Autora: Lêh Barros | Beta-reader: Andy
Capítulo I -
POV'S
‘Vai chover...’. Estava parada na janela, sentido o vento entrar pelo quarto e bagunçar as folhas que estavam em cima da minha escrivaninha. A cada lufada de vento que batia eu podia sentir o cheiro bom de terra e grama molhadas adentrando minhas narinas e chegando até os meus pulmões.
Não sei por que a sensação boa e reconfortante que eu sentia raras vezes era trazida sempre quando a chuva ameaçava a chegar.
‘! Ôh , filha! Desça para comer alguma coisa e ir logo para a escola!’
‘Já vou mãe! Estou terminando de me arrumar!’. Merda! Esqueci que ainda eram seis horas da manhã de uma quarta-feira e que dali a duas horas eu teria que estar sentada em uma sala assistindo a aula de geografia com o Sr.Turner e com pessoas que, apesar de já estar no meio do ano letivo, eram desconhecidas para mim. O Sr.Turner é um bom professor e ótimo como pessoa também, apesar de aparentar ser mais velho do que era e de ter a fisionomia de uma pessoa mal humorada, mas o que me faz ficar sem ânimo para assistir suas aulas (aliás, sem ânimo de assistir todas as aulas) era que eu sabia que quando terminassem, não iria encontrar com Isabelle, Brianna e Bárbara.
Ainda posso sentir lágrimas nos olhos quando lembro do dia em que me despedi delas, coloquei minhas malas no carro, entrei e observei as três dando acenos enquanto eu me afastava, saindo de Los Angeles e indo em direção a Charlotte, na Carolina do Norte.
Sempre fomos grudadas. Estudávamos há seis anos juntas no mesmo colégio e na mesma sala, então fazíamos tudo juntas. Principalmente eu e Isabelle, com quem eu convivi a maior parte da minha vida. Nos conhecemos desde meus dois anos de idade, e hoje, com 16 anos, nunca pensei em que seria tão difícil ter que me separar dela assim tão de repente.
‘! Desce logo, menina! Ainda está dormindo, é?’
‘Já disse que estou indo, mãe!’. Mas que merda, eu tinha que descer para o café da manhã e ainda nem tinha começado a me arrumar. Olhei em volta do meu quarto à procura das minhas roupas e da minha mochila. Quando as localizei, pensei por dois minutos se realmente eu iria para o colégio... Não, não adiantava. Teria que ir. Se não fosse, com certeza mamãe iria me encher de perguntas do porquê eu não ir, se eu estava sentindo alguma coisa, se fizeram alguma coisa comigo e enfim. Não queria passar por esse interrogatório todo e fingir que estava tudo bem. Era mais fácil ir para o colégio.
Assim, peguei a toalha, calcinha, sutiã e a saia do colégio e fui ao banheiro, onde tomei uma boa, relaxante e quente ducha. Terminei de tomar banho, me enxuguei e coloquei a roupa. Fui para o quarto, coloquei a blusa e o meu all star vermelho (que sobressaía na saia preta e blusa branca do colégio). Minha mãe dizia que não combinava nada, mas, e aí? Como se eu me importasse com o que combinava ou não. Aliás, eu ia para o colégio, não me interessava em estar como uma modelo.
Embolei o meu cabelo vermelho, grande e pesado em um coque mal feito, peguei meu casaco preto, a mochila, e fui descendo as escadas em direção à cozinha. Dei bom dia para minha mãe e um tapa na cabeça do meu irmão, que também me batia em resposta enquanto comia seus ovos com bacon. Me sentei à mesa, comi três torradas com geleia de morango e suco de laranja, enquanto mamãe bebia apenas um chá com biscoitos.
Assim que todos terminamos, saímos de casa. Mamãe se despediu de mim e do meu irmão e foi direto para o carro. Logo depois vi o mesmo desaparecendo no final da rua. Enquanto eu pegava meu iPod e colocava para ouvir minha banda preferida, meu irmão entrou em um Toyota Corolla prata, que tinha mais dois garotos dentro, usando o mesmo uniforme que ele, até mesmo o casaco do time de futebol, que meu irmão também usava. Phill (O nome do meu irmão é Phillipe, mas ele não gostava muito, pois acha muito "fru fru", então o chamamos apenas de Phill. Menos mamãe, que ainda o chama pelo nome) é o típico garoto que se junta com os "fodões" da escola e vira um deles. Ao contrário de mim, Phill fez muitas amizades assim que nos mudamos e agora era um dos idolatrados garotos do colégio. Coloquei a música no último volume e fui andando a caminho do colégio.
Já estava na metade do caminho quando senti as primeiras gotas de água caírem sobre meu casaco. Então coloquei a mochila de lado e procurei o guarda-chuva. "Mas que droga!" rosnei alto quando não encontrei o guarda-chuva na bolsa e lembrei que tinha deixado na parte dos fundos da garagem da última vez em que o usei. As gotas começavam a cair mais rápido e a serem mais densas. Então comecei a correr para chegar ao colégio sem estar molhada. Não que eu não gostasse de tomar banho de chuva (e eu amava isso!), mas chegar no colégio toda molhada seria motivo de olhares e eu não queria sentir três mil olhares em cima de mim. Queria estar longe daquilo.
Quando cheguei, estava com várias marcas de pingos d'água no casaco, mas nada alarmante, e então, assim que pus o pé no corredor do grande prédio cheio de alunos, ouvi o barulho da tempestade que desabava lá fora, assim como ouvi também gritos de meninas desesperadas entrando no corredor por causa da chuva que molhava seus cabelos secos e lisos com auxilio de uma escova alisadora.
Oito horas e o sinal tocou, avisando os estudantes para irem para suas aulas diárias de quarta-feira. Segui meu caminho e subi as escadas que se encontravam no outro corredor repleto de alunos. Uns apressando-se para a aula e outros calmamente conversando e subindo. Cheguei ao terceiro andar, fui para o primeiro corredor à direita, entrei na segunda sala que já estava com uma boa quantidade de alunos e me sentei na primeira cadeira da terceira fileira. Ao meu lado sentava-se . Ela ficou minha amiga logo após o meu primeiro dia na escola e desde então passamos o tempo que temos na escola juntas e com algumas mais pessoas da nossa turma.
Como toda turma, sempre tem aquela pessoa que gosta de ser a fodona e essa pessoa da minha turma era . Ele achava que todos queriam ser ele ou ser seu amigo (embora eu acabei achando isso também com o passar do tempo e pelo modo de como todos agiam quando se tratava dele) e com isso se exibia na frente de todos com o seu skate, e outras vezes, tocando bateria em uma banda de heavy-metal. Se já não bastasse isso, ele ainda tinha a capacidade de ser lindo (É, eu achava ele lindo sim). Desfilava com cabelos bagunçados devido ao vento que passava entre eles, olhos brilhantes e uma pele impecável. Porém, beleza superficial não é tudo para mim. Ele era exibido, metido a sabichão, arrogante e rodeado de garotas que suspiravam a cada merda que ele dizia. Ele era realmente um completo idiota, mas parecia que ninguém via isso - ou não queriam admitir.
chegou e já foi para o fundo da sala, onde sempre se sentava com a sua turminha. Jogou seu skate em cima da mesa e foi ao encontro das garotas que o babavam. Enquanto ele falava algo que as faziam rir, elas deixavam a mão dele fazer o contorno de suas cinturas, o que o deixava com um sorriso malicioso no roso. Cretino aquele garoto.
‘Por favor, sentem-se e abram a apostila no capítulo seis. O assunto de hoje será População e Economia.’ dizia o Sr.Turner, assim que adentrou a sala e abriu seu notebook em cima de sua mesa.
‘Oba! Que aula interessante! Estou louco para aprender!’ falou alto e todos então riram de seu comentário tosco.
‘Se esse é o seu desejo, Sr. , vamos atênde-lo. Mas em todo caso, mantenha-se calado, por favor.’ Sr.Turner disse em tom de voz calmo e sério, enquanto o fodão ria e trocava soquinhos com seus amigos, também idiotas como ele.
‘É, mais um dia tendo que ouvir as idiotices do e sua turminha de capachos.Que dia empolgante!’ disse baixo e rindo em minha direção. Dei um sorriso de desânimo.
‘É, mais um dia.’ bufei. Olhei para trás e o fitei. Quando seria que ele iria se tocar e se dar conta de que ele era um grande estúpido? Voltei a olhar para frente e prestar atenção na aula. Impossível.
Narrador Avulso:
Lá fora chovia forte e o céu era negro. Tudo indicava que seria mais uma semana chuvosa e fria, assim como amava. Porém, as coisas que estavam por vir estavam fora de sua rotina. Ela não tinha a mínima ideia do que aconteceria dali para frente.
Capítulo II -
POV'S
Enfim,depois de dois longos tempos de aula, finalmente pude respirar o ar livre que corria pelo campus da escola. Fui a cantina com e compramos alguma coisa para comer. Sendo assim, andamos até as mesas de concreto que estavam do lado de fora da cantina.
e eu comemos e conversamos sobre o que poderíamos fazer no final de semana que se aproximava. Sempre fazíamos alguma coisa para nos distrairmos durante o tempo que tínhamos livre no final de semana. Eu poderia dizer que fazíamos tudo aquilo que todos os adolescentes normalmente faziam em uma sexta-feira à noite ou sábado à noite. Mas não. Não íamos muito em shoppings e principalmente em festas. Não. Não éramos antissociais, como todos estão acostumados a pensar, (só um pouco). É que nós preferíamos algo mais calmo, que nos relaxasse e que não precisássemos sair para comprar roupas novas ou nos importar muito com a aparência. Gostamos mais de sairmos de um jeito mais natural e confortável.
Decidimos ir ao cinema para assistirmos um filme de época que estava estreando, que se passava no período da 1ª Guerra Mundial. Depois iríamos ao Starbucks, beberíamos alguns cafés, comeríamos alguns muffins também e conversaríamos até a loja nos "expulsar" de lá, como já haviam feito antes. Apesar de eu e Julie nos falarmos todo tempo na escola, sempre tínhamos alguma coisa para falarmos por horas e horas quando saíamos.
'Então , eu estava na aula de biologia ontem, ouvindo o Sr.Carter falar e falar, quando ele perguntou sobre o ciclo do nitrogênio. Eu ia começar a falar, mas aí Jake foi mais rápido que eu e começou a responder a pergunta perfeitamente bem! Fiquei comendo mosca na hora... ele é muito inteligente.' sempre ficava com os olhos brilhando quando falava de Jake Manson, o aluno que entrou no meio do ano no colégio. E para a felicidade dela, estava fazendo as mesmas aulas que ela.
'Nossa , você está super afim dele, não é?' falei, mandando uma piscadela.
'Super afim? Ah, que isso !' ela disse, fazendo bico. 'Eu só estou impressionada por algum garoto naquela sala saiba realmente das coisas.' Own, que fofo, ela estava corando. HAHAH
'Sei... tá bom. Você não está super afim dele. Você está é apaixonadinha! Own, estou emocionada!' eu disse, colocando a mão no peito esquerdo e suspirando.
'Já te disse que eu vejo Bones? Sei direitinho como matar alguém sem deixar vestígios.' ela falou com cara de psicopata e ao mesmo tempo esmagando um biscoito que estava em sua mão.
'Sai de perto de mim, sua louca!' eu disse, fazendo cara de medo e rindo logo depois.
Conversamos mais um pouco até que o sinal, anunciando o término do intervalo, tocou. Agora seria aula de filosofia. Essa era a única aula em que eu realmente prestava atenção, até porque, em modéstia parte, eu dominava essa matéria.
Me despedi de , que teria aula de química agora. Então me direcionei até o outro bloco do colégio e fui até a sala que teria a aula. Cheguei na sala e me sentei ao lado de Laura, que sempre era a minha parceira dessa aula.
'Oi ! Como vai a minha depravada?' ela disse, me mandando um beijo.
'Bem. Só esperando o tempo certo para te quebrar a cabeça.' Segurei o caderno como se fosse um taco de baseball.
'Já vi que hoje você está feliz. Quando a chuva chega, você se liberta. Isso dá medo em pessoas normais, sabia?' Será que eu deixava tão claro assim que os dias de chuva eram os meus preferidos? Acho que eu deveria saber disfarçar melhor.
'Eu diria feliz por saber que hoje irei arrumar um tempinho só para armar um plano maquiavélico para te matar.' eu disse, fazendo a mesma cara que fez poucos minutos atrás no intervalo.
'Eu sei que você me ama garota, não precisa disfarçar.' Ah, como ela era convencida. Parecia até o... o que? Não, eu já estava prestes a comparar minha amiga com aquele garoto! Aff, não, tadinha dela.
A sala já estava com todos os alunos dentro, inclusive a professora já estava presente na sala de aula, até que abriu a porta, fazendo todos o olharem.
'Seja bem-vindo Sr. . Queria saber qual seria a sua triste e emocionante desculpa por chegar atrasado novamente em minha aula.' A srt.ª Lynn falava quase que ironicamente, recostada na mesa, olhando e folheando as páginas do livro, sem sequer olhá-lo durante todo o tempo.
'Hãã... desculpe-me srt.ª Lynn. Eu fiquei preso, hãã, na enfermaria. Acho o sanduíche de atum que comprei na cantina me fez mal.' ele disse, passando a mão no estômago e fazendo cara de dor. '
'Tudo bem então, sente-se.' A professora falou e ele saiu em direção ao fundo da sala (como sempre) com um sorriso de lado.
'Ah, e quando começarem a vender sanduíche de atum na cantina, me avise. Adoro esse sanduíche.' ela soltou, como se fosse uma bola de fogo em direção a ele. Ah, eu adoro a srt.ª Lynn! Ela era uma das únicas pessoas que conseguia por aquele garoto em seu devido lugar. Agora ele revirava os olhos por causa da mancada que dera, mas mesmo assim, ele ainda ria.
'Então, devido às notas das últimas provas, eu tive a ideia de mandá-los fazer um trabalho para ajudar com suas notas. Devo dizer que as notas foram mais baixas do que eu havia previsto. Poucas pessoas já passaram na minha matéria. Devo citar a senhorita , pois obteve excelentes notas em todas as minhas avaliações.' ela disse, sorrindo em minha direção. Eu disse que dominava essa matéria.
'Entretanto, outras pessoas, se não obtiverem nota boa neste trabalho, já considerem bem possivelmente reprovadas.' Com um olhar quase cortante, ela olhou para , que brincava com a borracha, impaciente. 'Pois então, eis aqui minha escolha de tema do trabalho: quero que vocês apresentem a mim um trabalho sobre algum filósofo, à escolha de vocês. Falem sobre suas premissas, sua vida, sobre algum texto ou frase de sua autoria, e enfim. Quero também trabalho manuscrito.' Nesse momento, todos começaram a falar e fazerem caras de reprovação. Também, quem gostaria de fazer um trabalho manuscrito com impressora e computador existindo? Mas a professora continuava falando. 'Eu não iria deixar fácil assim, não é mesmo? Apenas copiar, colar e depois imprimir. Não e não. Quero que vocês tenham esse trabalho e ainda, quero com as palavras de vocês próprios.' Pronto! Agora estavam quase todos tendo um enfarte. Porém a srt.ª Lynn ainda dizia calmamente 'Como quero que todos fiquem com boas notas, irei deixar que façam em duplas. Agora, organizem-se e daqui a uns minutos irei começar a falar sobre alguns filósofos interessantes.'
Bom, eu não precisaria me importar com esse tal trabalho, afinal, eu já estava com notas ótimas, porém eu iria fazer esse trabalho com Laura, porque ela estava querendo alguns pontos. Estávamos falando sobre o que possivelmente poderíamos fazer e então ouvi chamarem por mim. Olhei em direção da mesa central e vi que srt.ª Lynn me chamava. Então me levantei e caminhei em sua direção.
'Srt.ª , sei que a senhorita é uma das melhores, se não a melhor aluna da minha classe. Então queria lhe pedir um favor.'
'Sim, senhorita.' Por que será que após eu lhe responder, senti um frio na espinha e pensei que talvez não viria nada de bom após isso?
'Pois então, queria que você pudesse ser a dupla de uma pessoa que está muito, necessitada digamos assim, desses pontos para passar.'
'Ah, mas claro, Srt.ª Lynn. Acho que posso sim ajudar, sem problema.' Não sei o porquê o frio na espinha e toda aquela tensão antes de receber o favor, afinal, ajudar alguém não deveria ser tão difícil assim.
'Ah, ótimo! Muito obrigada. Agora, sr. , poderia vir até aqui, por favor?' FRIO NA ESPINHA, FRIO NA ESPINHA, FRIO NA ESPINHA 'Acredito que o Sr. não tenha formado uma dupla ainda, certo?' NÃO! POR FAVOR, ELE NÃO!
'Não, ainda não.' DESGRAÇA, DESGRAÇA, ALGUÉM CALE A BOA DESSA MULHER!
'Pois então, como quero ajudá-lo muito, pedi para que a srt.ª faça dupla com o Sr. para ajudá-lo a concluir o trabalho no qual necessita muito.' E nessa hora nos olhamos e eu quase corri e me joguei da janela. Eu poderia fazer com qualquer um daquela sala, menos ele! Como eu iria aguentar aquele garoto idiota que tanto sinto repulsa? Pior, como eu iria aguentar ficar ao lado dele? AH, preferia a morte!
'Hum... Está bom né. Depois nos falamos então, .' ele me falou indiferente e saiu para o seu lugar. Eu apenas o olhei, sorri fraco para a professora e fui andando, ainda em choque, para o meu lugar.
'Ah , eu estava pensando e... Nossa, o que houve com você, menina?' Laura me olhava de um jeito estranho. 'Parece que a Samara acabou de te fazer uma visita.'
'É... Foi quase isso.' eu disse quase que estaticamente, olhando para Laura, que estava meio assustada.
'Fala logo então garota, o que houve.'
'Não vou mais fazer o trabalho com você. A Lynn falou para eu fazer com o , para ajudá-lo com a nota.' Ao pronunciar o nome dele, senti meu estomago revirar.
'Puta merda!' Laura soltou, passando a palma da mão no rosto. 'E você aceitou?'
'Eu não sabia que seria justamente ele.' eu disse, ainda meio desnorteada.
'Bom, boa sorte. Ah, creio que agora seja melhor que você passe a beber frequentemente.' Foi a última coisa que ela me disse. A professora começou a falar sobre a matéria e tudo o que eu fiz foi prestar atenção na aula. Não queria pensar sobre o que eu tinha acabado de aceitar. Além do mais, eu não queria ficar atormentada por causa dele, me recusei a essa decadência.
Depois da aula de filosofia, segui para aula de biologia laboratorial, onde passei por mais dois tempos de 50 minutos e, por fim, o dia de aulas havia acabado. Eram 13:15 da tarde e eu estava cansada, andando calmamente a caminho de casa. Agora estava chovendo e eu estava consideravelmente ensopada, mas não fazia mal algum, pois me sentia mais leve a cada pingo d'água que penetrava minha roupa e tocava minha pele. Meus cabelos estavam soltos agora, devido a força da chuva que desmanchou o coque. Sentia-os pesados caindo sobre minhas costas, juntamente com minha mochila, que estava mais cheia devido aos livros que peguei a mais no meu armário do colégio. A chuva parecia aumentar mais a cada passo que eu dava, mas mesmo assim eu continuei no meu ritmo normal, olhando as pessoas correndo da chuva, se protegendo dela com seus guarda-chuvas. Olhava também como as gotas tocavam o chão, como elas pareciam violentas em seu trajeto pelo ar, mas quando atingiam o chão, pareciam lavar as ruas e calçadas com leveza. É incrível como esse fenômeno natural me faz reparar em coisas tão pequenas e simples, mas ao mesmo tempo tão fascinantes e consideráveis. A chuva é incrível. É tão simples e linda. É tão suave e ao mesmo tempo violento. É algo grande e ao mesmo tempo tão rica em detalhes. Ela tem o poder de acalmar as aflições. Acho que é por isso que sempre que chove eu aprecio cada momento, cada gota d'água que cai. Realmente, eu amo a chuva.
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Parecia que eu tinha me tele transportado para a porta de casa. Há poucos minutos atrás eu estava há três quarteirões de casa andando na velocidade de uma lesma, e agora estava parada na porta de casa. Entrei, joguei a mochila e o tênis no canto da sala de estar e subir correndo para o quarto. Precisava tomar um banho e trocar a roupa molhada, senão, do jeito que eu era, iria ter tudo aquilo com “ite” se passasse mais vinte minutos com aquelas roupas encharcadas. Peguei uma nova calcinha, uma calça de algodão preta e uma blusa roxa que ficava grande e meio larga em mim, o que era bom, pois assim não precisaria usar sutiã. Assim que tomei meu banho, sequei meu cabelo e fui para a cozinha procurar algo para almoçar. Retirei uma lasanha bolonhesa do freezer e coloquei no microondas. Enquanto isso, fui até a sala e coloquei em algum canal de filme, que passava alguma coisa sobre os making off de um filme super legal. Passado alguns minutos, ouvi o apitar do microondas avisando que a comida estava pronta.
Peguei com cuidado, levei até a mesa, peguei um refrigerante e assim almocei. Minha mãe e meu irmão almoçavam fora. Minha mãe porque passava o dia todo no trabalho e meu irmão almoçava com os amigos no club de futebol. Eu sempre almoçava sozinha em casa, a não ser quando almoçava comigo em casa ou combinávamos de comer fora. Às vezes me perguntam sobre meu pai. Bom, o que posso dizer é que ele nos largou por causa de uma briguinha idiota com a mamãe e desde então não tenho mais contato com ele, e nem quero. Isso faz uns dois anos, mas ainda não gosto de falar nisso, porque me faz lembrar da raiva que sinto por ele ter sido tão idiota, mas enfim, ele não nos faz falta.
Depois de comer, me deitei na sala para descansar um pouco e ver alguma coisa de interessante. Parei no canal que estava passando Harry Potter e o Cálice de Fogo, um dos meus preferidos. Então, depois de meia hora, caí no sono que já estava previsto assim que me deitei no sofá. Apaguei por algumas horas e quando acordei já estava anoitecendo e meu irmão estava fazendo barulhos na cozinha.
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Depois que me levantei, subi até o meu quarto e liguei o notebook. Levei até a cama e me recostei na cabeceira, enquanto isso, ouvi o barulho do carro de mamãe estacionar na garagem. Fiz meu login no facebook e fiquei vendo o que as minhas amigas de Los Angeles tinham postado no meu mural, e então vi que tinha vindo falar comigo pelo chat:
: oooi ! Não te vi na hora da saída hoje.
: ooi :D Ah, eu saí da aula de biologia cansada e cheia de fome x_x nem pude te esperar. Foi mal
: atá, não tem problema, pensei que tivesse acontecido alguma coisa.
: ah... não. Foi só isso mesmo. E aí? Ficou babando o Jake a aula de química toda? hahahaha
: hahahaha você é muito engraçadinha :x eu só tive que ficar olhando pra ele porque ele sentou na minha frente hoje u.ú
: AAAH,jura? *-* você deve ter adorado, né? E aí, sentiu o cheio dele? Que tipo de perfume ele usa? (6)
: !!! Para com isso menina u.ú Eu não adorei... eu só não me incomodei. tbm, ele não usou perfume hoje u.ú
: AAAAAH! Eu sabia que você era afinzona dele *---* O que falta pra você ir falar com ele, hem? Finge que tem dúvida no ciclo do nitrogênio e pede para ele ter dar uma aulinha particular ;D
: Você é fd mesmo né? u.u Eu não admiti nada. Aliás, eu que não vou falar com ele. u.u
: Não adianta de nada você ser cabeça dura, sabia? anyway, ainda sinto que vocês dois vão ter um rolo aí 8)
: af . Mas, e você garota? ;D O que me conta de bom?
: ixi, nada, meu bem. Sou só eu e minha mão até agora x_x
: hahahaha. Relaxa , com certeza você vai esbarrar com algum garoto interessante por aí.
: Espero que sim \õ/
: Em último caso,você ainda tem o ué xD
: VIRA ESSA BOCA PRA LÁ PORRA! Prefiro morrer sozinha do que algum dia ter alguma coisa com aquele otário u.u
: Ah, que isso amiga. Ele gosta do mesmo tipo de música que você, das mesmas bandas. Vocês até se esbarraram no show do Metallica que teve aqui no início do ano. E você acha ele bonito que eu sei ;D
: Detalhes, u.ú Sim, ele é bonito, gosta de músicas pesadas, toca em uma banda super boa. Mas, você já não percebeu como ele é? Idiota, egoísta, exibido, arrogante e ainda sai com todas aquelas garotas vadias. Ele não está nem aí para a garota desde que ela se entregue para ele fácil. Eu não gosto disso, muito pelo contrário.
: Isso com as outras '-' e tbm você nunca conversou com ele por mais de 2 minutos! , as vezes ninguém é o que aparenta ser...
: E o que garante que ele não será assim comigo? e...ah! Ele sendo assim ou não comigo, não me importa. Quero distância dele e ponto. :x
: ta bom , tá bom. Mas pensa nisso depois...
: E por que você está jogando ele pra cima de mim? Pensei que você não gostasse dele '-'
: Eu nunca disse que não gostava dele '-' eu só acho que algumas brincadeiras dele são idiotas. Mas quase todos os garotos de hoje tem essas idiotices. E tbm, se eu não achasse que, acima de tudo, ele fosse um garoto legal, eu nunca iria falar pra você dar uns pegas nele, né amiga? u.ú
: Que dar pegas! Que...iiiih! Não inventa. Só você mesmo
: hahahaha, sabe que eu te amo, né amiga? ;D
: hahahaha, sei muito bem. , eu vou descer para jantar. mãe já está lá embaixo, até amanhã. beijos querida :*
: okay, beijinhos :*
Desliguei o notebook, desci as escadas e fui ao encontro de mamãe, que estava sentada na sala vendo tv junto com Phill.
'Olá querida.'
'Oi mãe.' mamãe me deu um beijo na testa e me sentei ao seu lado. 'Como foi o seu dia?'
'Foi normal.'
'Falou com as meninas?'
'Sim, elas estão bem e mandaram um beijo para a senhora.'
'Ah, mande outro para elas.' minha mãe sorriu. Ela adorava as meninas.
'Ôh mãe, amanhã eu vou trazer meus amigos aqui depois da escola para comermos alguma coisa e depois jogarmos video game e ver a banda do tocar na garagem.' Quando ele pronunciou o nome do , pela milésima vez no dia, me senti congelar.
'Por que a banda tem que vir tocar aqui em casa?' eu disse, quase que dando um pulo do sofá, o que fez minha mãe e Phill me olharem meio assustados.
'Qual o problema? Não posso trazer meus amigos aqui?' Phill me disse indignado.
'Não... Quer dizer, pode sim, mas...Por que a banda do tem que tocar aqui?' perguntei, sentindo meu coração dar leves pulos dentro da minha caixa torácica devido à adrenalina que eu estava sentindo.
'Porque a banda é muito boa e o é meu amigo. Só porque você não gosta dele, não quer dizer que eu não possa trazer ele aqui. Essa também é a minha casa.' Phill disse com um tom de voz de ignorância. O que? Desde quando Phill era amigo de ? Eu nunca havia visto eles dois se falando e muito menos Phill falando sobre ele. Ah não, como se não bastasse ter que ter a presença daquele garoto na escola, agora eu teria que vê-lo também em casa? Não, não mesmo.
Saí do sofá e subi para o meu quarto. Peguei o telefone e liguei para .
'Alô?'
' ? Sou eu, .'
'Ah, oi! O que foi?'
'Amanhã posso passar o dia na sua casa?'
'Hã, mas é lógico , mas por que? O que houve?'
'O meu irmão vai trazer os amigos pra cá depois do colégio.'
'Ah, mas é isso? Então era eu que tinha que ir para sua casa. Ele tem uns amigos bonitos e...'
' ... O também vai estar aqui.' Senti que ficou tão surpresa quanto eu assim que ela voltou a falar.
'Mas o que? Ele? Desde quando ele é amigo do seu irmão?'
'Foi isso que eu me perguntei assim que o Phill disse.'
'Nossa, que coisa hem . Mas então, vem sim. Amanhã assim que você sair da sala, me encontra no pátio para virmos juntas pra cá.'
'Tá bom então, . Obrigada. Beijos'
'Beijos, até.'
Joguei o telefone em cima da cama, depois me joguei junto e fiquei encarando o teto branco do meu quarto. Não acreditava que aquilo estava acontecendo. Como meu irmão virou amigo do ? Ele nem se quer curte tanto rock assim. Agora eu teria que sair da minha própria casa por causa daquele garoto? Que merda. Mas, se eu ficasse em casa com ele lá, com certeza eu iria cometer um assassinato, caso ele fizesse aquelas brincadeiras idiotas. Tentei me acalmar e fechei os olhos em uma tentativa de esquecer aquilo. Alguns minutos passaram e minha mãe bateu na porta do meu quarto.
'Entra, mãe.'
'Querida, você está bem?'
'Sim, mãe.'
'Não parece.' Eu não parecia mesmo.
'Ah, só estou cansada, só isso.'
'Se o problema for os amigos do Phillipe, eu posso pedir para que eles venham só no final de semana, enquanto você sai com a Julie.'
'Não mãe, que isso. O Phill tem o direito de trazer seus amigos aqui. Eu só fiquei meio...surpresa, porque eles quase não vem aqui e...sabe que os vizinhos não gostam muito de barulho.' Minha mãe me olhou de uma forma que me fez sentir como se alguém estivesse invadindo minha mente e lendo-a toda.
'Se for só isso mesmo, tudo bem então. Qualquer coisa me diga, querida.'
'Pode deixar.'
'Boa noite, flor da minha vida.' ela me deu um beijo na testa e foi até a porta.'
'Boa noite, mãe.' ela me olhou e saiu logo depois.
Não tinha mais nada a fazer, apenas peguei um roupa leve, tomei um banho, desci e comi um lanchinho. Subi novamente, abri a janela do quarto abrindo espaço para o vento, que urrava lá fora, entrar e preencher todo o espaço que havia ali. Me deitei e imaginei como iria ser ter que esbarrar com o dentro de casa e também na escola. Espera... Meu irmão só chamou ele para vir aqui uma vez! Como eu adoro sofrer antecipado, né? Enfim, deixei de lado esses pensamentos e me concentrei em dormir, o que fez efeito. Depois de dez minutos eu já estava em sono profundo.
Narrador Avulso:
Não disse que a semana de seria fora de sua rotina? Agora ela teria que viver com a recente amizade de seu irmão Phill com . Ela pensava que não esbarraria com ele em sua casa mais do que uma vez... Bem, já imaginamos que ela está errada.
Ainda estamos no início de uma história sobre um garoto e uma garota que mal se falam e que quase se odeiam plenamente, porém, o que o destino guarda para os dois é muito menos do que ódio e muito mais do que coincidência. Haverá muitas pedras no caminho.
Capítulo III -
Assim que saí da aula, me encontrei com e fomos juntas para sua casa. No caminho paramos para comprar doces e sorvetes para comermos mais tarde, enquanto estivéssemos assistindo algum filme que a mãe de tinha em DVD.
'Bom, como você já sabe: Mi casa es su casa.' me disse assim que entramos na pequena, mas confortável, sala de estar.
'Ah, obrigada.' Mesmo já tendo ido a casa dela mais algumas vezes eu ainda sentia um leve sentimento de vergonha. Ainda mais eu tendo pedido para passar o dia lá.
'Minha mãe deve estar na cozinha. Vamos lá ver o que ela tem de bom para comermos hoje.'
'Humm. Já sinto cheio bom daqui!' eu disse, seguindo , que ia até a cozinha aos pulinhos. A casa dela não era uma casa muito grande, mas era linda e confortável demais. Nas paredes tinham quadros com fotos da mãe e do pai de com ela quando bebê, outras ela já mais velha. As paredes eram amarelas, com assoalhos de cor marrom claro e na sala havia uma linda lareira e sofás fofos e branquinhos. O tapete vermelho parecia um convite quase que irresistível para dormir nos dias mais frios, enquanto um filme rolasse pela tv.
'Olá meninas! O que há de novo?' A srª era muitíssimo gentil e adorável. Era uma ótima pessoa para poder desabafar e pedir alguma luz quando se tinha algum problema difícil.
'Oi mãe. O que faz de bom para comermos?'
'Bom... Eu não tinha muito em mente o que fazer para o almoço, mas então decidi fazer uma lasanha bolonhesa caprichada.'
'Wow! Beleza! Adoro lasanha.' disse, passando a língua por cima dos lábios superiores. 'Quero o primeiro pedaço.'
'Ah não. O primeiro pedaço vai para a visita' eu disse, fazendo um bico.
'É filha, primeiro as visitas.'
'HAHAHA. Ganhei, boboca.'
'Ah, pára. Só porque minha mãe puxa seu saco.'
'Parem de discutir e vão lavar as mãos e sentem-se a mesa logo, antes que a lasanha esfrie.'
'Já estamos indo.'
Assim que lavamos as mãos, nos sentamos à mesa e devoramos a lasanha quase toda. Estava ótima! A srª era uma cozinheira de mão cheia! Enfim, assim que acabamos de comer, eu e subimos para o andar de cima e nos revezamos para o banho. Enquanto tomava banho, me dando a, não tão feliz, honra de ouvir seu show de cantoria, fui para seu quarto e fiquei olhando os livros novos que ela havia comprado, que estavam em sua escrivaninha. 'Preciso de livros novos também.' Pensei, enquanto foleava um deles. Tirando dormir e comer, o meu hobby preferido era ler. Quase toda semana eu ia à livraria do bairro e me deliciava escolhendo livros para comprar. Assim como a chuva, o livro era uma espécie de tranquilizador pra mim. Me fazia ter o poder de imaginar como algumas coisas seriam se fossem de outra forma.
'Tá na sua hora, garota.' disse, entrando no quarto enrolada na toalha e sacudindo seus cabelos.
'Cruzes garota! Parece até que a morte veio me buscar.'
'Nossa, já pensando em morte? Calma, o daqui a pouco já estará indo embora da sua casa.' Meu sangue borbulhava quando ouvia o nome dele. Me lembrei que aquela peste estava nesse exato momento dentro da minha casa, perambulando pelos corredores, pelos cômodos... Ah não. Ele que não ousasse entrar em meu quarto! Eu não iria conseguir dormir sabendo que ele pôs os pés imundos dentro do único lugar onde eu podia me esquecer de tudo.
'Não precisava me lembrar de que essa coisa existe.' bufei.
'Ok, relaxa . Agora vai lá tomar um banho, que quando voltar vamos assistir The Last Song.'
'Ah, sério mesmo que vamos assistir um filme de amor? Será que você não percebeu que estou sozinha e carente?'
'Nós estamos, . Mas é por isso mesmo. Já estamos aqui, duas amigas empacadas dentro de casa, com doces e sorvetes a vontade. Só falta mesmo é o filme, não é?'
'Hum. Ah... Pior que é mesmo.' suspirei e fui pegar minhas coisas para o banho.
'É isso aí. Então vai logo tomar seu banho, que eu já vou ajeitar o tapete lá da sala e a tv.'
'Então não vou ver o filme. Você sabe que eu durmo sempre que deito naquele tapete.' Era a mais pura verdade.
'Não tem problema, só vai logo tomar esse banho. Não demora, viu?'
'Tá bom, vaca. Não demoro.' Saí em direção ao banheiro e assim que fechei a porta do mesmo, comei a me despir.
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POV's
Hoje eu estava de boa. Saí do colégio e fui para a casa de um amigo com os outros caras e o pessoal da minha banda. Chegamos lá e já vi umas gatas entrando pela porta da frente. 'Nossa, que gostosas.' Já imaginei que haveriam mais daquelas lá dentro para eu provar. Confesso que não faziam meu tipo. Aquelas mini saias coladas nos quadris e com blusas justas com decotes que mostravam até os joelhos me deixavam muito animado (se é que você me entende) mas nada se compara a uma metaleira gostosa. Ah sim, essas são o meu ponto máximo. Shorts pretos com cintos metálicos e aquelas blusas largas que deixam uma pequena parte do sutiã a mostra... Hum, você já entendeu.
'Fala aí, mano.'
'Faala, seu bichinha.' Respondi, dando em resposta um soco de leve no ombro do Phill, que abriu a porta pra mim e os outros.
'Entra aí e se divirta. Tem umas paradas para beber lá a cozinha, é só pegar, e também tem umas gatas loucas para te verem tocando.'
'Opâ, tá beleza então.' Trocamos mais um soco e parti em direção ao corredor que estava cheio de gente com bebidas nas mãos. Não conhecia essa casa para saber onde era a cozinha, mas seguir o fluxo de pessoas era uma boa para poder se achar no local. Peguei uma bebida na geladeira e fui para a porta de vidro que dava para uma pequena varanda de fundos. Lá tinha uns conhecidos e umas garotas. Cheguei onde estavam e cumprimentei o pessoal e aí comecei a conversar com todos, mas já de olho em uma gostosa de cabelos pretos enrolados, que toda vez em que eu a olhava, me mandava um sorrisinho safado. Em poucos minutos de conversa com o pessoal, puxei a gata para conversar e aí, em segundos, estávamos nos pegando loucamente no canto da varanda. Sentia que todos nos olhavam e então comecei a esquentar mais a ficada com a garota, que se entregava sem ao menos se importar com o local ou com as pessoas ao redor. Fáceis demais essas. Não era a toa que eu logo me enjoava delas. Qualquer um ali com músculos pegaria elas de jeito sem ao menos dizer seu nome. Mas, por que eu seria quem reclamaria? Até ali, estava ótimo demais pra mim.
'Ôh ! Chega aqui, bicha.' Ouvi de longe meu nome.
'Porra. O que é?' Logo agora? Quem era o viadinho?
'Vem logo aqui!' Phill me chamava da porta da varanda.
'Tá bom. Puta que pariu hem.' Tasquei um último chupão na garota e saí andando em direção ao Phill. A garota já estava rodeada de outras garotas avoadas, querendo saber de todos os detalhes. Que viadagem.
'O que foi, cara?' eu disse bufando.
'Relaxa mano, mais tarde você pega de novo. Óh, os garotos já começaram a montar os instrumentos lá na garagem, só falta você.'
'Beleza, vou lá então.' Atravessei a casa cheia de gente e fui até a garagem. Cheguei lá e comecei a ajeitar minha bateria. Quando terminei, fui na pasta onde guardava os pratos para pegar as minhas baquetas. 'Puta que pariu, mano! Esqueci a porra das baquetas em casa.' Eu sabia que estava esquecendo alguma coisa quando de manhã coloquei as coisas da bateria no carro antes de ir para a escola. Como eu tocaria sem as minhas baquetas agora?
'Ôh Phill, você tem alguma coisa que sirva como baqueta pra eu tocar? Esqueci as merdas das minhas em casa.'
'Pô mano, lá no meu quarto acho que tenho duas baquetas de um malabare dentro do meu armário. Vê se acha e pega lá se servir.'
'Beleza então, deve servir sim.'
'Ok então. É só subir a escada.'
'Ok.' Respondi e fui direto para a escada que dava para o segundo andar da casa. Subi toda a escada e me deparei com um corredor com quatro portas. 'Bom, uma dessas e a do quarto dele, então só tenho que abrir e ver.' pensei. Dei uns passos adiante e abri a primeira porta à esquerda. Dentro do cômodo havia um armário com portas de correr e uma cortina longa preta. A escrivaninha tinha porta-retratos de dois bebês. Logo ao lado tinham outro com duas pessoas, um garoto e uma garota abraçados. Tentei enxergar melhor, mas a luz que vinha da janela aberta, refletindo no porta-retratos fazia com que a imagem dos rostos ficasse como um borrão branco. Desviei o olhar e vi uma cama de casal. Mas era óbvio que esse não era o quarto do Phill. Era da mãe dele. Fechei a porta e fui para a porta em frente. Abri mas não consegui ver nada lá dentro porque estava escuro. Procurei o interruptor de luz e logo o achei na parede ao lado da porta. Acendi a luz e me deparei com paredes roxas, com alguns posters colocados nas paredes, como os do Metallica, Slipknot e Within Temptation. Também reparei no armário com portas de correr branco, uma cama de solteiro com lençóis lilás e uma escrivaninha abarrotada de livros. Ousei e entrei no quarto para olhar melhor um quadro que estava acima da escrivaninha. Estava cheio de fotos de garotas abraçadas sorrindo, algumas listas do que pareciam ser de livros, mas uma coisa me prendeu a atenção. Uma foto que estava no canto superior do quadro. Uma garota no meio de uma multidão, com uma blusa do Metallica, abraçada ao vocalista da banda. Olhei melhor o rosto da menina e percebi que eu conhecia. Olhei nas demais fotos e a vi em todas. Quando fui chegar mais perto, percebi que chutei algo e quando olhei, vi que era um all star vermelho, meio velho, mas o vermelho ainda estava forte. Não era o quarto do Phill e sim da . Não acreditei quando cheguei a essa conclusão. A era irmã do Phill? Mas... Ah, como sou burro. Phillipe . . Então ela era irmã do Phil... E eu estava no quarto dela. Nossa, que revira volta. Mas descobri uma coisa mais: ela gostava das mesmas bandas que eu. Ela gostava de músicas boas! Quem diria, a garota mais nerd da sala ouvindo música pesada. Descoberta do ano, hem! Então isso explica aquela vez que esbarrei com ela no show do Metallica. No dia jurei que eu estivesse tão bêbado que esbarrei em outra pessoa parecida com ela e pensei que fosse ela mesmo. Bom, a foto deixa claro que era ela mesma. A mesma blusa, o mesmo cabelo vermelho caído nas costas. Por um instante eu me perdi naquela foto, mas depois voltei a mim. Não iria ficar babando a foto daquela garota, embora eu tivesse já assumido mentalmente que eu a achava linda daquele jeito roqueira. Ela era a maior nerd daquela sala, ou talvez até da escola. Fora o jeito dela, garota metida a superior, que anda só com os nerdões da sala e com um sorriso irônico quando os professores elogiavam suas ótimas notas, fazendo com que os outros parecessem uns burros. Não acredito que irei ter que fazer o trabalho de filosofia com ela. Quando a srª.Lynn disse que ela iria me ajudar, senti meu sangue borbulhar por dentro. Gente metida a sabichona me dá nos nervos. Apenas tive que concordar. Antes que eu tivesse dito que já tinha um parceiro e depois me virasse pedindo alguém para colocar o meu nome no trabalho em troca de algum dinheiro (ou se fosse garota, em troca de uns amassos). Enfim, me dirigi até a porta quando Phill surgiu diante dela.
'Ôh cara, o que está fazendo aí?'
'Ah, eu... Só estava procurando as...'
'As baquetas estão no meu quarto e esse não é o meu quarto, né?' Phill me cortou. Eu tinha que falar algo logo, antes que ele achasse que eu estava me masturbando com as roupas íntimas da irmã dele.
'Eu sei que não, mas abri a porta procurando seu quarto e vi os posters. Resolvi dar uma olhada neles.' falei firme e descontraído. Era uma desculpa de merda, mas qualquer coisa iria servir.
'Ah, beleza, sem problema. Esse é o quarto da minha irmã.'
'Ata.'
'Bom, vamos lá no meu quarto para pegar as baquetas. O pessoal já está louco querendo ver o showzinho e tenho que despachá-los antes que minha mãe chegue, senão ferrou mano.'
'Claro pô, bora lá então.' Saímos do quarto e fomos em direção a outra porta do outro lado do corredor. Agora sim era o quarto de Phill. Pegamos as baquetas e descemos para a garagem. As baquetas quebraram o galho e deu para tocar direito as músicas. Depois de mais algumas horas, Phill já foi enxotando todo mundo da casa. Eu e o pessoal da banda ficamos mais um pouco, guardamos os instrumentos e um tempo depois fomos embora. Cheguei em casa, tomei um banho e fui deitar um pouco ouvindo música no último volume. Vaguei, no pensamento, pelo dia que tinha passado e lembrei quando estava no quarto da . Senti meu sangue aquecer por baixo da minha pele, mas logo mudei de pensamento. Não iria ficar lembrando da foto daquela nojentinha. Não mesmo.
Como estava sem fome, não comi nada (e nem ninguém naquele dia), apenas tirei a roupa e dormi só de boxes, ouvindo rock'n'roll pesado. Isso que é relaxar.
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POV's
Há algumas horas eu tinha saído da casa de e vim para minha casa. Já estava de noite e eu estava na sala vendo tv sozinha. Phill estava na garagem fazendo não sei o que. O dia tinha sido bom. Almocei com , vimos filme e nos entupimos de doces, ainda dormimos no tapete da sala (não podia faltar). Fizemos alguns trabalhos da escola, comemos mais doces, e no final me fez pintar as unhas. Se em que o meu esmalte preto já estava pela metade. Enfim, me enjoei do programa que passava e decidi ir até a garagem ver o que Phill estava fazendo. Assim que abri a porta da frente, senti o vento gelado passar pela porta e tocar a pele do meu rosto e no mesmo momento abri um sorriso. É uma sensação ótima que sinto quando esse vento percorre minha pele, me fazendo estremecer e sentir arrepios por todo o meu corpo. Assim que caminhei até a garagem, senti os pingos da chuva tocarem meus cabelos e algumas partes dos meus braços. Isso fez com que eu andasse mais devagar até a garagem, me fazendo desfrutar mais ainda daquele momento. Logo cheguei na garagem e vi Phill arrumando algumas coisas nas prateleiras das paredes, também segurando duas sacolas plásticas que pareciam estar cheias de alguma coisa metálica. Cheguei mais perto e vi uma latinha caída no chão, que parecia com alguma latinha de energético. Estalou alguma coisa em minha mente.
'Nossa, fez uma festa e nem para chamar a irmãzinha?' falei, abaixando e pegando a latinha.
'Que foi? Já vai me chantagear?' ele nem se assustou quando eu falei atrás dele. Nunca consegui pegar ele desprevenido.
'Não. Calma. Só perguntei ué.'
'Sei. E como foi o seu dia na casa da ? Fez muito trabalho de casa?' disse em um tom irônico.
'Haha. Como estou rindo demais.' É claro que eu não iria dar o gostinho para ele dizendo que fiz alguns. 'E como foi o seu "encontro de amigos"? Jogaram muito video game? Já sei, brincaram com o seu Max Still lá no quarto?' eu tinha que ser irônica também.
'Claro pô. Até chamamos algumas meninas para brincarmos de papai e mamãe.' disse com um sorrisinho safado.
'Creeeeedo! Vocês são nojentos.' eu disse, fazendo cara de nojo.
'Hahaha. Agora você sente nojo, né?'
'Mas é claro. Só de imaginar meu irmão com outra garota... que... arg! Não irei conseguir dormir hoje.'
'Relaxa mana, não foi só eu. Os caras também pegaram umas garotas, mas ficamos só nos amassos. O que quase estava comendo uma na varanda lá de trás.'
WHAT? Aquele garoto estava se agarrando com uma qualquer pela minha casa? Nunca mais iria ficar naquela varanda.
'Que bom pra ele.'
'É mesmo. Ela era uma gata do cacete.' Eles só pensam em bunda, peitos e cintura fina, não é? Aposto que se perguntasse quanto era 1+1 era iria dizer 11. Qual seria a vantagem de ser 'turbinada' se o cérebro que é o bom, não se encontra na caixa craniana? Não entendo esses garotos, só pensam com a cabeça de baixo.
'Tá bom. Eu vou comer alguma coisa e dormir. Diz para mãe que eu estou muito cansada e por isso não esperei ela, ok?'
'Ok irmãzinha.'
Quando eu já estava saindo pela porta da garagem, ouvi Phill falar.
'A propósito, o curtiu os seus posters.'
'Hum. Ok.' Me virei e continuei andando. Mas logo assimilei o que ele tinha acabado de me falar. O gostou dos meus posters? Mas para ele ver os meus posters, ele tinha que entrar no meu quarto! NÃO ACREDITO! Comecei a voltar para a garagem aos passos pesados e vi que Phill se assustou quando me viu entrar novamente na garagem.
'Vamos adivinhar? Faíscas saindo da sua cabeça, quase quebrando o chão com os pés... Agora que você assimilou tudo, né? Pra essas coisas você é lerdinha.' ele disse, rindo.
'Não se faça de engraçadinho! Como você deixou aquele garoto entrar no meu quarto?' estava quase explodindo.
'Relaxa mana. Ele estava procurando o meu quarto para pegar umas baquetas, porque esqueceu as dele em casa.' Phill estava calmo me respondendo.
'Relaxar? RELAXAR? Nunca mais deixe ele pisar ou chegar perto do meu quarto, ouviu Phillipe? NUNCA MAIS! Agora eu vou ter que trancar meu quarto toda vez que seu amigo vier pra cá?' eu realmente estava explodindo de raiva.
'Eu já disse para ficar calma. Ele não te roubou nada e nem fez nada.'
'Mas eu disse que não quero! Não ele!' Saí voando pela porta afora e fui direto para o meu quarto. Fechei a porta com toda a força. Não acreditava naquilo. Como ele teve a cara de pau de entrar no meu quarto sem ser ao menos convidado? Agora em diante eu ia ter que trancar a porta do meu próprio quarto quando esse garoto viesse pra cá. O pior de tudo é que eu iria ter que fazer aquele maldito trabalho com ele. Tinha que achar uma forma de me acalmar. Não iria me cansar por causa daquele idiota. Apenas liguei o notebook e fui procurar alguma coisa para fazer e me esquecer daquela merda toda.
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Era uma hora da manhã e eu ainda estava na internet, esperando o sono chegar. não havia entrado na internet e nem as outras meninas, então passei horas e horas lendo textos, vendo alguns episódios da minha série preferida, ouvindo músicas, pesquisando algumas bandas novas. Encontrei um trecho de um livro que parecia ser bom e comecei a lê-lo. Gostei e resolvi comprá-lo. Me levantei da cama, fui até a minha escrivaninha, abri a terceira gaveta e peguei o cartão de crédito que havia guardado ali. Eu não era muito de usar esse cartão, mas de vez em quando usava ele para comprar algum livro que achava perdido pela internet. Assim que ia começar a compra, não sei o que me deu e fui ver onde eu podia encontrá-lo sem ser na internet. Não achei ele para comprar em nenhuma livraria que era perto de casa e que eu costumava ir. Fui um pouco mais persistente e encontrei uma livraria que tinha o bendito livro. Não era perto de casa, mas também não era tão longe assim. Era em um outro bairro, mas ir de carro não demoraria muito. Enfim, peguei o endereço da livraria, deixei anotado no meu celular e guardei o cartão novamente na gaveta. Agora sim o sono havia chegado e então fechei o computador e me deitei na cama. Finalmente amanhã seria sexta-feira.
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'Finalmente sexta-feira chegou! Amanhã vai ser o dia de acordar tarde.' falei para no intervalo da escola.
'Ah, nem fala. Acordar cedo todos os dias só para estudar é fogo.'
'Pois é... Mas, se bem que você tem um motivo muito bom para vir pra cá, né? Aliás, não só um bom motivo, mas também inteligente, bonito.' falei com um sorriso sapeca.
'Ah é, tenho mesmo, sabe. Um bom motivo que nem sabe que eu existo.'
'Mas é claro, sua cabeçuda! Você não vai falar com ele! Quantas vezes eu já te disse isso? Vai esperar ele parar na sua frente e te dizer "Oi , eu olhei pra você e resolvi te chamar para sair, quer?" Que isso, né? Nem conheço ele, mas só o jeito dele já sei que ele não é assim.'
'Tá, tá. Af. Eu vou falar com o Jake, mas...'
'Mas o que?' falei, quase agarrando seus cabelos.
'Mas eu não sei o que ele vai dizer, reagir...'Ah, como ela era cabeçudinha.
'Mas é claro que você não sabe! Você não foi falar com ele ainda.'
'Ok Ok . Quando eu tiver uma boa oportunidade para falar com ele, eu vou.' ela disse, passando a mão nos cabelos.
'Bom, não irei deixar você perder o Jake. Quando é que você vai achar outro garoto bonito e inteligente assim?'
'Hahaha. Você me faz rir.'
'Ah é? Se você não aproveitar, eu posso...' ameacei, dando um sorriso malicioso.
'Você nada. Vamos mudar o assunto.' ela respondeu, ficando séria.
'Hahaha. Relaxa querida, eu não coloco o olho nele. Até porque prefiro os que têm cabelo grande, usam all star velho e gostam de bandas com som pesado.' falei suspirando, o que era verdade. Meu tipo é dos roqueiros.
'Então, por que ainda está aí sonhando?' me perguntou meio séria, o que me fez olhá-la meio confusa.
'Com assim?'
'Você não tem motivos para ficar sozinha.' fiquei mais confusa ainda.
'Como não? Será por que eu estou sozinha?' falei como se fosse uma coisa óbvia, o que era verdade.
'., você já tem o seu roqueiro.'
Olhei para , continuando não entendendo, mas quando ela riu, soube onde ela queria chegar e dei um tapa ela.'Nem pense em falar nele. Cala essa boca.'
'Ah, mas que isso, ! O ...'
'O porra nenhuma.' cortei. 'Já disse que prefiro a morte do que aquele garoto. Será que não entende?'
'Tá, relaxa. Não me mate. Eu gosto de perturbar mesmo.' ela me abraçava, rindo.
'Ok Ok, mas só não me lembre dele.'
'Tá bom, você que sabe.'
O sinal da próxima aula soou e então eu e fomos caminhando até o bloco da escola em que iríamos ter aula de inglês. Essa aula eu e fazíamos juntas também, então nos sentamos uma ao lado da outra e ficamos conversando sobre os nossos planos da noite.
Olhei para trás e vi Jake há umas duas cadeiras atrás da gente, conversando com um outro garoto. Voltei a olhar para , que seguia meu olhar.
'O que foi?' ela me perguntou.
'Nada... Só estava pensando se...'
'Pensando se o que?'
'Se você convidasse o Jake para ir com a gente hoje.'
'Ih, já começou.'
'Sério. Seria um bom jeito de conversar e tudo.'
'Não, . Não viaja, tá?'
Eu ia tentar convencer ela, mas o professor chegou na sala e então eu tive que me calar. Mas não iria desistir assim, ela ainda iria falar com ele. Ah, ia sim.
Se passaram 50 minutos de aula e ganhamos o passaporte para a liberdade! Pelo menos, por dois dias. Me despedi de e fui para casa. Almocei, tomei um banho e subi para o quarto, para já ir arrumando a minha roupa para mais tarde sair. Fiquei no quarto ouvindo música e esqueci da hora, até quando me mandou uma mensagem dizendo que iria se atrasar um pouco. Então comecei a me arrumar logo, antes que eu me atrasasse. Banho tomado, coloquei minha calça jeans, meu all star, uma blusa regata preta e uma blusa aberta quadriculada azul por cima. Deixei meu cabelo solto, mas a franja prendi com um grampo para trás. Enfim peguei minha bolsa, fui para a sala e esperei me ligar, para que ela pudesse me pegar em casa e fossemos para o cinema. Quando sentei no sofá, vi meu irmão descer a escada, também todo arrumado. Nada de se estranhar, porque ele sempre saía na sexta e só voltava de manhã.
'Qual é a boa de hoje?' perguntei indiferente.
'Não sei. O pessoal ainda não decidiu aonde vamos direito. E você?'
'Nada de demais. Só uma rave com drogas em muita orgia.' falei com uma voz grossa.
'Isso significa cinema, chocolate e música depressiva pra você.' disse, sentando no mesmo sofá que eu.
'Não, hoje é só cinema mesmo.'
'Ah, que pena.'
'E por que você ainda está aqui? Já não devia estar lá fora?'
'Relaxa mana. Está me expulsando?' No momento em que eu ia responder, senti meu celular vibrar e um som de buzina.
'Que bruxaria é essa, garota?' Phill me disse, se levantando e me dando uma careta.
'Cala a boca e vamos. A também está lá fora me esperando.' Disse, me levantando e indo até a porta junto com ele.
Saímos de casa e haviam dois carros parados na frente da casa. O de estava na frente e então fui em direção a ele, mas pude ver os garotos que estavam no carro de trás. Vi debruçado no volante, e consegui ver sua blusa do Metallica, a mesma do show em que o encontrei no início do ano. O observei por uns instantes, até perceber que ele também me olhava. Desviei o olhar e cheguei ao carro de .
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POV's
Estava animadão para sair. Era sexta-feira e não tinha hora para chegar em casa. Isso era vida!
Estava parado em frente a casa do Phill, esperando ele sair para irmos a algum lugar bom com os outros caras. Em uma sexta-feira a noite tinham vários lugares cheios de garotas fáceis e muita bebida. Estava conversando com os garotos, sobre o convite que recebi de uma gata do colégio para ir a uma festa, e vi Phill finalmente sair de casa. Me debrucei sobre o volante para enxergar melhor quem estava atrás dele. Ela estava com uma blusa xadrez que sobressaía sobre uma outra blusa, seus cabelos extremamente vermelhos soltos e um all star verde limão. Por um instante, pensei que ela estava vindo para o carro onde eu estava, mas logo desviou um pouco e foi para o carro que estava logo a frente do meu. Nem tinha notado a presença dele ali. Acompanhei seu andar até a porta do carro, mas me dei conta de que ela percebeu que eu a olhava e então ela olhou para o motorista do carro. Entrou e depois vi o carro sumir pela rua. Nunca tinha reparado em como ela sabia se vestir bem e como tinha um andar quase que leve. Acordei de meu pequeno transe quando ouvi a porta do carro bater e ouvi a voz de Phill surgir.
'Fala aí! E aí, vamos para onde?'
'Vamos para uma festa que está rolando do outro lado da cidade.' um dos garotos que estava atrás de mim falou.
'É, acabei de receber um convite de uma gostosa lá do colégio.' falei.
'Beleza então. Vamos encher a cara, meus amigos!' Phill disse com um tom entusiasmado.
'Já estamos lá.' respondi e dei a partida no carro. Quando virei a esquina, vi o outro carro parado no sinal e também vi duas silhuetas conversando animadamente. Ela também saía às sextas-feiras? Nossa, fiquei de boca aberta. Mas logo deixei aquilo de lado e me concentrei na conversa dos garotos. Se ela tinha vida social ou não, não me interessava. Não sei por que eu ainda perdia meu tempo pensando nessas bobagens. Acelerei mais e dali a uns 50 minutos já estava na tal festa. A noite iria ser boa.
Capítulo IV –
POV’s
Eu e estávamos paradas no sinal da rua conversando sobre qual cinema iríamos e qual filme poderíamos ver. Eu não queria ir para o cinema que sempre íamos, como de costume. Queria ir para algum diferente, para mudarmos um pouco e tudo.
'Então , que tal irmos para Ballantyne? Lá tem um cinema muito bom!'
'Em Ballantyne? Não é um pouco longe?'
'Ah, que isso. Não é muito longe não. Dá para irmos lá de boa. Se você ficar cansada de dirigir, na volta eu dirijo.'
'Hum... ok então né.' Ela falou e logo em seguida acelerou com o carro, assim que o sinal se manteve verde. 'Mas não sei por que essa sua enorme vontade de ir para Ballantyne. Sempre se contentou em ficar por aqui mesmo, em Myers Park.'
'Ah, eu queria ir para algum lugar diferente. É cansativo ir sempre para um mesmo lugar. Você não acha?'
'Ok ok. Vamos então, mas, na volta é você quem dirige.'
'Tudo bem.'
Durante todo o caminho, e eu fomos conversando sobre o que, possivelmente, poderíamos ver no cinema e sobre o que poderíamos fazer depois disso. Como ficamos indecisas sobre o que fazer depois, decidimos resolver na hora. O mais importante era chegarmos no cinema a tempo do filme, que eu queria ver começar.
Demoramos um pouco para chegar ao cinema porque as pistas estavam escorregadias, por conta chuva que havia caído no dia anterior, então teve que dirigir um pouco mais devagar, fora também alguns trechos da pista que estavam congestionados. Em uma sexta-feira a noite, o movimento de carros em direção à Ballantyne era mais intenso que o normal. Ballantyne era um bairro que era considerado o melhor para ir se divertir por conta dos vários shoppings e casas noturnas. Phillipe quase sempre ia pra lá e isso explica ele conhecer várias pessoas.
Assim que chegamos, foi estacionar o carro em um estacionamento ao lado do cinema, enquanto eu ia para a bilheteria. Quando cheguei lá, vi algumas pessoas já na fila para comprar os bilhetes, então me juntei a elas para fazer o mesmo. Como eu sabia que demoraria um pouco para estacionar o carro (ela tem uma pequena dificuldade para estacionar direito) entrei na fila para comprar o meu e o bilhete dela também. O filme que escolhi estava estreando naquela noite, então o cinema estaria relativamente cheio, mas eu já saberia onde nós iriamos nos sentar.
'Cheguei. Já estou pegando o jeito, viu? Não demorei muito.'
me disse, ficando ao meu lado e ajeitando o cabelo que estava feito em uma trança embutida.
'Ah, é sim. Dessa vez só demorou meia-hora.' eu disse, rindo.
'Muito idiota você. Então, vamos ver o que?'
'Bom, eu estava pensando que...' antes que eu terminasse de responder, vi um grupo de garotos se sentando nos bancos que estavam perto da porta da sala do cinema. Reparei em um,em especial, que estava segurando uma certa quantidade de bilhetes, provavelmente sendo de todo o grupo de garotos. Então, antes que percebesse minha leve distração e olhasse também, tentei continuar o que estava dizendo sem parecer muito distraída. 'que... acho que a fila da pipoca vai lotar logo. É melhor você já ir comprar.' tentei remendar a resposta. Resposta de merda. Eu dei um leve riso assim que falei, sem que ela percebesse.
'Mas já? Nem compramos os bilhetes do cinema ainda.' Ela disse, me olhando.Torci para que ela não me questionasse muito, como sempre fazia quando não engolia alguma desculpa.
'É... e também que não comi nada quando saí de casa. Vai dizer que você não está com fome?'
'Rum... é, pior que é mesmo. Acho que então irei comprar alguma coisa para comermos. Acho que dá tempo de comprar e vir aqui comprar com você os bilhetes, já que tem ainda algumas pessoas na sua frente. Já volto então .' Ela se afastou de mim, indo em direção a bancada de pipoca.
Olhei para trás para ver se o grupo de meninos ainda estava lá e vi que sim. O tal menino olhou em minha direção também e pareceu que logo me reconheceu. Ele me mandou um tchauzinho e mandei um outro em resposta. Olhei novamente para a fila e vi que já estava chegando a minha vez de comprar, então olhei para o lado tentando localizar e a vi escolhendo alguma coisa na vitrine. Sorri, pois iria ganhar tempo. Fiquei olhando fixamente para as pessoas que estavam atendendo o caixa, como se aquilo fizesse ir mais rápido. Assim que o caixa 3 ficou livre, fui em direção a ele, sem ao menos esperar o chamado do atendente. Comprei os bilhetes do filme, que iria começar em alguns minutos e fiquei mais aliviada assim que saí do caixa. Logo veio ao meu encontro com dois pacotes de pipoca, dois refrigerantes e alguns doces nas mãos.
'Não vai me dizer que já comprou os bilhetes?' ela me perguntou com uma cara de reprovação.
'Já. Você demorou e eu tinha que comprar, senão iria ter que entrar na fila novamente.'
'Af. Da próxima vez, só irei comprar pipoca depois que tivermos comprado os bilhetes.'
'Tá bom. Você que sabe.'
'E não estava lotado coisa nenhuma a fila da pipoca, tá bom?'
'E eu disse que estava lotado? Apenas disse que poderia lotar.'
'Ruuum... sei . Enfim, qual é o filme que você escolheu para vermos?'
Eu ia responder, mas logo vi que alguém se aproximava de nós duas, então deixei a pergunta de sem resposta... naquele momento.
'? Dá pra falar logo?'
'Oi meninas.'
'Oi Jake.' eu disse sorrindo, enquanto estava paralisada na minha frente, sem conseguir dizer nada. Ela estava com os olhos fixos em mim, e nesse momento pensei que ela fosse começar a gritar, como se alguém estivesse prestes a matá-la.
'Então... vieram pegar um cinema né.' Jake disse, meio... meio não, muito sem graça, pois apenas olhava pra mim. Parecia que ela estava com o pensamento longe... ela estava analisando o que estava acontecendo ali.
'É sim. Depois de uma semana de aulas, temos que dar uma descansada, não é mesmo?' eu disse, sorrindo. Eu estava tentando achar alguma coisa para falar, mas então finalmente voltou para Terra e se virou para Jake.
'Jake, que filme você vai ver mesmo?' ela perguntou pra ele com um sorrisinho, meio que parecendo irônico.
'Bom... er, eu e os garotos vamos ver "Sherlock Holmes: A Game of Shadows" que está lançando hoje.' ele ficou meio assustado com o jeito dela perguntar.
'Ata.'
'Sério? Que legal!' eu disse com uma voz entusiasmada. 'Nós também vamos.' Nesse instante, me olhou e eu apenas sorri. Iria ser hoje que ela iria conversar com ele.
'Beleza então. Vocês podem sentar junto com a gente então.' Jake disse, sorrindo. 'Então, eu vou lá falar com os meninos e já volto.' ele se afastou em direção ao grupo de amigos que estavam conversando ainda na porta da sala do cinema.
'Ir para um lugar novo, não é? Com muita fome e não deixar eu comprar os bilhetes com você, não é ?' falou, olhando firme pra mim assim que Jake saiu.
'AAAAAH . Para de graça e confessa que você adorou minha surpresa.' eu disse, abraçando ela.
'Eu não acredito nisso. Como eu não percebi também?' ela disse, batendo com a palma da mão no meio da testa.
'Relaxa .' disse, soltando ela e pegando a pipoca da mão dela.
'Você marcou com ele? Armou isso tudo por cima do meu nariz e eu não suspeitei de nada? Como pode isso?'
'Muito pelo contrário, eu não marquei nada com ele.' eu disse tranquila, comendo pipoca, que alias, estava deliciosa.
'Como assim você não marcou nada com ele?' ela fez cara de confusa.
'Hoje, na hora em que eu virei para trás e olhei para ele, ouvi uma parte da conversa dele com o amigo. Ouvi ele dizer sobre a estréia do Sherlock Holmes e que estava querendo muito ir ver na estreia. Então, o amigo dele disse que iria ver aqui.'
'Ham... só isso? Mas como você sabia que ele viria nesse horário? E como tinha também certeza que ele viria?'
'Eu não sabia que ele viria nesse horário. Eu apenas pensei que se ele viesse mesmo, iria vir no primeiro horário da noite, assim como nós duas sempre vamos. E eu não tinha certeza de que ele viria, apenas arrisquei. Fora que também o amigo dele parecia muito empolgado. Com certeza iria arrastar ele também.' eu disse, orgulhosa de tudo ter dado certo.
'Ata. Bom... aconteceu tudo como você pensou que seria.'
'É, ainda bem que sim. Torci muito pra isso. E agora, tira essa cara amarrada e vai aproveitar! Hoje você tem a noite toda para conversar com ele... dar uns pegas.' eu pisquei.
'Eu não estou de cara amarrada... só fiquei surpresa com a situação... e que pegas o que, vamos só conversar mesmo.'
'Sei... mas se ele quiser te beijar, você não vai nem tentar impedir, não é mesmo?'
'Pára ... ele é mais forte que eu também né? Se ele me agarrar a força não irei ter a menor chance de impedir.' ela disse, corando.
'Ahá. Eu sabia!' Eu estava feliz por ela. Eu sentia que eles dois iriam dar certo, mas agora, seria com eles. Eu fiz eles darem o primeiro passo.
Logo depois, Jake e os amigos deles surgiram em nossa frente. Então nos apresentamos e fomos todos juntos para a sala de cinema. Todo mundo concordou em sentarmos na última fileira de cadeiras lá em cima, porque era melhor de ver e tudo. Eu e nos sentamos primeiro, depois os meninos sentaram do nosso lado. Mas, como eu queria ainda dar uma ajuda para os "pombinhos", fiz com que Jake sentasse no meu lugar com uma vaga desculpa de que eu preferia me sentar do outro lado. Então ele se sentou do lado de e os dois ficaram conversando. O filme começou e ficamos prestando atenção. O filme era muito bom, mas foi mais legal ainda porque um amigo de Jake que estava do meu lado ficou comentando algumas coisas sobre o filme e eu também, daí sempre a dizia 'shiiiiiiiu' pra gente, mas nem ligávamos, continuávamos a comentar e tal.
Depois de quase duas horas dentro da sala do cinema, o filme acabou e saímos para o saguão. Como todos estávamos com fome, combinamos de irmos todos juntos para algum lugar comermos. Andamos alguns metros, entramos em alguma lanchonete que parecia ser boa e que tinha algumas pessoas também. Então todos nos sentamos em volta de uma grande mesa que havia na parte descoberta da lanchonete.
e Jake já não paravam de conversar e dessa vez eu não precisei sair do meu lugar para deixá-los sentados um ao lado do outro. Jake já havia puxado uma cadeira para que sentasse ao lado dele.O rosto dela estava todo reluzente, os olhos brilhando e o sorriso de orelha a orelha, mas Jake também não ficava para trás. Os dois juntos era lindo.
Pedimos duas pizzas gigantes de mussarela e calabresa, duas garrafas de coca-cola e detonamos tudo! Comemos e conversamos por mais de duas horas. Os amigos de Jake eram hilários! Ri muito com eles, mas principalmente com o Matthew, aquele que conversei durante quase todo o filme. Ele tinha o melhor senso de humor dali. Depois de comermos e pagarmos a conta, fomos todos juntos novamente para o cinema para pegarmos os carros e irmos embora. Quando chegamos, já fomos nos despedindo.
'Hoje com certeza foi uma das melhores noites. Vocês duas são hilárias.' disse um dos garotos.
'Hahahaha. Que isso, vocês que são ótimos.' eu disse sorrindo.
'Podemos marcar isso mais vezes, não é mesmo?' disse Jake.
'Claro, assim que pudermos!' disse.
'Bom, e as senhoritas? Como irão voltar pra casa?' Matthew perguntou.
'Nós vamos no meu carro.' disse.
'Ah, melhor assim então. Se vocês fossem de ônibus eu iria oferecer uma carona.' Jake disse gentil.
'Ah, obrigada, mas deixa para próxima.' respondi.
'Bom, vou então pegar o carro ali no estacionamento. Fica aí , que eu paro aqui em frente.' disse.
'Ok.'
já estava indo em direção ao estacionamento, mas Jake correu pro lado dela.
'Espera aí, eu vou junto com você. Tenho que pegar o meu carro também, e é melhor você não ir sozinha.' ele sorriu junto com .
Os dois foram andando juntos até o estacionamento e depois entraram nele. Fiquei na calçada com os garotos esperando o carro parar em frente. Os outros garotos estavam conversando sobre algo do filme enquanto Matthew ficou ao meu lado.
'Então , você estuda no mesmo colégio que o Jake?'
'Sim. Ele faz algumas aulas junto comigo.'
'Com a também?'
'Ah, eles fazem as mesmas aulas, e pode acreditar, até hoje não se falavam.'
'Sério? Bom, a partir de agora acho que vão se falar todos os dias.' ele riu.
'Ah, vão sim. E se não se falarem, eu faço eles falarem.' eu disse com um tom autoritário, mas depois ri.
'É isso aí.' ele disse e depois ficamos um pouco em silêncio.
O silêncio já estava ficando chato.
'Se liga , não quero ser intrometido mas...' ele olhou pra mim, tentando esconder o pouco de vergonha que estava surgindo no seu rosto. 'Você tem namorado?'
Olhei para ele tentando entender o porquê isso iria fazê-lo parecer intrometido. Sorri por ver suas bochechas um pouco vermelhas quando o olhei.
'Não.'
'É? Você tão bonita e engraçada assim, sem ninguém do lado? Que desperdício.'
Eu ri de leve com o que ele disse e ele percebeu o porquê do meu riso.
'É. Eu sei, eu sei. Foi horrível essa. Clichê demais.' ele riu dele mesmo.
'É...' ri sem graça, mas era verdade.
'Então foda-se tudo. Você já percebeu que eu adorei te conhecer hoje. Não esperava que vir ao cinema hoje arrastado por um amigo iria ser tão bom.' ele riu pra mim, olhando nos meus olhos.
'Também adorei ter conhecido você hoje, Matthew.' Era verdade.
'Então... Será que poderíamos marcar de sair? Seria muito legal, não acha?'
'Claro, acho sim.' sorri.
'Então, depois eu posso te ligar? Ou isso é uma coisa muito antiga e você prefere que eu pegue o seu facebook?' ele disse em um tom humorado.
'Hahaha. Você pode me ligar sim e também pode pegar meu facebook, chato.'
'Chato? Duvido hem.' disse em um tom convencido.
'Tá, não é não... só um pouquinho.' disse sapeca.
'Aé? hahahahaha' nós dois rimos. Então e Jake surgiram com os carros parados na nossa frente. Mattew me deu o celular dele onde coloquei o meu número, então nos abraçamos e dei tchau para os outros meninos. Entrei no carro de , que buzinou, e partimos para casa.
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Depois que entrei no carro, já fui perguntando para o porque demorou para pegar o carro. Eu já sabia que em parte, era porque ela tinha dificuldade de tirar o carro da vaga, mas queria saber se tinha rolado alguma coisa entre ela e o Jake.
'Entãããão. Me diz, o que rolou?'
'Hãm? Calma .'
'Calma nada, diiiiz logo.' eu parecia uma garotinha aos pulos.
'Tááá. Eu demorei um pouco porque tive uma certa dificuldade em tirar o carro.'
'Disso eu já sei.' fiz uma careta.
'Chata.'
'Chega de lenga-lenga. Diz.' falei autoritária.
'Táááá. Fomos andando até o meu carro conversando sobre o filme e tudo. Quando paramos a porta do carro, ele ficou de frente pra mim e eu até pude sentir a respiração dele bem perto de mim.' Nesse instante eu tive que ficar atenta na estrada para evitar algum acidente, porque já estava quase que fora da Terra. 'Daí ele falou que tinha adorado ter nos encontrado no cinema, que foi uma surpresa mais que boa pra ele. Eu falei que também tinha adorado né, falei que não sabia que ele era tão legal e engraçado assim, e aí ele falou que não foi assim com ele, porque ele já sabia que eu era legal e engraçada.' Fiquei com os olhos mais atentos ainda na estrada e nos carros. Em vez de olhos, tinha estrelas reluzentes. 'E eu fiquei sem jeito, né. Já falei que ele tem um cheiro delicioso? E o sorriso? Lindo.' Daí eu já sabia o que tinha acontecido.
'Então...??' eu perguntei.
'Ah... depois só senti ele me segurando pela cintura e a boca dele em cima da minha.' AAAAAAAAAAAAIN
'OWWWWWWWN, que liiindo!' Minha noite tinha se completado.
'Foi a melhor sensação que senti . Ele é maravilhoso.' Eu podia sentir a alegria e emoção exalando de .
'Você não sabe o quanto estou feliz por você!'
'Ah, se não fosse por você ... com certeza eu não estaria assim.'
'Que isso. Estou muito feliz por ter ajudado. Mas agora, quero ver hem. É com você.'
'Pode deixar .' ela riu.
'Bom, mas e depois do beijo?'
'Ele perguntou se poderíamos sair, só nós dois. Eu disse que sim né, óbvio. Aí ele disse que iria falar comigo mais tarde pelo facebook, daí demos mais um beijos de despedida e eu entrei no carro.'
'OWN, que fofo.' falei juntando as mãos.
'É. Mas e você, dona ?'
me cutucou.
'Eu o quê?' olhei pra ela.
'Pensa que não reparei? Você e o Matthew, conversando, rindo, trocando sorrisinhos... safadinha né.' ela riu.
'Hahahahaha. Safadinha, eu? Nem, ok?'
'ÉÉ sim, agora vamos, pode falar.'
'Ah... ele é legal sim, adorei ele mesmo. Só que não rolou nada demais.' falei olhando para a janela.
'Nada de demais? Humm... sério? Nada nada?' ela perguntou com um tom meio desanimador.
'É... bom, na verdade, ele disse que gostou de me conhecer e tal. Ele pegou até o meu telefone e...'
'E...?'
'E me chamou pra sairmos.' Sorri.
'E ISSO NÃO É NADA DEMAIS?' quase gritou.
'Calma. Não é nada comparado ao seu né?' dei uma piscadela.
'Você entendeu o que eu quis dizer.'
'Hahaha. Sim, entendi.'
Já estávamos na metade do caminho quando uma chuva fina começou a cair sobre a pista e o para-brisa do carro. Fomos conversando e ouvindo música até chegarmos em frente a minha casa.
Eu estava feliz com aquela noite. Consegui fazer e Jake se aproximarem, conheci garotos hilários, ri muito com eles, gostei também de um garoto que é super gente boa.O Matthew era um garoto ótimo e adorei ele mesmo, só que, para ser sincera, eu não estava colocando muita fé. Do tipo, de que iríamos para alguma coisa mais séria, sei lá... mas, caso houvesse ocasião para sairmos e conversarmos mais, é claro que eu iria. Não poderíamos ser mais que amigos, mas como amigos com certeza teríamos futuro.
'Prontinho. Entregue.' disse, destravando as portas do carro.
'Obrigada amiga.'
'Por nada , eu é que agradeço.'
'Não por isso amiga.' sorri.
'Ok, mas óh, se livrou hem. Eu que vim dirigindo.'
'Ah é! Tinha me esquecido que tinha combinado com você que eu voltaria dirigindo.' O que era realmente verdade. Fiquei tão distraída com a história toda que acabei me esquecendo.
'Sei. hahahaha. Tudo bem , deixa pra próxima.'
'Ok. Mas se serve de consolo, eu fiquei com os olhos grudados na estrada durante todo o caminho de volta. Não confiei em você na estrada quando estava falando do Manson.' brinquei.
'Hahahaha. Tá ok então.' ela disse sorrindo.
'Boa noite . Tenha óóótimos sonhos. Até amanhã.' Disse, abraçando e beijando na bochecha ela.
'Hahaha. Boa noite. Bons sonhos você também.' ela também disse, me abraçando e me dando um beijo estalado na bochecha.
Saí do carro e dei um último tchau para . Assim, ela buzinou e saiu a caminho de sua casa. Andei em direção à porta da frente e entrei em casa. Estava tudo escuro, só a luz da cozinha que parecia estar acesa. Tranquei a porta e fui para a cozinha, onde encontrei minha mãe sentada bebendo chá e comendo alguns biscoitos, enquanto lia algum artigo de jornal.
'Oi mãe.' Falei, entrando pela porta da cozinha.
'Olá filha.'
'Por que está acordada ainda? Já está tarde.'
'Já está é?' ela olhou para o relógio que estava pendurado na parede, que marcava uma hora da manhã. 'Nossa, é mesmo. Perdi a noção da hora lendo aqui na cozinha.'
'Então é melhor a senhora ir dormir. Deve estar cansada do trabalho.'
'Ah sim, estou mesmo filha. Mas, como foi o passeio?'
'Foi bom, mãe. Eu e fomos para Ballantyne ver a estréia de um filme.'
'Que bom filha. Foram só vocês duas?'
'De início sim, mas quando chegamos lá encontramos com um amigo da escola que estava também com os amigos. Daí vimos o filme todos juntos, conversamos, comemos e tal.'
'Ótimo então. E seu irmão saiu também, não é?'
'É né mãe, como toda sexta-feira.'
'Ah, é verdade. Só fico preocupada com ele indo para esses lugares longes e voltando só de manhã.'
'Não esquenta mãe, o Phill já é bem grandinho. Sabe o que faz.'
'É, espero que saiba mesmo.'
'Ok então. Agora vai deitar, mãe.'
'Ok filha. Boa noite, minha flor.Até amanhã.' ela me deu um beijo na testa.
'Boa noite, mãe.' falei sorrindo.
Nós duas subimos as escadas juntas, então minha mãe entrou no quarto dela e eu fui para o meu. Joguei minha bolsa em cima da escrivania e já fui pegando minha toalha para um banho antes de dormir. Depois que fui ao banheiro e tomei um delicioso banho, arrumei minha cama e me deitei. Como de costume, relembrei todo o dia e sorri quando pensei na parte da noite. Não demorou muito e eu já havia caído no sono. Estava realmente cansada.
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POV's
A noite tinha sido muito foda. Desde que eu e os garotos chegamos na tal festa, não paramos de beber e de pegar garotas. Estava destruído, cansado, com as roupas colando no corpo, com dor de cabeça, cheio de sono e ainda tive que dirigir até Myers Park para deixar o resto dos caras em casa. Deixei todo mundo largado na porta de casa e depois só faltava o Phill, que estava com a cabeça tombada no vidro da janela. Tive que tomar umas duas latinhas de energético para poder dirigir um pouco mais consciente. Assim que cheguei em frente a casa de Phill, já estava de manhã. Parei o carro e sacudi ele para que abrisse a porta do carro e caísse fora.
'Ôh Phill, bora, já chegamos na sua casa. Rala daí.'
'Já? Ainda bem cara... estou todo fudido. Preciso dormir um pouco.'
'Valeu cara. Eu também preciso muito de uma cama agora.'
'Ok. Não quer entrar para comer alguma coisa ou descansar?'
'Não mano, valeu. Quero ir é pra minha casa.'
'Beleza então, estou indo nessa, mano. Valeu pela carona.'
'Por nada cara, estamos aí pra isso.'
'Ok. Vê se passa aqui em casa mais tarde.'
'Beleza. Qualquer coisa eu passo aqui.'
'Ok. Tchau mano.'
'Tchau bicha louca.' eu disse dando um soco nas costas dele.
Assim que ele bateu a porta do carro, acelerei e fui correndo pra casa. Não aguentava mais aquela roupa colando, não conseguia mais nem enxergar direito. Minha casa não era muito longe dali e logo depois já estava estacionando o carro na garagem de casa. Entrei pela porta dos fundos e encontrei com meu pai na cozinha tomando café. Não estava com muito saco para conversa. Tentei passar direto, mas meu pai me parou com a mão nas minhas costas.
'Que noite em?'
'Bom dia pro senhor também, pai.' não conseguia nem olhar para ele direito de tanto sono.
'Acho que para você é boa noite e bons sonhos.'
'É.' apenas consegui dizer isso.
'Sobe logo pro quarto então, antes que sua mãe acorde e te encha de perguntas. E vê se não faz barulho.'
'Ok. Até mais.' Meu pai, tinha horas que era maneiro.
'Até mais.'
Me arrastei até o meu quarto, saí tirando minha blusa e minha calça, peguei uma toalha e uma cueca box vermelha e fui direto pro banheiro. Tomei um banho muito bom, me enxuguei, coloquei minha cueca e me taquei na cama. Assim que a minha pele entrou em contato com o edredom da cama, foi como um sonífero pra mim. Em questão de segundos eu estava completamente apagado em cima da cama.
Quando levantei a cabeça do travesseiro, senti uma dor de cabeça do inferno. Não estava com a visão totalmente boa ainda, então cocei os olhos para ver se conseguia distinguir as coisas em minha volta. Logo vi que estava no meu quarto e olhei para o relógio digital em cima da cômoda que estava ao lado da cama. Cinco horas da tarde. Eu tinha chegado umas sete horas da amanhã, eu acho, em casa. Não lembro de muita coisa, só lembro da cara do Phill e depois a do meu pai. Me levantei e sentei na cama, procurando alguma coisa para vestir. Fiz uma careta quando vi que teria que andar até o armário para pegar alguma coisa. Então me levantei e fui até o armário, onde peguei uma bermuda preta e uma blusa de manga azul escuro e calcei meu all star preto. Saí do quarto e fui em direção às escadas. Desci e encontrei minha mãe e meu pai vendo tv.
'Boa tarde, querido.'
'Boa tarde, mãe.'
'Chegou que horas, hem?'
'Ele chegou de madrugada, você já estava dormindo.' meu pai disse.
'É. Não quis acordar a senhora.'
'Ah bom. Dormiu tanto assim?'
'É... a festa foi boa demais.'
'Estou percebendo. Bom, vá até a cozinha e coma alguma coisa.'
'Ok.'
Fui até a cozinha, e chegando lá, percebi que realmente estava morrendo de fome. Preparei um sanduíche bem grande e peguei um copo de coca cola. Comi tudo em alguns instantes e me senti cheio. Ainda estava me sentindo cansado, mas não iria deitar e dormir de novo. Tinha que sair para acordar. Mas antes fui para o banheiro e tomei outro banho para melhorar a minha cara de adolescente vagabundo. Assim que me arrumei, peguei as chaves do carro, que estavam jogadas no chão do quarto, desci as escadas novamente e fui para a garagem. Peguei o carro e parti em direção a casa do Phill. Os outros caras, se bobeasse, estariam do mesmo jeito que os larguei em frente a suas casas, então nem adiantaria ir procurá-los agora. Depois de algumas ruas e sinais, já estava entrando na rua da casa do Phill. Estacionei o carro em frente e fui andando até a porta da frente. Toquei a campainha e esperei apoiado com o braço na parede ao lado.
'Olá.' a mãe do Phill, eu acho, atendeu a porta.
'Oi. O Phill está aí?'
'Ah, está sim querido. Entre. Irei chama-lo.'
'Ok.'
Entrei e andei em direção do sofá, me sentei e esperei Phill vir pra sala enquanto eu olhava pra tv.
'Ele já está vindo. Você quer alguma coisa?' A mãe dele era gentil demais.
'Ah, um copo de água por favor.'
'Ok. Já trago.' ela me respondeu com um sorriso.
No instante em que ela saiu, ouvi um barulho de passos na escada. Não me virei para olhar quem era, eu já sabia...
'Fala aí, bicha.'
'Olá .' ou não sabia.
'Er... Oi .' Falei, virando a cabeça rápido assim que ouvi sua voz. 'Pensei que fosse o seu irmão.'
'Não. Ele está no banho, já vai descer.' ela disse com a voz meio seca.
'Beleza então.' também disse com a voz seca. Não iria me encolher por causa dela.
'Aqui a água. Quer mais alguma coisa?' a mãe do Phill entrou na sala.
'Ah, não, obrigado.'
'Por nada. Estarei na cozinha se precisar de alguma coisa.' e ela saiu em direção novamente para cozinha.
A se sentou no sofá que estava do lado oposto em que eu estava. Quando fui colocar o copo d'água em cima da mesinha de centro, reparei que ela usava fones de ouvidos. Mesmo usando fones de ouvido, dava para ouvir o zumbido da música. De início não consegui ouvir a música que ela estava ouvindo, mas depois reconheci o solo de guitarra. Seek and Destroy, Metallica. Me virei para ver o que estava passando na tv. Geralmente eu não me incomodava com o silêncio que ficava quando tinha alguém a mais no local, mas aquele silêncio estava de certo modo me incomodando. É como se eu pudesse ouvir cada pequeno som que vinha de mim. Senti que algumas vezes um olhar era lançado sobre mim, mas eu sabia que era só impressão. Depois de um tempo, ela cortou o silêncio, tirando os fones de ouvido e falando em minha direção.
'Então. Quando você irá se interessar em fazer o trabalho de filosofia?' Pensei em ter ouvido aquilo com um certo tom de irônia. Vindo dela, eu acho que não era impressão.
'Não sei. Quando eu tiver vontade.' disse ríspido.
'Ok. A nota é sua. Eu já passei.' Eu sabia. Como ela era sarcástica e exibida.
'Ótimo pra você. Assim pode ir puxar o saco de outro professor no próximo ano.'
'Puxar saco de professor? Você acha que eu preciso disso para passar de série?' disse em tom irônico.
'Não sei para passar de série, mas para que eles te aturem, acho que sim.' Senti o olhar dela me fuzilar. Ótimo.
'Então você totalmente enganado. Não preciso de puxar saco de alguém para poder ter notas boas e muito menos para que alguém goste de mim, ao contrário de você, que tenta ser o fodão para que todos de idolatrem. Coitados.'
'Eu tento ser fodão? Hahaha. Me faça rir, . Me desculpe se eu sou mais sociável que você.'
'Mais sociável ou mais panaca?'
'Panaca? HAHAHAHA. Pára, sério, assim eu morro. Você usa vocabulário de outro século só para parecer mais inteligente? Relaxa, pode deixar disso, eu não vou ficar impressionado não.'
'Viu? Depois eu é que sou a metida. Não preciso e nem quero te impressionar, garoto idiota. Tem muito mais o que fazer.'
'Aé? Então por está aqui tendo essa conversa comigo?'
'Ai garoto, é simplesmente porque eu estou fazendo algo que a professora me pediu, um grande favor, que é fazer o milagre de fazer você tirar uma nota boa que seja.'
'Eu não preciso de você para tirar notas boas. Muito obrigado e volte sempre.'
'Vai se foder então, garoto metido a fodão. Só quero ver quando você for reprovado. Nunca fiz isso com ninguém, mas com você irei ter o prazer de rir.' GAROTA IDIOTA, VADIA.
'Vai se foder você, garota. Vai procurar alguém que te queira.' Nessa altura do jogo, já estávamos em pé, falando alto.
Phill estava descendo as escadas e a mãe dele vinha até a sala.
'O que está havendo?' a mãe dele perguntou.
'Ah, nada mãe. Não esquenta não, esses dois não se batem.' Phill disse, chegando ao meu lado.
'Ok, mas que horror. Parem de brigar. Aqui não é lugar para essas coisas.' a mãe dele parecia estar zangada.
'Ok, me desculpe senhora . Não deveria ter gritado por estar em sua casa.'
'Ninguém merece, hem? Vem na minha casa e ainda fica todo exaltadinho?' esbravejava.
'Chega vocês dois. Bora ,vamos dar uma volta para acalmar.' Phill disse, me puxando pelo braço. Eu ainda estava com o olhar preso nos dela. Meu sangue estava fervendo, quase explodindo por debaixo de minha pele. Que vontade de acabar com aquela garota.
'Vamos. Mais uma vez, desculpe senhora .' Segui Phill até a porta e saímos daquela casa. Não aguentava mais olhar
pra .
'Mas que caralho vocês dois em? Quase se atracaram ali dentro.' Phill disse com um tom de riso na voz.
'Ah cara, sua irmã me tira do sério. Como você aguenta ela? Puta que paril.' eu disse desabafando.
'Relaxa cara. Ela não é tão má assim. Vocês nem se conhecem direito.'
'Não, é? Hahahaha. Não acredito nisso. E nem pretendo conhecer ela melhor. Quero ela o mais longe possível de mim.'
'HAHAHAHAH. Bota aí, vocês ainda vão acabar se pegando.'
'Não, Phill. Nem aqui e nem no inferno. Todas, menos ela.'
'Valeu valeu. Vamos dar umas voltas por aí então.'
Entramos no meu carro e fomos dar umas voltas sem destino pelo bairro. Precisava me livrar da lembrança da cara daquela garota.
Capítulo V –
Já era noite quando a chuva dava os seus primeiros sinais de vida. O respingo dela estava começando a lavar a janela do meu quarto, que estava com uma parte aberta e outra fechada. Me levantei da escrivaninha para poder fechá-la toda antes que molhasse o interior do quarto. Quando a fechei, me recostei na parede ao lado e fiquei observando enquanto ela começava a engrossar e a cair com mais velocidade. Em alguns minutos parada ali, voltei para a escrivaninha, onde eu escrevia um resumo sobre a matéria dada na última aula de biologia, já que o professor nos obrigou a fazer essa merda durante o final de semana e entregá-lo na segunda-feira seguinte.
Estava quase no final do resumo, mas então não consegui concluir a minha linha de raciocínio. As palavras pararam de fluir e eu ficava com o lápis sambando entre os dedos. Reli todo o resumo e tentei me lembrar da última aula e das palavras do professor.
'Assim podemos concluir que...' Escrevi e ao mesmo tempo falei em voz alta. Mas peguei a borracha e apaguei. 'Diante dos dados acima, verificamos que o ciclo de Krebs é um impor.... Não.' Borracha novamente. 'Conclusão: O ciclo de Krebs faz com que... Droga.' Joguei o lápis em cima do papel e passei a mão na testa, fazendo com que minha franja ficasse um pouco arrepiada. 'Hoje não é o meu dia.' Bufei, olhando pro papel. Peguei o celular e liguei para o número que estava na lista de discagem rápida.
'Hey cabeçuda.' Ouvi do outro lado da linha.
'Oii amiga.'
'O que houve?'
'Hmm... Não estou conseguindo terminar o resumo de biologia.' Respondi, olhando pro papel.
'Está me ligando pra dizer isso?' disse, estranhando.
'É.' Eu disse, fazendo uma voz de criança.
'Quer ajuda?'
'Não.' Ainda estava encarando o papel.
'Vou pra sua casa, daqui a cinco minutos estou aí.' Ela falou sem ao menos esperar eu dar tchau ou falar outra coisa.
Joguei o celular em cima da cama e me levantei. Desci as escadas e fui para a cozinha caçar algo para comer. Minha mãe estava na sala vendo tv e Phill estava sentado na bancada da cozinha, devorando um x-burguer maior que a boca dele.
'E aí.' Ele falou, engolindo um pedaço e já partindo para outra mordida.
'Oi.' Falei, meio desanimada.
'Já acalmou?'
Olhei pra ele, rolando os olhos e mexendo na geladeira.
'Sério, você tem que aprender a ficar mais calma.'
'Então não traz mais ele aqui.'
'Haha.' Ele riu como se eu tivesse falado alguma coisa engraçada.
Desisti da geladeira e fui para o freezer e peguei um potinho de sorvete de blue ice que tinha ali. Peguei uma colherzinha e também me sentei junto a bancada, de frente para Phill. Ficamos algum tempo só ouvindo nossos próprios barulhos enquanto comíamos e então a campainha soou.
'Deixa que eu vou, mãe.' Falei, já passando pelo corredor que ligava a cozinha à sala e vendo minha mãe já se levantando. Cheguei até a porta e abri, vendo Julie parada na porta com um casaco maior que ela preto, uma calça jeans e sapatilhas azuis.
'Oii pessoa-que-mal-espera-eu-dar-tchau.'
'Oi querida.' Ela riu. Mandei ela entrar e ela foi logo em direção a minha mãe, dando-lhe um abraço e um beijo.
'Quer sorvete, ?' Perguntei.
'Hummm... Esse é de blue ice?' Ela perguntou, olhando pra minha mão.
'É sim, vamos lá na cozinha.' Ela concordou e me seguiu até a cozinha.
Puxei uma cadeira pra ela se sentar e ela o fez, e vendo que Phill estava ali, mandou um sorriso pra ele. Então ele parou de comer para falar com ela.
'E aí , veio acalmar minha irmãzinha?' Ele falou em um tom sarcástico.
'Acalmar?' Ela arqueou a sobrancelha.
'Não liga pra ele.' Eu respondi, dando de ombros e me lhe entregando o potinho de sorvete azul com uma colherzinha.
'Acalmar do que?' Insistiu.
'Ah, ela não te contou? Ela e o quase se pegaram aqui na sala.'
'Como assim, "se pegaram"?' Ela arregalou os olhos, me jogando o olhar.
'Calma, ainda não foi aquele se pegar de amassos.' Nessa hora dei um soco em seu braço, mas obviamente ele nem sentiu dor. 'Eles quase rolaram pelo chão trocando socos.'
'Aé? Nossa, não acredito que perdi essa!' Ela disse, fazendo cara de arrasada e dando um soquinho de leve na bancada.
'Pois é, quase que eu tive que colocar uma camisa de força neles dois.' Phill disse antes de dar a última mordida no hambúrguer que não existia mais na mão dele.
'Que saco.' Ela ainda falou com o mesmo tom de arrasada.
'Eu é que devia ficar com cara de arrasada.' Falei com um tom irônico. 'Queria ter dando um soco naquele idiota.'
'A briga iria ser boa, viu?' Phill ainda disse, fazendo soltar um riso alto.
Phill se levantou da cadeira e saiu da cozinha. Segundos depois disso, olhou pra mim.
'Iria me contar isso?'
'Não sei... Talvez.' Dei de ombros.
'Como assim, talvez? Iria me deixar sem saber dessa quase briga?' Ela ficou um pouco indignada. Na verdade, não era que eu não quisesse contar pra ela, mas não queria me lembrar daquilo. Ele não valia tanto a pena assim, de eu me ocupar contando dessa briga.
'Não foi nada de importante. Ele só ficou putinho por eu dizer umas verdades pra ele.'
'Verdade? Hahaha, agora é que eu quero saber de tudo, .' Ela riu. Eu realmente não queria contar, mas eu sabia que ela não iria descansar até que eu contasse tudo, e já que Phill já tinha falado demais, resolvi contar logo tudo de uma vez.
Passamos algumas horas ali na cozinha, rindo e conversando. Comemos mais dois potinhos de sorvete e então olhou o relógio que estava preso à parede da cozinha e viu que já se passavam das onze. Não tínhamos nem percebido, porque minha mãe ainda estava na sala vendo tv (na verdade, parecia que estava cochilando deitada no sofá) e Phill já não tinha mais dado sinal de vida na cozinha e nem na sala. Ela se levantou e eu a levei até o carro. Depois de mais uns minutinhos conversando, nos despedimos e o carro de avançou na rua.
Entrei em casa e tranquei a porta da frente. Fui até o sofá e chamei minha mãe, que se levantou e foi direto para seu quarto. Fui até a cozinha e desliguei a luz, depois fui para o meu quarto, arrumei minha cama, peguei uma camisa larga, um short leve e uma calcinha e fui tomar um banho. Demorei alguns minutos no banho por ficar debaixo do chuveiro quente somente sentindo as gotas caírem sobre minhas costas. Tive a consciência de que estava gastando água demais e logo me ensaboei, fazendo todo o resto. Me vesti, escovei os dentes e fui para o quarto .Olhei para a escrivaninha, que ainda tinha em cima o resumo de biologia. Me sentei na cadeira, peguei o lápis e escrevi "E assim concluímos essa merda.".
Guardei a folha na gaveta junto com o lápis, abri a janela do quarto, sentindo o vento frio que soprava lá fora, ainda chovia um pouco, mas ainda sim deixei aberta. Apaguei a luz do quarto e me deitei na cama. Assim que o fiz, senti meu corpo relaxar e minhas pálpebras pesarem, então apenas deixei que elas caíssem e vaguei pelo pensamento.
Acordei com a luz do sol que estava entrando pela janela e batendo no meu rosto. Olhei o relógio que estava no criado mudo e mostrava que eram dez e meia da manhã. Me levantei e fui direto para o banheiro, escovei meus dentes e desci para tomar café da manhã. Encontrei minha mãe fazendo panquecas e dei bom dia pra ela, recebendo um beijo na testa como sempre. Comi algumas panquecas com suco e logo depois subi para arrumar meu quarto, que já estava precisando de um jeitinho. Passei o dia todo arrumando meu quarto, já que eu não tinha tanta animação assim para arrumá-lo, mas se eu deixasse para fazer outro dia, isso seria só no ano que vem. A noite li um pequeno livro para passar o tempo, jantei e logo depois de um banho, me deitei para dormir novamente. Quase sempre meu domingo era parado. costumava tirar o domingo para ir visitar uns parentes na cidade vizinha, e isso fazia com que ela ficasse praticamente o dia todo lá. Eu saía às vezes com umas outras pessoas da minha turma de filosofia e de inglês, mas isso só acontecia quando elas me ligavam perguntando algum programa legal ou me chamando para irmos a cinema e tudo. Já Phill, passava quase toda manhã de domingo dormindo e a tarde e noite passava na casa de alguns amigos.
'Eita segunda-feira.' Eu disse, me sentando ao lado de para assistirmos a aula de literatura. Nem merecia aula de literatura logo em uma segunda-feira de manhã. Isso era pedir para continuar dormindo. Graças não era dessa turma. Desde sábado de manhã que não o via ou sequer ouvia seu nome e isso era ótimo.
Logo depois de assistirmos a aula de literatura, eu fui para a aula de biologia teórica e foi para biologia laboratorial e com certeza ela iria se encontrar com o Jake. Quando conversamos no sábado a noite, ela tinha me dito que tinha conversado com ele pelo telefone e que marcaram de ir ao cinema na próxima quinta-feira. Como sempre, ela falava dele com brilhos de estrelas nos olhos e eu adorava ver isso.
Me sentei na fileira do canto da sala e fiquei folheando o meu livro esperando o professor chegar. Algumas pessoas vieram conversar comigo sobre o resumo e eu engatei a conversa com elas. Ficamos conversando até o professor chegar a sala e começar a falar.
'Agora, quero os seus resumos em cima da minha mesa para que eu possa dar uma olhada neles.' Todos se levantaram e deixaram a folha em cima da mesa que tinha no canto esquerdo da sala. Peguei minha folha e fiz o mesmo caminho que as demais pessoas e logo depois estava novamente sentada em minha cadeira.
Enquanto ele olhava as folhas, eu rabiscava qualquer coisa na folha de trás do meu caderno e estava contando os minutos para a aula acabar, mas aí ouvi o professor chamar meu nome.
'Senhorita , pode vir até aqui?' Me levantei e fui até ele sem nenhuma pressa.
'Sim.' Falei, olhando para ele. Parecia que ele segurava minha folha, pois reconheci minha grafia.
'A senhorita fez o resumo sozinha?'
'Fiz sim.' Falei.
'A senhorita por acaso acha que eu tenho senso de humor para brincadeiras idiotas logo pela manhã?'
'Hãm?' O olhei confusa, arqueando a sobrancelha. 'Como assim?'
'Vai me dizer que isso não é uma brincadeira?' Ele apontou para o final da folha. 'Puta merda', eu quis tacar minha cabeça na parede naquele exato instante. Esqueci de apagar o que eu tinha escrito sem paciência no sábado a noite, antes de dormir.
'Hãmmm...' Fiquei com cara de tacho, olhando pra ele e tentando buscar na minha mente algo que fosse plausível e bem, não tive sucesso, até porque era óbvio demais que não encontraria. 'Bom... eu... eu...' Passei a mão pelo cabelo, não desistindo de encontrar alguma coisa, mas ele cortou minha linha de raciocínio.
'A senhorita queira se sentar, por favor.'
'Professor, eu juro que não quis... n-não quis..'
'Senhorita , sente-se.' Não pude fazer nada, apenas concordei e fui me sentar. Como eu era burra! Não olhei o resumo antes de entregar e muito menos lembrei de apagar aquela maldita frase. Agora só me restava esperar o que o professor iria fazer em relação a isso.
O sinal do intervalo tocou e então coloquei meus livros e caderno dentro da mochila e fui andando em direção à porta, louca para sair e respirar ar puro. Antes que eu o fizesse, o professor se aproximou de mim e falou: 'Quero outro resumo amanhã, com duas páginas e palavras diferentes dessas que você escreveu. Se não receber amanhã, considere-se dispensada da minha aula por uma semana.' Assenti e caminhei para fora da sala. Ótimo, agora eu teria que fazer outro completamente diferente e mais longo. Parabéns pra mim.
Sentei no banco que tinha do lado de fora da cantina e esperei por . Um pouco depois, vi que ela vinha caminhando junto com Jake. Os dois riam de algo que conversavam e eu continuei esperando por eles, sorrindo.
'Oi .' me disse, sentando ao meu lado.
'Oi .' Jake parecia um pouco sem graça quando falou meu nome. Não sei porque, mas pensei que talvez fosse porque eu já sabia de suas intensões há algum tempo.
'Oi pessoas. Pode me chamar de , Jake. Agora você já é considerado meu amigo íntimo.' Falei, dando uma piscadela pra ele, que ficou um pouco mais sem graça e me deu um empurrão com o cotovelo. 'Ai.'
'Ok.' Ele passou a mão no cabelo e colocou no bolso do casaco.'Er... Vou indo falar com uns amigos. Vejo vocês mais tarde.'
'Tudo bem, até mais.' Sorri.
'Depois nos falamos.' sorriu e ele sorriu de volta e depois foi ao encontro de uns garotos que estavam um pouco mais distantes da gente. Esperei mais algum tempo antes de fazer um interrogatório a . Perguntei tudo o que tinha direito e ela me disse que estavam conversando o tempo todo e que estava mais ansiosa ainda para o próximo encontro de quinta. Estávamos conversando e rindo, quando senti alguém se aproximar de mim e instantaneamente um frio na espinha me fez puxar o ar mais rápido. Vi que me olhou e olhou por cima de meus ombros rapidamente, me dando a confirmação de que realmente tinha alguém próximo de mim. Então, me virei para poder ver quem era e vi ele indo para na minha frente. Fiquei um tempo parada tentando pensar em uma razão lógica para estar parado bem a minha frente depois daquela briga que tivemos. Eu ia começar a falar, mas ele foi mais rápido.
'Esse era o último lugar da Terra em que eu queria estar, mas a professora me encontrou hoje cedo no corredor da sala e quase me obrigou a vir falar com você, então, não fique tão lisonjeada por vir falar com você.' Ele falou, passando a mão pelo cabelo, deixando-o mais desarrumado e suspirou forte.
'Lisonjeada? Me poupe.' Falei sarcástica. 'Veio falar sobre o trabalho de filosofia? Pensei que você não desse a mínima pra isso.'
'E não dou. Já falei o porquê de eu estar aqui.' Ele olhava para todos os lados, mas não fixou o olhar em mim e eu fazia o mesmo, só que nos encarava como se estivesse assistindo a algum filme. Ficamos em silêncio por três segundos e senti aquele silêncio de segundos me cortando por dentro. E por que diabos minha respiração estava acelerada?
'Vamos fazer o seguinte.' Ele disse, olhando agora pra mim. 'Você faz tudo e eu te pago depois.'
Olhei para ele, rolando os olhos. Por mais que eu quisesse me ver livre dele, não iria deixar ele se dar bem as minhas custas, e ainda me pagando? Quem ele pensa que eu sou?
'Não. Não irei fazer as coisas fáceis pra você.' Vi o olhar dele preso no meu rosto e vi sua insatisfação aparecer rápido, mas logo respirou fundo.
'Eu poderia xinga-la agora, mas se você quer assim, iremos fazer do seu jeito. Quando começamos então?'
Fiquei meio confusa. Ele tinha aceitado assim fácil? Não confiei muito naquilo, mas iria continuar para ver no que dava.
'Ok então. Como você foi bonzinho, você pode escolher o lugar melhor para o trabalho.' Ele parou um tempo de me olhar e olhou para os pés, logo depois senti que ele dava um sorrisinho.
'Te vejo na sua casa depois da aula. Até lá.' Ele saiu enquanto eu olhava pra minha frente ainda. Me levantei para ir atrás dele. Como assim na minha casa? Assim que me levantei, o sinal do intervalo soou de novo, mandando os alunos irem para as aulas. Odiei aquele maldito sinal, mas ainda senti o impulso de ir atrás dele, mas... se ele queria assim, então tá, mas ele não iria ficar tão a vontade assim. Iríamos começar a jogar.
'Posso ir?' apareceu do meu lado, batendo os dedos um no outro e com voz de criancinha.
'Hahahaha.'
'Sério, quero mesmo ir. Daria tudo para ver no que vai dar, apesar de que eu já desconfie.'
'Não , fica na sua casa mesmo, mas pode deixar, se ele quer fazer o joguinho de tentar me aborrecer pode ter certeza de que a mágica irá se voltar contra o feiticeiro.' Falei com um sorriso no rosto. riu e fomos para a aula.
Era impressionante como o relógio adorava me contrariar. Da primeira vez em que olhei para o meu relógio, ele já marcava vinte minutos para o fim da última aula. Era impossível que da hora do intervalo até a hora da saída, os minutos tivessem passado correndo sem ao menos eu ter a mínima noção daquilo.
Tentei enrolar um pouco na sala guardando o meu material, na tentativa de que acontecesse algo para que as horas demorassem a passar, mas a cada coisa que eu fazia, parecia que o tempo dava cinco passos a minha frente. Resolvi então sair da sala e ir para casa. Encontrei com na porta da escola e ela me deu um "Boa sorte" antes de entrar no carro. Ela sempre me oferecia uma carona até a minha casa, mas em dias de chuva eu recusava, e isso você já devem saber a resposta. Fui andando até em casa ouvindo música no iPod.
Abri a porta de casa e fui direto para a cozinha. Estava morrendo de fome, parecia que no intervalo eu não tinha comido nada, e comi um sanduíche natural junto com uma coca naquela hora. Preparei um nhoque com molho de bolonhesa e acompanhado de batatas. Claro que já estava feito, só tirei da embalagem e coloquei no microondas. Cozinhar não era muito o meu forte. Comi acompanhado de uma latinha de chá gelado de pêssego, e quando terminei, subi para o quarto e logo depois tomei um banho. Coloquei um short jeans desfiado com uma blusa de manga preta lisa. Prendi o cabelo em um coque frouxo e desci para a sala. Não sabia que horas que ele iria chegar, então deitei no sofá e procurei algum filme bom para ver.
Acho que eu estava cansada e por isso caí no sono, porque quando abri os olhos, o relógio da tv marcava quatro horas da tarde. Quando me levantei senti uma leve pontada nas costas, por ter dormido no sofá que não era uma boa opção de lugar para dormir. Lembrei de que iria vir para minha casa para fazermos o trabalho, mas pela hora, duvidei que ainda viria. Fiquei pensando por alguns minutos o porquê ainda acreditei que ele viria, com certeza ele só tinha dito aquilo para me fazer esperar, e pelo jeito deu certo. Cortei meus pensamentos quando a campainha de casa tocou e eu fui atender.
Provavelmente devia ser Phill que tinha esquecido as chaves pela enésima vez, nunca lembrava de levar com ele. Quando abri a porta, levei um susto, me deparando com a figura de parado em frente a mim. Tentei pensar direito, já que eu tinha acabado de acordar.
'Então... Veio né.' Foi o que veio em minha boca.
'É né, se estou na sua frente.' ele debochou. Rolei os olhos e não tive outra opção a não ser pedir que ele entrasse. Fechei a porta e vi que ele já se sentava no sofá. Contei até dez e falei para mim mesma 'Relaxa, quem vai sofrer é ele.'
Falei para ele ficar na sala esperando enquanto eu ia até o meu quarto e pegava os livros e o notebook. Assim que o fiz, desci as escadas com uma certa dificuldade, já que estava carregando vários livros e ainda o notebook. Ele apenas me observou descer as escadas bem devagar enquanto estava sentado no sofá. Não que eu quisesse ajuda, não esperava nada dele, mas pelo menos que ele não se sentasse que nem um largado no sofá.
'Pronto. Aqui está tudo o que iremos precisar.' Peguei o primeiro livro e abri na página em que falava sobre Aristóteles. 'Aqui fala sobre Aristóteles e no outro fala sobre Platão. Vou ler algumas partes para você ver qual prefere.' Comecei a ler o primeiro parágrafo, mas de vez em quando, olhava para ele e via que estava olhando para a tv. Me levantei, peguei o controle que estava no outro sofá e desliguei a tv e me virei para ele 'Não vai ser tão fácil assim.' Ele apenas me olhou. Me sentei novamente no sofá e comei a reler o trecho que eu já tinha lido, mas então ele pegou o livro da minha mão e ficou olhando para o trecho que eu estava lendo.
'Não preciso que leia pra mim.' Falou ríspido.
'Ótimo.' Também respondi no mesmo tom de voz.
Passaram alguns minutos, e ele ainda estava lendo sobre Aristóteles. Quando ele começou a ler sobre Platão, vi que ele já iria ler sobre o Mito da Caverna, então decidi falar alguma coisa interessante.
'Você vai começar a ler agora sobre o Mito da Caverna, desenvolvida por Platão. É fácil de entender o que ele quis dizer com isso porq..'
'Não preciso da sua ajuda. Já disse que eu sei ler.' Ele me cortou. 'Quando eu quiser explicação de alguma coisa, em último caso eu peço pra você.' Se virou novamente para o livro. Não falei nada, me contentei em apenas ficar calada. Se ele não entendesse alguma coisa, não faria questão de ajuda-lo também. Estava sendo idiota por querer ainda tentar ajuda-lo.
Passaram mais minutos e minutos. Eu brincava com um lápis que tinha do meu lado enquanto ele parecia realmente ler o que estava escrito nas páginas. Me levantei e fui até a cozinha beber um copo de água e quando voltei para sala, também se levantava do sofá, jogando o livro em cima dos outros. Fui até ele, mas nem precisou eu falar alguma coisa para ele já ir falando também.
'Já li tudo. Vou querer fazer sobre Platão mesmo. Estou indo que já cansei disso aqui. Amanhã eu continuo.'
Assenti com a cabeça e ele se virou, saiu em direção à porta e saiu por ela. Peguei os livros e os empilhei, deixando em cima da mesinha de centro. Peguei meu notebook e fiquei um pouco na internet. Tentei achar online em algum lugar, mas ela não estava. Sabia que ela iria querer saber tudo o que havia acontecido enquanto estava aqui em casa, mas para a decepção dela, não havia acontecido nada de demais. Nada demais.
Continuei vagando pela internet tentando achar alguma coisa de bom para fazer ali, mas estava um completo tédio. Desisti do computador e liguei a tv. Fiquei vendo Pretty Little Liars até que a campainha tocou. Me levantei do sofá na maior preguiça e fui me rastejando até a porta da sala. Dessa vez era Phill que estava do outro lado da porta. Abri a porta e voltei para o sofá. Fiquei mais um tempo vendo tv, mas depois a fome venceu minha preguiça, me fazendo levantar do sofá e ir para a cozinha arrumar algo para comer. Comi alguma coisa e ouvi o carro da minha mãe entrar na garagem.
'Oi minha flor.' Ouvi minha mãe dizer assim que entrou pela porta da cozinha.
'Oi mãe.' Dei um beijo na bochecha dela e ela me deu um beijo na testa.
'Como foi o dia?'
'Normal. E o seu?'
'Bem. Cansativo como sempre.'
'Ah.' Sorri pra ela. 'O que vai querer para comer?' Perguntei a ela, indo até o freezer pegar alguma coisa congelada.
'Hum, não sei.' Ela disse, indo até mim e escolhendo alguma coisa. Escolheu uma lasanha de quatro queijos e colocou no microondas. 'Me sinto mal por só deixar comida congelada para você e seu irmão. Queria que vocês comessem algo mais saudável e feito na hora.' Ela disse, me olhando comendo, de frente pra ela na mesa.
'Ah, que isso mãe. Nós sabemos que a senhora não faz isso porque tem que trabalhar de manhãzinha e volta a noite muito cansada.' Tentei anima-la um pouco.
'Mesmo assim, queria fazer alguma coisa mais saudável.' Ela ainda tinha o tom de voz um pouco baixo.
'Nha, pára mãe. Relaxa. Nós sabemos que a senhora quer o nosso melhor.' O time do microondas apitou. 'Agora come um pouco para poder tomar um banho e descansar.' Sorri pra ela e fui pegar a lasanha. Coloquei em um prato e peguei uma latinha de chá gelado, e coloquei na mesa pra ela. Terminei de comer e me levantei, passei pela sala e peguei os livros, o notebook e fui para o meu quarto. Guardei tudo e fiquei mais um pouco na internet, dessa vez estava online. Não precisou de muito tempo para que ela viesse falar comigo.
: você só entra pq já estou de saída né sua vaca. @_@
: que nada sua chata. u.ú acabei de jantar. e eu já tinha entrado antes mas você nem estava aqui.
: eu estava ocupada.
: hmmm com o que? (6)
: depois eu te conto. ah, e você já fez o trabalho de biologia?
: KCT! :@ ainda bem que você me lembrou, já tinha esquecido.
: se não sou eu na sua vida hem? hahahaha. vai lá logo fazer, tenho que ir jantar. beijinhos, até amanhã.
: okay! até amanhã, beijos :*
Já tinha esquecido daquele maldito resumo que eu tinha que refazer. Agora tinha que fazer duas folhas e com outras palavras. Desliguei o notebook e fui pra a escrivaninha, para tentar fazer aquela bosta.
Capítulo VI –
Já fazia uma semana que o ia na minha casa todos os dias, sempre pelo horário das quatro horas, para fazermos o trabalho. Na verdade, para ele fazer, porque desde quando ele chegava até a hora em que ia embora não trocávamos uma palavra. Eu ficava sentada no sofá ouvindo música, enquanto ele lia alguns textos dos livros e às vezes procurava alguma coisa na internet. Ele se recusava me perguntar alguma coisa, o máximo que ele fazia era me pedir um copo de água ou pedir para ir ao banheiro. Admito que estava quase me acostumando ter ele lá em casa, mesmo que fosse no puro silêncio. Quando chegou o final de semana, ele ainda frequentava a minha casa. Não por causa do trabalho (óbvio), mas por causa do Phill, já que meu irmão o chamava para ir lá para jogarem vídeo game ou quando eles iam sair com os outros garotos, sempre era quem ia busca-lo de carro com os outros. Quando ele ficava calado assim, era mais fácil de aturar a presença dele. Às vezes eu sentia um olhar sobre mim, mas quando eu o olhava ele estava com os olhos concentrados na leitura do livro.
Cheguei na escola um pouco mais cedo do que de costume e encontrei estacionando o carro na calçada. Fui em direção a ela e ela sorriu para mim.
'Bom dia!' Ela me disse com um sorriso maior que a boca. Ela e o Jake haviam saído na quinta-feira passada e desde então vivia suspirando e sorrindo o tempo todo. Ela havia me contado que eles foram ao cinema, jantaram em um restaurante super lindo e que no final, quando ele a levou até em casa, eles se beijaram de novo. Depois que ele chegou em casa, ligou para ela e os dois vararam a madrugada conversando pelo telefone. Agora, quando se encontravam na escola, trocavam selinhos e algumas vezes andavam de mãos dadas. Com certeza não iria demorar muito para que eles namorassem.
'Hmmm, bom dia! Já acordou feliz, foi?' Perguntei animada.
'Posso dizer que sim.' Ela corou.
'O que o seu príncipe fez?'
'Ah, o de sempre. Me ligou antes de dormir e mais uma vez ficamos por horas conversando.'
'Nossa, vocês tem tanto assunto assim?'
'Temos sim, só não sei dizer da onde vem tanta falação.' Ela riu. 'Mas tem vezes em que apenas ficamos ouvindo a respiração um do outro.'
'Nooossa. Isso tudo para não dizer "Boa noite, tchau."?' Brinquei.
'Nha, Ficamos assim só por alguns segundos, depois eu ou ele puxamos assunto sobre qualquer coisa.'
Fomos andando e conversando até o pátio colégio e nos sentamos em uns banquinhos que tinham por ali, mas logo o sinal tocou e fomos para a sala juntas, já que a próxima aula fazíamos juntas. Nos sentamos no canto da sala e ficamos conversando com os outros que estavam ali. Quando olhei para a porta, vi entrando na sala e indo se sentar perto dos amigos. Era incrível que ele tivesse chegado cedo, porque quase sempre estava atrasado, mas voltei a minha atenção para a conversa que ainda rolava ali.
O dia na escola até que passou bem rápido, então depois de algum tempo, eu já estava saindo no pátio. Senti uma mão na minha cintura e quando olhei, vi ao meu lado.
'E aí gatona, vai querer carona hoje?' Olhei pro céu e vi que estava nublado, com algumas chances de chover, mas eu estava com um pouco de preguiça de ir até em casa andando, então aceitei o convite dela.
'Ok, hoje eu irei te dar a honra de minha companhia.' Falei com um tom de madame.
'Hahaha. Cala a boca e vamos logo.'
Assim que entramos no carro, Jake parou na janela do lado de e se abaixou para falar com a gente.
'Oi .' Ele inclinou a cabeça e deu um selinho nela. Não pude deixar de falar.
'Awwwwwn, que lindo! E fui eu que ajudei.'
'Como?' Jake perguntou confuso. Ele ainda não sabia que eu tinha arquitetado que ele estaria no cinema e levei pra lá de propósito. Preferi deixar ele pensar que era coisa do destino.
'Nada. Maneira de dizer.' Falei sorrindo e ele riu.
'Oi . Não tinha te visto aí.'
'Eu sei, pareço ser invisível pra todo mundo.' Fiz bico.
'Mas parece que o Matthew te vê inteirinha.' Ele falou, piscando pra mim. Desde o início da semana passada, ele havia me ligado alguns dias e ficávamos conversando por algum tempo. Conversamos sobre marcarmos de sair, mas os dias em que estávamos disponíveis, sempre tínhamos alguma coisa para fazer. Não que eu fosse muito ocupada, mas sempre no dia em que ele pedia para sairmos, eu tinha que fazer algum trabalho importante.
'Nhá. Sei.' Falei um pouco envergonhada e ele riu.
'Já estou indo pra casa. Quer carona?' perguntou.
'Não, não. Estou com o meu carro aqui. Mas obrigada pelo convite linda, eu adoraria.' corou quando ele sorriu pra ela.
'Bom, então tá bom.' Ela disse.
'Nos vemos mais tarde.' Ele deu outro selinho nela e saiu.
'Humm, mais tarde é?' Falei dando um tapinha no braço dela.
'É, vamos sair para tomar um café.' Ela disse, ligando o carro e já manobrando para sair da vaga.
'Que fofo!' Falei sorrindo.
Não demorou nem meia hora e já estávamos parando em frente de casa. Claro que de carro era mais rápido, se a pé já não demorava muito.
Convidei para entrar um pouco, mas ela preferiu ir logo pra casa. Devia querer ficar já preparada para ir com o príncipe dela.
Saí do carro e entrei em casa, indo direto pra cozinha. Não sei como não estava engordando. Toda vez em que chegava do colégio, corria pra cozinha e comia quase uma caixa de lasanha inteira ou outra coisa qualquer.
Como sempre, depois que terminei de comer, subi e fui logo tomar um banho. Coloquei um short de tecido fino e um casaco de manga longa cinza. Desci e fiquei na sala assistindo Marley & Me. Depois que assisti esse filme, procurei no guia de programação outro filme bom e achei Dear Jhon. Adorava aquele filme. Me ajeitei no sofá e coloquei no canal. Tive sorte que ainda estava começando. Passei mais algum tempo assistindo o filme e quando ele acabou, vi que já eram 16:50min. ainda não tinha aparecido lá em casa, mas procurei não me importar muito. Assim que comecei a vagar pelos canais, procurando alguma coisa de bom para assistir, a campainha soou. Quase que me levantei com um pulo por causa do susto que tomei. Ajeitei o short e fui até a porta. Quando comecei a abrir a porta já disparei:
'Não estou ao seu dispor a hora que quiser não, ok?'
'É assim que sou recebido em minha própria casa?' Phill me olhou com uma sobrancelha arqueada.
'Ah, er... é você, Phill.' Passei a mão nos cabelos, tentando disfarçar minha vergonha por ter dito aquilo. Eu tinha que aprender a ver quem era primeiro, para depois sair falando.
'Estava esperando alguém?' Ele perguntou, passando por mim e entrando em casa.
'Hãm.. eu? Não, claro que não.' Falei, tentando disfarçar.
'Então por que falou aquilo?'
'Ora, porque... p-porque..' Na hora em que eu estava tentando responder, o celular do Phill tocou e ele saiu da sala indo para a cozinha para atendê-lo. Dei graças por aquilo ter acontecido. Eu realmente não tinha desculpa para falar.
Fechei a porta e voltei a me deitar no sofá e depois ouvi Phill subir para o quarto. Fiquei por mais algumas horas ali vendo tv até que resolvi ir tomar um banho. Ele não iria vir mais àquela hora. Deixei a cabeça de baixo da água do chuveiro por alguns minutos, pensando o porquê eu passei a tarde toda esperando por ele. Tinha dito a mim mesma antes que não iria me preocupar com . E também tinha me esquecido que ele era o tipo de garoto que não se importava com nada, a não ser com ele mesmo e com o pênis. Saí do banheiro ainda de roupão e fui para o quarto, abrindo a janela e deixando o ar soprar forte pelo interior dele. Me sentei na beirada da cama e fiquei penteando o cabelo, quando ouvi meu celular tocar. Procurei ele por todo canto, mas não achei. Só achei quando virei minha mochila de cabeça pra baixo, fazendo que todo o conteúdo caísse na cama. Olhei no visor e vi que o nome de Matthew estava ali.
'Alô?' Ele falou, assim que viu que atendi.
'Alô. Oi' Falei, sorrindo.
'Tudo bem ?'
'Tudo sim. E com você?'
'Tudo ótimo. Estou te atrapalhando em alguma coisa?' Ele sempre me fazia essa pergunta quando me ligava.
'Não, fica tranquilo.' Sorri.
'Que ótimo então. Então... Como foi o dia?' Ele começou a conversa e dali fomos quase uma hora conversando.
Por ali estava calmo. Havia apenas umas cinco ou seis pessoas sentadas, espalhadas pelo pequeno Starbucks, bebendo seus cafés e conversando com outras pessoas que estavam acompanhando elas. Eu estava sentada em uma mesa que ficava em frente à vitrine da loja, bebendo um pequeno Frappuccino e mexendo em qualquer coisa no meu celular. Uma pessoa chegou a minha frente e eu levantei a cabeça para olhar em seu rosto. Sorri em resposta ao sorriso que me mandava, então puxou uma cadeira e se sentou de frente para mim.
'Fico muito feliz que possa ter vindo.' Matthew disse.
'Também estou feliz por ter me feito esse convite.'
'Eu imaginava alguma coisa mais movimentada, mas estava difícil achar algum dia em que nós dois tivéssemos livres à noite.' Ele deu um meio riso.
'Sim, eu sei.' Fiquei encarando minhas mãos em cima da mesa por um tempo. 'Mas aqui está ótimo. Adoro vir aqui.' Sorri.
'Que bom. Foi o que veio a minha cabeça ontem à noite, antes de te ligar. Queria te ver logo e... - Ele deu uma leve corada. - como à noite fica mais difícil, achei que depois da escola seria melhor.'
'É sim. Agora eu estaria em casa sozinha, me enchendo de qualquer coisa congelada.'
Ele e eu rimos e então ele pediu licença e foi pedir alguma coisa para beber. Vi meu celular vibrar em cima da mesa e vi que era uma mensagem de ."Já estão se pegando?
hahahahahah" Rolei os olhos quando li aquilo. "Você é muito engraçadinha." enviei em resposta. Outra mensagem chegou: "Isso foi um sim? Vai dizer que...;)" "Re: NÃO! Cala a boca, ou melhor, os dedos." O celular vibrou novamente e eu já iria ver o que estava escrito, mas então Matthew sentou-se de novo na minha frente, então apenas joguei o celular dentro da bolsa antes que começasse uma conversa ali entre mim e .
Ficamos algumas horas ali sentados conversando sobre qualquer coisa que vinha em nossas mentes. Apesar de não conversarmos sobre algo totalmente divertido ou interessante, conseguíamos estender o assunto por vários minutos e em meios a risos e gargalhadas, eu sempre o olhava e via como ele olha pra mim. Eu sabia que quando acontecia isso, eu corava, porque sentia um calor percorrer minhas bochechas e um sorriso leve aparecer no rosto dele.
'Deixa que eu te levo em casa, .'
Matthew disse assim que saímos da loja.
'Não precisa, sério. Eu posso ir pra casa sozinha.'
'Nããão. Mê dá essa mochila aqui, eu te levo pra casa. Estou de carro.' Ele arrancou a mochila da minha mão e foi abrir o seu carro, que estava parado na calçada em que estávamos.
'Tudo bem. Já que insiste.' Eu disse, soprando e rindo logo depois. Entramos no carro e ele ligou o rádio, procurando alguma música legal para ouvirmos durante o caminho. Ele estava passando as estações quando eu ouvi o refrão de Jeremy, do Pearl Jam. Na mesma hora falei para ele deixar aonde estava e aumentei o som.
'JEREMY SPOKE IN CLASS TODAAAAAAAAY.' Eu cantava junto com a música e alto, fazendo Matthew rir enquanto prestava atenção no transito.
'Já te disseram que você é uma ótima cantora?' Ele falou em um tom de ironia e alto tentando me fazer escutar, devido o som alto da música.
'Eu sei que canto muito bem!' Falei, rindo e fingindo tocar uma bateria imaginaria.
'Não custa nada sonhar, não é?' Ele riu e dei um tapa no braço dele, continuando cantando a música e batendo a cabeça no ar, fazendo com que meus cabelos ficassem desarrumados. Depois que a música acabou, diminui o som e arrumei meu cabelo. Continuou tocando algumas músicas do PJ, mas eu tinha que falar para Matthew em que ruas entrar para chegarmos na minha casa. Não demorou muito para que chegássemos logo. Ele parou o carro em frente a casa e então eu já estava tirando o sinto de segurança e procurando minha mochila no carro de trás.
'Obrigada Matthew. Foi muito boa essa tarde.' Eu disse, sorrindo.
'De nada . Eu gostei muito também.' Me aproximei dele para dar-lhe um beijo de despedida na bochecha, então ele envolveu minha cintura com sua mão, me puxando para um abraço. Demos um abraço e quando fui afastando minha cabeça do pescoço dele, senti que a cada segundo a respiração dele estava mais próxima ao meu rosto. Tentei pensar em poucos segundos se realmente era uma boa deixar que aquilo rolasse, mas ele já estava perto demais e automaticamente meus olhos estavam cerrados. Senti seu nariz encostar no meu e a mão dele me trazendo mais para perto. Meu cérebro trabalhava rapidamente pensando no que fazer ou no que deixar de fazer. Os lábios dele estavam quase selados aos meus, mas então ele se afastou. Fiquei estática por segundos, mas logo depois abri os olhos e me sentei normalmente no banco do carona. Olhei para Matthew, que estava passando a mão no rosto e logo em seguida olhou para mim.
'Não vou passar de amigo pra você, não é?' Agora podia-se ver um pouco de desapontamento em seu olhar. Meu coração apertou.
'Matthew... er.. olha, n-não quis q-que..' Gaguejei, tentando não piorar a situação.
'Não . Não precisa se preocupar. Não sei como, mas... eu já suspeitava disso.'
'Já?' Falei com uma voz baixa. Estava me sentindo horrível com aquilo. O Matthew era um cara super legal, me fazia rir, além de ser super gentil e tudo, mas... não sabia o porquê de eu apenas sentir como se ele fosse já um grande amigo de muito tempo. Ele merecia uma garota muito mais que ótima.
'Já. Eu pensei que depois de algumas conversas e tal, você já poderia começar a se interessar por mim, assim como eu estou em você. Pensei até que se eu te beijasse, você fosse corresponder, mas você apenas ficou estática, nem ao menos teve o impulso de tentar me beijar também. Eu vejo que você gosta de mim, mas não do jeito que eu gostaria que fosse.' Na hora eu segurei sua mão e olhei nos olhos dele.
'Matt, você é uma ótima pessoa. Mesmo com poucos dias te conhecendo e conversando, sei que você é um cara de melhor caráter que quase todo os outros. Eu realmente gostaria de gostar tanto assim de você, juro.' Senti querer colocar meu coração pra fora. 'Não vou te dizer que tentei gostar de você mais que amigo, porque eu deixei que tudo fosse rolando naturalmente, só que... tudo o que sinto por agora, é apenas amizade.'
'Ok, eu entendo. Talvez eu quisesse que tudo fosse rápido demais.' ele disse, apertando minha mão.
'Talvez. Mas ainda podemos sair e ser amigos!' Falei, colocando um sorrisinho no rosto.
'Claro. Não quero deixar de ter contato com você.' Ele disse rindo.
'Pode deixar. Se você não ligar, eu ligo.'
'Só quero ver.' Agora ele estava com uma fisionomia melhor, mas ainda sim não me senti melhor.
'Então, tenho que ir. Mas eu realmente adorei essa tarde.'
'Eu também gostei muito... Não muito do final, mas todo em si né.' Ele deu um meio sorriso.
'É.' falei e ficamos ainda de mãos dadas em um silêncio. Será que era certo eu fazer isso? Será que se eu tentasse...
'Não precisa fazer isso por mim. Já sei que não gosta desse jeito de mim. Já agradeço muito por ser sincera comigo, .' Como se ele tivesse lido o que estava passando em minha mente naquele instante. Não sei o que eu poderia ter feito naquela hora, mas apenas concordei com a cabeça, dei-lhe um beijo demorado na bochecha e saí do carro. Ouvi a buzina do carro que se afastava de casa e suspirei. Não queria que fosse assim, aliás, não queria vê-lo daquele jeito, mas fazia pouco tempo desde que nos conhecíamos e ele já havia criado um sentimento mais que amizade por mim. Sinceramente, eu não conseguia desenvolver aquele sentimento assim tão facilmente... Talvez, não conseguisse por medo das consequências.
Entrei em casa e me joguei no sofá. Ainda estava com o uniforme do colégio e já eram quase cinco da tarde. Precisava de um banho imediatamente. Fui me arrastando até o meu quarto e procurei alguma coisa para vestir e continuei me arrastando, indo dessa vez para o banheiro. Fiquei um bom tempo de baixo da água molhando minha cabeça até que a campainha de casa tocou. 'Mas que merda, logo agora?' bufei desligando o chuveiro, me enxugando e colocando a roupa, tudo na velocidade na luz. A campainha tocou mais uma vez, me fazendo quase escorregar no corredor dos quartos enquanto saía do banheiro com os pés ainda um pouco molhados. Desci as escadas e fui abrir a porta.
Já estava quase dormindo no sofá. A música que eu ouvia não ajudava em nada. Lost, do Within Temptation, me fazia dormir quando eu estava sem sono e ouvi-la agora não me ajudava nem um pouco ficar acordada. Estava olhando pro teto fazia uns trinta minutos desde que havia chegado na minha casa. Como sempre, ele se sentou no sofá, eu trouxe os livros e a partir dali, ele lia os livros e eu ficava mergulhada no sofá esperando ele ir embora. Não perguntei o porquê dele não ter vindo fazer o trabalho no dia anterior porque sabia que ou ele iria me responder com um fora ou talvez nem sequer iria responder. Mas como eu havia dito antes, o trabalho não é meu, é dele. Então.
'Ou.' Abri os olhos rapidamente tendo a sensação de que alguém havia falado alguma coisa. 'Ooou.' Tirei os fones de ouvido para ver se realmente tinha escutado uma voz ou se já estava ficando louca assim tão nova.
'Hãm?' Falei, como se tivesse perguntando para alguma coisa do além.
'Será que pode me falar uma coisa?' me perguntou, me olhando com uma careta e uma sobrancelha arqueada.
What? Como assim "me falar alguma coisa"? Ele tinha quebrado a lei do silêncio? Huuumm.
'Hããm... Posso.' Respondi, passando uma mão no rosto, tentando melhorar o foco da minha visão.
'Como você consegue se dar bem nessa merda de matéria?' parecia fazer essa pergunta seriamente, me olhando com uma sobrancelha ainda arqueada. Ri de leve, tentando achar alguma explicação para o fato dele ter me perguntado aquilo, ou tentando achar algum sarcasmo naquela pergunta ou se ele estava de zoação com a minha cara. Fitei ele por uns instantes e falei a coisa mais óbvia que tinha na minha mente.
'Conseguindo.'
'Nossa. Que sorte.' Ele riu e voltou a ler o livro. Como assim ele tinha falado comigo do nada? E por que ele estava falando comigo?
'É. Acho que sim.' Falei em um tom tanto quanto desconfiado e voltei a me deitar no sofá.
Depois disso voltamos a ficar em silêncio até a hora em que ele se levantou e saiu pela porta da frente. Ainda não tinha me levantado do sofá e fiquei por ali mesmo até Phill entrar em casa juntamente com minha mãe. Minha mente ficou tentando achar uma explicação para aquilo que tinha acontecido entre mim e .Quer dizer, não era uma coisa normal e eu termos pequenas conversas durante o tempo em que ficávamos um suportando a presença do outro. Eu sabia que teria que ficar mais ligada. Ele não era do tipo de garoto que se tornava, vamos dizer "gentil", assim de uma hora para outra sem querer alguma coisa.
'E ele falou com você do nada?' pareceu ficar surpresa quando contei a ela no intervalo das aulas.
'Sim. Não é um bom sinal, não é?'
'Ah ... Talvez sim ou talvez não.'
'Eu acho que não.'
'Bom, talvez ele tenha falado isso só porque já não aguenta mais ficar assim ou sei lá. Você sabe que ele é esquisito.'
'Não sei não...' Eu tinha quase toda a certeza de que não foi assim por acaso.
', para de se preocupar com isso. Se foi proposital ou não, e daí?' me disse, dando de ombros.
'Como assim, e daí? Ele pode estar querendo alguma coisa, ou pod..'
', você está caindo direitinho no jogo dele.' me cortou.
'Como assim caindo no jogo dele?'
'Não está percebendo? Ele deve estar querendo que você se preocupe com isso, deve querer deixar você perturbada com esses detalhes.' O que tinha me dito fez de algum jeito ser considerável. Talvez ele quisesse mesmo me fazer ficar com essas coisas na cabeça para me deixar preocupada com cada coisa que ele fizesse ou dissesse.
'Putz, talvez você tenha razão.' Falei. 'Não posso cair no jogo dele. Você tem razão. Não posso dar a mínima pra isso.'
'Então mulher, esquece isso e aja naturalmente. Se ele vier conversar com você ou outra coisa similar, você tem que conversar normalmente com ele também.'
'Yeap! É isso que irei fazer então.'
Mais alguns dias se passaram e continuava indo até a minha casa para fazer o trabalho. Agora, ele estava tendo o costume de conversar comigo sobre o trabalho. Me perguntava se eu podia explicar a ele de uma maneira mais fácil algumas coisas que tinham no livro, fazia algumas anotações em um bloco de papel e às vezes, quando nos calávamos, eu podia ouvir ele cantar baixinho algumas músicas que eu conhecia. Mas eu estava fazendo aquilo que havia me dito antes, não estava me preocupando com aquilo e falava como aquilo não me surpreendesse em nada.
Como de costume, cheguei em casa depois da escola, tomei um banho, comi alguma coisa e fiquei na sala esperando chegar. Em alguns dias ele não aparecia, mas eu não perguntava e nem ele dava alguma explicação. Claro, não que eu quisesse, mas dá para ficar curiosa, não é? Então, quando a campainha tocou pelo horário das quatro horas da tarde, eu já sabia quem estaria do outro lado.
'Hey.' Ele disse assim que me viu.
'Oi. Entra aí.'
'Uhh, agora já sou convidado?' Ele me olhou com aquela sobrancelha arqueada de sempre.
'Err.., Entra logo, idiota.' Falei meio sem jeito e então ele sorriu e entrou.
'Então... Qual vai ser hoje?' Ele disse, se sentando no sofá como um largado, como sempre.
'Você vai procurar fotos que pareçam interessantes para por no trabalho.'
'Só isso? Então vou poder ir embora logo.'
'É... Vai.' Respondi, entregando o notebook para ele. Me sentei no outro sofá e fiquei lendo um livro que havia comprado há alguns dias.
Capítulo VII -
'Hey .' Ouvi a voz de e me virei para ele.
'Fala.'
'Terminei de pegar as fotos.'
'Tá bom.' Falei, já me levantando do sofá e pegando o notebook da mão dele.
'Hmm... Até mais.' falou, se levantando e indo até a porta da sala.
'Até mais.' Respondi sem olha-lo, enquanto estava vendo as fotos. Então ouvi a porta se fechar atrás de mim. Fechei o notebook e fitei o sofá a minha frente por um tempo. Senti o silêncio da casa cair sobre mim e meu estômago revirando.
'Hm, preciso de um banho.' falei pra mim mesma quando passei mais alguns minutos naquele vazio. Eu nunca me senti assim, ao contrário, eu adorava ficar sozinha em casa, no silêncio, já estava até acostumada. Mas, naquela hora, o silêncio estava sendo mortal pra mim.
Fui para o banheiro e tomei um banho, saí enrolada no roupão branco e fui para o quarto pegar alguma roupa quentinha. Coloquei a roupa e me deitei na cama. Novamente o silêncio me deixou com uma sensação esquisita, então peguei o celular na escrivaninha e liguei para .
'Heeeeey cabeçuda.' Ouvi falar depois de três toques.
'Oiii Julie. Tá tudo bem?'
'Tá sim, e com você?'
'Er, estou sim.'
'Está precisando de mim, ?'
'Hãm... Na verdade eu ia te per..'
'Ai! Pera, deixa eu terminar de falar no celular, garoto chato.' falou de repente, como se estivesse falando com outra pessoa. Bom, na verdade ela realmente estava falando com outra pessoa.
'?'
'Oi , estou aqui. Tem uma pessoa retardada que fica querendo me morder. Canibal.' Nessa hora ouvi risos de um garoto ao fundo.
'Hummm, morder né? Estou interrompendo alguma coisa?' Falei com voz sedutora.
'Que nada , pode continuar falando.'
'Tá, eu ia te perguntar se você poderia me dar uma carona pra escola amanhã.' Eu não queria carona, eu só falei isso porque vi que estava ocupada com outra coisa bem mais interessante do que jogar conversa fora comigo.
'Hãm? Aah, tá bom .' falou meio receosa.
'Ok então.' Eu já ia desligar quando falou do outro lado da linha.
'Era isso mesmo que você queria falar comigo ? Se quiser, eu passo aí na sua casa agora.' Não era justo. Não nos conhecíamos nem há um ano e ela já sabia quando eu tinha mentido.
'Era ué.' Falei indiferente.
'Rumm. Tem certeza né?'
'Claro que tenho. Agora vou desligar, vou ter que dar uma saída.'
'Tá bom cabeçuda, até amanhã.' E nisso ela desligou.
AH, qual é né? Eu não iria tirar ela dos amassos com o Jake só pra vir ficar conversando sobre qualquer coisa. Ela é minha amiga, não iria fazer isso com ela.
Já que eu estava ali sem nada pra fazer, fiquei jogando uns joguinhos no celular. Em uma hora assim, eles ajudam a tirar um pouco do tédio. Mas não por muito tempo.
Depois de uns minutos jogando os joguinhos dali, fiquei revirando as mensagens que eu tinha deixado guardadas ali e notei uma mensagem não enviada. Quando fui ver o que era, vi que era o endereço, junto com o nome da loja e do livro que eu tinha visto há alguns dias atrás na internet. Eu tinha ficado de ir até a livraria para comprar ele e acabei que nem tinha ido ainda. Já que eu precisava dar uma saída para não morrer naquele vazio, me arrumei, peguei a bolsa e o cartão de crédito e desci para a sala. Pensei em esperar minha mãe chegar do trabalho para chamar ela para ir junto comigo, mas ela estaria muito cansada então abandonei a ideia. Pensei em ir de ônibus, mas já estava quase escurecendo e não poderia voltar muito tarde. Como eu iria fazer pra ir? Eu ainda não tinha carro e minha mãe ainda não tinha chegado em casa.
'Não vou mais.' Falei, me jogando no sofá, já sem esperança.
'Mana!' Phill falou assim que me viu afundada no sofá quando entrou pela porta da sala.
'Hey Phill.' Falei, dando um sorriso frouxo.
'Que foi? te trocou pelo namorado?' Ele se jogou também no sofá em frente ao meu.
'Não. É que ia sair agora mas não vou ter como ir e...' olhei pra ele e alguma coisa estalou na minha cabeça. Dei um sorriso.
'Ihh, o que foi?' Phill arqueou a sobrancelha.
'Ôh Phillziiiiiiinho. Maniiiinho lindo demais.' Falei, me levantando e indo em direção a ele.
'Ahhh, o que você quer, ?' Ele se levantou e colocou uma almofada na sua frente, como se quisesse me impedir de chegar perto dele.
'Phillzinho, faz um favoooor pra sua mana, faz?' Levantei os braços e mexi os dedos na frente dele.
', sai de perto de mim. Tenho medo de você quando faz essa cara.' Ele tentou se esquivar de mim, mas dei um passo apressado pra frente e tirei a almofada da mão dele.
'Não é nada de demais, Phill.' fiz um bico.
'O que é?' ele continuava a se distanciar de mim.
'Me empresta o seu carro?' falei com voz de criança, batendo os dedos indicadores das mãos uns nos outros.
'O que? O MEU carro? Aquele que você quase estraçalhou?' ele falou, parecendo indignado.
'Ah, para de drama, Phill. Eu Q-U-A-S-E bati. E nem foi culpa minha. Foi daquele filha da puta do motorista do outro carro que freou do nada! Você sabe.' Cruzei os braços, olhando pra ele, que me olhava com um ar de ‘ah é mesmo’?'
'De um jeito ou de outro, não vou confiar o meu carro a você, sua destruidora.'
'Ah é? Vai me negar? Vai negar um pedido inocente da sua irmãzinha querida?' fiz bico de novo.
'Vou.' Phill disse.
'Então tá!' Nessa hora, corri. Phill se virou de costas para correr também, mas sentiu o impacto de quando eu pulei em suas costas e comecei dar soquinhos nos braços dele.
'SAAAAAAI DAQUI!' Ele gritou, tentando se equilibrar para não cair no chão junto comigo.
'NÃO! Até você me dar essas chaves!' Tentei agarrar uma das mãos dele que segurava as chaves do carro, mas ele mexia os braços muito rápido, fazendo com que eu não conseguisse pegar.
'! Assim você vai me matar sufocado!' ele disse e só então percebi que estava com um dos meus braços agarrados em volta do seu pescoço. Mas não desisti, continuei tentando pegar as chaves enquanto ele tentava me tirar de cima dele e também tentava fazer com que as chaves ficassem longe de mim.
'ME DÁ ESSA MERDA, PHILL!' eu ainda continuava esticando o máximo possível o meu braço para pegar as malditas chaves.
'Nunca!' Phill agora estava perto da porta, girando em torno de si mesmo tentando me derrubar, parecendo um maluco, enquanto eu alternava entre socos em seu braço e cosquinhas na sua cintura.
'Cosquinhas é golpe baixo, !' Phill gritava, já rindo por causa do efeito delas e eu rindo da cara dele.
'Ah é? Esse é o seu ponto fraco? YAAAAA!' Gritei, fazendo mais cosquinhas na cintura dele e ele ria e ria muito.
'Mas o que...?' Mamãe disse assim que entrou pela porta da sala e viu a mim e Phill, gritando e rindo,um em cima do outro. 'O que vocês estão fazendo?'
Eu e Phill ainda riamos muito, até que vi que ele relaxou a mão que tinha as chaves, e assim dei um impulso pra frente, na tentativa de conseguir tomar as chaves da mão dele.
'AAAAAAAH' Gritei assim que senti Phill perder o equilíbrio e cair pra frente, me levando junto. Nós dois caímos de cara no chão com toda a força.
'Ouch!.' Resmunguei, passando a mão na minha testa, que tinha ido direto no chão. 'Acho que quebrei a testa.'
'Deus! O que vocês dois estavam fazendo?' Minha mãe disse, me ajudando a levantar do chão. 'Vocês querem se matar?'
'Outch! Porra , quer me quebrar todo?' Phill disse, se virando e ficando de costas para o chão. 'Você caiu por cima de mim! Tive que aguentar a dor de cair de cara no chão e ainda por cima todo o seu peso em cima das minhas costas.'
'Todo o meu peso? Está me chamando de gorda?' Falei, já indo pra cima dele de novo.
', para com isso. Aliás, vocês ainda não me disseram o porquê estavam se atracando aqui.' Mamãe disse, olhando pra mim e Phill.
'Essa louca que trepou em cima de mim que nem uma macaca.' Phill disse, se levantando e passando as mãos na testa e nas costas.
'Trepou? Não tem outra palavra não, Phill?' eu disse, fazendo careta e ele também fez careta ao pensar na palavra.
'Mas por que diabos fez isso, dona ?'
'Porque eu queria as chaves do carro dele emprestado para eu ir até o outro bairro de carro.' falei, sentada no sofá com uma voz miúda.
'Ai Deus, olha os filhos que eu tenho.' Mamãe passou a mão entre os cabelos e deu um riso. 'Bom, se ajeitem aí e vê se não façam mais essa ruaça toda.'
'Tá, mãe.' Nos dois falamos juntos. Eu e Phill nos jogamos no sofá juntos e reclamamos um pouco por causa das partes doloridas que sentimos por causa do tombo.
'Não pensa que me venceu, Phill. Só não pego as chaves agora porque já está tarde e a livraria que eu queria ir já deve estar fechada.' Falei, olhando para a hora que aparecia no relógio da sala.
'Você não vai pegar o meu carro.' Phill disse, me mandando o dedo do meio.
'Perdi a batalha, mas não perdi a guerra.' falei e mandei um beijo pra ele, que riu.
Me levantei do sofá, peguei minha bolsa e fui para o quarto trocar de roupa. 'Ouch!'
resmunguei quando passei a mão pela testa. Me aproximei do espelho que tinha na parede e que vi tinha uma pequena área vermelha por causa da pancada com o chão. Procurei uma pomada dentro de uma das gavetas do armário e coloquei no local.
Quando senti minha barriga roncar, lembrei que não tinha comido nada, então desci para a cozinha para fazer um lanche.
'Bom dia, flor do dia!' falou assim que entrei no carro.
'Bom dia!' Falei, tentando parecer entusiasmada, apesar de ser sete da manhã e eu não estar nada animada. 'Como foi ontem, hem?'
'Foi ótimo!' ela falou, sorrindo enquanto saía com o carro.
'Hmmm. Tô sabendo.' Pisquei e ela me deu um leve empurrão no braço.
'Mas por que você gosta de ir tão cedo pro colégio?' perguntei, olhando pela janela e vendo algumas pessoas já saindo de casa.
'Não gosto de chegar cedo, ué. Estou aqui por sua causa, você não sai de casa às sete?'
'Sim, mas quando vou a pé, né. Demora um pouco mais, por isso saio cedo.' Falei, fazendo careta.
'Ahhh querida, me falasse isso antes.'
'Nhá. Chata.'
'Chata aqui é você.'
'Nem vem.' E depois de ficarmos mais alguns minutos nessa discussão e começamos uma nova conversa.
Chegamos no colégio e um pé d'água caiu assim, de repente.
'Droga!' falou, olhando pela janela. 'Só porque precisamos sair do carro.'
'Deixa disso, é só alguns metros até a entrada.'
'Deixa disso é o cacete, . Vou me molhar toda! E nem trouxe a porra do guarda-chuva.'
'Relaxa, dude.' falei com voz de "mano do gueto". 'Vamos sair no três e correr até a porta, ok?' falei, já me preparando.
'Pera.' colocou a bolsa em cima da cabeça. 'Agora estou pronta.'
Soltei um riso e falei '1...2...e...3!' Na mesma hora saímos do carro e começamos a correr com toda a nossa velocidade até a porta do prédio do colégio. Chegamos na porta e mais alguns alunos também chegavam correndo da chuva repentina. Em alguns minutos a entrada do colégio já estava lotada de alunos,uns molhados e outros encharcados. Fiquei parada ali por algum tempo com , rindo de algumas pessoas que, assim como nós, corriam pelo gramado com a mochila no alto da cabeça.
Senti alguém olhar pra mim e me virei para ver se realmente tinha alguém ou se era só impressão. estava vindo em minha direção, extremamente lindo, com os cabelos molhados, um casaco cinza e com o sorriso de lado mais lindo que eu já tinha visto. Tentei olhar para outra coisa ou outra pessoa, mas não conseguia desviar o olhar daquele garoto e fiquei com raiva de mim mesma por isso. O tempo passou tão rápido que nem vi ele chegando mais perto, só deu tempo de notar quando ele já estava bem na minha frente. Balbuciei alguma coisa parecida com um 'Oi' com um sorriso de lado, mas então ele passou direto. ISSO MESMO, ELE PASSOU DIRETO! Me deixou lá com cara de idiota tentando entender o que havia acontecido.
'O que foi, ? Por que está com essa cara?' me perguntou quando notou a minha cara de idiota.
'N-nada.' falei entre os dentes, morrendo de vontade de pular em cima do e enche-lo de porrada. Mas que idiota. Qual é a intensão de uma pessoa de vir até você e do nada, passar direto e nem sequer dar um 'oi' para não deixar a pessoa no vácuo?
Quando olhei, ele estava um pouco atrás de mim, conversando com duas garotas loiras de farmácia. Ainda bem que o sinal do inicio das aulas bateu, porque se não fosse por isso, eu juro que não responderia pelos meus atos.
'?' A voz de pareceu distante.
'???' O tom de voz pareceu ficar mais alto agora.
'O que foi?' perguntei, me virando pra ela, passando a mão no rosto.
'Você está dormindo ou o quê? Parece que você nem está aqui.' ela falou pra mim, fazendo uma careta.
'Ah, não estou com saco para assistir aula, só isso.' menti, abaixando a cabeça, virando de lado, ao mesmo tempo ainda olhando pra . Estava me odiando por isso, mas estava mal por ter me ignorado mais cedo. Minha cabeça estava rodando por conta da confusão que estava sentindo.
'.' me olhou, suspirando e logo depois passando a mão entre os meus cabelos. 'Eu falei pra você não dar bola pro .'
'Q-quê?' Levantei a cabeça tão rápido que cheguei a sentir uma pequena pontada na testa. 'E quem disse que estou assim por causa dele?' Tentei disfarçar.
'Deixa disso e admite. Eu sei que é por causa dele... Eu vi como você o olhou depois que ele passou direto.' Ela ainda passava a mão entre o meu cabelo.
'N-não.' dalei apenas e voltei a abaixar a cabeça. 'Esquece isso.' Não tinha como mentir pra ela.
'Acho melhor você terminar logo esse trabalho pra ele e se afastar.' falou depois de uma rápida olhada para trás.
'Eu sei.' Bufei. 'Não precisamos conversar sobre isso.' Falei, virando a cabeça pro outro lado.
A tarde já havia chegado e eu estava, como de costume, deitada no sofá vendo tv. A campainha tocou e me arrastei para ir atende-la.
tinha razão, eu teria que terminar logo esse trabalho. Não queria mais ter que vê-lo. Aliás, precisava não mais ter que vê-lo.
'Hey' falou assim que abri a porta. Apenas dei um sorriso desanimado, dando espaço para que ele entrasse.
'Então, o que tem pra hoje?' ele falou descontraído, sentando-se no sofá.
'Continua lendo algumas coisas nos livros e anotando aí.' Falei, me deitando no outro sofá.
'Ok dude.' E assim ele abriu um livro e começou a folheá-lo. Apenas continuei deitada no sofá com os olhos fechados. Toda vez em que respirava fundo, o cheiro das roupas e do corpo de iam para dentro dos meus pulmões, me fazendo sentir arrepios nos pelos da nuca e dos braços. Assim que o sentia, apertava com força os olhos, desejando que as horas passassem com rapidez, mas ao mesmo tempo, queria que ele permanecesse ali, com o seu cheiro delicioso. Não demorou muito para que me fizesse abrir os olhos.
'Hey, traduz isso aqui pra mim?' ele falou e eu tive que me levantar e me sentar ao seu lado. Li o trecho no qual ele apontava com o lápis e pensei em uma melhor forma de explicar. Passei os dedos em uma parte da minha testa para ajeitar a franja que caía um pouco nos meus olhos. 'Ouch!' falei quando senti que passei os dedos em uma área que estava dolorida. 'Merda.' Bufei, fazendo uma careta.
'Que foi?' perguntou, se virando pra mim. 'Nossa, tem uma coisa vermelha aí na sua testa.' Ele apontou para minha testa.
'É, eu sei..' Ainda passava os dedos em cima da área com leveza.
'Alguém te deu uma porrada, é?' falou, soltando um riso. Rolei os olhos.
'Haha. Não. Foi o idiota do Phill.'
'Briga de irmã e irmão?'
'Não. Quase. Ele me derrubou no chão quando eu tentava pegar uma coisa dele.'
'Hummm, uma coisa dele?' ele falou, arqueando a sobrancelha e dando um riso.
'Não!' Dei um soco no braço dele e ri.
'Ouch. Calma, só estava brincando.' Ele também riu.
'Ele é meu irmão!E também, estava querendo pegar as chaves do carro dele, só isso.' falei.
'Ah ta né.' ele falou. Ficamos um tempo em silêncio até eu voltar para a linha de raciocínio. 'Então, ér... Deixa eu ver como pos-' Fui cortada por .
'Acho que você deveria passar alguma coisa na sua testa. Parece que vai ficar roxo.' Olhei pra ele e vi que ele estava olhando pra mim.
'É... Ahm, vou fazer isso.' Falei, olhando em seus olhos que estavam a poucos centímetros dos meus.
'É, faz.' E agora, seus olhos estavam a muito poucos centímetros.
'Vou.' Agora estava a milímetros.
Em fração de segundos, a respiração quente dele estava batendo no meu rosto. Meu coração estava acelerado e eu pude sentir que, se eu estivesse de pé, minhas pernas iriam vacilar. Queria enxergar o que estava acontecendo ali, mas meus olhos se voltaram contra mim e as pálpebras eram suas cúmplices, não deixando que eu as levantasse e abrisse meus olhos. Todo o meu corpo, nesse instante, estava lutando contra mim, não deixando que eu executasse qualquer tipo de movimento, fazendo com que eu apenas ficasse imóvel, recebendo o beijo quente e macio que depositava em minha boca. Quando a língua de passeava entre meus lábios, pedindo para abrir caminho, tentei e não sei como consegui, reunir forças e afastar meu rosto do dele. Ele me olhou com um olhar confuso e então passei as costas da mão nos meus lábios. Me levantei e falei confiante, tentando não deixar que minha voz saísse tremula.
'Vai embora.' Apontei para porta. Não tive forças para poder gritar. Sentia meu estômago remexer.
'Foi impulso.' Agora sim, tive que me apoiar no braço do sofá para não cair. Minhas narinas arderam e logo senti as primeiras gotas de água se acumularem nos meus olhos.
'Vai.' Ainda assim falei, continuando apontando para a porta. Assim, ele apenas se levantou e se dirigiu até a porta, mas antes que ele saísse, soltei 'E o trabalho pode esperar para continuar.' não contestou e saiu.
Minhas pernas fizeram com que eu caísse sentada no braço do sofá, mas não deixei que as barreiras que continham minhas lágrimas caíssem. Passei a mão rosto e respirei fundo. O cheiro dele ali. Corri até o telefone da cozinha e disquei o número da casa de .
'Alô?' A voz da sr. surgiu depois de três toques.
'Alô? Hey sr. , é a .' Falei, tentando segurar a firmeza da minha voz. 'A está aí?'
'Ah, sim, está sim. Irei chamá-la.' ele falou, me deixando esperando na linha.
'! O que há de bom?' falou.
'Se arrume.' Não fiz rodeios.
'Nossa. Que violência.' Ela riu. 'Vamos para onde, moça?'
'Vamos para uma livraria que fica em um bairro um pouco longe daqui. Te explico no caminho.'
'Senti que tem história aí no meio. Daqui a vinte minutos estou buzinando aí.' ela falou e desligou o telefone.
Eu não podia ficar ali pensando no que havia acontecido. Não iria deixar que me fizesse como mais uma em sua lista. Não mesmo. Subi as escadas e dali a uns poucos minutos, já estava terminando de me arrumar e esperaria por já na porta de casa.
Capítulo VIII -
'Agora dá pra você me falar, ?' me perguntou, assim que estacionou o carro em uma vaga livre na calçada. Eu tinha dito a ela que, durante o caminho contaria, mas toda vez em que pensava em contar, me vinha na mente a imagem do bem próximo a mim, aquela sensação estonteante. Então o caminho todo eu desviei do assunto e fingi que estava mais interessada em ajudar ela a achar a tal livraria. O que era meio estúpido, já que tinha aquele GPS de bordo no carro.
'Tá bom, mas promeeeete que não vai fazer escândalo?' Falei, me vendo sem saída. então apenas cruzou os dedos da mão e deu dois beijinhos, em sinal de que prometia.
'Bom...o foi lá em casa e tal, do jeito de sempre.' Dei uma pausa e respirei fundo enquanto apenas me olhava vidrada. 'Estávamos normal, até que ele pediu para eu explicar uma coisa, daí me sentei ao lado dele e.-' Antes que eu terminasse a frase, já era tarde demais.
'ELE TE BEIJOOOOOOOOOOOOOU!!' gritou e ficou batendo as mãos umas nas outras rápido.
'É a mesma coisa que pedir porra nenhuma, né?' Me virei para a porta do carro, abri e saí. no mesmo momento, saiu também do carro e deu a volta para me agarrar.
'Owwn, desculpa amiga, é que não pude controlar.' Ela falou fazendo um biquinho, mas não me dei por convencida. Me soltei dela e fui andando em direção a uma livraria que ficava naquele lado da calçada.
'AMIGA!' correu em minha direção e me abraçando novamente de lado e depois acompanhando o meu ritmo.'Você sabe que a sua amiguinha aqui é histérica, né?'
'E como eu sei.' Rolei os olhos e continuei andando.
'Para vai, me conta logo então tudo, com os detalhes.'
'Pra quê? Você advinha tudo.' Falei com um tom sarcástico.
'Tá, eu prometo que vou ficar caladinha até você contar tudo.' Dessa vez, me deixou contar a história toda sem interrupções. Não entendi o porquê dos risinhos dela quando falei do beijo. Mesmo sendo minha amiga, as risadinhas dela fizeram parecer uma coisa boba... tipo primeiro beijo de criancinha. E aquilo não era bobo, era sério.
O me beijou! E sem me pedir. Tá, tudo bem, não vou dizer também que fui forçada, mas ele não podia ter feito aquilo. Agora ele poderia achar que podia me beijar a hora que quisesse, que nem as putas da vida. Ah não, isso ele não poderia mesmo.
Andamos um pouco e paramos em frente a uma livraria que tinha o nome "El libro." Um nome bem criativo para uma livraria, não é?
Entramos e fomos olhando como era por dentro. Parecia ser uma loja já antiga, mas podia sentir o aconchego vindo dela. Tinha as paredes meio amareladas, em um tom bem claro, o chão era de assoalho, o que fazia com que os passos que déssemos fizessem barulho. Havia também algumas poltronas com almofadas bem grandes, uma mesinha de centro com alguns livros em cima, e entre as grandes estantes abarrotadas de livros podíamos ver algumas pessoas caminhando.
'Bom, já que estou aqui, vou aproveitar e dar uma olhadinha. Irei ver se acho algum livro que eu ainda não tenha lido.' falou e logo em seguida saiu andando em direção a um corredor que ficava ao nosso lado. Fiquei olhando os livros que estavam em uma estante, que tinha a plaquinha dizendo "Terror". Eu gostava de filme de terror, mas ler livros de terror já não me agradava muito, pois não sentia a mesma emoção, digamos assim. Fui andando pelo corredor que havia em minha frente, olhando as outras estantes de livros. Parei em frente a uma que a plaquinha dizia "Drama", então comecei a procurar pelo livro que, na internet, havia dito que tinha ali. De vez enquanto eu parava e lia a contracapa de alguns que achava interessante, isso fez com que eu demorasse a achar o livro que exatamente queria. Peguei-o e fiquei foleando algumas páginas, passando os olhos nas letras pretas e digitadas. Enquanto eu me distraía com o livro, alguém parou em frente a mim e fez menção em falar algo, mas assim que percebi, falei mais rápido.
', não adianta tentar me dar um susto.'
'Não era essa minha intensão, e... bom, meu nome é Éric.' Uma voz grossa soou no meio e fez com que eu desse um pulo pequeno para trás, involuntariamente. Fechei o livro e olhei diretamente no rosto de um homem, que parecia ter uns 20 anos, com olhos castanhos claros. Fiquei meio segundo olhando ainda para seus olhos, que sustentaram o meu olhar durante o mesmo tempo. Quando percebi que eu ainda não havia falado nada, senti meu rosto arder de vergonha.
'Arrh, é. Você não é a .' Ah, sério ? O tal homem deu um riso e continuou olhando para mim. 'Er, desculpa. É que pensei que fosse minha amiga que estava comigo.' Falei meio sem graça.
'Ah sim. Não tem problema.' Assim que ele sorriu, não pude deixar de sorrir junto. Não sei, mas algo nele era convidativo para mim. Não sei se era o seu olhar nítido, ou seu sorriso lindo, ou seu corpo meio malhado, ou seu cabelo preto arrumado e ao mesmo tempo bagunçado na parte da frente. Eu podia sentir que se visse a imagem desse momento, ela descreveria que era a foto de uma menininha babando por um pirulito enorme. Quase implorei para que ele dissesse alguma coisa, para me tirar daquele... transe.
'Errr, bom, é que pareceu que você estava procurando um livro específico, então resolvi vir te ajudar. Ah, e eu sou funcionário daqui sabe, faço essas coisas.' Ele também pareceu meio envergonhado na explicação, o que apenas o fez ficar mais fofo.
'Ah ta. Não. Quer dizer, não tem problema.' Sorri, tentando ser o mais natural possível. Até então não tinha percebido a blusa social branca que ele usava, e que em cima do peito esquerdo havia o logotipo da livraria. Da blusa, podia notar seus braços meio malhados.
'Então, posso te ajudar em algo?' Ele sorriu angelicalmente.
'Ham... n-na verdade, eu já achei o que q-queria.' Mas o que? Nossa, pode falar como sou burra demais. Por que eu disse isso? Com um cara daquele pedindo pra me ajudar e eu recusar assim? É, não mereço viver.
'Ah, ok então.' Ainda sim ele sorria, mas seu sorriso já havia ficado mais fraco. Nos olhamos por mais uns instantes e assim ele se virou e caminhou de volta ao balcão onde estava. Fiquei encostada na estante passando as páginas do livro, mas estava lembrando do sorriso dele. Queria olha-lo, mas tive receio de que ele me flagrasse ou pensasse que eu estivesse o tarando. Sei lá, nos dias de hoje, tudo é possível. Decidi ir a procura de . Passei por mais algumas estantes e vi sentada em uma poltrona lendo algum livro qualquer.
'Hey amiga. Achou o tal livro?' falou assim que sentei ao lado dela.
'Achei sim.' Falei com um meio sorriso.
'Hum, acho um livro e o que mais?' Ela sorriu e me deu um tapinha de leve na perna.
'Como assim, o que mais?' Sorri mais abertamente. Ela sabia de tudo antes da hora. Que merda.
'Não se faça de idiota, me conta logo o que foi? Vai dizer que o te ligou pedindo mais um beijinho?'
Droga !
'Porra , você sempre me lembrando desse . Vê se me deixa esquecer que esse garoto existe!' Logo a lembrança do rosto dele invadiu minha mente e senti como se ele estivesse parado atrás de mim, pois senti borboletas no estomago. Dei uma leve olhada para trás e graças aos céus não havia ninguém ali.
'Ok, ok. Desculpa, é que eu gosto de irritar você.' falou, me mandando um beijinho no ar.
'Tá, tá. Vamos logo pagar o livro que já está de noite.' Lá fora já havia escurecido há muito tempo, mas só pude perceber agora, que estava perto da janela da frente. Deviam ser umas oito da noite, já que tínhamos saído de casa às seis.
'Ok, vamos.' Entramos na fila do caixa e então tive tempo para procurar Éric. Ele já não estava mais no outro balcão, então tentei localiza-lo por ali na frente, mas não tive sucesso. Me virei novamente
para e fingi prestar atenção na conversa animada dela. Fiquei desanimada por não poder mais ver ele. Assim que paguei meu livro, eu e fomos até a porta de saída, mas assim que íamos sair, senti alguém colocando a mão em cima do meu ombro, então, assim que me virei, dei de cara com o sorriso angelical de Éric.
'Er, já vai embora?' Ele passou uma mão no cabelo.
'Ah, sim. Já está tarde e eu vou de carona.' Sorri e vi que fez o mesmo.
'Ah sim, essa deve ser a tal , não é mesmo?' Ele riu.
'É, . Sou mesma.' sorriu. 'E como sabe meu nome?' Ela parecia meio confusa.
'Ah, é uma história engraçada, depois te conto.' Eu falei pra ela.
'História engraçada? Já vi que é mesmo.' Ela deu um leve riso pra mim.
'Ah, prazer então , sou Éric. Trabalho aqui.' Ele estendeu a mão e cumprimentou , que fez o mesmo. 'Então... sei o nome da sua amiga, mas não sei o seu.' Vi que suas bochechas ficaram ruborizadas e isso fez com que eu desse um risinho baixo.
'É, é... quer dizer, meu nome é .' sorri.
'Ah sim, .' ele sorriu também.
'É, .' também falou, mas dei um leve pisão em seu pé e vi seu olhar destruir pra mim.
'Bom, ... er... foi um prazer te conhecer.’ Ele sorriu e não tive como não retribuir.
‘Também foi um prazer te conhecer.’ Fiquei com medo de que ele percebesse que eu estava quase babando.
'Ah, ok. Então... até mais, né?'
'Sim, até mais.' Sorri. Então me virei novamente para a porta da saída e eu e saímos da livraria.
Andamos até o carro e entramos. Assim que sentei no assento do carona, já se virou para mim querendo respostas para o monte de perguntas delas.
'Então, me conta! O que foi que eu perdi?'
'Ah, foi meio estranho. Eu estava encostada na estante lendo uma parte do livro, daí ele parou na minha frente e eu pensei que fosse você querendo me dar um susto.'
'Ah, nossa, que fama essa a minha.' fingiu um bico.
'Você já sabe disso.' Rimos as duas juntas. Daí até o caminho de casa fomos conversando sobre a livraria e como ele tinha a absurda ideia de ter me notado ali.
me deixou em casa e assim que entrei, fui direto para a cozinha arrumar alguma coisa para comer, porque estava morta de fome. Assim que cheguei na cozinha, minha mãe estava lavando o pouco de louça que tinha na pia. Fui até ela e lhe dei um beijo na testa.
'Oi mãe.'
'Oi filha. Passou o dia todo na rua hoje?'
'Não, à tarde fiquei em casa, mas depois saí porque fui a uma livraria com a .'
'Ah ta. Já comeu alguma coisa?'
'Pior que não. Eu vim direto aqui pra isso mesmo, caçar alguma coisa.'
'Ok então, deixa que eu preparo alguma coisinha pra você, meu bem.'
Depois que comi, subi e fui para o banheiro tomar um banho. Depois do banho não tive coragem nem de abrir o computador, apaguei as luzes do quarto e me deitei logo.
Estava deitada na minha cama. Abri os olhos forçada, pois os raios de luz que entravam pela janela atingiram meus olhos em cheio. Coloquei a coberta por cima da cabeça para tentar afugentar toda aquela luz, mas sabia que não duraria tanto tempo, já que talvez dali a um tempo teria que me levantar para ir para o colégio. Me remexi no colchão me sentindo desconfortável naquela posição, então virei para o outro lado da cama. Assim que pus minha mão no espaço ao lado, pude sentir que ela alcançava alguma coisa sólida. Não tive coragem de abrir os olhos para desvendar o que era, então tentei descobrir o que era pelo sentindo do tato mesmo. Fui subindo a mão, tentando saber o que era exatamente. Era alguma coisa meio macia, mas ao mesmo tempo dura. Continuei o caminho com a mão até que cheguei em um lugar onde senti vários fios embolando em minha mão. Mexi meus dedos e quanto mais mexia e apertava, mais a sensação de fios aumentava. Desviei a mão para o lado e senti curvas estreitas, até que meus dedos tocaram alguma coisa carnuda, suave. Passei meus dedos mais algumas vezes nesse mesmo lugar suave, até que senti uma outra mão segurar a minha. Relutei um pouco em abrir minhas pálpebras pesadas, mas sabia que tinha que faze-lo.
Quando abri meus olhos, quase fiquei sem ar. O rosto de estava quase colado ao meu. Uma de suas mãos estava entrelaçada as minhas e ele sorria para mim. Tentei entender o que acontecia ali, mas meu cérebro relutava em ter que trabalhar tão bruscamente. Não tive muito tempo e logo senti outros lábios sobre os meus. Senti uma mão envolver minha cintura e me puxar mais pra perto. Senti o calor do corpo de junto ao meu, e quando dei por mim,também estava abraçando ele e devolvendo seu beijo quente e macio. Quando mais eu recebia o beijo, mais eu queria retribuir, até que, de alguma forma, minha mão se livrou da mão de e consegui tirar o cobertor de cima de mim.
Ouvi o barulho da minha coluna estalar por conta do movimento brusco. Percebi que estava sentada na cama, com os olhos em alerta. Olhei para o lado e passei a mão no espaço ao lado, tentando localizar alguma outra coisa ali. Mas não havia nada. Eu estava sozinha no meu quarto escuro. Passei as mãos pelo rosto, para tentar melhorar a visão e procurei pelo meu celular debaixo do travesseiro. Quando consegui olha-lo, a luz forte do visor me cegou por instante, mas quando meus olhos se habituaram, vi que o relógio digital marcava 3:37 da madrugada. Meu cérebro demorou um pouco para funcionar, mas era isso mesmo. Eu tinha sonhado com . Passei as mãos novamente pelo rosto. Joguei o celular de lado e me taquei no travesseiro. Ele tinha interrompido meu sono. Fechei os olhos com força, tendo uma tentativa frustrada, pedindo para que o rosto dele se apagasse de minha mente, mas o meu eu interior já sabia. Já sabia que era tarde demais.
Qualquer erro encontrado nessa fanfic é meu, então me avise por email. Obrigada.