Com o que ele tava sonhando?
- FOGO? Onde? – já acordado e com os olhos arregalados, nos viu no chão se embolando de tanto rir. – Seus filhos da puta! Eu tava quase me mijando de medo!
Aí eu não aguentei, ri mais!
- Mas me conta, com que você tava sonhando? Seus socos no do ar me assustaram. – tentei parar de rir e consegui falar.
- Eu tava num ringue de boxe, lutando com o Mike Tyson. E acredite, eu tava ganhando.
- Ah tá. Só em sonho você ganhando daquele cara. Um peteleco dele, tu voa! – falou se levantando e sentando na cama. levantou o dedo do meio e falou:
- É o que tem pra hoje, acordar meninos indefesos? – me olhou com malícia. Acho que vem aí uma ideia boa.
se levantou e saiu do quarto, nos deixando com caras de tontos. Nos fez esperar por alguns minutos e voltou com um ovo, um prato e um garfo.
- Mas que merda é essa? – perguntou, mais confuso que eu
Arqueei a sobrancelha. Pra quê um ovo? E pra que prato e o garfo?
Alguém me explica?
sentou no chão e olhou pra nós.
- Ok, escutem. Ontem fizemos uma festa. Vários amigos do colégio, meninas e principalmente bebida. O Harry bebeu mais do que todos aqui, porque ele apagou e eu tive que levá-lo pro quarto.
- Tá, qual é o plano? – perguntou se aproximando de pra ouvir atentamente. Eu me sentei no chão ao lado do , esfregando minhas mãos, ansioso.
Depois de ele explicar, todos os três foram pro primeiro quarto do corredor. fez sinal e eu abri a porta. Fiz com o maior cuidado possível. Entrei primeiro, e logo atrás, com as coisas na mão.
se aproximou da cama rindo, e eu o mandei fazer silêncio. Ele entendeu o recado e começou a botar em prática o plano. Pegou o lençol e o tirou da cama, o jogando no chão. Foi em direção à mesa, pôs o prato em cima da mesma e tentou quebrar o ovo.
- Vai logo! – sussurrei.
- Calma, to quase conseguindo. – ele ainda tentava quebrar o ovo sem fazer barulho, e foi quando a gente ouviu um “creck”. – Consegui. Vou separar a clara da gema e bater um pouquinho. Espera.
Harry se mexeu um pouco na cama e eu fiquei com medo dele acordar. Aproximei-me de , já desesperado.
- Dá pra acelerar?
- Pronto. – ele deu um sorriso de lado. e eu estávamos do lado da cama.
pegou o conteúdo e passou na bunda do Harry. Se não o conhecesse, juraria que ele era viado.
- Tem certeza que ele vai fazer o que você acha que vai? – perguntei.
- Tenho certeza absoluta. – ele me respondeu, ainda passando a clara batida na bunda do Harry. – Pra ficar mais real, me ajuda a tirar a samba canção dele. – deu o prato pra e olhou pra mim.
- O que? Eu não vou tirar cueca de macho nenhum. – falei me afastando.
- , você quer tirar onda ou não? Sempre tem um sacrifício! Agora vai, me ajuda a tirar essa merda. – eu não tive escolha. Fiquei de joelhos na cama e ajudei a tirar a samba canção do Piu-Piu de Harry. A nossa sorte é que Harry era uma pedra dormindo e por isso, era o melhor pra pregar peças.
- Me dá o prato. – pedi a , que só olhava. Com os pratos nas mãos, derramei o resto do conteúdo na bunda branca do meu amigo.
- Ok! Saiam todos e vamos fechar a porta. Ajam normalmente. , já sabe o que vai fazer? – assenti com a cabeça como uma criança obediente.
Saímos quase correndo e loucos pra rir, mas nos seguramos. Fechei a porta atrás de mim, me olhou em sinal de que era pra pôr a segunda parte do plano em prática.
Bati na porta.
- Harry, acorda. Temos que ir pra aula. – falei com uma voz leve, como faço todos os dias. Sabendo que Harry não acordaria facilmente, gritei um pouco.
- HARRY, ACORDA! TEMOS QUE IR PRA AULA! – bati na porta com mais força – OS CARAS JÁ ESTÃO LÁ EM BAIXO. ANDA LOGO. – olhei pros meninos que estavam com a mão na boca, segurando a risada.
- To indo! – finalmente ele deu sinal de que estava acordado. – Mas que porra é essa? CARALHO! FUI COMIDO! GUYS! VENHAM AQUI, RÁPIDO.
Apontei pra escada, a gente ia fingir que estávamos subindo. Nós três – os amigos do bem – forjamos os barulhos nos degraus e entramos com tudo no quarto de Harry.
Ele estava em pé. E pelado.
Era agora que eu tinha que fazer valer as aulas de teatro do colégio.
- O que foi que aconteceu? Perdeu a cueca? – perguntou sério. Cínico.
- Eu fui comido! Fui comido!Fui comido! Olha a minha cueca. Olha como ela está! – peguei a cueca dele e prendi o riso.
- Eca, dude. Que porra é essa? – joguei a cueca na cama.
- Eu não sei! – Harry passou a mão na bunda – Tem na minha bunda também! Fui comido, tenho certeza... – ele falou com voz chorosa e sentou na cama – O que vou dizer pro meu pai? O que eu vou dizer pro meu pai? – a cada frase dele, Harry se balançava pra frente e pra trás nos olhando, e a gente fazendo a linha de preocupado.
-Calma cara. Relaxa, vai ver tu cagou água! – tentou amenizar a situação.
- Será que vou virar viado? Eu não me lembro de nada! Só lembro-me da gente jogando, bebendo com vários amigos e umas minas. AMIGOS! TINHA HOMEM COM A GENTE! VIREI VIADO! – eu não aguentei mais, ri até chorar. e me acompanharam.
Fizemos um high-five triplo e rimos mais ainda.
- Quê? –Harry ainda sentado se lamentando com sua nova sexualidade, perguntou perplexo com as nossas risadas – Eu aqui, to fodido, literalmente, e vocês rindo da minha desgraça? Linda essa nossa amizade!
- Seu tonto. Fomos nós! Os créditos não para o nosso querido .
- Oi? Isso tudo era brincadeirinha de vocês? Eu não acredito! E jurando que tinha virado gay! – Harry disse se levantando – Bando de doente! Agora vão se arrumar porque a gente tem uma escola pra ir! – ele apontou pra porta e saímos rindo.
Agora imagina a cena. Harry bravo,todo vermelho e pelado.
Isso ia ficar pra história.
E assim, mais um dia começava na nossa casa.
Os meninos foram ar banho enquanto eu comia. Morávamos todos juntos. É assim desde que nossos pais nos deram autorização pra morar numa casa só. Você me pergunta “como pais deixam filhos irresponsáveis morar numa casa todos juntos?”.
Pois é, não respondo perguntas complexas.
Só sei que temos dinheiro todo mês em nossas contas.
Tá, eu acho que você deve estar pensando em como somos mimados e tal. Até admito que somos, mas temos que aproveitar, certo?
Estávamos na garagem, entrando na Pajero prata de Harry. Falando no Judd, ele ainda tava puto com a pequena brincadeira matutina.
- Hey, cara. Fica assim não, você sabe que sempre rola uma brincadeira assim. Foi mal. – me desculpei em nome dos três, mas não tava adiantando.
- Te juro que a gente não faz mais isso... Desculpa, man. – foi a vez de se desculpar.
- Foi minha ideia, não desconta neles. Se você não quiser falar comigo, eu entendo. – falou olhando pra fora da janela, claramente se arrependendo da merda que fez.
O era desses. Fazia as coisas e não tava nem aí se havia pegado pesado ou não, até quando visse algum de seus amigos com raiva.
-Vai. Ter. Volta. – foi o que Harry falou durante o trajeto todo.
Chegamos ao colégio e sentamos na nossa mesa favorita no pátio. Acenamos pra várias meninas, que respondiam com piscadas e sorrisinhos safados.
Nós éramos os mais pegadores do Colégio Westshefild. Modéstia à parte, eu pegava mais. Não sei por que, vai ver eu tinha pegada e eles não.
- Dude, acho que vou chamar aquela loira – apontei discretamente pra uma menina gostosa perto da cantina – pra sair. To afim dela desde a semana passada.
- Nem vem, . Já tinha pensando nisso. – falou. WHAT?
- Não! Eu vou pegar primeiro! Você sabe, ninguém resiste a mim. Eu posso ter qualquer uma aqui, na minha mão. – falei com ar convencido e logo revirou os olhos. Harry, ainda calado, olhou pra o outro lado do pátio (pra parte sombria da escola, onde só havia gente estranha que usava preto) e deu um sorrisinho.
- Eis a minha vingança: se você acha que pode ter qualquer uma, aposto que não pega aquela. – Harry apontou pra a parte sombria do colégio.
- Quem? O cabeludo ali? – perguntou.
- Não, aquela. – por trás do cabeludo, havia uma menina baixinha ouvindo música no seu Ipod.
Não, não podia ser.
não.
- Porra, dude! Quer me foder mesmo? – falei num to desesperado – Nem fui eu que tive a ideia do ovo, foi ! – apontei pro .
- A ideia pode até ser do , mas quem inventa essas putarias de manhã é você. E aí, acha que consegue? Eu aposto cem libras que não. – virei pro os outros dois pedindo ajuda e eles só levantaram a mão como se dissessem que não podiam fazer nada. Ótimo. – Você se diz o rei, que pode pegar qualquer uma aqui, então eu aposto você pegar a .
- Mas a mina não é lésbica?
- Rapaz, isso já não é problema meu. – agora o Harry me fodeu legal.
- Isso é um desafio? – foda-se! Se a mina era lésbica, vai ter que voltar a gostar de homens!
- Desafio, aposta, entenda como quiser... – ele deu de ombros.
- E se ficar com ela, o que eu ganho?
- Além de cem libras, uma bela de uma ficada e a moral dos seus amigos. Agora, se você perder...
- O que... Você vai fazer?
- Espalho pra todo mundo que naquela viajem pra Aspen, você ficou com um instrutor de esqui e que toda essa fama de pegador aqui em Londres é fachada. Você sabe que eu posso provar, não sabe? – É, eu sabia. Harry tinha uma grande habilidade em Photoshop e afins. Ele podia fazer uma montagem perfeita de uma foto minha com um cara gostosão pelado com um esqui escondendo os documentos. – Vai arregar?
- Arregar? Parece que nem me conhece. Beleza, aposto com você que fico com a -mãos-de-tesoura e mais, vou pro Baile de Verão com ela.
- Tem certeza, dude? – perguntou. Engoli em seco.
- Tenho. E aí, fechou? – falei pro Judd, jogando minha mão em sua frente pra selar nosso pequeno acordo. Eu tinha que mostrar que era capaz de ganhar a aposta. Harry arqueou a sobrancelha e logo menos juntou nossas mãos.
- Só quero ver.
- Agora, essa aposta morre aqui. Nada de dizer pra alguém. – falei olhando diretamente pro .
- Se isso foi uma indireta, saiba que estou extremamente ofendido.
- Não interessa, eu te conheço muito bem. E a qualquer momento, sem querer isso pode sair da sua boca. Por isso, fica aqui e morre aqui, ok? – todos assentiram
Porra, e agora? Além de pegar a louca lá, tinha que ver se ela era mesmo lésbica. Como é que vou me aproximar do projeto de Satã?
:
Eu estava ouvindo Spanish Bomb, do The Clash, uma das minhas preferidas deles, quando Mike, um dos meus melhores amigos, sentou perto de mim me oferecendo um cigarro. Eu já tinha fumado antes de chegar ao colégio.
- Você não sabe que não pode fumar dentro das dependências desse colégio? – perguntei.
- E você não sabe que eu to pouco ligando pras dependências desse colégio? Se to na vontade, eu fumo. Não interessa onde eu estou. –falou dando um trago profundo, parecendo que não havia fumado há dias.
Mike era um dos meus mais queridos amigos no colégio, mas ainda tinha as outras três pessoas mais idiotas e as mais amadas também.
- O que você tá ouvindo?
- The Clash, tá afim? – tirei o fone esquerdo pra Mike pegar. Normalmente não faço isso, acho chato dividir fone, mas como era o Mike, tá tudo certo.
Ficamos ouvindo a música até quando não agüentei. Tirei o cigarro da boca dele e coloquei na minha.
-Desculpa, é mais forte que eu. – sorri, e em resposta, Mike deu uma piscadinha. A minha amizade com ele era daquelas em que a intimidade é uma merda. Eu dava liberdade a ele pra falar de qualquer coisa sobre a minha vida e ele o mesmo. Passamos por muita coisa juntos. Por isso o considero tanto.
Estudamos em outros colégios e aprontamos também. Aprendi a tocar bateria por causa dele, porque ele tinha a ideia fixa de montar uma banda e eu queria seguir seus passos. Pra mim, Mike era meu irmão mais velho, meu porto seguro. Ele me ensinou tudo o que sei, desde tocar bateria até a dar murros em pontos estratégicos nos caras.
Ele era uma referência. E eu era muito agradecida a ele.
Se não fosse por ele, eu estaria fugida de casa, na sarjeta, e com certeza drogada. Mas isso a gente deixa em off.
Já as meninas, conheci aqui. Elas são as únicas amigas que eu tenho na vida. Mas não são tão diferentes de mim e nem de Mike. Vestiam-se de preto, usavam piercing... Com exceção de , mas dela a gente fala mais tarde. Ouviam as bandas que eu curtia e compartilhavam as mesmas ideias que eu.
Se você ouvir por aí que eu sou mulher do capeta, que me acho a fodona por falar o que quero sem medir as palavras, que sou a feminista lésbica e que sempre faço uma orgia com as minhas amigas toda sexta...
Saiba que tudo isso é mentira.
Primeiro, acha mesmo que o capeta ia casar comigo com tanta mulher bonita por aí? Tá, piada sem graça. Segundo, só porque falo o que eu penso e o que acredito mesmo sem ligar pro que as outras vão falar, tiram conclusões precipitadas de mim. E na real? Nem ligo! E terceiro, feminista eu sou, mas quanto ao ponto do lesbianismo...
Pergunta ao meu ex-namorado se sou lésbica.
Bom, tiradas as dúvidas, vamos seguir em frente.
- ! – voz de piou, me chamando. – Você tá preparada pra notícia?
- Se for não for boa, não precisa nem dizer!
- , para de drama. A notícia é ótima! Envolve você, eu, a galera e uma banda.
- Calma, que meu coração não aguenta. – coloquei uma mão no peito esquerdo.
-A gente vai pro show da Sounds Of Darkness! – A MINHA BANDA PREFERIDA VEM PRA MINHA CIDADE? AH!
-EU NÃO ACREDITO! – falei fazendo uma dançinha da vitória. Eu tava muito feliz! Sabe quanto tempo estou faz que eu estou esperando essa banda? Dois anos. Eu tenho que ir pra esse show. Eu vou pra esse show.
- E as meninas estão sabendo?
- É claro! – quase gritou – Eu só não falei pra você nesse final de semana porque não te achei. Falando nisso, onde estava?
- Er... Eu fui ver uns amigos – olhei pro Mike que se fez de desentendido.
- Hm... Vou fingir que acredito. – era daquelas que desconfiava de tudo, e pra mim era um desvantagem, porque eu não sabia esconder coisas não muito legais das minhas amigas.
O sinal tocou.
- Que aula você tem agora? – ela me perguntou.
-Tenho de biologia no laboratório e você, gata?
- História com o resto das meninas. Nos vemos no intervalo? – assenti com a cabeça e ela foi pro pátio central.
Nós estudávamos separadas por um simples motivo: fazíamos muita bagunça juntas. Desde o primeiro ano, ouvíamos reclamação dos professores, e como eu não levava desaforo pra casa, sempre acabava numa detençãozinha básica.
No segundo ano, tudo mudou. As meninas foram pra outra sala e digamos que nosso comportamento melhorou um pouco.
Um pouco.
Mike e eu fomos pro Laboratório de Ciências Naturais do Colégio Westshieldf. Mike era loiro de olhos azuis e tinha uma argola no nariz como piercing. Ele era bonito demais, mas nosso relacionamento não passava de amizade. Nós éramos mais amigos do que um casal.
Sentamos lado a lado. Era normal ele ser a minha dupla de qualquer coisa naquela escola. Nós não éramos bem aceitos – pra não dizer que somos excluídos – pelos colegas de classe.
O professor Robson passou uma prática de queimar alguma coisa com alumínio. Eu fui acender a parada pra queimar o alumínio quando ouço alguém dizer:
- Já está acostumada a usar utensílios pra queimar alguma coisa, né não ? Aposto que já usou um desses pra ficar chapada. – John, o ogro, falou.
- Eu sou tão boa em queimar coisas que se fosse você, ficaria com medo de eu “sem querer” queimar o que tem no meio das pernas. – e toda sala riu.
- Já chega! Sr. Straford, pode por favor parar de mexer com a senhorita ? E , não pode ficar ameaçando seus colegas de classe assim. – Sr.Robson disse com gentileza, mas sinceramente, fiquei revoltada.
- Mas me chamar de chapada diante da sala toda ele pode, né?
- Não ligue pro que esse garoto fala. Ele é um monte de músculo ambulante, desconsidere. – sussurrou em meu ouvido. – E tenho certeza que chapada você não é.
Professor, eu não teria tanta certeza assim.
E aula prosseguiu. Queimando coisas sem importância e fazendo coisas que o professor pedia.
E ainda era segunda. Será que se eu fechar o olho bem forte, a sexta chegava?
Capítulo 2 – Todo trabalho pra um cigarro?
:
Era tempo de Ed. Física e todos os alunos dos terceiros e segundos anos estavam fazendo essa aula. Todos, com exceção de nós.
Já era quarta-feira e eu não tinha a mínima ideia de como ia me aproximar de . Os guys e eu ficamos na arquibancada, vendo o resto fazendo exercícios idiotas. As meninas praticavam handball e os meninos, futebol. Já era costume a gente não fazer nada nessa aula. Atrapalhávamos todos nesses jogos estúpidos.
Fui olhar pro lado onde as meninas estavam jogando. Claro que eu não ia ver marmanjo chutando bola, quando podia ver meninas com shorts apertados.
Foi aí que eu vi quem tava jogando também.
A from hell.
- E aí, já sabe o que vai fazer pra ficar com a ? – apontou a cabeça na mesma direção que eu olhava, preocupado. Ele sabia mais que eu que Harry não estava brincando com aquela aposta. Achei legal da parte dele ter aflição com os meus problemas.
- Olha, que lindo, todo preocupadinho comigo! – falei com a voz afeminada e ele riu.
- Seu gay! Eu to preocupado, porque ninguém sabe o que essa doida é capaz de fazer com você. Imagina se a descobre dessa apos...
- ! Cala a boca! Depois ainda pergunta se as indiretas de ficar com a boca fechada são pra você. Esse assunto a gente só pode falar em casa. Para todos os efeitos, ela tem que achar que eu realmente estou afim dela. – eu acho que falei com tanta raiva que ele assentiu sem titubear.
foi conversar com os outros dois em uma das arquibancadas de baixo, me deixando com os pensamentos sobre .
era assustadora. Fazia parte dos excluídos que vestiam preto e usavam coturnos, seus amigos me davam medo.Nunca que iria mexer com nenhum deles, e principalmente com ela. Ouvi dizer que entrou em várias casas para jovens problemáticos e que vendia drogas.
Outra história de , ou , é que ela era lésbica. E isso está me deixando nervoso. Como vou conquistar uma menina que gostava de menina?
Nunca procurei saber se era verdade, mas também nunca a vi com um menino.
era famosa – por incrível que pareça – por suas notas e sua performance em lutar a favor dos direitos dos alunos, principalmente os das meninas.
Estudei com ela no primeiro ano e presenciei várias brigas com professores e coordenadores. Todos os dias, ela chegava atrasada e com cara de sono.
Usava muita blusa preta e esmalte da mesma cor. Já me falaram que tinha feito pacto com diabo, não duvido.
Eu não a achava bonita e nem feia, mas com certeza não fazia meu estilo de garota.
Foi quando eu ouvi uma gritaria e um aglomerado de pessoas – no meio, uma em especial.
:
Babado, confusão e gritaria.
Essa frase resumia o que rolou naquele momento.
Flashback’s on:
Eu tinha acabado de jogar Handball, meu time havia ganhado de quinze a onze e eu estava exausta. Fui ao bebedouro, enxugando a testa suada e nojenta. Abaixei a cabeça pra beber a água. Ouvi uma voz conhecida.
- Olha, mesmo sendo punk é gostosa. – John, o ogro, falou se aproximando com seus amigos enormes e fedorentos. Não dei valor e continuei bebendo a minha água linda.
Foi quando aconteceu.
- Quando estou falando com você, é pra olhar pra mim! – John alisou minha bunda.
Ele não fez isso.
Fechei meus olhos com raiva e me virei.
- Você não fez isso!
- Que foi? Não sabe o que é carinho de homem não? – respirei algumas vezes tentando manter a calma, mas não me segurei.
Fechei meu punho e sem pensar duas vezes, dei um soco em seu nariz.
Todos gritaram e se juntaram.
- Você tá louca? – John falou com as mãos no nariz que agora estava sangrando.
- Isso é pra você aprender a nunca mais mexer comigo! – falei com toda a raiva contida por muito tempo. Cuspi nele, que ainda estava com as mãos no nariz.
A verdade era que John Stranford mexia comigo desde que eu entrara naquela merda de colégio. Tinha preconceito por meus gostos musicais, minhas roupas e adorava me encher o saco. A gota d’água foi ter alisado a minha bunda.
Ninguém podia tocar em mim.
Não daquele jeito.
Flashbacks’s off
A merda estava feita.
Roendo a unha, sentada na cadeira da diretora Beth – uma gorda amante de rosquinhas com cobertura de chocolate – esperando o veredicto.
- , faz tempo que não vem à minha sala. – a gorducha sentou em sua cadeira e eu jurava que ia pular da minha. Tá, parei com piadas chatas. – Eu fiquei sabendo o que houve com a senhorita e com o Sr. Stranford. Achei muito corajoso de sua parte bater num menino daquele tamanho.
- A gente faz o que pode. – dei uma risadinha nervosa – Mas diretora, ele passou a mão em mim e isso eu não admito. Tive que ar minhas próprias providências...
- Eu sei que como mulher é horrível ter que passar por isso e não fazer nada. Porém,não foi uma atitude muito boa, . Você bateu em alguém, machucou o próximo, e isso não é adequado. Tinha que chamar o responsável pela aula, ou seja, o professor Marck. Antes que pergunte, dei a ele três dias de suspensão.
- Só três dias? – falei me levantando – Como assim três dias? O menino ME ALISA E VOCÊ SÓ DÁ TRÊS DIAS? ISSO É UM ABSURDO!
- Calma, ! Senão a sua detenção vira uma suspensão também!
- DETENÇÃO?
- Você, além de bater em uma pessoa, cuspiu. Uma semana de detenção.
- Uma semana? – perguntei sem acreditar. Eu vou passar uma semana com gente que eu não conheço numa sala.
- Diretora, por favor, eu nunca fui de pedir nada. Me deixe livre dessa detenção. Eu posso fazer um trabalho,olha aí. – fiz força pra chorar pra ver se ela tinha peninha de mim, mas nem rolou.
- Não. Desculpe-me, você vai cumprir essa detenção. Vai pensar no que fez.
Mano, saí de lá tão puta que quase a mandei ar naquele lugar.
:
Que merda era aquela? A menina desceu a mão no cara três vezes maior que ela?
Porra, ela era barra pesada.
E eu não vou mentir: to com um puta medo de me chegar nela.
O intervalo chegara. Os dudes e eu ficamos na mesma mesa de sempre. Peguei meu cigarro, nervoso e pensando no que ia fazer em relação à Menina de Ouro.
- Fiquei sabendo que a pegou detenção. – Harry sentou perto de mim – E aí, conquistador, já sabe como vai domar a fera?
- Estou pensando em alguns ataques, mas calma... To chegando lá.
- Só quero ver, tu pegando a mina estranha! – falou.
- Obrigado, por sua causa estou nessa situação. Só não acho justo que só eu tenha que sofrer. – falei revirando os olhos. Mundo injusto. Harry injusto.
- Calma, pequeno gafanhoto. Os outros vão sofrer as consequências também, dê tempo ao tempo. Se eu fosse você, ficaria preocupado na missão pega-a-doida.
- É, eu sei. – falei passando a mão no cabelo em sinal de nervosismo.
- Porra, to me mijando. Vamos lá no banheiro. – , com sua bexiga frouxa, falou e fez com que a gente fosse ao banheiro.
No banheiro...
- Mano, eu tava muito apertado. – disse lavando as mãos.
- Não queremos saber da situação da sua bexiga. – Harry falou. Saí da cabine do vaso sanitário. Olhei pra baixo e vi um rolo de papel higiênico.
Papel higiênico.
Tive uma ideia.
- Galera, peguem todos os rolos de papel higiênico que puderem. Tive uma ideia!
- Qual o objetivo disso tudo? – ia perguntando enquanto abria os armários do banheiro.
- Vou pra detenção, fazer amizade com a querida e amada . – dei um sorrisinho.
Os guys me ajudaram com os rolos e ouvi o sinal tocar. Saímos do banheiro e eu já sabia o que fazer.
- Tudo certo? – assentiram com a cabeça – Ótimo! Me ajudem a enrolar os papéis no corrimão e vamos jogar alguns pro alto, ok?
E assim foi. Pegamos uns dez rolos de papel higiênico e fizemos o que havíamos planejado. enrolou o máximo que pôde nos corrimãos do corredor principal – a gente só fez nesse corredor, porque né! – depois foi a vez de Harry jogar pro alto os outros rolos, e me ajudou a fazer um zigue zague interligando um corrimão no outro.
Tava lindo.
- O que você não faz pra ter uma menina... - disse enquanto pegava mais rolos.
- Não, querido . O que eu não faço pra ter uma menina e um dinheiro fácil. Gente, podem sair. Valeu pela ajuda, mas não quero que vocês saiam prejudicados. – disse por fim, percebendo que o trabalho tava mais que satisfatório.
- Tá, vou mandar alguém avisar à diretora. Boa sorte. – Harry falou. Acho que ele sentiu que eu estava levando um pouco a sério a aposta e pela primeira vez, sentiu pena.
Fui andando com o último rolo de papel na mão quando ouvi:
- ! – parei na hora e juro, tava me cagando de medo.
- Pois não, querida diretora.
- Que furdunço é esse? – a gorda pôs as mãos em sua cintura enorme.
- Estava com problemas e meu psicólogo falou que seria importante eu liberar o estresse. Olhei pros papeis higiênicos e pensei: por que não?
- O único problema aqui, mocinho, é a falta de comunicação que tenho com seus pais! – ela levantou o dedo indicador. – Quero que limpe essa porcaria e vá até a minha sala. Teremos uma conserva séria.
E o boi loiro se foi, bufando.
Conversa séria...
E se ela, ao invés de mandar pra detenção, me manda fazer que nem o John e ir pra casa com um bilhete de suspensão?
Eu tinha que correr o risco!
Tirei todo o papel e o joguei no lixo. Demorou, já que tinha muito papel. Fui pensativo pra sala da Diretora, com medo de levar uma suspensão e meu tiro sair pela culatra.
Respirei fundo.
Bati na porta e ouvir um “entre”.
- Estou ao seu dispor. – falei com uma voz de galanteador.
- Sente, Sr. Flecher. Vamos conversar. – fiz o que ela mandou e a esperei abrir a boca – , eu sei que você mora sozinho com seus amigos e sem supervisão dos pais. Isso é um problema... – até aí, tudo tranquilo – Mas aqui é diferente. Para toda ação, há uma reação. E o que você fez com certeza vai ter uma conseqüência. – sim, sim, sim!
- E seria uma...?
- Detenção. – prendi o riso e fiz cara de decepcionado – É claro que você esperava uma suspensão pra ficar livre da escola, mas como eu digo, aqui não, violão! Se seus pais não lhe criam, eu vou criar! – quase disse “mamãe!”, mas deixei pra lá. –Agora vá pra aula e não se esqueça que sua detenção será durante a semana, depois das aulas, na sala de estudos.
Parte um: completa.
:
Hora da saída. Peguei minhas coisas e vi Mike me esperando na porta da sala. Fui em direção a ele e me encontrei com as meninas.
- Fiquei sabendo. Poxa, o que você tinha na cabeça de socar o John? – me perguntou. Ok, hora de falar de , a menos estranha de todas. Ela era a mais meiga do grupo. E eu me perguntava o motivo pelo qual ela andava conosco. Ela era linda, vestia roupas normais – para os padrões do colégio – mas nunca quis fazer amizade com as outras meninas. Um dia, ela disse que se sentia deslocada apesar de ser bonita, vestir roupas boas e essas coisas.
- Eu não me aguentei, tinha que fazer isso.
- Mas nem rola de você fazer essa detenção! Super injusto. O cara te alisa e você ainda paga o pato. Que mundo é esse, meu Deus? – levantou as mãos.
- , você não é ateia?
- E só porque não acredito em Deus, não posso citá-lo? – revirou os olhos.
- Enfim, segundo a diretora, socar e cuspir não são atitudes legais e preciso pensar nelas na detenção. Tentei explicar que podia pensar nas minhas atitudes em casa, mas ela não quis ouvir essa proposta...
- , tá na hora da detenção! – Mike gritou do outro lado do corredor.
- Ih, teu pai tá te chamando! – falou e as outras riram. Elas sempre zoaram minha amizade com Mike. Elas o chamavam de meu pai ou irmão mais velho.
Eu nem ligava, de certo modo, ele era mesmo um pai, um irmão mais velho pra mim.
- To indo! Meninas, tenho que ir! De noite rola reuniãozinha lá em casa?
- Pode deixar, a gente dá uma passada lá.
Fui até Mike e descemos pela escada em direção à sala de estudos.
- Vou ficar na casa de um brother meu esperando você sair. Me liga que eu venho te buscar, tá bom? – Mike falou e eu balancei a cabeça positivamente.
- Mike, se for na casa do amigo que eu to pensando... Cuidado, ouça bem o que eu to te dizendo! – falei e ele me olhou rindo.
- Não é ele. Depois do que rolou, eu nem quero saber dele. – nós já estávamos perto da sala e Mike me beijou na testa – Prometo que não vou me envolver com esse tipo de gente. Por mim e por você. Vai, que o povo mais louco que a gente ta te esperando. – ele bateu na minha bunda em sinal de incentivo.
- Olha que da última vez que fizeram isso, teve gente que quase saiu com nariz quebrado.
- Nem me lembre. A sorte dele é que eu não estava lá. Mas vai ter volta!
- Isso, meu super-herói! Me proteja! To indo. – dei um beijo em sua bochecha e entrei na sala.
Não havia professor, nenhum responsável. Só umas quatro pessoas sentadas em pontos totalmente diferentes.
A primeira pessoa era uma menina loira com uma blusa rosa e um diadema rosa bebê. Acho que ela soltou um pum e veio pra cá, só pode.
O segundo elemento era um dos caras do lado sombrio do colégio, o Adam. Ele olhou pra mim, fez uma cara de poucos amigos e continuou a brincar com seu isqueiro. O terceiro era o Philip, o cara dos computadores. Provavelmente, entrou em algum sistema proibido do colégio. O quarto era nada mais nada menos que , que provavelmente foi pego comendo alguém.
Sentei na última cadeira,peguei minha bolsa a colocando na mesa e fazendo dela um travesseiro.Abaixei a cabeça e daqui a minutos tiraria um cochilinho maravilhoso.
Falei muito cedo.
Ouvi a porta se abrindo e depois se fechando. Reconheci meu professor lindo de música colocar seu material na mesa e sentar na sua cadeira.
Uma semana com aquela visão perfeita?
To amando a detenção.
- Bom pessoal, vocês devem perguntar o motivo que me trouxe aqui, mas a pergunta certa é: porque vocês estão aqui? Começando por Philip!
- Entrei mais uma vez no sistema do colégio e fui pego.
- Hm... Há um hacker entre nós. Vou ficar de olho no meu Notebook. Agora você, Heather.
- Cabulei aula de matemática pra ficar lendo revista sobre Colíros. – acéfala.
- ?
- Bati em um cara cinco vezes maior que eu e não me arrependo. Posso ir embora?
- Eu soube dessa história e não, não pode sair. E você, ?
- Rolos de papel higiênico, longa historia. – falou e eu ri. De repente, ele olhou por cima do ombro e meu olhar se encontrou com o dele.
Me assustei, virando o rosto pra baixo.
Constrangedor.
Ok, assumo que ele não era de se jogar fora, mas nunca olharia pra mim e nem se interessaria por mim.
- Professor, o que vamos fazer? – perguntei tentando tirar o assunto -não-me-pega-porque-sou-estranha-e-feia da minha cabeça.
É, eu me acho feia. Tenho problemas de auto-estima, como toda menina normal.
Mas eu tava cagando no balde sobre a opinião de todas as pessoas daquele colégio, principalmente a de .
Certo?
Acho que sim.
- Boa pergunta, . Ainda não sei o que vou fazer com vocês. A senhora Beth me chamou pra supervisionar de última hora e ainda por cima, passar um trabalho relacionado à arte e música. Por enquanto façam o que quiserem. Mas é só hoje, amanhã trarei alguma atividade que valerá nota.
O professor-gostoso falou e vi a galera comemorando por não fazer nada durante o dia naquela merda de sala. Se eu quisesse passar o dia fazendo nada, iria pra casa e dormia.
Vida de merda.
Enfim, peguei minha mochila, a fiz como travesseiro, liguei meu Ipod,abaixei a cabeça e fui dormir. Dormir faria o tempo mais rápido e expulsaria meus pensamentos sobre o quão sou feia pro .
Senti algum me cutucar. Não levantei a cabeça.
Senti de novo. Levantei a cabeça dessa vez e limpei uma pequena baba que saía da minha boca.
- Todos já saíram, só falta você. – ouvi uma voz pouco conhecida falando e ainda sonolenta olhei pro relógio em cima da lousa.
15h30min.
Ótimo. O professor nem pra me chamar...
- Tá me ouvindo? – virei pro lado ainda com o cérebro devagar e fiquei assustada. Demorei pra processar quem estava falando comigo. – Você tá...
- Já ouvi e já to indo. – me levantei pegando a mochila e saindo da sala o mais rápido que pude. Eu não sei o motivo do meu desespero pra sair daquela sala, mas ficar sozinha com me deixava nervosa.
Muito nervosa.
- De nada! – o ouvi ainda gritar dentro da sala.
O que eu sabia de era a mesma coisa que todos. Riquinho metido à besta, morava com seus amigos, e seus pais faziam todos os seus agrados. Ele era o típico cara bonito que tinha todas aos seus pés. Se estalasse os dedos, vinham cinco meninas na hora.
Passava por cima de todos pra conseguir o que queria e quem queria. Isso é um absurdo. Você passa por cima de alguém e não tá nem aí? Que tipo de gente era ele?
Sem caráter.
As meninas não ligavam em serem usadas, pelo contrário, batiam no peito pra dizer que já ficaram com .
Ele tinha uma banda junto com seus fiéis escudeiros, eles eram os McTry ou algum lanche do McDonald’s. Não sei bem o nome daquela bagaça.
Eu já ouvi o lixo que eles chamam de música e é muito ruim. Tenho certeza que essa banda era mais uma tática pra arranjar mulher. Sempre é.
– como era conhecido – estudou comigo no primeiro ano e nunca conversamos, nunca trocamos bom dia, ele nunca olhou pra minha cara, nem pra das minhas amigas. E hoje ele me acorda me cutucando como se fôssemos amiguinhos.
Perdi alguma coisa?
Saí do colégio e a primeira coisa que fiz foi tirar meu maço de cigarros, pegando um e o acendendo com o meu isqueiro do Batman.
Presente do Mike.
Dei uma tragada forte, nervosa com com o nosso pequeno diálogo. Eu não sei por que estava assim.
Só foi uma acordada básica, chega de drama!
Com esses dizeres em pensamento, abri a bolsa pra pegar meu celular. Fui apertar o número dois pra discagem rápida, ia ligar pro Mike me buscar.
- Não precisava correr daquele jeito... – estava perto do portão de ferro do colégio.
- Se você quer ouvir um obrigada por ter me acordado... Obrigada. – falei, e depois soprei a fumaça do cigarro.
- Eu não queria ouvir nada. Só vim pra pedir um cigarro, rola de ou não? – ele falou de um jeito engraçado.
Mantenha o foco.
- Sempre uma coisa em troca. Mas quem nega um cigarro, nega um pão. – abri o bolso da minha bolsa, onde estava o maço, e tirei do mesmo um cigarro. – Pega e vê se some. – falei de uma forma assustadora.
Meninas podem ser assustadoras quando se sentem ameaçadas em qualquer situação.
E no meu caso, ser assustadora era motivo de sobrevivência. Como você acha que ninguém mexe comigo ali?
Apesar do John... Mas aquilo foi uma exceção.
pegou o cigarro da minha mão e passou os dedos suavemente pelos meus. Senti um arrepio na espinha.
- Valeu. – ele falou com uma voz rouca. Engoli em seco.
Mas que merda tava acontecendo?
- Ótimo, eu já te agradeci, você já me agradeceu. Agora, podemos voltar ao mundo normal, onde você não fala comigo e eu não te dou cigarros? – falei, me virando e saindo.
Se eu fosse a de manhã estaria ali falando e poucas e boas pra ele, mas não sei por que decidi sair.
Fiquei embaixo de uma árvore enquanto saía de perto do portão e ia em direção a uma EcoSport preta em frente do colégio.
Entrou no carro, ligou e buzinou pra mim, dando tchauzinho.
Viadinho.
:
Todo um trabalho e concentração pra entrar numa detenção com objetivo de conseguir uma menina e só consegui um cigarro?UM CIGARRO?
Tava perdido. Totalmente perdido.
Mas calma, vou segurar na mão de Deus e ir.
Sem brincadeira nenhuma.
Fui pra casa ao som de No You Girls, Franz Ferdinand, batendo no volante. De repente, me veio o rosto de dormindo.
Ri.
Quem a visse dormindo daquele jeito suave, nunca ia dizer que era a filha do capeta.
dormindo não parecia a maligna menina do terceiro ano, não parecia a menina que batia num cara de trezentos quilos, não parecia a filha do capeta.
Naquela hora, parecia um ser doce, sensível, uma pessoa totalmente diferente.
E além de tudo, ela estava linda. Beleza que teve baba, mas quem não baba quando dorme?
Lick your cigarette then kiss me.
Prestei atenção na música e ri me lembrando da cena em que me dava um cigarro. Ela fumava! Ganhou pontos comigo. Meninas que fumam são sexies.
Tudo bem que eu nunca falei com ela e nunca quis ter contato mais próximo que dez cadeiras de diferença, mas não precisava ser tão grossa como foi antes de ir pra baixo de uma árvore.
Era assim que ela fugia das pessoas, ficando debaixo de uma árvore?
Muito madura.
Cheguei e estava um silêncio. Os meninos deviam estar dormindo. Fui pra cozinha e peguei alguma comida congelada no microondas. Sentei na cadeira, colocando as mãos na cabeça.
- O que vou fazer? Preciso ser mais enérgico. – falei pra mim mesmo em relação à . Senti uma mão no meu ombro e vi Harry. Ele puxou a cadeira e sentou na minha frente.
- E aí, como vai o caso com a princesa da escuridão? – ele riu.
- Ainda sem progressos, mas consegui um cigarro. – falei me levantando e pegando o prato quente – Caralho, tá quente! – passando o prato pra uma mão pra outra e assim, com muita dificuldade, sentei.
- Pegou um cigarro com ela? Já é um passo.
- Sou cauteloso. Não tenho pressa.
Amanhã é outro dia, outra história.
:
, e estavam no meu quarto. na mesinha do computador, mexia no seu Face. mudava estação de rádio pra uma de rock. estava na minha cama fazendo carinho em minha cabeça enquanto eu estava deitada em seu colo.
- Meninas, vocês não sabem quem falou comigo na detenção! – me levantei toda animadinha e elas pararam o que estavam fazendo.
- Já to curiosa com toda essa animação... Me conta quem foi! – , a mais curiosa piou.
- . – disse sem rodeios .Todas abriram a boca.
- Hã?
- Como assim?
- Ele sabe que você existe?
- Calma, meninas. São muitas perguntas e não tenho nada a declarar. – brinquei. Pelas caras de indignação, elas não levaram na brincadeira. – Relaxem! Só to zuando... Ele falou comigo, na verdade me cutucou...
- CUTUCOU? COMO ASSIM? – me interrompeu.
- Se você me deixar terminar...
- Grossa.
- Enfim, tinha me cutucado pra acordar porque a parada tinha acabado. Foi estranho, porque eu devo ter acordado com uma cara de retardada, e depois, só socializei a voz com a pessoa quando olhei pra ele. E sabem o que fiz? – as meninas me escutavam atentamente. – Simplesmente corri pra fora da sala que nem uma atriz de novela mexicana. Horrível.
- Queria ter visto isso! Nunca vi correndo de nada e nem de ninguém. – falou comendo um biscoito em seguida.
- Escutem a melhor parte! Na hora da saída, lá estava eu, cansada, fumando meu humilde cigarro, quando o chega e pede um. Quase faleço no meio da calçada. – todas riram.
- E o que você fez? Foi educada? Deu um cigarro? – subiu na cama, toda serelepe.
- Falei com ele. Não fui educada e sim, dei. Uma coisa que eu não faço é negar cigarro.
- Não foi educada? , é a primeira vez que um menino gato fala com você e você é grossa?
- , desde quando você acha o bonito? Bom, isso não tem importância... Mas o fato de eu ser grossa é bem simples, na verdade. O cara me “conhece” – fiz aspas – por dois anos, quase três, e nunca falou comigo, nem olhou na minha cara. E agora, do nada, pede um cigarro? Vocês tem que concordar que é estranho.
- Ah, para de ser chata! Beleza que ele não é flor que se cheire, mas se ele quer, quem sabe, uma amizade... Não precisa de tanto. – falou.
- e eu, amigos? Não mesmo! Acho que esse não é o caso. Ele só queria um cigarro, suprir uma necessidade. Por azar, eu estava com o que ele queria. Por favor, vamos mudar de assunto?
- Tá, garota problema. E aí, tudo certo pro show no sábado? Já avisou à sua mãe?
Outch.
A minha mãe. Um problema constante. Ela não gostava das roupas que eu usava, dos meus amigos, das músicas que eu ouvia, do modo que eu falava, das coisas que tinham no meu quarto, e principalmente, de Mike.
Com isso, tínhamos muitas discussões, muitas brigas. Eu acho que ela só não me põe pra fora de casa por eu ser sua única filha. O nosso diálogo era o básico dos básicos. Um bom dia, boa tarde e boa noite. Tinham vezes em que nem isso a gente falava.
Eu não sei o que fiz. Só sei que ela sempre botava a culpa em mim pra tudo relacionado àquela casa. Tudo. E eu estava de saco cheio disso.
- Bem, ainda não. Vocês sabem que não é tão fácil assim pedir a ela pra ir a shows...
- , mas você tem que ir, vai ser o show! A nossa banda preferida vai tocar e eu não acredito que não vai. – falou com tristeza na voz. Ela tava certa. Minha banda preferida... Eu tinha que ir.
-, você vai? – perguntei pra menina que estava fazendo trança em seus cabelos.
- Não, eu não gosto desse estilo de banda, vocês sabem! Acho que vou fazer compras com a minha mãe, sei lá... – típico. era a mais patricinha de todas. Sempre usava o que queria, incluindo roupas da moda e coturnos.Ela dizia que mudava de roupa de acordo com o seu humor.
- Eu sei, meu bem. Só perguntei por educação mesmo – falei rindo e ela deu a língua.
Ficamos rindo, ouvindo música, conversando e falando sobre como seria o show.
Eu só queria que essa semana passasse rápido, que essa historia de detenção acabasse logo, e mais importante: que esquecesse de mim. Me deixasse no meu canto.
Mas eu sentia que isso não ia acontecer.
O cigarro só foi o começo.
Capítulo 3 – Don't come too close, you don't wanna see my ghost.
2ª Lição: Tente chegar na mina como quem não quer nada.
Quando chegar ao alvo, a trate como uma pessoa normal. Não mostre que tem segundas e terceiras intenções. Mostre que pode ser tudo, menos o que realmente é:
Um caçador.
:
Era hoje.
Hoje tinha que ser o dia de chegar chegando na freak.
Mas, calma.
Como eu tinha uma larga experiência no assunto – pegar mulher, claro – eu resolvi que tinha me aproximar aos poucos, de grão em grão, pra ela ter confiança em mim. Aí eu dou o bote.
Vou ao baile idiota com ela e ganho a aposta.
Tudo certo.
Eu estava no portão do colégio vendo as pessoas entrarem, mas principalmente as meninas. Fumava meu cigarro enquanto via meus amigos vindo até a mim.
- Pensando na vida? –Harry perguntou.
- Nah. Só numa estratégia pra abordar a from hell! E aí, qual é a boa? – perguntei jogando a bituca do cigarro no chão e amassando-a.
- Vai rolar uma festa na casa da Sam. E tu tá ligado quando tem festa lá, né?
- Perdição total! – , e eu gritamos que nem três crianças que acabaram de ganhar um presente do Papai Noel. As festas na casa da Samantha eram clássicas, as épicas! Tudo rolava lá. Na última – que eu lembro – eu acordei com três meninas, uma garrafa de champanhe, e só de boxers. Foi foda.
- E quando vai ser esse evento maravilhoso? –perguntei.
- No sábado.
- Vou sim, posso sim e não tenho ninguém que manda em mim. – falei e todos riram.
- Então formou! Vou marcar a nossa ilustre presença nessa crazy party e depois falo com vocês. – Harry foi entrando no pátio.
Ele já sabia o que ia acontecer. Bebida liberada, muita menina bonita e uma transa perfeita com a Sam. Toda vez era isso.
- E aí, vai pedir o que pra hoje? Um lápis de olho ou um esmalte preto? – tirou com a minha cara e lhe dei um belo dedo do meio.
- Não fode.
O sinal tinha tocado, e nem sinal de . No fundo, eu esperava vê-la entrar no colégio. Nem sei por que, mas esperava.
Desisti, entrando no pátio e seguindo pra sala.
É, tinha que conseguir pelo menos uma conversa decente com a -mãos-de-tesoura.
:
Eram oito da manhã e eu ainda estava na rua de casa com cara de sono e ouvindo Sex Pistols. Pensei no sumiço de Mike. Desde ontem que não falava com ele.
Ele me deixou em casa como havia planejado e depois foi embora. Quando ele faz esse tipo de coisa, eu sei o que ele anda aprontando. E ele sabe que eu sei – o que ele apronta me deixa puta – e ele não faz nada pra mudar.
Ele ia ver.
Dobrei a esquina, avistando o prédio antigo de tijolos avermelhados do meu querido colégio. O bom de morar perto do colégio era que dava pra ir a pé, e tinha a opção de cabular à vontade. O ruim era que se ligassem pra sua mãe, ela não demoraria tanto.
Como sempre, cheguei atrasada e não havia mais ninguém no pátio. O porteiro, José, meu brother, me deixou entrar sem ir pra coordenação. Amo ele. Suspirei.
Aquele pátio sem ninguém... O silêncio era acolhedor. Eu me sentia à vontade sozinha naquele pátio. Sem olhares julgadores, sem pessoas cochichando sobre você, sem a tensão de pensar que alguém iria te humilhar em público.
Acreditem, eles faziam isso sem dó e nem piedade.
Chega de sessão descarrego emocional, vamos pra aula.
Na hora da saída...
- Pois é meninas, to indo pro tormento!
- Cadê o Mike pra te avisar que tá na hora? – perguntou.
- Ele não veio hoje. – todas me olharam. – É, eu sei. Acho que ele teve algum probleminha em casa.
- , para de inventar... Nós sabemos qual é o problema dele. Sabemos muito bem.
- É,não é de hoje que a gente sabe que Mike usa drogas. – falou. Entendeu por que minha mãe não curtia minha amizade com Mike?
- Cara, já falei pra ele parar de usar! Mas ele não me ouve. Promete e depois volta, parece que é mais forte que ele. – falei numa voz chorosa. Mike era como um irmão pra mim, e era triste vê-lo numa situação dessas.
- Eu sei, amiga. Mas o Mike já é bem grandinho pra saber o que é certo e o que é errado. Eu só não gosto de ver quando ele te oferece, ou manda você experimentar, e você faz o que ele quer. – falou.
- Essa coisa de me oferecer e eu pegar, já passou. Na última vez, quase não voltei pra casa! Deus me livre! – é mano, o Mike tinha essa mania de me oferecer drogas, mas como ele tinha um poder de persuasão em mim, eu aceitava de boa. E como disse, na última vez eu tava tão mal, tão chapada, que não consegui voltar pra casa. Tive que esperar o efeito passar.
E não, não era maconha.
A gente tava numa rave, rolou de ele me dar uma balinha, e a noite passou tão rápida que só lembro de flashes dela. E depois, rolou de Mike me dar outra. E só me lembro de ficar deitada numa grama, com ele fazendo carinho na minha cabeça, dizendo que eu estava bem, mas precisando descansar e esperar a parada sair do meu organismo. Depois, só lembro-me de estar no meu quarto, no dia seguinte. Fim.
- Nós adoramos o Mike. Mas não gostamos dessa atitude. Que amizade da porra é essa que gosta de proteger, mas gosta de influenciar quanto ao uso de drogas? – estava séria. E ela tinha razão. Precisava rever os conceitos sobre a amizade de Mike.
- Vocês estão certas. Vou ter uma conversa séria com o Mike e pedir pra ele parar com isso, ou então me perde. Mas lembrem-se que ele me ajudou quando eu precisei, e por isso gosto muito dele. Mike foi o único que me deu a mão...
- Nós sabemos disso. Ele foi o único porque você só tinha ele de amigo, mas agora a coisa mudou. Não estou dizendo que é pra deixar de ser amiga dele. É só rever as coisas que ele fez, conversar pra ver se muda. Entendeu? – disse fazendo carinho no meu braço. Eu tinha sorte por ter elas como amigas.
- Vou ver o que posso fazer. Agora, tenho que ir. Beijo!
E assim, com a história de Mike-eu-amo-as-drogas, fui pra sala de estudos.
Opa. Tinha esquecido quem eu ia ver lá.
Respira. São só duas horas entre quatro paredes com um dos caras mais chatos e – mesmo não querendo admitir – o mais lindo do colégio.
:
tinha chegou e ocupou a mesma cadeira de ontem. Pegou seu inseparável Ipod e começou a ouvi-lo. Nem olhou pra minha cara quando eu tentei fazer meu sorriso galanteador.
Peguei meu caderno e comecei a escrever coisas aleatórias.
She's just a loner with a sexy attitude.
Escrevi isso quando estava lembrando de seu rosto dormindo com toda aquela roupa preta e um biquinho. Pra mim, ela estava sexy.
Foi quando o professor chegou.
- Trouxe um presentinho pra vocês!
- É de comer, professor? – a loira gostosa perguntou. Dei uma risada e ela olhou pra trás. Pisquei e ela me deu um sorriso safado.
Qual era o nome dela mesmo?
- Não, Denise, não é de comer. – Denise (já sei o nome, só falta o telefone). – Bem melhor! Como vocês sabem, a diretora me pediu pra fazer uma atividade relacionada à arte e música, então tive uma grande ideia. Vocês vão se juntar em duplas pra fazer qualquer coisa. Música, áudio-visual...O que quiserem! Vai ser genial! – ele falou com os olhos brilhando.
Quando é que uma atividade qualquer, de qualquer matéria, era melhor que COMER?
E outra, esse cara não sabe contar não? Éramos cinco! CINCO.
- Professor, somos cinco. Vai sobrar alguém e eu não me importo em ser esse alguém. – ouvi uma voz suave e educada vindo de trás. Olhei por cima dos ombros e era .
Peraí. A menina ia fazer sozinha um trabalho que seria ser uma puta de uma chance de ficar perto dela?
Nem fodendo.
- Não sei se você se importa, professor, mas eu queria fazer com a minha ex-colega de classe, a . Seria uma chance de conhecê-la melhor antes da formatura. Ia ser, pra mim, muito chato ver daqui uns anos a minha foto de formatura e não conhecer a metade das pessoas que estão nela.
- Tudo bem, . Vai querer ficar com ele, ? – então engoli em seco olhando pra trás e vi uma chocada. Eu nem sei de onde tirei tanta merda, mas tava desesperado e aquela era uma ótima oportunidade. Tinha que arriscar. E balançou a cabeça, ainda calada. – Ok, então. Temos a primeira dupla. Quem vai ficar sozinho? – o professor perguntou e o Adam levantou a mão – Certo. Podem ir pra qualquer lugar do colégio pra expor suas ideias. E Adam, se quiser compartilhar a sua comigo, fique à vontade. E lembrem-se: quero vocês aqui às 15h15min. Vão.
:
Que merda era aquela?
Não sério. Que merda era aquela? O que esse menino tinha falado? O cara nunca teve interesse em me conhecer, saber como eu sou, e agora estava incomodado com o fato de tirar foto na formatura sem falar comigo. WTF?
Caminhei até a área livre do colégio sem olhar pra trás pra saber se ele havia me seguido ou não. Sentei numa árvore de frente ao campo de futebol, tentando achar uma razão praquilo.
E não vinha nada, nada mesmo.
Comecei a roer a unha, e louca pra achar uma só razão.
- Você anda rápido, pra uma menina que fuma. – uma voz cansada disse ao meu lado e eu dei um pulo de susto. – Sério, o que tem com as árvores? Sempre tá em uma. – falou com a mão no peito e agachado em sinal de cansaço. Sentou perto de mim ofegante.
- Eu sou que nem o Serguei, gosto de fazer sexo com a natureza. – disse o olhando séria e depois virei o rosto pra frente, fitando o campo.
- Eu já desconfiava dessa sua tara. Mas ouvir você dizendo é melhor, acredite. – segurei o riso.
- Fale o que quer de mim. São drogas? Porque eu posso te arranjar um vend... – fui interrompida com uma risada gostosa. Gostosa demais pro meu gosto.
- Então tudo o que falam de você é verdade? A menina que é ex-namorada de um traficante? – ele perguntou e depois parou de rir – Não se preocupe, eu não quero drogas. Eu só quero... Sua amizade. – oi? Por essa eu não esperava.
querendo minha amizade?Aí tinha coisa.
- Por quê? – perguntei receosa.
- Por que eu quero sua amizade. – riu nervoso – As pessoas não precisam de motivo pra ter uma amizade, . – coçou a nuca. Eu deixei nervoso? O cara que sempre teve confiança pra conversar com as meninas? Sou foda.
Não, peraí. Acho que esse nervosismo todo era medo de falar comigo mesmo.
Merda.
- Mas vindo de você,tudo é possível. E se toda essa aproximação é pra fazer algum pedido, fale agora.
:
falou aquilo e a minha língua tava coçando pra dizer a verdade e pedir por tudo que era mais sagrado pra me ajudar a ganhar a aposta. Mas como cagão que sou e já tava morrendo de medo de toda aquela história de drogas e ex-namorado traficante, fiquei calado.
- Não tem nada por trás disso, eu juro. Só tenho curiosidade de saber como você é, sei lá. Acho que você tá me julgando mal. Logo você, que não gosta dessas coisas, de pré-julgamentos... – ela me olhou com espanto. Como se eu tivesse falado uma coisa importante sobre sua personalidade.
Ponto pra mim.
- Você não vai querer ser meu amigo. – falou séria ainda olhando pro campo, tensa, insegura.
- Agora quem faz a pergunta sou eu: por quê?
- Simples, . Você não vai querer ser amigo de uma estranha, que só veste preto e é uma possível drogada. Somos de mundo diferentes, amigos de pessoas diferentes. – ela se levantou e saiu andando, me deixando só.
Essa menina tinha problemas. Ela fugia toda vez que eu tentava manter uma conversação agradável.
Já tava puto. Como ela me deixa lá falando sozinho pela segunda vez? Eu decido a hora que a conversa acaba. Eu decido quando ela vai embora.
Parei com o momento de egocêntrico.
“Mundos diferentes”. Que clichê da porra era aquele? Minha filha, só quero ser seu amigo. Aí, depois, pensamos em mundos diferentes. Os dois partem pros seus mundos, eu com as cem pratas, e você volta a ouvir Evanescence.
Levantei-me com raiva e a procurei com os olhos. Ela tava perto da cantina. Fui até lá, pensando no que falaria.
Não posso ser direto, isso a assustaria mais, não posso falar minhas segundas intenções e nem da minha aposta. Eu tinha que ser simpático e agradável. Tudo pra ela não desconfiar.
Cheguei perto dela – que estava sentada na escada – e sentei ao seu lado.
- Você está sempre fugindo. Como espera que alguém queira ser amigo de uma pessoa fujona como você? – falei arrancando um sorrisinho dela – Ah, é isso. Gosto de ver sorrisos simpáticos. – dei um murrinho no ombro dela, não vi quando sua mão quis tirar a minha. Nossas mãos se chocaram e eu senti um arrepio estranho. Sério, eu nunca tinha sentido isso, era um arrepio misturado com calor... Será que fazia parte de algum grupo de wicca e tinha poderes? Tipo, quem a tocasse sentiria calor com arrepios na espinha?
- Você pode, por favor, tirar sua mão daí? –falou grossa e eu acordei de um tipo de transe. Não tinha sacado que minha mão continuava na dela. Tirei rápido e fiquei com vergonha. Ótimo, . Você nunca ficou com vergonha de nenhuma menina, já tocou em vários lugares, até nos mais tensos. Mas quando toca no ombro do ser mais estranho da escola, sente vergonha. Vira homem, pô!
- Obrigada. – percebi que estava corada. – Eu não sei o que você pretende com isso, mas fique ciente de que eu vou estar de olho sempre!
- Sim, senhora. – coloquei minha mão na testa como se fosse um soldado – Meu Deus, quanto drama! Imagino o que os seus amigos fizeram pra se tornarem seus amigos. Tiveram provas, sacrifícios?
- Não, mas no seu caso, até que é uma possibilidade. Mas só porque eu estou tendo essa conversa com você, nós não vamos andar por aí de mãos dadas e cantando e saltitando.
- Ainda bem. Saltitar é coisa do . – ela riu. Fiquei mais à vontade colocando os braços encostados no degrau acima. – Você conhece os guys?
- Só de vista. – ela ainda estava incomoda com a conversa, acho que ainda estava desconfiada. Vou tentar ser o mais normal possível, querendo demonstrar confiança falando dos meus amigos e da minha vida, será que cola?
- Cara, eles são os melhores. Os mais engraçados! Você tem conhecê-los. – e mais uma vez, no olhar de transpareceu dúvida. – Eu não acredito que você ainda está pensando no negócio de mundos diferentes! Se você fala comigo, tem que falar com meus amigos também. E não to nem aí pro que você pensa. – joguei na lata. Pelo menos uma verdade tinha que sair da minha boca, certo?
- Finalmente! Alguma atitude em suas palavras. Eu sei que esse papo de amigos e blábláblá é puro drama, mas eu tenho medo de como vou ser recebida. E não to afim de, no futuro, pagar psicólogo pra xingar vocês em voz alta.
- Não precisa. É só mandar todo mundo praquele lugar na mesma hora. – eu disse como se fosse óbvio. Ela riu da minha cara.
- Não, é sério. Vamos ficar ó na detenção mesmo. Ih, já tá na nossa hora. – ela falou e me deu tchau fofo, com um sorrisinho e uma piscadinha.
Ela e sua mania de sair correndo.
Mas, pelo menos, foi um puta avanço.
Quem é que vai perder a aposta mesmo?
:
Banho, música alta, xampu na cabeça e gritaria. Bem-vindo à minha vida. Eu dançava freneticamente no boxe do banheiro, debaixo da ducha quente. Cantava alto e arriscava notas altas sem me importar se estava fazendo bonito ou não.
Eu estava alegrinha e nem sabia por que.
Ou por causa de quem.
Na verdade, sabia. Mas não queria pôr grandes expectativas pra não ter grandes desilusões. Esse era meu lema desde o último namoro. Aprendi com o traste falecido (falecido pra mim) que não era legal ter expectativas num relacionamento. Sério.
Mas quem falou em namoro? O cara só queria ser meu amigo. AMIGO. Sem mãos dadas, beijos perfeitos e amassos no sofá de casa.
O mínimo que faríamos seria assistir Star Wars na minha casa. E se ele não gostasse de Star Wars, com certeza eu reveria meus conceitos sobre a amizade. Tem que gostar desse filme!
Ouvi baterem na porta com muita força.
- , eu não sou obrigada a ouvir seus gritos e sua música idiota na minha casa! – ótimo, minha mãe com sua delicadeza. Revirei os olhos, ainda com xampu na cabeça. Saí do boxe indo até o som pra abaixar o volume.
Uma coisa que eu odiava era ar banho sem música. Era um ritual entrar no banheiro, ligar o som, tirar a roupa, fazer xixi, ligar a ducha, colocar as mãos pra testar a temperatura da água e, finalmente, ar banho. Mas com a minha mãe em casa, isso não era bom. Pelo menos pra ela.
Banho ado, cheirosa, pijama do Incrível Mundo de Jack vestido, fui pra internet pra falar com as meninas que iriam me ajudar amanhã.
Olhei pro chão, perto da minha mesa, e sorri vendo um faixa enrolada. Amanhã seria mais um dia de luta.
:
03h20min da manhã. Ótimo. Muito bom mesmo. Eu tinha que dormir, ter bons sonhos, mas tudo o que se passava na minha cabeça era .
A menina mais esquisita que conheço, e ao mesmo tempo mais interessante. Uma hora ela era toda cheia de frescura, drama pra conversar. Em outro momento, ela é bonitinha, dormindo com biquinho, dando tchau simpático, digno de uma menina normal com direito a piscadela.
Ela era uma incógnita.
Isso a deixava cada vez mais interessante. Durante toda a madrugada, fiquei pensando... Não sobre o jeito como conseguiria um beijo dela ou de como conseguiria convencê-la a ir ao Baile de Verão comigo.
Nada disso.
Fiquei imaginando como seria ela na vida real. Fora daquele estereótipo de menina from hell. Imaginei quais foram suas experiências de vida pra chegar onde ela está: famosa por defender as suas causas e por ser uma das drogadas do colégio.
Só de pensar por que situações ela passou, me deu um arrepio e um sentimento de proteção. Coisa que nunca tinha sentido, só com os dudes. Estranho.
Mesmo sentindo isso, tive que me focar na minha prenda por fazer merda com Harry. Já tinha conseguido o pior, ter uma conversa normal com ela, agora era partir pro plano principal.
Tentar ficar com ela até o Baile.
Rebel, Rebel me despertou de um sonhos mais bizarros que já tive na vida. Eu tava quase pegando a Beyoncé. Foi mal, Jay-Z. Acordei com alguém me empurrando e quase pulei da cama.
- Qual foi a brincadeira que vocês aprontaram pra cima de mim? – disse, fazendo uns movimentos ninja.
- Calma, dude. Sou eu, . – ele me chacoalhou e então percebi que não havia brincadeira alguma. Suspirei aliviado – É que você não acordava, mesmo com David Bowie cantando aí.
- Valeu, cara. Pode ir que eu vou ar banho.
Dor na cabeça, sono acumulado, mau-humor... O dia só tava começando e eu já tava pedindo pra terminar.
No Colégio...
- ÃO, ÃO, ÃO! BANHEIRO SUJO NÃO! ÃO, ÃO, ÃO! BANHEIRO SUJO NÃO! – ouvi assim que entrei no colégio.
- Mas que porra é essa? – Harry perguntou mais assustado que eu.
- É a fazendo mais um dos seus protestos. – José, o porteiro mexicano, falou. Adentrei o colégio, mais curioso do que surpreso. Era típico dela fazer esses protestos, e as causas eram o mais engraçado da coisa. No último, semestre passado, estava fazendo um protesto pra que os caras do time de vôlei tivessem uma nova rede e melhores condições de treino. Ela tinha levado uma faixa enorme e pendurado na fachada do colégio, pulava pra cima e pra baixo, distribuía panfletos tentando convencer a galera a fazer uma vaquinha pra comprar a nova rede e ainda fazia uns truques com a bola de vôlei. Hilário.
Claro que suas amigas não ficavam atrás. Todas as três – cujos nomes não sei – ficavam ao lado de em todos os movimentos inventados por ela. Isso que é amizade.
- Que lindo, a sua mina pagando de Che Guevara! – falou alto. Por que ele sempre era o linguarudo da galera, hein?
- PSIU! – coloquei meu dedo indicador na boca – Cala boca, porra! Ela ainda não sabe que vai ficar comigo, e a escola não está preparada pra esse choque cultural. Quero ir aos poucos. – Os viadinhos (Harry e ) riam que se mijavam toda vez que o assunto e escola se juntavam.
Tava na cara que eu ia pagar o maior mico quando todo mundo souber que fiquei com ela. E se eu me queimar com as garotas?
Mas eu posso fazer uma propangada dizendo que eu sou tão bom que até a estranha quis.
Olha aí. O lado positivo das coisas me anima.
- Ok, que merda é aquela que tá escrita na faixa?- Judd perguntou, apontando pra faixa presa na grade do campo.
“Queremos melhoramentos nos banheiros femininos! Chega de sujeira, de poucos papeis higiênicos e vasos mais sujos que em um banheiro público. Pagamos todo mês esse colégio, e o mínimo que queremos é ter um banheiro LIMPO!”
Ao invés de a palavra “limpo” terminar com “O”, terminava com o palavra “limpo” invés de terminar com “o” terminava com o símbolo do feminismo. Eu ri. Era claro que aquilo era ideia de . Aliás, tudo era. A faixa, o palanque, suas amiguinhas queridas distribuindo os panfletos – como sempre – e gritando a pleno pulmões.
Típico de .
- Vai lá, . Dizer que tá apoiando a causa. Afinal, você é um dos frequentadores do banheiro feminino. – fez graça e eu dei o dedo pra ele. – Cara, é só dizer que tá apoiando a parada dela. Duvido que ela não vá gostar de saber que tá curtindo o que ela faz.
- É, dude! O tá certo, já é um passo pra ficar amigo dela. – falou, me empurrando pra frente.
- Vocês estão certos. É só ir lá, dizer “bom trabalho!”, e sair correndo. Tudo pra ninguém me ver falando com ela. – disse, saindo e ouvindo meus grandes amigos rirem. Ótimo, virei motivo de piada.
Fui em direção ao campo, com o coração batendo rápido. É muita adrenalina falar com sem que ninguém perceba.
Me aproximei, permanecia com o alto-falante na mão, entregando papel com suas amigas. As pessoas passavam sem dar importância, outras jogavam os papeis na cara dela. Era meio chato ver isso, humilhante, mas não tava nem aí. Entregava os papeis de boa.
- Fala, . – disse baixinho.
- Oi, . –falou mais baixo do que eu, e olhou pra amigas como se tivesse vergonha de falar comigo. Querida, você tá falando com o cara mais gato do colégio, orgulhe-se!
- Banheiros femininos sujos? Que vergonha, vou ter uma conversa séria com a Boi, quer dizer, a diretora. – ela riu da minha piadinha e me entregou o papel.
- Venha fazer parte dessa luta. Banheiro limpo para todos! – ela gritou depois de ter me dado o bendito papel, fazendo com que a atenção de geral voltasse pra gente. Valeu .
- Vou indo, falo com você depois. – disse, saindo antes que meu filme queimasse mais.
:
veio falar comigo no meio de todo mundo?
Beleza que rola uma vergonha da minha parte. Imagina a galera do darkside me ver conversando com ele? Suicídio social, mas to nem aí. Ele veio falar comigo no meio do meu protesto sobre banheiros sujos.
Fazendo a dançinha da vitória. Não, , aqui não. Tem muita gente!
Aliás, sabia que o nosso banheiro é podre, todo cagado, sem papel higiênico e ainda por cima não tem sabonete? Que raio de escola era aquela?
O bom desse protesto era que alguma coisa se resolveu. Medidas enérgicas dão resultados ótimos. A diretora – ou Boi, como o gosta de chamar – veio me dizer que era pra parar com aquilo e concordou em conversar pra saber quais eram as necessidades dos banheiros femininos.
Vale responder todas?
Bom, depois desse começo de manhã super agitado, era hora do intervalo. Sentei no lado sombrio e tentei esconder o cigarro que estava fumando.Trago bem dado, dia amado.Era o que eu costumava dizer.
Mike, meu querido amigo-estranho, veio pra escola, graças à Deus. Ele me explicou o que tinha acontecido. Disse que teve problemas com o pai, que mora em Liverpool, mas eu não acreditei.
- Seu nariz tem uma espinha. – ele tocou meu nariz, fazendo cócegas, e eu ri como uma criança. Uma coisa era fato: eu amava o tempo que passava com ele. Não importava onde, se era com ele, tava tudo de boa.
- Tem espinha coisa nenhuma. – tirei a mão dele com um tapa. Mike a segurou e me olhou nos olhos. Engoli em seco.
Ok, olhar estranho. Profundo e estranho.
Escutei uma risada que vinha de uma mesa do outro lado do pátio, um grupo de meninos rodeado de garotas bonitas. Todos estavam rindo, menos um garoto.
Por que aquele garoto estava olhando pra mim? Digo, pra mim e pro cara que segurava minha mão com força. E seus olhos eram tão intrigantes que tentei decifrar o que eles passavam, mas não consegui.
Afinal, por que nos olhava com aquela intensidade?
Capítulo 4 – Bem vindo ao corredor dos Losers.
3ª Lição: Se ela disser que você é um pegador de marca maior, desminta.
Negue até a morte, fique indignado.
Não assuma esse posto.
:
Pra quem era conhecida como uma possível lésbica, tava se engraçando muito com aquele cara loiro.
Até demais, pro meu gosto.
As cheerleaders estavam na nossa mesa rindo feito hienas por uma história besta que o contava. Eu até riria se não estivesse ocupado vendo aquela merda.
A mão da dona Protesto tava sendo segurada por um cara suspeito que não tirava seus olhos azuis dos dela. , a princípio, ria da brincadeirinha que ele fez com o seu nariz, mas quando percebeu as risadas dos meus amigos com as putas do colégio – desculpa mãe por falar isso de meninas, mas elas são – ela olhou pra cá e viu minha cara de malvado. Fiz mesmo, faria de novo e não me arrependo. É isso aí.
Man, eu nem sabia por que estava com raiva. E nem queria saber. Mas duas coisas eram fato: eu não conseguia tirar meus olhos deles e não queria ficar com raiva com toda aquela intimidade chata que eles tinham, mas fiquei.
Como nunca vi isso?
Já sei. Nunca prestei atenção em e sua vida de drogada louca.
Nunca me interessei.
ficou surpresa com o meu olhar matador e mesmo assim o sustentei. Eu queria que ela soubesse que eu não tava gostando nada, nada desse maconheiro from hell, ou seja lá o que ele usa. De novo, eu não sabia qual era o meu problema, mas estava no meu momento revolts. Posso?
Obrigado.
- , o que foi? – Harry bateu no meu braço, chamando minha atenção. E graças a ele, tive que tirar olho do meu alvo e respondê-lo.
- Nada, só estou pensando na vida. – e na menina dos infernos com seu amiguinho estranho.
- Dude, eu nunca te vi assim, tão paradão! Se liga, tem muita mulher na mesa, seja simpático e receptivo. – ele deu uma risadinha.
- Não dá! Desde que você inventou essa aposta eu não consigo mais pensar em nada! – acho que falei um pouco alto, porque as meninas ouviram.
- Que aposta? – uma delas falou, acho que foi Brittany, a mais fácil dali.
- e eu apostamos quem vai beber mais na festa da Sam. Sabe como é, odeia perder. Principalmente quando o assunto é mulher e bebida. – Harry respondeu num de malícia e divertimento.
- Pois é, adoro uma aposta. – ironizei e as meninas nem perceberam. Eu poderia falar qualquer coisa, tipo “matei um cara e enterrei no meu jardim”, que elas não ligariam. Essas minas só ligam pra status, imagem e popularidade. Coisas que conseguiam conosco.
Agora vamos ao que interessa. Ver com um roqueiro metido a pegador e o que eles estão fazend...
Sumiram. Oi?
Pra onde foram?
Sabe um sinal de alerta na sua cabeça quando alguma merda vai acontecer? Mesmo sem conhecer esse cara, eu já sentia que não gostava dele. Alguma coisa me dizia que o sujeito era uma cilada.
Olhei pro lados tentando achá-los. Tentei ser a mina do Exorcista e girar a cabeça em 360°, mas não consegui.
Passei a mão na testa, nervoso.
- Vou ao banheiro. Não esperem por mim! – disse levando a bolsa comigo. Primeiro fui até a cantina, nem sinal deles. Passei pelo corredor de troféus, e nada. Então resolvi ir até o corredor das salas de informática.
O corredor dos Losers, como era conhecido, tinha se tornado famoso por sua escuridão, já que havia poucas aulas ali. Mas principalmente pelas pessoas que iam fumar, cabular aula ou até mesmo fazer pequenas transições – se é que você me entende. A maioria que andava naquele corredor tenso e sombrio eram as pessoas do darkside, por isso se chamava O corredor dos Losers. Pessoas que eram estranhas, excluídas e talvez anti-sociais iam lá. Nós, os normais, não ficávamos à vontade naquele lugar. Além de ser vazio durante a maior parte do dia, já fora tomado pela galera punk.
Aí tu já sabe, é melhor não entrar na quebrada deles.
Me senti um rapper agora.
Entrei no maldito corredor.
Era longo e profundo, no último piso do Westshefild. No final, havia uma área descoberta, onde tinha um banco. Por trás dele, um jardim. Era iluminado pela luz do sol naquela parte, o resto era escuro. Muito escuro.
Caralho, cadê os dois?
Eu sinceramente não sabia o por quê de estar procurando por eles. Eu acho que era mais por curiosidade. A com um garoto... Hilário.
Não, agora não tinha mais graça. Não pra mim.
Andei pelo corredor das salas de informática sentido cheiro de cigarro. Não sei por que, mas meu coração acelerou. Eu sabia que eu estava perto de ver o que no fundo não queria.
com alguém.
Caminhei pelo corredor escuro pensando no que diria se visse os dois, que resposta eu daria. Nada de bom surgiu. Não deu tempo de surgir algo de bom.
Lá estava a sombra de uma pessoa e a fumaça de um cigarro.
- Veio conferir se eu estava sozinha ou veio pedir outro cigarro? – parei no meio do corredor ouvindo sua voz calma, mas eu jurava que ela tava rindo. estava no escuro, eu não enxergava quase nada, só a claridade da área descoberta. A menina tinha se sentado no chão longe do sol, me deixando sem saber onde estava.
- Er... Eu errei de caminho. – eu disse gaguejando pro nada, sem saber pra onde olhar. Tipo, eu GAGUEJANDO, AINDA MAIS COM UMA MENINA? WTF?
- Errou o caminho? Até onde eu sei, só quem passa nesse corredor são os losers e os estranho, pra fumarem seu cigarrinho em paz. – disse se levantando e indo, finalmente, pra área descoberta, tragando o cigarro de forma extremamente sexy.
Parecia que fazia de propósito. Mulheres fumando me deixavam excitado.
E cadê o punk loiro?
Tive um acesso de raiva de uma hora pra outra. Eu sou muito besta! A mina agora vai ficar se achando, pensando que vim só por causa dela! Merda!
E não era verdade? Mas ela não precisa saber, poxa.
Quer saber? Foda-se ele, foda-se ela. Eu nem sei por que ainda estava parado ali com cara de bunda a vendo fumar.
- Agora deu pra regular pra onde eu vou? – falei secamente – Era só o que me faltava, você querendo saber pra onde vou ou deixo de ir. Falou. – falei grosso. Girei meus calcanhares em direção à saída. Eu queria que ela se explodisse com o cara, com o cigarro e com aquele sorrisinho ridículo dela. Mas no fundo, eu tava com mais raiva de mim do que dela por ser tão idiota ao ponto de vir até aqui só pra ver essa garota rir de mim.
- Cuidado pra não se perder de novo, Alice! – ela gritou no fundo do Corredor dos Losers com um arzinho de engraçadinha e vitoriosa.
Tosca.
:
O sinal já tocara há três minutos. Eu ainda estava no Corredor dos Losers pensando no que tinha acontecido.
Mike saíra pra conversar com seus amigos, não falou nada sobre o nosso momento olhar intenso e eu agradecia a Deus por ele não tocar nesse assunto. Eu não entendia por que Mike me lançava esses olhares de vez em quando.
Ele dava indiretas, mas eu fingia que nunca captava, fingia que não era comigo. No fundo, eu sentia que ele gostava de mim, mas nunca disse algo como “eu gosto de você e é não como amigo”, acho que não tem coragem ou pensa que vai levar um toco daqueles.
E vai mesmo. Eu não pegaria Mike nem aqui e nem na China. Ele é lindo, mas é meu melhor amigo! Era como beijar um irmão!
Mas o que mais me intrigava não eram os olhares de Mike, e sim os de . Por que ele fez aquela cara de bravo na hora que ele e seus amiguinhos estavam com as fáceis do colégio? Por que veio até aqui e mentiu dizendo que errou o caminho? Onde ele queria chegar fazendo essas coisas? Por que tudo isso?
Por que, gente?
Sabe, dizem que o mundo se move pelos porquês da vida.
MAS NÃO O MEU.
Eu queria saber o motivo que levou esse cara de uma hora pra outra a me perseguir, fazendo caras e bocas e querendo ser meu amigo.Alguma coisa tava errada.
Fui pra sala – onde Mike já estava – e sentei na cadeira de sempre. A última, perto dele. Recebi a mensagem:
, vimos sair do Corredor dos Losers, onde você estava. QUEREMOS SABER DE TUDO, sua vaca que não nos conta nada!
Odiamos você.
Suas amigas desinformadas.
Xx
Nossa, que carinho! A mensagem veio do celular da , mas claro que foi escrita pelas três, e se bobear, uma ficou responsável por cada frase.
Tive que responder.
Calma, macaquinhas curiosas! Não teve nada. Juro que a Alice não vai se perder no caminho, nunca mais. No intervalo, conto detalhes.
Xx
Alice? WTF?
Xx
Ri, mas não respondi. Se elas quiserem saber de alguma coisa, que esperem até o intervalo. Sou má!
As aulas se passaram num passe de mágica. De mágica não, de sono mesmo. As primeiras duas eram de Geografia.
Geografia. Matéria que serve pra entender sobre países, vegetações, cultura, e pra te entediar. O que eu fiz? Dormi como uma lady nas duas aulas do professor com voz estranha.
No intervalo, Mike me deixou isolada. Então, procurei minhas amiguinhas. As meninas estavam sentadas nas arquibancadas da quadra. Fui até elas e mesmo que não quisesse, tinha que passar pela mesa das celebridades.
A mesa de .
A mesa de e dos McTry – desculpa, ainda não sei o nome da banda do otário – ficava no meio do pátio. Era normal ter meninas lá, e cada um dos caras com três penduradas no pescoço. era o mais galinha, famoso por suas conquistas. E o mais lindo também.
Opa, falei mais do que devia.
Passei pela mesa de cabeça baixa, envergonhada.
- A estranha passando por aqui? O que foi, perdeu seu beck? – ouvi uma ruiva da boca grande. Não dei importância, continuei a andar até a arquibancada. nem olhou na minha cara, acho que ficou com raiva de mim. Só porque o chamei de Alice? Ah, fala sério!
Suspirei. Uma amizade que não durou três dias ia acabar. Me sinto uma criança que perdeu algum brinquedo.
Que saco.
- Florzinha, que cara é essa? – me perguntou.
- Nada. A vida é foda. E aí, qual é boa? – falei me sentando.
- A boa é que você vai nos contar como foi no Corredor dos Losers. – ah, tinha esquecido.
- Não foi nada. apareceu quando eu estava fumando, disse que estava perdido, o chamei de Alice e ele foi embora.
- Só isso? Cadê a emoção? Os abraços e beijos quentes? – juntou as mãos.
- HEIN? Meu, acordem! Nada vai acontecer entre nós! Vocês não entendem que eu não tenho nada a ver com ele e a parada é recíproca?
Nessas horas, eu queria ser contrariada.
Nessas horas, queria que alguém me dissesse: “você tá errada”.
:
Eu e meu caderno, mais uma vez.
Na detenção, enquanto o professor não chegava, eu estava usando meu caderno como distração. Concentrei-me tanto que não vi e nem outros chegarem. Apaguei, escrevi, apaguei de novo, até desenhei. Fiz ajustes, apaguei e refiz. Depois de algum tempo, assoprei o que ainda sobrava de borracha na folha e levantei o caderno até a altura do rosto. Estava pronto.
Havia uma garrafa com um bilhetinho com os dizeres:
Drink me.
Sem perceber, desenhei uma das famosas partes da história de Alice. Alice.
O que me lembrava . Porra, até não pensando, eu penso nela.
Confuso pra caralho.
Escondi minha obra prima, fechando o caderno. estava sentada no lugar de sempre, última cadeira. E o resto da galera já estava lá, esperando o professor Gerard.
Não tive coragem de olhá-la. Sentia uma mistura de raiva com vontade de falar com ela. Era tudo junto, muita coisa rolando.
Quem ela pensava que era pra falar do jeito que falou comigo naquele corredor bizarro?
A gostosona? Isso porque nem a gostosona de Westshefild falava comigo assim!
Ah, tá.
Mas eu queria muito conversar com ela.
Não costumava ser tão bipolar. Droga.
- Meus queridos, vamos às novidades! Quem já sabe o que vai fazer? – mas hein? Porra! Eu tinha me esquecido do projeto da detenção. Essa história de apostas e conquistas me levou ao esquecimento.
- Professor, decidimos fazer um mini-documentário sobre as novas redes sociais e como elas ajudam na mídia. – a loira gostosa de repente virou inteligente?
- Adam, algo pra nós?
- Por enquanto tá no papel, não quero dizer o que é. – ’táquepariu! Até o metaleiro tem um projeto? Tamo fodido!
- ?
- Oi?
- O que você e vão fazer?
- É... Sabe... Pensamos e achamos que talvez...
- Música. – disse, me salvando.
- Que tipo de música? – é, , que tipo de música? Olhei pra trás pela primeira vez e ela não me olhava. Valeu pelo valor, pô.
Momento de tensão.
- Rock, um cover. Fácil demais. – disse confiante como se fosse fazer sozinha.
- Isso. Cover, uma ótima ideia. – falei dando um sorriso amarelo.
- Muito bem, já que sabem o que vão fazer, quero que saiam e resolvam os últimos detalhes. A apresentação é na sexta, último dia de detenção.
E todos nós saímos.
Ao descer as escadas, vi indo pro mesmo corredor de mais cedo. O que essa menina ia fazer? Se encontrar com o loiro?
Do nada, fui atrás. Se desse merda, se me perguntasse o que estaria fazendo ali, eu daria uma desculpa ou falaria sobre o trabalho.
Tudo certo.
Desci as escadas a seguindo.
Adentrei o corredor e ainda não tinha visto . Fiquei nervoso, sabendo que haveria um confronto, uma conversa tensa. Enxuguei minhas mãos suadas na calça, dando um suspiro e andando mais rápido.
estava no banco, no final do corredor. A luz do sol em contraste com a pele dela em meio à escuridão a deixava com aspecto divino, como se fosse um ser de luz. Gostei disso.
Aproximei-me, sentando perto do banco, no escuro. No chão, encostei-me na parede fria, abracei os joelhos e fixei os olhos na parede oposta, pensando no que diria e como reagiria a uma possível atitude hostil da freak. A ideia de que ela poderia estar portando uma arma branca em sua bolsa me deu medo – porque até onde sei, galera desse naipe é capaz de tudo, até esfaquear um garoto gente boa e bonito como eu –, então resolvi que se algo desse errado, eu sairia correndo. Vai que a menina pira e quer mesmo me atacar com faca ou um soco inglês?
O bom era que no escuro ela não podia ver meu rosto, mas eu podia ver o dela. não podia ver meu nervosismo, minha testa enrugada de preocupação e a minha clara tensão.
- Me desculpa pela Samantha hoje. Ela não... – tentei começar me desculpando, achando que seria a melhor forma de iniciar uma conversa. Garotas gostam de ouvir desculpas.
- Tudo bem, já estou acostumada. – ao falar isso, ficou de lado, encostando-se na parede. – E aí, achou o caminho que procurava? – me perguntou de forma divertida, mas parecendo séria. De onde eu estava, via sua boca de baixo pra cima. E dude, uma das visões mais bonitas que já tive. tinha lábios delicados e rosados. Uma delícia.
A piradona tinha uma boca linda
Tive que falar, não me aguentei.
- Não sei, mas se estou aqui deve significar que posso estar, agora, no caminho certo. – disse um pouco envergonhado. fez cara de surpresa e um barulho estranho com a boca.
- Se você diz. – falou simplesmente.
- Quem era aquele cara de mais cedo? – decidi perguntar. Fiquei ansioso com a demora da resposta. Só queria saber quem era o loiro idiota, mais nada.
- Um amigo. – falou com descaso. Descaso? Só se for pra ela!
- Não sabia que amigo pegava na mão daquele jeito... – falei com certa raiva.
- Não? Aposto que você pega mais do que só nas mãos das suas amigas. – vi a sobrancelha de arquear. Bufei.
Mas ela tava certa.
- Do que você está falando? – preferi me fazer de desentendido.
- Jura que não sabe? Então deixa eu te contar. “OI, MEU NOME É E EU SOU O MAIOR PEGADOR DE WESTHSHEFILD! SOU FODA, FIQUE COMIGO E TERÁ A MELHOR NOITE DA SUA VIDA!” Para de ser fingido e diz o que você é, pô! – gritou olhando pra mim, respirou ofegante e ainda me olhava tentando decifrar o meu rosto no escuro.
Porra, até ela sabia da minha fama? Claro. Acho que todas as pessoas daquela merda de colégio sabiam.
Pra conquistá-la, eu tinha que desmentir, negar. Me fazer de santo. Ela tinha que acreditar que eu não era assim. Se não, tchau cem libras e tchau linda moral com meus amigos.
- Eu nego. – falei simplesmente. Tentei passar confiança.
- Quê? Você nega uma coisa que é mais verdadeira que a gordura da diretora? – até ela riu um pouco da própria piada, mas depois continuou séria. – Tu fica lá todo serelepe quando vê uma menina, querendo catar, que eu sei! Todos sabem, . A galera fala que você é o maior canalha daqui. Só assuma!
- De novo, eu nego. – ao me ouvir falar, fez cara de quem não tava acreditando no que tava ouvindo. – Eu fico indignado com isso! Só porque tem várias garotas atrás de você não quer dizer que você ficou com elas. Certo? O que falam sobre mim é uma puta mentira! – falei com voz de bravo. – Nem tudo é o que parece ser! Muitas querem, mas eu não fico assim tão fácil. – fingi que eu fazia cú doce pras meninas.
É melhor nem comentar essa última frase.
Cadê o prêmio de maior cara de pau daqui?
Tinha que ser confiante pra que acreditasse em mim. Se fosse pra botar meu passado debaixo do tapete só pra ficar com ela, eu boto.
Vale a pena, e a recompensa era tentadora.
tentou ver meu rosto, mas eu recuei com medo de que ela visse por trás dos meus olhos que eu mentia.
- E outra, você nunca me viu ficando ninguém do colégio. – continuei – Então eu nego até que provem o contrário. – mentalmente, agradeci ao tiozinho do almoxarifado por me dar as chaves de lá por míseras vinte libras.
Eu disse aquilo com toda certeza do mundo. Como se fosse um anjo, um puro. Mas ainda assim, estava tenso.
O silêncio me matava e a expressão de também. Ela não esboçava nada no rosto e isso estava me deixando nervoso.
- Olha, se quiser acreditar no que esse povo fala, beleza. Mas lembre-se que mesmo apesar do que eu sei ao seu respeito, estou aqui, querendo ser seu amigo. – decidi falar, quebrando o gelo, engolindo em seco. arqueou a sobrancelha e finalmente virou seu corpo todo em minha direção.
Deu um leve suspiro, como se fosse vencida. Será que amansei a fera?
- Eu sei que não sou ninguém pra julgar, mas sou tão medrosa em relação às outras pessoas, ao mundo e principalmente a você... Sou mais estranha do que pareço ser. Tenho medo de você, um dia, fazer alguma coisa na frente dos seus amigos pra me humilhar. – era a pessoa mais surpreendente que eu conhecia! Num momento estava lá te mandando à merda, falando que você é um puta canalha e agora tava se desculpando e se explicando. –Sou desconfiada, tenho certeza que é do signo, ou talvez não... Eu não sei! Vai que é o meu ascendente...
-! Podemos voltar ao assunto? Eu não to aqui pra pegar uma peça em você e te humilhar! O mundo não gira ao seu redor. Eu só quero ser seu amigo, ter uma boa socialização. Você acha que ia fazer essa merda de trabalho com o assassino do Adam, ou o nerd do Philip ou a burra da Denise? – eu ia falar boazuda da Denise, mas não ia ficar legal – A única pessoa com rosto “conhecido” era você. Me desculpa pensar assim! – ia me levantar pra ir embora, pra mim o assunto já estava morto. Se ela queria deixar assim, em aberto, por mim tudo bem. Eu não queria ficar me desgastando, me explicando até a alma.
Senti uma mão no meu ombro.
- Desculpa mais uma vez. – ouvi sua voz suave – Eu não costumo ser assim, mas é que você é diferente de tudo o que eu conheço. – essa frase me pegou de jeito. Engoli em seco. – Amigos? – ela estendeu a mão. Seu rosto tinha um sorrisinho de lado.
Sem nem pensar duas vezes, apertei sua mão e lá vinha o calor com o arrepio na espinha, mas agora tinha algo novo: coração acelerado.
- Olha, pra você ver como eu estou bem com a nossa amizade, quero te chamar pra ir hoje lá em casa, resolver a parada do trabalho. Você quer? – ela perguntou com jeitinho de menininha, coisa que nunca vi ser.
- Tudo bem.
Então ia ser assim? Uma hora estávamos brigando por uma coisa, e depois estávamos fazendo as pazes e combinando de ir pra casa do outro? To começando a gostar da minha nova amiga.
:
- Chama a NASA que eu quero voltar pra Terra! Como assim ele vai pra sua casa? – gritava no telefone. Ela e seus exageros.
- Nós só vamos resolver o que vamos fazer no projeto da detenção. Só isso, entendeu?
- Mas vamos imaginar... Primeiro ele chega, você faz a simpática, aí conversam sobre qualquer coisa, vão pro seu quarto pra ficar mais à vontade... Papo vem, papo vai, os dois olham pra cama, te puxa, cai em cima de você, tasca um beijo de novela, você poderosa enrosca seus dedos na nuca dele e fim. A estranha com o cara mais gato do colégio. Lindo!
- Já acordou? Não, porque você só pode estar sonhando! , ele nunca vai querer ficar comigo! Disso eu tenho certeza. – falei mais pra mim do que pra ela. – Eu não faço o tipo dele.
- Amiga, eu sei que é cedo pra falar. Admito que estou exagerando um pouquinho, mas cara, se ele por acaso der uma chance, nem que seja mínima, pegue. Arrisque. Você merece.
- Não sei, acho que você tá se precipitando. – falei coçando a cabeça.
- Eu posso estar sendo precipitada mesmo, mas acredito que as coisas não acontecem por acaso. – senti que falava com sinceridade. – Amiga, você mais do que ninguém merece um amor novo, uma pessoa nova na vida. Se liga!
- Para de dizer essas coisas. , eu tenho medo. Eu não quero gostar dele, você sabe que eu me apego fácil... Não quero isso pra mim, principalmente com ele. Por ser assim, mulherengo. E mais, ele nunca vai querer ficar comigo. – disse me olhando no espelho. Eu tava com uma máscara de pepino no rosto, o cabelo preso em um coque, roupas folgadas e precisando tomar um banho. De que jeito um cara como o ia querer ficar com uma menina assim?
Oi, estou em crise.
- , relaxa e seja você mesma. Tudo vai dar certo. – , minha querida amiga, falou me confortando – Olha, vou desligar porque minha mãe quer usar o telefone. Me promete que vai pensar no que eu disse sobre o ?
- Prometo. Tchau, amiga.
-Tchau. – desligou me deixando mais tensa que antes. Passei pelo espelho, fiz uma careta horrorosa, e subi as escadas.
Eu tinha que ser eu mesma. Eu quero ser eu mesma.
:
Abri a geladeira pra pegar uma cerveja. A sede tava me consumindo. Meus amigos estavam jogando PS3 na sala como fazem quase todos os dias. Todos tiraram as blusas do uniforme, ficando de jeans.
Os guys tinham essa mania – assim como eu – de chegar jogando os tênis na sala e indo pra cozinha comer alguma coisa que a Mary, a única mulher que realmente amamos, deixou. E sempre era uma coisa deliciosamente boa.
Mary era nossa secretaria – não curto chamá-la de empregada! Ela fazia o melhor bolo de chocolate. Quase todo final de semana ela deixava a delícia em cima da mesa. Mary reclamava de nossa bagunça, mas amava arrumar. Ela era perfeita.
Sentei no sofá preto de couro da sala com a minha Stella Artois na mão, esticando as pernas pra apoiá-las no centro de vidro.
- Devia ter pegado uma pra mim, dude. – disse sem tirar os olhos da TV.
- Você não pediu... – dei de ombros. e Harry jogavam e soltavam palavrões uma hora ou outra. dormia no outro sofá e eu coçava o saco.
Coisa de macho.
- Er... Vou à casa da mais tarde. – falei, e imediatamente o jogo parou. Os dois me olharam com cara de espanto.
- Você vai ter coragem de ir lá? – Harry perguntou assustado.
- Vou, ué. Temos que decidir a música que...
- Como é que é? Você vai à casa da Família Addams e tá tudo normal? – foi a vez de perguntar. – Quero meu de volta, devolvam! – falou olhando pro teto.
Doente. Dei um dedo do meio pra ele.
- Dude, cuidado com os pentagramas invertidos, paredes que queimam do nada, e se ela perguntar se você quer beber alguma coisa, pelo amor de Deus, não beba!
Eu ri.
- Qual é a graça? – ouvimos a voz sonolenta de . O cara sentou no sofá preto ainda com cara de sono, coçando a bunda.
O vai pro castelo sombrio! – disse.
- Não entendi.
- vai pra casa da , a sombria, a mina que toca o terror, a prima d’A Órfã, a mina... – Hazz ia falando quando eu o interrompi.
- Tá, gente! Ela pode ser esquisita, mas vamos dar um crédito! Até que ela é gente boa, e é meio diferente das meninas que a gente conhece... – passei a mão no cabelo.
- Mas o quê? tá gamadinho! – falou.
- Já tá misturando as coisas, ? – Harry perguntou.
- Eu não estou misturando nada. Só to falando o que sei. A menina é diferente, porra, só isso. – dei um gole na cerveja.
- Diferente ela é mesmo. Aquilo ali é mais estranha que qualquer filme do Tim Burton. – disse dando play no game.
- Ei, seu ladrão! – Harry gritou e depois deu pausa – Eu só quero dizer, cuidado pra não misturar as coisas. Isso é uma aposta. Um jogo. Pessoas saem ganhando e outras saem perdendo. E eu, como seu amigo que inventou isso tudo, não quero você machucado. – disse com ar protetor.
- Machucado? Eu? Caras, eu tenho controle de tudo, sei o que eu estou fazendo. Tenho noção do que pode acontecer. Estamos falando de , a menina mais esquisita do colégio! Nunca vai ter algo a mais a não ser a aposta. Eu não costumo gostar das meninas que fico, elas que gostam de mim depois que pego. É o mel. Só quero ver dar os pulinhos dela pra superar a perda disso aqui. – falei gesticulando para o meu corpinho.
- Se você diz... Agora calem a boca, quero voltar à minha sonequinha da tarde. – voltou a se deitar, fechando os olhos e caindo no sono em apenas cinco minutos.
- O dia do Juízo Final chega e ele vai continuar dormindo! – disse – Mas sério, cuidado com os possíveis monstros.
- É sério que você tá falando isso? – eu não acreditei.
- Claro que não. Mas pensar em você sozinho com ela me dá medo.
- Oh, que bonitinho! Vem cá pra eu te dar uns beijinhos! – estiquei os braços, o chamando.
- Sai, seu gay! Porra, Harry, vai jogar ou tá difícil? – apertou mais uma vez o play.
- Seu corno! Tu que morrer na minha mão, depois não diz que não avisei. – e os viciados me esquecerem e voltaram a jogar.
- To subindo! – avisei, indo até as escadas com a minha garrafa de cerveja na mão.
Entrei no quarto e deitei em minha cama, vendo meu pôster do House, umas das minhas séries favoritas. Coloquei a garrafa no criado-mudo de madeira escura. Fiquei pensando na conversa com .
E mais uma vez, eu tinha certeza de duas coisas.
A primeira era que podia ser uma fúria, uma louca que vestia preto e escutava música com gritos. E a outra, era que eu odiava Mike.
Sim, isso mesmo.
falou de sua amizade não compreendida por mim. Tava claro que aquele loiro sem sal era louco por ela. O cara a comia com os olhos toda vez que ela se aproximava dele. E como eu sei? Bastava ver a ceninha de mais cedo pra ter certeza. me falou que ele era muito importante em sua vida, que tudo o que ela é hoje, é por causa de Mike.
Obrigado, Mike, por transformar uma menina bonita num pequeno monstro do rock.
Ela não disse muita coisa dele. E nem precisava. A escola fofoca, e o que eu soube desse cara não foi muito legal.
Suspirei.
falava dele com idolatria e um brilho nos olhos que me incomodava.
Eu odiava aquilo.
Cobri-me com o lençol das Tartarugas Ninjas e fechei os olhos. Tava morto de sono. Louco pra dar aquela cochilada antes de ir pra casa da mãos-de-tesoura.
18h30min. Tava muito atrasado.
Vesti minha calça, uma camisa xadrez por cima de uma camiseta preta e calcei meu Vans preto. Também coloquei uma touca.
Celular, cigarro, chaves do carro, perfume, cd do Blink. Tudo pronto, partiu pra casa da .
Desci as escadas correndo como louco, e vi meus amigos no mesmo lugar que os deixei.
- Vocês não têm o que fazer? –perguntei colocando a mão na maçaneta – Acho que tínhamos uma banda e que a precisávamos ensaiar e compor, não acham?
- Depois dessa merda de aposta, você esqueceu da gente,. Nunca mais ensaiamos. – falou com voz manhosa e eu ri.
- Calma, amor. Quando eu chegar, vou te dar o carinho que você merece. – pisquei pra ele, e saí rumo ao castelo das trevas.
Dirigi ao som de What’s my Age Again do Blink. Batendo os dedos no volante ao som da música, virei à direita. Vi um coreto. “Assim que vir o coreto, ande mais e passe três casas. A quarta é a minha.” Lembrei de me explicando e fiz o que ela disse.
Parecia um jogo de tabuleiro.
Parei frente a uma casa branca de porta verde. Tinha uma árvore no meio da grama. Até que a casa, pelo menos por fora, era normal.
Respirei fundo,tentando espantar o nervosismo por estar na casa da mina mais estranha da escola. Imagina o que rolava ali. Paredes com passagem secretas, cabeças de caras como eu pregadas na parede, fotos assustadoras... Pentagramas invertidos e altar pro lá de baixo.
Eu tava me cagando de medo.
Criei coragem, batendo na porta. Era isso, se eu tivesse que entrar na casa da Família Addams, essa era a hora.
Ninguém atendeu.
Bati mais uma vez. Depois de dois minutos, ouvi um “já vou”. Minhas mãos começaram a suar. Enxuguei-as na calça, respirando fundo outra vez. abriu a porta e eu não acreditei no que vi.
A menina estava com um coque, short de pijama de zebrinha – um pouco curto – e uma blusa masculina do Guns a engolindo.
Ela estava hot.
- É assim que você recebe os amigos? – dei ênfase à última palavra.
- Não interessa! – abriu mais a porta pra me deixar passar. E mais vez eu estava suando na porra nas mãos.
A hora da verdade. Entrei nervoso, atrás dela. Pude perceber em sua nuca uma tatuagem.
Tatuagem? A mina tem uma tatuagem? Momento de alegria. Sabe, meninas com tatuagens são hot. Até demais.
Cerrei os olhos pra tentar entender o que era o desenho, mas não consegui. se virou pra mim.
- O que foi? – perguntou. Acho que eu estava com cara de bunda por causa da tattoo.
- Ah, nada.
-Senta aí, volto já. – assenti e sentei no sofá marrom de couro. Dei um giro pela sala e até agora nada de paredes pegando fogo, mãozinhas andando pelo chão e nenhum Tio Chico veio me cumprimentar. Tudo estava normal.
Era uma casa como outra qualquer.
Isso me decepcionou. Tanto medo pra nada?
Me levantei, parecendo um explorador em território desconhecido. Fui até onde ficava a TV, o DVD e algumas fotos. Vi uma em que era bebê e usava um biquíni roxo com chapéu da mesma cor. Tava engraçada e fofa. Ok, essa última palavra fica entre nós.
- É, tá bom de ver minhas fotos, chega. – me puxou.
- Ah, não! Que coisa mais fofa! Olha, nessa ela tá de biquíni roxo. Que bonitinho! – falei apontando pra foto. E o pior, o biquíni tinha babados. Hilário, porém fofo – E ainda tem babadinho! Meu Deus! A já vestiu uma cor que não fosse preto! E ficou bonita! Precisa usar mais cores, viu! – falei bagunçando seu cabelo e tirando seu coque.
- Para, ! Eu vou ficar com vergonha! – a menina corou. E ela ficava bonita assim, corada.
- Tá bom. Vamos logo pro teu quarto resolver o negócio do cover.
- Nossa, como você é sutil. Querendo ir logo pro quarto, que rápido. Mal chegou e já quer ir lá. Pensei que ainda tinha o lance de me persuadir.
- Você não viu nada...
- Ainda fala que não é pegador.
- A nossa conversa de hoje não adiantou nada? – perguntei sem humor. Na moral, essa história de pegador já tava enchendo o saco.
Vocês, meninas, são chatas quando insistem numa coisa. Sério mesmo.
não disse nada e subiu as escadas esperando que eu fizesse o mesmo. Subi de dois em dois degraus, ficando ao seu lado no final das escadas. Ela me olhou com um sorrisinho torto e andou até a última porta do corredor.
Seu quarto.
Engoli em seco só de pensar que eu, , que provavelmente entra em mais quarto de meninas do que qualquer outro, estava morrendo de medo de entrar no de uma que não significava mais que uma aposta.
Mas que representava mais do que eu pudesse imaginar.
abriu a porta lentamente e entrou no quarto.
- Não vai entrar? –perguntou como se tudo estivesse normal. Estava. Mas por que eu estava surtando?
- Ah, claro. – entrei de uma vez. Que quarto era aquele? Eu esperava de tudo. Pentagrama invertido, paredes pretas e sinais de revoltas de uma adolescente em crise...
Mas não isso.
O quarto de era como o de qualquer garota, só que com mais personalidade. Havia um pôster dos Ramones na parede ao lado da cama, uma prateleira cheia de livros e em cima, um sabre de luz. Sabre de luz? Caralho! Em sua janela, havia uma cortina clara com desenhos de caveirinhas roxas, combinando com as paredes. Em uma das paredes, um pôster da nossa querida rainha com os olhos e a boca vendados, com os dizeres “God save the Queen”, referência do Sex Pistols. Em outra parede, pichado na cor preta: “Do it yourself”. Suas roupas estavam no chão, e a toalha da Pequena Sereia (acredite se quiser!) estava em cima da cama.
Ali certamente era um espaço onde podia ser ela mesma, sem julgamentos e olhares atravessados das pessoas que se diziam populares, ou seja, meu grupo. O quarto era a maior prova de sua personalidade.
Ele explodia , entende? Tinha partes dela por tudo, cada pedacinho era a cara da menina à minha frente.
Vi sua bateria e fiquei impressionado. Então era verdade que ela tocava?
Era enorme. Acho que quando a tocava, ficava escondida no meio de tanto prato. Tinha um coração vermelho sangue no bumbo.
- Que bateria! Harry precisava ver isso! – fui todo animado em direção ao instrumento. Bati em seus pratos e tentei sentar em seu banquinho.
- Vou buscar algo pra beber, tá? – falou indo até a porta.
- Beleza. – nem vi a cara dela. Tava empolgado com a bateria fodona.
Sentado no banquinho, vi um mural de frente pra bateria em cima na mesa do computador.
Algo me intrigou.
Fui até lá, como quem não quer nada, e vi suas fotos e alguns recados. Em uma das imagens, estava com as amigas bebendo que nem louca. Em outra, o boiola do Mike.
Mike, de novo.
Nessa foto, fazia careta e recebia um cafuné do cara. Ridículo.
Por um momento, senti inveja e uma súbita vontade de arrancar aquela foto dali.
- Algum problema? – voltara com dois copos na mão.
- Não. Legais essas fotos. – comentei apontando pra algumas fotos, menos aquela. – Valeu. – agradeci quando ela me deu um copo de Coca.
- Ah, elas são legais mesmo. A maioria foi tirada em festas, shows. Só loucura. – falou com uma naturalidade interessante.
Não, minha querida, não quero saber das suas festas e shows loucos, e principalmente QUANDO MIKE VAI!
Me acalmei.
Peguei o copo, o cheirando pra ver se era Coca mesmo. Ela ia me dar bebida? Vai que ela me envenena e depois presenteia o Capeta com o meu corpo?Ai.
Eu pensei que se não tomasse ia ficar chato, então sem pensar duas vezes, bebi alguns goles. sentou na cama com perninhas de índio, tomando sua Coca. Colocou o copo entre as pernas, desprendeu os cabelos e por fim, refez seu coque.
- Gosto do seu cabelo solto. – falei sem pensar, mais pra mim que pra ela, em transe com seus movimentos. Pode parecer besteira, mas ela tinha um jeitinho especial de prender os cabelos que me deixava louco.
- Hã?
- Nada não.
- Você veio pra minha casa só pra falar “nada não”? – ela fez uma imitação péssima da minha voz, mas até que ficou bonitinha.
- Não.
- Você só sabe falar não?
- Não. – eu ri.
- Eu sou estranha, louca, drogada, encrenqueira, tosca, perdida na vida e lésbica? – ela levantou a sobrancelha.
- Não. – continuei com o jogo.
- Eu sou bonita?
-Sim.
:
PUTA QUE PARIU!
O que acabou de dizer? Como assim, gente? Morri, faleci, estou vendo anjos e dando um hug of the bear em São Pedro.
O fato é que eu perguntei a se era bonita e ele simplesmente disse que sim!
Fiquei calada enquanto fogos de artifício estouravam dentro de mim e também não falava nada.
Eu jurava que ele ia dizer não, porque era uma brincadeira, mas falou mais sério do que das outras vezes. Seus olhos me fitavam com tanta seriedade que eu fiquei com medo da intensidade da parada.
Juro, se meu coração tivesse pernas, já teria saído de mim e dado pulinhos de alegria.
E, do nada, ouvi uma risada.
Uma risada nervosa, constrangedora.
Eu fiquei com cara de cú, sem entender.
- Por que você está rindo? – perguntei com toda coragem que me sobrava.
-Nada, é que você ficou séria. Essas brincadeiras são tensas. – ele falou tocando a porra da bateria com um sorriso amarelo.
Vamos pensar. Quando eu perguntava coisas, ele dizia não, e quando questionei a principal das perguntas, ele responde do jeito que eu quero e depois diz que é brincadeira.
Então, a parada de me achar bonita era brincadeira.
Tava bom demais pra ser verdade.
Respirei fundo, tentando achar chão. Acabo de descobrir que o cara que é meu suposto paquerinha não me acha bonita, e isso me deixa nervosa.
Mas eu sou forte.
- O que vamos tocar? – mudei de assunto antes que caísse no choro e o mandasse embora. Queria empurrá-lo, bater nele e expulsá-lo do meu quarto, da minha casa, do meu mundo.
Cara, mas quem eu era? Uma menina com problemas até à cabeça, que dava chiliques e ainda por cima não tinha o padrão de beleza apropriado.
Quem, em sã consciência, ia querer algo comigo? Acho que tinha pena de mim, na moral. E por isso afirmou quando eu perguntei se era bonita.
Coitada de mim, sobrevivendo da pena dos outros.
- A gente pode tocar Beatles. – falou com a voz calma enquanto eu morria por dentro.
- Não. Muito batido. – disse seca e o idiota não percebeu. estava sentado no banquinho da bateria. Tentou tocar Mr. Postman, dos Beatles, sem sucesso. – Ainda bem que quem vai tocar bateria sou eu. – tentei fazer piada. , no mesmo instante, parou.
- É que o Harry não me ensinou a ter coordenação motora na bateria. – falou coçando a nuca com a baqueta na mão.
- To vendo.
- A gente pode tocar uma da minha banda.
- Não,não vamos tocar nada do McTry,vai demorar pra eu aprender, e...
- Mcoquê?
- McTry. Não é assim que a sua bandinha se chama?
- Correção: a minha banda. E não, não é assim. É McFly. – ele pareceu ofendido. – Como você não nos conhece? Todo mundo sabe do nosso som no colégio.
- Eu conheço, só não gosto.
:
Outch.
O que deu nessa menina pra me tratar assim?
Até a parte da brincadeirinha de “não”, tava tudo bem. Quando ela me perguntou se eu a achava bonita, claro que eu não ia responder “não”. Primeiro porque ia ficar chato, e segundo porque era mentira.
Eu a achava bonita
Mas aí, eu com meu jeito babaca de ser, comecei a rir que nem um idiota
Óbvio que não gostou. Claro.
Por que eu ri? O que eu tinha na cabeça pra rir?
Eu tava nervoso, com vergonha. Não sabia como agir.
Hoje, vi que ela era mais bonita quando não usava maquiagem pesada e esmaltes pretos.
me surpreendia. E eu estava amando aquilo.
Outra coisa que me surpreendeu foi o fato dela não gostar da minha banda. Beleza que tinha um gosto peculiar, mas porra, nós fazíamos um som maneiro, que agradava todo mundo.
Pelo visto, só não agradava a ela. Bom saber.
- Então, senhora que não gosta da minha banda, o que vamos tocar? – falei tentando fingir que nada aconteceu.
- Sei lá, a gente pode mandar um Oasis. – ainda estava seca e séria. Também, eu acabara de deixar subentendido numa brincadeira idiota que não a achava bonita.
- Pode ser. Que música?
- Dude, tem uma que eu amo! Vou te mostrar. – ela saiu da cama e foi sentar na cadeira do computador. Acompanhei suas pernas e bunda até ela sentar. Engoli em seco. Aquele short de zebra era tentador. Respirei fundo tentando me controlar.
“, vai com calma. Já, já isso vai ser seu.” Pensei comigo mesmo.
- Olha, é essa. – então, a menina gostosa (descobri que ela era mesmo) colocou a música pra tocar. Era The Masterplan. – É uma das minhas preferidas. A música fala de se orgulhar e não desistir do que se realmente quer. E aí, rola?
- Gostei. Mas você não acha que vai ser difícil tocar só com guitarra e bateria? – [n/a: gente, se for o Dougie, ele aqui toca guitarra, tá?]
- Não, é só fazer a base e eu te ajudo nas viradas. Ou pode ser ao contrário. Vai ficar interessante, ! – vi um sorrisinho de empolgação em seu rosto.
- , a gente pode parar com sobrenomes? Isso cansa. é meu pai. Eu vou te chamar de e você vai me chamar de .
- Isso seria uma ordem? – me perguntou de modo engraçado.
- Sim, é uma ordem. E ai de você se não obedecer.
- Juro, estou com medo. Se você faz tanta questão que eu te chame de , sem problemas. Tudo pra não sofrer as consequências. – ela falou se virando pro computador e mexendo no mouse. Vi um risinho em seu rosto.
Ufa, menos mal.
- Certo. Vai ser essa música mesmo? – perguntou quando a música parou de tocar.
- Sim, só se você quiser mudar... – falei, me levantando do banquinho da bateria.
- Não.
- Ah, maluco! Seremos os White Stripes mais sexies e descolados.
- , eles acabaram! – ela bateu na minha testa.
- E daí? Seremos mais sexies e mais descolados do mesmo jeito. – falei como se fosse óbvio.
- Doente.
- Bom, ... – ela arqueou a sobrancelha, achando estranho eu a chamar pelo apelido – Tenho que ir. Amanhã a gente se fala? Eu posso levar o violão, o que acha?
- Por mim beleza, temos pouco tempo pra ensaiar... Dois dias.
Verdade, tínhamos que correr contra o tempo.
:
Levei – agora vou chamá-lo assim, porque ele quer – até a porta. Ele parou no batente.
- Te vejo amanhã. Boa noite. – olhei em seus olhos e vi a conhecida intensidade deles. Ele era intenso até dando boa noite?
Assim eu não agüento!
me surpreendeu colocando a mão em minha nuca, me puxando para a frente e fazendo, assim, minha testa colar na dele.
E me deu um beijo.
Fechei os olhos no mesmo minuto, sentido uma descarga elétrica. Minhas pernas formigavam e eu me esquecia de respirar.
Quando saiu de perto, quase reclamei por mais.
-Tchau, . – falei baixinho. Ele deu uma piscadela e se afastou até seu carro.
E se foi.
Fechei a porta me encostei na mesma. Deslizei até o chão como um verme.
A risada dele estava ecoando em minha cabeça. Ria de mim, da minha beleza ou da falta dela. Ótimo.
Fui eu mesma a noite toda. Roupas normais, as que sempre uso em casa. Usei o cabelo com um coque folgado, falei de músicas que gosto. Fui eu mesma o tempo todo, e ele, na parte mais importante, riu da minha cara.
Torci pra que ele fizesse as coisas que me disse, quando entrou no quarto. Até sentei na cama pra ver se ele se animava. Porra, que frase pervertida.
Eu não entendo.
Coisas assim me desanimam.
Fiquei deitada no chão, de barriga pra cima, olhando o teto. Por um momento, quis ser outra pessoa. Estar em outro corpo, ser bonita. Me levantei.
Fui até o espelho do banheiro. Olhei pro reflexo. A mesma menina que tinha tudo resolvido em sua cabeça, suas ideias, pensamentos, sentimentos... Tinha mudado.
Eu não era a mesma de hoje de manhã.
Acho que estava perdendo um jogo contra mim mesma, não querendo assumir o que já tinha tomado conta de mim.
Eu estava perdida.
Capítulo 5 – O Convite.
:
Acordei cedo com a cabeça cheia de pensamentos sobre ontem. As coisas tinham mudado muito rápido em poucos dias. Uma das excluídas era agora amiguinha de um dos caras mais populares. Me sentia em algum filme da Disney.
Eu não quero sentir nada por aquele menino, não posso sentir. É errado, contra a natureza. Isso vai mudar a ordem natural das coisas da vida social de um colégio em Londres.
Mas o que me atormentava mesmo era uma possibilidade que me agradava muito e ao mesmo tempo eu sabia que era impossível. Eu, ficar com .
Beleza, eu sei que ele só quer minha eu amizade e tal, mas poxa, eu posso sonhar?
Falo que isso é impossível porque tá na cara que aquele menino nunca vai me ver como uma menina normal, boa praça e de família.
Eu sou normal, gente. Pelo menos no meu ponto de vista.
Tem o outro lado da minha mente que queria ser bem sincera comigo mesma, sabe? Alertar-me, me forçando a pensar que definitivamente não era o cara certo pra mim.
E não era.
Como toda garota, já sofri em um relacionamento no qual eu gostava mesmo do cara, cheguei ao ponto de achar que o estava amando, e o que ele fez? Ficou (lê-se: transou com ela na nossa van pra todo mundo da banda ver que ele estava comendo uma menina e não tava nem aí pra mim) com uma groupie da nossa banda. Por isso a banda acabou, por isso parei de tocar bateria e por isso tenho um puta medo de gostar/amar/me entregar pra qualquer pessoa.
Aí, vinha , todo gostosão entrando na minha vida.
Seus olhos, sua boca. Todo o seu corpo me chamava atenção. Sua postura, seu jeito de falar. Tudo me atraía, era como se uma força me puxasse para ele. Isso foi crescendo em menos de uma semana.
Sou fraca, admito.
A vida tem dessas coisas. E dentro dessas coisas, eu me fodo lindamente.
:
Fumei meu cigarro matutino na varanda de casa. Meu moletom estava com manchas antigas e amareladas de cerveja e fedia um pouco. Traguei mais uma vez ainda pensando no que me deixou acordado quase a noite toda.
.
Pra mim, ela passou de a garota que fez pacto com o Diabo pra uma garota interessante. No sentido bom da palavra. Ela tinha um jeito só dela, e eu estava me amarrando nisso. Meninas diferentes, agora, me chamam atenção. Porque antes, bastava uma que tinha um par de peitos, usava roupas curtas e bebia mais que Amy Winehouse.
A aposta se transformou numa certa obsessão. Não em querer ganhar, – claro, não vou mentir, quero muito ganhar – mas no sentido de querer conquistá-la, de tê-la pra mim. Sacaram?
Senti uma mão no meu ombro e um corpo sentou num banco perto do meu.
- Bom dia, . – Harry, que agora acordava um pouco mais cedo que a gente (porque será?), falou segurando uma xícara do Homem Aranha.
- Bom dia, Judd. Já tá no leitinho? – Harry tinha uma mania bem bonitinha de beber leite toda manhã. E quem pegava fama de viado era o . Vai vendo.
- É nessas horas que eu sinto saudades da minha mãe. Ela faz um leite que ‘táqueopariu! – ele falou colocando as mãos em volta da xícara – Eu voltava pra casa só por causa do leite, na moral.
- Ok, vamos parar com o momento bicha do dia. Cadê o resto dos caras? – terminei a frase coçando a cabeça e bocejando. Pensar na durante a noite tava me matando.
- tá tomando banho e na última vez que vi , ele tava com a calça no meio da bunda sem cueca dormindo de bunda pra cima. – fiz uma cara de nojo.
- Dude, nunca mais peço emprestada uma calça pra ele. sempre se esquece de mandar pra lavanderia. Usar só no osso é foda! – falei de um jeito engraçado, lembrando de uma parada constrangedora que aconteceu comigo. Harry riu junto. Ele tava ligado o que era.
- Mas me conta. Como vai o nosso pequeno projeto? – Harry parou de rir, colocou seu copo em um dos braços da cadeira.
- Indo de uma forma tranquila. Penso em chamá-la pra vir aqui. – disse, e Judd se engasgou com seu leite.
- Como é que é?
- É isso mesmo. . Aqui em casa. Hoje. – joguei minha bituca na planta estranha do lado do meu banco e soltei a última fumaça.
- Essa menina vai botar fogo na casa! Vai nos queimar e depois oferecer nossas cinzas pro lá de baixo como um sacrifício, e você vai deixar uma coisa dessas acontecer? Você tá louco? – acreditem, eles estava falando com seriedade.
- Isso é sério? – perguntei incrédulo. – Fui à casa dela, a menina é normal. Beleza, totalmente normal ela não é. Mas não vi nada demais.
- Vai ver ela escondeu as coisas mais estranhas. Um pentagrama invertido, passagens secretas, templos macabros...
- Harry, você ta vendo muito filme. A casa da menina era normal! A sala, o quarto...
- VOCÊ ENTROU NO QUARTO DELA? QUERIA MORRER, FILHO DA PUTA? – sério, eu tava quase rindo.
- O quarto dela é irado! Super estiloso, com personalidade e ainda te conto mais, a menina tem uma bateria! – aí o Judd fez uma cara surpresa. Por essa ele não esperava.
- A mina tem uma bateria? – me olhou surpreso. – tem mesmo uma bateria?
- Sim. E não é qualquer uma não. A dela é foda, enorme. Ia te fazer inveja... – falei me levantando pra tomar banho, afinal, hoje tinha aula.
- Não pense que só porque ela tem uma bateria é que vai subir no meu conceito. Ela vem pra cá hoje e ficarei de olho. Vai ser estranho ter essa garota aqui, mas fazer o que. Tudo pelo bem da aposta.
Tudo pelo bem na nossa querida aposta. E mais uma chance de ficar perto dela.
:
No colégio.
Sentei no mesmo lugarzinho de sempre. sentou do meu lado, me dando um abraço apertado e em seguida ligando o seu Ipod.
Colocou seus fones, selecionou uma música.
- Ótimo. – falou com uma voz um tanto quanto bravinha.
- O que foi? – segurei pra não rir. Ela era muito engraçada quando dava seus ataques. Passou a mão na testa, sem paciência.
- A porra do meu fone left não tá pegando. Como viver?
- Menina, só escuta de um lado, ô meu Deus. – falei como se fosse óbvio.
- Não, fico agoniada com meu fone só funcionando de um lado. – eu ia falar, mas ela continuou – Já passei momentos terríveis com fone assim, odeio. Parece que sou surda de um lado só. Cacilda, meu fone antigo era muito melhor! – passou as mãos nos cabelos, fazendo seu típico draminha. Suspirei, abri meu bolso e achei o que queria.
- Pega!– ok, emprestar fone é muito TENSO, mas como ela é uma das minhas amigas, tive que fazer essa pequena caridade.
- Deixa . Obrigada, mas eu já perdi a tara de ouvir essa merda. – ela falou com descaso, como se não estivesse surtando há poucos minutos. Mano, eu tenho que rever essas amizades, fato. Fiz um barulho com a boca.
- Você é doente. Ih, ó lá, as meninas. – apontei pra e que vinham em nossa direção.
- Bom dia, flores. – nos deus dois beijinhos e também.
- E então, qual é a boa de hoje? – nos perguntou.
- Fones left que não pegam. – fiz uma carinha triste. virou a cara pra mim e arqueou a sobrancelha. – O que? Ela perguntou e eu respondi! Aff.
- Enfim, Vocês acham melhor ir no sábado pra... – nos olhou com rindo. Ouvimos umas risadas no outro lado do pátio.
Eles viviam rindo? O que eles tomavam pra todo dia ficarem rindo que nem uns loucos? Seria porque só querem chamar atenção – principalmente das menininhas de procedência duvidosa que ficavam na mesa do meu querido amigo (e paquerado) ?
Olhei com mais atenção e vi uma loira com uniforme de cheerleader e peitos enormes com braços envolvidos no pescoço de . Ótimo.
Revirei os olhos e soltei:
- Eu queria ser gostosa. Gostosa que nem ela. – falei apontando. Calma gente. Eu não queria ser gostosa por que ser assim é foda, legal e tal, não. Eu queria ser gostosa pra justamente a pessoa que aquela loira estava com os braços em seu pescoço me notasse.
- Eu não sou gostosa, mas tenho cérebro, serve? – falou sacando do que eu estava falando quando se virou pra olhar pra olhar e seu grupinho.
- Eu sabia. – falou. Sabia o que? Fiz uma cara de confusa. – Eu sabia, . – falou mais uma vez. Beleza, agora eu to preocupada.
- Sabia o que? – arqueei a sobrancelha.
- Tu tá afim do ! Admita. – pessoas que pegam tudo no ar são fodas. era assim. Legal, eu tinha uma fama de perversa, que batia em caras grandes, quando na verdade nem conseguir mentir pra minhas amigas eu conseguia. Muito do mal eu sou.
Abaixei a cabeça.
- Caralho, quero ficar com um menino que só pega gostosa e isso não é legal. – falei logo o que tava preso na minha garganta. Assumi, palmas pra mim! Não era isso que vocês queriam? EUTO AFIM DELE. Pronto, acabou. Podemos ir pra outro tópico?
- , isso é cilada. – alisou a minha mão em forma de consolo. –Você não faz o tipo dele e nem ele, o seu. Desculpa, mas é a verdade. – falou num tom de sinceridade. Suspirei.
- Eu sei, mas é que numa hora ele não era nada pra mim e depois... Bum! Eu não posso nem pensar em ficar perto dele que sinto um negocinho na barriga. É tenso, gente. – falei segurando minha barriga e sentindo isso. Falar dele também não ajudava.
- Cara, sério, eu não sei o que é ser tipo de alguém. – resolveu falar e todos nós a olhamos – Não fico procurando o que há de errado, eu me apaixono e pronto. Pra você ter um relacionamento, o que menos importa é ser gostosa. Isso é perda de tempo.
- A tá certa! Essa parada de “ai, ele não faz meu tipo” é tudo cagada. Se você gosta da pessoa, vai em frente! Arrisque-se! – falou com um sorriso enorme no rosto.
Nós quatro vimos as mãos de indo parar na bunda da tal fulaninha.
E mais uma vez, abaixei a cabeça.
- , mas que porra é essa? Nunca vi você abaixando a cabeça pra garoto nenhum e tu vai abaixar pra esse boyzinho aí? Pelo amor de Deus! Reaja! – disse.
- Não dá pra competir com aquilo. – apontei para o belo par de pernas que a garota tinha.
- Aquilo é só carcaça, o que importa é o interior. – ela vive em que mundo? Pessoas como eu não ficam com pessoas como ele.
- Por favor, a gente pode mudar de assunto? – falei nervosa.
Merda de vida.
:
Já sentado na sala, segurei um papelzinho na mão. Era de Cori, uma das meninas mais gostosas de Westshefild e, claro, ela estava afim do papai aqui. Li mais uma vez, rindo.
, me procure na festa da Sam. Você sabe o que pode acontecer, não sabe?
Cori.
Então ela queria ficar comigo na party wild da Sam?
Vou realizar o seu desejo!
Uma distração enquanto não ficava com . Tu acha que só porque estou num trabalho em andamento não posso ter diversão?
Nem fodendo. Eu mereço isso! To quase morrendo na mão, porra.
- To sentindo que essa festa promete. – disse se sentando na cadeira ao lado da minha.
- Dude, nem fale! To contando os dias. Finalmente, sua seca miserável, JÁ VAI TARDE! – quase pulava de alegria no meio da sala.
- To vendo que vou me fazer nessa festa. – , mais à frente, esfregava as mãos. Éramos assim. Não podíamos ver uma festinha open bar que já que ficávamos pirando.
- Ai, só de pensar... Eu, a Sam, a cama, juntos... Eu me arrepio! Olha! – Harry mostrou-nos o braço arrepiado. Ele e sua transa épica.
Era de lei Harry transar com Sam nessas festas, já falei disso? Foi mal.
- Seus putões, estão doidos pra soltar os passarinhos das gaiolas, né? Só quero ver quem ocupa um quarto primeiro! – disse finalizando a conversa, porque a professora gostosa de Biologia entrara na sala.
Professora, sinto lhe dizer, mas eu não aprendo nada na sua alua.
Motivo: sua bunda.
:
Intervalo. Hora de você pegar aquela Coca gelada e comer alguma besteira na cantina, rezando pra que não tenha nenhum cabelo ali.
To até pensando em fazer um protesto sobre isso. Limpeza na cantina, nós merecemos.
Eu estava lá, toda serelepe, comendo minha coxinha de frango quando percebi uma sombra ao meu lado. Olhei pra cima pra saber quem era que estava me empatando de receber as luzes importantes do Sol.
.
- Pois não? – falei grossa. Comigo era assim. Se esfregou com uma qualquer, leva patada.
- Que humor maravilhoso. Mais uma qualidade em você. – sorriu sarcástico.
- Estou comendo, quero sossego. Fale o que quer. – mordi minha coxinha com mais força ainda. A gente querendo comer em paz e nego vem atazanar?
- Calma, só vim falar uma coisa. – jura? Pensei que era só pra me ver comer.
- Seja rápido.
- Seguinte, ensaio lá em casa às três da tarde. – hã? Eu na casa dele? Perfeito.
Não, sério, ia ser perfeito. Eu na casa dele, me segurando pra não olhar pra suas mãos, sua boca, seus olhos, e não sentir o perfume que era de matar qualquer uma.
- Er,er,er,b-b-beleza. Eu poss-o ir s-sim. – falei nervosa. Situações como esta me deixam gaga. Merda.
- Isso foi uma frase? – ele perguntou rindo, percebendo o meu nervosismo.
- Você quer que eu jogue a coxinha no meio da sua testa ou você abre a boca pra facilitar? – juro que disse com a coxinha já pronta jogar.
- Coxinhas voadoras não são legais, se bem que eu conheço uma pessoa que iria gostar dessa ideia. Você vai conhecer hoje. Por favor,apareça.
E saiu de lá me deixando muda com uma coxinha na mão.
Muito legal. Vou pra casa dele bancar a social. Falar – finalmente – com resto dos McTry.
Errei de novo o nome da banda ridícula deles?
Droga.
:
O professor falava que era pra nos apressarmos com os projetos. Nem tinha ensaiado nada, nada mesmo. A apresentação seria depois de amanhã, ou seja, dois dias.
Ótimo.
Enquanto descemos pra ir pro Corredor dos Losers, eu queria falar alguma coisa, sei lá. Sobre o tempo, a queda na bolsa, qualquer coisa pra quebrar o silêncio.
- E então, na sua casa... Às três horas... – falou um pouco tímida. Eu acho que ela tinha medo de conhecer os guys. Cara, eles são nada! Ok, eu ainda não contei a novidade pra e . Quero ver como as moças vão reagir quando souberem que vai lá pra casa passar a tarde inteira.
- Você não quer ir? – fiquei com medo de ouvir um não.
- A gente precisa ensaiar. Na minha casa não dá, com a rainha das trevas, vulgo minha mãe, nos regulando, gritando pra baixar o som. – ela disse se sentando no banco.
- Nossa, que carinho com a mãe. – sentei ao seu lado.
- Se você a conhecesse falaria a mesma coisa.
- É,quem sabe um dia... – passei a mão na nuca, considerando por uns segundos a ideia de conhecer a mãe dela, a “sogra”. Se ela seria a minha sogra, seria a minha na...
- Mas e aí, quatro meninos numa casa? Só loucura! – falou interrompendo meu raciocínio.
- Nem tanto. No começo era, mas agora a gente já se acostumou. – a menina, já sentada ao lado, mexeu no cabelo, o mudando de lado, deixando seu pescoço à mostra.
O cabelo dela cheirava a melancia. Fechei meus olhos sentindo a essência. Engoli em seco. Se eu a pegar à força não vai ficar bem, não né?
Merda.
- ? Tá me ouvindo? – ótimo, além de ter pensamentos de um tarado, devo estar com cara de idiota e olhos fechados. Retardado.
- To ouvindo sim, é que eu to cansando, preciso dormir. – forcei um bocejo.
- Ui, tava fazendo o que à noite, danadinho? – ela deu um sorriso malicioso.
- Vendo mulher pelada. Tento me desapegar, mas é mais forte que eu. – falei num tom sério e arregalou os olhos. – To brincando!
- Ainda bem, porque eu já não ia mais pegar na sua mão. – e mais uma vez ela jogou pro lado o maldito cabelo.
Fui pra frente e depois pra trás, embriagado com o cheiro.
- Pega na minha mão. – falei do nada esticando a mão. Fixei meus olhos nos dela. olhou pra mim assustada e hesitou – Juro que não tem nada aí.
Ela estendeu sua mão.
E foi aí que eu senti.
Aquelas mesmas coisas, só que com uma intensidade maior.
Coração acelerado. Calor. Arrepio. Coração acelerado. Calor. Arrepio.
Nós unimos nossas mãos e quando dei por mim, fiz carinho na dela com meu polegar.
Engoli em seco, sentido tudo o que estava passando dentro de mim. Acho que tava tremendo.
Virei viado?
estava corada. Olhei nos olhos dela e ela fez o mesmo.
Tudo, pelo menos pra mim, havia se tornado e eu. Eu tinha me esquecido completamente que existia um mundo lá fora.
Eu buscava com os olhos cada linha de expressão em seu rosto, cada ruguinha na sua testa. Sua boca rosada, perfeita. Deliciosa.Lambi os meus lábios, me preparando pra fazer o que queria.
Fui me aproximando nervoso, ansioso e curioso pra saber como é beijar , a menina mais problemática de Westshefild.
Ouvi System of a Down tocar.
E de repente, tudo acabou. Frustrado, fui pra onde eu estava desde o começo passando a mão no cabelo e virando a cabeça pro lado, olhando pra parede e em seguida fechando os olhos, não acreditando na interrupção.
Quem será nessa merda de celular?
tirou sua mão da minha, pegou seu celular e crispou seus lábios.
- Alô? Ah, oi Mike! – Mike? Sempre Mike! Além de ser chato pra porra, virou empata-foda? – Não, hoje não vai dar. Vou ensaiar com na casa dele, desculpa amor. – doeu. Ouvir chamando o Mike de amor doeu.
Afastei-me, já puto.
- Tá certo, quando eu chegar da casa dele eu te ligo. Beijo, se cuida. – e finalmente, desligou o celular.
- Amor? Pensei que ele só fosse seu amigo. – tentei controlar a raiva na minha voz.
- Só porque ele é amigo não quer dizer que não posso chamá-lo de amor. – ela falou com desdém.
- Se você diz... – fiquei puto mesmo. Vai chamar Mike amor na casa do caralho!
- O que foi?
- Você e suas amizades.
- Sério que vamos falar de novo de amizades? Porque se for, achei linda a prova de carinho com a sua amiga hoje de manhã. Passar a mão na bunda virou o novo abraço e eu não sabia? – falou rápido cruzando os braços.
Ela viu esse pequeno acontecimento com a Cori? Ótimo.
- Ela estava com problemas e eu quis ajudar, dando um pequeno afago. – tive que me controlar pra não rir da merda que eu falei.
- Na bunda?
- , para com isso! Nós, nos últimos tempos, estamos trocando farpas por besteira, cara. – tentei amenizar.
- Ia ser muito interessante se você não fosse tudo aquilo que eu penso, tudo aquilo que eu sei sobre você. Queria que você fosse totalmente diferente. Eu ia gostar mais de você.
A menina se levantou e foi embora. Me deixando ali, sem entender o que havia falado, me deixando sem ação.
- Não se preocupe, estarei na sua casa às três! – ao gritar isso, já perto da escada que ligava o corredor ao mundo exterior, saiu sem dizer mais nada.
Fiquei ali parado, pensando no que ela disse.
Se eu fosse diferente, ela ia gostar de mim?
Capítulo 6 – A casa dos Cabeças-Ocas
:
Horas depois.
Duas e quarenta e cinco da tarde. Eu estava em um táxi, indo pra casa de . Encostei a cabeça na janela, pensando na nossa briga de mais cedo.
Olhei pro céu.
Não sei qual era a dele com a história do Mike. Tudo bem que esse aí não era lá um exemplo de garoto, vivia se metendo em encrencas... Mas não precisava tanto! Eu não preciso de olhares tortos vindos dele, já não bastava do colégio inteiro?
Mas na real, pra mim, era uma incógnita. Eu nunca sabia o que tinha por trás de suas ações. Na verdade, sempre desconfiei delas. Desde aquela vontade súbita de ser meu amigo até sua perseguição babaca pelo Mike.
O táxi parou, me acordando do pequeno transe. Paguei o motorista e saí logo. Dei-me de cara com uma casa grande e bonita, de dois andares. Senti meu coração disparar em sinal de puro nervosismo. Aonde eu fui me meter?
Passei pelo jardim de grama queimada e um pouco suja. Havia latinhas de cerveja em alguns lugares e gnomos bizarros. A varanda tinha um piso de madeira escura, com parapeito branco, combinando com a pintura da casa. Vi bitucas enfeitando as plantas e dei um leve riso. Então quer dizer que eles eram chegados num cigarro, além de ? To começando a gostar desses amiguinhos! A porta era também de madeira, só que escura. Respirei fundo.
Antes de apertar a campainha, senti o coração palpitar. Estalei os dedos nervosa e engoli em seco. Ajeitei meu cardigã preto. O rabo de cavalo no alto da cabeça mostrava o quanto fui preguiçosa e desleixada por deixá-lo torto. E... Merda! Por que não me arrumei mais um pouquinho? Mas, não, ! Você tinha que vir com um dos piores cardigãs e o cabelo preso desse jeito!
Palmas.
Ótimo, virei a minha mãe.
Apertei a campainha e juro que, quando ouvi o barulho, me deu dor de barriga. Joguei meu corpo pra frente e pra trás esperando alguém abrir a merda da porta. Vi a maçaneta girar e num impulso, andei pra trás. E então, a porta se abriu por completo.
- O ? – quase que minha voz não saiu quando vi um garoto só de samba-canção xadrez. Ele tinha uma cara sonolenta e coçava os olhos. Sua cara amassada e o cabelo bagunçado me fizeram abrir um sorrisinho.
- Pô, ! Eu já disse que não é pra atender a porta desse jeito! Vai que é a tia da torta! – uma voz saiu do interior da casa. O tal ia responder quando percebeu quem era. O menino sonolento arregalou os olhos e em seguida engoliu em seco. Vi pavor em sua feição. Claro, , a devil girl na sua porta, é muita informação pra uma pobre criança, eu entendo. Mano, esperar um contato é chato! Fala alguma coisa!
Mesmo assim, ainda me olhava sem acreditar que eu estava lá. Eu já tava ficando incomodada, sabe?
- Po-de e-entrar. – falou gaguejando, me olhando de cima a baixo. Se ele não se importava por estar só de cueca, é agora que ele não liga mesmo!
Cocei minha nuca com vergonha, mas mesmo assim fui entrando.
- Obrigada. – falei simpática. Pus minha bolsa preta nas costas e depois tentei, idiotamente, ajeitar o cabelo. Eu tenho problemas com cabelo, argh!
ainda vigiava meus passos. Percebi que meu All Star azul sujava o piso com um pouco de barro, mas não me importei. O dono da voz anterior estava escorado no corrimão da escada, também me olhando. Ele estava com uma calça jeans folgada e sem camisa. Os garotos dessa casa só vivem assim? Será que vai aparecer assim também?
Dançinha da vitória interna.
Ok, parei.
- Fique à vontade. Eu sou o e aquele ali é o Harry. – (que agora tentava ser normalzinho) apontou pro outro seminu. Então, esse é Harry, o tocador de bateria. Hum, sinto que ele ta querendo seduzir escorado nessa parada. Ele fez um sinal com a cabeça e o respondi assim também. As pessoas daqui falam pouco ou é só impressão?
Voltando ao meu drama...
O problema todo naqueles minutos chatos era que os garotos não paravam de me olhar, me analisar. Eu sei, é estranho. A menina mais bizarra da escola na casa dos populares. Mano, a vida é cheia de coisas novas! Acordem!
- Senta aí, o ta tomando banho. Ele costuma demorar! Tem mania de pensar que é uma menina. Se acostume. – ele, de uma hora pra outra, falou de um jeito simpático e educado. Estranhei um pouco, mas mesmo assim abri um sorriso ao ver o modo com que falava do amigo.
- Ok. – sentei no sofá preto de couro.
-É, dude, fica à vontade. , chega mais! – Harry chamou pra entrar pela porta que ficava do outro lado da sala, me deixando sozinha.
Ótimo, sozinha numa casa de pessoas suspeitas, nas quais não confio nem a pau e eu aqui, balançando os dedos nas pernas e olhando pra aquele mundo que não era meu. TV enorme, móveis bonitos, de ótima qualidade. PS3 instalado, pronto pra ser usado, um divã de couro preto também e um...
- Mano, eu não acredito que a miss Murder ta na nossa sala! MEDO! E se ela trouxe alguma faca, arma ou um soco inglês? Estamos correndo perigo! – ouvi a voz do <>querido e simpático saindo do cômodo, que agora imagino ser a cozinha.
- Eu já to com o número da polícia na discagem rápida caso ela faça alguma coisa. Um homem preparado vale por dez! – uma nova voz falou.
- PSIU! Querem que ela escute? Mas que merda! Calem a boca e finjam que são educados pelo menos uma vez na vida! – Harry falou como se desse uma bronca.
Perdeu, eu já escutei.
Eu quero ir pra casa!
:
- Like a virgin touched for the very first time. Like a virgin…! - cantarolei em frente ao espelho do banheiro, passando o pós-barba – Like a virg... AI PORRA! – dei um grito quando a parada ardeu na minha bochecha que parecia bunda de bebê.
Segurei a toalha que estava prestes a cair e dei um nó forte. Saí do banheiro com aquela fumaça quente vindo junto. Olhei pro corredor sem sinal de ninguém. Dei uma corridinha até o meu quarto. Entrei e tranquei logo.
A roupa já estava escolhida.
Eu juro, não sou gay.
Eu só escolhi a camisa por um motivo: jogada de marketing pra conquistar a minha querida aposta.
Se ela queria que eu fosse diferente, então vai me ter diferente. Mas calma, veja bem, tudo pra conquistá-la. nunca ia mudar por garota nenhuma.
Coloquei minha blusa, calça jeans escura, par de chinelos. Entupi-me de perfume, me admirei no espelho e logo em seguida, baguncei o cabelo. Arrumei um pouco pro lado e pronto. Tava lindo!
Desci as escadas e vi uma menina acanhada, de cardigã preto, sentada no sofá da minha casa. Ela estava olhando pra frente, fixando o nada ou apreciando a minha TV.
- Já está pensando em mim? A gente acabou de se ver na escola. – sussurrei em seu ouvido, a fazendo arrepiar. Dei um leve sorriso, satisfeito. Ela deu uma risada claramente forçada.
- , você seria o último em quem eu pensaria! – outch! Essa menina é difícil! Eu aqui, todo charmoso, e ela dando resposta desse nível? Fala sério.
Então vamos pro plano B.
Passei na frente de , que viu a minha blusa. Sentei ao seu lado quase rindo da cara surpresa dela. A camisa era uma antiga que eu tinha jogada por aí, dos Sex Pistols, a banda favorita dela.
- Gostei da camisa. Resolveu virar homem e desistir das golas “v”? – e mais uma vez, soltou sua doçura em mim, me alfinetando porque eu fui umas poucas vezes (mentira, muitas vezes) pro colégio com esse tipo de camisa. As meninas adoram, cara!
- Vamos dizer que estou voltando aos velhos hábitos. – o que não deixava de ser verdade, mesmo que mínima. Essa camisa era de um passado conturbado. – Pronta pra ensaiar? – perguntei.
- Claro, vim pra cá pra fazer isso.
- Não esqueça que veio também conhecer meus amigos. – falei com um sorriso e logo olhou pra baixo – O que foi? Eles te trataram mal? – perguntei preocupado. Quando o assunto era , meus amigos costumavam ser mais ridículos que o normal.
- Eles não fizeram nada, foram até simpáticos se quer saber... – não me convenci.
- Tem certeza disso?
- Tenho! E por que você demorou tanto? Porra, esperei que nem uma tonta! – e lá estava ela mudando de assunto. Fugindo como sempre.
Arqueei a sobrancelha, desconfiado, e fez uma carinha inocente, como se tivesse mesmo falando a verdade.
- Sabe como é, visitas importantes merecem esse tempo de preparo e dedicação. – falei sentindo que estava corado, como se tivesse falando uma verdade que não assumia nem pra mim mesmo.
- Ih, tá corado! – ela apontou pra mim – Que bonitinho... – fez bico.
Eu fiquei com cara de merda.
Cadê a minha virilidade?
- Para de ser retardada! To corado coisa nenhuma! Eu... – tenho que fugir dessa situação – Eu vou chamar os caras pra você conhecê-los melhor. , Harry, ! Venham aqui!
A porta da cozinha foi aberta e meus melhores amigos saíram de lá, um atrás do outro. estava de cueca, comia pão vestido com uma regata do Thundercats preta e um calção velho, e Harry estava sem camisa.
- Porra, ! Ainda de cueca? A gente tem visita! – apontei pra que ria.
- Ah, mano! Eu só posso ficar de boa assim em casa! Você entende, não é ? – ele se jogou no sofá. Pra quem tinha medinho dela, até que ta se sentindo bem.
- Claro! Não precisam mudar por minha causa... Se vocês soubessem das coisas que eu já vi... – ela deu uma risadinha nervosa e não sei se gostei desse comentário.
- Como assim as coisas que você já viu? – perguntei sério. Ela fez uma cara confusa. – Fala aí, , suas experiências. Queremos saber, conta pra gente. – os meninos ficaram com cara de idiotas, não sabendo o que falar. Na realidade, quem queria saber das coisas era eu.
- Licença. – ela me puxou pelo braço pra um canto perto da escada – Você pode parar com isso?
- Parar com o que? – ela olhava nos meus olhos, com uma expressão brava no rosto.
- Com essa merda que você acabou de fazer. Assim, os seus amigos vão me achar mais louca do que já acham! Que eu só faço doideiras e vivo loucamente. Então pare com isso!
- E pra você é tão importante o que os meus amigos pensam? – agora eu queria saber. – Logo pra você, ? Por quê? – ela passou de brava pra nervosa e já não olhava diretamente pros meus olhos.
Passou a mão na testa.
- Olha, eu não quero causar má impressão pros seus amigos idiotas, entendeu? Eu quero ser sociável, agradável. Eles não precisam saber das coisas que passei, eu só falei aquilo pro garoto se sentir à vontade na minha presença. – ela falou rápido, olhando de minuto em minuto pra trás, pra ver se alguns dos meus amigos nos via.
Rolei os olhos. Essa menina é complicada demais.
- Cara, relaxa! Eles não são monstros, não julgam pessoas.
- Não julgam pessoas? – ela ficou indignada.
- Ta, beleza, a gente julgava até te conhecer. – me olhou surpresa – Mas agora é diferente, dá um crédito. – ela olhou mais uma vez os meninos e riu quando levou um pedala do .
- Até que eles são engraçados.
- Você vai gostar deles, é sério. Vem. – e quem puxou dessa vez fui eu. Levei-a até onde os guys estavam. Harry estava ligando o PS3 e os outros estavam conversando sobre alguma música nossa.
Expliquei pra e – depois de muita conversa – que seria um passo muito importante convidar pra nossa casa. A mina tinha que se sentir bem vinda. Eles acharam que era uma má ideia, mas tentei convencê-los que seria preciso, senão, adeus cem libras e adeus NOITADA NO STRIPPER. É, o zinho aqui chantageando fácil! Se eles não me ajudarem nessa empreitada, eu não os levaria num bar de strip onde as crianças nunca foram.
- Com essa interrupção... – dei um olhar torto pra – Não deu pra fazer uma apresentação correta. Então, , esses são os meus amigos Harry, e . – Harry deu pausa no jogo pra dar um tchau e os outros pararam de falar.
- Não é a famosa baterista? Ouvimos coisas boas de você. – fiz uma cara, tipo, não força, mas já tinha feito a merda. aparentemente não ligou.
- Meus tempos de baterista já acabaram, hoje em dia nem toco mais. – ela tava com vergonha, que bonitinha.
- Eu só quero ver, dona , você tocando! – eu disse.
- Assim você me deixa nervosa, poxa. E com que bateria eu vou tocar? Não to vendo nenhum instrumento por aqui. – ela deu uma geral na sala – É lá em cima?
- Não. Nós ensaiamos no subsolo. – arqueou a sobrancelha.
- , você vai mostrar o Subsolo pra ela? – perguntou um pouco chateado. Na verdade, o Subsolo era o estúdio (que nada, era meio que um quartinho) onde a gente ensaiava. Ali era o nosso forte, saca? De onde saíam as músicas do Mcfly. E o tinha ciuminho.
- O que é o Subsolo? – Havia curiosidade em seu rosto – Me conta. Me conta!
- É o nosso porão. Fizemos um pequeno estúdio lá. É genial!
- Vocês têm um estúdio? – os seus olhos brilharam e a empolgação foi contagiante.
- Temos! Lá é irado, tem uma atmosfera boa. – Harry falou num tom meio gay e todos nós rimos.
- Ai, me mostra! Por favor! Adoro essas coisas...
- Leva ela logo, . – disse.
:
Ok, para tudo! Os caras tinham o seu próprio estúdio em casa?
Olhinhos brilhando.
Meu sonho é ter um estúdio em casa e passar o resto dos meus dias tocando bateria sem ninguém pra me dizer o quão alto o som está, sem ter uma mãe mala me tesourando.
Com um estúdio em casa, eu estava feita.
e os três meninos, que agora tinham se socializado, me levaram para o tal Subsolo.
O porão tinha uma escada longa e uma escuridão que me deixava com medo. foi na frente e eu atrás, seguida por , Harry e . puxou um cordãozinho pra acender a luz. Fiquei curiosa pro que veria, e o tão irado era... Uma merda.
O irado deles era um quartinho com paredes descascadas, que tinha um sofá velho, fios por toda parte, amplificadores enferrujados e seus instrumentos com um pouco de poeira.
Harry suspirou.
- É aqui que a mágica acontece... – falou num tom sonhador, sentando no sofá porcamente manchado.
- To vendo. – falei. Andei, dando uma geral no quartinho estranho e sujo. Os garotos me viam com olhares curiosos pra saber qual seria meu próximo movimento. Vi um caderno de capa amarelada em cima de um dos amplificadores. Peguei sem pedir permissão e o abri sem saber de quem era. Havia uma folha solta.
“And she blew my mind
And I wish that she was mine
And I said ‘hey wait up 'cause I'm off to speak to her’
And my friends said ‘You'll never get her, you'll never gonna get that girl.
But I didn't care…”
, no mesmo instante, puxou o caderno de minhas mãos. Sem entender, esperei uma resposta para aquilo.
- Hum... O caderno é meu. – ele falou nervoso. – Escrevo besteiras, coisas sem importância. – gesticulou com a mão nervosamente.
- Engraçado, a maioria das coisas sem importância que você escreve nesse caderno são as melhores e as principais músicas da nossa banda.
:
MUITO OBRIGADO, seuputo!
Agora vai pensar que sou um fresco que escreve coisas bobas e sentimentais. Valeu!
- Nossa , gostei mesmo disso. Não sabia que tu compunhas também, achei que só tocava. – ela falou sincera. – Nunca pensei que seria capaz de escrever coisas assim.
Ela me elogiou? Preciso fazer uma ligação pra Deus e agradecer por esse milagre!
O irônico disso era que não sabia que justamente o trecho que ela lera era sobre ela.
- Obrigado, eu escrevo o que vem do fundo da minh...
- Mano, a bateria é irada! – deu um grito me interrompendo, justo na hora que eu ia destacar meu talento, ao olhar a bateria de Harry.
- Quer tocar? – Hazz mister-educado perguntou, curioso no que aquilo ia dar.
- Posso? – ela ficou acanhada. Afinal, não era todo dia que ela estava no estúdio dos quatro caras mais lindos, populares e pegadores do centro educacional Westshefild.
Ok, exagerei. Mas só na parte do centro educacional.
- Vai lá. – Harry falou, incentivando-a a sentar no baquinho da bateria. Ele só queria ver se tinha mesmo jeito pra coisa, se sabia mesmo tocar.
- Beleza então. – e finalmente sentou-se.
- Só quero ver essa mina fazendo merda. – sussurrou no meu ouvido.
arregaçou as mangas de seu cardigã, tirou algumas mechas de cabelo que caíam sobre os olhos, pegou as baquetas e fez a contagem. Começou a tocar e todos nós ficamos impressionados com tal habilidade.
PUTA MERDA! A menina sabia mesmo tocar bateria.
Ela simplesmente nos deixou de queixo caído tocando a base de Highway To Hell do AC/CD.
Ela tocava muito bem AC/DC!
Vai se foder!
- O que foi? – perguntou, parando de tocar, sem entender nossas caras de espanto. Parecia que ela tocava todos os dias. – Eu sei, faz tempo que não pratico... – ela fez uma carinha triste. Se fazia tempo que não praticava, imagina quando o fazia?
- Mano, você toca MUITO pra uma menina!
- Pra uma menina? – ela perguntou um pouco ofendida. – Só porque sou uma menina quer dizer que não posso tocar bem? – falou séria.
- Er, entenda... – Hazz pareceu nervoso – A gente não vê muita menina tocando bateria tão bem assim como você. – ele coçou a nuca, como se quisesse admitir pra ele mesmo que tocava muito bem, e quem sabe até melhor que ele.
Vi na defensiva, pronta pra atacar Harry com palavras caso ele falasse mais alguma coisa. Olhei pra ela firmemente, como se dissesse pra que abaixasse a aguarda. Ela entendeu.
- Bom, é verdade. Isso é resultado de muito tempo de prática. Se quiser, posso te ensinar alguns truques. – ela falou timidamente.
- Claro! Por que não? Quando quiser, dude! – Judd pareceu animado com a proposta, finalmente as coisas estavam indo pro caminho certo.
- Caralho, ! Nunca imaginei você assim, tocando tão bem! – disse logo em seguida – Foda.
- É verdade, subiu no meu conceito! – e depois .
- Eu toco razoavelmente bem, tem gente melhor que eu! Como disse, é só prática. – ela deu um sorriso de lado, com vergonha, e me olhou com curiosidade pra saber minha opinião.
Eu me senti orgulhoso. Em , eu via uma pessoa totalmente diferente do meu mundinho fechado e babaca. Ela era simplesmente contrária a tudo que eu conhecia, tudo que eu era acostumado. Passando poucos dias com ela, vi que sou muito medíocre. E lá estava ela, rindo com meus amigos. E pensava que essa tarde seria um desastre, que , e Harry seriam grossos e/ou teriam mais medo dela do que o normal. Tava errado. veio – certo que no começo tava meio acanhada – e mudou o jogo, como sempre fazia.
A menina era daquelas que, por fora, você enxerga uma coisa, e quando conhece um pouco melhor, já estava rindo junto dela mesmo sem saber o que ela disse. Uma das qualidades de : contagiante.
- Você foi... Incrível. – tentei não deixar sair meus pensamentos naquela hora e aposto que tava com uma cara enorme de bobo.
- Obrigada. – ela sorriu com os olhos.COM OS OLHOS! A menina estava sentada no banquinho e me olhava com intensidade, e ainda por cima, sorria com os olhos.
Assim você me mata!
- Vamos jogar alguma coisa no PS3 enquanto eles ensaiam. – Harry deu uma olhada suspeita nos meus outros amigos que logo entenderam sua mensagem subliminar.
Os caras subiram, me deixando sozinho com ela. Fiquei nervoso, parecia que nunca tinha ficado com uma menina sozinho num quarto. Ainda sem falar nada, peguei minha guitarra que estava escorada em um dos amplificadores e posicionei a correia em meu ombro. Pluguei a guitarra ao amplificador, o liguei e vi se ajeitando pra começar a tocar também.
- Pronta pro rock’n’roll?
- Já nasci pronta.
E os primeiros acordes de The Masterplan começaram a ecoar.
Capítulo 7 – Sinais de Mudanças
4ª Lição: Conseguiu ficar a sós com ela?Não se afobe.
ATENÇÃO:
O melhor truque está no olhar, antes mesmo da conversa. Uma olhada retribuída pode despertar muita coisa. Garotas gostam de olhares significativos.
E por favor, tente agir naturalmente, sem parecer engraçadinho e que quer a todo custo ficar com ela.
:
Minhas baquetas bateram nos pratos, mostrando que a música estava sendo finalizada. Estávamos ensaiando por três horas, eu já não agüentava mais! Meus braços doíam, minha perna direita estava cansada de tanto bater no bumbo. O último acorde foi feito e finalizou com a sua voz. E te digo, que voz! Eu sabia que ele tinha uma bandinha chechelenta, mas não que ele cantava bem. Me surpreendi!
- Wow! – gritou – Show! Um dos melhores ensaios que eu fiz.
- Não fala isso, seus amigos vão ficar com ciúmes. – peguei minha toalhinha roxa que tinha levado. Enxuguei a testa e o pescoço ao som da risada deliciosa de .
- Eles sabem que sou deles, é uma sina minha. – tirou seu cabelo suado da testa, o fazendo ficar em pé molhado. Supus que ele fizera de propósito.
- Tá gatinho. – falei rindo.
- To gatinho? Meu bem, eu sou gatinho. – ele falou com seu ar de superior e eu ri mais ainda.
- Se acha demais, cuidado! Nem todas caem no seu charminho barato.
- É verdade. Nem todas! Uma, por exemplo, foge do meu charme, to ficando preocupado. – deu um olhar perigoso pra mim. Oi? Isso foi uma indireta? Tentei voltar a respirar e falei:
- To com fome! – Se aquele menino estava dando (na real) em cima de mim, eu tinha que saber fingir que não tava gostando ou coisa parecida.
Ele fez cara de desentendido e seguiu com a vida. Ainda bem.
- Dude! Nem fale, também to com uma puta fome. Vamos pra cozinha. – e foi aí que tirou a correia da guitarra, deixando-a ao lado de um dos amplificadores. Saí do banquinho, colocando as baquetas em cima dele.
:
Essa menina do capeta (tava com saudade de chamá-la assim ) tem o que na cabeça? Eu todo fácil, jogando uma indireta pra ela e ela – podendo se aproveitar – diz que ta com fome? FOME?
Porra, não sei mais o que eu faço, viu!
Chegamos à cozinha. sentou em uma das cadeiras da mesa. Abri a geladeira, pensando na cortada sem noção que ela me deu. Tava tudo certo. Estávamos sozinhos, no maior clima, e ela estraga tudo? Que merda é essa? Eu to achando, sinceramente, que os meus dotes como pegador estão falhando. Mas não vou desistir, vou mentalizar que acontece!
- E aí, vai querer o que? – perguntei quebrando o maldito gelo.
- Qualquer coisa. – ela respondeu sem olhar pra mim, brincando com o cabelo. Ótimo, sou menos importante que o cabelo.
- Qualquer coisa não tem, a gente não comprou. – ela sorriu de lado.
- Muito engraçado. – me olhou. – Mas e aí, vai dizer o que tem pra hoje ou ta difícil? – e dessa vez quem riu fui eu.
- Ta bom! Olha, a gente tem pizza de calabresa congelada, macarrão com algum molho estranho e um bolo de chocolate da Mary ali na bancada. Ta afim de quê? – fechei a porta da geladeira e encostei-me a ela, esperando uma resposta.
- Hum... A gente pode começar com a pizza e terminar com o bolo que me parece terrivelmente gostoso. – parecia uma criança falando.
- Então temos aqui uma menina que come muito! Gostei! – pela primeira vez vi uma garota comer de verdade! Tipo, eu saía com meninas que pareciam insetos, só comiam coisas verdes e estranhas. riu do meu comentário e se ajeitou na cadeira.
- Vou colocar no microondas, ta? – ela assentiu. Coloquei a pizza lá dentro e um pensamento me veio à cabeça. Eu nunca, em situação alguma, tive uma garota sentada na minha cozinha. Pior de tudo, eu colocando comida pra ela. Em todos os meus “relacionamentos”, eu não dava espaço (leia-se: oportunidade) pra nenhuma garota aqui em casa. Falar com os meus amigos? Só nas festas e no colégio. Vir na minha casa? Só pra transar. Tocar no Subsolo e ainda por cima na bateria do Harry? Coisa impensável! Mas logo , que era uma das pessoas mais improváveis, estava fazendo isso (claro, sem a parta da transa, infelizmente) sem ao menos ter me dado um beijo,um abraço ou um mísero selinho.
Ou aquela aposta realmente tava me deixando obsessivo, ou aquela situação tava me mudando por completo.
Percebi que eu estava mirando o nada, com cara de bobo.
- ? ? – estalava os dedos à minha frente. – A pizza ta pronta! – saí do transe, assentindo e indo tirar a pizza de lá. – Hum, ta com um cheirinho tão bom... – e lá vem ela falando como criança de novo.
- Nem me fala, com a fome que eu to, podia comer umas três dessas!
- E os meninos, onde estão?
- Devem estar dormindo... Eles fazem isso o dia todo, ou jogam vídeo game.
- Que vida emocionante vocês têm. – parti uma fatia pra ela e outra pra mim. Peguei a Coca que estava na geladeira e servi . Sentei à sua frente e começamos a comer.
me contou algumas coisas de sua vida. Eu fiquei impressionado com as “baladinhas” que ela vai e com o tipo de pessoa que ela anda. Beleza, eu já tinha uma ideia de como era a sua vida, mas ouvindo-a falar, fiquei mais assustado ainda.
As minhas festas não eram iguais às dela, mas não vou mentir, sempre rolava umas paradas ilícitas. Era normal fumar um baseado de vez em quando e aparecer umas pílulas em nossa mesa. Porém, era raro quando os guys e eu nos drogávamos loucamente. O problema, de fato, era bebida e cigarros. Tirando isso, tava tranqüilo. Claro que já experimentamos algumas coisas, mas não somos chegados nisso. Já ...
- Aí, a casa ficava em cima de uma colina. Ao redor dela, havia grama e uma vegetação estranha. – ela tava no seu segundo pedaço de bolo. Eu me pergunto, Deus, como essa menina tem um corpo desse? Como? – Eu já tinha tomado algumas... E tava totalmente bêbada, fora o beck que tinha fumado. – ela falou com vergonha. – Já era de manhã, acho que cinco ou seis horas, e meus amigos decidiram ir embora. Todos loucos, resolveram descer a colina. E eu, toda animada, quis imitar. Pensei “se eles podem, eu também posso!” Errado! Tirei meus sapatos e fui descendo. Eu não imaginava que a porra da grama tava molhada, meu pé escorregou e eu fui rolando até o meu amigo que tava sentando perto de uma pedra. Eu só ouvia risadas e os loucos gritando “! Cuidado!” Eu tava de vestido! DE VESTIDO! Foi um dos maiores micos da minha vida! – eu comecei a rir loucamente da cara dela. A menina tinha rolado de uma colina inteira? Por que eu não tava lá?A merda era que ela tava de vestido, outra visão que deixei de ter.
E foi aí que ouvi System of a Down. E na moral, to começando a odiar essa banda.
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- Pera aí. – eu fui pegar o celular no bolso enquanto ria da minha cara por causa de uma das minhas peripécias. – Oi, ! Não, ainda estou aqui. Estamos comendo. Eu sei. Eu falei pra ele que ia demorar. Não, não vi nenhuma mensagem dele. – procurei um relógio. Eram sete da noite – Ta de carro? Pronto, vamos fazer o seguinte, venha me buscar que daqui vamos encontrar o Mike, ta certo? Sabe aonde é a casa do , né? Ok, beijo! – ela desligou e quando fui voltar a falar, vi com uma cara amarrada.
- Algum problema? – eu disse num tom desafiador. Cara feia, pra mim, é só pra quem é mal comido.
- Comigo? Não. – disse sarcástico. – Acho dignas as suas ligações, elas sempre atrapalham uma coisa legal. – engoli em seco. Uma coisa legal? Então passar o tempo comigo, rindo de mim e junto a mim é uma coisa legal?
Chora.
- Me desculpe, eu tive que atender... Havia marcado de encontrar as meninas e o...
- Mike. É, eu sei. – passou a mão no cabelo. Aonde esse garoto queria chegar? – , olha, eu não sou ninguém pra dizer com quem você deve sair, mas eu acho que esse Mike não é bom pra você.
- Você não o conhece, e ta ficando chata essa perseguição. – bati o celular na mesa e me levantei. – Porra, . Eu conheci os seus amigos, nem falei mal deles e quando é pra falar dos meus, você é assim. Grosso e incompreensivo. Mike tem problemas, assim como eu.
- Eu só acho que você deveria ter cuidado com ele. Não confio no Mike, desculpa. – sua expressão me pegou de surpresa. Seus olhos agora mostravam uma pessoa que eu não conhecia: protetor.
Mas ele não podia ter uma batalha ganha por causa de uns olharezinhos.
- Julgar sem conhecer faz bem a linha da sua galera. Se você não entende meus amigos, não me entende. – dei minha palavra final e me levantei. Fui indo pra porta quando alguém a abriu.
- Tem umas doidas buzinando na porta de casa. – entrou com uma cara de sono.
- Essas doidas são minha amigas. – sem titubear, saí da cozinha.
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Amiguinhas inconvenientes essas, hein?
- O que foi cara, rolou algum estresse? – perguntou com cara de cuzão, nem respondi. Fui atrás da endiabrada.
Ela já estava na calçada, indo até o carro com três meninas. Mesmo de costas, pude perceber que seu corpo estava rígido, tenso. A conversa com ela não foi das melhores. Toda vez que o nome Mike surge, termina assim, ela de um lado e eu do outro. Com raiva e chateados.
Merda. Eu tinha que mudar essa situação.
- ! – ouvi minha voz sair do nada. Porra, , a menina virou o rosto! Agora pensa em alguma coisa pra falar, espertão. – Er, você quer, eu não sei... – cocei a nuca – Jogar vídeo game? – O QUE? Você podendo falar alguma coisa útil e me solta um “jogar vídeo game”? Se MATE!
- Não sei se você percebeu, mas minhas amigas estão aqui. Vieram me buscar. – e lá foi ela em direção ao carro.
- Elas podem vir também. Claro, se quiserem. – ótimo, convidei a trupe da morte para se juntar conosco. O que eu não faço por ela?
- Vocês querem, meninas? – ouvi perguntar às amigas. Elas se entreolharam e uma falou:
- Mas e o Mike? – manda o Mike pra puta que o pariu! Parei.
- Ela manda uma mensagem depois, avisando. O Mike não vai morrer por causa disso, gente! – não sei quem é você, mas já gostei!
- Eu só fico se vocês ficarem. – outra falou.
- Então ta. A gente joga um pouquinho. – falou e depois esperou as suas amigas saírem do carro.
Elas nem eram tão bizarras assim. Só um pouco.
Uma delas usava um vestido vermelho e maquiagem forte. A outra tinha coturnos e uma calça jeans skinny. Só uma que era a mais, digamos assim, menininha. Usava um diadema azul, short boyfriend, All Star branco e blusa de algum desenho que agora eu não me recordo.
As meninas abraçaram (que sorria idiotamente linda), e vieram até mim rapidamente. Dei um sorriso amigável, mas ainda intimidado.
- Oi, eu sou o , prazer. – beijei uma a uma.
- , mas me chama de .
- .
- .
- Fiquem à vontade. – abri porta e as meninas entraram. foi a última.
Ela me puxou, em um ato espontâneo, abriu um sorriso e sussurrou no meu ouvido:
- Obrigada. – fechei meus olhos, sentido uma vibração. Eu não havia entendido.
- Pelo que?
Mano, não era essa a intenção, mas se ficou bom pra mim... Tamo aí!
Fiquei todo bobo pelo beijo na bochecha. Vira macho, ! Honre o sobrenome que você carrega, porra!
Os guys desceram de seus aposentos. O primeiro a perceber algo estranho na sala foi . O menino, que agora (graças a Deus) estava com um short folgado e blusa, fez uma cara confusa.
- Que merda é essa? Seminário das bruxas? – ele sussurrou vendo as meninas sentadas no sofá.
-Você pode, por favor, calar a boca? Com elas aqui, eu tenho mais tempo de chegar ao resultado satisfatório. – nessa hora, Harry também havia chego e me ouviu.
- Elas são estranhas. – ele disse ao ver as garotas falando sobre um show de rock progressivo ou alguma coisa parecida. – Muito estranhas.
- Conte alguma novidade. – também falou. – Olha, eu sei que tu tem que ficar com ela, mas mano, ta foda!
- E aí, ? A gente vai jogar ou não? – uma delas perguntou.
- Claro, espera aí.
- Ah, cara! O Subsolo eu entendo, vocês precisaram ensaiar. Mas o nosso PS? Aí é covardia! – quase batia a cabeça na parede.
- Oh, drama queen, parou? Nós fazemos social e depois fingimos que essa noite nunca existiu. Eu vou pegar a , e não as amigas.
- Harry, seu idiota, por que foi inventar isso? Estamos perdidos. Se acontecer alguma coisa, liguem pra minha mãe e expliquem! Ela processará essas freaks, vocês e o resto do mundo!
- , seu nome deve ser Maria do Bairro. Drama do caralho. Eu não sei se você lembra, mas POR SUA CAUSA eu fiz isso! Mesmo elas sendo as misses rockers, continuam meninas, então temos que ser simpáticos. – Harry, ao falar isso, foi até onde elas estavam – Oi, meu nome é Harry, sou amigo do .
- Harry, essas são , e . Vamos jogar o que?
- Olha aí, meninas que jogam? Por que eu não fico surpreso? Vocês jogam o que?
- Cara, a gente costuma jogar FIFA nos tempos livres. – a falou.
- FIFA? – todo interessadinho entrou na conversa. – Nós amamos FIFA, eu sou o melhor jogador daqui. – ele estufou o peito.
E nós três rimos.
- ,desde quando você é bom no PS? – eu falei. – Na verdade, quem joga fácil aqui sou eu. – os meus amigos riram.
- Ah tá! – disse.
- Eu não sei quem é o macho alfa no PS. Estamos aqui pra jogar, quem vai? – falou de um jeito bravinho e engraçado.
- Desafiou! Vai , você não é bom! – disse.
- Vou mesmo e ainda digo mais, quem perder vira uma dose de vodka! – e todos gritaram.
- Ta ficando interessante! – disse se ajeitando no sofá – Sou a próxima.
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Resultado: bêbado, rindo muito, gritinhos avulsos, querendo revanche, Harry com a garrafa debaixo do braço, rindo pela queda de quando foi pro banheiro, quase dormindo e eu jogada no tapete felpudo.
- Vamos brincar de alguma coisa... – disse com voz engraçada – De Verdade ou Conseqüência?
- Puta que pariu, você ta em que série? Quarta? – bateu em sua testa.
- JÁ SEI! – Harry, que estava esparramado no chão, levantou seu tronco ficando sentado. – Nós podíamos brincar de Gato Mia, só que com todo mundo nu! – os meninos riram. fez high five com ele por conta da sua ideia “genial”.
- Aí não seria mais Gato Mia e sim Gato Orgia, Harry. – eu ri da minha piadinha infame.
- Boa! – falou e todos riram.
- Podemos jogar Eu nunca! – falou.
- Finalmente, uma decisão. – Harry colocou a vodka no meio da roda.
- Quem começa? – perguntou.
- Eu. – se ajeitou e sentou. – Eu nunca transei na praia. – logo em seguida os quatro, sim, os quatro beberam.
- Vão ser desse naipe? MEDO! – falei rindo.
- Eu nunca dei beijo triplo – disse não bebendo nada. , Harry, e eu bebemos. me olhou com cara de dúvida.
- Balada tensa. – eu disse simplesmente. Quem ia falar era .,br>
- Eu nunca fumei maconha. – e todos, sem exceção, beberam.
- Agora sou eu! – falava – Eu nunca caguei na escola! – riu tanto que chorou além de beber, claro.
- Momentos terríveis. – Harry falou e bebeu.
- Então compartilhamos do mesmo mal. – aí ela riu mais.
- Eca. Quero nem saber como foram esses momentos. Já posso continuar? – perguntei – Eu nunca traí. – não bebi.
- Ah, , assim não tem graça! – falou – Tem que ser perverso!
- Já falei! Quem fez, bebe! – bebeu. Eu meio que sabia que ele ia beber. também bebeu.
E assim foi até chegar num ponto critico.
- Eu nunca me interessei por ninguém que está aqui. – Harry disse, dando um sorriso malicioso. Fiquei tensa na hora. E aí? Eu bebia e me sujava ou mentia? E se ele (vocês sabem quem) bebesse? E se não bebesse?
E agora?
Ouvi um som surdo de copo batendo no carpete.
Era o de . Mas houve outro, o da .
Hã? Ela tava afim de quem?
Quando eu ia tomar o meu, fiquei com medo de ouvir perguntas sobre de quem seria essa tal pessoa da sala que eu estava interessada. Mas se não perguntaram nem pra e nem pra , por que perguntariam a mim?
Levantei o copo, morrendo de medo. Todos me olharam, apreensivos. Sob olhares das minhas amigas e dos amigos de , meu copo já estava na altura de rosto. , ao meu lado, não tirou os olhos de mim.
Engoli em seco pensando no que fazer. Até uma das minhas amigas tinha bebido, assumindo que tava querendo pegar alguém dali...
- Preciso ir ao banheiro. – falei sem pensar. Todos suspiraram em decepção.
- , mostra o banheiro pra ela. – ouvi falando. – Mas o daqui de baixo não, o de cima. – me levantei na mesma hora e podia jurar que piscara pra .
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Duas opções: ou a mina arregou ou NÃO QUER MESMO FICAR COMIGO!
Mano, eu sou tão repulsivo, feio, tosco, paga de gostoso, ridículo e sem moral alguma pra pegar essa menina?
Eu não entendo! Já peguei as mais gostosas daquele colégio, e pra pegar é todo esse drama? WTF? Não agüento mais, tenho que fazer alguma coisa. Preciso beijar essa garota logo senão, não sei mais o que faço nessa vida.
A piscada do estava clara. Era pra agir nesse espaço de tempo. Só não sei como e tinha medo de levar uma tapa na cara ou um chute no saco caso tentasse alguma coisa ousada.
Subi as escadas com atrás de mim. Não falei nada durante o percurso, e nem queria, tava puto demais. não era a fodona? Por que na hora de mostrar isso, não bebeu? Eu mostrei, bebi, quase me matei pra dizer que tava louco pra ficar com ela! Merda.
- É aqui. – falei com a voz séria demais. Estávamos em frente à porta do banheiro. O hall estava escuro. Eu estava tenso e ela mal olhava nos meus olhos.
- Obrigada. Se quiser descer...
- Não precisa, eu espero. – a interrompi sem ânimo.
- Ok. – e finalmente, a princesa das trevas entrou no banheiro. No exato momento em que a porta se fechou, encostei-me à parede, colocando as mãos nos joelhos.
Eu estava cansado.
Cansado de tentar a todo custo ficar com ela. Nunca tinha ido tão longe ao ponto de fazer uma detenção por uma menina. Na verdade, nunca precisei disso.
Pensando sobre toda essa merda, tive uma ideia. Ia ser aqui e agora. Chega de fugas, de conversas tensas. Agora era pra valer. Eu vou pegar naturalmente. Não vou fazer gracejos e nem bancar o conquistador barato. Quero ser sutil e natural.
Ouvi a porta ser destrancada. Nervoso, me levantei, ficando na mesma posição e no mesmo lugar que estava antes dela se trancar no banheiro. Ela saiu e senti que sua maquiagem um pouco pesada estava borrada. Seus olhos estavam vermelhos. Será que ela havia chorado? Queria perguntar, mas ficaria pra outra hora.
Ela deu um sorrisinho simpático e andou em direção à escada. Vi minha chance indo embora. Sem falar nada, puxei seu braço. me olhou assustada, mas não falou nada. Prensei-a na parede, juntando meu corpo ao dela. Coloquei o braço ao redor de sua cintura, apertando-a com a mão. Minha outra mão foi em direção à sua nuca e depois ao seu cabelo, o puxando pra baixo e inclinando um pouco sua cabeça, me fazendo ter uma visão perfeita de seu pescoço.
Lancei um olhar que dizia a ela que essa era a hora da verdade. E se ela me matasse depois, eu não teria medo. Ao contrário do que imaginava, não fez nada, ficou paradinha – um pouco assustada.
Puxei mais um pouco os seus cabelos.
- Agora você vai ver. – fixei meus olhos nos dela, juntando mais os nossos corpos. Fechei meus olhos e fui beijando seu pescoço, sua bochecha, até chegar à parte que eu mais queria.
Primeiro, comecei a dar selinhos em sua boca. Fui delicado em todo o movimento pra não assustá-la mais. Tirei as mãos de onde estavam, as colocando em seu rosto. Afastei-me um pouco e sem querer, abri um dos olhos. Quase rindo, vi fazendo um biquinho de olhos fechados. Olhei mais uma vez e sem pensar duas vezes, fui direto beijá-la do jeito que eu queria desde que vi sua boca rosada no corredor dos Losers.
Passei minha língua em seus lábios, implorando por permissão pra entrar. a abriu sem nenhuma hesitação. Nossas línguas pareciam intimas e descaradamente à vontade uma com a outra. Mordi seu lábio inferior.
colocou os braços em meu pescoço, fazendo carinho em minha nuca. Sorri por dentro com esse feito e pensei: “olha, é bruta, mas sabe fazer carinho”. Aí cara, me deu mais vontade de abraçá-la. Foi o que fiz. Apertei meus braços contra o corpo da menina, a fazendo arfar. roçou as unhas em minhas costas, fazendo minha pele se arrepiar. Parecia tão bom, tão gostoso, tão forte, tão intenso...
Um minuto depois, do nada, parou de me beijar.
Abri os olhos, confuso. Ela tava com a boca vermelha, e respirando rapidamente. Passou suas mãos nos cabelos, os ajeitando e me empurrou. ME EMPURROU com força.
- Nunca. Nunca mais na sua vida faça isso. – desnorteada, saiu da minha frente sem dizer mais nada. Desceu as escadas com pressa, me deixando no escuro sozinho e extasiado.
- Garotas, a gente pode ir? AGORA? – ouvi falando nervosa e depois de alguns minutos só houve uma batida de porta e todo aquele barulho de gente conversando (que eu não tinha prestado atenção enquanto estava aqui em cima) havia cessado.
Sentei no chão, rindo como idiota. Aquilo não sairia facilmente da minha cabeça.
Capítulo 8 – Ameaças de uma descontrolada.
5ª Lição: Quando não tiver ninguém olhando, faça uma dançinha...
Afinal, você acabou de conseguir mais uma conquista.
É de lei uma dançinha da vitória.
Flashback on:
- O que eu to fazendo aqui? Mas que porra! Calma, vai ficar tudo bem... Respira. – a menina respirava estilo cachorrinho, o que não adiantava de nada – Putaquepariu! – xingou. Ela não sabia muito bem o que estava acontecendo.Não sabia se abriria a porta do banheiro fedido dos meninos e faria o que realmente queria, ou se ficava ali, sentindo medo das conseqüências que sua ação poderia ter.
Então, pôs-se a chorar. É, meninas quando não sabem o que fazer, choram.
Sentiu algumas lágrimas caírem e sua maquiagem um pouco (só um pouco?) forte começou a borrar.
- Droga. – falou baixo ao perceber que sua querida maquiagem estava se desfazendo – Você está ótima, ! Além de chorar por uma situação besta, ta perdendo a maquiagem. Maravilha! – falou pegando um lenço que tinha perto da pia. Limpou o rosto, se olhando no espelho. – Você é patética. – disse a si mesma – Ele nunca vai querer nada com você. bebeu porque sentiu pena. Isso mesmo, pena. E outra, ele podia muito bem estar afim de outra menina ali, sua anta! Ele poderia estar afim da , por exemplo. Só porque ela é a mais menininha e arrumadinha de todas. Foda-se , foda-se a merda do ‘Eu Nunca’. FODA-SE! Se ele quer outra pessoa, que fique com outra. To nem aí. – ela falou baixo, mas sabia que no fundo, não queria ter dito. Sabia que se quisesse ficar com uma amiga dela, quem tava fodida era ela. Claro. Ver ter interesse por uma amiga já era demais, ela não agüentaria.
Se viu pela última vez no espelho. Seus olhos vermelhos não enganavam. Beleza, se perguntassem se havia chorado, mentiria. Negaria até a morte, mas não passaria por fraca na frente dos outros, principalmente dele.
destrancou a porta e a abriu, um pouco trêmula ao ver que a esperou. Mesmo assustada com a presença dele, deu um sorrisinho e saiu andando em direção à escada com o coração disparando. Com aquele idiota era assim, só olhar pra ela que a menina já sentia borboletas voando que nem loucas em seu estômago.
E aí, tudo foi muito rápido.
sentiu uma mão puxando seu braço com força. Olhou pro dono da mão, assustada. Tão assustada que não falou nada. Aquilo foi tão inesperado que não conseguiu proferir uma palavra sequer. Em questão de minutos, seu corpo todo estava nas mãos de . Quem diria, a menina maléfica que não deixava ninguém ao menos olhar torto pra ela, agora estava à mercê de um dos populares escrotos sem ao menos ele falar nada. E sabe o que ela achava? Que era bom, muito bom estar ali. “Bom até demais”, pensou a menina.
E então, ouviu algo como “Agora você vai ver”. Pra ela, as palavras não tinham mais sentindo algum. Ela não ouvia, não pensava. Só sentia. poderia muito bem dizer qualquer coisa, que ela simplesmente não ligaria. Não daria a mínima.
A boca de era deliciosa. Ele tinha o poder de ser mais sexy do que era só de beijar um pescoço. Ela tava gostando daquilo. Ficou ali, paradinha, quase sem respirar. Prestando atenção nos movimentos de . Seu coração de merda tava mais disparado do que qualquer coisa.
Enquanto os beijos foram se intensificando, travava uma pequena luta interior. Ela tava adorando estar ali, nos braços do cara mais lindo do Westshefild, mas no fundo se sentia estranha por estar o beijando. podia ser mestre em protestos, mas não era mestre em situações do coração.
Se aquilo era certo ou não, não queria que seus amigos punks ficassem sabendo. Sua reputação, pela qual lutou por tanto tempo, iria por água abaixo. E pior, entraria pra lista infame de .
- Nunca. Nunca mais na sua vida faça isso! – falou de um jeito quase grosso, empurrando , que agora estava com a boca aberta no ar. Ele a olhou com um pouco de medo, receoso de que ela desse um tapa ou algo do tipo.
Ela queria. Queria dar um chute, um murro ou até mesmo um cascudo. Mas não o faria, porque agora estava incapacitada de levantar um dedo sequer.
Não pensou duas vezes. Foi embora.
Flashback off
:
- Menina, que loucura foi essa da gente ter saído da casa deles assim? O que aconteceu? – me perguntou enquanto estava no volante. Revirei os olhos. Não tava afim de falar sobre aquilo.
- Ah, eu não estava me sentindo muito bem. – menti na cara dura. me olhou desconfiada pelo retrovisor.
- Oh, ! Até que você parece pálida. Quer parar em algum lugar? – me perguntou, um pouco preocupada. – Tenho certeza que foi a Tequila, certeza! – não, minha querida amiga, foi coisa mais forte, pelo menos pra mim.
- Não precisa. Agora eu estou bem. – falei mais pra mim do que pra minhas amigas.
- Você tem certeza? – mais uma vez me olhou, desconfiada. Ela era do tipo de amiga que me conhecia muito bem e sabia exatamente quando eu não estava falando a verdade. Desviei meus olhos dos dela.
- Tenho sim! – falei com a voz confiante. – Fala sério, quanto drama! Eu passei mal, quis ir embora e agora estamos aqui, fim! – falei rápido querendo sair desse interrogatório.
- Ta, a gente entendeu. – pela primeira vez, falou. – , olha o cara na frente! – gritou. Tudo porque não tinha visto o cara do carro da frente. Ela freou com tudo, esquecendo os outros atrás.
- Caralho, você quer matar a gente, sua louca? – quase gritei. Essas freadas de carro me deixam tensa. não falou nada, não deu tempo. Os caras que estavam atrás andaram e foram até o nosso lado, falando algumas palavras indecentes.
largou o dedo do meio e foi embora.
- Jesus, só porque eu não vi o cara da frente! – continuou a dirigir – Isso é um absurdo.
- Absurdo sou eu estar aqui ainda! – falou com medo. – Você normal já não é boa motorista, imagina depois de alguns shots. MEDO! – todas nós rimos.
- Falando em beber... Você, , precisa nos esclarecer uma dúvida. – , que estava no banco do passageiro, virou pra trás, nos dando uma piscada básica.
- O que foi dessa vez? – ela perguntou, mas acho que já sabia.
- De qual dos guys você ta afim? Tá ligada que o não pode, né? – falou e eu arregalei os olhos. Lembrei-me do que tinha acontecido e o meu coração foi à mil. Ia protestar, mas me interrompeu – E você... – apontou pra mim – Não fala nada. Ele já ta marcado. Amigas não pegam paquerinhas das outras. – se eu não tivesse tão imersa nos pensamentos, com certeza apertaria a bochecha da . Aquilo foi tão bonitinho!
- Isso é verdade, amigas não ficam com paqueras das outras amigas. É tão feinho. – , outra fofa, também falou.
- Calma aí, eu não to afim do ! Deus me livre, sem ofensas, ! – entrara na rua da . – Posso contar uma coisa pra vocês? – nós assentimos com a cabeça – Eu meio que fiquei feliz quando o nos chamou pra ficar na casa deles hoje, parecia uma oportunidade perfeita.
- Oportunidade pra que, ? – perguntou.
- Eu sempre quis saber como era o mundo dele. Toda vez que ele passava lá na escola, ficava imaginando várias coisas. Tipo, como ele acordava, como seria a casa dele por dentro, se seria a bagunça que eu sempre pensei... – ela começou a rir e nós continuamos olhando pra ela. era uma menina que não falava tanto de garotos, nunca nos disse de quem estava afim ou coisa do tipo. Se saísse algum menino bonito da boca dela, pode ter certeza, era de alguma banda nórdica estranha. Isso era sério. – Eu nunca achei que ele seria tão legal, e hoje foi a prova que eu tava errada. – soltou um suspiro apaixonado.
- Peraí! Você pode dizer quem é? Porque, olha, não to no momento de raciocinar. – falei logo. Porra, custava tanto pra ela dizer quem era esse daí?
- , sempre amigável. – disse. – Eu vou falar, mas não me matem por esconder por tanto tempo. É o Harry.
Queixos caindo em 5, 4, 3...
, a menina que curtia Química, que discutia com a professora de Sociologia e ouvia Ramones gostava do Harry Judd?
Porra, mundo, você ta mudando!
- To chocada, to passada, to todos os “adas”! – falou. Nós já estávamos na porta da casa dela e mesmo assim, ninguém saiu do carro.
- Faço minhas palavras as suas. – falou. ainda não tinha dito nada, e o silêncio predominou no carro.
- Mano, desde quando? – a minha voz saiu mais aguda do que eu esperava. Eu ainda não acreditava.
- Desde o primeiro ano, aula de Literatura. Primeiro bimestre. – ela disse colocando a cabeça no volante. – Eu sei, gente. Eu devia ter falado, mas eu não sabia o que tava acontecendo. Era tudo novo pra mim. – a menina falava como se tivesse confessando alguma coisa, e na real, ela tava mesmo! – Eu tava na sala ouvindo The Doors de boa, sentada em uma das primeiras cadeiras, aí apareceu o sorriso que hoje faria tudo pra ter. Harry chegou à sala com suas calças largas, seus olhos perfeitos e eu senti um “bum”! E esse bum ta aqui desde sempre. Hoje foi uma parada surreal... – a gente ouvia sem dizer um piu. Eu nunca pensaria na minha amiga com o Harry, era uma parada muito louca – Ele conversou comigo. COMIGO! Bebemos juntos, vocês tem noção do tempo que eu esperei por isso?A última vez que falei com ele foi quando ele pediu uma cola há muito tempo, e hoje eu bebi com ele. Harry tocou na minha mão! Nunca mais lavo essa mão. – ao ouvir isso, fiz uma careta. Pensei mesmo que ela não lavaria e me deu nojinho. – É claro que to brincando, né gente! – ela riu.
- Amiga, não precisava ter escondido isso por tanto tempo. – fez carinho na cabeça dela.
- Também acho. Você sempre foi tão amiga, e pra pedir uma ajuda, ou até mesmo um conselho, é uma dificuldade. Por favor, né! – falou de um jeito engraçado.
- Mas , por que você demorou tanto a nos dizer isso tudo? – perguntei.
- Por vergonha. Vocês poderiam rir, dizer que era impossível. Fiquei com medo dessa história vazar e nossos amigos não entenderem e zoarem a minha cara.
Senti uma dor no estômago.
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se foi e eu continuei sentado no hall, tentando assimilar o que tinha acontecido. EU BEIJEI A FROM HELL! Palmas pra mim, caralho!
Finalmente criei coragem e fiz a coisa andar. Porra, eu não agüentava mais! Fui lá e fiz. Quem é o foda agora? Quem? Quem?
Mas vamos ser sinceros, não foi nenhum esforço, pelo contrário. Eu até curti o momento. O beijo foi gostoso, calmo e ao mesmo tempo delirante. Pode ser meio viado da minha parte, mas seu toque era perfeitamente agradável à minha pele. Suas mãos faziam cócegas em minha nuca e isso me dava mais vontade de beijá-la.
Foi surreal.
Decidi ir pro quarto, já que estava ridículo ficar sentando no hall lembrando dessas coisas como uma garotinha idiota. Ignorei o fato de que meus amigos bêbados me esqueceram lá embaixo e me trocaram por uma garrafa de Tequila quase seca. Tenho sorte de ter amigos assim.
Fechei a porta e de imediato, sentei em minha cama, pensativo.
- Como será que deve estar agora? – falei pra mim mesmo – Do jeito que saiu, to vendo que não vai dormir tão cedo. – ri. Gostei da ideia. O fato de não fazê-la dormir por estar pensando em mim (mesmo que seja de uma maneira má e querendo me matar) me agradava muito – Pelo menos,ela vai saber como é não dormir por pensar tanto em uma pessoa. – assim que falei, joguei meu corpo todo, me deitando e colocando os braços pra cima. Vi o pôster do House pregado no teto. – É, House, sabe aquela garota que eu te falei, a problemática? – pois é, tem gente que conversa com o amigo imaginário, eu converso com o House! – Então, eu...
- Qual é maluco, falando com o House de novo? – entrou do nada no quarto. Ele estava descalço, com as calças caindo e suado.
- Ta rolando uma orgia lá embaixo e eu não to sabendo? – respondi com outra pergunta – Não porque, tu ta todo suado, o negócio lá ta bom! – eu ri da minha piadinha infame e o apenas deu o dedo do meio.
- Para de viadagem! É o álcool que ta querendo sair do meu organismo, e eu to deixando fluir. – ele fez um gesto com as mãos – Subi pra saber o que você está fazendo aqui sozinho.
- Finalmente sentiram a minha falta, que lindo. – eu me apoiei com os cotovelos na cama.
- Nah! A Tequila acabou mesmo...
- Filho da puta. – ri de leve.
- Mas então, o que foi? Tem a ver com a querida senhora das Trevas e suas comparsas? – quando eu ia falar do beijo do caralho que dei nela, o meu celular vibrou.
- Espera, chegou uma parada aqui. – ele assentiu e vi a mensagem.
Se você contar pra alguém o que aconteceu naquele hall idiota, eu te mato. Entendeu? Eu não to brincando, se eu souber que você contou até mesmo pros seus amiguinhos, eu acabo com cada um. CADA UM!
Xx .
Engoli em seco.
- O que foi? De repente você ficou pálido. – disse preocupado.
- Nada... Olha, a gente pode conversar outra hora? Quero ficar sozinho. – falei num tom nervoso. me olhou com expressão preocupada, mas saiu logo do quarto. Ele poderia ser desligado, tonto e besta, mas quando se tratava dos amigos dele, era muito bom. Ele fazia questão de nos dar espaço quando se era necessário, mas também fazia questão de mostrar que estava lá pra qualquer hora.
Assim que fechou a porta, pensei que ia chorar. Mas não, SOU MACHO! E machos não ficam com medo de uma punk que faz ameaça só porque deu uns beijinhos inocentes.
OK, TO ME CAGANDO DE MEDO!
Será que era mesmo capaz de me fazer algo mal – isso pra não dizer pior – comigo? Logo eu, que sou lindo demais pra morrer? Tenho muita coisa pra viver, caramba! Muita mulher pra pegar também.
Pensei em mandar uma mensagem ou até mesmo ligar pra ela pendido piedade. Sim, se é pra salvar a pele, eu faço tudo! Mas preferi resolver tudo de manhã.
Se ela queria me ameaçar ou alguma coisa parecida, tinha que dizer isso na minha cara. Na minha frente. Mesmo eu tendo um puta medo disso.
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- Muito bem, . Resolvendo tudo na forma das ruas. Coagindo e ameaçando! Uh. Palmas pra você! – falei pra mim mesma. Eu estava deitada em minha cama. O que disse mais cedo me fez pensar. Porra, será que eu se eu disser o que rolou pras meninas elas vão rir da minha cara? Acho que não, elas são amigas. No mínimo, vão bater em mim por ter corrido daquele jeito babaca. E os caras do darkside? Esses sim, ririam de mim até a alma e me perguntariam o que eu vi no . Falariam que nós éramos um casal nada a ver e seríamos a piada do colégio inteiro. E minha reputação iria se esvair de um jeito rápido. Iria embora todo o respeito e o medo que a galera tinha de mim por causa desse “pequeno acidente”, por isso mandei a mensagem intimidadora. – Cara, eu tinha que fazer isso. Eu não quero que ele conte pra ninguém! Principalmente praqueles amigos dele. Fora que todas as pessoas vão comentar. “Com o que você tava na cabeça, , pra ficar com essa daí?” – empinei meu nariz e fiz uma voz azeda tentando imitar uma das putas amigas dele. – “Ela é feia e se veste como homem. Se quisesse pegar um, pegava o então. Ele definitivamente é mais bonito do que ela”. – repeti a minha imitação.
Pra mim, seria melhor pôr um fim nisso tudo, antes que me desse mal de vez. Mandei mesmo a porra da mensagem e não me arrependo. Acabou, pronto.
Agora era esperar a merda de detenção dos infernos acabar pra me livrar de um garoto chamado .
Cansada de pensar nisso, ajeitei minha cabeça no travesseiro e fechei os olhos.
Lembrei do fato. Fato esse que eu sei, agora, que vai me deixar sem dormir.
“Muito obrigada, . Você está me fazendo uma pessoa mais feliz não me deixando dormir. Valeu.” Pensei irônica.
Embolei-me na cama na tentativa inútil de achar uma posição boa pra dormir em paz, mas não rolou.
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Minha cara amassada acusava a minha noite mal dormida.
Levantei da cama indo ao banheiro pra mijar. Voltei pro quarto e fui direto pra janela. Resolvi fumar ali por estar com preguiça de descer e ir até a varanda, como era de costume. Acendi meu cigarro e fumei tranquilamente vendo o pouco movimento da rua.
E só um nome veio em minha cabeça.
.
Eu, sinceramente, já estava cansando dessa merda de aposta. Queria me ver livre dessa obrigação que tenho e continuar com a minha vidinha de sempre. O problema de tudo era que mesmo cansado, eu estava gostando.
Joguei a bituca no lixo que ficava ao lado da escrivaninha.
- Bom dia, família feliz! – falei num tom alto e irritante, porque sabia que os meus queridos amigos estavam com ressaca.
- Dá pra calar a boca, seu retardado? Tem gente que ta com uma puta dor de cabeça! – falou mal-humorado e em seguida engoliu seu pedaço de pão.
- Ta vendo, isso que dá ficar bebendo em dia de semana. Seus losers! – gritei de propósito e todos taparam seus ouvidos.
- Mano, to nem conseguindo beber meu leitinho! E pelo amor de Deus, para de gritar, caralho! – Harry falou rápido e colocou as mãos na cabeça – Minha cabeça ta doendo muito!
- Ah, Harry, deixa de ser moça! Olha pro , já se entregou ao sono. – falei chegando perto de . – Oh, princesa encantada, acorda que a gente tem aula. – coloquei o dedo indicador dentro do seu ouvido, o fazendo dar uma tapa no mesmo.
- Ai! Porra, , para com isso! Ta nessa felicidade só porque vai ver o passarinho verde? – ele falou e eu não entendi. Como assim o passarinho verde? Agora tinha outro apelido na galera?
- Não, não é verde não! É um passarinho preto que ouve Sex Pistols. – e todos riram da piada idiota do .
- Dá pra pararem com isso e levantarem essas bundas brancas pra gente ir logo? – ignorei a piada.
- Ui, ele ta com saudade dela, dudes. – Harry falou – Vamos logo, senão o gamado bate na gente.
Quem precisa de amigos quando se tem esses?
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Assim que cheguei ao portão do colégio, vi Derick, amigo de Mike.
- Bom dia, Derick. – falei tirando meus fones de ouvido. – Você viu o Mike? Queria muito falar com ele. – percebi que nos últimos tempos não estava dando o devido valor a Mike. Queria me desculpar.
- Ih, , o Mike não vem hoje, não. – Derick, com o jeito relaxado de sempre. – Ele deve estar fumando um lá na ferrovia abandonada. – o menino com o alargador enorme na orelha me falou e eu apenas assenti.
- Ok, obrigada. – ele foi adentrando o colégio me deixando só, parada no portão. Passei dois minutos pensando e resolvi dar meia volta.
Andei por mais de dez minutos até chegar à ferrovia abandonada.
O chão era cheio de pedras e havia mais de seis vagões enferrujados, um na frente do outro. Ao redor da ferrovia, havia uma vegetação rasteira e estranha. Os trilhos eram cobertos de plantas que davam o aspecto de abandono. Parando pra pensar, ficar ali não nada divertido e sim assustador.
Avistei quem eu queria, sentado perto do terceiro trilho. Mike estava com a blusa do Westshefild, uma calça escura, seus inseparáveis All Star’s de cano médio pretos e sua touca cinza folgada. Estava alheio ao seu redor. Fui me aproximado e parei ao seu lado. Suspirei, já sabendo o que queria falar pra ele.
Aproximei-me. O barulho das pedrinhas o ajudou a perceber que alguém estava se aproximando.
- Sinto que alguém me esqueceu. – mesmo sem poder me ver direito, Mike sabia que era eu. Pude perceber que ele estava lambendo a seda e em seguida fechando o cigarrinho. Sentei sem falar nada. Mike tirou seu isqueiro e acendeu o baseado. Ele deu um belo trago, assoprando a fumaça pro alto e fixando o céu.
- Eu sei que você deve estar com raiva de mim. Eu não te esqueci, me desculpa. – falei baixinho. Uma coisa que eu odiava profundamente era quando Mike ficava com magoado comigo.
- Eu, com raiva de você? – ele deu uma risada gostosa e me olhou. – Eu nunca vou ficar com raiva de você, sabe disso? – e mais uma vez, Mike fumou seu baseado. – , somos amigos há muito tempo. Em todos os momentos que precisou, eu sempre estive lá, e você a mesma coisa. – quando ele falou isso, abaixei a cabeça – Eu só estou... Me sentido afastado. É, posso dizer que estou... Eu sinto saudades. – ele já estava falando mole. – Porra, pra mim, nós juntos somos nós, entende? A e o Mike. Aqueles que vivem sem medo de nada. Os invencíveis! – ele falou olhando pra mim, esquecendo do céu por um instante. – Você pode vir até aqui? – ele me perguntou como se fosse uma criança pedindo atenção.
- Pensei que nunca ia me chamar. – fui sem titubear. Fiquei ao seu lado assistindo-o fumar. Mike colocou seu braço no meu ombro e me abraçou de lado.
- Eu não vou deixar que nenhum idiota desmanche a nossa amizade. – ele soltou, e eu entendi o recado. Claro que Mike já tinha sacado que a presença de havia mudado um pouco a nossa relação.
- Eu sei que não. E te juro... – falei com água nos olhos – Que se um dia eu fizer de novo uma coisa parecida com isso ou pior, pode brigar comigo! – dei uma risadinha.
- Brigar? , parece que não me conhece. – ele riu também. Tragou de novo e soltou a fumaça – Acho que você esqueceu com quem ta falando. Sou eu, Mike! O cara que te ama acima de tudo, o resto é merda! – ele me abraçou fortemente. – Por favor, vai me deixar terminar esse baseado sozinho?
- Não, claro que não! Me dá logo isso daí! –disse, pegando o baseado de sua mão e o tragando.
- Aí sim! Tá falando a minha língua. – Mike disse por fim.
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Fala sério, aonde a porra da se enfiou?
Eu to aqui, em frente à sala dela, esperando com paciência e calma, e nada! NADA! Nem sinal das amigas estranhas também.
Inspira e expira. Inspira e expira... ISSO NÃO TÁ FUCIONANDO!
Eu, nesse momento, faria tudo pra ter dois minutos de conversa com ela. Só queria uma boa explicação pra mensagem do mal. Apenas isso! Mas não, ela tinha que complicar e não aparecer, me deixando com o cú na mão!
Eu estava nervoso, então comecei a mexer na gravata do uniforme. Fiquei encostado no corrimão olhando as pessoas entrarem. A maioria das meninas que passavam, olhavam pra mim ou acenavam.
Algumas eu até já peguei, e outras, foi porque realmente queriam uma chancezinha comigo. E na moral? Se eu não estivesse tão ocupado esperando por uma certa punk, ia fazer o meu lado.
passou sem ter me visto.
- Psiu! ! – ela ia entrando na sala, mas voltou quando me ouviu – Vem cá. – ela veio toda desconfiada.
- Oi, . Bom dia. – a menina deu sorriso terno. – O que foi? – ela perguntou, e foi aí que eu fiquei com vergonha. Vergonha de perguntar onde é que estava a amiga dela. Pra mim era novo querer saber de alguma menina, já que eram elas que procuravam saber de mim.
- Er... – cocei a nuca – Você viu a ? – falei de uma vez. franziu o cenho.
- Não, desde ontem. A senti estranha depois que a gente saiu da tua casa, você sabe de alguma coisa? – então ela não contou pras amigas também? Vergonha de ter ficado comigo, ?
- Mano, se ela não contou é porque não tem nada pra contar, ok? Se a encontrar, diga que estou querendo falar com ela. – saí sem dizer mais nada. Eu sei que fui grosso, mas pensar que estaria mesmo com vergonha de ter ficado comigo ou coisa do tipo me deixou um pouco chateado.
Vai se foder.
Fui pra minha sala.
Joguei a minha mochila na mesa, com raiva.
- O que foi, dude? – Hazz me perguntou.
- Nada. – sentei puto e esperei a professora gostosa de Biologia chegar.
- Eu acho que ele não viu o passarinho preto. – falou “cochichando” alto demais pro meu gosto.
- Passarinho preto pra mim é urubu! Que se foda esse passarinho! – falei com raiva, fazendo meus amigos rirem. Ótimo, to sem moral mesmo.
- Relaxa, ela deve ta por aí batendo em alguém. – bagunçou meu cabelo.
- Parem, isso não tem graça. – falei num tom infantil.
- Uh, agora o menininho vai chorar. – fez bico.
- Parem de atormentar o Sr. , garotos. – a linda e cheirosa professora de Biologia disse assim que entrou na sala.
- Obrigado, Sra. Murren. – ela assentiu e começou a dar aula. Dei dedo aos meus amigos e virei pra fingir que estava prestando atenção, mas de mentira. Pura mentira, eu estava mesmo prestando atenção era na bunda dela.
Se tinha me ameaçado, sumido e me deixado puto, foda-se. Eu ainda tinha a bunda da Sra. Murren.
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- Não to sentido os meus pés. – eu disse séria. Mike começou a rir. A risada foi tão gostosa que eu o acompanhei. – Bobão.
- Esse tava forte. Vou comprar mais vezes. – ele me puxou pra mais perto. – Pra você não sentir os seus pés, então o barato ta forte mesmo. – nós estávamos deitados embaixo de uma árvore. O baseado acabara, então ficamos lá chapados e rindo um com outro. – Outro dia, vim aqui sozinho e senti saudade disso. – e me abraçou forte. – Faz tempo que a gente não fica junto. – suspirou – Olha, sente o cheiro. – e fingiu sentir um aroma bom.
- Eu só sinto cheiro de baseado. – eu ri.
- Idiota. Eu to falando... Ah,esquece!
- Fale!
- Não.
- Fala caralho!
Ele deu uma leve suspirada.
- O seu cheiro. – quando ele falou, fiquei estática. O meu cheiro? Oi? – , fala alguma coisa!
- Como assim o meu cheiro?
- Ah, esquece! Eu não sei explicar que cheiro é esse que você exala e eu sinto. – e agora, o que eu faço? Ele falou como uma indireta ou só por falar mesmo?
To perdida!
- Vamos? – fiz menção de levantar. Mike não deixou, me puxou pra baixo.
- Não, a gente fica. – e me abraçou – Ta bom aqui. Assim. – achei fofinho e não resisti, abracei-o também. – Então, me diz como é que ta sua vida. Soube pelos outros que você vai fazer um trabalho com o projeto de playboy. – “projeto de playboy”, então é assim que a galera chama o ?
- A gente vai tocar uma música aí. Só isso. – eu disse – Nada demais.
- Esse nada demais me deixou sem você nos últimos dias. Não gostei desse nada demais. – ele mordeu minha bochecha.
- Pensei que tivesse tudo resolvido.
- Claro que ta! Só acho isso estranho. – finalmente, ele soltou sua opinião sobre tudo.
- O que, exatamente, você acha estranho? – tirei minha cabeça de seu peito e em seguida, olhei pra ele.
- Acho que essa aproximação de vocês estranha, tipo, isso nunca aconteceu. Por que agora, do nada, rola? – ele fez uma cara de bobo. – Quer saber? Não vou perder o nosso tempo falando desse cara. Vamos aproveitar esse barato louco!
:
Intervalo.
Nem sinal dela.
- Merda de katchup! – fazia força pra sair algum katchup do frasco.
- Aperta que sai! – disse. Eu olhava com um pouco de desprezo. Ainda tava pensando nela.
- Hey, eu sei que você ta chateado com alguma coisa que tem a ver com a , mas relaxa. Se quer saber, tem duas paradas que eu percebi ontem. – Harry chegou pra mim e disse isso, deixando nossos amigos e o katchup de lado.
Fiquei interessado no que ele ia falar. Então, me aproximei dele.
- Ela não parava de olhar pra você e ria de tudo que você falava. Isso é um sinal bom. – parecia que Hazz estava dando aula pra um garotinho sobre meninas. – As garotas, quando estão afim de alguém, não param de olhar e riem de tudo que o cara fala. Então, meu amigo, relaxa. Ela já ta quase no papo, só falta pegar. – olhei toscamente pra ele. Eu queria falar que a beijei, mas alguma coisa me dizia que ia dar em merda se eu o fizesse. – De boa, . Não to te reconhecendo. Você é tão centrando na coisa quando o assunto é mulher! Reaja! Sinto que vou continuar com as minhas cem libras.
- Veremos. – falei num tom desafiador.
- Desisto, ! Esse katchup me odeia, vou comer meu pastel assim mesmo. – a voz tristonha de surgiu fazendo Harry e eu rirmos.
***
O professor de música estranhou ao me ver sozinho sem a minha dupla do trabalho na detenção.
É, isso mesmo. A também não veio pra detenção.
- Sr. , por que a srta. não está aqui? – ele me perguntou.
-Ela está doente, professor. – tive que mentir contra a minha vontade – Já que ela não está, tem como o senhor me liberar? Não faz sentindo estar aqui sem a minha dupla pra discutirmos os últimos toques pra apresentação. – pedi rezando que ele me deixasse ir embora. Ele pensou um pouco.
- Pode ir, . Mas você tem noção que a apresentação é amanhã, não tem? – assenti – Avise que a quero amanhã aqui, doente ou não. – ele terminou de falar e logo fui andando com a minha mochila.
Fui até o estacionamento, entrei na minha Eco.
Pensei.
Ela era foda. Como ela sumia desse jeito? Sem falar pra ninguém? Eu falei com a , e ala não sabia nada. Falei com as outras e nada! Tentei ligar pro celular e dava caixa postal. Sabe como eu tenho ódio de caixas postais? EU ODEIO CAIXAS POSTAIS. E mesmo assim, louco de raiva, menti por ela. Pra salvar a pele dela.
Tirei meu celular do bolso.
Se você esqueceu, eu não sei. Mas ainda temos uma apresentação pra fazer amanhã. Venha à minha casa nessa tarde. Se não vier, nem precisa tocar comigo amanhã.
Às 15 hrs.
Xx
Mandei, tentando pôr controle nas coisas.
:
Ouvi o toque de mensagem do meu celular apitar. Saí do banho rápido e o tirei da tomada, porque estava carregando. Eu já estava em casa, Mike havia me deixado aqui.
Vi de quem era mensagem e abri nervosa.
- Eita! – só falei isso ao ler. – E agora? – sentei na cama pensando no que fazer. Eu não queria ir até lá de novo, não mesmo. Não queria ter que ver . Tava tão bom passar amanhã toda sem pensar nele...
Eu tinha medo de brigar feio com ele, não resistir, e beijá-lo novamente.
Eu nunca pensei que fosse tão fraca. O problema de tudo era que se eu não fosse, meu trabalho de detenção não ia rolar, e o pior, ficaria sem nota ou então teria uma séria conversa com a diretora gorducha. Coisa que não tava nem afim de fazer.
foi bem claro na mensagem. Porra, a minha ameaça não foi tão intimidadora assim? To perdendo o jeito, só pode! Coloquei meu pijama e deitei na cama ainda pensando no que faria. Se ia ou não.
Acabei dormindo.
15h20min
Acordei de um sonho muito louco. Eu viajava pra Vila Sésamo e queria porque queria levar o Elmo pra casa.
Tenso.
Olhei pro relógio e já eram 15h20min! Puta que pariu! O vai me matar, fato!
Pulei da cama nervosa, indo me arrumar. Botei a primeira blusa de banda que vi, a primeira calça e um All Star branco.
Tava pronta. Opa, falta o cabelo. Fiz um coque desajeitado e fui embora.
Eu tinha que resolver isso de vez.
15h30min
O táxi parou em frente à casa do . Parecia que eu tava tendo um tipo de déja vu ou algo parecido. Paguei o carinha e saí logo do carro, a vontade de fazer o caminho de volta não era pequena.
Respirei fundo e andei até a porta. Arrumei meu cabelo inutilmente e toquei a campainha.
Não foi nenhuma surpresa ver quem abriu a porta.
-Ta atrasada. – falou sério sem nem ao menos olhar direito pra mim.
- Eu perdi a hora. – fiquei um pouco sem graça.
- Disso eu já sei. Entra. – abriu mais a porta. – Fique à vontade. – ele falou seco. Sentei no sofá de couro preto e o segui com os olhos. – Qual é a história de hoje? – ele perguntou.
- Que história? – quis saber, mas na real já tinha uma ideia. O clima tava tenso. Não conseguíamos nos olhar e eu já estava incomodada com o seu jeito duro e frio.
:
Essa menina não existe! Eu acho que sou uma piada pra ela, sério. Eu aqui todo curioso e tenso e ela se faz de desentendida?
WTF?
- De tudo. Por que faltou no colégio, por que não foi pra detenção e por que demorou? Quero saber de tudo.
- É meu pai agora? – ela meu perguntou séria.
- Engraçado, me ameaçar você pode, né? Quando eu faço algumas simples perguntas, você vem toda bravinha. – dei um sorrisinho irônico. – Ficou com medo de querer mais, foi? Por isso sumiu? – ela cerrou os olhos com raiva e isso me fez sorrir mais. – Bom, eu sei que você não resistiria. Afinal, quem resiste à mim, não é?
- Claro, com uma pessoa tão humilde assim, é até feio negar. – disse se levantando. – Sinto que devo ta perdendo muita coisa se eu não quiser mais.
- Ah é? Então foi por isso mesmo que você não deu o ar da graça hoje? Medo de cair na tentação? –de repente, eu comecei a me divertir com aquela briguinha idiota. olhou em volta e percebeu que estávamos sozinhos em casa. O que era verdade, meus amigos estavam em algum tipo de encontro triplo.
- Olha, quer saber mesmo por que eu não fui nem pra aula e nem pra detenção? – quando ela falou isso, minha atenção foi diretamente no que ela falava.
- Fale! – de repente, ficou sem ação, em dúvida se ia ou não ia falar. – Fale. – tentei controlar a curiosidade e a raiva na minha voz.
- Eu... Eu estava fumando com o Mike. Pronto, você não queria saber? Agora sabe. Eu não fui pra detenção porque eu não estava em condições de ir, ok? E sabe por que eu não vim pra cá na hora? PORQUE EU TAVA DORMINDO. – Eu fiquei ali, no ar. Só ouvindo o que ela disse.
Então quer dizer que o tempo todo que eu fiquei com raiva, louco pra falar com ela, nervoso e tudo mais, ela tava fumando maconha com o Mike.
me olhou nervosa sem saber o que fazer. Com certeza a minha cara não tava nada boa.
- Vou embora. – ela falou do nada.
- Não, não. Você fica. – me ouvi dizer. Ela me olhou e pareceu entender o recado. Definitivamente, minha cara não tava nada boa. – Eu menti por você hoje, salvei sua pele com o professor Gerard e você tava por aí dando um tapa na pantera com o seu amigo drogado? – disse a olhando nos olhos. – Depois de ontem... – eu falei me segurando pra não soltar a raiva.
- Eu pensei que você tivesse entendido a mensagem. – ela falou baixinho. – Não quero que fale pra ninguém o que rolou ontem, se não já sabe! – mano, eu já tava com raiva dessas coisas! E depois dessa parada do Mike, aí que eu fiquei com raiva de vez.
- Sabe do que, ? Você vai me matar? Vai fazer o que? – eu praticamente gritei. Ela ficou assustada. – Não se preocupe, eu ainda não contei a ninguém!
- Você não entende...
- Você não sabe o que ta falando... Você ta falando merda. – ela passou as mãos nos cabelos em sinal de nervosismo. Me encarou com os olhos tristonhos.
Fui me aproximando cada vez mais de . Ela ficou parada como se tivesse me esperando. Tentei não parecer tão desesperados, então fui com calma.
- Eu sou complicada, parar seus olhos em minha boca. – E eu sei muito bem que você quer mesmo isso mais do que eu. – eu repeti o seu gesto.
- Não, eu não quero.
- Por que não? – soltei um muxoxo.
- , no começo, quando fui procurar Mike... – o que essa porra tem a ver com isso? – Eu pensei que era pra me desculpar com ele e tal, mas não. Eu queria fugir. Ficar ali com ele era um jeito de não pensar naquilo. – ela corou – Em você. E sim, demorei porque eu dormir, é verdade, mas a verdade maior é que tive medo de cair na tentação. Satisfeito? – ao ouvir isso da garota à minha frente, eu senti calafrios. disse que tava mesmo querendo ficar comigo? , seu idiota, o que você ta esperando? Beija!
Não pensei duas vezes. Aproximei-me de , a abraçando. Senti sua respiração em meu ombro, fiz carinho em suas costas, pensando no quão fofa aquela menina dura fora.
- Não precisava dizer isso, eu sabia. Dava pra ver nos os seus olhos,sua maluca. – falei em seu ouvido. Ela riu colocando seus braços em meu pescoço.
- Mentira, sabia nada! – beijou a minha nuca. Quando ia finalmente pra parte interessante, fez menção de falar – , eu preciso que você me faça uma promessa. – assenti. Tudo pra beijar de novo, mano. – Quero que isso fique entre a gente. Por favor? – ela fez bico.
- Eu prometo.
E quando eu fui beijar, ela me surpreendeu e me beijou primeiro. Suas mãos acariciaram minha nuca de um jeito gostoso. Coloquei minha mão direita em sua cintura, apertando, e a esquerda fazendo carinho em sua nuca. Parei no meio do beijo e disse:
- Se você me empurrar de novo, eu juro que te puxo pra mim nem que seja até no inferno. – eu disse com um sorriso idiota. riu da minha cara e me deu um selinho. Não agüentando ficar só no selinho, a puxei pra um beijo mais profundo. Mordi seu lábio inferior, a fazendo soltar um gemidinho, o que me fez querer me juntar ao seu corpo, foi o que fiz. Minhas mãos foram parar dentro de sua blusa e as mãos dela estavam alisando as minhas costas por dentro da minha.
- Agora vamos ensaiar, porque amanhã tem apresentação e eu não quero passar vergonha. – ela quebrou o beijo e depois me deu um último selinho.
- Essa mania de você quebrar os beijos já ta ficando chata pra caralho. – falei choroso.
- To indo pro Subsolo! – ela nem deu atenção. Como um cachorrinho, fui atrás dela. foi descendo as escadas e eu fiquei parado na porta do porão.
- To na parada, to na parada, to na parada! – comecei a cantar, fazendo a minha dançinha da vitória.
Porra, to na parada!
- ? Dá pra ser ou ta difícil? – gritou lá de baixo me fazendo parar de dançar.
- To indo!
Do nada, dancei mais um pouco e desci.
Agora é pra valer, to nas nuvens. Porra, , que gay!
Capítulo 9 – Let’s play!
6ª Lição: Não somos “fura olho”, fazemos um sistema de parceria.
O sistema de parceria se baseia no seguinte: agendas de celulares dos amigos na mão e uma pergunta no ar: – “pegou quantas vezes?”
:
- E aí, cara, como foi o último ensaio hoje com a ? – Hazz me perguntou assim que abriu a porta e me viu deitado no sofá assistindo TV, vindo com os meus outros dois amigos atrás.
- Rolaram alguns lances, mas foi legal. – dei um sorriso safado lembrando dos meus incríveis amassos com no nosso sofá velho do Subsolo. E quem diria que a freak tinha uma pegada boa?
- Esses “lances” influenciam na aposta? Porque, cara, você sabe que o Baile é logo menos. – Judd sentou no apoio de braço de nosso sofá e olhou pra mim com uma cara de curioso.
Eu estava louco para contar aos guys que finalmente tinha ficado com a e de como – surpreendentemente – foi incrível. Como de costume, eu falava para os meus amigos como tinha sido a minha ficada com alguma garota. Sim, meninas, nós falamos com quem ficamos e como ficamos. Entre nós, isso não é nenhum segredo. Nós só não falamos tantos detalhes dessa ficada, quando a menina realmente importa para a gente. Por exemplo, se o cara ficou com uma menina que ele estava muito a fim de ficar, só uma vez, com certeza ele vai falar para os amigos como foi. E se a garota for “a” garota, é provável que ele não explane muito. A princípio, eu ia falar que passei a tarde toda beijando enquanto ensaiávamos, mas muitas coisas se passaram pela minha cabeça em poucos minutos. Uma delas foi a promessa que tinha feito. Eu queria falar para os meus amigos que tinha ganhado a aposta, que levaria ao Baile, pegaria minhas cem libras e depois gastaria num bar stripper qualquer, mas algo além da promessa me fez desistir de falar isso.
- Qual é, cara, é só falar se você beijou ou não beijou, não é tão difícil assim. – falou ligando o PS, e percebendo a minha demora na resposta.
- Não, eu não fiquei com ela, ok? – tentei ser o mais verdadeiro o possível – Ela é chata, muito centrada. Quero dizer, hora de ensaiar para ela é hora de ensaiar, e não ficar abraçando e beijando alguém – menti.
- Dude, ela deveria entrar para a nossa banda e botar ordem! – falou com a boca cheia, pois tinha pegado biscoito na cozinha.
- Porra, , desse jeito que você falou, foi como se nunca ensaiássemos e ficássemos nos abraçando sempre. – falei, sorrindo nervoso, tentando fazer com que eles se esquecessem de que viera aqui, e não me enchessem de perguntas sobre ela.
- E a gente não faz isso, meu amor? – ele mandou um beijo no ar para mim, mas quando fez isso, um monte de farelo de biscoito caiu de sua boca.
- Tão amoroso... – Revirei os olhos.
- Depois dessa, a minha credibilidade pode acabar, mas vou falar a verdade... Cara, achei muito sexy quando a vi tocar bateria. – disse, olhando para a TV enquanto jogava Guitar Hero. Ele estava de costas para mim, mas tenho certeza que tinha o seu famoso sorriso de , “O Taradão”.
Todos riram, menos eu.
O sangue subiu.
- Pode parar por aí! – me levantei – Calma aí, até semana passada, era a estranha do colégio, e hoje é a sexy?! – senti a raiva nas minhas palavras, e acho que meus amigos também. parou de jogar, parou de mastigar e Harry parou de mexer na sua agenda de celular.
- Que drama é esse? Pensei que podíamos falar nossas opiniões sobre as garotas que você pega, ou vai pegar! Sempre falamos e você nunca disse nada! – se defendeu, claramente sem entender a minha reação. – Eu só disse que ela era sexy, pô. Relaxa aí.
- Pára tudo! – resolveu falar, com uma voz afetada – O nosso está com ciúmes, só pode! – ele veio até mim. – É isso mesmo, está com ciúmes da ! Vamos rir, porque isso é inédito! – depois que ele falou isso, meu coração disparou e eu entendi realmente o que estava sentindo. Era mesmo ciúme. E pior, eu só estava com ciúmes de uma besteira.
Hazz me olhou preocupado. Ele era um dos caras que mais se preocupava quando um de nós cismava em de gostar de alguém.
- Isso é verdade, ? – ele falou. – Se for verdade, então temos um problema... – se eu falasse que era verdade, o que eles fariam? Parariam a aposta e me deixam livre dessa?
E se isso acontecesse, não teria mais desculpa para ir atrás de e consequentemente, não teriam os beijos dela.
Não.
- Não! Que é isso, guys? Eu com ciúmes? – ri descontroladamente. – Só se for do , né? Por que da é meio difícil – engoli em seco, pensando no que tinha acabado de falar.
- Ainda bem, porque seria tenso. – Hazz deu três tapinhas no meu ombro e subiu. – Vou dar uma dormida, a Clarie me cansou hoje. – ele subiu as escadas, nos deixando na sala de estar.
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- I swear one day we're gonna leave this town...
Cantava uma música dos Strokes enquanto penteava meus cabelos. Um sorriso bobo veio em meu rosto.
– – falei baixinho e senti vergonha de mim mesma.
Passar a tarde toda com ele foi inexplicável. Ainda podia sentir suas mãos me abraçando e sua boca me beijando. Um calorzinho vindo de dentro de mim subiu, e senti um arrepio. Era claro que aquilo não era normal. Eu nunca tinha sentido isso antes, nunca tive essa sensação! Agora eu me sentia mais bonita e muito mais confiante, e isso tudo por causa de .
Assustei-me quando meu celular começou a tocar. Vi o visor e já sabia quem era.
- vem pra cá, eu... – ouvi um barulho tão alto, que não entendi nada do que ele havia falado.
- O quê, Mike? Não entendi! Repita mais alto ou saia de onde você está – falei um pouco alto, para ver se ele ouvia.
- ! – ele gritou – Espera, estou saindo do pub!– ele gritou ainda mais, e depois de poucos minutos, o barulho tinha acabado.
– Hey, sumida! Estou no Hoots, aquela banda que você gosta está tocando, vem pra cá! – ele me disse, empolgado demais para o meu gosto.
- O que você tomou? – respondi com outra pergunta.
- O de sempre, aquele azul que você também gosta. Está esperando o quê, para tirar essa bunda daí, e vir? – ótimo, ele tinha tomado um doce. Esse era o meu amigo Mike! – Se você não vier, vou ficar tristonho. – ele deu uma risada forte e gostosa. Revirei meus olhos.
Eu sabia que se não fosse ele, falaria daquilo durante uma semana. Então, olhei para o meu armário e procurei logo uma roupa pra ir.
- , você ainda está ai? – ele me perguntou divertido, percebendo meu pequeno silêncio.
- Estou indo – eu ri. – Me espere!
- Eu guardo um pouco pra você. – e então, ele desligou.
Peguei minha calça jeans skinny, uma blusa preta, uma jaqueta de couro e um Vans preto. Eu fui básica, porque estava com pressa. Se tinha que sair dali, tinha que ser logo. Minha mãe não podia saber e, bem, não seria normal ter uma reuniãozinha do colégio às onze horas da noite.
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- Quantas vezes eu vou ter que te dizer? Eu fiquei com a Lindsey umas quatro vezes e só, e sim, foi bom! – falou para , enquanto estava deitado. olhava a agenda do celular que pertencia ao .
- E a Lauren? – perguntou, e revirou os olhos.
- Eu sei que essa parceria que a gente tem é fantástica para você, já que precisa de mim para pegar mulher, mas, cara, enche o saco ficar te respondendo essas coisas. - eu Hazz rimos da cara de bunda que fez. Estávamos no meu quarto ouvindo música, bebendo e conversando sobre as merdas da vida.
tinha mania de dizer que não era fura olho, mas que contribuía para com o bom relacionamento entre amigos. Se um gostou de ficar com uma menina, e não a quer mais, por ela estar enchendo saco ou coisa do tipo, passa paro outro. E a vida segue tranquilamente!
Eu até achava engraçado, e já – muitas vezes, admito – participei de algumas brincadeiras desse tipo. Mas, não sei, de um tempo pra cá, achava-as meio bobas e tediosas. Agora eu tinha preguiça de pegar o telefone, marcar um encontro e ouvir besteiras da garota, como “O meu cabelo não é lindo? Fala que o meu cabelo é lindo que eu te beijo”, só para ir para a cama. Eu tinha preguiça, tinha mesmo!
- Cata o telefone que você quer e me deixa em paz, ! – disse por fim.
- Calma, ainda procuro por minha vítima. – mexeu mais um pouco – Eita, como assim, você tem o número da , e eu não sabia? – todos nós ficamos surpresos com a tal revelação.
- Ah, ela se ofereceu para me ensinar física... – Ele passou a mão no cabelo, nervoso. Ficamos olhando desconfiados, mas ninguém falou nada sobre o assunto.
- Ok, vou chamar essa tal de Alice para sair. Ela é bonita, e você já tinha dito para mim que ela tem muitas habilidades com as mãos. – deu um risinho cheio de malícia, e logo falou algo como “aleluia” e se virou para mim.
- Amanhã é o grande dia. – ele abraçou meu travesseiro e me viu tragar a fumaça do cigarro que já estava no fim. havia saído do quarto para fazer o telefonema.
- Não vejo a hora de tocar logo naquela merda, e acabar logo com isso! – eu falei, já cansado de ficar quase toda a semana na escola à tarde.
- Depois dessa apresentaçãozinha, quero ver qual será o próximo passo para ficar ainda mais com a . – ainda continuou – Aliás, acho que amanhã será uma grande oportunidade para você chamá-la para sair.
- A gente pode até acompanhar, quero dizer, a gente pode fazer o esforço de levar as amiguinhas dela junto. – Hazz bebeu em sua garrafa de cerveja, e depois a colocou na minha mesa do computador.
- É, pode ser uma boa ideia. – falei, jogando a bituca no cinzeiro, sabendo que se nós oito saíssemos juntos, eu e não teríamos tempo para nos divertirmos, se é que você me entende. – Vou ligar para ela e pedir que chame suas amigas. – peguei meu celular, e logo liguei para .
Ninguém atendia, então liguei mais uma vez. Nada. Apertei a teclinha vermelha e vi a hora no relógio do celular. Meia-noite. deveria estar dormindo a uma hora dessas.
- Ela 'tá dormindo. – olhei para os meus amigos – Vou mandar uma mensagem, e amanhã ela vê – disse por fim, mexendo em meu celular e enviando a mensagem.
- MERDA! – entrou no quarto, batendo a porta.
- O que foi?! – nós perguntamos em conjunto. Ele jogou o celular na cama e nos olhou.
- Eu liguei para a Alice, falei logo, mandei a minha melhor cantada e quem me atendeu foi uma velha! Uma velha! – a gente não aguentou. Todo mundo riu.
- E o que ela falou? – Harry perguntou.
- Ela me chamou para ir às sete na casa dela, porque às oito, tinha que assistir à novela! – nos olhava, incrédulo, e nós continuávamos rindo. – Porra, ! A culpa é sua!
- Eu bem que estava esquecendo de te falar alguma coisa... – ele se fez de pensativo, e a gente ria cada vez mais.
- Ah, vê se não fode! Vou pegar mais uma cerveja. – ele se levantou e saiu do quarto.
- PEGA UMA PRA MIM! – gritei.
- Para mim e para o também! – Harry gritou da porta do quarto, e a gente ainda pôde ouvir resmungar:
- Além de ser a piada, sou o escrevo! Puta merda, viu?!
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Cheguei ao Hoots, abraçando minha jaqueta de couro por causa do frio. Levantei a cabeça, procurando por Mike, e peguei meu celular que tocava. Era .
Resolvi não atender, porque eu sabia que se ele ouvisse o barulho, certamente iria querer que eu desse explicações sobre onde estava, e dizer que estava num pub, longe de casa, tarde da noite e ainda mais, por causa de Mike, não seria muito legal.
não queria admitir, mas eu sabia que rolava um ciúmes meio bobo, mas fofo, da parte dele.
O celular tocou mais uma vez, e eu não atendi.
Parou e eu o senti vibrar novamente. Era uma mensagem do próprio.
“Os caras vão ver nossa apresentação, leve as suas amigas pra sairmos todos juntos, ok?
Queria que dizer que, depois da apresentação ficaremos juntos, mas nem vai rolar! Eles não vão desgrudar da gente!
Mas pelo menos, vou estar com você, mesmo de longe.
Ps: Vai ser MUITO difícil me controlar e não te beijar no meio de todo mundo”
xx .
Sorri idiotamente para a tela do celular, querendo logo responder a mensagem. Fui tentar escrever alguma coisa, mas uma voz me atrapalhou.
- VOCÊ VEIO! – Mike pulou na minha frente – Sabe, eu já estava feliz, mas agora eu tô mais que feliz! O que é mais que feliz? – ele perguntou, mostrando quase todos os dentes, rindo – Hey, dude, o que é mais que feliz? – ele puxou a camisa de um cara que estava passando ao seu lado e perguntou. Tirei a mão de Mike do cara que já estava com raiva, e pedi desculpas a ele.
- Ok, Mike, vim te buscar, vamos! Cadê o seu carro? – perguntei, pegando as chaves de seu bolso.
- Ah, não, ! A banda está tocando muito hoje! Vamos curtir! – e foi aí que eu vi que ele estava com um copo enorme de cerveja. Olhei pra ele com muita raiva, e acho que Mike percebeu. – Oh, pequena, estou me divertindo tanto, e ainda mais porque você chegou! Vai, vamos ficar só mais um pouco, depois eu juro que você me deixa em qualquer lugar que quiser – ele deu um sorrisinho de anjo, me convencendo.
- 'Tá, Mike! A gente fica só um pouco! – eu falei – Tenho que estar disposta amanhã, porque, se você não sabe, tenho uma apresentação. – ele bateu em sua testa com força.
- Puta merda, é mesmo! Eu vou assistir, claro que vou. – bebeu sua cerveja – Se estiver inteiro amanhã, assisto tudo. TUDO! – gritou.
Ótimo! Que belo amigo.
Uma hora mais tarde
- Tudo está coloridamente... Lindo. – falei. – E acho que o palco está vindo até a gente! – tentei falar sério, mas não consegui. A ideia de ter o palco vindo até a gente me deu medo, mas eu não conseguia me levantar, não conseguia me mexer direito – Mike, é sério! O palco está vindo pra cá! Me levanta, senão eu vou ser esmagada ou comida, ainda não sei! – tentei gritar em vão.
- , calma! O palco não está vindo pra cá. – ele fumava um cigarro diferente dos normais. Me levantei.
- Mike! Me tira daqui! O palco... Ele 'tá vindo! – tentei me segurar nos braços de Mike, que estava ao meu lado, mas uma força maior não deixava. – Você pode dizer que ele não está vindo, mas eu estou vendo, Mike! E ele tá muito perto de mim! Sinto que ele quer me comer. Olha a boca dele ali! – vi meu braço apontado para frente, e o puxei. A sensação de sentir a minha pele sendo esticada foi uma das melhores que já tinha sentido. Ri ainda abestalhada por causa disso, me esquecendo do palco.
- , está tudo bem? – ouvi a voz de Mike ao longe, e olhei para o lado. Ele estava bem ali. Fiz uma cara de confusa, e mesmo assim sorri.
- Tenho que te falar uma coisa, acho que estou gostando de alguém... – ri de mim mesma. – Você não vai acreditar quando eu contar. – minha língua estava pesada, o que me fazia falar bobamente.
- Quem, ? – ele sorriu ainda mais, depois que falei. Ao longe, bem longe, ouvi outra risada. Fechei meus olhos para poder me concentrar e descobrir quem seria o dono daquela tal risada contagiante. Sorri ainda mais, ao saber de quem se tratava.
.
estava lá, rindo de alguma coisa e me chamando para rir junto. Ainda de olhos fechados, tentei me movimentar para ir junto com ele, não conseguindo. No mesmo instante, parou de rir e me olhou com os olhos julgadores, como se estivesse dizendo o quão mal eu fiz vindo até aqui usando LSD.
“Não esperava isso de você.” Ouvi falar, com os olhos tristes, dando meia volta pra ir embora.
- Não vá embora! Fica aqui comigo, por favor. – me ouvi dizer, numa voz chorosa.
- Mas eu não vou embora, . Estou aqui do seu lado. – ouvi Mike falar, me abraçando. Seu toque fazia minha pele vibrar. – Vamos embora. – ele falou, me levantando da cadeira e me segurando.
E depois disso, eu apaguei.
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Estava no portão do Westshelfied, esperando chegar. Sentado em um dos degraus da escada da entrada, vi uma garota ruiva se aproximar.
- Não se esquece da minha festinha amanhã, hein, ! – Sam me falou, segurando seu caderno lilás. Alisou seus cabelos cor de fogo com as mãos – E diga ao Harry que eu não vou me esquecer dele. – ela deu uma piscadela e saiu andando.
Se o Harry visse isso, acho que acabaria no banheiro da escola. Para ele, Samantha Goldman era a top das tops. Era a gostosa das gostosas. Samantha era tudo isso e mais um pouco, e por isso, ela era intocável para nós. Quem só podia ali, era Harry e mais ninguém.
Vi o meu alvo chegar de óculos escuros, e logo estranhei.
estava com uma cara amassada e meio descabelada. Levantei-me logo para receber a garota, já sentindo meu coração disparar.
- Bom dia. – falei ao chegar perto dela – E qual é a do Edward Cullen? – perguntei, apontando para os óculos. Ela fez uma careta e parou de andar.
- Insônia. – ela falou, parecendo nervosa.
- Poxa, se estava acordada a noite toda, porque não me retornou? Te liguei ontem e ainda mandei uma mensagem – falei, tentando entender o porque de ela não ter me respondido, já que ficara acordada – Fiquei até receoso em tentar te ligar de novo, com medo de te acordar. – tentei tocar seu rosto, mas ela desviou.
- Tanto faz. Olha, eu tenho que ir, porque vai começar a aula e tudo o que eu quero é que esse dia acabe logo! – ela falou sem emoção e seguiu em frente sem dizer mais nada. Logo em seguida vi seu amigo, Mike, chegar, atravessando o pátio. Mike virou sua cabeça em minha direção. Fumando um cigarro – o que era proibido no colégio –, me lançou um olhar um tanto quanto tenso, acenou com a cabeça e se foi para o seu lado do pátio.
Fiquei um pouco surpreso, mas mesmo assim, acenei também. O que foi aquilo, afinal? Será que ele já sabia sobre mim e ? E , porque estava tão estranha? Será que eu fiz alguma coisa de errado?
Não, eu tinha plena consciência que não tinha feito nada.
Fui para a mesa onde eu e os guys sempre ficávamos e, para o meu espanto, a vi cheia de mulheres, mas não as meninas que costumávamos sair. Não, senhor. As meninas que estavam lá, eram nada mais, nada menos que as amigas de !
- Bom dia, meninas. – falei sorridente – Alguém sabe o que aconteceu com a , para ela estar com esse humor pela manhã? – todas se olharam, e logo abriu a boca.
- Se você não sabe, não sou eu quem vai contar! – ela se negou a falar e as outras concordaram.
- Qual é?! O que ela aprontou dessa vez? – pareceu ler meus pensamentos quando perguntou.
- Eu não sei de nada... – se fez de desentendida, e logo revirei os olhos.
- Parece que vocês não conhecem mulheres... – Hazz falou pensativo – Vocês sabem que elas, mesmo sob tortura, não abririam o jogo para ajudar uma amiga. – ele terminou de falar, e eu senti um olhar estranho (e encantado?) vindo de para ele.
- Verdade. – falei, ainda pensando no que tinha acabado de ver – Er, meninas vocês estão sabendo que eu e a vamos tocar hoje depois da aula para a professora, não estão? – elas assentiram – Então, vocês não querem...
- O já nos chamou ontem. Ele me ligou. – disse, e nós três o olhamos, prendendo o riso. – Ele me ligou, perguntando se a gente ia, e a gente vai. – falou com simplicidade e saiu de cima da mesa que estava sentada. – Bom, vamos ver como a está. Tchau, meninos.
Nós olhamos , desconfiados.
- Não me olhem assim! Vocês queriam que elas fossem! Já que o não conseguia falar com a , decidi ajudar, né... – ele gesticulou com as mãos, e caímos na risada.
- Olha, se ela não fosse tão estranha, eu até diria que você está afim de ficar com ela. – bagunçou seus cabelos.
o olhou, meio sem graça.
– Não, mano, não faz isso comigo!
- Ela é tão inteligente! – nós paramos de rir no mesmo instante – E tão bonitinha falando de velocidade e tempo. E caras, pasmem, ela gosta de Star Wars! Uma menina que gosta de Star Wars, acho que vou chorar! – ele fingiu enxugar as lagrimas de mentira. – A é tão inteligente que eu não sei como chegar, não sei do que falar com ela a não ser sobre como o Chewbacca é peludo. – ele riu meio sem graça.
- Bom, isso já um começo. – falei, feliz, pelo meu amigo que logo assumiu que estava mesmo afim de uma das esquisitas – Solta um “Eu sou seu Luke e você é a minha Leia” e beija!
- Ew, ! Eles são irmãos. – disse, enojado.
- Tanto faz! Eles se beijam, não se beijam? Então! – falei rindo e pareceu gostar da piada. – Ah, vamos logo, Luke apaixonado, o sinal vai bater.
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Morte ao sinal! Meu novo protesto vai ter isso como lema. A minha cabeça dói, meu corpo está mole, e eu quero muito dormir.
Dormi na casa de Mike, porque eu simplesmente apaguei na volta, e ele não podia me levar pra casa naquele estado. A minha sorte era que eu tinha uniformes e algumas roupas íntimas na casa dele. Eu já tinha ido dormir várias vezes lá, por isso tinha uma gaveta só pra mim.
Pra ser sincera, não entendi minha reação quando veio falar comigo. Eu não sabia se havia o tratado daquele jeito porque eu estava mal-humorada ou se... É, acho que não tem nenhuma outra explicação. Acho que eu deveria pedir desculpas a ele numa outra hora.
Sentei à minha carteira, coloquei minha mochila em cima da mesa e a fiz como travesseiro. Minha cabeça pesava tanto, que não demorou tanto pra dormir ali mesmo.
- ? – ouvi dizerem meu nome, mas não dei valor. – , por favor, acorde – senti alguém me cutucar, e mesmo com raiva, levantei a cabeça. Meus olhos inchados, que agora estavam sem óculos pra protegê-los, demoraram a focar a pessoa que falava comigo.
- Professora? – perguntei, tentando identificar se era mesmo a minha professora de biologia, para quem todo mundo paga pau.
- , eu não aguento mais! Você só dorme na minha aula – ela elevou a voz.
- Não grite. – falei séria. A minha paciência estava quase no limite com aquela voz de taquara rachada.
- E ainda desmoraliza a minha autoridade na frente dos alunos? Saia agora mesmo! – ela gritou, apontando para porta. E o que eu fiz?
Levantei-me, peguei minha bolsa e falei:
- Demorou para pedir.
- Insolen... – eu bati a porta, sem esperar que ela terminasse de falar.
- Professora de merda! – falei, andando até o Corredor dos Losers, para me esconder da inspetora. – Só porque é metida a gostosinha, pensa que pode dar show comigo na sala. – fui até o corredor sombrio. – Comigo não!
Acendi um cigarro, nervosa, e traguei profundamente, parando pra pensar em novamente, e no quanto fui grossa com ele.
- Merda! – falei para mim mesma. Fumei mais uma vez, e soprei para o alto a fumaça. Não queria que soubesse da minha saída de ontem. Eu não sabia exatamente do que tinha medo. Talvez de falar pra ele e acabar com o nosso pseudo-relacionamento.
- Acho que a gente só resolve as nossas coisas nesse corredor. – ouvi a voz de perto, e logo seu corpo esguio e branco veio pra claridade.
Joguei meu cabelo para o lado, em sinal de nervosismo, e fumei o final do meu cigarro. Ele estava bem na minha frente. Eu não queria falar nada, se eu falasse poderia ser o fim.
- O que aconteceu ontem à noite? – ele me perguntou calmo, sentando perto de mim. Olhou diretamente nos meus olhos. encostou sua testa em meu ombro fazendo carinho com a mão nas minhas costas. – Me fala. – disse com uma voz rouca, beijando meu ombro. Fechei os olhos, sentindo os seus lábios na minha pele.
- Eu... – eu tentei começar.
- Você... - ele continuou a dar beijinhos em meu ombro.
- Fui... – ia beijando a curva entre meu pescoço – Num pub aí. – e logo ele parou de me beijar.
dirigiu seu rosto para mim.
- T-tudo bem, . Você não é minha n-namorada ou algo do tipo. – ele ficou duro e começou a gaguejar. Sua voz parecia um tanto quanto nervosa, não sabia onde pôr as mãos. Estavam inquietas. – Mas você foi sozinha ou...? – ele me perguntou.
- Na verdade, veja bem, eu fui buscar Mike, porque ele estava um pouco... Alterado. – dei o meu melhor sorriso amarelo. mudou completamente sua expressão.
- O quê? Agora você virou babá de drogado? – ele se levantou num pulo – Toda vez é ele, toda vez ! – andava de um lado por outro.
- Por isso não me atendeu, por isso não me respondeu! Porque estava com ele. Claro, , seu burro! – ele parecia falar com si mesmo.
- Eu só fui ajudá-lo. – fui até ele – Pelo menos no começo.
- Como assim, “pelo menos no começo”? – ele me perguntou, e eu fiquei calada. Peguei um dos braços de e o coloquei em minha cintura.
- Vem cá, olha pra mim. – peguei o queixo de que olhava pra baixo, com a objetivo de fazê-lo olhar pra mim – Mesmo eu tendo Mike – ele bufou –, e os meus amigos esquisitos – juntei meu corpo ao dele, o abraçando, enquanto só um de seus braços me envolvia –, isso aqui é diferente de tudo. – disse dando um selinho.
não fez nada, não falou nada. Na minha cabeça, aquilo ia dar certo, mas não. Me enganei. Ele tirou o braço que me envolvia e disse:
- Te encontro na apresentação, depois da aula. – e foi embora.
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Ótimo, era o homem da relação. No nosso caso, quem saía, se divertia bebendo e curtindo na boemia, era ela. E o meu papel como o macho da relação? Qual era?
Com certeza não é esse que estou fazendo agora, que é estar sentando em um dos degraus da escada principal, tentando não dar uma de gay, indo até lá prguntar quais foram exatamente seus passos naquele pub, e saber tudo o que ela fizera na noite passada.
Não, não iria fazer isso. Mesmo querendo muito, muito, muito mesmo.
, o cara que nunca faz esse tipo de coisa, agora está se roendo por dentro, louco para ir atrás de uma aposta?
- Ah, que merda! – falei baixo, quando ouvi o sinal tocar para o intervalo. Saí da escada e fui direto para mesinha do pátio.
- Hey, man! Pensamos que tinha se afogado na pia. – falou, se referindo à minha escapada fingindo que ia ao banheiro.
- Queria eu, me afogar na porra da pia! – falei, me sentado sobre a mesa e procurando você sabe quem. – Queria eu... – falei, quando achei a tal com o BFF dela.
- Ih, problemas no paraíso darkside. – disse, se sentando ao meu lado. Eu revirei os olhos. Porra, sou tão óbvio assim?
- Como vocês sabem? – perguntei.
- Ultimamente, você se preocupa com isso, só fala disso e só quer saber... – Hazz disse.
- Já entendi. – disse entediado.
- Agora se vira para dizer a ela que a bateria está lá no meu carro, porque eu não vou, nem fodendo, lá no outro lado do pátio – Hazz continuou dizendo.
- Puta merda, você deveria ter me falado isso antes de eu ter brigado com ela. Agora eu vou lá, com o rabo entre as pernas! Te odeio. E TUDO ISSO É POR SUA CAUSA! – explodi. Sem mais rodeios, saí de lá, indo ao encontro de e seus amigos punks.
Parei a poucos metros, vendo cutucar seu braço direito, chamando sua atenção para que visse quem estava à sua frente. me olhou com dúvida, enquanto eu estava me matando em pensamento. Procurei por Mike e não o encontrei, ele deveria estar fumando um baseado ou alguma coisa do tipo.
então, se levantou e veio até mim. Fez um coque em seu cabelo, que deixou seu pescoço delicioso a mostra. Se controla, . Finalmente, chegou com os braços cruzados.
- O que é?
- A bateria está no carro do Harry. Antes de nos apresentarmos, temos que ir lá para pegar. – sem esperar que ela falasse, dei meia volta e fui embora.
Decidi beber água, então entrei no pátio principal, andando pelo corredor até um bebedouro. Abaixei minha cabeça para beber e senti alguém atrás de mim.
Desconfiado, fiquei ereto.
- Ora, ora. Se não é o famoso . – quem tinha falado comigo, era ninguém menos que Mike.
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- Porque o foi tão grosso com você? – me perguntou logo que me sentei ao seu lado, em um dos banquinhos da área descoberta do pátio, o lado dark do colégio. – Daqui deu pra ver a tensão entre vocês dois! Isso tudo foi só porque você dormiu na casa do Mike e está um caco para a apresentação? – eu não tinha contado ainda sobre mim e . Minhas amigas eram lindas e fofas, mas não conseguiam ficar de boca fechada. Fora o fato de eu ficar com medo de quererem me julgar por estar saindo com , o pegador do Westshefild.
- Ele é um idiota, amiga. Liga não. – me abraçou, tentando me consolar. Sorri de lado, querendo contar a verdade, para que elas me ajudassem, mas o medo foi maior que eu. – Se você quiser, a gente nem sai com eles depois do showzinho de vocês. O que me diz, uh?
- Não, . Eu não quero atrapalhar nada, a gente vai sim. Mas só vou ficar um pouquinho. – todas riram de mim por causa do jeito que falei.
- Ah, só espero que dessa vez o Harry olhe pra mim – dizia, sonhadora – Eu quero tanto que isso aconteça, não vejo a hora. – ela olhou para ele do outro lado – Quando isso acontecer, nem sei o que vai ser de mim! Acho que vou ser tão feliz...
- Oh, princesa da Disney, vamos acordar?! – estalava os dedos na cara de . – Não vá se empolgar tanto, ouvi dizer que Harry é um cara legal e tal, mas tem seus defeitos, já aprontou demais, como naquela vez que ele quase transou com a menina e eles só não foram até o fim porque ela descobriu que o Judd estava filmando. – murchou.
- Destruidora de sonhos! Eu ainda vou ter ele na minha mão, aí eu quero ver vocês falarem alguma coisa – ela batia seu dedo indicador na outra mão. – Ela vai comer aqui! Um dia!
- Falou a profeta. – disse – Voltemos ao caso, idiota e chorando. , posso ser sincera? – assenti que sim – Acho que rola uma sintonia incrível entre vocês dois, uma energia poderosa e que tem um calor denso. E tenho certeza que isso – ela girou o indicador – ainda vai nos render bastante noites alcoólicas e chorosas.
- Porra! Ainda fala que quem é a profeta sou eu. Oh, , vem cá... Você sentiu tudo isso só de olhar pra eles daqui? – brincou, e a respondeu, dando língua.
Até numa hora dessas minhas amigas são demais – mesmo falando tanta besteira!
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- E você não seria o Mike, seria?! – dei uma de desinformado.
- Nossa, para quem nunca deu valor para o nosso lado do pátio, você está sabendo bem! Mas espere, agora dá valor ao nosso pátio! – senti sua voz azeda. – Na verdade, ele dá valor a uma certa pessoa, . – ao ouvir o nome dela em sua boca, senti uma grande ira, uma grande força que vinha de dentro, pronta para sair a qualquer momento. – O que foi, ? – ele me perguntou, ao perceber minha cara de raiva. – Sabe, eu não entendo o que você quer com ela. – ele continuava a falar – Quero dizer, porque ela? – ele colocou sua mão no queixo. – Dentre todas as garotas, você escolheu pra sacanear.
- Eu não quero sacanear com ela, nunca quis. – me ouvi dizendo, com todo ódio que sentia por aquele cara. Eu sei que o que falei foi mentira, mas desde o primeiro beijo eu sabia que não ia ter volta. E sabia também que a partir dali não queria mais sacanear com .
- Isso seria verdade mesmo? – ele perguntou irônico. – Eu sei muito bem como você é, . – a cada vez que ele falava meu nome, mais eu tinha raiva dele. – “Eu sou foda, eu pego todas!” – ele me imitou com uma voz afeminada, sorriu e depois ficou sério. – Não com a minha amiga, não com . Sabe porquê, ? – cerrei meus punhos, esperando por uma futura briga – Porque ela tem a mim! E eu vou protegê-la de você ou de quem quiser fazer mal a ela.
- Você se acha dono dela. Pensa que tem direito de fazer o que quiser da vida dela, mas não tem. Eu cheguei para mudar isso, e vou mudar. – falei, quase gritando. Senti meus lábios crispando de tanto ódio.
Mike riu.
- Patético. – ele riu – Além de metido a playboy, é patético. – riu ainda mais. – Você nunca vai tomar o meu lugar na vida de , nunca vai estar à altura de ser amigo, quem dirá outra coisa! – eu avancei – Oh! Ele é bravo! – me segurei um pouco para não acabar no chão com ele. Mike me deu um empurrão e eu bati na parede de azulejos gelados – E pra te provar o que estou falando sério, ontem ficou na minha casa porque saiu comigo e se drogou comigo. – ele pegou no colarinho da camisa do meu uniforme. – E só pra deixar claro: se eu souber que você fez alguma coisa com ela, eu te mato. – Mike me soltou com força e saiu, me deixando caído no chão.
Então quer dizer que além de sair com ele, se drogou, dormiu na casa dele e o pior, mentiu pra mim?
:
Era a hora da saída. Eu estava no portão do colégio esperando aparecer para pegar a bateria, mas acima de tudo, me desculpar pelo o que fiz e contar toda a história sobre ontem.
Chutei as pedrinhas que tinha no chão, ainda esperando e decorando o que iria falar.
“Desculpa, por tudo! Eu não quis isso, me perdoa! Eu juro que não faço...” Ia pensando, quando senti alguém tocar meu ombro. Meu coração disparou, pensando que era ,mas assim que me virei, meu coração, aos poucos, ia voltando ao normal.
- Cadê o ? – perguntei a Harrry, que estava com as chaves na não.
- Desculpa, , ele não vem. – ele falou, meio triste – Acho que aconteceu alguma parada, ou ele está mesmo chateado com você. Ele preferiu ir direto para o auditório. – ele abriu a mala do carro, mostrando sua bateria.
- Ele deve estar com raiva de mim. – me encostei no carro. – Eu fui burra e idiota.
- Wow! Você é a primeira menina que eu ouço dizer que foi burra e idiota em relação ao . – ele sorriu, tirando as cases dos pratos.
- Ele teve tanta mulher assim? – perguntei com certa insegurança. – Digo, ele ficou com tanta menina? – Harry riu e parou de falar.
- Se eu disser que não, estaria mentindo. – olhei pra baixo, triste – Mas é verdade também que você, , é primeira que o prendeu por tanto tempo. – ele falou como se soubesse de alguma coisa. Meus olhos ficaram arregalados de espanto – E olha que vocês ainda não ficaram! – Judd viu a minha cara e consertou: – Er, não estou dizendo que vocês vão ficar, me entenda... – ele falou, nervoso, e tive a certeza que ele não sabia de nada.
- Entendo, entendo perfeitamente. – sorri. Então quer dizer que eu era a primeira pessoa com quem fica, mesmo “não ficando” por muito tempo? Dei um beijo na bochecha de Harry, em agradecimento pela informação, e o ajudei a levar as coisas para o auditório.
Chegando lá, minhas amigas estavam sentadas na terceira fileira. Passei perto do palco e elas me mandaram uns tchauzinhos básicos. Os meninos, menos Harry, claro, estavam na fileira atrás da delas. O professor Gerard estava no backstage e a gorda da diretora estava com uma caderneta em mãos para julgar as equipes. Denise e Philip, a burra e o nerd, estavam ajeitando algumas coisas eletrônicas. Adam ainda estava sumido e ... Onde estava ?
- Procurando alguém? – , que tinha chegado perto de mim sem eu ter notado, disse perto do meu ouvido, apontando discretamente para uma porta lateral perto do palco. Olhei-a, agradecida, e fui até , que ainda não havia me notado.
Respirei fundo, nervosa com o meu reencontro com ele. Coloquei minhas mãos para trás, em sinal de inocência e fui até ele.
- Precisamos conversar. – eu falei, e pelo o que pareceu, tomou um susto tão grande, que quase caiu da escadinha que ficava embaixo da porta.
- Eu não tenho nada pra conversar. – ele falou, seco, olhando para as cadeiras vazias. Ele fazia de tudo pra não olhar pra mim.
- Mas eu quero falar com você. – tentei ser mais convincente. Lá estava eu, fazendo uma coisa que nunca tinha feito, me rastejando por causa de um garoto. – E quero agora.
- Olha, mas que surpresa! Ela sabe ter opinião própria! – ironizou – Achei que só fazia o que outros pediam. Acho que, quando eu estiver em algum pub, vou ligar para você e pedir para que durma lá em casa. Quem sabe, assim, você faz o que eu quero. – paralisei ao ouvir aquilo. sabia! Ele sabia que eu tinha ido dormir na casa de Mike. E ele falou com as palavras tão fortes, como se eu tivesse ido transar com Mike. Segurei minhas lágrimas, para não desabar ali. Era assim que ele me via agora? Como uma menina que vai para um pub disposta a transar com um dos amigos?
Ouvi um baralho de porta bater, e tive a certeza de que tinha pensando assim.
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Posso parecer meio boiola, mas doeu muito ter dito aquilo para . Eu sabia que ela não tinha transado com Mike, mas eu tinha que mostrar para ela o quão (lá vou eu, dar uma de viado aqui) machucado estava.
Fechei a porta na cara dela, porque ela não teve nem a coragem de desmentir o que eu tinha falado. Ela ficou lá, parada que nem uma estátua.
- E aí, preparado pro rock’n’roll? – ouvi falar de dentro do backstage – Eu sei que não é a mesma coisa sem a gente, mas você supera! – ele apontou para o outros que estavam ao seu lado.
- Pode crer, tocar sem vocês me deixa triste, mas fazer o quê?! – fiz uma cara de tristeza e os meninos riram – Porra, qual é? Eu expressando minha paixão, meus sentimentos e vocês ficam rindo de mim?
- Pára de ser dramático! – deu um pedala em mim – Você sabe que a gente te ama, mesmo você sendo pilantra e tocando com outra pessoa.
- Er, por falar nisso,, quero falar com você depois. – Hazz disse sério. – Agora vai pra junto da sua dupla, que nós ficaremos te esperando pra sair, tá? – assenti com a cabeça e fui até , que estava sentada em uma das cadeiras da primeira fila.
- Já arrumei tudo da bateria. – ela disse com a voz baixa, sem me olhar. Assenti com a cabeça e prestei atenção na apresentação de Denise e Philip, que ia começar.
- Bem, estamos aqui para falar sobre redes sociais e como elas ajudam a promover uma pessoa, ou seja, como faz de uma pessoa desconhecida, uma das mais influentes na sociedade, mobilizando o modo de pensar, se vestir e etc. – Denise, a gostosa falou no microfone – Vocês vão ver um curta que a gente fez sobre isso. Philip, aperte o play. – ela ordenou, e o menino quatro-olhos apertou algo em seu notebook. O filme começou a ser rodado.
se remexia na cadeira constantemente, parecendo estar um pouco incomodada. Ela colocou sua mão no braço da cadeira e a deixou lá, aberta e receptiva. Por alguns instantes, pensei em colocar minha mão ali junto à dela, mas meu orgulho foi maior e não pus.
Ela me olhou de esguelha, e quando seus olhos encontram os meus, virou para frente. Eu ri internamente e fingi que nada havia acontecido.
- Já imaginou que isso poderia ser um encontro da gente? – ela falou baixinho, para que ninguém mais ouvisse – Iria ser o nosso primeiro encontro de verdade. A gente num cinema de verdade, vendo um filme de uma loira burra com um Hacker nerd. – ela riu – Eu iria ficar com vergonha de te olhar, e você pensaria em como pegar minha mão, sem parecer idiota. – ela falou bobamente, linda – Ah, sei lá. Fiquei imaginando...
- Isso seria um encontro, se não estivéssemos no colégio e não tivéssemos uma briga do caralho. – eu falei, um pouco aborrecido – Mas isso não é um encontro e eu ainda estou com raiva de você.
- Cara, eu não dormi do jeito que você pensa que dormi. – ela disse num muxoxo.
- Não é só por isso, ! – eu tinha parado de sussurrar e falado normal. Ouvi a Biscoito (diretora) fazer um “psiu” bem alto, me parando na mesma hora.
- E então, por que é? – sussurrou, mais uma vez olhando para trás, tentando ver se a Biscoitinho nos olhava. Depois, sem vergonha nenhuma, me olhou.
- Você mentiu, e ainda mente. Você se drogou, . Eu ia dizer que não esperava isso, mas depois que você fumou com ele, eu espero tudo. – eu disse com uma voz carregada. , ao me ouvir, fez uma cara de espanto. Alisou seus cabelos com a mão, nervosa.
- Com licença. – ela falou e saiu em direção ao backstage.
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Foi pior que do que eu imaginava. Muito pior! Ouvir dizer aquilo para mim foi muito triste e doloroso. não sabia que agora suas palavras me mexiam comigo. Ele não acreditava em mim, não tinha confiança. E não o culpava.
Eu fiz aquelas coisas, não porque alguém me obrigou, eu fiz porque quis. Tudo bem, Mike teve certa participação nisso, mas quando um não quer, dois não fazem, certo?
Sentei no chão ao lado da cortina de veludo. Depois de Denise e Philip, nós iríamos nos apresentar, finalmente.
- É isso, Professor Gerard. Concluímos que tudo depende muito da opinião de cada um, sobre saber definir e selecionar o que é bom ou ruim para valorizar a sociedade hoje em dia. – Philip disse e todos aplaudiram.
Me levantei, apressada, já procurando por minha dupla para que pudéssemos começar a nos ajeitarmos com os instrumentos.
Minutos depois, peguei a bateria de Harry e a coloquei no meio do palco, ainda sem sinal de . Arrumei os pratos e toda a parafernália, e pude ver, de cima do palco, minhas amigas conversando abertamente com os garotos. E, tipo, quando em milhões de anos, isso poderia acontecer? As meninas mais obscuras do colégio iam ser amigas dos mais populares, em que planeta? Bom, por aqui, isso ia funcionando razoavelmente bem.
- Cheguei. – veio com a sua guitarra já no ombro, e com o amplificador na mão. Ele ajeitou todos os fios, plugou tudo o que deveria ser plugado. A porta do auditório bateu com força, fazendo com que todos os que estavam dentro do mesmo olhassem pra trás.
Era Mike. Ele havia prometido – mesmo não estando em seu estado normal – que ia me ver tocar. Olhei para , que nem sequer fez o mesmo comigo. Só abaixou a cabeça e disse:
- Claro. – rindo, coçou seu nariz com a palheta já na mão – Pronta? – e agora, dessa vez, ele tinha se virado para me ver. Assenti com a cabeça, e então fiz a contagem.
jogava sua cabeça ao som da batida e cantava pesado, profundo. Concentrei-me em fazer o melhor o possível, para que ele tivesse orgulho de mim. riu em algumas partes da musica, demonstrado satisfação no que fazia.
Will dance if they want to dance
(E então dance se você quiser dançar)
Please brother take a chance
(Por favor irmão, se dê uma chance)
You know they're gonna go
(Você sabe que eles irão)
Which way they wanna go
(Em qual caminho quiserem seguir)
we know is that we don't know
(Tudo o que sabemos é que nós não sabemos)
How it's gonna be
(Como vai acontecer)
Please brother let it be
(Por favor, irmão, deixe acontecer)
Life on the other hand won't make you understand
(Esquivar-se da vida não vai nos deixar entender)
We're all part of the master plan
(Que somos todos, parte do plano-mestre)
Quando acabamos de tocar, todos no auditório nos aplaudiram de pé, até a gorducha da diretora, com dificuldade em unir suas mãos. agradeceu fazendo reverência, e logo fiz o mesmo. Saí de onde estava, ficando de pé com as baquetas na mão, e me juntei a ele.
pegou minha mão e a levantou. Em seguida, baixou seu tronco novamente. Saímos do palco correndo. me pegou no colo, rindo.
- A gente conseguiu! A gente conseguiu! Você viu a cara da diretora quando me viu tocar, viu, ? – ele falava que nem uma criança, de tão feliz que tava.
- Eu vi sim. – falei orgulhosa. Eu ia dar um beijo em , quando ouvimos a gorda falar:
- , meu rapaz, estou orgulhosa você. – me colocou no chão – Você foi divino! E a Srta., então? Não sabia que tinha tanto talento! Além de fazer protestos, também toca bateria? – ela pôs sua mão gordinha sobre o peito esquerdo – Ai, meu coração! É desses alunos que meu colégio precisa, talentosos e magníficos. Conversaremos mais depois, sobre como irá ficar a nota de vocês... – ela finalmente nos deixou.
- Porra, de aluno problema eu passei a ser talentoso e magnífico? Preciso fazer mais alguns shows desses. – ele riu, e o silêncio ficou entre nós.
- Er, a gente precisa conversar. – venci a vergonha e o silêncio constrangedor alguns segundos depois – Você não quer...
- ! – os garotos gritaram. Porra, todo mundo tinha que nos atrapalhar? – Foi lindo, a gente tem que fazer esse cover, você foi muito bom – os meninos ficaram envolta de , como se estivessem o engolindo, e eu, coitada de mim, fiquei de fora da roda observando a felicidade dele com os amigos.
- E você, , foi demais! Com certeza quero umas aulas com você. Quero muito! – aparentemente, Harry havia notado minha presença e veio falar comigo, assim como os outros fizeram depois.
Depois de falar com todos, fui ver minhas amigas.
:
Meus amigos haviam me deixado esperando. Eles foram se encontrar com as meninas, para irmos juntos a alguma lanchonete. Andei um pouco em direção a porta do auditório, quem estava se apresentando agora era Adam, o assassino. Ele ainda discutia com o professor sobre as fotos que tinha tirado. Ele chamava de arte, pichação e vandalismo, enquanto o professor estava com o celular na mão dizendo que iria chamar a policia, porque aquilo era um crime. Se eu fosse o Sr. Gerard, não discordaria de Adam, porque não queria acordar com a boca cheia de formigas no dia seguinte.
Vi gesticular ao longe com Mike, que ouvia caladinho o que ela falava. Eu ri. Mike tentava falar, mas era sempre interrompido por . Ela gesticulava, colocava o dedo na cara dele. Eu estava gostando daquilo, na real, estava amando. Quando eu ia cantar o hino da vitória, eles se abraçaram e seguiu seu caminho até as meninas.
Muito brochante.
Capítulo 10 – Difícil com você, imagina sem você.
7ª Lição: Se der mole, caia matando. Agarre e beije mesmo (o que importa é pegar)
Você está num show ou numa festa, com certeza merece se divertir no melhor estilo. Te olhou e sorriu?
Finalize, que essa é sua.
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Com os braços cruzados e cara de tédio, fiquei ouvindo as conversas dos meus amigos com as garotas freaks. Eles conversavam sobre tudo, desde o que faríamos depois do colégio até shows de rock progressivo.
- Por falar em show de rock, amanhã vai ter um. – disse, animada – Vocês querem ir? – ela perguntou, no plural, mas falando diretamente para Hazz.
- Eita, nem vai dar, acho que vou ficar estudando em casa – com uma cara de pau eterna, Hazz falou. Se estudar, para ele, é comer a Sam numa festa, então, ele vai estudar. fez uma cara de decepção, mas logo se animou quando foi falar com , que não tinha falado nada durante todo tempo em que estávamos lá.
- Amiga, você vai né? – ela perguntou.
- Vou, . Eu não já disse que ia? – falou sem emoção – Só falta dizer aquela velha mentira para minha mãe, mas tirando isso, eu vou. – ela deu um sorrisinho de lado e voltou a tomar seu milkshake.
- É mesmo, só quero ver como a gente vai fazer isso. – falou pensativa – A mãe da não é boba não.
- Relaxa, diz que vai dormir na casa do Mike – me ouvi dizer, num tom ríspido. me olhou pela primeira vez depois de horas, meus amigos ficaram sem entender.
- Se você tem algum problema, resolva comigo e não na frente das pessoas. – ela segurou o copo, e eu jurava que a qualquer momento ela iria jogar em cima de mim, o líquido que tinha dentro.
- E lá vamos nós de novo... – Judd falou sem emoção. – Vem, , quero falar com você. – ele me se levantou, bateu no meu ombro, e foi até atrás da pequena lanchonete. Eu o segui, meio que sem entender nada.
- Você está fazendo tudo errado! – Hazz pôs a mão em meu ombro.
- Eu não sei se quero mais essa aposta. – disse, pensando que meu amigo estava se referindo a aposta.
- Eu não estou falando mais da aposta. Foda-se a aposta! – ele elevou a voz – Você deve estar com um problema sério com ela, cara! Só pode!
- Hazz, ontem ela se drogou, cara! – ele fez um uma cara assustada – E pior, dormiu na casa do Mike e não me contou nada. – eu contei toda a historia de , menos sobre que estava ficando com ela.
- Você não está com raiva só porque ela mentiu. Você está com ciúmes por ela ter dormindo na casa dele, e com orgulho ferido. E isso é coisa de gente apaixonada – ele riu – Você está apaixonado, meu amigo. Fim de caso. – eu ia falar alguma coisa, mas desisti.
- Não, não... Espera aí! Eu não posso estar gostando – apaixonado era uma palavra muito forte pra mim – dela. Não se esqueça de que a gente está falando sobre , a dark, a encrenqueira, aquela que a gente achava estranha, aquela...
- Aquela por quem você está puto de ciúmes. – Hazz continuou dizendo – Olha, eu fui um dos o primeiros a dizer que ela era isso tudo, e sei que fui eu quem inventou essa história de aposta, e o que eu mais temia aconteceu, você começou a gostar dela. O mínimo que eu posso fazer é desvalidar essa merda e pronto! Está livre pra fazer o que quiser. – ele bateu suas mãos em minhas bochechas e riu.
- Mas... Como é que é? – eu não falava coisa com coisa, eu não sabia o que pensar e nem como agir – Como é que você sabe que eu gosto dela...? – perguntei espantando, nem eu sabia que gostava dela.
- Seu jeito, o jeito dela...
- O jeito dela? Se expresse melhor. – pedi.
- Conversei com ela sobre vocês, e ela admitiu que foi burra e idiota. Sabe como é difícil pra uma menina que nem a admitir isso, ainda mais se tratando de um cara como você? – engoli em seco – Quando eu falei que ela era a primeira menina que você ficou tanto tempo na sua vida, mesmo não ficando com ela, pareceu ter um surto e ficou toda “felizona”, dando até um beijo em mim – eu olhei confuso – Calma, o beijo foi na bochecha. – ele riu.
- Eu não sei o que dizer... Eu tenho que ir, não posso ficar aqui. – falei o que veio na cabeça. Saí de lá de trás, quase que correndo, e passei na mesa onde meus amigos estavam.
- Desculpem, mas tenho que ir – falei, não conseguindo olhar pra – Não estou bem.
- O que foi cara? – me perguntou.
- Eu tenho que ir, foi mal. – saí de lá, quase fugindo.
Eu não entendia o que estava acontecendo naquele momento. Eu não queria pensar no que aquilo poderia ser, eu só queria sair dali o mais rápido o possível e chegar em casa.
:
- O que deu nele? – perguntou para os meninos. Harry já tinha chegado à mesa.
- Acho que foi crise de idiotice, isso sim. – falei e todos riram, menos Harry.
- Se você soubesse, não estaria aí, falando uma coisa dessas. – fiquei com vergonha e quis saber porque ele tinha saído que nem um louco.
- O que foi, então? – perguntou.
- Problemas, apenas problemas. – Judd me olhou – Mas acho que a vai saber resolver. – eu quase cuspi meu milkshake.
- Eu? Por que eu?
- Você vai descobrir.
Depois dessa frase infame, fiquei mais calada ainda. Os meninos ainda conversavam empolgadamente com as minhas amigas. Fiquei pensando em , calada, até que ouvi perguntar a :
- O que você acha do Chewbacca? – ele perguntou com uma voz galanteadora, me fazendo rir. Esperei ouvir a resposta de , que riu um pouco e disse:
- Acho ele... Peludo? – ela riu ainda mais. se ajeitou na cadeira.
- Olha, eu sei que estou sendo idiota, mas queria saber que você gostaria de, sei lá, sair comigo um dia desses... – ele falou, tímido, esperando a resposta dela.
- Como um encontro? Tipo, encontro mesmo? – ela perguntou.
- Se você tem outro tipo de encontro, por favor me fale, que aí a gente faz desse jeito – foi tão fofo, que eu me intrometi.
- Ai, aceita logo! – falei tão alto, que todos que estavam conversando pararam a conversa.
- Merda. – ouvi reclamar baixinho e bati minha mão testa, morta de vergonha.
- Desculpa, gente. – falei diretamente para os dois.
- Como é que é? finalmente teve coragem de chamar a para sair? – bateu na mesa – Já era mesmo sem tempo.
- E essa foi uma tarde cheia de surpresas... – Judd, enigmático, falou.
- E você vai aceitar, né, ? – perguntou.
- , fala logo, sim! – disse. permanecia calada, nos deixando no suspense. estava quase roendo as unhas, esperando ansioso.
- Claro, por que não? – ela falou, e eu quase ouvi fogos. a olhou com um sorriso bobo.
Eu estava feliz por minha amiga, mas por dentro tava destruída.
:
Abri a geladeira, ainda pensando no que Harry tinha me falado atrás da lanchonete. Eu estava confuso e chateado. Eu não sabia se tudo isso era drama meu. Esse problema todo poderia ser uma grande desculpa para acabar tudo com ela e me afastar de uma vez, já que aposta não existia mais. Eu poderia fazer isso, claro que sim! Fechei a porta da geladeira com a bunda, porque minhas mãos estavam ocupadas segurando uma grande tigela de gelatina de morango. Coloquei-a em cima da mesa e fui em busca de uma colher. Achei o que queria e me sentei sem pressa.
Comendo, pensei que não tinha mais obrigação de fazer parte na vida de . A aposta já tinha acabado, nós já tínhamos nos apresentado, e o recado de Mike tinha sido bem claro – mas só para constar, eu não tenho medo dele.
- Estou livre da aposta, finalmente – falei rindo, depois de uma bela colherada da minha gelatina. Ouvi uma voz lá no fundo, bem pequena, “Você gosta dela”, e quase engasguei! – Não, não pode ser! – Hazz não deve estar certo!
Eu não queria, eu não podia! era totalmente diferente de tudo que eu conhecia. Eu não podia gostar dela, eu não queria ficar desarmado e ser dominado por mulher nenhuma.
A minha vida iria ser invertida em 360° e eu estaria de quatro, sendo o cachorrinho de uma maluca obcecada por rock e drogas.
Não! Eu não iria deixar nenhuma garota me fazer de idiota.
:
- Assuma, você gosta dele. – se sentou em minha cama. Eu estava no computador, vendo alguns e-mails. Revirei os olhos, cansada daquilo.
tinha sido o assunto principal desde a saída da lanchonete.
- É, ! A gente já sabe, só estamos esperando vocês confirmarem de uma vez por todas. – saiu do banheiro, ajeitando seus cabelos. Bufei um pouquinho e respirei fundo. Acho que já estava na hora das minhas amigas saberem de tudo.
- Não adianta mais, falar que gosto dele agora... – falei tristonha. Minhas amigas, confusas, arquearam suas sobrancelhas e eu continuei: – Ele não quer mais ficar comigo.
- O QUÊ? – , que estava deitada, deu um pulo. – Como assim não quer mais? Vocês estavam ficando, ? – todas olharam para mim, curiosas e incrédulas. Assenti que sim.
- Eu não acredito que você não falou pra gente! – falou, chateada. – Pensei que você nunca iria esconder isso da gente.
- Eu tinha medo...
- Medo de quê, ? – levantou a voz, e eu me encolhi assustada.
- Medo de vocês rirem de mim, de dizerem que não ia dar certo, porque ele era o . – senti lágrimas caírem dos meus olhos – Mas agora, de quê adianta? Acabou! Ele está com raiva de mim! Não quer saber de mim, vocês viram como ele falou comigo hoje – eu chorei ainda mais.
Palmas. A centrada, calma, não existia mais naquele momento.
As meninas não acreditavam no que viam. Era a primeira vez que eu fazia aquilo, nem quando eu terminei com meu ex eu fiquei assim.
- Oh, amiga. Não fica assim. – veio até mim e me abraçou. – Não precisava nos esconder isso, a gente não ia julgar, nem nada, não é meninas? – ela olhou para outras duas e as mesmas assentiram – Olha o meu caso, falei para vocês sobre a minha paixão idiota pelo Judd sem medo, sem vergonha, e mesmo sabendo que vocês iam me botar o pé no chão em relação a isso, eu continuo aqui, sonhando com o dia em que ele vai olhar pra mim com outros olhos – ela riu enxugando minhas lágrimas.
- E você vai desistir dele? – me perguntou.
- Do jeito que está, acho que sim. Ele não quer me ver nem pitada de ouro... – falei entre soluços – E, cara... Só por causa de um vacilo... – solucei ainda mais.
- Desculpa, , mas eu não queria que o meu ficante dormisse na casa de uma amiga ou alguma coisa do tipo, e além do mais, drogado. – disse – Você tem que entender o lado dele também, né...
- Eu sei, mas eu já pedi desculpas, eu já tentei falar com ele e nada! Nada o fez mudar! E o modo como ele falou de mim... – aí eu chorei ainda mais. As meninas se juntaram e me abraçam num abraço coletivo e fofo.
- O que ele falou foi feio, eu sei. – disse baixinho – Mas acho que não falou por mal. Ele deve estar machucado, entenda. – fez carinho em minha cabeça e deu um sorriso terno e gentil. Ela sabia como me acalmar.
:
- Como é que é, dude?! – meus amigos exclamaram, quando eu disse toda a verdade sobre mim e .
- É isso mesmo, eu estava ficando com ela e... – falei, tirando a minha correia da guitarra e pondo a mesma perto do amplificador. Estávamos todos no subsolo, tentando ensaiar. Hazz havia se sentado no pequeno sofá velho, enquanto nós três estávamos guardando os nossos instrumentos.
- se drogou enquanto estava com Mike! De novo! – Harry contou a última parte da história para os guys, me interrompendo.
- SÉRIO? – soltou um suspiro – Sou fã dessa garota! – ele se sentou ao lado de Judd, levantou os dois braços, colocando-os por trás da cabeça, e se encostou ao sofá.
Revirei os olhos. Ele era amigo de quem, afinal?
- Você está do lado de quem? – perguntei sério.
- Cara, presta atenção! – ele saiu de sua posição anterior e pôs-se a olhar pra mim, ainda risonho – Primeiro você corre atrás dela pra ganhar uma aposta que seu amigo idiota...
- Hey! – Hazz deu um tapa em sua cabeça.
- Continuando... – ele fez uma cara de dor, massageando o local – Uma aposta que seu amigo idiota fez – ele olhou desconfiado pra Harry, e vendo que ele não ia fazer de novo, continuou a falar – E por causa disso, aprontou no colégio, ficou em detenção, fez de tudo pra fazer o projeto com ela. Entrou no castelo sombrio, vulgo casa da . – enquanto falava, enumerava as coisas que eu tinha feito, com os dedos – Deixa eu ver mais, ah... A trouxe aqui em casa, coisa que é muito rara pra você, que só trás meninas aqui com um só objetivo e o pior de tudo, ficou com ela sem nos contar! Tipo, a aposta toda se baseava nisso, de você ficar com ela! E o que você fez? Escondeu tudo da gente! – ele falou, um pouco surpreso com minha atitude.
- Eu... Só fiz aquilo porque... – fiquei nervoso ao tentar me explicar – Porque... Porque ela me fez prometer que não o faria. – falei por mim e os meus amigos me olharam surpresos. Até , que até agora não tinha dito nada, ficou de cara com o que eu disse.
- Isso só comprova a minha teoria. – completou. – Você gosta dela. Tanto gosta, que está aí que nem menina mal comida, chorando por ela ter te feito de idiota saindo com aquele Mike. – ia começar a me defender, mas foi mais rápido – E por isso, sou fã da . Ela é a primeira menina que você gosta, mesmo você nem sabendo que gosta dela.
Incapaz de falar alguma coisa, já vencido por alguns de meus amigos, olhei pra pensando que ainda restava uma esperança. podia dizer que, tanto Harry quanto estavam errados, e fazendo isso, ele também podia me convencer que os dois estavam errados.
- ? – o chamei. estava fingindo (ou algo parecido) em desparafusar alguma coisa em sua guitarra. – ! – quase gritei. Ele me olhou, assustado.
- Quê? – me perguntou desentendido.
- O que você pensa dessa coisa toda? – bagunçou o cabelo e deu um grande suspiro.
- Eu só estou impressionado. – ele falou calmo. – Impressionado em como chegou a essa conclusão. – os caras, sentados no sofazinho, riram da cara que fez.
Porra, ! Eu aqui tento a crise do século e você impressionado com ?
Quero ter amigos novos!
chegou perto de mim, batendo em meu ombro disse:
- É, cara. Você está com um problemão... Se você gosta da esquisita da , que faça como eu, chame ela pra sair. – ele disse simplesmente, tirando sua carteira de cigarros do bolso e saindo do Subsolo pra fumar.
- Ele chamou a pra sair. Vamos ver no que vai dar, parece que ele está realmente interessado nela. – Judd falou, se levantando. Olhou-me pela última vez – Espero que você faça a coisa certa dessa vez. Porra, cara você nunca se deu a chance de gostar de alguém...Vê se não vacila. Essa história começou com uma brincadeira, mas não precisa terminar mal se ambos os lados se gostam de verdade, e eu tenho certeza que ela gosta de você.
- Ah, claro! Gosta tanto, que dormiu na casa de outro. – eu bufei de raiva.
- , você sabe que não foi desse jeito que ela dormiu... – disse.
- Eu sei! Eu sei, mas... Mas ela devia ter retornado minhas ligações, devia ter dito onde estava e com quem! – falei, nervoso.
- Se você está procurando desculpa para esconder o que realmente está rolando, não sou eu quem vai dizer a verdade. Vou comer alguma coisa, essa sessão de descarrego emocional me deixou faminto – ele alisou a barriga e saiu. Hazz não falou nada, apenas o acompanhou me deixando só, com os meus pensamentos.
O que eu iria fazer?
Eu não estava me escondendo de nada, estava? E, na real, eu curti ficar com a , mas foi só para o bem da minha aposta. Como já acabou tudo, não preciso ficar fingindo que gosto dela, não preciso fingir que estou com ciúmes dela e nem preciso aturar seu amigo maconheiro.
Mas isso tudo era mesmo fingimento?
:
Apesar dos meus olhos cansados e pesados, eu não conseguia dormir. Remexendo-me na cama, vi que eram quatro horas da manhã. “Ótimo”, pensei comigo.
Para pouco tempo, , já fazia parte da minha vida.
Pode parecer exagero, mas ele era como uma pessoa que sempre esteve ali na minha frente, mesmo desconhecido por mim, eu sabia que algum dia nossas vidas iam se juntar de uma forma meio estranha. Não sei se já aconteceu isso com vocês...
Eu via quase todos os dias, captava seu modo falar e até de abordar as meninas populares. Pensando bem, assumo ter “espionado” por um bom tempo, mesmo que sem ser propositalmente.
Eu ia para a cantina, sentava em alguma mesa, e do nada, lá estava eu, olhando para e seus amigos. Tinha aula de História com ele, e enquanto a professora falava de guerras e presidentes, lá estava eu, olhando pra ele.
Eu me pegava olhando pra ele. Alguma coisa que eu não sabia explicar, me levava a ele. E tudo foi tão rápido!
Em um dia eu estava dando-lhe, de má vontade, um cigarro; e no outro estava aos beijos no sofá com ele!
Virei-me de novo, percebendo que o sol estava nascendo. A claridade entrara em meu quarto, silenciosa e majestosa.
Respirei fundo.
Minha cabeça estava uma bagunça!
Lembranças do dia anterior vinham e voltavam. “Acho que quando eu estiver em algum pub, vou ligar pra você e pedir para que você durma lá em casa. Quem sabe assim você faz o que eu quero?!” ouvi a voz de dentro da minha cabeça. Fechei meus olhos, e só pude ver seu rosto vermelho de raiva.
Poucas lágrimas desceram e eu rapidamente as enxuguei.
- Se pensa que eu vou ficar toda deprê por causa dele, ele se engana. – dei uma risada falsa. – Eu vou para o show hoje à noite e vou me divertir ao bom e velho estilo ! – falei baixinho.
Era dez da manhã quando acordei com o sol na minha cara. Saí da cama, indo até a janela.
Ah, era um bom dia para sair e se divertir!
Me espreguicei. Vi meu celular no criado-mudo que tinha ao lado da minha cama, e o liguei. Resolvi mandar uma mensagem para , então fui até a opção de mensagens e lutei comigo mesma pra não abrir onde estavam as mensagens recebidas.
Fui fraca e abri a última mensagem que tinha recebido. Era de .
Li mais uma vez e não pude deixar de sorrir. Saí com tudo daquela área, jogando meu celular na cama.
Eu tinha que esquecer ele. Não tinha jeito melhor a não ser ignorar sua existência.
Decidi ligar para .
- , está fazendo o quê? – ela fez um barulho estanho.
- Na verdade, eu estava dormindo até agora. – disse numa voz abusadinha.
- Então, levanta e vem para cá, para gente sair. Preciso fazer alguma coisa, ficar em casa não dá! – falei de uma maneira rápida. – ? – de repente, o outro lado da linha estava silenciosa demais – Pode ir acordando e vindo pra cá! – ela bocejou e falou:
- Tá, tá! Vou tomar banho e já estou passando por aí, sua chata.
- Eu te am... – e desligou.
Mesmo com amigas tão amáveis desse jeito, meu dia não seria abalado!
Afinal, hoje é sábado, maluco!
:
Fui à varanda fumar meu cigarro matinal de sempre. Sentei em um dos bancos de madeira e contemplei o jardim de grama queimada. Traguei, me divertindo tentando fazer bolas nas fumaças.
Vi sair de casa e sentar perto de mim, também fumando.
- Se soubesse como é bom fumar aqui nesse climinha de manhã, vinha aqui antes. – ele colocou seu cigarro na boca, ainda não olhando pra mim. Escorou-se no parapeito branco também de madeira, jogando as cinzas do cigarro na grama queimada.
- Ainda não te parabenizei pela . – com o cigarro em uma das mãos, arrumei meu cabelo. se virou pra mim.
- Relaxa. Eu entendo. Deve estar sendo difícil pra você ter que assumir que gosta mesmo da . – seu cigarro ficou entre seus dedos indicador e polegar.
- Eu não sei porque vocês insistem nisso! Eu não gosto da , aliás, ela me fez um grande favor fazendo aquela merda! Foi melhor do que ter que me desfazer dela no futuro. – pus meu cigarro na boca. Cruzei os braços e encostei minhas costas na parede. Eu já estava bem puto com essa história toda!
Pronto, já acabou! No more e seus dramas de drogada!
- Se você diz... – sentou ao lado da caqueira bizarra e jogou sua bituca lá.
- Porra, não quero mais saber dessa história! Vamos falar de coisa interessante, boa. – dei um sorriso maléfico – A festa da Sam é hoje e sinto que todos nós vamos nos dar bem. – riu e disse:
- Eu definitivamente vou me dar bem hoje, vou sair com a . – eu fiz uma cara tipo “WHAT?”
- Mas, dude! A gente esperou por essa festa quase duas semanas! Você está de brincadeira, né? – falei sem acreditar. Como assim, o cara vai faltar a uma festa onde vão rolar meninas e bebidas?!
- Pior que não, cara. Não estou na vibe de ir para festinhas desse nível. – ele gesticulou com a mão. – Já cansei de festas assim. Sempre as mesmas pessoas, as mesmas coisas de sempre.
- Porra, e a putaria? – perguntei, desesperado. Meu amigo tinha se perdido e nem começou a namorar com a mina. – E as meninas loucas querendo uns beijos nossos, ou até mais? E os body shots? Você vai perder body shots com as gostosas? – falei, mais desesperado ainda.
Ele riu, acredite, ele riu!
- Vou, vou perder tudo isso aí. Por um jantar com uma comida boa e uma companhia boa. – ele se levantou – Você também pode ter isso, é só querer. Tchau, vacilão. – e saiu.
Porra, meu amigo virou um viadinho apaixonado.
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- E aí amiga, como você está? – perguntou enquanto estávamos tomando sorvete. Fiz uma caretinha e lambi meu sorvete de morango.
- Fingindo que ele não existe. – dei um sorriso amarelo e continuei a lamber. revirou os olhos e voltou a falar.
- Está tudo certo para hoje à noite? – ela se referia ao show do “Sounds Of Darkness” que era a minha a banda favorita, mas na real, não estava muito empolgada pra ir. Acenei com a cabeça positivamente e lambeu seu sorvete de chocolate, rindo satisfeita.
- Eu só preciso enrolar a minha mãe mais um pouco. Não ficou bem eu dormir na casa do Mike – falei.
- A gente percebeu! – ela riu, me fazendo rir também.
- Idiota! – dei uma tapinha em seu braço – O plano é que vou dizer a ela que estarei na casa da , fazendo uma maquete relacionada a vulcões e erupções, e isso pode durar a noite toda! – eu ri ainda mais.
- E porque a ? – perguntou enciumada – Ela nem vai para o show!
- Porque a é única que passa confiança para minha mãe, e espera aí, por que ela não vai ao show?
- Ela vai numa festa aí que um carinha a convidou. – falou meio abusada – Ela vai nos abandonar por um cara. – ela deu de ombros, chateada.
- Oh, que linda! Com ciúmes, meu Deus! Mas aposto que se esse cara fosse o Judd, quem iria correndo para essa festa era você! – apontei pra ela.
- Mas é claro! Eu espero por esse momento desde... desde sempre! – ela falou, com olhos brilhando – E agora que houve esse pequeno atrito – sabia que ela ia voltar a falar do... – com o , vai ser mais difícil ainda Harry Judd voltar a atenção para mim. – ela fez uma voz de menina chorosa e voltou para o seu sorvete.
- Me desculpa por acabar com os seus planos. – disse chateada.
- Oh, amiga, eu disse brincando. – acho que percebeu que eu não estava lá pra brincadeira – Foi mal, eu sou uma boba sonhadora – me olhou arrependida.
- Nada, eu que explodo por uma besteira. Você vai ver amiga, Harry ainda vai ser seu. – disse, cruzando os dedos – Mas me diz, quem é esse carinha que a vai sair?
A gente passou praticamente a tarde toda conversando sobre as pessoas do colégio e sobre nossos amigos. Volta e meia, percebia que tomava muito cuidado para não citar e seus amigos, mesmo querendo falar sobre seu amor incurável, Harry Judd.
Fomos para minha casa, para eu colocar tudo que eu precisava pra balada numa bolsa e ir pra casa da , onde eu ia me arrumar, e dali ir para o show.
- Estou saindo, mãe! – minha bolsa estava pendura em meu ombro. Ouvi minha mãe gritar meu nome.
- Venha até aqui! – ela gritou mais uma vez. Subi as escadas, indo até seu quarto. Ela estava deitada e zapeava os canais na TV. – Para quê precisa de uma bolsa, se vai passar só a noite na casa de ? – ela perguntou, desconfiada.
- Mãe - pensei numa desculpa rápida –, é que talvez, só talvez, eu possa dormir na casa dela porque a maquete vai ser enorme, do tipo – gesticulei com as mãos –, imensa! Vai ter larvas saindo pra todo lado, isopor pra todo lado! Até que a gente acabe e limpe tudo, vai ser muito tarde e eu não quero incomodar os pais de , para me trazerem para cá, e também não quero incomodar seu lindo sono. – dei um sorriso enorme, pra fazer a média – Então, preferi dormir na casa dela, posso? – ela olhou pra mim, olhou pra TV. Pensou e pensou mais um pouco. Minha mãe era osso duro de roer. Depois que soube que dormi na casa de Mike, ela piorou. Não sei se vocês já perceberam, mas ela não é muito fã de Mike.
- Tudo bem! Só não quero saber de festas ao estilo Skins, está entendo?
- Mãe, já falei pra você não assistir Skins! Isso mancha a juventude britânica! As nossas festas não são assim – nesse caso, preciso mesmo mentir. Ela olhou de um jeito estranho e pensei logo em ir embora, antes que ela me pressionasse pra falar sobre cada coisa que rola nas festas em que eu ia. – To indo, mãe! O táxi está me esperando. – fui embora, correndo até meu táxi e indo direto para a casa de .
Hoje a lei era: Nada de e mais diversão!
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- Caralho, cadê a minha cueca da sorte? – Harry andava no meio do corredor, com a toalha em volta de sua cintura, suas mãos estavam com duas ou três cuecas na mão. – Sem a minha cueca da sorte, não terei como transar com a Sam!
- E precisa de cueca da sorte pra transar? – eu ri da cara dele.
- Claro, seu idiota! Se eu não estiver com minha cueca da sorte, as coisas não vão...
- Subir? – eu ri ainda mais.
- Não! – ele bateu em sua testa – Elas não vão acontecer do jeito que quero que aconteça. – ele entrou em seu quarto. Fiquei parado no batente da porta só de calças jeans e descalço. Meus cabelos molhados batiam na testa. Tirei-os dali e falei:
- Sério que você pensa numa transa perfeita em uma festa onde só tem gente louca e quarto com cheiro de vômito? – perguntei. Hazz bufou sem paciência.
- Qualquer transa com Sam é perfeita, A MENOS QUE EU NÃO ESTEJA COM A MINHA CUECA DA SORTE! – ele abriu seu armário, tirando quase todas as roupas e as jogando no chão.
- Lembre-se de que quem vai arrumar isso daí, é você. Boa sorte. – dei uma piscadela e saí da porta do quarto de meu amigo, indo ver os outros.
sentado em sua cadeira, não se movia. Ficou olhando para tela do computador, parecia em choque ou algo do tipo.
- O que foi, ? – entrei em seu quarto e sentei na cama.
- Ela não vai. – falou triste. – Ela não vai se encontrar comigo.
- Ih, cara por que a não vai? – quis saber.
- Ela vai sair com uma amiga que precisa dela porque um idiota a machucou. – ele virou a cadeira pra mim, ficando frente a frente comigo.
- Agora a culpa é minha? – levei minhas mãos ao meu peito. – Eu não fiz nada, foi a amiga dela quem fez merda – levantei a sobrancelha.
- Pode ser culpa de um ou de outro, só sei que nessa história quem se fudeu fui eu! – ele apontou pra si.
- E eu não, né? – me ouvi dizer. – Você acha que eu estou todo “felizão” aqui por causa disso, mas não estou! E quer saber mais? Vamos beber porque essas mulheres nos fazem de besta! Cadê o puto do ? ! – joguei tudo para o alto, se é pra estar na merda, que façamos direito.
Horas depois.
- Hazz, não liga para essa cueca idiota. – disse ao chegarmos na casa de Sam. Harry revirou os olhos por relembrar que ele não estava usando a tal cueca.
A da Sam era enorme. Ficava em um condomínio fechado, num bairro rico de Londres. A casa tinha duas piscinas gigantes, onde já se podiam ver pessoas tomando banho de roupa e tudo. A maioria da galera ficou no espaço de fora da casa, mas se podia ver muita gente dentro, dançando ao som alto.
Entramos e vimos já alguns possíveis alvos para aquela noite. Eu não estava muito no clima, porém eu precisava daquilo. Eu precisava me entreter com alguma garota que me fizesse esquecer nem que fosse por uma noite.
- Puta casa linda, Sam! – falou, assim que vimos Sam com um vestidinho verde e um cabelo vermelho altamente lindo. Olhei para Hazz de lado, e notei quando Sam deu uma piscada pra ele, o fazendo tremer. Imaginei que fosse tesão acumulado.
- Obrigado por terem vindo. Espero que curtam essa noite, prometo que será inesquecível. – olhou mais uma vez para o nosso pobre Judd.
- Então... Onde estão as bebidas? – perguntei, sem cerimônias. Ela riu e suas sardas das bochechas se juntaram num jeito bem fofo, eu diria.
- Vocês podem encontrar na cozinha ou no bar lá fora. Fiquem à vontade. E, Harry, nos esbarramos por aí. – ela alisou seu ombro e saiu.
- É hoje, gente! É hoje! HOJE TEM!– Harry esfregou suas mãos, nos fazendo rir. Fomos até a cozinha em busca das bebidas.
- Cara, essa casa vai explodir! – disse.
- Vai o quê? – perguntou. Nós estávamos na sala vendo pessoas entrarem e saírem. A sala estava cheia, lotada de gente suada e bêbada.
- VAI EXPLODIR. – ele gritou.
- Vamos sair daqui! Tá foda. – falei, levantado do sofá, sendo seguido pelos meus amigos.
As piscinas estavam cheias e tinham alguns engraçadinhos que fingiam nos empurrar para que caíssemos naquela porra. Me afastei logo!
- E aí, pega ou deixa? – se referia a uma menina que passava na nossa frente.
- Deixo, muito magrinha. – falei, bebendo minha cerveja.
- E essa?
- Deixo total! Mano, já viu a boca dela? Ela tem herpes. Eca! – ele revirou os olhos. – Minha vez! Aquela ali! – apontei pra uma menina de blusa azul marinho e uma saia de cintura alta, vermelha. – Pega ou deixa?
- Cara, aquela é a ! – disse pra mim, assustado.
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- YEAH! – fiz o sinal do rock com a mão – ESSA BANDA É DO CARALHO! – bati a cabaça várias vezes enquanto minhas amigas ficavam paradas me olhando. – Porra! – bebi mais um pouco da minha cerveja preta.
- , acho que você já bebeu demais. – disse – Me dá isso aqui – ela tomou meu copo.
- Oh, estraga prazeres! Eu estou me divertindo, e você também. deveria! – eu falei, ainda pulando.
Eu estava com uma blusa branca que tinha bem no meio “Trouble Maker”, minha calça skinny preta era linda e combinava muito com a minha botina preta. Elas eram muito amor.
- ! – uma voz de homem tinha me chamado. Procurei-a, não fazendo ideia de onde essa pessoa estava. – , aqui! – ainda não identificando, fingir não ter ouvido nada.
- Eu não acredito que é ele. – falou um pouco alto, fazendo com que eu pudesse ouvir. olhou pra frente e eu fiz o mesmo.
Era Mike.
Parei na mesma hora de pular, ficando parada. Ele veio até a mim, com seus amigos cabeludos e metaleiros.
- Hey, pequena. – me abraçou – Como você está? Depois daquela pequena confusão, nunca mais nos falamos. – ele se referia à parte em que briguei com ele por ter contando ao que tinha dormido em sua casa.
- Só teve confusão porque você se intrometeu demais na minha vida – falei, saindo de seu abraço.
- Eu só quis informar ao seu amiguinho, quem é que cuida de você – ele falou, com um sorriso intenso no rosto.
- Não preciso de ninguém cuidando de mim! – falei meio mole, por conta da bebida. Ele riu e falou:
- Pequena, você sempre precisará de mim, como agora. Vem, vou te levar pra conhecer umas pessoas – ele me puxou pelo braço.
- Não vai dar, estou com as minhas amigas aqui. – olhei para minhas amigas que estavam caladas e assustadas. Elas sempre tinham esse tipo de reação quando Mike estava por perto.
- Não tem problema, elas podem vir com a gente também. – vi mais uma vez as duas. balançava a cabeça negativamente e me olhava com certa pena. – Elas não vão. – decidi na hora. Não queria que minhas amigas vissem o que provavelmente poderia acontecer.
- Certo, melhor assim. Vamos... – ele me puxou de novo.
- ! – me chamou – Não vai.
- Eu vou, eu preciso disso.
- Não é isso que vai te fazer se esquecer dele, . Pensa bem. – me olhava nos olhos.
- Eu sei, mas vai aliviar a dor.
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- Porra, quem é aquele cara que está com a ? – perguntou. – Ela está linda, vocês não acham?
- Eu não acho nada demais. – falei.
- Nem eu. – Hazz concordou.
- Será que e estão aqui também? – perguntou para nós, com uma pontinha de esperança de que seu encontro estivesse perambulando pela festa. E eu, sinceramente, não queria ver por ali. Não estava pronto e nem afim.
- Sei lá, mano. Foda-se, vou beber e achar alguma mina pra catar. Falou. – eu disse, pegando uma garrafa de Abosolut e a colocando de baixo do braço. Adentrei a casa procurando por alguém que pudesse me satisfazer naquela noite.
Abri a garrafa de vodka, bebendo no gargalo. A vibração do som estava tomando conta do meu corpo e do nada, resolvi dançar.
À medida que eu ia dançando, ia bebendo. Eu não estava sentindo meus pés, meu corpo estava ridiculamente leve. Eu sorria que nem um idiota com os olhos fechados, viajando.
Senti uma mão traiçoeira e gostosa em meu abdôme, ela fazia meus pêlos se arrepiarem. Por um bom momento, soube quem era a dona daquela mão e aquilo me fez sorrir ainda mais. Com a mão livre, alisei seu braço e em resposta, senti uma arranhada de suas unhas. Estranhei porque nunca tinha feito isso antes. Seu corpo colou-se às minhas costas, dançando igualmente a mim. Aquilo me fez achar que tudo estava perfeito entre nós dois, que não precisaríamos mais brigar e que ela tinha dado um soco perfeito em Mike, o tirando definitivamente de sua vida.
- Te levo para o céu a qualquer momento. – ela falou e logo meus olhos abriram. Aquela voz não era a de . Me virei e vi uma menina loira e peituda. Me deu um largo sorriso e me olhou de um jeito super sexy.
Ah, foda-se. Fácil demais.
Abracei-a, e sem mais delongas, a beijei. Seu beijo era violento, sedento. Colocava suas mãos por debaixo da camisa fazendo carinho. Derrubei sem querer a garrafa de vodka da mão e segurei seus cabelos. Minha outra mão foi direto a sua bunda, a apertando. Fiz a garota peituda gemer e logo ela quebrou meu beijo.
- Precisamos de um quarto. A propósito, meu nome é Rachel. – ele me deu um selinho…
- E sou o...
- Eu sei quem é você e quando eu contar para as minhas amigas o que vai acontecer essa noite, elas não vão acreditar! – ela deu um gritinho fino e eu fiz uma cara de “merda”. Aquilo já não dava mais pra mim. Tipo, há um tempo atrás até que eu ficava feliz quando uma mina falava esse tipo de coisa. Hoje em dia, já não me interessava. Sentia-me num açougue. Quem me pegava mais, ganhava.
Porém, como eu queria muito aquilo, fingi não escutar e a puxei.
- Acho que os quartos estão cheios. Vamos ficar por aqui mesmo, qualquer coisa a gente faz na grama, longe de algumas pessoas. – eu sorri, passando confiança. Rachel, um pouco contrariada, sorriu e me beijou. A puxei mais para mais perto. Rachel mordeu meus lábios, e não vou negar, achei gostoso.
Fomos pra um lugar perto das escadas, onde era tinha uma luz bem fraca e muitos casais.
Eu ia pôr as mãos em baixo de seu vestido, quando senti uma batida em meu ombro.
- Eu odeio quando sou um empata foda, mas isso é sério. – ouvi a voz de . Parei de beijar imediatamente, e olhei pra ele.
- Espero que seja. O que foi? – eu perguntei ainda abraçado a Rachel.
- . – ele falou e eu senti meu coração disparar.
- Ela... Ela está aqui? – perguntei, meio inseguro. Eu não sabia o que iria acontecer comigo se ela estivesse aqui.
- Não, . – parecia preocupado. – É pior.
- Então diz logo, cacete!
- As meninas ligaram para , não esta bem. – tirei meu braço do ombro de Rachel e pedi pra que ela esperasse. Andei com até um pouco mais a frente, para que Rachel não ouvisse nossa conversa.
- Fala de uma vez. – disse de um jeito desesperado.
- Parece que elas foram para aquele show de rock doido e encontrou o... – olhou pra mim, tomando cuidado com as palavras – e o resto você já pode imaginar.
- está doidona, isso não é novidade. – eu ri um pouco forçado – Eu não tenho nada a ver com isso, você não tem nada ver com isso. Quem ela pensa que é pra envolver eu e os meus amigos nesse lixo que é a vida dela? – falei um pouco afiado, sentindo uma raiva que fazia um nó grande em minha garganta.
- Cara, agora é diferente... – ele falou. – A está chorando. ligou pra ela desesperada!
Engoli em seco levando, agora, levando um pouco a sério.
- Cadê a ? – perguntei.
- Eu a deixei com na cozinha, está tomando água pra ver se acalma. – assenti.
- Me leve até ela. – falei sério e prontamente me levou. Sem pensar, deixei Rachel me esperando.
Entrei na cozinha um pouco colérico. estava chorando, segurando um copo de vidro cheio d’água enquanto lhe falava palavras de conforto.
- Me diga! Como está? O que realmente aconteceu? – eu falei um pouco alto demais e me olhou com os olhos cheios de lágrimas.
- Eu não sei bem, . – ela fungou – me ligou pedindo ajuda. está desmaiada. Ela e tentaram acordá-la e não conseguiram. falou tão rápido que eu só entendi que tinha alguma coisa a ver com Mike e seus amigos. – suas lágrimas caíram e as enxugou com as costas da mão livre. – Elas estão em um show, . Cheio de gente estranha e duvidosa, por favor, nos ajude. – ela pediu.
E fazendo isso, me jogou contra a parede. Eu não queria ajudar a drogada que mentiu, mas eu queria ajudar a que fez mudar tanta coisa dentro de mim.
Assenti com a cabeça.
- Cadê a porra do Harry? – perguntei quando notei que só faltava ele na cozinha.
- Não sei, deve estar... – olhou pra – conversando com a Sam.
- Certo, vou atrás dele, e vocês, tomem conta dela. – corri, sem pensar duas vezes, até o andar de cima.
Passei por varias pessoas bêbadas que estavam deitas nos degraus. Já no andar de cima, entrei em três quartos diferentes para saber se Harry estava em um deles.
Passei por quatro quartos diferentes, eu já estava cansado de ouvir “vai se foder” ou “fecha a porta!”. Quando já estava cansando de procurar, vi uma cabeça muito parecida com a do meu amigo se mexendo, e eu gritei:
- Vamos, Harry! A gente tem que ir. – ele estava em cima de Sam, que estava seminua.
- Mano, você está vendo que eu estou ocupado! – acenou com a cabeça para Sam, que escondia seu corpo embaixo do edredom.
- Temos que ir, depois eu explico! Agora vamos. – falei num tom raivoso e ele se levantou.
- Puta que pariu, viu. Eu tinha que não ter usado minha cueca da sorte hoje! – ele saiu resmungando, colocando suas roupas e indo comigo.
No carro estávamos eu, os caras e a .
- Primeiro, diga onde é esse maldito show. – olhei para – E segundo, me lembrem de matar o Mike depois de tudo isso. – falei dando a partida e indo embora dali.
Capítulo betado por Carolina Almeida.
Capítulo 11 - Ok, time to escape!
Na calçada suja podia se ver três amigas. Pessoas vestindo preto, couro, jaquetas e de aparências um pouco duvidosas passavam sem ao menos notar o que se passava com aquelas três meninas.
Duas delas estavam desesperadas, quase chorando, enquanto a outra estava deitada com o corpo mole, sob o colo de uma das amigas.
Uma delas alisava o rosto da amiga desmaiada. O que seria dela?
- , acorda por favor. – falou baixinho no ouvido da amiga – Não adianta, . Ela não acorda.Já tentei de tudo! Já chamei, já dei tapas no rosto e nada! apagou mesmo! – se dirigiu à amiga que continuava sentada com o celular em sua mão.
-Tudo que a gente tem que fazer é esperar – disse calmamente – Já liguei pra e ela vai buscar ajuda. Agora nos resta ter esperança que acorde daqui pra lá.
-Só espero que a venha logo, eu to ficando com medo – olhou pra que tinha a cabeça em seu colo – Já faz tempo que ela apagou. – e mais uma vez alisou o rosto da amiga.
- Ai. – suspirou – tem que parar de fazer isso. Eu não agüento mais, . – parecia cansada das coisas que sua amiga fazia – Ela sempre faz isso quando o Mike ta por perto, sempre! Ele tem um grande poder sobre ela. – falou pensativa.
-Mas a gente vai fazer o que? Você sabe muito bem que a nunca nos deixou intrometer na amizade deles – falou.
- É verdade, mas ta na hora de mudar isso. Mike não faz bem pra ela. A prova ta aqui – apontou pra amiga – É obvio que isso não irá acabar bem.
- E ele, hein? Jogou ela pra gente já assim! – falou com um jeito de ódio. Sem dúvidas, odiava Mike.
- Ele é um grande filho de uma puta! – elevou a voz – Ele ainda vai ver a fúria das minhas mãos! – falou com tanta raiva que se não fosse dramático, seria cômico.
-Até parece que você desse tamanhinho ia bater num cara do tamanho de Mike – riu um pouco da amiga bravinha. deu a língua e quando foi responder, seus olhos foram encandeados por um farol forte de carro.
- Parece que chegou com a ajuda. – disse ao perceber quem estava no carro.
:
Saí do carro, batendo a porta atrás de mim. Fui correndo em direção às meninas sem esperar meus amigos. Vi deitada com uma expressão de inconsciência e um aperto no peito surgiu.
-O que ela tomou? O que ela usou?! – fui perguntando nervoso e desesperado. Suas amigas me olharam um pouco assustadas.
- Eu não sei. – respondeu – Quando o Mike a trouxe, já estava assim, desacordada.
- Mike. – falei entre dentes. – Me resolvo depois com ele. –me abaixei pra a ver de perto, peguei o rosto de com as mãos. Ela parecia estar tendo um sono forte e profundo, poderia dizer que estava até sonhando. Coloquei-a de volta no colo de e me levantei. Suspirei pesado. – Não vai caber oito pessoas na Eco. – falei me referindo ao carro. – Caras, vocês se importam em ir de táxi pra casa? – olhei pro meus amigos, que assentiram sem titubear. Eles não sabiam o que fazer naquele momento. Ficaram parados olhando o tipo de gente que andava por ali. Vi se aproximando de , dando um sorriso calmo como se tivesse falando “calma, tudo está bem agora” o que me deixou bastante surpreso. não era um cara que passava isso pra meninas que ele estava interessado. Na maioria das vezes, ele passava um “quero ter você” e pronto. Simples assim.
- Levarei as meninas pra casa. – avisei a todos.
- , se você quiser, ela pode dormir lá em casa! – se levantou e veio até mim.
- Não, ela vai pra minha casa. – falei autoritário – Quem vai cuidar dela sou eu. – pareceu entender minhas palavras e foi direto para , que estava no carro e continuava um pouco chorosa.
-Quer ajuda pra levar ela pro carro, dude? – perguntou e eu balancei a cabeça positivamente. Fomos até que continuava com a cabeça de em seu colo. daquele jeito estava linda. Até dando trabalho e sendo incorrigivelmente idiota, era linda. Dava pra entender?
- Vou pegar ela no colo e você abre a porta. – falei e ele assentiu. Peguei e seu corpo estava mole, e suas mãos frias. –Abre a porta do co-piloto. – seguiu minhas instruções. Coloquei sentada, pus sua cabeça encostada no apoio do banco e por fim, coloquei nela o cinto. – Valeu, . Vou levar as meninas e depois vou pra casa com ela, avisa os caras que já estou indo, ta? – disse. chegou perto de mim, colocando sua mão em meu ombro.
- Nunca pensei que estaríamos aqui ajudando. – disse sério. – Isso mostra o quanto você mudou, e é por isso que gosto tanto dela. – ele apontou com a cabeça pra . Ele saiu me deixando sozinho vendo meus amigos conversando com as meninas.
E foi ali que percebi que as nossas vidas tinham mudado mesmo sem termos percebido.
- Vai, ! – Hazz gritou – Leve as meninas que a gente pega um táxi, ta ficando tarde. – ele disse preocupado. Olhei-o e chamei as meninas pra entrarem no carro e logo saí daquele lugar bizarro e fedido.
- Tchau, . – , a última a ser deixada em casa disse ao sair do carro – Cuida da minha amiga. – ela bateu a porta.
- Cuido sim. – disse calmo e me despedi. Pisei fundo, indo direto pra casa.
ainda não tinha acordado, o que me deixou um pouco preocupado.
Pensativo, dirigi tentando olhar pra ela de minuto em minuto. Ela tinha uma respiração pesada, por isso eu ia ficando preocupado.
- Porra, ! Só você mesmo pra me fazer sair de uma festa e ir te ajudar... – bati no volante.
- ? – ouvi me chamar baixinho e com dificuldade. Ela engoliu em seco, crispando o cenho. Parei o carro imediatamente no acostamento. A voz de saía fraca.
- Shiu! Não faça força. Vou te levar pra casa. – disse calmo, passando a mão em seu rosto fazendo carinho. assentiu com a cabeça devagar e voltou a fechar os olhos.
Finalmente ela estava voltando.
Mesmo fazendo merda era impossível, pra mim, não deixar de fazer carinho nela.
- Vamos, vamos pra casa. – voltei a falar baixo, e pisei no acelerador.
X
- Consegue ficar em pé? – perguntou quando chegou em sua casa.
estava confusa. Ainda não estava entendendo o que estava fazendo ali, nem reconhecera onde estava. Em seu corpo, sentia formigamentos e uma vontade imensa de ficar deitada e dormir.
Ela não respondeu nada. entendeu o recado, e a tirou do carro com seus braços.
O garoto subiu as escadas com no colo ainda um pouco inconsciente. Os amigos de viram a cena do outro lado sala, sentados e preocupados com o que acontecera naquela noite. Nunca tinham visto aquele lugar, não tinham a menor noção que faria uma coisa dessas.
Os meninos sentiram pena dela.
X
:
Pus na cama de meu quarto. Senti suas mãos frias, então a enrolei com o edredom. Percebi que agora lutava pra ficar com seus olhos entreabertos, mas continuava calada. Quando ia desligar a luz pra conversar com os meus amigos sobre a noite louca que terminava nunca, a ouvi pedir:
- Água. – pediu baixo com a voz rouca. No mesmo instante, desci as escadas correndo, indo até a cozinha e buscando um copo de água. Meus amigos, sentados, me olharam confusos, mas não deu tempo para explicações.
Ao entrar no quarto, sentei perto de e a ajudei a levantar seu rosto pra beber a água.
- Sente-se mais forte pra segurar o copo sozinha? – ela teve dificuldade de afirmar com a cabeça, mas assim mesmo, deixei o copo em sua mão.
Ela bebeu um pouco e tossiu. Fiquei alarmado, tirando o copo de sua mão e o colocando no criado-mudo.
suspirou alto, olhando pro teto – pro pôster do House que eu tinha, e abriu a boca pra falar.
- Eu gosto de você, mas não vou dizer coisas fofas só por causa disso. – sua voz ainda era rouca e falava com dificuldade, mas mesmo assim, pude entender o que ela tinha dito. E ao ouvir, levei um susto. não se sentiu envergonhada de me dizer aquilo. Nós nunca tivemos a chance de dizer que um gostava do outro ou coisa do tipo, embora eu tenha realizado que sim, que gostava dela.
Pronto, admiti.
Ouvir que gostava de mim, me fez ver que sentia a mesma coisa.
E naquele momento, eu nem sentia mais meu coração. Ele disparava tanto que se saísse da minha boca, acharia o fato normal.
Ela se aconchegou em meu travesseiro, o cheirando.
- Seu travesseiro é gostoso. – ela fechou os olhos, sonolenta – Quem sabe eu não leve o seu travesseiro pra casa... – ela falava ainda com os olhos fechados, se ajeitando na cama. – É, é uma boa ideia... Levar ele pra casa...
Dormiu me deixando petrificado na minha cama.
Surpreendentemente, eu estava feliz por tê-la em minha casa, sob os meus cuidados.
:
Um barulho me incomodava. Lutava comigo mesma pra não abrir meus olhos, ainda estava com sono.
“Ah, ótimo! Pararam de fazer esse barulho irritante”, pensei aliviada.
Barulho novamente.
Parecia guitarra. Era isso! Estavam tocando guitarra por ali.
Aquilo já estava me enlouquecendo, eu queria dormir!
- Mas que porra de barulho é esse?! – levantei falando alto. E logo coloquei minhas mãos na boca, espantada. Havia um adormecido na minha frente, sentado e babando. Ainda assustada, dei uma olhada no lugar onde, aparentemente, passei a noite – O que eu to... – levantei o lençol pra ver se eu estava vestida.
E pro meu alívio, eu estava.
Abismada, passei minhas mãos pelo cabelo.
Procurei minhas botinas, elas estavam ao lado da cama.
Saí de cima da mesma, fazendo silêncio para não o acordar, peguei minhas botinas e resolvi sair dali descalça. Fui até a porta e quando estava saindo uma voz me fez parar.
- Aonde você pensa que vai? – me fez congelar.
- Buscar minha dignidade. – falei me virando, vendo-o coçar seu olho e bocejando – E o resto da minha memória. – fiquei envergonhada e deu um meio sorriso.
- Do que exatamente você lembra? – ele se levantou. só estava com uma calça de moletom e mais nada. Aquela visão me deixou um pouco nervosa.
Porra, eu estava no quarto dele, com uma cama do lado e ele me aparece assim, sem camisa?
Engoli em seco.
- De algumas coisas. – tentei não olhar pros seus olhos. – Poucas. – me restringi a falar só isso.
apenas me olhava enquanto eu tentava ler sua expressão facial, até que ele se levantou e veio até mim.
- Você é linda dormindo. – disse como se estivesse pensando alto. Meu coração disparou e um impulso forte veio de dentro de mim.
Eu queria beijá-lo ali mesmo.
suspirou, chegando mais perto.
- Você é tão linda, , porém não sabe o que faz da vida! – ele sussurrou em meu ouvido, colocando uma mecha de meu cabelo atrás da minha orelha. Fiquei estática, fechei meus olhos ao sentir seu toque outra vez. E posso te dizer, eu estava com saudades daquilo. Sorriu ao ver a reação que tinha sobre em mim. Saiu calmo de perto e foi até a sua cama. Deitou-se, fazendo uma careta de dor e alisando suas costas em seguida. Ainda estática, fiquei na porta, sem saber o que fazer e falar.
Eu não estava entendendo nada. Até ontem ele me odiava e quase me chamara de puta porque tinha dormido na casa de Mike e hoje, durmo na casa dele e ele me chama de linda?
- Sabe, precisamos conversar. – ele colocou seus braços atrás da cabeça. tirou seu sorriso do rosto fazendo uma cara séria.
- Não precisa ser agora, porque eu tenho...
- Se você não lembra do que aconteceu, eu posso fazer um breve resumo. – ele me interrompeu - Você apagou ontem, ! Eu tive que te buscar, porque suas amigas estavam desesperadas. Então, o máximo que você pode fazer por mim é conversar comigo. – ele cuspiu todas as palavras tranquilamente.
Quer dizer que me buscou lá no show porque eu tinha apagado?
VERGONHA.
Minhas amigas tinham o chamado pra me buscar? Quero morrer agora! Bem que Deus podia com o seu dedinho mágico me matar agora, né não?
Eu tinha que sair dali!
- Eu... Não quero conversar. Não agora! – tentei parecer calma, mas por dentro uma vontade de sair correndo me possuía - A g-gente pode deixar isso pra depois?– gaguejei – Eu vou t-te procurar... – me virei e o deixei no quarto sem mais, nem menos. Saí a passos largos, quase correndo, querendo fugir daquela situação o mais rápido possível. Passei por que estava tocando guitarra com o amplificador ao seu lado no sofá. – Tchau ! – e fui embora.
- AI...
-Por que vocês tinham que chamar ele pra me buscar? – cortei . – Por que, ? Agora ele vai se achar o senhor da razão e querer dar um sermão da porra em mim! MAS ESPERA! Ele já tentou fazer isso comigo agora de manhã! – gritei no meio da rua, percebendo que pessoas me olhavam – O que?! – disse pra uma velhinha que passava com o seu carrinho de feira na calçada. Ela me olhou da cabeça aos pés e balançou a cabeça negativamente.
Vi meu reflexo na vitrine de uma loja. Meus cabelos estavam bagunçados, minha maquiagem borrada. Eu estava descalça e com cara de louca.
Ótimo.
- Amiga, a gente não sabia o que fazer a não ser pedir ajuda pra ! – eu bufei. ta na minha lista negra desde já! – E outra, você queria que a gente te deixasse morrer na merda de uma calçada?! – falou um pouco exaltada.
- Eu não ia morrer.
- Ah não, né ?! , aposto que você nem se lembra o que tomou! – puta golpe baixo esse.
- Agora não importa mais. – tentei ajeitar meu cabelo, ainda me vendo pelo reflexo – Amiga, foi horrível. – eu falei lembrando como falou.
- Já sei que você está se referindo ao . O que aconteceu? – perguntou.
- Ele queria conversar, acho que queria me humilhar mais. disse que o máximo que eu tinha que fazer era conversar com ele, como se tivesse passando na minha cara que ele tinha me ajudado.
- Eu sabia que isso ia dar merda. – disse no outro lado do telefone. – O foi legal e os amigos dele também...
- Como assim os amigos dele também? – perguntei, gritando de novo.
- Eles foram com pegar a gente e ainda foram de táxi pra casa, porque o carro tava cheio. levou a gente pra casa de cada uma e você, bem... Você sabe.
Fiquei em choque. também tinha levado as minhas amigas pra casa? E pior, seus amigos me viram naquele estado?
Deus, é agora! Pega teu dedo e condena!
- Que vergonha, . – disse chorosa.
- Isso é pra você aprender, . – eu revirei os olhos. Mas o pior era que ela tinha razão.
- Vou pra casa me esconder do mundo e depois a gente se fala. Tchau. – fiquei no ponto de ônibus, sentada. Aproveitei pra colocar minhas botinas e esperei o ônibus chegar.
Uma frase resumiria o que estava sentindo naquele momento: vergonha de mim mesma.
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- Para, porra. – falei com os olhos fechados, sentido uma vareta entrando em uma das minhas narinas. – Já falei que é pra parar! – tornei a falar agora com os olhos abertos vendo rir da minha cara. – Sem graça. – falei num muxoxo massageando meu nariz e me sentando.
- Pra você! – ele tirou o lápis da mão, o jogando na mesa do computador.
- O que você quer? – perguntei bravo, ajeitando o travesseiro.
- Saber como você ta. – ele sentou na cama.
- Com dores nas costas. – fiz careta passando a mão na minha coluna. chegou perto de mim e me bateu. – Ai! Sai viado! Ta doendo!
- Deixa de frescura! Aposto que bateu uma vendo seu amorzinho dormir na sua cama. – ele riu da minha cara.
- Ah, claro! – revirei os olhos – Eu acho que fiquei com mais medo de ter um treco com as suas respirações pesadas do que ela me pegar batendo uma por ela.
- Oh, que lindinho! – apertou as minhas bochechas. – Não quis fazer um cinco contra um por causa da amada!
- Porra, , tu ta mais gay ultimamente, viu... – eu falei tirando suas mãos de mim.
- O que as bichas estão fazendo? Consumando o amor? – Harry entrou rindo da nossa cara e sentando na cadeira.
- Se for, quero assistir. – ) chegou com um saco de salgadinhos e sentando na outra cadeira que tinha lá.
Beleza, eu querendo dormir, porque tive uma noite horrível, e meus amigos resolveram invadir meu quarto pra falar merda.
- Falem o que querem de uma vez! – sentei na cama já puto.
Os caras olharam pra mim, já sérios. Senti tensão no ar e já sabia que vinha depois, alguma coisa sobre .
- Eu a vi saindo correndo. – disse como se tivesse lendo a minha mente.
- Parece que ela gosta de sair correndo. – falei tedioso.
- O que você falou pra ela, ? – Hazz perguntou em seguida.
- Por que tem que ser sempre eu? – eu falei um pouco ríspido. – Por que eu sempre sou o culpado? Que eu lembre, não fui eu que me droguei, não fui eu que passei vergonha!
- Você nunca parou pra pensar que ela tem um problema? – falou sério. Era uma das raras vezes que vi ele daquele jeito
- Que ela tem um problema é fato. –disse como se fosse óbvio.
- Isso é mais sério do que eu pensava... – disse – Caralho, a tem um problema com drogas! – ele falou impressionado.
- Calma, também não é assim. – eu disse – Ela só faz esse tipo de coisa quando Mike está por perto. Ela não é do tipo viciada. – expliquei a situação.
- Então se o cara faz tão mal a ela, por que não se afasta? – perguntou pensativo.
- Acredito que acha que Mike é um tipo de protetor, um irmão mais velho. Eu não sei qual é a história deles, só sei que ela o respeita muito e Mike se aproveita disso. – me bateu uma tristeza. Não tiro a culpa de , porém Mike fazia com ela o que bem entendia e isso me deixava com uma puta raiva.
- Fico triste porque a é uma garota tão boa... - Harry fez uma cara um pouco maliciosa – Tão boa... – os dudes fizeram a mesma cara.
- Muito boa. – fez um bico e fechou os olhos como se tivesse imaginando alguma coisa.
- Boa até demais! – falou por último suspirando. Eu ri, já sabia o que eles estavam fazendo.
- Seus retardados! Parem, eu não vou ficar com ciúmes desse fingimento de vocês. – falei rindo, indo até meu armário pra pegar umas roupas. Eu ia tomar banho.
- Eu não sei com vocês... – olhou pro nossos amigos – Mas eu não tava fingindo. Imaginar tocando naquela bateria, toda suada... É fácil demais pra mim! – ele mordeu seu lábio inferior. Virei pra ver a cara de safado dele e joguei a minha camisa na cabeça dele.
- Idiota, ta doido pra levar uma surra. – murmurei e vi meus amigos rindo de mim.
- Nosso menino ta apaixonado. – se escorou no ombro de Harry fazendo uma voz chorosa – Quanto orgulho! – revirei os olhos – Quem ia imaginar que o passarinho preto ia bicar ele de vez.
- É. – Judd suspirou – Eles crescem tão rápido, só falta o se acertar com a "gênia" da física e pronto!
Deixei-os falando besteira e saí do quarto, indo até o banheiro.
- E o Mike, vai fazer o que com ele? – gritou do meu quarto.
- O mesmo que ia fazer com você, só que pra valer. – fechei a porta banheiro.
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Gap dos The Kooks rolava alto no meu quarto. Eu estava deitada com rosto no travesseiro tentando parar de chorar.
Eu estava um lixo.
Eu não entendia. A minha vida de uma hora pra outra, estava virada de cabeça pra baixo.
Eu sempre fazia o que queria não me importando o que outros pensavam de mim. Divertia-me do meu jeito.
Aí entrou em cena e tudo mudou.
Eu não queria ser daquele jeito, não queria que ele tivesse mais motivos pra ter vergonha de mim. Porque sejamos sinceros, uma pessoa como ia ter coragem de andar de mãos dadas pelo colégio com uma pessoa que nem eu e ainda mais fazendo esse tipo de coisa? Acho que não, né? E mais, eu não queria que seus amigos – pessoas tão importantes na vida de – me vissem daquele jeito, e eles viram.
Virei meu rosto, fitando o teto.
Ri comigo mesma.
Nossa! Eu me importando com , quem diria?
Algumas lágrimas caíram sem permissão. Deixei-as, já estava na merda, quem era eu pra impedir lágrimas?
A música ainda rolava alta – mesmo sabendo que minha mãe ia entrar no meu quarto uma hora ou outra pra reclamar, eu não estava ligando.
Ouvi a portar bater.
- , você pode desligar isso?! – minha mãe abriu a porta com um pouco de força. Ela esperou eu falar alguma coisa, como sempre, a revidando. Eu não mexi um músculo. Fiquei deitada, fingindo que ela não estava lá e que não estava gritando comigo.
Ela estranhou.
- Você não está me ouvindo, garota? – de novo, não fiz nada. A única coisa que fiz foi enxugar algumas lágrimas e fungar um pouco. Meu nariz já estava vermelho e tinha um pouco de dificuldade pra respirar por estar entupido. – ? Você está... Chorando? – a cara da minha mãe foi inacreditável. Acho que em muitos anos ela não me via chorar.
Mexi-me na cama tentando esconder meu rosto. Eu não queria que ela me visse assim.
Só queria que todos me deixassem em paz.
- O que aconteceu? – ela chegou perto de mim com cuidado, receosa que eu a respondesse com grosseria.
O negócio era o seguinte: desde que meu pai morreu, minha mãe tinha se tornado uma mulher infeliz, com isso, me deixou de fora de sua vida. Ela se isolava de mim e sempre me tratava com grosseria também. Então tudo o que se fazia naquela casa era guerra de ofensas e cada uma cuidando da sua vida.
- Sério, mãe? Depois de todo esse tempo você quer fingir que se preocupa comigo? – finalmente, dei sinal de vida. Sentei com rosto vermelho e molhado. – Não está acontecendo nada. – fiz um joinha com o polegar e me deitei. Minha mãe permanecia calada, sentou na minha cama e alisou meu pé.
A princípio, não entendi essa demonstração de afeto. Tirei meu pé de suas mãos e o coloquei em outro lugar.
- É obvio que alguma coisa está acontecendo, olhe pro seu rosto! – ela apontou pro meu rosto triste – Olhe pra essas lágrimas!
- Se não se importa, quero ficar sozinha. – fiz um bico com raiva e virei o rosto de novo.
- Olha, eu sei que não sou nenhuma das suas amigas. – Minha mãe fez um olhar triste a ao mesmo tempo solidário. Ela suspirou pesadamente – Eu sei que tenho sido uma péssima mãe ultimamente... – ela se levantou – E não te culpo por ser assim comigo. Se não quiser falar o que houve, tudo bem. Eu só estou cansada de ouvir essa música toda vez que você entra em crise! – ela deu pause no som e foi até a porta.
Fiquei espantada por ela ter falado aquilo, tanto que voltei a olhar pra mamãe.
Ela sabia quando eu estava mal, triste? Ela prestava atenção em mim?
- Mãe? – a chamei. Ela voltou e ficou parada na minha frente, com o rosto um pouco tenso.
- Se você quiser a gente só ouve música e não diz nada uma pra outra, o que me diz? – ela falou sentando na cama. – Como nos velhos tempos. – olhei um pouco desconfiada. – Filha, eu sinto que perdi muito tempo resolvendo problemas comigo mesma. Deixei você se perder no meio de tudo isso. Eu quero que você me perdoe. – ela voltou a se sentar.
Não sei por quanto tempo eu esperava por aquele dia. Senti uma felicidade vinda de dentro de mim, achando que ia explodir a qualquer momento.
Olhei-a com os olhos cheios de lágrimas, suas mãos estava quentinhas e tinha um cheiro bom.
Finalmente, eu tinha pelo menos uma coisa que eu amava perto de mim.
Mamãe pôs suas costas na cabeceira da cama e colocou minha cabeça em seu colo. Ela fez carinho em mim, enxugando as minhas lágrimas que insistiam em cair.
- Vai me dizer por que esse choro? – ela alisou meus cabelos. Engoli em seco com medo de dizer toda a história pra ela.
Claro que não ia dizer que me droguei, ia dizer sobre .
Hesitei um pouco com vergonha.
- É que tem um garoto... – comecei a falar, mas mamãe me interrompeu.
-, se você falar que é o Mike, eu não respondo por mim! – ela parou de alisar meu cabelo e me olhou séria.
- Não, mãe, não é! – vi minha mãe respirar aliviada.
- Graças a Deus. – pôs a mão livre em seu peito. – Então, me fale. Quem é? – respirei fundo.
- O . – eu falei corando, morta de vergonha. Tentei cobri meu rosto com o cobertor e mamãe o tirou de mim.
- Não seja boba, sou sua mãe.
- Por isso mesmo! – falei tentando puxar de volta o cobertor.
- ! – ela tirou de uma vez.
- Ah, mãe. – revirei os olhos e cobri meu rosto com as mãos. – Tenho vergonha. – falei.
- Não vai dar pra conversar com suas mãos no rosto. – tirou-as do meu rosto – Fale. – ordenou.
- Fiz uma coisa feia, to com vergonha dele e fim! – eu disse rápido.
- Você o traiu? – mamãe perguntou. – Trair é coisa muito, muito feia, minha filha!
- Não, acho que fiz pior. – eu falei mais pra mim mesma.
- O que é pior que trair? – ela perguntou. “Mentir, brigar, dormir na casa do cara que ele odeia se drogar e fugir da casa dele com vergonha porque ele me ajudou?”, pensei.
- Não posso dizer. – disse baixo – Eu não posso dizer. – repeti com urgência na voz. – Eu não sei o que faço, eu só penso em fugir da situação e ele quer conversar, mas mãe, eu to tão envergonhada que não quero olhar pra cara dele!
- Ok... – mamãe fez uma voz nervosa – Deixa eu te dizer uma coisa, se ele quer conversar sobre isso, mostra que ele está interessado em resolver, em te ouvir. Mostra que ele se importa e se preocupa com você. – ela piscou – E isso é bom, não é? – eu balancei a cabeça afirmando.
- E se ele quiser jogar na minha cara que fiz algo errado? Não sei se estou pronta pra confrontá-lo.
- Isso você tem que descobrir. Tem que falar com ele, . – ela tirou minha cabeça de seu colo e se levantou. – Você tem que arriscar. Ele pode fazer as duas coisas: te ouvir, te ajudar ou jogar na cara o que você fez de errado. Minha filha, se não for até ele, nunca vai saber o que se passa na cabeça de . – ela se levantou, passou e deu play no rádio.
What's all this I see?
(O que é tudo isso que eu vejo?)
Yeah you're leaving right beside me,
(yeah, você está saindo do meu lado.)
And I miss you, and I love you.
(E eu sinto sua falta, e eu te amo.)
That's true.
(É verdade)
Ela fechou a porta e se foi.
:
Difícil. Muito difícil. Acordar numa segunda-feira de manhã pra ir pra aula e ainda mais com o perfume de impregnado nos meus lençóis e no meu travesseiro.
Espreguicei-me ainda deitado, joguei minha cabeça pro lado, aspirando ainda mais o cheiro do seu cabelo. Fiquei aspirando aquele aroma bom e inebriante.
Olhei pra baixo. Merda.
Eu tava de barraca armada. É normal quando você é garoto, acordar com isso às vezes, ta?
Saí da minha cama, correndo pra tomar providências. Peguei minha toalha pendurada na porta do armário e fui até o banheiro. Girei a maçaneta e a porta tava trancada.
- Dá pra sair daí quem quer que seja? – falei com raiva, escondendo a minha barraca com a toalha.
- Desculpa, dude! Não to numa boa hora! – Hazz falou e eu já sabia o que era.
- Porra, Judd! Isso é hora de cagar? Eu to numa situação meio constrangedora aqui! – olhei pro meu amigo de baixo.
- Mais constrangedora que ouvir você dizendo que estou cagando? – ouvi um barulho estranho – É sério, cara. Acho que o leite de hoje tava meio estragado. Vai demorar um pouco. – revirei os olhos – Toma banho lá embaixo ou no quarto do , porque aqui não rola mais! – saí e fui logo pro quarto de , o único que tinha suíte.
- Hey, bela barraca! – ele apontou praquele lugar. – Sonhou com a ? – ele riu e joguei meu dedo do meio pro alto.
- Vai liberar o banheiro?
- Só se você dizer como foi o sonho. – eu ri.
- Eu conto. E aí, vai liberar ou não? – ele assentiu com a cabeça. Fui até a porta do banheiro. – O sonho foi sensacional... – ele logo me olhou com os olhos brilhando, curioso pra saber.
- Eu, com...
- Com quem? QUEM? QUEEEM? – eu ri.
- Com a NA MESMA CAMA! – bati com a porta em sua cara – Otário! – gritei de dentro e fui tomar banho com uma água bem gelada.
- Porra, Harry! O que você fez incendiou a casa toda! – saiu reclamando do carro no estacionamento do colégio.
-Acho que o leite tava estragado. – ele fez uma careta.
- Só o leite? – gritou – Impossível ter sido só o leite, aquilo tava foda pra ser só o leite.
- A gente pode parar de falar em coisas nojentas? Estamos no colégio procurando as criaturas bizarras mais amadas... – falei olhando pros lado.
- Estamos? – perguntou.
- Como assim bizarras mais amadas? – Judd perguntou – Que eu saiba não to amando ninguém daquele grupinho seleto que ta na minha esquerda. – ele pegou minha cabeça e pôs as meninas no meu campo de visão.
- Vamos até lá! WOW! – gritei quando senti alguém puxando a minha mochila.
- Nós não vamos a nenhum lugar, e nem você. – Judd disse pondo seu dedo na minha cara.
- Por quê? – quis saber.
- Acho que não quer falar com você, ela saiu correndo lá de casa e disse que ia te procurar e não o fez, lembra? – porra, verdade.
- E daí? Só porque ela não tem a coragem de falar. Eu faço o esforço. – dei um sorrisinho – Vou até lá. – Harry me deixou ir meio a contragosto. No meio do caminho, me viu e sem pensar duas vezes, saiu puxando suas amigas até se perder na multidão do pátio.
- Eu não disse? – Hazz chegou perto de mim – Vai ver ela ta com vergonha, cara.
Fiquei frustrado. Eu queria falar com ela, queria entender que merda de show foi aquele e por quê não, tentar de tudo pra que a gente se acertasse.
É, eu queria que a gente se acertasse.
:
- Por que você não fala de vez com esse menino? – disse com o seu jeitinho espevitado.
- Eu não sei se estou preparada, não quero ouvi-lo dizer o quão burra eu fui ou o quão idiota fui de deixar Mike fazer aquilo comigo... – sentei num baquinho perto da cantina.
- E não é verdade? – cruzou os braços – Desculpa amiga, mas vamos acordar pra realidade! Já passou da hora de dizer não pro Mike. Se ele usa é problema dele, agora se ele te influencia nisso, vira um problema nosso. – ela apontou pras outras meninas – E eu acredito que tanto eu quanto elas estamos cansadas de te ver daquele jeito! Nós te amamos, ! Não queremos mais ver você daquele jeito.
-O que a gente não pode fazer é te ver se detonando por causa de um babaca que não quer nada com a vida. - disse meio triste.
- Eu sei que vocês estão certas, mas eu não consigo deixar o Mike. Ele precisa de mim, eu sinto que ele ainda vai precisar da minha ajuda e vou querer estar do lado dele nessa hora. – falei.
- Amiga, que o Mike precisa de ajuda, isso tá óbvio! Mas tipo, o cara nem tá aí, te puxa pra baixo e ainda destrói a coisa que você quer tanto ter! - olhou pra onde os meninos estavam.
Senti um aperto no peito.
-Preciso ficar um pouco só. – saí pensando no que estava acontecendo na minha vida.
Eu queria tantas coisas e tudo que eu pensava naquele momento era virar pó e sumir do mundo.
Andei um pouco, adentrando o colégio, resolvendo beber água .
Beberiquei um pouco. Enxuguei a minha boca com as mãos e do nada, senti puxarem minha outra mão.
- Vem. Agora. – me puxou com força até um lugar mais calmo. Pensei que íamos ao Corredor dos Losers, mas engano meu. Fomos até um jardinzinho aos fundos do colégio. Ao lado desse jardim, havia uma casa separada – como se fosse um puxadinho. Acho que algum dos funcionários morava ali ou algo parecido. – Aqui ta bom. – ele olhou pros lados e abriu a boca, fazendo menção de falar. - Agora é sério, , precisamos conversar. - parecia um pouco nervoso – Para definir tudo isso que está acontecendo e pra dizer que...
- Eu não quero conversar, eu não quero ouvir você falar, você me humilhar! Então, por favor, me deixe ir! – eu disse logo o que tava sentindo – Se você quer me ver com vergonha de você e dos seus amigos pelo o que fiz, sinta-se satisfeito, eu já estou!
- Você não está entendendo, , eu só quero falar algumas coisas... Me escuta! – ele falou um pouco acanhado coçando a nuca. Eu fiz menção de falar, mas ele foi mais rápido. – Eu tenho todos os motivos pra fazer isso que você falou. No entanto, não vou. – e agora eu estava surpresa. não ia dar sermão, falar todas aquelas coisas como eu pensei que ia? – Eu só quero conversar. – continuou nervoso. Eu deixava nervoso? – Eu quero esclarecer algumas coisas. – ele falou e eu entrei em pânico. Queria sair de lá, não queria enfrentar aquilo. Era agora que ele acabaria tudo de uma vez, por minha causa, é claro. Eu tinha estragado tudo, mais uma vez. Minha respiração estava rápida, meu coração disparando, minhas mãos suavam.
:
“Ok, ! Tomou coragem de falar, parabéns”
Eu esperava uma reação diferente da que estava tendo agora. A menina me olhava um pouco espantada e nervosa. Ficou inerte e isso me deixou um pouco apreensivo.
Na minha cabeça, eu não tinha planos e nem frases feitas pra falar naquela hora. Eu só sabia que tinha que falar o que tava guardado há mais tempo do que imaginava. Mesmo ela fazendo toda aquela merda que fez de mentir e se drogar, eu estava disposto a fazê-la mudar pra ficar comigo.
Naquela hora eu não estava ligando pra apostas, o que as pessoas iam pensar de mim ou outras coisas parecidas. Pra mim, o mais importante, era e eu.
- Eu não sei se quero conversar com você, . – lá vinha ela com o papo de não querer conversar. Eu já estava cheio daquilo. A hora era essa, ou a gente falava ou não tinha mais jeito – Eu tenho que ir! – ainda um pouco nervosa, ela me deu as costas e andou devagar.
- Puta que pariu! – falei pra mim mesmo e a segui. – Me escuta garota! – puxei um pouco mais forte seu braço, vendo uma cara de dor – Eu não sei por que você ta assim, fazendo tanto cu doce pra conversar. Não me interessa do que você tem medo, você vai ter que me encarar.
- Sempre fazendo o que bem entende, não é ? – ela disse agressiva. – Sempre querendo tudo na hora que você quiser. Pois tenho notícias pra você: comigo nem tudo é do jeito que você quer!
- Você pode parar de drama?– eu disse no mesmo tom que ela. –EU SÓ QUERO FALAR QUE A GENTE PODE...
- Olha, vamos fazer o seguinte? É obvio que isso não ta dando certo – ela apontou pra mim e pra ela – Você me deixa louca. Uma hora ta me chamando de puta porque eu dormi na casa do Mike, em outra, joga na cara que me ajudou porque eu estava super drogada, caída na calçada e mesmo assim me chama de linda. É muito pra mim, eu não sei onde você quer chegar com essa conversa, . Eu só sei o que eu quero. – ela respirou profundamente – Eu quero o fim disso aqui, dessa pseudo-relação. – quase vi uma lágrima cair de seu olho, mas acho que a segurou bravamente pra não cair. Eu fiquei em estado de choque, não queria que tudo acabasse assim, não sabia o que fazer pra ela mudar de ideia.
- – tentei a tocar, mas se afastou de mim. Entendi o recado. Se era assim que ela queria, era assim que ia ser. – Tem certeza que é isso que você quer? Não vai querer me ouvir antes de tomar uma decisão definitiva? – falei sério, seco. Já esperando o que ela ia responder. assentiu com a cabeça e se foi me deixando a vendo ir sem falar mais nada.
- E então ela saiu sem dizer mais nada – falei sentado na mesa do pátio com os meus amigos.
- Porra, dude! Que merda, hein. – bateu em meu ombro, se sentando em seguida – E como você ta? – eu engoli em seco.
- Arrasado. – disse sinceramente – Depois que disse que gostava de mim, mesmo estando daquele jeito, me fez pensar que eu queria ficar com ela. Acabou, gente.
- Acabou a sua pseudo-relação com ela... – Harry imitou . – Essa menina não existe. Você aí todo apaixonadinho, louco pra ficar com ela e dá um dos maiores foras da sua carreira como pegador. To impressionado.
- Imagina se você ainda tivesse na aposta? Tava perdido, queria ver você conquistar ela de novo! – disse.
- Deixa. pensa que se livrou de mim, engano dela. – peguei no bolso minha carteira de cigarros.
- Quê isso, dude! Não pode fumar aqui dentro! - falou.
- Foda-se. – me levantei do banquinho – Vou ao estacionamento fumar e depois vou embora.
- E posso saber pra onde você vai? – Harry me perguntou.
- Claro, mamãe! Vou pro pub encher a cara. – falei segurando meu cigarro nos dedos. Judd olhou pra mim com uma cara estranha.
- E como você se atreve ir pro pub e não chamar a gente? To partindo com ele, quem quiser ir, nos siga. – Harry foi logo indo atrás de mim e outros dois vieram junto.
A animação dos meus amigos pra beber não atingiu tanto. Eu só tinha uma coisa na cabeça,e era ela.
Eu poderia desistir, ficar com raiva ou até mesmo jogar tudo pro alto e esquecer de , mas alguma coisa me dizia que aquele não era o fim. Que ainda tínhamos muita coisa pela frente e não uma despedida fria num jardim da escola.
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Andei procurando as minhas amigas. Queria desabafar com alguém, queria uma palavra amiga e se não conseguisse com elas, não saberia o que fazer.
Cheguei perto delas, só quem estava era e . Olhei-as com vergonha e sorri.
- Preciso dizer uma coisa. – disse baixo. me olhou preocupada.
- O que houve? – contei o que tinha se passado.
- COMO ASSIM VOCÊ ACABOU COM O DELÍCIA? – me perguntou quase gritando.
- Fiz o que já era pra ter sido feito. Coloquei um ponto final, se não quem ia colocar era ele e eu estaria mais destruída do que agora. – senti um nó minha garganta. Eu tinha que ter feito aquilo. Nunca queria ouvir terminar comigo.
- Tem certeza, , que você não está se precipitando? – me perguntou com a sua voz calma e protetora.
Eu não sabia. Eu não sabia mais de nada.
- Não sei. – falei sincera – Acho que... Foi melhor assim.
- Poxa, amiga – me deu um abraço – To triste por você, sei que mesmo com o pouco tempo, era diferente dos outros.
Merda de vida.
- Preciso de um cigarro. – falei rápido, esfregando minhas mãos nas pernas e me levantando – Preciso agora. Vou ao Corredor dos Losers fumar, to nervosa. – disse por fim pra minhas amigas e andei em direção ao famosinho corredor.
Sentei no banco que me trazia tantas lembranças boas.
Tinha sido aqui que falara que não era tão pegador assim quando o acusei. Também foi aqui que falara que queria ser meu amigo, me passou toda confiança e só assim, cedi.
Ri pensando naquele dia que tinha terminado num convite inesperado pra ir à minha casa.
Acendi o meu querido cigarro, companheiro de longas crises. Fiquei tão aliviada ao tragar que meu corpo antes tenso, ficou relaxado.
Traguei mais uma vez, com uma música na cabeça, cantei baixinho.
- But it was not your fault, but mine and it was your heart on the line. I really fucked it up this time. Didn't I, my dear? – fiz um barulho estranho como se não tivesse lembrado o resto da música – Uh, huh... I really fucked it up! – repeti essa frase que encaixava perfeitamente no meu caso.
Joguei um pouco de cinza na terra do jardim que tinha atrás do banco. Fui colocar o cigarro novamente na boca, sentindo uma presença.
Meu coração, com pressa, disparou.
- ? – perguntei esperançosa.
:
- Acho que a gente devia fazer uma festa mucho louca lá em casa! – disse depois que bebeu sua garrafa de cerveja. – Pelo menos a gente tira essa bad do meu amigo... – ele bateu fraternalmente no meu ombro.
Até que não era uma má ideia. Bebida, vodka e pouca roupa não fariam mal a ninguém.
- Eu to dentro. A última festa que eu fui, uma pessoa desagradável atrapalhou! – falei rindo e com a língua mole com a ideia babaca de não citar o nome dela.
- Ta, o ta na fase de não citar o nome, a gente respeita – colocou a mão no peito esquerdo e tragou profundamente seu cigarro. – Enfim, vale levar uma pessoa? E quando digo pessoa me refiro uma do sexo feminino a qual vocês não podem pegar? – todos nós rimos da cara dele. A gente já sabia de quem estava falando.
- , pode levar a ou quem você quiser, a casa também é sua. – eu disse o reconfortando.
- Se o convidar uma, vai ter que convidar todas e... E eu acho que a pássaro preto não vai querer ir.
Rolei os olhos. Quando os caras iam parar de chamar a (todo mundo sabe quem é) de apelidos estranhos só porque ainda tem um pouco de graça?
- Olha, por mim, chamem quem vocês quiserem. Eu só sei que vou estar no meu quarto tirando o sutiã de alguém. – bebi a cerveja a goladas rápidas, acabando com ela – Me vê mais uma, por favor. – falei pro garçom que assentiu a cabeça indo pegar outra cerveja.
:
- Era ele quem você esperava? – ouvi a voz rancorosa de Mike falar. Era só que me faltava.
- Você não acha que ta se metendo demais de novo, não? – falei brava. Mike se aproximou, ficando frente a frente comigo.
- Pequena, eu só estou me preocupando pro seu próprio bem. Não quero que nada te aconteça.
- Engraçado. – eu ri debochada – Quem foi mesmo que me deixou desacordada por causa de drogas com as minhas amigas? – fumei o final do meu cigarro e o joguei fora. Joguei a fumaça pra cima e me levantei. Mike não falava nada, não tinha resposta. Qual era a moral que ele tinha depois do que ele fez? – Foi o que eu pensei.
- , eu tenho uma explicação muito boa pra isso. – ele ficou nervoso – Eu t-tenho sim.
- Não me interessa. Não vou deixar você fazer comigo o que vinha fazendo, Mike. Acabou. Ache outra pra se drogar com você. – falei indo embora.
Saí brava, mas meu coração estava despedaçado. Mike era meu amigo, meu irmão, meu companheiro. Ele tinha bom coração, eu sei que tinha. Só fazia escolhas ruins e me levava junto por eu cair fácil em sua conversa. Eu sentia muito por ele, mas era hora de parar com aquilo. Mike tinha me ajudado em uma das fases mais difíceis da minha vida, como quando meu pai morreu.
Já era tarde pra eu me arrepender e voltar praquele corredor.
Eu já tinha feito a minha escolha.
Era o intervalo, eu tinha perdido as duas primeiras aulas e saído por fingir que estava com uma cólica enorme na aula de inglês, fui direto ao darkside do pátio.
Vi minhas amigas sentadas no banquinho de sempre. comia seu sanduíche vegetariano, tomava um sorvete e mexia em seu Iphone.
Fui correndo até elas pra contar a novidade.
- Acho que a minha amizade com Mike terminou. – e foi ali que a ficha tinha caído. Mike, uma das pessoas mais importantes pra mim, tinha me machucado muito, e por causa dele não tinha mais dignidade e tinha me humilhado pro cara que eu gosto.
Minhas amigas me olharam felizes e largaram o que estavam fazendo, dando um abraço apertado em mim.
- Eu sabia, eu sabia! – deu um beijo em minha bochecha.
- Eu sei o quanto o Mike é importante pra você, , mas você sabia que não dava mais, ele estava atrapalhando a sua vida. – Carine falou me abraçando forte.
- To feliz por você! finalmente aprendeu a lição – Duda disse batendo palmas – Agora tudo será diferente! Nada de drogas e shows bizarros. – ela falou de um jeito engraçado que todas riram.
- As coisas estão mudando. Eu sinto isso – falei por fim.
:
Pra ser sincero, eu nem sei de que horas saímos do bar. Tudo bem que a gente perdeu a aula de Histórias, mas quem queria saber quem o Henrique XVIII tava comendo se a gente podia beber?
Durante a noite, já mais sóbrio, conversei com os caras sobre o que eu queria fazer logo de manhã cedo.
Simplesmente era uma coisa que estava presa dentro de mim a muito tempo e eu ia fazer agora.
- Vai fazer isso mesmo, dude? – me perguntou entrando no carro.
- Vou, eu ainda não acertei as contas. – ri maldoso.
- Então já sabe, estamos esperando você na esquina do outro lado. Se a gente ver que você ta demorando, voltamos. E se a gente tiver afim de bater, voltamos também. – eu ri com o que Hazz falou.
- Beleza. Relaxem, não vou fazer mais do que o cara merece. – eu disse. Bati na porta do carro - Agora dêem o fora daqui.
Fiquei parado no muro de trás do colégio esperando Mike passar. Fumando um cigarro, concentrado, fiquei pensando no que ele tinha feito com . Ter deixado a menina ali, só com duas amigas no meio de tanta gente esquisita e drogada só aumentou o ódio que sentia por ele.
Coloquei meu pé na parede. Esperei ansiosamente por Mike.
Eu poderia muito bem foder meu nariz, uma perna, um pulso ou até mesmo meu abdômen, mas com certeza aquilo ali valeria à pena.
Mike vinha até a mim, andando aéreo, com a sua mochila preta nas costas. Ele nem desconfiava do que ia acontecer.
Joguei minha bituca no chão e fiquei ereto, esperando pra dar o bote.
Fiquei em sua frente, e com um pulo assustado, Mike foi pra trás.
- Mas que merda é essa? – disse.
- Minha vingança particular. – falei entre dentes e uma força tomou conta de mim. Empurrei-o com tudo, o que fez cair. – Você é um filho de uma puta! Como fez isso com a ? – comecei a chutá-lo com todo ódio que eu tinha, cada vez que lembrava apagada, chutava mais – Eu quero que você fique longe dela, ta entendendo? – abaixei e peguei no colarinho da camisa dele. – Seu merda! Você entendeu? – Mike tinha sangue em sua boca, seus olhos brilhavam e o que eu sabia que ia acontecer, aconteceu. Ele revidou.
Mike deu um murro na minha barriga que me fez cair no chão. Relutante, me levantei rápido pra que ele não me chutasse também. Com um movimento rápido, peguei meu soco inglês no bolso e com toda a coragem, esmurrei seu rosto, o que fez sagrar bastante.
- FIQUE LONGE DELA OU SENÃO, QUEM VAI MATAR VOCÊ SOU EU! – falei por fim e corri pra onde tinha marcado com os meus amigos.
Mike estava deitado no chão com o rosto sangrando.
Eu fiz aquilo por mim, com certeza, mas também fiz por .
Capítulo 12 - Entre orgulho e decisões.
8ª Lição: Se for gata, olhe sempre pra mim na balada (grite que é gostosa).
Tá na baladinha com os amigos e um deles achou uma perfeita pra você?
Mande-o fazer o sinal.
:
Corri o mais rápido que pude e olhei algumas vezes pra trás pra conferir se Mike conseguiria vir atrás de mim, coisa que não fez. Eu não pensava em nada naquele momento, só em uma coisa: chegar ao carro e sair daquele lugar.
O carro de meus amigos estava na esquina do outro lado. Vi fora do mesmo, em pé com a cabeça encostada na porta fechada, com o semblante tenso. Harry tava no sentado batendo os dedos no volante, nervoso, e , sentando no banco de trás cabisbaixo, ouvindo música.
Todos olharam pra mim quando cheguei respirando alto e com sangue nas mãos.
- Porra, ! Demorou, ficamos preocupados! – foi o primeiro a falar como se fosse meu pai. Nervoso, olhou pra mim pra ver se tinha algo errado comigo. – Ele te machucou? Ele reagiu? Tá vindo pra cá? - se aproximou e viu meu soco inglês intacto na minha mão.
A adrenalina era tanta, que eu nem parei pra tirar o meu soco inglês.
Comecei a rir.
Eu estava feliz, com uma sensação boa... Como se eu tivesse cumprido um dever.
- Mano, você tá bem? - me perguntou. Saiu do carro e veio até a mim.
- Eu to bem. – tentei falar e as palavras não saíam, e então, comecei a rir – Eu to ótimo! – eu ria cada vez mais e meus amigos não entendiam. Tirei meu soco inglês da mão, o jogando e rindo cada vez mais – Aquele filho da puta merecia! – meu coração não parava quieto, quanto mais eu falava e pensava em Mike deitado com sangue em seu rosto, mais meu coração disparava.
Sentei no chão pensando no que havia feito: eu tinha dado a maior surra da minha vida. Uma coisa sobre mim que era bem importante era que eu não tinha entrado em tantas brigas na vida. Eu nunca fui de brigar por certas coisas, principalmente garotas. Se ela não estava afim de mim e demonstrava que tava afim de outro cara, a deixava ir e mostrava pra ela o que tinha perdido. Não saía no murro com outro cara.
Senti Harry do meu lado. Colocou sua mão em meu ombro e me fez olhar pra ele.
- Você pode contar como foi? Porque veja bem, não ficamos aqui com o cu na mão de preocupação pra você vir e rir como se tivessem contado a piada do ano! – ele parecia sério.
Parei de rir e respirei fundo.
- Tudo foi tão rápido! Eu bati nele, falei pra ele ficar longe de , aí ele revidou e depois consegui bater mais e o ameacei de morte, pronto.
- Olha, vou ser sincero. Parando pra pensar, isso tudo vai dar em merda. – falou pensativo, coçando sua nuca. – Não sei vocês, mas acho que o Mike não vai esquecer tão cedo essa briga e ainda tem a ...
- Puta que pariu! É mesmo! – gritou como uma bicha – Eu não tinha pensado nisso antes. Depois disso, quem vai querer matar você nessa história é a .
Porra, agora que caiu a ficha.
Como eu, o cara que ela tava odiando nesse momento, ia dizer a ela que tinha dado uma surra em seu melhor amigo?
Ela iria me matar, e o pior: nunca mais ficaria comigo.
:
- , você pode parar de olhar o portão do colégio por pelo menos cinco minutos pra gente estabelecer uma conversa saudável? - me perguntou.
- Mas eu não estava olhando o portão... – dei uma de desentendida.
- , se você quer se enganar, tudo bem. A gente aceita, mas nos enganar... Aí já é outra coisa. – falou mascando seu chiclete com um jeitinho engraçado, sentou do meu lado e me olhou – O que tá acontecendo? Saudade dele?
Senti minha garganta dar um nó. Eu era tão óbvia assim?
Acho que na minha testa estava escrito: “, volta! To afim de beijar você de novo!”
- É a minha mente que pensa o que não deve. – suspirei – Ela fica pensando no que o ta fazendo, no que ele vai fazer e com quem... Ta foda.
- Amiga, eu acho que você deve decidir logo o que tem que fazer. – disse olhando pra mim e fazendo uma cara tristonha – Porque nesse vai e não vai, ele fica com outra e pronto, acabou-se tudo!
- Não sei se gosto desse “acabou-se tudo”. – falei de uma maneira engraçada e fiz as meninas rirem. – O problema é que eu não sei como vou fazer pra falar com ele, pra chegar perto dele. Eu não consigo chamá-lo pra conversar, tenho medo do que ele pode fazer. Me ignorar na frente dos seus amigos populares ou até mesmo não me ouvir quando ficarmos a sós. Eu tenho medo de tanta coisa e tenho tanto orgulho que não sei se seria capaz nem de olhar pra cara dele.
- Mas , orgulho não leva a nada. – me disse – Vamos, o sinal vai tocar e ainda não copiei a matéria de Física. – o sinal tocou e minha esperança de ver por meros minutos foi por água abaixo.
Virei meu pescoço um pouco em direção ao portão pra dar mais uma olhada.
- Para, menina! Assim vai quebrar o pescoço de tanto olhar, acho que os meninos não vem hoje. – me puxou até o pátio e fui andando sem coragem pra sala.
:
- Estamos nos tornando verdadeiros vagabundos! – abriu a garrafa de cerveja sentado no sofá - Quem vai ser o próximo a perder? - estávamos em casa, sem fazer nada. Depois do que aconteceu, resolvemos não ir pro colégio, mas acho que pra falar a verdade, poderia ser o medo de enfrentar ou até mesmo, Mike surgir do nada e querer acabar comigo e com os meus amigos ao juntar o darkside todo contra nós.
- Eu! – dei um grito, pulando no sofá e pegando o controle do PS – Manda a minha cerveja, faz favor? - disse apontando pra mesinha do centro e Hazz me deu a garrafa. Bebi, saciando a sede. – Ah, nada como uma gelada pra relaxar as coisas por aqui...
Todos me olharam.
- Tá todo animadinho... Nem parece que vai enfrentar a fera que escuta punk! – comia uma coxinha insanamente. Sua boca tava melada de frango.
- Ew! Limpa a boca, caralho! – falei grosseiramente.
- Eu to nem aí, to na minha casa! Eu faço o que quiser. – ele abriu a boca mostrando tudo o que tinha dentro dela.
- , sempre tão maduro. – revirei os olhos.
- , sempre tão boiola. – ele me deu o dedo do meio.
- Pra sua informação, to animadinho porque já tenho ideias pra nossa festinha que vai ser louca, vai ter muita mulher e...
- E se a vier? - Hazz perguntou.
- Se ela vier, não tem problema! Não vou deixar de fazer as coisas só por causa dela, já fiz muito por , agora é cuidar disso daqui. – apontei pro meu querido amigo de baixo.
É, garotos podem ser ridículos às vezes.
- Mandou bem, ! – , ao meu lado, me deu um high-five. – Acho bom você pensar assim, se rolar alguma coisa entre vocês dois nessa festa, tudo bem. Se não, tudo bem também. O que importa é que vamos curtir do nosso jeito!
- Bom, o que eu mais quero é curtir essa festa... – falei com uma voz diabólica.
Já nesse momento, eu não me importava com mais nada! Pra mim, bater em Mike foi a última coisa que fiz por ela, se ela não me quisesse, isso eu não teria que mudar. Do que fiz eu não me arrependo, e se ela não ver por que eu fiz, não vou poder fazer nada.
Agora, eu só quero minha vida de volta.
Ou não.
:
Segundo dia.
Segundo dia sem ver . E eu já estava louca querendo saber onde diabos ele e seus amigos idiotas tinham se metido.
- Aí eu disse pra Sanderson “você precisa mesmo fazer isso?” – contava um história louca sobre uma vadia que tinha lá no colégio, a Rachel Sanderson. Ela tinha belas pernas e era loira. Bem sugestivo. Essa garota tinha mania de provocar os rapazes vindo com saias curtas e blusas decotadas, uma ridícula – Foi aí que ela empinou, colocou o dedo na minha cara e começou a falar merda, juro que queria falar “é você colocando esse dedo na minha cara e eu colocando minha mão na sua!”, mas me segurei, a professora de biologia tava na sala e pro meu coeficiente não era bom ter uma briga nos relatórios da escola. – eu até me distraía com a conversa quando meu coração pulou.
Vinham garotos bem conhecidos em nossa direção.
Meus olhos arregalaram-se e meu coração não parava de bater. Eles iam mesmo conversar com a gente no meio de todo mundo?
Foi aí que uma grande frustração apareceu: haviam três meninos, o meu não estava no meio deles.
- Oi. – falou sorridente pra nós e deixou seus olhos fixos em , claro. – Viemos em missão de paz.
- Pelo que eu lembre, ninguém tá com raiva de vocês três. – eu falei e senti um cutucão vindo de .
Harry tentou seu sorriso mais simpático e começou a falar:
- O lance é o seguinte, vamos dar uma festa nesse sábado e queremos vocês lá. Pronto, é isso. – ele foi direto e claro.
Uma festa? Na casa de deles?
Minha cabeça girava e muitas coisas se passavam, como por exemplo, se eu fosse pra festa teria que ver me ignorando, curtindo a vida e pegando alguém.
- Você vai, ? - me perguntou e parecia que todos esperavam por aquela resposta. – Queria muito que você fosse. – ele falou com certo carinho na voz, o que me fez achá-lo fofo.
- Desculpa galera, mas não vai dar. – num tom triste, disse sinceramente – Não quero ver... Vocês sabem.
- Nós sabemos. – Harry com seu jeito metidinho fechou os olhos como se tivesse querendo engolir uma coisa engasgada. – E então, meninas, vocês vão? - ele perguntou às minhas amigas que me olharam indecisas. Eu sabia que queria ir, já que eu estraguei seu primeiro encontro com . queria ir também, seria como trair sua paixonite por Harry se não fosse pra uma festa sendo convidada pelo mesmo, e ... O que ganharia pra ir nessa festa? – Olha, se vocês quiserem ir, por mim tudo bem! Sem problemas, não vou ficar chateada por causa disso... – falei como se não tivesse ligando que minhas melhores amigas fossem pra uma festa que eu não fosse.
Pelo menos eu teria a , certo?
- Então, se por você tudo bem, eu vou! – ela foi a primeira a responder. Valeu aí,
- Eu to super dentro! – disse toda animadinha.
- Eu vou. – falou tímida, olhando pra que sorriu satisfeito.
Ótimo, vou ficar sozinha no sábado à noite. YEY!
:
- Convidaram? – eu me sentia uma velha fofoqueira querendo informação. Perguntei baixo pros meus amigos quando estávamos na aula de geografia. Não fui com eles porque não sabia o que faria na frente de . Eu preferi ficar pra por meu plano em prática, tentar esquecê-la. – E o que aquela pessoa disse? – não por nada, eu só queria saber se ela ia ou não. Muitas coisas poderiam acontecer com aquela reposta. – Fala caralho! – sussurrei – Eu fiz uma pergunta, quero a resposta!
- Ela não vai. – Hazz disse, também sussurrando – Ela não quer ir. Satisfeito? Era isso que queria ouvir? - parei na hora.
Ela não iria. Na real, eu não sabia bem o que eu queria, se queria que ela fosse ou não. Uma parte de mim não queria nem ver a sombra dela naquela festa e outra estava tão esperançosa que se pudesse, fazia a festa aqui e agora só pra ficar comigo e acabar de vez com essa coisa toda.
- ? - mexeu no meu braço, me fazendo sair do meu transe.
- O que, porra? - balancei a cabeça em sinal pra que os pensamentos saíssem. – O QUE É? - gritei porque ainda me cutucava e o professor se virou e nos olhou. Com os seus óculos de velho e olhos sérios disse:
- e , se retirem. – ele falou tão sério que nem me titubeei, saí puxando meu amigo retardado.
- Muito obrigado! Era tudo que eu precisava! Sabe quanto eu preciso pra passar em Geografia? - disse pra enquanto andávamos até a cantina – Não é todo mundo que sabe sobre relevos, montanhas e vegetações! Porra, eu vou ser músico, pra que quero saber sobre merda de vegetação?! - sentei em uma cadeira do refeitório seguido por .
- Mano, to com uma puta fome.. – falou simplesmente, ignorando meu ataque histérico.
- Você sempre está com fome, , nunca vi! – revirei os olhos.
comia seu croissant enquanto eu mexia no meu Facebook pelo meu celular.
-V ou postar no Face que vai rolar uma festinha e que pra chegar é só levar alguma bebida. – riu de boca cheia e engoliu.
- Tu acha mesmo que ela não vai? – eu já sabia de quem ele falava.
- Eu não sei, sinceramente. é tão imprevisível que não estranharia se aparecesse do nada, louca na festa. – ri do meu comentário e por alguma razão, meu coração no mesmo instante teve uma reação já conhecida. Isso me lembrou uma das coisas que mais eu gostava nela: era uma garota imprevisível.
- Engraçado, mas acho que ela vai fazer isso. Aparecer do nada e fazer você melar a cueca. – eu ri alto.
- Por que iria me fazer melar a cueca?
- Porque você querendo ou não, sempre tá melando a cueca quando está por perto. Naquele dia da lanchonete, você saiu se borrando porque não agüentou saber que tava gostando dela ou então naquele dia em que acabou com que vocês tinham e você foi meio medroso pra por moral e fazê-la ouvir o que você tinha que falar, ou então...
- Saquei. – disse meio envergonhado.
- Você sempre soube agir com qualquer menina, já com ... – ele mordeu um pedaço grande de seu lanche como se tivesse falando a maior besteira do mundo. Pra ele, porque pra mim, fazia maior sentido.
Eu nunca fora tão medroso com as coisas quando o assunto era garotas. Sempre fui chegado a uma pressãozinha, a dar certas indiretas que as deixavam querendo pagar pra ver, e foi diferente, desde o momento da aposta até agora.
:
- Eu to com fome, pelo amor de Deus, vamos pra cantina! – falei quase pra gritando pras minhas amigas lerdas. Corri pra fila pensando em comprar comidas e doces como se não houvesse amanhã.
Cheguei toda animadinha, já que a professora tinha nos largado cinco minutos antes do intervalo, e eu ia comprar lindamente as minhas coisas sem fila nenhuma.
Suspiros de felicidade.
Fui andando como louca até a cantina, me apressando pra ser atendida.
- Olha... - falei pra tia da cantina – Hoje eu quero uma folheado de misto, uma Coca, e coloca dois doces desse daqui. – apontei pra caixinha de vidro – E eu quero os dois grandes, viu? - falei pra tia por fim, que me deu um sorrisinho fofo e gentil. Ela me deu a bandeja cheia de coisa e fui andando atrás das minhas amigas. Quando eu menos espero, as três estavam paradas em uma mesa, conversando com uns meninos.
Parei de andar na mesma hora!
Eu não sabia o que fazia! Se andava até lá, se passava por eles, se fingia que não tinha os visto ou se ficava lá com cara de babaca. O que eu ia fazer?
De novo, que porra eu ia fazer?!
“Calma, ” tentei falar pra mim mesma, sem solução.
Então, uma coragem súbita veio até mim, me fazendo andar. O que eu não contava era com as tremedeiras que minhas pernas faziam, mas aí já era outro problema!
Fui andando com o coração na mão e me arrependendo da quantidade de comida que tinha na minha bandeja.
“Ótimo, agora vai achar que eu to comendo demais e que é por causa dele ou pior, que eu sempre comi muito e, que com isso, vou virar uma balofa e vir rolando loucamente pro colégio.” a minha voz interna não parava de me massacrar enquanto eu continuava andando.
- ! – a acenou pra mim naturalmente. Fiz um gesto com os ombros como se não tivesse nenhum problema e fui até, finalmente, eles.
- Oi. – eu disse baixinho, envergonhada com o tanto de comida que tinha na bandeja. mal olhou pra mim e quando fez, foi rápido demais. foi mais receptivo, me mandando um sorriso enérgico a lá .
- Oi ! A gente tava falando sobre a festa – ah, claro! E se fala mais de alguma coisa entre vocês?
- Legal. – me limitei a dizer isso.
- Então... V-você não vai? - ouvi a voz de pela primeira vez em dias e porra, quanta saudade eu tinha daquilo! Sua voz parecia nervosa e seus olhos não paravam de piscar. Em suas mãos tinha um pedacinho de guardanapo e que se rasgara ao falar comigo.
- Não. – dei um sorriso torto – Tenho umas coisas pra fazer. – menti já sabendo que ele não cairia. – Meninas, podemos ir pra nossa mesa? É que isso está realmente pesado. – levantei minha bandeja, a mostrando. Admito que falei meio que arranjando uma desculpa pra sair dali o mais rápido possível.
Como boas amigas, elas sabiam do que se tratavam e foram comigo.
- A gente se encontra na festinha. – falou e saímos todas.
Agora, eu podia respirar aliviada.
- MUITO OBRIGADA! – falei sentando na nossa mesa do darkside – MUITO OBRIGADA MESMO, MENINAS!
- O que foi? - quis saber.
- Você jura que não sabe? To agradecendo por vocês pararem na mesa do e fazer com que ele pense que eu sou uma gorda que come pra caralho, que prefere ficar sozinha em casa enquanto todo mundo se diverte!
- E não é a verdade? - disse divertida, fazendo todas rirem, menos eu.
- Ridícula. – revirei os olhos. – Poxa, gente... É sério, foi super chato.
- Eu sei amiga, mas pensa... A gente não ia deixar de falar com os caras que nos convidaram pra uma festa com os populares e logo eles que já viraram tão queridos, pelos menos pra mim! – levantou a mão e as outras duas também, concordando.
Assenti com a cabeça, voltando pro objetivo principal: comer.
- Agora eu posso comer em paz? - falei já de olho no meu folhado – Obrigada.
:
- Era disso que eu tava falando. – disse.
- Do quê?
- “V-você não vai pra f-festa?” – ele me imitou com voz e gestos afeminados – Seu mela cueca!
- Eu não sou mela cueca! – aquela brincadeira já estava enchendo o saco – É que eu só fiquei meio... Tenso, só isso!
- Seu mela cueca! – ele repetiu e quando fui fingir que ia avançar nele, meus outros dois amigos chegaram.
- DR uma hora dessas? - Judd riu e veio logo atrás dele.
- É que às vezes a minha mulher é meio descontrolada, não é meu amor? - tentei alisar o queixo de mas ele conseguiu desviar.
- Tem certeza que você quer falar de mulheres e descontroles? Porque se for, a gente começa com a dona protesto...
- Sabia! Eu sabia que uma hora ou outra a gente ia voltar a esse assunto! – sentou na mesinha da cantina estranhando alguma coisa – Nós não devíamos sentar na nossa mesa de sempre, tipo aquela no meio do pátio?
- Ainda falam que quem tem frescura são as meninas. Vamos pra lá já que a moça do não achou o local agradável. – Harry disse e fomos até a nossa mesa favorita, sentamos e fizemos claro, a nossa visualizada clássica: as garotas do colégio.
Meus olhos pararam na menina que tinha uma calça justa e blusa decotada. Ela falava com suas amigas e mexia repetidamente seu cabelo.
Eu já tinha pegado, era Rachel.
Loira e gostosa – uma boa combinação. Eu tinha lamentado como fora a minha experiência com ela por causa de certa pessoa mal agradecida.
Pensei comigo mesmo. Ela poderia ser meu link perfeito pra minha vida de antes, poderia se encaixar no que eu queria, e isso aconteceria na festa.
- Voltando ao assunto... Acho que ...
- Vocês podem parar? Eu to cansando de ouvir vocês falaram sobre ela, tudo gira sobre essa menina! Acabou, gente! Não foi ela mesma que disse que tinha acabado? Então, vivam com isso que eu vou seguir em frente! – saí sem dizer mais nada e já sabia pra onde eu iria.
:
- ,olha aquilo! – virou minha cabeça pro lado direito do pátio e eu não tinha acreditado no que meus olhos estavam vendo.
com uma menina.
Calma, eles não estava ficando, mas pareciam bem íntimos.
Queria trucidar aquela vaca que tava com ele, eu sabia bem o tipinho da Sanderson! Ela adorava um cara atrás dela, e quem não queria atrás de você?
É, parece que essa pergunta foi meio bad. Na teoria, eu não queria atrás de mim e agora to puta só de vê-lo conversando com aquela vadiazinha loira.
Começou o que eu temia.
- Porra. – falei baixinho soltando a raiva que eu tava na hora.
- Calma . Vai ver eles estão conversando alguma coisa sem importância. – tentou amenizar a situação.
- Como vídeo game ou de como está o dia? – falei um pouco brava e cada vez que ia falando, eu ficava mais vermelha.
Eu tinha problema sério com esse tipo de coisa. Eu não tinha só ciúmes, eu tinha ciúmes e mais um pouco.
Beleza que ele não tava comigo e que tudo isso era por minha causa, mas porra, já?
Mal acabou comigo já ta atrás de outra?
E foi aí que uma tristeza bateu em mim. Era claro que eu não passava de um passatempo pra , que era mais uma conquista dele.
Palmas, agora ele conseguiu o queria. Agora to realmente machucada.
- Eu pensava que ainda tinha jeito, mas agora... – olhei pra eles e me lembrei de como tinha suas “queridas amigas”.
- Eu sabia que isso ia acontecer mais dia, menos dia. Tava claro que não ia sossegar, mas veja o lado dele, . Ele deve estar chateado, magoado... Resolvem tudo com bebida e mulheres estilo essa free bitch aí! – falou de um jeito que me fez rir só um pouquinho.
- Vocês são demais, não existem! Se ele quiser ficar com essa vaca loira o problema é dele, eu que vou cuidar da minha vida. Pronto. – fiz um gestinho com o dedo do meio e minhas amigas riram de mim.
- , quando você vai aprender, hein? - perguntou.
- Aprender a fazer o que? - disse não entendendo.
- A amar direito.
:
- Só quero saber duas coisas: como e quando? - Hazz perguntou sentando na minha cama enquanto eu estava no computador falando com Rachel no MSN.
Já estávamos assim.
- Como e quando o que?
- Essa mina apareceu do nada, como? - ele se referia à Rachel.
- Vou esclarecer as coisas. Eu fiquei com ela na festa da Sam, mas essa ficada foi atrapalhada por causa da que fez aquela merda toda e agora, já que estou livre pra voar, quero aconchego e carinho de outros braços. – falei gesticulando com as mãos como se tivesse fazendo esquemas pra ver se Harry estava mesmo me acompanhando. – Entendeu?
- Ah! Você está com a síndrome do homem ferido, foi procurar amor em outros braços.
- Não mesmo! Síndrome do homem ferido é o caralho! Eu voltei à ativa! Eu só estou voltando a ser como antes! Sou o de novo, vamos comemorar, voltei pra ficar com as novinhas. – eu ri da minha própria piada.
Uma coisa era clara, eu estava de volta. Eu queria estar de volta. E naquele momento nada e nem ninguém podia tirar isso de mim.
- Então tá. – Judd disse incrédulo – Quero vez esse gás todo aí na festa. E por favor, se achar a minha cueca da sorte, me entregue porque eu não vejo a hora de transar com a Sam.
- Tu ainda não desistiu? - era sério que ele ainda insistia em comer aquela menina? - Isso que é tesão acumulado!
- Man, nessa festa vai acontecer e vai ser na minha cama. Vou chorar na hora.
- Otário, parece um virgem.
- Aquela garota é muito gostosa, pelo amor de Deus! Eu preciso pegar, sério. Na última festa, eu cheguei tão perto... Fui na porta da felicidade e você, como sempre, me atrapalhou.
- Sai daí! Eu não atrapalho a transa de ninguém! Aquele caso foi único, não podia deixar de ajudar a menina lá.
- A menina lá, a né? Duvido que se fosse outra menina lá você me atrapalharia e sairia de uma festa.
Revirei os olhos, cansado de tanta coisa relacionada a ela.
- Olha, eu não sei se você tá percebendo, mas eu to tentando superar tudo isso. Não vou mentir que gosto dela. é diferente de tudo que eu já tive mas não deu certo. Como vê, – apontei pro computador – to fazendo de tudo pra voltar ao que era antes e se for preciso beber mais do que eu bebia e ficar com o número máximo de garotas pra esquecê-la, eu faço. Eu não quero ter nada a ver com sua vida. Pra mim, acabou. De vez. – eu desabafei. Eu gostava de , mas estava cansando de ela não me querer. Meu amigo chocado com a minha pequena declaração fez um "o" com a boca e fez menção de falar.
- Acho que é a primeira vez que você foi sincero em relação à .
- Eu sei e é por isso que peço pra que você não fale mais dela aqui. Sei que é gay...
- É totalmente.
-Mas é o que eu quero.
- Então tá. – ele se levantou – Como você quiser, doce donzela. – fez uma reverência, saiu do meu quarto e gritou no meio do hall: - Aviso importante! Nada de falar sobre nessa casa!
:
Esse seria o meu quinto cigarro só naquela tarde.
Meu cabelo fedia a fumaça, minha boca estava seca e meus olhos não saíam da rua calma de casa. Traguei pesadamente o cigarro, soltei a fumaça tentando inutilmente fazer círculos com ela.
- Nem pra isso eu presto. – disse comigo mesma.
Suspirei.
Olhei pra bateria e decidi tocar.
Coloquei meu cigarro na boca, sentei no banquinho da bateria e fiz um coque no cabelo.
Som de uma música qualquer começou a soar no meu quarto. Eu batia cada vez mais forte, tocava com mais dor e de repente, me vi chorando.
Parei de tocar, fumando ainda o meu humilde cigarro. Aquele sim era o meu único companheiro.
Tentei segurar as lágrimas e já cansada de pensar sobre o que tava acontecendo, resolvi fazer algo que depois eu pudesse me arrepender, mas agora seria bom pra mim.
Joguei meu cigarro no cinzeiro. Coloquei rapidamente a minha calça jeans, uma blusa dos Ramones e um Vans preto e saí de casa em direção à estação de trem.
:
- Já enviei uns e-mails, já postei no Face e no Twitter da banda sobre a festinha, tudo certo. – eu disse entrando na cozinha.
Meus amigos estavam sentados na mesa comendo o jantar. Todos estavam de samba-canção e rindo sobre alguma coisa que tinha dito.
- Posso saber a graça?
- Você! – todos responderam juntos.
- O que tem eu? Eu não to cagado nem nada! – me virei pra ver se tinha alguma coisa de errado.
- Lembrei do episódio da estrelinha colorida. – disse e ah, mano! Eu já sabia do que eles estavam falando – , você falando pra menina que queria ser a estrelinha colorida dela porque se sentia especial perto dela. – naquele momento eu tava morrendo de vergonha.
- Cara, eu tava bêbado e queria muito ficar com ela então pensei que qualquer coisa seria jogo!
- Velho, isso foi a pior cantada que eu pude ouvir. – riu.
- Porque você não ouviu todas do meu repertório. A sua prima deve saber quase todas! – eu me defendi e ele ficou sem graça.
- Tira a minha prima da história! – ele pediu.
- Não! Falar de mim assim é legal, mas dar a prima pra mim que é bom, nada né? - disse safado. Ele sabia bem as minhas intenções nada boas com a prima gostosa dele. Acho que todos sabiam.
- Que isso, dude! A prima é covardia... – disse em defesa de seu querido amigo.
- Covardia é irmã, como nunca peguei as irmãs de vocês, não posso falar nada. Agora a prima...
- Puta que pariu ! Você pegou a minha prima? – pareceu nervoso.
- Vou te deixar com o gostinho da dúvida. – eu dei uma risada fatal.
Comigo era assim, quando brincadeira era pesada, levava outra na cara!
:
Cheguei à antiga ferrovia. Já estava escuro e parecia que ia chover. Enrolei-me mais na minha inseparável jaqueta preta que tinha resolvido trazer comigo de última hora.
Procurei instigada pelo cara que queria. Eu estava nervosa, com mente, espírito e coração loucos. Eles precisavam de sossego que eu podia muito bem dar.
Eu tinha achado o tal cara, o fornecedor.
O nome dele era Frederico Gordon, mais conhecido como Fred. Até que ele era bonito. Magro, cabelos pretos, olhos azuis redondos e convidativos, tudo que garotas queriam: boa aparência e muito bom de lábia.
Fred só tinha um defeito, vendia maconha.
- Faz tempo que eu não te vejo por aqui. – ele falou pra mim assim que cheguei.
- Vida corrida. – falei simplesmente. – Quero algum.
- Claro, princesa – sua voz era mansa – Quer quantos? Você sabe que quem manda aqui é você. – ele passou sua mão em meu rosto – Cadê seu amigo, o que sempre vem aqui?
- Eu não sei, não faço a mínima idéia. – pela primeira vez, eu não sabia onde Mike estava, por onde andava e isso me deixou com uma sensação ruim. – Vai me dar ou não?
- Quantos você quer? - ele abriu sua bolsa que ficava nas costas – Você sabe que aqui é no precinho, não sabe?
- Sei, quero dois. – ele tirou dois cigarrinhos de sua bolsa e me deu. Dei o dinheiro e fui andando, mas antes ele falou:
- Obrigado por negociar comigo.
Sentei na escada que levava na recepção da antiga ferrovia. E aquela aparência de antigo me agradava. Acendi o cigarrinho sem muita dificuldade, eu poderia dizer que estava ansiosa para ficar chapada. Tudo que eu queria ficar fora do ar por alguns momentos.
Traguei o baseado segurando-o com os dedos polegar e o indicador, fechando logo os olhos. Primeiro, aquela sensação boa atingira meu corpo rapidamente. Soltei a fumaça pelo nariz e tudo que senti depois foi minha cabeça ficar pesada. Apoiei-a na parede que eu estava encostada fechando os olhos novamente.
Ah, aquela sensação de alívio que eu tanto queria finalmente estava vindo. Cocei a cabeça preguiçosamente sentido cada parte dos meus dedos encostando-se ao meu coro cabeludo e aquilo estava incrivelmente gostoso.
Puxei mais uma vez no meu baseado e uma vontade gostosa de rir veio na mesma hora. A vontade foi tanta que eu nem esperei soltar a fumaça, ri com toda força e com isso, tossi me engasgando com fumaça presa ainda na garganta.
Eu estava feliz ali. Não tinha nenhum problema, não brigava com ninguém, não tinha ciúmes de ninguém. Eu podia ser eu mesma ou uma versão sorridente de mim.
Ali, eu poderia ser que eu quisesse ser.
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- Bom dia! O que tem pra hoje? - perguntei me espreguiçando. sem camisa, só de calça jogado no sofá com cabelos amassados, tinha melado sua blusa com pasta de dente e foi tirar a blusa, e Harry dormia no sofá
- Aula de Física, Matemática e Redação. – olhou seu caderno com os horários das aulas.
- Mano, hoje tem Redação! Eu odeio essa matéria! – eu falei penteando o cabelo.
- É sério que você tá reclamando de Redação quando se tem Física e Matemática no mesmo dia? - parecia indignado.
- Nas aulas de cálculos, meu caro amigo, ainda dá pra enrolar, mas em redação não! Aquela velha dos infernos fica toda hora em cima e você sabe que eu tenho preguiça de escrever! Saco!
- Parem de gritar, to querendo dormir. – Harry falou como um gato manhoso e dei um tapa na testa dele.
- Fale que nem homem, porra! Acorde, a gente já vai pra merda do colégio. – avisei.
Chegamos ao colégio, a maioria da galera vinha pra falar com a gente sobre a tão esperada festa dos Mcguys. – era assim que nós éramos conhecidos.
Minha atenção foi direcionada a certo corpo que passara no portão.
Seus cabelos estavam lindamente soltos, seu estilo não negava quem era. Passou por mim como se não me conhecesse, só cumprimentou os meus amigos e um cheiro um pouco conhecido nos chamou atenção.
- Eu sei que você não quer saber dela, mas ela anda se drogando de novo? - Hazz cochichou no meu ouvido.
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- Que cheiro é esse, ? - me perguntou preocupada.
- Se sabe, pra que eu vou responder?
- Acabou o respeito! Como você vem chapada pra escola, hein? Tem medo do perigo não?
- Não! Eu nem fumei tudo, ok? Eu só fumei uns poucos tragos. Deixei um pouco pra outra hora. Algum problema? - eu senti que naquela hora eu fui realmente debochada, mas eu não tava nem aí.
- , isso tem a ver com Mike? Você voltou a ser amiga dele, é isso? - perguntou.
- Eu não sei onde Mike está e nem quero saber! No mínimo, ele deve tá jogado numa calçada e drogado, como me deixou. To indo. – o sinal tocou e fui até a minha sala.
Os dias se passaram e cada vez mais me via distante do mundo real. O final de semana tava quase aí e o meu medo de ficar sozinha em casa triste ia ficando cada vez maior.
- Professora, posso ir ao banheiro? - era aula de Filosofia e tava chata pra caralho.Eu não queria assistir nem a pau, então resolvi fumar.
- Porra , vai fumar de novo aquilo? - sussurrou enquanto eu me levantava. Sua voz era de decepção.
Neguei com a cabeça, mostrando discretamente o cigarro normal pra ela e senti de longe seu alívio.
Saí indo em direção ao Corredor dos Losers. Fui descendo as escadas quando algo se chocou comigo.
- Ei, toma mais cuidado. – falei, não vendo quem era a pessoa. Meu cigarro caiu para um degrau mais abaixo que a pessoa que logo em seguida, descobri quem era.
- Desculpa... – disse de um jeito fofinho que me fez quase abraçá-lo ali mesmo.
Eu tava com saudade, era fato.
- Ah, é você. – tentei expressar desânimo, quase conseguindo.
- Acho que isso é seu. – ele pegou o cigarro da mão e me deu.
- Obrigado. – peguei quase grosseiramente o cigarro de sua mão. – Pode me dar licença, por favor?
- Claro. – ele abriu caminho. Assenti com a cabeça em forma de agradecimento. Desci as escadas nervosa quando o ouço perguntar:
- Vai pro corredor?
- Velhos hábitos não mudam. – respondi e desci de vez.
Eu queria dizer tudo que estava entalado dentro de mim. Dizer que o queria de volta, queria com todos os defeitos dele. Eu queria dizer que estava com saudade do jeito que ele tem aquele nariz empinado, do jeito que ele toca guitarra, do jeito que fuma e até do jeito que mexe o cabelo.
Eu queria tudo que ele tinha.
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Eu passei o resto da aula calado e pensativo.
Já tava decidido que eu não queria ter nada a ver com a vida dela, mas a minha preocupação estava clara. Eu sabia que andava exagerando nas doses de loucura. Eu podia sentir só pelo cheiro!
Eu prometi a mim mesmo que sua vida não me interessaria mais, o problema é que com as coisas não são tão rápidas assim. Não tem como você dizer “não, eu não quero mais gostar dela”. Eu simplesmente não sabia o que faria. Deixá-la dar uma de drogada e perdida ou se tentava, pela última vez, ajudar.
Aí veio uma idéia. O meu último ato de solidariedade.
O sinal do intervalo tocou, nós fomos pra nossa mesa no centro do pátio.
- , tá rolando alguma coisa? Você tá caladão... – observou e eu não respondi.
- Eu volto já. – saí sem dar mais explicações. Fui até , e . não estava, então a hora era agora.
Já que eu não podia mais cuidar de de perto, pediria às suas amigas pra fazê-lo.
- Oi. Pois não? - tirou o canudo da boca.
- Quero saber da . – falei um pouco envergonhado. – Eu sei que ele deve ter feito a minha caveira pra vocês, mas enfim... Notei que ela anda meio estranha, mais do que o normal. – eu soltei essa e as meninas olharam torto. “Porra, ! Você tá falando com as estranhas do colégio!”, pensei comigo mesmo e ri sem graça, mesmo assim, continuei – Entendam, quero saber como ela tá. Eu to preocupado.
suspirou parecendo preocupada.
- Ela vive. Fumando loucamente, mas vive.
- Fumando o que eu devo estar pensando?
- Não sei, . – foi a vez de responder. – Nós não sabemos. Às vezes ela fuma baseado, às vezes cigarro. Mas o que tá na cara é que ela não para de fumar.
- E se você acha que tem a ver com isso... Saiba que está certo! – me alfinetou.
- Olha, a já é bem grandinha pra saber o que é certo e errado. Se ela quer se destruir, aí não é problema meu! Mas isso não importa, não vim falar de nós dois. Eu só vim pedir pra que cuidem dela. – as meninas me olharam surpresas – Mesmo afastado, eu quero o bem dela. – percebi que vinha e logo me apressei – Vou nessa antes que eu seja expulso.
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- O que ele queria aqui? - apontei com o meu polegar pra que tinha saído assim que cheguei.
- Se eu fosse você, ia pra festa mais do que nunca. – deu um sorriso enigmático voltando a tomar o seu suco.
- Alguém pode me explicar o que tá acontecendo? - perguntei ainda sem entender nada.
- anda preocupado com você, . É isso. – falou simplesmente. Senti um arrepio na espinha só de saber que ele ainda pensava em mim. Isso era bom, não era?
- Sério? Ele não pareceu preocupado quando tava quase agarrando Rachel no meio do pátio. – roubei o cookie que estava na mão de .
- Hey! Isso era meu! – ela falou aborrecida.
- Era seu. –comi, pensando que pelo menos por agora, as coisas estavam ficando bonitinhas.
No laboratório de Química...
Eu tentava a todo custo não pôr fogo no meu jaleco. Eu tinha o poder de fazer desastres naquele laboratório, e com certeza o fogo não era o meu amigo ali.
Com os óculos de proteção, mexia na solução azul, que logo seria acrescentada em outra pra aquecer. Minha dupla escrevia no caderno o que seria feito depois dali.
- , coloca no tubo de ensaio essa solução. – fiz o que ela pediu – Depois jogue tudo no béquer que vai aquecer a parada.
Mais uma vez, fiz o que me pediu.
- ?
- Oi.
- Você não acha estranho esse sumiço do Mike? - verdade, agora eu tinha parado pra pensar que Mike tinha sumido mais uma vez.
- Ele deve tá fazendo as coisas dele, . Fica tranqüila, você sabe como ele é. – tentei tranqüilizá-la. deu um sorriso torto.
Eu não tinha noticias de Mike há dias! E se ele tivesse em algum lugar perigoso? Se ele tivesse se metido em algum problema?
Eu comecei me preocupar, mas no fundo sabia que não adiantaria nada! Mike sempre se metia em encrenca e escapava. Então, tava tudo certo.
- Porra! Tá pegando fogo! – gritou quando eu sem querer encostei a palheta de madeira na tocha.
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Sábado, dia da festa. Finalmente.
Eu tinha tudo planejado: a festa seria um sucesso. Bebidas, música e garotas.
Tudo que um cara poderia imaginar. Tudo sairia perfeitamente bem.
- Acorda, caralho! A gente tem que pegar as bebidas do depósito. – eu estava de boxers, com cabelos bagunçados e de meias, tentando acordar Hazz que babava no travesseiro.
- Calma, to indo. – Harry se limitou a dizer isso e voltou a fechar os olhos. Esse cara tava de brincadeira, só pode.
- Eu vou chamar mais uma vez, e se você não levantar...
- TO INDO! – ele se levantou puto. Sua cueca samba-canção cheia de estrelinhas sorridentes me fez ter ataque de riso.
- Você ainda usa essa merda? - apontei pra cueca ridícula dele. Harry me deu dedo e foi até o banheiro. – Como você ousa chamar os seus amigos de bichas usando uma merda dessas?! – gritei e bati na porta do banheiro.
- Não fode. Me deixa tomar banho! – disse com voz de sono.Saí e fui me arrumar.
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Acordei coçando os olhos e soltando um bocejo gostoso.
Levantei a cabeça, sentindo uma forte dor. Olhei pra o lado, tinha bebido demais na noite passada. As sete garrafas de cerveja denunciavam isso.
Merda.
Minha blusa dos The Doors me engolia e eu só estava de calcinha. Olhei em volta percebendo a bagunça que eu tinha deixado na noite passada. Minha mãe ia brigar.
Levantei-me. Vi o cinzeiro perto da janela cheia de bitucas de cigarros, algumas no chão também. Tive até um susto quando vi que havia queimado – acho que sem querer – o edredom preto cheio de notas musicais brancas. Outra coisa pra minha mãe brigar, legal.
Decidi, antes de tudo, tomar banho porque eu estava podre.
A água quente relaxa meus músculos me fazendo dar pequenos suspiros. Sério, eu estava tensa, minhas carteiras de cigarro que o digam.
Eu me afundava no meu próprio problema, eu não queria dividir com ninguém, mas tinha medo de tê-lo pra mim e isso me corroía.
Eu sou tão orgulhosa que chego ao ponto de sentir dor só de pensar em me rebaixar e pensar que precisava de , e precisava agora.
Mas aí era que tava o problema todo que eu criei, eu não queria chegar lá e dizer o quanto eu tava mal, e o quanto eu estava arrependida de ter acabado a nossa pseudo-relação. Aquilo tava me matando.
- E ainda tem a droga da festa. – disse pra mim mesma saindo do box do banheiro.
Parecia que eu podia ver tudo. e Rachel se agarrando no meio da festa e eu, no meu quarto, curtindo minha solidão regada a cigarros e cerveja.
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Batia meus dedos no volante ao som de Coldplay. Harry ao meu lado usava seus inseparáveis óculos escuros e cantava junto com a música.
- Sinto que essa festa vai ser épica. – falou quando a música havia acabado.
- Se vai ser eu não sei, só sei que vou deixar meu zíper aberto pra criar expectativas. – Harry riu junto comigo.
Nosso carro estava lotado de garrafas de cerveja, vodka e uísque. Passei sobre um quebra mola e as garrafas bateram entre si, fazendo barulho.
- E a Rachel vem, né? - senti uma certa acidez em sua voz.
- Vem, acho que vamos ficar. – falei – Você não gosta dela?
- Sei lá. Ela sempre foi sem sal. – Hazz como sempre, foi direto. – Mas não sou eu quem vai pega-la. então...
- Sempre tão amável. – revirei os olhos. Já estávamos na esquina da nossa casa.
- O que será que os caras estão fazendo? - ele ignorou o que falei e perguntou.
Chegamos em casa . estava com uma vassoura na mão e com um pano.
- Milagres existem. – joguei minhas mãos pro alto, agradecendo – Obrigado Senhor por esse milagre!
- Idiota. – quase ia dando uma vassourada em mim. –Já que os espertos foram comprar as bebidas, decidimos arrumar as coisas por aqui. Mas não pensem que vão ficar aí sem fazer nada! Peguem alguma coisa e limpem lá fora e a piscina também, ela tá podre. – ele ordenou e pela primeira vez tive medo de .
Eu não mencionei a nossa casa por fora. Tínhamos uma parte externa, onde ficava a piscina, o bar – onde mais tarde íamos colocar um mini palco – e algumas mesas com guarda-sol.
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- Tem certeza que você não vai? - perguntou pra mim. Todas elas estavam no meu quarto já arrumadas. usava um short boyfriend com blusa branca e uma xadrez por cima. usava uma blusa preta dos Beatles que deixava um dos seus ombros aparecendo, sua legging era preta também r ficava legal com seu All Star branco, já tava vestindo uma blusa branca com os dizeres “Just art”, calça rasgada e um sapato de couro.
- Tenho, gente. Não ia ser legal mesmo eu estar lá... – me enrolei mais nas cobertas. Não tinha feito nada o dia todo.
- Se você quiser, a gente fica. – disse, me surpreendendo. Eu sabia que ela queria mais que tudo ir nessa festa e ficar com Hazz, mas ela ficaria por mim, se eu pedisse. Uma fofa.
- Não, quero que vão e curtam a festa dos populares! – eu dei um sorrisinho pensando que nunca imaginaria elas numa festa dessas.
fez carinho no meu rosto e se levantou.
- Vamos meninas? - pegou sua bolsa em cima da minha escrivaninha. – Qualquer coisa ligue. E quando eu digo qualquer coisa é qualquer coisa mesmo! – ela riu. Abaixou-se pra dar um beijinho na minha bochecha e falou – Eu ainda tenho esperança de te ver lá. – ela sussurrou no meu ouvido e ficou ereta logo em seguida.
- Tchau, meninas! – elas se despediram de mim e se foram.
Ia ser uma longa noite.
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- So hold me close and say three words like you used to do, dancing on the kitchen tiles... Yes you made my life worthwhile. So I told you with a smile... It's all about you. It's all about you baby! - nós estávamos fazendo o show de abertura da nossa festa. A casa já estava cheia e as pessoas estavam indo à loucura.
Demoramos mais uma hora até acabar o show sob aplausos de uma galera já alta e divertida.
Tirei minha correia da guitarra e saí do palco seguido dos meus amigos.
O negócio era que a gente ainda estava na parte externa, estávamos começando a beber. já estava contando suas épicas piadas, fazendo todo mundo rir. Estávamos na terceira garrafa de cerveja até que viu uma loira muito da gostosa passar.
olhou pra mim com um olhar de luxúria.
- ESSA É GOSTOSA! – gritou e nós nos olhamos envergonhados. nem se abalou. – Vou até lá e fazer o corre pro que tá precisando. Agora, se ela quiser o aqui, não posso fazer nada. – e saiu. Ri do meu amigo e da sua atitude de me arranjar uma garota, coisa que eu podia fazer sozinho.
- Oi. – uma menina sorridente e linda falou. Bem sugestivo Rachel aparecer nessa hora.
- Oi Rachel. – dei o meu melhor sorriso. Estendi meus braços para abraçá-la. Seus cabelos estavam cheirosos e suas mãos acariciavam minha nuca.
Eu estava gostando daquilo.
- , vamos falar com um galera, voltamos já. – Hazz me avisou e saiu com indo até a churrasqueira.
E então, fiquei sozinho com ela.
- A gente pode entrar? Tá frio aqui. – falou manhosa me fazendo pensar em coisas nada boas. Levei-a para dentro que estava cheio e com música alta.
- Hey ! Puta festa, cara! – um cara da escola me cumprimentou perto da porta de vidro. Dei um high-five agradecendo e o mandando curtir como se o mundo fosse acabar hoje.
Todo tempo Rachel segurava minha mão enquanto eu falava com os convidados. Ela era simpática, bonita e cheirosa! O que um cara poderia pedir mais?
- Quer beber alguma coisa? - perguntei preocupado. Ela assentiu e fomos pra cozinha.
A cozinha estava cheia também, novidade – só que de amigos.
Os caras estavam lá com , e . Todos juntos, mas não juntos. A não ser por e , que finalmente estavam se pegando.
Ao ver o olhar estranho de pra Rachel, eu imediatamente, tirei sua mão da minha fingindo que ia pegar alguma bebida.
- Oi, meninas! – falei animado e elas me responderam – Por que tanta isolação? A festa é lá! – apontei pra porta fechada que levava pra sala onde tinha um DJ brother nosso tocando.
- Tá bom aqui! Perto das bebidas... E depois, lá tá cheio de gente e to esperando uma pessoa... – Judd falou piscando pra mim e eu já sabia quem seria essa tal pessoa.
- Hm... Vou lá pra fora. – olhei pra Rachael – Conversar um pouco.
:
“A vadia tá aqui.”
me manda essa mensagem.
Eu já sabia quem tava por lá. Rachel.
Meu coração deu um nó tão grande que senti lágrimas imediatamente irem pros meus olhos.
Porra, eu não queria ficar em casa enquanto uma vadia tomava o meu lugar e o meu cara! Sério, eu tinha perdido uma das melhores chances de gostar de alguém e isso pode parecer um tanto quanto brega, mas queria sim, ficar com ele e amá-lo.
Eu tava nesse nível. Eu queria porque queria ficar com ele e não me importava porra de orgulho nenhum!
Se pra ser feliz e ficar com o cara que eu gosto eu teria que passar por cima do meu orgulho, então que assim seja!
Abri meu armário pegando um vestido preto, uma camisa listrada, minhas botinas de guerra e um chapéu preto.
Eu iria pra festa.
Capítulo 13 - The Roof.
:
Eu estava no sofá com Rachel curtindo ela e sua linda coxa. Eu não estava ligando muito pras pessoas que passavam por lá comentando, ou do barulho que fazia por lá. O meu lance com ela não tinha conversas chatas que nos fazem perder tempo, era só tato – e eu já estava com saudade de tudo aquilo.
Eu beijava Rachel animadamente enquanto ela fazia questão de passar suas mãos na minha barriga. Fiz com que ela encostasse sua cabeça no sofá, coloquei minhas mãos em seu rosto a fazendo rir, beijando-a com mais intensidade ainda. Não vou mentir, eu estava gostando de cada toque, de cada carinho que ela fazia e me fez perceber o quanto eu estava precisando daquilo naquele momento.
- Arranjem um quarto! – ouvi uma pessoa gritar e sem quebrar o beijo, joguei meu dedo do meio pro alto. Ela riu e quebrou o beijo assim mesmo.
Droga.
- Você não quer subir? - ela me perguntou.Eu até queria, mas algo me mandou ficar.
- Vamos curtir mais um pouco a festa. Mais tarde a gente vai. – beijei seu pescoço.
E mano, como era cheiroso!
:
A música alta invadia a rua toda. Pedi pro meu táxi não parar exatamente na porta da casa deles. Não queria ser vista, não agora.
Paguei o motorista e fui em direção à casa. Havia muitas pessoas fora dela. Algumas sentadas na grama queimada, outras perto da piscina e outras fumando em frente à porta. Decidi ir pra uma das janelas pra ver se encontrava e a tal cretina.
Vi que a sala tava cheia de gente e que não dava pra encontrá-los.
Olhei pro lado, chateada. Eu só queria ver o que eles estão fazendo, só isso! Será que eles já estavam num quarto?
Na minha cabeça acontecia de tudo. Desde beijando-a até ele tirando a sua roupa.
Fiquei vermelha só de pensar.
Foi aí que uma árvore me chamou atenção. Eu sabia que na casa dos meninos havia uma janela de vidro no telhado, que dava pra ver toda a sala.
Subi na árvore sem pensar duas vezes. Eu estava de vestido, mas não ligava muito. Apoiei-me em um galho e com muito esforço, coloquei meu pé na calha do telhado.
Fiz um impulso pra pôr o outro e pronto, já estava no telhado. Subi engatinhando até encontrar a tal janela. Fui até lá com alguma dificuldade, minhas mãos estavam sujas e meus pés escorregavam de vez em quando.
A janela era ampla, dava pra ter uma boa visão da sala e da quantidade de cabeças que havia nela. Fiquei com a barriga colada na janela junto com o meu rosto e minhas mãos.Meu coração quase parou quando vi duas pessoas se comendo no sofá.
- Essa... Essa... Va... – foi quando eu caí e fui direto ao chão.
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Quebrei o beijo de Rachel, com sede. Peguei meu copo que tinha alguma coisa com vodca. A bebida desceu rasgando, me fazendo franzir o cenho.
- Tenho uma coisa pra dizer. Não queria, mas logo agora que a gente tá assim... – Rachel pareceu nervosa ao falar – Eu acho que vou pra França.
- Tipo, morar na França? - perguntei e ela fez que sim com a cabeça. Parecia que Rachel estava gostando de ficar comigo e não queria morar na França por minha causa.
Tipo, ela sabe que a gente não tá sério, né?
- Mas calma. – fez carinho no meu rosto – Vai demorar. Enquanto isso, a gente pode curtir um ao outro. – beijou meu rosto. Minha mão automaticamente foi até seu cabelo, puxando-o com mais força e fazendo com Rachel viesse mais perto pra pode beijá-la de novo.
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A minha situação era a seguinte: a saia do meu vestido estava na minha cara, meu chapéu no chão, minhas mãos sujas e pude ouvir uma risada tosca.
- Bela calcinha. – um cara com um copo verde na mão riu de mim. Minha calcinha roxa estava à mostra. – Sério, essa é uma calcinha bonita.
- Falando assim, não parece que você viu muitas calcinhas. – eu disse ácida me levantando. Ajeitei meu vestido, limpei minhas mãos.
O carinha pegou meu chapéu me dando em seguida.
- Tão cavalheiro. – ironizei
- Ao seu dispor, menina do telhado. – fez uma irreverência exagerada. Com isso, sua bebida caiu um pouco – Qual o seu nome?
- Pra você só vai ficar na menina do telhado mesmo. – saí abusada com o que vi e com a perca de tempo que esse cara tinha me dado.
Fui até a porta, juntei toda coragem que tinha e entrei.
O lugar estava completamente cheio. Pessoas se chocavam contra mim enquanto eu andava, recebia olhares confusos de alguns populares.
Um calor subiu quando finalmente encontrei quem eu queria.
e Rachel se beijando.
Meus punhos estavam se fechando, uma raiva crescia dentro de mim. A minha vontade de acabar com festa daquela menina era incrível.
Eu estava pronta pra ir até lá. Quando estava quase perto, eu senti um puxão no braço.
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- A tá aqui. – ouvi dizer isso quando fui ao banheiro. Eu tinha deixado Rachel com suas amigas chatas.
- Ah, mano, para de brincadeira! – falei dando um sorriso nervoso. – Não tem graça. – disse com medo. Sua cara não parecia de brincadeira. – Você não está brincando, né?
- Não, cara. – ele deu um gole em sua garrafa de cerveja – Queria eu. E tem mais.
- Mais? - eu me alertei – Mike tá aqui com ela?
- Não, não. Ela viu você beijando Rachel. – engoli em seco. – puxou antes que ele fizesse alguma coisa. Você tinha que ver, . tava com um olhar matador. - a idéia de ver com ciúmes de mim já me deixou com uma coisa no estômago.
Olhei meio atordoado pra galera na sala, procurando .Eu sabia que isso podia acontecer, no fundo eu sabia que ela viria. Eu que fui cego o bastante pra perceber que, ela também se importa com a gente, assim como eu, e vindo aqui, foi uma prova e tanto.
- Você acha que a gente vai se acertar dessa vez ? – quis saber.
- Eu não sei de nada. Depois que ela te viu beijando outra garota vai ser meio complicado ter alguma chance, mas como você mesmo disse que a é imprevisível... Tudo pode acontecer. – confirmei com a cabeça, surgindo uma esperança mesmo que mínima.
- Ela tá aonde?
- Na cozinha com o resto das meninas.
- Eu tenho uma ideia.
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- EU SABIA QUE VOCÊ VIRIA! – gritava pulando no meio da cozinha enquanto me dava uma bronca.
- Se eu não chegasse lá o que sobraria daquela pobre menina? - olhava pra mim – Eu sei como você é quando está com raiva, ! Sei muito bem!
- Tá defendendo ela agora?
- Não! Claro que não, só não ia ser legal o que você ia fazer. – chegou em e abraçou por trás, encostando seu queixo no ombro dela.
- Já vi que perdi mais uma coisa nessa festa...
- Porra, a está aqui! – ainda gritava e pulava - A festa tá completa, só falta uma coisa pra ficar perfeita! – ela olhou ladina pra Harry que desconfiado, saiu de perto dela.
chegou tenso na cozinha, olhando pra nós e disse:
- Caras, preciso de vocês urgente. Tem um cara fazendo merda lá em cima. ... – aí ele olhou pra mim, fiquei encolhida só de ouvir seu nome – ... Já está lá. Vamos?
Os meninos sem titubearem foram atrás de . Minutos depois, chamou , que entrou e falou:
- Amiga, a gente vai ajudar os meninos porque parece que umas loucas estão fazendo merda no banheiro também, como não querem ir pra não levar tapa na cara, chamaram a gente. – ela fez uma carinha de tristeza.
- Mas as três? - perguntei. – Olha pra , no que ela pode ajudar? - andava pra cima e pra baixo com seu novo inseparável copo de vodca.
- Desculpa, mas vou levar ela também. É melhor você ficar por aqui porque pode encontrar certas pessoas lá fora. Não queremos confusão, certo?
- Certo. – falei como se fosse uma criança de cinco anos que tivesse brigando com algum coleguinha no parque e que agora estava de castigo.
Todos se foram e eu fiquei sozinha.
Já que estava cheio de bebida ao meu redor, resolvi afogar as mágoas na malvada.
Coloquei um copo de vodca puro e bebi um gole doído.
Peguei minha carteira de cigarros, tirando um e o acendendo em seguida. Subi no balcão da pia, ficando lá só com o meu cigarro e minha bebida.
É, parecia que a noite seria assim.
Traguei o cigarro pensando na merda que eu tinha visto mais cedo. Eu tinha perdido, perdido de vez. Agora ele tava com aquela puta fazendo sei lá o que, enquanto fico aqui, só.
Estava com a cabeça baixa, pensando na vida, quando ouvi a porta se abrir. Continuei com a cabeça baixa, segurando meu chapéu, ignorando a pessoa que agora estava mexendo em alguma caixa de bebida.
- Descontando no cigarro e na bebida? Grande jeito de esquecer as coisas. – ouvi a voz de e fiquei atônita.
Enquanto isso...
- Só espero que eles se resolvam. Eu não agüento mais ver minha amiga assim. – sentou na cama de . Ele tinha levado a garota pro seu quarto pra que ficassem mais à vontade.
concordou com a menina que estava na sua frente com um simples balançar de cabeça. Sentou ao seu lado na cama e ficou nervoso.
O que faria agora? Ele esperou tanto por aquele momento, e agora que estava a sós com , o que ele faria?
Definitivamente, não era como as outras. Ela tinha gostos incríveis, gostava de Star Wars – o que era bastante importante pra ele. Pensando em todas as qualidades que tinha, o pânico surgiu. Como uma menina tão inteligente poderia gostar dele? Com quem ela iria discutir a Teoria da Relatividade quando eles tivessem namorando?
Namorando... Até que essa ideia o agradou...
- ? - estalou os dedos pra que o menino acordasse do seu patético transe – Algum problema? - “Será que ele não me quer mais aqui?”
- Nada. – disse suavemente. – Eu só estou feliz em estar aqui com você – o que ele falou foi o bastante pra que um sorriso caloroso surgisse nos lábios de . – Sei que pode ser muito cedo pra te falar isso, mas quero muito ficar com você. Muito no estilo sempre e... – e o menino atrapalhado e fofo na opinião de foi calado com um beijo quente e carinhoso.
X
saiu sozinha da cozinha cheia de pensamentos bons. Ela era assim, pensava com otimismo nas coisas, chegava a ser um pouco chatinha e ainda tinha aquele lance de signos que ela curtia. era daquelas que acreditavam no cosmos e nas estrelas.
Uma bobagem pra quem ver de fora, mas ela levava a sério.
Com um copo vermelho na mão, bebericava sua cerveja com um pouco de dificuldade. Ela não curtia muito cerveja, preferia algo mais saboroso. Andando, surpreendeu-se com um abraço que ganhou por trás.
- Você só sai daqui quando me der um beijo. – era Dylan. O carinha que ela tinha ficado na festa da Sam. Mais um idiota que fazia de tudo pra conquistar uma menina, pena que tinha descoberto um pouco tarde demais.
Ela até tinha até gostado de ter ficado com ele, tinha sido bom até ele colocar sua mão no peito dela sem permissão.
- Então, eu fico aqui a noite toda. – falou bravinha. Dylan sorriu.
- Tem certeza que você quer desperdiçar essa chance? - o cheiro de álcool denunciava, Dylan estava bêbado.
- Sim! – ela tirou a mão do garoto de sua cintura e tentou sair. Só não sabia que ele, persistente, pôs a outra em seu ombro a puxando com força. – Tira a mão de mim! – Dylan fingiu não ouvir e continuou com fazendo força pra que não saísse.
- Você não ouviu a garota? - com sua voz de machão que ele não sabia que existia dentro dele, falou. – Tire as mãos dela! – falou mais uma vez grosso. Dylan tirou contrariado.
ficou um pouco tensa e sem saber o que fazer. Ficou olhando de pra Dylan com medo de que acontecesse algo ruim.
Dylan olhou duramente pra .
- , não é da sua conta o que acontece entre a gente. – ele falou sério. levantou seu cenho e disse:
- Você ta na minha festa, tratando mal minha convidada e amiga. Eu acho que é da minha conta sim... – ele disse pensativo altamente fingido. se encheu de orgulho ao ouvir falando assim. - Vamos ! – pegou na mão da menina – E se eu ver que você está a irritando de novo, eu te expulso da festa. Tá entendendo? - saiu com ao seu encalço.
levou a garota para a área da piscina que estava cheia de gente. Foi com ela até o outro lado, resolvendo ficar por lá.
- Você está bem? Ele te machucou? - enquanto perguntava, ele mexia em seus ombros a fazendo virar-se. riu.
- To bem. Obrigada. – de repente, os risos da menina cessaram e a mistura de olhares dela com os dele ficou intensamente estranha. – Foi muito legal o que você fez. – disse sem nem piscar.
fez um barulho com a boca nervoso e sem graça.
- Aquilo não foi nada. – ele fez um gesto engraçado com mão. Pra , tudo em era engraçado.
E então, pra eles, a noite foi se seguindo entre risadas de e pensamentos vindo de um nervoso sentindo algo estranho quando ouvia cada risada da linda menina. “O que porra tá acontecendo?”
X
- EU NÃO QUERO, HARRY! - Sam bêbada gritava a todos os pulmões que não queria transar com Harry – DEIXA EU BEBER! – Sam estava com um grupinho de amigas, as garotas mais babacas e amostradas de Westshefield. Harry, com cara de bobo, chamava Sam pra conversar num lugar mais íntimo enquanto recebia gritos de Sam e risadas ácidas de suas amigas.
- Samantha... – Judd a chamou baixinho, como se tivesse implorando pra que Sam ficasse com ele. Uma coisa que todos derivam saber sobre o nosso Judd era que ele sempre, desde os primeiros sinais de puberdade no corpo de Sam, ele queria dormir com ela. Era uma coisa mais corporal do que sentimental. Verdade que Hazz nunca gostou dela, ele nunca gostou de ninguém. Ele simplesmente sentia tesão por Sam e mais nada.
A ruiva enjoada revirou os olhos, depois o ignorou.
- Harry, você não está vendo que eu estou me divertindo? Você teve a sua chance!
Merda. E ele pensando que quem só tinha problemas com mulheres era .
Saiu andando pela casa cheia de bêbados, desesperançoso. Ele não queria mais insistir naquilo. Se ele não ficaria com Sam, tudo bem, vamos jogar seu excitação pra outra pessoa. É isso que os garotos fazem. Quando não consegue com uma, vai com outra.
- OUCH! – depois disso, Hazz só viu um corpo no chão.
- To bem, to bem... – era . tinha bebido umas e outras a mais por aí e do nada, se chocou com o sua paixonite platônica. – Não, eu não to bem. – ela falou assim que Harry a levantou e viu tudo girando. Pôs sua mão na cabeça pra ver se melhorava a situação.
- Cuidado, menina! – Harry a segurava quando cambaleou pra trás. Ela não sabia com quem tinha se chocado, até ouvir sua voz.
gelou.
“Puta que pariu, ! O homem da sua vida tromba em você e você tá nesse estado?”, pensou desesperada.
Sim, ela podia ser dramática quando o assunto era Harry Judd. Ela ficou piscando os olhos lentamente, suas pupilas estavam dilatadas e sua tonteira estava acabando.
Ter Harry com ela naquele momento era tão importante e tão legal que um fingimento não ia ser tão desagradável assim, né?
- Eu preciso me sentar. – falou como se tivesse sentindo dor. Hazz, que já tava com o pensamento do tipo “se a minha noite tá uma bosta, ajudar a garota não vai fazer diferença alguma.”.
- Quer subir? Acho que meu quarto deve estar vazio. – Harry ofereceu como um bom-moço, sem maldade alguma. , com um sorrisinho maquiavélico, fez que sim e os dois subiram.
- Você pode deitar na minha cama se quiser. – o garoto ofereceu sua cama. deitou nela e fungou forte o travesseiro dele.
Aquele cheiro nunca sairia de sua cabeça.
Fechou os olhos, alucinada com o perfume do baterista mais lindinho do mundo na opinião dela. Ela poderia viver naquele quarto pra sempre.
- Eu poderia viver aqui pra sempre. – pensou alto demais.
- Quê?
- Nada, nada, nada. – disse envergonhada. E se essa fosse a hora de dizer o que sentia? E se falasse pra ele que desde o momento que o viu na aula de Literatura, no primeiro bimestre? Se contasse pra Harry que o amava há muito tempo?
- Fala! – ele riu. E nossa, como o sorriso dele era lindo visto dali.
Ela tava na cama dele, no quarto dele, com ele. Ela falaria o que sentia ali mesmo.
- Eu te amo.
X
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deu alguns passos, ficando em frente à mesa. Eu não conseguia decifrar o seu olhar, não sabia se estava com raiva ou apenas chateado por estar aqui em sua festa e ter atrapalhado sua noite mais uma vez.
- Você não tem jeito. – decidiu falar mais uma vez ao perceber que eu ficaria calada. – Quando eu decido, finalmente, partir pra outra, você resolve aparecer. – fumei um pouco porque estava nervosa. Eu queria estar frente à frente com ele, mas não sabia o que falar e como ia acabar.
Coloquei meu cigarro entre os dedos, cruzei meus braços.
- Cadê sua queridinha? - perguntei.
- Sério, ? Com tanta coisa acontecendo agora, aqui, você quer saber aonde Rachel está? – viu pela minha cara que eu não estava brincando. Vencido, respondeu. - Eu disse a ela que estava passando mal e que passaria o resto da festa no quarto. Ela foi embora. Agora me responda por que você veio até aqui?
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Eu não acredito que depois de tanto tempo eu estava frente a frente com . Eu estava nervoso, não queria que ela visse que minhas mãos estavam suadas e não queria que a minha vontade louca de ficar com ela ali mesmo transparecesse.
Eu queria ficar com ela, mas antes, precisava ouvir algumas coisas.
- Pensei que Harry tinha convidado todas. – ela me respondeu. Pareceu muito segura de si. Diga-me quando nunca parecia segura de si?
- A gente já pode parar com esse joguinho todo, . Eu perguntei o que você veio fazer aqui de verdade.
E enfim, vi uma reação. Uma reação que acho qualquer garota podia ter, menos . Ela amassou seu cigarro no balcão da nossa pia, deu um suspiro fundo e disse:
- Eu vim tirar você dela. – falou quase pra ela mesma de tão baixo.
Meu coração na mesma hora voou querendo sair do peito e me fazer ir até ela e beijá-la.
Eu poderia ir e roubar o melhor beijo, mas eu não estava satisfeito.
- Você acha que é fácil chegar aqui e falar essas coisas e pronto, tá tudo resolvido?
- Eu sei que não. Mas eu tenho algumas coisas pra falar. – ela desceu do balcão indo até a mesa - Porque aí, mesmo você não ficando comigo, quando eu sair daqui vou ter uma sensação de dever cumprido. – sua voz tinha voltado ao normal. colocou seus dedos na mesa e dava leves batidas em sinal de nervosismo.
- To esperando. – cruzei os braços. Seus olhos, agora, faziam questão de ter um contato direto com os meus. Ela me olhava como se não tivesse nada além de nós dois naquela cozinha.
- , você não sabe o quanto foi péssimo ter acabado com você naquele dia. Passou na minha cabeça tanta coisa...
- Do tipo...
- Ah, a idéia de ver você terminar comigo foi tão insuportável, que como defesa preferi fazer isso primeiro. Eu não agüentaria ouvir você dizer que não queria ficar comigo por conta daquilo que fiz. Fora a mistura de sentimentos que eu tava sentindo até dez minutos atrás...
- Como assim mistura de sentimentos?
- Posso terminar? - ela esbravejou. – Eu tive medo de certas coisas e vendo você com aquela... – vi seus lábios crisparem – Quando vi você com Rachel, percebi que não queria você longe de mim e nem eu longe de você.
Ao ouvir aquilo, uma felicidade explodiu dentro de mim. Meu corpo inteiro ficou dormente, eu só podia sentir o meu coração disparando numa velocidade enorme.
Sem pensar duas vezes, fui até ela.
Meu corpo se chocou com o dela, o que fez com que nós déssemos passos pra trás. Coloquei um dos meus braços em sua cintura, colocando minha barriga na sua. Senti sua respiração quente e seu hálito gostoso bater em minha boca. Cheirei seu pescoço, fazendo com que se arrepiasse. Suas mãos embrenharam em meus cabelos e me apertou com força.
Ela suspirou profundamente.
- Eu tava com saudades. – ela sussurrou no meu ouvido. Ela saiu do abraço apertado e me olhou. – Tava com saudades disso. – apertou meu nariz – E disso. – mexeu no meu cabelo. Fechei meus olhos automaticamente ao sentir seu toque.
- E disso? - a beijei como se não tivesse feito nunca antes. Senti sua boca quente e gostosa mexendo, seguindo meus lábios sabiamente. Sua língua me deixava louco a cada toque. Apertei-me com mais força, a fazendo soltar um gemidinho.
- A propósito, você fica linda com ciúmes. – falei quando coloquei sentada na bancada da nossa pia e fiquei entre suas pernas. Coloquei seu chapéu em minha cabeça.
- Porra, nem me faz lembrar daquela vaca,! – ela falou bravinha.
- Também não é pra tanto! A mina vai pra França,relaxa... – eu quase apertava suas bochechas quando ela soltou:
- Ela que se enterre na França. – fez um gesto com a mão, depois as colocou no meu rosto, fazendo carinho.
- Você é linda. – eu disse a olhando.
- Olha, o heartbreaker do Westshefield me chamando de linda! – deu uma risadinha ainda fazendo carinho em meu rosto.
- Babaca. – eu disse, levantando meu pescoço pra poder beijá-la.
Continuávamos a nos beijar fortemente quando decido colocar minha mão em sua bunda. Eu estava quase lá, eu podia sentir a felicidade dos meus dedos, mas aí, um babaca na sala gritou:
- FESTA DO CABIDE! TODO MUNDO NU, PORRA! – parou de me beijar e quis saber quem era o ser que tinha gritado. E eu como um bom idiota, fui atrás dela até a sala.
Continua...
Nota da Autora: Tenho um aviso! Primeiramente, vim falar sobre o capítulo onze.Vi que ele estava com alguns erros no script e como fui eu quem scripitou,peço desculpas e que já ajeitei ele pra vocês (: E ai,como estão?Eu to bem,um pouco dolorida porque andei a cavalo ontem e que btw,é muito bom!Gostaram dessa att dupla?Gente,acho que esses capítulos foram o que mais gostei de escrever até agora.Eu nem tinha planejado escrever sobre os amigos,mas achei que se não escrevesse agora,a coisa não ia andar e queremos romance!O que acharam dos principais ? Eu quero saber de TODAS as opiniões,viu? Outra coisa,eu sei que o Mike nesses capítulos sumiu e acreditem,é proposital...O que será que ele vai aprontar? MUAHAAA!
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O Passado Que Sempre Volta - A Formatura (McFly - Finalizadas)
Nota da Beta: Qualquer tipo de erro encontrado nessa atualização, entre em contato comigo por E-MAIL, nunca utilizem a caixa de comentários. Obrigada, espero que gostem da fic. XX, Carol.