Betting Her II
Betting Her II
"Betting on us"
Capítulo 1.
"You're acting like you're somebody else"
(Complicated - Avril Lavigne)
Entrar naquele ônibus me pareceu a escolha errada desde o momento em que James retirou as malas de do bagageiro de seu carro, gentil demais, falso demais. Girei sobre meus calcanhares e encostei o case do violão no portão da escola, começando a andar para o lado contrário ao que todos se direcionavam. Eu ia embora, pois eu acabara de ter uma prévia do que aconteceria durante toda aquela viagem. e James estavam juntos, ela havia optado ficar com o cara que fez a escola inteira acreditar que ela sabia como usar um halls durante o sexo oral a me ouvir. Não que houvesse grande diferença entre nós dois... Se é que havia alguma.
- , onde você vai, dude?!
- Embora. - Respondi entredentes, controlando meu nervosismo.
- Não vai, não! - segurou meu braço, tentando me puxar de volta. Empurrei-o sem muito esforço e olhei pra ele de maneira que parecesse ameaçador.
- Eu vou.
- Você quer parar de ser maricas? - Seu tom irritadiço me fez respirar fundo - Huh? Ou você vai embora e vai mostrar pra ela que ela conseguiu o que queria?
- Eu mereço, , não é como se ela estivesse errada! - Olhei para o lado, tentando esconder do meu amigo as lágrimas que tentavam a todo custo umedecer meus olhos.
- , você já tem se auto castigado por muito tempo, vê se relaxa! - Disse , agora de maneira mais calma - É sério, você tem sofrido tanto, e pra quê? Pra ela chegar aqui, pisar em você e te afundar ainda mais? Ela 'tá sofrendo? Ok! Mas se ela fosse tão madura quanto ela diz ser, veria que está sendo ridícula. - Respirei fundo e enterrei minhas mãos nos bolsos da calça jeans.
- Senhor e senhor , vocês vão ou não?
- Eu vou. - gritou, ainda me olhando, depois virou-se e começou a fazer seu caminho.
Olhei para o ônibus e novamente para meus amigos, e olhavam de mim para , que deu de ombros e entrou na fila. Os três tornaram a me olhar com aquela puta cara de decepção, estávamos esperando por aquela viagem desde o ano passado, planejamos tantas coisas e agora eu iria dar pra trás por uma garota? Não, eu não faria isso com meus amigos. E também não deixaria James levar essa vitória pra casa. Se ele queria pra si, ele teria que disputar comigo, e eu sei que tenho pontos a mais... Sempre tive.
Corri em direção a eles, que logo começaram a comemorar, sorri sem jeito e peguei o violão, ajeitando a alça do case em meu ombro. Eu devolveria assim que tivesse a oportunidade. Entramos no ônibus e fomos logo caminhando para o fundo, como de costume. Deixei minha mochila e o violão no compartimento acima das poltronas e me sentei ao lado de , e à nossa frente, Charlie e Matt ao nosso lado e, atrás deles, James e . Fingi não vê-los, continuei olhando pela janela, onde e gritavam e batiam na lataria para acelerar a viagem. Eu ri sem entusiasmo e apoiei um braço atrás da cabeça, fechando meus olhos.
- Cara, você vai ficar assim? - resmungou e eu suspirei alto, sem abrir os olhos.
- Você sabe que eu não queria ter vindo desde o início. - Murmurei entredentes, sem me mover.
- E eu prometi à sua mãe que não deixaria você acabar com a sua vida por causa de uma garota. - Respondeu ele, bufei e abri os olhos devagar - Cara, você não vai deixá-la estragar sua viagem. - Sussurrou, certificando-se de que eles não iriam escutar.
- Eles não vão estragar nada, está estragada desde que se tornou minha viagem.
Tornei a fechar meus olhos, só queria acordar na minha cama e descobrir que tinha perdido o ônibus, que havia se esquecido de ir me buscar em casa e eu não precisaria assistir à todo aquele show de horror que James e fariam da minha semana.
- Pára, James. - Ouvi sua voz murmurar, abri meus olhos lentamente, encarando o banco à minha frente - Pára, aqui não. - Trinquei meus dentes e aos poucos fui cerrando meus punhos - É sério, James.
Levantei-me de meu lugar e esmurrei James até ser expulso do ônibus... Não, mas era o que eu gostaria de ter feito, ao invés disso peguei meu iPod e enterrei seus fones em meus ouvidos, vasculhei um pouco as pastas e deixei na lista de Smile Empty Soul, ergui o som o máximo que meus ouvidos aguentariam e voltei a fechar meus olhos.
Não podia ser que estivesse realmente com ele, era inacreditável pra mim. Ela me disse que não o suportava, então o que estava fazendo ao lado dele? Com aquelas roupas e aquela expressão arrogante? Oh, sim! Ela ainda seria a doce e ingênua se eu não tivesse me metido em sua vida e fodido com tudo, parabéns pra mim, o Oscar de otário do ano vai para: .
- Dude... - Abri os olhos sem vontade, percebi que estive dormindo nas últimas horas - Vamos mijar. - disse, em pé no corredor, notei o ônibus sacolejar enquanto direcionava-se ao posto.
- Você precisa de mim pra isso? - Zombei, buscando senso de humor até no meu intestino, se fosse preciso.
- Preciso, o não quer mais chacoalhar pra mim. - Fez beicinho enquanto ríamos e nos levantávamos, olhei uma vez pra trás, desviou seus olhos rapidamente e eu voltei a seguir os garotos pra fora.
Entrei em uma das cabines do banheiro e por um momento cogitei a idéia de ficar lá, eu poderia deixar que eles me esquecessem, então eu ligaria pra minha mãe, ocultaria a parte de que eu armei tudo e voltaria pra minha casa sem me sentir tão culpado por não ter ido com os caras. Mas tocou insistentemente até eu sair e ainda fui obrigado a ficar ouvindo piadinhas sobre meu intestino solto. Consequências.
e James estavam sentados em um banco do lado de fora. Enquanto ele falava sem parar, ela parecia nem mesmo escutá-lo, dispersa a tudo, até mesmo à fumaça do cigarro dele, que fazia caminho direto ao rosto dela. Respirei fundo, controlando a vontade de ir até lá e roubá-la pra mim. pareceu me reconhecer de alguma forma, então ergueu ligeiramente seu rosto, nossos olhares se cruzaram e meu coração esteve novamente vivo, eu não o sentia daquela maneira há pelo menos três semanas. Mas como se eu fosse algum tipo de conteúdo impróprio, ela virou-se subitamente, olhando para os próprios pés.
Mal entramos na lanchonete e nos avisou, com todo o entusiasmo todo mundo, que havia conseguido "batizar" duas garrafas de refrigerante com vodka e que estava voltando para o ônibus junto com e Antony, nos esperariam lá. e eu compramos os copos e uma lata de Pringles antes de fazer o caminho de volta.
"Mais 2 horas de viagem, 2 horas pra ficar bêbado e nem ver o tempo passar", pensei quando entornei meu primeiro copo de Hi-Fi, mas 7 copos depois e nada havia acontecido, nada além de um pouco de moleza nas pernas e dormência dos lábios. Eu havia bebido muito mais que meus amigos e eles estavam passeando pelo ônibus, contando piadas sem sentido e rindo histéricamente. Qual o meu problema afinal? Minha visão nem mesmo estava turva, até dei uma volta pelo ônibus pra quem sabe a porra do álcool se alastrar, mas certamente havia uma praga muito forte sobre mim. Comecei a reconhecer que a bruxa gostou do meu ombro.
Boa parte do ônibus conseguiu dormir quando meus quatro amigos o fizeram, meia hora antes de, por fim, chegarmos ao resort. O ônibus em que estávamos foi estacionado logo ao lado de outro, em um gramado enorme, também haviam alguns carros e vans, mas não parecia o suficiente para encher aquele lugar. Chacoalhei os caras por alguns minutos até fazê-los levantar e caminhar pra fora do ônibus, completamente bêbados. Que sorte a deles.
Professor Dawson começou a fazer a chamada, nos separando por sexo em duas filas. Ele, junto com a senhora Hale, eram responsáveis por todos os alunos durante nossa estadia no resort. Eu ainda não tinha visto , até seu nome ser chamado. Eu não sabia qual seria minha reação ao vê-la novamente depois daquela noite, mas não foi diferente, meus músculos se contraíram junto aos meus punhos, cerrados. Naquele momento agradeci por não estar bêbado, nem mesmo um pouco, pois eu queria bater em , tanto, mas tanto, que na falta da minha consciência eu acabaria deixando-a deplorável.
Senhora Hale nos explicava que, cada apartamento, ou bangalô, como ela se referiu, tinha 2 quartos, e suportava quatro pessoas, ficou decidido assim. Com um porém, mulheres com mulheres, homens com homens. Isso deu algum problema, já que acabou dando número ímpar e muita dor de cabeça para os professores, ninguém mandou eles serem tão conservadores.
Olhei para os caras, aposto que nem mesmo sabiam do que ela estava falando, então fiz meu papel de amigo e coloquei , e no mesmo apartamento que eu, ainda peguei nossas bagagens e entreguei ao funcionário, que empurrava um carrinho destrambelhado, enquanto eu empurrava três idiotas que riam de tudo. Por um momento me questionei com quem ficaria, ela não tinha muitas amigas na escola, com James era impossível - Graças à Deus -. Virei meu rosto pra trás e a vi caminhar ao lado de , e outra que eu não me recordava o nome, estou certo de que já transei com ela em uma festa, mas nunca cheguei a perguntar. Espero que ela também não se lembre disso.
- Essa é a piscina principal. - Disse o funcionário enquanto passavamos por uma área completamente coberta de coqueiros, a piscina era enorme. Não havia ninguém por ali, portanto a água mal se movia, eu mal podia esperar para pular lá dentro.
- Isso é grande pra caralho. - comentou enquanto atravessávamos uma ponte branca, já ofegantes de tanto andar.
- É sim, vocês vão levar um tempo pra conhecer tudo. - Dizia o rapaz que parecia ser pouco mais velho que a gente - E ainda tem a praia, não há restrição da parte do resort, então pra ter acesso vocês precisam falar com os responsáveis por vocês.
Nós nos entreolhamos e um sorriso entusiasmado estampou nossos lábios, praia sempre foi sinônimo de muita diversão, não podia ser diferente logo desta vez, certo?
Havia um caminho margeado de grama que passava por trás de todos os bangalôs de madeira. O funcionário nos guiou até a porta de trás de um deles. Assim que empurrou as malas pra dentro, ele me entregou a chave e se despediu de nós.
- Isso é o que eu chamo de sala.
Concordei silenciosamente com , isso era uma sala. Tinha uma parte da piscina dentro dela, isso é demais pra mim, vou desmaiar... Não. subiu correndo para escolher sua cama enquanto procurava alguma coisa entre as malas e eu me espreguiçava, já havia se associado à cadeira de balanço, com os pés pra dentro d'água. Ouvi um berro de , rapidamente nos direcionamos para o andar superior, não antes de ter crises de riso por conta do escorregão de , que estava com os pés molhados, e ao tentar andar depressa, deslizou pelo assoalho.
Motivo do berro indignado do ? Havia apenas uma cama de casal em cada quarto. Ótimo, agora eu teria que dormir com macho!
- E agora? - perguntou com a expressão apavorada, olhei-o de esguelha e comecei a rir.
- Calma, ainda temos sofás, podemos revezar. - Dei de ombros.
- Boa idéia!
Eu, como sou um cara de sorte sempre, fiquei com o sofá na primeira noite. também. Bem, tanto faz, os sofás ali pareciam confortáveis, e estaríamos cansados o suficiente caso não fossem. Eu queria dormir o resto da manhã, mas só faltava chorar pra irmos comer e aproveitar o sol. Trocamos nossas roupas por boardshorts e camisetas de tecido mais leve. Assim que saímos do nosso apartamento, pude ver James sair do apartamento ao lado com Matt, Charlie e Lewis. Ele acenou com um sorriso irônico, fingi não vê-lo, apenas coloquei meu óculos de sol e segui os caras para o lado oposto.
Entre brincadeiras e crises de risos, conseguimos chegar ao restaurante onde seria servido o café da manhã, almoço e café da tarde, segundo o itinerário, que recebemos junto ao mapa, e que, à propósito, esquecemos no apartamento.
- Bom dia, alunos. - Disse Sr. Dawson em um microfone, ao que parecia, improvisado - Como vocês já devem ter ouvido falar, todo ano fazemos uma gincana que dura a semana toda - Voltei a atenção para meu prato, igual a todos os outros alunos - Nos dividiremos em quatro grupo de 22 pessoas, a divisão e a primeira tarefa será dita hoje, às seis horas, no quiosque entre os apartamentos onde vocês estão hospedados. - Finalizou seu monólogo, suspirei, remexendo em minha comida com o garfo - Alguma pergunta? - Vi se manifestar - Diga, senhor .
- Podemos descer na praia? - Fiz uma careta, olhando sua boca cheia, os garotos riram quando eu fingi desviar de algo, ele fechou a expressão e me olhou de esguelha.
- Sim, senhor, só não se mate.
e se levantaram e foram saindo, peguei meu copo de suco e os segui, ficou resmungando na mesa por termos deixado-o sozinho. Ao me acercar da porta pude ver, do lado de fora, sentada ao lado de , esta, ao me ver, esbarrou seu cotovelo em e começou a rir, forjou um riso nada espontâneo. Neguei com a cabeça e apoiei minha mão no ombro de , empurrando-o para andarmos mais rápido, assim eu as perderia de visão de uma vez.
- Me respondam uma coisa... - começou assim que nos sentamos em uma mesa ao lado da piscina.
- Fala, filho. - disse.
- Como eu posso gostar da ? - Quis saber, arqueei as sobrancelhas e forcei uma gargalhada irônica - Ela é tão... Cruel. - Agora ríamos de verdade, se acercou e sentou-se na cadeira restante.
- Qual a piada?
- em: O masoquista! - falou com falso entusiasmo, apontando para , que ria encolhido na cadeira.
- Ela 'tá conspirando em cima da , vocês perceberam? - comentou, como se tivesse estado ali o tempo todo, gargalhei olhando de lado pra , que emburrou de imediato. - O que eu disse de errado?
- Como você sabia que era da que estávamos falando? - quis saber, carrancudo.
- Sei lá, relacionei masoquismo a ela. - deu de ombros e voltou-se pra mim em seguida - Você percebeu, ?
- Que ela está controlando a ? - Ele concordou com a cabeça - Na verdade, acho que ela tá tentando, mas tem personalidade forte, se está do jeito que está, é principalmente porque quer.
deu de ombros, como quem não concorda, nem discorda. Olhei para o mar e acabei me distraindo enquanto assistia alguns caras usando um jet ski. Tudo o que pensava era que queria experimentar, pelo menos até pigarrear, olhei pra ele a tempo de ver dar um cutucão nele, que fez a típica expressão de "Quê?!", discretamente apoiei meu braço no encosto da minha própria cadeira e então olhei pra trás. Sob as lentes de meu óculos pude ver , de dentro da piscina, tentar convencer a retirar seu vestido, ela parecia não estar de acordo com a situação, mas ao me ver ali, esperando uma reação sua, obedeceu à prima e expôs seu corpo dentro de um biquini que eu considerava pequeno pra ela... Pequeno demais.
- Sabe qual é minha vontade? - Virei para os caras, tentando ignorar a desordem que aquela cena me causara.
- Comer ela? - murmurou, sem tirar os olhos de , chutei sua canela sem a menor piedade, ele gemeu e esfregou a perna rapidamente.
- Não. É tirar ela dali, do meio daquele covil. - Respondi entredentes, sentindo meus músculos inflarem de raiva - Eu sei porque você gosta da , . - Olhei-o, tirando meu óculos de sol e depois minha camiseta - Porque ela é uma vaca, você economizaria tempo procurando um inimigo com ela ao seu lado.
suspirou e eu levantei, deixando meus chinelos por ali enquanto andava em direção à piscina, pulei pra dentro dela e emergi somente quando meu ar se esgotou, agitei meu cabelo e passei as mãos pelo rosto, andando até a borda da piscina, onde apoiei meus braços. Pedi que jogasse meu óculos de sol, tenho uma grande sensibilidade à luz solar, meus olhos ardem muito, tanto que minhas sobrancelhas começam a latejar, depois minha testa e mais tarde vem uma enxaqueca, bem parecida com aquelas de ressaca de vinho.
Apoiei meu queixo sobre meu braço, eu podia ver encostada na borda da piscina, mas mantendo uma grande distância de onde eu estava. e conversavam sobre alguma coisa, enquanto parecia dispersa. De alguma forma não era tão difícil vê-la sem poder tê-la mais perto, por maior que fosse minha gana de abraçá-la e levá-la comigo um lugar onde ninguém fosse se meter entre nós, eu não estava desesperado. Era como se ela ainda fosse minha, ela ia se divertir com quem quer que fosse durante o dia todo, mas quando chegasse a hora de dormir, era de mim que se lembraria, sentiria falta.
- OUCH, OUCH, OUCH! - Comecei a gritar quando tirou a camiseta, então cobri meus olhos e comecei a andar pra trás - , você está me cegando com o refletor que você tem na barriga! - Nós começamos a gargalhar e eles rapidamente saltaram pra dentro da piscina, se aproximou e avançou em mim, na tentativa de me bater, continuei rindo e o segurei pela nuca, empurrando-o pra baixo d'água.
- Cara, isso 'tá estranho. - me advertiu, gargalhei e continuei segurando a cabeça de com uma das mãos, enquanto ergui o braço livre atrás da cabeça e mordi meu lábio inferior, rolando os olhos sugestivamente, os caras gargalhavam, e quem estava por perto também, comecei a rir e livrei , que se ergueu e rapidamente pulou em minhas costas, tentando me afogar também, meu olhar cruzou com o de , que ria discretamente, depois deixei me empurrar, assim eu me livraria dele mais rápido.
- AQUAMAN! - Ouvi a voz irritante de James gritar antes de sentir seus pés na base das minhas costas, com tanta força que eu bati meus joelhos no fundo da piscina, levantei assim que pude e o encarei com os dentes trincados.
- QUAL É A TUA, IMBECIL? - Ralhei em direção a ele, James riu chacoalhando seu cabelo, tentei correr em sua direção, mas a água quebrava a velocidade dos meus movimentos.
- 'Tá nervosinho, ? Parece até que perdeu mulher pra mim... - Rosnei, aproximando-me ainda mais, James levou a mão na boca com os olhos arregalados - Oh, é mesmo, você perdeu.
- Se você é tão homem de me tirar uma mulher, vem aqui, idiota! - Bati no meu peito com força, mas fui impedido de continuar andando.
- , calma, deixa pra lá, cara. - Sentia me puxar pra trás com facilidade enquanto se metia entre eu e James.
- Se cuida, James! - Exclamei apontando pra ele, que se afastava entrerisos - Não 'tô a fim de ser expulso daqui por arrancar teus dentes fora!
- , dude, você não pode ligar pra tudo que ele faz, 'tá na cara que é por causa dela. - me advertiu.
- Que se foda, ele 'tá achando que pode cantar de galo só porque 'tá com a minha garota, otário!
- Otário é você que a chama de minha, ela não é sua, , tente superar isso!
- Eu 'tô tentando, ! - Exclamei com a voz esganiçada, ouvir aquilo de outra pessoa era muito mais difícil.
- Não é o que parece, cara, na boa! - Ele argumentou - Você fica aí o tempo todo com essa cara de merda, a gente 'tá fazendo de tudo pra ver se te anima, mas você não coopera! - desatou a falar, eu sentia cada um dos meus músculos pulsarem, assim como minha cabeça, que parecia inchar, eu sentia vontade de bater em alguém e seria o sortudo se continuasse me julgando - Você não percebe que não vai adiantar ficar bufando e chorando por todo canto? Ela não vai voltar por isso, se um dia ela voltar, não vai ser porque você tá tristinho ou porra alguma, vai ser porque você foi homem e superou, a hora que ela se der conta que você tá seguindo em frente, ela vai vir no rastro igual uma cadela...
- CALA A PORRA DA SUA BOCA! - Vociferei, empurrando-o para longe, eu sei que ele queria descontar, mas não o fez - JÁ CHEGA, JÁ DEU, MERDA! - O silêncio se instalou por toda parte, dei as costas a eles e tomei impulso na borda, saíndo da piscina e caminhando até a mesa.
- , hey, calma aí, cara. - tentava amenizar, como sempre.
- Calma o caralho! - Exclamei pegando minha camiseta e calçando os chinelos de maneira desajeitada - Vocês não têm idéia do que eu tenho passado, então tenta não foder com a minha cabeça! - Continuei a falar alto, pra que eles pudessem escutar, e quem mais quisesse assistir ao show que eu tinha dado, feito uma garotinha de TPM.
Saí dali andando apressado, tentando não chutar o primeiro que aparecesse na minha frente. Essa era uma sensação nova pra mim, eu nunca fui nervoso, ou o tipo de pessoa que não sabe escutar a verdade, que deixa se levar por provocações, os rapazes até diziam que eu era tranquilo demais, mas desde que ela se foi, eu me sentia como uma bomba relógio, pronta pra explodir a qualquer momento.
Resfolegando e sem saber onde realmente eu estava, sentei sob o primeiro coqueiro que vi, apoiando meus braços sobre meus joelhos e levando meu cabelo pra trás. Fechei meus olhos sentindo o sol queimar meus ombros e minha cabeça, a qual deitei sobre meus antebraços, sentindo latejar lenta e dolorosamente.
tinha razão, eu não estava cooperando com meu bom humor e de nada adiantaria me lamentar, isso iria me desgastar, me tornar um chato e ainda ficaria sem ela, mas ele errou em um ponto. Ela não viria. Nem mesmo se sentisse que estava me perdendo. não viria, e não por orgulho, ou por no fundo saber que eu não desistiria dela por qualquer outra garota, ela não viria por falta de vontade, não viria por estar magoada. Ela não era mais minha e eu tinha de superar isto, apesar de toda a dor.
- Senhor . - Ergui minha cabeça subtamente, minha cabeça pulsou como se fosse explodir e eu suspirei alto ao ver o professor se acercar.
- Oi, sr. Dawson. - Respondi sem graça por ter sido pego em meu momento "pau no cú".
- Tudo bem? - Perguntou, sentando-se ao meu lado.
- Tudo certo. - Murmurei com desânimo, encostando-me ao tronco do coqueiro, o professor me olhava como se examinasse minha expressão.
- Hm... - Assentiu devagar, ele não acreditou em mim... Nem eu. - Te vi brigando com o , algum problema?
- Ah, aquilo? - Sorri sem humor - É só o , a gente briga às vezes. - Expliquei, com falsa indiferença.
- Sabe , eu estava no baile de primavera. - Traguei a saliva e continuei olhando para a barra da minha camiseta, que eu enrolava no dedo - É por isso que está assim?
- Assim como? - Contrai o cenho, rindo sem graça.
- Com cara de quem 'tá fodido. - Gargalhei verdadeiramente desta vez, é engraçado ouvir pessoas mais velhas usando essas expressões, é como quando minha mãe diz "dude" ou "woop woop".
- É, é por isso. - Disse, ainda entre risos.
- Hm... - Assentiu lentamente, como se procurasse o que dizer, ou como se ponderasse se devia dizer algo ou não - Bem, achei que fosse mesmo só uma aposta entre amigos. - Traguei em seco e abracei meus joelhos, olhando pra frente e me perguntando se eu deveria responder.
- Era pra ser. - Murmurei sem vontade - Eu deveria conquistá-la, e de repente eu vi que quem tinha conquistado ali era ela... Eu não esperava me apaixonar, eu... Era pra ela ser só mais uma, igual todas as outras.
- Ela nunca foi só mais uma, , ela não tem o perfil de "mais uma". - Fechei os olhos e assenti devagar.
- Sei disso, eu sempre soube, mas eu não pude evitar... eu a quis mais do que qualquer coisa, ainda a quero, mas eu fiz tudo errado, eu podia ter evitado todo aquele constrangimento no baile, mas eu deixei acontecer.
- Não pense assim, rapaz! - Ele exclamou, com a mão em meu ombro - A culpa não é só tua, é certo que quando percebeu que estava apaixonado você poderia ter rompido a aposta e dito tudo a ela...
- Eu rompi a aposta, eu disse aos garotos que não queria mais, e então não havia mais aposta, eu tentei dizer a , mas ela não se importou com isso, ela só queria foder com tudo, independente de qualquer coisa.
- Você disse isso a ?
- Ela não me deixou explicar, ela não quer me ouvir. - Mordi meu lábio e respirei fundo.
- Você insistiu? - Quis saber.
- Claro que insisti, professor, eu tenho ido atrás dela desde aquele dia, mas ela me pediu por favor, pra que eu não procurasse mais, não dissesse mais nada, eu... Eu acho que eu 'tava fazendo mal a ela enquanto ficava ligando, e eu não quero fazer mais mal a ela, mais do que eu já fiz, o senhor me entende?
- Entendo... - Assentiu com um sorriso gentil - Entendo que você ama essa garota e que se ficar respeitando esse pedido vocês vão sofrer em dobro. - Disse, agora sério, suspirei alto.
- Eu quero, mas não sei o que fazer... - Neguei com a cabeça e umedeci meus lábios secos pelo calor - fica em cima dela o tempo todo, não vou conseguir me aproximar com aquela vadia serpenteando.
- é ótima em persuasão. - Concordei com a cabeça e ri - Apenas pense no que falar e eu vou dar um jeito pra que conversem, ok?
- O senhor... Faria isso por mim? - O olhei com um sorriso sincero e entusiasmado.
- Vou pensar em um jeito, mas você tem que me prometer que vai aproveitar a chance! - Assenti rapidamente.
- Eu vou, vou sim!
- Ok, qualquer novidade e eu te procuro.
- Valeu, professor. - Eu disse estendendo minha mão.
- Torço por vocês. - Disse ele me cumprimentando e se levantando.
- Eu também.
Capítulo 2.
"Somebody made a bet, somebody paid"
(Devil's Arcade - Bruce Springsteen)
Entrei no apartamento e pude ver sentado no sofá, olhando pra fora, parecia estar quase dormindo, ou vegetando. Aproximei-me e me joguei ao seu lado, que sobressaltado me encarou soltando um suspiro alto, voltando a olhar pra fora, fiz o mesmo, deixando minha camiseta no braço do sofá.
- está chateado. - Disse , virando seu rosto em minha direção, continuei fitando a paisagem do lado de fora.
- Eu sei.
- Você deveria falar com ele. - Assenti em meio a um suspiro.
- Eu sei.
- Hm.
- Eu vou conversar com ele. - Olhei pra e respirei fundo - Eu vou tomar um banho, daqui a pouco temos que ir lá no quiosque, o professor disse 6 horas.
- É verdade.
- Hey, , vamos indo? O vai demorar um século até lavar toda aquela banha dele. - Ouvi dizer e virei meu rosto pra trás, ele continuava olhando pra , que se levantava preguiçosamente, entendi que ele não queria falar comigo, mas eu não podia esperar.
- Posso falar com você, cara? - Perguntei.
- Fala. - Respondeu , com uma sobrancelha arqueada.
- Eu espero vocês ali fora, 'tá calor demais aqui. - disfarçou e saiu sorrateiramente.
- , me desculpa ter falado daquele jeito com você. - Comecei e me levantei, continuou parado, como se esperasse mais de mim. - Eu sei que 'tá difícil me aguentar, eu sei... Eu... Mas também 'tá difícil pra mim, tudo isso, eu nunca tive que passar por isso antes, você sabe.. - olhou pra baixo e respirou fundo. - Mas você tem direito de ficar bravo porque o problema é meu, eu não tenho que sair descontando em ninguém, então me desculpa.
- Cara, tudo bem.. - soltou um suspiro e se aproximou, apoiando sua mão em meu ombro, apertou sem força, em sinal de apoio. - Eu sei que você tá passando por uma fase ruim, mas é difícil pra nós ver você, , assim. Você se lembra de todas as vezes que nós nos uníamos, conquistávamos um grupo de garotas, saíamos com elas uma semana e na outra nem nos lembravamos mais o nome delas? - Sorri, concordando com a cabeça. - A gente saía todo fim de semana e acordávamos sem saber nem onde estávamos, você estava sempre cantando alguém, fazendo piada sobre o corpo das garotas, e dude... A gente sente falta disso, sabe? A gente sente falta de sair com você como era antes e é difícil perceber que você tá sofrendo pela ... - Continuei apenas a assentir, agora sem vontade de sorrir. - Eu sei que ela vale a pena, e eu sei que você merece passar por isso, por tudo o que aconteceu, mas, cara, se você quer esperar por ela, espera vivendo, sabe? Não pára tudo por causa dela, porque se você não percebeu, é o que todos eles querem, te afundar, você vai deixar? - apertou meu ombro e me deu um chacoalhão, ergui meus olhos em sua direção. - Vai deixar?
- Não.
- Não? - Ele exclamou e eu ri, rolando os olhos.
- Não, cara, não vou deixar.
- Então, ok... - Deu um tapa na minha cabeça. - Eu e o estamos indo pra lá, a gente se encontra no quiosque.
- Fechado.. - Sorri e foi saindo.
- Ah, o deve estar terminando de lavar as tetas, fala pra ele apressar lá.
Gargalhei, vendo fechar a porta, e subi rapidamente até o quarto, peguei minha mala e a deixei sobre a cama. Sorri, com as lembranças que havia atirado sobre mim. Eu bem me recordava de todas as vezes que acordei em cama alheia, eu nem me lembrava o nome daquele corpo nu sobre o meu, então eu ia embora antes que ele ganhasse vida e eu tivesse que chamá-la de "Linda", não tinha erro, mas isso as iludia. Eu realmente não estava acostumado a passar pela situação em que me meti com , eu posso dizer que nunca havia me apaixonado antes, e nunca havia sofrido por isso, mas juro que nos primeiros dias eu achei que nunca ia passar, que ela seria a única garota pela qual eu seria apaixonado a vida toda, e eu ainda me sentia assim, eu precisava tê-la de volta, mas tinha razão, eu não ia chegar a lugar algum se continuasse sentado, esperando. Eu precisava seguir em frente.
Tomei um banho gelado, tentando me livrar da queimação nos ombros. Vesti um bodyboard branco listrado de verde e marrom, e uma camiseta branca, a de tecido mais fino que eu tinha. Calcei meus chinelos e tentei, em vão, arrumar meu cabelo, ele estava grande demais pra que eu tivesse sucesso nisso.
- Hey, , tá pronto? - quis saber, com a cabeça pra dentro do quarto, enquanto eu enrolava as mangas da camiseta até meu ombro.
- 'Tô, cara. - Respondi, pegando minha carteira sobre a cama, retirei algumas notas e as guardei na borda da minha boxer, já que o jantar era pago. - Por um acaso você não tem um creme desses que alivia queimadura aí não, né? - começou a rir e assentiu.
- Tenho, depois do jantar eu te empresto, cara. Vamos, já estamos atrasados.
Fizemos o caminho até o quiosque, ao que percebi, todos os alunos já estavam lá, pois quando chegamos o professor fez sua melhor cara de repreensão e começou a chamar nossa atenção, pedindo silêncio e proximidade.
- Vou começar a explicar, está bem?
Concordei com a cabeça, como se ele realmente precisasse da minha permissão, cruzei meus braços e deitei a cabeça pra trás, esperando uma corrente de ar aliviar meu calor, mas quando voltei a baixar meus olhos, eles se cruzaram com aqueles dos quais eu sentia tanta falta, meu coração disparou subitamente e eu me senti como se não pudesse respirar. Seu rosto estava delicadamente maquiado, uma das laterais de seu cabelo estava presa por uma flor branca, e seu corpo semicoberto por um tecido leve. pigarreou e eu tratei de voltar minha atenção para o Sr. Dawson.
- Como eu já havia informado, vamos formar quatro grupos, e antes que vocês comecem a se movimentar, eu vou escolher os membros de cada um deles.
- Aaaah, isso é injusto! - Alguém gritou, e em seguida começou o alvoroço.
- Shhh, calem a boca, vocês não são mais crianças! - Exclamou sr. Dawson, batendo palmas, apenas bocejei - Eu decido os grupos, portanto façam silêncio. - Ainda houve suspiros inconformados, ri baixo e neguei com a cabeça - Primeiro grupo é o Vermelho. - Dito isso, ergueu um punhado de lenços da cor citada e os agitou no ar - Alissa Swan, Alex Gear, , Victor Becker, ...
Ergui meus olhos, até então fixos na tatuagem que havia no pé de uma garota a minha frente, e traguei em seco. Eu quis pedir que alguém o fizesse parar e repetir os nomes do grupo, só pra eu ter a certeza absoluta de que ele havia realmente feito isto, ele havia mesmo cumprido sua promessa. Quis não olhar pra , para não dar na cara que eu estava entusiasmado com o ocorrido, mas meus olhos a flagraram imediatamente, falava com ela, mas seu rosto estava virado em minha direção, ela parecia ter perdido um pouco a cor. É, ela teria de conviver comigo, se não por bem, por mal. não podia fazer nada quanto a isso, nem qualquer outra pessoa.
- Grupo Azul! - Gritou o professor, só então ouvi sua voz novamente - James Bourne, , Meg Lutteron, , Sammy Cohen...
- PROFESSOR! - James gritou, com o braço erguido - Não é justo! - Sussurrou pra ao seu lado, ela fechou os olhos e abaixou o rosto - não pode vir para o meu grupo? A gente troca alguém! - Pediu ele, trinquei meus dentes e olhei para o lado.
- , você quer ir para o grupo Azul? - Sr. Dawson a questionou, tornei a olhá-la, agora curioso por sua reação, ela piscou algumas vezes e encolheu os lábios, pressionando-os um no outro. Sem perceber, cruzei meus dedos em uma figa, ela não faria isso, era o que eu dizia pra mim mesmo.
- Não, tudo bem, professor. - Sua voz saiu fraca, James se virou bruscamente, posso jurar que ele ia explodir a qualquer minuto, arqueou as sobrancelhas e disse algo em tom baixo, os dedos de James rodearam-lhe o pulso e eu suspeitei que estivesse doendo, por sua expressão assustada, dei um passo e recuei dois com o puxão de .
- Cara, não faz isso, não vale a pena. - Ouvi-o dizer e concordei com a cabeça, ainda com os olhos vidrados naquela atitude escrota de James. Eu tinha a breve sensação de que ele não sairia daquele resort com todos os dentes.
O professor continuou a falar os grupos, notei que nenhum de nós quatro ficou no mesmo grupo. Afinal, acho que a idéia do professor era desfazer as pequenas "panelas" e nos fazer relacionar com pessoas que ainda sequer sabíamos o nome. Achei a idéia interessante, podia ser muito válido. Ou não, ele deveria ter feito isso antes.
Sr. Dawson pediu que cada grupo se unisse em um canto pra que ele pudesse entregar nossos lenços. Assim fizemos, olhei pra , que fitava os próprios pés, distraída. Ignorei e dei atenção à professora, que nos entregava os lenços, enquanto o professor voltava a explicar.
- Enquanto a professora Hale entrega os lenços, vou falar sobre a liderança. - Disse ele, agradeci à professora que acabara de passar por mim - Cada grupo terá um casal de líderes - Olhei pra ele enquanto tentava amarrar o lenço em meu pulso - Os líderes também serão de minha escolha. Minha e da professora Hale. O grupo Amarelo... - Apontou para o grupo que estava do lado contrário, dele eu só conhecia Rico Lewis e - Os líderes serão Samantha Fox e Patrick Hanson. - Os dois comemoraram entre si e o resto do grupo pareceu completamente insatisfeito, até eu fiquei insatisfeito por eles, Samantha e Patrick, o casal mais antigo e mais imbecil de toda a escola, batemos palmas por obrigação - O grupo Verde! - Apontou para o outro grupo, que fez silêncio, apreensivos - Os líderes serão e . - Assoviei e bati palmas, ouvindo gritar idiotices com a entonação afeminada - Grupo Azul, James Bourne e - Ri sozinho e irônico, enquanto eles se abraçavam, comemorando - E por fim, do último grupo, Vermelho... - Assenti com indiferença e cruzei os braços - e .
Jurei que ia cuspir meu coração naquele momento. e eu nos entreolhamos por automaticidade e, como se algo nos proibisse de quebrar o contato visual, o mantivemos. Meu estômago parecia se encolher a cada minuto que passava, provavelmente assustado com o turbilhão de sensações que me assolavam sem uma gota de piedade. Notei que seus seios subiam e desciam rapidamente, ela estava tão nervosa quanto eu. O professor conseguiu o que queria, que era nos aproximar. Bastava saber se daria tão certo quanto ele achava que sim.
- Escolhidos os líderes, vamos às funções. - e eu desviamos os olhos e encaramos o professor, eu mal podia controlar minha ansiedade - Os líderes terão de me trazer uma poesia, uma composição, ou uma cena. Seja o que for, temos de ter uma prévia na quinta-feira à noite, valerá 40% dos pontos, junto com a apresentação, que será na sexta-feira à noite. - Nós assentimos devagar, não seria tão difícil pra mim - O grupo não poderá ajudar, por isto, eu irei escolher um olheiro de outro grupo para vigiá-los. - Deitei a cabeça pra trás, fechando meus olhos e dando um suspiro alto - Para os líderes do grupo vermelho... - Voltei a olhar para o professor, torcendo pra ele fazer a coisa certa - , do grupo Azu...
- HEY! - interrompeu - Eles são amigos, professor, e são amigos!
- , isto é só uma brincadeira, em primeiro lugar. E depois, não vai querer que seu grupo perca, se ele ver algo suspeito de outro grupo, vai denunciar, estou errado, ?
- Não, senhor. Também quero a vitória. - Disse ele, com um sorriso convincente, é um bom mentiroso e eu nem sabia.
- Muito bem, para os líderes do grupo Azul, , do grupo Amarelo. - Não contive uma gargalhada alta, não ia gostar muito disto e eu não podia evitar minhas palmas - Para os líderes do grupo Amarelo, Alicia Cohen, e por fim, para os líderes do grupo Verde, Max Thorton. - Sorri, alegre com as escolhas do professor, voltei então a cruzar meus braços - Os olheiros não precisam ficar perto dos líderes, pelo contrário, para evitar plágio, é preciso distância e ética... - Disse ele com um sorriso irônico - Os líderes terão apenas duas horas de cada dia para a realização de sua tarefa, então nestas horas os olheiros deverão apenas se certificar de que eles estão trabalhando sozinhos, sem o grupo, e no fim do horário os líderes me trarão o esboço da tarefa, ficará comigo até o dia seguinte.
- Que rígido! - gritou e eu dei risada, concordando com a cabeça, mas achando aquilo tudo muito positivo pra mim.
- Vocês são trapaceiros! - Sr. Dawson acusou com bom humor, nós rimos e ele sorriu, retirando seu óculos de grau - Alguma pergunta? - Ergui minha mão e, subitamente, todos se voltaram pra mim.
- Qual o horário que os líderes de cada grupo poderão trabalhar na tarefa? - Eu quis saber.
- Boa pergunta, sr. . - Disse o professor, assenti uma vez e esperei por minha resposta - Vocês podem escolher um horário entre vocês, o que for melhor para os dois, e vale lembrar que não precisam trabalhar 2 horas consecutivas, vocês podem trabalhar da seguinte forma, das 2 às 3 da tarde, e depois das 7 às 8 da noite, combinado? Só preciso que vocês me avisem e que os olheiros também sejam informados.
- Certo, valeu.
- Mais alguma pergunta? - Olhei para os lados, mas não houve respostas - Então vamos para a prova do dia, professora Hale.
- Ok, crianças. - A professora tomou a palavra - A prova é o seguinte, temos 100 balões naquela piscina, o grupo ficará do lado esquerdo dela, e apenas um dos líderes ficará do outro lado com um saco. - Explicava, gesticulando excessivamente, eu acabava sempre me perdendo na frase - Um por um, do grupo, vai entrar, pegar um balão, jogar no saco e sair da piscina, até acabarem todos os balões, estão prontos?
Sorri e assenti. Saí logo atrás do meu grupo até a borda esquerda da piscina, onde todos os outros estavam posicionados. parou ao meu lado, cabisbaixa, talvez envergonhada, fingia estar distraída com o lenço que segurava entre a ponta dos dedos, ela não queria falar comigo, mas ela não tinha escolha, certo?
- Quer que eu amarre no seu pulso? - Apontei para seu lenço, ela me olhou e voltou a olhar para o tecido vermelho.
- Se quiser. - Disse simplesmente, sorri e estendi minha mão, então ela me entregou a dela com a delicadeza costumeira.
- Você quer pegar os balões ou prefere ficar com o saco? - Questionei, dando um nó frouxo no lenço em torno de seu pulso, ela encolheu os ombros como quem não se importa.
- O que você prefere? - Ergueu sua cabeça em minha direção, parecia um pouco mais segura de uma hora pra outra - Posso ficar com a piscina? - Pediu, sorri e concordei com a cabeça.
- Tudo bem.
Andei até o outro lado da piscina e segurei o saco grande de estopa, abrindo sua boca o máximo que pude, facilitando a colocação dos balões. O professor apitou, dando início à prova. Vi Bill saltar para dentro d'água e segurar um balão com as duas mãos, nadando rapidamente até a borda, estiquei o saco e ele o colocou lá dentro, então o ajudei a subir e assim outro membro do grupo fez o mesmo. foi uma das últimas, saltou e nadou rapidamente até onde eu estava, emergiu e esticou-se, fiz o mesmo com o saco e ela conseguiu depositar seu balão ali, então apoiou suas mãos na borda e tentou erguer-se sozinha, dei risada e estendi minha mão, ela rapidamente a agarrou e se ergueu de lá, o tecido de seu macacão ganhara um tom mais claro, transparente, estava colado ao seu corpo, desenhando cada curva dele de forma perturbadora, suspirei alto quando me dei conta de que ela já estava do outro lado da piscina.
- Vamos à contagem! - Disse o professor, segurando o saco do grupo Amarelo com uma mão, e uma agulha com a outra - Me ajudem... 1! - Começamos a contar, enquanto ele estourava, um a um, os 31 balões.
O grupo Verde havia recolhido apenas 17, o Azul 27 e nós, consequentemente, 25. A equipe Amarela marcou os 10 pontos da primeira prova e as pessoas começaram a se dispersar, ir para seus bangalôs e se arrumarem para o jantar que já estava sendo servido, segundo Sr. Dawson.
- Cara, você espera a gente no restaurante? Vamos precisar ir trocar de roupa, a nossa tá molhada. - Disse , torcendo sua camiseta.
- Eu espero vocês aqui, mas anda logo!
- Tá, a gente já volta.
correu atrás de e , logo eu estava sozinho, exceto pela presença do professor Dawson, cruzei meus braços e andei até ele devagar, certificando-me de que não havia ninguém por perto.
- E então, sr. , o que achou da separação dos grupos? - Perguntou com um sorriso cúmplice, ri e assenti.
- Muito boa, professor. - Entrei na brincadeira por um instante - Agora sério, obrigado pelo que o senhor fez, acho que não teria outro jeito de ficar perto dela.
- Eu sei que não, espero que esteja disposto a ajudar.
- Ele não vai atrapalhar. - Neguei com a cabeça, seguro.
- Certo, eu vou jantar, você não vai?
- Vou esperar os caras.
- Ok, , boa noite.
- Boa noite, professor.
Assim que ele se afastou, acerquei-me da borda da piscina, com as mãos na cintura, aproveitando o vento úmido que parecia soprar por ali. Olhei as ondas leves que água fazia, e no fundo da piscina notei um objeto branco, não tardei a reconhecer a flor que trazia no cabelo mais cedo, provavelmente ela sequer notou sua perda. Olhei para os lados, não havia ninguém ali, suspirei, acho que me atrasaria para o jantar.
- ? - perguntou assim que entrei pela porta de casa.
- Vão indo, vou trocar minha bermuda.
Os garotos foram à frente, como eu havia dito. Troquei meu bodyboard molhado por uma bermuda seca, xadrez em escalas de cinza, e coloquei um cinto de couro preto pra segurá-la no quadril. Vesti a mesma camiseta que usava anteriormente, também os chinelos, agora apenas úmidos, e fiz meu caminho de volta até o restaurante.
Assim que passei pela porta avistei a mesa de meus amigos, não satisfeito, busquei por outra, suspirei alto ao ver sentada ao lado de James, que tinha seu braço colocado ao redor do encosto da cadeira dela, trinquei meus dentes e no caminho até lá controlei meu sistema nervoso, a ponto de explodir. Quando estava próximo o suficiente ouvi James dizer "Se ele fizer isso, acabo com ele". Então apoiei uma de minhas mãos sobre a mesa e o encarei com um sorriso.
- Acaba com quem, James? - Ri debochado e coloquei a mão livre no bolso de minha bermuda.
- O que você quer, ? - Ele quis saber, já se levantando.
- Com você nada, não seja pretencioso. - Sorri divertido e me abaixei lentamente ao lado da cadeira de , novamente seus seios subiam e desciam rapidamente, ela parecia assustada com minha aproximação - Achei isso. - Estendi sua presilha na palma da minha mão, ela sorriu sem jeito e a resgatou com a ponta dos dedos.
- Obrigada.
- Por nada. - Respondi com um sorriso sincero - Nos vemos às 9? - Ela me olhou como quem não entende - Para começar nossa tarefa, disse que ele e se encontrarão às 9, achei um bom horário. - Olhei pra por um momento e voltei meus olhos para , ela parecia angelical naquele instante.
- Tudo bem. - Concordou em um tom de voz quase inaudível.
- Então a gente se encontra aqui em frente ao restaurante.
- , se você ficar de graça...
- Relaxa, . - Interrompi-a, me levantando - Você conseguiu o que queria, aliás, meus parabéns, ninguém sabe ser vadia como você. - Houve uma exclamação muda dos demais, sorri forçado e dei-lhe as costas.
- VADIA É SUA MÃE! - Trinquei meus dentes, girei sobre meus calcanhares e, quando dei por mim, estava com meu indicador apontado frente ao rosto de uma ofegante.
- Lava essa tua boca suja antes de falar da minha mãe, garota, pois faça o que quiser fazer, você nunca vai ser metade da mulher que ela é! - Setenciei entredentes, juntou toda sua petulância e se levantou, dando um tapa em minha mão.
- Não mesmo, sou bem bonita pra ser comparada à metade dela. - respondeu, tentando, em vão, ser ofensiva.
- Uau... Uau! - Bati palmas e soltei uma gargalhada alta, irônica - , você sabe mesmo como deixar alguém arrasado, vou até chorar. - Continuei rindo enquanto andava lentamente até minha mesa, ela havia sido muito infeliz, e ela não teria paz se dependesse de mim.
Sentei, as coisas começavam a clarear de alguma forma. Bastava eu criar uma meta e então eu a alcançaria. Acho que eu precisava dos chacoalhões - no sentido literal da palavra - de para me lembrar que eu era melhor que isso e que eu podia resgatar um pouco de um que eu deixei pra trás para merecer , eu comecei a perceber, de repente, que ser um otário não a traria de volta e não era motivo para que eu me orgulhasse de mim mesmo. Lastimável perdê-la, mas seria muito gratificante recuperá-la.
Depois do jantar, compramos um sorvete e fomos para a beirada da piscina, onde algumas pessoas estavam aproveitando para se refrescar, inclusive , ele tinha certa atração por água, qualquer balde e ele já queria molhar a bunda.
O tempo parecia não passar, exatamente como quando e eu namorávamos e faltava apenas uma hora para nos encontrarmos, era sempre a hora mais longa do dia.
- Hey, caras, eu vou indo. - Saltei da cadeira assim que meu relógio de pulso marcou 20:52.
- Vai, antes que você desenvolva um tipo de TOC de tanto chacoalhar a perna.
É claro que não podia perder a oportunidade, ri forçado e fechei a cara antes de me afastar.
Enquanto eu caminhava até lá, com minhas mãos escondidas no bolso da bermuda, eu sentia meu estômago revirar, como se protestasse a quantidade de comida ingerida, mas na verdade eu sabia que não passava de ansiedade. Eu sabia que eu podia colocar tudo a perder naquele primeiro encontro, bem como eu poderia consertar muita coisa, mas as porcentagens eram exatamente iguais e qualquer deslize ou palavra errada poderia desabar com a minha chance.
O restaurante estava fechado, e suas luzes haviam sido apagadas, então a escadaria estava iluminada apenas por alguns holofotes acesos no jardim, pude vê-la sentada em um dos degraus, com a cabeça encostada no corrimão e os olhos perdidos em um ponto inexistente. Acerquei-me o suficiente pra que ela pudesse notar minha presença, e então obtive sua atenção. Estava adorável, com seus cabelos amarrados em um rabo-de-cavalo, e uma roupa seca.
- Oi.
- Oi. - Respondeu ela, com indiferença.
- Quer ficar aqui? Ou podemos ir procurar um lugar mais claro. - Sugeri, sentindo minhas bochechas arderem, como se eu estivesse envergonhado, mas eu não poderia estar, certo?
- Vamos procurar outro lugar. - Deu de ombros e se levantou, saindo à minha frente, mordi meu lábio e a segui.
- E então, o que achou das tarefas, digo... Desse negócio todo de líder.
- Legal. - Novamente indiferente e minhas bochechas queimavam, como se estivessem em chamas.
- Também achei... Uma boa idéia. - Murmurei, mas no fundo eu sentia que ela não se importava com o que eu achava ou não.
- Hm. - Suspirei e vi ela se encaminhar para um banco de madeira que ficava logo em frente à cerca de madeira, do outro lado havia apenas barrancos de areia e então, o mar.
- O que vai ser? Poesia, composição ou teatro? - Perguntei ao me sentar ao seu lado, ela deixou os chinelos na grama e encolheu os pés sobre o banco.
- Composição. Não é o que você faz? - Perguntou áspera, fechei meus olhos por um instante, apenas para controlar a vontade de deixá-la ali... Ou de beijá-la até fazê-la desistir daquela hostilidade.
- É, eu gosto de compor. - Respondi com indiferença e relaxei contra o respaldar do banco.
- Imagino, tem alguma composição sobre apostas? - Seu rosto virou-se em minha direção e um sorriso sarcástico desenhou-se em seus lábios, umedeci os meus, procurando uma resposta boa o suficiente.
- Não. - Dei de ombros - Mas tenho algumas sobre arrependimento, se quiser ouvir.
- Se ao menos fossem sinceras. - Continuava usando aquele tom que eu já detestava e não iria me acostumar nunca.
- Ok, podemos fazer isso do jeito fácil, ou do jeito difícil. - Eu disse e me ajeitei no banco, olhando-a nos olhos - Podemos deixar nossas diferenças e mágoas de lado e ganhar os 40 pontos, ou podemos ficar discutindo sobre algo que nenhum de nós quer lembrar e afetar o grupo todo por isto. - Falei sem trepidar, pareceu surpresa com minha atitude, mas logo se recompôs.
- Perfeito, , vamos começar logo com isso.
logo cedeu à pressão dos meus olhos e desviou os seus para o mar. Eu não sabia se havia feito o correto, mas eu precisava deixá-la segura antes de começar a me explicar, se eu fizesse isso no primeiro dia, certamente ela não retornaria no segundo, ou se o fizesse, estaria preparada para me atacar de todas as formas possíveis. Respeitei seu silêncio e a única coisa que ouvia agora era as ondas se quebrando não muito longe dali, suspirei e fechei meus olhos, desfrutando da sua presença imóvel ao meu lado.
Olhei para , ela tinha o queixo apoiado em seus joelhos e os olhos fixos na vista à frente, seus cabelos levados fortemente pra trás pelo vento, chicoteando suas costas e o respaldo do banco. Ela estava tão próxima de mim que eu podia tocá-la, mas tão longe que eu mal podia falar com ela.
- Posso te fazer uma pergunta? - Me ouvi pedir e mordi meu lábio em seguida, reconhecendo que havia falado demais.
- Uhum. - Respondeu sem me olhar, aproveitei disto para me sentir mais confortável.
- Eu te fiz feliz? - não se moveu, nada disse também, apenas piscou algumas vezes, lentamente.
- Que diferença isso faz? Minha resposta vale uma palheta? - Respondeu sem hesitar, mas continuou a olhar pra frente.
- Eu te fiz feliz? - Repeti uma vez mais e o faria até obter uma resposta, positiva ou negativa.
- Por que quer saber? - Virou-se pra mim, com os dentes trincados - Isso não muda nada!
- Muda pra mim! - Afirmei, ela tornou a olhar pra frente, notei que seu queixo tremia, eu não queria fazê-la chorar de novo, mas eu precisava saber - Vou te perguntar uma última vez, e se você não respoonder vou considerar como um não. Está bem? - Nem um gesto partiu dela - Eu te fiz feliz? - Traguei com força a bolha de saliva presa em minha garganta, ela não ia me responder - Eu te fiz feliz aquela noite antes que estragasse tudo?
- Você estragou tudo! - Ralhou - Será que não vê?
- Eu te fiz feliz antes disto? Eu quero saber se antes de você chorar tanto por minha causa... Se por um mometo, um único momento, eu te fiz sorrir com os olhos.
Eu falava com a entonação embargada, esperando que ela não notasse o desespero que parecia se propagar em meu peito.
- Eu... Não quero falar sobre isso e se você quer deixar mágoas e diferenças de lado, podemos começar agora.
- Ok, eu entendi.
Calei-me. Eu não ia pressioná-la, até porque eu não havia nada mais a dizer. Se ela preferia ser infantil, eu deixaria que ela fosse sozinha. Eu não entraria em seu jogo a menos que fosse pra ganhar, e pra isto eu precisava ser cuidadoso.
Peguei o bloco de papel e a caneta que eu trouxe no bolso, olhei para as linhas em branco e rabisquei o canto da folha enquanto pensava em algo bom o suficiente pra escrever.
- Finalmente, se nós pudermos apenas ter algum tempo, então você poderia conversar comigo... - Eu senti seus olhos sobre mim enquanto eu lia o que havia sido escrito e reescrito algumas vezes - Você não consegue ver que não temos tempo para disperdiçar nossas vidas? - Terminei de ler e mordi meu lábio, eu não diria que tinha ficado ruim, mas retratava minha realidade, e esta não estava nada boa, o que resulta em tristeza, no final das contas. - Você entrega? - Perguntei deixando o bloco de notas ao meu lado, então me levantei.
- Aonde vai?
- Boa noite, .
Eu precisava sair dali antes que ela reconhecesse meus olhos marejados. Eu não gostava que as pessoas me vissem sofrer daquela maneira, umas porque teriam pena de mim, mas no caso de , ela provavelmente se sentiria satisfeita e eu não permitiria nenhum sorriso dela sobre minhas lágrimas. Eu não sabia bem porque estava me sentindo daquela forma, mas eu precisava ficar sozinho, foi então o que fiz. Arrastei-me até o bangalô, vazio, como eu esperava, e subi até o quarto. Retirei minha camiseta e me dei a permissão de fuçar nas coisas de até encontrar o creme que ele iria me emprestar, despejei uma boa quantidade em meus ombros e nas bochechas, talvez toda a ardência que eu havia sentido fosse efeito do sol. Certo, não enganei a ninguém.
Peguei meu iPod e desci, lancei-me contra o sofá, que pareceu me abraçar. Dali eu podia olhar o quiosque através da parede de vidro, dando-me uma sensação de conforto indecifrável. Coloquei os fones em meus ouvidos e por ali fiquei, sentindo-me seguro. Não havia mais vontade de chorar, apenas de ir pra casa, mas antes que eu planejasse qualquer coisa, adormeci.
Capítulo 3.
"And she comes and goes, and comes, and goes like no one can"
(Neon - John Mayer)
- Melhor acordar ele. - Ouvi de maneira distante a voz de .
- Não sei, e se ele não conseguir dormir de novo? - parecia preocupado, abri meus olhos e vi a silhueta dos três quase sobre mim, como se eu tivesse bêbado, era sempre assim que eu acordava quando tomava um porre e apagava.
- Hey, dude, tudo bem? - quis saber, contraí o cenho.
- Tudo, por quê?
- Não sei, nós chegamos e você 'tava dormindo aqui, e escutando N'Sync. - Ele deu de ombros e eu comecei a rir, retirando os fones do meu ouvido.
- Tem uma função aleatória no iPod, sabiam? - Sorri e cocei meus olhos.
- Bom, já que está legal, eu vou me deitar. - ignorou o que eu havia dito e saiu, fez o mesmo, então me olhou minuciosamente.
- Como foi lá? - Quis saber, indo para a cozinha, sentei no sofá e deixei o iPod sobre o braço dele.
- Não sei. - Bocejei e vi me estender uma cerveja - Onde conseguiu isso?
- Antony, sabe-se lá como ele conseguiu isso. - Dei risada e abri minha longneck, vendo se sentar na cadeira de balanço, anteriormente ocupada por mim, e virá-la em minha direção - Vamos lá, , como se sente sobre isso? - Fez sua melhor expressão compreensiva, gargalhei e clareei a garganta antes de tomar um pouco da minha cerveja.
- Ela não ‘tá economizando na grosseria, mas eu não tiro a razão dela.
- E como você se sente sobre isso? - Tornou a perguntar, arrancando-me uma gargalhada, isso o fez rir também.
- Eu me sinto um merda, mate, mas de alguma forma estranha, eu sei que vai passar se eu apenas não der o que ela quer. - Dei de ombros, convencendo-me do que eu mesmo havia dito.
- Ahn... E o que ela quer? - Arqueou as sobrancelhas.
- Um moleque que entre no jogo dela. - Apoiei meu braço atrás da cabeça e tomei mais um gole da minha cerveja - Ela terá um homem, se quiser.
- Se não quiser... - me olhou de esguelha e sorriu de um jeito feminino, comecei a rir imediatamente - Você sabe que sozinho não vai ficar, não é?
- Olha, , você deveria ser gay, você é muito bom nisso. - Gargalhei, apertando meus olhos e deitando a cabeça pra trás.
Era em momentos como aqueles que eu me esquecia dos problemas, eu preferia deixá-los reservados para mais tarde, quando eu estivesse sozinho. Eu estava decidido a não pirar e não sofrer, eu iria me preservar em uma linha entre o que eu deveria e o que eu queria fazer. E se não desse certo, eu estava pronto para as consequências.
e eu ficamos ali conversando sobre coisas aleatórias até bem tarde e, quando ele foi se deitar, me peguei sem sono. Subi e busquei pelo violão que me havia “dado”. Desci novamente e me acomodei na cadeira de balanço, abrindo o case com um cuidado quase desnecessário. Quase, pois aquele era um Takamine eg560c. Encostei-me ao sofá e continuei olhando-o em meu colo, eu não tinha valor pra pegá-lo, eu não merecia nada que viesse dela, muito menos um violão como aquele. Passei as mãos pelo meu rosto e me rendi ao desespero de tocar suas cordas e saber o som que elas produziam, eu não ia ficar com aquele, mas talvez eu pudesse ao menos afiná-lo... Talvez tocar uma música.
- Que isso?! - Ouvi perguntar.
- Eu vou devolver. - Defendi-me subitamente.
- É o violão que a te deu? - Ele perguntou, sentando-se na mesinha à minha frente.
- É. - Concordei com a cabeça, dedilhando-o ainda.
- Tens de ser um jovem de muita coragem para devolver esse violão. - Ri, concordando com a cabeça.
- E como ainda sou um jovem bem covarde, eu farei o sacrifício de ficar com ele um pouco mais...
- Alguém acorda o , eu desisto. - livrou-se da responsabilidade, espreguiçando-se.
- Eu vou subir pra me trocar e aproveito pra acordá-lo. - Murmurei desgostoso, levantando - , dá uma olhada dentro do case... Só olhar, não toca. - Apontei pra ele, ameaçando-o, depois subi as escadas rapidamente.
Entrei no quarto e vi esparramado de bruços sobre a cama, inclinei-me pra perto dele e enchi meu pulmão de ar antes de dar um grito em seu ouvido, ele pulou assustado para fora da cama, com os olhos saltados e o rosto mais pálido. Sorri abertamente antes de começar a rir verdadeiramente, caminhando em direção ao banheiro. Por que eu não fiquei no mesmo quarto que ? Ele não costuma tomar muitos banhos, o banheiro tinha maiores possibilidades de ficar em ordem. Fiz minha higiene matinal e molhei meu cabelo pra ver se melhorava a situação. Coloquei meu boardshort preto e uma camiseta colorida da Volcom. Calcei meus chinelos e me perfumei antes de sair do banheiro, revirei minha mala até encontrar um boné, então peguei meus óculos e saí, ouvindo pedir que esperássemos por ele.
- Odeio acordar cedo. - Era pelo menos a terceira vez que repetia essa frase.
- Cara, olha pra isso! - o alertou, com os braços abertos - Você vai mesmo ficar dormindo com todas essas garotas de biquini passeando por aqui?
- Mas eu tenho o dia todo pra ver bunda, por que tenho que ver às 10 da manhã?
- Pára de reclamar, sua bicha. - Dei um tapa em sua cabeça.
O restaurante estava cheio, parece que todos tinham seguido nossa linha de raciocínio, acordar cedo pra aproveitar tudo o que tinham a nos oferecer ali, além do mais, era nossa última semana antes de voltar às aulas.
Após colocar na bandeja toda comida que eu achava necessária para me satisfazer, me sentei com os caras. Eu podia ouvir meu estômago comemorar a cada coisa que eu engolia. Mas a fome pareceu se afugentar quando entrou no restaurante acompanhada de James, e Matt. "Oh, que lindo, café-da-manhã em casal", pensei naquele momento. Ela estava tão linda, que eu os invejei por tê-la tão perto. Voltei meus olhos para meu prato, mas o pão já não me atraía, ele não passaria por minha garganta naquele momento, então peguei o copo de suco e me obriguei a tomá-lo.
Eu desejava em silêncio que terminasse de comer logo, assim poderíamos sair dali, mas ele parecia mastigar cada vez mais devagar. Virei meu rosto para o lado e bufei, tentando não fazer muito alarde da minha impaciência. Por um momento era como se eu tivesse entrado em pane, eu e nos entreolhamos, mas isto já não me deixava tão surpreso, o que sumiu com todos os meus sentidos foi o esboço de um sorriso fraco que desenhou-se em seus lábios, contraí meu cenho, permitindo que ela notasse minha confusão, então ela virou-se para frente, eu estava completamente atortoado com suas oscilações de humor, isso era injusto.
finalmente acabou com a montanha de comida que ele havia feito e nós nos retiramos dali, ficar perto dela, mesmo que de longe, me fazia mal, por mais que eu estivesse decidido a não me sentir assim, era incontrolável. Eu queria entendê-la, decifrá-la, mas agora isso me parecia impossível, eu estava até disposto a tentar, mas me sentia incapaz.
Tirei meus chinelos assim que chegamos ao fim da escadaria de madeira apodrecida e abarrotada de montes de areia. Começamos a andar pela praia devagar, olhando as poucas pessoas espalhadas por ali. Era como uma praia privativa do resort, já que ficava distante e praticamente não era visitada por ninguém. Paramos em um quiosque e alugamos quatro bodyboards para nos divertimos enquanto estivessemos ali.
Haviam algumas garotas sentadas na beirada da praia, que ficavam rindo de nossos tombos, na verdade, elas estavam ali apenas esperando nossa atitude. Os garotos se entreolharam e decidiram silenciosamente que queriam conhecê-las e eu os segui. Não poderia passar o resto da minha vida fugindo de mulher, até porque eu nunca tive a menor pretenção de virar gay.
- Hey. - disse ao se acercar, agitei meu cabelo propositalmente, só pra ouvi-las gritar e se encolher da água, ri - ! - Ele fingiu desapontamento e eu ri mais.
- Desculpa, moças. - Pedi apoiando meu braço no ombro de .
- Tudo bem. - Uma delas disse, com um sorriso aberto em seu rosto.
- Eu sou , esses são meus amigos , , e o idiota ali é o .
- Prazer, meninos. - Outra delas disse, levantando-se. Sstendi minha mão para ela enquanto via as outras se levantarem também - Sou Abbie, esta é minha irmã Mia, aquelas são Rebecca e Molly.
- O prazer é nosso. - disse, com um sorriso fechado.
Abbie tinha aproximadamente minha altura, cabelo loiro dourado e era magra demais pra mim, Mia era sua irmã gêmea. Só descobri depois que elas disseram, pois Mia tinha bochechas um pouco mais volumosas e seu cabelo tinha um corte diferente, mais repicado, e um tom mais escuro que o de Abbie. Molly tinha cabelos ondulados e tingidos de vermelho, sua pele era extremamente branca e tinha grandes olhos verdes. E por fim, Rebecca, não muito alta, tinha a pele dourada e seu cabelo castanho claro era um pouco acima dos ombros, cacheado, mas não volumoso. Seus olhos tinham formato de amêndoas e cor de mel, seus lábios eram cheios e suas bochechas avermelhadas. Seu corpo era muito bem espalhado, apesar de sua pouca estatura, é, se eu tivesse que ficar com uma delas, seria com Rebecca.
- Então, garotos, vocês são de Londres mesmo? - Perguntou Mia enquanto caminhávamos em direção a um quiosque.
- Não, somos de Bolton. - informou junto a uma careta - Pretendemos ir para Londres logo que terminarmos o colegial.
- Ah... Vocês ainda estão no colegial? - Elas se entreolharam e eu soube que elas eram mais velhas que nós, e isso não era bem um ponto positivo na maioria das vezes.
- Vocês não. - falou devagar.
- Não, estamos terminando a faculdade. - Rebecca respondeu e me olhou, sorri enviesado.
- Legal. Temos uma banda. - contou, tentando reparar seu erro.
- Mesmo?! Como é nome? - Quis saber Molly, pendurada no ombro de .
- McFLY...
Os assuntos surgiam, aleatoriamente. Elas eram divertidas e isso facilitava tudo. Almoçamos em uma lanchonete que ficava na praia e gastamos toda nossa tarde com elas. beijou Abbie... também. Mas nenhum deles sabia desse fato até ficar com Mia e se gabar por ter ficado com as gêmeas, bom, nós só rimos. Molly atacou , sem piedade nenhuma, ele ficava nervoso demais perto de garotas bonitas, mas ela tinha atitude e fez a parte dele também. Rebecca e eu conversamos durante um longo tempo, só nós dois, enquanto os outros se divertiam em casal. Ela era uma garota legal e eu estava feliz por estarmos tendo um bom momento juntos, então nos beijamos. Não havia clima, química, e todas essas coisas que costuma ser necessária. Só nos beijamos, eu a enrolei o dia todo, seria injusto me despedir com um aperto de mão. E no fim das contas valeu a pena, ela beijava bem.
- Vamos nos atrasar! - dizia enquanto subiamos as escadas em direção aos quartos.
- Culpa do . - Acusei, entrando no quarto - E por isso eu tomo banho primeiro!
- Eu não tenho culpa se aquela garota é maluca e só faltava arrancar minhas calças lá mesmo! - Ele se defendeu e nós gargalhamos.
- É bom que você tenha gostado disso, porque eu as chamei pra jantar com a gente, tudo bem? - disse e eu rapidamente o encarei com minha melhor expressão de poucos amigos - , vai por mim, a hora que a te ver com ela...
- Isso não tem nada a ver com a , ok? - Respondi, sem paciência.
- Não? - arqueou sua sobrancelha e eu respirei fundo.
- Cara, relaxa, agora é 8 ou 80, se ela se sentir enciumada, é porque ainda gosta de você apesar de tudo, e essa nova versão, esse rolo com James, isso tudo é fachada, entende? - me mostrou um novo ponto de vista e eu ponderei em silêncio.
- É, faz sentido. - Assenti e joguei toda minha roupa de volta na mochila, jogando-a sobre a cama - Vou escolher algo especial pra essa noite. - Os garotos riram da minha dança ridícula e depois se dispersaram para ver quem ia tomar banho primeiro no outro banheiro.
Escolhida minha roupa, corri para o banheiro. Não que eu achasse mesmo que tentaria ir primeiro, ele estava no sofá tentando se recuperar do furacão Hotlly, haha. Não me demorei muito, começou a dizer que já estava pronto, ou seja, nem banho ele devia ter tomado, mas isso não me surpreenderia, de forma alguma. Coloquei uma bermuda cor nude e uma camiseta preta, apenas pra realizar a prova que nos seria dada, mais tarde eu me arrumaria melhor. Enquanto arrumava meu cabelo, eu ouvia cantar "Same Jeans" do Mika, desde o banheiro. Desci entre risos até a sala, já estava lá, jogando dardos, juntei-me a ele para esperar pelos outros.
Como era de se esperar, fomos os últimos a chegar na piscina principal, a prova já havia sido explicada, então o professor pediu que o grupo explicasse-nos. surgiu entre os membros do meu grupo, trazendo em seu rosto uma expressão singela, estava especialmente delicada dentro daquela roupa.
- Vem, você vai ficar na cadeira. - Disse ela me puxando pelo pulso, sorri e a segui.
- Mas eu não sei o que tenho que fazer. - Murmurei e senti meu corpo cair desajeitadamente na cadeira depois de um empurrão dela, encarei-a, perguntando-me se essa era a hora que ela sentava no meu colo e me beijava... Não.
- Você tem que ficar parado. - Respondeu ao meu comentário e começou a me envolver com uma corrente grossa, então colocou um cadeado grande nela - O grupo vai vir até aqui, um por um, e testar chave por chave desse molho aqui, assim que abrir, você sai correndo, pula na piscina, nada até o outro lado e toca o sino que 'tá preso naquela árvore. - Apontou, assenti prontamente.
- 'Tá, você pode tirar meu tênis? - Sorri forçado, ela suspirou com uma sobrancelha suspensa, depois assentiu e abaixou-se à minha frente.
desfez os cadarços do meu tênis e os retirou, um por um, com a delicadeza que emanava de cada um de seus gestos. Eu já estava descalço, mas ela ainda estava abaixada, contraí o cenho e senti uma cócega quase imperceptivel em minha pele, inclinei-me um pouco e notei que com o indicador ela contornava a estrela tatuada acima do meu pé, ela me olhou e sorriu sem jeito, depois levantou-se e correu em direção ao grupo, mordi meu lábio e me encostei na cadeira, tentando recobrar a lucidez que de repente me foi roubada.
A prova teve início a partir do apito de Sra. Hale. A correria começou, eu apenas sentia pisões em meus pés, era inevitável. Eu estava rindo do tombo de um integrante do outro grupo quando ela se acercou, também rindo, estava descalça, pude sentir seus dedos pisarem sobre os meus, seus cabelos escorregaram e cobriram parte de seu rosto enquanto ela tentava abrir o cadeado com a chave escolhida, frustrada, bufou e soltou o molho de chaves, correndo de volta.
James foi o primeiro a ser solto, depois , então senti a corrente afrouxar, sem esperar que Patrick se levantasse de sua cadeira, agora que também estava solto, saltei na piscina e dei braçadas fortes até a outra borda, por onde saí e corri até o sino, sentindo Patrick pular nas minhas costas. Ri sozinho e ergui meus braços, comemorando com outra das minhas danças.
- 10 pontos para o grupo Azul, 8 para o grupo verde, 6 para o Vermelho e, por fim, 4 pontos para o grupo Amarelo. - Batemos palmas e me acerquei de meu grupo.
- . - Chamei, ela desviou seus olhos de Steven e veio até mim, respirei fundo antes que estivessemos completamente próximos, assim talvez ela não percebesse o quanto ela ainda me deixava nervoso.
- A gente se vê hoje 9 horas?
- Sim, por que não? - Sorriu sem entusiasmo, então a envolveu pelo braço e a carregou consigo.
Olhei pra trás e vi encolher os ombros, fiz o mesmo e depois o segui para perto dos outros dois, para podermos ir até o bangalô nos arrumarmos para o jantar. As garotas provavelmente já estavam por lá e seria interessante a reação de todos ao ver-nos com elas. Mas confesso, havia uma dose de medo que ainda me perturbava, e se eu colocasse tudo a perder de vez? Tentei não pensar mais nisso, acreditei que, ao me ver com Rebecca, talvez percebesse que estava sendo rígida demais comigo, consigo mesma e com nós dois, como um casal.
Troquei minha boxer por uma seca, minha bermuda por uma calça jeans justa e de lavagem preta, mesma cor do cinto de couro que a suspendia em meu quadril, então me perfumei e vesti uma camisa jeans clara de mangas curtas, ajeitei sua gola e calcei meu tênis, novamente arrumei meu cabelo, agora com a ajuda de um pouco de mousse.
- Nossa! Temos um novo homem bem aqui! - exclamou ao me ver descer as escadas, dei risada e passei a mão pelo cabelo, dando meu melhor sorriso.
- Moças, cheguei. - Falei com a voz mais sensual que consegui para depois gargalharmos, saindo de casa para encontrar as garotas em frente ao restaurante.
Assim que nos aproximamos, pudemos reconhecê-las paradas no primeiro degrau, Molly rapidamente se acercou, saltitando sobre seus saltos altos até , que a recebeu com um beijo caloroso, é, nosso garotinho estava crescendo. Fiquei em dúvida, com quem ficaria? Mas foi mais rápido, segurou a mão de Abbie e depositou um beijo sobre ela, ri debochado e detive meus passos, enterrrei minhas mãos nos bolsos de minha calça, vendo Rebecca caminhar lentamente até mim, ela usava um vestido delicado, seus cabelos brilhavam tanto quanto os brincos em suas orelhas, estava bastante maquiada, e notei que também perfumada quando senti seu corpo encostar-se ao meu.
- Você está lindo. - Elogiou após colar seus lábios nos meus por alguns segundos.
- Você também. - Ela sorriu abertamente e eu deixei uma de minhas mãos na base das suas costas, mantendo a outra em meu bolso.
- Hey, vocês, vamos entrar! - chamou, e já estavam entrando junto com as garotas.
- Vamos. - Rebecca começou a andar, fiz o mesmo.
Inflei minhas bochechas com ar e o soltei devagar quando nos aproximamos da porta. Eu queria segurar a cintura de Rebecca, mas ao mesmo tempo algo me impedia. Era incontrolável, eu mal podia esperar pra ver a reação de , enquanto ao mesmo tempo eu temia, de maneira alucinante, que saísse do meu controle de uma vez por todas. Foda-se, era tarde demais.
Assim que pisei para dentro do salão senti como se eu estivesse no palco, o centro das atrações, literalmente. Rebecca me olhou por um instante e eu estava nervoso demais para olhar para os lados, então sorri sem humor pra ela e apontei com o queixo para a mesa que meus amigos haviam escolhido, educadamente coloquei minha mão em suas costas e a conduzi até lá, e só quando puxei a cadeira pra que ela se sentasse, pude ver aqueles olhos perdidos entre os muitos outros, e diferente de todos, estes tinham lágrimas acumuladas sob a pálpebra inferior, um soluço eclodiu em minha garganta, mas me controlei, o máximo que pude, para não ir embora dali e mostrar a ela que não era nada do que ela poderia estar pensando, que eu ainda a amava mais do que qualquer coisa. Eu não podia agir como um idiota, e precisava mostrar a ela que apesar de tudo o que fiz, eu já havia pagado por isso ficando sem ela.
Sabe quando você está em um lugar e tem uma placa de "Proibido a entrada", então tudo o que você quer fazer é entrar? Eu me sentia assim, eu sabia que não podia olhar pra ela, mas eu simplesmente não conseguia prestar atenção na conversa, nem fazer outra coisa que não fosse me policiar para não me virar em sua direção, e ainda assim às vezes eu me pegava esticando o pescoço e buscando-a entre as cabeças à minha frente.
- , está tudo bem? - Rebecca quis saber quando já tinhamos terminado de jantar.
- Sim, por quê? - Olhei-a com indiferença, eu não queria ser grosso, mas também não queria ter de explicar nada.
- Você parece preocupado. - Murmurou, com um sorriso cúmplice.
- Nada de mais. - Dei de ombros e ela riu baixinho, encostando seu queixo em meu ombro.
- Quer dar uma volta? Esse lugar parece estar pesado pra você. - Contraí o cenho e ri, rolando os olhos.
- Ok, você venceu, vamos.
- Hey, eu e vamos dar uma volta, até mais tarde. - Rebecca disse se levantando junto comigo.
- Hmmm! - Eles fizeram e eu senti que novamente todo mundo estava nos observando, soltei um suspiro alto e caminhei até o caixa.
Rebecca segurava meu antebraço enquanto caminhávamos lentamente pelo resort, sem um lugar certo pra ir, mas acabamos chegando a uma das piscinas, apontei para uma espreguiçadeira pouco iluminada e nos sentamos lá, um ao lado do outro, sucumbidos no mesmo silêncio que perdurou todo o caminho até ali.
- Ela estava lá, não estava? - Rebecca questionou - A garota por quem você é apaixonado. - Umedeci meus lábios e estralei meus dedos, então sorri fraco e olhei pra Rebecca - Pode falar, , não é como se fôssemos namorados. - Ri sem graça e olhei pra frente.
- Estava. - Admiti e respirei fundo.
- Hm, e... Qual a história de vocês? - Ela quis saber, olhei pra Rebecca e mordi meu lábio, eu iria contar mais uma vez tudo aquilo que eu tanto me arrependia?
- Havia essa garota, e eu a apostei...
Sim, tornei a contar toda a história para Rebecca, que vez ou outra me interrompia para perguntar algumas coisas. Pacientemente eu respondia e tornava a relatar, como se estivesse escrevendo um livro, cronológicamente, às vezes eu até imitava o jeito como falava comigo, nós riamos disso. Fazia bem falar sobre as coisas boas que passamos juntos, era uma recordação boa, que me deixava mais aquecido e confiante.
- Sabe o que eu faria no lugar dela? - Encarei-a, com os antebraços apoiados em meus próprios joelhos - Mandaria todos à puta que pariu e sairia de lá com você.
- Como assim? Por que você faria isso? - Sorri sem jeito e neguei com a cabeça.
- Porque eu não gosto de finais clichês. - Rebecca riu da minha expressão, provavelmente confusa - , por favor, a gente sente quando uma pessoa gosta da gente, e se eu, que nem participei da história, sinto que você gosta dela, ela provavelmente sente isso muito mais, a gente sabe quando é verdade e quando é mentira, a gente sente... - Ela dizia tudo isso de forma maravilhada, olhando pra cima e gesticulando com exageiro - Eu, no lugar dela, teria dito a todos que poderiam dizer o que fosse, e que você poderia ter cometido todos esses erros antes de se apaixonar por ela, mas que isso não faz diferença nenhuma agora... Eu teria... Teria me preservado, e preservado o relacionamento, porque... Se a prima dela estivesse realmente preocupada com o bem estar dessa garota, ela teria se trancado em um quarto com ela e contado tudo, sem escandalizar porra alguma. - Rebecca me disse e eu concordei com a cabeça - Eu no lugar dela estaria com você aqui agora, e não como eu estou, mas em algum lugar escondido, fazendo sexo, porque, por favor, este lugar é maravilhoso pra deixar passar assim. - Gargalhamos e eu assenti, coçando a bochecha com desconcerto - Por que você não a agarra? Já pensou nisso?
- Não... - Disse com sinceridade e depois ri - Ela iria se afastar.
- Quem te garante? Quando ela descobriu metade das coisas, você me disse que fez isso e ela cedeu. - Deu de ombros, semicerrei meus olhos e me recordei daquele dia, daquela cena, daquele orgasmo.
- Não é má idéia. - Murmurei, assimilando o que ela havia me dito.
- Nossa, que cabelo lindo. - Ouvi-a sussurrar ao meu lado, olhei pra seu rosto e depois para onde ela estava olhando, então parei de respirar, meu estômago parecia-se mais com um grande cubo de gelo dentro de mim, traguei em seco - O quê? É ela?
- Oi, , está atrasado para nosso encontro.
Capítulo 4.
"Only you can cool my desire, I'm on fire"
(Bruce Springsteen)
- Ah... - Foi tudo o que saiu de mim, estava parada na nossa frente com uma expressão congelada, em sua mão, reconheci o bloco de notas que usamos na noite anterior.
- Prazer, sou Rebecca. - Vi a garota ao meu lado se levantar e estender sua mão para , que pareceu cogitar a possibilidade de não cumprimentá-la, mas o fez.
- . - Disse, simplesmente.
- Bom, vocês precisam trabalhar, né? Então eu vou indo. - Rebecca disse e olhou de para mim, sorri sem graça e me levantei devagar.
- Vocês querem que eu saia? - perguntou em um tom irônico que eu nunca tinha a visto usar, olhei pra ela e tudo o que fiz foi dar de ombros, disfarçando minha surpresa.
- Não precisa. - Rebecca disse entre risos, então se aproximou de mim e depositou um beijo demorado no canto da minha boca - A gente se vê. - Disse ela, nos dando as costas e andando um pouco - Ah! - Virou-se, eu e tornamos a olhá-la - Se você conhecer a garota pela qual é apaixonado, por favor, diga a ela que é uma sortuda. - Enrijeci todos os músculos do meu corpo, estático, apenas deixei meus olhos se esgueirarem para o lado e encarei a reação de , ela também parecia petrificada com o pedido de Rebecca, que agora já desaparecia do nosso campo de visão.
- Ahn... O... Professor, ele me entregou a composição. - disse, agora virando-se pra mim, traguei em seco e a examinei seu rosto inexpressivo outra vez.
- Podemos ficar por aqui hoje? - Apontei com a cabeça para a espreguiçadeira, ela assentiu e sentou-se, fiz o mesmo ao seu lado e recebi o bloco de notas.
Li o que eu já havia escrito e notei que ela havia acrescentado uma frase. Dizia: "Honestidade era tudo o que eu sempre quis que você me mostrasse, e tudo o que eu sempre precisei". Trinquei meus dentes discretamente, aquela mesma vontade de sair dali começou a crescer dentro de mim, mas desta vez não o fiz. Eu não ia ceder novamente, não tão rápido.
- Pensei em algo durante o dia, posso escrever? - Pediu ela, dei de ombros e devolvi o bloco de notas.
- Escreve aí. - Dito isso me recostei à espreguiçadeira, esticando minhas pernas ao longo dela e descansando um dos braços atrás de minha cabeça.
me olhou por um instante, fingi não sentir seu olhar pesando sobre mim enquanto eu estralava meu pescoço com calma, com os olhos fechados. Depois voltei a mirá-la, concentrada no que escrevia rapidamente. Com a ponta de seus dedos, arrastou uma mecha de seu próprio cabelo para trás da orelha, permitindo que a pouca iluminação amarelada de um dos postes alcançasse sua bochecha direita. Tão linda como há muito eu não a via, tão minha.
Arqueei meu tronco e apoiei meu pé no chão, arrastando meu corpo para trás do dela, então apoiei meu outro pé no chão, de modo que ela ficasse sentada entre minhas pernas. sobressaltou e parou o que fazia quando encostei meu peito em suas costas, roçando minha bochecha em sua orelha. Fechei meus olhos, sentindo o perfume familiar de seus cabelos e pele.
- , por favor. - Sua voz falha me chamou a atenção, mas seu corpo estava imóvel.
- Come on, , você não sente falta? - Murmurei com rouquidão próximo do seu ouvido, sua mão apertou meu joelho e o bloco de papel escorregou por entre seus dedos, caindo ao chão - Não sente?
- Chega! Você não merece nada de mim! - Esbravejou, levantando-se de uma vez, também o fiz, quase ao mesmo tempo, e segurei seu antebraço, puxando-a de volta em direção ao meu corpo.
- Chega, você, de fugir... Você quer isso tanto quanto eu. - Murmurei, segurando seu cabelo embrenhado entre meus dedos.
- Não... - Ela disse apressada. Sorri e, com a mão livre, guinei seu corpo pra frente, ela tropeçou em meus pés e apoiou suas mãos em meu peito, resfolegando como se acabasse de correr alguns metros - Pára, por favor.
- Resista, se puder.
Murmurei em seu ouvido, roçando meu rosto ao seu. Escorreguei meus lábios entreabertos por seu pescoço enquanto sentia seus dedos pressionarem meu peito sobre minha camisa, como se quisesse me afastar, ou apenas foi a maneira que encontrou de não retribuir nada do que eu lhe proporcionava. Quando me dei conta de que ela não sairia dali, parei de pressioná-la contra mim e comecei a excursionar suas costas com minha mão livre, ainda segurando seu cabelo com a outra; Senti o tecido macio de sua saia sob minha palma e apertei sua nádega, puxando-a pra perto com um pouco mais de força, o que lhe arrancou um suspiro ruidoso, contra meu pescoço, onde sua respiração batia pesadamente.
Trilhei um caminho de beijos por sua garganta, então seu queixo, e parei com meu rosto frente ao seu, e naquele momento eu arfava tanto quanto ela, conseqüência da ansiedade que parecia querer me tirar todos os sentidos. Seus olhos se abriram e se cruzaram com os meus, senti suas mãos em meu rosto, seus polegares faziam movimentos circulares em minha bochecha, quase como se pedissem que eu fechasse meus olhos, então o fiz, sentindo a ponta de seus dedos escorregarem até minha nuca. Cerrei meu punho, segurando seu cabelo com mais força, então conduzi seu rosto para mais próximo do meu. Senti seu hálito fazer cócegas em meus lábios antes que eles entrassem em contato com os seus. Não havia paciência, tínhamos saudade, tínhamos urgência, então nos beijamos como se precisássemos daquilo pra nos mantermos vivos. Nos devoramos, um ao outro, ela parecia tão desesperada por isto quanto eu.
Sem dificuldade, amparei suas coxas e suspendi em meu quadril, sentando-me na beirada da espreguiçadeira, já que minhas pernas bambas de ansiedade não me permitiriam ficar em pé.
Minhas mãos percorriam suas pernas sob a saia, apertei sua pele macia entre meus dedos e a puxei para mais perto, como se fosse possível. Nosso beijo se quebrou, mas outro se iniciou. Eu sentia suas mãos percorrerem meus ombros, braços e costas, perdidas como se fosse a primeira vez que fizessem aquilo. Deslizei meus lábios por seu queixo, garganta e colo, deitou sua cabeça para trás, enroscando meus cabelos entre seus dedos e permitindo que eu decidisse o que fazer. Passei minha língua no vale de seus seios e a ouvi ofegar, empurrando seu quadril contra o meu. Enganchei a ponta dos dedos no decote de sua blusa e o puxei, na tentativa falha de expor seu mamilo. O biquíni não era capaz de esconder o bico rígido de seu seio, ele parecia se comunicar comigo, atrair-me pra perto, para lambê-lo e sugá-lo. Seus gemidos alteravam de entonação e freqüência, e por vezes eu podia sentir suas unhas cravadas em meu couro cabeludo.
Sob sua saia, busquei sua intimidade, toquei-a por cima do biquíni, pressionando a ponta dos meus dedos sobre seu sexo, empurrou seu corpo contra o meu, fazendo com que eu perdesse o contato com seu seio, mas ganhasse seu pescoço. Comecei a beijá-lo imediatamente, mordiscando-o e marcando-o com sucções não tão fortes. depositou sua mão sobre a minha e a apertou contra si mesma, friccionando seu quadril contra meus dedos. Notando seu desejo desesperado, passei a ponta dos dedos pela cava do biquíni e o afastei para o lado, o suficiente para que não me atrapalhasse, então comecei a tocá-la, lentamente, como eu sabia que ela gostava. Eu sentia a umidade em torno de meus dedos, desejando estar dentro dela mais uma vez. Massageei seu seio com a mão livre, apertando-o entre meus dedos e ouvindo-a ronronar em meu ouvido enquanto os movimentos de meus dedos em sua intimidade ganhavam velocidade. Eu sentia seu quadril mover-se sobre o meu, em movimentos sinuosos, buscando incessantemente por um toque mais íntimo. Com dois dedos invadi seu corpo, ela pareceu surpresa, sua respiração deteve-se e depois voltou ainda mais descompassada, seus braços rodearam-me, abraçando meus ombros com força. Deslizei a mão livre por suas costas, apertando-a contra mim e pressionando a ponta de meus dedos pela pele levemente suada abaixo de seu pescoço, onde a blusa não cobria. Com meu polegar, comecei a estimular seu clitóris, agora inchado, enquanto sentia suas paredes internas pulsarem em torno de meus dedos, que se moviam cada vez mais rápido. Senti suas coxas pressionarem meu corpo e ela parou de mover-se, apenas tremia entre meus braços, dando um gemido longo e abafado na pele de meu pescoço, sorri e diminui a velocidade com a qual a masturbava, permitindo que ela voltasse a respirar, falhamente.
Eu pensei em beijá-la e depois convidá-la para sair dali, mas, quando me dei conta, estava em pé, pegando seus sapatos antes de sair correndo. Levantei sentindo minhas pernas fraquejarem de imediato.
- ! - Exclamei, mas ela não me ouviu, ou fingiu não ouvir, apenas apressou seus passos e logo eu não podia mais vê-la.
Levei meus cabelos pra trás e apoiei minhas mãos na nuca. Eu precisava de ar, mas senti como se nem todo aquele vento, a brisa e o cheiro do mar pudesse aliviar o que eu estava sentindo. Meu membro pulsava com rigidez dentro da boxer, quase implorando pra que eu o tirasse de lá. Fechei meus olhos e grunhi com raiva, voltando a me sentar. Peguei o bloco de notas e li rapidamente o que ela havia escrito:
"Na sua mente nós seríamos sempre felizes,
então agora nós não somos nada além de memórias"
Ri irônico e soltei as folhas ao meu lado, esfregando meu rosto e automaticamente sentindo seu cheiro impregnado em meus dedos, rolei os olhos e olhei pra cima, perguntando à Deus se eu não merecia uma trégua. É, eu merecia.
Levantei e peguei o bloco de notas, saindo dali o mais rápido que pude, encontrei grande parte das pessoas sentadas ao redor da piscina principal, espalhados pela área toda. Andei depressa até e atirei as folhas sobre ele.
- Entrega isso para o professor. - Pedi e olhei para Mia - Onde está a Rebecca?
- Ela não está com você? - Neguei com a cabeça - Então ela deve estar no apartamento.
- Onde é? - Perguntei imediatamente.
- É o último, perto da quadra de tênis.
Por minha cabeça, tudo o que se passava é que não merecia o sofrimento pelo qual eu estava passando. Eu estava cego de raiva e de tesão. Eu não podia acreditar que ela tinha ido embora depois de ter finalmente se entregado à mim novamente. Ela estava sendo fraca e medrosa e eu não conseguia respeitar isto, algo estava muito errado comigo, mas naquela noite o que eu queria era botar tudo aquilo pra fora. Eu não ia chorar, não com os olhos.
Rebecca abriu a porta, mas não teve tempo de dizer absolutamente nada, atraí-a pra perto com minhas mãos e a beijei, empurrando a porta atrás de mim com o corpo e começando a conduzi-la até as escadas. Ela retribuía o beijo da mesma forma ligeira, suas mãos espertas abriam minha camisa rapidamente, deixando-a pelo caminho até o quarto, junto com sua regata cinza. Pressionei seu corpo contra o meu, sentindo seus seios rígidos amassados em meu peito enquanto eu a conduzia até a cama, apertando-lhe as nádegas com força por dentro do short de seu pijama, que logo atingiu seus tornozelos.
Senti o colchão acolher meu corpo quando Rebecca me empurrou contra a cama, ergui meu tronco nos cotovelos, vendo-a livrar-me de meus tênis e calça, minha boxer fez o mesmo caminho e eu a senti escalar meu corpo, enquanto me masturbava rapidamente, com destreza. Segurei as laterais de sua calcinha e a abaixei até onde pude, o resto ficou por conta dela, o mesmo vale para o preservativo que eu havia esquecido.
Virei meu corpo sobre o de Rebecca e ela rapidamente se ajeitou contra os travesseiros, olhando-me, seu lábio inferior preso com força entre os dentes, segurei meu membro e o pincelei contra sua intimidade uma única vez antes de penetrá-la, apoiei uma das minhas mãos firmemente na cabeceira, começando a investir com meu quadril encaixado ao seu. Seus seios saltavam a cada estocada e um novo gemido era reproduzido com a mesma freqüência. Eu sentia as gotas de suor brotarem em meus poros e banharem meu corpo. Fechei meus olhos, tão próximo do orgasmo que eu já começava a tremer, a imagem de me atingiu, como um curta metragem, revivi rapidamente todas as nossas transas e gemi por seu nome ao gozar com meu corpo fundido ao de Rebecca, que gritava, desenhando dolorosamente com suas unhas em minhas costas.
- Nossa. - Ela murmurou sob o fôlego quando soltei meu corpo sobre o seu, depois girei para o lado e fechei meus olhos, apoiando meu braço sob a cabeça - Que boa surpresa, huh? - Ouvi-a dizer e sorri de lado, sentindo-me um pouco amargo.
- Que bom que gostou. - Disse a ela em resposta, sentando com as pernas pra fora da cama, levei meu cabelo pra trás com uma das mãos e senti as suas, delicadamente, acariciarem minhas costas, seu corpo ajoelhou-se atrás do meu e em seguida vieram os beijos em meu ombro e nuca.
- Onde vai? Fica essa noite comigo. - Ela murmurou em meu ouvido, era tentador, mas eu já havia aliviado meu tesão e agora eu precisava beber um pouco para relaxar.
- Hoje não dá. - Respondi com um sorriso forçado, então levantei e entrei no banheiro, livrei-me do preservativo com cuidado e o lancei ao cestinho de lixo, lavei meu rosto rapidamente e voltei para o quarto, sentindo as gotas escorrerem por meus ombros e peito.
- Aaaw, boy, fica aqui! - Choramingava Rebecca, deitada completamente nua sobre a cama, sorri divertido e vesti minha boxer - A gente pode fazer tanta coisa, temos uma madrugada toda. - Continuou a falar, com a voz pastosa, enquanto eu me vestia.
- A gente se vê, Becca. - Mandei um beijo e depois saí do quarto, ouvindo-a bufar uma última vez.
Deixei minha camisa aberta, eu ainda estava suando em bicas e não era para menos, Rebecca era quente, tanto quanto eu achei que fosse. Na verdade não deu pra desfrutar tanto assim, fui direto ao ponto, era o que eu precisava. havia me proporcionado a preliminar, o que me roubou toda a paciência para fazer tudo de novo, até porque Rebecca não era o tipo de garota que eu tentaria agradar, ela se contentava com o que eu havia dado a ela, estou certo que sim.
Logo que me acerquei da piscina principal, vi os caras na água, acompanhados das garotas, eles pareciam estar se divertindo. Sorri e me aproximei um pouco mais, colocando as mãos na cintura.
- E aí? Achou a Rebecca? - Mia me perguntou, sorrindo maliciosamente.
- Achei sim, já... Conversamos. - Garanti, com a expressão debochada, depois gargalhamos.
- Entra aí, cara. - chamou, sendo abraçado por Molly.
- Não, vou comprar alguma coisa pra beber, já venho.
Não vi por nenhuma parte. Vi James, Matt, Charlie, e , mas não estava com eles, nem , deviam estar juntas em alguma parte. Fiz meu caminho até o restaurante e comprei um refrigerante, depois voltei pra perto da piscina, os caras já estavam se despedindo de suas respectivas garotas.
- Então você pegou a Rebecca? - perguntou com sorriso malicioso quando já estávamos jogados no chão da sala do nosso apartamento, Antony também estava ali, e trouxera as bebidas - Deu uma sapecada? - Sua voz infantil e maliciosa nos fez gargalhar.
- Foi, cara. - Concordei, tirando minha camisa - Ela deixou minhas costas em carne viva. - Virei, mostrando pra eles.
- UAU! Sexo efeito mosaico! - exclamou e nós rimos ainda mais, recostei-me à parede de vidro e sorvi um pouco mais da minha cerveja.
- Mas você não 'tava com a , fazendo a tarefa lá? - quis saber, algo me dizia que ele já sabia de algo, só por seu tom de voz falsamente curioso.
- Sim. - Semicerrei os olhos, eu o conhecia muito bem, e ele se entreolharam e eu suspirei alto - O que vocês sabem?
- Então, é que assim... - começou e olhou pra - Fala você, .
- Mas você que viu! - exclamou, rolei os olhos e inclinei meu corpo pra frente, apoiando meus antebraços em minhas pernas, esperando que eles decidissem de uma vez quem ia me contar o que quer que fosse.
- Fala de uma vez, . - rolou os olhos - Nem é negativo. - Olhou em minha direção, como se quisesse aliviar meu desassossego.
- Ok, eu estava com a , estávamos trabalhando na nossa tarefa, e aí de repente a chegou correndo e chorando... - Arqueei as sobrancelhas, surpreso com a revelação - Cara, juro por Deus, na hora eu pensei que alguém tinha feito algo com ela, ela com os sapatos na mão e a saia virada, amassada, a única coisa que me passava pela cabeça era James, e você ia matá-lo, e aí ela começou a falar pra que você, bom, você tinha a beijado...
- Ela disse que eu a beijei à força? - Exclamei com a voz esganiçada.
- Não, cara, calma... Aí a ficou nervosa, disse que ia contar ao James, então explicou o que tinha acontecido...
- Com você lá perto? - Contraí o cenho.
- Cara, ela 'tava transtornada demais, quando me viu ela ficou branca como cera, e aí a disse que íamos continuar amanhã, então eu voltei pra piscina.
- Incompreensível! - Bufei e me recostei à parede - Como isso é possível? Ela não parecia desesperada quando estávamos juntos, aliás, parecia, mas não no sentido negativo! - Eu dizia, mais a mim mesmo do que a qualquer pessoa ali dentro - Ela queria tanto quanto eu, tenho certeza!
- , ninguém acha que você forçou ela a alguma coisa, nós sabemos que você seria incapaz de contrariar qualquer vontade da . - disse com a entonação confortante, suspirei e terminei de beber minha cerveja.
- É, mate, não precisa ficar nervoso assim, ela é garota, deve estar confusa. - Foi a vez de Antony, respirei fundo e olhei pra eles.
- Eu prometi a mim mesmo que eu não a faria chorar novamente, é disso que estou falando, é por isso que estou nervoso. - Trinquei meus dentes e encostei a cabeça no vidro, fechando meus olhos - Sou incapaz de deixá-la ir, mas... Também não consigo fazer as coisas do jeito certo quando ela está por perto.
- ... - começou e eu respirei fundo - Relaxa, cara, só... Tenta não dar tanta importância a isso. - Encarei-o e sorri irônico - 'Tá, eu sei que você já tentou, mas, ah, sei lá, não tenho mais conselhos sobre isso. - Assenti e deixei minha garrafa no chão.
- Já volto. - Murmurei, levantando.
- Onde vai? - quis saber subitamente.
- Vou falar com ela.
- !
Capítulo 5.
"Inside I know it's over, you're really gone"
(I Stay In Love - Mariah Carey)
[N/a: Meninas, caso queiram escutar a música abaixo, aí está o link: http://www.youtube.com/watch?v=2IcWaNLYgBE]
So this is the end of you and me
Então este é o fim entre você e eu
We had a good run and I'm setting you free
Nós tivemos um bom curso, e estou te libertando
To do as you want, to do as you please
Para que faça o que quiser, para que faça o que te agrada
Without me
Sem mim
Caminhava o mais rápido que minhas pernas permitiam enquanto fechava os botões de minha camisa. Embora o vento estivesse forte, eu ainda sentia o suor por baixo de meus cabelos, umedecendo sua raiz e, sem mais delongas, os fios por completo. Apressei-me, já estava tarde e eu sabia o que me esperava quando eu chegasse lá, faria um show, suas amigas tentariam me impedir, mas não desta vez. Eu precisava falar com , eu precisava vê-la depois do que aconteceu, depois do que disse. Eu precisava saber se estava tudo bem, ela precisava saber que eu não faria mais nada que pudesse machucá-la.
Remember when you were my boat, and I was your sea?
Se lembra quando você era meu barco, e eu era seu mar?
Together we'd float so delicately
Juntos flutuávamos tão delicadamente
But that was back when we could talk about anything
Mas isso é de quando podíamos conversar sobre qualquer coisa
Parei em frente ao apartamento onde e aquilo que ela chamava de amigas estavam hospedadas. Respirei fundo e enxuguei meu buço e testa, tentando não parecer desesperado quando na verdade, eu estava, e este era o único real motivo pelo qual eu suava daquela maneira. Fechei os dedos e olhei pra porta à minha frente, ensaiei algumas vezes uma batida, mas não consegui fazê-lo tão já, mais uma vez inalei todo o ar que consegui e o expirei pelos lábios, então fechei meus olhos apertado, tocando três vezes com as costas do meu indicador.
'Cause I don't know who I am
Porque eu não sei quem eu sou
And you're running circles in my head
E você está correndo em círculos em minha cabeça
And I don't know just who you are
E não sei quem exatamente você é
When you're sleeping in someone else's bed
Quando está dormindo na cama de outro alguém
- Já vai! - Ouvi uma voz feminina gritar, mas não consegui reconhecer, certamente não era , a porta se afastou e eu vi atrás dela, rapidamente uniu as sobrancelhas e olhou para trás, depois tornou a me olhar.
- A está aí? - Perguntei, entre algumas ofegadas.
- Olha, melhor você ir pro seu apartamento, . - Aconselhou.
- Não, eu quero falar com a , você pode, por favor, chamá-la? - Pedi, tentando ser educado, quando eu apenas queria estourar aquela porta e procurá-la por conta própria.
- Ela não quer falar com você. - disse, parada atrás de , rolei os olhos.
- Bom, vou explicar uma coisa... - Apoiei minha mão no batente e as encarei - Eu vou falar com ela, então se vocês não chamarem, eu entro e chamo. - Cansado de ser educado, falei com a voz firme, elas se entreolharam.
- Eu vou perguntar se ela quer falar com você. - disse com uma sobrancelha arqueada, afastando-se, olhei pra , que parecia impaciente, com a expressão enfezada, acabei dando risada.
- Cara feia pra mim é fome, . - Ela forçou um sorriso falso e depois bateu a porta na minha cara.
Three whole words and eight letters late
Três palavras inteiras e oito letras atrasadas
That would have worked on me yesterday
Que teriam funcionado para mim ontem
We're not the same, I wish that it could change
Nós não somos os mesmos, eu queria que isso pudesse mudar
But it can't
Mas não pode
Umedeci meus lábios, sentindo o gosto salgado do meu suor. Encostei minha testa no batente, por que as coisas tinham de ser tão complicadas? Como se não bastasse, as pessoas gostam de complicá-las ainda mais. Não seria fácil reconhecer que sente minha falta, me escutar, saber que eu não fiz aquilo por mal, me perdoar e então ficarmos juntos? Soa simples, não é? Uma pena que não escolhemos o que perdoar, o que esquecer, o que superar. Há coisas que fingimos ter deixado pra trás e de repente estamos completamente presos à elas, tanto que mal nos movemos.
And I'll say your name, and in the same breath
Eu direi seu nome, e no mesmo fôlego
I'll say something that I'll grow to regret
Eu direi algo que crescerei me arrependendo
So keep your hands on your chest and sing with me
Então mantenha suas mãos no peito e cante comigo
That we don't wanna believe
Que nós não queremos acreditar
Ouvi o ranger da porta e rapidamente me coloquei de frente para ela, me olhava com a expressão vazia. Uma trança repousava em seu ombro enquanto ela encolhia-se dentro do pequeno pijama. Fitei seu rosto minuciosamente, seus olhos avermelhados como seu nariz e lábios, estes ainda inchados denunciavam o choro recente.
'Cause I don't know who I am
Porque eu não sei quem eu sou
And you're running circles in my head
E você está correndo em círculos em minha cabeça
And I don't know just who you are
E não sei quem exatamente você é
When you're sleeping in someone else's bed
Quando está dormindo na cama de outro alguém
- Você queria falar comigo? - Perguntou, sua voz hesitou em um momento, traguei a saliva e cocei a nuca, desconcertado.
- Eu só... Queria saber se você está bem. - Olhei-a novamente, continuou inexpressiva.
- Estou.
- ... Eu estou aqui porque eu prometi pra mim mesmo que eu não te faria mais chorar, e... - Ouvi-a dar risada e então o rolar de seus olhos me fez sentir patético, parei o que dizia e senti meu estômago se encolher abruptamente.
- , por favor, não acredito mais em uma palavra do que você diz. - Disse, com petulância, assenti devagar, sentindo minha garganta parecer mais seca e ardente.
So it's true what they say
Então é verdade o que eles dizem
If you love someone, you should set them free
Se você ama alguém, você deve libertá-lo
Oh, it's true what they say
Oh, é verdade o que eles dizem
When you throw it away
Quando você joga isso fora
- Certo, mas eu direi mesmo assim. - Dei de ombros - Eu soube que você ficou chateada com o que aconteceu mais cedo e vim me desculpar... Eu entendo que na hora...
- , o que você ‘tá fazendo aqui? - perguntou em tom alto - , vem pra dentro, esse cara não merece sua atenção.
- , não se mete, 'tá legal? - Olhei pra ela e tentei demonstrar o quão sério eu estava falando naquele momento - Se você quiser ser infantil e enfiar coisas na cabeça da daqui a pouco, tudo bem, foda-se, mas agora eu estou conversando com ela e, veja só, não a estou obrigando a me ouvir. - Ergui minhas mãos, livrando-me da responsabilidade - Agora nos dê licença, não vou demorar.
- Olha aqui, ...
I don't know you are
Eu não sei quem você é
- ... - murmurou e olhou para a prima - Por favor, sem mais escândalos, eu vou ouvi-lo e depois vou entrar e descansar. - Disse, com a voz serena, suspirei e olhei pra , que negou com a cabeça e se afastou, encostou a porta atrás de si e voltou a me olhar - O que dizia?
- Eu... Eu estava dizendo que eu entendo que na hora que tudo aconteceu, você acabou se deixando levar e que não era o que você achava melhor pra si, era só o que seu corpo queria, enfim... - Falei tudo de uma vez, como um vômito de palavras que estavam guardadas e eu nem sabia - Me desculpe, eu não queria ter forçado a barra e não queria ter te magoado. - Ela me olhava ainda, seus olhos ameaçaram encharcar, e com isto os meus arderam - Não vai voltar a acontecer. - Murmurei, sem muita vontade de dizer aquilo, sem muita fé no que eu mesmo acabara de sentenciar.
'Cause I don't know who you are
Porque eu não sei quem você é
When you sleep with somebody else
Quando você dorme com outro alguém
- É melhor assim. - Disse ela, e logo seus olhos estavam secos como anteriormente.
- Certo, qualquer coisa que você precisar, conte comigo, eu espero que possamos ser bons amigos... Ou apenas amigos.
- Eu também. - Ela disse e eu forcei um sorriso sem força.
'Cause I don't know who I am
Porque eu não sei quem eu sou
When you sleep with him
Quando você dorme com ele
- Então boa noite, fica bem. - Acerquei-me e senti sua respiração bater rapidamente em meu rosto, descompassada, então encostei meus lábios em sua testa e fechei meus olhos, depositando um beijo gentil sobre sua pele.
- Boa noite, . - Ela sussurrou assim que me afastei, encostada à porta atrás de si, acenei sem vontade e me afastei.
It's true what they say
É verdade o que eles dizem
When you throw it away
Quando você joga isso fora
Era como se eu acabasse de retirar um nó preso em meu peito, eu precisava de um término decente com , pois tudo o que havíamos tido ainda significava muito, e sempre significaria, eu estava certo disso. Eu não queria mais que houvesse brigas entre nós, merecíamos algo melhor por todos os momentos bons, todas as confidências trocadas. Tudo ficaria bem, desde que ambos respeitássemos nossos limites, agora impostos por algo bem maior, a amizade que queríamos preservar.
- Dude. - Eu ouvia a voz de , ora parecia distante, ora parecia dentro da minha cabeça, suspirei e abri os olhos sem vontade - Você não vai lá comer? - Eu não sabia do que ele estava falando, mas assenti, com os olhos cheios d'água pela intensidade do sono que eu sentia, mesclado com a claridade inevitável.
- Já é dia? - Perguntei ainda um pouco sonolento, riu, já colocando sua camiseta.
- Já, cara, já são quase dez horas, vamos lá comer. - Ele disse e borrifou o desodorante, suspirei e me virei de barriga pra cima, colocando meu braço sobre os olhos e pensando se queria mesmo sair da cama.
- Vou me trocar e... Já apareço lá. - Murmurei, tentando não voltar a dormir.
- Ok, a gente te espera lá então.
Pensei em ficar ali e dormir um pouco mais, havia sido uma noite cansativa e eu estava com o sono atrasado, mas estava claro demais e calor demais. Arrastei-me para fora da cama e dali para o banheiro. Eu sentia como se houvesse levado uma surra a noite toda, ou como se algo houvesse sugado todas as minhas energias. Bom, pelas marcas em meu pescoço, costas e braços, provavelmente eu havia sido sugado mesmo, e arranhado também. A propósito, não era apenas um algo, eram dois “algos“. e Rebecca.
Terminei minha higiene e arrumei meu cabelo, sentindo o vento entrar pela janela e aliviar meu calor. Borrifei um pouco de desodorante e retornei ao quarto, escolhi um boardshort branco e verde, vesti também uma camiseta branca e cobri meu cabelo com um boné cor de caqui. Peguei meu óculos de sol e limpei-os enquanto calçava meus chinelos. Ao olhar a cama desarrumada, confesso que novamente pensei em desistir e me render ao sono, mas me policiei e me obriguei a sair do bangalô.
Os garotos haviam escolhido uma mesa do lado de fora do restaurante, sob um toldo, talvez ali batesse mais vento. Sentei e relaxei meu corpo sobre a cadeira, sentindo como se a qualquer minuto eu pudesse simplesmente dormir ali mesmo. Quando levantou pra buscar frutas, pedi que ele me trouxesse suco e, se não fosse exigir demais, algumas fatias de queijo. Eu não sentia fome, pelo contrário, me sentia cheio. Talvez fossem as cervejas da noite passada.
Ergui lentamente meu rosto, desviando meus olhos do meu relógio e fixando-os em um belo par de pernas que vinham caminhando lentamente, contraí o cenho ao reconhecê-las e ergui mais meus olhos, então todas aquelas sensações retornaram, não era o que um amigo deveria sentir por uma amiga, certo? Mas faria qualquer um perder a linha dentro daquele short. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo alto e eu podia vê-la me olhar através da lente não tão escura de seu óculos de sol.
- Uau, , a noite foi quente? - perguntou em tom debochado, desviei meus olhos de para sua prima, encarando-a sem a menor intenção de discutir, mas eu nunca me controlava.
- Sim, pra você ver. - Sorri, assentindo devagar - Uma pena que você não tenha quem faça isso por você, é uma delícia, . - Enfatizei seu apelido, retirou seus óculos e arqueou uma de suas sobrancelhas - Mas caso você queira, eu posso arrumar alguém que faça esse sacrifício, sabe, só por caridade... - Dei de ombros e retirei meus óculos também - Mas um só, porque não quero que você intoxique ninguém com seu veneno, sabe como é. - Sorri enviesado.
- , me faz um favor? Vai-se-foder. - Disse ela, pausadamente, antes de sair andando e rebocando consigo, encarei sugestivamente, riu e deu um tapa em seu ombro, sinalizando apoio.
- Hey, ! - Ele gritou, ri antecipadamente, ela olhou pra trás, automaticamente parando de andar - Vamos nos foder, que tal? - Sorriu abertamente, encolheu os lábios e olhou de esguelha para a prima.
- , você não tem capacidade de foder nem uma égua. - Disse ela, com todo seu deboche.
- Não mesmo, mas uma cadela eu agüento, vem cá, vem! - Ele disse enquanto batia em suas próprias pernas, abriu a boca em indignação e eu não esperei nem mais um segundo, explodi em gargalhadas junto aos meus amigos e algumas pessoas que estavam por perto.
- Nojento, ! - Ela praticamente gritou, depois saiu pisando firme.
- Nojenta está sua calcinha agora! - Ele ainda exclamou, bati minhas mãos na mesa, perdendo o fôlego de tanto rir.
Assim que terminamos de comer, os garotos disseram que iriam descer à praia, eu cogitei a possibilidade, mas a minha preguiça pareceu ainda maior quando eles me disseram que Rebecca também iria, então disse que ficaria por ali mesmo com Antony e depois iria descansar para mais tarde.
- Acho que, no fim das contas, você fez a coisa certa, cara. - Antony disse enquanto eu brincava de fazer ondas com a água em cima de algumas garotas da minha sala.
- Exceto pela parte de que não conseguirei ser só amigo dela, sim, fiz a coisa certa, com certeza. - Murmurei irônico, Antony deu risada e eu suspirei.
- Não existe essa coisa de "amizade pós-relacionamento". - Antony me disse, encostando-se à borda - Veja eu e ... - Contraí o cenho - Nós terminamos numa boa, somos amigos, mas sempre rola segunda intenção, e às vezes nós ficamos.
- Você é ex namorado da ? Quero dizer, a ? - Apontei com o polegar para a rodinha onde estava & Cia.
- Sou, cara, você não sabia? - Neguei com o cenho contraído - Sou.
- Por que vocês terminaram? - Perguntei, sentando em um degrau na piscina, deixando parte do meu corpo pra fora da água.
- Nós tínhamos um relacionamento aberto, sabe? - Assenti - Eu ficava com quem eu queria, ela também, não sei por que diabos fazíamos isso, mas era bom, nunca brigávamos por nada, porque com as outras pessoas era só físico, sabe? Alguns beijos, às vezes sexo, mas a gente se gostava pra valer.
- E então?
- E então um dia ela ficou com o em uma festa na casa da Lindsay Baldwin e depois disso ela mudou comigo...
- Calma aí, de que estamos falando? - Contraí meu cenho.
- , oras... O . - Respondeu Antony em tom óbvio, arregalei os olhos.
- Eu não sabia que tinha ficado com alguma vez! - Exclamei.
- Eles ficaram, tem uns 8 meses, faz 6 que eu e não estamos mais juntos.
- Então calma, me deixa entender, você e terminaram porque ela ficou com ?
- Não. - Antony riu - Terminamos porque desde então ela é a fim dele.
- Ah, tá... - Concordei, mas depois entendi o que ele havia me dito e o encarei novamente com os olhos arregalados - Ela é a fim do ?
- É, cara, eles ficaram, certo? E ela costumava me contar quando ficava com alguém, a gente sempre contou um pro outro, sabe? - Assenti, achando tudo aquilo muito estranho - E aí ela não me contou sobre o , eu fui descobrir duas semanas depois, porque um amigo meu me contou, e eu já tinha notado que ela tava diferente, e aí vi que ela tinha adicionado o no Facebook, perguntei a ela sobre ele e ela meio que ficou balançada, aí eu disse à ela que era melhor terminarmos e sermos amigos.
- Cara, muita informação pra mim. - Gargalhei com as mãos na testa - Caralho, será que desconfia disso?
- Não sei, é discreta quanto a sentimentos, mas agora que eles estão fazendo aquele trabalho juntos, talvez algo possa acontecer.
- Legal... Mas, sei lá, você não se sente estranho? Em relação ao ? Não sente ciúmes?
- Não. - Antony pareceu se divertir com minha pergunta - Ele nem desconfia que nós terminamos por isso, e nem diga nada à ele, não quero que ele se desculpe por algo que ele não tem culpa, só era pra ter sido assim.
- Legal, cara, legal mesmo.
- . - Subitamente virei meu rosto para o lado, eu reconheceria aquela voz em centenas de jardas.
- Oi. - Respondi e notei Antony se afastar um pouco.
- Sobre a composição, podemos fazê-la à noite? - Concordei rapidamente com a cabeça.
- Podemos, nos encontramos onde? - Perguntei, tentando disfarçar meu entusiasmo.
- Em frente ao restaurante, tudo bem?
- Certo. - Sorri sem jeito.
- Ok, então... Até mais. - Acenou, fiz o mesmo e ela se afastou, olhei pra Antony e rolei os olhos, com a mão sobre meu peito, nós dois gargalhamos.
- É, cara, você não sabe disfarçar.
Aproveitei a casa vazia e tomei um banho mais demorado, como estava acostumado. Era bom ficar um tempo embaixo d'água, só pensando um pouco, ou pensando em nada. Coloquei uma boxer e uma camiseta, então me deitei e, sem me permitir pensar em coisa alguma que me fizesse perder o sono, adormeci.
Um estrondo me fez saltar sobre a cama, sentei rapidamente e olhei para os lados, tentando enxergar algo. Aos poucos minha visão se acostumava com o escuro e eu pude ver que o estrondo, nada mais era que um trovão. O barulho das gotas da chuva me fizeram querer deitar e dormir um pouco mais, mas saiu do banheiro, enxugando seu cabelo.
- E aí, cara? - Ele disse, caminhando até sua mala.
- Nossa, quanto tempo estou dormindo? - Contraí o cenho, esfregando meus olhos.
- Não sei, já são quase 7 horas. O professor adiou a prova de hoje pra depois do jantar, vai ser no restaurante mesmo, por causa da chuva.
- Hm... - Assenti devagar - Ok, vou me trocar então.
- É, cara, vai lá.
Levantei da cama vendo sair do quarto ao mesmo tempo. Andei devagar até a sacada e senti as gotas da chuva respingarem em mim, espreguicei-me lentamente e bocejei. Fiquei olhando o resort dali de cima e encostei-me ao batente, apenas esperando coragem para me vestir e tomar chuva até o restaurante. Eu não tinha muita saída, então deixei de adiar e voltei pra dentro do quarto, acendendo a luz até então apagada. Escolhi um jeans claro e uma camiseta listrada horizontalmente de preto e cinza, tinha gola V e mangas curtas, seu tecido era leve, por isso secaria mais rápido e evitaria o calor que ainda fazia, apesar da chuva. Calcei meu All Star branco e fui para o banheiro. Aliviei a bexiga e, entre um verso e outro de uma música que estava em minha cabeça, escovei meus dentes e arrumei meu cabelo. Borrifei o desodorante do e um pouco do meu perfume, ele nem iria perceber.
A chuva estava mais fina quando saímos de casa, mas ainda garoava. Apressamo-nos quando ela começou a engrossar novamente, entretanto já estávamos próximos do restaurante, e logo nos abrigamos lá. Eu e os caras nos entreolhamos, contraí o cenho e voltei a encarar o restaurante. Todas as mesas estavam unidas, exceto por quatro delas, uma em cada canto do ambiente. Nos aproximamos devagar e sentamos nos lugares vagos.
- Bom, agora que estão todos aqui... - Ele nos olhou, mais uma vez com a expressão de repressão e nós rimos - Vou explicar a prova antes do jantar, e ela será realizada durante ele todo, e depois dele também. - Apoiei minhas mãos nas coxas, esperando pela definição da prova - É o seguinte, será uma prova onde os líderes serão testados e ganharão pontos para o grupo todo. - Arqueei as sobrancelhas e levei a mão no peito, ouvi rir - Os líderes irão jantar separadamente e, durante o jantar, precisarão descobrir coisas um sobre o outro, acredito que a maioria de vocês já se conhecem bem, Patrick e Samantha são namorados, e infelizmente já não estão juntos, mas já estiveram... - Traguei a saliva, mas dei meu máximo para não parecer afetado - Enfim, vocês irão descobrir um pouco mais, um sobre o outro, e depois nós faremos um jogo de perguntas, estamos combinados?
- Professor, o que devemos perguntar em si? O que devemos saber? - perguntou e eu voltei a olhar pro professor.
- Perguntem o que a pessoa costuma fazer durante o dia todo, fins de semana, o que mais gosta de fazer, coisas em geral. - Sra. Hale respondeu por Sr. Dawson.
- Respondido, agora vocês podem ir.
Levantei devagar e olhei pela mesa, procurando com os olhos, vi-a se levantar devagar, delicadamente ajeitou o vestido em seu busto e colocou a cadeira de volta no lugar. Andei devagar até ela, vendo-a levar, timidamente, o cabelo pra trás da orelha, sorri e ofereci meu braço, fazendo graça, ela rolou os olhos e entrelaçou seu antebraço no meu, andando ao meu lado até a mesa vaga. Puxei uma cadeira pra que ela se sentasse, agradeceu num sussurro e sentou-se, o fiz à sua frente, apoiando meus antebraços sobre a mesa.
- Então, o que você tem pra me contar que eu ainda não sei? - Perguntei debochado, vendo uma garçonete estender o menu à nós dois.
- Obrigada. - Agradeceu , depois me olhou, abrindo sua pasta - O que te faz pensar que você sabe tanto assim sobre mim? Em um mês muita coisa pode mudar.
- Sei disso. - Sorri, olhando os pratos, olhei para a garçonete - Traz o número 12 e o número 19. - Entreguei meu menu e olhei pra .
- Traz...
- O número 11, e o 23. - Pedi por ela, me olhou surpresa e entregou seu menu, sem tirar os olhos dos meus - Obrigado.
- Como você...
- Bom, em um mês algumas coisas mudam, e outras não mudam nunca. - Dei de ombros, ela calou-se, com um sorriso tímido.
e eu começamos a falar sobre o que poderia ser perguntado no tal jogo. Combinamos algumas respostas, como, por exemplo, cor favorita e coisas do gênero. Parecíamos dosar cada palavra que trocávamos, com medo de nos afetar ou de ser inconveniente, ou este era meu medo e eu acabei refletindo sobre ela.
- Ah, com a chuva não vai dar pra gente trabalhar na composição aqui, nós... Podemos ir para o seu bangalô? - Traguei em seco e assenti devagar, tomando um pouco do meu suco.
- Claro, eu te espero lá, você sabe qual é? - Ela concordou com a cabeça e sorriu sem graça - Tudo bem, então.
- Terminaram, garotos? - Sra. Hale quis saber, parando ao lado de nossa mesa, olhei pra trás e notei que éramos os únicos que ainda estavam fora da mesa principal.
- Já sim, professora. - murmurou, levantando, fiz o mesmo e a segui até os outros.
- Muito bem... - Sr. Dawson se levantou, deixando seu guardanapo sobre a mesa e nos olhando - Lá naquela mesa têm 8 fichas, uma pra cada líder, um de cada vez vai até lá, responde e me traz a ficha que respondeu, e a Sra. Hale vai estar lá vendo se vocês vão tentar olhar as outras fichas. - Rimos, recostei-me à cadeira - Pode ir você, .
- Ok.
Levantei e caminhei até lá, peguei uma das fichas e a virei, para poder lê-la. Haviam 5 perguntas e elas não eram assim tão inofensivas como "Seu prato favorito", gastei alguns minutos pensando em uma ou outra.
P.: Quais são seus planos para o futuro?
R.: Conseguir um contrato com a gravadora e fazer sucesso como músico.
P.: O que você procura nas pessoas com quem convive?
R.: Reciprocidade.
P.: Qual a característica externa e interna que mais lhe chama a atenção?
R.: Externa: Sorriso. Interna: Bondade.
P.: Em uma escala de 0 à 10, qual a importância do sexo em um relacionamento pra você?
R.: 8.
P.: A mais doce mentira, ou a mais dura verdade?
R.: A mais dura verdade.
Dobrei minha ficha e me levantei, seguindo de volta para a mesa e entregando ao professor. Então me sentei e Patrick foi o próximo. Olhei pra , ao meu lado, fazendo um origami com o guardanapo de papel, ri baixo, depois suspirei, confesso que estava um pouco ansioso, e estava buscando algo pra me distrair, talvez origamis, se eu soubesse ser tão garota quanto o . E se eu não soubesse o que responder? Não eram alguns pontos em jogo, era mais que isso, eu queria mostrar à que eu a conhecia muito bem, eu queria que ela e todos ali soubessem a importância que ela tinha pra mim. Que apesar de tudo ter se iniciado com uma aposta, havia se tornado algo muito maior que isso, muito mais valioso que um violão Takamine.
- Bom, vamos começar? - Sr. Dawson sugeriu, em pé, com as fichas em mãos, assenti prontamente - Façamos o seguinte, fiz alguns papéis com o nome de cada grupo e vou tirar, pra fazermos uma seqüência, feito isto, começaremos com as damas, elas responderão as perguntas sobre o seu parceiro e nós iremos ver se é compatível ou não, depois invertemos, combinado?
- Combinado. - Respondemos enquanto ele sorteava.
A seqüência ficou da seguinte maneira, o primeiro grupo a responder seria o azul, depois o grupo verde, em seguida o nosso, vermelho, e por último, grupo amarelo. O jogo teve início, acertou 3 perguntas sobre James, e acertou 4 das 5 questões sobre . Era a vez de , ela parecia ansiosa, parou ao lado do professor e encolheu-se, olhando-o com apreensão.
- , atenção, a primeira pergunta é: Quais são os planos de para o futuro? - Ele questionou, recostei-me à cadeira, ela sorriu subitamente.
- Ele provavelmente respondeu que quer seguir com a carreira musical. - Sorri e o professor também.
- Certo, respondeu que quer fazer sucesso como músico. - Nosso grupo comemorou, eu apenas bati palmas - Segunda pergunta: O que você acha que procura nas pessoas com quem convive? - me olhou com as sobrancelhas suspensas e uma expressão confusa, parecia querer absorver uma resposta em minha expressão, então suspirou e encolheu os ombros.
- Ele me dizia que... Seu lema era tratar as pessoas como você gostaria de ser tratado por elas, então talvez... Talvez ele busque... Afinidades. - Apertou os olhos, o professor balançou a cabeça negativamente.
- busca reciprocidade.
- Dá na mesma! - Gritei, batendo as mãos na mesa.
- Não é não. - gritou e os grupos começaram a protestar.
- Calma, calma, ordem! - Sra. Hale pediu.
- Me convença de que Afinidade e Reciprocidade podem ter um sentido em comum, sr. . - Exigiu Sr. Dawson, ri e me levantei, passando as mãos por meu peito e adotando rapidamente uma postura autoritária.
- Veja bem... - Peguei o óculos do professor e o coloquei em meu rosto, causando riso geral - disse que eu busco afinidade nas pessoas, afinidade é o que? Coisas em comum, sentimentos em comum... Certo, professor? Professora? - Eles assentiram, entre risos - Certo, e reciprocidade é o que eu busco, ou seja, afinidades, pessoas que me dêem retorno em tudo o que eu penso e o que eu sinto, portanto, pessoas que tenhamos sentimentos e conceitos em comum... Logo, buscando reciprocidade, eu busco também afinidades.
- Achei uma explicação muito coerente. - disse e eu a reverenciei.
- Obrigado, senhorita . - Nós rimos e nosso grupo começou a gritar pelo ponto.
- Muito bem, muito bem! - Sr. Dawson rolou os olhos - Vou contar este ponto para o grupo Vermelho. - Começamos a gritar e pular, como se aquilo realmente tivesse muito valor, coloquei o óculos de volta no rosto do professor, beijando-lhe a bochecha em seguida, gargalhamos enquanto eu retornava para meu lugar - Cheio de graça esse . - Ele disse, ainda rindo - Ok, voltemos ao jogo.
- Certo. - concordou.
- Próxima pergunta: Qual a característica externa e a característica interna que ele mais valoriza? - Ela coçou a bochecha e riu.
- SEIOS! - Gargalhamos.
- MELÕES! - Ouvi a voz de Matt gritar e o fuzilei com meus olhos, ele encolheu-se um pouco, mas James deu retorno ao meu olhar, se eu pudesse, avançaria nele.
- Sorriso. - Ela respondeu, olhei pra ela de súbito, ela me olhou e suspirou - E bondade. Sorriso e bondade, é a resposta. - Tornou a olhar para o professor, segura do que dizia.
- Certo. - Levantei e comecei a dançar, comemorar junto com meu grupo, ria, constrangida da minha performance sobre a cadeira - Danny, por favor, não passa das 8 da noite. - Gargalhamos e eu parei, ainda sobre a cadeira - A próxima pergunta é a seguinte: Em uma escala de 0 à 10, qual a importância do sexo em um relacionamento para ?
- Uau! - disparou e eu ri.
- Vamos lá, , você sabe. - Incentivei, fazendo “figuinha“, ela riu com as bochechas rubras.
- 11? - Ela perguntou e nós gargalhamos - Não, estou só brincando, eu acho que... Ai meu Deus, eu não sei... Talvez... Talvez 9... 8... 8? - Ela me olhou e eu prendi o riso, o professor rolou os olhos - 8.
- Ponto para o grupo vermelho.
- Aaaah! - Ela gritou saltitando, fiz o mesmo sobre a cadeira, rindo.
- Certo, última pergunta. - O professor chamou nossa atenção, estralando os dedos, parei o que fazia e sorri - Para , o que é melhor, a mais doce mentira, ou a mais dura verdade?
não me olhou desta vez, ela não procurou saber a resposta através de mim, ou do professor, ela apenas olhou para o lado oposto, e assim permaneceu. Ela não precisava buscar a resposta para aquela questão em lugar algum, pois ela buscaria em si mesma. Tive medo que ela errasse aquela resposta, e que o fizesse de propósito, para me atingir. Eu confesso que mantive uma doce mentira por um longo tempo, mas foi de onde eu descobri que a mais dura verdade, ainda que doa, vale muito mais a pena, ela tinha que saber isso, embora eu nunca houvesse tido a oportunidade de dizer isto à ela.
- Atualmente... - Ela disse e olhou para o professor - A mais dura verdade.
Gritei com os braços erguidos, depois saltei da cadeira e corri até ela, erguendo-a do chão entre meus braços, começamos a pular todos juntos, em meu colo, gargalhando e esperneando pra que eu a colocasse no chão. Mas logo o professor veio acabar com a graça, e dizer que ainda faltava o grupo Amarelo, e como era de se esperar, Samantha acertou as 5 perguntas sobre seu namorado e nós ficamos empatados, não era pra menos, eles namoravam há pelo menos 2 séculos.
O jogo virou, agora era nossa vez de responder sobre as garotas, e assim James deu início, acertou 1 única pergunta sobre , e com isso foram desclassificados com 5 pontos, apenas. Foi a vez de , e ele sabia mais sobre do que eu esperava, 4, eles tinham 8 pontos agora, ainda podíamos perder.
- , a primeira pergunta é: Em relações amorosas, qual a vantagem de seguir a razão, e qual a vantagem de seguir a emoção, para ?
- Wow! - Disparei, indignado com a complexidade da questão - Espera... Me deixa pensar.
Coloquei as mãos na cintura e olhei para o chão, como se aquilo fosse me trazer a resposta, qual é a vantagem de seguir a razão em uma relação amorosa? Se ela tivesse seguido a razão em relação à mim, o que ela teria feito? Me afastado de si logo de início por todas as brincadeiras sem fundamento que eu já havia feito, e por eu ser de um "mundo" que não condizia com o seu, e pelo contrário, a afetava muito. Ela não teria ficado comigo, se tivesse sido racional.
- A vantagem de usar a razão é... Evitar sofrimento? - O professor fez um gesto pra que eu continuasse, mordi meu lábio - E a vantagem de usar a emoção é... Não sei, espera! - Eles começaram a rir.
Ela usou a emoção, o que ela havia tirado disso? Sofrimento em cima de sofrimento, então o que ela teria respondido? Que não havia vantagem nenhuma em seguir a emoção? Bom, se fosse isto, eu iria errar, mas iria dizer algo que ela precisava escutar.
- A vantagem de usar a emoção está relacionada à arrependimento. Quando você faz algo pensando muito, então você erra em algo, você se culpa o resto da vida, porque aquilo não era bem o que você queria, o que você realmente quer é aquilo que você faz por impulso, é o sentimento repentino, sabe? Então a vantagem é não se arrepender, por mais que não tenha dado certo, você fez o que queria fazer, sentiu o que queria sentir durante o tempo que teve. - Olhei pra depois para o professor, ele parecia surpreso com algo.
- disse em sua resposta da seguinte maneira, posso ler, senhorita ?
- Pode, professor. - Ela concedeu.
- "Seguir a razão te priva de sofrimentos constantes, enquanto seguir seu coração, sua emoção, não permite que você queira voltar atrás em nenhuma atitude tomada, por mais difíceis que sejam as conseqüências".
- Eu acertei?! - Gritei com os braços erguidos em expectativa, o professor rolou os olhos e concordou com a cabeça, comecei a pular, gritando e comemorando - Eu e tivemos um “transmimento de pensação“. - Pisquei pra ela, que ria, e voltei a olhar para o professor - Vai, professor, depois dessa eu respondo o resto, tenho certeza.
- Certo, . - Ele disse, rindo - A pergunta seguinte é: Se pudesse experimentar algo por uma única vez, sem qualquer risco ou conseqüência, o que seria? - Arqueei as sobrancelhas e olhei pra , ela sorriu fechado, com os braços cruzados, olhei para o professor e ri desconcertado, coçando minha bochecha.
- Morrer? - Encolhi-me, com os olhos semicerrados, riu.
- Ponto para a equipe vermelha.
- YAAAAAAAAAAAAAAY! - Gritei, começamos a novamente comemorar, agora faltavam só mais 3.
- A próxima é: tem alguma cicatriz? Se sim, como ela a adquiriu?
- Hm, deixa-me pensar em quantas. - Olhei pra com deboche, nós começamos a rir e ela corou - Ela têm uma na barriga... Não, mais pra baixo... De quando ela tirou o apêndice... Ela tem uma outra no antebraço, de uma briga de bar... - Gargalhei junto com ela - Brincadeira, brincadeira, é de quando ela se cortou com um vidro de xarope pra tosse... E acho que só... Não! Não! - Gritei com as mãos estendidas, pedindo que ele esperasse - Ela tem uma atrás da orelha, de quando empurrou ela, sem querer, em uma parede de vidro.
- Certo, temos algo inédito, ele se lembrou de uma a mais, porque só disse uma no ventre e outra no antebraço. - Dei de ombros.
- 'Tá valendo, professor, eu não errei! - Ele começou a rir.
- Certo, vamos para a próxima. - Olhei pra , que tocava, com a ponta dos dedos, atrás de sua própria orelha, sorri e tornei a encarar o professor - É a seguinte: Qual atitude do sexo oposto te faz perder as defesas? - Mordi meu lábio, eu deveria mesmo dar essa resposta?
- Nossa, professor, essa é difícil. - Respondi rindo, coçando a nuca - Não posso sair entregando o ouro assim. - Grande parte de nós gargalhou, encolheu-se, completamente vermelha.
- Quer que eu responda, ? - James perguntou com um sorriso malicioso, trinquei os dentes.
- Tente. - O desafiei.
- Hey, hey! - O professor chamou nossa atenção - Podemos prosseguir com o jogo?
- Não, vamos ver então quem a conhece melhor! - James disse e eu neguei com a cabeça.
- Quer saber? Não vale a pena. - Respondi, olhando-o - Eu a conheço o suficiente pra saber que nesse momento ela está pensando "Não façam isso, não façam isso".
- Uuuh! - Eles exclamaram e começaram a bater palma, olhei pra que suspirou e assentiu uma vez, com um sorriso fraco.
- Eu vou dar minha resposta. - Disse ao professor - O que deixa a sem defesas é olho no olho. - Respondi sem hesitar, o professor sorriu, parecendo incrédulo.
- Com as mesmas palavras. - Ele disse e riu - Ponto para equipe Vermelha e agora vamos para a quinta e última pergunta. - Assenti, esfregando as mãos - Coloque em ordem: Uma relação é constituída de respeito, admiração, confiança, tesão, amor.
- Eu preciso colocar essas palavras em ordem? - Confuso, questionei.
- Sim, você precisa saber qual a prioridade pra ela, respeito, admiração, confiança, tesão e amor.
- Ah, ok... - Suspirei - Em primeiro lugar respeito, depois amor, em terceiro confiança... Admiração e tesão. - Encolhi-me, o professor me olhou e sorriu.
- Feito, , ponto para o grupo Vermelho!
- YAAAAAAAAAAAAAAAY!
Pulei sobre meu grupo, sentindo-os me segurarem e saltarem junto comigo, comemorando nossos novos 5 pontos, completando com os 5 que fizera tínhamos 10, desclassificamos o grupo verde, e agora só faltava saber se Patrick acertaria as 5 como sua namorada, e assim empataríamos, do contrário, seria nossa primeira prova ganha.
Sentei-me ao lado de , ela me olhou e sorriu.
- Parabéns. - Murmurou, sorri e assenti.
- Obrigado, parabéns à você também. - Ela sorriu e então nos voltamos para Patrick.
Ele acertou as 4 primeiras, e era a última, ele só precisava saber qual dos pecados capitais Samantha se considerava mais próxima de cometer. É claro que é vaidade, qualquer um saberia só de olhar pra ela, mas ele provavelmente era cego de amor, então respondeu luxúria. Que pena... Pena o caralho, 10 pontos para nossa equipe!
- Vamos parabenizar todos os líderes, que foram muito bem nas provas, e principalmente à e por se conhecerem tão bem, gostei de ver. - Ele nos sorriu, retribui o sorriso, ainda abraçado à e ao grupo - Esse é o fim da prova de hoje, agora podem ir se divertir, apesar da chuva.
Batemos palmas e começamos a nos dispersar e caminhar para fora do restaurante. Ainda garoava, mas isso não nos fez desistir de aproveitar a noite. Grande parte dos alunos pulou na piscina e, ao meu ver, depois daquela prova, estávamos todos mais unidos. Talvez fosse o clima de chuva, ou por termos ficados trancados no restaurante por mais de uma hora juntos.
Quando meu relógio marcou 9 horas, decidi que eu devia ir para o apartamento e tentar, ao menos tentar, arrumar pra que não parecêssemos quatro macacos. Era como se tivéssemos recebido uma visita muito especial da Katrina, sabe, o furacão? Provavelmente o quarto de e não estava assim. Comecei estendendo melhor a roupa de cama e arrumando suas almofadas. Depois peguei um tapete que estava no banheiro e enxuguei o chão do quarto que eu e acabamos molhando por sair do banho sem nos enxugar, em parte por causa da chuva que havia entrado por termos esquecido de fechar a porta da sacada. Recolhi todos os tênis e chinelos, joguei-os pra baixo da cama, ela não os veria ali. Peguei as peças de roupa espalhadas pelo quarto e pelo banheiro, embolei-as no canto das poltronas e deixei nossas malas sobre elas, isso as esconderia por tempo suficiente. Depois foi a vez do banheiro, caso ela quisesse usar, se assustaria. Peguei todas as boxers e meias espalhadas e as atirei dentro do box, seus vidros embaçados impossibilitariam o reconhecimento das peças e, por fim, a pia, nojenta. Lavei rapidamente e ergui todos os frascos, depois dei descarga e fechei o vaso, enxugando rapidamente o chão com um tapete, sai e encostei a porta.
- , 'tô subindo!
Capítulo 6.
"That kinda lovin' turns a man to a slave"
(Crazy - Aerosmith)
Sentei na beirada da cama e respirei fundo, tentando não parecer ofegante, ou nervoso. Ela inclinou-se e colocou a cabeça para dentro do quarto através da fresta da porta.
- Entra, , não te ouvi chamar. - Disfarcei, passando a mão pelo meu cabelo enquanto ela se acercava, trazendo nosso bloco de papel e uma caneta.
- Eu chamei duas vezes, aí entrei. - Sorriu culpada, ri baixo e bati na cama ao meu lado.
- Sem problemas. - Eu disse e ela se sentou com cuidado, olhando ao redor de si, talvez para aliviar-se do desconcerto que compartilhávamos - Er... Então, o que temos pronto?
- Hm, quase nada. - Suspirou e me entregou o bloco de notas, cocei a nuca.
- Realmente. - Rimos - Vamos terminar isso hoje. - Garanti - Se importa se eu tirar meu tênis?
- Depende, posso abrir as portas da sacada? - Gargalhei e dei um tapa de leve em sua cabeça, ouvindo-a rir também enquanto eu chutava meu tênis pra lá e me recostando a um pilar que havia nos pés da cama.
- Você teve mais alguma idéia? - Perguntei após reler o que já tínhamos escrito.
- Não... Não sei. - Disse, também desfazendo-se de seu All Star e encolhendo-se sobre a cama, encostada no pilar frente à mim.
- Ok... - Murmurei, então reli as primeiras linhas e sibilei algumas vezes uma frase que se formou em minha mente - O que você acha de "Agora você está longe de mim, e como isso aconteceu depois de tanto tempo"? - Ela me olhou parecendo um pouco apreensiva.
- Gosto... - Assentiu, talvez sem graça - Eu pensei em colocar algo como... "Eu fecho meus olhos"... - Encarei-a, concordando com a cabeça e esperando que ela concluísse - "E espero estar fazendo certo". - Assenti, meus lábios pressionados um contra o outro.
- Podemos colocar "Eu hesitei em lhe contar o que estava sentindo, eu tenho medo". - Ela encolheu os lábios e baixou os olhos, ela sabia que eu havia entendido - "Livre-se destas lágrimas e seja forte". - ergueu o rosto e me encarou, então desviei meus olhos dos seus e escrevi tudo o que havíamos dito, antes que eu me esquecesse.
- O que você está escrevendo? - Ela quis saber, alguns minutos depois de um silêncio intenso e constrangedor.
- Hm... - Umedeci os lábios e parei de escrever - "Nada muda quando fazemos as pazes, você só fica em casa quando eu estou na cidade." - Li as frases que eu havia escrito recentemente.
- Gostei. - Ela disse com um sorriso, tentei sorrir também, mas falhei - Tenta isso: "Me desculpe se estou fora da linha".
Meus olhos encararam os de , ela parecia lamentar por algo, mas eu não sabia dizer o que era, então retornei minha atenção ao papel. Enquanto eu escrevia e mudava uma coisa ou outra, fazendo flechas para o melhor encaixe das palavras recentemente acrescentadas, eu apenas ouvia a chuva cair do lado de fora, pesadamente. havia definitivamente recolhido-se, e foi melhor assim. Não sei por quanto tempo mais eu seguraria tudo o que eu tinha vontade de dizer à ela. Ela estava mais diferente do que eu pensava, eu estava começando a vê-la de um ponto de vista distinto, pois com nosso namoro e mesmo após o término, sei que mudei pra melhor, enquanto ela, eu nem sabia mais quem era, ou em quantas ela se dividia.
- Já venho. - Eu disse, levantando e saindo do quarto.
Fui até o quarto de e busquei seu violão, ele o levava pra toda parte então eu sabia que o encontraria ali, e então não precisaria passar pela humilhação de tocar o violão que ela me deu de má fé para finalizar nossa composição. Era ironia demais pra uma noite só.
- Por que não usa o que eu te dei? - Ela perguntou assim que me sentei com o violão no colo, fitei-a, buscando indícios de sarcasmo.
- Porque eu não pretendo ficar com ele. - Respondi com sinceridade e me virei de frente para ela, deixando a letra sobre a cama ao alcance da minha visão.
- Por quê? Ele não é bom? - Ela quis saber, respirei fundo e desviei meus olhos das cordas.
- Ele é perfeito, mas não é meu.
- É sim, eu te dei.
- Ele não é meu, eu não o considero meu, e não o quero pra mim.
- Que mal educado, recusando um presente. - Ela disse, sorrindo, semicerrei os olhos e depois decidi ignorar.
- Você sabe cantar? - Eu quis saber, ela suspirou e negou com a cabeça - Mas você não pode tentar?
- Posso. - Deu de ombros.
- Ok. - Comecei a dedilhar o violão, tentando dar início aos arranjos - Será que o trouxe o teclado? Você sabe tocar, não sabe?
- Sei. - Assentiu.
- Legal.
Retornei ao quarto de e voltei com seu teclado, armei seu suporte em frente à cama e conectei seu fio à tomada, mesmo arrumou o que tinha para arrumar nele e eu comecei a indicar algumas notas, acompanhando-a com o violão e pausando às vezes para anotar tudo no bloco de notas.
- Esse final ficou muito bom! - Exclamei entusiasmado - Se a gente ensaiar mais umas três vezes, acho que conseguimos ganhar os pontos.
- É, ficou muito boa, parabéns. - Disse com um sorriso discreto.
- Obrigado, mas parabéns à você também. - Ela sorriu e deu de ombros.
- Bom, acho que... Devo ir. - Ela murmurou e olhou para a sacada, também o fiz.
- Acho que você deve ficar e esperar a chuva diminuir. - Eu disse e ela riu, concordando com a cabeça.
- Então você pode me dar um copo d'água? - Ela pediu e se abanou.
- Posso, vou ligar o ar também.
- Obrigada.
Levantei e deixei o violão encostado à cama, caminhei até o ar condicionado e o liguei, depois saí do quarto e desci até a cozinha. "Que a chuva não passe, que a chuva não passe", eu repetia pra mim mesmo enquanto pegava um copo e uma garrafa de água. Subi lentamente de volta ao quarto, e notei a falta de claridade provinda de dentro dele quando ainda estava no corredor. Contraí o cenho e me acerquei da porta, empurrei-a devagar com o antebraço e realizei que as luzes estavam apagadas. Entrei no quarto com calma, me perguntando se havia acabado a força. A primeira coisa que consegui ver foi o violão encostado sobre a mesa de centro, com um vestido pendurado em seu braço. Meus olhos rapidamente vasculharam o quarto em busca de , e encontraram-na sentada na beirada da cama, com o teclado à sua frente, vestindo uma lingerie cor de rosa e um sorriso que eu não consigo definir.
There'll be girls across the nation that will eat this up
Haverão garotas pela nação que vão engolir esta
Baby, I know that it's your soul, but could you bottle it up?
Amor, eu sei que é sua alma, mas você pode contê-la?
And get down to the heart of it
E ir direto ao ponto
"No, it's my heart, you're shit out of your luck"
"Não, este é meu coração, você está sem sorte"
Don't make me tell you again my love, love, love, Love
Não me faça dizer de novo, meu amor, amor, amor, amor
Love, love, love, Love
Amor, amor, amor, amor
começou a cantar, sem força na voz, mas com os olhos fixos nos meus e os dedos deslizando delicadamente pelo teclado, fazia aquilo com maestria, como se houvesse ensaiado dias apenas para se apresentar pra mim. Um arrepio percorreu minha nuca. Nem em meus mais loucos sonhos eu poderia fantasiar daquela maneira, seminua, sobre minha cama, tocando uma música que eu nunca havia escutado, mas era completamente agradável aos meus ouvidos.
I am aiming to be somebody this somebody trusts
Estou almejando ser alguém que este alguém confie
With her delicate soul, I don't claim to know much
Com sua alma delicada, eu não exijo saber muito
Except soon as you start to make room for the parts
Exceto logo que você começa a dar espaço para as partes
That aren't you, it gets harder to bloom in a garden of Love
Que não são você, assim fica difícil desabrochar em um jardim de amor
Love, love, love, love, love, love, Love
Amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor
Eu não me movia, sequer tentava. Eu mal conseguia desviar meus olhos dos seus... Seus lábios, seios, dedos. Eu não sabia o que fazer, mas não queria fazer nada, como se qualquer movimento em falso pudesse fazê-la dissipar no ar como poeira. Eu estava um pouco mais seguro de que ela não iria sair correndo desta vez, mas ainda assim, com as costas, empurrei a porta e a tranquei, melhor assim.
Only thing I ever could need
A única coisa que eu poderia precisar
Only one good thing worth trying to be, and it's Love
Uma única coisa boa que vale a pena tentar ser, e é amor
Love, love, Love
Amor, amor, amor
I do it for love, love, Love
Eu faço isso por amor, amor, amor
sorriu, ainda encarando meus olhos como se quisesse entrar em minha mente e absorver cada conteúdo dentro dela, se é que havia algum naquele momento. Eu estava completamente cativado por aquela imagem, aquela voz e a melodia que soava do teclado, mesclado com as batidas do meu coração, que parecia pulsar nas orelhas. Meu Deus, não pode ser real, repeti a mim mesmo algumas vezes.
We can understand the sentiment you're saying to us
Nós podemos entender o sentimento do qual você está nos falando
But sensible sells, so could you kindly shut up?
Mas sensibilidade vende, então você poderia gentilmente calar a boca?
And get started at keeping your part of the bargain
E começar a cumprir sua parte da barganha
Aw, please, little darling, you're killing me sweetly with Love
Aw, por favor, queridinho, você está me matando docemente com amor
Love, love, Love
Amor, amor, amor
Love, love, love, Love
Amor, amor, amor, amor
Acerquei-me alguns passos, sem saber se deveria, mas sem conseguir conter. Deixei o copo e a garrafa sobre a mesa de centro, ouvimos o tilintar do vidro quando o copo tombou, tentei, às cegas, colocá-lo em pé, mas tudo o que fiz foi derrubá-lo no tapete; deixei-o lá, que me importa um copo quando tenho um corpo como aquele se insinuando daquela maneira pra mim? Meus joelhos fraquejaram quando ela riu, dizendo que eu a matava de amor, amor, amor... Amor.
Only thing I ever could need
A única coisa que eu poderia precisar
Only one good thing worth trying to be, and it's Love
Uma única coisa boa que vale a pena tentar ser, e é amor
Love, love, Love
Amor, amor, amor
I do it for love, love, Love
Eu faço isso por amor, amor, amor
sorriu quando eu mordi meu lábio, com tanta força que ele chegara a formigar. Meu corpo começava a dar indícios de que não resistiria muito mais. Eu não queria ter de tirá-la de trás daquele teclado, eu queria deixá-la terminar, só não sei se eu poderia fazê-lo, seria bom que ela se apressasse enquanto eu me ocupava tirando minhas meias e camiseta.
Started as a flicker meant to be a flame
Começou como uma fagulha nascida para ser uma chama
Skin has gotten thicker, but it burns the same
A pele se tornou mais tensa, mas queima da mesma maneira
Still a baby in a cradle got to take my first fall
Ainda um bebê no berço tenho que levar minha primeira queda
Baby's getting next to nowhere with a back against the wall
Amor está se aproximando de lugar nenhum, com as costas contra a parede
You meant to make me happy, make me sad
Você tinha a intenção de me fazer feliz, me faz triste
Want to make it better, better so bad
Quer fazer o melhor, melhor tão mal
But save your resolutions for your never new year
Mas guarde suas resoluções para seu dia de são nunca
There is only one solution I can see here
Há apenas uma solução que eu posso ver aqui
Seus olhos percorreram indiscretamente meu peito e abdômen, agora descobertos. Desafivelei meu cinto e depois desabotoei minha calça, ouvindo-a cantar com a voz um pouco mais fraca e vaga. Avancei mais alguns passos em sua direção, baixando o zíper do meu jeans e aliviando um pouco minha ereção. Eu ainda a ouvia, e ainda admirava sua performance, mas os efeitos de sua semi nudez não passavam despercebidos por meus instintos. Eu mal podia esperar para tocar cada centímetro de sua pele.
Love, you're all I ever could need
Amor, você é tudo o que eu poderia precisar
Only one good thing worth trying to be and it's Love
Uma única coisa que vale a pena tentar ser e é amor
Love, love, Love
Amor, amor, amor
I do it for love, love, love, Love
Eu faço isso por amor, amor, amor, amor
Oh, only gonna get get what you give away, so give love, Love
Oh, você só vai conseguir obter o que você dá, então dê amor, amor
Only gonna get get what you give away, Love
Você só vai conseguir obter o que você dá, amor
Parei à sua frente, com meu quadril próximo ao teclado. Eu podia notar sua respiração acelerada através dos movimentos que seus seios faziam, não a julguei, a minha também estava falha desde o momento em que passei pela porta, tão falha quanto sua voz, a partir da minha aproximação. Eu sentia minha pele aquecida, tanto quanto meu interior, que parecia imerso em chamas. Meus músculos pulsavam ansiosos e meus poros se eriçavam de antecipação, vez ou outra eu tinha espasmos alucinantes. Eu e estávamos conectados de alguma forma inacreditável, como se ela estivesse dentro de mim de alguma maneira, comandando cada movimento e cada pensamento, direcionando-os somente à ela. Eu e estávamos fazendo amor sem sequer nos tocarmos.
Com o polegar, pressionei o botão vermelho no canto do teclado, desligando-o. deslizou seus dedos para fora dele e agora eu podia ouvi-la arfar apesar do ruído do ar condicionado e da chuva. Eu também ouvia meu coração, ou era o seu? Não sei. Afastei o teclado para o lado e ela levantou-se. Sem mais delongas envolvi seu corpo em meus braços, pressionando sua pele contra a minha, eu queria estar dentro dela, por completo. esticou seu pescoço, oferecendo-me seus lábios enquanto eu embrenhava meus dedos entre seus cabelos. Com seus lábios próximos aos meus, sussurrou:
- Minha fraqueza... Você errou. - Então pressionou seus lábios nos meus, depositando um beijo úmido sobre eles - Minha fraqueza é você.
Estremeci e guinei seu corpo contra o meu, pressionando nossos lábios e os apartando com a ponta da minha língua. deixou que eu a beijasse como eu queria, também me concedeu lugar entre suas pernas, agora envoltas em minha cintura, pressionando-me contra si. Ajoelhei sobre a cama e apoiei minhas mãos no colchão, nos deitando na superfície macia e receptiva. Nossas bocas se fundiam uma contra outra, investindo no beijo, na carícia lânguida que nossas línguas faziam. As mãos de arrastavam-se por minhas costas, despertando novos espasmos por minha coluna quando, vez ou outra, arriscavam me arranhar.
Senti seu corpo empurrar o meu e logo havíamos trocado nossa posição. Heloísa apoiou suas mãos no travesseiro onde minha cabeça descansava, seus dentes seguraram meu lábio inferior e o puxaram, enquanto seu quadril fazia movimentos sinuosos sobre o meu, precisamente sobre minha ereção. Desenterrei meus dedos de suas coxas e os arrastei por suas nádegas, depois por suas costas, soltando habilmente cada um dos colchetes de seu sutiã. Ela ergueu-se, com os joelhos apoiados no colchão e seu quadril pressionado contra o meu, então retirou as alças da peça e livrou-se dela, lançando-a para um canto qualquer do quarto. Seus seios arrebitados fizeram meu estômago dar um tranco, e não me contentei com caricias superficiais, eu queria-os novamente em minha boca, eram meus, eu tinha esse direito.
Ergui meu tronco e agarrei seu quadril, mantendo-a em meu colo enquanto delineava seu mamilo com a ponta de minha língua, sentindo-a arranhar meus ombros e gemer baixo com os lábios pressionados em minha cabeça. Mordisquei cuidadosamente o bico rígido de seu seio e a ouvi arfar, outro gemido veio em seguida, quando comecei a sugar seu mamilo. Eu não me cansaria jamais, mas ela parecia ter urgência em seguirmos em frente, então me empurrou de volta ao colchão e começou a baixar minha boxer. Não a ajudei, não desta vez, ela parecia saber o que estava fazendo, e isso me assustava de um tanto, enquanto me excitava em outros bons tantos.
Senti seus dedos percorrerem meu membro, rodeando-o e acariciando-o com destreza, fechei meus olhos e traguei em seco, pulsando-o contra sua pele macia. De repente foi como se um cobertor úmido e completamente quente envolvesse a glande de meu pênis, não consegui abrir os olhos, apenas contraí cada único músculo de meu corpo e gemi baixo, rouco. Da segunda vez eu me senti mais confortável para olhá-la, ela também me olhava, seus olhos nublados de prazer e seus lábios inchados agora engoliam meu membro, indo e vindo como eu havia ensinado uma única vez. Aprendizagem nunca havia sido seu problema.
Quando já não suportava mais, puxei seus cabelos e a afastei sua boca de meu pênis, puxando-a e lançando-a ao meu lado. Colei nossos lábios e encaixei-me novamente entre suas pernas, embora isso me atrapalhasse na tarefa de retirar sua calcinha, logo ela estava longe de nós e já não havia coisa alguma entre nossos corpos que nos impedisse de fazer o que tanto estávamos desejando. Estiquei minha mão até o criado mudo e de lá retirei um preservativo, rapidamente me protegi e senti segurar meu membro, acariciando-o com uma das mãos, enquanto a outra segurava meus cabelos com força. Ela mesma direcionou meu quadril ao seu e começou a penetração, depois deslizou sua mão por minhas costas, permitindo que eu terminasse de empurrar. Um gemido baixo e abafado escapou de nós dois quando me abriguei por completo dentro de seu corpo. Comecei então a me mover, lentamente, para desfrutar de cada única sensação que percorria por meu corpo, e estou certo de que pelo dela também. Meus movimentos ganhavam velocidade involuntariamente, mas não durou por muito tempo, ela me empurrou para o lado e me fez perder o contato de nossos corpos, então colocou-se sobre mim e sentou-se sobre meu membro. Um gemido esgueirou-se entre meus dentes quando a vi rolar os olhos, suas mãos apoiadas em meu peito ajudavam nos movimentos de seu quadril. Apertei suas coxas e suas nádegas, sentindo-a saltar sobre mim, cada vez mais rápido e mais rápido... Mais, mais... Era tudo o que eu conseguia raciocinar, sentindo como se eu fosse morrer a qualquer momento. O prazer era tanto que o ar foi insuficiente, quando finalmente atingi meu orgasmo.
deitou a cabeça pra frente e seus cabelos fizeram cócegas em meu abdômen, sorri e acariciei lentamente suas coxas, com meus olhos fechados, recobrando as forças e a sanidade. Senti seu quadril afastar-se do meu e logo o colchão se moveu, anunciando sua presença ao meu lado. Abri meus olhos e virei meu rosto em sua direção, ela encarava o teto, algumas gotas de suor escorriam por sua testa, seus seios rígidos subiam e desciam em uma respiração ofegante. Preocupado com o que ela poderia estar pensando, ergui meu corpo sobre meu antebraço e me virei de frente pra ela, desviou seus olhos do teto e fitou meu rosto.
- Ninguém pode saber sobre isso. - Disparou, arqueei as sobrancelhas.
- Qual o problema?
- Eu não quero que ninguém saiba. - Disse firmemente - Se chegar aos ouvidos de ela vai dar um jeito pra que eu não te veja, ou atrapalhar quando estivermos juntos cumprindo as tarefas. - Assenti devagar.
- , sempre ela. - Sorri irônico e me sentei, esfregando meu rosto, antes ela não tivesse dito nada.
- ... - Chamou, senti suas mãos em minhas costas e seu queixo em meu ombro, suspirei - Me dê um tempo, quando voltarmos pra Bolton as coisas vão ser diferentes, mas aqui não temos pra onde fugir dela, você me entende? Não quero mais confusão do que já temos. - Assenti, lentamente.
- Tudo bem, , como você quiser. - Senti um beijo ser depositado em minhas costas e depois ela saltou da cama, começando a buscar suas peças - Fica um pouco mais.
- Não posso, já estamos aqui há bem mais de duas horas, temos que entregar a composição de volta ao professor. - Dizia enquanto se vestia rapidamente.
- Hm, tudo bem.
Levantei e fui em direção ao banheiro, livrando-me do preservativo e, após os procedimentos necessários, atirei-o na lixeira. Recolhi minha boxer no tapete ao lado da cama, vesti-a, depois o resto das roupas e o tênis. tomou um pouco de água e eu também aceitei dois copos, então, aparentemente recuperados, saímos em busca do professor por todo o quiosque. Quando passamos pela piscina principal, vimos que ainda estavam todos por lá, e agora que a chuva havia cessado, eles se divertiam na piscina mais uma vez, se é que haviam saído de lá.
- Sr. Dawson, Sra. Hale. - os chamou gentilmente quando os encontramos sentados em uma varanda, tomando algo que não parecia suco.
- Boa noite. - Eles disseram juntos.
- Boa noite. - Eu disse e estendeu o bloco de notas.
- Viemos entregar a composição.
- Já está pronta? - Ele quis saber.
- Sim, nós só precisaremos pegar amanhã uma última vez pra ensaiarmos, mas ela está pronta.
- Parabéns, garotos, muito bom trabalho. - Sra. Hale disse e nós sorrimos em agradecimento.
- Então nós vamos indo... - disse e encolheu-se - Tenham uma boa noite.
- À vocês também.
Caminhamos em silêncio, encolhida em seus próprios braços e eu com as mãos enterradas no bolso. Estava claro que não sabíamos o que fazer, se devíamos andar mais próximos ou ainda mais afastados que anteriormente. Eu sentia como se todos soubessem e aposto que ela sentia o mesmo. Eu não via problema nenhum em gritar pro mundo que estávamos supostamente juntos, mas se ela via, eu evitaria o quanto pudesse.
- Eu vou... Indo para o apartamento. - Ela disse quando nos aproximamos da piscina principal, fitei-a por um momento, meus passos morrendo aos poucos.
- Tudo bem, eu ainda vou ficar aqui com os caras um pouco.
- Certo... Então boa noite. - Ela me olhou, sem saber o que fazer, retirei minhas mãos do bolso e segurei sua cintura, trazendo-a para mais perto.
não recusou meu beijo, embora tenha sido breve. Depois ela se afastou, e eu, como havia dito, caminhei até os caras, que estavam sentados em uma das mesas. Por mais que eu tenha tentado, não consegui me concentrar em qualquer assunto, eu parecia ouvi-los, mas não entendê-los. Minha cabeça estava em outro lugar, e meu corpo também queria estar.
Voltamos pra casa quando já era bem tarde, antes que começasse a falar, retirei as roupas de cama e expliquei a ele o que havia acontecido, mas pedi que por enquanto isso ficasse apenas entre nós dois, eu contaria aos outros em outra oportunidade. Ele entendeu, e até agradeceu a confiança depositada sobre ele novamente, apesar de tudo o que ele havia feito. Achei graça, pois eu nem mesmo havia me lembrado disto.
Deitado no sofá da sala, olhando gotas espessas de chuva se mesclarem com a água da piscina do lado de fora do bangalô, eu tentava assimilar o que de fato havia acontecido naquele quarto mais cedo. Eu deveria me sentir feliz com aquela transa? Deveria me preocupar com o rumo que as coisas tomariam depois daquilo? Ou com as razões que tivera pra se entregar novamente a mim? Eu estava tão confuso que não quis pensar em mais nada, e manter viva apenas a lembrança da sensação de tê-la em meus braços. Isso me bastava por hora... Por hora.
Capítulo 7.
"I would fall asleep, only in hopes of dreaming that, everything would be like it was before"
(Blind - Lifehouse)
Felicidade, para mim, sempre foi um sentimento relativo. Ninguém consegue ser feliz um dia inteiro, sem que nada faça alterar, mesmo que um pouco, essa sensação. Concluo então que, o que existe, são momentos felizes. Momentos que você se esquece de qualquer coisa que não seja o simples e justo desejo de que os ponteiros paralisem e você não precise nunca mais lidar com outro sentimento, se não aquele. Mas quando estes momentos chegam ao fim - e eles sempre chegam - tudo o que resta é uma vaga e confusa lembrança. Era como eu me sentia, na verdade. Vago, confuso.
Após obter tudo o que mais quis durante todos aqueles dias, havia uma pergunta que me assolava desde então: Será que aquela transa significara para o mesmo que para mim? Afinal, ela me parecia bastante convicta em demonstrar seu ódio e rancor para, de repente, estar tocando teclado completamente nua pra mim... Pra mim. Então dentre todas as possibilidades, a mais cabível, e a que menos me fazia sofrer, era a de que estava por trás de cada olhar cheio de mágoa em minha direção, cada palavra hostil, cada roupa, cada novo movimento da nova , ela estava tão abarrotada de novos falsos trejeitos e falsos vocabulários, que eu mal podia ver minha menina abaixo de tudo aquilo, mas eu sabia que ela estava em algum lugar, despindo-se para tocar uma canção de amor pra mim... Pra mim. Foi isso o que aconteceu, também sentiu-se esmagada por sua outra versão, a nova, que não me agradava em nada, e então retirou-a de cima de si, assim como cada peça de roupa, e livre de tudo aquilo, entregou-se aos meus braços, ela voltou a ser ela mesma, e se tem uma coisa na qual ninguém jamais poderá intervir será essa. , sendo ela mesma, sempre será minha. Minha.
- , acorda. - Eu ouvia, mais uma vez, a voz de . Bufei e me encolhi, eu queria que ele desistisse e fosse sem mim - Vamos, benzinho, vai me abandonar assim? - Suspirei e controlei o riso diante de sua voz afinada - ! - Chamava com a entonação melódica e pastosa, ri, abrindo os olhos e vendo-o sentado na cadeira de balanço em frente ao sofá.
- Você é chato pra caralho. - Murmurei, alongando meu corpo e sentindo meus músculos protestarem aos movimentos, voltei a me encostar e fechei os olhos.
- Eu ainda fui muito gentil deixando você dormir até agora, anda logo ou a gente fica sem almoço. - Falou rapidamente, suspirei, sem querer sair dali - Anda, !
- Já vou, merda!
Ainda que eu houvesse dormido a manhã toda, era como se eu tivesse tido uma noite em claro. Minhas pálpebras mal conseguiam se manter erguidas, mas após lavar o rosto e escovar os dentes, parecia melhor, ou mais fácil ficar acordado. Fiz toda a higiene matinal e saí em busca de uma roupa. Nada mais que um boardshort preto e uma camiseta branca lisa. Calcei meus chinelos e coloquei meu óculos de sol, não queria amedrontar ninguém, certo? Meu cabelo já daria bons sustos.
- Ahhh, até que enfim! - Ouvi reclamar assim que Dougie e eu atravessamos a porta do restaurante.
- Eu disse ao que não era hora pra dar uma, mas vocês conhecem essa putinha. - Respondi com bom humor, eles gargalharam e me abraçou pela cintura.
- Não fala assim, benzinho. - Fazia biquinho enquanto caminhávamos até a mesa, ouvindo os garotos rirem, notei que Mia e Abbie também estavam sentadas ali, as cumprimentei com a cabeça e me soltei de , sentando-me em uma cadeira desocupada.
Enquanto os garotos falavam sobre algo que parecia engraçado, meus olhos começaram a buscar pelos de , que corou ao perceber-me encarando-a, sorri e ela encolheu-se, sorrindo de volta, mas logo desviou seus olhos para , com um falso sorriso espontâneo na direção da moça, que falava sem parar. Suspirei e tentei ignorar o fato de como as coisas estavam diferentes agora, podíamos estar sentados juntos, podíamos, ao menos, não estar escondendo nossa vontade de estar perto um do outro, mas nada era como antes. Podíamos perceber em seu rosto, seus gestos e sorriso, no decote de sua blusa, minha menina nunca usaria aquilo, ao menos não com a intenção de provocar, mas devo admitir... Ela estava linda pra caralho.
- 10 libras a hora.
Grande parte dos alunos haviam descido pra praia depois do almoço, era quinta-feira e todos queriam aproveitar tudo o que podiam antes de termos de ir embora. Os garotos e eu decidimos, finalmente, dar uma volta de Jet Ski, estávamos esperando por aquilo desde o primeiro dia, mas nos distraíamos com outra coisa e acabávamos adiando. Não teríamos outra oportunidade, já que no dia seguinte teríamos de ensaiar, no sábado iríamos ter um lual, onde nós iríamos tocar. Só vim a saber de tudo isso enquanto descíamos até a praia.
Com o colete salva vidas no corpo, subi no Jet Ski e dei partida, ouvindo o instrutor me advertir sobre algumas coisas enquanto meus olhos acompanhavam e avançarem rapidamente. Fiz o mesmo e sem mais delongas comecei a adquirir velocidade. Eu sentia as gotas de água respingarem em mim, por meus braços e rosto, aliviava o calor que aquecia fortemente minha pele devido ao sol a pino.
Olhei de lado para , que havia se distraído com , agora eles faziam curvas fechadas e com isso atiravam água em e Antony. Gargalhei e olhei pra frente, acelerando um pouco mais. Se eu já havia tido sensação de liberdade como aquela, eu não me lembrava. Eu podia ir para qualquer lugar, mas não havia lugar algum ali, só água, uma imensidão de água cristalina.
Pouco tempo depois, e longe o suficiente para já não enxergar a praia, uma estrutura se erguia frente aos meus olhos, e se tornava maior e mais bonita com a proximidade. Não era qualquer tipo de ilha, ao menos não se parecia com uma. Eram apenas montanhas de pedras de todos os tamanhos e formatos, um paraíso rochoso.
Emperrei o Jet Ski na margem e saltei dele. Por pura curiosidade comecei a andar, e embora eu tenha quase caído diversas vezes, eu estava interessado naquele lugar. De longe pude ver a entrada de uma caverna, excitado, andei mais depressa para chegar até lá. Entrei na água e comecei a caminhar caverna adentro. Minha visão limitou-se um pouco pela escuridão, era como um túnel, não muito estreito. A claridade vinha de algum lugar à frente, e logo se tornou maior, conforme eu me aproximava. A essa altura a água alcançava a linha do meu estômago e o salva-vidas começava a me impulsionar pra cima, afetando meus passos. As paredes se abriam e faziam um grande e alto círculo. Arqueei as sobrancelhas e dei um passo, mas notei que ali já não "dava pé" pra mim, o colete me suspendeu e eu dei braçadas lentas até uma rocha grande e achatada que havia ali no meio, dei um impulso e me sentei sobre ela, depois me livrei do colete e dos óculos de sol, deixando-os ao meu lado.
Soltei um suspiro alto, olhando aquele lugar ao meu redor. Eu só queria ficar ali e não pensar em nada, mas falhei. A única coisa que me confortou é que não estava pensando em , não diretamente. Estava pensando em futuro, no futuro que dois ou três anos atrás, planejávamos e pensávamos que tínhamos tempo o suficiente para nos preparar até lá, mas agora tínhamos um semestre, será que estávamos preparados? Será que conseguiríamos finalmente tudo o que queríamos ou assim que o ano letivo terminasse tudo ficaria pra trás, nos perderíamos e iríamos virar coisas que nunca quisemos ser? Quero dizer, o que eu seria se não fosse músico? Profissional do sexo?
- Ah, velho, que merda, o que tem na cabeça? - Ouvi a voz de ecoar, contraí o cenho.
- Ele deve estar por aqui, o Jet Ski dele 'tá aqui, ele não deve ter ido muito longe.
- , você 'tá vendo ele por alguma parte aqui? Não tem lugar pra ir aqui, ele não está aqui! - dizia depressa, com a entonação cheia de cólera, comecei a vestir meu colete e saltei de onde estava, pegando meu óculos e fazendo o caminho até o túnel.
- , ele têm que estar aqui em algum lugar! - disse esganiçado, prendi o riso, podia ser cruel, mas era muito engraçado vê-los desesperados.
- Calma, gente, vamos ter calma, às vezes esse não é o Jet Ski dele. - ponderou, mas logo depois concluiu - Ok, mas vamos tentar não nos desesperar, ele deve estar por aqui...
- Vocês não entendem? - gritou e eu finalmente pude vê-los, coloquei as mãos na cintura e soltei um suspiro cansado.
- E aí, guys! - Eles se voltaram pra mim subitamente, trincou os dentes e eu agradeci por estar longe dele.
- Onde você 'tava, idiota?! - bradou, levantando-se com a expressão transtornada, ele estava pálido, ri e saltei de onde estava, andando até eles.
- Ali dentro. - Apontei com o polegar - É muito bonito, vocês deveriam ver.
- Ah, que fofa! - exclamou com um sorriso sarcástico - Enquanto a mocinha ficava admirando a paisagem, 'tava todo mundo louco atrás de você lá na praia, seu otário! - Ralhava ele, cocei a nuca fingindo desconcerto.
- Tudo bem, estou aqui agora, não chorem. - Saltei sobre , que deu um tapa em minhas costas, mas depois cedeu às gargalhadas.
- Vamos voltar de uma vez.
Após pegarmos nossas respectivas motos, começamos a traçar o caminho até a praia. Só então notei quão longe eu havia ido. , que vinha ao meu lado, me contou que o instrutor havia sido o primeiro a ir me procurar, havia encontrado um Jet Ski um pouco mais longe de onde eu estava, tombado na água, então retornou, para pedir ajuda na busca esperando que aquela não fosse minha moto, foi quando teve uma queda de pressão, mas os caras não sabiam mais que isso, pois haviam se disponibilizado para me procurar também.
De longe pude ver o aglomerado de pessoas, contraí o cenho. me olhou e apontou com a cabeça, gritando um "se vira". Ri e acelerei em direção à margem, notei que algumas pessoas estavam aliviadas ao me ver, outras rolavam os olhos e se afastavam. O instrutor se aproximou rapidamente, perguntando se eu estava bem e me bronqueando em seguida, o mesmo fizeram os professores. Achei uma reação exagerada, eu não havia passado mais que 2 horas naquele lugar e eles só faltavam ligar para meus pais.
- Eu estou bem. - Afirmei uma última vez ao Sr. Dawson, enquanto Sr. Hale media minha febre com as costas da mão, suspirei e rolei os olhos, livrando-me do colete salva vidas enquanto olhava em outra direção, vi , longe de todos, próxima à escada que dava acesso ao resort.
- Você está quente. - Disse Sr. Hale.
- Eu estava no sol. - Respondi sem interesse, com meus olhos fixos nos de , ela tinha uma expressão rígida, lentamente começou a subir as escadas, quando chegou ao topo, virou seu rosto pra trás e maneou a cabeça.
- Ainda assim, é melhor irmos até à enfermaria... - Sr. Hale sugeriu, espalmei seu ombro em conforto e comecei a andar - , volte aqui!
Andei depressa, ignorando os chamados, até a escadaria. Subi, de dois em dois degraus, o mais rápido que consegui. caminhava a alguns metros de distância, ela olhou pra trás e voltou a caminhar, ligeiramente. Segui-a, o que mais eu poderia fazer? Já havíamos atravessado o resort e ali só se podia ouvir as ondas quebrando no mar, junto com o balançar da folhagem dos coqueiros e o cantar de uns passarinhos. Dispersei-me um pouco, olhando a vista, e quando olhei pra frente não pude vê-la, contraí o cenho e parei de andar, buscando-a ao meu redor, mas não havia sinal de por ali. Andei mais devagar, agora pela grama, e pude avisar uma cabine. Andei devagar até lá, mas antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa, senti duas mãos espalmarem meu peito, lançando-me contra uma das paredes de madeira, que chacoalhou brevemente com a colisão. Abri os olhos e identifiquei a figura de à minha frente, seus olhos direcionados aos meus e seus lábios entreabertos. Eu sentia sua respiração soprar meu rosto, mas por pouco tempo, nossos lábios se buscaram. empurrou seu corpo contra o meu e investiu com sua língua na minha, como se estivesse faminta por aquele beijo.
Agarrei sua cintura por baixo da blusa que ela usava, aturdido pela maneira ávida com a qual me beijava. Vez ou outra eu sentia seus dentes beliscarem meus lábios e a ponta da minha língua. Senti suas mãos percorrerem meu peito e barriga, até alcançarem a barra de minha camiseta e trazê-la pra cima e a ajudei a concluir a retirada da peça. Suas mãos alisaram minha pele, e por onde passavam deixavam um rastro mais quente, como se ateasse uma trilha de fogo com a ponta dos dedos. Trinquei meus dentes, sentindo os seus cravarem em meu pescoço, depois no lóbulo de minha orelha, arranhando-o com calma enquanto respirava ruidosamente, resfolegando enquanto eu segurava firmemente seu quadril contra o meu. Eu não costumava ser passivo, mas eu não me importava de deixá-la fazer o que quisesse comigo... Oh, não mesmo.
se afastou alguns centímetros, ainda com meus cabelos preso entre os dedos de uma de suas mãos, ergueu-se novamente na ponta dos pés e com uma calma irritante beijou meu queixo, senti sua língua roçar contra ele e fechei meus olhos, meus poros se eriçaram e eu a puxei com mais força, ouvi seu gemido baixo, longo e um sorriso veio a seguir, aquilo me fez atingir meu limite rapidamente. Apanhei suas coxas e a carreguei até a maca, posicionada atrás de nós, sentei-a lá e sem muita delicadeza puxei o tecido de sua blusa acima. Encarei seu pescoço exposto e encaixei meu rosto na curva dele, começando a beijá-lo e sugá-lo enquanto sentia suas mãos trêmulas lidarem com meu boardshort, logo ele estava em torno de meus tornozelos, e em seguida longe deles.
Segurando as coxas de , eu instigava seu quadril a mover-se contra o meu, podendo com isso pressionar minha ereção nela. Suas mãos trabalhavam para me manter o mais próximo que era possível, agarrando minha pele como se quisesse arrancá-la de mim. Eu sentia meu corpo todo queimar, senti que poderia explodir a qualquer minuto, em todos os sentidos da palavra. Mordisquei sua orelha, abocanhando-a. estremecia a cada nova pincelada da minha língua contra sua pele. E sem poder conter sua excitação, agarrou uma de minhas mãos e a arrastou por sua própria coxa, levando-a pela parte interna da mesma e pressionando-a contra sua própria intimidade. Grunhi entre dentes, começando a desabotoar seu short, retirei-o de seu corpo o mais rápido que consegui. Suas pernas atraíram meu corpo de volta ao seu e um novo beijo teve início, mais sedento do que qualquer outro que eu já havia provado.
Toquei seus seios sobre o biquíni, mas não me permitiu tirá-lo, justificou-se dizendo que alguém poderia chegar, isso poderia me irritar se não fosse a maneira como ela me masturbava e dizia isso no pé do meu ouvido. De repente ela levantou-se e virou-se de costas pra mim, afastou seu próprio cabelo para o lado enquanto eu a abraçava por trás, alisando sua barriga que encolhia-se rapidamente a cada um de meus toques. Fiz uma trilha de beijos de seu ombro até sua nuca enquanto pressionava meu membro contra sua bunda, desamarrando a alça de seu biquíni com uma das mãos. segurou minhas mãos e as arrastou até seus seios, ajudando-me a abaixar parte da peça, seus seios saltaram de dentro daquela prisão de tecido apertado, diretamente para dentro de minhas mãos. Apertei-os e massageei enquanto deslizava a língua por trás de sua orelha, ouvindo-a gemer e arfar, empurrando-se contra mim.
Deslizei uma de minhas mãos até sua intimidade, adentrando com ela na calcinha de seu biquíni e tocando-a com pressa, senti sua pele encharcada, meus dedos deslizavam facilmente, pressionando seu clitóris inchado e ouvindo-a gemer longamente a cada nova fricção. Parei o que fazia e agora seus urros eram de protesto, mas duraram pouco tempo. Baixei sua calcinha até o meio de suas coxas e dali elas escorregaram por contra própria enquanto eu massageava suas nádegas, olhando-a empinar sua bunda em minha direção. Mordi meu lábio com força e notei me olhar por cima de seu ombro, sorri e mordisquei sua orelha, sussurrando ali: você me deixa louco.
riu de maneira travessa enquanto eu conduzia um de seus joelhos até a maca, ela pareceu desconfortável num primeiro momento, mas eu não permitiria que ela se movesse, ela havia me provocado, qualquer desprazer era por sua conta e risco. Abaixei minha boxer apenas o suficiente e segurei meu membro, pressionando-o contra sua feminilidade, estremeceu e apoiou suas mãos na maca, enquanto minha mão livre lhe segurava pela barriga. Penetrei apenas a glande e retirei, eu a ouvia sugar o ar entre os lábios, sua cabeça jogava-se para frente, depois para trás, nada podia me deixar mais excitado do que proporcionar aquele prazer à ela.
- Vamos logo, ! - Protestou, pressionando as unhas em minha mão.
Empurrei meu quadril contra o seu, preenchendo-a. Comecei os movimentos em seguida, não havia tempo a ser gasto. Estávamos completamente impacientes para qualquer outra preliminar. Toquei seu seio, apertando-o e beliscando seu mamilo sem muita delicadeza, enquanto estocava com força, eu não conseguia pensar em mais nada que não fosse o prazer que eu estava sentindo. Apertei sua nádega com a mão livre e depois a arrastei até sua intimidade, começando a estimular seu clitóris o mais rápido que minha coordenação motora permitia. Nossos corpos estavam quentes como nunca, embebidos em suor. controlava os gemidos e tudo o que escapavam de minha boca eram jatos fortes e sonoros de ar.
- ... - Ela me chamou, envolvendo minha nuca com um de seus braços e recostando-se ao meu peito - Camisinha. - Gemeu com os olhos fechados enquanto eu beijava sua orelha, grunhi de raiva e parei o que fazia.
- Droga! - Protestei, sem conseguir me afastar, soltou-me com calma e livrou-se de meu membro, mas segurou-o entre seus dedos enquanto agachava aos meus pés - ... Se você não quiser, não precisa fazer isso. - Meu maior medo era que ela realmente desistisse, mas eu ainda a respeitava.
sorriu despreocupada e começou a lambê-lo, como se limpasse-o de seus próprios vestígios, depois começou a sugá-lo enquanto segurava-o pela base sem depositar força. Meu corpo todo tremia e eu não sabia até quando minhas pernas suportariam meu peso, e a intensidade daquelas sensações. Meus músculos começaram a latejar, era como se eu estivesse inchando, minha cabeça pesou e eu a deixei cair pra trás. Todo o sangue esgueirou-se de meu corpo e ferveu em minha virilha, então meu orgasmo começou a jorrar, olhei para com a visão turva, ela parecia não saber o que fazer com aquilo, e nada gentil da minha parte, mas agarrei seus cabelos e a fiz manter parte de meu membro em sua boca até que chegasse ao fim. Rolei meus olhos e recobrei a respiração aos poucos, desenroscando meus dedos de seus cabelos empapados de suor.
Ela ergueu-se lentamente, lábios e rosto sujos, olhar confuso. Segurei-a pela cintura e a fiz sentar-se novamente sobre a maca, alisando suas coxas e trazendo-as em minha cintura. Com uma das mãos, mais precisamente o polegar, limpei seu rosto e, passado todo aquele furor, me senti culpado. Encostei minha testa à sua, sentindo seu hálito quente percorrer meu rosto. Com os lábios entreabertos depositei um beijo sobre os seus, depois em seu queixo, então fui trilhando um caminho por sua garganta, colo, entre os seios e em sua barriga. Suas pernas se afastavam automaticamente, em um convite direto ao paraíso. Beijei seu umbigo e o contornei com a língua, arrastando-a até sua virilha em seguida. agarrou meus cabelos com uma das mãos, enquanto a outra suspendia seu corpo na maca. Comecei a lamber sua intimidade com calma, depositando beijos lânguidos e sugando seu clitóris com destreza. Seu quadril se movia contra meu rosto, incitando-me a continuar. Pressionei a língua, rígida, para dentro de sua intimidade, depois retirei e substitui por dois dedos, empurrando-os rapidamente para dentro dela enquanto estimulava seu clitóris com a língua. Suas coxas guinaram para dentro e seu quadril petrificou, gemidos altos e longos esgueiravam-se para fora de seus lábios enquanto eu fazia tudo com ainda mais rapidez. Seu corpo relaxou sobre a maca, inclusive seu tronco, até então arqueado, despencou para trás. Ergui-me, olhando sua cabeça jogada para fora da maca, sorri e me inclinei, depositando um beijo em sua barriga.
Ergui minha boxer enquanto ainda a ouvia arfar, com as pernas encolhidas para o lado e as mãos sobre a barriga. Esperei um pouco até que ela se recuperasse e a puxei com cuidado pelos antebraços, ela me olhou com a expressão curiosa, sorri e rocei meu nariz pelo seu, ela rapidamente fechou os olhos e cedeu espaço à minha língua, permitindo que eu a beijasse uma vez mais. Eu sentia que podia sair saltando de felicidade, mas era melhor pular apenas mentalmente.
- Se eu quisesse... - Comecei a falar, afastando-me um pouco - Digamos que... Te seqüestrar esta noite... Você iria?
- Como seria isso? - Quis saber, abracei sua cintura e sorri, olhando-a com uma sobrancelha arqueada.
- Eu iria te pedir para ir até meu apartamento por volta da meia noite, e você iria ficar comigo a noite todinha. - Mordi meu lábio, vendo-a me encarar dispersa.
- Não sei, ... Tem , você sabe. - Ela disse soltando um suspiro.
- , por Deus... - Rolei meus olhos e voltei a encará-la - Vamos lá, diz à ela que vai... Não sei... Ela não tem nada a ver com a sua vida, que droga.
- Calma... - Ela pediu e acariciou minhas bochechas com os polegares - Eu estarei lá, talvez com uns minutos de atraso.
- Tolero até meia hora, nada mais. - Adverti, apontando meu indicador em seu rosto, ela riu e assentiu, abraçando-me pelos ombros.
- Acho melhor irmos. - Murmurou e eu assenti, depositando selinhos gentis sobre seus lábios - É sério.
- Uhum. - Fechei meus olhos e a beijei, riu baixo e depois retribuiu ao beijo. - E nunca... Mais... Me dê... Um susto... Como esse.
Eu não queria ficar longe dela, não mais do que eu já havia ficado. Mas eu devia respeitar seus limites, por isso a deixei ir, e saí em seguida, diretamente para o bangalô. Os caras tentaram retirar qualquer informação de mim, mas eu me tranquei no banheiro e só saí de lá depois de um longo banho, e quando tinha todas as idéias organizadas em minha mente, era só colocá-las em prática, e aquela seria uma noite longa... No bom sentido, é claro.
Capítulo 8.
"Let's go all the way tonight, no regrets, just love"
(Teenage Dream - Katy Perry)
- Hey, caras, eu 'tô indo para o apartamento. - Avisei, deixando meu coquetel sobre a mesa.
- Por quê? 'Tá todo mundo aqui, cara! - protestou.
- Sei disso... - Cocei a nuca - Mas eu vou... Dar uma volta, enfim, qualquer coisa. Não se preocupem, talvez eu só volte amanhã. - Eu disse, levantando-me de minha cadeira e fitando-os com apreensão.
- Espera, como assim só amanhã? - Antony quis saber, um sorriso malicioso surgiu em seu rosto e eu ri.
- Fica assim, então, boa noite. - Acenei e saí andando.
- UUUUH, GARANHÃO.
Gargalhei ouvindo-os gritar enquanto eu atravessava a área da piscina principal. Eu tinha visto pela última vez na hora do jantar. A prova do dia havia sido um jogo de mímicas, nosso grupo ficou em segundo lugar, mas a última coisa com a qual eu estava realmente me importando eram os pontos daquela gincana.
Entrei no bangalô e subi até meu quarto, tirei rapidamente minha calça jeans e troquei por uma bermuda de tecido escuro, tão simples quanto a camiseta branca que eu usava sob a camisa xadrez em escalas de vermelho e cinza. Tirei meu tênis e os substitui por chinelos enquanto dobrava melhor as mangas da minha camisa. Peguei a mochila que eu havia deixado preparada assim que saí do banho mais cedo e a coloquei sobre meu ombro, então desci até a porta do bangalô para esperar por , que não tardou a chegar.
vinha andando depressa, mas de maneira sorrateira, e vez ou outra olhava pra trás, como se pudesse ser pega, ou como se estivesse fazendo algo realmente errado. Ignorei qualquer pensamento ruim, não era hora pra isso. Ela ergueu seu rosto e, ao me ver, apressou-se um pouco mais. Ela tinha um ar angelical aquela noite, talvez pela tiara que segurava sua franja toda pra trás, seus cabelos lisos caíam sobre seus ombros descobertos pelas alças finas do vestido.
- Demorei? - Questionou sob o fôlego, que por sinal parecia lhe faltar.
- Não, chegou na hora. - Afirmei com um sorriso, sorriu e mordeu o canto de seu lábio.
- Vamos entrar? - Quis saber.
- Hm... Não. - Neguei com a cabeça e encostei a porta atrás de mim.
- Não? Como assim? - Estendi minha mão em sua direção, mas ela apenas acompanhou meu gesto com os olhos, depois voltou a me encarar - Como assim, ? Pra onde vamos?
- Você confia em mim? - Perguntei, ainda com a mão esticada.
- Não sei se devo. - Cruzou os braços.
- Come on, , vai ser legal, vem. - Ri de sua expressão momentaneamente emburrada.
Seus braços se desfizeram um do outro e ela entrelaçou seus dedos aos meus, cedendo ao meu capricho. Comecei a andar devagar, com ao meu lado, como nos velhos tempos, quando eu ia buscá-la em casa apenas para dar uma volta. Eu sentia falta de tudo sobre ela. Absolutamente tudo.
Comecei a descer as escadas em direção à praia e ela pareceu querer hesitar, mas não o fez, apenas me acompanhou, segurando em minha mão e com a outra presa em meu antebraço, temendo uma possível queda. Andei devagar, rebocando-a até um pequeno píer de madeira.
- Boa noite. - Saudei o senhor que se encontrava ao fim do tablado de madeira, apertou meus dedos e eu prendi o riso.
- Boa noite, senhor . - Ele disse alegremente, sorri de volta.
- Podemos ir? - Apontei com a cabeça para a lancha que boiava logo ao nosso lado, agora esmagava meus dedos entre os seus, mas sem dizer uma palavra.
- Podem sim, senhor, só peço que levem estes coletes caso seja necessário. - Disse o senhor, nos entregando dois coletes salva vidas, assenti, segurando-os com a mão livre.
- Vamos? - Olhei pra , seus olhos transbordavam terror.
- No way in hell... - Respondeu ela pausadamente - Eu não vou entrar nisso, não mesmo, não com você conduzindo e a essa hora... - Disparou , olhando em torno de si com pavor, comecei a rir.
- , eu sei como fazer isso, você não acha que ele me entregaria uma lancha cara como essa se ele não tivesse certeza que eu posso trazê-la de volta, acha? - Eu disse, de frente para ela, que olhava para a lancha, agora em silêncio - Vamos lá, , você acha que eu colocaria você em risco? - Puxei de leve sua mão para chamar sua atenção, ela fitou meu rosto por um momento - Hm?
- Tudo bem. - Soltou um suspiro longo e olhou para o senhor atrás de mim - Tem certeza que não tem perigo?
- Não, hoje mais cedo eu e ele demos uma volta, ele sabe o que faz, moça. - Ele disse e eu agradeci com um sorriso, depois voltei a olhar pra ela.
- Certo, moça? - Eu disse em tom presunçoso, rolou os olhos e riu baixo.
- Certo, vamos logo.
Sorri divertido e desci primeiro, deixei os coletes sobre um degrau que havia ali, estendendo os braços pra , que segurou ambas as minhas mãos para certificar-se de que não iria se desequilibrar. Novamente peguei os coletes e conduzi ao compartimento superior. Havia uma mesa com um sofá pequeno ali, à frente ficava a parte da direção e uma cama estreita. Deixei a mochila sobre o sofá e tomei meu lugar no assento em frente ao volante e rapidamente acomodou-se em um degrau ao meu lado. Ela parecia completamente amedrontada, e só fez piorar quando eu dei partida no motor, seus olhos se fecharam e ela soltou um suspiro longo, sonoro, gargalhei.
- , pára de agir como se isso fosse um suicídio. - Eu disse, ainda rindo, enquanto começávamos a navegar.
- E não é? - Ela me olhou de soslaio e eu ri ainda mais.
- Com certeza, nada mais romântico que morrermos os dois em alto mar.
- Ai, chega, isso não tem graça, que idéia foi essa? - Ela quis saber, parecendo revoltada com aquele encontro.
- Foi uma ótima idéia, não desdenhe. - Protestei com um sorriso, olhando o mar à nossa frente.
- Ótima onde? Eu mal posso ver coisa alguma na nossa frente, e se a gente bater em alguma coisa e afundar? - Ela quis saber.
- , relaxa, vai. - Ri, esticando minha mão livre e acariciando de leve seu joelho, ela suspirou e mordeu o lábio - O que você disse à sua prima?
- Eles estavam no apartamento do James jogando strip poker, então eu disse que estava com dor de estômago e que iria pro nosso apartamento. - Ela me explicou, assenti, tentando controlar a ligeira imagem de e o resto da turma se despindo em frente à , ou ela mesma fazendo-o na frente de James, soltei um suspiro.
- Ela vai chegar lá e ver que não está.
- Não sei se ela consegue voltar para o apartamento, estava completamente bêbada, mas de qualquer forma eu tranquei o quarto onde estamos ficando, amanhã digo que ouvi barulhos e preferi trancar a porta. - Ela dizia dispersa, olhando para frente, sorri e assenti, acariciando seu joelho com meu polegar.
- Obrigado por ter feito isso, e por ter vindo, sei que não mereço que esteja aqui.
- Não vamos falar sobre nada disso hoje, certo? - Ela me olhou, assombrada, sorri e neguei com a cabeça.
- Não.
Quando estávamos longe de absolutamente qualquer lugar, qualquer margem, onde já não podíamos ver nada além de água, desliguei o motor e soltei a âncora. me olhou, ainda sentada no mesmo lugar, para onde eu voltei em seguida e estendi a mão para ela.
- Não acho que eu queira me mover. - Ela murmurou, segurando meus dedos e se levantando devagar.
- , não vamos virar só por andarmos aqui, ok? - Eu disse em deboche, ela sorriu com sarcasmo e depois voltou a fechar a expressão, ri e abracei de leve sua cintura, encostando minha testa na sua e sentindo o vento levar minha camisa pra trás com certa força - Não quero que você fique aqui com medo só pra me agradar, então se quiser voltar, podemos ir. - Eu disse, sentindo seus dedos acariciarem minha nuca, ela sorriu e negou de leve com a cabeça.
- Não, tudo bem, você preparou tudo isso e... Estou fazendo manha também. - Eu ri e segurei seu lábio inferior entre meus dentes, puxando-o em minha direção.
- Eu já sabia. - Sussurrei, beijando-a em seguida.
O vento empurrava o corpo de sobre o meu, mantendo-a escorada em mim enquanto nos beijávamos sem pressa nem pretensão, apenas nos esquecemos de tudo e nos concentramos em deixar nossos sentimentos transbordarem naquele gesto, que perdurou algum tempo.
soltou-se de mim e abaixou-se para tirar suas sandálias, deixando-as ali enquanto caminhava até a frente da lancha, lentamente. Sorri e a imitei, deixando meus chinelos pra trás enquanto a seguia. Abracei-a por trás lentamente e logo suas mãos pousaram sobre as minhas, sorri, desejando que o tempo parasse.
- Você me fez feliz. - Ouvi-a dizer, meu coração começou a pulsar mais depressa subitamente, apoiei meu queixo em seu ombro, mas me mantive em silêncio - É difícil admitir isso, depois de todas as noites em claro, depois de todo o sofrimento, é difícil dizer isto até pra mim mesma, , mas você me fez muito feliz.
- Eu... Queria ter te contado. - Murmurei, se voltou pra mim e pressionou a ponta de seus dedos sobre meus lábios, impedindo-me de continuar.
- Não vamos falar sobre isso hoje, se lembra? - Assenti, plantando um beijo em seus dedos, ela sorriu - A única coisa que eu precisava que você soubesse, é que você me fez feliz e eu comecei a enxergar isso agora... - Ela murmurou, com seus olhos fixos nos meus - Agora que você está novamente me fazendo feliz, mesmo eu tendo lutado tanto contra isso... - Dizia em um tom baixo, quase inaudível por conta dos assovios do vento e o movimento das ondas - Depois de todas as noites em claro, depois de todo o sofrimento... - Ela repetiu com seus lábios quase colados aos meus, segurando-se em meu pescoço - Você me fez e ainda me faz... Muito feliz.
Nada mais a ser dito, tanto da parte de quanto da minha. Independente de tudo o que eu estava sentindo e tudo o que eu queria que ela soubesse, o mais importante havia sido dito, o que eu mais precisava saber para que parte de minha consciência se livrasse daquele peso, aquela sujeira. Eu havia proporcionado felicidade à e ainda o fazia, era o que me bastava.
Senti seus lábios pressionados contra os meus, secos em conseqüência do vento forte que nos atingia. Envolvi sua cintura em meus braços e a atraí pra perto, delineando seus lábios com a minha língua, sorriu divertida com aquele gesto, entreabrindo sua boca e tocando minha língua com a sua, nos entreolhamos e sorrimos, para em seguida cedermos ao beijo.
pressionava seus dedos em minha nuca, investindo com sua boca na minha enquanto eu espalmava seu corpo sobre o tecido gélido e macio de seu vestido. Senti meu corpo dar um tranco pra frente e ri entre o beijo, também deu risada, seus dedos rodeados em torno do colarinho da minha camisa, puxando-me em sua direção enquanto beijava lentamente meu queixo, tornei a fechar meus olhos, com um sorriso surgindo incontrolavelmente em meus lábios, enquanto eu arrastava minha palma pela lateral de sua coxa, pressionando meus dedos em sua pele e trazendo-a pra mais perto, como se fosse possível.
Senti envolver meus ombros com seus braços, sem muito esforço ela arrastou suas coxas pelas minhas e envolveu minha cintura com elas, sua língua fazendo desenhos abstratos em meu pescoço, sugando-o vez ou outra. Segurei suas nádegas e sem muita cautela me sentei no chão. alisava meus braços, friccionando suas unhas em minha pele, enquanto eu arrastava seu vestido, expondo seu corpo minutos depois. segurou meus cabelos com força e me puxou em sua direção, mordisquei seu lábio e depois seu queixo, depois arrastei meu rosto pelo seu e alcancei sua orelha, onde me distraí enquanto ela alisava minhas costas, erguendo minha regata e me livrando dela no instante posterior.
Desacolchetei o sutiã de e ameacei jogá-lo no mar, apenas pra ouvi-la gritar, depois rir daquele jeito gostoso. Soltei a peça no chão e segurei sua cintura, incitando-a a se aproximar um pouco mais, assim sentando-se corretamente em meu colo, dando-me acesso aos seus seios, agora exatamente na altura do meu rosto. Suguei seu mamilo com calma, sem deixar de olhar para seu rosto, agora distorcido em uma expressão de prazer. Ela lambia os próprios lábios avermelhados, depois mordia os cantos ou os pressionava um contra o outro, seus olhos, ora fechados, ora girando, me faziam acreditar que aquela carícia lhe proporcionava muito prazer.
Senti suas unhas desencravarem de minhas costas e arrastarem-se por meus ombros, peito e abdômen, atingindo o botão da minha bermuda, da qual rapidamente nos desfizemos juntos. levantou-se, mas seus pés ainda estavam paralelos ao meu corpo, apoiei meus antebraços pra trás, vendo-a enroscar os dedos na renda preta de sua calcinha e começar a enrolá-la por suas pernas lindas. Parecendo tímida, voltou a se abaixar, completamente nua, sentando-se sobre meu quadril. Apoiei minhas costas no chão e a trouxe comigo, sentindo seus seios pressionados contra meu peito enquanto nossos lábios voltavam a ter contato. Quebrando o beijo, segurei as coxas de com firmeza e a arrastei, ela me olhou confusa, e eu continuei empurrando para cima, mais próximo do meu rosto. Sua expressão demonstrava curiosidade enquanto eu passava meus ombros por baixo de suas coxas. Acariciei a lateral externa de suas coxas enquanto roçava meu rosto na parte interna delas. Plantei um beijo suave em sua virilha, contornando-a com a língua em seguida. soltou um suspiro alto e suas pernas tremeram quando pincelei sua intimidade toda com a língua, fazendo uma sucção suave ao final.
Senti seus dedos, enroscados em meu cabelo, puxarem minha cabeça em direção à sua intimidade. rebolava contra minha língua, arrastando-se e pressionando-se contra minha boca de maneira lenta. Seus gemidos entrecortados desencadeavam espasmos intensos em mim, não havia nada que me proporcionasse mais tesão que vê-la excitada daquela maneira. Ela soltou minha cabeça contra o chão e arrastou seu quadril por meu tronco, então sentou-se em frente à mim, entre minhas pernas. Comecei a me sentar enquanto sentia suas mãos invadirem minha boxer e puxá-la pra baixo, retirei-a com dificuldade enquanto minha menina massageava gentilmente meu pênis. Alcancei minha bermuda e retirei o preservativo de lá, mas fez questão de colocá-lo em mim enquanto eu beijava seu pescoço de orelha, arfando tanto quanto ela.
Com sentada no chão, com as pernas sobre as minhas, empurrei meu membro para dentro dela com facilidade, segurando seu quadril com um dos meus braços, enquanto com a outra eu acariciava sua coxa rígida. Comecei a levá-la e a trazê-la, e aos poucos ela realizou que os movimentos dependiam mais dela do que de mim. Rapidamente apoiou suas mãos para trás e arqueou seu quadril, começando a movimentar-se em direção ao meu membro, o qual eu pulsava propositalmente, sentindo suas paredes internas retribuírem da mesma forma. Com uma mão apoiada pra trás, a outra eu usava para acariciar o corpo de , ora sua coxa, ora sua barriga ou seio, apertando-o e beliscando seu mamilo arrebitado. Diante do tesão e do desejo veemente que aumentava gradativamente, os movimentos de foram atingindo uma velocidade surpreendente, seu quadril se movia em círculos, às vezes ela diminuía a freqüência, ia de frente pra trás, como se soubesse exatamente o que estava fazendo, ou como se estivesse somente descobrindo qual a forma que nos proporcionava mais prazer. Passei meu polegar por seu clitóris e comecei a estimulá-lo, acariciando e esfregando-o, não levou muito mais tempo até que atingíssemos o orgasmo. jogou sua cabeça pra trás e minha visão turvou, assistindo as gotas de suor contornarem seus seios e os músculos da sua barriga, escorrendo por sua virilha tão próxima a minha.
- É só impressão, ou isso tende a melhorar sempre? - Ela quis saber, ainda com a cabeça deitada pra trás, o vento agitava seus cabelos com força, e logo nossos corpos, antes empapados de suor, começavam a secar. Ri baixo e alisei sua barriga, com a outra mão presa em sua coxa.
- Com você, sim. - Respondi, puxando-a em minha direção, sorriu de forma alegre e envolveu meus ombros com seus braços, da mesma forma que fez com as pernas em torno da minha cintura.
- Com Rebecca não? - Quis ela saber, com a entonação invasiva, ri divertido.
- Não, com ela não. - Respondi simplesmente, e senti um tapa estalar em meu ombro, gargalhei - E James?
- Você sabe que eu não transei com James. - Disse, rolando os olhos.
- E eu espero, com todas as minhas forças, que isso não aconteça. - Ela sorriu e me apertou de leve.
- Não vai.
- Melhor assim. - Selei meus lábios nos seus e depois senti ela se desprender de meus braços, levantando-se.
- Estou com sede.
Fiquei olhando enquanto vestia sua calcinha, distraidamente. Sorri, e por um momento senti falta de quando éramos só nós dois, senti falta da nossa liberdade como um casal, poderíamos voltar para o Resort e mostrar a quem quisesse ver que estávamos juntos, e ninguém mudaria isso nunca.
- Fica melhor em você. - Eu disse quando ela vestiu minha camisa, ela riu.
- Sei disso.
- Aaaaaaah! Como eu sinto falta de quando você corava e dizia "Não seja bobo, ". - Imitei-a, arrancando uma gargalhada de que vinha se sentar em meu colo.
- Continuo com sede. - Ela disse, sugestivamente, sem me olhar.
- Vou pegar algo pra beber. - Ela saltou para o lado e eu me livrei do preservativo corretamente, vesti minha boxer e voltei para a parte inferior da embarcação.
Joguei o preservativo e abri o frigobar, mordi meu lábio e olhei pra , deitada na parte dianteira da lancha. Dei de ombros e peguei a garrafa de champagne, junto com as duas taças que estavam lá dentro. Voltei pra perto dela que me encarou de esguelha enquanto eu me sentava ao seu lado e tirava o lacre da garrafa.
- Quer me embebedar? - Ri, eu sabia que ela perguntaria isso.
- Não preciso. - Respondi, colocando um pouco de espumante em nossas taças e estendendo uma à ela, que se sentou.
- E você vai conduzir isso de volta bêbado? - Ela perguntou, com uma de suas pernas sobre a minha.
- Não, porque eu não vou ficar bêbado. - Respondi, em tom de obviedade - Agora, por favor, pára de ser estraga prazer e brinda comigo.
- Brindar a que?
- À nossa reconciliação.
sorriu e concordou com a cabeça, tocou sua taça com a minha e sorveu um gole ao mesmo tempo que eu. Eu sentia seu rosto deitado em meu ombro enquanto bebericávamos o espumante. E todo o futuro que eu havia planejado durante a tarde começava a se desmanchar, feito castelos de areia em meio a maré alta. Eu erguia novos planos e eles tinham de incluir , pois de uma forma ou de outra, diante do meu sentimento por ela, eu não sabia mais me ver sem ela, em hipótese alguma.
- Quer conhecer um lugar?
não respondeu. Apenas me olhou e eu soube que, naquele momento, ela iria comigo para qualquer lugar, como todas as vezes que ela entrava em meu carro e com o mais bonito e livre dos sorrisos ela dizia “pra onde vamos?”, confiando em mim a escolha do nosso destino, como se soubesse que eu seria incapaz de colocá-la em risco de maneira proposital. Ela simplesmente confiava em mim e, apesar de todos os meus erros, talvez essa confiança, ao menos essa confiança, tenha se mantido viva.
Ancorei a lancha próximo à margem e me levantei, vendo se acercar de mim, pé ante pé, descalços. A água estava geladíssima, pude perceber quando desci da lancha numa parte não tão rasa, a água encharcou-me até a cintura. veio em seguida, agarrando-se em mim pra que eu pudesse carregá-la.
Com uma lanterna recarregável que estava na lancha, fui iluminando o caminho da entrada da caverna. agarrada em mim, temendo o que não conseguia enxergar. A água colidia cuidadosa contra as paredes rochosas, fazendo eco. Nada além disso se ouvia, exceto por nossas respirações desordenadas pela caminhada até ali.
O rosto de iluminava-se com o brilho da lua que adentrava o centro da caverna, ela pareceu finalmente entender a beleza que eu estivera falando ao longo do caminho. À noite era ainda mais bonito, como se houvesse um holofote voltado exatamente para a rocha achatada cercada por água limpa. A natureza nunca me pareceu tão estratégica... Vamos ser sinceros, eu nunca tinha reparado na natureza.
- "Nada muda quando fazemos as pazes, você só fica em casa quando estou na cidade". - Ouvi-a dizer, abri meus olhos lentamente, encarando o céu, como uma manta de estrelas acima de mim - De onde veio? - Ela quis saber, aconchegando-se em meus braços, estávamos deitados na rocha, apenas em silêncio.
- Tem certeza que quer falar disso? - Falei baixo, eu queria que ela negasse, eu não queria falar sobre aquilo.
- Tenho sim. - Murmurou, erguendo seu rosto e apoiando seu queixo em meu peito, continuei olhando pra cima, mas sentindo seu olhar examinar meu rosto.
- São meus pais. - Falei com simplicidade, olhei-a por um minuto, depois voltei a olhar pra cima.
- O que houve? - Ela quis saber, sorri divertido e fixei meus olhos nos seus, que permaneciam atenciosos - Tudo bem se não quiser contar.
- Não, não tem problema... Eles só estão com alguns problemas... Sabe como é, problemas de duas pessoas casadas há mais de 10 anos. - Ela assentiu lentamente, mas ainda esperando por algo mais específico - Nesse último mês eles andaram brigando um pouco... Bastante, na verdade. - Mordi meu lábio e desviei meus olhos para cima, fixando-os na estrela que mais brilhava naquele momento, pisquei no mesmo ritmo com o qual ela cintilava, como se pulsasse - Eu e ... Nós achamos que meu pai tem outra família.
Um silêncio profundo nos engoliu. talvez não soubesse o que dizer, e eu queria me recolher. Eu não gostava de falar sobre os meus problemas pessoais ou familiares, não gostava de dividi-los com ninguém, não sei bem o motivo. Talvez seja porque nunca tive alguém a quem pedir conselhos e acabei me virando sozinho, ou seja, fingindo que nada estava acontecendo. Falar, às vezes, parecia tornar o problema mais real, ou mais doloroso. Eu sei que estava errado, sei que eu só estava adiando sofrimento, mas não é fácil quando tudo começa a mudar da noite pro dia.
Meus pais sempre foram o casal mais unido que já conheci, me orgulho em dizer que ia na casa dos caras e via que nenhum deles tinha a família como a minha. Mas tinha pouco tempo que meu pai começara a faltar com respeito à minha mãe, e a surgir faturas inesperadas no cartão de crédito. Eu e continuávamos cegos, surdos e mudos, não nos meteríamos, era só mais uma fase.
- Mês que vem eu vou pra Paris. - Ouvi-a se pronunciar depois de muito tempo, eu já estava quase dormindo, na verdade.
- Mesmo? - Curioso, perguntei - Fazer?
- Você se lembra da minha pesquisa que foi aprovada? Sobre eletricidade? - Assenti, sorrindo instantaneamente com a lembrança daquele dia - Eu vou apresentá-la em um congresso de Física em Paris. - Arqueei as sobrancelhas, surpreso e contente por sua conquista.
- Nossa, , que bom, parabéns, de verdade. - Felicitei-a, apertando-a em meus braços.
- Estou tão nervosa que às vezes eu não consigo dormir, só pensando nisso. - Rolou os olhos e riu nervosa.
- Vai dar tudo certo, você fala bem. - Sorri e beijei sua testa cuidadosamente.
- Tomara que esteja certo, eu posso conseguir bolsa em uma faculdade boa por lá, e só de pensar nisso, fico mais nervosa. - Apertou os olhos e eu dei risada.
- Não pense em nada disso agora, você vai ter tempo pra se preparar. - Afaguei seus cabelos devagar, olhando-a - Tenho certeza que tudo vai dar certo pra você, , você é a melhor pessoa que eu conheço, pessoas como você vencem fácil. - disparou um sorriso em minha direção, me abraçando com força em seguida.
- Vamos dar um mergulho? - Ela sugeriu, saltando de cima de mim, pisquei devagar, eu estava um pouco cansado, na verdade, mas me sentei e fingi disposição.
- Vamos lá.
Capítulo 9.
"What if you did? What if you lied? What if I avenge? What if eye for an eye?"
(What If - Creed)
[N/a: Meninas, separei uma música para este capítulo: aqui está o link para quem quiser ouvir. Mwah!]
['s POV]
Sorrateiramente, percorri o apartamento, admirando a maneira como a claridade penetrava pelos cômodos, preenchendo-os de uma luz meio azulada. Encolhi-me dentro de meus braços, buscando em mim o calor que antes vinha dos braços de ao meu redor. A brisa matinal fazia meu vestido, agora molhado, parecer ainda mais gélido do que realmente era. Por sorte estava dormindo no tapete da sala, talvez por eu ter trancado o quarto antes de sair, ou talvez não tivesse conseguido se levantar de lá. Eu ainda não estava habituada à rotina deles. Eu não conseguia acompanhá-los em nada, quem dirá na bebida.
Destranquei a porta do quarto e adentrei, voltando a trancafiá-lo para que não desconfiasse que eu estivera fora. Liguei o chuveiro e regulei a temperatura, fechando qualquer possível passagem de vento até que o ambiente estivesse suficientemente abafado e, então, me despi. Eu ia ficar gripada, com certeza ia. Passei um tempo no banho, até me sentir bastante aquecida e não restar nenhum grão de areia em minha pele. Retornei para o quarto e vesti uma lingerie qualquer, junto de uma camisola leve.
Meia hora depois, rolando pela cama e tentando encontrar a posição mais confortável, ou me livrar dos pensamentos que não paravam de retornar à minha cabeça, narrados pela voz grave de , tão nítida que parecia estar sendo sussurrada em meu ouvido. Era a primeira vez, desde que havíamos terminado, que eu me sentia daquela maneira, precisando estar com ele. Talvez antes daquela noite minha mágoa não me permitisse sentir sua falta, não me deixasse enxergá-lo de outra maneira, se não um mentiroso egoísta, agora era diferente, o rancor começava a se dissipar de uma maneira estranha, e não era como se eu pudesse intervir. Quando dei por mim, eu estava em seu quarto, nua, tocando teclado, por querer, e não por nenhum outro motivo.
Eu já não me reconhecia quando me olhava no espelho, aquelas roupas, a maquiagem, os trejeitos. Nada meu, nada eu. Eu não sabia onde eu iria parar se continuasse dando corda às coisas que dizia. Eu não queria ficar com James e eu não queria ser outra pessoa se não eu mesma, mas antes parecia tão certo mostrar à o que ele havia perdido... Agora já não fazia assim tanto sentido... Talvez porque ele não houvesse perdido.
Era como se naquela madrugada tivesse chovido, murchando com isso todas aquelas nuvens escuras que pairavam em minha mente, e agora o tempo começava a limpar. O cheiro do verão, o sol quente. Tudo estava de volta, de repente, e eu podia tomar minhas próprias decisões, então. Eu não precisava de mais planos, mais idéias vindas de minha prima ou de quem quer que fosse, eu tinha meus próprios planos e o futuro só dependia de mim. Eu precisava conversar com e esclarecer, primeiramente, as coisas entre nós. Eu queria, finalmente, ouvir sua versão, e queria sentir que podia perdoá-lo definitivamente, sem que restasse desconfiança ou mágoa, e no fim das contas estaríamos em uma relação tão transparente que não haveria resquício de insegurança.
- ... - Ouvi a voz pastosa de vir do lado de fora da porta, fechei os olhos e fingi que estava dormindo, como se ela pudesse ver - , abre aqui pra mim! - Ela não ia desistir e eu também não queria deixar que ela voltasse para o tapete da sala.
- Já vou. - Tentei fazer uma voz de sono enquanto caminhava até a porta, destrancando-a e dando passagem à .
- Nossa, eu apaguei na sala... - Suspirou, sustentando uma expressão de dor indescritível.
- Você parece péssima. - Comuniquei com cuidado, me lançou um olhar cansado e, ainda assim, hostil - Quer um café? Uma aspirina? - Eu queria ficar longe dela, tinha algo em suas palavras, em sua maneira de falar, que me persuadia sempre.
- Você vai levantar 7 horas só pra ir buscar café pra mim? Sério? - Rolei os olhos, parada aos pés da cama - Claro que eu quero, traz aquelas bolachinhas de leite com chocolate também.
fechou os olhos e pronto, estava dormindo. Pudera eu ter essa facilidade. Vesti um short jeans e uma camisetinha qualquer, calcei um par de chinelos. No caminho até o restaurante, fiz uma trança em meu cabelo, sem muita paciência para arrumá-lo. Embora eu soubesse que estivesse dormindo - o que eu também deveria estar fazendo - eu ainda sentia uma cócega no estômago, acho que isso definia bem a sensação, eu esperava vê-lo, quem sabe poder me aproximar e me aconchegar em seus braços. Fazer algo escondido nunca me pareceu tão errado quanto ter de esconder que ele e eu estávamos novamente juntos, mas eu teria de esperar até estarmos longe daquele Resort, ali eu não teria para onde fugir das acusações de , nem condições para enfrentá-las. Talvez eu estivesse com vergonha de admitir que havia perdoado o que ele havia me feito. As pessoas não costumam se colocar no lugar umas das outras. Da mesma maneira que tive de ouvir uma onda de críticas por não tê-lo perdoado, sem que ninguém tivesse a menor idéia do quanto eu estava machucada, agora, eu também teria de me prender a algo seguro para não ser levada pelas críticas daqueles que nunca amaram a ponto de perdoar um erro como o que havia cometido.
Busquei o café da manhã para , como havia prometido, e depois fui dar uma volta, ainda na esperança de encontrar algo para fazer já que meu sono havia se dissipado há algum tempo, trazendo em seu lugar a ansiedade de poder estar com ele novamente. Ele, ele, ele. Esse era meu medo, que ele se tornasse novamente o centro da minha vida. Eu nunca deixei que ninguém, além da minha família, fosse prioridade em minha vida, que interferisse, mesmo sem saber, em minhas decisões diárias ou coisas do tipo. Mas tudo mudou desde que chegou, tudo, cada único ponto do meu dia. Todos os meus planos eram como frágeis pinos de boliche, foi, para eles, como uma bola. Strike!
Meus pais agora se preocupavam com coisas que antigamente não faziam o menor sentido. Como, por exemplo, minha decisão de talvez mudar de faculdade, esse era um plano que eu tinha traçado desde muito cedo, era como um sonho, que repentinamente me pareceu sem brilho. Eles ficaram completamente assombrados quando eu disse que talvez eu pudesse mudar de idéia, que ainda estava em tempo. De início, pensaram ser um absurdo, já que tudo estava encaminhado para que no ano seguinte eu me mudasse para Oxford, eu até já tinha uma carta de recomendação da diretora do Thornleigh Salesian, tudo indicava que após a minha apresentação no congresso, eu poderia ganhar uma bolsa integral na universidade, mas até onde eu realmente queria isso? Eu não tinha dúvidas do que eu queria até me pegar pesquisando sobre faculdades em Londres, é claro que nenhuma lá podia ser tão boa quanto Oxford, mas eu podia dar meu melhor em qualquer uma que fosse. Eu queria estar perto de , não queria depender de destino para encontrá-lo novamente em minha vida, pois eu sabia que já havia sido sorte demais ele ter aceitado aquela aposta, que embora tenha me machucado, trouxe outro significado a muitos aspectos da minha vida, a maior parte deles.
Eu só fui ver naquele dia depois do almoço, quando estava saindo do restaurante com e e o vi sentado sob a sombra de um guarda sol na borda da piscina, havia um copo de suco em suas mãos e seu óculos de sol não me permitia saber se ele estava, ou não, olhando pra mim, o que me incomodava de um tanto, eu queria que ele estivesse, queria sua atenção, mais hoje do que em qualquer outro dia, pois diferente de todos eles, eu queria que ele notasse meu short não tão curto, minha camiseta não tão justa e a trança frouxa em meu cabelo, eu queria que ele notasse a ausência de maquiagem e acessórios desnecessários. Eu queria que ele sentisse falta de quem eu realmente era, pois eu estava disposta a voltar pra ele, eu era dele.
Passamos ao lado de sua mesa, mas pareceu não notar minha proximidade. Isso nunca acontecia. Era como se estivéssemos, de alguma maneira, conectados e ele sempre sentisse quando eu me acercava, mas dessa vez algo falhou, ele não virou seu rosto em minha direção, continuou rindo de algo que os meninos haviam dito, sem dar a menor importância para mim. Perguntei-me se estava indo pelo caminho errado, se eu deveria continuar me vestindo como achava que eu deveria. Será que eu não podia ser eu mesma e fazê-lo me notar mesmo assim? Funcionava há um mês atrás, não podia ter mudado assim tão rápido, de uma hora pra outra.
Ignorei aquela crise momentânea e me prendi à idéia de que ele não teria me visto. Era isso o que tinha acontecido, sem dúvidas. Fui para o bangalô, apenas pra colocar a roupa de banho e retornar para a área da piscina. Os alunos já haviam tomado conta de cada parte daquele lugar, eles não pareciam desanimados com o fim da viagem mais próximo, mas sim querendo aproveitar absolutamente cada segundo. Eu também não estava desanimada, pelo contrário, estava contente por esta viagem estar chegando ao fim, longe daqui as coisas seriam mais fáceis e eu poderia explicar muita coisa a ele, que estava dentro da piscina, conversando com seus amigos de forma descontraída. Eu queria me esquivar da sensação de que algo estava errado, mas isso não parava de se repetir em minha mente desde que me deitei na espreguiçadeira para tomar sol, não havia voltado seus olhos em minha direção uma vez sequer, e aquela curiosidade "barra" angústia parecia se propagar. Eu ia perder o controle.
Eu sabia ser ignorada, fui obrigada a aprender desde muito cedo. Eu não era o tipo de garota mais legal e interessante. Eu não bebia, detestava cigarros e não sabia dançar música eletrônica. Também detesto mini saia e até muito pouco tempo não sabia usar lápis de olho. Eu não era a garota padrão, nunca fui e tampouco fiz questão de ser, o tipo de garota que eu era não costumava chamar a atenção de ninguém, menos ainda de garotos com dinheiro, carro e popularidade, se tivessem uma banda então, esquece. Foi aí que tudo mudou, me notou, de alguma maneira ele me conheceu e mudou seu conceito sobre mim, e agora, mesmo depois de todos os anos que ele não olhou em minha direção, ele havia me deixado acostumada com outro tratamento, eu não admitiria voltar a ser evitada por ele, de maneira alguma, não por ele.
- E com o James, como vão as coisas, ? - Ouvi me questionar, fechei meus olhos, aproveitando a lente escura do óculos de sol para disfarçar meu asco.
- Não vão, , você sabe que eu não tenho o menor interesse nele. - Talvez eu tenha sido muito hostil, ou prática.
- Credo! Eu achei que você fosse dar uma chance a ele depois de tudo que ele fez por você nos últimos dias.
- Achou errado, não tenho intenção de continuar com isso por mais tempo, quero distância dele, quero me dedicar somente aos estudos, faltam apenas seis meses até nossa formatura. - Apressei-me a explicar.
- Ai, você é dura demais com ele. - reclamou, ela se incomodava muito com minha posição diante de James, pois sabia que Matt iria acabar a abandonando mais uma vez caso eu parasse de sair com James.
- E você é mole demais com Matt, talvez se você tomasse uma atitude em relação à isso, as coisas mudariam na sua vida... - Disparei, sem conseguir controlar o bolo de coisas que estava me sufocando desde... Sempre.
- Credo, , eu 'tô de ressaca e você que fica de mal humor, eu hein?! - Respirei fundo, engolindo de volta a resposta.
- Estou cansada, apenas, me desculpa.
Tentei parar de dar "patadas" em e com isso fazer menos alarde do quanto eu estava estressada com tudo naquele momento. Eu não queria saber de James e não queria falar sobre isso, ou qualquer outra coisa que envolvesse . Eu estava exausta de ter que ouvi-la e seguir seus conselhos medíocres, faltava muito até que ela notasse seus próprios rancores, eu só esperava que fosse a tempo de dissipá-los.
Desisti de esperá-lo me olhar ou dirigir sua preciosa atenção pra mim. Levantei-me, sentindo meu corpo febril pelo tempo que eu havia passado estendida naquela espreguiçadeira, e me estiquei, pegando o short jeans em uma mesa próxima. Vesti-o e calcei meus chinelos, marchando apressadamente em direção à piscina, sem dar ouvidos aos gritos histéricos de .
Não faço idéia do que poderia estar acontecendo comigo, ou de onde havia surgido essa coragem, e cara de pau, mas me aproveitei disso. Cruzei meus braços, parada na borda onde Danny estava encostado. Ele não pareceu se dar conta da minha presença, mas os olhos de me anunciaram e ele rapidamente se virou para trás, a fim de se certificar do que o amigo havia informado silenciosamente.
- Podemos falar? - Vi-o contrair o cenho, fazendo com que suas sobrancelhas se destacassem para fora do óculos.
- Sobre? - Não faço idéia de qual exatamente foi minha expressão, mas não deve ter sido nada boa.
- Sobre a apresentação de hoje à noite. - Respondi automaticamente, concordou com a cabeça, parecendo pouco se importar com o que eu tinha a dizer.
Seus músculos ganharam destaque quando ele firmou suas mãos na borda da piscina e deslizou seu corpo pra fora d'água. Ele era lindo e eu devia admitir que chamava muita atenção de quem quer que fosse, mas eu nunca fui realmente ciumenta, então não me preocupava saber que as garotas estavam, agora mesmo, me praguejando por estar saindo dali com ele ao meu lado.
Conforme íamos nos afastando, eu esperava que o silêncio fosse quebrado por , que seus braços, provavelmente gélidos, fossem me envolver mesmo que eu pedisse discrição. Nada aconteceu. Ele continuou andando distraidamente paralelo à mim, como se estivesse absorto em seus pensamentos, dentro do seu próprio mundo.
- O que você tem? - Atirei, já com o tom de voz acusador, desviou seus olhos do chão e encarou o caminho à sua frente.
- Nada, por quê? - Quis saber, sem dar atenção, ou corresponder, meu olhar sobre ele.
- Não se faça de bobo, você está completamente estranho, não 'tá me dando a menor atenção e nem estamos mais perto das pessoas... - interrompeu o que eu dizia, passando um braço ao redor de meus ombros, sem deixar de andar, ou ao menos responder coisa alguma.
- É impressão sua. - Foi o que ele disse, com um tom de voz quase robótico, como se estivesse dizendo um simples "oi", mas com ainda menos emoção.
- Não, não é! Quer me contar o que houve?
- Eu disse que não aconteceu nada, relaxa! - Exclamou, aparentemente sem paciência.
- Certo, se você diz. - Decidi me calar, sentindo seu braço ao meu redor como se fosse um peso pra porta, apenas jogado sobre meus ombros, sem qualquer delicadeza.
- O que você precisava falar comigo? - Quis saber.
- Eu só queria ficar com você, na verdade.
- Ah.
- ... É comigo? Eu te fiz algo sem perceber? - Eu não conseguia parar de pensar sobre isso, o que poderia ter acontecido pra ele ter mudado de comportamento tão repentinamente.
- Chega, ! - Soltou-se de mim, nervoso com minhas cobranças - Eu disse que não aconteceu nada, se eu tivesse algo pra te dizer, já teria dito.
- Certo, me desculpe. - Envergonhada, murmurei - Se quiser voltar pra lá, tudo bem, vou para o bangalô descansar um pouco, nos vemos no quiosque às 6?
- Pode ser. - Disse simplesmente, para ele não fazia qualquer diferença, percebi.
- Você leva os instrumentos? - Ele concordou com a cabeça e depois começou a se afastar para o lado oposto.
Vi-o se afastar até que, finalmente, desaparecesse em meu campo de visão. Agora não havia dúvida sobre haver algo errado, era um fato. Algo tinha acontecido e feito com que ele se enojasse com minha presença. Ele podia ter me esclarecido o que poderia ser, já que eu não conseguia pensar em absolutamente nada, embora mil e uma coisas passassem por minha cabeça. Será que James havia dito algo? Mentido? não poderia ser, já que estivera comigo desde muito cedo. Eu não conseguia entender. Talvez não fosse comigo, e ainda que não fosse, eu queria saber, eu precisava tomar conhecimento das coisas que estavam acontecendo com ele. Eu sabia que não era o mesmo, mas não era de um todo desagradável, ele nunca havia parecido tão maduro. É claro que suas piadas eram as mesmas, e sua falta de esperteza. Mas estava tomando atitudes mais centradas, sensatas. Eu gostava desse novo e eu o queria pra mim... Talvez fosse tarde demais pra voltar atrás.
Como havia dito a ele, retornei ao bangalô e dormi pelo resto da tarde. veio para me acordar, mas eu preferi fingir que não estava a ouvindo. Meu sono atrasado me permitiu conciliar facilmente no sono assim que ela saiu pela porta. Assim que acordei, por volta das 5, tomei meu segundo banho do dia e comecei a escolher uma roupa que não fosse vulgar como queria, mas que não fosse antiquada como as que eu costumava usar. Eu precisava de algo básico, bonito e que chamasse a atenção de sobre mim.
- Cheguei! - Ouvi a voz animada de , meu estômago deu uma volta e eu controlei um suspiro pesado - O que está procurando?
- Uma roupa pra hoje à noite. - Respondi com simplicidade, ainda vasculhando minha mala.
- Coloca aquele shortinho verde, ele é lindo. - sugeriu, entrando no banheiro em seguida - Já tomou banho?
- Já.
- Ok, minha vez, então.
Enquanto tomava banho, retirei uma lingerie, ainda embalada, e a vesti pela primeira vez. Pareceu ficar bom em mim, constatei ao olhar-me no espelho. Vesti uma blusinha preta justa e o short em seguida, deixando o cós sobre a barra dela. Calcei meu vans e aproveitei que havia deixado o banheiro para me maquiar, dessa vez não carreguei muito meus olhos, na verdade apenas passei corretivo para esconder algumas imperfeições e um pouco de blush, deixei o mais natural que pude, e contornei meus lábios com um batom claro, quase imperceptível. Borrifei o desodorante e depois um perfume não muito forte e, após pentear meus cabelos, coloquei uma tiara delicada apenas para segurar a franja pra trás. Voltei para o quarto e coloquei uma camisetinha sobre a blusinha preta, finalmente, pronta.
- Já disse que odeio esse seu tênis e essa sua tendência a ser emo? - disparou ao me ver, assenti devagar, sem dar muita atenção ao que dizia - O que você tem? Parece triste.
- Estou preocupada com a apresentação, só isso.
Eu não estava mentindo, não queria ter que cantar em frente a todos aqueles alunos e, menos ainda, tocar. Eu não tinha escolha e não queria parecer tão insegura quanto realmente estava, isso me exigia alguma concentração. Saí do apartamento sem esperar por , pelo jeito que as coisas iam, ela ia demorar. Assim que cheguei no restaurante, onde seriam as apresentações, vi sentado no canto do palco dedilhando seu violão. Olhei ao redor e notei que estávamos sozinhos, exceto pelos funcionários do local. Andei até ele e me sentei ao seu lado, ele pareceu notar minha presença, mas a ignorou.
- Tudo pronto? - Perguntei, sem vontade.
- Uhum. - Respirei fundo uma, duas, três vezes, tentando controlar minha vontade de enforcá-lo até que ele me dissesse o que estava acontecendo.
- Que bom. Acha que podemos vencer? - Vi seus ombros guinarem pra cima, indiferente, completamente indiferente - Ok, , eu já entendi.
- Entendeu o quê? - Pela primeira vez voltou-se pra mim, mas por sua expressão julguei que ainda estivesse disperso.
- Você não 'tá a fim de conversar.
- Ah sim, é, não mesmo.
- Tá, e vamos ficar assim o resto da viagem? - Ele negou com a cabeça.
- Aparece lá no meu apartamento depois do jantar, vou estar lá te esperando.
- E os garotos? - Contraí o cenho, mas senti meu estômago revirar de ansiedade, finalmente um indício de que ainda queria me ver.
- Sei lá, eu cuido disso.
- Certo.
O palco, improvisado, estava com todos os instrumentos necessários, supus que todos fossem apresentar uma canção, mas talvez eu estivesse enganada, pois havia sido improvisada uma coxia. As mesas do restaurante estavam todas enfileiradas no centro dele, de frente para o palco. E logo todos preenchemos seus lugares vagos. Os professores tomaram conta do microfone, explicando que o grupo que estava com a pontuação mais baixa iria se apresentar primeiro. Aliviada, relaxei em minha cadeira, entre e James, e esperei por nossa vez. e apresentaram, ao contrário do que eu imaginei, uma cena de uma obra de Shakespeare, Romeu e Julieta, com direito a beijo e tudo. Não sei, mas tive a sensação de aquela não era a primeira vez que se beijavam.
Em seguida foi a vez de e James, que finalmente saiu do meu lado e parou de tentar desenvolver um assunto comigo, não pareceu se importar com isso, nem mesmo quando James colocou sua mão em minha coxa com a intenção de fazer carinho. Ele nem mesmo olhou, apenas comemorando junto com seus amigos o desempenho de e . Os líderes do grupo azul apresentaram uma canção, mas isso não foi uma surpresa, eu já esperava. James cantava bem e arriscou um trecho ou outro da canção, e até que foram bastante aplaudidos.
Eu não achei que estivéssemos na frente, portanto assim que eles terminaram, comecei a me levantar, mas o professor chamou Samantha e Patrick, segurou meu pulso ao mesmo tempo, informando-me que éramos o grupo com maior pontuação até então. O casal representou uma cena do romance Moulin Rouge, e Samantha fez jus aos seus anos de teatro, roubava toda a cena, preenchia todo o palco. Ela era uma ótima atriz, já Patrick...
Era nossa vez, eu sentia um bolo em minha garganta e era como se eu fosse vomitar a cada vez que eu abrisse minha boca pra dizer algo. Nos sentamos nos bancos altos que nos foram cedidos e preparou o teclado pra mim, assim como ajustou a altura do microfone. Me ajeitei no acento e encarei o teclado, sentindo minha respiração falhar só de imaginar todos aqueles olhos sobre mim, eu podia sentir minha pele queimar, febril.
- Está pronta? - Indagou . Neguei com a cabeça, mordendo meu lábio inferior e tentando me recordar qual era a primeira sequência de acordes - A partitura está aí, nada vai dar errado. - Ouvi-o dizer, agora mais perto, o encarei por um momento e concordei com a cabeça, mesmo discordando em teoria.
- Acho que podemos começar.
- Ok... 1, 2... 1, 2, 3...
começou a tocar e, como combinado, eu o acompanhei em seguida, inclusive no vocal para fazer uma introdução simples à estrofe que viria a seguir. Tentei não olhar pra frente, nem para a partitura, ou para o teclado, preferi ficar de olhos fechados um tempo, mas desviei minha atenção para , assim que ele começou a cantar:
Honesty,
Honestidade
Was all I ever wanted you to show to me
Era tudo o que eu sempre quis que você mostrasse pra mim
And all I ever needed
E tudo o que sempre precisei
Now you're gone from me
Agora você se foi
And how did this happen after so long?
E como isso aconteceu depois de tanto tempo?
fechou seus olhos, a letra saía facilmente e sua voz nunca estivera tão limpa. Vez ou outra ele desviava seu olhar para o violão, trocando de acorde com um cuidado e uma habilidade extraordinária. Eu não conseguia tirar meus olhos de seu rosto, sua feição centrada, tranquila, como se nada pudesse dar errado. Como se aquela letra não dissesse nada, não significasse nada.
Finally, if can we just have some time
Finalmente, se nós pudermos ter algum tempo
So you could talk to me, can't you see?
Então você poderia falar comigo, você não consegue ver?
Perguntei-me se não estava realmente se importando, ou se estava tão concentrado em não errar em nada que esqueceu-se da emoção.
That we've no time to waste our lives
Que nós não temos tempo para desperdiçar nossas vidas
And I don't have all the answers
E eu não tenho todas as respostas
So I close my eyes, and I hope I'm doing right
Então eu fecho meus olhos, e espero estar fazendo certo
Quase me esqueci de cantar, perdida no movimento dos lábios de , mas ao reconhecer o refrão, clareei a garganta delicadamente e o acompanhei. Aquela composição podia não significar muita coisa pra quem estava escutando-a naquele momento, mas era absurdamente simbólica pra mim. Tudo o que havia nela, nada era dito em vão, absolutamente nada... Eram conteúdos meus e de , que agora se mesclavam e já nem sabíamos mais quem havia escrito o quê, era uma única letra, um único sentimento.
You and me,
Você e eu,
In your head we were always gonna be happy
Na sua mente nós seríamos sempre felizes
So now we're nothing more than just a memory
Então agora não somos nada além de memórias
So wipe away those tears, and go be strong
Então limpe essas lágrimas e seja forte
Talvez aquela fosse a parte que eu menos gostava em toda a composição, pois tanto na minha cabeça, e agora sei, na de também, nós queríamos que tivesse dado certo. Acreditávamos, quando éramos apenas nós dois, que seríamos felizes todo o tempo, que não havia nada que pudesse desfazer o que sentíamos, mas as coisas haviam mudado repentinamente. E embora eu não quisesse que nos tornássemos apenas uma boa lembrança um para o outro, era o que estava acontecendo. E eu não tinha a força que ele pedia na última frase, não sabia onde encontrá-la... Definitivamente.
I hesitate to tell you what I'm feeling,
Eu hesitei em te dizer o que estou sentindo
Baby, I'm afraid to say
Amor, eu estou com medo de dizer
Não sei bem o motivo, mas naquelas duas frases, e eu nos entreolhamos. Era isso, ambos estávamos com medo do que estávamos sentindo e do que poderia ainda estar por vir. Estaria, então, se retraindo? Por isso estava me tratando mal?
That we've no time to waste our lives
Que nós não temos tempo para desperdiçar nossas vidas
And I don't have all the answers
E eu não tenho todas as respostas
So I close my eyes, and I hope I'm doing right
Então eu fecho meus olhos, e espero estar fazendo certo
Eu queria dizer a ele que não devia temer, eu estava disposta a perdoá-lo e fazer as coisas darem certo, eu faria o que fosse para ter de volta nossos dias e noites, a relação pura e sem jogos que tínhamos há tão pouco tempo atrás, e que agora parecia nunca ter existido.
Nothing ever changes when we make up
Nada nunca muda quando nos reconciliamos
You just stay at my house when I'm in town
Você fica em minha casa apenas quando estou no centro
So, inevitable, we must break up
Então, inevitavelmente, nós devemos nos separar
Sorry if I'm out of line
Me desculpe se estou fora da linha
Recordei-me do que havia dito na noite anterior, sobre seus pais. Rapidamente meus olhos procuraram os seus, mas eles estavam fechados, então decidi cantar, tentando com isso demonstrar que eu estava ali pra ele. Suas sobrancelhas penderam pra baixo e sua expressão expressava sua mágoa. Senti minha garganta trancar, eu queria poder ajudá-lo a superar.
But we've no time to waste our lives
Mas nós não temos tempo para desperdiçar nossas vidas
And I don't have all the answers
E eu não tenho todas as respostas
So I close my eyes, and I hope I'm doing right
Então eu fecho meus olhos, e espero estar fazendo certo
Retomamos o refrão e agora ele parecia finalmente mais entregue à música, mas ainda assim não voltou seus olhos em minha direção, eu só queria entender o que eu poderia ter feito de tão grave para aquela raiva, aquele asco repentino. De repente a ansiedade para estar a sós com ele, em seu quarto, aumentou 80%.
But we've no time to waste our lives
Mas nós não temos tempo para desperdiçar nossas vidas
And I don't have all the answers
E eu não tenho todas as respostas
So I close my eyes, and I hope I'm doing right
Então eu fecho meus olhos, e espero estar fazendo certo
olhou pra mim quando deixei que ele cantasse sozinho, acompanhando-o em apenas algumas palavras. Um sorriso bem pequeno surgiu em seus lábios, mas novamente ele se voltou pra frente e fingiu que eu era indigna sua atenção. Que ironia, até alguns dias atrás, era o contrário.
We've no time to waste our lives
Nós não temos tempo para disperdiçar nossas vidas
And I don't have all the answers
E eu não tenho todas as respostas
So I close my eyes, and I hope I'm doing right
Então eu fecho meus olhos e espero estar fazendo certo
escondeu sua voz enquanto eu cantava, eu quis parar, achei até que estivesse errando a continuidade da música, mas minha partitura me certificou de que era apenas uma gracinha do senhor . Tentei equilibrar meu tom de voz e não desafinar até o fim, que estava próximo. Assim que a melodia morreu, as palmas a substituiram. Sorri, sem jeito, e virei meu rosto para , que também me olhou desta vez, com um sorriso um pouco maior, ainda assim desanimado.
Levantei, fez o mesmo e desceu do palco, levando consigo o violão. Desci e voltei para o meu lugar, entre ele e James, que me parabenizou, sorri forçado e agradeci sem a menor vontade. Eu não conseguia me importar com qualquer coisa que não fosse o término do jantar.
- Ok, vamos às considerações finais da gincana... - Começou o professor, sorri ansiosa, soltando minha colher e afastando o prato de bolo - Primeiramente quero agradecer à todos os alunos por terem participado de todas essas provas, nós sabemos que o prêmio não tem grande valor, mas mesmo assim vocês se esforçaram pra cumprir todas as regras e tenho certeza que no fim, foi bastante divertido pra todos nós. - e eu nos entreolhamos, inevitavelmente, depois voltamos a atenção para o professor - Em último lugar, recebendo uma medalha de bronze com a estampa de um bicho preguiça, e também um delicioso saco de pirulitos... O grupo... Verde!
Olhei pra , que fechou a cara imediatamente, mas começou a gritar e pular como se fosse a melhor coisa do mundo, arrancando uma gargalhada de todos. Ele puxou até o palco, onde a professora os esperava com as tais medalhas e o pacote de pirulitos. E então algo inesperado pra mim, e acredito que pra muitos outros alunos, aconteceu.
- Esse aqui é meu prêmio! - gritou no microfone, e de repente, ergueu nos braços, ela exclamou um grito ardido e cobriu o rosto - Nada poderia ser melhor.
Sorri, contente pelos dois. merecia alguém como e ela também merecia alguém como ele. Só agora eu notava, mas eles até formavam um casal bem bonito. A balbúrdia foi interrompida quando o professor retornou a falar.
- Em terceiro lugar, recebendo uma medalha de prata e 1 vale refrigerante pra cada um do grupo... O grupo... Azul! - e James se entreolharam, completamente revoltados com o resultado final, prendi o riso quando ambos se levantaram e pisaram firme até lá, como se fosse a pior coisa do mundo.
- É, acho que vencemos. - Ouvi dizer, virei em sua direção, mas ele continuava com os olhos fixos no palco, assistindo e James receberem seus prêmios.
- Acha? - Ele concordou com a cabeça e me olhou por um instante, tive vontade de beijá-lo, ou abraçá-lo... Quis que estivéssemos a sós.
- Continuemos... - O professor se pronunciou - Em segundo lugar, o grupo que irá receber esta bela medalha de ouro e ainda um baú de trufas para dividir com os membros é o grupo... - Contraí o cenho, talvez fossemos nós, afinal, Samantha e Patrick haviam ido muito bem na apresentação, isso pouco me importava, na verdade - AMARELO!
Arqueei minha sobrancelhas e sorri, me olhou com um sorriso enorme e eu retribui com um não tão grande. Enquanto Samantha e Patrick recebiam seu prêmio, e eu nos encaminhávamos para o palco lentamente, para receber o prêmio do grupo, que eu nem mesmo sabia qual era.
- E o grupo vermelho, como vencedor, receberá, além deste belo troféu de ouro, uma noite na Domino's com tudo pago e os líderes receberão ingressos para a área vip do show que quiserem compartilhar. - O professor disparou, sorri contente com os prêmios, seria bastante divertido, tanto ir à Domino's com o grupo, quanto poder ir a um show apenas na companhia de .
- Obrigada, professor. - Agradeci enquanto o abraçava, estava logo ao meu lado, e longe do microfone o professor nos disse:
- Espero que tenha lhes servido muito mais do que para receber esses prêmios, que vocês tenham aproveitado esse tempo que eu lhes proporcionei para conversar e consertar as coisas... - Eu e continuamos ali, em silêncio - Quando eu tinha a idade de vocês, eu tive a oportunidade de conhecer a mulher da minha vida, mas éramos apenas crianças, eu não achava que fosse passar de um namoro adolescente, e um dia eu a traí... - Mordi meu lábio inferior, tentando controlar a comoção que me assolou repentinamente - Eu a traí e ela sumiu... Eu digo, eu nunca mais a vi em toda minha vida, na época, as únicas pessoas a quem eu podia recorrer eram seus pais, pois ela era um ano mais velha e não estudava mais, eu nunca encontrei um endereço sequer que me levasse à ela, ou um telefone... Tudo o que eu sei é seu nome completo, e a única coisa que me restou dela foi uma carta de despedida...
- O senhor nunca mais foi atrás dela?
- Fui durante alguns anos, mas já tem um tempo que eu desisti, ela já deve estar casada, com filhos... - Ele dizia tudo isso com uma tristeza que trancou minha garganta - Eu quero que entendam que eu a perdi por bobeira, é verdade... Eu mereci perdê-la, e eu não tive como lutar por ela, ou pelo amor que sentíamos, eu não tive tempo, mas vocês têm, então lutem um pelo outro, não deixem que as pessoas se intrometam numa coisa que não lhes diz respeito, o sentimento de vocês ninguém pode tomar e é isso o que importa, o sentimento.
- Eu sinto muito por tudo, professor... - Foi o que eu consegui dizer.
- Não se preocupe, , eu estou habituado a isso, já não dói tanto, só lhes peço que ouçam o que digo, se amam um ao outro, não deixem isso passar despercebido, não finjam que não é amor. A gente sabe quando é amor... A gente sempre sabe.
Sim, a gente sabe, e eu sabia. Meus olhos buscaram os de , esperando retorno pelo menos uma vez no dia, mas ele estava cabisbaixo. Será que ele tinha dúvidas de que me amava? Ou sobre meu amor por ele? Minha garganta pareceu fechar-se, sufocando minha respiração e me fazendo ofegar uma vez, para depois me afastar. Eu queria acabar de uma vez por todas com aquela situação, de alguma maneira eu sabia que quando estivéssemos a sós, em seu quarto, as coisas se esclareceriam.
Saltei do palco e andei apressadamente até meu grupo, entreguei o troféu a eles, que comemoravam como se fosse algo realmente sensacional, não que não fosse ser divertido sair com a turma e poder ir à um show com , mas naquele momento nada me parecia mais interessante do que sair dali.
Eu estava a poucos passos da porta, estava parado lá, parecia esperar que eu olhasse para me dar algum aviso silencioso. Fitei seu rosto impaciente e o notei esfregar os cabelos da nuca, antes de por fim encarar meus olhos, mas antes que qualquer coisa fosse dita, senti minha cintura amparada por dois braços, tentei ver quem era. Tentei entender o que estava acontecendo. Mas nada solucionou-se em minha mente. Meus lábios eram pressionados pelos de James e ele não parecia ter a menor pretensão de romper o beijo. Com asco, empurrei-o, sem muito sucesso, mas o suficiente para virar meu rosto para o lado e procurar por , mas tudo o que encontrei foram os saltos excitados de . Patético, definindo a cena.
Atravessei o resort sem sequer prestar atenção no que fazia. Ignorei os berros de e os apelidinhos ridículos que James atribuía a mim, parados na porta do restaurante.
Toquei duas vezes consecutivas na porta do apartamento onde estava hospedado, mas sem obter qualquer resposta, adentrei. Notei que não havia luz alguma acesa na parte inferior e, no meio do lance de degraus até o segundo andar, realizei que estava tudo apagado. A porta de ambos os quartos estavam fechadas e eu temi o que encontraria do outro lado.
Com o indicador, bati três vezes repetidas na porta, soava como uma melodia tola. Nada. Sem permissão, girei a maçaneta e abri uma fresta, ampliando meu campo de visão, embora a penumbra ainda limitasse o que eu podia enxergar. A luminosidade natural da lua invadia o cômodo, refletindo na pele nua do tronco de em uma nuance de amarelo dourado. Ele estava parado em frente à sacada, olhando para fora como se houvesse algo muito interessante lá fora a ser admirado. Talvez a chuva. Talvez o nada.
Perdi uns instantes admirando o desenho do músculo das suas costas e seus ombros, que enrijeceram ao mesmo tempo em que deixei um suspiro escapar, permitindo que ele notasse minha presença ali. O fato de não ter virado-se em minha direção me fez concluir que não queria me ver. Não retirei sua razão.
Passei para dentro, mesmo assim, e antes que eu pudesse fechar a porta, ele se virou, lenta e graciosamente. Seus ombros brilharam úmidos, as gotas escorregavam pelos cachos curtos de seu cabelo, como se fossem tobogãs. Seus olhos estavam vermelhos, suas pupilas dilatadas e sua íris estava acinzentada, como se nuvens pairassem sobre ela. Estremeci enquanto ele se acercava, agora estava tão perto que eu podia sentir o calor e o perfume que emanava da sua pele e me abraçava, atrapalhando minha concentração. Com seu corpo parado em frente ao meu, estendeu seu braço e apoiou a palma na porta, empurrando para fechá-la. Minha respiração entrecortou quando ouvi um “click” duas vezes enquanto ele girava a chave na lingüeta, trancafiando-nos.
- ... - Minhas cordas vocais tremeram e seu nome soou como um gemido estranho, ao qual ele não respondeu - Eu sinto muito pelo que você viu...
- Não quero conversar. - Esclareceu, sua voz firme como suas mãos, que agora amparavam meu dorso, puxando-me de uma só vez.
- ... - Chamei ao erguer minha cabeça, que colidiu contra seu queixo ao mesmo tempo que eu pisava sobre seus pés, desequilibrando-me sem sair do lugar graças à precisão com a qual ele me mantinha entre seus braços, ele não piscou, não riu, não pareceu afetado ou comovido com qualquer coisa, apenas continuou me olhando de um jeito que me fez apoiar minhas mãos em seus peitos a fim de uma distância segura. Segurança, algo que sempre me proporcionara sem se esforçar - Eu posso explicar...
- Sempre pode, não é? - Ele sorriu com escárnio - Mas saiba, , suas explicações são dispensáveis... E planos são planos, não é?
Não respondi, sentindo meu coração perder a força dentro de meu peito, que parecia diminuir. Meu corpo tremia todo e minha língua parecia dormente, eu não consegui dizer nada, tampouco tive tempo de tentar. Seus lábios foram pressionados aos meus sem delicadeza, e eu, sem entender, retribui o beijo desesperado ao qual se dedicava. Coloquei as mãos em seu rosto, sentindo-o rígido como se me beijar fosse algo horrível. Abri meus olhos e a expressão de fez com que meu estômago se contraísse, seu cenho estava encolhido, suas sobrancelhas baixas, como se sentisse uma dor inexplicável, eu queria entender.
Firmei minhas palmas contra seu peito, quente e completamente rijo. Tentei, em vão, afastá-lo, pois minha força parecia ter sido anulada pelo meu desespero repentino. Inspirei o máximo de ar que me foi possível, quantidade ainda insuficiente para aliviar meus pulmões. Meus olhos e narinas começaram a queimar, trancando minha garganta numa intensidade nada familiar.
Os braços de me libertaram de uma vez só, uma vertigem me fez cambalear para perto da parede, onde me apoiei. Ele se afastara, andando até a cama com seus pés descalços e sua calça caindo pelo quadril. Olhei pra porta, cogitando a possibilidade de ir embora, engolindo em seco a vontade de chorar.
- Vem, não vai se deitar aqui comigo? - Desviei os olhos da maçaneta para , apenas de boxer, sentado na beirada da cama com uma das mãos apoiadas pra trás - Vamos lá, , agora você não quer?
- , por favor, o que pensa que está fazendo? - Perguntei, sentindo-me subitamente enojada com sua expressão sarcástica - Eu sei que as coisas ficaram fora de controle, mas... - Não consegui continuar, ele havia se levantando e estava se acercando - , me deixa ir embora. - Pedi, tentando manter a calma quando suas mãos me seguraram pelos cotovelos e começaram a me conduzir até a cama - , não faça isso.
- Sabe, , eu te tratei tão bem, com tanto respeito... Mas no fim das contas, vocês são todas iguais e não merecem tratamento diferenciado, mais ou menos especial... São todas grandes vadias que se escondem atrás de uma maquiagem de bela moça pra depois fincar o salto agulha em nossos corações confusos e apaixonados. - Ele dizia tudo aquilo entre dentes, com o maxilar trincado e os olhos fixos nos meus, senti seus dedos me soltarem de uma só vez, sentei na beirada da cama e encolhi os ombros, em proteção.
- Por que está dizendo isso? - Sussurrei, sentindo os lábios trêmulos e os olhos encharcados - Não é por causa do beijo que James me deu... É? - sorriu de um jeito que confirmou minha suspeita, não era só isso, afinal, ele estava estranho o dia todo - O que está acontecendo? - Perguntei, vendo-o ajoelhar-se à minha frente com uma expressão sarcástica.
- Não era isso que você queria, me ter aqui aos seus pés? - Apertei o lençol entre meus dedos, apenas encarando-o - Depois de ter traído sua confiança, não parecia a coisa certa ir lá e foder com a minha vida e com o meu coração? Não era isso o que você pretendia? Me atrair até sua cama como se meu sentimento por você se resumisse em tesão? Aqui estou, , aos seus pés, e meu sentimento por você, hoje, é só tesão... Então não quero conversar e nem chorar.
Mas seus olhos brilhavam cheios de lágrimas, denunciando que nem mesmo tesão ele estava sentindo naquele momento, nada além de mágoa. Eu queria dizer algo, queria ter dito algo, mas fui incapaz de fazer qualquer coisa. Eu estiquei minhas mãos para tocar seu rosto, mas com o punho ele as afastou, e num movimento ágil me deitou na cama, com seu corpo sobre o meu e sua boca na minha. Apertei meus olhos, sentindo meus cílios úmidos e uma dor aguda em ambos os pulsos pela maneira como ele os segurava acima de nossas cabeças. Eu não me movi, mas meu interior era todo resistência, demonstrada em lágrimas.
Eu não precisei fazer nada, rompeu com o beijo de repente e se afastou, andando para perto da porta com os próprios cabelos preso entre os dedos. Ele encostou sua testa na parede enquanto eu rolava para fora da cama, caindo ao lado dela, e aos tropeços me levantei e corri, com as pernas fracas, para o lado oposto, perto da sacada. Massageei meus pulsos enquanto meus olhos gotejavam na mesma freqüência com a qual a chuva caía lá fora.
mantinha-se de costas, com os ombros subindo e descendo rapidamente, os músculos contraídos e os dedos enroscados na cabeça, como se estivesse prestes a explodir.
- Eu errei muito, é verdade... - Ele começou a dizer, sua voz embargada e trêmula - Eu errei quando não te contei tudo o que estava acontecendo, errei por ter permitido que você passasse por toda aquela humilhação pelo medo que eu tinha de te perder, eu quis correr o risco... - Fechei meus olhos com força, as imagens do baile de primavera voltando a passar como um filme em minha cabeça - Mas eu esperava algo mais maduro de você. - Sua voz se tornou um pouco menos abafada e quando abri os olhos notei que ele estava de frente pra mim, embora longe, seus olhos cheios d’água - Eu me redimi de todas as maneiras que pude, eu me humilhei e fui atrás, tentei me desculpar... Eu achei que algo estivesse errado quando você fingiu que estava tudo bem... Mas eu nunca imaginei que um dia você seria capaz de agir como... Uma idiota.
- Quem é você para falar de atitudes idiotas?! - Exclamei, sentindo a indignação corroer minha calma.
- Eu sou um merda! - Gritou, duas lágrimas caíram de seus olhos rapidamente e ele voltou a trincar os dentes - Eu sou um grande merda, sempre fui... Até te conhecer, porque por você eu queria ser alguém melhor, eu sempre achei que você merecia estar ao lado de alguém que eu nunca tinha sido, mas que eu tentei e tenho tentado ser desde então... Achei que você fosse boa demais pra mim, mas agora eu não entendo o por quê. - Funguei, sem forças para responder ou reagir - Você agiu exatamente como qualquer outra garota que eu já tenha ficado, todas elas passaram pela minha vida e eu nem senti falta quando foram embora... Era pra ser diferente com você. - Ele assentiu, lentamente, com as lágrimas banhando seu rosto - E eu estou tão chateado que eu nem consigo te olhar sem ter vontade de mandar você ir para o inferno!
- . - Meu tom parecia implorar, e eu não consegui continuar, o choro me arrancou um soluço ao invés de palavras.
- Não quero que diga nada, eu não quero ouvir nada, eu quero que você vá embora porque você não é quem eu pensei que fosse, e apesar de todos os meus erros eu sempre deixei claro que era um idiota...
- Você está sendo egoísta! - Exclamei, ofegando pela dificuldade que eu tinha em respirar com o nariz trancado devido ao pranto.
- VOCÊ FOI UMA GRANDE EGOÍSTA POR QUERER COMPENSAR SUA DOR COM A MINHA! - Ele gritou, com tanta força que sua voz saiu rouca ao final, eu estremeci, sem conseguir me mover.
continuou me olhando, as veias de sua testa e pescoço pulsavam, sua pele estava toda vermelha e já não era só em conseqüência do sol. Ele estava tão nervoso que não devia nem estar percebendo todas aquelas lágrimas, elas pareciam escorrer com tanta facilidade enquanto seus olhos, vidrados em mim, mal piscavam. Solucei e escondi meu rosto entre minhas mãos, envergonhada por tudo o que eu havia feito. estava certo, ele havia sido um idiota sim e eu havia me igualado a ele. Eu havia sido uma idiota quando aceitei fazer com que se sentisse atraído por mim, para depois deixá-lo. Eu havia sido uma idiota por ver que ele havia melhorado e mesmo assim ter continuado piorando, dia após dia, até ser tarde demais.
estava exatamente da maneira como eu desejei no último mês. A sua imagem chorando passava por minha cabeça todas as noites antes de dormir com lágrimas nos olhos, tentando entender o porquê dele ter me escolhido para aquela aposta, tentando entender como ele poderia ter sido tão teatral a ponto de me fazer acreditar no amor que ele fingia sentir. Eu desejei, dia após dia que ele se arrependesse profundamente por aquilo, sem saber que ele já se arrependia há muito tempo, mesmo antes de tudo ter sido descoberto por mim. Eu não sabia, mas não precisava sofrer além do que já havia sofrido. E eu não sabia que diante de sua dor, a minha se tornaria ainda maior. Mas agora eu sabia de tudo isso. E me arrependia por tudo isso.
Continua...
N/a: Olá, meninas! Como vão? Espero que estejam todas bem, e que não estejam querendo me matar.
Me desculpem MESMO a demora, eu estou começando meu TCC, vou começar a atender na clínica da faculdade (não sei se eu já comentei, mas faço Psicologia,
estou no quarto ano). Está tudo muito maluco! Meu relacionamento está pior que coca-cola sem gás, mês que vem faz 1 ano que minha mãe faleceu e eu estou
pi-ra-di-nha! Mas prometo ser mais dedicada com a fic. E não, não vou abandoná-la, noway in hell!
Enfim, muito muito muito obrigada por todos os comentários, acho lindo, é muito gratificante e eu queria muito estar com tempo para responder, como eu fazia na
primeira parte da fic, mas realmente, tempo é uma coisa que anda me deixando pra trás. :( Mas agradeço muito, de coração, a todas vocês,
e a minha beta linda Lara, pela atenção e dedicação... e AH! Dêem os parabéns pra minha beta, ela conseguiu estágio! Hihi
Ah, meninas, tirei o bloqueio da página pra vocês conseguirem ouvir as músicas, ver as roupas e etc.
E é isso, um super beijo pra vocês, fiquem com Deus.
Até a próxima.
mwwwwwwwwwwwwah!
Lô Bernardelli.
Nota da Beta: Qualquer erro nessa fanfic é meu, então me avise por email ou mesmo no twitter. Quer saber quando essa fic vai atualizar? Fique de olho aqui. Obrigada. Xx.