- Ele não vem, Lisa. – Abaixou a cabeça, tentando se concentrar nos tomates cortados em sua frente. Estava tentando ao máximo mostrar nesses dois meses que não se importava, mas sabia que uma hora ou outra teria que encará-lo, principalmente depois da conversa que eles tiveram pelo telefone dias atrás.
- Vai dar tudo certo, ; não se preocupe. – Não iria dar certo e as duas sabiam disso. e haviam terminado havia dois meses. Tiveram a pior e a última briga. Há algumas semanas ele havia ligado para ela. As coisas não estavam esclarecidas, precisava contar para ele o mais cedo possível e sabia que hoje era o dia. Nada iria conseguir estragar a sua felicidade; nem mesmo mais uma briga com ele.
Pegou o prato de saladas recém cortadas, pondo no centro da mesa. Por que ela o tinha convidado mesmo? Poderia ser pior que o natal passado e não queria que isso acontecesse. Passar mais uma noite de natal no seu quarto chorando não era o programado. Ela adorava aquela época; as músicas natalinas e as expectativas para a noite. Lembrava que quando era criança ficava até tarde da noite observando os flocos de naves caírem pela janela e esperava ansiosamente a chegada do Papai Noel. Quando entrou na adolescência, sua única ansiedade era que chegasse meia-noite para poder ir para a praça com os amigos. Adorava toda a harmonia que o natal proporcionava.
Tirou sua atenção da mesa, indo atender a porta em que a campainha tocava insistentemente.
- ! – Riu, abraçando os dois amigos que praticamente pulavam em cima dela.
- Que bom que veio, – disse, assim que conseguiu se soltar dos braços dos meninos.
- Viria mesmo que não quisesse. – Sorriu, apontando para o namorado. – Eu não entendo a obsessão que ele tem por esta data.
- É natal, baby, natal!
- Você está bêbado, ? – A menina sorriu, abraçando o namorado e o guiando para a sala. balançou a cabeça, observando os amigos jogados pela sela. "É natal, baby, natal! " Aquelas palavras ecoaram pela sua cabeça. Ele estava certo, era natal. Aquela noite era mágica e tudo podia acontecer. Esperava apenas que não desse nada errado.
- Ela já deve estar chegando. – Um menino moreno de olhos verdes, vestido com um moletom marrom e uma toquinha de natal a abraçou.
- Estou com medo, . – Abaixou a cabeça. Expressar seus sentimentos para o amigo era mais fácil; ele a conhecia melhor que ninguém. – Medo de ele não aceitar e eu ter que encarar tudo sozinha.
- Ele não faria isso, nós sabemos – repreendeu, a soltando. – Como vocês estão?
- Bem. – Sorriu fraco.
- E que horas iremos montar a árvore? – desconversou, conseguindo arrancar um sorriso maior do rosto da menina.
- À meia-noite, certo? – Riu, o guiando até a sala. Era estranho como tinham criado o hábito de passarem o natal todos juntos desde que se conheceram no colegial. E mais estranho o hábito que eles tinham de montar a árvore apenas no dia do natal e pôr alguns bilhetes com recados do que esperavam para aquela noite e lerem assim que desmontassem no final de janeiro. O hábito de comer deliciosas tortas de nozes depois da ceia e de cantar músicas de tudo quanto é gênero até o dia amanhecer.
Sentou-se no sofá ao lado de , que ria de alguma piada que o namorado contara. Não conseguia prender sua atenção muito tempo na conversa; apenas concordava e ria a cada risada escandalosa que e davam.
- Eu já volto – disse, mesmo sabendo que ninguém iria prestar atenção no que estava dizendo. Subiu as escadas de madeira da casa que dividia com Lisa e guiou-se até a primeira porta branca do corredor. Sorriu, balançando a cabeça ao ouvir as gargalhadas dos amigos que vinham do andar de baixo. Sentia falta de poder estar com todos juntos sem nenhum desconforto. Permitiu-se atirar na cama encarando a janela que ainda caia alguns flocos de neve.
- está na porta. – Despertou de seus pensamentos, encarando a amiga apoiada na porta branca.
- Por que ele não entrou, Lisa? - Sua voz soou indiferente.
- Ele está esperando por você. – Balançou a cabeça em sinal negativo. – E não finja que não se importa, – disse, ríspida, antes de descer as escadas. Murmurou alguma coisa que nem mesmo ela conseguia entender. Levantou-se calmamente da cama, prevendo o que viria a acontecer. Teria que encará-lo depois de dois meses e não teria como fugir. Não podia ficar trancada no seu quarto até o dia seguinte; não queria ficar trancada lá.
- Atrasado. – Cruzou os braços, encarando o menino. Queria mostrar que estava bem, que aqueles dois meses não tinham a afetado o quanto afetará realmente.
- Desculpe. – Sorriu, sem jeito, bagunçando um pouco seus cabelos . Tentou não prender sua atenção no rosto dele. Na sua voz calma quando ele falava com ela, ou na maneira que ele entortava a boca quando estava envergonhado.
- Típico. – Revirou os olhos, dando passagem para que ele pudesse entrar na casa. Arregalou os olhos assim que sentiu os braços fortes dele apertarem sua cintura.
- Senti tanta sua falta – sussurrou ao ouvido da menina, sentindo-a estremecer. Sorriu ao perceber o efeito que ainda causava nela.
- Eu também. – Deixou-se levar pelo perfume que tanto a intoxicava. Era como um veneno para seu sangue.
- Senti falta do seu cheiro no meu travesseiro todas as manhãs. – Apertou-a ainda mais contra seu corpo.
- Você quem quis assim. – Sua voz era ríspida e ele pôde sentir o desprezo nela. Beijou seu pescoço, soltando-a. Por mais que ela estivesse ainda brava com ele, não iria estragar seus planos para aquela noite. Era natal!
- Feliz natal! – desconversou, sorrindo. Como ela queria matá-lo naquele instante por causar todo aquele efeito nela. Deu de ombros indo em direção a sala com em seu encalço.
Estavam todos já sentados a mesa perfeitamente posta há algumas horas, conversavam animadamente e todo aquele clima desconfortável antes da festa já havia acabado. Riam de algumas histórias que se lembravam da época do colegial. comeu o último pedaço de torta de nozes que restará no seu prato e encarou o relógio prata em seu pulso: onze horas e cinquenta e oito minutos.
- Faltam dois minutos para meia-noite – disse, animada, levantando-se da mesa.
- Árvore, baby, a árvore! – Abraçou a menina pelos ombros.
- Se você continuar falando assim, , irei deixar você sem sua parte na árvore, baby, na árvore. – Sorriu, maligna, sentando-se em um dos sofás.
- Você é má, baby... – Parou assim que viu as sobrancelhas arqueadas da menina.
e Lisa começaram a abrir a pequena árvore de natal que estava em uma caixa de papelão na sala. Tinham proibido de ajudar a montar de tanto que estava pulando e gritando, e o mesmo proibira de ajudá-los por terem proibido ele de ajudar. ria da cara de emburrado do amigo sentado no sofá. Adorava aquela época, mas montar árvores não lhe agradava muito. Levantou-se, indo em direção a varanda. Os flocos de neves já haviam parado de cair fazia algumas horas, mas mesmo assim o frio ainda era insuportável. Pôs as mãos dentro do bolso de seu casaco vermelho às sentindoelas cortarem. Amava todo aquele frio de Londres.
- Aceita? – Seus pelos da nuca se arrepiaram ao ouvir o som calmo daquela voz. Como ele conseguia ter todo esse efeito sobre ela? Quando ele estava perto era quase impossível ela raciocinar.
Encarou aquele par de olhos azuis e logo desceu para suas mãos. Estava segurando duas xícaras leite com cookies e um cobertor. Balançou a cabeça afirmativamente sentando nas escadas da varanda e apoiou a cabeça na porta de vidro.
- Tenho um presente para você – disse, num sussurro. Ele apenas sorriu pondo um cobertor marrom sobre os dois e lhe estendendo uma das xícaras.
- Também tenho um presente para você. – Sorriu, encarando-a. – Mas queria antes conversar com você.
Bufou, prevendo no que aquela conversa poderia levar, estava tentando adiar aquele dia o máximo – por que conosco tudo se torna mais difícil?
- Deus escreve certo por linhas tortas. – Riu do próprio comentário. – Desculpe. – Não era pelo seu comentário, nem por ter chegado atrasado. Não precisavam de muitas palavras para que pudessem se entender, apenas com um olhar conseguia enxergar tudo que o outro sentia.
- Não precisa repetir o quanto está arrependido e que foi um erro toda vez que nos falarmos, . – Bufou, bebericando um pouco de seu leite, sentindo o forte gosto de canela. – E eu também sinto muito sua falta, sinto falta de poder te abraçar e acordar com você me ligando às dez da manhã.
- Você parece bem.
- Por dentro estou despedaçada. – Sentiu os dedos quentes de tocarem seu queixo para encará-la. – Vou pegar seu presente. – Levantou rapidamente, na tentativa de esquecer as sensações que aquele pequeno toque lhe dava. Passou correndo pela sala e subiu apressadamente as escadas de madeira indo em direção ao seu quarto. Sabia que este era o momento, não teria mais como evitar ele tinha todo direito de saber. Desceu as escadas segurando uma pequena caixa azul com um laço vermelho passando pela sala manda um sorriso para , que apontava freneticamente mostrando que a árvore estava quase pronta.
- Está muito frio aqui fora. – Correu para se encaixar novamente debaixo do cobertor. – Aqui está; espero que aceite. – Qualquer coisa estou no meu quarto, tenho medo da sua reação – disse, sincera se levantando novamente e passando pela porta de vidro.
Tirou a fita vermelha que prendia a caixa azul. Abriu a tampa rapidamente, com medo do que podia estar dentro da caixa. De não duvidaria nada se fosse uma cobra venenosa. Riu dos próprios pensamentos, sentindo um alivio assim que encontrou um CD do Franz Ferdinand e dois envelopes brancos. Pegou o primeiro que estava escrito .
"Espero que você não nos abandone. Eu sei o quanto você gosta desse cd e como ficou bravo quando risquei todo o seu, então o mais justo era eu te dar um novo. Feliz Natal!
Eu te amo muito; ." Riu, guardando o primeiro envelope branco novamente na caixa azul. Nunca passará em sua cabeça a abandonar, mas sempre fora muito insegura e era uma das coisas que ele mais amava nela. O jeito como ela cuidava das pessoas que amava com medo de perder. Abriu o segundo envelope lendo todo o conteúdo que tinha dentro. Precisou reler quatro vezes para compreender o que estava escrito era verdade. As lágrimas de seus olhos já caiam, não era de tristeza, era de felicidade! Entendeu o porquê dela dizer que estava com medo da reação dele ou por falar para ele não abandonar. Correu em direção ao quarto da menina. Assim que passou pela sala o chamou balbuciando algumas palavras que ele não quis e também não conseguiu compreender. Parou enfrente a porta branca ouvindo a música Never Change sair de dentro do quarto. Ela devia estar deitada em sua cama, roendo as unhas de sua mão que ela custara tanto para deixar crescer. Sorriu assim que abriu a porta vendo que estava certo.
- É verdade? – foi tudo o que conseguiu dizer, se aproximando da cama. levantou em um pulo da cama ficando de frente para o menino. – Você está grávida?
- Você vai me abandonar? – O olhou nos olhos, transmitindo todo o medo que sentia até aquele momento. a abraçou pela cintura beijando incontáveis vezes sua testa, desceu seus beijo para o nariz, a bochecha, a boca, o pescoço até chegar a seu ouvido.
- I Will always carry you in my heart. You’ll always be my shooting star – sussurrou em seu ouvido, balançando seus corpos no ritmo da música. - Você só pode estar brincando, é o melhor presente de natal que eu poderia ganhar. – Mordeu seu lóbulo. – Como você poderia pensar em uma coisa dessas? – Sorriu, encarando novamente seus olhos que pareciam estar mais tranquilo desde que a vira pela primeira vez naquela noite.
- Depois da nossa última briga e você ter beijado aquela vaca, achei que você teria me esquecido.
- Nunca mais diga uma coisa dessas, . Não sei como eu beijei a Allison; estava muito embriagado e estou muito arrependido. – Segurou seu rosto, depositando um beijo em seu nariz, vendo-a sorrir meigamente. – Você não sabe o medo que eu tinha de te perder. – Beijou finalmente seus lábios, sentindo o gosto que a tanto tempo estava com saudades. Suas línguas moviam-se em uma perfeita sintonia, sentiam o gosto de canela misturado com nozes. pôs as mãos nos cabelos do menino o puxando delicadamente. apertava sua cintura para perto dele cada vez mais querendo fundir seus corpos. Estavam com saudades do calor do corpo um do outro.
- Preciso te dar seu presente – disse, entre alguns selinhos. – Antes de descermos e por os recados na árvore. – Beijou sua testa. Retirou uma pequena caixa preta de veludo do bolso a entregando. pegou a caixa abrindo com um brilho no olhar. O encarou ainda sorrindo repetindo as palavras que ele disse assim que entrou no quarto.
- É verdade? – Sorriu, ainda observando a pequena caixinha que continha um papel escrito "casa comigo?"
- , você aceita casar comigo? – Sorriu, vendo o menino que tanto amava se ajoelhar em sua frente com outra caixinha preta de veludo na mão, mas que continha um anel perfeito. Selou seus lábios com os dele, transmitindo toda sua resposta. Não precisava de muitas palavras para poder se entenderem. E o único que ela queria para aquele natal era estar ao seu lado.
Fim!
comments powered by Disqus Nota da Beta:Comentem. Não demora, faz a autora feliz e evita possíveis sequestros - só um toque. Qualquer erro encontrado nesta fanfiction é meu. Por favor, me avise por email ou Twitter. Obrigada. Amy Moore xx