CAPÍTULOS: [PRÓLOGO] [1] [2]











PRÓLOGO


9:27am

Ele, por entre as poucas árvores que cercavam o colégio naquela manhã nublada, encarava sua presa sem muita emoção. Não era nem de longe seu tipo preferido de caça, muito menos em locais tão promissores quanto uma escola pública.
O velho murmurava com seus pensamentos enquanto tentava, de forma quase inútil, varrer a neve do campo de baseball, tendo em mente que o time não poderia ficar mais uma semana sem treinar por causa das fortes tempestades que estavam trancando pessoas em casa e fazendo outras sumirem — era uma boa desculpa.
Agachando-se em seus próprios calcanhares, seus olhos encolheram-se ainda mais quando o velho parou e subitamente girou o pescoço enrugado em sua direção, tombando sutilmente o tronco para avaliar melhor a sombra que o observava por quase meia hora, em silêncio, já sem paciência — aquela dádiva nunca havia sido sua.
Ele, como um deus, levantou-se devagar, fechando os punhos, travando o maxilar. Entortou a cabeça para o lado, sorrindo de forma maníaca pelo canto dos lábios ao sentir o cheiro do medo do velho, que arregalou os olhos esverdeados para sua figura desnuda. Sentiu o sorriso alargar em sua boca.
O movimento fora tão rápido que o único som fora a coluna do velho se partindo ao meio, o corpo abrindo e os órgãos se expondo como uma mulher que abre as pernas para ser fodida.
Ele segurou o homem pelas extremidades de seu jaleco de zelador e o jogou em direção às árvores, deixando uma poça significativa de sangue onde o corpo havia caído.
Fodam-se os rastros. Sua estadia naquela cidade já havia ultrapassado o limite do entediante.
Ao tombar com o tronco, o corpo separou: a metade de cima em um canto e a outra, em outro.
Algo o fez olhar para trás. Um arrepio, uma voz, um sussurro. Com as mãos e abdome sujos de sangue, ele encarou a figura de uma garota magra e alta que o encarava com os olhos arregalados e boca aberta. Ela estava longe demais para conseguir enxergá-lo, mas ele a via com perfeição.
sorriu.
Lá estava seu próximo alvo.



1. hunter


CAPÍTULO UM


despertou com o som de porcelana quebrando. Encarou os filetes de madeira do teto de seu quarto e, em questão de segundos, antes mesmo de seus olhos se acostumarem com a claridade, os gritos começaram. Em um movimento involuntário, rolaram-se e ela bufou, girando o corpo na cama bagunçada e roçando as pernas desnudas por cima do lençol gelado. Não queria se levantar, não queria ter de enfrentar outro dia de uma rotina extremamente entediante e fingida. Piscando os olhos com força, bufou antes de jogar o edredom com raiva no chão e colocar-se de pé sem a mínima vontade. Melhor seria caso nenhum de seus pais viesse lhe dirigir nenhuma palavra, pelo menos não antes de bons quinhentos ml de café preto e um grosso cigarro de maconha.
Seguiu para o banheiro e bateu a porta com força, ligando o registro d'água para que o jato forte ecoasse em sua cabeça e os gritos de seus pais fossem silenciados pelo menos por alguns minutos.
Encarando-se no espelho, não se lembrava de quando havia se tornado aquela mulher tão deprimente. Os olhos fundos, com olheiras, o cabelo opaco, quebrado, sem vida, o corpo ainda mais magro, com ossos quase evidentes de uma forma pouco saudável. Recuou o olhar segundos depois. Não se reconhecia.
Tirou o blusão que usava como pijama e logo encarou as cicatrizes em suas coxas e barriga, evitando olhá-las também. Sentia vergonha. Reluziam rosadas e peroladas, algumas ainda cicatrizando. Entrou na banheira e deixou que a água quente do chuveiro batesse forte em suas costas, molhando os cabelos, o rosto, o peito. De alguma forma aquilo a aliviava em uma ilusão de que toda a sujeira de seu corpo, alma e passado fosse embora pelo ralo.
respirou fundo, jogando o pescoço para trás, sentindo as pontas do cabelo roçarem em seu quadril. Levou as mãos para o rosto, escondendo-o entre os dedos.
Quando tudo ficou tão fodido?

O colégio estava tão infernal quanto nos outros dias, talvez ainda pior. Os corredores estavam amarrotados de gente, pessoas fúteis conversando sobre suas vidas miseráveis, seus namorados falsos e suas amigas mais falsas ainda. Um engolindo o outro.
sentia vontade de incendiar todos e aproveitar o fogo para acender um beck.
Não havia motivos para ela estar ali, na verdade. Não previa nenhum futuro, não almejava nenhum curso na faculdade, não se via trabalhando em nada. Todos em sua sala já tinham suas carreiras programadas, os casamentos arranjados, os nomes dos filhos na ponta da língua. , por outro lado, ficaria surpresa caso conseguisse seu diploma de ensino superior.
Alguém esbarrou nela, fazendo-a virar quase o corpo inteiro na direção do desconhecido. Seu olhar na direção do rapaz, que ria, foi de intenso ódio. Ele mal percebera o encontrão. O peito de queimava em ódio, o nariz ardendo, a garganta fechando em um nó que sufocava. Olhando ao seu redor, não havia ninguém que lhe passava confiança. Nenhuma pessoa na qual ela pudesse se jogar sem pensar, sem ter medo.
girou nos calcanhares e seguiu pelo corredor até o banheiro, empurrando a porta e uma garota loira que saía naquele mesmo momento.
— Ei, esquisita! Olha por onde anda — reclamou a menina. não a encarou.
Empurrou a porta do box e puxou com força a tampa do sanitário.
— Ela deve estar tendo crise de abstinência — riu sua amiga. — Deve estar cheirando cocaína agora — as duas gargalharam.
, com os olhos cheios de lágrima de ódio, encarou a luz branca acima de sua cabeça e esperou que a porta batesse e ambas as garotas saíssem para buscar em sua bolsa a caixinha de fósforo que guardava suas lâminas. Os dedos finos e compridos estavam trêmulos, gelados. Ela segurou uma e a encarou com delicadeza, puxando a manga do moletom para cima, expondo uma fileira de cicatrizes em quase todo seu antebraço. Respirando fundo, encostou a ponta da lâmina no canto superior do pulso, arrastando-a com força até a outra extremidade, em diagonal, fazendo uma linha reta e comprida.
O êxtase fora imediato.
O coração bateu forte, o ardor a fez perder o fôlego.
Uma lágrima escapou de ambos seus olhos e ela os fechou, lambendo os lábios ao sentir o sangue começar a brotar em pequenas gotículas avermelhadas. Relaxando a coluna na parede, ela abaixou o queixo e as encarou, pressionando a ponta do indicador por cima daquele novo corte, aquele novo dengo. O sangue criou um caminho alaranjado, onde novas gotas foram saindo de forma mais vigorosa.
sorriu.
Ali estava algo que ela conseguia controlar: sua dor, seu prazer, ambos andando lado a lado. Ninguém era capaz de dizer qual era seu limite e quando ela deveria parar, nem se deveria parar. Não havia gritos ou julgamentos, apenas ela, seu coração batendo forte, o sangue que ele bombeava, a prova de que ela estava viva e o que estava dentro dela era real. Toda a raiva expelida, controlada, exalada. Estava calma, em paz.
Endorfina. Um sorriso. Sangue.

Estava sentada na arquibancada externa do colégio, onde, pelas gigantescas janelas de vidro, conseguia ter uma visão perfeita de todos os alunos se espalhando pelo refeitório em sua diária falsidade coletiva. sempre preferiu comer, quando comia, sozinha, do lado de fora, mesmo quando o tempo estava insuportavelmente frio, como naquele exato dia.
As nuvens encobriam todo o céu e não havia nenhum resquício de que o sol haveria de sair mais tarde. O vento estava forte, as árvores dançavam com a melodia quase fantasmagórica daquela área externa deserta, exceto pelo zelador Collins — ele já deveria ter se aposentado há uns dez meses, mas, por insistência do próprio, que alegara não ter nenhuma outra ocupação na vida a não ser limpar a bagunça daqueles meninos, o diretor do colégio o havia dado mais dois anos de trabalho remunerado. Contudo, depois da data acertada por contrato, não haveria nada que pudessem fazer.
levou o cigarro de maconha até a boca e tragou forte, sentindo a garganta queimar e segurando nos pulmões no mesmo momento em que encarava aquele velho senhor murmurar — ou estava cantarolando? — enquanto varria a neve do campo de baseball.
A escola era conhecida pelas vitórias destruidoras em todos os campeonatos regionais e, como o tempo andava mais frio que o comum, com neve quase todos os dias, os meninos estavam sem treinar por quase duas semanas, algo que o treinador Knitz não aceitava de forma alguma. Que queimassem no inferno, mas não perderiam aquela temporada por causa de gelo.
Ela desviou os olhos azuis para o céu apenas por um instante, enquanto exalava a fumaça e acompanhava o vapor se dissipar junto ao ar. Então, quando tornou a olhar para onde o zelador estava, seu corpo havia sido substituído por uma imensa poça de sangue.
Seu peito subitamente apertou em uma estranha sensação. Ela inclinou o rosto para o lado e no mesmo instante se colocou de pé, descendo as arquibancadas para ver aquilo mais de perto.
Estava alucinando?
Os passos na neve pareciam ainda mais barulhentos conforme a erva fazia efeito em seu organismo, assim como a cor berrante do vermelho reluzindo brilhante na neve extremamente branca. Ela se abaixou, tocando no líquido ainda quente. Seus dedos ficaram sujos, assim como a manga de seu moletom cinza estava, devido ao corte que havia feito mais cedo. Ela não estava alucinando.
Erguendo o pescoço para as árvores, encarou um vulto se colocando de pé. Seu coração bateu mais forte, então, silenciosa, ela também ficou ereta. Não percebera os olhos arregalados até que o homem — que usava apenas uma calça jeans e estava descalço — virou em sua direção. Os cabelos ondulados estavam bagunçados de uma forma animalesca, assim como o sorriso que lhe lançou.
Ela não conseguia ver seu rosto.
Quando o homem se virou em sua direção, o primeiro instinto foi recuar um passo.
O sino do colégio tocou, fazendo-a pular ressaltada para trás, com a mão no peito que batia extremamente forte, o rosto sem cor, os lábios secos, as mãos geladas. Respirando ofegante, ela se voltou novamente para a figura das árvores, mas ele não estava mais lá.

Assim que seu despertador tocou, puxou o rosto para trás e piscou os olhos um par de vezes até acordar de seu transe, lembrando-se do homem e do sangue do zelador. Aquela imagem não saía de sua cabeça.
Imaginou do que e, principalmente, como Collins havia morrido. Porque ele estava morto. Ela não estava ficando louca. Precisava falar daquilo com alguém, mas quem?
Bufando, encarou as horas em seu celular, xingando enquanto levantava rápido da cadeira e corria em direção ao ginásio fechado, no último bloco do colégio.

— Quem é vivo sempre aparece, não é, senhorita Burwell? — Ava Braslavschi era uma velha senhora magrela e enrugada que, ao colocar aquele collant de ballet, mais parecia uma bruxa que uma dançarina respeitada da Rússia.
— Eu me atrasei — resmungou , jogando sua bolsa no chão enquanto desabotoava a calça, expondo sua meia-calça rosa. Sentia-se ridícula naquilo.
— Estou vendo — retrucou em seu sotaque irritante. — Alongue — ordenou.
respirou fundo e, no canto da sala, tirou seu moletom, sentindo as costas aquecerem com os olhares que eram lançados em sua direção. Tratou de pegar logo sua blusa de mangas compridas, colocando-a por cima do body preto, vestindo também um short de lycra. Prendeu os cabelos em um coque bem apertado e respirou fundo, sentando-se para calçar as sapatilhas.
Por que porra ainda fazia aquelas malditas aulas de ballet?
— Olá, linda — sorriu Yurio. , mesmo sem querer, abriu um sorriso sincero. — Gata, você está cheirando a maconha. Não tem um perfuminho aí, não? Se Ava sentir, vai pegar ainda mais no seu pé.
— Não tenho — disse ela.
Yurio então se esticou na ponta dos pés e pegou sua bolsa branca, abrindo-a sem muitas dificuldades. Remexeu em seu interior por apenas alguns segundos até pegar uma nécessaire rosa e, dentro dela, um vidro de perfume âmbar, olhando timidamente para trás antes de dar borrifadas no pescoço e pulsos — fazendo-a puxar o ar e morder os lábios com o ardor — da garota. O menino sorriu.
— Pronto, perfeita — encarou a amiga. — Tirando esse cabelo horroroso... Olha, amiga, não é por nada não, mas você precisa melhorar — choramingou.
— Já está alongada, senhorita Burwell? — reclamou Ava. molhou os lábios e rolou os olhos.
— Sim — mentiu, abrindo um sorriso extremamente falso. Yurio lançou uma piscadela em sua direção e lhe estendeu a mão para que ficassem de pé.
Mesmo sendo baixa, sentia-se alta quando perto de seu único amigo. Ambos caminharam lado a lado até a barra posta à frente do espelho, ficando um de frente para o outro. Yurio levantou o queixo na posição que ela, em seu íntimo, considerava orgulho cínico de todo bailarino. Respirando fundo, ela segurou na barra, ajustou os pés em plié e olhou nos olhos de seu parceiro, segurando o riso — algo que também o fez tentar não sorrir, desviando os olhos para o teto.
— Estão todos na posição? — Ava bateu palmas, olhando seus alunos. — Música! Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito. E um, dois, três, quatro...
— Ei, preciso te contar — sussurrou Yurio, enquanto repetia roboticamente os principais passos do adágio na contagem de Ava. — Nikolai vai dar uma festa hoje, na casa dele — o garoto arregalou os olhos em empolgação, contendo um enorme sorriso.
— E daí? — disse com nojo, jogando o pescoço para o lado e alongando o corpo quando percebeu Ava em sua direção. — Você sabe que eu odeio essas merdas — sussurrou.
— E você sabe que eu sempre fui a fim dele! — reclamou o garoto, franzindo sutilmente o cenho. — Larga de ser egoísta, eu te emprestei meu Chanel Nº 5!
— Eu não pedi! — retrucou, sussurrando um pouco mais alto e bruta.
— A conversa está boa, senhorita Burwell? — gritou Ava, interrompendo a contagem e a música. Todos olharam em sua direção.
— Na verdade, Ava, está bem boa, sim — disse sem paciência, mostrando sua total falta de vontade de estar ali. Algumas garotas soltaram o ar ao abrir suas bocas. A professora molhou os lábios e olhou para os lados, incrédula, então tornou a encará-la com a raiva explícita nos olhos escuros.
— Basta! Já é sua terceira notificação neste semestre, senhorita, en...
— Não precisa se preocupar, chérie — interrompeu , esticando a mão na direção da professora. — Eu não quero participar desse caralho de apresentação, obrigada — então pisou duro, ouvindo os murmúrios e risos das demais alunas e a risada baixa de Yurio. Caminhou até sua bolsa, pegando sua carteira de cigarros e isqueiro, olhando para o amigo. — Dez horas, hoje, lá em casa? — apontou para ele, jogando a atenção para seu corpo rijo e olhos amendoados. Com as bochechas vermelhas, ele assentiu timidamente. — Nos vemos, então — ela colocou um cigarro na boca, acendendo-o e tragando antes de empurrar a porta e esticar o dedo do meio ao sair pelo corredor.

Seu relógio marcava nove e meia, e a única coisa que faltava era um pouco de rímel.
A verdade era que se arrependera profundamente de ter aceitado tal convite. Estava com raiva, não queria sair de casa. Rolando os olhos maquiados de preto, pegou sua máscara de cílios e apoiou os cotovelos sem nenhuma paciência na pia, passando algumas vezes e se contentando com um resultado mediano.
Encarou-se no espelho, balançando a cabeça nem em reprovação, nem em aprovação. Estava ok. Escolheu uma regata branca simples, jaqueta, calça jeans skinny e bota de cano curto pretos. Os cabelos estavam soltos, bagunçados, jogados para o lado em um volume considerável.
Respirou fundo e olhou pela janela de seu quarto, que dava uma vista exata para a rua de seu condomínio. Nenhum sinal do carro de Yurio. Talvez ele tivesse parado algumas casas atrás para que seus pais não percebessem que ela fosse sair — como se fosse capaz.
abriu a janela e, sem nenhum esforço, colocou-se para fora e buscou apoio no tronco da árvore da casa vizinha, agachando-se para melhorar o equilíbrio. A queda não era tão horrenda e ela já estava acostumada: desde os nove anos, costumava fugir por ali para evitar ouvir as brigas constantes dos pais. Se eles se odiavam tanto, por que simplesmente não se divorciavam?
Ela caminhou pela madeira cilíndrica até o tronco principal, segurando-se ali. Olhou para baixo e, colocando os fios de cabelo que caíram em seu rosto para trás, molhou os lábios, sentou-se e simplesmente pulou, caindo agachada. Olhou para cima, mordendo os lábios, e depois para a janela da sala, encarando seu pai assistindo à TV e sua mãe, na cozinha. Levantando-se ainda côncava, correu em direção à rua e enfim começou a andar normal, com os braços cruzados.
Jogou o pescoço para trás e encarou o céu estrelado, sentindo-se estranhamente aliviada. Tinha tempo que não saía de casa para respirar.
Caminhou em direção à pracinha do condomínio, na qual haviam improvisado um parquinho para que as crianças brincassem nos dias em que o sol ousasse sair. Não era nada especial: havia uma gangorra, um balanço e um trepa-trepa.
Aproximou-se do balanço e, vendo que não estava molhado, ela sentou-se ali para esperar o amigo. Molhando os lábios, buscou o celular no bolso da jaqueta e rolou os olhos.
22:10.
A noite estava silenciosa e escura. A única alma que pairava pela rua parecia ser a dela, pelo frio que fazia. O arrependimento voltara, e aquele mísero de felicidade por estar fora de casa havia se esvaído naquele instante.
— Bosta — rolou os olhos, colocando-se de pé. Discou os números do amigo.
— Eiii, aqui é o Yurio! Não posso atender agora, mas deixa uma mensagem que te retorno quando e se eu quiser. Beijinhos!
— Não está se esquecendo de alguma coisa, filho da puta? — e desligou.
A gangorra, em um baque estrondoso, bateu no chão. saltou no balanço e o ferro velho rangeu com seu peso. Aquela mesma sensação de antes havia tomado seu peito. A respiração acelerada a fez dar um passo para trás, tombando em alguém.
Ao virar-se, não havia corpo algum.
— Merda — resmungou. — Quem quer que esteja aí, vá pra puta que te pariu, filho da puta! — gritou, sua voz ecoando por entre as casas. — Desisto dessa porra. Eu vou voltar pra merda da minha casa.
Então, subitamente, sentiu dedos enroscando em seu cotovelo, e seu braço foi brutalmente puxado para trás, fazendo-a, sem querer, soltar um grunhido de susto.
Pareceu tomar um soco no estômago ao encarar seus olhos, que, tão intensamente azuis, mais pareciam cristais, sutilmente ainda mais anis quando, em um ato que mais parecia mania que charme, ele unia as sobrancelhas extremamente escuras, não tão grossas, retas, em um franzir de cenho. Os cabelos eram cacheados e compridos, na altura do pescoço, ondulados e castanhos bem escuros. O nariz era reto, grande, os lábios, grossos, com o desenho perfeito de duas ondas em seu lábio superior. As mandíbulas fundas, travadas, eram adornadas por uma barba por fazer bem cuidada e aparada, que lhe marcava o queixo quadrado e rígido.
puxou com força o braço, sem muitas dificuldades para se soltar, embora a visível força do rapaz. Ele levantou as duas mãos, os músculos dos bíceps e antebraços marcados por veias, rendendo-se junto a um sorriso galanteador, abaixando a cabeça.
— Não queria te assustar — disse baixo, subindo os felinos olhos em direção a ela. não conseguia respirar, ainda sentindo o coração bater extremamente forte.
— Bem, você foi um merda nessa parte — embora tivesse tentado, a voz não saíra tão forte como deveria. E ele percebeu. Depois de incontáveis segundos que mais pareciam horas, seu cérebro registrou o barulho estridente de seu celular tocando. Os olhos perturbadores do garoto se guiaram para suas mãos.
— Você não vai atender?
Balançando a cabeça para acordar de seu transe, colocou o telefone no ouvido sem ao menos saber quem era.
— Ei, gata, onde você está?
— Yurio? Yurio, porra, onde você está? — rosnou.
— Estou onde você deveria estar, garota! Na casa daquele gostoso, delícia, tesu...
— Você deveria ter vindo me buscar! — gritou.
— Deveria? — seu tom era de surpresa. — Quando combinamos isso?
— Na aula daquela vac... — ela levou a mão para testa, apertando a sobrancelha. — Quer saber? Esquece. Eu não vou mais.
— Não, gata, espera! O Nikolai ainda não bebeu, ele só ‘tá um pouco chapado, mas pode ir te buscar!
— Esquece, Yurio — então ela desligou com raiva.
Assim que levantou a cabeça para seguir de volta para sua casa, o garoto estava novamente parado à sua frente.
— Caralho, qual é o seu problema? — resmungou, puxando os cabelos para trás. — O que você quer, mano?
— Te ajudar — disse ele. Ela franziu o cenho e o encarou com nojo.
— Que porra você ‘tá falando?
Burwell, da International District? — ele alargou seu sorriso quando percebeu seu espanto. — Sou amigo do Nikolai. Também estou indo para a festa dele. Você quer carona?


2. ice blue


CAPÍTULO DOIS


— Eu não te conheço — resmungou entediada, começando a caminhar de volta para sua casa com os braços cruzados. O garoto foi em seu encalce. — Eu nem sei seu nome, cara, por que você não me deixa em paz? — ela rolou os olhos.
— ela conseguiu ouvir o som irônico em sua fala. Aquilo a fez bufar, parando de andar subitamente, virando-se para ele. Não eram tão diferentes de altura, embora ele ainda fosse uma cabeça mais alto. Arqueando os olhos claros na direção dos dele, de forma felina, estreitos, acompanhou-o abrir tal ironia outrora sorridente nos lábios.
— O máximo que você pode fazer é me sequestrar e me estuprar durante alguns meses até enjoar da minha cara e sair perseguindo outra garota, não é, ? — olhando para o lado enquanto passava a língua no lábio inferior, ele inclinou a cabeça sem afirmar ou negar. — Então foda-se, porra, eu não tenho nada a perder mesmo. Tenho? Onde está a merda do seu carro?

O caminho fora rápido e silencioso. encarava entediada as árvores passando rápido e ignorava qualquer tentativa de conversa vinda do outro, resmungando alguma resposta monossílaba ou sorriso falso. Ele, por outro lado, parecia cada vez mais interessado no tédio dela. Trocava as marchas com leveza, acelerando cada vez mais.
A casa de Nikolai era ridiculamente clichê. O jardim lotado de adolescentes bêbados, a música ecoando alta desde o começo da rua, o som de risadas inundando seu cérebro de forma irritante.
Quando estacionaram o Camaro preto um pouco distante da casa (talvez por pura precaução, talvez para não chamar atenção – ela pouco se importava), empurrou a porta e, batendo continência de forma falsa e forçada, agradeceu e logo se perdeu em meio ao cheiro suor e ao hip-hop que tocava em meio à fumaça de cigarro e maconha.
Ela não conhecia ninguém, mas tinha quase certeza de que todos ali a conheciam, pelo menos de vista. Colocou a mão nos bolsos traseiros da calça e respirou fundo, procurando, entre tantos rostos embriagados, o de seu amigo. Seguiu pela cozinha, desviando de alguns casais e garotos seminus que babavam de rir de tão bêbados, abrindo a geladeira e se servindo de uma cerveja barata.
, você veio! — gritou uma voz conhecida. Depois de um longo gole que gelou sua garganta, ela se virou e fitou os olhos caídos e vermelhos de Yurio. Ela sorriu.
— Consegui uma carona — disse simplesmente. — Você fez tanta questão que eu viesse para isso? — olhou ao seu redor com certa repulsa. Estava deplorável. Pareciam crianças que enchiam a cara quando os pais saíam de férias.
— Ah, querida, a festa não é aqui — ele riu, segurando seu pulso.
Seguiram pelas pessoas até a escada, caminhando até o segundo andar. Foram até a última porta do corredor, onde o garoto deu duas batidas seguidas. Pouco depois, Nikolai, um garoto de cabelos ruivos grandes, ondulados e volumosos, presos em um meio rabo, abriu a porta com um sorriso largo nos lábios finos e rosados. Deu espaço para que o menino entrasse e, assim que passou pelo maior, deu-lhe um tapa na bunda. Rindo, Yurio largou o braço de para apresentá-los.
— Já nos conhecemos — disse . — Você faz francês comigo — Nikolai, nitidamente chapado, apenas concordou.
— Estamos brincando de verdade ou consequência — gritou uma garota do fundo do quarto.
— Você só pode estar fodendo comigo — disse baixo, dando outro gole de sua cerveja.
— Onde conseguiu isso, fofa? — perguntou Nikolai em seu sotaque afetado de gay, apontando para a garrafa. encarou o vidro amarelado em suas mãos e deu de ombros, franzindo levemente o cenho.
— Eu me servi. Pensei que estava tudo bem.
— Não, não, não é esse o problema. Mas, fofa, cerveja? Não. Você não vai ficar bêbada nunca. Clary, garota, pega uma dose dupla de vodca para essa menina. Pura, tá? Sem gelo — uma garota morena se levantou da rodinha improvisada e buscou em um minibar uma garrafa cheia de vodca.
arqueou a sobrancelha em aprovação.
Bem... Talvez possamos tirar proveito disso.

Ela não sabia responder quanto tempo havia se passado. Uma, talvez duas horas e meia. Só sabia que estava bêbada. Muito bêbada e bastante chapada. Começou com maconha, não queria misturar. Mas, depois, um garoto que ela já não se lembrava do nome apareceu com cocaína e heroína. Fazia tempo que ela não cheirava umas carreiras. Foram só algumas, mas cortou o efeito do álcool. Não estava mais tão engraçado quanto antes. Então, optou por algumas bolinhas de ecstasy e um pouquinho de LSD para completar a onda. Um garoto chamado Teddy começou a preparar alguns drinks com nomes eróticos, colocando tudo quanto era bebida que encontrava escondida no quarto de Nikolai. Naquele momento, ela já não sabia o que estava bebendo, porém era escuro e tinha um gosto bom, bem forte. Descia queimando e sempre a fazia rir de sua própria careta ao engolir.
Estava com tesão.
O jogo continuava rolando, sendo interrompido diversas vezes por conversas paralelas, mas o foco sempre acabava sendo foder alguém com outra pessoa e arrancar verdades constrangedoras de outro alguém daquele meio. Ela já não se lembrava do nome da maioria das pessoas, dirigindo-se por apelidos que havia criado para cada um deles.
Giraram a garrafa. Bateram à porta.
— Meu amigo chegou! — gritou um Nikolai visivelmente alterado, já sem blusa, com a calça aberta depois de receber um boquete de algum dos meninos. — Gente, ele não é daqui. Então, por favor: sem zoar com o sotaque do cara e, principalmente, sejam legais com o ele!
— De onde ele é? — alguém perguntou.
— Sei lá — rindo, Nikolai abriu a porta, e o meio das pernas de palpitou tão alto quanto seu coração.
Era . Ela não esqueceria tais olhos da cor de gelo. O garoto sorriu e ambos bateram as mãos, se cumprimentando. Ela engoliu em seco, olhando de soslaio para Yurio, que não percebera seu pedido de socorro.
— Galera, esse é o . Ele é da Inglaterra — ouviu-se um coro de "uuh", arrancando risadas bêbadas. Os olhos de gelo caíram sobre a garota, que tinha os lábios entreabertos e os olhos alertas, as pupilas dilatadas tanto de tesão quanto da quantidade de droga que circulava por seu corpo.
— Estamos brincando de verdade ou consequência. Senta aí — ele arqueou a sobrancelha reta, ainda encarando a garota, que pigarreou, esticando a mão para pegar a garrafa.
— Não, não! Você acha que eu não vi? Caiu em você, piranha. Eu vou te fazer uma pergunta! — gritou Clary, que, àquela altura, já havia se autointitulado sua melhor amiga.
colocou as mãos para trás, apoiando o corpo, empinando o peito, evitando olhar na direção de , embora sentisse o calor que ele emanava a encará-la sem menor vergonha. Molhando os lábios, soltou um suspiro alto.
— Ok... — a garota, que estava sentada no colo de um moreno de olhos claros, que constantemente passava a mão por dentro de sua blusa, indo e apertando seus peitos, fazendo-a rir e desconcentrá-la de tal maldita pergunta, mordeu os lábios e abriu um sorriso malicioso. — Já sei! — gritou, arrancando palmas dos demais. — Me conta uma coisa suja que você faz na hora do sexo. Uma coisa que só você e o cara que ‘tá te comendo sabem. Sei lá, uma coisa que você não falaria para qualquer um.
— Um fetiche? — sentiu o sangue sair do rosto. — Sério?
— Eu sei! — gritou Yurio. — Se ela mentir, eu vou falar! — gargalhou.
— Que bosta, Clary. Não podia perguntar minha cor preferida?
— Eu também sei! — Nikolai riu, empurrando Yurio da cama.
— Ah... — ela respirou fundo, olhando para o teto. — Eu curto levar uns tapas — deu de ombros.
— Ah, mas não é assim, não! — gritou seu amigo, da cama, ao lado de Nikolai. — Ela gosta é de levar porrada mesmo! Teve um dia que ela chegou na escola com o braço todo marcado de corda, a perna toda roxa. Nossa professora de ballet pensou que ela tinha sido atropelada — gargalhou.
— Tipo bondage? — retrucou o moreno de Clary.
— É, tipo bondage, mas aquela coisa bem feita — respondeu, rendendo-se. — Não aquela coisinha ridícula tipo Cinquenta Tons de Cinza. Aquilo não é sadomasoquismo em lugar nenhum. Gosto da parada que não te deixa se mexer mesmo, submissão, aquilo que o cara te venda, te amordaça, cospe na sua boca, pega um chicote de cavalo e bate na sua bunda só porque você não respondeu na hora certa, o que ele queria, e bate para deixar vergão mesmo, não um tapinha meia boca para deixar marca de mão, só na hora. Pinga cera de vela no seu peito e dá na sua cara se você desobedecê-lo, puxa seu cabelo, usa brinquedo... — pigarreou. — Vocês entenderam — seu rosto começou a corar conforme falava, principalmente porque sentia todos os olhares em sua direção, mas o mais pertinente era o de . Ele simplesmente a engolia com os olhos.
— Que horror, garota! Quem gosta de sexo assim? Tem que ter amorzinho... — gemeu a ruiva de cabelos crespos.
— Tem amorzinho, mas do nosso jeito — ela deu de ombros. — O negócio do sadomasoquismo é sentir acima de tudo. Tem que ter muito respeito entre os dois.
— Tá a fim de levar uns tapas meus, ? — o garoto ao seu lado perguntou, o que usava óculos quadrados e tinha cabelos lisos. Ela negou com a cabeça, lançando um sorriso falso em sua direção.
— A parte mais legal no sadomasoquismo é que a gente escolhe para quem dar e, desculpa, mano, você ‘tá longe de fazer meu perfil. Você não deve dominar nem seu cachorro — os demais da roda riram, exceto , que ainda a encarava.
— E eu, , faço seu perfil? — indagou. Um som rouco e excitado saindo de seus lábios.
— Eita, agora que a parada ficou séria! Pensei que britânicos não tivessem senso de humor — Teddy bateu palmas, incentivando. — Eu preciso de mais álcool, gente.
Molhando os lábios, ela os manteve fechado.
— Vai, , responde! — gritou Clary.
— Desculpa — ela rodou a garrafa. — Mas não é mais minha vez de responder.

Já passavam das seis da manhã e o sol estava começando a nascer. Alguns garotos já estavam indo embora, enquanto outros se espalhavam pela sala, quintal, área externa da piscina, desmaiados bêbados ou transando.

sentia seus olhos pesarem. Estava na hora de ir embora e a melhor forma de fazer isso, no estado que estava, era ir a pé. Não queria dar para nenhum daqueles caras, principalmente depois do que havia falado naquela brincadeira idiota. Além do mais, chegaria cansada o suficiente para deitar e dormir.
O quarto de Nikolai estava habitado por corpos inanimados. Yurio estava desmaiado ao seu lado, na cama, e ela tomou todo cuidado necessário ao levantar para não acordá-lo, embora tivesse certeza de que, mesmo se houvesse um terremoto, aquele garoto não iria despertar.
Pegando suas botas, ela abriu a porta com cuidado e a fechou com tal, virando-se lentamente, segurando o fôlego ao chocar-se com um corpo quente, um perfume que já havia se tornado familiar. Respirando fundo, ela deixou que ele tocasse sua cintura e levasse os lábios para seu pescoço, cheirando sua nuca e puxando seus cabelos compridos para a lateral. Apertando os dedos nos ossos de seu ilíaco para encoxá-la, deixou-a sentir seu membro duro em sua bunda. sorriu, levando a mão livre para seus cabelos ondulados, jogando a cabeça para trás, deixando que a boca dele beijasse e mordesse a pele branca de seu ombro, clavícula, base do pescoço.
Suas pernas estavam trêmulas, seu corpo inteiro ardia em excitação. Ele sentia seu cheiro.
Ele a virou com certa brutalidade, empurrando-a contra a parede em um baque baixo, fazendo-a largar as botas no chão. Um riso mudo saiu soprado dos lábios da garota, contendo um gemido de satisfação ao encarar tais olhos que a hipnotizavam sem necessidade. Ela encarou seus lábios desenhados retos, sem esconder ou mostrar nenhum sorriso.
Respirava tranquilamente, dono da situação, sem mostrar nenhum tipo de descontrole. sabia o que estava fazendo.
Segurou seus pulsos com o polegar e indicador, unindo-os em um V acima de sua cabeça, descendo a outra mão para o zíper da sua calça sem desconectar os olhos dos dela. Desabotoou a calça, colocando a mão por dentro da calcinha molhada, exibindo um mínimo sorriso de satisfação ao percebê-la completamente ensopada. Ele já sabia que estava assim. Ele pressionou o indicador e médio em um vai e vem em seus grandes lábios, massageando-os com a ponta dos dedos, fazendo movimentos circulares ao chegar ao clitóris. entreabriu os lábios e os mordeu, soprando o ar preso na garganta.
Quando ela tentou puxar as mãos para apoiá-las no ombro dele, sentiu-o apertar com mais força, então esboçou sua risada embriagada.
— Você realmente quer levar isso a sério, não quer? — sussurrou ela. Ele inclinou suavemente a cabeça para o lado, soltando-se dela e largando-a com as pernas abertas no corredor.
Molhando os lábios, ele abriu a porta do banheiro e a deixou aberta, esperando que ela entrasse. Sem responder, ela obedeceu. Assim que a garota entrou, fechou a porta e a empurrou com força contra a pia, segurando-a pelo pescoço e puxando sua calça para baixo, mostrando sua bunda branca, linda e redonda, que implorava por um tom mais vermelho.
Enrolando a mão em seus cabelos para que as mechas pretas não lhe escondessem o rosto, ele a puxou para que visse seu reflexo no espelho. Seus olhos transbordavam luxúria. espalmou a mão na pele macia da bunda de , começando a acariciá-la lentamente e apertando-a quando chegava próximo à coxa.
— Você não respondeu minha pergunta — disse ele, fazendo-a encará-lo. Ele, por sua vez, olhava o caminho que sua mão traçava, nitidamente interessado e excitado com tal visão.
— Que pergunta? — franziu o cenho, mordendo o lábio quando a mão dele chegou perto demais da sua intimidade, ousando lambuzar-se em sua excitação. riu de sua fraqueza, deixando um sorriso no canto dos lábios.
— Se eu fazia seu perfil — soprou uma risada, negando com a cabeça. Os olhos cor de gelo subiram em sua direção como um raio, fitando-a pelo espelho. Ela sentiu um arrepio passando pelo corpo.
Naquele momento, levantou o braço e deu um tapa estalado, pesado, ardido em sua bunda. O corpo dela foi para frente e teve a impressão de que aquilo ressoou pela casa, acordando metade de quem estava lá. Muda, ela apertou e rolou os olhos em extrema dor. Quando o quente de onde os dedos e palma dele haviam tocado deu espaço para o ardor e formigamento, um gemido baixo escapou dos lábios fechados, o corpo indo automaticamente para trás, pedindo outro. a acariciou mais uma vez e, quando ele subiu a mão para batê-la de novo, puxou seu cabelo ao perceber seu instinto de se encolher, de se proteger, como todo animal acuado. Ela abriu os olhos sedentos por desejo e se encararam ao ser estapeada novamente, um gemido alto de prazer ecoando pelas paredes do banheiro, as sobrancelhas encolhidas, os lábios mordidos com força.
a puxou novamente, desta vez para que seus corpos se unissem. Começou a massagear sua vulva, masturbando-a enquanto mordia seu pescoço, sentindo sua pulsação acelerada passando leve por cima da pele fina de seus lábios. Ele encarava seu pecado, seu desejo, sua luxúria, sugando ele.
Quando a soltou, largando-a na pia, tirou a calça e a blusa, parando por um segundo e perdendo total o foco ao vê-lo tirar sua própria roupa. Seu corpo era escultural, rijo, quase sem pintas e marcas.
Antes de piscar, ele a virou com força e tomou seus lábios, beijando-a com força. Sua boca era quente, feroz, macia, doce. Suas mãos guiaram-se para seus quadris e a ergueram para a pia, colocando-a sentada ali. Ela inclinou o tronco, levantando as pernas para que se encaixassem melhor. Ele segurou suas coxas, arranhando-as com força, deixando vergões e gotículas de sangue. Separando seus lábios para gemer, acompanhou enquanto se agachava para lamber seu sangue. Sua língua quente a lambeu até o interior da coxa, mordendo-a suavemente. Ela arfou, sentindo o peito explodir em tesão.
Naquele momento, então, sentiu algo diferente em seu organismo. Ao seu redor, as cores ficaram mais vibrantes, assim como o toque de seus corpos, os sons, o eriçar de seus pelos, seus sentidos e sentimentos. Percebia sua força aumentar, assim como a vontade de fodê-la incontrolavelmente até que seus músculos não aguentassem mais e literalmente explodissem. Sentia cada célula de seu corpo se preenchendo com prazer, cada mínima mudança na fluidez de seu sangue. Sentia cada centímetro da sua excitação.
Ao encarar-se de relance no espelho, percebera os olhos mais brilhantes e, por milímetros, os dentes mais afiados. A pele parecia mais dura, avermelhada.
sorriu, jogando a cabeça para trás, sentindo os lábios de ali, beijando-o e chupando-o. Ele a segurou com força, desatando-o o próprio cinto e calça, masturbando-se enquanto esfregava a glande na intimidade encharcada dela antes de começar a meter com força.
Cada vez que a garota escorregava para trás, a puxava para que o contato fosse maior e a penetração, mais funda. Encarava-se pelo espelho, abaixava os olhos para assistir enquanto seu membro brilhante pela excitação dela entrava e saía de , ela gemendo e arranhando sua nuca, ombro e costas cada vez que ele metia mais forte. A cada momento sentia-se mais invencível.
Segurou-a pela cintura e a pegou no colo, apoiando seu corpo na parede. Segurando-a pelas coxas, começou a meter com força, apertando sua bunda, fincando as unhas em sua pele. Levou a boca até seu pescoço, começando a chupar e morder sua jugular, sentindo o gosto doce de seu sangue passando pelos poros de sua pele. Ele queria mordê-la, acabar com aquilo da melhor forma possível, mas não podia. Ainda não. Não ali.
impulsionou o corpo com os ombros, fazendo desencostá-la da parede e colocá-la no chão. Voltando para a pia, ela se colocou apoiada de quatro, olhando-o por cima do ombro.
segurou-a pela nuca e quadril, encaixando-se nela. Meteu lentamente, sentindo-a fundo e devagar, fazendo-a gemer baixo. rebolou com seu membro rijo dentro dela, indo e vindo algumas vezes, até que ele começou a meter. Beijaram-se rapidamente, mas o banheiro estava infernalmente quente, o ar lhes faltava, seus corpos estavam extasiados.
ofegava conforme sua intimidade ficava cada vez mais sensível, o orgasmo crescendo e se tornando cada vez mais forte, explodindo em seu corpo como uma bomba atômica e fazendo suas pernas tremerem. Ela franziu o cenho, gemendo alto enquanto sentia seu corpo inteiro palpitar. começou a meter mais forte, encarando seu rosto enquanto ela gozava. Ele levou a mão até seu clitóris e começou a masturbá-la novamente, até que ela arregalou seus olhos e impulsionou o corpo para frente, levando a mão para a dele. riu – um riso sujo –, começando a meter com ainda mais força.
— Eu que decido a hora de parar — rosnou, puxando o quadril dela, seus corpos chocando-se com força. Ele mordeu os lábios e franziu o cenho, o corpo inteiro entrando em transe conforme a garota gemia em agonia de tanto prazer, palpitando forte em seu membro e contraindo-se embaixo dele.
Soltando os lábios, arfava conforme metia cada vez mais rápido, sentindo o orgasmo vir. Puxou o cabelo de novamente para que pudesse ver seu rosto no reflexo do espelho, seu olhar completamente rendido a ele. Segurou seu queixo, virando sua boca para que pudesse mordê-la, sentindo o gosto de seu sangue novamente em sua boca. Aquele fora o ápice de seu gozo. Tirou rápido o membro de dentro dela e se masturbou enquanto a beijava com ferocidade e velocidade, gemendo conforme o corpo arrepiava a cada jato de prazer, sentindo a mão ficar melada.
se virou para ele, segurando seus maxilares para que continuassem se beijando. Com a ponta dos pés e um impulso pequeno, sentou-se na pia, respirando com dificuldade. Ele se meteu no meio de suas pernas, retribuindo seu beijo com mesma vontade.
Ao separarem-se, ela levou à mão a boca e riu, segurando o lábio cortado.
— Isso vai inchar — soprou uma risada, encarando-o nos olhos cor de gelo. Ele sorriu pelo canto dos olhos, afastando-se alguns centímetros dela. Ela respirou fundo e assentiu. — Preciso ir embora — ela se levantou.
— Eu sei. Quer carona? — ela negou com a cabeça.
— Não. É melhor ir a pé — ele assentiu enquanto abria a porta do box. Ela sorriu pelo canto dos lábios, seguindo para junto dele. Ele abriu o registro e se meteu embaixo d'água. Mais uma vez ela se perdeu em seu corpo, em seus detalhes.
Quando ele abriu os olhos e percebeu que ela o encarava, riu. Não escondeu tal sorriso, dando espaço para que uma visivelmente envergonhada se molhasse também.
— Acho que não preciso mais responder se você faz ou não meu perfil — respondeu enquanto deixava a água escorrer pelos cabelos suados.
— Faço seu perfil físico, mas não foi essa minha pergunta — ele começou a se esfregar com um sabonete líquido com cheiro de erva doce. Ele odiava aquele cheiro.
— Eu seria sua submissa, se é isso que tanto te interessa saber — respondeu depois de alguns segundos, pegando o sabonete também. — Mas é uma pena que nunca mais nos veremos — deu de ombros, ficando embaixo d'água para sair antes dele, enrolando o cabelo em um coque, enxugando-se com a toalha de rosto jogada no chão.
Vestiu-se rápido, abrindo a porta com mesma rapidez.
sorriu, esfregando os cabelos embaixo d'água, deixando-a cair quente por todo o corpo eletrizado.
— É o que veremos, Burwell.


Continua...



Nota da autora (16/09/17): MININAXXX
Fiquei tão FILIZ quando vi os comentários de vcs aqui no site!! Pensei que tinham me abandonado kkkk Vi que alguém falou comigo lá no insta tb, FALA Q EU SIGO DE VOLTA, VIU, GENTE?!?! É NOISS
Gostaram dessa primeira cena? Ai to nervousa
Quero que a putaria comece logo, que a quebradera voe, que as galinha comecem a brigar (aiinn amoo)
To com fogo no rabo, então nem posso falar muito hoje
Só quero agradecer mesmo pelo carinho e por não me abandonarem. Eu não vou demorar pra atualizar, okeyyy?? Vou tentar fazer atualizações quinzenais, juroooo!! Divulguem prazamiga, prozamigo, prozboy aprenderem como faz o tchererê. Vamo fazer isso bombar s2
MTMTMTMTMT OBRIGADA MINHAS LITTLE SOULS, AMO VOCÊS DEMAIZÃO <3

insta: @uaizabel



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