Destinados
Autora: Gesi Frota
Beta-Reader: Amy Moore
Capítulo 1
- Minha filha, pelo amor. Não perca esse avião, minha filha! – Minha mãe já dizia isso pela... deixe-me ver... milésima vez?
- Tá, mãe! Não se preocupe! Já sou grandinha, tá? - Eu tentava lhe tranquilizar. Estávamos no aeroporto. Minha mãe e meu pai estavam comigo. Eu iria pra casa da minha tia passar uma semana; matar a saudades que eu tenho dos meus primos e daquela cidade que eu amo! Dona Renné estava preocupada desse jeito porque eu ia ter que passar por uma conexão. Ok. O que há de tão perigoso em uma conexão? Não é só troca de aeronaves? Então... Acho que ela duvida da minha capacidade de fazer isso. – Mãe, a senhora está duvidando da minha capacidade de seguir o movimento?
- Não, minha filha. É só que... Eu não sei... Nós nunca ficamos separadas antes e eu me preocupo de você fazer essa viagem sozinha... Mas está tudo bem! Vai dá tudo certo! Só se cuide e me ligue assim que chegar! Não, me ligue a cada parada, ok?
- ‘Tá bom, mãezinha... Daqui a uma semana nos vemos... Nem é tanto tempo assim... Mas com certeza vou sentir saudades também! Eu lhe amo muito!
- Deus te abençoe, minha filha! Deus te proteja! – Ela me abraçou forte e me beijou.
- Cuidado lá, minha filha! E se divirta! - Meu pai me abraçou, me beijou, me cheirou... Meu pai é um lindo!
- Eu lhe amo, pai! – Lhe disse, dando um beijo na testa, digo, careca dele. – Amo vocês! – disse isso entregando o ticket pra moça e entrando no corredor que leva pro avião.
Entrei no avião e fui logo recebida pelos sorrisos da equipe de bordo. Cumprimentei-os e foi procurar meu assento. Não tive muita dificuldade para localizar. Quando vi quem ia sentar ao meu lado tive um choque. Foi como se várias borboletinhas acordassem dentro do meu estômago. O homem estava lendo algo e vestia calça jeans e uma camisa social preta. Quando ele percebeu minha presença, levantou seu olhar para mim e puder ver que seus olhos eram verdes, e em seus lábios avermelhados. Pude ver que ele sorria para mim. Eu me senti sem ar por um momento. Ele era simplesmente perfeito.
- Você vai sentar aqui? – Fui despertada dos meus devaneios por sua voz que combinava perfeitamente com ele.
- Sim, vou! 22-B, meu assento! Sou ! – disse, estendendo minha mão a ele.
- . Prazer em lhe conhecer! Deixe-me lhe ajudar com sua bagagem de mão – ele disse, se levantando e pegando da minha mão minha frasqueira sansonite e guardando no porta-bagangens acima de nossos assentos.
- Muito obrigada! – Aproveitei que ele levantou e me sentei no meu lugar. Amo ficar na janela!
- Pronto! – ele disse, se sentado ao meu lado. – Você está indo pra onde? - O perfume que ele deixou pairando no ar me deixou ligeiramente tonta. Disfarcei. Acho que não adiantou muito. Ele riu.
- Estou indo passar uma semana na casa da minha tia em Port Angeles... E você? – Não ia perder a oportunidade de saber. Nesse momento os comissários de bordo já checavam nossas bagagens e sintos de segurança. E ainda tinha dois deles fazendo as orientações necessárias em caso de acidentes e essas coisas...
- Voltando pra casa, em Forks; acho que vamos passar pela conexão juntos então! Estava trabalhando aqui e fazendo uns cursos, mas saí da empresa, pois minha família sente minha falta! – Ele explicou.
É claro que um homem tão lindo como ele não estaria por aí solteiro. Alguém bem esperta já tinha com certeza, garantido ele para si. Minha amiga sempre fala que homem quando é bonito, ou é casado ou é gay! Acabo de sentir na pele essa emoção. Não pude deixar de sorrir ao lembrar-me da minha amiga e suas filosofias de 18 anos super bem vividos.
- Ha! Eu imagino que seus filhos devem está realmente sofrendo com sua ausência e...
- Não! Eu não sou casado não e nem tenho filhos, pelo menos não ainda... – ele falou rápido, como se quisesse tirar qualquer impressão errada que tenha me causado.
Ele não é casado. Será que ele é gay? Olhei mais uma vez pra ele. Não podia ser... Que desperdício se fosse... Ok. Parei com meus pensamentos.
- Não? Desculpe. É que o jeito que você disse pareceu que se tratava de... enfim... – eu disse.
Definitivamente não pode ser. Minha amiga tava errada nessa sua filosofia. Não devemos generalizar. Sorri mais uma vez. Talvez ele esteja me achando uma boba risonha. Então o ouvi responder:
- Não, eu estava falando dos meus pais! Minha mãe sente muito a minha falta! E de qualquer jeito, quero abrir meu próprio negócio na minha cidade!
- Nossa, muito legal! Mas relacionado à quê? – Não consegui conter minha curiosidade.
- Ainda não sei direito... Forks é uma cidade muito pequena, não sei se você teve a oportunidade de ir lá antes; mas acho que algo relacionado a hotéis - ele disse.
- Não, eu nunca fui lá. Na verdade, quando íamos para Forks acabou que choveu muito e não fomos... Queríamos ir até a La Push. Você conhece? – perguntei.
- Conheço, sim! Costumávamos ir à ‘First Beach’ nos feriados e nos fins de semana...
- Sabe, hotéis seria um ótimo negócio lá... Ainda mais depois que Forks ficou famosa. – Eu ri.
- Bom, realmente Forks não é mais a mesma... – ele disse isso rindo.
Silêncio.
- Sua família é grande? Você tem irmãos? – perguntei, pois queria saber mais sobre ele.
- Sim. Sou eu e mais dois! Sou o filho do meio e o único solteiro! – Não pude deixar de sorrir quando ele falou isso. Acho que ele percebeu. Droga. Ele continuou:
- Meu irmão mais velho já é casado e tem uma filha linda! Olha a foto dela aqui – ele disse, tirando da carteira a foto de uma menininha linda parecia ter uns 2 anos, de cabelos loiros e ondulados. Tivemos que nos aproximar mais pra eu poder ver a foto. Borboletas enlouqueceram dentro de mim.
- Que linda! É uma fofa! - eu disse, sorrindo pra foto. Havia uma menina com os cabelos loiros e olhos claros, segurando uma boneca. Adoro crianças!
- E essa aqui é minha irmã mais nova. Alice, seu nome! É uma pedra no meu sapato, mais eu sinto muito a falta dela! - ele disse, meio sorrindo de lado.
- E ela também já é casada? Parece ser tão novinha! Quantos anos ela tem?
- Novinha?! Isso é uma idosa! Se ela estivesse aqui agora me dava uma beliscão – Ele soltou uma gargalhada gostosa e continuou. – Ela tem 22 anos!
- E você? – perguntei.
- 23, e você? – ele perguntou.
- 17.
Eu tenho problemas com aviões quando eles levantam vôo ou posam. Fechei meus olhos, respirei fundo e apertei minhas mãos nos braços na poltrona. E então ouvi uma voz muito próxima a mim:
- Também tem medo de avião – ele falou, mas soou mais como uma confissão. Abri meus olhos e virei meu rosto em sua direção. Me perdi em seus lindos olhos verdes e até esqueci onde eu estava, para me encontrar novamente demorou uns instantes.
- Não, só quando sobe e desce. Você tem? – perguntei, desconfiada de que ele tinha o mesmo problema que eu com aviões. Voltei a direcionar minha cabeça pra frente e comecei a respirar fundo.
- Er... Mais ou menos... Se meu irmão estivesse aqui estaria me zoando. Posso segurar sua mão? Quer dizer se você não se incomodar; eu também tenho um problema com aviões... – ele se apressou em dizer quando notou minha cara de surpresa com sua atitude.
- Humrum – minha resposta saiu rápido demais.
Foi tudo o que eu consegui dizer. Então ele colocou sua mão por cima da minha no braço da poltrona. E então, se antes só havia borboletas voando no meu estômago, agora eu podia sentir uma corrente elétrica entre a gente. Senti quando o avião estabilizou, porém ele continuou com sua mão sob a minha. Será que ele está sentindo isso também? Sentindo toda essas sensações que pra mim são tão estranhas?
- Já estabilizou, eu acho... – eu disse, meio sem jeito.
- Sim – ele disse, retirando sua mão da minha rapidamente. Respirei fundo e olhei pra ele.
Silêncio.
- Você deve estar na escola... – ele ponderou.
- Sim! No último ano! – Que fique bem claro...
- Ah, legal! Já sabe o que vai fazer? Qual faculdade você pretende ir? – ele perguntou.
- Vou fazer Maketing. Michigan College. – Sonhava com esse curso fazia muito tempo.
- Muito bom! – ele disse. Eu apenas sorri para aquele homem lindo.
Depois disso passamos o tempo todo conversando sobre tudo: família, namoros, nosso jeito de ser, o que gostamos de fazer, musica, cinema, e até política! Ele é muito divertido e uma pessoa maravilhosa! Eu nem percebi o tempo passar. Quando vimos já estávamos no lugar onde faríamos conexão, em uma cidade pequena na Califórnia. Na hora do avião pousar repetimos o mesmo ritual e novamente pude sentir a corrente elétrica quando nossas mãos se tocaram. Saímos do avião, e logo chegamos ao lobby do minúsculo aeroporto. Ele foi ao banheiro e me deixou em uma lojinha onde compraria um cartão telefônico pra ligar pra minha mãe. Meu celular fez o favor de ficar sem serviço. Ótimo. Claro que eu não me esqueci dela. Ela me mataria se eu não ligasse!
- Bom Dia! – Já eram duas da manhã. – Me veja um cartão telefônico, por favor?
- Estamos sem eles, moça! – A moça do caixa falou. Tudo o que eu não precisava que acontecesse.
- E agora como vou ligar pra minha mãe? – Nessa hora virei pra trás e vi no stand da mesma companhia área que estávamos viajando.
- Desculpe! Acabaram todos! – Retornei minha atenção à atendente da loja.
- Com licença. – Uma voz atrás de mim me chamou atenção; me virei e vi um senhor muito simpático acompanhado de um outro senhor, eles estavam muito bem vestidos e seguravam pastas como se fossem executivos ou até mesmo políticos. Ele continuou. – Não puder deixar de ouvir que você quer ligar pra sua mãe. Você pode ligar do meu celular – ele disse estendendo sua mão com o celular.
- Tem certeza? É pra outro estado, Texas...
- Absoluta! Você pode ligar a vontade! – Ele sorriu.
- Muito obrigada! - Comecei a discar o número da minha mãe. Ela atendeu no primeiro toque:
“Alô?”
- Oi, mãe! Estou em conexão! Não se preocupe, porque está tudo bem! Conheci um rapaz que esta em conexão comigo!
“Gracas a Deus, minha filha! Cuidado, muito cuidado!”
- Um beijo, mãe! Não se preocupe. Até mais. – E desliguei.
- Muito obrigada, mais uma vez! – disse, entregando o celular ao senhor.
- Não há de quê, mocinha! Boa viagem!
- Boa viagem ao senhor também! – Sorri.
Fui me sentar em um banco de espera pensando que ainda existem pessoas prestativas no mundo. E logo ouvi um barulho de avião... parecia subindo. E depois avistei como uma expressão estranha em seu rosto andando em minha direção. Preocupação?
- Você ouviu esse barulho? - perguntou.
- Acho que sim... – respondi, confusa.
- É nosso avião que acabou de decolar – ele disse isso e saiu correndo pro mesmo stand que o vi há alguns minutos.
Fiquei o observando correr, sem muito entender o que ele havia dito... Oh, não! NÃO! MINHA MÃE VAI ME MATAR! EU NÃO ACREDITO QUE ISSO ‘TÁ ACONTECENDO!
Capítulo 2
Corri até o stand. Fui me aproximando do local, meio insegura... Já podia ouvir:
- Mas como vocês autorizam a decolagem do avião faltando dois passageiros?! Isso é um absurdo! Olha o tamanho desse aeroporto! Se você gritasse aqui, todo mundo ouviria! - Edward estava parecendo irritado, com seu rosto antes branco e lindo, e que agora tinha um tom avermelhado (e ainda assim maravilhoso). Vi-me perdida mais uma vez em meio toda aquela confusão aos detalhes do rosto de Edward.
- Mas foi avisado dentro da aeronave, senhor! Cinco vezes! Tanto que só vocês dois saíram – disse o rapaz.
Essa declaração me fez acordar do meu momento fuga da realidade. Oops! Acho que conversamos demais e, ainda por cima, esquecemos o mundo!
- Perdemos mesmo? - perguntei pro rapaz da companhia.
- Sim – respondeu Edward.
- AI, MEU DEUS, MINHA MÃE VAI ME MATAR! – Tava andando de um lado pro outro, ora passando as minhas mãos em meus cabelos, ora colocando-as sob a boca. Sempre faço isso quando estou nervosa. E já, já me dá vontade de ir ao banheiro! - Mas e agora? A que horas o próximo vôo? – perguntei.
- Eu já estou colocando vocês pro próximo vôo: amanhã, nesse mesmo horário. Suas identidades, por favor – disse o rapaz.
- SÓ AMANHÃ?! – Agora eu me desesperei de verdade! Minha mãe definitivamente vai me matar! - Vamos ficar aqui esse tempo todo?!
- Não! Claro que não. Eles vão fornecer transporte, alimentação e hotel para a gente! Eles têm que fazer isso! - disse Edward, encarando o rapaz da companhia: Bejamin.
- E nossas bagagens? – O que vou vestir, papai do céu?!
- Já devem está em Port Angeles – disse Bejamin, meio que rindo. Inacreditável! Eu juro que não grudei chiclete na cruz!
A única coisa que conseguia pensar no momento era: “OMG! Minha mãe vai me matar!”
- Tudo pronto! Aqui suas identidades e o táxi já está esperando vocês. Mais alguma pergunta? – disse Bejamin, entregando nossas identidades.
Preciso ligar para minha mãe.
- Posso ligar para minha mãe? – disse, envergonhada, com a mão pra cima, como se fosse uma estudante que quisesse perguntar algo a professora. Uma hora eu tinha que contar a ela...
Eles riram e o Bejamin assentiu:
- Claro que pode! Acompanhe-me!
Nós fomos até uma mesinha onde tinha um telefone e eu fui a primeira a ligar.
“Alô?”
- Mãe?
“Que foi, minha filha?” - Minha mãe já atendeu o telefone, com uma voz apreensiva, como se já soubesse o que eu diria.
- Mãããããããe... Perdi meu vôo.
“COMO É QUE É, ?”
- Perdi meu vôo, mas não se preocupe, porque vou ficar em um hotel e vou ter comida, transporte e tudo! Não se preocupe, mãe!
“NÃO ME PREOCUPAR?! Eu acho que eu já tava sentindo que isso ia acontecer! Eu falei tanto, !”
(...)
Depois de um tempo dizendo que estava tudo bem e que eu estava segura, minha mãe desligou. Edward ligou logo em seguida para sua família, avisando que não ia chegar naquele dia em casa.
Ligações feitas, fomos de táxi para o hotel.
- Não se preocupe, , vai dar tudo certo! Já que estamos aqui, vamos conhecer a cidade! Aproveitar! – disse Edward, durante o caminho para o hotel. Acho que ele tava adivinhando meus pensamentos de ficar o dia inteiro trancada no quarto de hotel com medo de sair e minha mãe me matar mais ainda quando eu chegar em casa.
- Acho que você está certo, Edward! Minha mãe vai brigar de todo jeito! Você acredita que isso foi o que minha mãe mais disse desde que comprou minha passagem?
- O que ela disse? – Ele riu.
- “Não vai perder esse avião, minha filha! CUIDADO!” – eu disse, tentando, muito mal, imitar a voz da minha mãe. – E qual e primeira coisa que eu faço?! Perco o avião!
- Acho que mães sentem as coisas. E mãe é tudo igual! A minha é assim. AINDA! Mesmo eu já sendo grandinho. – Dessa vez, quem riu fui eu da cara de “eu sou grande” dele.
Ao chegarmos no hotel, fizemos o check-in e fomos pro quarto. É claro que não ficaríamos no mesmo quarto. Seria demais pro coraçãozinho dos meus pais.
- Er... Bom dia, então... Já passam de três da manhã... – disse Edward.
- Bom dia! – Eu ri. – Qual o seu quarto? – perguntei, olhando pro chaveiro gravado com a numeração do meu quarto.
- 1205, o meu. E o seu?
- 1204! Deve ser ao lado! – Gostei, mas de que devia.
- Ah, que bom, então! Qualquer coisa você grita! – ele disse, rindo.
- Ok! – Silêncio. Estávamos caminhando no corredor de quartos.
- É aqui – disse, indicando a porta com a numeração “1204”.
- Bom, então... Boa noite! – ele disse, sorrindo.
- Boa noite! – eu disse e ele se aproximou para dar um beijo de despedida ou de boa noite em minha bochecha. E as borboletas que habitavam meu estômago? Preciso ainda falar delas?
Depois do beijo e um abraço meio sem jeito, sorrimos, e então entrei em meu quarto, fechando a porta logo atrás de mim. Dei um suspiro... Céus! O que foi tudo isso que aconteceu comigo hoje?!
Depois de respirar fundo, pude notar a linda suíte em que eu iria ficar. A suíte era linda, com área com vista pra piscina, cama de casal e TV a cabo! Maravilhosa! Meu Deus! Se alguém me contasse, eu não acreditaria! Olhe aonde eu vim parar: uma cidade desconhecida, uma pessoa que eu nunca vi na minha vida – e que pessoa! Vamos combinar que pelo menos nisso eu tive sorte! Edward era uma pessoa que, apesar de eu conhecê-lo há algumas horas, já conseguia confiar e sentia que era um homem extraordinário.
Precisava ligar pra minha mãe, mas antes, ia tomar uma ducha! Ainda bem que eu vim com a minha frasqueira com todas as minhas coisas pessoais: escova de dentes, pasta, shampoo, condicionador, hidratante, absorventes.
Depois do banho, me enxuguei, coloquei o roupão e chinelo do hotel e me joguei na cama. Que dia longo, papaizinho...
- Mãe?
“Minha filha! Onde você tá?” – Minha mãe atendeu, meio sonolenta.
- Já tô no hotel, mãe! Está tudo bem comigo! Vou dormir agora, tô muito cansada! Amanhã pela manhã torno a te ligar!
‘‘Tá, minha filha! CUIDADO! Te amo!”
- Tá, mãezinha! Me desculpa pela falta de atenção. Também te amo! Beijinhos e bom dia...
“Bom dia!” Ela disse, rindo. “Descanse, Tchau!” E desligou.
Quando pensei que finalmente iria me entregar ao sono e ao cansaço do dia intenso, o telefone da minha suíte começou a tocar. Depois de um suspiro, atendi, afinal, poderia ser da recepção, que se esqueceu de coletar mais algum dado ou documento de mim.
- Alô? - Atendi ao telefone do quarto.
- Alô? Oi... ? – perguntou a voz.
- Edward?
- Sim, sou eu! Desculpe por ligar agora... – ele disse, sem jeito.
- Oi, Edward! Está tudo bem? – eu disse, sorrido. Será que ele já sentiu saudades de mim?! Ok, sonhei muito alto agora.
- Sim, sim! Está tudo bem! Acabei de tomar um banho... enfim... Mas não é por isso que estou lhe perturbando. Quero saber a que horas você vai acordar... Que horas podemos tomar café da manhã?
Nem tinha pensado nisso! Estava tão cansada... Isso me encheu de expectativas para o outro dia. Ele queria tomar café-da-manhã comigo. E eu queria vê-lo assim que possível.
- Er... que tal às 9 nos encontrarmos no restaurante? - Sugeri.
- Ok! Às nove eu lhe pego na porta do seu quarto, pode ser assim? - Ele está mesmo querendo me ver... A recíproca é verdadeira! Ou está simplesmente com medo de se perder.
- Pode ser, sim, Edward! – eu disse.
- Bom... Durma bem, então! Até mais tarde! – ele falou.
- Até mais tarde! Descanse! – E ele desligou.
Depois disso liguei pra recepção do hotel pedindo pra me acordarem às oito da manhã. Adormeci em algum momento, pensando no que o dia de amanhã me esperava... Ou melhor, o que as próximas horas prometiam.
- Bom dia, Senhorita ! Serviço de despertador! – O recepcionista me ligou às exatas 8 horas da manhã.
- Oh! Ok! Obrigada e bom dia! – Desliguei. Só mais 15 minutinhos...
Quando levantei, me assustei ao ver o relógio marcando oito e trinta da manhã. Logo Edward bate na porta! Fui correndo pro banheiro tomar um banho e fazer minha higiene matinal. Liguei no noticiário enquanto vestia a mesma roupa de ontem, com a única diferença de que não usaria o sobretudo, já que fazia sol lá fora. Um lindo dia de sol!
Quando estava terminando de secar meus cabelos com o secador do hotel, ouvi baterem na porta. Era ele! Passei apenas um gloss nos lábios, dei mais uma olhadinha no espelho e fui abrir a porta.
- Bom dia! – eu disse. Edward estava todo lindo em minha porta.
- Bom dia! Vamos? – disse ele, com um sorriso que mal cabia em seu rosto.
- Claro! – disse, saindo do quarto e trancando a porta.
- Dormiu bem? – perguntou no caminho para o restaurante do hotel.
- Pra falar a verdade, nem senti as horas passando. Foi como se eu tivesse fechado os olhos e aberto dois minutos depois. Mas estou me sentindo bem! E você? – Eu não podia estar me sentindo melhor, na verdade.
- Ainda estou com sono... Mas não quero perder tempo dormindo no dia de hoje – disse olhando em meus olhos.
- É uma boa idéia, Edward! – disse, desviando o olhar - Vamos tomar o desjejum e procurar o que fazer nessa cidade. Gostaria de ir a lojas e comprar que seja ao menos uma blusa pra viajar mais tarde! Não vou aguentar passar o dia inteiro com a mesma roupa e ainda ter que viajar com ela! – disse, fazendo cara de nojo.
- Nós vamos, sim, princesa! Não se preocupe, hoje estou à sua disposição! – Ele sorriu e eu fiquei sem jeito.
Após café-da-manhã, caminhamos em direção ao centro da cidade, que não ficava distante. Pedimos informações às pessoas da rua e acabamos encontrando algumas lojas. Fomos primeiro a loja de roupas femininas. Nunca pensei que eu iria comprar coisas tão pessoais na frente de uma pessoa (e ainda por cima, homem) que eu nunca tinha visto na vida. Ele foi muito compreensivo. Mesmo eu não dizendo nada, ele se afastou um pouco pra eu me sentir mais a vontade. Peguei o que eu queria, mas na hora de pagar, tivemos que esperar um pouco pela emissão de uma nota especial, porque ainda iríamos ser reembolsados por todos os gastos com objetos pessoais que precisássemos aqui.
- Ei! – Na hora que virei, ele estava com uma câmera digital tirando uma foto minha.
- Ah, Edward! Apaga isso! Eu devo ter ficado horrível! – Reclamei.
- Apago não. E você ficou linda! Você é linda! – Sorriu. E eu? Fiquei completamente vermelha! – Vem – ele continuou –, vamos tirar essa juntos! Quero deixar esse momento registrado para sempre! Amei te conhecer! – ele disse, sorrindo.
- Eu também! – disse, me aproximando. Borboletas se agitaram em meu estômago; isso já estava ficando comum – desde que ele estivesse comigo.
- Pronto.
- Deixa eu ver se está bom mesmo. - Peguei a câmera para ver melhor a foto. – Hum... lindo é você, Edward! Olhinhos verdes... - Quando vi, já tinha falado. Senti minhas bochechas ardendo.
Ficamos tirando mais algumas fotos até a moça trazer a nota. Em seguida, paramos em outra loja, onde comprei mais algumas coisas que achei interessante. Quando vi que ele tinha se distraído conversando com um vendedor da loja, separei para ele um presentinho. Pensei em presenteá-lo no jantar.
Ele estava sendo sempre muito paciente comigo e dando opiniões a respeito das roupas. Encantador!
Depois fomos ver as roupas masculinas. Ele ficou me mostrando todas as roupas que experimentava. Tudo fica lindo nele! Ok, sei que estou parecendo aquelas loucas obcecadas... mas que culpa eu tenho se ele é realmente perfeito?
Comprada as roupas, voltamos para o hotel.
- Vou tomar um banho e aí, daqui a quarenta minutos podemos nos encontrar no lobby para almoçarmos juntos. O que você acha? – sugeri a ele.
- Tá legal! Estarei esperando aqui!
- Tchau. – Entrei em meu quarto.
~x~
- Vamos, minha princesa? Estou morrendo de fome! – Ele veio pelo lobby em minha direção.
- Claro, meu príncipe! – Eu ri. – Um aviso: sua princesa é diferente das outras, ela come muito! – eu disse.
- Quero ver pra crer! – disse, sorrindo e me oferecendo seu o braço.
O restaurante era na frente do hotel. Ele trabalhava com sistema de rodízio de carne no almoço. AMO! Acompanharam-nos até uma mesa com dois lugares. Achei muito lindinho o restaurante... Tinha um estilo meio rústico. As mesas já estavam todas servidas com pratos, talheres, taças...
- Você gosta de rodízio de carne, ? – perguntou, puxando a cadeira para me sentar.
- Sim! Amo! – disse, com um sorriso enorme no meu rosto.
- Que bom! Eu também! - ele disse, se sentando a minha frente.
- Então, vamos começar? Estou faminta!
- Claro! Dois rodízios, por favor. – Edward pediu ao garçom, que veio nos atender.
- Claro, senhor.
Logo outros garçons vieram, oferecendo todos os tipos de carnes possíveis e imagináveis. Vez ou outra nos levantávamos para nos servir com as guarnições. Quando estava chegando à mesa, meu celular tocou. Coloquei o prato ali e me sentei, já pegando meu celular.
- Oi!
“?”. Era meu primo.
- Mike! Oi... Tudo bem? – Edward voltava pra mesa, sorrindo pra mim. A cada vez que eu via seu sorriso me sentia mais encantada por ele.
“Tudo sim, . O que houve? A tia me disse que você perdeu o vôo. Nossa! Que aventura, hein?”
- Acho que me distraí... Não ouvi anunciarem a bordo que não era pra descer do avião. Você já ouviu falar de conexão assim? Porque eu nunca vi conexão em forma de escala... – falei, com uma cara meio emburrada.
“Eu também não... Que pena, não é? Um dia a menos de você aqui com a gente... Mamãe preparou aquele bolo que você ama!”
- Ai, nossa! Não come tudo, Mike! Amo os bolos da tia... E até que não ‘tô achando ruim, não... Estou conhecendo uma cidade nova e fazendo novos amigos... – eu disse isso olhando nos olhos de Edward e sorrindo docemente pra ele. E ele me retribuiu.
“Bom... Vendo por esse lado... Só se cuida, prima... Nos vemos amanhã!”
- ‘Tá bom, priminho. Até amanhã! – eu disse, desligando, e voltei-me para Edward. – Era meu primo.
- Família preocupada, não é? - disse ele.
- É... Estou indo passar essa semana lá. Sinto falta deles. Eles moraram muito tempo na nossa cidade, mas se mudaram porque meu tio recebeu uma proposta de trabalho em Port Angeles – disse, colocando em seguida um pedaço de carne na minha boca.
- Entendo.
Ficamos um tempo comendo e conversando sobre coisas sem muita importância.
- Pra onde vamos agora? – perguntei, terminando de comer minha sobremesa.
- Eu estava pensando da gente ir num parque que me indicaram na recepção do Hotel, mas antes podemos ir ao museu da cidade. Seria interessante. Você gosta de museu?
- Assim... há museus e museus. Tem uns que são chatos e têm outros que são interessantes. Podemos ir, e se eu achar chato, falo!
- Como quiser! Vamos? - convidou.
Depois disso pagamos a conta. Quer dizer, a nossa companhia área pagou e Edward completou.
Fomos caminhando em direção ao museu mais próximo. Visitamos dois deles. Eu amei os museus da cidade - em um deles havia várias coisas interessantes contando a história da cidade e no outro havia vários achados arqueológicos nos limites da cidade; uma coisa mais interessante que a outra. Edward se mostrou o homem mais culto que conheci nessa minha breve vida e isso só ia me deixando cada vez mais deslumbrada por ele.
Já no fim da tarde, chegamos ao parque. Lá havia muitas pessoas correndo, andando de bicicleta e patins, crianças brincando no parquinho, pessoas voltando para seus lares depois de um dia longo de trabalho, ou estudantes voltando pra suas casas. Em meio a essa doce loucura que estava acontecendo em nossas vidas, era meio estranho perceber que a vida continuava para as outras pessoas - estranho e ao mesmo tempo prova de que tudo aquilo que acontecia conosco era real. Foi uma experiência única, como se tivéssemos passado o dia em uma bolha particular com ele (onde eu não queria sair nunca mais).
Compramos sorvete pra gente e ficamos caminhando pelo parque, sempre conversando muito. Depois de um tempinho, um silêncio se instalou entre a gente. Estava pensando em como tudo pode mudar em um único dia e em como situações que acontecem com a gente podem ser inesquecíveis, quando senti Edward pegando minha mão e entrelaçando a dele, me guiando pra sentar num baquinho. Senti meu coração pular. Nos sentamos, ainda de mãos dadas. Eu nunca senti nada assim; todas as vezes que nossas mãos se encontravam por acaso, assim como agora, era como se eu sentisse meu corpo todo formigar. Era uma sensação muito intensa. As borboletas já tão familiares no dia de hoje voltaram a brincar no meu estômago quando decidir falar:
- Sabe, Ed, nunca vou esquecer desse dia... Está sendo inacreditável. – Sorri pra ele, me sentando virada para ele no banco. Olhei nossas mãos ainda entrelaçadas.
- Eu também não... – Se virou da mesma forma que eu no banco para que ficássemos um de frente pra o outro. – Eu estava pensando no dia que tivemos e em como uma pessoa pode passar pela nossa vida tão rapidamente e marcar tão fundo... – ele disse isso olhando diretamente em meus olhos, me fazendo desviar o olhar. Não sabia como agir ou o que falar.
Silêncio.
- Você tem alguém na sua cidade? Assim... namorado? – ele me perguntou, meio sem jeito.
- Não. Já gostei de um rapaz, mas... sabe como é, amor platônico - disse isso rindo da minha própria desgraça. Soltei nossas mãos por um momento para ajeitar meu cabelo que voava com o vento que soprava naquela tarde quente. Não tive coragem de retorná-la como estava.
- Como alguém pode não corresponder você? Uma garota tão linda, meiga e inteligente como você...
Fiquei sem ação de novo. Silêncio.
- E você? – em um momento de coragem, perguntei, olhando-o nos olhos.
- Não... Na verdade, acabei de sair de um relacionamento. Não dava certo – ele respondeu.
- Eu sinto muito. – Não tanto.
Na verdade, estava feliz não por não ter dado certo o seu antigo relacionamento, mas sim por ele esta aqui hoje e livre pra mim.
- Não sinta, pois não vale a pena – ele falou.
Nos encaramos por um tempo. Seu olhar para mim expressava tanta coisa! Uma admiração, alegria em estar ali comigo, tendo aquele momento e outras emoções que não pude ler. E então ele começou a se aproximar de mim, pouco a pouco. Eu já sabia o que estava por vir e tudo em meu corpo reagiu em antecipação. Eu queria aquilo. Mais que imaginava! E então nossos narizes se encostaram, e eu já podia sentir sua respiração em meu rosto e o cheiro do seu hálito, quando, de repente...
Capítulo 3
E então nossos narizes se encostaram, eu já podia sentir sua respiração em meu rosto e o cheiro do seu hálito, quando, de repente:
- CUIDADO! – alguém gritou. Nos separamos rapidamente, assustados. Quando olhamos a volta uma bola vinha em nossa direção. se levantou rapidamente para alcançá-la.
- PEGUEI! – gritou , que não tinha uma cara muito amigável ao responsável por ter nos interrompido. Eu continuava parada no banco, assimilando tudo o que estava prestes a acontecer; ainda podia sentir o cheiro do hálito dele.
Ele entregou a bola ao dono, que devia ter uns 13 anos. O menino agradeceu, sincero, e em seus olhos eu pude ver que ele pedia desculpas também por ter nos incomodado. E eu ainda estática.
- Bom... – começou . – Er... – Ele não sabia o que dizer. Olhei para ele e ele passava a mão pela nuca. Sentou-se ao meu lado.
- Bom, hm. – Pigarreei, procurando por minha voz. – Já está escurecendo. Por que não voltamos para o hotel? – Tive vontade de me bater logo depois que falei essas palavras. Voltar para o hotel? Ele tava quase te beijando e o que você fala é isso? Tive a sensação que ele nunca mais tentaria me beijar de novo. E o dia esta chegando ao fim.
Ele pensou por um momento e respondeu:
- Talvez seja melhor mesmo... Antes que um avião caia sobre nossas cabeças, dessa vez. - Ele riu. Eu sorri para ele após isso. E o tempo está acabando...
Logo voltamos pro hotel e o caminho foi extremamente silencioso. Silêncio do tipo desconfortável. Eu não sabia o que falar, se eu tomava alguma atitude ou soltava alguma indireta. Será que eu iria parecer muito desesperada se desse indícios demais? Ou... não sei... a única coisa que eu pensava era: e o tempo está acabando... E se nunca mais nos víssemos e nunca mais eu tivesse a oportunidade de ter seus lábios tão próximos dos meus? Se houvesse uma próxima vez dele estar tão próximo a mim, eu não iria deixar escapar novamente. Eu iria curtir todo o tempo possível perto dele.
Combinamos nos encontrar para o jantar no Bar do hotel. Eu tinha me arrumado especialmente para ele. Passei uma leve maquiagem e um pouco de perfume, não algo forte. Como sempre, muito pontual, ele já estava a minha espera no bar quando eu cheguei.
- Vamos? – perguntei, sorrindo para ele. Ele virou para mim e parou por um momento, me observando.
- Você está especialmente linda esta noite, ! – ele disse isso e me deu o sorriso mais lindo.
- Obrigada! – eu disse, corando. – Você também esta lindo... como sempre! E... – Me aproximei de seu pescoço – Muito, muito cheiroso!
Ele sorriu e disse:
- Senhorita? - ele disse isso, oferecendo seu braço para que eu me apoiasse nele.
- Você é muito encantador, ! Não faz assim que eu me apaixono! – Eu ri.
- Ótimo! Se assim você se apaixona, então vou fazer sempre! – Ele sorriu de orelha a orelha. Mal sabia ele...
Passei o tempo todo do banho pensando nos momentos no parque, em todas essas estranhas sensações que eu vinha sentido perto dele, de como meu corpo respondia a aproximação do dele. Eu só podia está extremamente encantada por ele, eu diria até que estava... Oh, não! Estou perdida, eu estou completamente deslumbrada por esse estranho que agora está tão familiar pra mim, que tenho me sentido tão segura e bem ao seu lado. Tenho me sentido tão “eu” com ele. Senti meus lábios se repuxarem automaticamente em sorriso para ele. Resolvi entrar na brincadeira:
- Você quer me seduzir, senhor encantador? – perguntei, arqueando a sobrancelha e parando a frente dele. Já estávamos no lobby do hotel.
- Você é “seduzível”, princesa? – perguntou ele, se aproximando perigosamente de mim. Imediatamente senti minhas bochechas arderem. Fiquei sem resposta. Literalmente sem palavras. Como dizem: “quem brinca com fogo...’’
- Vamos logo, mocinho, to com fome! – falei, puxando sua mão, nos guiando ao restaurante do outro lado da rua, em frente ao nosso hotel. Eu sei... sou uma besta mesmo. Mais uma oportunidade perdida.
Entramos no restaurante. Durante a noite ele parecia tão diferente de como ele é a luz do dia. A noite ele tinha um ar romântico, misterioso. Fomos recepcionados por um garçom mesmo, o mesmo que nos atendeu no almoço. Ele estava sendo muito gentil e atencioso conosco; guiou-nos a uma mesa “para dois” bem reservada e nos apresentou o cardápio. Fizemos nossos pedidos e ficamos aguardando. O restaurante estava vazio, eu só conseguia ver uma família jantando a umas mesas de distância da gente.
- Você disse mais cedo que canta... por que não canta pra mim agora? – perguntou ele.
- Não, não. Eu não canto, não. Quer dizer, eu cantava na igreja, gravei uma vez uma música pra colocar na lembrança do meu aniversario de 15 anos, mas agora não tem dado tempo de cantar. Provas na escola.
- Ah, por favor, ... Canta pra mim, vai? Por que você não canta a musica que você gravou? - Ah, não! Pagar mico nessas alturas do campeonato?! Não mesmo.
- Não, , você não ia querer ouvir... Por favor, não...
- Por favor, . Pra encerrar com “chave de ouro” nosso dia juntos! Quero te ouvir, vai... - Ele insistiu, fazendo a carinha mais fofa que eu havia visto. Não tinha como negar nada àqueles olhinhos verdes.
- Tá, ok... Depois não diz que não avisei... – eu disse, totalmente rendida por ele.
Comecei a cantar.
Go on and close the curtains (Vá em frente e feche as cortinas)
'cause all we need is candlelight (Porque do que precisamos é da luz das velas)
You and me... and the bottle of wine (Você, eu e uma garrafa de vinho)
And hold you tonight [ohh] (E te abraçar essa noite [ohh])
Well we know I'm going away (Bom, nós sabemos que eu estou indo embora)
And how i wish - I wish it weren't so (Como eu desejaria... desejaria que não fosse assim)
So take this wine and drink with me (Então pegue este vinho, e beba comigo)
Let's delay our misery (Vamos atrasar a nossa desgraça)
Save tonight and fight the break of dawn (Salve esta noite e lute contra o amanhecer)
Come tomorrow - tomorrow I'll be gone (O amanhã vem - amanhã eu estarei indo)
Save tonight and fight the break of dawn (Salve esta noite e lute contra o amanhecer)
Come tomorrow - tomorrow I'll be gone (O amanhã vem - amanhã eu estarei indo)
- Você é linda, ! Eu... – Ele me olhou tão fundo em meus olhos. Como se quisesse que eu visse o que ele via.
- Ah, , não foi tudo isso! - eu disse e mais uma vez senti minhas bochechas arderem.
- Não. Você é ótima! – Ele ainda me encarava quando nesse momento, John, o nosso garçom, chegou com nossos pedidos.
- Bom apetite para vocês! Desejam mais alguma coisa agora?
- Não, John, muito obrigada, está tudo bem! - eu disse, sorrindo.
Nós pedimos massa. E de talher pude ver apenas uma colher e um garfo. Fiquei curiosa:
- Er... John, como se come macarrão com uma colher e um garfo? Acho que nunca fiz isso... – Não consegui segurar minha língua e quando vi já tinha falado, digo, pagado esse mico de não saber comer macarrão “chiquemente”...
John sorriu para mim e disse:
- É bem simples! Eu lhe ensino. Observe!
Fiquei atenta quando ele pegou a colher na mão esquerda e o garfo na mão direita. Com o garfo ele pegou o macarrão e começou a enrolá-lo só que apoiando o garfo na colher. Acho que entendi: na verdade a colher só serve mesmo de apoio.
- Aaaaaah... Entendi agora! Nossa, nunca ia imaginar! – Eu ri. Quando olhei para ele estava me olhando e sorrindo. Me senti como uma criança que tinha acabado de aprender a andar de bicicleta. – Muito obrigada, John!
- John, você pode tirar uma foto nossa? - Pediu , entregando sua câmera para John.
- Claro, senhor! - Quando nos aproximamos mais pra tirarmos a foto e pude sentir seu cheiro delirante... Suspirei. - Sorriam! – disse John.
- Depois você vai ter que dá um jeito de me mandar essas fotos, ! Vou querer! – adverti.
- Claro! Depois pegamos papel e caneta no hotel e trocamos e-mails! – ele sugeriu.
- Ótima ideia! - Nem tinha pensado que internet existia.
Depois disso comemos nossa refeição em um silêncio confortável. Vez ou outra falávamos sobre algo de nossas vidas ou sobre o nosso dia juntos. Estávamos na hora da sobremesa. Chegou a hora.
- Uma lembrancinha especial, para uma pessoa especial, em um momento especial. Pra você nunca mais se esquecer de mim – disse, colocando o pequeno embrulho prata em cima de nossa mesa em sua direção. Eu não consegui segurar um sorriso no meu rosto. Ele tava com uma cara surpresa. Depois dele recuperado da minha surpresa, falou:
- Bem, acho que tivemos o mesmo pensamento – ele disse, colocando um pacotinho rosa em cima da mesa. Ele sim me pegou de surpresa!
- Uau, achei que seria exclusiva em lhe dar um presente. Obrigada, não precisava, você sabe... – disse, sorrindo envergonhada.
- E você sabe que também não precisava se incomodar. Mas eu comprei esse presente, porque eu queria que você carregasse uma lembrança desse dia – ele disse, ainda sorrindo.
Nos levantamos e nos abraçamos, ele me deu um beijo em minha testa e depois em minha bochecha. Minha respiração estava começando a ficar um pouco pesada e meu coração batia ainda mais forte, se é que isso era possível. Depois de um tempo nos soltamos e voltamos a nos sentar um de frente para o outro em nossa mesa. Eu peguei a caixinha rosa que ele havia me dado e quando levantei meu olhar e sorri para ele o vi fazer o mesmo com a caixinha prata que eu havia lhe dado. Ele também estava sorrindo. Que lindo sorriso!
- Primeiro as damas! - ele disse, apontando para mim.
- Ok... Tô muito curiosa mesmo... - falei isso, terminando de abrir a caixinha de papelão rosa, sempre com um sorriso que havia se instalado em meus lábios. Ele fazia isso comigo. Dentro dela havia uma pulseira dourada com pingentes: um mini avião (o que me fez rir), e dois corações.
- Nossa, que linda! Eu amei... é perfeita! – eu disse, pegando-a, tentando colocar em meu pulso.
- Deixa eu lhe ajudar – ele disse isso, a colocando em meu pulso.
- Olha tem até um mini avião aqui! Nossa, cara! Que lindo! – eu disse, depois que ele o colocou em meu pulso. – Obrigada. – Sorri, doce.
- O avião significa como nos conhecemos e toda essa adorável confusão, é claro. E os corações, é... – Ele passou a mão na nuca como se tivesse sem jeito. Achei aquilo tão fofo.
- É perfeito. – Acariciei sua bochecha. Ele pegou minha mão e a beijou. – Agora é a sua vez - eu disse, animada. Queria muito ver o que ele ia achar do meu.
- É... vamos ver! – Desembrulhou o pacote.
- Não é uma pulseira linda como a que você me deu... ou um presente à altura, mas achei que combinou com o que eu queria expressar – eu disse, explicando meus motivos por ter escolhido aquele objeto.
- Não, não diga isso... é interessante e... eu realmente preciso, mas fiquei curioso, quais foram os motivos? - ele perguntou.
- Relógios de bolso como esses me lembram aqueles homens que não se fazem mais igual, aquele do tipo educado e cavalheiro e achei que combinava perfeitamente com você – eu disse.
Eu lhe dei um relógio de bolso, todo dourado, e na parte de dentro da sua tampa pedi que gravassem a palavra “inesquecível”, que é a palavra que encontrei para descrever nossos momentos juntos, e além disso, pedi que colocassem a data de hoje.
- Me sinto honrado, jovem dama! – ele disse.
- Encantada! – eu respondi, sorrindo. E logo prossegui: - E dentro eu pedi que gravassem uma palavra que eu achei que era perfeita para a ocasião.
- Inesquecível... – Ele leu. – Não podia ter uma palavra melhor... – ele disse e eu sorri.
- E um relógio simboliza tempo – eu continuei – que eu vou contar a partir do momento em que você não tiver comigo até nosso próximo encontro – eu confessei.
- Vou fazer o possível que seja pouco. Você é muito especial para sair da minha vida – ele disse isso e beijou minha mão. Sorriu.
Já estava em minha suíte, arrumando minha pequena bagagem. Precisava deixar tudo pronto, pois daqui a umas horas o ônibus do hotel nos levaria ao aeroporto. Fomos avisados que o micro-ônibus chegaria à meia noite e meia. Estava distraída, tentando fechar minha frasqueira quando ouço alguém bater em minha porta.
- Quem é? – perguntei, curiosa, próxima a porta, antes de abri-la.
- Sou eu. ! - ? Aqui? O que será que aconteceu? Abri a porta.
- Oi! Aconteceu alguma coisa? – perguntei, sorrindo.
- Não. Na verdade... Meia noite está bem longe de chegar e... Eu estava sozinho no quarto... Imaginei que eu poderia esperar aqui... com você... Já que nosso tempo juntos está chegando ao fim e... – Ele se atrapalhava com as palavras e parecia muito, mais muito envergonhado e nervoso. Eu ri disso.
- Bem... – Eu o interrompi. Eu e ele. No quarto. Sozinhos. Será? A frase veio em minha cabeça como um lembrete: e o dia está chegando ao fim. E então decidi.
- Acho que pode! Entra! – eu disse, abrindo mais a porta.
- Espera só eu pegar minha sacola de doces – ele disse e saiu correndo até sua porta. Doces? Sacola? Hum... eu quero! Eu entrei novamente em meu quarto, deixando a porta entreaberta e enquanto ainda tentava fechar minha frasqueira entrou trazendo suas sacolas.
-Querida... cheguei! – Quando levantei meu olhar para ele não pude deixar de soltar uma gargalhada. estava parado perto da porta com o sorriso enorme do tipo “eu sou o cara.” Com as sacolas levemente levantadas.
- Oi, querido! Seja bem vindo em casa! Com foi seu longo e cansativo dia de trabalho? – Entrei na brincadeira.
- Na verdade, minha querida, não foi ruim não. Conheci uma linda princesa. – Ele soltou as sacolas no canto do quarto e caminhou ate mais perto de onde eu estava.
- Oh! Uma princesa? E como ela é? – Olha eu aqui brincando com fogo?!
- Ela é maravilhosa. Na verdade... Ela é apaixonante. – Agora ele estava mais sério. - E você? O que fez hoje? – ele continuou. Agora ele estava perigosamente próximo a mim. As borboletas já davam sinal de vida dentro do meu corpo.
- Eu passei o dia esperando... – minha respiração e meu coração já me denunciavam. Eu estava nervosa.
- Esperando? O quê? – ele se aproximou mais e colocou uma mão sua em volta da minha cintura.
- Er... Bem... – Sua respiração batendo em meu rosto não estava me ajudando muito a raciocinar. - Você – eu disse, finalmente.
- ... Você é Linda! Inesquecível, com certeza! – Ele colocou sua outra mão em minha nuca por baixo de meus cabelos e quando dei por mim eu já estava com meus braços em volta de seu pescoço e podia sentir nossos narizes se tocando. Suspirei. Ele então começou uma pequena brincadeira de beijar delicadamente todas as partes do meu rosto: nariz, queixo, bochechas, olhos...
Eu já não sentia mais minhas pernas. Já não sabia meu nome, ou onde eu estava o que estava fazendo. Tudo o que eu sabia era o que eu sentia. A minha frente estava um homem maravilhoso que me conquistou e sem fazer nada demais já marcava minha vida. Eu o queria para mim. E não importava se depois desse momento eu não o visse mais. O que importava era o agora. O que eu estava sentido por ele. E nada poderia nos atrapalhar dessa vez.
- Acho que sua espera chegou ao fim – ele sussurrou.
Dito isso, a única coisa que senti depois foram seus lábios tocando os meus. No início eram apenas pequenos selinhos que aos poucos foram crescendo e se tornando um beijo mais íntimo. Senti sua língua tocar meus lábios e automaticamente entreabri minha boca em busca de sentir o seu sabor. Não tínhamos pressa, apenas queríamos curtir o momento e a presença um do outro.
O beijo foi diminuindo a intensidade e se transformando novamente em selinhos e ele voltou a beijar todo o meu rosto. Abri meus olhos e vi que ele me analisava. Sorri para ele e lhe beijei rapidamente seus lábios novamente.
- Se esse dia já era inesquecível, depois desse beijo ficou ainda mais... se é que era possível. – Sorri. – Gostaria que isto tivesse acontecido antes... no parque... - confessei.
- Não tenho palavras para descrever... – ele falou. – Eu também gostaria, porém, foi melhor... De repente um foguete caía em cima da gente... – Ele riu. – Não daria certo.
Nos deitamos na cama. Eu apoiei minha cabeça em seu peito e podia ouvir seu coração acelerado. Ele permaneceu fazendo um carinho gostoso em minha cabeça. Alguns minutos depois ficamos de lado na cama, um de frente para o outro, nos olhando intensamente. Ele passou então a distribuir carinhos em minha face, passava os dedos pela minha sobrancelha, nariz, bochecha e boca... Beijei seus dedos suavemente e em seguida me aproximei para então iniciarmos mais um beijo inesquecível!
Ficamos assim durante muito tempo. Acho até que cochilamos em alguns momentos. Beijamo-nos em outros. Era uma sensação indescritível ter ele em meus braços. Sentia-me completa. Como se tudo se encaixasse.
- Aqui está meu e-mail e o número do meu celular. Você pode me ligar – disse , me entregando o papel com as informações. Já estávamos no lobby terminando o check-out no hotel.
- Aqui o meu! – disse-lhe, entregando um papel com meu e-mail e número de telefone.
- Assim que puder, me mande e-mail! – Ele pediu.
- E assim que puder, me mande as fotos! – Lhe disse.
- O ônibus já lhes aguarda, senhores! – disse a recepcionista do hotel.
Durante o caminho para o aeroporto, encostei minha cabeça em seu ombro e nos demos as mãos. Havia outras pessoas no micro-ônibus. Eu estava nas nuvens, senti as borboletas dando cambalhotas em meu estômago. Eu estava feliz estando aqui e assim com ele. Durante todo o caminho permanecemos em silêncio.
Capítulo 4
Um confortável silêncio. Eu me perguntava o que seria daqui pra frente. Será que ele, assim como eu, queria que nos víssemos de novo?
Eu, com certeza, daria tudo para ter mais um fim de semana com ele.
Quem me dera ele morasse na mesma cidade que eu. Tudo poderia ser tão diferente! Nós poderíamos sair mais vezes, poderíamos manter uma amizade e quem sabe até algo mais (o que era o que eu mais desejava). Eu poderia lhe apresentar para minha família, para minha amigas e amigos... Tanta coisa poderia acontecer! Tantas possibilidades passavam por minha cabeça! Passeios de mãos dadas, beijos, carinhos, pôr-do-sol juntos, até mesmo as possíveis discussões que poderíamos ter. Tanta coisa poderia acontecer... Porém a realidade é outra. Pertencemos a mundos diferentes. A verdade é que talvez nós não nos víssemos nunca mais. E só de pensar nisso meu coração se aperta. Como vou poder viver sem ele aqui comigo? Sem seu sorriso, seu olhar, seus beijos... Eu sei que posso, mas por que pensar nisso doe tanto? É claro que se pode viver sem uma pessoa ao seu lado, mas a questão é que se eu pudesse escolher eu gostaria que ele estivesse comigo. Céus! Como tudo isso é tão louco?! Se eu contasse pra alguém acho que ninguém acreditaria. Como em um dia tanta coisa pode mudar e a minha vida virar assim, de cabeça para baixo e tudo por causa de alguém?! Como eu gostaria de saber o que ele está pensando neste momento. Como eu adoraria saber se posso ou não deixar que esse sentimento crie raízes em mim! Por hora eu preciso ter calma e manter minha cabeça sã. Controlar-me. Ou procurar ter os pés no chão. E o que tiver de ser será. Afastei todos esses pensamentos da minha cabeça. O melhor é pensar em nada.
Até chegarmos ao aeroporto não se ouviu muitas palavras. Todos vinham muito calados, como se fossem solidários ao nosso momento que tinha todo um ar de despedida ou como se estivessem apenas cansados (o que era bem mais provável). Eram uma e meia da manha quando chegamos ao aeroporto. Como ontem à noite, o pequeno aeroporto estava com poucas pessoas. Fomos diretamente para o stand de nossa companhia aérea.
- Olá, Bejamin! – eu disse, assim que o avistei.
- Bom dia, Bejamin! – falou .
- Hey, vocês! Liguei quatro vezes pro hotel e todas às vezes vocês estavam fora! O dia foi agitado, hum? – ele falou, sorrindo. Não pude deixar de gargalhar com esse comentário. De fato, não ficamos muito no hotel.
- Estávamos aproveitando a estada inusitada na cidade! – respondeu, sorrindo e apertando a mão de Bejamin com cumprimento.
- Deu pra perceber. Gostaram? – ele perguntou, interessado, apertando minha mão também.
- Bom, eu respondo por mim e adorei! – disse, divertida.
- Muito linda a cidade, porém, não teria sido a mesma coisa sem a companhia que tive... – respondeu . E minhas bochechas coraram, tenho certeza.
- Hum... To sentindo que rolou um clima, hein? – Ele riu e continuou: - Muito bem, vamos fazer o check-in de vocês. Identidades, por favor!
- Aqui está – disse, entregando minha identidade, aliviada porque ele não fez muitas perguntas. também entregou sua identidade.
- Bejamin, é pra você que entregamos as notas fiscais? – perguntei.
- É, sim! Pode me dar agora que depois de fazer o check-in de vocês, resolvo essa parte – ele disse, mais prestando atenção no computador a sua frente que em mim. Ele continuou:
- Você tem preferência por acentos? Há bastante disponíveis! O avião vem um pouco vago – Bejamin perguntou.
- Você gosta da janela, não é, ? – perguntou .
- Sim! – respondi um pouco surpresa de ele ter percebido isso.
- Eu gosto das poltronas do fundão! – ele disse.
- Então, poltronas 27 A e B. Ok? – Bejamin checou.
- Ok. – concordou.
- Vou ali naquela lojinha enquanto você ajeita essas coisas, ok? – Avisei ao Bejamin e ele apenas fez que “sim” com a cabeça. – Quer vir comigo, ? – perguntei.
- Claro, princesa! - ele disse, sorrindo e fazendo o mesmo gesto que no jantar dando o braço para que eu me apoiasse como o costume do século passado. Eu sorri.
- Vou sentir falta de estar com você! – confessei, enquanto caminhávamos em direção a uma loja de conveniência próxima.
- E eu vou sentir falta de estar com você... – Vi-o me encarar e suspirar. - Mas logo vamos nos ver! – ele disse essa última frase, parando na minha frente e acariciando minha bochecha. Eu inclinei minha cabeça em direção a seu carinho e fechei os olhos aproveitando cada momento. Logo senti seus lábios nos meus e todas aquelas sensações maravilhosas tomaram conta do meu corpo e nada mais eu via ou sentia, se não seus lábios nos meus. Ele me deu mais um selinho, finalizando o beijo e encostou sua testa na minha.
- Logo vamos nos ver – eu disse isso mais pra mim mesma. E em seguida lhe dei mais um beijo e me separei dele. – Vamos comprar chicletes. Preciso deles no avião.
- Vamos! Vou aproveitar para ver o que está acontecendo no mundo lá fora! – Ele disse, indo em direção aos jornais.
Te entendo, . Acredite! Hoje foi como se tivesse passado o dia em uma bolha com ele e o mais interessante de tudo: não querer sair de lá nunca mais, se eu tivesse escolha. Comprei meu chiclete e uma revista de fofocas (como se eu fosse realmente aproveitar meus últimos momentos com lendo uma revista). Me perdi de na loja. Onde será que ele está? Enquanto pagava perguntei a moça do caixa:
- Você viu o rapaz que estava comigo? Não o vejo por aqui...
- Há, ele pediu que você o encontrasse no stand! – ela respondeu.
- Ok, flor! Obrigada - eu disse.
Quando cheguei ao stand, encontrei com nossos tickets na mão. Bejamin foi logo mandando nós irmos para a sala de espera do embarque, pois o avião que íamos já estava pousando. Fomos caminhando até lá conversando sobre coisas aleatórias e logo embarcamos no avião. colocou minha frasqueira no porta bagagens e em seguida ocupamos nossas poltronas. Colocamos nossos cintos de segurança e depois nos olhamos. Eu peguei sua mão e entrelacei a minha colocando em meu colo. Inclinei minha cabeça em sua direção e beijei seus lábios. Deitei minha cabeça em seu ombro. Está acabando... O que será que vai acontecer com a gente? Quando será que vamos nos ver de novo?
Balancei minha cabeça discretamente em sinal de negação. Não pensar. Não pensar.
Estava perdida em meus pensamentos concentrados em não pensar (é confuso, eu sei, mais é assim que me sinto) quando o ouvi falar:
- Quero que leia isto quando chegar à casa da sua tia - ele disse, me entregando um envelope branco.
Levantei minha cabeça de seu ombro e o olhei arqueando minha sobrancelha. Senti minha curiosidade se aflorando. Golpe baixo.
- Ah, , golpe baixo. Não sei se vou aguentar. O que há nele? – disse, pegando o envelope e tentando ver o que havia através do papel branco do envelope.
- Você não vai conseguir ler, . E eu não quero que você o leia comigo perto. É constrangedor demais – ele disse, sem jeito.
- Ok, ok... – disse, guardando o envelope em minha bolsa que estava em baixo da minha poltrona.
- Me dê sua mão, vamos voar agora! - ele disse, quando terminei de devolver minha bolsa onde estava. Nos posicionamos com as mãos dadas em cima do braço da poltrona, direcionei minha cabeça para frente e respirei fundo.
- Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez – contei baixinho e pausadamente, enquanto sentia o avião levantando voo chegando ao dez quando o senti estabilizar.
- Acho que essa técnica de contar funciona um pouco. Me acalmou de alguma forma – ele disse, rindo.
- Você pode usá-la daqui pra frente, moço. – Sorri. E ele continuou me olhando. Fez uma cara que me pareceu meio que de dor e disse:
- Vem cá, vem... – Colocou uma mão em cada lado de meu rosto e logo em seguida se aproximou para me beijar. Ah... Como vou sentir falta desses lábios! Tão cedo ele me soltou e me abraçou. Nos soltamos e eu fiquei apoiando minha cabeça em seu ombro e brincando com seus dedos. Acho que adormeci. Um barulhinho chato de saco estava me deixando irritada. Abri meus olhos e vi abrindo um bombom de chocolate e comendo. Ajeitei-me na poltrona.
- Dormi muito tempo? - eu perguntei, tentando ajeitar meu cabelo, que devia está não muito bom de se ver.
- Não, acho que no máximo vinte minutos. Você quer? – ele disse, depois de beijar minha testa, me oferecendo um bombom de chocolate.
- Você gosta de doces? Não tem cara não, hein? - eu disse, pegando o que ele me ofereceu e abrindo.
- Precisa ter “cara” para gostar de doces agora, princesa? - ele disse, divertido.
- Não sei... mas é que geralmente homens não são muito fãs de doces... acho que você é o primeiro que vejo gostar de verdade. Na verdade, o segundo – eu disse, comendo meu doce distraidamente.
- Quem é o primeiro? – ele perguntou desconfiado.
- A Gilvanete. – Eu ri lembrando do meu amigo.
- Ta insinuando alguma coisa, senhorita? – ele disse, deixando o bombom na poltrona do lado e se virando para mim.
- Eu?! Nada... quer dizer, meu amigo, que tecnicamente é homem, é o único que adora doces... – eu disse, fingindo prestar mais atenção no meu bombom.
- Agora você me ofendeu – ele disse, colocando a mão no peito e fazendo uma voz afetada que não tinha nada haver com ele. Eu gargalhei alto. E logo depois coloquei minha mão na boca. Afinal, eram umas 2 e meia da manhã.
- Desculpe. – Sorri.
- Não desculpo, não... Agora você vai ver como eu sou diferente desse seu amigo que tecnicamente é homem. – Fez cara de quem vai aprontar algo. Uma palavra: medo.
- O que você ta pensando em fazer, ? – perguntei, desconfiada, meio que me afastando dele.
- Eu?! Nada... - ele disse, me imitando. – Estamos em um avião, são... – Olhou no relógio (o que eu dei). – Duas e meia da manhã, e você não pode gritar.
- Oh, Não, por favor... – eu disse já imaginando o que ele faria.
- Oh, sim... - Dito isso, ele começou fazer cócegas em mim. Senhor, eu não podia gritar! Sussurrei:
- Por favor, por favor, para! Isso e muita maldade... – implorei fazendo um esforço imenso para não gritar bem alto. Até pra me mexer ta difícil.
- Não, não. – Parou. - Só se você falar – continuou a cócegas.
- QUALQUERCOISA! – eu gritei.
- shhhhhhh... – Ele me beijou e parou de fazer cócegas, e por um momento esqueci-me de tudo. Tão logo ele se afastou centímetros e disse:
- Não grite... tem muita gente dormindo.
- Então, para... – implorei.
- Só se você falar que eu sou o homem mais macho que você já conheceu - ele disse e continuou a fazer cócegas.
- Você é o homem mais macho de todos, todos, do mundo! – eu falei, ofegante.
- Bem melhor assim... – E ele parou. E pegou seu bombom e o colocou todo na boca.
- Seu chato. Te odeio – falei, emburrada, cruzando os braços em meu peito.
- Ah, princesa! Você não me odeia... Você me ama – ele falou, me abraçando.
- Quem te garante isso? Você nem me conhece...
- Claro que te conheço! E já faz mais de 25 horas! – Isso me fez rir. – Olha! Um sorriso. – Beijou minha bochecha. – Adoro seu sorriso.
- E eu adoro você; quando não está fazendo cócegas em mim. - E agora fui eu quem beijei sua bochecha.
Agora ele estava sentado normalmente na poltrona, porém, com o rosto virado para mim e segurando minha mão, eu estava sentada na poltrona só que com meu corpo virando em sua direção com a cabeça apoiada de lado na poltrona. Eu acariciava sua bochecha. Eu não sabia o que pensar ou o que falar... Tava preferindo seguir minha técnica de não pensar muito e deixar as palavras de lado. Simplesmente o beijei mais uma vez...
E passamos o resto do voo curtindo a presença um do outro e nossos últimos momentos juntos. Logo desembarcamos no aeroporto de Port Angels. Pegamos nossas bagagens. E lá de dentro pude ver Mike e Tia Grace me esperando e acenando para mim. Era hora de dizer adeus.
- , foi maravilhoso. Muito obrigada por tudo... amei te conhecer. – Estávamos um de frente para o outro próximo as nossas bagagens. Ele iria alugar um carro e iria até Forks. Eu ficaria pela cidade na casa da minha tia.
- Adorei te conhecer. Mas isso não é uma despedida. Nós ainda vamos nos ver, . Não vou deixar você sair da minha vida.
E nos beijamos como nunca tínhamos nos beijado. Ele me abraçava com muita força como se não quisesse que saísse de seus braços nunca mais. Ah, se pudesse. E estava com meus braços em volta de seu pescoço e bagunçava seus cabelos da nuca. Queria gravar tudo dele, a sensação de seu toque, seu gosto, seu cheiro.
- Até logo, . – Me deu mais um selinho.
- Até, . – Sorri e fui caminhando até a saída. Ele ficou lá dentro tentando alugar um carro.
Eu estava com uma sensação estranha de que algo faltava. Fora isso estava até bem. Fui caminhando meio em piloto automático em direção a minha família.
- Hey, ! Priminha, quase não chega, hein? - Mike disse ao me abraçar.
- Oi, Mike! Que saudades! - Retribui seu abraço.
Mike tinha o estilo capitão do time da escola, só talvez porque na verdade ele é o capitão do time de futebol da sua escola. Super popular, com um corpo com os músculos definidos e olhinhos azuis e cabelos loiros. Ele vestia uma calça jeans e uma camiseta amarela e uma jaqueta jeans também. No rosto, ele tinha um sorriso com todos os dentes a amostra.
- Filha! Como você cresceu! Minha nossa, está uma moça! – Tia Grace.
- Ah, tia! Que saudades da senhora! - eu disse, lhe abraçando.
- E quem é aquele gatão que tava ali com você, hein? - Me cutucou – Eu vi TUDINHO! – Piscou um olho. Senhor, eu mereço!
Minha Tia Grace é uma mulher de 40 anos com a aparência de 30. Super jovial, com um corpo de deixar muita menina com inveja. Ela é uma pessoa maravilhosa, muito divertida e com uma alma jovem. Ela é o misto de uma menina de 15 anos com a uma mulher de 40. Usava jeans, botas pretas de cano curto, uma blusa de gola alta preta e uma jaqueta jeans.
- Ah, tia, é o , meu... amigo? – disse, sem graça.
- Amigo? Nossa! Quisera eu ser amigo assim das minhas amigas! – Mike disse olhando para o horizonte. – Outch – disse depois que dei uma bofetada em seu braço.
- Seu tarado! Ele é meu amigo... Não deu tempo de decidirmos o que nós somos um para o outro... Mas eu... nós... ah, vamos ver no que vai dar! Agora me falem como andam as coisas por aqui? E onde está o Tio Phill? – disse, tentando colocar outro rumo na conversa.
- Ele é lindo, ! Espero que vocês encontrem um tempo para decidirem ser mais que amigos! – ela riu.
- Tia! - eu disse, indignada.
- Está tudo bem por aqui, querida! – ela disse, rindo do meu embaraço e depois continuou:
- Ele teve um imprevisto no trabalho e não deu pra vir lhe buscar aqui. Ficou muito chateado com isso.
- Há... que pena! Mas em casa eu o vejo – eu disse e logo lhe abracei em seguida. – Estava com saudades de vocês, tia. E minha mãe mandou um monte de coisa! - Eu ri.
- Nossa, fiquei curiosa. Vamos logo pra casa! – tia Grace disse, rindo.
Capítulo 5
Chegamos à casa de Tia Grace. Mike me levou até o que seria meu quarto durante essa semana. Era bem aconchegante e em tons de bege. Logo que se abre a porta do quarto, damos de frente com uma janela com cortinas brancas que estavam abertas, permitindo que a luz do sol matinal entrasse no quarto. Tinha uma cama de casal com uma roupa de cama em tons de rosa e em cada lado da cama tinha um criado mudo: do lado direito, estava um relógio e um abajur, ao lado esquerdo um jarrinho com pequenas flores de todas as cores, que dava um pouco de cor no cômodo. Em frente à cama havia uma cômoda de madeira de cor marrom clara e uma poltrona vermelha, que me fazia ter vontade de sentar nela e ler alguma coisa.
Depois que Mike saiu do quarto, larguei minha bagagem num canto do quarto e fui observar a paisagem da janela. De lá, dava pra ver o sol da manhã iluminando tudo, a rua, as casas e as pessoas que andava por ali. Joguei-me na cama e fiquei encarando o teto, pegando na minha pulseira. Peguei na miniatura de avião e em seguida nos dois corações. A primeira coisa que tomou meus pensamentos foi . O que será que ele está fazendo agora? Será que ele já chegou em casa? Será que ele já viu sua família? Será que ele está pensando em mim? Todos os momentos que passamos juntos vinham em minha mente como a lembrança de um filme que assisti. O envelope!
Assim que me lembrei dele, levantei rapidamente da cama e fui direto ao canto do quarto em que havia largado minha bolsa. Peguei minha bolsa rapidamente e me sentei na cama. A abri com pressa e fui tirando tudo de dentro dela, até encontrar o bendito envelope. Fechei meus olhos e respirei fundo quando o encontrei, a fim de tentar controlar toda a ansiedade que tomava conta do meu corpo naquele momento. Abri meus olhos e suspirei alto. Podia sentir meu coração batendo forte em meu peito. O que será que estava aqui dentro? Lembrei-me de quando ele havia me dado aquele envelope:
‘- Quero que leia isto quando chegar à casa da sua tia - ele disse, me entregando um envelope branco.
(...)
- Você não vai conseguir ler, . E eu não quero que você o leia comigo perto. É constrangedor demais – ele disse, sem jeito.
Sorri ao me lembrar da sensação de ter ele tão pertinho de mim, o calor do seu corpo, seu cheiro, seu sorriso. Estava tão curiosa naquela hora e agora que eu estava autorizada a ver o que havia nele, estava querendo prolongar todo o tempo que poderia, de alguma forma, ter ele comigo. Sorri mais uma vez e, então, lentamente, abri o envelope.
Dentro dele havia uma foto nossa. Pude ver, imediatamente, que era uma das que havíamos tirado durante o jantar. Senti meus lábios se puxarem em um sorriso. Ele mesmo havia tirando essa foto! A felicidade que emanava essa foto era impressionante. Os olhos dele estavam brilhando, meu sorriso era radiante! Não havia mais nada no envelope. Senti-me um pouco frustrada com isso. Ele não disse algo como... Não quero que leia?!
Quando virei a foto, foi que notei que no verso dela havia algo escrito. Na verdade, em todo o verso havia algo escrito.
Imediatamente, comecei a ler. Sua letra era muito bem desenhada e linda. A essas alturas, já não sentia meu coração bater.
”Olá minha princesa,
Pra você estar lendo isso agora, creio que já deva estar a alguns quilômetros de distância de mim, e só de pensar nisso, sinto meu coração pesar. Gostaria muito que esse dia nunca acabasse. Com você, posso dizer que passei um dos melhores momentos da minha vida! Você, sem esforço algum, apenas sendo você mesma, me fez esquecer tudo a minha volta. De um ano completamente conturbado para mim. Só de você vir para minha vida, o fez ser o melhor ano de todos. Uma vez li em algum lugar que o valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis. Escolhi essa foto porque só de vê-la, qualquer pessoa pode ver como estávamos felizes nela. Tudo foi muito intenso e não me arrependo de nada! A não ser de não ter perdido o avião mais uma vez e passar mais um dia com você. Quero que saiba que você é a melhor coisa que me aconteceu. E você não vai se livrar de mim tão fácil assim, minha princesa. Já sinto sua falta... .’’
Quando terminei de ler sua assinatura e a data, senti que estava com meus olhos encharcados. Por que as coisas não acontecem como a gente quer? Por que tem que ser assim? O que eu mais queria agora era poder abraçar você de novo e sentir seus lábios nos meus, mais uma vez. ... Deitei na cama e fechei meus olhos. Queria dormir e sonhar. Talvez em meus sonhos eu pudesse lhe ver de novo e lhe beijar mais uma vez... Você é a melhor coisa que me aconteceu... Essa frase ficava na minha mente. Sentia que estava com minha respiração pesada. Eu chorava... E não sei quanto tempo se passou, mas eu podia sentir minha respiração se acalmando. E, em algum momento, adormeci abraçada a nossa foto.
(...)
Ouvia um barulho irritante que parecia despertador ao longe... E cada vez se tornava mais alto, alto, e mais alto. Abri meus olhos. Eu estava no quarto, na casa da minha tia e estava suada. ... levantei e passei minha mão em minha testa e em meu pescoço que estava molhados. Abri a janela para entrar um pouco de ar. Desliguei o despertador do relógio. Era meio dia. Eu teria que dar um jeito de desativar esse alarme depois... Não rola... Tô de férias! Virei pro lado e encontrei a foto... Infelizmente, eu não sonhei com ele... Olhei mais uma vez para o casal da foto e me levantei. Eu me sentia triste de alguma forma, desanimada... Decidi tomar um banho... Arrumei tudo que iria precisar e fui para o banheiro. O corredor estava vazio. Podia ouvir um barulho de vídeo game vindo do quarto do meu primo, em frente ao meu. Ele ainda tinha essa mania! Talvez ele nunca deixasse de ter. Depois eu teria que da uma surra nele no vídeo game, só pra não perder o costume. Sorri ao me lembrar da última vez que jogamos e eu acabei com ele no jogo. Eu não sou habituada em jogar, talvez tenha apenas sido sorte de principiante quando disputei com ele. Mike ficou uma fera. Ele odeia perder. Será que ele aguenta mais uma lavada no jogo? Será que ainda tenho sorte? Sorri com esse pensamento e entrei no banheiro.
Logo estava de volta ao meu quarto. Nada como um banho para revigorar. Ajeitei tudo e guardei nossa foto num lugar seguro, que eu podia procurar e encontrar na hora em que a saudade apertasse. Ah, ... Como queria você aqui comigo! Suspirei uma vez e fui em direção a porta.
Quando estava girando a maçaneta da porta, ouvi meu celular tocar. Voltei e o procurei em minha bolsa. Tinha até esquecido de ligar para minha mãe. Deve ser ela... Olhei a bina do celular e senti meu coração acelerar. Era um numero diferente. Podia ser ele. Será que era ele? Meu celular insistiu tocando e logo atendi.
- Alô? – tentei soar o mais tranquila possível.
”? É você?’’ – Era .
- ! Oi... Não esperava você me ligar. Estava... – Achei melhor não falar que estava pensando nele. Preferi esperar, e o ouvir falar isso, quem sabe.
”Que bom que é você. No fundo eu estava com medo de você ter me dado seu telefone errado e email...” – que pensamento!? Por que eu daria o número errado do meu telefone, se o que eu mais queria era lhe ver de novo...
- Claro que não, ... Nunca faria isso – eu disse, sorrindo. Eu não era a única insegura da historia. Continuei:
- Então... Já ta em casa? – perguntei depois de me jogar na cama de barriga.
“Sim! Eu estou... Já vi todo mundo, me esperaram aqui com uma festinha. Agora estão lá fora, fazendo um churrasco. Vim em meu quarto deixar minha bagagem e tomar um banho. – O ouvi suspirar. - Não tiro você da minha cabeça, princesa...’’ – ele falou, por fim.
- Eu também, ... – Toquei nos corações da minha pulseira.
Silêncio...
”Você... er... Abriu o envelope?’’ perguntou, inseguro.
- Abri! E amei a foto! - eu disse, entusiasmada.
“Então... Você... Leu?’’
- Eu li... Tudo... Obrigada! Eu me senti muito feliz e emocionada em ler suas palavras.
”Foi tudo de coração, !” – ficou em silêncio. E logo continuou. – Então, o que você estava fazendo?’’
E ri e respondi em seguinda: - Eu estava indo atrás do meu primo, pra derrota-lo no vídeo game. Na verdade, assim que cheguei em casa e fui para meu quartinho, fui ver o que havia no seu envelope – ouvi sua risada do outro lado da linha - e depois acabei adormecendo e acordei a pouco.
”E você joga vídeo game? Não tem cara, não...’’
Eu ri alto ao me lembrar que havia falado a mesma coisa pra ele, só que, com relação aos doces.
- E é preciso ter ‘cara’ para jogar vídeo game? – eu perguntei, sorrindo e imitando suas palavras.
”Se é preciso ter cara para se gostar de doces, então...’’
Nós gargalhamos. E depois veio mais uma vez o silêncio.
- Sinto muito a sua falta, ... – Não me contive e admiti o que sentia.
”Logo nos veremos, !’’
Ouvi minha tia me chamar para almoçar e respondi com um ‘Já vou’.
”Então nos falamos depois, princesa. Vou lhe adicionar no meu MSN assim que puder!’’
- Tá, ... Nos falamos em breve! Um beijo...
”Um beijo, minha princesa.’’ O ouvi dizer isso e em seguida desliguei.
Me virei na cama e fiquei de barriga pra cima. Ainda sentia meu corpo correspondendo a sua voz. Ele me ligou! Isso era tudo que pensava no momento. Passei e repassei toda nossa conversa, inúmeras vezes em minha cabeça. Ele também sentia falta de mim! Podia sentir meus lábios sorrindo. Logo ouvi minha tia me chamar, mais uma vez, e me levantei, gritando que já iria. Sai do quarto sorrindo abertamente e cantarolando uma música qualquer. Desci as escadas e fui direto para a cozinha da casa da minha tia.
- Nossa! Que sorrisão é esse, hein, prima? Viu um passarinho verde, foi? – Mike brincou comigo.
- Eu ouvi, na verdade, meu primo! – lhe disse, dando um beijo na bochecha de Mike que estava sentado à mesa. – Oi, tia Grace! – Beijei sua bochecha também e me sentei ao lado de Mike.
- Huuuum... Me parece que lhe ligou? – minha tia disse sorrindo e colocando uma travessa com macarronada em cima da mesa.
- Humrum - eu continuava sorrindo. – Ligou sim. Nossa! Essa macarronada está com uma cara maravilhosa, tia!
- Obrigada, minha linda! Deixa-me lhe servir – disse isso, pegando meu prato e o enchendo da guloseima.
- Me dê o seu, meu filho – disse, pegando o de Mike.
- Huuum, tia, que delícia! Que saudades que eu tava de sua comida – eu disse, me deliciando. Estava com saudades da comida de tia Grace, ela tem um dom especial na cozinha e sempre que ia a minha casa, cozinhava. – Onde está o tio Phill?
- Alguém perguntou por mim? – Levantei meu olhar assim que ouvi essa voz conhecida. Tio Phill estava parado na entrada da cozinha, vestido de paletó e uma gravata já folgada, e mantinha um sorriso nos lábios.
- Tio Phill!! – Me levantei pra ir lhe abraçar. – Ai que saudades! Como é bom lhe ver!
- Oi, menininha, como você tá crescida, hein? Está quase do meu tamanho! – ele disse e eu gargalhei, em seguida. Eu nunca chegaria ao tamanho dele. Meu tio é um quarentão alto, muito alto (1,90m) e de cabelos grisalhos. Tem um corpo ótimo pra idade. Pelo menos não tem a barriga que meu pai tem.
- Um dia eu fico do seu tamanho, tio! – eu ri – você chegou bem na hora do almoço! – Voltei para me sentar no meu lugar na mesa.
- Oi, querida! – tio Phill cumprimentou Tia Grace com beijo e sentou-se à mesa.
- Oi, meu amor! Deixa eu lhe servir. Está com fome? – ela indagou.
- Muita, meu amor! Enche esse prato – ele disse, sorrindo. – Obrigado! – agradeceu lhe beijando os lábios quando ela lhe deu o prato. Eles são tão lindo juntos!
- Então, , nos conte como foi que você perdeu esse vôo? Fiquei muito preocupado quando soube! – ele perguntou após alguns minutos.
- Ah, tio, aconteceu... Foi sem querer. Eles disseram que avisaram para permanecemos na aeronave, só que eu não ouvi nada e acabei saindo do avião com um rapaz que estava comigo...
- Ela tava distraída demais, pai! – Mike me zoou. E eu corei horrores.
- Distraída? – Meu tio arqueou a sobrancelha.
- Ignore seu filho, tio. Ele não sabe o que diz – eu disse. E Mike gargalhou.
(...)
O restante da semana em Port Angels se passou rapidamente. Visitamos várias praias próximas e aquários. A cidade é pequena, mas até que tinha bastante opção e muitas vistas bonitas. E na primeira vez que vim fiquei apenas três dias e a maior parte do tempo passei em casa e, quando saímos, fomos aos shoppings e parques. Hoje era meu último dia aqui e, desde o primeiro dia, não me ligou mais. Todos os dias eu passava esperando que ele me ligasse, e em todos os lugares que íamos esperava encontrá-lo de alguma forma milagrosa em minha frente, principalmente no dia em que fomos a La Push com os amigos de Mike. Pra onde eu olhava, pra onde eu ia, eu me lembrava dele e ficava pesando o que ele diria se estivesse comigo. Eu tinha a sensação de que tudo se passou como um sonho maravilhoso que eu havia acordado na melhor parte. Daqueles sonhos que tentamos dormir novamente, pra continuar de onde paramos.
Enquanto arrumava minha mala, encontrei nossa foto e passei longos minutos nos olhando na imagem. Eu poderia ligar pra ele... Peguei meu celular e procurei a ligação dele. Fiquei um tempo olhando o número sem ver. Será que teria problema em ligar pra ele? Não soaria muito desesperada?
Adiei essa ligação e continuei arrumando minhas coisas. Viajaria nessa madrugada de volta pra minha casa e pra realidade.
Depois de tudo quase pronto, decidi usar o computador de Mike. Em todos esses dias fiquei isolada do mundo. Acho que nunca tinha passado tanto tempo sem internet.
Liguei o computador de Mike. No papel de parede havia uma foto dele comigo e seus amigos, tirada em La Push. Sorri e fui logo colocando meu endereço de email e senha no MSN. Abri meu email e dos 50 na minha caixa de entrada, apaguei 32 de promoções e outras coisas que não me interessavam.
Quando voltei pra janela do meu MSN, meu coração acelerou. Havia um convite com o email que só podia ser dele e uma mensagem:
‘‘Oi, minha princesa! Espero lhe ver sempre por aqui! Saudades... ’’
Novas esperanças começaram a crescer sem autorização em meu coração. Não dá pra perder contato quando se tem a internet a nosso favor!
Capítulo 6
Já havia se passado algumas horas desde que cheguei em casa. Minha mãe me recebeu no aeroporto com um forte abraço e foi logo exigindo que lhe contasse tudo a respeito da viagem, incluindo, principalmente, a parte em que fiquei perdida com . O vôo de volta foi calmo e o tempo se passou muito devagar! Foi como se tivesse passado séculos dentro do avião. Só minha impressão, já que, na verdade, foi mais rápido porque não tive outra conexão. Volta e meia me pegava pensando no que ele estaria fazendo... Ás vezes me sinto uma idiota por pensar tanto nisso e penso que faço isso sozinha, digo, não acho que ele está muito preocupado com o que eu faço ou deixo de fazer, não tanto quanto eu.
Pensei que ficaria mais preocupada em admitir isso pra mim mesma. E isso é muito bom! No fundo, eu me sentia tranquila com tudo que havia acontecido. Não havia arrependimentos e me sentia feliz de lembrar aquele dia assim... Pensei em como seria se nós não tivéssemos nos beijado, acho que nessas alturas eu estaria super arrependida e me indagando como teria sido se nós tivemos nos entregado com um beijo. Que bom que nos beijamos, nos curtimos... Foram momentos que nunca vão sair da minha cabeça, e muito menos do meu coração. O fato é que ele marcou em mim de uma forma irreversível.
Minha casa estava com um sofá novo na sala, que minha mãe fez questão de mostrar assim que chegamos. Fui direto pro meu quarto e ele estava do jeitinho que eu havia deixado. Apesar de estar a quilômetros de distância de , era muito bom estar em casa! A primeira coisa que fiz no meu quarto foi me jogar na cama e agradecer aos céus por ter uma cama tão boa no meu quarto. Na verdade, a pior parte de chegar de viagem não é ter que desfazer as malas, e sim arrumar tudo de volta em seus lugares... Desfazer as malas é até divertido, principalmente quando você pega as coisas novas que veio com você e objetos que te trazem lembranças dos dias passados.
Eu colocava cada coisa em seu lugar no meu quarto e fazia isso ao som de Muse. Ás vezes me via parada, absorta com alguma coisa nova que havia trazido. Agora me encontrava distraída em frente ao espelho, experimentando a blusa que havia comprado em Port Angeles. Minha cama estava repleta de coisas. Talvez eu possa usar essa blusa na próxima vez que eu for sair com a Jenna. Preciso ligar pra ela!
- Pode entrar! – eu respondi à pessoa que batia a porta do meu quarto. Minha mãe, provavelmente.
- E ai? Quer ajuda? – disse minha mãe, entrando com um pano de prato na mão.
- Não, mãe. Não precisa... É só uma mala e só eu entendo ela! – disse, sorrindo.
- Huuuuum... Que blusa linda, filha! – ela admirou.
- Gostou? Eu comprei numa lojinha pertinho da casa da tia Grace. Quando vi, me apaixonei por ela! – disse. – Isso me faz lembrar... - Continuei indo procurar na minha mala, uma sacolinha.
- Isso é pra você! – eu disse, lhe entregando a sacolinha rosa.
- Pra mim?! Ah... Muito obrigada! – disse, abrindo a sacolinha e pegando o conjunto de colar e brincos em tons de dourado e preto.
- Adorei! – ela disse, sorrindo. - São lindos!
- Sabia que você ia gostar! – disse. – E, então, o que há de novo por aqui, fora o sofá da sala? – eu perguntei, rindo.
- Ah... Nada demais... Quer dizer, só seu pai que teve que fazer essa viagem pra resolver uns problemas da empresa e eu fiquei sozinha ontem o dia inteiro... – ela disse a última parte fazendo um biquinho e eu ri dela.
- Ah, mãaaae... Não precisa ficar assim... Já to em casa! – disse, indo lhe abraçar. - Senti muito sua falta – confessei.
- Eu sei... Imagina você como senti sua falta, mocinha! Foi um mini-treinamento de quando você for pra faculdade. – Ela apertou mais o abraço, por um momento, e me soltou. - Bom, o almoço está pronto. Vamos comer? - me convidou.
- Vamos sim! Queria primeiro terminar de ajeitar essas roupas. Quero deixar tudo pronto pra amanhã – eu disse.
Ela olhou pra porção de coisas que havia em minha cama, depois pra mim e depois pra cama de novo. Riu e disse:
- Ok, mas vamos logo almoçar, depois você continua. Espero-lhe lá em baixo, filha! – ela disse, já saindo.
- Tá. Já, já eu desço! – disse.
Voltei minhas atenções pro espelho e pra blusa que provava, e depois a tirei, já dobrando-a e guardando-a no meu armário. Retornei pra minha mala que estava em cima da minha cama, junto com toda a bagunça e resolvi tirar logo tudo de dentro dela, pra depois arrumar nos lugares certos. Acabei encontrando a nossa foto. Peguei-a em minhas mãos e comecei a reler o que escreveu pra mim. Sorri, involuntariamente. Lembrar dele me fazia feliz. Apesar da minha tranquilidade, parte de mim queria acreditar que voltaríamos a nos ver e até mesmo ficar juntos, porém, minha razão dizia que isso era quase impossível de acontecer. São poucos os relacionamentos que funcionam à distância. Por mais que a gente continuasse se falando, pela internet ou por telefone, nossos mundos eram diferentes, nossos objetivos eram distintos. Aos poucos eu teria que ir tirando todas as esperanças que tomaram meu coração. Não vou pressioná-lo a nada e também não vou dizer mais nada sobre nós dois. Vou deixar, simplesmente, que as coisas aconteçam. Se tivermos que ficar juntos, nós ficaremos. Peguei minha pulseira (o que acabou sendo algo que eu faço com muita frequência), toquei nossos corações e, em seguida, o aviãozinho. Deixar que as coisas acontecessem não significa que vou parar de pensar em . E muito menos que vou apagar tudo que aconteceu entre a gente, todos os abraços, beijos, momentos e sentimentos. Nem havia me dado conta de que tinha sentado em cima de algumas roupas na cama, quando me levantei, peguei nossa foto e coloquei no mural com as fotos das pessoas que eu mais amo. Nossa foto ficaria ali, junto com as fotos que eu tinha da minha mãe, do meu pai, dos meus amigos da escola, minha foto com Mike, quando ainda éramos pequenos, que tia Grace havia tirado quando tomávamos banho de chuva aqui em casa, minha foto com minha amiga, Jenna.
- JENNA! – gritei. Preciso ligar pra ela! Se ela souber que eu cheguei e ainda não liguei, ela me mata! Procurei meu celular em meio à bagunça que estava em cima da minha cama e disquei seu número.
”Amiga?” Jenna atendeu, entusiasmada.
- Oi, amigaaaa... Cheguei! Tenho muita coisa pra te contar – eu respondi.
”A ... Que saudades de você! Você faz falta, guria! Ei, vou à sua casa mais tarde, o que acha? Ai a gente coloca os papos em dias! Também tenho MUITA coisa pra lhe contar!’’ ela disparou.
- Nossa, quero saber de tudo! To lhe esperando, então - eu respondi.
”Tá, eu vou só terminar de arrumar meu quarto e vou’’ – ela disse.
- Arrumando quarto? Você tá bem, Jenna? – eu perguntei.
’’Ah, , até parece que eu não arrumo o meu quarto!’’ - ela revidou.
- Você não arruma seu quarto, Jenna. Todo mundo sabe disso! - impliquei.
’’Não vou discutir com você sobre isso. To com muita saudade!’’ – ela disse.
- Aaaaah... Eu também, mana! Vem logo – eu respondi.
’’Tá, to indo. Faz brigadeiro, ! To em crise de abstinência do seu brigadeiro’’ ela disse rindo e eu a acompanhei com uma gargalhada.
- Tá, eu vou ver se tem leite condensado em casa e faço especialmente pra você! Beeeijo.
’’Beeeijo’’ – ela disse e finalizou a ligação.
Peguei a mala já vazia e a guardei no ponto mais alto do meu armário. Desci as escadas pensando em como eu sentia falta da minha amiga. A Jenna é uma figura. Entrei na cozinha e encontrei minha mãe, servindo o almoço na mesa.
- AH BOM! Pensei que tinha que ir lhe pegar pela orelha pra almoçar, mocinha - ela disse divertida.
- Você sabe que pra comer, não precisa me chamar duas vezes, mãe! – eu disse sorrindo e continuei:
- A Jenna vem aqui mais tarde!
- Ah, muito bem! Eu tava com saudades dela também. Ela sumiu desde que você viajou. Pensei que ela viria me visitar – disse.
- Mãe, a amiga é minha! – rimos juntas.
- Eu sei, boba! To brincando. Na verdade, muito bom que ela venha. Você não me contou nada sobre o tal rapaz que você conheceu na viagem...
- Ah, mãe... Que constrangedor... Contar para as duas ao menos tempo?
- Pensa pelo lado bom: você vai contar a história uma vez só! – ela disse, piscando um olho só pra mim. Eu ri.
- Tem leite condensado? – perguntei, mudando de assunto.
- Opa. Com direito a brigadeiro? – ela disse rindo e eu arqueei uma sobrancelha. – Tem sim! Lá no armário – ela respondeu, por fim.
(...)
Só foi o tempo de terminamos de arrumar a cozinha e eu fazer o bendito brigadeiro para minha amiga chegar. Abraçamo-nos forte e falamos com vozes de bebê (fazemos isso quando passamos muito tempo longe. Estranho, eu sei). Jenna é mais alta que eu, tem os cabelos castanhos claros e olhos esverdeados. Ela tem um estilo bem próprio e é uma mulher bem vaidosa. Ela tava vestindo um short jeans, uma camiseta branca, um colar colorido de flores feitas de tecido e uma sandália alta plataforma. Já estávamos sentadas no sofá novo da minha mãe, quando Jenna confessou:
- Ain, amiga. Fiquei loucamente com o Alec nessas férias.
- MENTIRA! Você é rapidinha, hein, Dona Jenna! Me conta, como foi isso?
- Ah, amiga! Foi em uma festa na casa dele. Você sabe como a Jane, minha cunhadinha, - eu ri – faz, pelo menos, uma festinha por férias. Daí... Rolou! – ela sorriu, abertamente.
- É, já fazia tempo que vocês estavam ensaiando, não é, amiga? Aqueles olhares, sorrisos, telefonemas... Não podia ter dado em outra! Mas me dá mais detalhes, Jenna! - exigi.
- Bom, primeiro que ele foi lá na minha casa especialmente pra me convidar pra festinha. – Eu fiz uma cara de surpresa. – Sim! Com direito a um “Estou ansioso para lhe ver lá’’ no pé do meu ouvido e um beijinho no meu maxilar.
- Caramba, Jenna! Ele só tem carinha de nerdzinho! Mas ele não dorme no ponto, hein?
- Não mesmo, . A última coisa que ele faz é ‘dormir no ponto’, minha cara. – Ela olhava pro horizonte com uma cara de safada.
- Olha essa cara de diabinha! Aí... Continua! – pedi.
- Daí depois do convite, eu não pensei em mais nada. Escolhi a roupa mais linda e sexy, na medida, é claro, e na festa encontrei com ele logo que cheguei. Ah... Como ele é fofo, ! Nossa! A gente conversou bastante e acabou rolando o inevitável... Um beijo maravilhoso. E amiga, que PEGADA! Ai papaaaaaaaaai... – ela disse a última frase se abanando e eu só cai na gargalhada.
- Ah, Jenna! E como vocês tão agora? Continuam ficando? – perguntei.
- Bom, já tem cinco dias que a festa passou e todos os dias nós nos falamos por telefone, já saímos umas duas vezes pra tomar sorvete e teve um dia, ontem, aliás, que fomos ao cinema. Tá sendo muito bom, amiga! Meu coração bate até mais forte só de lembrar-se dele.
- Eu sei como é, amiga... – confessei. Gostaria de não saber...
- Como assim você sabe como é? Desde quando você ta apaixonada, ? - me perguntou, ameaçadora.
- Você ta apaixonada, Jenna? – me aproveitei. E o feitiço virou conta o feiticeiro HAHAHAHA.
- É CLARO QUE NÃO! – se apressou em dizer. Eu não consegui e cai na gargalhada.
- Depois dessa vou até pegar o prato de brigadeiro. – Sai da sala rindo da minha amiga.
- Você vai me contar tudo! – gritou.
- Claro que sim! – eu respondi da cozinha. Tudo que eu mais queria era dividir com alguém o que eu estava sentindo.
Peguei o prato com o brigadeiro ainda morninho (do jeitinho que eu adoro) em cima da bancada da cozinha, duas colheres e me encaminhei para a sala.
- Você tem algum filme por aqui? – Jenna me perguntou, enquanto fuçava as gavetas da raque da sala.
- Os de sempre... – eu disse, me sentando no sofá, colocando o prato cheio de brigadeiro na mesinha e me servindo generosamente na colher.
- Sex In The City? – ela perguntou.
- Pode ser… Já faz tempo que não assistimos – respondi, colocando a colher na boca. - Huuum... Esse está especialmente gostoso... – falei.
- Ah, espertinha! Me dá minha colher aqui! - ela disse, puxando a colher vazia da minha outra mão e se servindo do brigadeiro.
Jenna colocou o DVD e deixou que começasse com os trailers que vinham antes de chegar o menu principal. Enquanto isso, conversamos.
- Então? Qual o nome dele? – ela foi direta.
- Er...
- Filha! Oi, Jenna! Como vai, linda? – era minha mãe descendo pelas escadas, vestida com calça jeans, uma blusa solta estampada em tons quentes e salto alto. Estava com uma maquiagem leve e bem cheirosa.
- To bem tia e você? – respondeu Jenna. Minha mãe não se importava em ser chamada de tia pelos meus amigos. Ela até gostava.
- Ótima! Filha, preciso ir pra loja. Fiquem a vontade. Infelizmente, não vou poder ficar para escutar a história de amor da minha filha... Você terá que me contar depois, mocinha! Sua tia disse pra mim que ele é lindo! – piscou um olho pra mim. – Volto no início da noite! Comportem-se – disse, beijando minha bochecha e jogando um beijinho pra Jenna.
- Ok, mãe! Não se preocupe! – respondi, ignorando os comentários da minha mãe enquanto ela sumia pela porta da frente. Minha mãe tem uma loja de presentes no centro da cidade. Provavelmente, foi resolver algum pepino por lá e já vai aproveitar para ficar para fechá-la no fim do expediente.
- Entãaaaao... – eu disse, enquanto ouvia o ronco do motor do carro da minha mãe.
- Tô vendo que perdi muita coisa, rum? – disse Jenna.
- É, não tive como ligar pra você de lá, amiga! Daí você não sabe nem a metade do que aconteceu comigo nessa viagem... – justifiquei.
- O que está esperando pra contar?
- Bom, pra começar, eu conheci um cara lindo no avião na ida a Port. Angeles.
- SORTUDA! – ela gritou e eu gargalhei. - Ela vai surtar quando souber do resto da história.
(...)
- SUA VACA SORTUDA! Nunca que isso um dia aconteceria comigo! NUNCA EU TERIA A SUA SORTE! – ela dizia, enquanto olhava a foto que Edward havia me dado. – QUE GATO!
- E você ainda nem viu o que tem escrito atrás – comentei.
- MEU SANTO! Com direito a depoimento atrás da foto e pulseirinha de lembrança? – Jenna estava surtando com a minha história. É, realmente difícil de acreditar até pra mim que passei por ela. Imagina!
- Caraaaaa... INACREDITÁVEL! INACREDITÁVEL! E ai, depois? Vocês já se falaram depois que se despediram no aeroporto? – ela perguntou.
- Sim! Ele me ligou depois que chegou à casa dos pais dele - eu disse, sorrindo. – Disse que estava com saudades e que a família havia organizado um churrasco na casa dele pra comemorar sua chegada - completei.
- Haaaaaa... Que fofo... E você?
- Eu o quê? - perguntei.
- Ué, como você ta, amiga? Como você ta se sentindo? – Jenna perguntou.
- Tenho pensado muito nisso, na verdade. – Fechei a porta do meu quarto, enquanto saiamos de lá. Havíamos ido ate lá apenas para eu mostrar pra Jenna a bendita foto.
- Estou me sentindo bem, quer dizer, sinto muito a falta dele, mas... - Sentamos no sofá da sala. O DVD já estava no menu principal faz tempo.
- Mas... – Jenna incentivou.
- Ah, amiga, sei lá, eu to me sentindo tranquila, quer dizer, não me arrependo de ter ficado com ele, mas as coisas aconteceram rápido demais e foi tudo muito intenso... Eu sinto um buraco no meu coração. Nunca pensei que ia sentir tanta falta dele. E meu maior medo é... Sentir isso sozinha... Me sinto uma boba – confessei.
Jenna me abraçou. Eu nem tinha me dado conta que chorava. Apoiei minha cabeça no ombro da minha amiga e chorei mais um pouco.
- Sabe, não é o fim ainda. Ele mesmo disse isso na foto - Jenna disse.
- Não quero confiar nisso – falei.
- Eu sei... Mas há uma possibilidade de vocês se reencontrarem ainda. Vocês não morreram. Existe internet, GRAÇAS A DEUS! – rimos.
- Eu quero acreditar nisso, que um dia nós voltaremos estar juntos e um dia nos veremos, mas e se não for mais a mesmo coisa? É por isso que não quero alimentar esperanças, sabe?
- Eu entendo, amiga... E você por um lado está muito certa! Mas você sabe como eu sou: eu vivo o presente... Não penso muito no que vai acontecer e essas coisas... E cara, deixa as coisas rolarem... Para de sofrer de véspera e ficar se controlando! VIVA! E se rolar... ROLOU! – Jenna disse e eu sorri pra ela.
- Você ta certa... – disse.
- É claro que estou – ela disse isso e eu bati de leve no seu braço. Ainda estava com a cabeça apoiada no ombro dela.
- Vou deixar as coisas acontecerem... Eu não vou pressioná-lo. Assim de ficar perguntando direto quando vamos nos ver e ficar sempre desesperada para falar com ele no MSN ou e-mail...
- É... Fique tranquila... Zen... Paz e amor! – minha amiga disse, fazendo o símbolo de paz e amor nas mãos. Eu ri.
- Palhaça! – gargalhei.
- Ei, vamos logo dar ‘play’ nisso ai, que to enjoando dessa música! - Jenna disse, se levantando e pegando o controle do DVD.
- Ok! – eu disse, pegando o controle das mãos dela e apertando na tecla ‘play’.
O resto da tarde se resumiu a filme, fofocas locais, mais alguns detalhes da viagem, muito brigadeiro e boas risadas.
- Nos vemos na escola amanhã, então? – eu perguntei, levando minha amiga até a porta.
- ECA, essa escola nem férias decentes dão pra gente! Duas semanas? Céus, o que são DUA SEMANAS? – Jenna falava, indignada.
- É o que temos, baby! Agora para de reclamar e vai logo ajeitar as coisas para amanhã! Eu tenho MUITA coisa pra fazer ainda. Ninguém merece.
- Pelo menos você viajou, sua mal agradecida! E ainda ficou com um deus grego!
- Ok, ok... Até amanhã, amiga! – disse, lhe dando um beijo na bochecha e lhe abraçando – Obrigada pela tarde! – agradeci, sincera.
- Tava com saudades de você, neneeeen... – ela respondeu com uma voz de criança, já descendo as escadas da frente da minha casa.
- Eu seeei! Eu tambéééém... Tchau, xuxu! – disse, acenado um ‘Tchau’ pra ela.
- Tchau! - ela gritou já na rua.
Já eram seis e meia da tarde e eu ainda não tinha terminado de arrumar minhas roupas no meu armário. Assim que Jenna saiu, fui direto pro meu quarto terminar meu trabalho. Que bom que Jenna já havia me ajudado a organizar nossa bagunça antes de sair daqui. Minha cama estava do jeito que eu havia deixado antes de almoçar. E isso me desmotivou. Liguei meu computador e, enquanto ele iniciava, dobrei mais algumas roupas e guardei. Coloquei minha senha e em seguida conectei na internet e entrei no MSN. Enquanto as páginas abriam, dobrei mais algumas roupas e guardei. No MSN não havia ninguém conectado, se é que me entendem. Tinha muitas pessoas conectadas, mas a que me interessava, não. Abri meu e-mail e levantei da cadeira do computador, indo novamente a pilha de roupas na minha cama. Dobrei mais algumas roupas e acabei me distraindo ali. Já estava quase acabando de guardar todas, restando somente os biquínis e roupas íntimas, quando um barulho de mensagem chegando no MSN me despertou. Fui em direção à mesa do computador e sentei na cadeira em frente. Era Jenna:
Jenna S2 diz: O ALEC TÁ ONLINE!
diz: e pq vc ta nervosa? Hihih
Jenna S2 diz: sua sem graça. Quero ver se ele vem falar comigo...
diz: Boa sorte com isso! Hsiahsiahsihahsiahs
Jenna S2 diz: Até parece! Até sei pq vc ta aqui online ao invés de invisível...
diz: Não tem nada a ver com ele, tá?
Jenna S2 diz: sei sei...
Jenna S2 diz: ELE FALOU COMIGOOOOOOO!! JÁ VOLTO!
diz: HSHIAHSIAHSIA aproveita, amiga!
Minimizei a janela da Jenna e fui ver a página do meu e-mail. Senti meu coração bater mais forte e meu corpo todo adormecer. Havia um e-mail dele.
Capítulo 7
Senti meu coração bater mais forte e meu corpo todo adormecer. Havia um e-mail dele. O assunto era: ‘nossas fotos’. Rapidamente, cliquei em cima do seu nome na caixa de mensagens do meu email e esperei que a página carregasse. Ouvi quando recebi mais uma mensagem no MSN (provavelmente Jenna, dizendo sobre o que falava com o Alec), mas não mexi em nada. Estava ansiosa demais com o que ele poderia ter me mandado e escrito. A página finalmente carregou e foi logo mostrando as fotos que havia no email. Eram as fotos que havíamos tirado durante nosso dia. Fotos minhas e fotos nossas. Ele não me mandou as dele... Uma pena... Abaixei um pouco mais a barra lateral e logo me deparei com suas palavras:
Princesa, (Muito bom o ver me chamando assim!)
Você já deve estar em casa. Espero que esteja tudo bem com você e que você esteja tão feliz quanto eu fiquei quando cheguei em casa. Apesar de também ter me sentido triste por não ter você ao meu lado. Está tudo bem por aqui. Minha família e meus amigos ficaram muito felizes com o meu retorno pra casa. Perder o avião foi muito bom, pois conheci uma pessoa maravilhosa e pude compartilhar momentos únicos com ela. Sei que tudo que acontece em nossas vidas tem um razão e não foi por acaso que perdemos este avião. Todos já sabem de você! (Me desculpe por isso) Minha sobrinha viu uma foto sua nas minhas coisas e mostrou pro pai dela. Daí você já viu. Meus irmãos e meus pais pediram pra eu contar tudo e não tive escapatória. Acharam-lhe muito linda, se me permite dizer. Sinto sua falta, minha princesa. Isso parece loucura, mas é a mais pura verdade! Espero ansioso por notícias suas.
P.S. Ah, as fotos estão em anexo. Ficaram ótimas. Não sei se você tirou alguma, mas, caso você tenha tirado, mande-me.
Um abraço apertado e um beijo,
.
Li e reli mais umas dez vezes o e-mail de e depois baixei as fotos uma por uma. Ficaram realmente ótimas! As separei em uma pasta no meu computador para poder ficar mais fácil de vê-las. Eu não podia evitar ficar mais encantada em receber notícias dele e saber que ele também pensava em mim, sentia saudades... Saudades de nós dois... Me sentia menos boba em saber que ele também queria me ver e saber notícias minhas... “Lhe acharam muito linda...’’. Que bom que pelo menos me acharam bonita! Como será a família dele, os irmãos, os pais... Precisava pensar em uma resposta pra ele! Rapidamente, cliquei em ‘Responder’ e logo abriu a página.
Como começar o e-mail? Meu Querido? Príncipe? ?
Ouvi mais uma vez o barulho do MSN na barra de tarefas do meu computador, observei a janela em que eu conversava com a Jenna piscar em cor diferente. Abri a janela dela e li o que ela escreveu:
Jenna S2 diz: ELE DISSE QUE SENTE MINHA FALTAAAAAA *aloka*
Jenna S2 diz: ELE É TÃAAAAAAO LINDO, AMIIIIIIIGA!
Jenna S2 diz: vamos pro cinema amanhã depois da aula???
diz: recebi um e-mail do .
diz: e eu não sei o que responder.
Jenna S2 diz: uaaaau! O seu príncipe deu sinal de vida!!! Vc tá feliz? Deve tá com aquele sorrisinho de boba apaixonada...
Será? Parei para me analisar e eu estava realmente com um sorriso bobo instalado em minha face. Oh céus! O que ele fazia comigo?
diz: PALHAÇA.
Jenna S2 diz: SABIAAAA!!! HAHAHAHAHAHAHHHAHHA
Jenna S2 diz: então... O que ele disse?
diz: basicamente, ele me mandou nossas fotos, disse que estava com saudades, que a família dele já sabe de mim e pediu que eu mandasse notícias...
Jenna S2 diz: ele contou pra família dele?! Ele gosta de vc...
Jenna S2 diz: quero ver essas fotos!
diz: não to a fim de mandar foto agora então... Quando vc vier aqui em casa lhe mostro! Tem muitas até.
Jenna S2 diz: o que vc vai responder pra ele?
diz: boa pergunta. Vou ver aqui...
Jenna S2 diz: siiiiim... Então, vamos pro cinema amanhã depois da aula?
Jenna S2 diz: Alec me chamou!
Jenna S2 diz: ele disse que a turma ta combinando de ir! Vamos?
Jenna S2 diz: vamos?
Jenna S2 diz: vamos?
Jenna S2 diz: vamos?
diz: Nossa! Como essas pessoas são rápidas! As aulas retornam amanhã e já tão combinando cinema?
diz: Não perdem tempo... hehehehehehe
Jenna S2 diz: MAIS É CLAAARO, minha querida!!
Jenna S2 diz: Então... Vamos?
Jenna tava desesperada pra ir! Por que será, hum? Pode ser uma boa idéia ver outras pessoas, conversar... Me desligar um pouco.
diz: vamos sim! Acho que pode ser... Amanhã a gente ve melhor... Vou responder o email aqui. Já volto.
Fechei a janela em que eu conversava com a Jenna e abri a janela do meu e-mail. Resolvi ser sincera. Ok. Vamos lá!
Príncipe, (Bom, se ele me chamou de ‘princesa’, acho que posso chamá-lo assim!)
Foi muito bom receber notícias suas. Já estou sim em casa e foi maravilhoso voltar. Pena que amanhã já retornam as minhas aulas e com elas a preocupação em manter minhas notas altas pra quem sabe conseguir uma bolsa pra faculdade. Minha família também já sabe de você. Meu primo passou o tempo todo, que estive na casa dele, me zoando. Minha tia fez o favor de falar logo pra minha mãe o quanto você é lindo! Minha amiga Jenna também sabe, mas porque eu contei mesmo rsrs – afinal, ainda sou menina - Adorei nossas fotos! Obrigada por mandá-las! Nunca vou esquecer o que aconteceu conosco. Marcou muito para mim! E se isso é loucura, somos dois loucos, porque eu também sinto sua falta! Muita! Me conte de você... Quais os planos futuros? O hotel ainda está de pé? Aguardo ansiosa sua resposta. Beijos, .
Reli mais algumas vezes e cliquei em enviar. Perguntá-lo quais eram seus planos era uma maneira sutil de saber se ele me incluía ou se ele tinha algum plano de me ver em um futuro próximo. Não pude me impedir de ficar ansiosa em receber sua resposta! Queria encontrá-lo no MSN, talvez assim, a gente podia conversar com mais calma e mais abertamente. Ah... Como sinto a falta dele! Como pode isso? Meu coração parece se apertar... Me ouvi suspirar e, logo em seguida, ouvi o barulho da porta da frente se abrindo seguido de um “Oh de casa!’’ da minha mãe. Coloquei meu MSN como ausente e desci as escadas para receber minha mãe na porta. Ela já estava abandonando as chaves no aparador e tirando seu casaco e o pendurando no cabide próximo a porta. Ela parecia cansada.
- Oi, mãe! – falei com um sorriso, e logo em seguida lhe dando um beijo.
- Oi, filha! – Ela retribuiu o beijo. – Tá com fome?
- Acho que sim – eu disse, lhe acompanhando até a sala e sentando com ela no sofá.
- Como assim? Ou tá ou não! – ela riu.
- Eu to sim! É que eu comi muita besteira com a Jenna hoje e só doce! Eu topo algo salgado! – expliquei.
- Huuum... Bom, sendo assim, o que acha de pizza? – sugeriu.
- Quatro queijos? – perguntei.
- Quatro queijos, com certeza! – Que bom que minha mãe tem o mesmo gosto que eu com pizzas.
- EBA! EU LIGO! – Corri até o telefone no canto da sala. Pude ver o sorriso nos lábios da minha mãe.
Enquanto pedia a pizza por telefone, vi minha mãe subindo as escadas. Provavelmente, foi tomar aquele banho e trocar de roupa. O que me fez lembrar o que eu tenho que fazer ainda... Pedi a pizza e também subi as escadas, me encaminhando até o quarto dos meus pais e encontrando minha mãe só de toalha entrando no banheiro. Avisei-lhe que já tinha pedido a pizza e que qualquer coisa estaria no meu quarto, terminado de arrumar a muvuca que ele estava. Chegando a meu cantinho, fui determinada em acabar de uma vez por todas com a bagunça nele. Dobrei o resto das roupas que ainda estava em cima da minha cama e guardei todos os objetos em seus lugares. Decidi tomar um banho e finalmente arrumar de volta meus produtos de beleza na bancada do meu banheiro. Tirei minha roupa e as coloquei no montinho de roupas sujas que estava separado no chão. Me enrolei na toalha e organizei meu banheiro, indo em seguida tomar meu banho. Quando saía do banheiro, ouvi minha mãe me chamar para comer. Tinha se passado quarenta e cinco minutos e eu nem tinha reparado. Me senti renovada após o banho. Coloquei um baby-doll (adoro usar baby-doll em casa!), penteie meus cabelos ainda molhados e desci as escadas, indo diretamente até a cozinha, encontrando minha mãe cortando as fatias da pizza. Beijei sua bochecha esquerda e fui até a geladeira pegar o refrigerante e, em seguida, coloquei guardanapos e dois copos em cima da mesa e logo depois me sentando no banco em frente a minha mãe. Ela já terminava de cortar quando peguei uma fatia e ataquei. Mastiguei, saboreando o sabor da pizza maravilhosa e quentinha.
- Como estão as coisas na loja, mãe? – perguntei.
- Estão bem, filha! Tive que sair com pressa naquela hora, porque tinham chegado mercadorias novas, daí eu tinha que conferir, testar, dar entrada no estoque... Essas coisas. As meninas perguntaram por você!
- Haaaam... Entendo... Preciso ir à loja, assim que der pra vê-las! Trouxe umas lembrancinhas pra elas... Como elas tão?
- Ah, elas tão bem! A Casey voltou pro curso de desenho, ela tá fazendo a noite. A Lizzy tá na mesma. - Casey e Lizzy, as meninas que estamos falando, são as vendedoras da loja da minha mãe. Elas são ótimas!
- Ah, legal! – eu disse.
- Tudo pronto pra voltar às aulas amanhã? – minha mãe perguntou.
- Quase! Ainda não deu pra ajeitar os livros... Quando papai volta?
- Quando você chegar da escola, amanhã, ele já deve está por aqui.
- Huum... Isso me faz lembrar... Jenna me chamou pro cinema amanhã depois da aula. Tem problema?
- Não, não! Pode ir! Me ligue qualquer coisa.
- Quer ficar um tempinho a sós com seu marido? – eu disse, gargalhando no final. Minha mãe arqueou a sobrancelha e mudou de assunto:
- E o gatinho do avião? Você não me contou! - Tinha que ser!
- Ah, mãe... Você já sabe parte da história. O que você quer saber? – perguntei. Tava demorando pra ela perguntar sobre ele.
- A parte que eu não sei. Você deu uns beijinhos nele? Espero que não tenha passado disso! – ela riu e eu ri com ela.
- Sim, eu dei uns beijinhos nele! E não passou disso! - Eu ri e continuei:
- Ele é um fofo, mãe! Muito legal, educado, cheiroso, cavalheiro e perfeito!
- Minha filhinha tá apaixonada? – ela perguntou, rindo, e eu suspirei.
A quem eu quero enganar?! Eu estou, sim, apaixonada por . Não paro de pensar nele, meu corpo reage só de pensar em receber suas ligações e até mesmo com os e-mails. Resolvi mudar de assunto. Não estou preparada para admitir isso em voz alta.
- Passamos um dia maravilhoso juntos! Visitamos muitos lugares legais e conversamos bastante. Tive sorte de ter perdido o avião com uma pessoa tão legal e linda como ele.
- Ele já te ligou ou... Deu alguma notícia? – ela quis saber.
- Sim! Ele me ligou quando eu ainda tava em Port Angeles! E me mandou um email hoje com as fotos que tiramos lá. Depois eu lhe mostro. Ele me deu uma foto impressa antes de nos separarmos.
- Quero ver tudo! E essa pulseira no seu braço?
- É linda, né? – eu disse, lhe mostrando, e continuei:
– Ele me deu... São dois corações e um avião em miniatura – disse lhe, mostrando cada símbolo.
- É realmente lindo e único! Mas cuidado, minha filha! Não crie muitas expectativas... Pode ser que vocês se vejam em breve, mas também pode ser que vocês nunca mais se vejam... Não quero que você crie muita esperança e depois acabe frustrada ou sofrendo. - Minha mãe se preocupou.
- Eu sei, mãe! Juro que to tentando me controlar. E me sinto até tranquila com tudo! Não se preocupe com isso.
Terminamos de comer nossa pizza e organizamos a cozinha juntas. Subimos para o segundo andar e ela foi logo se despedindo, dizendo que ia dormir porque estava se sentindo muito cansada. Desejei-lhe boa noite e fui direto para meu quarto. Já estava tudo organizado, só não pelo montinho das roupas sujas no canto do quarto. Peguei essas roupas e as levei para a lavanderia no andar de baixo. Preparei a máquina de lavar e coloquei as roupas lá para lavar. Enquanto minhas roupas lavavam, retornei para meu quarto e ajeitar meus materiais pra o outro dia na escola. Feito isso, me lembrei que tinha deixando meu MSN ligado e meu e-mail aberto. Balancei o mouse do computador e logo o monitor voltou a ser ligado automaticamente. Meu MSN tava ainda como status ausente, mas alguém tinha falando comigo. E não era a Jenna. Suspeitando de quem poderia ter sido, abri rapidamente a janela e a pessoa já estava em status off-line.
diz: Olha quem está por aqui! Oi minha princesa, como vai?
diz: Agora vi que seu status tá ausente. Então, quando voltar, fala comigo? Vou lhe esperar!
diz: Preciso dar uma saidinha, se puder eu volto mais tarde. Beijos, minha linda!
Ele esteve on-line e eu não estava aqui! Me senti com muita raiva por isso. Resolvi digitar uma mensagem off-line para ele e, enquanto pensava no que escrever, ele retornou, ficando on-line. Troquei meu status para on-line em seguida, e logo ele falou comigo.
diz: vc tá ai, linda?
diz: Agora sim!
diz: Oi, ! Quem bom que vc voltou! Já tava me odiando por não está aqui quando vc esteve!
diz: Que isso, ! Acontece... Não tem como ficar de plantão no msn. Eu entendo que vc tem outras coisas pra fazer. Ainda mais pq vc chegou hoje em casa, deve ter estado mt ocupada.
diz: é... Mais ou menos...
diz: eu não posso ficar muito tempo, . Mas, queria muito falar com vc. Saber como vc tá...
diz: eu to ótima! De volta à realidade... E vc?
diz: eu to bem tbm... Começando uma pesquisa de mercado por aqui. Vendo umas sociedades...
diz: Ah, que legal! Espero que dê tudo certo pra vc!
diz: eu tbm espero. Eu preciso ir agora, princesa! Se tudo der certo, eu ligo pro seu celular amanhã.
diz: vou esperar sua ligação, então... Boa noite, príncipe! Saudades...
diz: Queria lhe dar um beijo pessoalmente... Vou compensar quando estivermos juntos! Em breve, ! Boa noite, princesa...
parece estar off-line.
Quando ele saiu, só pensava em como essa ocasião em que estaríamos juntos poderia demorar ou nunca chegar.
Capítulo 8
Sete meses se passaram desde minha aventura. E todos esses meses se resumiram em escola, provas, trabalhos, eu pirando meu cabeção por notas altas, algumas saídas com Jenna e uns amigos da escola e troca de e-mails com o , além de algumas conversas pelo MSN. Ele não tem muito tempo pra ficar no MSN e me disse uma vez que só conectava para falar comigo. E essa declaração me fez sentir importante. Jenna já está namorando Alec. Ela está muito feliz e ele é muito bom namorado pra minha amiga. Às vezes, eu os observo e não deixo de me imaginar com o . Como seria se ele estivesse aqui? Será que a gente já teria evoluído para um namoro como Alec e Jenna? Ou será que não teria dado certo de qualquer forma e agora seríamos apenas amigos, assim como somos agora? Essa pergunta me parece que nunca terá uma resposta. É assim que prefiro pensar a depois me senti frustrada.
Pelo o que me contou, já estava quase tudo pronto para a inauguração do seu hotel em Forks. Ele disse que fez uma sociedade com seu irmão e seu cunhado e que estava tudo caminhando para a perfeição nas obras do prédio que eles estavam construindo para as instalações do hotel. Eu torcia por ele. E ele por mim. Quando contei que fui aceita na faculdade em que eu tanto queria cursar, ele ficou super feliz e disse que eu ia ser a melhor do meio. Eu vou ralar muito pra isso.
Infelizmente, não tinha previsão de nos vermos. A construção do hotel está tomando todo seu tempo e eu não tenho como viajar pra vê-lo. Sem chance. Ainda mais agora com a minha mudança pra faculdade. Essa semana estava sendo uma loucura.
Ao contrário do que alguns meses atrás eu estava sentido, hoje me sinto conformada... Talvez habituada a não tê-lo por perto... Acho que, finalmente, me desliguei. Ainda sinto um carinho muito grande por ele, por tudo o que ele representa pra mim. Ainda uso a pulseira e às vezes ainda me pego tocando os pingentes. Hoje, quando a olho, não sinto mais aquele aperto no coração que eu sempre sentia quando a percebia em meu pulso, aquele aperto seguindo de bons minutos imaginando o que estaria fazendo naquele segundo e me perguntando se ele pensava em mim. Não sei o que isso significa. Quando me lembro dele (o que tem acontecido com menos frequência), ainda me pergunto se a gente um dia vai se ver de novo, e ainda penso no que poderia acontecer caso isso ocorra. Será que seria como se nunca tivéssemos nos afastados ou será que retrocedemos e nos trataríamos como... Estranhos? Será que o que sinto é tão complicado quanto parece?
É um pouco raro conversarmos com calma pela internet, mas quando conversamos, é sempre maravilhoso. E ainda quando vejo a janelinha do MSN subir, avisando sua chegada, sinto aquele frio na barriga e aquela expectativa de se ele vem falar comigo ou não.
Uma nova fase se inicia em minha vida e eu estou muito animada com tudo de novo que vai acontecer: nova cidade, novo lar, outros amigos, outros professores, outra ‘escola’. Agora, tudo é diferente e tudo pode acontecer! Agora vou estudar o que eu realmente gosto, e assim, acho que tudo será tão fácil quanto respirar! A faculdade de Michigan era onde eu e Jenna sonhávamos em estudar desde o início da High School, e cursar Marketing fazia parte desse sonho. Ela e o Alec vão ter que se separar... Pelo menos até as próximas férias. Eles têm muita fé que o namoro deles irá sobreviver à distância. Eu prefiro não falar nada com relação a isso. Eles são lindos juntos e eu torço por eles. Acontece que ele vai pra Harvard, cursar direito. E Harvard fica há alguns longos quilômetros de Ann Arbor que é a cidade onde vamos morar. Vamos ver o que vai acontecer daqui pra frente. Pelo o que Jenna me disse, Alec ia de avião até Boston, onde lá ele iria comprar um carro (Só pra quem pode, querida!) e ia seguir dirigindo até Cambridge onde se instalaria. Ele, assim como eu e Jenna, está muito animado com a faculdade. Ele faria todo esse percurso sozinho, Jane (nos tornamos grandes amigas desde que Jenna e Alec estavam namorando eu acabei frequentando mais o grupinho deles) ainda cursaria o último ano e só então, caso ela fosse aceita, ela iria para Harvard cursar direito também. Imagina esses dois montando um escritório de advocacia juntos!
Meus pais estão tão animados quanto eu. É claro que eles não param de falar em como vão sentir saudades de mim e em o quanto eu vou fazer falta pra eles, mas acho que tenho andado tão animada com a minha mudança que contagiou a eles e, então, eles acabaram entendendo que isso é uma realização pra mim.
Meus pais e eu estamos organizando viajar uma semana antes de iniciar as aulas da faculdade. Eles acreditam que uma semana é suficiente para pesquisar os apartamentos, preços, alugar um no tamanho que dê pra mim e pra Jenna, é claro, e eles esperavam conhecer um pouco do campus universitário e ainda terem certeza que a ‘filhinha’ deles estará em segurança. Pais. Todos iguais. Enfim. Ah, não esquecendo que a Jenna também vai com os seus pais. O Rick, irmão mais novo dela, vai ficar na casa dos avós e ai vamos todos juntos decidir qual ‘apê’ eu e Jenna vamos habitar. AAAH, eu e Jenna estamos igual pinto no lixo de tanta felicidade! É claro que teremos muitas emoções durante esse tempo. Tenho consciência de que essa nossa convivência será uma prova da nossa amizade. Se ela resistir a isso, eu tenho certeza que nunca vamos nos separar!
Jenna deve chegar aqui a qualquer momento. Ela vem me buscar para irmos juntas na festa de despedida com todos do último ano da escola e uns agregados, é claro, sempre rola!
- To descendo, Jenna! Para de buzinar na minha porta! Daqui a pouco os vizinhos reclamam! – já atendi a ligação da Jenna brigando com ela. Ela e essa mania de ficar buzinando na porta dos outros. Passei um gloss em meus lábios, dei mais uma olhadinha no espelho e sai. Passei por minha mãe e meu pai na sala, dando um beijo na bochecha de cada um, dizendo que voltava com a Jenna e fui em direção do carro da minha amiga.
- Você enrola muito pra se arrumar, ! Nunca vi! – falou, assim que entrei em carro.
- E você faz questão de avisar pra vizinhança toda que chegou e que ta de carro! METIDA! – falei, colocando o cinto de segurança.
- AMIGA! Você não sabe! – A doida muda de assunto muito rápido. Impressionante!
- O que, amiga! Diga! – falei, procurando meu celular na bolsa. Força do hábito.
- Alec me disse que aquele priminho dele vai ta na festa! – disse.
- To perdendo alguma coisa. Que primo? - Encontrei meu celular jogado na minha bolsa e o coloquei no bolsinho de fora.
- O Jeremy, , primo do Alec, vai ta na nossa festinha... – falou, fazendo uma cara maliciosa.
- E eu com isso, querida? – respondi, abaixando o espelho do carro dela pra checar minha maquiagem.
- Você não se lembra do Jeremy, não? Eu falei pra você. O primo do Alec que viu sua foto no meu facebook e ficou dizendo o quanto você e linda e blá blá blá. Não sei o que ele viu de bonito em você, mas tudo bem... Outch! Doeu, ! – ela reclamou quando bati no seu braço por motivos óbvios.
- Eu sou linda, ok? Mas e daí? Por que essa cara pro meu lado? – fiquei curiosa.
- Oh, amiga lenta que eu tenho, hein? – reclamou.
- Ah, to entendendo! Você quer dar uma de cupido, né? Esqueça, Jenna. Não quero me envolver com ninguém agora! – eu disse.
- E quem disse que você vai se envolver, ! Para com isso! Desde quando uns beijinhos é se envolver com alguém? Amiga, relaxa!
- Odeio quando você faz isso, Jenna! Deixa que eu mesma decido com quem ficar, por gentileza – falei, emburrada.
- Tá vendo? Você anda muito estressada, amiga! Você ta precisando é dar uns beijinhos em alguém. Você melhora rapidinho depois isso. Tenho certeza! – disse, jogando um beijo pra mim. Só aumentou minha raiva. Decidi ignorá-la. Virei minha cabeça pro lado da janela.
- Você não sabe o quanto ele é gato, amiga! Quero ver se você vai ficar com raiva de mim depois que vê-lo... – minha amiga continuou.
- Veremos, Jenna! Até lá, por favor, não me mate de vergonha! Não fala nada, ok? – disse.
- Ah, tanto faz... Você sabe que eu não seguro a minha língua... De qualquer modo... er... Bem... Acho que é hoje... – falou timidamente. Eu já sabia o que ela queria dizer com isso. Já faz alguns dias que conversamos sobre isso. Não que o assunto tivesse algo a ver comigo.
- Tem certeza, Jenna? Lembra que vocês vão se separar em uma semana. Você acha que vale a pena?
- Ah, amiga... Você já ouviu falar que é melhor se arrepender do que fez, do que não fez? Pois é... Assim que penso! E se a gente chegar a Ann Arbor e eu me arrepender de não ter me entregado ao que eu sinto por ele? – ela explicou.
- Oh Meu Deus! Você ta MESMO amando! – brinquei.
- Ah, , nem vem! Eu assumo, ok? Eu sou sim louca pelo meu gostosinho!
- Acho que vou vomitar! Guarde esses comentários pra vocês dois, por favor! – falei, tentando imitar a cara de alguém que quer vomitar. Rimos.
- Falando sério agora. Amiga, a decisão é sua. CLARO! Aliás, de vocês dois. Só quero carona pra casa na volta. Por favor! – falei, sorrindo.
- É... Bom, vamos ver o que acontece... – falou, dando um fim no assunto.
Imediatamente, fui pega pelos meus pensamentos que viajaram diretamente para uma pessoa. Não posso deixar de me perguntar se algum dia ficaremos juntos ao ponto de evoluirmos para o próximo passo, tal qual minha amiga e seu namorado. Balancei minha cabeça com o objetivo de afastar esses pensamentos. Por que eu não consigo simplesmente parar de pensar nele dessa forma? Por que eu não posso lembrar dele como ele é para mim hoje: um amigo? Um simples amigo distante. Fui acordado dos meus devaneios, quando Jenna voltou a falar:
- E porque você ta tão calada?
- Nada... Tava... Pensando...
- E esse pensamento ainda tem o mesmo nome? – ela perguntou e eu fiquei calada.
- Você sabe que eu não fico com ninguém desde o ... Simplesmente, não vi ninguém melhor que ele até agora... E... Ver você e o Alec evoluindo para o ‘próximo passo’, não posso deixar de pensar se... Se eu e ele... Você sabe...
- Amiga, você realmente precisa ficar com outra pessoa! – falou, rindo.
- Para, Jenna! – falei, jogando a primeira coisa que vi na minha frente: o Ted, ursinho de pelúcia que andava sempre com ela no carro.
- Ai! É sério, você precisa se desligar dele. Não existe só ele de homem no mundo!
- Mas eu me sinto bem, Jenna! Assim... Eu não fico pensando nele a todo o momento...
- Talvez até não fiquei, mas o que adianta se você não dá chance pra outras pessoas se aproximarem de você? – perguntou. – Como agora. Por que você, simplesmente, não dá oportunidade pra você mesma de conhecer alguém novo? Isso te fará bem, amiga. I am sure, baby! – disse. – E até parece que ele não tem ninguém em vista lá na cidade dele... Do jeito que ele é gato...
- Você tá certa, amiga...
- Mas é claro que estou! – a convencida respondeu.
- Você quase não se acha, não é, Jenna? – respondi. – Enfim... Vou ver o que posso fazer...
- Nossa! Acho que todos resolveram vir de carro hoje! Como tá difícil de estacionar... Vamos ter que ficar longe, amiga... – Jenna comentou, se aproximando da casa de Alegra, nossa colega de sala.
- Ah, amiga... Tanto faz... Não to com um salto tão alto assim mesmo...
Ficamos em silêncio, enquanto Jenna calçava sua sandália vermelha (ela só dirigia descalça) e retocava o gloss. Saímos do carro e fomos caminhando calmamente até a casa de nossa colega conversando coisas aleatórias.
- Paradas! Isso é um assalto – um estranho sussurrou com autoridade e minha primeira ação foi segurar firme no braço da minha amiga, meu coração começou a pular pela minha boca. – Passa tudo! Celular, jóias, dinheiro... Passa tudo, vamos, vamos, vamos! – Senti algo cutucando minha cintura... Será uma arma? Imediatamente, comecei a passar as cinquenta pratas que tinha na minha bolsinha e meu celular. Jenna fez o mesmo em silêncio. Algo me fez lembrar que o número do telefone do estava gravado em algum lugar no meu celular. Pensei em como nos falaríamos de novo? E com uma coragem que eu não sabia que tinha perguntei:
- Seu assaltante... Será que, queee... Você não poderia me dar meu chip... Pensa bem, assim que eu chegar em casa, eu vou ligar pra empresa telefônica e vou bloquear meu chip. O que interessa pra você aqui é meu celular... – Olhei pra minha amiga que tava com uma cara incrédula pra mim e o assaltante tava atrás da gente, eu não tinha coragem de virar pra olhar a cara dele, mas tinha coragem de falar... Vai entender?! – É que o telefone do possível amor da minha vida ta gravado em algum lugar do meu celular e eu to na esperança que seja no meu chip, fora que vou perder minha lista de contatos toda! Por favor... – Se não fosse trágico, isso seria hilário. Eu interrompendo o assalto por causa da minha lista de contatos e uma possível chance de um dia falar mais uma vez com o . Ouvi um barulho e depois ele falou:
- Pega, não quero ser responsável por você não falar nunca mais com o possível amor da sua vida. Vão embora! Rápido! Antes que eu me arrependa! – o assaltante disse.
Depois disso, saímos correndo e só paramos na frente da casa que estava rolando a festa. Eu tava gelada e tremia, meu coração ainda estava disparado e a cara da minha amiga tava branca feito papel, o que me fez pensar se a minha tava parecida com a dela... Ficamos paradas, uma olhando pra outra. Senti e vi pela minha visão periférica que pessoas entravam e saíam da casa e pessoas passavam por nós sem notar. Depois de longos minutos estáticas, Jenna quebrou o silêncio entre nós duas:
- O.que.foi.aquilo, ? Você queria matar a gente? Por causa de um CHIP?! Da onde veio aquilo, amiga? – ela falava, pausadamente, como se quisesse absorver tudo que a gente havia passado.
- Eu não sei... – sussurei. – Não tenho a mínima idéia da onde isso veio... Meu Deus! A gente poderia ter morrido! E eu preocupada com um chip? – Senti minha mão direita doer e logo percebi que ela tava fechada com muita força e dentro dela havia o bendito chip.
- Amor? O que você tá fazendo parada aqui? – escutei Alec se aproximar. E vi quando minha amiga caiu em si e começou a chorar. – Amor, o que houve? Por que você tá chorando? – Alec falou com desespero na voz. Eu já havia me afastando milimetricamente da minha amiga, para que ele pudesse abraçá-la.
- Acabamos de ser assaltadas, amooor! – disse minha amiga em meio a lágrimas. Eu não conseguia falar nada. Só pensava no risco que estávamos correndo ainda agora. Só o que eu pensava era em, pelo menos, falar com ele mais uma vez.
- Oi! Você tá bem? – ouvi alguém dizer próximo de mim e me vi responder que não com a cabeça. De repente, senti uma vontade repentina de vomitar. Senti o mundo rodar em minha volta. Respirei fundo e tudo escureceu.
Tudo se passava como um sonho distante pra mim. Daqueles que você dá tudo pra não acordar. Eu ouvia vozes perdidas em algum lugar da minha cabeça:
- Meu Deus! , amiga!
- Será que ela bateu a cabeça?
- Vamos levá-la pra dentro!
- Eita, nem começou a festa e ela já tá assim!?
- Essa ai bebeu toooooooooodas...
E então eu senti que estava em uma superfície macia e o sonhou tornou-se apenas o escuro. Sem barulhos. Só sussurros... Bem longe.
- Aqui, Alec, eu trouxe dois copos de água! O que aconteceu com elas?
- Obrigada, Alegra! Jenna disse que elas foram assaltadas...
- Nossa! Aqui na rua?! Isso nunca tinha acontecido! Não que eu saiba... – Alegra disse com uma voz surpresa.
- É claro que tinha que ser comigo... – disse Jenna.
- Isso acontece, meu amor... Não tem nada a ver com você, você sabe!
Senti meu corpo se recuperar e quando abri meus olhos, reconheci o quarto de Alegra, já fizemos trabalhos da escola aqui. Jenna estava sentada na poltrona de canto com um Alec sentado ao seu lado, no braço da poltrona, lhe abraçando de lado e lhe fazendo carinho no ombro. Jenna tomou um gole de água e continuou:
- Eu e tivemos que estacionar o carro longe, porque não tinha vaga mais perto, então, quando viemos caminhando em direção a sua casa, Alegra, o cara nos surpreendeu. Ficamos de costas pra ele em todo momento. Ele pediu que passássemos os celulares, dinheiro, tudo de valor... – Tomou mais um gole de água. – Eu senti algo me cutucar nas costas, acho que era uma arma!
- Calma, querida, já passou... Não chore... – Alec a consolou, apertando mais seu abraço. Ninguém havia notado que eu estava de volta.
- Você acordou! – Olhei pro lado e senti meu corpo adormecer. Havia um rapaz lindo sentado ao meu lado na cama. Não respondi logo, porque fiquei entretida em seus olhos. Ele tinha os cabelos escuros e os olhos azuis mais lindos que já tinha visto. Ele me transmitia uma paz tão grande!
- Sim... – respondi e resolvi levantar na cama. Sentada, todos na sala me notaram.
- Amiga! Você acordou! Graças a Deus! – Jenna veio correndo me abraçar.
- Tá tudo bem, amiga... – assegurei à minha amiga.
- Você é a amiga mais louca que existe! Como pedir um chip do assaltante?
- Que história é essa? – perguntou o garoto desconhecido.
- Ah, Jeremy, você não sabe o que sua musa fez! – disse Jenna. Ah, então esse é o Jeremy, primo do Alec?! Hum... Interessante... Vi as bochechas dele ficarem mais rosadas e ele sorriu timidamente pra mim. Eu sorri de volta. Aquele sorriso era impossível não retribuir. Musa? Tinha que ser a Jenna. Lancei a ela um olhar reprovador o que a fez, simplesmente, dar de ombros.
- O que você fez, ? – perguntou Alec.
- Er... Bem... Eu... Pedi ao assaltante, se ele poderia me dar meu chip já que não serviria pra nada pra ele... – disse com a cabeça baixa. Sabia que tinha feito merda.
- COMO É QUE É?! – perguntou Alegra.
- Isso mesmo que você ouviu, cara Alegra – respondeu Jenna.
- Eu pensei na minha lista de contatos, já perdi meu celular antes e eu sei como é ruim perder o número do telefone de todo mundo! – me justifiquei.
- Cara, eu não to acreditando. Você arriscou sua vida e a vida da sua amiga só por causa de uma lista de contatos? Pelamordedeus, , isso você recupera depois. A vida é mais importante – Alec e seu sermão.
- Eu sei que não foi legal, tá? Eu sei que eu poderia ter morrido e minha amiga também. Me perdoa, amiga... Eu não sei o que eu tinha na minha cabeça – falei, olhando pra minha amiga.
- Eu sei que não foi sua intenção, amiga... Não tem problema, o importante é que estamos aqui, juntas e bem! – disse, me abraçando. Depois disso, ouvimos uma gargalhada, na verdade uma risada que se tornou uma gargalhada e que logo foi acompanhada pela gargalhada de Alec e Jeremy. Olhei pra minha amiga, depois pra todos no quarto, pra minha amiga mais uma vez e depois pra eles.
- Qual a graça? Posso Saber? – perguntei.
- Você – respondeu Alegra. Fiz cara de poucos amigos e ela continuou:
- Dude, sério, quem pediria ao assaltante, no meio do assalto, claro, o chip do celular? – gargalhou mais. – Só você mesmo, ! – Agora minha amiga acompanhava as risadas.
- Você, pelo menos, conseguiu seu chip? – Alegra perguntou ainda rindo.
- Sim... – respondi, colocando minha franja atrás da orelha. - Ok, ok, já chega, tá? – falei.
- Eu vou voltar pra festa, gente. Fiquem a vontade e quando saírem, tranquem a porta e me devolvam a chave lá embaixo – disse a Alegra, tentando conter o riso.
- Vamos já! – respondeu Alec. – Você já quer descer, amor? – perguntou Alec à Jenna.
- Quero, amor! Tô legal, já. Mas, você tá bem, ? – perguntou Jenna.
- Eu to bem, amiga! Vamos! – disse, me sentindo mais disposta.
- Ah, , deixa te apresentar o seu herói da noite, aquele que te carregou até aqui: Jeremy, meu primo – disse Alec.
- Oi, Jeremy, sou...
- ! Eu sei... – respondeu sorrindo e depois disso, pegou minha a mão direita e beijou dizendo:
- Prazer em finalmente conhecer você, !
- Prazer, Jeremy, pode me chamar de ! – sorri.
- Beeeem... Vem, Alec vamos pra festa. Tchauzinho pra vocês... – disse minha amiga, puxando seu namorado pra fora do quarto.
- Eu também já to indo! – disse, me levantando da cama e me dirigindo a porta com o Jeremy em meu encalço. Essa será uma longa noite!
Capítulo 9
Esperei que ele saísse, para que eu pudesse trancar a porta do quarto de Alegra. Fora do quarto dela, já podíamos ouvir a música da Lady Gaga animando a festa lá embaixo. Ele ficou me esperando, pacientemente, e, então, descemos juntos as escadas. Ao final delas, Jeremy se aproximou mais de mim e perguntou:
- Vou pegar uma bebida pra mim. Você quer beber alguma coisa?
- Só uma água por enquanto... Ainda to um pouco tonta, se eu beber alguma coisa alcoólica, não vai ser bom... – respondi.
- Vou pegar pra você! Só um minuto – disse, se distanciando.
Procurei um lugar pra me sentar. Essa casa tinha muita gente que eu não conhecia, o que significa que tem muito penetra. De longe, avistei Jenna e Alec com um grupo de amigos nossos, caminhei até eles que, quando me viram, acenaram me chamando.
- Oi pra todo mundo! – sorri.
- Oi, ! Que bom que você tá bem! – disse Jane, me abraçando.
- É... Obrigada, Jane!
- E seu chip, ? – Oliver perguntou, gargalhando. O que acabou contagiando todos que estavam pertos e já sabiam da história. Tinha que cortar logo isso! Que bom que me mudo em alguns dias. Caso contrário, essa história ainda renderia muito...
- Ok, podem ir parando! – disse, fazendo minha cara de emburrada.
- Desculpa, , mas eu achei muito engraçado quando me contaram o que você falou pro assaltante. Você foi inteligente, mas teve muita sorte porque o homem tava paciente! – Lívia se justificou.
- Eu sei que tive sorte. Não faço mais isso. Só que, gente, imaginem, eu to me mudando e ia perder o contato de todo mundo! Não ia dar tempo de recuperar. – Tentei esconder minha real intenção. Mas, na verdade lá no fundo, pensei nisso também no momento do assalto. Balancei minha cabeça, tentando afastar as lembranças daquele episódio muito ruim.
- Gente, esse é o Jeremy, meu primo! – Alec falou quando viu seu primo se aproximar da gente. – Essas são Lívia, Oliver, Carlos, e Jenna e você já conheceu...
- Olá! – disse Jeremy, sorridente.
- Oi, Jeremy, eu sou Jane! Lembra de mim? – Jane perguntou, zoando com a cara dele.
- Ah, claro! Tenho uma vaga lembrança de você! – disse, sorrindo abertamente. - Sua água, – disse, me dando uma garrafinha com o conteúdo.
- Obrigada, Jeremy! – respondi sem jeito.
Depois disso todo mundo engatou uma conversa: Alec tava ocupado demais beijando a boca da minha amiga, Jane conversava com Carlos, Jeremy e os outros. Virei-me pra ter uma visão mais ampla da casa. A casa dos pais de Alegra era lindíssima! A sala em tons de bege e marrom tinha sido transformada em uma pista de dança improvisada e lá eu reconhecia algumas meninas do segundo ano dançando, e também muitas pessoas do último ano. De longe, vi Fabian e Yan dançando de maneira muito suspeita a música Alejandro. Não que eles fossem gays! Não, não... Estavam bem longe disso! Eles imitavam muito mal as meninas dançando na frente deles. Era hilário!
Então, senti um aperto no meu coração. Acabou... O que, com certeza, foi um dos melhores anos da minha vida havia acabado. E agora, o desconhecido me aguardava. Eu sentirei muita falta de todos da escola! Desde os funcionários, até meus colegas. É incrível como só quando está acabando é que ficamos mais juntos, mais unidos, mais amigos! Nesses últimos meses eu estudei muito pela bolsa da faculdade, mais também foi quando eu mais sai e mais me reuni com as pessoas da escola!
- , quero tirar uma foto com você! Sentirei saudades! – disse Susan, me abraçando de lado com uma câmera na mão.
- Ah... Eu também quero uma foto com você, Su... Sentirei sua falta também! – A Susan é uma garota linda de cabelos escuros e olhos claros. Foi uma boa amiga durante todos esses anos de escola. Sempre nos ajudamos com os trabalhos, porém, nunca desenvolvemos uma amizade profunda como a que eu tenho com a Jenna. – Júlio, tira aqui uma foto minha e da Su? – pedi pra ele, que passava por nós bem na hora.
- Claro! Juntem aí! – ele disse isso, pegando a câmera da mão de Susan.
- EU TAMBÉM QUERO! – gritou Lisa, que passava próximo de nós. E então foi o que bastou pra juntar todos do último ano na foto. Todos se aproximavam com um ‘Também quero!’ o que atraia a atenção de outros e mais outros, o que acabou virando uma verdadeira bagunça. Eu ria muito!
- Ah céus! Até parece que nunca viram uma câmera digital! – brinquei.
- É porque ia ser só nós duas na foto, ! – Susan gargalhou.
- Tira na minha máquina também, Julinho! – pediu Monique.
- Ei! Eu também quero aparecer! Pega aqui, Jane! Você é só uma agregada! – Julio disse brincando com Jane, que estava atrás dele com mais algumas pessoas observando a algazarra que fazíamos por causa de uma foto.
- Ah, Ah! Só porque eu sou uma garota muito prestativa! SORRIAAAAAM! – Jane disse, tirando por fim a bendita foto.
- Perai, perai, perai! Mais uma! – ela disse, pegando a outra câmera. – PRONTO! – falou, por fim, entregando as máquinas pras suas respectivas donas.
Mas a bagunça continuou na pista de dança ao som de ‘The Time’ do Black Eyed Peas, que fez a galera toda se animar, inclusive eu! Começamos a dançar, pular, gritar e cantar no meio da sala! Fizemos uma fila indiana só de meninas finalistas que dançavam até o chão. Eu ria muito! Fizemos um círculo no meio e eu tirei coragem não sei de onde e puxei minha amiga pro meio e ficamos hora dançando sensualmente, hora pulando e rindo, Alegra e Susan se juntaram conosco!
- Vou sentir muita falta de vocês meninaaaas! – Alegra declarou. E a gente se abraçou muito forte no meio da pista. Eu não aguentei a emoção e comecei a chorar. Lembrei de todos os momentos que tivemos juntas, todos os aperreios, as provas, as brincadeiras... Quando vi estávamos todas emocionadas e declarando uma pra outra o quanto sentiríamos falta. Quem estava próximo a nós, perceberam que chorávamos e se juntaram ao abraço em grupo, dizendo pra gente não chorar e que também sentiriam falta, mas que a gente se veria de novo e essas coisas.
Depois do momento emoção, começou a tocar ‘Loca’ da Shakira o que fez minha amiga se empolgar. Ela ama essa música! Vi o Alec se aproximar dela e pegar na sua cintura dançando com ela.
Quando senti sede, fui até a cozinha pegar uma bebida. Coloquei em um copo um líquido que estava em um copo de liquidificador e comecei a beber. Era uma mistura de algo alcoólico, limão e açúcar. Isso é maravilhoso! Muito gostoso. Eu tomava com gosto!
- Cuidado! Cachaça não é água, não! – Jeremy disse, sorrindo.
- Oi Jeremy! Isso é muito bom! Já provou? - perguntei.
- Humrum... Fui eu quem fez! Aprendi com um amigo brasileiro. Chama-se caipirinha! – explicou.
- É uma delícia! – Sorri e, em seguida, tomei mais um gole.
- O seu sorriso é lindo! – disse, saindo do portal de entrada da cozinha e se apoiando na outra extremidade da bancada em que eu estava apoiada. – Eu tava observando você dançar com as suas amigas e eu não consegui tirar os olhos de você. - Se aproximou um pouco mais de onde eu estava. O que dizer depois de um elogio desses?
- Obrigada... – disse, sentindo minhas bochechas corarem. Tentei disfarçar, me ocupando em colocar minha franja atrás da orelha. Silêncio. Só não pela música, pelas pessoas falando e entrando e saindo da cozinha pra pegar bebidas...
Minha mente me levou até uma pessoa... Queria que você estivesse aqui, . Balancei minha cabeça, afastando o pensamento. Eu, definitivamente, não to preparada pra ter outra pessoa na minha vida. E Jeremy é tão legal e muito bonito. Acho que o me deixou com algum problema emocional...
Terminei minha caipirinha e já comecei a sentir uma certa dormência em meus braços e minhas pernas. Ou aquilo era forte ou eu sou uma pessoa muito fraca pra bebidas.
- Você quer mais? Eu posso fazer pra você! – Jeremy se ofereceu.
- Vou aceitar só mais uma!
O observei vir para meu lado e pegar meu copo, indo em seguida pra perto da pia. Ele espremeu alguns limões, colocou gelo e um líquido transparente que eu presumi ser a cachaça, colocou açúcar e em seguida mexeu com um canudinho e, por fim, ainda decorou meu copo com uma rodela de limão.
- Madame – disse, me entregando o copo com um sorriso lindo no rosto. Não tinha como não retribuir.
- Obrigada! – disse, sorrindo. – Adorei o copo decorado – disse, apontando pra rodela de limão. Sorri mais uma vez e tomei um gole da bebida. Agora vou com mais calma. Virei-me, ficando apoiada de costas pra bancada e ficando de costas pra entrada da cozinha. Jeremy se apoiou a bancada ao meu lado, seu copo de caipirinha ainda estava pela metade.
- Você é de onde, Jeremy? – perguntei.
- Eu sou daqui mesmo, mas atualmente moro em Ann Arbor... Eu estudo lá!
- Ah, sério? Nossa, eu to me mudando pra lá!
- Eu sei... – sorriu – Jenna me contou que vocês vão pra lá. Aliás, Alec já me encarregou de cuidar de vocês – disse.
Eu gargalhei e disse:
- Até parece! Depois eu digo ao Alec que eu não sou mais criança... Qual curso você faz lá? - Eu quis saber.
- Medicina... Você vai fazer Marketing, não é?
- Sim! To vendo que passaram o relatório completo...
- Digamos que eles me dão todo apoio possível! – disse, me lançando um sorriso de ‘eu sou o cara’. Eu ri dele e disse:
- Seeei... – Dei mais um gole na minha bebida. – Como é lá?
- Ah... É muito bom! A cidade tem pessoas que vivem lá há muito tempo, mas, basicamente, é universitário que mora lá. Então, daí você imagina como é...
- To imaginando... – eu ri. – Faz tempo que você mora lá, não é? Nunca te vi por aqui... – perguntei.
- É, faz tempo mesmo... Me formo em um ano...
- Você tem quantos anos, Jeremy? Não parece alguém que tá terminando faculdade de medicina...
- Tenho 26... Eu e meu rostinho de menino! – falou, tocando na sua bochecha. – Isso pode ser bem inconveniente na hora de paquerar uma mulher...
- Verdade... Antes você não tinha chance nenhuma comigo, por causa dessa sua cara de criança, mas agora que sei sua verdadeira idade... – fiz que o analisava, o olhando da cabeça aos pés. – É... Quem sabe?! – Ele fazia uma cara de incrédulo pra mim. E eu fiquei séria o máximo que consegui. Depois soltei uma gargalhada.
- Tô brincando, Jeremy!
- Você acabou comigo agora... Preciso passar umas noites na farra pra ver se eu envelheço um pouco...
- Achei você! – me virei e vi Jenna passando pelo portal da cozinha. – Huuuuum... To vendo que tão se dando bem, ham? Sorrisinho nos rostos... – Fiz uma cara de poucos amigos pra ela.
- É, descobri que você, praticamente, deu minha ficha criminal pra ele... – disse.
- Ele perguntou, eu respondi – Jenna respondeu. E se mandarem você comer coco você come? – Enfim... Eu to indo embora... Vou com o Alec. Entãao... Jeremy você tá de carro? – olhei pra Jeremy.
- Eu to sim! E será um prazer levar essa moça pra casa! – respondeu.
- Então, formou! , vem aqui comigo rapidinho? Já, já lhe devolvo, Jer! – Não tive tempo de dizer nada. Num segundo eu tava na cozinha e no outro eu tava passando pela sala, entrando num corredor estreito e um pouco escuro. Minha amiga estava com as mãos geladas e, com certeza, nervosa. Entramos juntas no enorme banheiro social da casa de Alegra.
- Ai meu Deus, ai meu Deus, ai meu Deus! – ela falava, andando freneticamente de um lado pro outro no banheiro.
- O que foi, Jenna? Você tá me assuntando! – perguntei.
- Amiga, é agora! Nós vamos sair a sós e tudo pode acontecer! – ela continuava andando. – E se eu não for boa o suficiente e ele me der um belo pé na bunda depois? E se eu ficar grávida? E se doer muito? Ai meu Deus, ai meu Deus, ai meu Deus!
- Jenna, Calma! É do Alec que estamos falando! Ele nunca faria isso com você. E se um dia vocês terminarem, não será por causa disso! Você não vai ficar grávida, Jenna! É só se prevenir! – Peguei em seus ombros, fazendo ela parar e olhar pra mim. – Amiga... Isso não pode acontecer assim... Na pressão! Eu acredito que é o momento que faz tudo. Você não precisa se cobrar... Se acontecer, bom. Se não acontecer, bom também! Deixa as coisas acontecerem naturalmente... Relaxa... Respira e vai passar um tempo com seu namorado! Para de se cobrar e relaxa, amiga! – Não sei de onde surgiram essas palavras tão sábias de mim por que até eu tava nervosa por ela. Deve ser algum tipo de habilidade que ganhamos quando somos amigas de verdade. Vi pela face da minha amiga que ela tinha ficado mais calma.
- Você sempre sabe dizer a coisa certa pra me acalmar! É por isso que te amo, amiga!! – Jenna disse me abraçando.
- Oooown... – disse, retribuindo seu abraço.
- Até parece que você tem experiência no assunto... - brincou.
- HÁ-HÁ! Tenho MUITA! – respondia, rolando os olhos.
- Tá mais calma? – perguntei, desfazendo nosso abraço.
- Eu to! Preciso ir. Alec me espera.
- Vai lá, amiga!
- Tá! – disse, me dando um beijo na bochecha e indo até a porta do banheiro.
- Ei! Quero saber TUDO depois, hein? – disse.
- Eu te conto! Agora vamos, antes que alguém pense que somos um casal de lésbicas se pegando dentro do banheiro – disse, rindo.
- Pow, amiga! Tá queimando meu filme! - brinquei.
- Que nada! Tô é te ajudando! Noventa por cento dos homens têm fantasia de ficar com uma lésbica!
- Creeeeeedo, Jenna! Vai logo, vai! – Lhe empurrei pra fora do banheiro. E ela só ria de mim. Essa minha amiga...
A observei enquanto ia de encontro com o seu namorado e vi quando ela se virou e acenou pra mim. Sorri pra ela e voltei pra cozinha, procurar por Jeremy. Quero ir pra casa e tentar falar com o ...
- Voltei... – disse, entrando na cozinha e vendo Jeremy batendo mais um tanto de caipirinha, só que agora no liquidificador.
- Olá! – respondeu, sorrindo.
- Mais caipiras? – perguntei, parando ao seu lado.
- Sim, as meninas pediram.
- Parece que não fui a única que se apaixonou pela bebida...
- Aparentemente, sim... Porém, só você ganha no copo decorado – falou, me estendendo o copo. Sorri pra ele e respondi:
- Huum... Obrigada! Sou VIP! – falei brincando.
- Você é... – disse, olhando em meus olhos. Como diria minha vó: ‘Esse santo quer reza!’
- Jer, cadê nossas bebidas? – Jane entrou, gritando.
- Aqui, priminha – ele disse, estendendo pra ela o copo do liquidificador cheio da bebida.
- Isso é muito bom! Já provou, ?
- Já sim! – disse, lhe mostrando meu copo.
- Eiii, também quero meu copo assim, Jer! Por que só ela ganha? – Jane perguntou, indignada.
- Porque eu sou VIP, querida! – falei, debochando dela. Gargalhei.
- JER?! Eu sou VIP também! Sou sua prima queridaaa... – Jane disse.
- To brincando, Jane!! Jer coloca logo uma rodelinha no copo da Jane! – pedi a ele.
- Ebaaaa – Jane pulou. Ela já estava bem alegrinha.
- Saindo uma rodelinha de limão pra minha prima mais linda! – disso isso cortando a rodela e engatando no copo dela.
- Obrigada, priminho! Vou levar pras meninas! Até mais! – disse isso dando um beijo na bochecha dele e saindo da cozinha em seguida.
- Essa Jane... – disse, rindo.
- É uma figura! – Jer completou. – E sua amiga também! E preciso lhe dizer, meu primo está caidinho por ela! O que ela fez, hein? Nunca o vi assim! – comentou.
- Não é só ele... Minha amiga também! Não sei o que eles fizeram... Só se amam! – sorri.
- É... São privilegiados! Tanta gente que passa uma vida procurando um amor e eles encontraram já tão jovens... – filosofou.
- Não tinha pensado por esse lado... Mas você falou que nem um velho de quarenta anos. – Eu ri. - Você tem razão.
- Sou o pacote perfeito! O que toda mulher quer! Jovem por fora e maduro por dentro! – Jer se achou mais uma vez.
- Mas você se acha mesmo, hein!? – Dei um tapinha de leve no seu braço e ele riu.
- Mas é serio... Tenho vários professores solteirões que nunca se apaixonaram, nunca casaram ou tiveram uma família. Eu acho isso meio triste. Eu penso em ter uma família. Não nos próximos dez anos, claro! - riu - Mas eu quero ter!
- Não penso muito nisso, sabe... Só sei que não quero ficar sozinha! – confessei. Imaginei eu daqui uns dez anos me casando... E o rosto que eu via era o de . Imaginei-nos em nossa casa, ele brincando com nossa filha ou filho. Nós felizes... – É, uma família daqui a muitos anos. Quem Sabe?! – Jer sorriu.
- Jer, me leva pra casa? – perguntei.
- Mas já? Tá tão bom aqui!
- É que eu tenho umas coisas pra fazer ainda hoje – expliquei.
- Vamos dar uma volta no jardim, daí depois te levo, prometo! Parece que o jardim dessa casa é muito bonito.
- Ok, pode ser... E sim, o jardim daqui é perfeito!
Caminhamos em silêncio até o jardim. A noite estava afável e o céu muito estrelado. Eu podia sentir um vento agradavelmente frio em meu rosto, enquanto caminhávamos e, apesar da escuridão da noite, era possível ver, com a ajuda de pequenas lâmpadas espalhadas pelo jardim, flores de diversas espécies. Pude identificar rosas, cravos, copo de leite, lírios. É lindo!
- Sou apaixonada por flores! – pensei alto, me aproximando de uns lírios.
- São realmente lindas... – disse Jer. - , você tem alguém? – perguntou, passando a mão na nuca. – Namorado?
- Er... Nem sei te dizer... – falei sem jeito, continuando nossa caminhada.
- Como assim? – fez uma cara engraçada de interrogação. Eu sorri e respondi:
- Bem eu... Gosto de alguém... – fui sincera.
- Ah, é?
- É uma longa história... – respondi, cansada.
- Vou gostar de escutar, caso você resolva ficar mais um pouquinho aqui. – Pensei por um momento, ainda caminhávamos pelo jardim. Ah, vai! To querendo mesmo saber a opinião de outra pessoa. De um homem pra ser exata.
- Bom, resumindo tudo, no último verão eu viajei para Port Angeles e conheci um rapaz no avião. Bom... Acabamos perdendo o avião e passando um dia juntos! E eu... Me apaixonei... – suspirei. – É a primeira vez que eu assumo isso. – Sorri e olhei pra ele. – Nem pra Jenna eu disse, mesmo que não fosse necessário.
- Me sinto honrado, então! Obrigado pela sua confiança – Jeremy falou, sentando-se num balanço daqueles de jardim que cabem duas pessoas. – O que aconteceu depois? – perguntou. Me sentei ao seu lado e disse:
- Bom, passamos momentos maravilhosos juntos. Passeamos pela cidade o dia inteiro, conversamos muito e no fim, quase na hora de ir embora, nos beijamos... – disse, olhando sem ver uma roseira a minha frente. Eu estava a quilômetros de distância dali em um momento da minha vida que tudo foi como magia. Inesquecível. Sorri me lembrando da palavra que pedi pra gravar no presente que lhe dei.
- Depois disso - continuei – trocamos números de telefone e e-mails... E ficamos na promessa de nos reencontrarmos. Hoje nos falamos sempre que podemos. Mas vivemos em mundos diferentes. Confesso que me sinto um pouco desmotivada, mas não deixo de pensar nele. Marcou pra mim, sabe? – olhei pra ele - O que eu senti foi forte demais... Não estamos namorando, porém meu coração tá ocupado, o que acaba sendo a mesma coisa. A Jenna vive dizendo pra eu seguir em frente, dar oportunidades pra outras pessoas, mas sei lá, não quero enganar ninguém e nem a mim mesma... Tenho esperança em nós dois... – finalizei meu discurso com um longo suspiro e então me virei.
- Parece história de novela! – Jeremy disse, sorrindo.
- É verdade... – ri.
- Por que ele não vem pra cá ou você vai pra lá? – perguntou.
- Não tenho como agora! To de mudança pra faculdade, pra outra cidade e ele tá em processo de abertura de um negócio. Tivemos que adiar mais alguns meses nosso encontro – expliquei.
- Como você se sentiria caso descobrisse ou ele mesmo lhe dissesse que ele tem outra pessoa? – Jeremy perguntou, me fazendo lembrar uma de nossas conversas no MSN.
#FlashBack on
Já havia uma hora que estávamos de frente pro computador conversando pelo MSN com webcan. Já havia o visto devorar um sanduíche, seu irmão mandar um tchau atrás dele, uma folha de papel escrita ‘saudades’, e, a cada gesto, palavra, sorriso, mesmo sendo de longe mexia comigo intensamente. Nossa última conversa tinha sido há quase duas semanas. Estávamos falando de amores passados...
diz: Meu primeiro amor foi aos onze anos... rs
diz: Minha professora de educação física. Senhorita Gomez. Ela era linda! Toda aula eu dava algo pra ela: ou um botão de rosa de uma roseira que encontrava no caminho da escola ou uma maçã... Sempre algo assim. Me sentia muito frustrado por ela não olhar pra mim do jeito que ela olhava Matt Botton, o meu professor de matemática. rs
diz: HAHAHAH que fofo... Até imagino você criança suspirando... rs
diz: Meu primeiro amor foi Vitor Motta. O menino mais popular, integrante da equipe de natação da escola, enquanto eu, uma nerdzinha do clube de matemática. Loirinho dos olhos azuis. Eu suspirava toda vez que passava por mim, e ele? Nem ai! rs
diz: Patético.
diz: É um louco não ter notado vc!
diz: Não o culpo. Fui ficar menos feia agora na High School, mas não deixei de ser considerada nerd. Tanto faz, não me importo com o que os outros falam de mim...
diz: Você faz bem não se importar! E pra mim você é a mulher mais linda! Nunca deixará de ser...
diz: Nem mesmo quando você gostar de outra?
diz: Isso não vai acontecer...
diz: Sejamos realistas, . (Observei sua expressão ficar séria na telinha da webcan.)
diz: A gente se gosta. Muito. Demais. Eu sinto algum muito, muito forte e especial por você, isso é um fato.
diz: Porém, não sabemos como será nosso futuro. Não sabemos quando vamos nos encontrar de novo. E até lá, , não quero você preso a mim. Quero de verdade que se um dia você gostar de alguém e chegar a ter algo sério, se sinta livre pra isso! E por favor, seja sincero comigo.
diz: Pare de falar besteiras, princesa. Não existe eu querer outra mulher!
diz: Você diz isso agora! Mas e se um dia, por algum motivo, perdermos o contato? Tomarmos rumos diferentes? Ou simplesmente percebermos que no fim não era o que a gente pensava?
diz: Não sei pra você, mas se a gente, pelo menos não tentar, ficará sempre uma sensação de que ficou algo incompleto no meu passado. Algo faltando. Aquela sensação ruim do ‘e se...?’
diz: Eu não quero isso pra mim! Se caso aconteça de nós não ficarmos juntos, será porque nós tentamos, namoramos, e por alguma incompatibilidade, terminamos... Mas ainda assim gostaria que nossa amizade ficasse. Eu adoro você, conversar com você... Você sempre será importante pra mim...
diz: Seria um sonho namorar você, ...
diz: Mas também não quero que você se sinta presa a mim. E quero que você também seja sincera caso...
diz: Vamos combinar uma coisa?
diz: Vamos. O que seria?
diz: Que seremos livres pra fazermos o que quisermos e ficarmos com quem quisermos (o que não significa que eu vá mesmo fazer isso!) até o dia do nosso encontro!
diz: Quando estivermos juntos de novo, caso algum de nós estiver ‘ocupado’... Desocupamos!
diz: Me parece um bom plano... Mas e se você estiver casado, com filhos e tudo? Fica mais tenso... Não quero destruir família de ninguém rs
diz: Não caso antes de te ver de novo!
diz: E vc tbm! Combinado?
diz: Combinado!
diz: Olha lá, hein? Não vai furar!
diz: De jeito nenhum! Quero muito beijar essa boquinha linda de novo!
Coloquei uma carinha de vergonha e respondi:
diz: eu tbm...
#FlashBack off
- Seria difícil. Já conversamos uma vez sobre isso! Combinamos algo... – disse rindo, e não disse mais nada.
- E seria... – Jeremy incentivou.
- Desculpe, prometi segredo – disse. – E você? Tem namorada? – perguntei, mudando o foco da conversa.
- Não! Sou um solteiro convicto! – disse, rindo. – E to encantado com uma menina desde a primeira vez que a vi – falou.
- Ah é? Contei minha história, agora é sua vez de contar a sua – disse, me arrependendo em seguida de ter perguntado.
- Acabei descobrindo que ela gosta de outra pessoa... Não foi muito legal na hora, mas eu acho que seremos bons amigos!
- Amizade é mais importante! E mais legal que namoro. Namoro às vezes dá trabalho... – comentei.
- Você tem razão! Às vezes namorar da dor de cabeça, mas é bom demaaais! – riu.
- É, tudo tem seu lado ruim e lado bom! – disse – Bom, agora preciso mesmo ir, Jer. Me leva? – disse, fazendo uma carinha meiga.
- Ah... Levo sim. Vamos!
Caminhamos lentamente até o carro dele. Tivemos que passar pela sala e me despedi de todos, porém, ainda não pra valer. Ainda temos outro encontro, o nosso preferido: Rodízio de Pizza!
O caminho de casa foi silencioso e bem confortável. Jer é uma ótima pessoa e um bom amigo. Que bom que ele estará em Ann Arbor. É ótimo conhecer alguém, sem contar a Jenna.
- Obrigada pela carona, Jer! Foi bom conversar com você... – eu disse, quando paramos em frente a minha casa.
- O prazer foi meu! Adorei conhecer você! Acho que nos veremos em Ann Arbor. Vou ter que voltar antes pra resolver uns problemas da faculdade.
- Sim! Nos veremos lá! Você será nosso guia turístico – disse, rindo.
- Com certeza!
- Bom... Então... Até mais – disse, lhe dando um beijo na bochecha e saindo do carro o ouvindo dizer um ‘Até mais, . Boa noite!’ antes de ouvir seu carro arrancar pra longe.
Abri a porta de casa com a chave reversa que ficava no jarrinho de fora e encontrei apenas a luz das escadas ligadas. Sempre deixamos apenas essa luz ligada durante a noite. Caminhei lentamente até meu quarto, tirando minha roupa assim que atravessei a porta. Fui até o banheiro onde tomei um banho e me preparei pra dormir. Coloquei um pijama bem confortável e me sentei na cama, buscando no bolso da minha roupa o bendito chip. Abri minha gaveta de cabeceira e peguei um celular antigo que tinha guardado, caso um dia eu precisasse. Coloquei o chip e liguei o celular, procurando em seguida o nome na minha lista de contatos. Senti meu corpo todo gelar quando vi que eu não tinha gravado o número no chip, e sim no celular. Senti uma raiva imensa de mim mesma por ter arriscado minha vida por nada. Deixei o celular pra lá e deitei na minha cama, procurando dormir. Meu último pensamento foi: que bom que pelo menos ainda tenho o email dele.
Capítulo betado por Vick Mazza
Continua...
Nota da Beta: Comentem. Não demora, faz a autora feliz e evita possíveis sequestros - só um toque. Qualquer erro encontrado nesta fanfiction é meu. Por favor, me avise por email ou Twitter. Obrigada. Amy Moore xx