
Fic por: Kawany
Beta-Reader: Isabela H.
UM
Dedilhava o violão com habilidade e experiência. O chão era sua platéia e o céu o seu limite. O cabelo da garota dançava em volta de seu rosto redondo e os pés descalços se remexiam para lá e para cá em um remelexo desorganizado. Sorria hora ou outra, cantando uma canção velha e esquecida.
- ? – A voz soou firme e forte nos ouvidos da garota que dançava. Ela parou por um momento, encontrando os olhos frios e calculistas de . O sorriso de seus lábios se foi junto com o olhar animado e o remelexo dos pés.
Uma súbita raiva invadiu seu corpo, já sabia o que ele queria, sabia exatamente como faria e diria. Então, as imagens da noite anterior invadiram sua mente como uma onda que se quebra no mar.
beijava uma garota sobre aquele mesmo carvalho, no qual haviam se beijado pela primeira vez. Ele sussurrava coisas em seu ouvido e essa soltava risinhos. Ela era mais alta que , tinha os cabelos loiros em um corte pouco abaixo dos ombros e tinha olhos verdes.
Imaginar aquela cena lhe causava dor. Por meses, desejou que aquilo não acontecesse, não com ela, não de novo. Desejou com todas as suas forças que ele fosse rápido.
- . – Disse em um tom de voz quase inaudível. Suspirou, tirando o violão de seu ombro e o colocando com delicadeza no chão. - Por favor, seja rápido. – Disse fraca e derrotada.
Ele a olhou. Por um segundo, a tristeza tomou conta de seus olhos, mas, no segundo seguinte, ela saiu tão rápido quanto veio.
- Não irei falar muito. Creio que seus amigos já tenham lhe contado. – Disse com desprezo à palavra amigos. Ele nunca gostara das amizades de . - Bom, meu voo parte às dez da manhã, tenho que ir ao aeroporto. Liza me espera por lá. – Aquele nome entrou em seu coração e a cortou feito faca. - Se cuida, pequena. – Disse, antes de virar as costas a essa e sair.
havia prometido a si mesma que não iria chorar, jurou que não iria deixar uma só lágrima escorrer por seus olhos, mas foi impossível, ele mexera com ela como nenhum outro homem jamais a fez perder a cabeça. A fez ter experiências incríveis e, por um momento, sentiu-se feliz, mas essa felicidade não durou muito.
Nesse momento, sentia-se suja. Queria poder voltar no tempo e desejar nunca conhecer .
(Coloque para tocar: Someone Like You - Adele)
E como uma faca de dois gumes, desejou que ele se arrependesse. Talvez não fosse a pessoa certa, talvez não fosse para ela.
Suspirou.
Olhou para as fotos espalhadas pela cama e sentiu um enorme nó em seu coração. Pensou em todos os momentos que passaram juntos, todos os sorrisos, abraços e carícias trocadas. Apertou o coração com força, sofria por ele, mas não podia deixar a dor dessa perda lhe corroer.
Ao longo de sua adolescência, leu romances em que as mocinhas se despedaçavam por amores perdidos, sempre achou uma perda de tempo, uma vez que nunca gostou de carícias e afetos trocados em público, uma vez que nunca acreditou no amor. E, agora, podia sentir o que elas sentiam, pôde ver o mundo delas com os olhos delas.
Agora entendia o que Julieta sentiu ao ver Romeu no chão, agora sabia que o torpor e o coração partido de Bella não eram meras piegas quando Edward a abandonou.
Fungou e levantou-se, decidiu que de seu relacionamento com iria guardar para si apenas o melhor. Passou a mão pelo rosto molhado por lágrimas claras e salgadas e juntou as fotos, colocou-as dentro de uma pequena caixa de sapato e guardou-a no fundo de seu armário.
Andou até o banheiro, onde se despiu e entrou no box do chuveiro. Deixou que a água gélida caísse em suas costas nuas e atravessasse seu corpo branco. Ficou no chuveiro até começar a tremer de frio. O apartamento não estava nas melhores condições e, em algumas vezes, a água que saía do chuveiro era fria. Vestiu-se e andou até a pequena sala. Jogou-se no sofá e tentou desfrutar dos momentos que passara com . Tentou, pois o torpor ainda estava lá, ela podia senti-lo e sabia que ele não a deixaria em paz tão cedo.
Acordou na manhã seguinte, sem vontade de sair da cama, levantou um pouco a cabeça e observou a janela velha de seu apartamento. Lá fora caía uma chuva torrencial. Rolou os olhos e deu graças a Deus que era sábado. Tentou não se lembrar do dia anterior, pois sabia que voltaria a encher os grandes olhos de água.
Levantou-se com a maior vontade do mundo e andou até o banheiro. Logo, o neto da Senhorita Trusckott chegaria e a chave do apartamento estava com ela. Amélia Trusckott era uma senhora que morava no apartamento do lado do de , ela falecera há algumas semanas e deixou o apartamento em sua posse. Dois dias depois do falecimento da senhora, resolveu ligar para um parente próximo, não queria o apartamento. Falou com a filha de Amélia, uma senhora de 40 e poucos anos, e essa havia dito que deixaria para o filho mais novo.
Tomou um banho rápido, uma vez que a água estava fria e o tempo mais ainda. Colocou um jeans e uma camisa dos Rolling Stones, branca, optou pelas pantufas que tanto gostava e passou um pente nos fios .
Sentou-se no sofá, pegou um livro qualquer que estava lendo e esperou.
O novo Camaro prata estacionou na frente daquele prédio de arquitetura antiga. Ao sair do carro, o jovem torceu o nariz em reprovação, aquilo, decididamente, não era o tipo de lugar para se chamar de lar. Ainda assim, aceitou o convite da mãe de ir passar um tempo na boa e velha Londres, uma vez que sua vida estava uma merda.
Ao atender ao telefone naquela manhã de agosto, há exatamente uma semana atrás, quando procurava pelas respostas para que sua vida seguisse adiante, enquanto ele se perdia em seus próprios passos pela grande casa, sua mãe te liga. Ela diz que está com saudades e diz que sua falecida avó lhe deixa o antigo apartamento.
Enquanto subia pelo velho elevador, ficou imaginando que tipo de pessoa moraria num lugar como aquele, tentou imaginar a vizinha e riu quando uma imagem engraçada lhe veio à cabeça, uma senhora de bobes no cabelo, com as famosas gorduras localizadas e os seios caídos.
Olhou mais uma vez no papel e marcou em sua cabeça “apartamento 22”. Quando finalmente o maldito elevador abriu as portas, rolou os olhos, andando no corredor, olhando atenciosamente os números. Sorriu ao ver o número 22 na porta do penúltimo apartamento. Não sabia se a campainha estava funcionando - uma vez que o prédio já tinha lá suas condições precárias -, então resolveu fazer à moda antiga, dando leves batidas na porta.
Não tendo sucesso, bateu mais uma vez na porta, encarou-a impaciente, nada. E depois, de novo, só que desta vez batendo mais forte.
suspirou, a velha deveria ser surda. Mas a verdade é que a garota lá dentro estava tão entretida em sua leitura, que levou um baita susto ao escutar a porta batendo. Ela levantou-se com raiva, batendo os pés com as pantufas de leões no chão, com força. Abriu a porta pronta para partir para a agressão em seja lá quem fosse, mas repensou ou menos não pensou em mais nada assim que seus olhos foram de encontro com os .
Ao ver a porta se abrir e revelar um par de pantufas de leões zangados, olhou para cima com seus olhos dando de encontro com o par mais belo já visto de olhos . Encarou a menina de cima a baixo e constatou que definitivamente ela não era uma velha.
Mas havia se lembrado do que viera fazer e fechou a cara, mudando a expressão de pastel para uma falsa irritação.
- O que deseja? – Disse rude.
Ao ver a mudança recente de expressão da garota, soltou uma risada baixa e gostosa, dando um de seus sorrisos sarcásticos e descarados.
- Sou o novo inquilino. – Respondeu irônico, divertindo-se com a falsa raiva que a garota transmitida.
Embora seu corpo estivesse se derretendo por ele, sua cabeça se enchia dele. O jeito em que falou aquelas palavras não lhe agradou. Ela fechou a cara e encarou o chão durante um tempo.
- Entre. – Falou um tanto rude, fazendo o rapaz dar-lhe um sorriso torto.
E assim fez, encarou o lugar de cima a baixo. Observou que o apartamento não era tão pequeno, continha um quarto, o qual era totalmente aberto, com uma janela que dava para a escada de incêndio. A sala tinha um visual rústico e meio antiquado, o sofá aparentava ser antigo e a cômoda tinha um toque clássico. A cozinha era separada da sala por um balcão. Grande maioria dos móveis era nova, ele observou.
Ainda com raiva, a garota foi até a cozinha e pegou sobre a geladeira uma pequena chave.
- Aqui está a chave. – Disse, jogando as chaves na mão dele. Ela se aproximou, apoiando-se no balcão logo em seguida. - . Não é? – Perguntou e, sem dar chances do garoto responder, foi falando. - Pois bem, embora este prédio seja antigo, não quer dizer que não tenha regras. – Ele torceu o cenho. - E a principal é: nada de festas. A estrutura é antiga e nós, os moradores, não achamos que suporte tanto. – Disse, dando ênfase em nós. Esperou por alguma resposta ou gracinha, mas ele continuava a encarando com o sorriso torto e irônico no rosto.
Aquilo estava lhe dando nos nervos, achou melhor tirá-lo de sua frente antes mesmo de fazer alguma gracinha, como mandá-lo ir à merda, dar um belo tapa em seu rosto perfeitamente esculpido por anjos ou um beijo nos lábios carnudos enquanto bagunçava aquele cabelo desgrenhado...
Balançou a cabeça, tirando pensamentos tão atrevidos de sua cabeça.
- O apartamento é o da frente, espero que não se perca pelo caminho. – Sarcástica. - E a porta... – seguiu até essa, abrindo-a e mostrando-lhe a porta de seu novo “lar”. - É serventia da casa. – Disse, por fim, apontando com o indicador a porta com o número “23” grafado, em seu rosto um belo sorriso amarelo.
Ele balançou a cabeça, ainda se divertindo, e passou por ela. Afinal, morar ali poderia ter seu ponto positivo.
DOIS
Quando os segundos se arrastam, em nossa cabeça viram minutos. Quando os minutos são lentos ao passarem, tornam-se horas. E as mesmas, quando lentas, tornam-se dias. Quatorze dias haviam se passado desde que a deixara. Quatorze dias desde que seu inferno havia começado.
- Qual é, ? Faz semanas que você está dentro desse apartamento. – advertiu. - Você vai sair desse casulo hoje. E sem mais. – Falou autoritária. - Vou passar na sua casa em uma hora e, sei lá, vamos ao cinema. – Disse, pensativa, arrancando um riso nasalado de .
- Tudo bem, . – Disse provocativa, sabia que a amiga odiava o apelido.
- Ei, ei, ei. Sem ofensas, tá legal? – Choramingou e pôde ouvir barulho de algum vidro se quebrando. – Ei, garota, passo aí em uma hora e meia. Harry Potter e Darth Vader estão brigando de novo. – Falou zangada e pôde imaginá-la rolando os olhos. Harry e Darth eram os cachorros de , ambos viviam em uma disputa para chamar a atenção da pequena cadela Alice.
- Tudo bem. – Falou rindo.
- Beijos. – Antes de desligar, pôde ouvir a amiga gritando algo que parecia ser “cachorros malvados!”
Permaneceu com o telefone no ouvido durante um tempo, fazia um bom tempo que não via a jovem amiga. tinha seus 19 anos. Viera para Londres para um show de Rock e nunca mais foi embora. Ela era uma verdadeira nerd. Ainda jogava jogos de RPG no computador e fazia maratonas de Harry Potter. Ainda assim, tinha sua essência americana, amava comer em fast foods e dizia que chás da tarde eram bons apenas para dar sono.
Caminhou até seu quarto e encarou seu reflexo no espelho, seus olhos estavam caídos e sabia que fazia tempo que não sorria. Suspirou. Olhou-se novamente no espelho e tentou dar seu melhor sorriso. Não funcionou. Para convencer de que estava tudo bem, teria que convencer a si mesma antes.
Tomou banho e demorou o máximo que pôde. As feridas daquele amor haviam sido tão intensas e profundas que um simples convite não ajudaria. Infelizmente, não sabia como era o amor, ainda não.
Desligou a ducha e ficou embaixo dela por alguns minutos. Deixou que as lágrimas inundassem seu rosto enquanto a nostalgia a tomava por completo. Dissera a si mesma que guardaria apenas os melhores momentos, mas tudo se tornava difícil quando os flashes invadiam sua cabeça.
A noite estava estrelada e o vento soprava, deixando o ar mais frio. O vestido florido voava por entre as coxas enquanto a garota apertava-se mais, em uma inútil tentativa de se aquecer. No rosto, um sorriso iluminado por alegria e felicidade. Finalmente havia convencido e Kyle de que era um bom rapaz. E era isso que estava indo fazer agora, contar-lhe a novidade.
Caminhava em passos rápidos até a entrada do escritório de advocacia de . A fachada era sofisticada e trazia, em letras grafais, o nome da empresa. Abriu a porta de vidro e deixou que o ar quente a penetrasse.
Pensou que, quando chegasse lá, seria atendida por Liza, a recepcionista. Ela diria o seu “Pois não?” com um enorme sorriso amarelo, mandaria esperar em um dos bancos enquanto os dedos rápidos digitavam no pequeno netbook. Segundos depois, ela entraria no elevador, subiria até o último andar e caminharia até a última porta do andar. Bateria três vezes, a voz de a mandaria entrar e ele estaria recepcionando-a com o seu saudoso sorriso, que sempre a fazia derreter-se por dentro.
Mas não foi isso que aconteceu.
Ao entrar no edifício, encontrou a cadeira de Liza vazia. Estranhou, pois eram apenas 7 da noite. Subiu por contra própria até o último andar. As sapatilhas batiam no granito do chão e faziam um pequeno eco. Caminhou até perto da última porta. Sorriu e aproximou-se.
- ... Não. – Ouviu uma voz familiar. Ela era doce e, ainda assim, seu tom era arrogante. - Não irei fazer isso. – Disse autoritária. – Não com ela! – Baixou o tom depois de um breve comentário de . - Ela realmente gosta de você.
- Sim... Mas é tão inocente ao ponto de pensar que eu realmente a queria. – Disse com desprezo e ironia na voz... Esse não era o que ela conhecia. – é muito bonita... Porém tolinha. – Escutou uma movimentação na sala e um suspiro. – Você não entende que fiz isso por você? – A voz era mais rude agora.
- ... Não. Por favor. – Suplicou e, logo em seguida, outro suspiro. – Não. – Agora com a voz mais fraca.
Sentia as lágrimas descerem por seus olhos e queimarem sua bochecha. Ela queria entrar naquela sala e bater em , sentia suas mãos formigarem. Como pôde ser tão ingênua e inocente? Como? As lágrimas de desespero e ódio eram tantas que ofuscavam sua visão. Ela se contentou ao máximo para não gritar. Segurou a boca com as mãos e respirou.
Não podia passar nem mais um segundo sequer ali. e Kyle estavam certos, nunca gostou dela de verdade, nunca. "
A dor daquela lembrança era recente demais. Fazia-a ficar imerge ao sofrimento da paixão. Aquela dor doía não só seu coração, mas também sua alma.
Como pôde ser tão burra? Como? Como?
Agora, as lágrimas vazavam de seu rosto como um turbilhão de emoções. Raiva. Dor. Sofrimento. E, acima de tudo, o amor ainda estava ali. Ela podia senti-lo, ele queimava suas veias e ainda pulsava nervosamente em seu coração.
Respirou mais algumas vezes, tentando em vão, acalmar-se. Respirou mais algumas vezes, lembrando-se da promessa que fizera a si mesma.
“Com seus passos incertos, correu para o braço de Kyle, que a olhava intrigado. apareceu logo depois, soltando o que quer que tinha em sua mão no chão, fazendo um barulho estranho.
- ! – Ela gritou, correndo até a amiga, soltando-a dos braços de Kyle e abraçando-a. – Foi ele, não foi? – Sussurrou no ouvido da amiga, que concordou com um aceno de cabeça.
- Aquele desgraçado! – Kyle falou, elevando algumas oitavas. – , eu te disse que ele não era confiável! Eu não queria te ver assim, não mesmo! – Falou, sentindo-se culpado. Ele podia ter feito algo para acabar com isso, podia ter avisado-a que James a traía, mas decidiu ficar calado. Sabia que se tentasse contar à amiga, que estava cega de amores pelo cara, ela discordaria, e tudo o que fez foi dar tempo ao tempo.
soltou-se do abraço dos amigos e suspirou. Teria sido melhor ficar sozinha, continuar não acreditando no amor. - Foi melhor assim – falou à meia voz. Mais um suspiro. Kyle e se entreolharam e abaixaram as cabeças. Culpavam-se por fazê-la sofrer por dentro. – Gente, eu vou indo... – Começou a dizer. Acima de tudo, ela precisava de um tempo sozinha, precisava pensar!
Agora, a garota de cabelos castanhos travava uma luta contra o relógio em sua parede. Não queria mais pensar em , ao contrário, faria com que ele se arrependesse. Ela sabia que tinha que deixar de ser uma garota bucólica, ela sabia que para fazê-lo se arrepender teria que ser provocante...
Só restava-lhe uma dúvida agora: quem a ajudaria? era apenas uma garota, quase uma criança. Kyle? Kyle nunca a ajudaria em uma vingança, mesmo que fosse contra Bin Laden ou qualquer outro mostro desse mundo.
Restavam apenas quinze minutos para chegar. Decidiu descer e esperá-la na portaria.
Olhou-se mais uma vez no espelho, checando se tudo estava em ordem. Usava uma camiseta com o símbolo da Inglaterra, jeans, um cachecol branco com uma jaqueta de couro marrom e nos pés as tão usadas botas de salto. O salto era pequeno, mas, mesmo assim, nunca largara a bota. Pegou a bolsa e as chaves do apartamento e abriu a porta.
Tinha um sorriso discreto no rosto, o melhor que pôde fazer em alguns minutos.
- Ora, ora, ora. Se não é nossa adorável colega de condomínio. – A voz petulante de seu adorável vizinho entrou em sua cabeça, fazendo com que, automaticamente, seu sorriso murchasse.
- Ora, ora, ora se não é prefeito da Galinholândia! – Disse, batendo as mãos em uma falsa animação.
- Poxa, assim você até me ofende, baby. – Falou, trancando seu apartamento e lançando à garota um olhar galanteador.
- Que tal ser um pouco mais adulto, ?
- Que tal ser mais amável, ? – E, com isso, virou as costas para a menina, que o encarava boquiaberta.
- Façamos assim, então. – Disse, correndo ao seu encontro. – Quando você fizer 12 anos de idade, você me chama para a festa, tudo bem? – Agora entrando no elevador.
Esperou que apertasse o botão do térreo e encostou-se na parede de metal do cubículo. Olhou em sua bolsa e sacou o celular, observou que havia chegado uma nova mensagem, não precisou muito ser vidente para saber que era de . Ela estava a esperando no térreo.
- Mas, então... Aonde vai? – Perguntou curioso, havia um tempo que não via a garota. Havia um tempo que se sentia vazio.
Por alguma razão, trouxe-lhe um pouco de paz, paz que estava faltando ultimamente. E durante os dias em que não a viu, sentiu como se uma guerra fosse gravada em seu coração.
Ela o olhou e respondeu com o seu melhor sorriso.
- Não vem ao caso agora, não é, ? – Assim que o elevador abriu as portas, ela saiu o mais depressa possível. Avistou batendo os pés e encarando a rua, andou até ela e a puxou para o mais longe possível de . Em pouco tempo, conteve-se com o charme do rapaz, sabia que havia caído em sua rede. E não queria o mesmo para .
TRÊS
’s P.O.V
(COLOQUE PARA CARREGAR)
Ora, vamos ser francos conosco, aquele tem certo charme... Tá, o que eu acabei de dizer? Isso é maluquice, mas nem em um milhão de anos! ? Bonito? Néca! Mas... Ele tem algo diferente... Algo profundo... Sim, tão profundo que veio das profundezas do tártaro!
Deus, o que eu estou pensando? O nível alcoólico subiu à minha mente, só pode! Mas eu ainda nem comecei a beber. Uma dose de uísque não é o suficiente para deixar alguém bêbado, não mesmo!
Assim que saímos do centro de Londres, me levou ao cinema. Não é uma surpresa que eu tenha dormido quase a sessão toda, é? Depois disso, encontramos Kyle, ele estava com uma menina. Pude perceber a troca tensa de olhares entre e Kyle. Resolvi ignorar, afinal, ninguém entende aqueles dois.
Resolvemos ir a um pub que todos nós gostávamos. Ele não ficava longe dali, fomos andando mesmo. Durante o percurso, percebi que estava calada, achei estranho, ela geralmente é a mais tagarela!
Bom, para começar, não é preciso dizer que lá estava fervendo, eram apenas oito da noite e parecia que metade de Londres estava ali. Casais se pegando, gente dançando ao ritmo da música e, é claro, gente bebendo. Parecia que queriam esgotar o álcool do planeta. Em segundos, Kyle e a garota dele haviam sumido de vista. Olhei para e essa me encarou de volta.
(DÊ PLAY)
Well it's midnight, damn right,
Bem é meia-noite, maldita certeza
We're wound up too tight
Estamos machucados e estamos apertados
I've got a fist full of whiskey, the bottle just beat me
Eu tenho o punho cheio de Uísque a garrafa me atacou
That shit makes me bad shit crazy
Essa merda me faz mal, merda maluca
We've got no fear, no doubt, all-in, balls out
Não temos medo, sem dúvida, com todas as bolas fora
Tudo bem, a primeira dose de uísque foi embora tão rápido quanto veio. Sinceramente, mal senti passando pela minha garganta. Outra dose, mais outra e mais outra. E isso foi o suficiente para eu sair rumo à pista de dança.
We're screaming like demons, swinging from the ceiling
Estamos gritando como demônios dançando a partir do teto
I got a fist full of fifties, the tequilia just hit me
Eu tenho um punhado dos anos 50 a Tequila apenas me abateu
We got no class, no taste,
Não temos nenhuma classe, nenhum sabor,
No shirt, shit faced
E nenhuma camisa, e merda na cabeça
We got'em lined up, shot down,
Nós começamos a atirar no chão
Firing back straight crown
E a coroa atirando de volta em nossa direção
Deixei que a minha voz saísse enquanto meu corpo dançava em um turbilhão de emoções. Deixei toda a minha raiva e ressentimento saírem de mim com a dança. Meu corpo não parava a nenhum instante e tudo era ritmado. Cima, baixo, rebola, joga o cabelo, mãos para cima, baixo...
Senti se aproximarem de mim e me puxarem pela cintura. Deixei que fosse levada por mãos tão macias, andamos de mãos dadas até uma parte menos agitada do pub. Aproximamo-nos e... Bem, o resto já pode imaginar. O beijo começou lento, apenas para provocá-lo. Mas aquilo foi esquentando e eu queria curtir. Empurrei-o e voltei ao bar.
Outra dose de uísque. Quer saber? Aquilo já estava me subindo à cabeça.
— George... – Falei com a voz embriagada. – A garrafa, por favor. – Pedi, mal podendo me sustentar sozinha. Apoiei-me em um carinha que estava ali para pegar a garrafa. E segui para a pista novamente.
We're going off tonight
Vamos sair hoje à noite
To kick out every light
E nos esconder das Luzes
Take anything we want
Tomar qualquer coisa que queremos
Drink everything in sight
Leve tudo à vista
We're going till the world stops turning
Nós estamos indo até que o mundo pare de girar
While we burn it to the ground tonight
Quando nós queimarmos o chão hoje á noite
Quando a próxima música estava prestes acabar, senti mãos me puxando novamente. Ah, de novo não! Não era possível, eu nem estava tão bonita assim! As mãos me levaram até a saída e tiraram a garrafa de uísque da minha mão.
— Ah não, a Juju não! – Reclamei, levando minhas mãos na direção a garrafa.
— ! – me reprovou. Sua face transmitia preocupação e cansaço. – Veja seu estado! Você sabe que é fraca para bebidas! Nunca mais faça isso comigo!
Mas aquela reclamação toda estava começando a me chatear, tudo o que eu comecei a escutar naquele momento foram os blá blá blá insistentes dela. Por favor! Minha cabeça doía só de olhá-la, por que eu prestaria atenção? E outra, amanhã minha ressaca já seria forte o bastante para me dar uma bronca, então, por que mais? Por que agora?
Eu a encarava sem ver, provavelmente com a cara mais monga do mundo quando eu o vi. Ele estava com algum cara, sei lá. Aquilo me subiu à cabeça. Deus, sou tão ruim assim a ponto de você me castigar com essa visão?
— Vamos embora. – Disse relutantemente e puxando pelo braço. Minha voz estava embriagada pelo uísque e não sei como ela me entendeu.
Saímos, andando devagar, afinal, eram três da manhã, nenhum táxi apareceria do nada e me tiraria daqui. Meu estado era horrível, sentia os meus pés cambalearem de um lado para o outro e apenas ela me dava apoio. Pobrezinha, eu deveria estar um caco.
— Sente-se aqui. Vou chamar um táxi. – Falou, pegando o celular dentro da jaqueta. Sentei-me no banco que ela apontou e fiquei ali, balançando as pernas feito criança.
Por reflexo, olhei na direção em que havia visto . Uma onda de alívio me atingiu quando vi que ele não estava mais lá. Estiquei mais o pescoço. Às vezes, eu não tinha visto-o direito. Mas para minha sorte, ele não estava mais lá. Ufa, acho que a bebida me deixa com miragens, miragens bem perturbadoras.
A onda de alívio tomou conta do meu corpo e deixei que um suspiro escapasse dos meus lábios. De olhos fechados, eu cantarolava uma música qualquer... É, eu sei, a minha cabeça estava doendo pra caramba e eu fico cantarolando, fazendo a dor aumentar mais.
Só que a verdade é que, enquanto minha cabeça estava na música e minhas veias pulsavam por mais álcool, não tinha espaço para mais nada. A minha única preocupação era: será que se voltasse para o bar correndo, me veria?
Ela estava em pé no meio fio da calçada, batendo seus sapatos Jimmy Cho no cimento incansavelmente. A cada batida de seu salto no concreto, era mais uma pontada em minha cabeça, fazendo com que a mesma parecesse uma bomba. Uma batida no concreto, igual a um segundo de uma bomba prestes a explodir. Coloquei minhas mãos de cada lado da cabeça, sobre os ouvidos, tentando abafar a qualquer custo aqueles barulhos irritantes.
Sabe aquele formigamento na espinha e nuca que você tem quando alguém está perigosamente perto de você? Agora, imagine-se nessa mesma situação, às altas horas da noite, sozinha com sua amiga que era alguns anos mais nova que você. Imaginou? Multiplique esse tremor por três! Meu coração aumentava seus próprios batimentos cardíacos a cada minuto. Fechei os olhos novamente, só que agora com ainda mais força.
Ai, meu Deus! Eu. Vou. Morrer!
— Sozinha, ? – Aquela voz insuportavelmente insuportável disse no pé do meu ouvido, fazendo-me pular de susto.
Arfei, assustada e meio atordoada. Com tantos bares em Londres, com tantas ruas em Londres, ele realmente tinha que estar ali? Agora? Comigo?
Continua…
Nota da Autora: Então meninas! Como foram as festas de fim de ano? Juro que ia postar antes, mas eu fiquei um tempo sem computador e depois vieram as festas e realmente não deu tempo :/ Bem já sabem que comentarios atraem ainda mais a vontade de escrever de uma autora né? Então sejam lindas e comentem na caixinha ai de baixo... Eu sei que é pouco o que eu postei, mas juro que no próximo capítulo melhora. Então é isso... Quem quiser me segue no twitter ou me adiciona no Facebook.
Nossa, já tava até esquecendo... Esses dias eu tava no Face, ai uma menina lá da escola veio falar comigo e perguntou se era eu mesmo que escrevia a “I’ll Love you Forever”, gente, quais eram as chances de ter outra pessoa viciada em fanfics da McFLY que estudasse no colégio que você? UHAUSHUAHS Já falei demais! Calando os dedinhos aqui!
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