
Prólogo
Perguntei a um sábio a diferença que havia entre o amor e a amizade. Ele me disse essa verdade: O amor é mais sensível, a amizade mais segura. O amor nos dá asas, a amizade o chão. No amor há mais carinho, na amizade compreensão. O amor é plantado e com carinho cultivado, a amizade vem faceira e com troca de alegria e triste. (William Shakespeare)
Primeiro
(Coloque Hold me in your arms - Pixie Lott para carregar)
Abri meus olhos e por um momento me arrependi de ter feito isso. Meus olhos arderam devido a claridade. Um barulho repetitivo começava a me irritar e eu respirei fundo pra não implorar pra desligarem aquilo. Abri meus olhos, piscando rapidamente para acostumar meus olhos com aquela iluminação exagerada. Assim que meus olhos não me incomodavam mais, olhei ao redor e vi uma pessoa com o olhar vago sentado no sofá proximo a minha cama. Alguns minutos depois, a pessoa voltou o olhar pra mim e os mesmos brilharam. Levantou-se do sofá e andou em minha direção. Tentei abrir um sorriso, mas estava fraca pra isso.
-Graças a Deus você acordou. -Lágrimas se encontravam em seus olhos, enquanto ele apertava minha mão. -Vou chamar um médico pra vir te ver, já volto. -Assenti. Senti sua mão se soltar da minha e então fiquei sozinha naquele quarto.
A única coisa que eu me lembrava era das luzes fortes, do barulho do vidro se quebrando, dos gritos do banco da frente e do pneu do carro cantando. Lembro-me também de algo batendo na minha perna esquerda e em minha cabeça. Depois disso, só a escuridão que me fazia lembranças.
Não sei quanto tempo estou nesse hospital, não sei quanto tempo vou precisar ficar aqui e muito menos o que aconteceu comigo. Eu sei que foi um acidente, mas não sei se foi tão grave. A porta se abriu e prendi minha atenção naquele homem vestido de branco que viera me examinar.
-Olá, . Eu sou o Dr. Richard e acompanhei seu caso durante esse tempo em que você está aqui. -Continuei em silêncio, vendo aquele homem se aproximar da minha cama. observava de longe e ao mesmo tempo falava no celular. -Seus amigos te amam muito, sabia? Eles se revesavam de quem ia dormir aqui com você e os outros ficavam até o horário de visitas acabar.
-O que aconteceu, Dr. ? Digo, eu sei que eu sofri um acidente, lembro de uma luz, do barulho do vidro se quebrando. -Falei ao médico que olhava alguma coisa nas anotações feitas desde que eu estou aqui. -Quanto tempo eu tô aqui pra falar a verdade?
-Bom, você está aqui a três meses. Um caminhão perdeu a direção e bateu no carro em que você estava. Acidente foi muito grave, somente você sobreviveu, sinto muito. -Meu coração apertou e eu senti uma coisa ruim dentro de mim. -Você fraturou a perna esquerda e precisará fazer fisioterapia para conseguir recuperar os movimentos da perna. Você bateu com a cabeça e sofreu traumatismo, essa pancada foi a causadora do seu coma. - se aproximou da cama e começou a passar a mão carinhosamente pelo meu rosto. Demorei um pouco pra perceber que estava chorando.
O médico saiu do quarto, deixando e eu sozinhos. Ele me abraçava tão forte, como se quisesse mostrar que eu não estava sozinha. Não naquele momento. Respirei fundo, secando minhas lágrimas e olhei para seu rosto que me olhava preocupado.
-Não quero ver minha irmãzinha chorando. Por mais que você esteja triste, não quero te ver assim. Você sabe que não perdeu totalmente a família, você tem a galera. -Concordei e continuei em silêncio. Escutei seu celular tocar e se afastar de mim para atender.
Alimentação balanceada, alguns exames feitos e o maldito colete imobilizando meu pescoço. ficou ao meu lado o tempo todo naquele dia e podia ver em seu rosto o cansaço evidente.
-, vai pra casa. Você tá cansado, precisa descançar. -Vi um sorriso de lado formar em seus lábios e o vi assentir.
-Relaxa, . Daqui a pouco meu substituto vai chegar e eu vou pra casa descançar. -Franzi minha testa e vi jogar a cabeça pra trás e gargalhar. -O médico falou, cabeção, a gente tá revezando pro pessoal dormir com você.
-Ah, tá. Você sabe que minha capacidade mental é lenta, então não fala em código, cacete. -Fiz bico e cruzei meus braços, me arrependendo logo em seguida ao ver a agulha fincada em minha pele. Parei e fiquei encarando aquela agulha e a nausea envadiu meu corpo.
-, olha pra mim. -A voz autoritária de fez com que eu desviasse meu olhar daquela agulha. Ficamos em silêncio nos encarando e de repente escutei sua gargalhada. -Você tá branca igual papel, . -Bufei e mostrei meu dedo do meio. Escutei uma leve batida na porta e a mesma foi aberta.
Meu coração disparou e senti uma pequena fraqueza em meu corpo. Minhas mãos começaram a transpirar e minha mente trabalhava muito rápido. Ele estava ali. Ele estava ali pra cuidar de mim, ele estava ao meu lado nesse tempo. Meus lábios repuxaram-se num sorriso de canto e por um segundo me achei boba.
-A bela adormecida acordou. , você a beijou pra acordá-la? -Ele se aproximava da cama com aquele sorriso que só ele tinha e selou seus lábios nos meus.
-Não beijo minha irmã, idiota. É nojento. -Ele fez uma cara de nojo enquanto e eu soltávamos uma gargalhada.
-Eu não sou sua irmã de sangue, coração. E isso é uma pena, porque eu realmente queria trocar saliva com você. -Falei um tanto séria, perdendo um pouco do ar brincalhão. arregalou os olhos, como se não acreditasse no que eu tinha acabado de falar e demonstrava todo o ciúmes em seu olhar. Ficamos em silêncio por um tempo e eu começava a achar que eles tinham acreditado no que eu tinha falado. -Gente, vocês não acreditaram no que eu falei... Acreditaram?
E o dia passou assim. Nós falando coisas que não faziam sentido. pegou o crachá de visitas de e foi embora.
No dia da minha alta, estava comigo. Pegou minha bolsa, para que eu não pegasse peso, enquanto eu saáa de muletas. Um carro nos esperava em frente ao hospital.
Uma coisa que eu odiava, era essa história de ser amiga e namorada de jogador de futebol. Ainda mais sendo eles famosos e paparazzis os seguem o tempo todo. Esse é o caso de e . Tinham uma série de jornalistas, fotográfos e curiosos em frente aquele hospital.
Sentia flashs em meu rosto, enquanto eu procurava andar mais rápido que as muletas me permitiam, o que não dava muito certo. Podia ver toda a frustração de , enquanto ele pegava minha bolsa, a colocava no porta malas e andava rápido para me ajudar. Sentei-me com a perna esticada no banco de trás e ele fechou a porta rapidamente e ia para o lado do motorista, logo em seguida dando partida no carro.
abriu a porta da casa onde morava com meus pais. Meus olhos lacrimejaram, um nó se formou em minha garganta e pareciam que fincavam várias facas em meu peito. Viver ali não ia ser bom, eu não tinha forças o suficiente pra isso. Não ia conseguir viver naquele lugar sabendo que meus pais não iriam estar presentes nas refeições. Minha mãe não ia estar ali pra me mandar fazer as tarefas e meu pais para tocar rock antigo em seu violão.
me abraçou pro trás e apoiava seu queixo em meu ombro. Eu tentava me manter firme e colocava mais força de necessário nas muletas. Fechei meus olhos e tentava organizar meus pensamentos.
-Pequena... - sussurrou em meu ouvido e mantia os olhos fechados. Lágrimas molhavam meu rosto e eu não queria enfrentar aquela situação. Não sozinha. Eu sou fraca, sempre fui e não vou ter forças para superar minha dor sozinha.
-Eu não consigo, tudo ainda é recente demais. -Minha voz não passava de um sussurro. -Não dá , me tira daqui por favor. -Ele soltou o abraço e manteve as mãos nas laterais na minha cintura. Ele começou a me guiar para o lado de fora da casa.
-Se encosta aí que eu vou pegar algumas coisas na casa e nós vamos para a minha, tudo bem? -Assenti. Em silêncio me apoiei na parede e o esperei. Não sei quanto tempo fiquei ali, sozinha com meus pensamentos. saiu da minha casa com uma bolsa grande de viagem parecida com a que eu tinha no porta-malas, trancando a porta e vindo em minha direção. Me apioei nas muletas e segui em direção ao carro em passos lentos.
-Que bolsa é aquela que você pegou? -Arqueei a sobrancelha enquanto o via dirigir em silêncio. Parou o carro num sinal vermelho e olhou pra mim.
-Algumas roupas suas. Não ia dar pra você ficar com a quantidade de roupas que nós colocamos quando você ficou em coma. Você sabe, colocamos poucas roupas porque você usava as roupas do hospital. -Virou-se para a frente e deu partida novamente no carro.
Eu podia ver as tentativas de de tentar me entreter e me fazer esquecer do acidente em cinco meses, a dois meses atrás eu já podia andar sem o auxílio das muletas. O que devo falar que é bom, porque eu sou idepedente demais para depender de alguma coisa.
Estava deitada sozinha no sofá da sala, devia estar voltando do estádio. A chuva começou a engrossar lá fora, impedindo que eu conseguisse escutar o barulho da televisão. Procurei o controle no meio dos endredons e travesseiros que tinha colocado ali, e aumentei-a.
Escutei a porta da frente bater, desviando meu olhar sobre o suspense de algum filme que passava e vendo parado tirando a camisa e a bermuda que estavam molhadas e, por isso, pesadas.
-Oi, amor. -Disse eu chamando sua atenção e me levantei andando em sua direção. Passei meus braços em seu pescoço e levantei meus pés, selando nossos lábios. -Como foi o jogo? ganhou de goleada?
-Quatro a Zero. Agora o outro time entrou na zona de rebaixamento. -Assenti e encarei seus olhos. Estes estavam um pouco mais hoje e mais bonitos. -Hoje o presidente do quis conversar comigo e com , sobre o nosso futuro. -Me afastei um pouco, pegando as roupas molhadas que estavam no chão e levei para a área torcê-las. Voltei para sala e a encontrei vazia, dei ombros e deitei-me novamente no sofá. -Amor, vem cá. Trouxe algo pra gente comer.
Se você quer que eu levante rápido, é só falar em comida. Rapidamente fui andando em direção a cozinha e o vi destampar o Yakisoba, o cheiro que bateu de repente fez com que minha boca se enchesse de água.
-Como você descobriu que eu queria comer isso? -Perguntei quebrando o silêncio. Esperei ele engolir a comida para me responder e eu continuava a comer.
-Não sei. Eu passei em frente e pensei em você, ai eu comprei. -Deu ombros enquanto concordava. -Pelo jeito acho que acertei no cardápio.
-Se você trouxer mais vezes, sempre vai acertar, querido. -Escutei sua gargalhada e novamente ficamos em silêncio. Escutei-o fazer um barulho estranho com a boca, chamando minha atenção. Levantei meu olhar para seu rosto e ele me olhava. O vi levantar e andar em minha direção, franzi minha testa me perguntando o que ele tava fazendo e o vi agachar perto de mim.
-, eu sei que as possibilidades de ouvir um "sim" no que eu vou te pedir agora são pequenas, mas eu não vou desistir disso até você dizer sim. -Arqueei minha sobrancelha e esperei que ele continuasse. O vi pegar algo no bolso de trás de sua calça de moletom e continuou em silêncio. -Eu sei que também pode não ser a maneira certa ou a que você sonhou de te pedir isso, mas... -Abriu a palma de sua mão, nela se encontrava um anel delicado e dourado. Arregalei meus olhos e esperei para que ele continuasse o que tinha que continuar. -Eu quero que você seja pra sempre minha, que possa passar todos os momentos felizes e tristes comigo, quero você pra sempre na minha vida. Casa comigo? -Abri minha boca, procurando uma resposta coerente, mas nada saía. Fechei minha boca, tentando organizar meus pensamentos.
-Você tá falando sério, tipo, tu quer casar comigo mesmo eu sendo enjoada, chata e desorganizada demais? -O vi jogar a cabeça pra trás e soltar uma gargalhada gostosa. Olhou novamente para meu rosto e assentiu em silêncio, meus olhos lacrimejaram e eu balancei a cabeça em sinal positivo meio abobada. -Claro que eu aceito.
Me abaixei um pouco, selando nossos lábios. Sua língua brincava com a minha e uma de suas mãos fazia carinho em minha cintura me fazendo cócegas. Assim que nos separamos, ele pegou minha mão direita e colocou a aliança em meu dedo, logo em seguida beijou minha mão.
Estava no meu décimo quinto sono, até ser acordada por um barulho irritante que sooava entre meus travesseiros. Bufei irritada, perguntando quem seria o ser incoviniente que estaria me acordando do meu sono.
-Amor? Eu te acordei? -Cocei meus olhos, enquanto bocejava. -Tenho uma novidade pra você. - demonstrava sua felicidade na voz.
-Fala logo qual surpresa é essa, antes que eu morra irritada e curiosa. -Falar que tem novidade pra mim é a mesma coisa que pedir para que um curioso não olhasse a caixinha que estava em cima da mesinha, conclusão: era a mesma coisa que pedir pra morrer, seja eu ou a pessoa.
-Não vou falar por telefone. Tô indo pra casa. Toma banho e se arruma, que hoje eu vou te levar pra almoçar. -Bufei. Odiava suspense. Meu cérebro trabalhava a mil tentando descobrir qual era a notícia dele, porém nada me vinha em mente. -Já tô chegando, não vai demorar muito. Até daqui a pouco.
Ótimo. Lá se foi meu sonho de dormir até tarde. Olhei pro visor do meu celular, vendo que já era tarde o suficiente. Me espreguicei e levantei da cama, indo direto ao banheiro fazer minha higienie. Após tomar meu banho, me enrolei em uma toalha e fui em direção ao meu guarda-roupa procurar algo decente para um almoço. Assim que fiquei pronta, se encostou no batente da porta e me olhou sorrindo, como se aprovasse.
-Devo dizer que a minha noiva é a mais linda de todas? -Veio andando em minha direção e me beijou levemente. -E a mais cheirosa. -Ri baixinho, peguei minha bolsa, colocando minha carteira dentro da mesma.
-Tô pronta, vamos? -O vi assentir e entrelaçou seus dedos entre os meus e fomos em direção ao carro. Eu tentei descobrir o que ele queria me contar no caminho do restaurante. Porém ele falava que queria falar no restaurante. Ah, sem esquecer que ele mandou eu parar de ser curiosa.
Assim que entramos, logo de primeira avistamos os pais de e o próprio. Com eles estavam a família de . Olhei pra seu rosto, franzindo a testa e dei ombros. Cumprimentamos a todos e nos sentamos.
-Ok, agora pelo amor de Deus, fala logo o que você tem que falar. Eu tô curiosa, você sabe como eu sou. É judiação isso que você tá fazendo comigo. -Fiz bico, arrancando a gargalhada de todos presente na mesa. mordeu minha bochecha e eu fiz uma careta.
-Tá, você já aguentou por muito tempo. - olhou cúmplice pra , e esse apenas assentiu. -Primeiramente, eu queria agradecer a todos por estarem aqui.
-Amor, não precisa agradecer, só vai direto ao ponto porque, sério, eu não quero morrer. Então pára de enrolar e fala logo, a minha vida agradece. -Fiz joinha com o dedo e todos voltavam a rir na mesa.
-Como eu disse antes, Milan tava procurando eu e o para irmos para lá graças a nossa boa atuação. E o Milan foi o único time que ficou disposto a pagar a nossa multa recisória que é bem alta. Então foi decidido, a partir do dia 11, eu e o não pertencemos mais ao . -Todos da mesa começaram a parabenizá-los, exceto eu. Isso queria dizer que eu ia perder a única coisa de importante que eu tinha no momento? Quer dizer que eu vou perder minha nova família? Eles iam pra Milão e eu ia ficar aqui, sozinha. Lágrimas invadiram meus olhos e precisei segurá-las, não queria demonstrar fraqueza em frente de todos ali. Sem falar com ninguém levantei-me da mesa. Eu precisava respirar.
Ar. Era tudo que eu precisava. O oxigênio estava em falta dentro daquele restaurante. Fazia falta o suficiente para que meu cérebro ficasse impedido de pensar em alguma solução. Aquilo não podia estar acontecendo. NÃO PODIA.
(Coloque a música pra tocar)
Watching the world float on by
Assistindo o mundo flutuar
I can say I'm alright
Posso dizer que estou bem
Watching the sun light the moon
Assistindo o sol iluminar a lua
As the day turns to night
Enquanto o dia se torna noite
Não sei ao certo quanto tempo eu fiquei do lado de fora daquele restaurante. Eu estava parada, olhando o movimento da rua como se fosse a coisa mais importante do mundo. E pode acreditar que no momento tava sendo. Aquela rua era mais interessante que ouvir falando que ia me deixar.
Escutei alguém se aproximando e uma brisa gélida arrepiou meu corpo. Não precisava desviar minha atenção daqueles carros de diferentes modelos pra saber que era ele que estava ao meu lado. Escutei-o respirar fundo e finalmente encarei seu rosto sem expressão.
-Parece que você não ficou feliz por eu ir pro Milan. -Aquilo não era uma pergunta, aquilo era uma afimação. Neguei e continuei em silêncio. Continuava a encarar as pessoas dentro dos carros que passavam ali. Dei um suspiro cansado e lágrimas invadiram meus olhos.
-Eu estou orgulhosa de você. -Por mais que doía meu peito ter que assumir uma coisa dessas, eu tinha orgulho dele. Uma lágrima desceu de meus olhos e rapidamente levei uma de minhas mãos para secá-la. -Eu só... -Fiquei novamente em silêncio deixando aquela frase no ar.
-Você o quê, ? -Sua mão tocou levemente meu braço. Fechei meus olhos, numa tentativa que absorver tudo aquilo. Outro suspiro cansado saiu pelos meus lábios e continuei em silêncio. -Me fala, por favor, o motivo de você estar assim?
Hold me in your arms
Me segure em seus braços
Cause I'm falling
Porque estou caindo
Hold me in your arms
Me segure em seus braços
While we're sleeping
Enquanto estou dormindo
Hold me in your arms
Me segure em seus braços
-Eu tô orgulhosa de você, . -Falei novamente aquela frase. -Seu trabalho está sendo reconhecido. Eu realmente fico feliz com isso. -Abri meus olhos e encarei seus olhos apreensivos que me encaravam. Novamente o silêncio dominou aquela conversa.
-Se você realmente tá orgulhosa, porque você não demonstra isso? Fala, . Então qual é o motivo de você estar assim? -Respirei fundo, tentando organizar meus pensamentos. Novamente pareceu que faltava ar para que meu cérebro funcionasse.
-Eu não quero ter que te perder. Não quero viver longe de você. É tão dificil assim de entender? -Lágrimas agora eram impossíveis de se controlar. -Eu não tô feliz em saber que você vai pro outro lado do oceano, viver sua vida e sua carreira sem mim. É impossivel pensar nisso. -Sentimento de perda corria em minhas veias. Novamente eu sabia o que era sentir isso, mas não sabia como controlar aquela situação.
Segundo
-Mas quem disse que eu indo pra Milão eu vou te deixar aqui, ? -Sua voz doce, fez com que eu procurasse por seus olhos. Suas mãos grandes seguraram meu rosto com delicadeza. -Eu não sou louco o suficiente em te deixar pra trás. Você faz parte da minha vida e ela não seria a mesma sem você em Milão ou em qualquer lugar do mundo. -Mordi meu lábio inferior, enquanto ele secava as teimosas lágrimas que escorriam em meu rosto.
Dia 10 chegou com um piscar de olhos, tudo tinha que estar pronto para que eu, e pudessemos nos mudar para Milão. As malas estavam prontas, os móveis empacotados para serem fretados para a nova casa. Os meninos estavam mais nervosos do que quando foram convocados para seleção.
A irmã de ligou para meu celular, falando que queria que nós três fossemos para a casa da mãe dele para um jantar de despedida. Ia ser a nossa última noite juntos... até o casamento ou as viagens de visita.
Às sete em ponto, estava pronta e apressando . Juro que no dia do casamento quem vai se atrasar vai ser ele e não eu, que seria a noiva. Pontualidade é tudo e ele era tudo, menos pontual com jantares. Mas com o trabalho, sempre.
-, não vou chamar de novo. Daqui a pouco tô pegando o carro e vou te deixar pra trás. -Bati novamente na porta do banheiro com toda a força que eu tinha e ele novamente me ignorou. Bufei e peguei meu celular no bolso da minha calça, discando o número de .
-Onde vocês estão, ? -A voz irritada de ecoou do outro lado da linha, fazendo com que eu bufasse novamente.
-Estamos em casa. Você sabe que é pior que eu se arrumando, então aguenta as pontas aí que eu vou tentar apressá-lo novamente. -Escutei passos se aproximando e olhei para com repreensão. -Estamos indo já, a mocinha saiu do banheiro.
-Já era de se esperar, agora vem logo que meus pais estão prontos também. E fala pro seu noivo, que eu vou cortar o pescoço dele se ele demorar mais de 10 minutos. -Desliguei o telefone e fui andando até a porta com ele ao meu encalço.
-Abusado. Como ele quer cortar o pescoço do meu noivo sendo que eu nem casei? Eu vou ser viúva antes da hora? Meu Deus. -Um pequeno teatro e estava desfazendo a cara fechada. Como sempre, ponto pra mim.
Chegamos a casa da mãe de , tudo estava apagado e silencioso. Saímos do carro e entramos na casa mesmo estando tudo apagado. acendeu a luz da sala e meu queixo caiu.
-SURPRESA! -Todos daquela sala gritaram. Cartazes coloridos estavam espalhados pela parede, do tipo "vocês vão fazer falta" ou "boa viagem e sucesso" e todas essas coisas. Ali estavam os pais e os irmãos de e . Mas no cantinho da sala, pude reconhecer um garoto alto e forte com o formato do rosto parecido com o meu. Os mesmos olhos castanhos, a mesma cor de cabelo e com o mesmo sorriso. Um nó se formou em minha garganta e lágrimas em meus olhos. Pude vê-lo andar com passos indecisos em minha direção e as memórias do passado invadiram minha mente como um filme. O que ele estava fazendo ali?
-... -Respirei fundo e pude sentir o olhar de e em cima de mim. -Quanto tempo, certo? -Eu não tinha voz. Eu mal conseguia me manter em pé. Notando isso, se aproximou de mim e passou a mão por minha cintura para mostrar que eu não estava sozinha naquele momento. A sala caiu em um silêncio e todos prestavam atenção naquela cena. Era apenas um reencontro de irmãos que não se falavam e não se viam a anos.
-James. -Minha voz saiu seca e fria. Escutei um suspiro de longe. O único som que podiamos ouvir era da música baixa e a respiração tensa de todas aquelas pessoas. -O que você tá fazendo aqui? -Segurava as lágrimas em meus olhos para não demonstrar que eu me importava com sua presença.
-Me chamaram. -Arqueei a sobrancelha como se fosse óbvio já que ele não era adivinha. -Eu pensei muito antes de vir aqui, mas eu precisava conversar com você e te ver. -Sua voz agora era um sussurro. Minhas pernas vacilaram e a mão forte de segurou-me.
-Me desculpe, mas hoje não é dia e nem situação pra eu falar com você. -Balancei minha cabeça em sinal de negação e murmurei para . -Vamos ali fora comigo. -Saímos abraçados da sala. Esta por sinal parecia diminuir a cada passo que eu dava.
Sentei-me na calçada em frente da casa que continuava silenciosa e sentou-se ao meu lado. E deu um longo suspiro. Eu apenas mantia meu olhar fixo no asfalto quente por culpa do dia ensolarado. Senti seus dedos entrelaçarem aos meus e apertando como se quisesse me passar forças por um simples toque de mãos.
Escutei a porta se fechando e nós continuávamos em silêncio. Passos se aproximando e de canto pude ver se virar pra ver quem se aproximava.
-Eu já volto. - murmurou em meu ouvido e se levantou. -Qualquer coisa me chama. -Assenti e fixei novamente meu olhar no asfalto a minha frente.
-. -Escutei a voz de meu irmão ecoar atrás de mim. Respirei fundo e contei até dez. Me virei e encarei seus olhos que estavam um pouco mais escuros do que naquela sala iluminada. Sentou-se no lugar em que estava sentado antes e ficamos em um silêncio constrangedor. -Me desculpa. Não queria te aborrecer por estar aqui. Eu só queria te rever depois desses anos. Embora a gente tivesse concordado que era melhor não nos falarmos para não brigarmos, eu senti sua falta. Você é minha irmã, sangue do meu sangue minha única família depois do acidente. -Lágrimas desciam por meu rosto sem a minha permissão e um soluço saiu por mim garganta.
-Você decide me procurar quando eu estou de mudança marcada. Você simplesmente não me visitou quando eu estava em coma e como você diz que sentiu minha falta? Garoto, eu não sabia nada da sua vida, pra falar a verdade eu não sei. Eu simplesmente não sei nem onde você mora! James, quando eu mais precisei de alguém do meu lado, você não estava, meus amigos e meu noivo foram as pessoas que tiveram ao meu lado. E você? O que você fez nesse tempo todo? Nada. -Abracei minhas pernas e escondi meu rosto. Eu não queria que ninguém me visse naquela situação, não queria que vissem meus olhos vermelhos e minha maquiagem borrada. -Eu tive que me desprender de tudo nesses longos cinco meses, eu não tive ajuda e apoio de ninguém. e , eles foram os únicos que me ajudaram e as irmãs dos dois. virou um irmão pra mim, mesmo não sendo sangue do meu sangue. Ele fez o papel que você não fez, ele fez o papel que você em vinte anos não foi capaz de fazer, James. é mais que meu noivo. é meu amigo, companheiro ele é tudo pra mim. Eu corri atrás de tudo o que eu sempre sonhei. Não sou mais a garotinha de cinco anos atrás, James. Eu tenho a afinidade que com eles que eu nunca tive com você. Eles me acolheram quando eu me senti deslocada, nós nos tornamos inseparáveis, uma família que eu nunca fui com você. -Por um segundo encarei seus olhos e estes estavam vazios. -Eles são a única coisa que eu tenho, eles são tudo o que eu tentei ser com você em quinze anos. Mas você foi estúpido o suficiente pra apontar meus defeitos, você não me deu a chance de mostrar o verdadeiro eu. Eu não tive a oportunidade de te conhecer de verdade, você não sabe nada de mim e da mesma maneira que eu você não sabe nada sobre mim. Você é um desconhecido e isso não vai mudar. Nunca vai mudar. -Limpei minhas lágrimas e respirei fundo. Minha cabeça começava a doer por causa das lágrimas.
-Você sempre foi muito orgulhosa para desculpar alguém, . Não me impressiono como eu tentei vir aqui, te pedir desculpa por cinco anos sem mandar notícias. Na verdade eu não sei o que se passou pela minha cabeça quando eu resolvi aceitar o pedido da . Mas sabe o que mais me irrita? Foi eu perder meu tempo vindo pra essa cidade, gastar meu tempo e tentar te convencer em me desculpar. Me desculpa por gastar seu tempo, me desculpa por tentar procurar minha família já que eu perdi a única que eu tinha. -Lágrimas se encontravam em seus olhos. Ele também era orgulhoso demais para chorar na minha frente. O vi balançar a cabeça em sinal de reprovação e entrar novamente na casa. Novamente estava sozinha e com raiva de mim mesma. Era melhor assim. Em cinco anos isso foi melhor. Eu estava cansada de ser maltrada pela pessoa que eu mais amava. Mas não dessa vez. Meu coração apertou-se dentro de mim. Parecia que o sangue que corriam em minhas veias estavam mais devagar. O vazio tomava conta do meu ser e não tinha outra saída. Já tinha feito o que era certo e não ia voltar atrás.
[Flashback on - Cinco anos atrás]
Estava sozinha em um show e num lugar desconhecido. Não tinha outra saída, além de procurar meu irmão para me tirar dessa. Minha amiga tinha me largado e não queria ir embora sozinha. Pra falar a verdade eu não sabia voltar pra casa. Sentindo alguns olhares sob mim, fui tentando me equilibrar em cima daquela sandália de salto que estava matando meus pés. Olhava para todos os lados procurando alguém conhecido, mas nada. Quando estava prestes a dar mais uma volta, senti uma mão forte em meu braço fino e delicado fazendo com que eu olhasse para o dono daquela mão.
-Você devia andar mais ligada nas coisas em sua volta, sabia? -Senti um alivio tomar conta do meu corpo assim que vi aquela pessoa conhecida na minha frente. -Cadê sua amiga? Vai dizer que ela ficou bêbada demais e te deixou sozinha? -O sarcasmo que se encontrava em seu tom de voz por um momento me revoltou. Mas não podia fazer nada, apenas aguentá-lo por um momento se não, não teria companhia para voltar para casa.
O show estava na metade e eu cantava as músicas animada. Um dos meus sonhos estavam sendo realizados e eu estava incrédula em como era melhor eu presenciando aquilo. De canto de olho, pude ver James dançando com uma garota ruiva. Dei ombros e continuei cantando.
-Estão, queremos agradecer a prefeitura da cidade e a todos vocês por terem vindo aqui essa noite. Vocês fizeram isso acontecer, vocês fizeram nosso sonho se tornar realidade. Obrigado a todos e nós iremos cantar a última música. -A introdução daquela música fez com que todos os pêlos de meus braços desnudos se arrepiassem. Um sorriso bobo estava em meus lábios e eu não queria parar de sentir aquela sensação boa. -Obrigado gente. Espero que vocês tenham gostado. -E os vi sairem do palco. Minha noite tinha sido perfeita, meu sonho estava realizado.
-Que horas você vai embora? -Perguntei para James interrompendo por um segundo o momento de flerte dele. Pude ver seu olhar de repreenção e murmurar algo com a garota ruiva. Senti-o segurar forte em meu braço e sair me puxando para longe.
-Você nunca mais vai me interromper, escutou bem, garota? Vai embora para casa que eu vou demorar. -Eu ia abrir a boca para protestar e antes disso ele me cortou. -Pegue um táxi. Saía daqui e procure um táxi vazio, você sabe o endereço de casa e está com dinheiro, então pronto.
-Você vai me deixar aqui sozinha? -Olhei incrédula para ele. Podia ver em seus olhos que ele começava a perder a paciência comigo. Minha vontade de chorar estava aumentando a cada milésimo de segundo e eu não iria chorar ali. Não na frente de todas aquelas pessoas que olhava a nossa pequena discução.
-Não tenho filha desse tamanho e você tem que aprender a se virar. Eu me virava quando algum amigo meu me deixava sozinho quando eu tinha a sua idade, agora é bom você aprender sozinha. -Balancei a cabeça tentando não acreditar no que eu tinha acabado de escutar.
-Eu te odeio, James. EU TE ODEIO! -Gritei, chamando ainda mais a atenção. Agora podia ver a garota ruiva se aproximando de nós.
-Jimmy, vamos levá-la em casa. É perigoso deixá-la sozinha a essa hora, não vou me sentir bem sabendo que uma garota de quinze anos foi pra casa sozinha sendo que eu podia levá-la com segurança. -Novamente senti aquele olhar em cima de mim. James bufou e a menina o abraçou e nos guiou para fora. -Aliás, meu nome é Nicole.
Sorri falso para a garota e andava encarando meus pés. Não queria ter que encarar James, porque era capaz de eu matá-lo com a força do pensamento e não seria legal. Nos apertamos dentro de uma caminhonete de dois lugares e seguimos em direção a minha casa. Eu me sentia bem, sabendo que ia chegar em casa com segurança.
Deitei-me em minha cama, com a luz acesa e pude sentir meu corpo agradecer por aquilo. Fechei meus olhos por dez minutos e escutei a porta da sala bater. Passos firmes andaram em direção ao meu quarto. Abri meus olhos e pude ver James parar na porta do meu quarto.
-Você ACABOU com a minha noite, garota. ACABOU! -Gritou sem medo de acordar meus pais que dormiam próximo aquele quarto. -Você não tem amiga decente para sair, então fica em casa. Você mal saiu das fraudas e se acha tão idependente, mas na hora que tudo aperta você vem comigo né? -Bufou e um sorriso irônico surgiu em seus lábios. -Eu vou acabar com você com o pai e com a mãe. Eles nunca mais vão te deixar sair, pirralha. -O sorriso irônico deu lugar ao maldoso. -Vai ser ótimo saber que você não vai tá lá, sabe? Não vai estar presente para estragar minha noite e com certeza a de ninguém.
-Eu não pedi pra você me trazer em casa, idiota. -A raiva fazia com que meu coração pulsasse mais rápido. Minha respiração estava acelerada e não ia passar até eu me acalmar. -Vamos fazer um acordo, que vai ser melhor para os dois. Não fala comigo e eu não falo contigo. É melhor porque nós não somos irmãos. Irmãos não brigam e não se odeiam tanto quanto nós. Então vai ser melhor para os dois. Os dois vão sair ganhando.
-Ótimo! -Estendeu a mão para que eu apertasse, repeti suas palavras e seu gesto.
-Agora sai do meu quarto, idiota. -Empurrei-o para fora, só assim notando que eu estava ao seu lado e fechei a porta do meu quarto com força e tranquei. Agora sim eu vou ter paz, agora sim não vou perder meu tempo brigando com ninguém.
[Flashback off]
Senti a presença de alguém atrás de mim e uma voz conhecida me chamar. Mordi meu lábio inferior tentando evitar o soluço desesperado sair por minha garganta. Respirei fundo, afastando todos aquelas memórias idiotas de minha mente e me levantei da calçada. me olhava preocupado e eu apenas dei ombros.
Ele sabia que eu não tinha tentado a aproximação, ele sabia que aquele não era o momento certo pra isso. Andou rapidamente em minha direção e envolveu meu corpo em seus braços. Escondi meu rosto na curva de seu pescoço e lágrimas continuavam a descer de meus rosto. Não tinha parado de chorar. Tudo estava muito recente pra mim. Ficamos em silêncio, não um silêncio contrangedor. Era aquele tipo de silêncio necessário, aquele que passava forças mesmo sem emitir nenhum som.
A porta bateu e vi James saindo da casa de cabeça baixa. Um nó se formou em minha garganta e alguma coisa dentro de mim me repreendeu. Talvez eu tivesse sido muito rude com ele, talvez ele tivesse arrependido e quisesse começar do zero, mas meu orgulho não deixou com que eu soubesse o que ele queria na verdade.
O vi jogar uma bolsa no banco de trás de um carro, que provavelmente era seu. Abri um sorriso de canto ao ver a marca do carro. Ele estava bem na vida, ele tinha chegado em algum lugar que desse conforto para ele. Pude sentir uma pontada de orgulho dentro de mim e o vi parado antes de entrar no carro. Seu olhar foi de encontro ao meu, sua cara amarrada e seu olhar decepcionado cortou meu coração. Ignorei minha vontade de soltar o abraço confortável de e correr em direção a ele e pedir desculpa por ser uma idiota, orgulhosa. O vi entrar no carro e dar partida. Acabou pela segunda vez.
-Como você se sente? -Sua voz baixinha invadiu meus ouvidos e despertei de todos os sentimentos e pensamentos que rondava meu corpo. Respirei fundo e abri um sorriso amarelo para ele. Ele pode ver em meu sorriso que eu ficaria bem, que isso ia passar de novo.
Depois de me recompor, me desfazer da cara de choro e da maquiagem borrada. Senti olhares sob mim novamente e apenas sorri de lado. O olhar arrependido de se cruzou com o meu. Em seus lábios pude ler um "desculpa" e apenas dei ombros.
-Bom, estávamos esperando você chegar para começarmos a festa, . -Sorri para mãe de que se aproximava de mim com os braços abertos e um sorriso no rosto. Retribui o sorriso e a abracei. Aquele abraço de mãe que ela tinha fez-me sentir segura como a alguns meses não me sentia. -Essa festa é nossa, vocês são muito queridos para todos nós. Você, , já é da família, sabe disso certo? -Abri outro sorriso para ela. Adorava a simplicidade e humildade da família de . Antes da fama, a mãe dele deve ter sido do tipo "onde come cinco, come seis".
Sentei-me no sofá, observando tudo a minha volta, observando aquelas pessoas, aqueles sorrisos, aquelas piadas. Ali era meu lugar, eu estava no lugar certo, na família certa. Tudo estava em seu lugar e não precisava ser sangue do meu sangue. Eu sabia que era amada por aquela família.
pegou o sobrinho no colo e escutei a gargalhada gostosa daquela criança ao ser jogada para cima e ser pega de novo. Pegou a criança, dessa vez sem brincar e olhou para mim com um sorriso. Se aproximou de mim e a criança tentava falar. Sentou-se ao meu lado, selou nossos lábios rapidamente e colocou a criança sentada em minhas pernas. Segurando-a com todo cuidado para que não caísse, vi o sorriso bobo de ao me ver com aquela criança.
-Um dia vai ser o nosso, né? -Assenti retribuindo o sorriso bobo e encaramos a criança que nos encarava. Ela sorriu para mim, como se soubesse o que eu e falamos.
-. -Arregalei os olhos e olhei para . Pisquei algumas vezes e olhei para aquela criança que estava em minha frente. -. -A voz da criança dessa vez foi um pouco mais alta, chamando a atenção das pessoas presentes.
-Ele falou. Ele falou meu nome. -Eu estava incrédula e podia ver , irmã mais velha de , com os olhos brilhando de emoção, mas por um lado decepcionada por não ter sido seu nome que seu filho tinha falado pela primeira vez.
Acordei assim que o avião pousou em Milão. Cocei meus olhos e bocejei. Destravei o cinto, vendo e repetir meu gesto e me levantei. Minhas pernas agradeceram por serem esticadas. Não aguentava mais aquela poltrona, nem aquele avião. Peguei minha bolsa que estava no compartimento àcima de nossas cabeças.
Entrelacei meus dedos nos dedos de e seguimos ao aeroporto com ao nosso encalço.
Repórteres por todos os lados. E correria. Correria por nossa parte e correria da parte de outra pessoa que não sabia quem. Pelo visto, os repórteres sabiam que três jogadores estariam desembarcando em Milão, mas pelas minhas contas eram só dois. Dei ombros e continuei andando.
-Calma aí, . -A voz de fez com que eu e parássemos de andar e o esperasse. Alguns minutos depois, se aproximou de nós conversando com um garoto. -, queria te apresentar um amigão meu. -Olhei para o rosto do garoto, me arrependendo logo em seguida.
Terceiro
[Flashback on - Quatro anos atrás]
Eu o amo. Essa é a única coisa concreta que eu sabia. Vê-lo partir naquele dia, não me deixava bem. Meus pais falavam que uma hora iria passar. Ele me falava que era somente um até logo, mas eu via em seus olhos que ele mesmo não tinha tanta certeza assim e isso fazia
meu coração apertar ao ver sua tentativa de evitar meu sofrimento.
Saber que ele ia pra um lugar longe de mim, viver seu sonho e este não me incluia no pacote me machucava por dentro. A única vontade que eu tinha ultimamente era a de ficar em casa. Não ia aguentar conviver com aquelas pessoas me perguntando dele.
Escutei uma batida na porta do meu quarto, levantei minha cabeça e pude vê-lo encostado no batente me encarando. Eu sabia desde o começo, aquele era o fim. O fim do meu romance adolescente.
Em passos lentos, ele veio andando em minha direção, sua expressão era vazia. Meu coração batia de uma forma tão rápida que eu achei que era capaz de sair pela minha garganta. Meus olhos lacrimejaram e sem a minha permissão um soluço saiu contra minha garganta.
Assim que se aproximou de mim, passou os braços contra minha cintura, me puxando pra si. Eu respirava fundo, tentando achar uma maneira de gravar aquele perfume pro resto da minha vida. Aquele perfume que iria me fazer tanta falta.
-Não quero que esse seja o fim -Sua voz falhou na metade da frase. Agora era impossível segurar as lágrimas. Eu não queria mostrar que estava sofrendo, não queria mostrar que era fraca. Mas esse provavelmente seria o nosso último abraço e só de pensar nessa possibilidade, meu coração parava dando lugar ao medo. Ele afastou um pouco seu corpo do meu, numa tentativa de poder olhar em meu rosto. Mantive minha cabeça baixa, não queria que ele me visse naquele estado, era frustrante demais.
-Eu não quero que esse seja o nosso fim. -Minha voz saiu abafada. Minhas pernas tremiam somente de pensar nessa possibilidade. Eu não queria isso. Suas mãos brincavam com os cachos dos meus cabelos, sua respiração batia contra meu pescoço me arrepiando levemente. As lágrimas desciam de meus olhos e não conseguia mais controlar. Outro soluço saiu de minha garganta e ele levantou meu rosto para poder me encarar. Com os polegares, ele limpou as lágrimas que desciam enquanto me encarava com atenção. -Não me olha assim. Eu não quero que sua última lembrança minha seja feia do jeito que eu estou. -Rimos baixinho e novamente o silêncio caiu sobre o meu quarto. Olhei atentamente em seu rosto, guardando cada expressão, cada traço. Passei o polegar por seus lábios e fechei meus olhos. Senti sua respiração bater na minha boca e em seguida seus lábios colarem nos meus de forma doce. Seus braços puxavam meu corpo para mais perto de si, como se quisesse mostrar que ali era meu lugar e ninguém ia mudar isso, muito menos aquela distância. Abri minha boca assim que sua língua pediu passagem, nosso beijo era lento, apaixonado. Um guardando o sabor do outro, querendo guardar as sensações que um causava no outro.
-Desculpa atrapalhar, mas já atrapalhando -Me afastei um pouco zonza com tudo aquilo e escondi meu rosto na curva do seu pescoço. -Seu pai pediu pra te avisar que está na hora de ir. -As lágrimas começaram a descer de meus olhos novamente e com elas veio meu desespero. O abracei mais forte como se não quisesse deixá-lo ir. Os soluços estavam cada vez mais altos e a fraqueza começava a tomar conta de mim.
-Você sabe que isso é um até logo, certo? -Sua voz murmurou em meu ouvido, mas no momento eu não conseguia prestar atenção em suas palavras. Eu não queria ficar sem ele, até porque eu não conseguiria viver sem ele. -Quando você fizer 18 anos eu venho te buscar, eu te prometo isso. Mas por favor, não sofra. Eu não quero ir embora sabendo que deixei você mal. -E novamente ele me afastou de seu pescoço e me encarou nos olhos. Eu não queria olhar pra ele, não queria ter que encará-lo nos olhos. Era egoísmo meu não deixá-lo viver seu sonho, ele apenas estava seguindo o seu caminho... longe de mim. -Promete pra mim que você vai ficar bem? -A sinceridade que seus olhos me passavam, começaram a me acalmar e então eu respirei fundo, tentando me acalmar.
-Prometo. E você promete que nunca vai me esquecer? -Minha voz chorosa fez com que ele risse baixinho e me abraçasse mais forte do possível. -Promete que não vai arrumar uma maria-chuteira e esquecer de nós e assim que você chegar em Milão você vai me ligar só pra falar que chegou bem? - Minha mente começara a me trair somente por imaginar algo do tipo.
-Eu nunca vou te esquecer, pequena. Mesmo que eu queria, você é a melhor parte da minha vida. Eu nunca vou querer outra pessoa ao meu lado se ela não for você e eu nunca vou esquecer de nós. Eu já te falei que isso é um até logo e não um adeus. -Respirei fundo, novamente sentindo aquele perfume que somente ele tinha. -Me leva até a porta? -Assenti, lembrando que seu pai estava lá em baixo a sua espera. Entrelaçamos nossos dedos e fui andando ao seu lado até o definitivo adeus. Eu andava devagar, tentando fazer com que as horas parassem, só pra ele ficar mais um pouco ao meu lado. Paramos perto do carro de seu pai e ele olhou dentro dos meus olhos. -Promete que vai me esperar, que não vai me esquecer e não vai deixar nenhum outro jogador chegar perto de você? -Ri baixinho enquanto ele novamente brincava com os cachos do meu cabelo.
-Você é o meu único jogador. Ninguém vai conseguir substituir meu meia atacante da Inter de Milão. -Seus braços novamente me puxaram pra um abraço. Dessa vez era seu rosto escondido em meu pescoço, era como se ele estivesse tentando guardar o meu cheiro. -Eu te amo pra sempre. -Murmurei baixinho em seu ouvido, enquanto eu começava a brincar com os seus cabelos.
-E você vai terminar a escola e vai tentar vestibular em Milão. Você vai ser a minha jornalista favorita. Eu te amo pra sempre também. -O mundo ao meu redor não existia. Era somente ele, eu e aquelas seis palavras. "Eu te amo" ficou se repetindo na minha cabeça e depois de muito tempo, abri um sorriso sincero. Ele me ama, da mesma maneira que eu o amo. Tudo estava certo, mesmo com a distância.
[Flashback off]
me acordou do transe e aquele amigo dele me olhava curioso. Meu coração estava acelerado, minhas mãos começaram a transpirar e minha mente vagava por algum lugar do meu passado. Uma coisa dentro de mim revirou e eu não sabia porque meu interior estava me traindo, não depois daqueles anos.
-, esse é meu amigo que joga da Inter de Milão. -Um nó se formou em minha garganta e eu tentava organizar meus pensamentos. Aquilo não tava acontecendo. Primeiro meu irmão e agora ele. Desde quando os fantasmas do meu passado resolveram aparecer só pra mostrar que estão vivos?
-... -Fechei meus olhos, sentindo todo meu corpo reagir de uma maneira estranha ao ouví-lo falar meu nome depois de anos. Respirei fundo e abri meus olhos. Meus lábios se puxaram num sorriso falso e minhas pernas queriam desabar. Meu corpo estava me traindo. Maldito.
-... -Seus olhos brilharam ao ouvir seu sobrenome em minha voz. -Quanto tempo. Quem diria que depois desses anos você continuaria na Inter de Milão. Realmente, um avanço. - e me olharam com os olhos arregalados.
-Vocês já se conhecem, só pra saber, sabe? -Segurei forte a mão de e aquela sensação estranha que estava sentindo foi substituída pela raiva. Um arrepio passou por meu corpo e por um momento me arrependi de ser tão fria com ele.
-Nós já tivemos um "namorinho". -Fez aspas com a mão e eu segurei um pouco mais forte a mão de . olhou para minha mão e me encarou. Dessa vez ele quem estava com aquele sorrisinho falso nos lábios.
-É. Até eu ser traída por uma maria-chuteira qualquer e alguém fazer o favor de jogar anos de relacionamento no lixo. Ah se eu pudesse voltar no tempo... -Seus olhos ficaram mais escuros e vazios. A veia em meu pescoço pulsava tanto que começava a me deixar um pouco nervosa.
-Se eu pudesse, faria a mesma coisa. Não me arrependo de nada que eu fiz e eu tive meus motivos. -Revirei os olhos, enquanto olhava dentro dos seus olhos com toda a raiva que consumia meu corpo.
-Que bom pra você. Vamos, , não quero perder mais tempo com esse garoto. -Peguei minha mala que se encontrava perto de mim e saí puxando-a junto com meu noivo. Passos firmes, respiração rápida e um coração que parecia que ia sair pela boca a qualquer momento.
Sem saber pra onde ir, parei de andar e parou perto de mim. Fechei meus olhos, respirei fundo e contei até dez para não me descontrolar no meio do aeroporto. cruzou os braços e me encarava sério.
-Vai me explicar o que aconteceu agora, ou prefere depois? -Seu tom sério e o ciúmes bem claro fez com que eu me odiasse um pouquinho. Joguei minha cabeça pra trás, num sinal de derrota e mative meus olhos fechados.
-Depois eu te explico. Tá muito recente meu reencontro com esse idiota. -Voltei a minha postura normal e lhe encarei nos olhos. O vi assentir em silêncio, pegar sua mala e sair andando em direção ao carro que estava a nossa espera.
Dentro do carro, estávamos esperando chegar para que pudessemos ir até nossa nova casa, nosso novo lar. De longe, vi vir conversando animadamente com , fazendo com que eu bufasse e fechasse a cara.
-Não vou falar nada com você agora, . -Virei meus olhos e depois os fechei. Não queria rebater nada que ele ia dizer no momento. Encostei minha cabeça no vidro esperando ter a boa vontade de entrar no carro para seguirmos nosso caminho.
-, estava esperando a carona dele, mas até agora não chegou. Você se importa de dar carona pra ele? É que ele mora perto de onde nós vamos morar. -Bufei baixinho enquanto escutava falar que não tinha problemas. Às vezes perguntar era bom, mas parece que ninguém se lembrou disso.
Minhas mãos esticaram e liguei o rádio tentando ignorar totalmente a presença desagradável de no banco de trás. Minhas mãos batiam em minha perna, no ritmo da música que tocava na rádio e meu pensamento estava longe.
-E então, ? Como andam seus pais? -Escutei a voz dele me perguntar. Meu estômago revirou, minhas lágrimas quiseram molhar meu rosto, mas eu controlei tudo isso e ignorei sua pergunta. O clima estava tenso no carro. E toda vez que tentava puxar assunto comigo a tensão aumentava.
Fiquei observando tudo que acontecia do lado de fora do carro, Milão realmente era linda, tinha de assumir isso. pareceu entender o recado de eu não querer falar com ele e começou a conversar com e . Comecei a cantarolar uma música conhecida na rádio enquanto esperava que chegassemos rapidamente em casa. Ficar presa em um carro com dirigindo e conversando com era a mesma coisa de estar numa sala de tortura.
O carro foi perdendo a velocidade e eu pude dar graças a Deus por esse feito. iria para casa e não teria mais que me incomodar com sua presença. Abri a porta do carro, segurando minha bolsa e saí. Esperei tirar minha mala do porta-malas para que eu pudesse carregá-la até o elevador.
Peguei minha mala, vendo , e repetir meu gesto e entrar no elevador. Vi apertar um andar abaixo do apartamento em que ficaria e não pude acreditar. Ele morava no mesmo prédio que eu, só que em um andar abaixo. Isso não podia estar acontecendo. O destino não podia ser tão cruel assim comigo.
Primeira coisa a se fazer na casa nova, foi jogar meus sapatos no hall e junto com meus sapatos, tudo que estava em minhas mãos. Claro que depois teria que voltar, pegar tudo e colocar em seu devido lugar. Porém eu estava cansada demais para isso.
Saí andando, olhando todos os detalhes da minha nova casa, tudo era bonito demais para ser real. Aquela era minha nova realidade, aquele era meu novo lar, então eu teria que me acostumar com todo aquele conforto excessivo.
-Gostei daqui. Confortável demais, grande demais, exagerado demais, porém é lindo. -Disse a que estava ao meu lado, olhando para o apartamento como se não visse muita novidade, estava tendo a mesma reação que . Andei os dois andares daquele apartamento, conhecendo cada canto e pensando em pegar um dos quartos de hóspedes como um local de trabalho. Seria bom não ter que editar entrevistas no quarto, quando estava descansando. Enfim, isso era assunto pra depois. Peguei minha mala e o sapato com a outra mão e fui em direção ao quarto que eu iríamos dividir. Já vivemos uma vida de casados, então não ia fazer muita diferença daqui a um tempo. A única coisa que mudaria é meu nome, mas nada de tão impessionante.
Fechei a porta do quarto, jogando novamente minha mala em um canto e me joguei na cama. Minha coluna agradeceu por tal feito. Senti o cochão afundar ao meu lado e o cheiro de invadiu o local. Escutei-o respirar fundo como se quisesse falar alguma coisa, mas estivesse pensando se devia ou não.
-Eu sei o que quer falar e o que quer ouvir. -Falei como se lesse seu pensamento e o silêncio invadiu aquele quarto. -Não sei como falar isso, não gosto de tocar nesse assunto. foi meu primeiro namorado, nós namoramos durante um ano e meio. Ele jogava no meu time e estudava na mesma escola que eu. Bom, eu sempre fui muito amiga dele e um dia nós começamos a namorar. Com meus dezesseis anos eu jurava que ele era o amor da minha vida. Mas tudo mudou quando ele completou dezoito anos e teve que se mudar para Milão já que tinha sido vendido para o Inter. Meu mundo parecia que ia desabar a qualquer momento. Quando ia fazer dois meses que ele estava em Milão, ele me ligou. Meus pais estavam preocupados comigo, já que eu não saía com tanta frequência. Eu ia para escola e voltava, ficava no meu quarto esperando uma ligação. Às vezes dormia mal e quando conseguia dormir, tinha pesadelos dele me traíndo que eu não conseguia dormir. -Respirei fundo e ele continuava em silêncio ouvindo aquela história. Olhava fixamente para o teto, como se as lembranças passassem em minha cabeça e eu não conseguia controlar as palavras. -Ele me ligou e fiquei feliz por ele ter ligado. Esperava que ele me contasse sobre seu dia, como ele costumava fazer. Mas aquele telefonema estava estranho. Pra falar a verdade tinha umas duas semanas que ele estava estranho. Eu o ligava e ele não me atendia, não me ligava com frequência e sempre falava que estava cansado. E com aquele maldito telefonema ele pediu para que eu parasse de esperar, que parasse de ligar para ele que ele tinha um novo amor e que o nosso romance adolescente tinha acabado a alguns meses. As pessoas tinham pena de mim, as fofocas começaram a aparecer e lá estava ele seguindo a vida dele com uma nova pessoa ao seu lado. Ele falou que não precisava de mim e que eu estava sendo apenas uma pedra no seu sapato. Naquele momento eu pude ver tudo o que eu sentia por ele se tornar algo que não ia mudar, nem se ele voltasse e me pedisse perdão. Eu vi aquele amor que eu achava que era para sempre virar ódio. Eu não tinha o reencontrado e não sabia qual seria minha reação se isso um dia acontecesse. Para falar a verdade, nunca imaginei que isso um dia pudesse acontecer. -Fechei meus olhos, me sentindo constrangida por contar tudo aquilo. Essa história não me fazia bem e não gostava de comentar sobre isso. -Mas isso é passado. Eu apenas quero mantê-lo longe de mim, porque vê-lo é a mesma coisa que reviver aquele inferno particular que eu vivi sozinha. Então tente entender minha atitude. Não foi porque eu ainda sinto alguma coisa por ele, foi apenas uma maneira que meu cérebro encontrou de mantê-lo longe de mim, para não reviver no passado que eu finjo que não existiu.
Mordi meu lábio inferior, sentindo-me um pouco mais tranquila. Não sabia qual seria sua reação. Não sabia se ele ia me entender ou achar que eu estava mentindo. Não sabia o que aquele silêncio da parte dele significava. Algo dentro de mim estava com medo. Medo de que aquelas minhas palavras fossem mentira.
Quarto
's POV on
Sai do elevador, entrando no meu apartamento vazio e escuro. Deixei minhas malas na entrada e andei até meu quarto. Me joguei na cama, estendi minha mão pegando um porta retrato no criado mudo e observei a foto. . Suspirei. Ela tinha mudado tanto.
Seus cabelos pretos com cachos naturais que iam até o começo de sua cintura, agora estão lisos, loiros na altura de seu pescoço. Ela continuava linda. A imagem de seu rosto apareceu em minha cabeça e meu coração estava apertado.
Minha pequena ia se casar com outro. E pra piorar, eles moravam juntos, acima do meu apartamento. Por que o destino tinha que ser tão frio e cruel? É péssimo saber que eu a perdi. Ainda mais pra outro jogador. Eu sei que ela está feliz e isso pelo menos me deixava ao menos um pouco aliviado.
[Flashback on - Três anos atrás]
Escutava meu celular tocar em algum lugar daquele quarto. Abri os olhos e me perguntei quem estava me acordando agora. Passei a mão em meu rosto, na tentativa de acordar ainda mais e procurei meu celular. Uma ligação perdida. Ótimo, além de me acordar, desiste de falar comigo.
Mexi no celular e constatei que era quem queria falar comigo. Nessa hora meu sono já tinha até passado. Disquei os números que conhecia de cór e esperei para que ela atendesse.
-Alô? -A voz dela soou do outro lado da linha. -? Eu acabei de te ligar, mas você não atendeu.
-Quando eu peguei o celular, você desligou. Eu tava dormindo, por isso eu demorei um pouco pra atender. -Sentei-me na cama daquele quarto de hotel e parei para escurar sua respiração do outro lado da linha. -Aconteceu alguma coisa? Digo, pra você tá me ligando?
-Não, eu tô com saudades suas. Eu queria saber como você tá, o que aconteceu de interessante aí em Milão. Você não tem me ligado direito então eu decidi ligar. -Sua voz era ansiosa. Como se esperasse algo da minha reação.
-Não tô podendo falar direito, desculpa. Eu tô em Barcelona agora, pra jogar com a Inter e tal. -Escutei um barulho do outro lado da linha como se entendesse. -Eu tô treinando muito, não tô tendo tempo pra respirar direito.
-Entendo. Pra falar a verdade não entendo porque não sou jogadora. -Deu uma risada sem graça. Um sorriso se formou em meus lábios apenas de estar escutando sua voz e sua respiração. -Aqui tá tudo normal. Colégio chato, pessoas chatas, garotas chatas que ficam falando que viu você jogando na televisão. -Sua voz era entediada. Como eu a conhecia muito bem, podia jurar que estava virando os olhos e estava emburrada.
-E você está ficando com ciúmes porque marias-chuteiras estão falando que me viram jogar na tv, certo? -Gargalhei ao escutar um barulho do outro lado da linha. Típico dela. -Mas relaxa, eu só tenho olhos pra você.
-Abusado. Não tô com ciúmes, é que não gosto dessas garotas, você sabe. Elas só falam comigo porque tem esperanças de eu levá-las pra Milão comigo e você apresentar um jogador milhonário pra cada uma. É ridículo isso, futilidade que passa dos limites. -Ficamos em silêncio alguns minutos, até que eu bocejei, eu estava cansado mas não queria deixar de falar com ela. -Vou deixar você dormir. Amanhã vai passar o jogo aqui, arraza tá bom? Boa noite e bom jogo. Te amo. -Meu coração revirou em meu peito ao escutá-la falar que me ama. Era assim, toda vez desde que saí do país.
-Também te amo, pequena. Muito. -Desliguei o celular e fiquei olhando para o teto. Meu prazo estava acabando e isso estava me desgastando. Eu tinha que decidir se ia ou não fazer o que devia. Não sei se era certo, pra falar a verdade não conseguia ver outra saída além dessa.
Os dias foram se passando e meu prazo realmente estava chegando ao fim. Tinha voltado pra Milão e tava tentando levar minha vida do jeito que levava antes. Disquei o número de , com o coração na mão. Minhas lágrimas molhavam meu rosto.
-Alô? -A voz do pai dela atendeu o telefone. Respirei fundo e continuei em silêncio, ele saberia que era eu. -?
-Isso, passa pra pra mim. -Mantive meu tom de voz ríspido e esperava impaciente para que ela atendesse. Escutei sua voz triste do outro lado da linha e falei tudo que ensaiei em uma semana. -Eu quero terminar com você. -Ficamos em silêncio e eu tentava raciocinar. -Não tá dando certo, .
-Estava dando certo até antes de ontem. O que aconteceu pra você ficar assim? -Eu fiquei nervoso ao escutar sua voz. Ela não merecia isso, ela não merecia sofrer. Eu não queria ter que ser um canalha com a única garota que eu consegui amar.
-Eu tô saíndo com outra garota, . -Fechei meus olhos, me odiando pela mentira. Escutei-a fungar do outro lado da linha. Ela estava chorando. A raiva começou a crescer em meu corpo e eu não tinha outra escolhar a não ser acabar com isso.
-Você tá sendo um obstáculo pra eu seguir minha vida, . Me desculpa ter continuado com isso, mas é melhor para nós dois.
-Então é assim? Eu fico dois meses aqui te esperando e você aí, saíndo com as outras e agora fala que eu sou um obstaculo? -Sua voz de choro e raiva apertava meu coração. Tinha como eu ser mais estúpido que isso?
-Vai viver sua vida, . Vai ser melhor pra todo mundo. Eu tô te ligando pra terminar e tô sendo sincero com você. Acabou, cara, tenta superar e por favor não me liga mais. Tchau, . -Desliguei o telefone antes de escutar uma resposta. Lágrimas desciam pelo meu rosto sem nenhuma permissão.
-O que você quer? Já fiz o que você mandou, é tão difícil me deixar em paz agora? -Falei para a pessoa do outro lado da linha. Eu quero ter meu momento de sossego, meu momento sozinho. Escutei sua gargalhada irônica ao outro lado da linha e podia jurar que a pessoa estava com um sorriso vitorioso no rosto.
-Você é um bom garoto, . - Aquela gargalhada soou do outro lado da linha novamente. Respirei fundo, controlando minha vontade de xingar a outra pessoa. -Morreu por terminar com ela? -Morri. Me deu vontade de responder, mas preferi ignorar essa pergunta.
-Fala logo o que você quer. Eu já fiz o que você queria. -Eu estava ficando impaciente e a pessoa parecia se divertir com isso. -Por favor, agora me deixa em paz. -Pedi derrotado.
-Ah, . Você é um jogador de futebol, não pode desistir assim tão rápido. -Soltou outra gargalhada irônica e fechei meus olhos. -Só queria saber como você está, queridinho, a gente se vê. -Desligou o telefone e eu bufei.
-Espero que não. -Falei pra mim mesmo e joguei o celular em algum lugar naquele quarto, não me importando se ia ou não quebrá-lo.
[Flashback off]
-? -Escutei alguém me chamar e andar pelo meu apartamento. Bufei e fui em direção à sala para saber quem era. -Então, o pessoal lá quer sair pra comer alguma coisa e não sabe onde tem um restaurante bom. -Que merda. Agora teria que levar o casalzinho pra sair.
-Eu tenho que tomar banho e me arrumar. - Vi assentir e olhar fixo para algum lugar. -Quando terminar de me arrumar, eu vou lá em cima chamar vocês. - Concordou e foi embora. Ótimo, pensei comigo mesmo. Tinha como piorar ainda mais?
Tomei meu banho, coloquei uma calça jeans escura, uma camisa branca e um tênis qualquer. Peguei minha carteira, coloquei no meu bolso e fui em direção ao elevador. Agora seria a hora da tortura. Entrei no apartamento e ele estaria silencioso se não fosse por uma música que tocava no segundo andar.
-? -Gritei tentando chamar a atenção de alguém, mas só a música que tocava me respondeu. Me encostei na parede e fiquei esperando alguém ter a boa vontade de aparecer, destraido com meus pensamentos.
-Sai, . -Escutei a voz dela e uma gargalhada em seguida. Passos correndo na escada denunciavam a presença deles, assim que ela desceu o último degrau, ele a pegou pela cintura enquanto ela gargalhava. Seu olhar foi de encontro ao meu, desviei meu olhar e ela parou de rir.
O clima ficou tenso e eu cheguei a conclusão que tinha sim como piorar. Fiquei olhando pra um arranjo de flores que estava ali e me perguntei daonde que surgiu, já que eles se mudaram não tinha nem 6 horas completas.
-Hunm, vou apressar o . -Escutei a voz de falar e ele sumir no segundo andar. Ele é um pouco louco em deixar a namorada dele sozinha comigo. Não é possível. O que esse cara tem na cabeça?
-O mundo é pequeno né? -A vi virar a cabeça e me olhar como se perguntasse o que eu queria dizer com aquilo. -Quer dizer, quais eram as possibilidades de você morar em cima do meu apartamento, aqui em Milão? -A vi assentir em silêncio. Era assim que ela me tratava, com silêncio.
-Eu não esperava vir pra Milão. Não depois de tudo, mas me pediu em casamento e falou que não ia ser louco em me deixar pra trás, e bom, ele me trouxe pra cá. -Fiquei em silêncio procurando as palavras certas para usar.
-É, ele tá certo em te trazer junto. Só um louco te deixaria pra trás. -Aquele assunto deixava nós dois desconfortáveis. A vi olhar ansiosa para escada, como se esperasse que descesse logo e a tirasse daquela situação. -Você não cumpriu sua promessa né? -A vi fechar a cara e soube que ela não queria falar nisso.
-Da mesma maneira que você não cumpriu a sua. -Sua voz foi tomada pela raiva e por um instante me arrependi de ter tocado nesse assunto.
-Eu terminei com você antes de quebrar a promessa, . -A vi negar e um sorriso irônico formar em seus lábios.
-Você saiu com a garota primeiro, sabe-se lá o que você fez com ela. Mas é um pouco óbvio que você quer sair com a razão e vai falar que não fez nada. , não confio em você, e outra: esse assunto já passou, eu tô noiva agora e isso não me interessa mais. -Essas palavras me doeram mais do que saber que ela ia se casar.
-Eu só achei incrível a sua capacidade de me julgar sendo que você fez a mesma coisa que eu. -Falei baixinho, como se tivesse falando para mim mesmo. Ela me olhou feio e eu olhei pra minhas mãos.
-Eu fiz a mesma coisa que você, ? Quando isso, me diz? Por que eu me lembre, eu fiquei mal por saber que eu tinha sido trocada por uma Maria Chuteira qualquer. Eu fiquei mal ao saber que você preferiu trocar dois anos de namoro para uma aventurazinha qualquer. -Ela ficou um pouco alterada enquanto me olhava com raiva. estava descendo com logo atrás e nem deu tempo para que eu pudesse responder.
Sentei-me ao lado de e em frente de . Os três conversavam animidadamente e eu ficava em silêncio, eu preferia ficar em silêncio. Estava alheio a meus pensamentos, até que meu celular tocou. Me levantei e dirigi-me até o lado de fora do restaurante.
-Ela está perto de você, que emoção. -Aquela voz que eu conhecia bem voltara a me torturar. -Mas você sabe, isso não quer dizer que eu não posso acabar com ela. -Meus órgãos viraram dentro de mim com medo de acontecer alguma coisa com ela.
-Por que você tá fazendo isso? Eu não tenho nada com ela, você já viu. A gente não consegue ficar perto um do outro que tem briga, é tão difícil de entender? Ela tá NOIVA e feliz. -Lágrimas invadiram meus olhos e eu me proibi de derramar uma lágrima sequer.
-Eu sei, queridinho. E adorei ver a briguinha particular de vocês no aeroporto. Aliás, isso amanhã vai estar na capa de todas as revistas. Que coisa chata hein, já pensou a manchete: " não aceita perder e briga com a ex namorada, atual noiva de no meio do aeroporto". Que feio, , você já teve mais classe, sabia? -Minha vida era um inferno, não era possível. A garota que eu amo não quer saber de mim e eu era chantageado por alguém que eu nem sequer conhecia.
-Claro, antes eu não era chantageado por alguém que não conheço. -Meu tom de voz frustrado divertiu a pessoa.
-Não diria chantegeado, . Vocês dois não podem ficar juntos, é apenas uma questão óbvia. -Revirei meus olhos, odiando ainda mais aquela pessoa que falava comigo. -Eu sei que você se pergunta porquê e como eu sou uma pessoa muito legal, vou te falar. Vocês dois não nasceram um para o outro, vocês dois não combinam. Ela só quer seu dinheiro, ou você acha que ela realmente tá noiva do porque ela gosta dele? -Novamente aquela pessoa deu uma gargalhada e murmurou algo que eu não consegui entender. -Volte para seu jantar, . Só liguei para lembrá-lo que eu ainda existo e que eu ainda estou de olho em todos seus passos. Beijo, queridinho, a gente se vê. Aliás, fala pra que ela tá linda loira. -Respirei fundo e desliguei o telefone. Quem era aquela pessoa?
's POV off
Quinto
Mercado. Eu precisava reabastecer a dispença daquele apartamento. Dois homens morando naquele apartamento já complicava um pouco a situação, mas quando esses dois homens são jogadores de futebol complicava ainda mais. e estavam no treino do Milan, mas nenhum dos dois sabiam me explicar onde era o mercado. Milão era complicada demais para minha cabeça confusa, mas eu teria que apelar para ajuda da pessoa que eu menos queria: .
Terminei de calçar meu all star, peguei as chaves do carro e minha bolsa. Procurei tudo em volta, me certificando de que não estava esquecendo de nada. Entrei no elevador, apertei o botão abaixo do meu andar. Repirei fundo, contando até vinte para que não me descontrolasse dentro daquele lugar.
As portas do elevador se abriram e com elas revelaram uma garota com o mesmo tom de loiro do meu cabelo, só que seus cabelos iam até a cintura e eles eram ondulados, com a mesma altura que eu, só que com um pouco mais de peito. Ela me encarou dos pés ao último fio de cabelo e revirou os olhos.
-Parece que a outra resolveu aparecer. - falou como se fosse para ela mesma de mal humor e entrou para o elevador, enquando eu saía. A porta do elevador se fechou e eu me encontrava sozinha naquele apartamento. Eu olhava tudo com atenção, até que o apartamento era bem decorado.
-? - chamei-o pelo nome e dei passos incertos para a sala. Bufei frustrada, iria procurá-lo dentro daquele apartamento. Afinal, a garota tinha acabado de sair dali, sinal que ele estava em casa, certo? Entrei em um corredor com várias portas, uma -a que se encontrava no final do corredor- estava aberta. Andei até lá e escutei barulho do chuveiro. -? - escutei o chuveiro se fechar e o box se abrir. Não iria ser tão intrusa e ir até lá, não mesmo. Balancei minha cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos pervertidos que tinham invadido minha mente. Esperei um pouco e o vi sair vestindo uma bermuda.
-? - arregalou os olhos ao me ver encostada no batente da porta. Dei ombros para ele entender que tanto faz qualquer coisa que ele dizesse ou fizesse no momento. Sua expressão mudou para desdém e me olhou com um olhar superior. - Veio fazer o quê aqui? Matar saudade foi? - fez um biquinho enquanto abria um sorrisinho de conto de lábio. Revirei olhos e bufei. Da mesma maneira que ele ficava surpreso, ele tentava me ignorar.
-Você é tão bipolar, . E se eu tivesse vindo aqui pra matar alguma coisa, essa coisa seria você e não "saudade". - fiz aspas com as mãos e revirei novamente os olhos. Escutei-o dar uma gargalhada irônica e esperei-o parar com seu showzinho particular.
-Se você viesse me matar, seria de prazer, querida. - um sorriso pervertido surgiu em seus lábios e deu alguns passos em minha direção. Passou as mãos em minha cintura e eu dei socos em seu peito forte.
-Nem nos seus melhores sonhos, sweet. Só vim aqui perguntar o endereço do mercado. - soltou minha cintura e cruzou os braços, arqueou a sobrancelha.
-Você? Agora precisa de mim? - ele me olhava como se fosse uma coisa completamente imprecionante. Revirei os olhos, andei até a cama dele, me sentei e cruzei minhas pernas.
-Menos, . Só quero o endereço do mercado. - meu olhar caiu sobre uma foto que estava em cima do criado mudo. Mordi meu lábio inferior e estiquei meu braço e peguei o porta retrato para poder observar melhor a foto. Eu me lembrava bem daquele dia.
[Flashback on - Cinco anos atrás]
Acompanhava todos os movimentos que fazia no meu quarto. Sua cara de apavorado me dava vontade de gargalhar. Mas eu sei como ele se sentia e eu como sua namorada tinha que dar apoio, e não rir do seu desespero.
-É daqui a algumas horas, eu acho que vou vomitar. - gargalhei, enquanto terminava de calçar meu Converse verde. Me levantei e caminhei em sua direção. Passei meus braços em sua cintura, fazendo-o parar de andar e ficar em um lugar só.
-Fica calmo, vai dar tudo certo. Pensa que você está usando a camisa do seu time e que você terá que honrá-la. Você sabe como a torcida vai curtir seu futebol. Você é talentoso e é seu primeiro jogo como profissional, as únicas coisas que você precisa agora é mostrar seu talento e de calma. - o vi assentir e me abraçar.
-Você é tudo o que eu preciso agora. A única que tá me dando forças pra aguentar esse momento. Tô com medo de não aguentar a pressão da torcida. - fiquei na ponta dos pés, para ficar na sua altura e depositei um beijo em sua testa.
-Vai ficar tudo bem, amor. A pressa é inimiga da perfeição, você sabe disso. Não pense na torcida, você vai ficar mais nervoso do que está. Mantenha sua atenção focada no jogo e no seu futebol, porque é isso que vai contar pra você. - respirou fundo e me abraçou mais forte. -Agora vamos, antes que o técnico me mate por ficar te atrasando. - me soltei de seu abraço confortável, entrelacei nossos dedos e seguimos até a sala, onde minha família me esperava para irmos ao jogo.
O jogo começou e meu nervosismo começava a ficar evidente. O estádio estava lotado, a torcida gritava e eu estava quieta, prestando atenção em um só jogador. que até então parecia acanhado nos primeiros minutos, foi deixando a vergonha de lado e mostrando um pouco de seu talento.
Orgulho de ver meu menino jogando como profissional e titular pela primeira vez. Abri um sorriso de lado, então pude começar a acompanhar o jogo tranquila, sabendo que ele estava dando seu melhor.
recebeu um passe, e foi correndo em direção ao gol, driblou o zagueiro do time adversário. O estádio se calou, minhas mãos começaram a suar frio e de nervosismo apertei o braço de minha mãe que estava ao meu lado. E eu pude visualizar em camêra lenta, o primeiro gol do pequeno príncipe.
O grito de gol saiu da garganta de toda a torcida do , o orgulho correndo em minhas veias e lágrimas de emoção invadiram meus olhos. Ele tinha feito seu gol, já tinha deixado marcado seu nome com aquela camisa. O vi correr para o lado do campo, onde ele podia me ver nitidamente, beijou o dedo onde ficava a aliança prata que ele usava e apontou pra mim. Eu estava mais boba que o comum. Alguns minutos depois e começou o intervalo do jogo.
Um sorriso bobo estava em meu rosto e algumas meninas que estavam próximas a mim me olhavam com inveja, mas eu pouco me importava com as coisas, ele estava construindo sua história e ele dedicou aquele gol a mim. Não tinha preço o sentimento que eu tinha.
O segundo tempo começou, com o adversário marcando em cima do , que ganhava. A saída de bola ficava mais difícil, aquele jogo começava a mexer com as minhas emoções. Comecei a morder o canto da minha unha, enquanto olhava aflita para o campo.
Segundos depois, a torcida adversária soltava o grito de gol. andava até o meio de campo com a cabeixa baixa, talvez sentindo culpa por não conseguir marcar o outro jogador, não sei ao certo. O começou a achar uma forma de furar a marcação e tentar mais uma vez um gol.
Novamente a bola estava nos pés dele, e ele estava na cara do gol. Enganou o goleiro e lá estava ele novamente correndo na minha direção. Outro grito de gol saiu da torcida do , e aquele jogo começava a ficar sofrido. Ou o ganhava, ou ia pra zona de rebaixamento. Ninguém queria isso, era ganhar ou ganhar. Os minutos se arrastavam e eu só queria que aquele jogo acabasse logo e meu time ganhasse aqueles três pontos pela vitória. Chegou ao 40 do segundo tempo e a bola estava na aréa do outro time, o jogador adversário deu um carrinho desnecessário no jogador do e o juíz marcou penalti. Cruzei meus dedos, pensamento positivo para que saísse outro gol do meu time. Juíz autorizou, o jogador partiu, bateu e foi outro gol.
Assim que o jogo recomeçou, mais um minuto de bola rolando e o juíz apitou o final do jogo. A torcida do estava em festa, a zona de rebaixamento estava longe da gente e agora a tendência era continuar ganhando o jogo para que consequentemente conseguíssemos os três pontos.
Fiquei esperando do lado de fora do vestiário, já que nenhuma mulher pode entrar lá. Estava feliz e orgulhosa daquele menino. Comecei a cantar uma música que estava presa em minha cabeça e comecei a bater na minha perna no ritmo da música.
-Demorei? - sua voz atraiu minha atenção, fazendo com que eu abrisse um sorriso, enquanto ele abria os braços. Saí correndo em sua direção e o abracei com toda a força que tinha. -Obrigado pela força, pequena. Não sei o que seria de mim sem você do meu lado.
-Eu tô tão orgulhosa de você, amor. - olhei para seu rosto, depositando beijos por toda extensão de seu rosto. -Você tinha que ver os comentários que as meninas do meu lado estavam fazendo. Confesso que por um segundo fiquei com ciúmes de você. - fiz bico, escutando sua gargalhada.
-Nenhuma delas será você, pode ter certeza disso. Você é a única que faz meu coração bater mais rápido, minhas pernas ficarem bambas e só você que me dá o apoio necessário. Elas nunca serão nada perto de você. - suas mãos apertaram minha cintura e seus lábios colaram nos meus, sua língua buscava a minha e ao mesmo tempo explorava todo o canto de minha boca.
-Olha só, o moleque mal saiu do vestiario e já veio correndo pra agarrar a namorada. - uma voz atrás de mim, fez com que nos separássemos e começou a rir. Olhei pra trás, achando o dono da voz e soltei um risinho sem graça. - Ela ficou vermelha. - a gargalhada dele, fez com que eu escondesse meu rosto no peito de .
-Estamos indo embora, cara. Valeu. - passou o braço em meus ombros e bateu na mão do autor do terceiro gol do , e então começamos a andar em direção onde minha família se encontrava.
-Aliás, -a voz daquele outro jogador fez com que nós parássemos de andar para escutar o que ele tinha a falar. - vocês formam um lindo casal. - senti minhas bochechas pinicarem, e abri um sorriso tímido. -Vejo você amanhã no treino, moleque. - nos aproximamos de meus pais que conversavam animadamente sobre o jogo. E eles pararam de falar e nos olharam sorrindo.
-Faz pose, quero bater uma foto de vocês dois, sobre a estreia do meu genro no time principal. -Abri um sorriso, sentindo os braços de envolverem minha cintura. Estávamos na arquibancada e a mesma dava visão para o campo atrás de nós. Uma brisa gélida bagunçou meus cabelos no exato momento em que o flash me cegou por segundos. Peguei a camêra na mão, vendo a última foto batida. estava perto de mim, também observando a foto e pude vê-lo abrir um sorriso.
-Eu vou querer essa foto pra colocar num porta retrato, . - assenti, guardando a camêra na bolsa, entrelacei meus dedos nos dele e seguimos meus pais para a saída do estádio. Aquele dia com certeza ficaria marcado em mim.
[Flashback off]
-Eu me lembro desse dia. - comentei baixo, com o olhar sobre a foto. Não me passou pela cabeça, em momento algum, que ele ainda guardava essa foto. O quarto estava silencioso, como se ele também se recordasse aquele dia. -Eu tenho uma dessa também, guardada num album de recordações que eu tenho. Nele tem foto dos meus pais... - minha voz morreu por um instante. Escutei-o suspirar e se aproximar de mim.
-Eu fiquei sabendo esses dias o que aconteceu, . Sinto muito. - senti seus braços me envolverem num abraço e abaixei a cabeça para esconder meu rosto. Eu estava envergonhada por ainda estar abalada com aquela situação. Fazia meses desde o acidente, mas parecida que a dor nunca ia passar. Deixei escapar um soluço baixinho, molhando o porta retrato que continuava em minhas mãos. -Ei, não chora. Não gosto de vê-la chorar. - secou minhas lágrimas com seus polegares, enquanto observava todos os detalhes do meu rosto. Seus olhos ficaram mais escuros e ele começou a se aproximar de mim, mordi meu lábio inferior, sentindo sua respiração bater em minha boca. O porta retrato começava a escorregar de meu colo, até que eu segurei-o, fazendo com que eu olhasse para minhas mãos. Minha aliança dourada brilhou em meu dedo e eu balancei minha cabeça me repreendendo por algo que eu ia fazer. Fraca, eu estava sendo fraca.
-Então, . - voltei com meu tom de voz ríspido. -Dá pra me dá o endereço do mercado ou tá difícil? - o vi me olhar incrédulo, enquanto eu me levantava de sua cama e andava em direção a porta. Voltar ao controle, isso que eu precisava. Estar de volta ao controle.
Sexto
Eu descia aquelas bolsas pesadas e acionei o alarme do meu carro. Não estava aguentando equilibrar tudo aquilo, mas levar até a cobertura seria uma vitória. Senti uma mão segurar as bolsas e eu desviei o olhar para o dono das mãos. . Ele novamente. Era sempre ele.
-Eu sei que você gosta se ser independente, mas você mal consegue se equilibrar. - dei ombros e ele carregava as bolsas mais pesadas. Meus braços agradeceram pelo alívio. Entramos no elevador em silêncio, marquei o meu andar, esperando que ele levasse as compras até meu apartamento. -O clima tá pesado e não gosto disso. - fiquei em silêncio, batendo meus pés impacientes no chão. Porque aquele elevador tinha que demorar tanto pra chegar? As luzes piscaram e o elevador parou de subir. Arregalei meus olhos e não, aquilo não estava acontecendo. Fechei meus olhos, contando de um a dez.
-O elevador parou? - a voz de invadiu meus ouvidos, mas eu continuava mantendo meu foco interior. Não ia entrar em desespero logo agora. Não era possível, isso não podia estar acontecendo comigo. Não podia.
-Eu devo estar em um pesadelo. Eu acho que vou acordar em alguns instantes e... - meu celular apitou dentro da minha bolsa e eu procurei-o. Respirei fundo, novamente contando até dez. Aquilo realmente não podia estar acontecendo comigo. - Meu celular acabou a bateria. - bufei, coloquei as bolsas que eu carregava no chão e me sentei nele. Encostei minha cabeça na parede e fechei meus olhos.
-Meu celular tá com bateria, . Vou ligar pro , pra ele ligar pra alguém da recepção pra mandar alguém tirar a gente daqui. - assenti em silêncio sabendo que isso ia demorar. Escutei-o falar com no celular e eu continuava em silêncio. O celular de começou a tocar, um refrão conhecido por mim. Ele olhou pra mim, com as bochechas coradas. Somebody told me, The Killers. Era bem a nossa cara aquela música. Ou pelo menos o começo dele. O vi olhar para a tela do celular e fechar a cara. Franzi a testa, observando seus gestos, ele não ia atender o celular.
-Você não vai atender. - não queria fazer uma pergunta, talvez ele interpretasse como uma, mas eu realmente não me importava. -Aliás, ótimo toque de celular. - abri um sorriso irônico e desviei meu olhar para o chão. Não ia ficar olhando muito tempo para ele, com medo de que aquela cena do apartamento dele se repetisse e eu não tivesse auto controle o suficiente pra contornar a situação, como fizera horas atrás.
-The Killers é clássico, aprendi a gostar. - assenti debochada, lembrando do péssimo gosto musical que possuia, até me conhecer e eu conseguir mudá-lo todo. O que foi um avanço para ele e para os ouvidos das pessoas ao redor dele. O celular dele vibrou em sua mão e ele olhou: mensagem.
-A pessoa realmente quer falar com você, é melhor atender, pode ser importante. - fiz um joinha com a mão. Aquilo era o mais próximo de uma conversa sem brigas que nós dois estávamos tendo. Novamente o refrão de Somebody told me invadiu meus ouvidos e atendeu.
's POV on
-Alô? - falei derrotado. Sentei-me no chão do elevador, próximo de . Fechei meus olhos, sabendo quem era do outro lado da linha.-Fala logo? Não tô com muita paciência, ainda mais com você. -Senti o olhar de sobre mim, mas não iria devolver aquele olhar.
-Olha os modos em frente à sua preciosa, . Só para falar, não tente nada ai dentro, que eu continuo de olho em você. E não ouse falar alguma coisa de mim ai, para ela perguntar com quem você tá falando, porque já sabe, certo? -Abri meus olhos e procurei camêras pelo elevador, mas a única que tinha ali era a de segurança, não tinha muito sentido assim.
-Como? - desafiei quem é que estivesse do outro lado da linha. Escutei uma gargalhada e mantive o olhar fixo naquela camêra de segurança. Então era alguém do prédio que estava me chantageando? Ou algum funcionário? Era meio caminho andando.
-Tenho um espião aí dentro. Você não pensou que não ia ter acesso as camêras de segurança? Como eu ficaria sabendo se ela ia ou não fazer visitas noturnas no seu apartamento? - bufei e virei meus olhos. Como se fosse dessas, cada uma que inventavam. Respirei fundo, para não me descontrolar, não na frente dela.
-, eu sei que você anda sofrendo por causa dela e como eu sou uma pessoa muito legal, decidi deixar vocês presos aí. Até quando vocês pararem de brigar e conseguirem conviver no mesmo ambiente sem brigas, mas claro sem se envolverem. -Abri um sorriso de lado. Então eu tava tendo uma oportunidade de conversar com ela? Sem que a gente brigasse? -Mas pode tirar esse sorrisinho idiota do rosto, porque você sabe, que se envolver com ela tá fora de cogitação. -Meu sorriso murchou com as palavras daquela pessoa. -Eu estou te dando uma oportunidade de voltar a ser o AMIGO que você sempre foi dela, pois eu sei que ela também sofre por isso e eu não quero vê-la sofrer. - Se essa pessoa sabia que nós sempre fomos amigos, então ela era próxima.
-Eu mais do que ninguém não quero isso pra ela. -Ao escutar a palavra "ela", parou para prestar atenção na conversa. Fiquei com o olhar fixo nela e ela me olhando curiosa. Escutei um pigarro do outro lado da linha e alguém murmurar "focaliza, ".
-Vou desligar. Estarei observando vocês dois e se vocês não pararem de brigar, não saem daí tão cedo. Evite falar em "quebra de promessa", ela não gosta desse assunto se você ainda não percebeu, da mesma maneira que você não gosta quando ela fala da Maria-Chuteira que você ficou. -Escutei sua gargalhada debochada.
-Tudo bem. -Respirei fundo e desliguei o celular. A encarei, vendo-a desviar o olhar do meu. Ficamos alguns minutos em total silêncio. -Será que um dia a gente pode falar e conversar sem brigar ou debochar um do outro? - eu realmente queria saber aquilo, por mais que a resposta fosse negativa ou não. A vi respirar fundo, como se tivesse pensando na resposta.
- Essa é uma pergunta muito complexa, . Não sei explicar se um dia nós vamos conseguir isso. É estranho e novo ver você presente, por mais que não seja como antes. Porém você sempre arruma um jeito de falar no passado. Não dá pra viver no passado, , eu tô noiva de outro cara e eu o amo.
- Como foi quando eu fui embora? - eu queria saber aquilo. Eu tinha direito de saber sobre aquilo. -Digo, como foi pra você ver em todos os lugares meu "caso novo", o que as pessoas que eram próximas a nós diziam sobre isso? - escutei-a respirar fundo e fechar os olhos, como se mergulhasse nas próprias lembranças.
-Eu não tinha esperanças de te encontrar. Eu precisava voltar a viver minha vida, não podia ficar te esperando. Meu pai comprava jornal e eu nem olhava mais sabendo que ia ter notícia de um novo caso seu. Perdi a conta de quantas fotos eu já vi de você beijando alguma maria-chuteira. As pessoas me olhavam com pena e eu não gostava disso. Eu não era digna de pena, era só um relacionamento que tinha acabado. Eu estava triste, eu estava acabada por dentro, mas as pessoas me olhavam de uma maneira que me irritava, que me deixava mal. - ficamos em silêncio e eu tentava absorver aquelas palavras.
-Eu voltei pra cidade alguns dias depois do seu aniversário de 18 anos. Não te achei. Perguntei pra minha família, eles falaram que você tinha ido pra São Paulo com 17 anos, fazer a faculdade de jornalismo, que você tinha passado para a melhor faculdade de lá. - assentiu me encarando, seu olhar estava vazio.
-Fui atrás do meu sonho. Passei para a melhor faculdade, me formei. No estágio que fazis, numa revista de esporte, a jornalista que ia entrevistar e estava com dispensa médica, então ela me mandou o questinário e pediu pra eu improvisar. A editora chefe tinha me informado que eu ia ter que documentar sobre o dia deles, nesse "documentário" eu fui conhecendo um pouco de cada um. Desde então estamos juntos, unidos num elo que nem nós entendemos bem, como uma família. - assenti, eu estava feliz por ela ter ido atrás do sonho dela, realmente estava.
- Lembro de que você me ajudou a passar em algumas matérias. - sua expressão indignada fez com que eu soltasse uma gargalhada. -Tudo bem, você me passou em muitas matérias. Eu tinha a melhor professora que alguém podia ter, cara. - ela riu baixinho e eu a acompanhei. Eu começava a me sentir bem somente de estar conversando com ela, tendo a oportunidade de saber sobre o que aconteceu com ela nesse tempo que tive longe.
- Eu era muito boa em matemática. Mas minha paixão pelo esporte falou mais alto e acabou com qualquer chance de eu poder fazer engenharia química. - ri alto, lembrando da sua indecisão sobre qual profissão seguir. -Eu fico feliz de ter feito jornalismo. Porque se você não tivesse feito jornalismo, você não teria conhecido o e se você não tivesse o conhecido, você não estaria aqui conversando comigo. - abri um sorriso galanteador, escutando sua gargalhada.
-, nunca mais faça isso, sério. - balançou a cabeça em reprovação e eu soltei uma gargalhada. -Eu tenho muito medo quando você faz isso, garoto. -Aos poucos fomos ficando em silêncio. -Será que vão conseguir tirar a gente daqui? - serguntou incerta e eu fiquei quieto.
-Vão sim, tenho certeza. - assim que terminei de falar, o elevador deu um solavanco e voltou a subir. Me levantei do chão do elevador, estendendo a mão pra se levantar também. Sorriu agradecida e recolhi as compras do chão do elevador. Entramos em seu apartamento e seguimos até a cozinha.
-Até que fim, já estava ficando preocupado. - vi entrar no nosso campo de visão e abraçar . estava sentado no bar, que ficava na copa que dava visão para cozinha. -Liguei para a recepção, mas ninguém atendia. - continuei em silêncio e coloquei as compras em cima do balcão.
-A gente ficou conversando e depois o elevador começou a subir. - soltou e olhou pra mim agradecida.
-Bom, as compras estão ali em cima, . Eu vou indo pra casa. - sorri e andei até o elevador.
-? - escutei-a me chamar. Virei-me e a vi correndo em minha direção. Senti seus braços pequenos me abraçarem forte e abri um sorriso discreto. -É bom te ter de novo como amigo. Eu tava sofrendo brigando com você, eu odeio brigar com você. Nossa amizade agora vai ser mais forte que qualquer coisa. - senti o cheiro do seu perfume depois de tantos anos, inacreditavelmente ainda continuava o mesmo.
-Eu também, pequena. Fico feliz de termos chegado em um acordo. - soltei-me de seu abraço contra a minha vontade e abri um sorriso. -Até mais. - virei-me e entrei no elevador. As portas se fecharam e aquele era o novo começo. Eu estava perto da pequena de novo. Refrão de Somebody told me invadiu meus ouvidos, apertei o botão verde nem ao menos me dando o trabalho de olhar no visor do celular. Já sabia quem era.
-Ora, ora, ora. Entraram num acordo? -Fechei meus olhos e o sorriso continuava ali, estampado em meu rosto. -Fico feliz, vocês ficam lindos sendo amigos. -Escutei a gargalhada conhecida na outra linha.
's POV off
-, o que foi isso? - a voz de invadiu meus ouvidos. Eu continuava parada no mesmo lugar em tinha abraçado antes. Respirei fundo, não tinha medido meus atos, nem a consequência deles. - O que aconteceu dentro daquele elevador? - sua expressão séria me assustou um pouco. , que estava no bar ali perto, saiu em silêncio nos dando privacidade para conversar.
-Nós conversamos, , só isso. - respirei fundo, procurando palavras para explicar melhor. Falar de para não me deixava confortável. - antes de sermos namorados, nós éramos muito amigos. Ele me perguntou, se um dia a gente conseguiria voltar a nos falarmos sem brigar. A gente ficou conversando e vimos que antes de qualquer tipo de relacionamento que nós tivemos, nós éramos essenciais na vida um do outro. Nós estamos tentando manter nossa amizade de infância, . Vi-o me olhar desconfiado. Dei passos em sua direção, cruzei meus braços em sua cintura.
- Tem certeza que foi só isso, ? Sério, pode falar o que aconteceu. - revirei os olhos e ele me abraçou de volta. Nós ficamos abraçados e eu podia ver o ciúme em seus olhos. Olhei-o com ternura e pude vê-lo abrir um sorriso.
- Por favor, não venha com ciúmes. Porque sério, não via há anos, e agora eu sou sua noiva. O que eu tive com um dia foi o que eu tô tendo com você no presente e continuará no futuro. - levantei meus pés e o vi abaixar um pouco a cabeça, depositei um beijo em sua testa. Escutei sua gargalhada e ele me tirou do chão. -Te amo, grandão. - seus olhos brilharam ao escutar minhas palavras.
- Eu também te amo, amor. Muito. - selou nossos lábios num beijo lento e apaixonado. Quem olhasse aquela cena, imaginaria que estava tudo bem. Mas eu sei, que por mais que tivesse falando que me ama, ia demorar um pouco para acostumar com a ideia de eu ser amiga do meu ex namorado.
Sétimo
Acordei cedo, ia procurar um emprego pra mim. Queria trabalhar na revista de esportes local, já que eu estava um pouco acostumada com aquele meio. e acordaram no mesmo horário que eu, já que teriam treino.
- Quando vocês vão começar a jogar como titulares? Eu quero ver vocês brilhando. - escutei a gargalhada dos dois. Minha vida estava completamente normal, nada de brigas com , estava tudo em total harmonia. Olhei para o relógio, estava atrasada. -Então eu vou indo procurar o emprego. Me desejem sorte. -Parei na porta, vendo os meninos me desejarem sorte. -Não demorem para o treino. Antes do almoço eu volto. Amor, depois quero conversar com você. Beijo pra quem fica e tchau. - apressada, fui andando até o elevador. Era engraçado eu falar sobre a responsabilidade dos meninos, eu parecia a mãe deles.
Entrei no elevador, fechei meus olhos desejando estar deitada na minha cama. O elevador parou no andar de baixo. Abri os olhos, pude ver entrar com uma mochila nas costas. Abriu um sorriso de lado pra mim e eu devolvi. Descemos em silêncio e seguimos para o estacionamento.
- Por que você acordou tão cedo? Que eu me lembre, você adora dormir até tarde. - gargalhei e continuei a andar.
- Eu tenho que arrumar um emprego, não posso ficar na aba dos jogadores lá de casa. Estou me sentindo inválida por não trabalhar. -Parei de andar, ficando perto do meu carro. parou de andar também, ficando ao lado do carro dele.
- Esqueci que você é indepente demais pra isso. - assenti. Abri o carro e entrei. -Aliás, boa sorte, . -Fiz joinha pra ele, eu realmente ia precisar.
Por volta do meio dia, voltei para casa. e me esperavam na sala, para alguma notícia boa ou ruim. Me joguei no sofá, ao lado de , que me olhava apreensivo.
- Consegui na revista perto do estádio. -Escutei os meninos comemorarem e eu continuava com a minha expressão entediada. Eu estava cansada, muito cansada. Meu espírito preguiçoso não me deixava em paz. Procurar um emprego cansa. Cansa muito.
- Que bom, sabia que você ia conseguir alguma coisa. Quando você vai fazer entrevistas com a gente? - perguntou animado. Ele adorava quando eu fazia as entrevistas. Elas saíam mais engraçadas que as normais. Eu conhecia mais os meninos, então sabia como animá-los na entrevista.
-Amanhã já tenho uma coletiva de imprensa. Eu sei que o diretor chefe quer me testar, pra ver se eu sou boa mesmo, se vale apena me contratar. -Cocei meus olhos, bocejando. -Vocês fizeram almoço? -Pela primeira vez, desde que entrei no apartamento eu senti o cheiro de comida. Vi os meninos negarem e então franzi a testa. -Quem tava mexendo na cozinha então? -Escutei o barulho de alguma coisa caíndo na cozinha, me levantei rapidamente para ver o que estava acontecendo. Mas me segurou pela cintura, impedindo que eu fosse até lá.
- Nós contratamos uma empregada. Agora que você vai começar a trabalhar, precisamos de alguém para fazer o almoço e arrumar a casa. -Assenti. Me sentia mal por fazer os meninos gastarem dinheiro com algo que eu podia fazer. -Não venha com essa cara, . Nós sabemos que você está mal, mas é melhor. -Vi assentir e se levantar para ligar a televisão.
- De qualquer maneira, o almoço tá pronto? -Perguntei, logo em seguida meu estômago fez um barulho como se implorasse por comida. Os meninos gargalharam, sendo acompanhados por mim. Começamos a assistir alguma série na televisão, enquanto esperava a nova empregada terminar de fazer o almoço.
Foi anoitecendo e eu tinha que organizar algumas coisas para meu novo trabalho. O e-mail do editor chefe na minha caixa de entrada estava como não lido. Cliquei no e-mail, para poder tomar algumas precauções que ele falou que ia me mandar. Lá tinha os nomes dos jogadores que eu ia entrevistar, que ironicamente eu conhecia como a palma da minha mão. Deitei-me na minha cama, tudo pronto para o dia seguinte.
Sentei me na primeira fileira daquela sala abarrotada de gente. Olhei em volta, os jornalistas conversavam entre si. A sala ficou em silêncio, olhei para frente, vendo e entrarem. Podia ver vários flashes, enquanto eles sentavam. Ali tinha imprensa do mundo inteiro. Apertei o rec do gravador, dando ínicio às entrevistas. Os dois falavam coisas nada a ver, virando motivo de gargalhadas. Eles estavam um pouco acanhados e tava bastante evidente isso.
-Então, . A pergunta que não quer calar é sobre seu noivado. Quem é a sortuda e vocês têm data marcada para o casamento? -Senti minhas bochechas corarem, como se a pergunta tivesse sido para mim. Ninguém sabia que eu era a noiva de . Esperava a resposta, eu queria ver como seria.
- Bom, ela é uma jornalista linda. Ela é brasileira, tem 20 anos e está aqui hoje. - arregalei meus olhos, enquanto os jornalistas começavam a murmurar algo. -Nós não temos data marcada ainda, pois acabamos de nos mudar, mas em breve vou conversar sobre isso com ela e marcar a data logo.
- Ela tá aqui hoje? - escutei a menina que estava sentada perto de mim perguntar. -Quem é ela? Diz pra gente, por favor. - fiquei encarando , esperando que ele desse um jeito na situação. olhou pra meu rosto e começou a rir. Eu provavelmente estava parecendo um pimentão ambulante.
- Sim, ela está aqui. Não sei se ela quer expor sua imagem para a imprensa. - neguei com o olhar, sem fazer movimentos bruscos para não saberem que era eu. - amor, se você quiser aparecer, levanta aí e dá um tchauzinho pro pessoal. - continuei sentada, minhas pernas estavam bambas. Vergonha de me mostrar e acontecer alguma coisa.
- Ela não vai levantar, você conhece sua noiva. - disse. riu e concordou. -Duvido muito que ela apareça na mídia, . Só vão descubrir quem é ela no dia do casamento. - revirei olhos e fiquei olhando pra . Respirei fundo, me levantando e fiquei olhando pra eles, enquanto todo mundo olhava pra mim. -Olha, ela resolveu aparecer. - se levantou e veio até a mim, me dando um selinho.
- , nunca mais fale que duvida de mim. Ouviu bem né? - escutei todo mundo rir enquanto eu estava emburrada. voltou para seu lugar e eu me sentei novamente. A entrevista ocorreu normal. As pessoas não me davam atenção e por dentro eu estava aliviada. Meu medo era mostrar meu rosto e alguém falar alguma coisa que eu não gostasse, algo que poderia fazer com que meu noivado acabasse.
A coletiva de imprensa acabou e eu continuei sentada, esperando e para irmos embora. Ia almoçar com os meninos e ir para casa editar a entrevista pra poder entregar amanhã para o editor chefe.
-O que você achou das minhas respostas quando o assunto era você? - falou, desviando meus pensamentos nas coisas que ia ter que fazer durante o dia. Sorri e senti seu braço me envolver.
-Boas. Só que ganhou o troféu de engraçadinho do dia. - escutei sua gargalhada e vi se aproximando. -Onde você tava com a cabeça ao me desafiar em meio daqueles jornalistas, ? Você sabe que eu odeio ser desafiada. - me encarava sério e apenas gargalhada do meu drama.
-Por que você tá com raiva, ? Se arrependeu por ter falado que você é a minha noiva? -Olhei para cara de e revirar os olhos.
- Não começa com suas crises de complexidade, pelo amor da minha paciência, . -Falei séria, me levantando e saíndo daquela sala. Fiquei ali fora, olhando os carros, até que terminasse de conversar com , coisa que ele provavelmente estaria fazendo.
- ? -Olhei para a pessoa que estava me chamando. Abri um sorriso ao ver parado me olhando estranho. -O que você tá fazendo aqui? -Veio andando em minha direção e me envolveu num abraço.
- Trabalhando. Hoje foi minha primeira coletiva de imprensa. Vim entrevistar e . -Demos uma gargalhada e nos soltamos. -E você, o que tá fazendo aqui? -Perguntei depois de ficarmos em silêncio.
- Trabalhando. Tenho treino hoje. -Assenti. Lembrando que estava numa parte do estádio. -Cadê os meninos? -Arqueeou a sobrancelha, olhando em volta. Respirei fundo e olhei em direção à sala.
- Eles ainda estão lá dentro. Provavelmente tá brigando com por causa das crises de complexidade. Hoje descobriram que eu sou a noiva dele e ele simplesmente começou com as crises. , você sabe que eu odeio mídia. Você sabe que eu tenho medo de falarem algo de mim que eu não goste, você me conhece bem o suficiente pra saber disso e simplesmente não entende. Eu sou medrosa, muito medrosa. Eu tenho medo de alguém estragar minha vida numa revista. -Lágrimas estavam nos meus olhos, enquanto eu desabafava com . O vi assentir e me abraçar fortemente.
- Calma, pequena. Ele vai entender isso uma hora. Comigo também foi assim, só que a única diferença é que eu não falava. Conversa com ele, fala como você se sente em relação a mídia, o seu medo de falarem alguma coisa de você e ele acreditar. Não pode fazer nada em relação a isso, pequena, apenas conversar. -Assenti. brincava com meus cabelos e ficamos em silêncio novamente. Escutamos um pigarro atrás de nós. Olhei para a pessoa que chamou nossa atenção: . Ele estava com um olhar diferente do que eu conhecia e estava acostumada. Balancei a cabeça e me soltei de .
-Eu vou indo, . -Murmurei e olhava para o chão. -Obrigada pelos conselhos. -Abri um sorriso fraco e fui andando em direção ao carro. me seguia em silêncio. Aquilo estava sendo assustador e desconfortável. Não era normal esse clima entre mim e .
Cheguei em casa, fui direto para o quarto de visitas. Não ia aguentar ficar perto de sem brigar com ele. Ele sabia, desde o ínicio do nosso relacionamento, que eu odiava desconfiança. Só foi eu ser sincera com ele e falar que é meu ex namorado, que se tornou o que eu não suportava.
Me joguei na cama e fiquei olhando fixamente para o teto. me conhecia bem e saberia que eu não queria falar com ele. Que isso era apenas uma maneira de não brigar com ele e com isso, mantendo nosso relacionamento intacto. Não sei ao certo quanto tempo fiquei naquele quarto, pensando no conselho que tinha me dado.
Escutei alguém bater na porta e depois ela abriu. entrava no quarto e se sentava na cama, onde eu continuava deitada. Fiquei em silêncio, esperando que ele pronunciasse uma palavra, eu não ia dar o braço a torcer. Eu sou orgulhosa demais para pedir desculpas para algo que não fiz, que eu não tive culpa.
- ... -Seu tom de voz arrependido, fez com que eu suspirasse e desviasse meu olhar do teto. Seu rosto estava vermelho, como se tivesse chorado o tempo todo, desde quando chegamos em casa. -Não sei o que tá acontecendo com a gente. -Assenti, sentindo lágrimas invadirem meus olhos. Eu estava com medo do meu noivado estar no final, por minha impaciência e pelas crises de .
- Eu também não sei, . Desde quando chegamos em Milão, a única coisa que fazemos é brigar e brigar. Isso tá me desgastando, isso tá acabando comigo aos poucos. Você tá se tornando tudo que eu não gosto. Você tá tendo essas crises que às vezes eu não te reconheço. -As lágrimas brincavam em meu rosto. Eu estava desabafando, estava falando tudo que estava entalado na minha garganta há um tempo. -Cadê o cara que me apoia em tudo, que está sempre ao meu lado? O cara que confia em mim de olhos fechado? Cadê o cara que eu me apaixonei, ? Me diz, por favor, que ainda existe dentro de você e que ele não ficou pra trás com essa mudança. -Pedi desesperada. Minha voz não passava de um sussurro. -Eu tô cansando de ficar brigando contigo todos os dias, cara. E sempre pelo mesmo motivo, . Você e suas desconfianças, o que aconteceu com você? Onde e quando foi que eu te dei motivos para desconfiar tanto de mim assim? -Ele me encarava com um olhar vazio, enquanto eu estava desesperada tentando entender o que se passava na cabeça dele.
- Você nunca me deu motivos, . Mas por favor, tenta entender minhas crises. Eu tenho medo de te perder. Desde que você começou a conversar de novo com , eu tenho um sentimento estranho. Eu tenho medo de que os sentimentos que você teve por ele voltem, fazendo com que você não seja mais minha. Eu não vou saber acordar todas as manhãs e ver você dormindo. Eu fico apavorado só de imaginar outra pessoa no meu lugar. -As lágrimas desciam pelo rosto dele. Sua expressão de medo estava ali, fazendo com que meu coração se apertasse. -Por favor, tenta entender. Eu só tenho medo de não ter mais você. -Uma de suas mãos foram parar em meu rosto, fazendo um carinho.
- Você não vai me perder, . Eu sou sua noiva, eu te amo. Se eu não te amasse, eu não perderia meu tempo com você. Pelo amor de Deus, quando você vai entender que o que eu tive com está no passado? Num passado muito distante que não pode afetar meu presente? -Segurei a mão dele e apertei com força. -Tenta acreditar nas minhas palavras, . -O vi assentir meio desnorteado. Aproximou nossos lábios e me beijou com ternura.
-Me desculpa por te amar demais e ter medo de te perder? -Olhei para seus olhos, abri um sorriso sincero e segurei seu rosto com minhas mãos. -Eu te amo, amor. Sempre vou amar. Eu não sei como seria minha vida se você não tivesse ao meu lado. -Falou com os olhos fechados.
- Desculpo. E me desculpa por não ter paciência com você. -O vi assentir e selar novamente nossos lábios. Respirei fundo e o abracei novamente. - Você é a minha família, amor. Você é a única coisa de importante que eu tenho. Você e aquele maluco do . -Rimos baixinho e nos abraçavamos com mais força. Eu esperava que dessa vez tudo estivesse certo.
Oitavo
(Coloque Can't make this over - Pixie Lott para carregar e Beautifully Broken - Ashlee Simpson )
Acordei com o cheiro de comida perto de mim. Meus olhos reclamaram a claridade que estava no quarto. Me deparei com me encarando com um sorriso e uma bandeja de café da manhã. Me sentei na cama, apoiando minhas costas na cabeceira e cocei meus olhos.
-Bom dia, meu amor. - me deu um beijo na testa e olhou para a bandeja. -Bom, pedi para fazerem tudo o que você mais gosta e escrevi um bilhetinho pra você, espero que goste. -Peguei um envelope pequeno e ele me olhou sorrindo. Abri cuidadosmente e pude ver a caligrafia caprichada dele.
"O tempo pára, não sei porquê, quando estou perto de você. Um sentimento que me faz bem, ao seu lado não preciso de ninguém (...) Se tenho forças, são todas suas, eu sem você sou feito um céu sem lua. Mas é tão bom o que estou sentindo, tudo é tão bom te vendo sorrindo. Preciso de você, te fazer feliz me faz viver. Sigo vivendo você, vivo pra poder te ter, meu ar tô precisando respirar, mas sem você eu não consigo. Vivo pensando em você, é impossível te esquecer. Meu bem, eu sem você não sou ninguém, te quero pra sempre comigo.
Não sei o que o destino reserva para nós dois, não sei se você vai ser pra sempre minha. Mas enquanto você for, pode ter certeza que eu vou fazer de tudo para te fazer feliz, da mesma forma que você me faz. Eu te amo muito, meu amor. xx "
Encarei seu rosto com um sorriso bobo em meus lábios. Meus olhos lacrimejaram, e meu olhar voltou novamente pr'aquele papel. Por mais simples que fossem aquelas palavras, elas eram tão fortes a ponto de me deixar daquela maneira: boba e apaixonada.
- Fala alguma coisa. - pediu, já que eu não me movia e nem falava nada. -Você gostou do bilhete? -Mordi meu lábio inferior e senti sua mão tocar em minha bochecha, fazendo com que eu olhasse para seu rosto.
- É lindo, . - e novamente aquele sorriso encatador se encontrava em seus lábios. -Nós temos que conversar, não temos? - deu um suspiro cansado e concordou com a cabeça. -Depois do café então conversaremos, tudo bem pra você? -Assentiu e ficou em silêncio.
Conversamos coisas alheias enquanto comíamos tudo que tinha naquela bandeja. Acho que depois de ter vindo pra Milão eu teria que fazer uma dieta só de frutas, verduras e legumes já que eu só tinha comido massa e qualquer tipo de bobeira.
deixou a bandeja de lado e deitou-se ao meu lado, me puxando para perto do seu corpo. Encostei minha cabeça em seu peito, fazendo-o de travesseiro. O coração de batia descompassadamente, como se ele tivesse medo de alguma coisa.
-Sobre o que nós temos que conversar? - perguntou enquanto afagava meus cabelos. Me mantive em silêncio, pensando no que eu teria que falar com ele. Não sabia se ele estava esperando por aquele tipo de assunto, já que ultimamente nós só sabíamos brigar e pedir desculpas por sermos idiotas.
-Você já pensou no dia do nosso casamento? - escutei o coração de bater mais forte contra seu peito e um sorriso formar em seus lábios, e então desfazendo aquela expressão de medo que ele tinha. - Porque assim, eu queria maio por ser o mês das noivas. Mas maio acabou ontem e teríamos que esperar até ano que vem, mas também seria clichê demais. Então eu pensei que a gente poderia casar no dia 23 de julho... - fiquei em silêncio e senti-o me abraçar mais forte.
-Você tem certeza que quer se casar no dia do aniversário de casamento dos seus pais, ? - assenti e pensei um pouco no meu casamento. Fechei meus olhos, sentindo suas mãos brincarem com meus cabelos.
-Eu tenho certeza. Acho que é uma forma de eu me lembrar deles, de sentí-los presentes no dia tão especial pra mim, entende? - escutei-o fazer um barulho com a boca como se entendesse. Fiquei em silêncio e por um momento me ocorreu uma coisa que não tinha pensado antes.
-Por que você ficou quietinha de repente, ? - respirei fundo, tentando controlar meus pensamentos desgovernados. Eu não conversava com meu irmão e meu pai tinha falecido. Eu seria uma noiva solitária numa igreja ou em qualquer outro lugar onde irei me casar. Meu álbum de fotografia irá mostrar uma noiva triste por não ter ninguém para poder levá-la até ao altar. Não vou ter ninguém para beijar minha testa e esse alguém pedir pra cuidar bem de mim.
-Não tenho alguém para entregar-me a ti. - meus olhos lacrimejaram e escutei-o respirar fundo. - Eu podia pedir para , mas não seria como se fosse alguém que eu conhecesse a vida inteira sabe? Alguém que me acompanhou nos momentos felizes e os momentos em que eu precisei. - fechei meus olhos, me sentindo tola por sentir-me tão sozinha sendo que eu tinha tudo que qualquer pessoa pudesse querer.
- te conhece a mais tempo que , . Será que ele se importaria de fazer isso pra ti? Vocês são amigos agora, não são? - senti-me mal de saber que a única pessoa que podia fazer com que meu dia fosse totalmente completo fosse meu ex-namorado. - Eu acho que ele aceitaria. Ele gosta muito de ti e quer te ver bem. -levantei minha cabeça, para poder ver seu rosto e nele tinha um sorriso. - Apenas tente, . Vá conversar com ele antes que ele vá para o treino. - levantou-se e foi trocar de roupa para poder ir para algum lugar em que não me importava muito no momento.
Troquei meu pijama e fiz minha higiene, logo em seguida andando em direção ao elevador. Apertei o botão do andar de baixo, me encostando na parede do elevador fechando meus olhos perdida em meus pensamentos. O elevador parou e as portas se abriram, revelando com uma mochila nos ombros. [n/a: coloque Can't make this over da Pixie Lott para tocar *-* ]
-? - andei em direção ao seu apartamento entrando em seguida e me sentei no sofá da sala sem pedir permissão. voltou, jogando a mochila no sofá ao seu lado. Respirou fundo e me olhou como se tentasse decifrar meus pensamentos.
-, eu me sinto idiota em te pedir uma coisa dessas. Eu sei que poderia pedir para e tudo iria ficar bem, não estaria forçando a barra e tudo mais. Eu não me sentiria confortável fazendo isso, acharia que era superficial demais e... - parei de falar por um segundo para respirar. - Eu queria saber se você poderia me levar até o altar. - vi seus olhos se tornarem um pouco mais escuros e sua expressão por um momento apertou meu peito. Me levantei, sem saber o que fazer e caminhei até a janela que dava uma visão perfeita da grande Milão.
-... Você sabe que eu faria qualquer coisa que você me pedisse, faria qualquer coisa apenas pra te ver sorrir e te ver feliz. Mas isso é demais para mim, eu não conseguiria fazer isso. - fechei meus olhos me xingando por acreditar que aquilo poderia dar certo, que ele poderia aceitar com aquela loucura. - Sinto muito, . - sua voz era um sussurro que me entristeceu. Concordei com a cabeça e mantive meu olhar fixo no movimento da rua.
-Tudo bem, . Só tinha me passado pela cabeça, mas eu já sabia que isso não ia dar certo, que isso era demais. - fiquei em silêncio novamente, procurando forças para voltar pro meu apartamento. Senti a mão de em meu pulso e me virei para poder encará-lo.
-Eu faria qualquer coisa por você, . Mas isso iria totalmente contra o que eu sinto, contra o que eu quero. Seria falso e eu ficaria desconfortável. Eu aceito tranquilamente o fato de você ser noiva, mas eu não teria tanto sangue frio pra te levar até o altar e te entregar para outro cara. - abaixei a cabeça, sentindo meu coração despencar dentro de mim. Nós estávamos próximos demais, tão próximos que sentia sua respiração bater contra minha boca. Ele aproximou seu rosto do meu lentamente, e selou nossos lábios como se quisesse fazer isso há muito tempo. Mecanicamente, passei meus braços entorno do seu pescoço e seus braços, que envolviam agora minha cintura, me puxaram para mais perto de seu corpo. Nosso beijo era um misto de saudade, paixão e dor. Não conseguia explicar o porquê de todos aqueles sentimentos. Minhas pernas começaram a tremer e meu estômago formigava dentro de mim. Meu coração batia rapidamente contra meu peito, de uma maneira tão forte que eu não conseguia explicar. Era como se os sentimentos mais profundos que escondi e fiz questão de esquecer tivessem voltado com tudo.
Sua língua explorava minha boca, da mesma forma que a minha fazia. Tudo que tinha em minha mente antes, agora fora esquecido tão bizarramente. Aquilo tudo estava de volta, num simples beijo, num simples toque. Meu corpo reagia de uma forma que não era para agir com ele. nunca conseguira me deixar daquela maneira como me deixava. Contra nossa vontade, mas com a vontade de nossos pulmões, separou nossos lábios e nossa respiração estava ofegante.
Senti sua testa encostar colar na minha e eu mantive meus olhos fechados. Eu não conseguia raciocinar, não conseguia me mover. O perfume marcante de me deixava fora de mim mesma. Sentia sua mão fazer um carinho gostoso em minha cintura.
-, eu... - escutei a voz rouca de perto de mim, causando uma série de arrepios em meu corpo. Abri meus olhos, podendo notar um sorriso bobo em seus lábios. Meus olhos lacrimejaram ao perceber o que tinha feito. Me afastei bruscamente de e caminhei rapidamente para longe dele.
-Isso foi um erro, . Me desculpe por isso, talvez doa em você como tá doendo em mim. Mas eu vou me casar daqui a um mês, eu não posso fazer isso com . Não seria justo, não seria eu se fizesse isso. Eu te amo, , mas minha lealdade é com outra pessoa. A pessoa que merece ser feliz, que esteve comigo e que nunca me fez sofrer. - lágrimas grossas molhavam meu rosto e podia ver seu rosto sem expressão.
-Por favor, não diga isso. - seus olhos tinham perdido aquele brilho constante pelo qual havia me apaixonado alguns anos atrás. Eles estavam magoados, eu podia ver seu coração machucado atráves de seus olhos. Lágrimas brincavam com o rosto de , tomando todo aquele ar infantil que ele tinha. - Você não sabe como tá me doendo escutar essas palavras de você, . - abaixei minha cabeça e andei com passos firmes em direção ao elevador.
-Sinto muito, , mas nada que nós tentarmos fazer vai conseguir mudar a realidade à nossa volta. - entrei no elevador e apertei o botão para que as portas se fechassem rapidamente. Nunca me senti tão sufocada por estar dentro de um elevador. Entrei correndo, querendo que ninguém visse meu estado, entrei no quarto dos hospedes e bati a porta com força, logo em seguida me jogando na cama fofa em minha frente.
[Flashback on - três anos atrás] [n/a: coloque Beatifully Broken pra tocar *-* ]
It seems like yesterday
Parece que foi ontem
that my world fell from sky
Que meu mundo caiu do céu
It seems like yesterday
Parece que foi ontem
I don't know how hard I could cry
Que eu não sabia o quanto eu podia chorar
It feels like tomorrow
Parece que amanhã
I may not get by
Eu talvez não consiga superar
But I willl try, I will try
Mas eu vou tentar, eu vou tentar
Wipe the tears from my eyes
Limpar as lágrimas dos meus olhos
Um mês desde a minha separação com . Não queria sair de casa, não queria estudar, não queria comer e muito menos ver meus pais. Principalmente meu pai porque ele com certeza viria com todo aquele discurso de "você vai ficar bem, se ele terminou com você é porque ele não serve pra você".
Eu continuava a usar aquela aliança prata no meu dedo, me recordando de todos os nossos momentos juntos. Todas nossas promessas, nossas juras de amor eterno e seu tolo "até logo". Ele quebrara a promessa que tinha feito pra mim, ele jogou fora nosso amor.
Por mais que ainda doesse em mim, no fundo eu sentia um pouco de raiva. Eu tinha medo de nunca superar aquilo. Queria me manter longe do mundo fora do meu quarto, das lembranças que tudo aquilo trazia pra mim, todos os momentos que tivemos juntos ali. Olhei para o mural de fotos que ficava pendurado na parede do meu quarto e várias fotos nossas ali, principalmente a do estádio no dia do seu primeiro jogo. Lágrimas escorriam pelo meu rosto, mas eu tinha que ser forte e parar de me torturar. Me levantei da cama desarrumada, andei em direção ao meu closet e peguei uma caixa grande rosa que nunca tinha usado por não achar uma utilidade pra aquilo. Tirei foto por foto com o maior cuidado. Meu coração estava apertado e as lágrimas continuavam a escorrer em meus olhos. Depois de terminar de guardar aquelas fotos, era hora de me livrar da aliança. Tirei-a de meu dedo e olhei atentamente para ela. Podendo ler a frase gravada "Always be mine. ".
Fechei a caixa com cuidado e escondi-a em um lugar em que não pudesse ver para não cair na tentação de ver todo o conteúdo e continuar com aquele sofrimento, com aquela dor. Continuei no meu quarto, sentindo as lágrimas secarem em meu rosto deixando-o melado.
Era hora de me reerguer, hora de ser forte e deixar tudo aquilo no passado. Peguei algumas roupas e fui em direção ao banheiro tomar meu banho. Iria fazer como todas as garotas que terminam fazem para se destrair: compras.
Olhei para meu rosto através do espelho enorme que tinha no banheiro, pude ver meu reflexo pálido, com profundas olheiras e olhos vermelhos de tanto chorar. Meus cabelos que antes eram cheios, agora estavam ralos e sem vida. Eu me assustei com aquela imagem, por um instante me perguntei como pude me deixar chegar a tal ponto.
I'm beautifully broken
Eu estou maravilhosamente quebrada
And I don't mind if you know it
E eu não me importo se você sabe disso
I'm beautifully broken
Eu estou maravilhosamente quebrada
And I don't care if I show it
E eu não ligo de mostrar isso
Senti a água gelada cair sobre meu corpo, fazendo com que meus músculos tensos ficassem relaxados. Deixei com que a água levasse embora toda fraqueza do meu corpo e esperava que aquela água curasse todas as cicatrizes que eu tinha internamente.
Abracei meu corpo, segurando novamente as lágrimas. Não acreditava que meus pais não se importaram tanto com meu estado físico, mental e espirítual. Minha mãe que sempre fora minha amiga não viera nenhuma vez ao meu quarto para ver se eu estava bem e isso me doía de certa forma. Fiquei refletindo sobre meus dias naquele banho demorado, não ligando se a água do mundo pudesse acabar por causa daquilo.
Eu queria que toda a minha dor saísse do meu corpo, que tudo que tinha vivido em dois anos fosse deletado da minha mente e que eu ficasse bem novamente. Desliguei o chuveiro ao perceber que meus dedos estavam ficando enrugados por ficar debaixo da água aquele tempo todo.
Everyday is a new day
Todo dia é um novo dia
I'm reminded of my past
Eu sou lembrada do meu passado
Everytime there's another storm
Todo tempo tem uma nova tempestade
I know that it won't last
Eu sei que isso não vai durar
Every moment I'm filled with hope
Todo momento estou cheia de esperança
'Cause get another chance
Porque eu tenho uma segunda chance
But I will try, I will try
Mas eu vou tentar, eu vou tentar
Got nothing left to hide
Não tenho mais nada pra esconder
Assim que terminei de calçar meus tênis, saí do meu quarto sem me importar se tinha alguém em casa. Segurava minha bolsa fortemente em minha mão e andei pelo andar de baixo. Assim que apareci na cozinha, meus pais ergueram o olhar para mim, um pouco assustados em me ver fora do meu casulo.
-Tô indo ao shopping fazer compras. Querem que eu traga alguma coisa para vocês? - minha mãe abriu um sorriso e negou, meu pai continuara me encarando sem expressão. - Ótimo, quando eu enjoar de tudo aquilo eu volto. Beijo e não me liguem, obrigada. - saí de casa, batendo a porta. Olhei a rua inteira, estava um movimento tranquilo. Aquele era um novo dia, eu não vou ficar lembrando do que eu vivi, do que eu passei. Tudo vai dar certo se eu tentar. Me sentia renovada e torcia para que não voltasse para o fundo do poço.
[Flashback off]
Escutei alguém bater na porta e abrí-la. entrou no quarto e ele estava sem expressão. Respirou fundo, procurando palavras certas para me dizer e eu tentei não encarar muito seu rosto para que eu não me arrependesse de ter tratado-o mal depois daquela cena em sua sala.
-Me desculpe pelo que aconteceu, . - sua voz estava séria e magoada. -Não queria forçar a barra, eu sei que você tá noiva e feliz. Mas eu não consegui me controlar, foi mais forte que eu. - de canto de olho pude vê-lo abaixar a cabeça em sinal de vergonha.
-Tudo bem, . Eu, por algum motivo, não soube me controlar também. Depois que eu te vi novamente, as coisas se tornaram confusas e eu não sei se isso é bom. e eu nunca fomos de brigar, nunca fomos de ficar horas sem conversar por causa de um ciúme, mas depois que viemos para Milão essas coisas têm sido muito frequentes. - respirei fundo pensando em alguma coisa que eu pudesse falar e não magoá-lo mais ainda. - A culpa foi minha, por ter pensado que você aceitaria aquilo. Fala sério, o que eu tinha na cabeça? Você é meu ex-namorado, não ia ser legal ser levada ao meu noivo pelo meu ex-namorado. - negou e me encarou.
-Mas eu também sou seu amigo, . Querendo ou não. Eu sei que você achou que eu podia te levar, porque você pensou em mim como papel de amigo. Papel que o aceitaria fazer. , ele passou momentos contigo em que eu não estava perto. Ele acompanhou sua mudança de perto, ele te conhece melhor que eu. Não consigo te decifrar, você mudou muito desde que nós terminamos. A pessoa que eu conheço não é a que eu estou vendo agora, é a que eu conheci há cinco anos atrás. - parou de falar para poder respirar. - Eu me odeio, porque fui eu quem fiz você mudar desse jeito. Eu me sentia feliz por poder te conhecer, saber suas expressões, seus sentimentos e saber o que você estava pensando quando estava com raiva. Agora, outra pessoa sabe isso. Enquanto eu tento, de longe, te conhecer novamente. É impossível, eu sei, mas isso me motiva a tentar decifrar todas suas emoções para que eu possa me sentir daquela maneira novamente. - seus olhos sinceros me encararam, senti um soco no meu coração e lágrimas invadirem meus olhos novamente.
-A que você conheceu, , não me abandonou. Ela ainda está aqui dentro de mim. - segurei sua mão sobre meu peito e ele pode sentir o que ele fazia com meu coração. Ele me encarou com olhar intenso e abriu um sorriso de lado. -Eu não mudei tanto assim. Eu continuo sendo eu mesma, a mesma de sempe.
Nono
(Coloque Shontelle - Impossible )
Senti o cheiro de perto de mim e uma música tranquila tocar ali. Meu corpo se movimentava de um lado para o outro, enquanto eu sentia uma mão em minha cintura. Não precisava me afastar pra saber quem era a pessoa que estava ali, dançando comigo. O cheiro, o toque de suas mãos em minha pele e a sintônia naquela dança já denunciava quem era.
A voz de fazia meu corpo se arrepiar, ele estava cantando aquela música... A nossa música. Encostei minha cabeça na curva de seu pescoço e eu pude sentir seu perfume ainda mais forte. Aquele cheiro me deixava lerda, calma e viciada. Senti seus lábios depositarem um beijo no meu ombro desnudo, por causa do vestido tomara que caia.
- Eu senti tanto sua falta, pequena. - sorri ao escutá-lo me chamar daquele jeito. Meu coração batia descompassadamente dentro de meu peito. -Eu esperei por tanto tempo, que às vezes acho que o certo seria ter te trazido comigo para cá. Não esperar outro que pudesse tomar meu lugar. - agora ele beijara minha orelha, fazendo com que meu corpo se arrepiasse novamente.
- Ninguém nunca vai tomar seu lugar, meu amor. - me afastei um pouco, continuando a balaçar no ritmo daquela música. Selei nossos lábios e nos abraçamos mais forte. Era como se nós estivéssemos matando toda saudade e tempo perdido ali, naquele momento, apenas sentindo a presença um do outro.
- ... -Escutei uma outra voz me chamar, fazendo com que nós nos soltássemos e olhei para a pessoa que estava ali presente. me olhava com lágrimas nos olhos e meu coração despencou dentro de mim. -Como você pôde fazer isso comigo? Você mal se separou de mim e agora já está com outro. Pensei que você estava se sentindo confusa, mas acho que você já sabe quem você quer de verdade. - lágrimas invadiram meus olhos, ao ver se afastando e soltei um soluço desesperado.
- Foi bom ele ver essa cena, pequena. É bom que agora nada mais nos impede de ficarmos juntos. Nós vamos recomeçar do zero e vamos ser felizes, juntos. - meu coração estava em pedaços. Eu me sentia culpada por fazer sofrer. Ele foi meu melhor amigo, ele esteve ali comigo quando eu precisei. Ele cuidou de mim e me fez feliz.
- Mas eu não acho isso justo. Eu o fiz sofrer, não queria que isso acontecesse. Não gosto que ninguém sofra por minha causa, amor. - abaixei minha cabeça, envergonhada. Sentia um carinho gostoso de em meus cabelos e novamente senti nossos lábios se tocarem.
- Vocês vão voltar a se falar. Ele vai entender, tenho total certeza disso. Ele vai entender que é o nosso destino ficar juntos, nós somos a moral da história. - abri um sorriso ao sentir o olhar doce de em mim e novamente estávamos ali, longe de todo mundo e de todos os problemas.
Meu pensamento estava fixo no sonho em que tivera essa noite. Estava completamente impossível de me concentrar e de não pensar nele este dia. Todos os convidados estavam na enorme casa daquele sítio onde na parte dos fundos seria meu casamento.
Fechei meus olhos, sentindo o cabelereiro fazer o penteado escolhido. Estava começando a sentir minha bunda quadrada de tanto tempo em que estava sentada. No fundo eu me perguntava como ele estava, se ele iria vir e se ele iria mudar de ideia e me levar até o altar. Obviamente nenhuma dessas respostas estariam corretas porque ele não iria mudar de ideia de uma hora para outra. Senti meu celular vibrar em minhas mãos, fazendo com que eu ficasse um pouco assustada e logo percebi que tinha recebido uma mensagem de .
"Sou só eu, ou você também está nervosa, ansiosa e com vontade de que as horas passem rápido? Não vejo a hora de te ver, te abraçar e ficar com você até quando Deus permitir. Te amo muito e com certeza você vai ser a noiva mais linda do universo. xx "
Abri um sorriso bobo em meus lábios e fiquei repassando a mensagem na minha cabeça. Eu precisava responder, mas não tinha palavras pra isso. O cabelereiro falava alguma coisa com a ajudante e eu não prestava muita atenção.
- Ei, noiva, que sorriso é esse? - sua atenção ficou presa em mim e, ainda sorrindo, lhe entreguei o celular. -Ai que noivo fofo, quero um desses pra mim. -Gargalhei jogando minha cabeça pra trás e logo em seguida levei uma bronca por isso. Com meus dedos tremendo, comecei a digitar a resposta pra ele.
"Eu quero que esse dia seja tão especial pra você, como vai ser pra mim. Eu estou com as mão tremendo, meu estômago tá se revirando dentro de mim e eu tô ficando louca a cada segundo longe de você. Eu te amo tanto e não vejo a hora de estar naquele altar escutando seus votos HAHAHA. xx "
Fiquei encarando o que a mensagem que mandei para e meu coração doeu dentro de mim. Eu queria saber o que estava fazendo, se ele estava com a namorada ou não, se ele estava pensando em mim e no meu casamento. Eu queria saber o que ele estava sentindo naquele momento. Meu celular vibrou novamente minha mão. Era outra mensagem de um número que não conhecia.
"Cada minuto que passa desse dia é como se uma faca atravessasse meu coração. Eu sinto o ar faltando em meus pulmões e a única pessoa que pode trazê-lo de volta é você. Sei que você também tá pensando em mim, se perguntando como eu estou. Você nunca foi tão previsível. Eu estou mal, estou começando a ficar bêbado e não são nem três horas da tarde. Eu estou chegando no fundo do poço por sua causa, seu amor me deixou assim. Lembre-se sempre, eu te amo independente de você se casar com outra pessoa ou eu estar namorando, eu vou ser sempre seu xx "
Lágrimas começaram a escorrer por meu rosto e por um momento agradeci por não estar maquiada, caso contrário eu estaria feia. Senti as mãos do cabeleiro parar de mexer em meus cabelos, foi então que percebi que eu soluçava alto demais. Criei coragem e fui responder àquela mensagem.
"Eu só estava me perguntando se você iria mudar de ideia e vir até aqui me ver, como certamente um amigo faz. Mas tenho certeza que você não virá, o que me magoa. Eu estou me sentindo mal por saber que você está assim e por favor, não torne as coisas piores. Eu estou fazendo o certo, não posso me magoar e não quero te magoar. You know, I love you so. xx "
Meus pensamentos continuaram a vagar naquele garoto. Aquilo estava me deixando doida. Eu tinha pensado que no dia do meu casamento eu não iria pensar e nem me preocupar, mas eu estava completamente enganada.
"É engraçado, você faz isso para não me magoar. Pelo contrário, isso só me machuca e acaba comigo aos poucos. Eu tô acabado com tudo isso. Não vou mudar de ideia, não vou te ver. Você está se sentindo mal, mas com certeza sua dor não é um terço da minha. But I've tried everything but giving in. xx "
Fechei meus olhos e respirava fundo. O rosto de estava preso em minha mente, como naquele sonho que tive mais cedo. Meu coração estava esmagado contra meu peito. Eu não queria fazê-lo sofrer, não queria fazê-lo se sentir dessa maneira.
"Meu coração está sendo tomado por um buraco negro. Eu quero que você seja feliz, eu quero que você encontre alguém que um dia possa sentir tudo que sente por mim. Why you wanna break my heart again? (...) when all we ever do is say goodbye. xx "
Fiquei esperando pela resposta e o cabelereiro continuava tagarelando. Meus órgãos se reviravam dentro de mim e meu corpo estava tremendo levemente. Olhei para o espelho, vendo que meus olhos perdera todo o brilho, toda felicidade de minutos atrás. Não demorou muito, meu penteado estava pronto e agora começava a me maquear. Meu celular vibrou e, com as mãos tremendo, fui ver a resposta que tanto esperava.
"Eu sempre vou te amar. E eu não vou ser feliz sem você ao meu lado, nunca vou conseguir amar alguém com a mesma intensidade de que eu te amo. I love you more than songs can say xx "
Decidi acabar com aquilo antes que eu me machucasse mais. Eu não posso ficar vivendo o passado nesse dia, não posso continuar com isso para sempre. Respirei fundo e mandei a frase que completava aquele trecho da música do John Mayer.
"É melhor acabar com isso, antes que nós dois machucamos. Esqueça de tudo que a gente passou, isso faz parte de apenas uma lembrança. I can't keep running after yesterday. xx "
Flashback on - Um mês atrás
O beijo que tinha dado em fez com que eu começasse a evitar olhar nos olhos intensos de . Eu podia ver que isso estava magoando os dois, que nada daquilo era certo. Eu estava sendo egoísta pensando somente nos meus sentimentos. Hoje, decidiu fazer uma festa para comemorar nosso aniversário de namoro. Mas segundo ele, era apenas uma desculpa idiota para poder fazer uma festa.
Coloquei a roupa que tinha separado e assim que fiquei pronta fui até a cobertura, onde e tentavam acender a churrasqueira. O calor que fazia ali era insuportável e a água trasparente da piscina refletia nos nossos olhos. Não demorou muito até alguns jogadores (amigos os meninos) e suas acompanhantes chegarem. Mas no meio de todas aquelas pessoas, eu senti falta de somente uma. O que era errado, completamente errado.
Uma hora do começo da festa e nada dele chegar. Eu já tava cogitando a idéia de que ele não ia vir por minha causa. Por um instante eu até me perguntei se e tinham o chamado. Abaixei minha cabeça e olhei para meu copo de caipirinha que estava na minha mão.
- Oi . - escutei sua voz baixia e um sorriso de formou em meus lábios. Levantei meu olhar até seu sorriso torto, seus olhos infantis e sua expressão infantil. Sentia o olhar de uma pessoa fixo nas minhas costas, mas não precisava me virar para saber que era . Um pouco sem graça, me aproximei de . Passei meus braços em torno de seu pescoço e o abracei fortemente. Me afastei, contra minha vontade e olhei por cima de seus ombros.
- Cadê sua namorada? - e logo percebi que não tinha nenhuma garota de cabelos loiros atrás dele.
- Não quis trazê-la. - abri um sorriso amarelo e fui andando em direção a que ria de qualquer coisa que tinha falado. me seguia em silêncio e assim que nos aproximamos, abracei pela cintura, fazendo com que ele depositasse um beijo na minha testa. Não demorou muito até o papo de futebol surgir. contava animadamente como foi seu tempo no , de como a torcida pediu para que ele não saísse e como surgiu o apelido de Pequeno Príncipe.
- Eu lembro disso tudo. - murmurei, sentindo meus olhos lacrimejarem. Aquele tempo me cortava o coração, me fazia viver de novo aquele inferno que tinha vivido desde minha separação. - Mas o que o melhor jogo que eu fui, foi o primeiro seu. Não sei explicar, acho que é porque meu time tava numa fase crítica e com a vitória nós saímos do rebaixamento. - respirei fundo e senti os músculos de ficarem rígidos enquanto eu contava aquela história.
- Engraçado foi como seu pai ficou depois daquela vitória. Ele amava o time que torcia, né? - assenti, com um sorriso nos lábios e se mateve em silêncio. - Eu também gostei muito do primeiro jogo. Acho que foi o melhor que eu joguei no . Saber que eu fiz parte da história de um time, que eu ajudei-o a não ser rebaixado.
- Nós somos gratos a você por isso. Não é a toa que você é um ídolo para toda a torcida. - olhei para o rosto de e percebi que ele estava fazendo de tudo para não ouvir aquela conversa. - Eu lembro do primeiro jogo que fui do . Eu, uma torcedora do , no meio de uma torcida que não era a minha. Achei que estava traíndo meu time, que estava traindo a torcida. Não é muito bom fazer isso, sabe? - começou a rir, juntamente com .
- Cara, e quando jogava e ? Essa menina queria porque queria ir com a camisa do no meio da torcida do . Mas, por questão de lógica, eu não deixava. Aí eu tacava ela pro camarote. Quando eu ou fazíamos gol, ela vibrava e nós íamos mexer com ela. Agora quando o fazia gol, ou até ganhava, ninguém segurava essa menina mexendo com a gente. - soltei uma gargalhada alta e logo em seguida pedi licença e desci para a cozinha.
Uma música alta entrava na casa, junto com as conversas. Comecei a preparar minha caipirinha e sentei-me perto do balcão ao lado da garrafa de vodka, limão e áçucar. Dei um gole no meu copo e comecei a prestar atenção na letra da música que tocava.
I remember years ago
Lembro-me de anos atrás
Someone told me I should take caution
Alguém me disse que eu deveria tomar cuidado
When it comes to love. I did, I did
Quando se trata do amor. Eu tive, eu tive
And you were strong, I was not
E você era forte, eu não fui
My illusion, my mistake
Minha ilusão, meu erro
I was careless, I forgot. I did
Eu fui descuidada, eu esqueci, eu esqueci
And now when all is done
E agora, quando tudo está acabado
There is nothing to say
Não há nada a falar
You have gone, and so effortlessly
Você se foi, sem esforço
You have won
Você ganhou
You can go ahead and tell them
Você pode ir adiante e dizer a eles
Fechei meus olhos, sentindo a letra daquela música mexer com alguma coisa dentro de mim e logo em seguida pude sentir o cheiro de alguém que vem me atormentando durante todos esses anos. Meu corpo se arrepiou ao sentir o toque de suas mãos fortes em minhas coxas. Meus batimentos cardíacos se aceleraram e minha respiração começou a ficar falha.
Não podia deixar com que ele fizesse aquilo, não naquela casa, não com perto de nós. Eu não podia deixar se aproximar de mim daquele jeito. Era errado, era algo que ia totalmente contra minha criação, totalmente contra aos meus ideais, mas não conseguia me afastar.
Senti seus lábios depositaram um beijo em meu pescoço, fazendo com que um arrepio se passasse por minha espinha. Suas mãos continuaram apertando minhas coxas e logo em seguia depositou um beijo em meu queixo.
-Por favor, não faz isso. - pedi ofegante e de olhos fechados. Suas mãos subiram até minha cintura por dentro da minha camiseta. Escutei a voz alta de no andar de cima e empurrei com um pouco mais de força fazendo com que ele se afastasse. Lágrimas desciam por meu rosto e soluços desesperados saíam por minha garganta.
Tell them all I know now
Diga a eles tudo o que eu sei agora
Shout it from the rooftop
Grite isso de cima do telhado
Write it on the sky line
Escreva isso no céu
All we had is gone now
Tudo que nós tivemos, foi embora agora
Tell them I was happy
Diga a eles que eu era feliz
And my heart is broken
E meu coração está quebrado
All my scars is open
Todas minhas cicatrizes estão abertas
Tell them what I hoped would be
Diga a eles o que eu esperava ser
Impossible, Impossible.
Impossível, impossível
Abracei-me contra meu corpo e as lágrimas continuavam a banhar meu rosto. A cozinha estava silenciosa, exeto por aquela música que continuava a tocar. Escutei-o respirar fundo e lentamente abri meus olhos. Minha visão estava embaçada por causa das lágrimas teimosas que continuavam a descer.
- , você não pode fugir de mim pra sempre. - outro soluço desesperado saiu por minha garganta. Minha garganta estava fechada e impedia um pouco de respirar - Eu te amo e vou continuar a te amar pro resto da minha vida, será que é tão difícil você entender uma coisa tão simples? - virei o conteúdo do meu copo de caipirinha, sentindo minha garganta arder um pouco por causa da vodka.
-É difícil, . Acabou, cara, acabou. Eu tô com outra pessoa, e estou sendo feliz. Você tem outra pessoa ao seu lado e isso impede tudo. Eu amo o , . Eu não vou deixá-lo pra ficar contigo, sabendo que depois eu vou sofrer. Não dá, nosso tempo já acabou. -Meu coração despencou em meu peito ao escutar minhas próprias palavras.
Falling out of love is hard
Deixar de amar é difícil
Falling for betrayal is worse
Deixar de amar por traição é pior
Broken trust, and broken hearts
Confiança quebrada e coração quebrado
I know, I know
eu sei, eu sei
Thinking all you need is there
Pensando tudo que você precisa está lá
Biulding faith on love is worse
Construindo a fé no amor é pior
Empty promises will wear
Promessas vazias sairão
I know, I know
Eu sei, eu sei
And now when all is gone
E agora quando tudo está acabado
There is nothing to say
Não há mais nada a dizer
And if you're done with embarrassing me
E se você terminou de me humilhar
On your own you can go ahead tell them
Sozinho você pode ir adiante dizer-lhes
Tell them all I know now
Diga a eles tudo o que eu sei agora
Shout it from the rooftop
Grite isso de cima do telhado
Write it on the sky line
Escreva isso no céu
All we had is gone now
Tudo que nós tivemos, foi embora agora
Tell them I was happy
Diga a eles que eu era feliz
And my heart is broken
E meu coração está quebrado
All my scars is open
Todas minhas cicatrizes estão abertas
Tell them what I hoped would be
Diga a eles o que eu esperava ser
Impossible, Impossible.
Impossível, impossível
colocou as mãos em meu rosto, fazendo com que eu pudesse encará-lo nos olhos e as cicatrizes do meu coração tornavam a abrir. Seus olhos intensos perfuravam os meus e meu coração queria saltar pra fora do meu peito.
- Pare de se enganar, . Por favor, pára de se esconder. - seus dedos limpavam as lágrimas que desciam e eu procurei olhar para outro lugar que não fosse seus olhos. Respirou fundo e me encarou derrotado. -Diz quem é a melhor pessoa pra você, diz quem é capaz de te fazer feliz. Me diz que ele é melhor que eu, que eu juro que te deixo em paz. - olhei para o chão e procurei forças (e voz) para poder fizer aquelas palavras difinitivas.
-Ele é muito melhor que você. Ele é a pessoa que me faz feliz, até você voltar pra minha vida sem permissão e deixá-la de cabeça pra baixo. Eu não sinto falta do que nós tivemos e eu tenho que te agradecer por ter me traído a alguns anos atrás porque se não eu estaria hoje ao seu lado, infeliz e não teria conhecido . - lentamente, foi se afastando de mim.
- Talvez nada seja como parece, . Não julgue minhas atitudes de anos atrás pelas minhas de agora. - desci do balcão, sentindo o ar fugir daquele lugar e corri em direção ao meu quarto, trancando-me dentro dele logo em seguida. Encostei minhas costas na porta e minhas pernas falharam, fazendo com que eu escorregasse e caísse sentada no chão. Escutei a voz de através da porta falando algo como:
- Você tenta se esconder por trás de uma porta ou por trás de suas máscaras. - respirei fundo e procurei minha voz. - E sempre vai ser assim, . Você sempre vai se esconder quando aparecer um problema. Mesmo que isso te faça sofrer, você sempre vai fugir. Você me decepciona com suas atitudes. E bem que você disse alguns dias atrás, você continua a mesma. - sua voz de decepção apertou meu coração.
- Mas a única diferença é que nós não somos mais crianças, nós não estamos no Brasil e eu estou NOIVA de alguém que não é você. - falei um pouco alto demais e fechei meus olhos. Escutei-o murmurar algo que não fiz muita questão de entender e pude perceber que estava sozinha, novamente.
Flashback - off
Segurava o buquê de flores com minhas mãos tremendo. A música que começava a tocar invadiu o lugar e andava em direção ao de braços dados com . O sorriso sincero que tinha no rosto, fazia com que eu acalmasse. Cada passa que eu dava, escutava um "como ela está linda" de algum convidado. Não demorou muito até chegar perto de meu futuro marido. Ele veio caminhando em minha direção e depositou um beijo em minha testa.
- Cuida bem dela, . -Escutei a voz emocionada de e ri baixinho. Parei ao lado de que me olhava com uma felicidade e um brilho nos olhos que contagiava. Escutava o padre falar alguma coisa que não fazia muita questão de ouvir. Era estranho estar ali e não sentada naquelas cadeiras.
- , você aceita como seu legitimo esposo? -Respirei fundo e sorri, falando um "aceito". - , aceita como sua legítima esposa? - escutei-o falar que aceitava e agora era hora dos nossos votos.
- Pra falar a verdade, não escrevi nada. - vi fazer uma careta e os convidados rirem. - Mas o que eu podia falar? Toda aquela coisa clichê de eu vou te amar, na alegria, na doença, na riqueza e na pobreza todos os dias das nossas vidas? Ninguém sabe o dia de amanhã, como mesmo costuma falar. Mas enquanto eu estiver ao seu lado, eu vou fazer valer cada segundo, minuto, hora e dia. Vou tentar te fazer feliz, como você sempre me faz. Eu quero acordar todos os dias ao seu lado, lendo seus bilhetes lindos quando me trás café da manhã na cama. E, ei não quero que ninguém inveje meu marido. - novamente os convidados riram e eu ri também. Olhei para os olhos de com ternura e procurei palavras certas para dizer. -Não sei bem o que dizer, todos esses anos vim demonstrando o quanto eu te amo, o quanto te quero bem. E eu espero que nessa nova jornada, nós possamos ser mais felizes do que já éramos antes. Obrigada por fazer minha vida valer a pena, por me apoiar quando eu preciso e por aguentar meus ataques por causa de trabalho e de quando eu estou na tpm. Eu te amo, . - escutei aplausos e os olhos de brilharem ainda mais.
- Essa garota consegue me surpreender. - e escutei gargalhadas. - O que eu posso dizer? Que eu te amo, que eu te adoro e que você é o ar que eu preciso pra respirar? - automaticamente lembrei da mensagem de e meu coração se apertou. -Bom, acho que não preciso dizer isso, porque eu deixo bem claro todos os dias. Quando eu te conheci, eu queria lutar contra meus sentimentos, porque eu fiquei completamente encantado pela garota que ia documentar meu dia. Eu me encantei pela garota do sorriso mais lindo que eu já vira, o olhar doce e por ser tagarela, que consegue resumir sua vida inteira em menos de meia hora. -Soltei uma gargalhada alta e ele manteve aquele sorriso. - E eu acho que vou ser eternamente grato por você me fazer feliz e me apoiar. Eu te agradeço por todos momentos que passamos juntos, a cada briga boba que fez com que nosso relacionamento se fortalesse ainda mais. Eu te amo. - as pessoas se levantaram e começaram a aplaudir. se aproximou de mim e selou nossos lábios.
Décimo
(Coloque What goes around, comes around - Justin Timberlake para carregar)
O cheiro de álcool naquele apartamento começava a me deixar enjoado. Meu copo estava cheio de whisky e eu esperava que entrasse naquele apartamento vestida de noiva dizendo que tinha desistido dessa história de casamento, e que continuava me amando como anos atrás. Mas ao receber sua mensagem, eu soube que ela não faria isso, o que me deixava agoniado.
Dei um gole no meu copo, olhando o nada, escutando o tic- tac incansável do relógio. Meu rosto estava melado por causa das lágrimas que tinha chorado mais cedo, mas não ia me levantar para lavá-lo e muito menos iria atrás de Claire. Hoje eu queria distância dela, queria distância de tudo. Meu celular tocou e eu apertei qualquer tecla e levei o aparelho para que eu pudesse escutar o que queriam falar comigo.
- Ficar chorando e se lamentando não vai adiantar nada, . - Escutei aquela voz e eu respirei fundo. - Sei que você queria esquecer disso tudo, sei que você queria ficar sozinho no seu mundinho, mas isso não vai ajudar muito as coisas, sabia? - Lágrimas continuaram a descer pelo meu rosto e eu não me dei ao trabalho de responder. - Acho que seria muito mais educado se você respondesse, sabia?
- Eu não quero falar contigo. Hoje você me pegou num péssimo dia, sério. - Fechei meus olhos e as lágrimas voltaram a descer. Virei o conteúdo do copo e senti minha garganta queimar. Não eram nem três horas e eu já estava ficando bêbado. Escutei a pessoa do outro lado da linha respirar fundo e resmugar alguma coisa. Desliguei meu celular sendo mal-educado. Não queria falar com ninguém.
Me levantei, sentindo meus músculos mole e andei em direção ao banheiro. Me despi e entrei no box, ligando o chuveiro em água fria e deixando cair por meu corpo. Eu queria que tudo aquilo aliviasse o que estava sentindo, eu queria que aquela água lavasse as feridas da minha alma.
As lembranças daquele último mês invadiram minha mente com tanta força que meus joelhos fraquejaram. As lágrimas agora se misturavam com a água que escorria dos meus cabelos. Um soluço alto saiu pro minha garganta e eu me deixei afogar naquelas memórias.
Flashback - Um mês atrás
e decidiram fazer um almoço para alguns amigos, e bom, eu fui convidado. Vesti qualquer roupa e cutuquei Claire que dormia ao meu lado. Ela resmungou alguma coisa e aos poucos foi abrindo os olhos. Enrolou seu corpo nos lençóis branco ao perceber que estava nua e me encarou.
- Vá pra casa que eu vou sair. - Disse ríspido, não me importando se ela ia ou não gostar do meu tom de voz. Lentamente ela se vestiu e foi ao banheiro, fazer alguma coisa que não me interessava. Sentei-me no sofá da sala, esperando impacientemente para que ela saísse da minha casa.
- Te vejo outro dia? - Assenti sem proferir uma palavra e selou nossos lábios rapidamente. - Te vejo outro dia, amor. - Fiquei um pouco enjoado pelo que ela me chamou e mantive meu olhor fixo no chão. Assim que escutei-a ir embora, me levantei esperando o elevador voltar para meu andar. Estava perdido em meus pensamentos quando as portas abriram e eu pude entrar, logo em seguida apertando o andar de cima.
Cheguei um pouco atrasado e fui andando em direção a parte de cima da casa, onde seria o tal almoço. Subi lentamente as escadas, como se eu estivesse me preparando para encontrá- la aos beijos com ou alguma coisa parecida.
Assim que cheguei, encontrei alguns jogadores da Inter e do Milan lá, conversando entre si ou murmurando alguma coisa no ouvido de sua esposa, namorada, ficante ou sabe-se lá quem. Encarei o lugar, escutando uma música desconhecida tocar e respirei fundo. Procurei por somente uma pessoa naquele lugar e finalmente encontrei a garota dos cabelos louros um pouco abaixo dos ombros. Ela estava especialmente linda hoje e encarava o copo com olhar perdido. Dei um sorriso descreto e andei com passos silenciosos em sua direção.
- Oi, . - Falei baixinho e vi um sorriso se formar em seus lábios. Levantou seu olhar até meu rosto e por cima de seus ombros, pude ver encarando-nos fixamente. Um pouco envergonhada, se aproximou de mim e meu coração acelerou. Me achei bobo por um minuto, afinal era só um abraço. Passou seus braços finos por volta de meu pescoço e eu a abracei pela cintura, sentindo seu cheiro mais perto de mim. Poucos segundos depois, ela se afastou e olhou com cima de meus ombros. - Cadê sua namorada? - Ela deve ter percebido que não tinha companhia. Em certas coisas, ela era tão previsivel.
- Não quis trazê- la. - Seus lábios formaram um sorriso e se virou, andando em direção a que ria de qualquer coisa que tinha falado. Segui-a em silêncio e assim que nos aproximamos, pude vê-la passar os braços,que antes me abraçavam, abraçar pela cintura e logo em seguida ele depositar um beijo em sua testa. Tentei o máximo não olhar para aquela cena que me tormentaria o resto do dia, ou talvez da minha vida. O assunto de futebol surgiu, o que fez com que eu começasse a contar minhas histórias no . - A torcida gritava meu nome, pedia pra eu ficar. Foi uma sensação ótima, porque eu tinha 17 anos, eu era moleque e já tinha virado ídolo do meu time de infância. Eles me chamavam de pequeno príncipe, por causa da minha idade e tal. - Soltei uma risada sem humor, me recordando da vida que eu tinha. Tudo que eu tinha, até do meu relacionamento com a .
- Eu me lembro disso tudo. - Escutei sua voz baixinha e seus olhos brilharem de uma forma triste. Relembrar daquele tempo, era a mesma coisa que fazer eu reviver todo aquele inferno que tinha vivido por causa dela, por causa da falta dela. - Mas acho que o melhor jogo que eu fui, foi o primeiro seu. Não sei explicar, acho que é porque meu time tava numa fase crítica e com a vitória nós saimos do rebaixamento. - Eu tentava decifrar o que ela estava pensando ao reviver aquela história, aquela triste história. Meus olhos passaram de seu rosto para . Seu olhar não era nada agradável, é como se ele tentasse não escutar o que estava falando.
- Engraçado foi como seu pai ficou depois daquela vitória. Ele amava o time que torcida, né? - A vi assentir, com um sorriso nos lábios. se manteve em silêncio, deixando o clima pesado. - Eu também gostei muito do meu primeiro jogo. Acho que foi o melhor que eu joguei no . Saber que eu fiz parte da história de um time, que eu o ajudei a não ser rebaixado. - Eu me orgulhava do que tinha vivido naquele clube, afinal, ele era meu time desde criança.
- Nós somos gratos a você por isso. Não é a toa que é um ídolo para toda a torcida. - A vi olhar para o rosto de e eu desviei o olhar ao vê- lo com os olhos fixos em mim. - Eu me lembro do primeiro jogo do que eu fui. Eu, uma torcedora do , no meio de uma torcida que não era a minha. Achei que estava traíndo meu time, que estava traindo a torcida. Não é muito bom fazer isso sabe? - começou a rir, juntamente com . Dessa vez, eu tentava não prestar nenhuma atenção naquela conversa.
- Cara, e quando jogava e ? Essa menina queria porque queria ir com a camisa do no meio da torcida do . Mas, por questão de lógica, eu não deixava. Ai eu tacava ela pro camarote. Quando eu ou o fazíamos gol, ela vibrava e nós íamos mexer com ela. Agora quando o fazia gol, ou até ganhava, ninguém segurava essa menina mexendo com a gente. - Ela soltou uma gargalhada alta e eu fiquei em silêncio, com o olhar perdido em algum lugar. Escutei-a pedir licença e descer para a cozinha. Esperei alguns minutos, pedi licença porque eu iria ao banheiro e senti o olhar desconfiado de , apenas dei um sorriso amarelo e sai andando em direção ao apartamento.
A música alta entrava na casa e as conversas altas também. Encontrei-a na cozinha, prepagando sua caipirinha e logo em seguida sentar-se no balcão ao lado da garrafa de vodka, limão e áçucar. Deu um gole no conteúdo do copo e parecia atenta em alguma coisa.
Fechou os olhos e eu prestava atenção em sua expressão serena. Da porta da cozinha, conseguia sentir seu cheiro forte, diferente do que eu costumava conhecer mas não deixando de ser bom e marcante. Me aproximei, quase automaticamente, e fiquei entre suas pernas. Minhas mãos apertaram suas coxas como se fosse instinto. Meus batimentos cardiacos aceleraram, ao mesmo tempo que sua respiração começava a ficar falha. Eu queria que ela se entregasse a mim, da mesma forma que ela fazia antes. Antes de toda essa história de casamento, dessa história de separação.
Depositei um beijo em seu pescoço, logo sua pele estava levemente arrepiada. Abri um sorriso satisfeito, ao perceber que eu continuava tendo um efeito sofre seu corpo. Continuei apertando suas coxas e dessa vez, depositei um beijo em seu queixo.
- Por favor, não faz isso. - Escutei sua voz ofegante e isso me motivou ainda mais a continuar. Minhas mãos subiram até sua cintura fina, por dentro da camiseta que ela usava. Como se tivesse dispertando de algo tão tenebroso, ela me empurrou com toda a força que ela tinha. Olhei para seu rosto um pouco confuso, podendo vê-la chorar e logo em seguida soluços desperados saindo por sua garganta.
Ela se abraçou e as lágrimas continuavam a banhar seu rosto delicado. Nenhum de nós dois proferimos palavra alguma. O único som que invadia a cozinha era da música e a conversa alta. Respirei fundo e ela abriu lentamente seus olhos. Seus olhos estavam vermelhos e as lágrimas continuavam a descer.
- , você não pode fugir de mim pra sempre. - Escutei outro soluço desesperado saindo por sua garganta. Meu coração estava doendo dentro de meu peito, eu sentava sofrendo por vê-la chorar. - Eu te amo e vou continuar a te amar pro resto da minha vida. Será que é tão difícil entender uma coisa tão simples? - Pude vê-la virar todo o conteúdo do seu copo e faz uma careta logo em seguida. Ela provavelmente tinha errado a mão na vodka, como sempre.
- É difícil, . Acabou, cara, acabou. Eu tô com outra pessoa e estou sendo feliz. Você tem outra pessoa ao seu lado e isso impede tudo. Eu amo o , . Eu não vou deixá-lo pra ficar contigo, sabendo que depois eu vou sofrer. Não dá, nosso tempo já acabou. - Aquelas palavras foram piores que machucar o joelho num treino ou quando alguém chutava minha canela, com as travas da chuteira pra cima. Aquilo era muito pior que tudo que já tinha passado. Era como se ela tivesse socando meu peito.
Coloquei minhas mãos em seu rosto, fazendo com que ela pudesse me olhar nos olhos. Seu olhar estava vazio e eu continuava sofrendo ao vê-la naquele estado. Seus batimentos cardiacos, estavam tão acelerados quando o meu, eu conseguia sentir todas as batidas do seu coração.
- Pare de se enganar, . Por favor, pára de se esconder. - Meus dedos começaram a fazer um carinho em seu rosto, automaticamente, limpando as lágrimas que desciam de seus olhos. Ela procurava outro lugar para olhar, que não fosse meus olhos porque provavelmente ela estaria vendo toda minha dor neles. Respirei fundo e a encarei derrotado. - Diz que é a melhor pessoa pra você. Diz quem é capaz de te fazer feliz. Me diz que ele é melhor que eu, que eu juro que te deixo em paz. - Ela travava uma luta consigo mesma para dizer aquelas palavras. Não sabia como reagiria se ela conseguisse dizer aquelas palavras.
- Ele é muito melhor que você. Ele é a pessoa que me faz feliz, até você voltar pra minha vida sem permissão e deixá-la de cabeça pra baixo. Eu não sinto falta do que nós tivemos e eu tenho que te agradecer por ter me traído há alguns anos, porque se não eu estaria hoje ao seu lado, infeliz, e não teria conhecido . - Lentamente, fui afastando meu corpo do seu. As minhas lágrimas queimaram meus olhos e um nó se formou em minha garganta.
- Talvez nada é como parece, . Não julgue minhas atitudes de anos atrás pelas minhas de agora. - Pude vê-la descer do balcão e correr em direção à algum comodo da casa, trancando-se logo em seguida. Escutei seus soluços e me encostei na porta, sentindo minhas pernas tremerem. - Você tenta se esconder por trás de uma porta ou por trás de suas máscaras. - Escutei-a respirar fundo e logo falei tudo que tinha que falar. - E sempre vai ser assim, . Você sempre vai se esconder quando aparecer um problema. Mesmo que isso te faça sofrer, você sempre vai fugir. Você me decepciona com suas atitudes. E bem que você disse alguns dias atrás, você continua a mesma. - Meu tom de decepção me deixou um pouco assustado.
- Mas a única diferença é que nós não somos mais crianças, nós não estamos no Brasil e eu estou noiva de alguém que não é você. - Ela falou um pouco alto demais e meu coração despencou dentro de mim. Abaixei minha cabeça, sentindo uma lágrima solitária descer por minha bochecha e procurei palavras para dizer a ela.
- E é realmente uma pena que você esteja dessa maneira, que tudo isso esteja dessa maneira. Só espero que não se arrependa dessa sua decisão, porque a partir de agora, eu vou cumprir com a minha promessa. - Com passos lentos, fui andando em direção à saida daquele apartamento. Mais uma vez, eu ia fazer algo que tinha prometido a ela. Eu quero saber quando eu vou parar de fazer alguma coisa que eu prometo, quando eu vou deixar de tentar me manter por perto. Eu quero saber quando meu mundo vai parar de girar em torno dela.
Meu apartamento silêncioso e com um cheiro extremamente doce fez com que algumas lembranças invadissem minha mente. O beijo que tinha dado nela, a forma que ela correspondeu, a reação que meu corpo tinha ao entrar em contato com a sua pele. Peguei qualquer coisa que estava em cima da mesinha e joguei longe, logo em seguida escutei barulho de vidro se quebrando ao entrar em contato com o chão. Eu precisava de paz, eu precisava esquecer tudo aquilo. Escutei meu celular tocar em meu bolso e bufei.
- Não resistiu a tentação, é? - Péssima hora para meu inferno pessoal vir acabar com a coisa que eu chamo de paciência, que ultimamente eu precisava de doses extras dessa coisa. - Pobre , levando um fora com classe da sua ex. Será que não é melhor você deixar de lado e investir no relacionamento com essa garota que está ao seu lado? - Respirei fundo e me joguei com tudo no sofá. Meus músculos se relaxaram automaticamente. Sem perceber, outra lágrima solitária desceu por meu rosto.
- Acho que isso não desrespeita a você e a ninguém, somente a mim. Eu estou cansado de você me infernizando, eu estou cansado das suas chantagens de merda e eu quero que você vá pro inferno. Abrace todos seus parentes de lá de baixo. - Escutei a pessoa gargalhar alto, como se alguém estivesse fazendo cocégas em seu pé.
- , acho melhor você tomar um pouquinho mais de juízo e falar direito comigo. Porque você sabe o que eu posso fazer com ela e você sabe que eu não vou pensar duas vezes antes de matá-la. - Respirei fundo, tentando contrar um pouco minha raiva e mal-humor. - Se eu fosse você, parava de ficar chorando as magoas e ficava de vez com alguém que pode te fazer muito feliz. - Senti minha cabeça começar a latejar ao relembrar as palavras que tinha dito.
- Talvez você tenha razão, mas sério, eu vou desligar. O dia não está sendo bom pra mim, como provavelmente tá sendo para você. - Escutei alguma coisa parecida com "não está sendo nada divertido" e respirei fundo. - Se você quer rir da minha cara, fique a vontade. Mas não hoje porque eu realmente não tô com saco pra aguentar ninguém. - Sem esperar alguma resposta coerente, desliguei o celular e o taquei longe com toda a força que eu tinha. Pude vê-lo se chocar contra a parede e partir em pedaços. Ótimo, agora aquele ser não tinha meu número e não ficaria me infernizando.
Fiquei encarando o teto como se fosse a coisa mais interessante do universo e estava perdido em meus pensamentos. Talvez devesse pedir desculpa por ser um idiota e jogado nossa amizade, que aos poucos estava reconquistando no lixo, por ficar forçando a barra em uma luta que já estava pedida. É, talvez realmente devesse fazer isso, mas não vou fazer agora. Nós dois precisamos ficar um pouco sozinhos, pensando nas nossas vidas e nas coisas que estavam acontecendo. Ela tinha que pensar um pouco sobre a minha presença em sua vida novamente e eu precisava pensar em seu noivado. Teria que me acostumar com essa história, se não eu iria sofrer ainda mais. Aos poucos, meus olhos foi pesando e logo em seguida adormeci no sofá.
Ela estava deslumbrante com aquele vestido de noiva. A felicidade que seu rosto passava, me deixava ainda mais encantado. Segurava seu buquê de lírios com uma segurança invejável para qualquer mulher que estivesse em seu lugar. Seus olhos brilhavam como se aquele fosse o dia mais feliz da sua vida e com certeza seria.
Olhei para mim mesmo podendo ver que eu estava vestindo terno preto, camisa social branca e uma gravata prateada. Esperava ansiosamente para que ela chegasse perto de mim logo, eu queria senti-la ao meu lado e queria ver seu sorriso pra mim. andava de braços dados com ela e ele se demonstrava bem orgulhoso, como se fosse um irmão mais velho levando sua irmã caçula para o altar.
Minhas mãos transpiravam, minhas pernas estavam bambas e cada passo que ela dava era como diminuisse a tortura. Ela foi se aproximando mais e pude ver seu sorriso infantil nos lábios que tanto me atraíam, que eu tanto gostava beijar. Seu pescoço e ombros estavam desnudos por causa do tomara que caia do vestido. Eu podia jurar que ela tinha saído de uma história infantil da Disney, onde as princesas usavam aqueles vestidos lindos. Talvez podia até afirmar que ela estava mais bonita que qualquer uma delas. Ela foi reduzindo os passos e lentamente fui me aproximando dela, escutando uma voz conhecida atrás de mim mandando eu parar de fazer o que pretendia fazer.
Olhei para o dono da voz e vi com um olhar como se estivesse se perguntando o que diabos eu ia fazer. Meus músculos travaram, impedindo com que eu desse algum passo em direção a e pude ver com aquele sorriso que eu devia estar alguns segundos antes andar até ela, depositando um beijo em sua testa.
ignorava minha presença e senti um braço cruzar no meu e alguém depositar um beijo em minha bochecha direita. Olhei para a pessoa que estava ali, ao meu lado, e vi Claire com um vestido que parecia querer competir com o da noiva. Minha pequena estava feliz e radiante, com outra pessoa no lugar que devia ser meu.
- , você aceita como sua legítima esposa? - Eu queria gritar para que o padre parasse, mas minha voz não saía. Escutei-o dizer "aceito" e olhar com um sorriso maravilhado em seus lábios. - Se alguém tiver alguma coisa contra essa união, fale agora ou cale-se para sempre. - Tentei novamente falar, tentei gritar mais minha voz não saia. Olhei para Claire e agora ela estava de braços dados com . Era como se eu não estivesse ali, era como se eu não existisse. Eu só estava sendo obrigado a ver a mulher que amo, se casando com outro, mas eu não podia fazer nada para impedí-la de fazer isso. Eu não conseguia, ao menos, falar que a amava e que largava tudo que tinha construido para ficar com ela. foi se aproximando aos poucos do rosto de e então selou seus lábios nos deles. Foi então que eu soube, tinha perdido de vez a minha pequena.
Uma claridade invadiu a sala, fazendo com que eu abrisse os olhos um pouco encomodado com isso. Olhei para o relógio e vi que era quase dez horas da manhã. Cocei meus olhos, bocejando em seguida. Me levantei do sofá, sentindo uma dor em meu pescoço e fui andando em direção ao banheiro tirando minha roupa no caminho do mesmo.
Entrei no box e liguei o chuveiro. A água gelada relaxaram meus musculos. Joguei minha cabeça pra trás e fechei meus olhos com força. Estava um pouco mais calmo hoje e ainda teria que ir numa loja comprar um celular novo. Sai do banho e começava a me sentir um pouco renovado, mas ao mesmo tempo quebrado.
Coloquei uma roupa qualquer, não estava muito preocupado com a minha aparência. Pra falar a verdade, hoje o mundo podia acabar que eu não me importava nem um pouco. Terminei de calçar meus tênis, peguei minha carteira e as chaves do carro, apertei o botão do elevador e esperei. O elevador estava parado no andar de cima e meu coração bateu forte contra meu peito. As portas se abriram e um alivio correu meu corpo ao ver que era que estava lá dentro. Balancei a cabeça, em sinal de cumprimento e ele imitou meu gesto.
- Cara, ontem a gente nem viu você indo embora. - Era tudo que eu esperava pra começar meu dia. Eu ter que inventar uma mentira para por ter saído cedo da festa dos noivos felizes. Meu cérebro trabalhava rápido, já que eu precisava de uma desculpa boa que ele não percebesse que estava mentindo.
- Eu me senti mal, ai eu fui embora. Estou indo ao médico agora. - Acho que forcei um pouco ao falando do médico. Mas o que eu podia fazer? Eu sou um péssimo ator e por isso quanto mais convincente, melhor. De canto de olho o vi assentir e respirou fundo.
- também não se sentiu bem ontem. Disse que tava tonta e enjoada. - Tonta e enjoada. para variar bebeu demais e ficou assim. - Mas hoje ela acordou um pouco melhor, só que com o rosto inchado, como se tivesse chorado a noite toda. Tô preocupada com ela, acredita que não dormiu no quarto com e prefiriu ficar no quarto de hospedes, como sempre faz quando está brigada com ele? Não que isso seja problema, mas era aniversário de namoro deles. - Informação demais, informação desnecessária. Me mantive em silêncio, escutando-o tagarelar até sairmos do elevador e andarmos em direção ao estacionamento. - nem vai treinar hoje pra poder cuidar dela. - Mordi meu lábio inferior e parei perto do carro.
- Deve ser porque ela bebeu muito, . A é assim mesmo, ela e bebida é uma péssima combinação. Avisa pro pra dar bastante café pra ela, que o enjoô passa e dê alguma coisa salgada que a tontura passa. - Ele assentiu. Eu entrei no carro e bati a porta com um pouco mais de força que necessário e dei partida em direção a loja.
Flashback - off
Tinha escurecido a algum tempo e olhei para todas as minhas fotos que estavam jogadas no chão. Minhas memórias com , todas ali, registradas e espalhadas no chão. As lágrimas embaçavam minha visão, assim como podia ser o efeito da bebida também. Tinha bebido muito além da conta, minhas roupas sociais fediam a álcool, mas eu não estava me importando.
Olhando aquelas fotos, eu tentava me decidir se iria ou não aparecer de surpresa naquela festa para vê-la e tentar fazer com que ela me escutasse. Meu olhar estava fixo naquela foto que estava na minha cabeceira e abri um sorriso de lado. Respirei fundo e olhando para o relógio, vendo que eram meia noite em ponto. Peguei as chaves do carro e fui em direção à garagem.
Pisei fundo no acelerador do carro e não me importei com a velocidade exagerada. Dirigi em direção ao sítio onde seria o casamento que era um pouco afastado da cidade. Por mais que a festa fosse longe, eu cheguei muito rápido. Na entrada estava lotado de fotógrafos tentando conseguir uma mísera foto para uma revista de fofoca.
Entrei com o carro e estacionei-o de qualquer maneira. Podia ver vários seguranças fechando o portão e ficando ali, protegendo o local. Sai do carro e fui em direção à música alta que tocava. Parei perto da festa, vendo pessoas conhecidas e desconhecidas, rindo e falando qualquer coisa que não me interessava no momento.
Vi um grande telão, passando foto dos dois juntos e meu coração novamente apertou-se contra meu peito. Senti uma lágrima escorrendo por meu rosto e respirei fundo. Não devia chorar naquele lugar, não na frente daquelas pessoas. Vi me aproximando de mim, um pouco alterado por causa do álcool e passou o braço por meu ombro.
- Fala, . Achei que você não viria. - Escutei sua voz um pouco mais alta que o normal. Ele mal estava conseguindo se manter em pé e se apoiava em mim. - A ficou te procurando, achando que você ia vir e ficou chateada por não te ver. - Ele falou baixinho como se contasse um segredo.
- Cadê ela, ? - Perguntei um pouco alto e ele deu ombros. Olhei ao redor, procurando-a mas nenhum sinal dela nem de . Respirei fundo e deixei no lugar que ele estava e fui andando sem direção. Parei, sentando-me na espreguiçadeira que ficava perto da piscina. Uma música conhecida invadiu meus ouvidos e eu bufei ao reconhecê-la.
Hey girl, is he everything you wanted in a man?
Ei, garota. Ele é tudo o que você quer em um homem?
You know I gave you the world
Você sabe, eu te dei o mundo
You had me in the palm of your hand
Você me tem na palma de sua mão
So, why the love went away?
Então, por que o amor foi embora?
I just can't seem to understand
Eu apenas não consigo entender
Thought it was me and you, baby
Pensei que fosse eu e você, amor
Me and you until the end
Eu e você até o fim
But I guess I was wrong
Mas eu acho que estava errado
Soltei uma risada sem humor e depois de um mês, eu pude escutar a voz dela em minha mente dizendo: "Ele é muito melhor que você. Ele é a pessoa que me faz feliz, até você voltar pra minha vida sem permissão e deixá- la de cabeça pra baixo. Eu não sinto falta do que nós tivemos e eu tenho que te agradecer por ter me traído a alguns anos atrás, porque se não eu estaria hoje ao seu lado, infeliz, e não teria conhecido ." E eu tinha prometido que ia deixá- la em paz e agora ela estava casada. Ela seria a nova senhora Lima e iria construir uma família com outro cara.
Don't wanna think about it
Não quero pensar nisso
Don't wanna talk about it
Não quero falar sobre isso
I'm just so sick about it
Eu estou apenas cansado disso
I can't believe it's ending this way
Eu não posso acreditar que isso tá acabando assim
Just so confused about it
Estou tão confuso
Feeling the blues about it
Estou tão triste
I just can't do without ya
Eu apenas não posso viver sem você
Tell me is this fair
Me diga se isso é justo
Is this the way it's really going down?
É dessa maneira que vai acabar?
Is this how we say goodbye?
É assim que vamos dizer adeus?
Should've known better when you came around
Eu devia ter desconfiado quando você apareceu
That you were gonna make me cry
Que você iria me fazer chorar
It's breaking my heart to watch you run around
Meu coração está sendo quebrado, assistindo você ir embora
'Cause I know that you're living a lie
Porque eu sei que você está vivendo uma mentira
But that's ok, baby
Mas tudo bem, amor
'Cause in time you will find
Porque com o tempo você verá
As lágrimas desciam em meu rosto e eu não conseguia me controlar. As lágrimas desciam contra a minha vontade. Um soluço alto e desesperado saiu por minha garganta. Fechei meus olhos e eu podia jurar que conseguia sentir seu cheiro ali. Respirei fundo, sentindo meus musculos relaxarem ao sentir aquele cheiro.
- Achei que você não fosse vir. - Me mantive de olhos fechados, escutando sua voz doce. - Fico feliz por ter vindo, muito feliz mesmo. - Sorri, sentindo o toque gelado de suas mãos em contato com a minha pele quente. - Eu achei que não ia te ver no dia mais importante da minha vida. - Senti seus lábios tocarem minha bochecha direita, próximo a minha boca.
- Eu nunca vou deixar de te ver, . Eu te amo, eu amo pra sempre. Eu quero que você seja minha, pede para anularem esse casamento. Nós temos muitas coisas para falar um com o outro, várias verdades para ser dita. - Respirei fundo e toquei suas mãos delicadas.
Now Girl, I remember everything that you claimed
Agora garota, eu me lembro tudo o que você afirmou
You said that you were moving on now
Você disse que você estaria seguindo em frente agora
Maybe I should do the same
Talvez eu devesse fazer o mesmo
The funny thing about that is
O engraçado nisso é que
I was ready to give you my name
Eu estava pronto pra te dar meu nome
Thought it was me and you baby
Pensei que fosse eu e você, amor
And now, it's all just a shame
E agora, é tudo uma vergonha
That I guess I was wrong
E agora eu acho que estava errado
Don't wanna think about it
Não quero pensar nisso
Don't wanna talk about it
Não quero falar sobre isso
I'm just so sick about it
Eu estou apenas cansado disso
I can't believe it's ending this way
Eu não posso acreditar que isso tá acabando assim
Just so confused about it
Estou tão confuso
Feeling the blues about it
Estou tão triste
I just can't do without ya
Eu apenas não posso viver sem você
Tell me is this fair
Me diga se isso é justo
- Não há tempo para verdades e mentiras, . Eu vou continuar te amando para o resto da minha vida, meu coração é seu e meu amor é só seu. - Senti-a depositar um beijo no meu queixo e meu corpo inteiro de arrepiou. Puxei-a pelos braços e a beijei com vontade. Aquilo, no entanto, era proibido mas era mais divertido. A sensação de que algum convidado, ou até o noivo apareceria ali para poder procurá- la e iria presenciar uma cena um tanto calorosa demais.
- Há tempo para tudo, se você quiser. Isso tudo só depende de você, só depende de você largar e ficar comigo. - Ela estava sentada em minhas pernas e eu mantia meus olhos fechados. Eu não precisaria olhar para ela, talvez tivesse medo de que acabasse com a magia do momento. Apenas senti-la era bom pra mim.
- Eu te amo, meu pequeno príncipe. A cada dia que passa, esse sentimento aumenta mais dentro do meu peito. Eu tenho vontade de gritar pra todo mundo ouvir o quanto eu te amo, mas mesmo se eu gritasse eles não saberiam a intensidade do meu amor. - Cruzei minhas mãos em sua cintura e ela passou os braços em meu pescoço. Sua respiração falha batia em meu pescoço, deixando os pêlos da minha nuca arrepiados.
- Então, grita. - Pedi, escutando-a gargalhar. Senti-a se soltar de meus braços e respirar fundo, ainda rindo. Não consegui me controlar e gargalhei somente de escutar sua risada gostosa. - ENTÃO GRITA. GRITA QUE VOCÊ ME AMA, DA MESMA FORMA QUE EU AMO VOCÊ. - Senti seu cheiro ainda mais forte e coloquei minhas mãos em seu rosto.
- EU TE AMO, . EU TE AMO COMO NUNCA AMEI NINGUÉM. - Escutei-a gritar ainda mais alto do que quando eu gritei. Meu coração batia aceleradamente em meu peito e minhas pernas estavam bambas como se fossem vara em meio ao vendaval.
Abri meus olhos, a fim de ver seus olhos e não encontrei ninguém. Franzi minha testa e procurei-a em todos os lugares que meu campo de visão podia alcançar, mas não conheci achá-la. Nem ao menos sentir seu cheiro da mesma forma que eu senti antes. Era apenas uma alucinação, ela não estava ali e ela nunca tinha falado aquelas palavras pra mim.
Décimo Primeiro
(Coloque pra carregar e dê play quando aparecer a letra)
Cada minuto que passava, eu ficava mais nervosa. A quantidade de pessoas bêbadas sendo rebocadas do salão de festa, me deixou um pouco assustada. A música continuava a tocar, mas dessa vez um pouco mais baixo. estava desmaiado em cima do palco e se despedia de alguém. Respirei fundo, andei em direção ao meu marido, abraçando sua cintura.
- Vou andar e ver se tem alguém desmaiado perto da piscina, depois vou falar com os seguranças pra tirarem de lá. Já volto. - Dei um beijo em sua testa e fui em direção à área da piscina, escutando a música ficar cada vez mais distante. Quando ia passando numa espécie de portãozinho, meus passos foram perdendo a velocidade e escutei soluços altos.
- Por que você teve que casar, ? Por que você teve que me deixar de lado pra ficar com ? Que saco, garota, eu sinto tanto sua falta. - Encarei o rosto de e suas lágrimas banhavam seu rosto perfeito. Ele não sabia que eu estava ali. Eu estava um pouco surpresa por encontrá-lo.
- ? O que você tá fazendo aqui? - Perguntei baixinho. Ele abriu os olhos e seus olhos sem brilho me encararam. - Digo, você falou que não viria, é uma surpresa te ver aqui. Que horas você chegou? Você tá muito tempo aqui? - Não conseguia controlar minhas palavras. Franzi minha testa, encarando-o nos olhos.
- Eu vim pra te ver, pra tentar impedir seu casamento. Mas acho que cheguei um pouco tarde. - Sua voz rouca, fez com que meu corpo se arrepiasse. Abracei meu corpo, numa tentativa inútil de não sentir frio nas partes desnudas do meu corpo. Ele tirou o terno, que só agora pude perceber que ele estava vestindo e me entregou.
- Vem, , preciso te tirar daqui. - Passei meus braços por sua cintura e ele passou os braços por meus ombros. Começamos a andar em direção ao quarto em que estava e por sorte, tinha uma cama sobrando. tentava não jogar todo o peso de seu corpo em mim, até porque seria um pouco difícil conseguir aguentar. Demoramos em cerca de dez minutos para que, finalmente, chegássemos em frente ao quarto. Com dificuldade, abri a porta do quarto e levei até a cama que estava lá.
Coloquei-o deitado na mesma com delicadeza e tirei sua roupa, deixando-o somente de boxers. Sentei-me na beirada da cama e fiquei encarando seu rosto. tentava falar alguma coisa, mas não falava nada. Mordi meu lábio inferior e pedi para que ele não saísse dali, que eu já voltaria. Ele somente fechou os olhos e ficou quieto. Rapidamente, voltei ao salão, encontrando levantando e andei em sua direção.
- , leve para o seu quarto. tá está desmaiado no quarto do . - Automaticamente, parou de andar e ficou me encarando mais sério que o normal. - Depois que você colocar no banho, você pode fazer isso com ? Sabe como é, ele é pesado demais para eu conseguir carregá-lo. - Mordi meu lábio inferior, olhando-o com inocência e ele bufou, balançando a cabeça lentamente como se discordasse com a minha atitude. Saiu do meu campo de visão e eu respirei fundo. devia estar me xingando de tudo quanto é nome, porque eu estava, tecnicamente, acabando com a nossa noite de núpcias.
Fui em direção ao meu quarto, colocando uma roupa mais confortável e me livrando daquele vestido. Em poucos segundos, eu já estava no quarto de , onde estava sentado na cama, olhando para baixo. O barulho no banheiro, fez com que eu percebesse que tinha levado para o quarto dele.
Não demorou muito e apareceu com uma cara enfezada, logo em seguida, jogando na cama dele. Encolhi-me ao ver o olhar duro dele em cima de mim, ele pegou - com mais força que o necessário - pelo braço e levou-o até o banheiro, enquanto tentava acompanhar os passos de . Sentei-me ao lado de , e comecei a pentear seus cabelos molhados.
tacou com raiva na cama em que ele estava antes e ele fez uma cara de enjoô. Respirei fundo e fui para o lado dele, passei a mão pelos seus cabelos molhados. Ele levou a mão na boca, como se quisesse vomitar. Me levantei rapidamente, segurando-o pelo braço com menos força que o tinha usado e levei-o até o banheiro. ajoelhou em frente ao vaso e abaixou a cabeça. Com a mão, pediu para que eu saísse, mas minha única atitude foi colocar a mão em sua testa, como minha mãe costumava a fazer quando eu era criança.
Quando terminou de colocar tudo pra fora e se levantou com um pouco de dificuldade, ajudei-o andar até a pia para poder lavar a boca. Voltei para o quarto e coloquei na cama, olhei para a porta aberta e pude ver que nem e estavam no quarto. Respirei fundo e sentei-me na beira da cama de . Encarei seu rosto com ternura, aquele rosto me fazia tanta falta.
Once upon a time
Era uma vez,
I believe it was a Tuesday
Eu acho que era uma Terça - feira
When I caught your eye
Quando eu chamei sua atenção,
We caught onto something
Nós percebemos algo
I hold onto the night
Eu me agarrei à noite
You looked me in the eye
Você olhou nos meus olhos
And told me you loved me
E me disse que me amava
Minha mão foi parar em seu rosto, enquanto eu começava a fazer um carinho quase involuntário ali. Fechei meus olhos, sentindo seu toque mais recente em minhas coxas, como se ele estivesse fazendo aquele carinho. Sentia sua respiração batendo em minha boca e uma lágrima desceu por meu rosto.
Um clarão invadiu o quarto e o barulho denunciou que ia chover. Respirei fundo, abri meus olhos e fiquei encarando seu rosto sereno. Como eu senti falta daquele rosto, e agora que eu o tinha por perto novamente, eu teria que evitar o dono daquele rosto infantil.
A respiração de estava calma, seu peito subia e descia tranquilamente. O barulho de água caindo, denunciou a chuva do lado de fora do quarto. Por que tudo tinha que ter acabado do jeito que acabou? Por que eu ainda tinha que me sentir daquela forma sempre que o via?
Were you just kidding?
Você estava só brincando?
Cause it seems to me
Porque me parece
This thing is breaking down
Que algo está se partindo
We almost never speak
Nós quase nunca nos falamos
I don't feel welcome anymore
Eu não me sinto mais bem-vinda
Baby what happened
Amor, o que aconteceu?
Please tell me cause one second it was perfect
Por favor, me diga, porque há um segundo estava tudo perfeito
Now you're halfway out the door
Agora você já está a meio caminho da porta
Todos os momentos, todas as tentativas de me reconquistar se passaram como um flash na minha cabeça. Todos os momentos que ele dissera "eu te amo", se repetiam de diferentes formas, como se fosse um disco arranhando. O ar parecia estar fugindo dos meus pulmões e nó fechando minha garganta.
Agora aquela história tinha finalmente chegado ao fim, da forma mais assustadora e triste do mundo. Eu pertencia a outra pessoa, minha fidelidade era com . Eu me sentia tola, me sentia uma completa idiota por estar me sentindo daquela maneira.
Eu queria saber quando ele tinha chegado ali, sendo que ele tinha falado com todas as letras que não ia vir hoje. Vi seus olhos tentando se abrirem e abri um sorriso de lado, sentindo meu coração acelerado como sempre ficava quando ficava naquela distância de .
- Me perdoa por estar estragando sua noite de núpcias? - Sua voz rouca fez com que eu risse baixinho e afirmei com a cabeça, segurando minha vontade de chorar e falar que eu o amava com todas as forças do meu corpo. Eu tenho que me afastar disso tudo, agora eu sou uma mulher casada.
And I stare at the phone
E eu olho para o telefone,
He still hasn't called
Ele ainda não ligou
And you feel so low you can't feel nothing at all
E você se sente tão fraca, que não consegue sentir mais nada
And you flashback to when he said
E você relembra quando ele falou
Forever and always
"Sempre e pra sempre"
pegou sua calça que estava dobrada ao lado dele, vasculhou os bolso e tirou de lá a aliança dele. Um soluço desesperado saiu por minha garganta, quando ele abriu minhas mãos e depositou-a nelas. Segurei a aliança com tanta delicadeza e olhei dentro dela, a mesma coisa que estava gravado na minha que estava dentro da minha caixinha ". Always be mine" .
Ele estava forçando demais minhas memórias que estavam adormecidas, o momento de quando ele me entregou a aliança de presente de aniversário, pois ele alegou que não tinha dinheiro o bastante para me dar uma coisa mais bonita. Mas quando eu abri um sorriso para ele, falando que aquele era o melhor presente que qualquer pessoa podia ter me dado ele abriu um sorriso e falou "Eu te amo, minha pequena. Eu vou te amar na última batida do meu coração, no meu último suspiro, eu vou te amar sempre e pra sempre."
Oh, and it rains in your bedroom, everything is wrong
Oh, e chove em seu quarto, tudo está errado
It rains when you're here and it rains when you're gone
Chove quando você está aqui e chove quando você se vai
Cause I was there when you said
Porque eu estive lá quando você disse
Forever and always
"Sempre e pra sempre"
- Eu não estou te deixando de lado por causa do , . - Murmurei sabendo que ele não ia escutar. - Eu só estou tentando seguir minha vida, sem você. Eu não quero sofrer, não quero sentir mais nada por você. Mas cada dia que passa, é como se o laço que nós temos ficasse cada vez mais firme. Eu achava que era feliz com , até você entrar novamente em minha vida. E olha onde eu estou, no dia do meu casamento, cuidando de você. Você foi a coisa mais importante que aconteceu na minha vida, mas agora não pode ser mais. - Encostei minhas mãos nas suas e respirei fundo, sentindo meus braços se arrepiando. A chuva ficava cada vez mais forte lá fora, o vento fazia que o quarto ficasse molhado. Mas não ia levantar e fechar a janela. Não ia sair do lado de .
- Você teve fugindo tanto de mim, . Às vezes chego pensar que tudo que você sentia por mim desceu pelo ralo. Mas algo, bem aqui no fundo, sempre me diz que você continua sendo minha, da mesma forma que eu continuo sendo só seu. - Outra lágrima desceu por meu rosto e eu respirei fundo.
- Eu venho fugido de você com medo de me entregar novamente e sofrer. Tudo que eu sentia por você, anos atrás, nunca me abandonou, apenas ficou adormecido dentro de mim. Já não posso dizer que eu continuo sendo sua, porque hoje eu pertenço a outro alguém. - Falei baixo demais para que ele pudesse escutar. E isso era bom. Era como se eu tivesse desabafando com ele, sem que ele pudesse me escutar.
- O que aconteceu com a gente, ? Por que nós nos tornamos assim, tão idiotas ao ponto de negarmos o que sentimos? Se você ao menos descobrisse a verdade, talvez você conseguisse entender meu lado e pararia de me julgar como tem feito, ou talvez até pararia de negar a si mesma que continua me amando. - Soltei suas mãos e me levantei, para observar o lado de fora do quarto.
Was I out of line? Did I say something way too honest?
Eu estava fora da linha? Eu disse algo honesto demais?
Did you run and hide like a scared little boy?
Você fugiu e se escondeu como um garotinho com medo?
I looked into your eyes, thought I knew you for a minute
Eu olhei em seus olhos, por um minuto, pensei que eu te conhecia
Now I'm not so sure
Agora eu não tenho tanta certeza
So heres to everything
Então, aqui está o meu tudo
Coming down to nothing
Que está se transformando em nada
Heres to silence
Aqui está o silêncio
That cuts me to the core
Que me fere tão fundo
Where is this going?
Aonde isso vai parar?
Thought I knew for a minute but I don't anymore
Por um minuto, pensei que eu soubesse, mas agora não sei mais
- Eu fui um garotinho medroso quando eu vim pra cá, . Eu fiz coisas que me arrependo e que se eu tivesse a oportunidade, eu voltaria atrás de mudaria tudo. Você ainda seria minha e se hoje você realmente tivesse se casando, o noivo seria eu. - Observei as pessoas que corriam debaixo da chuva, procurando um lugar que pudessem estar a salvo. Vi a chuva molhando a grama, deixando com o cheiro de mato molhado do jeito que eu gostava de sentir. - Eu não esqueci os seus gostos, eu mantenho os mesmo hábitos de quando nós estávamos juntos. Eu continuo te amando tanto e queria que você entendesse que isso é maior que eu e você juntos. Nós somos a moral da história, . - Abaixei a cabeça, sentindo as gotas da chuva umedecerem meu rosto.
- E eu fui uma garotinha orgulhosa quando eu resolvi deixar você terminar. Era pra eu ter engolido meu orgulho pelo menos uma vez e pedir pra você ficar comigo. Só eu sei o que eu passei, o que eu sofri e o quanto eu quis você ali, ao meu lado. Como eu queria que você falasse que aquilo era apenas uma brincadeira e que você não estava terminando comigo.
And I stare at the phone
E eu olho para o telefone,
He still hasn't called
Ele ainda não ligou
And you feel so low you can't feel nothing at all
E você se sente tão fraca, que não consegue sentir mais nada
And you flashback to when he said
E você relembra quando ele falou
Forever and always
"Sempre e pra sempre"
Oh, and it rains in your bedroom, everything is wrong
Oh, e chove em seu quarto, tudo está errado
It rains when you're here and it rains when you're gone
Chove quando você está aqui e chove quando você se vai
Cause I was there when you said
Porque eu estive lá quando você disse
Forever and always
"Sempre e pra sempre"
- Eu não quis dizer aquelas coisas, sabe? Você nunca empatou a minha vida, eu nunca tive um relacionamento enquanto estava com você. Eu fui obrigado a fazer isso, eu fiz isso pelo seu bem. Você não entenderia, eu fiz isso pensando em você, pra te proteger. - Um soluço alto saiu por minha garganta e eu respirei fundo. - Eu juro que um dia eu vou te contar essa história. Talvez quando eu estiver num estado melhor, a história é muito longa e... - Ele respirou fundo e ficou quieto.
- Eu acredito em você, eu sempre vou acreditar e confiar em você. Eu te conheço o bastante pra saber que você não faria aquilo comigo. Não seria você se fizesse. - Ri sem humor. Talvez eu tivesse que ouvir da boca dele que ele foi obrigado àquilo, para poder entender um pouco. - Não sei como eu posso ter sido tão burra em não ter pensado nisso antes. Mas agora, talvez seja tarde demais. - Se ele escutasse minhas palavras, ele ia falar que nunca era tarde demais. Nunca era tarde demais para pessoas que se amam ficarem juntas.
Did you mean it, baby?
Você realmente falou sério, amor?
I don't think so
Eu acho que não
Back up, baby back up
Volte, amor, volte
Did you forget everything?
Você esqueceu de tudo?
Back up, baby back up
Volte, amor, volte
Did you forget everything?
Você esqueceu de tudo?
- Será que um dia nós ficaremos juntos de novo? Eu não posso ter te perdido pra sempre, . - A voz de foi morrendo, enquanto eu prendia minha respiração. Fechei meus olhos com força, aquilo tudo estava errado. Eu estava no lugar errado, no dia e hora errados. Era pra eu estar com e não com . Por que eu simplesmente não posso deixá-lo aqui e ir curtir minha vida de casada? Por que eu simplesmente não podia agir como uma pessoa normal?
- Não sei, . Ninguém sabe responder esse tipo de pergunta. - Meu coração estava com feridas abertas ao ter essa conversa com ele. Eu acho que sou a pessoa mais masoquista do mundo, acho que sou a única que gosta de agir errado e ainda se sente bem com isso.
- Está arrependida por estar aqui comigo, enquanto seu noivo... - Respirou fundo e reformulou a frase. - Está arrependida de estar aqui comigo, enquanto seu marido está puto da vida com você? - Virei meu corpo, encarando o quarto escuro e encostando-me na parede.
- Eu não me arrependo das coisas que eu faço, . Só me arrependo do que eu não faço, talvez eu possa me arrepender de ter cuidado de você hoje, do que ter ficado com meu marido. Eu vou ter bastante tempo para curti-lo e eu preciso cuidar de você, porque em partes, eu sou responsável por você ficar assim. - Mordi meu lábio inferior, escutando-o respirar fundo.
- Então você está aqui comigo, por pena? - Neguei e olhei fixamente para o teto. - Então por que você está aqui, já que você falou como se estivesse com pena, culpa ou sei lá o que seja isso? - Fechei meus olhos e fiquei em silêncio, organizando meus pensamentos e procurando palavras pra dizer.
- Não estou aqui por pena, eu estou aqui porque eu quero. Eu estou aqui porque eu me importo, porque eu não quero te ver bêbado por minha causa. - Me aproximei lentamente da cama onde ele se encontrava e sentei-me. Afaguei seus cabelos e ele manteve os olhos fechados. - Você está melhor, meu anjo? - Mordi meu lábio inferior, esperando a resposta.
- Ao seu lado tudo fica bem, . - Senti minhas bochechas pinicarem e ele segurou a mão que não estava ocupada, levou-a até seu peito. Podia sentir seus batimentos na minha mão e um sorriso de lado formar em seu rosto. - Eu queria tanto ficar assim com você, pro resto da minha vida. - Ri baixinho e depositei um beijo em sua testa.
- , agora eu vou atrás de ver como ele tá. Talvez eu tenha ficado solteira hoje, porque sabe como é, que marido aceita que a mulher troque-o na noite de núpcias para cuidar do ex namorado? Acho que nenhum marido aceita isso. - Ele assentiu e criei forças para me levantar.
- Eu torço para que isso aconteça. - falou baixo, como se quisesse que eu não escutasse, mas não conseguiu. Me levantei, ignorando seu comentário e sai do quarto, andando em direção ao quarto que estava separado para mim e .
Abri a porta com cuidado, podendo ver a claridade do quarto e deitado na cama, com uma taça de champagne nas mãos. Mordi meu lábio inferior, sabendo que iria escutar muito desaforo e teria que ficar quieta dessa vez porque ele está com a razão. Fechei a porta e pude ver seu olhar pousar em mim.
- Olha, minha mulher lembrou que está na noite de núpcias e voltou pro marido. - Sua voz irônica fez com que eu me arrepiasse. Abaixei minha cabeça, sentindo a culpa pesar em mim. Talvez eu não devesse ter ficado tanto tempo no quarto, cuidando de . Talvez agora fosse a hora de encarar de vez meu casamento e meu marido, deixando de lado .
- Por favor, , não vamos brigar. Nós acabamos de nos casar e você tem certeza mesmo que quer fazer isso hoje? - Mordi minha boca com um pouco com força, com medo dele não aceitar meu termo. Respirei fundo e andei em sua direção, com passos incertos. Olhei para seu corpo, vendo-o vestido com a calça e blusa social, a gravata frouxa e meias. - , eu tenho o resto da minha vida pra ficar contigo, pra ser sua mulher e virar noites ao seu lado. Mas cara, é meu amigo e ele tava muito mal. - Sentei-me na cama, ao seu lado. Escutei o respirar fundo e me olhar duro.
- também estava mal, . Você por acaso perguntou como ele estava? Não, porque você só sabe ver o . Isso chega a ser irritante, essa sua mania de cuidar dele como se fosse... - Esperei sua resposta em silêncio, mas a única coisa que ele fez foi respirar fundo.
- Vamos começar de novo então? Vamos fingir que a festa acabou agora, eu vou pro meu quarto, coloco meu vestido e você me pega no colo, entrando comigo pela porta e nós curtimos nossa vida de casados? - Abri um sorriso doce, esperando que amolecesse seu coração.
- O que eu não faço por você quando você sorri assim? - Abri um sorriso, dando um pulo da cama e sai correndo em direção ao quarto em que estava. Vi colocar a taça em cima do criado mudo e fechar a porta enquanto eu corria igual uma louca no corredor. Deixei a porta escancarada e fui me despindo, logo em seguida coloquei meu vestido e quando consegui-o fechar, meu marido apareceu na porta com um sorriso de lado. Passou seus braços por meu joelho, enquanto eu envolvia seu pescoço fortemente. Seguimos para o quarto onde nós estávamos e vi o sorriso iluminar o rosto de .
Se aproximou da cama e eu olhei pra porta, podendo vê-la devidamente fechada. Depositou meu corpo em cima da cama como se eu fosse uma pena, em cima daquela cama. Se afastou, apenas pra passar a chave na porta para que ninguém entrasse e atrapalhasse nosso momento. Ele foi tirando a gravata, que só agora tinha percebido que estava arrumadinha, fazendo com que eu soltasse uma gargalhada. Tirou os sapatos e as meias e se aproximou de mim, selando nossos lábios.
Minhas mãos rápidas desabotoaram botão por botão daquela camisa irritante e joguei-a longe. Suas mãos fortes, com uma agilidade surpreendente, abriram meu vestido e se afastou para que eu pudesse ajudá-lo a tirá-lo. Meu vestido tomou o mesmo destino de sua blusa. encarava meu corpo com admiração e desejo, fazendo com que eu ficasse arrepiada somente de sentir aquele olhar.
- Eu te amo tanto, meu amor. - A voz dele fez com que um sorriso aparecesse em meu rosto e me fizesse esquecer tudo, e principalmente de .
- Eu estou muito feliz por esse dia. E me desculpa, do fundo do meu coração, por ter te deixado um pouco sozinho? - Ele me olhou com ternura e eu tinha conseguido, finalmente, quebrar um pouco o gelo do coração dele. Não demorou muito e grudou nossos lábios novamente, e nos entregamos àquela noite, sem nos importar com nada e ninguém.
Décimo Segundo
Meu corpo doía, como se eu tivesse sido atropelada por um caminhão. Uma claridade entrava no quarto e senti os braços de em torno da minha cintura. Lentamente, tirei o braço dele de minha cintura e coloquei um travesseiro no lugar.
Respirei fundo, esfregando meu rosto e fui em passos lentos em direção ao banheiro. Entrei no box e tomei uma ducha rápida, escovei meus dentes e, enrolada na toalha, voltei para o quarto. Coloquei uma lingerie, coloquei um short e uma blusinha qualquer, calcei meus chinelos e andei em direção pelos corredores.
Parei em frente à porta de um quarto e fechei meus olhos. Eu não devia fazer isso, eu não devia estar aqui. Eu precisava voltar para o quarto onde meu marido dormia tranquilamente, abraçado num travesseiro onde pensava ser eu. Automaticamente, meu punho direito bateu contra a porta. Meu coração disparou contra meu peito, mordi meu lábio inferior tentada a sair correndo daquele lugar.
- ? - Enquanto eu travava uma luta contra mim mesma, tinha esquecido que a pessoa podia abrir a porta antes disso. Fiquei sem ação e ele ficou me encarando, como se perguntasse o que diabos eu estava fazendo ali. - Entra. - Ele abriu um pouco mais a porta, dando espaço para eu entrar. Entrei e escutei-o fechar a porta, enquanto sentava na cama que estava arrumada.
- Como você está? - Escutei-o respirar fundo e se jogar na outra cama. - Eu fiquei preocupada com você a noite toda, digo, de você passar mal sozinho. - Mordi meu lábio inferior e ele deu ombros. O quarto ficou silencioso e respirei fundo.
- Eu fiquei bem, agradeço por você ter tomado conta de mim. Bom, era pra você estar com seu marido, mas você estava cuidando de mim. - Forçou um sorriso amarelo e eu fechei meus olhos, sentindo meu coração pulsando ainda mais forte contra meu peito.
- É como eu disse ontem, eu tenho bastante tempo de ficar com ele, mas você estava precisando de mim naquele momento e eu precisava fazer isso. - Abri um sorriso de lado, pensando numa maneira de chegar no assunto que eu tanto queria. Coragem, era tudo que me faltava naquele momento. - , o que você quis dizer com "eu fui obrigado a faz isso, eu fiz isso pelo seu bem. Você não entenderia, eu fiz pensando em você, pra te proteger"? Você disse que me explicaria outro dia e o outro dia chegou. - Ele arregalou os olhos e fechou os olhos com força.
- Eu não disse isso, . Você deve ter escutado demais ontem, por pensar que seu marido estava sozinho e com raiva de você. - estava pálido e não era porque tinha passado mal a noite toda. Mordi meu lábio inferior, reprimindo minha vontade de rebater.
- , eu não ouvi demais. Eu sei muito bem do que eu ouvi e, por favor, pare de agir como se eu fosse uma maluca. - Respirei fundo e fechei meus olhos. Eu precisava saber o que ele tinha que falar, não podia ficar o esperando ter a boa vontade de falar o queria.
- , agora não importa mais o que eu tinha que te falar. Não tem tanta importância. Você é casada agora e se eu te falasse, não ia fazer diferença. Você não ia largar seu marido pra voltar pra mim. - Respirou fundo e seus olhos cheios de lágrimas por um instante apertou meu coração. - Então não faz diferença alguma, você não é mais minha. - Uma lágrima desceu por meu rosto e rapidamente sequei a mesma.
- Tudo bem, não ia fazer diferença mesmo. Nada que é importante pra mim faz diferença pra você mesmo. Então, não me importo. Aliás, não sei porque eu perco meu precioso tempo aqui, tentando entender o que se passa na sua cabeça confusa. Eu, como sempre, preferi deixar de lado pra vir aqui na maior boa vontade pra saber como você estava e o que você queria falar. Então, não ligo mesmo. - Me levantei rapidamente e sai andando com passos firmes até a porta. Senti a mão forte dele segurar meu pulso, pra me impedir de sair de lá.
- Desculpa, . Mas é complexo demais, é coisa que eu venho guardando pra mim mesmo há bastante tempo e é uma longa história. - Fechei meus olhos e respirei fundo. - Se você quiser saber, precisa de bastante tempo pra eu conseguir te dizer tudo. - Assenti, soltando meu pulso de suas mãos e sentando-me na cama novamente. Ele respirou fundo e balançou a cabeça negando. - Não é assim que eu vou te contar, pequena. Como disse antes, as coisas são complexas demais. Com mais calma e menos afobação, eu juro que te conto. - Ele sentou ao meu lado e tomou meu rosto em suas mãos, fazendo carinho em minhas bochechas. - Eu queria te contar, te explicar e te pedir pra ficar. Mas tudo é tão complicado e eu tenho medo de alguém descobrir o que eu tenho a te falar, atrapalhando todos meus planos. - Os olhos dele ainda brilhavam, cheios de lágrimas. Respirei fundo e joguei minha cabeça pra trás.
- Eu só estou cansada de tentar entender o que aconteceu, . Eu passei três anos da minha vida tentando entender o motivo de você ter terminado comigo daquela forma e agora que eu estou prestes a descobrir, você fala que agora não é a hora? Me desculpa, , qual é a hora certa então? - Me levantei da cama com raiva e segui em direção a porta, dessa vez eu não fui impedida por ele.
- Você vai saber a hora certa, pequena. Só tenha paciência, está bem? Não esqueça que eu continuo te amando. - Essa segunda parte ele falou mais baixo, como se ele não quisesse que eu escutasse. Fechei a porta com raiva e fui andando em direção ao meu quarto. Numa hora dessas, já estava acordado e provavelmente procurando por mim. Me encostei na parede perto da porta do quarto onde nós tínhamos dormido e fechei meus olhos com força. Eu estava sem juízo, eu estava ficando louca a cada segundo que passava. Nem casada, saia da minha cabeça e do meu coração.
- Amor, procurei você o tempo todo. Onde você esteve? - Escutei a voz de e eu abri meus olhos rapidamente. Envolvi meus braços em seu pescoço, abraçando-o com toda a força que meu corpo tinha. Ele beijou minha testa, enquanto me apertava contra seu corpo com a mesma intensidade que eu fazia isso. - Aconteceu alguma coisa, amor? - Fiz um barulho com a boca negando, enquanto enterrava minha cabeça na curva de seu pescoço, sentindo meu corpo relaxar ao sentir seu cheiro.
- Eu só quero saber se isso é um sonho ou não. É meio inacreditável saber que eu me casei com vinte anos, que tenho um marido perfeito, que me ama com todos os meus erros. - Escutei-o soltar uma gargalhada gostosa e meu coração se apertou ainda mais. Por que eu simplesmente não conseguia tirar do meu coração e dá-lo inteiramente a ? Ele não merecia esses vacilos que eu dava, mas eu também não conseguia me controlar, era quase que automático.
- Animada pra pegar um avião e viajar por horas até a Austrália, curtir nossa lua de mel? - Fiz uma careta enquanto ele me soltava, fazendo com que ele gargalhasse. - Não superou esse medo de avião? - Mordi meu lábio inferior e olhei para os lados procurando não olhar para seu rosto para que ele risse de mim.
- Fala sério, nunca pensou na possibilidade de um avião cair? Sério, calcula a probabilidade disso e você vai me entender. - Escutei sua gargalhada alta. me abraçou forte, tirando meus pés do chão, e mordia minha bochecha com um pouco de força.
- Não sou bom em matemática, então não rola. Se você perguntar de futebol, eu juro que respondo com toda certeza, minha medrosa. - Ele foi me empurrando até o quarto, com as mãos na minha cintura e minhas mãos puxavam seus cabelos com força.
Estávamos com tudo pronto para irmos para o aeroporto. Todos os convidados nos esperavam na portam com um sorriso no rosto, menos uma pessoa. Fui abraçando uma por uma, com um sorriso forçado e finalmente chegou a hora de dar tchau pra . O sentimento que tomou conta do meu corpo foi tão estranho. Foi como se nós estivéssemos nos despedindo como anos atrás, isso era assustador.
Era como se nós estivéssemos juntos ainda, como se fossemos adolescentes de novo. Ele tinha olhos tristes e um sorriso forçado nos lábios, respirou fundo e me puxou para um abraço forte. Era como se agora eu estivesse deixando-o para seguir um sonho, que não o envolvia.
- Promete pra mim que você vai se cuidar enquanto eu estiver longe? - Minha voz suplicante fez com que ele soltasse um suspiro longo e cansado. - Por favor, me promete isso. Não quero que aconteça nada contigo. Eu não vou ficar bem do outro lado do oceano pensando que você pode fazer alguma merda, . - Ele respirou fundo e se afastou de mim, fazendo com que eu tivesse uma boa visão de seus olhos.
- Eu não posso te prometer algo que não sei se vou cumprir. - Soltei uma risada sem humor, lembrando-me de quando eu pedi para que ele prometesse que não se envolveria com ninguém, enquanto estivesse comigo e ele quebrou a promessa da pior forma. Fechei meus olhos e respirei fundo, repetindo um mantra várias vezes. - Não foi isso que eu quis dizer, . Eu nunca quebrei nenhuma promessa que eu lhe fiz, mas é que essa realmente vai ser difícil. - Olhei para cima, controlando minha vontade de estourar.
- Apenas prometa, , por mim. - Ele mordeu o lábio inferior, enquanto eu continuava esperando a resposta. - Eu não vou sair da sua frente até escutar sua promessa. - Cruzei meus braços, encarando seu rosto e ele apenas jogou a cabeça para trás e falou as palavras que eu esperava.
- Eu lhe prometo, , que não vou fazer nenhuma merda enquanto você estiver fora. - Sorri em agradecimento e o abracei forte, novamente. - Eu te prometo que vou me comportar e eu prometo que vou lhe esperar, mesmo casada. - Olhei para cima, controlando minha vontade de chorar. - Agora vá, antes que você perca o vôo e seu noivo. - Pigarreou e falou novamente. - Antes que você perca seu vôo e seu marido me mate. - Deu uma risada sem humor e me empurrou de leve.
Entrei-me no carro e virei meu corpo para poder dar uma última olhada em . Pude ver seus lábios se movendo em forma de "eu te amo". Virei-me novamente e pude ver todo mundo que acenava com entusiasmo saírem do meu campo de visão. Agora estava começando uma nova etapa da minha vida.
's POV
Let me hold you, for the last time
Deixe-me abraçá-lo, por uma última vez
It's the last chance to feel again
É a última chance de te sentir de novo
But you broke me, now I can't feel anything
Mas você me quebrou e eu não consigo sentir nada
When I love you, rings so untrue
Quando eu te amo, soa tão falso
I can't even convince myself
Eu nem consigo me convencer
When I'm speaking, It's the voice of someone else
Quando eu estou falando, é a voz de outra pessoa
Pude ver o carro sumindo do meu campo de visão e com isso, o amor da minha vida estava indo numa viagem com o marido. Minha vontade de sentar no chão, curtir a solidão e chorar igual uma criança crescia dentro de mim. Fui em direção ao quarto onde tinha cedido gentilmente para que eu pudesse dormir, peguei minhas coisas que estavam lá e fui em direção ao meu carro que estava estacionado de qualquer jeito. Essa batalha estava perdida e eu tinha perdido de vez o amor da minha vida.
Eu sabia que ela nunca mais seria a mesma depois daquela viagem, talvez ela até voltasse com um ser dentro de seu vente, coisa que eu não queria pensar muito. Pelo menos eu tinha sentido ela nos meus braços pela última vez, pude sentir sua respiração contra minha pele. Eu estava me sentindo quebrado, um verdadeiro perdedor.
Ela me viu falando que a amava, mas parecia ser outra que estava indo embora, que estava começando a construir uma família. Não parecia ser a minha , que sonhava em montar uma família comigo e seguir seus sonhos ao meu meu lado. Era outra pessoa, aquela pessoa que eu amava.
Oh, It tears me up
Isso acaba comigo
I try to hold on but it hurts too much
Eu tentei me manter firme, mas dói demais
I try to forgive but it's not enough
Eu tentei te perdoar, mas não é suficiente
To make it all okay
Para tornar tudo bem
You can't play on broken strings
Você não pode tocar em cordas quebradas
You can't feel anything
Você não consegue sentir nada
That your heart don't want to feel
Que seu coração não queira sentir
I can't tell you something that aint real
Eu não posso te dizer uma coisa que não é real
Entrei no meu apartamento, vendo-o vazio e silencioso, com o forte cheiro de álcool e uma garrafa quebrada de uísque perto da mesinha. Fechei meus olhos e respirei fundo. Por mais que o cheiro do álcool fosse bem forte, eu conseguia sentir o cheiro dela, meio fraco como se ela estive longe, como agora.
Andei em direção ao meu quarto, vendo todas as fotos nossas espalhadas, me sentei no chão podendo visualizar uma por uma. Isso estava acabando comigo, eu estava tentando me mostrar forte, mas estava doendo mais que o normal. Eu tentei perdoar essa história de casamento, mas isso não saia de minha cabeça. Eu tentava mostrar que estava tudo bem, mas não estava, aquilo era apenas uma máscara, uma mentira.
Ela amava o marido dela, mas eu estava empatando a vida dela. Era como se agora, ela que estivesse fazendo meu papel. Eu não conseguia esquecê-la, era tudo de bom que ainda sobrava em mim. Aquele amor era mais forte que minha razão, que meu corpo. Era mais forte que eu.
The truth hurts, a lie's worse
A verdade machuca, mas a mentira é pior
I cannot give anymore
Não posso oferecer mais nada
When I love you a little less than before
Quando eu te amo um pouco menos que antes
Oh, what are we doing?
O que nós estamos fazendo?
We are turning into dust
Nós estamos nos transformando em pó
Playing house in the ruins of us
Brincando de casinha em nossas ruínas
A verdade entalada na minha garganta tava me machucando. Eu tinha vontade de contar tudo pra e fazê-la esquecer de toda essa mentirada. Eu queria gritar, pra ver se aliviava a dor que rasgava meu peito. Eu não podia oferecer mais nada a ela. tinha meu amor, meu coração e minha alma, então não tenho mais nada a lhe oferecer. Nada que ela já não tenha.
Nós dois estávamos varrendo tudo para debaixo do tapete, ela por esse casamento e eu pelas mentiras. Estávamos deixando nosso amor de lado por orgulho e medo. Eu não conseguia aceitar o fato dela dividir seu coração entre e eu.
Gritei, sentindo meu corpo relaxar e as lágrimas começaram a descer por meu rosto. A dor aumentava, a cada segundo, mas não conseguia parar de gritar, de tentar aliviar essa dor. Escutei passos pelo corredor e Claire parou na porta, me encarando.
- Claire, sai daqui, eu quero ficar sozinho. - Respirei fundo, tentando me controlar. Ela soltou uma risada sem humor e andou até ficar mais próxima de mim, podendo olhar todas as fotos que estavam espalhadas do chão. Fechei meus olhos com força e logo depois a encarei.
- Sempre vai ser ela, não é, ? Sempre essa jornalistazinha de merda que vai te impedir de você se entregar pra mim de vez. Você é tão estúpido a ponto de ir ao casamento dela? Você é ridículo, . Sabe o que eu faço com essa foto? - Se abaixou, pegando a foto que ficava no criado mudo e estava jogada ali no meio das outras, pegou o isqueiro e acendeu, aproximando a foto aos poucos.
- Você é doida, Claire. - Disse, puxando a foto com um pouco de força e pegando o isqueiro dela, deixei em algum lugar deixando fora de seu alcance. - Você sabe que eu sempre vou amá-la, mas enfim, isso não te interessa, sério. Sai daqui agora, Claire. - Ela pegou uma garrafa que estava pela metade e tacou em mim com força, fazendo com que se quebrasse perto de mim. Um caco de vidro passou de raspão em mim, fazendo uma ardência no local. Olhei para meu braço e vi o sangue presente nele. Respirei fundo, andando com passos firmes em direção a ela, pegando seu braço com um pouco mais de força e fui arrastando-a até o elevador. As portas estavam abertas, então empurrei-a com força contra o mesmo. Demorou poucos segundos, até as portas se fecharem e eu voltasse a ficar sozinho, do jeito que eu tanto queria.
But we're running through the fire
Mas nós estamos correndo por meio do fogo
When there's nothing left to say
Quando não há nada a dizer
It's like chasing the very last train
É como perseguir o último trem
When we both know it's too late
Quando nós dois sabemos que é tarde demais
You can't play on broken strings
Você não pode tocar em cordas quebradas
You can't feel anything
Você não consegue sentir nada
That your heart don't want to feel
Que seu coração não queira sentir
I can't tell you something that aint real
Eu não posso te dizer uma coisa que não é real
Tudo que nós tínhamos, acabou. Acabou há muito tempo, mas parece que só eu não percebi isso. Eu não podia fazer mais nada, tudo estava perdido. Ela agora estava com o marido, entrando num avião super feliz com o casamento e eu aqui, mal e sozinho.
Qual era meu problema? Eu devia estar feliz porque a garota que eu amo estava seguindo a vida dela e estava sendo feliz. Por que eu simplesmente não conseguia ficar feliz por ela? Por que não conseguia simplesmente seguir minha vida da mesma forma que ela fez?
- Alô? - Atendi rapidamente assim que meu celular tocou. - , já que ontem você foi no casamento do e não deu pra ir pro treino. O técnico falou que é pra você chegar mais cedo segunda, porque vai pegar um pouco mais pesado contigo. Ah, e ele quer conversar alguma coisa sobre como vai ser o esquema tático do jogo, como você vai ter que jogar e tal. Tudo como ele sempre faz. - Respirei fundo e pra melhorar tudo, ainda teria que pensar na porcaria de jogo que ia ter. E um jogo muito importante pro campeonato italiano.
- Tá bom, agora eu preciso desligar. - Desliguei o celular para que ninguém mais me incomodasse. Me joguei na cama e fiquei encarando o teto como se fosse a coisa mais importante do mundo. Os últimos anos foram se passando, como um filme em minha mente e eu não queria ter que pensar nisso.
Os dias foram passando, sem muitas novidades. Eu, no meu mundinho dentro do meu apartamento, vendo o movimento das ruas pela janela do meu apartamento. Parece que até o tempo resolveu se parecer comigo. O sol tinha dado lugar a nuvens carregadas, o tempo quente da Itália deu lugar ao inverno do Brasil.
Distraidamente, olhei para meu relógio de pulso e soltei um palavrão alto. Corri pelo apartamento, procurando minhas roupas e chaves do carro. Tinha esquecido o treino e provavelmente perderia a vaga de titular no próximo jogo. Gritei, nervoso, procurando as malditas chaves do carro, achando-as em cima do balcão da cozinha.
Apertei várias vezes o botão do elevador, talvez tentando que ele subisse mais rápido. Assim que as portas do elevador se abriram, sai correndo em direção à garagem, sem ao menos parar para responder o "boa tarde" do vizinho debaixo. Desativei o alarme, entrando no carro o mais rápido que conseguia e logo comecei a dirigir em direção ao estádio.
Entrei no vestiário, tirando minha camisa e minha calça jeans. Livrei-me dos meus tênis e logo fui vestindo o uniforme e as chuteiras. Sai correndo em direção ao campo e logo pude ver meus companheiros de time já treinando. Quando me aproximei, o técnico me olhou feio e mandou eu sentar no banco, que ele ia conversar comigo. Eu estava fudido.
- Eu te mandei chegar mais cedo, não mandei? - O técnico cruzou os braços e me encarou, fazendo com que eu abaixasse minha cabeça. - Você vai ficar no banco no próximo jogo e não quero que reclame disso, apenas aceite as consequências. - Mantive minha cabeça baixa e escutava tudo o que ele dizia. Respirou fundo, enquanto eu brincava com meus dedos. - Você vai ficar até depois do treino, pra compensar o último que você não veio. Agora vai logo, antes que eu mude de idéia e não deixe você treinar. - Me levantei e corri em direção ao campo. Comecei a me alongar, enquanto alguém se aproximou e me entregou um colete. Respirei fundo, frustrado. Pela primeira vez eu tinha chegado atrasado num treino e pela primeira vez também, não ia jogar como titular do Inter de Milão.
Esse meu amor por estava acabando com a minha carreira, está acabando comigo. Na verdade, eu tô deixando minha carreira acabar por causa de um amor adolescente. Por que tudo tem que acontecer comigo? Por que simplesmente não consigo deixá-la de lado e parar de amá-la a cada segundo?
Meu corpo inteiro doía e ele pedia, clamava, implorava por descanso. Cheguei em casa, sentindo os músculos de minhas coxas e panturrilha doerem. Me joguei no sofá e fechei meus olhos com força. Minha cabeça parecia que explodiria, mas qualquer dor que meu corpo sentia, era bem menor que a dor que eu tinha no meu coração.
Sem nem ao menos me dar conta, meus olhos já estavam molhados. Soltei um grito, tentando parar de me sentir tão inútil, tão patético. Meu celular tocou e eu não me movi para atendê-lo. Eu queria manter minha mente ocupada para não pensar que a mulher da minha vida estava nos braços e carregando o sobrenome de outro, do outro lado do mundo.
Fiquei encarando o teto escuro, escutando o barulho da chuva do lado de fora. Novamente meu celular tocou, encarei a tela dele, podendo ver um número que fez com que meu coração disparasse, minhas mãos começassem a tremer. Mesmo ela em outro país, ela ainda se importava comigo?
's POV off
Esperava atentamente que ele atendesse aquela maldita ligação. Não teria tanto tempo, já que sairia do banho em poucos instantes. Meu coração batia tão forte contra meu peito, com medo do que poderia estar acontecendo com , no que ele podia estar fazendo.
- Alô? - Respirei aliviada. Sua voz rouca do outro lado da linha e meu corpo ficou arrepiado só de escutar sua voz. - ? Não era pra você estar com seu marido, ao invés de estar me ligando? - Fechei meus olhos e fechei meus olhos com força.
- Ele está no banho. Eu preciso saber como você está, . Por que não atendeu quando eu te liguei mais cedo? - Mordi meu lábio inferior com força, temendo pela resposta. Será que tinha acontecido alguma coisa com ele?
- Você espera ele entrar no banho para não saber que está me ligando? Típico. - Deu uma risada sem humor e respirei fundo. - Eu estava no treino, . Fiquei até depois porque eu fui ao seu casamento. Cheguei atrasado ao treino e perdi a vaga de titular num jogo importante. - Meu estômago revirou dentro de mim. - Mas não se preocupa, eu costumo cumprir minhas promessas. - desligou o celular e me deixou olhando o nada. Ao mesmo tempo, se aproximou de mim, somente de bermudas, passou suas mãos em minha cintura e apoiou a cabeça em meu ombro.
- O que você tá fazendo aqui sozinha? - Mordeu de leve minha orelha, fazendo com que eu me arrepiasse. - A vista desse quarto é linda, né? - Assenti em silêncio. Meu cérebro trabalhava a mil por hora e eu não prestava nenhuma atenção nas palavras de . Meu celular vibrou e encarei a tela, apertando o botão para que eu pudesse ler a mensagem.
"Eu te amo tanto, que minha alma está doente. Eu daria de tudo para que nós pudéssemos ser como antes. Sinto falta daquele tempo, sinto falta de senti-la em meus braços. Você murmurando em meu ouvido que me ama e que não vive sem mim. I'd take another chance, take a fall, take a shot for you. I need you like a heart needs a beat, but it's nothing new. xx ."
- É muita cara de pau ele te mandar uma mensagem na nossa lua de mel. - A voz incrédula de fez com que eu arregalasse meus olhos. Eu, por um segundo, tinha esquecido . Por que simplesmente não conseguia dar atenção ao meu marido e não dar tanta atenção ao ? O que tinha de errado comigo?
Décimo terceiro
Os raios de sol adentravam a janela do quarto, fazendo-me abrir os olhos, piscando-os até que se acostumasse com a claridade excessiva. Deveria ter fechado a janela.
Assim que meus olhos pararam de se incomodar com a claridade, pude perceber que estava colocando as roupas dentro da mala e não tinha percebido que eu estava acordada. Não sei quanto tempo depois - meu relógio não funciona tão bem quando eu acordo - ele percebeu que eu o observava com uma expressão de interrogação e me deu um bom dia baixinho que com muita dificuldade escutei.
- O que você tá fazendo? - Pude vê-lo respirar fundo e parar por um momento de colocar as roupas nas malas. Ele ficou encarando o chão, completamente distraído, enquanto eu esperava uma resposta.
- Eu tenho que voltar pra Milão. - Arqueei a sobrancelha, esperando uma resposta completa, mas no momento eu só ia receber aquilo mesmo. Respirei fundo, inconformada com tudo isso. Ele estava mesmo me abandonando na nossa lua de mel?
- O que aconteceu pra você precisar pra voltar pra Milão? - Continuei perguntando e novamente ele continuou colocando as roupas dentro da mala. Talvez, só assim que eu percebi, que aquele quarto tava uma verdadeira bagunça.
- Um acidente com um jogador. Ele rompeu o ligamento cruzado anterior e eu vou ter que voltar. - A única coisa que se passou pela minha cabeça foi o nome de . Dei um pulo na cama, me enrolando de qualquer jeito nos lençóis que cobriam meu corpo desnudo. Procurei meu celular por todos os cantos e disquei números conhecidos por mim. Ansiosa demais, coloquei o telefone em meu ouvido, esperando que a pessoa do outro lado da linha atendesse rápido e me dissesse que estava tudo bem. - O que você tá fazendo, ? - Virei-me encarando que me encarava sério, talvez com raiva por eu dar mais atenção ao meu celular do que ao fato de que teríamos que voltar pra Milão antes da hora. Se aproximou de mim com passos rápidos e tirou o aparelho de minhas mãos, encarando o visor com uma fúria que nunca vi em seus olhos. – Será que mesmo quando nós precisamos acabar com a nossa lua de mel, que mal começou, você não pára de pensar nele? Que saco, dá um tempo com isso. - Meu coração batia muito rápido e forte contra meu peito. A necessidade que eu sentia de escutar de que ele estava bem era maior que meu corpo.
- Eu preciso saber se ele tá bem. - Abaixei a cabeça, tentando controlar minhas emoções ou sabe-se lá o que era o que eu sentia no momento. Eu só precisava saber, não custava nada e não matava ninguém.
- Para de ficar pensando nele o tempo todo, . Se ele tá bem ou não o problema é dele. Você tem que se preocupar com seu marido e não com seu ex namorado! E pra sua informação, foi ele quem me ligou avisando que o machucou. Se você não se importa em ajudar a fazer as malas, juro que vou agradecer. - E saiu batendo os pés de raiva. A única reação que eu tive no momento foi ficar parada, meu cérebro trabalhava rápido e meus músculos estavam travados. Não sabia se sentia alivio por não ser ou desespero por ser .
O clima pesado pairava no quarto e nem uma palavra se quer foi trocada. Talvez com medo de uma 'explosão' de alguma das duas partes, mas não sei ao certo.
Pouco tempo depois nós já estávamos passando pelos portões automáticos. E pelo incrível que pareça, nenhum jornalista - ou paparazzi, como você preferir- apareceu no local. O clima continuava pesado, mas não o culpava por isso. Sabia que estava errada, mas não ia dar o braço à torcer. Afinal, eu tenho meu orgulho. E por mais errada que tivesse, não assumiria meu erro.
Assim que nos dirigimos para dentro do avião, coloquei meus fones de ouvido para que pudesse pegar no sono ou apenas para que me destraisse daquele voô de clima tenso e cansativo.
Uma música qualquer tocava, me deixando completamente alienada sobre o que acontecia ao meu redor. Tentava me recordar quando eu tinha escutado aquela música de batida familiar, mas nada vinha em mente. Desisti de fazer isso, ao me sentar na poltrona aconchegante do avião e fechar meus olhos. Aquela viagem seria longa demais...
"Nós tínhamos chegado à Milão e o diretor chefe da revista tinha me mandado direto para o jogo da Inter de Milão com o Tottenham. Assim que cheguei no estádio, a primeira pessoa em que tinha encontrado, era ele. Meu coração parecia que ia sair de dentro de mim tamanha a intensidade de seus batimentos.
Ele abriu um sorriso terno para mim e saiu correndo em minha direção. Estávamos mais ou menos à uns dez metros de distância, mas parecia que estávamos tão próximos. Aquele sorriso me deixava sem ar. Era como se eu estivesse em casa novamente. Era como se eu tinha voltado aos anos atrás, anos antes de conhecer . Corri em sua direção, como se nossas vidas dependesse disso.
Quando a distância entre nós foi diminuindo, a velocidade de nossos passos também ia diminuindo. Seus olhos brilhantes ofuscava as luzes dos refletores. Seus braços fortes cruzaram minha cintura e meus braços envolveram seu pescoço. Lentamente, fui aproximando nossas bocas até que pude sentir a textura de seus lábios macios. Aquilo só podia ser um sonho. Estava tudo tão bom pra ser verdade.
Era como se finalmente as coisas que nos atrapalhasse tivessem desistido de nós e sumido. Evaporado como uma gota de água numa chapa quente. Nosso beijo era como pessoas que faziam nado sincronizado. Sua língua massageava a minha e era bom. A saudade que sentia de fazia com que aquele beijo ficasse ainda mais intenso. Quando meus pulmões começaram a reclamar da falta de ar, me afastei, mesmo contra vontade. O sorriso que brincava em seus lábios me deixava ainda mais aliviada. Tudo finalmente estava certo. Eu estava novamente em seus braços, o lugar de onde eu não deveria ter saído.
- Senti tanto sua falta. - Senti-o me abraçar fortemente e me afastar do chão. - Eu tava sentindo tanta saudade, que nem me concentrar nos jogos eu estava conseguindo. Perdi vaga de títular, perdi penalti, cheguei atrasado em treino. Tudo porque eu queria que o tempo passasse rápido, somente para que chegasse hoje e eu pudesse tê-la em meus braços novamente. - Fechei meus olhos, sentindo culpa e ao mesmo tempo felicidade por estar ali, com ele.
- Eu não aguentava mais ficar naquele lugar. As pessoas me perguntavam como você estava, mas eu não sabia responder. Por mais que você falasse que estava bem, eu só acredito quando vejo com meus olhos. Você está muito melhor desde a última vez que eu te vi. Ficar meses longe de você é como uma tortura. - Selei nossos lábios novamente, como se tentasse diminuir a saudade que sentia em meu peito.
- Eu te amo tanto, pequena. Eu poderia gritar para todo mundo que você é só minha agora. - Um sorriso bobo estava em seus lábios, como provavelmente estaria nos meus.
- Eu te amo. - Falei baixinho no seu ouvido, sentindo seu corpo reagir diante aquelas palavras. - Eu não preciso gritar para o mundo inteiro que eu te amo. Você é o meu mundo então o resto não me importa mais. - Fechei meus olhos, apenas sentindo seu corpo perto do meu. Escutava sua respiração tranquila e sentia seus batimentos cardíacos.
- Sinto atrapalhar o casal, sei que vocês estão com saudades, mas o jogo vai começar. - Pude ver fazer uma careta e um bico. Ele era tão mimado, fofo e lindo ao mesmo tempo. Talvez fosse esse o motivo de ter me apaixonado por ele anos atrás. Seu jeito infantil e maduro ao mesmo tempo. Tudo me deixava encantada e com uma necessidade de ficar ao seu lado ainda maior.
- Vou entrar naquele campo, dar meu sangue e suor. Farei o gol mais bonito da históbia da Inter de Milão e ele será dedicado à você. Somente a você, minha pequana. - Pude ver se afastando, jento com o técnico que viera o chamar."
O jogo corria e no meu ponto de vista de quem gosta de futebol, era o melhor em campo. Um sorriso se formava em meus lábios todas as vezes que o vi fazer uma finalização. Por mais que ele não fizesse um gol nessas tentativas, podia ver que ele estava tentando cumprir sua promessa. A cada tentativa, me dava mais orgulho dele. Por seu talento nato, por honrar o título de melhor do mundo e por ele ser simplesmente o cara que fazia meu mundo parar.
Pude observá-lo driblar três jogadores do time advesário, depois mais dois e logo em seguia ele estava frente a frente com o goleiro. Num piscar de olhos a bola estava balançando a rede e a Inter de Milão estava abrindo vantagem contra o Tottenham.
veio correndo em direção onde eu estava, - na area reservada à imprensa - e me beijou. Podia sentir flashes perto de mim, mas não me importava. Quer dizer, aquilo era emocionante demais, como também podia dar algum problema pra ele.
Separei nossos lábios, e o olhei severamente. Ou pelo menos tentei. O sorriso em meus lábios diziam totalmente ao contrário. Eu estava feliz por esse simples gesto, estava feliz por estar ao lado dele."
Senti alguém chaqualhar meu corpo e resmunguei alguma coisa não muito coerente. Eu queria dormir mais, aquele sonho tava bom demais. Eu sabia que não ia poder viver momentos como aquele então não custava nada sonhar. Quando lembrei do sonho, abri meus olhos assustada. Custava sim sonhar com aquilo. Eu não podia. Coloquei minhas mãos na minha cabeça e logo depois comecei a massagear minhas têmporas.
- Teve um pesadelo? - Olhei para e neguei com a cabeça. - Quando você acorda assim é porque você teve. - Dei ombros, e respirei fundo. Meu estômago reclamou de falta de comida no mesmo instante que a aeromoça passava perto de mim. Ela me olhou, com um sorriso no rosto e me perguntou se eu queria alguma coisa.
- Qualquer coisa pra comer. - Devolvi um sorriso pra ela e meus olhos se focaram num filme que acabara de começar. Eu me recordava daquele filme, só não me lembrava de quando exatamente eu tinha visto...
A aeromoça me entregou uma bandeja, na qual eu encaixei no suporte da poltrona e continuei assistindo aquele filme. Alguns minutos após eu terminar de comer, a lembrança de muito tempo atrás me invadiu em cheio.
[Flashback on - Alguns anos atrás]
Ele havia me chamado para sair. Quão patético isso podia soar? A gente ia ir no cinema, assistir a estréia de algum filme e nós provavelmente iríamos ficar... Ok, não vou me precipitar nas minhas fantasias.
Ele era apenas um jogador da base do meu time, que a qualquer momento podia subir pro profissional. Por que eu estaria nervosa com isso? Ele era lindo, fofo e eu o ajudava em matemática. Respirei fundo, me olhando novamente no espelho para ver se tinha alguma coisa de errada com a roupa, se tava boa ou precisava de alguma coisa mais.
Eu estava perfeita pra ocasião. Talvez eu devesse deixar o nervosismo de lado, era apenas um cinema, certo? Errado. Completamente errado, porque como todas as meninas da escola, eu sentia algo bem forte por ele. Agora eu refaço minha pergunta: Quão patético isso podia soar?
Ele tinha metade das garotas da escola aos seus pés, mas logo eu que ele foi escolher pra ir ao cinema? Talvez ele tivesse fazendo isso como forma de agradecimento por eu ajudá-lo nas matérias, ou por menor que sejam as chances, ele estava a fim de mim.
Ao escutar o toque da campainha, meu coração deu um salto e começou a bater descontroladamente dentro de mim. Minhas pernas estavam bambas no momento em que abri a porta com um sorriso - patético - no rosto. Ele tinha suas mãos dentro do bolso de sua calça jeans escura, uma camisa em gola V preta com listas brancas e all star preto.
- Você tá linda. - Ele disse com um sorriso, enquanto eu abaixava minha cabeça completamente envergonha. Às vezes eu me perguntava porque diabos eu me sentia tão envergonhada perto dele. Quer dizer, não que eu seja uma sem vergonha, mas era tão estranho. Tudo que ele falava, fazia meu estômago revirar dentro de mim, meu coração bater mais rápido. E sim, tudo isso é patético.
- Obrigada. Você tá bonito. - Eu queria cavar um buraco e me enfiar lá dentro. Meu pai pigarreou atrás de mim, fazendo com que eu parasse de encarar seus olhos e desse atenção a ele, que observava a cena.
- Então, você que vai levar minha filha ao cinema? - Corrigindo, pai. Era ele que ia me levar, até o senhor começar a falar com ele. Respirei fundo, tentando controlar minha vontade de mandar meu pai ficar quieto ou a minha vontade de gritar minha mãe para que ela levasse meu pai lá pra dentro, mas eu apenas controlei. - Bom te conhecer. - Logo meu pai estava apertando a mão de . O silêncio constrangedor da minha parte e da parte de fez com que meu pai risse, como se tivesse se divertindo com a situação. - Fiquei sabendo que você joga nas divisões de base do . Então por favor, quando for para o profissional honre a camisa que você vai usar, tá certo? - assentiu e meu pai virou de costas murmurando alguma coisa como 'juízo vocês dois'.
Chegamos ao cinema e a bilheteria estava com uma fila razoalmente vazia. Era um pouco estranho ver o cinema daquele jeito, considerando o fato que os ingressos de algum filme da saga Harry Potter começando a vender. Digo, cadê os fãs loucos que enchiam a bilheteria para comprar o ingresso antecipado?
- Qual filme quer ver? - Mordi o lábio inferior observando os cartazes com atenção, até que meus olhos brilharam ao ver um com Adam Sandler na frente. Ao perceber que eu olhava fixamente para um cartaz, olhou para a mesma direção. - Como se fosse a primeira vez?
- Eu gosto dos filmes do Adam, mas se você não quiser assistir, tudo bem, eu entendo. - Abri um sorriso tímido e ele devolveu. Ficamos em silêncio até que ele comprou os bilhetes e depois fomos comprar pipoca.
Não sei se era uma irônia do destino ou alguma coisa do tipo. Mas a sala do cinema estava cheia e se nós tivéssemos que sentar em algum lugar para assistir ao filme, era na última fileira e nas cadeiras de casal. E como um cavalheiro, ele deixou com que eu passasse na frente dele e me sentasse. Respirei fundo, sentindo meu nervosismo voltar ao ver todas as luzes se apagarem. Cocei minha nuca, um pouco desconfortável.
Olhei para de canto de olho e pude perceber o nervosismo dele. Não devia ter o que tinha feito em seguida, mas foi incontrolável. Abaixei a cabeça e comecei a rir. Sim, rir. Agora me respondm, quão idiota e infantil isso poderia soar?
por um momento me olhou sem saber o porque de eu estar rindo, mas logo em seguida estava rindo junto comigo.
- Estamos iguais dois idiotas, né? - Perguntou ele, com um sorriso no rosto, e eu apenas assenti. Quando fui parando de rir aos poucos, sentindo meu abdômen doer, senti seu olhar fixo em meu rosto, como se estudasse todas minhas expressões.
Levou uma de suas mãos até meu rosto, como se estivesse limpando as lágrimas que tinham descido enquanto eu tinha um ataque de risos e aos poucos foi se aproximando com o olhar fixo em meus lábios.
Meu cérebro não trabalhava direito. Aliás, meu corpo todo estava travado. Travado até demais. Tinha esquecido como se respira, como se pisca, como se movimenta. Eu tinha esquecido de tudo.
- Se você não quiser, prometo que não vou fazer isso. - Sua voz rouca invadiu meus ouvidos, arrepiando os pêlos de minha nuca. Sua respiração estava acelerada. Sem falar nada, e como se recobrasse a consciência, selei nossos lábios rapidamente. Meu coração batia em minha garganta, mas a única coisa que eu queria era aquilo, apesar do medo de ser mais uma na mão dele.
Após ficarmos não sei quanto tempo grudados, ele se afastou um pouquinho deixando nossas testas coladas.
- Eu esperei tanto tempo por isso... Pra falar a verdade, desde o dia que te vi. - Posso falar que esse foi um momento bem clichê? Que seja. Mas eu não me importava, era ele que estava dizendo isso, nada mais interessava no momento.
[Flashback - OFF]
- , você tá bem? - Escutei me chamar e desviei minha atenção para o rosto dele. Talvez só assim eu tivesse percebido que eu chorava. Franzi a testa e respirei fundo.
- Eu tô, se me der licença... - Destravei meu cinto e rumei em direção ao banheiro, deixando completamente estupefato. Tranquei a porta da cabine e sentei-me no vaso. Aquele espaço mínimo - e fedorento - faria com que eu refletisse sobre o rumo que minha vida estava tomando. "Eu continuo te amando tanto e queria que você entendesse que isso é maior que eu e você juntos. Nós somos a moral da história,."
- Por que as coisas simplesmente não voltam ao normal? Será que é tão difícil eu seguir em frente? - Perguntei a mim mesma ao escutar o som de sua voz alta e claramente em minha cabeça. Era como se ele estivesse ali. "Sempre me diz que você continua sendo minha, da mesma forma que eu continuo sendo só seu." meus olhos ardiam bastante, era como se o choque de realidade estivesse me atingindo. Eu estava casada e estava de volta na minha vida.
"Se você ao menos descobrisse a verdade, talvez você conseguisse entender meu lado e pararia de me julgar como tem feito, ou talvez até pararia de negar a si mesma que continua me amando." Eu precisava saber aquela maldita verdade. O que era tão importante para que ele terminasse comigo? Seria algo que pudesse me magoar?
Respirando fundo, decidi que a partir daquele dia, pararia de chorar por qualquer coisa que estava relacionado àquela história, esquecer todo aquele drama e resolver tudo aquilo. Eu necessitava descobrir aquela verdade que pesava em minhas costas há anos. "Se você ao menos descobrisse a verdade, talvez você conseguisse entender meu lado e pararia de me julgar como tem feito, ou talvez até pararia de negar a si mesma que continua me amando."
Me levantei da tampa do vaso e encarei meu reflexo no espelho. Eu estava disposta para saber aquela maldita verdade que me atormentava. Passei água em meu rosto, num sinal frustrante de tirar qualquer vestígio de lágrimas.
Enquanto eu andava pelos corredores, meu cérebro trabalhava sem parar. Quando me aproximei da poltrona, vi uma aeromoça com um sorrisinho um tanto quanto pervertido no rosto falando com . Por um lado, o que eu senti foi ótimo. Eu estava com ciúmes, demonstrava que nada estava tão perdido assim, mas por outro lado, a parte que amava , não gostou nem um pouco daquilo.
Pigarreei, chamando a atenção da aeromoça que me encarou dos pés a cabeça, enquanto me encarava com um sorriso agradecido no rosto.
- Pois não? - Perguntou debochada, fazendo com que meu sangue fervesse dentro de mim. Por mais que eu fosse indecisa, quem aquela mulher pensava que era pra poder dar em cima do MEU MARIDO?
- Será que a senhora pode dar licença para que eu possa sentar ao lado do MEU MARIDO? - Perguntei focalizando nas duas últimas palavras e ela me olhou com maldade.
- Você? Esposa do jogador do Milan? Fala sério, minha querida, no mínimo ela teria que ter mais coxa que você, mais peito e mais bunda. Ela teria que ser um mulherão pra poder ficar com ele. - Controlei minha vontade de sair arrastando aquela mulher pelos cabelos loiros oxigenados e abrir a porta de emergência, tacando-a de não sei quantos metros de altura. Claro que não faria isso, porque no mínimo que aconteceria seria eu ser presa, taxada como louca, infantil e ciumenta.
- Desculpa você, querida, ele é meu marido e, por favor, licença que eu quero me sentar? Aliás, até em avião a gente não tem paz, né, amor? Marias-chuteiras te perseguem até aqui. - Falei num tom de decepção, fazendo com que ele segurasse a gargalhada e concordasse.
- Vem, amor, senta aqui. - A cara da aeromoça de taxo e perplexidade foi inesquecível. Sem ter mais o que falar e desdenhar, saiu da minha frente, deixando com que eu me sentasse ao lado de , que me abraçou e depositou um beijo em minha bochecha.
- Essa mulherzinha que não se enxerga. - E comecei a rir junto com ele, como se aquilo tivesse incomodado por muito tempo.
- Fiquei feliz por saber que você continua sentindo ciúmes. - Olhei-o com indignação, enquanto ele gargalhava mais alto. - Então tá tudo bem entre a gente de novo? - Assenti com um sorriso nos lábios. Talvez nem tudo estivesse tão bem.
Milão aparecia abaixo de nós e uma sensação de alivio percorreu todo meu corpo. Sairia mais rápido daquela altura e resolveria tudo com mais rapidez. Até pensei que seria melhor eu não apressar tanto, porque não sabia totalmente a verdade, mas seria quase impossível. A ansiedade percorria minhas veias e eu necessitava saber.
- Vamos direto ao hospital ver como o estar? - Perguntei, encarando o rosto sonolento de .
- Ele já está em casa, vamos direto pra lá ficaremos um pouquinho e vou te levar pra jantar. - Arqueei minha sobrancelha, perguntando o que diabos ele estava aprontando.
, como um cavalheiro, pegava minha mala quase sem nenhuma dificuldade, pelo menos a dificuldade dele era bem menor que a minha, enquanto seguíamos em direção ao elevador. Apertei o último andar, já que estava ocupado demais e poucos segundos de silêncio, estávamos entrando em nosso apartamento.
A sensação de estar em casa era a melhor do mundo. Vi deixar as malas no canto e seguimos em direção ao quarto de . O ar faltou em meus pulmões assim que vi a companhia dele. estava lá, sentado na poltrona ao lado da cama dele, conversando animadamente com ele. Assim que seu olhar pousou em mim, senti cada parte de meu corpo se arrepiar em resposta.
Talvez não seria tão fácil como eu tinha imaginado. Talvez a parte que amava o passado fosse maior que a parte que amava .
Décimo quarto
Música do capítulo
entrou como um furacão no quarto e começou a encher de perguntas, enquanto eu continuava sem ação, parada no mesmo lugar. Meu coração parecia que sairia pela boca, por bater rápido demais. continuava no lugar em que estava e me encarava de uma forma que fazia com que faltasse ar em meus pulmões.
- , desculpa atrapalhar sua lua me mel. - A voz de fez com que quebrasse o contato visual entre e eu. Abri um sorriso amarelo pra ele, enquanto tentava forçar minhas pernas a andar em direção a ele.
- Não tem problema, . O que importa é que você já tá bem, certo? - Sentei-me na beirada da cama, segurando forte sua mão e pude vê-lo assentir. - Quando começa a fisioterapia?
- Daqui a uma semana. - Balancei a cabeça em sinal de compreensão e comecei a fazer carinho na mão que eu segurava. O quarto ficou com um clima um pouco pesado e mordi meu lábio inferior, em sinal de nervosismo.
- , vou lá beber uma água. Tô querendo andar um pouco, ficar horas dentro de um avião é bem chato. - Escutei-o rir e assenti como se concordasse. Passei reto por , que me olhava atentamente, mas não disse nenhuma palavra.
Andei em direção à cozinha e abri a geladeira, a procura de alguma bebida. Para ter que conviver com aquilo, por menor que seja o tempo, precisava de alguma bebida alcoólica, nem que seja apenas uma cerveja.
- Lembro-me de uma vez que eu lhe disse que beber não vai fazer você fugir do que te atormenta. - Me virei em direção à voz e vi encostado no batente da porta, de braços cruzados. Ele estava completamente diferente desde a última vez que tinha o visto, e olha que não fazia muito tempo. estava mais magro e com olheiras, seu rosto estava pálido e, internamente, eu torcia para que aquilo não tivesse nada a ver comigo. Não que eu fosse egocêntrica, mas nossa última conversa não tinha sido tão agradável.
- E eu me lembro de ter entrado num ouvido e ter saído no outro. - Sorri e continuei procurando alguma coisa, mas nada. Aquela maldita geladeira só tinha água, iogurte e garrafas de suco para fazer.
- É, deu pra perceber. Você nunca foi de ouvir o que os outros têm a dizer mesmo. - Parei de tentar procurar algo e me contentei com uma água mesmo. Fechei a porta da geladeira e encarei seu rosto, que olhava atentamente.
- Pelo contrário, . Eu escuto tudo o que me dizem, mas guardo apenas coisas que me convêm. Pra você ter uma ideia de que eu escuto tudo o que me dizem, você tá me devendo explicações sobre qual foi o verdadeiro motivo de você ter terminado comigo pelo telefone. Fala sério, acha que eu ia esquecer? - Seu rosto ficou sério ao ouvir minhas palavras e eu abri um sorrisinho ao ver que tinha conseguido o atingir.
- Isso não é assunto para agora, . Quando chegar a hora certa, você vai saber, confie em mim. - Bufei enquanto virava rapidamente o conteúdo do copo. - E eu esperava que você tivesse esquecido isso. Mas pelo visto, não. - Disse mais para si mesmo que para mim.
- Já disse, , não esqueço de coisas que me convêm. - Falei encarando seu rosto e ele deu um suspiro cansado. - Eu só quero saber o motivo, só quero poder entender. - Ele se aproximou lentamente de mim e me abraçou forte. Estranhei sua atitude, mas não recusei o abraço.
- Desculpa ter estragado seu casamento. Não tinha intenção de fazer você me dar atenção, de cuidar de mim. Na verdade, não tinha menor intenção de aparecer no seu casamento. Mas foi tão mais forte que eu, que não consegui me controlar. Eu precisava ver se você estava fazendo aquilo mesmo, queria saber se caso eu tivesse aparecido você desistiria. - Meus olhos arderam ao escutar suas palavras, mas eu estava certa em continuar com a minha promessa de não chorar por nada relacionado a esse assunto. Ele encarou meu rosto e senti meu estômago gelar ao vê-lo tocar meu rosto com delicadeza.
- Eu não me arrependo de ter te ajudado, . Você sabe que sempre que precisar eu vou estar ao seu lado, mesmo que não seja a vontade do mundo. Por mais que eu esteja casada, eu estou acorrentada a você e talvez só consiga me livrar disso de vez quando eu descobrir a verdade. É apenas isso que eu peço, eu sofri demais durante anos e necessito saber qual é a verdade. - Abaixei meu rosto, numa tentativa de não fazer nada 'insano'.
- É isso que mais me encanta em você e também o que eu mais sinto falta. É a sua habilidade de fazer as coisas sem se importar com a opinião dos outros, a sua sinceridade e seu coração. - Arqueei minha sobrancelha, me perguntando sobre o que ele se referia. - , vamos combinar que eu fui muito filho da puta com você, se você não tivesse um coração bom, não conversaríamos hoje.
- , eu te desculpei não por você, mas foi por mim. Tudo o que passamos foi bom. Eu não queria ter uma lembrança ruim de você, deixar que todos os momentos bons fossem esquecidos por um momento ruim. Eu não queria "ficar de mal" com o passado. - Em seus lábios se formou um sorriso sincero e meu coração deu um salto. Talvez numa tentativa de mostrar que ele não estava parado enquanto eu mantinha um contato próximo com .
- Como eu pude ter sido um idiota e não ter pedido para você vir comigo? Não sei como eu consegui ficar tanto tempo sem a sua companhia. - Ok, ele já estava forçando demais. - Eu devia saber que outro não seria burro o suficiente e te deixar pra trás.
- Você me deixou no Brasil pra terminar os estudos, . Se eu estivesse no seu lugar, eu faria o mesmo. Mas a única coisa que eu não consigo entender é a forma que você terminou comigo, é só isso que eu passei anos querendo saber. Eu sabia que você não me trataria daquela forma, eu te conhecia melhor do que ninguém. - Fechei meus olhos, num sinal de frustração.
- Eu não mudei, , você continua me conhecendo tão bem quanto antes. - Abri um sorriso de lado e respirei fundo, esperando que ele me contasse logo tal motivo, mas sabia que ele iria me enrolar mais um pouco. - Está chegando a hora de você saber, mas como eu disse antes, isso não é assunto para agora. Algum dia, pode ter certeza, você vai ficar sabendo. - Depositou um beijo em minha testa e, sem dizer nenhuma palavra, saiu em direção ao elevador, me deixando confusa, curiosa e o pior de tudo: balançada.
Os dias se passaram sem grandes novidades. O tal jantar que tinha se referido era apenas para mostrar uma casa que ele tinha comprado para que nós pudéssemos ter maior privacidade. Há alguns dias, teve que ir para Inglaterra por conta de uma semi-final no campeonato europeu e eu não ia cobrir o jogo, então continuei em Milão mesmo.
A televisão de meu novo quarto estava ligada, passando alguma entrevista com algum jogador da Inter, mas meus pensamentos estavam fixos em um só: .
Eu tentava até me concentrar no que o jogador dizia, mas não conseguia prestar atenção, minha cabeça voava para de uma forma irritantemente boa.
- Ficamos sabendo que o aniversário de está chegando. O que vocês irão fazer esse ano? Por que eu me lembro que ano passado, enquanto ele fazia uma entrevista, vocês entraram de surpresa, cantando “parabéns” com um bolo... O que vai ser esse ano?
Então, como se dissesse as palavras mágicas, minha atenção estava focada na entrevista. O aniversário dele! O aniversário dele estava chegando. Peguei meu celular e apertei um botão para ver que dia era e percebi que o aniversário dele era amanhã.
- Nós queremos fazer algo para que ele possa sair dessa tristeza eterna em que entrou depois que a ex dele se casou. Por mais que ele tenha se afastado e se fechado com todo mundo, nós vamos tentar alguma coisa... Se ele cooperar também, porque ultimamente ele tá numa teimosia gigante.
E as palavras daquele jogador ficaram ecoando na minha cabeça. Ele tinha se afastado e se fechado com os companheiros de equipe dele depois do meu casamento. Senti meu celular vibrar em minhas mãos e encarei o visor, um pouco assustada.
- Cadê você que falou que ia me levar na fisioterapia e até agora não chegou? - . Meu Deus, eu tinha esquecido dele. Dei um pulo na minha cama e tirei minha roupa, colocando o primeiro vestido que tinha visto.
- Desculpa, eu esqueci totalmente. É muita coisa na minha cabeça, mas, enfim, tô chegando aí já. - Desliguei o celular enquanto colocava minha rasteirinha e pegava minha bolsa, pondo meu celular lá dentro. Vi um elástico de cabelo em cima da mesinha e peguei-o para me dar um ar menos desajeitado. Corri em direção à garagem, como se eu tivesse a poucos passos para ganhar a maratona de São Silvestre, e entrei no carro. Apertei o botão do controle para que o portão automático abrisse e logo estava saindo com o carro.
Pisei fundo no acelerador, sem me importar com a velocidade. Eu só precisava chegar rápido. Ultrapassei o sinal amarelo, não parei para os pedestres atravessarem e me senti a pior das motoristas.
E como previsto, em poucos minutos estava estacionando em frente ao meu antigo prédio. Logo estávamos seguindo em direção ao estádio, com um pouco mais tranqüilidade.
- Desculpa mesmo ter esquecido disso, . É tanta coisa na minha cabeça que eu tô ficando mais desligada que celular sem bateria. - Escutei-o rir e logo estava me encarando sério.
- No dia que você chego da sua lua de mel, na hora que você tava na cozinha, foi atrás? - Encarei seu rosto por alguns segundos e, em seguida, foquei minha atenção no trânsito. - Pode falar, . Você sabe que o que você disser pra mim vai ficar comigo. Não vou contar pra ninguém, eu sou seu amigo, lembra? - Respirei fundo e senti que precisava desabafar. Fazia vários meses que eu estava guardando tudo pra mim e eu começava a sentir a necessidade de desabafar com alguém.
- É, ele foi na cozinha. Nós conversamos sobre o mesmo assunto do casamento, mas ele não falou o que eu queria ouvir. - esperou que eu terminasse e falasse qual era o assunto, mas eu fiquei quieta.
- E qual era o assunto? - Eu tentei, por um momento, contar tudo para , mas não sabia, não tinha certeza de qual seria sua reação ou seu julgamento sobre isso.
- O motivo de ele ter terminado comigo daquela forma. Eu sabia que tinha algo de errado, , sabia. Ele não faria isso comigo se não tivesse alguma coisa por trás de tudo. Por anos, , anos eu venho carregando esse peso na minhas costas e isso tá prestes a ser resolvido. Eu só quero a verdade, só isso. Tudo para que eu consiga ficar em paz comigo mesma novamente. – Falei, sem ao menos parar pra respirar. Agora ele sabia e o medo dele comentar com tinha sumido.
- , o que você sente realmente por ele? - Parecia que eu estava no psicólogo, apenas pela forma como conversava comigo, como se entendesse tudo que eu falava.
- Eu tô confusa, . O que eu sinto pelo mudou muito depois que entrou na minha vida. É difícil, difícil demais. É como se a cada dia que se passasse, ele tomasse conta do meu coração, como se quisesse ficar com a maior parte ou tirar de vez de dentro dele. - Respirei fundo, sentindo meu coração apertar enquanto eu estacionava o carro em frente ao estádio.
- Você realmente quer saber da verdade? - Assenti e escutei-o respirar fundo. - Já pensou se é isso mesmo o que você quer? Já pensou no que pode mudar na sua vida caso saiba disso? Você tem que estar pronta pra escutar qualquer coisa.
- Não tinha pensado nisso, mas, , por anos eu venho querendo saber o real motivo dele ter me tratado daquela forma. Eu só quero a verdade e isso não custa nada. - Escutei-o fazer um barulho com a boca e encarei seu rosto.
- Independentemente do que for, , siga seu coração. Você sabe que eu quero muito que seja feliz, não importando com quem você esteja. Eu sou amigo do , sei que vocês tiveram uma história. Sou amigo do , sei o que vocês estão vivendo e, não importa qual for sua decisão, entre ou , pode ter certeza que eu vou apoiar. - Segurou minha mão, apertando logo em seguida, e abri um sorriso sincero em forma de agradecimento.
- Quando terminar a fisioterapia, me liga que eu venho te buscar. - Precisava finalizar aquele assunto, eu precisava esquecer.
- tá treinando agora e ele falou que vai me esperar para me levar pra casa. - Assenti e pude vê-lo sair do carro. Fiquei perdida com meus pensamentos, tentando achar algo que eu pudesse fazer para passar o dia. Por um segundo, cogitei a possibilidade de me esconder na arquibancada para assistir o treino da Inter, mas descartei, porque naquele momento, ficar vendo era minha última opção.
O dia se passou entre cochilos e comidas fáceis e rápidas de fazer. À noite, como já era de se esperar, estava sem sono e eu sabia bem o motivo. Eu estava ansiosa para que chegasse meia-noite e tentada a pegar o telefone e ligar para a meia-noite e um, como costumava fazer quando éramos mais novos. Encarei o relógio, faltavam poucos minutos e meu coração começava a bater mais forte. Não era possível que depois de anos eu ia ligar novamente como sempre fazia quando era mais nova. Há quanto tempo eu não faço isso?
(coloque a música para tocar)
's POV
Respirei fundo e virei meu copo de whisky. Eu sabia que ela não ia ligar, mas algo dentro de mim continuava a nutrir essa esperança. Talvez ela estivesse falando com o marido nessa hora, ou talvez até dormindo. Talvez ela nem ao menos se lembrasse que costumava me ligar meia-noite e um por causa do meu aniversário. Talvez pra ela, eu realmente seja o passado.
Olhei para o telefone, esperando algum sinal, mas não tocou. Olhei para o relógio, marcava meia-noite e dois. Era isso, ela tinha esquecido tudo e eu era apenas o passado pra ela.
's POV
Meu celular estava no chão, ao meu lado, e eu estava sentada no chão do closet com as minhas memórias bem ali, na minha frente. A caixa rosa tinha sido destampada para que eu arrumasse uma forma de me distrair.
Como se fosse automático, minhas mãos procuraram pela aliança que estava no canto da caixa e coloquei-a em meu dedo. Era incrível como ela continuava bem em meu dedo, como ela ainda servia e brilhava.
Peguei a mesma foto que ele mantinha na mesinha de cabeceira e toquei-a como se pudesse tocá-lo pessoalmente. Não era pra eu estar daquela forma, eu era fraca ao recorrer àquilo. Mas era mais forte que eu, eu tinha perdido o controle.
Não sabia quantos minutos tinham se passado desde que eu estava assim, não sabia o que ele estava fazendo agora. Talvez ele nem ao menos estivesse esperando que eu ligasse, talvez ele nem se lembrasse de mim agora. Ele poderia estar com os jogadores da Inter em uma boate e com várias garotas ao seu redor.
E, por um descuido, meu lado emocional tomou conta de mim e, quando vi, estava com o celular em meu ouvido, escutando chamar o número dele. Céus, eu estava tão desesperada assim?
's POV
Quinze para uma. Eu devia ir deitar na minha cama, deixar aquela garrafa de whisky e dormir. Mas não conseguia. Aquela maldita esperança ainda estava ali, me atormentando, fazendo com que eu me iludisse.
Ela devia estar dormindo, sonhando com o marido dela. Ela nem ao menos pensava em mim. Quão patético isso soava? Após algum tempo em silêncio, escutei meu celular tocando e meu coração bateu fortemente. Um calor se abrigou em meu peito. Quando fui olhar no visor, deixei de escutar o barulho. Por que eu demorei tanto para atender?
's POV
Desliguei o celular me amaldiçoando. Que saco, por que eu tinha que ser tão descontrolada e desesperada? Fechei a tampa da caixa, colocando-a no mesmo lugar em que estava antes: bem escondido.
Me joguei na cama, deixando meu celular em cima da minha barriga. Eu encarava o teto como se fosse a coisa mais interessante do mundo. Não queria e não podia fechar meus olhos, pois sei que, se fechasse, eu veria seu rosto me encarando. Meu celular vibrou e eu respirei fundo. Minhas mãos começaram a tremer e meu coração acelerou.
- Eu tava nutrindo a esperança de que você ia me ligar. - Não precisava perguntar quem era pra saber que era . Eu reconheceria sua voz no espaço se fosse possível.
- E eu ia. Mas achei que você estaria ocupado demais para me atender, já que se passaram 44 minutos da hora certa. - Mordi meu lábio inferior como se aquilo pudesse fazê-lo esquecer do que eu tinha dito.
- É bom saber que você não esqueceu isso. Fico feliz. - Me mantive em silêncio, esperando que ele falasse alguma coisa, mas apenas o silêncio me respondeu. Respirei fundo e fechei meus olhos.
- Feliz aniversário, . Tudo de bom para você, que você seja muito feliz e alcance tudo o que planeja. - Não era isso que eu queria falar, mas pelo menos a razão dessa vez ficou do meu lado.
- Eu só vou ser feliz quando a pessoa que eu amo largar o marido e ficar comigo. Só vou poder alcançar tudo que eu planejo quando eu disser a verdade a ela. - Escutei-o respirar fundo e voltei a encarar o teto.
- Então diga a ela, diga toda a verdade pra ela. - Meu coração batia rápido e ansioso. Será que ele ia me contar por telefone? Por um segundo, desejei que eu continuasse morando naquele apartamento.
- Eu tô um pouco bêbado, não é legal falar essas coisas por telefone. - Ele deu um riso sem humor e coloquei o braço em meu rosto, tapando meus olhos. - Se eu estivesse te vendo, eu juro que falaria.
- Então venha até aqui e me diga o que anda atormentando minha mente há anos. - Insano. Completamente insano aquele pedido. O que poderia acontecer se ele aparecesse na minha casa? Eu estava descontrolada e não conseguiria manter meu juízo perfeito.
- Só se você jantar comigo. - Antes que eu pudesse falar alguma coisa, ele continuou a frase. - É o que eu lhe peço de presente. Um jantar, só eu e você, como nos velhos tempos.
- Nos velhos tempos as coisas acabavam de uma forma, . Não posso prometer que acabarão do mesmo jeito, afinal nós não estamos mais juntos e eu pertenço a outra pessoa. - Pertenço porra nenhuma. A verdade era que eu sempre pertenci a ele e só agora eu conseguia acreditar. Nós tínhamos que ficar juntos. 'Nós somos a moral da história.' Escutei sua voz repetir em minha mente.
- Você não pertence a ele. Seu coração, sua mente, você por inteira, pertence a mim e sempre vai ser assim. - Eu tinha vontade de concordar com o que ele dizia, mas não podia. Eu tinha que resolver primeiro minha situação com pra depois me envolver com .
- Você vem ou não? - Perguntei impaciente e torcendo para que ele falasse 'sim, estou indo'. Mas apenas o silêncio me respondeu e nem sua respiração eu ouvia. Olhei para o visor do celular e percebi que ele tinha desligado.
's POV
Perdi as contas de quantas vezes apertei o botão daquele elevador. Como se ele fosse aparecer na minha frente como um passe de mágicas. Quando finalmente as portas abriram, apertei o botão da garagem e fechei meus olhos, tentando fazer com que o tempo passasse rápido para que eu pudesse vê-la.
O barulho das portas me despertou e sai correndo em direção ao meu carro. Logo já estava saindo daquela garagem e indo em direção a casa dela. Se pisasse mais fundo no acelerador, era capaz de furar o carro, tamanha era minha vontade de chegar rápido.
Estacionei o carro na entrada da garagem dela, o que impediria a saída com o carro, mas sabia que ela não sairia. Acionei o alarme e logo estava tocando a campainha descontroladamente. Alguns segundos até que meus olhos focaram o rosto assustado de .
- Você veio. - Ela disse numa voz rouca e eu rapidamente a abracei, como se necessitasse tanto daquilo. Diferente de todas às vezes desde que ela chegou em Milão, ela me abraçou com a mesma intensidade, me mantendo perto.
- Eu precisava te ver, eu precisava senti-la em meus braços mais uma vez. Desculpa, , mas é completamente impossível negar alguma coisa a você, ainda mais quando o que eu sinto por você aumenta a cada dia. - Falei próximo do ouvido dela e sua cabeça foi parar na curva de meu pescoço. Sua respiração tranquila me deixava levemente arrepiado e eu conseguia sentir seu coração batendo da mesma forma que o meu. Me afastei um pouco, apenas para poder encarar seus olhos. Eles estavam diferentes desde a última vez que tinha os visto. Eles tinham um brilho intenso, como se ela tivesse feliz por eu estar ali. E como se fossem imãs, nossos rostos se aproximaram lentamente.
Ela manteve seus olhos abertos, para encarar os meus que também estavam abertos. Como se quisesse saber se aquilo realmente estava acontecendo.
- Eu preciso de você agora, mais do que nunca. - Falei baixinho e juntei nossos lábios. Suas mãos geladas foram parar em minha nuca, me puxando para mais perto, enquanto minhas mãos puxavam-na para mim. Como se aquilo fosse possível.
Aquele beijo tinha uma dose de desespero, necessidade, saudade, vontade, todos os sentimentos que estavam reprimidos dentro de nós dois. E a intensidade dele foi aumentando a cada segundo. Meus pulmões precisavam de ar, mas eu não queria me afastar dela, agora que eu a tinha em meus braços, mesmo sendo por pouco tempo.
's POV
passou a mão por minha coxa, como se fizesse um pedido silencioso para que eu envolvesse minhas pernas em sua cintura, mas não o fiz. Eu só queria matar a saudade do beijo dele por um tempo e depois, como era sua vontade, jantaria com ele.
- , não força a barra. - Murmurei contra seus lábios e a cada palavra dita, minha boca roçava na dele. - Você me chamou para jantar, então vamos jantar. Como nos velhos tempos. - Como nos velhos tempos, mas você não vai fazer nada demais. Apenas jantar. Foi muito você ter beijado ele, , disse uma voz em minha mente.
- Tudo bem, eu vou tentar me controlar. - Abri um sorriso de lado e me afastei dele contra a minha vontade. Segurei em uma de suas mãos e guiei-o em direção a cozinha. - Se você tivesse morando sozinha, poderia falar que queria morar contigo nessa casa. - Ri um pouco sem graça, enquanto ele sentava no banco que pertencia ao balcão. - O que você vai fazer pra gente comer de bom?
- O que eu vou fazer? Você vai me ajudar, seu folgado. E nós vamos fazer a especialidade da casa. - Segurei a gargalhada e encarei seu rosto, que de certa forma debochava de mim. - MACARRONE!
- Certo, então você coloca o macarrão pra cozinhar e eu coloco pra descongelar a carne moída para fazer o molho? - Assenti e abri o armário pegando o pacote de macarrão. Enchi uma panela de água, coloquei um pouco de óleo e acendi o fogo.
Enquanto isso, escutei o barulho da porta do freezer fechando e o barulho da porta do microondas se abrindo. Escutei-o programando o microondas e senti-o se aproximando.
Suas mãos abraçaram minha cintura e seu rosto de escondeu em meu pescoço, da forma que tinha feito mais cedo. começou a depositar leves beijos, deixando a região arrepiada.
- Posso fazer uma confissão? - Respirei fundo e assenti. - Eu estava bebendo antes de vir pra cá, porque estava com medo de você não ligar. Na verdade, acho que sou um fraco com tudo relacionado a você. - Abri um sorriso bobo e fechei meus olhos.
- Posso fazer uma confissão? - Escutei-o rir baixinho, assentindo. - Quando eu te liguei, eu estava sentada no chão do closet, olhando uma caixa onde eu guardo tudo que é relacionado a você e ao tempo em que a gente namorava. - Olhei meu dedo, percebendo que ainda estava com a aliança e soltei uma gargalhada, fazendo com que ele me encarasse, perguntando qual era a graça. Levantei minha mão direita, na altura de meus olhos e seu olhar fixou em meu dedo que estava com a aliança. O sorriso que surgiu em seus lábios fez com que eu esquecesse tudo que nos impedia de ficarmos juntos, fez com que eu esquecesse a forma como terminamos, me fez esquecer .
- Então eu não sou o único que está preso ao passado? - Respirei fundo e neguei com a cabeça. - Bom saber. - Ele me virou para ele, para que pudéssemos nos encarar. - Dança comigo? - Arqueei a sobrancelha e logo ele tinha sumido. O som ecoou pelo recinto e os acordes de uma música conhecida invadiram meus ouvidos. Por mais irônico que pareça, a música se encaixou no momento.
apareceu e passou as mãos pela minha cintura, me puxando para perto e logo começamos a balançar no ritmo da música. Apoiei minha cabeça em seu peito e fechei meus olhos, curtindo o momento. Ficamos naquele balanço até que a música acabou.
- Então nós temos uma música nova? – Ele perguntou, rindo. Era como se ele tivesse lido minha mente. - It's a quarter after one, I'm a little drunk and I need you now.
- Isso é clichê, . - Fiz uma careta e senti um tapa leve em meu braço. Olhei-o, incrédula pela atitude e ele riu, dando um beijo no local atingido.
- Fala sério, você quebrou o clima. Pode, por favor, completar a música? - Gargalhei ao ver a cara de criança inocente em seu rosto e respirei fundo, tentando manter o tom sério e sincero.
- Said I wouldn't call, but I lost all control and I need you now. - E com um sorriso, selou nossos lábios e foi ali que eu soube: eu precisava resolver minha vida agora, mais do que nunca.
Capítulo betado por Letii
Décimo Quinto
(Coloque pra tocar assim que a letra aparecer: That's the truth)
Meu coração batia descontroladamente. Minhas pernas não paravam quietas. Minha respiração ficava levemente acelerada. Eu nem ao menos conseguia pensar direito. Isso era uma das muitas reações que causava ao meu corpo e minha mente.
Estávamos sentados no sofá da sala de televisão, assistindo alguma série policial enquanto fazíamos comentários inúteis. Parecia que tudo tinha voltado a ser como antes, ou era apenas como se nada tivesse mudado no decorrer dos anos.
Se tinha alguma coisa em que eu admirava muito depois que cheguei em Milão, foi como ele tinha a capacidade de fazer com que tudo parecesse certo, mesmo sendo completamente errado. E da forma que ele me fazia esquecer de tudo e focar apenas no momento em que estava ao seu lado. Respirei fundo ao ver que a série estava acabando e seus olhos fixaram em meu rosto.
- O que aconteceu? - Levou uma de suas mãos para minha bochecha e começou a acariciá-la levemente. - Tá cansada?
- Não, eu só estava pensando nas coisas e em como nossas vidas mudaram muito. - Não queria demonstrar que eu estava pensando no poder que ele tinha sobre mim. Até porque ele já sabia disso, então não tinha necessidade de dizer.
- Sabe o que eu queria muito? - Ele tirou o prato de minhas mãos e colocou em cima da mesinha que ficava bem à frente do sofá. Logo ele estava me puxando pela cintura e levando sua boca bem próxima a meu ouvido. - Queria muito que esse jantar terminasse da forma que terminava antes, sabe?
- ! - Ele mordeu minha orelha e sua respiração batia contra minha pele, me deixando levemente arrepiada. - Nós acabamos de comer e eu ainda continuo casada. Não sei se você lembra, mas nós estamos na casa onde meu marido mora comigo. - Certo, eu ainda tinha um pouco de controle. Bem pouco, mas ainda sim eu tinha.
- Então, nós acabamos de comer e eu quero a sobremesa. - Dei um tapa em seu braço, enquanto ele ria de uma forma sacana. nunca mudaria. Se depois de anos ele não teve essa capacidade, imagina daqui a alguns anos?
- Você quer sobremesa? Então espera aí que já volto. - Levantei-me do sofá, peguei os pratos de cima da mesinha e segui em direção a cozinha. Provavelmente ele devia estar pensando que eu ia fazer alguma coisa pra dar andamento em seus pensamentos pervertidos, mas não ia fazer nada disso. Peguei o pote de sorvete, duas colheres e calda de chocolate, logo voltei para a sala de televisão vendo sem camisa. Era tão óbvio que ele esperava algo de mim e que ficaria decepcionado quando me visse.
- Que você tá fazendo? Que é isso na sua mão? - perguntou, olhando para mim e eu segurei meu riso.
- A sobremesa, ué. Sorvete de creme com calda de chocolate, duas colheres, uma para mim e outra para você. – Disse, sentando-me ao seu lado e lhe entregando uma colher. Abri o pote do sorvete, deixando em minhas pernas para que eu pudesse colocar a calda. Tudo isso, sendo observada atentamente por .
- Você tá de brincadeira comigo, né? - Encarei seu rosto, numa tentativa de sair muito inocente, mas não conseguiria segurar o riso por muito tempo. - Tô falando sério, , você vai fazer isso comigo?
- Isso o que, ? Você pediu sobremesa e tá aqui. - Apontei para o sorvete e gargalhei ao ver a expressão de desespero no rosto. Ele passou as mãos em seus cabelos, em sinal de nervosismo e eu levava a colher de sorvete à boca.
- Não era isso que eu queria, . - Ele novamente me puxou pela cintura, me deixando mais perto dele e colocou a cabeça em meu pescoço, trilhando beijos desde minha mandíbula até meu ombro. - Vai dizer que você também não quer isso? - Perguntou contra minha pele, fazendo com que eu fechasse os olhos.
- Esse sorvete tá uma delícia. Aliás, quando sorvete de creme não é bom? - Escutei-o bufar e levar sua boca para perto de meu ouvido, enquanto mantinha minha atenção focada no sorvete. Ou melhor, tentava manter minha atenção focada no sorvete.
- Diz pra mim que você não sentiu saudade. Diz pra mim que não sente falta do meu corpo sobre o seu, fazendo o que você quer e te deixando louca. Me diz que você sente tanta saudade, porque seu marido não conseguiu te fazer sentir o que só eu consigo fazer. - Puta que pariu, agora ele tava apelando. Em minha mente, repetia milhões de mantras apenas para não ceder, mas sabia que não duraria muito tempo.
- ... - Sua mão foi de encontro a minhas costas, por dentro da blusa que vestia e começou a arranhar com suas unhas curtas. Sua outra mão começou a viajar sobre a pele desnuda das minhas coxas por causa do short que usava, me deixando arrepiada.
- Pode assumir que com seu marido, seu corpo nunca ficou tão arrepiado como fica quando sou eu quem te toco, sempre da forma que você gosta, que te deixa excitada. - Puta que pariu. Puta que pariu. Puta que pariu. Era a única coisa que eu conseguia repetir para mim mesma. Mantinha meus olhos fechados fortemente, apenas para não perder completamente meu controle ao ver seus olhos cheios de luxúria me encarando. A mão que estava em minhas costas, foi parar em minha barriga. E a que tocava minha coxa, subiu um pouco mais. A cada toque, meu corpo parecia que pegava fogo. Era incrível a maneira que só ele conseguia deixar meu corpo quente apenas com um toque e algumas palavras.
- ... - Era a única palavra que conseguia sair de minha boca. Eu não conseguia pedir para que ele parasse o que tinha começado, mesmo contra minha vontade. Era minha razão que tinha que estar no controle no momento.
- Pode falar, meu amor. Estou esperando. Diga o que eu quero ouvir que eu faço o que você quiser. - Abri meus olhos, procurando seu rosto, completamente desnorteada. Puxei-o para perto de mim e selei nossos lábios. Porém não por muito tempo, já que ele se afastara apenas para me encarar. Ele estava no controle. Ele tinha o controle do meu corpo e da minha mente. - Diga, . Bem alto e em bom som. Diga.
- Pára de me torturar e faça logo o que você quiser. - Minha voz saíra mais rouca do que eu pensava que sairia. Ele tirara o pote de sorvete de perto de mim e colocara em algum lugar que não fiz questão de saber onde. Ele me puxou para mais perto de si, logo estava tirando minha blusa e jogando-a para qualquer canto daquela sala que não me importava no momento. Seus lábios depositaram um beijo em meu queixo e logo estava indo em direção ao meu colo nu. Minhas mãos pararam em seu ombro, e finquei levemente minhas unhas ali. Ele se livrou de meu short em um piscar de olhos e logo estava fazendo o mesmo com suas calças.
- Você não tem noção do quanto eu senti falta do seu corpo perto do meu. - Ele disse olhando em meus olhos e um sorriso surgiu em meus lábios. Eu senti muita falta dele e das sensações que ele me proporcionava. se livrou das últimas peças que nos atrapalhavam e logo estávamos entregues ao momento, sem se importar com marido, se era a casa em que eu dividia com ele. Nada. Nada importava naquele momento, apenas o prazer que um dava ao outro.
Estava em silêncio, sentindo meu corpo relaxado e olhando para a televisão agora desligada. estava ao meu lado, em silêncio também, enquanto brincava com meus cabelos como se fosse a coisa mais importante do mundo.
- Tá se sentindo culpada? - Fiz um barulho com a boca em sinal de negação e novamente a sala ficou silenciosa. Ele respirou fundo, fazendo com que eu desviasse meus olhos da televisão e fitasse seu rosto. - Agora é tarde pra se arrepender. - Assenti e depositei um beijo em sua testa. - Fala alguma coisa. Não fica balançando a cabeça ou fazendo barulho pra se comunicar comigo. Você sabe que sempre odiei isso.
- Tudo bem, tudo bem. O que quer que eu fale? - Ele pegou minha mão e ficou brincando com meus dedos enquanto pensava em algo para que eu pudesse falar.
- O quanto você me ama, o quanto não vive sem mim. O quanto você sentiu minha falta e o quanto quer que as coisas comecem a dar certo para nós dois. - Ri baixinho vendo seus olhos ternos me encarando.
- Eu te amo mais do que palavras podem explicar. Sem você meu mundo fica de cabeça para baixo, eu me sinto vazia, fria por dentro. Eu senti sua falta e falta de todos os momentos em que passamos juntos, senti falta dos nossos planos para o futuro, senti falta de tudo que era relacionado a você. Eu quero que as coisas comecem a dar certo para nós dois, para que cada dia ao seu lado eu consiga encontrar palavras para dizer o quanto eu te amo, para que meu mundo fique normal e que eu me sinta quente por dentro ao te ver acordar ao meu lado. Eu quero que tudo dê certo para nós para que consigamos realizar tudo que planejamos quando éramos mais novos e para que tenhamos mais momentos juntos. - Finalmente me senti leve por ter dito tudo o que queria. Tudo que estava entalado em minha garganta. Tudo o que meu coração sentia. Ver o sorriso de e saber que fora por minha causa me aquecia por dentro. Tudo estava em seu lugar. Tudo tinha que estar em seu devido lugar.
- Eu vi aqui por causa de um jantar e ganhei mais que isso. Eu ganhei minha vida de volta, razão para me manter firme e com a cabeça no lugar, motivos para voltar a ser feliz sem precisar me esconder, conseguir ser eu mesmo... Feliz ao seu lado. - E novamente, ele me beijou. Eu já tinha perdido a conta de quantas vezes ele tinha feito isso, desde que chegara aqui, mas eu não me incomodava com isso.
- ... - Respirei fundo. Droga, eu vou mesmo estragar o momento? - Eu quis que você viesse por outro motivo e você sabe disso. Agora que tudo começou a dar certo para nós, por favor, me conta o que você quer me contar a anos. Tira pelo menos grande parte do peso que eu carrego em minhas costas desde que você veio para cá. - Ele me encarou, seus olhos tinham perdido parte do brilho que tinha antes de eu falar isso.
- Sabia que não conseguiria fugir disso por muito tempo. - Respirou fundo, se levantando e logo sumiu do meu campo de visão. Eu me perguntava o que diabos estava acontecendo, onde ele estaria indo, mas pude vê-lo voltando com o celular nas mãos. Sentou-se no lugar onde estava e me puxou para a posição em que estávamos antes. - Eu quero que você leia todas as mensagens de número restrito que está aqui. Elas vão responder qualquer tipo de pergunta que você tiver. Mas caso contrário, eu te explico se você quiser. Eu só quero que você entenda tudo que passei e o motivo por trás disso.
E então, ele me entregou o celular e abri as mensagens que ele havia dito. Meu coração estava batendo forte contra meu peito, minhas mãos estavam trêmulas. Será que eu estava mesmo preparada para saber a história por trás de tudo?
I feel like I've been put on trial with you
Eu me sinto como se eu tivesse sido posto em julgamento com você
I know that's something's wrong and I'm the one accused
Eu sei que há alguma coisa errada e eu sou o acusado
When the verdict's in, it's us that's gonna lose
Quando o veredito vier, somos nós que vamos perder
I can't wait for you to finally hear the truth
Mal posso esperar para você finalmente ouvir a verdade
'Cause I shouldn't have to plead my case
Porque eu não deveria ter que defender minha causa
So much love to save
Muito amor pra salvar
Abri a primeira e encarei as palavras que pareciam embaralhadas a primeira vista. Inicialmente, não entendi todas aquelas palavras, mas as repeti dentro de minha mente para que fizessem sentido.
"Você sabe que isso nunca vai dar certo. Ela não vai voltar para você agora que está noiva. Seu contos de fadas acabou de vez, ".
Procurei seus olhos, como se eles pudessem me passar tranquilidade e uma explicação. Mas ele encarava fixamente o teto como se não quisesse me olhar e, sem escolha, abri outra mensagem.
"Você continua sendo um infeliz, não é, ? Vive correndo atrás do passado mesmo sabendo o que pode acontecer. Será que você não cansa, jogadorzinho de quinta?"
If you listen to the things that your friends say you're gonna be lonely
Se você ouvir as coisas que os seus amigos dizem, você vai se tornar solitária
How can you treat me like that when I give my all to you
Como você pode me tratar desse jeito quando eu te dei meu tudo?
'Cause I haven't been messing around
Porque eu não tenho me divertido por aí
I wouldn't ever go out and do things that you don't want me to do
Eu nunca sairia e faria coisas que você não queria que eu fizesse
'Cause I can tell you right now that you'll never find evidence on me
Pois agora eu posso te dizer que você nunca encontrará evidências em mim
That's the truth
Essa é a verdade
Yeah, that's the truth
É, essa é a verdade
Não aguentava tudo aquilo. Aquilo nunca passara por minha cabeça. Nunca imaginaria algo dessa forma. Quer dizer, eu não entendia, mas quão ridículas aquelas mensagens soavam? Incapaz de terminar de ler todas as outras mensagens, entreguei o celular pra ele e fechei meus olhos.
- O que é isso, ? Pelo amor de Deus, me explica isso. - Meus olhos ardiam, minha vontade era de gritar e chorar. Senti-o me puxar para mais perto. Era como se ele tentasse se tranquilizar e me deixar calma ao mesmo tempo, mesmo sabendo que não ia acontecer.
- Quando eu estava pra vir pra Milão, alguém me ligou e me ameaçou. Contou tudo sobre você e eu fiquei assustado. A pessoa tinha me dado um prazo para terminar com você, se não iam fazer alguma coisa contra você, iam te machucar. Eu estava desesperado. - Respirou fundo e abri meus olhos enquanto ele continuava a fitar o teto. - Eu cheguei em Milão, o prazo começou a valer. Passou algum tempo e eu fui pra Barcelona, onde você me ligou e a gente teve aquela conversa estranha. Assim que eu desliguei o telefone, a pessoa voltou a ligar lembrando-me que o prazo estava acabando e então, assim que eu cheguei em Milão, tempo suficiente pra decidir e inventar uma história, eu liguei pra você terminando. - Fiquei em silêncio. O choque impedia com que eu falasse alguma coisa.
They wish had what we had, and it's jealousy in the way
Eles desejavam ter o que nós tinhamos e a inveja está atrapalhando
'Cause I can't sit 'round and watch them build a case
Porque eu não posso sentar e assistí-los contruir um caso
And there's no saving us now I'm just doing this to clear my name
E nada vai nos salvar agora, eu só estou fazendo isso pra limpar meu nome
'Cause I shouldn't have to plead my case
Porque eu não deveria ter que defender minha causa
So much love to save
Muito amor pra salvar
- Eu estava desesperado, , com medo de fazerem alguma coisa com você. Eu não podia, não queria que acontecesse algo de ruim contigo. Por isso eu fiz o que fiz. Foi por desespero. - Ele passou as mãos pelo cabelo, em sinal de nervosismo, enquanto eu escutava, tentando entender tudo que ele dissera. - Aí passou alguns anos sem notícias da pessoa que me ameaçou e você voltou pra minha vida. E com isso, voltou meu tormento, meu desespero, meu medo e as chantagens. Tudo o que eu fiz, foi pra te proteger de alguém que eu não sei. - Ele fechou os olhos com força, como se tivesse tentando controlar a raiva que ele sentia.
- Mas como você tinha tanta certeza que ia acontecer alguma coisa comigo, ? A pessoa te mandou provas que podia fazer alguma coisa comigo? - Achei minha voz não sei da onde e consegui questionar. Saí de seus braços e me sentei no sofá, para que pudesse manter aquela conversa de forma decente.
- Mostrou uma foto sua, era como se a pessoa tivesse na sua frente para poder tirar aquela foto. Você conhece, ela é próxima a você. - Engoli em seco e ele respirou fundo. - Quando tive que terminar contigo, eu comecei a sair e aparecer com garotas que eu dispensava assim que chegava na entrada do meu apartamento ou no hall do hotel. Tudo para que eu conseguisse apenas uma matéria para manter minha história. Mas foram raras as vezes em que fiz isso, . Eu continuei sendo fiel a você mesmo quando não estávamos juntos.
- Não posso acreditar nisso. - Fechei meus olhos com força, sentindo uma raiva até então desconhecida invadir meu corpo. Eu havia julgado ele por uma escolha que ele foi levado a tomar para me proteger?
- Juro que no início eu pensei em te contar, mas o medo tomou conta de mim porque eu estava longe demais. Eu não ia conseguir te proteger assim. Quando te vi no aeroporto, eu soube que um dia eu ia conseguir fazer você mudar a imagem que tinha de mim. - Ele pegou minha mão e segurou-a fortemente. - No dia que eu fui ao seu casamento, essa história tava entalada na minha garganta, mas nada que eu falasse ia mudar o fato de você ter se casado. - Uma de suas mãos tocou meu rosto delicadamente.
- Por que você me escondeu isso por tanto tempo? Você sabe o quanto eu sofri lembrando a forma que você falou comigo? - Eu não queria perder o contato físico com ele, mas a minha vontade era de levantar e gritar para ver se eu conseguia me libertar do que estava sentindo.
- Já disse, . Era medo, mas cada dia que passa o que eu sinto por você aumenta mais e... - Ele ficou em silêncio enquanto eu esperava que ele continuasse a frase. - Talvez, com você agora sabendo, nós possamos pensar em algo e descobrir quem é a pessoa. E eu sinto muito se isso te fez sofrer. Você sabe que eu nunca quis te fazer mal. - Respirei fundo. Meu cérebro trabalhava rapidamente, procurando uma solução. Mas, infelizmente, não conseguia pensar em uma.
- Vamos sair dessa, . - Abracei-o fortemente e ele fez a mesma coisa. - Tudo vai ficar bem, vamos descobrir quem é essa pessoa que vem nos fazendo sofrer e vamos entregá-la à polícia por... - Procurei em minha mente qual crime a pessoa podia estar cometendo, mas não veio nenhum. - Por algum crime que me fugiu o nome agora. - Ele riu fraco, fazendo com que eu repetisse sua atitude. - Você não sabe quanto tempo eu quis saber o que tinha acontecido, . Eu sabia que tinha alguma coisa errada com aquele término, porque você nunca me trataria daquela forma. - Ele assentiu e fechou os olhos.
- Posso lhe fazer uma pergunta? - Por um segundo fiquei com medo da pergunta e se eu saberia respondê-la, mas mesmo assim assenti e aguardei. - Isso muda alguma coisa? - Após alguns minutos em silêncio, decidi que era hora de ser sincera comigo e com ele.
- Muda tudo, . Isso só serviu para me mostrar o quanto eu fui injusta com você, o quanto eu tentei mostrar a mim mesma que tudo que eu sentia por você era passado, isso só mostra o quanto eu fui estúpida em tentar seguir em frente. Não tem como seguir em frente, sabendo que já tinha encontrado meu amor. Era completamente impossível tocar minha vida sendo que eu tava deixando a razão dela pra trás. - Eu abri um sorriso sincero e pude ver seus olhos voltarem a brilhar na mesma intensidade de antes de começarmos aquela conversa.
- Fico feliz por saber que isso muda, que tudo entre a gente tá voltando a ser como antes. - Eu mantinha o sorriso no rosto. Parecia que eu tinha dormido com um cabide na boca, tamanho era meu sorriso. - Agora, a pergunta que não quer calar. O que a senhora vai fazer em relação ao seu querido marido? - Revirei meus olhos ao ouvir a ironia no 'querido' que se referia a .
- Eu vou conversar com ele. Embora seja horrível essa conversa que vou ter, vai ser melhor para nós dois. Sempre fui sincera com ele e não vai ser agora que isso vai mudar. Eu vou pedir divórcio ou anulação do casamento, se ainda der tempo. - Seus olhos brilharam de maldade e soltou um risinho. Revirei meus olhos. Era de esperar que ele fosse ter tal atitude em relação ao meu casamento.
- Eu te amo tanto, minha pequena. - Ele beijou minha testa delicadamente e encarei seus olhos. Eu me sentia como há muito tempo não venho sentindo. Era como se eu estivesse no lugar que eu sempre pertenci, como se o lugar a que eu pertenço é os braços dele.
- Passei tanto tempo esperando ouvir isso de novo e num momento que pudéssemos estar assim, felizes e com nada do passado pendente. Parece que eu estou de volta ao ensino médio, quando eu pensava que você era apenas um jogador de base do meu time. E depois, quando você terminou comigo, quando eu ficava me lembrando de tudo que nós vivemos e de todas as vezes que você disse que me ama. Agora sinto como se estivesse em casa de novo, todas as vezes em que eu olho em seus olhos e digo que te amo. Quer dizer, eu te amo não resume um terço do que eu sinto por você, mas é o mais perto de traduzir o que eu sinto. - E aquele sorriso infantil surgiu em seus lábios. Aquele sorriso que podia iluminar uma cidade inteira num blackout. Aquele sorriso que podia me aquecer por inteira.
- Senti falta de ouvi-la dizer que me ama também. Faz parecer que eu não sou tão idiota e que eu não amo sozinho. - Beijei sua bochecha enquanto ria sobre o que ele havia me dito.
Após bastante tempo falando o quanto eu o amava e o quanto ele sentira minha falta, pegamos no sono ali mesmo. Pela primeira vez, em anos, eu dormia completamente feliz e relaxada. Eu me sentia uma adolescente de novo, onde vivia meu sonho todos os dias em que via .
E pela primeira vez, em tanto tempo, não tivera nenhum sonho que poderia me deixar maluca. Era como se eu tivesse relaxando por todo o tempo em que dormira mal por ter um pesadelo, por dormir preocupada, por sonhar com ele e não conseguir dormir de novo, perdida em meus pensamentos. Talvez o motivo de não ter sonhado à noite, foi pelo simples fato que havia vivido meu sonho durante aquele tempo em que me mantive acordada. Eu tinha vivido algo que me tirava o sono sempre que invadia meu sonho sem permissão.
Escutei um barulho irritante, fazendo com que eu abrisse meus olhos e procurasse o que quer que tivesse me acordado. Achei meu celular em cima da mesinha e se mexeu ao meu lado, fazendo com que eu me lembrasse da noite anterior detalhadamente. Bocejando, peguei meu celular para ver o que estava acontecendo e percebi que havia recebido uma mensagem nova.
"Amor, como você está? Queria tanto que você estivesse aqui, queria te mostrar tantos lugares! A Inglaterra é linda, é como você sempre sonhou. Aliás, tô contando as horas pra voltar e te encher de beijos, matar toda minha saudade. Ah, falta apenas 24 horas, 50 minutos e 45 segundos para eu te ver novamente! Te amo. xx "
Era bom demais pra ser verdade. Eu teria que pensar em tudo para não adiar aquela conversa. Não conseguiria viver debaixo do mesmo teto que ele depois de tudo que aconteceu.
- Bom dia. - A voz de interrompeu meus pensamentos e eu o encarei seriamente. - Aconteceu alguma coisa? - Ele beijou meu ombro e eu me mantive em silêncio, ainda segurando meu celular. Respirei fundo, procurando dizer o que estava acontecendo e finalmente falei.
- está chegando e eu não estou preparada pra isso. - me encarou sem dizer nada e eu não ousei quebrar o silêncio. Eu tinha muito a fazer até chegar, eu tinha malas a arrumar, uma conversa a ter para que tudo começasse a dar certo... De novo.
Capítulos betado por Letii
Décimo Sexto
(Coloque Música do capítulo, coloquem pra tocar quando aparecer a letra.)
Cansada. Esgotada. Completamente exausta. Tudo isso se encontrava com meu estado de espírito. estava voltando, tinha recebido outra ligação daquela pessoa misteriosa e eu... Bom, minha cabeça trabalhava a mil, meu corpo pedia urgentemente uma cama para que eu pudesse dormir por dias, talvez até semanas.
Naquele mesmo dia, em que recebera a ligação de , após arrumar a casa, seguira na direção da redação apenas para conseguir falar com Kath. O marido dela era detetive e talvez ele soubesse ajudar e eu com aqueles trotes. Assim que consegui o número dele, seguira para o apartamento de que não hesitou a me acompanhar até o escritório dele.
dirigia em silêncio, enquanto uma melodia qualquer preenchia o silêncio do carro. Eu estava em dúvida entre observar a vida do lado de fora ou assistir meus dedos brincarem entre si.
Nós tínhamos poucas horas para conseguir pelo menos dar início àquela pequena investigação. Sabia que ele sendo da polícia conseguiria rastrear o número em questão de segundos quando a pessoa ligasse novamente para ... Esperava, do fundo do meu coração que a pessoa pudesse ser burra o suficiente para não saber o que estávamos tramando e cometesse o erro de ligar para ele.
O carro foi perdendo a velocidade e logo me deparei com um prédio de aparência antiga. Aquele bairro em Milão não era nem um pouco com o que eu estava acostumada desde que chegara, mas estava mais perto do que eu estava acostumada do Brasil. Por um momento, apenas questão de segundos, me fizera lembrar de como minha vida era quando morava por lá.
- Está pronta? - Encarei o rosto de certa do que estava fazendo e abri a porta, seguindo em direção a entrada do edifício sem ao menos esperá-lo. Senti sua mão envolver meu braço, impedindo com que eu continuasse andando e respirei fundo.
- Desculpa. Eu só quero saber quem é que tá fazendo isso... Quero me ver livre de tudo, quero voltar a ter minha vida. - Eu percebia que a qualquer momento eu podia chorar, mas antes que isso acontecesse, eu me lembrara da promessa que havia feito para mim mesma dentro daquele avião: nunca mais chorar por conta daquela história. E eu ia cumprir essa promessa com maestria. deu um sorriso de canto e me abraçou fortemente, depositando um beijo em minha testa.
- Relaxa, . Tudo vai ficar bem. Eu tô aqui com você, para o que você precisar. - Assenti e suspirei. - Vamos tirar mais um peso das nossas costas? - Eu parecia uma criança diante a situação e parecia um pai que explica pela milésima vez que ia ficar segurando a bicicleta até a criança ser segura de si mesma e andar sozinha. Mas a minha situação era completamente diferente, porque se fosse apenas um tombo de bicicleta, o máximo que ganharia era uns arranhões no joelho e logo em seguida levantaria, morrendo de rir diante da minha vergonha. Mas infelizmente, nessa história toda, se eu caísse não daria para me levantar e continuar tentando. Se caísse, seria sem vida.
Um arrepio percorreu meu corpo ao pensar nessa possibilidade. Será que Deus é capaz de deixar com que o outro lado da força ganhasse e acabasse com algo que era pra dar tão certo? Em outra vida eu fui tão filha da puta pra merecer tudo isso que tava passando?
Subimos alguns lances de escada até que paramos no andar onde era o escritório do senhor Fitz, mas conhecido como Henry. entrelaçou nossos dedos e me guiou em direção à sala.
- Vocês são e ? - A única coisa que eu fazia era ficar de boca fechada. Isso era o suficiente para que ele respondesse a mulher que perguntava. Ela nos guiou até a sala de Henry que já nos aguardava.
- Kath me ligou, pedindo para que eu cancelasse quem quer que fosse para te atender, . E disse que era algo de extrema urgência. O que posso fazer? - Respirei fundo, procurando minha voz e mal conseguia explicar. O nervosismo, me lembrar daquela história e ter que contar aquele homem que estava ali para fazer seu trabalho era absurdo.
- Acho que ele vai saber explicar melhor, Henry. Tudo que aconteceu foi com nós dois, mas eu só fiquei sabendo disso alguns dias atrás então deixo a palavra com ele. - Ele assentiu e encarou que parecia mais branco que papel. Ele respirou fundo e logo contou a história toda, em uma forma resumida para Henry. Ele mostrara as mensagens, mostrara os telefonemas e quantos minutos eles duravam.
- Não sei se vocês vão concordar com isso, mas eu posso colocar uma espécie de rastreador no seu celular, . Qualquer pessoa que te ligar, nós teremos a localização dela e principalmente do número restrito. Tente forçar alguma coisa para que essa pessoa ligue, e quando acontecer, nós o pegaremos e entregaremos para a justiça. - O alívio percorrera por meu corpo. Torcia do fundo do meu coração que aquela pessoa fosse pega e pagasse por todas as ameaças que fizera a mim e a .
Henry, após alguns minutos fora junto com o aparelho de , voltou e logo estava devolvendo o celular. Seu rosto estava sério, mais do que antes e eu tinha medo de ter acontecido algo. Talvez eu tivesse com mania de perseguição e fosse caso com outra pessoa, não comigo.
- Nós colocamos um chip de rastreamento. Todas as ligações de números restritos irão passar pela gente e quando você receber a tal ligação, assim que desligar a chamada, por favor, me ligue, que vou estar rastreando o número, de onde foi feito e qual é o responsável pela a conta. - assentiu prontamente e Henry respirou fundo. - Peço que não comentem com ninguém sobre isso. Se caso outra pessoa saiba, a probabilidade de tudo dar errado é muito grande e tenho certeza que vocês não querem isso. - Negamos e ele assentiu.
- Aconteceu alguma coisa, Henry? - Ele mantinha o semblante sério e aquilo já estava me matando. Pude vê-lo negar e levar as mãos na cabeça, bagunçando os cabelos quase inexistentes do local.
- Só algumas preocupações, nada que deve ser passado. Apenas quero que vocês se lembrem, nós não sabemos com quem estamos lidando. Então assim que descobrimos, a minha equipe irá até lá detê-la. Faça um favor para todos, não queiram dar uma de super-herói e ir fazer justiça com as próprias mãos porque já sabem, certo? - Assentimos novamente, mesmo sabendo que não podia dar tanta certeza assim. - Os meus homens arquitetarão um plano para pegá-lo da melhor forma, então mantenham a calma. - Assentimos novamente e ele nos liberou.
Quando chegamos no carro, respirei fundo pela milésima vez. Tentativas de se manter calma nunca dava certo para mim. Às vezes eu pensava seriamente em fazer ioga apenas para trabalhar esse lado meu.
- Você entendeu bem o que Henry falou, certo, ? - Encarei , que observava a rua com mais atenção do que necessário. Sempre que ele queria me passar alguma lição de moral, sabendo que ele pensava da mesma forma que eu, ele procurava um meio de não me encarar. E isso era completamente absurdo.
- Se eu souber quem é a pessoa , nada irá me impedir de acabar com a raça dela com minhas próprias mãos. - Eu não reconheci meu tom de voz. Digo, nunca falara com tanta seriedade e raiva, tudo de uma vez só. Eu sempre fui palhaça, infantil, irresponsável em alguns aspectos, não era de guardar tanta raiva dentro de mim e acho que sendo desse jeito só me transformara naquilo que eu estava sendo no momento.
- Caso receba essa ligação, , vou preferir não te informar. Apenas para você não perder o seu controle e o pouco de sanidade que você tem. - Bufei alto. podia ser um amor quando queria, mas quando queria ser irritante ele conseguia com tanta... Não sei a palavra certa pra usar, mas não vem ao caso. Apenas falo: pode sim ser completamente irritante.
- Esse é o momento em que te ignoro para não brigarmos. Aliás, dirija mais rápido que eu tenho que ir para casa porque caso tenha esquecido, meu marido chega hoje de viagem e ainda tenho muita coisa pra conversar com ele. - Cruzei meus braços na altura do meu peito, escutando-o resmungar alguma coisa, o que podia deduzir ser um palavrão dos cabeludos para meu, até então, marido.
O caminho até minha casa foi completamente silencioso. Às vezes cantarolava uma música que tocava alheatoriamente, mas nada de uma conversa decente. Talvez soubesse que não ia mudar minha forma de pensar sobre isso, então ele preferia não falar evitando uma discussão.
Ele estacionou em frente de casa e ficou olhando para mim, enquanto eu apenas olhava para a casa que era dos meus sonhos. A casa que era de e não minha, embora ele tivesse comprado para nós dois eu não tinha direitos de chamar aquilo por um pronome possessivo. Aquela casa nunca seria minha e talvez nunca mais tivesse uma daquelas de novo.
- Você vai conversar com ele hoje? - Assenti, abaixando meu olhar sobre minhas mãos jogadas em cima de minhas pernas. - Você vai ir embora hoje, ? - Respirei fundo, sentindo meu coração doer.
- Se eu tiver coragem, , sim. Hoje eu resolvo minha vida se tudo der certo. - Ele suspirou e fechou os olhos fortemente, massageando as têmporas. - Caso dê errado, você vai saber. Você não me verá, . Se acontecer o contrário, você já sabe. E bem, agora tenho que ir, preciso organizar meus pensamentos, meus sentimentos e minhas coisas. - Dei um beijo em sua bochecha rapidamente e logo estava saindo do carro, andando em direção a casa.
O tic-tac do relógio me irritava. Meu pé batia no chão descontroladamente e eu passava meu olhar do relógio para as malas no chão da sala. Um trovão fez com que eu me encolhesse mais ainda no sofá. O barulho da chuva abafou os ponteiros que me irritavam e por um momento me acalmou. Adoro chuva, sem trovões e raios. O som da água batendo na janela, o cheiro de terra molhada me deixava completamente calma. Mas naquele momento, tudo era exceção. Tudo que me acalmava, me deixava ainda mais nervosa e o que me deixava nervosa, me deixava extremamente irritada. Não sabia mais me controlar, eu tinha vontade de andar de um lado para o outro, como se quisesse me livrar de toda energia que meu corpo tinha.
A porta se fechando atraiu minha atenção e , jogando as malas no chão, me encarou com um sorriso no rosto. Droga, seria mesmo capaz de tirá-lo de seu rosto? (coloque a música pra tocar *-*)
- Oi, amor. - Respirei fundo enquanto ele se aproximava. Antes de chegar completamente perto de mim, ele pode ver as malas no canto da sala, fazendo com que ele parasse de andar. - Você vai viajar? - Abaixei a cabeça com uma enorme vontade de correr que nem uma covarde, mas eu tinha que ser forte, certo? Certo. Eu tinha que lutar por um amor que lutara por mim por anos.
- Não, , eu não vou viajar. - Encarei seu rosto e pude vê-lo ficar pálido. - Nós precisamos conversar e é uma conversa bem séria. - Ele respirou fundo, sentando-se no sofá oposto de onde me encontrava.
- Devia saber que algo ia acontecer enquanto eu estivesse fora e já tenho quase certeza sobre o assunto. Quer dizer, sobre quem. - Assenti e procurei formas de começar a contar o que tinha a dizer. Teria que falar que tinha o traído? Não podia, eu nem ao menos sabia qual seria sua reação. E se ele me batesse, me chamasse de vagabunda e tudo mais? Não importa, eu tinha que ser sincera. Droga.
- Quando você foi pra Inglaterra, alguns dias depois foi aniversário de . Tudo começou, digo, a história que vou lhe contar, surgiu no dia do casamento. , completamente bêbado, falara que um dia me contaria a verdade sobre o término do nosso namoro. - ficara em silêncio, enquanto eu continuava contando a história.
- E você acreditou, ? Pelo amor de Deus, esse cara vem tentando nos separar desde que chegamos a Milão. Você é ingênua demais, garota. - Respirei fundo, perdendo a conta de quantas vezes fizera isso.
- Claro que acreditei, . Ele tinha provas e eu as vi. - Ele soltou um riso sem humor e se levantou do sofá, andando de um lado para o outro, sendo acompanhado pelo meu olhar.
- Você me traiu, não foi? - Um nó se formou em minha garganta e eu abaixei meu olhar. Qualquer lugar seria melhor de se encarar que os olhos de naquele exato momento. - Eu devia saber... - Resmungou para si mesmo, enquanto voltava a andar de um lado para o outro.
- Eu sempre fui sincera com você. Desde que ele voltara pra minha vida, eu tinha deixado bem claro da forma da qual me sentia. - Ele continuava resmungando alguma coisa. Tirei minha aliança do dedo, colocando-a delicadamente em cima da mesinha do centro e seu olhar pousara em mim.
- Você está certa dessa decisão? - Assenti e pude ver seus olhos úmidos pelas lágrimas recentes. Ele se aproximou de mim, agachando-se bem a minha frente, procurando meus olhos.
Talk to me softly
Fale comigo suavemente
There's something in your eyes
Há algo em seus olhos
Don't hang your head in sorrow
Não baixe sua cabeça na tristeza
And please don't cry
E por favor, não chora
I know how you feel inside
Eu sei como você se sente por dentro
I've been there before
Eu já estive lá antes
Something changing inside you
Algo está mudando dentro de você
And don't you know
E Você não sabe
- Você não sabe como eu tô me sentindo por dentro. - A voz dele perfurou meu coração e as lágrimas desciam automaticamente pelo meu rosto. Pelo amor de Deus, eu estava mesmo chorando? Digo, eu tinha feito uma promessa.
- Na verdade, , eu já estive ai onde você está nesse exato momento. As coisas mudam, sentimentos mudam, mas uma hora você vai ficar bem. Acredite em mim. - Eu tentei passar toda minha confiança em minha voz, mas isso soara completamente diferente do planejado.
- Você não sabe, . Você não sabe o que é ver a mulher da sua vida saindo pela porta e indo para os braços de outro. - Engoli em seco. Eu realmente não sabia. Eu pensava que sim, mas na realidade não.
- Realmente não sei, . Mas não quero que você abaixe a cabeça por isso. Eu não valho tanto a pena assim para que você simplesmente ficar dessa forma.
Don't you cry tonight
Não chore esta noite
I still love you, baby
Eu ainda te amo, querida
Don't you cry tonight
Não chore esta noite
Don't you cry all tonight
Não chore esta noite
There's a heaven above you, baby
Existe um paraíso sobre você, amor.
And don't you cry all tonight
Não chore essa noite
As lágrimas que escorriam em seu rosto e logo secava entre meus dedos. Ele sussurrava que me amava e cada vez que ele falava isso, era como se uma faca entrasse diretamente no meu peito.
Eu tinha que cortar essa história desde a raiz, não podia continuar ali consolando-o por algo que a culpada tinha sido eu. Fiz menção em levantar e ele se afastou.
- Eu vou voltar pro apartamento. Espero que você fique bem, . Do fundo do meu coração eu desejo isso. Você, mais do que ninguém merece ser feliz. - Meu carro já estava em frente de casa e eu deixara ali justamente por isso. Era uma maneira mais fácil de tirar o carro dali. Peguei minhas malas do chão e deixei-as mais próxima da porta. Tirei a chave da casa de meu chaveiro e voltei, colocando junto com a aliança.
Give me a whisper
Dê-me um sussurro
And give me a sign
E me dê um sinal
Give me a kiss before
Me dê um beijo
You tell me goodbye
Antes de me dizer adeus
Assim que virei de costas para seguir em minha nova jornada, senti sua mão segurar meu antebraço e não ousei tentar continuar seguindo em frente. Eu estava com pena e com raiva de mim mesma por ter deixado uma pessoa tão legal daquela forma.
- Se as coisas não derem certo para vocês, eu vou te esperar, . - Respirei fundo, sentindo meus olhos embaçados. E antes que pudesse dizer alguma coisa, escutei novamente sua voz rouca. - Me dê um beijo de adeus? - Neguei, vendo-o abaixar a cabeça.
- É melhor não. Não quero que isso te faça sofrer, que te faça criar expectativas. - Virei-me, deixando-o sozinho com apenas uma aliança, chaves e lembranças sobre aquele local.
Don't you take it so hard now
Não leve isso tão à sério agora
And please don't take it so bad
E por favor, não leve tão a mal
I'll still be thinking of you
Eu vou continuar pensando em você
And the times we had, baby
E nos momentos em que nós tivemos, amor.
O pára brisas do meu carro afastava as gotas da chuva freneticamente. Uma música antiga, que reconheci sendo de Guns tocava na minha rádio o que deixava tudo ainda mais irônico.
Pisei fundo o acelerador e poucos minutos estava entrando na garagem do prédio. Deixei o carro na vaga de sempre e desci com minhas malas. Logo estava no meu apartamento, junto com que me olhava confuso. Apenas dei ombros e ele me ajudou com as malas.
- Vai ficar no seu quarto? - Neguei e ele seguiu em direção ao quarto ao lado. Era um quarto de hóspedes que sempre me refugiara quando precisava. - Se precisar conversar, sabe onde me procurar. - Assenti, com um sorriso agradecido no rosto. Mas sabia que não ia para lá assim que tomasse um banho e colocasse uma roupa quente.
Após devidamente pronta, calcei um chinelo que tinha deixado ali e logo estava rumando novamente em direção ao elevador. Apertei o andar debaixo e aguardei. Meu coração batia rápido dentro de mim e minhas pernas estavam bambas. Tudo tinha dado certo até agora, eu esperava que tudo desse certo em relação à ligação também. Assim que o apartamento de entrara em meu campo de visão, segui em direção de seu quarto mas me escondera para que pudesse escutar uma conversa.
- Você realmente me largou por causa de uma mulher casada? - A menina dera ênfase na palavra casada, fazendo com que eu olhasse para minha mão notando a falta da aliança. - Pelo amor de Deus, isso é patético, . É patético até pra você. - E logo em seguida a menina dera um riso sem nenhum humor.
- Larguei e largaria uma TOP Model se fosse preciso pra ficar com a mulher que eu amo. Isso pode soar patético, pode soar como você quiser, mas eu não ligo. É a que eu amo, ela é a única que pode me fazer feliz e você não vai mudar o que eu sinto por ela nunca, Claire. Ninguém conseguirá. - Por um momento, meu coração parecia uma escola de samba.
- Isso é ridículo. Ela não vai largar o marido dela, . Não por você. - Respirei fundo, era hora de me meter na história. Era hora de mostrar para aquela menina que eu largaria quem quer que fosse por ele também.
- Eu largaria o Príncipe da Inglaterra por ele, Claire. - Seu olhar fixou em mim. Seu olhar era misturado com raiva até com psicopatismo. Tudo ali, em apenas um olhar. Olhei para , vendo-o abrir um sorriso largo e iluminando todo aquele quarto, aquela cidade chuvosa e escura. Iluminando e aquecendo meu coração. - Porque, Claire, quando se ama alguém, se ama pelo que é e não pelo dinheiro.
- Ah, isso vem da mulher que largou um jogador de futebol que ganha metade do que ganha? - Arqueou a sobrancelha e me encarou com frieza. Revirei meus olhos, manteria minha postura.
- Isso vem da mulher que sofreu e lutou para conseguir o que tem hoje. Não preciso do dinheiro dele, Claire. O meu salário é ótimo para uma pessoa que nem eu. Pessoa que não se importa com luxo, que não se importa com nome e nem nada. - Aproximei de e ele passou o braço dele pela minha cintura, me mantendo mais próxima a ele. - Eu ficaria com ele, mesmo que se ele fosse outra coisa. - Ela fez uma careta, talvez pensando em com outra carreira ganhando nem metade do salário que ele ganhava. Ao perceber que não tinha mais nada para argumentar, ela nos encarou e deu um sorriso maldoso.
- Isso não vai terminar assim. - O olhar dela por um instante me assustou. Somente um instante, porque sabia que perto de , tudo estava perfeitamente bem e era assim que ia ser, sempre.
Nota da autora preguiçosa: diz aeeee, galere. tudo bem com vocês? õ/
A minha querida e fofa beta provavelmente quer me matar agora porque eu pedi pra ela scriptar esse capítulo, e fiquei chorando, chorando, chorando até que ela aceitou OIAUSHEOIAUHSEOUAHSEOAHSOIEHA. Já disse que você é uma fofa, né, That? *-*
Então, o que vocês me contam? Well, eu conto que estou cheia de problemas amoros, pra variar, que está mais dramático que hey soul sister HAHAHAHA. Eu também estou escrevendo uma fic nova, sou staff de um site novo de fics... É muita coisa aconteceu desde a última att.
Terminei a escola GRAÇAS A DEUS, ano que vem vou fazer faculdade de engenharia de produção...
Enfim, sei que vai poder demorar um pouquinho a att entrar, então eu quero lhes desejar um feliz natal e um ótimo ano novo. Que em 2012 seja repleto de felicidades para todas nós. Que tenhamos muito mcfly, muitas músicas, dinheiro para ir em todos os shows dessas bandas que vem pro Brasil para nos falir. Muito amor - embora eu esteja fugindo dele nesse exato momento - e muito beijo na boca OIAUHSEOIAHSIEHAIUEA
Gente, fico muito feliz por vocês acompanharem a fic - se é que alguém ainda acompanhe -, foi muito bom passar esse ano com vocês. Então até a próxima, provavelmente em 2012.
xx F.
Nota da Beta: Qualquer erro nessa atualização é meu, só meu. Reclamações por e-mail ou pelo twitter, nada de e-mails para o site, ok?
Ah! Visite a caixinha, não custa nada e faz uma autora muito feliz.
that xx