N/A: Essa fiction contém cenas explícitas, palavras de baixo calão e bastante sofrimento! Caso você não goste de nenhum desses itens, por favor, não continue com a leitura!



Prólogo

Quem via a vida de de fora a invejava. Casada com Matthew Clearwoods, dono do maior banco de toda a Europa, um dos caras mais ricos e influentes do mundo segundo as revistas. Porém, se as mulheres que sempre diziam querer estar em seu lugar soubessem de toda a verdade, sentiriam pena da pobre Clearwoods.

Capítulo um

Lembro-me como se fosse ontem o dia em que conheci .

#Flashback on

Olhei impaciente para o relógio pela décima vez. Carl e estavam, como sempre, atrasados. Suspirei. O meu estômago roncava ao sentir o cheirinho que vinha de dentro da Starbucks cada vez que alguém abria a porta. Se eles não chegassem em trinta segundos, eu não iria esperar mais. Trinta... Vinte e nove... Vinte e oito... Ok. Já era para eles estarem aqui e o monstrinho que mora no meu estômago reivindicava que eu entrasse logo e pedisse pelo menos um cookie. Eu, como não sou doida, obedeci e me sentei em uma mesa próxima à entrada, mas que ficava no canto. Abri a bolsa e peguei o meu celular para enviar um SMS para , avisando que estava esperando do lado de dentro – o que com certeza a faria dar um resmungo ofensivo como “ e suas ‘gordices’”. Ri com esse pensamento, porém assim que comecei a digitar o SMS, um louco entrou embaixo da minha mesa.
– Ei, o que você pensa que está fazendo? – olhei para baixo, tomando um susto maior ainda ao encontrar o "grande astro pop" com o dedo indicador nos lábios em uma súplica por silêncio. Respirei fundo, tentando controlar o riso pela situação.
Em poucos segundos, um grupo grande de fãs passou. Elas gritavam, choravam e, cara, aquilo era assustador. Assim que passaram, ele saiu de baixo da mesa.
– Olhe, desculpe-me. É que... – apontava pela janela e se enrolava nas palavras, o que foi desapertando o riso que eu prendia há segundos atrás. – Você está rindo de mim? – afirmei com a cabeça. – Oras, o que é tão engraçado? – respirei fundo, tentando conter o riso (tarefa difícil, devido à expressão confusa de ).
– Desculpe a crise de risos – soltei um risinho. – É que essa situação foi engraçada. Sabe? Você entrando de baixo da minha mesa e todas essas garotas correndo atrás – abriu a boca para responder, mas foi interrompido por meu celular que tocava alto e em bom som a música de abertura do Bob Esponja. Até tentei fingir que não era o meu, contudo como o aparelho berrava em minhas mãos tive que atendê-lo. Maldita . – Oi – eu sentia o meu rosto corado enquanto tentava, sem sucesso, prender o riso ao que avisava que não ia poder ir porque Carl estava passando mal.
Despedimo-nos e encarei que me olhava sugestivo.
– Então... Bob Esponja, hein? – mandei língua e ele riu.
– Bem, foi muito bom ajudá-lo nessa aventura, mas tenho que ir – não falei o nome dele, pois este não havia nem se apresentado e, apesar de ser famoso, eu não era obrigada a saber. Era?
– Mas você já vai? – assenti com a cabeça. – Come on, garota do Bob Esponja. Deixe-me pelo menos lhe pagar um café. Afinal de contas, você salvou as minhas calças e nem sei o seu nome.

#Flashback end.

Aceitei o café e passamos grande parte da tarde conversando e rindo de coisas bobas.
Sem que eu percebesse, as lágrimas escorreram por minha face. Ouvi passos no corredor e me apressei em secá-las.
– Oi, meu amor. Cheguei – senti a cama afundar ao meu lado. – Sentiu a minha falta? – a mão de Matthew tocou o meu rosto, fazendo-o se afastar em um reflexo.
– Se-senti – a minha voz saiu trêmula enquanto eu sentia meus olhos arderem. Matthew aproximou-se, tocando os nossos lábios, fazendo com que as lágrimas que eu segurava caíssem.
– Por que está chorando, meu anjo? Não precisa ficar emocionada só porque cheguei – assenti, secando as lágrimas rapidamente. – Vou só tomar um banho e vamos jantar. Ok? – dito isso, ele se levantou, adentrando o banheiro e deixando-me com mais uma recordação de .

#Flashback on.

A porta do apartamento se abriu e imediatamente um sorriso em meu rosto também.
, cheguei – entrou na cozinha. Virei-me para ele com o rosto molhado de lágrimas, o que o fez sobressaltar. – , aconteceu algo? – a sua voz saiu nervosa enquanto ele se aproximava de mim. Porém logo soltou uma risada nasalada ao me ver cortando cebola. – Já sei. Você está emocionada com a minha chegada, né? – os seus braços envolveram a minha cintura enquanto o seu abdômen tocava as minhas costas.
– Com certeza, meu amor – ri. – Vá tomar seu banho. Já, já o jantar vai estar pronto – bisbilhotou por cima dos meus ombros o que eu fazia. Não era costume que eu cozinhasse. Só em ocasiões especiais. Todavia naquele dia me deu vontade de cozinhar e pedi à empregada que deixasse essa função por minha conta.
– Isso está bonito, hein? – ele riu. – Deu até fome. Vou tomar o banho mais rápido da história e já volto – me deu um beijo calmo nos lábios e saiu correndo em direção ao nosso quarto.

#Flashback off.

Por alguns minutos, cheguei a sentir o toque dos lábios de nos meus. Nosso apartamento podia não ser dos maiores, mas era aconchegante. Lá era o meu lar.
A porta do banheiro se abriu e Matthew saiu de lá cantarolando.
– Vamos jantar – a sua voz soava tranqüila, porém não era um pedido.
– Não estou com fome. Será que eu poderia ficar aqui? – nem ao menos tentei disfarçar o meu desânimo.
– Vamos jantar, amor – uma das mãos de Matthew segurou forte em meu braço, levantando-me da cama com facilidade. Ele abriu a porta e os dois seguranças que ficavam ali o cumprimentaram com um aceno de cabeça. Enquanto descia as escadas, pensava, mais uma vez, em como as coisas haviam ficado daquela forma.

#Flashback on.

Terminei de embrulhar o presente de . Os meninos tinham o levado para um pub. Eu os encontraria lá para depois voltarmos para a nossa casa. falara a semana inteira sobre o seu aniversário, então combinei com os caras. Eu fingiria ter me esquecido de seu aniversário pela manhã, os garotos o chamariam para um drinque em um pub, eu apareceria por lá de surpresa e diria que havia feito um jantar para os íntimos em nossa casa. Porém a verdade é que, ao invés de um jantar, uma festa esperava por .
Saí do nosso quarto depois de dar uma última olhada no visual e desci as escadas. A maioria das pessoas já havia chegado ao apartamento. Avisei que estava indo buscar e saí. Em vez de ligar para quando cheguei , como o combinado, entrei no pub que parecia vazio. Rapidamente achei a mesa dos garotos e estranhei o fato de não estar lá. Varri o lugar com os olhos e, fora um grupo de homens, a única coisa que vi foi um casal sentado em uns puffs numa área mais escura quase se comendo. Provavelmente estava no banheiro. Aproximei-me da mesa e a expressão de ao meu ver me assustou. Ele ficou pálido na hora.
– Olá, meninos – sorri. – Cadê o ? – todos eles pareciam nervosos e um pouco travados. – Aconteceu algo?
– Não... Não. Por que a pergunta? O que poderia ter acontecido? – passou o braço por meu pescoço e viramos de frente para o bar.
– Cadê o , ? – eu já não entendia nada e a situação piorava a cada segundo.
– Erm... Ele... Ele foi ao banheiro – olhei desconfiada para que suava.
– Ok. Então eu vou até lá chamá-lo – sorri de forma simpática, mas demonstrando que não estava me enganando.
– Não... Que é isso, ... Ele já vem – realmente achava que me enganava. Sério.
Virei-me para a mesa para perguntar a ou . Quem sabe os dois me explicassem melhor? Mas não estava ali. Será que todo mundo resolveu desaparecer hoje? Olhei novamente para o pub e avistei abaixado onde o casal se amassava há minutos atrás. Ou melhor, onde o casal ainda tentava se amassar. Senti um frio desconfortável na nuca e suspirei, apertando os olhos para ver se conseguia entender alguma coisa. Calma aí... Conheço aqueles cabelos.
tentou segurar o meu braço, mas o meu olhar foi tão cortante que ele não demorou muito a soltá-lo. Aproximei-me dos três e constatei o que nunca imaginaria. Sim, era o meu com outra mulher. E ele nem ao menos se importava com que tentava puxá-lo, dizendo coisas como “ está aqui, cara. Levante-se”. As lágrimas já rolavam pelos meus olhos quando exclamou um “fodeu”, fazendo finalmente se soltar da mulher com quem estava. A sua expressão foi de bravo para espanto, pavor... Não sei definir. Virei-me de costas, tentando apagar aquela maldita cena da minha cabeça.

#Flashback off.

ainda tentou me segurar, contudo eu não quis ouvi-lo. Liguei para , que estava no apartamento, e pedi para que ela arrumasse as minhas roupas e levasse para a sua casa, dizendo que explicaria quando ela chegasse lá. Assim que desligamos, o telefone voltou a tocar e o nome de apareceu no visor. Desliguei o aparelho. Eu não queria falar com ele, não queria vê-lo. E realmente não vi depois daquele dia. Exceto pelas revistas e jornais que chegavam às minhas mãos às vezes.
Algum tempo depois, conheci Matthew e ele era incrível. Tratava-me tão bem que acabei cedendo aos seus encantos. Namoramos por alguns meses, quando no natal ele me pediu em casamento. Este sabia o que havia acontecido entre e eu. Sabia que o meu coração ainda estava machucado, sabia que no fundo eu ainda amava e sempre me apoiou, dizendo que com o tempo iria conseguir fazer com que eu gostasse dele assim como gostava de . Ele era tão bom pra mim que acabei aceitando.
Nos três primeiros meses, o nosso casamento foi maravilhoso, porém eu não conseguia me entregar completamente para Matthew, o que aparentemente o deixou furioso.
– Você está tão calada, querida – a sua mão tocou novamente o meu rosto, despertando-me de meu transe. O prato de comida já estava à minha frente. – Está pensando em que, meu amor?
– Nada. Só estava pensando... Será que amanhã eu poderia pegar um pouco de sol no jardim? – inventei uma desculpa qualquer, mantendo a minha voz baixa, como sempre mantinha perto dele, e vi um sorriso brotar em seu rosto.
– É, você anda se comportando ultimamente – a sua mão deslizou de meu rosto para as minhas coxas por debaixo da mesa. – Acho que vou deixar, sim, mas só por dez minuto. Ok? – assenti e voltei o meu olhar para o prato. Olhei para a comida nele e suspirei. Eu não tinha fome alguma.
Matthew jantou, comeu a sobremesa e ainda tomou um café, fazendo-me ficar ali por quase uma hora e meia.
– Venha. Vamos nos deitar – ele puxou a cadeira para trás e me levantei o mais rápido possível, Os seus dedos se entrelaçaram com os meus enquanto subíamos as escadas.
Matthew abriu a porta do quarto, fazendo com que eu entrasse primeiro, e a trancou assim que passou pela mesma. Aquela era a pior parte do dia. Pior do que ficar trancada no quarto, pior do que não ter TV, rádio ou qualquer forma de comunicação com o mundo exterior. Sentei-me na cama e Matthew alisou o meu braço esquerdo.
– Hoje à noite nós não vamos fazer nada. Estou cansado – o alívio preencheu o meu corpo. – Vamos apenas dormir juntinhos – ele disse, deitando-se e me puxando para deitar com ele.

A noite passou mais rápido do que o esperado e logo Matthew estava me dando um beijo na testa antes de sair para o trabalho. Abri os olhos assim que ele saiu do quarto. Eu ficava imaginando que tipo de pessoa insana ele era. Tratava-me como se eu fosse a sua esposa, como se eu ficasse aqui por vontade própria, quando na verdade me aprisionara nessa casa.
Não sei ao certo que horas eram. Sim, eu também não tinha acesso a um relógio. Uma empregada entrou no quarto, pedindo para que eu me vestisse para ir ao quintal. Levantei-me rapidamente e fiz a minha higiene normal, vestindo logo uma calça e uma blusa de meia manga (eu só tinha acesso às outras roupas quando Matthew queria).
Saí do quarto com a mesma alguns minutos depois e os seguranças que ficavam na porta logo vieram atrás de nós. A mulher me deixou no enorme jardim que ficava na frente da casa, dando ordens para os seguranças me colocarem para dentro em dez minutos. Olhei para o portão da propriedade e suspirei pesado ao ver um carro passando por ali. Eu sentia tanta falta da minha liberdade, de poder ir aonde quisesse quando quisesse.
Aproximei-me de um canteiro, onde eu havia plantado algumas flores assim que me mudei para cá. Abaixei-me calmamente, tocando uma delas e a cheirando. O sol agradavelmente quente tocava a minha pele, lembrando-me de quão boa aquela sensação era. Fiquei algum tempo observando as minhas flores quando um dos seguranças se aproximou. Olhei novamente para o portão e tive vontade de correr até ele e implorar para que o porteiro me deixasse ir embora, mas aquilo seria em vão. Ninguém ali ao menos me ouvia.
– Levante-se, senhora. O seu tempo já acabou – a voz grossa do homem me assustou e o olhei com súplica.
– Só mais cinco minutos, por favor – a minha voz saiu extremamente chorosa, mas isso não convenceu o brutamontes que me puxou pelo braço para que eu me levantasse.
– Desculpe. São ordens do patrão – ele respondeu mais baixo para que ninguém ouvisse. Provavelmente Matthew havia proibido os empregados de falarem comigo.
Puxei o meu braço com delicadeza das mãos do homem e fui caminhando à sua frente para dentro da casa. Antes que ele fechasse a porta, dei uma última olhada para o lado de fora. Iria demorar até que eu voltasse ali.

Capítulo dois

A semana se passou sem nenhuma diferença. Todos os dias, Matthew chegava, tomava o seu banho e me obrigava a descer para o jantar. Quando subíamos, eu era obrigada a me deitar – não no sentido literal da palavra – com ele. Este saía para o trabalho de manhã e só. Porém, na noite de sexta-feira, Matthew chegou a casa mais cedo, pois ainda não estava escuro.
– Surpresa – ele falou de forma exagerada, entrando no quarto seguido pelos dois seguranças que carregavam algumas caixas. – Podem pôr as caixas em cima da cama, rapazes - aproximou-se de mim na cama, acariciando o meu rosto. Fechei os olhos. – Hoje vamos sair, meu amor – a sua voz era calma. Olhei-o desacreditada. – Sim, vamos a um evento de um investidor novo do banco – suspirei pesado. Mais uma vez ele iria me exibir para os seus amigos. Eu teria que sorrir para todos e ser simpática com aquelas pessoas, quando a minha vontade era pedir por socorro. – Aqui estão a sua roupa, seus sapatos e suas jóias. Comece a se arrumar logo. Não quero me atrasar – tirou os sapatos e se deitou na cama.
Levantei-me e caminhei para o banheiro. Tomei um bom banho. A noite seria longa.
Estava quase terminando de me arrumar quando Matthew entrou no banheiro também arrumado, olhando-me de cima abaixo.
– Você está linda – os seus lábios vieram em direção aos meus. – Só se esqueceu de uma coisa – ele sorria tranqüilamente. – Não gosto que os seus cabelos fiquem presos. Quantas vezes já disse isso? – a sua voz tomou um tom autoritário que me fez tremer.
– Mas eu pensei que... – fui calada por um tapa sem piedade em meu rosto.
– Você não está aqui para pensar. Está aqui para me obedecer. Sou seu marido. Mando em você e estou lhe dando cinco minutos para que arrume esse cabelo da forma que sabe que gosto – ele saiu do banheiro, batendo a porta. – CINCO MINUTOS! – gritou.
Toquei o local atingido por Matthew enquanto tentava controlar as lágrimas. Virei-me para o espelho, deixando o meu longo cabelo cair sobre os ombros com leves cachos nas pontas. Passei um pouco mais de base no rosto do lado que tinha sido atingido para cobrir a marca dos dedos de Matthew. Assim que terminei, saí do banheiro, encontrando-o sentado em uma poltrona que tinha em nosso quarto com um copo de uísque. Ele largou a bebida e veio até mim com um sorriso nos lábios.
– Agora sim você está linda – os seus dedos gelados acariciaram o meu rosto. – Vamos. Mas, antes de sair, vou lhe dar um aviso, . Ou melhor, vou fazer uma pergunta – ele sorriu. – Você ama sua amiga? A ? – assenti com a cabeça. – Sei que, desde que os seus pais morreram, você encontrou apoio nela e na família dela. Se quer que eles permaneçam bem e vivos, vai se comportar perfeitamente bem durante essa noite. Ok?
– Sim. Pode deixar – o meu corpo tremia devido às palavras de Matthew.
... Que saudades eu sentia da minha amiga.
– Então vamos – ele entrelaçou os nossos dedos e destrancou a porta do quarto.
Entramos no carro com motorista e o destino não era muito longe de casa pelo que pude perceber. Ou talvez fosse, mas me distraí tanto olhando os carros, as pessoas... Até os outdoors que costumava ignorar eu olhei. Assim que chegamos, o motorista abriu a porta para que saíssemos e uma chuva de flashes nos atacou. Caminhamos até a entrada do salão onde a festa era realizada e Matthew deu uma apertadinha na minha mão, olhando-me como se dissesse: “lembre-se do aviso que lhe dei”. Assenti com a cabeça e coloquei um sorriso no rosto, acompanhando-o para dentro do salão.
O lugar era deslumbrante. Garçons passavam com as bandejas cheias, pessoas dançavam na pista de dança. Por alguns segundos desejei poder estar lá, dançando como fazia antigamente, contudo Matthew me puxou até uma das mesas que estava reservada em seu nome. Sentamo-nos e logo o tal investidor veio até nós acompanhado de uma mulher, provavelmente sua esposa.
– Boa noite – o homem de mais ou menos quarenta anos sorriu e retribuí da melhor forma que pude.
– Boa noite – levantei-me, cumprimentei a mulher com um beijinho na bochecha e o homem me beijou a mão. – A festa está maravilhosa – sorri para a mulher enquanto Matthew engatava uma conversa com aquele homem. Observei o casal. Eles aparentavam felicidade, felicidade em estarem juntos... Uma coisa que eu jamais teria com Matthew.
– Ah, muito obrigada – ela sorriu. – Hoje é aniversário de quinze anos da minha filha e sabe como é, né? Única filha... Temos que fazer de tudo. Fico feliz que vocês tenham vindo.
– Está de parabéns. Tudo está maravilhoso – eu já havia me acostumado a bajular ou simplesmente fingir que estava gostando de algo, pois nem ao menos havia sido servida e já estava elogiando o buffet.
– O que acha de ir comigo dar uma volta pelo salão? – a mulher falou calma e me assustei. Matthew não me deixaria sair por aí sem que ninguém me vigiasse.
– Ah, não sei – um sorrisinho sem jeito estampou minha face
– Aposto que eles... – a mulher apontou os nossos "maridos". – Nem vão se importar. Já estão falando de negócios – ela riu. Respirei fundo.
– Tudo bem. Vou só avisá-lo – aproximei-me de Matthew que estava a poucos passos de distância. – Amor – a minha garganta fechou e tive que forçar um sorriso. – A perguntou se quero dar uma volta com ela pelo salão. Tudo bem por você? – Matthew olhou para a mulher que sorria sem demonstrar nem um pingo de malícia e assentiu. Aproximou-se de mim como se fosse me dar um abraço carinhoso e sussurrou no meu ouvido “não se esqueça do nosso trato”. Deu-me um selinho e voltou conversar.
era realmente muito divertida e contava sobre as maluquices que seu filho mais velho fazia, alegando que ele a deixava louca.
– Venha. Vou te apresentá-la ele – sorri sem jeito, indo com a mulher. Provavelmente ela me apresentaria a um garoto de dezoito anos ou menos. Pelas travessuras que me relatava, era isso o que eu imaginava.
, filho, venha conhecer a esposa do novo sócio do seu pai – gelei ao ouvir aquele nome. Mas só podia ser coincidência.
Aproximamo-nos da mesa e os meus músculos pareciam ter ficado moles. Lá estavam eles: , , e... . Senti os olhos marejarem e abaixei a cabeça.
, essa é . , esse é o de quem lhe falei. Aquele que fará com que eu tenha cabelos brancos em breve – soltei uma risadinha forçada com ela falando e estendi a mão para que a apertou, dando um sorriso enorme. O mesmo sorriso de sempre. Ah, se a mãe dele soubesse que eu costumava estar junto com em suas "travessuras". – Esses são – ela apontou e no mesmo momento ele se levantou, vindo até mim e me beijando o rosto. Eu sentia saudades disso, da espontaneidade de . – – ele sorriu e acenou para mim. – E aquele é o – este se levantou, pegando a minha mão e a beijando delicadamente. Sentir o toque macio dos lábios de em minha pele me fizeram arrepiar.
– Muito prazer – eu tentava controlar a vontade de chorar, porém já estava ficando difícil. – , você vai se importar se eu for ao banheiro? – a minha cabeça ainda estava um pouco baixa.
– Claro que não, querida. Vá. Espero você aqui na mesa com os meninos – ela sorriu.
Caminhei rapidamente para o banheiro e entrei no mesmo. Adentrei uma das cabines e a tranquei. As lágrimas escorreram sem piedade por meus olhos e em poucos minutos eu já não conseguia controlá-las. Acho que passei uns dez minutos ali dentro tentando me recompor. Peguei um pedaço de papel, limpando a minha maquiagem borrada. Saí da cabine e arregalei os olhos ao ver ali, encostado à bancada da pia. A sua expressão não era feliz. Ele parecia preocupado.
– Desculpe-me – a sua voz soou baixa. – Não queria fazê-la chorar – dei um sorrisinho de lado, ainda de cabeça baixa. Se ele soubesse o real motivo por eu estar chorando, veria que o que aconteceu no passado não era o maior dos meus problemas.
– Tudo bem. Não é sua culpa – a minha voz já havia se habituado a sair baixa e amedrontada. Aproximei-me do espelho. – O meu marido não vai gostar se o vir aqui comigo – abri a bolsa e comecei a pegar a maquiagem para retocá-la.
– A porta está trancada – a sua voz soou tranqüila enquanto ele se aproximava de mim. – Sabe que não precisa de nada disso para ser bonita. Não é? – ele disse, apontando para as maquiagens em cima da pia. Assenti com a cabeça, tentando acabar logo com o assunto – ... O que aconteceu naquele pub... Por favor, esqueça-se daquilo... Ainda amo você como se não se tivesse passado esses dois anos... Perdoe-me – suspirei pesadamente.
– A me explicou, . Tudo bem. Você estava chateado e já tinha bebido. Eu entendo – lágrimas voltaram a escorrer por meus olhos. – Não há nada que possa ser feito agora – os dedos de tocaram o meu queixo, fazendo-me levantar o rosto, e sua expressão, que a princípio era serena, agora era de horror.
– O que é isso no seu rosto, ? – a sua voz era dura, o que fez com que eu me encolhesse.
– Não é nada, . Não é nada – virei-me para o espelho, abrindo a embalagem da base, mas segurou a minha mão.
– Ele... Ele bateu em você? – mais lágrimas escorreram por meus olhos, entregando a verdade. – Vou acabar com aquele miserável – fiz que não com a cabeça suplicante e então os lábios de vieram de encontro com a marca em meu rosto. Mordi os meus, sentindo os beijinhos que distribuía por minha face. Os seus braços envolveram o meu corpo em um abraço reconfortante. – Por favor, . Deixe-o. Prometo que nunca mais farei aquilo. Juro de toda a minha alma que nunca mais vou fazer nada que possa machucar você! – a sua voz estava serena, todavia no fundo eu sentia que estava morrendo de raiva.
– Desculpe-me, – afastei o abraço mesmo sem querer. – Não posso... Eu não posso – virei-me para o espelho, secando as lágrimas e cobrindo o meu rosto com a base, deixando a marca de Matthew imperceptível.
– Ama-o mesmo com ele fazendo isso com você? – abaixei a cabeça novamente.
– Não é uma questão de amor. É uma questão de segurança – terminei de guardar as minhas maquiagens, rezando para não ter outra crise de choro.
– Segurança? Que tipo de segurança é essa? Que tipo de segurança tem com um cara que bate em você, ? Responda-me – mordi o lábio inferior, negando com a cabeça.
– Não estou falando da minha segurança e sim da dos outros – os olhos de se arregalaram e ele pareceu entender tudo.
– Ele está ameaçando você? É isso? – os seus dedos acariciaram o meu braço, porém por um reflexo o afastei.
– É melhor eu sair daqui – falei calma. – Por favor, abra a porta, seja discreto e não comente nada com ninguém – os meus olhos já estavam marejados de novo. – Nem com os garotos, por favor, . Finja que não viu nada, que não falou comigo. Se você realmente me ama como disse, faça isso. Não só por mim, mas por todos que amo. E isso inclui você, os garotos e a – eu tentava manter a voz firme, apesar de baixa, mas ela saía embargada. segurou o meu rosto delicadamente e selou os nossos lábios. Senti a sua língua pedir permissão para aprofundar o beijo e concedi. Afastamo-nos algum tempo depois, com um sorriso de orelha a orelha.
– Olhe, prometo que vou dar um jeito nisso. Ok? Vou dar um jeito de nos falarmos – fiz que não desesperadamente com a cabeça. – Não, . Se o pegar, ele... Ele... – me calou com mais um selinho.
– Fique calma. Prometo ser cuidadoso – suspirei preocupada. O cara não desistiria da idéia.
abriu a porta do banheiro e saí. Matthew rapidamente me achou pelo salão e me puxou para um canto mais discreto.
– O que você estava fazendo lá dentro? – a sua voz era rude, embora sua expressão fosse a mais tranqüila do mundo.
– Fui ao banheiro e retoquei a minha maquiagem. Só isso – a mão de Matthew apertou o meu braço com força, fazendo-me gemer de dor.
– Espero que tenha sido só isso mesmo, . Para o seu bem, espero que tenha sido só isso – vi se aproximando e Matthew acariciou o meu braço onde apertava, fingindo que estava me fazendo carinho o tempo inteiro.
– Oi, querida. Você demorou tanto no banheiro que pedi para procurá-la – ela sorriu. – Ele a encontrou? – gelei e fiz que não com a cabeça.
– Não, senhora – falei baixinho. – Saí de lá e vim direto para cá falar com o Matt – a mesma sorriu.
– Ah, tudo bem – falou calma, abanando a mão no ar.
– Que ? – Matthew falou aparentemente calmo, abraçando-me pela cintura com força.
– Você não sabia, Matthew? Meu filho, , tem uma banda, o McFly. é um dos seus companheiros – a mão de Matthew que estava pousada em minha cintura a apertou com uma força além do comum, fazendo-me morder os lábios.
– Nossa, eu não sabia – a sua voz era de surpresa, mas também um tanto quanto falsa. – E você os conheceu, querida? – o seu olhar foi direcionado a mim.
– Apresentei-a a eles, mas todos foram muito respeitosos, senhor Clearwoods. Pode ficar calmo – ela deu uma risadinha brincalhona. – fora um perfeito cavalheiro e lhe beijou até a mão – Matthew soltou um risinho.
– Bom saber. Não é? Afinal de contas, é uma mulher casada e deve se dar ao respeito – ele falou também em tom de brincadeira, todavia, pela forma como ele apertava a sua mão em minha cintura, eu sabia que seria punida.

Capítulo três

Matthew manteve a conversa com a senhora durante um bom tempo e depois me puxou para nossa mesa, murmurando um “ouse se levantar daqui e vai aprender o significado da palavra arrependimento” de forma grosseira. Foi para uma rodinha de homens. Algumas vezes eu sentia alguém me olhando, mas não me atrevi a procurar.
Na hora do parabéns, Matthew veio me buscar para ir até a mesa do bolo. Passamos em frente à mesa em que estava e Matthew me exibia como um troféu. A expressão no rosto de entregava o quão irritado ele estava com aquela situação. Der repente, foi como se não tivessem se passado dois anos desde aquela traição no pub. Foi como se nunca tivéssemos nos separado. Era o que eu já estava cansada de saber... Só demorei – e muito – para admitir: eu pertencia a e isso não mudaria nunca.
Assim que cantaram o parabéns, Matthew se despediu de seu mais novo “sócio” e fomos para o carro. No momento em que coloquei o pé dentro dele, um sentimento ruim me invadiu, e não era à toa. Senti a mão do homem que me causava pânico tocar os meus cabelos, acariciado-os lentamente até chegar à nuca, onde agarrou os fios com força.
– Quer dizer então, sua vadia... – apertei os olhos com ele segurando os meus cabelos. A sua fala fora toda tranqüila. Exceto na hora em que frisou exaltado o “vadia” e voltou a voz ao normal. – Que você já estava dando confiança para aquele franguinho do ? – fiquei em silêncio, o que o fez sacudir minha cabeça. – Responda! – lágrimas rolaram por meus olhos. – Você não tem medo? Medo pela sua amiga e pela família dela, ? É tão sem consideração assim a ponto de pôr uma família que a recebeu de braços abertos em risco? –as minhas mãos já tremiam enquanto a voz fria de Matthew sussurrava em meu ouvido.
– Não não... Eu juro... Eu juro não fiz nada – choraminguei. – É verdade. O me cumprimentou, mas foi só isso. Só isso. Juro. Nem falei com ele depois... – o meu desespero fazia o homem ao meu lado rir sombriamente.
– MENTIRA! – ele gritou ao fim da minha fala e puxou mais ainda os meus cabelos.
O carro parou e o motorista abriu a porta para que saíssemos. Sem se importar com o homem parado, Matthew desceu segurando os meus cabelos, ainda me puxando violentamente para dentro de casa.
– É verdade. Eu juro. Por favor, confie em mim – os meus olhos se arregalaram ao ver que não estávamos indo para o corredor dos quartos. – Não... Por favor, não me deixe lá. Não me deixe... – Matthew abriu a porta do quarto que não era um comum. Ele era todo acolchoado e branco. Tinha um colchão no chão e um banheiro pequeno.
– Você fez por merecer, meu amor – a sua voz era tão serena que quem quer que ouvisse teria pena dele e não de mim. Ele me jogou para dentro do quarto e entrou no mesmo. – Eu avisei, . Eu avisei – e então se abaixou ao meu lado, acariciando o meu rosto. – Você quer sair daqui? – assenti com a cabeça. – Vou lhe dar duas opções – falou calmo. – Tiro-a daqui e dou uma bela surra no seu amiguinho ou você fica aqui o tempo que eu achar necessário – arregalei os olhos. – E então?
– Pode me deixar aqui – o medo do que Matthew poderia fazer com era maior do que o pavor que eu tinha daquele quarto.
– VOCÊ AINDA GOSTA DELE, NÃO É?! AINDA O AMA, MESMO QUE TENHA A TRAIDO COM A PRIMEIRA VADIA QUE PASSOU NA FRENTE! – fui empurrando o meu corpo com as pernas até a parede e me encolhi ali. Matthew se aproximou de mim, – Pois agora você vai aprender a dar valor ao marido que tem – ele começou a arrancar o meu vestido, deixando-me apenas de calcinha. Eu tentava proteger os meus seios abraçando meu próprio corpo, rezando para que aquele pesadelo acabasse, mas isso parecia não estar próximo de acontecer.
Com o canto dos olhos pude vê-lo soltando o cinto da calça. Assim que a primeira cintada me acertou soltei as lágrimas.
– O que ele tem que não tenho? – apertei os olhos com o couro do cinto atingindo a minha pele frágil. – Dinheiro não é com certeza – riu debochado enquanto dava outra cintada em minhas pernas. Ele simplesmente não se importava com o lugar em que pegava. Apenas batia e onde pegasse já era satisfatório.
Não sei ao certo quanto tempo passou me batendo, mas ao fim das cintadas me pegou pelo braço e sorriu de forma sádica, abrindo as calças em seguida.
– Ver você assim me excita. Fica linda dessa forma: frágil, delicada... – abaixou as calças, colocando o membro para fora. Engoli em seco. Em seguida ele me ajoelhou ao chão. – Seja boazinha. Lembre-se de que pessoas lá fora dependem disso – então as suas mãos foram para a minha cabeça, controlando a velocidade dos meus movimentos. Os seus gemidos me davam ânsia. Não demorou até que ele chegasse ao orgasmo. Tentei tirar o seu membro de minha boca, contudo a sua mão forte segurou a minha cabeça, impedindo-me. – Engula – o seu tom de voz era de ordem, porém aquilo só poderia ser brincadeira. Olhei para ele com o rosto molhado das lágrimas que eu havia despejado. – ENGULA! – A minha face foi atingida violentamente com um tapa. Dei um soluço e respirei pesado, engolindo o líquido daquele homem.
Quando se deu por satisfeito, virou as costas e parou na porta do quarto.
– Espero que aproveite a estadia – e saiu batendo a porta com força.
Tudo que eu sentia era ânsia. Corri o mais rápido que pude até o banheiro e coloquei tudo o que havia ingerido nas últimas horas para fora. Lavei a boca e saí do banheiro. Ficar naquele quarto não era assim tão ruim. O que me incomodava era o fato de ele ser TODO branco e não haver nenhuma janela ali. Eu simplesmente perdia a noção de quantos dias ficava ali dentro. Sentia-me como se estivesse enlouquecendo.
Deitei-me no colchão forrado de branco que estava no chão. O meu corpo doía como poucas vezes na vida. A minha cabeça parecia que ia estourar. Fora a dor física, também tinha a dor emocional. Ver hoje mudara tudo. Ver o seu rosto, sentir o seu toque, sentir o toque dos seus lábios nos meus... Eu já havia me esquecido de como era ser bem tratada por um homem.
Acabei adormecendo em meio a pensamentos e devaneios sobre como seria minha vida se eu ainda estivesse com . Mas eu não estava e nunca mais estaria. Não enquanto Matthew estivesse vivo e controlando as coisas como sempre.
Eu não sabia que horas eram quando uma das empregadas passou por um vão que havia na porta o meu prato de comida e um copo com suco. Os talheres eram de plástico, assim como o copo e o prato. Apesar de parecer um doente mental, Matthew sabia muito bem que eu poderia tentar me matar ali e que quando descobrissem já não teria mais volta, já que nos meus dias de isolamento, chamados por Matthew de “tempo de reflexão”, ninguém entrava no quarto em momento algum. Nem o próprio Matthew.
O cheiro da comida fez meu estômago embrulhar ainda mais. Não estava com fome, não queria comer. Só queria poder ter uma vida normal, sem ter que ficar presa em casa, sem ser proibida de ver TV, ouvir o rádio, sem ser proibida de ligar para a minha melhor amiga, até mesmo de poder ver as horas. Eu não tinha a mínima noção de há quanto tempo já estava ali dentro. Para mim fora muito.
Os meus olhos estavam presos no teto branco do quarto. Eu estava entediada quando a porta se abriu.
– Vista-se e se levante – Matthew jogou uma muda de roupa em mim. Vesti-me rapidamente e me levantei. Senti a sua mão forte segurar o meu braço e me puxar para o quarto. – Espero que esse tempo de reflexão tenha lhe esclarecido as coisas, – a voz de Matthew era cheia de sarcasmo, deboche e raiva. – Espero que se alimente. A empregada me contou que não comeu nenhuma das refeições que ela levou para você durante esses dias – apontou uma bandeja com frutas em cima de uma mesinha que tinha no quarto e saiu.
Eu estava realmente com fome, então fui até a bandeja e comi algumas frutas. Fui até o banheiro lentamente e abri a água da banheira. Coloquei alguns sais ali e me sentei no vaso para esperar que a mesma enchesse. Eu precisava de descanso. Não que não estivesse descansando onde eu estava. Apenas não conseguia relaxar em lugar nenhum naquela casa.
A porta se abriu e pude ver uma empregada que eu não conhecia entrar no quarto. Levantei-me do vaso, olhando para a mesma e tentando me lembrar de tê-la visto alguma vez, mas não consegui.
– Vim recolher sua comida, senhora – ela falou calma e estranhei por alguém estar falando comigo ali. Assenti com a cabeça, murmurando um “obrigada”. A garota – sim, ela aparentava ser uma garota de no máximo vinte e dois anos – aproximou-se de mim sorrindo e tirou um envelope do uniforme. Quando eu ia perguntar o que era aquilo, ela fez sinal de silêncio com o dedo indicador e saiu do quarto carregando a bandeja.
Entrei no banheiro e encostei a porta. Sim, a porta do banheiro não tinha chave. Pelo menos eu não a tinha. Abri o envelope apressadamente e meu coração quase parou ao ver uma carta de . Era de quatro dias atrás, o que me fez sobressaltar. Eu havia ficado quatro dias naquele quarto? Espantei esses pensamentos e comecei a ler a carta.

"Oi, amor... Não sei se posso chamá-la assim, mas me dei a liberdade, pois você sempre será o meu amor", sorri. “Essa moça que entrou no seu quarto está trabalhando não só para o infeliz que prefiro não colocar o nome aqui, mas para mim também. Estou sabendo que está presa em um quarto maluco. Não sabe o quanto isso me machuca, . Eu gostaria de entrar aí e tirar você dessa casa imediatamente, porém não posso fazer as coisas sem planejar. Fique tranqüila. Por mais que seja difícil, estou pensando em algo que possa ajudá-la sem prejudicar ninguém. Ok? Eu sei... Nesse exato momento você deve estar pensando que sou um louco, ou coisa do gênero, e sim, eu sou louco. Louco por você, louco para tê-la de novo em meus braços. Vê-la tão abatida naquela festa acabou comigo. Imaginar o que você deve passar dentro dessa casa me deixa completamente maluco e irado. Desculpe ficar tocando nesse assunto. Isso não deve ser nada legal para você, né? Quero notícias suas, saber como você está, o que houve naquele dia da festa... A senhora comentou comigo a reação estranha daquele imbecil. Sinto sua falta. Em breve ficaremos juntos. Pode apostar!”.

PS: Escreva uma resposta e entregue a Anne.”


Lágrimas já rolavam por meu rosto quando terminei de ler a carta. Dobrei-a com todo cuidado e entrei no closet. Tirei o fundo falso da minha gaveta de calcinhas e guardei a carta ali. Finalmente aquele troço estava servindo para algo. Voltei ao banheiro e me despi. Entrei na banheira, fechando os olhos quase que automaticamente e pensando no que responder para . Acabei não conseguindo relaxar tanto quanto pretendia e saí da banheira antes do esperado. Vesti o meu pijama e fui até o armário. Peguei um bloco de folhas que sempre deixava guardado ali e uma caneta. Sentei-me na cama e comecei a pensar em como iniciar aquela carta. De uma coisa eu estava certa: não contaria a o que havia acontecido naquele quarto.

"Olá, . Oi.” Droga, não estava funcionando. Eu não sabia nem como “cumprimentá-lo na carta”. “É bom saber que continuo sendo o seu amor e é bom sentir o seu carinho, mesmo que seja por palavras. Devo confessar que a sua idéia é realmente genial, porém temo que Matthew descubra tudo e algo muito ruim aconteça. Sim, realmente pensei – e ainda penso – que você é louco, , colocando sua vida em risco por mim. Eu jamais saberia agradecer por tudo isso. Só sei o quanto você faz falta. Depois da festa da senhora , não consegui parar de pensar um minuto nas suas carícias e na sua forma doce de me olhar. Perdoe-me por ter sido cabeça dura e não ter lhe dado ao menos uma chance de se explicar. Sonho acordada, contando cada segundo para que fiquemos juntos novamente. Por favor, tome cuidado. Com amor, ."

Ok. Não tinha nem chegado perto da carta da , mas a minha cabeça ainda estava confusa com os últimos acontecimentos. Fiquei fazendo desenhos abstratos pelas folhas e tomei um susto quando a porta se abriu.
– Senhora, o seu almoço – a mesma moça que entrara no quarto mais cedo voltou e pelo cheiro da comida constatei que havia levado tempo demais ali.
– Pode levar de volta. Não estou com fome. Desculpe – falei baixinho.
– A senhora já escreveu a resposta? – a voz de Anne não passava de um sussurro. Assenti com a cabeça e dobrei o papel, depositando um beijinho no mesmo. Ela o pegou rapidamente e guardou no uniforme, saindo com a bandeja do quarto.
Deitei-me na cama e olhei para a varanda. O sol brilhava lá fora e tudo que eu mais queria era poder estar ali, sentindo o calor do sol, respirando o ar puro, e não trancada nesse quarto, sem poder abrir a varanda. Estava ansiosa. Quando será que Anne entregaria a carta para ? Quando ele me escreveria novamente? O que se passava na cabeça dele? O que estaria planejando? Por alguns momentos eu tinha esperança de que as coisas dariam certo, de que eu conseguiria ficar com novamente e que isso não demoraria muito para acontecer.
O sol foi sumindo e presumi que estivesse perto da hora de Matthew chegar. Fechei os olhos e fingi estar dormindo quando a porta do quarto se abriu. Ouvi passos dentro do quarto e seu perfume tomou conta do ambiente. Ele entrou no banheiro e fechou a porta. Pelo menos não me "acordou", o que me deixou até certo ponto aliviada. Permaneci de olhos fechados e, quando eu estava quase pegando no sono realmente, senti o toque da mão gelada e nojenta de Matthew em mim.
– Vá se vestir adequadamente. Vamos jantar – levantei-me frustrada, mas sem contestar. Vesti uma calça jeans ao invés do pijama que usava e uma blusa grandinha de mangas. – Vamos – ele abriu a porta e apontou para a minha frente, indicando as escadas para que eu descesse.
Fiquei impressionada ao ver que o jantar era a minha comida preferida, porém nem isso abriu o meu apetite. Vendo que eu não me manifestaria, Matthew serviu um prato para ele e um para mim.
– Coma – falou tranqüilamente, mas continuei a observar o prato com cara de paisagem. Ele pareceu não ligar e continuou a comer seu frango à parmegiana. Pediu que a empregada lhe trouxesse a sobremesa que era mousse de chocolate e saboreou lentamente. Parecia que estava tentando me deixar com fome ou água na boca. Coitado. Se ele soubesse que estar na presença dele me embrulhava o estômago nem se daria ao trabalho. Ao invés de café, pediu um licor de menta para a empregada que o trouxe rapidamente. – É a ultima oportunidade para que você coma, – a sua voz era serena. Virei o meu olhar para ele e neguei com a cabeça.
– Não tenho fome – bateu a pequena taça que antes era preenchida por licor de menta na mesa.
– Tudo bem – puxou-me com força pelo braço, fazendo com que eu me levantasse. Arregalei os olhos assustada com sua reação. Era raro eu comer quando ele estava junto. – Você já está me enchendo com isso – ele falava enquanto me arrastava escada acima. – A partir de amanhã, a empregada não lhe trará mais refeições durante o dia. Vamos ver se conseguirá renegar jantar comigo – dito isso, jogou-me na cama e se deitou ao meu lado. Assustei-me afinal de contas. A única desculpa de Anne para entrar aqui era trazer comida. Como ela entregaria as cartas de agora?

Matthew realmente cumprira a promessa e Anne não foi nenhuma vez ao meu quarto para levar nada, porém viu que sua tática era falha, pois já era o terceiro dia que eu estava sem me alimentar a fraqueza tomava conta de meu corpo, fazendo com que eu me sentisse zonza por diversas vezes.
Estava novamente sentada à mesa com ele. Havia um prato feito à minha frente, contudo a presença daquele homem me fazia sentir nauseada, como se minha garganta estivesse fechada. Matthew pareceu se irritar no meio do jantar, levantando-se da mesa abruptamente, gritando um “permaneça sentada” quando me movimentei para me levantar. Adentrou a cozinha e saiu de lá bufando, passando direto para o hall que dava acesso aos quartos. Poucos minutos depois ele havia voltado com uma sacola em mão. Não entendi nada e fiquei mais perdida ainda quando vi dois seguranças com ele. O que ele pretendia fazer? Os dois me seguraram na cadeira com força e arregalei os olhos.
– O que você vai fazer? – perguntei assustada.

Capítulo quatro

– Você vai comer, querendo ou não – Matthew parecia fora de controle. – Acha que vai conseguir se livrar de mim fazendo uma greve de fome idiota, ficando doente e morrendo? Não, . Você não vai – ele pegou uma fita isolante dessas grossas e prendeu um dos braços que um segurança segurava, dizendo ao mesmo que ele já podia soltar. Em seguida fez o mesmo com o outro.
– Por favor, pare! O que é isso? – as lágrimas já beiravam os meus olhos. Eu tentava me debater e me livrar de todo jeito daquelas fitas em meus braços.
Ele pegou uma caixa na sacola e a abriu, montando rapidamente o aparelho que me fez arregalar os olhos (N/A: galere, é isso aqui com o negocinho de funil). Eu tentava virar meu rosto para todos os lados para impedi-lo de pôr aquilo em minha boca, mas então apontou para um dos seguranças e este segurou minha cabeça de forma firme, deixando-o prender aquelas tiras com força em minha cabeça. Um pedaço do cano metálico ficava para dentro de meus lábios.
– CADÊ A SOPA?! – ele gritou. Logo Anne saiu da cozinha com um prato e olhou perplexa para a cena. – ANDE LOGO, GAROTA! – ele tomou o prato de suas mãos e começou a despejar o líquido que praticamente borbulhava no prato no funil. Apertei os olhos e as lágrimas que eu segurava escorriam livremente por minha face enquanto eu sentia o líquido queimar minha boca e garganta completamente. Tentava gritar, porém era em vão. Não conseguia virar o rosto, pois o segurança ainda estava ali com as duas mãos do lado do meu rosto, fazendo com que eu não conseguisse mover nada além dos olhos.
– Senhor, a sopa está muito quente – ela alertou.
– Não lhe perguntei. Volte para a cozinha e deixe que isso aqui resolvo eu – Anne abaixou a cabeça, lançando-me mais um olhar de piedade antes de sair da sala de jantar.
Piedade... Coisa da qual Matthew não era munido. Eu podia ver piedade nos olhos daquele maldito segurança que não me deixava mover a cabeça, contudo não via isso no rosto daquele homem, enquanto ele colocava toda a sopa de uma só vez pelo cano.
Assim que terminou, apoiou o prato na mesa, olhando sarcasticamente-me.
– Você quer que isso aconteça novamente, ? – neguei com a cabeça da forma que pude, o que fez o segurança soltá-la. – Então a partir de agora você vai jantar comigo? – neguei novamente com a cabeça, fazendo-o bufar irritado. – Tudo bem. Posso repetir o processo amanhã – ele sorriu sarcástico. – Podem soltá-la e levem-na para o quarto – disse enquanto entrava na cozinha. Um dos seguranças puxou a fita de meu braço com força, mal se importando com o quanto aquilo doía. Já o outro fora um pouco mais "delicado".
O meu rosto estava avermelhado onde ficou a faixa de couro que prendia aquele aparelho. Minha língua, bochechas e garganta ardiam profundamente. O segurança bruto me pegou pelo braço, levando-me escadaria acima e me jogando para dentro do quarto. As lágrimas ainda escorriam por meus olhos.
Quando a porta se abriu novamente, senti meu coração apertar, pensando em que tipo de perversidade Matthew poderia querer agora, mas para minha surpresa Anne adentrou o quarto. A sua feição demonstrava quão chateada estava por não poder intervir naquilo.
– a sua mão acariciou minhas costas e eu resmunguei um “hum”. - lhe mandou outra carta – ela sorriu, tentando me animar. Sentei-me direito na cama enquanto me estendia o envelope. – Mas você só vai poder ler amanhã – sorriu de lado. – Matthew quer que eu a prepare para uma noite com ele – arregalei os olhos. O cara não poderia querer aquilo de mim. Não depois do que me fez. – Infelizmente, não posso fazer nada – ela soltou um suspiro pesado. – Mandou-me aqui para que eu a depilasse e ajudasse com a maquiagem e roupa – ela apontou duas caixas no canto do quarto, levantando-se em seguida para pegá-las.
Dentro de uma havia um kit com maquiagens e um pote de cera quente com o aparelho para derreter a mesma. Já na outra tinha uma lingerie vermelha com sapatos de salto. O choro me invadiu novamente. Eu não queria, ou melhor, não podia agüentar aquilo. Anne me abraçou, sussurrando um “isso vai passar. Vai passar” que me reconfortou. Eu ainda evitava falar, pois isso causava mais dor ainda nas minhas queimaduras.
Levou cerca de uma hora e meia até que eu ficasse pronta. E, no final de tudo, sentia-me como uma palhaça vestida daquela forma para um homem que não merecia. Anne suspirou, desejando boa sorte que agradeci com um sorriso de lado, enquanto ela saía do quarto. Olhei-me no espelho. Os olhos esfumaçados e pretos, cabelos soltos com cachos na ponta, lingerie vermelha e scarpin de salto preto. Se me visse assim, com certeza piraria. Mas não era que estava abrindo a porta do quarto.
– Você está linda – Matthew sorriu, acariciando-me o rosto. Baixei a cabeça e ele a levantou de forma bruta, fazendo-me olhar para ele. – Responda algo!
– Minha garganta dói – minha voz saiu rouca e muito mais baixa do que de costume.
– Oh, coitadinha da minha esposa. Está com dorzinha de garganta – contornou meus lábios com o dedo indicador, fazendo-me tremer. – Sei como fazer essa dorzinha parar – ele riu, empurrando-me na cama, e subiu por cima de mim. Os seus lábios logo começaram a distribuir beijos por meu colo. Beijos rudes que me machucavam. Sua barba por fazer arranhava minha pele. Subiu os beijos para meu pescoço e eu não tinha nenhuma reação. – Não fique como uma boneca, – sua mão puxou a minha, colocando-a em cima de seu membro na calça, e comecei a acariciá-lo. – Isso, isso, querida – sua mão foi para meus cabelos, puxando-os, fazendo com que eu curvasse a cabeça para trás, deixando mais espaço livre para seus beijos e, agora, mordidas. Apertei os olhos, sem parar com a carícia, porém logo aquilo não era mais o suficiente. Ele levantou e tirou a própria roupa completamente. Apontou o chão à sua frente como uma ordem para que eu ajoelhasse.
– Mas... Estou com a boca queimada – pedi-lhe em tom de súplica, o que o fez soltar uma risada nasalada
– Por sua escolha. Você poderia ter se alimentado de forma normal – sua voz e expressão eram sérias. – Ande logo.
– Por favor – as lágrimas escorreram por meus olhos numa tentativa falha de fazer com que ele sentisse pena de mim.
– Não me faça tomar atitudes drásticas com você, – levantei-me da cama e fui até ele, ajoelhando-me à sua frente como ele havia mandado. – Isso. Boa menina – pegou meus cabelos, colocando-os para trás. – Agora use essa boquinha da forma que só você sabe – comecei lentamente, dando algumas lambidas de leve em seu membro, e a ardência em minha língua parecia só aumentar. Matthew estava parado de pé, segurando seu membro em minha direção, os olhos apertados, deliciando-se com o prazer que eu lhe proporcionava. – Chupe – suspirei pesado, fingindo que não ouvia. Se usar a língua estava difícil, imagine ter que fazer aquilo. – Estou mandando chupar – as suas mãos se apertaram nos meus cabelos, fazendo pressão com o meu rosto para a frente. – Abra a boca. Ande – obedeci. As lágrimas ainda rolavam por meus olhos. Senti o membro rígido de Matthew em minha boca e apertei os olhos com a dor que aquilo me causava. – Isso, ... Isso – ele controlava meus movimentos com a mão esquerda, enquanto depositava tapas em meu rosto com a direita.
De repente me puxou, fazendo com que eu ficasse de pé e me jogou novamente na cama, deitando-se por cima de mim novamente, sem se preocupar com o peso que seu corpo fazia no meu. Suas mãos fortes arrebentaram a alça do sutiã com facilidade. Parecia que ele estava cortando um pedaço de papel ao meio. Rapidamente abaixou os mesmos, depositando mordidas fortes em meus seios. Eu apertava os olhos e gemia de dor com o ato.
– Está gostoso, não é? Eu sabia que você ia gostar – mais lágrimas rolavam por meus olhos. Ele só podia estar de brincadeira achando que eu gostaria daquilo.
Deu mais uma mordida dessa vez no bico dos meus seios que me fez ver estrelas, tamanha foi a dor. Apertava os dentes com mais força a cada tentativa que eu fazia de afastá-lo.
Enquanto trabalhava em me torturar com os lábios, suas mãos desceram até a cinta liga da lingerie e ele as soltou brutalmente. Em pouco tempo, eu já estava sem calcinha. Seus lábios sairam de meus seios e foram descendo com mordidas por toda a barriga até chegar à minha intimidade. Senti seus dentes se cravarem em minha virilha e dei um grunhido de dor, arrependendo-me logo em seguida pela ardência que isso me causou na garganta.
– Você é tão linda, tão linda. Nunca vou perdê-la para aquele moleque idiota – senti sua língua tocar meu clitóris e apertei os olhos, enquanto mais lágrimas caíam. – Nunca, ... Nunca vou deixar você sair de perto de mim – voltou a me lamber, tentando me proporcionar uma coisa que nunca conseguiria: prazer. Meus gemidos eram de nojo, de raiva, de dor, de qualquer coisa. Menos de prazer.
Sem aviso prévio, senti seu membro penetrar minha intimidade ainda seca de forma bruta e rápida. Suspirei pesado, tentando pensar que logo aquilo acabaria, que logo ele chegaria ao ápice, dormiria, e eu ficaria em paz. Os gemidos que vinham de seus lábios aumentaram gradativamente, anunciando que logo chegaria ao orgasmo. Em poucos minutos, jogou seu corpo sobre o meu, respirando cansado.
– Foi maravilhoso. Você é maravilhosa – beijou-me o seio que havia mordido antes e passou a língua em volta do bico que sangrava devido à força utilizada nas mordidas. Jogou-se para o lado, dormindo rapidamente.
Levantei-me completamente dolorida e entrei no banho. Lavava com cuidado cada parte do meu corpo, sentindo-me suja. Não me demorei, senão ele poderia acordar e querer outra vez. Vesti um pijama de calça cumprida para não correr nenhum risco durante a noite e me deitei na cama. As lágrimas não paravam de escorrer por meu rosto e, toda vez que eu fechava os olhos, as cenas de alguns minutos atrás vinham à minha cabeça, não me deixando dormir.
Assim que Matthew se movimentou, indicando que estava acordado, fechei os olhos fingindo que estava dormindo. Em alguns minutos, ele saiu do quarto. Provavelmente pra ir trabalhar. Esperei mais algum tempo deitada na cama para ver se ele não voltava e fui ao closet. Eu tinha uma carta de para ler.

"Gostei de saber que fica pensando em mim. Você não sabia que eu era um gênio antes? Ok, agora estou ofendido". Soltei uma risadinha. só conseguia ser tão descontraído quando as coisas eram tão sérias. "Não se preocupe com nada, zinha. Nada de ruim vai acontecer a ninguém. Apesar de gostar de saber que pensa em mim, tem uma coisa da qual não gostei nada de saber. Anne me informou que você não está se alimentando direito. Compreendo que, na situação em que você se encontra, é normal não sentir fome, mas por favor, coma por mim, como um pedido meu. Não quero que você fique doente e, se isso acontecer, com certeza as coisas vão ficar ainda mais difíceis para nós dois. Pense bem nisso. Eu te amo. ".

Ter Anne era por um lado bom e por outro, péssimo. Ela com certeza contava a todas as coisas que aconteciam dentro daquela casa. A essa hora talvez ele já saiba do que aconteceu ontem. Não queria que tivesse problemas. Por mais que eu estivesse animada com a sua proposta de “arrumar um jeito e fugir de tudo isso”, minha preocupação era grande. Matthew não deixaria barato se eu realmente conseguisse e, mesmo com ele preso, aposto que conseguiria dar um jeito. Ou então algum de seus "contatos" faria isso por ele. Eu estava indecisa entre pedir para se afastar, me esquecer, e pedir por socorro, implorar para que ele desse logo o "jeito" que pretendia, para que me tirasse logo daqui.
Peguei novamente o meu bloquinho e a caneta e me sentei, dessa vez na poltrona que tinha no quarto.


"Meu anjo, não se preocupe quanto à minha alimentação. Prometo me alimentar bem a partir de agora. Sinto saudade dos seus carinhos. Sempre senti. Desde aquele maldito dia há dois anos atrás, não há um dia em que eu não pense em como estaríamos se estivéssemos juntos agora! Como a minha vida seria perfeita...". Lágrimas começaram a escorrer por minha face. "Sinto tanto a falta da sua risada, da sua forma doce de olhar, da forma como você ficava engraçado tentando explicar coisas complexas... Até da sua forma de implicar com o toque do meu celular sinto falta. É, e olhe que eu sempre reclamava disso. Suas cartas têm me animado bastante, mas realmente fico confusa. Tem horas que o medo de que algo possa lhe acontecer me assombra, . Não sei se quero realmente que você se meta nisso. Porém, ao mesmo tempo, você me dá forças, faz-me acreditar que um dia vou poder sair daqui. Você me faz sentir viva novamente. Muito obrigada por isso. Com amor, ".

Capítulo cinco

Será que isso está bom? Ou será que eu deveria por mais?
A porta foi aberta e Anne entrou no quarto com um cesto para recolher as roupas. Sorri de lado para a mesma que assim que o segurança fechou a porta e me cumprimentou com um “bom dia”. Ela pegou um celular de dentro da roupa e sorriu, entregando-me o mesmo.
– Seja cautelosa. Sempre desligue o celular assim que terminar. Tudo bem? – assenti enquanto ela voltava do banheiro com o seu cesto cheio. – Ele ligará daqui a alguns minutos. Não tire o telefone do vibratório – sorri grata, fazendo que sim com a cabeça enquanto escondia o telefone para ela sair do quarto.
Não demorou muito tempo para eu sentir o aparelho vibrar em minha mão. Apertei o botão verde e encostei o mesmo à orelha.
? – lágrimas de felicidade escorreram por meu rosto. – Você está me ouvindo?
– Oi – a minha voz saiu mais fraca e rouca do que eu realmente desejava e a ardência em minha garganta era mais forte do que eu podia imaginar.
– Como você está, meu amor? – sua voz era tão doce e tão serena que parecia que me abraçava naquele exato momento.
– Estou bem – forcei um pouco para que minha voz não saísse tão rouca, o que me causou mais dor. Mas pelo menos ele não saberia do acontecido.
– Tem certeza? – a sua voz era um tanto quanto “desafiadora”. – Não minta para mim. Sei de tudo que aconteceu aí dentro – suspirei pesado, murmurando um “desculpe”.
– Você não tem que se desculpar, meu anjo. Queria tanto poder entrar aí e arrancá-la dessa casa, levá-la para longe desse infeliz – parecia derrotado. Suspirei. – Não fique assim. A culpa de tudo isso é minha. Se eu tivesse ouvido você, se tivesse lhe dado ao menos chance de se explicar – lágrimas grossas voltaram a escorrer por minha face. – Tudo que está acontecendo não é culpa de ninguém, além de minha, claro. Se eu não tivesse me casado com um homem que claramente não amo, eu não estaria aqui agora – o choro já havia tomado conta de meu corpo, porém eu tentava falar baixo.
– Isso não é sua culpa – o tom da voz de alternava entre raivoso e triste. – Você não sabia que esse cara ia se tornar um maluco. E, além do mais, se eu não tivesse ficado com aquela mulher, ainda estaríamos juntos! – ele suspirou. – Não chore. Não chore, meu amor. Tenha certeza. Vamos resolver isso. O Natal já está chegando e tenho um plano – como assim o Natal estava chegando?
– Natal? – assustei-me. Eu não esperava que o ano já estivesse terminando. – Em que dia estamos? – a minha voz saiu mais ansiosa do que o esperado.
– Estamos no dia 18 de dezembro – ele falou calmo.
– E que horas são? – não que aquilo fosse fazer muita diferença. Simplesmente era bom saber as horas.
– São 11h45min da manhã – sorri. – Nem isso ele a deixa saber? – suspirei frustrada, demonstrando a minha tristeza pela situação. – Se você soubesse a vontade que eu tenho de matá-lo... – ele grunhiu.
– Tudo bem. Não faria a mínima diferença poder ver as horas – de que me adiantaria ver as horas, mas continuar presa aqui? Sem poder sair, eu apenas saberia quanto tempo levaria para Matthew chegar do trabalho. – E, sim, era por isso que ele não deixava ter relógios em casa.
– Vou pedir para Anne arrumar as horas desse célula. Está bem? Você vai poder vê-las e saber os dias também – ele falou com ânimo, tentando disfarçar a raiva.
– Obrigada – sorri de lado, demonstrando gratidão mesmo, sabendo que ele não veria.
– Agora eu tenho que desligar, mas prometo que amanhã ligo de novo! Contando sobre o nosso plano de fuga. Ok? Beijos – não esperou a minha resposta e desligou o telefone, fazendo com que a solidão me preenchesse novamente.
Assim como Anne me instruiu, desliguei o telefone e o guardei junto com as cartas no fundo falso da gaveta. Talvez as coisas pudessem mudar bem antes do que o imaginado.

Os dias pareciam se arrastar de propósito só para me torturar ainda mais. Como prometera, me ligava todos os dias para saber como eu estava. Já havia me contado o plano que havia bolado para fugirmos. Confesso que eu tinha muito medo do que poderia acontecer se esse plano desse errado e até certo. Nunca se sabe.
Eu havia escolhido comer de “boa vontade” para que Matthew não me machucasse novamente. Ele andava extremamente carinhoso nos últimos dias, o que me deixava ainda mais nervosa.
Mais uma tarde estava chegando ao fim, enquanto eu estava trancada aqui nesse quarto. O barulho de passos na escada indicava a chegada de Matthew, que abriu a porta segundos depois.
– Olhe só quem chegou – o homem afrouxou a gravata do terno e caminhou até mim, depositando um pequeno beijo em meus lábios. – E você sabe que dia é amanhã? – neguei com a cabeça, disfarçando, mas eu sabia muito bem que dia era. – Hoje é 23 de dezembro – ele sorriu, acariciando meu rosto – E sabe onde vamos passar a véspera de Natal? – dessa vez neguei verdadeiramente. – Na casa dos – tentei não esboçar nenhuma reação de felicidade, o que foi realmente difícil. – Você sabe que da última vez em que estivemos na presença dos , o seu amorzinho estava lá. Então é bastante provável que ele esteja dessa vez também – a sua mão acariciava o meu rosto, como se ele estivesse fazendo uma declaração de amor. – E sabe quais foram as conseqüências que sofreu por ter dado confiança àquele moleque. Não sabe? – tentei abaixar a cabeça, mas Matthew não deixou. – Pois saiba de uma coisa: ficaremos dia 24 e 25 na casa dos e, se você sumir do meu lado ou da minha vista por um segundo sequer, vai se arrepender por ter nascido – as suas mãos empurraram meu rosto, que antes ele segurava, para longe. – Espero que esteja ciente disso. Vou tomar banho e esteja pronta para o jantar quando eu sair – mordi os lábios assim que vi o homem adentrar o banheiro. Aparentemente, o plano de estava dando certo.
O jantar foi tranqüilo. Matthew não falava quase nada e eu também não me atrevi a falar, até porque não queria conversar com ele. Assim que terminamos, fomos para o quarto sob os olhares dos seguranças que ficavam por toda casa, apenas esperando que eu tentasse correr para me capturar novamente.
– Quero que você arrume a sua mala e a minha – concordei com a cabeça, já me dirigindo ao closet. – Mas antes venha cá. Vou lhe dar o seu presente de natal antecipado – forcei um sorriso, fingindo estar empolgada com o tal presente. Peguei a caixa que o homem estendia na minha direção. Era grande, preta com um laço de cetim rosa claro. Sentei-me na cama e abri a caixa. Sorri de lado, fingindo felicidade ao encontrar um vestido dentro da mesma.
– Obrigada – falei da forma mais doce que podia. – Eu adorei – senti as mãos do homem acariciarem os meus cabelos.
– Quero ver você o usando amanhã – Matthew retirou a caixa de minhas mãos, jogando-a para o lado, e os seus lábios vieram de encontro aos meus. Retribuí o beijo durante os minutos que se seguiram até que Matthew se desse por satisfeito e suspirei aliviada por ele não querer nada além daquele beijo.
Levantei-me rapidamente da cama e fui arrumar as nossas malas. Se Deus quisesse, em um ou dois dias eu estaria livre daquela prisão na qual eu era obrigada a viver.

Capítulo seis

– Acorde, – as mãos de Matthew acariciavam os meus cabelos de forma paciente. Abri os olhos lentamente, mandando a preguiça que se instalava em meu ser ir embora. – Temos que tomar café e nos arrumar para ir para a casa dos – assenti, levantando-me da cama e esticando o meu corpo em seguida. Caminhei a passos lentos até o banheiro e retirei a camisola e a calcinha que vesti na noite anterior. Abri a porta de vidro do box e regulei a água em uma temperatura confortável e bem quente devido ao frio que fazia lá fora. Fechei os olhos e entrei no banho, relaxando ao sentir o toque do mesmo em minha pele. Curvei o pescoço um pouco para cima, deixando que a água atingisse o meu rosto diretamente. Eu estava tranqüila, mas minha tranqüilidade não durou muito.
Senti uma das mãos de Matthew passar por minha cintura enquanto ele me puxava para perto e arregalei os olhos.
– Não precisa se assustar. Sou apenas eu – como se o meu susto não fosse por isso, sorri de lado disfarçando. – Sabe... Ultimamente não temos feito muitas coisas – os seus lábios começaram a tocar o meu pescoço e, por mais que ele tentasse parecer delicado, os seus beijos eram brutos.
-É.. É que.. – gaguejei e o empurrei um pouco para longe. – Estou com cólica, Matthew. Não vai dar – falei da forma mais manhosa que consegui, contudo não funcionou. A outra mão de Matthew abraçou a minha cintura com força, colando os nossos corpos.
– Eu curo a sua cólica, meu amor – em questão de segundos, Matthew me virou para a parede e, quando pensei em contestar, os seus lábios voltaram ao meu pescoço, beijando e mordiscando com força. – Não venha me dizer que não, . Você sabe que não gosto que me digam isso – assenti com a cabeça da melhor forma que podia. Negar e relutar naquela hora só pioraria a situação. Eu não queria deixar Matthew bravo. Não queria que visse nenhum hematoma em meu corpo.
Respirei fundo enquanto sentia as mãos de Matthew passearem por minha cintura, passando pelos meus seios com brutalidade. Uma delas segurou a minha cabeça, apertando-a firmemente contra o azulejo gelado do banheiro. – Prometo que você vai amar, princesa – o seu sussurro me arrepiou por inteiro, mas não por prazer e sim por medo. Era o que preenchia o meu corpo enquanto Matthew investia violentamente o seu membro contra a minha intimidade. Os meus olhos apertados passavam para Matthew a idéia de prazer e não de nojo, medo, repulsa e dor, que era o que eu realmente sentia.
Aos poucos, as suas investidas foram ficando mais rápidas e logo ele chegou ao ápice, fazendo com que o meu corpo relaxasse assim que senti o corpo pesado de Matthew se afastar. As minhas pernas ainda tremiam quando terminei o banho. Coloquei uma calça jeans preta e uma blusa vinho que eu tinha acompanhada por um sobretudo e saíi do banheiro, encontrando Matthew sentado na cama já à minha espera. Dando apenas um aceno de cabeça, Matthew saiu dali e o segui. Parei na porta e olhei novamente para o quarto, esperando nunca mais entrar nele novamente.

O caminho até a casa dos foi feito em completo silencio. Sorri ao avistar o lugar. Ela era linda. Recordava-me vagamente da única vez em que estive ali, já que não morava com os pais.
– Bem, vou lhe dar novamente o mesmo aviso que dei há uns dias – a voz séria de Matthew ecoou no carro. – Se você sumir da minha vista por um segundo que seja, vai se arrepender amargamente, porque não vou ter pena de você e muito menos do seu tão querido Frangote – assenti com a cabeça. – Agora coloque um sorriso no rosto e vamos – Matthew desceu do carro, contornando o mesmo e abrindo a porta para mim em um gesto de cavalheirismo. Chegava a ser irônico. Matthew cavalheiro? Só em sonhos mesmo.
Os seus dedos se entrelaçaram com os meus e fomos caminhando até a porta da casa. Ouvi o barulho da campainha soar e logo um que vestia um pijama engraçado de nuvenzinhas com raiozinhos abriu a porta. Mordi o lábio, controlando o riso, mas me conhecendo como conhecia ele com certeza já imaginava o que se passava por minha cabeça e deve ter agradecido por eu não poder soltar nenhum dos meus comentários. O seu olhar se virou para Matthew e pude ver o seu olhar mudar de aliviado para um cheio de asco. Ele nos deu passagem para entrar na casa, murmurando um “os meus pais já vêm. Fiquem à vontade” e sumindo escada acima. Olhei para Matthew e o seu olhar era reprovador.
Logo apareceu acompanhada do marido com um sorriso enorme estampado no rosto.
– Que bom que chegaram – veio logo ao meu encontro me abraçar enquanto o seu marido cumprimentava Matthew. Depois invertemos. – Eu estava falando com Jhon agora que preciso ir comprar os últimos retoques para a ceia. Sabe como é, né? Sempre fica faltando uma coisinha – riu descontraída. – Como aposto que vocês vão engatar em uma conversa monótona sobre números e coisas da empresa, vou levar comigo. Tudo bem, Matthew? – o olhar de Matthew era cortante e imediatamente me pronunciei
– Não, . Desculpe, mas estou um pouco cansada e acho que vou me deitar – o meu tom de voz saia baixo e calmo. Vi com o canto dos olhos a feição satisfeita no rosto de Matthew.
– Poxa, . Vai mesmo me deixar ir sozinha comprar as coisas? Por favor, venha comigo. Vai! – suspirei pesado. Eu realmente queria ir. Sentia falta de ver as casas decoradas para o Natal, as pessoas animadas na rua. – Não me faça essa desfeita, vai... Juro que não vou demorar! – a voz chorosa de aparentemente convenceu Matthew que acenou com a cabeça e soltou um “acompanhe às compras, .
– Ah, tudo bem então – sorri de lado e subiu as escadas rapidamente para pegar a sua bolsa, Matthew me puxou pela cintura em um abraço forte, dando-me um pequeno apertão ali. O seu olhar ameaçador seria facilmente confundido com um amoroso por qualquer um.
logo apareceu com a bolsa. Depositou um pequeno beijo nos lábios do marido, murmurando que não demoraria. Matthew me puxou para um beijo calmo e rápido antes de me soltar para sair com , que me puxou rapidamente para a porta de casa. Entramos no carro de e a mesma pegou o celular, discando alguns números.
– Já estamos saindo. Chego aí rápido – ela falou rapidamente, logo desligando o celular.
– Aonde estamos indo, ? – indaguei curiosa por aquele telefonema.
– Para a casa do tinha um sorriso sapeca nos lábios. – Sim, sei exatamente tudo o que está acontecendo e vou ajudar vocês – piscou e logo acelerou com o carro, indo em direção à casa de .

Capítulo sete

O caminho até a casa de era relativamente curto, mas o medo e a apreensão de que Matthew viesse atrás de nós o fizera ser quase que agonizante. Paramos em frente a um prédio que eu conhecia muito bem. Os meus olhos se encheram de lágrimas ao me lembrar daquele lugar, de como eu já havia sido feliz ali. Olhei para o alto, tentando controlar o choro, e sorri para .
– Bem, acho que você já sabe o que fazer. Não é? – ela disse calma e assenti. – Então, farei compras na esquina. Se algo acontecer, ligo para o celular do e você voa para lá ou vice-versa – ela explicava calmamente e me dando um pouco de confiança. Sorri o meu melhor sorriso para ela.
– Muito obrigada, . Nem sei como retribuir tudo isso que você está fazendo por mim – segurei as suas duas mãos enquanto falava. – Muito obrigada mesmo.
– Não precisa agradecer. Conheço há muito tempo e, quando ele me contou o que havia acontecido e o que você está passando, não pude resistir a apoiá-lo em todo esse plano, Espero que vocês sejam muito felizes, – o sorriso de me dava ainda mais confiança. – Volto para buscá-la quando vocês me ligarem. Ok? – assenti. – Agora vá lá, garota! – sorri e saí do carro rapidamente, olhando para os lados e certificando-me de que não havia nem rastro de Matthew por ali.
Toquei o interfone e logo o porteiro liberou a minha entrada. Entrei no elevador com as mãos suando de nervoso. Virei-me para o espelho, passando as mãos pelos cabelos, tentando sem muito sucesso arrumá-los. Quando a porta do elevador se abriu, respirei fundo e contei rapidamente de um a dez dando um passo a frente, já encontrando a porta da sala de estar que foi rapidamente aberta. Tão rápido quanto a porta se abriu, dois braços fortes me envolveram em um abraço quente e gostoso. Logo as lágrimas que eu havia tentado controlar escorreram por meu rosto.
Ouvi a porta sendo fechada e logo estávamos na sala de estar do apartamento de . Abri os olhos, olhando ao redor, e nada havia mudado. Até os porta-retratos com as nossas fotos ainda estavam lá, como se dois anos não houvessem passado.
– Ei, não chore – o dedo quente de acariciou o meu rosto, secando as lágrimas que eu havia derramado.
– Estou feliz. Por isso choro – sorri. Os lábios de logo vieram de encontro aos meus. Fechei os olhos, sentindo um formigamento gostoso no estômago. Logo uma das mãos de se enroscou em meus cabelos de forma calma e carinhosa, fazendo com que um arrepio passasse por todo o meu corpo. A sua língua pediu permissão para aprofundar o beijo, que foi concedido quase que imediatamente. Eu me sentia inteira na presença de . Sentia-me uma mulher de verdade e não um mero objeto.
Uma de suas mãos me acariciava o rosto enquanto a outra me fazia um cafuné gostoso nos cabelos. Levei uma de minhas mãos até os cabelos de , puxando-os levemente da forma como ele sempre gostara. Sorri ao ouvi-lo dar um pequeno gemido de satisfação. As nossas línguas eram rápidas e lentas ao mesmo tempo. Havia tanto carinho naquele beijo, tanta paixão que eu nem ao menos sabia definir o que estava sentindo. Era um misto de todos os tipos de emoções possíveis. Separamos o beijo lentamente e permaneceu depositando selinhos em meus lábios.
– Se você soubesse a saudade que senti isso – o seu hálito quente bateu em meus lábios, fazendo com que eu me arrepiasse novamente. – Se soubesse a falta que você me fez durante esses dois longos anos – deu uma pequena mordidinha em meu lábio inferior. – Mas tudo isso vai mudar, . Dia vinte e cinco estaremos livres de tudo isso. Apenas nós dois, juntos em um lugar calmo, um lugar nosso, onde não vamos ser encontrados – o sorriso em meus lábios só aumentava conforme ia falando.
– Nem sei expressar como estou me sentindo – a minha voz saiu como um sussurro. – Só sei que é muito bom estar aqui, estar novamente nos seus braços, me sentir protegida... – passava a ponta do nariz levemente por minha bochecha enquanto eu falava.
– Sei como você pode expressar – a sua voz tinha um tom puxado para o sapeca e ele soltou uma risadinha infantil. – Dando-me outro beijo desses – ri brevemente e logo uni os meus lábios aos de . O beijo agora era um pouco mais selvagem, como se tentássemos recuperar o tempo que havíamos perdido.
Levei as minhas mãos para dentro da blusa de , arranhando levemente o seu abdômen, fazendo com que ele contraísse o mesmo e ofegasse alto no beijo. Senti uma das mãos de adentrar a minha blusa também, acariciando-me levemente no cóccix e foi a minha vez de soltar um ofego alto em meio ao beijo, o que causou uma risadinha em ambos os dois. Puxei a blusa de para cima e separamos o beijo para que eu pudesse jogá-la em qualquer canto da sala. Parei para observá-lo e sorri. O seu corpo continuava o mesmo... Aquele mesmo corpo que me enlouquecia há dois anos.
As suas mãos ágeis também trataram de retirar o meu sobretudo e puxar a minha blusa, retirando-a em seguida. Sorri com aquilo. Os olhos de faiscavam e brilhavam enquanto ele olhava para o meu sutiã de rendinhas. Um dos seus dedos acariciou o meu colo levemente, fazendo-me morder o lábio inferior. Isso fora o suficiente para que passasse um dos braços por de baixo dos meus joelhos e o outro nas minhas costas, pegando-me no colo.
O caminho para o quarto foi mais rápido do que sempre. Sorri com isso. Senti a cama macia em baixo de minhas costas e dei um sorriso sincero. Coisa que eu não fazia há tempos. Tudo ali tinha o cheiro de e isso era o suficiente para me enlouquecer.
estava de pé ainda, olhando-me fascinado. Ri de leve com aquilo. ajoelhou-se na cama e começou a depositar vários beijinhos em minha barriga, subindo-os lentamente. Eu já estava completamente arrepiada e em êxtase. Senti a língua quente de passar por minha barriga e soltei uma gemido baixa. Virei-me na cama, deixando-o por baixo. Era a minha vez de brincar. Começei a dar pequenas mordiscadas próximas ao umbigo de e fui subindo, assim como ele fazia. Eu dava pequenos chupõezinhos e depois mordidinhas, o que fazia com que ele soltasse ofegos altos. Eu podia sentir o membro duro de encostando a minha barriga enquanto ele ofegava alto.
, é sério. Se não for para continuar, acho que devíamos parar por aqui – a sua voz não passava de um sussurro fraco e ri baixinho.
– E quem disse que tenho a pretensão de parar? – com essa resposta, se virou, trocando novamente as nossas posições
– Nesse caso, acho que ainda estou em desvantagem – ele riu, apontando para o meu sutiã que abria na frente. – Amo essa nova tecnologia – ri baixinho com ele sussurrando isso. Assim que ele soltou o meu sutiã, olhou-me novamente. – Está certa de que não quer parar? – assenti com a cabeça. Eu tinha certeza de que queria continuar, de que queria me entregar a .
Com a minha afirmativa, avançou com a mão na direção do meu seio, acariciando a auréola do mesmo com o dedão, enquanto com a ponta da língua contornava a do outro seio. Soltei um gemido um tanto quanto alto ao sentir as carícias. Logo a mão que estava em meu seio desceu e abriu o botão da calça que eu vestia. Senti a mão quente de tocar a minha intimidade, acariciando-a. Apertei o lençol da cama de forma nervosa. Havia muito tempo que eu não tinha aquela sensação... Sensação de prazer com um homem.
ao ver minha reação sorriu, trocando de seio e lambendo levemente o direito agora. As suas duas mãos desciam a minha calça que logo fora parar no chão, acompanhada da calcinha. soltou o meu seio e se sentou novamente na cama, olhando para a minha intimidade, o que com certeza havia me deixado tímida. Sorri de lado com as bochechas coradas.
– Não precisa sentir vergonha de mim – disse, depositando um beijinho em meus lábios. – Eu amo você, . Minha .
Os seus dedos deslizavam calmamente por toda a extensão da minha intimidade, fazendo-me soltar gemidos abafados. Os meus olhos automaticamente se fecharam e logo em seguida se apertaram quando senti a língua quente de tomando o lugar de seus dedos e deslizando por minha intimidade. Essa sabia exatamente onde passar e brincar. Os meus gemidos iam ecoando cada vez mais altos pelo quarto, enquanto as minhas mãos apertavam com força o lençol da cama. Eu sentia os espasmos do meu corpo aumentando até que veio aquela sensação maravilhosa de prazer. Um relaxamento surreal.
Um gemido ainda mais alto ecoou de meus lábios, anunciando à que ele havia conseguido me fazer chegar ao ápice. Assim que me acalmei, o mesmo sorriu para mim, olhando-me de forma sapeca. Logo a sua calça e cueca se encontravam no chão. apoiou as duas mãos no colchão para que o seu corpo não ficasse totalmente em cima do meu. Sentia o seu membro roçando a minha intimidade enquanto nos olhávamos no rosto. Os nossos olhares intensos, cheios de amor, paixão, luxúria...
Mordi o lábio inferior quando senti me preenchendo. Os seus movimentos eram delicados e precisos, sem um pingo de pressa. Estávamos curtindo aquilo juntos, com calma e carinho. Não era apenas sexo. Era amor.
Ficamos alguns minutos dividindo o mesmo espaço, compartilhando de nossos sentimentos. Apenas gemidos abafados eram ouvidos pelo apartamento. As minhas unhas já arranhavam as costas de que suspirava e depositava beijos em meus lábios várias vezes, até que chegamos ao ápice juntos.

Capítulo oito

Ficamos deitados na cama por um bom tempo. A minha cabeça estava apoiada no peito de que ainda respirava ofegante e soltava risinhos de felicidade de minutos em minutos, enquanto fazia um carinho gostoso em meus cabelos.
– Nem acredito que isso aconteceu de verdade – ele confessou baixinho, fazendo-me rir.
– Mas foi. Foi de verdade e me sinto completa. Completa de tudo: felicidade, amor, carinho... Tudo – depositei outro beijo no abdômen de que sorriu largamente.
Mas o momento de magia foi cortado pelo seu celular que logo começou a tocar. Arregalei os olhos enquanto corria até o aparelho. Ele murmurou algumas palavras no mesmo e depois se virou para mim com uma cara um tanto quanto desgostosa.
– Era . Vocês têm que ir para casa. Já está anoitecendo – suspirei pesado ao ouvir a notícia enquanto me levantava da cama. – Fique calma, . Pode ter certeza de que isso está próximo de acabar – vesti a minha calcinha e em seguida a calça e o sutiã. Sorri para , depositando um leve beijo em seus lábios. – Em breve seremos só nós dois e, lógico, os caras, porque não pense que eles vão descolar do seu pé – dei um risinho com o tom de voz enciumado que usou.
Fomos para a sala e lá encontrei a minha blusa, vestindo-a em seguida. Uma sensação boa e ruim ao mesmo tempo me preenchia. Eu estava com . Estava feliz, completa, porém sentia que aquilo não duraria muito.
– Eu a amo, minha pequena. Não se esqueça disso – disse, depositando mais um beijo nos meus lábios.
– Não tem como esquecer. E, se eu esquecesse, faria de tudo para me lembrar – selei os nossos lábios pela última vez e abri a porta. – Até mais tarde, meu amor – a minha voz saíra baixa, mas eu tinha certeza de que havia ouvido.
No caminho até a casa, contei tudo o que acontecera durante a tarde para . Era engraçado como eu me sentia à vontade ao lado daquela mulher, como se fôssemos amigas há muito tempo. Apesar de ela ser bem mais velha que eu, isso não importava. A moça era boa comigo, não me julgava por tudo o que estava acontecendo e muito menos me olhava com pena. Na realidade, sempre me lançava um olhar encorajador.
Chegamos a casa e, agora que estávamos no final da tarde, dava para ver as pequenas luzes acesas ao redor da casa que estava completamente decorada para o Natal. Aquilo me dava uma sensação boa. Há quanto tempo eu não me sentia assim? Nem eu mesma sabia.
Descemos do carro, carregadas de sacolas. Havíamos combinado histórias para contar sobre as nossas compras, caso alguém perguntasse. Assim que entramos em casa, os funcionários de corriam para terminar os detalhes que faltavam. Dirigimo-nos à cozinha, onde deixamos as sacolas, e a mulher começou a dar instruções para os empregados. Logo, Matthew apareceu com um sorriso falso estampado no rosto.
– Olhe, vocês não brincam em serviço quando o assunto é compras. Não é? – ele deu um risinho, puxando-me para um abraço e um pequeno selinho. – Comprou algo para você, amor? – o seu tom de voz era calmo e carinhoso. Neguei com a cabeça e ele fez um estalo com a boca. – Por que não, querida?
– Ah, eu não queria ficar gastando à toa – a minha voz saíra baixa e controlada. – Não achei nada que me agradasse muito – dei um sorrisinho e aparentemente consegui convencê-lo, pois os seus braços afastaram-se de minha cintura.
– Acho que está na hora de subirmos para nos arrumar. Que tal? – uma de suas mãos foi até o meu rosto, acariciando-o. Apenas assenti com a cabeça, despedindo-me de e subindo as escadas da casa com Matthew.
Assim que entramos no quarto, a sua postura calma mudou para brava. O meu corpo inteiro gelou quando ouvi a chave virando na fechadura, trancando-me ali com aquele homem.
– Você é burra? – a sua voz era baixa, porém muito séria. – O que eu lhe disse? Não saia da minha vista. Não foi? – uma de suas mãos veio de encontro aos meus cabelos, fazendo-me apertar os olhos.
– Mas você disse que eu podia ir. Você... – um estalo alto fora ouvido por todo o ambiente e com certeza os cinco dedos de Matthew estavam marcados em meu rosto.
– O que queria que eu fizesse? Falasse "olhe, , o negócio é que minha esposa é uma piranha e fica se oferecendo para o amiguinho do seu filho. Então eu vou mantê-la ao meu lado"? – as lágrimas já escorriam por meus olhos quando outro tapa fora acertado em meu rosto. Apertei os olhos como se aquilo fosse fazer o tempo passar mais rápido ou tudo acabar logo. – Você deveria ter inventado qualquer coisa, nem que fosse uma dor de barriga – a sua voz grossa me deixava amedrontada mesmo quando soava baixa.
Com brutalidade, Matthew jogou-me na cama, não se importando nem um pouco se eu cairia realmente na mesma, o que não aconteceu. A minha testa acertou com força a quina da cabeceira da cama. Levei uma de minhas mãos à minha testa e, assim que olhei para a mesma, ela estava suja de sangue e pulsava, mas Matthew não se comoveu. Muito pelo contrário. O cinto já havia sido tirado de sua calça e não demorou mais de um segundo para começar a acertar a minha pele. Assim que a primeira cintada me acertou, soltei um gritinho um tanto quanto alto, o que fez Matthew arregalar os olhos e abaixar-se à minha frente.
– Calada, sua puta. Sem nenhum grito. Sem gritos. Ouviu bem? – ele sacudia a minha cabeça enquanto falava e eu assentia que sim. Mais duas cintadas foram acertadas em minha coxa. Uma de suas mãos envolveu o meu pescoço, fazendo-me levantar rapidamente. Senti o meu corpo ser empurrado contra a parede e o baque contra a mesma fez as minhas costas doerem.
– Se eu descobrir que vocês mudaram a rota por um segundo que seja, ... – seu hálito de álcool batia em meus lábios. – Você vai se arrepender mais do que amargamente disso. Vai pedir para não ter nascido – os soluços escapavam por meus lábios enquanto Matthew falava e batia minha cabeça contra a parede. Uma de suas mãos soltou os meus cabelos e ele puxava violentamente a minha roupa, deixando-me completamente nua. – Vire-se de costas – fiz como ele mandou, com medo do que viria a seguir. Senti o couro do cinto acertar as minhas nádegas e mordi o lábio inferior para controlar o grito. O barulho alto do couro chocando-se com a minha pele preencheu o quarto pelo que parecia ser a eternidade.
O meu rosto lavado em lágrimas não comovia Matthew, que parecia não se cansar daquilo. Ele me pegou novamente pelos cabelos, jogando-me na cama novamente. Dessa vez, com mais força do que o necessário, o que fez a minha cabeça bater na cabeceira novamente. Porém agora eu havia caído na mesma. O corpo pesado de Matthew deitou-se sobre o meu. As suas mãos movimentaram-se rapidamente e o barulho de sua calça sendo aberta fez com que eu apertasse os olhos novamente. Mais rápido do que o esperado, o membro de Matthew me invadiu, sem pedir permissão. Os seus movimentos brutos e descuidados faziam grunhidos doloridos saírem de meus lábios. Eu só rezava para aquilo acabar logo, sem mais nem menos
Matthew retirou o seu membro de mim, fazendo-me agradecer aos céus, mas os agradecimentos foram por pouco tempo. Matthew virou-me de bruços e deu uma risada sacana.
– Vou antecipar o seu presente de Natal, querida – senti algo gelado cair no meio das minhas nádegas e arregalei os olhos, negando com a cabeça como uma súplica. Quando estava prestes a falar, Matthew empurrou o meu rosto contra o travesseiro. – Shiu. É só ficar calma. Nem vai doer nada – o grito que escapou por meus lábios fora abafado pelo travesseiro.
Matthew me invadia sem piedade nenhuma. As lágrimas rolavam por meus olhos, encharcando o travesseiro. Os meus soluços preenchiam o quarto quando finalmente Matthew chegou ao ápice. Eu mal conseguia me mover. Senti a sua mão gelada acariciando uma de minhas nádegas e logo em seguida um tapa forte foi dado na mesma.
– Muito bem. Está de parabéns – o sarcasmo era evidente na voz de Matthew. – Viu só? Nem doeu – ele riu e seguiu para o banheiro, deixando-me ali, ainda deitada de bruços e com uma dor que eu nunca imaginaria sentir. Algum tempo depois, Matthew saiu do banheiro arrumado e bem perfumado. – Bem, querida, terá que entender que você está cansada. Não é? – uma de suas mãos me acariciou os cabelos. – Virei buscá-la quando for quase meia-noite. Você vai descer comigo, com um sorriso lindo estampado no rosto, e depois vai sentir um sono sem igual e subirá para dormir novamente. Ok? – assenti com a cabeça sem resistência nenhuma. Logo em seguida, Matthew abriu a porta do quarto e saiu do mesmo, deixando-me trancada.
O meu corpo estava completamente mole e eu já estava quase me entregando ao sono quando ouvi a fechadura da porta girar e um bufo frustrado sair do outro lado da mesma. O barulho da chave entrando na mesma e me destrancando. Não me dei ao trabalho de abrir os olhos. Provavelmente era Matthew conferindo se eu estava ali ainda. A porta foi trancada novamente e pensei que ele havia descido
.... Que merda aconteceu aqui? – a voz grave de fez mais lágrimas escorrerem por meu rosto. Senti duas mãos fortes e quentes me virando de frente rapidamente, o que fez um gemido dolorido escapar por meus lábios. Os olhos de queimavam de raiva. – Foda-se tudo isso. Foda-se quem é esse filho da puta. Eu vou matá-lo e vai ser agora.

Capítulo nove

caminhou rapidamente para a porta, mas eu sabia o que aconteceria caso ele fosse tirar satisfação com Matthew. As coisas só iriam piorar e muito.
, não vá, por favor – a minha voz baixa pareceu comovê-lo, já que o mesmo abaixou os ombros e veio o mais rápido possível para perto da cama. Assim que ele se aproximou, pude ver lágrimas escorrendo por seus olhos. Aquilo acabava comigo. – Já estou bem. Não dói mais – mentira. A mais pura mentira. Porém, se aquilo fosse fazer sentir-se melhor, eu mentiria, faria qualquer coisa por ele.
– Não minta, – uma de suas mão acariciou os meus cabelos. – Não precisa mentir para mim. Dá para ver nos seus olhos o quanto está doendo – fechei os olhos e novas lágrimas caíram. – Mas isso termina hoje. Ok? Prometo – ele tentava usar um tom de voz mais animador. – vai dar um sonífero forte a Matthew assim que passar de meia-noite e então às três horas em ponto sairemos daqui. Ok? – assenti com a cabeça. – As suas coisas já estão arrumadas? – novamente fiz que sim com a cabeça e ele sorriu, depositando um leve beijo em meus lábios – Agora venha. Vou ajudar você a se limpar – uma de suas mãos passou por minhas costas, enquanto a outra foi para de baixo dos meus joelhos.
– Mas... Mas e se ele chegar, ...? Eu... – os lábios de tocando os meus me calaram por alguns segundos.
- e Jhon estão distraindo-o. Eles realmente não sabiam o que havia acontecido aqui, porém estranharam o fato de você não ter descido. Como eu tinha que lhe passar o plano, deram-me a chave mestra da casa – explicava tranqüilamente.
Chegamos ao banheiro e ele colocou a banheira para encher após ter me sentado o mais delicadamente possível na privada. Apesar de toda a delicadeza de , foi impossível não soltar um gemido dolorido novamente, o que o fez me lançar um olhar de pena. Ele se abaixou e abriu o armário do banheiro, retirando de lá uma caixinha de primeiros socorros. Enquanto o rapaz cuidava do machucado em minha testa. Comecei a pensar em como eram as coisas. Seria engraçado se não fosse trágico. ali, cuidando dos machucados que o homem com quem eu escolhera me casar por causa dele tinha feito em meu rosto.
Assim que terminou de limpar o sangue de meu rosto e o machucado em minha testa, deu um pequeno sorriso.
– Como enfermeiro, sou um ótimo músico, Não está lá aquelas coisas, mas acho que pelo menos não vai infeccionar – sorri grata.
Senti os braços de ao redor do meu corpo novamente em um abraço que queria dizer muito mais do que realmente parecia. Suspirei um tanto quanto aliviada. Tudo acabaria essa noite. Eu seria feliz ao lado do homem que eu amava.
me ajudou a tomar banho e a me deitar na cama novamente.
, vou ter que descer. Já são 23h24min, então não quero arriscar que aquele homem venha aqui em cima nos encontrar. Ok? – os seus lábios tocaram os meus novamente. – Até daqui a pouco – caminhava de costas para ir até a porta calmamente, ainda me olhando.
– Muito obrigada, meu anjo – a minha voz saía baixa pela dor que eu ainda sentia, porém o sorriso que se alastrou pelo rosto de me fez sentir viva novamente. Tudo daria certo. Essa noite seria a última noite que Matthew havia abusado de mim.

Esperei alguns minutos depois que saiu do quarto e fui me vestir. Afinal de contas, não demoraria muito para Matthew subir. Vesti-me lentamente, devido à dor que eu ainda sentia em todo o meu corpo. O vestido que Matthew havia me dado era realmente lindo, mas de nada adiantava eu estar em um vestido lindo se por dentro estava destruída, se por dentro a minha imagem era a pior possível. A porta do quarto foi aberta rapidamente e esperei com todas as minhas forças que não fosse Matthew, mas infelizmente as minhas preces não foram ouvidas.
– Que bom que já está pronta – o seu tom de voz sereno e feliz me fazia pensar em que tipo de pessoa ele era ou em que tipo de transtorno tinha. Aliás, eu já havia me pegado pensando nisso diversas vezes. – Vamos descer. Você já sabe, não é? Não suma da minha vista. Fique sempre ao meu lado. Independentemente do que lhe disser ou chamar, diga que quer ficar comigo – uma de suas mãos segurava o meu braço, fazendo-me ficar de frente a ele. Apenas assenti com a cabeça, o que fez Matthew entrelaçar os dedos aos meus.
Saímos do quarto e uma sensação muito boa me preenchia. Sorri de lado com aquilo. Apesar de toda a dor, de todo o esforço que eu estava fazendo para não chorar ali no meio de todas aquelas pessoas, sentia que isso estava por terminar.
Assim que chegamos à sala, pude avistar, e em uma guerrinha de salgadinhos, enquanto e apostavam em quem ganharia, prestes a começar uma guerrinha entre eles. Sorri ao ver aquilo. Eles não haviam mudado. Estavam os mesmos de sempre: brincalhões, felizes, sorridentes e capazes de deixar o astral de qualquer um lá em cima.
Matthew apertou a minha mão com mais força, fazendo-me desviar o olhar assim que os meninos viraram o rosto para me ver. Dei um pequeno sorriso para eles antes de me virar na direção que Matthew queria.
Durante o tempo que fiquei ali embaixo, tive que ficar ouvindo Matthew conversando sobre investimentos com um dos seus sócios – que não era Jhon, já que esse estava ajudando uma criança ali perto a pôr a sua meia para o Papai Noel em cima da lareira. Não demorou muito para que começasse a contagem regressiva para meia-noite, era engraçado ver como as pessoas estavam animadas e despreocupadas ali, todas elas sorrindo verdadeiramente por estarem ali, enquanto eu forçava um sorriso ao que Matthew me abraçou, desejando-me um feliz Natal. Realmente, o presente que eu ganharia neste Natal poderia fazer com que o meu próximo fosse bastante feliz.
– Obrigada. Feliz Natal para você também – sorri de lado enquanto Matthew ia até a árvore que ficava localizada no centro da sala e pegava uma sacolinha de joalheria, entregando-me em seguida.
– Espero que goste. Mandei fazer especialmente para você – abri o embrulho sem a mínima empolgação. Nenhuma jóia compensaria nada do que eu passava. Na realidade, nada compensaria tudo o que eu havia passado ao lado de Matthew.
Assim que abri a embalagem aveludada, um colar com a corrente um tanto quanto curta e cravejada de diamantes se encontrava dentro da mesma. Um pingente com as iniciais “MC” estavam presos ao colar. Matthew logo retirou o objeto de dentro da caixa e o colocou em meu pescoço. O sorriso em seu rosto revelava o que aquilo era: era uma coleira, com as suas iniciais. – E então, gostou? – assenti com a cabeça. – Então agradeça – o seu tom de voz era rude e baixo.
– Obrigada, Matthew – dei um sorrisinho de lado. Um sorriso cheio de nojo. Era isso que eu sentia: nojo daquele homem. Aquela coleira em meu pescoço mostrava-me o quão doente ele realmente era.
Antes que Matthew pudesse contestar o meu agradecimento, chegou perto com Jhon e , que quando bateu os olhos no objeto em meu pescoço fez uma cara de espanto. Cumprimentamo-nos normalmente e anunciou que o jantar seria servido. Matthew puxou-me pela mão até a grande mesa posta na sala de jantar dos e então nos sentamos, lado a lado para comer.
– Queridos, eu gostaria de fazer um brinde – levantou-se e sorri para a mesma. – Um brinde a todos nós que estamos aqui hoje, aos nossos corações cheios de esperança por uma data tão maravilhosa quanto o Natal. Muito obrigada a todos vocês que compareceram aqui para fazer esse dia ficar ainda mais especial para mim e para a minha família – então levantou a sua taça de champanha e deu um gole. Em seguida todos nós fizemos o mesmo.
O jantar foi tranqüilo. havia se sentado bem longe, provavelmente instruído por para evitar que algo me acontecesse novamente.
– Estou com sono. Vamos subir – Matthew sussurrou em meu ouvido. Levantou-se da mesa e foi até Jhon e despedir-se deles. Despedi-me dos dois com um sorrisinho no rosto e, assim que Matthew virou-se de costas, piscou para mim. Seria naquela noite. Em poucas horas eu estaria livre do inferno que eu chamava de vida, em poucas horas eu seria uma mulher livre, uma mulher livre acompanhada do homem que amava.

Capítulo dez

O sonífero que deu a Matthew parecia realmente pesado, já que, assim que entramos no quarto Matthew, jogou-se na cama e apagou por ali mesmo. O meu corpo ainda estava dolorido em diversas partes, porém não era hora para descansar. Eu poderia fazer isso com em poucas horas.
Fui ao banheiro tirar aquele vestido e coloquei um conjunto de moletom. Com certeza seria muito mais fácil sair dali com ele do que com aquele vestido. Olhei para o meu pescoço e aquela maldita coleira ainda estava lá. Em minha cabeça, várias coisas se passavam ao mesmo tempo. Matthew só podia ser mesmo perturbado ou ter algum tipo de doença mental talvez. Retirei o objeto do pescoço, deixando-o em cima da pia. A minha vontade era realmente escrever um bilhete para Matthew, acusando-o e xingando-o de diversas coisas, culpando-o por ter me privado de viver tantos momentos da minha vida. Exatos dois anos. Havia dois anos que eu o conhecia e aquele inferno havia começado há aproximadamente um ano e quatro meses. Falando assim, parece que não foi nada, que todo esse tempo passa rápido. Só que, quando você está em uma situação como a minha, um ano e quatro meses era tempo demais. Tempo demais presa, tempo demais fora do mundo, tempo demais sendo agredida, tempo demais sendo obrigada a "cumprir meus deveres matrimoniais". Esse tempo definitivamente não havia passado rápido.
Saí do banheiro e observei Matthew na cama. Quem o visse dormindo daquela forma nunca acreditaria que aquele homem por diversas vezes havia me agredido, machucado-me e principalmente me violentado. Fiquei ali olhando o corpo pesado de Matthew na cama, imaginando em como as coisas seriam se ele não fosse um completo maluco. Talvez eu pudesse ter começado a sentir algo – que não fosse medo nem raiva – por ele. Talvez estivéssemos divorciados agora, como os casais comuns fazem. Talvez ele tivesse uma mulher que o amasse verdadeiramente com ele, porque, apesar de tudo, Matthew era um homem bonito. Muito bonito. Poderia com certeza ter qualquer mulher junto a ele e eu não conseguia compreender porque havia escolhido justo a mim, a mulher que não queria ficar ao seu lado.
Ouvi três toques baixos e leves na porta do quarto e dei um sorriso. Apesar de toda a apreensão, eu sentia que as coisas iriam dar certo. Caminhei até a porta e, ao abrir a mesma, deparei-me com que fez um sinal de silêncio com o dedo e perguntou onde estava a minha mala. Apontei-a onde estava e ele foi até ela, pegando-a e me guiando para fora do quarto.
– Tenho que confessar que me sinto no “Missão Impossível” agora – não consegui conter uma pequena risada com as palavras de .
– Espero que essa missão impossível seja bem sucedida então – senti um dos braços de passando por cima de meus ombros da forma como eu sempre gostava de sentir. Os seus lábios tocaram minha testa e sorri instantaneamente.
– Vai dar tudo certo, . A partir de agora sua vida vai mudar e para muito melhor – os meus olhos a essa altura já estavam cheios de lá grimas prestes a escorrer. – E nada de choro, mocinha. Se a vir chorando, ele vai brigar comigo – ri baixinho, secando as lágrimas que escorreram rapidamente. – Todos nós sentimos muito a sua falta – quando percebi, já estávamos do lado de fora da casa.
Um carro preto estava parado no meio do jardim com o porta-malas aberto. Rapidamente desceu do mesmo e pegou a minha mala das mãos de , colocando-a para dentro do carro. e os outros meninos logo apareceram.
– Ok, . Pare de monopolizar a . Eu também quero um abraço – disse e ri com isso. Senti os seus braços envolverem o meu corpo e me apertarem em um abraço carinhoso. Já não era mais possível esconder as lágrimas. Eu sentia tanta saudade de estar com os meus meninos.
tratou de empurrar e me abraçar-me também, porém com mais força do que fizera, o que fez com que um gemido dolorido escapasse por meus lábios.
– Desculpe, . Desculpe – os seus braços soltaram meu corpo rapidamente. Ele parecia assustado com a idéia de ter me machucado.
– Ei, , pode ficar calmo – ri baixinho. – Você não é tão forte assim – brinquei, apesar das lágrimas ainda escorrendo por meu rosto.
– O que eu disse sobre não fazer a chorar, hein? – a voz brincalhona de preencheu os meus ouvidos e sequei novamente as lágrimas teimosas. – , temos que ir – uma de suas mãos me abraçou pela cintura. Sorri e concordei com a cabeça.
– Mas e quando ele... Ele acordar? – eu não havia pensado nisso antes. Uma hora Matthew acordaria e iria atrás de mim. Tenho certeza disso.
– Querida, fique calma. Vou dar um jeito – a voz carinhosa de conseguiu me acalmar e sorri grata para ela. Caminhei em sua direção, abraçando-a. Abraçando a mulher que para mim estava sendo como uma mãe. Eu não tinha palavras para agradecê-la por tudo o que estava fazendo por mim. Não tinha nem idéia do que falar para ela. – Vá com . Vocês vão ficar por um tempo escondidos, enquanto eu e Jhon vamos ver o que podemos fazer por você, legalmente falando – sorri, soltando-a do abraço.
– Nem sei o que lhe dizer, – respirei fundo. – Mas muito obrigada mesmo – as lágrimas já estavam prestes a correr de novo quando me abraçou e me levou até o carro.
Entrei nele e logo em seguida coloquei o cinto de segurança. não demorou para também entrar no automóvel e logo saímos dali. Uma sensação boa preenchia o meu corpo e, junto com ela, lágrimas escorriam por meu rosto. Eram lágrimas de felicidade, lágrimas de esperança. Esperei por tanto tempo esse dia... O dia em que eu seria salva, o dia em que poderia ficar ao lado do homem da minha vida, do homem que eu amava.

Durante todo o caminho eu estava tão distraída pensando em como as coisas poderiam ser agora que tomei um pequeno susto ao sentir a porta do carona ser aberta.
– Calma, amor – a voz de soou calma e sorri meio sem jeito pelo susto. – Vamos descansar um pouco aqui – apontou para uma cabana toda de madeira que estava às suas costas. – Estou com sono e não posso continuar dirigindo, mas já, já sairemos de novo. Ok? – assenti com a cabeça, descendo do carro. A mão grande e quente de se entrelaçou à minha e sorri com isso. Adentramos a cabana e logo trancou a porta. – Pode ficar à vontade, . Se quiser alguma coisa para comer ou beber, é só ir à cozinha – o aquecedor estava ligado, o que fazia a temperatura ser gostosa ali dentro.
Fechei os olhos e respirei fundo, sentindo o cheirinho da felicidade. Senti os braços de envolverem minha cintura e seu queixo se encostou ao meu ombro, fazendo um sorriso bobo brotar em meu rosto.
– Agora somos apenas nós dois juntos, como sempre foi e sempre será – as suas mãos acariciavam a minha cintura, fazendo um sorriso bobo nascer em meus lábios.
– Nem sei descrever o que estou sentindo, , mas sei que nunca me senti tão feliz assim – beijei levemente um de seus braços e ele depositou um beijo em minha bochecha. Não consegui segurar um pequeno bocejo que o fez dar uma risadinha.
– Venha, amor. Vamos nos deitar – ainda abraçados, foi me guiando até o quarto.
Era um quarto lindo. Não era todo cheio de luxo, contudo era realmente muito aconchegante. Ele soltou o nosso abraço e segurou as minhas mãos, levando-me até a cama. Deitei-me na mesma e meu corpo pareceu relaxar. Senti o outro lado da cama afundando e me virei de lado, ficando de frente para . Os nossos olhares diziam tudo. Estávamos completos ali, um com o outro, um sendo do outro, como sempre deveria ter sido. E como sempre seria de agora em diante.
Os seus braços me puxaram para perto e foi ali, nos braços de , que eu adormeci.

Acordei sentindo um cheirinho de bacon preencher o quarto e só então reparei que sentia fome. Ri internamente com isso. Há quanto tempo eu realmente não sentia fome? Vontade de comer de verdade?
Antes que eu pudesse concluir meus pensamentos, entrou no quarto segurando uma bandeja em mãos.
– Ah, não. Você deveria estar dormindo, poxa – a sua voz manhosa me fez rir e fechei os olhos para fingir que estava dormindo. – Muito melhor agora – ele riu baixinho. Senti a cama afundar ao meu lado e logo uma das mãos de veio aos meus cabelos. Seus lábios se uniram aos meus. – Ei, meu amor. Acorde, vai – ele falava baixinho e não consegui controlar o riso. – Você é muito estraga-prazeres, – ele disse de bico.
– Poxa, eu dei o meu melhor – selei o bico de que logo desfez a cara emburrada. – Sabe que não sou uma ótima atriz, mas quebrei o galho, vai... – passei os braços pelo pescoço de e ele sorriu sinceramente.
– É, foi bem mais ou menos – dei um tapinha de leve em seu braço. – Trouxe café. Olhe – apontou para a bandeja que continha ovos mexidos com bacon, alguns pãezinhos e suco de uva. Sorri com aquilo. Suco de uva, um dos meus preferidos.
– Já lhe falei hoje que você é lindo? – ele negou com a cabeça. – Você é lindo – ele riu, selando os nossos lábios. – Agora vamos comer que esse cheirinho me deixou com fome – soltamo-nos e começamos a comer calmamente. Eu havia me esquecido o quão gostosos eram os ovos com bacon de . Sentia uma paz tão grande por dentro que nem sabia como descrever.
– Bem, amor, temos que ir embora agora – a voz calma de me fez sorrir. Ele se levantou e levou a bandeja com as coisas para a cozinha.
Fui ao banheiro para me ajeitar um pouco pelo menos. Passei as mãos pelos cabelos, tentando deixá-los menos bagunçados, e logo depois escovei os dentes com uma escova que estava por ali mesmo. Imagino que seja de , já que a mesma estava molhada.
Alguns minutos depois, entrou no quarto perguntando se eu já estava pronta e se já poderíamos ir. Assenti com a cabeça. Nossas mãos automaticamente se entrelaçaram e sorri mais ainda com isso. Ele abriu a porta de casa e logo entramos no carro. Estava bastante frio hoje. Acredito até que mais do que ontem. Assim que girou a chave na ignição, o carro não funcionava.
– Ué, o que será que está acontecendo? – olhei para que tinha um olhar um tanto quanto nervoso. O carro quebrar não estava no script.
– Não sei, mas não saia daí. Vou dar uma olhada – desceu do carro e logo abriu o capo, impossibilitando-me de vê-lo. Eu via apenas suas mãos mexendo em peças que eu não sabia identificar. Porém o capo do carro foi abaixado rapidamente e o que vi fez com que eu não pudesse controlar um grito de horror.

Capítulo onze

Um homem que eu nem ao menos conhecia segurava pelo pescoço. Uma arma estava apontada para a sua cabeça. Aquilo só poderia ser um pesadelo. Um terrível pesadelo. Mas infelizmente não era.
Logo outro cara apareceu.
– Desça do carro. Vamos, boneca – o cara falava, também mirando a arma para .
– Não, . Não saia desse carro. Aconteça o que acontecer, não saia daí – falou rapidamente e logo em seguida o cara que estava falando comigo lhe acertou um soco no estômago.
– Cale a porra da sua boca, seu merda – não contive outro grito quando vi o homem batendo em . Eu estava nervosa. As lagrimas já escorriam por meu rosto.
As portas do carro estavam travadas e, pelo modelo dele, dava para ver que o mesmo era blindado. Porém eu não podia deixar ali apanhando na mão daqueles dois marginais. Era realmente inacreditável. Estamos sendo assaltados justamente aqui e justamente agora.
Abri a porta do carro, fazendo dar um resmungo alto de reprovação. O cara que antes estava socando me pegou pelo braço, levando-me para dentro da casa, enquanto o seu ajudante fazia o mesmo com , levando-nos para o quarto. Não demorou muito tempo para que eles nos algemassem com as mãos para trás e amarrassem também as nossas pernas, de forma que não poderíamos fugir. Então ouvimos duas batidas na porta. Meu Deus, quem será que estava batendo na porta? Afinal de contas, essa cabana era bastante escondida. Não era no meio do mato, mas também acredito que não era tão fácil assim encontrá-la.
Os assaltantes não se surpreenderam e logo um deles foi abrir a porta. Outra pessoa entrava a passos calmos na casa, como se desfrutasse lentamente daquele momento. A minha barriga estava gelada por dentro, com medo do que poderia nos acontecer. Foi então que Matthew abriu a porta do quarto, entrando no mesmo com um sorriso sarcástico nos lábios. Os meus olhos se arregalaram imediatamente.
– Pensou que poderia fugir de mim, meu amor? – o seu tom de voz era sarcástico e debochado. Matthew se aproximava de mim com um sorriso maldoso.
– DEIXA-A EM PAZ, SEU FILHO DA PUTA! DEIXE-A EM PAZ! – gritou, o que fez Matthew parar no meio do caminho e se virar para ele que estava na outra ponta do quarto.
– Olhe o que temos aqui: um rapaz valente – Matthew debochava claramente dele, enquanto se aproximava.
– Sou bem mais valente do que você. Pelo menos não preciso prender mulher nenhuma em casa para que ela fique comigo – a voz de era carregada de ódio e o mesmo ódio estava queimando em seus olhos.
– Pelo amor de Deus, , fique quieto – supliquei em meio aos soluços.
– Sabe por que não vou matá-lo agora, seu pivete? – Matthew falou, abaixando-se na frente de para ficar na mesma altura que ele. – Porque, primeiro, vou dar um trato naquela vadia ali – o homem apontou em minha direção. – E depois vou dar um trato muito bem dado em você.
– SE VOCÊ ENCOSTAR NELA, VOU MATÁ-LO, SEU FILHO DA PUTA! – se debatia e tentava acertar Matthew em vão, o que fazia o mesmo rir. Os dois homens entraram novamente no quarto.
Matthew se levantou e caminhou rapidamente até o canto do quarto em que eu estava, agarrando os meus cabelos e os puxando para cima, fazendo com que eu me levantasse. As lágrimas escorriam sem parar por meus olhos. Eu deveria saber que era impossível fugir de Matthew.
– Escute bem, putinha – seu tom de voz era bem alto para que ouvisse. – Se você me desobedecer, os meus dois amigos ali... – apontou para os dois caras parados na porta do quarto. – Não vão nem dar tempo de você piscar antes de atirar no seu amorzinho ali – o seu dedo agora tinha se voltado para . – Ouviu bem? – assenti com a cabeça.
– NÃO, ! VOCÊ NÃO VAI FAZER NADA QUE ELE MANDAR! ESTÁ OUVINDO?! , VOCÊ ESTÁ ME OUVINDO?! – gritava desesperadamente. Olhei para ele e suspirei pesado. Eu faria o que fosse necessário por ele. Daria a minha vida em troca da dele.
– Alguém, pelo amor de Deus, faz esse pivete calar a boca? – Matthew disse irritado. Um dos caras foi até , acertando-o com outro soco para fazê-lo ficar quieto, enquanto colocava uma daquelas fitas grandes e prateadas em seus lábios. Assim que o homem terminou, Matthew fez um sinal e logo o outro cara caminhou até nós dois. – Solte essa puta – eu tremia de medo do que pudesse me acontecer, mas obedeceria a qualquer coisa para que saísse bem dessa. Matthew puxou uma poltrona que tinha no canto do quarto, deixando-a na lateral da cama e bem próxima da mesma. – E sentem esse pivete aqui. Quero que ele veja de camarote – o cara que havia acabado de amordaçar o colocou sentado na poltrona e amarrou o tronco dele nela, deixando-o imóvel. Ele me olhava com um misto de pena e súplica. Virei o rosto para o outro lado. O cara que havia se aproximado soltou minhas mãos e pernas e resmungou algo como “fuja”. Fechei os olhos, suspirando pesado.
Matthew caminhou até onde eu estava e, sem a mínima pena, acertou-me com um tapa. Apertei os olhos e tentei conter o grito. Logo as mãos brutas de Matthew estavam emboladas em meus cabelos novamente, dessa vez forçando-me para baixo. Estávamos em frente a que ainda grunhia que eu deveria fugir ou fazer qualquer coisa que não fosse obedecer a Matthew. Ouvi o zíper de sua calça abaixando e fechei os olhos.
– Você já sabe o que deve fazer, não é? – a voz baixa dele me deixava ainda mais amedrontada. – Então faça – rapidamente Matthew colocou o membro para fora e empurrou minha cabeça em direção a ele. Abri a boca e logo Matthew controlava meus movimentos com sua mão, ora indo rápido, ora devagar, enquanto soltava gemidos altos. Eu sentia ânsia e berrava desesperadamente, o que fazia mais lágrimas escorrerem por meus olhos e Matthew se divertir ainda mais com a situação. – Você é péssima nisso, sua vadia – ele gritou, empurrando-me novamente e fazendo com que eu caísse no chão. – Vamos lá. Vocês podem se divertir um pouco com essa puta. Quero-a nua – e então os dois caras vieram rapidamente até onde eu estava, levantando-me com certa brutalidade. E mais brutalmente ainda arrancaram as peças de roupa de meu corpo. Por diversas vezes pensei em gritar, pedir para parar, mas eu não podia fazer isso. Não sem pôr a vida de em risco.
Meu corpo tremia de frio, já que o aquecedor estava desligado, porém o que mais me machucava não era o frio, e sim a dor estampada nos olhos de , nos olhos que eu tanto amava. Assim que eu estava completamente nua, Matthew se voltou para mim.
– O que você tinha na cabeça, sua imbecil? – sua risada alta ecoou pelo quarto. A mesma risada que ele dava quando estava com raiva. – Que ia fugir de mim e ser feliz pra sempre, ? – a sua voz preenchia todo o cômodo junto com os meus soluços e os protestos de . – Você nunca vai fugir de mim. Nunca – a mão bruta de Matthew me pegou pelos cabelos da nuca, trazendo o meu rosto para perto do seu. – Você é minha, . Não é? – Matthew estava transtornado. Assenti com a cabeça. – Viu aí? Viu só o que essa vadia disse? Ela disse que é minha. Minha, seu pirralho. E você aí, esforçando-se para fugir com ela – riu com deboche. – Um plano bem burrinho esse seu, hein? – soltou um urro de raiva e nervoso por toda a situação. – De quatro na cama. Ande – subi na cama, posicionando-me da maneira como Matthew havia mandado. Rapidamente ele subiu, penetrando-me de uma só vez. Não pude conter um grito ao senti-lo todo dentro de mim.
Os seus movimentos eram mais brutos do que o comum e meus soluços preenchiam o quarto, apesar de eu tentar controlá-los. apertava os olhos e pude ver lágrimas molhando as suas bochechas. Naquele momento, eu desejara nunca ter tentado fugir de Matthew, nunca ter voltado a me comunicar com . Se tudo isso fosse necessário para não vê-lo sofrer, para não pôr sua vida em risco, eu agüentaria até o final da minha vida toda aquela maluquice, todas aquelas agressões. Agüentaria todas elas caladas para que o meu e as pessoas que eu amava ficassem bem.

Capítulo doze

Não sei ao certo quanto tempo Matthew ficou ali, acertando-me com tapas e preenchendo-me violentamente com o seu membro, porém o meu corpo estava todo dolorido, tanto pelo frio, quanto pelos machucados. Os meus braços já haviam fraquejado e eu estava deitada de bruços na cama. Senti uma das mãos de Matthew me agarrar pelos cabelos e me puxar para cima.
– Vamos embora – disse em tom autoritário. – Vocês dois. Dêem um trato no pirralho e o deixem por aí – arregalei os olhos com as palavras de Matthew.
– Você me prometeu não fazer mal a ele se eu obedecesse – mais uma risada de deboche preencheu o ambiente.
– Eu disse que, se você não obedecesse, eles iriam matar esse frangote. Como foi boazinha e bem obediente, não vão matá-lo. Apenas dar uma surra para ele aprender a respeitar a mulher dos outros – virei meu olhar para como em um pedido de desculpas. Os seus olhos que sempre me passavam tranqüilidade nesse momento me mostravam tristeza. Tristeza e fraqueza junto.
E, com essa imagem de gravada em minha mente, saí da casa sendo puxada por Matthew. Ao chegar ao lado de fora, o frio cortante me atingiu rapidamente, mas a dor que ele causava não me fazia esquecer por nenhum momento do que eu havia passado com e o que estava acontecendo agora. Tudo isso por minha culpa. Eu podia ouvir do lado de fora da casa as pancadas que os homens davam em e também os seus gemidos de dor. Isso me machucava cada vez mais. Se eu não tivesse aceitado toda aquela loucura, nada disso estaria acontecendo agora.

Matthew ligou o aquecedor do carro assim que entramos no mesmo, porém isso não me fazia sentir melhor ou ao menos o choro cessar. Eu estava alheia a tudo ao meu redor, só imaginando como estaria agora... Se ele conseguiria sair vivo daquela cabana, se havia alguma forma de informar a sobre o ocorrido para que ela pudesse ao menos socorrê-lo rapidamente. Todavia eu não tinha como conseguir ligar para ninguém. Não tinha escapatória.
Aos poucos fui avistando a casa de Matthew e isso fez com que um suspiro triste escapasse por meus lábios. Assim que o carro parou, esperei que ele me mandasse descer, mas isso não aconteceu. Quando me manifestei para sair, ele apenas murmurou um “fique onde está”. Encolhi os ombros e voltei a me acomodar no carro. Matthew subiu as escadas que davam acesso à porta de entrada e sumiu pela mesma. Olhei ao redor e o celular dele piscava. Se eu ao menos soubesse o numero de alguém, talvez tivesse como avisar.
De repente, uma seqüência de números apareceu em minha cabeça. Talvez ela nem tivesse mais aquele numero, mas eu tinha que tentar. Suspirei pesado, olhando ao redor. Aquela poderia ser a minha única chance. Ninguém estava olhando. Digitei os números com os dedos trêmulos e mal conseguia vê-los. Coloquei o aparelho no ouvido. Matthew poderia aparecer a qualquer momento e eu sabia que, se ele me visse ao telefone, não seria bonzinho e meu castigo não seria fácil. Contudo no momento eu não me importava comigo ou com o que pudesse me acontecer. era o mais importante no momento.
O aparelho chamava insistentemente. Estava apenas no terceiro toque, mas para mim parecia a eternidade.
– Alô? – a voz que eu não escutava há tantos anos soou aos meus ouvidos, fazendo com que mais lágrimas escapassem por meus olhos.
, é a – suspirei pesado. – Não posso falar muito, mas preciso que você avise à mãe do que deu tudo errado, que ela tem que socorrer o o mais rápido possível. Perdoe-me por não poder falar. Sinto sua falta. Amo você – sem dar tempo da minha melhor amiga responder, desliguei o aparelho, apagando a ligação e rapidamente o recolocando em seu lugar. Alguns segundos depois, Matthew passou pela porta, segurando duas malas médias.
– Espero que tenha se comportado, amor – Matthew jogou as malas na parte de trás do carro, logo em seguida adentrando no mesmo. A sua voz era doce e me deixava ainda mais assustada. Passei a mão pelo rosto, secando as lágrimas que haviam se acumulado por ali, e concordei com a cabeça.
– Para que essas malas? – minha voz soava rouca demais, o que me assustou um pouco.
– Vamos fazer uma pequena viagem, meu bem. Apenas nós dois – quem visse ou ouvisse Matthew naquela hora, nunca diria que ele estivera com raiva de mim apenas alguns minutos atrás e muito menos acreditaria nas coisas que ele me fazia. Mas para mim a sua voz só dizia uma coisa: "agora você está ferrada". Era isso o que seus olhos me diziam a cada segundo, deixando-me cada vez mais amedrontada.
Senti o carro se movimentando e olhei ao redor, apenas para constatar que Matthew dirigia em velocidade muito alta. Não sei ao certo quanto tempo demorou até que o automóvel parasse, porém senti um tecido voando contra meu corpo.
– Vista isso. Está frio lá fora – peguei o sobretudo que ele havia jogado em mim e vesti. Olhando ao redor, pude ver que estávamos em frente a um prédio alto e espelhado.
– O que vamos fazer aqui? – perguntei assim que a porta do meu lado se abriu.
– Você já, já vai ver, querida – uma das mãos de Matthew segurou firme em meu braço, puxando-me para fora do carro.
Entramos no elevador e Matthew apertou o botão que dava para a cobertura. Eu estava amedrontada. Tinha medo do que poderia me acontecer, tinha medo de aonde a loucura de Matthew poderia chegar, tinha medo por não saber para onde eu iria, tinha medo do futuro que ele estava preparando para mim.
Assim que chegamos à cobertura, pude ver um helicóptero parado lá, aparentemente esperando por nós. Matthew me empurrou dentro do mesmo e mandou o piloto ir rápido. Eu tinha vontade de perguntar para onde estávamos indo, contudo sabia que não teria resposta, então optei por me calar e observar o caminho.
Ver Londres do alto me fez pensar na que eu costumava ser, na a que eu gostava de ser. Na que havia morrido assim que me casei com Matthew. Eu amava morar naquela cidade, conhecer cada canto dela, ir às compras com , fazer passeios românticos e bobos com , beber em excesso com , jogar vídeo-game com e implicar com a mania de ser nerd do . Sorri inconscientemente ao me lembrar daquilo. Eu tinha uma vida boa. Muito boa, diga-se de passagem. Pena que tudo aquilo havia acabado. Pena que agora minha vida era controlada por um homem que eu não amava. Por um homem doente, que se achava dono da minha vida. Um homem poderoso o suficiente para me fazer de prisioneira sem que ninguém desconfiasse ou denunciasse.
O helicóptero pousou no que parecia ser uma ilha. Pude perceber que já era quase noite. Provavelmente estávamos longe de casa e eu nem ao menos havia percebido. Matthew desceu do mesmo, puxando-me em seguida.
– Olhe só, meu amor... A sua nova casa – enquanto eu era puxada para uma moradia no meio da ilha, observava ao redor. O lugar era deslumbrante e a casa era uma casa e tanto. – Você não a merece e sabe disso, mas sou um bom marido e por isso estou lhe dando esse presente – Matthew falava calmamente enquanto andávamos. – Aqui você vai poder ir ao jardim todos os dias, poderá ver TV, porém terá que ser boazinha – Matthew me empurrou sentada no sofá. – Aqui você não tem para onde fugir. Aqui celulares não funcionam. Aqui, querida, você será só minha – eu apenas olhava para Matthew. Nunca pensei que ele fosse chegar a esse ponto. Ok, eu teria “mordomias” como poder ver TV e ir ao quintal, contudo agora eu estava longe. Longe demais para ser encontrada, longe demais para tentar alguma coisa, longe demais para ter esperança. Esperança de ter a minha vida de volta. Apenas assenti com a cabeça. – Aqui, os funcionários não falam o seu idioma. Então nem perca o seu tempo tentando se comunicar com eles e pedir socorro ou coisa do tipo, . Estou lhe dando uma chance de vida nova. Vai ter mais liberdade, mas não tente escapar de mim. Não quero machucar você. E, caso tente se achar esperta, farei isso. E você sabe que farei – Matthew saiu do sofá, deixando-me pensativa. Talvez fosse melhor estar aqui. Eu sabia que me procuraria, e que bem provavelmente não encontraria, todavia uma hora ele iria cansar. Uma hora ele iria seguir em frente, uma hora eu seria esquecida e pelo menos as pessoas que eu amo teriam paz. Pelo menos as pessoas que eu amo seriam felizes.

Capítulo treze

Naquele dia, Matthew apenas colocou as malas ali e disse que teria que voltar para Londres para “resolver um problema”. Um dos seguranças de confiança dele havia ficado para assegurar que eu iria “me comportar bem” e para o caso de eu precisar de algo durante a noite.
Por mais que eu tentasse, não conseguia dormir. Memórias da noite com fizeram minha estada ser entre lágrimas e sorrisos. Eu estava feliz por ter conseguido um momento feliz ao lado dele e triste por tudo que nos acontecera. Triste por saber que não ficaríamos mais juntos.
Assim que o sol clareou o céu, levantei-me tomando uma ducha rápida e me vestindo com uma roupa fresca. O clima aqui era um tanto quanto quente. Desci as escadas lentamente. A casa estava em completo silêncio. Passei por uma das portas de vidro e fui caminhando lentamente pelo jardim, parando na divisa que o mesmo fazia com a areia da praia que cercava toda a ilha. Olhando para o horizonte, eu podia ver o quão longe eu realmente estava. Não conseguia ver nada além da água do mar e do céu. Nem pequenas casas ou montanhas ao fundo. Apenas o mar e o céu.
– Senhora, está tudo bem? – o segurança se aproximou de mim lentamente, assustando-me um pouco. Virei-me para o mesmo e dei um pequeno sorriso, confirmando com a cabeça. – É que o café está na mesa, então resolvi avisar a senhora – assim que terminou de falar, o homem saiu de perto. Fui fazendo o caminho de volta para dentro da casa.
Sentei-me à mesa, porém não tinha a mínima fome. Uma mesa farta me aguardava, mas nem de longe era como o café da manhã que eu havia tomado com . Eu preferia mil vezes o nosso café naquela cabana simples no meio do nada.
Fiquei algum tempo observando a mesa, contudo nada daquilo me abria o apetite, nada daquilo me parecia bom o suficiente. Levantei-me da mesa, seguindo para a sala de estar. Na mesma, deparei-me com uma TV enorme. Eu não sabia se Matthew estava blefando, mas não custava nada tentar. Peguei o controle e apertei o botãozinho, fazendo o aparelho ligar. Os meus olhos se fixaram no aparelho. Talvez eu encontrasse ao menos alguma distração por ali.
Assim que a TV ligou, pude notar que estava no noticiário. Ao canto da tela havia uma foto minha com Matthew. Não conseguia entender o porquê daquilo. Rapidamente aumentei o volume, voltando toda a minha atenção para a mesma.
“Incêndio na casa dos Clearwoods deixa Matthew Clearwood viúvo.”
Era o que passava na faixa vermelha na parte de baixo da tela. Arregalei os olhos. Como assim? Como uma resposta para todas as minhas dúvidas, a reportagem começou. Enquanto eu assistia ao programa, as lágrimas escorriam violentamente por meus olhos. Agora eu estava morta. Morta para todos. Matthew havia forjado um incêndio em nossa casa, no nosso quarto. Havia até um cadáver para ser o “meu corpo”.
Desliguei a TV. Eu estava em completo choque. Nem no fundo, me restavam esperanças de ser encontrada por Dougie, mas isso não aconteceria. Não mais.

’s POV

O cheiro forte de álcool preenchia o ambiente. Abri os olhos lentamente, olhando ao redor. estava sentado em uma poltrona azul claro próxima a um frigobar pequeno. Ainda observando, pude constatar que estava em um hospital. Pigarreei baixo, chamando a atenção de . Assim que seu olhar virou para mim, fiquei assustado. Seus olhos estavam muito vermelhos.
– Dude... A . Ela... Aquele maldito... Ele... – eu tentava formar uma frase coerente, mas era o que menos conseguia fazer no momento. Ao ouvir o nome de , se entregou às lágrimas novamente. – O que aconteceu, ? Cadê a ? – encontrei forças para falar um tanto quanto alto, o que fez a porta do quarto se abrir, mostrando e que não estavam com a aparência muito melhor que a de . Eu não estava nada preocupado comigo, com o fato de eu estar em um hospital e provavelmente cheio de hematomas. Só queria saber o que havia acontecido com a minha .
– Calma, dude. Olhe, fique calmo, . Você deu uma pancada forte com a cabeça. Não pode se estressar – se aproximou da cama, sentando-se na beirada da mesma. – Como se sente?
– Não quero saber o que tive ou qualquer outra coisa,. Quero saber da , porra! – minha voz saía desesperada. Para os três estarem naquele estado, boa coisa não havia acontecido.
, olhe só... Vou lhe contar o que houve, mas primeiro preciso que você se acalme – o tom de voz sério de me assustou um pouco. – Vou chamar o médico e ele vai avaliá-lo primeiro. Depois disso, vamos conversar de homem para homem com sinceridade – pelo tom de voz que usava, pude perceber que não adiantaria contestar.
Assim como dito, chamou o médico, que disse que eu estava bem pelos exames iniciais e que provavelmente em poucas horas eu receberia alta.
– Pronto. Agora o médico já saiu. Você pode, por favor, contar o que aconteceu com a minha pequena? – meu tom de voz saiu choroso, mais do que eu queria. Não queria que meus amigos pensassem que eu era fraco. Queria me mostrar forte, capaz de agüentar qualquer notícia. Queria que fossem sinceros, mas, bem no fundo, o que eu mais queria é que eles falassem “conseguimos pegar a tempo. Ela está bem lá fora e doida para entrar”, porém, ao contrário disso, fez um sinal com a cabeça e e assentiram, saindo do quarto. Pude ouvi-lo respirar fundo e bufar por pelo menos duas vezes antes de começar a falar.
– As notícias que tenho não são nada boas, não conseguia me olhar e isso me deixava ainda mais preocupado.
– Ele a trancou de novo naquela casa, não é? – bufei. – Aquele maldito a trancou de novo, né? Mas vamos tirá-la de lá, nem que para isso eu tenha que falar com a imprensa, colocar todo mundo nessa merda. Nem que eu tenha que dar a minha vida por isso. Nem que...
– Ela está morta, cortou minha fala e arregalei os olhos. Aquilo só podia ser uma brincadeira de péssimo gosto.
, eu... Não, isso não aconteceu. Ele é obcecado por ela. Não mataria a
– O quarto dos dois pegou fogo, . Ela provavelmente estava trancada lá – me cortou novamente. As lágrimas já escorriam livremente por meu rosto àquela altura do campeonato. – Já foi feita a autópsia. O corpo é mesmo o dela. Eu... Eu sinto muito, dude.
– Não... Não pode ser verdade... NÃO PODE SER VERDADE, ! ELA NÃO PODE ESTAR MORTA! NÓS IAMOS SER FELIZES JUNTOS! – gritei sem me importar por estar num hospital e logo e apareceram no quarto. – Como? Como vocês me acharam? Como sabem que ela está morta? Como isso tudo pode estar acontecendo? – os três apenas me olhavam. Um olhar de pena. Todavia eu não queria pena. Queria explicações, queria saber o que havia acontecido. – FALEM!
ligou para e avisou que o plano deu errado. Fomos atrás de você na cabana – respondeu com a voz embargada. Ela havia se preocupado comigo... A ponto de se arriscar em ligar para . Havia se preocupado comigo e talvez por isso aquele maldito homem a tenha trancado, levando-a à morte.
Meus soluços saíam como urros altos de dor. Dor era tudo o que me preenchia no momento. A mulher que eu amava estava morta. A mulher por quem eu daria a minha vida estava morta.
– Não posso acreditar que ela está morta. É mentira. É tudo a mais pura mentira – suspirou pesado. Os seus soluços preenchiam o quarto junto com os meus, de e .
– Dude, é verdade. Está em todos os noticiários, em todos os lugares – a voz de , que sempre fora tão firme e sempre me passara segurança, estava baixa e fraca.
– Liguem a TV. Quero ver o noticiário – não que eu não acreditasse nos meus amigos. Precisava ver, ver com os meus próprios olhos. Eu não podia acreditar em tudo aquilo.
O noticiário passava na TV e a todo momento comentavam o caso, a todo momento passavam o depoimento de Matthew que chorava abertamente, lamentando-se pela morte da sua tão amada esposa. Aquilo só me fazia sentir cada vez mais ódio. Aquele maldito filho da puta... A culpa de tudo isso era dele. A minha pequena havia morrido de forma dolorosa por causa dele. Era para ela estar ao meu lado agora, no Havaí, curtindo as férias que eu havia planejado. Esse homem havia acabado com a vida da mulher que eu amava, da mulher que eu queria ao meu lado para sempre, da mulher pela qual eu abria os olhos todos os dias de manhã. Eu havia perdido o meu motivo de respirar. A minha estava morta.

Dois meses depois...

O tempo passava devagar na ilha. Os dias pareciam intermináveis. Desde o dia em que eu vira no noticiário sobre a minha morte, eu não falava muito. Na realidade, apenas respondia quando me perguntavam algo. Além do mais, os funcionários não falavam o meu idioma. Falavam uma língua estranha e meio enrolada que eu não conseguia compreender. Apenas podia ouvi-los falando.
A noite estava um pouco fria, mas eu continuava ali, sentada na espreguiçadeira e olhando para o céu estrelado. As luzes do jardim estavam apagadas, tudo no completo escuro. Eu sabia que não estava sozinha. Sabia que estava sendo observada. O segurança de Matthew me observava de longe em silêncio, a mando dele, já que esse só podia vir uma vez por semana agora – o que me dava um pouco de sossego. Mas eu não me preocupava com isso. Não me preocupava com nada. Apenas... Nada. Era o que eu me sentia aqui presa.
Eu não via mais o noticiário, pois da última vez que liguei a TV para vê-lo, notícias sobre os guys indo ao cemitério visitar o meu túmulo apareceram na tela. Eu via apenas filmes ou séries para passar o tempo. Nos últimos dias, eu vinha sentindo um mal-estar estranho, porém não comentava nada com ninguém. Até porque não havia com quem comentar. Cruzei minhas mãos em cima da barriga. Os meus olhos ardiam ao fechar, denunciando o sono que já chegava a tempo.

– Senhora – ouvi uma voz um tanto quanto distante me chamar e abri os olhos, coçando os mesmos. – É melhor a senhora dormir na sua cama – sua voz baixa foi ficando mais nítida aos poucos. Suspirei pesado. Eu só queria ficar em paz, dormir onde eu quisesse, fazer o que eu fizesse. Talvez morrer fosse a solução.
Assenti com a cabeça, levantando-me da espreguiçadeira e indo em direção ao quarto. Deitei-me na cama e não demorei nada a dormir.

Corri para o banheiro rapidamente, colocando a pequena ceia que havia feito na noite anterior para fora. Eu deveria ter pegado alguma gripe ou virose daqui dessa área. Ainda não havia me acostumado com o clima direito. Levantei-me e fui até a pia para escovar os dentes. Lavei o rosto e segui logo para o banho. Incrivelmente, eu estava com fome enorme nas últimas semanas. Eu não era muito de comer, muito menos na situação em que estava, mas há umas semanas eu vinha sentindo uma fome enorme. Talvez por a comida da cozinheira daqui ser super bem temperada e gostosa ou talvez por eu não ter mais o que fazer e acabar descontando na comida.
Assim que terminei o café, deitei-me novamente na mesma espreguiçadeira de ontem, agora arrumando-a em baixo de um guarda sol. Algum tempo depois, o segurança veio me avisar que o almoço seria servido em quinze minutos. Levantei-me rápido da cadeira. Meu estômago estava roncando. Minha vista escureceu e tentei me apoiar na espreguiçadeira, porém meus braços e pernas fraquejaram e tudo o que pude ver foi a escuridão.

Um cheiro forte de perfume masculino invadia minhas narinas, fazendo-me sentir outro enjôo. Levantei-me o mais rápido que consegui e corri até o banheiro novamente. Coloquei tudo o que havia comido no café da manhã para fora. Lavei a boca e retornei para o quarto, dando de cara com Matthew.
– Surpresa em me ver, amor? – sua voz era calma e baixa. Ele andava assim depois que me trouxe para cá. Talvez por remorso, o que acho bem difícil, ou talvez por eu não estar desobedecendo ou me opondo a nada do que ele pedia. – Fiquei preocupado com você, querida – sua mão acariciou meu rosto delicadamente e apenas abaixei a cabeça. – Disseram-me que você tem se alimentado bem. Não entendo o que pode estar acontecendo – ele suspirou pesado, como se realmente estivesse preocupado com o que estava me acontecendo. – Trouxe um médico para ver você – sua voz era baixa e tranqüila. – Deite-se que vou buscá-lo – deitei-me na cama, resolvendo obedecer a Matthew ao invés de retrucar.
Em poucos minutos, um senhor grisalho entrou no quarto, cumprimentando-me no mesmo idioma que os funcionários da casa falavam. Apenas acenei com a cabeça, retribuindo o cumprimento. Durante a consulta, Matthew atuou como um tradutor, dizendo ao médico o que eu estava sentindo e me repassando as perguntas do médico. Tive que colher um pouco de sangue, o que realmente me deixava nervosa. Eu odiava ter que tirar sangue. Sempre odiei, mas o fiz calada.
– Sabe... – Matthew disse, entrando no quarto. – Acho que você esta é com saudades de mim – ele se deitou ao meu lado, abraçando minha cintura. – Já faz quase duas semanas que não venho, não é? – fiz que sim com a cabeça. Senti os lábios de Matthew nos meus e novamente um enjôo enorme tomou conta de mim, mas segurei e retribuí o beijo da melhor maneira que pude. – Se você não tivesse feito tudo aquilo, tentado fugir de mim, ainda estaria na nossa casa. Ficaria comigo todos os dias – dei um sorrisinho de lado. Uma das partes boas de estar aqui era não ter que aturar Matthew todos os dias.
Matthew ficou ali por um bom tempo, falando bobagens sobre como sentia minha falta e nossa casa ficava vazia sem mim, enquanto eu respondia com pequenos acenos de cabeça. O homem parecia não se incomodar com esse fato, já que continuava a falar como se estivesse em uma conversa super interessante com alguém que quisesse estar conversando com ele. Acho que na realidade ele já entendera que não conseguiria muito mais de mim e ficava satisfeito com o fato de eu obedecer sempre. A verdade é que, no momento em que Matthew “me matou”, a que existia dentro de mim também morreu. Morreu de tristeza, morreu de desgosto. Eu existia por existir, comia por comer, respirava por respirar. Eu não tinha mais vontade própria. Essa era a verdade.

Capítulo catorze

A porta do quarto bateu em um estrondo, fazendo com que eu desse um pequeno pulo na cama. O rosto completamente vermelho de Matthew me assustou ainda mais.
– Você é mesmo uma vadia, – seu tom de voz era sério como nunca havia sido antes. Levantei-me assustada da cama. Há apenas alguns segundos o médico tinha o chamado para dizer o resultado do exame. O que de tão grave poderia estar acontecendo? Será que eu havia contraído alguma doença de ? Não. Isso era impossível. Nós nos protegemos e, além do mais, tenho certeza de que não faria nada para me prejudicar, principalmente nesse nível.
– O que houve, Matthew? O que está acontecendo? – minha voz saía completamente amedrontada e baixa. Um frio no meu baixo ventre dizia que alguma coisa estava muito errada e que mais uma vez eu estava em maus lençóis.
– Houve que o seu “problema de saúde” é uma gravidez – meus olhos se arregalaram. Não era possível. Ainda por cima, agora, eu estava grávida. Grávida de Matthew.
Nesse exato momento, meu mundo desabou. Um filho ou filha é uma ligação eterna, uma coisa que não tem como romper. Apesar de a forma como essa criança foi concebida, ela não deixava de ser um pequeno pedaço meu e de Matthew também. E eu sabia que agora eu não teria mais como fugir. Não que eu tivesse para onde correr antes, mas, bem no fundo do meu ser, havia um pouco de esperança.
– Eu... Desculpe-me, Matthew. É só que... Como é que eu ia controlar isso? – as lágrimas já escorriam por meu rosto e eu mal tinha palavras para me expressar. – Você nunca usa camisinha e também não tomo anticoncepcional. Eu... Sinto muito – uma pancada forte atingiu meu rosto, fazendo o mesmo virar para o lado. Levantei os olhos e pude ver que havia sido acertada com o exame que Matthew segurava em mãos.

’s POV

Eu conseguia ouvir os caras falando algumas coisas, porém nenhuma delas me chamava a atenção. Nenhuma delas me fazia parar e olhar para eles. Nenhuma delas era incentivadora o suficiente para que eu saísse daquele quarto, para que eu soltasse o travesseiro onde repousou a cabeça na noite em que fugimos. Nada mais tinha cor, nada mais fazia o mínimo sentido. Tudo o que passava pela minha cabeça eram as cenas daquele último dia. A forma como ela se sacrificou por mim, os olhos amedrontados e tristes, os grunhidos de dor, o seu último olhar. Eu sabia que a culpa era minha, que o meu plano não havia sido bom o suficiente para salvá-la, que fui precipitado e burro, que ela estaria viva agora se não fosse por mim. E não havia palavra que tirasse essa idéia da minha cabeça. Não havia consolo ou abraço que conseguisse me fazer sentir melhor. Porque os únicos abraços que eu queria eram os de , os únicos beijos que me fariam dar um sorriso eram os dela. E eu sabia que eu nunca mais teria seus abraços, sorrisos, beijos, que eu nunca mais ouviria sua voz, sua risada. Eu sabia que ela estava morta e, conseqüentemente, eu também estava, pois a minha vida não fazia o mínimo sentido sem a dela.
– Cara, olhe, minha mãe fez aqueles cookies que você tanto gosta – apenas sinalizei que não com o dedo indicador, podendo ouvir um bufo frustrado vindo de . – , todo mundo sente falta dela. Todo mundo se culpa, todo mundo se sente mal pelo que aconteceu, mas, se você continuar assim, vai se morrer, cara!
– Bem, talvez seja essa a intenção – minha voz saiu rouca como sempre, ou melhor, como sempre a partir daquele dia.
– Entenda uma coisa: já perdemos a e a última coisa que queremos é perder você também. A gente não ia agüentar, dude – a cama afundou ao meu lado enquanto a voz de parecia embargada. – A gente não pode perder você, cara.
– Oh, meu Deus – a voz assustada e aguda de fez com que eu apertasse os olhos. – Olha só você, – passado o susto, a voz dela se tornou extremamente chorosa. – Os garotos não queriam que eu viesse aqui. Provavelmente não queriam dedurar você e o seu estado. Está esquelético, pálido, querido. Entendo a sua dor, compreendo que você se sinta culpado, mas imagine como eu me sinto, , sabendo que ela... – deu um suspiro pesado antes de continuar, como se buscasse forças. – Que ela se foi e vendo você desse jeito agora, vendo que você está se destruindo. Não digo que é fácil, porém você tem que reagir. Não só por mim, pelo , ou . Por você. Imagine como estaria se o visse nessa situação!
– MAS ELA NÃO ESTÁ! ELA NUNCA VAI ESTAR, PORQUE ESTÁ MORTA! ELA NÃO VAI VOLTAR, ! ENTÃO NÃO TENTE USAR O NOME DELA PARA ME CONVENCER, PORQUE VOCÊ NÃO VAI CONSEGUIR! TUDO O QUE ESPERO A CADA MALDITO DIA É ME JUNTAR A ELA E NINGUÉM VAI ME CONVENCER DO CONTRÁRIO! – pude ver o choque estampado nos rostos de e de . Os dois obviamente não esperavam por essa reação da minha parte.
– Volto amanhã, dude – murmurou enquanto saía do quarto com a mãe.

’s POV

Eu não conseguia entender o porquê da pancada, contudo a cara brava de Matthew me deixava a cada momento mais amedrontada.
– Acontece, querida... – sua voz saía cheia de ironia. – Que eu sou estéril.
Meu Deus... Eu... O meu bebê... Não consegui evitar que um pequeno sorriso surgisse em meu rosto. Eu ia ter um bebê de , um pedaço dele estava dentro de mim agora se desenvolvendo, crescendo. Eu sabia que não era justo com , que não conheceria o próprio filho. Sabia que era errado estar um tanto quanto feliz por essa criança, porém, pelo menos, eu teria sempre um pedacinho do homem que eu amava comigo.
– E você está sorrindo – o tom de voz alto e bravo de Matthew me fez despertar para a realidade e toda a alegria se esvaiu ao pensar que o meu filho também seria maltratado por Matthew, que ele também sofreria nas mãos daquele homem, que uma criança inocente pagaria por um “erro” meu. – Só lhe digo uma coisa,\ . Essa sua felicidade não vai durar muito tempo – várias coisas se passavam por minha cabeça. Será que Matthew me faria dar o meu bebê para a adoção? Será que ele não me deixaria ver meu filho?

Capítulo quinze

Enquanto tudo aquilo se passava pela minha cabeça, Matthew arrumou minhas malas novamente. Eu queria entender o que ele ia fazer, saber qual seria o seu próximo passo. Pude ouvir o barulho do helicóptero. Será que eu ia voltar para casa? A resposta foi mais rápida do que eu esperava.
No momento seguinte, Matthew saiu me puxando para dentro do helicóptero, mas eu não tinha certeza de se estávamos indo para casa ou para algum outro lugar. Na hora em que abri a boca para perguntar, Matthew me olhou. O olhar frio e sério que sem uma palavra me dizia para ficar calada. Pelo bem do meu bebê, resolvi obedecer.
Involuntariamente, minha mão direita se apoiou em meu ventre. A barriga ainda nem havia crescido, todavia saber que havia uma criança ali mudava tudo. Eu sabia que as coisas seriam diferentes, mas não imaginava que elas mudariam tão rapidamente. Tudo o que eu pensava era: qual será o próximo passo de Matthew? Será que ele iria ferir o meu bebê?

Algum tempo depois, pude avistar a nossa antiga casa. Então pelo menos eu não seria levada para longe. Estava de volta àquele lugar, à minha antiga prisão. Senti um pano tampando o meu rosto e virei o mesmo para o lado contrário, tentando me livrar do tecido.
– Fique quieta. Já vamos descer e não quero que ninguém a veja – a voz áspera de Matthew adentrou os meus ouvidos.
Alguns segundos depois, o helicóptero pousou. Senti uma das mãos de Matthew em meu braço novamente e em seguida o homem foi me guiando com certa brutalidade para dentro do que supus ser a casa. Em seguida, subimos alguns lances de escadas até que um rangido alto de porta abrindo adentrou os meus ouvidos. Meu corpo foi empurrado para frente, fazendo com que eu caísse de joelhos no cômodo, e logo a porta foi fechada novamente. Tirei o saco de tecido que cobria o meu rosto e pude perceber que eu estava no porão de casa. O lugar estava extremamente empoeirado, o que me causou alguns espirros.
Levantei-me, olhando ao redor. A janela que havia ali estava coberta por ripas de madeira, deixando apenas algumas frestas de luz entrarem no ambiente. Olhei para o teto à procura de uma lâmpada e o bocal onde a mesma deveria estar estava vazio. Ainda era começo de tarde, então estava tudo bem iluminado, porém eu sabia que, quando a noite caísse, a escuridão iria dominar o ambiente.
O tempo foi passando e, como previsto, o porão estava completamente escuro. Aproximei-me da janela, olhando para fora. Pela pequena fresta eu conseguia ver o céu extremamente estrelado e aquilo me fez pensar em como seria a reação de caso ele soubesse que seria papai. Acariciei minha barriga com esse pensamento. Ele seria o homem mais feliz do mundo.
Meu estômago deu sinal de vida. Eu não comia desde o café e estava morrendo de fome.

O dia foi amanhecendo aos poucos e a luz do sol voltou a preencher o cômodo, fazendo-me sentir minimamente mais confortável. Meus olhos se fecharam lentamente. Eu realmente odiava dormir no escuro e não consegui pregar o olho o resto da noite inteira. Quando estava quase pegando no sono, a porta do porão foi aberta com um rangido alto.
– Ah, então você está descansando? – abri os olhos e, ao fazê-lo, pude ver Matthew vestido de terno, assim como ele fazia quando ia trabalhar. – Só vim lhe dar um aviso: vou fazer uma viagem a trabalho agora. Volto ainda hoje. Vá se despedindo do seu bebê, porque até a noite ele já terá sido tirado – meus olhos se arregalaram. Ele não podia fazer aquilo.
– Não, Matthew, por favor. O meu bebê não – as lágrimas logo começaram a escorrer. – Por favor, não me tire o meu filho – a súplica em minha voz parecia fazê-lo se divertir ainda mais. – Faço o que você quiser, porém não vou tirar o meu filho. Eu não quero.
– Você não tem escolha, . O médico virá para cá e o procedimento vai ser aqui em casa mesmo – sua voz era calma e autoritária. – A culpa de esse inocente morrer é sua. Inteiramente sua – e então, com outro rangido, a porta foi fechada e Matthew se foi.

Capítulo dezesseis

A tarde havia chegado e meu estômago roncava alto. Minha boca estava seca, mas, ainda assim, as lágrimas não paravam de escorrer por meu rosto. Eu não tinha saída. Não havia nada que pudesse fazer. Aquela criança estava há tão pouco tempo comigo, porém era minha. E, por mais que eu tentasse não pensar nessas coisas, sabia que o que Matthew disse era verdade. A culpa era minha. Um inocente ia morrer e o sangue ficaria em minhas mãos.
O tempo foi passando de forma lenta e tortuosa. Logo, a luz dentro do porão foi diminuindo e estranhamente Matthew não apareceu. Talvez ele estivesse ficado enrolado na sua reunião e eu agradecia a Deus por isso. Era um tempo a mais que eu tinha com o meu filho. A tontura dominava meu corpo vez ou outra e a saliva arranhava ao passar por minha garganta.

’s POV

– Dude – a voz de preencheu o quarto. – Sei que você não quer falar, e tudo bem. Estou aqui só para lhe fazer companhia – ele suspirou pesado. – Bem, não sei se você vai se sentir melhor com isso, mas o Matthew... – comecei a dar mais atenção, não sei por quê. – O helicóptero dele caiu hoje à tarde.
Aquilo, ao contrário do que eu pensava, não me fazia sentir melhor. Nem ao menos me fazia sentir nada, como sempre, como em todos os outros dias. Apenas assenti com a cabeça. Talvez essa notícia me deixasse muito feliz alguns meses atrás. Mas agora... Agora essa informação não mudava nada.
– Não quero encher o saco, , mas você poderia pelo menos ir tomar um banho? – suspirei pesado e me levantei da cama. Uma tontura forte me atingiu, porém não me importei. Caminhei até o banheiro, abrindo o registro do chuveiro e, sem me preocupar com a temperatura da água, adentrei de baixo dela. Não sei ao certo por quanto tempo fiquei embaixo da água gelada, mas, assim que girei o registro, fechando-a, pude ouvir sussurros de dentro do quarto.
– Olhe só. Você não vai falar isso para ele – o tom de voz de era bravo como eu nunca havia ouvido antes
– Dude, mas eu vi – reconheci a voz de falando de forma séria também. Eu não entendia o que eles queriam falar, contudo sabia que era sobre mim.
– Ah, sim. Você viu a entrando em casa dois dias atrás? Como é que acha que o vai ficar com essa notícia, seu idiota? – ralhou e bufou frustrado.
– Você teve uma ilusão de óptica. Só isso. Todos nós queríamos conseguir ver a naquela casa e você estava há horas sem dormir. Não viaje, complementou, mas eu não conseguia mais raciocinar direito. Quer dizer que havia visto entrando em casa com Matthew?
– Mas ele tem o direito de saber, droga! – a voz de cortou os dois. – Não tem como o cara ficar pior do que já está. Entendam isso – bem, talvez fosse uma brincadeira dos três comigo, ou talvez ela tivesse voltado. Voltado para mim.
– O que tenho o direito de saber? – os rostos dos três viraram em minha direção imediatamente. – Vamos. Quero ouvir também.
– Não é nada de mais, dude – disse de forma que ele provavelmente julgava parecer calma, mas o seu nervosismo era quase tocável.
– Vou falar e ponto final – falou de uma forma com a qual eu não o via falando há muito tempo. – Dude, desde o ocorrido com a , eu, e estivemos vigiando a casa do Matthew para ver se conseguíamos alguma prova para incriminá-lo. Antes de ontem, quando saí daqui, fui direto ficar de guarda e então o helicóptero do cara pousou no jardim. E meu queixo caiu no chão quando o vi saindo do helicóptero acompanhado por uma mulher. Ela tinha um saco preto no rosto, mas o corpo era IDÊNTICO ao da . Tinha aquela marquinha na coxa. Você sabe? – assenti com a cabeça enquanto me sentava na cama. Minhas pernas estavam fracas de mais para agüentar toda aquela história. Eu sabia que os caras jamais brincariam com esse tipo de coisa, jamais me dariam essa esperança se ela não fosse verdadeira. E bem, até onde eu saiba, o infeliz do Matthew estava morto. Se está dentro daquela casa, vou tirá-la de lá, independentemente do que eu tenha que fazer para que isso aconteça.

's POV

Já havia amanhecido e escurecido duas vezes desde que Matthew saíra. Eu não tinha muita noção do tempo, pois a fome fazia com que eu desmaiasse toda hora. O meu rosto estava apoiado em uma das ripas de madeira na janela, meus olhos quase fechando, quando vi ali tudo o que eu mais queria ver no mundo. No portão lá fora, estava argumentando com o segurança, e então eu sabia que a minha hora estava chegando. Pelos delírios, talvez Deus estivesse apenas tentando me fazer ser feliz nessa hora. Talvez estivesse me dando esse presente por tudo o que passei: o presente de poder ver o meu , o presente de ele ser a última coisa que eu veria em toda a minha vida.
Enquanto eu olhava para o corpo magro que estava um tanto quanto longe, a minha visão foi ficando turva e escura aos poucos. Com um sorriso no rosto, fechei os olhos. Eu não teria que tirar o meu bebê, eu não sofreria mais nas mãos de Matthew. Eu finalmente teria paz.

Capítulo dezessete

’s POV

É óbvio que a minha vontade era de sair naquele mesmo momento e dar um jeito para entrar naquela casa e sair de lá com a minha nos braços. Mas eu não poderia chegar lá sem um plano, porque, por mais que aquele maldito estivesse morto, se não tinha aparecido até o momento, alguma coisa estava errada. Ela poderia estar trancada em algum lugar sem nenhum funcionário saber e eu não conseguiria simplesmente entrar na casa. Não tinha um motivo forte o suficiente para conseguir uma liminar de algum juiz e ter permissão para entrar no lugar, já que estava morta para todos. Qualquer um rejeitaria a minha justificativa. Os seguranças já haviam barrado a mim e aos caras diversas vezes, alegando que não éramos bem-vindos naquela casa. Então tivemos que bolar um plano um tanto quanto bobo, porém, ainda assim, foi o melhor que conseguimos.
– Ei! – gritei novamente no portão e o segurança que estava de guarda revirou os olhos, certamente cansado de me ver por ali.
– Cara, eu já disse. Você não vai conseguir entrar aqui sem uma autorização judicial – seu tom era cheio de impaciência e eu gostava daquilo.
– Eu sei, mas é que – comecei com a voz derrotada. – Olhe... – apontei que pulava o muro da casa do outro lado do jardim e logo o homem saiu correndo em sua direção. Enquanto isso, pulava o outro muro, deixando o segurança confuso quanto para onde ir. Graças a Anne, fomos informados de que naquele dia em especial só havia dois seguranças na casa: um no turno do dia e um no da noite.
Aproveitei-me de que o segurança corria atrás de e e pulei a mureta da casa. Corri o mais rápido que pude em direção à porta e, ao abrir a mesma, dei de cara com uma imensa sala. Aquela casa parecia grande de fora, contudo com certeza era muito maior por dentro. estava em meu encalço. Subimos as escadas tão rápido quanto pudemos, chegando a um corredor com diversas portas. Começamos a forçar as maçanetas. Todas elas estavam abertas e os quartos, todos vazios. Um tanto quanto frustrante. Nós já íamos começar a descer as escadas novamente, quando uma porta entreaberta no canto de um dos quartos me chamou atenção.
– Dude, o que você está fazendo? – perguntou, olhando-me estranhamente, enquanto eu empurrava a porta. Um corredor estreito que era completamente preenchido por escadas. Ao final delas, havia uma porta. Estava bastante escuro, apesar de ainda ser dia. Geralmente, eu teria medo e iria embora, mas algo desconhecido fez com que eu respirasse fundo e subisse aquela escadaria o mais rápido possível. A porta estava trancada e aquilo obviamente me deixou ainda mais curioso e com vontade de abrir a mesma.
– Não sei o que estou fazendo, , mas preciso que você me ajude a abrir essa porta – eu tentava em vão arrombar a entrada de madeira, já que ainda estava fraco.
rapidamente se lançou sobre a mesma e, com um rangido alto, a porta se abriu. E ali, diante dos meus olhos, estava ela. A mulher da minha vida. Corri até o corpo de e segurei seu rosto com delicadeza. A garota tinha olheiras fundas nos olhos e a boca extremamente seca. Rapidamente passei meus braços por trás de seus joelhos e suas costas e toda a força parecia ter voltado ao meu corpo naquela hora. Com uma rapidez que eu desconhecia, fui saindo daquele maldito porão e daquela maldita casa.
Ao sairmos da casa, nos esperava no carro.
– VAMOS, ! CORRA PARA O HOSPITAL! – gritei, enquanto segurava em meu colo. A sua respiração estava fraca e meu coração, extremamente apertado com aquilo. – Aguente só um pouquinho, meu bem. Já vamos chegar ao hospital – eu sussurrava em seu ouvido, porém sua situação parecia só piorar.
Mal dei tempo de o carro parar para sair correndo para dentro do hospital, gritando por ajuda. Rapidamente, os paramédicos vieram para socorrer e, a partir dali, tudo o que eu poderia fazer era esperar.

As horas pareciam se arrastar só para me castigar. e estavam ao meu lado quando chegou um tanto quanto ofegante.
– Cara, nunca corri tanto na minha vida – ele se sentou ao meu lado e sorri para eles. Naquele momento, eu estava grato, grato a todos eles por terem me ajudado. Grato a por ter batido o pé e resolvido me contar.
– Não tenho nem palavras para agradecer a vocês, caras, por tudo. Você, , por ter me contado. Vocês, e , por terem ajudado em tudo isso. Nem sei o que seria de mim sem vocês para me ajudarem em todos os momentos – estava realmente agradecido por ter amigos tão bons quantos os meninos.
Antes que algum dos três pudesse se pronunciar, o médico adentrou a sala de espera com uma prancheta em mãos.
– Parentes da senhora Clearwoods – levantei-me imediatamente.
– Pode falar, doutor – minhas mãos suavam e tudo o que se passava por minha cabeça era “esteja bem, esteja bem”. Pude ver pelo canto dos olhos que os caras também estavam de pé, tão ansiosos quanto eu.
– A senhora chegou aqui com um quadro grave de desidratação e desnutrição. Ela deve estar há uns dois ou três dias sem comer e, no estado em que está, isso não é aconselhável – concluiu sério.
– Estado em que ela está? – cortou. – Que estado?
– A senhora Clearwoods está grávida – sentei-me novamente na cadeira onde estava antes. A notícia me atingiu como um baque.
estava grávida. Grávida daquele maldito e ele havia feito aquilo com ela, deixado a mulher que esperava um filho dele trancada e sem comer em um porão empoeirado e sem luz. Naquela hora, eu não sabia o que fazer. A idéia de estar esperando um filho de Matthew me atingiu como um tapa forte e desnorteante.
Não conseguia nem falar nada. Nenhuma palavra saía de minha boca. Cheguei a sentir uma pontada de raiva de , porém, no mesmo momento em que a raiva veio, a cena da última vez em que nos vimos veio junto. A forma como ela se sacrificou por mim, a dor explícita em seus olhos... E eu sabia que não podia culpá-la por ser estuprada. Não podia culpá-la por nada. E aquele filho teria um pai. Um pai que o amaria sem limites, porque, assim como , aquela criança não poderia ser culpada por nada.


N/A (12/03/2012): Olá, divas da titia. Olhe só quem voltou! E aí, como estão se sentindo? Vocês estão finalmente livres do monstro do Matthew. É muita felicidade, né? Agora, como será que o seu guy vai agir com você, hein? Achando que você está grávida de outro? Será que ele vai acreditar que o bebê é dele? Muitas dúvidas e questões para o próximo capítulo. MHUAHUAHUA. Espero não demorar tanto a mandar as atualizações, mas acontece que, como a faculdade começou e esse era o último capítulo que eu tinha escrito de FH, talvez eu demore um pouquinho mais. Espero que não.
Enfim, é isso. Qualquer coisa, gritem no facebook ou no twitter e comentem bastante. <3

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