Do You Remember Me?
Autora: Jerk
Beta-Reader: Amy Moore




Eu não acredito que as férias já acabaram! Acordar tarde, ensaiar na garagem com os meninos, andar de skate, beber e pixar os muros no baixo... Estava tão bom e agora a porra da escola resolve aparecer de novo na minha vida. E ainda, pra foder com tudo, a maldita diretoria resolve proibir a gente de ir de roupa normal e eu vou ter que ir de uniforme. UNIFORME. Que bosta.
- EU NÃO VOU TE CHAMAR DE NOVO, THOMAS DELONGE! - Minha mãe gritou da cozinha.
- EU JÁ TÔ ACORDADO! - Gritei mais alto, levantando da cama. Fui tomar banho e vestir a porr... eu preciso parar de falar palavrão... QUE SE DANE, É UMA DROGA ESSE UNIFORME MESMO. Coloquei meu boné, meu tênis verde da Hurley e desci as escadas.
- É a última vez que eu te acordo. Pra que por um despertador tão alto e você nem se levanta? - Minha mãe dava mais um daqueles surtos.
- Já entendi, tchau. - Peguei uma maça e saí de casa. O bom de morar perto da escola é que você não precisa pegar aquele ônibus lotado no qual os jogadores de futebol esmagam os nerds na janela.
- E aí, dude, beleza? - Mark me cumprimentou.
- De boa e você? - perguntei de volta.
- Também. - Ele deu de ombros e entramos na escola.
- E aí? - Travis nos viu e correu ao nosso alcance.
- Tudo na mesma - disse Mark.
- Igualmente - disse Travis.
- O bom dos uniformes é que as líderes de torcida não precisam usar a calça e continuam usando essas microssaias - disse Mark.
- Bom pra você, DeLonge. Olha quem tá vindo. - Olhei em direção a eles e vi um vulto pular em cima de mim. Os meninos saíram e me desejaram boa sorte. Mostrei o dedo do meio e eles riram.
- Oi, meu amor! - Lindsay me deu um selinho.
- Oi, Lindsay – disse, surpreso.
- O que foi, bebê? - me perguntou, ainda pendurada no meu pescoço.
- Nada não, você não tá atrasada? Olha ali, as meninas estão te chamando! - Apontei pro grupo de líderes que faziam gestos com as mãos chamando ela.
- Ai, vou ter que ir. Tchau, benzinho! - Ele me deu mais um selinho, empinou a bunda e saiu rebolando.
Nada contra, mas ultimamente eu não estou mais suportando-a. Aliás, eu acho que eu nunca a suportei, estou mesmo com ela porque é gostosa e isso nunca foi novidade pra ninguém – e também por uma ponta de vingança.
Quando nós estudávamos no ensino fundamental, ela dizia que eu nunca seria pro bico dela e que eu não prestava. Foi só eu montar uma banda e ir pro ensino médio que ela começou a dar em cima de mim. Cara, o melhor concelho que eu posso dar pra algum menino é: monte uma banda. Vai chover mulher na sua horta, pode ter certeza.
Ela não tinha nada a ver comigo, e de uns tempos pra cá, eu estava pensando em terminar com ela. Aliás, ela é muito melosa e fica me dando esses apelidinhos bobos... é nojento.

Quando eu dei por mim, o sinal já tinha batido e poucas pessoas ainda estavam no corredor. Sai correndo e peguei o corredor esquerdo. Chegar atrasado no primeiro dia de aula, e ainda na aula do Professor William, seria muito falta de sorte.
Assim que eu virei o corredor, esbarrei em alguma coisa – ou melhor, em um pessoa – que derrubou várias folhas no chão.
- Me desculpa, eu tô atrasado e não te vi... - Abaixei e comecei a pegar algumas coisas do chão.
- Tudo bem, Tom, pode deixar! Eu sei muito bem como o William é; corre! - Fiquei surpreso com a garota saber meu nome (por me chamar pelo apelido) e saber qual era a minha aula. Levantei junto com ela e então eu pode observá-la. Os cabelos pretos amarados num rabo de cavalo, a franja caindo sobre o olho que estava com uma sombra preta e um brilho nos lábios. Ela usava um colete da escola com alguns bottons de bandas e por baixo o uniforme da escola. Surpreendi-me quando olhei pros pés dela, ela usava um par de All Star vermelho. Não que All Star me atraia, quero dizer, me atrai, mas as garotas dessa escola nunca, nunca mesmo, usam tênis. Sempre aqueles saltos altos, um verdadeiro desfile te moda. - Thomas? - A menina estalou os dedos na frente do meu rosto. - A aula.
- Ah, é, Obrigada. - Sai correndo e por sorte o professor ainda não estava na sala. Sentei na última carteira e comecei a pensar. Não que eu faça isso com muita frequência, mas eu tinha reconhecido aquele rosto de algum lugar. Forcei a massa cinzenta que eu tenho dentro da cabeça e uma imagem veio à tona. A mesma menina numa versão maior, com os cabelos castanho-claros e sorrindo no quintal da menina casa, depois ela um pouco maior na sala de aula, sentada do meu lado. Como eu pode me esquecer da ? Da minha ?
Comecei a me sentir péssimo, depois lembrei que parei de falar com ela por algum motivo que eu não lembro. Deve ter sido uma briga feia, mas e o motivo?
- Vai ficar parado aí, Delonge? - Mark me perguntou. Percebi que só tinha nós dois na sala de aula.
Saí da sala pra entrar em outra. Era biologia. Depois daquilo, eu não tinha mais cabeça pra prestar atenção em nada. Juro que minha cabeça começou a doer de tanto que eu tentava lembrar o motivo daquela briga.
- Pensa, DeLonge, pensa! - Bati as mãos na minha cabeça.
- ‘Cê tá bem, cara? - Travis perguntou pra mim.
- Tô sim, dude. - Forcei um sorriso e abaixei minha cabeça na carteira.
A terceira aula foi química, mas eu também não prestei atenção. Assim que bateu o sinal, eu corri pro refeitório. Passei os olhos em todas as mesas dai e nada da . Avistei Lindsay acenando pra mim, mas fingi que não tinha visto nada e corri pra mesa com os rapazes.
- Não vai ficar com a sua namorada hoje? - Travis perguntou.
- Não, dude - falei e procurei a de novo.
- O que você tanto procura? - Mark seguiu meu olhar.
- Nada. - O intervalo inteiro passou e nada da . Minha próxima aula era artes. Ainda bem, talvez eu me distraía um pouco. Entrei na sala, cumprimentei a professora, já que era a única matéria que eu sempre me dava bem, e sentei do lado do Mark. Olhei pra porta e a entrou. Ela acenou com a mão pro Mark, que sorriu e acenou de volta. Ela apenas me olhou e sorriu.
- Dude, você lembra da ? - perguntei. Ele me olhou, assustado.
- Eu lembro, mas achei que você não lembrava - ele disse.
- Por quê? Tipo, eu lembro que eu briguei com ela, mas o porquê... - Mark olhou pra porta.
- O porquê acabou de entrar. - Lindsay entrou na sala junto com as suas seguidoras. Ela passou pela carteira da que era duas a nossa frente e lançou um olhar de desprezo pra ela, depois me viu, sorriu e rebolou mais. Era impressão minha ou ela andava muito puta?
- Hã? Lindsay? Eu não lembro - eu disse.
- Acho bom você lembrar - disse Mark. Ignorei o que ele disse e fui até a carteira que estava sentada e sentei do lado dela.
- Oi, - eu disse.
- Você ainda lembra disso? - ela perguntou, colocando as mãos no rosto.
- Como esquecer? - perguntei.
- Achei que você tinha esquecido de tudo. - O olhar dela era triste.
- Acho muito legal meus dois melhores alunos estarem juntos, mas como de acordo, sua dupla é o Mark, certo? - disse a professora.
- Você viu, ele está me trocando por ela, professora! - Mark fez sua voz gay. riu.
- Ele nunca ia fazer isso, muito menos com ela - disse Lindsay e suas amigas riram. fez um olhar de nojo.
- Depois eu falo com você, ok? - Beijei a bochecha dela, que ficou surpresa e vermelha. Olhei pra trás e Lindsay me lançou um olhar mortal. A aula passou muito rápido e a , mais rápido ainda, foi a primeira a sair da sala.

Nada melhor do que chegar em casa. Depois da aula de artes, não vi mais a . Ela literalmente sumiu.
- TOM! - Travis gritava do lado de fora da minha casa.
- O QUE FOI? - perguntei da janela do meu quarto.
- BORA PRA PISTA DE SKATE?
- TÔ DESCENDO! - Um convite irrecusável.
Peguei meu skate e sai de casa. A pista de skate não era muito longe dali. Ela foi inaugurada ontem e nem deu tempo de eu dar uma conferida nela mas provavelmente será o ponto de encontro da maioria dos meninos dessa cidade – não que as meninas não andem de skate, mas é muito raro alguma menina daqui andar; são três ou quatro, e as outras preferem ir pro show ou passar a tarde fazendo compras. Futilidade domina as pobres cabeças das meninas daqui.
Chegando lá não foi diferente. A pista estava cheia. Vários meninos e, como eu disse, algumas meninas. A pista, na verdade, era uma casa super antiga da cidade, a maior. Uns empresários vieram aqui e ofereceram uma boa quantia pro Sr. Williams pela casa. Deve ser sido uma BOA quantia mesmo, porque não é a primeira vez que tentam comprar aquela casa. Tinha a velha piscina gigantesca deles e acabou de virar a pista principal e alguns menores espalhadas pelo quintal, corrimãos espalhados pelo quintal todo. Na verdade, aquilo era mais um clube, pois a casa não foi derrubada toda, lá dentro ainda tinha a sala, onde tinha os vídeo-games e os outros games. Provavelmente, pra entrar lá, teria que ser sócio, já a pista de skate era aberta pra todos. Vimos o Mark sentado na borda da piscina e fomos até lá.
- E aí, cara, tudo bem? - Eu sentei de um lado e o Travis de outro.
- De boa. Olha ali, Tom. - Mark apontou pra frente e eu segui seu dedo.
Vi uma menina calça skinny azul escuro, um tênis igual ao meu, só que vermelho, uma regata preta e um boné da New York lilás com uns detalhes circulares. A franja jogada no olho e os cabelos soltos. Era a , e ela segurava um skate. Colocou-o no chão subiu e começou a andar na piscina. Fez algumas manobras que nem eu mesmo sabia, o que me espantou muito e veio em nossa direção. Subiu a rampa e sentou do meu lado. Ela olhou pro lado que os meninos estavam sentados.
- Hoppus, Barker - ela disse.
- . - Os dois disseram. - Nós vamos andar e já voltamos. - Travis e Mark levantaram e foram pra outra pista.
- Não sabia que você andava de Skate - comentei.
- Você não sabe muita coisa sobre mim, Thominhas. - Ela riu, lembrando do apelido que ela me deu quando nós éramos crianças. - Eu mudei muito.
- Acho que eu te devo desculpas - falei.
- Pelo quê? - Ela olhou pra mim.
- Pelo... pela... por... - EU realmente não lembrava o motivo da briga. - Você não lembra né? - Ela olhou pra frente.
- Não. - Eu abaixei a cabeça.
- Melhor assim - ela disse.
- Por quê? – perguntei, curioso.
- Você não quer que eu te desculpe? Então, não toca mais nesse assunto. - Ela se levantou.
- Aonde você vai? – perguntei, levantando junto.
- Dar um abraço no meu mais novo melhor amigo, aliás, no meu antigo melhor amigo que resolveu voltar. - Ela abriu os braços. Eu sorri e a abracei. Um sentimento de paz tomou conta de mim. Não abraçava a havia anos. Como eu fiquei todo esse tempo sem falar com ela? Eu fui um estupido. Ela me apertou mais e eu a apartei mais ainda, dando um abraço de urso nela.
- Assim eu fico sem ar! - Ela riu. Eu quebrei o abraço.
- Foi mal - eu disse, rindo.
- E aí, como anda a vida? - Ela me perguntou e voltamos a sentar.
Trocar ideia com a foi a melhor parte do dia. Lembramos coisas que fazíamos quando éramos crianças e das coisas que aconteceram quando nós estamos sem se falar.
Voltei pra casa aquele dia com um enorme sorriso no rosto. Sentia falta dela e só descobrir isso agora. Percebi que terei que fazer reparos que já deveria ter feito há muito tempo. Afinal, vou ter que reconquistar minha melhor amiga.


Capítulo 2

Naquele dia voltei pra casa mais feliz, por motivo nenhum aparente... Ah, a quem eu quero enganar? Rever a foi demais. Relembrar nossas brincadeiras no quintal de casa, relembrar quando o dia estava quente em San Diego e pegávamos a mangueira da mãe da e ficávamos fazendo guerra de água. Velhos e ótimos tempos.
- Boa noite, Mãe! - Abracei minha mãe assim que ela atravessou a porta.
- O que você aprontou, Sr. Thomas? Já vou dizendo, não tenho dinheiro.
- Credo, mãe, quem vê pensa que eu sou assim!
- E não é? - Ela perguntou, caminhando em direção à cozinha.
- EEEER... Mudando de assunto - Sentei um dos bancos da cozinha, de costas pra minha mãe que lavava as mãos. -, lembra da , mãe? - Minha mãe travou. Ficou minutos sem se mover e depois virou pra mim.
- ? Que ? A “Sua ”? - Ela fazia aspas com as mãos.
- É, mãe. Por que todo mundo faz essa cara de espanto quando eu falo dela?
- Primeiro de tudo: quando você fala dela? Faz anos que você não fala dela! E, além do mais, você me proibiu de falar dela com você ou pra você! - Agora ela tava sentada em frente a mim.
- Mas que diabos aconteceu pra eu fazer isso? Eu não me lembro! - Tampei meu rosto com as mãos.
- Meu amor, nisso eu não posso te ajudar. O motivo você não me contou, muito menos ela! Mas sobre o esquecimento... - Pronto! Minha mãe ia atacar de psicóloga de novo. - Algumas pessoas que querem esquecer algo, radicalmente, jogam tudo isso no subconsciente e trancam aquilo de alguma maneira, e poucos conseguem destrancar.
- Hmm. - Fiz um hmm com a boca. Então era isso que eu tinha feito.
- O que vai querer pro jantar, filho? - Acordei do meu transe.
- Nada, mãe, não to com fome; vou deitar, ok? Beijos. - Passei por ela e deu um beijo em sua testa.
- Ok, beijos. - Ela disse e eu subi as escadas e pude a ouvir dizendo “estranho” ou algo assim.
Me joguei na cama e comecei a “tentar lembrar”. Forçava, forçava, forçava e nada.
Lembrava de coisas bobas, como meu primeiro beijo ou o número de uma garota qualquer que eu peguei. Mas, o mais importante, eu não lembrava e, de tão cansado, cai no sonho.

- THOMAS! - Acordei num pulo. - Já disse, pra que esse despertador tão alto se você nem acorda? - Minha mãe dizia da porta do meu quarto. - Seu quarto tá uma zona. Antes de ir pra pista de skate ou ensaiar na garagem, eu quero esse quarto limpo! - Fiz um sim com a cabeça e ela saiu, descendo as escadas. Minha mãe sempre me apoiou tanto com a banda ou com o skate, mas meu quarto uma bagunça ela não tolerava. Levantei e fui escovar os dentes e trocar de roupa.
- Que cara é essa? - Minha mãe perguntou, servindo o café pra mim.
- Eu tive um sonho estranho. Eu tava no refeitório da escola e tinha uma rodinha, muitas pessoas. Aí eu fui passando entre elas até chegar ao meio da roda, então eu me vi ao lado da , que segurava um caderno de capa preta e a Lindsay na nossa frente, rindo de alguma coisas, e eu comecei a gritar com a . Foi muito confuso, eu não ouvia nada e, o mais estranho, era que eu me via anos atrás e as meninas também, tipo como se a gente tivesse treze anos. Foi muito estranho.
- Seus sonhos, a cada ano, ficam mais estranhos, menino. - Minha mãe dizia, segurando o riso. Só porque eu sonhava com monstros atacando Manhattan ou eu pelado no palco (algo que sempre foi meu sonho) e etc. - Vamos? - Ela já estava na porta. Peguei minha mochila e saí de casa.

- Entregue. - Minha mãe disse, parando o carro na frente da escola.
- Valeu, mãe. Tchau. - Eu disse, saindo do carro.
Procurei os caras pelo pátio e nada. Resolvi entrar e guardar minhas coisas no armário.
Caminhei pelos corredores da escola até meu armário, quando vi uma garota parada em frente a ela com os fones no ouvido e balançando a cabeça constantemente, fazendo sua franja ir pra lá e pra cá. Joguei minha mochila no armário, já que minha primeira aula é de Biologia prática.
- Ouvindo o quê? - Perguntei pra ela, encostando nos armários ao lado. Ela pareceu acordar de um transe e se assustou. Desligou o IPod, rapidamente, e sorriu.
- Nada, não. Uma banda nova. Tudo bem? - Ela perguntou, revirando o armário atrás de algum livro.
- Sim e você? - Perguntei. Ela soltou um sorriso quando achou seu livro de matemática.
- Tudo. - E o sinal bateu. - Bom eu tenho que ir. Aula de matemática e você, Biologia prática.
- Como você sabe que aula eu tenho? - Perguntei curioso, parando na frente dela.
- Eu decorei os seus horários pra evitar de nós nos vermos nos corredores.
- Nossa, o que eu fiz foi tão ruim assim? - Perguntei. Agora caminhávamos pelo corredor lado a lado.
- Hmm... Um pouco. Eu fico por aqui. Tchau. - Ela disse entrando na sala. Nem me olhou.
- Vamos, DeLonge, a gente tá atrasado! - Senti um puxão do Mark e saímos correndo pelo corredor.
- Licença, professor, a gente pode entrar? - Mark dizia.
- Pode, sim, lá no fundo, por favor. - O Professor indicou uma bancada vazia no fundo e lá fomos nós.
- Cara, eu tenho que te fazer uma pergunta. - Eu disse, colocando as luvas.
- Manda.
- O que a aconteceu entre eu e a tem a ver com uma roda cheia de gente no pátio e um caderno preto?
- Tá lembrando das coisas, Tom? - Mark mistura alguma coisa naquele pote de vidro e tava ficando azul. Já disse que sou péssimo em Química?
- Acho que sim, tive um sonho estranho.
- Ter tem, mais o motivo você não lembra?
- Pior que não.
- Nisso eu não posso de ajudar.
- Por quê?
- Porque você me fez jurar, por tudo que é mais sagrado, que eu e o Travis nunca íamos tocar neste assunto. - Ele disse, por fim.
- Ok.
Depois das três primeiras aulas, Mark não falou mais nada. Aliás, desde nossa conversa na sala, ele fechou a cara. Não é a primeira vez, acho que ele não gosta do assunto “Porque eu briguei com a ”, mas é melhor eu deixar o cara em paz.
- Ah, velho, não quero ver a Lindsay hoje. – Disse, assim que pisei no refeitório.
- Cara, eu tô com fome, vou comer. - Mark dizia.
- Acho que vou dar uma volta. - Eu disse
- Falou.
Girei nos calcanhares e fui em direção ao fim do corredor, que dava numa porta pra o jardim de trás da escola. Poucas pessoas conheciam ali, só mesmo quem cabulava as aulas e tinha que passar por ele pra pular o muro. Bom, então você já deve saber por que eu conheço ali. Girei a maçaneta da porta e sai fazendo o menor barulho possível, não sei por que já que ali era o único lugar que não tinha segurança algum. Caminhei e virei o muro da escola, dando de cara com a sentada, os cabelos pretos soltos ao vento e um cigarro na boca.
- , isso faz mal pra saúde! – Disse, sentando com tudo do lado dela, fazendo-a pular de susto.
- Que caralho, DeLonge! Vai assustar a mãe! - Ela disse, tirando o cigarro da boca.
- Ei! - Eu disse, rindo da cara dela.
- Não tem graça nenhuma, porra - ela disse, tragando a fumaça.
- Não sabia que você fumava... Muito menos que tem uma boca suja - eu disse, olhando pra frente.
- Já disse que você não sabe muita coisa sobre mim... E vai se foder, a boca é minha! - Ela disse a última frase rindo.
- Besta.
- Idiota. - Ela completou.
- O que você faz aqui? – Perguntei, depois de minutos em silêncio.
- Não pode fumar lá dentro. - Ela apagava o cigarro no chão e jogava longe. - E eu não gosto de ficar naquele antro de vadias, jogadores de futebol tentando se aparecer. - Ela disse, soltando a fumaça.
- Descobriu isso como? - Ela riu sem graça e olhou pra mim.
- Acha mesmo que só a sua turma de losers cabula aula nessa escola? Ai, Thomas, tem mais gente no mundo, nem tudo gira em torno do seu umbigo.
- O que você quer dizer com isso? - Olhei sério pra ela.
- Não se faça. Você acha que é o mais esperto de todos, que sabe mais que os outros, que é o rei da malandragem. Se liga, tem mais gente disputando esse posto.
- O quê? Ta querendo dizer que você tá se candidatando pra esse posto? Ok então. - Ri da cara dela.
- Meu caro DeLonge, se você não sabe, eu sou uma menina. - Ela levantou e pegou sua mochila. – Logo, o posto seria de 'Rainha' - Ela faz aspas com as mãos. E esse posto querido... Já é meu. - Ela piscou marota pra mim e virou as costas, indo em direção a porta. Quem é essa garota, meu Deus? Chega!

Capítulo betado por Vick Mazza




Capítulo 3

Resolvi então procurar uma das últimas pessoas a quem achei que um dia ia pedir ajuda. O nome dela é Melissa, que até pouco tempo era namorada do Mark e melhor amiga da - ou pelo menos na época do acontecido, era. Depois do término do namoro dela com o Mark, nunca mais falei com ela; não por ser chata nem nada, só que eu sou amigo do Mark e sou muito curioso. Aí você se pergunta: o que tem a ver com isso? Pois bem, até hoje NINGUÉM sabe o motivo do fim do namoro, pois nem ela e nem ele falam nada.
- Tom? - A mesma abriu a porta quando eu toquei a campainha e fez sua famosa cara de assustada.
- Eu mesmo!
- O que você faz aqui? - Ela encostou-se ao batente da porta, cruzou os braços e ergueu uma de suas sobrancelhas.
- Vim pedir um favor... - Abaixei a cabeça
- Tem alguma coisa a ver com o Mark?
- Não.
- Então entra. - Ela abriu espaço e eu entrei.
- É sobre o que, então? - Ela fechou a porta atrás de si.
- .
- Não devia ter deixado você entrar. - Ela balançou a cabeça, negativamente.
- Por favor, Melissa! NINGUÉM quer falar e eu preciso! Eu nunca te pedi nada e, por favor, não me manda ir embora, eu preciso saber o que eu fiz.
- Ei, calma. - Ela deu uma leve risada. - Senta, eu vou te contar, mas prometa que se a perguntar, você vai falar que você lembrou, ok? Mesmo que seja meio impossível.
- Ok. - Eu sentei e ela também.
- Tom, qual era a sua ambição aos 13 anos?
- Montar minha banda.
- A outra? - Ela fez cara de “lembra logo, Tom”. Ri, sem graça e pum! Deu um estalo na minha cabeça.
- A LINDSAY! - Bati a mão na testa.
- Pois é, vou contar tudo de uma vez. Quando a gente tinha 13 anos, éramos próximos demais, lembra? - Balancei a cabeça positivamente, mesmo não lembrando mais, resolvi deixá-la contar. - Éramos inseparáveis, eu, você, a , o Mark - Ela rolou os olhos. - e o Travis. Só que aí você começou a gostar da Lindsay, ou melhor, tu criou uma obsessão por ela, só falava dela, queria ela e mesmo depois que ela te dispensou, tu continuou a correr atrás. Isso deixou a chateada, porque naquela época ela estava confusa, achava que estava começando a gostar de você e...
- O QUÊ? - Dei um grito involuntário e em seguida tampei a boca com as duas mãos.
- Posso continuar? - Ela vez cara de brava. - Depois tu vai entender. Continuando, a sempre foi tímida até comigo, que era sua melhor amiga - Senti uma dor no “era”. - e nunca contava seus segredos “diretamente” pra mim. - Ela fez aspas com a mão no diretamente. - Então ela escrevia tudo num caderno de capa preto e me entregava, para eu ler. - Então esse era o famoso caderno da lembrança que eu tinha? - Certo dia, ela me entregou o caderno, pois tinha uma coisa pra contar, só que ela me entregou no fim da terceira aula, e como eu estava atrasada para a próxima aula, guardei o caderno no meu armário... Só que eu não sei o que aconteceu, Thomas! - Ela ameaçava choro e eu cheguei mais perto. - Devo ter deixado o armário aberto na pressa e a Lindsay, aquela AAAARGH - ela fez um som estranho e eu ri. - Não ri, Delonge! Ela pegou. Quando bateu o sinal, eu fui direto pro meu armário e vi que ele estava aberto, comecei a procurar o caderno e nada, quando dei por mim, tinha um conglomerado de pessoas indo pro pátio e eu resolvi seguir. A Lindsay lia trechos do caderno na , na frente de todos, principalmente dela, que chorava desesperadamente. Cheguei do lado da , que me olhou com raiva, eu balançava a cabeça, tentava dizer que eu não tinha nada a ver com aquilo, mas ela não acreditava. Nisso chegou você e a Lindsay resolveu ler um trecho em especial, aquele trecho que deixava ela confusa e etc, o que te deixou muito enfurecido.
- Então a pegou o caderno, eu gritei com ela e ela saiu correndo, certo? – Perguntei, meio receoso.
- Lembrou, né?
- De tudo. Obrigado, Melissa. - Levantei e puxei-a para um abraço.
- É, Tom, agora pra ti tá tudo resolvido e pra mim? A nunca mais falou comigo, ela ainda acha que fui eu que dei o caderno pra Lindsay, não fui eu, NÃO FUI! - Ela começava a gritar
- Ei, relaxa, eu acredito em você e um dia ela também vai e vai ver a burrada que fez. - Tentava acalmar ela.
- Será? - Ela olhou pra mim com os olhos cheios de esperança.
- Vai sim! Você é maravilhosa, Melissa. Como o Mark de deixou? - Ela me empuxou ela fechou os olhos em raiva.
- Cala a boca, tchau! - Ela foi me empurrando até a porta e eu rindo.
- Obrigado, mesmo – disse, sincero.
- De nada. - Ela sorriu, também sincera. - Agora tchau. - E fechou a porta na minha cara.
- Tchau pra você também...
Virei nos calcanhares e fui pra minha casa. Tinha certas coisas que eu tinha que resolver.
- Tem alguém em casa? – perguntei, assim que eu abri a porta. Aparentemente não, já que estava tudo escuro. Sentei no sofá e liguei a TV. Meu dia foi tão cansativo que eu sentia cada vez mais meus olhos se fecharem e quando eu estava a ponto de dormir a porta se abriu.
- Filho, já em casa? - Me mãe me deu um beijo na testa e seguiu pra cozinha.
- Pois é, e aonde tu estavas? – perguntei, segundo ela até a cozinha.
- Quer saber Tom, já tá na hora de você saber a verdade.
- Que verdade? – perguntei, curioso
- Estava na casa da .
- O QUÊ? - Dei o mesmo grito que tinha dado na casa da Melissa. Minha mãe me olhou, brava. - Desculpa.
- Não me leve a mal, querido, mas não é porque você brigou com a que eu ia deixar de ver ela, sabe como eu gosto dela e além disso sou amiga da mãe dela a anos!
- Há quanto tempo você a vê?
- Desde sempre!
- Porque tu não me disse, mãe? – perguntei, indignado.
- PORQUE VOCÊ DISSE QUE NÃO QUERIA QUE EU FALASSE COM ELA, CRIATURA! - Minha mãe gritou.
- Calma, mãe. - Ri da cara dela e ela me acompanhou.
- Vou pedir uma pizza, quer? - Ela perguntou.
- Mesma coisa que perguntar se macaco quer banana, né, mãe? - Ela balançou a cabeça e pegou o telefone.
Ficamos vendo TV, rindo e comendo, obvio. Depois subi, tomei banho e deitei. Tinha que começar a por a cabeça no lugar.


Continua...


N/A: Olá meus amores. Quanto tempo né? Hehe, me desculpem, tá tu corrido aqui, to fazendo curso e tals, então me perdoem! Essa att é bem pequena, pois se refere só a lembrança e o que ocorreu e porque ultimamente minha criatividade está abalada KKKKKK. E eu queria agradecer a Andrea que me emocionou com o comentário. Obrigada mesmo s2. Beijos Beijos! Jerk @McGuyas/@Biia_J




Nota da Beta: Comentem. Não demora, faz a autora feliz e evita possíveis sequestros - só um toque. Qualquer erro encontrado nesta fanfiction é meu. Por favor, me avise por email ou Twitter. Obrigada. Amy Moore xx