Eu fui seu guardião
Eu fui seu anjo amigo,
Mas não sabia que comigo
Por ela carregava uma paixão...
Aquela era uma incrível manhã em pleno verão. saiu de casa para ir até os estábulos acompanhar o trabalho dos empregados do haras de seu pai, e o sol estava quente e brilhante.
A ninfa caminhava sorridente enquanto cumprimentava os empregados aqui e ali, arrumando o chapéu branco – ao estilo country Stetson – sobre seus cabelos loiros, compridos e cacheados. pensava nos trabalhos a serem realizados e nem ao menos notava que alguns olhos acompanhavam suas belas pernas, moldadas na sela de um cavalo, em um short jeans justo e desfiado na barra.
Naquele dia, para deleite dos funcionários de seu pai, ela estava com esse short, uma bota de couro cano alto e uma camisa rosa, super justa e sem mangas, amarrada na cintura. Os olhares até eram discretos, afinal os empregados eram mais velhos e conheciam o pai da garota antes mesmo de ela nascer. No fundo estariam de olho para garantir o respeito que a “patroinha” merecia, já que sabiam que por trás de toda aquela beleza, havia também muita competência, determinação e capacidade de domar qualquer cavalo somente com palavras e atenção. Os animais do Haras eram “encantados” e não domados a força, como a própria família gostava de falar.
Ao chegar aos estábulos, a moça ficou satisfeita, pois as baias já estavam limpas, a comida e a água distribuídas e os cavalos recebiam os mimos merecidos: eram escovados, seus cascos eram lixados, encerados e alguns estavam tomando seu banho.
- Bom dia, Srta. !
- Bom dia, John! Como estão as coisas hoje?
- Tudo em paz. Mais tarde chegam três éguas para Black Spirit cobrir. Parece até que ele sabe, logo de manhã já deu trabalho aos tratadores. Nós o soltamos no curral leste para ele extravasar o te... – John ficou vermelho, havia esquecido que estava falando com uma dama e que esta era sua patroa – A adrenalina.
notou o rubor de John e deu uma risada gostosa, dando um tapinha camarada nas costas do velho senhor. John Watson, o administrador dos estábulos, trabalhava para seu pai fazia uns 25 anos e a conhecia desde bebê. Mesmo sabendo que podia tratá-la de igual para igual, não o fazia e tinha vergonha de dizer ‘tesão’ na frente dela. Abraçando John pelos ombros e deixando-o ainda mais sem graça, ela disse:
- Pode deixar, John, eu vou acalmá-lo. Ao menos até a hora da chegada das éguas, tá bom?
Black Spirit era o fodido garanhão potente da fazenda. Nada menos que o melhor e mais premiado puro sangue do país, aliás, sua linhagem vinha de longa data e todos os seus antepassados, assim como seus descendentes, eram campeões. Suas coberturas custavam alguns milhares de dólares que os outros criadores pagavam com prazer, mas as éguas escolhidas tinham que ser fortes para aguentar a empolgação do garanhão sem correr o risco de se machucarem, mesmo com todo o processo sendo acompanhado de perto por peritos.
Mais vermelho do que nunca, o homem discretamente se desvencilhou do braço de e respondeu:
- Se a senhorita diz.
tocou o chapéu, cumprimentando John do jeito que ele costumava fazer com ela, e então saiu. Passando perto da cesta de maçãs de seus animais, pegou uma, se dirigiu ao curral onde Black Spirit se exercitava e assobiou, chamando-o para perto da cerca. O cavalo relinchou e se aproximou majestoso, balançando sua crina negra e se exibindo para a fêmea.
estendeu-lhe a mão com a maçã e Black Spirit comeu-a com uma única mordida. falou mansamente:
- E aí, garotão? Dando trabalho para todos esses homens metidos a machões? Será que você poderia ficar calminho? Mais tarde você terá belos pares de ancas ao seu dispor.
Ela passava a mão no pescoço do animal e, como por encanto, ele ia se rendendo, se entregando.
Sem ser visto, John observava a garota do estábulo, pensando em como a menina era boa mesmo com os animais.
levou um susto quando o celular que estava em seu bolso tocou, assustando também Black Spirit, que se afastou dela.
Quem poderia ser numa hora daquelas? As pessoas que tinham seu número jamais ligariam tão cedo, o trabalho no estábulo era madrugueiro para os amigos da cidade. tirou o celular do bolso de seu short e viu o nome de sua melhor amiga, Mia , escrito na tela.
empalideceu e titubeou antes de atender, só haveria uma razão para amiga ligar tão cedo assim: !
Mia nunca, em hipótese alguma, nem quando eram crianças, acordava cedo. tinha certeza de que a ligação de sua amiga tinha algo a ver com , o irmão mais velho de Mia e o grande amor “impossível” da vida de – “Impossível por enquanto”, pensou a garota. Ela sabia que um dia seria seu, quando a diferença de quinze anos entre eles não pesasse tanto. Talvez fosse agora, devaneou ela. E por um instante, voltou no tempo...
Ela e Mia sempre foram inseparáveis, suas famílias eram proprietárias de fazendas vizinhas e nutriam uma amizade sólida antes mesmo das meninas nascerem.
Elas fizeram e aprenderam quase tudo juntas, somente se separaram depois do colégio. foi para a faculdade de Veterinária e Mia foi para a de Moda. Mesmo com a distância, continuaram a ser confidentes. E era sempre uma festa quando se encontravam nas férias.
Desde quando se entendia por gente, fizera parte de sua vida. E a vida inteira ela fora completamente, abarrotadamente apaixonada por ele.
Ele fora o adolescente e agora o homem mais lindo que já vira, porém, durante todo esse tempo, ela fora tratada por ele como a outra irmã mais nova.
havia visto nascer. Dera-lhe inúmeras mamadeiras, a vira dar os primeiros passos, já a colocara para dormir incontáveis vezes, e depois a ensinara a nadar, a pescar, a cavalgar, e mais tarde, a arte de domar os cavalos através do método Monty Roberts, o famoso encantador de cavalos.
Mesmo com a diferença de idade, ele jamais havia sido como os outros garotos. Nunca a destratara por ser uma menina, ou mais nova, ou mais inexperiente. Ele sempre a protegera e bajulara, assim como a Mia, é claro. fora o irmão e amigo mais perfeito que uma menina poderia querer.
Conforme ela foi crescendo, o aparente amor fraternal que sentia por ele foi se modificando.
Quando tinha somente três anos, foi para a faculdade e por duas semanas ela ficara doente sem explicação nenhuma. A menina não comia mais, não queria mais brincar e chorava pelos cantos, sem razão. Os pais, preocupados, chamaram o médico da família que, depois do exame, dizendo que aparentemente ela não tinha nada físico, perguntou se, por acaso, ela teria passado por algum trauma, se perdera algum animal de estimação, se algum amigo havia se mudado ou se um parente haveria falecido. Então os pais entenderam que sentia falta de , seu irmão de criação, e por mais incrível que pareça, sua doença acabou quando – a pedido de seus pais e dos de – passou a ligar diariamente para a menina. Os dois contavam os dias para as férias, quando ele retornaria à fazenda para fazê-la ficar bem.
Aos doze anos, quando as meninas deixam de olhar os meninos como inimigos e começam a sentir o friozinho na barriga, ela percebeu que nunca fora seu inimigo, nem seu irmão, pois era, desde sempre, seu primeiro e único amor. sabia que era só uma criança ainda e que ele já era um homem de 27 anos.
estava formado na Faculdade de Comércio Exterior e também havia feito Zootecnia. Havia estudado como um louco para conseguir acompanhar e cuidar dos negócios da família. Além disso, havia também as conquistas dele. As namoradas de eram fatos que perturbavam e entristeciam-na mais do que o normal. Não importava, nada importava, pois ela esperaria pacientemente até seu décimo quinto aniversário, onde, aos seus olhos, ela seria apresentada à sociedade como uma mulher.
sempre fora linda, nascera linda e continuou assim. Já era adorada por garotos mesmo no jardim de infância e ao entrar no colegial, tinha uma legião de fãs. Mesmo assim, nenhum deles tinha qualquer chance com ela. Seu coração já era de outro há muito tempo.
Na festa de seus quinze anos, mediante a oportunidade de sua vida, ela superou todas as expectativas. Estava deslumbrante, encantadora e incrivelmente sexy. Era exatamente isso o que queria: estar irresistível. Ela decidira que seria naquele dia que declararia todo o seu amor por . tinha bolado um plano... E talvez tenha sido esse plano que a fez perder para sempre.
A festa estava maravilhosa, cheia de convidados ilustres, pessoas que nem conhecia. Uma multidão que desfilava com taças de champanhe e roupas importadas... E lá estava ele: divino e esplendoroso, vestido em seu smoking.
havia ficado alto, com 1,85m de puro músculo, conquistados com muito esporte e muito trabalho pesado em seu haras. Apesar de começar a trabalhar muito mais na parte administrativa, o homem não perdera o bronzeado que conquistara trabalhando ao ar livre. Seus cabelos eram lisos e loiros, clareados naturalmente nas pontas pelo sol, seus olhos eram de um azul profundo, como a parte mais rasa dos mares caribenhos. Seu rosto era forte e tinha o poder de causar um impacto defrontado. Seu maxilar era quadrado, como esculpido em mármore, seu nariz era pequeno, em contraste com a boca generosa, e os olhos eram grandes. Não havia uma mulher em toda a existência de que não houvesse sucumbido ao prazer que era olhar para . E ele tinha a qualquer uma, caso quisesse.
Além de lindo, era charmoso, educado, gentil e milionário. E mesmo com todas essas qualidades, estava sempre sozinho nas festas de aniversários ou nos feriados comemorativos. E quando os pais decidiam pressioná-lo, pois achavam que estava na hora do homem arrumar uma esposa, ele desconversava e dizia que ainda não havia achado a mulher certa.
sonhava que ela seria essa mulher e fazia planos loucos, imaginando o amor eterno ao lado de .
Naquele momento, a garota se lembrava com tortura de todos os detalhes da noite do aniversário.
Ela havia se aproximado, quase flutuando, da roda de amigos onde estava com uma taça de champanhe nas mãos, e percebeu com satisfação que todos os homens da roda pararam de falar para olhá-la, todos exibiam admiração no olhar e a pontada de felicidade em estava evidente. Ela pediu a docemente:
- Posso falar com você por um instante?
- Claro! – respondeu , solícito – Com licença. – pediu educadamente e pegou o cotovelo de , se dirigindo a um lugar mais reservado, perguntando:
- Algum problema, ?
estava tremendo, apavorada com as possibilidades. Pegou o copo das mãos de e tomou o champanhe todo num só gole. Precisava do álcool para que tivesse coragem. Bebeu antes que pudesse impedi-la, tirando o copo vazio de suas mãos e dizendo alarmado:
- Hey! Que eu saiba você está fazendo quinze anos e não dezoito. Bebidas alcoólicas ainda são proibidas para você.
percebeu que estava um pouco alterado, ele devia ter bebido mais do que costumava fazer. O que era uma surpresa e tanto, pois conhecia cada ângulo de reações daquele homem. jamais ficara bêbado, pelo menos nas festas de suas famílias, mas isso ficaria para mais tarde, por ora precisava continuar com seu plano, fitou-o e disse sedutora:
- E beijar, , eu já posso beijar ou preciso alcançar a maioridade para isso também?
pareceu perturbado, mas mesmo assim disse:
- Por mim, você não beijaria ninguém até precisar de bengala para se manter em pé. – a resposta pegou de surpresa, dando fisgadas em sua barriga, e continuou:
- Por que, ? Você quer beijar alguém? – para surpresa dela, observava atentamente sua boca.
- Não... – a voz de falhou, quase a entregando, mas conseguiu firmá-la e completou – Não quero, mas alguém quer me beijar, então...
- Quem?
- Matheo.
- E você quer minha opinião se deve beijar ou não esse tal de Marco? É isso?
- Matheo.
- Tanto faz.
não estava reconhecendo . Ele sempre fora tão sério, tão gentil e de repente parecia sarcástico. Sim, pensou, devia ser o excesso de bebida. Ela tomou coragem e, por fim, disse:
- Não, , eu não quero sua opinião, eu quero sua ajuda. Eu preciso que você me ensine a beijar, caso, bem, eu queira beijar o Matheo depois.
- O quê?! – arregalou os olhos e olhou-a como a uma estranha.
- Isso que você ouviu, eu preciso que você me ensine a beijar...
- Cristo! Eu não posso fazer isso, você é minha irmãzinha...
- Não, , eu não sou sua irmãzinha! Eu não acredito que você me negará isso no dia do meu aniversário. – ela fez um beicinho que sabia que não resistiria. Ele nunca conseguira dizer não ao seu beicinho – Eu preciso aprender a beijar. E por que não com você? Sei que não zombará de mim, caso eu seja um fracasso...
- Não, , não e não. – começou a se afastar dela.
- Por favor, . – ela segurou seu braço e lá estava aquele beicinho de novo – Eu não acredito que você fará isso comigo. Não vê que eu estou precisando de você? Me ajude, por favor... Você quer que todo mundo pense que eu sou uma fraude? Todo mundo do colégio acha que eu sou uma expert em beijar, em seduzir...
- E posso saber o porquê deles pensarem isso? No mínimo você deve ter dado motivos.
- Não, eu não dei... – ela hesitou antes de falar – Acho que o problema é minha aparência. Já ouvi algumas pessoas no colégio comentando que sou uma explosão de sexualidade e que seria impossível eu ter somente quinze anos... Com esse corpo... – ela se aproximava e ele se afastava – É isso. Eu não posso simplesmente ser uma negação beijando, se outros acham que eu sou boa nisso.
- E desde quando você se preocupa com que os outros falam, ? O que está acontecendo com você? Primeiro essa coisa de eu te ensinar a beijar... Não, não adianta fazer esse beicinho, dessa vez não vai colar.
- Por favor, , por favor. – ela tinha lágrimas nos olhos. Precisava convencê-lo, claro que não existia nenhum Matheo que queria beijá-la. Ela somente queria que seu primeiro beijo fosse com . Jamais imaginou que ele negaria isso a ela, já que sabia que ele já havia beijado metade do estado e sabe-se lá quem mais.
Então resolveu jogar um pouco mais baixo:
- Meu Deus, como você está puritano! Eu só estou pedindo um beijo, não é nada demais, já que beijou mais garotas do que você pode contar. Eu seria mais uma da sua lista, mais nada.
- Eu não sou puritano! Mas você... Eu não posso beijá-la como se você fosse mais uma... Você não entende...
- É claro que entendo! Mas eu não sou sua irmã, droga, eu só estou pedindo para que você me ensine a beijar...
Algumas cabeças se viraram para olhá-los. Sem perceber, eles haviam se alterado e falavam quase gritando, e sabia que a última frase fora ouvida por algumas pessoas.
Pegando firme a mão de , começou a puxá-la para longe dos convidados. Ele saiu do salão, onde estava se realizando a festa, e foi para o jardim, mas onde olhava, havia gente. Então continuou arrastando .
- , você está me machucando, me solte...
- Não, você vem comigo! Você quer uma porcaria de um professor de beijo, não? Excelente, porque é uma porcaria de beijo que você terá!
se lembrava de como seu coração acelerou e seu corpo automaticamente começou a tremer naquele instante, e ela só conseguia pensar: ele vai me beijar, ele vai me beijar... Naquele momento, não importava mais que seus pés, a todo instante, virassem por causa do salto alto, ou que fosse puxada aos tropeções, ao enroscar-se na barra do vestido longo.
não achava um lugar que não houvesse ninguém. Eles andaram, passaram pelos carros estacionados e, mesmo nestes, havia adolescentes se agarrando. Ele acabou chegando perto dos estábulos e pôde sentir o cheiro tão familiar de feno misturado com o dos cavalos. Aroma que ela amava, por sinal, e conhecia desde quando nascera, assim como havia ocorrido com .
Sem ao menos dizer o que iria fazer, encostou na parede lateral do estábulo e grudou sua boca na dela, sem aproximar o corpo, segurando firme o pulso da garota. Foi um beijo sem carinho, somente lábio contra lábio, mesmo assim, achou que iria desfalecer. Em sua mente a mesma frase se repetia, agora num tempo verbal diferente: ele está me beijando, ele está me beijando...
E aos poucos, amenizou a pressão dos lábios furiosos, passando-os agora suavemente pelos lábios de . Primeiro os lábios superiores dela, depois os inferiores, dando leves mordidas, sem machucar. não agüentava mais e entreabriu os lábios convidando, instigando a aprofundar o beijo e ele não hesitou, tomou posse do que já era seu. Passou sua língua vagarosamente entre os lábios de e entrou, já explorando o interior de sua boca. soltou um gemido de puro deleite e, mesmo sem nenhuma experiência, seu instinto a fez se aproximar mais de e grudar seu corpo no dele.
soltou o pulso de e a enlaçou pela cintura, trazendo-a, como se fosse possível, mais para perto de si. O beijo agora se tornara exigente e apaixonado, delicioso. Naquela altura, eles não sabiam mais de quem eram os gemidos. percebeu, com a pouca coerência que ainda lhe restava, que havia se entregado ao beijo. Ele era dela ali, somente dela, e nada mais importava.
Quando ele desesperadamente tentou alcançar as coxas femininas, já bem torneadas pelo manejo com os cavalos, no meio de todo aquele tecido e tule, ela não resistiu ou protestou. Assim que ele finalmente conseguiu chegar às suas pernas e rasgou sua meia-calça, ela só pôde gemer e arquear os quadris, oferecendo-se e pedindo mais. Em nenhum momento ele parou de beijá-la, nem ao menos para explorar seu pescoço ou seu colo exposto pelo decote tomara que caia, no lindo vestido de debutante. Quando ele afastou sua calcinha e introduziu delicadamente um dedo dentro dela, já úmida e quente, achou que desmaiaria de tanto prazer. O gemido de dizia mais do que qualquer palavra.
Ele pegou a mão de e a pressionou sobre sua calça, mostrando a ela sua excitação. sentiu pela primeira vez a rigidez de um membro masculino em suas mãos e, mais uma vez por instinto, começou a massageá-lo sobre o tecido, fazendo intensificar sua investida dentro dela. Agora ele introduzia, num movimento frenético de vai e vem, dois dedos dentro da garota, e com o seu polegar massageava o clitóris, levando-a a um ponto inimaginável de excitação. se pressionava a ele, sem entender até onde aquela agonia prazerosa iria levá-la e, numa contradição espantosa, não sabia se queria que aquilo acabasse ou jamais terminasse.
E a única frase entrecortada que ela ouviu de foi:
- Solte-se... Deixe vir... Vem comigo, ... Vem...
Seu corpo aceitou sem questionar o comando dele, os gemidos intensos da ninfeta deixavam-no duro como uma pedra. Primeiro ela sentiu seu corpo se retesando e depois se soltando com uma explosão de puro gozo. Cores. Espasmos corporais. Perda total da capacidade de se manter em pé.
abafou o grito da garota com a boca máscula que a engolia, e sentiu em sua mão a essência do prazer do homem, quente e úmida.
Totalmente entregue, com sua cabeça apoiada no ombro de , ela sentia a respiração dele voltando ao normal em seu pescoço, enquanto com uma mão atrás de suas costas, ele se segurava na parede do estábulo e tirava a outra gentilmente de entre as pernas torneadas. Passando a língua nos lábios ressecados e inchados, ela preguiçosamente disse, limpando a garganta para a voz sair:
- Eu amo você, , amo você...
, em alerta, como que acordando de um pesadelo e não de um sonho bom, afastou-se de bruscamente, quase a fazendo cair, e virou-se de costas, tampando seu rosto com as mãos.
ficou sem entender nada e sentiu um frio repentino, sem saber se era pela falta dos braços de ou pelo sentimento inesperado que a acometeu: ela poderia perdê-lo para sempre. Tentou se aproximar, colocando a mão no ombro dele e chamando-o baixinho.
se encolheu como se o toque dela fosse contagioso, virou-se vagarosamente, dizendo em tom de lamento:
- Ah, ... Ah, meu Deus, o que eu fiz? – o restante da frase foi como um golpe físico em – Você é somente uma criança... Uma criança... Como uma irmã para mim! E eu a tratei como uma... Como uma...
se afastou com a mão no estômago e quase gritou:
- Não!
- Sim, , sim. Eu sou um homem, porra! Um homem! Não uma droga de um moleque com os hormônios alterados, eu deveria ter me controlado, eu devia... Oh, meu Deus, me desculpe...
Enquanto falava, só conseguia balançar a cabeça negativamente, dizendo não, enquanto lágrimas escorriam sem parar de seus olhos.
- Você não entende, eu sou o cara que deveria te proteger de homens como eu, que se aproveitam de meninas ingênuas como você... E olhe só o que eu fiz, me comportei como um cafajeste, um canalha excitado. Nunca me senti tão vil como agora...
- Pare, . Por favor, pare. – chorava, ela não podia acreditar que não a amava, que ele não havia percebido que algo maravilhoso e especial tinha acontecido e que cada palavra que ele pronunciava era como um golpe físico nela. Desculpas? Ela não queria desculpas, queria que ele percebesse que eram feitos um para o outro.
- Não, , você que não está compreendendo! Como poderei encarar seus pais e os meus depois disso?! Eu sou como o irmão que você não teve para eles, meu papel sempre foi e sempre será de protegê-la, cuidar de você... Não denegri-la a uma qualquer, olha o estado em que você está. O estado em que eu te deixei...
- Eu estava ótima... Até você começar a falar esse monte de besteiras! – gritou – Será que você não consegue ver, seu idiota? Eu amo você, sempre amei e...
- Não, por Cristo, não! O que você sente por mim é uma admiração, um amor fraternal. Você nem tem idade para saber o que realmente é amar alguém... Você é só uma criança e eu... Eu me aproveitei de você... O que fiz não tem desculpa... – mais uma vez praguejou e xingou, sem conseguir se controlar.
- Pare de achar que eu sou só uma criança, você não se aproveitou de mim. Você sabe melhor que ninguém, , que nenhum homem conseguiria fazer o que você fez se eu não deixasse ou se eu não quisesse. – tentou se aproximar, mas não deixou, afastando-se – Lembra? Você mesmo me ensinou, eu monto cavalos desde os três anos e domo-os desde os dez, você acha que não tenho força para impedir um homem de pôr as mãos em mim? Eu queria você, eu quero você, eu amo você...
Cada palavra de fazia recuar. Ela sabia que estava perdendo-o e isso a estava dilacerando, não sabia o que fazer para mudar o que estava acontecendo.
- , me perdoe. – ele tinha lágrimas nos olhos, nunca havia visto chorar, nunca. Para ele, homens, principalmente cowboys, não choravam jamais. E vê-lo tão abatido, envergonhado, a encheu de culpa e vergonha.
- ...
- Desculpe, me perdoe, mas estou mal agora, preciso sair daqui. Que merda! Preciso... Estou me sentindo o último dos homens, um escroto. Eu não vou conseguir voltar para sua festa como se nada tivesse acontecido. Sei que deveria ficar e lhe dar apoio, dizer coisas que amenizassem o que eu fiz, mas... Simplesmente não dá... Eu preciso sair daqui... Preciso ir embora...
- Não, , fica comigo. Por favor, eu... – tentou segurar a mão dele e resgatá-lo para si, mas ele a afastou.
- Não, , a única coisa que posso lhe dizer agora é que esse sentimento que você pensa ter por mim...
- Eu não penso, eu tenho!
- Tudo bem, querida, tudo bem, esse sentimento que você tem por mim irá se mostrar da maneira como ele é, que é admiração, paixão de adolescência, e desaparecerá com o tempo. Tenho medo que um dia você me odeie pelo que aconteceu hoje, eu não poderia viver com o seu ódio... Eu sou um canalha.
E uma explosão de raiva acometeu , ele estava abandonando-a e ignorando o que acabara de acontecer:
- Eu jamais irei odiá-lo, , porque eu já odeio...
saiu correndo em direção à casa, segurando seu vestido todo amassado, chorando. Ela queria que viesse atrás dela, consolá-la, pegá-la nos braços dizendo que a amava, mas ele não veio. E ela conseguiu, com a ajuda de Mia, se recompor e voltar à festa para não ter que dar maiores explicações aos pais. Ela lembrava-se que Mia queria matar o irmão, mas ela disse que o deixasse em paz, pois toda a culpa era dela mesma, por acreditar que um homem olharia para uma menina como se fosse uma mulher.
Depois desse dia, o havia visto somente em outras três ocasiões, dois natais e um aniversário de Mia. Algo rápido, por alguns minutos, pois sempre que ela chegava, ele arrumava uma desculpa para ir embora. mudou-se da fazenda para o apartamento em Dallas, transferindo os principais negócios da família para o escritório de lá, alegando que assim facilitaria a abertura de novos contratos e negociações.
Havia mais de três anos que eles não se viam e todas às vezes que tentava contato, ele inventava uma desculpa ou, quando atendia às suas ligações, falavam de banalidades. jamais mencionara o ocorrido e quando tentava, ele desligava inventando mais pretextos.
Mas sabia que seu amor não era somente admiração, não era apenas uma paixão de adolescência e não desapareceria com o tempo. Ela ainda o amava, mesmo agora com 20 anos, ela não o havia esquecido e tinha certeza de que esse telefonema de Mia mudaria para sempre sua vida.
CAPÍTULO DOIS
Morro de saudade quando você some.
Dá uma vontade de gritar seu nome.
Quase uma loucura, uma obsessão.
- ! – Mia parecia gritar, o que era um típico sinal de problemas. – Que demora é essa pra atender essa droga de celular...
- Bom dia pra você também, Mia. – o coração saltava no peito da cowgirl. Mia respirou fundo.
- Bom dia, querida, desculpe, é que eu estou uma pilha de nervos, pensei que não conseguiria falar antes...
- Só um minuto, Mia – disse, abaixando o telefone logo em seguida, quando Billy, um de seus empregados, se aproximava:
- Sim, Billy?
- Desculpe senhorinha – ele tirou o chapéu e abriu um sorriso, que mostrava claramente os dentes cariados - A Dona Mavis me pediu para avisar que o Sr. e a Sra. estão aqui, e que seus pais tão chamando lá dentro.
sentiu um frio na barriga, mas se manteve firme.
- Obrigada, Billy.
- Até mais, senhorita. – o homem deu um aceno de cabeça, olhou de relance para as pernas da patroa, engoliu em seco e colocou o chapéu, saindo em seguida.
estava com o pensamento a mil, com o telefone na mão, olhando o rapaz de calças de couro se afastar. Colocou o celular na orelha mais uma vez, respirando fundo. Antes de conseguir falar qualquer coisa, ouviu Mia soltar o ar com pear e dizer:
- Eles já estão aí, não é?... , antes de ir para casa, me escute, por favor!
- Mia – a voz de tremia, o problema era bem mais sério do que ela imaginara, se os pais de estavam por ali – O que aconteceu com ? Ele está machucado, ele está... pelo amor de Deus, ele está morto?
- Não! – Mia deu um pulo na sala onde estava, só de imaginar uma coisa dessas sentia parte do corpo ser arrancado. - , fica calma, respira... Respira de novo... E agora sente-se... – Mia dava as instruções, fazendo o mesmo onde estava. – Meu Deus do céu, você está chocada e passa isso pela respiração, mulher! Depois de todo este tempo você ainda o ama tanto assim?
- Amo mais a cada dia, Mia – conseguiu falar depois de respirar fundo mais algumas vezes e sentar-se na grama perto do curral.
- , isso... Sério, isso é obsessão, não pode ser amor...
- Nós já conversamos sobre isso, amo seu irmão e pronto. Não sei explicar. Eu, às vezes, também não compreendo como isso ainda está dentro de mim depois de tanto tempo, mas está aqui. Por favor, Mia, não quero discutir isso agora, seus pais estão aqui e, pelo que é mais sagrado, o que, diabos, está acontecendo?
- Tudo bem. A verdade é que eu estava tentando facilitar as coisas para mim e não para você. Como sei que a notícia que lhe darei vai doer... E doer muito... Doerá muito mais em mim...
- Mia! – gritou ao telefone, a amiga já a enrolara demais. Então Mia disse de uma vez:
- vai se casar, . Meus pais estão aí para contar a novidade aos seus pais e para que sua mãe ajude a minha na festa de noivado que... Que acontecerá daqui a duas semanas. – Mia falou e depois disparou – Olha, eles estavam aqui em Dallas ontem, a pedido de para conhecê-la. A tal da festa será somente uma formalidade imposta pela minha mãe, na verdade... Ele já pediu a mulher em casamento e será o mais breve possível de acordo com ... ? ? Pelo amor de Deus, , responde!
parou de ouvir depois da primeira frase, achou que não tinha processado as palavras corretamente, mas ela ouvira bem, , o seu , iria se casar. Por um momento ela pensou que jamais iria respirar novamente, tendo o céu desabado em sua cabeça, depois ouviu Mia chamando:
- , fale comigo, ...
- Estou aqui, Mia – Deus, como ela ainda conseguia falar?
- Desculpe por isso, , mas se eu não contasse... Bem, eu sei que isso dói, mas nós sabíamos que isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde, não sabíamos?
- Acho que sim. – não estava mais pensando, era algo automático.
- , grite, chore, faça alguma coisa que estou acostumada ver você fazendo quando está nervosa, mas, por favor, não fique apática logo agora...
respirou profundamente várias vezes e por fim perguntou:
- Quem é ela?
Mia pensou que essa era a parte mais difícil, achou que não perguntaria isso naquele momento, mas:
- Ela é uma modelo inglesa.
- Uma modelo?! Mas como conhe... Mia! Você os apresentou?! Eu não acredito que você apresentou a futura esposa do seu irmão para ele! Não acredito que foi você... – levantou-se do chão e começou a caminhar para a casa, apressada já com uma ideia em sua cabeça.
- Me desculpe, , como eu adivinharia que ele a pediria em casamento? Você sabe que meu irmão, depois que se mudou da fazenda, se transformou num Casanova... Na minha cabeça ela seria mais uma das tantas.
- Droga, droga! Eu sei, Mia. Você não tem culpa, mas, puxa vida, uma modelo... Que merda! Que grande merda! Mia, eu estou indo para Dallas agora mesmo.
- O que?! Você não pode vir para cá agora, , não agora.
- Por que não?
- Por quê? Você não ouviu nada do que eu disse, mulher? Agora é tarde demais. Por que você não veio antes quando tinha uma chance de conquistá-lo? Agora é tarde e...
- Não, não é tarde demais, agora é a hora certa, Mia. Tenho 20 anos, sou uma mulher, estou quase me formando... Ele não me verá mais como uma irmãzinha. Não pode me ver assim!
- , você realmente não está entendendo: ele a trouxe com ele da Inglaterra, eles já estão morando juntos aqui. A mulher trouxe uma infinidade de malas...
nunca tinha achado o caminho entre a casa e o estábulo tão longo e cansativo, estava em estado de choque.
- Oh, Deus, eu vou desmaiar... – encostou-se em uma árvore. – Mia virou os olhos e imaginou a cena, que era inimaginável.
- Não, , você não vai desmaiar... E isso não vai acontecer porque você não é uma mulher que desmaia, sabe muito bem disso. – Eufórica pela amiga, Mia parou de se mover sem parar, à procura de alguma coisa que nem ela sabia o que era. - Nossa, quando o assunto é meu irmão, você realmente fica irreconhecível.
- Tudo bem, eu não vou desmaiar. Vou para Dallas destruir um relacionamento. Sim, é isso.
- , por favor, tenha bom senso, ele é meu irmão! Eu te adoro, mas não posso ficar do seu lado dessa vez.
- Você gosta dela, não é, Mia? – a mulher ficou embaraçada.
- Acho que sim, não sei ainda, mas isso não tem nada a ver com ela, tem a ver com você e . Não quero que nenhum dos dois sofra. E se ele realmente gostar dela, ?
- Eu posso fazer seu irmão mais feliz do que qualquer mulher no mundo, isso não basta para você?
- Pare por um momento e se escute! Você acha mesmo que este sentimento que você nutre por é saudável? Eu tenho quase certeza que não!
- Mia...
- Não, , tente lembrar... Você se negou a amar outra pessoa, não deixou ninguém realmente se aproximar de você. Ficou com quantos caras na faculdade nesses dois anos? Com dois. E por quanto tempo? Nem uma semana cada um! , quantas mulheres da sua idade, que nós conhecemos, ainda é virgem e espera pelo príncipe encantando? Sem ser você, nenhuma!
- Mia, eu já te falei milhares de vezes a mesma coisa, mas vou tentar ser paciente e dizer mais uma vez: Eu amo o seu irmão, não sei como, não sei por que durou tanto, não tem explicação... Nem ao menos nos vemos para alimentar esse amor, eu sei que parece maluquice, mas... Eu adoro o e algo me diz que ele também me ama. Ele nega esse amor por achar proibido, é um escudo que ele tem. Além disso, nenhum cara conseguiu me tocar como o e...
- É claro! Você nunca deixou...
- Não estou falando de sexo, Mia.
- Ok. – Mia respirou profundamente e perguntou – Tudo bem. Quando você vem?
- Agora! Assim que entrar em casa, mandarei o piloto preparar o helicóptero, estarei aí no máximo em três horas. Pego um táxi e te encontro no ateliê. E, Mia, não conte para o que estou indo praí, quero fazer uma surpresa, está bem?
- , a cidade está uma loucura e sei como você se sente perdida em cidades grandes, vou mandar alguém para pegá-la. E, não se preocupe, não vou contar nada para o ... Apesar de não gostar disso.
- Mas você não vai omitir, nem mentir. Ele não sabe que estou indo, então não fará nenhuma pergunta a respeito.
- É, acho que você está certa... – Mia respirou fundo. Sentia cheiro de problemas. – Ok, agora vou desligar, tenho milhares de coisas para resolver da loja hoje. Beijo, te vejo mais tarde.
- Tchau, Mia.
Mia desligou o telefone e ligou para seu motorista:
- Gómez?
- Sí, señorita Mia, já estou saindo para ir buscá-la.
- Ah, sim, obrigada. Você terá serviço mais ou menos daqui umas três horas?
- Que eu saiba, no, señorita. Seu irmão gosta de dirigir seu próprio carro, portanto estarei livre o restante del dia.
- Ótimo. Você poderia buscar a Srta. no heliporto no centro da cidade e levá-la até meu ateliê?
- Será um prazer, señorita.
- Obrigada. E... Gómez, gostaria que, caso você encontre meu irmão ou venha a conversar com ele, não mencionasse esse servicinho extra. Está bem?
- Por supuesto, señorita.
- Obrigada, Gómez, e até mais tarde.
- De nada, señorita.
Mia desligou o telefone e se dirigiu ao banheiro para começar seu dia tirando aquele peso dos ombros.
CAPÍTULO TRÊS
Perder você por um momento
Já é muito tempo...
Em disparada, entrou pela porta da cozinha, rezando para não encontrar ninguém, mas deu de cara com Dona Mavis e Maria, que preparavam um café da manhã reforçado para os convidados. Como não costumava ser grosseira e ainda não as havia visto, tentou diminuir o ritmo e cumprimentou: - Bom dia, Mavis, Maria.
- Bom dia, querida.
Dona Mavis trabalhava para os desde que a menina nascera e não foi difícil perceber que havia algo de errado com sua pequena. Discretamente, a mulher pediu que Maria saísse, enquanto usava o telefone interno para ligar para o ramal do piloto e avisá-lo da viagem.
- Algo de errado, menina?
- Não, nada de errado, Nana – o apelido carinhoso que a chamava desde pequena. pôs um biscoito na boca, com o coração disparado – é que vou ver a Mia. Sabe como é, voltei da faculdade e ainda não nos vimos, estou com saudades...
- Humm, sei...
olhou a mulher dizendo a si mesma que não entendia a ironia.
- E você vai sair sem cumprimentar seus tios ou falar para seus pais que está indo viajar? – como os eram amigos antigos, os chamava de tios, apesar de não terem nenhum parentesco.
- Não, Nana. – foi se movendo a fim de sair, pois não queria dar mais explicações para a mulher que a conhecia tão bem como sua própria mãe.
- Sente já aí, mocinha. Agora você vai me dizer que essa sua ida repentina para a cidade, um lugar que você evita como a peste, não tem nada a ver com uma notícia que acabei de ouvir lá na sala? Ai que droga - pensou .
- Que notícia, Nana? – perguntou, se fazendo de boba – Eu acabei de entrar, não sei do que você está falando.
- Ah, você não sabe?! Pois bem, eu nunca vi a Sra. Claire tão feliz, como agora que , até que enfim, encontrou a tampa da panela.
ficou possessa, mas se segurou o máximo que pode para não dizer com todas as letras que aquela mulher não era tampa da panela de coisa nenhuma. Por pouco não se entregou fácil, fácil para sua eterna babá.
- Ah, é mesmo? vai se casar? Que bom. Cumprimente tia Claire e tio Edward por mim, Nana.
A mulher se apressou em segurar os braços da garota, atravessando a habitação como um raio.
- Eu não sei com quem você pensa que está falando, menina, mas acho que me subestima.
- Nana, eu... – estava com pressa e não queria mais um sermão, já bastava o de Mia, mesmo tendo quase certeza que Nana não sabia de seu amor por ... Ou sabia?
- Sente-se logo aí. – sentou-se novamente e pensou que se não fosse sua paixão pelos cavalos, deveria ter se mudado da casa dos pais havia tempos. - Você já está bem grandinha para entender o que vou dizer, então não quero essa cara de espanto. Eu vejo você correndo atrás desse rapaz desde quando usava fraldas! Acha mesmo que conseguiria me enganar? Vi esse mesmo rapaz se dobrando de atenções para uma menina, que na idade que ele tinha, simplesmente deveria ignorar. – Dona Mavis fez uma expressão de incredulidade - E todo mundo mimando os dois, achando lindo o amor fraternal entre os irmãos. Que grande besteira! Vou te dizer uma coisa, menina, somente quem é cego para não enxergar que vocês dois foram feitos um para o outro, como homem e mulher...
A cada frase que Nana dizia, arregalava mais e mais os olhos.
- E digo mais, não sei o que aconteceu entre vocês, mas nenhum homem foge como fugiu de você, caso não significasse nada para ele – Nana se aproximou de e segurou as mãos da menina – Só espero que você não tenha demorado demais para lutar por ele, criança – beijou a testa de – Agora vá, corra, eu avisarei seus pais que você partiu depois que o helicóptero estiver no ar.
ficou sem palavras, pálida de emoção. Sua Nana era realmente maravilhosa, então deu um abraço apertado nela e saiu da cozinha com as esperanças renovadas, graças às observações valiosas de sua amada babá.
tomou um banho rápido, escovou os cabelos molhados sem secá-los e foi para o closet fazer sua mala, vestindo-se para a maior batalha de sua vida. Ela era uma mulher da fazenda, uma moça do interior, apesar de seu guarda-roupa ter vestidos de festas e roupas de grife, a maior parte do vestuário era jeans, blusinhas das mais variadas, camisas, botas e chapéus. Era óbvio que não eram peças baratas, tudo fora comprado nas melhores e mais caras lojas de Dallas, mesmo assim, quando foi arrumar sua mala, foi a primeira vez em sua vida que sentiu vontade de ter um outro estilo de vida, pois iria guerrear como uma top model!
Mas não havia o que fazer, então, dando de ombros, jogou mais uma calça jeans na mala e espantou estes pensamentos; afinal de contas, a conhecia desde sempre e se fosse para ser seu homem, ele a amaria como ela era, e não como ela poderia ser.
Com esse pensamento, fechou a mala e foi procurar algo para vestir por cima de seu conjunto branco rendado da Victoria’s Secret. Decidiu por uma calça jeans escura, com pequenas rosas brancas bordadas na cintura baixa, uma regata de cotton lycra branca, que mal chegava ao cós da calça deixando amostra seu piercing de diamante - uma das loucuras da faculdade - no umbigo, uma bota de couro preta toda trabalhada, que custara uma fortuna, e seu chapéu Stetson predileto.
Ajeitando o chapéu branco sobre seus cachos loiros, ela se olhou de corpo inteiro no imenso espelho, passou a mão pelo corpo e sorriu, aprovando sua aparência. Caso tivesse um confronto com a futura ex-esposa de , quando chegasse ao apartamento de Mia, que ficava um andar abaixo da cobertura onde ele morava, ela estaria à altura para enfrentar qualquer super modelo.
passou um batom claro nos lábios, pegou a mala e se dirigiu aos fundos da propriedade, onde ficava o helicóptero do pai.
- Como vai, Terrence? Lindo dia para voar, não é mesmo?
Depois de olhar o corpo esbelto e bem torneado, de cima a baixo, com um sorriso gigantesco, o homem pegou a mala da mão de e ajudou-a a subir:
- Muito bom dia, srta. . Está um bom tempo mesmo, acho que chegaremos em Dallas num instantinho e sem problemas.
- Perfeito, Terrence. – falou, se ajeitando no banco e colocando o cinto de segurança.
Não passou despercebido a ela o olhar desejoso, porém discreto, do novo piloto. estava acostumada com isso. Impossível não estar, ela ganhara muitos títulos de beleza, nas feiras regionais e em sua vida estudantil. Além, de acordo com Mia, de ter destruído inúmeros corações por onde passou; não fosse seu jeito simples, descontraído e “caipira” de viver e tratar as pessoas, ela tinha certeza de que hoje seria uma garota odiada em seu meio, mas, por sorte, não era assim. As pessoas realmente gostavam dela, o que a incomodava um pouco era ter que provarque, mais do que as outras mulheres, além de beleza ela também tinha cérebro.
Continua.
nota da autora: Espero seu comentário, ansiosa.
nota da beta: É, essa fic prende bastante a gente :)
Erros, gatas? Avisem-me pelo email ou pelo twitter e eu corrijo. Ok? Beijinhos, Paah Souza.