Escrita por Bruna KubikNão é fácil fugir do seu lugar comum, ou lugar seguro, como alguns chamam. Mas, uma vez que você consegue, não é fácil permanecer fora desse lugar. Então você consegue se adaptar ao novo lugar e, uma vez que você se adapta, fica difícil largar o novo lugar, tornando impossível voltar ao seu lugar seguro.
Eu sei disso por experiência própria. Aprendi do método mais difícil e agora eu estava voltando àquele lugar... Para ele.
1 – Therapy
Endireitei-me na poltrona ao ouvir que o avião estava se preparando para pousar. Com um nó na garganta, arrisquei olhar pela janela, de baixo o Brooklyn me saudava, toda Nova York me saldava, não consegui ignorar ou engolir o bolo que se formou em minha garganta. As lembranças do passado me atingiam a todo o momento e me torturavam, me diziam que nada voltaria a ser como antes, eu sabia disso.
Tentei me convencer de que ele não morava mais lá, com certeza ele devia ter melhorado e ido morar em algum lugar muito melhor. Ele nunca gostara do Brooklyn mesmo. Ninguém gostava. Ok! Isso não é verdade, as pessoas gostam do Brooklyn, mas não ele.
A voz anunciou que o avião estava se preparando para o pouso. Engoli em seco, a mulher ao meu lado sorriu para mim, interpretando, muito provavelmente, que eu tinha medo de avião, mal sabia ela...
- ! Quanto tempo. – me abraçou com força, senti meu ombro molhado em instantes, ela chorava e começava a soluçar.
- ... Senti saudades. – eu disse e me afastei um pouco. – Onde estão as outras?
- No estacionamento, você sabe que temos uma pequena mania de nos perder, então eu vim e elas ficaram lá. – sorriu e sacudiu a cabeça, os cachos pularam infantilmente – O que achou?
- Está... – se referia às mudanças que havia feito nos cabelos. Antes seu cabelo era longo, ia até metade das costas, ela nunca tivera problemas com os cachos, mas agora seu cabelo estava na altura do ombro, seu corte havia sido radical, mas pelo menos ela não mudara a cor, seu cabelo permanecia preto. – Lindo, diferente, bem .
- Ah, que ótimo! – ela sorriu e me abraçou novamente. – Agora vamos antes que as meninas pensem que nos perdemos.
me guiou até a saída do aeroporto, levando uma de minhas malas. Ela tagarelava sobre tudo o que eu havia perdido em cinco anos, não mencionava ele ou seus outros amigos, as novidades eram apenas sobre as outras garotas.
- A não mudou nada, continua tímida, mas engraçada como sempre. – disse. – Mas não posso dizer o mesmo da , aquela resolveu se rebelar... Calma! – ela acrescentou quando parei no meio do passo. – Ela não se rebelou para o lado mal, ela só resolveu deixar de se esconder de tudo e todos.
- E os instrumentos? – perguntei, algo em comum com todas nós é o amor pela música, todas gostavam de algo.
- Eu continuei com a bateria, agora estou ótima. – disse e sorriu para mim. – começou na guitarra, abandonou o teclado, assumiu que não era para ela e a está no baixo, ela foi a que mais avançou de todas nós. Mas, chega de falar das garotas, como você está?
- Não vou falar tudo agora para repetir depois, continue me contando. – fugi dos holofotes.
não fez objeções ao meu pedido, continuou contando tudo, eu não iria assumir que na verdade já sabia de metade das notícias, eu mantive certo contato com as garotas.
- ! AH, MEU DEUS, VOCÊ ESTÁ MESMO AQUI! – Ouvi gritando antes mesmo de poder achá-las no estacionamento.
- Oi, gente. – respondi sorrindo, elas correram até mim e me deram um abraço em grupo, não pude deixar de rir. – Eu também senti saudades!
- Ah, você está tão linda. – disse.
- E esse cabelo! – completou. – Muita coragem, sentirei saudades das madeixas loirass.
- Você se acostumará. – eu disse e sacudi meu cabelo, agora preto, no rosto dela, que riu.
- Mas, e aí, como é Londres? Cinco anos lá, conte tudo. – disse.
Comecei a contar sobre tudo o que fiz em Londres enquanto entrávamos no carro e dirigia até o apartamento que elas dividiam no Brooklyn, engoli em seco quando elas afirmaram que continuavam lá.
- Em cinco anos você não ficou com ninguém? – perguntou, cética.
- Não achei nada interessante.
- , você estava em LONDRES! Como assim não achou NADA interessante? – se virou no banco da frente. – Impossível!
- Ah, eu conheci um garoto por lá, mas não houve nada demais, eu não quis. – desviei o olhar de todas elas (até mesmo de , através do retrovisor) e olhei a paisagem pela janela. – Eu apenas não consegui, depois de tudo. – eu disse mais baixo, mas percebi que elas ouviram.
Depois disso o assunto morreu, elas ainda conversaram entre elas, mas eu estava cansada e continuei olhando a paisagem, queria apenas dormir e esquecer do passado.
Não percebi quando o carro chegou ao prédio onde elas moravam, só percebi que entrávamos em um local escuro, e – ao analisar bem o local – vi que estávamos em um estacionamento subterrâneo.
- Chegamos. – disse alegre e abriu a porta do lado dela, saindo do carro. Segui seu movimento e abri a porta que estava ao meu lado.
- Vocês têm certeza de que há espaço para mim? Eu não ligo de achar outro lugar para ficar.
- Cale a boca, . – disse para mim. – Compramos o lugar pensando que você estava conosco, ele tem dois dormitórios e cada um contém duas camas.
- Para sua sorte, você dormirá comigo. – disse.
- Oba. – eu disse e sorri para ela enquanto entrávamos no elevador.
- Vamos deixar você dormindo, te acordaremos na hora do jantar, será algo especial. – disse e sorriu. Estranhei esse sorriso, elas estavam aprontando alguma coisa, mas resolvi ignorar.
Chegamos, finalmente, ao último andar, não entendi por que elas gostavam de morar logo no fim, se a energia faltasse iriam demorar uma semana para chegar ao andar.
- Porque temos direito ao telhado. – disse quando perguntei.
Fantástico, pensei. Não tinha medo de altura, mas nunca me aventurei por um terraço e gostaria de continuar neste estado.
O apartamento era legal, bem ao estilo delas, era confortável e me senti em casa rapidamente. Elas haviam deixado-o de um jeito totalmente eclético, mas organizado. me acompanhou até o quarto, seguia o mesmo estilo do resto da casa, mas – pelo menos neste quarto – o estilo de e, fiquei surpresa ao constatar, meu próprio estilo era predominante.
As paredes eram de um tom verde, mas que não era cansativo; vários murais escondidos por diversas fotos nossas estavam espalhados pelas paredes. Em um canto do quarto havia o baixo da , juntamente com um amplificador. Havia uma parede, um closet e um banheiro grande.
- Quantos apartamentos há nesse andar? – perguntei.
- Eram quatro, mas nós compramos dois, um ao lado do outro, e reformamos. – disse e sorriu. – Sua cama é aquela, tentei deixar a parede em que ela está no seu estilo, qualquer coisa você pode mudar depois.
- Está lindo. O quarto inteiro. – eu disse.
- Tentei decorar tudo aqui com o seu gosto também, tínhamos esperanças de ter você de volta. – ela disse, abaixei os olhos, as lágrimas me invadiram.
- Obrigada. – eu disse.
- Vou deixar você descansar. Até mais tarde. – ela sorriu e piscou um olho para mim. Elas realmente estavam aprontando algo.
Coloquei as três malas que eu trouxera comigo em cima da cama, desfaria as malas antes de tentar dormir. Abri o closet e vi que um lado dele estava totalmente vazio, sorri e comecei a arrumar minhas roupas ali. Eu havia mudado totalmente meu guarda-roupa durante minha estadia em Londres, felizmente a maioria das peças combinavam com os climas dos Estados Unidos, mas eu teria que fazer uma visita a alguma loja rapidamente.
A última mala era a pior de todas, lá havia várias caixas de variados tamanhos, três delas eram um perigo total para mim, mas eu havia reunido tudo e sofrido durante cinco anos e, assim, formara todo o conteúdo das caixas, as outras eram apenas recordações que eu levara comigo para Londres e, por fim, duas delas eram de minha recente vida em Londres, nelas havia pequenas coisas que serviam para memorizar meus dias ao lado deles. Guardei as caixas em um canto, no fundo do closet, ninguém acharia ali, ou assim eu esperava.
Terminada a tarefa de desfazer as malas eu resolvi dormir um pouco, pelo menos tentar, enquanto ouvia as garotas rindo na sala, deixaria elas aprontarem qualquer coisa. Dormi em instantes.
- ! Acorde. – ouvi gritando na porta do quarto. – Já é noite e a surpresa está pronta, se vista bem bonita, ok? Aliás, para que você não tenha que pensar, vista o que está na cama de . – ela disse antes que eu pudesse responder.
Sentei na cama, olhei a cama de , um vestidinho que ia até as coxas, prateado e com alguns desenhos, ela havia deixado apenas isso, eu poderia me virar com o resto. Deduzi que havia um tempo para eu tomar um banho rápido. Sai do banheiro com a toalha enrolada em meu corpo, fui para o closet escolher meu sapato, acabei por escolher uma ankle boot com detalhes prateados e salto altíssimo. Vesti a roupa, fiz uma maquiagem simples, esfumacei uma sombra preta em minhas pálpebras, passei algumas camadas de rímel preto e um gloss transparente. Penteei meus cabelos rapidamente – sempre fui loira, meu cabelo ia até o final das costas, de pele branquinha (mas não era do tipo branquela), quando cheguei a Londres resolvi mudar totalmente, como uma forma de mostrar que estava começando uma nova vida, assim, tingi meu cabelo de preto, com algumas mechas californianas e cortei até metade das costas, ele assumira um visual despojado e interessante, era do tipo “amassado”, mas comportado, ficara todo repicado e deixei uma franja de lado, eu acabei gostando dele e permaneci.
Terminei de me arrumar e resolvi sair do quarto, o apartamento inteiro estava silencioso, as meninas com certeza estavam no terraço, suspirei e abri a porta, saindo e fechando-a atrás de mim. Segui as plaquinhas até a porta do terraço, abri e uma brisa quente veio até mim, era verão e o tempo estava bom. Pude perceber que uma música tocava, mas não consegui distinguir qual música. Comecei a subir as escadas e a música começou a ficar mais alta e percebi que eu a conhecia de algum lugar, até que parei totalmente... Eu realmente conhecia a música e, para piorar, ele estava cantando juntamente com os outros.
A handful of moments
I wished I could change
But I was carried away...
Give me therapy, I'm a walking travesty
But I'm smiling at everything
Therapy, you were never a friend to me
And you can keep all your misery
- Ah! , você resolveu aparecer. – passava quando me viu ali parada. A música parou no mesmo momento, engoli em seco e forcei um sorriso.
- É, eu tinha que vir, não é? – terminei de subir as escadas e olhei ao redor, evitando olhar para ele. A vista era linda e o terraço também estava legal, havia alguns refletores pequenos, todos voltados para um único lugar, que – infelizmente – era onde ele estava.
- Você se lembra dos meninos, não? – perguntou e eu pude ver beliscando-a. Tão discretas. – , , e...
- . – eu sussurrei. Ainda não havia olhado para eles, mas eu sentia-o olhando para mim. Reuni toda minha (pouca) coragem e me virei para os garotos, arrependendo-me no segundo seguinte.
Ele estava lindo, mais do que eu imaginei ser possível. Seus músculos eram mais evidentes, seu cabelo estava mais estilizado, seus olhos tinham um brilho diferente... Ele parecia mais homem do que cinco anos atrás. Quando nossos olhos se encontraram meu mundo pareceu sumir, eu não ouvi mais tagarelando ao meu lado, não ouvia os outros falando comigo, eu apenas via seus olhos, que tampouco se desviaram dos meus. Senti um calafrio percorrendo minha espinha e tremi.
- Oi, . – ouvi sua voz. Espere! Quando ele ficou tão perto de mim? – Quanto tempo. – ele sorriu e eu quase desmaiei. Senti seus braços em volta de mim em um abraço apertado. Forcei-me a abraçá-lo também, encostei meu queixo em seu ombro e senti o cheiro de seu perfume, lágrimas vieram e eu as engoli, não choraria ali, muito menos naquele momento.
- Pois é, muito tempo. – surpreendentemente minha voz saiu. – Cinco anos, você mudou.
- Não tanto quanto você. – ele disse olhando meu cabelo.
- Não vai monopolizar a , né! – disse empurrando para o lado. – Senti falta da minha baixinha folgada. – ele me abraçou e bagunçou meu cabelo, não pude deixar de rir.
- Também senti sua falta, . – eu disse e vi se afastando e voltando ao local onde ele estava sentado.
e também me abraçaram, cada um fazendo suas piadinhas sobre o passado, e eu não consegui segurar o riso. Os acontecimentos seguintes rolaram naturalmente, contei a eles algumas coisas de Londres, eles me contaram sobre os avanços na banda deles.
- Espero que vocês cresçam mesmo. – eu disse e mostrei meu celular. – Consegui alguns contatos.
- , não começa! – disse. – Você está brincando, não é?
- Não, tenho alguns contatos graças a uns garotos que conheci em Londres. – eu disse.
- Tinha que ter garotos no meio, não é mesmo? – disse pela primeira vez.
- Não sei o que está querendo insinuar. – eu disse olhando-o. – Esperava que eu ficasse isolada em Londres?
- Eu esperava qualquer coisa de você, , menos que algum dia você nos abandonaria. – ele disse e começou a ir em direção às escadas.
- ! – chamou-o, mas ele ignorou.
- Você acha que foi fácil? – eu levantei de onde estava e fiquei olhando para ele que estava de costas. – Abandonar minha família, minhas melhores amigas, meus amigos... Você. – acrescentei incerta, mordendo um lábio. – Não foi a decisão mais fácil da minha vida, sabe?
- E porque você a tomou? Não estava feliz o suficiente? – ele se virou para me olhar. – Não tinha tudo o que queria?
- Não, eu não tinha, faltava uma coisa, mas eu não quis lutar por essa coisa para não estragar tudo. – eu disse, as lágrimas surgiram em meus olhos e eu lutei para mantê-las longe, mas não consegui. – Não esperava que todos me recebessem tão bem, de fato eu não merecia isso, fui embora sem motivo algum e sem avisar ninguém, mas quando cheguei veja o que encontrei, estava tudo tão perfeito, mas algo tinha que acontecer para estragar. – as lágrimas começaram a rolar – Estava como era antes. – acrescentei e ele me olhou friamente.
- Nada será como antes. – ele disse e desceu as escadas.
As palavras dele foram como um tapa para mim, as lágrimas caíram livremente e rapidamente, eu não queria mais ficar ali, corri para as escadas, tropeçando em algumas cadeiras que havia por ali e desci, correndo para nosso apartamento. Bati a porta atrás de mim e corri para o quarto, entrei no closet e busquei as caixas onde guardei as lembranças mais perigosas, abri todas elas e despejei todo o conteúdo pelo closet, rasgando todas as fotos ao meio com raiva.
- Eu te odeio, ! – gritei o mais alto que consegui e comecei a soluçar incontrolavelmente, me encolhi em um canto do closet e ali fiquei, queria sumir e nunca mais aparecer, queria esquecer tudo e todos, queria voltar ao passado e mudar tudo, queria que tudo fosse diferente. Mas não tinha volta, eu nunca mais poderia voltar e mudar minhas escolhas. tinha razão, nada voltaria a ser como era antes.
You can choke on your misery
2 – Changing Skies
Acordei, mas permaneci de olhos fechados, meus olhos estavam estranhos, quase pesados, aliás, eu nem tinha percebido que havia dormido. Lembrei que eu estava chorando, e muito, mas não lembrava o motivo. Revirei minhas memórias e então as lembranças me atingiram como um soco no estômago... , ele era o motivo. Lembrei do ocorrido, eu rasgara boa parte das minhas fotos com e gritara, depois me encolhera no closet para chorar e ficar ali para sempre; essa última parte me incomodou. Eu estava confortável demais para ainda estar no closet, me virei e percebi que estava em minha cama. Abri meus olhos, eles estavam doloridos, percebi que ainda era noite por causa da janela que tinha uma pequena fresta aberta. Olhei para o lado, dormia tranquilamente, me olhei: ainda estava com a roupa que me dera, mas alguém retirara meu sapato.
Sentei na cama e olhei o relógio do meu celular, três da manhã, perfeito – murmurei. Levantei meio trôpega e caminhei até o banheiro, antes parei no closet – minha bagunça continuava ali – peguei um pijama – um shorts pequeno e uma blusinha de alças – e entrei no banheiro. Avaliei meu estado no espelho, meu cabelo estava bagunçado e um pouco embaraçado, meus olhos estavam vermelhos e contornados por uma maquiagem completamente borrada, havia rímel – que provavelmente escorrera com as lágrimas – em minhas bochechas, formando um caminho deformado, mas que acompanhara o caminho de minhas lágrimas.
Tirei minhas roupas lentamente e depois entrei debaixo do chuveiro, ligando-o e deixando a água em uma temperatura morna. Deixei que a água rolasse por meu corpo, relaxando meus músculos, lavando meus cabelos, meu rosto e apagando uma parte da maquiagem. Enquanto tomava o banho, tentei não pensar, não queria atrapalhar o momento de relaxamento.
Fechei o chuveiro e me enrolei na toalha que havia ali – conclui que fosse minha, uma vez que a outra possuía o nome de – e sentei na tampa do vaso sanitário. Fechei meus olhos e suspirei pesadamente, em algum momento eu teria que contar toda a verdade para todos. Eu sabia que falara por todos em nossa pequena discussão, eu sempre imaginei que eles ficassem pensando em meus motivos, mas não conseguia encontrar coragem para contar a eles.
Vesti meu pijama e fui para o quarto, achei minha bolsa de mão na bagunça do closet e peguei meu celular, precisava de um ombro amigo no momento, mesmo que este ombro estivesse bem distante, em outro continente. Entrei no quarto e percebi que estava sentada, olhei para ela e depois fui para minha cama.
- Você está bem? – ela perguntou em um sussurro.
- Vou ficar. – eu disse. – Quem me trouxe até aqui?
- . – ela disse. – Ouvimos você bater a porta e depois ouvimos você gritando algo, mas resolvemos deixar você sozinha um pouco. Desci para ver como você estava e te encontrei no canto do closet, dormindo, subi e pedi a ajuda dos meninos.
- Obrigada. – eu disse. – Espero nunca mais ver o .
- Sobre isso... – ela começou, olhei para ela com uma sobrancelha arqueada.
- O quê?
- Lembra que eu disse que aqui tinham quatro apartamentos e que compramos dois? – ela perguntou, afirmei com a cabeça. – Os meninos compraram os outros dois.
Congelei, senti meu celular escorregando de minhas mãos, isso significava que eu veria quase sempre.
- Desculpa, , na época não sabíamos que algo rolava entre vocês. – ela disse.
- Nunca rolou nada entre nós. – eu disse. – Ele ficou mais... Sensível com a minha partida. – eu disse, ela bocejou. – Acho que você deveria voltar a dormir.
- Tudo bem. Boa noite, . – ela disse e voltou a deitar.
- ‘Noite. – eu disse.
Alcancei meu celular no chão, por sorte ele havia caído no tapete. Achei o número de Harry e selecionei ‘mandar mensagem’
“Volta para terra natal não tão boa.
Saudades de você e dos meninos.
Venham logo, preciso de vocês aqui.”
Apertei enviar e esperei a mensagem de confirmação, fiz as contas mentalmente, do fuso-horário, ele provavelmente ainda estava dormindo, mas responderia assim que acordasse. Deitei e me acomodei para dormir, comecei a cantar baixinho uma música que havia escrito em Londres.
Looked out my window tonight
into the cloud hidden sky
and I, I proclaimed it to be mine
then I knew I'd bringing home,
bring home to you,
Não era a melhor música, mas refletia sobre tudo o que eu sentia quando a escrevi. Toda a dor que eu sentia por abandonar todos, por abandoná-lo sem uma explicação concreta e convincente.
They all say that i'm crazy to get up and leave just like that
but I told them its just 4,000 miles
and I was willing to do that
Apenas os garotos de Londres – também conhecidos como McGuys, ou Harry, Dougie, Tom e Danny – sabiam meus verdadeiros motivos e haviam me ajudado com isso, me ajudaram a superar e me acolheram muito bem. Mas somente Harry entendia o verdadeiro e grande drama por trás de tudo aquilo.
I, I'm bringing home to you,
cause your the only for me
and maybe you
I, I'm changing skies for you
but you'll never know how much I've missed you
Tantos e-mails eu tentei escrever, tantas cartas, tantos telefonemas... Pensei em tantas coisas para dizer, mas nada explicava tudo e eu sabia que no momento em que eu contasse eu teria que voltar e então tudo teria sido em vão.
Packed all my bags and I
never been more sure of anything in my life
put my heart in a suitcase left
my tears at the door
no more crying for me anymore
cause you know, I know its hard to part thats why I'm breaking these chains of a lonely heart
Acabei por construir uma segunda vida em Londres, fiz a faculdade onde eu havia conseguido entrar – e que usei como desculpa para minha mudança – e me tornei produtora de eventos, motivo para eu ter tantos contatos novos que poderia ajudar os garotos com a banda.
I, I'm bringing home to you,
cause your the only for me
and maybe you
I, I'm changing skies for you
but you'll never know
how much I've missed you
Mas nada ajudou a curar a dor que eu sentia por ter abandonado todos, por ter abandonado ele. Nada aplacou a culpa que eu sentia todos os dias, nada mudou o que acontecera, nada mudou o passado. E eu passei todos esses mil oitocentos e vinte e cinco dias me odiando, me recriminando por ter feito tal coisa.
Now this journey takes us on indredible careless tasks together, trading in the loss we shared for
might come true forever and ever and ever and ever
Eu ainda tinha alguma esperança de que alguém iria atrás de mim, mas como alguém iria me encontrar ali? Londres era grande e eu podia ter ido para qualquer lugar, era impossível alguém me achar ali sem que eu dissesse o meu novo endereço... E eu não disse.
I'm, I'm bringing home to you
cause your the only for me
and maybe you
I, I'm changing skies for you but you'll never know
how much I've missed you!
E foi assim que eu fiquei todos esses cinco anos, fingindo ser uma pessoa alegre na frente dos garotos e, uma vez dentro de casa, me afogava em lágrimas de culpa e pesar.
Não percebi que as lágrimas começaram a cair e, quando percebi, cai em um sono sem sonhos, apaguei totalmente.
Acordei com meu celular vibrando, anunciando uma nova mensagem. Abri os olhos relutante, olhei o relógio antes – sete da manhã.
- Harry, isso são horas?! – murmurei para o celular enquanto ele abria a mensagem.
“Você consegue, respire fundo e conte até dez, lembra?
Todos mandam beijos.
Estamos analisando a agenda e vendo quando iremos para os EUA.
Saudades de você, amamos você.”
Sorri com a mensagem e pensei em ligar para eles, mas o sono me impedia de realizar o ato. Virei para o lado e voltei a dormir, acordando com outra mensagem, agora já eram onze da manhã e eu xinguei Harry até a quinta geração dele.
“Era para você ter me ligado àquela hora! Quero saber o que aconteceu.”
Revirei os olhos, olhei para a cama de , ela não estava mais ali. Usei a discagem rápida e esperei Harry atender muito paciente.
- Finalmente! – ele exclamou quando atendeu.
- Eu peguei no sono depois de ler a mensagem. – eu me expliquei. – Como estão as coisas aí?
- Melhor do que aí, com toda a certeza. – ele disse, ouvi uma voz feminina atrás dele. – mandou oi.
- Mande outro. – eu disse, com a voz embargada. – Estou com saudades. – sussurrei e ouvi o suspiro dele.
- Também estamos.
- Foi tão horrível, sabe? Vê-lo depois de tanto tempo. – eu disse enquanto me virava na cama, ficando de frente para o teto. – Discutimos e eu rasguei a maioria das fotos que tinha com ele.
- O que ele disse? – pude perceber que Harry controlava o tom de raiva em sua voz.
- Que nada voltaria a ser como antes. E que esperava qualquer coisa de mim, menos que eu fosse abandoná-los. – eu disse e funguei, não queria chorar mais.
- Você não ficou realmente surpresa com isso, certo? – ele perguntou. – Afinal, já tínhamos conversado sobre isso e você sabia que algo podia acontecer.
- Conversar é uma coisa, quando acontece é como se um balde de água fria fosse derrubado em cima de você, entende?
- Sim. – ele disse. – E como você está agora?
- Eu... Não sei. – eu disse.
- Estamos pressionando nosso produtor para arrumar logo o show nos Estados Unidos. Qualquer coisa a gente foge. – ele disse e eu ri.
- Vou tentar ajeitar as coisas aqui também, achar um emprego e arrumar shows para vocês.
- Bom mesmo.
- Ahn... Harry? – comecei sem jeito.
- Sim.
- Deixe-me falar com a , por favor. – eu pedi.
- Claro. – ele disse e chamou .
- Alô. – ouvi a voz dela e segurei minhas lágrimas.
Apareci na cozinha vestindo um shorts curto jeans e uma blusinha branca básica, meu cabelo estava preso em um rabo de cavalo. estava ali, preparando um lanche para ela.
- Bom dia. – ela disse. – Ainda não almocei, então não é tarde ainda.
- Bom dia. – eu respondi e sorri diante a teoria dela. – Onde estão as garotas?
- na faculdade, ela está fazendo moda. – ela tomou um pouco do suco. – E foi para uma entrevista de emprego, deve estar aí logo mais.
- Hm. – murmurei enquanto abria a geladeira.
- Ouvi você falando com alguém no telefone. – ela disse.
- Era Harry. – eu disse e ela me olhou como se dissesse, ironicamente, “Oh, mudou minha vida agora!” – Harry Judd, um dos garotos que falei para vocês ontem.
- Ah, da banda de Londres. – ela disse. – McFly, certo?
- Sim, já ouviu? – perguntei.
- Algumas músicas.
- Eles são bons, quero ver se consigo um lugar para um show deles. – eu disse.
- Desde quando você promove shows? – perguntou.
- Desde que eu fui fazer faculdade em Londres. – eu respondi. Peguei um copo e sentei a mesa junto com ela.
- Você sabe que eu não acredito totalmente nessa história, mas eu sei que você foi aceita na faculdade, só o seu motivo que não é totalmente verdadeiro. – ela disse. – Eu sei que tem algo mais.
- Não quero falar sobre isso. – eu disse no momento em que alguém entrou pela porta da frente.
- ! – gritou.
- Na cozinha. – ela gritou de volta. Em instantes, apareceu na porta.
- E aí, baixinha. – ele disse sorrindo para mim.
- Oi, . – eu disse.
- O que você quer? – perguntou.
- Você? – ele sugeriu e eu abafei uma risada, ficou vermelha. – Brincadeira, moranguinho. Preciso de comida. Estamos sem lá.
- Que novidade. – ela murmurou se recuperando. – Pegue o que quiser.
- Na verdade, viemos para cá, poupar tempo. – disse aparecendo atrás de . – Hey, . – ele sorriu para mim.
- Hey. – eu disse.
- Ou vocês entram, ou vocês saem! – disse da sala. – Não dá para eu comer via telepatia. – todos nós rimos e os meninos entraram na cozinha, apareceu atrás deles, os olhos frios, o rosto impassível; engoli em seco quando o vi, mas resolvi ignorar os pensamentos que me assaltaram.
- Bom dia, ... . – eu disse.
- Dia, zinha. – respondeu.
- A estava contando que virou produtora de eventos. – comentou, dei um chute em sua perna por baixo da mesa. – Vocês não sabem se algum lugar que precisa de uma produtora? Ela pode conseguir shows para vocês.
- Não temos nem cinco músicas. – disse. – Mas eu acho que conheço um cara que trabalha em algo do tipo.
- Obrigada, . – eu disse, meu celular começou a tocar e, infelizmente, ele estava mais perto de .
- Danny? – ele arqueou a sobrancelha – Um de seus garotos?
- Cala a boca. – respondi friamente e passei por ele, arrancando o celular da mão dele. – Alô? – atendi um pouco rude.
- Má hora? – a voz de Danny se fez presente.
- Não, me desculpe, não é nada demais. – eu disse. – E aí?
- Harry insistiu que eu ligasse, estamos de férias. – ele disse e eu ri. – Porque está rindo?
- Vocês ainda não terminaram a turnê. – eu disse.
- Ah, eu esqueci de terminar a frase, estaremos de férias daqui algumas semanas. – ele disse. – E adivinha para onde são as passagens?
- Brasil?
- Boa pedida... Ai! – ouvi Tom gritando com ele. – Estados Unidos... Saudades de você aqui, eles não me bateriam se você estivesse aqui. – ele disse com a voz chorosa e eu ri.
- Vou contar os dias e as horas para a chegada de vocês aqui. – eu disse. – Eu até ofereceria para vocês ficarem aqui, mas o espaço é pequeno e eu não moro sozinha.
- Sem problemas, nos arranjaremos bem em um hotel.
- Certo. – eu disse. – Mande um beijo para Tom e Dougie, certo?
- E o Harry? – ele perguntou, pude perceber um sorriso no rosto dele.
- Já falei com ele hoje. – eu disse e depois ri.
- Viu, Harry? Ela não gosta mais de você. – ouvi ele gritando e depois ouvi Harry xingando ele.
- Se comportem! – eu pedi. – Me avise quando tiver data para vir, quero ver vocês no aeroporto. – eu disse.
- Até parece que não iríamos avisar. – ele disse. – , tenho que ir... Ensaio, você sabe.
- Eu sei.
- Escrevemos uma música para você. – ele disse. – Até mais, amamos você.
Ele não me deu chances de responder, já havia desligado antes que eu pudesse perguntar sobre a tal música. Olhei para o celular chocada com a notícia, depois sacudi a cabeça, não podia estar realmente surpresa com aquilo. Isso lembrou do que eu havia escrito enquanto voava até Londres, corri até o quarto, peguei meu caderno – já com a caneta pendurada – o violão de , ela não se importaria se eu pegasse, e corri para a porta.
- Estou no telhado. – gritei para quem quisesse ouvir. Sai do apartamento e subi as escadas até o telhado, sentei em um sofá que havia em um canto e que tinha uma mesinha em frente. Coloquei o caderno ali e comecei a dedilhar pelo violão, olhando o horizonte, apenas pensando e deixando que o resto da música viesse até mim.
Quando eu acordei ela não estava mais ali, somente seu cheiro, seu doce perfume de morango. Virei para o lado em sua própria cama e acabei por confirmar que ela não estava ali. Abracei seu travesseiro, inalando ainda mais o seu perfume; fora tão bom senti-la tão perto como na noite que passou, seu abraço quente e confortável, a maciez de sua pele,.
- Se você quiser, eu posso te emprestar meu shampoo, assim você consegue sentir o cheiro quando quiser. – ouvi sua voz vinda da porta do banheiro. Levantei a cabeça, como em pânico, e a olhei; ela tinha um sorriso lindo no rosto, seu cabelo estava molhado e um pouco bagunçado, provavelmente ela ainda não o penteara.
- Não precisa. – eu sorri sem graça. – Já conheço bem seu cheiro.
- Fico aliviada de não ter que comprar outro frasco então. – ela entrou no closet que tinha ao lado do banheiro. Levantei e fui até ela.
- Um furacão passou por aqui? – perguntei ao ver a bagunça que tinha no closet.
- O quê? – ela me viu parado na porta e tentou esconder a bagunça. – Isso, não é nada, derrubei uma mala quando cheguei e ela estava aberta.
- Você nunca soube mentir bem. – eu disse. – Mas deixa pra lá. – dei de ombros e fui para o banheiro. – À propósito, - voltei para a porta e sorri para ela – bom dia.
- Bom dia. – ela sorriu.
Já contei como o sorriso dela me embriaga? Cinco anos sem aquilo foi como uma tortura, do pior tipo. Não era apenas seu sorriso, mas ela por completo. Sim, eu era apaixonado por ela. Desde quando? Isso é uma boa pergunta. Nos conhecemos quando éramos crianças e, naquela época, eu nem sabia sobre as coisas do amor, então eu poderia dizer que, na verdade, eu percebi estar apaixonado por ela quando terminamos o ensino médio. Sim, essa seria uma boa resposta. Mas é claro que, para ela, eu não passo de um bom amigo, aquele que sempre a faz rir quando está triste, mas que não foi bom o suficiente para mantê-la aqui e durante cinco anos ela deixou de existir.
- , você está se arrumando para um casamento aí dentro? – ela perguntou, batendo na porta.
Sequei minhas mãos e meu rosto recém-lavado, abri a porta e estaquei com sua figura. Ela vestia uma saia jeans que ia até metade da coxa, uma blusinha Pink de alcinha e era possível ver a alça de seu sutiã – que era roxa –, seu cabelo agora estava penteado e ela prendera sua franja para o lado com uma presilha em forma de estrela: simplesmente linda.
- Tira uma foto, dura mais. – ela alfinetou e passou por mim, entrando no banheiro.
- Já tenho várias. – eu respondi e voltei para o quarto.
- Muito engraçado. – ela disse do banheiro, sua voz estava estranha e deduzi que ela escovava os dentes. Olhei o closet, a bagunça já estava organizada, só algumas roupas estavam jogadas pelo chão, assim como vários sapatos estavam espalhados.
Sentei em sua cama e peguei o celular dela para ver as horas, estava desligado; arqueei as sobrancelhas e achei melhor não mexer. Ela voltou ao quarto e ainda sorria, foi até a cama, pegou o celular, deu um beijo em minha bochecha, pegou minha mão e começou a me puxar para fora do quarto.
- , espera. – eu pedi e a segurei, afinal eu ainda era mais forte que ela. – O que eles vão pensar quando ver que estamos juntos?
- Hm. – ela colocou o dedo no queixo e pareceu pensar. – Que voltamos ao normal e que você até fez questão de dormir comigo? Ah, qual é, ! Eles nos conhecem, sabem muito bem o que aconteceu. Além do mais, a já nos viu e sabe que nada rolou. Vamos logo, estou morrendo de fome.
- Que novidade. – eu disse e sorri, transformando-o em careta logo em seguida ao senti-la dando um soco em meu abdomen.
Ela estava certa, como sempre. Ninguém disse algo sobre a visão que tiveram de nós dois entrando na cozinha, nem mesmo olhares estranhos ou risadinhas. Eles simplesmente nos deram bom dia e voltaram a conversar. Mas foi quase impossível controlar os ciúmes quando ouvi o celular dela tocando – ela o ligou quando saímos do quarto – e ela saindo para atender.
Não quis ouvir a conversa, então sai da porta da cozinha e fui para o canto mais afastado.
- E eu pensando que você havia superado tudo. – murmurou, chegando ao meu lado.
- Como assim? – perguntei.
- Não tente esconder, eu não sou idiota. – ela disse. – O cíume está estampado em sua cara. Francamente, não existe razão para ciúmes.
- Você não entende. – eu disse e desviei o olhar do dela.
- Então me faça entender. – ela retrucou. – Por que é tão difícil aceitar que ela tem novas amizades?
- Não são as novas amizades. – eu disse. esperou que eu continuasse, o que eu fiz após algum momento. – É o fato de eles saberem o que aconteceu com ela.
- Você só pode estar brincando. – ela disse e me olhou. – Telhado, agora! – ela disse.
Não fiz objeções, suspirei e a segui para fora do apartamento. Pude ouvir conversando no quarto, ela ria de algo. Saímos, ninguém fez perguntas. Subimos para o telhado e eu me apoiei no beiral, ela encostou ao meu lado.
- O que está acontecendo, ? Por favor, me diga a verdade. – ela disse.
- Eu... – comecei, mas não sabia o que dizer. Olhei para o horizonte por um tempo, tentando colocar em ordem meus pensamentos.
era uma grande amiga, isso ninguém podia negar, principalmente eu! Foi ela que me consolou e esteve ao meu lado durante os primeiros meses que sucederam a partida de . Ela que sempre esteve lá quando ninguém mais teve paciência para me ouvir lamentando. E agora seria ela, novamente, que me ouviria lamentar.
- A gente se beijou ontem. – comecei pelos últimos fatos. – E ela... Eu não sei, ela meio que fugiu.
- Como assim? – uma parte boa de era que ela ouvia tudo e depois fazia seus comentários.
- Estávamos nos beijando e, de repente, ela se afastou, me empurrou e entrou no apartamento sem dizer uma palavra sequer. – suspirei com a lembrança. – Entrei logo depois dela e a vi deitada, quase dormindo, me aproximei e foi assim que acabamos dormindo juntos.
- Algo mais? – ela perguntou.
- Eu não sei, . O beijo trouxe lembranças, sentimentos e coisas que eu não queria que voltassem.
- Não queria?
- Ou não esperava... – eu disse e olhei para ela. – É complicado. Agora está tudo diferente. É como se tivesse um abismo entre eu e ela e não há caminho alternativo para que nos encontremos. Todo o papo de Londres, a história da faculdade... Não parece real! Eu vi o que ela fez no closet.
- Ah, as fotos? – perguntou e eu assenti. – Foi no dia que ela voltou, que você disse tudo aquilo.
- Imaginei. – eu disse.
- Continue. – me encorajou.
- Ela sempre me verá desse jeito, não é? – perguntei. – Como um amigo, o seu melhor amigo. E eu viverei na base do amor platônico. Eu não quero ser um... Um emo, como disse a ontem. Eu nunca quis que ela se sentisse mal, nunca quis isso. E eu não sei se consigo conviver só com a amizade dela, sendo que sinto algo mais. – disse por fim, e a olhei.
- Compreensível. – ela começou. – Mas não acho que a te veja apenas como um melhor amigo. No mínimo algo aconteceu entre vocês e ela quis ir para Londres a fim de não estragar a amizade. Você não quis me contar tudo, mas eu acho que sei o que rolou. – fiz menção de falar, mas ela cortou. – Sem problemas, conte quando quiser. O fato de vocês terem se beijado e ela ter se afastado pode ser porque ela não quer estragar a amizade de vocês.
- Mas...
- Já passou pela sua cabeça, , que ela sente o mesmo por você, mas pensa que você só a vê como uma amiga? – ela me perguntou. – Ela pode se sentir igual você.
- Por que ela se apaixonaria por alguém como eu? – perguntei.
- Ah, por favor, né, ! – bufou ao meu lado. – Você é bonito, engraçado, inteligente, divertido... Por que ela não se apaixonaria por você? Essa é a pergunta certa.
- Só está sendo legal. – eu disse.
- Cala a boca. – ela respondeu e eu ri. – Tente conversar com ela, sobre tudo o que aconteceu. Sobre Londres, os amigos dela, os motivos dela...
- Claro, eu...
- Achei vocês! – a voz de me interrompeu; ela subia as escadas animada. – Atrapalhei algo?
- Não. – disse. – Você está feliz, aconteceu algo?
- Ah, nada demais. – ela disse e sorriu.
- Conte logo. – eu a animei.
- Ganhei um presente dos meninos. – ela disse. – Eles compraram um apartamento para mim, o bom é que é aqui no bairro mesmo, acho que até na mesma rua. – ela olhou ao redor pelo teto. – Ah, é aquele! – ela apontou para um que ficava a apenas uma casa de distância do que estávamos. – Eles queriam ter um espaço caso não desse tudo certo aqui.
- Presente legal. – eu disse, percebendo que parecia enciumado e até aborrecido.
- Eu vou descer, terminar de comer. – disse. – Tenho uma entrevista logo mais.
- Boa sorte. – disse e sorriu para ela.
Deus! Como o sorriso dela era lindo, nunca mudava, eu sempre ficava abobalhado com seu sorriso. Ela olhou para mim e respirou fundo, tomando o lugar de ao meu lado.
- Temos que conversar. – ela disse.
- Sobre o que? – perguntei. Idiota! Era óbvio que ela queria conversar sobre a noite passada.
- Londres. – ela respondeu, me surpreendendo.
- Não temos nada para conversar sobre Londres. – eu disse. Não queria ouvir sobre as histórias dela, sobre as amizades... NADA!
- Na verdade, temos. – ela respirou fundo novamente. – Sei que você não quer ouvir sobre isso, mas você precisa. Porque, como todo mundo sabe, e eu acho que você também, a faculdade não foi meu único motivo para partir.
- , eu não sei se quero ouvir tudo isso. – admiti.
- , por favor. – ela pediu. – Não é fácil para mim também, mas depois do que aconteceu ontem... Acho que te devo isso, pelo menos uma explicação.
- , eu não quero repetir o passado. – eu disse e olhei para ela. – Eu lembro ainda a data exata de quando você foi embora, um mês depois que nós fomos... Que tivemos aquela noite, você ficou um mês inteiro me evitando e depois foi embora. Eu te liguei, te mandei mensagens, e-mails, e você nunca me respondeu. Eu entendi o recado, você não queria que aquilo repetisse, você não queria ter qualquer relação comigo que não fosse amizade.
- , não é nada disso. – ela disse. – Eu... Eu fiz tudo errado. Todas as minhas escolhas, todos meus pensamentos a respeito daquela noite, tudo errado. – ele me olhou – Por favor, me deixe falar.
- Talvez em outra hora. – eu disse e comecei a ir para as escadas.
- PARE COM ISSO! – ouvi ela gritando. – Pare de fugir toda vez que você percebe que vai ouvir a verdade e não quer, pare de ser um emo fingido e idiota. Porque você está curioso para saber de tudo isso, mas a merda do seu orgulho não deixa. Pare com isso, volte aqui e me escute. – ela disse e percebi que ficou um pouco arfante. – Pare de fugir de mim.
- Eu, fugindo? – me virei para ela. – Quem foi que fugiu ontem? Quem foi que desistiu de conversar no meio da noite, foi embora e depois fugiu daquele beijo? Quem fugiu para Londres sei lá por qual razão? – retruquei. – VOCÊ é a única que foge aqui, , todos ficaram aqui, seguindo com as próprias vidas, enquanto você fugia em Londres. Fugia da sua realidade, dos seus amigos, daquele que SEMPRE esteve ao seu lado, fugiu das conseqüências de qualquer coisa que tenha acontecido, fugiu e agora resolveu voltar. – eu disse. – Mas você está querendo que tudo volte a ser como antes, que voltemos a ser aqueles melhores amigos, que todos dêem risadas juntos sem se preocupar com o amanhã, mas eu te falei, , NADA será como antes. Principalmente nós dois. – ela me olhava assustada. – Você não pode esperar que eu te perdoe por você ter me abandonado...
- , eu...
- Porque eu não vou. – impedi que ela continuasse. – Eu te amava, . Te AMAVA e não era como um simples melhor amigo. Eu queria um futuro com você, ao seu lado, só nós dois. Eu sonhava, sabe? Casar com você, ter filhos com você. E naquela noite tudo isso me pareceu tão certo, mas eu fui um idiota, não? Porque eu acreditei em você, mas você só me iludiu e me fez de palhaço. Não, , eu não quero saber a verdade da sua ida, não quero saber o que deu em você, eu não sou como eles – apontei para baixo –, eu ainda tenho o meu orgulho. Ele está ferido, mas ele ainda existe e eu não vou ficar sofrendo. Na verdade, eu nem fiquei sofrendo, me perguntando suas razões.
- .
- Chega, . – eu disse. – No final, você é como todas as outras. Você não tem o seu diferencial, você só ilude e faz acreditar, mas quando a pessoa está pensando no futuro, você some. Você usa as pessoas, . – eu acusei. – Você não serve para ter amigos de verdade, você é só mais uma no meio de um monte de iguais, você... – sua mão fez meu rosto arder quando ela me deu um tapa, respirei fundo e a olhei, ela tinha lágrimas nos olhos, sua respiração estava falha.
- Você é um idiota, um filho da puta dos grandes. – ela disse. – Nunca mais fale comigo... Nunca, está ouvindo? Eu odeio você, odeio com todas as minhas forças. – ela passou por mim e começou a descer as escadas, mas parou no segundo degrau. – Eu fugi, sim, mas não foi porque não te amava, porque eu te amava sim... E muito.
Não era uma ilusão, um sonho, uma imagem, uma miragem... Era verdade. Ela havia partido. E eu, como o idiota que era, havia perdido-a novamente.
- Burro, idiota, orgulhoso. – disse para mim mesmo, parado no quarto dela.
- Ela deixou isso para você. – disse, aparecendo na porta. Ela me estendeu um envelope branco.
Eu o peguei e abri. Havia duas fotos, uma de nós dois – eu e – uma semana antes dela ir para Londres. Passei para trás e olhei a outra, havia apenas uma criança de cabelos cacheados e castanhos, olhos castanho-claros, ela era pequena, mas já andava, sorria para a foto – era percebível alguns dentes faltando – mas parecia feliz, ela estava no colo de alguém que quase não aparecia, mas que eu reconheci ser . Virei a foto para ver se havia algo escrito, apenas um nome: .
- Só isso? – eu olhei para , que deu um riso debochado.
- Queria que ela te deixasse mais o quê? Uma declaração de amor? – ela revirou os olhos e saiu.
Olhei novamente para as fotos e acabei por sorrir ao ver nós dois juntos, o arrependimento já batia à porta, mas eu não queria deixá-lo entrar, mas ao ver a foto ele entrou com tudo e eu me vi perdido, mais uma vez. Eu a havia perdido de novo e por idiotices minhas. Sim, eu sabia onde ela estava, sabia chegar lá – bastava dar alguns passos saindo do prédio – mas eu não tinha como chegar e pedir desculpas. Não depois de tudo o que falei. Ela tinha motivos de sobra para me odiar e nunca mais querer me ver e eu tinha os meus para me odiar também.
- Idiota! – murmurei, olhei novamente a foto e sorri, afinal a tal música que eu andava escrevendo (e que eu pensava ser secreta) era sobre aquele dia, mas algumas mudanças deveriam ser feitas.
Sai do quarto e fui para o apartamento masculino – ou era assim que todos chamavam, o das garotas era o apartamento feminino – fui para meu quarto e lá peguei o caderno onde estava a música, ao lado havia a folha que havia escrito o trecho dela. Comecei a fazer as mudanças necessárias, não vi como as horas passaram, mas quando percebi já era noite e a música já estava pronta, só faltava compor, mas isso era trabalho para o e o .
Eu podia ouvir as risadas deles na sala, estávamos sós no apartamento. Fui até a sala e as risadas cessaram no mesmo momento.
- Eu sei, desculpe, estou muito arrependido e sinto muito por ter feito a sair daqui. – eu disse antes que eles falassem algo. – Mas estou precisando da ajuda de vocês. – mostrei o caderno – Terminei a música.
- Finalmente. – disse e pegou o caderno da mão.
- Agora vocês podem compor à vontade. – eu disse para o ar, pois os três estavam compenetrados na música.
- Isso é... – começou e olhou para os outros.
- Ela está... – também falou.
- , isso é muito diferente do que você estava escrevendo. – por fim disse. – Quero dizer, você mudou muita coisa aqui.
- Obrigado. – eu disse.
- É um pedido de desculpas? – perguntou e me olhou, os outros dois também o imitaram.
- Não sei. – eu disse e sentei na mesinha de centro. – Eu falei tanta coisa, ela não tem como me desculpar, ou motivos para fazer isso. Eu não me perdoaria!
- Achei que você conhecesse a bem o suficiente para saber que ela sempre acaba perdoando. – disse.
- Não dessa vez, eu realmente ferrei com tudo. – eu disse e meus ombros caíram em desanimo. – Ela fez certo em ter mandado eu ficar longe.
- Orgulho só serve para uma coisa: ferrar com nossos sonhos e nossa vida. – disse. – Esse seu orgulho está fazendo isso. – ele pegou o caderno e o mostrou para mim. – Está ótimo, mas de nada vai servir se você não for escutado. Não custa nada tentar, afinal o que você tem a perder?
- Nada, já perdi tudo mesmo. – eu disse.
- Então comece a pensar em recuperar. – disse e pegou o violão que estava ali ao lado. – Agora sai daqui que os compositores têm que trabalhar. – ele disse e começou a reler a letra.
Sorri e fui para a cozinha, só agora eu havia percebido em como estava com fome, preparei um lanche mesmo e comi ali, as duas fotos que havia me dado rodando em minha cabeça, lembrei do dia da foto em que estávamos e sorri.
Aqueles eram bons tempos, não havia preocupações, era tudo mais fácil, mais simples. Eram tempos felizes e divertidos. Não nos preocupávamos com o amanhã e nossa amizade era tudo o que importava.
Eu sentia falta dele ali, obviamente, mas não demonstrava. Todos estavam felizes com as notícias que eu trouxera: os meninos tinham um mês e meio para preparar um show, ou seja, eles tinham que completar as músicas, ensaiá-las, dar um nome para a banda... Coisas do tipo. Eles estavam radiantes e eufóricos com a notícia e nós comemorávamos com o champanhe que eu mesma trouxera. Mas ele não estava ali e ele merecia estar ali.
Sacudi a cabeça, a culpa era somente dele. Fora quem dissera tudo aquilo, ele que fez com que eu fosse embora, então se ele quisesse se isolar do mundo para sempre com apenas aquelas duas fotos que eu mandara entregar a ele, a escolha seria somente de e ninguém faria nada para mudar, a não ser os próprios garotos.
A comemoração durou até tarde, saímos do apartamento masculino mais de meia-noite – e o não havia dado as caras. fez questão de me acompanhar até meu novo apartamento, mesmo que este fosse a alguns metros de distância do deles. Durante o trajeto percorrido no elevador ele nada dissera.
- vai ficar muito feliz com a notícia. – ele disse, quando saímos para a rua.
- Espero que fique. – eu disse e coloquei as mãos nos bolsos, ventava e deixava tudo mais frio do que o normal.
- Ele terminou a música dele. – comentou. Olhei para ele e parei.
- Terminou? – perguntei, não conseguia acreditar. me dissera que ainda faltava muito.
- Parece que ele mudou um monte de coisa e conseguiu terminar. – disse. – Mas pediu que não falássemos nada a respeito, ele quer que ela fique totalmente pronta, sabe? Com os instrumentos e tudo mais. e estão trabalhando nela.
- Estou ansiosa para ver como ficará. – eu disse.
- Sério? – perguntou.
- Claro, é uma música de vocês! – eu disse e sorri. – Como não ficar ansiosa? Sou fã número um de vocês.
- Não fale isso para as meninas, ou sai briga! – disse e eu ri.
- Pode deixar. – eu disse. Afinal, sou mais que fã! Sou empresária de vocês agora. – eu disse e ele riu.
- É algo muito mais importante. – ele disse e sorriu.
- Sou inteligente, né! – eu disse. Já tínhamos chegado ao portão do prédio e eu olhei para cima, onde ficava o apartamento. – Quer subir? – perguntei educadamente.
- Não, fica para a próxima. – ele disse e sorriu. – Ele está sentindo a sua falta, o , você sabe, né?
- Eu sei. – suspirei. – Mas a culpa é dele, , eu não posso fazer nada!
- Você não precisava ter se mudado. – ele apontou para o apartamento.
- Foi por mim que eu mudei. – eu disse. – Eu não queria, mas se não o fizesse seria mais complicado, pelo menos para mim.
- Bom, você sabe o que faz. – disse. – E o terá que conviver com isso. Ele não para de olhar aquelas fotos.
- Fico feliz por isso. – eu sorri. – , eu tenho que subir, estou cansada e amanhã eu já começo a trabalhar lá no escritório. Aliás, esqueci de agradecer ao por conseguir o trabalho para mim.
- Sem problemas. – ele sorriu e me deu um beijo na testa. – Boa noite. Até amanhã.
- Até! E obrigada por me acompanhar até aqui. – eu disse e sorri.
Ele esperou até que eu entrasse no prédio e depois voltou a andar.
- E aí, você fez o quê?
- Dei um tapa na cara dele e mandei ele nunca mais falar comigo. – eu disse e tomei um pouco do meu suco de morango.
- Você bateu nele? – Tom perguntou, no outro lado da linha. – Ai, Harry, ela ta virando macho!
- Cala a boca! – eu disse e ri. Era impossível não rir quando você conversava com os meninos do McFly. – Me coloca no viva-voz aí, porque eu sei que ou eu terei que contar essa história de novo ou você irá contá-la totalmente errada.
- Eu ia colocar mais emoção na história. – ele disse e depois eu o ouvi apertando o botão. – Dougie, desliga essa televisão aí. , vem aqui com o Tom mega legal.
- , fique longe do Tom! – ouvi Harry gritando. – Ele vai te dar cerveja e você ainda não pode.
- Meu Deus! – eu disse e ri.
- Ah! , você está no viva-voz! – ouvi Harry dizendo e depois ele xingou baixinho.
- Sim, estou! – eu disse, mesmo sendo algo inútil de dizer. – Como estão as coisas aí?
- Ótimas! O Tom quer embebedar a , o Dougie ta na mesma e o Danny... Bom, é o Danny, preciso falar algo? – Harry disse.
- Tom! Fique longe da ! – eu disse.
- Ela precisa conhecer as delícias do mundo! – ele disse e eu ouvi a voz de .
- Tio, deixa eu tomar! – ouvi ela pedindo e comecei a rir. – Deixa, tio Harry.
- , nem adianta fazer essa carinha de gatinho do Shrek, não é para ficar perto do Tom! – ele disse e pude ouvir Danny e Dougie rindo.
- Mas então... – Danny disse, em voz alta, e a briga para dar cerveja a parou. – A estava contando a história em que ela deu uma porrada no cara.
- Não dei porrada em ninguém. – eu disse, colocando meu telefone no viva-voz também, afinal, eu precisava me movimentar. – Foi apenas um tapa no rosto.
- Você já foi melhor, . – Dougie comentou. – Vou ter que te treinar de novo.
- Cala a boca, Dougie. – eu disse. – Eu não piorei, só achei que o momento só merecia um tapa.
- Afinal, o que aconteceu? – Harry perguntou.
Comecei a contar a história para eles, desde o momento no quarto de , enquanto apresentava a música, até o momento em que me acompanhou até em casa. Vez ou outra um deles soltava alguma piadinha, menos Harry, que mandava eles calarem a boca toda hora.
- E como você está? – por fim, Harry fez a pergunta que eu menos queria ouvir.
- Ótima. – eu disse sarcástica. – Perdi meu melhor amigo, que acha que eu sou uma aproveitadora, mas ainda assim tenho que vê-lo quase sempre porque sou praticamente vizinha deles e, agora, sou quase empresária dele e da banda dele. Realmente, estou perfeita, melhor não poderia ficar!
- , eu não quis dizer que...
- Tudo bem, Harry, eu entendi. – eu disse e me arrependi por ter sido tão grossa, respirei fundo, me afundando no sofá. – Me desculpem, descontei em vocês tudo o que está me atormentando.
- Relaxe, . – Danny disse e ouvi ele arrotando logo depois, revirei os olhos e sorri.
- Idiota. – Tom disse.
- Aliás, obrigada pelo apartamento. – eu disse e olhei ao redor. Eles já haviam mandado mobiliar o apartamento também, eu nem sabia que aquilo era possível, sabe, coordenar uma compra sendo que você está em outro país.
- Que bom que você gostou. – Danny disse – Mas, e aí, já arrumou o quarto de hóspedes para nos receber?
- Sim, Danny, seu quarto está na varanda. – eu disse.
- Como assim?
- Achei uma casinha de cachorro muito linda enquanto andava pelas ruas daqui. – eu disse e ouvi os meninos começarem a rir. – Ela é rosa e tem uns coraçõezinhos desenhados, achei a tua cara e resolvi comprar para você. – eu completei e os meninos agora gargalhavam.
- . – ele disse após um tempo. – Está me chamando de cachorro?
- Eu? Nunca, Danny. – eu disse e comecei a rir. – Não coloque palavras em minha boca.
- ... Você não sabe o inimigo que conseguiu. – ele disse, mas eu percebi que ele começou a rir depois.
- Meninos, eu tenho que desligar. – eu disse, ao olhar o relógio, não estava preocupada comigo, mas com eles, afinal, já era tarde em Londres. – Vocês têm compromisso amanhã e têm que descansar.
- Então não é você que tem que desligar, somos nós. – Tom disse.
- Sim, mas eu não quis expulsar vocês do telefone, então disse que eu precisava. – eu disse e ele riu.
- Tudo bem, . – Harry disse. – mandou beijos antes de dormir no meu colo.
- Dê um de boa noite para ela.
- Tudo bem. – ouvi quatro barulhos de beijos e conclui que todos eles a beijaram. – Tchau, .
- Falou, pequena. – disse Danny.
- Não se esqueça de treinar os socos que te ensinei. – Dougie disse.
- , se ele te irritar de novo, dê mais que um tapa. – Tom disse.
- Tchau, , te amamos. – todos eles disseram juntos e eu sorri, aqueles eram os meus meninos.
- Também amo vocês. – respondi e desliguei o telefone.
Respirei fundo em frente ao espelho. Minha maquiagem estava leve, meu cabelo estava liso e solto, minha franja estava presa de lado por um grampo, minha roupa estava do jeito que deveria estar para um primeiro dia de trabalho: calça social preta, uma blusinha de gola alta na cor branca, em minha cama meu casaco cor creme me esperava, eu usava um scarpin preto, a única jóia que eu usava era um colar delicado, com apenas uma pedrinha de swarovski em um pingente em forma de gota. Respirei fundo novamente e tentei me lembrar de que a vaga já era minha e que eu me daria bem.
- Tudo dará certo. – murmurei para mim e sai do banheiro, peguei o casaco e a bolsa e sai do quarto.
Sai para o tempo frio do Brooklyn e comecei a caminhar, próximo ao apartamento havia uma cafeteria com cafés e chocolate quente ótimos. Entrei na mesma e aguardei um momento na fila com apenas cinco pessoas.
- Um chocolate quente para viagem. – pedi e a atendente sorriu para mim.
Paguei, peguei meu copo e sai novamente para as ruas frias. Observei os dois lados da rua e vi um táxi se aproximando, fiz sinal.
- Bom dia. – o motorista disse e eu respondi, dando-lhe o endereço logo depois.
O prédio não era alto, ou grande, ali cada andar era para uma empresa diferente. A empresa onde eu trabalharia ficava no terceiro andar, peguei o elevador e desci no andar devido.
- Bom dia. – uma garota de cabelos armados e loiros sorriu para mim atrás do balcão polido. – Em que posso ajudá-la?
- Tenho uma reunião com... – olhei o papel que carregava na mão. – Sr. Davis?
- Ah, sim. – ela continuou sorrindo, pegou um telefone ao seu lado. – Só um minuto. Sr. Davis? Sim, há alguém esperando pelo senhor. O nome dela? Senhora...
- Senhorita . – eu disse e ela sorriu.
- Srta. . – ela disse. – Sim, senhor. – ela desligou e me olhou. – Me acompanhe, por favor.
Ela me guiou por um longo corredor, suas paredes eram claras e o chão era revestido de azulejos pretos, alguns quadros, fotos e prateleiras com troféus revestiam a parede. Ao final do corredor havia uma porta de aparência cara – eu não sou boa em reconhecer esse tipo de coisa – e uma plaquinha mostrava que aquela era a sala do meu, provável, futuro chefe. A mulher deu duas batidas na porta e depois a abriu me, dando passagem.
- Srta. . – uma voz rouca disse assim que pisei na sala. Eu olhei para a sua origem, atrás de uma mesa comprida estava um homem alto, magro e que aparentava ter mais que quarenta anos.
- Apenas , por favor. – eu disse e sorri, ele sorriu em resposta e levantou-se para me estender a mão. – É um prazer conhecê-lo.
- Igualmente. – ele respondeu e apontou a cadeira atrás de mim, ele esperou que eu me sentasse para sentar também. – não me disse que você era tão bonita.
- Obrigada. – respondi e olhei o escritório ao redor. Era moderno, mas simples.
- Sem toda aquela conversa de entrevista de emprego, afinal, já está contratada. – ele disse e eu fiz menção de falar. – Não me entenda mal, , mas eu confio no julgamento de e se ele diz que você é boa, realmente deve ser.
- Fico agradecida pelo voto de confiança. – eu respondi.
- Imagino que você já tenha um projeto para alguma banda, certo? – ele perguntou e eu mordi o lábio. Eu realmente tinha, mas não sabia se já queria apresentá-lo sem antes conversar com os meninos.
- Na verdade, eu tenho, mas eu prefiro conversar com os integrantes a banda antes de apresentá-lo. – eu disse.
- Entendo perfeitamente. – ele disse e sorriu. – Me apresente quando ele estiver totalmente pronto, então.
- Sim, senhor. – eu disse. Ele pegou o telefone na escrivaninha e esperou um momento.
- Sra. Baker, acompanhe até a sala dela. – ele disse ao telefone.
A Sra. Baker apareceu na porta e sorriu para mim, eu me levantei, apertei novamente a mão do Sr. Davis e sai da sala, acompanhando a Sra. Baker por outro corredor no mesmo estilo do primeiro. Ela parou em frente à terceira porta do corredor, onde uma plaquinha já possuía meu nome.
- Qualquer coisa que precisar, os telefones da recepção estão na agenda ao lado do telefone.
- Obrigada. – eu disse e abri a porta de minha nova sala.
Entrei na sala e dei uma volta sem sair do lugar, olhando por todo o ambiente. Ainda não estava totalmente decorado, possuía algumas coisas simples, apenas. A escrivaninha era igual a do Sr. Davis, na cor marrom, um computador da última geração ocupava seu lugar próximo à janela, havia uma estante também. Havia duas janelas grandes com persianas, mas essas estavam erguidas e deixavam que a sala fosse iluminada apenas pela luz do dia.
- Gostou? – Sra. Baker perguntou.
- Gostei, obrigada.
- Com licença. – ela disse e se retirou.
Sentei em frente ao computador e olhei novamente minha nova sala, era muito bom tudo aquilo.
- , eu realmente preciso de todos juntos. – eu disse pelo que parecia ser a centésima vez.
- Eu sei, , mas não dá. – ele disse.
Estávamos no telhado, eu , e , eu pedira para que eles me encontrassem ali para que eu apresentasse o projeto da banda, mas eu realmente precisava de todos.
- Por que não? – eu perguntei, cruzei os braços e encarei os três com uma cara de quem estava começando a ficar brava.
- Ele não quer sair do quarto. – disse.
- Eu já volto. – respondi e desci as escadas do telhado.
Ainda estava com a mesma roupa de trabalho, então meu salto fazia barulho quando em contato com o chão. Entrei no apartamento dos garotos e pude perceber que eles me seguiam, caminhei a passos firmes pelo apartamento indo para o quarto de , mexi na maçaneta e percebi que a porta estava aberta, abri com tudo e surpreendi de costas para mim, usando apenas uma toalha em torno da cintura, de seu cabelo escorria água e conclui que ele acabara de tomar banho.
- Muito bem, . – eu disse e ele pulou com o susto, quase deixando a toalha cair. Confesso que estava complicado me concentrar vendo-o daquele jeito.
- Mas que por... – ele começou, mas eu o cortei.
- Seguinte: tudo bem você e eu estarmos brigados e ficarmos nos evitando, mas eu agora sou a empresária de vocês e estou querendo lançar vocês no mundo da música, então, a menos que você queira ficar fora da banda, eu acho bom você começar a ser profissional e esquecer essa nossa briga quando eu pedir para nos reunirmos. – eu disse e cruzei os braços, ele olhou para mim e depois para os garotos que estavam atrás de mim. – E eu acho que você é adulto o suficiente para ser profissional.
- Eu...
- Ótimo! – eu disse. – Estamos esperando por você lá no telhado, não demore. – eu disse e sai do quarto, voltando ao telhado.
- Uau. – ouvi murmurando enquanto eles me seguiam para fora. Não pude deixar de sorrir, mas era por outro motivo.
subiu uns cinco minutos depois, usando uma calça jeans e uma blusa de frio verde por cima, ele não disse nada, se jogou em um dos sofás e ficou ali em silêncio. Revirei os olhos, pelo menos ele subira. Comecei a apresentar o projeto para os meninos. Eles se concentraram e levaram o assunto a sério, acenando com a cabeça algumas vezes e fazendo outros comentários sobre algo que eu dizia.
- Eu acho demais. – disse.
- Eu também. – concordou.
- Só precisamos de um nome e uma música pronta para apresentarmos? – perguntou e eu acenei positivamente. – Ótimo, temos metade caminho andado. O que você achou, ?
- É, pode ser. – ele disse e olhou para o céu. Revirei os olhos e resolvi não brigar agora.
- Achei melhor deixar para todos vocês decidirem o nome da banda. – eu disse e frisei bem a parte de todos eles.
Eles começaram a discutir os prováveis nomes e por eles você entenda como: , e , apenas os olhava, mas pelo menos aparentava estar prestando atenção.
- Cala a boca, ! – disse em um momento e eu ri.
- Mas Time é tão legal! – defendeu a idéia. ignorou e eles voltaram a discutir.
Por um longo tempo eu admirei o horizonte enquanto ouvia-os discutindo os prováveis nomes, de repente eles abaixaram o tom e pareceram começar a decidir. Sorri, sabia que eles queriam que fosse como uma surpresa.
- PRONTO, ! – gritou e eu ri. – Tivemos a melhor idéia de todos os tempos.
- Pois é, não tem pra ninguém. – disse.
- Falem logo. – eu disse.
- All Time Low! – eles, , e , disseram juntos.
- Todos estão de acordo? – eu perguntei.
- Sim. – murmurou.
- Ótimo. E a música para apresentação?
- Está pronta já. Só alguns acordes a mais e tudo estará pronto. – disse.
- Aliás, vamos terminá-la agora. – disse e levantou, seguiu-o e , após olhar de mim para por um tempo, seguiu-os. pareceu enfim ter uma noção de onde estava e me olhou por um momento, ele levantou do sofá e começou a caminhar em direção à escada.
- , espera. – eu disse e ele estacou, afinal, eu só o chamava pelo sobrenome quando estava muito brava com ele.
- O que você quer? – ele perguntou e virou para mim com as mãos nos bolsos.
- Sei que não estamos bem, na verdade, estamos péssimos. – eu disse e ele deu uma risadinha. – Mas, por favor, quando o assunto for a banda, será que você poderia agir normalmente?
- Claro, chefe, você que manda. – ele disse e virou as costas novamente.
- Infantil. – eu disse e ele ouviu.
- O que você quer, ? – ele disse e me olhou novamente. – Você acha que eu consigo agir normalmente quando estamos no mesmo local? Se você acha, então não me conhece. – ele disse. – Não finja que não sabe que eu passo o dia inteiro trancado naquela merda de quarto, eu sei o que eles falam para você. Eu sei que você já sabe da música que eu consegui terminar e mudei umas coisas, eu sei que você sabe que eu fico o dia inteiro olhando aquelas fotos, pois elas são as únicas coisas que sobraram de você comigo. – ele apoiou as mãos na cintura e me olhou. – Mas, no final, prefiro te ter como empresária a não te ter, já é alguma coisa. – dito isso ele se virou e desceu as escadas.
- Merda! – eu disse e dei um soco no sofá que estava próximo a mim.
Capítulo 6 – Break your little heart
Encarei a foto que ilustrava a matéria de boca aberta, ela não podia ter feito isso. abraçava com força o tal baterista e – em uma foto ao lado – eles pareciam mesmo estar se beijando, ela estava de costas para a câmera, mas seus braços estavam em torno do pescoço dele, as mãos dele estavam na cintura dela e eles tinham os rostos levemente inclinados.
Fechei a página da internet rapidamente, aquele era apenas um site idiota de fofocas. nunca faria isso comigo, quero dizer, ela havia me beijado! Tudo bem que ela acabou com o beijo, mas ela correspondeu mesmo assim, ela não faria isso se estivesse namorando. Faria? Ela nos avisaria que estava namorando. Não avisaria?
- ? – ouvi me chamando. – A está quase chegando, você não vai subir com a gente?
- Daqui a pouco. – eu respondi, quando na verdade eu queria dizer um não. Mas eu não poderia me comportar como uma criança mimada, certo? Errado! Eu podia, afinal, ela provavelmente estava NAMORANDO OUTRO CARA! – Vai, idiota, você desperdiçou seu tempo com ela por causa de um orgulho idiota, agora está ai, sofrendo porque perdeu por culpa própria. – eu disse a mim mesmo. – Você é um idiota, , um idiota um grande idiota.
Respirei fundo e fechei o notebook, não melhoraria nada se continuasse vendo aquela notícia. Resolvi que subiria para conhecer a tal banda e confirmar com meus próprios olhos se aquela noticia era verdade. Coloquei uma calça jeans – estava apenas de boxer – e uma camiseta preta por cima, o tempo parecia bom, então deixei a blusa de frio jogada na cama, coloquei os tênis e olhei no espelho para ver se eu tinha uma aparência boa, nada mal, baguncei meus cabelos mais um pouco e, satisfeito, sai do quarto.
Eu já podia ouvir as risadas dos caras e das meninas na porta do apartamento. Resolvi que seria divertido e seria o antigo , nada atrapalharia. Subi as escadas e observei a organização deles, por precaução com a chuva nós havíamos pedido para construírem uma grande parede de vidro, com um teto de vidro também, assim, sempre poderíamos aproveitar o dia e a noite, mesmo que chovesse, e nada molharia.
- ! – disse, vindo para me abraçar.
- Hey, . – eu disse e a abracei. – O que vocês estão fazendo?
- Enchendo a cara. – ela disse e riu, percebi que ela já estava um pouco alta.
Acompanhei-a até um dos sofás e me servi de uma garrafa de cerveja. parecia ansiosa para conhecer os garotos e conversava com sobre as fotos que viram deles e qual era o mais gato – não me entendam mal, elas estão conversando sobre isso –, entrara em um desafio com para ver quem conseguia virar mais doses de tequila sem ficar tonto, ela perdia visivelmente; e apenas discutiam sobre as nossas músicas e a banda, me juntei a eles na conversa.
- Oi, gente! – ouvi dizendo e logo depois ela apareceu por inteiro no telhado, sua roupa igual a da foto tirada de manhã, uma calça jeans com bota de salto alto por cima, uma blusinha de manga comprida branca com alguns desenhos em preto e dourado, seu cabelo estava completamente solto e um grande sorriso enfeitava seu rosto. – Subam logo. – ela olhou para baixo e riu, depois puxou a mão de alguém e eu vi que era o tal baterista. – Pelo amor de Deus! Você tocam para milhares de pessoas e estão com vergonha de conhecer sete? Meio irônico isso. Você já foi melhor, Dougie. – ela acrescentou e eu ouvi três risadas.
- Cale a boca. – uma voz disse e, aquele que eu interpretei por ser o Dougie, apareceu. – Você sabe que eu não tenho vergonha.
- Por isso você estava mandando todo mundo ir na sua frente. – ela disse e ele fez uma careta. – Finalmente. – ela disse quando todos terminaram de subir a escada e Harry a abraçava pela cintura. Respirei fundo, era apenas um abraço de amigos. – Gente, - ela olhou para nós e começou a se aproximar, os garotos vieram juntos. – esses são Harry, Danny, Dougie e Tom. – ela disse e apontou para cada um de acordo com o nome. – Meninos, - ela olhou para eles e depois para nós – esses são , , , , , e... . – ela acrescentou meu nome com um pouco de incerteza e eu arqueei a sobrancelhas. – Espero que todos se dêem bem.
- Somos músicos, , eles também, tudo dará certo. – disse e começou a puxar assunto com os caras. Percebi que Harry não largava , nem quando ela se aproximou de e para conversarem sobre algum assunto qualquer.
- Hey, ! – o tal do Tom me chamou. – A gente não morde. Eu apenas ri e me aproximei dos caras.
Eu consegui ser eu mesmo durante a conversa, mas constantemente meus olhos iam ao encontro de , que agora estava apenas de mãos dadas a Harry e eu tentava me lembrar de que eu e ela não tínhamos nada e eles eram apenas amigos.
- Gente, eu sou a única com fome aqui? – perguntou quando estávamos todos sentados ao redor de uma mesinha e, naquele momento, o assunto havia acabado.
- Eu também estou. – disse e olhou para os visitantes que estavam quase dormindo.
- Ah, desculpem. – disse e sorriu, a cabeça de Harry estava apoiada em seu ombro e eles tinham as mãos entrelaçadas sobre a perna dela. – Fuso-horário, vocês sabem.
- Sem problemas. – disse.
- Podemos marcar um jantar para amanhã? – Danny perguntou.
- Claro. – disse rapidamente e depois corou.
- Ótimo. – disse. – Se vocês me derem licença, eu tenho que acompanhar quatro crianças para minha casa.
- Tudo bem, . – disse. – Voltem amanhã para almoçar, ou jantar, não sei se vocês já combinaram algo.
- Eu ligo qualquer coisa. – ela disse. Cutucou Harry que murmurou algo e começou a abrir os olhos. – Me ajude a levar os meninos até o apartamento.
- Claro. – ele disse e lhe deu um beijo na bochecha. – Hey, cambada, vamos levantando aí logo.
- Pra quê? – Dougie murmurou e Tom concordou com ele.
- Porque sim. – disse com a voz séria e todos eles abriram os olhos. – Vamos logo.
- Sim, mãe. – Danny disse e todos nós rimos.
- Vou mostrar quem é sua mãe, Jones. – ela disse e ele levantou na hora, já começando a descer as escadas. era assim com todo mundo, só chamava pelo sobrenome quando estava brava ou queria mandar em algo e, na maioria das vezes, nós atendíamos porque nunca queríamos vê-la brava. – Esqueceu de dar tchau para o pessoal.
- Desculpem. – Danny disse e voltou aparentando vergonha, despediu-se de todo mundo e os outros também o seguiram.
- Tchau, gente. – disse e olhou para todos, menos para mim. – Até amanhã.
- Tchau, . – eles responderam e eu procurei seus olhos, mas ela não olhava para mim, olhava para Harry, que estava dizendo tchau para .
Ele foi para o lado dela e ela sorriu, deram-se as mãos e começaram a descer, mas ela virou o rosto e seus olhos encontram os meus. Ela não desviou, parou de andar e eu tentei mostrar naquele olhar tudo o que eu estava sentindo, ela pareceu entender, Harry a puxou levemente e ela deu dois passos e piscou algumas vezes, como se estivesse voltando a realidade, me olhou e assentiu levemente com a cabeça.
Harry ainda me encarava, eu podia sentir seu olhar sob mim, mas eu não me daria por vencer tão rápido, afinal, tudo estava bem, não estava? e eu estávamos mais... Amigáveis, mais fáceis de lidar; ficamos pertos um do outro por mais de uma hora e não saiu uma briga sequer, então por que Harry parecia pensar que eu estava mal e iria chorar a qualquer minuto?
- Pare de me encarar. – eu murmurei, ainda olhando fixamente para a televisão que passava House.
- Estou esperando. – ele respondeu e eu sorri.
- Pois ficará esperando, nada irá acontecer. – eu disse e ele riu.
- Te conheço muito bem, . – ele respondeu e se aproximou de mim, olhei para ele.
- Me conhece faz cinco anos e acha que me conhece muito bem? – eu perguntei e ele riu mais um pouco. Seu rosto estava muito perto de mim; não me entenda mal, Harry e eu éramos melhores amigos, mas atire a primeira pedra quem nunca deu uns amassos no melhor amigo!
- Perfeitamente bem. – ele respondeu e seu rosto se aproximou mais do meu. Eu não pude deixar de rir com a frase dele.
- Você é um idiota. – eu disse e ele riu.
- Um idiota que está teoricamente namorando você. – ele respondeu. – Temos que mostrar que isso é verdade.
- Teoricamente. – eu enfatizei. – E não há câmeras aqui, você não tem que mostrar nada. Aliás, toda essa história de fingirmos que somos namorados é meio forçada demais, não acha?
- Talvez, ser seu suposto namorado tem seus benefícios. – ele disse.
- Ah, é? E o que seria? – perguntei e senti seu braço em volta de minha cintura.
- Isso, por exemplo. – depois senti seus lábios nos meus.
Harry era ótimo, em todos os sentidos, amigo, companheiro... Nós dois levávamos numa boa nossa relação, éramos amigos e nos pegávamos às vezes, sem compromisso, mas era bem às vezes mesmo, só quando estávamos muito necessitados. Tudo bem que eu recentemente havia beijado , mas isso não contava.
Ficamos por um bom tempo entre beijos, até que o sono falou mais alto, principalmente para ele – fuso horário e coisas do tipo – ele levantou do sofá e eu o imitei.
- Dorme comigo? – perguntei e ele me olhou sorrindo.
- Claro. – ele respondeu.
Não levem para o lado pornográfico – não dessa vez – Harry e eu costumávamos dormir juntos quando um de nós – na maioria das vezes eu – estava um pouco triste, ou para baixo. Então dormíamos juntos, pois isso nos acalmava.
- Você poderia cantar para mim a tal música nova. – eu disse, enganchando meu braço no dele.
- Nem tente. – ele respondeu e eu fiz um biquinho. – Os caras me matariam se eu fizesse isso.
- Eles não precisam saber.
- , não. – ele disse e me olhou, depois começou a rir.
Entramos no meu quarto e eu comecei a tirar minha roupa para entrar no banho, Harry acomodou-se na cama e ligou o notebook que ele colocou no colchão. Coloquei minha roupa no cesto de roupa suja, estava apenas com as roupas de baixo e Harry não me encarava nenhuma vez. E – acreditem – ele não era gay por isso.
- Vejamos quais são as novas especulações sobre nós. – ele murmurou.
- Não se esqueça de ver seu twitter. – eu disse, ele me olhou e sorriu. – Devem estar me ameaçando de morte.
- Seria um crime horrível se tirassem tanta beleza do mundo. – ele disse e vi seus olhos percorrerem por meu corpo, isso era prova suficiente de que ele não era gay. – Entre logo nesse banho antes que eu não deixe você sair daqui.
- Hm... Proposta tentadora! – eu disse e mordi o lábio. – Mas você sempre pode querer economizar água, para eu não ter que pagar muito caro na conta... Sabe como é. – eu brinquei e entrei no banheiro, deixando a porta aberta.
Acordei no dia seguinte ouvindo o despertador tocando, não que fosse algo bom para se acordar, pois seu barulho é muito irritante, mas era o suficiente para me fazer acordar. Senti Harry se mexer ao meu lado e suspirei, tinha que ir trabalhar. Levantei e fui até o banheiro lavar meu rosto e arrumar meu cabelo. Voltei para o quarto, Harry dormia como uma pedra, comecei a me vestir e depois passei uma maquiagem leve, prendi meu cabelo em um rabo de cavalo. Dei um selinho rápido em Harry e fui para a cozinha comer algo antes de sair.
Tomei um café da manhã rápido e sai, tinha que apresentar ao Sr. Davis minha nova proposta de banda e havia marcado de me encontrar com os garotos na porta do prédio, mas já estava um pouco atrasada. Sai do apartamento e esperei o elevador chegar até o andar, sai para a rua e vi os meninos ali, todos eles com cara de sono e cansaço.
- Eu espero que valha à pena. – disse, sendo tomado por um bocejo logo depois.
- Valerá, se vocês fizerem a parte de vocês. – eu disse e ele revirou os olhos. – Vocês prepararam a música, certo?
- Claro, né! – disse e se adiantou para me cumprimentar. – Vamos logo antes que eu durma em pé.
Chegamos ao prédio e os meninos começaram a aparentar nervosismo, não pude evitar rir. Eles me olharam torto e eu segurei a risada. Pedi que eles esperassem dentro do estúdio, subi para o escritório do Sr. Davis e comecei a fazer a apresentação da banda.
- Parece ter muito potencial. – ele disse.
- Se o senhor quiser ouvi-los, eles estão no estúdio, esperando. – eu disse e mexi no meu cabelo.
- Você os trouxe?
- Achei que gostaria de ver, ou ouvir, por conta própria. – eu respondi, ele me analisou e depois sorriu.
- Então vamos. – ele respondeu e eu respirei aliviada.
Quando descemos, os meninos pareciam combinar algo, provavelmente qual música tocariam. Pedi que o Sr. Davis me esperasse e entrei na salinha onde os meninos estavam, todos os instrumentos que eles precisavam já estavam com eles.
- Preparados? – perguntei.
- Não sei. – disse e eu sorri.
- O que vocês irão cantar? – perguntei.
- Memories That Fade Like Photographs. – disse e eu olhei para ele. Eu conhecia a música, me mostrara ela quando estávamos no telhado.
- Certo, quando estiverem prontos. – eu disse e sai da salinha indo ficar junto com o Sr. Davis.
I said I'd never forget your face
vaulted away inside my head
and memories never seem to fade
you were the best part of my life: my last regret
Eles começaram tímidos, apesar da música ser um pouco agitada. era o que parecia menos nervoso, mas logo começou a se soltar também, seguiu-o e continuou na mesma, parecia olhar para mim enquanto a música era tocada.
Now I've walked this line a thousand times before
it hurts too much to bear
FOR YOU
I'd tear out my own heart
and write our names together
Engoli em seco com a música, se esquecera de me contar quem escrevera a música, mas eu acho que tinha uma boa idéia. Olhei para e ele mantinha o olhar firme em mim.
Your love is the barrel of a gun
so tell me am I on the right end
I could be nothing but a memory to you
Don't let this memory fade away
Segurei as lágrimas que surgiram, eu não choraria ao lado de meu chefe, muito menos na frente de . Eu prometera não chorar mais e eu cumpriria essa promessa.
- Pode mandar pará-los. – Sr. Davis disse ao meu lado. – Já ouvi o suficiente. – ele saiu da sala e eu fiz um sinal para que os meninos parassem e me esperassem.
- Sr. Davis... – chamei e entrei no elevador junto com ele. – Algum problema com eles?
- Isso não é assunto para elevador. – ele disse e olhou para a mulher que também estava no elevador.
No fundo eu agradecia por ele ter parado aquela música, eu sabia que não conseguiria segurar as lágrimas por muito tempo, mas eu temia que isso não fosse um bom sinal para o futuro dos garotos. Segui Sr. Davis por todo o corredor até a sala dele, o salto da bota que eu usava fazia barulho quando em contato com o chão. Entramos na sala dele e ele sentou-se atrás da escrivaninha.
- Feche a porta, por favor. – ele me pediu e eu obedeci. – Sente-se. – me acomodei na ponta da cadeira, minhas mãos interagiam uma com a outra freneticamente e eu sentia meus dedos gelados. – Srta. .
- Sim.
- Eu confesso que estou muito surpreso com o que me trouxe. – ele disse. – Eu tive um certo pensamento com a sua proposta, confesso que ela não havia me convencido totalmente, mas agora com essa apresentação...
- Senhor, se eles não te agradaram, não há problemas... Eu...
- Não me agradaram? – ele repetiu minha fala e deu uma risada rouca. – Eles são incríveis, .
- Então o senhor gostou? – perguntei estupidamente.
- Entregue a eles o contrato que você me apresentou. – ele disse. – Depois desça e vá comemorar com eles.
- Muito obrigada, senhor. – eu disse e sai da sala para providenciar o tal contrato.
Os garotos me deram um abraço grupal, até entrou no meio. Saímos do prédio e fomos até o meu, onde as garotas nos encontraram e nós comemoramos com os McGuys – ou ingleses, como as meninas estavam chamando-os.
Revirei os olhos pelo que parecia ser a quinta vez, a bagunça ainda estava na sala, roupas, sapatos, brinquedos... Tudo o que você podia imaginar tinha ali, até uma garrafa de refrigerante vazia e uma caixa de pizza. Olhei os donos daquela bagunça esparramados no sofá e no chão enquanto dormiam tranquilamente, as faces em uma expressão serena e sorrisos bobos nos rostos. Contei até dez e, com muita pena da mais nova, liguei o rádio no último volume. A própria música deles começou a tocar e os acordou.
- Puta que pariu! – Danny gritou quando caiu do sofá em cima de Dougie, que também gritou algo, mas que foi abafado pelo peito de Danny que estava em sua boca. – Quem foi o idiota que fez isso?
- Bom dia, anjos. – eu disse, abaixando o volume do rádio, um sorriso maldoso brincava em meu rosto. – Dormiram bem?
- Putz, ! Só porque eu estava sonhando com o Prêmio Nobel! – Tom disse, os olhos ainda fechados.
- Você? Ganhando um Prêmio Nobel? – Dougie perguntou, Danny já havia saído de cima dele por livre e espontânea pressão.
- Eu estava para ganhar. – Tom disse.
- De que? – Danny perguntou. – Covinha mais linda?
- Idiota. – Tom jogou uma almofada em Danny. – Eu ganhava um de Literatura.
- Como é? – perguntei. – O que você escreve que renderia um Prêmio Nobel?
- Músicas? – ele disse.
- Ganhou um Prêmio Nobel de Literatura por escrever músicas? – eu disse e ele me olhou. – Tinha que ser sonho mesmo. – olhei para a pessoa que estava ao lado de Tom e arqueei a sobrancelha. – Agora, parece que temos um teimoso. – Peguei um copo que estava atrás de mim com alguns cubos de gelo, eu sou uma pessoa prevenida que tem sempre Planos Bs. – É uma pena. – Peguei um gelo, pulei os meninos e me aproximei de Harry. Ele dormia de barriga para baixo e sem camiseta, peguei uma pedra de gelo e passei por suas costas. Vi sua pele se arrepiando, ele se mexeu um pouco, mas não acordou; peguei outra e passei em seu pescoço, nada. – Você pediu. – Puxei o elástico da calça que ele usava, juntamente com a cueca e coloquei outra pedra ali, soltando o elástico cuidadosamente. Harry se mexeu e a pedra também.
- PUTAQUEPARIU! – ele gritou, acordando. – Você vai se arrepender por isso. – ele me olhou e eu me juntei às gargalhadas dos meninos.
- Bom dia, amor. – eu disse. Levantei-me e olhei para os meninos. – Antes que vocês façam qualquer coisa, quero que deixem essa sala do mesmo jeito que a encontraram ontem.
- Sim, mãe. – Dougie disse. – Só precisamos jogar fora a caixa de pizza e a garrafa de refrigerante, então.
- Vou falar quem é sua mãe, Poynter. – eu disse. – E eu falo sério.
- Minha mãe é a Sam. – ele disse, fuzilei-o com o olhar. – Tudo bem, tudo bem, estamos indo.
- Ótimo.
Fui para o meu quarto, decidida a tomar um banho. Tirei meu pijama e entrei embaixo do chuveiro. Não que eu tivesse dormido muito essa noite, ou qualquer outra noite desde que voltei aos Estados Unidos, mas eu tentava, né?! Tomei o banho, ouvindo o rádio tocando na sala e os meninos rindo.
Sai do chuveiro, me enrolei na toalha e fui para meu quarto. Ouvi batidas na porta enquanto colocava as roupas de baixo e ouvi Harry me chamando, deixei que ele entrasse e continuei me vestindo, colocando uma calça jeans e uma blusinha preta de alcinha.
- Vamos até a padaria com a comprar algo para o café, quer algo? – ele perguntou, seus olhos me olhando sem luxúria alguma.
- Surpreenda-me. – eu disse e ele riu.
- Isso significa algo que tenha frango ou calabresa? – ele perguntou.
- Obviamente. – eu disse. – E chocolate quente!
- Você só gosta do que o Danny faz. – Harry me disse. – E ele fará quando voltar.
- Tudo bem. – eu disse. – Cuidado, não se percam!
Terminei de me arrumar e fui para a sala, a bagunça já extinta, sorri e deixei o rádio ligado, abaixando um pouco o volume. Me joguei no sofá e comecei a folhear uma revista que havia ali perto. Ouvi a campainha tocando e abri a porta, estava ali com um sorriso no rosto e uma cara de sono.
- Bom dia. – ele disse e me deu um beijo na testa.
- Bom dia. – eu respondi e dei passagem para que ele entrasse. – O que faz aqui tão cedo?
- e estavam discutindo sobre algo inútil, não acorda nem com uma bomba, resolvi vir te ver. – ele disse.
- Os meninos saíram para comprar coisas para o café da manhã, está convidado. – eu respondi.
- Valeu. – ele se jogou no sofá ao meu lado. – E aí, como tá a vida?
- , faz dois dias apenas que não nos vemos! – eu disse.
- Muitas coisas acontecem em dois dias! – ele disse.
- Tipo o quê?
- Tipo eu começar a tentar algo com a . – ele respondeu.
- Está brincando! – exclamei e o olhei.
- Não, estou falando sério. – ele disse. – Faz um tempo que gosto dela e agora resolvi dar uma chance.
- Puxa, ! – eu disse. – Fico muito feliz por você. Espero que dê tudo certo, é uma pessoa legal.
- Espero que ela sinta o mesmo por mim. – ele disse e sorriu para mim.
- Ela seria uma idiota se não gostasse.
Nesse momento ouvi a porta batendo e vozes, depois a voz fina de se fez ouvir e eu congelei.
- Mamãe, mamãe! – ela disse e sua figura apareceu na porta da sala. – Compramos um monte de doce. – correu para mim e pulou em meu colo.
- Hey, . – Danny disse entrando na sala. – Esperamos que não se importe por... Opa. Oi, . – ele disse a última parte em voz mais alta do que o normal, um sinal claro para que os outros ouvissem.
Eu tinha em meus braços, contando sobre os doces que os meninos compraram para ela, os meninos revezavam seus olhares entre eu e . Eu ainda não olhara para ele e temia olhar e encontrar o que não queria.
- Eu, hm, vou fazer o chocolate quente. – Danny disse. – , quer me ajudar e guardar seus doces?
- Não. – ela disse sorridente e se arrumou em meu colo, Harry empurrou Danny para a cozinha.
- Acho que vou tomar um banho. – Tom disse e Dougie falou que faria o mesmo, não juntos, obviamente.
Senti se mexendo ao meu lado, olhou para mim e sorriu, depois olhou para . Respirei fundo e o olhei também; ele tinha um sorriso mínimo no rosto ao ver sorrindo para ele também.
- , eu... – comecei, mas eu não sabia o que dizer. – Bem, , este é o , um amigo meu.
- Oi. – ela disse e sorriu mais para ele, pegou uma bala dentro do saco de doces e estendeu para ele. – Pra você.
- Obrigado. – pegou a bala e sorriu para ela.
- , essa é , minha... Filha. – eu disse. virou-se para mim e sorriu. – , querida, por que não vai ajudar Danny a fazer o chocolate quente? Você sabe como ele só faz bagunça.
- Tudo bem, mamãe. – ela disse e pulou do meu colo.
- ... – começou, mas parou no meio.
- Eu ia contar para vocês. – eu disse. – Mas ainda não estava preparada. , por favor, não conte a eles sobre , não ainda.
- Por quê? – ele me perguntou. – Tem medo de mostrar sua filha? Tem vergonha?
- Não, ! Claro que não. – eu disse. – Só não estou preparada ainda.
- Quem é o pai dela? – perguntou.
- , por favor, eu não quero falar sobre isso. – pedi. – Não é vergonha, nem nada do tipo, muito pelo contrário, me orgulho da filha que tenho. Só não estou preparada para isso.
- Apenas me responda uma coisa. – ele pediu, assenti com a cabeça. – Quantos anos ela tem?
- Fará cinco anos em março. – eu respondi. Vi encarar o nada enquanto pensava. – Ela nasceu oito meses depois que eu fui embora, sim.
- Então é alguém daqui? – ele perguntou.
- Sim. – respondi. Isso eu não negaria.
- E você nunca procurou o cara?
- Mudei para Londres, lembra? – eu disse. – Os meninos me acolheram tão bem que eu não vi motivos para correr atrás do pai dela. Eles são os pais dela e ela não reclama disso, nem eles.
- Será que ela aceitaria mais um pai? Ou um tio? – perguntou.
- , não precisa fazer isso! – eu disse. – Quero dizer, eu agradeço, mas não precisa.
- Faço questão. – ele disse e sorriu. – Amigos são para essas coisas, certo?
- Acho que sim. – eu disse. – Obrigada.
- Sempre que precisar.
- Mamãe. – apareceu na porta da sala. – O chocolate está pronto.
- Obrigada, querida. – eu disse e levantei, me seguiu. – Espero que não se importem, convidei para comer conosco.
- Pegue mais um copo e uma xícara, Tom. – Dougie gritou. – Senta aí, .
e eu sentamos a mesa, logo todos nós comíamos, ríamos e conversávamos. se deu tão bem com quanto se dava com os outros meninos e logo já o chamava de tio. Os outros não se importaram, mas eu sentia o olhar de Harry em mim, ignorei, não teria a conversa de sempre com ele... Já estava cansada daquilo.
- Iremos fazer um jantar lá no telhado depois, tocar um pouco. – disse, pouco antes de ir. – Apareçam lá, as meninas estão loucas para ver vocês tocando.
- Pode deixar. – os meninos disseram.
- Tchau, gente. – acenou para os meninos, deu um beijo em . Eu o acompanhei até a porta. – Leve , se quiser, é injusto deixá-la aqui.
- Sim, levarei. – eu disse. – E lembre-se de não contar nada a ninguém.
- Palavra de escoteiro. – ele disse e eu ri. – Até mais, .
- Até. – respondi e o vi desaparecer no elevador.
A noite estava tranqüila, relaxante e as estrelas brilhavam no céu. A temperatura caíra um pouco, mas nada que nos fizesse cancelar o programa da noite. Eu e os meninos já havíamos levado os violões e as guitarras para o telhado e as meninas já haviam cuidado da decoração. avisara que ligara para pedindo a comida e a mesma prometera levar.
Terminei de tomar o banho e coloquei uma calça jeans, camiseta preta com gola V e um tênis branco, penteei meu cabelo para depois bagunçá-lo, passei um perfume e sai do quarto. Estava feliz por ver . me dissera que nada acontecia entre ela e Harry, eles eram apenas bons amigos.
Olhei para o caderno que estava na mesinha de centro da sala e olhei a música que estava ali. Talvez hoje fosse a noite de contar e cantar para ela e tentar dizer tudo o que eu estava sentindo.
- Olha o ! – disse entrando na sala, a nossa briga de mais cedo já esquecida. – Vestido para matar.
- Matar alguém do coração. – disse.
- Pobre . – completou. – Pronto para se declarar?
- Não sei.
- É assim que se fala. – disse e eu o olhei. – Qual é, “não sei” é melhor que “não”.
- tem razão, um “não sei” sempre pode virar um “sim”. – concordou.
- Então vamos subir. – disse.
Peguei o caderno na mesinha e o fechei, tocaria na hora certa. Até lá apenas riríamos e todo o resto que tivéssemos direito. Subimos para o telhado, as meninas já estavam lá, todas lindas e alegres. viu e deu um sorriso tímido, o mesmo passou a mão no cabelo em um sinal de nervosismo, sorri para ele e deixei que ele sentasse ao lado dela.
Nos acomodamos no sofá e começamos a conversar enquanto não chegava. e entraram em uma conversa só deles, nós continuamos como se nada estivesse acontecendo. Ouvimos risadas altas na escadinha para o telhado e olhamos para a porta que dava acesso ao mesmo. Danny foi o primeiro a surgir, carregando um violão preto com ele, Tom estava logo atrás com um violão também, Dougie veio depois, seguido de Harry de mãos dadas com uma menina – que era muito parecida com a da foto que havia me dado, mas a da foto parecia muito mais nova do que a que estava ali – surgiu depois, linda como sempre, com um vestido curto e solto, branco, com uma manga caída e uns desenhos psicodélicos na frente, uma calça legging preta e uma ankle boot, seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo e a franja emoldurava seu rosto.
- E aí, pessoas! – Dougie gritou. – Sabemos que vocês sentiram saudades, por isso estamos aqui.
- Modéstia é luxo para você, não é, Poynter? – disse e nós rimos. – Pessoal, essa aqui é a , ela é uma sobrinha do Tom, espero que não se importem, mas pareceu injusto demais deixá-la em casa. – ela olhou para e eles trocaram sorrisos.
- Até parece, , ela é muito bem vinda aqui. – disse e se aproximou da garotinha. – Oi, linda.
- Oi. – a menina disse. E eu a olhei espantado, percebendo tarde demais que ela realmente era a garota da foto. Os cachos castanhos, os olhos agora estavam um pouco mais escuros, mas era uma diferença mínima. Ela se parecia tanto com , até seu jeito de sorrir, algo em mim não deixou que eu acreditasse na história da garota ser sobrinha do Tom.
Feitas as apresentações com , na qual ela passou de colo para colo e não reclamou disso. Ao contrário, a menina parecia muito extrovertida, talvez isso fosse resultado de passar um longo tempo com os meninos da banda, como disse Harry. Ninguém perguntou a idade dela e ela também não disse.
Começamos a comer e logo começamos a afinar os violões para tentarmos tocar algo. Minhas mãos suavam com a chegada do momento em que eu teria que cantar minha música para . Não foi surpresa quando a mesma pegou o violão de Tom – pois Danny fez questão de tocar com ela – e começou a combinar com ele algo sobre alguma música.
- Ah, cale a boca, Danny! – ela disse e o garoto riu. – Não invente nada, já combinamos tudo isso em Londres.
- Ia ficar tão legal. – ele disse, apenas revirou os olhos.
- Certo. – ela disse. – Eu vou abrir a noite de hoje! – ela riu levemente. – Eu escrevi a música, mas dei para os meninos porque combinou perfeitamente com a voz deles. Mas essa noite eu quero cantá-la.
- Ela nos deu porque sabia que nunca conseguiria fazer a música ser um sucesso. – Danny disse e recebeu um soco de . – Outch!
- Mandei você calar a boca. – ela disse e ele riu. – Enfim, a música pode parecer estranha. Mas eu escrevi pensando no ponto de vista da pessoa que está, ou estava, sofrendo.
Ela e os meninos trocaram olhares e acenou com a cabeça levemente. Respirou fundo e começou a preparar sua mão no braço do violão. As primeiras notas saíram, Danny a acompanhava.
I never meant the things I said
To make you cry
Can I say I'm sorry
It's hard to forget
And yes I regret
All these mistakes
A voz de saiu clara, apesar de eu perceber que ela se controlava para não chorar. A mão se movia no violão e ela tocava com perfeição.
I don't know why you're leaving me
But I know you must have your reasons
There's tears in your eyes
I watch as you cry
But it's getting late
Percebi que a música parecia com o que eu senti quando partiu. Mas não podia ser, ela nunca cantaria algo para mim, ela dizia me odiar quando partiu. Brigamos feio uns dias antes dela viajar.
Was I invading in on your secrets
Was I too close for comfort
You're pushing me out
When I'm wanting in
What was I just about to discover
When I got too close for comfort
And driving you home
Guess I'll never know
Percebi que agora ela não olhava para mais ninguém, sua franja escondia seu rosto e só conseguíamos ouvir sua voz firme e afinada e sua mão se movendo pelo violão.
Remember when we scratched our names into the sand
And told me you loved me
And now that I find
That you've changed your mind
I'm lost the words
And everything I feel for you
I wrote down on one piece of paper
The one in your hand
You won't understand
How much it hurts to let you GO
Ironicamente, ou não, o caderno com o pedaço da música que ela começara estava em minhas mãos, abaixei a cabeça e me deixei levar pela música, ela parecia chorar, mas sua voz não denunciava nada.
Was I invading in on your secrets
Was I too close for comfort
You're pushing me out
When I'm wanting in
What was I just about to discover
I got too close for comfort
And driving you home
Guess I'll never know
Nesse momento ela levantou o rosto e percebi que ela não chorava, apesar de seus olhos estarem cheios de lágrimas.
All this time you've been telling me lies
Hidden in bags that are under your eyes
And I when I asked you I knew I was right
But if you turn your back on me now
When I need you most
But you chose to let me down, down, down
Wont you think about what you're about to do to me
And back down...
Seus olhos encararam os meus e ela cantou toda essa parte me olhando. Eu sabia que ela falava sobre o que eu nunca falei para ela; me entendia tão bem, mais do que eu mesmo.
Was I invading in on your secrets
Was I too close for comfort
You're pushing me out
When I'm wanting in
What was I just about to discover
I got too close for comfort
You're pushing me out
When I'm wanting in
(Yeah Yeah)
Ela abaixou o olhar e vi uma lágrima caindo no violão de Tom. Abaixei a cabeça também e apenas ouvi sua voz terminando a música.
Was I invading in on your secrets
Was I too close for comfort
You're pushing me out
When I'm wanting in
What was I just about to discover
When I got too close for comfort
And driving you home
Guess I'll never know
tocou as últimas notas com Danny e nós aplaudimos, ela sorriu brevemente e devolveu o violão para Tom. pulou em seu colo e ela abraçou a garota fortemente. Os meninos começaram a tocar algo aleatório, mas eu não ouvia, prestava atenção em e . Como elas se pareciam e combinavam tanto, pela primeira vez me perguntei quantos anos teria a garota.
Ela percebeu meu olhar e virou a cabeça para mim, seus olhos se fixaram nos meus e eu não entendi o que eles diziam, pela primeira vez. colocou no sofá ao seu lado e levantou-se, se afastando do grupo. Talvez ela tivesse lido algo em meus olhos; me levantei e segui até onde ela foi.
Fiquei ao lado dela, olhando o horizonte, um silêncio desconfortável surgindo entre nós. Ela me olhou por um tempo e eu sustentei seu olhar.
- Aconteceu alguma coisa, ? – perguntei.
- Eu... – ela começou, mas foi interrompida.
- Mamãe, vem aqui! – disse em sua voz fininha, olhei para assustado. – Tom vai cantar a música para você.
- Mãe? – , , , , e eu dissemos juntos. apenas abaixou a cabeça, Harry pegou no colo e os outros três se olharam. engoliu em seco.
- Eu... – ela começou, mas lágrimas e soluços a impediram. – É isso o que vocês ouviram. – ela disse e saiu, me empurrando levemente, desceu as escadas e bateu a porta do telhado.
- ! – os garotos do McFly gritaram.
- Eu falarei com ela. – eu disse e todos me olharam. – Relaxem.
Desci as escadas e encontrei a porta do nosso apartamento aberta, estaria em meu quarto, abraçada a Hook. Sim, eu a conhecia bem. Entrei no apartamento, fechando a porta atrás de mim e caminhei até meu quarto. Ela estava ali, mas não estava abraçada a Hook, ela olhava a foto de .
Abri a porta e ela me olhou, lágrimas escorriam por seu rosto. Um soluço escapou por seus lábios quando me sentei ao lado dela. Ela encostou a cabeça em meu ombro e eu a abracei. Suas lágrimas encharcavam minha camiseta, mas eu não me importava, mesmo que ela ficasse manchada de rímel, delineador e sei lá mais o que passara nos olhos.
Não falamos pelo que parecia ser muito tempo, talvez horas tenham se passado e continuávamos ali naquele abraço estranho. Ela ainda soluçava, mas foi parando gradativamente, até parar completamente. Quando isso aconteceu, ela levantou o olhar e me olhou, suas bochechas estavam marcadas pela maquiagem que escorrera com as lágrimas, seus olhos vermelhos e ainda úmidos.
- Ela é linda, não é? – ela apontou para a foto.
- Acho que ela puxou a mãe. – eu disse e ela sorriu levemente.
- Alguns cachinhos vieram do pai e os olhos também. – ela disse. Eu a olhei.
- Quem é o sortudo? – perguntei.
- Alguém. – ela respondeu. – , eu preciso ir, estou cansada.
- Tudo bem. Eu te acompanho. – eu disse e ela sorriu.
Peguei uma blusa para ela e coloquei em seus ombros, ela se aconchegou na blusa e saímos juntos do apartamento. O caminho até o prédio dela foi silencioso e rápido. Paramos em frente ao prédio e ficamos ali por um bom tempo.
- Obrigada por me acompanhar. – ela disse. Aproximou-se e deu um beijo em meu rosto.
- Disponha. – respondi. Ela começou a se afastar, não agüentando a chamei novamente, ela me olhou. – Quantos anos tem?
- Fará cinco em março. – ela disse e entrou no prédio.
Recebi a resposta normalmente e voltei para meu próprio apartamento. Algo naquela resposta me incomodava. Mas eu não estava a fim de pensar, só o fato de descobrir que era mãe já era um baque suficiente.
Cheguei ao prédio e subi direto para o telhado, o pessoal continuava lá como se nada tivesse acontecido. Olhei meu caderno na mesinha de centro e lembrei que não seria hoje que faria minha declaração para . agora estava em silêncio, tentando ficar escondida atrás dos braços de Harry, ou tentava fazer parte do sofá.
Sentei ao lado dela e ela me olhou, curiosa, sorri para ela, que retribuiu; tímida ela saiu do esconderijo que havia criado para si e se aproximou de mim.
- Oi. – eu disse a ela.
- Oi. – ela me respondeu. Sua voz doce e infantil, seu sorriso logo tomou conta de seu rosto e eu não pude deixar de sorrir também. – Você canta?
- Canto. – respondi.
- Deixa eu ver? – ela pediu. Levantei meu olhar e percebi que todos nos olhavam, estava sentada em minhas pernas, um pouco de lado, mas seu tronco estava virado para mim.
- Claro. – eu disse. – Mas, para isso, você tem que sair do meu colo.
- Ta bom. – ela disse sentou-se ao meu lado.
Peguei um violão que Tom me estendia e comecei a pensar em uma música para tocar. Só me vinha a música que eu havia escrito para , resolvi que seria aquela mesma que eu cantaria.
He woke up from dreaming and put on his shoes
Started making his way past
Two in the morning
He hasn't been sober for days
Leaning now into the breeze
ao meu lado sorria enquanto ouvia a música, todos pararam o que estavam fazendo para me olharem também. parecia surpreso ao me ouvir cantar aquela música, mas eu ignorei.
Remembering Sunday, he falls to his knees
They had breakfast together
But two eggs don't last like the feeling of what he needs
Now this place seems familiar to him
She pulled on his hand with a devilish grin
She led him upstairs
She led him upstairs
Left him dying to get in
Fechei os olhos, lembrando de todos meus momentos com e o motivo que havia me levado a brigar com ela e escrever essa música. Nada parecia muito lógico naquele momento, eu apenas perdera minha melhor amiga por algo idiota.
Forgive me, I'm trying to find my calling
I'm calling at night
I don't mean to be a bother, but have you seen this girl?
She's been running through my dreams
And it's driving me crazy, it seems
I'm gonna ask her to marry me
Ao meu lado, se mexia de acordo com o ritmo da música. Eu ouvi Harry fazendo o ritmo da bateria e estava gostando do resultado.
Even though she doesn't believe in love
He's determined to call her bluff
Who could deny these butterflies?
They're filling his gut
fez coro comigo nessa parte, deixando a música mais legal e o ritmo mais meloso ainda.
Waking the neighbors, unfamiliar faces
He pleads though he tries
But he's only denied
Now he's dying to get inside
Forgive me, I'm trying to find my calling
I'm calling at night
I don't mean to be a bother, but have you seen this girl?
She's been running through my dreams
And it's driving me crazy, it seems
I'm gonna ask her to marry me
Senti as lágrimas queimando em meus olhos, mas eu não deixei que elas saíssem. Agora eu sentia saudades de , mais do que antes. Sentia falta de seu sorriso, de sua risada, de suas piadas idiotas, de suas frases filosóficas e do seu jeito psicóloga de ser – aquele do fala que eu te escuto, sabem?
The neighbor said she moved away
Funny how it rained all day
I didn't think much of it then
But it's starting to all make sense
Oh, I can see now
That all of these clouds are following me
In my desperate endeavor
To find my whoever, wherever she may be
Sentia falta de seus abraços, de seus tapas quando dizíamos algo estúpido, de suas idéias idiotas para livrar o tédio e de suas teorias sobre as coisas mais absurdas.
I'm not coming back
I've done something so terrible
I'm terrified to speak
But you'd expect that from me
I'm mixed up, I'll be blunt
Now the rain is just washing you out of my hair
And out of my mind
Keeping an eye on the world
So many thousands of feet off the ground
I'm over you now
I'm at home in the clouds, towering over your head
Percebi que não fui o único a levantar a cabeça nessa parte, a voz de soou clara e afinada na parte em que ela mesma escrevera, eu até perdi o ritmo da música devido ao susto que ela me dera, mas logo voltei ao normal como se nada tivesse acontecido. Ela me olhava enquanto cantava e sua voz era perfeita para a música, para aquele momento, era tudo o que eu precisava ouvir: o doce som de sua voz.
I guess I'll go home now
I guess I'll go home now
I guess I'll go home now
I guess I'll go home
Terminei a música e todos aplaudiram, principalmente que ficara de pé no sofá ao ver a mãe. se aproximou de nós, pegou no colo e sentou-se no lugar onde a mesma estava em pé. Ela apoiou sua cabeça em meu ombro e suspirou. Percebi que todos a olhavam como se esperassem alguma explicação sobre o pequeno ser em seu colo, que ainda batia palmas e cantarolava algumas partes aleatórias da música.
- Tão discretos. – eu murmurei e concordou comigo.
- Parem de me olhar! – ela disse e sorriu logo depois. – Não é pegadinha de primeiro de abril nem nada. é minha filha e o pai dela é alguém que... Bem, eu não quero falar sobre isso.
- Então, foi por isso que você foi embora? – perguntou. suspirou ao meu lado como se pensasse que por mais que soubesse que aquilo iria acontecer, não teria como evitar.
- Não. – ela disse. – Eu já disse, fui por causa da faculdade. Só fiquei sabendo de quando cheguei lá.
- E você decidiu que não nos contaria por que... – disse.
- Porque eu sabia que vocês falariam para eu voltar, ou iriam para Londres atrás de mim. – respondeu. – Não queria preocupá-los e eu conheci os meninos. – ela sorriu para Tom, que sorriu de volta. – E eles me ajudaram tanto.
- Então por que...
- Eu acho que já chega, não? – interferiu. – estava grávida, não quis nos preocupar e pronto, fim de história. Aconteceu, eu sei que todos estão chateados por terem ficado de fora, mas é passado. Vamos crescer um pouco por aqui?
- Obrigada, . – murmurou. – Aliás, a música é linda . – ela olhou para mim.
- Como sabia a sua parte? – perguntei.
- Faz um tempinho que eu já sei essa música, desde que você a terminou, para ser mais exata. – ela respondeu e riu.
A noite continuou normalmente, ninguém voltou a tocar no assunto sobre a gravidez de , nós tocamos mais um pouco e rimos muito. Os garotos do McFly tinham um senso de humor que nós duvidávamos que existisse. Eles conseguiam ser piores do que e .
- Acho melhor irmos. – Danny disse quando o relógio já batia uma da manhã. – já dormiu e está quase indo com ela. Agüentamos carregar somente a pequena.
- Vá se ferrar, Jones. – respondeu. Mas eu também já havia notado que ela estava cansada. – Mas não recuso sua proposta. Dougie também já está caindo de sono.
- Eu o cansei demais essa noite. – Harry brincou e todos riram.
- Meninos. – murmurou e se levantou, ajeitando em seus braços.
- Quer que eu a leve? – Harry perguntou.
- Não precisa, são apenas alguns metros, eu consigo. – ela disse. – E ela não é tão pesada.
- Certo.
Eles se despediram de nós e esperamos eles saírem; só eu que fui atrás de . Precisava esclarecer nossa amizade.
- . – chamei e ela me olhou. Os meninos já entravam no elevador e colocaram as cabeças para fora.
- Podem descer, eu já vou. – disse. Os meninos assentiram e deixaram que a porta do elevador fechasse. – Oi.
- Eu gostaria de saber como nós estamos. – eu disse e ela sorriu.
- O que você quer, ? – ela perguntou.
- Hm... Minha amiga de volta? – perguntei e ela sorriu mais ainda.
- Bom saber. – ela respondeu e se adiantou para me dar um abraço desajeitado, pois estava em seu colo. – Por mim, nós nunca brigamos.
- Brigas? Nós? – brinquei e ela riu levemente. – Bom te ter de volta, pequena.
- Digo o mesmo, . – ela sorriu.
- Posso levar esse, mamãe? – virou-se para mim mostrando o iogurte que havia escolhido.
- Claro que pode. – eu disse.
- Eu te ajudo a colocar no carrinho. – Harry disse e a pegou no colo. começou a rir quando enquanto ela e Harry travavam uma batalha para colocar o pote no carrinho; toda vez que Harry a aproximava do carrinho e ela esticava o bracinho para colocá-lo no mesmo, Harry a afastava.
- Tio. – ela choramingou e fez um biquinho. Harry sorriu para ela.
Eu apenas ouvia a batalha deles, olhando as diversas opções de sucos para levar, quando um clarão chamou minha atenção. Observei as prateleiras além daquela em que nos encontrávamos e suspirei pesadamente ao ver um fotógrafo tentando se esconder.
- Merda. – murmurei. Virei-me para Harry e , que agora tentava pegar outro iogurte. – Temos problemas. – eu disse e Harry me olhou curioso. – Fotógrafos.
- Até mesmo aqui? – ele perguntou, aproveitou seu momento de distração para pegar o iogurte, mas Harry não conseguiu lhe dar a atenção devida.
- Nem mesmo compras podemos fazer. – eu disse e joguei um pacote de salgadinho no carro. – Isso é um saco. Primeiro dizem que estamos juntos e agora isso! Depois disso eles não terão dúvidas de que temos algo, mesmo que não tenhamos. Como, me diga, como, Harry, vamos provar que não temos um relacionamento?
- , você nem sabe o que eles vão falar. – Harry disse.
- Não é difícil deduzir. – eu disse. – Harry Judd e filha se divertem fazendo compras. Ou isso ou algo relacionado.
- Tudo bem, o que você quer fazer? – ele me perguntou. Olhei para o carrinho de compras, havíamos comprado uma grande parte da lista que eu havia feito, mas agora eu precisava de algo mais.
- Bebidas. – eu disse e sai para a sessão de bebidas do mercado, empurrando o carrinho e com Harry me seguindo com no colo. Peguei uma grande quantidade de bebidas, sabia que os outros gostariam da minha compra também. – Agora podemos ir embora.
- Você sabe que ai tem uns duzentos dólares só em bebidas, certo? – Harry perguntou.
- Não me importo. – eu disse e fui para o caixa.
A garota no caixa não conseguiu disfarçar a surpresa ao ver aquele monte de garrafas e latinhas de bebidas, eu apenas ri. No final a conta ficou em quatrocentos dólares e alguns centavos, passei tudo no cartão crédito – claro que só depois de ter uma discussão com Harry que queria pagar pelo menos as bebidas já que ele sabia que os outros também aproveitariam.
- Você é o Harry Judd, não é? – a garota perguntou. Analisei-a para ver se o seu reconhecimento batia com a idade dela. Aparentemente batia, ela devia ter dezoito anos no máximo, uma idade válida para conhecer o McFly.
- Sim. – Harry disse e sorriu gentilmente para ela.
- Você se importaria em me dar um autógrafo e tirar uma foto? – ela perguntou. Algo mais, querida? O cabelo dele, um beijo, os rins... Escolha. Pensei.
- Claro que não. – Harry respondeu. Óbvio que ele responderia aquilo.
Peguei o celular que a garota gentilmente me estendeu, com um sorrisinho de quem diz: hey, aproveita que você está ai sem fazer nada e que já é conhecida como suposta namorada dele e tira uma foto, vai. Esperei que eles se arrumassem e tirei a foto, Harry ficou lindo, como sempre, já a menina... Bom, eu, ou o celular, não fazíamos milagres.
- Muito obrigada. – ela disse depois que Harry autografou um caderninho que ela estendeu.
- Disponha. – ele respondeu, pegou no colo e algumas sacolas e me acompanhou para fora do mercado.
- Harry Judd não fez cara feia quando a atendente pediu para que tirasse uma foto, nem mesmo a namorada e mãe de sua filha, quando a garota pediu que ela tirasse a foto. – eu disse e Harry riu.
- Não acredito que está brava com isso. – ele disse.
- Não estou brava com isso, não me importo com suas fãs, me importo com esses malditos repórteres que não conseguem deixar vocês tirarem uma folga. – eu disse.
- Relaxa. – ele disse e virou-se para que se sentava no banco de trás do carro. – Hey, , você acha muito ruim eu ser chamado de seu pai?
- Hmmm... Não. – ela disse e sorriu. – Por quê?
- Porque amanhã, ou hoje, você aparecerá em muitos sites, revistas e jornais conhecida como minha filha. – Harry disse e riu.
- Não piore a situação. – eu disse no mesmo instante que meu iPhone apitava anunciando uma mensagem. Olhei e vi que era de Tom, com um link junto. Abri o link e senti minha boca se abrindo.
- O quê? – Harry perguntou.
- Para quem ainda tinha dúvidas sobre o relacionamento de Harry Judd, baterista da banda McFly, e , saibam que as dúvidas acabam de ser diminuídas. Isso porque o casal foi visto juntos fazendo compras em um supermercado do Brooklyn, e ainda na companhia de uma linda criança, que estava nos braços de Harry. Fontes confirmam que o casal se mostrou intimo durante as compras e que Judd fazia brincadeiras com a criança o tempo inteiro. “Ele parece ser um ótimo pai”, foi o que disse uma dona de casa que diz ter visto o baterista junto com a criança. – fui lendo. – Quer que eu continue ou isso já está bom?
- Como conseguiram tão rápido? – Harry perguntou quando viu a foto que eu vira o flash.
- Tecnologia, modernidade, sei lá, encontre a desculpa que quiser. – eu disse. Entrei no carro do lado do passageiro. – Os agentes da banda não quiseram confirmar nada. Resta agora esperarmos o contato dos meninos da banda, ou do próprio Harry Judd. – li o final da matéria. – Mas que merda! – exclamei, ignorando o protesto de Harry sobre . – Era isso que eu temia, era isso que eu não queria que acontecesse. E agora? O que vou dizer para ? Para os outros? Que eu menti sobre o pai da minha filha? Que o tempo todo ela era sua filha e eu não queria assumir?
- Você pode dizer que é apenas uma fofoca. – Harry disse.
- Sim, até o momento que você aparecer em público comprovando a paternidade. – eu respondi.
- , respira. – ele encostou o carro e me olhou. – Respire, conte até dez e imagine-se em um lugar bonito, calmo e tranqüilo.
- Escute aqui, senhor Judd, não tente usar minha técnica de relaxamento comigo. – eu disse. Havia criado aquilo para ajudá-los antes dos shows que, acreditem ou não, eles ainda se sentiam nervosos. – Era por isso que eu não queria voltar para o Brooklyn.
- Claro, e você sabia que isso aconteceria? – Harry me olhou. – , aconteceu! Só isso, aconteceu. Você sabia que uma hora apareceria; não é novidade para você o imenso carinho que eu sinto por ela, você sabe que a hora que você quiser eu assumo ela como minha filha e pronto. E se fosse com Danny? Tom? Dougie? Você estaria surtando assim? Ou é apenas porque já aparecemos juntos no aeroporto e agora tudo pareceu se confirmar? Ou você está com medo do que o irá pensar de você? Porque se for, saiba que você é muito idiota de pensar assim. Ele não merece essa sua preocupação, não é nada dele e ele não tem direito algum sobre ela. – Olhei para Harry assustada com sua repentina explosão.
- Você teria coragem para assumi-la? – perguntei.
- Claro, tenho vontade de fazer isso desde que você me disse que estava grávida. – ele sorriu e passou a mão em meu rosto. – Eu não me importo com esses repórteres, fotógrafos, o que seja; só me importa a sua felicidade e a de . Sem contar que Judd ficaria muito lindo. – ele acrescentou e dei-lhe um tapa.
- Vamos logo para casa. – eu disse. – Você tem entrevistas para marcar e, por favor, não anuncie sozinho, deixe os meninos irem com você.
- Tudo bem. – ele respondeu e sorriu.
Capítulo 9 - Goodnight Neverland
No último sábado, o baterista – juntamente com seus colegas de banda – fez uma declaração: Ela é minha filha. Foi tudo o que Harry disse ao ser questionado sobre as fotos em que o mesmo carregava uma criança ao lado de sua, até então suposta, namorada. Todos os rumores se confirmaram na mesma entrevista.
Judd confirmou paternidade da criança, , e confirmou que e ele estão realmente juntos. O baterista afirmou que começaram a namorar quando afirmou estar grávida e que antes eles eram apenas ‘amigos com benefícios’.
Os outros integrantes não se intimidaram com a presença de um bebê junto a eles. “ é um doce, somos todos os pais dela” – foi o que o baixista, Dougie Poynter, afirmou quando questionado sobre o relacionamento deles com a criança.”
Posso me jogar da ponte? Dramático demais? Talvez me afogar enquanto tomo banho? Posso cair e bater a cabeça? Ah, não, isso seria assinar meu atestado de: tenho inveja de um baterista britânico que roubou a garota que eu amo. Ótimo, , você é um completo idiota que vai morrer sozinho.
A foto na página do site me irritava, enojava e me deixava à beira de um surto. Gay? Talvez, mas tente ler isso e mude o nome para o da garota que você passou cinco anos amando. Harry Judd sorria ao brincar com a linda e doce , ao seu lado, sorria ao ver a brincadeira dos dois – a imagem da família perfeita fazendo compras.
- Merda! – gritei e dei um bati com o punho fechado na mesa do computador.
- Acho que ele viu. – ouvi dizendo.
- Desde quando vocês sabiam disso? – perguntei e me virei para vê-los encostados na porta do meu quarto.
- Hoje. – disse.
- ? – olhei para que estava um pouco atrás. – Você foi o primeiro a saber de .
- Não fazia idéia do pai dela, não quis falar sobre isso. – ele assumiu e também parecia aborrecido por descobrir dessa forma.
- Ótimo. – respondi e voltei a encarar o computador.
- , dê um tempo a , por favor. – disse. – Ela não deve estar muito feliz por ter que assumir dessa forma, ela foi praticamente obrigada.
- Ela mentiu. – eu disse.
- Omitir seria o certo. – disse, mas se arrependeu depois que o fuzilei com o olhar.
- Saiam daqui. – eu disse e fechei a porta na cara deles.
Da minha cama, o Hook, o bicho de pelúcia ridículo que me dera, me olhava. Peguei-o e joguei longe, querendo que fosse ali. Ela não tinha aquele direito de mentir para mim – ou omitir, a porra que fosse – ela não podia me dizer que não sabia quem era o pai e assumi-lo em rede nacional, talvez até internacional, no dia seguinte.
Agora eu começava a me perguntar o porquê de ter ganhado uma foto de . Por que me daria a foto de uma criança que não tinha nada comigo? Nem sabia da minha existência até alguns dias atrás. Suspirei e me joguei em minha cama, queria sumir dali, daquele mundo, e esquecer tudo e todos.
Era como se um buraco negro estivesse sugando toda a minha felicidade. Pela primeira vez entendi como Harry Potter se sentiu ao ser atacado por um dementador, tirando a parte do frio, a infelicidade era a mesma, assim como todas as lembranças do meu passado com , que surgiam em formas aleatórias em minha cabeça, me fazendo querer arrancá-la e jogar para longe.
Os canais de fofocas só falavam isso, por onde eu passava as fotos de Harry com me assaltavam, sem contar os inúmeros comentários nos sites do McFly que me xingavam ou comentavam sobre o nosso tal relacionamento. Não estava surpresa por isso, já sabia que isso aconteceria quando ele assumisse tudo, mas não esperava tantos comentários também.
pulou em meu colo quando mudei de canal pela centésima vez; ela pegou o controle da minha mão e colocou no canal de desenhos, encostou a cabeça em meu ombro e ficou assistindo à televisão. Olhei os meninos entrando em casa – eles deram outra entrevista hoje – cada um com sua própria expressão de cansaço e tédio. Danny sentou ao meu lado e começou a mexer no cabelo de ; Tom se jogou no chão, pegou o violão e começou a dedilhar algo aleatório; Dougie sentou-se no outro sofá e Harry do lado dele.
- Então, como foi? – perguntei, mesmo que já soubesse quais seriam as respostas.
- O mesmo da primeira entrevista. – Tom disse. – Com a diferença de que agora o Danny, por algum motivo desconhecido, é o padrinho de .
- Oi? – ela disse ao ouvir o nome. Tinha o dedo na boca e eu dei um tapa de leve em sua mão, fazendo-a tirar.
- Nada, anjo. – eu disse e ela voltou ao desenho. – O que mais?
- Fãs que já te odeiam. – Danny disse.
- Ah, isso eu já sei. – eu assumi. – Os fans sites não falam de outra coisa. Tinha uma notícia que tinha mais de mil comentários.
- , tem certeza de que quer continuar com isso? – Harry me perguntou.
- Ela não tem mais saída agora, tem? – Tom comentou e todos olharam para ele como se tentassem matá-lo com o olhar.
- Ele tem razão. – eu disse e suspirei. – Já está feito.
- Mas o que vão dizer quando voltarmos à Londres? – Dougie perguntou. Fiquei surpresa por ele ter se pronunciado, pois ele também assistia aos desenhos.
- Boa pergunta. – Danny disse.
- Provavelmente voltarei com vocês. – eu disse.
- . – Harry suspirou. – Você não pode, sua família toda está aqui. E seus outros amigos, sem contar seu trabalho com o All Time Low.
- Bom, a não pode ficar sem o pai, não é? – eu perguntei e olhei para Harry. Ele me olhou como se dissesse: conversamos sobre isso depois, então. – Que seja. Quem está com fome?
- Eu. – Tom disse.
- Você está sempre com fome. – Dougie disse e nós rimos.
- Shhh. – disse e olhou feio para todos nós.
- Ow, quem você pensa que é para fazer ‘sh’ pra mim? – Danny disse e a agarrou. começou a rir e nós rimos junto com ela.
Levantei-me e fui para a cozinha, sentindo Harry atrás de mim, revirei os olhos. Abri a geladeira e vi o que sobrara da comida de ontem para requentar e servir, não tinha paciência para preparar algo.
- . – Harry chamou.
- Harry, agora não. – eu disse e comecei a esquentar os restos das pizzas da noite passada. – Na verdade, nem agora, nem nunca. Não precisamos conversar sobre isso, agora o mundo inteiro sabe que você é pai da minha filha e, muito provavelmente, todos meus amigos, minha família... É, o mundo inteiro sabe. Aliás, teremos que almoçar com meus pais, ou jantar, antes de vocês voltarem para Londres.
- Vocês? – ele repetiu.
- Sim, vocês. – eu disse. – e eu não voltaremos. Claro que iremos visitá-los e vocês sempre poderão ficar aqui quando vierem para cá, mas eu decidi que ficaremos.
- Esqueceu de me avisar isso.
- Não, acabei de fazê-lo. – eu respondi.
- , sou o pai dela, tenho direito a opinião. – Harry disse e pude senti-lo atrás de mim, me virei e nossos corpos estavam separados apenas por alguns centímetros.
- Você que acabou de dizer que ela não podia ficar longe da minha família e eu não podia ficar longe do trabalho. – eu disse.
- Já estão fazendo um irmãozinho para ? – Danny perguntou entrando na cozinha.
- Morra, Jones. – Harry disse, seus olhos não desviavam dos meus. – Está certo, vocês ficam, mas deixará que eu te ajude na criação dela.
- Obviamente. – eu disse.
Apesar de ter anunciado que era sua filha, Harry não fez questão de que a mesma o chamasse de “pai”, ela já havia se acostumado a chamá-lo de “tio” e não seria agora que ele mudaria isso. Almoçamos tranquilamente, como sempre eles faziam piadas de tudo e várias brincadeiras com , que ria de tudo e ainda pedia mais.
Após o almoço, obriguei Tom e Dougie a lavarem a louça, enquanto Danny e Harry foram obrigados a assistir Bambi com e eu escapei para o apartamento dos meus outros amigos. Subi e entrei no apartamento das meninas, elas assistiam a um reality show, mas pararam quando entrei.
- Oi. – cumprimentei. Elas me olhavam e eu sabia o que elas pensavam. – Por favor, não. – murmurei para mim.
- Então, você não sabia quem era o pai. – começou.
- Pois é... Como foi? – fingiu pensar. – Ah, é! Foi alguém que eu conheci, não lembro quem era.
- Gente. – pedi, mas elas me ignoraram.
- Como pôde esconder isso de nós? – perguntou.
Fechei os olhos e respirei fundo, sentindo minha cabeça rodar e um enjôo momentâneo, era muita pressão para pouco tempo e uma pessoa apenas. Para piorar minha situação, a porta abriu e entrou acompanhado dos outros meninos.
- Olha só quem está aqui. – ouvi dizendo, sua voz ácida. – A Miss Pego-Todo-Mundo-Que-Faz-Parte-De-Uma-Banda. – senti suas palavras como socos. – Como está o papai Judd? – ele perguntou ironicamente.
- Melhor que eu, com certeza. – murmurei.
- Começou o drama. – ele disse. – Vamos, , solte as lágrimas que estão se acumulando, fale que não queria esconder isso de nós, assim como você fez com . Fale que sente muito e que iria nos contar quando estivesse preparada. Mas depois explique porque eu sou o único a ter uma foto de . – olhei para ele e soltei uma risada.
- Diminua o ego, . – eu disse e minha voz saiu firme, para a minha surpresa. – Você não é tão importante assim para ser o único a ter uma foto de minha filha. Aliás, você foi o último a recebê-la, então menos. – ele fez uma expressão de surpresa, com certeza não esperava essa reação. – E quanto ao resto, é isso mesmo. Eu só iria contar quando estivesse pronta e isso não é problema de vocês. A filha é minha, assim como a porra da transa também foi. Eu que fiquei nove meses com ela na minha barriga e vocês não têm direito algum de exigir algo de mim, porque ninguém se preocupou em me pedir para voltar quando eu fui. Principalmente as pessoas que sabiam mais motivos do que o que eu vivo falando. – agora todo mundo me olhava e eu permaneci com a voz firme e meus olhos estavam sem lágrimas. – Não deveria ter vindo. – passei por eles e abri a porta do apartamento, senti que alguém vinha atrás de mim, mas não parei para ver quem era. Entrei no elevador e me surpreendi ao ver entrando. Ele sorriu para mim e apertou o botão para o térreo. – O que está fazendo?
- Visitando a ? – ele disse como se fosse algo óbvio.
- Não vai falar nada? – perguntei.
- Por favor, ! – ele disse. – Sou mais maduro do que eles, principalmente do que o . Como você mesma disse, tá todo mundo com o ego inflado ali. Acham que só porque você voltou deve ficar dando explicações sobre todos os seus passos.
- Então não está bravo por eu ter escondido a verdade? – perguntei.
- Fiquei um pouco, mas para quem escondeu uma filha, acho que a paternidade é o de menos. – ele disse e eu sorri.
- Obrigada, . – eu disse e o abracei.
- Sempre que precisar.
Ninguém falou nada após a saída de do apartamento, seguida por . Eu sentia suas palavras me alfinetarem e meu coração batia acelerado devido sua reação. Novamente eu estragara tudo o que havia lutado para reconquistar. também saiu atrás deles, o resto ficou em silêncio, provavelmente pensando nas palavras de .
- Acho que pegamos um pouco pesado. – disse.
- Diga por você, eu e o não dissemos nada. – se defendeu.
- Mas tampouco foram atrás dela, ou pensam diferente de nós. – , sincera como sempre.
- Merda. – foi a única coisa que eu disse e sai do apartamento, subindo para o telhado. Ao longe pude ver correndo para chegar ao prédio onde morava. Invejei a ela e por conseguirem manter suas cabeças no lugar e não se alterarem com qualquer coisa.
Apoiei-me no beiral do telhado e observei o horizonte, sentindo raiva de todos meus momentos idiotas com desde que ela voltara. Eu devia estar no lugar de , eu devia ser o único a ficar ao lado dela, eu devia consolá-la quando alguém dissesse algo estúpido, eu deveria fazê-la rir com coisas bobas e eu deveria ter sido o primeiro a descobrir sobre sua filha.
Flashes da noite em que nos reconciliamos vieram à tona como que para me torturar. Dei socos no beiral e isso só me fez sentir mais dor ainda. Pela primeira vez em muito tempo, me senti perdido; a última vez fora quando eu descobri sobre a partida de e agora era como se eu tivesse perdido-a novamente.
Sem que eu percebesse, lágrimas começaram a escorrer por meu rosto, ao mesmo tempo em que o meu passado voltava como em um filme, meu passado com . Quando nos conhecemos, ela era tão tímida e simpática, ajudando o garoto novo que era motivo de gozação para todos, mas ela o ajudou. Quando ela ficou de castigo pela primeira vez por ter se envolvido em uma briga para me defender. A primeira vez que nós realmente tivemos uma conversa e que deu início a nossa amizade. Éramos tão jovens, mas já sabíamos que aquela amizade duraria para sempre.
- Você acredita em pedidos para estrelas cadentes? – perguntei timidamente a ela. Seus olhos me avaliaram e ela riu, uma risada divertida, infantil, doce e contagiante.
- Até dois meses atrás, não. – ela respondeu, por fim.
- E agora?
- Acredito, pois meu pedido se realizou. – ela disse.
- E o que você pediu?
- Você. – ela disse e depois saiu correndo para sua próxima aula.
A lembrança me assolou e senti o chão aos meus pés sumir. Eu fora seu pedido, aquele que ela fez mesmo sem acreditar que se realizaria. E agora eu era seu motivo para a infelicidade.
Mais cenas tomaram meus pensamentos. A primeira vez que fomos a um parque, o dia em que descobrimos que morávamos perto um do outro, a primeira chuva que ela correu até minha casa, a vez que fomos ao parque e trocamos bichos de pelúcia. Nosso primeiro beijo, um com o outro, eu ainda podia lembrar as sensações, de seu nervosismo aparente, do gosto de cereja enjoado que tinha em seu brilho labial, o jeito que ela mexia as mãos, o jeito que nossas línguas se afastaram ao primeiro toque, o modo como seus lábios se encaixam perfeitamente aos meus, sua língua em sincronia com a minha, seus braços em volta de meu pescoço, sua cintura fina contornada por meus braços. Eu me lembrava. E agora me torturava.
- Verdade ou desafio? – ela perguntou me olhando.
- Verdade. – respondi, ela me analisou por um momento.
- Você gostou de me beijar? – ela perguntou e sua bochecha corou rapidamente.
- Sim. – assumi, não havia motivos para esconder.
- Faria de novo? – seus olhos me analisavam, ela mordeu o lábio inferior. Passei a mão em seu rosto, afastando os fios de cabelo que estavam em sua bochecha.
- Sim. – respondi por fim.
- Verdade ou desafio? – ela perguntou novamente.
- Desafio.
- Me beija. – ela disse e eu a atendi prontamente.
Agora eu estava sentado no chão, os joelhos dobrados, cotovelos apoiados nos joelhos e a cabeça enterrada nas mãos. As lágrimas caiam sem intervalo e eu soluçava fortemente. Nunca havia chorado tanto em minha vida, nem mesmo quando minha avó morrera. Mas agora eu não perdia alguém muito importante, eu perdia metade da minha vida, metade do meu ser. Quando saiu por aquela porta, levou junto meu coração, mesmo sem saber que o fizera.
Não sei quanto tempo passei ali, mas quando finalmente levantei os olhos, o céu já estava escuro e as estrelas estavam escondidas por pesadas nuvens que anunciavam uma chuva, ou tempestade. O céu parecia estar de acordo com meu humor e eu não via forças para me levantar. Queria que não existisse aquela cobertura transparente, para que eu tivesse a sorte de ser atingido por um raio, mas isso não aconteceria e um raio só serviria para fazer as pessoas ficarem preocupadas comigo. Mas eu não queria preocupação... Eu só queria , sua amizade, seu sorriso, sua voz, sua risada, seu abraço... Seu beijo.
- Você a perdeu, assuma logo! – eu disse para mim. – Você a perdeu porque você é um idiota que não sabe pensar nos outros além de si mesmo. Você não sabe dar valor aos sentimentos das outras pessoas. Você não sabe valorizar o que está bem ao seu lado. E agora você não tem mais nada ao seu lado. Você está sozinho, , é assim que você está... E sempre estará.
Continuei sentado ali, observando os raios por entre as nuvens, vendo as primeiras gotas da chuva caindo na cobertura, ouvindo os trovões e imaginando aparecendo pela porta, com a expressão assustada; ela iria correr para meus braços e ficaria encolhida ao meu lado, até que a chuva passasse, e nós ficaríamos ali, juntos, em silêncio, um absorvendo a companhia do outro. Não precisaríamos de mais nada, já teríamos tudo o que fosse necessário: um ao outro.
Mas ela nunca apareceu e nunca aparecerá. Porque ela não tem mais medo, agora ela tem que proteger, ao invés de ser protegida. Ela deve passar segurança e tem outra pessoa para abraçá-la caso seja necessário, ela tem mais dois alguéns para abraçá-la. E eu não tinha ninguém.
As lágrimas voltaram a cair, a chuva começou a se intensificar, os raios ficavam mais visíveis e os trovões mais altos. Tudo isso abafava meu sofrimento, minha dor, minha solidão e me faziam querer ficar ali para sempre. Eu não via mais motivos para viver, de qualquer forma, nunca mais teria a mulher que me importava, então não via razões para me levantar e continuar vivendo.
- ! – disse ao me ver, sua expressão demonstrava alívio. – Finalmente te achei. – Então estavam me procurando? Bom saber. – Você está pálido. – ela se aproximou, mas logo voltou para a porta para avisar que havia me achado. – , você está congelando, vamos sair daqui.
Eu a olhava, ela estava com uma blusa de frio, cachecol, luvas e gorro, eu não sentia metade do frio que ela sentia. Na verdade, eu não sentia nem um décimo desse frio. Vi e surgirem na porta e ela os chamou para ajudá-la. Juntos, os três me levantaram e me fizeram descer as escadas, eu não sentia nada, meus pés se moviam por conta própria, mas para mim nada daquilo importava, porque entre os olhares preocupados eu não vi o mais importante. Eu não vi o olhar dela, porque ela não estava ali para me amparar.
Capítulo 10 – Down Goes Another One
A chuva caia fortemente, eu estava acomodado no quarto de hóspedes do apartamento de , que era extremamente grande, uma vez que tinha outro onde estava. não deixou que eu e voltássemos para casa naquela chuva, mesmo que a mesma ficasse a poucos metros de distância da casa dela. Com o som da chuva, eu dormi rapidamente.
Eu tinha sonhos estranhos, sonhava com show, fãs loucas e que corriam atrás de mim como se fossem zumbis. Não fazia sentido, mas nós nunca controlamos os sonhos, não é? Uma delas me cutucava no ombro, na mão, no braço, no nariz... No nariz? Mas não havia ninguém a minha frente. Senti que alguém realmente me cutucava. Abri lentamente os olhos e vi ao meu lado na cama, lágrimas escapavam de seus olhos em um choro silencioso, ela tinha um dedo na boca e seu pijama estava amarrotado.
- O que faz aqui, pequena? – perguntei para ela, na mesma hora um trovão soou e ela pulou de susto, sua expressão tornou-se assustada e eu entendi, ela puxara muito a . – Venha aqui. – peguei-a e a coloquei ao meu lado. – Quer dormir aqui comigo? – perguntei e ela assentiu com a cabeça.
- Tentei chamar a mamãe, mas ela não meu ouviu. – ela disse e mais lágrimas escorreram.
- Shh, estou aqui e vou te proteger. – abracei-a e comecei a niná-la.
- Eu gosto muito de você, . – ela disse e sorriu para mim, sorri junto e comecei a cantar para ela, fazendo-a adormecer rapidamente.
- Harry! Harry! Harry! – eu sacudia ele, mas a praga não acordava. – Harry Judd, caralho, acorda. – eu quase berrei no ouvido dele.
- ? – ele finalmente disse e abriu um olho. – O que aconteceu?
- A ! – eu disse e ele acordou completamente. – Ela sumiu, Harry! Eu dormi com ela essa noite para que dormisse no quarto dela, coloquei uma caminha no meu quarto e ela dormiu lá, mas ela não está mais lá, Harry.
- , espera, respira. – ele disse e se sentou na cama.
- sumiu, Harry! – eu disse, o desespero começado a tingir minha voz. – Perdi minha própria filha, digo, nossa... Ah, que seja! Você me entendeu.
- Você já procurou no resto da casa? – ele me perguntou.
- Claro que sim, Harry! – eu disse, comecei a mexer minhas mãos nervosamente. – Ela sumiu, Harry, e agora?
- Relaxa, respire fundo. – ele me disse, já estava de pé, usando apenas sua samba-canção e agora uma camiseta branca. – Os outros já acordaram?
- Apenas Tom e Dougie.
- Tudo bem, vamos falar com eles. – ele pegou minha mão e me puxou para fora do quarto.
Os meninos estavam tomando o café da manhã e aparecemos na cozinha, eu já surtando e Harry mantendo a calma que eu não sabia de onde ele tirara.
- O que aconteceu? – Dougie perguntou.
- sumiu. – eu disse antes que Harry abrisse a boca.
- Como assim? – Tom perguntou.
- Eu não sei, ela dormiu no meu quarto, mas não está mais lá. – eu disse e passei as mãos no cabelo.
- Ela não pode ter saído do apartamento, a porta estava trancada. – Dougie disse.
- , fique aqui, você está nervosa e não ajudará muito. – Harry me disse. Olhei para ele, mas segui o que ele disse, fui para a sala e me sentei lá.
Eles começaram a andar pelo apartamento, procurando por em todos os cantos. Olharam em todos os cômodos – só então eu percebi como aquele apartamento era grande – revistaram todos os quartos, aproveitando para acordarem Danny, mas não havia sinal de .
Minhas unhas já eram inexistentes e eu já não conseguia achar coisas para me distrair. Os meninos estavam sentados na sala, discutindo todos os lugares por onde passaram e tentando entender se tinham deixado algo escapar. A imagem de na entrada da sala me assustou, eu havia me esquecido dele e de .
- O que aconteceu? – ele perguntou, seu cabelo estava desgrenhado e ele tinha uma cara de sono.
- sumiu. – eu disse e ele me olhou assustado, mas um sorrisinho surgiu em seu rosto depois.
- Tenho que te mostrar uma coisa. – ele disse e me puxou delicadamente pela mão.
me levou pelo corredor, até a porta do quarto em que ele dormira, não falara nada em todo o trajeto e minha mão suava muito, eu não entendia como ele conseguia segurá-la tão firmemente. Ele abriu a porta do quarto e apontou para que eu entrasse. Eu o fiz, mantendo meu olhar fixo nele. viu que eu não tirava os olhos dele e apontou para a cama dele, eu olhei e enxerguei um montinho no canto, encolhido perto da parede.
Se ela não estivesse dormindo eu com certeza teria gritado de alívio ao ver ali, na cama de , dormindo tão tranquilamente. Olhei para como se pedisse uma explicação, ele indicou a porta com a cabeça e eu entendi que era para sair do quarto. Fui para o corredor e ele me seguiu, tendo a certeza de que fechara a porta.
- Ela veio dormir comigo essa noite, estava chovendo e ela puxou esse medo da mãe. – ele disse e me olhou com um ar divertido.
- Obrigada. – abracei-o, sentindo um alívio enorme por vê-la segura.
- Sempre que precisar. – ele disse, também me abraçando.
Voltei para a sala e avisei que estava bem, vendo a expressão de todos relaxar e eles voltarem ao normal. Harry foi se trocar, Tom e Dougie voltaram a comer e Danny continuou assistindo TV. Resolvi tomar um banho também para poder melhorar meu ânimo. Sai do banheiro e vesti uma calça jeans, blusa de manga comprida, pois estava frio, e fui para a sala.
Parecia que tinha invertido os papéis comigo, agora ele parecia aflito ao andar de um lado para o outro na sala. também estava na sala, mas estava sentada, mordia o lábio e cutucava as unhas.
- O que aconteceu? – perguntei.
- me ligou ontem e disse que tinha sumido. – disse, franzi a testa, a notícia era de ontem, que importância teria hoje? – achou-o no telhado, congelando.
- E?
- ligou hoje, disse que ele está melhor, mas que sente a sua falta. – ele acrescentou a última parte com pesar.
- Problema dele. – respondi. Vi abrindo a boca para falar algo. – Não comecem. – cortei. – Vocês sabem tanto quanto eu que eu não tive culpa se ele quis se matar, ter hipotermia ou o que quer que fosse. Eles me provocaram, me provocou, eu não tenho culpa. Falei o que precisava ser dito e não me arrependo.
- , não é isso...
- Mas, só para não ficar com a fama de culpada, vou visitá-lo depois. – eu disse, cortando também.
e aceitaram tomar café comigo e e, depois disso, nós fomos para o apartamento dos meninos – ficou em casa, pequeno castigo por me assustar – foi para o das meninas, queria tomar um banho e trocar de roupa, e eu acompanhei até o dos meninos.
Todo mundo estava na sala, menos , que deveria estar no quarto. Eles me olharam, mas ninguém disse nada e eu passei reto por eles. Fui para a porta do quarto de e entrei sem bater.
Ele estava sentado na cama, Hook em suas pernas, a cabeça erguida, ele olhava para as estrelas que havia em cima dele. Quando ouviu a porta fechando, olhou para mim e seu rosto ficou com uma expressão que cortou meu coração.
- insistiu para que eu viesse. – eu disse, encostei-me na porta e ele tampouco mudou sua posição.
- Perda de tempo. – ele disse, apenas. Sua voz estava um pouco rouca, talvez pela falta de uso, eu não sabia, tantas coisas poderiam ter acontecido.
- Eu também disse isso a ele, mas ele insistiu. – se ele queria brincar de grosserias, eu não estava com cabeça para chorar, só para responder a altura.
- Já pode voltar para sua casa e sua família feliz agora. – ele disse.
- Ótimo, tchau. – eu me virei e abri a porta, sabia que ele não deixaria assim. Comecei a sair do quarto quando ouvi sua voz atrás de mim.
- Por que você faz isso? – ele perguntou, voltei e fechei a porta, voltando a minha antiga posição.
- Faço o que exatamente? – perguntei.
- Você mudou tanto desde que voltou de Londres. – ele disse, se recusava a me olhar, parecia mais que estava falando com o bicho ridículo de pelúcia. – Antes você era alegre, divertida, fazia piada de tudo... E agora...
- Eu continuo a mesma, você que não me deixa agir naturalmente. – eu respondi. – Eu não mudei, , continuo a mesma . Talvez eu esteja um pouco madura, afinal, eu tive uma filha e isso exigiu maturidade e responsabilidade, mas eu continuo a mesma. Talvez, só talvez, você deveria pensar que quem mudou aqui foi você.
- Eu? – ele me olhou.
- Você. – eu disse. – O que eu conheci nunca ficava arranjando motivos idiotas para brigar, ele não ficava tendo crise de ciúmes, ele não era tão orgulhoso, egocêntrico e metididinho. Não, o que eu conheci era divertido, amável, engraçado, prestativo, educado, cavalheiro. Era alguém que nós tínhamos prazer em conversar, abraçar, cumprimentar e elogiar. O que eu conheci me abraçaria e diria para eu nunca mais fugir, o que eu conheci teria virado Londres inteira atrás de mim. O que eu conheci teria me mandado e-mails, mensagens, cartas, nem que fosse para todos os endereços de Londres. Mas esse que eu conheci não está comigo há muito tempo, bem antes da minha ida para Londres.
- Você sumiu! Nunca deu notícias! E volta achando que foi muito normal sua partida e que tudo continua a mesma coisa. – ele disse. – Como você acha que eu me senti? Como eu iria atrás de você se você nem ao menos foi atrás de mim para tentarmos conversar e resolver nossa situação? Eu me vi sem chão, . E sabe por quê? Porque eu cometi a burrice de me apaixonar por você! Eu estava te amando, , e você fugiu, sumiu do mapa; meu coração ficou em pedaços. Você desapareceu depois que eu achei que tudo ficaria mais do que perfeito entre nós.
Não achei palavras para respondê-lo, o choque de descobrir que ele estava apaixonado por mim foi muito grande. Eu nunca imaginei que algum dia sentiria algo do tipo por mim, nunca achei que seria correspondida no sentimento e esse foi um dos motivos para minha partida.
- E agora você volta, com uma criança que você não quis nos mostrar. Com amigos que te conheceram tão bem em cinco anos, melhor do que eu que te conhecia há mais de dez anos. Você voltou com notícias e atitudes que me deixaram confusos. Você me beijou, me abandonou no corredor, me abandonou e foi morar na casa que seus amigos compraram. E quando você voltou, volta com uma filha que é a sua cópia perfeita. Mas isso é o de menos, quando você diz não saber quem é o pai dela, mas dias depois assume em rede nacional o verdadeiro pai. – ele dizia tudo e eu via lágrimas surgirem em seus olhos, mas não as deixaria cair. – Eu, , eu queria ter assumido a paternidade de . Eu faria isso se você me pedisse, eu faria isso se você não fosse uma mentirosa.
- Você assumiria? – respondi e dei uma risada sarcástica. – Por favor, , você nem a conhece. Sem contar que os meninos são muito mais merecedores de algum relacionamento desse tipo com a do que você. Pai é quem cria também, , não apenas quem põe no mundo.
- E você me deu a chance de tentar criá-la? – ele disse, sua voz aumentando o tom. – Você nem tentou, . Eu teria o maior prazer, eu sei que você não queria assumir essa criança com o Harry. Eu te conheço bem o suficiente para saber que você não quer esse tipo de fama. Eu sei como você está se sentindo lendo todos esses comentários que estão te chamando de aproveitadora. Comigo você não passaria por isso.
- Com você eu não teria paz, ! – respondi. – Não conseguimos ficar cinco minutos sem brigar, temos um dia de paz e outros trezentos e sessenta e quatro dias de guerra. não merece isso, mesmo que fosse de criação, ela não merece um pai como você.
- Você não pode afirmar isso se nunca tentou. – ele disse. – De qualquer jeito, essa não é a questão.
- Então qual é a questão? – perguntei. Já estava cheia de tudo aquilo e só queria voltar para casa e esquecer tudo.
- A questão é... – ele me analisou por um tempo, agora ele estava de pé, de frente para mim, mas a uma distância boa. – fará cinco anos em março, você foi embora em julho, oito meses antes de nascer. E eu acho que não preciso te dizer o que aconteceu nove meses antes.
- Não, porque eu sei bem. – eu disse, felizmente eu tinha uma saída para isso. – Nove meses antes, teve um show do McFly aqui e eu fui com a minha amiga, nós ganhamos uma promoção para conhecê-los no camarim. Foi lá que conheci Harry e nós tivemos um lance de uma noite. Foi aí que nasceu a .
- , eu me referia a...
- Eu sei, mas ela não é sua, . – eu respondi e ele me olhou como se duvidasse. – Eu tenho o teste para provar.
- Você tem o teste?
- Sim. – eu respondi e mexi em minha bolsa, sabia que precisaria dele mais cedo ou mais tarde. – Aqui. – estendi o papel dobrado para que o pegou.
ficou um longo tempo olhando a folha, esperando que algo denunciasse que fosse uma pegadinha e ele fosse o pai de , mas nada naquela folha realizaria o desejo dele. Vi quando seus lábios se moveram denunciando que ele lia o nome de Harry e a confirmação da paternidade, depois a folha caiu graciosamente no chão.
- Satisfeito? – perguntei.
- É falso. – ele disse. Revirei os olhos, tão típico. – , por favor, ela não se parece com o Harry.
- E tampouco se parece com você. – eu respondi e friamente e ele recuou como se eu tivesse lhe dado um tapa. – Como você mesmo disse, ela é minha cópia perfeita.
- , por favor. – ele pediu, a dor atingiu seus olhos e isso atingiu meu estômago, eu não conseguiria suportar. – Não faça isso comigo.
- Não estou fazendo nada, . – respondi.
Ficamos um longo tempo em silêncio, voltou a sentar na cama e parecia imerso em pensamentos, eu me abaixei para recolher a folha do teste e a guardei em minha bolsa. sacudia a cabeça, como se negasse algo e seus olhos passavam constantemente por mim.
- Por que você voltou? – ele perguntou.
- Senti saudades. – respondi sinceramente. – E precisava conhecer minha família.
- Só por isso?
- Queria que fosse por algo mais? – perguntei e depois fingi pensar. – Ah, já sei. Voltei porque descobri que estava morrendo de amores por você. É isso o que você quer ouvir?
se moveu tão rápido que eu me assustei, ele se aproximou de mim, seu rosto em uma expressão assustadora, recuei para a porta e o senti se aproximando mais ainda, seu corpo estava separado do meu por uma nesga de ar e eu respirei fundo. Senti medo de naquele momento, ele segurou meus dois braços e me sacudiu levemente.
- Chega de brincadeiras, . – suas mãos apertavam meus braços. – Eu fui tolerante com você e esse seu cinismo todo, mas minha paciência tem um limite.
- Você está me machucando, . – eu disse.
- Aposto que não é nem um por cento do que você me fez sentir. – ele respondeu, seu rosto, tão perto do meu, estava vermelho e seus dentes estavam trincados.
- , pare com isso.
- Sabe o que você é, ? – ele perguntou retoricamente. – Você é uma aproveitadora, uma muito boa por sinal, porque você tem algo a oferecer que te garante mais benefícios...
- ... – gemi, meus braços estavam dormentes.
- Você tem seu corpo, , e você o vende como se fosse carne. – ele dizia tudo e eu sentia que meu nunca mais voltaria. – Você gosta de brincar com os sentimentos dos outros, você brincou com os meus, está brincando com os daquele idiota que você chama de pai da sua filha. É uma pena, sabe? ser tão doce e ter uma mãe como você.
- , você está me machucando. – eu gemi.
- Eu não me importo. – ele respondeu.
- Pare, . – murmurei, as lágrimas brotavam em meus olhos.
- Você está chorando. – ele disse estupidamente. – Isso significa que eu consegui, ? Consegui quebrar esse muro que você achou que estivesse forte para me enfrentar? Você achou que agüentaria quanto tempo sem chorar?
- Eu vou gritar, . – eu disse, fungava e soluçava fortemente, os dedos dele pareciam entrar em meus braços. Sua cólera me destruía e eu me sentia fraca e indefesa.
- Grita. – ele disse me desafiando. – Grita e corre para os braços desses idiotas que perdoam qualquer merda que você faz. Eles não conhecem metade de você, .
- Nem você. – respondi, reunindo coragem sabe-se lá de onde. Ou sabia sim, ofendeu meus amigos, e isso me enfurecia completamente. – Porque se soubesse, não estaria fazendo isso. É a você que eles não conhecem mais, . Porque no final eu voltei, mas você foi embora e ficou com essa imundice que você adotou como nova personalidade. Você é um idiota, você se acha muito e acha que o mundo deve girar em torno de você. – reuni forças para empurrá-lo e consegui, dei-lhe um tapa no rosto e ele pareceu acordar de seu momento. Meu braço doeu quando voltou a ter a circulação do sangue. – Você é um filho da puta dos grandes, que se diz amigo de todos nós, mas você não é mais o nosso , você é apenas um lixo e você não merecia nem a minha atenção, muito menos a atenção de . – ele me olhava, seus olhos também passavam por meus braços que com certeza estariam marcados por seus dedos, mesmo que por cima da blusa de manga longa. – tem muita sorte de não ter você como pai, porque ela não merece ter um lixo como pai.
- , eu...
- De agora em diante, você nunca mais encosta na minha filha ou em mim. – eu disse. – Você se arrependerá se fizer. E, caso algum dia o meu voltar, diga a ele para pensar em algo muito bom que explique esse comportamento de cafajeste. E para ele rezar para que eu acredite e o perdoe, porque eu nunca mais quero falar com você, a não ser que seja extremamente necessário. Você é um completo desconhecido para mim, um alguém que eu não tenho vontade alguma de conhecer. Você me enoja, .
Sai de seu quarto e do apartamento sem parar para conversar com ninguém, as lágrimas insistiam em surgir, mas nenhuma seria derramada por mim. Dentro do elevador, levantei a manga de minha blusa e olhei meus braços, marcado com os dedos de , agradeci por estar frio. E foi ali mesmo que eu prometi nunca mais chorar por ou me importar com qualquer coisa dita ou feita por ele. Meu relacionamento com ele seria estritamente profissional, apenas assuntos relacionados ao All Time Low e se fosse muito necessário.
Capítulo 11 – Lost in Stereo
8 anos depois
Chovia forte, os trovões eram altos, os relâmpagos clareavam o parque inteiro e mais um pouco por alguns segundos, os pingos de chuva eram como lâminas afiadas que pareciam me cortar cada vez que me tocavam. Sentia-me sozinha, abandonada, insegura, infeliz. Queria sair dali, mas parecia andar em círculos, as árvores pareciam as mesmas, os arbustos sempre tão iguais e a chuva não me ajudava em nada.
Sentia meus ossos congelados devido ao frio da chuva, as gotas escorriam por meu corpo e me causavam arrepios. Meus dentes batiam uns nos outros, meus dedos estavam roxos e eu tinha meus braços em volta de meu corpo, tentando manter algum calor, mas era completamente inútil.
Cai de joelhos onde estava mesmo e olhei para cima, as nuvens negras me encharcavam e parecia que não sairiam dali tão cedo. O medo tomou conta de mim e eu deixei que as lágrimas escorressem, misturando-se às inúmeras gotas de chuva. Sentei-me no chão e abracei meus joelhos, tremia de frio, queria mais do que nunca um abraço conhecido. Um único abraço, o abraço dele.
Ouvi passos, galhos se quebrando e levantei minha cabeça. Por entre as árvores, Harry e me olhavam, separados por uma árvore, mas eu tinha certeza que eles tinham consciência da presença do outro. Seus olhares eram acusadores, tinham um brilho estranho, um tipo que eu nunca vi nos olhos deles e nunca imaginei ver.
- Você mentiu para nós. – disse. – Mentiu para mim, como você pôde fazer isso comigo? – sua voz era fria e pareceu atravessar minha pele, me causando arrepios mais fortes.
- Você não nos merece. – olhei para Harry. – Você é uma mentirosa.
- Não. – sussurrei, sacudindo a cabeça desesperadamente. – Não.
- Você merece ficar aqui, sozinha, morrendo sozinha. – disse. – não merece a mãe que tem.
- Não. – eu repetia sem parar. Suas palavras me machucavam como cortes em minha pele. Eles viraram as costas e começaram a se afastar de mim, rastejei atrás deles. – Não! Não me deixem aqui. .
Sentei na cama assustada, o suor escorria por minhas têmporas e costas, minha respiração estava ofegante e eu me abracei. Foi apenas um sonho, um pesadelo, que eu não tinha há muito tempo, mas apenas isso. Harry nunca me abandonaria, nem mesmo , por mais bravo e irritado que tivesse comigo, ele nunca me deixaria.
- Mãe? – a voz de me fez pular, olhei para a porta, ela tinha metade do corpo para dentro do meu quarto. – Está tudo bem? Ouvi você gritando.
- Sim, está. – eu disse. – Apenas um sonho ruim, pode voltar a dormir. – eu disse e ela assentiu, começando a sair do quarto. – , espere. – ela voltou e me olhou, bati no espaço ao meu lado. – Dorme aqui comigo, por favor. – pedi. Eu ainda estava assustada com o sonho e não queria ficar sozinha, com ao meu lado eu me sentiria melhor. Ela se aproximou e deitou na cama ao meu lado. Mesmo com catorze anos ela não se importava em dormir comigo; felizmente tínhamos um bom relacionamento que nos transformou em amigas. – Boa noite.
- Boa noite. – ela passou o braço por minha cintura, me dando um abraço que me deixou muito melhor.
Não consegui dormir, mesmo prestando atenção na respiração tranqüila de , eu não consegui voltar a dormir, algo em minha mente travava o sono e as cenas de meu sonho voltavam constantemente. Olhei o relógio ao meu lado, faltavam apenas duas horas para que desse o horário de acordar, tentei dormir, mas falhei completamente. Poderia ligar para Harry, mas ele não conseguiria me acalmar do jeito certo estando em Londres.
- ! Assim não dá. – chamou pela quinta vez. – Já é a sexta vez que você erra a mesma parte.
- Eu sei, desculpa. – eu disse e sai da sala, passando reto por que parecia não estar em seus melhores dias também.
- Tudo bem, intervalo. – ouvi sua voz dizendo, mas ignorei.
Sai do estúdio para as ruas frias e senti o frio passando por mim e fazendo meu cabelo voar um pouco. Não havia dormido nada noite passada, novamente, com os mesmos pensamentos de oito anos atrás e que continuam me perseguindo.
- Está acontecendo alguma coisa? – ouvi atrás de mim.
Nesses anos nossa amizade se tornou mais simples, não éramos como antes, mas também não brigávamos mais, éramos como novos amigos que não tinham muita intimidade. Suportávamo-nos para o bem de todos e tínhamos nossos bons momentos, isso já era o suficiente para mim.
- Por que está dizendo isso? – perguntei, ainda de costas para ela.
- Não é comum você errar tanto, principalmente essa música. – ela disse.
- Noite ruim, apenas isso. – respondi. Não estava a fim de discutir sobre a importância da música. – Só preciso de um intervalo para dormir ou comer algo.
- Tudo bem, tire o dia de folga. – ela disse e ouvi a porta se fechando, anunciando que eu estava sozinho novamente.
Coloquei as mãos nos bolsos e caminhei até o apartamento que dividia com os meninos. O All Time Low crescia agora e eu não podia continuar com isso de errar e me desconcentrar. O passado não era mais tão importante. No meio do caminho encontrei , estava encostada no portão do apartamento, onde ela e moravam, junto com uma amiga.
- . – ela disse ao me ver.
- Hey, pequena. – eu disse e ela sorriu. Abracei-a e dei um beijo em sua bochecha. – Oi. – cumprimentei a amiga dela.
- Cadê minha mãe? – ela perguntou.
- Me expulsou do ensaio. – eu disse.
- O que você aprontou?
- Estou desconcentrado e ela disse que era melhor eu tirar o resto do dia de folga. – eu disse e ela pareceu ficar mais aliviada. – E você? Não tem lição para fazer?
- Tenho, acabei de chegar, na verdade, estava só terminando um assunto e já ia subir. – ela disse.
- Quer companhia? – perguntei. Não tinha nada para fazer durante a tarde.
- Pode ser. – ela sorriu para mim.
Deixei que ela conversasse com a amiga dela e subi para o apartamento de , o porteiro me deixando passar como sempre. Cheguei ao apartamento e fui para a cozinha, estava com fome e precisava comer algo. Peguei um pacote de bolacha no armário e ouvi entrando em casa.
- Já assaltando o armário? – ela disse em tom de brincadeira e olhei para ela como se pedisse desculpas. – Só não suje a casa, você sabe como minha mãe é.
- Sim, sei. – eu disse. – E ai, já quer perder no Guitar Hero?
- Por favor, eu sou filha de , você que perde, não eu. – ela disse e revirou os olhos como se fosse algo óbvio.
- Veremos. – eu disse e fui para a sala, seguindo-a.
Passamos duas horas jogando Guitar Hero e ganhou todas, honrando seu título de filha da . Quando cansei de perder e a obriguei a fazer a lição dela, chegou, carregando sua pasta e toda atrapalhada com a bolsa.
- ? – ela chamou, obviamente não reparou em mim.
- Oi, mãe. – apareceu na porta. – E ai, como foi hoje?
- Bem, tirando com algum problema que ele não quis me contar, tudo bem. – olhou para mim e mordeu o lábio. – O quê? – seguiu seu olhar e ela fez uma expressão surpresa. – , não te vi ai.
- Ele veio cuidar de mim. – disse. – Eu que convidei, obviamente. me viu chegando da escola e eu o convidei para subir.
- Sem problemas. – disse e sorriu. – Vou tomar um banho. – ela disse e sumiu no corredor.
- Sabe o que eu acho? – perguntou se jogando ao meu lado no sofá.
- O quê? – perguntei.
- Que você deveria aproveitar para ter uma conversa legal com a minha mãe. – ela disse. – Ela teve pesadelos essa noite, de novo.
- E você está me contando isso por que... – eu disse e ela sorriu.
- Porque você daria um ótimo padrasto. – ela disse. – Eu gosto de você, , e minha mãe também, por mais que ela não assuma por causa de sei lá qual briga que vocês tiveram. E eu acho que você deveria resolver isso logo, não custa nada. – me olhou. – Você sabe onde fica o quarto dela, aproveita que eu preciso da ajuda de e estou indo para o apartamento das meninas agora. A casa é toda de vocês.
- Desde quando você tem essas idéias e pensamentos? – perguntei.
- , eu sou nova, mas não sou inocente. Eu já assisto filmes para maior de dezessete e já tenho aulas de educação sexual, por favor, né! – ela disse e riu. – Até mais. – ela levantou-se e saiu do apartamento.
Pensei nas palavras de e cheguei à conclusão de que ela estava certa. Com uma coragem súbita, me levantei e fui para o quarto de , do banheiro saia um vapor quente e sua voz podia ser ouvida enquanto ela cantava o que reconheci ser a música que escrevi para ela há tanto tempo. Olhei seu quarto, não havia mudado nada desde que ela se mudara.
Ouvi o chuveiro sendo fechado e logo depois apareceu no quarto, enrolada apenas em uma toalha branca, ela me olhou assustada e passou a mão na toalha, tendo a certeza de que estava bem firme em seu corpo.
- , o que faz aqui? – ela perguntou após se recuperar o choque.
- Precisamos conversar. – eu disse.
- E precisa ser assim? Não podia esperar eu terminar meu banho e me trocar?
- A coragem surgiu agora, sem contar que estamos sozinhos. – eu disse e ela me olhou curiosa. – foi conversar com .
- Hm. – ela murmurou.
- Desde quando você tem pesadelos? – perguntei e ela me olhou, tinha caminhado até a porta de seu closet. – me contou sobre eles, como eles são?
- Pesadelos, ruins. – ela disse e deu de ombros. – Já os agüento há oito anos, posso agüentar mais um pouco.
- , você tem que conversar com alguém. – eu disse e ela me olhou estreitando os olhos.
- Por que não dormiu essa noite? – ela perguntou.
- Porque fiquei pensando em você, como faço há oito anos, ou mais. – respondi e ela pareceu surpresa. – Mas essa noite foi especial, me lembrei de catorze anos atrás. – me aproximei dela, ela recuou, mas teve que parar ao encontrar a porta do closet como barreira. – Você lembra, ? Como foi aquela noite?
- ...
- Parecíamos dois jovens apaixonados. – eu disse, ela mordeu o lábio. – Era uma noite quente, estrelada. – continuei e vi seus olhos se fechando. Meu corpo já estava bem próximo do dela, rocei meus lábios no pescoço dela. – Você disse que foi uma noite especial e que nunca iria esquecer. Você esqueceu, ? – perguntei, depositando beijos em seu ombro direito. – Esqueceu?
- N... Não. – ela gaguejou. – , o que está fazendo?
- Eu sinto sua falta, . – eu disse e coloquei minhas mãos em sua cintura. – Falta do seu abraço, do seu sorriso, dos seus lábios. – rocei meus lábios nos dela e percebi que ela os entreabriu. – Você não sente minha falta?
- . – ela disse, mas pareceu mais um gemido.
- , por favor, não estrague o momento. – eu pedi, mordi sua orelha de leve e ela respirou fundo. – Vamos aproveitar, matar as saudades. – senti suas mãos, tão delicadas, em minhas costas, levantando minha camiseta. – Me ame e deixe-me te amar. – eu disse e ela me apertou em si quando selei nossos lábios.
O contato entre nossas línguas me provocou um arrepio, soltei um gemido ao sentir as unhas de marcar minhas costas, ela devia ter sentido o mesmo. Nossos lábios ainda se encaixavam perfeitamente, se movendo em perfeita em sincronia. Nossas línguas entraram em uma dança única, se entrelaçando sensualmente.
Afastamo-nos brevemente para que ela tirasse minha camiseta e a jogasse longe. Logo suas mãos estavam em minha nuca e ela me puxava para mais junto de seu corpo. Seus dedos se enroscaram em meu cabelo e ela os puxou levemente; apertei sua cintura enquanto ela passava a unha por meu pescoço.
Parei o beijo por um momento e me afastei para poder olhá-la, ela retribuiu meu olhar e vi que ela também queria aquele momento tanto quanto eu. Peguei-a pela cintura, sentindo suas pernas enlaçarem a minha e a levei para a cama, deitando lentamente na mesma e ficando por cima dela.
O peito de subia e descia de acordo com sua respiração, eu sentia seu braço em minhas costas e seus dedos passando por meu braço. Eu via sua pele se arrepiar enquanto eu passava minha unha por seu abdome definido. Estávamos em completo silêncio, juntos, abraçados em minha cama, cobertos por um lençol apenas. Não precisávamos de mais nada naquele momento, apenas um do outro.
- Você sente falta? – ele perguntou após um tempo.
- Do quê? – respondi com outra pergunta.
- De nós dois. – ele disse.
- Sinto, éramos uma boa dupla. – eu disse e o senti rir levemente. – Eu sinto falta das suas piadas, dos seus abraços e da sua risada. E daquele seu sorriso que você dava só para mim.
- Por que fomos tão mesquinhos? – ele perguntou.
- Éramos jovens e não sabíamos muita coisa do mundo. – respondi. – E deixamos o orgulho nos controlar.
Ficamos em silêncio por mais tempo, meu celular começou a tocar na mesinha de cabeceira e eu soltei um gemido. Eu podia apostar que era o Harry e o pior era que eu precisava mesmo conversar com ele. Estiquei-me por cima de para alcançá-lo.
- Deixa tocar. – ele disse segurando meu braço.
- Não posso. – eu disse e peguei o celular. – Oi. – atendi e voltei a deitar em .
- Você está com uma voz estranha, atrapalhei algo? – Harry perguntou.
- Não. – eu disse.
- Hm, então, você queria falar comigo? – ele perguntou novamente.
- , na verdade, mas ela mandou que eu falasse, porque eu consigo te convencer melhor e mais fácil. – eu disse e ele riu.
- Até parece que eu recusaria algo dela. – ele disse. – Do que ela precisa?
- Na verdade, ela não precisa de nada, é só um capricho a mais dela. – eu disse. – E, você sabe, eu não te pediria, mas eu não consigo pagar, até porque os últimos meses estão complicados lá no trabalho.
- Peça logo, . – ele disse e riu.
- quer redecorar o quarto. – eu disse. – E quer mudar tudo. E eu também gostaria que você estivesse aqui para isso. – acrescentei, senti ficando tenso, mas ignorei.
- , estamos gravando músicas novas e ensaiando para os shows, não sei quando conseguiremos férias. – ele disse. – Acredite, estamos morrendo vontade de ir até vocês, mas está um pouco complicado no momento.
- Uma semana no máximo, Harry. – eu disse, mas eu sabia que não daria e que o máximo que ele faria seria transferir uma quantidade grande de dinheiro para que tivesse o que preferisse no quarto.
- Sinto muito, . – ele disse. Pude ouvir vozes atrás deles e reconheci a de Tom, que parecia estar mais perto dele. – Sim, é a . Tom, depois você fala com ela.
- Cala a boca, dá isso aqui. – Tom disse e eu ri. – Oi, .
- Oi, Tom. – eu respondi.
- Por que Harry está com essa cara de quem comeu e não gostou? – ele perguntou.
- Porque ele não pode tirar uma semana de férias para vir ajudar a filha dele a redecorar o quarto. – eu disse. – E vocês também não.
- Entendi. – Tom disse. – Diga para a que se não tiver uma foto minha no quarto dela, eu corto relações.
- Pode deixar. – eu disse. – Tom?
- Sim?
- Vocês realmente não podem tirar uma semana de férias, não é? – perguntei.
- Não, , sinto muito. – ele disse.
- Tudo bem. – eu disse, mesmo que tenha ficado triste com a notícia.
- Vou deixar você falar com o Harry. – Tom disse e se despediu de mim.
- Então, você não sabe de quanto irá precisar, certo? – ele perguntou.
- Pois é. – eu disse. – Você conhece , desde que teve conhecimento de que você tem dinheiro e que até os meninos fazem de tudo para agradá-la, nunca parou de querer o melhor.
- Sem problemas. – ele riu e eu também. – Tenho que voltar para o ensaio, mais tarde conversamos, tudo bem?
- Sim. – eu disse. – Mande um beijo para todos, tchau.
- Tchau.
- Desculpe por isso. – eu disse e olhei para , que tinha um sorriso nos lábios.
- Sem problemas. – ele disse.
Ouvi a porta da entrada batendo e levantei a cabeça, ouvi cantando algo e entrando no quarto dela. Olhei para e vi que ele segurava o riso. Levantei-me da cama e me enrolei em minha toalha que estava jogada ali perto.
- Você tem que ir, . – eu disse.
- , foi ela quem me mandou para cá. – ele disse e eu o olhei, incrédula.
- Como é? – perguntei. Entrei em meu closet e peguei uma calça jeans e uma blusinha de meia manga. – Judd. – eu gritei saindo de meu quarto, ela apareceu na porta do quarto dela.
- Oi, mãe?
- Como assim você mandou o para meu quarto? – perguntei e vi que ela dava um sorrisinho.
- E ele foi? – ela perguntou.
- Não é da sua conta, explique-se.
- Ah, mãe, tava na hora de vocês dois se acertarem, não sou a única a pensar isso. – ela disse e deu de ombros. – Só espero que vocês não tenham, sabe como é, feito um irmãozinho para mim.
- Vá fazer sua lição. – eu disse e ela apenas riu, voltando para o quarto.
Voltei para o meu e encontrei terminando de colocar a camiseta, tinha uma expressão divertida no rosto e parecia querer rir de algo. Revirei os olhos e fui para o banheiro dar uma ajeitada em meu cabelo.
- Relaxa, . – ele disse aparecendo e me abraçando por trás. – Ela é criança, normal que tenha esses pensamentos. – encarei seu reflexo no espelho e suspirei, tinha chegado a parte chata.
- O que acontece com a gente agora? – perguntei e ele me olhou, ficando com a expressão séria também.
Capítulo 12 – Begin Again
- Mãe! Posso escolher esse? – apontou para um aparelho de som com entrada para seu mais recente iPod, o último modelo, que Harry havia mandado para ela direto de Londres.
- Claro. – respondi, nem parando para olhar o preço. Harry liberara uma grande quantia de dinheiro e eu apostava que esse aparelho nem alteraria os inúmeros zeros que tinha naquela conta. – Eu já lhe disse, , pegue o que quiser.
- Não quero abusar de Harry. – ela disse. Nem tio, nem pai, agora ela o chamava de Harry. O mesmo não se importava, desde que ela estivesse feliz, ele estaria bem.
- Você o conhece muito bem. – eu disse e sorri para ela. – Escolha o que quiser, estarei sentada ali na frente te esperando.
- Tudo bem. – ela sorriu e voltou a conversar com a vendedora sobre os benefícios do aparelho.
Caminhei até a frente da loja e me sentei em uma das cadeiras que havia por ali. me arrastara para todas as lojas possíveis para começar a mobiliar seu novo quarto, que já estava devidamente pintado do jeito que ela queria e encheu tanto para conseguir. Depois dos móveis, ela me arrastaria para a decoração.
Suspirei pesadamente e encostei minha cabeça na parede, sentia minha cabeça rodar um pouco, cansaço demais. Ninguém merecia ensaiar uma banda, resolver problemas de agenda da mesma e ainda ter que se preocupar com a filha que gosta de mudar o quarto a cada ano, ou desde que descobriu que o pai é um ser famoso e que não pensa duas vezes antes de agradá-la e que ainda trás amigos que também não piscam para fazer o que a menina pede.
Eu agradecia aos céus por não ser mimada e por entender que nem sempre podia recorrer a Harry ou aos meninos. Ela sabia o esforço que eu fazia para manter a nós duas sem precisar pedir ajuda ou incomodar aqueles que não se importam em gastar quantidades consideráveis de dinheiro.
Ao longe eu via rindo e correndo toda vez que via algo novo que a encantava. Mas ela já tinha o quarto todo montado e, felizmente, não era uma compradora compulsiva, ela conseguia se controlar e seguir seu roteiro de decoração. Lembrei-me que ela já começava a falar de sua festa de aniversário e que ela queria que fosse perfeita, com a presença do ‘povo de Londres’, como ela apelidou todos de lá.
Ouvi meu celular tocando na bolsa e me apressei para procurá-lo no meio das inúmeras coisas que havia ali dentro. O número de Danny aparecia e eu franzi a testa, por que diabos Danny me ligava?
- Oi. – atendi e ao longe ouvi as risadas de Dougie e Tom.
- , oi. – Danny disse, rindo também. – Como está?
- Cansada, está me arrastando para todas as lojas existentes. – eu disse e ele riu novamente, junto com Dougie e Tom. Eles me colocaram no viva-voz, ótimo. – Mas por que você está me ligando? – perguntei.
- Saudades. – ele disse.
- Jones. – eu disse e ele riu.
- Não conseguimos te enganar, não é? – ele perguntou e logo voltou a falar. – Precisamos de sua ajuda. Na verdade, Tom precisa, mas ele não teve coragem para te ligar.
- Não é verdade. – ouvi Tom dizendo.
- Diga, Tom, o que precisa? – perguntei.
- Ele quer que você o ajude a achar um meio de pedir a Gi em casamento. – Dougie disse e eu abri a boca, surpresa.
- Como é? – Tudo bem que eles namoravam quase que desde sempre, mas casamento? Isso era um passo grande. – Resolveu criar coragem, Tom?
- Estava na hora. – Danny disse e eu revirei os olhos.
- Tudo bem. – eu disse. – Meninos, deixem o Tom sozinho, ou seja, saiam de qualquer lugar que vocês estejam e me deixem falar a sós com ele.
- , precisamos saber também. – Dougie disse.
- Onde está Harry? – perguntei.
- Banheiro.
- Comendo.
Dougie e Danny disseram juntos e eu arqueei a sobrancelha, ouvi Tom murmurando algo que parecia “idiotas” e eu percebi que havia algo errado. Por algum motivo eles mentiam para mim e todo aquele papo de Tom e Gi se casando parecia mentira.
- Desculpe, onde o Harry está? – perguntei novamente.
- Ensaiando.
- Dormindo. – Danny e Dougie novamente,e eu suspirei.
- Meninos. – eu disse.
- Não podemos contar. – Danny disse.
- E Tom e Gi não irão se casar? – perguntei.
- Não. – Tom disse. – Era apenas para te distrair.
- Mãe, podemos ir embora? – apareceu ao meu lado, um sorriso feliz no rosto. – Já comprei tudo o que eu precisava.
- Certo, só vou pagar o que você comprou. – eu disse a ela e voltei para o telefone. – Ligo para vocês depois e então vocês explicam a história direito.
- Sim, . – eles disseram juntos e eu desliguei o celular.
A conta saiu alta, mas nada era problema quando você tinha uma conta mantida por Harry Judd e um cartão de crédito ilimitado. Entreguei o cartão para a mulher do caixa e esperei que ela fizesse a parte dela. Pedi que entregassem a compra na minha casa, pois aquilo tudo não caberia no meu carro e a moça concordou.
- Vamos. – eu disse a .
- E minhas coisas? – ela perguntou.
- Vão entregar mais tarde. – eu disse. Ela apenas deu de ombros e correu para o carro. – Está com pressa?
- Cansada. – ela disse.
Dirigi até em casa e tagarelava sobre os novos aparelhos que havia escolhido para seu quarto e onde encaixaria cada um. Abri o portão da garagem do apartamento e entrei na mesma, estranhando ao ver um carro que me parecia familiar estacionado em frente ao prédio.
Descemos do carro e eu sentia minha cabeça doendo, assim como uma sensação estranha no estômago, olhei o relógio e conclui que isso deveria ser por causa da falta do almoço, já que não quis que parássemos para comer.
- Só sei que ficará lindo. – ela disse.
- E eu espero que dure mais do que três anos. – eu disse, ela riu.
- Temos que começar a planejar minha festa.
- ! Por favor, termine seu quarto e então conversaremos sobre sua festa. – eu disse.
- Mas temos que resolver a data antes, para que o povo de Londres venha. – ela disse. – Eu quero que eles estejam aqui comigo.
- E eles estarão. – parei na frente da porta do apartamento e coloquei minhas mãos em seus ombros, olhei-a nos olhos. – Relaxe, eles já me prometeram que virão, nem que tenham que cancelar a agenda inteira.
- Certo. – ela disse.
Coloquei a chave na fechadura para abrir a porta, mas ela não estava trancada. Franzi a testa e olhei para , que agora voltara a sorrir. Ouvi uma movimentação dentro do apartamento e fiquei preocupada. Abri a porta e fiquei de boca aberta quando olhei a sala.
- O que faz aqui? – perguntei e Harry sorriu para mim.
- Oi para você também, eu estou ótimo, obrigado por perguntar. – ele me abraçou e me deu um selinho.
- Harry, sério. – eu me afastei dele e o olhei.
- Hey, . – ele disse e a mesma sorriu e se adiantou para abraçá-lo. – Bom te ver, pequena.
- Igualmente, Harry. – ela lhe beijou a bochecha e foi para o quarto.
- O que faz aqui? – perguntei novamente.
- Não posso mais visitar minha filha? – Harry perguntou.
- Você deveria vir para cá mês que vem, no aniversário dela. – eu disse e ele fez uma careta. De repente eu entendi o porquê de sua visita antes da hora. – Vocês não virão.
- , nossa agenda, você sabe. – ele disse, mas parecia infeliz.
- Harry, não acredito nisso. – eu disse. Fechei a porta atrás de mim, coloquei minha bolsa na cadeira que havia ali perto e fui para a sala. – Vocês prometeram que viriam, todos vocês. Disseram que até cancelariam a agenda.
- Eu sei disso...
- Harry, ela está contando com vocês aqui. – eu disse, cortando-o completamente. – Já quer marcar a data da festa para não atrapalhar vocês.
- , não poderemos vir. Eu nem deveria estar aqui. – ele disse.
- E veio porque achou que seria melhor dizer isso pessoalmente? Ver as lágrimas dela e a decepção no olhar dela? – perguntei.
- Eu sei que ela ficaria brava com você, por você ter passado o recado. – ele me olhou. – Você conhece a filha que tem, ela te chamaria de mentirosa por ter dito que nós prometemos.
- Relaxe, Harry, eu já sei que vocês são os mentirosos. – a voz de se fez ouvir e eu olhei, assustada, para a porta que dava para o corredor. Ela tinha lágrimas nos olhos e a decepção completamente à mostra no olhar. – Eu sei que minha mãe nunca faria isso comigo.
- , eu preciso falar.
- Não. – ela disse. – Vá embora, volte para Londres. Eu mando a vocês a lembrancinha do meu aniversário.
- ...
- Satisfeito? – perguntei e ele me olhou.
- Não era para ser assim. – ele disse.
- E como você imaginou que seria? – perguntei. – Que ela daria pulos de alegria e dissesse: tudo bem, eu sei como vocês são ocupados e não faz mal não cumprir mais uma promessa?
- , por favor, você também não. – ele disse.
- Harry, eu não estou bem para discutir isso agora. – eu disse e sentei no sofá. – me arrastou para todas as lojas possíveis e estou cansada.
- Aposto que se o estivesse aqui você não estaria assim. – ele disse, acidamente.
- Como é? – olhei para ele.
- Você acha que eu não sei que vocês estão juntos? – Harry também me olhava.
- Fala sério, você está com ciúmes? – perguntei. – E desde quando minha vida tem algum interesse para você?
- Você é a mãe da minha filha. – ele disse. – Tenho direito de saber das coisas.
- Das coisas referentes a ela, não a mim. – eu respondi, agora de pé novamente. – É minha vida, Harry, eu tenho direito de fazer o que eu quiser e você não pode impedir.
- É a educação da minha filha.
- E o que meu relacionamento com tem a ver com a educação da ? – perguntei. – Ou você está insinuando que meus amigos não são boas companhias? Porque, sinto em dizer, eles são iguais a vocês, aliás, acho que vocês são piores do que eles. E mesmo assim é uma ótima menina.
- Eu não disse isso, . – ele me olhou. – Não ponha palavras em minha boca.
- Não coloquei palavra alguma, é o que você insinuou. – respondi.
- , eu não quero discutir com você.
- Sinto muito, mas, caso não tenha percebido, é o que estamos fazendo. – respirei fundo e voltei a me sentar no sofá. – Harry, isso é tão injusto. Eu queria que crescesse junto com um pai ao lado dela, alguém a quem ela pudesse se juntar para ficar contra mim em alguma briga boba, alguém que pudesse confortá-la quando eu e ela brigássemos. Eu sei que vocês têm a vida de vocês e que é injusto eu falar isso, mas ao menos uma vez você poderia deixar o trabalho de lado para ficar com ela.
- , eu sinto muito por isso também, mas nós tentamos. – ele se ajoelhou a minha frente. – Fizemos todo o possível, mas você sabe que esses shows não dependem da gente e sim dos locais onde iremos tocar. Não podemos recusar, nós prometemos voltar sempre aos países e os fãs esperam isso.
- Vai embora, Harry. – eu disse. – Vá, eu não quero ficar irritada com você e sua vinda não trouxe nada bom.
- , não faz isso.
- Vai, Harry. – repeti. – Volte para Londres, mande um beijo para todos e façam um bom show. Só não reclame se um dia a chamar o de pai ao invés de você. – levantei e abri a porta do apartamento para que ele saísse. – Diga a Gio que eu estou com saudades dela.
Ele não discutiu mais, já que me conhecia bem o suficiente para saber que não adiantaria mais discutir. Quando o elevador chegou, ele se afastou para que alguém passasse, segurei o ar ao ver surgindo e acenando para Harry, que o ignorou e entrou no elevador logo depois.
- O que aconteceu? – me perguntou.
- Nada de importante. – eu respondi, a porta fechou quando terminei de falar e eu mordi meu lábio, sabia que Harry ouvira o que eu disse.
- Tem certeza? – se aproximou e pousou as mãos em minha cintura. – Porque você não parece feliz e ele também não parecia.
Abracei com força e permiti que as lágrimas caíssem, ele me abraçou também e fez carinho em meu cabelo, ficou em absoluto silêncio, apenas deixando que eu chorasse tudo o que havia segurado enquanto brigava com Harry.
raramente fazia perguntas sobre meu relacionamento com Harry e os outros, ele ficava feliz em estar presente na minha vida e na de . Mesmo assim, eu sabia que ele se incomodava com minhas preocupações em relação a algo e tudo mais. Afastei-me dele e enxuguei meu rosto com as mãos.
- Entra. – eu disse e dei espaço para que ele passasse.
pulava de um lado para o outro, os olhos brilhando, as mãos se encontravam várias vezes quando ela batia palmas por causa de algo que coube no lugar certo. Várias vezes ela vinha e me abraçava e dizia obrigada repetidas vezes. Eu apenas sorria e observava enquanto ela comandava toda a organização do novo quarto.
- Está lindo, não está, mãe? – ela perguntava sempre que colocava algo em um lugar.
- Sim, . – eu dizia e sorria logo depois. Era impossível não sorrir.
A pior parte era saber que tal animação não acabaria tão cedo, pois logo depois do novo quarto, ela começaria a participar melhor da organização da festa de aniversário e mesmo que estivesse aborrecida com o pai por ele não vir, ela se empenhava na tarefa.
- Imagine como o mural ficará lindo quando eu colocar as fotos do meu aniversário. – ela disse.
- Não se esqueça de colocar uma sua com Tom, ele pediu. – eu disse e ela sorriu.
- Já tenho uma especial para o tio Tom. – ela disse e eu estranhei seu sorriso. – Mãe, você acha que eles me deixam ir para lá quando entrar de férias? Estou com saudades de Marvin.
- Só do Marvin? – perguntei. – Eles não deixarão se você disser isso.
- Apesar de que, tio me convidou para ir para o interior com ele. – ela dizia, nem ouvindo o que eu dissera. – Ele disse que era um lugar legal e que eu iria gostar.
- Ele convidou, é? – perguntei.
- Sim, ele não te disse? – ela olhou para mim. – Acho que era uma surpresa. – ela colocou o dedo no queixo e pensou por um tempo. – Não, esse quadro é ali.
- E eu pensando que ela estava pensando em outra coisa. – murmurei. – , estou um pouco cansada, se importa se eu for descansar um pouco?
- Não, mãe. – ela disse. – Te chamo quando terminar aqui.
- Cuidado. – adverti e fui para meu quarto.
Entrei no quarto e me sentei na cama, minha cabeça rodava um pouco. Havia trabalhado muito adiantando alguns papéis que era preciso para alguns compromissos do All Time Low, adiantei tudo para que pudesse ajudar na tarefa de arrumar o novo quarto. Aliás, fazia dias que um cansaço anormal me tomava, dizia que era porque eu estava trabalhando demais.
Não falava com Harry desde sua visita, uma semana e meia atrás, mas os meninos me ligavam e mandavam e-mails regularmente. Sempre pedindo desculpas pela ausência no aniversário de . Deitei-me na cama e fechei os olhos, apesar do cansaço eu não conseguia dormir, então ficava apenas em um estado de letargia. Imaginava um botão que desligava todos meus problemas e pensamentos.
Acordei com o barulho do meu despertador, franzi o cenho e tateei pela mesinha de cabeceira até encontrá-lo. Abri um dos olhos e vi a hora, não podia ser, já eram seis da manhã. Eu dormi mais de catorze horas. Levantei-me um pouco zonza pelo sono excessivo e fui até meu banheiro, onde lavei meu rosto e percebi que havia dormido com a mesma roupa do dia anterior.
Tomei um banho rápido e coloquei a roupa para trabalhar, no caminho para a cozinha acordei . Chegando à cozinha, comecei a preparar waffles para nós duas. O cheiro estava bom e minha boca salivou.
- Bom dia, mãe. – já usava a calça jeans e a camiseta da escola, era sexta-feira e ela podia usar uma peça de roupa diferente, ou calça ou a camiseta.
- Bom dia. – respondi. – Por que não me acordou ontem?
- Você parecia tão cansada, mãe, achei melhor não incomodá-la. – ela disse e eu sorri para ela. Servi o suco de laranja e coloquei a sua frente.
- Obrigada. – eu disse e dei-lhe um beijo no topo da cabeça. – Agora coma ou irá se atrasar.
- Não vou. – ela disse, olhei para ela. – irá me levar hoje. Eles vieram aqui ontem, mas eu disse que você estava dormindo e eles não quiseram incomodar.
- Eles quem?
- , , e . – ela disse. – Não lembro o que vieram fazer, mas vieram e foram embora. ofereceu para me dar carona hoje.
- Ah, tudo bem então.
- Vai trabalhar até tarde hoje? – ela perguntou.
- Talvez. – respondi e vi que seu rosto adquiriu uma expressão triste. – Mas só vou depois que você mostrar seu quarto novo.
- Vamos. – ela sorriu largamente para mim e largou o waffle que estava comendo. Puxou-me pela mão e me arrastou até o quarto. – O que acha? – entrei no quarto e fiquei de boca aberta.
- Está lindo. – eu disse e sorri para ela. – Combina exatamente com você. – entrei e andei um pouco por ele, parei em frente ao mural de fotos. – Não tem foto com o Harry. E você tem quatro com o . Ainda está chateada com Harry por causa do aniversário?
- Ele é o pior pai que poderia existir. – ela disse e cruzou os braços. Seu queixo tremeu e ela fez um bico.
- , não diga isso, nunca. – eu disse e me ajoelhei a sua frente. – Ele pode ser ausente, mas nunca deixou que lhe faltasse nada.
- Deixou sim.
- E o que é?
- Amor de pai. – ela disse. Abracei-a com força e senti suas lágrimas molhando meu pescoço, onde ela tinha escondido o rosto. – se parece muito mais com meu pai do que Harry. – afastei-me um pouco dela e passei a mão em seu rosto.
- Eu sei que é chato isso. – eu disse a ela. – Mas nunca diga que Harry é o pior pai de todos, ou que ele nunca te deu o que você merece. Ele te ama muito e daria a vida por você, tudo o que ele faz hoje é por você.
- Eu não quero isso, mãe, eu só quero meu pai comigo. – ela disse. – Por mais que eu ame , quero meu pai e minha mãe... Juntos.
Olhei para ela e mordi o lábio, a única coisa que eu não poderia dar a ela, muito menos Harry. Abracei-a novamente e senti seus braços em volta do meu pescoço.
- Te amo, mãe. – ela disse.
- Eu também te amo, meu anjo.
O aniversário de finalmente havia chegado. Ela estava mais eufórica do que nunca. Um mês e meio de preparação, ela mudava de idéia a cada momento e isso confundia os organizadores. A lista de convidados era diferente a cada semana – e só foi realmente definida quinze dias antes da festa e porque eu a pressionei para isso.
- Uma festa de treze anos é complicada mãe!
Era o que ela me dizia toda vez que eu revirava os olhos com as mudanças que ela fazia. A maioria das vezes em que sua lista foi refeita era porque ela sempre se esquecia de que não teria a parte paterna presente e então mudava tudo por causa disso também. e adoravam ajudá-la e criaram boa parte da lista de músicas, mesmo eu tendo contratado um DJ, eles disseram que queriam ter a certeza de que o homem tocaria as músicas certas.
, e a ajudavam nos vestidos e nas lembrancinhas dos convidados. a ajudou nos convites, segundo , ele era bom para a criação do texto que teria nos convites. ficou responsável por me acalmar, já que eu tinha que aturar suas idéias de decoração, sobre o bolo e o que ela faria em cada momento. era perfeito na atividade dele e eu nunca reclamaria disso.
Mas agora todo o estresse havia acabado – ou acabaria em algumas horas – a festa estava idealizada, o vestido que ela usaria comprado, os convidados já haviam confirmado presença, o DJ aceitou a lista feita por e , os fotógrafos e câmeras estavam confirmados também para realizar toda essa parte da festa. Até mesmo a banda estava pronta, mas essa parte não sabia.
Acontece que durante esse mês que passou, a All Time Low também se fixou. Os garotos estavam mais confiantes, mais músicas foram escritas e eles começaram a gravar um CD, shows começaram a ser agendados e eles estavam ansiosos para o primeiro que aconteceria em uma semana. E, como um bom presente para – que os amava de todo coração, palavras dela – eles fariam um show especial na festa dela. O show foi convenientemente acrescentado em meio a todo o roteiro escrito quando eu o peguei para “passar à responsável”.
mal conseguia ficar sentada na cadeira enquanto arrumava seu cabelo. Ela não parava de falar enquanto fazia sua maquiagem e os dedos das mãos não ficavam quietos enquanto fazia suas unhas. Eu apenas olhava para tudo aquilo e sorria com a felicidade de minha filha.
Nos dias que passaram, ninguém de Londres tentou ligar, apesar de mandarem alguns e-mails e, até aquele momento, eles não haviam dado sinal de vida também. se mostrava indiferente, ela só queria que tudo saísse perfeito e ninguém arruinaria aquilo para ela.
- , você quer ficara parada? Furarei sua cabeça logo mais. – reclamou e arrancou uma risada de . – Estou falando sério.
- Tudo bem, desculpe, . – ela disse e tentou ficar quieta, mas a agitação passou para as mãos e sorriu, tentando se controlar.
- Ótimo, agora as mãos não param. – reclamou.
- Ops. – disse e riu novamente. Eu ri junto e minhas amigas me olharam.
me olhou e sorriu, ela afastou-se das meninas – havia desistido de maquiar enquanto as outras mexiam nela – e se aproximou de mim. Ela me levou até a sala do apartamento e mexia nervosamente as mãos.
- O que aconteceu, ? – perguntei, ela sorriu fracamente.
- Sabe a parte em que os meninos irão cantar para ? – ela perguntou. Mexi a cabeça em confirmação. – Será que eu poderia cantar algo também? Não é nada demais, apenas algo que escrevi esses dias e, bom, eu queria mostrar para alguém.
- E vai mostrar para quase cem pessoas? – perguntei e ela riu fracamente. – Aposto que vai amar.
- Terei que conversar com e , então. – ela disse e sorriu. Olhei-a curiosa. – Escrevi a música e mostrei para eles, conseguimos montar algo entre nós e saiu uma música animada.
- Tudo bem, então. – eu disse e me abraçou.
- Sua filha é impossível! – disse, chegando na sala. – Demorei uma hora e meia para fazer um penteado que geralmente levo meia hora.
- Desculpe, ela está ansiosa. – eu disse.
- Puxou a mãe. – disse.
- Vou maquiá-la, então. – disse e foi para o quarto de .
Eu via entretida com alguns convidados, apesar de andar com o celular na mão e encarar o aparelho de cinco em cinco minutos. Estava me preparando para a apresentação surpresa para , conversava com e e eles combinavam para cantar a música que ela escrevera.
Minhas mãos suavam diante da perspectiva de tocar para um público que era bem considerável. A maioria era adolescente e esperávamos que eles gostassem de nossa música. Agora eu agradecia por não ter comido muito durante o tempo em que ficamos rodando pela festa apenas para socializar.
- , vamos! – chamou. – Então, , você entra na deixa do .
- Como assim? – perguntei. – Não vou tocar a música com vocês?
- Não. – disse. – Você descerá para dançar com a e oficializar esse namoro que vocês fingem que a gente não sabe.
- O quê? – perguntei.
- E faz ela te dizer o que a está perturbando também. – disse e eu a olhei. Todo mundo sabia o que a perturbava, era o povo de Londres. Ou será que havia algo mais?
- Vocês que mandam. – eu disse.
- Então vamos. – disse e nos empurrou para dentro do palco.
Todas as luzes se apagaram e um refletor iluminou o palco. Pude ver empurrando todo mundo para chegar na frente e apreciar seu show particular. Fiquei ao fundo, olhando a felicidade de minha filha. entrou, conversando com todos e fazendo algumas piadinhas, que eram complementadas por . parecia nervoso, mas falava algumas coisas.
Eles começaram a tocar e faltou enfartar quando finalmente percebeu tudo – confesso que minha filha foi um pouco lerda nesse momento. As pessoas pareciam gostar e os meninos se soltavam cada vez mais. Eu sorria por eles e diante ao sucesso que eles poderiam fazer.
- Eles são demais! – disse, chegando ao meu lado segurando um pedaço de uma comida que eu não consegui identificar o que era. Apenas o seu cheiro foi o suficiente para fazer meu estômago embrulhar.
- Você já ouviu eles cantando! – disse, chegando e ficando ao lado de . – , você está um pouco pálida.
- Estou bem. – eu disse e forcei um sorriso.
- Eu sei que sim, mas ao vivo e assim, é outra coisa. – disse, ignorando completamente o comentário de . – Quero ver como tudo ficará quando cantar com eles.
- Será lindo também. – disse.
O All Time Low tocou todas as músicas já escritas – o que dava um total de dez – entre piadas, conversas com todo mundo e gracinhas com , que apenas ria. Eles não paravam de pular um minuto que fosse, as músicas faziam que todos os acompanhassem nos pulos e eu via algumas pessoas fazendo umas danças engraçadas.
- Muito bom. – disse, em determinado ponto. – Vocês são demais.
- Acho que seremos muito bons. – brincou.
- Está na hora de mais uma surpresa. – disse, após concordar com . – No meio do show eu decidi que não quero o no mesmo palco que nós.
- O quê? – fingiu-se de ofendido.
- Concordo. – disse. – Cai fora! – ele completou e todos riram.
- Sim, teremos uma pessoa muito melhor...
- E mais bonita. – completou.
- No seu lugar. – disse. – Senhoras e senhores, meninas e meninos, mulheres e homens, todo o resto que por algum motivo não se encaixou nessas categorias, recebam , nossa mais nova integrante de banda, no lugar do .
- Cai fora, . – disse, entrando no palco.
- Vocês ainda se arrependerão disso. – disse, arrancando algumas risadas do público, e saiu do palco.
- Boa noite, gente. – disse e sorriu envergonhada para o público. – Espero que gostem do que preparamos.
A música começou tranqüila, em uma batida divertida e que dava vontade de dançar e não parar mais.
I feel so unsure,
As I take your hand, and lead you to the dance floor.
As the music dies (as the music dies),
There's something in your eyes;
Calls to mind a silver screen, and all its sad good-byes.
Vi vários pares se formando na pista de dança, ainda grudada ao palco e o público começava a dançar. e , que estavam ao meu lado, sumiram e cada uma arranjou alguém para dançar.
- Você não ficará parada ai, não é? – ouvi dizendo atrás de mim e eu pulei com o susto.
- . – eu sorri quando ele apareceu na minha frente.
- Me concede está dança? – ele perguntou e estendeu a mão.
- Com muito prazer. – respondi, peguei em sua mão e ele me conduziu até a pista de dança.
I'm never gunna dance again,
Guilty feet have got no rhythm. (Ahaha!)
Though it's easy to pretend,
I know your not a fool. (You know I ain't a fool, girl!)
I shoulda known better than to cheat a friend,
And waste the chance that I'd been given. (Ahaha!)
So I'm never gunna dance again, (yep)
The way I danced with you.
Dançávamos lentamente, apesar da música ser um pouco agitada. Eu tinha minha cabeça apoiada no ombro de e ele me segurava pela cintura, enquanto eu mantinha meus braços em volta de seu pescoço.
- Está se divertindo? – ele perguntou.
- Claro. – eu sorri, mesmo que ele não pudesse ver.
- Isso me lembra a nossa formatura. – ele comentou, fechei os olhos e senti as lembranças me tomando. – Foi naquele dia que nós...
- Sim. – eu disse e sorri, sabia que ele também sorria. – Foi uma noite incrível.
- A melhor da minha vida, até agora. – ele disse e eu o olhei. – Talvez essa noite possa ultrapassar a outra. – ele disse e eu ri.
- Eu não teria tanta certeza, . – ele fez uma careta, voltei a encostar minha cabeça em seu ombro.
Time can never mend (oooh),
Careless whispers of a good friend.
To the heart and mind (to the heart and mind),
Ignorance is kind (kind).
There's no comfort in the truth.
Pain is all you'll find.
Eu sentia minha cabeça rodar. Toda aquela sensação de estar com e todas aquelas lembranças que ele trouxe à tona me deixavam tonta. Pela primeira vez em anos eu me sentia extremamente feliz e nada poderia atrapalhar aquilo. Eu não via motivos para querer Harry ou os outros perto, eu não os queria por perto, não naquele momento pelo menos. Eu estava em casa, finalmente, após tudo o que havia se passado.
parecia sentir que algo me incomodava, seu abraço estava do jeito que ele sempre fazia quando eu estava triste. Suas mãos alisavam minhas costas e ele às vezes acariciava meu cabelo. Eu sabia que era questão de tempo até ele me perguntar o que estava acontecendo.
I'm never gunna dance again,
Guilty feet have got no rhythm. (Ahaha!)
Though it's easy to pretend,
I know your not a fool. (You know I ain't a fool, girl!)
I shoulda known better than to cheat a friend,
And waste the chance that I'd been given. (Ahaha!)
So I'm never gunna dance again, (yep)
The way I danced with you.
- Estão dizendo que tem outra coisa lhe incomodando. – ele disse, após um tempo.
- Sério? – perguntei, fazendo-me de desentendida.
- Quer me contar o que é? – ele perguntou. Abri a boca para mentir, mas ele me impediu. – E não diga que é por causa do pessoal de Londres, eu sei que não é.
- Não quero atrapalhar o nosso momento. – respondi.
- O que pode ser tão ruim que vá nos atrapalhar? – ele perguntou.
- Não é ruim, é impactante, mas eu não quero dizer agora. – eu respondi.
- , está me deixando curioso. – ele disse.
Mas, naquele momento, um garçom passou por nós segurando uma porção de alguma das inúmeras comidas que estavam sendo servidas, percebi pelo cheiro que era a mesma que havia comido perto de mim. Meu estômago embrulhou e empurrei , correndo e empurrando todo mundo para chegar ao banheiro.
Pude ouvir correndo atrás de mim, mas eu não podia parar. Tudo o que eu havia comido ameaçava fazer o caminho contrário e um banheiro era melhor do que o meio da festa de minha filha.
Slow down,
You know you're moving too fast.
You know that I don't dance, but you insist to take my hands;
And to the beat, that move our feet, and everyone is watching me,
And I don't dance no more.
And I ain't leaving my apartment 'til it's after evening,
Bars are closing down, and every model in the pool hall's drinking.
I turn the juke box on,
To play my favorite song,
Where we sing along;
I don't dance no more.
Eu tentava acompanhar por toda a multidão, mas ela tinha mais habilidade em afastar as pessoas do que eu. Quem escolheu aquele salão? Porque ele tinha que ser tão grande, ah, sim, porque tinha cerca de cem pessoas!
Vi entrando no banheiro e, sem hesitar, entrei atrás bem em tempo de ouvi-la despejando todo o jantar dela em alguma privada. Corri até o reservado que ela estava e, mesmo sob protestos, segurei o cabelo dela enquanto apenas ouvia o jantar sendo posto para fora.
- Sério, , vá embora. – ela disse e tentou empurrar minha perna. – Estou bem. – mas seu argumento foi anulado devido à terceira “viagem” que ela fazia para a privada.
- Aham, tão bem quanto todo mundo lá fora. – eu respondi.
- Deve ter sido algo que eu comi. – ela disse.
- Todo mundo deveria estar fazendo fila no banheiro, então. – respondi.
Ela não discutiu. Ficou mais um tempo ajoelhada em frente ao vaso sanitário, esperando para ter certeza se teria algo mais. Quando teve a certeza que acabou, ela se levantou e foi para a pia lavar a boca. Começou a procurar algo na bolsa e eu podia apostar que ela estava procurando uma escova e uma pasta de dente.
- Não vai me dizer que você... – ela sorriu brevemente ao tirar os dois itens da bolsa.
- Uma mulher sempre está preparada para tudo. – ela disse.
- Isso ou você está me escondendo alguma coisa. – eu disse. não me respondeu, pois agora se ocupava em escovar os dentes.
Tonight the music seems so loud. (Yo, lets get outa here.)
I wish that we could lose this crowd. (C'mon!)
Baby, it's better this way; (Just you and me...)
We hurt each other with the things we wanna say.
Esperei pacientemente ela terminar a sua tarefa de higienização bucal, depois ela foi até o reservado e deu descarga. foi até a porta do banheiro e pensei que ela fosse embora, para ela apenas fechou a mesma e voltou para o meu lado.
- O que você está escondendo? – perguntei.
- Desde quando você sabe que estou escondendo algo? – ela perguntou de volta.
- me tirou do palco por uma razão. – eu disse. – Conversar com você e tentar descobrir o que estava te incomodando, além do negócio de Londres.
me olhou e depois começou a fitar suas sandálias, ao mesmo tempo em que brincava com a barra da blusinha que usava. Vi que ela mordia o lábio inferior – um sinal claro que ela escondia algo e estava se preparando para contar. Uma lágrima caiu de seus olhos e eu vi.
- . – eu disse e a puxei para um abraço. Senti mais lágrimas caindo e molhando minha camiseta. Ela me abraçou com força e chorou intensamente. – Pelo amor de Deus, me diga o que está acontecendo.
We could have been so good together; (Woo!)
We could have lived this dance forever. (Yeah, sing it, boy.)
But now who's gunna dance with me?
I'm never gunna dance again,
Guilty feet have got no rhythm. (Ahaha!)
Though it's easy to pretend,
I know your not a fool. (You know I ain't a fool, girl!)
I shoulda known better than to cheat a friend,
And waste the chance that I'd been given. (Ahaha!)
So I'm never gunna dance again, (yep)
The way I danced with you.
Ela se afastou um pouco de mim, soluçava um pouco, mas as lágrimas diminuíram. Seus olhos estavam um pouco vermelhos, sua maquiagem borrara minimamente e ela tinha o rosto molhado. passou a mão por meu rosto e sorriu fracamente.
- Eu tentei tanto fazer com que isso não acontecesse. – ela sussurrou. – Depois da primeira a gente tenta não fazer novamente. Mas foi um descuido tão mínimo e causou tanta coisa.
- O que está acontecendo? – perguntei. Ela me deu um selinho breve e sorriu.
- Não sei se gostaria de ganhar exatamente esse presente, mas ela nunca disse que não queria. – dizia e eu continuava sem entender nada. – , eu estou grávida.
- O quê? – perguntei.
- Estou grávida e o pai será você.
Seria clichê demais eu falar que havia perdido o chão sob meus pés? Ou que o mundo havia parado ao meu redor? Que nenhum som era possível ser ouvido, que eu não via ninguém além de em minha frente, com as duas mãos sobre a barriga – ainda lisa, obviamente – e que nada mais me importava? Era clichê demais? Se fosse, eu não me importaria, pois tudo isso estava acontecendo naquele momento.
Eu não tivera a incrível felicidade de ser pai de , mas estava me proporcionando a oportunidade de ser pai de seu segundo filho e aquilo era algo muito bom para mim. Seus olhos ainda tinham algumas lágrimas e ela parecia esperar alguma reação minha, mas eu não sabia como reagir. Estava feliz? Muito, mas não conseguia colocar para fora essa felicidade.
- . – ouvi sua voz ao longe. – , pelo amor de Deus, diz algo!
- Você... Você está gra... Grávida? – gaguejei, com muito esforço.
- Por favor, , faça o que quiser, grite comigo ou vire as costas pra mim e diga que nunca mais quer me ver na vida, mas, por favor, eu te imploro, não manda eu tirar meu filho ou me force a ver uma expressão de decepção em seu rosto... Eu não suportaria, eu...
- , do que você está falando? – perguntei e, finalmente, consegui enxergá-la com clareza. Aproximei-me e coloquei minhas mãos sobre as dela, sorrindo que nem um idiota. – Eu sei que o aniversário é da , mas esse é o melhor presente que você poderia me dar.
- , você não precisa fingir que gostou, eu sei que é muita responsabilidade um filho, eu sei disso, mas, por favor, não fique feliz agora se vai me virar as costas no segundo seguinte. – ela me disse e eu balancei minha cabeçam como se negasse repetidas vezes tudo o que ela falava.
- , não seja boba. – eu disse. – Eu não vou te abandonar, não farei igual ao pai de que deixou você cuidar dela sozinha, não que eu esteja falando que você foi uma péssima mãe, mas eu não vou te abandonar. – ela levantou os olhos para mim. – Você terá que me agüentar por muito tempo.
- Com muito prazer. – ela disse e me abraçou. Abracei-a também, de um jeito que mais parecia que eu não queria que ela saísse dali.
- Eu amo você, . – sussurrei e senti seus braços se apertando em torno de mim.
Ficamos ali por um longo tempo, não exatamente abraçados, nos separamos depois de um tempo e ela me contou maiores detalhes: desde quando sabia, de quanto tempo estava grávida e como ela descobriu – as coisas de sempre. ainda não sabia e tampouco sabia como dar a notícia para ela, garanti que estaria ao lado dela.
Eu não sabia como era ser pai, mas eu sabia que não deixaria fugir como fez quando foi para Londres e criou sozinha. Agora ela teria todo o apoio possível e eu faria tudo por ela, meu mundo giraria em torno dela e de nosso filho.
- Hey. – ouvimos dizendo na porta do banheiro. – Não sei se já contaram para vocês, mas a festa é lá fora e... Ops, atrapalhei algo? – ela nos olhou e deu um sorrisinho malicioso, arrancando risadas de .
- Não, meu anjo. – ela disse e foi até a filha. – e eu estávamos aqui apenas para conversar, o barulho lá no salão estava grande demais.
- Claro, porque eu não sei o que acontecem em banheiros femininos principalmente quando só tem uma mulher adulta e um homem adulto que têm uma atração um pelo outro. Mãe, eu não tenho cinco anos.
- Eu adoraria saber onde você aprendeu essas coisas. – disse e apenas sorriu marota.
- Para você acabar com a minha diversão? – a mais nova perguntou e eu ri.
- , deixe , ela nos ajudou. – eu disse e fui até , abraçando-a por trás.
- Ajudei? – perguntou e me olhou.
- Qual é, ela vai descobrir mais cedo ou mais tarde.
- Mais cedo, por favor! – disse e eu ri, ela era igualzinha a , curiosa.
- Fazer o que, o já entregou tudo mesmo. – disse e revirou os olhos para mim, depois se voltou para e abriu um sorriso. – Você ganhará um irmãozinho, ou uma irmãzinha.
nos olhou como se perguntasse do que diabos estávamos falando. Ela levou o dedo indicador à boca e ficou nos olhando. Seus olhos iam de para mim e de volta para . apertou meu braço que ainda estava em volta da sua cintura e suas unhas começaram a furar minha pele lentamente.
- Como assim? – perguntou.
- Por favor, , você não tem mais cinco anos. – eu brinquei e apertou meu braço mais ainda.
- Eu estou grávida, filha. – disse e ficou olhando para ela e a barriga de , ou para meu braço, já que o mesmo estava por cima da barriga de .
- É sério isso? – perguntou e me olhou, afirmei com um aceno de cabeça. nos olhou e então soltou um grito histérico, antes de nos abraçar enquanto ria e comemorava. se assustou com o grito e com o ataque da filha, mas a abraçou também e eu as abracei. – Mãe, esse é o melhor presente de todos. Mas não falem para o que eu disse isso, ele me mata, tive que dizer que o presente dele era o melhor. – ela disse e nós rimos. Não era inteiramente mentira, já que o presente de foi um bicho de pelúcia daquele cara azul dos Monstros S.A., que é o filme que a ama mais do que tudo.
- Verdade, filha? – perguntou e se afastou, seus olhos brilhavam diante a idéia de ter um irmãozinho.
- Claro que sim, mãe! – ela disse. – Me deixa adivinhar, não podemos contar a ninguém?
- Por enquanto. – disse e eu apenas concordei.
- Amo vocês. – ela disse e voltou a abraçar , quando não sentiu meu braço em volta dela, ela me olhou e sorriu. – Isso inclui você, , meu padrasto. – assim que ela disse isso, senti enrijecer em meus braços e a olhei curioso, mas ela não retribuiu meu olhar; afastou-se de nós e sorriu para .
- Filha, você tem convidados para conversar e uma festa para curtir. Aliás, nós todos temos. – disse e colocou as mãos nos ombros de , empurrando-a para fora do banheiro, deixando-me sozinho ali.
estava feliz, estava feliz... E eu? Não que a idéia de mais um filho me assustasse, depois de , qualquer um que viesse seria mais fácil, afinal, eu não estaria sozinha. Mesmo que nem com eu estivesse, com ela foi mais difícil, afinal, fora minha primeira filha. Mas e agora? O que me assustava mais? A perspectiva de mais um filho ou a idéia de ser o pai dele? Não que eu não o amasse, pois era completamente o oposto, eu sempre amei , desde o momento que nos conhecemos, mas agora eu não podia saber se era certo incluí-lo nessa vida louca de pai de família. Afinal, ele tinha um futuro pela frente, ele tinha a banda e era tão jovem.
- Você não era tão velha assim quando teve . – eu disse a mim mesma e sacudi minha cabeça.
Naquela época eu não tinha todo um futuro planejado, eu não sabia o que queria da minha vida e, ainda que soubesse, eu não tinha nada a perder. Meu futuro ainda estava pendente e eu não tinha ninguém para dar satisfações. De um ponto de vista completamente louco, a vinda de foi melhor do que a vinda desse novo filho.
A descoberta do mesmo me assombrou e eu fiquei com medo do que pudesse acontecer. Obviamente que eu nunca prometi não ter mais um filho depois que tive , mas não encaixei isso nos meus planos, tampouco. O nascimento de e toda sua criação ainda era vívido em minha mente. Eu ainda me lembrava de todos os problemas que tive até encontrar com Tom e ele me abrigar; lembro da falta de recursos que sofri com os primeiros meses e como Danny e todos os outros me ajudaram. Bem ou mal, tivera vários pais e teve uma educação incrível, mesmo que viver com os meninos fosse algo arriscado, ela era esperta, inteligente e incrivelmente extrovertida.
- Isso inclui você, , meu padrasto.
Foi o que ela disse a ele, e eu ainda não conseguira entender minha reação. Era tão mal assim minha filha vê-lo como um padrasto? Afinal, ele era meu namorado e vivia conosco e Harry, seu pai, não tinha muito tempo para ela.
- Antes padrasto do que pai. – falei para mim novamente e senti um embrulho no estômago, não causado pelos rotineiros enjôos, já que não havia nada ali que me fizesse vomitar e muito menos algo em meu estômago para ser colocado para fora.
Passei a mão em meu cabelo, sentindo o vento gelado bater em meu rosto e todas as partes descobertas de meu corpo. Podia ouvir a música tocando dentro do salão e o burburinho das pessoas conversando acima da música. A sensação de ter o vento contra minha pele estava me ajudando a clarear minha cabeça.
aceitara tão fácil a idéia de ser pai, isso acabara por me reconfortar. Mas eu não sabia como reagir diante tudo isso. A idéia dele ser o pai de meu filho me assustava. Já não fora ruim a primeira vez? Quando também pensei na possibilidade, mas que logo foi desmentida pela tecnologia atual que realizou os exames. Mas agora ele era minha única possibilidade, eu não tivera relações com mais ninguém além dele... era minha única opção e teoria.
- Um copo de refrigerante por seus pensamentos. – ouvi a voz de dizendo e sorri. – Afinal, seria um pouco arriscado oferecer algo alcoólico.
- Obrigada. – eu disse aceitando o copo de plástico que ele me oferecera. – Espera, o que você disse?
- Você odeia bebidas alcoólicas. – ele disse e eu o olhei. – Tudo bem, você não odeia, mas não bebe desde que voltou.
- Ficar grávida de me tirou desse vício. – eu disse e ele riu.
- Então, sobre o que pensava? – ele perguntou. Bebi um pouco do refrigerante e admirei a vista que eu tinha dali do telhado do salão de festas. Como havia me achado ali era uma boa pergunta, mas eu resolvi não discutir.
- Estou ficando velha, . – eu disse e suspirei, ele riu. – Minha filha já está fazendo treze anos, parece que foi ontem que ela ainda precisava de mim para tudo e não entendia das coisas melhor do que qualquer criança da idade dela. – eu disse e ele riu mais ainda. – Algo me diz que você é a fonte de “aprendizado” dela.
- , se você está velha, o que direi sobre mim? – ele perguntou e riu. – Você não está velha, você está com uma filha linda que te ama e tem tudo para ser uma incrível pervertida.
- Eu sabia que era você. – dei um tapa em seu braço e ele riu mais ainda. – Sabia que nem tenho mais que contar a história da cegonha para ela?
- E algum dia você contou? – ele perguntou.
- Teoricamente ela não tinha um pai, né! – eu disse. – Inventei que a cegonha trouxera ela para mim. Ela acreditou.
- Claro. – disse. – , você é jovem ainda, linda, inteligente, não tem por que ficar se preocupando com uma filha que está com treze anos. Aposto que você ainda consegue dar muitos irmãos para ela. – disse e eu apenas sorri, ele não fazia idéia de que um já estava a caminho.
- Irmãos, para eles serem pervertidos assim como vocês? – brinquei. – Não mesmo.
- Nunca diga nunca. – ele disse e sorriu. – Aposto que ele teria a melhor educação de todas.
- Não duvido. – eu disse e me puxou para um abraço.
- Que tal descermos? Está na hora do parabéns. – ele disse e eu assenti.
Descemos e parecia estar em cima de uma cama elástica de tanto que pulava, ansiosa para assoprar as velinhas. Sorri para ela, que passou um braço por minha cintura e me puxou para ficar ao lado dela atrás da mesa. Ela também puxou , que ficou do outro lado. Os garçons trouxeram o bolo que ela havia escolhido e que tinha uma mensagem de “Feliz Aniversário” feita com chocolate. Cantamos parabéns e sorria e pulava toda animada. Duvido muito que alguma foto não tenha ficado borrada. Ela cortou o primeiro pedaço do bolo com os olhos fechados e a língua entre os dentes, um pouquinho para fora, enquanto se concentrava em seu pedido.
- E o primeiro pedaço vai para quem deu o presente mais lindo! – disse e todos riram.
- Não, vai para a tia que fez a maquiagem dela. – brincou.
- Não, tem que ir para aquele que ensina que nem tudo é sobre cegonhas. – disse e todos riram, fiquei vermelha.
- Estão todos errados. – disse. Ela pegou um garfo e cortou o pedaço de bolo ao meio. – O primeiro pedaço, dividido em dois, vai para minha mãe e o .
- Puxa saco! – , e gritaram. – Não vale! Eles não contam!
- Invejosos. – disse e sorriu para , que o abraçou logo depois que eu tirei o prato de sua mão. – Obrigado, pequena.
- Amo você, . – ela disse apenas para que eu e ele escutássemos. – Obrigada por me dar um irmãozinho.
- Não por isso. – ele disse e sorriu para ela, que sorriu também.
Abracei os dois e dividi o pedaço de bolo com o , o que causou uma quantidade considerável de flashes, tendo entre nós dois. Depois disso foi uma confusão de gente para tirar foto com , eu e nos afastamos, já que já havíamos tirado a nossa e ficamos olhando e comendo nosso pedaço de bolo.
- Já pensou em como contará aos outros? – me perguntou e engoli o pedaço de bolo com dificuldade.
- Não. – respondi sinceramente. – Mas acho que será melhor do que contar pra você.
- Estava com tanto medo assim? – ele perguntou e sorriu.
- Muito. – eu respondi.
Ficamos em silêncio por um longo tempo, e faziam rir tanto que ela não conseguia se arrumar direito para ficar bem na foto. Eu começava a me perguntar em que estágio estava meu relacionamento com . Ele nunca havia me pedido em namoro exatamente, estávamos em um rolo onde ficávamos periodicamente... Mas agora um filho mudava a situação.
- O que acontece com a gente agora? – perguntei, antes mesmo de perceber que aquilo estava para sair da minha boca.
- Como assim? – ele perguntou e me olhou.
- Você sabe, estávamos ficando e agora teremos um filho. – eu disse e dei de ombros.
- Quer casar? – ele perguntou e eu engasguei com o pedaço do bolo. – Era uma brincadeira, . – ele disse e eu respirei fundo.
- Podia esperar eu terminar de comer. – eu disse e ele apenas riu. – Estou falando sério, .
- Tudo bem, o que você quer fazer? – ele perguntou e agora estava sério.
- Eu não sei. – eu disse e suspirei.
- . – ele chamou, olhei para ele. pegou o prato de minha mão e colocou na mesa que havia atrás de nós. Ele pegou minha mão e ficou totalmente de frente para mim, olhando-me nos olhos e com um sorriso fofo nos lábios. – Apenas não pense que estou fazendo isso porque está esperando um filho meu, eu já queria fazer isso há um tempo, mas me faltava a coragem para realizar tal ato.
- ... – tentei interromper, mas ele foi mais rápido.
- Quer namorar comigo? – ele perguntou e eu arregalei os olhos. – Eu amo você, , e sei que você também me ama, ou nunca teria permitido que um filho meu fosse gerado dentro de você. E agora eu só vejo mais motivos para te pedir, afinal, esse é um ótimo jeito de confirmar mais ainda que eu não te abandonarei. Então, você aceita?
- , eu... – lágrimas tomaram meus olhos e eu sorri. – Claro que eu quero. – respondi e ele me puxou para um beijo carinhoso. Abracei-o com força enquanto sentia a maciez de seus lábios contra os meus.
Consegui perceber alguns flashes mesmo de olhos fechados, começou a rir e se separou de mim. Vimos , , , , , e nos olhando. sorria maravilhada; , e comemoravam por finalmente ter acontecido isso; e apenas sorriam e faziam gracinhas. Comecei a rir junto com .
- Bestas. – eu disse. correu e nos abraçou.
- Finalmente minha família está completa. – ela disse e deu um beijinho discreto em minha barriga, ninguém viu. – Tenho minha mãe, um padrasto legal e ainda ganhei um irmão. Esse é o melhor aniversário de todos. Obrigada, eu amo vocês. – ela disse e senti as lágrimas molharem meu rosto.
Capítulo 15 – Actors
Respirei fundo pelo o que parecia ser a décima vez só naquela hora, passei a mão no cabelo e me controlei muito para não me estressar com quem não merecia, afinal, eu tinha um filho dentro de mim e não queria perdê-lo. Abri a porta do estúdio onde os meninos ensaiavam e vi que eles pararam no mesmo momento, sorriu quando viu que era eu e os outros reviraram os olhos por causa da interrupção, ignorei-os e segui até o final da sala para pegar o que me interessava, as pastas com os contratos.
- , deixa que eu pego. – disse e em instantes ele estava ao meu lado.
- Pelo amor de Deus, , eu estou grávida, não aleijada. – eu exclamei e ele parou no mesmo instante, os meninos riram de minha resposta e eu olhei para , sentindo-me culpada pela explosão repentina, o que aconteceu com o pensamento de não me estressar com quem não merecia? – Desculpe.
- Tudo bem. – ele murmurou e deu um sorriso fraco. Peguei as pastas que queria, tentei sorrir para ele, mas falhei completamente, e saí da sala.
Andei pelos corredores até onde ficava minha sala, estava lá me esperando para contar sua narração sobre o pedido que fizera a ela. Assim que abri a porta, ela voltou a narrar como ele a surpreendera e pedira para namorá-la e ela, obviamente, aceitou. Ouvi o relato soltando uns comentários monossilábicos quando achava necessário.
- Ele foi tão fofo. – ela disse, no final. – Queria que fôssemos um casal tão lindo quanto você e são.
- e eu não somos fofos. – eu murmurei e sorri quando achei a pasta que queria. – Vocês que acham que somos.
- Ah, , não seja chata. faz tudo por você e vice-versa. – ela disse. – Principalmente agora com a história do bebê.
Olhei para minha barriga de quase quatro meses e não pude deixar de sorrir. fazia um agrado para mim todos os dias, eu não podia negar, mas não éramos tão fofos quanto todo mundo pensava.
- , não quero ser chata, mas eu realmente preciso agendar esses shows para os meninos. – eu disse e ela assentiu.
- Claro, eu só queria passar para ver como você estava, nos vemos mais tarde? – ela perguntou.
- Jantar na minha casa hoje. – eu disse e sorri para ela.
- Oba, macarrão. – ela sorriu e deu uns pulinhos de alegria que me fizeram rir. – Até mais tarde então.
- Até. – respondi e voltei minha concentração para o trabalho que eu tinha pela frente.
Quase dei um grito de felicidade quando cheguei em casa, não aguentava mais ficar olhando calendários e voltando datas de agendas para ver os compromissos que os meninos tinham. sorriu e me abraçou quando me viu entrando, começando a tagarelar sobre o dia que tivera na escola.
- E então ele pegou a minhoca e escondeu no bolso, foi nojento. – ela dizia enquanto eu tirava os sapatos e soltava meu cabelo no meu quarto. – Depois ele colocou em cima da mesa no refeitório e ninguém tinha coragem de pegar e devolver para a professora.
- Você pegou?
- Claro que não, mãe! Era nojento, era uma minhoca grande, gorda e melequenta, claro que não peguei. – fez uma careta e eu ri. – Como foi no trabalho hoje? Meu irmãozinho trabalhou muito?
- Ele sempre trabalha muito. – eu disse e ela sorriu, aproximou-se de mim e passou a mão em minha barriga.
- Você já pensou que mais cedo ou mais tarde terá que contar para o pessoal de Londres? – ela perguntou.
- , por favor, não comece com isso. – eu disse. – Seu pai não nos liga há semanas, eles estão ocupados e não sou eu que vou atrapalhar os planos deles.
- Nem eu tenho conseguido atrapalhá-los. – ela fez um bico emburrado. – Tio Tom nem responde mais as minhas mensagens, tio Danny mal fala comigo no telefone e o tio Dougie nunca está por perto quando eu ligo para eles. – claro que eu percebi que ela nem comentou sobre Harry, algo que ela aprendeu a fazer desde o aniversário ao qual eles não vieram. – Estranho como as pessoas mudam por coisas bobas. – ela me olhou e sorriu levemente. – Você está cansada, mãe, tome um banho.
- Obrigada pela injeção de animo. – brinquei. – Já fez a lição?
- Sim. Posso assistir televisão?
- Só se você me ajudar com o jantar depois, o pessoal vem jantar aqui.
- Sim. – ela abriu um sorriso de orelha a orelha e correu para a sala.
Entrei no banheiro e tirei a roupa que usava, entrei no box e liguei o chuveiro, sentindo a água quente escorrer por meu corpo e relaxando à medida que ela caía. Aproveitei para lavar meu cabelo que já estava bem nojento de tantas vezes que eu passava a mão nele. Enrolei no banho mais tempo do que o realmente necessário, usando como desculpa o fato que minha barriga estava maior e eu tinha que acariciá-la para fazer com que o bebê lá dentro se sentisse amado, o que não deixava de ser mentira.
Coloquei um vestido soltinho por preguiça de pensar em algo mais elaborado, penteei meu cabelo e o deixei solto para secar naturalmente. Fui até a sala e encontrei assistindo Feiticeiros de Waverly Place, ela sorriu quando me viu e voltou a prestar atenção na televisão. Segui para cozinha, onde comecei a arrumar as coisas para o macarrão e o molho.
- , - pedi para minha filha, que terminava de arrumar a mesa – abra a porta.
Ela assentiu, colocando o último guardanapo dentro do copo – algo que ela própria quisera fazer – e correu para a porta, divertindo-se com as marias-chiquinhas que pulavam. Ouvi quando ela deu um gritinho de felicidade ao ver e companhia na porta, ela cumprimentou todos e logo eu já podia ouvir minha casa com as risadas altas de e , as fofocas de e , as brincadeiras entre e e o romance – super mel – de e .
- Oi. – ouvi dizer atrás de mim e depositar um beijo em meu rosto.
- Oi. – sorri ao sentir seu braço em minha barriga, fazendo um carinho gostoso.
- Isso está com um ótimo cheiro. – ele disse.
- Espero que esteja ótimo de gosto também. – eu respondi e sorri quando ouvi sua risada.
- Você nunca fez um macarrão ruim. – disse e eu me virei, afastando-me do fogão para poder cumprimentá-lo propriamente. Passei meu braço em volta de seu pescoço e depositei um selinho em seus lábios, ele aprofundou o beijo e eu permiti. Uma tosse fingida nos atrapalhou e olhamos para a porta da cozinha, vendo , e tentando segurar o riso.
- Não é por nada não, casal, mas estamos com fome. – disse e eu revirei os olhos, jogando na cara dele o pano que eu tinha colocado na pia.
- Vai arrumar uma namorada, . – disse e eu ri.
- Para ficar como vocês e o , idiotas? Não, dispenso. – ele disse e deu um tapa em sua cabeça.
- Tudo bem, vão para a sala, eu já estou terminando. – eu disse e empurrei , que empurrou os outros três, saindo da cozinha.
Terminei o macarrão rapidamente, de fato não faltava muita coisa, e o levei até a mesa que havia arrumado. Os meninos vieram correndo assim que me ouviram chamar, pareciam um bando de esfomeados. , e vieram calmamente, cumprimentando-me no meio do caminho e fazendo gracinhas com a minha barriga; veio atrás delas e passei meu braço por seus ombros para irmos juntas até a mesa.
O jantar se passou animado, como sempre era, os meninos fazendo piadas e gracinhas para , que ria sempre e pedia por mais, as meninas tentando controlar as risadas que surgiam com as piadinhas idiotas dos meninos e conversas alheia sobre nossos dias e o progresso dos meninos. No final do jantar, fomos para a sala e continuamos o que fazíamos a mesa, com a diferença das brincadeiras que eram menos nojentas já que não tínhamos mais nada na boca.
- Vocês são a família mais estranha que eu podia imaginar ter algum dia. – murmurou, um pouco sonolenta, deitada em meu colo.
- Por isso somos os melhores. – disse, todo convencido, e disse algo em apoio para ele.
- Nunca me diverti tanto. – ela acrescentou depois que os dois pararam com as gracinhas.
- Acho que está na hora de alguém ir para a cama. – eu disse, depois que ela terminou de bocejar.
- Só se for a tia . – ela disse, ao ver a mesma bocejando também e encostando a cabeça no ombro de , que estava ao seu lado. Todos olharam para ela e riram, apenas se limitou a jogar uma almofada em , que riu alto e todos riram mais ainda, acompanhando a risada dela.
- Acho que está na hora de todos irem. – disse, olhando os outros, que também mostravam sinais de cansaço. Já era tarde e todos haviam trabalhado muito naquele dia.
Aos poucos eles foram se levantando, menos que permaneceu no sofá, esperando eu terminar de me despedir dos outros e voltar para os braços dele, o que eu fiz depois de levar para o quarto e me certificar que ela dormiria. Sentei no sofá, sendo puxada para mais perto de pelo próprio e sentindo os dedos dele subirem e descerem por meu braço, provocando-me arrepios gostosos.
- Finalmente a sós. – ele murmurou e eu assenti com a cabeça.
- Desculpe por hoje mais cedo. – eu disse, referindo-me ao incidente da sala de ensaios.
- Esqueça isso, eu te entendo, gravidez deve ser algo difícil. – ele disse e eu ri.
Levantei minha cabeça para ele e encontrei seus olhos, implorando para ele entender meu pedido mudo para que ele me beijasse, o que ele entendeu e atendeu prontamente. Seus lábios encontraram os meus em um beijo calmo e delicado, que aos poucos foi se aprofundando e esquentando. Mesmo grávida, obviamente que eu me permitia uns amassos mais quentes com , desde que não corrêssemos o risco de machucar o bebê.
- Posso dormir aqui hoje? – ele perguntou quando nos afastamos, ligeiramente ofegantes.
- Deve. – eu respondi e ele riu antes de voltar a me beijar.
- Mãe, corre, vou me atrasar. – ouvi gritar na porta do meu quarto e senti alguém se mexer ao meu lado.
- Ótimo jeito de acordar. – ouvi a voz rouca de sono de dizer em meu ouvido, sorri e abri os olhos preguiçosamente.
- Mãe, você me ouviu? – insistiu.
- Já estou indo, querida. – eu disse e a ouvi murmurar algo.
- Alguém parece mal humorada. – disse.
- Ela melhorará quando ver você e assimilar que irá de carro para a escola. – eu disse e fiquei de frente para ele.
e eu nos levantamos e acabamos tomando banho juntos – sem perversões – para diminuir o tempo e impedir que minha própria filha ficasse estressada pelo atraso, nunca vi uma criança gostar tanto de ir para a escola quanto . Saímos do banho e pegou a mesma roupa que usara no dia anterior, coloquei a roupa para o trabalho e saímos do quarto. comia sucrilhos na cozinha e abriu um sorriso de orelha a orelha ao ver comigo.
- Pronto, apressada. – disse e depositou um beijo no topo da cabeça de .
- Bom dia, meu anjo. – eu disse. – Desculpe a demora.
- Tudo bem, mãe, já está explicado. – ela disse e amaldiçoei por ter ensinado essas perversidades para minha filha.
Eu e tomamos um café rápido e logo estávamos no carro dele para levar para a escola e depois nós mesmos irmos trabalhar, afinal, os meninos tinham que ensaiar e eu tinha a agenda deles para completar. Deixamos na escola e depois voltamos para o apartamento dos meninos para que pudesse trocar de roupa e, então, fomos juntos para o estúdio.
Não podia negar que estava gostando da calmaria que minha vida estava sendo ultimamente. Por incrível que pareça, parecia ter mais consciência no quesito “posso abusar porque sou filha de um cara famoso” e parara com as vontades de comprar tudo o que visse pela frente e mudar o quarto todo mês. Ou, talvez, isso tenha acontecido porque estava muito desapontada com o próprio pai para pensar em gastar o dinheiro que ele tinha disponível para ela, Harry tampouco a procurara. Aliás, parecia preferir mil vezes a Harry, afinal, como ela mesma dissera, dava o que Harry não conseguia: amor paterno, e isso me comovia toda vez que eu os via juntos. Isso até mesmo pode parecer pessimismo demais, mas eu tinha medo que essa calmaria e essa felicidade fossem tão grandes e acabassem tão rápido.
Capítulo 16 – I Wanna Hold You
Quando uma porta se fecha, outra se abre.
As coisas acontecem por um motivo.
Os fins justificam os meios.
No final tudo ficará bem, se não ficar, é porque ainda não chegou ao final.
Eu queria saber quem foi o grande idiota que inventou tudo isso. Para quê isso deveria servir? Acalmar alguém? Nos fazer pensar que, não importa a merda que aconteça, tudo daria certo e sairíamos sorrindo? É, eu gostaria de conseguir pensar assim.
As pessoas passavam por mim, médicos, parentes, pacientes, funcionários... Todos, menos alguém que prestasse para me dar a informação que eu precisava. Para mim, meus amigos não me importavam, eu sabia que eles estavam ali para me dar apoio naquela situação, mas eu não os queria ali, eu não queria ninguém além dela... E do meu filho, ou filha. Era óbvio que nada positivo poderia sair daquela situação, não era pessimismo, era realismo mesmo.
FLASHBACK
Momentos antes.
Eu não estou aleijada. Cara, qual era a dificuldade em me deixar ajudá-la? As pessoas não podiam mais ser simplesmente educadas e quererem ser bondosas? Ela estava carregando um filho meu e eu estava me preocupando demais? Era errado se preocupar com a saúde de quem se ama? Mas era óbvio que não pensava daquele jeito. No mundo dela, eu a olhava e a via como uma inválida, alguém incapaz de carregar uma bolsa ou uma caixa com inúmeros papéis. Você até pode pensar que papel não pesa, mas ele pesa, principalmente a quantidade que queria carregar. Obviamente, eu não venci a discussão, mulher grávida era uma chatice com todos aqueles hormônios e qualquer coisa era motivo para lágrimas ou nervosismo, pior do que quando estava com TPM.
- Acho que chega de ensaios por hoje. – ouvi dizendo e larguei o instrumento, feliz. Eu sabia que eu era o motivo para o final do ensaio.
- Cara, você tem que se acalmar. – disse para mim. Como se eu não soubesse disso.
- Eu sei, mas é difícil. – eu disse. – Brigamos, pelo menos, duas vezes por semana, e pelos motivos mais idiotas. Não é fácil.
- Nós sabemos, mas é por isso que você tem a gente. – disse.
Agradeci a , mas aquilo não era suficiente. Eu não podia abusar de meus amigos porque estava estressada com a gravidez. Imaginei se ela teria passado aquilo com . De qualquer jeito, aqueles quatro meses foram infernais, principalmente quando os hormônios começaram a pegar pesado e eu era seu principal alvo – pelo menos melhor eu do que .
- . – ouvi Grace, uma das ajudantes de , chamar e olhei para ela. – A ... – não deixei que ela terminasse, joguei as palhetas que tínhamos separado de qualquer jeito dentro do primeiro pote que vi e corri pelos corredores ouvindo os saltos de Grace atrás de mim.
- Onde ela está? – perguntei quando parei e segurei a garota pelos braços, ela me olhou assustada, mas não me importei.
- Na rua... Foi atropelada. – soltei Grace de qualquer jeito e corri em direção à saída. Ao longe, consegui ouvir os outros correndo atrás de mim.
estava inconsciente no chão, a mão direita sobre a barriga ainda não muito grande. A esquerda estava aberta e em sua palma a chave do carro. Olhei para o relógio e constatei que era o horário da saída de da escola. O homem que a havia atropelado já estava no celular chamando pela ambulância e consegui ouvi-lo dizer que a mulher estava grávida.
Fiquei ao seu lado e ajoelhei-me no asfalto segurando sua mão direita e apertando levemente. Ao longe, percebi que conversava com o homem, mas isso não me importava, o estrago estava feito. Pelo movimento em seu peito, percebi que ela ainda respirava normalmente, seus lábios estavam entreabertos e a franja por sobre um dos olhos, o resto do cabelo espalhado pelo chão.
- ... – sussurrei com a voz rouca. Vi uma lágrima escorrer e cair no braço dela, foi só então que percebi que eu chorava. – , por favor, sobreviva.
- , a ambulância já está vindo. – disse e senti sua mão em meu ombro.
- . – eu sussurrei e olhei para que me olhava curioso. – , você tem que buscar a na escola.
- , cara, o que eu vou dizer? – ele perguntou. não tinha muito tato com crianças e menos ainda nessas situações.
- Eu não sei, mas alguém precisa buscá-la na escola. – eu disse.
- Eu vou. – disse. – não precisa saber o que aconteceu, vamos esperar e ver o que acontece com , então contamos.
Acontece com ... Aquela frase rodou em minha cabeça por um longo tempo. O que queria dizer com aquilo? Ela ficaria bem, era óbvio, ela e meu filho. Passei a mão por sua barriga e pedi em pensamentos para que meu filho também ficasse bem.
- As meninas já estão sabendo. – disse, fechando o flip do celular. – Estão vindo para cá. irá com você, .
- Certo. – ele disse. – , tudo ficará bem.
Não muito depois, a ambulância chegou e as meninas também. e foram buscar na escola e já estavam combinando o que fariam para distraí-la. e foram conversar com o homem que havia atropelado para descobrir exatamente o que havia acontecido. e ficaram comigo, não que tivesse adiantado algo, eu apenas queria ficar com e ter certeza que cuidariam bem dela.
- Eu posso ir com ela? – perguntei a um enfermeiro que estava para fechar a porta da ambulância.
- O que você é dela? – ele me olhou.
- Namorado. – respondi e pude perceber que ele não permitiria meu acompanhamento. Resolvi apelar. – E pai do filho dela. – ouvi concordar atrás de mim e então o enfermeiro permitiu que eu fosse junto.
FIM DO FLASHBACK
Aquele branco já me parecia sujo e entediante. Os quadros de informações sobre o corpo humano não me interessavam, nem mesmo o quadro de avisos que comunicavam sobre o mutirão que teria para a doação de sangue no próximo sábado. Eu também já sabia que o doutor de cabelo loiro, estilo ator de novelas sobre médicos, estava querendo sair com a recepcionista ruiva de olhos verdes e que adorava pirulito, mas ela não estava interessada nele porque ele era o pegador do hospital.
Eu tampouco estava interessado em comer. Meu organismo não precisava de comida naquele momento, ele só precisava saber se e meu filho estavam bem, então eu poderia pensar em colocar algo para dentro.
e já haviam ligado cerca de dez vezes para saber alguma notícia e comunicar sobre a tarde que estavam tendo com . Os outros continuavam a falar comigo e me avisar das ligações deles, como se me importasse. Era tão difícil entender que eu só queria que a garota que eu amo saísse por aquelas portas com um sorriso divertido no rosto, rindo da minha cara e dizendo que fora apenas uma peça que ela pregara em mim?
Os minutos eram torturantes, qual era a complicação? Talvez se eu tivesse ouvido o relato do cara do carro – que já deveria estar em seu destino final agora. – eu saberia direito o que havia acontecido. Mas, de qualquer forma, qual era a complicação em saber como ela estava? Só alguns exames e ultra-sons para saber do bebê, certo?
Antes de ver o que realmente era, eu percebi a movimentação dos outros ao meu lado. Levantei minha cabeça, que estava apoiada em minhas mãos, e vi um médico vindo ao nosso encontro, as duas portas que eu tanto esperava ver saindo estavam terminando de fechar quando ele chegou até nós.
- Responsável pela Srta. ? – ele disse e eu levantei, colocando as mãos nos bolsos.
- Sou eu, como ela está? – perguntei.
- Preciso que você tome uma decisão. – ele disse sem responder a minha pergunta, seu tom era sério, assim como seu semblante. – Houve uma complicação causada pelo acidente e você tem que decidir qual vida devemos salvar.
- Como assim? – ouvi a voz esganiçada de dizer.
- Se salvarmos a garota, o bebê morre e vice-versa. – o médico disse e senti o chão abrindo-se embaixo de mim.
- É claro que você tem que salvar os dois. – disse.
- Apenas você pode tomar essa decisão. – ele olhou para mim.
- Por quê? – perguntou novamente.
- Como namorado e pai do bebê, ele é o único que pode tomar essa decisão. – o médico explicou pacientemente. – O tempo é curto, você tem que decidir. – Caralho, além de mandar essa bomba em cima de mim eu ainda tinha pouco tempo para decidir? Ele achava que era fácil escolher entre a vida de quem se ama e a de quem estava começando a amar? Aquele cara nunca havia perdido um filho, provavelmente. Senti as lágrimas ardendo em meus olhos, podia ouvir e conversando entre si alto o suficiente para que eu ouvisse e tentasse ajudar a me decidir baseado no que elas falavam, mas eu não conseguia prestar atenção. Eu tinha que escolher entre e o bebê. O que me faria sofrer menos, qual perda seria menos sentida, mas nem por isso deixaria de ser mais importante? Nós nunca havíamos conversado sobre aquilo, também pudera, quando iríamos pensar que ela sofreria um acidente e ficaria em risco? – Senhor, o tempo está passando e pode ser que você não tenha mais escolha. – Merda, aquilo parecia A Escolha de Sofia, óbvio que eu nunca havia lido ou assistido aquele filme, mas sabia o que significava.
- Ela. – eu disse, a conversa entre e parou e pude sentir todos os olhares em cima de mim. – Salve a .
- , o que...
- Tem certeza, senhor? – não, idiota, falei para perder mais tempo.
- Sim, salve . – eu confirmei e acenei positivamente com a cabeça. Ele assentiu e voltou por onde saíra.
- , o que você fez? – perguntou e começou a falar mais coisas ao mesmo tempo, mas eu não queria ouvir.
- Cale a boca! – disse em um tom mais alto do que seria adequado para um hospital. Ela me olhou assustada, assim como todos os outros. – Você, vocês, não sabem como é difícil ter que decidir isso. Para vocês é apenas uma amiga ou um sobrinho por consideração. Mas ali, dentro daquela merda de sala, está a vida da mulher que eu amo e do filho que seria meu. Não foi fácil decidir que merda fazer, de qualquer jeito eu estou perdendo algo.
- , nós não queríamos que...
- Eu preciso ficar sozinho. – cortei e me afastei deles, indo para um banco que havia próximo as portas. Não era longe o suficiente, mas minha esperança era de que eles entendessem e fossem fazer algo.
A situação toda ainda rodava em minha cabeça. O arrependimento e os prós e contras que surgiram confundiram minha cabeça. Eu me sentia um lixo, minha cabeça iria explodir em segundos. Parece cruel escolher salvar uma pessoa adulta e matar uma criança inocente que nem ao menos conhece o mundo. Mas eu não podia perder , eu já a havia perdido uma vez e apenas eu sabia sobre a dor que eu sentira quando fiquei sabendo sobre seu sumiço. As lágrimas caiam sem pudor, eu me sentia um criminoso por matar alguém tão inocente; o diálogo entre eu e quando ela descobrisse o que eu tivera que fazer rodava minha cabeça e fazia com que eu me sentisse pior.
Ela me julgaria, odiaria e diria nunca mais querer me ver, de alguma forma eu ainda perderia a garota que amava, mas o lado bom é que eu não teria que enterrá-la. Lembrei tarde demais que não perguntara ao médico sobre o sexo da criança, mas será que isso importaria? Se ele falasse ser uma garota e eu dissesse para salvar , ele pensaria que eu não queria uma garota. Mas a verdade é que pouco me importava se fosse garoto ou garota, eu apenas queria um filho.
As horas se passaram, , , e haviam sumido, provavelmente foram para o refeitório. Eu via o dia passando pela janela que havia ali perto. Vi o sol se pondo e as estrelas surgindo entre nuvens pesadas que anunciavam chuva. Parecia que o tempo estava de acordo com meu humor. Eu revezava meu tempo entre ficar sentado e andar de um lado para o outro na esperança do médico sair e dizer que tudo estava bem.
Meu estômago deu sinais de fome, mas eu o ignorei. Só comeria algo quando visse sã e salva, mesmo que ela brigasse comigo por minha escolha e mandasse eu nunca mais aparecer na frente dela, eu o faria, mas apenas quando tivesse completa certeza que ela ficaria bem.
Finalmente o médico voltou a sair por aquelas portas e eu me levantei, percebendo os outros se aproximarem também – eles haviam voltado há uma hora mais ou menos e ficaram sentados nos bancos onde estávamos antes. O médico já não usava mais a roupa que estava usando quando veio falar comigo e seu semblante estava melhor do que o da visita anterior. Esperei que ele se aproximasse antes de fazer a pergunta que ele devia ouvir sempre.
- Como ela está? – perguntei.
- Fizemos todo o possível, mas infelizmente não conseguimos mesmo salvar os dois. Sua decisão foi ouvida, está viva, mas está em coma. – ele disse. – Devo informá-los que não foi um coma induzido, o próprio organismo da paciente a colocou em tal situação. Ela está na UTI.
- Em coma? – disse, fungando depois. a abraçou e ela chorou nos braços dele.
- Posso vê-la? – perguntei. De certa forma, eu estava aliviado por ela estar bem, ainda que em coma. Isso me fazia pensar com mais clareza e eu sabia que tinha que conversar com o pessoal, mas apenas depois que eu visse .
- Claro, acompanhe-me. – ele disse e virou as costas para mim, seguimos por um corredor com várias portas fechadas mas com algumas janelinhas que davam visão para as camas que havia nos quartos. Ele parou em frente à porta de número dez e a abriu, indicando que eu poderia entrar. – Não posso permitir que fique muito tempo, qualquer alteração que você perceber basta chamar uma de nossas enfermeiras.
- Obrigado. – eu disse e entrei na sala. Percebi que ele fechou a porta e olhei o quarto. Era simples, branco, com uma janela fechada e com cortinas brancas na frente. Havia um banheiro e uma poltrona em um canto próximo à maca que tinha em sua cabeceira vários aparelhos. Deitada na cama estava , mais pálida do que o usual, o cabelo espalhado no travesseiro, a franja colocada para trás e os olhos fechados, assim como os lábios. Em seu braço direito havia duas agulhas e no dedo indicador uma espécie de pregador que ligava ao aparelho os seus batimentos cardíacos; no braço esquerdo, havia apenas uma agulha que levava à uma bolsa que deveria conter alguma medicação. Ela nunca me pareceu tão sem vida quanto naquele momento. Em sua barriga não havia mais sinais de gravidez e isso causou a queda da primeira lágrima que trouxe várias outras junto. Aproximei-me da maca e toquei sua mão delicadamente, tomando cuidado para não soltar algum aparelho. Acariciei sua barriga lisa e reta, sentindo a intensidade das lágrimas aumentar. – Desculpe. – sussurrei com a voz rouca. – Eu simplesmente não podia viver sem você. – levantei o olhar para seu rosto e em um impulso colei meus lábios nos dela, sentindo-os macios e quentes como sempre. Apertei sua mão esquerda, sentindo-me feliz pelo contato de sua pele com a minha. – Eu espero que você me entenda quando descobrir a escolha que fiz.
Quando voltei para a sala de espera – quinze minutos após o médico me deixar lá, ele mesmo voltou para me buscar – os outros me esperavam. levantou o olhar quando me viu saindo e cutucou , que também me olhou. Coloquei as mãos nos bolsos e me aproximei deles, de repente sentindo-me envergonhado por tê-los tratado daquele jeito.
- Eu sinto muito por mais cedo. – eu disse e olhei para . – Sinceramente, não era minha intenção.
- Esqueça isso. – ela sorriu e me abraçou.
- Como ela está? – perguntou.
- Em coma. – dei de ombros e eles riram da minha informação. – Não há muito o que dizer, eles não sabem quando ela voltará, só o que importa é que ela está viva.
- Garota. – disse de repente, olhei-o curioso. – Perguntamos ao médico o sexo da criança.
- ganharia uma irmã. – completou e eu assenti. Aquilo fez com que a dor por ter matado a criança aumentasse.
- Vou para casa, e já devem ter voltado com e alguém precisa falar com ela. – eu disse.
- Ficaremos aqui. – disse. – Se algo acontecer, te ligaremos.
- Obrigado. – eu disse e me despedi rapidamente deles. Eu não queria ir embora, mas precisava de um banho, comida e conversar com , que provavelmente estava curiosa para saber sobre a mãe, não seria fácil conversar com ela.
No caminho até nosso apartamento, – eu peguei um táxi em frente ao hospital – eu liguei para que disse que eles estavam em casa e que já começava a ficar impaciente. Pedi que a mantivessem em casa porque eu já estava a caminho, ele apenas concordou e disse que inventaria algo.
O taxista estacionou em frente ao prédio e entreguei o dinheiro da corrida para ele. Entrei no prédio e apertei o botão para chamar o elevador pensando constantemente no que diria a e como diria a ela. Não seria uma tarefa fácil, eu não podia simplesmente chegar e dizer: Sua mãe foi atropelada e você não terá mais uma irmã. Ainda mais porque que estava super emocionada com a perspectiva de ser irmã mais velha.
- ! – eu a ouvi gritar quando entrei no apartamento. Senti seus braços em volta de minha cintura e a abracei com força. – O que aconteceu? Cadê minha mãe? Por que você está com essa cara? O que está acontecendo? Por que ninguém me diz nada?
- Calma, . – eu disse e não pude deixar de sorrir com sua curiosidade e seu bombardeio de perguntas. – Precisamos conversar.
- Você está pensando em pedir minha mãe em casamento? – ela sorriu e eu ri.
- Vamos para meu quarto e conversaremos. – eu disse e segurei sua mão, levando-a para meu quarto. Chegamos ao meu quarto, ela entrou e sentou-se na minha cama, olhava-me curiosa e eu passei a mão no cabelo, pensando no que dizer. – , essa não é uma conversa sobre meu pedido de casamento para sua mãe. Eu pretendo fazer isso, mas não hoje ou essa semana.
- , o que está acontecendo? – ela perguntou.
- Por favor, me ouça até o final. – eu pedi e ela assentiu. – Sua mãe sofreu um acidente... – ela abriu a boca para falar, mas eu a cortei antes. – Lembre-se, você prometeu... Ela sofreu um acidente e teve que fazer uma cirurgia por causa do bebê. – lágrimas surgiram em seus olhos e eu pensei em começar a rir e dizer que tudo estava bem, mas não o fiz. – Houveram complicações durante a cirurgia e... – as lágrimas inundaram meus olhos e projetaram-se para fora dos mesmo, molhando meu rosto pela terceira vez naquele dia. Segurei as mãos de e a olhei nos olhos. – Eles pediram que eu escolhesse, , me perdoe por isso, mas eu não pude... Eu não pude salvar os dois, eu tinha que escolher e eu escolhi sua mãe. Eu sei como você queria um irmãozinho, eu sei disso e eu sinto muito por isso, mas eu não conseguiria viver sem sua mãe. Já tentei uma vez mas não deu certo, doeu muito e eu não conseguiria sentir aquela dor novamente, porque dessa vez seria pior, dessa vez ela nunca mais voltaria. Me perdoe, , mas eu escolhi sua mãe e, por isso, seu irmão, irmã, na verdade, teve que morrer. – eu chorava como nunca havia chorado antes, meu corpo tremia com a intensidade do choro e eu apertava as mãos de nas minhas.
- , por favor, está tudo bem. – ela disse com a voz embargada, soltou uma de suas mãos e passou no meu rosto delicadamente. Um sorriso fraco brincou em seus lábios e eu via as lágrimas escorrendo por seu rosto. – Ela está viva e provavelmente poderá me dar mais irmãos. Eu também não conseguiria viver sem ela.
- Você me perdoa? – perguntei.
- Pelo quê? Por salvar a vida da minha mãe? , não tem o que perdoar. – ela disse, ajoelhou-se na cama e me abraçou com força. Naquele abraço choramos juntos, eu por ainda me sentir culpado pela morte do bebê. Aquela culpa provavelmente sumiria quando eu pudesse falar para o que havia feito. Minutos depois, afastou-se de mim e depositou um beijo em meu rosto. – Eu quero ir até o hospital.
- Claro. – eu disse e passei a mão em seu cabelo. – Obrigado. – ela sorriu. – Eu só preciso tomar banho e comer algo, então te levo até lá.
- Estarei na sala.
Ouvi saindo do quarto e me joguei na cama, sabia que choraria muito mais, mas não me importava. estava em coma, eu esquecera de dizer aquela parte para , mas o faria quando chegássemos ao hospital, agora eu queria apenas tomar um banho e comer algo.
Capítulo 17 – Silence is a Scary Sound
Capítulo narrado em terceira pessoa.
O público gritava, cantava as canções junto com o quarteto, umas fãs passavam mal, outras choravam e outras cantavam o mais alto que suas cordas vocais podiam agüentar. No palco, Danny, Harry, Dougie e Tom agitavam o público de Wembley sem pararem de pular, cantar e interagir com as fãs por um minuto sequer.
- Obrigado, Wembley! – Danny gritou ao final do show enquanto Tom e Dougie jogavam palhetas, garrafinhas de água e toalhas para as fãs e Harry fazia o mesmo, mas no lugar das palhetas eram as baquetas.
Saíram juntos do palco, o suor escorrendo por todo o corpo. Harry livrou-se da camiseta regata que usava no minuto que saíram do palco e pegou a toalha que um dos ajudantes que ficavam atrás do palco lhe entregou. Com a respiração levemente ofegante, o baterista ansiava por um banho o mais rápido possível, os outros não estavam muito diferentes.
Entraram no camarim e pegaram os celulares, já virara costume – principalmente de Harry – checar as ligações e mensagens depois de cada show. Tom pegava o aparelho apenas para colocar algo em seu twitter sobre o show recém feito. Pela terceira vez naquela semana não havia ligações ou mensagens, olhou o relógio e fez as contas para saber se estava pensando no horário certo, mas não havia erro, ela sempre ligava para ele naquele horário.
- não ligou de novo? – Danny perguntou ao ver o amigo soltar o celular sobre a mesinha que havia por ali.
- Não. – Harry passou uma toalha limpa no rosto e no cabelo, retirando o excesso de suor. – Faz mais de um mês, cara.
- Talvez ela e estejam ocupadas demais para ligar. – Dougie considerou, mas Harry rejeitou a possibilidade. Ele sabia o real motivo daquela greve de telefonemas. Desde o aniversário de , há três meses, a garota e não mantinham contato constante. Vez ou outra ele se surpreendia ao ver um e-mail de comunicando sobre algum gasto que fizera com a filha. Os outros da banda tampouco mantinham contato com e , a primeira até mandava mensagens para Giovanna e Tom, mas o tempo estava tão corrido para eles que não havia tempo para responder.
- Não, elas estão chateadas mesmo. – Tom foi o único que tivera coragem de falar a verdade. – Principalmente . Você sabe disso, Harry, não sabe?
- Sei. – o baterista confirmou. – Isso é péssimo, cara. Eu sou péssimo... Um péssimo pai.
- Você faz o que pode. – Dougie disse.
- Isso não é o suficiente. – Harry disse. – Eu dou dinheiro a elas, mas de que adianta? precisa de um pai presente, alguém que possa dar amor, atenção e mimá-la como todos os pais fazem. Alguém que fique ao lado dela quando for injusta ou alguém com quem chorar quando a brigar com ela. E eu não estou fazendo isso.
- Harry, a sabia disso quando resolveu assumir que você era o pai de . – Danny disse. – Aliás, ela já sabia disso quando engravidou de você. – Harry mordeu o lábio inferior, incerto, aquele assunto começara a entrar em uma área complicada.
- Eu sei, mas de qualquer forma eu não estou lá. – Harry levantou-se e pegou as coisas, precisavam chegar logo em casa para que pudesse tomar um banho e dormir. – tem razão em estar chateada com a gente... Comigo principalmente.
- Nem me fale. – Tom disse. – Giovanna reclama todos os dias por não conseguir encontrar tempo para falar com .
- Acho que deveríamos ir até lá. – Dougie disse e um sorriso surgiu em seus lábios. – Igual fizemos antes, uma surpresa.
- Ela com certeza bateria a porta na nossa cara. – Danny disse.
- Vamos logo embora, preciso dormir. – Harry disse, abrindo a porta do camarim.
Entraram na van rapidamente, conseguindo ver algumas fãs que gritavam e mostravam cartazes para eles, acenaram – o que provocou mais gritos delas – e entraram no veículo, logo acompanhando as ruas e os carros que eles ultrapassavam e que passavam por eles. Danny, Dougie e Tom colocaram os fones de ouvidos e foram o caminho inteiro ouvindo música. Harry sentou-se no último banco e ficava encarando a tela em branco do iPhone, os dedos percorrendo as letras do teclado touch e tentando pensar em algo para mandar à filha.
- Eu já sei que vocês são os mentirosos.
Harry não queria admitir, mas aquela frase doera muito nele, principalmente pelo tom de voz que usara quando a dissera. Doera ver a decepção nos olhos dela e o aborrecimento nos de , mas ele não pudera fazer nada, a agenda estava lotada e eles tentaram ao máximo ficar livres naquele dia, nem que tivessem que sair da festa e ir direto ao aeroporto.
A promessa fora feita e quebrada, ele sabia que não confiava mais nele. Na semana que sucedeu o acontecimento do encontro em que ele dissera que não iriam ao aniversário, ela ficou sem falar com eles. Nenhuma mensagem para nenhum deles, nem mesmo para Giovanna que nada tinha a ver com a história. Na semana seguinte ela mandava uma mensagem ou outra, mas Harry podia perceber que não era uma mensagem simpática que ela pensara por livre e espontânea vontade, ele sabia que estava por trás daquelas mensagens. Com o tempo, no decorrer dos meses, as ligações foram ficando cada vez mais raras, assim como as mensagens e o uso do dinheiro que ele disponibilizara para elas.
- Idiota. – Harry murmurou bloqueando o iPhone e olhando para as ruas. – Achar que o dinheiro podia comprar o que não estava presente.
O baterista sabia que era carente, que ela precisava de atenção, ela fora criada cercada de atenção, fora criada por seis pessoas que moviam mundos e fundos para agradá-la. Ele sabia que ela gostava quando as pessoas mostravam interesse nas coisas que ela falava e fazia, ela só fazia as coisas para que as pessoas a elogiassem e pudesse ser reconhecida. Harry conhecia bem a garota que ajudara a criar, ela era igual a , fazia as coisas para os outros, nunca para si própria.
Inconscientemente, ou não, ele voltou a desbloquear o aparelho e seus dedos percorreram a agenda de contatos para encontrar o número dela, a ligação sairia cara, mas ele não se importava, queria ouvir a voz de e de , saber que tudo estava bem. Na verdade, queria mudar o caminho e ir ao aeroporto, comprar a primeira passagem para os Estados Unidos e ir ao Brooklyn. Queria dizer a que sentia muito por ser tão ausente, por ser um péssimo pai. Queria convencê-la a ir para Londres, ela e , para que pudesse dar a ela tudo o que ela queria, precisava e merecia ter.
- Hey, você ligou para a ...
- Ou para a . – a voz divertida de disse e riu.
- Não estamos em casa, então deixe seu recado após o sinal. – completou a mensagem na secretária eletrônica e o sinal foi ouvido. Harry ficou em silêncio, não sabia se deveria dizer algo ou desligar e ligar de novo apenas para ficar ouvindo a voz delas. Desligou e voltou a percorrer a agenda, parando no número do celular de .
- Oi, você ligou para a , ou seja, eu. No momento não posso atender, deixe seu recado após o sinal. – a voz dela na caixa postal disse e Harry desligou o telefone, só então havia percebido que uma lágrima escorrera e seus olhos ardiam com outras que queriam cair.
- Nada, cara? – ele ouviu Dougie perguntar e percebeu que o baixista o olhava. Balançou a cabeça dando a resposta negativa e passou a mão pelo cabelo. – Relaxa, daremos um jeito de fazê-las perdoarem você.
- Espero mesmo. – Harry disse antes de colocar os fones de ouvido e colocar o iPhone para tocar no modo aleatório.
não sabia exatamente o que esperava ver ao entrar no hospital e no quarto onde sua mãe estava. Desde a conversa com ela não chorara mais, só em saber que a mãe estava bem era um alívio. Ficara triste por perder a irmãzinha que estava a caminho, mas por outro lado sentia-se melhor por saber que ainda teria sua mãe. Provavelmente teria que voltar a Londres caso o pior acontecesse e ela não estaria confortável com essa opção.
segurava sua mão ao andarem pelos corredores do hospital, agora mais vazio devido ao horário. Eles viram , , e no mesmo local que os deixara, não havia novas informações. No caminho até o hospital, explicara a que a mãe estava em coma e que não tinha previsão de sair desse estado.
- e querem vir para cá, mas acharam que seriam muitas pessoas no hospital. – disse após cumprimentar todos, que a abraçaram com força.
- Nós vamos voltar, eles poderão vir. – disse, apontando para todos.
- Tudo bem. – disse. Eles se despediram e foram embora. procurou o médico responsável por e perguntou se poderia entrar com para que ela visse a mãe.
- Claro. – o médico disse. – Infelizmente, não posso deixá-los por muito tempo, quinze minutos é o tempo máximo.
- É o suficiente. – disse e apertou a mão de , que sorriu levemente para o médico e acompanhou o padrasto pelo corredor que levaria ao quarto da mãe.
Na porta, quando a abriu, hesitou e soltou a mão de , encolhendo-se na parede. O homem a olhou curioso e abaixou-se para ficar na altura dela. Viu que a garota chorava e a puxou para um abraço, sentindo as lágrimas dela molharem seu ombro.
- , está tudo bem. – ele sussurrou enquanto acariciava o cabelo da mais nova. Sentiu a cabeça dela movendo-se como se negasse o que ele dissera. Ele a afastou um pouco e fez com que ela levantasse o rosto, olhando-a nos olhos. – Você está com medo?
- E se eu machucar minha mãe? – ela perguntou, chorosa.
- Você não fará isso. – disse em um tom paternal. – Sua mãe continua sendo a mesma, ela está igual, você olhará para ela e verá a mesma coisa que você vê quando a olha dormir, lembra quando você fazia isso? – ela acenou positivamente. – Então, é exatamente isso que você a verá. Eu não deixarei você machucar sua mãe.
- Promete? – ela perguntou. passou a mão no rosto dela, enxugando as lágrimas.
- Prometo. – ele disse e a puxou para mais um abraço. levantou-se e estendeu a mão para que a pegasse, o que ela fez e, com o lábio inferior entre os dentes, ela acompanhou para dentro do quarto.
A imagem que ela viu foi exatamente a que descrevera. Sua mãe parecia dormir, a única diferença eram as agulhas em seus braços e os aparelhos que havia na cabeceira da maca, mas essa parte ignorou. puxou a poltrona que havia no quarto para perto da maca e subiu ali para poder ver a mãe. As lágrimas caíram em maior intensidade e a garota segurou delicadamente a mão de , temendo machucá-la.
- Ela pode me ouvir? – a garota perguntou em um sussurro para .
- Ela sempre irá te ouvir. – disse e beijou o topo da cabeça de . – Converse com ela, diga como você se divertiu com e hoje. Ela irá te ouvir, prometo. – olhou para , depois voltou seu olhar para a mãe. Comprimiu os lábios, incerta sobre como começar a falar, olhou para a mão de e acariciou a mesma.
- Oi, mãe. – ela disse. – Espero que você não fique brava com eles, mas tio e tia me levaram naquele parquinho novo que tem perto da minha escola, aquele que eu queria ir e você dizia que era perigoso, sabe? Foi lá que eles me levaram, e, mãe, não tem motivos para você dizer que é perigoso. Nós nos divertimos muito e eu nem estou dolorida como naquela vez em que fomos para aquele outro parque, lembra?
afastou-se um pouco de e para dar mais privacidade a garota. Ele sabia que ela estava adiando o momento mais difícil, aquele em que ela deixaria a emoção tomar conta e pediria para mãe voltar logo e ele precisaria estar lá para ajudá-la.
- Eu também queria dizer, mãe, que eu não estou mais brava com meu pai ou os outros tios de Londres. – a garota disse. – Mas eu não sei como dizer isso para eles, eu não tenho coragem de ligar para eles porque eu acho que você ficará brava comigo. – calou-se, até mesmo pensou que ela estava pensando em um novo assunto, mas surpreendeu-se quando viu a garota passar a mão pela barriga de e depois deitar a cabeça lá, tomando todo o cuidado para não mexer na agulha que havia no braço de . – Volta logo, mãe, por favor. – a garota sussurrou e começou a se aproximar. – E não fique brava com tio pelo que ele fez, porque ele fez o que era certo, nós não conseguiríamos ficar sem você.
- , devemos ir. – disse, mas a garota não ouviu. Ela olhava para o rosto da mãe e passava a mão no rosto dela.
- Acorda, mãe. – ela disse. – Eu vou me atrasar. – após a frase, começou a chorar compulsivamente, os soluços saíam e seu corpo tremia com a intensidade do choro. a abraçou com força, sentindo a garota apertar os dedos contra sua pele, tentando transferir a intensidade do choro para outro local. Ele a pegou no colo e saiu do quarto com o rosto da garota escondido em seu pescoço, as lágrimas molhando sua pele e a camiseta que ele usava.
- Está tudo bem, eu estou aqui. – ele disse, tentando acalmá-la.
Harry estava há horas olhando aquelas fotos. Inúmeros álbuns de fotos estavam espalhados pela mesa da sala de jantar de sua casa. Alguns abertos em fotos que ele considerava como as mais bonitas, outros já fechados porque ele olhara tudo e outros ainda esperando para serem vistos. Na maioria eram fotos dele segurando um bebê sorridente, com vários dentes faltantes. Em outras além dele e da criança, havia uma mulher, a mesma mulher por quem ele fora apaixonado e ainda era.
Olhou o relógio em seu pulso e constatou que já era tarde, mas a insônia escolhera exatamente aquela noite para lhe fazer companhia. Pegou o celular ao seu lado e apertou o botão que ligaria para o último número discado. A voz de , seguida pela de , preencheu o ambiente devido o aparelho estar no viva-voz. Olhou a última foto que pegara e sorriu, já estava maior e começava a dar seus primeiros passos, ele e estavam ao lado da garota enquanto ela tentava andar até o fotógrafo.
- Sinto sua falta. – ele sorriu para a foto e passou o dedo na imagem da mais velha. – Desculpe se eu não a agradei como um bom pai.
Abriu o aplicativo da internet no iPhone e viu pela décima vez o site da companhia aérea. Sabia que se comprasse a passagem e viajasse para o outro lado do oceano, o empresário do McFly falaria um monte para ele, assim como os amigos. Harry sentia-se um idiota por todos aqueles impulsos, há muito tempo ele não sentia aquilo e era até mesmo estranho tê-los naquele momento. Era óbvio que ele estava com medo de perder , ela era incrível e não queria perdê-la, era sua filha acima de tudo e não estava sendo um bom pai. O pensamento de viajar até onde ela se encontrava era uma forma de fazê-lo provar que poderia agradá-la e fazê-la feliz.
Entretanto, ele não podia abandonar a banda e todos os fãs. nunca aceitaria voltar para Londres, ela tinha lá e todos seus outros amigos, além de já ter construído toda uma vida.
- Ela também construiu uma aqui e mesmo assim foi embora. – Harry pensou em voz alta.
Não deixava de ser mentira, mas ela não tinha nada em Londres que a mantinha presa ao lugar. O mesmo não se aplicava ao Brooklyn, onde ela tinha . E Harry sabia muito bem que ela não largaria o homem novamente, ela não gostaria de sofrer tudo o que sofrera anos atrás.
O baterista suspirou e abandonou o celular em cima das fotos. Estava cansado, desde que chegara do show apenas tomara um banho, comera algo que havia na geladeira – sobras do jantar do dia anterior – e resolvera descer ao porão para resgatar as fotos. Ligou inúmeras vezes para a casa de e o celular da mesma apenas pelo prazer de ouvir a voz dela e da filha. As lembranças do passado o assaltaram enquanto ele via as fotos, ele se viu chorando, rindo, sorrindo e falando em voz alta de acordo com cada álbum e foto. Levantou-se da cadeira onde estava e subiu para o quarto, arrumaria um jeito de dormir nem que tivesse que tomar algum remédio. No dia seguinte tentaria ligar novamente para e para tentar voltar a ter uma relação normal com as duas. Sabia que seria difícil, mas faria o máximo possível para conseguir de volta o relacionamento que tinha entre as duas há anos atrás.
Capítulo betado por Sarah C.
Capítulo 18 – Weightless
Os segundos viraram minutos, que viraram horas, estas viraram dias e estes dias formaram uma semana. A pior semana de minha vida, ou, melhor dizendo, a segunda pior semana de minha vida. Eu vivi apenas para convencer a ir à escola e ficar no hospital esperando por notícias. Eu não entendia nada dessas coisas de coma, mas imaginava que uma semana era muito tempo.
- Quando a pessoa entra em coma sem ajuda médica, é um sinal de que seu organismo precisa de um tempo para voltar ao normal e se recuperar do trauma sofrido. – o médico me disse.
Não ajudou a me relaxar, obviamente, mas eu concordei e parei de fazer perguntas tão freqüentes. mostrava-se forte, mas eu sabia que de noite, antes de dormir, ela chorava pela mãe. Cheguei a vê-la rezando para que Deus fizesse a mãe melhorar. O médico não voltou a autorizar nossa entrada no quarto de e disse que não queria porque era doloroso demais.
- , eu sei, mas não posso chegar arrancando ele daqui. – ouvi dizendo e fingi estar dormindo na cadeira do corredor que eu já conhecia como a palma de minha mão. – Ele está acabado e não vai conseguir se concentrar em nada. – sua voz diminuiu quando ele dobrou no corredor e deve ter me visto. – Continuaremos o mesmo que estávamos fazendo. – disse e logo depois desligou. Sua mão começou a empurrar meu ombro levemente e eu comecei a fingir que estava acordando. – , acorda ai cara.
- O quê? – pisquei várias vezes e olhei para . – Ah, e ai, .
- Você ta péssimo, . – ele disse. – Já pensou em ir para casa, tomar um banho e dormir?
- Sim, isso acontecerá depois que ela acordar e eu implorar por perdão. – eu disse e senti as lágrimas virem com força, algo que acontecia sempre que eu tocava naquele assunto ainda que indiretamente. suspirou e sentou-se ao meu lado, apoiou os antebraços nos joelhos e virou a cabeça de lado para me olhar, eu ainda estava com a cabeça apoiada na parede atrás de mim.
- , acho que sou o único que não falou com você sobre isso ainda. – disse. – E eu nem sei o que falar, mas odeio ver você nesse estado. Você realmente acha que ela irá te odiar pela decisão que você tomou?
- Eu matei alguém inocente, .
- Alguém morreria de qualquer jeito. – ele disse. – Não foi egoísmo seu escolher a vida de e a morte da criança. Você viu quem traria menos conseqüências para não apenas você como para .
- Era nosso filho, , meu primeiro filho, um irmãozinho para . – eu disse, as lágrimas molhando meu rosto lentamente. – Eu sei que também tem algum ressentimento por mim, ela só finge que não porque precisa de alguém com quem compartilhar a tristeza, mas eu sei que ela me culpa pela perda do irmão.
- , cara, ouça o que você está dizendo! – disse. – está viva, vocês poderão fazer outro filho. Não seja idiota em pensar que alguém te culpa pelo que aconteceu.
- , eu preciso me culpar por algo porque eu não consigo entender. – eu disse.
- O que você não entende?
- Porque estava na rua, porque ela não olhou para os lados e não viu o carro vindo, porque ela saiu. – eu disse. – Afinal, de que serviria aquele esforço com aqueles inúmeros papéis se ela pretendia sair? Eu não entendo o que aconteceu, . – era a primeira vez que eu verbalizava isso, a intensidade das lágrimas aumentou, assim como o alivio que eu sentia em mim por desabafar um pouco.
- , foi uma fatalidade. Ninguém tinha como prever que aconteceria. Poderia ter acontecido até mesmo com a pessoa mais cuidadosa, alguém com TOC que tem que olhar para todos os lados da rua trezentas vezes antes de atravessar. – disse. – Aconteceu, não há culpados, ou talvez haja, mas nunca saberemos. E isso tampouco é importante, se martirizar pelo que aconteceu não adianta, pense apenas no que está acontecendo no momento. Pense em como a gostará de te ver bem quando acordar e como precisará de você lá para apoiá-la e fazer entender o que aconteceu.
- Eu sou imprestável, . – passei a mão no rosto, sentindo a umidade provocada pelas lágrimas. – Eu não mereço ter alguém como em minha vida.
- Caralho, ! – explodiu. – Pare com essa piedade de si mesmo, de sentir-se miserável. Todos nós estamos sofrendo com o que aconteceu, você não é o único aqui que está preocupado com o que aconteceu. Ela não é importante apenas para você. Já está mais do que claro que você não é culpado pelo que aconteceu, se a escolha coubesse a qualquer outro de nós, estaríamos péssimos também, mas tentaríamos ficar bem para dar suporte para aquela criança que está sem a mãe e precisa de mais apoio agora do que nunca precisou antes. Você não é a vítima da história e muito menos o que precisa de mais atenção, é, então faça isso por ela.
- , eu não quero. – fez bico e seu queixo tremeu com o choro que estava por vir. Abaixei para ficar na altura dela e olhei em seus olhos, enxuguei uma lágrima que escapou de seus olhos e passei em seus cabelos muito bem penteados por .
- Sua mãe precisa de você. – eu disse. – Eu sei que parece que ela não irá te ouvir, mas ela está ouvindo. Eu também sei que você está com saudades, você também precisa disso, .
- Mas...
- Eu estarei com você, nada acontecerá. – eu garanti. Ela passou os braços em volta de meu pescoço e eu a abracei com força, sentindo as lágrimas molhando meu ombro. – Vamos? – perguntei quando nos afastamos e ela assentiu com a cabeça enquanto enxugava as lágrimas.
Peguei sua mão e entrei no quarto. Havia conversado com o médico mais cedo, logo após a visita de , pedi que ele deixasse visitar a mãe porque ela precisava disso. Ele deixou, concordando que achava necessário mesmo. A parte mais difícil foi convencer a vir até o hospital e entrar no quarto da mãe.
Fechei a porta atrás de mim e soltei sua mão, deixando que ela se aproximasse da maca e segurasse a mão de . Ela não estava muito diferente desde nossa primeira e última visita, apesar da palidez ter diminuído um pouco. ficou em silêncio nos primeiros minutos, eu podia ouvir seus soluços e suas fungadas. Ela deitou a cabeça no braço da mãe e ficou segurando a mão da mesma.
- Mamãe... – ela disse, sua voz estava rouca pelo choro, mas ainda era possível ouvi-la bem. – Mãe, por favor, volta. – levantou a cabeça para olhar o rosto da mãe. – Sabe quem ligou, mãe? Tio Danny. Ele disse que meu pai está com saudades, mas que não tem coragem de ligar. Tio Tom também falou comigo, mas eu não consegui dizer que você não podia falar com ele porque estava aqui... Eu só disse que você não estava em casa... Desculpa, mãe, mas eu não consegui contar. – com dificuldade ela conseguiu sentar na beirada da maca, ainda segurando a mão de . – Você tem que acordar, mãe... Eu acho que meu pai fará alguma coisa que não deve, os tios estavam muito preocupados com eles. Mãe, você sabe como ele é...
Sentei no sofá que havia ao lado, não me importava de ouvir as coisas que contava, eu realmente acharia bom se Harry ou qualquer outra pessoa de Londres viesse. Eles conhecem melhor do que qualquer um de nós e saberiam melhor como confortá-la.
- Prometa que quando acordar, mãe, você brigará com ? – ouvi a garotinha dizer e levantei o olhar para ela, tinha um sorriso singelo no rosto. – Desde que você resolveu dormir demais, ele não sai mais daqui, a tia tem que falar um monte no ouvido dele para que ele vá para casa tomar um banho. – sua voz, que já tinha clareado um pouco, pois ela parara de chorar, voltou a ficar embargada e percebi que o choro voltaria. – Prometa também não brigar com ele, mamãe. Eu sei que ele se sente mal por tudo o que aconteceu, eu não sou surda, consigo ouvir as conversas dos meus tios daqui, por favor, prometa não brigar com ele por causa do que aconteceu.
Senti meu rosto úmido e percebi estar chorando também. encostou sua cabeça na barriga de e ficou ali chorando, os olhos fechados e os lábios entreabertos para que ela conseguisse respirar devido o nariz congestionado. Levantei do sofá e me aproximei da cama, colocando minha mão por cima da de que ainda estava segurando a de .
tagarelava sobre qualquer coisa ao meu lado, alguém – , provavelmente, como sempre – a ouvia atentamente enquanto os outros apenas fingiam, como eu fazia. Olhava os ponteiros do relógio se moverem lentamente, pareciam quase parar em alguns minutos. Uma semana e um dia que estava em coma; e eu ficamos um longo tempo no quarto dela no dia anterior; após as lágrimas, sentiu-se mais confiante para continuar contando as novidades para a mãe.
Os médicos realizavam exames todos os dias, mas nenhum dava sinais que voltaria logo. Isso desanimava mais do que todo o resto. Após a conversa com eu parara de me martirizar tanto, ou aparentar que estava me martirizando pelo ocorrido. Porque eu ainda me culpava por tudo, eu ainda sentia vontade de chorar toda vez que pensava em e em sua reação quando descobrisse minha escolha.
- ! – ouvi gritando e olhei assustado para ela. – Seu celular está tocando.
- Ah, valeu. – tateei meus bolsos procurando meu celular e o atendi. – Alô?
- Sr. ? – ouvi a voz desconhecida do outro lado e franzi o cenho.
- Sou eu. – respondi.
- Eu falo da escola... – por um segundo eu não consegui ouvir mais nada, quando percebi já estava em pé e procurava pela chave de algum carro já que não estava com o meu. – Sr. , o Sr. está ouvindo?
- Desculpe, estava procurando as chaves. – eu disse. – O que aconteceu?
- está aqui na diretoria e deu seu número para que entrássemos em contato.
- Estou indo já. – respondi e desliguei. – Vou buscar na escola.
- Mas, , ainda não deu o horário. – observou.
- Ao que parece ela se meteu em alguma briga. – eu disse e saí andando. As chaves que eu peguei foram do carro de , o que considerei uma boa escolha.
Entrei no carro, liguei e acelerei. A escola não ficava muito longe e, felizmente, naquele horário não havia muito trânsito. Cheguei ao local em menos de vinte minutos, estacionando na primeira vaga que encontrei e descendo do carro logo depois.
Quando entrei na parte da diretoria, estava sentada em uma cadeira, a cabeça abaixada e as mãos no colo, eu sabia que ela chorava por qualquer motivo que fosse. A mulher sentada atrás de uma mesa me olhou e apenas levantou-se entrando na porta que havia ao lado de sua mesa. Sentei ao lado de e ela levantou o olhar para mim. Seus olhos estavam vermelhos devido o choro e seu rosto úmido, ela tinha uma expressão de dar dor no coração.
- Desculpe, . – ela murmurou no exato momento em que a diretora me chamava.
A sala era organizada, séria, bem estilo diretora de colégio. A mulher atrás da mesinha até que parecia simpática, não muito velha e nem muito nova. Sentei na cadeira que ela me apontou e esperei que ela começasse a dizer o que havia acontecido com .
- Sr. , sinto muito chamá-lo aqui tão repentinamente. – ela começou a dizer.
- Pode me chamar de . – eu disse. – E não há problema algum.
- Tudo bem, . – ela disse. – Você provavelmente deve estar se perguntando o motivo da minha ligação. – confirmei com um aceno de cabeça. – fez algo que não acredito ser do feitio dela. Entenda, ela é uma garota adorável e se dá bem com todos.
- Poderíamos pular para a parte onde você diz o que aconteceu? Não quero ser grosso, mas estamos em uma situação delicada. – eu disse.
- entrou em uma briga. – a diretora disse e arregalei os olhos. havia batido em alguém? Isso realmente me surpreendia. – Ela não quis dar detalhes, só conseguia chorar e foi com muito custo que conseguimos que ela passasse algum número.
- Eu... Eu estou surpreso. – consegui dizer.
- , há muito, aliás, nesta semana em especial, estamos notando uma decaída no desempenho de . Ela sempre foi uma garota com ótimas notas, sempre trazendo os deveres feitos e completos, mas ultimamente isso não vem acontecendo. tornou-se fechada e calada, fala pouco e seu desempenho não está tão bom como antes.
- Entendo, como eu disse, a situação está delicada. – eu disse. – O que acontecerá com ?
- Nada, devido seu desempenho anterior, eu realmente acredito que há um grande motivo por trás das novas atitudes de , resolvi dispensá-la e talvez o Sr. e a mãe dela possam ter uma conversa com ela.
- Claro. – eu disse. Não achei que seria uma boa escolha comentar sobre o coma de , mas a mulher precisava de uma explicação boa. – Realmente há um motivo para o comportamento de . está em coma, perdeu o bebê. – a diretora fez uma expressão chocada e por um momento achei que sua boca iria abrir-se e escancarar-se, algo do tipo. – Como você deve imaginar, foi uma semana difícil.
- Eu sinto muito, realmente nunca imaginei que isso aconteceria. – ela disse. – Como a mãe dela está?
- Não sabemos, os médicos não conseguem ter certeza de seu despertar. – eu disse já me levantando. – Obrigada por não aplicar qualquer advertência em , conversarei com ela sobre o ocorrido.
- Claro, caso seja necessário que falte, não há problemas. – ela disse. – Eu desejo melhoras a .
- Obrigado.
Sai da sala e levantou o olhar para mim, estendi a mão para que ela pegasse, ela pulou da cadeira onde estava e segurou minha mão. A cabeça ainda abaixada, peguei sua mochila e fui com ela até o carro de . Entramos no carro e ela permaneceu em silêncio, dirigi ouvindo suas fungadas e soluços. Avistei um restaurante fast-food e parei ali.
- Você ficará ai mesmo enquanto eu como um delicioso hambúrguer? – ela me olhou curiosa.
- Você não vai brigar comigo? – ela perguntou.
- Só se você me deixar almoçar sozinho. – olhei para ela com um sorriso. mordeu o lábio inferior e então soltou o cinto de segurança e abriu a porta.
Entramos no restaurante e seguimos para uma mesa próxima a janela que havia por ali. Ela ainda estava quieta, eu sabia que ela apenas esperava uma bronca, algo que não viria tão cedo. A garçonete veio e fizemos nossos pedidos, olhava para a rua do lado de fora e parecia muito entretida nisso.
- Então, dormiu bem? – perguntei. Queria mesmo perguntar sobre a escola, mas esperaria ela se soltar antes.
- , pode falar logo, gritar comigo, me colocar de castigo... Qualquer coisa. – ela me olhou diretamente pela primeira vez.
- Apenas me explique algo, - ela esperou curiosa por minhas palavras – por que você acha que eu brigarei com você?
- Por que não brigaria? É o que minha mãe faria.
- Mas eu não sou sua mãe, sou? – ela sorriu rapidamente. – , eu não vou brigar com você, nem posso fazer isso, não tenho direito algum sobre isso.
- Você tem. – ela disse. – Mais do que Harry.
- , eu não terei essa conversa com você. Harry é seu pai, eu sou apenas o namorado de sua mãe. – por enquanto, pensei, até ela acordar e me odiar por tudo o que aconteceu.
- Você é muito mais o meu pai do que Harry. – ela disse. – Você me dá atenção, me ama, me dá bronca quando eu preciso. Harry nem ao menos me dá atenção, ele nem se esforçou para vir em meu aniversário.
- , esse não é nosso assunto. – eu disse. – Quero que você entenda uma coisa, não me interessa o que aconteceu hoje, eu só quero que você saiba que eu te entendo, deveria imaginar que você estava enfrentando mais do que aparenta. E pare de dizer que sou mais seu pai do que Harry, você me odiaria também se a situação fosse contrária. – depois disso nosso lanche chegou e ela voltou ao silêncio de antes. Talvez eu tenha pegado pesado demais, mas sabia que ela ficaria bem mais tarde.
- Capítulo misturado com flashback. O esquema é: cena atual – trecho de música – flashback – música...
Coloquem essa música para tocar.
CAPÍTULO 19 – Faithfully
AVISOS
- A ordem cronológica dos momentos atuais não é certa.
- Capítulo narrado em 3º pessoa.
O cinto parecia apertado demais, assim como o ar parecia faltar para que sua respiração se completasse. Harry apertava com força o braço da poltrona. Não por estar nervoso, já estava mais do que acostumado a viajar de avião. Não, ele temia o que encontraria em seu destino final. Será que ela estava feliz? Teria se acertado com ele? Como estaria ? Esperava que a menina ainda não tivesse mágoas dele. Seu celular vibrou em seu bolso e Harry suspirou, irritado. Pegou o aparelho e desligou-o, não queria conversar com os outros, pois já sabia o que falariam.
Encostou a cabeça na poltrona e fechou os olhos. O avião não demoraria a decolar e, em algumas horas, ele a veria novamente. Ele sabia que ela estava bem, mas então por que sentia aquele aperto no coração? Nunca tivera muitos sextos sentidos ou intuições, mas algo fizera com que ele comprasse a passagem, fizesse as malas e corresse para o aeroporto, abandonando o ensaio do dia, alguma entrevista agendada e talvez até alguma apresentação ou um show. Sentiu o avião começar a se movimentar e suspirou, aliviado, queria chegar logo ao Brooklyn, vê-las e dizer que sentia muito por tudo que fizera.
Highway run
Into the midnight sun
Wheels go 'round and 'round
You're on my mind
A garota sentia-se perdida, nunca viajara para fora de seu país antes e isso a atormentava. Talvez tenha sido sua situação o motivo de se sentir assim. Ela podia apostar que estava estampado em seu rosto que não fazia ideia do que faria da porta para fora daquele aeroporto, até que chamou a atenção do garoto de olhos azuis, era tão bonito.
- Posso ajudá-la? – ele perguntou. Parecia sincero, e ela sorriu, agradecida.
- Não sei para onde ir. – assumiu. A emoção falou mais alto do que a razão, e ela partira sem pensar em onde ficaria e o que faria. Só sabia que queria ir para longe e foi o que fez, se arrependimento matasse... – Sou nova, acabei de chegar.
- Harry, precisamos ir. – um outro disse, próximo ao que falava com ela. Harry, nome bonito, pensou.
- Venha comigo. – ele disse. Ela tinha que confessar que o reconhecia de algum lugar, mas não tinha ideia de onde, talvez porque Londres tivesse muitos garotos parecidos com ele. Ou não...
- Eu mal te conheço. – ela disse. Ele era sua única chance de sobrevivência naquele país novo e, mesmo assim, ela ainda estava recusando.
- Sou Harry Judd. – ele estendeu a mão e abriu o sorriso mais lindo que ela já vira, depois do sorriso dele, é claro.
- . – ela disse e estendeu a mão também, selando o cumprimento.
- Agora não somos mais desconhecidos. – ele disse. – Venha, eu e meus amigos poderemos te ajudar.
- Não quero atrapalhar. – idiota, pare de ser idiota! Sua consciência falou e ela quase riu. Engraçado como a mesma consciência não disse nada quando ela resolveu ir embora.
- Pare de arrumar impecilhos para vir comigo. – ele disse, divertido, e então ela riu. A mão de Harry estava estendida, esperando que a aceitasse e eles pudessem seguir os amigos dele.
- Acho que em uma semana eu consigo me encontrar aqui, tudo bem? – ela perguntou. Pensou em dizer “um dia”, mas isso era muito pouco tempo para que encontrasse casa, trabalho e coisas do tipo.
- Não disse que você precisava de um prazo para ficar. – ele disse. – Quero ajudá-la.
- E o que garante que não sou uma aproveitadora? – ela perguntou.
- Dá para ver em seus olhos que não é. – Harry disse. ficou surpresa, pegou-se olhando nos olhos azuis do garoto e sorriu com o que viu.
Restless hearts
Sleep alone tonight
Sendin' all my love
Along the wire
Acordar, enjoos matinais que, com esperança e sorte, estavam para acabar, banho, colocar a roupa, tomar café-da-manhã, levar para a escola, dar um beijo de bom dia, dizer “eu te amo”, vê-la entrando na escola e cumprimentando as amiguinhas, trabalhar, pegar papéis, discutir com , precisar sair correndo, sair do prédio, atravessar a rua, escuridão, dor, barulho infernal de buzinas... Inconsciência.
Sua cabeça estava pesada. Todo seu corpo estava, na verdade. O bipe a irritava, mas parecia ser importante apitar tão insistentemente. Ouvia vozes, mas não as reconhecia; parecia estar acordando de um longo sono, sentia-se como a bela adormecida, mas não estava acordando com o beijo de seu príncipe. Não sabia onde estava, aquela não era sua cama, aquele ar gelado não era da janela aberta, assim como aquele cheiro não era o de algum produto de limpeza. Com dificuldade, abriu seus olhos e não reconheceu o teto acima de si, ou qualquer outra parede que olhou. Levou um tempo para perceber que os milhares de monitores ao seu redor eram os de um hospital, que era o local onde ela se encontrava.
Tentou se levantar, mas além do corpo pesado, uma dor próxima ao seu ventre a fez ofegar, voltando a se deitar. Olhou seu braço esquerdo, vendo as agulhas e o esparadrapo que a impedia de soltá-las de seu braço. Tentou olhar sua barriga, saber o tamanho que ela estava, mas não conseguiu. Sua voz não saiu como devia quando tentou falar, aliás, sua boca estava seca, como se há muito não tomasse água. A porta do quarto se abriu, ela virou a cabeça e viu o médico entrando. Ele percebeu que ela estava acordada e isso pareceu aliviá-lo de um peso nas costas.
- . – ele chamou, ela o olhou, curiosa. – Como se sente?
- Ah... – sua voz estava fraca e a secura em sua boca não ajudava. Olhou para a mesinha ao lado da maca e tentou apontar para o copo de água que estava ali.
- Ah, sim, entendo. – ele pegou o copo e ajudou a engolir o líquido. – Melhor? – ele perguntou e assentiu. Ficou um tempo em silêncio, deliciando-se com o líquido que a ajudou a clarear a voz.
- O que aconteceu? – perguntou. – Digo, por que parece que estou dormindo há muito tempo?
- Você estava em coma... Há uma semana. – o doutor disse e sentiu sua boca abrir-se, em surpresa.
- Eu... – ela fechou os olhos, ainda que tivesse acabado de abri-los. As cenas vieram a sua mente como uma enxurrada. A discussão com , a necessidade de sair correndo do prédio por algum motivo que parecia muito banal, a imprudência ao atravessar a rua sem olhar antes, a buzina do carro e depois a escuridão. – Conte o que aconteceu, por favor. – ela pediu.
They say that the road
Ain't no place to start a family
Right down the line
It's been you and me
- , você tem certeza que está bem? – Harry perguntou pelo que parecia ser a milésima vez só naquela meia hora.
- Claro que sim, Harry. – ela disse. – Acho que comi algo estragado.
- Todos nós comemos as mesmas coisas, por que só você está mal? – o garoto perguntou.
- Harry, por favor, não faça perguntas. – pediu. O garoto a ajudou a levantar e ela lavou a boca. Harry levou-a até a cama e sentou-se na beira da mesma.
estava com eles há pouco mais de dois meses e recentemente Harry vinha dando sinais estranhos. Ele já percebia que ela não conseguia dormir tranquilamente, sentia enjoos e sempre que havia algo no estômago, colocava para fora. Harry também percebeu que metade dos perfumes da garota haviam parado no lixo e já se cansara de ouvi-la reclamando que as calças estavam apertadas.
- ... – o moreno começou, incerto. – Você já pensou na possibilidade de estar grávida?
- Não seja idiota, Harry. – a garota riu, sem humor. – Quem seria o pai? Espírito Santo?
- ... – ela sabia do que Harry falava, fechou os olhos e sorriu com as lembranças. Fora uma ótima noite, que, infelizmente, não voltara a se repetir.
- Não fomos idiotas a esse ponto, Harry. – a garota disse. Lembrava-se da camisinha, da proteção na hora certa. Do cuidado que Harry teve ao tomá-la para si.
- , você sabe que essas coisas podem acontecer. – o moreno insistiu. A ideia de ser pai lhe dava certa alegria, mesmo que pudesse atrapalhar sua vida profissional, ele não se importaria. Largaria a música, se fosse preciso.
- Harry, eu me conheço, conheço meu organismo. – a garota insistiu. – Não estou grávida.
Lovin' a music man
Ain't all it's supposed to be
Oh boy, you stand by me
I'm forever yours
Faithfully
sentia-se tenso. Estava na sala, esperando ficar pronta para voltarem ao hospital. Precisou que todos falassem no seu ouvido para convencê-lo a ir até o apartamento e tomar banho, barbear-se, trocar a roupa, comer algo, descansar... Coisas que ele não queria fazer. tomava banho, enquanto passava pelos quase duzentos canais da televisão, apenas por diversão.
Estivera com pela manhã, seu estado continuava o mesmo, isso o preocupava, mas os médicos não lhe diziam nada. Ele tentava ser forte por , mas a tarefa ficava cada dia mais difícil devido a falta de notícias. temia perder a mulher amada novamente, apenas a ideia de perdê-la já lhe causava uma dor insuportável, ele sequer conseguia imaginar como se sentiria se isso realmente viesse a se concretizar.
- Não seja estúpido, nada acontecerá. – disse a si mesmo. Olhou o relógio, estranhando a demora de . Levantou-se do sofá e foi até o quarto da garota.
A porta estava fechada, parecia haver apenas o silêncio do outro lado, bateu na porta, mas não obteve resposta. Abriu a mesma e viu muito concentrada escrevendo algo em sua escrivaninha. aproximou-se e olhou pelo ombro da garota o que ela fazia.
- Por que está estudando agora? – ele não pôde deixar de perguntar, ao ver o caderno e o livro de escola abertos. pareceu se assustar com a presença repentina, mas virou-se para e sorriu.
- Mamãe ficará brava se acordar e descobrir que eu não fiz a lição. – disse, simplesmente, como se estivesse apenas cochilando no quarto ao lado.
- , você pode fazer a lição mais tarde. – disse.
- Não, , eu não quero que a mamãe fique brava. – disse, ela ainda olhava para e o homem viu as lágrimas surgirem nos olhos da menina.
- Tudo bem. – ele se rendeu. – Quer ajuda?
- Não, eu já vou terminar. – a garota disse.
- Estarei na sala. – disse e saiu do quarto. Ele não conseguia entender como conseguia manter sua rotina: escola, lição, todos os dias. A garota aparentava ser mais forte do que ele, e não duvidava que ela realmente fosse.
Circus life
Under the big top world
We all need the clowns
To make us smile
tinha o cenho franzido, os lábios comprimidos e a aparência cansada. Quem diria que a gravidez poderia cansar tanto? Afinal, Harry estava certo – ele sempre estava – e a garota realmente estava grávida. Estava no meio do sétimo mês de gestação, já sabia que esperava uma menina e já até escolhera o nome: .
- Harry Judd, Thomas Fletcher e Dougie Poynter. – a mulher disse, irritada, na porta da sala. Os três pularam ao ouvir a voz dela e pausaram o jogo no mesmo instante, virando os olhos para ela. – Vocês realmente não levantarão essas bundas dessa porcaria de sofá para me ajudar a terminar a decoração daquele quarto?
- , é guitar hero! – Dougie disse.
- E isso me interessa porque... Ah, é mesmo, não interessa. – a garota disse. – Como você foi o primeiro a se manifestar, Poynter, você leva a primeira caixa perto da escada.
- Mas é a maior de todas! – o loiro reclamou.
- Não interessa, é isso ou você nunca mais verá guitar hero na sua frente. – ela ameaçou e o garoto levantou-se imediatamente. – Terei que fazer o mesmo com vocês? – ela cruzou os braços e olhou para os outros dois com uma sobrancelha arqueada. Tom e Harry levantaram-se imediatamente e começaram a ajudar Dougie.
A campainha foi tocada e caminhou para a porta, dando de cara com um Danny, sorridente – como ele sempre estava – e alegre.
- , a pessoa que eu queria ver. – ele disse.
- Para quê? – perguntou.
- Tenho uma pipa, tenho um balão. – o garoto começou e o olhou, com uma expressão muito confusa. – Fica comigo, sim ou não?
- Você sabe que se me quiser tem que aceitar a pessoa aqui dentro, não? – ela apontou para a própria barriga, tinha um sorriso divertido em seu rosto e ela queria rir da cantada péssima de Danny.
- Eu aceito. – ele disse. Logo depois, ambos começaram a rir. – Continuem assim, estão fazendo um ótimo trabalho. – Danny olhou para os amigos, que ainda carregavam as caixas com os móveis do quarto do bebê.
- Vem ajudar, seu gay. – Harry disse.
- Danny tem a obrigação de me fazer companhia. – disse. Danny apenas riu dos amigos e seguiu a grávida até a sala, onde eles começaram a jogar guitar hero.
Through space and time
Always another show
Wondering where I am
Lost without you
Harry localizou rapidamente a área dos táxis, munido de apenas uma mochila – não calculou que ficaria muito tempo – seguiu para a saída e entrou em um táxi disponível. Deu o endereço do apartamento que comprara para e permitiu-se relaxar no banco do táxi, enquanto o motorista fazia o trajeto.
Já escurecia na cidade, ele se perguntou qual seria a programação para a noite de . Será que estaria em casa? Ou foi jantar na casa dos amigos? Ele torcia pela primeira opção e que ela estivesse sozinha, apenas ela e . A corrida do táxi demorou um pouco, já que o apartamento de ficava longe do aeroporto e isso só fez com que Harry ficasse mais ansioso ainda. Quando já pensava que o taxista havia se perdido, ele estacionou em frente ao prédio que ele e os meninos acharam bom para que e morassem. Deu o dinheiro necessário ao motorista e desceu.
O porteiro o reconheceu, felizmente, Harry pensou. Fazia tanto tempo que estivera ali pela última vez, que imaginava que o homem não se lembraria dele. Adentrou o saguão e esperou o elevador descer até o térreo, logo adentrando o mesmo e apertando o botão que se referia ao andar de .
And being apart ain't easy
On this love affair
Two strangers learn
To fall in love again
Já era a quinta vez que Harry a pegava olhando as fotos. A barriga já estava visível, e ela sempre olhava para aquela foto com a mão na barriga, acariciando-a. Era sempre a mesma, dela junto com ele, aquele que ela deixou para trás quando veio para Londres.
odiava ser pega por Harry, porque sempre conseguia ver a dor nos olhos dele. Ela odiava magoá-lo, logo ele que foi tão receptivo com ela e a ajudou tanto, não gostava da ideia de vê-lo machucado, principalmente por ela. Mas era inevitável não pensar nele., o seu amor da adolescência, sua primeira paixão, seu primeiro conhecimento sobre namoros, ficadas e sexo... Sua primeira decepção.
Ela sabia que fora inconsciente, que ele não quis mesmo dizer aquilo, mas ela conseguiu enxergar a verdade. queria crescer junto com os meninos, ele queria fazer sucesso e aquele relacionamento deles só atrapalharia. E a noite anterior às suas palavras foi a confirmação disso. tentava não se arrepender do que fizera, mas era difícil lutar contra.
O médico a examinava, surpreso com sua recuperação repentina. quase ria do esforço do homem tentando esconder o sorriso de alívio por vê-la acordada. Perguntava-se onde estariam e , queria tanto vê-los. Queria perguntar a eles o motivo do cenho franzido do médico, ainda que ele quisesse sorrir, queria saber o motivo de não poder sentar ou fazer um ultrassom e ver seu bebê.
- Descanse um pouco. – era ridículo ouvir aquilo, principalmente sabendo que ficara em coma por uma semana e meia, segundo o que ele lhe dissera. – Eles devem chegar logo.
É claro que ele sabia quem ela esperava, nem mesmo seus outros amigos estavam no hospital. Isso, ou o médico não queria permitir a entrada deles, não importava, ela só queria e no momento, sua família.
I get the joy
Of rediscovering you
Oh girl, you stand by me
I'm forever yours
Faithfully
- , te dou trinta segundos para chegar na porta. – disse, enquanto abria a mesma.
- Cheguei. – a garota disse, quando o homem ainda estava no dez. – Para que tanta pressa? – ela perguntou. e não perceberam que a porta do elevador se abria, e alguém muito conhecido saía da mesma. – Mamãe ainda não acordou mesmo, o médico já teria ligado.
- Você sabe que não gosto de ficar longe de sua mãe, principalmente no estado em que ela se encontra. – disse, trancava a porta do apartamento enquanto mexia no vaso de flores que tinha ao lado.
- Estado em que se encontra, você fica muito chato falando tudo certinho assim. – a garota disse. – Qual é o problema de falar que ela está em coma?
- O quê? – ambos pularam ao ouvir o sotaque britânico de Harry. virou-se rapidamente para o homem e encontrou os olhos azuis do mesmo, vendo as lágrimas já surgindo ali. Sem pensar, correu até o mesmo e o abraçou com força.
- Harry! – ela disse, quando pulou nos braços dele.
demorou-se para virar, terminou de trancar a porta e respirou fundo antes de virar-se e ver abraçada fortemente a Harry, chorando tudo o que não chorara com ele. Não quis interromper o momento entre pai e filha. Foi para o elevador e esperou ao lado, ocupando-se em ler as informações no quadro de avisos do andar.
- , como assim sua mãe está em coma? – Harry perguntou, depois de um longo tempo abraçando a garota.
- Desculpe, Harry, eu queria contar, mas não conseguia. – soluçou. – Ela sofreu um acidente, foi atropelada e perdeu o meu irmãozinho. – sentiu os membros congelarem, sabia que Harry não tinha conhecimento da gravidez de e temia a reação do homem.
- Você deveria ter me avisado, . – Harry disse, seu tom de voz era suave, carregado de preocupação pela situação de .
- Estamos indo ao hospital, quer ir junto? – se viu perguntando ao homem.
- Se não for incômodo. – Harry disse.
- Vamos, Harry, você precisa vê-la, mandá-la acordar. – disse, a voz ainda chorosa, o rosto úmido e os olhos cheios com novas lágrimas.
O médico conversava com uma enfermeira na sala de espera e não escondeu o alívio ao perceber e se aproximando. Franziu o cenho ao ver a garota de mãos dadas com outro homem.
- Doutor, esse é Harry, pai de . – disse, após cumprimentarem-se. – Queríamos saber se ele pode ver .
- Estou feliz por terem chegado. – o médico disse. – Faz algumas horas, provavelmente duas, que acordou.
- O quê? – disse, um sorriso espalhando-se por seus lábios. – Minha mãe está acordada? Eu quero vê-la, como ela está? Já sabe de tudo? Doutor, posso vê-la?
- , acalme-se. – Harry pediu.
- Ela ainda não sabe do que ocorreu com o bebê, achei que vocês gostariam de comunicar. – o doutor disse, assentiu.
- Podemos vê-la? – Harry manifestou-se com o doutor pela primeira vez.
- Sim. – o médico olhou para . – Você sabe o caminho.
estava impaciente, queria ver sua filha logo. Já sabia de cor toda a decoração do quarto e não havia sequer uma televisão para entretê-la naquele momento. Fechou os olhos e começou a relembrar momentos felizes de toda sua vida. Ouviu, ao longe, a porta sendo aberta, mas imaginou ser em outro lugar, até sentir uma mão pequena, fina e trêmula segurando a sua.
- Acho que ele se enganou. – ouviu o sussurro choroso de . – Ela voltou ao coma.
- Ele saberia, se isso acontecesse. – a voz de disse. Um sorriso surgiu nos lábios dela e ela começou a abrir os olhos. Um silêncio foi possível de se ouvir, quando perceberam que ela abria lentamente os olhos.
- Mamãe! – foi quem falou primeiro, as lágrimas escorrendo como uma cachoeira pelo rosto delicado.
- . – disse. Mas a atenção da mulher concentrou-se em outro ponto, um ponto atrás de . Um par de olhos azuis a encarava, com lágrimas nos olhos também.
- Harry. – sussurrou. e viraram a cabeça para trás e olharam a figura do homem tentando controlar as lágrimas, tarefa impossível.
- Hey, . – o homem disse e aproximou-se da cama.
- te ligou? – a mulher perguntou e logo olhou para a filha.
- Ela estava preocupada com a mãe. – Harry mentiu, não estava bem para que começassem a discutir logo ali. Sim, ele estava chateado por terem escondido a gravidez de dele, mas isso era assunto para outra hora.
- Você não se importa, não é, mamãe? – perguntou, sorriu para a filha.
- É claro que não, meu anjo. – disse. – Agora, será que algum de vocês pode me dizer o que aconteceu?
Os três se entreolharam, encostou a cabeça no braço da mãe, que começou a sentir as lágrimas molharem o local, e Harry pareciam conversar silenciosamente. Por fim, pareceram chegar a um acordo. voltou-se para e suspirou pesadamente. Harry afastou-se e sentou no sofá que havia perto da porta. No caminho para o hospital, conseguira lhe contar tudo o que aconteceu. Rapidamente, narrou o que aconteceu, mas quando chegou o momento de contar a pergunta que o médico lhe fizera, o homem não agüentou. Conseguira ser forte, mas aquele momento ainda lhe causava muita dor, não conseguia imaginar como seria sua vida se o condenasse por sua escolha.
- , me perdoe, por favor. – ele pediu. ainda estava encostada na mãe, não levantara o rosto uma vez sequer durante a narrativa de . – Eu tinha que escolher, eu fui egoísta, pensei apenas em mim... Não tinha outra escolha.
- , não diz isso. – olhou para o homem. – Você não teve culpa.
- O que aconteceu? – mesmo sem saber o que era, já sentia as lágrimas molharem o rosto.
- O médico disse que vocês dois corriam risco, – recomeçou sua narrativa – ele pediu que eu escolhesse quem ele deveria salvar. Desculpe, , mas eu não conseguiria viver sem você. – o homem segurou a mão da namorada, provavelmente o último toque que teria com ela. – Eu pedi que ele salvasse você.
Capítulo betado por Nessa
Capítulo 20 – Heroes
“Eu pedi que ele salvasse você.” Aquela frase não fazia sentido em minha cabeça que, aliás, doía muito, como se eu estivesse de ressaca. “Eu pedi que ele salvasse você.” chorava copiosamente ao meu lado, também apoiada em meu braço. Meu cenho estava franzido e eu tentava entender o que ele havia contado. “Vocês dois corriam risco.” Certo, eu não estava tão lerda assim, sabia de quem falava e era de mim e meu filho... nosso filho. Meu filho... Senti meus olhos se arregalarem quando as peças do quebra-cabeça se juntaram, talvez isso explicasse o vazio que eu sentia em mim, a dor em meu ventre e a preocupação nos olhos do médico que, mesmo aparentando felicidade por mim, tinha um toque de preocupação nos olhos também.
- Você tirou meu filho de mim? – perguntei, sentindo minha voz fraca e as lágrimas começando a escorrer. – Por que, ?
- , eu não conseguiria viver sem você.
- Egoísta. – acusei, antes mesmo que ele completasse.
- , por favor, me entenda. Eu não fiz apenas por mim, fiz por . – ele disse, a dor estampada em seus olhos. – Pensei no que ela sentiria por perder a mãe. E podemos tentar...
- Cale a boca. – cortei-o. – Não diga isso como se fosse a coisa mais normal do mundo. Ah, tudo bem, você perdeu o filho, nós fazemos outro. Se tem um pingo de consideração por mim, não sugira isso.
- Mamãe, não briga com ele. – pediu chorosa, mas eu não a ouvi.
- Como você pôde, ? – perguntei.
- Pelo amor de Deus, , ouça o que está dizendo. – ele disse em um sussurro desesperado. – Você preferia morrer e deixar sua filha a viver? Preferia abandoná-la? Abandonar sua família, seus amigos?
- Você fala como se tivesse realmente pensado nisso quando deu sua sentença egoísta.
- As únicas pessoas que me importam nesse mundo são você e . – disse e me cortou quando abri a boca para continuar atacando-o. – Sim, eu realmente não conseguiria viver sem você. Deus, só Ele sabe o quanto eu fiquei um bagaço após a decisão e com você em coma. Mas eu não fiz o que fiz pensando em mim e no meu ego, eu pensei na sua filha, coisa que você não está fazendo no momento ao dizer todas essas coisas.
- , acho melhor você dar um tempo. – ouvi Harry dizer e sua figura apareceu, colocando a mão no ombro de . – Ela precisa descansar, não pode ficar se exaltando assim.
me olhou, dor e tristeza se misturavam em seus olhos, emoldurados por profundas olheiras. Uma semana podia ser pouco tempo, mas fora o suficiente para que ele emagrecesse consideravelmente, seu cabelo estava desgrenhado e a barba recém-feita estava mal feita, como se ele tivesse feito com pressa. Suspirei e fechei os olhos, alcançando a mão pequena de e apertando-a delicadamente. Ouvi os passos de Harry e se afastarem e a porta abrir e fechar logo depois. soluçou em seu choro silencioso e eu abri meus olhos, fitando os olhos muito abertos de minha filha.
- Desculpe, meu anjo. – eu disse. Com dificuldade ela escalou a cama e sentou-se na beirada, suas mãos seguravam a minha e seus olhos fitavam meu braço com agulhas antes de encontrarem os meus.
- Não o culpe, mamãe. – ela disse. – Tio sofreu muito, mais do que todos nós. Se eu desculpei o que ele fez, você também pode.
- , querida, não é tão fácil. – eu disse.
- É sim, mamãe. – disse, teimosa. – Ele não conseguiria viver sem você, mamãe, nenhum de nós conseguiria, nem mesmo meu irmãozinho. Você sabe, mamãe, que não está brava com ele, só está fingindo para não ficar triste. – estiquei meu outro braço, que tinha menos agulhas, e acariciei o rosto de minha filha.
- Quando foi que você se tornou tão inteligente e sábia? – sorri para ela.
- Não é ser sábia, mãe, é apenas a verdade. – ela disse e eu ri levemente. – Senti saudades, mamãe.
- Desculpe por isso, querida. – eu disse a ela. – Mas espero que não tenha esquecido por um minuto sequer que a mamãe te ama.
- Nunca. – ela sorriu e deitou-se cuidadosamente sobre mim, tentando dar um abraço desajeitado.
Eu ainda tive que ficar mais uma semana no hospital fazendo exames e ficando em observação para caso algo mais acontecesse. Mesmo quando sai recebi mais mil recomendações – como ficar em repouso, não fazer muito esforço e tomar remédios. Harry ainda estava com a gente e ficaria até que eu recebesse permissão do médico para voltar às atividades normais. Infelizmente eu ainda não tivera tempo e oportunidade de falar com e me explicar, pedir desculpas por minhas palavras. disse que ele apenas a esperava do lado de fora do quarto no dia de nossa discussão e depois que ela confirmou que eu estava bem, ele foi embora.
Por outro lado, , , , , e me fizeram companhia na semana que se passou – o que ajudou com que ela ficasse menos entediante. Eles levaram violão e cantaram, colocaram-me a par dos assuntos que eu perdera, fizeram piadas e – depois de muito se controlarem – acabaram chorando pelo ocorrido. Esse último não foi um acontecimento conjunto, foi aos poucos, cada dia um chorava, chega até a ser engraçado quando paro para pensar.
Ninguém falou sobre a presença de Harry ou a ausência de ; apenas o próprio Harry comentou a ausência de , mas nada que provocasse grande tumulto. Ele disse também que ligou para o pessoal em Londres e contou o que acontecera comigo, deixando-os preocupados, mas logo conseguiu acalmá-los. Giovanna aproveitara para reforçar o convite do casamento, mesmo que ele fosse acontecer só em muitos meses, mas ela era assim.
Era bom voltar para minha casa, sentir o cheiro de casa limpa, ver meus móveis tão conhecidos, minha coleção de DVDs e livros, a bagunça do quarto de , a minha própria e, principalmente, deitar em minha cama – não que eu tivesse feito isso, eu pedi para que Harry me deixasse no sofá e para escolher um filme, e ela escolheu Ponte para Terabítia, e nós assistimos os três como uma típica família. Na verdade, eles assistiram, pois eu acabei por dormir devido à quantidade de remédios que estava tomando.
Quando acordei, reconheci estar em meu quarto; Harry estava sentado na poltrona que havia no canto e me olhava, na mesma hora lembrei-me dos momentos que eu morava em Londres e ele fazia isso quando eu passava mal pela gravidez ou por estar doente mesmo. Perguntei-me como consegui abandonar Harry e voltar para o Brooklyn, como consegui deixar para trás todo o amor que ele deu a mim e , como ele ameaçou largar sua carreira para nos deixar confortáveis. Mas, é claro, eu fui idiota e resolvi abandonar tudo ao invés de deixá-lo fazer tal ato; obviamente eu nunca o deixaria largar seu sonho, dos meninos, não agora que eles estavam tão bem e tinham tantas fãs que amavam eles.
- Você está com aquela cara de que está pensando em algo. – ouvi sua voz dizer e pisquei, voltando ao meu quarto e sorri levemente. Bati levemente em minha cama para que ele se aproximasse e ficasse ao meu lado. – Um doce por seus pensamentos. – ele disse quando se deitou ao meu lado.
- Depende, qual é o doce? – perguntei e virei-me de frente para ele.
- Brigadeiro. – ele disse e senti minha boca salivando. – O meu ainda, que é o melhor de todos.
- Só porque eu te ensinei a fazer. – respondi convencida, Harry riu. Mas logo sua risada sumiu e ele me olhou, tentando ler meus olhos. – Seria mais fácil, não?
- O quê?
- Se eu tivesse ficado em Londres. – sorri sem humor. – Eu não perderia um filho, talvez eu nem tivesse outro.
- Nada acontece por acaso, . – Harry disse. – Você quis voltar e eu não te culpo por isso. Você precisava voltar, dar uma satisfação, resolver seu passado, ver sua família. – revirei os olhos, lembrando que não fizera isso mais do que uma vez desde que voltara. – Você não tinha motivos para ficar em Londres, sua vida, seus amigos... O cara que você ama, tudo está aqui.
- Vocês também são meus amigos, e eu construí uma vida lá. – eu disse, mas sabia que Harry tinha razão. Virei-me de lado e me aconcheguei em seus braços. – Por que eu sou tão complicada?
- Porque você é mulher. – ele respondeu e dei um soco em seu abdômen. – Uma muito forte, por sinal.
- Idiota. – eu disse, provocando risadas nele.
- esteve aqui, com . – ele comentou, depois de um tempo em silêncio. – Disse que voltariam mais tarde.
- Mais tarde? Que horas são? – perguntei e virei a cabeça para procurar o relógio.
- Quase uma hora da tarde do dia depois de ontem. – ele disse.
- Dormi tanto assim?
- Remédios. Levei à escola, disse que a buscaria e viria para cá depois. – ele completou.
Ficamos mais um tempo deitados, mas eu já estava cansada de ficar na cama, mesmo que nos braços de Harry. Levantei e fui tomar um banho, enquanto ele preparava algo para eu comer. Sai do chuveiro e ignorei o espelho, ainda não estava preparada para me ver no futuro e saber que não teria mais uma barriga já saliente ou que sentiria alguma coisa dentro de mim. Vesti uma camiseta grande e uma calça de moletom, prendi meu cabelo em um coque desajeitado, coloquei os chinelos e fui para a cozinha onde Harry preparava o almoço.
- Precisa de ajuda em algo? – perguntei; ele me olhou e sorriu.
- Tudo sob controle. – ele disse.
Fiquei observando Harry preparar o almoço, agora ele fritava alguns nuggets para , a impaciência começou a me tomar, principalmente porque não chegava logo com . Olhei a pequena mesa que havia na sala e vi a bagunça que havia lá e que provavelmente ele levaria para a sala de jantar para podermos almoçar juntos. Suspirei e fui até a mesinha, pegando a pilha de pratos e começando a levar para a mesa da sala de jantar.
- O que está fazendo? – olhei para Harry e ele me olhava também.
- Eu quero fazer alguma coisa, sabe que não consigo ficar parada. – eu dei de ombros e voltei a ir para a sala de jantar.
- , deixe os pratos, você não pode carregar peso.
- Harry, eu não estou aleijada. – eu disse, mas ele já estava do meu lado pegando a pilha de pratos, que nem era tão grande assim. – Caralho, Harry, eu estou bem, consigo carregar alguns pratos sem problema algum.
- Você tem que ficar em repouso. – ele retrucou.
- Ah, pelo amor de Deus. Repouso não significa virar Branca de Neve esperando o príncipe encantado. Eu posso me movimentar e tenho que fazer isso. Eu entendo o que eu não posso e o que posso, não sou mais uma criança.
- Então pare de se comportar como uma como está fazendo agora. – ele disse. – Que droga, , o que custa me deixar cuidando de você e da ? Não posso mais nem ao menos me preocupar com a mãe da minha própria filha? Querer que ela fique bem para que tenha a mãe de volta logo?
- Ah, então agora você quer ser o pai dela? – retruquei, consciente que estava entrando em território perigoso. – Um pouco tarde para isso, não? Quero dizer, onde você estava alguns meses atrás quando era aniversário dela? Dando atenção a uma turnê idiota. Onde você estava quando eu fui atropelada e quase morri? Fazendo alguns encontros e tardes de autógrafos com as fãs. Desculpa, Harry, mas não precisa de um pai ausente, ela está muito bem com a mãe dela.
- Uma mãe que mente para ela durante a vida inteira? – ele respondeu, a voz um pouco elevada e o rosto vermelho devido a raiva.
- O que você...
- Não se faça de desentendida. – ele disse. – Você sabe muito bem do que eu estou falando. Ou você não escondeu de durante toda a vida dela sobre a verdadeira identidade do pai dela? Vai dizer que no aniversário dela você resolveu acabar com toda essa mentira e revelar a verdade?
- Cala a boca, Harry. – eu disse, sentindo as lágrimas ameaçando cair por meu rosto a qualquer momento.
- Por que eu deveria? Porque você está com medo de encarar a verdade? É por isso que você queria ficar em Londres, não é? Para não ter que encarar e dizer que é filha dele. Você tem medo, não é, ? De que ele te rejeite e vire a cara para você.
- Cala a boca, Harry! – eu gritei. – Eu tenho medo sim, mas não que ele me rejeite, que ele tire minha filha de mim. Será que é pedir demais que eu fique com alguém tão especial, alguém que me pertence unicamente? Será que eu não mereço isso depois de tudo? É egoísmo da minha parte ter medo de perder a pessoa que mais me faz feliz no mundo?
- Mãe? – ouvi a voz de na porta da sala e arregalei os olhos, as lágrimas escorrendo por meu rosto. Harry tinha uma expressão assustada também, provavelmente muito parecida com a minha.
- ... Eu... – ele sussurrou.
- Não... Por favor, fique quieto e saia da minha casa. – eu disse a ele.
- Mãe. – chamou de novo e virei meu rosto para ela, não me importando que ela me visse chorando. Mas a surpresa foi ver que ela não estava sozinha, foi ver que ela tinha , e, claro, o mundo conspirando contra mim, com ela. Seus olhos estavam arregalados e as lágrimas já escorriam por seu rosto.
- , isso é verdade? – perguntou e eu engoli em seco, Harry ao meu lado estava tenso.
Capítulo 21 – Forget All You Know
A merda estava feita, jogada no ventilador e sei lá mais o que dizem quando querem dar a entender que tudo estava perdido. , ao meu lado, estava tensa, olhando para a porta da sala de jantar com a boca aberta e as lágrimas escorrendo sem pudor pelo rosto. Inútil dizer que a culpa me assaltou e eu comecei a desejar voltar no tempo e poder apenas amarrar na cama para que ela ficasse quieta, em repouso como deveria ser. Percebi que e também tinham expressões de surpresa no rosto, mas eram insignificantes quando comparadas com a de .
- , vamos para o nosso apartamento, sua mãe e têm que conversar e tem um presentinho para você. – disse, colocando as mãos nos pequenos e magros ombros de , que apenas os sacudiu para afastar as mãos da mulher.
- Não, eu quero ficar. – ela disse, com a teimosia que herdou de .
- , eu realmente acho que você deve ir com . – eu disse, achando que seria muito melhor para conversar sozinha com sem ter que dar explicações mais complexas para sua filha. – Você saberá de tudo depois, prometo.
Demorou, mas por fim ela concordou em ir, acompanhando e para fora do apartamento de . Eu não sabia exatamente o que deveria fazer agora, talvez voltar para cozinha e apagar o fogo da comida que eu estava fazendo, pois eu duvidava que fosse querer comer agora. Ela nem ao menos pareceu perceber minha saída, preocupada em olhar e tentar impedir as lágrimas de continuarem a cair.
Tudo ao meu redor parecia rodar; as paredes, as pessoas, os objetos. Percebi vagamente a voz de Harry mandando sair com e , pelo menos alguém sábio no meio daquilo tudo. Percebi ele passando por mim para sair e de repente eu estava sozinha na sala de jantar com , a última pessoa que eu queria que ouvisse aquela discussão. Ele piscou, parecendo voltar a si, e sacudiu a cabeça, abriu a boca para falar algo, mas nada saiu.
- ... – sussurrei quando ele me deu as costas e seguiu para a sala. – Por favor, me escute.
- E tem mais algo para escutar? – ele disse, virando-se para mim. – Você vai me dizer que tem um irmão?
- , eu...
- Todo esse tempo, eu me sentindo péssimo por ter perdido o que poderia ser meu primeiro filho com a pessoa que eu amo e para que? Eu já tenho uma. Quero dizer, você me fez sentir péssimo, , por acreditar que eu nunca mais poderia ter um filho com você, por pensar que você nunca mais olharia para mim novamente. Achei que você pegaria suas coisas, e voltaria para Londres com Harry. – ele disse, engoli em seco. – Por quê, ?
- Por que o quê? – perguntei debilmente.
- Por que você escondeu que era minha filha? Foi por isso que você fugiu, não foi? – olhei-o, a primeira pergunta era realmente intrigante, pois eu nunca tivera muita certeza do porquê esconder dele que era sua filha.
- Não. – ele me olhou, esperando o resto. – Eu não fugi porque estava grávida. Eu fugi porque estava com medo. Eu nunca havia sentido o que eu estava sentindo naquela época. Eu estava assustada e depois daquela noite que ficamos juntos, que tivemos nossa primeira vez, a noite anterior à que fugi, eu tive mais medo ainda.
- Medo do quê?
- Medo de ser mais uma, ! Nós éramos jovens e você poderia ter qualquer garota que quisesse, por que perderia tempo ficando com a melhor amiga? – passei a mão pelo cabelo. – Eu estava apaixonada por você, tudo o que eu fazia era por você e eu tive medo de me machucar, principalmente depois daquela noite... Eu tive medo de você simplesmente me ignorar no dia seguinte e mostrar que eu fui apenas mais uma.
me olhou, ficou um longo tempo me olhando. A princípio me olhava como se eu fosse uma louca, alucinada ou qualquer outra coisa, depois eu não consegui identificar o que seus olhos mostravam. Esperei pacientemente, ciente de que eu era a errada na história por ter mentido para ele durante todo esse tempo e que ele tinha todo o direito de me odiar e gritar comigo. Se ele nunca mais quisesse me ver, olhar na minha cara, tudo bem, eu voltaria para Londres, deixando claro que ele teria todo o direito de ver quando quisesse. Isso se minha própria filha não se virasse contra mim e resolvesse me odiar e escolhesse ficar com o pai... Eu entenderia.
- , eu... Eu não sei o que dizer. – por fim disse. – Todo o tempo que éramos amigos e você ainda não havia percebido que você era a única garota que eu queria? Sim, eu poderia ter qualquer outra garota, mas era você e unicamente você que eu queria. Só ao seu lado eu conseguia me imaginar, só com você eu conseguia imaginar um futuro bom e feliz. Eu imaginava nossos filhos, o dia em que eu te pedisse em casamento... Tudo. Por você eu me permitia ser um idiota apaixonado e criativo que vivia imaginando coisas românticas e toscas. E você acabou com tudo isso do dia para a noite.
Eu não disse nada, sentia a dor que eu causara em tanto tempo atrás tomar conta de mim e chegar a me sufocar. Mas éramos tão jovens e eu, pelo menos, era tão inocente. Não havia como saber o que um pensava do outro, a insegurança não permitia que eu aceitasse que ele me amava como dizia agora.
- Por que você mentiu para mim, ? – ele perguntou, seus olhos agora eram gentis, pacientes, me senti segura para pensar em algo aceitável que não provocasse uma explosão de sua parte.
- Eu... Eu não sei, . – respondi com toda a sinceridade. – Quando descobri que estava grávida eu já sabia que não poderia voltar e fingir que nada havia acontecido e eu estava envolvida com Harry, então foi fácil fingir que ele seria o pai. – sentei na ponta do sofá, apoiando as mãos no colo e olhando para as mesmas. – Mas quando nasceu e à medida que foi crescendo, foi impossível não perceber que Harry não era o pai dela. Eu abri o jogo com ele e, felizmente, Harry foi ótimo dizendo que estava tudo bem e que nada mudaria em seus sentimentos por . Mas se no começo da gravidez eu já achava que não dava para voltar e agir normalmente imagine com um ano e meio. Aparecer de repente e com uma filha. Eu sabia que com os outros nada mudaria, afinal conversava com as meninas quase sempre, apesar de nunca ter mencionado , mas meu medo era te encontrar e ter que sentir toda aquela dor que eu senti quando pensei que era apenas mais uma na sua lista. – sentou-se ao meu lado, eu sentia seu olhar em meu rosto, mas ele não mostrava sinais de que iria me interromper então me senti mais confiante para continuar. – Quando decidi voltar, cinco anos depois, eu estava decidida a te contar tudo, já tinha todo um discurso preparado. Mas...
- Nós brigamos... Quero dizer, eu fui um idiota completo.
- Você estava certo. – eu disse, ele deu uma risada sem humor. – Depois disso eu senti toda minha coragem de te contar sobre sumir, mas eu tentei, eu...
- Você me deu as fotos. Uma de nós dois e outra de . – assenti, sentindo meus lábios se abrirem em um pequeno sorriso.
- Eu achei que seria uma forma de você entender o que havia acontecido. – dei de ombros. – Sabe, mensagens subliminares. – tentei brincar. – De qualquer jeito, achei que você entenderia que havia uma criança na história. – Fiquei quieta, esperando que fosse dizer alguma coisa, mas ele nada disse. Comecei a ficar inquieta com seu silêncio, incomodada com o que poderia estar pensando e o que faria quando tomasse sua decisão sobre qualquer coisa. – , eu sei que eu errei em esconder a verdade sobre você ser o pai de , mas me perdoe, por favor. Eu... Quero dizer... Eu não acho que devemos ficar sofrendo mais ainda. Tudo bem que você resolver me salvar não é nada comparado ao que eu fiz escondendo a verdade, mas... Sei lá... Estou disposta a deixar tudo no passado e focar em apenas uma coisa de agora em diante. – ele, que havia abaixado a cabeça quando eu recomecei a falar, voltou a levantá-la e me olhou.
- E o que seria isso?
- Ser feliz com minha filha e o pai dela. – tentei sorrir, mas seus olhos não pareciam carinhosos e não me encorajaram a sorrir.
- , eu não sei se posso aceitar tudo tão fácil. – ele disse, engoli em seco. – Você escondeu a verdade de mim, durante catorze anos. Isso é muito tempo.
- , me entenda, eu estava com medo. Se ponha no meu lugar, por favor.
- Se ponha você, , no meu lugar. – ele disse, voltando a levantar. – A pessoa que você mais ama some depois que vocês passam uma noite juntos, não dá notícias, você não faz idéia se ela está até mesmo no mesmo planeta que você, cinco anos depois volta com um suposto novo namorado e ainda uma filha que é um encanto e entra na sua vida sem nem pedir permissão. Você tem vontade de ser o pai dessa filha, quer poder chamá-la de filha, querida, amor, princesa, tudo o que os pais chamam seus filhos, mas não pode porque, teoricamente, ela não é sua filha. E de repente você vê a oportunidade de ter mesmo um filho com a pessoa que você ama, mas tudo vai por água abaixo quando a gravidez coloca ambos em risco. Seu mundo desaba, você não sabe o que fazer porque não sabe como a pessoa reagirá quando descobrir o que você fez e... Não é fácil, . Nem um pouco fácil. Eu sei que posso aceitar como filha, já sentia como se ela fosse minha filha muito antes disso tudo. O problema é você, .
Suas palavras doeram, eu já sabia que não seria fácil para ele, mas vê-lo verbalizar que eu era o problema de toda a situação – mesmo eu já sabendo disso – doeu muito. As lágrimas voltaram a cair sem mesmo que eu percebesse, eu não tinha palavras para rebater o que ele falara e nem mesmo queria, pois ele estava certo em tudo. Era muito da minha parte pedir que ele me perdoasse e agisse como se tudo estivesse bem, eu não sabia como podia sequer pensar que tudo ficaria bem.
- Mas, é como dizem, antes tarde do que nunca. – ele disse e levantei minha cabeça, percebendo-o perto de mim. Ele se ajoelhou no chão, a minha frente, para ficar na mesma altura que eu. sorria, suas mãos tomaram as minhas e ele as acariciou quando voltou a falar. – Eu sei que te magoei também, sua volta foi mais difícil do que deveria ser por minha causa; e meu passado também pode ter uma parcela de culpa na sua insegurança. E toda a história de perder o bebê, enfim, se você estava mesmo disposta a me perdoar por isso, nada mais justo que eu também te perdoe por essa história da . Afinal, nem que eu quisesse eu conseguiria ficar muito bravo com você ou deixar de te amar.
Eu só conseguia sorrir entre lágrimas, que insistiram em cair mais depois de tudo o que dissera. Ele me perdoaria, eu poderia ter minha família como devia ser. teria o pai que sempre teve direito e quis; a filha que sempre fora sua e que ele sempre amara mesmo sem saber que era dele. Abracei com força, sentindo-o passar a mão por meu cabelo.
Capítulo 22 – Bubble Wrap
Capítulo narrado em 3º pessoa.
Flashback – 14 anos antes.
Oito adolescentes, oito amigos, oito vidas mergulhadas em sexo, drogas e rock’n roll! Tudo bem, esqueçam as drogas, coloque bebidas no lugar, muitas bebidas. A única preocupação deles eram as notas na escola e os pais que não podiam nem sonhar que eles faziam todas aquelas loucuras. Talvez fosse isso o que todos pensavam, mas não eles. Cada um tinha suas preocupações internas, aquelas que contavam apenas em seus diários – no caso das garotas – e que não contavam e descontavam em sacos de pancadas ou horas e horas com sites e revistas pornográficas – no caso dos garotos. Eles tinham dezesseis anos, quem poderiam culpá-los por aproveitar a vida e ainda terem suas primeiras paixonites? Afinal, os adultos viviam dizendo que eles tinham que aproveitar suas vidas ao máximo para no futuro não ter arrependimentos – e eles seguiam esse conselho com bastante empenho.
- E a está fora! – gritou enquanto a garota colocava tudo o que consumiu para fora um pouco afastada deles.
- sempre foi a mais fraquinha. – disse e todos riram concordando com seu comentário. – Tudo bem, quem está pronto para mais uma rodada?
Todos na mesa concordaram e logo viravam mais e mais doses de tequila, até um não agüentar e seguir o mesmo caminho que . A próxima foi , que seguiu o caminho que a amiga havia feito e vomitou tudo. Em um dia normal, com todos sóbrios, aquela cena seria nojenta e eles ficariam preocupados pelo estado da amiga, mas já haviam consumido tantas bebidas que já nem conseguiam saber o que era certo ou errado. Havia uma dupla, entretanto, que não fazia parte da brincadeira. A garota não gostava muito de beber, ela mesmo se assumia como a “chata” da turma por não beber muito. E o garoto a acompanhava, apesar de gostar de beber.
Eles estavam afastados, sentados em outra mesa, apenas olhando os perdedores que sempre iam para o mesmo lugar e riam com a dificuldade deles para chegarem ao local. Em cada mão uma garrafa de cerveja pela metade que eles bebiam aos poucos – a garota pelo menos.
- Último dia. Comemoramos como ninguém, não? – o garoto disse e ela riu. Comemoravam o último dia de aula daquele ano letivo, todos haviam passado de ano sem problemas, para a surpresa de todos. Afinal, aquele era o grupo conhecido por não ligar para a escola e não estudar, mas sempre surpreendiam quando tirava notas altas e passavam de ano sem problemas.
- Como sempre. – ela concordou. – Imagino quantas garotas estão ansiosas para as aulas já voltarem e terem o gostoso do de volta. – ela disse, afinando a voz para imitar os surtos que as garotas davam quando falavam do garoto.
- Todas idiotas, nenhuma garota me interessa. – ele disse e a garota abaixou a cabeça como se, de repente, o rótulo da garrafa fosse mais interessante do que o resto ao seu redor. Na verdade ela queria esconder a dor que sentiu ao ouvir as palavras dele.
- Que pena. – ela murmurou. O garoto a olhava com um sorriso de lado, imaginando o que se passava em sua cabeça.
- , - ele colocou seu dedo sob o queixo dela e levantou o rosto dela para que pudesse olhar em seus olhos – você sabe que apenas você tem importância para mim.
- Sei. – ela disse, já cansada daquele discurso barato de . – Infelizmente essa importância não é o suficiente. – ela completou, baixo demais para que ele ouvisse.
- O que você disse? – ele perguntou.
- Nada, . Esqueça. – ela retrucou, irritada com toda a indiferença do garoto. Levantou-se e jogou a garrafa com cerveja pela metade na primeira lixeira que encontrou. Queria embora e era isso que faria. Foi até o sofá onde sua blusa de frio estava jogada e a pegou, nem se importou em avisar alguém que estava indo embora, eles nem estavam prestando atenção nela. Ouviu ao longe a chamando, mas o ignorou, abrindo a porta da frente e correndo para fora da casa.
O vento frio a atingia e provocava-lhe arrepios. Sua casa não ficava para o lado que ela havia seguido, ela não queria sua casa na verdade, queria a coisa mais infantil e mais reconfortante que podia existir – a casa na árvore que construiu com há tanto tempo. Ninguém mais freqüentava aquele parque, mas a casa permanecia lá, mantida por eles dois que eram os únicos a saberem daquele lugar. correu até lá, agradecendo à boa forma que tinha por conseguir correr tanto sem precisar parar para respirar. Ela sabia que estava atrás dela e não queria lhe dar chance para alcançá-la.
Pulou a pequena grade que servia de “portão” do parquinho e escalou com facilidade a árvore, alcançando a casa em instantes. Ignorou a lâmpada pendurada no teto – eles haviam improvisado uma lâmpada que, surpreendentemente, funcionava – e sentou-se encolhida no canto, sentindo as lágrimas que segurara durante o trajeto por fim escorrerem por seu rosto. Dobrou os joelhos, escondendo o rosto entre eles e abraçou as pernas, virando um monte em um canto escuro. Os soluços saiam abafados, as lágrimas umedeciam sua calça jeans e ela xingava-se mentalmente por ser tão idiota.
Ouviu ao longe passos de alguém correndo, logo as folhas se quebravam sob os passos da pessoa e ela logo sentiu que mais alguém estava com ela na casinha, não precisa levantar o rosto para saber quem era, ela conhecia bem seu cheiro, sua respiração ofegante quando ele corria demais e seu jeito de se arrastar pela casinha – que não era grande o suficiente para deixar que os dois ficassem em pé, então eles tinham que engatinhar – até chegar a ela. Seu braço direito abraçou-a pelos ombros e ela não conseguiu afastá-lo.
- . – ele sussurrou. Ela o ignorou, tentando controlar seus soluços para não parecer mais idiota do que achava que parecia. – , por favor, olhe para mim.
- Vai embora, . – ela disse, sua foz abafada. – Eu não quero te ver, não quero falar com você.
- Ao menos me diga o que aconteceu, você estava tão bem. – ele disse, acariciando seu longo cabelo. Relutante, ela levantou o rosto.
- Eu não estou bem, . – ela disse e os olhos do garoto se arregalaram. – Há dois anos que eu não estou bem, tendo que agüentar você e toda essa galinhagem. – ela disse e sua voz mostrava o nojo que ela sentia pelo comportamento do garoto. – Agora vai embora e me deixe em paz.
não foi embora, permaneceu olhando-a nos olhos, vendo as lágrimas escorrerem para seu rosto. Pela primeira vez ele não via felicidade nos olhos de , pela primeira vez ele não via um sorriso em seu rosto, aliás, pela primeira vez ele não a via sorrindo como sempre. não era uma pessoa insensível, não, ela sempre chorava mais que tudo e todos, mas sempre eram por motivos que a deixavam feliz. Um presente, uma frase comovente de uma amiga, um filme... Qualquer coisa a fazia chorar. Mas pela primeira vez a via chorar por algo que a deixava triste, pior, por algo que parecia matá-la por dentro.
- , me diga o que está acontecendo. – ele pediu, desesperado para ajudar a melhor amiga.
- Para quê? Nada mudará, . Me deixe aqui. – ela pediu e tentou esconder seu rosto, mas ele a impediu.
- Diga. – ele pediu.
- É tão difícil assim de enxergar? – ela perguntou. As lágrimas não mais caiam, ela tinha suas mãos em cima das de e tentava fazê-lo entender o que acontecia sem ter que verbalizar.
voltou a encarar seus olhos com mais intensidade, queria descobrir o que a deixava tão mal, o que lhe causava tanta dor. Aos poucos ela foi relaxando a sua frente, os olhos com uma emoção diferente da que ele estava acostumado a ver nos olhos dela. Seria possível mesmo? Sem permissão, seu coração acelerou-se e sua respiração deu sinais de falha. Não podia ser aquilo mesmo. Não saberia se não arriscasse. Sabendo que poderia apanhar por tal ato, prosseguiu com o que sua consciência pedia para que ele fizesse. Lentamente seu rosto foi se aproximando do rosto de ; ele podia sentir a respiração dela falhando juntamente com a dele e as pálpebras fechando-se lentamente. Ele mal podia dizer o quanto havia esperado por aquele toque; quantas noites sonhara com aquele momento; quantas aulas perdera perdido em pensamentos como seria finalmente sentir os lábios de junto com os seus.
Ela parecia tímida, sem jeito, mas ele faria com que ela relaxasse. Acariciou seu rosto com a mão direita, enquanto a abraçava pela cintura com a esquerda. Os lábios se entreabriram tímidos, dando passagem para as línguas que se encostaram e provocaram arrepios em ambos. Eles não negariam as famosas borboletas no estômago, nem mesmo que as pernas estavam bambas e que eles agradeciam por estar sentados, ou ambos cairiam no chão. Aos poucos a timidez foi se perdendo e o beijo se aprofundando. sentiu as mãos dela se embrenhando por seu cabelo, em um carinho delicado.
Quando perceberam estavam deitados no chão da casinha, ele por cima dela, o beijo cada vez mais íntimo e urgente, assim como suas mãos que já não hesitavam em explorar os corpos alheios. Aos poucos cada peça foi saindo, perdendo-se na pequena casinha da árvore e os corpos ficando mais próximos até – desculpem o clichê – virarem um só.
O dia amanheceu frio, o sol escondido por entre nuvens. Os passarinhos, entretanto, já faziam sua algazarra de toda manhã. O vento estava mais frio e foi ele que provocou o despertar da garota, que dormia tranquilamente com o rosto apoiado nos ombros do garoto que também dormia ao seu lado, com os braços envolvendo a garota. Ela piscou, estranhando a luz e quando abriu os olhos espantou-se por estar naquele local que, a principio, não reconheceu. Sentiu a pele levemente arrepiada do garoto ao seu lado e assustou-se, sentou-se rapidamente e olhou para e depois para si.
- Merda. – murmurou. Olhou ao redor, vendo suas roupas espalhadas pela casinha na árvore e lembrou-se da noite passada. Todos os toques, as sensações, a delicadeza de com ela, o jeito que ele a olhava... Provavelmente o mesmo jeito que olhava para as outras. – Idiota. – ela sussurrou, passando a mão no próprio cabelo que estava um pouco embaraçado nas pontas. – Você é uma idiota, . Se deixou levar pelos cuidados dele e agora é mais uma na estúpida lista dele, idiota.
Com cuidado para não acordá-lo, ela levantou-se na medida do possível e vestiu sua roupa. Parecia uma prostituta agindo daquele jeito, ou um garoto, que sempre ia embora antes que a garota acordasse para não ter que fazer um agrado e coisas do tipo, mas não se importava. Nunca conseguiria olhar para e pensar que foi apenas mais uma. A dor de tal pensamento lhe atingiu de tal forma que ela ficou ofegante, não suportaria olhá-lo nunca mais. Faria algo que estava acostumada a fazer sempre que algo lhe fugia do controle: fugiria. Foi o que fez quando era criança e não queria mais estudar na escola, pois todos zombavam dela e dos aparelhos; foi o que fez quando era maior e descobriram sua paixonite pelo garoto mais popular da turma e zombavam dela por isso; era o que faria agora. Fugiria. Os pais não se importariam, tinham bastante dinheiro.
Ela engatinhou silenciosamente até a entrada da casinha e olhou pela última vez para a figura de , tão pacifico, dormindo. As lágrimas voltaram a escorrer por seu rosto, como na noite anterior que ela chorava pelo mesmo motivo. Desceu a árvore e pulou o portãozinho do portão, correu para casa e não voltou a olhar para trás, ou se arrependeria. Quando chegou em casa seus pais ainda não haviam acordado, o que ela agradeceu. Imaginou que demoraria a acordar e, quando o fizesse, estaria com uma puta ressaca. Teve tempo para arrumar suas malas, jogando tudo o que via pela frente dentro delas. As lágrimas insistiam em cair, a dor aumentando pelo que estava prestes a fazer, mas era necessário. Quando suas malas estavam prontas e fechadas, seus pais já haviam acordado. lavou o rosto no banheiro que havia somente para ela e desceu para informar sua nova fuga.
- Bom dia. – ela disse quando chegou à cozinha e viu os pais na rotina de sempre: o pai lendo jornal e a mãe revistas.
- Hm. – a mãe disse e o pai apenas virou a página do jornal.
- Preciso falar com vocês. – ela disse e sentou-se à mesa, olhando para os dois.
- Ah, meu Deus. Você está grávida! – a mãe disse prontamente.
- Não. – disse e revirou os olhos, a mãe sempre falava a mesma coisa quando ia conversar com eles. – Eu quero terminar meus estudos em Londres. – ela disse, já havia pesquisado sobre a cidade, sobre a Inglaterra e tinha um secreto desejo de viajar até lá para conhecer.
- Por que isso? – o pai perguntou.
- Encontrei um local ótimo para fazer intercâmbio e acho que seria ótimo para meu aprendizado. – ela mentiu, sempre conseguiu inventar ótimas histórias para realizar suas fugas, mas dessa vez nada saia. Talvez porque não é para ir, uma voz em sua consciência falou, mas ela ignorou.
- Tudo bem. – o pai deu de ombros e voltou sua atenção para o jornal. – Quando você quer ir?
- Hoje. – ela disse, o pai voltou a olhar para ela. – Já terminei o ano letivo, passei de ano e queria aproveitar as férias para conhecer o local.
- Tudo bem. – o senhor voltou a prestar atenção no jornal. A mãe de já nem prestava atenção, absorvida nas fofocas das celebridades.
A garota suspirou satisfeita e voltou ao seu quarto, precisava tomar banho e comprar a passagem para Londres, além de realmente procurar por uma escola. Resolveu tomar banho primeiro, mesmo arriscando perder mais tempo e dar mais chance para ir atrás dela.
- Ele está de ressaca, acordará só duas da tarde. – repetiu para si, tentando se convencer.
Saiu do banho e colocou uma calça skinny, blusinha de manga comprida azul e uma bota de salto médio preta. Ligou o computador e procurou por uma boa escola em Londres, torcendo para conseguir mesmo se matricular e realizar tudo o que falara para os pais, também teria que encontrar uma casa, mas poderia ficar em um hotel enquanto não achasse.
Era estupidez fugir, sabia disso, o maior ato de covardia. Mas nunca considerou ser muito corajosa de qualquer jeito. Nem mesmo diria adeus às amigas, decidiu escrever uma carta para as três inventando uma história qualquer e pedindo desculpas por isso. Tanto tempo de amizade e nunca se sentiu confortável para dizer o que realmente sentia por , não seria por uma carta que diria, mas ela precisava desabafar e, quando menos percebeu, a carta destinada à estava maior do que as outras, com cerca de três páginas a mais do que havia planejado. Endereçou as três cartas e resolveu que postaria quando estivesse a caminho do aeroporto.
O resto da manhã passou lentamente. Ela ignorava todas as ligações do seu celular, assim como as mensagens. Almoçou rapidamente e despediu-se dos pais, que teriam uma reunião com um provável sócio. Seguiu seu caminho para Joey, seu motorista e sorriu tristemente para o homem que a acompanhava desde que se conhecia por gente.
- Vamos, Joey. – ela disse e o homem abriu a porta para ela. – Precisamos parar em algum lugar antes para postar isso. – ela mostrou as cartas para o homem que as pegou e garantiu que ele mesmo faria isso.
Ela chorou o caminho inteiro até o aeroporto, sentindo seu coração bater cada vez mais acelerado e sua dor intensificar mais ainda. As lembranças da noite anterior lhe assombravam cada vez mais e aumentavam ainda mais as lágrimas que já havia molhado por completo seu rosto. Não se lembrou de algum dia ter chorado tanto quanto naqueles dois dias. Nem mesmo quando Buddye, seu cachorro, morreu porque ela acidentalmente o deixou cair do telhado de sua casa, ela chorou tanto. E naquela época ela tinha apenas oito anos e Buddye era como um irmão para ela.
Joey estacionou o carro e desceu para abrir a porta para ela e pegar a bagagem. Ele também a acompanhou até o guichê para o check-in e depois para o portão de desembarque. agradeceu mentalmente aos pais por terem inventado de viajar para alguns lugares da Europa, incluindo Londres, porque ela insistiu, há alguns meses e já ter o visto para entrar em Londres. Com apenas sua bagagem de mão a garota olhou para seu motorista de toda a vida e sentiu a garganta apertar, queria poder levá-lo para Londres, ao menos teria um abraço acolhedor para quando precisasse.
- Voltaremos a nos ver, Joey. – ela disse entre lágrimas. – Eu não vou para sempre.
- Eu sei, Srta. . – ele disse, lembrando que ela odiava quando a chamavam pelo sobrenome.
- Comporte-se, mocinho. – ela brincou e ambos riram pela brincadeira. – Sentirei saudades, Joey.
- Eu também, Srta. – o homem disse e ficou surpreso quando a garota o abraçou.
- Não diga a ninguém para onde estou indo. – ela pediu. – E não esqueça as cartas.
- Não direi, Srta. – ele disse.
- Promete? – ela perguntou e o homem confirmou com a cabeça. o abraçou com força mais uma vez e depois se virou para ir embora.
acordou com uma dor de cabeça de matar, sua boca estava seca e ele sentia tudo rodar. Aproximou o braço do corpo, querendo proteger-se do frio e lembrou-se que alguém deveria estar entre seus braços. Abriu os olhos, arrependendo-se disso quase que instantaneamente.
- Puta merda. – o garoto disse e colocou as mãos nos olhos. Lentamente ele fez uma nova tentativa e conseguiu abrir os olhos. Olhou ao redor, reconhecendo a casinha na árvore e tentou, em vão, procurar por . Mas ela não estava ali, apenas seu cheiro ficara e as lembranças.
vestiu-se e desceu a árvore, pulando o portão do parque e seguindo para a casa da garota. Chegou no exato momento que o carro que Joey usava para levá-la a escola estacionou na frente da casa. sorriu, imaginando ver Joey descendo para abrir a porta para , mas isso não aconteceu, o homem desceu do carro e ativou o alarme, seguindo para a casinha que ficava na frente da casa, onde ele passava o tempo até precisar dele. aproximou-se lentamente do homem, as mãos nos bolsos da calça para proteger do frio.
- Oi, Joey. – o garoto cumprimentou quando alcançou a casinha. O homem o olhou e surpreendeu-se por vê-lo tão arrasado.
- Olá, Sr. . – o homem disse.
- A está em casa? – perguntou. O homem negou. – Hm, será que você podia dizer a ela que passei aqui e para ela me ligar? Isso é, quando você for buscá-la.
- Ela não voltará, Sr. . – Joey disse e franziu o cenho.
- Como assim? – perguntou, temendo o pior. Será que estava tão bêbada que tropeçou, foi atropelada e morreu? sacudiu a cabeça com tal pensamento, ela nem havia bebido muito. Com o pensamento afastado, a pergunta que se instalou em sua cabeça assim que ele acordou, voltou. Por que ela foi embora da casinha na árvore? Será que ele era tão ruim?
- Ela foi embora, Sr. . – Joey disse. – Mudou-se. Foi embora do país.
sentiu tudo rodar mais ainda, de repente o chão estava próximo demais e ele estava caído. Como assim ela foi embora? Do país? Que história era aquela? Joey só podia estar brincando. Mas Joey não parecia brincar, aliás, Joey raramente brincava e apenas com . Ele não brincaria assim com . Com dificuldade, sentou-se no chão e olhou o homem que tentara acudi-lo.
- Para onde ela foi? – perguntou.
- Sinto muito, senhor, mas eu não sei. – Joey disse e abaixou a cabeça, viu uma lágrima cair e sentiu que as suas não demoraria muito a molharem seu rosto. Resolveu ir embora antes que terminasse de desmoronar na frente do homem. Sem se despedir, levantou-se e foi embora, andando sem rumo, deixando os pés lhe guiarem ao invés dos olhos, que estavam cheios d’água.
Quando percebeu estava em frente à arvore que havia a casa na árvore, mas não a escalou, deu a volta nela e sentou-se no lado que ficava oposto à rua, assim ninguém o olharia chorar mais do que havia chorado em toda sua vida e, principalmente, a primeira vez que chorava por uma garota... Uma garota que realmente amava.
Capítulo 23 – Weightless
Minha mão suava entrelaçada com a de , que estava ao meu lado e parecia tão nervoso quanto eu. O caminho do prédio onde eu morava até o onde ele morava, apenas alguns metros, nunca pareceu tão longo. Eu tinha medo do que aconteceria quando entrássemos no apartamento; aparentava extrema infelicidade, segundo o que Harry disse quando nos juntamos a ele na cozinha. Eu não a culpava, descobrir que a própria mãe mentira para ela durante catorze anos com certeza provocaria tristeza, fúria, até mesmo ódio. Por mais que falasse, eu não conseguia acreditar que tudo ficaria bem, eu conhecia muito bem, ela podia ser um doce, mas seu gênio era como o meu: difícil de lidar, o orgulho – mesmo que ela mal soubesse o que isso é exatamente – a deixaria incapaz de me perdoar. Ela nunca mais aceitaria morar comigo, gostaria de morar com o pai e os outros três que viviam com ele, consideraria muito melhor do que me olhar todos os dias.
- , pare agora mesmo. – disse e parou no meio da calçada, fez-me virar para ele e seus olhos encontraram os meus. – Eu sei o que está pensando e, acredite, nada acontecerá.
- Como pode ter tanta certeza disso? – perguntei, mordendo o lábio inferior.
- Porque, por mais que ela possa estar brava, ela te ama e sabe que você fez o que fez para protegê-la.
- Protegê-la do que, ? Quero dizer, eu menti, eu não tinha que protegê-la de nada.
- Você a protegeu de mim! Você a protegeu do grande filho da puta e galinha que eu era. – abri a boca para dizer que ele não era nada daquilo, mas foi mais rápido. – E não diga que eu não era, porque você sabe que sim. Você sabe o quanto sofreu por causa de como eu era, se eu não fosse, por que você fugiria? Você não queria uma filha que sofresse por causa de um pai ausente, pais que viveriam brigando.
- Pare com isso, . Você não seria nada disso. – eu disse, as lágrimas arderam em meus olhos, mas não permiti que elas caíssem. – Você seria perfeito, como sempre foi.
- Eu nunca fui e nunca serei perfeito, , ninguém é. – ele disse e eu fechei os olhos, sentindo as lágrimas escaparem por meus cílios e traçarem um caminho por meu rosto. – O que importa é que você não tem culpa do que aconteceu, você teve medo, você tentou, mas eu fui um idiota e é isso. não te odiará, não te repudiará por nada. Ela ama você porque você é o mundo dela, sem você ela não estaria aqui e não teria tudo o que tem hoje.
- Tudo bem. – abri os olhos e o olhei. – Eu nunca te disse que te perdoei pelo que aconteceu com nosso bebê. – eu disse.
- , agora não é o momento para...
- Não, é sim, eu... Eu preciso falar. – umedeci os lábios e decidi falar o que vinha pensando desde que tivera alta do hospital. – Eu fui injusta, fui covarde por ter feito tudo aquilo com você. A verdade é que eu sou grata a você, , por ter me escolhido. Por mais egoísta que possa soar, eu fico feliz por você ter me escolhido, eu sei que você pensou em você, mas, acima disso, você pensou em e como ela ficaria arrasada. Por isso, agora eu te digo obrigada por ter me salvado. E eu tenho certeza que você seria um ótimo pai para Brooke e ela seria uma garota muito feliz.
- Brooke? – ele perguntou.
- Foi o nome que pensei para ela, sabe, nossa filha. – sorri, as lágrimas voltando a acumular em meus olhos. – Meio que uma homenagem ao Brooklyn, o lugar onde tudo começou, continuou e, provavelmente, terminará. Desculpe não ter te falado, mas eu ainda estava mal com tudo e você meio que sumiu, não tive uma oportunidade.
- Brooke é perfeito. – ele sorriu. – É lindo. Assim como você, e ela, nosso anjinho. – colocou as duas mãos em meu rosto e selou seus lábios com os meus, dando-me um beijo calmo.
tremia ao meu lado enquanto eu girava a maçaneta da porta para entrarmos no apartamento das garotas. Percebi várias vezes que ela abriu a boca e parecia que ia dizer para voltarmos e deixarmos pensando e se acalmando. Felizmente ela não disse nada e eu pude abrir a porta. e estavam sentados no sofá, lado a lado, as mãos entrelaçadas; no chão, pouco distante deles, estava , que assistia a um filme qualquer que passava na televisão. A atenção dos três mudou para a porta quando ouviram a mesma se abrindo. e olharam para , voltaram a olhar para nós e depois se olharam.
- Acho que deixaremos vocês a sós. – disse, levantando-se e puxando .
O silêncio foi longo e desconfortável, fechou a porta atrás de e eu, deixando-nos com , que não tinha uma expressão muito feliz. Na verdade, ela parecia pensar em como sair do local sem ter que falar conosco. O pior olhar que ela dirigia era para , que apertava minha mão com tanta força que eu começava a deixar de senti-la.
- , - pigarreei, vendo-a olhar para mim. – será que podemos conversar?
- Por quê? – ela perguntou.
- Porque eu acho que eu e sua mãe temos que te explicar algumas coisas. – eu disse, aproximando-me lentamente, sentindo estática e não se movendo comigo.
- Eu não quero conversar. – disse, decidida.
- Mas nós precisamos. – eu disse, com a voz calma e paciente. – Eu sei que você está chateada com sua mãe...
- Não fale que ela é minha mãe. – disse. – Ela não é, eu não quero que ela seja minha mãe. – ela disse, fazendo birra.
- Não é como se você tivesse muita escolha, sabe? – ouvi a voz de Harry atrás de nós. Achei que ele tivesse ficado no apartamento de , arrumando as coisas e ligando para o pessoal de Londres para contar a bomba. arregalou os olhos, assustada com a presença inesperada. – Pare de birra, , e escute sua mãe.
- Você não é meu pai. – ela retrucou. Harry suspirou atrás de nós, ouvi soluçar baixinho e fechei os olhos, respirando fundo, pensando em algo.
- , isso não é fácil para nenhum de nós, então não piore as coisas, por favor. – pedi, tentando fazê-la perceber que aquele comportamento mimado não a levaria a lugar algum. – Nós iremos falar, queira você responder ou não. – ela olhou de mim para a porta e mordeu o lábio inferior. – E não, você não irá sair daqui enquanto não escutar tudo e entender.
- O que tem para escutar? Para entender? – ela perguntou, por fim levantando-se e nos olhando. – Ela mentiu para mim a minha vida inteira, me fazendo sentir culpa por ser mais próxima de você, , do que de você, Harry. Por que agora estão todos ao lado dela e contra mim? Ela fez a vida de vocês virar uma bagunça com tudo isso, a minha vida ficou uma bagunça. – ela olhou para . – Preferia que tivesse escolhido salvar minha irmã.
- , não fale isso. – Harry disse, já impaciente e com a voz dura. – Você está magoada, nós entendemos, mas não piore a situação. Esse comportamento mesquinho não adiantará nada, você ouvirá tudo o que sua mãe tem a dizer e não irá dirigir a ela mais nenhuma palavra maldosa da qual você se arrependerá depois.
- Eu já disse que você não é meu pai. – ela bateu o pé, como uma típica criança mimada.
- Chega, . – eu disse, exercendo, pela primeira vez, meu papel de pai e elevando a voz alguns tons para que ela ouvisse bem. arregalou os olhos e me olhou. – Você fará o que o Harry disse.
- Ah, por favor, você é meu pai há o quê? Cinco minutos e já tá querendo mandar em mim? – ela bufou. – Vocês três não têm direito algum sobre mim.
- Chega! – pulei de susto ao ouvir a voz de , firme, como se não estivesse chorando a alguns instantes, atrás de mim. – Chega dessa atitude infantil, . Você quer achar que é adulta? Então aja como uma e ouça o que aconteceu. Saiba os fatos antes de julgar. Você quer me odiar? Tudo bem, mas deixe que eu te dê alguns motivos mais concretos para isso.
olhava assustada para a mãe – provavelmente nunca havia falado com ela daquela maneira –, deu alguns passos para trás e caiu no sofá. adiantou-se, ficando ao meu lado, Harry deu a volta em nós e sentou-se no outro sofá. Olhei , que ainda olhava a filha, mas já não tinha lágrimas escorrendo por seu rosto. Ela umedeceu os lábios e respirou fundo antes de soltar minha mão e aproximar-se da mesinha de centro, onde se sentou e ficou de frente para .
- Eu sinto muito, de verdade, por você ter descoberto tudo isso dessa forma. – começou. – Não era minha intenção causar tanta dor em você. – ela olhou para mim, depois para Harry, buscando forças para continuar. – Quando eu decidi voltar para o Brooklyn, eu tinha esperanças, tolas, eu sei, de que você não se apegaria tanto ao pessoal daqui, principalmente ao . E eu esperava que ele também não se apegasse tanto. Na verdade, a intenção não era permanecer no Brooklyn, eu rezei durante toda a viagem para cá para que tudo desse errado e eu voltasse para Londres, de onde nunca mais sairia.
“Mas eu falhei miseravelmente nessa missão. Voltar para o Brooklyn fez com que tudo voltasse à tona. Todas as lembranças, os momentos, os dias de adolescência rebelde e, mais importante, a paixão que eu sentia por . Eu me senti incapaz de dar as costas para isso novamente, incapaz de esquecer tudo e voltar para Londres... Incapaz de fingir que tudo estava bem e nada disso importava. Então eu fiquei, me instalei e pedi que Harry trouxesse você.
“Harry... Eu sinceramente nunca conseguirei agradecê-lo o suficiente por tudo que fez por nós. Nos deu um teto, comida, amor, carinho, compreensão e um nome para você, . Ele sabia o tempo inteiro, mesmo que eu tentasse mentir, que você não era filha dele, mas aceitou-a como se fosse e a amou, dando tudo o que você tinha direito e até um pouco mais. Eu peço, por favor, não o trate como se ele não fosse importante para você, pois você sabe que ele é. Muitos dizem que pai, mãe, não é quem te põe no mundo, mas quem te cria. E o Harry fez isso com você, ele me deu tanto apoio, tanto suporte; te deu tanto amor, tanto carinho que é impossível você não considerá-lo como um pai ou algo tão importante quanto.
“A verdade, todo esse tempo, era que eu estava tentando proteger você da vida que eu tinha. – me olhou nesse momento e sorri brevemente para ela. – Claro que, quando eu fui embora, não tinha idéia que esperava um bebê. Mas quando eu descobri, não tinha como voltar. Eu sabia que nada havia mudado, que todos continuavam com o mesmo comportamento de antes e que você nunca conseguiria viver em um ambiente tranqüilo. Seu pai, ... Eu... Eu não tenho o direito de contar como ele era, mas, acredite, não seria um bom pai na época.”
- Eu era um galinha, idiota e filho da puta, . – eu disse e me olhou, repreendendo pelo palavrão. – O quê? É a verdade. – riu levemente comigo. – Sua mãe te protegeu de quem eu era e fez muito bem.
- Quando voltei para cá definitivamente, eu tentei contar a sobre você, mas não consegui. Nós dois tínhamos muitos remorsos, muitas mágoas do passado e não conseguíamos resolver isso. Não achei que o fato de ele ter uma filha ajudaria a consertar isso. Provavelmente brigaríamos mais ainda.
“Eu tentei fazê-lo saber que ele tinha uma filha, que havia algo relacionado a isso na história, mas era idiota demais para me perdoar. – ela riu e me olhou, concordei com ela e sentei na mesinha de centro também, ao lado dela. – No final, foi mais fácil, mais confortável dizer a todos que você era filha de Harry do que ter que explicar tudo. Eu fui covarde, eu sei, mas eu só queria protegê-la.”
Quando terminou, voltara a chorar, acompanhando as lágrimas de , que molhavam seu rosto e umedeciam a gola de sua camiseta. Harry e eu ficamos em silêncio, sem saber o que falar e esperando a reação de alguma das duas. colocou os pés no sofá, abraçando as pernas e apoiando o queixo no joelho. a olhava, esperando alguma reação qualquer que fosse.
Parecia que uma eternidade havia passado quando mostrou alguma reação a tudo, eu sentia que estava quase desistindo e entregando os pontos. Os olhos de se moveram, revezando em observar eu, e Harry. Seu olhar fixou-se em e as lágrimas transbordaram de seus olhos em grande intensidade. Soluços tomaram conta de seu corpo e inesperadamente ela jogou-se nos braços de , que não esperava o corpo da filha sendo jogado em seus braços e foi para trás, felizmente eu a segurei, evitando algum acidente. Mãe e filha se abraçaram com força, as lágrimas molhando o rosto de ambas. Não falaram, apenas choraram e se abraçaram. Naquele momento, palavras não eram necessárias. Harry e eu nos olhamos, suspirei e sorri aliviado por não ter que brigar com por causa daquilo, ele parecia sentir o mesmo.
- Desculpe, mamãe. – ouvi a voz chorosa de dizer por entre os cabelos de . – Desculpe por ter sido tão horrível, pode me colocar de castigo, eu mereço. – afastou seu rosto do ombro de e colocou as mãos no rosto da filha.
- Eu te amo muito, meu anjo. – ela disse entre lágrimas. – E te perdôo.
- Eu também te amo, mamãe.
A noite estava fria, mas suportável, o céu estava estrelado. A escuridão do telhado nos permitia ver a grande quantidade de estrelas que havia acima de nós, eu não duvidava que fosse possível ver uma estrela cadente. Dizem que se vermos uma estrela cadente deveríamos fazer um pedido, mas eu não sei o que pediria. Felicidade? Eu já tinha muito. Dinheiro? Eu podia conseguir, apesar de ter que trabalhar, mas era algo satisfatório receber algo no final do mês. Vida boa? Eu era tão feliz com a minha. Paz? Talvez sim, mas seria clichê demais, não? Talvez eu pediria para que nada mudasse, pois, naquele momento, tudo estava perfeito.
- Então quer dizer que a é realmente filha de ? – ouvi dizer, olhando boquiaberta para mim. – Como você ousou esconder isso de mim?
- Desculpe, , mas eu tinha medo. – dei de ombros, sentindo a brisa bater em meu rosto. – Agora eu sei que era bobagem, mas na época fazia sentido.
- Imagino que sim. – disse, sentada ao lado de , com os braços dele em volta do corpo dela.
- Agora, vocês dois poderiam ter falado do relacionamento há um tempo, não? – perguntei. Eles se olharam, cúmplices, e sorriram.
- Queríamos ter a certeza que daria certo. – disse, beijando delicadamente o rosto de .
- Onde estão e ? – perguntou, olhando ao redor e não encontrando ambos.
- Foram com Harry ao meu apartamento, parece que Harry voltará de madrugada para Londres e queria ajudar o pai postiço a arrumar as coisas e queria que fosse junto, sabe-se lá por que.
- Tão engraçado pensar em sendo pai. – comentou, rindo.
Suspirei pesadamente, sorrindo com as lembranças da tarde, mesmo sendo um pouco dolorosas, fiquei feliz por ter acabado tudo bem. Pensei no que , Harry, e eu havíamos conversado depois que tudo estava resolvido e calculei que agora seria o momento certo para dizer. Engoli em seco, preparando-me para as lágrimas que surgiriam e eu faria questão de não derrubar.
- Eu queria falar com vocês. – disse, interrompendo a implicância de com e .
- Sim. – disse.
- Eu... Bem, vocês sabem que eu e perdemos nossa filha e... Bem, eu acabei pensando em um nome para ela e os três que não estão aqui gostaram. – eu disse. – Na verdade não tem nada a ver com o nome dela, mas com o fato que aconteceu.
- Diga, . – disse diante minha longa pausa.
- Sei que não temos um corpo, mas queria fazer um enterro ou uma cerimônia simbólica para Brooke. – eu disse, antes que as lágrimas jorrassem.
- Claro. – disse e logo sorriu. – Minha afilhada precisa mesmo de algo digno.
- Quem nomeou você madrinha de Brooke? – perguntou e olhou para . – Nós três somos. – ela disse, para que não houvesse discussão. Aproximei-me de todos e me joguei no colo de , abraçando-o, assim como e os outros, que entenderam o que eu queria e se aproximaram.
- Obrigada. Vocês são os melhores amigos que eu poderia ter. – eu disse, agora sentindo algumas lágrimas escorrerem, mas elas logo acabaram.
Nota da Autora: Oooooooooooiiii, pessoas : D
Como foram de virada de ano? E de natal? Encheram a cara? Beberam até cair? HIHI... Feliz Ano Novo, meio atrasadinho, mas o que vale é a intenção.
Capítulo meio... sei lá. Não é meu favorito, o final é meio tosquinho, sei lá, mas eu tinha que mandar a atualização e compartilhar minha alegria: EU VOU NO SHOW DO ALL TIME LOW! AEAEAEAEAEAE... eu vou, eu vou! Na próxima atualização pode ser que eu esteja feliz com o show da Selena (que provavelmente terá passado e, com muita sorte, eu terei ido! HIHI), mas, anyway, ATL importa mais aqui. E eu vou conhecer a @CrazyJasey!!!!!! *--* Tô tão feliz, ‘ceis’ num tem noção. Eu simplesmente PRECISAVA ouvir algumas músicas do Dirty Work ao vivo! *-* Verei meu Zack de novo e dessa vez chegarei na grade e não sairei de lá até o final do show, HIHI! *-* Enfim, quem for e quiser me encontrar lá, só falar (falo sério, eu gosto de conhecer as pessoas HAHA) no meu twitter a gente combina alguma coisa, falous?!
Sei que já falei isso umas quinhentas vezes, mas HB realmente está no fim, esse já estava com um quase clima de final, mas ainda faltam algumas coisas e talz, uns ‘pingos nos is’ e tudo, então fica ai mais um pouquinho. Mas já adianto que estou com uma fic nova, YAY, e só a @CrazyJasey sabe a história, HIHI. Logo mais vocês a verão por aqui no FFOBS, espero vê-las lá : D
Ok, parando o falatório, vou responder os comentários feitos até o dia 10/12 - se eu não te respondi é porque você provavelmente comentou depois da 1h da manhã desse dia : D
Dayanne: Own, obrigada *-* Espero que continue lendo e gostando de HB : ) | Camila: HAHA, bom saber que você gostou, a intenção era mesmo explicar tudo e talz. Espero que continue lendo e gostando de HB : ) | Hellen: Fico feliz em saber que é tua preferida, hihi, lendo isso o ego aqui vai láááá pro alto, HAHA. Muito obrigada pelo ‘e que você continue escrevendo com perfeição ano que vem’ espero o mesmo! HAHA. Espero que continue lendo e gostando de HB : ) | mayoi: Fico feliz em saber que minha vida não corre mais risco! UHAUSHUAHS... Ajudarei siiim, relax, vou recomendá-la ali embaixo, oks?! Não me mate... E pare com isso, a casinha foi super romântica... Espero que continue lendo e gostando de HB : ) | @CrazyJasey: Eu também amo flashbacks, acho que eles dão um charme a mais na história, não? HAHAHHA... Eu também queria ter essa facilidade viu, porque tá tenso! Espero que continue lendo e gostando de HB : ) | Marcielle: Fico feliz que tenha gostado do flashback! : D Espero que continue lendo e gostando de HB : ) | Tainá: ‘sempre me indicaram essa fic’, oi? Tem gente que indica? Awwwn, que lindo, nhác para as pessoas que te indicaram HB! HIHI. Obrigada pelos elogios, fico feliz em saber que você não se arrependeu de ter lido hihi. Espero que continue lendo e gostando de HB : ) | Ana Biia: Vida deles era demais né?! HAHAHAH, adorei, queria ter pra mim... mentira, nem gosto de curtição demais, sou um ser calmo. Espero que continue lendo e gostando de HB : ) | Isabela: Bubble Wrap rules! HAHAHAHAHA... Depois de HB terá TB (não revelarei, HAHAHAH... só a CrazyJasey sabe e se ela revelar, morre) e ai vocês me verão por lá hihi. Não é continuação, mas será minha! YAY. Obrigada pelos elogios. Espero que continue lendo e gostando de HB : )
Indicação de Fanfic: OK, eu nunca fiz isso, mas quem tiver alguma fanfic e quiser ajuda para divulgar, só falar e eu ajudo. Como prometido, aqui está a fanfic da Mayoi, Make Sense - leiam porque eu fiquei meia hora querendo ter certeza se essa era a fic mesma, memória péssima, e porque é boa e vale a pena e vocês são legais! HAHA.
Uma última coisa, gostaria de explicar algumas coisinhas que uma leitora me fez perceber, então vou explicar por alto o que ela disse e o que eu respondi.
No último capítulo - 22 - eu disse que vocês, a principal, fogem na noite em que eles ficaram (na verdade no dia seguinte, mas enfim) e no capítulo quatro eu disse fugiu um mês depois: Considerem a versão do último capítulo, porque é mais lecal, HIHI.
No capítulo três um dos guys diz que o ATLGuy de vocês foi o último a saber da fuga de vocês e no capítulo 22 parece que o ATLGuy de vocês foi o primeiro: teoricamente foi e na prática também, eu apenas não escrevi sobre isso. Mas a intenção era o motorista dela entregar as cartas em mãos para as amigas, eu apenas não escrevi porque no momento o que mais importava era o que o favorito sentia e o que a principal também.
Gostaria de agradecer à Izumi por ter reparado nesses detalhes e entrado em contato comigo, não é nada muito relevante, ou talvez seja, sei lá, mas tá ai. : D
Enfim, tô indo, sinto que falei demais, beijos, espero que tenham gostado da atualização e até a próxima.
MeAdiciona e sejam felizes, HIHI.
E COMPREM MEUS PÔSTERS! Eu preciso de dinheiro para ir para Londres, HIHI. Só entrar aqui e ver quais eu tenho, preços e talz. Pode pedir mesmo, juro que não mandarei uma bomba explodir tua casa ou invadirem a mesma, HIHI.
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