiando como policial aqui, tive que freqüentar pelo menos três vezes por semana para treinar as habilidades de tiro, é isso que se faz quando se mora em um lugar com tecnologia baixa, as universidades daqui não dão aos alunos aulas de tiro, é algo que se aprende por conta própria pela falta de instrumentos nos cursos – O’Connell como sempre falando além da conta.
- Bom dia senhores – Nem havia percebido que o senador havia saído da delegacia, agora ele estava passando por nos e acenando amigavelmente, porém sua cara esboçava poucos amigos – Senhorita – Ele acenou por fim, para mim também que correspondi com um sorriso falso e depois lançou um último olhar cúmplice para que ergueu as sobrancelhas.
- Bom dia, senador – e O’Connell responderam educadamente para o mesmo que já estava distante e dando entrada em um carro bem luxuoso e grande, o qual não sei o nome, porque como já disse, meus conhecimentos relacionados a automóveis são compatíveis com o amor platônico que sentia por mim.
- Parece que a conversa particular já acabou – concluiu sério, mas sem deixar de brincar com a cara de – Vamos esperar eles então, aposto que vai adorar uma partida!
E depois de alguns minutos comigo apenas ouvindo as conversas descontraídas de e O’Connell, a porta da delegacia se abriu, dando entrada de e ao ambiente, os dois conversavam seriamente mas a mesma seriedade foi deixada para trás quando os dois chegaram ao nosso lado.
- Adivinha – disse com indícios de mau humor na voz para os dois amigos policiais.
- O que dessa vez? – O’Connell indagou antes mesmo que , estressado e endireitando sua postura antes desleixada.
- John Cornyn não permetiu ainda a inclusão do nas investigações, ele simplesmente quer que eu a interdite.
- Como assim interdite? – O’Connell exclamou horrorizado – Ele quer que a gente pare de investigar e simplesmente deixe o maluco ai solto matando todo mundo?
- Por enquanto, sim, ele disse para eu aguardar mais autorizações amanhã, disse que hoje é complicado demais para ele e não vai poder se aprofundar nos assuntos da policia, disse que vai ver se vai achar tempo para cuidar disso amanhã – disse mal humorado enquanto levava seus polegares as têmporas.
- Isso é um absurdo, ele está ocupado demais para cuidar da segurança da população então? – pela primeira vez havia se intrometido na conversa, sua voz portava o mesmo tom de horror e revolta que a dos seus outros dois amigos – Isso quer dizer então que não podemos pedir ajuda de ? Nada de descobrir o que são as palavras?
- Nada – respondeu – Sinceramente, estou pensando em investigar por de baixo dos planos, levar vocês e Abberline para minha casa e investigarmos a fundo e em sigilo.
- Não vou conceder a vocês nenhum de meus conhecimentos acadêmicos se for um ato fora da lei, preciso manter minha ficha limpa já que o regulamento de contrato da NASA exija que passemos limpo pela policia. Então esta fora de cogitação este plano – disse indiferente e fez seu primo revirar os olhos. Eu como sempre, só assistia.
- Qual é, , você viajou até aqui e sabe que terá recompensa, o que custa nos dizer o que significa algumas palavrinhas antigas? – choramingou e todos dirigiram a um olhar de pena, tive que esconder meu riso, já que me divertir numa situação como essa parecia ser algo doentio.
- Pode custar o melhor trabalho que alguém já foi capaz de ter, saiba que a NASA lhe da direitos muito benfeitores, como uma aposentadoria que quando eu já estiver invalido será muito considerável, e claro, tirando o fato da mesma me abrir diversas portas que aproximam minha chegada ao Prêmio Nobel de Fisiologia – Dessa vez me olhou com os olhos levemente assustados, eu o lancei um olhar de cúmplice e ambos riram.
- Tudo bem, se você prometer calar a boca eu juro parar de perguntar, mas não quero saber de você ir embora do Texas, ouviu bem? – ainda sério, repreendeu o primo – Vai ficar aqui até que a sua inclusão na investigação seja concedida e depois de nos explicar diversas coisas.
- Você mantém sua palavra quanto a recompensa? – O primo indagou desconfiado.
- Sim – levou a mão ao bolso, tirando do mesmo um maço de cigarro e se servindo de um, ofereceu a todos e depois voltou a guardá-lo no bolso – Bom, nada de trabalho por hoje então.
- E quanto a segurança do resto da sociedade? – indagou horrorizado.
- Esse é o bom de ser superior no trabalho priminho – disse seguindo em direção ao seu carro, logo ao lado do de O’Connell, enquanto tragava seu cigarro – Quando não se tem coisas realmente interessantes acontecendo, deixamos o trabalho para os menos privilegiados.
- Isso é um absurdo, é trabalho escravo! – exclamou horrorizado enquanto seguia , em direção ao carro.
- Isso é a hierarquia – sorriu travesso.
- , o que acha de uma partida de Paintball? – perguntou descontraído, se aproximando do carro.
- Eu sou a favor – sorriu divertido, tragando mais uma longa vez seu cigarro – Vamos sim, depois comemos no restaurante que tem lá do lado, vamos sim. Meu carro?
- O carro da policia? Se esqueceu que o seu carro por enquanto não é mais seu carro? – tirou sarro do amigo, se dirigindo junto a O’Connell a viatura de , segui os dois, sem participar da conversa.
- , você pode me deixar em casa? – Perguntei seria para ele que estava rindo de alguma coisa que os amigos que também riam, haviam dito.
- Não, você vai jogar paintball – Ele disse sínico com o mesmo sorriso insuportável no rosto enquanto entrava no carro, seguido de seus amigos.
- Nem pensar – Eu descordei, entrando no carro e ficando na janela, ao lado de - Se você não vai trabalhar, eu também não vou, me deixe em casa que eu estou morta de sono.
- Esqueceu da hierarquia, ? Você esta lá em baixo enquanto eu estou lá no topo – Ele dizia em som de deboche enquanto dava partida no carro indiferente.
- Você é incrível, , francamente? Você não desgrudou de mim desde ontem, nem dormir em casa eu pude, pelo amor de deus deixa de ser ridículo e possessivo e me deixa em casa seu demente, isto tudo é amor? – Disse em uma voz mais alta e revoltada a ele que começou a rir da minha cara enquanto mantinha os olhos na estrada.
- Outch! – O’Connell exclamou se divertindo.
- Quando a coloca as garrinhas de fora se torna tão mais fácil de se aturar – Ele disse irônico – Mas para a sua desgraça não cheguei a sentimentos tão profundos ainda, e nem pretendo quando é você que esta em questão.
- Eu te odeio – Disse mais para mim mesma, revirando os olhos, mas deveria ter ficado quieta, pois sua audição apurada o permitiu que ouvisse meu resmungo.
- ... Buda disse uma vez que jamais, em todo o mundo, o ódio acabou com o ódio; o mesmo apenas começa algo que sempre termina em amor, então é melhor repensar suas palavras para depois não dizer que eu não avisei – Ele disse com deboche, o cinismo pingava de sua voz.
- Relaxa, , vai ser divertido – que estava ao meu lado me mandou uma piscadela e deu um sorriso confortável que o Maximo que eu pude fazer foi corresponder o mesmo de forma falsa já que não estava me sentindo nem na obrigação de demonstrar algum tipo de excitação com aquela situação tão desconfortante. Agora só porque eu trabalhava para deveria ficar obedecendo todos seus desejos por mais idiotas e sem sentido que fossem os mesmos? A resposta é simples, curta e grossa. Não.
- Sabia que a hierarquia nasceu no Antigo Egito? – E por mais intolerável que fosse, a besta parecia ter acabado de voltar com seus discursos insuportáveis – Eles passaram a ter que formar uma sociedade que se ajudasse, devido as enchentes que ocorriam uma vez por ano no Rio Nilo, precisaram formular reservas de alimentos e moradias seguras para a vivencia, ai surgiu a imagem do homem que sempre possuía e comandava mais, dando inicio ao futuro faraó que futuramente iria originar os sacerdotes, e assim se formou a primeira pirâmide social denominada hierarquia.
- E quem liga? – perguntou desinteressado enquanto estacionava o carro, o lugar parecia então ser perto da delegacia, já que mal havíamos andado de carro durante dez minutos.
- Os que possuem cérebro provavelmente se interessariam, pois foram os antigos egípcios que deram origem a um modelo vivo até hoje, cá entre nós os antigos egípcios eram fabulosos, muito inteligentes, desenvolvidos em todas as áreas incluindo astronomia, tem idéia do quanto isto é avançado para algo que teve início quatro mil anos antes de cristo?
- Eles eram muito bons mesmo – O’Connell se meteu na conversa, forçando um assunto enquanto fazia uma cara engraçada para mim que me levou a risada.
- E é obvio que ninguém neste automóvel sabe alguma coisa deles, porque isto iria exigir um pouco do QI de vocês – disse revoltado enquanto tirava o cinto e colocava sua mala de ombro.
- Pois é, queremos antes aproveitar a vida – disse presunçoso, saindo do carro.
- Onde estamos? – perguntou com uma cara de nojo enquanto analisava o local. Era uma casinha com toques externos que me lembravam a campo e fazenda, mas quando eu entrasse ali provavelmente mudaria de idéia ao ver diversas armas e munições de tintas, com coletes e capacetes horrendos.
- No Paintball – disse encantado, enquanto fechava a porta do carro, logo depois de minha saída.
- E o que pessoas a cima de quinze anos vem fazer em um local que desperdiça tanto o tempo de vida como esse? – perguntou num tom acadêmico, enquanto olhava para nós assustado.
- Para se divertir e atirar na sua cabeça – sorriu consigo e partiu em direção a entrada da casinha, seguimos ele e veio atrás de nos, enquanto olhava atenciosamente por onde pisava. Porque o chão era de grama e não possuía trilha. Parei de observar ele se não meu cérebro torceria na tentativa de entender o exceso de chatisse e modo com qual ele era certinho – Vamos nos dividir em equipes, como vai ser?
- Eu vou ficar aqui lendo os livros que trouxe.
- Nem pensar, , é divertido eu prometo – disse gentil ao seu primo, pela primeira vez naquele dia, já que todas vezes que ambos dialogavam estavam sobre estresse ou discutindo assassinatos sinistros os quais eu não devia me lembrar agora se queria ter um dia normal – Somos em cinco, quem for com a fica com o , junta os dois e eles valem por uma pessoa que não sabe jogar, mas pelo menos chegam a serem chamados como pessoa – disse que nem criança enquanto pegava os coletes pendurados na parede, eu revirei os olhos enquanto me perguntava quando que chegaria em casa e dormiria tranquilamente em minha cama. Vicio cruel. Mas nunca saciado.
- Eu posso ficar com a , se quiser – apareceu do meu lado, sorrindo gentil e eu retribui, pareceu enfurecido e se não fosse a atendente da loja que começou a falar conosco, ele provavelmente diria algo estúpido. Uma coisa típica quando se diz respeito a ele.
- Lamento, mas já tem uma equipe de cinco formada e eles estão a espera dos adversários, se importam em ficarem juntos? – a encarou como se fosse um bicho do mato, eu continuei o observando e acabei notando demais o nojo com o qual ele olhava as coisas divertidas, me fazendo dar risada.
- Tudo bem – O’Connell concordou feliz, já vestido com seu colete, eu e éramos os únicos que estávamos sem as vestes apropriadas – Aqui, – Ele me ergueu um colete preto e pesado, junto a um capacete igualmente preto e horroroso.
- Obrigada – Resmunguei – Em parte... – Dei minha bolsa a segurar e coloquei aquela veste pesada e apertada, me devolveu a bolsa e abotoou a parte de trás do meu colete, me ajudando – Obrigada!
- Sua vez, jogou para o colete e o mesmo quase caiu no chão para conseguir segurá-lo – Encolhe a barriga ai que a numeração mínima do colete masculino fica largo em você, então vai ter que usar um feminino grande – Ele tirou sarro do primo que revirou os olhos.
Depois de alguns minutos e reclamações vindas de mim e de , estávamos na quadra de paintball, ela estava intacta desde a última vez que havia vindo aqui com e , era do tamanho de uma quadra de futebol, porém repleta por almofadas que serviam como escudos e labirintos para nos ajudar.
- É simples, acho que todos aqui já jogaram paintball – A moça que viera falar conosco quando havíamos chegado apareceu na quadra com um microfone, falando desinteressada – Quem chegar até o botão vermelho do inimigo que se encontra em sua devida área de segurança ganha. Esperem o soar do sino que o jogo irá começar.
- Tudo bem, já que você me obrigaram a jogar este esporte desprovido de recompensas eu não quero saber em perder e ao menos cogitar esta hipótese, ouviram? – começou a andar em torno de nós com uma cara brava e colocando munição em sua arma, a esse ponto, todos nós já tínhamos que segurar a risada – Os gregos na Guerra de Troia foram muito espertos, se usarmos a mesma técnica que eles podemos sair ganhando desta batalhas, eles implantavam uma técnica de guerra que os mais fracos...
- Eu prefiro os espartanos, quem esta comigo? – sorriu maldoso e foi em direção ao ponto de inicio do jogo.
- Eu! – berrou e riu – This is Sparta! – Ele berrou, novamente enquanto fazia uma pose de macho e cara brava, dizendo a frase mais famosa de um filme épico famoso, 300. Preciso dizer que cai na gargalhada novamente? Pois é, e o mesmo foi feito por e O’Connell.
- Os espartanos? Porque matavam e pensavam só depois, típico seu , essa sua personalidade mandona e agressiva deveria entrar em contato com um psicólogo, porque...
BAM! – O alarme soou.
- Corre, corre – O’Connell berrou, indo em direção as almofadas que serviriam de esconderijo, logo a nossa frente, já havia partido e estava mais a frente, partiu para a esquerda enquanto O’Connell estava na direita, eu e estávamos parados ainda no ponto de início pensando no que íamos fazer, pude notar por minha visão periférica que o mesmo estava tremendo e se escondendo logo atrás de mim e não pude deixar de gargalhar alto, nisso veio vários bombardeios de tinta em minha direção, me fazendo abaixar e ficar totalmente exposto.
Ele berrou. E foi em direção a O’Connell, pude ouvir a gargalhada de vir de longe, provavelmente por causa da atitude ridícula de seu primo. e O’Connell já não eram mais visíveis para mim e nem que disparou em direção a eles feito uma gazela, então eu estava sozinha, andei um pouco mais para frente, em direção a uma das almofadas, a mesma dava passagem para um túnel com diversos furos e eu não hesitei em segui-lo com um certo e relevante frio na barriga. O túnel obtinha diversos buracos ao longo de sua extensão, permitindo-me a observar o que estava ocorrendo, levei meus olhos protegidos pelo vidro do capacete a um deles e me deparei com tentando atirar, habilmente, em um dos concorrentes, acertando em cheio depois de três tentativas.
- Elemento número 3, equipe 1, eliminado – O colete, que acabei de descobrir que tinha voz própria, disse em uma voz robótica. Porém, logo depois de atirar no concorrente, um adversário que estava escondido em uma espécie de cone almofadado logo atrás dele acertara em cheio suas costas – Elemento número 5, equipe 2, eliminado – Revirei os olhos e depois de várias manobras de esticamento no tecido do túnel, fiz caber a ponta de minha arma no mesmo, atirei cegamente para fora do túnel, em busca de acertar o homem que eliminara , depois de diversos tiros e nenhum barulho robótico vindo do colete, coloquei meus olhos no buraco que antes dava espaço para meus tiros, novamente, porém o ambiente estava vazio. Ouvi barulhos de cascalhos sendo esmigalhados logo atrás de mim e me virei rapidamente, me deparando com o oponente que tirara do jogo, porém, O’Connell, apareceu magicamente na outra extremidade do túnel, acertando o homem que por pouco não me tirara do jogo – Elemento número 1, equipe 1, eliminado – Fiz um símbolo de joinha para ele que acenou sorrindo e sai do túnel, após me certificar que não haveria ninguém naquele amontoado de almofada, pelo menos não próximo.
- ! – Ouvi a voz de me chamar e fui em direção a mesma que estava localizada atrás de algumas almofadas, junto com e seguidamente, por O’Connell – Vamos ficar juntos, eu e O’Connell vamos na frente, você atrás e o nos da cobertura.
- Ele sabe usar a arma? – O’Connell perguntou educadamente.
- É obvio que sei, como que alguém que sabe mexer em um microscópio eletrônico não saberia mexer nesse aglomerado de tecnologia barata? É totalmente compreensivo que este orifício aqui, carrega as... – A arma disparou, acertando em cheio o ombro de que fez a cara de bunda mais engraçada que eu já havia presenciado – balas... – fez uma cara de interrogação e passou a analisar a arma.
- Elemento número 1, equipe 2, eliminado - O colete disse.
- Tá brincando comigo – revirou os olhos e foi em direção a saída da quadra – Boa sorte ai com o nerd – Ele acenou para nós e fez uma cara ofendida, nessa hora eu e O’Connell tínhamos que nos segurar muito para não darmos um ataque de riso ali para que não fossemos pegos e muito menos acabássemos chateando o nerdzinho.
- Nova tática, vamos nos espalhar e seja o que deus quiser – O’Connell disse já partindo em outra direção.
Concordei com ele e parti em direção contraria da dele, chegando a uma parte da quadra que haviam almofadas que poderiam me esconder até a cintura, me aproximei do local e de repente, alguém que havia se escondido do lado oposto se levantou, dando a visão de sua cintura para cima, era um homem grande e ele disparou em minha direção, eu em uma eficiência inimaginável de meus reflexos me abaixei rapidamente e em questão de segundos notei que a bala fora parar no capacete de que estava se escondendo atrás de mim.
- Elemento número 4, equipe 2, eliminado – Ele me olhou com cara de maus amigos e foi em direção a saída da quadra, permaneci ali rindo e se não fosse por meu consciente me alertando que havia um oponente naquele mesmo local eu permaneceria ali e acabaria sendo eliminada, percorri toda a extensão de uma almofada triangular que havia em minha frente, observando o ambiente calmo e quando virei na direção contraria o oponente havia disparado novamente em minha direção e estava logo a minha frente, desviei habilmente e disparei em sua direção acertando em cheio seu abdômen – Elemento número 2, equipe 1, eliminado – Comemorei minha bela pontaria e sai daquele local, alertei-me ao ouvir mais um bom anuncio vindo de um colete que deveria estar próximo – Elemento número 5, equipe 1, eliminado – O’Connell devia tê-lo acertado, graças a deus, não queria ficar sozinha naquele jogo, sozinha com mais meninos, eu era a única menina que estava jogando pelo visto, imagina que cabuloso... – Elemento número 2, equipe 2, eliminado – Ser a única menina. Ótimo, agora eu estava sozinha jogando.
- Garotinha – A voz de um homem percorreu minha audição, ela estava próxima – Eu sei que você é uma mulher... – Ele soltou sua voz num tom de escarneo, fazendo minha irritação tão presente aflorar na pele. Apertei a arma contra meus dedos, a preparando para um tiro, já que o tom da voz estava cada vez mais próximo e me posicionei – Vem para o papai – A voz agora pude notar que estava logo atrás de mim, me abaixei rapidamente ao ouvir os três tiros serem disparados e me escondi atrás de uma das almofadas – Não adianta se esconder... – A voz estava por trás da almofada que eu estava usando para me esconder, fui até sua extremidade, me deparando com as costas do oponente, atirei, em cheio em seu traseiro, fazendo o homem dar um pulo de susto e resmungar derrotado, atirando o capacete no chão.
- Elemento número 5, equipe 1, eliminado. Equipe 2 vencedora.
- Ae! – apareceu ao meu lado e me agarrou, me tirando do chão logo quando as luzes se acenderam, sorri me divertindo com sua atitude confortante e o abracei também, aproveitando aquele abraço de urso confortável ao máximo – Parabéns, ! – Ele deu um beijo estalado no meu pescoço, o qual eu estranhei tal intimidade e me colocou no chão depois.
- Parabéns, agiu como um espartano mesmo, não defendeu ninguém de sua equipe, apenas atirou sem pensar, meus parabéns – me olhava com cara de poucos amigos, ainda sem esquecer o jeito no qual ele fora pego de surpresa, eu sorri para ele, devido ao bom humor que ganhar o jogo me causara, sem ligar para as asneiras que ele disparava a todo momento.
- Nada mal para uma caloura na policia – O’Connell disse sorrindo e me dando um beijo na bochecha, porém com mais frieza do que , que eu ainda estava raciocinando o porque de tanta intimidade.
- Ah, que isso – Sorri para ele, retribuindo o beijo e me deparei com me encarando bravo, com o maxilar travado – Eu sei, , me saí muito bem, obrigada você também – Sorri sínica para ele, recebendo algumas gargalhadas vindas dos dois amigos policiais e segui junto a eles para fora da quadra.

- Você disse que queria ficar em casa? – indagou sério, dando marcha ré no carro para dar saída a aquele local, eu ainda de bom humor mal dei importância ao que ele dizia, apenas permaneci conversando com que não parava de me elogiar devido minha perfomace – Nicholson – Ele dessa vez disse mais alto, em um tom mais ruidoso.
- Oi? – Sorri para ele que pareceu se aborrecer mais ainda ao ver meu bom humor.
- Você quer ficar em casa não quer? Vou te deixar lá hoje, você precisa descansar, amanhã provavelmente iremos ter um longo dia de trabalho e como você não dormiu nada esta noite é melhor tirar o dia para isso.
- Tá, tudo bem – Descarreguei o animo de minha voz já que estava começando a me entusiasmar com a idéia de passar o resto do dia me divertindo com eles. O “eles” a qual em refiro resumi-se em e O’Connell, porque de e eu queria mais é distancia. Mas tudo bem, o mal humor de não me deixaria ficar estressada, já era um milagre eu conseguir rir durante o dia, aquele insignificante não tiraria isto de mim.
Depois de mais alguns minutos animados de conversa, parou diante meu condomínio.
- Bom, tchau então, foi muito legal lá no paintball, obrigada – Disse educada, dando um beijo estalado em e O’Connell. Sai do carro e apenas acenei para e que continuavam com a cara feia.

- Mulher, tá viva, benza deus! – berrou ao abrir a porta de seu apartamento e me ver, fez uma tentativa de dancinha cômica a qual me fez dar uma gargalhada alta.
- Acha que vai se livrar de mim tão fácil assim, ? – Indaguei forjando certo aborrecimento na voz e a abracei forte, aproveitando cada minuto de meu espontâneo e repentino bom humor, e estranho em parte, confesso.
- Onde passou a noite, posso saber?
- Com , eu estou trabalhando para ele agora – Franzi a testa ao ver o quão estranho aquela frase era e entrei em sua casa, pulando no sofá confortável que eu tanto adorava, que ela tinha.
- O que? Como? Quando? Onde? Explica! , seu passado te condena, que tipo de serviço você esta prestando para ele?– Ela exclamou indignada e se sentou do meu lado com a expressão surpresa.
- Ai Júlia, você e suas hipóteses impossíveis. É, ele me contratou, como eu presenciei aquelas duas drogas de assassinatos, tenho que me comprometer com o governo em não abrir a boca e a forma mais fácil e menos malfeitora para isso seria eu me tornar uma assistente de . Vou ter que trabalhar para ele, e como essa profissão já exige sigilo máximo assim como a deles, não vou precisar assinar nenhum acordo de fidelidade que o Senador impôs que eu assinasse – Fiz uma careta, resumindo a história de minha madrugada em questão de segundos – E tive que acompanhar ele ao aeroporto para buscar o primo que vai ajudar nas investigações, acabou que me distrai no carro e ele acabou me levando para casa dele, não querendo me trazer de volta para cá.
- Se distraiu no carro, é? – Ela zombou – Ah, , faça-me o favor, admite logo que você é uma safada e tá louca para catar o xerife. Tudo tática – Ela revirou os olhos pegando um punhado de pipoca da tijela que havia em cima do sofá.
- Ah Júlia, vê se me erra – Revirei os olhos e peguei um pouco de pipoca da mesma tigela, prestando atenção no noticiário da televisão ligada – Só que não fala isso que eu te disse para ninguém, acho que estou metida naqueles lances de fique quieta ou morra sabe? – Sorri para ela – Digo em relação ao cara que fui buscar, porque em relação a eu tá trabalhando lá, mais tarde ou cedo todos vão acabar sabendo.
- Tudo bem, me diz, ele é gatinho? – Me engasguei com a pipoca ao tentar ligar a palavra gatinho a e logo depois tive um ataque de riso – Respira, xú, o que houve? – Ela indagou revoltada.
- Ele é a chatisse em pessoa, sério, não queira conhecer, um nerd maluco. O pior é que eu acho que vou ter que aturar ele além da conta, porque hoje o senador foi na delegacia e disse que não queria ele metido nas investigações por enquanto, e isso vai atrasar tudo, né? Porque parece que tudo esta ligado a questões simbólicas ou religiosas, sei lá... – Disparei as palavras me atrapalhando um pouco com a velocidade na qual usei para pronunciá-las.
- Você tem noção que tá me dizendo umas coisas que acho que não poderiam nem sair da delegacia? – Ela disse rindo para mim e depois ficou séria, me apontando o indicador – Mas vê se fica na linha, tá parecendo o Pietro que não cala a boca.
- Uhh, que medo! – Revirei os olhos – Mas me diz, por que me ligou hoje de madrugada? Suponho que tenha virado a noite acordada, porque te ver acordada naquela hora por livre e espontânea vontade é humanamente impossível.
- Ah é verdade, hoje o Steve me ligou lá pelas seis horas querendo saber onde você estava, disse que no seu celular ninguém atendia e que esta tentando de procurar a dias, ai o idiota disse que quer se encontrar com você, para você procurá-lo o mais rápido possivel – Ela fez uma careta ao pronunciar o nome daquele cafageste, o mesmo feito por eu, soltei um gemido agonizado ao sentir meu celular tremer no casaco imenso de , o qual eu estava usando. Retirei o celular do bolso e olhei a tela, para variar era número desconhecido, fiquei alguns minutos olhando o mesmo, pensando se atendia ou não.
- Atende logo, porra! – Júlia berrou, irritada com o barulho do toque, revirei os olhos e me levantei, indo em direção a sala de entrada, onde não havia barulho nenhum, para poder atender o telefone.
- Alo?
- Gatinha – A voz que me lembrava a de Chandler do outro lado da linha entrou em meus ouvidos me causando um nojo repentino que fora impossível evitar a careta formada em minha face num ato involuntário – Quanto tempo.
- O que você quer Steve? – Indaguei com nojo, impressionada por ter falado sobre ele agora mesmo com e o mesmo ter me ligado no mesmo instante.
- Você, nunca mais nos vimos – Revirei os olhos. Steve foi o meu falso príncipe encantado se é que é possível entender isto, após os dias em que cheguei ao Rockings, quando já havia feito minha amizade com e ele apareceu em minha vida, na época ele tinha 16 anos, hoje já deve estar perto dos 30, enfim, ele me ajudou na época a enfrentar a realidade, só que o único detalhe que não havia percebido, talvez devido a minha pouca experiência de vida era que todo homem que deseja uma mulher é gentil com ela. Pelo menos até levá-la a cama.
- Acho que no nosso último contato a briga deixou bem claro que você é passado para mim e te rever é algo que não consta em minha lista de futuro afazeres – Sorri vitoriosa. Bom, mas como a época estava exigindo muito de mim, quero dizer, homens querendo assediar de mim de um lado, Chandler me oferecendo para os mesmo do outro, e junto com meus pais problemáticos que haviam me vendido ao bordel, vamos dizer que meu psicológico havia ficado um tanto abalado, e precisava de um conforto masculino do meu lado. Infelizmente, acredite, é muito infelizmente mesmo, a sexualidade foi apresentada a mim cedo de mais, a ponto de ter perdido a virgindade com exato 11 anos, alguns meses depois de ter sido vendida e estar sobre os poderes do nojento do Chandler. E adivinha quem foi que tirou ela de mim.
- , minha linda, sempre com glicose anal, mas depois de colocar a raiva para fora não desperdiça uma noite em claro se quer comigo, não? – Já mencionei que ele era um idiota? E que eu o aturo só porque sou obrigada a aturá-lo, já que é um dos investidores do Rockings, querendo ou não, aquela espelunca era meu ganho de vida, então o mesmo chegar a falência, por mais ódio que tenha daquele recinto, não vai ser algo que me satisfaça. Apenas emocionalmente.
- Steve, fala logo o que você quer, eu não quero mais nada com você. Toma um rumo na sua vida que eu vou tomar na minha, mas que saco! – Exclamei desta vez mais alto, levando meus olhos rumo ao teto novamente. Era impossível conseguir ter um dia descente.
Mas como desde criança minha felicidade não durava muito tempo, logo apareceu Cheyanne em minha vida e Steve partiu meu coração indo correr atrás daquela vagabunda; depois que seus hormônios pararam de atuar ele voltou para mim que estava praticamente em depressão amorosa em plenos 11 anos de idade para pedir desculpas, mas sempre voltava para a Cheyanne também, dizendo estar arrependido. E por mais nojo que eu tenha disto eu fazia parte sim de um triangulo amoroso entre estes dois vermes. E por mais que eu tente odiá-lo como acabei de pensar, não consigo, talvez eu considere muito a ajuda que ele me forneceu anos atrás, assim como e quando eu fora abandonada, e por essa e outras eu tenho uma certa consideração e apego por Steve, por mais nojento que ele seja, repito.
Steve se resume para mim a um tarado desde criança, pois sempre foi o cliente número um do Rockings, e o vicio naquela espelunca continua até hoje, já que é um dos investidores mais bem pagos do Texas e ainda trabalhe lá, e também a uma pessoa na qual eu não amo nem odeio, apenas aturo. Ou, talvez um pouco além disso.
E por mais que no fundo ele saiba, eu sempre tento deixar de expor os poucos sentimentos que ainda sinto por ele para que o mesmo pense que eu o odeie e quem sabe, algum dia, embora algo impossível, que ele suma do Texas e consequentemente, de minha vida entupida as tampas de problemas.
- Calma, gatinha, eu te liguei porque falei com Chandler hoje. Sei que você não vai muito com a cara do figura, mas este mês estou preparando algumas reformas para fazer no Rockings, ele se diz ocupado demais enquanto cuida das prostitutas, preciso conversar com você – Ele disse manhoso – Que tal sairmos hoje a noite? Você podia passar aqui em casa e quem sabe não ficar para dormir também... – Seu tom agora passava a ser sexualidade pura.
- Nem pensar, hoje... Bom, hoje... Foi um dia difícil. E, tem certeza que não pode resolver isto com o próprio Chandler?
- Kingrock se diz estar ocupado demais para isto, e se bem me lembro ele lhe mandou um beijo – Pude sentir seu sorriso sarcástico vindo do outro lado da linha e me atingido como se fosse um soco no estômago.
- Olha Steve, hoje não tem condições, amanhã talvez, eu devo estar livre por volta das nove horas da noite, tudo bem? Mas eu não vou encostar um dedo na sua casa, se quer falar comigo vai ser em algum local público!
- Vamos ao Rockings, gata. Eu aproveito e faço Chandler assinar lá mesmo os papeis do negócio quando nos falarmos, mas você não poderá recusar um drink comigo.
- Tudo bem, tudo para você calar a boca – Levei meu polegar a região superior de minha testa, massageando-a e previnindo-me de futuras dores de cabeça que estariam por vir.
- Ontem eu passei lá amor, no Rockings. Garotas que nem você faz falta, amor. Por mais que não pareça a tecnologia medica de hoje em dia esta muito barata. Lá só tem strippers com silicones, eu sinto falta de você, tão mais macia e natural. Hum, eu fico com tanta saudades de você que consigo te imaginar nua em minha frente agora mesmo... – Cerrei os olhos, já sentindo minha raiva subir borbulhando em direção a minha face. Desliguei o telefone.
É realmente algo tão impossível assim ter um dia descente?

Oculis Mala I - (3ª pessoa)
Uma sala triangular luxuosa, habitada por trinta e um homens que se mantinham em pé, enfileirados, reluzia dentro do recinto pobre, apenas por fora. A mesma sala obtinha paredes e piso feitos de concreto danoso num misto de branco e cinza, ao meio havia um longo e macio tapete vinho de veludo que começava desde a porta grossa de madeira amazônica da entrada até ao altar que ficava na outra extremidade da sala; ela era inteiramente vazia, com exceção da mesa que havia no altar, tochas espalhadas pelas laterais da sala e por uma espécie de almofada no meio da mesma, feita do mesmo tecido que o do tapete, porém preenchida por macias penas de ganso, podendo se camuflar no meio da gostosa textura do tapete. Junto ao altar havia uma grande fogueira por trás da mesa que portava uma carga descontente, a mesma fogueira estava em ação haviam horas, o fogo forte expelia faíscas quentes do mesmo que pulavam pelo chão frio até se apagarem.
Os trinta e um homens estavam espalhados pela lateral da sala, de um lado obtinham dezesseis enfileirados, voltados para o meio da sala, na região central da mesma, o mesmo acontecendo na outra lateral do recinto. Todos os homens portavam uma vestimenta escura, algo que realçava o contraste dos mesmo diante dos mármores brancos e frios que revestiam a sala, além das vestimentas escuras, todos obtinham no peito a imagem do olho que tudo vê costurado no pano que envolvia a região peitoral de cada um por linhas de ouro que brilhavam o dourado da riqueza. Os mesmos trinta e um homens carregavam uma expressão séria e ao mesmo tempo ansiosa pelo o que estava por vir. Cada homem ali era representante e praticante de um grau da organização, porém eram trinta e três graus, logo, um estava vago, mas em questão de alguns minutos deixaria de estar, já que o mestre, o elemento número trinta três do grupo já havia elegido um bom futuro membro. É importante que você saiba que para que tudo ocorresse e continuasse ocorrendo bem aqui era preciso que cada cargo exercesse seu trabalho com dignidade e esforço, algo que não era possível em acontecer por enquanto já que o último membro que deixara a organização pareceu não estar preparado em obedecer a ordem do Supremo ao caminhar pela maior obra que o mundo presenciara e esta presenciando, infelizmente seus dotes não foram bons o suficiente a ponto que fosse admitida sua permanência aqui. E sua vida acabara junto com sua aliança tampouco exercida.
A porta se abriu. Todos os homens sérios, que obtinham um longo capuz cobrindo a parte superior de suas cabeças dirigiram seus olhares a porta que trouxe junto aos feixes de luz que invadiam a sala, um homem vestido apenas por um shorts apertado que possuía os olhos vendados. Era o iniciante. Ele se agachou e partiu em direção da almofada que havia ao meio da sala enquanto rezava as preces concebidas pelo seu superior.
- Pater noster, qui es in caelis sanctificétur nomen tuum: advéniat regnum tuum. Fiat voluntas tua, sicut in caelo, et in terra. – Era a oração do pai nosso. O pai nosso em latim - Panem nostrum quotidiánum da nobis hódie, et dimítte nobis débita nostra, - O homem que rastejava pronunciava suas palavras num volume extremamente mais baixo que sua voz no dia a dia, enquanto se arrastava até a almofada. O tom da mesma voz transmitia a ansiedade e medo que sentia ao mesmo tempo - Sicut et nos dimíttimus debitóribus nostris. Et ne nos indúcas in tentatiónem. Sed líbera nos a malo. Amen. – O homem juntou as mãos e se ajoelhou sobre a almofada, virado em direção ao altar, desta vez permaneceu parado ali, numa posição de prece, aguardando o glorioso e reverenciado Mestre que estava a caminho.
Em meio a cochichos todos comentavam sobre a tão esperada presença do Mestre, nesta organização era ele quem ordenava tudo o que se passava, quem mandava em tudo que era feito e quem dizia não a futuras atitudes condenadas a ignorância. E todos os graus aproveitavam nas horas dos ritos para gloriar o tão magnífico ser, já que os mesmos, mesmo sendo parte da mesma organização e grupo de ação, não conseguiam conviver com o Mestre durante muito tempo, já que era portador da iluminosidade na qual pessoas como aquelas não mereciam conviver. E ele estaria ali hoje, para conceber o mais novo membro.
A porta se abriu e todos endireitaram a própria postura, até mesmo o iniciante que estava encolhido ao meio da sala, o resto juntou as mãos para trás das costas e sem se conterem, ergueram os olhares ao Mestre que caminhava em passos largos até o mais novo integrante daquela aliança, a aliança que salvaria o mundo da maldição humana. O Mestre, junto com todo seu clã, portava uma vestimenta obscura e com o tão maravilhoso símbolo sobre o peito, mas ao contrário de todos ali, ele carregava em sua cintura um cinto dourado, com detalhes em vinho que portava em sua lateral um estranho mantimento dourado e comprido, com grande extensão e pontiagudo, o Mestre parou em frente ao iniciante, e tirou do mesmo mantimento algo que reluzia raios prateados e que cegavam os mais humildes. Uma espada de ouro branco. Fina e afiada, brilhando de contraste com as luzes que as velas forneciam ao local, a espada foi rapidamente erguida para cima, revelando os dizeres Mens In Corpore Tantum Molem (A mente rege a grande massa corpórea), e logo em seguida o irmão iniciante sentiu a mesma torcar-lhe o peito, confuso sem saber o a que rumo tomar, pois mantinha os olhos vendados, passou a ouvir com atenção cada palavra pronunciada pelo seu futuro superior. Todos se curvaram diante o Mestre. – Vês alguma coisa, senhor? – O venerável perguntou, fuzilando o profano com o olhar da seriedade divina.
– Não, senhor – O profano respondeu de imediato, sem deixar de esconder seu nervosismo ao pronunciar a voz trêmula por conseqüência da insegurança.
– Sentes alguma impressão? – O venerável prosseguiu com suas indagações e sorriu, sentindo o poder percorrer todas suas veias ao observar todos curvados para ele e o iniciante a sua frente ajoelhado, temendo o que estava por vir.
- O contato de um objeto aguçado sobre o peito? – O profano lamentou suas palavras.
– A arma cuja ponta sentes, simboliza o remorso que há de perseguir-vos se fordes traidor à associação a que desejais pertencer. O estado de cegueira em que vos achais é o símbolo do mortal, que não conhece a estrada da virtude que ides principiar a percorrer. O que quereis de nós, insignificante sobrevivente dessa raça tão deplorável? – Foi vez de o Mestre endireitar sua posição, levando mais seriedade ao que estava fazendo, algo que era tão conhecido pelo mesmo. O Ritual da Iniciação.
– Ser recebido por vos. Ser recebido por tão conhecida e reverenciada sabedoria.
– E esse desejo é filho de vosso coração, sem nenhum constrangimento ou sugestão? – Sim, Mestre.
– Previno-vos, senhor, que a nossa ordem exigirá de vós um compromisso solene e divino... Se vos tornardes um de nós, encontraras em nossos símbolos a terrível realidade do dever.
- Sim, Mestre
- Descarregue sua ansiedade e sofrimento nas lâminas desta espada simbólica, agora que tem a chance que mais tarde não dependera de sua necessidade – O Mestre retirou a arma branca de cima do peito do homem que parecia estar mais tranqüilo, o homem ergueu as mãos para o alto e tocou a ponta da mesma – Você fazerá parte deste exercito como se fosse a ponta desta espada em que acabara de tocar. Eu comandarei vocês diante as obras do Grande Arquiteto do Universo que logo, logo passará a ser eu, guiarei vocês diante a lapidação da maior obra prima que o mundo poderá conhecer e todos concordarão e reverenciarão a mim.
- Sim, Soberano Grande – O profano assentiu, se segurando para não deixar escapar um sorriso em seus lábios numa hora tão séria como está. Era impossível não se comover ou se excitar diante de todas estas promessas e expectativas, mesmo obtendo o futuro cargo de menor importância diante de todos os outros. O Mestre colocou a ponta de sua espada no chão, apertando-a contra o concreto, deixando que parte do mesmo esmigalha-se em torno do material reluzente.
- Saiba-vos, miserável, que diante minha ordem não se hesita uma negação, caso contrário sua vida há de partir junto com sua insignificância, sem hesitar-me ao encerrá-la – O Mestre sorriu ao encenar a morte do homem a sua frente como sendo a do concreto quebrando-se em pedaços no chão e depois fez menção ao altar.
- Eu concordo com vossa sabedoria e esplendor, Mestre. Diante de tão magnitude existência me encontrarei honrado a morrer e lutar por ti – O superior levou a ponta da arma afiada ao maxilar do iludido homem, erguendo-o para cima, até conseguir se levantar, como feito, o superior guiou o homem até o altar dos juramentos que se encontrava na lateral direita da sala que possuía uma grande extensão.
Como já dito, no altar havia uma mesa, na qual um homem estava deitado e amarrado em formato de crucifixo, se lamentando pelo sangue que perdia e pela escolha que fizera meses atrás a qual o fez entrar a aquela sociedade maníaca, o mesmo estava apenas com um trapo que cobria seu órgão masculino, o resto de seu corpo estava exposto para que todos ali observassem, enquanto o sangue percorria suas entranhas, o que aconteceria para um membro que não exercesse seu cargo com dignidade. Todos os irmãos se aproximaram cerca de um passo a frente em direção ao meio da sala, retiraram de dentro das roupas obscuras espadas e as ergueram em direção ao homem que lamentava sua futura morte e ao iniciante que permanecia parado ali em frente ao altar, o Mestre já havia se distanciado, fazendo parte do meio da meia lua que os irmãos ficaram posicionados, também erguendo sua arma branca, que fazia o resto de todas armas se sentirem humildes por tamanha riqueza que a mesma continha. O neófito estava se encontrando num ambiente imensamente lúgubre e estava feliz com isso, não com sua situação, é claro, mas sim com a oportunidade que teria mais tarde em participar da maior obra já feita por todos; ele passou a ouvir as graves admoestações que o Venerável passara a dizer enquanto ainda todos mantinham as armas erguidas em direção ao mesmo que não fazia idéia disso.
- Este clarão pálido e lúgubre é o emblema do fogo sombrio que há de alumiar a vingança que preparamos aos covardes que perjuram. Essas espadas, contra vós dirigidas, estão nas mãos de inimigos irreconciliáveis, prontos a embainhá-las no vosso peito se fordes tão infeliz que violeis vosso juramento.
O Profano se ajoelhou diante o local, sobre um dos poucos degraus que tinham em direção ao altar e como obtinha o rito na ponta da língua, não esperou a ordem do Mestre, apenas concordou com um aceno as palavras dita pelo mesmo e colocou sua mão direita sobre a grossa Bíblia fechada que havia no degrau a sua frente. O profano caçou cegamente um objeto no altar que era essencial para o desenvolvimento e continuidade do rito, sorriu com ele mesmo ao achar o objeto pontiagudo ao lado da Bíblia. Era um compasso.
- Não faça isso, é horrível, eles vão te caçar, você vai morrer, eles fazem coisas horríveis com pessoas inocentes! – O homem que agonizava sobre a mesa acima do iniciante começou a berrar, causando a irritabilidade do Mestre que acenou para o membro da organização que se encontrava na ponta da meia lua, logo em seguida o mesmo que entendeu o recado do Mestre, se dirigiu ao homem que lamentava a sua lança, lançando-lhe no ombro a ponta afiada de sua arma, fazendo com que o mesmo soltasse seu último urro de dor.
O homem que estava ajoelhado, sentiu uma pontada vir de seu coração, porém ignorou-a totalmente e apenas apreciou o cheiro do sangue que se direcionou ao trapo que cobria sua visão. O irmão que havia terminado a morte do homem que lamentava voltou a sua posição de início e ergueu novamente sua arma em direção do neófito que ergueu o compasso que para os que não obtinham os olhos vendados conseguiam ver o quanto o mesmo chamuscava, talvez o mesmo quanto a espada que agora repousava aos ventos do Mestre, em direção do iniciante, com a ironia de dá-lo as boas vindas a tão famosa sabedoria desta irmandade.
- Apóstolo Paulo disse uma vez para que não vos prendais a um julgo desigual com os infiéis. Pois que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que consenso há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Pois vós sois o santuário do Arquiteto vivente, como o mesmo disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Pai e eles serão o meu povo. Pelo que saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor. Não toqueis nada imundo, e eu vos receberei – O Mestre ainda irritado com a situação levou suas próprias palavras, fora do rito, ao vento, alertando o oponente do risco que poderia correr.
Ele tampouco ligou, levou o compasso com a mão esquerda ao seu peito, respirou fundo e passou a exercer mais força contra o mesmo enquanto dizia o juramento no qual sonhava em dizer havia anos. - Eu, Steve Miller, Juro e prometo, de minha livre e espontânea vontade, pela minha honra e pela minha fé, em presença do Supremo Arquiteto do Universo, que é Deus perante esta assembléia de irmãos, solene e sinceramente, nunca revelar quaisquer dos mistérios que sempre ocultarei e nunca revelarei qualquer uma das artes secretas, partes ou pontos dos mistérios ocultos da Obra do Grande Arquiteto que me vão ser confiados – O iniciante pressionou a ponta do compasso contra seu peito, fazendo a mesma entrar no mesmo em direção ao seu coração, seu orgulho no que acabara de se tornar fora mais forte que a dor que acabara de sentir, por isto não se preocupou em demonstrá-la, apenas permaneceu ali, pronunciando os dizeres que comprometeriam sua vida pelo resto da mesma - Senão a um bom e legítimo irmão ou em loja regularmente constituída, nunca os escrever, gravar, traçar, imprimir ou empregar outros meios pelos quais possa divulgá-los. Juro também ajudar e defender meus irmãos em tudo o que puder e for necessário, e reconhecer como Potência Maçônica regular e legal no Texas o Grande Oriente do mesmo, ao qual prestarei obediência. Se violar este juramento, seja-me arrancada a língua, o pescoço cortado, e meu corpo enterrado nas areias do mar, onde o fluxo e o refluxo das ondas me mergulhem em perpétuo esquecimento, sendo declarado sacrílego para com Deus, e desonrado para com todos os homens. Amém.
- Dulce et decorum est pro patria mori (Doce e honroso é morrer pela pátria) - Todos passaram repetir esta mesma frase em latim diversas vezes após o mais novo irmão ter terminado seu juramento. Depois do mesmo se levantar e retirar a venda que o cegava, ele se juntou ao seus mais novo irmãos com um sorriso no rosto, os mesmos abaixaram suas cabeças e começaram a orar - Da, miséricors Deus: ut haec salutáris oblátio, et a própriis nos reátibulus indesinénter expédiat, et ab ómnibus tueátur advérsis (Concedei, ó Deus misericordioso, que esta oblação salutar nos livre, sem demora, da pena de nossas próprias culpas, e nos defenda contra todas as adversidades)
- Que vos seja concebido então, a Maçonaria – O Mestre finalizou.


(Oculis Mala – Quer dizer “Olhos do Mal” em latim)
(This is Sparta – Quer dizer “Isto é Esparta” em inglês, é uma frase muito famosa de um filme épico muito cogitado atualmente, chamado 300)

Capítulo betado por Mari Alves


Capítulo 10
[n/a: Baixem a música: You Give Love A Bad Name – Bon Jovi. Porque ela irá tocar neste capítulo!]

Eu iria mesmo ter que, até o meu juízo final, continuar trabalhando nesta porcaria de delegacia? disse que não, me quer aqui só até conseguir o seu assassino, mas sinceramente era ele quem estava se saindo um assassino em relação a mim. Querendo-me matar de tédio. Eram oito horas da noite e eu continuava naquela delegacia, fazendo? Nada. me entupiu de relatórios e indagações quanto aos seus suspeitos, ouvimos o dia inteiro os depoimentos de diversas pessoas, o intuito disso tudo era óbvio, achar o assassino, mas a solução não foi alcançada, ou seja, tudo foi inútil, pois não chegamos a conclusão ou pista alguma. E quando digo que o dia foi insuportável eu estou falando a verdade, porque além de ter ficado com a doçura do o dia inteiro, e O’Connell não estavam aqui para me fazer companhia. Eu fiquei sozinha com o dia inteiro. E agora ele não me deixa ir embora, porque o cartão que futuramente passaria a usar para marcar a hora que entro e saio desta porcaria de delegacia iria chegar em questão de minutos, e não custava nada eu esperá-lo, porque eu não tenho nada melhor para fazer da vida se é que me entende, e , bom, foi embora já faziam consideráveis minutos, e me deixou obrigada aqui com a querida Rose que continuava me olhando mal, ela provavelmente tinha algum tipo de quedinha pelo ser desprezível que é o e também, provavelmente se sentia intimidada com a minha presença, qualquer pessoa consolaria e descordaria de tudo isso a ela, mas é melhor ficar de olhos abertos mesmo Rose, posso tirar a vida de seu príncipe encantado sem problema nenhum, é só ele chutar mais uma bola fora de campo que eu destroço aquele corpinho perfeito. Então é melhor mesmo se sentir intimidada com minha presença. Acho que não é necessário dizer que estou estressada.

- – A silhueta da fofíssima que continuava me fuzilando com ódio puro pingando de seus olhos parou em minha frente, me estendendo uma caixinha pequena – Esta aqui seu cartão, pode ir embora agora.
Claro, como se fosse de sua autorização que eu estivesse precisando, não é minha flor? Retirei o cartão das mãos da menina que deve ter tido vontade de me socar na mesma hora, de forma brusca. Mas que belo dia para lutar, topa um campeonato livre? Eu estou no clima. Revirei os olhos com meus próprios pensamentos e marchei em direção ao estacionamento, procurando meu carro que estava na vaga do lado da preferencial de , não pude evitar uma careta logo ao atravessar a mesma para chegar do outro lado, onde meu carro repousava desde as oito horas da manhã, pronto para me levar ao meu conforto, mas uma hipótese impossível se dependesse de meu mais novo e querido chefe. O novo xerife, que mal chegou em minha cidade, já conquistou mais coisas do que eu que moro aqui desde que me conheço por gente. Oh Canadá, como queria ter te conhecido.
Sentei no banco aconchegante de meu carro e joguei minha bolsa para o banco passageiro, retirando de dentro meu celular, caso o mesmo tocasse. Liguei o rádio no último volume e sorrindo, talvez pela primeira vez naquele dia ao ouvir a música Living on a Prayer do Bon Jovi se chocar com meus ouvidos, dei marcha ré no carro e segui as ruas de Beaumont, em direção a minha tão querida e deliciosa casa, cantando da forma mais desafinada possível, me garantindo de que todos os vidros das janelas estariam fechados para que ninguém presenciasse a verdadeira em ação. Revoltada e maluca.
Quando ia fazer o próximo cruzamento da Avenida Kohler meu celular começou a tremer sobre minha bolsa ao meu lado e sem poder atender apenas olhei para o nome que indicava em sua tela. . Arregalei meus olhos, virando a direção para a esquerda, estacionando meu carro meio a avenida super movimentada. Vindo de só se podia esperar o pior, ainda mais agora que estava ocorrendo toda aquela confusão com Benny, que por mais que não a envolvesse, ela se metia do mesmo jeito; eu a entendo de certa forma em relação a agressividade, ansiedade e depressão, mas sempre quando não é conosco, desenvolvemos certa apatia, não é? E Era exatamente isto que estava acontecendo comigo.

- Alô?
- , você não vai acreditar! – Ouvi berrando do outro lado da linha e gargalhando próxima a ela, e se não estava ficando louca, podia jurar que havia escutado um dos habituais berrinhos de Pietro.
- O que? – Indaguei rápido e perplexa.
- O advogado me ligou e disse que conseguiu a liberdade provisória do Mike, ele vai sair em alguns dias da cadeia! – Ela berrou mais alto ainda e eu tive que conter uma careta ao sentir aquele berreiro todo em contato com meus frágeis tímpanos.
- Não acredito, ah mais que bom, nem acredito! – Disse na mesma intensidade que ela, me alegrando pela boa notícia, mas depois de toda felicidade me veio um pique de bom senso – Mas ele já conseguiu? O cara deve ter entrado com o processo, sei lá, ontem?
- Ai , para de ver mal em tudo, eu estou morrendo de felicidade até agora! – Ela comemorou rindo – Nem acredito que consegui soltá-lo, finalmente o meu bebê vai estar fora daquele lugar! Eu sei que a liberdade não é definitiva mas já é um grande passo dado – Podia formatar a imagem de na minha frente, pulando, berrando, surtando e com os olhos brilhando agora mesmo.
- Awn, que lindo, ainda bem que vocês vão ter este momento, pelo menos para se resolverem. Mas o sangue que tinha na camisa dele no dia do Eclipse não era de Jeanette, então?
- Jeanette? – Bati em minha testa, me lembrando só agora que as coisas nas quais tenho abertura do caso na delegacia, devem ficar na delegacia. Havia me esquecido completamente que para todos, a vítima ainda era desconhecida. Merda. Ainda me culpando mentalmente balbuciei “a vítima” para ao telefone, rezando para ela não dar muita atenção a informação importantíssima que havia deixado escapar – Então, aquilo foi coisa de louco, porque no final das contas não tinha nada na camiseta dele – Ergui uma de minhas sobrancelhas estranhando o que estava acontecendo.
- Como é que é?
- Pois é, Mike levou até uns interrogatórios adicionais devido a isto, porque o xerife e um amigo da polícia dele, juram terem visto sangue na camiseta, mas como você não sabe disto? Até onde eu sei você está trabalhando no prédio do lado do que o Mike está mofando!
- Eu não fazia idéia disso, talvez por eu ser amiga e conhecida de Mike, não me revela muita coisa em relação a Mike, mas vou estar mentindo se te negar que fiquei incomodada com isso, amanhã eu falo com ele... – Ainda estranhando muito a situação resolvi mudar de assunto – Mas e ai, pelo bem que conheço , ela esta já planejando uma festa de boas vindas, não? – Sorri ignorando o som das consideráveis buzinas que provavelmente estavam sendo dirigidas a mim.
- Acertou em cheio! – se divertiu e ouvi berrar mais alto ainda ao lado dela, revirei os olhos rindo da monguisse de minhas melhores amigas, somada com o alivio que sentia ao ver Mike fora daquele lugar horroroso.
- Ah, não se esqueçam de me convidar ein, e se precisarem de alguma coisa é só chamar.
- Não sei né, bem, você é uma menina toda atarefada e trabalhadora agora – Ela disse com desprezo falso do outro lado da linha me fazendo gargalhar. Essa sim era a quem eu conhecia. Extremamente maluca e apaixonada pela vida, só conseguia perder quanto a esses requisitos para que levava todas suas características ao extremo.
- Mas que bobeira, falto com muito prazer no trabalho por vocês, ouviu bem? – Sorri – Mas como Mike está ao lado do prédio em que trabalho, a gente pode se encontrar lá mesmo para buscar ele, eu só preciso das horas e do dia - Meu sorriso se desfez ao ouvir mais e mais buzinas para mim que estava ocupando quase que uma faixa inteira da avenida. Gente maldita- Amor meu, eu estou indo para casa e dirigindo, tem um monte de mal comido buzinando para mim, então vou ter que ir.
- Ah tudo bem, venha direto para casa de , teremos uma sessão de filmes italianos que só não começou mais cedo por sua causa! – Era pedir demais eu dizer que Pietro não havia soltado mais um de seus berrinhos, não é?
- Ai que bom, tem comida? Eu estou faminta – Lamentei ao telefone, me sentindo uma gorda. Mais uma buzina. Revirei os olhos decidida a apressar o término da ligação e voltei a falar – Preciso ir, um beijo para vocês! Já já estou ai.
- Ok! – E quando ela estava terminando de se despedir começou a tocar o alerta de segunda chamada ao meu telefone, então desliguei mais rápido do que nunca para olhar para tela e ver quem era o novo ligante, fiz uma careta antes de olhar, porque as únicas pessoas que não me estressariam hoje acabaram de me ligar, então era evidente que agora quem quer que fosse, eu ia estar desejando que morresse e me esquecesse. E de fato foi isto mesmo o que ocorreu.

Rockings. Negócios. Steve. Chandler. Bufei irritada, voltando a dirigir o carro de tal forma devido a velocidade extrema que fez meus pneus gritarem e buzinas atrás e agora, na frente de mim, também agirem com cada vez mais freqüência, comecei a chingar com todas as palavras chulas as quais conhecia e acredite, não são pouca,s enquanto involuntariamente segurava a direção com agressividade, depositando na mesma alguns socos irritados. Não me dei nem o trabalho de atender aquela pouca vergonha, deixei meu celular tocar e fiz o retorno com o carro, me condenando mentalmente por ter aceitado me encontrar com Steve, que com certeza melhoraria meu mau humor. Santa ignorância é seu nome.
Depois de alguns consideráveis minutos finalmente cheguei ao Rockings. Estacionei meu carro logo em frente a aquele bordel maldito e sai do mesmo logo depois de mandar uma triste mensagem a , a informando que atrasaria e que nem sabia se daria para participar da sessão de filmes italianos, senti a brisa fria da noite do Texas se chocar contra meu colo exposto, devido ao decote de meu tomara que caia preto de tecido fino, o que só piorava minhas condições térmicas. Me inclinei para dentro do carro, colocando dentro do mesmo apenas meu tronco para pegar no banco de trás minha jaqueta de couro mostarda, do mesmo tecido de minha bolsa da mesma cor, e quando senti o tecido em minhas mãos, o agarrei e logo depois senti o contato de algo contra meu traseiro, mais detalhadamente seria uma mão que batera no mesmo. Fechei os olhos fortemente me controlando mentalmente para não cometer um homicídio quando tirasse parte de meu corpo de dentro do carro, e quando feito me deparei com Steve que me olhava sorrindo, enquanto segurava com uma de suas mãos uma garrafa de cerveja e já a outra mão, a usava como meio de juntar nossos corpos, ele sorriu.
- Você tem amor à vida? – Indaguei a ele com o tom de voz bem mais alto que o que estava habituada a usar, empurrando o mesmo para longe de mim e me lamentando por dentro por não ter passado nenhum automóvel correndo a 200km/h no momento em que eu o empurrara para a rua.
- O que foi meu amor, relaxa – Ele voltou a colocar aquelas mãos sujas sobre mim e quando me dei conta o mesmo me puxara para um selinho e tentava pedir passagem de sua língua para poder explorar minha boca. Preciso mesmo dizer que repeti o ato que fizera minutos atrás?
- Steve, larga de mim seu otário! – Limpei meus lábios enojada, com as mãos e rosnei para ele que continuava com aquele sorriso maldito no rosto – Eu vim aqui porque você disse que queria conversar comigo sobre algo sério, só por isso, porque para mim está mais do que claro que nada nunca irá crescer entre nós, não? Será que vou ter que repetir este discurso inútil todo, pela milésima vez? Quer transar? Vai procurar a Cheyanne, não eu!
- Amor, eu tentei... Mas hoje ela está de cliente novo e não quer saber de mim – Ele fez um bico entristecido e cínico ao mesmo tempo – Mas você sabe que eu prefiro você, ela nem se quer chega aos seus pés com aquela quantidade de silicone e plástica que tem, prefiro as gatinhas naturais – Ele me abraçou de lado, indo em direção ao Rockings. O cenário de lá era sempre o mesmo, diversos homens nojentos rondando aquele antro de promiscuidade com sorrisos de segundas intenções no rosto, medindo cada menina que entrava por aquela porta com perfeccionismo, falando resumidamente... De um lado estavam os que apenas observavam e aguardavam e do outro lado tinha os que quase se comiam em público, expondo a intimidade do parceiro aos seres repugnantes que consideravam aquele bordel o seu segundo lar, e dependendo de uns, passava ser até mesmo o primeiro lar.
John Lenon sempre esteve certo em relação a carência de paixão na humanidade.
- Para o seu bem vou ignorar as asneiras que você acabou de dizer – Sorri estressada para ele, me encolhendo ao máximo para que seu corpo parasse de relar no meu.
- Minha deusa – Por favor me diz que não é o Chandler – Voltou para o papai, minha linda? Que saudades deste rostinho maravilhoso – Era ele.
- Não. Fale. Comigo – Disse pausadamente, fechando os olhos com força para evitar que alguém ali saísse ferido. Hoje estavam realmente testando o controle de minha paciência; quando abri os olhos dei de cara com aquele par de olhos maliciosos com aquela coleção de dentes mal cuidados e nojentos que repeliam qualquer presença feminina. Pelo menos as sãs.
- Mas por que o nervosismo minha deusa? – Ele se aproximou de mim.
- Nem mais um passo – Desta vez eu não agüentei a pressão de meu sangue borbulhando entre meus tecidos e berrei o mais alto que a hora me possibilitava – Eu quero você longe de mim, seu verme! – Pude sentir o peso da maioria dos olhares daqueles tarados presentes sobre mim.
- Chandler, sai daqui que ela está se incomodando com você por perto, depois nós conversamos, tenho um assunto importante e profissional a tratar com ela, sem brigas por favor – Steve disse sério pela primeira vez naquela noite e é nessas horas que eu sentia minha afeição por ele aumentar significativamente.
- Eu vou, mas você não vai embora sem antes de ir falar comigo, estarei em um dos quartos te esperando – Sua voz suja ainda era uma sobrevivente e com uma pitada de provocação adicional, já que o ódio entre nós era um sentimento recíproco, mesmo com ele tentando esconder isso, pois dava mais importância a sua vida sexual ativa sem ser com bonecas infláveis; sorri cínica com a possibilidade de ir encontrá-lo em um quarto a sós. Impossível.
- Pode deixar que aviso a Cheyanne, Chandler – E fui em direção ao bar que era logo ali perto, me separando de Chandler e Steve que se entreolhavam cúmplices.

- Está tudo bem agora? – Steve apareceu ao meu lado com um olhar preocupado depois de alguns segundos, eu o olhei com cara de poucos amigos devido a sua repentina mudança de humor, que provavelmente era mais uma de suas táticas para conseguir me levar mais tarde para cama, então deixei de prestar muita atenção nele e pedi uma vodka pura ao garçom que já me conhecia. Lucky estava logo atrás de mim cuidando das luzes e apenas o cumprimentei com um aceno breve e um sorriso animado (falso).
- Vamos direto ao assunto? – Indaguei a Steve, fazendo meu sorriso animado surgir propositalmente em meu rosto para falar com ele, peguei a vodka que já estava repousando ao meu lado e virei meio copo, sentindo meu cérebro e todos meus instintos motores vibrarem por isso, depois de fechar fortemente os olhos. Acho que nunca vai existir uma explicação científica e propositalmente, lógica ao fato de nunca ter tido um problema se quer relacionado ao meu fígado.
- Eu estava tentando te seduzir, mas se tornar bêbada só faz meu trabalho ficar mais fácil, minha gatinha – Ele sorriu estilo Chandler e eu logo ao abrir os olhos sorri irônica, deixando uma cara de mau humor me atingir logo em seguida.
- Me seduzir? Com aquela hospitalidade de agora, lá na rua? Estou honrada Steve. Mas não... Nem bêbada você conseguiria me satisfazer – O fuzilei – Mas então, quanto ao assunto profissional – Disse dando ênfase no profissional e tirando sarro da fala que ele falara agora pouco para Chandler – A respeito de que você está querendo minha autorização?
- Eu me divirto tanto com você, – Foi a vez dele ser irônico – Já que insisti em ir direto mesmo ao assunto, tudo bem... Eu estava pensando em fazer mais um prédio para o Rockings, como sou cliente percebo o amontoado de gente que fica aqui e sei que só não mudam de opção, porque não existe uma boa competição de bordel aqui em Beaumont para o Rockings, já que os outros estão caindo aos pedaços – Ele retirou um longo papel milimetrado de uma bolsa que estava sobre o balcão a nossa frente – Esta aqui é a planta do outro prédio, já fui ver com a imobiliária e o terreno aqui ao lado está realmente a venda, então minha idéia era propor uma reforma geral.
- Geral? – Cerrei os olhos devido a atitude radical que ele queria tomar.
- Sim, construímos ao lado daqui um prédio com apenas quartos e banheiros, que terá uma recepcionista e aqui passa a ser o prédio onde os shows ocorrem, ai poderíamos aproveitar cada recinto já construído para aperfeiçoarmos o atendimento, aqui em baixo os shows principais e grupais, e lá em cima os individuais – Já era a quarta vez que eu me matava lentamente em meus pensamentos desde que começara a ouvir Steve dizer sua proposta. Meu deus, como alguém poderia por livre e espontânea vontade bolar um plano todo só para reformar a droga de um bordel, que para mim estava em perfeitas condições? Ou pior, como conseguia existir um ser humano acéfalo o suficiente para ser capaz de reembolsar tudo isso sem ganhar nada no final?
- Por que você esta discutindo isto comigo? Chandler quem deve dar a autorização em relação as obras, eu apenas roubo o dinheiro dele, não tenho nada a ver com este chiqueiro – Levei minhas mãos as têmporas, massageando-as.
- Ele disse que precisa da sua permissão. Já fizemos uma pesquisa na porta do Rockings perguntando aos clientes em relação as reformas, ouve uma taxa de noventa e cinco por cento de aprovação, então decididamente o lucro daqui irá subir caso haja mesmo esta reforma, e todos com quem falamos pareceram se animar com a idéia.
- Se o lucro vai subir, quem sou eu para negar a construção se é aqui o lugar de onde tiro dinheiro? Faça logo, mas eu não vou assinar nada muito menos vindo de você e de Chandler. Chandler é o responsável por este lugar e se alguém precisa autorizar ou deixar de autorizar algo, esse alguém é ele, mas se ele ficar fazendo doce, diga que eu apoio sua decisão.
- Tudo bem, . Era isso, eu sei o quanto assuntos em relação a Chandler e Rockings te irritam, mas sem você autorizando eu não poderia continuar o projeto. Valeu. – Ele disse com a voz mais para baixo do que o normal, já prevendo o seu futuro draminha para me convencer a fazer algo, virei-me para ele o encarando indiferente.
- O que foi, Steve?
- Eu realmente senti a sua falta, amor – Ele me olhou com os olhos pretos que me lembravam a jabuticaba, o deixando fofo – Você nunca acredita nas coisas que eu te digo, mas é verdade, você me faz falta.
- Steve, por que a gente não encerra logo este assunto e seguimos cada um o nosso próprio rumo pelo resto da noite? – Sorri para ele transmitindo energias positivas e me levantando do banco enquanto pegava minha bolsa para partir daquele lugar nojento e ir em direção ao meu conforto doméstico.
- Não, não vai embora – Quando já estava passando ao seu lado para seguir em direção a saída que era direcionada para o ponto onde Steve estava, ele segurou meu braço e acariciou-o – Lembra o que você disse no telefone? Tudo para você calar a boca, fora sua resposta ao meu pedido de drink – Ele desceu suas caricias as minhas mãos gélidas devido aos baixos graus célsius que se faziam no Texas.
- Então é isso que você quer? Um drink? – Sorri para ele que me olhou de forma bizarra, talvez pelo meu repentino sorriso sarcástico de felicidade, ainda estranhando a situação ele assentiu com seu rosto e eu fiz o mesmo, me aproximando dele e direcionando meu rosto ao dele que se excitou e colocou as mãos em volta de minha cintura. Sem ele ao menos perceber, eu peguei seu copinho de licor que repousava sobre o balcão, aproximando de nossos rostos que se acariciavam via beijinhos de esquimós lentos e carinhos, quando vi o sorriso nascer eu seu rosto, me afastei dele, virando a pequena dose de licor e sorrindo orgulhosa para ele – Prontinho! – Lancei a ele mais um sorriso, junto a um carinho em suas têmporas e parti em direção a porta novamente. E novamente impedida pelas mãos desesperadas de Steve. Eu iria socar aquele infeliz hoje, é uma boa vítima para algo que estou me segurando em fazer desde hoje de manhã.
- , se você não sentar agora para tomar um drink comigo eu te sigo até a sua casa e não a deixo mais em paz, se não, não me chamo Steve Miller – Ele disse pausadamente para mim com o tom de voz irritado, eu cerrei os olhos e ainda me segurando para não socá-lo, sentei sobre o banquinho ao lado dele enquanto massageava a parte de meu braço que ele agarrara com força - Duas Pinas Coladas – Ele lançou uma piscadela a garçonete com poucas roupas que sorriu para ele de forma erótica. Ele realmente era um filho da puta sem dar a mínima em esconder isto – Então, como anda a vida? Soube que esta trabalhando para a polícia...
- Como você sabe? – Arregalei os olhos sem me preocupar ao cortá-lo no meio de sua fala.
- me contou hoje cedo. Mas qual é, tem algema e tudo, amor? – Ele deixou a mostra novamente seus dentes que brilhavam o branco, depois que ouvi sua frase inteira me lembrei de imediato da noite em que eu algemara na cadeira de sua casa e só depois de notar mais um dos olhares estranhos de Steve para mim, que me preocupei em respondê-lo.
- Não. Não é algo como polícia em si, eu só ajudo com as pistas e aconselho o xerife, coisa sem importância – Peguei minha Pina Colada que acabara de chegar e tomei um gole.
- O xerife novo? Não gostei dele – Steve forjou uma cara de nojo.
- Ele é aturável até – Sorri com meus pensamentos e Steve correspondeu minha expressão. O idiota estava pensando que eu estava sorrindo para ele. Santa seja a ignorância mais uma vez em meu dia.
- Amor – Ele deu um gole em sua bebida que era igual a minha, porém a minha já estava quase em seu fim. É estranho mas minha habilidade em beber aumenta significativamente durante a noite, provavelmente uma das únicas coisas que me satisfaziam... Provavelmente uma ova, era realmente só isto que conseguia me fazer tirar as preocupações da cabeça. Como já devo ter dito... Deu abençoe a vida sexual de seu inventor, álcool – Vamos dormir em minha casa hoje? – Ele colocou uma de suas mãos sobre minha perna exposta devido ao corte curto de meu vestido. Concentrei-me profundamente para não esboçar a raiva ou o nojo que estava sentindo e apenas dei um sorriso de más intenções.
- Vamos – Ele sorriu vitorioso, intensificando suas caricias em minha coxa – Só me deixar ir me aprontar no banheiro para ficar perfeita para você – Me levantei da cadeira e fiquei entre suas pernas enquanto sussurrava em seu ouvido. Ele agora direcionava suas mãos ao meu traseiro, apalpando-o sem nenhuma vergonha.
- Não vai demorar? – Ele levou seus lábios aos meus me depositando um selinho demorado, o mesmo não se desfizera, e sim dera início a pedir sua permissão a entrar em minha boca, como seus olhos estavam fechados, não me dei o trabalho de segurar minha revirada de olhos e o deixei adentrar minha boca, sem conseguir ver uma fuga. Sua língua exercia movimentos calmos e percorria a extensão da minha com sutileza, aproveitando o beijo, e por mais desconfortável que o sentimento que acabara de crescer dentro de mim fosse, eu acabei me lembrando como numa linha do tempo, dos nossos momentos mais íntimos e carinhosos, da época em que havíamos nos conhecidos e que ele procurava me acalmar... Mas como uma linha do tempo nunca chega ao seu fim, me veio de imediato as imagens dele beijando Cheyanne, logo depois de nossa primeira vez. Quando eu já não agüentava mais o sentimento pesado que sua boca trazia a tona em minha cabeça, o separei e forcei o melhor sorriso de segundas intenções que podia esboçar naquela hora desconfortável, abstraindo, ou pelo menos tentando abstrair, todo aquele álbum de foto guardado em minha cabeça, que insistia em abrir suas páginas a mim nas piores horas. Ou melhores... Ele poderia servir, da forma mais cruel e dolorosa que fosse, a não me deixar enganar mais pelas pessoas, ou pelo menos ter cuidado e pensar seriamente antes de me relacionar com elas, com isso o meu passado nunca foi algo tão distante, pois sempre fui obrigada a revive-lo nestas horas de alertas ou sofrimentos, quer que fosse a explicação lógica dessa porcaria.
- Já volto, quanto mais rápido, mais fica perto da hora em que serei só sua – Me afastei dele enquanto colocava meu indicador sobre seus lábios entreabertos, gargalhando por dentro, na tentativa de entender como palavras tão sujas e que soavam tão pornograficamente conseguiam convencer qualquer homem. E gargalhando também na esperança da risada falsa me trazer a calma de antes e me fazer esquecer da volta ao passado de segundos atrás.
E andei. Andei em direção a porta dos fundos daquela espelunca. A porta ficava dentro da cozinha, que se localizava ao lado do banheiro, que ficava em frente ao palco; e a sensação de conforto ao saber que em alguns minutos ou talvez horas, eu estaria ao lado de minhas amigas assistindo filmes italianos enquanto me entupia de pipoca e ria das palhaçadas que Pietro, e fariam era extremamente absurda, graças a deus minha conversa com Steve não havia sido tão demorada quanto eu estava achando que fosse ser, e o conforto que sentia só aumentava a medida que percebia o quanto o meu dia havia sido desgraçado mas que já estava por acabar e se redimir ao final. E quando eu havia alcançado finalmente a porta da cozinha que estava ao lado do palco daquele lugar nojento, me deparo com a imagem mais grotesca possível. Talvez a coisa mais bizarra que já vira em toda a minha vida, e olha que quem é criado em bordel pode-se dizer que já fora vítima de tudo quanto era coisa, mas isso... Poderia até merecer um prêmio devido a tamanha ânsia que havia acabado de me causar. E aos poucos, o ódio começou a fluir, juntamente com meu nojo. Aos poucos? Não. Em meros segundos eu já estava podendo sentir meus cabelos em pé, devido a fúria que subia como se fosse explodir em meu corpo. Minhas mãos já estavam em formato de punho, meus dentes trincados e meus olhos curvados na maior indicação de assassino em série. E tudo isso exatamente... Por quê?

Cheyanne Boulevard rebolando e se enroscando sobre o colo de . Só de calcinha.

Conte até três e se acalme. Vamos. 1, 2,...

Não sei o que deu em mim ou o que/quem deu ordem para o idiota órgão a parte de meu corpo, o cérebro, a tomar como sempre suas próprias medidas individuais e precipitadas em horas de choque, estresse ou raiva como esta, a única coisa que eu sabia era que estava marchando até aquela direção do nojo com repugnância e ódio, certa a deixar todos meus instintos selvagens e intolerância os quais me acompanharam desde hoje de manha, tomassem meu controle. A medida que me aproximava daquela cena decadente ficava cada vez mais perto daqueles dois seres nojentos a poucos metros de distancia de mim, nenhum havia percebido minha presença ali, pareciam estarem trancados em suas próprias bolhas da sem vergonhisse, sorriam um para o outro, Cheyanne passava suas mãos pela nuca e sexo de , o mesmo, idiota como sempre, a única coisa que fazia era apertar sua bunda exposta devido a calcinha fio dental enquanto olhava vidrado aos peitos siliconados daquela maldita. A mesa e cadeira em que aquele nojento estava sentado eram as mesmas do primeiro dia em que havia visto ele, a primeira em frente ao palco que agora estava preenchido por prostitutas dançando Lady Marmalade de Christina Aguilera, Pink e sei lá mais quem. Então nem uma consideraçãozinha existia em nossa relação, ? Não, isso não podia ser verdade... Francamente?
Com o passar de meus passos firmes, percebi a presença de em uma distância considerável de , porém na mesma mesa, ele mexia em seu celular com desinteresse e olhava para os lados inquieto, típicos movimentos de alguém que estava a procura do que fazer ou de ir embora dali. E em mais um movimento Cheyanne beijou de forma erótica. E eu parei de andar, me sentindo uma idiota. Qual era a razão de tudo o que eu tinha em mente mesmo? Eu daria um chilique para todo aquele bordel nojento ficar vendo e rindo de minha cara junto a e Cheyanne, que estavam se comendo bem no ponto onde eu e nos conhecemos? Faria mesmo esse papel de idiota para alguém que a partir de ontem seria obrigada a aturar todo santo dia, de manhã até a noite? E que provavelmente aproveitaria estas mil horas de convivência para ficar zoando da minha cara pelo papel de ridícula que paguei? Só por um ciuminho bobo. Não, para falar a verdade nem ciúme aquilo chegava a ser devido a minha intolerância mútua em relação a , era tudo apenas uma possessão passageira, sempre desenvolvia este tipo de relação doentia pelas pessoas, pois te garanto que seria a mesma coisa que sentiria se encontrasse se atracando com alguém. Ou talvez nada disso aconteceria se Cheyanne não estivesse em questão, já que aquela menina me despertava tamanha raiva que seria capaz de exterminá-la em questão de segundos que nem o maluco que agora ficava matando e torturando todo mundo, ainda mais ao lembrar que já fiz parte de um triângulo amoroso com aquela aprendiz de macaco; não vou negar que não era uma tentação adotar as táticas que o mais novo assassino do Texas usava em suas torturas para fazer as vitimas lamentarem durante a morte e aplicá-las em Cheyanne. A baixa luminosidade do local ficara mais evidente, porque a noite finalmente se ergueu diante nós por sua passagem obscura pela janela, sem faíscas de sol e nada, apenas a luz da lua. E eu senti milagrosamente uma adrenalina subir em meu corpo, fazendo-me sorrir de pena pelas futuras ocorrências na vida de e finalmente o meu ódio amargurado estava pronto para ser libertado.

Se estava ali, sem nenhum afazer e muito menos benefício... Por que não fazê-lo curtir a noite do mesmo modo no qual estava curtindo?

Ainda sorrindo me aproximei mais ainda deles e apoiei minhas mãos na parte traseira da cadeira de que me olhou surpreso, primeiro ao notar a presença de um sorriso malicioso usual em meu rosto e segundo, por eu estar no mesmo local que ele numa hora e lugar como aqueles, suponho. Ele sibilou meu nome, mas a essa altura eu já estava me posicionando a frente dele enquanto segurava sua mão que havia ido ao encontro da minha, porém meu sorriso desmanchou momentaneamente ao ouvir o ruído irritante da voz de Cheyanne direcionada a mim.
- Veio curtir a noite também? – Ela indagou enquanto se esfregava em , que nem me notara ali, pois estava sorrindo com os olhos fechados por coisas que Cheyanne devia ter ditou ou feito a ele anteriormente – Hoje meu cliente é dos bons, , quero ver arranjar um como esse – Sua voz de nojo continuou e abriu rapidamente os olhos ao ouvir meu apelido, me olhou com os olhos arregalados, uma expressão de pavor cômica e eu apenas o correspondi meio a um sorriso divertido, com indícios de sarcasmos, é óbvio.
- Eu não sirvo cliente, mas posso fazer favores para amigos, não é ? – Me virei novamente para ele que estava com os olhos cravados em minhas pernas, levei minha mão ao seu rosto e acariciei seu queixo, levantando sua face para que olhasse nos meus olhos – Sabia que... – Eu disse com uma voz manhosa enquanto tirava minha jaqueta e jogava sobre a mesa – Desde o momento em que eu cravei meus olhos em você, não conseguia parar de imaginar como fosse ter um momento como este, com você? – Sorri cínica, colocando cada perna em uma lateral da cadeira de , me sentando sobre seu órgão e sorrindo ao sentir o volume delicioso já existente naquela área – Parece que alguém aqui em baixo gostou da minha companhia – Grudei meu corpo no de , ao colocar meus braços em volta de seu pescoço. Sentia os olhos de pesarem sobre mim enquanto, por visão periférica, reparava num borrão se mexendo sobre o mesmo, provavelmente a tapada da Cheyanne não percebera ainda que era eu quem queria naquela hora,ou pelo menos quem ele observava e concentrava sua atenção.
- Er... Jura? – se atrapalhou com as palavras e me respondeu entorpecido, eu acenei positivamente com meu rosto para ele, aproveitando o movimento para esfregar meu nariz no dele. por mais incrível que parecesse estava completamente envergonhado, qualquer homem nojento que existisse hoje em dia já teria me jogado cantadas nojentas e apertado minha bunda, porém repousou as mãos sobre minha cintura, e me olhava. Nos olhos.
- Não fique tímido, amor – Direcionei minhas caricias ao seu pescoço, o que levou seus pelos da nuca arrepiarem, passeava minha língua em meio a mordidas pela região, sorrindo e ele apenas fechou os olhos – Você já está neste nojo de casa não está? Seu amigo parece ter não ligado para o seu bem estar – Sorri, dando um selinho demorado pela primeira vez em , enquanto virava meu rosto para observar que me olhava com suas mãos cravadas na perna de Cheyanne – Eu estou aqui agora, posso fazer o que você quiser – Aproveitando os olhos de fixos em mim, direcionei meus olhos a novamente, o puxando para o nosso primeiro de muitos futuros beijo de língua.
- , tem certeza? – Ele colocou uma mão em meu rosto enquanto quebrava o beijo.
- Ah, mas o que acontece no Rockings, fica no Rockings, não é? – Mexi de forma proposital meu quadril que estava a cima do sexo de que já estava em chamas, causando um atrito confortante e tortuoso.
- Tudo bem – Ele suspirou, descendo mais um pouco sua mão até se chocar com meu traseiro. Ah, bunda, sempre a atração preferida pelos homens. Sorri para ele e me levantei, ainda com cada perna de cada lado de seu corpo, levei minhas mãos ao meu decote, o descendo um pouco; e depois coloquei as mãos de que estava intimidado, uma de cada lado de minhas pernas nuas, ficamos durante alguns segundos naquela posição, mas quando a música mudou e finalmente se encaixou no que eu estava precisando, me distanciei dele com dificuldade e me posicionei a sua frente. Bon Jovi parecia estar me perseguindo hoje. [n/a: Coloquem play na música!]

Shot through the heart and you're to blame (Atingido no coração e você é a culpada)
Darling, you give love a bad name! (Querida, você dá ao amor uma má reputação)


A vingança é simplesmente deliciosa demais e definitivamente um prato que se come frio, é o reconhecimento da ofensa e quem sabe, até mesmo uma espécie de justiça selvagem. Sorri, disposta a começar exercitar minhas habilidades locomotoras, minha dança para e somente para , em presença de e Cheyanne ao meu lado que segundo vai, segundo vem, cravavam os olhos sobre mim, somados com o público imenso do bordel que quem quer que fosse que estaria para entrar no palco, evidentemente teria menos importância social do que eu, e bom... Muito menos prática em relação a mim ao que estava fazendo, em modéstia parte, claro. Sem dúvidas nenhuma, isso vai ser hilário e igualmente delicioso!

An angel's smile is what you sell (Um sorriso angelical é o que você vende)
You promise me heaven, then put me through hell (Você me prometeu o céu, e então me pos no inferno)
Chains of love, got a hold on me (Correntes do amor me envolvem)
When passion's a prison, you can't break free (Quando a paixão é uma prisão, você não consegue se libertar)


Posicionei minhas mãos no zíper frontal de meu vestido ameaçando abrí-lo e comecei a dançar para que estava caído, já ofegante sobre a cadeira, com uma perna em cada canto, realçando mais ainda o volume que havia ao meio delas que me aprecia ser extremamente convidativo. Andei em volta de , ficando logo atrás do mesmo e joguei meu corpo sobre o dele, aproveitando o contato tão mínimo, rocei meu colo em seu pescoço, sentindo o cheiro delicioso de perfume masculino concentrado naquela região, não resistindo a inspirar sobre esta região do mesmo que notara o meu prazer e começara a sorrir maldosamente, enquanto me ocupava abrindo os primeiros botões de sua camiseta, depois de ter aberto pelo menos os cinco primeiros, direcionei minha mão para dentro da mesma, entrando em contato com sua atraente barriga de tanquinho que até segundos atrás achava que não existia, a mesma se contraiu logo ao sentir o contato de minhas unhas em seu abdome e aquilo só havia me atraído mais ainda, levando o que eu estava fazendo mais pra o lado íntimo e desejado do que continuar encarando aquilo como sendo uma simples dancinha para tirar o sono de . Quem diria, , por que eu nunca havia proposto uma brincadeirinha desta com você? Ele suspirou já entrando na brincadeira e ergueu seu pescoço para trás, enquanto levava uma de suas mãos até meu cabelo, o bagunçando enquanto ainda sorria e me observava. Quando já havia parado de me deliciar com seu pescoço e peitoral, depositei em sua boca fina um beijo atrapalhado, devido ao fato de estarmos de ponta cabeça um em relação ao outro. continuava me olhando, isso seria histórico... E dentro do ritmo.

Whoa! You're a loaded gun, yeah! (Uau! Você é uma arma carregada, yeah!)
Whoa! There's nowhere to run (Uau! Não há para onde fugir)
No one can save me (Ninguém pode me salvar)
The damage is done (O estrago está feito)


pegou minha mão que dedilhava sua clavícula e me puxou para o lado, dando a entender que me queria a sua frente, onde conseguiria acompanhar a cada movimento meu, me curvei sobre ele, colocando minhas mãos apoiadas na parte traseira de sua cadeira e encostei meu rosto ao lado da testa de , dando-lhe uma ótima visão de meu colo, quase que totalmente visível devido ao meu grande decote, ele dirigiu uma de suas mãos ao meu seio, o apalpando devagar enquanto beijava meu decote delicadamente, fui me distanciando aos poucos dele novamente, recomeçando a balançar meu corpo, me virei de costas para ele, peguei no palco a minha frente uma cartola que devia ter sido deixada cair por alguma stripper e coloquei, ouvindo a gargalhada de que estava me puxando novamente para si, levando suas mãos a minha cintura quando eu já estava no lugar imposto por ele, sentada em seu colo de costas para o mesmo. sem vergonha nenhuma, dirigiu sua mão a abertura de meu vestido, massageando cegamente meu sexo, sorri enquanto apoiava meu peso sobre o tronco forte dele, jogando meu pescoço que ficava encostado em seus ombros para trás, me dando uma passagem só de ida ao seu pescoço vermelho e extremamente convidativo.

Shot through the heart and you're to blame (Atingido no coração, e você é a culpada)
You give love a bad name (Você dá ao amor um nome mau)
I play my part and you play your game (Eu fiz o meu papel e você jogou o seu jogo)
You give love a bad name (Você dá ao amor uma má reputação)
And you give love... A Bad name! (E você da ao amor... Uma má reputação!)


Me ergui levemente, encostando minha boca no lóbulo de , roçando meus dentes ali, deixando escapar propositalmente vários gemidos fracos. Minhas pernas possuíam já vida própria, num ato de coragem, se abriam levemente para facilitar o contato do polegar do contra mim e ao mesmo tempo barravam o prazer que ameaçava vir, esmagando a mão de entre minhas pernas que se fechavam rapidamente. Ele sorriu e fechou os olhos, levou sua outra mão ao meu colo exposto e começou a massageá-lo, de vez em quando tentando arranhá-lo com suas unhas curtas.
Senti surpresa depositar dois dedos seus dentro de mim logo depois de afastar a barra de minha calcinha de minha intimidade, não poupei a intensidade do gemido que dei enquanto passava minha língua pelo seu pescoço e comecei a me movimentar sobre ele discretamente por estarmos em um local público, ao mesmo tempo, propositalmente, roçava minha bunda ao seu sexo extremamente enrijecido que estava quase me fazendo suplicar por um sexo urgente a ele. Depois de ficarmos nos roçando sobre a cadeira, me levantei desnorteada e novamente com certa dificuldade, coloquei uma de minhas pernas sobre a cadeira de e comecei novamente a dançar eroticamente no ritmo da música para ele que levou a boca os dedos que agora pouco estavam dentro de mim e depois ele voltou a colocar sua mão direita sobre minha coxa, a apertando com seus dedos grossos e fortes. Ainda me divertindo com ele e com a música, levei novamente minhas mãos ao zíper de meu vestido, o abrindo um pouco mais, dando-o visão de uma parte privilegiada de meu sutiã e do relevo de meus seios sobre o tecido.

Paint your smile on your lips (Pinte o seu sorriso nos seus lábios)
Blood red nails on your fingertips (Unhas de vermelho-sangue na ponta dos seus dedos)
A school boy's dream, you act so shy (O sonho de um garoto na escola, você se faz de tímida)
You're very first kiss was your first kiss goodbye (O seu primeiro beijo foi o seu primeiro beijo de despedida)


O psiquiatra tentava me puxar diversas vezes para ele, mas eu continuava resistindo a ficar somente em sua frente, em seu campo de visão, rebolando para ele, mesclando os passos de diversas dancinhas já treinadas em meu passado para apresentações do Rockings. Fui diminuindo o ritmo de meus movimentos enquanto me aproximava cada vez mais dele, até voltar a minha posição inicial, ficando sobre ele de pé e coloquei minha cartola em sua cabeça, fazendo ficá-lo com um rosto cômico, e segundos depois ele já havia mergulhado seu rosto em meu decote meio a suspiros. Sorri alto, lançando a que continuava ali me olhando e sofrendo as carícias da brutamonte da Cheyanne, um beijo ao ar.
- Awn, a gente vai se divertir tanto hoje – Levei minhas mãos aos cabelos de sua nuca, o puxando para trás, e ele assentiu para mim, com uma boca avermelhada e olhos semi abertos. Sentei-me sobre ele, aproveitando minha posição para morder sua boca e puxá-la de vagarosamente enquanto levava minhas mãos para o relevo que havia em sua calça jeans, colocando meus pés no chão para ter certa sustância enquanto facilitava o meu contato com o mesmo. Meu olhar para era discreto e habitual, fazendo questão de dizer em voz alta minhas próximas palavras, abri um sorriso maior ainda – Vamos brincar tanto, amor – Voltei minha atenção a que envolveu minha boca na sua, passeando sua língua ferozmente por toda minha região, um beijo delicioso que me obrigou a voltar a gemer. Num movimento brusco, percebi empurrar Cheyanne, que quase caiu no chão e sair daquele lugar.

Whoa! You're a loaded gun, yeah! (Uau! Você é uma arma carregada, yeah!)
Whoa! There's nowhere to run (Uau! Não há para onde fugir)
No one can save me (Ninguém pode me salvar)
The damage is done (O estrago está feito)


- , onde você vai? – Ela indagou furiosa e eu ri durante o beijo.
- Seus lábios – interrompia o beijo para falar, e agora que saíra dali, aquilo parecia não ter mais tanta graça se eu desconsiderasse minha excitação, óbvio. Emiti um som qualquer em meio aquele beijo rápido para que continuasse a falar, agora me concentrando mais forçadamente naquele delicioso beijo – Tão vermelhos... – Eu sorri para ele meio ao beijo, deixando de acariciar seu órgão, e deixando de vez meu peso cair sobre ele, rebolando levemente – Tão carnudos... – Ele mordeu meu lábio com força, me fazendo resmungar baixinho pela leve tortura.

Shot through the heart and you're to blame (Atingido no coração, e você é a culpada)
You give love a bad name (Você dá ao amor uma má reputação)
I play my part and you play your game (Eu fiz o meu papel e você jogou o seu jogo)
You give love a bad name (Você dá ao amor uma má reputação)
You give Love... (Você dá ao amor...)


- Gosta dele, não gosta? – O olhei nos olhos com um sorriso no rosto, sem parar de me movimentar sobre o seu colo, ele assentiu e começou a morder meu pescoço. Ergueu-me para trás, me segurando pela cintura e agora beijando meu pescoço. O envolvi com minhas pernas em torno das suas, ainda roçando minha intimidade na dele, ele suspirava sem parar e eu estava me segurando para não gozar ali, agora mesmo para ele.

Shot through the heart and you're to blame (Atingido no coração, e você é a culpada)
You give love a bad name (Você dá ao amor uma má reputação)
I play my part and you play your game (Eu fiz o meu papel e você jogou o seu jogo)
You give love a bad name (Você dá ao amor uma má reputação)


Meu sorriso ficava cada vez maior, quando reparei na figura de apoiada no balcão ao lado do bar, tomando um drink e me intimidando com um olhar extremamente furioso que me fazia arrepiar por inteira, passei a corresponder seu olhar, só que ao contrário dele, eu ainda estava sorrindo, sorrindo mais do que o recomendado talvez, mas sorria com vontade, e suspirava diversas vezes pelo conforto que não parava de me promover, oh , isto está tão delicioso, você não faz a mínima idéia do quanto. Ou talvez faça.

Shot through the heart and you're to blame (Atingido no coração, e você é a culpada)
You give love a bad name (Você dá ao amor uma má reputação)
I play my part and you play your game (Eu fiz o meu papel e você jogou o seu jogo)
You give love a bad name (Você dá ao amor uma má reputação)
You give love... You give love... A bad name (Você dá ao amor... Você dá ao amor... Uma má reputação)
You give love... You give love... A bad name (Você dá ao amor... Você dá ao amor... Uma má reputação)
You give love... (Você dá ao amor...)


- And you give love... A bad name – Repeti com a música e ao entender o que eu acabara de dizer para provocá-lo ainda mais, bateu seu copo, quebrando-o em diversos pedaços contra a mesa do balcão e foi embora daquele lugar, me lançando um último olhar de fúria e partindo em direção ao seu rumo tedioso, como o de sempre.
Senti o bolso da calça jeans de vibrar e podia ter me animado com aquilo se não fosse a denuncia de seu celular tocando. Revirei os olhos e bufou, endireitando nossa postura sobre a cadeira. Me depositou mais um longo selinho enquanto retirava da jeans o aparelho desprezível, parando de distribuir as caricias deliciosas que estava distribuindo em minhas regiões corpóreas mais erógenas.
- Só um minuto, – Ele suplicou e atendeu o telefone – Sim? ... Senador, o que aconteceu? – Ele perguntou intrigado e depois revirou os olhos – Tudo bem, eu vou para um lugar que tenha privacidade – Ele me afastou dele, obrigando-me a ficar em pé, depois colocou as mãos sobre seu telefone e me disse triste – Eu já volto, vou para um quarto falar com o senador e já volto aqui, me espere – Ele disse todo atrapalhada, me dando mais um selinho e passou rapidamente a mão sobre o meu decote, arrancando um sorriso entristecido de minha parte.
Estava sentada na cadeira aguardando já deveriam fazer uns cinco minutos, e nenhuma palavra poderia explicar minha situação melhor do que a tão cômica e cogitada expressão Broxei porque foi isso mesmo que havia ocorrido. Já me sentindo uma palhaça, porque esperava um cara que provavelmente não voltaria ao meu encontro por ter ficado assustado comigo me pendurando em seu pescoço, e de certa forma estava certo, tirei meu casaco da mesa, pegando de seu bolso um cigarro e um isqueiro, depois de acendê-lo e tragá-lo uma vez, coloquei minha jaqueta sobre o ombro, fechei meu decote e parti em direção á saída daquele maldito bordel, ignorando todos os mal amados que observavam cada movimento que eu tomava de bocas abertas, devido ao meu breve showzinho. Quando já estava no meio do caminho, percebi uma sombra vir por trás de mim e passei a andar mais devagar, na esperança de ser o e sorri, tragando meu cigarro. Meu sorriso sumiu no exato momento em que a pessoa misteriosa, em questão de segundos veio por trás de mim e colocou as mãos sobre minha boca, me impedindo de gritar, fazendo com que meu cigarro ainda aceso caísse sobre o piso de madeira. Meu coração foi a mil e meus berros abafados devido as mãos que os freavam se intensificavam cada vez que eu raciocinava o que poderia estar ocorrendo, havia um assassino maluco a solta e eu estava sendo... Seqüestrada? Balançava minhas pernas o mais rápido que conseguia e arranhava as mãos que estavam me imobilizando da cintura para cima, tentava dar cotoveladas e nada, qualquer tipo de golpe que tentava, não funcionava. Coloquei uma de minhas mãos sobre a mão que tampava minha boca, tentando tirá-la dali, e até mesmo tentando morde-la mas a força que o homem exercia sobre mim era tão absurda que não conseguia mexer um dedo dele sequer, poderia até mesmo ser o triplo da minha, mas a única coisa que sabia agora era que o desespero e luta pela sobrevivência me predominavam. Observei o caminho que o homem me guiava, já que golpeá-lo não dava certo, estava indo para o interior do Rockings, onde haviam os salões, a direção que ele tomava estava indicando que me levaria para a saída de trás do Rockings e menos possível, para o salão de jogos. Senti já o choro fluir em meu rosto, mas me mantive forte, segurando-o e voltando a estapear o autor de tudo aquilo, será mesmo que era aquele assassino? Aquele maluco com técnicas de tortura? Ai meu deus, eu estava desesperada, eu não poderia morrer agora, pelo amor de deus. As lágrimas passaram a correr pelo meu rosto e comecei a chingar as strippers que faziam o show de agora, por terem conseguido esvaziado todos recintos do Rockings e os clientes provavelmente estarem concentrados no salão principal. Eu não podia morrer, não podia. Mas espera. O homem que me segurava, chutou a porta do salão de jogos, dando entrada no mesmo recinto, ele fechou a porta de alguma maneira que não pude perceber, já que ouvira apenas o barulho da chave trancando-a e num segundo depois o homem me jogou contra a mesa de biliar que havia ao meio da sala, com uma força absurda, me fazendo cair sentada no chão agonizando pela falta de ar que aquele golpe em minha cintura me proporcionara, segurei o choro e tentei me levantar, ainda com as mãos em minha cintura, voltei a chorar, senti meu braço ser envolvido e apertado com uma força absurda, a mesma que usara para me jogara na mesa do meio da sala, me virando para o seu corpo, ao ver aquilo não acreditei no que estava acontecendo.

- Achou que ia ficar dando para o na minha frente e pronto, prostituta? – me empurrou mais uma vez para trás, me espremendo contra a mesa de biliar, seus olhos pareciam soltar faíscas de fogo e eu ainda com falta de ar, massageando minha cintura e sentindo minha lombar doer devido ao outro empurrão, não conseguia acreditar no que estava acontecendo, mas é óbvio que o medo havia ido embora como em um piscar de olhos e substituído por uma raiva absurda – Responde! – Ele berrou com o rosto a milímetros do meu, me forçando a piorar minha careta devido a intensidade de sua voz. Seu corpo estava grudado no meu e por mais que a hora não fosse adequada, era praticamente impossível não reparar no volume extremo que roçava a cada movimento que ele tomava, contra minha barriga dolorida.
- Eu... eu... você me machucou demais! – Não sabia o que dizer e apenas apalpei meu corpo dolorido devido a queda, novamente, ele gargalhou alto, de forma tão assustadora que havia cogitado a hipótese de ele ser mesmo o assassino e, estar ali prontinho para me estripar em mil pedaços, e foi devido a este meu último pensamento perturbador que arranjei uma força colossal vinda de não sei onde que me permitira empurrá-lo para longe de mim. O mais assustador de tudo foi o efeito nenhum que minha brutalidade causara nele, a postura que ele assumia, deixava claro que eu não possuía nenhuma influência sobre ele, seja física quando emocional, e aquilo era uma péssima desvantagem para mim na situação em que eu me encontrava.
- Eu te machuquei? – Ele perguntou ainda rindo, enquanto voltava a se aproximar de mim, totalmente possuído e eu não conseguia entender mais nada devido a dor que vinha de minhas costelas e a raiva imensa que estava sentindo devido ao susto que aquele filho da puta havia acabado de me dar e pior ainda, por ter achado que podia me machucar a troco de nada, sem ainda receber nenhuma punição – Você não viu nada, amor – Ele disse sério enquanto levava as mãos ao meu zíper do vestido, o abrindo em minutos e fazendo a parte de ferro voar longe, de tanta brutalidade que ele usara para o ato, enquanto segurava em sua mão esquerda, o que era meu vestido – Quero que você observe bem o que realmente é machucar uma menina indefesa, agora – Ele soltou mais uma risada cínica de sua especialidade enquanto envolvia minha cintura em suas mãos, na parte que mais doía e apertava de forma considerável, me levantando do chão. Ele estava totalmente bêbado. Ou não, estar bêbado para algumas pessoas é semelhante a estar com o ódio a flor da pele, e ele podia se encaixar neste padrão sem a mínima dificuldade.
- PUTA MERDA, PARA SEU DOENTE! – Eu berrei descontrolada, sentindo a área que mais doía de meu corpo sendo pressionada sem a mínima delicadeza e sem moderar a força, lancei uma de minhas mãos ao encontro de sua cara, dando-o um belo de um tapa na cara que fizera até eco na sala. Ele apenas sorriu, fechando os olhos e levando uma de suas mãos a região avermelhada
- Cala a porra dessa sua boca, porque ninguém mandou você mexer comigo – Ele disse pausadamente para mim, e mesmo com o ódio escorrendo de meu rosto ele não se intimidou, apenas voltou a sua posição ameaçadora e me empurrou novamente para trás, só que agora me fazendo ficar por cima da mesa de biliar – Você já testou demais minha paciência, auto controle, humildade, e muito mais. Agora está na hora de ver o que vai ganhar devido a todas as merdas que você já fez, amor – Ele disse rindo, se distanciando da mesa e jogando meu vestido que estava em uma de suas mãos para o outro lado da sala, fazendo-me deitar sobre a mesa agonizando, a dor estava imensa e o frio que senti chocar contra meu corpo que estava coberto apenas por minha calcinha e sutiã só piorou, fiz força para conseguir endireitar minha postura sobre a mesa e quando feito, me deparei com abrindo o zíper de sua calça que foi de encontro ao chão logo após do feito. Ele ao perceber que eu o observava gargalhando apenas me olhou indiferente enquanto tirava sua blusa, ficando de boxer preta logo na minha frente – Se quiser, eu não dou a mínima em fingir que não sei que você quer isto, tanto quanto eu – Ele disse com um biquinho no rosto, grudando seu corpo ao meu novamente. Encolhi-me com medo dele tocar a área dolorida de meu tronco outra vez e ele se sentiu mais satisfeito ainda – Sem nenhum problema – Ele deu ênfase e eu observei meu corpo sentado sobre a mesa todo deteriorado, toda a extensão de minha cintura assumia uma coloração mais avermelhada, me fazendo sentir cada vez mais dor. Assim como uma das laterais da cara de , e isso conseguia me divertir gradativamente.
- Você acha mesmo que transando comigo agora vai se sentir mais homem, ? – Perguntei ainda sorrindo para ele, enquanto envolvia a região golpeada com uma de minhas mãos, buscando o conforto – Você pode até fazer o que está pensando que vai fazer comigo, nós dois sabemos que vamos amar o resultado, mas isso não quer dizer que você vai ser melhor do que eu, também sairei daqui disposta e com o ego estourando por ver a reação que consigui causar em você com menos de uma hora de trabalho.
- É pagar para ver, – Ele sorriu junto a mim, voltando a envolver meu braço com sua mão e me puxando para a beira da mesa com brutalidade, eu respirava ofegante, entusiasmada e dirigiu suas mãos ao meu sutiã, o quebrando em duas partes e jogando no chão.
- Para! – Foi a minha vez de berrar com a fúria cedendo na voz a ele que continuou sorrindo e não demorou em tirar minha calcinha também.
- Não é isso que você quer sua, vadia? Desde que nos conhecemos você fica me atiçando, vamos transar logo, porra! – Ele me empurrou novamente, só que desta vez não tão forte, subindo na mesa sobre mim, me obrigando a deitar.
- Eu não discordei em transar com você, só não quero que isto além de me custar diversos hematomas, custe gastos também – Disse zombeteira, sentindo em mim a raiva que não parava de subir na cabeça de a cada palavra que eu dizia – havia adorou o sutiã que você acabou de transformar em trapos – Fiz um bico entristecido para ele que arregalou os olhos e assumiu força multiplicada para tudo o que fazia.

Ele rapidamente retirou a boxer e logo depois me penetrou com força, fazendo-me gritar ao sentir seu sexo pulsando e me invadindo da forma mais agressiva que podia. Ele começou a se movimentar rápido em mim, me rasgando por dentro e eu não pude evitar o prazer que aquilo me causava, agarrei com minhas mãos cada lateral daquela mesa e passei a gemer cada vez mais alto. dirigiu sua boca ao meu mamilo com força, o mordendo fortemente e sem nenhum cuidado, o machucando, mas ao mesmo tempo me deliciando, minhas pernas antes tímidas, agora se abriram do mesmo modo que meu braço, sendo direcionadas cada uma ao extremo para os lados contrários. Sentindo o prazer que por incrível que pareça, eu estava começando a sentir, não o tocava, apenas me retorcia sobre a mesa, agüentando suas caricias pesadas já que me intimidava ao tocá-lo. Ao mesmo tempo que minhas costelas latejavam dolorosamente, cada vez mais forte devido aos movimentos que agora era obrigada a fazer, minha intimidade consideravelmente dolorida gritava por socorro também, o sexo lubrificado de se deslizava incontáveis vezes em questão de segundos para dentro de mim e ele era tão delicioso, e ah... Grosso. Comecei a me mexer em seu vai e vem nada sincronizado, me deliciando mais ainda, ainda se ocupava com meus peitos. Sua outra mão apertava minha cintura dolorida, e suas estocadas mais fortes dedavam que já estava para ejacular. Senti uma corrente elétrica me dominar e sem me controlar, comecei a dedilhar as pernas de , próximas as minhas, seus músculos trabalhavam em desespero, se movimentavam rapidamente, era humanamente impossível parar de gritar em minha situação... Aquele misto de raiva, dor e extremo prazer estava me entorpecendo de tal forma que logo cedo me levaria a loucura. Levei minhas mãos a minha intimidade, massageando meu clitóris e sentindo melhor do que nunca o membro de molhado entrando e saindo de dentro de mim, sua glande ia até minha área mais profunda e voltava ainda berrando por mais, os testículos de se debatiam contra mim diversas vezes, aquilo não tinha como ser melhor, era impossível haver algo melhor. tirou a boca de meu mamilo que acompanhava a coloração avermelhada já de diversas partes de meu corpo e começou a beijar minha boca.
- Lábios vermelhos e carnudos, não? – Ele ao beijo mais usava seus dentes que sua língua, fazendo do impossível, possível para conseguir me torturar mais ainda – Não vai sobrar nada deles – Ele parecia estar falando sério, mordia cada canto possível de minha boca com força, enquanto de vez em quando passeava sua língua pela mesma, eu estava extremamente ofegante e dolorida, já sentindo o gosto de ferro fluir levemente em meu paladar, o empurrei partindo o beijo, mas ele voltou a avançar em minha direção e a única coisa a qual eu podia fazer naquela situação era entrar na brincadeira de , ele estava literalmente fora de controle, e no fundo, desconsiderando todos danos físicos que aquilo estava me custando (ou talvez seja exatamente por causa deles) eu estava simplesmente amando tudo aquilo. Quando ele havia envolvido novamente minha boca na dele, parti o beijo com um selinho atrapalhado e logo em seguida prendi meu dente no lábio inferior de , que fizera uma careta logo que meus dentes entraram em contato, sem medir minhas forças puxei o lábio dele para minha direção, sorrindo e ele fez o mesmo, voltando a envolver minha boca na dele, só que desta vez sem nenhuma violência, apenas em busca do contato de um beijo desesperado. Quer dizer, um beijo considerado bom no requisito sedução para mim e era algo suspeito para pessoas normais quanto a questão indolor, já que nos empolgávamos com facilidade e adorávamos aquilo.
me penetrou apenas mais uma vez com uma força tão colossal que me fizera berrar devido a dor que aquilo me causara e continuei gemendo depois, sem conseguir controlar muito bem meus atos e falas, eu estava agindo de tal forma descontrolada e descompassada que parecia estar sobre efeito de morfina. Ele segurou meus cabelos com força, me forçando a virar de barriga para baixo, eu mal conseguia me mover direito devido a dor, prazer e todos os sentimentos colossais que estava sentindo, mas do jeito que estava com medo dele, fiz o maior esforço que pude, com medo de ser vítima de mais alguma agressão. Não sei por que havia pensado que aquilo me livraria de agressões, pois apenas me abriu porta para mais. Ele insistia em agarrar bem na região dolorida de minhas costelas e puxou com força meu quadril para cima; segundos depois senti me penetrar rapidamente com seu membro deliciosamente frenético por trás. Ele levou suas mãos ao meu cabelo, fazendo um rabo de cavalo fraco ali e me puxando furiosamente para cima, me deixando de quatro. Ele continuava puxando meu cabelo para trás para amenizar o prazer e subitamente passei a sentir novamente aquele mesmo prazer absurdo, mesmo com as carícias agressivas de , com o objetivo de me aleijar ao amanhecer. Ele se juntou a minha posição, ficando sobre mim e levou sua boca a minha orelha, mordendo-a com certa força. Eu estava apoiada por meus dois braços na mesa, me segurando o máximo para não berrar mais ainda de dor e assimilar isto ao prazer que sentia.
- Não vai gozar, amor? Não precisa mais se segurar, eu sei o que você quer – Ele rosnou autoritário para mim que além de tudo que segurava, ainda arranjava uma força mínima para me locomover com dentro de mim, me obrigando a dá-lo prazer – Ou acha que os seus mil namorados conseguem fazer melhor? – Ele me penetrava cada vez mais forte, me fazendo ver estrelas no horizonte.
- Desgraçado – Ele sabia que eu não discordaria, porque no fundo, sabia igualmente que eu estava adorando tudo aquilo. Eu gemia baixo e ele ria ao meu ouvido, me assediando e violentando da forma mais deliciosa possível, era simplesmente bom demais sentir a dor que ele me proporcionava, eu nunca havia despertado nenhum indicio de masoquismo durante minha vida, mas o jeito bruto e o sadismo de nestas horas eram tão convenientes que me enlouqueciam como ninguém conseguia. Mas isto ele nunca precisaria saber.
- Prostituta – Ele revidou me deitando na mesa e me apertando ao máximo contra ela, me fazendo soltar o milésimo gemido de dor daquela noite que amenizou o ódio excessivo que senti por ele – Eu odeio você – Ele finalmente mergulhou seu membro pela última vez dentro de mim, permanecendo sentado ali, com o seu membro literalmente estocado em minha intimidade traseira, fazendo-me agonizar como nunca, aquilo conseguia ser a pior e melhor coisa do mundo, oh, ele ficou alguns minutos sobre mim se movimento minimamente, fazendo com que eu sentisse uma dor imensa e um prazer maior ainda. Quando ele voltou a se mexer dentro de mim, eu já não agüentava mais, sentia dores de tudo quando era parte de meu corpo e não havia como me satisfazer naquela noite, por isso agradeci mentalmente quando ele finalmente soltou seu líquido quente dentro de mim, que me fez arder por dentro. Eu continuava extremamente excitada, mas sem força nenhuma para conseguir gozar, e tenho certeza convicta que pelo menos hoje, ele não me ajudaria a chegar ao prazer.
se retirou de dentro de mim rapidamente, logo após eu sentir o contato de seu líquido em mim, fazendo-me agonizar ainda mais, pois não chegara ainda na conclusão se era melhor com ele ou melhor sem ele. Ele desceu da mesa e foi em direção ás suas roupas que estavam espalhadas pelo chão. Eu apenas me virei de barriga para cima sobre a mesa, coloquei as mãos na testa e continuei agonizando por todas partes de meu corpo que latejavam sem parar, e claro, eu ainda estava excitada. Os segundos se passaram e quando o relógio badalou anunciando o começo da madrugada, ouvi a porta do salão se chocar, indicando a possível saída de do salão de jogos, não antes do mesmo sorrir e me dirigir um “Passar Bem” num tom ignorante como o de sempre.
Não sabia se aquilo era bom ou ruim, não sabia se sentia prazer ou dor, não sabia se sentia ódio ou compaixão por , não sabia de nada. Tudo havia ocorrido simplesmente rápido demais e meu cérebro ainda estava assimilando a hora em que eu fora seqüestrada por um homem que segundos depois passara a ser nomeado por . Mas algo me diz que amanhã, quando eu já tiver pensado e analisado tudo o que ocorrera hoje, haveria morte na delegacia.

Narração em 3ª Pessoa ON
- A lua está extremamente brilhante nesta noite, não? – O secretário do governo sorriu para o Senador que estava ao seu lado, aguardando.
- Está espetacular – O senador sorriu observando a mesma logo em seguida.
- Continua chateado pela conversa que teve com ?
- Ele não quis nós dar se quer uma prova, considera nossas hipóteses absurdas, mas não me asseguro que aquele moço, Mike, consiga ficar tempo o suficiente na prisão a ponto de nós conseguirmos limpar nossas fichas e voltarmos ao nosso trabalho. Os policiais estão muito seguros de si, enquanto não possuem provas nenhumas nas mãos que possam incriminar o rapaz.
- Está tão confiante assim quanto as suas suspeitas em relação ao ocorrido, senhor? – O secretário arriscou-se.
- Preste atenção – John Cornyn apontou para a entrada do Rockings, de dentro de seu carro blindado, ele e seu secretário se abaixaram no carro, observando saindo do bordel aflito. O xerife terminava de colocar sua jaqueta e cutucava o bolso da mesma com uma expressão séria e brava, depois tirou do mesmo bolso seu distintivo, o depositando sobre o peito, John observava tudo milimetradamente sem deixar escapar nada. parou em frente a sua viatura e antes de entrar, olhou para os lados e atendeu um telefonema. Alguns minutos vagos se passaram e seus pneus cantaram devido a velocidade que ele usara para partir desesperadamente daquele local. Suspeito? Talvez.
- Ele age realmente de forma estranha senhor, mas não temos nenhuma prova, infelizmente. Nem ao menos uma desculpa para incriminá-lo.
- Existe prova ou desculpa mais alarmante do que a dos assassinatos terem passado a acontecer após a chegada dele? E ele sempre estar desaparecido quando ocorrem as chacinas? E de seu amigo... Podemos ferrar com ele também já que não quis nós ajudar.
- Talvez porque eles são da polícia e são quem cuidam disso, senhor.
- Não – John Cornyn ficou alguns minutos raciocinando suas hipóteses que poderiam fazer sentido mais tarde e depois dirigiu seu olhar novamente a saída do Rockings – Esta ai também pode nós livrar da forca, talvez.
- ? – O secretário alertou-se.
- Ela mesma, tudo indica ser uma amante do xerife, não duvido que os dois não estejam indo se encontrar em um lugar mais vago para planejarem o próximo assassinato. E ainda mais esta dela se infiltrar na policia me deixa com certa pulga atrás da orelha – Ele sorriu, observando a mulher atraente que caminhava em passos largos de forma esquisita em direção ao carro, ignorando os olhares dos tarados que andavam em volta do bordel enquanto conversava freneticamente no telefone. Cornyn a odiava, mas não conseguia deixar de se imaginar sozinho com aquela beldade durante uma noite – Caso esteja errado, seria ótimo vê-la atrás das grades também. É uma péssima cidadã que ocupa demais a polícia com suas revoltas aborrecentes. Além de tudo foi ela quem descobriu os dois assassinatos, um deles estando com e o outro agindo por conta própria.
E eles continuaram a observar caminhando em passos rápidos e descompassados até chegar ao seu carro. Sua expressão séria trazia mais alguma coisa consigo, talvez a insegurança, ou até mesmo o medo de ser pega no flagra, como as duas autoridades haviam assimilado agora mesmo. Nada se sabe, nas ruas de Beaumont todos passam a serem suspeitos, dos bêbados com armas nos bolsos até os gatos vira-latas famintos que vasculham os lixos do Rockings. Nada podia deixar de ser considerado. Muito menos analisado.
Narração em 3ª pessoa OFF


Capítulo 11
[n/a: Sugestão de música: Nishe – Muse]

Eram seis e meia da tarde, isso queria dizer então que fazia seis horas que estou sentada em minha cama, coberta por meu edredom, acreditando em minha própria mentira de estar assistindo o programa que está passando na televisão, o qual eu nem sabia o nome ou sobre o que se tratava, por sinal. Acordei por volta da uma e meia da tarde e permaneci em minha cama, não comi e nem bebi nada, apenas apertei o botão de minha televisão e sentei sobre a cama, a única coisa, além disso, que havia feito hoje tinha sido atender meu celular, depois de me certificar pelo visor do mesmo de que não era alguém que fosse outra pessoa a não ser , ela disse que passaria mais tarde aqui, e eu agradeci mentalmente por isso, precisava desabafar.
Não fui ao trabalho e acho que não é necessário explicações.
Era impossível expressar o quanto eu estava brava naquele momento, brava não, porque o que eu estava sentindo de verdade era a raiva extrema, acho que é o dia que estou mais estressada de toda minha vida, vencendo até mesmo a época que tinha que encarar a cara podre de Chandler todos os dias. A minha paciência sempre havia sido uma linha milimetrada entre a agressão física e o estresse, hoje, magicamente, pela primeira vez na vida ela sumira de minha vida, me impossibilitando de sair de casa, caso contrário eu espancaria o primeiro que aparecesse em meu campo de visão e simplesmente destroçaria ao meio.

- ... - Fechei os olhos sentindo me subir o sangue a cabeça e fechei também as mãos em formato de punho. Eu acho que nem Chandler, Steve e juntando toda aquela canalhada que morava no Rockings, incluindo até mesmo a Cheyanne, conseguia superar a imundície e asquerosidade que possuía, eu já não ia com a cara dele, mas depois de ontem vi o quão nojento ele é, e que preferia me envolver num ménage junto Chandler e Steve a simplesmente olhar para a cara de novamente, mas como sei que nada em minha vida podia ser perfeito, junto com minha sorte que nunca cooperou comigo em tentar ter uma vida feliz, tenho certeza absoluta de que ele vai ser a primeira pessoa que irei ver quando sair deste apartamento, seja no supermercado, no shopping, na delegacia e até mesmo no Japão ou na manicure, aquele canalha parecia estar condenado a me perseguir pelo resto de minha vida, e pensar nisso só aumentava minha raiva que me surpreendia com a habilidade em se multiplicar, parecia que eu estava com um buraco negro no fundo da garganta, estava com tudo entalado e não conseguia nem esperar a próxima oportunidade para me soltar, por isso eu estava me segurando, não me deixando sair da cama e tentando prender os olhos na televisão desde a hora que acordei. Às vezes, ou sempre, eu me odiava por ser complicada deste jeito... Mais um salve para mamãe e papai que me fizeram ser assim; isso é outra prova de como me deixo levar pelas pessoas, não existe dúvida de que a razão de meu mau humor é o que aconteceu em meu passado, e só de pensar nisso eu sentia mais raiva.
Raiva, raiva, raiva. Eu não aguento mais!

Ding Dong.

Minha salvação ao suicídio graças a Deus havia acabado de chegar. Levantei-me e corri para a porta, depois de alguns minutos me alongando devido ao formigamento que me deu na perna, talvez porque eu tenha dado uma de depressiva e não andava a quase um dia inteiro, e também devido à considerável dor que vinham de parte de minhas costelas inferiores devido aos carinhos de de ontem à noite, fiquei na frente da porta, ajeitando minha camisola curta, sem ligar muito por ser que estava para entrar. Abri a porta e forcei uma cara de quem havia sobrevivido ao dia, e... ?
Abri metade da porta e fiquei durante um tempo considerável encarando a silhueta molhada de , talvez devido à chuva lá fora, imóvel; ele estava com um pólo mostarda, junto a uma calça jeans escura, o seu cabelo estava ensopado e parte de sua franja bagunçada caía sobre sua testa, lhe trazendo um charme extremamente fofo de adolescente do colegial, depois de alguns segundos sem nenhuma manifestação, eu continuava a olhá-lo, e poderia continuar durante mais tempo se não fosse por sua voz preenchendo meus ouvidos de forma calma. Talvez minha salvação ao suicídio pudesse ter virado outra pessoa, pelo menos durante este momento.
- – Ele deu um passo em minha direção, sorrindo.
- ! – Abri o sorriso mais falso que já deveria ter dado em toda minha vida, e ele correspondeu, só que de boa vontade – Entra – Sai da frente da porta, só me ligando agora do carão que estava passando, tipo ficar observando molhado e não convidá-lo para tomar um chá quente – Eu... Eu vou trocar de roupa, já volto, quer alguma coisa? Toalha? – Sorri para ele, agora me divertindo com a situação e ele no exato momento em que disse que iria trocar minhas roupas, dirigiu o olhar ao meu par de pernas expostas devido ao curto comprimento de minha camisola. Isso sempre acontecia, era incrível o poder de uma coxa em atrair olhares masculinos, era quase que um dèjá vu diário se é que me entende.
- Não, eu estou bem... Escuta, aconteceu alguma coisa com você ontem? – Ele indagou sério enquanto dava um passo em minha direção e mexia no cabelo de forma frenética.
- Comigo? – Estranhei – Por que haveria algo de errado comigo? – Menti, haviam tantos motivos para eu estar numa clínica de loucos que fingi que esses mesmos motivos não passavam de pura imaginação neste momento, e era isso que estava fazendo o dia inteiro em geral, vegetando sentada enquanto tentava me conformar nas coisas que como sempre, só acontecem comigo.
- Você sumiu do Rockings ontem e hoje... Bom, você não foi trabalhar, achei que tivesse acontecido alguma coisa com você, até tentei te ligar, consegui seu número com o histórico da polícia, mas você não atendeu – Ele realmente estava falando com um jeito de quem estava preocupado e eu simplesmente me derreti toda e esqueci totalmente que precisava respondê-lo... E bolei a desculpa mais ridícula e convincente que pude para aquele momento de coraçõezinhos saindo pela minha face, como em desenhos animados de crianças.
- Eu... Quero dizer, não se preocupe , eu estou bem – Sorri, tentando confortá-lo, pois ele não abandonou desde a hora que entrou em minha casa, uma expressão mais séria e preocupada do que o habitual – Na verdade, ontem eu acabei caindo no Rockings e corri para casa, porque estava doendo bastante, desculpe não avisar, não devia ter ido embora sem dar satisfações, mas você sumiu – Tive que segurar minha vontade de dar risada devida àquela desculpa absurda, e apoiei uma de minhas mãos em minha mesa de bar, enquanto com a outra massageava a região de meu tronco que doía desde o carinho excessivo de ontem de .
- Nossa, mas foi preciso você voltar para casa? Deve ter sido feio – Ele fez uma careta – Já passou no médico? – Indagou preocupado enquanto cruzava os braços, e levava um deles de apoio ao seu queixo.
- Não, não acho que seja preciso, só doeu mesmo, mas fico lisonjeada por sua preocupação – Sorri novamente para ele que assentiu a mim e travou o maxilar.
- Você volta para casa de tanta dor que está sentindo e não vai ao médico para ver se aconteceu alguma coisa? Você é maluca? – Ele se aproximou de mim ainda preocupado – Posso dar uma olhada para ver se está tudo bem aí? – Comecei a negar com um movimento de protesto, mas ele não parou de falar – Nem pense, não vou te deixar dormir esta noite se você não me mostrar o que está acontecendo aí – Ele franziu o cenho.
- Tudo bem – Revirei os olhos, mas voltei a falar aborrecida – Mas me deixa então ir trocar de roupa, é na parte superior de minha cintura que bateu e eu estou de camisola... – Pedi a ele já indo em direção ao meu quarto, mas ele teimou em me impedir e voltar a falar preocupado.
- Em parte, eu sou médico , já vi de tudo quanto é coisa nesta vida que seja relacionada a esta área, vai ser até reconfortante ver que ainda existem mulheres com o seu tipo de corpo, se é que me entende, me deixe logo ver o machucado – Ele ao segurar minha mão, me puxou para que eu ficasse em sua frente, com uma distância mínima entre nossos corpos.
- Pode não parecer, mas eu sou envergonhada – Fiz uma careta, sorrindo e sentindo meu rosto corar, era tão cabuloso os momentos que eu decidia sentir vergonha, porque eles simplesmente não faziam o menor sentindo, eu me joguei ontem em cima de e acabei transando com em um salão de jogos, não senti nenhuma vergonha durante este processo, mas agora que estou para mostrar um hematoma que não devia estar nada bonito a um médico, meu rosto corava, e eu acabava ficando mais envergonhada ainda por ter pensado em tudo isso e chegado à conclusão que sou uma tremenda de uma filha da puta. Bom, com isso todo mundo deve concordar, mas não digo no sentido literal da palavra, a pesar desta expressão se encaixar direitinho ao meu estado materno.
- Ah , vamos – Ele sorriu para mim e eu agradeci mentalmente por não ter mentido em parte ou totalmente para , porque já pensou se eu não tivesse nenhum hematoma no corpo e ele desse uma de preocupado, como agora, querendo me examinar? Bom, a única coisa que conseguia ver de bom nisto além da vergonha me consumindo inteira e me dizendo que não havia lado bom, era que finalmente iria entender a razão das pontadas na região em que na verdade, eu fora golpeada por .
- , você é um chato – Resmunguei sorrindo para ele que se aproximou de mim, pegou a parte que possuía renda da barra de minha camisola e a puxou vagarosamente para cima, o ajudei no meio do processo e a ergui exatamente até onde estava o machucado, me segurando para não cair para trás ao me deparar com um enorme vergão arroxeado e ao mesmo tempo arroxeado na região que se localizavam minhas costelas.
- ! – Ele disse surpreso – Por acaso você decidiu se matar, se atirando na frente de um carro? – Ele indagou, dessa vez bravo, colocando suas mãos sobre a área que latejava de dor, eu não dei muita importância ao que ele falava, pois ainda estava querendo absorver o tamanho do machucado que me proporcionara, e meu ódio já incontrolável por ele, conseguiu magicamente chegar ao seu ápice, mas... outch! – Dói? – perguntou, enquanto dedilhava a região, ele estava um pouco curvado, aproximando o rosto de minhas costelas – Já vi que sim.
- Não faz isso de novo – Falei de forma mais rude e autoritária, estava sobre o efeito da dor e ainda obtinha uma careta desconfortante no rosto, se ele repetir aquela pontada eu possivelmente veria o anjo da morte, porque foi a pior dor que já havia sentido em toda minha vida.
- Você tem gelo, ? – Ele endireitou-se na minha frente e retirou as mãos da região dolorida, me fazendo dar graças a deus e assentir rapidamente – Você tem como colocar um pouco de gelo em um saco, para colocar ai embaixo enquanto eu te levo para o hospital com o meu carro? – indagou sério.
- Não vou ao hospital, , mas que exagero! – Disse mais alto para ele que forçou uma cara de tédio – Odeio esses lugares, hospital é coisa de gente que está morrendo, nem pense em querer novamente me levar lá, não tiro os pés de casa!
- Você pode ter fraturado uma ou duas costelas, pode ter tido até mesmo uma hemorragia, não é brincadeira , vamos para o médico – Ele me olhou autoritário.
- , qual é, vamos ficar aqui, você dorme aqui em casa, a gente vê filme e você se diverte comigo, mas não me obrigue a ir ao médico, pelo menos não hoje – Forcei a minha cara mais manhosa enquanto pegava um de seus braços e acariciava na maior tentativa de me livrar do hospital, e ele ergueu as sobrancelhas para mim, por um minuto eu achei que tinha conseguido me livrar daquele passeio desnecessário.
- Não me deixo levar por persuasões, , desculpe informar – Ele deu um sorriso esperto – É só um hospital, ninguém lá vai te morder ou algo do tipo, muito pelo contrário, vão cuidar de você e fazer esta coisa feia ai sumir mais rápido – Ele disse como se estivesse falando com uma criança.
- Tá, em algum dos seus estudos intelectuais relacionados à psiquiatria você teve que estudar esta vozinha pidonha aí? Porque sinto te informar, mas ela não convence a ninguém e muito menos eu – Eu balancei a cabeça negativamente arrancando uma gargalhada da parte dele – Precisa treinar melhor suas técnicas de persuasão, hein, amor – Dei um sorriso a ele que estava ainda gargalhando do que eu dissera.
- Você é impossível, – Ele revirou os olhos – Mas venha, vamos cuidar deste machucado ai...
- Nem pensar – Foi minha vez de revirar os olhos – Que tal uma xícara de chá de erva doce? Está frio demais para ficar saindo na rua todo molhado e muito pior, ficar tirando a roupa para médicos, com aquelas luvas brancas assustadoras – Forjei uma careta que fez ele sorrir junto a mim.
- Ahh – Ele fez um bico entristecido e tombou sua cabeça para o lado, fazendo-me estranhar por seu repentino momento de tristeza, algo extremamente estranho vindo de alguém que está sempre de bom humor.
- O que foi? – Paralisei o olhando preocupada.
- Certeza de que não está nem um pouquinho a fim de tirar a roupa para um médico hoje? – Ele sorriu maroto e eu abri a boca gargalhando e logo depois o fuzilei, com as mãos na cintura.
- Eu posso pensar no seu caso – Sorri para ele que aproveitou nossa curta distância para me envolver em seus braços e acariciar com uma de suas mãos a região machucada de minha cintura, a qual eu queria esquecer, se não continuaria me remoendo por não ter aplicado um golpe ninja em , no momento em que ele me causara aquele ferimento.
- Não é justo você apenas pensar no meu caso, , ontem você não me deixou em uma das minhas melhores condições emocionais ou físicas, se é que me entende – Ele me lançou uma piscadela e eu não me controlei a não rir, a real verdade era que era simplesmente impossível não rir perto de .
- Ah, você não pode reclamar de nada, ouviu senhor ? Porque não fui eu quem abandonou meu parceiro para atender um telefone no meio de um momento íntimo! – O provoquei e ele fez uma cara de quem estava magoado, mas logo em seguida revirou os olhos e o direcionou a minha boca, o mesmo fiz eu que passei a analisar a dele que era fina e estava entreaberta - Sabe, não é nada legal ficar vindo na casa dos outros sem avisar, – Sorri ainda com os olhos grudados em seus lábios que agora se curvaram timidamente, e segundos depois eu já estava mergulhando em seu paladar extremamente delicioso.

tirou sua mão que massageava a região ainda dolorida de meu corpo e percorreu toda a extensão de minha cervical até chegar a minha nuca, quando sua mão repousava sobre a mesma ele passou a massageá-la enquanto dava leves pressionadas na mesma para que nosso beijo se tornasse mais profundo, o beijo de não estava se saindo como o de , meu beijo com sempre fora muito desesperado e excitante, sempre rumo ao sexo ou ao quase sexo, já com era um beijo mais calmo e confortante, talvez algo que se encaixasse exatamente com a ocasião devido a como eu estava me sentindo hoje, alguém para me mimar e cuidar de mim seria ótimo uma vez na vida, e parecia estar disposto a fazer isso, o que me fazia ficar cada vez mais afim de realmente levar minha proposta de fazê-lo dormir aqui para que nos divertíssemos a sério. A sua língua percorria cada parte de minha boca e a minha tentava acompanhar a dele, o gosto de menta que ele possuía em seu paladar era extremamente viciante, tornando aquele beijo um pouquinho mais desesperado em relação a mim, quando intensifiquei minhas caricias na língua dele, senti o mesmo curvar seu lábio discretamente, em sinal da formação de um sorriso ali, fiz o mesmo e levei minhas mãos aos cabelos macios dele, me guiou cegamente para trás, tomando certo cuidado para não encostar em meu machucado, enquanto nos beijávamos e quando senti a parede fria em contato com minhas costas soltei um suspiro aprovando aquela situação, era tudo o que eu precisava, sabia que cuidaria bem de mim e só em pensar em alguém que não estivesse comigo por interesse físico eu já me deliciava por si só, talvez por ser algo que acontecesse de vez em nunca, mas quando direcionou seus beijos ao meu lóbulo, um barulho terrivelmente irritante e desnecessário ecoou na sala.
Telefone maldito.
como da água para o vinho, passou a ser a pessoa mais desprezível de meu dia, no começo eu a queria comigo para eu me achar na minha vida e desabafar um pouco em relação às coisas que aconteceram ontem, mas agora com a companhia de , desejava carinhosamente que minha melhor amiga se mantivesse longe de minha casa pelo menos até amanhã. parou suas caricias e se virou em direção ao telefone e eu apenas olhei na direção do mesmo, também, enquanto revirava os olhos pelo momento inoportuno em que resolvera ligar para mim.
- Desculpa... Só um momento que deve ser a minha amiga – Me distanciei de que se despediu de mim com um selinho rápido e foi se sentar no sofá que era na frente do sofá.

- Alô? – Indaguei já esperando a voz aguda e desafinada berrando do outro lado da linha e foi exatamente isto o que aconteceu.
- , moreco! Só queria avisar que está com um puta de um engarrafamento aqui na Street Valley, então vou demorar um pouquinho, mas não coma nada, porque o jantar é por minha conta!
- Tudo bem, – Respondi sorrindo – Faça o máximo ai – Disse a ela, pensando que o exatamente contrário acontecesse, sim ela é minha melhor amiga e tals, mas tem uma coisa que podia me dar que talvez conseguisse melhorar meu bom humor que nem sonhando me daria... Não custava nada tentar melhorar meu mau humor com ele, não é mesmo? Hoje eu realmente estava matando cachorro a grito.
- Tá bom meu xuxú, até mais tarde, beijinhos! – Ela desligou o telefonema.

- Ahn... – Desliguei o telefone e me virei para que continuava me olhando sorrindo – O que foi? – Eu indaguei, estranhando o seu bom humor.
- Nada, só te acho divertida – Ele deu de ombros, já se levantando e vindo em minha direção – Mas falando sério agora, ... Você tem um pouco de gelo? – Ele parou em minha frente com as mãos dentro de seus bolsos da calça jeans escura.
- Eu tenho está no freezer, pode deixar que eu busco – Parti em direção a minha cozinha que era ao lado da sala e ele segurou meu braço, me levando até o sofá.
- Nada disso, a única coisa que você pode fazer hoje é ficar sentada enquanto eu cuido de você – Ele disse rindo, enquanto ia em direção a cozinha que como era divida para a sala apenas por dois balcões, pude continuar o olhando enquanto revirava os olhos – Só me diga onde você tem algum saco – Ele disse seco enquanto abria meu freezer e tirava dali uma forma de gelo.
- Na maçaneta de trás da porta para a lavanderia, tem uma embalagem de pano com um monte de saco de plástico dentro – Disse com tédio a ele que não hesitou em correr para a direção e depois foi até a pia e torceu a forma de gelo, deixando cair sobre o saco diversos cubos congelados de água – Ah você não vai colocar isto na minha barriga, sério, está muito frio – Eu franzi o rosto, com uma cara triste e ele abriu mais ainda seu sorriso enquanto vinha em minha direção.
- Sim senhora, deixe de ser marrenta, porque você precisa sumir logo com esse hematoma feio da sua barriga linda – Ele fez uma voz de quem estava falando com criança novamente e eu arregalei os olhos gargalhando, em seguida dele – Estou brincando, mas a parte de sumir com isto daí está certa, está muito feio , daqui a pouco eu te levo para o médico - Ele se sentou do meu lado e colocou as mãos na barra de minha camisola novamente.
- Nossa , vai fazer direto desse jeito? – Indaguei e ele me olhou confuso – Pular as preliminares e tudo! – Torci o rosto e ele revirou os olhos enquanto colocava o pedaço de pano a cima do ferimento e depois de um segundo colocou aquele saco congelador sobre, me fazendo fazer uma careta – Outch! – Fechei os olhos tentando amenizar a dor somada com aquele excesso de frio sobre mim.
- Desculpe, mas não tem outro jeito – Ele fez uma cara triste enquanto passava cuidadosamente a embalagem gelada sobre todas as extensões de meu machucado – Mas se você não quiser mesmo ir ao hospital e sim ficar dormindo em casa hoje, não tem outro jeito, podemos até cogitar a hipótese em deixar de ir se o gelo conseguir amenizar um pouquinho desta coloração roxa, parte de seu sangue está preso e não está circulando, precisa de um estímulo que talvez o gelo nos dê.
- Ah sim – Olhei para ele que agora estava no chão, curvado em minha direção enquanto olhava atentamente para o meu machucado, o massageando de vagarosamente que se não fosse pelo gelo em sua mão, até poderia considerar uma carícia gostosa – Está passando – Exclamei observando agora parte da coloração se embranquecer.
- Viu – Ele disse orgulhoso – Até que meus conhecimentos fora da área da psiquiatria não são tão chulos.
- Claro que não são, você teve que fazer seis anos de medicina geral, ! – Disse indignada – Um absurdo você achar uma coisa dessas. Mas... – Comecei a falar incomodada – Não sinto direito nenhuma região de minha lombar.
- Tudo bem, gelo tem efeito anestésico, – Ele me olhou sorrindo e depois voltou seu olhar ao machucado – Mas acho que já deu por hoje, mas isto não quer dizer que amanhã você não vai ter que ir ao médico, esse ferimento não vai passar do nada – Ele finalizou enquanto se levantava e num ato inesperado a parte, o nó que havia no saco se desfez, derramando sobre mim diversos cubos de gelo com um pouco da água fria dos gelos que se derreteram.
- Ah! – Soltei um berro aflito e ele rapidamente foi me ajudar – Que frio! – Lamentei sorrindo da cara dele que estava extremamente assustada.
- Desculpa ! – Ele disse tirando diversos cubos de mim e eu gargalhei da cara de horror dele – Sou muito atrapalhado – Ele revirou os olhos bravos.
- Calma, , são só gelos – Eu sorri para ele que voltara a ficar curvado a milímetros de mim e espontaneamente, coloquei minhas mãos ao redor de sua nuca, o obrigando a ficar sobre mim.
- Você é maluca – Ele reclamou enquanto fazia a minha vontade e eu o mostrei a língua, arrancando um sorriso torto do rosto dele.
- Só um pouquinho.

Depois disso e de alguma forma termos conseguido deitar sobre o sofá com ele por cima, mergulhamos novamente em um beijo calmo e ao mesmo tempo urgente, nossas línguas já apresentadas se encontravam e se acariciavam a todo momento de forma cada vez mais deliciosa, estava sobre mim, com uma de suas mãos envolvendo minhas costas, mas parecia tomar todo o cuidado do mundo para não tocar a região que doía, quando estávamos realmente sem ar, afastávamos nossos beijos e mordiscávamos nossos lábios, como se tudo já estivesse combinado, e quando estava pronto para me dar mais um daqueles beijos deliciosos eu peguei um gelo que estava dentro do saco sobre a mesa de centro da sala e o coloquei em minha boca, ele me lançou um sorriso cafajeste e não hesitou a voltar a envolver minha língua agora acompanhada por um frio gelo que deliciava mais o beijo com o impacto que causava em nossas bocas extremamente quentes, agora nossas línguas travavam uma batalha de forma engraçada pelo cubo de gelo, o passando para a boca de um e do outro diversas vezes, quando eu finalmente consegui voltar com o gelo ao meu paladar ele quebrou o beijo rapidamente e murmurou – Delicioso – e poucos segundos depois já estava novamente dentro de minha boca, disposto a não deixar barato a nossa brincadeirinha infantil, mas extremamente deliciosa. A mão de envolveu meu rosto, deixando seu dedão sobre os seios de minha face, apertando mais ainda aquele beijo delicioso, sorriu durante o beijo e quando finalmente o gelo se desfez em nossas bocas, ele o partiu e me olhou sorrindo com a boca extremamente avermelhada, e se a dele estava avermelhada eu não queria nem cogitar o estado que a minha poderia estar – Você é maluca – Ele repetiu sorrindo para mim enquanto aproximava seus lábios do meu novamente, em busca de um selinho tranqüilizador, já que nossos corações foram a mil com esta brincadeirinha de cinco minutos. E quando o selinho estava se aprofundando, decidido a se transformar em mais um beijo, um barulho extremamente irritante voltou a ecoar em minha casa, e por mais que nomeasse os telefonemas como causadores de minhas dores de cabeça, havia algo pior... A campainha.

Ding Dong.

Nosso beijo se desfez e ambos olhamos para a porta, bufei irritada e me respondeu com mais um selinho que só me deixara com uma vontade desgraçada de quero mais. Hoje eu iria matar a minha melhor amiga.
- Pode deixar que eu abro – Ele partiu na minha frente, indo em direção da maçaneta, depois de custar a se levantar de sobre mim, e cambalear um pouquinho.
- É uma amiga minha que veio me visitar – Eu parti em direção de , decidida a pedir que viesse amanhã de manhã conversar comigo e não mais agora, mas antes mesmo de conseguir chegar até a porta, ele a abriu e... Ah, merda.
- disse surpreso, ainda sem dar passagem para o mesmo entrar em meu apartamento – O que está fazendo aqui? Quer dizer, oi... – Ele passou a mão sobre o cabelo, ajeitando-o, eu ainda estava imóvel sem saber se expulsava aquele desgraçado de minha casa ou se o puxava pela gola de sua camisa para espancá-lo até a morte. Olha , eu tentei ficar longe de você, mas você me procurou, então quando estiver prestes a morrer em minhas mãos, não diga que não foi sua culpa.
- – Ele disse com a voz tediosa e entrou em minha casa sem esperar a permissão, ele também usava uma calça jeans escura, com uma blusa branca e uma de suas incontáveis jaquetas de couro – – Ele sorriu... Cínico. Neste momento eu já havia pulado do sofá e estava com as mãos em formatos de punho novamente, sentindo toda minha raiva subir a cabeça e fazendo do impossível, possível para não pular no pescoço daquele desgraçado agora mesmo e despedaçá-lo em não sei quantos pedaços.
- O que você quer aqui? – Indaguei com a voz trêmula de tanto ódio que havia acumulado ao longo do dia e da noite em relação a , ele colocou as mãos nos bolsos e olhava para mim e para , diversas vezes – ! – Chamei sua atenção, esperando uma resposta convincente, caso contrário eu não mediria minhas forças ao matá-lo. Poderia parecer ridículo o ódio que eu estava sentindo por ele, mas depois de ontem parecia que a aversão que já sentia por ele tinha se multiplicado mil vezes. E com motivos.
- Você estava esperando ele, ? Eu posso voltar depois se quiser e... – voltou a falar, mas eu o interrompi, disposta a ignorar seu futuro discurso de corno manso.
- Não, eu não estava esperando ninguém, nunca chamaria um idiota feito ao meu apartamento, não precisa ir embora, você pode ficar – Dei ênfase no “você” e antes de voltar a falar com , ele tentou falar antes, dirigindo suas palavras interrompidas por mim e olhar para – Mas ele pode sair de minha casa e aproveitar para sair de minha vida também.
, você não devia estar fazendo para mim o diagnostico de transtorno psiquiátrico de Zachary Defferson, para o julgamento que vai ter amanhã logo cedo? Ou você já o terminou? Difícil de acontecer, para algo que pedi apenas há algumas horas atrás – o olhou com o mesmo olhar que usara quando havia visto meu ferimento, sorriu vitorioso de forma discreta, mas que eu havia visto e depois olhou para mim novamente. Eles supostamente, não deveriam ser amigos?
- Eu ainda tenho que fazer... Droga - reclamou atrapalhado, colocando as mãos sobre a cintura e olhando preocupado para o nada – Eu vou fazer e te levar o documento sem falta amanhã na hora da cerimônia, , não se preocupe... Bom, preciso ir então – Ele passou a se mover de forma frenética e apareceu do meu lado com uma cara tristonha – , se cuida, vai ao médico, nem que seja amanhã de manhã, mas consulte alguém, isso daí está muito feio para ser ignorado – Ele sussurrou para mim, sério, eu assenti e ele me deu um selinho que me pegou de surpresa – Até amanhã, tampinha – Ele sorriu para mim que fiz o mesmo e depois bateu nas costas de que forjou um sorriso e se despediu do amigo.

fechou a porta. A partir do momento em que ouvi o estalo da porta se fechando, cogitei sair correndo para a cozinha e pegar minha peixeira de fatiar carne para me proteger de que provavelmente arranjaria um motivo para surtar cedo ou tarde, mas no estado capenga que eu estava, qualquer um conseguiria correr mais rápido do que eu, então optei por ficar parada no local onde eu estava, olhando para o chão, mas ao mesmo tempo observando , que estava parado a minha frente, por visão periférica, preparada para recuar, o bater ou qualquer coisa do tipo a qualquer momento. passou a ser um cara muito suspeito para mim depois de ontem, não sabia que era tão agressivo e confesso que me assustei bastante quando presenciei ao vivo e a cores o que ele realmente era.
- Falta ao trabalho e além de tudo fica de namorinho com um dos meus melhores funcionários, ? – Ele indagou, se sentando espaçoso sobre meu sofá que antes estava preenchido por mim e por – Assim não vai dar – Ele disse, lançando um olhar estranho e rápido aos gelos que estavam no saco plástico, sobre a mesa de centro da sala.
- Olha , eu não sei por que você está aqui e muito menos o porquê de você estar dizendo todas essas baboseiras para mim, porque caso não se lembre, eu não devo nenhuma satisfação sobre minha vida a você, quanto a sua perseguição repentina em minha vida, também o considero algo absurdo e doentio, porque eu não te devo nada e mal te conheço, é errado você ficar enchendo minha paciência, me procurando em todo santo lugar da cidade, vindo na minha casa, e pior de tudo, me agredindo, porque como eu acabei de dizer, não devo nada a você, sou livre e adoro isso, então tenho aversão a gente grudenta, por favor, me delete de sua vida que eu farei o mesmo – Corri com minhas palavras, me perdendo um pouco no pensamento, mas no final, satisfeita pelo efeito que causara nele que ficara em silêncio.
- Sabe, você me deve sim satisfações de sua vida, porque sou seu chefe – Ele deu ênfase em seu papel superior a mim e eu apenas revirei os olhos percebendo que ele estava disposto a continuar aquela discussão que eu já não agüentava mais, pois havia dado inicio a mesma desde o dia em que nos conhecemos – Mas não precisa começar a berrar , eu vim aqui só para te falar algo relacionado a Mike, já que a folgada em questão me fez o favor de faltar no trabalho.
- Imagino que saiba o motivo, já que ontem você bancou o menstruado e me tacou feito uma bola de golfe contra a mesa de biliar daquela merda de bordel! – Toda seriedade que havia conseguido adquirir para falar com aquele aprendiz de verme se esgotara e aquela vontade incontrolável de matá-lo havia acabado de voltar e eu não me garantia mais em conseguir segurá-la.
- E a criança ficou magoada e chorou? – Ele tombou a cabeça em sinal de cansaço – Imagino que prostitutas como você conseguem agüentar bem o tranco, ou será que nem isso você sabe?
- Olha, seu merda, eu já te disse mais de trocentas vezes que não sou e nem chego perto de ser uma prostituta – Apontei meu indicador a ele, arranjando forças do além para não dar a ele um belo de um tapa na cara novamente, ou coisa pior – Não sei por que você faz questão de repetir isto todo santo dia, se é para me irritar ou ficar me cutucando ai já não é da minha conta, a única coisa que eu sei agora é que eu já não estou agüentando mais todo este desespero que você tem em entrar na minha vida e estragar tudo o que vê pela frente!
- Eu não vim para brigar mais, . Isso já desgastou demais nossa relação, tanto que agora toda vez que me deparo com você sinto uma vontade imensa de sair correndo feito uma criancinha, o assunto em questão agora é outro.
- Estou pouco me fodendo para o assunto que você quer que esteja em questão ou não, o fato é que eu não te agüento mais e quero você bem longe de mim, como você, eu ao te ver também sinto a maior repulsa de todas, então vamos fazer o melhor para todo mundo e não se ver mais, porque não dá mais , eu nunca senti uma vontade tão imensa, insuportável e quase que incontrolável em socar ou até mesmo matar uma pessoa, como a que sinto quando estou com você ou quando você simplesmente abre a merda da sua boca, então pare de me procurar!
- Todo esse estresse por que eu falei sua profissão em voz alta, ? – Ele me perguntou enquanto dava mais um de seus sorrisos zombeteiros, se levantando do sofá e vindo em minha direção – Não sei por que isto te afeta tanto, precisamos nos acostumar com a realidade, caso contrário ela vai acabar nos consumindo – Ele finalizou, já em minha frente, enquanto passava as mãos sobre o meu cabelo.
- Eu. Não. Me. Prostituo. – Fechei os olhos amenizando todo indicio de paciência que ainda sobrevivia em minha mente – Vai embora – Abri os olhos com ódio, ódio que acabara de se multiplicar devido ao extremo bom humor que aquele filho de uma égua ainda esboçava em seu rosto. ainda sorria e se aproximava de mim com suas mãos agora soltas, paralelas ao seu corpo – Nem pense – Semicerrei os olhos ao vê-lo se aproximar de mim.
- O que disse de seu machucado? – Ele ficou a poucos centímetros de distância de mim, colocando a mão cuidadosamente na lateral de meu corpo, o local que ele conhecia muito bem por ter danado na noite passada – Foi só um arranhão, – Ele dirigiu sua atenção visual até o local, enquanto passava suas mãos ali de forma até que gostosa, todos meus músculos estavam contraídos e eu permanecia parada feito uma estátua, me preparando de alguma forma a revidar a agressão que ele ao menos pensasse em tomar - Não foi por querer, ontem você me estressou bastante... Assim como agora – Uma onda de calafrio seguiu em meus membros fazendo-me acordar daquele carinho confortante.
- Eu te aborreci? Eu? – Indaguei para ele que agora aproveitava o ângulo que sua cabeça estava inclinada para analisar parte de minha coxa seminua, sorrindo. Realmente vocês homens são os maiores filhos da puta e sim, vocês só sabem pensar em sexo.
- Você, ficou arrastando asinha pro na minha frente não ficou? Você ficou dizendo coisas deliciosas no ouvido do , não ficou? Você tocou nele, não tocou? – passou a esboçar um sorriso extremamente maligno, digno de uma pessoa com raiva, eu apenas ergui minhas sobrancelhas assustada, a qual é, ciúmes? Sério mesmo? – Então sim, você me aborreceu, e muito.
- Você é muito cheio de si , qual é, agora eu sou sua? Não confunda trabalho com casamento, posso te garantir que ambos os postos são extremamente apolares um do outro. Mas ciúmes? Você tá com ciúmes de mim, Rob? – Fiz um bico provocativo para ele que desfez parte de seu sorriso e franziu o cenho, agora realmente adotando uma expressão de alguém bravo.
- Eu não pensaria nem duas vezes antes de recusar a proposta de casamento de uma prostituta, não deve existir coisa mais nojenta e impura do que isso – Ele revidou, dando de ombros, ainda com o corpo a centímetros do meu.
- Qual é a sua ? – Dessa vez foi minha vez de berrar – Por que insisti tanto em ficar falando que sou uma prostituta? É algum tipo de luta interna com você mesmo para deixar de se apaixonar por mim, ou deixar de ter esta possessão maluca por eu supostamente ser uma prostituta? Todo mundo sabe que eu não sou prostituta, e eu já contei para você parte de minha vida, e do que aconteceu comigo, acho que você já deve ter uma idéia de como meu passado foi e sim, lá para trás eu já fui uma prostituta, mas por obrigação! Se não eu morria e matava minhas amigas de fome, acho injusto você ficar jogando isso na minha cara, porque como já falei no inicio de nossa conversa, eu não sou sua, e não te devo satisfação alguma, mas pare de ficar me dando patada de graça, porque aqui as coisas não são tão fáceis assim como você pensa – Percebi mudar sua expressão de macho a partir do momento em que eu mencionara meu passado, neste ponto da conversa ele já adotava uma cara de nada, observando-me enquanto falava. Podia ser apelação e o cú a quarto eu mencionar meu passado, mas eu já não agüentava mais aquele desgraçado jogando na minha cara algo que tenho aversão e muita vergonha de já ter sido – Chega! – Finalizei e ele abriu a boca diversas vezes para falar algo, quando finalmente estava prestes a falar, interrompi ele novamente – Chega de ficar brincando de ofender um ao outro, chega dessa pouca vergonha de trabalho sem motivo, chega desse grude todo e chega dessa perseguição maluca. Por favor me deixe em paz, você não sabe o tamanho da força que estou tendo que fazer sobre mim mesma, para me controlar a não te matar com minha maior faca da cozinha!
- Tudo bem – Ele finalmente falou – A gente pode passar a não se ver mais, , só na carga horária de trabalho que como já te disse, é inevitável conseguir te tirar de lá, você está lá por ordem de Cornyn e não por que eu quis, agora se até lá você quer se vê longe de mim, é um caso a se tratar com ele e não comigo.
- Eu não sei, vou decidir tudo amanhã, não quero mais pensar em coisas que me estressam por hoje, porque foi exatamente isto que fiz durante o dia todo – Passei a mão em meu cabelo rapidamente, num ato de rotina, para ajeitar minha franja – É bom você saber disto também, caso se sinta mais enfurecido pela idéia barata que já deve ter criado quando a eu ter ido me prostituir ou algo do tipo.
- Antes de você dar este ataque todo... – Ele abaixou a cabeça pensativo – Eu na verdade vim aqui só para te informar que a libertação provisória de Mike vai acontecer em dois dias, lá pelas sete horas da noite, ele precisará de alguém que o busque e deverá obrigatoriamente estar acompanhado pelo seu advogado.
- Era só isso? – Indaguei ainda obtendo muito ódio daquele miserável circulando em minhas veias, tão presente quanto o oxigênio que filtrava todos meus tecidos.
- Na verdade sim – Ele concluiu.
- Podia ter me informado por telefone, por O’Connell que é meu vizinho ou até mesmo por que estava aqui a pouco tempo, duvido que seja uma informação sigilosa – Disse com desinteresse, já observando a silhueta de indo em direção a porta de saída de minha casa.
- Pois é, eu podia – Ele torceu a maçaneta e se colocou do lado de fora de minha casa, quando estava prestes a fechar minha porta e finalmente sumir de meu campo de visão, falou em palavras baixas e tímidas – Talvez eu tenha me enganado por querer ver como você estava, ou por simplesmente para pedir desculpas por ontem. Mas ato falho de minha parte, como sempre acontece quando você é o individuo em questão.

Cinco minutos depois. Eu estava imóvel desde o estalo da porta se fechando. Ok, o que havia sido aquilo? A minha cabeça realmente estava em um nó de dez voltas, vamos recapitular... Ontem eu encontro quase que transando em público com Cheyanne, num ato de raiva eu parto para cima de , friamente o usando para lembrar que se comia com aquela maldita bem no lugar em que nos conhecemos que eu existia, hoje eu passo o dia inteiro sentada em minha cama buscando algum conforto, mas conseguindo apenas um grande par de horas para me martirizar dos acontecimentos de meu passado recente e longínquo, mas bate a minha porta, disposto a um simples bate papo e provavelmente com intenções, além disso, super sorridente e cuidando de mim, mas chega e o expulsa, me xinga, a gente briga e ele vai embora com uma frase de arrependimento ou algo do tipo? Calma mundo, é simplesmente uma carga muito grande para o tranco que consigo agüentar, eu estava totalmente perdida. E por mais confusa que eu estivesse, uma pergunta não parava de martelar em meu cérebro, me impossibilitando em pensar em qualquer outro assunto. Os dois policiais estavam tendo uma quedinha por mim? Não, seria algo bizarro demais, na verdade, praticamente impossível em acontecer, mas estou começando a entender a frase que soltara segundos antes de fechar a porta de minha casa, pelo menos para os mais sãos, era impossível você agredir alguém e posteriormente não se sentir culpado, e deve ter sido isto que havia ocorrido com , um mínimo arrependimento pelo machucado que me causara ontem, já o fez vir em minha casa para se desculpar de alguma forma, da forma dele. E ... Não havia uma explicação muito racional para a vinda dele hoje em minha casa, ele devia estar precisando aliviar depois de ontem ou algo do tipo, alguém para conversar, e essas coisas... era muito preocupado e responsável, conseguia me tratar com respeito, mas como , também devia possuir uma imagem suja em sua cabeça de mim, acreditando que eu realmente era uma prostituta ou algo do tipo, porque pelo jeito era somente isto que o mundo inteiro conseguia pensar de mim e...

- Hello? – estalava os dedos ao lado de meu ouvido, enquanto me olhava com uma cara assustada, acordei de minha transe, fazendo com que eu desse um pulo de susto – Tá viva, meu deus, aleluia irmão! – Ela jogou as mãos para cima, elevando seu ar teatral para sua voz de padre de igrejas evangélicas ou super crentes.
- – Disse ainda assustada – Faz quanto tempo que você está aqui? – Indaguei enquanto passava as mãos sobre minha nuca, tentando acordar totalmente da transe, já que parte de meu corpo permanecia dormente.
- Eu cheguei faz uns cinco minutos, mas a senhorita ai ficou paralisada, fiquei sem saber o que fazer – Ela fez um bico mau humorado – Ai ném, trouxe para a gente comer Mc Donald’s, passei na frente do drive thru e não me contive, vamos mandar as calorias para o raio que as parta – Ela jogou a cabeça para trás sorrindo para mim, enquanto sentava no sofá da sala e colocava a comida sobre minha mesinha de centro.
- Ah, não precisava – Ainda meio mumificada e sem expressão, falei com ela, forjando um sorriso, me sentei ao seu lado e ainda direcionava minha atenção visual para o nada, tentando ainda entender o que havia ocorrido agora pouco.
- Vai ficar ai me ignorando ou vai me dizer o que aconteceu com a mocinha ontem, que me deixou sozinha com Pietro que chorava em todos os minutos dos filmes italianos e que só sabia ficar fazendo uma dancinha bizarra, porque vão soltar o Mike? – Ela indagou ainda brava enquanto dava uma bela de uma mordida em seu Mc Cheddar, sujando toda lateral de sua boca de queijo, fazendo-me rir disfarçadamente enquanto pegava o meu hambúrguer do saco, faminta, talvez por não ter ingerido nada desde ontem, é, faz sentido.
- Tudo bem, eu vou te falar tudo, porque não sei tomar conclusão nenhuma mediante minha situação – Semicerrei os olhos enquanto colocava meu hambúrguer sobre a mesa, novamente – Ontem eu fui encontrar Steve no Rockings, lembra que ele queria me encontrar para resolver um assunto? Então, tudo bem, conversei com ele e quando estava indo embora de lá, vi e Cheyanne praticamente se comendo em público, não sei o que deu em mim, mas quando me dei conta eu já estava sentada sobre o colo de que estava ao lado de o beijando, viu aquilo e foi embora muito zangado e quando eu estava indo embora, ele meio que me seqüestrou e me levou ao salão de jogos, você já imagina o que deve ter acontecido, mas seja o que passe pela sua cabeça, ele foi um grosso e inclusive me fez trazer para cara um hematoma que não descarta a possibilidade de ser uma fratura em uma ou duas costelas, enfim, hoje fiquei o dia inteiro em casa e passou aqui, literalmente jogando conversa fora, mas logo em seguida chegou , praticamente o expulsando silenciosamente e para variar brigou comigo, mas quando estava prestes a sair ele meio que pediu desculpas ou pareceu arrependido, e eu estou totalmente confusa e sem saber o que fazer! – Conclui desesperada, colocando cada mão em uma lateral de meu rosto. estava de boca aberta me encarando, desde a hora em que disse que peguei na frente de e demorou consideráveis minutos para que ela voltasse a falar.
- O que? Você pegou o gatinho do na frente do ? – Ela exclamou batendo palminhas depois de deixar seu hambúrguer na mesa, ao lado do meu – Ele te bateu? – Ela indagou extremamente ofendida, mudando sua expressão da água para o vinho e por fim me olhando chocada num misto de brava – Ele veio aqui? Mas como assim! Tão os dois na sua? – Ela perguntou menos enfurecida e depois levou as mãos à boca, rindo.
- Qual é , eu estou no maior desespero e sem a mínima idéia do que está acontecendo ou do que eu faço e você fica ai de zoação! – Exclamei brava voltando a pegar meu hambúrguer, decidida a não me estressar mais e dar uma bela de uma mordida naquele aglomerado de gostosura.
- , foi mal, mas não é engraçado o xerife estar caidinho em você? Quer dizer, você deve ser a inimiga número um do estado, está sempre com droga no carro, dirigindo bêbada ou socando a cara de todo mundo – Ela não segurou a risada enquanto falava, e eu também não pude evitar uma gargalhada devido a isso, era realmente algo muito estranho – Ai agora ele está aos seus pés!
- É realmente estranho, mas ele não está caidinho por mim no sentido que você está pensando, porque eu acredito que seja incapaz de amar qualquer pessoa, mas eu não nego que achei isto tudo realmente muito estranho e que estou passando a acreditar em algo além da amizade que não envolva amor – Franzi a testa enquanto tirava mais um pedaço de meu hambúrguer e tomava um gole do refrigerante.
- Quem sabe não é uma amizade colorida? Olha xú, eu estava pesquisando estes dias em um site de segredos masculinos – Ela fez o gesto de joinha com o polegar e eu voltei a rir, imaginando navegando pela internet em um site sobre segredos masculinos, completamente bizarro – E lá dizia que quando o homem passa a te tratas com raiva, ou é porque ele te odeia, isto é obvio, mas se ele te trata desta maneira enquanto está se relacionando com você seja emocionalmente quanto fisicamente, quer dizer que ele está se envolvendo na relação, e a brutalidade com a qual ele te trata indica o ódio que ele sente por ele mesmo por ter deixado tudo acontecer, tipo coisa de pirado mesmo sabe, aqueles caras safados que só querem transar com meia população da terra e do nada se apaixonam ou passam a ter afeição maior pela parceira – Ela concluiu dando mais uma mordida em seu hambúrguer e eu a olhei de olhos arregalados.
- Sabe , você podia abandonar as festas para virar sexóloga, quem sabe não fica famosa lançando um livro ou fazendo parte de blocos de programas de televisão! – Sorri para ela que revirou os olhos, abocanhando mais uma vez seu lanche.
- Depois sou eu que não sei tratas as coisas com mais seriedade não é mesmo sua biscate? – Ela fez um bico bravo para mim e eu revirei os olhos.
- Qual é, agora você está dizendo que ele me ama ou que só quer transar comigo?
- Eu já disse que você tem um corpo que não é de se jogar fora, então tire suas próprias conclusões, meu bem – Ela sorriu zombeteira e eu a fuzilei com os olhos – Relaxa , o que tiver que ser, será. Se ele está te querendo mesmo, duvido que nunca mais volte a falar com você, como você disse. Se ele te procura tanto quanto você vive falando para mim, de certa forma, lá no fundo, nem que seja lá no fundo mesmo, ele te quer por perto e não vai deixar você se afastar – São históricos os momentos em que passa a falar sério comigo que chega até mesmo a assustar.
- Ai , você é de matar viu – Resmunguei rindo enquanto terminava meu hambúrguer – Mas me diz... Como está Pietro? – Indaguei a ela já sentindo falta em minha vida daquele doido que só berrava na minha orelha.
- Ele está ótimo, e já negociou com a imobiliária em comprar o apartamento do andar a baixo do nosso – Ela disse batendo palminhas enquanto jogava a caixa de seu hambúrguer sobre a mesa, junto ao papel amassado da embalagem – Vai ser muito legal ele morando do nosso lado, não conte para ele, mas eu estou simplesmente apaixonada por ele, amigavelmente falando.
- É, realmente hoje em dia está difícil achar gente legal feito ele – Eu sorri a ela que concordou e logo sem seguida deu um pulo ao escutar o seu telefone tocando, de dentro da bolsa que estava ao seu lado, ela pegou o aparelho e olhou na tela, depois me lançou um olhar esperto e atendeu ao telefone, falando para o ouvinte e para mim, ao mesmo tempo – E falando na bixona... – Ela disse gargalhando, me dando a entender de que estava atendendo uma ligação de Pietro.
- Ai, deus , me da este telefone! – Exclamei a empurrando para o lado e pegando o celular a força de sua mão – Pietro! – Exclamei animada, tentando amenizar a saudade que estava sentindo daquele ser extravagante e maluco.
- Minha deusa! Como você está gatona!? – Ele indagou dando aqueles berrinhos agudos que só ele sabia dar, os quais que por mais incrível que pareça, eu havia sentido falta.
- Eu estou bem, Pietro – Sorri envergonhada me arrependendo de ter arrancado o telefone de , eu fiquei tanto tempo pensando na primeira impressão que ele havia causado em mim com nossos mínimos encontros que havia me esquecido que não tinha ainda nem um pouco de intimidade com ele – E você, está bem? Fiquei sabendo que você vai comprar o apartamento que é em baixo do nosso, a acabou de me contar!
- Vou sim bee, vamos arrasar geral quando eu me mudar definitivamente para aí, escreve o que eu estou dizendo, gata. Mas eu estou bem sim, eu estava morrendo de saudades suas! Estou hospedado agora na casa de um amiguinho meu sabe... – Ele arrastou a voz e eu havia entendido as segundas intenções presentes ali, que me fizeram revirar os olhos e sorrir depois.
- Só você mesmo viu! – Sorri para ele e senti o telefone sumir de minhas mãos, olhei para o lado e percebi que havia o arrancado de mim e me mostrado a língua.
- Então Pietro, agora sou eu, para de ficar com papo com a , que ela está muito bem compromissada agora com o emprego novo dela – Arregalei os olhos dando um pelo de um tapa estalado nas costas nuas devido à regata, de . Ela fez uma cara de dor e depois voltou a gargalhar – Outch! Olha, Pih, para você ver como é verdade, ela acabou de me bater – Ela me olhou com nojo e eu revirei os olhos, enquanto pegava os lixos de nossa janta para jogá-los fora, junto com aquele maldito saco de gelo, que agora só conseguia me trazer más recordações.
Fui em direção a cozinha e joguei em meu lixo tudo o que tinha para jogar, enquanto sorria discreta pelos berros e risadas que dava ao telefone, por mais que eu xingasse ela até não querer mais, eu poderia conviver com aquele sorriso que me trazia o bom humor repentino pelo resto da minha vida.

Eu estava sentada no banco de meu carro deveriam fazer incontáveis minutos, provavelmente fazia uma hora e pouco, a única coisa que eu sabia, na verdade, era que eu não queria descer na delegacia e passar o resto de meu dia ali, não pela minha birra mais, mas agora por motivos maiores, como pela minha intromissão inexplicável a algo que nem conhecia direito e que estava acontecendo entre mim e , e ao mesmo tempo entre mim e , sério, por mais que soasse bizarro ou improvável, estava acontecendo algo assustador de forma silenciosa em nossas relações e eu não estava pronta para enfrentar o que quer que fosse aquilo, porque ainda estava sequelada demais quanto ao meu passado. Mas novo dia, nova vida... Pelo menos esse era o lema o qual tento levar minha vida desde que me conheço por gente, e em vista de meu estado atual, não é necessário dizer que ele serve mais como um consolo do que como um rumo a tomar, já que a minha vida do inferno não mudara nunca, mas eu já estava super atrasada para o trabalho e ficar enrolando aqui no carro, só me obrigaria a ficar mais tempo na delegacia no período noturno, e algo que também não me agrada é voltar sozinha para casa com um assassino doido a solta, o melhor agora era eu seguir o conselho de de não lembrar de nada que havia ocorrido ontem e antes de ontem e tomar o rumo normal de meu dia, o trabalho, e se tivesse que falar com , seria se eu não tivesse mais saída. Sai do carro, ajeitando minha calça jeans flare, e desabotoando os botões de meu blazer listrado, já que o frio de Beaumont parecia ter acalmado um pouco e nos dado uma trégua; é incrível como as histórias que você assiste quando criança vem à tona mesmo depois de vinte anos, um ambiente sombrio e frio parecia ser bem apropriado para a época de uma série de assassinatos num local desértico como Beaumont, não é? Infância salva mais uma vez.
Entrei na delegacia e recebi de imediato um olhar de maus amigos de Rosie, meu deus do céu, essa garota conseguia ser mais mau humorada do que eu sendo que deveria ter uns cinco anos a menos, a sociedade estava realmente perdida ou talvez eu não fosse então uma aberração da natureza. Segui o corredor ao lado da cabine da menina que fingiu não me notar, mas percebi que a mesma me observava por visão periférica. Meu destino era a primeira porta à direita, a sala de que sempre estava acompanhado por O’Connell, e ... É, vai ser um longo dia.
Não fiz o esforço de olhar para os integrantes da sala ao entrar na mesma, apenas ignorei minha visão e me virei novamente para porta a fechando, percebi um silêncio desconfortável, finalmente tomei coragem a me voltar para o meio da sala, encontrando exatamente quem eu achava que encontraria, sentado ao lado de , sentado na grande cadeira em frente a sua grande escrivania e O’Connell apoiado na parede, que por sinal havia sido o único que me cumprimentara com um sorriso, pelo menos na hora em que entrei já que depois me lançou um sorriso confortante e até mesmo acenara em minha direção, , ao contrário de todo mundo, continuava me olhando sério, e de forma bem tortuosa percebi a cadeira que fizera Rose pegar de Mark Goyas outro dia, localizada bem ao lado da de , não suportando mais aquele silêncio todo dei o maior sorriso que minha atuação permitira.

- Bom dia – Continuei forçando o sorriso, dando um breve aceno para todo mundo e depois de meio segundo já estava sentada em minha cadeira ao lado da de , quieta, disposta a permanecer ali, daquele jeito, até eu poder ir embora daquele antro de criminalidade – Desculpe o atraso, eu estava no médico – Menti olhando para o chão, sentindo todos os olhares pesando sobre mim e observando de relance se mexendo de forma frenética, pelo o que bem o conheço, estava doido para saber o que o médico supostamente havia me dito, e eu já sabia o que falar, nada mais nada a menos do que uma forte pancada que vai deixar de doer de acordo com o passar do tempo, bom, pelo menos devia ser isso, já que se fosse algo mais sério eu não estaria aqui para contar história.
- Tudo bem - disse de forma tediosa enquanto me olhava e depois voltou sua atenção aos papeis sobre sua escrivania – , acabou de chegar uma carta que supostamente é do assassino – Ele concluiu me fazendo dar um pulo da cadeira.
- O que? – Eu indaguei mais alto do que devia, totalmente assustada e com os olhos arregalados. assentiu para mim e me ergueu um pedaço de papel que estava em péssima condição, o mesmo possuía uma coloração amarelada e diversos rasgos em suas pontas, obtinha algumas manchas avermelhadas e a caneta igualmente vermelha trazia ao leitor mais atenção ainda as palavras que prosseguiam inclinadas sobre toda a extensão frontal do chumaço de papel. Parei de observar os detalhes nada importantes daquele papel e dirigi minha atenção, finalmente, ao conteúdo principal do mesmo.

Caro Chefe,
Estou antenado quanto às notícias surrealistas que andam especulando nos jornais, e até mesmo que estão sendo soltas pelos incontáveis canais de televisões em relação a mim e a minha grande obra de arte. Ambas vias de telecomunicações me trouxeram a informação surpreendente de que vocês já estão comigo dentro de sua cadeia e consideram sua população livre de mais assassinatos “sanguinários”
Eu tenho dado muitas risadas quanto às informações relacionadas às minhas grandes obras, mas mantenho minha opinião quanto a vocês serem seres inferiores, por ainda não terem entendido o propósito e gloriosidade disto tudo que estou fazendo o favor em fazer, para vocês e para todo o resto dos habitantes dessa sociedade tão pobre, intelectualmente falando. Minhas risadas também se prolongam quando os vejo olhando bem em meu rosto e contando-me que estão no caminho certo de busca, ou até mesmo que já me pegaram, enquanto mentem a sua população tão querida que eu já esteja na cadeia. Peço que parem de tentar me caçar, isto está ficando cada vez mais patético, além de tudo, como vocês podem me pegar logo agora, que estou começando a me divertir de verdade? Como devem ter analisado, eu dei a Jeanette muito tempo para sofrer e pretendo prolongar este período espiritual a cada assassinato cometido, vou progredir minha obra e o mais cedo possível vocês irão ouvir de mim novamente com minhas pequenas e divertidas brincadeiras; pretendo recomeçar meu trabalho o mais rápido possível, e quando feito mandarei a casa particular do xerife, parte da deliciosa massa cefálica da pobre mulher para que possam curtir a grandiosidade disto tudo, junto a mim que estarei abrindo uma bela garrafa de Blue Label, acompanhada de uma excelente e suculenta fritura humana. Não me sinto na obrigação em dizer mais nada, além de me certificar até mesmo aqui, neste pedaço de papel, que capricharei como nunca já feito em meu próximo trabalho, agradeço a atenção e lamento quanto aos futuros trabalhos que causarei ao seu legista, Abberline e ao quebra cabeça que o pobre ainda não obteve abertura. Fico lisonjeado quanto à tamanha atenção que você e sua equipe, agora composta também pela charmosa disponibilizam a mim, mas quero que parem de me espionar, acredito que o sangue extremamente vermelho tirado diretamente do coração de Jeanette, usado para a escrita desta carta seja forte o suficiente para que o pingo de responsabilidade que ainda restam a vocês, se esvaía. Mantenha seus olhos abertos, Xerife , para que tudo ocorra como o planejado, nada deverá ser descartado, nem mesmo as simples e gritantes manchetes de jornais nunca ouvidas...
Ninguém nunca pensou que foram os detalhes mínimos engajados sobre Mona Lisa, como o sfumato, que fizeram do polímata italiano, Leonardo Da Vinci, o pintor mais inovador do mundo?
Atenciosamente,
Soberano.


- É fácil obter uma breve impressão desta carta – quebrou o silêncio extremamente assustador que permanecia na sala, expondo a nós um de seus mil conhecimentos, com a feição séria assentiu ao primo, o encorajando a continuar sua fala - O suposto assassino não é emotivo, pois possui uma letra mais homogênea, igual a si mesma, parada, verticalizada, com linhas de base regulares e pressão uniforme, ele é ativo, pois possui a circunscrita arejada, espaçada, rápida, ocupa os espaços no papel, tem barras fortes nos "t", e é angulosa, podemos até mesmo dizer que a secundariedade está escondida mediante a tinta, grafologicamente, o secundário terá uma escrita aplicada, cuidada, dedicada, continua, colocando tudo em um maior espaço no papel
- Tudo bem, mas qual é a característica de uma pessoa que tem a letra dessa forma toda que você acabou de falar? – perguntou inquieto e confuso, eu nunca o vira tão preocupado como agora.
- Bom, o estudo sobre a grafologia é incerto, mas podemos ter uma primeira impressão do escritor, porém nem todas características seguem o mesmo padrão... A calma é aspecto fundamental desta escrita, não se abala por insignificância. Como a animosidade é muito limitada, não perdem energia por uma palavra mal dirigida ou algum esquecimento por parte dos outros. Os medos e conflitos são menores. Age em muitos casos contra a vontade, às vezes resmungando. Sua disponibilidade é menor para coisas e pessoas. Possuía a tendência de recuar diante dos obstáculos que encontra pela frente, pois sente que o esgotariam rapidamente. Gosta somente de tarefas que o excitam e tende a fugir de obrigações que não o interessam É inspirada no passado, é reflexiva, persistente, estável nos afetos e nos hábitos. Reconcilia-se com dificuldade e se interessa mais pelos afazeres do que pelas pessoas. Não se conforma com facilidade, é sistemático e guarda as coisas, e devidamente se empenha profundamente em tudo o que faz - concluiu e todos os olhavam com a testa franzida, o primo de revirou os olhos e voltou a falar – Esta ciência, vou repetir que é incerta, mas tive que fazer um curso de dois anos nela devido aos meus estudos em relatos bíblicos, tudo o que eu falei aqui corresponde à teoria, porém nada pode ser confirmado.
- Infelizmente a veracidade da carta não poderá ser comprovada, caso não haja um próximo assassinato é claro, mas ela apresenta uma caligrafia trêmula, de alguém que pode ser alcoólatra e/ou até mesmo um usuário de drogas – suspirou cansado, apoiando suas costas em sua grande cadeira rotatória, abandonando sobre a mesa o papel destroçado que agora seria o mais novo motivo de nossas dores de cabeça.
- Por que acha que para ser comprovada a veracidade da carta iremos precisar um novo assassinato? – O’Connell se pronunciou pela primeira vez na noite.
- Porque ela nos da acesso a detalhes que só poderemos ver se aconteceram se tivermos mais um corpo de uma vítima – Ele voltou a atenção a carta, ajeitando sua postura e passou a dizer em voz alta trechos da mesma – “... e quando feito mandarei a casa particular do xerife, parte da deliciosa massa cefálica da pobre mulher” ou até mesmo essa maluca analogia entre Mona Lisa e o sfumato. É horrível dizer isto, mas estamos completamente empacados, precisamos de mais provas, precisamos de um ponto de onde possamos recomeçar nossas investigações, ainda está tudo vago demais! - se estressou.
- Então está decidido de que Michael não é o assassino em questão? – Indaguei a qualquer um daquela sala já que parecia que todos sabiam mais do que eu.
- Não , seu amiguinho não vai deixar de ser um de nossos suspeitos, porque além de todas as provas que o incriminam, é permitido que aquela ralé toda da cadeia mande cartas aos familiares da própria cela – Ele me responde de forma mais irritada ainda, santa ingenuidade a minha em pensar que nosso relacionamento seria mais normal depois de seu pedido mudo de desculpas de ontem à noite.
- Caramba , calma... – murmurou ao amigo que estava inquieto, eu só não sorri para ele, porque no momento estava tentando amenizar um pouco do ódio e eventual vontade de socar naquela hora – Como Mike escreveria com sangue uma carta, na prisão? Não sabemos de nada, sem conclusões precipitadas.
- Calma nada , eu estou pouco me fodendo se você está querendo defender a sua nova namoradinha, a minha real preocupação agora é com o que deverá ser feito, e não sabemos o que deverá ser feito, porque não temos nada em mãos, você não entende que para que haja uma esperança em nossa continuidade nas investigações, teremos que ter uma nova vítima? – Ele disse dessa vez mais descontrolado ainda, ao amigo que continuava o encarando sério – Teremos que triplicar a patrulha dos guardas nas ruas, porque a nossa única e última esperança agora é pegar o assassino no ato, o que eu duvido que aconteça.
- , eu concordo com , não podemos nos precipitar agora, a única coisa que devemos fazer é correr atrás da permissão de Cornyn a abertura de no caso, porque se isto acontecer, ao contrário do que você diz, nos iremos destravar e quem sabe até mesmo alavancar e evidenciar o próximo suspeito ou local do crime – O’Connell concluiu sério, atraindo a atenção de todos da sala a ele, e dizendo algo que fazia muito sentido.
- É verdade, precisamos correr urgentemente a trás dessa permissão.
- Alguém me diz que porcaria de viagem é essa com essas historinhas patéticas da Mona Lisa no meio da carta? – indagou impaciente mais uma vez enquanto voltava a ler o final da mesma - Ninguém nunca pensou que foram os detalhes mínimos engajados sobre Mona Lisa, como o sfumato, que fizeram do polímata italiano, Leonardo Da Vinci, o pintor mais inovador do mundo? – Ele leu o trecho – Que merda é essa?
- Psicopatas ou assassinos em série, não sei quais que vocês cogitam ser o em questão, possuem as mesmas, ou melhor dizendo, semelhantes características comportamentais... Fazem muitos jogos de palavras, associam tudo com o que estão fazendo, com o que planejam. Mas nunca sabemos se eles simplesmente querem deixar os investigadores confusos e acabam blefando – disse sério – Temos duas hipóteses, ou ele está intimidado por termos chegado perto de pegá-lo, ou até mesmo ser o Mike querendo nós convencer de que pegamos o cara errado para ser solto, ou ele está simplesmente querendo nos deixar totalmente perdidos nas investigações.
- E qual hipótese você cogita ser a mais convincente? – indagou sério, ainda analisando a carta que o homem havia mandado a polícia.
- Provavelmente ele está querendo nos atiçar. Sinceramente, acho que Mike quem está nos mandando estas correspondências para que nós achemos que não foi ele e o soltarmos... Mesmo com este mistério da tinta vermelha, ou sangue, tudo aponta para ele – disse, evitando me olhar, o porquê era claro – Não podemos nós esquecer, infelizmente, de que Mike é nosso suspeito número um, descartá-lo das investigações, simplesmente por já ter sido preso é um erro de nossa parte, já que os criminosos tem permissão de mandar correspondências da cadeia.
- Eu concordo com você – O’Connell disse preocupado – Não com a certeza de ter sido Mike, porque sinceramente, eu acho que não foi aquele rapaz, mas realmente precisamos relacionar mais as coisas que descobrimos e que pensamos com ele, para termos ou não termos certeza de que foi ele, porque nada vai nós adiantar descobrir diversas coisas, sem relacioná-las ao nosso suspeito número um, e o mesmo ficar preso para sempre enquanto não termos nenhuma prova que o incrime ou deixe de incriminar. Outro fato que devemos considerar é a coesão no texto, as concordâncias verbais, tudo indicada ser um homem alfabetizado, é claro, e com um bom status social.
- O’Connell, eu estou no meio termo, do mesmo jeito que penso que não tenha sido Mike, por outro lado é abominável não considerar que a onda de assassinatos parou enquanto Mike está na cadeia. Isto é uma de nossas maiores provas contra ele. O que me interessa agora é que o idiota do Cornyn permita a inserção de nas investigações, se não, nós estaremos ferrados e empacados, já pedi a Rose para ligar para ele para ver se ele tem uma resposta e aquela múmia até agora não veio me dar a resposta – revirou os olhos.
- Precisamos falar com Abberline, – O’Connell disse aflito – Precisamos mandar esta carta para as investigações e ao mesmo tempo coletar um pouco da tinta e vermos se é realmente sangue, e se for, precisamos ver se é compatível com o sangue de Jeanette...
- Sim, vou chamar Rose... – Ele apertou um botão de seu telefone, fazendo com que a voz de Rose ecoasse na sala.
- Senhor – Ela disse num tom cortês.
- Venha até a minha sala – Ele ao menos esperou a resposta da mulher, quando havia terminado sua fala, já tinha tirado seu dedo do botão que o ligava até o telefone de sua recepcionista ou secretária, sei lá, nunca havia descoberto ao certo qual era a profissão daquela garota. Depois de alguns minutos de silêncio a porta de entrada se abriu, dando lugar a cara intimidada de Rose que lançara os olhos diretamente para que passou a fitá-la impaciente – Eu preciso que você tire uma cópia desta folha para mim e qual quer que seja a ocasião, não mostre e muito menos leia o conteúdo – A mulher assentiu enquanto seguia até a grande escrivania de , pegando a carta que estava dobrada sobre sua mesa, a mulher voltou até a porta e quando estava prestes a fechá-la ele voltou a falar, fazendo a menina pular de surpresa e se voltar novamente para – Outra coisa, você não fez aquela ligação para Cornyn que eu havia te mandado fazer, não é? – Ele disse tedioso, tentando conter sua cara de ódio para a menina assustada que ainda sentia uma quedinha por aquele homem.
- Ah! – Ela exclamou batendo na própria testa e depois tirou um pedaço de papel de seu bolso – Eu liguei sim, Senhor , ele pediu para que você e sua equipe compareçam a este restaurante, no horário que está escrito ai, hoje, que ele dará a resposta de qual quer que seja o assunto, para vocês.
- Tudo bem – disse um pouco mais entusiasmado para a menina morena que o olhava da porta – Era só isso, pode ir embora e me dê a copia o mais rápido possível – Ela murmurou um “sim” e bateu a porta da sala, logo em seguida nos olhou com um pouco mais de animo aparente na voz – Tudo bem, todos preparados para a nossa noite decisiva, hoje às... – Ele começou a ler o papel – oito horas, no GrillMeal?

- Você tem certeza, ? – me lançou um último olhar de suplica, junto a um biquinho extremamente e exageradamente entristecido, eu a olhei esperta, ajeitando meu vestido de bolinha pela última vez, eu simplesmente adorava aquela roupa , tinha a fantasiosa idéia de que aquele vestido me deixava com um jeito mais de criança, já estava mais para mulher fatal, vestindo um tomara que caia vermelho, junto a dois pares de um sapato preto meu, que fiz o favor de emprestar a ela.
- Sim senhora, foi você quem no final acabou me convencendo a vir nesta porcaria... Pelo menos depois de hoje você vai passar a pensar mais nas coisas que eu te pergunto e quem sabe realmente levar a sério os conselhos que você mesma me da! – Exclamei sorrindo para ela que estava com os braços cruzados, me olhando com tédio. Estávamos do lado de fora do GrillMeal aguardando o manobrista para dá-lo a chave de meu carro e finalmente pudéssemos entrar no restaurante, e sim, eu tive que arrastar para vir comigo, ainda mais depois da autorização de , mesmo sabendo que acabaria a trazendo com ou sem a autorização do mesmo. Como eu aqui só serviria para levar patada ou para ser ignorada, e como sempre achava uma solução, resolvi trazer para jogarmos conversa a fora, e sim de novo, nos realmente iríamos conversar, porque no caminho para cá já fui fazendo a minha amiga ir se conformando com o fato de não ter nenhum cara com quem ela fosse querer ficar (Lê-se: ), para falar a verdade até tinham homens atraentes, mas eu a socaria se ela encostasse um dedo em ou em , mas como tenho uma amiga muito ajuizada, ela já sabia disto.
- Senhorita – Um homem sorridente de terno apareceu do meu lado e eu dei a ele a chave de meu carro, sorrindo igualmente. De certa forma a noite trouxera junto com sua escuridão um belo de um bom humor que não deixaria se apagar por nada, pelo menos não agora que estava pronta para beber todas junto com a minha melhor amiga.
- Obrigada – Sorri para ele e peguei na mão de , puxando-a comigo para dentro do restaurante, logo depois da porta se bater atrás de nós, pude notar um aceno um tanto quanto exagerado vindo de O’Connell que sorria e olhava em nossa direção, ele estava sentado em uma das laterais da mesa, a mesa que eles estavam era grande, uma de sua lateral obtinham cadeiras e a outra era um extenso sofá colado na parede de vidro, na lateral das cadeiras estavam O’Connell, e mais uma mulher, a qual não fazia a mínima idéia de quem fosse, já no sofá, na ponta encostado para variar, de forma extremamente descuidada sobre o sofá estava , e a uma distância considerável dele, porém no mesmo sofá, estava olhando em volta com cara de maus amigos, respirei fundo já prevendo a imensa noite que teria e segui em direção a mesa, puxando comigo, focada a apenas conversar com ela e com mais ninguém.
- Olha só quem apareceu, achei que não viria – O’Connell foi o primeiro a se levantar da mesa para me cumprimentar, me recebendo meio a um abraço urso que eu havia adorado, logo depois ele foi cumprimentar e eu parti em direção a que também me abraçara, mas de forma mais calma, depois dei um breve aceno a mulher que sorria de forma simpática para mim, respondendo meio a alguns movimentos com uma palma de minhas mãos, porque ainda estava me ocupando para cumprimentar o pessoal, e fui em direção a outra lateral da mesa para cumprimentar as duas pessoas mais simpáticas desta terrinha. Mas é claro que era e .
- Oi – Acenei para ele, já que não sabia se eu o beijasse eu teria que ouvir mais um de seus discursos insuportáveis, ele correspondeu meu aceno, porem ainda sério. Como estava do outro lado da mesa, tive que me espremer contra a mesa para ir cumprimentá-lo, depois do feito, olhei para o lado e estava completamente perdida, ouvindo alguma coisa que O’Connell já havia começado a falar – Essa aí é a – Apresentei bem atrasada minha amiga a eles que sorriram mais ainda – Vem aqui – A chamei para ficar do meu lado, o lugar não era um dos mais agradáveis já que o único disponível era bem ao lado de , mas era ou isso ou nada, sentia mais pena de que ao se sentar do meu lado, ao mesmo tempo iria acabar ficando grudada com .
- Achávamos que você não vinha mais, sorriu para mim, se sentando na minha frente enquanto apoiava seus braços na mesa, se debruçando sobre a mesma – Já estava até rolando uma aposta entre nós – O’Connell confirmou balançando a cabeça enquanto tomava um gole de seu shop.
- E quem ganhou? – Arrisquei-me.
- Óbvio que fui eu – surgiu no meio da conversa – Nenhuma raça animal correspondente ao sexo oposto do que a aguarda rejeitaria um encontro casual com o mesmo, os hormônios mandam respostas imediatas quanto a estas propostas que nem mesmo sua baixa auto estima permite recusá-la – Ele disse indiferente, ainda olhando para o nada.
- Ah, claro – Eu concordei, franzindo o cenho e balançou a cabeça assustada, todos tiveram que segurar o riso.
- Falando nisso, meu nome é Miranda, sou advogada de John Cornyn – A moça que eu não conhecia e que estava sentada ao lado de se levantou brevemente da cadeira e me ergueu sua mão, eu a cumprimentei com o maior sorriso que consegui dar e depois fez o mesmo, quando ela sentou, me lançou um olhar confuso – Prazer.
- O prazer é todo meu – Disse depois e ela sorriu para mim – Onde está Cornyn?
- Ainda não chegou, estamos rezando para que ele não adie essa reunião mais ainda e pare de ficar enrolando todo mundo – disse de forma exausta enquanto bebia um longo gole de sua Heineken – Mas Miranda disse que ele está para chegar, então...
- Sim, meu cliente é muito pontual nesses tipos de reuniões, tenho certeza que algo ocorreu e de que em questão de minutos ele estará presente – A moça concluiu enquanto arrumava a alça de seu vestido violeta.
- Todos nós esperamos que sim – O’Connell disse.
- E por que exatamente a advogada de Cornyn está aqui? – Ergui minhas sobrancelhas e ela sorriu amigável para mim, voltando a falar.
- Não faço a mínima idéia do porquê de Cornyn me querer aqui, deve estar evitando problemas jurídicos. Ele é um homem muito preservado, deve estar querendo garantir total segurança, comigo aqui, terá uma testemunha se ocorrer algo desconfortante mais para frente em relação as suas vontades discutidas aqui – Ela concluiu ainda sorrindo de forma angelical.
- Ah sim – Disse desinteressada enquanto abaixava minha cabeça para o meu colo. Podia soar estranho, mas quanto mais uma pessoa parecia ser boazinha por feição, mais eu não ia com a cara do indivíduo em questão, poderia parecer algo maluco ou algo do tipo, mas o fingimento pelo menos estava sempre presente nestas pessoas angelicais ao extremo.
- Ele chegou! – sorriu e sorriu junto, deveria estar agradecendo mentalmente ou algo do tipo pela presença de Cornyn finalmente estar ali, porque nunca o vira feliz daquele jeito.
- Graças a deus – se levantou, me obrigando a levantar também para dar passagem para ele ir cumprimentar o senador – Cornyn! – Ele exclamou seguindo ao homem e quando estava ao seu lado, o cumprimentou com tapinhas nas costas sorrindo.
- Como vão? – Ele sorriu para todos, nós mandando um breve aceno. Estava vestido de forma bem séria, com um terno preto e sapatos brilhando – Desculpem minha demora, mas as ruas de Beaumont andam cada vez mais complicadas de se dirigir.
- Tudo bem, sente-se – O’Connell o fez sentar na ponta da mesa, ficando do lado de e de – Estávamos já achando que não viria.
- Eu disse que viria – Miranda se intrometeu na conversa com seu risinho enojado.
- Bom, como prometido, eu vim e preciso dar a vocês a resposta logo, tenho pressa em voltar para casa, tenho muitas coisas ainda para resolver – Ele passou a falar com uma voz mais séria – Você que é o sábio e tão cogitado ? – Cornyn se virou para o seu lado, dando de cara com o nerd sorrindo da forma mais estranha possível. Devia mesmo ser difícil sorrir para alguém que possui uma vida onde só se vive em laboratórios químicos e essas chatices todas.
- Ao seu dispor – O primo de disse.
- Vi seu currículo hoje mais cedo no quartel, é maravilhoso, trabalha para a NASA e tudo mais não é? – O senador perguntou desinteressado enquanto tomava um gole da bebida que o garçom havia acabado de colocar a sua frente.
- Sim, estou abrindo um ramo de pesquisas muito amplo no setor espacial quanto a vidas fora da Terra, mais especificamente, em Marte – Ele disse orgulhoso, e provavelmente se controlando para não falar mais chatices, porque nunca havia o visto falando menos que um discurso ou explicando algo extremamente chato e comprido a qualquer que fosse a vítima.
- Fascinante, resumindo, será uma honra que você nos preste serviços – Cornyn disse sorrindo e abriu a boca discretamente, sorrindo, O’Connell fez um movimento brusco sobre a mesa e sorriu amplamente.
- Quer dizer então que está autorizado a participar das investigações? – mordeu o próprio lábio enquanto perguntava ao senador sobre o que acabara de ocorrer, para ter certeza se era verdade. Todos ali pareciam estar ao pico da felicidade, com exceção é claro de e eu que estávamos um tanto quanto boiando na história, Miranda também não estava tão feliz assim já que portava o mesmo sorriso da hora em que eu chegara. Francamente? Só homens para ficarem felizes com coisas relacionadas ao trabalho.
- Sim, . Andei lendo os relatórios que você me enviou e é realmente algo necessário a entrada de no caso, quero que agora vocês se afundem nestes mistérios e nos tragam o mais rápido possível a respostas para que tudo isto termine – Cornyn finalizou e logo em seguida tomou um longo gole de sua bebida, a terminando – Agora, senhores, sinto por não poder participar da comemoração que vocês possivelmente farão, mas o trabalho me aguarda, vou precisar ir embora.
- Tudo bem – se levantou novamente do sofá, fazendo-me encolher para que novamente ele passasse e fosse até o senador – Obrigado senador, você não irá se arrepender, agora que realmente iremos a fundo, estávamos precisando disto para que a continuidade lógica das investigações continuasse ocorrendo.
- Estou só fazendo meu dever, , fico feliz em ter em minha equipe pessoas sábias e trabalhadoras como você e – O senador se levantou e sorriu para todos da mesa, acenando novamente em despedida – Amanhã eu passarei bem cedo na delegacia para entregar os papeis de contrato provisório para e aproveito e leio a carta que você disse que foi mandada a vocês pelo assassino– assentiu – Vai querer carona, Miranda?
- Oh, sim, claro! – A moça como se tivesse horror a todos que estavam na mesa, se levantou rapidamente e foi em direção ao senador, aquilo foi um tanto quanto estranho.
- Então vamos.
- Eu acompanho vocês até a porta – sorriu de orelha a orelha, andando com o senador em direção a saída do local, ambos engataram na conversa relacionada a carta que havia chego na delegacia hoje cedo e suas suspeitas relacionadas a autenticidade da mesma, bom, como sempre, discutiam sempre as mesmas coisas surpreendentemente chatas e insuportáveis relacionadas ao meu mais novo trabalho.


Capítulo 12
[n/a: Sugestão de música: The Sound Of Silence – Simon & Garfunkel]

- Bexiga de festa infantil? – Indaguei à , enquanto verificava o bloco de notas que continha todos os objetos que deveriam estar incontestavelmente já em seu devido lugar para que tudo hoje ocorresse dentre dos conformes para a festa de boas vindas a Mike.
- Checado – Ela fez um sinal de joinha com a mão enquanto posicionava as bexigas em ordem arqueada a fim de que as mesmas seguissem um arco em torno da porta de entrada de sua casa, e sem contar é claro, do restante das diversas batentes da casa. Fiz uma setinha ao lado do item e voltei a ler em voz alta o bloco de notas que havia me dado logo quando havia chegado em sua casa, aproximadamente vinte minutos atrás.
- Lembrancinhas? – Perguntei mais uma vez, estranhando o conteúdo daquele aglomerado de folhas que realmente davam a entender que o que aconteceria ali era uma espécie de festa infantil, ela afirmou apenas com seu rosto, ainda dando atenção às bexigas que não paravam quietas no lugar; e mais uma setinha havia feito do lado deste item – Confete? – Eu francamente estava desistindo de entender o conteúdo da lista, era melhor só dizer que estava certa com qualquer que fossem suas idéias e intenções para a festa de hoje a noite, pelo menos seria isso que o manicômio me mandaria fazer se tivesse acesso às suas suspeitas de loucura; ela se virou para mim batendo palminhas e balançando a cabeça positivamente. Mais uma setinha conferindo a presença do confete feita ao lado da grafia redonda de – Álcool? – Ah, agora sim minha querida melhor amiga estava falando minha língua, ela fez uma cara esperta como se fosse óbvio que não se esqueceria do álcool, e de modo geral, isso era completamente compreensível, pelo menos para mim.
- , eu posso saber que pouca vergonha é essa de saquinhos plásticos embalando várias Vontex? – apareceu histérica ao meu lado com diversos saquinhos transparentes com grandes laços azuis embalando várias camisinhas, eu arregalei os olhos e me dirigi a que estava rindo, interrompendo mais um sinal de presença no bloco de notas ao lado do item “álcool” – Qual é !
- Amiga, é a lembrancinha, você acha que as pessoas vão sair com boa sanidade sexual e mental daqui a ponto dos menos afortunados que não se previnem colocando uma camisinha no bolso pararem na farmácia? Melhor se prevenir do que engravidar meu bem, isso é fato! – Ela deu de ombros – Isso se as pessoas agüentarem até saírem daqui, o banheiro vai estar à disposição dos mais necessitados, anyway – Ela disse com desinteresse dando uma piscadela esperta para mim que dei um tapa em minha própria testa, por que raios eu havia pensado mesmo que voltaria aos cinco anos de idade e distribuiria bilhetes agradecendo por comparecerem a festa ou chocolatinhos enfeitadinhos como lembrancinha mesmo?
- Gente, vocês são completamente malucas – Lamentei, jogando o bloquinho de notas sobre uma mesinha que dava suporte a um fino e colorido abajur que iluminava a casa de , algo que era desprezível em nossa condição atual, pois a luz do sol que entrava pela extensa porta da varanda preenchia todo o apartamento de raios solares de um jeito que meus olhos precisavam ficar levemente fechados para que os mesmos não saíssem machucados daqui – Mas infelizmente terei que ir, meu horário livre a tarde não é um dos melhores, e certamente não estou com saco de aturar e seus chiliquinhos de quem está menstruado – Revirei os olhos, colocando sobre o ombro minha bolsa e pegando as chaves de meu carro no bolso da calça, elas soltaram um gemido entristecido e eu lancei a elas um sorriso orgulhoso pela falta que fazia – Beijão amores, tentem não morrer de saudades de minha pessoa. E , vê se arruma tudo direito, não quero saber de sua casa pegando fogo por uso de álcool e levando a vizinha aqui a falência e virarem sem tetos por incêndio coletivo - Fui em direção a porta e se pudesse matar com o olhar, aposto que já teria o feito.
- Me aguarde , hoje você vai presenciar a maior festa que o Texas já teve – Ela fez uma cara de superioridade enquanto colocava as mãos na cintura e me olhava com olhar esnobe – Agora vê se vaza da minha casa, trabalhar sob chatice e pressão não é comigo – Sorri cínica para ela, me lembrando por cinco segundos de uma pessoa desagradável que insistia em permanecer em meus pensamentos e infelizmente, em meu campo de trabalho.
- Tchau , bom saber que existem amigas fofas como você – Mandei beijinhos ao vento para ela que fingiu que os pegara no ar e levou para a região de seu coração me fazendo dar uma longa risada.
- Beijo, gatinha, nos vemos em... – Ela olhou seu relógio de pulso – Quatro horas, lá no seu querido trabalho para pegarmos o meu bebezinho – Ela bateu palminhas e eu saí dali de forma educada, mas ao mesmo tempo desesperada. era legal e tudo mais, mas essa onda de acontecimentos na vida dela estão fazendo ela virar um pouco chata e histérica demais, mas quem disse que isso é da minha conta, não é mesmo?
Esperei alguns segundos no elevador para que ele me levasse à garagem número três, onde a vaga em que meu carro repousava estava localizada, ao lado das vagas de e , quando as portas de metal se abriram segurei minha bolsa mais firmemente por a mesma servir de apoio a meu braço e saí do elevador tirando com minhas mãos livres a chave de meu carro que se localizava no bolso traseiro de minha calça jeans clara e gasta.
- Tia – Uma voz de criança surgiu atrás de mim, enquanto eu apertava o botão de meu controle para que o carro destravasse – Que carro bonito – O menininho que havia reconhecido assim que me virei para olhar quem estava falando comigo, disse sorrindo para mim enquanto segurava um caminhão azul de brinquedo – É novo?
- Trebor – Sorri para o meu vizinho e o alcancei com os braços abertos para dar a ele um belo de um abraço apertado, eu sempre tentava afirmar que crianças não eram comigo e que eu tinha pavio curto demais para me dispor a cuidar de uma, mas a verdade era que eu simplesmente adorava a companhia desses aprendizes de seres humanos – Como vai o meu garoto? – Abri meu sorriso mais ainda, levantando o menino que estava em meu colo devido a minha tímida empolgada durante o abraço naquela fofura – Não muito, mas se você quiser daqui alguns anos ele será todinho seu!
- Oba! – O menino sorriu para mim, exibindo seu sorriso banguelo e doce.
- Mas quem disse que ele vai poder dirigir? Já tenho despesas demais com esse menino comprando carrinhos em lojas de brinquedo, imagina se tiver um de verdade, quanto de gasolina ele irá me arrancar dos bolsos? – Matilda Gondlan surgiu à minha frente carregando diversas sacolas de supermercado, ela era mãe de Trebor que morava dois andares abaixo do meu, era simplesmente impossível não esmagar aquele pirralho quando o encontrava pelo nosso prédio, ao contrário de todas as crianças que carregam o dom e são experientes em tirar o nosso saco pelo uso sem moderação de suas cordas vocais e vontades fúteis, Trebor era um menininho tão doce quanto apaixonante, já o peguei diversas vezes ajudando sua mãe e ele até mesmo já havia me dado diversos conselhos, tanto amorosos quanto educacionais...
- Ora Matilda! Ninguém mandou ter um meninão deste, vai se tornar quando crescer um belo de um garanhão e você nem imagina ainda o trabalho que vai ter pela frente – O menino cafungou no meu colo, sem prestar muita atenção no que eu dizia, já que havia depositado toda sua atenção agora sobre o caminhãozinho que carregava nas mãos – Só que não é nada educado ficar ignorando uma mulher enquanto ela fala, ouviu bem Trebor? – Sorri para ele enquanto erguia levemente sua longa franja – Primeira lição para se conquistar uma menina, e provavelmente a mais importante!
- Pare de querer que eu tenha mais trabalho, ! – A mãe cansada gargalhou para mim, achando graça e deixando que algumas sacolas caíssem no chão – Ah, deus – Ela suspirou, passando uma de suas mãos na testa, visivelmente cansada enquanto olhava o desastroso descuido que teve ao deixar latinhas de refrigerantes antes dentro da sacola, rolarem de encontro aos seus pés.
- Quer ajuda, Matilda? – Indaguei preocupada, colocando Trebor no chão e me aproximando dela enquanto ajudava-a a pegar as latinhas espalhadas pelo chão – Não estou com pressa nenhuma, se quiser te ajudo a carregar as sacolas até sua casa...
- Magina, , agora é fácil, só colocarei no elevador que ele fará todo o trabalho pesado para mim – Ela deu um sorriso cansado para mim que fiz um bico preocupado devido à afeição exausta da mulher, que de certa forma era de completa compreensão, já que ela era enfermeira, logo, passava toda a noite no hospital acordada e de dia vinha para casa cuidar de seu filho e ainda por ser mãe solteira, levava o trabalho dobrado para essas que podiam ser consideradas duas profissões a fim de conseguir sustentar ela e seu filho.
- Bom, tem certeza? – Ela assentiu sorrindo, erguendo uma de suas mãos, a que não estava ocupada por diversas sacolas, ao filho que correu em direção a mulher, mas não antes de virar para mim e falar com o seu tom mais fofo de voz que me fazia ter vontade de morder as bochechas.
- Então eu um dia vou namorar com você, , juro que vou me comportar e não ficar comprando muitos carrinhos – Ele disse envergonhado – É que eles são muito legais – O menino se lamentou confuso.
- Awn, porque não existe uma versão da minha idade de você, Trebor? – Lamentei indo em direção a criança e dando a mesma mais um beijo estalado na bochecha, o que me levou a pensar como aquela miniatura fofa de gente me aturava ainda com sorriso agradável no rosto, porque se pode generalizar que em toda vez que eu o via sempre ficava agarrando-o e beijando-lhe as bochechas – Agora cuide bem de sua mãe, sei que ela merece – Sorri de orelha a orelha e depois me despedi de Matilda que sorriu confortavelmente para mim – Qualquer coisa só gritar, ok? Sabe que eu adoro cuidar deste pestinha e posso te ajudar também em qualquer hora.
- Agora você está trabalhando , acabei arranjando uma babá que é empregada ao mesmo tempo, porque estava com medo de interditar muito a sua vida.
- Mas que absurdo, você sabe que o meu mundo e o de param quando Trebor não tem com quem ficar! – Disse inconformada – Eu por mais que esteja trabalhando, nunca estarei ocupada para vocês dois, ouviram bem? – Olhei para os dois com uma expressão brava e eles sorriram alegres.
- Você é linda!
- Você que é Matilda, queria eu ter uma mãe como você – Entortei os lábios sorrindo e depois de me dar conta do rumo mais melancólico que a conversa estava tomando devido à expressão entristecida e ao mesmo tempo confortante que a feição de Matilda havia adotado, despertei-me e apertei o molho de chaves contra meus próprios dedos – Agora vou indo, já que recusam na cara dura a minha ajuda o que me resta é ir trabalhar naquele inferno de delegacia – Fiz um bico teatral levando Trebor à gargalhada – Beijo! – Acenei para eles pela última vez e corri para dentro de meu carro já próximo. E quando já estava dentro de meu carro, liguei meu querido e inseparável rádio, começando a cantar com minha voz super afinada – sarcasmo à vista – enquanto dava marcha ré no carro, para sair de minha vaga e ir de encontro ao ambiente mais nojento e obscuro de minha vida, falando-se de passagem. A delegacia.

Você deve estar se perguntando o que eu estava fazendo na casa de minhas amigas a esse horário, mas vou esclarecer tudo o que está ocorrendo. Hoje Mike sairá da cadeia por volta das seis da tarde e , como já havia planejado, estava arrumando os últimos preparativos para a festa de boas vindas que daria ao meu coitado amigo; e quanto a eu não estar no trabalho... Bom, eu tinha uma hora e meia de almoço e ao invés de almoçar e ficar consideráveis minutos sentada em uma cadeira da sala de espera da delegacia escutando me jogar cantadas fofas, mas ao mesmo tempo nostálgicas, brigando comigo por estar com cara de sono ou indisposta, O’Connell propondo mais uma insuportável partida de paintball ou até mesmo o fofo do primo de me contando mais detalhes sobre a Teoria do Caos, que envolvia todo aquela chatice de conjuntos matemáticos e físicos eu preferi comer na velocidade da luz um sanduiche na Starbucks para poder visitar minhas amigas e quem sabe até mesmo fornecer uma ajudinha rápida e básica nos últimos preparativos da festa, e foi isto mesmo o que aconteceu, pelo menos hoje, magicamente, o dia estava conspirando ao meu favor, e sim, eu sei que é uma vagabunda e vive de festas, mas mesmo assim eu tinha dó daquela chatice em formato de gente montando toda aquela festa que teria de convidados umas oitenta pessoas, sim, oitenta pessoas em um mero apartamento, eu nem queria ver onde isso tudo iria dar, falei para ela alugar alguma casa, mas disse que não precisava. Mas dependendo, com a muvuca que vai virar a casa dela, vou preferir ir dormir em minha casa sossegada e depois falar que estava em algum canto do apartamento dela bebendo, já que vai ser praticamente impossível achar as duas naquele lugar futuramente cheio de gente fedendo a suor. E eu sei que estou curtindo muito esta conversa comigo mesma, mas infelizmente o terrível destino de minha viagem de carro agora estava diante meus olhos, como as ruas estavam completamente desérticas, eu já estava estacionada em minha vaga ao lado da de encarando aquele prédio estilo faroeste que para o resto da população demonstrava conforto, mas para mim era um chulo significado simplificado de inferno, ainda mais quando se tem uma cadeia enorme, atrás de um simples prédio, portando diversos criminosos, estripadores e retardados afins... Mas vamos, força para seguir em frente e abstrair todo o estresse que o meu horário de trabalho ainda prometia bastante exigência de minha paciência.

Saí do carro, colocando novamente minha bolsa nos ombros e apertando o botão central do controle para que o carro trancasse, fui em direção aos poucos degraus que me levariam até a porta de entrada da delegacia e logo quando entrei na mesma, fui recebida por um largo sorriso vindo de e por uma extrema e estressante cara de bunda vinda de , sorri para os dois, embora nem todos ali merecessem minha atenção e encostei a porta, me voltando novamente para eles que pareciam ter interrompido uma conversa descontraída da hora de almoço.

- Achei que não viria! – sorriu e me deu um beijo estalado na bochecha quando eu já estava ao lado dos dois, sorri enquanto revirava os olhos para ele e ele ergueu suas sobrancelhas estranhando minha atitude. Essa amizade colorida já estava começando a ficar um tanto quanto estranha – O que houve?
- Você sempre acha que eu não vou vir ou que vou te abandonar, deve ser algum trauma de infância, psiquiatra... Deveria estudar isto ai. Sua mãe te deixava muito tempo sozinho em casa? – Indaguei zombeteira a ele que soltou uma gargalhada gostosa erguendo sua cabeça levemente para trás.
- Todos nós temos traumas – Ele deu de ombros e se virou de lado para mim, cruzando os braços dando a entender que não estava nem ligando. Estava fazendo graça e eu me divertia, era meio que estranho o quanto ele me parecia irritante e extremamente meloso quando eu pensava ou analisava ele, mas quando interagíamos com ele, como da água para o vinho se tornava uma pessoa extremamente querida e gostosa de conversar, e isso provavelmente era mais distúrbios anormais, tão comuns em minha vida vindos de minha parte.
- De trauma eu já estou é cheia – Arregalei os olhos e sorri para ele que colocou um de seus braços em volta de meus ombros e me apertou como de costume, como um irmão mais velho arranjando um jeito de encher o saco da irmã mais nova.
- Oi – que também estava com os braços cruzados na altura do peito, realçando sua grande quantidade de músculos pela região e... Argh, cala boca , pense em arco íris! Enfim, ele me disse oi com uma voz seca e cara tediosa, de forma a qual eu preferia ter ficado sem ser cumprimentada, já que agora era obrigada a vasculhar dentro de mim a procura de um tom de voz adequado para responder aquele amontoado de massa chata.
- Olá, – Disse igualmente seca, desviando meu olhar do dele para meu scarpin vinho que de tão lindo que era, merecia total atenção.
- Vocês parecem duas menininhas – disse rindo, quebrando o bloco de gelo que havia se formado em nossa atmosfera, tentando trazer um pouco mais de descontrariedade à nossa conversa – Sabe aquelas meninas que ficam brigando para ser a rainha do baile, porque querem atenção? Então...
- Cala boca – Eu e dissemos ao mesmo tempo.

O trabalho, em termos até que conseguiu passar numa média de tempo mais rápida se comparado ao que eu esperava quando havia chego aqui... Já eram seis e meia e eu estava na porta da delegacia, ao lado de que não parava de olhar seu relógio de pulso, era irritante... Enfim, eu estava esperando , e o advogado de Michael, porque até onde eu tinha dado ouvidos às explicações chatas de , o advogado e o próprio xerife ainda antes da libertação provisória de Mike, teriam que assinar vários papeis que já era demais para a minha capacidade psicológica entender ou saber para que serviriam, mas era obvio que tinha a ver com as testemunhas dele solto, o processo correndo, e blá blá blá... Toda aquela chatice pobre de qualquer filminho policial de segunda categoria de Hollywood.
- Moreco! – surgiu na minha frente vestindo um enorme sobretudo vermelho, junto com uma bolsa branca que se ela não me emprestasse mais tarde eu roubaria dela, logo em seguida subiu os poucos degraus para a entrada da delegacia toda feliz e saltitante, com um simples casaquinho de algodão, não sei como ela não estava morrendo de frio, eu estava com meu blazer preto e estava tremendo, imagine ela.
- ! ! – Exclamei animada ao ver as duas e dei dois beijos estalados nas bochechas das minhas amigas. Olhei para além de alguns metros de distância da delegacia, onde ficava o estacionamento e vi que do carro que elas haviam saído, agora um homem de idade com aparência cansada seguia em nossa direção enquanto segurava uma grande maleta pela alça de ombro, provavelmente era o advogado de Mike – Como vocês estão? – Sorri para elas.
- Estou ótima meu bem – me olhava com as mãos no bolso e depois olhou para o infeliz ao meu lado com o seu eventual olhar de segundas intenções – E ai xerife? – Eu tive que fazer muita força para reprimir meu revirar de olhos, e confesso que tive uma vontade enorme de matar a minha melhor amiga que soltou um comprimento estilo ‘mano’ para .
- Boa noite, – Não sei qual foi a expressão dele, porque não quis me dar o trabalho de perceber, ou porque não queria que o ego dele subisse mais ainda ao perceber que eu me incomodava com tudo aquilo que havia acabado de ocorrer entre ele e .
- e não se distraiam, o foco de hoje é o Mike! – continuava feliz e saltitante a minha frente enquanto batia palminhas e revezada seu olhar entre eu e que a olhava com uma expressão que poderia ser interpretada tanto pelo cansaço quanto pela irritação, e eu sabia muito bem que era a irritação que sua feição transmitia, porque ele mesmo já havia comentado comigo mais cedo o quanto estava odiando essa liberdade provisória de Mike, que para ele poderia ser o autor de toda as atrocidades que ocorreram dias ou meses atrás.
- Boa noite – O homem que provavelmente era o advogado de Mike, o qual eu nem sabia o nome, parou na frente de e cumprimentou a nós com um sorriso cortês enquanto segurava sua maleta – Desculpem o atraso, estava com diversos processos na gaveta os quais precisava me ocupar – Era mesmo o advogado e eu pude ouvir os coros de aleluia soarem em volta de mim.
- Está tudo bem – disse e novamente não quis olhar para ele, se não fosse por sua mão passando rapidamente ao meu lado para se encontrar com a do advogado para cumprimentá-lo – Vamos para dentro assinar os documentos? Estou com um pouco de pressa hoje...
- É uma honra conhecê-lo, xerife – O homem abriu um sorriso orgulhoso e depois assentiu para – Sim, concordo com você, quanto mais rápido melhor para ambos – E quando o homem ainda mal havia terminado de falar, já estava abrindo a porta da delegacia para que o homem o acompanhasse até sua sala e nem sequer havia respondido o elogio que o mesmo havia feito a ele.
- está gamadinha do comentou, encostando-se à cerca que havia na varanda da delegacia enquanto tirava uma lixa da bolsa e começava a lixar suas unhas cor de sangue enquanto sorria vitoriosa sem me olhar nos olhos – Você acha que eu fiz aquilo porque quero catar o xerife? Não é não, é porque anda muito difícil arrancar informações de você sobre o que você está sentindo e acha que eu não vi a cara de ciumenta que você fez quando cumprimentei ele? – Ela me olhou enquanto me mostrava a língua e fazia algum tipo de dança ridícula.
- Muito engraçado – Cerrei os olhos – Não tenho problema algum com você se relacionando com se é isso o que pensa, vai fundo, case com ele, ele é todo seu, você vai fazer um favor para mim em me tirar do centro das atenções daquele imbecil – Menti.
- Olha aqui vocês duas, não quero saber de briga hoje, hoje é um dia especial, teremos festa mais tarde e vamos ter que transmitir boas energias para o meu bebe a partir do momento em que ele for solto então nada de aborrecimentos aqui! – nos lançou um olhar sério enquanto cruzava os braços e se apoiava na cerca, ao lado de que me mostrava de novo a língua. Ótimo, ! Eu já havia desistido e aceitado o fato de que ela seria irritante por um bom tempo, ou pelo menos até isso tudo acabar (o que não parecia algo perto de se acontecer) e agora também estava me irritando. Cadê o Pietro?
- Ai , sossega a piriquita ein, o seu bofe vai sair da cadeia já, já, chega de ser chata – disse com um bico voltando as suas atenções à linha que redesenhava as bordas de suas unhas redondas; a olhou com a boca aberta, inconformada, e eu não consegui segurar um risinho que tentei disfarçar com o ruído de meu corpo sendo apoiado na parede ao lado da porta de entrada da delegacia, ficando de frente para as duas meninas.
- Vamos todo mundo relaxar e esquecer que acordamos com o pé esquerdo, que tal? – Também apoiei minha cabeça na parede, erguendo um pouco meu pescoço para trás – Pelo menos até a hora da festa, nada que um álcool não resolva.
- Ah não, você não vai voltar a ser menina rebelde hoje né? Achei que tinha virado moça de respeito, trabalhando, dormindo cedo, mal estava te reconhecendo voltou a me olhar enquanto tirava sarro de minha cara, arrancando risadas de todas ali – Mas sim, hoje vamos beber, além de ser um dia especial, teremos uma reserva grande de camisinhas na minha dispensa – fez uma legítima cara de prazer, me fazendo rir mais ainda e revirar os olhos – Ah , qual é? Hoje precisamos tirar o atraso, inclusive você que é moça fiel e deve estar sem aliviar a quanto tempo? Dois meses?
- ! Cala a boca sua idiota! – Eu ri mais ainda, mas franziu a testa e fuzilou com o olhar – Eu tenho mais o que fazer está bem? Não sou que nem você que só penso em sexo o dia inteiro! Tenho minha faculdade, meus problemas, meus deveres, onde já se viu achar que sexo resolve tudo...
- É claro que sexo resolve tudo! – Exclamei e disfarçou a gargalhada colocando suas mãos na boca – Se você está estressada e quer ficar calma? Sexo. Se você está triste e quer melhorar o humor? Sexo. Se você está confusa e quer clarear a mente? Sexo. Sexo abre espaço para tudo! – Disse irônica e efusiva para que olhava para a paisagem para não dar atenção no que eu dizia.
- Isso ai ! E para com esse baixo astral todo Luísa! Enquanto você fica ai se preocupando até com a mosca que ficou de molho na sua sopa, eu já vou estar na cozinha dando um trato no xerife, da minha irmãzinha mais lindinha de todas – Só porque eu estava começando a me animar com a nossa conversa desastrosa, conseguiu fazer a minha cara monótona de anteriormente vir a tona com seu dialoguinho irritante– Aha! Viu como você curte ele, ? – repetiu sua dancinha ridícula.
- E eu que estava achando que você estava se tornando aturável, – A olhei com desinteresse.
- Hoje é um bom dia para você se entender com ele, – Ela me olhou com um olhar pidonho – Vocês conversam na minha casa... Pegam a lembrancinha, cada um uma para poderem se divertir em dose dupla e depois vão falar de trabalho na sua casa... E... – Ela começava a falar com uma voz de prazer enquanto gemia parecendo uma prostituta e eu assustada com a atitude dela, a interrompi.
- Você está maluca? Já bebeu um pouco das bebidas, foi? – Arregalei os olhos, olhando-a extremamente brava – Eu não tenho nada a falar com ele, já disse que ele é todo seu, e, por favor, pare de estragar a minha noite com essas idiotices que você tanto gosta de falar! – Ela ergueu as sobrancelhas bufando e depois guardou a lixa em sua bolsa, assumindo uma expressão de tédio ao também observar a paisagem junto a , sem me responder.

Será que essa idéia que tem de mim, de ser uma menina extremamente problemática, obcecada pelo xerife, era a mesma que o resto das pessoas tinham sobre mim? O que tanto essa menina ficava falando que me via soltando coraçõezinhos quando ele estava no assunto? Ou que ficava com ciúmes quando ela fazia este tipo de gracinha? Era simplesmente ridículo, era óbvio que eu não gostava, porque querendo ou não, lá no fundo eu tinha uma certa ligação com ele, mas ela por mais que eu tenha vergonha de admitir isso, era apenas uma atração sexual, nada emocional. E essas coisas que insistia em ficar falando em relação a nós dois me irritava bastante, e era esse mesmo o exato motivo por estarmos agora em silêncio na frente da delegacia, olhando para o nada, quietas, enquanto aguardávamos os dois homens que estavam se ocupando com a libertação de Mike. Meu deus como eu precisava do álcool que iria ser servido hoje à noite na festa, tinha razão quanto a isso, eu realmente estava precisando encher a cara e ter um belo de um porre desgraçado amanhã de manhã, porque comparando a inquietação que ando sentindo constantemente com a possível dor de cabeça devido à ressaca, eu preferiria a dor de cabeça, pelo menos ela seria gratificante um dia antes e teria algum motivo um tanto quanto racional, ao contrário de minha inquietação que eu passei a ter do nada; podia estar certa quanto ao álcool, mas nem tão certa assim em relação a minha necessidade sexual, depois de minha noite calminha com , lá no Rockings eu fiquei com um pouco de incerteza quanto a mais uma dose de sexo, porque por mais que discordem, aquela experiência tensa me rendeu a disposição em fazer parte de um voto de castidade qualquer daqui para frente...
Não. Nem fodendo.
Eu, e depois de alguns longos minutos em silêncio tomamos o maior susto quando a porta da delegacia abriu rapidamente, dando entrada ao nosso ambiente, acompanhado pelo advogado de Mike, sorrindo enquanto trocavam mais alguns vestígios de conversa que se esvaíram ao nos encontrar.

- E ai? – quase pulou em cima do pescoço dos dois enquanto dava vários berrinhos, típicos de Pietro, que por sinal eu estava ansiosíssima para encontrar mais tarde na festa.
- Está tudo certo – desmanchou seu sorriso, se despedindo do advogado que logo depois nos deu adeus e foi em direção ao seu luxuoso carro, dando o típico sorriso de trabalho bem feito ao fim de expediente... Agora que eu sabia o quanto era bom a hora de saída do trabalho e por mais que concorde que o dia do advogado era muito mais cansativo que o meu, entendia por experiência própria muito bem o motivo de seu sorriso – Já pedi para os guardas me trazerem ele aqui – berrou, que novidade.
- Ae, nosso Michaelzinho vai voltar para casa! – entrou na atmosfera contagiante de felicidade de que roia as unhas, olhando para a saída do prédio presidiário.
- Por enquanto... Sim – deu mais um de seus sorrisos cínicos ao acender um de seus cigarros e tragar, o lançou um olhar extremamente repreendedor e depois saiu correndo em direção a porta do presidiário, pois Mike estava ali, algemado, andando com um guarda de cada lado. Meu deus, meu amigo iria ser solto, eu não estou acreditando.
- Mike! – Ela de um berro que mesmo estando a consideráveis metros de distância consegui ouvir. mal se importou com os dois guardas ao lado de Mike, ela simplesmente se jogou sobre ele e chorou em seu colo, os dois estavam extremamente felizes e como num passe de mágica a minha raiva e intolerância em relação à e seus surtos recentes sumiram, era totalmente compreensível tudo aquilo, só eu que nunca amara na vida, é claro, que nunca conseguiria entender exatamente.
- Que lindos! – deixou cair uma lágrima – Se não fosse um momento com uma causa tão desgraçada e ambiente tão mórbido, esta cena até que renderia uma bela de uma foto para ele pendurarem na casa deles depois de casarem – Ela fez bico e permanecia do nosso lado apenas tragando seu cigarro, inquieto como eu.
- Que horror , nem eu quero me lembrar deste momento, por mais feliz que ele possa nos parecer nas circunstâncias em que a gente se encontra – Fiz uma careta e continuei observando os dois pombinhos se agarrando ao meio de dois policiais armários e armados.
- se virou para mim, dando uma profunda tragada em seu cigarro e logo depois, o jogando sobre o piso de madeira e pisando sobre o mesmo, o que eu achei ser má idéia, porque mesmo com meu baixo conhecimento químico, sabia que faíscas e madeira costumavam não dar uns bons resultados – Não quero destruir os sonhos de ninguém, então não se alegrem tanto em relação à liberdade de Mike, lembre-se que ela é provisória e não permanente, estou percebendo que vocês estão felizes demais para algo que é uma incógnita para todos nós.
- , só hoje, um dia na sua vida, por favor, pare de estressar e encher o saco de todo mundo. Eu sei que não é nada permanente, mas pelo menos hoje ele não será preso e poderá ficar com a gente, estamos precisando da companhia um do outro, nem que seja por uma noite – Segurei o fôlego para falar com ele se não acabaria berrando novamente com o infeliz.
- Tudo bem então, mas já sabe que se acontecer alguma coisa, vai ser para você que eu irei ligar, não quero ressentimentos, você trabalha para polícia e pode ser igualmente presa por cumplicidade se me esconder alguma coisa – Ele vestiu sua jaqueta de couro gasto que antes estava caída sobre um de seus ombros – Então não venha me negar informações.
- Eu já pedi para você nós deixar em paz hoje, não pedi? – Pressionei minha testa com os próprios palmos das mãos, decidida a não perder a paciência, porque por mais que eu, e tivemos nossa briguinha agora cedo, não queria estragar tudo.
- Bom, boa noite para vocês, se cuidem – Ele colocou as mãos nos bolsos e desceu os degraus, indo em direção à sua vaga preferencial, a poucos metros de distância de nós.
- Xerife – disse um pouco mais alto, enrugando a testa. Ele se virou para nós, desinteressado – Você não vai à nossa festa? Está todo mundo convidado, sem mágoas – Ela sorriu de forma cortês, dessa vez parou de tentar seduzi-lo (graças a deus) e assumiu a postura de uma amiga.
- Não – Ele disse seco – Estou cansado, boa noite – Ele se virou e voltou a seguir em direção ao seu reluzente studebaker que eu notara só agora que havia sido devolvido a ele. O carro estava com o Departamento de Pesquisa para busca de algum indício do assassinato de Jeanette durante um bom tempo, finalmente haviam o devolvido então para que antes estava usando uma viatura da polícia quase caindo aos pedaços.
- Ninguém mandou tentar ser amiga do lobo mau – Apareci ao lado de , a olhando com os braços cruzados, acompanhada por um sorriso sarcásticos, tentando capturar o dom que tinha em irritar o espectador.
- Que carro chique o dele – Ela disse sem dar ouvidos a minha provocação, observando os pneus de rolarem soltos pelas ruas até que o mesmo desaparecesse de nossa visão – Poderia ter me levado para dar uma voltinha com ele – Ela finalmente se virou para mim que ignorei mais uma vez seu comentário desnecessário e mostrou a língua, agora direcionando os olhos para algo que vinha de trás de mim, me virei, dando-me de encontro com a visão mais fofa que havia visto. Mike e andando abraçados enquanto sorriam em nossa direção.
- Será que eu posso finalmente cumprimentar o meu velho amigo que não vejo parecesse que já faz anos? – Juntei as duas mãos, formando um punho e usando de apoio para o meu rosto que estava de lado, esboçando um bico para Mike que sorriu maroto para mim, já abrindo os braços em minha direção.
- Mas que saudades, minha lindona – Ele me envolveu em seus braços, meu corpo se contraiu levemente e ele me levantou do chão, logo depois de me fazer ter certeza de que realmente era o Mike quem estava ali me abraçando, sorrindo de um modo que não via a um belo tempo e o melhor de tudo, em liberdade, não hesitei em também agarrá-lo com todas minhas forças e dedos possíveis, encaixei meu rosto no arredondado da junção de seu pescoço e ombro e sorri feliz, de olhos fechados, sentindo a maravilhosidade de ter aquele amigo tão querido comigo, sem nenhum tipo de jaula nós separando comigo – Oun, com uma recepção dessas sou eu quem vai acabar chorando – Ele disse manhoso e em todos os momentos como esses com os quais já convivi quando ele usa esse tom, tive a maior vontade de adotar Mike como filho, ele era... Um fofo.
- Awn Mike – As lágrimas antes tímidas agora despencavam de meus olhos como se fizessem parte do imprescindível – Que saudades de você – Abri meus olhos, sentindo os mesmos muito molhados e tendo a leve impressão que se me olhasse no espelho agora estaria com a cara de uma criança que havia se perdido da mãe no meio de um parque de diversão. Bela ironia.
- Minha , como eu senti a sua falta – Ele disse ainda me segurando no ar, enquanto expelia de sua boca uma voz um tanto quanto rouca, talvez a mesma de qualquer menino magoado ou com ressentimentos, o que se encaixaria perfeitamente em nossa situação atual. E foi aí que a minha garganta travou, não me permitindo mais emitir nenhum som, o máximo que meus músculos juntos aos meus sentidos nervosos me permitiram fazer naquela situação havia sido cafungar sobre o colo quente e macio de Mike, talvez eu estivesse exagerando com está recepção tão calorosa, ou simplesmente jorrando lágrimas por motivos os quais ele mal sonhava em conhecer, ou eu realmente sentia falta de um colo amigo como o de Mike que me fazia tão bem há pelo menos uns bons seis anos de convivência.
- Desculpa – Eu fechei os olhos, engolindo minhas futuras lágrimas e lamentações, como sempre fazia e distanciei meu corpo do de Mike que só permitiu a distância imposta entre nós depois de um delicioso beijo estalado em minha bochecha, eu realmente estava adorando ficar ali abraçada com o meu amigo fofo, mas para as duas telespectadoras que deveriam estar nos olhando com certo medo, a situação poderia passar a ser meio cabulosa, principalmente quando se tem em questão, a namorada do sujeito. Coloquei o palmo de minha mão sobre a região avermelhada de minha bochecha esquerda, na qual Mike havia depositado o beijo e sorri para ele, transmitindo-o boas vibrações, pois era o que ele mais devia estar precisando em um momento trágico como esse.
- Desculpa pelo que? Por me amar incondicionalmente? Talvez eu possa conviver com isso – Ele ergueu uma de suas sobrancelhas e eu dei um soquinho fraco em seu ombro, entrando em sua onda agradável de descontração e decididamente, engolindo de vez o choro que ainda custava à se desinstalar de minha garganta – ! – Ele se virou para ela que estava sorrindo, com o rosto corado, e pelo bem que a conhecia, seria a próxima a despejar lágrimas por Michael.
- Se você ousar fazer isto de novo eu simplesmente te quebro em quatro pedaços, ouviu bem Michael? – Ela berrou com ele, sorrindo enquanto engolia o choro que se já se revelava, logo depois de Mike a abraçar sorrindo.
- Prometo me comportar desta vez, sua marrenta – Ele disse enquanto aproveitava visivelmente agora o colo de que não se intimidava com os sons que soltava meio a sua respiração descompassada devido ao choro que fluía, e quando me dei conta estava agarrada com , observando aquela cena, deixando diversas lágrimas rolarem de meus olhos, e isso se prolongou por pelo menos os cinco minutos seguintes.
- Mas chega – Ela se distanciou dele sorrindo – Nem parece que o nosso amigo voltou, está parecendo mais um velório! – exclamou enquanto limpava as lágrimas que estavam depositadas sobre seus cílios e as que percorriam seu rosto corado, que possuía um invejável formato de coração – E se você acha que isto aqui é recepção... Meu bem você vai é ficar doidinho quando ver a surpresinha que preparamos para você lá em minha casa! – Ela sorriu para nós três enquanto tomava rumo ao meu carro que estava próximo a nós.
- Eu disse que ela iria te surpreender, neném – pegou a mão de Mike e foi em direção ao meu carro, e só depois de alguns minutos de racionalidade percebi que eu era a única que permanecia em minha posição inicial, e a única que tinha as chaves do carro, dei eu própria um leve tapinha em minha cabeça para voltar a realidade e apertei o botão de meu chaveiro para que o carro destrancasse.
E com um irreconhecível bem estar alojado em nossas cabeças, seguimos em direção ao nosso apartamento para dar inicio a grande festa que havia preparado para Mike, que finalmente estava de volta.

- Você passou mal do estômago e foi embora sem me avisar? É essa a sua explicação? – Steve estava na minha frente com os olhos apertados, indicando a sua raiva passageira, já eu estava sentada no sofá de segurando minha margarita enquanto rezava silenciosamente para que o meu estresse não tomasse conta de mim – É só isso mesmo? – Ele indagou mais enfurecido ainda devido o meu silêncio.
- Sim, isso é tudo o que eu tenho para te dizer – Tomei um último gole da minha bebida e me levantei tomando o maior cuidado para não ter nenhum tipo de contato físico com Steve que ainda repousava a poucos centímetros de mim, propenso a ter um ataque caso eu não desse uma melhor explicação quanto o meu ligeiro desaparecimento do Rockings no dia em que... Não, não quero nem lembrar.
- , eu te conheço muito bem, então sei que você está mentindo para mim – Ele disse com a voz mais grossa e eu senti alguns olhares se escaparem na direção de nós dois que estávamos no meio da sala de , no meio da festa de boas vindas de Mike e quase morrendo por falta de oxigênio devido a quantidade de pessoas que estavam naquele lugar relativamente pequeno.
- Ótimo – Abaixei meu olhar ao meu antebraço que agora estava sendo envolvido pela mão forte de Steve, que não comportava a mínima sutileza – Então você pode me poupar em formular mais mentiras para me livrar de você, o que acha? – Relinchei minha expressão anteriormente estressada para um sorriso cínico e prepotente – Mas agora se não se importa... Eu tenho convidados de uma festa inteira para interagir...
- Nem pense em sair daqui, você vai me levar agora para o seu apartamento.
- Algum problema? – Senti um aroma tropical surgir de uma pessoa que vinha por trás de mim e preencher minhas narinas, me obrigando a respirar fundo discretamente devido a gostosa fragrância – ? – apareceu finalmente ao meu lado e levou sua mão à minha, fazendo com que Steve largasse meu braço, caso contrário se meteria em encrenca.
- Espero que não. Licença...

Lancei pela última vez um olhar de poucos amigos a Steve que me mantinha em seu centro de campo de visão e depois passei carinhosamente minha mão pelo ombro de , sorrindo para ele discretamente e logo depois me distanciei daquele local desagradável, indo em direção a mesa de jantar da casa de , onde agora comportava diversas bebidas fluorescentes com um barman especializado ao lado fazendo diversos malabarismos com as garrafas e mantimentos das bebidas - Por favor – Olhei para a mesa fazendo um bico e tentei escolher entre a tequila e o absinto que brilhava verde logo ao meu lado, com uma espécie de mensagem subliminar metafórica pedindo urgentemente para ser ingerido, e quem eu quero enganar, não é mesmo? Era sempre o teor alcoólico quem tomava minhas decisões quanto as minhas futuras bebidas, vencendo então o...

– Um absinto.
- Para já gatinha – O barman que parecia já estar sobre efeito alcoólico me lançou uma piscadela e passou a fazer os seus decorados e talentosos malabarismos com a garrafa do absinto e o copo, depois de tortuosos minutos serviu a minha bebida verde, feita de ervas com alguns torrões de açúcar como acompanhamento, agora eu estava quase chorando de emoção.

Olhei em volta pensando em com quem socializar naquela noite fria e o único pensamento consciente que conseguia chegar aos meus ouvidos era o de ir embora daquela muvucada toda de pessoas e ir fumar um cigarro lá fora, com isso eu pelo menos sairia ganhando, já que conversar com era praticamente impossível se eu quisesse me safar de gotas de suor pingando em mim em minha bebida, calor humano e outras nojeiras semelhantes já que a mesma eu acabara de avistar ao lado da porta de entrada, cumprimentando mais convidados que insistiam em chegar, só que para chegar até lá era preciso passar pela sala de estar da casa de que agora estava exercendo o papel de pista de dança da festa, logo, abortar missão, pois era o local mais tumultuado da festa. Até cogitei ir conversar com Pietro, e Mike, mas como não os localizei com facilidade presumo que estejam trancados no banheiro mais próximo fazendo coisas que não eram de meu interesse. também estava na festa, mas alguma coisa piscava vermelho dentro de mim quando me aproximava dele, talvez pela extrema carência que ele sempre insistia em demonstrar, mas de qualquer forma eu serei agradecida a ele até os fins de meus dias por me livrar de Steve pelo menos nesta noite. Mas no momento era outra coisa que piscava em minha cabeça... O fácil acesso às escadas de emergências que se localizavam na saída da cozinha fazia-me convencer a mim mesma de que ir fumar um cigarro, olhando a pobre paisagem desértica do prédio realmente estava se passando pela mais aconchegante ideia até agora. Apressei-me em direção a cozinha que era a poucos passos daqui e cheguei na mesma com certa facilidade, parecia ser o lugar com menos gente do apartamento, até mesmo o banheiro poderia estar mais cheio de casais do que a fria cozinha, preenchida por apenas três pessoas, uma estava abrindo os armários desesperadamente, outra estava sentada no banquinho e dormindo encostada na parede e a última estava vomitando na pia me lembrando vagamente da famosa e nojenta cena do Exorcista, e eu também precisava lembrar de avisar quanto a isso, caso contrário eu nunca mais comeria na casa dela. Andei até a lavanderia que era encostada a cozinha e torci a maçaneta de uma porta discreta e feita de madeira localizada a minha esquerda. Fechei a porta e me virei para o campo aberto que agora me encontrava, sem a presença de ninguém, exceto por uma pessoa de capuz que estava debruçada sobre as grades que envolviam as escadas feitas de ferro que serviam para fuga caso ocorresse algum incêndio, olhei a minha frente e logo a baixo de mim estava uma avenida bem movimentada, com carros buzinando da forma mais insuportável possível, porém o alto andar do apartamento de conseguia amenizar o barulho consideravelmente e nem isso conseguia ser mais irritante do que todo o atrito nojento e corpóreo que estava ocorrendo dentro do apartamento, aqui pelo menos era mais agradável que lá dentro apesar do céu estar em seu tom mais negro e sem contar com a presença de nenhuma estrela. Aproximei-me das grades e conseqüentemente do individuo que parecia estar passando mal, com as mãos tapando levemente a corrente de ar das baixas faíscas que meu isqueiro soltava, conseguindo apenas depois de consideráveis minutos acender um de meus cigarros, guardei o isqueiro dentro de minha saia e me sentei no primeiro degrau da escada, enquanto tragava pela primeira vez aquele convite ao bom senso e segurava cuidadosamente meu absinto com a outra mão.

- Eu não gosto disso – O homem apoiado na grade disse incomodado, ele estava bem perto de mim, pois a grade na qual o mesmo estava apoiado cercava a escada na qual eu estava sentada e apoiada.
- Com licença? – Franzi o cenho e traguei mais uma vez meu cigarro, seguido de um pequeno gole de absinto estranhando a folga do indivíduo.
- A senhorita expelindo esta fumaça desagradável ao meu lado. Eu cheguei primeiro, biologicamente falando, me tornei dono desta região antes de você então você deverá fazer minhas vontades – O homem debruçado deixou sua posição curvada e se virou para mim, retirando o capuz que envolvia seu pescoço e nuca, por mais que eu já tivesse minhas suspeitas de quem seria o elemento depois de ter se direcionado a mim com a saudação senhorita eu ainda me recusava a acreditar que era realmente ele que estava parado ao meu lado e passava a acreditar que tudo realmente tendia a piorar – Você sabia que a fumaça do cigarro prejudica diretamente o mecanismo da circulação entre o pulmão e o coração? Presumo que saiba que nossos pulmões são preenchidos por diversos alvéolos pulmonares os quais vão perdendo sua função com o passar do tempo por serem muito complexos e delicados diante uma diária ingestão de fumaça que os cimentam, fazendo com que os mesmos percam sua função e leve a vida de um fumante propensa a menor resistência às atividades físicas devido à má oxigenação dos tecidos – finalmente ficou quieto.
- Quer um cigarro? – Sorri para ele enquanto tragava mais uma vez o meu cigarro e jogava propositalmente a fumaça que saia de minha boca em direção dele que evacuava rapidamente.
- Você por acaso ouviu o que eu disse? – Ele indagou indignado, fazendo com que eu virasse meu corpo e o apoiasse na grade que estava apoiado, só que sentada, assenti positivamente para ele, erguendo levemente minha cabeça para trás, curtindo o vento extremamente frio que vinha em nossa direção - Eu acho que não. A fumaça do cigarro contém a mesma substância que as fumaças que saem dos escapamentos dos carros, o monóxido de carbono que no organismo se junta a hemoglobina, formando carboxihemoglobina a qual impede o transporte do oxigênio para o sangue. Tudo isto causa o desenvolvimento arterioesclerótico, já que as artérias se enchem de duras placas de gordura, não deixando o corpo receba a devida oxigenação – Ele se aproximou sorrateiramente de mim, demonstrando cuidado para não entrar em contato com as maciças nuvens de fumaça que eu soltava ao tragar o cigarro,e eu estava pensando em coelhos, ou não, mas qualquer coisa que não envolvia as baboseiras que ele soltava como se fossem saliva.
- Inacreditável – Disse mais uma vez enquanto dava mais uma tragada em meu cigarro que infelizmente já estava no fim, me obrigando a futuramente voltar minhas atenções ao meu querido e gostoso absinto.
- Incrível como parece não ligar, Senhorita , mas falando de forma mais direta você está propensa a ter diversas doenças cardiovasculares e pulmonares caso não pare com este terrível hábito, se não fui claro ao lhe informar sobre o monóxido de carbono, também posso dizer a respeito ao cianeto de hidrogênio que leva a paralisia das vilosidades que envolvem os pulmões e que são responsáveis pela nossa proteção diante substâncias estranhas. Paralisia responsável pela irritante tosse que os fumantes geralmente costumam ter ao longo do dia e...
- Por que exatamente você veio nesta festa? Não acha que um laboratório lhe cairia melhor? – Perguntei irônica enquanto revirava os olhos e dava um gole em minha bebida fabulosamente verde e jogava o toco que sobrara de meu cigarro na avenida logo abaixo de nós.
- Vejo-me no dever de informar a senhorita que não estou neste mausoléu por vontade própria, meu primo primogênito fez com que seu parceiro de trabalho me trouxesse junto a esta festa para que eu interagisse mais com os habitantes de Beaumont e conseguisse tornar meu trabalho aqui mais suportável – Ele fez uma pausa e retirou do bolso diversos guardanapos, os quais foram estendidos ao meu lado para que depositasse seu peso e sentasse ao meu lado – Presumo que o responsável pela diminuição de minha parte na herança do titio Loui não me conheça nem um pouco, caso contrário saberia que me sinto inconfortável diante tantas pessoas com vidas acadêmicas tão pobres quanto as que estão neste local.
- Jura? E porque ele mesmo não te trouxe aqui? – Perguntei sem pensar muito bem no sentido de segundas intenções que aquela indagação poderia trazer, mas não podia deixar de pensar em como minha noite seria diferente se estivesse aqui, claro que não seria nada agradável, mas que seria diferente seria, porque parece que dispõem cem por cento de seu tempo para me atazanar quando estou por perto... Mas nada que e toda sua nerdisse poderiam entender.
- Obtenho a leve impressão de que está querendo conviver alguns instantes sem que eu esteja em sua casa o que eu entendo perfeitamente, porque cada macho possui o seu próprio ciclo de necessidade sexual e por alguma razão indeterminada ele deve se sentir constrangido quanto a minha presença nestas ocasiões de encontros sexuais, mas repito que ele se demonstra muito enganado caso realmente acredite que eu estaria me divertindo aqui ingerindo grandes quantidades de etanol úvula a baixo e me interagindo enquanto atritasse minha pele com a dos outros convidados com grande excesso de amônia e mais incontáveis vermes que podem debilitar meu sistema imunológico.
- Acho que minha dose de etanol por hoje já deu – Sorri sentindo meus sentidos confusos e estranhos formigamentos acompanhados com a elevação de temperatura em minhas extremidades, conseqüentes da minha ingestão exagerada de álcool.
- Eu presumo que sim. Absinto é a bebida com maior teor alcoólico que se não me engano no momento é oitenta e cinco por cento de puro álcool, mais do que isso apenas o próprio álcool comprado em supermercados – Afirmei com meu rosto sem saber muito bem com o que estava concordando, pois as palavras que soltava ao ar sempre insistiam em entrar por um ouvido e sair pelo outro – Posso perguntar uma coisa?
- Hum? – Acordei de minha transe o olhando assustada devido a repentina vontade que o deu em socializar comigo, já que o mesmo, assim como o primo, adorava me ridicularizar – Er.. Sim – Ajeitei minha postura, depositando o copo com minha fadinha verde no chão devido a sua temperatura incomoda a minha pele devido ao frio que já fazia aqui fora acompanhado com o gelo que havia dentro do copo.
- Você está planejando cometer um suicídio? – Ele me olhou sério e eu soltei uma imensa gargalhada, recebendo dele uma expressão de incompreensão.
- Wow, o que? Você acha que eu estou querendo cometer um suicídio contra mim mesma? Eu garanto a você que posso pensar e ter vontade de matar diversas pessoas que rondam minha vida, mas matar a mim mesma não está em meus planos para a infelicidade de muitos...
- Você acabou de cometer um paradoxo inexato, é evidente que quando digo suicídio com a senhorita sendo o sujeito da frase, não é preciso alegar que irá cometer um suicídio a si mesma, já que dentro do significado lingüístico de “suicídio” já está incluído o ato intencional de matar a si mesmo e...
- E o que leva você a pensar que eu quero me matar? – O olhei estranha, porém ainda rindo de sua pergunta absurda e ignorando sua faladeira, ou talvez sorrindo pelo excesso de felicidade que sentia quando estava bêbada.
- Suas ações e reflexos involuntários parecem estar inquietos o que me leva a pensar na medida menos drástica que pessoas que demonstram estes atos são capazes de cometer, caso contrário são ações também usuais em assassinos, outra coisa que me leva a cogitar o seu suicídio é o fato de que uma pessoa que ingere fumaça de cigarro e absinto na mesma hora e até mesmo dia não é proprietária de uma boa saúde mental, pois até os menos afortunados intelectualmente falando sabem dos danos que ambas as substâncias podem ocasionar em seu organismo, podendo se duplicar se forem ingeridas juntamente.
- Finalmente eu te achei, estava te procurando pelo apartamento inteiro, por onde esteve? – A porta ao nosso lado, que dava entrada a cozinha de se abriu sem que nós percebêssemos e deu entrada ao lado de fora do apartamento, olhando para .
- Ora, é praticamente impossível se sentir confortável dentro daquele apartamento com tantas pessoas portadoras de hiperidroses e sob efeito alcoólico, tornando o lugar difícil de suportar e facilmente analógico ao inferno – formulou sua frase com a maior normalidade do mundo, mas o olhou com seu nervosismo agora misturado a uma confusão, já que ainda não devia estar acostumado com a faladeira do primo de .
- Que seja, mas você podia ter me avisado que estaria aqui, porque se tivesse eu não estaria te procurando feito maluco – disse ainda bravo enquanto fechava a porta às suas costas – Eu estava perguntando para todo mundo de você e as pessoas ao menos te viram quando chegamos aqui. Eu ia perguntar a na hora que eu havia a achado, mas ela fugiu de mim – Ele me olhou com os olhos semi cerrados.
- Não foi proposital, eu só estava correndo do Steve, – Me levantei do chão, assim como havia feito há alguns minutos antes – E eu vim em direção para cá direto, então de qualquer forma não seria de grande utilidade para você, descobri agora pouco que estava aqui e até mesmo de que ele havia vindo à festa.
- Vocês não podem cuidar mais da vida de suas autorias do que se intrometerem na minha? Eu sou bem grandinho e sei me virar – disso em tom de escárnio.
- Você pode até mesmo ser grandinho e saber cuidar de você, mas isto em sua cidade natal, porque duvido que saiba ao menos o nome da rua da casa de se aproximou de nós com os braços cruzados – Falando em ... Minha jornada toda de procurar você começou com a ligação dele que pediu que eu o levasse já para casa, porque disse que amanhã teremos um longo dia de trabalho.
- Isto é benevolente, para falar a verdade meu entusiasmo com isto cresceu em uma estaca de zero a mil, ir para casa agora era tudo o que eu estava pretendendo que acorresse em meu subconsciente – pela primeira vez no dia demonstrou uma espécie de excitação por algo.
- Então vamos embora, tchau se direcionou a mim, me dando um beijo na bochecha e eu fiz o mesmo, continuou parado ao meu lado, parecendo não estar nem cogitando me dar um beijo de despedida – Vê se para de fugir de mim – Ele brincou me dando um soquinho fraco no ombro e indo em direção a porta, seguido por – Ah, e o Pedro acho, pediu para que eu o avisasse caso te encontrasse, então vou dizer a ele que está aqui fora, tudo bem?
- Pietro – Sorri o corrigindo – Sim, avise ele, vai ser um favor que você irá me fazer – Acenei para os dois que depois de alguns rápidos segundos já estavam fazendo parte da muvuca que provavelmente continuava acontecendo dentro do apartamento de .

Não sou chata como a ponto de ficar reclamando com todas suas palavras de alto grau quanto a festa de minha amiga, mas confesso que o local no qual a mesma escolheu para dar a festa não foi muito bom, causando a pessoas mais chatas e frescas como eu e certa relutância quanto a possibilidade de fazer parte da bebedeira e danças que estavam ocorrendo lá dentro. Mas eu havia avisado ela hoje cedo e ela nem se quer quis me dar ouvidos, então de qualquer forma não tinha muito o que se fazer. Mas eu estava bem aqui fora e não tinha do que reclamar certo? Ainda mais porque Pietro estava a caminho e eu poderia conversar pelo resto de minha desastrosa noite com a companhia daquele fofo enquanto ignorava alguns casais que neste meio tempo de conversa com e migraram para aqui fora e agora estavam praticamente se comendo ao vivo e a cores aos meus lados, mas coisa fácil de ser ignorada quando o índice de álcool que percorre o seu sangue já está a cima do que o normal para uma simples noitada.

- Menina, tá frio demais aqui fora! – Pietro surgiu a minha frente dando mais um de seus berrinhos, fazendo com que alguns dos casais que se beijavam o olhassem e ele ao menos ligou, continuou a vir em minha direção com a postura curvada e encolhida – Está aqui por quê? Lá dentro está tão mais quente, sem contar com os apertões na bunda que podemos faturar devido a pouca possibilidade de se movimentar – Ele deu uma de suas risadinhas extravagantes levando eu a rir junto com ele.
- Ah... Isso é verdade, mas pretendo voltar para dentro só quando a minha bebida acabar, porque odeio locais muito cheios – Fiz um biquinho triste enquanto tomava minha bebida – Está servido? – Indaguei a ele que se apoiara na grade, ao meu lado e me olhava dos pés a cabeça.
- Não gatinha, já bebi demais por hoje, pretendo ter uma ótima noite e a bebida não me permite recordar nem das más lembranças quando bebo demais, quem dirá das boas, então não, grazie...
- Ah, está brincando comigo que você vem às festas e não toma nem um porrezinho?
- Eu até tomo às vezes quando perco o controle ou quando a maioria dos convidados são héteros, mas não é o que parece hoje, já faturei dois gatinhos então tudo tende a melhorar – Ele ajeitou a franja de seu cabelo falando aquela frase com a maior normalidade possível, e eu a estranhei de certa forma, mas deveria me acostumar com aquilo já que de agora em diante um de meus amigos era um gay.
- É estranho ouvir esse tipo de coisa – Sorri envergonhada para ele que se aproximou de mim e envolveu meus ombros com um de seus braços, nos juntando.
- Relaxa bem, pode ter certeza que você vai ter mais tempo do que o suficiente para se acostumar com isso. Mas e você? Toda gostosona aí e sem nenhum gatinho? Quer que eu te arranje um bofe hetero? – Ele me perguntou sério e eu gargalhei mais ainda – É sério gata, eu já me decepcionei tanto hoje tentando filar uns gatinhos que não curtiam gatinhos...
- Você é doido? Não, não... Obrigada, mas hoje pelo menos, estou bem sozinha, não pretendo ficar com ninguém. Você quem deveria ir curtir a noite, eu que sou chata e fico aqui fora perdendo toda a festa, vai lá para dentro!
- Calma, preciso de um tempinho para me recuperar e, além disso, fazia tempo que nós dois não jogávamos conversa a fora, senti sua falta! – Ele sorriu
- Gente! – surgiu ofegante a nossa frente e eu e Pietro a olhamos aflitos, com medo do que estava por vir devido à expressão nada habitual de – Vocês não sabem! Vou precisar urgente da ajuda de vocês! A bebeu demais e está vomitando tudo lá no banheiro do meu quarto!
- Ew! – Pietro exclamou, fazendo uma expressão engraçada e eu bufei.
- E mais uma vez tudo sobra para mim! – Revirei os olhos sorrindo enquanto batia palminhas e segui em direção ao quarto de , disposta e amenizando a paciência que seria obrigada a gastar daqui alguns minutos já que lidar com gente bêbada não era um dos meus melhores dons, ainda mais quando o bêbado em questão se demonstra na maioria das vezes insuportável até mesmo quando se estava sóbrio. E quando se esta bêbado, todas suas habilidade aumentam, inclusive a se de tornar mais insuportável do que o habitual.

1 semana depois...
Se eu disser de novo que não estou mais suportando o meu trabalho insuportável, diriam que eu sou chata? Não é o insuportável do mesmo conceito que o adjetivo insuportável que os aborrecentes hoje em dia nomeiam seus irmãos, compromissos e provavelmente as provas de matemática, porque o adjetivo chato que eu estou usando para caracterizar o meu trabalho está sendo usado em seu mais puro e direto sentido. Algo que não se pode suportar. Que não se pode agüentar.

- Já fez os relatórios do senhor Valton? – bateu a palma se sua mão sobre minha mesa, provocando um estalo na mesma que me fizera dar um pulo de susto, obrigando-me a sair daquela minha nuvem de pensamentos relacionados à minha pobre vida, sacrificada pelo meu inútil e tedioso trabalho. Boa noite realidade, já disse que você, o sarcasmo e o exagero estão sempre presentes aqui em minha vida tão movimentada? – Eu espero que sim, porque já são quase oito horas da noite – Ele concluiu, retirando seu ante braço de perto de mim, e cruzando os mesmos enquanto me olhava com uma cara desafiadora, desculpe, mas eu tive que rir.
- Oi? – Indaguei meio as risadas – Ah, você acha mesmo que eu vou ficar fazendo relatórios dos seus suspeitos, ? Faça-me o favor! Chame um de seus ajudantes formados na área policial para fazer isso, eu estou aqui só por causa de um complô seu junto ao governo, querendo que eu fique vegetando o dia inteiro dentro dessas quatro paredes.
- Você não devia ficar vegetando e sim me ajudando, já que mesmo que você não acredite, a infeliz entrada de vossa senhoria em meu ambiente de trabalho foi conseqüência da cabeça de merda de Cornyn – Ele disse irônico enquanto se sentava em sua grande cadeira, localizada logo a minha frente e passou a me encarar com os olhos cerrados. Acho que nem eu tinha idéia do quanto que aquele aglomerado de células conseguia me irritar, porque a cada dia eu me surpreendia mais ainda com a habilidade de meu sangue ferver ao manter um diálogo com .
- Me demita então, irá me fazer um favor – Sorri irônica, acomodando meu rosto que estava sobre uma de minhas mãos apoiadas na mesa e com a outra passei a analisar os fios de meu cabelo hidratado, graças ao banho de beleza e roupa que Pietro havia me obrigado a fazer junto a ele no final de semana anterior.
- Bem que eu queria, mas não é nenhuma escolha sábia, já que eu não tenho interesse em perder meu emprego – disse cansado.
- Por que continuamos sentados aqui conversando, a final? – Indaguei a ele, sem querer dar muita atenção nas coisas que ele dizia.
- Bom, outra coisa que eu não quero é que descontem dinheiro do meu salário por ficar saindo antes de completar minha carga horária – Ele disse desinteressado enquanto cutucava com curiosidade esplêndida uma simples caneta que segurava com uma de suas mãos.
- Que horas são? – Perguntei agora com interesse, desejando que sua resposta fosse o horário mais próximo possível das oito horas, que como havia acabado e ser lembrada por , era o horário em que estávamos autorizados a deixar o escritório da delegacia.
- Faltam dez minutos – disse ainda mexendo na caneta. Um pique de alegria tomou conta de mim e pulei da nem tanto confortável cadeira em que estava sentada para pegar minha bolsa e meu casaco, pendurados no cabideiro ao lado da porta de entrada da sala de . Quando já estava de frente ao cabideiro, comecei a ajeitar a gola de minha blusa olímpica cinza, sentindo um par de olhos desconfortáveis sobre mim, me virei de vagarosamente para não dar muita bandeira e encontrei um que me olhava com a cara firme, porém com ausência de expressão, ignorei seu comportamento problemático de sempre e voltei a me virar para o cabideiro, pegando do mesmo meu longo casaco preto que me aquecia naquela noite fria do Texas até a região de minhas coxas e depois minha bolsa, igualmente preta.

Depois de me certificar que estava pronta para sair da delegacia com o máximo da região de meus membros aquecida, devido a baixa temperatura que fazia nas noites de Beaumont, me virei para que ainda me encarava, apoiando-me na parede ao lado da porta. Por um momento me senti como uma daquelas crianças que ficam contando os segundos para dispararem pelos corredores da escola, em busca da cantina mais perto para comer, mas de qualquer forma isto não vinha ao caso agora. Passei a segurar o cartão que seria usado para registrar a hora de minha saída do trabalho na entrada da delegacia com certa força adicional, já que o contato visual entre mim e eram, agora, diretos; mas graças a deus o telefone que se localizada ao lado de um dos braços de que estava esparramado pela mesa passou a tocar e nossos olhares seguiram direções opostas desde então.

- Xerife – Ele disse com desinteresse, voltando sua atenção a caneta que ainda segurava. Três minutos se passaram com um completamente estático a minha frente, fazendo com que eu estranhasse a situação já que ele era sempre do tipo mal educado que interrompia as pessoas e falava com seu tom autoritário sem a mínima importância de quem fosse o orador, porém, nada. permanecia mudo e paralisado, com as rugas de seu rosto levemente enrugadas, demonstrando a atenção que o mesmo estava exercendo a minha frente – Certo – Disse, segurando o telefone contra seu ouvido com os ombros, já que a mão que o sustentava agora estava em busca de um papel pela mesa já que sempre que achava um pedaço de folha anotada, a jogava para o lado e ia em busca de outra de preferência limpa, eu ainda aflita pelo o que estava ocorrendo, tirei rapidamente um bloco de notas de minha bolsa e ergui a ele, depois de me aproximar do mesmo que retirou o bloco de minhas mãos com uma agressividade desnecessária – Qual o endereço? Certo – Ele disse anotando rapidamente com um garrancho de letra que poderia ser considerado um tipo de escrita árabe. Aproximei-me dele, ficando por trás do mesmo, num ângulo que me permitia ter visão do papel em que ele havia terminado de anotar um endereço com pressa, forcei os olhos e encurvei-me levemente para frente, deixando meu rosto a centímetros de distância do pescoço de – Eu e estamos a caminho, – Ele finalizou, ainda mantendo o telefone próximo ao seu ouvido, e não sei se é necessário dizer isso, mas eu simplesmente odiava quando ele usava a primeira pessoa do plural, quando eu e ele estávamos na mesma frase.
- Já vai me meter no meio – Resmunguei mais para mim mesma do que para o coletivo e resolvi voltar a me esforçar a entender a letra de , cruzei os braços e fiquei belos segundos analisando os riscos em preto sob o pequeno papel amarelo marca texto e quando havia finalmente conseguido juntar as letras e chegar às palavras que estavam cravadas naquele pedaço de papel, senti meu sangue congelar e paralisei em minha posição inicial, sendo tomada pelo eventual medo e frio na barriga – ... – Sibilei arregalando os olhos e fazendo o máximo para que o desespero não tomasse conta de mim.
- Sim, qualquer novidade me ligue, já estou a caminho do carro – se levantou rapidamente em minha frente, ainda com o telefone sendo ouvido pelo mesmo, o movimento brusco de me fez ir para trás, ainda chocada, ele começou a pegar suas coisas que estavam na gaveta, como carteira e chaves, colocando-as no bolso – Ok, abraço – Ele colocou o telefone no gancho rapidamente e me lançou um olhar aflito, talvez entendendo o que eu estava pensando, e talvez compreendendo o medo que sentia ao ver via um telefonema policial o meu endereço escrito sobre aquela folha de papel – Já deve ter notado, mas vale a pena te informar que encontraram um novo cara morto, e pelo o que minha pericia informou, é mais uma obra prima de nosso Leonardo Da Vinci – Ele finalmente se virou para mim e eu quando já achava que seria impossível sentir mais medo e tristeza, me surpreendia com a habilidade crescente desta dádiva tão desprezível.
- No meu apartamento? – Meus olhos dessa vez se umedeceram, algo já além de meu autocontrole, pois tudo o que vinha na minha cabeça agora era , , Mike e Pietro.
- Eu não tenho muitas informações, vamos embora, vamos ter que ir com o seu carro – Ele disse andando agilmente em direção a porta, o segui ainda me perdendo nos passos e já colocando a mão dentro da bolsa para achar de uma vez a chave de meu carro, para que nossa chegada ao meu apartamento fosse mais adiantada possível.
- Eu não quero saber , não sou do tipo desesperada em solucionar crimes ou enigmas do meu querido trabalho como você, mas caso ainda não tenha lhe caído a ficha, amor – Eu disparei, empurrando a porta do escritório e correndo, seguida de em direção ao meu carro, localizado a poucos metros de distância daquela delegacia – O que eu realmente quero saber, e que dou a máxima e única importância, é se aconteceu algo com , , Mike ou Pietro – Berrei com ele, me impressionando com minha adiantada, já que já estava torcendo a chave de meu carro, para que partisse retirada daquele local.
- Me de essa chave, no estado que você está, vai atropelar a próxima cadela que atravessar a rua ou ir de encontro ao primeiro poste elétrico que tiver e matar nós dois – Ele disse rude, arrancando as chaves de minha mão, e eu sem perder tempo, sentindo o oxigênio já faltar devido minha correria, exigi o máximo de minhas pernas para que conseguisse alcançar a outra lateral do carro no menor tempo possível, e quando feito, já estava sentada no banco aconchegante de meu carro, tentando encaixar o cinto ao seu compartimento de trava, já que a tremedeira sem ao menos eu notar, já estava tomando conta de mim – E respondendo sua pergunta... – voltou a falar enquanto dava manobras habilidosas pela rua – Eu não faço a mínima idéia de quem quer que esteja morto, só sei que acabaram de matar uma moça – E esse foi o pingo que faltava para que eu surtasse.
- O que? – Berrei me debatendo sobre o banco – Como você não sabe? Nem a mínima idéia? Você sabe se está bem? ? Pelo amor de deus , me fala o que está acontecendo – Eu levei as mãos a testa, ainda sem chorar como o de costume, talvez porque este esteja sendo o maior choque de toda minha vida, e é difícil agir sobre esta sensação horrorosa.
- , eu nem imagino – Ele disse mais calma, desviando dos carros que estavam formando o terrível congestionamento na Avenida Washington – Mas se acalme, para qualquer informação que seja, você ficar surtando só vai piorar as coisas – Minha respiração agora do nada havia passado a se descompassar, percebi que a calma que estava se esforçando em transmitir não estava sentindo para nada, já que em meu estado atual, tudo o que eu estava ouvindo, não estava servindo como grande utilidade, apenas entrando por um ouvido e saindo pelo outro.

Peguei minha bolsa, a escancarando e deixando o zíper pular para o chão de meu carro, tão pouco me importou aquilo, a única coisa que agora eu estava se quer cogitando fazer era caçar meu celular dentro daquela bolsa maldita que agora estava se saindo mais como um buraco negro do que como uma bolsa qualquer devido a demora em achar meu celular, depois de consideráveis minutos, finalmente havia encontrado aquele cubo de tecnologia maldito e fui imediatamente às minhas ligações recentes, dando-me de encontro com o número de como última chamada, passei rapidamente meu dedo sobre o nome que reluzia na tela iluminada de meu celular e a chamada havia começado, levei o celular aos meus ouvidos e fechei os olhos, tentando me lembrar de como era qualquer oração que havia aprendido quando pequena na escola de freiras em que eu estudei, sem sucesso, o nervosismo parecia atuar a mil sobre mim, mas o que mais me torturava naquele momento era o simples toque da chamada que ainda não havia sido atendida, persisti durante mais no mínimo duas tentativas no celular de , e depois já caindo totalmente no choro, voltei a minha agenda e cliquei sobre o nome de , meus olhos se fecharam e meu tremor se acalmou durante poucos segundos, quando finalmente havia ouvido o tom parar de tocar, indicando o inicio de uma ligação, porém, o efeito anestésico não durou durante muito tempo.

- Sim? – Uma voz masculina ecoou do outro lado da linha levando-me a acreditar que era mais um dos namoradinhos provisórios de .
- Quem é? – Indaguei com um pouco mais de calma.
- Aqui é a polícia e este telefone está sobre nossa custódia a partir de hoje – E como um simples reflexo, todo aquele mal estar havia retornado. O sangue gélido voltara a percorrer meu corpo e está sensação, por mais imbatível que fosse estava se tornando habitual em meu dia a dia.



Capítulo 13

[n/a: Sugestão de música: Comfortably Numb– Pink Floyd]

- Você tem certeza? – indagou enquanto trancava meu carro apressadamente e seguia meus passos rápidos em direção ao elevador de meu prédio, não foi preciso nem me identificar na portaria devido à grande movimentação que estava presente pelas redondezas do meu condomínio, conseqüência dos incontáveis carros da polícia e malditos fotógrafos de jornais que corriam para todo lado, me obrigando a dar diversos empurrões nada delicados e propensos a maior força que eu conseguia juntar e descarregar na hora para que sumissem de minha frente. O primeiro lugar que me veio em mente para vasculhar e ver se achava minhas duas amigas, as quais eu esperava do fundo do coração que estivessem em ótimas condições, foi o apartamento de e Luíza, lugar óbvio, mas nem tanto provável já que tão óbvio.
- Eu já disse que não! – Falei mais alto devido a distância considerável que ele se encontrava em relação a mim já que agora, por já estarmos de fato dentro do condomínio, o térreo estava com a maioria, para não dizer todos, moradores do prédio apavorados enquanto abraçavam seus familiares, mas os tumultuosos policiais e fotógrafos também alistavam presença, me fazendo conter mais raiva ainda daqueles filhos da puta enquanto corria na direção do elevador desejando que todos que se metiam no meu caminho sumissem.
Tentava reconhecer a figura de ou Luíza no meio da multidão, mas nada existia dentre ela a não ser desconhecidos ou, dizendo-se de passagem, conhecidos, mas só por vê-los entrando e saindo de seus apartamentos. Cheguei ofegante à porta do elevador e fiquei apertando incontáveis vezes aquele maldito botão que me traria o elevador para que o mesmo me levasse o mais rápido possível ao meu andar.
- Calma, você não vai conseguir que ele chegue mais rápido apertando essa merda de botão todo segundo, , um tanto fora de forma, chegou até mim completamente ofegante, encurvando a postura e levando suas mãos ao joelho para que servissem de apoio a sua posição desleixada – Você não foi direta com o policial, com certeza.
- , vai com essa sua psicologia barata para a merda, me faça esse favor! – Exclamei a ele, que se assustou com o meu tom de voz, arregalando discretamente os olhos e depois os revirando e voltando a postura ereta quando finalmente a porta do elevador havia se aberto a nossa frente – E você estava do meu lado, viu muito bem que eu tentei fazer com que aquele merda de policial me falasse quem havia sido a vítima, mas não é de se exaltar essa atitude ridícula daquele imbecil, porque no final das contas... É um cara mais imbecil ainda quem aprovou aquele bosta na policia! – O puxei para dentro do elevador pela gola de sua camiseta e aproveitei minha proximidade com ele para dar um belo de um empurrão logo em seguida e, apesar de jurar ter usado toda minha força, aquele empurrão parecia não ter tido efeito nenhum sobre ele já que o mesmo ao menos se moveu. A única coisa que aquela minha agressão física havia conquistado foi uma cara de extrema raiva de direcionada exclusivamente a mim.
- Toma mais cuidado com as atitudes que você tem, , caso contrário eu posso perder meu controle e fazer muito pior do que aquele dia no Rockings – Ele disse enquanto eu apertava o número de meu andar no elevador, percebendo lá no fundo da multidão um homem loiro, musculoso e atraente, o qual eu já conhecia há um tempo relativamente grande. Pietro estava desesperado, chorando, enquanto conversava com uma pessoa que não fazia parte de meu campo de visão devido a sua baixa estatura. Pietro estava, além de tudo, lutando para também não ser esmagado pela multidão desesperada que o rondava, vendo aquela cena pude sentir vários curto circuitos dentre meu corpo e levei minhas mãos à testa buscando me acalmar e pensar que nada de ruim havia ocorrido com minhas amigas e que ele estava chorando simplesmente por estar nervoso e ter os sentimentos à flor da pele, e isso faz sentido quando se tem um homossexual em questão. Depois de alguns contáveis segundos pensei até em ligar para ele do elevador para saber o que estava acontecendo e descobrir, para minha felicidade, que a razão de seu choro era apenas o desespero que todos ali estavam sentindo, mas como o gênio do destino nunca piscou para mim, meu celular estava sem sinal. Voltei a olhar com uma expressão mais calma, por estar decidida em pedir seu telefone emprestado, mas minhas últimas esperanças morreram quando percebi que não tirava os olhos carregados de rancor de mim, e foi aí que me dei conta de mais uma merda que como de costume, saia de minutos em minutos de sua boca.
- Jura mesmo? O xerife de merda vai me estuprar? Aposto que isso vai lhe render bons anos de cadeia! – Disse irônica, sem querer nem mais uma vez o contato com o par de memórias que eu ainda obtinha do dia em que ocorrera a nossa briguinha no Rockings.
- , porque você não fica de bico calado e apenas me agradece? Eu só estou te acompanhando para sua proteção, sabia? Porque o lugar que eu precisava estar agora não é nem de perto na sua casa, e sim lá na garagem – Ele disse com os olhos vidrados, fazendo-me respirar fundo para não dar a ele um belo de um soco na cara. No final das contas ele realmente estava sendo legal comigo em me acompanhar até meu apartamento, mas nada que fosse tão relevante assim em nossa relação de ódio e ódio a ponto de me fazer perder a vontade que tinha de batê-lo. Mas no final de tudo... Eu estava grata a por estar me irritando mais do que nunca (e me ajudando ao mesmo tempo), pelo menos agora, porque a adrenalina exagerada que eu estava sentindo conseguia amenizar, de certa forma, o medo extremo presente em minha inconsciência devido à probabilidade de ter ocorrido alguma coisa com ou Luíza, e ainda mais com o telefonema estranho daquele policial filho da puta que não respondeu a nenhuma de minhas perguntas.
Finalmente a porta a nossa frente havia se aberto solitariamente e... Nada. O andar estava completamente vazio e escuro, coberto por uma luz enfraquecida e vermelha, que iluminava timidamente as paredes silenciosas, sem nos proporcionar uma boa análise do estado do corredor que dava entrada ao apartamento de , Luíza e o meu. Tudo estava intacto, exceto pela minha porta que estava completamente escancarada e por um vaso quebrado no chão que, anteriormente, repousava sobre uma mesinha de madeira que havia colocado para que trouxesse uma melhor cara ao nosso andar, o diferenciando dos outros. retirou sua arma do bolso e quando eu estava disposta a compartilhar minha confusão com o mesmo, ele levou um de seus dedos aos meus lábios, pedindo por silêncio, enquanto apenas mexia sua boca de acordo com a palavra, sem emitir som algum. De dentro do meu apartamento, uma luz branca, provavelmente vinda de minha cozinha, emanava tão forte que conseguia participar da maior parte da baixa iluminação do corredor de fora. E foi para lá que seguiu, não antes de mandar uma mensagem silenciosamente de seu celular, ao qual me dei o trabalho gratuito de ler e concluir que informava a e O’Connell onde estávamos e que queria reforço caso não chegássemos à garagem em vinte minutos, onde todos pareciam estar reunidos e onde era a cena do crime. andava vagarosamente em direção ao meu apartamento e, logo ao entrar nele, não hesitou em apontar a arma para dentro do mesmo, porém... Nada de novo. Como havia pensado corretamente, a luz forte vinha de minha cozinha, que era ao lado da porta de entrada, separando-se da sala de jantar e sala de estar apenas por balcões, abaixou sua arma consideravelmente depois de analisar bem o local e depois do próprio afirmar, seguro, que não havia ninguém lá dentro, eu fui a minha cozinha saber a razão da bagunça desnecessária da mesma, feita por alguém desconhecido.

- Sente falta de algo? – Ele me seguiu, ainda olhando aos redores, balancei minha cabeça negativamente e cheguei à conclusão, depois de um considerável tempo observando aquela cozinha, que a bagunça toda se resumia à maioria de meus copos de cristais para diversos tipos de bebidas esmigalhados pelo chão, minhas panelas antes penduradas na parede acima da pia e abaixo dos armários se encontravam igualmente espalhadas pelo chão e, por algum motivo estranho, uma de minhas frigideiras repousava sobre uma das bocas de meu fogão, o que me levou rapidamente ao mesmo para conferir se seu gás estava desligado e, por sorte, estava. Dei-me o luxo de também analisar a frigideira logo a minha frente, na primeira boca do fogão, a mesma portava um liquido avermelhado, semelhante ao que soltava depois da fritura de um bife – Não é só aqui por onde quem quer que seja andou... – disse, me chamando com o indicador para o centro da sala de estar – Você deixou a porta de sua varanda escancarada deste jeito?

- Não! – Exclamei ainda tentando entender minha situação. A minha casa havia sido arrombada e parcialmente destruída, houve um assassinato em meu condomínio, um policial atendeu o telefone de e não quis me dizer o porquê, alguém aproveitou todo o escandalismo dos moradores para fazer uma boquinha na minha casa e eu estava conseguindo agir normalmente? É isso mesmo, produção? Bom, pelo menos já era um progresso do meu psicológico, que estava se demonstrando cada vez mais fortalecido – Eu sempre fecho tudo, inclusive a cortina – Lamentei ao ver a minha cortina de seda salmão parcialmente caída aos prantos – , o que está acontecendo? – Indaguei nervosa enquanto me juntava a ele, quase agarrando a sua mão que não estava carregando a arma, observando a cortina caída. Um lado da cortina parecia permanecer intacto, mas o outro, até mesmo o suporte de ferro que a mantinha presa estava, caído no chão.

- Eu não sei, mas... Por mais que isto soe estranho, calma. Eu já vi uma pá de casos em que pessoas se aproveitam do caos de um ambiente que ocorreu um assassinato para roubar coisas valiosas, talvez tenham te roubado algo importante e você ainda não deu falta, ou pelo menos vieram em busca de algo importante e quem quer que seja que veio aqui, decididamente teve um ataque de raiva descontado na maioria dos objetos da sua cozinha – Ele disse agora mais sério do que nunca, se distanciando de mim e indo em direção a minha varanda, eu me envolvi com os próprios braços, completamente inquieta, pois ainda não sabia nada em relação ao destino incerto a que e Luíza foram submetidas, e já com a adrenalina se normalizando, pude sentir a tristeza e desespero voltarem a tomar conta de mim. Eu estava vivendo um pesadelo, aquilo não podia ser verdade e, por um momento de loucura, desejei que virasse a mim naquele exato instante e me batesse, para que minha mente se ocupasse com outra coisa menos trágica – ... – A voz dele me acordou dos pensamentos masoquistas e quando fui de encontro ao seu olhar, ele me chamava com um indicar de sua mão; confesso que havia travado naquele momento, ele estava olhando fixamente para algo que eu não queria saber o que era, mas quando o mesmo voltou a repousar sua arma no bolso eu tomei coragem e me aproximei vagarosamente dele, adentrando na varanda enquanto pensava no que poderia haver na direção que ele tanto analisava, e num pique de consciência, lembrei que lá fora havia uma mesinha com algumas cadeiras que eu costumava freqüentar com minhas amigas em dias sem melhores coisas para fazer.

- Mas o que... – Minhas palavras se calaram, talvez pela surpresa que aquilo me causara devido a sua irracionalidade. Sobre minha mesinha de palha tinha um copo on the rocks, típico copo usado quando se quer beber uísque, que referente ao líquido estava vazio, mas dentro obtinha uma batuca de cigarro esmigalhada, acompanhada por diversas cinzas do mesmo. Ao lado do copo mais três coisas repousavam, uma garrafa de uísque Blue Label vazia, uma caixinha preta equilibrada na boca da garrafa e um grande prato que devidamente pertencia ao conjunto de louças que havia ganhado de Pietro, que as trouxeram da Itália, sujo por algo em marrom que me lembrava o mesmo líquido que boiava sobre minha frigideira, e acompanhado por talheres igualmente sujos – Eu não entendo...

pegou seu celular e mandou mais uma mensagem, mas a minha desconfiança agora era tanta que eu nem sequer dei-me o trabalho em ler o que ele havia escrito, pois minha consciência estava ocupada o suficiente com aquela cena da varanda. Depois de alguns minutos ele se aproximou mais da mesa, ficando a poucos centímetros da mesma e pegou a caixinha preta que eu só não havia tomado a mesma atitude que ele tomou devido a minha paralisia involuntária e medo de encontrar o que quer fosse que aquilo portava. Mas como no meu caso a curiosidade é a última quem morre, me dirigi a ele, ficando perto dele de um modo com que eu fosse capaz de enxergar todos os detalhes daquela caixinha também. Ela era por fora aveludada, o que me fez lembrar de relance as caixinhas que comportavam jóias caras e finas, tinha um formato quadrado, profundo e oco, balançou de vagarosamente a caixinha perto de seus ouvidos e junto a ele, ouvimos um som grave e de baixa densidade, ele resolveu ignorar mais essa coisa estranha que estávamos encarando naquele dia e virou a caixinha, e lá estava, em uma caligrafia verticalizada já conhecida por nós dois, as palavras “Destinado ao Xerife

- Não abra – Eu franzi o cenho levando minha mão a dele, abaixando aquele objeto estranho e me lembrando comicamente, mas ao mesmo tempo tragicamente, daqueles desenhos de infância onde os vilões presenteavam os heróis da história com mini bombas. Mas contradizendo minha lembrança infantil, percebi que nenhum som semelhante ao tictactictac estava vindo de dentro da caixa, todavia, do jeito que a tecnologia anda hoje em dia, a ponto de uma caneta possuir o poder de explodir uma área compatível a do Vaticano, eu não podia garantir mais nada. De qualquer forma, aquela hipótese era absurda, já que se ele quisera tanto nós matar, podia ter feito de nós as vítimas desta noite.
- Eu acabei de falar com O’Connell e ele está mandando a pericia subir, porque devidamente algo ocorreu aqui e precisamos saber se podemos achar algumas pistas, minha esperança é encontrar digitais pelo copo e talheres, mas presumo que ele não seja tão ingênuo assim. Eu já tenho uma idéia formada em relação ao conteúdo desta caixa, mas se você quiser sair, por não se sentir confortável, eu entendo perfeitamente.
- Não, vou ficar com você – Disse insegura, eu ficaria, mas não porque aquilo me agradaria, e sim porque eu teria medo de ir a qualquer outro lugar sem a companhia de , porque querendo ou não ele era o xerife e acho que devia saber manobrar bem sua arma para me proteger de possíveis ataques que poderia sofrer de um assassino escondido no apartamento. Ou talvez, porque eu me preocupasse com ele – Não é como se algo tão mortal conseguisse sair de uma caixinha de tão baixo volume, certo? – Disse irônica e incerta e pareceu não ligar, pois ainda olhava detalhadamente as letras que mencionavam seu nome na caixinha.
E como se estivesse todo este tempo tomando coragem para concretizar seu ato, ele abriu rapidamente a caixa e por mais que ele pudesse querer negar, ambos tivemos a mesma reação. Torcemos nossas feições devido ao odor que foi invadindo o ambiente, levei minhas mãos à testa ao reconhecer todo aquele liquido extremamente vermelho que vinha de dentro da caixa, derramando-se algumas gotas pelas bordas da mesma, e diante de todo aquele líquido, algo com coloração acinzentada e com textura semelhante à de gelatina se revelou boiando calmamente. Não levando aquela ocasião à nostalgia extrema, passei a obter minhas suspeitas que, em seguida, foram confirmadas por , que parecia estar no mesmo estado de horror e choque que eu, mas provavelmente eu estava mais a beira dos ataques de nervos, me diferenciando consideravelmente dele devido aos meus olhos arregalados, cara de nojo e conversando silenciosamente com meu estômago para que ele não me traísse justo agora.

- “Pretendo recomeçar meu trabalho o mais rápido possível, e quando feito, mandarei à casa particular do xerife parte da deliciosa massa cefálica da pobre mulher para que possam curtir a grandiosidade disto tudo, junto a mim que estarei abrindo uma bela garrafa de Blue Label, acompanhada por uma excelente e suculenta fritura humana.” – murmurou em voz baixa o trecho da carta do homem que dizia respeito a todos estes acontecimentos atuais – Presumo que tenha errado de endereço – Ele disse enquanto fechava a caixa e a colocava sobre a minha mesa de palha, depois retirou de um de seus bolsos traseiros da calça jeans um pedaço de lenço, o qual usou para limpar suas mãos já cravadas com aquele líquido comprometedor.

- Eu... Eu não tenho palavras – Disse enquanto me vasculhava por dentro em busca de alguma emoção, voz ou até mesmo dialogo, eu provavelmente estava mediante a um estado de choque e era perfeitamente de se entender o porquê – Ai, que nojo! – Senti minhas lágrimas que já estavam demorando para serem reveladas rolarem pelo meu rosto que estava congelado devido ao vento extremamente gelado que fazia aqui fora na varanda.

- Calma, venha comigo – Ele disse me puxando para a sala, mas a imagem séria de O’Connell surgindo a nossa frente impediu que o trajeto fosse concluído. Meus olhos se arregalaram de forma ridícula, até mesmo para mim, ao perceber sua sombra tão próxima de nós, que só depois de alguns segundos reparei que minha luta pela sobrevivência me levou até o outro lado da varanda. Revirei os olhos, me soltando das grades da sacada, mas mesmo assim atenta à presença de um assassino fantasiado de O’Connell – Vocês pararam para comer pizza? – o olhou furioso e a expressão séria de O’Connell agora estava se tornando envergonhada.
- Desculpe, xerife, o elevador parou de funcionar e tivemos que subir pelas escadas – Ele se lamentou enquanto, por visão periférica, percebi o olhando ainda com cara de poucos amigos – A perícia já está chegando, parte dela continua na garagem acompanhada por , que está liderando as investigações anatômicas até que você chegue. Também já pedi para grupos de policiais se separarem e inspecionarem os apartamentos do prédio para verem se acham mais alguma coisa de estranho que possa nos ajudar no caso.

- Mas eu disse para você me trazer a perícia o mais rápido que fosse possível, recebi como resposta, sete minutos insignificantes sem nenhum meio de investigar o que ocorreu aqui em cima – revirou os olhos sem dar mais tanta importância para o amigo que continuava um pouco ressentido com tudo o que estava acontecendo. O’Connell era um homem muito responsável e íntegro, presumo que levar broncas do patrão não era algo que lhe agradasse – Eu preciso falar com você em particular – Ele se virou novamente para mim – Você fica bem aqui fora sozinha, só por alguns minutos? – E por acaso eu tinha alguma opção? Pelo jeito não.

- Sim, mas... O’Connell – Chamei- o, ele estava observando os próprios sapatos mostardas e formais ainda zangado consigo mesmo – Só me responde uma pergunta, e Luíza... Elas estão bem?

- Sim, estão no térreo – Finalmente aquela calma que eu tanto sentia falta estava pairando sobre mim. Graças à Deus, aquilo foi como um choque, então para disfarçar meu nervosismo que em parte aumentou, apenas agradeci O’Connell e me dirigi ao parapeito da varanda, ficando o mais longe possível da mesinha tão mórbida, encarando o caos que o prédio se encontrava no térreo, ainda com diversos moradores cobertos por seus edredons, abraçados com seus parentes.
Jornalistas estavam dizendo ao vivo, com seus microfones em mãos,às rede de televisões, quanto ao que havia ocorrido, fotógrafos tirando foto das fachadas, que os policiais agora estavam se ocupando em colocar em volta do prédio, e tudo de ruim parecia estar me cercando naquele momento.

Infelizmente não pude controlar minha curiosidade, engolindo meu medo, e acabei dando alguns passos em direção à mesa, silenciosa, e mais alguns após perceber um pedaço de tecido branco caído no chão, fazendo-me sentir um leve odor de álcool, o qual eu já estava entendendo para que havia servido, após me deparar com o copo brilhando em seu exterior, assim como as bordas dos talheres com seus dentes sujos. O homem que acabara de passar em minha casa para fazer uma boquinha e matar alguém lá em baixo havia limpado as digitais que poderiam ter tornado tudo mais fácil para sua localização. Percorri meu olhar detalhadamente por todos mantimentos que o homem havia usado sobre minha mesa, sem lançar apenas um olhar àquela caixinha que me causara náuseas há minutos atrás, e quando meus olhos voltaram ao tecido caído ao lado da cadeira, se fixaram involuntariamente em um pedaço de papel que repousava ao meio de algumas revistas que eu mantinha sobre o pé da mesa, em um móvel especial para isto, para entretenimento; franzi o cenho, sem conseguir me lembrar de ter deixado alguma coisa ali e, sem sucesso, aproximei uma de minhas mãos ao papel, com os olhos nas largas portas de vidro que davam entrada à varanda, para me prevenir de futuras broncas de quanto às normas esclarecedoras em que todas as cenas dos crimes devem permanecer intactas, mas não é como se aquilo fosse parte da cena do crime, já que toda chacina havia ocorrido na garagem, e além de tudo, era eu a proprietária daquela merda de casa. Num impulso, tomei coragem e peguei, apressadamente, sem conter mais minhas medidas preventivas, aquele papel que agora se revelara ser mais do que eu tinha em mente. Era um envelope que possuía um papel de lembrete colado sobre, com escrita em ambos os lados dos poucos centímetros de largura.

“Exclusivamente, para ,
Passei no correio hoje mais cedo e aproveitei para pegar suas correspondências, minha querida.
Perdoe sua mãe, ela parece estar arrependida.
Soberano”


E de novo a caligrafia verticalizada estava ao meu alcance, como mais uma pista insignificante, pude sentir todos os pelos de meu corpo se eriçarem com aquele simples e pequeno bilhete escrito pelo homem que sabia mais do que o recomendado sobre minha vida, já que quem conhecia a minha história de cabo a rabo eram apenas , Mike, Steve, Luíza e, em parte, Pietro. Como ele podia saber tanto assim da minha vida, se nem ao menos me conhecia? E não importava apenas me conhecer, já que eu conto minha história apenas para amigos em que realmente confio, e isso não inclui as pessoas que são somente conhecidas. Ainda travando uma luta interna contra as diversas perguntas que surgiam em minha cabeça, virei a carta dando-me de encontro com mais algumas palavras daquele tal Soberano escritas e, além disso, a única coisa a mais que pude observar era que aquele bilhete desconfortável estava fixado sobre um envelope com os dizeres e letras também já conhecidos.

De: Mamãe.
Para: .
1895 Threadneedle St, Beaumont TEXAS 77705, USA


Ok, tudo aquilo estava realmente começando a ficar estranho, isso se ainda não estava a ponto de poder ser comparado com um show de horrores. Será que realmente era mais uma carta daquela louca desvairada que ainda se considerava minha mãe? Eu ainda não sabia qual era o conteúdo da carta daquela mulher, a carta estava lacrada pelo envelope amarelado e eu não fazia a mínima idéia de como um homem desconhecido que havia me escrito aquele bilhete misterioso sabia o que estava escrito na carta dela, já que em nenhum local o envelope estava rasgado ou aberto, mas mesmo assim as palavras que estavam intactas sobre o papel em que o tal Soberano havia escrito, reluziam como se estivessem piscando a minha frente “Perdoe sua mãe, ela parece estar arrependida”, mas como? Ele não estava querendo matar todo mundo, porque agora estava determinado em me dar conselhos familiares? À este momento meu cérebro já estava se ocupando em dar diversas voltas dentro de meu crânio e...

- ? – apareceu na porta e eu, rapidamente, sem ao menos pensar no que estava fazendo, coloquei aquele envelope, acompanhado pelo papel de lembrete que precisaria ler o outro lado do mais tarde, dentro de minha calça – O que você está fazendo aí? – Ele me olhou dos pés a cabeça, estranhando minha posição e só depois disso eu havia notado minha atual situação, eu estava agachada ao lado da mesa, com a cabeça levemente abaixada; levantei-me em um pulo, assumindo uma postura semelhante à de um sargento devido a minha incerteza no que fazer.

- Er... – Passei minhas mãos nervosamente sobre minha franja, vasculhando algumas palavras para dizer e quando meus olhos novamente se cruzaram com o pedaço de pano caído no chão eu achei as palavras perfeitas para me livrarem daquela situação – Eu acho que achei alguma coisa, venha aqui – O chamei, ainda nervosa, para que o mesmo visse o pano com álcool no chão que, anteriormente, parecia não ter notado a presença. Quando numa questão de segundos ele já estava ao meu lado, eu voltei a falar, para que a imagem nervosa e incerta que o mesmo devia ter formado de mim há segundos atrás, agora desse lugar a uma imagem de mim, com mais seriedade e determinação no que falava – Eu achei isso, estava caído aí no chão e cheira a álcool, ele deve ter usado para limpar as digitais ou alguma coisa assim.
- Como sabe? – me olhou desconfiado e eu rolei os olhos, já que aquilo era óbvio até mesmo para mim, que era novata na área policial.
- Olhe o exterior do copo, as bordas do prato, os braços dos talheres e até mesmo a garrafa de uísque, , eles estão reluzentes e tenho certeza de que antes não estavam assim, já que não ocupo a maior parte de meu tempo para deixar minhas louças brilhando e em ótimas condições.
- É, você pode estar certa – Ele assentiu – O’Connell, me traga um dos sacos da perícia – E depois, em questão de segundos,O’Connell havia aparecido ao meu lado com uma caneta, um par de luvas de plástico e um saquinho também feito de plástico, dando-os à , que agora estava agachado, assumindo a mesma posição que eu há minutos atrás. O’Connell me cumprimentou silenciosamente com um sorriso tímido.
- A perícia já está procurando pistas na parte de dentro do seu apartamento, pedi também para alguns homens já virem para cá, já que aqui parece estar com várias coisas que podem jogar ao nosso favor – Ele disse, ainda afetado devido à bronca que levara de agora há pouco.

- Tudo bem,O’Connell, olhe bem por aqui e dê isto a perícia – ergueu o saco que envolvia o pano, que antes estava caído no chão, à O’Connell que estava a sua frente, não antes de marcar um “X” com uma caneta grossa e preta no local onde o pano repousava – Agora eu vou descer para ver direito o que aconteceu lá em baixo – Ele disse tirando mais uma vez o celular do bolso e checando as horas no aparelho – Você disse que não vai mais subir, vai ficar lá em baixo me esperando, certo?
- Sim senhor.
- Ótimo – guardou novamente seu celular – Vou descer então, , você precisa arranjar algum lugar para ficar – Ele disse já abandonando a varanda e me deixando para trás, lancei a O’Connell um olhar nervoso e depois me exaltei, dirigindo-me a que andava apressadamente em direção a saída de meu apartamento.
- Ei, ei, ei! – Fui obrigada a berrar para que me ouvisse, já que ele já estava descendo as escadas do prédio – Me espera! – Disse apressando-me e obrigando-me a correr em direção a ele para que o alcançasse e ele parasse de me deixar para trás – Eu quero ir com você!
- Eu vou ter que repetir todo aquele falatório do dia em que você foi comigo ver o cadáver de Jeanette? – Ele indagou, ainda descendo as escadas, mas eu já estava mais tranqüila, pois o que me distanciava dele eram meros degraus. Mas falar enquanto descia aqueles incontáveis degraus estava passando a ser algo limitado para mim, que já estava ofegante – Não quero saber de você dando ataque, interrompendo o meu trabalho e blá, blá, você já foi de grande utilidade esta noite para mim, não vou precisar de você dando show para que toda esta imagem positiva que construí sobre você, suma.
- Olha aqui, – Disse de forma rude o começo de frase que eu devia falar para ele quase que todos os dias – Eu não dei nenhum ataque quando aquilo aconteceu, fiquei quietinha do seu lado, o único dia que eu fiquei realmente ruim foi o dia do Benny Ryan, o que é de se explicar porque eu nunca havia visto uma pessoa morta antes e muito menos conhecida! Hoje parece que já me acostumei com essa desgraça toda – Tive que me esforçar um bocado, já que minha voz estava falhando devido ao grande lance de degraus que estava sendo obrigada a descer em questão de um segundo para cada cinco degraus – Vai mais devagar, !
- Vai logo, , a gente não está no shopping – Ele parou um pouco a frente de mim e me esperou descer os lances de degraus que faltavam para alcançá-lo. Era incrível o esforço desnecessário que ele fazia para implicar comigo – Preciso chegar à garagem o mais rápido possível, já demorei demais para ir para lá, que é o lugar em que eu deveria estar desde o momento em que coloquei os pés nesta merda de condomínio – Ele voltou a falar enquanto descia junto a mim mais e mais degraus, só que em uma velocidade menor e, com isso, finalmente me permiti descansar um pouco, tentando normalizar minha respiração afobada.
- Você fala demais, – Disse a ele depois de alguns minutos, quando minha voz já havia assumido seu tom normal. A nossa situação conseguia ser comicamente ridícula até quando estávamos prestes a cuidar de um homicídio que acabara de acontecer, porque mesmo quando estávamos descendo rapidamente as escadas de um apartamento fazíamos questão de insultar um ao outro, até mesmo quando não se tem ao menos o fôlego para fazer isso de forma correta – Falaram para você alguma coisa quanto à identidade da vitima? – Perguntei a ele, interessada, e abandonando o meu tom exaltado da voz, já que queria obter alguma resposta dele.
- Não, quem é, ainda ninguém sabe. Só sabemos que não há mais dúvida alguma quanto a autoria do assassinato, me informaram que o modus operandi é idêntico ao do Estripador – Congelei.
- O modus operandi que você se refere é o corte na garganta? – Indaguei, voltando a ter meu tom de voz mais trêmulo, mas agora não era por causa do cansaço e sim porque a conscientização do que estava por vir estava ficando cada vez mais mórbida. Como mais tarde, as conversas e implicações que eu e estávamos tendo, ajudaram a amenizar o medo que sentia ao saber que a vítima havia sido alguma de minhas duas amigas, agora a distração era outra, os degraus me faziam ter total concentração na movimentação de meus pés se locomovendo sincronizadamente, e o ritmo acelerado de minha respiração também pedia por minha atenção, mas como os lances de degraus estavam chegando ao seu fim, assim como quando havia parado de implicar comigo, o bom senso e noção das coisas que estavam acontecendo voltaram a invadir minha cabeça, fazendo com que meu estômago se contraísse, com medo do que acharia em poucos segundos, já que o Estripador não se importava muito quanto à aparência que deixava os pobres corpos de suas vítimas expostos.
- Não exatamente, espere que você vai ver quando chegarmos – Ele disse sem ódio na voz, o que eu estranhei um pouco já que sempre que falava comigo demonstrava um pouco de impaciência e raiva – Mas como já te disse em todas vezes que estávamos em uma situação como essa, você não vai poder abrir o bico para a imprensa!
- Ai, , vai à merda, alguma vez eu já abri o bico? Mais fácil você ficar falando demais para meio mundo que considera ser de confiança e que trabalha para você do que eu sair de casa e ir para a imprensa falar alguma coisa! Para que eu vou soltar informações? Não vou ganhar nada com isso, para de querer implicar comigo! – Revirei os olhos, já preparando o meu estômago para a cena que veria futuramente e que obtinha grandes chances de ser um tanto grotesca. O mais estranho de tudo era que eu realmente estava me acostumando a essas coisas, e isso, de certa forma, me assustava bastante, porque nunca é muito você se assustar ao ver alguém de sua mesma espécie dilacerado... Mas pare de pensar nisso, , por mais que tudo indique que quem tenha feito tudo isso foi aquele maluco que acha que faz obras primas quando estripa alguma pessoa, ainda há fracas esperanças de que tudo o que vá ver na garagem seja apenas uma pessoa que havia levado um tiro na cabeça.

E até mesmo nessas horas de trabalho a ironia me acompanhava.
- Eu não quero discutir com você, , pelo menos, não agora, mas pare de me deixar nervoso, que eu vou ter que tentar resolver um caso muito sério em questão de minutos – Ele disse para mim, já alterado, e ambos soltamos um suspiro agradecido ao vermos uma placa acima de nós, indicando que estávamos já no térreo. Paramos de correr durante alguns minutos, até conversar e mostrar seu distintivo aos três grandes guardas que estavam barrando a nossa entrada no térreo, que carregavam imensas armas nos cintos grossos de suas calças. Os policiais nos deram passagem e voltamos a descer em direção à garagem – Só mais três lances de escadas – Ele disse mais para si mesmo do que para mim, e eu sorri involuntariamente com a idéia de finalmente parar de pular de degrau em degrau e finalmente descansar enquanto me sentava no chão de concreto da garagem.

- Graças à Deus – Eu o respondi, mesmo que seu tom de voz não pedisse por isso – Não agüento mais descer esses degraus, porque o elevador parou de funcionar?
- Porque a luz acabou – Ele disse sem ar e desinteressado, e mais uma vez eu dei um pulo para trás ao ouvir as informações que ele me dizia, como se essas ações fossem coisas normais e simultâneas a qualquer resposta que me dava.
- Você acha que foi para que aquele maluco escapasse e fosse embora do prédio? – Indaguei assustada com a grande chance, agora existente, daquele cara maluco e misticioso ter escapado novamente, e infelizmente tudo indicava que isso estivesse ocorrido – Meu deus , será?

- Relaxa, , eu já mandei cercarem o prédio e ninguém sairá daqui sem a minha autorização – Ele soltou um sorriso abafado e bem humorado e eu assenti – É engraçado ver você nessas horas, acha as coisas tão anormais e inesperadas, ainda não teve tempo para se acostumar com isso, certo? Mas eu vou cuidar de tudo, não precisa ficar nervosa, já tomei todas as medidas necessárias de segurança – Ele disse, me acalmando pela primeira vez no dia, e quando eu estava prestes a respondê-lo, chegamos à garagem, e sem nem pensar direito, o filtro que juntava meu cérebro às ações que eu tomava sumiu, fazendo-me agachar para recuperar o fôlego depois de ter descido todos aqueles degraus. E a hipótese que eu havia formulado antes de estar fora de forma sumiu na hora em que ele apenas encostou-se à parede um pouco ofegante, mas nada comparado com o que eu deveria estar aparentando. Caída no chão, completamente eufórica, suada e zonza.

- Nossa – Suspirei para mim mesma, colocando uma de minhas mãos sobre minha nuca que estava levemente molhada devido à minha transpiração, algo que não era nada fora do normal para quem acabara de descer de escada do décimo oitavo andar. Depois de alguns minutos, quando havia, em parte, recuperado minha respiração, endireitei minha postura e percebi ainda apoiado na parede, me olhando, o que achei estranho, pois tinha certeza que ele já tinha corrido para a cena do crime. Enfim... Quando endireitei minha postura e encarei a garagem, estava tudo semelhante a um deserto, a não ser por um aglomerado de homens juntos à consideráveis metros de nós, logicamente, onde tudo deveria ter acontecido.
- Venha – disse passando na minha frente e andando em uma velocidade regular, só não me fazendo suplicá-lo para que fosse mais devagar devido ao orgulho que sempre estava entalado em minha garganta, segui-o, mas deixei com que certa distância se formasse entre nós, porque na condição atual em que me encontrava, não estava disposta a ficar andando rápido para tentar alcançá-lo, caso contrário, logo mais teria um enfarte.

Quando já estávamos fazendo parte do grupo imenso de pessoas que estavam reunidas ali, pude reconhecer diversos indivíduos que estavam também presentes no dia em que Jeanette havia sido assassinada, Abberline e sua grande equipe de legistas ou afins, o mesmo careca de jaleco que antes havia invocado com a minha entrada na cena do crime de Jeanette, e . , logo ao nos avistar, veio correndo em nossa direção enquanto segurava uma prancheta em sua mão e não demonstrava expressão nenhuma, talvez ele estivesse chateado, mas não fazia muita força para demonstrar isto também.

- Finalmente vocês chegaram – Ele disse ao se juntar à nós dois.

- Informações, sequer cumprimentou o amigo e se dirigiu a ele com pressa enquanto estalava os dedos seguidamente – Estou muito atrasado neste caso e parece que todos sabem mais do que eu, me diga tudo o que sabe.

- Bom – dirigiu os olhos aos meus, aflitos, e me cumprimentou silenciosamente com um aceno –, então vamos começar... Presumo que saiba que é apenas uma vítima, como o usual – disse, virando lentamente algumas páginas da prancheta que possuía um grande prendedor de folhas ao seu topo, me deixando cada vez mais nervosa com sua demora – Ainda não sabemos quem é a vítima, mas é de sexo feminino e moradora do prédio, já que no molho de chaves presente em sua bolsa, uma das chaves possui o emblema deste condomínio. Além de tudo foi achado em sua bolsa um conjunto de brinquedos infantis, dando ênfase na grande probabilidade da vítima ser mãe de uma criança.

- O que? – Praticamente berrei, sentindo um mal pressentimento subir pelo meu pescoço, meu berro fez com que todos ao meu redor parassem o que estavam fazendo e me olhassem – Não, como assim? – Eu repeti, ainda sem obter resposta de nada, e com um simples juntar de quebra cabeça eu já sabia a resposta para tudo, porque eu não conhecia mais nenhuma mulher que fosse mãe de uma criança naquele prédio.

- Como assim o que? Está maluca? – berrou mais alto do que eu, extremamente bravo pela minha intromissão e pausa que fiz fazer, que para ele havia sido desnecessária.

Mas meus olhos já estavam começando a ficar marejados e eu não tinha mais nada para dizer a não ser checar se o meu palpite estava certo, torcendo ao máximo para que não estivesse. Aproximei-me mais da multidão, já que eu, e estávamos mais para um grupinho a parte daquela manada e adentrei na mesma, quando feito, senti minhas pernas amolecerem-se, pois dei de cara com diversos homens agachados, analisando com instrumentos e até mesmo com lupas, uma mulher conhecida por mim que estava caída no chão, com os braços levemente abertos e pernas juntas um pouco dobradas, o topo de sua cabeça estava notável e asquerosamente deformado, dando origem a uma poça imensa de sangue que se formava em volta de sua cabeça. Era Matilda.

- Ah, não – Eu levei minhas mãos à boca e meus olhos, antes apenas umedecidos, agora jorravam lágrimas que rolavam meu rosto sem nem se importarem com o provável tom extremamente rosado de minha pele devido ao nervoso que me subira, senti uma mão envolvendo minha cintura e me puxando para longe do corpo de minha tão querida e desconhecida amiga, afundei meu rosto nos palmos de minhas mãos sem ao menos ligar ou me dar conta de quem estava me puxando e para onde quer que estivesse me levando, a este ponto meus pés agiam por conta própria, assim como meus olhos, que dolorosamente choravam pela perda de mais uma conhecida. Mais uma.

- , você a conhece? – estava a minha frente, agora com um tom de voz mais confortante que ao menos permitia comparação com o tom rude que ele usara para falar comigo anteriormente – , precisamos de você, ela não tinha documentos nenhum e se você me disser ao menos o nome dela podemos fazer bastante coisas já, começando pelo telefonema que faremos a família dela para avisar do ocorrido – Ele ainda disse com sua voz aconchegante, mas meus soluços e lamentações não me permitiam dizer nada com nexo naquele momento além de meus soluços desesperados. Além de tudo, as palavras que sibilou a mim me levaram de volta como em um flashback ao assassinato de Benny Ryan, quando ele havia dito exatamente as mesmas palavras a mim enquanto chorava desesperada, como agora, em seu carro.

- Sim, é... – Um nó parecia ter se formado em minha garganta fazendo até com que o choro se acalmasse de certa forma, quando a volta ao passado havia acabado, e eu estava consciente agora, na frente de lamentando mais uma morte. As lágrimas ainda escorregavam de meus olhos devido à dor que sentia pela identidade descoberta por mim, da mulher morta nesta noite – Matilda... Matilda Gondlan – Finalizei, observando , que também me olhava com certa pena, anotando rapidamente em sua prancheta o nome de Matilda, e se dirigindo ao aglomerado de pessoas que estavam logo atrás de mim, que também estavam ao lado do corpo da minha amiga inegavelmente boa.

- Obrigado, disse, o mesmo ainda estava a minha frente, repousando as mãos sobre os meus braços, não permiti olhá-lo nos olhos, pois agora não era um bom momento, não sei para o quê, mas não parecia ser a hora adequada para nada, eu não estava disposta a nada, eu não queria ao menos me mexer ou até mesmo continuar me dando o trabalho de respirar. Por alguma explicação desconhecida eu me sentia melhor na maneira em que estava, paralisada, ainda sem achar algum tipo de conformação para encarar aquilo, ou talvez eu estivesse bem devido às boas energias que, de alguma forma, as mãos que me davam apoio estavam me transmitindo – Melhor? – Ouvi ele indagar a uma distância menor do que a de antes, e sua voz me cortava por dentro como uma navalha, me trazendo o doce aroma da realidade que agora me cercava, me obrigando a fazer parte dela por mais que eu não quisesse. Mais uma vez a morte batia em minha porta, e infelizmente não para me levar, e sim para levar mais uma pessoa excelente que animava os meus dias tão sem sentido e difíceis.

- Ahn... – Emiti qualquer som para ele que de certa forma devia estar preocupado comigo, pois permanecia a minha frente me fornecendo apoio – Pode ir... pode ir trabalhar... Desculpa, eu jurei não atrapalhar – Lamentei por ter quebrado nossa promessa, mas pouco me importava na verdade com aquilo, existia outra coisa terrivelmente e incomparavelmente dolorosa que não conseguia sair de minha cabeça.

- Eu não ligo para esses comprometimentos sem importâncias, o que me importa é saber se você está bem – Ele disse, me impressionando de certa forma, devido à sua atitude um tanto caótica – Não vou conseguir ir trabalhar sem saber que você está melhor, pelo menos, não direito – suspirou frio à minha frente e naquela altura do campeonato eu realmente estava sem palavras. Agradeci a interrupção de um conhecido naquela conversa que não estava tomando um rumo aconselhável, e não o respondi.

- , vem aqui – Pude reconhecer a voz de vindo por trás de mim.

- Agora não – Ele disse ríspido e mais alto, provavelmente para que o ouvisse, já que o mesmo estava a uma distância considerável de nós – se dirigiu novamente a mim, aflito –, você está melhor? – Eu apenas assenti com um gesto sem muita força, para que me deixasse sozinha. Por mais que ele parecesse querer me ajudar, a pressão que os olhos dele transmitiam a mim, mesmo que eu não os encarasse, fazia com que uma sobrecarga desconfortável da indesejável realidade se alojasse dentro de meu pouco bom senso – Mas não é o que parece – Ele disse agora seco, endireitando sua postura e cruzando os braços.

- Eu estou bem – Disse, ainda me lamentando, enquanto tentava chulamente enxugar meu rosto com minhas mãos mais molhadas ainda, devido às lágrimas que o percorriam – Pode ir trabalhar, eu estou bem – Repeti, com esperança de que fosse isso que eu realmente fosse capaz de sentir, nem que fosse daqui alguns minutos ou até mesmo horas. demorou em me responder e me atrevi a olhá-lo, dando-me de cara com um par de olhos preocupados, que analisavam cada detalhe de meu rosto com calma; ele dirigiu seus polegares ao meu rosto, retirando algumas lágrimas que eu havia tentado limpar inutilmente há alguns segundos atrás.

- Bom, eu realmente vou precisar trabalhar e espero que você fique bem, vou pedir para te levar lá para cima, tudo bem?

- Não! De maneira alguma! – Eu neguei, fazendo o possível para que minha expressão melhorasse – Eu vou ver no que isso vai dar, ela era minha amiga e, por mais que seja difícil, eu quero saber o que aconteceu – Finalizei, desejando sentir por dentro o que eu estava esboçando sentir por fora, porque de maneira alguma eu não estava dando a mínima para o que acabara de ocorrer, para falar a verdade direta e em um bom português: eu estava extremamente dilacerada.
- Lembra o que eu disse quando chegamos aqui? Eu não posso trabalhar com você chorando e lamentando a morte de sua amiga, infelizmente não, agora eu realmente preciso cuidar do que aconteceu, mas você não está em estado de quem possa ficar sozinha – Ele disse e eu juntei forças para levantar minha cabeça e olhá-lo nos olhos novamente.

- Eu vou me comportar, me desculpe por isso – E por mais que estivesse se mostrando um homem um tanto que gentil comigo, ele simplesmente murmurou um ‘ok’ com sua voz arrastada e passou por mim com as mãos dentro do bolso, indo em direção ao corpo de Matilda. Pois é, mudar de astral de uma hora para outra quando era quem estava em questão parecia ser algo fácil, e de certa forma era, pois o homem gentil de pouco tempo atrás, agora voltara a dar lugar a um homem sério e grosso que tão pouco ligava para os sentimentos dos outros.

Deixei que o conceito básico de calma fizesse algum efeito mínimo sobre mim enquanto aguardava de bruços, olhando as paredes acinzentadas da garagem a minha frente, ainda de costas para o que eu teria que juntar forças agora ou nunca para encarar... De qualquer forma eu teria que encarar aquilo mais cedo ou mais tarde, e como cortar o mal pela raiz sempre facilitava as coisas, era melhor eu me intrometer naquele assunto agora, já que mais tarde acabaria fazendo a mesma coisa, logo, só estaria adiando e prolongando o meu sofrimento. Respirei fundo, fazendo o possível para que minha mente ficasse aberta o bastante para enxergar que o que estava naquele chão não era mais a minha amiga, e sim apenas um cadáver, porque do que ela tinha de melhor já havia partido junto com seu espírito invejável a partir de seu último suspiro ao melhor local do mundo dos mortos. Alguém como ela merecia tudo de bom, nem que fosse após a morte, apesar de manter minha mente aberta naquele momento, bloqueei pensamentos relacionados aTrebor, onde quer que ele estivesse, ainda não sabia sobre a morte de sua mãe e, de certo, aquilo seria a maior dor que ele sentiria na vida, então não tinha melhor pessoa do que eu e Luíza para darmos essa notícia a ele, juntas, porque éramos as pessoas mais próximas dele, que não possuía nenhum membro familiar, já que sua avó morrera ano passado... Eu definitivamente não deixaria aquele menino ir para um orfanato, lutaria com garras e dentes para conseguir ser a sua responsável, mas de qualquer forma não tinha cabeça para pensar nisso agora, porque de fato Matilda era uma grande amiga e confidente minha, e agora ela estava morta. Eu demoraria muito tempo para ser capaz de me conformar com isso para falar a verdade.

Virei-me, fazendo com que todo aquele cenário maldoso e multuoso voltasse ao meu campo de visão. estava discutindo com Abberline, estava conversando com O’Connell enquanto analisava o corpo com a feição enrugada, e, graças à deus, eu não conseguia avistar o corpo de Matilda, porque vários homens estavam ao redor do mesmo, analisando qualquer coisa que agora não era da minha conta. Eu não sabia nem o que fazer, não tinha como eu simplesmente me intrometer nas investigações que estavam sendo feitas ali para dar minha opinião ou algo do tipo, porque querendo ou não eu não tinha nada a ver com aquele ambiente e sequer uma habilidade que aprovasse a minha entrada na equipe de . Eu estava ali simplesmente por ser uma azarada, então, ao invés de me juntar a , que provavelmente estava discutindo a fundo o assassinato ou algo relacionado ao assassinato com Abberline, resolvi me aproximar de e O’Connell que apesar de estarem trabalhando, não pareciam comportar o mesmo estresse que sempre aflorava em quando estava em horário de trabalho.

- ... – me cumprimentou ao ver eu me aproximando dele e de O’Connell, que estava com um sorriso meigo no rosto o qual fiz uma extrema força para conseguir corresponder a altura – Eu sinto muito – Ele disse ainda com o conforto transbordando de sua voz e só depois desta fala eu me lembrei que todos ali já deviam saber que eu tinha alguma ligação com Matilda, porque no final das contas fui eu quem informei a identidade da vítima a eles, não antes de sair chorando que nem uma doida pela garagem.

- Não é como se existisse algo para impedir que isso ocorresse, não é mesmo? – Dei de ombros ainda tendo que forçar minhas cordas vocais para que minha voz saísse num tom normal – Mas eu também sinto... – Lamentei.

- Minha avó costumava me dizer que por mais que a morte doa na gente, e de certa forma a morte dessa mulher não foi nada justa, porque estaria mentindo ao dizer que ela não sofreu antes de partir, enfim, por mais que doa, a gente não teria como impedir que isso ocorresse, o futuro é certo e outra coisa mais certa ainda é que ela agora está em um lugar muito melhor do que nós estamos hoje – Foi a vez de O’Connell falar algo na tentativa de me confortar e eu não pude evitar mais algumas lágrimas se formando nos cantos de meus olhos e em seguida, escorrendo pelo meu rosto. Por mais que eu estivesse sofrendo, não podia deixar de soltar o ar mediante uma risadinha com a estranha história que O’Connell estava me contando.

- E por que sua avó costumava te contar este tipo de história? – Indaguei ainda com o choro presente em minha voz.

- Eu costumava cuidar de bichos machucados, até mesmo de baratas que perdiam as patas – Ele disse sorrindo – Mas como esses bichos são sensíveis e pequenos demais, raramente eu obtinha sucesso ao tentar fazer com que eles continuassem vivos... Resumindo: Todos os bichos que eu tentava curar morriam e eu me odiava por isso, então minha avó sempre me consolava com este tipo de frase que mesmo comigo negando naquela época, diz uma grande verdade – Fiz um biquinho achando fofa a historinha inconveniente dele e percebi que ele era católico, pelo menos era uma conclusão que qualquer um tiraria ao ouvir o que ele acabara de falar enquanto obtinha pendurado em seu pescoço uma bonita cruz feita de prata que brilhava cobiçosamente.

- Sim, com certeza ela está em um lugar melhor, pelo menos sendo quem ela era, é bem provável que esteja no melhor dos melhores lugares do paraíso – Disse já sentindo a minha voz se normalizar e o choro cesar – Mas infelizmente não deixa de ser triste, ainda mais pelo jeito tão violento e desnecessário que ela foi obrigada a morrer.

- Com licença – chamou a atenção de nos dois para ele – Eu vou precisar ir lá na portaria, parece que o Senador Cornyn quer falar comigo – Ele disse bravo depois de checar em seu celular uma possível mensagem do senador – Eu já volto, me mantenham informado – E sem nos dar direito a resposta ele partiu apressado em direção às escadas, deixando a prancheta que antes estava segurando, nas mãos do mesmo careca que ficara me encarando bravo no dia do homicídio de JeanetteStride.

- Sem duvida alguma... Esse é o cara mais mala que eu conheço – O’Connell disse revirando os olhos enquanto usava seu cinto extravagante de cowboy como apoio às suas mãos, o olhei um pouco incerta do que acabara de dizer.

- O ? – Indaguei.

- Não, o senador – Ele deu uma risada envergonhada – Sim, o é outro belo de um pé no saco, mas esse senador aí ganha de qualquer um, ele está sempre querendo se intrometer nos assuntos da polícia, querendo falar em particular com um e depois com o outro, inventando vários segredos de estado para que a gente faça parte... Ele é um cara estranho.

- Bom, de pessoas estranhas eu estou é cansada, porque já têm muitas assim na minha vida – Disse a ele de forma teatral enquanto colocava minhas mãos no bolso traseiro de minha calça jeans, virei minha cabeça em um ângulo que me permitisse voltar a analisar e Abberline conversando freneticamente, próximos ao corpo enquanto diversos homens os rondavam, e num rápido movimento de um individuo que estava ao lado de , o rosto de Matilda ficou visível, e por mais que estivesse longe do corpo me afastei rapidamente ao observar seu rosto com cuidado pela primeira vez na noite, dando-me de encontro com O’Connell sem querer.

- É melhor não – Ele segurou um de meus braços enquanto tentava me virar na direção oposta do cadáver, mas eu fiz com que ele soltasse minhas mãos para que eu finalmente entendesse, em parte, o que havia acontecido com ela, eu estaria satisfeita em saber apenas qual havia sido o motivo de sua morte, mas com o que me dei de cara agora e também levando em conta o histórico do assassino, tudo indicava que as diversas mutilações haviam levado ela a morte.

- Não, eu estou bem... – Disse baixo à ele enquanto ainda tentava obter uma visão melhor de seu rosto, tentando entender o que havia ocorrido no mesmo para a sua volta estar tão presente de sangue, e depois de alguns minutos analisando o rosto com os olhos fechados de minha amiga que possuía o cabelo molhado, talvez pela chuva que estava caindo do lado de fora do prédio, caído em seu rosto dando pouco campo de visão a mim, finalmente entendi a razão do sangramento ao localizar um corte profundo no topo de sua cabeça. E mais uma vez como num flashback, a minha imagem e a de na varanda de meu apartamento se ampliaram dentro de minha cabeça e eu pude finalmente ligar os pontos e entender o que estava havendo.

- “Pretendo recomeçar meu trabalho o mais rápido possível, e quando feito mandarei a casa particular do xerife parte da deliciosa massa cefálica da pobre mulher para que possam curtir a grandiosidade disto tudo, junto a mim que estarei abrindo uma bela garrafa de Blue Label, acompanhada por uma excelente e suculenta fritura humana.” – citou em voz baixa o trecho da carta do homem que dizia respeito a todo estes acontecimentos atuais – Presumo que tenha errado de endereço – Ele finalizou fechando a caixinha que obtinha um pedaço da massa cefálica de uma mulher ainda desconhecida.

Finalmente tudo fazia sentido – O’Connell, parte do cérebro dela está faltando, certo? – Indaguei a ele enquanto sentia meus olhos transbordarem novamente. Além de agredida, Matilda havia sido de certa forma, desmembrada.

- Sim, mas como sabe disso? – Ele perguntou estranhando minha pergunta e reação.

- Bom, irá te contar, eu presumo – Fechei os olhos fortemente enquanto levava meus punhos aos olhos para que meu choro que já havia voltado, parasse, todavia agora o choro fluía involuntariamente sobre meus olhos, obrigando-me a apenas aceitar de uma vez por todas o fato de que minha amiga antes da morte, realmente havia sido muito maltratada, e o quanto isso fazia meu coração apertar de dor ninguém tinha idéia – Desculpe, eu não sei se posso contar, ultimamente não posso contar mais nada a ninguém e isso me mata – Desabafei a O’Connell que deveria estar me olhando da mesma forma que olharia para um animal de sete cabeças.

- Tudo bem, – Ele disse ainda estranho e logo depois minha concentração em parar de chorar foi interrompida e direcionada a um homem que passou correndo ao meu lado ofegante, indo em direção a que ainda estava no ápice de sua conversa com Abberline. A partir do momento em que o homem passou correndo ao meu lado fiquei o encarando e quando ele começou a falar euforicamente com , pude perceber uma mudança de expressão vinda de sua parte. Seu rosto antes intrigado agora estava assustado, com os olhos arregalados e sua pele antes rosada, agora estava levemente esbranquiçada.> - O’Connell – O cutuquei sem dificuldade devido a nossa proximidade e logo em seguida apontei na direção de que passava as mãos no cabelo, ainda escutando o que o homem que devia ser de sua policia falava e depois de meros segundos pude perceber grande parte da equipe de correndo para o outro lado da garagem, o que me assustara gradativamente, porque não eram poucas pessoas. estava em primeiro em direção a corrida com destino desconhecido e eu olhei para O’Connell mais confusa ainda – O que está acontecendo?

- Eu não sei, mas é melhor irmos junto – Ele disse me puxando com um tom de voz confuso – Mas é o que falta ter ocorrido mais um assassinato – Ele disse bufando e eu senti meus músculos se contraírem com esta hipótese, não era possível, o assassino não teria a cara de pau de matar duas pessoas no mesmo dia e ainda mais no mesmo local, ele nunca havia feito isso e já tivera diversas oportunidades para tal, porque no dia em que matara Benny, a casa estava transbordando de gente.

Quando chegamos ao local, tivemos dificuldade para ver o que estava acontecendo, porque aquela multidão de nerds de avental com suas pranchetas se juntaram num amontoado e não deixavam a gente passar de jeito nenhum e muito menos enxergar o que acontecia após aquela barreira humana. O’Connell se irritou com aquilo, segurou minha mão com mais força e partiu ao meio da multidão dando cotoveladas gratuitas às pessoas que tentavam bloquear o nosso caminho, o que me lembrou de relance o momento em que eu cheguei em meu apartamento e bati em todo mundo que estava na minha frente para que eu conseguisse passar, podia ser cômico mas ao mesmo tempo era desesperador. E quando O’Connell e eu finalmente haviamos chego ao fim daquela multidão, a imagem que eu tive por pouco não me fez desmaiar.

Trebor estava no chão chorando escandalosamente, estava vestido com um macacãozinho jeans que agora estava extremamente sujo por um líquido vinho que na pior das hipóteses poderia ser sangue, logo ao me ver ele soltou seu ar pesadamente e voltou a chorar, erguendo os bracinhos pequenos e curtos em minha direção, eu nem tomei conta de meus instintos ou atos, fui em direção a ele imediatamente o abraçando forte e chorando junto com ele, o número de pessoas a nossa volta agora era razoavelmente menor do que há alguns segundos atrás já que era apenas um menininho chorando e ninguém estava ligando para ele, e ao menos tinham idéia de quem ele era, já que se soubessem que era filho de Matilda, pulariam em cima do garoto perguntando coisas extremamente desagradáveis. Depois de alguns minutos o abraçando o distanciei alguns centímetros de mim e olhei seu rosto extremamente molhado e vermelho devido ao choro, aquela imagem partiu meu coração em incontáveis pedaços fazendo com que meu choro se tornasse da mesma intensidade da dele. Resultando em um choro extremamente desesperado.

- Awn,Trebor, vai ficar tudo bem – Eu passei as mãos cuidadosamente sobre sua cabeça pequena e ele apenas chorou mais ainda. Vasculhei silenciosamente cada centímetro de seu corpo para me garantir que nada ali fora machucado enquanto escutava aquela tortura sonora que era seu choro – Calma, eu estou com você – Depois de me certificar que não havia parte nenhuma de seu corpo machucada, o apertei contra mim, pedindo silenciosamente para que de alguma forma aquele menininho desamparado se acalmasse.

- Qual o nome dele? Quem é ele? – surgiu ao meu lado, em uma distância jamais recomendada, com a feição torcida – Você conhece ele também?

- Sim, o nome dele é Trebor Gondlan, filho da Matilda, o que aconteceu com ele? – Perguntei ainda desesperada enquanto afagava a cabeça do menininho sobre o meu colo, ele ainda chorava histericamente e o meu desespero agora estava crescendo em uma progressão geométrica, de um modo que eu nem conseguia mais raciocinar direito o que estava acontecendo, era possível mesmo? Mataram Matilda e ainda judiaram de um pobre menininho?

- Não sei, me dê o menino para que eu possa levá-lo ao centro médico que está no térreo, direcionou suas mãos ao menino no meu colo que soltou um berro agonizante ao sentir suas mãos o tocarem, recuou assustado e eu apertei o menino mais ainda contra mim, tentando achar um meio rápido de acalmá-lo, como se isso fosse possível para alguém que acabara de perder a única pessoa que tinha na vida. Por mais que não fosse um momento adequado, a situação daquele adorável menino me trouxe à tona algumas lembranças indesejáveis relacionadas ao meu passado, fechei os olhos firmemente, fazendo com que todos aqueles pensamentos abandonassem minha cabeça – É melhor você me acompanhar... – Ele disse já partindo em direção às escadas, longe do aglomerado de gente que nos olhavam com os olhos assustados mesmo estando afastadas de nós.

- , o que fizeram com ele? – Perguntei observando o menino no meu colo gemendo enquanto segurava um de seus braços com a mãozinha pequena, chorando e com os olhos fechados – Trebor? – O chamei – Você está bem? – Indaguei enquanto colocava a franja para trás de sua orelha pequena, estranhando a paralisia do menino que ao menos me respondera, permanecia chorando enquanto pressionava com sua mão pequena uma região de seu braço de forma suspeita.

- Eu não sei – disse, agora se aproximando de meu ouvido e sussurrando em voz baixa para que somente eu conseguisse compreender o que ele dizia – Crianças da idade dele ainda não tem muita noção da realidade da perda de alguém, o que me faz acreditar que ele está chorando por algo que alguém tenha feito contra ele, não digo que ele não esteja sofrendo pela morte da mãe, mas certamente ele foi vitima de alguma coisa – Ele disse frenético e depois se distanciou de mim para abrir a porta que daria entrada a parte de trás do térreo, onde pude avistar um carro da ambulância e agradecer mentalmente, porque era a primeira vez na noite que estava em um local sem uma multidão em cima ou tirando fotos. O andar estava deserto.

- Trebor? Está me ouvindo? – Perguntei agoniada ao ver aquele menininho naquela situação e as lágrimas já não pediam permissão para saírem de meus olhos por pena da dor que aquele menininho estava sentindo, por mais que não acreditasse, eu tinha quase que absoluta certeza de que o que estava ocupando maior parte da mente daquele menininho era a morte de sua mãe. Ele ao menos se moveu, continuou gemendo em meu colo enquanto apertava um de seus bracinhos – Vai ficar tudo bem, mas para isso você precisa falar comigo! – Supliquei à criança imóvel – ! – O chamei ainda sem saber muito bem o que fazer, agora estava abrindo as grandes portas do carro da ambulância para que eu desse entrada no mesmo com o menininho machucado em meu colo, ele se virou para mim assim que ouviu minha voz e ao mesmo tempo fez menção para que eu entrasse no carro, quando já estava dentro do carro que estava habitado por quatro médicos ou enfermeiros, eles arrancaram o menininho do meu colo e o colocaram repousando em uma grande maca, como se já soubessem o que estava acontecendo – Olhe, ele deve ter alguma coisa no braço, mas não me deixa olhar – Cheguei o mais perto possível da maca já que os médicos agora corriam de um lado para o outro dizendo coisas que eu não obtinha conhecimento.

- Ela está certa – , ao meu lado, disse com uma voz mais alta para que os médicos o escutassem – Ele está a muito tempo cobrindo o braço.

Um médico foi em direção ao braço do menino e depois de muito choro, Trebor se rendeu e deixou com que tirassem a sua mãozinha de seu braço de formaformidável para que os médicos o examinassem. Depois de dois médicos segurarem o menino que parecia estar sobre efeitos de drogas devido seu visível entorpecimento e movimentação involuntária, todos obtiveram visão da parte interna do braço de Trebor, onde uma pequena mancha arroxeada e circular estava exposta na pele, acompanhada por um reluzente líquido branco, semelhante ao leite escorrendo da região que é usualmente conhecida por ser a parte favorita de qualquer enfermeiro para extrair sangue.

- Passe o soro fisiológico – Um homem de touca e avental ordenou ao outro que também vestia touca e avental, mas que estava sendo apenas um olheiro ao lado, provavelmente o enfermeiro, o homem abriu uma gaveta ao seu lado e deu ao que devia ser o médico da equipe, o soro. A região arroxeada do braço de Trebor foi coberta pelo mesmo soro e pressionada com a ajuda de um algodão – Me desculpem, mas vocês precisão sair – O homem disse enquanto limpava o braço de Trebor em um tom ríspido – Não posso deixar que continuem aqui.

- Primeiro me diz o que está acontecendo – disse igualmente bravo com o homem, e eu fiquei de certa forma aliviada por ele estar com a mesma confusão que eu na cabeça, não fazia a mínima idéia do que estava acontecendo e nem fazia muita questão em ter, o que realmente me importava agora, a única coisa que queria saber, era se Trebor estava bem – O que injetaram no menino?

- Não sabemos ainda, se soubéssemos já teríamos tomado uma precaução à altura não acha, xerife? – O homem se virou enfezado para que permaneceu com a expressão firme – Mas vocês não podem continuar aqui dentro, porque temos que ir imediatamente ao hospital, com licença – O homem se levantou enquanto erguia ao enfermeiro o pedaço de algodão que limpava o braço de Trebor para que o mesmo continuasse fazendo a antiga ocupação do médico, e veio em nossa direção, obrigando eu e a sairmos do carro. Lançou a nos um último olhar superior como todo médico egocêntrico e fechou as grandes portas. E em questão de alguns minutos em que eu e permanecemos ali parados, o carro já não estava a nossa frente, apenas a forte fumaça que o mesmo deixara como resquício após se arrancar dali.

- Vamos – me acordou de minha transe depois de alguns minutos, analisando o local onde a ambulância repousava no passado recente – Precisamos descer para cuidar das coisas lá em baixo – E lá foi ele novamente em direção as escadas para chegar à garagem 3.

- O que você vai fazer agora? – Perguntei o seguindo, era óbvio que ele ia querer saber mais do caso de Matilda e essas coisas, mas só quando se trabalha para a policia para enxergar os diversos ramos que se tem para seguir nas investigações, ou ele optaria para o ramo anatômico da pericia, ou para a construção do retrato falado do assassino e essas coisas.

- Não sei. Quero conversar com , ele não conseguiu me falar quase nada de útil até agora – E eu nem me dei o trabalho de respondê-lo já que nem ele sabia o que estava por vir, apenas o segui no meu ritmo calmo até a garagem 3, discutindo com meus próprios pensamentos relacionados a Matilda que voltavam a invadir minha mente – Você vai querer mesmo continuar lá em baixo? Não prefere ficar lá em cima com as suas amigas te acalmando? – Indagou quando já estávamos no piso em que a policia interditara mais cedo para as investigações do assassinato.

- Não, eu estou bem. Prefiro ficar e entender melhor como tudo aconteceu do que ficar lá em cima me remoendo de tristeza e especulando coisas que ao menos ocorreram – Disse a ele num tom firme enquanto caminhava a sua frente em direção ao aglomerado de pessoas, ele começou a me seguir num passo mais apressado, mas não antes de murmurar algo semelhante a um ‘aham’ - chamou novamente o amigo que permanecia analisando sua prancheta onde todas suas anotações relacionadas à Matilda morta estavam – Desculpe mas não tinha como não ir até lá em cima ver o que estava acontecendo, gostaria que você continuasse me contando o que aconteceu com essa mulher... Matilda o nome se não me engano.

- Sim, é esse o nome – Disse cabisbaixa ao lado de , lutando internamente contra parte de mim que queria sair correndo daquele horror todo que tomara conta de minha vida, enquanto a outra parte insistia para que eu ficasse parada ali, dando todos ouvidos ao que estava para falar em relação a minha amiga morta. Minha amiga morta... E eu nem estava chorando, provavelmente as lágrimas tão utilizadas já no dia de hoje se cansaram e se secaram, porque eu ainda estava impressionada comigo mesma em não estar dando mais um de meus ataques emocionais para que provavelmente já se cansara de ouvir.

- Bom, eu parei na parte que falava quanto ao filho certo? – me lançou um olhar reconfortante enquanto se dirigia a , provavelmente se lembrando de minha ligação com Matilda.

- Certo – disse impaciente enquanto apertava o tecido jeans da região de seu bolso.

- – Levei uma de minhas mãos a testa e revirei os olhos discretamente, devido mais uma interrupção nas explicações de que eu estava anciosíssima em ouvir – – A voz masculina repetiu, obrigando-me a virar em direção a mesma e dar de encontro com a figura séria de O’Connell me encarando – Preciso falar com você – Ele completou.

- Ótimo – Ergui minhas mãos para cima e quando estava indo na direção dele, segurei o tecido da blusa de e sibilei para que somente ele escutasse o que eu estava para dizer – Mais tarde você vai ter que contar para mim tudo o que te disser.

- Presumo que esteja ocupada, mas tenho perguntas que só você será capaz de responder – O’Connell disse indigesto enquanto caminhava comigo ao seu lado ao redor do corpo da... Mulher, indo de encontro com duas cadeiras de plástico que provavelmente haviam sido posicionadas ali pelo próprio O’Connell.

- Tudo bem, só não quero perder nada do que está acontecendo – Dei de ombros, me sentando em uma das cadeiras enquanto O’Connell fazia o mesmo na cadeira ao meu lado.

- Bom, pode deixar que eu mesmo vou me encarregar em te deixar por dentro do caso, mas infelizmente vou precisar de algumas informações imediatamente quando a vítima e o seu filho – Na hora em que ele havia mencionado a palavra filho, pude sentir uma pontada em meu coração forte que se propagou habilidosamente pelas minhas espinhas – Sei que não deve ser nada confortável, mas como o de sempre, parece que só você conhece as vítimas a fundo a ponto de poder nos ajudar – Ele disse notando a minha má reação a situação.

- Eu não tenho opção alguma, certo? – Disse ríspida – Mas pode perguntar o que quiser... Com as vítimas em questão darei o máximo de mim para vocês colocarem as mãos no pescoço desse assassino desgraçado – Ele assentiu sem me responder.
- Bom... Preciso do nome inteiro dela, e se for possível, o do menino também.
- Matilda e Trebor Gondlan – Respondi rápido para que nada influenciasse mais ainda no turbilhão de sentimentos amargos que estava sentindo.
- Certo, em que andar eles moram? – Ele indagou enquanto anotava em sua prancheta o nome de meus dois amigos.
- Dezesseis – Disse rápido novamente e logo depois ele chamou um homem que estava ouvindo a nossa conversa ao nosso lado.

- Você ouviu a , eles moram no apartamento dezesseis, mande uns homens para lá para checar se tem algo fora do comum e busque por mais informações pessoais – Ele disse curvando-se ao homem e depois voltou a me olhar nos olhos, abandonando o seu ritmo acelerado de agir – Desculpe, mas eles podem achar algo importante lá. Bom, próxima pergunta... Quantos anos cada um tinha?

- Trebor tem seis anos e Matilda eu não tenho muita certeza, mas próximo a casa dos quarenta talvez...
- Sim, ela tem trinta e oito anos – Eles disse anotando novamente em sua prancheta e eu o olhei estranhando a situação.
- Então por que está me fazendo todas essas perguntas, se já teve acesso até mesmo aos arquivos pessoais dela?
- Nunca é desconfiança demais quando se trabalha para a policia, , ainda mais quando é um serial killer o autor de todas essas maluquices – Ele disse indiferente, dando de ombros e voltando a me olhar – Sabe alguma coisa sobre a vida pessoal deles?

- Bom, eu costumava cuidar de Trebor. Matilda era uma excelente enfermeira, só que ela tinha que cobrir diversos plantões para dar conta de pagar tudo de casa, porque o marido dela acabou a abandonando quando estava grávida, por isso eu cuidava de Trebor, não queria que ele se sentisse sozinho então passei a ter cada vez mais intimidade com ele, só que com esse meu trabalho obrigatório a policia acabei perdendo o contato diário que tinha com eles e da última vez que falei com Matilda, ela me disse que havia contratado uma babá para cuidar de Trebor.

- E quando foi o seu último contato com eles? – Ele perguntou por fim.
- Há uma semana, no mesmo dia em que Mike foi solto – Curvei os lábios me tocando só agora no quanto esse assassinato poderia ferrar com a vida de Mike que havia acabado de ser solto e levei uma de minhas mãos a testa prevendo já mais um possível problema em minha vida.
- O que foi? – Ele perguntou com uma voz abafada e preocupada, enquanto aproximava-se com a cadeira de mim, me medindo.
- Bom, só agora que eu me dei conta... O que vai ser do Mike? – Perguntei com a feição mais entristecida ainda, se isso fosse possível. Era problema atrás de problema e parecia que nenhum deles estavam dispostos a se encerrarem de vez – Quero dizer, a polícia tem essa perseguição sem explicação por Mike e provavelmente vai querer culpá-lo pelo o que ocorreu hoje, você sabe se vão tentar alguma coisa contra ele? – Perguntei já sentindo as vertigens voltarem.
- Olha, , não sou eu quem decreto esses mandatos de prisão, infelizmente, e sim , então é com ele que você deve conversar sobre esse assunto – Ele disse se distanciando de mim mais aliviado, pois deveria achar que eu estava passando mal.
- Mas o que você acha que vai acontecer? – Perguntei aflita.

- Sinceramente eu não sei, mas ele não pode ser preso por simplesmente ter sido solto e ter ocorrido um assassinado, os ocorridos não foram tão seguidos assim e apesar e tudo, ele não tem nenhuma outra ligação ao assassinato – Senti minha pressão sanguínea se estabilizar ao perceber o conforto nas palavras de O’Connell que na pior das hipóteses só estava dizendo aquilo para me acalmar – Vá conversar com Rob – Ele disse e de imediato olhei para trás, deixando com que a imagem séria de um que conversava com entrasse em meu campo de visão.

- É, é o que me resta – Disse baixo, deixando com que a tristeza se arrastasse sobre minha voz, assim como as palavras que saiam de minha boca em um tom abafado – Você tem mais alguma pergunta? – Indaguei me lembrando da ajuda que estava dando a ele mais cedo e ele negou com um movimento de seu rosto, sorrindo confortavelmente – Então eu vou lá – Menti um sorriso a ele e fui em direção a com certa rapidez.

- E foi isso, mas você precisa conversar com... – pausou rapidamente suas palavras ao me ver chegar e depois continuou a falar sem muito ligar para a minha presença – Cornyn direito, apesar das desavenças dele eu não concordo com essas atitudes que ele anda tomando, muito menos com a intromissão dele a assuntos que ao menos são de sua conta.

- O que aconteceu? – Indaguei confusa devido à minha intromissão a uma conversa completamente alheia entre e .

- Assim como nos outros dois assassinatos, este também tem três palavras desconhecidas – disse ao meu lado enquanto olhava para – Como são as palavras mesmo? – Ele indagou com a testa franzida ao seu amigo que estava nos encarando.

- Sim... – ergueu a prancheta a cima e leu as palavras com certa dificuldade – Rá, Hochma, Vorsone. Quer dizer... Que língua é essa? – perguntou com humor na voz, gozando da situação, e eu estremeci sem achar a mínima graça daquilo, quer dizer, querendo ou não aquilo era um ritual, e essas palavras escritas não eram de se brincar, significavam coisas sérias...

- Rá... – Repeti em voz alta – Não é uma palavra um tanto familiar para vocês? – Indaguei tentando me lembrar o porquê dela me soar tão familiar, sem sucesso voltei a olhá-los e ambos estavam me encarando com uma expressão um pouco assustada - O que foi? – Perguntei suando frio.

- Não vá me dizer que você era macumbeira antes de entrar na policia – disse sério e eu revirei os olhos soltando uma gargalhada depois, seguida de que depois de poucos segundos permaneceu quieto ao nosso lado.

- Deixe de ser idiota, . Eu não sei o porquê que ela me soa familiar, mas sim, ela soa... Para você não quer dizer nada, ? – Perguntei a ele que permanecia parado a nossa frente, com uma expressão preocupada, típico de quem estava tentando desvendar um mistério.

- Nadinha mesmo – Ele disse sincero e depois me lançou um sorriso.
- que estava ao meu lado, se virou para mim – Vou precisar falar com você em particular – Ele completou.
- Ah... Claro – Disse estranhando aquilo e seguindo o curso que ele me guiava, enquanto envolvia um de meus pulsos, me puxando para um lugar onde já não havia mais tantos cientistas malucos – O que foi? Aconteceu alguma coisa? – Perguntei com medo da resposta que poderia ouvir.
- A gente vai ter que fechar por uns dias o seu apartamento – Ele disse pausadamente enquanto analisava a expressão em meu rosto, como se estivesse com medo da minha reação futura, e de certa forma, estava certo ao cogitar a hipótese de me ver ficar brava ao ouvir aquilo.
- Como é que é? – Perguntei já alterando o meu tom de voz, passando-se da melancolia ao ódio em um pulo só enquanto colocava minhas mãos na cintura e o fuzilava com os olhos que já deveriam estar relampejando – O que você quer dizer com isso?
- Bom, você vai ter que se acomodar em outro lugar até que a pericia investigue toda a sua casa – Ele completou a frase e cruzou os braços, ignorando o fato de estar prestes a ter um ataque logo a frente dele, enquanto ele me olhava com os olhos cansados devido ao trabalho – Não adianta me olhar com esse olhar de assassina, com as mãos na cintura, porque eu sou muito mais forte que você – Ele disse enquanto sorria num ar de cinismo a minha frente.
- Pra onde você quer que eu vá? – Perguntei jogando os braços para cima, enfurecidissíma, sem ligar para o seu comentário desnecessário que só tinha o objetivo de me irritar – Eu não posso morar na minha casa e eles passam lá para investigar?
- Não, isso é praticamente impossível – Ele disse dando de ombros – Eu vou levá-la para a minha casa hoje, você pode dormir no quarto dos hóspedes e não precisa se preocupar que a casa é bem grande e se você der sorte nem vai me ver enquanto estiver lá. Eu estava conversando agora com Cornyn e perguntei se não havia outro jeito, mas ele quer que a pericia interdite o seu andar para pesquisas.
- Interditar o meu andar? – Indaguei o que ele havia acabado de me falar, boquiaberta – Mas só porque aquele idiota resolveu comer cérebro na minha varanda?
- Você ouviu o que você acabou de dizer, ? – Ele abriu um bonito sorriso, agora realmente se divertindo da situação, e se eu não fosse o individuo que havia acabado de ser expulso da própria casa, também poderia ver alguma graça naquilo, só que sim, eu era o individuo em questão e não estava em condições nenhuma para achar graça da situação.
- , você quer que eu e minhas amigas vamos morar em um hotel por tempo indeterminado? – Bufei ainda irritada e indignada com a minha própria situação, como sempre, a sorte sempre me abandonava no pior dos piores momentos.
- Suas amigas eu não sei, mas você eu vou levar para minha casa, você ficará a salvo lá e poderá prolongar sua estadia até que seu apartamento seja liberado – Ele suspirou cansado, deixando o sorriso e voltando a assumir uma expressão mais séria, de quem estava em trabalho. Era de se assustar eu dizer que não estava entendendo nada? – Já falei com Cornyn e ele me disse que ele mesmo vai arcar com as despesas de suas amigas caso elas não tenham a casa de nenhum amigo para morar temporariamente e terem que socorrer a um hotel.
- Provavelmente elas vão para a casa de Pietro – Disse mais para mim mesma do que para ele, ah, ótimo! Pietro morava no mesmo prédio que nós e era de um andar a baixo apenas, logo, não teria o seu andar interditado e continuaria morando lá, podendo abrir as portas de sua casa para mim, , Luíza e Mike! – Isso, ótimo, eu vou então ficar na casa de Pietro junto com elas – Completei a frase segura, aceitando bem minha situação... Era de se esperar a policia querer investigar a minha casa depois do que havia ocorrido hoje à noite, e como eu teria mesmo um teto amigo para ficar, estava tudo bem por mim.
- Você não ouviu a parte que eu disse que você irá para a minha casa? – Ele indagou enquanto mordia seu lábio inferior, que por algum motivo indicava um nervosismo desconhecido que nunca havia visto ele ser vítima – Eu vou te levar para a minha casa, lá você vai estar segura. Não quero que fique mais neste apartamento, você não se assustou nenhum pouco com as coisas que ocorreram em sua casa hoje? – Ele perguntou indignado e eu assenti sorrindo.
- Certo, agora você se preocupa comigo e quer me proteger? – Eu perguntei com a voz pingando a sarcasmo, ainda sorrindo para ele que ao menos se mexera.
- Não sei por que você diz isso – Ele arqueou as sobrancelhas enquanto aquecia suas mãos no bolso de sua jeans escura – Caso nunca tenha reparado eu sempre me preocupei com a sua proteção, só não imaginava que você nunca havia se dado conta disso – Ele respondeu, ríspido.
- Certo, Xerife, que bom que você se importa com a segurança de uma moradora de seu condado, isso significa muito para mim! – Revirei os olhos ainda brava – Eu estou segura, não precisa ficar preocupado, eu vou ficar com as minhas amigas, não quero ficar em um lugar onde pessoas que me odeiam habitam. Certamente viver com você e com aquele seu primo maluco vai me deixar muito feliz, você nem tem idéia do quanto! – Abaixei o tom de minha voz devido aos olhos curiosos que já estavam atentos a nós dois.
- Você não vai conseguir nunca dar uma trégua a esses seus ataquezinhos de adolescente, não é mesmo? – Ele perguntou com um tanto de inconformação presente em sua voz baixa, acalmando os olhos que nos vigiavam a poucos metros de distância – Eu já disse que não, você vai para a minha casa, sem mais! Não estou te proibindo de viver a sua vida, só vai mudar o lugar onde você vai dormir, só!
- Só... – Cruzei os braços enquanto remexia meu rosto, novamente inconformada com a minha situação cada vez mais desgraçada – Para você dizer é fácil.
- Não, não é fácil dizer para mim, porque pode ter certeza que não vai ser fácil te aturar todos os dias, por mais que você negue, eu sei o quanto vou sair perdendo nessa história de tentar proteger a vida de uma mal agradecida – Respondeu seco – Mas antes que você prolongue esse seu ataque de rebelde sem causa, existe outro assunto que queria conversar com você.
- Ah, tá de brincadeira, o que aconteceu agora? – Perguntei impaciente e ele voltou a falar indiferente.
- Eu conversei há alguns minutos com Conyn para confirmar a abertura do caso ao Douglas, e ele me mandou fazer uma coisa que nem eu concordo, mas tive que fazer mesmo assim – Ele disse enquanto passava as mãos no cabelo, nervosamente.
- O que ele te mandou fazer? – Perguntei, novamente sentindo medo pela resposta que estava por vir.
- Ela me mandou prender o Mike novamente.
- O que?! – Me exaltei, perdendo novamente o controle de minha própria voz – Mas por quê?! – Indaguei a ele inconformada, esperando pela resposta da pergunta que já deveria ter feito a ele há alguns minutos atrás, já que havia o procurado para saber sobre exatamente este assunto.
- Ele não deu muitos porquês... Só me disse que queria que ele fosse preso ainda hoje, porque de acordo com ele foi muita coincidência o assassinato ter ocorrido logo após Mike ter sido solto. Infelizmente mandei meus homens já o buscarem no térreo e ele está em uma viatura, indo á caminho da prisão.
- Mas isso não quer dizer nada! – Exclamei enquanto caminhava de um lado ao outro, com as mãos que envolviam minha testa levemente úmida devido ao nervosismo que voltara percorrer minhas veias – Quer dizer então que se ocorresse qualquer assassinato depois de Mike ter sido solto, ele seria preso novamente? Por que só depois dele ser solto os malucos assassinos que tem a fora não poderiam voltar a atuar?
- Escute, eu também sou contra a prisão dele, mas tive que fazer o que Cornyn me mandou fazer, caso contrário eu ficaria desempregado, mas marquei para depois de amanhã uma reunião séria com ele para discutir este assunto, estou tão indignado quanto você.
- ! Faça alguma coisa! Você sabe que ele não é quem está fazendo isso, eu sei que você sabe! – Me aproximei dele, pedindo do fundo do coração que não fizesse aquilo que partira novamente o coração de meu amigo e principalmente de minha amiga, Luíza, que a esta altura provavelmente já estaria chorando feito louca e entrando em depressão novamente – Por favor... – Lamentei.
- Não tem muito que eu possa fazer, mas depois de amanhã, na conversa em que eu terei com ele, te prometo trazer algumas respostas – Ele disse com um tom de voz mais aveludado – Não posso te prometer que ele vai sair da prisão, mas eu farei o possível em ao menos esclarecer suas duvidas...
- Eu estava com você naquela hora em que estava conversando com só para te perguntar sobre esse assunto, e não acredito que tudo isso tenha realmente acontecido com Mike – Disse com a voz trêmula, ainda me lamentando e ao mesmo tempo lutando comigo mesma internamente para que as malditas lágrimas não voltassem a percorrer meu rosto.
- Desculpe. Não posso fazer nada a respeito – Ele finalizou enquanto partia, passando por mim e indo embora de onde estávamos, me deixando sozinha ali.

Entrei no Studebaker de com a maior má vontade. Era quatro e trinta e oito da madrugada fria que fazia, havíamos passado todo aquele tempo cuidando do caso de Matilda e o fator que mais me desmotivava era não termos completado ao menos o começo da metade do caso de Matilda, logo, aquilo ainda nos renderia diversas tardes e madrugadas em claro. entrou em seu automóvel, ao meu lado e começou a dirigir seu carro em uma velocidade nada recomendável diante a tempestade que estávamos enfrentando em plena madrugada das ruas de Beaumont. Infelizmente eu teria que ir passar um tempo na casa de , ao longo de nossa grande noite tentei em todos os momentos possíveis convencê-lo em me deixar ficar na casa de minhas amigas, mas como um exímio cabeça dura, negou até o fim e finalmente havia conseguido conquistar o meu inferno astral. As rodas do carro de cantavam abaixo de mim enquanto se deslizavam com uma facilidade perigosa pela pista dos carros, ambos estávamos perante um silêncio constrangedor, mas de qualquer forma eu não estava em condições emocionais e físicas alguma, já que o sono estava pesando sobre minhas pestanas, a ponto de querer puxar uma conversa com , além do mais... A única coisa que vinha em minha cabeça agora era a imagem daquele garotinho meigo que eu conhecia já há tantos anos, repousando sobre meu colo enquanto sofria suas tremendas dores conturbadas e misturadas. Eu não tinha a mínima idéia do que aconteceria com Trebor no dia em seguinte. Adotar o menino de forma sensata no parâmetro jurídico não era algo tão fácil quando se tem a maior parte de sua ficha criminal suja por agressões físicas e principalmente por porte de drogas; além do menino precisar urgentemente de uma ajuda íntima de um conhecido, provavelmente também terá que contar com uma ajuda externa, vinda de várias sessões de psicólogos que decididamente ele será obrigado a enfrentar na maioria de seus dias semanais... Quem sabe Luíza não poderia se tornar a responsável dele já que ela tinha a ficha criminal limpa e sempre fora a mais bem sucedida de nos três, e pela graça do bom senhor, adorava Trebor assim como eu. A hipótese dela se tornar a mãe adotiva de Trebor era a mais perfeita e sensata de todas, mas infelizmente ela não estava em uma de suas melhores formas psicológicas para assumir um filho agora, já que outra bomba havia nos acertado esta noite, levando Mike a cadeia novamente.

Este era outro assunto que me despertava uma preocupação extrema. Mike estava sendo injustiçado de tal maneira que até mesmo o xerife do Condado de Jefferson estava estranhando, mas essa tal injustiça sem duvidas nenhuma estava ligada diretamente com o Senador Cornyn, já que até mesmo O’Connell que parecia ser incapaz de fazer mal a uma mosca notara a estranhedade que Cornyn andava usando quando o assunto era justiça criminal e até mesmo a policia em si.

- – Depois de algum tempo de devaneios invadindo minha mente, pude sentir uma brisa gélida envolvendo meus membros ao ver ao meu lado, abrindo minha porta enquanto bocejava extremamente exausto – Vamos, já chegamos – Ele disse, saindo da frente da porta para que eu desse o fora do carro finalmente. Eu jurava que os minutos e horas estavam me vacilando e andando em uma velocidade mais rápida do que o habitual.
- Já? – Indaguei confusa, me levantando do banco com certa dificuldade, devido a minha imobilização desde a hora que havia me acomodado no macio banco de couro daquele carro. Ele simplesmente assentiu enquanto batia a porta de seu automóvel logo atrás de mim.
- Sim, está tudo pronto, inclusive seu quarto – apertou o controle de seu carro, para que o mesmo trancasse – Pedi para a moça que faz limpeza em minha casa preparar o quarto de hóspedes para você dormir. E caso você precise de mim, já sabe onde me encontrar – Ele disse me olhando rápido e as lembranças de minhas duas idas a sua casa invadiram minha cabeça, me fazendo lembrar de coisas bem desagradáveis que já ocorreram entre nós dois.
- Sim, e você espera que eu me vista como para dormir já que o gênio aí me fez entrar no carro sem ao menos pegar uma muda de roupa? – Perguntei a ele irônica e ele apenas respondeu indiferente atravessando a garagem e depois a sala de sua casa, indo em direção ao que deveria ser o meu quarto.
- O gênio aqui pediu para Rose pegar em seu armário algumas trocas de roupas para você passar uns dias – Ele disse levantando e sacudindo uma sacola laranja de tamanho médio, assenti sem responder imaginando que aquela mulher que tanto me amava devia ter enchido a sacola de roupas completamente descombinadas e nem tão bonitas para se usar quando se tem mais dois homens morando junto com você. Continuei andando, lutando contra meus próprios olhos para que eles não se fechassem de repente e isso me rendesse um belo de um roxo na perda devido à pancada.
O caminho pelo corredor, sala,... continuou silencioso e só quando eu havia entrado no quarto desconhecido e pegado a sacola laranja das mãos de , acompanhada por minha bolsa, ele deu o fora dalí. Joguei a sacola e a minha bolsa ao pé da cama e sem nem ligar para a roupa que eu estava vestindo e muito menos para o meu sapato alto, engatinhei sobre a cama e cai estatelada sobre o macio edredom de barriga para baixo, expulsando todos os acontecimentos extremamente tristes e desagradáveis da noite de minha cabeça e deixando-me finalmente cair nos braços de Morfeu.

Capítulo 14

[n/a:Sugestão de música: This Fire– Franz Ferdinand]

Espreguicei-me folgadamente sobre uma cama desconhecida e dei um de meus maiores bocejos, depois permaneci com os braços erguidos, meio a minha espreguiçada e passei a olhar em volta sem reconhecer o quarto em que eu estava, era incrível o quanto essas coisas insistiam em acontecer comigo. Já perdi as contas de quantas vezes havia acordado em um lugar estranho sem saber onde exatamente estava. Mas o ambiente não me pareceu demonstrar perigo nenhum devido à mobília luxuosa que me cercava, cerrei meus olhos e depois de muito esforço me lembrei exatamente de onde eu estava. Casa de , depois da turbulenta noite que havia me perseguido no dia anterior.

Longo dia, , era isso que você teria hoje, um longo dia, porque por mais que seja sua folga (Tá, não era em si uma folga, mas era o único dia em que não ia para a delegacia, consequentemente, não receberia nenhuma ligação do mesmo caso não comparecesse ao meu querido trabalho, então nas quinta-feiras eu sempre me auto declarava de férias já que o dinheiro descontado do meu salário era mínimo e não fazia a menor falta. Mas por mais que eu faltasse todos os dias saberia que não iria ser demitida, já que era o que eu estava querendo há bastante tempo, então faltar um dia por semana não era uma grande coisa fora da lei para alguém que era obrigada a trabalhar até mesmo de sábado ou domingo. Infelizmente não sei se isso vai funcionar durante esses dias, já que eu estou dormindo na casa de ), de qualquer forma hoje eu iria gastar as horas que poderiam ser vagas para ir até ter uma conversinha séria a respeito de seu amigo, Michael Brown.

Ergui meu tronco na cama confortável e permaneci sentada na mesma posição dando-me de cara com uma varanda aberta, com mesinhas na mesma me fazendo lembrar do ocorrido em meu apartamento do dia anterior, infelizmente agora a minha querida e aconchegante casa estava congestionada por diversos caras da pericia, aquilo realmente era tudo o que eu queria e isso foi uma ironia. Olhei a fora e me concentrei na linda paisagem que se formava na área externa. Árvores, dia quente e céu extremamente azul, nem parecia que ontem havia sido um dia infestado por chuva e desgraças... Levantei-me coçando os olhos e dando mais um bocejo, suspirei assentindo para a minha boa educação que havia aprendido sozinha e passei a arrumar os lençóis nem tão amassados da cama em que eu dormira. Envolvi-me com os próprios braços e passei a andar pelo quarto, observando seus mínimos detalhes até ir de encontro com o guarda roupa aberto e duas grandes malas conhecidas dentro, franzi o cenho e me agachei perante a mesma para ver o que tinha dentro dela já que até onde eu estava informada, aquelas malas me pertenciam e não me lembro de tê-las trazido junto a mim ontem a noite, deslizei o zíper com certo esforço, porque a mesma estava para explodir de tão cheia e quando feito me deparei com diversas peças de roupas que também me pertenciam, peguei algumas para poder me assegurar que eram realmente minhas e depois de ter certeza me levantei, jogando as peças que estavam em minhas mãos sobre uma das malas que estava aberta. Se minha memória não me falha, ontem a noite eu havia chego aqui apenas com uma sacola laranja que a atendente de havia feito para mim, certo? Com a testa enrugada e tentando entender o que estava havendo, fui em direção ao banheiro da suíte, me apressando ao localizar a pia e finalmente poder enxaguar meu rosto ainda zonzo pelo sono e confuso pelo o que acabara de achar no guarda roupa. Ontem havia me falado que eu ficaria apenas alguns dias em sua casa, mas não mencionou nada de passar o ano ou algo do tipo, e pelo volume de pano que aquela mala carregava, tudo me causava a ligeira impressão que tinha roupas para viver durante alguns meses sem ter problemas alguns e sem repetir uma peça se quer.

Aquele banheiro era grande como o quarto em que eu acordei, podendo até ser do mesmo tamanho. O banheiro tinha uma bucha, uma banheira e duas pias que mais a cima obtinham armários revestidos por vidro. No meio das duas pias havia uma pequena toalha branca estendida, sobre ela repousava uma escova de dente lacrada, uma pasta de dente, uma caixinha de fio dental, uma escova de cabelo, cotonetes, um anti-séptico bucal e um condicionador e um shampoo específico para o meu tipo de cabelo, escolhido provavelmente sem preferência alguma suponho, mas a marca não era das piores, eu já havia a usado há alguns anos atrás quando ainda não conhecia os xampus e condicionadores que faziam milagres, mas que vendiam somente em cabeleireiros. Peguei cada um dos produtos e vi que estavam igualmente lacrados e preparados para o primeiro uso, abri o armário a baixo da pia e dentro do mesmo havia um secador, um pacote de papel higiênico ao lado de algumas embalagens de absorventes, torci minha expressão comicamente ao ver aquilo, por mais que sonhasse ele nunca conseguiria me engravidar já que minhas pílulas possuem um zíper especial reservado em todas minhas bolsas, consequentemente a presença de absorventes era inútil para mim que quase nunca havia usado aquelas fraldas femininas. Comecei a tomar pílulas perto dos quinze anos e por mais que o acaso tenha me obrigado a usar absorventes a partir dos dez anos, nunca soube exatamente como serviam, por isso procurei minha ginecologista para que me medicasse alguma pílula milagrosa. Claro que minha pouca aptidão com absorventes não foi o único motivo a me incentivar em usar pílulas, já que na época eu estava namorando firme e forte com Steve.

Como havia feito no quarto, caminhei pelo imenso banheiro, ao lado do Box que continha a bucha, tinha um cabideiro com um roupão branco acompanhado por um tapete igualmente branco a baixo, sabonetes de certo luxo cercavam a banheira que se localizava ao lado da porta, a baixo de uma janela. Tons de marrom pareciam ser as cores prediletas de , já que “meu” banheiro e quarto estavam mobiliados de acordo com este padrão de cor. Respirei fundo percebendo a confusão em que estava metida, começando por não saber direito aonde iria dormir hoje, por quanto tempo e quando teria minha casa de volta, mas a melhor forma de clarear a mente, pelo menos para mim, sempre foi com um bom banho quente.

Saí do banheiro e afrouxei o nó do meu roupão que fizera o papel de toalha já que não havia nenhuma no banheiro, cacei dentro das malas alguma roupa confortável e ao mesmo tempo apresentável. Enquanto me trocava percebi alguns avermelhados por minha pele que não estavam presentes em meu corpo no dia anterior, franzi o cenho buscando algum porquê daqueles machucados e depois de me lembrar da noite passada revirei os olhos com minha preocupação desnecessária, a noite de ontem havia sido tão corrida e desesperadora que eu ao menos devia ter notado que havia esbarrado ou batido meu corpo contra alguma coisa. Vesti-me então com uma regata, uma malhinha por cima e uma bermuda com uma bota confortável que na maioria das vezes só usava em casa. Escovei meus cabelos com a escova novinha que estava no banheiro e depois finalmente olhei meu reflexo já melhorado no espelho,provavelmente por causa do banho que aliviara minhas olheiras diárias que agora estavam escondidas a baixo de uma pele mais rosada. Respirei fundo pela segunda vez já naquele dia e decidi que para melhores respostas o certo a fazer era ir a busca de , que certamente estaria em casa junto a seu primo insuportável. Abri as janelas do banheiro para que o vapor causado pelo meu banho fosse embora e fechei a porta do recinto, indo em direção a saída de “meu” quarto, dando de encontro com um corredor desconhecido. Nunca havia me dado conta que em todas as vezes que parava na casa de , nunca a analisara detalhadamente como agora, eu nunca havia notado a presença deste corredor e mal lembro como era o quarto em que eu dormira no dia em que o acompanhei até o aeroporto, e que provavelmente era dele, a única coisa que me lembrava agora era de algumas partes da sala e da grande garagem que a casa possuía no piso de baixo. Caminhei meio ao corredor com piso e parede de madeira lixada e escura, sem nenhum enfeite, apenas alguns quadros que por conseqüência do vazio traziam um toque fino ao ambiente. É, outra coisa que eu nunca havia notado, por mais que se esforçasse em vestir aquelas roupas cafonas de cowboys, era um cara rico e de bom gosto para decoração.

Olhei para trás e vi que o final do corredor dava entrada a uma espécie de sala que devia estar localizada a porta do quarto de , ou porta para mais e mais cômodos, mas o lugar que eu estava me empenhando a encontrar agora era a sala de estar, pois tinha quase que certeza absoluta que estaria lá, na mesa extensa de jantar, com seus papeis trabalhando e por essa e outras continuei seguindo na direção contrária da outra sala que devia dar entrada a mais cômodos. Por fim, o corredor finalmente havia terminado, dando-me de encontro com uma escada que possuía degraus de vidros, permitindo-me enxergar o piso de baixo, mas este trabalho era desnecessário, já que a escada era aberta e dava para ver o que havia no andar de baixo. A sala que eu conhecia.
E por mais que eu esperasse encontrar trabalhando sobre a sua mesa de jantar que agora estava vazia, o encontrei caído no sofá com uma calça moletom cinza e uma camiseta branca desleixada, brincando com o controle de televisão que rolava entre suas mãos. Os papeis de seu trabalho estavam na mesa de jantar como havia esperado, mas ele estava assistindo desenho animado, outra coisa que deveria aprender sobre : Ele realmente não era um cara sério, o que me faz ter mais um item para a minha lista de incoerências quanto e seu trabalho de xerife. Tirei minhas mãos do corrimão e fui em direção a sala em que que parecia nem notar minha presença estava, cheguei ao lado do sofá e ele rolou os olhos até mim e desligou a TV, se sentou no sofá e colocou o controle ao seu lado, tirando os olhos dos meus.
- Bom dia – Ele disse com a voz arrastada, olhando para a TV que por mais que estivesse desligada, parecia charmar lhe a atenção mais do que eu.
- Bom dia – Respondi com a voz um pouco falha, me sentando em uma cadeira que havia próxima ao sofá em que estava sentado.
- Vejo que já tomou banho e trocou de roupas, deve ter notado que preparei o quarto para você e pedi para buscarem mais roupas em sua casa também – Ele finalmente tirou os olhos da TV e lançou-me o olhar penetrante que ele sempre fazia.
- Sim, e é por isso que eu estava te procurando, por que mandou buscarem em minha casa tantas roupas? Eu não ia passar só poucas noites na sua casa? – Indaguei enquanto dedilhava a região de minha garganta para que minha voz visse que eu já estava acordada e assumisse seu tom normal de sempre.
- Não exatamente – Ele voltou a olhar a TV – Eu só disse que você dormiria só algumas noites em minha casa para você calar a boca e parar de me cansar mais do que o trabalho já havia me cansado – Ele completou com uma normalidade extrema e com o cinismo presente na frase, fazendo com que meus olhos que acabaram de acordar já se revirassem – Seu carro chegou há pouco tempo também, pedi para O’Connell trazê-lo até aqui, a chave está no criado-mudo do seu quarto – Completou.
- Quanto tempo? – Perguntei mais rude, com medo da resposta que estaria por vir, eu só não estava surtando com ele, porque por mais tempo que fosse que ele quisesse me prender fora de casa eu poderia muito bem ir passar este tempo na casa de minhas amigas e amigos, e não na dele – Quanto tempo eu vou ter que ficar longe de casa?
- Não existe um tempo definido – Ele enrugou a testa, voltando a rolar o controle da televisão desligada entre suas mãos – Mas uma estimativa talvez, lembra quanto tempo o meu carro ficou na pericia? O Tempo é esse mais ou menos, já que é da própria de quem estamos falando.
- O quê? – Exaltei-me, levantando da cadeira.
- E era exatamente este tipo de comportamento que estava tentando evitar ontem a noite – Ele disse sorrindo cínico enquanto jogava suas costas no apoio do sofá e fechava os olhos de forma despreocupada.
- O seu carro ficou mais de um mês na pericia, ! Não é um carro que está em questão, é um apartamento, então as coisas com certeza andarão mais rápido, eu não vou conseguir ficar tanto tempo assim longe de casa, faça-me o favor! – Disse ainda exaltada, ignorando o comentário infeliz que ele havia feito segundos atrás.
- Pode não ser um carro e sim um apartamento, mas o ritmo que a pericia trabalha é o mesmo, e acredite, nem se tinha tanta coisa assim para encontrar em meu carro e mesmo assim eles o deteram por muito tempo, um apartamento por ser muito maior e em soma com a lerdeza do trabalho da pericia com certeza vai levar muito mais tempo do que o meu carro levou para ser liberado – Ele respondeu ainda sem emoção e de olhos fechados.
- Ótimo! Mas espero que o sabe-tudo também tenha conhecimento de que eu não vou passar mais nem uma noite se quer na sua casa, vou ir dormir na casa da ou de qualquer algum outro amigo! – Finalizei já indo em direção às escadas, disposta a descer minhas malas para ir embora daquele fim de mundo e ir encontrar quem realmente me dava algum valor.
- Nem pensar – Ele abriu os olhos que agora transmitiram impaciência e se levantou do sofá ameaçando vir em minha direção – Você acha que foi a única a pensar nisto? Você acha que eu não adoraria te expulsar da minha casa para te soltar para as suas amigas? Te deixar ir onde você quiser sem ficar preocupado? acredite, eu adoraria te ver longe de mim, mas o que está em questão é algo bem maior do que nos dois e que não podemos deixar dar mole, é a sua segurança que está em jogo.
- Minha segurança? O que? – Sorri para ele, jogando as mãos para o alto durante alguns segundos e me virando novamente para ele que estava quase correndo até mim para me colocar uma mordaça e me prender em sua dispensa.
- Você não enxerga nada, não é mesmo? – Ele colocou as mãos na cintura e bufou, me olhando com os olhos cansados, realçando as olheiras que certamente estavam maiores do que as minhas – Você precisa ficar em algum lugar seguro e esse lugar é comigo, eu tenho porte de arma autorizado, só eu posso te proteger.
- Me proteger? Por que você está tão preocupado em me proteger? Você nem liga para mim assim como eu não dou a mínima para você, não tem ninguém da delegacia aqui para te ouvir falando esse discurso todo aristocrático para te dar um aumento por isso, é só nos dois aqui, pode falar a verdade, – Revirei os olhos, sorrindo com as barbaridades e mentiras que ouvia sem parar.
- Você pode achar tudo isso de mim, mas te garanto que se você convivesse mais comigo ia ver que sou justamente tudo ao contrário do que você disse, eu não quero deixar que nada te aconteça, eu poderia até te deixar em qualquer hotel de esquina ou te deixar livre para ir dormir com as suas amigas ou amigos e acredite em mim... Isso seria o que qualquer outro policial ou xerife faria, mas eu estou ciente do que pode te acontecer e não conseguiria agir normalmente sabendo que você não está a salvo. Estando comigo eu pelo menos terei a chance de te proteger – Ele disse sério e eu fiquei estática pelo seu discurso sem sentido, era só eu que não estava entendendo nada do que estava acontecendo? Desde quando ele passou a ligar para mim? Desde quando ele simplesmente passou a saber o meu nome de cor?
- Eu não estou entendo o porquê desse seu discurso, . Eu estou a salvo nas mesmas condições que todo o resto da população dessa cidade maldita está. Se for para ser sentimental deste jeito, você deveria abrir uma república para todo mundo morar e você ficar protegendo!
- Você realmente não enxerga nada e eu nem acredito que vou te dizer isso, porque sei o gênio forte e insuportável que você tem, mas você não está vendo, ? Tudo dentro do caso do Estripador, de certa forma está ligado a você! – Ele disse impaciente, como se não acreditasse ainda no que estava dizendo – Alguma vez, dentre todas essas mortes você já se viu sem saber quem era a vitima, ou sem estar presente ou sem estar relacionada de alguma maneira? Você está sempre entre as especulações de tudo isso!
- O que você está dizendo? – Perguntei, enojada.
- Você está sempre no caminho de tudo, eu não quero te deixar sozinha, porque tenho medo que da próxima vez seja você a vítima! Você ou sempre sabe quem morreu, ou onde morreu, ou morreu no seu apartamento, ou alguém que te fez mal quem morreu! Apesar de suspeitar de tudo isso desde o inicio, eu nunca tive provas para afirmar nada, mas depois de ontem, depois que entraram no seu apartamento, , você precisa de mais juízo, você está sofrendo um grande risco! Desculpa-me por dizer todas essas coisas, mas você não enxerga nada sozinha, que inferno! – Ele disse numa mistura de sentimentos. Raiva, indignação, incompreensão, medo. Tudo estava presente ali.
- Mas foi coincidência, – Minha respiração descompassada acelerou e eu abaixei a cabeça para encarar os meus próprios pés, será mesmo que era verdade? De certa forma tudo realmente estava relacionado a mim... Relacionado a mim não, mas eu sempre tinha algum conhecimento ou visão do que ocorria nestes assassinatos. Será que já estava passando da hora de acredita que nada é por acaso, como todos dizem?
- Você pode pensar o que quiser, mas eu não vou te largar até resolver este caso e colocar quem quer que seja o miserável desta série de assassinatos atrás das grades, disso você não pode me impedir, caso queira eu te tranco no quarto. Isso não se trata mais só de você, porque se você não liga ou não da a mínima para a sua vida, eu dou para ela e não te quero ver mutilada no meio da rua!
- Eu... Mas... Como assim? Você não quer mais me deixar sair de casa? Não quer mais me deixar viver? – Eu consegui arranjar forças que simplesmente não sei de onde surgiram para soltar um riso debochado, mas no fundo estava tomando só agora a noção da gravidade do que estava acontecendo e de certa forma, agradecendo a preocupação exagerada de .
- Eu não vou te impedir de nada, só não te quero ver saindo de madrugada, sair em noite em geral. Eu te quero toda noite na minha casa – Ele disse sério e eu ergui minhas sobrancelhas – Eu sei que você adora sair e dar pro primeiro que vê em qualquer que seja o lugar que você esteja indo, mas eu não quero correr o risco de... Que você seja uma das vítimas.
- Então... Se você tem todo esse medo que eu morra, por que mandou prender o Michael? Aliás, eu desci exatamente para saber disso – Exclamei me atropelando nas palavras, pelo meu desespero em mudar de assunto – Você prende ele, deixa ele longe de todo mundo que o ama e faz bem a ele, afirma que ele é o assassino, mas mesmo assim sente medo que o assassino me mate? É tão irracional que eu ao menos consigo explicar, porque o que você está causando na vida de Michael não tem nenhum sentido, só está fazendo mal a ele, fisicamente e emocionalmente!
- Eu não tenho certeza de que ele é o assassino, tudo bem? – se sentou no sofá e deixou a sua fúria de anteriormente se esvair calmamente, passei uma de minhas mãos sobre meu cabelo e me aproximei dele, sentando ao seu lado – Eu não sei, no primeiro caso teve o celular que te registrava como última chamada, mas não tinha nenhuma digital, mas ao mesmo tempo era ele quem sabia onde Benny estava a todo momento, ele que era amigo de Ryan, e no segundo caso eu não pude simplesmente ignorar aquele sangue todo na camiseta dele, logo depois de ver aquela mulher morta, e ainda com esse terceiro assassinato ocorrendo quase que simultaneamente após a saída dele da prisão... as coisas se ligam demais!
- , desculpa me meter, mas agora estou participando dos casos e acho que por mais subordinada que eu seja, você tem a obrigação de me contar tudo, ou pelo menos pode, sobre o que está realmente acontecendo. Faz tempos que eu noto que mesmo trabalhando para a policia, continuo muito por fora dos casos – Franzi o cenho – Mas se você for agir assim, até eu posso ser presa! Quero dizer, só porque o Mike conhecia o cara que foi morto, ele tem culpa no cartório?
- Não é só por isso e você sabe muito bem.
- Tudo bem, tem a camiseta cheia de sangue que você viu mas se nega a responder quanto ao resultado dos exames de DNA, desculpa, mas isso é muito mal contado, até onde eu sei você não tem prova nenhuma contra Michael!
- Eu sei, eu não tenho – O olhei com os olhos semicerrados devido à sinceridade que ele nunca se preocupara em ter para conversar comigo – No final não tinha nada na blusa dele... Ela foi mandada ao Departamento de Pesquisas e eles não acharam nada, nem ao menos a coloração avermelhada do sangue. Eu que mandei a camiseta para eles e quando mandei vi eu mesmo o sangue aparente no tecido, então insisti que eles ao menos procurassem a presença de alguma coisa incomum no pano e eles encontraram uma grande quantidade de hidróxido de amoníaco e fenolftaleína, encontraram álcool também, mas não era nada alarmante já que ele estava em uma festa que distribuíam bebidas alcoólicas, e bom... – Ele levou suas mãos a nuca, se encurvando um pouco – Não sei se você sabe, mas são os ingredientes principais para o preparo de sangue do diabo, é uma substância que visualmente é idêntica ao sangue, mas com interferências feitas em laboratórios a mancha simplesmente some em questão de alguns minutos, na menor concentração das substâncias, ela pode prolongar a mancha avermelhada e acredito que tenha sido isso que eu tenha visto – Ele voltou a se encostar no sofá.
- Então você está dizendo que o sangue que você diz ter visto na camiseta do Mike era algo feito em laboratório? Ah, , pelo amor de deus! Não está mais do que na cara de que não foi ele quem fez isso? Tem alguém querendo incriminá-lo! Você não pode deixar isso acontecer, você não tem idéia do quanto eu e o resto dos amigos e a namorada dele estamos mal por ele – Disse séria, chocada pela sua revelação mas ao mesmo tempo tentando convencê-lo de que não era Mike o culpado.
- Vou deixar uma coisa bem clara – Ele disse pausadamente enquanto olhava para o nada – Não fui eu quem mandou prender Michael novamente, na primeira vez eu pedi sim, porque não queria correr o risco de esperar os exames feitos sobre a camiseta dele terminassem, isso seria muito arriscado para a população se ele realmente fosse o assassino, mas quando os resultados chegaram eu facilitei a saída dele da cadeia, ou você acha que para conseguir habeas corpus é simples e rápido do jeito que foi? Eu sinceramente acho que ele não está metido nisso, mas não sou só eu que mando naquela delegacia mais, o senador está assumindo grande parte dos negócios e interditando muita coisa, ele não permite a entrada de mais profissionais para as pesquisas, tanto que Douglas conseguiu só agora entrar nas investigações. E agora, como te disse ontem, Cornyn ordenou a prisão de Michael – Ok, eu estava ficando maluca ou tudo indicava que até o governo estava metido nestes assassinatos malucos? Aquilo estava realmente me assustando, pelo o que estava me dizendo, o senador Cornyn estava fazendo a maioria dos papeis que regrediam nas pesquisas relacionadas ao caso do Estripador – Eu disse a ele que tinha quase que absoluta certeza de que Michael não tinha nada a ver com o que estava acontecendo, mas ele insistiu que era ele o culpado.
- , você acha que ele é o Estripador? – Perguntei apavorada, cruzando minhas pernas sobre o sofá, para ficar virada para ele – Ele está interferindo demais neste caso, e não está interferindo para o nosso bem, porque tudo o que ele está fazendo está ferrando cada vez mais com o andamento desta maluquice de investigação!
- Eu não sei se ele é o assassino ou não, afirmar isto é uma coisa muito séria, – Ele respirou fundo, tomando fôlego para continuar mais um de seus falatórios gigantes – Mas que ele tem algo relacionado aos crimes eu tenho certeza que tem, não acha coincidência demais o novo assassinato ter ocorrido logo depois da saída de Michael da prisão? Alguém está querendo incriminar alguém dentro dessa história e isso só complica mais ainda para mim algo que já parecia ser incompreensível pela falta de suspeitos.
- É muito estranho mesmo – Completei, olhando para o chão sem dar muita importância a isto, pois o assunto anterior que tive com ainda assombrava minha cabeça.
- Eu vou tomar banho agora – Ele se levantou rapidamente do meu lado, me fazendo olhá-lo surpresa – Já volto, qualquer coisa deve saber onde é meu quarto e... Para maiores urgências Douglas está no escritório fazendo mais um de seus estudos sem importância – Ele disse enquanto ia em direção as escadas e eu apenas acenei a ele.
Permaneci sentada onde estava durante mais alguns minutos, enquanto encarava o exterior da casa que possuía a maioria de suas paredes feitas de vidro pelo o que eu pudera perceber, algo um tanto desagradável para alguém que acaba de descobrir ou de se tocar que sofre perigo de vida ou simplesmente por trabalhar na policia, estremeci só pelo pensamento e voltei minha cabeça à conversa que tive com agora pouco. Como já havia pensado, eu já me pegara analisando o quão estranho era sempre saber o nome de quem acabara de morrer, conhecer o lugar que a pessoa havia sido morta e coisas mórbidas do gênero, mas pensar que eu estava em perigo era algo que nunca passara pela minha mente e eu há segundos atrás ao menos cogitava. Eu estou assustada até agora quanto a invasão do assassino na minha casa, mas nada parecia ter a intenção de chegar até a mim, tudo sempre estava em minha volta e não em minha direção, então pensar que eu estava em perigo era algo compreensível, mas que ainda não se passava pela minha cabeça. Por mais estranho e suicida que possa ser eu ainda me sinto segura, não acho que quem quer que seja o assassino queira me matar, porque no final das contas... Se ele realmente quisesse isso, já teria feito sem nenhuma dificuldade, era só esperar por mais algumas horas em meu apartamento, quieto que ele teria o bote perfeito para mim, mas isso pode ser até mesmo outra coisa que deve ser ressaltada, porque afinal, se até agora o homem sanguinário ainda não havia chegado até mim, era porque queria minha atenção ou qualquer outra coisa que seja de mim, caso contrário não se ocuparia em mutilar a maioria das pessoas que eu conhecia e que a partir de ontem, amava. Mais uma vez a cena de tudo que ocorreu ontem veio como um pulo para a minha mente, mas eu balancei de vagarosamente minha cabeça para que essas lembranças mórbidas que teria que enfrentar mais tarde não chegassem tão cedo aos meus pensamentos. A única coisa em que eu me permitia ter acesso agora era as cenas de meu apartamento, aquela invasão foi muito sem sentido, ele foi ao meu apartamento para comer um pedaço de cérebro de minha amiga e... A carta.

Levantei-me rapidamente do sofá, me chingando baixo de todas as palavras que tinha conhecimento por não ter lembrado daquilo logo quando cheguei em casa ou pelo menos depois de ter acordado. Corri na direção do corrimão da escada e disparei para o andar de cima, dei entrada ao corredor imenso que obtinha diversas portas e marchei apressadamente em direção a segunda porta, que havia gravado hoje ao sair do quarto, que era a que dava entrada ao meu dormitório, quando estava quase alcançando a porta de meu quarto, a terceira porta do corredor se abriu e eu trombei de frente com Douglas que me olhava furioso.

- Receio que seus receptores sensoriais não estejam exercendo suas devidas funções com precisão, senhorita – Ele disse ainda furioso – Caso contrário, a estrutura reconheceria o estimulo vindo do ambiente externo do organismo em questão, meu no caso, evitando momentos desnecessários como esses.
- Tudo bem, bom dia, Douglas – Revirei os olhos, me desviando dele e voltando a seguir em direção ao meu quarto, torci a maçaneta e dei entrada no mesmo, batendo a porta atrás de mim,trancando-a, e me certificando, após o feito, de que a trava estava funcionando, cheguei à conclusão que estava em perfeitas condições.
Apoiei-me na porta trancada e encarei o lado de fora da casa pelo imenso vidro que havia no quarto, em um insistindo de proteção, logo ao encarar aquele amontoado de paisagem do quarto a vista para as pessoas que poderiam estar do lado de fora da casa, decidi ler o bilhete ou carta dentro do banheiro, que apesar de possuir uma grande janela também, estava mais ao alto, permitindo-me ler sem ser vista por indesejados. Segui até a cômoda que havia ao lado da cama, onde havia largado as minhas roupas no meio da madrugada (quando acordei com minhas próprias jeans me apertando de maneira desagradável), peguei rapidamente o amontoado de roupas e fui em direção ao banheiro, colocando sobre a pia todas as peças que havia usado no dia anterior, jogando no chão minha blusa, bolsa, e finalmente, minha calça estava em mãos, a segurei pelo zíper e fui até a porta do banheiro, a trancando como havia feito com a minha porta do quarto, depois segui até a janela e me sentei em baixo da mesma, no local onde seria impossível ser vista por alguém. Poderia parecer exagero tudo o que eu estava fazendo, mas a conversa que havia tido com mais cedo fez com que o meu medo tomasse mais conta do que o habitual de mim. Engoli em seco e retirei do bolso traseiro da calça a papelada que havia achado no meio de minhas revistas que ficavam em minha varanda. Como havia visto no dia anterior, tinha um fino papel dobrado e grudado sobre um grosso envelope que infelizmente já havia visto de quem era, minha mãe realmente havia me mandado mais uma carta, revirei os olhos me decidindo em qual ler primeiro e arranquei o papelzinho colado no envelope rapidamente, me decidindo de imediato ler primeiro a carta que parecia ser do Estripador, já que era a que me faria sentir mais medo. Olhei o papel em minhas mãos com as letras que manchavam o mesmo com meu nome, já sabia que ao virar aquele papel encontraria o outro conteúdo daquele bilhete, porque a força a mais utilizada para a escrita deformava singelamente o lado do papel que possuía o remetente, fechei os olhos e virei o papel, ainda sem querer encarar as asneiras que poderiam estar escritas ali e quando finalmente tomei coragem o suficiente abri os olhos e dei de encontro com letras distribuídas de forma confusa no papel amarelado, apertei meus olhos e me dediquei a finalmente ler o conteúdo daquela porcaria de bilhete.

A. : G. : D. : G. : A. : D. : U

Olhei para aquele aglomerado de letras confusas e nem ao menos fui capaz de começar um pensamento, quero dizer, havia algum nexo aquilo?AGDGADU? Passei meus olhos cuidadosamente pelo papel de novo para me garantir que não estava lendo nada errado e para me certificar que aquilo realmente não tinha um significado são. Eram apenas letras sem um sentido exposto seguidas uma das outras, procurei novamente por mensagens subliminares, mas nada foi achado. Fiquei mais alguns minutos analisando aquela única linha de letras e ao perceber que não chegaria em conclusão alguma lendo e relendo aquilo diversas vezes sozinha, sem ninguém que obtivesse um conhecimento maior na área de assassinatos ou de frases sinistras sozinha, resolvi depois de muito esforço pegar a carta que tudo indicava ser de minha mãe para ler. Coloquei o papel misterioso repousando sobre meu colo e sem o mesmo cuidado que dedicava a ele, arrastei a carta de minha mãe que estava no chão até mim, a desdobrei e bufei silenciosamente, percebendo que abrir a carta daquela mulher estava sendo mais difícil do que abrir a carta de um maluco estripador.

Querida filha,
Esperava mesmo que você não respondesse minha carta enviada há meses atrás, é de total compreensão devido às coisas erradas que fiz com você em nosso passado trágico. Presumo que nada naquela carta lhe despertou interesse ou compaixão, e por fim... Por que razão você poderia sentir algum tipo de compaixão em relação a mim, não é mesmo?
Vou pedir novamente para que você entenda meu lado, por mais difícil que seja, eu era apenas uma menina e não queria perder minha liberdade por conta de um descuido, esse mesmo descuido fez com que eu engravidasse de seu pai, e sinto muito quanto a isso, eu sonhava em ser mãe, mas definitivamente não era a melhor hora, nossa condição econômica não era boa, nossa vida conjugal se deteriorava ao longo do tempo e o vício pela bebida não facilitava a nossa situação, eu sinto por você, sinto por nos também que poderíamos ter aproveitado a chance de crescermos juntas, mas eu fui covarde e fugi, como já mencionado em minha carta anterior, o arrependimento é um dos piores sentimentos que podemos sentir, e posso dizer que ele está fazendo parte de meu dia-a-dia, porque todos os pensamentos me levam a sua imagem quando pequena.
Estou morando no Canadá e já economizando parte do dinheiro disponível de meu trabalho para lhe visitar em Beaumont, por mais que tudo tenda a demorar consideravelmente devido as minhas poucas economias de reserva, paciência não vai me faltar. Estou quase na casa dos quarenta anos e consegui um emprego em uma loja de bijuteria, minha vida social foi jogada no lixo e eu estou me dedicando muito para subir de cargo e apressar o nosso encontro. Peço novamente que me entenda sunshine, foi tudo um erro o qual estou terrivelmente arrependida. Responda minha carta, eu imploro, quero saber o que anda fazendo, como anda o coração, quais suas pretensões e maiores sonhos, e principalmente quero saber se você está bem. Mais cedo vi em um noticiário que não tem sido uma das melhores épocas de Beaumont, estou preocupada, sunshine.

Com amor, de sua eterna Mamãe.


Abri um divertido sorriso em meu rosto ao ler a carta daquela mulher e perceber sua audácia, esmaguei a folha de papel entre minha mão e a rasguei em pedacinhos devido a raiva que subiu em meu peito, como poderia existir alguém tão sonsa como ela? Ela viria então me visitar em Beaumont, mas se viesse mesmo seria por outro motivo que não mencionara na carta, talvez aquela criatura tenha visto em algum lugar que minhas condições financeiras não são nada ruins e por fim quer vir para cá arrancar todos meus bens matérias, algo que eu não duvidava quando era ela que estava em questão; mas eu não precisava nem sofrer de antecedência, porque tenho certeza que por mais que ela diga estar economizando dinheiro e por mais que esteja, irá acabar gastando tudo em mais uma de suas viagens para fugir de sua realidade, ou até mesmo gastando todo o dinheiro em um bar de esquina. Fechei os olhos tentando controlar a raiva que crescia gradativamente dentro de mim e só quando percebi um ardesser em meu polegar que os abri novamente. De tanto estraçalhar aquele pobre papel, um de seus pedaços havia deslizado agilmente sobre meu dedo, provocando um corte fino no mesmo que insistia em arder desde o feito, me levantei e dei descarga na privada com a minha mão que estava em boas condições, não antes de jogar os pedaços de papel que restaram daquela ex-carta na privada. Apressei-me ao ouvir batidas na porta de meu quarto e abri o armário do banheiro, deixando em baixo dos papeis higiênicos aquele pedaço de papel curioso de autoria do Estripador e sai de meu quarto, passando a língua cuidadosamente sobre o corte de meu dedo que agora sangrava, torci a maçaneta da porta fazendo a melhor cara de pessoa normal que conseguia naquela hora e dei de encontro com de cabelos molhados e uma camiseta de tecido leve e azul que caia sobre seu corpo, moldando seus músculos perfeitamente.

- Sim? – Indaguei depois de alguns minutos de pura dedicação para observar seu corpo.
- Está tudo bem? – Ele ergueu suas sobrancelhas e eu acenei indiferente – Eu... Bom, eu vou pedir comida para o almoço, o que você vai querer? – Permaneci ainda quieta pensando na hipótese de ingerir alguma coisa agora, faziam apenas algumas poucas horas que havia acordado, mas pensando melhor, eu nem havia tomado café e por mais que preferisse um pão na chapa com leite, não cairia nada mal uma comida mais temperada agora – Comida japonesa, chinesa, italiana...
- Por que você nunca cozinha? – Foi minha vez de erguer as sobrancelhas, ao perceber que nunca havia experimentado uma comida que ele havia feito, e olha que essa não é a minha primeira estadia na casa dele.
- Simples, porque eu não sei cozinhar – Ele disse com uma cara de tédio.
- O Senhor Sabe Tudo não tem nenhuma restrição para comida? Não quero ser castigada com os falatórios insuportáveis dele caso escolha uma comida que não agrade ele por não ter vitamina C – Disse franzindo levemente o cenho ao pensar o quanto o meu dia ainda tinha possibilidades em piorar.
- Não, ele sempre me enchia o saco com as comidas, até que eu resolvi dar aquelas rações humanas que tem tudo que precisa numa alimentação para ele parar de torrar o meu saco – cruzou os braços dando um sorriso orgulhoso a minha frente – Mas então, você vai demorar muito para escolher? Eu estou morto de fome.
- Hum... Comida italiana – Disse descontraída – Qualquer macarrão ao sugo vai me fazer feliz hoje.
- Tudo bem, eu vou pedir, você tem planos para hoje? Eu estava pensando...
- Eu tenho planos sim, para falar a verdade – O interrompi e ele me olhou com uma cara um tanto quanto frustrada – Eu vou passar o dia no hospital para ficar com Trebor – Eu havia acabado de planejar esse passatempo, mas ele não podia ter vindo em melhor hora, porque passar o dia com com certeza não era a melhor opção para o meu tempo já que eu tinha certeza de que acabaríamos brigando no final e eu teria que dormir mordendo o travesseiro para a raiva passar. Ele assentiu com a feição ainda um pouco frustrada – Mas se não se importa, eu ainda quero ter uma conversa com você.
- Tudo bem, eu te chamo quando a comida chegar – Ele disse já seguindo o rumo que o corredor o impunha, eu apenas disse um ‘sim’ em voz baixa e fechei a porta do quarto, me encostando-se à mesma e me escorregando até que conseguisse sentar no chão frio de madeira, debrucei sobre meus próprios joelhos, ainda perturbada por todas as coisas que estavam acontecendo.

queria passar o dia comigo e estava quase propondo a mim alguma coisa para fazer junto com ele, com isso eu estava passando a acreditar que realmente estava ficando maluca, porque além de ouvir me propondo essa coisa tão absurda para duas pessoas que tem a relação que temos, eu havia recebido uma carta de um homem que ontem havia matado uma amiga e outra da minha mãe que me largara quando era criança... Antes eu costumava achar que era muito vago alguém se tornar maluco ou demente, mas em conseqüência dos acontecimentos recentes eu estava passando a acreditar que isso era totalmente possível e que provavelmente eu seria a próxima cidadã do Texas a demonstrar desvios de conduta. Disse a agora mesmo que queria conversar com ele mais tarde em relação a um assunto que não deixei claro a ele... Bom, era exatamente sobre a carta que eu havia recebido ontem a noite do assassino que queria conversar, eu estava decidida até hoje de manhã que não mostraria a ninguém que eu não confiasse aquele pedaço de papel, mas acredito que nenhum de meus amigos serão capazes de me ajudar em relação a aquele assunto. Se fosse apenas um simples jogo de palavras eu até poderia tentar conversar com Luíza que de nos três é a mais esperta, mas creio que ela nunca entenderia aquelas letras jogadas no papel sem nexo nenhum, então seria obrigada a conversar com em relação a aquela carta mais cedo ou mais tarde, mesmo não tendo a mínima vontade de fazer isso, e também, quanto mais cedo melhor, porque ele iria me encher de discursos do tipo que não deveria esconder nada dele ou da policia em relação a aquele caso, mesmo quando algo esteja destinado a apenas minha autoria. Mas como já disse, para essa situação eu não teria muita escapatória, teria que informá-lo quanto à carta.

- Vai querer que eu te leve? – perguntou enquanto jogava no lixo os restos das embalagens da comida italiana que ele havia pedido mais cedo.
- Não , eu sei dirigir – Disse revoltada devido a sua pergunta sem propósito definido, já que ele mesmo sabia que eu sabia dirigir – Obrigada pelo almoço – Agradeci a ele.
- Tudo bem – Ele disse sem muito interesse, ainda se ocupando com as embalagens que não passavam pelo orifício limitado de seu lixo.
- Vou indo – Parei de observá-lo e me virei, indo em direção a porta de saída da casa de .
Quando entrei em meu carro, respirei fundo e tirei o celular de dentro de minha bolsa, decidida a fazer qualquer tipo de contato com que eu não via faziam alguns dias. Eu confesso estar morta de saudades dela, e só não estar pirando por ter dado caixa postal em seu celular até agora, porque me certificou ontem que ela estava a salvo junto com . Já sabendo que ela não atenderia ao telefone novamente, apenas enviei a seguinte mensagem:

Hey, que saudades! Por que não atende meus telefonemas? Precisamos nos falar, quero saber como andam as coisas por aí e também estou curiosa em saber o porquê de seu celular estar nas mãos de um policial ontem à noite e quase ter me matado de susto... Estou passando uns dias na casa de , mas te explicarei tudo com maiores detalhes mais tarde! Presumo infelizmente que já saiba tudo em relação à Matilda e Trebor... Mande-me notícias e me diga como está... Um beijo e me retorne assim que receber está mensagem.

.


Respirei fundo e coloquei o celular dentro de minha bolsa novamente, a joguei para o banco traseiro e olhei para minha frente, passando a percorrer com meu carro as ruas de minha nem tão querida cidade, em direção ao hospital. E sim, como uma exímia covarde que eu era, estava adiando o máximo possível aquela conversa em relação à carta que havia recebido do Estripador com .

A recepcionista daquele hospital decididamente não era das melhores, eu estava já há meia hora esperando para ser atendida e ao menos queria me internar ou precisava de ajuda médica, cruzei meus braços andando de um lado para o outro como se aquilo fosse um belo passatempo que me ocupasse até que minha senha fosse finalmente chamada pela recepção, enquanto olhava meus sapatos de tom arroxeado enquanto suas solas estavam cada vez se gastando mais devido meus passos fortes.

- – Ouvi uma voz conhecida sendo pronunciada e me virei dando-me de encontro com um vestido com todas peças de sua roupa da cor branca, com exceção da jeans de coloração azul clara, acompanhada por um longo avental que caia reto até seus joelhos – ? – Ele me olhou um tanto sorridente, percebendo a minha atenção excessiva aos seus membros.
- Eu.. ham... Desculpe – Disse batendo em minha própria testa e a balançando, tentando fazer com que a vergonha saísse de dentro dela, me possibilitando a ter uma conversa normal e entre amigos com ! Não sabia que trabalhava em hospitais – Sorri enquanto me aproximava dele que ao menos se moveu, apenas alongou seu sorriso um tanto tímido.
- Na verdade eu não trabalho, só quis me encarregar de Tebor durante os primeiros dias dele neste hospital até achar um médico de confiança que cuidasse dele – Ele disse baixo, revezando seu olhar confuso entre minha boca e meus olhos, fazendo-me rir pelo seu momento puberdade.
- Não sabe o quanto é bom ouvir isso, um médico bom como você cuidando de Trebor... Mas eu queria tirar Trebor daqui e transferi-lo para um hospital com mais conhecimento, vou arcar com todos os custos, o que me importa agora é a saúde dele – Disse a a decisão que havia tomado quando estava no carro a caminho do hospital; meu dinheiro nunca servia de grande utilidade, além de pagar minhas contas ele era ou gasto em bebidas ou em roupas, e agora vejo que existe um alguém muito mais significante para mim do que todos esses bens materiais precisando de ajuda tanto emocional quanto financeira.
- , mas não se tem muito mais o que fazer, se você transferi-lo para um hospital mais conhecido, as chances dele continuar vivo são mínimas – disse num tom profissional enquanto arqueava suas sobrancelhas desenhadas – É melhor ele continuar aqui, a tolerância deste hospital é ótima. Infelizmente agora nada depende do saber intelectual que cerca Trebor, tudo depende na verdade de nossa esperança.
- O que? Como assim eu transferi-lo para um lugar mais bem manuseado não o ajudaria na recuperação? – Indaguei sem entender nenhuma das palavras de – Isso é completamente contraditório , eu amo aquele menino e quero ele sendo melhor cuidado em um hospital melhor! – Disse começando a me exaltar, mas controlando o tom de minha voz. Será que ele não entendia? Transferir Trebor a um hospital a sua altura era o máximo que eu poderia fazer para aquele menininho, agora órfão.
- , não existe nada que nos possamos fazer, do que você está falando? – Ele indagou com a mesma confusão que a minha em sua voz.
- Me explique o que está havendo – Disse cruzando os braços e me lamentando por dentro por sentir uma raiva usual que sentia quando conversava com infelizmente se aflorando dentro de mim, me deixando impaciente e com vontade de sair andando até o quarto de Trebor, para conversar com aquele menininho que deveria estar extremamente confuso, deixando conversando com as moscas.
- Trebor está em coma, não temos o que fazer! Dar soro a ele e alimentá-lo por tubos é o máximo que podemos fazer e qualquer hospital oferece isso – disse aquilo como se fosse a coisa mais obvia do mundo – Infelizmente os hospitais mais conhecidos oferecem uma estadia muito menor do que hospitais públicos às pessoas que estão em coma, então para o bem dele, ele deverá continuar aqui!
- O que? – Indaguei sentindo um peso enorme sendo jogado em minhas costas e pude jurar que minha boca abriu significativamente depois da revelação que acabara de me dar – Como assim? – Levei as mãos a boca sentindo meu coração acelerar – Trebor está em coma?
- Como assim, ? Não sabia disto? – Ele pronunciou sua pergunta pausadamente, como se estivesse tomando cuidado para que eu não tivesse uma sincope no meio do hospital. Não o respondi, apenas sentei em uma cadeira próxima e deixei com que meus braços caíssem paralelos ao meu tronco, deixando com que aquele fluído lacrimal tão detestável se aglomerasse em meus olhos que já deveriam estar vermelhos novamente. Minha imagem do final da sala do hospital foi substituída por um ajoelhado a minha frente que repousava uma de suas mãos sobre a região de minha bochecha, limpando as lágrimas que já a percorriam apressadamente.
- O que... O que... – Senti minha respiração ofegante e o peso que ainda estava em minhas costas me impossibilitando de formar alguma frase coerente, depois de muito esforço consegui formar uma – Mas como? Eu estava com ele, como isso aconteceu? Quando? – Minhas palavras a essa altura do campeonato estavam sendo pronunciadas em meio a soluços e gemidos conseqüentes choro.
- Ele entrou em coma ontem de madrugada, eu esperava que você já soubesse disso, eu avisei e achei que ele tivesse te informado – ainda me olhava preocupado enquanto agora com sua outra mão, acariciava uma de minhas pernas. Respirei fundo tentando engolir o choro e levei uma de minhas mãos ao meu rosto, o afagando enquanto deixava o choro fluir naturalmente.
- Não – Disse com a voz abafada – Ele não me disse nada – Como num pique de mágica pude sentir um ódio descontrolavel de subir pela minha garganta, como aquele filho da puta não me contou uma coisa dessas?
- Calma, chore o que for preciso, mas não fique desesperada, você vai ver que vai tudo dar certo – E naquela atmosfera de raiva que eu estava, pude sentir de relance um lampejo de insatisfação quanto às palavras de desenhos da Disney que falava a mim, ele poderia estar preocupado comigo, mas não precisava mentir para me acalmar, porque estava mais do que claro que tudo estava piorando de uma forma que nada teria ao menos chances de acabar bem. Muito menos a minha vida e a vida de Trebor.
- Como? – Perguntei simplesmente enquanto retirava as mãos de meu rosto, sentindo uma brisa fria entrar em contato com a pele de meu rosto molhada e quente, tentei segurar o choro e começar a entender a situação como um adulto, mas o fato de Trebor estar em coma ficava cutucando minha mente como um pica pau, fazendo com que meu coração bombeasse desespero para todas as partes de meu corpo.
- É uma longa história – Ele disse repousando as caricias de suas mãos sobre minha perna, apenas a deixando apoiada sobre a região. Parei de encará-lo porque aquilo estava se saindo como uma tortura dupla e dirigi meu olhar para o teto branco daquele ambiente hospitalar, respirei fundo tentando fazer com que todo aquele desespero cesasse e depois de alguns minutos de mais lágrimas e tentativas de autocontrole, finalmente o respondi com uma voz mais normal.
- Me conte – O desafiei e ele se levantou, estendendo sua mão para mim.
- Venha comigo, vamos para uma sala mais reservada – Ele disse enquanto eu já começava a andar com ele de mãos dadas e com um rumo desconhecido por minha parte já que era ele quem me guiava, agora que estava caminhando pela grande sala pude entender o porquê de querer sair daquele recinto, já que não havia se quer um par de olhos curiosos que não fossem em direção a mim que deveria estar transmitindo péssimas energias.
Depois de alguns minutos caminhando na direção que seguia, finalmente entramos em uma sala que deveria ser um consultório. Era inteiramente branca, com uma escrivanhia preta, havia duas cadeiras rotatórias em torno da escrivanhia e uma cortina recolhida que poderia dividir o local em dois caso alguém tivesse que usar uma maca presente ali, com papel sobre. Sem esperar a permissão de , me dirigi a uma das cadeiras, deixando com que todo meu peso caísse sobre ela sem cuidado algum, causando um ruído atrapalhado. Eu estava arrasada.
- Como se sente? – Indagou ele enquanto se sentava na cadeira a minha frente, como estava cabisbaixa deixei com que meus olhos rolassem por ele começar a me tratar como um de seus pacientes. Como não ouviu nenhuma resposta vinda de minha parte, ele apenas suspirou demoradamente e depois voltou a falar comigo – Tem certeza que quer que eu te conte tudo? As coisas já estão muito dolorosas para você.
- Me conte – Repeti a frase que havia falado a ele alguns minutos atrás e ele assentiu com sua cabeça, me encostei na cadeira e o olhei nos olhos, decidida a encarar tudo com o pé esquerdo.
- Ontem o Trebor... – Ele fez uma pausa, pois passou a dirigir sua atenção a uma das gavetas da escrivanhia, tirando de lá uma prancheta que se não me falhasse a memória, era a mesma que ele não desgrudava ontem à noite na cena do crime. Ele colocou a prancheta sobre sua mesa e começou a analisá-la enquanto começava a falar novamente – Ontem o Trebor foi achado no seu condomínio chorando, creio que já saiba dessa parte, porque foi você e quem levou ele até a ambulância, enfim, ele foi achado com uma grande quantidade de substância tóxica em seu organismo.
- Aquele líquido branco que escorria do braço dele? – O interrompi e ele confirmou.
- Aquela substância era mercúrio em líquido – E ele fez mais uma pausa, eu continuei sem entender o que estava acontecendo, porque grande merda eu saber que a substância era mercúrio, nunca soube o que aquilo trazia de conseqüência a saúde de qualquer forma – O mercúrio é uma substância muito tóxica, que presente no organismo pode levar a várias lesões, como falhas de memória, fraqueza muscular, nervosismo, mudanças de humor, demência, vida vegetativa, afeta de forma muito grave o sistema nervoso e até mesmo pode levar a morte – Levei minhas mãos a boca, sentindo a euforia se espalhando por todas minhas entranhas.
- Trebor está vegetando? – Perguntei inconformada e ao mesmo tempo com o coração rasgado.
- Felizmente e incompreensivelmente Trebor está vivo, a dose na qual ele foi submetido de mercurio foi imença, ainda não temos com precisão a dosagem, mas asseguramos que foi bastante... Para qualquer conhecimento cienfico, quem fosse submetido a quantidade que Trebor foi já estaria morto, mas provavelmente por ele ser criança possue um dos ápices de sua imunidade vital... Como o inesperado, ele sobreviveu – finalizou e eu estava ficando cada vez mais nervosa com a enrrolação dele para falar o real estado de Trebor – Quando ele estava a caminho do hospital passou a ter diversas convulções. Convulção é uma sincronização anormal da atividade elétrica neuronal, que foi provavelmente causada pelo mercurio, como disse, os danos que o mercurio trás ao sistema nervoso podem ser devastadores, e logo depois dessas convulções, ainda na ambulância ele entrou em coma – finalizou, eu já não sabia nem o que era calma naquela altura, a única coisa que conseguia fazer naquele momento era chorar e chorar e chorar sem parar.
- Ele... Ele vai ficar bem? – Pude ver enrrugando levemente sua testa, me olhando preocupado – Me leve até ele, agora!
E como eu havia pedido, se levantou de imediato me erguendo novamente uma de suas mãos, segurei com força sua mão, em busca de resquícios de qualquer energia boa que me fizesse acalmar nem que fosse um pouco e quando mal pude reparar, já haviamos saido daquele consultorio cubiculo e estávamos novamente caminhando pelo corredores gelidos daquele hospital, as lágrimas como sempre, continuavam presentes em meu presente. Depois de alguns minutos de caminhada entramos em um local que possuia uma plaquinha a cima “Só autorizados” e quando mal havia acabado de ler aquela pequena frase, já estava me erguendo uma touca para que eu colocasse.
- Ele ainda não saiu da UTI – Ele explicou o uso daquela touca, enquanto colocava uma, desnecessária devido aos seus curtos fios de cablo – Mas ainda hoje vamos transferi-lo a um quarto normal e você poderá visitá-lo sem ter toda essa dor de cabeça – já com touca disse enquanto me esperava conseguir enfiar todo aquele meu excesso de cabelo dentro do fino tecido azul, quando feito ele me ergueu um tipo de um avental frente e verso, feito do mesmo tecido que a touca – Lamento, mas isso também é necessário – Sem reclamar de nada, acenti a ele enquanto colocava aquela roupa horrível, nada me importava, eu queria ver como Trebor estava.
- Pronto – Disse quando havia acabado de colocar todas aquelas peças que ele havia me dado.
- Vamos – Ele disse enquanto andava calmamente. Agora estavamos em um lugar mais morbido ainda, andavamos em um corredor onde diversos médicos corriam de um lado para o outro com macas, pranchetas, remédios e todas essas coisas, e além de tudo as paredes daquele corredor não eram simples paredes, e sim salas revestidas por vidros, mostrando perfeitamente o que ocorria dentro das mesmas, tive que fechar os olhos ou simplesmente olhar para meus proprios pés diversas vezes em que sem querer dava de cara com uma cirurgia carniceira, ou até mesmo com máquinas apitando e indicando o final de vida de um coitado – Desculpe pelo ambiente – Ele balbuciou para mim, notando a minha repulsa enquanto ainda olhava para os próprios pés.
- Está valendo tudo para eu poder ver como Trebor está – Disse numa resposta rápida, mesma sabendo que ele estava em coma, eu precisava vê-lo. Mesmo quando as pessoas dormem, elas têm expressão e por mais que minha ideia fosse idiota, eu queria ver qual era a cara de Trebor enquanto repousava sem data de volta sobre a maca que era três vezes o seu pequeno tamanho.
Depois de dezenas de passos que eu estava contando, já que concentrava toda minha atenção aos meus pés, pude notar os pés de pararem de se locomover e irem em direção ao lado esquerdo. Respirei fundo já sabendo que tudo o que eu esperara para ver desde que havia entrado neste lugar macabro veria agora, levantei minha cabeça e fui até que mechia no molho de chave que estava em suas mãos, e depois de alguns segundos, quando ele já havia achado a chave certa para destrancar aquela porta, pude ouvir o estalo da madeira que agora me dava passagem para adentrar aquela sala. Entrei com o pé esquerdo nela e quando feito meus olhos foram de encontro a uma criança deitada de barriga para cima dormindo, enquanto dois tubos transparentes iam de encontro com suas narinas. Dormindo, quisera eu que fosse somente isso. Apressei meus passos e fiquei o mais perto que pude daquela maca enorme se relacionada a pequena pessoinha que repousava sobre a mesma. Como se o choro já fizesse parte de mim, levei uma de minhas mãos as bochechas rosadas do menininho, analisei sua expressão e ela não trazia nenhum significado, pela primeira vez eu estava vendo aquele menininho animado com uma expressão de nada. De vazio. De perda.
- A coma é um estado no qual uma pessoa perde totalmente ou parcialmente a consciência, não tem reações nervosas e nem reage à estimulos do meio ambiente – apareceu do meu lado, se apoiando nas grades da maca e direcionando seu olhar a criança que estava a baixo de nós – Como pode ver, a coma é tão incerta quanto seu significado. Não perca a esperança, ele pode acordar de um dia para o outro e não se sentir mal por isso, sem ter nem sequer uma sequela.
- Nunca – Disse de imediato, eu nunca perderia as esperanças que eu estava depositando na reabilitação de Trebor, ele era uma das pessoas mais bonitas que haviam aparecido em minha vida, e se o destino era justo o bastante eu sabia que ele iria voltar a vida e voltar a brincar comigo, e quem sabe até mesmo morar comigo. Porém nem sempre o destino era justo. Matilda se fora noite passada sem ao menos uma explicação ou motivo racional.
- Também não vou perder as esperanças, e tenho quase certeza de que ele vai voltar e se tornar um ótimo garoto – disse enquanto ajeitava cuidadosamente a roupa hospitalar de Trebor ainda imovel.
- Eu sei que vai – Acenti a , ainda acariciando as bochechas do menino – É o que ele merece.
- Com licença? – Uma mulher robusta, idosa e com avental apareceu na porta da sala com uma feição de poucos amigos – Vocês por acaso tem autorização para estar aqui? – A mulher indagou rabugenta e eu revirei os olhos, voltando a olhar Trebor.
- Sou o Doutor que estava ao meu lado se virou a ela e disse em um tom mais alto e determinado – Estou visitando o meu paciente.
- Você pode visitar quantas vezes quiser o seu paciente, Doutor – A mulher disse o nome de com desprezo e logo depois voltou a falar com sua voz insuportavelmente agussada – Mas terei mesmo que informar ao doutor que é proibida a entrada de qualquer ente querido, visitante, namorada e todos quaisquer parentescos na UTI deste hospital? Visitas só são autorizadas quando os pacientes migram da UTI, e infelizmente este não é o caso – Fechei os olhos fortemente, já entendo que o problema de tudo ali era a minha presença, sem paciencia alguma me virei para a mulher e cruzei os braços, a mesma passou a me medir de forma extremamente mal educada.
- Já estávamos de saída – disse demosntrando a mesma paciência limitada que eu estava sentindo em sua voz – Sua presença aqui não é necessária e muito menos solicitada, presumo que tenha mais afazeres mediante sua carga horária para exercer agora, e isso não inclui ficar xeretando a vida dos outros – Ele esguierou os olhos e a mulher balançou os cabelos sorrindo de forma irritante e ao mesmo tempo mostrando a sua indignação ao que a dissera – Vamos ... – Ele me olhou decepcionado e eu acenti a ele.
Me virei novamente a Trebor e me curvei em sua direção, dando um beijo estalado em sua bochecha quente – Amo você – Disse baixo em seu ouvido e depois encostei minha testa na dele com os olhos fechados. Eu sabia que ele sairia dessa, e quando saisse teria o meu colo para correr, sem duvidas nenhuma que ele teria. Ajeitei minha postura, passando pela última vez a mão sobre o rosto macio do menino e depois me virei novamente para , que fuzilava a mulher que continuava parada na porta, me olhando com o nariz enrrugado. me puxou para fora da sala e quando passamos pela mulher, ela voltou a falar coisas infames para nós.
- Foi um prazer te relembrar quanto as leis de nosso hospital – A vovó disse debochada e eu a lancei um último olhar de ódio depois de voltar a atenção a direção que me puxava, para fora daquele lugar.
- Eu sinto muito, mas eu tentei – Ele se desculpou a mim e só quando senti meus batimentos cardiacos se afrouxarem pude reparar que ele caminhava comigo enquanto segurava firmemente minhas mãos, não sabia desde quando estávamos de mãos dadas mas a energia positiva de era tão boa e gratificante naquele momento que não interrompi nada ali, apenas apertei mais sua mão contra a minha, recebendo um sorriso envergonhado por parte dele como resposta.
- Foi mais do que esperado, sou totalmente agradecida a você, , obrigada mesmo – Disse as palavras sinceras e suspirei aliviada, quando já estávamos na saída UTI me toquei que não precisara desviar minha atenção para o chão para que eu não visse as cirurgias que ocorriam a minha volta, a companhia de realmente era aconchegante.
sorriu ao ouvir minhas palavras enquanto me ajudava a tirar aquela roupa maluca que havia sido obrigada a pôr quando entrei na sala de entrada da UTI, depois de alguns minutos tentando, as mãos habilidosas e experientes de desfizeram um nó que estava nas minhas costas, fazendo com que aquela roupa fosse facilmente retirada, sorri a ele que retribuiu envergonhado e retirei aquela touca de minha cabeça. E quando me dei conta, já estavamos no lado de fora da UTI, e por mais que fosse um hospital, o ambiente parecia muito mais civilizado e aconchegante daquele lado, já que não havia ninguém sendo operado ou morrendo ao meu lado.
- Me prometa uma coisa – Acordei de sua transe e ele me olhou com curiosidade, ainda sem dizer nada – Me prometa que você irá cuidar de Trebor e que irá fazer de tudo para que ele volte a vida e seja um menino saudável – Meus olhos agora estavam ligados ao dele numa sincronia extrema, eu o olhava com suplica e ele me olhava com tudo o que eu precisava, com um exagero aconchegante de compaixão.
- Só se você me prometer outra coisa – Ele disse sorrindo, ainda sem tirar os olhos dos meus que piscaram algumas vezes por não entender muito bem onde ele queria chegar com aquilo.
- O que? – Indaguei surpresa e ao mesmo tempo aflita.
- Me prometa que vai jantar comigo hoje a noite – Pude sentir minhas bochechas corarem e minha boca abriu descretamente por tamanha surpresa que sua fala incoveniente, mas ao mesmo tempo fofa, me causou – Se você me prometer isso eu prometo que farei tudo o que você me pedir daqui em diante – Ele susurrou e notei que estávamos em uma aproximação nada recomendada para quem era apenas amigos.
- Eu prometo – Disse com uma voz terrivelmente abafada devido à vergonha que crescera de forma significativa dentro de mim. Eu nunca, nunquinha mesmo, havia sido tratada da maneira que me trata por um homem, era uma coisa extremamente nova para mim e para o meu terrível histórico amoroso. Uma provável aventura que eu estou certa que adoraria seguir.
- Então pode ter certeza de que Trebor irá se recuperar rápido – Ele sorriu descontraído e eu abaixei meu rosto, ainda envergonhada – Mas agora, se não se importa, vou ter que levar uma linda mulher para jantar... – Ah, qual é, eu estava sonhando ou aquilo realmente era realidade?
- Para! – Dei um soquinho fraco em seu ombro e a vergonha que eu nunca havia sentido nesta tamanha quantidade passara a tomar conta de meu rosto que já deveria estar para a minha tristeza, inteiramente corado – Seu bobo.
- Vamos – Ele disse depois de rir de minha situação embaraçosa e pegou em minha mão novamente, puxando-me em direção ao elevador que havia logo ao lado de onde estávamos tendo aquele momento... íntimo?

Quando chegamos a garagem, partiu a minha frente em direção ao seu carro enquanto retirava o jaleco que brilhava branco, eu não conseguia parar de sorrir feito idiota e não sabia exatamente o porquê, porque até onde eu me conhecia eu era uma menina que odiava romances, namorados, coisas fofas e todas essas coisas, porque agora eu estava exatamente soltando coraçõezinhos ao ar por um cara que eu mal conhecia? Sim, ele era bonito, fofo, ao mesmo tempo sexy e nunca havia conhecido um homem que me tratasse tão bem como ele, mas.. Tá, era exatamente por estes motivos que explicavam a minha paixão momentânea perfeitamente. Balancei minha cabeça tentando expulsar todos aqueles pensamentos terrivelmente fofinhos de minha mente e quando abri novamente os olhos dei de cara com um confuso que me encarava sorrindo.
- Aconteceu alguma coisa? – Ele indagou enquanto ria.
- Não. Nada. Nadinha – Disse rindo junto a ele e querendo me matar por dentro devido ao momento de menininha de quinze anos. Ele acentiu e continuou andando enquanto sorria para o nada e segurava o seu jaleco dobrado de qualquer forma amassada em uma de suas mãos, quando ele parou de andar demos de cara com um Aston Martin Rapide. E eu me assustei significativamente, porque achava aquele carro o mais lindo de todos, porém o mais caro de todos também. Mas outra coisa que havia me esquecido e que deveria explicar tudo aquilo: era médico. Ele foi em direção ao porta malas do carro e abriu o mesmo para jogar o seu jaleco dentro, depois disso me levou até a porta e abriu a mesma para que eu entrasse na maior normalidade, nenhuma cara orgulhosa ou algo do tipo, o que só deixava mais na cara que ele era cavalheiro do jeito que era por educação e não para traçar mais uma garota. Entrei no carro e me aproveitei os pequenos segundos que ele não me observava para dar uma risada inconformada pela situação que me encontrava.

- E ai? – Ele indagou já se sentando no carro e pondo o cinto, eu fiz o mesmo e depois o olhei confusa devido a sua pergunta sem muito sentido – Aonde vamos?
- Foi você que me convidou para jantar, é você quem decide! – Disse rindo para ele enquanto ele começava a dar partida no carro e finalmente ia embora daquele hospital desagradavel numa velocidade média.
- Hum... – Ele murmurou com os lábios comprimidos, com uma digna expressão de quem estava analisando a situação para ver qual era o melhor caminho a tomar – Mas eu tenho medo de escolher uma comida que você odeie, por exemplo eu, se você me levasse a um jantar japones eu provavelmente sairia traumatizado pelo resto da minha vida já que eu detesto aquela comida crua – Ele disse com aversão – Mesmo eu sabendo que com você nada poderia ser traumatizante ou até mesmo ruim, quero saber se você não tem aversão a nenhuma comida como eu, para não transformar a sua noite num inferno – Ele sorriu enquanto freiava o carro, esperando a catraca do estacionamento levantar e depois partiu meio as ruas da cidade.
- Eu não tenho nenhum horror a nenhum tipo de comida, relaxe – O respondi.
- E quanto a preferências? – Ele indagou enquanto dirigia com habilidade – Comida italiana, chinesa, mexicana,...? – Ele perguntou mais uma vez com um tom de voz atento, indicando sua aptidão com o volante e eu senti de imediato uma pontada em meu peito. Eu sabia que havia escutado aquela frase mais cedo, e por mais que negue até a morte, não podia deixar de pensar que poderia estar chateando, de certa forma, esse alguém ao aceitar o convite de janta de ? – me despertou e eu o olhei aflita.
- Pode escolher, sério, eu não me importo – Disse em um tom formidável depois de muito esforço.
- Que tal comida italiana então? – Ele sorriu de orelha a orelha e eu arregalei os olhos, o ar parecia escapar de meus pulmões, senti minha pele esbranquiçar e como se estivesse em ficção cientifica, passei a desconfiar que lia minha mente e estava fazendo aquilo para me machucar de alguma forma. , esse foi o ápice de sua ridicularidade, achar que , assim como O’Connell que não fazia mal nem para uma mosca queria te machucar? E pior ainda eu cogitar a ideia dele ler pensamentos. Revirei os olhos decepcionada comigo mesma.
- Se importa se for outro tipo de comida? – Indaguei a ele com uma expressão atrevida, enquanto fechava os olhos já prevendo a sua resposta zombeteira.
- Viu só, você não gosta de comida italiana e quase que eu te levo a um restaurante italiano! – Ele disse mais alto enquanto ria e eu o acompanhei com minha risada tímida – , vamos ter uma noite agradável, me fale uma comida ou um restaurante que goste – Ele sorriu enquanto balançava a cabeça em sinal de desaprovação e eu levei minhas mãos ao rosto, rindo como ele.
- Tudo bem – Franzi o cenho tentando pensar em uma comida, já que meu conhecimento sobre restaurante era zero e depois de alguns minutos uma lâmpada se acendeu sobre minha cabeça – Que tal comida chinesa? – Palpitei sentindo meu estomago já começar a roncar ao pensar naqueles deliciosos yakissobas, chop-suey e outras milhares gostosuras chinesaas infestadas por molhos curry e gengibre. E o melhor de tudo... Não lembrava nem de perto comida italiana.
- Ótima ideia! – Ele aprovou – Conheço um restaurante chinês delicioso que costumo ir depois do expediente com os funcionários da delegacia – Ele disse com espontanedade e eu ergui uma de minhas sobrancelhas e ele, o olhando com desaprovação, ele sentiu o meu olhar pesar sobre ele e quando me olhou, levou um leve susto por conta de minha expressão – O que foi?
- Com os funcionários da delegacia – Repeti o que ele havia acabado de falar num tom zombeteiro – Eu infelizmente trabalho na delegacia e nunca fui convidada a ir em nenhum restaurante chinês, Doutor – Disse em um tom de desaprovação e ele gargalhou alto me fazendo não aguentar segurar a risada e rir junto.
- Pois saiba, Senhorita , que eu já pensei em te convidar diversas vezes para ir conosco ao restaurante, mas parece que todo final de expediente você é sequestrada por ou sai correndo para fazer qualquer coisa – Ele disse cínico, entrando na brincadeira e eu continuei rindo daquela conversa cada vez mais ridícula, mas ao mesmo tempo engraçada.
- Nem sempre ele me ocupa com as chatices dele – Disse ficando sem respostas e ele continuou rindo, dizendo um ‘Ah tá, sei’ entre suas risadas, revirei os olhos e novamente me senti um pouco ruim por falar mal por de baixo dos panos de , deixei meu olhar mais sério, cesando minhas risadas e chegando a conclusão que quanto menos aquele indivíduo entrasse em minha mente, mais nossa conversa e nosso passeio tinham chances deserem melhor no futuro de nossa noite.
- No final, qual o relacionamento de vocês? Ficantes? – Ele indagou com um tom de zoação na voz ao dizer “ficantes” e eu balancei minha cabeça, sorrindo novamente.
- Por quê? Tá com ciumes? – Indaguei a ele sem respondê-lo e ele revirou os olhos, apertando o rolante com mais força, dei mais uma longa risada ao perceber sua irritação desnecessária e dei a resposta a sua pergunta em um tom mais sério – Não, não somos ficantes. Não somos nada para falar a verdade, duvido até mesmo que nos sejamos amigos – Respondi sincera, começando a analisar o relacionamento que tinha com .
- Ah, tá bom. Isso não me convenceu – Ele disse adotando mais seriedade na voz – Pelo menos amigo vocês são, se não fossem, você não estaria dormindo na casa dele – Era impressão minha ou pelo tom de voz de , ele estava realmente encomodado comigo passando as noites na casa de ?
- Ah, tá com ciúmes! – Falei mais alto achando graça no mau humor repentino dele – Relaxa , eu não tenho nada com ele – Disse depois dele não melhorar a cara fechada.
- Bom, chegamos – Ele quebrou aquele assunto que estava começando a ficar desagradável e estacionou na frente de um restaurante bem bonito, com típicos enfeites da China, até mesmo a casa acompanhava o padrão chinês sem ao menos deixar a desejar com seus tetos quase planos. tirou seu cinto e fechou rapidamente sua porta, eu estranhei sua reação e quando havia acabado de tirar o meu cinto, entendi a razão de seu sumisso repentino, já que ele apareceu ao meu lado, abrindo a porta para eu sair do carro.
- Obrigada – Agradeci a ele enquanto descia do carro, carregando minha bolsa nos ombros – Uau! – Disse pausadamente, erguendo meus olhos à parte superior do restaurante, observando todas pinturas que haviam na parede de pandas, soldados, letras chinesas e todas essas coisas que faziam parte de sua cultura – Que lugar maravilhoso.
- Bonito, não é? – Ele sorriu para mim, me estendendo sua mão para que eu a pegasse. Por mais estranho que fosse, andar de mãos dadas com ele era algo tão agradável que não exitei em direcionar uma de minhas mãos a dele – Vamos! – Ele seguiu em direção a entrada do restaurante e eu o segui, rezando para que não houvesse fila de espera já que o lugar estava bombando gente, atrás de nos já devia ter no mínimo uns dois casais e duas amigas para entrarem no lugar.
- Mesa para quantos? – O recepcionista que estava ao lado da porta do restaurante indagou a enquanto anotava algo em seu caderno que possuia o emblema do restaurante.
- Para dois – disse satisfeito e eu o olhei sorrindo devido a sua felicidade sem explicação.
- Vocês estão com sorte, acabou de livrar uma mesa para dois! – O homem disse enquanto anotava mais coisas em seu caderno e dava passagem para a nossa entrada.
- Sorte, estranho essa palavra aparecer em meu dia – Disse franzindo a testa com a surpresa de sermos os dois últimos individuos que aquele restaurante suportaria até que alguém fosse embora e desse lugar a mais pessoas esfomeadas como nós.
- É porque você está comigo – Ele disse convencido enquanto ia em direção a balconista que estava com o cabelo preso em um coque e vestia um terninho preto – Boa noite – Ele disse amistoso para a mulher que estava sorrindo até demais para o meu gosto – Mesa para dois por favor.
-Vocês gostariam de guardar alguma coisa em nossos armários como bolsas ou casacos? – Ela perguntou mais para do que para mim, sem deixar aquele seu sorriso incomodo desaparecer de seu rosto. negou com a cabeça, assim como eu e ela acentiu – Me acompanhem então – A balconista saiu de tras do balcão e partiu em direção ao salão, onde todas as mesas do restaurante, junto com todos os milhares de fregueses, estavam.
- Que lugar enorme – Disse ainda inconformada com o tamanho daquele lugar e ele sorriu para mim, continuando a andar enquanto olhava para a direção que a mulher a nossa frente seguia.
- Aqui está – Ela fez menção a uma mesa ao seu lado que era encostada em uma janela grande que dava visão a um jardim verde, com uma cascata maravilhosa ao seu meio, acompanhado por diversos tipos de flores que nunca havia visto em minha vida, vai ver é porque são da China – Qualquer coisa é só me chamar, me chamo Andysson. Tenham um bom jantar – Ela falou antes de partir e lançar a mais um de seus olhares de segundas intenções.
- Olha, me perdoe se estiver errada – Eu disse enquanto sentava na cadeira que distanciava da mesa para que eu me acomodasse – Mas se não me engano aquela mulher está caidinha em você – Sorri para ele que corou em resposta, logo depois de se sentar a minha frente.
- Impressão sua – Ele disse num tom mais cabuloso, fazendo com que eu revirasse os olhos – O que vai querer? – Ele mudou de assunto enquando apanhava um dos cardápios que havia no canto da mesa e passava os olhos rapidamente.
- Não imagino, mas com a fome que eu tô, como tudo o que tiver direito – Disse um tanto envergonhada enquanto pegava o outro cardápio e começava a ler o menú chinês do restaurante.

O jantar havia sido excelente, conversamos sobre diversas coisas, me disse de onde veio e sobre toda sua família, agora sei que ele é de origem americana, tinha dois irmãos mais novos, sua mãe havia morrido quando ele tinha apenas seis anos e a partir daí teve que ajudar a cuidar de seus irmãos, já que seu pai, já falecido também, era obrigado a trabalhar na maior parte das cargas horárias , porque tinha que sustentar sozinho três crianças sendo apenas um escritor. também me disse que desde a morte de sua cadelinha Susie, nunca mais havia tido coragem de ter um cachorro novamente, e o mais impressionante de tudo... Ele havia se formado em Ciências Médicas na Universidade de Harvard; completando até a pós graduação na instituição, revelando que desde pequeno tinha vontade de seguir a medicina por ser frágil diante o sofrimento de uma pessoa; me disse que era o cara mais atrapalhado do mundo, e de certa forma eu já havia percebido isso, tanto que ele nem seguira a especialização de cirurgia geral que sonha até hoje em fazer, com medo de fazer um estrago em alguém devido aos seus descuidos. Ele realmente era o cara mais amável que eu conhecia.

- Quando fui para São Francisco em busca de trabalho, há dois anos atrás, conheci que me abriu espaço na área policial – Ele disse enquanto ia em direção ao seu carro, no estacionamento do restaurante – E desde essa época nunca mais perdemos contato, ele se tornou um ótimo amigo e quando me disse que viria para Beaumont, não tinha como não acompanhá-lo – Ele disse rindo enquanto apertava o botão de seu controle, fazendo com que seu carro destravasse.
- E se arrependeu então? Quero dizer, isso aqui é o maior fim de mundo que existe! Só tem areia e cowboys – Disse enquanto desprezava minha própria terra e entrava no carro que abrira a porta para mim.
- Não, eu gosto daqui – Ele disse depois de alguns minutos, até entrar no carro – Essa cidade tem um estilo único, gosto disso – Ele sorriu – Acho que único não é a palavra correta, mas a cidade preservou suas origens, não são muitas as cidades hoje em dia que continuam com o seu dia-a-dia faroeste de ser – Ele deu marcha ré no carro com cuidado e logo depois partiu em direção a saída do restaurante.
- Ah, qual é, isso é uma das coisas que eu mais odeio daqui! – Disse, inconformada – O que custa o bom senso cair na mente dessas pessoas para que as mesmas passem a se vestir como um ser humano normal? Eu tenho vontade de matar todos que passão ao meu lado na rua caracterizados de cowboys e eu te garanto que não são nem de longe poucos! – Lamentei e ele riu de minha situação.
- Tem gente que exagera mesmo. O’Connell é um deles – Ele gargalhou e eu ri em resposta concordando com o que ele dizia, realmente O’Connell sempre curtira o jeito faroeste de Beaumont, não existia uma roupa dele que não fosse mostarda, vermelha,... e que não fosse camisa de botões acompanhadas por chapéus cowboys e cintos a caráter – Vou te deixar na casa de ? – Ele perguntou deixando o animo para trás.
- É... – Fiz um bico entristecido devido ao meu destino e ele tirou os olhos das ruas por uns segundos para me olhar.
- Se está tão triste assim porque vai para a casa de , que tal então ir para a minha? – Ele indagou já com os olhos na estrada, provavelmente para esconder a vergonha que deve ter se exposto em seu rosto, eu sorri e voltei os olhos as ruas novamente, analisando a ideia.
- Não sei se é uma boa ideia... é um chato, vai provavelmente infrigir nas leis biologicas e ter um filho caso eu não durma na casa dele – Revirei os olhos, fazendo bico para minha situação.
- está te mantendo na casa dele por medo que aconteça algo com você, e nisso ele tem total razão, mas acho que você pode dar uma variada e vir dormir na minha casa, já que eu sou da policia e você estaria igualmente segura lá – Ele disse sério com a voz abafa e pude peceber que ele realmente estava nervoso com a proposta. Ouvi suas palavras de forma atenta e aquilo realmente não estava me parecendo uma má ideia... Se a noite com estava sendo tão legal assim, por que eu não poderia prolongá-la?
- Ok – Aceitei sua proposta e recebi de resposta um sorriso de orelha a orelha – Mas se surtar e começar a anunciar até nas rádios o meu desaparecimento, a culpa vai ser inteiramente sua – Disse dando de ombros e ele revirou os olhos ainda sorrindo.
- Relaxa, eu conheço o , já deve estar dormindo ou se ocupando com uma das meninas do Rockings – Ele disse ainda rindo e nada indicava estranheadade em sua voz. Sua fala de certa forma me chocou, devido a grande probabilidade de realmente estar fazendo algo daquele tipo, não me fazendo ao menos duvidar que a menina em questão poderia muito bem estar sendo Cheyanne.
- É, é mesmo – Concordei com ele que permaneceu quieto e dirigindo em ruas pouco conhecidas por mim, já que nunca havia ido a casa de , e muito menos passeado por aquela região.

Depois da fala de em relação a , o caminho permaneceu quieto e tudo indicava que ele não estava nem um pouco encomodado com isso, fazendo-me aliviar com a hipotese dele não estar notando o meu desconforto em relação a ela. Alguns minutos se passaram e mesmo assim a casa de não chegava, então voltei a me ocupar com meus pensamentos, e a primeira coisa que me veio, novamente, a cabeça, fora a fala de . então até para os olhos de um amigo antigo era um canalha, por que que eu me pegava pensando nisso a toda hora? Até eu sabia que ele era um tremendo de um safado, mas confesso que sempre havia pensado que aquilo era somente comigo para me irritar. Ingenua que achou que estava se agarrando naquela noite com Cheyanne apenas para te irritar, ele já devia ter conhecido dias antes todas as partes do corpo daquela vagabunda e sem ao menos pensar em meu nome mediante sua ‘vingança’ em pegar minha arqui inimiga, era tudo simples, ele estava ficando com ela por ela ser simplesmente a mulher mais bunduda e peituda, lê-se: plastificada, do Rockings, e que homem não quer uma cachorra daquelas para passar as noites, certo? Revirei os olhos ainda estressada comigo mesma que continuava pensando naquele assunto incoveniente e a visão de hoje a tarde me veio a cabeça, ele estava parecendo um moleque enquanto comia sua comida italiana e conversava comigo sobre coisas completamente alheias, e o mais chamativo de tudo... Ele ainda tentara me propor uma distração para exercer com ele que não sei qual era por recusar sem ao menos ouvi-lo, mas agora estava tarde demais para sentir remorso de alguém que possuía fama de cachorrão até mesmo para o amigo médico.

- Chegamos – Ele estacionou em uma garagem escura o seu carro e eu me ergui, saindo novamente de meus pensamentos enfurecidos. E como de costume, em meros segundos já estava ao meu lado, segurando a porta do carro aberta para que eu saisse, sorri para ele e saí do carro, ficando parada ao seu lado por não saber onde exatamente estávamos – Vamos – Ele trancou o carro e foi em direção ao escuro, e logo após os seus passos uma luz a cima de nos, ligada a sensor, ligou. Me sentindo mais confortável com a luz iluminando onde estávamos, o segui e parei ao seu lado enquanto ele esperava o elevador chegar. Ficamos nos analisando durante alguns minutos até ele quebrar o silêncio – Não acha melhor avisar que vai dormir aqui?
- Não – Disse firme e seca enquanto entrava no elevador que havia acabado de chegar – Deixa ele se divertir com as prostitutas dele que eu fico aqui me divertindo com o doutor – Disse baixo a ele enquanto aproveitava de nossa pouca distância para colocar meus braços em volta de seu pescoço e olhá-lo sorrindo.
- Ah, é? – Ele ainda um pouco zonzo disse, entrando na brincadeira enquanto envolvia minha cintura com suas mãos grandes e hábeis.
- Sim – Disse simplesmente, deixando minha boca brilhando devido ao meu gloss vermelho a centimetros da dele, ficamos naquela posição durante mais alguns segundos e depois disso nos agarramos sem nos importar se havia mais gente que havia entrado no elevador ou se ele ao menos havia chego ao andar.
me apertava fortemente contra seu tronco enquanto abocanhava minha boca com a maior sede do mundo, apesar de sentir um ardor vindo das regiões avermelhadas de meu corpo enquanto as apalpava sem delicadeza alguma, não conseguia evitar de sorrir diante aquele beijo nada delicado e, sem ao menos notar, depois de um tempo ele já estava me pressionando contra a parede ao lado de uma porta que ele rodava uma chave. Ele realmente era muito bom, porque achar uma chave enquanto nós estávamos nos agarrando daquele jeito tão domável era somente para os fortes mesmo. Com um empurrão que seu pé deu, a porta ao nosso lado se abriu, e eu rolei em direção a mesma, deixando do lado de fora, mas logo em seguida ele entrou em sua casa, trancou sua porta e se virou em minha direção. Sentindo já falta de todo aquele turbilhão de sensações sexuais, o chamei com o mindinho e ele fez o que eu pedi. Ficando a minha frente enquanto tirava seu paletó. voltou a agarrar minha cintura com suas mãos mágicas e eu interrompi o beijo, o olhando sorrindo, com a pausa ele passou a se ocupar com o meu pescoço nú, devido a regata de tecido fino que vestia e eu abri mais ainda aquele meu sorriso esperançoso.
- Então, doutor... – Disse mediante meus gemidos involuntários devido aos incontáveis chupões que dava em meu pescoço – O que vai querer que eu faça por você esta noite?

To Be Continued

Nota da Autora: (06/08) GENTE, TODAS RESPIRA FUNDO JUNTO COMIGO, FINALMENTE ACABOU A ATUALIZAÇÃO, AMÉM MEU PAI AHUSHAUHSUHAUHSA
Bom, estou devendo explicações a vocês né :( sim, eu queria do fundo do coração ter feito aquela atualização relâmpago gente, mas a minha beta acabou saindo de viagem e por mais que eu mandasse o capítulo para ela betar logo quando chegasse, não teria de forma alguma atualização relâmpago, porque mil fics depois da última atualização de BNF já estariam no email do FFOBS aguardando para serem postadas, de qualquer forma não daria certo =/ então comecei a pensar com meus miolos aqui SHUAHUSH bom, vocês sabem o quanto eu odeio fazer atualização dupla, porque reconheço que escrevo MUITO e pode acabar ficando cansativa demais a fic se ler tudo direto, mas tenho esperanças que vocês separem a atualização dupla para ler em partes se não vou me tornar o inferno particular e astral de vocês! >< Enfim, gente, eu resolvi fazer atualização dupla, porque eu prometi duas vezes já a vocês coisas que não aconteceram, porque já falei em duas n/as que faria atualizações seguidas e não foi bem isso que acabou acontecendo, então cheguei a conclusão que o único jeito de recompensar vocês a altura pela paciência de vocês a minha demora era fazer uma atualização dupla, e cá estou eu HSUHAUHS Espero que curtam, não consegui fazer muito bom proveito da situação para deixar o clima da fic mais suave e consequentemente, aturável de ler, mas me esforcei em criar os refúgios que acabaram existindo nestes dois capítulos entre você, seu fave e o segundo fave :x Desculpem mesmo por ter prometido a vocês algo que acabou não ocorrendo, vou passar a não deixar muitas certezas mais nas n/as, já que vi que não consigo cumpri-las nunca >< Obrigada gente, desculpa por tudo e espero que curtam esse monte de parágrafos SUHUAHSUH Mas agora vamos falar sobre os capítulos... a única coisa que tenho dizer para vocês é... U-F-A! Acho que nunca aconteceu tanta coisa assim nessa fic em apenas dois capítulos, pelamor O.o HUSHAUHSUHUA maas eaaí, me digam o que acharam dos capítulos, acho que muita gente não vai gostar por causa das vítimas que eu coloquei em questão, mas quando chegar no final da história ou até mesmo um pouco antes, vocês vão entender direitinho quais são os meus propósitos. Espero que vocês tenham gostado! Não vou dizer que não me esforcei para dar um ar mais policial a estes capítulos, porque eu fiquei pelo menos uns três dias vidrada neles só vendo se estava com um linguajar mais sério que fizesse vocês meio que viajarem ao mundo policial ‘-‘ HUSHUAHUSHAUHS enfim, é para vocês me falarem o que acharam viu?? HUSHAUHSUHA
Tem outra coisa que eu queria falar com vocês, a atualização passada demorou muito para entrar, mas desculpa gente, deu um rolo no email do site que por algum motivo X que não tenho conhecimento a atualização acabou entrando no site depois do previsto, então eu e minha beta querida não temos culpa no cartório! HUSHAUHS Como eu estou mandando esta atualização no dia em que a atualização do capítulo anterior entrou no site, vou ter que deixar todos os comentários da atualização do capítulo 12 para serem respondidos na atualização do capítulo 15 (Que também espero não demorar para mandar para a minha beta, todos torce HUSHUAHSU), com exceção de duas meninas fofas que comentaram faz muito tempo na fic! (QUE COMPLIQUEIRA ISSO, CAPÍTULO 12, 13, 14, 15 AI AHUSHAUHS) Enfim, vou respondê-las já! :)
Jolie:Ah, bom, nem sei te responder muito bem, porque antes de você ler essa atualização dupla já vai ter lido um capítulo que nem sei se teve crítica boa ou ruim O.o então o máximo que eu posso dizer é que espero que tenha curtido os três capítulos [?] e que somos duas que caímos nos encantos do xerife HUSHAUHS Juro responder as coisas com mais nexo quando os capítulos começarem a acompanhar os seus devidos comentários! Beijão e obrigada por comentar, fofa!
Julia Keller: AAAAAAAAAAWN *-* Vou te morder *-* HUSHAUHSUHAUHSA Você não sabe o quanto me alivia ver alguém dizendo que gosta das cenas detalhadas que eu tento fazer, porque tem horas que eu penso estar fazendo um nó de palavras que no final vocês acabarão não entendo minha confusão >< Fico MUITO MUITO feliz em saber que ganhei uma leitora fofa como você! Esperarei você nas atualizações para respondê-la e manter contato, obrigada de novo pelos elogios, você não sabe o quanto as palavras de pessoas como você me ajudam nas horas de bloqueio e outros problemas! *-* Quanto a atualização, acho que consegui ser uma autora boazinha com essa atualização dupla né? =[ fala que sim, fala que sim, fala que sim HUSHAUHSA, porque até eu cansei de escrever! HSUHAUSH enfim... Um beijão, espero te ver aqui mais vezes! *.*
Ahh e eu tenho um recadinho para quem é team psi... Algo me diz que vocês irão curtir o próximo capítulo ein... HUSHAUHSUHAUHSUHA
Bom, agora que respondi os comentários a mais que estavam na caixinha, peço que me desculpem por não responder os comentários da atualização passada aqui, mas acho que até mesmo vocês concordam que foi por uma boa causa, né? A atualização vai chegar mais rápido no email da super Lelen HUSHAUHSUHA Agradeço desde já pelas futuras palavrinhas fofas e aconchegantes que algumas vão deixar na caixinha de comentários, estou louca de ansiedade para lê-las e respondê-las na atualização que vem *-* Tudo de bom para vocês e curtam bastante as lindas férias de Julho! (Que já irão ter acabado quando essa atualização entrar no site, infelizmente) AAAAAAAAH E MAIS UMA COISA! TODO MUNDO AGRADECENDO TAMBÉM A BONDADE DA FOFA DA LELEN POR NÃO TER ME DADO UM PÉ NA BUNDA DEPOIS DESSA ATUALIZAÇÃO GIGANTESCA QUE FIZ ELA BETAR PARA MIM AHUSHAUHS Obrigada, Lelen!X3 That’sallfolks!
(EDIT 13/12)
Bom, gente, eu certamente devo mais explicações a vocês ‘-‘ HUSHUAHUSA Ok, não me matem nem algo do tipo, eu tenho uma desculpa boa dessa vez x.x Gente, eu mandei a atualização para a minha beta, tudo certinho e dentro da data, só que a Lelen decidiu sair do FFOBS e acabou nem dando tempo dela mandar a atualização para o site :S Então tive que enfrentar todo aquele rolê de ficar procurando beta e toda essa dor de cabeça e mais umas coisinhas que jájá irei dizer >< Minha nova beta é a Cah Almeida :D Obrigada por aceitar me aturar, junto com minhas atualizações modestas UHSHAUHS espero que nós tenhamos uma boa trilha pela frente! :)
E gente, esse não é o único motivo para eu estar aqui editando a n/a... Bom, como já disse, minha beta abandonou o site e não deu tempo de mandar a atualização, só que no meio disso eu acabei decidindo umas coisas meio que precipitadas em relação ao futuro da fic. Como minha beta havia saído do site eu pedi um último favor a ela que era colocar minha fic em hiatus, por motivos diversos... Desmotivação em geral, já que várias pessoas estão se mostrando descontentes com as atualizações e também porque meu tempo se tornou valioso, já que a maldita época do vestibular finalmente chegou... Enfim, como disse, me precipitei com a decisão e deu tempo de voltar atrás e como podem ver não coloquei BNF em hiatus, mas peço a paciência de vocês e as desculpas também >< Sei que estou me saindo uma péssima escritora pelas faltas de atts constantes e pela falta de motivação, mas espero do fundo do coração que as coisas melhorem e eu deixe de bobeira. Não posso prometer mais nada a vocês, mas me desculpem ok? Um beijo especial para a linda daTynha que me ajudou bastante em minha crise, e se a fic não está em hiatus agora, metade da culpa é dela *-* Na próxima atualização vou responder todos os comentários, só não respondo nessa porque estou correndo aqui para conseguir mandar os capítulos antes de dormir para a Cáh... Um beijo gente, espero voltar em breve!

CB

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Nota da Beta: Caso seja encontrado qualquer erro nessa atualização, por favor, notifique-me por twitter ou e-mail. Não utilize a caixinha de comentários para tal. Obrigada. xx ;D