Betada por: Lê Assis.


Parte I

1

O sol escondido entre as nuvens ainda deixava a manhã quente. O ônibus parou em frente ao hotel-parque e , , e eu pegamos nossas malas e descemos. Uma semana em um hotel-parque seria o bastante para descansar e esquecer os problemas diários. Todas as diversões possíveis durante uma semana, sem pagar nada.
Eu e ficamos no mesmo quarto, e no quarto ao lado. Jogamos as malas sobre a cama e saímos, nosso passaporte era válido durante a semana em que estaríamos ali e nos dava direito a tudo, desde uma voltinha na roda gigante até um almoço de luxo no restaurante do hotel. Caminhando por lá, descobrimos que naquela noite começaria o Show Dos Horrores no parque. Zumbis e vários personagens de filmes de terror estariam espalhados por lá assustando quem quer que estivesse por lá, mas a atração principal era a Mansão Dos Vampiros, um lugar grande e escuro que escondia vários segredos. Durante a semana, quatro pessoas seriam escolhidas por noite para explorar e “sobreviver” na mansão e os primeiros seríamos nós.
O parque não estava muito cheio, não sei se por ainda ser manhã ou por não lotar mesmo.

- gritou. –, e ! – Todos nos viramos para ela, que olhava fascinada para a mansão. – Esse lugar é lindo.
- Demais. – respondeu. – Será que podemos dar uma olhada?
- Não abriu ainda, . – Respondi. – Melhor esperar a noite.
- Mas eu quero ver como é. – se aproximava da mansão e começamos a segui-la.
- ! – falou quando colocou a mão sobre os portões.
- Me deixa, garota! – Ela abriu o portão e entrou, fomos atrás dela. Caminhamos até a porta da mansão e girou a maçaneta.
- Hey, podem ir parando por aí e voltem. – Ouvi uma voz atrás de mim e me virei lentamente. Me deparei com um homem que, aparentemente, tinha uns 32 anos, os cabelos raspados, olhos azuis e um pouco mais alto que eu. Ele estava com cara de poucos amigos e a barba por fazer o deixava com cara de bravo. – Vocês não leram a placa? – Ele apontou para o portão. – Depois das 21:00 e ainda nem são 12:00, portanto, fora!
- Mas ela... – Falei, porém fui interrompido.
- Ela nada, fora! – Ele foi até o portão e o abriu novamente. – E só voltem as 21:00, isso se vocês forem os escolhidos de hoje.
- Nós somos os escolhidos, queridinho. – falou e olhou para ele com um sorriso falso.
- Então espero vocês por aqui. – Ele retribuiu o sorriso falso para ela.
- Espera. – parou e pegou o crachá dele, olhou e soltou. – Vou fazer uma reclamação sua na portaria, !
- Podem reclamar, vocês estão errados mesmo.
- Vamos, . – falou, puxando-a pelo braço. As três meninas saíram e eu fiquei parado lá, olhando fixamente nos olhos de .
- E você, está esperando o que para ir com suas amigas? – Ele me falou.
- De... Desculpa. – Gaguejei, depois me virei e corri até elas.

Confesso que os olhos dele me deixaram fascinado, tanto que eu não consegui parar de olhá-los. Quando nos afastamos, olhei para trás, mas não estava mais lá. Fomos até o restaurante e almoçamos juntos. Depois do almoço, fomos assistir algumas atrações no teatro. O melhor foi uma peça de suspense com um assassino e um casal morto, eu e as meninas até apostamos sobre quem era o assassino. A peça terminou às 21:00 em ponto.

- Meninas! – Gritei levantando da poltrona onde estávamos. – A Mansão dos Vampiros!
Saímos correndo até a Mansão, tinha gente lá na frente, mas eles não deixavam ninguém entrar, pois os escolhidos éramos nós.
- Saiam da frente! – passou empurrando todo mundo - Hoje somos nós.

Chegamos ao portão e mostramos nossas identidades, desse jeito nos deixaram entrar, mas não vi por ali. Subimos, na frente, eu atrás dela, e logo atrás. A porta se abriu e entramos, depois ela se fechou com força, nós quatro demos um pulo. se virou e tentou abrir.
- Está trancada. – Ela se virou de novo.
- Óbvio! – Alguém falou, mas estava tudo escuro e não dava pra ver. – Por aqui ninguém sai, vocês precisam encontrar a saída antes do amanhecer, ou ninguém sairá vivo daqui. – De repente vi um vulto preto parado ao meu lado. – Eles não vão deixá-los sair, mas vocês têm que sobreviver. Uma mordida e vocês têm que ficar exatamente onde estão, sem poder sair até que eu vá até lá, isso significa “game over”. Se precisarem de alguma coisa para “matá-los” usem a imaginação com o que pegarem dentro da casa. Tem uma porta trancada em algum lugar por aí, então, ou vocês acham a chave ou procurem a saída secreta. – O vulto se aproximou da parede próxima e abriu uma porta. – Boa sorte!
Meu coração batia forte quando atravessamos aquela porta e entramos no hall da mansão. Haviam duas escadas ali que levavam ao mesmo lugar. Embaixo das escadas haviam três portas e do outro lado mais duas.
- Aonde vamos primeiro? – Disse parada perto de uma das escadas, ela olhava para todos os lados.
- Vamos nos separar. – disse. – e vão pro andar de cima, eu e exploramos por aqui. Se quiserem podem se dividir lá em cima também. Depois nos encontramos aqui também e nos dividimos no 3º e 4º andar.
- Esse lugar me dá arrepios. – Falei enquanto subia as escadas ao lado de .
- Concordo! – Ela falou baixinho.

Quando chegamos ao segundo andar nos deparamos com um corredor com, mais ou menos, umas oito portas. Olhei para e sugeri que nos separássemos. Entrei na última porta do lado esquerdo do corredor enquanto ela entrava na primeira do lado direito.
Eu estava em um quarto, liguei a luz para poder ver melhor, havia uma cama de casal desarrumada, alguns móveis e um guarda roupas. A escrivaninha ao lado da cama estava empoeirada, precisando de uma limpeza básica. Havia um diário sobre a mesa, estava aberto em uma página onde tinha pouca coisa escrita, comecei a ler.

“A minha sede de sangue continua maior a cada dia que passa, não posso mais controlar. Faz pouco tempo que fui transformado, nunca acreditei em vampiros e muito menos pensei que um dia fosse ser um. Eu tentei controlar, não beber sangue pra não matar ninguém, mas está ficando impossível. Estou trancado nesse quarto há três dias, tentando não sair para não cometer um crime, um crime que todo vampiro comete. Eu não quero sair...
Espera, parece que tem alguém aqui, ouço passos e vozes no hall...”


Larguei o diário de volta na escrivaninha lentamente. Minha respiração estava lenta, pois eu não queria que ninguém sentisse a minha presença ali. Me virei e o vi parado atrás de mim, me fitando fixamente e eu pude reconhecer aqueles olhos. estava todo vestido de preto, usava touca também preta e começou a se aproximar de mim. Dei alguns passos para trás até me encostar à escrivaninha, ele veio junto e parou a poucos centímetros de mim.
- Por favor... – Supliquei. Mesmo sabendo que aquilo não era real eu estava com medo e meu coração batia mais forte.
- Eu não consigo... Controlar! – Ele pulou para mais perto de mim, o que me fez soltar um grito.
- Pára! – Coloquei minhas mãos sobre seus ombros e tentei empurrá-lo, mas ele era mais forte que eu. – Você não quer fazer isso! – Sem falar nada ele se afastou de mim, foi até o outro lado da cama e ficou virado para a janela.
- Sai daqui. – Ele falou com uma voz calma.
- ...
- Sai! – Ele me olhou de lado. – Sai antes que eu me arrependa e volte a me descontrolar. – Me aproximei da porta e girei a maçaneta, mas ela não abriu.
- Está trancada. – Falei me virando para .
- A chave está comigo... – Ele pegou a chave em um dos bolsos e estendeu a mão para trás, sem me olhar. Aproximei-me lentamente e estendi a mão para pegar a chave, quando toquei em sua mão ele segurou a minha com força e se virou, depois me puxou contra ele e me aperto com força. – Desculpa, mas está incontrolável agora. – Aquilo parecia ser tão real e assustador que eu soltei um grito alto. O que estava incontrolável agora era meu medo, eu gritava e me debatia nos braços de . Ouvi batidas na porta, chamava por mim. – Desista, ele foi mordido. – falou isso e cobriu minha boca com uma das mãos, mordi sua mão e ele a puxou enquanto me xingava.
- , eu... – Sem me deixar terminar de falar, colocou a mão em minha cabeça e me puxou, tocando seus lábios nos meus, o que me fez calar. Só quando os barulhos na porta e os gritos de pararam que me soltou.
- E da próxima vez vá morder a sua mão, porque doeu. – Ele riu.
- Por que você me trancou aqui, se você nem me mordeu?
- Porque eu precisava falar contigo! – Meu coração acelerou de novo. sentou-se sobre a cama e me olhou. – Eu percebi o jeito de você me olhou hoje mais cedo, por quê?
- Seus olhos... – Suspirei sem olhar para ele. – Ah, , desculpa...
- Tudo bem, . – levantou da cama, se aproximou de mim e me abraçou. – Eu também gostei de você.
- ...
- Shhh... – Ele colocou o dedo indicador sobre meus lábios, depois desceu seu rosto até meu pescoço e o beijou. Fechei meus olhos e senti um arrepio percorrendo todo meu corpo. deu mais alguns beijinhos em meu pescoço e depois o mordeu de leve, logo voltou a me olhar com um sorriso maroto. – Você foi mordido, é game over pra você.
- Não me diga que... – Falei enquanto se afastava de mim.
- Sim, , eu usei minha tática de sedução pra te morder. Fim de jogo pra você. – Ele deu um riso debochado enquanto se afastava de mim e caminhava até a porta.
terminou de falar e saiu do quarto. Eu não tinha mais o que fazer, ele me enganou. Sentei sobre a cama e chorei de raiva, depois fui até a porta tentar sair dali, mas estava trancada. A única coisa a se fazer agora era esperar, e foi o que eu fiz, me sentei sobre a cama e fiquei olhando pela janela, uma hora alguém iria aparecer para me buscar.

2


Estava quase amanhecendo quando alguém foi me buscar, eu estava dormindo. Ouvi uma voz me chamando, era uma voz que eu não conhecia. Quando abri os olhos eu o vi, tinha cabelos loiros, olhos verdes e estava de camisa regata preta. Esfreguei os olhos e me estiquei na cama.

- Bom dia, novo vampiro. – Ele riu, mas eu ainda estava sonolento demais para rir daquilo. – Eu ia te tirar daqui mais cedo, mas não quis te acordar.
- Onde... – Antes que eu pudesse terminar a pergunta, me lembrei, dei um salto da cama e fiquei de pé rapidamente. – Vampiros... ! – Corri até a porta.
- Espera! – Ele falou e se aproximou com um envelope na mão. – Seu prêmio de consolação. – Me entregou o envelope, ainda sorrindo.
- Ah, obrigado... – Peguei o envelope e o abri. Dentro havia uma foto de todos os vampiros na frente da mansão. Guardei a foto sem sequer procurar por nela. – Obrigado mesmo! Agora eu quero sair daqui, estou traumatizado com essa mansão.
- Claro, vamos. – Ele abriu a porta e me esperou sair, saindo logo após e me mostrando o caminho, o mesmo por onde eu havia entrado. – A propósito, meu nome é .
- ...
- É, o me falou. – abriu a porta e eu saí, sendo seguido por ele. – Agora descansarei um pouco para me divertir no parque à tarde.
- Tudo bem, eu vou tomar um banho e sair. Até que a cama de um vampiro é confortável, consegui descansar o bastante.
- Claro, é lá que dormimos quando a mansão não está aberta. – Ele riu e eu também. – Então, acho que nos vemos por aí.
- Sim, caso não nos encontremos, eu passo por aqui para dar um oi. – Sorri, apertando meus olhos. – Até mais.
- Até.

O caminho até o hotel era um pouco longo e eu ainda estava sonolento. No caminho comecei a lembrar do que tinha acontecido na noite anterior. tinha me seduzido pra me eliminar do jogo, ele se aproveitou do que eu havia contado para ele e fez isso. Não sei se devia odiá-lo por isso ou simplesmente fingir que nada aconteceu, mas eu iria descobrir quando o visse mais tarde.
ainda estava dormindo quando entrei no quarto. Tomei banho sem fazer barulho e depois fui até a sacada, onde fiquei sentado até que ela acordasse. riu quando me viu ali na sacada, falou algumas besteiras que eu não entendi por causa da sua voz de sono e depois foi tomar banho. Fui até o quarto ao lado e acordei e . me xingou até não querer mais, depois foi se arrumar para irmos almoçar.
Comemos algo leve no almoço, pois ficaríamos no parque a tarde toda e não queríamos... Bem, acho que deu pra entender.
O parque já estava cheio quando chegamos. Ainda bem que ele era bem grande e não havia muitas filas nos brinquedos. Andamos em uns três brinquedos e até agora não vi ninguém da Mansão dos Vampiros. Quando estávamos na fila do túnel do terror foi que eu vi vindo em nossa direção, estava com um copo de cerveja na mão e estava ao seu lado.

- Vampiro! – parou em minha frente e ergueu o copo, como se fosse um cumprimento.
- Olá! – Sorri. – Descansou?
- Sim, acabei de acordar. – Ele riu, dando um gole em sua cerveja. – Quer? – Me estendeu o copo.
- Eu quero! – pegou o copo e bebeu metade de seu conteúdo. – Tenho que estar psicologicamente preparada para o túnel do terror. – riu.
- , não foi pra você que ele ofereceu. – Falei rindo.
- Ah, não? Pensei que fosse. – Ela respondeu. – Desculpa... – olhava para .
- ! – Ele respondeu. – E tudo bem, , temos mais bebidas para consumir.
- Adooorooooooo! – Ela disse. e estavam quietas, apenas riam das besteiras de e dos gritos dentro do túnel do terror.
- Acho que eu não vou. – disse. – Esses gritos estão me deixando com medo.
- Essa gente é histérica mesmo, ali não tem nada demais. Posso ir com você. – se colocou ao lado de , que ficou um pouco envergonhada.
- Então vamos, nossa vez. – Ela deu caminhou até a entrada e nos olhou. – Vamos?
- , você pode ir buscar mais cerveja? – perguntou antes de entrar. – Sei que você não gosta daqui.
- Eu vou sim. – respondeu e depois me olhou. – Você pode ir comigo? Acho que vou precisar de ajuda. – Ele sorriu sem jeito.
- Eu vou sim. – Olhei para as meninas e desejei boa sorte dentro do túnel do terror, depois acompanhei .

Caminhei em silêncio ao seu lado. estava com as duas mãos nos bolsos e olhando para o chão. Caminhamos um pouco e pude ver que não estávamos indo até a mansão. Parei e o olhei, nem percebeu que eu havia parado, mas logo levantou a cabeça e olhou para os, lados me procurando, depois olhou para trás. Tirou uma das mãos do bolso e fez um gesto, me chamando, balancei a cabeça em sinal negativo e ele veio em minha direção.

- Por que você parou? – Ele falou parando em minha frente.
- Porque eu não sei onde estamos indo.
- Deixa de ser bobo! – riu. – Quero te mostrar um lugar que eu tenho certeza que você ainda não o conhece.
- Hmm. – Caminhei até ele e continuei o acompanhando. Logo chegamos a um lugar em que havia um cais. Ele subiu e eu o acompanhei. sentou na ponta do cais, me olhou e bateu no lugar vazio ao seu lado. Sentei. O sol tocava a água e derramava seu brilho sobre ela, a vista era linda.
- Conhece esse lugar? – Ele perguntou e se aproximou um pouco.
- Não. – Respondi baixinho, enquanto olhava para ele.
- Eu sabia! – encostou a lateral do seu corpo no meu e olhou em meus olhos. – Eu queria falar com você sobre ontem...
- Não, ... – Levantei, saindo de seu lado e comecei a caminhar até o início do cais.
- – Ele levantou e me seguiu, segurou meu braço e me fez o olhar. –, por favor.
- Não! – Puxei meu braço e virei meu rosto. – Ontem, quando você falou que também sentiu algo quando me viu, eu acreditei, mas você estava apenas brincando para fazer o seu trabalho naquela maldita mansão. – Me virei de costas para e voltei a andar.
- – Ele me seguiu. –, não me deixa aqui falando sozinho.
- Mas eu não quero falar sobre isso.
- Não precisa falar. – segurou meu braço novamente e me puxou contra ele, depois me apertou em meus braços e me olhou nos olhos. – Apenas me beije. – Rapidamente, aproximou seus lábios dos meus e me beijou. O beijo foi rápido, mas foi bom. abriu os olhos e voltou a me olhar, mas dessa vez levou uma de suas mãos até meu rosto e acariciou. – Me deixa ter você pelo menos essa semana, enquanto você está aqui.
- Eu... Eu não quero alguém por uma semana, . – Minhas mãos agora seguravam pela cintura. – Quero muito mais que isso, desculpa. – Soltei e voltei a andar.
- ... – Deixei cair algumas lágrimas de meus olhos e comecei a correr, acho que desistiu de me seguir. De longe, vi que e as meninas estavam indo até o cais também, ambos pararam quando me viram, mas eu continuei correndo.
- ! – As três falaram juntas, mas eu não as olhei. Por sorte elas não vieram atrás de mim.

Corri até atrás do palco onde estavam acontecendo apresentações no momento, encostei-me à parede e coloquei as mãos sobre os joelhos. Estava ofegante, mas ainda não havia parado de chorar. De repente vi se aproximando, fiz sinal negativo com a cabeça e dei alguns passos para trás.

- Espera. – falou. – Eu não vi nada, mas sei o que aconteceu. Eu sou o melhor amigo do , isso nunca aconteceu, ele nunca gostou de ninguém assim. Sempre teve um casinho ou outro, mas nunca gostou de alguém de verdade.
- Então quer dizer que ele está acostumado com isso de ficar com alguém por pouco tempo? – Parei de tentar fugir de e o deixei se aproximar.
- É, ele está, mas parece que você é diferente, você não é daqueles que se deixa levar por um romancezinho de uma semana, é?
- Não! Eu procuro mais do que isso.
- Imaginei desde que eu te vi. Posso te ajudar?
- Como? – Limpei as lágrimas do meu rosto e voltei a olhar para .
- Eu quero que seja feliz, vou conversar com ele e fazê-lo decidir com o coração.
- Obrigado, .
- De nada. – Ele sorriu. – Espero que ele realmente decida com o coração. Agora volta pra lá e mostre para tudo o que você sente, o resto deixa comigo.
- Tudo bem. – Me aproximei de e o abracei. – Obrigado!
- De nada. – Ele bateu de leve em minhas costas. – Agora vai lá e boa sorte.
- Obrigado de novo. – O soltei do abraço e corri de volta até o cais. estava conversando com as meninas. – ! – Falei enquanto me aproximava ainda mais dele. Ele se virou, abri meus braços e quando cheguei em sua frente o abracei com força, enchendo seu rosto de beijinhos.

envolveu minha cintura com um abraço e me beijou também. chegou depois e sorriu ao nos ver daquele jeito. Quando abri os olhos, piscou para mim. Sorri e pisquei de volta. , , as meninas e eu passamos à tarde no parque. Parece que um novo romance estava pintando no ar, e estavam se dando muito bem.
A tarde estava quente demais, o céu limpo de nuvens não escondia o sol, o que deixava o clima ainda mais quente. Ficamos no parque entre conversar e brincadeiras, mas de repente o tempo fechou e começou a chover. Todo mundo saiu correndo e o parque esvaziou em questão de poucos minutos. disse que poderíamos ir até a mansão, que era mais perto, pelo menos até a chuva passar e começamos todos a correr até lá. abriu a porta e entramos. Pelo menos não estava chovendo lá dentro. Eles me mostraram toda a mansão, já que eu não tinha visto quase nada na noite anterior. Realmente eu não tinha visto nem metade da mansão! e nos mostraram todas as passagens secretas que nem as meninas haviam encontrado.
Já estava tarde e a chuva não parava, nem dava sinal de que ia parar. Por conseqüência, a mansão não ia abrir aquela noite, então e foram falar com o dono, que permitiu que dormíssemos ali. Estavam todos decidindo como iriam dormir, quando me abraçou por trás e me convidou para dormir com ele. Me arrepiei e aceitei o convite. Depois de alguns minutos estava tudo decidido, as meninas dormiriam juntas em um quarto, sozinho e e eu em outro quarto. Fomos nos arrumar para dormir e, enquanto foi ao banheiro, veio falar comigo.
- Sem sexo, ...
- Hã?
- Se você se entregar completamente pra ele essa noite vai ser como aquele tipo de garoto que ele fica por pouco tempo, então segura a onda.
- Ah, tá. – Falei rindo, riu também.
- Eu sei que é engraçado. – Ele falou. – Chega a ser até ridículo, mas é a verdade.
- Obrigado, . – Sorri e sentei sobre a cama. logo saiu dali e entrou, sentou na cama e me abraçou forte, encostando seu queixo em meu ombro e ficando ali por um tempo. Depois me olhou nos olhos e sorriu.
- Ah, ... – Ele falou com um sorriso bobo e os olhos brilhando. – Nunca senti nada assim por alguém... À primeira vista.
- Eu também não... Não por alguém que sentiu o mesmo por mim. – Ele ficou pensativo, creio que demorou um pouco para entender, mas por fim sorriu.
- Desculpa quando eu falei que poderíamos ter algo por uma semana...
- Tudo bem, . Eu sei como é ruim pra você sentir algo assim por alguém e não ser duradouro.
- Obrigado por me entender.

Sem me falar nada, começou a me beijar lentamente. Logo estávamos deitados lado a lado na cama, minha mão percorria e acariciava seus braços enquanto eu o beijava no mesmo ritmo. Lembrando do conselho de , não me entreguei por completo para , que não insistiu. Logo dormimos, eu sobre seu peito, sentindo seu cafuné. Era tão bom dormir assim.

3


Acordei do mesmo jeito que dormi, deitado sobre o peito de . Olhei para ele, que estava me olhando com um sorriso bobo. Sua mão veio até meu rosto e me acariciou.

- Bom dia! – Ele falou sorrindo.
- Bom dia! – Sorri de volta, colocando minha mão sobre a dele.
- Dormiu bem, meu... – Ele parou de falar, pensando um pouco. – .
- Sim. – Levei sua mão até meus lábios e a beijei. – Seu peito é um ótimo travesseiro!

riu, depois me puxou contra ele e me beijou. Logo levantamos e fomos acordar o resto do pessoal, eu e as meninas precisávamos voltar para o quarto. me abraçou mais uma vez e depois eu e as meninas saímos da mansão e começamos a caminhar até o hotel.

- Conta tudo! – falou.
- Tudo o que? Eu só dormi com ele...
- Por favor, ... – não me deixou terminar de falar. – Conta.
- É. – completou. – Acha que vamos acreditar nessa historinha de dormir?
- Pois vão ter que acreditar – Falei. –, porque foi só isso.
- Que sem graça. – falou rindo.
- Não é... Eu acho que quero ficar com ele por muito mais de uma noite. Se eu tivesse feito mais que dormir ao seu lado, hoje ele não me olharia mais.
- Que lindo! – veio até meu lado e me abraçou. – Está de parabéns. Agora me diz... Como você vai ter ele por mais de uma noite, se vamos ficar aqui somente por uma semana?
- Não sei, mas podemos dar um jeito... Caso isso venha a acontecer.
- Praga! – disse xingando alguma coisa. Olhamos pra ela e começamos a rir da situação, o sapato de estava completamente imerso no barro. – Que ódio mesmo, o sapato novinho que eu comprei só pra vir aqui!
- Calma... – começou a falar.
- Meu sapato...
- Vamos lavar quando chegar ao hotel, vai ficar novo. – completou.
- Vai nada. Vou jogar fora quando chegarmos ao hotel.

Começamos a rir de e depois de muita discussão ela resolveu não jogar o sapato fora. Por fim chegamos ao hotel, onde tomamos banho e nos arrumamos. deixou o sapato na água para sair o barro. Almoçamos no restaurante, como de costume e depois fomos procurar alguma coisa para fazer. Decidi mostrar a elas o lugar onde havia me levado no dia anterior.

- Esse lugar é lindo! – falou quando chegamos ao local.
- Sem graça... – falou.
- Tinha que ser você, ! – Falei rindo.
- Não dá bola. – me olhou e riu também. – Esse lugar é ótimo!
- Acho que vou ao parque, alguém vem comigo? – convidou, já se virando para começar a caminhar.
- Não. – Falamos e eu juntos.
- Então tá, acho que vou encontrar pelo caminho, ela disse que ia demorar um pouco.
- É mesmo – Falei. -, a Nat ficou pelo caminho e eu nem vi.
- Ela disse que ia comprar alguma coisa que eu não entendi o que era. – começou a caminhar.
Quando saiu, levei até a ponta do cais, onde eu e tínhamos ficado no dia anterior. Contei para ela o que houve naquele local e ao mesmo tempo em que ela ficou feliz, ficou surpresa, pois eu e ele havíamos brigado. aproveitou que estávamos sós ali e me disse que queria ficar com . Sorri e disse que daria um jeito de os dois ficarem, parece que teria uma festa no parque aquela noite e iria ser na festa que os dois ficariam. Aquele lugar me lembrava , eu precisava dele nesse momento, queria sentir seu abraço e ouvir sua voz dizendo o quanto gostava de mim. Eu nunca havia gostado de alguém assim, em tão pouco tempo, mas ele era diferente. tinha alguma coisa diferente, algo que me fazia querer ficar sempre ao seu lado, me sentia protegido ao seu lado, como se nada de mal pudesse me atingir.
Levantei e convidei para irmos caminhar um pouco por ali, talvez eu encontrasse . Cada minuto com me fazia gostar ainda mais dela, nossa amizade vem dos tempos da escola e ela foi uma das únicas que eu tenho contato até hoje. Na verdade somos melhores amigos. Inseparáveis, confidenciamos coisas que ninguém mais sabe, sabemos do gosto e da vida um do outro e não há nada que eu não saiba sobre ela e ela sobre mim. Sei que posso confiar e contar com ela para tudo, assim como ela pode confiar e contar comigo.
Entre confidências, risos e besteiras, caminhamos quase a tarde inteira por aquele lugar. O lugar era grande, mas não estávamos cansados. Sentamos por mais alguns instantes no cais, mas dessa vez ficamos em silêncio, apenas observando o sol se pondo, mergulhando na água. Depois de algum tempo, levantamos e fomos nos arrumar para a noite.

e já estavam prontas quando chegamos ao hotel.

- Pensei que não viriam mais. – falou ironicamente.
- Estava tão bom lá no cais que não dava vontade de vir mesmo. – Respondi.

Para ir mais rápido, e eu entramos em quartos diferentes. Quando saí do banho, liguei o rádio e coloquei “Hey, soul sister” para tocar. O ritmo da música me fazia dançar pelo quarto enquanto escolhia as roupas que vestiria. Eu estava cantando, tudo errado, mas estava. O fato de saber que logo veria me deixava feliz. Quando a música terminou a coloquei de novo, voltando a dançar enquanto me vestia. Ouvi batidas na porta.

- Que foi? – Falei diminuindo o volume do rádio.
- Não demora. – Era . – Tem alguém te esperando.
- Quem? – Parei o que estava fazendo apenas para ouvir o que ia falar.
- Alguém de cabelo raspado... – Ela deu um risinho. – Alto, olhos azuis... – “!”, pensei.
- Diz pra ele que já estou indo... – Terminei de falar e continuei me arrumando apressadamente. Fui até onde estava com as meninas e parei quando o vi. Ele estava simplesmente lindo, como nunca esteve antes. Levantou-se da cadeira quando me viu, se aproximou e me abraçou forte. Retribuí o abraço, envolvendo sua cintura com meus braços.
- Você está lindo, . – Ele sussurrou pertinho do meu ouvido, o que me fez arrepiar.
- Obrigado, você também está. – Dei um selinho nele e me virei para as meninas, que olhavam com um sorriso bobo para nós dois.
- Estão prontas? A festa já começou. – falou sorrindo, depois me puxou pela mão até a porta. Saímos todos juntos.
Caminhávamos conversando. Pelo jeito as meninas também gostavam de e aprovariam caso eu ficasse definitivamente com ele. Chegamos à festa e procurou por , logo os dois chegaram. Pude perceber o olhar de cruzando com o dele, parece que também sentia alguma coisa por ela. resolveu ir pegar cerveja, me ofereci para ir junto e pedi que ficasse ali. Pisquei e acho que entendeu o recado.

- Você viu como a te olhou quando você chegou? – Perguntei enquanto caminhava ao seu lado.
- Eu vi... – Ele respondeu encabulado.
- E o que você me diz sobre isso?
- Ela é bonita, tem um jeito diferente das outras meninas...
- E quer ficar com você!
- Sério? – Ele se surpreendeu e parou de andar.
- Sim. – Continuei andando e ele voltou a caminhar. – Vou dar um jeito de deixar vocês dois sozinhos, vocês podem conversar...
- Eu agradeceria. – Chegamos à copa e pediu as bebidas. Depois voltamos até o grupo.
- , , acho que é hora de vocês saírem para caçar. – Falei rindo.
- Mas...
- Vão caçar, esse lugar está cheio de bofes escândalos e vocês aqui paradas? – Pisquei para ambas, que saíram bufando. – , vamos dar uma volta por aí?
- Vamos. – Pude ver que ele havia entendido o que eu queria. Fui até ele e o abracei de lado, saímos caminhando e deixamos e ali.
- Bom garoto! – Dei um beijinho em seu rosto quando nos afastamos dos dois.
- Estou tão conectado a você que entendi o que você queria. – Ele parou e se virou de frente pra mim, me dando um beijo carinhoso. O beijo se encerrou e acariciou meu rosto. – Que tal um passeio de lancha?
- Onde?
- Vem! – segurou minha mão e saiu correndo enquanto me puxava. Eu o seguia enquanto ria. Pelo jeito estávamos indo até o cais. – Acho que deve ter alguém por lá, nunca fui a essa hora. – Chegamos e haviam duas lanchas disponíveis, pagou e entramos em uma delas. Ele ligou e levou a lancha até o meio do rio, lá ele a desligou e veio até mim. – O que eu posso fazer pra esse momento durar pra sempre? – me abraçou forte e carinhosamente. – O que eu faço pra ter você sempre ao meu lado, ?
- Eu... Não sei o que falar...
- Não precisa falar nada, . – Ele acariciou meu rosto. Fechei meus olhos e deitei minha cabeça em sua mão. – Eu só quero que você saiba que eu nunca senti nada assim por ninguém, eu gosto de você, , e não quero te perder.
- Eu também não quero, . – De repente meus olhos se encheram de lágrimas. – Tenho medo de não encontrar alguém como você.
- Então, me deixa fazer parte da sua vida daqui pra frente. Quero te fazer feliz e ser feliz.
- Eu nunca disse isso em tão pouco tempo pra alguém... – Coloquei minhas mãos em sua cintura e olhei em seus olhos. – Mas eu acho que te amo, . – Deixei as lágrimas rolarem por meu rosto.
- Não chore, . – Ele passou os dedos por meus olhos, afastando as lágrimas. – Você só deve chorar quando ama alguém que não te dá bola, o que não é o seu caso.
- Mesmo? – Sorri.
- Mesmo... Eu também te amo!

Sentamos sobre um dos bancos da lancha e ficamos ali por horas entre conversas e beijos. O tempo passava e a cada dia eu queria ficar menos tempo possível longe de . Como seria a hora de ir embora? Será que iríamos mesmo nos separar ou ficaríamos juntos? Não queria mais pensar nisso agora, só queria aproveitar cada momento com ele como se fosse o último.
Ficamos mais algumas horas ali conversando, os braços de me apertavam contra ele e me faziam sentir protegido. Tiramos algumas fotos na câmera que ele havia levado, nunca gostei de tirar fotos, mas ao lado de era tudo perfeito e acabamos tirando várias juntos. Eram duas e meia da manhã quando resolvemos voltar, na verdade não queríamos fazer isso, mas nossos amigos estavam na festa e precisávamos ficar com eles também.
Quando voltamos para a festa estava começando a música “Se Intrometeu – Michel Teló”, vi e dançando juntos e sorri, parece que havia conseguido o que queria. Parei no meio de todo mundo, peguei pela cintura e comecei a dançar com ele. Eu não sabia, mas sabia dançar melhor que eu, e eu que pensei que sabia dançar... Quando a música terminou começamos a rir eu e ele. Dançamos a próxima música, dessa vez nos aproximamos de e , que ainda dançavam, de vez em quando eu batia nela propositalmente e começávamos a rir.
e haviam sumido, deviam ter encontrado alguém pra ficar durante a noite, que bom, pelo menos estavam se divertindo e não precisariam ficar segurando vela entre dois casais.
Como não poderia faltar, começaram a tocar músicas lentas e a primeira foi “One In a Million – Miley Cirus”. me puxou contra ele e começamos a dançar lentamente, em silêncio, apenas olhando um no olho do outro. Nesse momento parecia que não havia mais ninguém ali e éramos só ele e eu. O mundo girava lentamente e o único som que parecia haver ali, além da música que tocava, era o de nossos corações batendo.

- Você é um em um milhão! – Ele levou uma de suas mãos até meu rosto e acariciou.
- Você é mais do que isso, . – Coloquei minha mão sobre a dele. A música estava quase terminando quando ele me beijou novamente. Parece que meu coração acelerava ao mesmo tempo em que parava toda vez que ele me beijava.

e foram procurar algum lugar para sentar, eu e ficamos ali, abraçados e curtindo aquele momento. Infelizmente estava acabando e todo mundo já estava começando a sair. me levou até o hotel, e vinham logo atrás, e haviam sumido, deviam estar se divertindo mais um pouquinho depois da festa.

- Bons sonhos, . – Ele falou rindo.
- ? – Comecei a rir também.
- É, um apelido carinhoso.
- Tá bom, . – Eu ri. - Vou sonhar com você. – Acariciei seu rosto e lhe dei um beijo de boa noite.
- Te amo! – Ele beijou a palma de sua mão e a colocou sobre meu coração. – Não esqueça.
- Não esquecerei, desde que você faça o mesmo... – Coloquei minha mão sobre a dele.
- Eu farei. E haja o que houver, eu não vou te esquecer. – Com um abraço nos despedimos. O abraço quente de me confortava.
- Também não te esquecerei, , nunca! – Fechei os olhos e encostei meu queixo no ombro dele, podia sentir seu cheiro. Depois o beijei mais uma vez e nos despedimos.

me abraçou quando os dois se afastaram, ela estava feliz. Me contou tudo o que aconteceu e o que os dois falaram. Fiquei feliz por ela, pois eu havia ajudado em tudo aquilo. e ainda não estavam no quarto quando chegamos, tomamos banho e fomos dormir. Tudo o que eu mais queria era que estivesse ali comigo, mas eu ia ter que me conformar em tê-lo apenas em meus sonhos.

4


Acordei tarde e a primeira coisa que fiz ao abrir os olhos foi pegar o celular para ligar para . Disquei seu número e coloquei o celular no ouvido, esperando ele atender.

- Alô. – Não era , era .
- ? – Perguntei.
-Sim. – Ele respondeu, sua voz não estava das melhores.
- Cadê o ?
- O ... – Ele suspirou e voltou a falar comigo. – , o precisou sair do parque para buscar algumas coisas que estão faltando...
- Que horas ele volta, ?
- É aí que tá... Na estrada, um caminhão estava descontrolado e acabou jogando o carro pra fora da pista.
- Meu Deus! – Em um salto, fiquei de pé, ao lado da cama. – Como ele está?
- Está desacordado.
- , onde ele está? Eu preciso vê-lo. – De repente eu estava chorando enquanto me vestia rapidamente. não estava no quarto.
- Estamos no hospital. , eu preciso que você fique calmo, ok?
- Que hospital, ? Me passa o endereço. – Eu estava nervoso e minha voz já denunciava meu choro.
- , fica calmo. Eu vou te buscar, só não fala nada para nenhuma das meninas, tudo bem?
- Eu... Vou tentar, . – Eu já não conseguia mais falar, apenas desliguei o celular e fui até o banheiro, onde escovei os dentes e lavei o rosto para tentar disfarçar o choro. Abri a porta do carro lentamente e vi que as meninas estavam na sala, saí quase correndo e passei por trás do sofá. – Vou ver o ! – Foi a única coisa que eu falei antes de abrir a porta e sair.

Meu celular tocou, era uma mensagem. “Na saída do parque...” era o que estava escrito. As lágrimas voltaram a correr por meu rosto enquanto eu atravessava o parque a passos largos. me esperava no portão, quando o vi comecei a correr de verdade, o abracei com força e comecei a chorar descontroladamente.

-Calma, , – Ele me abraçou, me aninhando em seu peito. – vai ficar tudo bem.

Eu não conseguia falar, apenas chorava nos braços de . Ele me levou para o carro e fomos até o hospital. No caminho não falei nada, apenas chorava com a cabeça encostada no vidro. Quando chegamos, me abraçou de lado e entramos no hospital, meu choro já estava parando, eu tinha que pensar que ia dar tudo certo. Sentei na sala de espera enquanto foi à recepção informar que eu ia fazer uma visita. Logo ele voltou, levantei do sofá quando o vi parado na minha frente.

- Qual o quarto, ? – Forcei um sorriso. – Eu quero vê-lo.
- ... – suspirou, passou a mão em seus cabelos e me olhou. – Ele não resistiu... Enquanto eu fui te buscar ele... – parou de falar.
- Não... – Me joguei novamente no sofá, escondi meu rosto entre as duas mãos e voltei a chorar. De repente tudo o que eu havia planejado com passou por minha cabeça, mas tudo agora não passaria de um sonho, um sonho que eu estava sendo obrigado a interromper. E todos os momentos que eu tive com ele não passariam de lembranças. Foi pouco o tempo que tivemos, mas foi o melhor tempo de minha vida, e agora tudo estava reduzido a nada. Por que tinha que acabar assim? Será que eu nunca seria feliz? Senti sentar ao meu lado, ele passou o braço por minha cintura, encostou o queixo em minhas costas e ficou ali chorando comigo.

Depois de algum tempo resolvemos voltar para o hotel. Abri a porta do apartamento onde estávamos e as meninas me olharam, meus olhos estavam vermelhos e inchados, meu choro ainda não havia cessado e eu estava soluçando.

- , o que foi, meu amigo? – veio até mim e me abraçou, logo as outras vieram também. Eu não conseguia falar, apenas chorava descontroladamente. – , pega um copo de água com açúcar, por favor. – não demorou e trouxe o copo de água com açúcar, eu não conseguia segurar, minhas mãos estavam fracas e trêmulas, me fez beber toda a água e depois me colocou no sofá. – , pode dizer agora o que houve? Estamos começando a ficar preocupadas.
- ... – Falei entre os soluços causados pelo meu choro descontrolado. – Morreu!
- Meu Deus! – falou e depois me abraçou. – Não diga mais nada, . – colocou a mão sobre sua boca, estava surpresa.

As três me abraçaram forte, eu não conseguia parar de chorar. Elas não fizeram nenhuma pergunta, apenas me deixaram chorar até que eu adormecesse ali no sofá. Acordei de tarde, estava ali também, foi avisar quando seria feito o enterro do corpo de .

- . – Ele falou quando me viu acordado, foi até o sofá e sentou no chão, ao meu lado. – Eu sei que o que você sentiu por foi verdadeiro, então queria te dar algumas coisinhas. – me entregou uma sacola. Peguei e a abri, vi que ali dentro havia o frasco de perfume que ele usava e sua câmera digital.
- Obrigado, . – Forcei um sorriso e me sentei sobre o sofá.
- Tem mais uma coisa. – Ele tirou um papel do bolso. – Ele escreveu uma carta para te entregar quando fosse embora. – Peguei a carta e comecei a ler.

,
Sei que pode ser cedo ainda para eu falar sobre isso, faz pouco tempo que nos conhecemos... Mas eu queria te dizer que já gosto muito de você e não vou deixar esse sentimento pra trás. Espero que essa semana passe muito devagar para que eu possa ficar mais tempo com você. Quando for a hora de você ir embora eu vou tomar uma decisão, ou você fica ou eu vou contigo, mas não vamos nos separar. Quero aproveitar cada momento ao seu lado, ser feliz e te fazer feliz. Quando estiver lendo essa carta, certamente não estarei mais contigo, meu amor, mas logo estaremos juntos novamente, eu prometo!
E lembre sempre de uma coisa: Haja o que houver, eu não vou te esquecer.
Daquele que já te ama muito, !”


Fechei os olhos e logo os abri novamente, deixando mais algumas lágrimas rolarem. “Estaremos juntos novamente”, como eu queria que essa parte fosse verdade, que essa carta só chegasse em minhas mãos quando eu estivesse indo embora. Guardei a carta na sacola, logo me abraçou e eu retribuí.

- O corpo dele vai ser enterrado amanhã, . – Soltei do abraço e o olhei nos olhos.
- Desculpe, mas eu prefiro não ir. Quero ter uma lembrança dele vivo e ir ao seu enterro só vai piorar a minha dor.
- Eu entendo. – Ele colocou a mão sobre o meu ombro e sorriu. – Se isso vai te deixar melhor, tudo bem.
- Desculpa mesmo, , mas não dá. – Segurei a sacola em uma das mãos e levantei do sofá. – E eu não posso mais ficar aqui, vou embora hoje. – Olhei para as meninas, que me olhavam da cozinha. – Tudo bem se vocês quiserem ficar, não vou estragar a diversão de vocês.
- Eu vou contigo! – veio até mim e me abraçou. – É nesse momento que você mais precisa de alguém e eu estarei com você. – Ela olhou para e voltou a me olhar. – Então eu vou.
- Eu também. – veio até nós. Sem falar nada, também veio.
- , vamos manter contato. – Falei.
- Vamos sim, todos nós. E sempre que quiserem vocês podem passar por aqui.
- Vamos passar sim. – falou sorrindo.

Arrumamos nossas malas e logo saímos dali. O ônibus demorou a passar e pude ver que de longe nos olhava. Antes de entrar no ônibus, acenei para ele. Fingi estar dormindo durante a viagem, não queria falar com ninguém agora, precisava de um tempo sozinho para me recuperar. Nos despedimos e, quando cheguei em casa, fui passar as fotos da câmera de para o computador, imprimi uma delas, a que estou segurando seu queixo e beijando seu rosto, fazia bico com os lábios e tinha os olhos brilhando. Acariciei a foto e sorri, coloquei-a em um porta-retrato e depois ao lado de minha cama. Deitei de lado na cama, em uma posição em que pudesse ficar olhando a foto.

- Eu te amei tanto, então pouco tempo. Por que teve que me deixar, ? – Sem conseguir mais segurar as lágrimas, voltei a chorar. Curvei meu corpo sobre a cama e chorei olhando a foto, uma das poucas lembranças de nós dois.

Estava quase dormindo, minha visão estava embaçada, quando de repente vi se aproximar. Ele sentou-se ao meu lado na cama e acariciou meu rosto.

- Ah, meu amor. – Ele sussurrou. – Desculpa ter te deixado assim, tão de repente. Eu não pude evitar. – Me sentia um pouco tonto, não conseguia abrir os olhos e nem me mexer. – Não, não precisa sair daí, vou ficar aqui contigo mais um pouco. – A ponta de seus dedos deslizaram por meu rosto.
- Eu te amo, . Não me deixa. – Sussurrei com a voz sonolenta.
- Não vou te deixar, meu amor. Estarei sempre com você.
- ...
- Eu preciso ir... Não esqueça que eu te amo, tá?

Abri os olhos e olhei para os lados, não havia ninguém ali, mas eu sentia o perfume de no ar, sentei na cama e vi nossa foto sobre o travesseiro ao meu lado. Peguei o porta-retrato com a foto e abracei.

- Haja o que houver, eu não vou te esquecer!

Continua...



Nota da beta: UAU! Não acredito que o moço morreu, gente! :O. Enfim, caso haja erros, me comuniquem por aqui, ok? :)
Beijos, Lê Assis