
Capítulo Um – Como Sempre.
Eu achava simplesmente tudo aquilo incrível, e era realmente incrível. Todos aqueles poderes, toda aquela luz e a gama que tinha ali. Fazia parte da minha infância e agora era tão real. Eu não acreditava que pudesse fazer tanto sentido e que uma cidade precisasse tanto de heróis superfantásticos, mas era preciso, e era um tanto quanto interessante.Eu não tinha qualquer poder, mas eu me sentia como se fosse detenta de todos eles, porque eu conhecia o que cada um fazia, eu sabia o que era aquilo, e por mais estranho que tudo isso pudesse parecer, a cidade amava o quarteto fantástico. Era fanática por eles, desde muito pequena, então eu acabei indo trabalhar com eles... Mesmo não tendo nenhum poder. Acho melhor explicar desde o começo.
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Central City era uma cidade quase que comum, como todas as outras; a grande diferença é que contava com acontecimentos estranhos sempre envolvendo alguma parte da química ou da física que era aparentemente inexplicável. Central City é consideravelmente pequena, mas em relação a outras era grande. E tinha muitos problemas. Mas todos souberam quando quatro moradores novos juntaram-se. Eles eram... Diferentes, por assim dizer. Viviam escondidos, não saíam sequer para um passeio na praça... Mas um dia, o Doutor Destino atacou e eles tiveram de agir, mostrando, assim, quatro super-heróis: O Homem Elástico, a Mulher Invisível, o Coisa, e o mais... estressante deles, Tocha Humana.
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Desde então eles vêm ajudando a salvar a cidade continuamente, mas há uns tempos não há muito a se fazer, e eles buscam ajudar o melhor que podem na química e na astronomia, e em várias tentativas com radiação cósmica e tudo aquilo que possa atingir-nos que não conhecemos. Nós, digo, a população de Central City, que nesse quesito ainda é muito leiga.
Bem, como eu trabalho para eles se eu não tenho nada a oferecer? Eles conseguiram metade de um prédio gigante que tem aqui. Na verdade, Sue conseguiu e eu já trabalhava aqui, como secretária do presidente da empresa, porém já tinham muitas mulheres e nenhuma tinha coragem para ajudar os heróis... E, bem, eu vim. Mesmo estando ciente de que posso ser atingida por uma rocha ou uma lasca de fogo a qualquer momento. O salário aumentou e nada disso aconteceu, pelo menos não ainda.
Reed e Susan já são casados há cerca de um ano, portanto eu fico mais próxima deles, porque eles estão sempre andando de um lado para o outro em busca de uma informação ali e outra aqui. Benjamin se acha um tanto perigoso, mas é muito amável. Ele vivia treinando seus ataques numa câmara especial e podíamos sentir os baques surdos do térreo, por mais que a câmara fosse forte. E por último, Johnny Storm. O irmão insuportável de Susan. Fico me perguntando como ela é tão doce e ele tão desprezível. Não tenho respostas, obviamente.
- Srta. Richards, mais um café? E não esqueça que no sábado a sua amiga Lily vai se casar e a Srta. vai ser madrinha.
- Claro, . – ela respondeu muito simpática. – Hm, isso me lembra que preciso fazer uma compra urgente. Não comprei o vestido que irei usar.
Balancei lentamente a cabeça afirmando. Até que surgiu um convite.
- Por que você não vai comigo, ? Você poderia me ajudar.
Sorri de lado, mas muito rapidamente.
- Srta, eu iria atrapalhá-la, sou um desastre. - soltei uma risadinha. Ela não precisaria se incomodar comigo.
- Eu faço questão, querida. Você faz muito aqui, vive nos acompanhando e ainda aguenta o meu irmão. Vamos, você me ajuda e eu te arranjo um convite para sábado, você poderia ir conosco.
- Não, senhorita! - exclamei e senti alguém passar por mim, era morno. – Eu iria atrapalhá-la e além do mais,...
Ela mal me deixou terminar.
- Faço questão! Além de secretária, você é minha amiga. Já confiei muitas coisas a você e você guardou os segredos necessários. Além do mais, teria alguém para conversar durante a festa, e você conhece a Lily. .
De fato,conhecia mesmo. Mas ela não me convidara porque era muito restrito. Baixei os olhos e coloquei o café na xícara.
- Além do mais, iria ser muito... Excitante ver você em roupas mais justas.
Ouvi uma voz máscula soando em minha nuca. Se estava morno antes,agora estava fervendo. Revirei os olhos e ele viu, achando graça da situação. As minhas bochechas queimaram.
- Aqui está seu café, Srta. Richards. – sorri para ela e ela agradeceu, olhando com reprovação para o irmão.
- Eu já lhe disse para não tratá-la assim, Johnny. Desculpe, .
Ele levantou as mãos como se dissesse “É impossível, não tenho culpa”. Entreguei a xícara a Susan, ignorando-o completamente.
- Não tem problema, Srta. – baixei a voz de modo que ela pudesse ouvir. – O que ele fala não me interessa nem um pouco.
Ela sorriu de canto, percebendo que ele estava jogando sozinho e eu voltei com o café para a cafeteira. Depois disso voltei para meu computador, onde fiquei revisando papeladas do andar de baixo, analisando datas de contas e tudo o mais que fosse necessário e, claro, agendando as reuniões que haviam sido pedidas. Eu não trabalhava só para o quarteto fantástico, mas ficava na mesma sala – por assim dizer – com eles. O prédio era gigante e dizia respeito a muitos assuntos de diversos interesses.
Mais tarde teria uma reunião que dizia respeito à construção de uma espaçonave que fosse “blindada” o suficiente para que quando fosse atingida por meteoros, não explodisse. Não sei ao certo, sou tão leiga quanto Central City.
Assim que acabou o expediente, fui fechando todas as janelas com os contratos e contas, salvei tudo numa pasta e desliguei o computador. Sue passou em minha mesa.
- Shopping amanhã às 20h para você está bom, ?
- Para lhe ajudar com o vestido? Está ótimo!
- Sim, então combinado! Eu te busco na sua casa, pode ser?
- Não vai atrapalhar, Sue?
- Claro que não, querida! E vai me ajudar com o terno dos rapazes... Só eu sei como é difícil lidar com esses homens! – ela soltou uma risadinha e eu tive de rir junto: aguentar um irmão como Johnny Storm realmente não é para qualquer garota, além de Ben, O Coisa e o Reed com sua elasticidade.
- Posso bem imaginar! Até amanhã à noite então, Sue.
Acenei e entrei no elevador. Johnny e Ben entraram antes da porta se fechar.
- ... por isso creio que não poderei ir no sábado ao casamento, garoto. – disse Ben com um sorriso. Ouvi as pedras se mexendo ao estralar os dedos.
- Mas você não pode mudar pra outro dia? Vai ser divertido. Além do mais, não é sempre que somos convidados... Você sabe que muitos têm medo da gente pelo que somos.
- Eu sei, mas faz quatro encontros que desmarco com ela já... E ela fica um tanto quanto estressada com isso.
Johnny deu uma risadinha e me senti desconfortável.
- Por isso que eu não me apego. - disse ele com um ar debochado. – Mas admiro quem consegue fazer isso, aliás, o próximo casamento poderia ser o seu, não é mesmo?
- É uma ideia, garoto. Não sei, talvez ano que vem. Ela ainda não se acostumou com a ideia de ter um namorado de rochas, sacou?
Eles riram e Johnny deu um soquinho no ombro de Ben e logo já estava massageando a mão.
- Até eu esqueço que você é pura rocha, amigão.
A luz do elevador piscou indicando o térreo. A porta se abriu e todos nós saímos, fui andando lentamente até a garagem, estava cansada. Relatórios me deixam cansada, definitivamente. Mas as conversas já haviam sumido, meu carro ficava de frente para o conversível prateado de Johnny, mas do outro lado da garagem.
Joguei minha bolsa e voltei para casa, tomando um banho e dormindo logo em seguida. O dia seguinte seria longo, muito longo.
Capítulo Dois – Entre vestidos & ternos.
Dia de folga. Comemorando por dentro, sim ou óbvio? Levantei e tomei café com leite acompanhado de umas bolachinhas. Eu não curtia comer ovos com bacon no café da manhã... Não me parecia tão apetitoso de manhã quanto deveria. Arrumei o apartamento um pouco, apenas deixando as coisas no lugar, e parti para o centro. Resolvi que iria fazer umas compras no mercado e logo após comprar dois vestidos. Na verdade, o único vestido que eu possuía tinha um urso panda em toda parte frontal... Exatamente uma blusa do GreenPeace que eu usava para dormir. Isso não seria nada agradável de usar numa festa.
Demorei mais um pouco para escolher os vestidos, passei no banco, depositei um dinheiro na minha poupança e voltei para o meu lar. Tomei um banho rápido e quando eu olhei no relógio já eram 18h45. Esquentei uma lasanha e comi um pouco,guardei o resto na geladeira e fui me arrumar. Optei por um dos vestidos, já que não estava uma noite fria em Central City. Coloquei minhas sapatilhas, base, corretivo e blush e voila, estava pronta. Até terminar, já eram 19h45. Guardei toda a bagunça que tinha feito, o vestido e o sapato novo que tinha comprado e ouvi uma buzina soar em frente ao prédio. Aquilo me soou estranhamente familiar.
Tranquei a porta e desci quase correndo, falei com o porteiro rapidamente e caminhei até o carro que agora eu via, prateado. Sue abriu a janela do carona e sorriu, dizendo: "Pode entrar, querida." Assenti timidamente e abri a porta de trás, entrando num carro totalmente aquecido. Johnny estava no banco do motorista. Diabos, por que ele estava com a gente?
- Olá, . – encontrei seu olhar no espelho dianteiro. Seus olhos azul-gelo faiscaram. – Como se sente pegando carona com o bonitão aqui?
Senti minhas bochechas queimarem, ele era muito idiota. Desviei os olhos do espelho e Susan o cutucou.
- Sinto muito,. Ignore-o, por favor. Eu ia vir com meu carro, mas quando eu estava saindo, ele já estava do lado de fora com a garagem trancada. Acho que ele precisa de outro terno, parece que o último foi queimado misteriosamente ontem à noite. Não é, Johnny?
- Não tem problema, Susan. É aquilo que eu te falei. – e ela deu uma risada, deixando Johnny sem entender.
- Mas, ah, sabe como é, isso sempre acontece com os caras mais bonitos. - e deu uma piscadela, fazendo o carro roncar suavemente.
Quando eu resolvi olhar o caminho, já estávamos a um quarteirão do shopping. As ruas estavam vazias, mas o shopping estava cheio. E quando eu disse cheio, quis dizer lotado. Quase não havia vagas no estacionamento, mas encontramos uma depois de uns quinze minutos.
Entramos no shopping e as pessoas estavam entupidas no cinema ou em outras lojas, caminhamos até uma loja quase que desconhecida, que ficava no terceiro andar, na parte direita e bem num cantinho, que vendia roupas que não eram tão caras e eram bonitas, uma de minhas lojas preferidas... Aliás,tinha ido lá mais cedo, mas isso fica entre nós.
Uma senhora de meia-idade tomava conta e vivia fazendo seus crochês. Uns tempos atrás eu vinha para ela ficar me contando histórias fascinantes, de guerras, de vitórias... Incríveis. Mas meu tempo estava muito corrido então vinha só de vez em quando. Ela nos atendeu com um sorriso.
- Olá, queridos, como vão? – ela perguntou, ajeitando os óculos, que já estava na ponta do nariz. - Em que posso ajudá-los?
- Bem, Sra. Vandom... Precisamos de um vestido e terno.- disse sorridente. Sue também se pronunciou:
- Na verdade, dois ternos... E um vestido para ir num casamento. Por favor.
Ela sorriu e a senhora assentiu, mostrando-nos poltronas na cor vinho em que podíamos nos sentar. Adorava aquelas poltronas.
- Vou ver o que tenho aqui. - ela puxou uma cortina cor de berinjela e entrou em outra sala, ao que parecia. Sue olhou preocupada.
- Tem certeza que aqui tem roupas para nós? – ela disse meio constrangida, observando as saias floridas e os casacos lotados de broches.
- Absoluta. Ela vai surpreender vocês.
Johnny se mexeu na cadeira ao lado da irmã, aparentemente impaciente. Olhou pra mim e sorriu de canto. Parecia que eu havia o chamado na conversa.
- Vejam, queridos... - a Sra. Vandom estava lotada de roupas em ambas mãos. De um lado trazia vestidos lindos,de várias cores ,e, na outra,ternos acompanhados de gravatas de vários tons. Colocou tudo em cima de sua bancada e nos chamou.
- Não perguntei sua medida, querida, mas trouxe alguns que acho que possam servir. – havia vestidos de tafetá, de linho, de seda, de algodão... Azul, branco, preto, vermelho, com linhas brilhantes... Variados. Sue estava encantada com todos eles, não acreditando no que via.
- E para mim tem algo? – perguntou Johnny, olhando animado para os ternos, tinha até um blazer perdido no meio das roupas.
- Claro que tem, querido. Veja. – a senhora foi arrumando os paletós em cima da bancada, para que ele pudesse ver... Tinha preto, marrom em todos os tons, bege, cinza... - E tenho camisas, caso não tenha pra acompanhar.
- Que vestido lindo! – exclamou Sue pegando certo vestido na mão. – Veja! Que acha, ?
- Perfeito! – pisquei pra Sra. Vandom , ela era realmente incrível.
- Vou levar esse, preciso dele. - Sue disse rindo e separando o vestido da pilha. – Apesar de que todos são incríveis. Todos mesmo, como eu não conheci esse lugar antes?
Johnny estava se demorando nos ternos, experimentando vários por cima da camiseta. Ele parou em um. E se virou para mim.
- Que acha deste, ? – ele se virou de costas, pedindo que eu alisasse a parte de cima, que estava toda para dentro. Alisei e ele contraiu os músculos, definindo-os no terno.
- É muito... Elegante, Storm.
Ele sorriu.
- Vou levar este para mim e aquele, - ele apontou o dedo para outro terno terno – para o Reed. Ele vai gostar.
A senhora Vandom assentiu, pegando silenciosamente os vestidos e ternos que não foram escolhidos e levando-os para trás da cortina mais uma vez. Sue e Johnny estavam impressionados com a senhora das roupas elegantes.
- Eu disse que ela ia impressionar vocês. – disse com um sorriso no rosto.
- Realmente, ela é incrível, ... Ela tem essa loja há muito tempo?
- Sim, desde que eu tinha meus onze anos... Eu vinha aqui e a observava costurar, enquanto ela me contava histórias da sua juventude.
- Espera, você pequena vinha aqui?
- Sim, Storm. Qual o problema?
- Não consigo te imaginar pequena... Parece que você sempre foi... Interessante assim.
- Sei, eu também não consigo te imaginar pequeno. Jonathan Storm sem malícia? UAU, algo impossível.
Sue riu e eu também, ele fez uma cara do tipo "O quê? Eu sei que sou irresistível". A Sra. Vandom voltou com uma notinha. O vestido e os ternos eram mais baratos do que eu pensava.
- Aqui, srta. – ela sorriu, mostrando a notinha a Sue, que estava quase boquiaberta com os preços, eram realmente menores do que ela imaginara.
- Mas e você, ?
- Ah... Eu tenho vestido, Sue. – murmurei, piscando para a sra. Vandom.
- Mais alguma coisa, srta.?
- Não senhora, aqui...
Deixei Sue acertar suas "contas" com a senhora Vandom, fui para a frente da lojinha e fiquei observando o movimento, tomei o cuidado de não ficar no caminho de ninguém.
Tocava uma música desconhecida de melodia suave no shopping, que àquela hora já estava menos cheio.
- Você deveria tomar mais cuidado quando ficar sozinha.
- Não acho que tenha problema quando se tem dois super-heróis do seu lado.
- Ah, tudo bem, eu não conto, né, ?
Olhei para trás e o vi, . Meu amigo de infância, meu herói preferido porque ele me salvava literalmente.
- ! Claro que conta, você é o meu herói!
- , você sumiu, sabia?
- Ah, você sabe... Morar sozinha realmente dá trabalho. – pisquei, dando-lhe um beijo na bochecha.
- Aham, sei. E trabalhar pro quarteto fantástico também, não é?
- Não trabalhar pra eles, mas pra empresa... Ontem estava zonza no fim do expediente de tantos relatórios.
- Relatórios te deixam cansada. – ele murmurou rindo.
- Droga, é exatamente isso, !
- E o Tocha Humana continua com gracinha pra cima de você? Eu posso preparar um daqueles baldes de gelo que você adorava pra ele.
Olhei pela janela da lojinha, Johnny estava observando todas as roupas e as fantasias enquanto Sue conversava animadamente com a Sra. Vandom.
- Tentativas muito falhas... Ele não é meu tipo.
- Pra mim não existe essa de "não é meu tipo", mas tudo bem, eu finjo que acredito em você, . E sim, ele ainda está dando em cima de você.
- Ah, mas então, creio que sábado irei com eles para um casamento, o casamento da Lily... Sue insistiu que vai arrumar um convite pra mim.
- Mudou de assunto, mas tudo bem. Sério? Que incrível! Se eu não conhecesse tudo da Susan que você já me contou, diria que ela estaria ajudando o irmão dela.
- Não, , ela o censura, e eu apoio. Agora pára de colocar o Tocha Humana nessa conversa porque é realmente exaustivo.
- Ok, ok. Além do mais, ele não pára de olhar pra cá e...
Aproximei-me do seu rosto e sussurrei:
- Ok, já deu por hoje, não é mesmo?
olhou confuso e me abraçou mais uma vez. Eu ri da situação.
- Você continua sendo minha irmã que eu nunca tive, eu só quero te proteger, pequena.
- Eu sei, , e eu digo que não precisa se preocupar... Aliás, qualquer dia desses passa lá em casa pra ver algum filme. Eu baixei vários filmes, e você adorava ver filmes com pipoca comigo... Mas nada de terror numa sexta-feira, ok?
- Tudo bem, a gente combina.
Susan e Johnny estavam na porta, Sue com um sorriso, Johnny emburrado.
- Não se esqueça que eu te amo, tá? – disse com um sorriso, dando-lhe um último abraço. – Agora eu vou, te vejo em breve.
Dei um último aceno ao virarmos na outra ponta da loja.
- Hum, aquele era seu namorado, amiga? - Sue soltou depois de um tempo em silêncio. Johnny estava visivelmente mal-humorado, ignorando as garotas que estavam passando do lado dele se afogando na visão.
- Não, Sue. - hesitei rindo. – Meu melhor amigo. Ele é uma graça, mas é um cabeça dura.
- Melhor amigo? Tudo começa assim, querida. O Reed virou meu melhor amigo, depois eu me apaixonei.
Ri com a ideia de ser namorada de e não se encaixava. Apaguei a imagem instantaneamente.
- Não acredito muito nisso com ... Mas vocês se casaram, e, aliás, eu amei as fotos do casamento. Não se sabe do futuro.
- Claro... Bem, amei a Sra. Vandom, ... Eu juro que duvidei quando você nos levou para aquela loja minúscula... Mas valeu a pena.
E nós duas conversamos alto e animadamente. Susan quis um sorvete e paramos num quiosque, e cada um acabou comprando uma casquinha. Eu estava tomando muito cuidado com o meu, para não sujar o vestido, e o de Johnny já estava derretido – pensei tê-lo visto pegar fogo, mas acredito que foi imaginação.Depois voltamos ao estacionamento e Johnny pediu para Susan dirigir. Eu entrei na porta de trás e me encostei à janela, fechando os olhos. Eu estava cansada, os músculos da minha perna repuxavam. Senti o banco afundar do meu lado.
- Johnny, venha já pra cá, deixe-a descansar! – ouvi ao longe.
- Eu não vou fazer nada, juro, só vou encostar aqui... – outra voz sussurrava perto de mim, mas ignorei. Eu me mexi de modo que ficasse confortável, cruzando minhas pernas e deixando a cabeça tombar para o outro lado. Eu estava batendo minha cabeça na janela continuamente. Estava quentinho lá, talvez Susan tivesse ligado o aquecedor. O carro ronronava sob meus pés e eu senti um vento gelado várias vezes - a janela estava abrindo e fechando de tempos em tempos. Eu estava desligada, não me mexia, mas estava sentindo tudo.
- Pare com isso, Jonathan,já chega de aquecedor por hoje. Tem algum botão que possa parar?
- Não, bem... Por enquanto. – a voz sussurrava e conforme isso, meus cabelos mexiam também.
O carro foi parando suavemente, o que me fez pensar que eu estava em casa. Algo me cutucou. Abri um dos olhos e Johnny me olhava curiosamente. Com o susto dei um grito.
- AH, SEU IDIOTA! – acabei forçando meu corpo para trás e batendo a cabeça na janela. Mais uma vez. Droga.
- Espera, deixa eu te ajudar...
- Não, obrigada, Storm... Aliás, obrigada pela carona, Sue. - frisei o nome dela ,visivelmente ignorando Jonathan.
- Johnny idiota. Não há de quê, querida... Até amanhã.
Acenei para Susan ignorando Johnny, que tinha puxado a barra do meu vestido para que ficasse.
O porteiro estava acordado e me deixou entrar rapidamente. Por que com Johnny tudo se torna tão estressante e difícil? Entrei em casa e fui direto para a cama. Era tudo que eu precisava.
Capítulo Três – Um Resgate Inusitado.
Relatórios, contas... Espera, o Ben está pedindo que eu faça um pedido ao diretor para poder usar o estacionamento de helicóptero para começar a fazer uma espaçonave. Mais contas... Acho que precisarei fazer um serviço de banco. Fiz uma ligação a Marrie, que disse que o "patrão" já tinha deixado o dinheiro com ela.
– Srta. Richards, eu vou fazer um serviço de banco que as contas estão quase atrasadas, eu volto brevemente, tudo bem?
– Claro, . Você poderia fazer um pequeno favor? É que eu já estou preocupada e não posso sair do telefone, estou fazendo um contrato das peças que o Reed precisa...
– Claro... O quê é?
– Meu irmão sumiu faz umas oito horas. - sério? Nem senti falta, olha só. - Ele não fica tanto tempo sem avisar, mas eu acho que sei onde ele está... Você pode procurar por ele aqui?
Susan anotou um endereço, que ficava inclusive perto do banco. Seus olhos estavam brilhantes. Ela estava preocupada.
– Claro que sim... Bem, eu volto logo.
– Obrigada... Ah, tem em estoque?
Desci até o térreo, peguei o dinheiro com Marrie, peguei meu carro e fui até o centro, no banco, precisamente. Já se aproximava do horário de fechamento, mas eu consegui pagar todas as contas – ainda bem, porque voltar em outro dia estava meio fora de cogitação. Li o endereço que estava no meu bolso. Li outra vez. Não é possível. Deixei o carro no estacionamento e fui andando até o bar que tinha ali perto, que estava cheio. No meio do caminho, tinha um carrinho que vendia pipoca, e eu comprei um saquinho pra mim. Eu amava pipocas. Respirei fundo e entrei no bar.
Eu odiava entrar em bares. Atacava minha alergia ao cheiro de bebida forte e sempre tinham uns homens estranhos que olhavam com caras... Nada amigáveis.
Corri meus olhos pelo estabelecimento, segurando um espirro que estava por sair, contraí o nariz para tentar não espirrar... Àquela altura eu já deveria estar com uma carinha de coelho. E o nariz totalmente rosado. Eu não havia o encontrado, caminhei até o barman, que estava lustrando copos gigantes de vidro, daqueles em que as pessoas tomam chopp, e perguntei:
– Por acaso o senhor viu o... Jonathan Storm por aqui?
O barman me mediu com os olhos, com um sorriso maroto nos lábios. Mas ao olhar em meus olhos, estava confuso.
– Desculpe. Jonathan Storm?
– É, Johnny Storm... Tocha Humana.
– Ah... - ele pareceu se sentir estúpido e apontou para uma mesa no fundo do bar. Um rapaz estava aos beijos com uma ruiva. – Aquele ali serve?
Revirei os olhos. Johnny era um galinha incurável e idiota. Caminhei até lá, e as conversas animadas no bar todas haviam cessado. Balancei a cabeça. Se for para ter uma platéia, por que não encenar, não é mesmo?
– Que número é essa, amor? – enfatizei a última palavra, e a moça interrompeu o beijo. – A quinquagésima sexta?
– O quê? Espera... O que você está fazendo aqui? – Johnny perguntou visivelmente confuso.
– Eu vim te buscar. Quanto você já bebeu pra ficar com ela, hein?
A moça olhava dele para mim, como se pedisse uma explicação.
– Ah, querida... Ele não te contou? Johnny é um desenfreado, sabe... Às vezes até impotente. – sussurrei de um modo que os homens pudessem ouvir, e surgiram risadinhas. – E quando eu estou trabalhando, ele some, e quando ele vem ao bar, sempre bebe umas pra tentar me esquecer... E pega umas também, sabe... Mas não importa, porque no fim do dia, ele está em meus braços... E outra, amor. – a única parte verdadeira de outra conversa. - Sua irmã está preocupada com você, tanto quanto eu, você vem ou não?
A moça estava com os olhos brilhantes e a raiva faiscando em seus olhos. Depois de tudo aquilo, ela deu um belo tapa no rosto do Jonathan e sussurrou:
– Vagabundo, não me contou que era casado! Nunca mais me procure... Obrigada, e desculpe.
– Que isso, querida.
Simulei um sorriso e uma cara angelical. Johnny olhou de soslaio para mim, seus olhos azuis estavam faiscando uma raiva muito evidente. Sorri mais ainda com aquilo.
– Vamos, amor?
Quando saímos, os homens do bar acenaram para mim - que ainda estava com minha cara de anjo. Assim que viramos a esquina, estávamos na rua do banco, caminhando até o estacionamento.
– Por que você fez aquilo? Você é muito problemática, garota!
– Sua irmã está preocupada com você. E você não ligou pra ela.
– Precisava ter feito aquele teatro todo? Era só ter dito o necessário.
– Te tratei do mesmo jeito que você me trata. Não é divertido?
Olhei cínica em seus olhos, que estavam perdidos em um misto de raiva e confusão. Ele ficou em silêncio até chegarmos ao carro.
– Impotente? Mas nós nunca...
– E idiota. E galinha. E, hm... Deixe-me ver...
– Vai, lança outro apelidinho que tente me rebaixar.
Desta vez foi minha vez de olhar confusa.
– Eu ia dizer curioso.
– Hm, er... Ah, mas ainda acho que impotente não foi uma palavra agradável aos meus ouvidos. Que pena, docinho. Você vai pagar por isso.
– Aham, e minha pipoca ainda está aqui.
Ele olhou, procurando qualquer vestígio de pipoca, mas ela já havia acabado.
– Você duvida tanto, que quando você menos esperar... - ele tinha se aproximado da minha nuca e sussurrava no meu ouvido. – Eu vou ter você, e você vai me querer tanto quanto eu quero você.
– Você finge que é verdade e eu finjo que acredito, ok? E, aliás, você está cheirando a conhaque. Chupe uma balinha de hortelã pra tentar tirar um pouco esse hálito fétido.
Encontrei Marrie conversando com o carteiro, entreguei as notas de pagamento e fui direto para o elevador. De relance pude ver Johnny correndo para o elevador, mas a porta se fechou antes que ele pudesse alcançá-la. Sorri com aquilo e sua cara estava mais fechada que tempestade de inverno.
– O encontrou, ?
– Sim, Susan... Ele já está subindo. – sorri inocente e um Johnny com um peito arfante apareceu pela porta de emergência. Voltei meus olhos para um contrato da empresa. Era incrível como eu tinha de ler todos eles. Podiam vender suas almas e a alma de todos nós para o demônio que eles não iam ver qualquer diferença. Aquele tinha validade de dois anos.
– Johnny seu imbecil, onde você estava? Eu liguei trinta e seis vezes para o seu celular e nada... Não me venha dizer que explodiu porque esse é um modelo especial.
– Irmãzinha eu estava passeando por aí... Não tinha com o que se preocupar, já estou grande, esqueceu?
– E você ainda mora na minha casa, esqueceu?
Segurei uma risada e tossi, tomei um pouco de água para disfarçar. Um barulho de vidro quebrando e uma rocha estavam em minha direção, abaixei-me instintivamente.
– Foi mal, mocinha! – ouvi Ben gritar do outro lado da câmara de vidro.
– Tudo bem! – acenei, mostrando que estava inteira.
Susan e Johnny estavam olhando para mim, ambos preocupados. Johnny faiscava raiva para mim - ainda. Reed também olhou preocupado para ver se a rocha não tinha apanhado minha cabeça.
- De qualquer modo, você estava bebendo. Johnny, não afunde suas mágoas em bebida, ok? Eu não quero ter que ficar te levando pra casa bêbado toda noite, além do seu fígado, que vai virar bagaço de laranja em espremedor de suco. Eu posso sentir o cheiro de conhaque de longe.
– Que merda. Como vocês sabem que é conhaque? Foi só um gole e eu só peguei uma, na verdade, foram só uns beijos... A estraga-prazeres ali apagou tudo que podia vir depois.
– Eu só pedi pra ele voltar, porque você estava preocupada.
Fiz minha melhor cara inocente e ele apontava o dedo para mim. Eu empilhava folhas de contrato em cima de mesa, jogando fora restos de etiqueta. Atendi um telefone e passei pro Reed.
– É mentira... Ela fez um teatro, e a garota acreditou e...
– Te trouxe aqui em questão de minutos. Apóio sua idéia, .
– Mas você nem me deixou terminar...
– Não precisa. O errado foi você. Desde que nossos pais se foram, eu cuido de você, não se esqueça. No dia que você encontrar alguém para seu gênio difícil e que prenda você com dois olhos, eu te deixo livre.
- Isso nunca vai acontecer.
- Nunca diga nunca, pode acontecer.
Assim que a noite caiu, eu pude ver pela janela uma iluminação caindo do céu, como se fosse uma estrela cadente explodindo. Toda a energia caiu. E estava muito escuro. Houve um pequeno tremor e um arrepio percorreu minha espinha. O abajur vermelho se acendeu, produzindo um barulho infernal, e quando eu me dei conta, o quarteto fantástico não estava mais lá. As janelas estavam abertas e o vento soprava forte. O tempo mudara de repente. A cidade estava em silêncio. A energia voltou em alguns instantes, o que julguei ser o gerador extra. Uma mensagem de texto no celular. Era de Marrie: "Feche o andar do quarteto, parece que algo muito inesperado aconteceu. Até amanhã."
– Não me diga que algo inesperado aconteceu? – sussurrei sem esperar resposta. Mas eu não estava sozinha.
A energia caiu outra vez. Tirei tudo que podia da tomada, guardei minhas coisas, fechei as janelas e as câmaras de teste. Quando fui pegar a chave em cima da mesa para trancar a porta, uma mão fria e úmida estava por cima da chave. Gelei e meu coração bateu rápido. A pessoa estava à meia-luz.
– Algo além do inesperado aconteceu, gracinha.
Engoli em seco, literalmente. Quem era, ou o que era aquilo? A mão pegou no meu queixo. Estremeci.
– Ah, sou muito gelado pra você, gracinha? As coisas podem esquentar entre nós...
A chave girou na porta. O coração acelerou mais e a respiração falhou. Eu finalmente olhei para ele, agora podia realmente ver. Meus olhos doeram até se acostumarem com a visão. Um homem flamejante, frio com olhos de gelo. Ele tinha congelado todo o escritório, eu tremia dos pés a cabeça. Ele se aproximou de mim e eu dei um passo para trás. Ele era louco? Ele podia até ser, mas eu tinha medo. Muito medo.
Ele me prendeu em uma cadeira. Merda. Por quê eu tenho essa maldita paixão por meus heróis? Podia estar indo para casa... Mas estava presa. Com os braços nas pernas da minha cadeira com gelo.
– Me conte onde estão as descobertas do Quarteto Fantástico? Nós soubemos que eles descobriram mais coisas do universo. Coisas muito importantes para nós. E eu quero descobrir. Fiquei observando a rotina deles a semana inteira, queridinha. Mas não sei onde você guardou. Fale-me, agora, sim?
Eu sabia exatamente onde estava mas eu não iria dizer. Não mesmo. Meu trabalho depende disso, eu guardo os segredos deles e eles... Me protegem. Ou protegeriam.
– Nem morta.
Depois disso doeu. Doeu muito. Ele pegou uma faca de gelo e passou por meu rosto, ardia e doía enquanto ele cortava, o fato de ser frio não ajudava nem um pouco.
– Você é muito linda para eu ficar te cortando, gracinha, diga logo. – ele olhou pra mim com um tom debochado. A faca estava na minha garganta, mas ele não a mexeu. – Não vai falar comigo?
Dessa vez ele tirou algo parecido com um pequeno pico esculpido, mais pontudo que a faca, e, atrevo-me a dizer, muito mais afiado.
– Ah, se eu fosse você eu diria, a menos que goste de machucados horrorosos na cara... – ao dizer isso, ele passou o pico levemente pelo meu pescoço, um líquido quente escorreu pela minha pele e ele ficou observando, rindo consigo mesmo. O cheiro de sangue estava revirando meu estômago vazio. – Ou o cheiro de sangue e uma roupa manchada com ele.
A sua risada se tornou furtiva e ele chutou a cadeira onde eu estava presa. Tentei me soltar, mas foi em vão.
– Fala logo, merda! – ele me puxou pelo colarinho e eu engasguei. Tossi contínuas vezes e ele me deu um tapa na cara. – Eu não tenho a vida inteira, queridinha. Tenho mais o que fazer!
– Me deixe em paz! – falei depois de um minuto. – Eu não vou contar o segredo deles, você pode ser forte e ter poderes, mas não pode tirar a verdade de mim.
Outro soco, mas dessa vez eu bati a cabeça na cadeira e não vi mais nada.
Susan estava em seu casamento e eu estava assistindo, sentada ao fundo, tentando não ser notada. Ela disse sim e Reed também, ambos emanando felicidade. Um beijo. Ela jogou o buquê e ele chegou às minhas mãos; as mulheres tentaram tirá-lo de mim, mas eu o segurei num abraço e agradeci a Sue, que piscou para mim, dizendo: "Você é a próxima, querida". A festa começou e as músicas tocavam animadamente. Fui para o parquinho que tinha ali e quando estava andando, eu escorreguei e caí do salto. Algo realmente quente se abaixou e olhou em meus olhos.
– Tudo bem, ? Se machucou?
Estava muito real para ser verdade.
– Deus do céu... , fala comigo agora... Fala comigo. Me xinga, me bate... Faça qualquer coisa. Droga. Por que mesmo que a gente não estava aqui? Um maldito meteoro caiu no centro e na verdade o problema estava aqui... EU VOU TE DERRETER EM INSTANTES, IDIOTA...
– Não... Está tudo bem, só me ajude... Eu preciso de você e eu estou com fome...
– ? SUE, VEM AQUI, ELA ESTÁ BEM... – dedos mornos passearam pelo meu rosto. – AGORA EU TE DERRETO, SEU GELADO. Seguraram ele aí?
– Completamente! Só falta derretê-lo... Ou melhor, os poderes dele... Pelo menos temporariamente. Eu adoraria quebrá-lo ao meio, mas deixo as honras pra você, Tocha.
– Com todo prazer.
– Como ela está, Sue?
– Com todos esses cortes, Reed... E a energia não voltou, pelo jeito ela bateu a cabeça muito forte, olha esse sangue...
– Mas eu só escorreguei...
– ME SOLTE, EU PRECISO VOLTAR AO MEU SENHOR, EU PRECISO DESCOBRIR O SEGR...
* * *
– Onde eu estou? Por que eu estou com... Esses furos no braço. ME TIRE DAQUI! – eu só via uma luz branca e... Ben. O cheiro de objetos esterilizados e sangue preenchia minhas narinas. Havia muitas agulhas no meu braço.
– Calma, garota. Você está num hospital... Você bateu a cabeça muito forte e perdeu um sangue considerável...
– Onde estão os outros?
– Bem, a Susan e o Reed estão fazendo tudo voltar ao normal no escritório, e o Johnny está na sala de espera, eu estou aqui porque eles me consideraram o mais calmo pra uma situação dessas... Você está bem?
– Hm... Eu... Eu estou ótima. – realmente, ele tinha uma calma transmissível. – Quando posso ir embora?
– Creio que logo, mas você precisa se acalmar... O Johnny ficou muito mal depois de tudo que aconteceu com você... Aliás, o que exatamente ele queria? Não deixamos ele explicar tudo, na verdade, até deixaríamos, mas Johnny o atacou antes de qualquer coisa.
– Ok... – respirei fundo, tentando me acalmar. Johnny mal? Como eu pude perder isso? – Bem, o carinha gelado lá queria as descobertas científicas de vocês... Sabe, tudo em que vocês estão trabalhando. Eu não mostrei. Não é justo.
- Mas você deveria ter mostrado. Não estaria aqui, pelo menos. E o Reed poderia fazer a busca nos arquivos dele.
- Sim, mas eu não queria que vocês fossem prejudicados.
- Por que você se importa tanto?
- Vocês são meus heróis. – sorri de lado com a ideia, era tão natural e verdadeiro para mim quanto o sol se pôr no horizonte.
- Hm... Me parece justo. Exceto pelos cortes. Desculpe, desculpe mesmo.
- Não tem problema... Só espero não ficar com essas marcas no rosto, - soltei uma risada, mas parei instantaneamente: a nuca doeu. – Elas são realmente feias.
Fiz uma careta como se fosse um monstro e ele sorriu. Johnny estava do lado de fora me observando. Fechei a cara. A enfermeira saiu da sala e pediu que Ben saísse para ela poder ver se estava tudo bem.
- Cuide-se, mocinha. – Ben deu uma piscadela e saiu, encontrando um Johnny aparentemente curioso do lado de fora do quarto.
A enfermeira disse que tiraria o soro, minha pressão estava normal, assim como a temperatura e os batimentos cardíacos.
- Talvez possamos liberá-la até o entardecer, por enquanto em observação, ok, srta... – ela olhou para minha ficha. – ?
- Claro... Obrigada.
- Não há de quê, querida.
Sorri amarelo e ela saiu também. Johnny continuava do lado de fora me observando. Seus olhos faiscaram quando a enfermeira saiu, mas eu virei a cabeça de lado para não olhar ou manter qualquer contato com ele.
Eu sempre acabava mal quando o assunto era heróis, minha mãe sempre me dissera isso, mas eu nunca acreditei. E lá estava eu. Numa cama de hospital, fraturada em vários lugares. Ótimo, . Você sempre consegue o impossivelmente humano. Ótimo.
Fechei os olhos, tentando afastar aqueles pensamentos fúteis, e uma batida de porta me fez voltar à realidade, ainda de olhos fechados.
– ? Eu... Queria falar com você. Você está acordada? Porque se não estiver eu posso ir embora e voltar depois... Ou esperar você acordar de novo. Eu tenho tempo... Por enquanto.
Abri os olhos contra minha vontade, era melhor ele dizer o que queria e ir embora logo. Só assim eu me veria livre dele mais rápido.
– Sim. Estou. – respondi numa voz rouca, talvez eu teivesse gritado mais do que pensei.
– Eu... Eu peço desculpa. Desculpa por nós não termos estados lá quando... Ele fez todos esses cortes. - dizendo, isso ele passou o polegar por um corte e ardeu, levantei a mão para afastar a dele. Ele recuou a mão e baixou os olhos. – E eu me sinto culpado, eu não estava lá quando você precisava e nem o resto do quarteto e...
– Tá tudo bem, Storm. – eu não mudei nem um pouco depois do que ele tinha dito, mas, como Ben dissera, ele realmente estava mal com aquilo. – Vocês não tinham como saber, ele usou o meteoro para despistá-los e estava observando. Aconteceu. Vocês não têm culpa, tá legal? Esses cortes foram porque eu não contei o segredo... As descobertas e essas coisas.
– Você deveria ter mostrado... Não estaria aqui.
– E anos de pesquisa estariam perdidos. Nem morta eu conto o segredo de vocês.
– Quê? Você faz tanta questão da gente assim?
– Claro! Eu vivi a minha infância inteira com pessoas dizendo que super-heróis nunca existiriam, que era para eu não me iludir que nunca ia acontecer e blá blá blá. E agora eles existem e salvam a minha cidade. – tossi, não tinha percebido, mas estava falando muito rápido. – Eu não quero pôr tudo a perder.
– Além de gostosa é incrível. – foi o que eu entendi ele dizer num sussurro.
- O tempo está horrível. – é, tinha sido coisa da minha mente.
Olhei pela janela e realmente, uma chuva incessante batia nas janelas. Eu não tinha percebido.
– Realmente. Era só isso, Storm?
– Sim... Aliás, mais uma coisa. Fora do escritório você pode me chamar de Johnny ou Tocha, soa mais familiar. – dizendo isso ele sorriu, eu sorri também, mas acrescentei:
– Té bem, Jonathan Storm.
Ele revirou os olhos e saiu, sumindo de minha vista. Ponto pra mim - tinha muito que pensar.
* * *
Capítulo Quatro – Aquele Casamento.
– Ah, eu não acredito, com um ex marido desses eu até me permitiria ser presa! – disse rindo, referindo-me a Gerard Butler em Caçador de Recompensas.
– Ah, de novo essa história? – reclamou, jogando pipoca em mim. – Desse jeito eu vou ter de te prender... E eu prenderia com todo prazer uma mulher dessas...
– SAFADO! Guerra de pipoca!
Eu joguei mais pipoca nele, estávamos rindo e agindo como se nunca tivesse acontecido nada. Depois de tanto tempo tínhamos combinado um cineminha em casa e estava tudo bem. Minha sala estava cheia de pipoca, mas não tinha problema, nós limparíamos tudo rápido e... Meu celular tocou.
– Onde você jogou meu celular, ?
Eu estava procurando. Joguei várias almofadas nele em busca, quando me dei conta que estava na mão dele.
– Susan chamando?
Opa... O que eu tinha esquecido?
– Me dá logo isso aí... – joguei-me em cima dele para pegar o celular, atendendo imediatamente. – Alô, Sue?
– Olá, querida... Tudo bem?
- Sim, claro... – arfei tentando recuperar o ar depois de uma busca atrás do meu celular.
- É que... Sabe, eu só queria saber se já estava pronta.
- Pronta? Hã?
- O casamento, .
OMG! Droga! Eu esqueci... Como eu pude esquecer?
- Er... Claro! Só falta fazer umas coisas aqui em casa... – olhei pro , que fez biquinho.
- Nós vamos te buscar às 19h... O casamento é às 19h30, mas você já sabe.
- Sim, claro... Muito obrigada, Sue.
- Imagina, querida. Beijos.
- Beijo, tchau.
Desliguei o celular rapidamente e falei com . Ele iria arrumando o que pudesse enquanto eu iria me trocando.
Corri para o banheiro para um banho super rápido, arrumei meus cabelos com grampos, prendendo um lado e deixando a franja solta, coloquei o outro vestido e sapatos. Fiz uma maquiagem leve e voltei para a sala, que estava impecável. estava zapeando a TV e deixou em qualquer canal quando me viu. Ele abriu um sorriso e veio até mim, pegando minha mão e fazendo-me dar um giro.
- Você está perfeita.
Sorri sentindo minhas bochechas queimarem e dei um abraço nele. Ele era o melhor, com certeza.
- Você é perfeito, . Obrigada, viu? Estou lhe devendo uma. – pisquei e ele riu.
Desci até o térreo e quando eu cheguei à portaria, um carro prateado estava me esperando. Ele buzinou e abriu a porta da frente.
- E aí, ... – o queixo dele caiu quando seus olhos azuis faiscaram em mim, eles percorreram todo meu corpo em questão de segundos e ele tossiu, voltando ao normal. – Tudo bem?
- Er... Claro.
- Oi, . – ouvi em coro lá de trás. Ben e uma voz feminina?
- Ah, claro... , essa é Joddy, namorada do Ben. Joddy essa é a nossa secretária e... Amiga da Sue.
- Prazer em conhecê-la, querida.
- Obrigada, igualmente. – sorri e ela viu pelo espelho, sorrindo também.
- O Johnny foi realmente muito gentil em conseguir convites para nós duas. o Ben não saía comigo aí o Johnny veio com essa ideia. – ela contou e eu me mostrei interessada, mesmo que isso fosse impossível enquanto tentava cobrir o que Johnny buscava ver além do meu vestido.
- Claro... Ele se torna... Muito afável quando preciso, eu acho, não sei.
- Sim, e, aliás, onde estão Sue e Reed?
- Eles foram com o carro do Reed, sabe, não ia dar todo mundo aqui. O carro do Johnny não é tão grande quanto o meu, mas ele insistiu em vir com o dele.
- Claro! Aquela sua caminhonete não tem muita... Classe. Calma, estou brincando.
Jonathan era muito brincalhão, mesmo com coisas sérias. Eu o ouvia falar de uma loira com quem ele ficou na época do casamento da Sue - ela ia pegar o buquê e ele meteu fogo nele; o fato é que arrumaram outro buquê e a avó de Reed que pegou. Como ele disse? "Não queria compromisso".
Quando chegamos à igreja, Reed e Susan já estavam lá nos aguardando à porta. Cumprimentei-os e nos sentamos num dos bancos na fileira do meio. Reed, Susan, Ben e Joddy na frente, com um casal de velhinhos, e eu, Jonathan e dois casais logo atrás.
- Você deveria mudar de lugar comigo, Jonathan. – sussurrei ao pé do ouvido dele.
- Por quê? – ele perguntou também num sussurro, observando o padre nos fazer sentar.
- Primeiro porque eu quero ver a noiva. - tive certeza que meus olhos brilharam, simplesmente sou apaixonada por casamentos. – E segundo porque eles estão quase se engolindo aqui do lado.
Ele sorriu e trocou de lugar comigo, quase tão rápido quanto meus olhos.
- Obrigada, Jonathan.
- Não tem de quê, .
A cerimônia passou e quando chegou a hora da troca de alianças, eu me dei conta de que estava chorando, Johnny estava rindo de mim. Mal amado.
- Enquanto você está chorando, - ele reprimiu outro sorriso – os dois casais aqui do lado estão quase se comendo.
- E você deve estar se... Se deliciando com... C-Com i-isso. – disse entre soluços. Ele ergueu uma sobrancelha e sussurrou mais uma vez:
- Eu prefiro fazer a olhar, mas se você se opõe... Eu me contento com isso.
Senti minhas bochechas queimarem e limpei as lágrimas; já estava terminando a celebração.
- ... Já que ninguém se opõe, pode beijar a noiva.
E Lily beijou seu marido, selando novos caminhos, iniciando uma nova vida. Johnny estava olhando vários casais se beijarem e cruzou os braços, revirando os olhos. Ele deveria estar na seca. Até Reed e Ben estavam beijando suas garotas.
- Está vendo o prejuízo que você me dá?
Olhei sem entender.
- Do que você está falando?
- Hã? – Agora ele não entendia. – Nada, não disse nada.
- Sim, você disse e...
- Nada importante... Vamos?
Olhei ao redor e todos já tinham saído da igreja. Acompanhei-o imediatamente. Os heróis e Joddy nos aguardavam, estavam conversando com uma garota. Ela era ruiva e usava um vestido preto tomara-que-caia. Johnny deu-me seu braço, pegando minha mão e colocando-a nele.
- Kate?
- Então eu estou aqui... Veja só quem está aqui. Johnny Storm, o Tocha Humana com... – seus olhos verde-esmeralda pousaram em mim e no braço "dado" com Johnny.
- .
Ela pareceu pensar muito durante um minuto e depois voltou a falar, displicente.
- Desculpe, não te conheço... – ela disse referindo-se a mim com certo desprezo e depositando um beijo no rosto de Johnny. Ele revirou os olhos, voltando a falar, antes piscando rapidamente para mim.
- Ela é minha namorada.
OK, foi a hora de todos olharem surpresos. Inclusive eu, mas eu entendera. Era plano dele.
- Sua namorada? – a tal de Kate ergueu as sobrancelhas e me mediu com os olhos, como se eu fosse um objeto ou alguma coisa realmente estranha para ela.
- Sim. – ele olhou para mim e piscou mais uma vez, passando a mão pelo meu rosto. Se ele estava jogando com ela, eu poderia jogar também. Ela tinha me odiado. – Não é, amor?
- Claro, Johnny. – sussurrei e ele sorriu; os outros estavam pasmos ainda. Sue pareceu entender.
- Há quanto tempo isso, Johnny? – a ruiva estava claramente irritada, suas pálpebras estavam apertadas.
- Oito meses. – foi minha vez de responder. – Sabe, nós estamos realmente apaixonados. – sussurrei, piscando para ela, que pareceu ficar mais furiosa ainda. Alisei os ombros de Johnny, que estava sorrindo.
- Que ótimo. – que irônica. – Acho melhor eu ir para a festa, não quero perder... Tchau, quarteto.
Eles acenaram e eu me soltei de Johnny assim que ela sumiu de vista, indo para perto de Joddy.
- Ok, vocês podem me explicar o que foi isso?
- Jonathan, vai lá e diz pra ruiva que nós não somos namorados? Ela não para de olhar pra cá.
- O quê? Vai você. Recuso-me a voltar com aquela manipuladora de homens.
- Sério? Então eu vou. – levantei-me e estava me dirigindo à mesa dela, quando Johnny segurou meu braço.
- É melhor, não, amor.
Ele disse alto o bastante para que ela ouvisse e bufasse logo em seguida, fazendo-a virar para seu acompanhante, um loiro de olhos cinzentos. Ele afrouxou a mão no seu braço e soltou, declarei que estava indo ao toalete.
A festa estava bombando; haviam acabado de começar a servir o jantar e tocavam músicas super conhecidas, mas não badaladas. Além de estar lotado o salão, as pessoas estavam se divertindo e indo para a fila do jantar.
Virei o rosto para olhar e pude ver Joddy, Ben e Johnny indo para a fila também, havia chegado ao banheiro.
- Por que você ainda está com o Johnny? – uma voz pouco familiar sussurrou em tom de deboche. – Ele já deve ter traído você com várias.
- Eu o amo, ele é um homem e tanto, ele é sexy, atraente, cavalheiro e ele não me traiu. E por que você se importa? – por mais que tudo aquilo fossem mentiras, para ela a minha "felicidade" era um estorvo em seu caminho.
- Abaixa a bola, queridinha, como você tem tanta certeza? Eu... Eu não me importo.
- Eu confio nele, e ele confia em mim. – aonde aquela mentira chegaria? Eu era muito boa em mentir. – Claro que se importa, senão nem olharia para nós na mesa.
A ruiva fez uma careta e entrou em uma cabine. Fui retocar minha maquiagem e quando terminei ela estava saindo e sussurrou algo como "Eu ainda vou tirar ele de você", mas eu a ignorei. Quando voltei à mesa, todos estavam com seus respectivos pratos e fui pegar um para mim. O cheiro estava realmente muito convidativo e prazeroso, os quitutes anteriores não surtiam qualquer efeito sobre meu estômago. Encontrei os noivos no caminho e cumprimentei-os, parabenizando-os e sorrindo. Meu presente estava na mesa de presentes, claro. Uma bela sanduicheira. Terminei de fazer meu prato e apenas Johnny estava na mesa, com um sorriso de lado olhando para mim.
- Onde estão os outros?
- Foram dançar. – ele disse, mordendo o lábio. – E eu fiquei aqui esperando minha namorada.
Ele frisou a última parte e eu revirei os olhos. Eu me sentei no meu lugar, ao seu lado, e ele apoiou um dos seus braços no meu ombro.
- Storm, aconteceu uma coisa.
Ele enrijeceu quando eu disse seu nome e roçou o nariz em minha orelha. Estremeci e comecei a comer. Tomei um gole do meu refrigerante mas ele estava com um gosto diferente... Era maçã?
- O quê, ?
- A sua namoradinha veio falar comigo no banheiro.
- Falar o quê? – sua voz se tornou grave no meu ouvido.
- Veio perguntar por que eu estou com você.
Ele recuou um pouco e arqueou as sobrancelhas.
- E o que você respondeu?
- Mentiras em que ela acreditaria.
- Que tipo de mentiras?
A ruiva cutucou os ombros de Johnny e ele olhou instintivamente.
- Quer dançar, gato? – ela perguntou descaradamente, abaixando-se e olhando em seus olhos. Eu estava terminando de comer.
- Eu não, Kate. Obrigado pelo convite, mas...
- Ele adoraria, Kate. – puxei Johnny pela gola da camisa e aproximei meu rosto do seu ouvido. – Não me traia. Confio em você, amor.
Ele me olhou confuso, mas deu uma piscadela. Tocava Fire Burning na pista e eu não me contive. Ele já estava colado com Kate, mas eu não me importei. Comecei a dançar no ritmo, fechei os olhos para sentir melhor a batida da música.
Let's Go
(Vamos lá)
Shawty got that super thing
(A baixinha tem uma super coisa)
Hotter than the sun of south in Spain
(Mais quente do que o Sol do Sul da Espanha)
Got me soon as I walked through the door
(Já me pegou após eu entrar pela porta)
Ele estava muito próximo dos lábios da ruiva, e eu estava olhando. Arqueei uma sobrancelha e voltei a dançar, fui mais para o centro da pista e puxei meus cabelos para o lado. Estava quente. Estava quebrando os quadris de acordo com a música e as pessoas estavam olhando, podia sentir, porém não me atrevi a abrir os olhos.
My pocket started tickle-ing
(Meu bolso começou a tremer).
The way she dropped it low that thang
(O jeito que ela abaixava aquela coisa).
Got me wanna spend my money on her, her
(Me fez querer gasta o meu dinheiro nela, nela).
Abri os olhos e vi Johnny me encarando, os olhos faiscando com certa fúria, impaciência e algo mais que eu não consegui identificar. A ruiva estava ao seu lado, com os braços cruzados relutante em seguir o ritmo. Ela não estava nada amigável.
She get it pop it lock it drop it,
(Ela tem, pega segura e derruba).
That birthday cake,
(Aquele bolo de aniversario).
Got a candle, need to blow that crazy flame away
(Tem uma vela tenho que assoprar até apagar aquele fogo louco).
Now take my red, black card and my jewellery
(Agora pega meu cartão vermelho, preto e minhas jóias).
Shawty is cool like the fire,
(A baixinha é legal como o fogo).
Cool like fire
(Legal como fogo).
Senti uma mão morna pousar em meu quadril e eu amoleci, jogando minha cabeça para trás. Eu definitivamente não estava em mim. Deslizei a mão pelo rosto e pescoço de Johnny, que movimentava meu quadril e me fez ficar de frente.
Somebody call 911
(Alguém liga pro 911).
Shawty fire burning on the dance floor
(A baixinha esta se queimando na pista de dança).
Whoa
(Uou)
I gotta cool her down
(Tenho que esfriar ela)
She won't bring the roof to ground on the dance floor
(Ela não vai trazer o teto abaixo na pista de dança).
Whoa
(Uou)
She's fire burning, fire burning on the dance floor
(Ela esta se queimando na pista de dança).
That little shawty's fire burning on the dance floor
(Aquela baixinha esta se queimando na pista de dança).
She’s fire burning fire burning on the dance floor
(Ela esta se queimando, quimando na pista de dança).
That little shawty's fire burning on the dance floor
(Aquela baixinha esta se queimando na pista de dança).
Fire burning fire burning
(Queimando, queimando)
Eu cantava a música a uma altura razoável e todos estavam dançando agora; eu estava me sentindo zonza, mas a vontade de dançar queimava dentro de mim. Puxei Johnny para mais perto no ritmo, e, olhando em seus olhos azuis, desviei antes que ele se aproximasse mais, nossos corpos já estavam contidos como um só.
- Você está quente,... - tentei raciocinar com o cheiro de colônia no meu nariz. - O que você pôs na minha bebida, Johnny?
Meu corpo não obedecia à minha mente, mas aos meus instintos. Eu queria sair dali e voltar para a mesa, mas meus olhos estavam fechados e meu corpo dançava sem parar.
- Não pus nada. - ele sussurrou e mexeu meu quadril mais uma vez. - Só achei que você precisava se divertir.
- Devia ter me deixado em casa. – sussurrei no seu ouvido e soltei uma lufada leve de ar, pude ver os pêlos de seu braço se eriçarem.
- Não, essa festa só ficou divertida por causa de você.
- O quê?
Mas a música estava mais alta e engolfou meus ouvidos em um instante.
- ... Está vendo que eu estou com ela? Por favor, me deixe em paz, Kate.
- Tá bom, tá bom. Ela disse mesmo a verdade sobre você.
Idiota.
Abri os olhos e ela estava dando meia volta e indo para a sua mesa. Johnny sussurrou algo como "Melhor voltar pra mesa" e eu fechei os olhos novamente, sentindo ele me guiar.
- O que aconteceu com ela? – ouvi a voz de Susan próxima de mim.
- Você não deu aquela sua bebida de maçã pra ela, deu?
- Maçã? – perguntei zonza, abrindo os olhos. Johnny estava sentado ao meu lado, com a mão em minha cintura. – Eu quero mais daquel bebida de maçã, Storm...
Ele sorriu de lado e passou o copo dele para mim. Quando ia o levando à boca, Reed tirou o copo da minha mão.
- Não, . Essa é a bebida de levantar o astral do Johnny, queimou em você, não queimou?
- Queimou e eu estava dançando na pista tão...
Eu não sei o que me deu, mas eu fui até a orelha de Johnny e mordi o lóbulo. Não resisti, estava resistindo desde a pista de dança. Tinha alguma coisa naquela bebida, realmente.
- Tão quente. – ele terminou minha frase olhando para mim com um sorriso de lado.
- Johnny, você está louco? Você não pode fazer isso. – Ben disse calmo, mas com a voz ligeiramente mais alta.
- O quê? Por que não? Por que eu não posso tê-la do jeito normal? É isso? Eu sei que não é justo pra ela, ela nunca faria isso comigo em sã consciência. Eu sei. Então me deixe aproveitar enquanto posso essa noite. Logo passa o efeito da vodkade maçã.
- Isso não é vodka, Jonathan. – Reed afirmou e minha cabeça girava pedindo por mais.
- A minha. vodka. E eu acho que ela gostou. – ele sorriu olhando para mim. Eu acho que a aquela altura estava no pescoço dele, porque eu sentia o seu perfume mais forte.
- Você vai devolvê-la em sã consciência, exatamente como a pegou em casa. Está me ouvindo, Jonathan?
- Plenamente, Senhor Elástico de cueca.
Ouvi risadinhas ao fundo e Johnny mexeu no meu cabelo.
- Vem, . Vamos dançar.
- Não, Storm... – continuei de olhos fechados. – Fica aqui. – pode ir embora, vai. É. Eu acho que estava em um estado deplorável.
- Tudo bem, querida. – ele me abraçou, puxando-me para mais perto. – Fico aqui o tempo que você quiser.
- Você está sabendo que quando ela souber do que fez com você ela vai querer te jogar do nosso andar do prédio, não sabe, Johnny?
- Sim, eu sei, e estou totalmente avisado disso, agora que tal ir dançar com a Joddy, amigão de pedra?
Aquela animação que tinha me alertado antes para qualquer música que tocasse se esvaíra como uma brisa que toca o rosto: gelada e, quando você percebe, já passou. Peguei o copo em cima da mesa e tomei mais um gole e Johnny tirou o que podia da minha mão.
- Eu não esperava que fosse ficar assim, toda...
- Mole? – senti a minha voz mole, meu corpo mole e minhas pálpebras não conseguiam ficar abertas. Eu estava bêbada?
- Eu iria dizer vulnerável, mas já que prefere... É.
- Shhh, eu sou fraca pra bebidas... Na verdade, eu não costumo beber seja lá o que for isto.
- A "vodka" do Johnny.
- Que seja. Eu animo em três minutos e amoleço em dez segundos. – nem eu sabia do que eu estava falando.
- Isso é tão... Sexy.
- Hã?
- Ficar vulnerável assim,... Me deixa louco. Você não tem noção de como seus olhos de sono e sua boca jorrando as palavras são atraentes. Literalmente.
- Do que você está falando?
- Você não vai se lembrar amanhã mesmo; não importa.
- Eu não estou entendendo... – aproximei-me de seus lábios, eu não conseguia parar de olhar para eles, o que deu em mim? Ele não me conteve. – Você me drogou.
Finalmente pensei com tantas turbulências. Eu me sentia completamente idiota. E drogada. Mesmo que não fosse droga, aquilo me dava vontade de rir e fazer coisas estranhas. Como pular. E beijar o Johnny. E deitar no chão e fazer um anjinho. E beijar o Johnny. E jogar água e gelo em mim. E beijar o Johnny. A boca dele estava tão apreciável... Mas eu não sentia nada por ele. Na verdade, nunca senti.
- Não droguei, amor. É que você não está acostumada a beber.
Pisquei algumas vezes, mas eu não estava realmente ouvindo. Só olhando para os lábios dele. Balancei a cabeça e coloquei as mãos no rosto, apoiando os cotovelos na mesa.
- Johnny, preciso de um minuto.
- O quê? Não posso te deixar sozinha.
- Sai daqui antes que eu faça alguma loucura. Estou falando sério.
- O que você chama de loucura? – ele se aproximou do meu ouvido, divertido.
- Isso. – beijei-o. Sim, eu o beijei. Tamanha loucura era aquela.
Eu não sei se foi ele perto daquele jeito ou a iluminação mais baixa por causa da pista de dança, mas eu o beijei. E ele correspondeu. Mas a correspondência não foi algo que eu chamaria de bom. Ele tocou meu rosto e sua mão estava em chamas, literalmente. As mãos dele estavam em fogo, membros flamejantes e alaranjados. Soltei um pequeno grito e nos soltamos. Olhei horrorizada para ele. Não foi algo que eu chamaria de bom. Ben e Joddy estavam nos olhando com uma cara estranha. Levantei-me e fui até eles.
- Vocês podem me levar pra casa... Eu não estou muito bem.
Eu não percebi que tinha sido rápida demais. Tudo girava ao meu redor.
- Claro, . Eu vou falar com o...
Eu não ouvi mais nada. Desmaiei. Ou julgo eu tenha sido aquilo um desmaio. Tudo se tornou negro e eu fui levada para meu inconsciente.
Eu estava num campo verde, com , fazendo um piquenique. A toalha xadrez estava cobrindo uma parte do gramado e uma cesta de palha estava do nosso lado. Eu lia trechos de Stephen King para ele e ele me dizia frases de Shakespeare. Mas de repente algo irrompeu pelo céu. Uma nave azul-metálico soltava bolas de boliche de fogo. Saímos correndo pelo campo e as bolas quase nos atingiam; de repente a nave parou acima de minha cabeça. Uma voz irrompeu da nave.
- O que você está fazendo com ele, ? – aquela voz era familiar. Muito familiar.
- Ele é meu melhor amigo.
- Mentira, você está mentindo para mim, amor.
- Não estou, estou apenas dizendo a verdade...
Mãos quentes tomaram posse do meu quadril e me viraram para si. Johnny quase me queimou com seus olhos azuis.
- Olhe nos meus olhos e diga a verdade.
- Você sabe que eu sou louca por você.
- Era só isso que eu precisava saber, amor.
Acordei assustada e suada. Não estava em casa, nem de longe aquilo seria minha casa. O sol banhava minha pele, mas entrava uma brisa gelada pela janela semi aberta. Olhei para as minhas roupas. Exatamente as roupas da noite passada. Merda.
Tentei me levantar de uma vez e minha cabeça doeu. Ressaca. Mas eu não estava enjoada, ao contrário, minha boca queimava e uma sede horrível secava minha boca. O que eu tinha comido ou tomado mesmo?
Fechei os olhos e apertei minhas têmporas, tentando fazer a dor parar. Algo muito inútil, devo acrescentar.
- Uh, a Bela Adormecida acordou?
- Hã?
Aquela era a voz de Jonathan. Não, eu não tinha aberto os olhos para checar se era de fato.
- Finalmente você acordou, . Você viu que horas são?
Por instinto abri os olhos, procurando algum relógio. No criado-mudo não tinha nenhum relógio de cabeceira.
- São três e quinze da tarde.
Encontrei um relógio em seu pulso. Desde quando ele usava relógios? Apertei mais minhas têmporas e me deitei de novo. Ele colocou algo no criado-mudo e se aproximou de mim.
- Tá tudo bem?
- Você ainda está aqui. Esqueceu?
- Como sempre amável. Trouxe um lanche pra você, depois te levo pra casa e você estará livre de mim.
- Obrigada, mas eu só quero ir pra casa. Agora. Sim?
- Hã? – ele coçou a cabeça e colocou a bandeja no criado-mudo. – É... Claro. Eu vou pegar o carro e te levo...
- Eu posso ir a pé. Não tenho problema algum.
Fiz menção de levantar meu corpo e quando eu me dei conta, eu estava zonza e com as mãos nos olhos.
- Você ainda não está boa, .
Ele estava com um sorriso de lado nos lábios, e os olhos completamente nos meus. Desviei imediatamente. Dava-me colapso vê-lo tão perto.
- Estou ótima, Jonathan. – eu sentia meus olhos fora de foco. – Preciso ir embora.
Levantei-me de uma vez, com as mãos nas têmporas, e tropecei. Johnny estava perto da cama e me pegou pela cintura. Tentei focalizar seu rosto e lhe dar uma bronca, mas meus olhos estavam fora de foco e eu senti minhas pernas fraquejarem. Eu era muito fraca com relação a bebidas. E as ressacas eram bem piores. Cravei minhas unhas em seu ombro e deslizei pelo braço, sentindo minhas mãos amolecerem quando cheguei ao antebraço. Ele deve ter feito uma careta porque eu escutei um "Ouch!" e caí na cama mais uma vez.
- É, acho que você está ótima. – ele sussurrou e eu fechei os olhos mais uma vez.
• • •
Eu estava devendo desculpas para por tê-lo deixado na noite do casamento – que eu realmente havia me esquecido – mas desde então ele não tinha me telefonado e nem deixado mensagem de voz. Mas eu não liguei. No escritório, a Susan tinha pedido para aumentar os horários e eu estava trabalhando todos os dias úteis da semana. Ela estava fazendo o estilo de novas roupas e o Reed estava no início da construção da nave. Tocha estava fazendo os moldes das peças e soldando algumas partes do motor. E o Coisa estava com o motor de várias toneladas suspenso em seus braços de pedra.
As encomendas das misturas químicas para teste do combustível chegariam às 15h e mais alguns moldes, cinco minutos depois. Tinha alguns relatórios para serem feitos, tal como o cronograma e alguns pacotes para serem feitos.
- , os cronogramas têm que ser um de cada parte, por exemplo: um do motor, do revestimento, do teste...
- Pacotes com amostra?
- Sim, depois vamos enviar para Universidades de Mestrado.
Separei pequenos pacotes e fui agilizando as anotações de Susan nas teclas do computador. Aquilo era literalmente cansativo, mas era necessário. Em breve eles poderiam testar e até instalar bases em outros locais para prever algum ataque ou algo parecido. Coisas estranhas, não me pergunte.
Quando as encomendas chegaram, eu fiquei realmente confusa e o Reed me ajudou nessa parte. As substâncias sólidas ficariam longe das líquidas e mais longe ainda das gasosas: uma explosão em pleno centro de Nova York não seria algo muito agradável. Pelo menos ele disse que nós não voltaríamos lá por um bom tempo, e deduzi que isso não era nem um pouco bom.
O Benjamin, nosso "O Coisa", nem se atreveu a chegar perto, segundo ele "essas coisinhas eram muito frágeis para um monumento de rocha". Jonathan também foi proibido de se aquecer a mais de 50ºC enquanto estivesse por perto. Isso foi fácil, difícil foi mantê-lo longe de uma boate. E de garotas.
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Capítulo 5 – A festa.
Todo fim de ano, tinha uma festa para todo o edifício. Era um tipo de comemoração pelos anos que o prédio se mantinha erguido e ativo. Todos os funcionários estavam lá todos os anos, compartilhando um pouco de dança, música, fraternidade e, por sorte, às vezes tinha um bingo ou um sorteio antes de começar La fiesta. De praxe, ninguém poderia levar amigo ou coisa parecida, mas sempre apareciam penetras, como sempre. Eu fui sozinha e de ônibus, que - para minha surpresa - estava quase vazio por ser uma sexta feira à noite. Esse dia todos tinham folga para curtirem o quanto pudessem.
Quando o ônibus parou em frente ao prédio, eu olhei para a placa da rua perguntando-me se era mesmo aquele lugar.
Tinha luzes como pontos no jardim; na porta principal, o verniz refletia as luzes de tom magenta que estavam no chão. Várias pessoas estavam em fila indiana, aguardando o momento de entrar, apresentando sua carteirinha de identificação para os seguranças. Muitas moças estavam com vestidos curtíssimos e eu me senti antiquada com o meu. Avistei Benjamin um pouco à frente, conversando com Reed, que não estava acompanhado de Sue, por incrível que isso possa parecer. Olhei para trás em busca de encontrar mais alguém, e Johnny estava no final da fila, acompanhado de uma loira que eu nunca tinha visto na vida. Ignorei-o quando ele me viu e voltei a olhar para frente.
- Hey... ? Podemos cortar fila com você?
- And we took too many shots, think we kissed but I forgot…
- Hm…?
- Last Friday night, yeah we maxed our credit cards...
- ?
Tirei os fones de ouvido. Ele realmente estava me chamando.
- O quê? – perguntei assustada. Estava muito entretida com a música. E estava fazendo questão de ignorá-lo o máximo que pudesse - como sempre.
- Poderíamos cortar sua fila? – ouvi a voz rouca de Johnny sussurrar perto de mim.
- Naturalmente, não. – sorri de lado e voltei a colocar os fones. Uma mão feminina agarrou meu braço. – Mas que mer...
- Garota, dê a fila para o meu namorado ou eu chuto tua cara.
Bufei e ignorei-a. Ela me puxou de novo.
- Tá surda? Tira essa bosta do seu ouvido pra falar comigo.
- Eu estou te ouvindo muito bem, mesmo com a “bosta” no meu ouvido. E sinto muito, fora do meu expediente, ele é apenas o Tocha Humana pra mim. E eu não devo fila pra vocês.
Ouvi algumas risadinhas e eles se afastaram. Antes de eles voltarem a seu lugar, vi Johnny com o rosto vermelho e os lábios comprimidos. Aquela foi a primeira vez que o vi realmente irritado comigo.
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A iluminação baixa só se encontrava perto do barzinho, e a pista de dança – que era o saguão principal, e ok... Aquilo realmente não parecia nossa recepção. Tinha apenas luzes coloridas e um globo bem no meio da pista. Tocava uma música dançante. Eu não me lembro do ritmo, mas eu estava dançando muito... Colocaram algo na minha bebida?
Vi Johnny dançando muito próximo à loira da fila, e ela olhava com uma cara nada pura para ele. Como se ela já não tivesse aquela cara de bitch.
Não tinha visto Sue nem Reed, até pararem a música de repente.
- Boa noite, funcionários do Center Ville Heiter, todos animados? – um grito em coral afirmou. – Esperamos que hoje todos se divirtam e comemorem o nonagésimo quinto ano do prédio... Aproveitem, porque hoje vocês podem tudo.
As pessoas aplaudiram e logo a música agitada voltou a tocar. Vibrava tanto que eu podia sentir meu coração tremer com o toque. Sue e Reed estavam... Aproveitando, se é que se pode dizer.
Fui até o bar e pedi um refrigerante.Sempre evitava beber nesses lugares porque nunca se sabe o que podem fazer com você. A noite seria longa.
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Quando estava na terceira lata de chá gelado, Ben aw sentou no banquinho ao lado.
- , por que está aqui?
- Ah... Essa festa não está o que eu chamo de animada.
- Ah, menina... Aproveite que não tem compromisso e curta uns caras, tem uns que são gente boa, ou curta com algumas amigas e... - a minha amiga passou atracada com um cara, quase sem camisa. Senti minhas bochechas esquentarem e olhei para Ben. – Tudo bem, essa não me parece uma boa ideia. Mas você pode ficar aqui e curtir o som.
Eu ri com ele e tomei mais um gole do meu chá.
- Só se cuida, está bem? Estou indo agora. Até mais, pequena.
Ben acenou e foi embora. Tomei meu último gole e fiquei olhando as pessoas dançarem. A cada hora aquilo ficava mais cheio. As luzes estavam apagadas e pessoas sumiam do nada em altos beijos.
- O que você ainda está fazendo aqui? – eu tinha cochilado sentada? – Pensei que já tivesse ido há milhares de anos.
- Estava vendo se ia ficar mais divertido com as horas, mas... Continua entediante.
- Eu posso fazer você mudar de ideia.
- Desculpe, Jonathan, não estou bêbeda o suficiente pra isso. Nem nunca estarei.
- O quê? Claro que vai. – ele riu malicioso,olhando para o decote do meu vestido.
- Vai e volte com a sua lourinha gelada, vai. – cirei as costas para ele e ele pegou meu braço.
- Não tão rápido , .
- O que foi? Quer uma bebida? Eu posso deixar algo bem gelado pra você, tipo um balde de água fria? Quem sabe você não esfria sua mente. – tentei me soltar, mas ele era forte. Os músculos do seu braço estavam contraídos, impedindo-me de sair dali.
- Eu quero você.
- Aham, e eu quero que você vá pra sua casa dormir, Jonathan. De preferência com aquela lourinha gelada.
Deixei o copo vazio em cima do balcão e fui para a pista de dança. Quem sabe não o despistaria? Soltei meu corpo o máximo que podia e ainda estava rígida. Fechei os olhos pra tentar sentir a música, mas nada. Lady Gaga nunca fazia efeito em mim.
Saí da pista e fui andando lentamente até a calçada. Nada tinha efeito e eu continuava em sã consciência e sem Johnny no meu pé. Até eu ouvir algo como “fogo”.
O jardim em frente ao edifício estava queimando - pelo menos uma parte dele - e Johnny estava observando tudo, soltando gargalhadas. Idiota. Revirei os olhos e tirei os sapatos, voltando para o prédio.
- Cara, você não sabe se comportar? Parece que nunca cresce, Jonathan. – olhei ao redor, procurando algo que pudesse jogar em cima das flores, mas nada. – JONATHAN, APAGUE ESSE FOGO, A-G-O-R-A!
Ele riu da minha frase e, provavelmente, da cara que eu fiz.
- Finalmente chamei sua atenção! Venha, vamos beber. - ele me puxou pelo braço, voltando para o prédio.
- Não, Jonathan. Apague esse mini incêndio no jardim e depois eu vou embora.
Ele revirou os olhos e fez um biquinho. Eu sorri, afinal era divertido.
- , amor, vou ter que te explicar que você não vai embora? Pelo menos, não antes de dançar comigo.
- Jonathan, quantas vezes vou ter que te explicar que você não resolve o que eu vou fazer? – perguntei no mesmo tom advertido dele.
Jonathan estalou os dedos e o fogo baixou no mesmo instante. Ele poderia ser assim o tempo inteiro. Resolver tudo num estalo de dedos.
- Agora você me acompanha?
- Agora eu vou embora. Muito agradecida.
- Pára com isso! Só hoje... É uma festa, e você sequer aproveitou. Por que veio?
Seus olhos transpareciam sinceridade, apesar de tudo. Ele sorriu.
- Sei lá... Acho que precisava esquecer a minha vida por uma noite. E eu lembrei mais ainda dela. Ir embora vai me fazer bem.
- Quê? Não... Então me deixa te ajudar com isso. Só por uma noite. Você vai se divertir e nada mais que isso.
Arqueei a sobrancelha e ele continuou sorrindo, balançando a cabeça.
- Confia em mim, uma vez.
- Você tá bem, Jonathan?
- Não, mas... Posso ficar.
- Quê?
- Vem comigo, . – ele pegou minha mão delicadamente e colocou sobre seu antebraço.
Johnny me conduziu até a pista de dança, fazendo-me regressar alguns passos.
- Eu não quero ficar aqui com você. Quero ir embora, Storm.
- Shhh... - ele colocou o dedo indicador sobre meus lábios me fazendo ficar quieta. – Me deixa fazer você aproveitar a festa só essa noite, sim?
Ele pegou minha mão e me fez dar um giro. Revirei os olhos e ele começou a puxar meus braços de acordo com a música agitada que tocava. Anos 60.
- O que você está fazendo, Jonathan? Eu nem ao menos sei dançar!
- Então eu te ensino. – wle riu como se aquilo não fosse grande esforço.
Ele entrelaçou a nossa mão e a outra colocou em minha cintura, puxando-me para perto de si. Senti minhas bochechas queimarem e agradeci mentalmente pela iluminação baixa da pista de dança. O que ele estava fazendo? E por que eu estava deixando? Ah, simples. Eu estava me deixando divertir pelo menos uma vez em algumas semanas. Mas com Jonathan Storm? Eu estava com problemas, grandes problemas.
Tocava Elvis Presley, e depois de algumas pisadas de pé, eu estava conseguindo me movimentar sem tropeçar. Olha só que progresso!
- Não quer beber alguma coisa, ?
- Quê? – a música estava muito alta e a voz dele era apenas um sussurro para os meus ouvidos.
- Beber alguma coisa, quer? – ele repetiu mais lentamente.
- Claro... Estou morrendo de calor. – sorri, prendendo meu cabelo num coque rapidamente.
Ele puxou minha mão e me levou pela pista até o barzinho. Ele pediu alguma coisa que eu não pude ouvir e o barman trouxe dois copinhos com um líquido azul dentro.
- Vira num gole só.
- O quê? Não! Você vai me drogar. Quero água.
- Qual é, você não vem num bar e pede água... A menos que queira continuar lembrando os seus problemas, em sã consciência deles.
Recebi aquilo como um desafio e revirei os olhos. Virei o copinho num gole só e depois do meu, bebi o dele. Só para ele ficar quieto, garanto.
O líquido desceu ardente pela minha garganta, e eu realmente senti tontura quando pisquei novamente. Mas aquilo era bom. A sensação de estar pensando em outra coisa, como o próximo drink me fez... Querer mais. Depois de um minuto sentindo o efeito, eu estava mordendo o lábio e sentindo minhas bochechas queimarem.
- Ah... Quero mais um desses.
- O quê? – ele estava tão distraído olhando minhas reações que nem percebeu que eu estava falando com ele. Idiota.
- Me dá mais disso, Johnny.
Ele olhou e piscou. Eu o tinha chamado pelo apelido e não estava fazendo nenhum tipo de brincadeira. Eu realmente queria mais.
- Quê? Não, vamos voltar pra pista e...
- Moço, uma dose dupla dessas para nós, sim? – apoiei meus braços na bancada, pedindo e fazendo com que ele fosse buscar mais copos e mais daquela bebida. Johnny revirou os olhos.
- Você vai dizer que eu te embebedei, depois.
- Ninguém mandou oferecer e duvidar de mim, querido. – mordi o lábio, sorrindo e sentindo meus músculos relaxarem.
Virei os dois copinhos rapidamente e Johnny nem tinha virado o primeiro ainda.
- Hey, vamos com calma, hein.
- Sinto muito, querido, mas você terá de arcar com as consequências. – mandei um beijo no ar e voltei para a pista, sem sua companhia.
Aquilo realmente fazia eu me soltar. Fechei os olhos e balançava a cabeça pra todos os lados, movimentava meu corpo de acordo com a música eletrônica, e meus pés estavam indo para lugares distintos.
Subi em uma mesa e comecei a dublar a música que tocava e desci logo. Voltei para o bar e pedi mais uma dose. Aquilo era viciante.
Johnny tentou não permitir outra dose dupla, mas peguei o copinho antes que ele desse conta.
- Eu estou me divertindo, Jonathan... - minha voz saiu embargada, mas eu não estava nem aí. Ele revirou os olhos, mas eu ainda não tinha passado dos limites. Ainda.
Eu olhei ao redor e várias pessoas bebiam um líquido verde e davam um sorriso enorme. Fiquei com vontade. E pedi para mim. Depois de três doses eu nem sabia mais o que estava fazendo.
• • •
Continua.