História por Amanda Hikari | Revisão por Cáh Almeida



Capítulo 1 - Introducing Me

Sábado, 01:46 a.m. - London City Airport

:

Droga de vida.
Quero dizer, sabe quando tua vida tá simplesmente perfeita, daí alguém traz uma notícia desastrosa que simplesmente revira tudo de cabeça para baixo?
Então.
Sabe, tava tudo indo tão bem. Eu, meus amigos, minha antiga escola, minha antiga casa, meu antigo país! Aí eu descubro sobre o combinado dos meus pais. É um combinado bem tolo, se você quer saber. Mas acho que até entendo eles, quero dizer, deve ser bem difícil quando duas pessoas de diferentes países, com um grande Oceano separando suas terras natais se conhecem e se apaixonam. E quando a mulher engravida, então? O que fazer? Onde morar? A solução, encontrada por minha mãe, inglesa, e meu pai, brasileiro, foi essa: viveríamos dezesseis anos no Brasil, em São Paulo, e o resto em Londres, na Inglaterra. Oras, por que mais tempo na Inglaterra? Segundo minha própria mãe: "Eu carreguei a na barriga por nove meses, então tenho direito de escolher o lugar em que viveremos por mais tempo!". Ao meu pai, mero doador do espermatozóide vencedor (minha mãe nunca entendeu muito de biologia), coube aceitar o que minha mãe impôs a ele, digamos, no primeiro ano de casamento?
Ah, o amor!
Blergh, patético.
Obrigada aí, papai do céu!
Então isso traz aqui, eu, , recém-completados 16 anos de idade, no aeroporto de Londres, numa bela madrugada de sábado, nesse frio congelante de fim de ano. Uma corrente de ar cortante passou por mim e eu apertei meu trench coat Burberry contra meu corpo para me esquentar mais. Impossível.
- Pai, você não disse que o carro já estava chegando? - perguntei, impaciente. Meu pai detinha uma expressão preocupada. Problemas com o trabalho, provavelmente. Era dono de uma gravadora muito bem sucedida, responsável por grandes nomes da música, como o Aerosmith, o AC/DC e o Pink Flyod. O que justificava o fato de ele estar sempre viajando, sendo que eu raramente o via. Foi assim que ele conheceu minha mãe, na verdade. No museu dos Beatles, durante sua ida à Inglaterra para resolver sobre a gravação do CD de não sei quem. A gravadora de meu pai tinha várias matrizes espalhadas pelo mundo, em países que eu nem mesmo sabia o nome. Minha mãe era da Inglaterra mesmo, como eu já mencionei, e trabalhava como designer, e na época, havia acabado de finalizar seu mestrado em Oxford, estando em Liverpool apenas para passeio. Depois de cinco anos de namoro, meu pai a pediu em casamento, ela aceitou, eles se casaram, minha mãe engravidou e o resto vocês já sabem.
- Me desculpe, meu anjo. Tenho certeza que Peter encontrou algum impecilho para não chegar aqui a tempo. - meu pai me respondeu, sorrindo de um jeito cansado.
- Deve ser por causa de toda essa neve! Aqui está fazendo mais frio que no Alasca, pai. - reclamei, manhosa, apontando para o lado de fora do aeroporto, onde você só podia ver uma cor: branco, branco e mais branco.
- , fique tranquila, tenho certeza que... - meu pai foi interrompido por seu iPhone, que começou a tocar insistentemente. - Com licença. - meu pai pediu, indo para o canto perto do banheiro e já depositando o aparelho sobre a orelha.
- Claro, pai. - falei, mais para mim do que para ele, que já se encontrava distante. Mirei minha mãe por um instante. Ela parecia tão... feliz. - Está contente, mamãe? - perguntei a ela.
- Você não faz ideia, filha! E o que combinamos sobre o português? - havíamos combinado que ao pousar na Inglaterra eu teria que trocar meu bom e velho português, pelo inglês britânico. Nada difícil, se você parar para pensar que o português fora ensinado a mim pelo meu pai, pela escola, e pelos meus amigos. O inglês, pela minha mãe, e o que ela não ensinou o curso de inglês o fez.
- Pardon, mademoiselle! - eu disse, em francês mesmo, só para provocá-la.
- Engraçadinha. - mamãe sorriu para mim.
- Pessoal, Peter acabou de ligar avisando que está nos esperando perto do ponto de táxi. Já podemos ir para casa! - Casa? Desculpa aí, pai, mas para mim a minha casa ‘tá bem longe. Lá no Brasil, na verdade. Mantive esse pensamento para mim, não queria chatear minha mãe com meu drama. Ah, espera, pensando bem, não era um drama, era só a realidade da minha (triste) vida.
- Finalmente! Se eu ficar mais um minuto aqui irei congelar. - resmunguei para os dois, que somente riram e comentaram o quanto eu era exagerada. Ah tá! Experimente sair de um país tropical e vir para um europeu. Em novembro ainda! Quem é exagerada mesmo?
Um funcionário do aeroporto se ofereceu para carregar nossas malas, e eu não hesistei. Assim que ele fechou o porta malas, adentramos a limousine preta e partimos rumo a nossa "casa".
- Não se preocupe, , tenho certeza que irá adorar Londres! E ah, esqueci de lhe avisar, seu primo irá morar conosco. A mãe dele, minha querida irmã, Rebecca, e seu adorável marido estão se mudando para Liverpool, mas o menino não quis ir, alegando que sua vida estava aqui. Então me ofereci para que ele viesse morar em nossa casa. Isso não é bom, filha? Você já possui um amigo! - minha mãe sorriu. Ótimo. Além de ser obrigada a ir morar em uma casa nova, um país novo, e ter que conviver com gente nova, teria um primo que eu não conhecia morando comigo! Deus, eu atirei pedra na cruz para o Senhor estar fazendo isso comigo?
- Hmmm... legal, mamãe. - sorri fraco para ela. Qual é, ela estava tão empolgada. Tirei meu iPod touch branco do bolso do meu trench coat e logo encaixei os fones em meus ouvidos. Pode me chamar de antipática, mas eu realmente não estava com aquele humor para conversar.
Será que minha vida pode ficar ainda pior?

Capítulo 2 - First Contact

Sábado, 02:35 a.m. - The Mass Club

:

- , você tá muito chapado, mate! - ouvi berrar para mim. Não que eu realmente consegui ouvir ele berrando, a voz dele chegou baixinha aos meus ouvidos, devido à alta música que tocava na boate em que estávamos. - Como vai voltar para casa? e já foram embora, e eu irei para a casa da minha tia depois daqui.
- É por isso que meu pai me deu um carro, – respondi, como se aquilo fosse óbvio, pescando em meu bolso as chaves do meu Porsche Carrera GT. Devolvi um olhar confuso para quando não consegui encontrá-las. Cara, cadê?
- Você acabou de emprestar seu carro para o , não se lembra disso? - eu neguei com a cabeça, olhando para um boquiaberto. Ele era tão retardado. - Você tá muito bêbado mesmo! Eles se foram faz o quê, uns dez minutos, cara.
- Porra, e agora? O que eu faço? Gastei todo meu dinheiro em bebidas para as meninas, não tenho como pagar um táxi! - comecei a me desesperar. Eu era tão retardado.
- Faz o seguinte, vem comigo para a casa da minha tia. Acho que ela ainda não deve ter chegado de viagem. Pelo que eu me lembro, ela só chegaria amanhã pela manhã.
- Obrigado, dude! Vamos nos mandar, então. - eu disse, meio doidão, abraçando pelo ombro enquanto atravessávamos aquela multidão de gente, procurando pela saída.
Após alguns minutos, algumas tropeçadas e muitas zoações, conseguimos chegar até a Lamborghini Gallardo preta de , presente de despedida de seus pais, que estavam se mudando pra Liverpool, o deixando em Londres sozinho, o que levou ao ter que se mudar para a casa de sua tia, que estava se mudando do Brasil para cá, junto com seu marido e sua prima.
- Eu não sei como você consegue beber tanto, . - me encarou enquanto eu ligava o rádio sintonizando em qualquer estação. - Algum dia isso ainda vai te causar algum problema!
- Cara, relaxa. Nós somos jovens e temos a vida toda pela frente para nos arrepender.
Ah, a bebida... sempre nos deixando mais filosóficos.
Depois de algumas músicas e várias risadas, paramos em frente a uma mansão IMENSA. Eu abri a minha boca até o chão, se é que isso é possível.
- Caralho, , tua tia é o quê? Chefe dos gangsters? Traficante de drogas? Presidente dos EUA? - eu disse, impressionado. riu.
- Ela é designer, mas o marido dela é dono da MusicRecords. - respondeu, dando os ombros e estacionando o carro perto de uma limousine. Peraí, MusicRecords, uma das maiores gravadoras do mundo? Odeio gente pobre. - Ai, caramba, fodeu! , eles já chegaram! Como eu vou entrar lá com você assim?
- Calma, cara. Tá parecendo uma mulherzinha desesperada. - eu debochei, e ele somente fez uma expressão séria. Ok, parei, não brinco mais. - Eu to melhor, juro que não irei dar nenhum fora ou algo assim.
- Eu acho bom mesmo, porque se você fizer merda, minha tia vai contar pra minha mãe, daí você já sabe como vai ser. - ele falou, sério. - Bom, de qualquer jeito, vamos entrar.
Segui até a entrada da casa. Ele girou as chaves e abriu a porta, revelando um hall bem iluminado, o que pertubou um pouco os meus olhos, já acostumados com a escuridão da boate. depositou as chaves na mesinha e rumou para a cozinha e eu só o seguia, enquanto eu ficava pensando como a casa era...
E aí eu ouvi um berro.
É, um berro mesmo. Daqueles bem de menininha assustada vendo um filme de terror. Girei minha cabeça a procura de quem havia gritado.
Então eu a vi. Mais baixa que eu, escorada no balcão, com os olhos arregalados de susto e linda. Extremamente linda. Cara, eu sou tão gay! Ou talvez seja a bebida.
É, tem que ser a bebida. Por favor, que seja a bebida! O que é que eu ‘to falando, com certeza é a bebida. Sou macho, tenho certeza.
- Quem são vocês e o que estão fazendo na minha casa? – a menina perguntou, em uma língua estranha. Não era inglês, não era francês e parecia um pouco um espanhol. Como eu sei disso? Ah, cara, porque eu sou foda. Mentira, é porque minha mãe me obrigou a ter aulas de espanhol mesmo.
- O quê? – perguntou, parecendo tão confuso quanto eu.
- Ah, me desculpe. Quem são vocês e o que fazem em minha casa? – a menina disse, agora em inglês.
- Bom, eu sou o , e esse é meu amigo . – disse, em seguida apontando para mim.
- Certo, acho que você é meu primo. Quero dizer, é , certo? – fez que “sim” com a cabeça. - Sou a , minha mãe me informou sobre sua chegada, mas achei que só viesse amanhã. – , ta aí um nome bonito. Ta aí uma menina bonita. Hora de apresentar os amigos pra família, .
- Ah, sim, certo. É um prazer conhecê-la, . – parecia meio não-sei-o-que-falar-depois-de-conhecer-minha-prima-na-cozinha-dela. Mas eu só fiquei pensando em como era REALMENTE um prazer conhecê-la, principalmente porque ela estava com uma camisola rosa bebê com renda preta extremamente curta.
Eu não conseguia parar de olhar pras pernas dela, mas acho que ela percebeu, porque começou a tentar tampá-las com o pouco pano de sua camisola. Desviei o olhar de suas pernas para seu rosto, criando coragem para falar alguma coisa.
- Olá, . – eu disse, e sorri fraco. Fala sério, . Olá? O que você é, uma menina de cinco anos?
- Oi, . - ela respondeu, também sorrindo. Ah meu Deus, que linda que ela era!
Silêncio.
- Bom.. – pigarreou – ‘Tou bem cansada por causa da viagem, então vou dormir. – Ah, não vai não. Fica aqui. Comigo. Oi? Foco, . – Uma boa noite pra vocês. E, hm, ? – ela arriscou um apelido. se virou para ela. – Sinta-se em casa. – ela sorriu fraco, logo depois rumando em direção ao hall e subindo as escadas. Me mata logo, Deus.
A cozinha ficou vazia, exceto por e eu, e logo em seguida ouvimos um barulho de porta se fechando. Eu prevejo o comentando da sua prima em 3, 2...
- CARALHO! Como eles esperam que eu aja normalmente com uma mulher dessas aqui? Você viu o corpo dela, ? – perguntou. Se eu vi? Haha. Próxima piada, .
- Dude, eu vi. Mas abaixa a bola aí, porque incesto é pecado! – eu disse, tirando uma da situação. Ele me mostrou o dedo do meio, e eu ri. – Além do mais, se você fizesse alguma coisa com a , nem a nem seus pais iriam gostar.
- Nem me fala dela, cara. Hoje na boate ela me viu conversando com a Katie Fitch (N.A: Skins!) e me ignorou a noite inteira. Essas mulheres ainda irão me enlouquecer!
bebeu seu copo d’água e continuou seu discurso de como as mulheres precisam aprender a ser mais seguras e lidar com seus ciúmes, mas adivinha se eu tava ouvindo? Minha cabeça estava lá longe, mais especificamente, no quarto de . O que será que ela tava fazendo? Dormindo né, , seu babaca. Ou não. Eu sempre fantasiava sobre o que as garotas faziam quando estavam sozinhas.
precisava me apresentar para ela. Ele precisava fazer algo de útil na sua vida e ser um bom amigo pela primeira vez. E que ele não leia isso.
Bom, que seja.
, aí vou eu!

Capítulo 3 – Let me say a few words

Sábado, 03:26 a.m. – Minha casa

:

Querido... Word?
É, isso aí mesmo. Oi pra você, Microsoft Office Word 2007. Sabe como é, esqueci minha agenda no Brasil, então é com você mesmo, amiguinho.
Olha só, tô precisando desabafar. Neste exato momento estou deitada em minha cama, aqui no meu quarto novo, na minha casa nova, pensando sobre a minha vida nova.
Desde o momento que descobri sobre a mudança, até o momento em que cheguei aqui, passei o tempo todo achando que tudo seria péssimo, e que minha vida aqui seria um saco.
Mas algo, ou melhor, alguém, me fez mudar de ideia.
A verdade é que eu acabei de conhecer meu primo, Daniel, ou melhor, , que irá morar comigo. Mas junto com ele eu conheci alguém totalmente interessante.
Não que meu primo não seja interessante. É só que ele é... meu primo.
Incesto é pecado, e dá cadeia!
O nome dele é , e eu presumo que ele tenha a mesma idade que eu. Mas se não, alguns anos de diferença não fazem mal a ninguém, certo?
Certo.
Eu posso resumí-lo em uma palavra para você: lindo. É isso que ele é. Extrema, incrível e irrevogavelmente lindo.
E cheiroso. E estiloso.
Resumindo: o homem que toda mulher sonha em ter.
Não que eu queira tê-lo, obviamente.
Não que eu esteja mudando meu ódio pela mudança só por causa de um homem.
Não mesmo.
Tá bem, só talvez.
Peraí, Word, ouvi um bip familiar. Parece vir do meu Blackberry.
Voltei. Achei meu celular no closet. É. No closet. O que raios ele estava fazendo lá, eu não sei.
Recebi uma mensagem. Hm, vamos ver.
Peraí, Pedro, é você?
É, realmente era o Pedro. Uma onda de lembranças me atingiu. Os beijos, abraços, brincadeiras, saídas, festas, a escola... tudo isso estava tão.. no passado. Pedro era meu ex-namorado, o que havia deixado quando vim para cá. Doía em meu coração toda vez que eu lembrava de como ele ficou arrasado quando terminamos. Nunca esquecerei seu olhar desolado quando devolvi minha aliança à ele. Mas foi melhor assim, não aguentaria ficar tão longe dele.

Sinto sua falta.


Era o que a mensagem dizia. Três palavras, treze letras. Coisa simples, mas que doeu demais em mim.
Sabe, às vezes a vida é tão difícil. Mas eu acredito, mesmo, que há males que vem para o bem. Então se algo ruim tiver que acontecer para algo bom acontecer, eu estou disposta a enfrentar e aceitar o que a vida me der.
É isso aí, Word. Por hoje é só.

Capítulo 4 - Good morning

Domingo, 11:03 a.m. - Casa do /

:

- Ah, dude! Você me sujou! - eu falava para enquanto ele tentava bancar o Jamie Oliver na cozinha, fazendo panquecas para nós comermos no café da manhã.
- Para de ser um maricas e pega um prato pra mim naquele armário. - apontou para o terceiro armário.
- Maricas, humf. - resmunguei, abrindo o armário e encontrando os tais pratos.
- Bom dia, meus queridos. - me virei para ver de quem era a voz. Uma versão mais velha de , a prima de , se encontrava na porta da cozinha, vestindo um hobby de seda bege.
- Oi, tia! Bom dia para senhora também. - ia em direção da mulher, segurando uma espátula em uma mão e uma pequena frigideira em outra. - Teve um bom descanso? Ah, e, à propósito, esse aqui é meu amigo , ele dormiu aqui ontem, espero que não haja nenhum problema.
- Ora, mas é claro que não! A casa é sua, Daniel, já mencionei isso. E não me chame de senhora, por favor! - a mulher sorriu. Exatamente como . - Olá, .
- Olá, Mrs. Jones - eu disse, educadamente.
- Está cozinhando, meu querido? - afirmou com a cabeça. - Mas que sobrinho mais prendado que eu tenho! Acho que irei acordar , se ninguém o fizer, ela dorme o dia inteiro.
Nós demos algumas risadinhas, até que uma voz suave soou de trás da tia de .
- Temo que isso não será necessário, mamãe. - sorriu. Ela já estava devidamente trocada, com uma roupa básica, e sem aquela camisola que apareceu em meus sonhos. - Já estou bem acordada, obrigada. Ah, e faminta também. Isso são panquecas? - ela perguntou, apontando para a frigideira na mão de .
- São sim, . Posso te chamar assim, certo? - ela fez um "sim" com a cabeça. - Acordei com vontade de cozinhar hoje, então espero que goste. - pegou um prato de minha mão enquanto pescava talheres na primeira gaveta debaixo da pia. - Vamos lá, experimente.
- Hm... - ela disse enquanto mastigava - Elas estão.. ótimas!
Juro que pude sentir um alívio vindo de .
Quem é o maricas agora?
- Você está falando sério? - eu me intrometi na conversa. - Acho que ele caprichou somente para você, porque quando cozinha para os amigos, tenho até medo.
- Haha, muito engraçado, . Eu cozinho bem e todos sabem disso.
- Ah, tá, e qual a tua obra-prima? Cup Noodles?
- É ótimo, ok?
- Concordo. - disse. - Quando eu morava no Brasil, só me alimentava disso nas férias da empregada. Acho que já provei de todos os sabores existentes.
- Tá vendo, ? Minha prima concorda comigo!
- Só porque você está aqui. Aposto que quando você sair ela vai ao banheiro vomitar todas essas panquecas.
soltou uma gargalhada gostosa.
- Pode deixar, primo, não irei não. Prove isso, , está realmente bom. - ela cortou um pedaço com seus próprios talheres e se aproximou de mim. - Abra a boca. - eu obedeci, e ela colocou as panquecas dentro de minha boca.
Isso foi totalmente sexy, quero dizer, ela me deu comida na boca. Quer saber o que mais eu quero dela em minha boca?
Brincadeirinha.
Ou não.
Não mesmo.
- Gostou? - perguntou, fazendo com que eu saísse de meus pensamentos. Ela mordiscava o lábio inferior. Ah, céus.
- Muito. - respondi.
Não gostei só das panquecas, na verdade.
Mas é claro que ela não saberia disso agora.
Ainda.
- Meus amores, estava pensando que vocês poderiam levar para conhecer um pouco a cidade. Apresentar pra ela os melhores pontos turísticos e tudo mais que Londres possa oferecer! - a mãe de , falou, de repente. Eu havia até esquecido que ela estava lá.
É que há uma distração, muito, mas MUITO melhor aqui.
- Seria um prazer, tia. - respondeu.
Seria um total prazer, você quis dizer.

Capítulo 5 - Nothing like London

Domingo, 12:00 - Lamborghini de

:

- Posso pelo menos saber qual vai ser a primeira parada? - eu perguntei para , que insistia em fazer mistério sobre quais lugares iria me levar para conhecer. - ? - eu tentei. Mas também não respondeu. - Droga. - bufei.
Após a ideia de minha mãe para que os dois me levassem para dar um passeio, concordei, subi as escadas e troquei de roupa, preparada para enfrentar o frio londrino.
- Então, vocês podem pelo menos me dizer se estou vestida adequadamente? - perguntei, jogando um verde para colher uma resposta. Mordisquei o lábio inferior, como sempre fazia quando estava nervosa ou ansiosa.
- Você está perfeita, . - finalmente respondeu.
- Do que você me chamou?
- De . Não pode? Me desculpe.
- Imagina, . É que somente meus pais me chamam assim. Mas não precisa se preocupar, pode me chamar, eu gosto. - pisquei para ele.
- Ah, que bom. - ele sorriu. Já comentei o quanto o sorriso dele era lindo? Porque era, e muito.
Ainda é.
Mas foda-se. É.
- Estamos quase chegando, . - comentou.
- Tudo bem, . Pode ligar o rádio, ? - perguntei.
Ele respondeu minha pergunta já ligando o aparelho. Paradise, do Coldplay, começou a tocar, e eu cantarolei junto com a música.
- É aqui. Chegamos. - parou o carro, destravando a porta do mesmo enquanto eu e saímos do carro.
Assim que saiu do carro, pude perceber sua roupa. Como ele poderia não sentir frio com aquela blusa de manga longa tão fina?
Fiquei ali, babando, quero dizer, apreciando, toda sua beleza, até que me tirou das minhas distrações quando se aproximou de nós dois. Estava vestindo uma roupa um pouco mais quente que a de .
- Estamos no St. James's Park. Daqui você pode ver a London Eye - apontou para a linda roda gigante ao fundo. - e o Palácio de Buckingham é logo ali. Acho que esse é um dos parques mais bonitos daqui de Londres. O que achou?
Olhei à minha volta. Havia um grande tapete verde de grama fresca no chão, uma fonte de água límpida e brilhante no meio do parque e, ao redor dela, havia pistas de caminhada. Árvores enormes cobriam boa parte da minha visão, mas eu ainda podia observar os dois monumentos que meu primo havia mencionado. Flores coloridas haviam sido plantadas na grama, e uma delicada cerca de metal separava as flores da pista de caminhada.Tudo era lindo demais.
Mas olha só, talvez Londres não tenha sido uma má ideia!
Inspirei uma boa quantidade de ar para dentro de meus pulmões, respondendo a pergunta de .
- Eu achei... perfeito. - lancei um sorriso. - É lindo, gente, de verdade. Adorei.
- Ufa, que alívio. Enquanto você se trocava, sua mãe comentou com a gente que você não estava gostando muito da mudança. Ainda pensa assim? - me perguntou.
- Mais ou menos. Ainda tô meio desacostumada com tudo isso, sabe como é, você vive sua vida em um lugar e depois se muda de repente. Foi meio.. chocante.
- Ah, tudo ficará bem, , tenho certeza disso. Amanhã será seu primeiro dia de aula, mas logo depois virão nossas férias de Natal/Ano novo. O duro é que você vai pegar a escola no meio do nosso ano letivo.. mas sua mãe disse que você é inteligente, então aposto que irá se dar bem. - sorriu para mim.
- Ah, tomara mesmo! - eu sorri novamente. - Gente, vamos dar uma caminhadinha? Tô quase congelando aqui!
- Eita, . O clima daqui não é muito bom mesmo. Aposto que é totalmente diferente do clima brasileiro. - disse
- Você não faz ideia do quanto. - eu respondi, sincera.
Começamos a caminhar enquanto eu falava para os dois sobre o Brasil, as praias, o futebol, a caipirinha e, é claro, eles me perguntaram sobre as mulheres. Passamos umas duas horas andando e conversando, até que sugeriu que parássemos e comprássemos a famosa especialidade inglesa: fish & chips.
- E então, , você falou sobre tudo, menos sobre uma coisa: o amor. Você tem namorado? - me perguntou, e ele parecia curioso.
Pegou no ponto fraco, coleguinha.
- Ah, eu tinha. Mas sabe como é, tive que atravessar um oceano e alguns bons quilômetros até aqui, então não deu muito certo. Nós terminamos antes de eu vir para cá.
- Entendi. Mas você ainda gosta dele?
- Não sei, 'tou um pouco confusa ainda. Irei te responder com um talvez, pode ser? - dei uma risada meio nervosa. - Mas e você, , está namorando?
Qual é, eu tinha que saber! Aliás não tinha não. Enfim.
Eu queria que a resposta fosse não. Mas eu devia saber pela minha sorte que a resposta seria um...
- Estou em um relacionamento enrolado. Dá pra entender? - ele me perguntou. Fiz uma cara de confusa. - Ela não é exclusiva, entende? E eu também não sou dela. Mas a gente fica. Acho melhor assim, não gosto de compromisso sério. Pelo menos por enquanto.
Relacionamento enrolado? O que isso é agora? Status de Facebook?
Não sei bem o porquê, mas a última frase dele me incomodou um pouquinho. Mas só um pouquinho.
- Ah, sim, certo. - dei um sorrisinho amarelo.
Por sorte o chegou com nossa comida, o que acabou com aquela conversa sobre relacionamentos e coisas do tipo. Nós comemos e depois andamos mais um pouco, e depois de uma meia hora resolvemos ir embora. Ainda bem, porque eu realmente estava com frio. Ao entrarmos no carro, me surpreendi quando resolveu sentar do meu lado, dizendo que não ia me deixar sozinha. Eu aceitei, né, quem recusaria um cara lindo desses?
Que não gosta de compromissos, , lembre-se disso.
Que seja. Quem disse que eu quero um compromisso agora, mesmo?
E com ele, ainda?
Ninguém. É, pois é.

Domingo, 14:48 - Em frente à London Eye

:

- E aqui, , você pode observar a London Eye. É uma das maiores... - foi interrompido pelo toque de seu celular. Ele pegou o aparelho e pediu licença, se afastando para atender.
Virei para a esquerda e pude ver esfregando os braços e o rosto, apertando seu casaco contra seu corpo.
- Frio? - perguntei.
- Muito. - ela respondeu.
- Vem aqui. - eu pedi, abrindo meus braços para ela.
veio em minha direção e se agarrou ao meu corpo. Não sei o que deu em mim, eu apenas a vi tremendo de frio e não aguentei, tive que abraçá-la.
- Hm. - ela murmurou.
- Melhor?
- Muito.
Eu sorri pra ela, que devolveu o sorriso. Ficamos ali, abraçados, e nenhuma palavra foi pronunciada. Eu podia sentir tremendo, ela estava realmente com frio. voltou até nós, com um olhar preocupado.
- Fala, dude. - eu ainda estava abraçado com .
- está muito, mas muito puta comigo mesmo. Pediu pra eu ir à casa dela agora. - disse.
- Quem é ? - indagou.
- É minha namorada. - respondeu. fez um "ah" de compreensão. - Gente, me desculpem, mas eu tenho mesmo que ir. Mulher nervosa é fogo.
deu uma risadinha.
- Pode ir, mate, a gente pega um táxi, certo, ?
- Certo, capitão. - disse, dando risada e fazendo uma continência. - Relaxe, primo. Vai dar tudo certo. - piscou para .
- Tomara, prima, tomara. Bom, já vou indo, galera. Tchau pra vocês, e ? - perguntou. - Te vejo em casa? - ela confirmou com a cabeça.
Não, , em um motel. Onde mais ela iria?
Olha, se dependesse de mim...
Parei.
- E então.. - pigarreou. - Somos só nós dois.
- Pois é. - eu sorri pra ela. - Vamos? - apontei para uma das cabines da roda gigante.
Percebi os olhos de brilhando. Dei uma risada.
- Com certeza. - ela respondeu.

Capítulo 6 - First kiss

Domingo, 15:21 - London Eye

:

- Desejo número três, feito. - eu disse, baixinho, para mim mesma.
- O que você disse? - me perguntou.
Merda, ele havia ouvido.
- Não é nada. - menti.
- Qual é, , não vai contar nada ao seu melhor amigo? - riu.
- Quem disse que você é meu melhor amigo? - eu disse, mostrando a língua pra ele e rindo também.
- Poxa, magoou. - ele fez beicinho. - Posso não ser o seu melhor amigo, , mas sou seu único amigo. não conta, ele é seu primo.
Droga, ele estava certo.
- É, pode ser. Tanto faz. - eu disse, tentando dar uma de não-to-nem-aí-pra-você, rezando pra que ele esquecesse o que eu havia dito antes.
O que não aconteceu, claro.
Ah... A sorte. Sempre ao meu lado.
- Então, vai me dizer ou não? - ele perguntou.
É, não tinha jeito mesmo. Eu podia inventar qualquer coisa, mas não queria mentir pra ele. Por alguma razão, eu havia gostado de desde a primeira vez que o vi. Era inexplicável.
Talvez tinha sido culpa daqueles seus olhos . Aqueles glóbulos me transmitiam calma e tranquilidade, como se tudo estivesse bem, desde que ele estivesse ao meu lado. Aqueles olhos que estavam me encarando agora, num misto de curiosidade e... Desejo?
O que totalmente não importava, claro.
- Não vai desistir, certo? - perguntei. Ele negou. Eu bufei. - É só minha lista de desejos. - mordi o lábio inferior, nervosa. - Coisas que sempre quis muito fazer. Tonto, eu sei. - desviei meus olhos dos dele, circulando pela cabine e parando para observar Londres das janelas transparentes. Se ficasse olhando por muito tempo eu iria perder a noção dos meus atos.
- Nada, absolutamente nada que você queira fazer é coisinha tonta, . - ele disse, com uma voz calma, suave. Quando eu percebi, já estava postado ao meu lado. - Posso saber alguns desejos que constam nela?
Podia?
Encarei aqueles olhos novamente.
Sim, ele podia.
- Vou te dizer os que já fiz, ok? - ele assentiu. - Tatuagem, beijar alguém à meia noite da virada do ano, tirar A em física por um ano, deixar meus pais orgulhosos, dar um tapa na cara do meu ex, ajudar um mendigo, visitar uma favela e andar na London Eye.
- Tatuagem? - ele perguntou, eu assenti. - Onde?
- Segredo.
bufou.
- Dar um tapa na cara do seu ex? - ele perguntou.
- Ele era um cretino. Na oitava série eu o peguei beijando minha suposta "amiga". - eu disse.
- Entendi. Quem perdeu foi ele. - oi? Eu ouvi certo mesmo? - Mas me diga um que não realizou ainda.
- Beijar alguém na London Eye. - mordi o lábio inferior. De onde surgiu essa minha coragem, mesmo?
Surgiu junto com a minha depravação!
- Risque-o da lista. - ele disse.
- Por que... - fui interrompida pelos lábios de , que se grudaram aos meus de forma rápida.
Senti um choque que fez meu corpo estremcer por dentro, mas automaticamente fechei meus olhos e abri minha boca, permitindo a passagem da língua dele, que se entrelaçava na minha de um jeito delicioso. Senti uma de suas mãos pousando em minha nuca e outra em minha cintura, fazendo um carinho gostoso por lá. Minha mão direita se agarrou em seus cabelos macios e finos, enquanto eu tentava aproximá-lo mais de mim, se isso fosse possível. pegou uma de minhas pernas e me deu um empurrão para cima, de modo que fiquei agarrada a seu quadril com minhas pernas em volta de seu corpo que, à propósito, era muito forte, obrigada... Ele partiu o beijo apenas para depositar seus lábios quentes em meu pescoço, dando mordidinhas e chupões que provavelmente deixariam marcas. Eu soltei um gemido alto, enquanto ele subiu seus lábios para meu lóbulo da orelha, dando uma pequena mordida ali. Puxei mais seus cabelos e colei nossos lábios novamente, de um jeito desesperado. Pude sentí-lo dando um sorriso durante o beijo. Foda-se a tal não-exclusiva-mas-ficante-dele. Foda-se que eu só o conhecia há um dia. Eu não acabaria com aquele momento por nada nesse mundo. Era o melhor beijo que eu já havia experimentado em todos os meus dezesseis anos. me deitou delicadamente no banco de madeira bege que havia no meio da cabine, deslizando suas mãos livremente por minhas coxas, enquanto minha mão esquerda agora arranhava suas costas por cima de sua fina blusa. Pude ouví-lo soltando um gemido baixo e quase inaudível. Bom saber que também causava algo nele. Sorri também durante o beijo, mas ele parecia concentrado demais para perceber. Agora uma de suas mãos estava entrelaçada em meus compridos cabelos, enquanto a outra encontrava-se embaixo de minha blusa, tocando minha barriga e fazendo o contorno de minha cintura. Eu me arrepiava cada vez mais, seu toque era de quem sabia o que estava fazendo, e, de fato, ele sabia mesmo. Anos de experiência, eu imagino. Tanto faz. Aquilo estava sendo muito, mas muito bom. Mas quando a mão dele começou a desabotoar meu casaco, com a intenção de tirá-lo, eu percebi aonde aquilo iria parar. E, não, definitivamente, não iria fazer aquilo. Não agora. Foi então que eu decidi partir o beijo, não sem antes puxar o lábio inferior dele com meus dentes.
Nos separamos e eu me sentei. Eu tentava controlar minha respiração, mas quem disse que ela me obedecia?
Pulmões... Pff. Quem precisa deles?
- Isso foi... Wow. - ele disse, depois de alguns minutos de silêncio. Eu pude sentir minhas bochechas corarem. - Own, meu neném tá com vergonha! tá com vergonha! - disse, apertando minhas bochechas que ficavam cada vez mais vermelhas. Filho da mãe, não rela em mim. Aí, olha só minha respiração se descontrolando de novo.
- Para, , seu bobo.
- Bobo? Você pareceu gostar desse bobo. - ele sorriu maroto. Já viu um arco íris no céu? Essa foi a transição de cores do meu rosto. - A propósito, obrigado pelas marcas. - riu, apontando para suas costas vermelhas, marcadas com unhadas, aparentemente minhas.
- Ah é? Obrigada pelas minhas. - apontei para meu pescoço marcado também.
- Desculpe por isso, . Há alguma maneira de eu te recompensar por isso? - ele perguntou, malicioso.
- Na verdade, há sim. - eu sorri, maliciosa também. me puxou de volta e começamos tudo de novo. Novamente, eu senti um choque, uma sensação engraçada no estômago e uma felicidade imensa no coração.
Sorte que a roda gigante levava um bom tempo para dar uma volta completa.

Capítulo 7 - Eton Rodean Preparatory

Segunda-feira, 08:20 a.m. - corredor da escola

:

- Festa? Quando? - perguntei à Troy, provavelmente o cara mais festeiro de toda a ERP.
- Sexta feira, às 20:00. Sem hora pra acabar, dude.
Certo, totalmente o cara mais festeiro da escola.
- Na sua casa? - ele afirmou. - 'Tô dentro.
- Beleza, cara. É assim que se fala. - fizemos um High Five e Troy se despediu, seguindo para sua sala de aula. Virei-me para meu armário, recolhendo o material necessário para a primeira aula, que seria de Biologia. Nada como começar uma semana de aula aprendendo sobre o corpo humano. Em minha opinião, aprenderíamos muito mais examinando um do que lendo em livros ou com um professor berrando em sua orelha, se é que você me entende.
Mas, com certeza, a diretora Middle não aprovaria essa ideia. Velha mal amada.
Peguei meus livros gigantescos, meu estojo todo assinado em corretivo ou caneta por meus amigos, coloquei minha mochila em meu ombro esquerdo e segui para a sala B, assoviando uma música qualquer.
Até que alguém trombou em mim.
- Desculpe! - a pessoa se apressou em dizer. Mas que porra de língua era aquela?
- O quê? - eu fiz uma cara confusa, até que eu finalmente me levantei para observar quem havia sido o desastrado. Logo que a vi, abri um sorriso.
- Olá, . Atrasada no primeiro dia? Ótima maneira de causar boa impressão. E que mania de falar em português! - eu disse, brincalhão.
- Muito engraçado, . Me desculpe pelo trombão. Sabe como é, o foi fazer as pazes com a sua namorada, . É , certo? - eu assenti. - E me deixou aqui, completamente sozinha, com esse mapa na mão. - ela fez uma cara confusa.
- Então hoje é seu dia de sorte, senhorita. - eu fiz uma reverência, e riu. - Em que sala você está?
- B, pelo que diz aqui nesse papel. - ela apontou para seu horário. - E você?
- B, também. Ótimo, sentarei com você, então.
- Quem disse que quero sua companhia? - ela disse, tentando ser séria.
Mas ela não conseguiu, óbvio.
- Você parecia querer ela ontem. - ficou vermelha. Tipo, totalmente vermelha.
Aí ela me deu um tapinha de leve no braço.
- Ai! Sua bruta. - eu reclamei, brincando.
- Tonto.
- Grossa.
- Babaca.
- Gostosa! - eu disse, examinando como o uniforme da ERP caía bem nela. Depois de uma boa olhada, mordi meu lábio inferior, subindo meu olhar e encontrando uma -cor-de-pimentão desviando seu olhar do meu.
- Tarado. Você é o melhor do mundo em me deixar com vergonha, .
- Obrigado. - eu disse, sorrindo e passando meu braço por cima de seu ombro. - Vamos para a sala, ?
Ela confirmou com a cabeça e nós seguimos corredor adiante em direção ao inferno, quero dizer, à sala B. Quando chegamos lá, avistei o professor Reymonds - mais conhecido como Lacrosse, por ter sido um grande jogador em seus tempos de faculdade - já postado em sua mesa vestindo seu suéter cinza Ralph Lauren de sempre, uma camisa social branca por baixo e calças e tênis pretos sociais. As meninas geralmente tinham uma queda gigantesca pelo professor Lacrosse, mas eu realmente não sabia o que havia demais nele. Digo, sim, ele era forte. Sim, ele era jovem, tinha olhos verdes, cabelos escuros e uma pele levemente bronzeada. E sim, ele era solteiro. mas o que havia demais nisso? Eu sou muito mais bonito que esse cara aí, por exemplo.
Não sou?
Sou, né?
Mas é claro que sim.
Ou não?
Fiquei observando a reação de ao adentrar a sala. Assim que viu Reymonds, seus olhos brilharam.
Mas que porra é essa?
O professor percebeu nossa presença na porta da sala e lançou um sorriso em nossa direção.
- Entrem, alunos. Olá, . E olá, senhorita...? - Lacrosse indagou.
- . - respondeu, baixinho.
- Ah, sim. É a aluna nova, certo? - confirmou. - Seja bem vinda, . - Podem se sentar, a aula está prestes a começar. - Reymonds sorriu para , que agradeceu e virou-se para sentar. Lacrosse, antes de voltar-se para seus livros, deu uma boa olhada no corpo de , o que obviamente, só eu percebi.
Novamente: mas que porra é essa?
Eu estava sentindo uma raiva incomum dentro do meu peito, e estava prestes a ir socar sr. Lacrosse, mas não fui, porque ouvi alguém chamando minha voz. Imediatamente soltei meus braços do ombro de .
- ! - Hayley, meu relacionamento enrolado, piou, com aquela vozinha fina - Senti sua falta nesse final de semana, amor. - ela pulou em meus braços e me deu um selinho. Fui infestado por uma nuvem de seu perfume forte-enjoativo-e-doce-demais junto com seus cabelos ondulados de baby-liss e loiro gema de ovo. Do fundo da sala, pude perceber os olhares desaprovadores de , com sua namorada , e de . , e , o rolo-quase-namoro de eram da sala A. - Onde esteve? - Hayley me perguntou.
- Oi, Hayley. - eu disse, com um tom de voz desanimado. Mas o que era isso? Hayley era a menina mais desejada de toda a ERP, e eu havia levado semanas para conquistá-la. Como, de uma hora para outra, eu tinha simplesmente perdido a vontade de ficar com ela? - Estive na casa de , e depois fui apresentar Londres para sua prima, , que acabou de chegar do Brasil. - eu apontei para , sentada ao meu lado.
- Prazer em conhecê-la, Hayley. - disse, parecendo incomodada com a situação.
- Mas é claro que é. - Hayley disse, convencida. fez uma cara de quem não entendeu nada. Hayley revirou os olhos.
- Vai a festa de Troy na sexta, ? - ela me perguntou.
- Sim, Hayley. - eu disse, suspirando.
- Ótimo. - ela sorriu, com os lábios brilhantes de gloss, um tanto quanto exagerado para a escola. - Vou voltar para minha sala, antes que eu leve uma bronca. - ela me deu um selinho, se despedindo. - Até o intervalo, coração. - Hayley saiu rebolando sala afora, com sua saia sempre mais curta do que a das outras estudantes, o que eu, às vezes, achava muito apelante.
Só às vezes.
- Me desculpe por isso. - eu disse, me virando para . - Ela pode ser, sabe como é, meio convencida demais. - passei minhas mãos pela nuca, o que eu fazia quando estava nervoso.
- Percebi mesmo. - ela deu de ombros - Onde você vai sentar, ? - perguntou.
- Vamos ali para o fundo, vou te apresentar ao pessoal.
- Ok! - agora parecia mais empolgada. Talvez pelo fato de que conheceria gente nova.
Andamos até o fundo da sala, quando fui recebido por .
- E aí, cara! Tá melhor, já? - fez uma piada e todos riram, exceto eu e . - E quem é essa linda menina?
- Babaca. Óbvio que já estou, a bebedeira de anteontem se curou na ressaca de ontem. - todos riram. - Esta, aqui, é a prima de . .
- Oi, gente. - disse, baixinho, com vergonha. - Muito prazer em conhecê-los.
- Que é isso, linda, o prazer é nosso! - disse e deu um tapa em seu ombro. - Ai! Calma amor, você sabe que só tenho olhos para você.
- Bom mesmo. Olá, ! - parecia empolgada. - Sou , esse infeliz aqui é meu namorado, , e aquele babaca ali é o . - disse, apresentando a galera para , que riu com os comentários adicionais de .
- Oi pra todo mundo. - ela sorria. - E me chamem de , por favor.
- Ei, , cadê a ?
- Trocaram ela de sala, dude. Disseram que ela e conversavam demais e "atrapalhavam o rendimento escolar do grupo", nas palavras da diretora. - fez uma careta de desgosto.
- Quem é ? - perguntou.
- Digamos que ela é a Hayley de , . - eu sorri para ela, que torceu a cara quando ouviu o nome da loira.
- É, e agora por causa da Middle maldita, não tenho companhia feminina durante essas aulas entediantes. - se lamentou.
- Ah, você pode conversar comigo, se quiser. - disse. Os olhos de brilharam.
- Sério, ? - ela confirmou. - Eba! - bateu palminhas. Tão coisa de menina. - Então vamos, sente-se ao meu lado. - puxou , fazendo com que ela sentasse na carteira vizinha à dela. As duas logo engataram uma conversa empolgada, enquanto eu, e ficamos observando-as com cara de pastel.
- Dude... - começou.
- Nem me fale, cara. - eu disse, já sabendo o que queria dizer. Comentários maldosos sobre o corpo de , é claro. Coisas de menino. - E beija bem demais. - eu acrescentei, só para os caras ficarem com inveja.
- Mas já, ? - piou, e depois sorriu malicioso. - Esse que é meu amigão! - ele bagunçou meus cabelos, e eu dei um empurrão leve nele.
- Não perde tempo, hein, ? - disse.
- Aproveite enquanto a loira-gema não descobre. - disse, me alertando sobre o que eu já sabia. - Você sabe como ela é. - ele disse, sério.
- Eu sei, mate, eu sei. Mas pode ficar tranquilo, ela não vai. - eu disse, tentando fazer isso soar como verdade, mesmo não sendo. É claro que Hayley descobriria, ela sempre sabia de tudo sobre todos. Por isso era tão respeitada no colégio, todos tinham medo dela. - Nós nem somos exclusivos, não tem por que ela ficar brava comigo!
- Eu sei disso, você sabe disso, mas ela não sabe disso, . - falou. - Eu cansei de repetir para você não entrar nessa com ela, porque quem vai se prejudicar será você. Mas ninguém nunca me ouve, então...
- Tá certo, . Agora vamos prestar atenção nesse Lacrosse, antes de sermos expulsos da aula. - eu disse, tentando acabar com o assunto sobre Hayley eu.
Oras, eu sabia muito bem o que estava fazendo.
É mesmo?

Capítulo 8 - Just...friends

Segunda-feira, 12:30 - Refeitório do colégio

:

- Péssima piada, . - eu disse para meu primo, sentado à minha frente na mesa do refeitório em que estávamos. Nós já havíamos tido as três primeiras aulas, e estávamos em horário de almoço. Após o almoço teríamos mais três aulas, e aí, casa. Eu havia realmente gostado do colégio, e todos até agoram tinham sido legais comigo. Exceto a Hayley. Ugh.
- Ah, qual é, ! Foi ótima essa, assuma. - disse.
- Mas não foi mesmo. - , sentado ao meu lado na mesa, disse. - Nem faz sentido, afinal, por que raios um tomate iria para o banco? Ele nem tem pernas para isso. - ele completou, e eu ri.
- Para tirar o extrato! - colocou a mão na cabeça. - Ah, eu desisto de vocês dois. Vocês não tem nenhum senso de humor, sério. - disse, bufando. - Ei, pessoal, venham aqui. - ele berrou para um grupo de pessoas que adentrava o refeitório.
O grupo era composto por , com sua namorada - que eu conhecera na primeira aula e que inclusive era minha primeira amiga em Londres -, - outro que eu também já havia conhecido - e de uma menina de mesma altura que a minha, cabelos escuros e olhos castanhos, à quem eu ainda não havia sido apresentada. Deve ser a , o rolo de . O pequeno grupo caminhou em nossa direção, logo juntando-se a nossa mesa no refeitório da ERP.
- E aí, dudes. - cumprimentou e com aqueles toques masculinos. - Oi, ! - ele sorriu para mim.
- Oi, . - eu disse, também sorrindo. - Oi, ! - eu disse para ela, que retornou meu cumprimento. - Oi, , e oi...? - fiz uma cara interrogativa.
- . - ela sorriu, simpática. - Você é a prima de , , não é? - eu confirmei.
- , por favor. - eu sorri também.
- Certo! - ela piscou.
- Ei, , fez as pazes com a ? - perguntou.
- Fiz sim, cara. Ela está no banheiro agora, acho que já deve estar chegando. - disse. - Olha, ali está ela. - meu primo apontou para uma menina também morena, baixa e com olhos escuros. Seus cabelos eram mais claros na ponta, assim como os meus.
viu apontando para si e abaixou a cabeça, corando. Depois correu até nossa mesa, que se localizava quase no meio do lugar.
- Oi, gente! - disse, sendo seguida por "Oi, amor", de , "E aí" dos meninos e um "Oi, amiga", dito por e . - Olá, é um prazer conhecê-la. Meu nome é . - ela estendeu o braço para mim.
- Eu sei. não para de falar de você. - eu disse, sorrindo. me encarou, tentando ser sério, mas logo depois caindo na risada. - Sou , mas chama de . - eu também estendi meu braço para ela, cumprimentando-a.
- Ah, meu amorzinho é muito fofo. - apertou as bochechas de , que corou.
- Ui, amorzinho! - , o cara que "perde o amigo mas não perde a piada" zoou. mostrou o dedo do meio para ele, e todos nós rimos.
- Meninas, tenho um recado para vocês. - anunciou, e eu, e viramos a cabeça para ouvir.
- Diga, fofa. - disse.
- Então, é que estamos precisando de uma nova cheerleader em nosso time. Lembram que no último jogo contra os Ravens a Stacy torceu o tornozelo? - as meninas afirmaram. - Acontece que a mãe dela me ligou contando que não foi uma simples torção, ela quebrou o tornozelo. É por isso que está faltando à escola nesses dias. - e fizeram um "ahhh... que pena".
- Bom, isso quer dizer que teremos que realizar um concurso para eleger a nossa nova integrante. Não dá pra fazer nossa coreografia com onze líderes de torcida, porque eu montei a dança para doze pessoas. - disse, colocando a mão no queixo, numa pose de quem está pensando. - Mas que saco, ela tinha que quebrar o tornozelo logo agora? O natal já está chegando, e o jogo dos meninos é daqui uma semana e meia. Como vamos treinar alguém em tão pouco tempo? - ouvi resmungando.
- Verdade. - disse. - Quem será que poderia substituir a Stacy? Afinal, ela sempre dava aqueles saltos mirabolantes e tinha umas acrobacias muito legais. - ela completou a frase, pensativa, enquanto mordia sua barrinha de cereais provavelmente light ou diet ou integral ou feita de coisas-nojentas-que-eu-nunca-irei-comer.
As meninas passavam os olhos por todo o refeitório, em busca da perfeita candidata. Como aquele assunto não dizia a meu respeito, tentei manter-me ocupada na conversa dos meninos, que era algo como:
- Não, cara, com certeza a Alana tem os melhores peitos. - dizia, com a boca cheia de salgadinho.
- Calado, . Eu voto pela Kelly, com certeza. - disse.
- Nenhuma das duas, seus bocós, a Sabrinna é totalmente a vencedora. - disse, sugando seu refrigerante de leve através do canudinho.
Revirei meus olhos. Meninos, sempre tão... babacas.
Depois de desistir de participar da conversa dos meninos, levantei-me, com o intuito de comprar algo para comer. Fui acompanhada por um certo par de olhos , que me encaravam sem constrangimento algum. Fixei meu olhar no de também, que sorria torto para mim.
Pai, tenha piedade. A carne é fraca.
Retornei o sorriso. Eu sustentava seu olhar, e juro que poderia ficar ali, perto dele, olhando para aqueles glóbulos pela minha vida inteira. Seus olhos desceram para minha boca, fitando-as com desejo. Eu corei.
- A menos que... - ouvi a voz de soar ao fundo. Senti três pares de olhos cravados em mim. Com enorme esforço, desviei meus olhos de e me virei para ver quem me encarava.
mantinha um sorriso malandro na boca enquanto olhava para mim. Ela olhou de mim para as meninas, e depois sorriu mais ainda.
Diga que não é o que eu estou pensando. Por favor, diga que não.
- Não. Não mesmo. De jeito nenhum. Total, com certeza, definitivamente não. - eu disse, meio alterada, para as três.
- Por favor, por favor, por favor, ! - pedia, juntando suas mãos, como se estivesse implorando por perdão.
- Não o quê? - disse, de repente, atraindo a atenção dos meninos à nossa conversa.
- Elas querem que eu seja a nova líder de torcida. - eu disse, baixinho, apontando das meninas para mim. Ah, porra, ninguém percebe que essa é uma péssima ideia?
- Mas essa é uma ótima ideia! - exclamou, de repente. Mas o quê?
Ah, a família. Sempre lá para nos ajudar.
Mentira, esse filho da puta do me paga.
- ! - eu berrei, boquiaberta. - É uma péssima ideia, terrível, horrível, a pior do mundo, isso sim.
- Claro que não. Veja, , sua mãe me disse que quando você morava no Brasil você fazia aulas de jazz. - ele disse, sorrindo. - Sem mencionar que quando pequena você fez algumas aulas de balé.
- Balé e jazz! Ambos não tem nada a ver com essas piruetas malucas que as meninas líderes de torcida dão. - eu disse, revoltada.
Pude ouvir a risada leve de com meu leve comentário sobre as piruetas, mas eu realmente não estava com vontade de rir agora. Passei os olhos pelo resto da mesa, observando e pensativos e , e com olhares esperançosos. Esta havia parado de comer sua barrinha.
- Eu acho que é uma ótima ideia, . - disse, após uns minutos de silêncio. Ah, não. Ah, não!
- Et tu, Brutus? - eu disse, fazendo um drama.
- Concordo com . - se pronunciou. - Você vai se sair bem, baixinha. Tenho certeza. - ele bagunçou meus cabelos.
Eu fiz uma cara abismada para . É isso aí. Todo mundo contra mim, o filme. Estrelando: .
- Qual é, ! Sua mãe disse para gente que você sempre consegue o que quer. - disse. Quando raios ele havia conversado com a minha mãe, mesmo?
- Ela é minha mãe, ! É o papel dela acreditar em mim! - eu disse, reclamona.
- Então faça seu papel e acredite também. - ele rebateu, dando um sorriso de canto. Hm, touché.
- Isso é um sim, ? - me perguntou, com os olhos brilhando.
e me encaravam com aquele olhar de cachorrinho. , e me encaravam ansiosos por uma resposta.
Olhei para , que sussurrou algo como, "Vai, garota".
- Que seja. - eu bufei, derrotada. - Mas já vou avisando, é uma péssima ideia, meninas. E eu não vou comer esses trecos nojentos de dieta não. - eu apontei para a barrinha metade comida de , fazendo uma cara de nojo.
nem pareceu se ofender com meu comentário, já que bateu palminhas, berrando algo como "Yay!" e depois pulando nos braços de . fez um high-five com , que também comemorava. e aplaudiram minha decisão.
- Eu sabia que você aceitaria. - disse, com um sorriso torto.
- Não me faça mudar de ideia, Poynter. - eu resmunguei, mas mal conseguindo resistir a ele.
- Você não vai. Sei que se sairá perfeita, . Melhor do que qualquer uma. - disse, me dando um abraço.
- Como você sabe? - perguntei, comprimida entre seus braços fortes e seu peito definido. Não me tire daqui, nunca mais.
- Simples: porque você é perfeita. E é por isso que eu gosto tanto de você. - me abraçou mais apertado.
Estremeci por dentro. Uma sensação gostosa invadiu meu interior enquanto ele me abraçava, e eu juro pra você, nunca me senti mais segura, mais completa e mais feliz do que dentro dos seus braços.
E não vamos mencionar a nuvem de 212 Sexy Men que atingiu meus pulmões em cheio.
Porque isso não é mesmo necessário.
Ai, pai.
Abri meus olhos, que foram parar diretamente na entrada do refeitório, onde uma certa loira-gema me encarava furiosa, junto com seu grupo de amigas estamos-tentando-ser-igual-a-você-Hay. Seus olhos verdes faiscavam de ódio, e eu podia jurar que ela estava fazendo um som gutural com a garganta. Desviei meu olhar de Hayley, indo ao encontro do de . Eu sorri mais ainda para ele, afinal, ele estava aqui comigo, e não com ela. E se estava aqui comigo, era porque tinha ao menos um pouco de consideração por mim. Logo, como não estava com ela...
Um a zero, piranha.

Segunda-feira, 14:37 - Ginásio

:

- Esse movimento aqui é conhecido como Liberty Stunt, . É uma das mais típicas poses das animadoras de torcida, e lembra bastante a Estátua da Liberdade. - ia gesticulando com as mãos para , que a olhava com atenção. - Funciona assim, todo o grupo levanta uma cheerleader e ela fica com a mão levantada, assim, - levantou sua mão esquerda - e depois flexiona a perna esquerda até o joelho direito. - fez o tal movimento.
Eu e os caras estávamos no ginásio assistindo ao treino das meninas hoje, já que o professor Tipp havia faltado, pois sua mulher estava dando a luz à sua 848486ª filha, hoje. Não é por mal, mas sempre achei que o treinador Tipp era tarado, e o fato da esposa dele engravidar a toda hora só justifica isso. Eu, sinceramente, não reclamava mesmo do fato do treinador ter faltado, uma vez que as meninas usavam uma roupa própria para o treino que era totalmente justa, e totalmente curta. Eu agradecia à diretora Middle pela brilhante ideia de ter feito um ginásio fechado e aquecido, pois graças a isso nós, homens, podíamos ver as meninas naquelas vestimentas, digamos, pra lá de sexys. Eu também agradecia à , que teve a ideia de usar o ginásio no dia de hoje (livre, ou seja, sem Hayley lá) para começar o treinamento de . Obrigado a todos, é isso aí.
- Hm, . Nós vamos ter que te levantar, porque era a Stacy quem a gente levantava, e bom, não podemos mudar a coreografia. - disse, gesticulando com as mãos.
- Tudo bem, gente. - ela respondeu, dando de ombros.
- Ok. Pronta para tentar, ? - perguntou, batendo palminhas.
- Ah, mais ou menos. Mas vamos lá, né. - disse, e logo as três meninas a pegaram pelas pernas e depois pelos pés, enquanto se equilibrava em um só e imitava a pose. Fala sério, como as meninas conseguiam fazer isso? - Assim? - ela perguntou.
- Perfeito, . Quase igual a Stacy. - respondeu, animada. - Já vi que fizemos a escolha certa, não é, meninas? - perguntou, enquanto descia do ar para o chão.
- Totalmente. - respondeu.
- Ai, gente, não exagerem. - disse, tímida.
- Não é exagero! , você tá fazendo tudo certinho, e no primeiro treino ainda. - disse, sincera.
- Concordo. - disse. - Hm, agora a coisa vai complicar um pouquinho, ok? A gente precisa que você faça um Prep Double, isto é, você vai ter que subir de novo, como no movimento anterior, mas dessa vez fica com os dois pés mesmo. O problema é que, hm, você vai ter que dar uma pirueta no ar. - disse e fez uma cara de terror. Eu ri com aquilo e me mandou um dedo do meio.
- Poynter! - berrou. - Está atrapalhando o treino, seu babaca. Foco em mim, . Não no idiota ali. - ela apontou para ela e depois para mim.
- Ui, ela tá estressadinha. - eu coloquei as mãos para trás da cabeça, imitando uma pose de presidiário. - Foi mal, . - mandei um beijo no ar pra ela.
Ela "socou" o beijo no ar, rindo depois. Delicada como um elefante em uma sala de cristal.
- , você tem que fazer assim. - esticou os dois braços para cima, juntando as palmas das mãos no ar. - E depois se virar assim, olha. - foi até a cama elástica que o ginásio possuía e virou uma pirueta, caindo depois e quicando na cama. - Entendeu? Pode ficar tranquila, amiga, a gente vai te pegar. - piscou para .
- Ah, sim! Estou confiando em vocês, ein. - ela sorriu. Muito linda. - Vamos fazer isso logo. - bateu palminhas.
- Certo. - disse, e depois as três pegaram novamente pelas pernas, que após conseguir ficar em pé e cruzar suas mãos no alto, virou uma pirueta. E cara, eu tive uma visão da bunda dela que foi assim, inesquecível.
- Uhul, adorei. - sorriu largo, enquanto descia dos braços das meninas. - Fui bem? - ela perguntou.
- Demais. - respondeu, sincera. - Eu levei três semanas para conseguir fazer isso, e você fez no primeiro dia, cara! - arregalou os olhos.
- Eu levei quatro semanas. - disse, revirando os olhos.
- Ai, mocréias, relaxem. Vamos continuar, porque até agora eu tô gostando desse negócio. - disse, batendo palminhas, alegre.
As meninas voltaram ao treino e eu virei meu rosto para os guys. e dividiam fones de ouvido do iPod, enquanto encarava o teto, pensativo.
- ? - perguntei.
Nada.
- Dude? - arrisquei de novo.
- Cara! - mais uma vez.
- Seu gayzinho de merda, olha aqui, pô. - virou. Ih, olha lá! Quem é maricas agora?
- Fala, . - disse, baixinho.
- Fala você, cara. Por que tá assim? - eu perguntei, curioso. era, de nós quatro, o mais bem-humorado. Ele nunca ficava bravo e/ou chateado com alguma coisa, e sempre tentava animar a gente quando ficávamos estressados ou bravos. O que acontecia, geralmente, quando tratava-se de assuntos sobre nossa banda, o McFLY, que não ia muito bem, já que a maioria das gravadoras insistia em nos dizer um "não". E agora ele estava ali, todo pra baixo.
- . - disse, e eu fiz cara de confuso, pois, até onde eu sabia o relacionamento de e ia muito bem. - 'Tô pensando em pedí-la em namoro.
- Mas que ótima ideia, dude! - eu dei um tapa leve em seu ombro. Olha só, meus amigos viadinhos estão crescendo. - Acho que você deve fazer isso, sim. - eu o incentivei.
- Mas e se ela não aceitar? Tenho um puta medo de ser rejeitado, cara. - parecia preocupado.
- É claro que ela vai aceitar, , seu maricas. Ela gosta muito de você, dá pra perceber. - eu disse, confiante. Era bem claro que realmente gostava de , apesar de ser, ugh, o . Brincadeira.
- Acho que sim, né? A gente tá ficando já faz quatro meses. Tá na hora de passar pra algo mais sério. - os olhos do meu amigo brilhavam. Mas que coisa mais homo.
- Pois é. - eu disse, parando pra pensar em minha própria situação. Estava com Hayley há mais de quatro meses. Será que ela esperava que eu a pedisse em namoro?
Espero que não. Porque eu não iria.
Não sou o cara certo pra se namorar, não mesmo.
Virei meu rosto para frente, observando e suas amigas, todas com aqueles shorts colados e extremamente curtos e blusas regatas treinando sua coreografia e rindo uma da outra, ou com a outra. Ela estava feliz, não estava? Ela precisava, quero dizer, de um cara para namorar? A gente não podia só se pegar de vez em quando? Tipo ontem, na London Eye?
Bufei e cocei os olhos com as mãos, os abrindo logo em seguida e dando de cara com as as meninas subindo uma em cima da outra, em um movimento que eu achava que se chamava High Split Pyramid. Hayley havia me dito que esse era um dos movimentos mais perigosos e que envolvia vários acidentes com líderes de torcida, e eu só lembrava disso porque ela me contou na época que eu ainda gostava dela e a dava atenção.
Peraí, "gostava"? Por que o passado? Eu não gosto mais? É isso? Mas que inferno de perguntas.
- Isso, , perna direita aqui, braço esquerdo ali. Agora põe a mão direita no ombro esquerdo da e se apoia no meu ombro direito. Só toma cuidado para não... - pude ouvir o que dizia para , até que sua voz foi interrompida por um baque. - cair.
Mas já estava no chão. Ou melhor, no tapete de espuma fofa que era usado para as meninas treinarem.
E ela tava rindo.
Histericamente.
Alto o suficiente para atrair a atenção de todos.
Voei até ela, desesperado. E se ela tivesse se machucado?
- , ! Você está bem? Bateu a cabeça? Quebrou algo? Distendeu um músculo? Tá sentindo dor? - eu cuspi as palavras, nervoso. - Fala comigo, . Fala! - eu tava realmente desesperado.
Por uma garota?
É. Por uma garota.
Mas que porra estava acontecendo comigo? Normalmente, eu estaria rindo do tombo de uma cheerleader.
- Ai, calma . - ela disse, ainda rindo. - Eu 'to bem, chuchu. Relaxe. - ela abriu um sorriso encantador pra mim. Ufa. Ela estava bem.
Mas é claro que estava. Ela estava rindo.
Então por que eu ficara tão preocupado?
- Caramba, . Me desculpe por isso! - ajoelhou-se até onde estava deitada. - Vamos tentar algo menos radical, certo? - ela completou.
- É mesmo. Quero dizer, uma High Split Pyramid logo no primeiro treino, é bem difícil mesmo. - disse, também ajoelhada no local da queda. - Pegamos pesado, vaquinha, desculpe-nos. - ela completou.
- Parem com isso, meninas. Eu estou perfeitamente bem. Relaxem. - piscou para elas.
- Tem certeza? Nós podemos te levar pra enfermaria, se quiser. - disse, preocupada.
- Imagina, gente. Foi só um tombinho. Vamos tentar de novo. - em um pulo se levantou, empolgada para tentar novamente.
- Ah, mas não vai mesmo! E se você se machucar de verdade? - eu disse, aflito. Porra, eu ali mega preocupado com ela e ela pensando em tentar se matar de novo? Mas que merda!
- Poynter, relaxe! Não irei me machucar. - ela sorriu. - Eu prometo.
Rolei os olhos. Ela sempre me conquistava com aquele sorriso.
- Ok. Tome cuidado, . - eu passei as costas da minha mão direita em sua bochecha, dando um beijo em sua testa depois. Não que eu quisesse dar somente na testa dela, mas a gente ainda tava na escola. E eu ainda tinha a Hayley.
É que eu super me lembrei dela ontem, né.
- ? - ela chamou pelo meu nome, baixinho e tímido. Eu me virei, prontamente. - Por que você se preocupou tanto? - ela pediu, assim, na cara dura. É. Hm, boa pergunta, na verdade. Rodei minha cabeça por uma resposta. Por que eu havia me preocupado com a queda dela? Por que eu sempre me preocupava com ela? Afinal, eu a conhecia há dois dias. Ela não era assim tão especial, ou era? Acho que era, senão eu não me importaria. A questão era que eu havia gostado muito de desde a primeira vez que a vi. Ela havia se mostrado uma amiga super legal nesses últimos, hm, dois dias.
- Hmmm. - eu pensei. - Sabe como é, não iria gostar se você se machucasse. Sou seu melhor amigo, lembra-se? É meu dever me preocupar contigo, . - eu respondi. Tá, legal. Acho que ficou na mesma, então. Mas é melhor assim, antes ser imparcial do que sofrer de precipitação, certo?
- Ah, verdade! - ela deu um sorriso encantador. - Obrigada então, melhor amigo. - ela virou-se de costas para mim e voltou as meninas, enquanto eu voltava pensativo para a arquibancada.
Amigos? Sério? Se era isso mesmo que eu queria dela, então por que foi horrível quando ela pronunciou aquela palavra?

Capítulo 9 - Messing with my head

Segunda-feira, 19:42 - Minha casa

:

Não consegui parar de pensar, nem por um minuto, nas palavras de .
Quer dizer então que nós éramos somente amigos? O que foi aquele beijo, então? Foi de amigo também? Ou aquilo foi de propósito? Teve significado, ou não? Foi bom pra ele? Ah, mas que saco, ele tá confundindo a minha cabeça, e eu odeio isso. Odeio estar confusa, odeio estar assim por causa de um... Menino.
- , me passa o sal? - pediu, tirando-me de meus devaneios.
- Claro, . - eu passei o potinho de cristal com tampa metálica para , que estava sentado ao meu lado em nossa sala de jantar. Meu pai estava sentando em uma ponta da mesa e minha mãe em outra. Duas cadeiras vazias estavam a frente de mim e de , que pegou o potinho e logo salpicou o pó branco em sua salada. Eu o olhava comer com entusiasmo e vontade, enquanto meu prato, repleto de um pedaço generoso de lasanha - oferecido a mim por mamãe, que parecia não entender que agora eu devia me preocupar com minha forma, já que era uma líder de torcida - e salada estava intacto. Eu realmente não estava com fome.
, atrapalhando até o meu apetite. Humf. Larguei os talheres de prata sobre meu prato, fazendo um barulho que atraiu a atenção de meus pai.
- Não está com fome, meu anjo? - meu pai perguntou, arqueando uma sobrancelha.
- Não, papai. - eu disse, sincera. - Comi durante o treino, e isso acabou com meu apetite. - menti. Não, eu não havia comido nada. Após o treino de duas horas, e várias acrobacias feitas por mim com a ajuda das meninas eu vim para a casa, tomei um banho e fiquei na internet, fuçando em meu Facebook e nos dos outros. Aproveitei para adicionar o pessoal da ERP que eu havia conhecido hoje, até que mamãe me chamou para o jantar.
- Ah, filha! Mas que pena. - papai disse. - Essa lasanha está imperdível. - ele declarou, sorrindo e limpando sua boca suja de molho vermelho com o guardanapo toalha branco.
- Sinto muito, pai. Eu como outro dia, pode ser? - eu pisquei para ele.
- Tudo bem. - ele piscou de volta.
- Então, vocês me dão licença? Estou indo para meu quarto, ok? - eu pedi e eles concederam.
Retirei-me da mesa, recolhendo meu copo com água e corri até o hall, subindo apressadamente as escadas e atingindo meu quarto. Ao entrar no cômodo, coloquei o copo na escrivaninha e joguei-me na cama, sentindo a maciez dos lençóis de algodão egípcio atingir meu corpo.
Anote aí, é a oitava maravilha do mundo.
- ? - eu ouvi batidas na porta. Era , é claro. - Posso entrar?
- Claro, bobão, entra aí. - eu disse, levantando-me da cama e andando em direção a ele.
- Obrigado pela parte que me toca, priminha. - disse, brincalhão.
- Só digo a verdade, priminho. - eu sorri pra ele. - Mas a que devo a honra da sua visita, ?
- Honra nenhuma, boba. Nós moramos juntos. - mostrou a língua e eu ri. Incrível que, apesar de só nos conhecermos a dois dias, ele, além de primo, já era meu melhor amigo. Tinha outro melhor amigo também, mas deixa pra lá. - Mas falando sério, , eu vim aqui pra te perguntar um negócio.
- Aí, tá vendo, sabia que tinha algo envolvido nisso. Quanto você quer, ? - ele fez uma cara confusa. Mas é lerdo mesmo. - Dinheiro, babaca. - ele mantinha a cara confusa e eu revirei os olhos. - Nevermind (N.A: I'll find someone like yooou. Pra você, Samis). Diga. - eu peguei o copo de água e beberiquei o líquido devargazinho.
- O que rola entre você e o ? - ele perguntou, assim mesmo, na cara dura. Engasguei com a água, tossindo exageradamente enquanto somente me encarava. E são nessas horas que você percebe quem verdadeiramente se importa com você. Tipo, meu primo, não. Brincadeira, eu espero.
- Não rola nada, . De onde você tirou isso? - perguntei, ainda tossindo, tentando disfarçar a maior mentira que já havia contado. aproximou-se de mim e deu tapinhas leves em minhas costas, tentando me ajudar. Já tava na hora, né.
- Hm, peraí. Talvez tenha sido pelo fato de como vocês se olham. Como se quisessem comer um ao outro. Ou pelo super abraço no estilo somos-namorados-muito-obrigado no refeitório. Ah, tem mais! Talvez seja pelo modo como ele saiu correndo preocupado quando você caiu. Ou pelo carinho na bochecha. Tem também o beijo na testa. - conforme ia listando as coisas, e eu ia arregalando os olhos. Fala sério, tá tão na cara assim? - E aí, prima, qual vai ser, assumir ou esconder?
Merda.
- Ok, . A gente já ficou. - eu assumi, de uma vez, em alto e bom som. - Mas foi só isso, ué.
- Mas que porra! Quando? - ele perguntou, quero dizer, berrou. Fala mais alto, que eu acho que os doze apóstolos não escutaram, .
- Na London Eye, ontem. - dei de ombros.
- Safados! - ficou boquiaberto.
Aham, como se ele nunca tivesse ficado com nenhuma pessoa que havia conhecido há apenas um dia. Você finge que me engana, e eu finjo que acredito.
- Eu, né? Você que vai na casa da e eu que sou a safada da história! - eu retruquei, arqueando uma sobrancelha.
- Fui para resolver o namoro. Ou não. Que seja. - deu de ombros.
- Sei. - eu ri.
- De qualquer jeito, só o que eu te peço, , é cuidado. O é meu chapa, mas eu sei que ele não é um cara que curte relacionamentos sérios. O lance da Hayley com ele tá aí para provar isso. Eles estão juntos faz uns seis meses e ele, nada. E se eu conheço o , continuará assim. - gesticulava com as mãos. - Porque ele sempre foi assim.
- Tudo bem, , eu sei. - eu disse, baixinho, meio cabisbaixa. Eu já sabia aquilo, por que raios ele tem que ficar me lembrando disso? Mas que saco. - Vou me cuidar, pode deixar, já sou grandinha. - eu sorri fraco.
- Eu espero que sim. Mas, se precisar, já sabe a quem recorrer, não sabe? - disse, se aproximando de mim e me abraçando. - Estou aqui para o que der e vier, priminha.
- Eu sei. Obrigada por isso, babacão. - eu disse, sorrindo, e retribuindo o abraço de .
Sempre carinhosa.
deu um beijo em minha testa e se desvencilhou de meus braços.
- Dorme agora, . Seu dia hoje foi bem cansativo, eu imagino. Qualquer coisa, meu quarto é no fim do corredor. Só gritar, que estou aqui. - piscou e logo em seguida fechou a porta.
Ah, porque é mesmo tão fácil dormir depois de um dia como esses!
Fui em direção ao closet e troquei de roupa, colocando um pijama simples e confortável. Voltando ao meu quarto, deitei em minha cama e liguei a TV, procurando um canal de séries qualquer. Assim que identifiquei Gossip Girl passando na Warner Channel, deixei a voz maravilhosa de Chace Crawford reinar em meu quarto.
Mas peraí, esse bip não era pra interromper o Nate.
Ah, mas que droga! Nem um minuto de sossego. Merda, merda.
Peguei o bendito celular, que estava jogado no chão junto com o uniforme escolar usado por mim hoje. Zelo pelo celular, aprenda comigo.
Uma mensagem nova.
Ver.
De: .
"Desce."
Mas que porra é essa? E quando foi que ele conseguiu meu celular?
Obedeci. Vai contestar esses loucos, né?
Abri a porta de meu quarto, arregaçando as mangas de meu pijama e calçando minhas pantufas pretas jogadas por aí. Desci as longas escadas de meu silencioso hall, já que mamãe e papai se encontravam em seu quarto e também. Segui reto até a porta de entrada da casa, abrindo a mesma e encontrando, ali, parado em minha frente, um lindo, cheiroso e muito estiloso. Mas que droga, por que toda roupa que ele usava parecia ter sido feita para ele sob medida?
- , o que raios você... - eu dizia, quando ele me interrompeu, depositando seu dedo indicador em minha boca, como se dissesse "shh...".
- Não diga nada, . Só fica bem paradinha, por favor. - ele pediu, e eu obedeci. Menino estranho, eu ein.
E aí ele me beijou.
É, assim mesmo. Estilo Edward e Bella em Crepúsculo. Ela parada e ele atacando.
Mas peraí, ele não era só meu amigo? Hm.
Decidi que tinha que fazer algo, afinal, eu não ia ficar lá parada enquanto um semi-deus desse me beijava. Abri minha boca devagar, permitindo a entrada de sua língua ágil, que já se entrelaçava na minha calorosamente. Puxei-o para dentro de casa, fechando a porta e a trancando, impedindo que o frio cortante de Londres atrapalhasse aquele momento, enquanto depositava a mão desocupada em seus cabelos, puxando-os de leve. Senti-o gemer levemente e sorri satisfeita com aquilo. Ele colocou uma de suas mãos em minhas costas, puxando-me para mais perto dele, enquanto a outra contornava a curva de minha cintura e do meu quadril. me pegou no colo sem interromper o beijo, ao mesmo tempo em que eu trabalhava mais em puxar seus cabelos e arranhar suas costas e ombros. Ele me depositou sobre a mesinha no centro do hall e eu entrelaçei minhas pernas em seu quadril. se aproximou o máximo que pode de mim, numa tentativa de fundir nossos corpos. Não que aquilo fosse necessário, porque a gente já estava realmente muito perto. E por muito, eu quero dizer muito, mesmo. Tão perto que eu pude sentir uma pequena animação lá embaixo. Sorri com aquilo.
- É só um beijo, . - eu sussurrei bem perto de seu ouvido. E aquilo parecia ter provocado ele mais ainda. Ótimo.
- Você me deixa maluco, garota. - ele disse, bem baixinho, fazendo-me arrepiar inteira. Ele obviamente percebeu aquilo, porque foi descendo de minha orelha para o lóbulo da mesma, mordiscando-a e puxando-a de leve, depois para o pescoço, onde dava chupões e mordidas, enquanto eu arqueava meu pescoço para trás e puxava sua cabeça para mais perto, gemendo baixo.
Quando se deu por satisfeito de provocações, ele levantou a cabeça, e eu disse, bem baixinho, para somente ele ouvir.
- É recíproco. - sem dar a chance dele responder, puxei-o para outro beijo, mais quente que o primeiro. Durante o beijo, senti-o sorrir. Convencido.
As mãos de desciam e subiam livremente por minhas coxas desnudas, cobertas somente pelo short mínimo de meu pijama. Eu arranhava mais as costas dele, enquanto passava um de meus dedos indicadores em sua barriga de leve, provocando-o. Parei meu dedo na barra de sua calça jeans, enroscando meu indicador no cós da calça. Ele apertava minha barriga delicadamente, às vezes de um jeito mais forte, como se precisasse devolver o que eu estava proporcionando a ele.
Não que ele já não estivesse devolvendo, é claro.
Quando percebi seus dedos tentando desabotoar meu pijama, parti o beijo.
- ! - ele parecia bravo. - Você - ele me deu um selinho. - não - outro selinho. - pode - mais um. - me - selinho. - provocar - outro. - desse - mais um. - jeito! - mordeu minha bochecha levemente. - E ainda esperar que eu fique sem fazer nada! - ele fez um bico. Ai, que coisa mais gracinha.
Eu ri, ué, o que eu poderia fazer?
- Me desculpe, . Você tem que fazer por merecer. - pisquei para ele.
- Eu farei, , eu farei. - ele piscou de volta, e deu um sorriso torto logo em seguida. Suas mãos ainda estavam em minha cintura. - Não quer me levar para conhecer seu quarto? - ele disse, baixinho, em meu ouvido.
- Está tentando me seduzir? - eu disse, arqueando uma sobrancelha.
- Isso depende, está funcionando? - disse, esperançoso.
Muito. Demais. Em excesso.
- Talvez. - eu disse, dando de ombros.
- Ótimo. - ele deu um beijo no canto da minha boca. - Vamos, então. - ele se virou e me pegou de cavalinho.
- O que você está fazendo, ? - eu disse, confusa. - Não vai conseguir subir essas escadas me carregando!
- Isso é um desafio? - ele indagou, e agora foi a vez dele de levantar uma sobrancelha.
- Não, bobão, é uma afirmação. - eu mostrei a língua para ele.
- Tomarei como desafio. Agora, observe. - ele sorriu, confiante.
- Vá em frente, campeão. - duvidei.
Em dois minutos, estávamos na porta do meu quarto. Mas o quê?
- ! Como conseguiu? - eu perguntei.
- Segredo. - ele sorriu. - É essa? - ele apontou para a porta de madeira maciça marrom escuro. Confirmei com a cabeça. - Ótimo. - ele segurou a maçaneta banhada a ouro amarelo e virou-a, revelando meu quarto.
- Pode me descer já, .
Ele me desceu de suas costas, e quando eu ia me virar, me puxou de volta. Mas é claro.
- Qual o meu prêmio? - sussurrou.
- Pelo quê?
- Venci seu desafio. Mereço um prêmio. - ele se aproximou de meu rosto e mordeu meu lábio inferior, puxando-o lentamente. Ai, pai.
- Eu não disse que era um desafio, . Só disse que você não ia conseguir. - eu disse, rindo.
- Eu ainda mereço um prêmio, . - disse, enquanto beijava meu pescoço e me puxava para mais perto dele ainda. Observe-me perder o controle.
- Tudo bem. - Viu só? Filho da puta, como ele conseguia fazer isso comigo? - Escolha. - eu disse, mordendo meu lábio inferior, numa tentativa de parecer sexy.
- Quero ver. - eu arqueei as sobrancelhas, demonstrando confusão. - Sua tatuagem.

Segunda-feira, 20:39 - Casa de

:

Mordisquei meu lábio inferior, observando a reação de após meu pedido. Sua expressão facial passou de confusão para choque e depois de choque para nervosismo. Eu sabia que era algo especial, já que na London Eye ela tinha dito que era segredo, mas eu mal podia me conter de curiosidade. Eu queria mesmo ver essa tal tatuagem, e agora pareceu a oportunidade perfeita para isso.
- E então...? - eu pigarreei, depois de alguns minutos de silêncio entre nós dois. - Vai me mostrar? - completei minha pergunta.
não respondeu. Na verdade, o que ela começou a fazer, foi desabotoar seu pijama.
Oi? Eu peço para ver a tatuagem e ela abre o pijama? Não tô reclamando disso não, Deus do céu. Porra, cara, que coisa mais maravilhosa.
Após terminar de abrir os botões, ela deixou o pijama cair livremente sobre seus braços, parando-o em seus quadris. Quando o mesmo caiu, seu sutiã de oncinha revelou-se, e eu pude sentir meus olhos faíscarem desejo. Meu corpo pedia para eu fazer algo, mas eu não conseguia fazer nada, só o que fazia era observar seus seios cobertos (infelizmente) por aquele sutiã. Fiquei tanto tempo fitando seus atributos físicos que ela perdeu a paciência e apontou para debaixo de seu sutiã, onde algumas letras estavam desenhadas. Em cima das costelas, logo abaixo do coração, as palavras "La bella vita" estavam tatuadas.
Mas que bella vita mesmo!
Me aproximei mais de , estendendo minha mão esquerda em direção da tatuagem, com a intenção de tocá-la.
Não só a tatuagem, claro.
Num movimento rápido, recolheu seu pijama de volta aos seus ombros, ajeitando-o e fechando-o com pressa, logo depois subindo seu olhar tímido e suas bochechas coradas de vergonha para meus olhos, que eu tenho certeza, transmitiam malícia naquele momento.
- Você disse ver. - disse, baixinho, e eu fiz uma cara confusa. - Você disse que queria ver. Não tocar. - ela completou.
Porra.
Me lembre de escolher melhor os verbos da próxima vez.
- Me desculpe. - eu pedi, mesmo não estando arrependido. Me chame de canalha, mas eu confirmo para você que essa seria a reação de qualquer homem ao ver uma mulher como semi-nua para ele.
- Imagina, . Você não fez nada. - ela respondeu, sincera, dando um pequeno sorriso.
Ainda.
- Encararei isso como uma proposta. - eu sorri, safado. - Um pedido para que eu faça algo. - completei a frase. Ela sorriu também, e eu acabei com aquele espaço insuportável que havia entre a gente, puxando-a para perto e colando nossas bocas rapidamente.

Terça-feira, 9:25 - ERP, classe do 2ºB

:

- O trinitrotolueno é um nitrocomposto formado por um benzeno ligado à uma ramificação metil, o que na química origina o chamado tolueno. Juntamente com o tolueno, três NO2 são ligados, o que confere ao composto... - o sr. Smith, nosso professor de Química I explicava o conteúdo (lê-se: chatice) de maneira empolgada. Diferentemente dos alunos, obviamente. Eu bufei, dobrando meus braços e encostando a cabeça neles, de maneira confortável, enquanto fechava os olhos me preparando para uma ótima sessão de sono. O que seria uma ótima ideia, se você levar em consideração que eu não dormi quase nada a noite passada. E que o problema tem nome, sobrenome e um rosto maravilhoso.
Comprimi mais meus olhos para tentar expulsá-lo de minha mente. Estava indo bem nesse lance de apertar-os-olhos-até-esquecer, mas fui obrigada a levantar a cabeça ao ouvir meu nome, ou melhor, sobrenome, sendo pronunciado por um certo professor nada contente.
- Mas é claro que você já sabia disso, não é mesmo, senhorita ? - o professor perguntou, sarcástico. Eu só confirmei com a cabeça. Sei lá, é instinto. Como é que eu estou na escola há somente dois dias e ele já sabe meu nome? - E se sabe tanto, será que poderia nos dizer o nome popular de tal composto? - Smith completou, nervoso.
Engoli em seco ao perceber a raiva do professor, mas não hesitei em responder.
- O trinitrotolueno é conhecido popularmente por TNT. - respondi, distraidamente. Já havia tido todo o curso de química orgânica no Brasil.
- Certa resposta. - sr. Smith bufou, virando-se de volta para o quadro.
Ponto para mim.
- Ótimo. - sorri vitoriosa. Senti vários pares de olhos cravados atentamente em mim, mas um chamou minha atenção em especial.
Virei meu rosto para a esquerda.
Sempre ele.
"Mandou bem, ", seus lábios finos sussurraram para mim, logo depois juntando-se em um sorriso torto m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o.
Lembra do negócio de "tentar esquecê-lo"? Então, esquece.

Capítulo 10 - People between us

Quarta-feira, 12:39 - refeitório

:

- Mas, , você não fica comigo desde sábado! Poxa vida, o que custa? - Hayley dizia, manhosa. - Estou com saudades de você, gatinho. - ela fez um bico, agarrando-se em meu braço direito. Estávamos no refeitório, porque era o horário do almoço. Hayley tentava me convencer a sair com ela hoje à noite, mas eu realmente não estava a fim. Tudo o que eu queria era ficar em casa comendo pipoca e jogando video-game.
Revirei os olhos.
- Ok, ok, Hayley. Que seja. - eu disse. Ela estava enchendo tanto o meu saco que eu acabei concordando. - Passo na sua casa às 20h, não se atrase. Você está indo à um jantar comigo, não à um desfile. - eu disse, sério, apesar de saber que ela iria se atrasar, sim. Hay tinha uma tendência de se arrumar demais para qualquer lugar que ia, seja na padaria da esquina ou no casamento real. Isso era legal, até, mas quando implicava em eu ficar esperando-a embonecar-se, a coisa ficava chata. O que, desde que começamos a ficar, havia sido, hm, sempre. - Vestido comportado e salto alto, vamos a um restaurante chique. - eu disse. Taí outra coisa que Hayley não obedeceria. Eu nunca vira Hayley com algum tipo de roupa comportada. Até seu uniforme era mais curto que o das outras meninas.
- Certo, bebê, pode deixar. - ela me deu um selinho e saiu rebolando até sua mesa com suas amigas patricinhas-pink-é-o-novo-preto. Eu bufei e me virei de volta, concentrado em pegar meu almoço.
- Ainda não entendi porque continua com ela, , - Martha, a moça que trabalhava no refeitório da ERP servindo a comida para a gente, disse, simpática. Eu adorava Martha, ela sempre colocava as coisas mais gostosas em meu prato e me dava descontos bacanas. - Ela não parece te fazer feliz. - ela balançou a cabeça negativamente.
- É complicado, Martha. - eu respondi, vendo-a encher meu prato de batatas fritas. É Deus no céu e Martha na terra. - Às vezes, eu acho que gosto dela, outras vezes não. 'Tô meio confuso. - eu disse, sincero. Eu realmente não sabia o que eu sentia pela Hayley, afinal, demorei para conquistá-la, e se eu insisti tanto, é por que gostava, não é? Mas aí tem a ...
- Eu vou dizer o que acho, . - Matha pronunciou, tirando-me de meus pensamentos. - Você devia terminar com ela logo e procurar alguém que te deixe sorrindo de verdade. Alguém como... - O diálogo dela foi interrompida pelo barulho da porta do refeitório sendo aberta, e uma de cabelos presos entrando correndo.
Eu sorri. Era instantâneo, eu a via e logo já me sentia mais feliz, mais completo. Dava vontade de sorrir. E foi o que eu fiz.
- Alguém como ela. - apontou com a cabeça, completando a frase que não havia terminado. - Você está com um baita sorriso no rosto, apenas por vê-la. - Martha sorriu também, compreensiva.
- Ah, é só que eu gosto dela. Mas ela é minha amiga, Martha. - eu disse, tentando fazer aquilo soar verdadeiro. Amigos que se ficam? Amigos que se pegam? Amigos que... hm, se beijam demais? - E além do mais, tem a Hayley, né? Não posso, depois de seis meses juntos, chegar nela e dispensá-la por outra garota. Isso seria crueldade. - eu terminei a frase. Realmente, isso seria muita crueldade. Até com Hayley. Meus olhos seguiram o trajeto de pelo refeitório, que sentou-se em nossa mesa, juntamente com , , , , e .
- Talvez. - Marth disse, pensativa. - Mas siga meu conselho, Poynter, e comece a pensar em si mesmo. - ela piscou e devolveu minha bandeja, depositando ali a comanda e uma lata de Coca-Cola. - Agora vai comer, menino, você está muito magrinho! - ela disse, e eu ri. Ah, a Martha é tão mãe!
- Obrigado, Martha. Até mais. - lancei um beijo no ar para ela, que riu. Peguei minha bandeja e segui até a habitual mesa de meu grupo, no meio do refeitório, assoviando.
- Ok, galera, essa se chama "O diálogo das impressoras." - dizia, e eu já poderia prever que se tratava de uma piada.
- Ah não. Não me diga que eu cheguei em tempo de ouvir uma piada do . - eu disse, arrancando risadas de todos.
- Calado, Poynter. Ouça, essa é realmente boa. - continuou. Aham. Igual a do tomate.
- Aham, como aquela do tomate? - debochou, como quem lia meus pensamentos. Eu olhei para ela e sorri, ela viu e ficou vermelha. Linda.
- Não me diga que ele te contou essa também, . - disse, dando um tapa leve na testa de , que mandou um dedo do meio para ela.
- Sim. E ainda queria que eu desse risada! - declarou, e riu.
- Calada, priminha, - bagunçou os cabelos de e ela reclamou. - Agora, todos ouçam. - cravamos nossos olhos em . - O que uma impressora falou para a outra?
- Impressoras não falam, . - disse, revirando os olhos.
- Entra na brincadeira, ! - respondeu.
- Não sei. - , , e disseram em uníssono.
- Esse papel é seu ou é impressão minha? - respondeu, já rindo exageradamente, enquanto todos na mesa o encaravam com uma expressão estilo "era pra rir?".
Mentira. , , e riram. Eu, e só ficávamos nos entreolhando.
Mas aí caímos na risada também.
- Ok, , essa foi boa. - ria.
- Mil vezes melhor que a do tomate. - disse, rindo também.
- Conte mais uma, ! - pediu, empolgada.
Vinte minutos de almoço seguiram-se dessa maneira, com contando piadas, ora engraçadas, ora não; roubando minhas batatas enquanto eu dava tapas leves em sua mão e ela reclamava; e se beijando às vezes, enquanto o resto de nós reclamava; e - que agora namoravam (eu podia ver a aliança refletindo a luz da lâmpada toda vez que levantava as mãos) - se pegando também; rindo de e o estapeando quando ele se virava para olhar as pernas das calouras - uma vez , para sempre -; enquanto meu olhar e o de se cruzavam esporadicamente, e ela sorria, tímida.
Ah, cara, essa garota é demais!
- Aluna - a voz da diretora Middle soou dos megafones instalados na parede do refeitório - Favor comparecer à direção imediatamente. - ela terminou, e logo depois ouvimos um bip, o que significava que havia terminado de dar o recado. Mas, hãm? , na diretoria? O que raios ela havia aprontado?
- Vixe, , mas já? Eu levei duas semanas para ir à diretoria pela primeira vez, e não três dias. - disse, rindo.
- Vai se foder, . - ela mostrou o dedo do meio rindo e se levantou. - Um minuto gente, já volto, ok? - ela disse, e mandou um beijo para todos nós. - Não sintam muito a minha falta. - riu e saiu.
Impossível.
O quê?
- O que vocês acham que é, pessoal? - perguntou, curiosa.
- Ah, nada de mais. A não aprontou nada. - disse, dando de ombros.
- Ainda. - pronunciou, rindo.

Quarta feira, 13:15 - diretoria

:

A sala da diretora era de mármore escura, com paredes brancas repletas de diplomas de honra. Um tapete persa de fios claros estava esticado no chão, e cadeiras de couro preto ficavam sobre ele. Um lustre de cristal pendia do teto alto, e várias estantes repletas de livros grossos estavam distribuídas nos quatro cantos da sala. Eu estava sentada em uma das cadeiras, de frente para mrs. Middle, que vestia um terninho Oscar de la Renta preto justo. Seu coque no alto da cabeça me assustava, e toda vez que ela se aproximava eu me afastava, como se aquele treco na cabeça dela fosse me atingir.
- Então, srta. . - a diretora pigarreou, levantando seus óculos estilo gatinho que haviam caído sobre seu nariz fino e pontudo. - Eu a convoquei aqui para informar-lhe que a senhorita ainda não solicitou o curso extra que irá fazer. - ela disse, finalmente.
- Curso extra? - eu disse, confusa, mas ao mesmo tempo respirando aliviada. Eu achava que havia sido chamada à diretoria por causa do pequeno episódio da aula de química ontem.
- Sim. A Eton Roedean Preparatory exige dos alunos um curso extra-curricular, para que o aluno possa contribuir com a sociedade britânica com honra e respeito.
- Não sabia que eu precisava de mais cursos aqui, mrs. Middle. - eu disse, resmungando. Mas.que.saco. Chega de escola, caramba!
- Eu compreendo, . Mas é necessário, certo? É uma coisa que nós, da Eton Roedean Preparatory, nos certificamos que nossos alunos façam. - ela disse, cruzando suas duas mãos enrugadas. - Veja, aqui estão suas opções. - mrs. Middle disse, apontando para um papel com seu dedo indicador fino, com a unha coberta por um esmalte branco-pérola.
Peguei o tal papel e passei os olhos pelo documento.

Caros alunos,

A Eton Roedean Preparatory School for Boys and Girls orgulhosamente apresenta:

CURSOS EXTRA-CURRICULARES OBRIGATÓRIOS

- Culinária & Gastronomia
- Relacionamentos
- Ética
- Filosofia & Sociologia


Mas que porra?
Alguém pode me dizer onde culinária & gastronomia serve à sociedade britânica com respeito? Quem fazia um frango assado o ensinava bons modos primeiro, é isso? Pra servi-lo com respeito? Refleti sobre todos os cursos, descartando culinária por ser uma calamidade na cozinha, ética porque é chato demais, filosofia & sociologia por ser entendiante e... ah, espera, acabaram as opções.
- Eu escolho Relacionamentos, mrs. Middle. - eu disse, dando de ombros. No final das contas, relacionamentos parece uma escolha fácil e simpática, afinal, o que nós faríamos durante a aula?
- Ótima escolha, . - mrs. Middle sorriu para mim, e eu pude perceber seu batom vermelho-cereja sujando seus dentes meio amarelados. Eca. - A senhorita pode retornar para a sua sala agora, o horário de almoço já acabou. - ela disse, olhando para seu relógio de pulso de couro marrom.
- Certo. Obrigada, mrs. Middle. - eu disse, educadamente, logo depois saindo de sua sala sombria e seguindo para minha sala, distraidamente. Tão distraidamente que trombei em alguém.
- Desculpe-me. - eu me apressei em dizer para a pessoa. Subi os olhos para ver em quem eu havia trombado.
Alto, forte, moreno, olhos .
Mordi o lábio inferior.
- Não foi nada. - a pessoa disse, sorrindo. Anote mais uma qualidade: sorriso bonito e dentes brancos perfeitos. - À propósito, sou o Ian. - ele disse. Anote outra: nome bonito.
- Sou . - eu disse, sorrindo também e esticando minha mão para ele, com a intenção de cumprimentá-lo. - Ou melhor, .
- Prazer em conhecê-la, . Mas mãos não são para mim, não. - ele disse, e me puxou para um beijo no rosto. - Isso, sim. - uma enchente de perfume Bugatti Pure Black atingiu minhas narinas em cheio. Mãe.de.Deus.
Eu corei.
- Hm, obrigada por isso. - eu disse, tímida. Sério, para onde eu tava indo mesmo? Ah, meu Deus, para a sala! Porra, para a sala. - Me desculpe, Ian, mas já estou atrasada. Tenho que ir. - eu disse, apressadamente. Sério, eu sou a melhor do mundo em chegar tarde em todas as aulas.
- Tudo bem, linda. - ele sorriu novamente. Ah, qual é? - A gente se tromba aí, . - ele fez um tchau com as mãos e saiu.
Segui em direção à minha sala com um sorriso enorme no rosto.
Mas olha só, parece que a aula vai ser um pouquinho mais animada hoje.

Quarta feira, 20:17 - dentro de meu carro

:

Mas que porra de parte do não-se-atrase a Hayley não entendeu? Olhei em meu relógio de pulso de couro marrom novamente, constatando que ela já estava quase vinte minutos atrasada. Bufei. Nós provavelmente iríamos perder a reserva do restaurante que eu havia feito.
- Hayley! - eu disse, surpreso, quando ela abriu a porta do carona de meu carro. - Até que enfim, porra! Eu não te disse para não se atrasar? - cuspi, exasperado. Eu tava puto pra caramba, afinal, ela acha que eu sou quem pra ficar esperando ela se ajeitar? Namorado? Aff, não mesmo.
- Ai, desculpa, gatinho. - ela disse, manhosa. Gatinho é o caralho, odeio esse apelido. Puta que pariu. - Eu tava arrumando meu cabelo, afinal... - ela ia dizendo, quando eu a interrompi.
- Não me interessa. Vamos logo, porque a gente tá atrasado. - eu olhei para a frente e dei a partida no carro, acelerando.
- Nossa, . Por que você é assim, tão grosso, comigo? - ela disse, baixinho, aparentemente magoada, e isso me fez sentir um pouco mal. Mas ela tinha razão mesmo, eu era sempre um estúpido com ela. - Eu tava me arrumando pra você, e você sequer olhou para mim. Fora que me dá patadas o tempo inteiro. - ela continuava, com uma voz de choro. Porra, cara, eu era assim tão mal? Parei o carro e estacionei em um canto escuro do condomínio onde ela morava. Virei-me para Hayley, que estava usando um vestido, que como eu imaginara, não era nada comportado. Mas ela estava muito bonita, como sempre fora, e isso era um fato.
- Me desculpe, Hay. - eu disse, passando a mão em sua bochecha, de leve, na tentativa de fazer um carinho. - Você está linda hoje. - dei um beijo leve em sua testa.
- Eu sei. - ela piscou para mim e me puxou pelo pescoço. - Mas não quero beijos na testa de você, . - ela deu um sorriso malicioso e se aproximou de meu ouvido. - Quero muito mais que isso. - ela passou as duas pernas em pela minha cintura e se depositou em meu colo, colando nossos lábios rapidamente.
Eu sorri também e retornei o beijo. Uma coisa estranha é que, enquanto eu beijava Hayley, eu lembrava do beijo de . E de como ela era delicada, e suas mãos percorriam meu corpo não de maneira maliciosa, e sim de maneira curiosa, como quem quer descobrir, e não explorar, ao contrário das mãos de Hayley, que já haviam se depositado em meu cinto, enquanto tentavam abrir o botão de minha calça. Eu sou homem, então é claro que meu corpo manifestou alegria com o gesto dela, o que pareceu também agradá-la, uma vez que ela abriu os botões de minha camisa social preta. Eu subi minhas mãos de sua cintura para suas costas, procurando o fecho do zíper. Hayley percebeu minha procura e facilitou tudo, tirando o vestido pela cabeça.
E depois disso, tudo o que podia ser ouvido dentro de meu carro eram gemidos altos.

Capítulo 11 - You like me, you like her

Quinta feira, 09:51 a.m. - sala de aula

:

- Dude. - eu cutuquei , que estava sentado à minha frente. Ele se virou para mim, discretamente. - Você vai à festa do Troy, amanhã? - eu perguntei, baixinho.
- Sim, cara. Você vai? - eu fiz que sim com a cabeça. - Beleza.
- vai? - eu apontei para meu amigo, que estava sentado na carteira à minha direita, dormindo. Mas olha só o futuro do nosso país!
- Acho que sim. - respondeu e logo se virou para frente, temendo que a sra. Yaki, nossa professora de Matemática II chamasse sua atenção. Eu não tô nem aí pra essa velha, então...
Arranquei uma folha de meu caderno e alcancei minha caneta de ponta fina preta, logo riscando o papel com as seguintes palavras:

Festa, amanhã?

Dobrei o papel cautelosamente e o depositei na carteira de , sentada à minha esquerda. Parecia tão desinteressada na aula quanto eu.
me observou colocar o papel dobrado em sua carteira e me olhou indagativamente. Eu sorri confiante para ela, que pegou o papel discretamente e o abriu, dando um sorriso leve. Ela pescou uma caneta qualquer em seu estojo azul-claro Kipling e rabiscou algumas palavras em nosso "bilhetinho", logo devolvendo-o para mim. Peguei o bilhete e abri-o apressadamente, o que arrancou algumas risadas baixas de .

Com certeza.

Guardei o bilhete em meu estojo e pisquei para ela, que piscou de volta.
Festa. Com .
Interessante.

Quinta feira, 12:37 - refeitório

:

- Meninas, meninas, meninas! - chegou à nossa mesa saltitando, parecendo alegre. Os meninos não estavam em nossa mesa ainda. Segundo , estavam "resolvendo coisas de homem". - Adivinhem aonde vamos daqui a pouco?
- Aula de física, do sr. Hugh - torceu a cara, bebendo sua 7UP. Realmente, o sr. Hugh não era uma flor que se cheire.
- Aula de biologia, do sr. Lacrosse - eu suspirei, enquanto mastigava meu hambúrguer. - Maravilha.
- Inveja de você, . Eu vou ao banheiro mesmo, preciso escovar os dentes. - deu de ombros, levantando-se.
- Você.Fique.Onde.Está. - apontou o dedo para , que levantou as mãos para trás, em um movimento do tipo "eu me rendo", o que arrancou risadas de nós. - Ai, mas que amigas mais desajuizadas que eu fui arranjar. - suspirou. - Nós vamos à Harrods, suas babacas. Precisamos comprar roupas novas para a festa de Troy! - ela bateu palminhas.
- Mas, mas, mas... - começou a protestar, e fuzilou-a com os olhos. - Ok, amiga, ok. - fez um "Yey!" - Tudo para não deixá-la irritada. - sussurrou para mim, e eu ri.
- Eu ouvi isso, vaca. - disse, rindo. - ?
- Que seja. Adoro a Harrods, mesmo. - disse, dando de ombros.
- Ótimo! - bateu palminhas - ? - ela perguntou, virando-se para mim.
- Pode ser. me disse sobre essa festa, mesmo eu não sabendo que havia sido convidada. - eu disse.
- É a festa de Troy, . Ninguém precisa ser convidado, mas todo mundo aparece. - explicou, e eu dei risada. - Falando em , o que rola entre você e ele?
Engasguei com meu suco de laranja.
- Verdade, . Já percebi isso, também. - disse.
- É! Vocês são todos fofos um com o outro. Como se fossem... - estava prestes a completar a frase, quando eu interrompi.
- Não rola nada, gente. Somos amigos, é só. - eu disse. - Além do mais, ele tem a loira-gema. - fiz uma careta, ouvindo as risadinhas altas de Hayley com suas amigas seguidoras.
- Ah, todas nós sabemos que o não gosta dela! - disse, revirando os olhos.
- Também acho. Ele tá sempre desprezando ela. O que é um tanto quanto engraçado. - disse, rindo.
- Ah, é? Então o que ele ainda tá fazendo com ela? - eu rebati, e elas ficaram em silêncio por um tempo.
- Por... sexo? - disse, e eu e as meninas torcemos a cara. - Ah, gente, o que vocês acham que o Poynter faz com aquela vagabundinha de quinta? Andam de mãos dadas e dividem um milkshake? Todas nós sabemos da fama de Hayley.
- Eu não sei, não! Me contem, amigas. - eu disse, e nós nos aproximamos umas das outras, como se estivéssemos em uma "rodinha de segredos". Mas, na verdade, era mesmo.
- Boatos dizem que ela perdeu na sétima série. - disse, baixinho.
- Eu me lembro disso! - disse. - Com Troy. - ela indicou o menino com a cabeça.
- Sétima série? - eu disse, chocada. Caramba. Eu brincando de bonecas e a moça brincando... de médico?
- Pois é. Mas outros boatos contam que ela já havia feito outros, hm, trabalhos para e com os meninos de sua antiga escola, a West School. - sussurrou.
- Deus pai! - eu coloquei minha mão na boca, horrorizada.
- E não para por aí. Dizem que em outra festa, na oitava série, Hayley foi flagrada na cama com outros três meninos. - contou.
- No primeiro colegial, flagrada em um quarto com quatro meninos de idade 20/21 anos! - disse.
- E agora, o gran finale. No começo desse ano, detenção por ter roubado camisinhas da enfermaria. - finalizou, rindo.
- E aí, , ainda acredita que gosta mesmo dela? - pediu, rindo também. Eu saí da rodinha e ri também. Fala sério, aquela moça era uma verdadeira... piranha?
- Amigas, vocês não prestam. - eu comentei. - Ai, gente, não sei! Homens adoram essas semi-prostitutas.
- Semi? - perguntou, e eu ri alto. Senti alguns olhares do refeitório sobre mim, devido à minha risada escandalosa, mas ignorei.
- Malvadinha! - eu disse, entre risadas. piscou.
- Ah, ! O que você foi fazer ontem na diretoria? - perguntou, curiosa.
- Verdade, eu ia te perguntar isso também. - disse.
- A mrs. Middle me disse que eu tinha que escolher algum curso extra-curricular pra fazer. - torci a cara.
- Ih, verdade. O que você escolheu? - perguntou.
- Relacionamentos. - eu disse, dando de ombros. - Me parece ser o mais banal de todos, logo não vou ter que me preocupar em ficar estudando e essas coisas.
As meninas riram.
- Você terá uma grande surpresa amanhã, amiga. - sorriu maliciosa, e eu fiquei sem entender.
- Não entendi, gente. - eu disse, confusa.
- Espere e verá, . - disse, rindo.

Quinta feira, 12:37 - sala de xerox

:

- Vai logo, , porra, eu tô com fome! - eu disse, impaciente, pela terceira vez. Na verdade, eu não tava com fome nenhuma. Eu tava mais curioso para ver . Mas ninguém precisava ficar sabendo disso.
- Espera, dude, 'to tentando achar. - ele respondeu.
- Foi o que você disse das últimas duas vezes. - murmurou.
- Mas é uma anta, mesmo. - disse, e nós rimos.
Estávamos na sala de xerox da escola, onde todas as provas, testes, trabalhos e boletins eram xerocados. não estava a fim de estudar para sua prova de Francês avançado, então teve a brilhante ideia de roubar a prova. E é claro que teve que levar-nos juntos. Eu, e também teríamos a mesma prova amanhã, mas nenhum de nós parecia ligar para isso. estava preocupado porque sua mãe havia dito que só permitira que ele ficasse em Londres se suas notas ficassem acima da média. Caso contrário, olá Liverpool.
Mas, como eu não dependo de nota pra ficar em Londres, olá recuperação!
- Achei! - exclamou.
- Ótimo. Vamos embora, então. - eu disse, e nós quatro saímos da tal sala em direção ao refeitório, enquanto dobrava a prova e a colocava dentro de seu blazer que era parte do uniforme da ERP.

Quinta feira, 15:11 - banheiro do ginásio

:

- Vamos logo, vaquinha! - batia na porta da cabine onde eu tomava banho. Havíamos treinado mais hoje, mas dessa vez, junto com todas as líderes de torcida. Inclusive Hayley. Argh. - A Harrods fecha às 20:00!
Ah, então ela planejava ficar até as 20:00 para comprar... uma roupa?
- Já vai, coleguinha. - eu berrei de volta, sentindo a água quente do chuveiro invadir meu corpo suado.
- Iremos te esperar no carro da . É um Audi A7 branco, não se esqueça! - disse, e eu berrei um "Certo.", logo ouvindo a porta do banheiro sendo fechada.
Depois de uns dez minutos, terminei meu banho e enrolei-me na toalha. Sai da cabine do banheiro, sentindo o vento gelado percorrer meu corpo quase descoberto. Tremi.
- Sempre com frio, . - uma voz masculina piou.
Mas é claro.
- Deus do céu, ! - eu coloquei a mão no coração, assustada. - Quase me matou de susto, seu babaca. - mostrei o dedo do meio pra ele, sentado.
- Educada! - ele disse, rindo.
- Frágil. - eu respondi.
- Ei, . - ele deu um sorriso de canto. Não faz isso, seu filho da mãe. - Nós já sabemos aonde isso vai dar, então porque não nos adiantamos? - mudou seu sorriso de canto para um malicioso. Af, sério, esse menino me tira do sério. Cretino.
- Na verdade, não sabemos, não. - eu o cortei, me lembrando de Hayley. - E eu não posso, , as meninas estão me esperando. Já estou atrasada! - eu disse, recolhendo meu uniforme e um desodorante de minha maxi-bolsa azul com branca Marc Jacobs, logo entrando na cabine novamente. Passei o produto e mim e me troquei em cinco minutos, saindo da cabine enquanto penteava os cabelos. me fitava com olhos atentos.
- Aonde vocês vão? - ele perguntou, arqueando uma sobrancelha.
- Harrods. quer comprar roupas para a festa de amanhã. - eu respondi. - Escuta, você não devia estar aqui, não é? - eu perguntei, querendo me livrar dele. - Por que não vai dar... - fui interrompida pela porta do banheiro sendo aberta, e uma certa loira-gema adentrando o ambiente, que foi invadido por seu perfume enjoativo. Fiz uma cara de nojo.
- , meu amorzinho! - sua voz fina piou. - O que faz aqui? - ela perguntou, olhando de ele para mim.
Lembrei das meninas contando sobre a fama de Hayley e tive vontade de rir. Mas não o fiz, claro.
- Ah, você sabe... só estava esperando por você, Hay. - ele sorriu amarelo. Ah, canalha!
Rolei os olhos, ignorando a conversa dos dois, calçando minhas meias e as sapatilhas prata da escola. Recolhi meu perfume Very Sexy da Victoria Secret's e espirrei-o em meu pescoço e pulsos, depois jogando-o de qualquer jeito na bolsa que já estava em meus ombros, e saí do banheiro batendo a porta com uma força um tanto desnecessária. Eu estava muito, mas muito irritada com . O que raios se passava na cabeça dele? Por que ele achava que podia ficar com ela e quando enjoava, comigo? Vá se foder, Poynter. Mas vá se foder muito mesmo. Aquele idiota, cretino, filho da mãe, lindo e cheiroso. Humf.
Localizei o Audi de , correndo até ele. Quando bati a porta do carro, nervosa, as meninas me olharam indagativas.
- Não perguntem. - eu declarei, fechando os olhos.
Elas deram de ombros e arrancou com o carro. É isso aí, por algumas horas, eu trocaria por bolsas Fendi, sapatos Yves Saint Laurent e vestidos Marchesa. Porque, quem precisa de um homem, não é mesmo? Como disse alguém que eu não lembro, "uma mulher precisa de um homem tanto quanto um peixe precisa de uma bicicleta". Era exatamente isso. Ótima escolha, .

Capítulo 12 - Yours

Quinta feira, 16:34 - meu quarto

:

- Ahhhhhh. - Hayley caiu ao meu lado, na cama, dando um último gemido. Sim, nós havíamos transado. E, sim, eu havia pensado em durante todo o maldito minuto desde que ela saiu do banheiro. Ou seria desde que ela chegou? Ah, foda-se. Depois de disfarçar no banheiro, para Hayley, dizendo que estava à procura dela (e não de , o que era a verdade), nós conversamos um pouco - Hayley comentou o quanto havia adorado nosso encontro de ontem - sendo que eu logo a convidei para repetí-lo, e ela aceitou, o que nos traz aqui em meu quarto.
- Tenho que ir, gatinho. - ela se aproximou de mim e me deu um selinho. - Prometi à Katie que iria ajudá-la com... - interrompi Hayley. Porque não, aquilo realmente não me importava.
- Tudo bem, Hayley. Tenho que ir à casa de , mesmo. - eu dei de ombros.
- Aff, eu não sei porque você anda com aqueles perdedores, . - Hayley disse, levantando-se e recolhendo suas roupas jogadas pelo chão. Peraí, que porra ela achava que era pra falar mal dos meus amigos?
- Meça suas palavras, Hayley. Não vou tolerar que fale merda dos meus melhores amigos. Afinal, eu não digo nada sobre aquele bando de idiotas com que você anda junto. - eu rosnei, furioso. Cara, se tem algo que me irrita é quando as pessoas falam mal de quem eu amo. E isso era exatamente o que ela estava fazendo agora.
- Nossa, , calma. Eu só quis dizer que eles são... - ela ia tentando se explicar, mas eu a cortei novamente.
- Sua opinião não importa pra mim. Eles são meus amigos, não seus. Agora vai. - eu apontei para a porta e Hayley parecia brava agora, também.
- Calma, , porra! Eu me expressei errado. Me desculpe, não precisa ser grosso assim. - ela disse, chorona, enquanto fechava os botões de seu uniforme.
- Tá bom, Hayley, que seja. - revirei os olhos. Ela não ia embora? Vai logo, caralho.
- Bom, então eu te vejo amanhã, na festa. - ela disse.
- Por que? Não vai na escola, não? - eu perguntei.
Hayley passou as mãos no cabelo e respondeu, simplesmente:
- Claro que não, gatinho. Passarei o dia inteiro no salão me arrumando para a festa. - ela sorriu, terminando de vestir suas meias e calçando as sapatilhas. - E para você. - piscou e saiu, mandando um beijo.
Mas que porra de menina mais fútil.
Eu aposto que não demorava tanto tempo assim para se arrumar. Porque ela realmente não precisava. Era bonita naturalmente, sem qualquer maquiagem ou roupa de marca. Havia algo naquele sorriso dela, que eu simplesmente amava, e seu olhar me deixava hipnotizado.
Espera, acho que o não vai ficar bravo se eu me atrasar, certo?
Aham, certo.

Quinta feira, 16:54 - Harrods

:

- Que tal esse? - perguntou, puxando da arara de vestidos um Chloé.
- Não gostei da cor, . - disse, sincera.
- É verdade. E eu não fico bem de verde. - torceu a cara, procurando por outro vestido.
- Amigas, sejam sinceras. - declarou, saindo do provador da loja. - Esse vestido me deixa gorda? - perguntou, apontando para sua roupa.
- Não mesmo. - eu disse, honesta.
- Eu amei esse em você, vaquinha! - bateu palminhas.
- Eu também! - disse.
- Ótimo, gente! Então é esse mesmo. - exlamou, feliz. Uma a menos. Obrigada, pai. A verdade é que eu já havia escolhido minha roupa, então ficava apenas sentada, opinando e esperando as meninas escolherem as delas. Mas confesso que aquilo já havia começado a me entediar. Tanto que eu já havia olhado as horas umas seis vezes nos últimos vinte minutos. Puxei novamente meu relógio de pulso Michael Kors branco com dourado e mirei os ponteiros, que indicavam 16:57.
- Meninas, vou ali tomar um café e já volto, ok? - eu disse. Ouvi um coro de "ok, " e saí.
Segui pela enorme loja de departamentos e esperei pelo elevador, descendo até a cafeteria, que ficava no primeiro andar. Adentrei o lugar, já sendo atingida pelo delicioso cheiro de café e bolinhos frescos. É, talvez eu estivesse mesmo com fome.
- Posso ajudá-la? - a garçonete perguntou, simpática.
- Sim, quero um Moccha Branco e um muffin de blueberry, por favor. - pedi. Ela assentiu, recolhendo o bolinho da estufa depositada no balcão de madeira marrom, colocando-o em um prato e depois dando-o para mim, que aguardava sentada em um dos altos bancos à volta do balcão. A garçonete recolheu um copo e logo prencheeu-o com meu café, tampando o líquido e colocando o mesmo em frente a mim. Eu agradeci, enquanto sentia o líquido quente invadir meu interior. Comi meu muffin e, quando terminei minha refeição, segui em direção ao caixa da cafeteria.
- São 9,31 libras. - a moça do caixa sorriu, informando-me.
Peguei minha carteira Chanel branca em minha bolsa e recolhi uma nota de 10 libras de dentro.
- Fique com o troco. - eu sorri de volta, logo depois virando-me para sair da cafeteria.
Aí eu trombei em alguém.
Porque, você sabe, eu não posso andar dois metros sem trombar em alguém.
- Me desculpa! - eu me apressei em dizer, como sempre.
- Não foi nada. - a pessoa respondeu.
Inalei o ar para dentro de meus pulmões, sentindo o cheiro de um certo perfume Bugatti Pure Black.
- Ian! - eu exclamei, sorrindo.
- Oi, ! - ele me abraçou. Ah, paraíso. - Sempre trombando em alguém, né? - ele riu, com os olhos cintilando.
- Você sabe, é mania. - eu ri, também. - O que faz aqui? - eu perguntei.
- Minha irmã me arrastou até aqui. - ele apontou para uma menina baixa, de cabelos loiros e olhos castanhos que estava sentada em uma cadeira na mesa próxima às janelas. - Disse que precisava de uma opinião masculina. - ele torceu a cara.
- Ah, entendi. - eu sorri. Coitado, ele deveria sofrer como irmão mais velho. Mas, veja bem, além de lindo, também é legal. - Mas diga, opinião para quê?
- A formatura dela é na semana que vem. - ele explicou.
- Ah, sim! - eu respondi. - Falando em festas, você vai amanhã, na de Troy? - eu perguntei, empolgada. Eu precisava saber, né?
Na verdade, não precisava não. Mas seria bom se ele fosse. Muito bom.
Quero dizer, esses olhos... Ah, mãe.
- Vou sim. E você, linda? - ele perguntou.
- Eu também, lindo. - eu respondi, usando o mesmo adjetivo que ele. Ian riu.
- A gente se vê lá, então? - ele perguntou.
- Com certeza. - pisquei.
Ian me puxou para outro abraço e se despediu com um beijo em minha bochecha, andando em direção à sua irmã, enquanto eu saía da cafeteria, feliz.
Mas minha felicidade se desmanchou quando eu vi algo, ou melhor, alguém, encostado em uma parede, com os braços cruzados, olhando para mim.
.
Com uma roupa maravilhosa, ainda.
Filho da mãe.
- O que tá fazendo aqui, ? - eu perguntei, já estressada.
- Quem era aquele que você tava abraçando, ? - ele me respondeu com uma pergunta. É impressão minha ou ele parecia... estar com ciúmes?
- Não te interessa! Por que você não volta para a Hayley? - eu perguntei, agora já muito estressada. Fala sério, ele achava mesmo que podia me usar desse jeito? Mas não podia mesmo.
- Pra você voltar para aquele cara? Não mesmo. - ele se aproximou de mim e uma nuvem de 212 Sexy Men invadiu meus pulmões. Mas.que.merda. Prendi a respiração quando me puxou pela cintura, colando nossos corpos, e se aproximando de meu rosto. - Você é minha, . - ele sussurrou em minha orelha, dando uma mordidinha leve em meu lóbulo, o que fez com que eu me arrepiasse toda. percebeu o efeito de seu ato e sorriu malicioso. - Só minha, e de mais ninguém. - ele disse, dando um beijo em meu pescoço, eriçando os pelinhos da região. Como eu não estava aguentando mais aquele joguinho dele, puxei-o pela nuca e colei nossos lábios com urgência. sorriu no beijo e eu pousei minhas mãos em seus ombros, enquanto a boca dele abria-se para a minha. Nossas línguas já dançavam juntas e a química que havia entre nós dois era inegável, como se a boca dele houvesse sido feita para a minha, e vice versa. Ninguém beijava como ele, ninguém fazia me sentir do jeito que ele fazia. Absolutamente ninguém.
Droga. tinha razão.
Eu era tão dele...

Sexta feira, 09:46 - sala de aula

:

Eu encarava o papel depositado em minha carteira.
Merda, talvez ter lembrado de pedir a prova para o poderia ter sido útil.
Chacoalhei a cabeça para os lados, tentando espantar meu medo e peguei a caneta, escrevendo meu nome no devido espaço reservado.
I) Decrivez votre famille.
Descrever minha família? Hm, ok, peraí. Minha mãe se casou com um filho-da-puta que a abandonou quando eu tinha seis anos. Depois de dois anos e meio, ela se casou novamente, mas, desta vez, com um milionário dono de fábricas de whisky. Eu curtia o cara, porque ele sempre me liberava bebidas alcóolicas e me levava em lugares com bastante mulheres bonitas. Mas aí ele morreu em um acidente e minha mãe ficou com o dever de administrar suas milhares de matrizes espalhadas pelo mundo. Mas desta vez, ela não me liberava bebidas nem mulheres. Triste fim.
É isso aí.
Na verdade, na prova, escrevi algo como: Minha mãe casou-se com um homem que a deixou quando eu tinha apenas seis anos. Após dois anos e meio, ela casou-se novamente com um homem bastante sucedido, uma vez que era dono de uma renomada fábrica de bebidas. Eu adorava meu padrasto, pois ele se tratava de um homem legal e bastante sociável. Sua vida teve fim em um acidente horrível, onde ele perdeu a vida e eu, minha imagem de pai. Para minha mãe, agora viúva, coube o dever de administrar as fábricas de seu falecido marido, tarefa que ela cumpre até hoje, com imenso prazer e dedicação.
II) Quelle est votre routine?
Rotina? Hm.
Acordar. Escola. Casa. Dormir.
Hayley e em dias periódicos. Mas é claro que isso eu dispensei.
III) Imaginez qu'un djinn apparaît sur votre épaule pour vous dire qu'il vous accordera um seul souhait. Quel serait votre souhait?
Eu não sabia o que raios djinn significava. Mas preferi acreditar que era uma espécie de gênio, afinal, assim a pergunta faria sentido.
Um desejo? Mordi os lábios. Qual seria o meu desejo? Entrar na faculdade? Fazer o McFLY vingar de uma banda de garagem para uma internacionalmente conhecida? Fechei meus olhos e deixei-me levar pela minha mente, buscando uma resposta conveniente para aquela pergunta. Quando abri os mesmos, encontrei-me encarando , que fazia a prova concentrada. Ela percebeu que eu a fitava e levantou seus olhos, lançando-me um sorriso lindo e depois prendendo os cabelos castanhos-claro com mechas loiras na ponta em um coque frouxo, voltando sua atenção para a prova que fazia anteriormente.
"Eu desejaria poder fazer parte da vida dela." - eu escrevi.
Isso era um desejo claro meu. Mas a pergunta que ficava era: Como eu desejava fazer parte da vida dela? Como amigo? Como melhor amigo? Como ficante? Ou ainda, como namorado?

Sexta feira, 15:24 - sala de aula

:

Entrei na sala, apressada, porque sentia que já estava atrasada. Hoje seria o primeiro dia do tal curso que eu teria que frequentar.
Primeiro dia para mim, né. Porque eu havia entrado na ERP no meio do ano escolar. É isso que você ganha por ter pais com propostas malucas e cabeças piradas.
Eu sentia que esse tal curso seria um porre. Primeiro, porque nenhuma das meninas estava matriculada em Relacionamentos, junto comigo (aparentemente todas gostavam de cozinhar e tinham se matriculado em culinária, mas eu achava mesmo que elas estavam lá porque era um professor gato que dava a aula). Segundo, era fora do horário escolar. Isso quer dizer que toda sexta feira eu teria que aguentar uma aula a mais. Em plena sexta feira, ainda! Terceiro, porque a havia dito que eu teria uma surpresa aqui, e uma coisa coisa que simplesmente odiava era supresas.
Cheguei até minha sala e segui direto até a carteira onde sempre sentava, colocando minha bolsa azul marinho com branco no chão. Senti uma bolinha de papel atingir minha cabeça e me virei para xingar o desgraçado que havia feito aquilo.
- Oi, ! - disse, sorrindo. - Não sabia que fazia esse curso também. - ele declarou, ainda com o sorriso. Mas que porra estava fazendo em um curso de Relacionamentos? Droga, será que ele era gay? Mas ele tinha tanta pegada, não era possível.
- ? - eu disse, confusa. - O que você está fazendo em curso para meninas? - eu perguntei, rolando os olhos pela classe e encontrando um sexo dominante: o feminino, claro.
Ele rolou os olhos.
- Não é para meninas, . Ter aula de Relacionamentos me ajuda muito no que diz questão à entender vocês, mulheres. - ele apontou para mim e piscou. - Além do mais, eu me sinto exclusivo. Sou o único homem aqui. - ele sorriu novamente enquanto batia a mão de leve em seu peito.
- Ah, é mesmo? - eu levantei uma sobrancelha. - Então me diz o que você já aprendeu por aqui.
Ele se aproximou de mim. Ah, isso vai dar merda.
- Aprendi, por exemplo... - ele sussurrou. - Que quando vocês, mulheres, dizem que "está tudo bem", é o contrário. Está tudo mal. - ele apertou meu nariz.
- Isso é óbvio, . - rolei os olhos. - O que mais? - eu desafiei-o.
- Nunca diga para uma mulher ficar calma. - ele passou as costas de suas mãos em minha bochecha. - Em uma briga, assuma que você é quem está errado. - ele colocou uma mecha de meu cabelo atrás de minha orelha. - Dê-lhe chocolate quando ela estiver na TPM. - ele beijou meu pescoço. - Faça-a sorrir. - ele deu um beijo no canto da minha boca, me fazendo dar um mini sorriso. - E, por fim, sempre que tiver a oportunidade, diga que a ama. - ele me deu um selinho.
- Ah, é? - eu disse, arqueando uma sobrancelha. - Aposto que usa esse último com todas. - completei. Eu sabia que era um verdadeiro conquistador. Ele conseguia atrair todas as mulheres com o rosto angelical - mas que escondia a intenção maliciosa - o sorriso divertido, os olhos brilhantes e o corpo perfeito. Sem mencionar os cabelos, sempre desarrumados propositalmente, as roupas bem escolhidas e o perfume encantador. Combo perfeito para qualquer uma com estrógeno correndo nas veias.
- Sua falta de confiança em mim me deprime, . - ele me deu outro selinho. - Na verdade, não. Eu fico esperando pela especial, sabe? - ele olhou no fundo dos meus olhos e eu me arrepiei, mal conseguindo falar.
- Achei que você já estivesse com ela. - eu disse, pensando em Hayley.
- É complicado. Ela é complicada. - ele piscou para mim e se afastou.
- Eu imagino. - eu disse, baixinho.
Por algum motivo, eu queria ser a especial de .
Mas não era, claro.
Hayley era. E eu só ficava tentando entender o que ele havia encontrado nela. Quero dizer, ela era uma vagabunda! Uma verdadeira vagabunda.
Mas ele gostava dela. E queria ficar com ela, não era?
Para meu alívio, a professora do tal curso chegou. Sério, nunca fiquei tão aliviada em ver uma professora. Que essa aula comece e termine logo. E que eu possa ir a festa de Troy para beber umas e dançar muito.
- Em duplas, meus queridos. - a professora falou. - E, sim, vocês podem escolher.
- ? - pediu.
- Claro, . - eu disse e ele puxou sua carteira para meu lado, pegando minha mão e enroscando seus dedos nela. Deitou sua cabeça em meu ombro e sussurrou:
- Estou feliz por você estar aqui comigo, .

Sexta feira, 15:31 - sala de aula

:

- Eu também, . - respondeu, baixinho, só para eu ouvir. - Eu também estou feliz por estar aqui com você.
Eu sorri com aquilo e a abracei. Seus cabelos cheiravam à amêndoas com mel e eu simplesmente amava aquilo. Tão delicado. Tão melhor que o cheiro de qualquer outra menina que eu havia ficado. Tão melhor que o de Hayley.
- Você é cheirosa, . - eu disse.
- Olha quem fala. - ela riu, baixinho. - 212 Sexy Men em pessoa.
Eu ri também.
- Obrigado, senhorita. - eu disse, cordialmente. - Agora vamos prestar atenção na aula, sim? - levantei minha cabeça de seu ombro.
- Hm... Não. - ela se aninhou em meu peito e eu a abracei mais forte. Instinto de proteção. - Tô com sono, . - ela disse, manhosa.
- Se você dormir, nós vamos para fora, . - eu disse, baixinho, fazendo um carinho em sua bochecha rosada.
- Mantenha-me acordada, então. - ela pediu, e eu já estava prestes a beijá-la, quando ela completou a frase. - Converse comigo.
Porra.
- Ok. - eu tentei disfarçar meu momento quase-te-beijei e pensei em um assunto qualquer. - Ah, quando é que vai me mostrar a sua lista completa de desejos? - eu perguntei. Valeu, cérebro! Legal eu perguntar sobre isso porque é uma coisa que eu realmente quero saber. Desde aquele dia, na London Eye, eu estou curioso para descobrir mais tópicos da lista de . Porque assim, um dos desejos levou ao nosso primeiro beijo. E isso foi uma coisa boa. Quero dizer, ótima. - Mais alguma coisa relacionada a beijos? - eu perguntei, malicioso.
Ela riu, e respondeu prontamente:
- Não, . - disse, divertida. - Mas se houvesse, por que eu deveria te contar? - ela perguntou, arqueando uma sobrancelha.
- Porque, . - eu me aproximei dela, chegando a centímetros de sua boca. - Eu os realizaria com o maior prazer. - sussurrei, dando-lhe um selinho rápido e depois virando para a prestar atenção na aula. Do canto do meu olho, pude ver um sorriso meigo se formar nos lábios dela. Sorri também.

Capítulo 13 - He/she wants to be with her/him, not with me

Sexta feira, 19:51 - meu quarto

:

- , passa meu salto aí! - disse, sentada no sofá bege, do outro lado do meu quarto. As meninas estavam se arrumando em minha casa, então meu quarto estava realmente uma loucura, repleto de saltos-vestidos-jóias-bolsas-maquiagem. A música Cannibal, da Ke$ha, tocava alto de meu amplificador de iPod em formato de gatinho cor-de-rosa.
- Aqui. - eu entreguei para seu par de Christian Louboutin de verniz preto com branco. Minha amiga estava realmente linda com aquela roupa, que era simples, porém uma graça. Seus cabelos pretos estavam lisos, e uma maquiagem preta carregada em seus olhos completava o look. Na boca, gloss transparente e, nas bochechas, blush rosa claro.
- Vamos todas de Louboutin, então? - disse, saindo do banheiro. Ela usava um vestido roxo, justo, até a cintura que depois caía em babados, um anel de ametista com um colar combinando, e saltos pratas. Seus cabelos castanho-escuros estavam presos para o lado esquerdo, e uma maquiagem leve cobria seu rosto.
- Mas é claro, ele é total meu melhor amigo. - declarou, terminando de enrolar seus cabelos. Usava um vestido vermelho justo, estilo tubinho, pulseira e brinco de pérola rosa-bebê, uma clutch de prata Louis Vuitton e saltos pretos. Seus olhos estavam delineados por um lápis preto e as bochechas estavam rosadas.
- Concordo! - eu disse, terminando de passar minha maquiagem e ajeitando minha saia. Perto de todas elas, eu me sentia a mais simples, vestindo uma blusa de paetês pretos e uma saia de franjas metálicas. Calcei meus saltos escuros e peguei minha bolsa carteira à tiracolo Chanel, preta, em cima da cama. - Passei novamente pelo espelho e arrumei meu cabelo, que caía liso até as pontas, que estavam enroladas. Meus olhos estavam cobertos de preto e eu usava um gloss rosa-bebê. Peguei meu blush M.A.C. e sorri em frente ao espelho, batendo levemente seu conteúdo em minhas bochechas sobressaltadas.
- Meninas, caramba, vamos logo! - bateu em minha porta, pela segunda vez em vinte minutos, impaciente.
- Já vai, meu amor! - berrou de volta. - Eu recompenso a demora mais tarde, pode deixar.
- É bom mesmo! - berrou, rindo.
- Mas que nojo! - eu disse, arrancando risadas de todas menos de . - Foi mal, amiga, mas ver você falando assim com meu primo é nojento! - lançei um beijo para .
- Ai, gente, que saudades do . - declarou, levantando-se de meu sofá e pousando ao meu lado. - Não vejo ele desde a escola. - disse, triste.
- Nossa, porque é, assim, um tempo exorbitante. Como você ainda não está morrendo? - disse, e nós rimos alto.
- Insensível! - reclamou, mas rindo ao mesmo tempo.
- Realista, na verdade. - declarou, levantando sua mão direita. Eu pude observar sua aliança prata reluzindo. Percorri os olhos pela mão de todas as outras meninas, vendo a mesma aliança ali, no dedo anelar. Olhei para a minha mão, tão... sozinha.
- Não pense assim, . - disse, como se estivesse lendo meus pensamentos. - Tenho certeza que daqui a pouco colocará uma aliança bem grande aí nesse dedo. - ela piscou.
- Aham, só você acha isso, . - eu rolei os olhos e saí do espelho, indo em direção ao banheiro e pegando meu perfume Chloé, espirrando três veses em meu pescoço.
- Na verdade, eu também acho. - exclamou.
- É verdade, . Ele é diferente com você. - disse. - Não age como um canalha, como costumava.
- Vocês estão falando isso só pra me agradar. - eu disse, espirrando perfume em meus pulsos.
- Não, . Nós não mentiríamos para você, vaquinha. - disse, apertando minhas bochechas.
- É! O de antes costumava ser um galinha pegador. - declarou.
- Ele realmente pegava todas. Passava o rodo mesmo. - completou. - Mas agora, de alguma maneira, ele parece diferente.
- E você está dizendo que quem mudou ele fui eu? - eu arqueei uma sobrancelha.
- Exatamente. - disse. - E, à propósito, gostou da surpresa de hoje?
Eu rolei os olhos para e ri, me lembrando da aula de Relacionamentos.
- Tonta. - eu continuava rindo. - Gente, é sério, eu conheço caras como o , e eles não mudam por uma garota qualquer. Principalmente se essa garota for eu. - apontei para mim mesma.
- Ok, ok, . Mas você ainda vai perceber isso, de verdade. - rolou os olhos.
- Também acho. Mas, que seja, então. A única que não vê as coisas aqui é você. - apontou para mim.
- Tanto faz, gente. Vamos para essa festa logo. - eu disse, abrindo apressadamente a porta de meu quarto, querendo escapar daquela lição de moral toda. As meninas não sabiam, ainda, que eu já havia ficado com . Mas não seria eu quem iria contar.
- Ah, e, à propósito, . - sussurrou em meu ouvido. - Belo beijo em frente à cafeteria. - ela piscou e eu abri a boca. - Não se preocupe, vaquinha, não contarei. Mas, pense no que a gente te disse, ok? - ela desceu as escadas.
Droga.
Desci as escadas também, sendo seguida por e . Avistei na porta do hall (se beijando com ) vestindo camisa social listrada de preto e cinza, calça jeans escura e tênis escuros também. O relógio em seu pulso era prata, e seus cabelos estavam bagunçados. Provavelmente culpa de minha amiga, que estava enroscada em meu primo de uma maneira nada agradável de se ver.
- Eca! - exclamou.
- Um voto. - disse.
- Dois. - eu disse. - Arrumem um quarto!
- Pode ser o seu, priminha? - perguntou, desgrudando-se de .
- Vá se foder, . - eu disse, rindo e fazendo com que todos os outros também.
- Ai, vamos logo, vai pessoal. - exclamou. - Não me arrumei toda assim à toa, quero ver logo meu . - ela bateu palminhas.
- Nojo! - eu disse.
- Um voto. - disse.
- Dois. - a acompanhou.
- Três. - exclamou.
- Para o inferno, vocês. - mostrou a língua e nós rimos, fechando a porta de casa e nos dirigindo até a garagem subterrânea, onde ficava o carro de .
Mesmo estando na Inglaterra há somente uma semana, eu sentia que já havia feito amizades verdadeiras, arranjado um paquera (Ian) e um... amigo colorido? Ficante? Meus pegas de vez em quando?
É, por aí mesmo.
Fechei os olhos enquanto adentrava a Lamborghini e deixei-me levar pelos meus pensamentos.
Que pararam em você-sabe-quem. Não, não o Voldemort. , mesmo.

"Eu fico esperando pela especial, sabe?"
"É complicado. Ela é complicada."
"Estou feliz por você estar aqui comigo, ."


Será que ele pensava em mim o tanto quanto eu pensava nele?

Sexta feira, 20:17 - em casa

:

- Porra, , onde você colocou meu 212? - berrei para meu amigo retardado que, no momento, se encontrava escovando os dentes. Nós estávamos atrasados, e eu me sentia uma mariquinha por estar atrasado porque estava me arrumando.
- Ih, desculpa, dude. Tá em cima do balcão da cozinha. - respondeu, mas como ele estava cheio de espuma na boca saiu algo como "ih, dixculpa, dudi. Tá im cima du balcon da cuzinha.". Eu ri e segui até a cozinha. Por que o perfume estava lá, eu não sei. Hm. Olhei para o relógio de parede, que marcava 20:18 e corri de volta ao meu quarto.
- Caralho, mate, corre, que a gente já tá atrasado. - eu disse, borrifando o perfume rapidamente em meu pescoço e jogando-o de qualquer jeito em minha cama. - E precisamos pegar o , ainda!
cuspiu a espuma da pasta de dente de sua boca e enxaguou-a rapidamente, apagando a luz do banheiro, e vindo para o meu quarto.
- Eu voto por deixarmos aquele biba e irmos direto para a festa. - disse, rindo, enquanto ia em direção ao espelho e dobrava a manga de sua camisa xadrez.
- E depois ouví-lo reclamar igual a uma mulherzinha? Não mesmo, cara. - eu ri também, tomando um lugar ao lado do espelho e bagunçando meus cabelos . Eu estava vestindo uma camisa azul clara listrada com branco, jeans de lavagem clara também, sapatênis branco, bege e azul e um relógio de pulso de couro marrom.
- Que seja, vamos logo, . Mal posso esperar para ver a . - ele disse.
Mas que porra de amigo mais gay que eu tinha.
Não que eu estivesse animado para ver a , também.
Não mesmo.
Tá, talvez, só um pouco.
Ok, muito.
- Seu homossexual. - eu zombei dele, rindo, enquanto abria a porta de minha casa e procurava as chaves do meu Porsche. Depois de achá-las, abri o carro e me sentei no banco do motorista, com ao meu lado, no banco do carona.
- Só eu, né? Você deve estar doido para ver a , também. - rebateu.
- Oi, cara? - eu levantei uma sobrancelha, tentando disfarçar meu nervosismo. - Qual parte da trama você perdeu? Tipo, inteira? Porque, até onde eu sei, eu e a não somos nada. Só amigos.
Ah, é mesmo?
- Negue o quanto quiser, . Eu te conheço. - ele deu um sorriso de canto e virou-se para a frente. - Agora, dirige logo porque quero ir pra essa festa.
M-e-r-d-a. Estava tão na cara assim?
Peraí, o que estava tão na cara?

Sexta feira, 21:48 - festa

:

- E aí eu simplesmente não entendia o que aquela louca queria! Ela falava tudo em alemão, mas eu não tava entendo nada. - Ian disse, me fazendo gargalhar alto.
É. Ian.
Não , porque, afinal, quem precisa dele?
Ninguém. Principalmente depois de eu tê-lo flagrado em um canto conversando com amigos, com a mão na cintura de Hayley. E é claro que eu passei e ignorei.
- Mas você não sabia falar nada em alemão? - eu perguntei. Nós estávamos sentados em um dos pufes coloridos que haviam sido colocados perto do bar, na área livre da casa de Troy. Ian havia me encontrado depois de alguns minutos que eu havia visto o tal fato, e aí nós fomos até o bar, pegamos bebidas e depois ele me chamou para sentar e conversar. E era o que estávamos fazendo. Ian me contava sobre sua última viagem, que fora para a Alemanha, e eu havia contado algumas coisas sobre minha vida no Brasil.
- Nadica de nada. - ele respondeu, dando um sorriso encantador. - Ah, peraí, eu sei falar uma coisa. - ele declarou.
- Diga, então. - eu sorri, também. Ele realmente estava conseguindo me divertir e me fazendo esquecer de por alguns minutos. Ah, e ele estava realmente um gato com aquela pólo Ralph Lauren azul escura - que destavaca seus lindos e brilhantes olhos -, jeans de lavagem clara e sapatênis brancos. Muito melhor que com aquela camisa social azul-clara listrada com branco que mostrava o quão forte ele era e, ah...
Esquece.
- Sie sind schön. - Ian disse, chegando muito, mas muito perto de mim. Ele depositou um beijo em minha bochecha e eu me arrepiei toda com o choque de sua boca quente em minha pele fria.
- O que isso quer dizer? - eu perguntei para ele, arqueando uma sobrancelha. Ian estava com o rosto praticamente colado ao meu.
- Você é linda. - ele declarou, sussurrando em minha orelha.
Oh. Deus.
- Você também. - eu sorri leve para ele. Ian se aproximou de mim, depositando seus dedos da mão direita em minha bochecha, fazendo ali um carinho gostoso. Seus olhos já estavam fechados, e ele chegava cada vez mais perto de mim. Senti seu nariz roçar de leve sobre o meu, e eu também já estava fechando meus olhos. Até que...
- ! - eu ouvi alguém berrar.
Ah, não.
Não você.
Puta que pariu!
Ian e eu nos separamos rapidamente, nos recompondo. Levantei meu olhar, encontrando ali um com uma expressão seca, séria, fria.
- Oi, . - eu disse, desanimada. Desviei meu olhar de e mirei Ian, que mantinha uma expressão confusa e ao mesmo tempo irritada. Merda, , mas que merda! - Esse aqui é Ian, aquele da cafeteria, lembra-se? - eu disse, apontando para Ian. - Ian, esse aqui é meu amigo, . - eu apontei para .
- Prazer. - esticou a mão para Ian, que a pegou e depois a chacoalhou, em um cumprimento. - Eu tava te procurando, . - ele disse. É mesmo? Durante os pegas com a Hayley? Ok, controle-se. Afinal, você não viu nada, certo?
- Bom, me achou. - eu tentei dar um sorriso fraco. Não acho que tenha funcionado.
- Pois é. - sorriu também.
Silêncio.
- Hm, gente? - eu pedi, e os dois olharam para mim ao mesmo tempo. - Vou ao banheiro ali, e já volto, ok? - eu disse, não esperando pela resposta e saindo apressadamente.
Aquela situação estava me incomodando tanto, que eu resolvi fugir.
Saí com tanta pressa da área livre que acabei trombando em alguém. E quem era?
Isso aí. Hayley. Com um vestido tão curto que, se ela caísse, eu poderia ver o seu útero.
Hm, ela cair não seria uma má ideia. Prendi a risada com esse pensamento.
- Desculpe. - eu disse, mesmo não me sentindo arrependida pelo trombo.
- Tanto faz. - ela respondeu, me olhando com desprezo e saindo. Eu 'tô falando sério, quando essa menina anda, ela rebola tanto, que eu acho que ela pode quebrar o osso do quadril.
'Taí outra coisa que não seria má ideia.
Não segurei a risada com esse pensamento, e gargalhei alto, seguindo para o banheiro. Adentrei o cômodo e fechei a porta, sentindo a intensidade da música que tocava na festa diminuir. Fui ao espelho e chequei meu estado. Minha maquiagem estava levemente borrada de preto debaixo do olho esquerdo, e eu peguei um pedaço de papel higiênico, molhando-o com água e passando na região. Após dar-me por satisfeita, lavei as mãos com o sabonete líquido cheiroso que estava sob a pia, secando-as com a toalha pendurada na parede bege clara. Ajeitei meu vestido e destranquei a porta do cômodo que, como todos da casa, era grande e espaçoso.
Assim que o fiz, pude ouvir a música alta invadir meus tímpanos. E outra coisa invadir meus olhos.
Poynter.
Beijando Hayley-vadia-Herch.
Os dois estavam encostados em uma parede da sala, e as mãos de percorriam o corpo de Hayley livremente, deslizando de sua bunda para suas coxas e depois para seus seios. Aquelas mesmas mãos que já haviam percorrido algumas partes do meu corpo.
Piranha maldita!
Ah, aquele filho da puta iria me pagar!
Mas peraí, por que eu estava brava, mesmo? A gente nem tinha nada, não é?
Pois é. E é por isso mesmo que eu tenho todo o direito de fazer o que eu vou fazer.
Percorri os olhos pela pista de dança, encontrando e em um canto, ela escorada nele, que fazia carinho em seus braços descobertos. e próximo a eles, ele sentado em seu colo e os dois rindo e conversando. e se beijando em outro canto, mas vamos pular isso, porque.. argh, ele ainda era meu primo e ela ainda era minha amiga.
Não precisei procurar tanto pelo que queria. Encostado em uma cômoda, com um copo de Bloody em suas mãos, Ian estava. Caminhei duro até ele.
- Dança comigo? - eu pedi, mordendo o lábio inferior, nervosa.
- Claro, . - ele respondeu, pedindo licença ao amigo e deixando sua bebida em um balcão. Eu me senti um lixo por estar usando um garoto tão legal quanto ele para provocar o , mas já o convidei, então, que se foda.
Ian pegou em minha mão e nos dirigiu a pista de dança, onde, ironicamente, a música Use Somebody, do Kings of Leon, começou a tocar.
Obrigada, papai do céu, e obrigada, DJ.
Ele colocou suas mãos em minha cintura e passei as minhas por seus ombros, juntando-as atrás de sua nuca. Subi meu olhar para seu rosto, onde um sorriso lindo encontrava-se formado em sua boca, enquanto os olhos me fitavam atentamente. Nós nos encarávamos intensamente, e eu sorria para ele também. Ian me guiava para os lados, numa dança lenta. Seu olhar agora demonstrava que ele estava ansioso, e eu pude entender o porquê após sua voz pronunciar a frase:
- Não quer terminar o que começamos agora há pouco? - ele sussurrou em meu ouvido. Ian estava realmente muito perto de mim. E, sabe, tanta beleza afeta teus pensamentos. Pior ainda, ela estimula, após ver a cena que eu vi. Naquele momento, a única coisa que eu consegui pensar foi: por que não?
- Mas é claro. - eu respondi, sorrindo.
No minuto em que senti seus lábios quentes e macios grudarem nos meus, abri minha boca lentamente permitindo a passagem de sua língua e puxei-o para mais perto de mim. Ele apertou minha cintura e eu enrosquei meus dedos em seus cabelos escuros, puxando de leve alguns fios. Ian colocou uma de suas mãos quentes em meu pescoço, e eu passei minha unha de leve em suas costas. Ele fazia um carinho gostoso em mim e eu continuava meu trabalho com as unhas, ocasionalmente mudando dos ombros para as costas. Continuamos o beijo, que foi assim, desejoso, durante umas seis músicas, pelo que eu pude contar.
Ótimo. Tempo suficiente para que ele tivesse visto.
A vingança é doce!

Sexta feira, 22:31 - festa

:

Eu não acreditava no que estava vendo.
Quero dizer, eu sabia que esse cara, Ian, estava a fim de . Eu vira os dois se abraçando na cafeteria da Harrods e também vira o jeito que ele olhava para ela.
Mas agora ele estava beijando-a. E ela estava aceitando! Meu sangue borbulhava de ódio, e eu sentia uma fúria enorme formar-se em meu peito. Mesmo sabendo que eu e não tínhamos nada, de alguma forma, foi ruim vê-la ficando com outro. Porque, eu não queria que ela fizesse isso. Eu queria que ela ficasse só comigo. Mas por que ela faria isso, se, afinal, eu também não era só dela? Eu me sentia confuso, perdido. Sei que não sou o tipo de cara para namorar, porque não aguento ser só de uma menina. Sempre fui assim, e acredito que é difícil de mudar. Além do mais, eu tinha a Hayley. Talvez, se fosse para tentar um relacionamento sério, eu devia tentar com ela, certo? Nós já estávamos juntos há um bom tempo e ela sempre se mostrava atenciosa, apesar de eu muitas vezes descartá-la. E agora, , aparentemente, já havia seguido em frente. É só que... eu ainda não me sentia preparado para algo firme.
- Nossa, eu não sabia que a era a fim do Ian! - cochichou para , que estava ao seu lado. Espera, como foi mesmo que eu cheguei até aqui? Acho que em algum momento meu de sadomasoquismo ao ficar observando aquela cena deles se beijando no meio da pista de dança, Hayley havia me guiado para meus amigos, acreditando que eu estava bêbado demais para mover-me sozinho. Obrigado, Hay.
- Então, , eu também não sabia não! - cochichou de volta. É, gente, e com vocês já somos três. Ela era mesmo a fim dele?
- Quem não sabia o que, ? - disse, chegando na roda de mãos dadas com , que mantinha em sua boca vermelha e inchada um sorriso enorme.
- Daquilo. - se intrometeu na conversa, apontando para e Ian. Todos nós olhamos, e quando eu digo todos nós, estou me incluindo também. Ugh, qual é o meu problema? Eu simplesmente não conseguia parar de olhar para eles.
- Peraí, o que? Quem é aquele viadinho beijando a minha prima? - uniu as sobrancelhas, aparentemente irado. Isso, obrigado, mate! - Ah, mas ele vai me pagar muito bonito. - ele disse, com a intenção de apartar o beijo e começar uma briga. Muito bem, , apoiado. Eu te ajudo, com prazer.
- Para, cara. - segurou-o pelos braços. O quê? Me decepcionou agora, dude. - Não vê que ela está gostando? Eles estão assim há, pelo menos, vinte minutos. - disse, sereno. Vai se foder, cara. - Se ela não quisesse, já teria saído, concorda? - ele finalizou.
Essa última frase de caiu como um balde d'água fria em mim. Porque era verdade. Ela estava mesmo gostando do beijo.
- Humf, ok. - disse, acalmando-se. Porra, cara, não! Vamos partir pra pancadaria! - Mas eu já aviso que, se ele aprontar alguma coisa com ela, ele vai me pagar.
- Relaxa, . Se ele fizer alguma coisa com a , vai se ver com a gente também. - disse, apontando para as meninas depois, que afirmaram.
- E conosco também, mate! - apontou para nós três, agora.
- Pode crer, cara. - disse, dando um tapa leve no ombro de . - Não é, ? - ele virou-se para mim, que estive quieto durante esse tempo todo.
- Sim, . - eu respondi, friamente. - Se ele aprontar algo com a , é um homem morto. - eu declarei, firme, saindo do grupo em direção ao bar.
Duas coisas das quais eu precisava naquele momento: uma mulher e ficar bêbado.

Capítulo 14 - Stay

Sábado, 12:39 - minha casa

:

Bip.
Abri os olhos preguiçosamente, pensando se valia a pena acordar ou não. Acabei decidindo que sim, já que meu estômago pedia por comida e minha bexiga pedia para fazer xixi. Levantei da cama, cocei os olhos e bocejei, procurando pelo meu celular, que havia sido meu despertador hoje. Encontrei-o em minha bolsa usada na festa de ontem.
Sobre a festa de ontem, hm, eu diria que ela foi ótima. Depois de minha pequena cena com o Ian, fiquei junto dele a noite inteira e conversamos muito, até que as meninas vieram me avisar que estavam indo embora, e Ian disse para - que não parecia muito feliz - que ele não precisava se preocupar comigo, pois ele me levaria para casa. Quão fofo era isso? Ele me trouxe para casa e depois nos beijamos mais um pouco, até que ele disse para eu entrar, senão meu primo ficaria preocupado com a minha demora. É, é oficial, ele é o cara mais fofo do mundo. Quanto a , eu não o vi mais a noite inteira, após aquela insinuação de sexo entre ele e a loira-gema. Ótimo.
Peguei o aparelho e me deparei com uma mensagem nova de .
"Nós estamos indo aí."
Respondi com um: "Nós quem?", adentrando o banheiro e sentando na privada.
Depois de meus minutos de higiene pessoal, ouvi o interfone tocar. Dei a descarga e me troquei rapidamente. Optei por uma roupa básica, passei desodorante, penteei os cabelos e borrifei a colônia Secret Charm, da Victoria's Secret em meu pescoço, saindo em seguida. Berrei por , obtendo nada em resposta. Desci as escadas e segui até o hall, que estava vazio. Vindo da cozinha, pude ouvir algumas risadas altas. Sorri quando identifiquei a voz dos meninos, porque, apesar de conhecê-los há pouco tempo, já os adorava demais. Ao chegar no local, me deparei com , , , , , e sentados em volta do balcão, conversando.
Ah, então o "nós" era o grupo todo.
Minha casa é mesmo o point da galera.
Corri até eles e me joguei em cima do último casal.
- Bom dia, amigos! - eu disse, animada, recebendo um coro de "Bom dia, " de quase todos. Quase todos porque, veja bem, não me disse bom dia.
Mal educado, hunf.
- Bom dia o caramba! Sai de cima de mim, . - reclamou. Mas que amiga mais bacana que eu tenho.
- Nossa, amiga. Educação passou e saiu, né? - eu disse, rindo. - Eu só vou me levantar porque estou com fome. - eu fiz um bico, saindo de cima do casal.
- Ah, Deus, muito obrigado. Posso respirar agora. - disse, dramático. Eu mandei o dedo do meio para ele, o que arrancou risadas de todos. Menos de .
Hm.
- , o que tem para comer? - eu perguntei, direcionando o olhar para .
- Ah, sei lá, . Vasculha aí. - ele respondeu, dando de ombros.
- Todo mundo resolveu ser educado comigo hoje, é isso? - eu disse, rindo. Fui até a geladeira, abrindo a mesma e encontrando uma coisa para comer: nada. Fiz um bico enorme e olhei de volta para meus amigos, que agora conversavam entre si. Peguei o interfone e disquei o número 45, que dava direto no escritório de mamãe, no andar de cima. - Mãe, não tem nada para comer. - eu disse, suspirando, quando ela me atendeu. - Nem pão! Francamente, mamãe, até prisioneiros tem pão. - finalizei, rolando os olhos no meu mini drama. Pude ouvir meus amigos rindo, mas senti falta da melhor risada: a dele, é claro.
- Ah, me desculpe por isso, . Seu pai, e eu saímos para tomar café e acabamos esquecendo de trazer algo para você. A empregada começará a trabalhar segunda feira, então é melhor que você saia para comer algo. - minha mãe disse. Olha só, to vendo o quanto todos se importam comigo. Minha própria mãe se esquecendo de mim, tsc.
- Ok, certo. - eu respondi. - Beijos, mãe. - despedi-me dela e desliguei o interfone.
Virei-me para meus amigos, que me encaravam. Exceto , que olhava para baixo.
Mas o que raios está acontecendo com esse garoto?
- Vocês já almoçaram? - perguntei.

Sábado, 13:47 - Nobu

:

Eu não conseguia olhar para ela.
Eu não conseguia olhar para aquele rosto delicado, inocente e perfeito, sem me lembrar que ontem, os lábios de outro menino estavam grudados no dela. E não os meus.
E por isso, toda vez que nossos olhares se encontravam, eu desviava o meu, mirando qualquer coisa, menos o seu rosto.
- Ei, gente! - disse. - Escutem essa piada, é nova. - ele finalizou. Estávamos no Nobu, um restaurante japonês próximo ao Hyde Park, almoçando. Quando apareceu com as meninas e em casa, dizendo que estavam indo para a casa de , eu disse que não era uma boa ideia. Mas ele insistiu e eu concordei, porque, por mais que negasse, estava com saudades dela.
- Ah, não. - disse, enquanto mordia seu temaki. - Eu passo, , obrigada. - finalizou, rindo.
- Eu também passo. - disse, concordando com a namorada.
- Ai, gente! Vocês só desprezam o meu boy. - disse, deitando a cabeça em .
Amor. Eca. Fedido.
fez uma cara de nojo para a cena, e eu quis rir. Mas não o fiz. Ao invés disso, cravei meus olhos nela, surpreso. Como é possível que ela sempre pense o mesmo que eu?
- Nossa, coitado do boy. - debochou, tomando seu refrigerante, fazendo o que eu normalmente faria, isto é, zoar de tudo e todos. Mas eu não estava com humor para isso hoje. Desviei meu olhar de .
- Ai, amiga, desculpa. Mas as piadas do são sempre péssimas. - disse, abraçando .
Novamente: amor, eca, fedido.
Levantei o braço para pegar o shoyu, que estava no meio da mesa. Ao fazer esse gesto, minha mão encostou na de , que também ia pegar o líquido. Retirei a minha mão rapidamente, como se tivesse levado um choque. Ela levantou o olhar para mim, arqueando uma sobrancelha, como se perguntasse por que eu havia agido desse modo.
- Desculpe. - eu declarei, baixinho. - Pode pegar. - empurrei o frasco para ela.
- Obrigada. - ela respondeu. Todos na mesa pararam para observar aquela cena. Desviei meu olhar do dela e todos ficaram em silêncio.
- Então... - pigarreou. - Posso contar a piada? - perguntou.
- Pode, . - disse, revirando os olhos. - Eu sei que se você não contar, vai ficar enchendo a... - ela foi interrompida pelo toque de seu celular. - Um minuto, gente. - pediu, pegando o aparelho de sua bolsa. - Alô? - ela disse. - Ah, oi, Ian! - abriu um sorriso.
Assim que ouvi esse nome cravei meu olhar nela novamente. O que esse cara queria, agora? Mas que saco. Fazia menos de doze horas que eles haviam se visto pela última vez, será que ele poderia pelo menos deixá-la em paz? Para, sei lá, por exemplo, almoçar?
Quero dizer, para almoçar comigo?
- ... - chamou. Não me atrapalha, caramba. Eu preciso ouvir essa conversa. - ! - ele disse, mais alto, chamando a atenção de . Virei meu rosto para meu amigo, relutante.
- Fala, . - eu disse, sem paciência.
- Preciso falar com você, cara. - ele disse.
- Diga, ué. - dei de ombros. O que era tão importante que ele não podia dizer ali, em frente a todos? Enquanto eu ouvia a conversa de ? Mas que inferno.
- À sós. - ele declarou. Porcaria, viu. Levantei-me da mesa, seguindo , que já estava em pé. Quando estava saindo, ouvi dizer algo como "Às oito está ótimo para mim".
Ela ia sair com ele?
Filho.da.puta.
- Mas que porra está acontecendo com você, ? - perguntou, quando já estávamos longe o suficiente da mesa. Eu juntei as sobrancelhas, confuso.
- Nada, ué. - eu dei de ombros. Mentira, mentira, mentira.
- Você não me engana, . E sabe disso. - declarou, me encarando. - Está assim desde quando viu a beijando aquele cara, e hoje você não queria ir até à casa dela, e agora está todo calado. O que me faz prever que você está com c... - ele ia dizendo, quando eu o interrompi.
- Não estou, não. - eu disse. - Por que estaria? Não tenho nada com ela, mesmo!
- Ainda. - disse. - Pode mentir, . Eu não acredito em você. Sei que rola algo entre vocês dois, só quem é idiota não percebe isso. - ele completou. - Não se preocupa, mate, eventualmente vocês vão ficar juntos.
Tomara mesmo.
Oi?
- Calado, . - eu disse, revirando os olhos. Disfarçar é comigo mesmo. - A gente não tem nada, já falei.
- Sei, sei. - ele completou, rindo. - Vamos voltar, vai. Não saciei minha fome ainda. - passou a mão na barriga. Eu ri.
- Vamos logo. - eu dei um tapa no ombro dele. Voltamos para a mesa no minuto em que desligou o celular. Ela levantou o olhar para mim e deu um pequeno sorriso no canto da boca. Eu também sorri levemente, mesmo não estando tão feliz. Não consigo resistir àquele sorriso. Ela desviou o olhar de mim e direcionou-se a .
- Vou sair com Ian, hoje à noite, está bem? - ela declarou.
- Tanto faz, . - deu de ombros, movendo seu hashi para a barca, em busca de um hot roll. - Posso contar a piada agora?
- Pode, . - respondeu, e depois todos cravaram os olhares em , ouvindo atentamente a sua piada. Mas eu não. Eu trabalhava com a minha mente em outra coisa. Mais especificamente: em um plano.
Sorri malicioso. Ah, sim. , me aguarde.

Sábado, 15:29 - Westfield London

:

- Um desse, no tamanho P, por favor! - pediu para a atendente vestida com o uniforme da Zara, apontando para o cardigã preto em sua mão.
- Gente, isso aqui é o paraíso. - eu disse, com os olhos brilhando. Depois de termos almoçado no restaurante de comida japonesa, os meninos foram para a casa de e nós viemos para o shopping, porque eu precisava de uma roupa para sair com Ian, hoje à noite.
- Tá vendo, . - disse. - Morar em Londres tem lá as suas vantagens. - ela piscou.
- Tem mesmo, amiga. - eu pisquei de volta. - O que vocês acham desse? - eu peguei um vestido azul claro.
- Não gostei, . - disse, sincera.
- É, verdade. Tem esses negócios aqui que são meio esquisitos, né? - eu apontei para um detalhe do vestido, torcendo a cara. - Acho que vou procurar mais um pouco.
- Faça isso, vaquinha. É sempre bom. - disse.
- Para onde ele disse que vocês vão? - perguntou.
- Então.. - eu disse, vasculhando nas araras de vestidos. - Eu não sei. - virei para elas, suspirando. - Ele disse que é surpresa.
- Mas, mas.. - começou. - Ah, que fofo! - ela terminou, apertando minhas bochechas.
- Nossa vaquinha está crescendo. - debochou. - Ownti! - ela bateu palminhas e eu corei.
- Saiam, suas chatas. - eu disse, rindo.
- Mas olha só, a vaquinha também está sendo mal educada. - disse, rindo também.
- Babacas. - eu disse, arrancando risadas delas, até que a atendente chegou com o cardigã de .
- Vou ali provar, ok? - ela disse. - Já volto, não sintam muito a minha falta.
- Não sentirei nenhuma, pode deixar. - disse, e eu ri.
- Otária. - disse, mandando um dedo do meio para e saindo depois.
- Ele não te deu nenhuma dica do que usar, ? - perguntou.
- Ah, ele disse para eu por um vestido e um salto. - eu dei de ombros. - Isso quer dizer que vamos a um lugar chique, né?
- Sim, sim. - afirmou com a cabeça. - Por isso, temos que procurar em uma loja mais chique, . - ela completou.
- Concordo! Esse shopping tá recheado de lojas maravilhosas. - disse, com os olhos brilhando. - Está com seu cartão de crédito, amiga?
Tirei do ombro a bolsa Louis Vuitton Annie GM, recolhendo de lá a carteira e depois sacando o cartão cor de ouro.
- Sempre. - declarei, sorrindo plenamente.
Nada melhor do que compras com as amigas para abstrair a cabeça dos problemas.
Espera, quais problemas?

Sábado, 19:14 - Quarto de

:

Sim. Eu estava no quarto dela.
Sim, eu iria impedí-la de sair com Ian.
Sim, esse era meu plano brilhante.
Não, ninguém sabia que eu estava aqui.
Na verdade, depois de voltar da casa de , ofereci uma carona ao , que não recusou, já que estava sem carro e teria que pegar um táxi. Eu pedi para entrar e comer algo, disse que "tanto faz", despediu-se de mim e foi para seu quarto, enquanto eu vim para o de . Genial.
Ouvi um barulho vindo do banheiro e me ajeitei em sua cama, pegando seu urso de pelúcia no colo. A porta do banheiro estava fechada, e eu esperava há exatos dez minutos. A porta finalmente se abriu, revelando uma coberta por um roupão branco estilo de piscina. Seus cabelos estavam lisos e sua franja, jogada para o lado. Ela não percebeu que eu estava em sua cama e seguiu para seu closet, voltando de lá com um vestido rosa e um sapato de mesma cor, nas mãos. Quando foi colocar as coisas em cima de sua cama - provavelmente para se trocar depois - subiu a cabeça e deu de cara comigo, que estava sorrindo largamente. Sua expressão passou de confusão para choque e depois para confusão novamente, quando, por fim, ela abriu a boca, com a intenção de gritar. Voeei até ela e tampei sua boca. Se ela gritasse, viria até aqui e me encontraria, e aí uma grande merda estaria feita.
- Shh. - eu sussurrei em seu ouvido. - Quieitinha, . - eu dei um beijo do pescoço dela. Pude perceber os pelinhos finos da região se eriçando, sorri com o resultado da minha pequena provocação. Tirei minha mão de sua boca e a puxei para mais perto de mim, colando nossos corpos.
- O que... - ela tentava dizer, mas eu continuava meu trabalho em seu pescoço, dando mordidinhas leves. soltou um gemido baixo e eu abri um sorriso ainda maior. - O que você... - ela tentou novamente, mas eu a impedi, colocando o dedo indicador em sua boca, fazendo um sinal de "silêncio".
- Isso. - declarei, me aproximando de seu rosto e colando nossas bocas em um beijo cheio de saudade. As mãos de se depositaram em volta da minha nuca e as minhas em sua cintura, apertando aquele local de leve. Ela abriu sua boca lentamente e eu enrosquei nossas línguas, enquanto apertava mais a sua cintura e ela puxava alguns fios de cabelos meus. Eu a beijava com vontade, tentando recuperar todo o tempo que perdi assistindo a cena dela com aquele panaca. Içei para cima e ela se enroscou em minha cintura, enquanto eu sentava em sua cama ela ficava com as pernas em volta de meu corpo. Subi minhas mãos de sua cintura para seu cabelo, procurando pela sua nuca e fazendo ali um carinho que ela pareceu gostar, já que puxou meus cabelos com mais força e depois arranhou meus ombros. Sério, eu amava quando ela fazia isso. Era tão... excitante?
- ? - ela partiu o beijo, puxando meu lábio inferior. Arqueeou uma sobrancelha e continuou. - O que é... isso? - ela apontou para o meio de minhas calças, onde um volume notável podia ser visto.
Eu ri.
- Poxa, . - fiz um carinho em seu rosto. - Você sabe o que provoca em mim, não sabe? - cheguei mais perto dela e mordisquei seu lábio inferior também. Ela gemeu baixo.
- Você sabe... - ela disse, com a voz rouca, descendo até meu pescoço. - O que provoca.. - ela continuou, depois depositando sua boca ali, dando um chupão leve. - Em mim? - perguntou, sussurrando em meu ouvido, depois mordiscando meu lóbulo. Os gestos dela me deixaram totalmente maluco e sem controle, atiçando meus instintos mais sujos.
- Não... - eu disse, provocando-a, sussurrando perto de sua orelha. - Mas estou louco para descobrir. - finalizei, depois colando nossas bocas novamente. Ela retribuiu o beijo com a mesma vontade que eu, e mais uma vez nossas mãos exploravam o corpo um do outro. Eu peguei e troquei nossas posições, colocando ela sobre a cama enquanto ficava por cima dela. Eu a beijava com toda minha disposição, para compensar o tanto que eu fiquei na vontade ontem. Deslizava minha mão livremente de sua cintura para seu quadril, e depois percorria toda a extensão de suas coxas, enquanto ela arranhava minhas costas por debaixo da blusa. Eu sabia que a animação de meu, hm, instrumento ia crescendo, mas nem liguei para isso, porque nem o fazia. Continuei concentrado no beijo, que esquentava cada vez mais, com direito a passando seu dedo indicador pelo cós da minha calça e eu tentando desamarrar o laço de seu roupão. Quando eu finalmente consegui, um barulho irritante de celular tocando nos interrompeu, quebrando totalmente o clima. Merda de celular.
partiu o beijo e bufou, em seguida olhando para mim, como se pedisse permissão. Agora, que o clima já estava acabado, tanto faz, né. Dei de ombros. Peguei o celular dela, que estava próximo de mim, perto de sua cabeceira. Na tela, um nome piscava, insistentemente: Ian. Eu gelei, olhando para com pavor. Ela arqueeou uma sobrancelha e pegou o aparelho de minhas mãos, olhando para a tela do mesmo e depois olhando para mim. É isso aí, é agora ou nunca.
- Não vai. - eu pedi, baixinho. - Fica aqui comigo. - supliquei, puxando-a para mais perto e dando um beijo em seu pescoço, porque eu sabia que ali era o ponto fraco dela. Ela estremeceu com o toque e eu sorri, dando ali uma pequena mordida.
- ... - ela dizia, enquanto a porra do telefone não parava de tocar. Eu continuava a provocar , trabalhando caprichosamente em seu pescoço, que cheirava à sabonete. - , eu não posso! - ela me empurrou para a ponta da cama, apertando o botão verde do celular e depois colocando-o na orelha. disse "Alô" no celular enquanto pedia silêncio com os dedos. Bufei. Esse tal Ian significava tanto assim para ela? Significava mais do que eu?
- Oi, Ian, - ela disse, revirando os olhos. Bom, acho que não, né. Deixei escapar uma risada baixo com esse pensamento, e olhou com cara feia para mim, o que me fez querer rir mais. - O quê? - ela disse, confusa. - Ah, você já está aqui embaixo? - olhou para mim, desesperada. Porra, peraí, o cara já estava aqui em baixo? Quão adiantado ele estava? Mirei meu relógio de pulso, que constatava 20:18. Caramba, nós ficamos nos beijando por tanto tempo assim? - Sim, claro. Estou descendo. Espere aí mesmo. - ela completou, logo depois desligando o aparelho e olhando novamente para mim. Logo depois ela voou até a cama, recolhendo seu vestido e salto e adentrando o banheiro. Voltou de lá trocada e olhou para mim, que assistia toda a cena sem saber o que fazer.
- Vá para o quarto de . - declarou, impassível. - E me ligue amanhã.

Sábado, 21:39 - Alain Ducasse at Dorchester

:

- ? - Ian pediu, e eu virei o rosto para ele. - Aconteceu alguma coisa? Você está meio, hm, aérea. - ele disse. Pensei um pouco sobre como daria aquela resposta. Algo como: olha, não aconteceu nada, não, fora o fato de que o cara por quem eu aparentemente sinto atração surgiu no meu quarto, do nada, a gente se deu uns pegas e quase avançou para a fase 2; ou algo como...
- Estou? - eu forcei meu melhor sorriso. - Me desculpe. - abaixei a cabeça, depois levantando-a. - Não aconteceu nada, é que eu estava pensando que este será o primeiro Natal que eu passo longe da minha família. - completei. Bom, isso não era uma mentira, afinal, eu nunca havia passado essas datas comemorativas longe dos meus avós e parentes. Mas agora eles estão no Brasil, e eu estou aqui, em Londres. Mas a verdade total é que eu não prestei atenção em uma palavra que Ian disse para mim, hoje. Minha cabeça estava longe, mais especificamente, em . Após nossa pequena cena em meu quarto, ele saiu e eu fui me maquiar, descendo para o hall, logo depois, encontrando lá um Ian muito bem vestido, com camisa social preta, jeans escuros e sapatênis brancos com preto. O problema é que: eu não consigo achá-lo tão lindo quanto . Aliás, eu não consigo parar de compará-lo com . Isso faz de mim uma espécie de bruxa?
- Ah, entendo. - ele disse, pensativo. - Mas, ei, não fique assim, ! Pense no tanto de coisas legais que já aconteceram com você por aqui, e no monte de amigos que já fez. - completou. É, bom, isso é verdade. Tá se saindo bem, Ian. - Isso não é um motivo para comemorar? - Ian perguntou, sorrindo. Ok, ele é lindo. Tipo, muito lindo. E ele ainda é fofo! E se veste bem. E cheira bem. E tem olhos maravilhos. Boca também. Cabelo também. Sorriso também.
- É sim, Ian. - eu disse, sorrindo verdadeiramente para ele.
- Então, mocinha, vamos comemorar. - ele piscou, charmoso e depois chamou o garçom com os dedos, que percebeu o sinal e veio até nossa mesa.
- Pierre, me vê uma garrafa de Moët & Chandon Brut Imperial. - Ian pediu. - Mas, ei, meu pai não precisa ficar sabendo disso, certo? - ele depositou um bolinho de notas roxas no bolso do blazer do garçom, que afirmou com a cabeça. Certo, até onde eu sei, notas roxas representam 20 libras esterlinas. Então, espera, ele estava sonegando o garçom? Sujo. Mas eu gostei. Quero dizer, quem está reclamando de beber o melhor champagne do mundo? Não eu, certamente.- Obrigado, Pierre. - Isso aí, obrigada Pierre!
- Por que ele contaria para o seu pai? - perguntei, curiosa, numa tentativa de prestar atenção em Ian e não pensar em . O que era muito difícil de se fazer, acredite. Ainda mais depois de um beijo daqueles. Bom, vários beijos.
- Bem, meu pai é o dono daqui. - ele respondeu, dando de ombros. - Tenho descendência francesa, . - Ian olhou em meus olhos. - Achei que tivesse te dito isso ontem à noite.
- Hm... - eu vasculhei minha cabeça em busca de um vestígio de Ian dizendo algo parecido. Mas nesse terreno, só uma coisa podia ser encontrada: . E tudo relacionado a ele. - Acho que não, Ian. - eu neguei com a cabeça. - Eu me lembraria. - terminei. Ou não né, porque 'tô pensando em algo bem melhor no momento.
Oi?
Foco em Ian, . Foco em Ian.
- Bem, agora você já sabe. - ele deu um sorriso e eu retribuí. - Agora, , vamos pedir algo para comer, ok? - ele disse, puxando o cardápio e entregando-o para mim.
- Ué, você não vai escolher sua refeição? - eu perguntei, ao perceber que ele estava sem cardápio.
- Não preciso, . Conheço esse cardápio inteiro. - Ian disse, sorrindo.
- Ah, sim. - eu disse. Era compreendível, afinal, o pai de Ian era dono do restaurante, então ele devia comer muito aqui. - Bem, eu como qualquer coisa, menos escargot. - fiz uma careta de nojo. Fala sério, tem coisa mais nojenta do que saber que você está comendo um caracol? Vivo, ainda? Imagina só aquela coisa borrachuda se desintegrando na sua boca. Argh.
- Qual o problema com o escargot, linda? - Ian perguntou, arqueando uma sobrancelha. Ih, ferrou. Esqueci que ele é francês. Tá vendo só como eu 'tô prestando atenção no assunto?
- Nenhum problema, Ian. - eu menti. Com aquela mole e nojenta? Todos os problemas do mundo, na verdade. - É só que eu provei uma vez e realmente não gostei. - menti novamente. Fala sério, 'tô ficando boa nisso. Se nada der certo, já sei minha profissão: mentir para o Ian. Hm, ótimo. Ele era rico, não era? Então devia pagar bem e tal. Mas o quê? É oficial: eu sou uma bruxa asquerosa e mereço ser morta queimada. Ah, não, espera, ouvi dizer que queimada dói demais. Talvez me dessem remédios? É uma boa.
- Escargot. 'Taí uma das únicas coisas francesas que realmente não agradam a qualquer um. - ele disse, sorrindo de canto. O sorriso de canto dele também não era tão lindo quanto o de .
Ah, não. Ah, não! , saia da minha cabeça imediatamente. Merda, viu?
- Pois é. - eu ri levemente.
- E então? - ele perguntou. - Pronta para fazer seu pedido, mademoiselle? - Ian sorriu.
- Pode apostar que sim, monsieur. - eu disse, piscando para ele.
Apesar de não ser nada parecido com , Ian era um cara legal. E que gostava de mim, aparentemente. Então, eu acabei me decidindo pelo seguinte: enquanto eu estivesse aqui, com Ian, esqueceria, ou tentaria esquecer .
Virei minha cabeça e cravei meus olhos nos glóbulos de Ian, sorrindo largamente.

Capítulo 15 - You change your mind like a girl change her clothes

Domingo, 16:19 - em casa

:

Eu encarava meu celular há alguns minutos.
Por que eu?
Quero dizer, por que eu que tenho que ligar para ela? Ela não pode me ligar? E sobre o que ela quer falar? Sobre o beijo? Sobre nossa situação? Espera, qual situação? Ih, olha eu aqui, novamente atolado nas perguntas. Garota estranha essa , viu? Desde que ela chegou, fez minha cabeça ficar toda bagunçada, e eu me encontro pensando nela muitas vezes. Por que será? Espera aí. Não. Perguntas de novo, não.
O toque estridente do meu celular interrompeu meus devaneios, e eu deslizei o dedo pela tela do iPhone, colocando-o direto na orelha, sem prestar atenção em quem me ligava.
Isso aí, depois te ligam ameaçando matar algum conhecido se você não der dinheiro, e ninguém sabe porquê.
- Alô? - eu disse.
- Oi, . - uma voz delicada respondeu. Eu sorri. Definitivamente, a dona dessa voz não seria capaz de matar algum conhecido meu.
- ! - exclamei, animado. Ouvir a voz dela me fazia muito, mas muito bem. Beijá-la, então...
- Sou eu mesma. - ela disse, e eu pude prever que do outro lado da linha ela estava sorrindo. Imaginei a cena em minha cabeça e sorri também. Outra coisa que me fazia muito bem era aquele sorriso. De um jeito singular e único, aquele sorriso era o mais bonito que eu já havia visto em toda a minha vida. Tão singelo, sincero, feliz. Era tão dela. - Você não me ligou, então eu decidi ser o homem da vez. - disse, rindo.
- Ah, tomou a decisão certa, amiga! Eu não ia mesmo te ligar, sabe, tava ocupado fazendo minhas unhas. - eu zombei, fingindo ser gay por causa do comentário dela. - Rosa ou vermelho, princess? - eu continuei. Certo, homossexual é pouco para o que eu fui agora. riu alto, e eu ri também.
- Viu, eu disse! Vou ter que ser o macho agora, bro. - ela disse, engrossando a voz e tentando não rir. - Ah, linda, acho que de vermelho você fica mais bonita! Sabe como é, mais atraente. - completou, ainda com a voz de homem, agora cedendo às risadas.
- Ok, , chega. Isso está ficando estranho demais. - eu disse, acompanhando-a no riso. É engraçado como eu nunca me diverti como uma menina como eu me divirto com ela. De certa forma, ela me faz sentir mais... eu mesmo. Sem esforços, sem pressão, sem nada. Só me faz sentir à vontade para ser eu mesmo. E isso é uma coisa que eu estou adorando.
- Concordo, sr. - ela disse. - Vamos trocar de lugar agora, sim? - completou.
- Com certeza. - eu disse, sorrindo igual a um retardado para minha própria imagem no espelho. Que raios de bruxaria ela usa para conseguir me deixar tão preso assim? Caramba, cara. Se todos vendessem essa bruxaria aí, Potter seria coisa para os fracos.
- E então, ... - disse. - Eu te liguei porque... - ela ia completar a frase, quando eu a interrompi. Caso você não tenha notado, eu tenho mania de interromper as pessoas, isso aí.
- Você não precisa de motivos para me ligar, linda. - eu disse, baixinho. - Mas, me desculpe por não ter te ligado antes. - completei a frase, para não parecer tão o-panaca-gay-babaca-idiota-estou-babando-por-você.
Não que eu estivesse babando por ela.
Poxa, não mesmo.
O que será que ela estava vestindo? Aquela camisola, será? Ou uma menor?
- Na verdade, eu não te desculpo, não. - ela disse, em um tom sério. Opa, peraí, agora a porra ficou séria. Uni minhas sobrancelhas em um misto de confusão, pensando em todas as merdas que eu já havia em minha vida. Será que ela havia me visto nadar pelado na piscina dela no dia em que nós nos conhecemos? Hmmm. Quando eu finalmente ia me pronunciar, foi mais rápida. - Só se você me levar para patinar! - ela disse, alegre, e eu tinha certeza que os olhos cor de mel dela estavam brilhando de felicidade no momento. Igual a uma criança quando ganha um doce. Mas não era criança, e as única características dela próximas a de uma pirralha eram a sua delicadeza e a inocência.
E as minhas características próxima a um gay são essas: todas.
Porra, . Vamos lá, seja homem.
- Patinar? - eu disse. - Hm. - murmurei. Patinar, certo? Com . Com ela se segurando em mim para não cair. Comigo dando o apoio necessário para ela. Ela grudada em meu corpo, eu grudado no dela. Tentador.
- Sim! - ela exclamou, animada. - disse que todos vão, e como eu estou sem par, vai você mesmo, né? - ela riu, divertida. Ouch, !
- Poxa, é assim que você pretende me convencer a ir com você? - eu disse, fazendo um bico enorme. - Humf. - bufei.
- Me desculpe, ! - ela apressou-se em dizer. - Só digo a verdade, coleguinha. - ela debochou, rindo. Tão .
- Ah, obrigado pela parte que me toca, ! - resmunguei.
- Imagina, lindinho. Só digo a verdade. - ela continuou. - Mas, e aí, , sim ou não? - perguntou e eu não hesitei em responder.
- É claro que sim, linda. - eu disse. - Tudo e qualquer coisa por você. - deixei escapar.
Peraí, mas que merda? Ok, é oficial. Acho que 'tou virando gay. Mas espera, se eu for gay, não posso ficar com ela. É, então eu acho que não sou gay, não. Mas o que eu 'tô falando? Não sou gay porcaria nenhuma.
- Ótimo. - ela disse, feliz. - Me busque às 17:00. - terminou e desligou.
No meio de toda essa confusão sim--qualquer-coisa-por-você, eu me esqueci de um pequeno detalhe.
Eu não sei patinar.

Domingo, 18:51 - Somerset House Ice Rink

:

- , você é pior nisso do que eu! - eu disse para ele, rindo muito e tentando segurá-lo, enquanto ele teimava em cair e tropeçar. - Fala sério, não demos nem uma volta completa ainda e você já tropeçou quinze vezes! - eu disse. - E caiu quatro! - completei, rindo.
- Sem zoação, ok, ? - ele disse, tentando se segurar em mim. Mas é óbvio que ele era mais pesado que eu, e por isso, quando ele foi se apoiar em mim para se levantar, eu acabei caindo por cima dele. O resultado desse acidente foi a seguinte cena: ele por cima de mim, eu por baixo, nós dois rindo histericamente e chamando a atenção de todos. Os pais olhavam com os olhos arregalados para nós, ao mesmo tempo em que tampavam os olhos das crianças para que as mesmas não vissem uma mini cena não apropriada para um lugar tão frequentado por menores de dezoito.
Não quero nem saber o que as pessoas pensaram de mim naquele momento.
- , seu cabrito, sai de cima de mim! - eu pedia, rindo muito.
- Nossa, , cabrito? - ele perguntou, com a sobrancelha levantada. Sexy, sexy, sexy. - Não tinha outro xingamento melhor, não? - ele disse, sorrindo. Abri minha boca para respondê-lo, mas ouvi uma voz familiar soar ao fundo.
- , ! - berrava. Ela estava muito longe da gente, no início da pista de patinação, preparando-se para dar o que parecia a sua terceira volta. É, então eu acho que a nossa cena foi bem escandalosa mesmo. Pude enxergar ela se aproximando de nós rapidamente, de mãos dadas com .
- Vocês estão bem? - perguntou, com os olhos arregalados.
- Estamos sim, priminho. - eu disse, sorrindo. Com ainda por cima de mim.
- Gente, gente! - dizia, correndo apressadamente pela pista de patinação, seguida por , e . - O que aconteceu? - ela perguntou.
- Uma laranja gigante me atacou, . O que acha que aconteceu? - disse, rindo e revirando os olhos. Todos nós rimos, e fechou a cara.
- Grosso. - ela disse, bufando e fazendo um bico.
- Ei, linda, calma. - disse, puxando-a para perto e dando um beijo em sua testa. Ela abriu um sorriso enorme.
- Hm, e aí, tá confortável aí no chão, ? - perguntou. Olha, na verdade, tá frio. Mas o tá em cima de mim, então...
- Não. - eu menti. - Mas esse ser não sai de cima de mim, . - apontei para .
- Ei, que mentira! - disse, rindo. - Depois dessa, eu vou até sair.
- Bom mesmo. - eu disse, debochando.
- Babaca. - ele disse, rindo. - , me ajude aqui. - pediu e estendeu a mão para ele, levantando-o em seguida. - Obrigado, dude.
- De nada, bro. - disse, fazendo um high-five com depois.
- Alguém pode me ajudar? - eu pedi, ainda no chão. veio até mim e eu rejeitei. - Não, você não! Vai acabar caindo em cima de mim de novo. - eu disse.
- Ok, grossa, então fica aí, no chão mesmo. - ele disse, mostrando a língua. Eu revirei os olhos e veio me ajudar também. Ele esticou o braço em minha direção e me içou para cima.
- Obrigada, zito. - agradeci, enquanto batia minhas mãos em minha roupa, tirando os resquícios de sujeira e gelo das mesmas.
- De nada, baixinha. - ele respondeu, apertando meu nariz.
- Espera, , deixa eu arrumar o seu cabelo. - disse, se aproximando de mim e passando as mãos pelo meu cabelo, que devem ter ficado totalmente bagunçados durante a queda. - Pronto, amiga. - ela piscou e depois voltou para os braços de .
- Obrigada, vaquinha! - mandei um beijo no ar para ela, que o pegou e guardou no bolso. Fofa.
- Gente, eu 'tô com fome! - disse.
- E quando é que você não está com fome? - disse, revirando os olhos.
- Depois que eu como, babaca. - ela respondeu, mostrando a língua para , que riu, ainda agarrado em .
- Justo. - ele disse.
- O que vocês acham de nós alugarmos algum filme, irmos para a casa da e depois pedir pizza? - sugeriu. Peraí, mas o quê? Quem foi que ofereceu minha casa mesmo?
- Ih, quem disse que eu deixo vocês irem? - eu disse, brincalhona.
- Ninguém disse. Mas eu deixo vocês irem, gente. - respondeu. - Como sua mãe disse, a casa também é minha. - piscou para mim.
Uh, touché.
- É isso aí, mate. - bateu de leve no ombro de .
- Idiota. - eu disse, mandando um dedo do meio para meu primo.
- E então, gente, pode ser? - perguntou para todos, recebendo como resposta um sonoro "Sim". - Ótimo, vamos então. - ela disse, indo em direção ao início da pista de patinação, onde havia uma saída. correu até ela e a pegou pela cintura, dando um beijo em seu pescoço. Eca.
- Espera, ninguém quer saber o que eu acho sobre isso? - eu perguntei.
- Não. - , e disseram em coro, deslizando pela pista e se afastando de nós.
- Poxa, magoou. - eu fiz uma cara de triste. riu e veio em minha direção.
- Tá vendo, . É isso que você ganha por dar mais valor em seus ditos amigos e menos valor em mim. - ele sussurrou, perto de meu ouvido. Filho da mãe.
Abri a boca para dizer algo, mas fui interrompida por uma vozinha fina e irritante, que eu sabia que pertencia a uma certa loira-gema.
- Amorzinho! - Hayley piou. Puta que pariu, tem alguém mais chata, babaca, estressante e ridícula em todo o mundo como essa menina? Espera, por que eu tenho raiva dela, mesmo? - Que saudades de você! - ela disse, e se aproximou de , grudando em seu pescoço. Eu revirei os olhos.
- Oi, Hay. - ele disse, passando as mãos pela sua cintura. Ah, filho da mãe, por que ele tá correspondendo a ela? Vai se ferrar, . - Mas nós nos vimos ontem, já está com sau... - parou a frase no meio, olhando para mim. Eu fingia não prestar atenção na conversa dos pombinhos, mas quando ele pronunciou essa última frase, não pude deixar de olhar para ele. engoliu em seco, percebendo o clima tenso que havia se instalado entre nós. Cravei meus olhos nos de . Espera. Eles se viram ontem? Como? Quando? Que horas? Ele não estava comigo até... eu sair com Ian? FILHO DA MÃE. Desgraçado, desgraçado, desgraçado. Então é assim, né? Vem comigo e depois com ela? E eu deixo, ainda. Sou tão estúpida. Que raiva de mim mesma, que raiva de , que raiva da Hayley.
Nós quatro estávamos em silêncio. Hayley mantinha um sorriso confuso na cara, eu olhava com raiva para , que me olhava como quem pedisse: "desculpe". Sabe onde eu quero que você enfie esse "desculpe", ?
- Hm, e então, gente, nós vamos ou não? - disse, depois de alguns minutos de silêncio. Deus te abençõe, amiga. Muito obrigada. É a minha deixa para sair daqui e experimentar meu novo estilo de vida: nunca mais olhar na cara de cafajestes como ele.
- Mas é claro que sim! - eu disse, sorrindo falsamente. São nessas horas que meu instinto mais teatral aflora. - Eu vou, você também, mas vamos deixar a sós com sua namorada, sim? - continuei sorrindo falsamente.
- Ela não é a minha... - tentou dizer, mas eu o cortei.
- Será. - eu disse, rapidamente. - Vamos, ? - olhei para minha amiga, que me olhava incerta.
- Vamos, . - ela disse, finalmente. Fiz meu melhor olhar de gratidão para ela, pegando em seu braço.
- Tchau, Hayley. - eu disse, fitando-a com um olhar de indiferença. Oras, eu ainda não gostava dela. - Tchau, . - mirei os olhos dele profundamente e observei seu olhar se contrair com a intensidade do meu. - Aproveitem o resto de domingo. - eu completei e depois saí com , que dava "tchau" com a mão desocupada.
Que eles formem um casal muito bonito, namorem, se casem, tenham filhos e que depois ele morra. É, isso mesmo.
Filho da mãe.
- ... - pediu e eu virei para ela. Ela lançou um sorriso compreensivo para mim, e eu dei um sorriso fraco de volta. - O que está acontecendo entre vocês dois? - ela disse, e eu abri minha boca para falar, quando ela me interrompeu. Mas que droga, ninguém vai me deixar falar hoje? - Não negue. - ela sorriu maliciosa.
Ih, ferrou.
- Ok. - bufei. - A gente já ficou. - eu disse, olhando para as minhas unhas, tentando ignorar o fato de que a boca dela estava aberta de choque. - Umas, hm, três vezes... - completei, e os olhos dela se arregalaram.
- Ah, eu sabia! - ela bateu palminhas, feliz. Sabia? Eu arqueei uma sobrancelha, olhando para ela. - Não, quero dizer, não que eu realmente soubesse de vocês, mas eu suspeitava. Só se você for muito lesado para não perceber o clima que tem entre vocês dois. - completou, dando um sorriso. Espera, por que ela estava feliz ao saber de nós? Quero dizer, não é como se eu pudesse ficar com , de qualquer jeito. Ele tinha a Hayley e parecia bem envolvido com ela. E eu tinha, hm, o Ian?
- Não exagera, . - eu disse, revirando os olhos. - Bom, com clima ou não, tanto faz. A gente não vai ficar junto. - completei, enquanto me apoiava na barra lateral da pista de patinação.
- Não estou exagerando não, menina. Todo mundo comenta. - ela disse, e eu me virei para seu rosto. Todo mundo? - E, ei, como assim, por que não? - ela perguntou.
- Hayley. - eu disse, fazendo uma cara de nojo. riu e me imitou.
- Qual é, ? A gente já te disse porquê está com ela. - ela disse, fazendo um gesto obsceno com as mãos. Eu ri alto, o que atraiu a atenção de todos, inclusive dele, que estava com a loira-gema no outro canto da pista. olhou para mim e deu um sorriso triste, e eu só ignorei, voltando meu rosto para o de .
- Você não existe, amiga, sério. - eu disse, ainda rindo.
- Ah, que bom que te fiz sorrir! - ela disse, dando outro sorriso. - Mas não pense que vai escapar de mim, . Por que você ficou toda irritada quando o disse que esteve com a Hayley ontem? - perguntou. Droga, droga, droga!
- Bom, quando nós voltamos do shopping, eu fui tomar banho e tal. - eu dizia, e ela me ouvia atenta. - Quando saí do banheiro, adivinha quem estava em minha cama? - pensou e depois abriu a boca. - Sim, . E aí ele se aproximou de mim e me beijou. - eu completei. - E depois pediu para eu não ir ao encontro com o Ian.
- Assim, do nada? - ela perguntou e eu confirmei. - Hm, ? - ela pediu e eu a olhei. - Acho que estava com... ciúmes. - completou, e eu arqueei minha sobrancelha.
- De mim? - perguntei. Espera, ciúmes de mim? Por que raios?
- Sim. Sexta na festa, quando ele te viu beijando o Ian, ficou todo calado, quieto. - ela disse. - E eu conheço o há anos, isso não é típico dele. Principalmente em uma festa. E depois, no sábado, ele hesitou em ir a sua casa, mas o convenceu, e quando nós chegamos lá, ele ficou todo calado novamente. No restaurante também. - dizia e um monte de coisas rodavam em minha cabeça. Na festa, o que me estimulou a ir até Ian, fora a impressão que eu queria causar em , mostrar para ele que, assim como ele não era meu exclusivo, eu também não era a dele. Então eu havia conseguido? Pude sentir a raiva de alguns minutos atrás ir se desfalecendo, e eu até arrisquei um sorriso, girando meu pescoço para procurar por ele. estava no mesmo canto, com a mesma garota. Mas a diferença, é que, agora, eles estavam se beijando. O jato de raiva que queria desaparecer preencheu meu corpo inteiro novamente, e eu me senti tonta, fechando minha mão em punho. Fechei meus olhos e comprimi os lábios, virando-me para e abrindo os olhos.
- Se ele tem ciúmes de mim, e se aparenta importar-se comigo, então por que está fazendo aquilo? - eu disse, apontando para e Hayley no canto da pista, ela encostada na barra e os dois se beijando sem pudor algum. virou seu rosto para a direção em que meu dedo apontava e eu pude ouvir um gritinho de horror soar baixinho de sua garganta. Ela voltou o olhar para mim. mas dessa vez, com uma expressão triste, desapontada. Com pena. Com dó. Ela manteve-se em silêncio, e eu a agradeci mentalmente por isso, seguindo nosso caminho até a saída da Somerset.
De agora em diante, as coisas irão mudar.

Domingo, 20:36 - no meu carro

:

Eu sou um idiota.
Eu sou mesmo. Porra, eu sou um idiota do caramba.
Onde foi que eu estava com a minha cabeça, mesmo? Por que raios eu disse aquilo na frente de ? Mas que merda, , mas que merda!
Agora ela deve estar pensando que eu sou um cretino. Eu sei disso. Eu vi a cara dela quando eu disse aquela frase. Mas, poxa, ela ia sair com o Ian, eu ia ficar fazendo o quê? Em casa, vendo Hannah Montana? Claro que não. É por isso que eu fui para a casa de Hayley depois. Mas ela não devia ficar sabendo disso. Droga.
Bati minha cabeça no volante do Porsche, acionando a buzina sem querer, o que atraiu a atenção de várias pessoas que passavam pela rua. Decidi que era hora de ir embora. Sei que não iria querer me ver em sua casa, fingindo que nada aconteceu.
Eu me resolvo com ela amanhã na escola.
Dei a partida no carro e segui até meu prédio.

Domingo, 21:29 - cozinha

:

- Ei, , me explique novamente porquê o não veio. - pediu, atrás de mim, segurando os pratos e talheres usados pela gente enquanto comíamos a pizza. Ah, é porque ele tava ocupado se comendo com a loira gema. Ocupado demais para pensar nos amigos ou até... em mim.
- Ele encontrou a Hayley. E preferiu ficar por lá. - eu disse, com desdém. Ainda tô puta. 'Tô mesmo.
- Hm... - murmurou, depositando os pratos sujos na pia. - Ele disse isso? - se virou para mim, que colocava os copos sobre a pia também.
- Não, ué. - eu disse, dando de ombros. - Mas não precisa, né, ? Eu vi os dois juntos e já deduzi. - me virei para ele.
- Certo. - deu um sorrisinho. - Você está esquisita hoje. - ele disse.
- Esquisita? - perguntei, arqueando uma sobrancelha enquanto colocava 7UP no meu copo. - Esquisita como? - pedi, levando o conteúdo da bebida à minha boca.
- Esquisita estilo estou-com-ciúmes-de-você-. - ele declarou, e eu engasguei com meu refrigerante. veio até mim e deu batidas leves em minhas costas, enquanto eu tossia exageradamente. ria e eu lançava meu melhor olhar mortal para ele.
- Não estou com ciúmes dele. - eu disse, após a minha tosse cessar. - Por que eu estaria, ? Nós não temos nada. - declarei, olhando firme em seus olhos.
- Eu sei. Por isso é que é estranho. - ele sorriu, maroto. - Mas, não mente para mim, não, . Eu sei que vocês já ficaram. - completou e saiu da cozinha, me deixando ali sozinha.
Milhões de coisas se passavam pela minha cabeça. já havia contado para eles? Filho da puta! O que ele havia contado? Quero dizer, de qual das três vezes? Da primeira? Da segunda vez? Ou da terceira? Ou de todas? Havia comentado sobre mais alguma coisa? Por que eu estou pensando nele? Não ia parar de pensar nele? Eu não estava com raiva dele? Ai, caramba!
Voltei para a sala de cinema e me sentei ao lado de , que agora era a única que não sabia de meu enrosco com . Bom, era o que eu achava, pelo menos. Já havia contado para e , e se contou para , também sabia. já havia visto a gente se beijando. Então, é, era a única que não sabia.
- ... - eu pedi, e ela se virou para mim. - Tenho que te contar uma coisa. - eu disse, baixinho. e estavam no canto do sofá, abraçados, e se beijavam em um pufe e pescava algo de bom para assistir, já que havíamos acabado de ver o filme que alugamos.
- Eu já sei, vaquinha. - ela disse, e sorriu para mim. Eu juntei as sobrancelhas, confusa. - me disse. - completou. - Não se preocupe muito, sei que vocês ainda ficarão juntos. - ela sorriu, e eu sorri de volta.
Será?

Continua...

Nota da Autora (22/04/12): Oi, gente! Tudo bem com vocês? Comigo tá tudo muito, muito, muito bem! (apesar de ninguém ter perguntado, haha) Quase chorei quando vi que a linda da Danie veio me contar que BMA tava nas Top, gente :( Tipo, sério, eu não tenho nada para dizer, senão obrigada! Vocês são muito perfeitas mesmo! Obrigada a você, é, isso aí, você mesma, que tá do outro lado da tela perdendo seu tempo lendo esse meu recadinho (haha) por ser tão gentil e se dispor a ler a minha história :') Obrigada de coração, viu? Um beijo grande!
P.S.: Carol, essa é pra nós duas, ok? Hahaha <3

Nota da beta:: Awn, já disse que mérito é mais que seu, por escrever uma fic tão deliciosa como BMA, Mah! <3


Nota da Beta: Caso seja encontrado qualquer erro nessa atualização, por favor, notifique-me por twitter ou e-mail. Não utilize a caixinha de comentários para tal. Obrigada. xx ;D