Insane Husband
Autora: Bruuniti
Beta-Reader: Camila Darc (cap. 01 - 19) e Abby (cap. 20 em diante)


Prólogo

Vestido de noiva. Convidados. Festa. Bolo. Padre. Noivo. Aliança. Damas de honra. Discurso. Rosas. Ou lírios. Valsa. Presentes. Brinde.
Mas casamento não é só isso.
É companheirismo, amizade, é amar a pessoa que está do seu lado mais que tudo na vida.
E só ele eu amei assim, só uma vez. Então por que nossos caminhos são diferentes? Por que eu sonhei tanto com o momento do meu casamento e agora me sinto tão infeliz? Por que não é ele que está do meu lado?
Diga que me ama mais uma vez e eu desisto de tudo por você, diga que é a mim que você quer como noiva, que não esqueceu de tudo que passamos!
Mas nem sempre na vida as coisas é como deviriam ser.
Nos contos de fada quando a história termina com o casamento do príncipe e da princesa, eles tem um "E vivem felizes para sempre".
Hoje eu não sei se vou ter.

Capítulo 1 - These big city dream are what you're about

- , eles estão chegando! - avisou Alice, minha assistente, pela porta entreaberta.
- Certo, Alice - eu sorri agradecida. Andei até a grande janela de meu escritório. Sim, eu tinha um escritório! Não era grande, havia a mesa de um bom tamanho onde tinha meu laptop e minha bagunça organizada. Minha cadeira, claro, e duas cadeiras a frente da mesa para os meus clientes. Uma estante e só. Pra mim era perfeito.
Vi da janela meu casal de clientes favoritos entrando no prédio da agência.
Saí de meu escritório para esperá-los no hall de entrada do quarto andar, onde tinha a mesa de Alice e das outras assistentes. Uma para Emily, outra para Claire e outra para Patrick, meus colegas de trabalho.
- Tem mais algum casal depois deles? - perguntei para Alice.
- Hm... -ela olhou minha agenda em seu laptop - Não, são os últimos, .
AE! Uma coisa ótima de meu trabalho: o horário era das sete e meia da manhã à uma da tarde. Ou seja, eu tinha a tarde inteira para mim. E depois eu fazia faculdade das seis da tarde às dez da noite. Eu não podia reclamar de minha vida.
Eu morava em minha cidade natal, no interior da Inglaterra. Quando completei dezoito anos e terminei o colegial, mudei-me pra Londres junto com , minha melhor amiga. Moramos juntas em um apartamento médio e aconchegante faz três anos, já que hoje tenho vinte e um. Hm, e o que mais posso dizer de mim? Bom, estudo administração. Quando vim pra cá não tinha idéia o que queria ser da vida, então optei pro administração!
- Chegaram! - disse Alice energeticamente ao ouvirmos o "pim" do elevador.
- Como estou, Ali? - perguntei arrumando meu cabelo comprido, liso e repicado.
Eu vestia um casaco de cashmere preto com dois botões, uma calça jeans skinny da marca Diesel com um par de botas pretas de ponta fina com o cano até um pouco embaixo do joelho.
- Está ótima, - Alice fez um "jóinha".
Ouvi alguns cochichos, sabia que eram eles. Ah, eu já os conhecia muito bem. Era mais que uma relação de cliente.
- Oi, ! - sorriu grande a me ver - Alice!
- OI, ! - sorri involuntariamente e a abracei.
- Eu também quero! - ouvi o noivo de brincar. Senti os braços de em volta de minhas costas quando ele me abraçou e a sua noiva, juntas. Tão típico de .
Nos soltamos do abraço de urso de e foi cumprimentar Alice.
- Ah, cara, eu estou muito ansiosa! É daqui há um mês só! - disse com os olhos brilhando de felicidade.
Eu sorri grande, estava tão feliz pelos dois. Há três anos sou consultora de casamentos, sabe... Quando cheguei aqui eu precisava de grana, um dia andando passei de frente da agência, vi o anúncio de que precisavam de uma assistente e, sem saber o que era direito, me candidatei. Quer dizer, um prédio cor de marfim escrito "Agência de Casamentos S&B" em letras grandes douradas em cima da entrada principal dizendo que precisava de assistente não te diz muitas coisa, né?
Mas eu sabia que tinha a haver com casamentos, e eu sempre amei casamentos. Quando eu tinha oito anos e ajudei minha mãe a organizar o casamento de minha tia, me apaixonei.
Quando a noiva entra de braços dados com pai a cara do noivo é impagável, há toda a felicidade e paixão literalmente em seu rosto. Minha parte favorita do casamento.
Meu sonho? Ver alguém olhando daquele jeito pra mim quando eu me casar.
Não sei como fui contratada. Qual era minha função de assistente? Ajudar a consultora de casamentos a organizar os mesmos de seus clientes.
Lídia, a minha ex-chefe, se demitiu esse ano e então, eu fiquei no seu lugar de consultora de casamentos e Alice se tornou a minha assistente.
Nesses três anos que trabalho aqui já fui à duzentos e dois casamentos, um mais perfeito que o outro, e todos eu ajudei a fazer.
Que orgulho, man!
- , vamos passar a partir de hoje de casa em casa para entregar os convites - informou , me puxando de volta a realidade.
- Isso é maravilhoso - eu disse sincera.
- E claro que tínhamos que entregar os convites de vocês... - disse olhando de mim para Ali - Primeiro.
Olhei de rabo para Alice, e finjamos cara de surpresa. Já esperávamos ser convidadas, quer dizer todos os clientes nos convidam!
- Ah, muito obrigada, gente! - eu sorri de orelha-a-orelha.
- Verdade, obrigada por nos convidarem! - completou Alice feliz.
- Não foi nada, afinal, o que seria do nosso casamento sem vocês? - disse recebendo um selinho de . Ele a abraçou pela cintura, e um simples selinho passou para o beijo mais fogoso, hm.
Alice e eu nos entreolhamos e rimos baixinho, estávamos acostumadas com isso.
- Caham - pigarrei, o casal se soltou sem graça.
- Então - continuou o rosto vermelho - , quer ser nossa dama de honra? - me convidou mordendo o lábio, ansiosa.
- Dama de honra? - é, agora eu realmente estava surpresa. Nunca nenhum cliente me convidou pra ser dama de honra, nunca mesmo.
- É, . Nesses cinco meses você se tornou uma amiga para nós - disse.
- Verdade. Fala sério, , com quantos clientes você já foi se embebedar em festas? - argumentou , levantando a sobrancelha.
- Ou foram na sua casa assistir filme com pipoca? - completou - Por sinal trouxemos o convite da também.
- Ou te levaram pra ir à praia? - continuou .
- Ou te ligaram pra falar de coisas inúteis? - completou . Eu já disse que eles têm mania de completar um a frase do outro? Sim, eles têm.
- Ok, ok - eu disse fazendo gestos exagerados para que eles parassem - Eu já saquei - sorri - Obrigada, vou amar ser a dama de honra de vocês - eu disse sincera e os abracei. Ah, como eu gostava daquele casal.
- Querem cafezinho? - Ali, que tinha sumido, chegou trazendo uma bandejinha com três cafés e bolachas. Hm...
- Valeu, Alice, mas estamos com pressa. Amor, dê os convites - disse todo sorridente, passando o braço pelo ombro da noiva. nos entregou os convites, eles se despediram e saíram.
Abri o convite que eu mesma tinha mandado fazer após escolher o modelo.
" e " estava escrito em um bronze no convite vinho. Abri, e olhei orgulhosa do meu trabalho. Passei meus olhos procurando a data. Céus! Com tantos casamentos é difícil lembrar as datas!
Vinte e nove de julho.
No auge do verão londrino.
Corri até meu escritório, tinha que confirmar a reserva do cabeleireiro e da manicure. Afinal, eu ia ser a dama de honra e iria ter outro casamento ao meio-dia que seria na praia.
- - Alice me chamou.
- Hã? - eu disse vagamente, mais preocupada em achar o número do cabeleireiro em meu celular.
- O Johnattan está te chamando. Reunião na sala dele.
O QUÊ? Será que meu chefe não tinha hora melhor pra marcar uma reunião? Eu teria que me atrasar para o almoço com Derek, meu namorado. Damn it!
Suspirei desanimada e saí da sala. Patrick, meu companheiro de trabalho, me esperava lá fora. Sabe, ele é uma ótima companhia. Está sempre brincando e é sempre ótimo fazer compras com ele, quer dizer o que é melhor do que seu amigo gay te ajudar a escolher roupas?
- Vamos, , vamos ver o que o carrasco quer - Patrick brincou me dando o braço.
- É, vamos, amor! - eu ri.
Nada melhor do que um gay amigo pra melhorar o seu humor, dica.

Capítulo 2 - I miss the sound of your voice

Saí correndo do elevador. Eu estava muito atrasada para ir almoçar com Derek, meu namorado. Ele iria me decapitar por isso. Ok, , sem exageros, beleza? Sim, sim, eu falo comigo mesma, e?
- Tchau, ! - os recepcionistas gritaram em uni osso quando eu passei rapidamente por eles.
- Tchau! - gritei de volta. Não pensem que eu sou mal educada, se fosse qualquer outra hora eu teria parado para dar dois beijinhos neles, sou atenciosa com meus amigos.
- Essa pressa só pode dizer uma coisa - brincou o porteiro Alan quando eu estava me aproximando das portas giratórias - Derek!
- E o que mais poderia ser? - eu ri – Até, Alan!
Passei pela porta giratória, quando senti um corpo maior em um encontrão com meu corpo. Desequilibrei-me e minha bolsa caiu no chão com meu celular e minha carteira saltando para fora. Shit!
Me agachei para pegar minhas coisas quando a voz do estranho passou pelos meus ouvidos:
- Foi mal, moça, não te vi. Quer ajuda?
Estava muito barulho. O barulho das motos acelerando, das buzinas dos carros, das pessoas passando ao meu redor. E mesmo eu não a ouvindo direito, aquela voz fez meu coração parar.
Eu a conhecia.
Tinha certeza.
É a voz dele? Não, não, não pode ser! Já faz tanto tempo, não pode ser. E se fosse?
- Não, obrigada - eu disse com meia voz. Como se minha garganta estivesse engasgada e eu fizesse força para falar.
Sem o olhar, eu me levantei, escondendo meu rosto. Eu era covarde demais para olhar o estranho e ver se ele não era um estranho.
Apressada, retomei o andar, deixando-o para trás.
Meus músculos estavam rígidos, não queriam se movimentar. Porque tinha uma coisa dentro de mim que falava para eu dar meia volta. Meu coração.
Já minha mente me falava para prosseguir andando, e pegar o táxi que parecia me aguardar. Sempre fui mais emocional do que racional, mas hoje eu não seria.
Não agora.
- Táxi? - perguntou o taxista a mim, quando me viu andando em sua direção.
Assenti, abalada demais para falar. Esse era o efeito que com uma simples suspeita ele fazia em mim.
- Pra onde, moça? - perguntou o taxista me olhando desconfiado. O quê? Tenho cara de bandida agora? Acho que ele estava me achando mais uma louca, isso sim!
- Restaurante La Famille - eu o instrui. (N/A-Reparam na minha criatividade! -n).
Impressionante minha sorte.
Estava com muito trânsito, mas que ótimo, man! É hoje não era o meu dia. Bufei estressada, me largando no banco. Fechei os olhos e, involuntariamente, as lembranças correram minha mente.

Flashback on

- Meu Senhor, o que vou fazer? - murmurei para mim mesma pela milésima vez. Estávamos, eu e , totalmente sem grana. tinha conseguido um bico. Mas precisávamos de mais, muito mais.
Olhei para o lindo parque londrino a minha volta. Algumas folhas da árvore, que eu estava sentada em baixo, caiam em mim. Eu não me importava, nada me importava. A não ser achar uma solução.
Foi quando ele apareceu. Veio andando em minha direção pelo que parecia. Seus olhos expressivos pareciam preocupados, seus lábios rosados mexiam rápido em quanto ele falava rápido no telefone. Passou as mãos pelo cabelo e suspirou.
Vestia uma camiseta branca, básica e uma bermuda cáqui. O óculos escuro pendurado na gola da camiseta.
Lindo era pouco para ele.
Ele a poucos metros, se sentou embaixo da árvore ao lado. Com a cabeça no meio das pernas, ele levantou os olhos e me olhou. Um brilho passou pelos seus gamantes olhos. Ele fechou seu celular e seus lábios se mexeram se dirigindo a mim.
- .

Flashback off


- Ô moça. Ô moça! - o taxista me chamou alto.
Abri os olhos e balancei a cabeça, para poder mandar as lembranças embora.
Ah, quem me dera.
- Chegamos, deu vinte e sete libras - ele disse com os olhos brilhando de ganância. Paguei o táxi e saí meio atordoada.
Certo, . Respire fundo. Derek não pode perceber nada. Faça seu melhor sorriso e finja estar absolutamente tranquila e contente.
As aulas de teatro agora vão servir para alguma coisa.
O restaurante francês, La Famille, era um dos mais elegantes e caros (bota caro nisso) em Londres. O metre me conduziu até a mesa em que Derek me esperava. Meu namorado era o herdeiro de uma empresa que mexia na bolsa de valores londrina, então ele era um pouco rico. Um pouco?
Claro que eu não ligo para isso, eu o amo de verdade.
Derek estava com uma camisa azul clara de listras que eu tinha dado em nosso primeiro ano de namoro. Estamos namorando há dois anos e sete meses.
Ele tinha cabelos castanhos muito escuros e jogados, uma pele bronzeada que realçava seus olhos verdes esmeralda. Um rosto que parecia ser totalmente esculpido e ainda era um pouco mais alto que eu. Resumindo: Maravilhoso.
Não me surpreendi ao me sentar à mesa e vê-lo falando no telefone sobre o trabalho. Derek praticamente vivia naquela empresa, sério.
- Oi, amor - sussurrei para não atrapalhá-lo. Ele sorriu e me deu um selinho ainda como celular grudado na orelha.
“Look up, the stars are fading. And I am still here waiting, to see you again .Be with you my friend.”
As primeiras notas de On the top of the World junto com a voz de Martin tocaram. Nova Mensagem: .
-, indiquei você pra um casal de amigos, beijos, até! - eu li baixinho, já que Derek me deu um olhar feio com a música.
Uma coisa ruim de meu namorado: tudo deve ser como ele quer. Isso é tão irritante, man! Quando uma coisinha acontece que ele não planejou ou que ele acha errado ele lança esses olhares ou reclama.
- Com licença - o garçom apareceu do nada, trazendo consigo uma bandeja com um vinho Francês Tinto e duas taças.
Ele colocou um pouco do vinho na taça de Derek, que por sua voz disse para a pessoa do outro lado na linha do celular:
- Espere um pouco, Mr. Schdmit - Derek pegou a taça elegantemente e a levou até a boca, experimentou o vinho e que com um aceno acompanhado de um sorriso de aprovação disse - Pode servir.
O garçom serviu então o vinho para mim e depois para Derek.
- O que a senhorita gostaria para o jantar?
- O Faisão a Lá Reine - eu pedi. Tinha vindo tantas vezes aqui que já sabia qual prato era o mais gostoso. (N/A- O Faisão a Lá Reine do teatro haha)
- E o senhor?
- Hm, o mesmo.
- Certo, vamos providenciar - o garçom disse eficiente e antes de se retirar colocou no centro de nossa mesa uma cestinha de pães e patês.
- Acertamos isso mais tarde, Mr. Schdmit, até mais - meu namorado desligou o telefone. ALELUIA, IRMÃO!
- Finalmente, Derek.
- Desculpa, amor, você sabe como os clientes são! - ele suspirou e pegou minha mão – Por que demorou tanto, linda?
- Tive uma 'reuniãozinha' de última hora e tinha muito trânsito - eu respondi sorrindo - Sabe a ? Noiva do ?
- E como eu não ia saber quem eles são? Nunca vi você sair tanto com algum casal de clientes - ele disse com um sorriso debochado.
- Ha ha - eu ri irônica, Derek sorriu e me beijou levemente - Mas prosseguindo - sim, eu falo 'prosseguir' - Ela me indico para um casal de amigos!
- Mas um, ? - ele disse franzindo a testa.
- Sim, mais um! - dei um sorriso. Derek por sua vez entortou a boca. Rolei os olhos, já acostumada com essa reação. Ele acha que meu trabalho me leva muito tempo. Olha quem fala.
- , esse final de semana, você tem quantos casamentos? - ele perguntou fingindo desinteresse. Lá vem!
- Hm, esse tá tranquilo, amor, só tem um - dei de ombros - No sábado à noite.
- Ótimo! Então sexta à noite você é minha, tenho uma boa notícia pra te dar.
- Qual?
- Calma, amor, você só vai saber na sexta à noite.
- Por que não hoje?
- Porque hoje não é sexta à noite - ele disse misterioso. Hm, ele ama me deixar curiosa. Mas o que seria?
- Já volto, gata, vou ao banheiro - ele me avisou sorrindo e eu apenas assenti. Após ele sair, fitei o lugar onde ele se encontrava segundos antes. Mas o que seria afinal? É eu ficaria morrendo de curiosidade até sexta. E ansiosa.
Foi quando vi.
No bolso interno do terno de Derek havia a ponta de um cartão branco com letras douradas reluzentes. Estiquei-me e peguei o cartão.
Já disse que eu sou curiosa?
“Joalheria Premius! Avenida San Martin, nº 122. As melhores alianças, relógios e jóias estão aqui”.
Estava escrito no cartão, reli mais uma vez sentindo meu coração bater cada vez mais forte e eu frio percorrendo minha espinha. Meus olhos focalizaram a parte que mais chamou minha atenção: As melhores alianças, relógios e jóias estão aqui.
OH, SENHOR! Meu cérebro trabalhou mais rápido juntando informações: Jantar na sexta, boa notícia, aliança!
Isso só podia significar uma única coisa.
Derek me pediria em casamento na sexta à noite.
Quem disse que hoje não é meu dia?

Capítulo 3 - Did you forget everything we ever had?

O vento gelado batia em minha face, fazendo meus cabelos voarem enquanto eu bebia com cuidado meu capuccino da Starbucks. Eu me sentia em um filme quando a moçinha está correndo com um vestido maravilhoso na chuva atrás de seu amado galã.
Só que não estava chovendo, e eu não estava com um vestido glamoroso e estava indo para o meu trabalho, não indo encontrar o príncipe encantado. Que glorioso.
Mas bem, eu estava de com os cabelos ao vento e bebendo Starbucks, então mereço créditos. Certo?
Senti o telefone vibrar minha bolsa, mas se eu fizesse um movimento arriscado para pegá-lo o capuccino poderia ser derrubado no meu casaco e minha bolsa cairia no chão. E isso definitivamente não seria legal. Ok, nada de arriscar. Provavelmente seria Alice avisando que os clientes já haviam chegado ou Johnattan reclamando do meu atrasado. Não sei qual é o melhor.
Olhei meu relógio de ouro branco no pulso, eu estava atrasada trinta e cinco minutos. Como eu tinha conseguido me atrasar tanto?
Bom...
No dia anterior eu havia ido a uma balada com , nosso lema foi “Beber, cair e levantar”. Mentira. Não ficamos tão bêbedas assim. Não sei a hora que voltamos, mas foi bem tarde.
Acordei com o som do vizinho super alto, minha ideia era ir até o apartamento dele com uma machadinha. Pelo amor! Quem ouve às sete horas da manhã música GOSPEL? Hã Hã? Mas graças a minha cabeça que martelava não pude ir realizar meu plano infalível contra o meu ‘amado’ vizinho. Foi quando vi em meu relógio da cabeceira que não eram sete horas e sim SETE E QUARENTA SETE. Então, ignorando as marteladas em minha cabeça, levantei da cama. Abri meu armário e peguei a primeira coisa que vi: um casaco de camurça branco que ia até o joelho com botões de lado, pretos. Vesti o casaco por cima da camisola de flanela que usava. Ontem não tinha tirado minha meia calça preta fio quarenta, graças! Então só precisei calçar meus pés na sapatilha de salto baixo preta.
Corri até a sala, onde minha bolsa me esperava no sofá onde eu a havia jogado ontem. Na mesinha ao lado do sofá tinha um bilhete escrito: “Não se esqueça de se agasalhar, , beijos”. Ao lado estava meu cachecol preto de cashmeare e luvas pretas.
Então teve tempo de escrever um bilhete em vez de me acordar. Virei mais uma esquina, certo, faltava um quilômetro até chegar à agência.
- Ô, ! - ouvi meu nome sendo chamado. Virei-me para trás, e lá estava ele, encostado em seu Jaguar sedan de luxo preto. Eu pago um pau para o carro de , meu melhor amigo. Ele sorria abertamente para mim enquanto girava as chaves de seu magnífico carro em seus dedos.
- ! - eu berrei me atirando em seu pescoço, ele passou os braços pelas minhas costas retribuindo meu abraço. Aproximei-me de sua bochecha e a mordi. EU JÁ DISSE QUE ADORO MORDER AS PESSOAS?
- Outch! - disse massageando o lugar - Você não tem jeito mesmo, ! - ele riu e bagunçou meu cabelo.
- Ei, ! Isso não vale! - eu disse arrumando meu sagrado cabelo - Mas o que faz aqui, ser? - perguntei soltando de nosso abraço para poder vê-lo melhor.
- me ligou dizendo que você agora devia estar surtando porque tinha perdido o horário e estava a pé. Então eu, como o bom amigo que sou, vim te dar carona.
- Ah, ! Você é minha salvação! - exclamei aliviada, toda sorridente - O que eu faria sem você?
- Nada, . Você não viveria sem mim - ele sorriu convencido.
- Bobo. Não vai se achando não, ein! - eu ri.
- Prometo, pequena - disse, fez um gesto para eu entrar em seu carro. Oba! Carro quentinho e super confortável.
Agradeçam por mim à quem inventou o Jaguar!

Beijei a bochecha de e agradeci, infelizmente tive que sair do Jaguar. Estava tão bom... Chega, .
Novamente, em uma semana, eu passava praticamente correndo pelas portas giratórias. Na terça, quando fui me encontrar com Derek. E hoje, sexta-feira. Sim, sexta-feira. O dia em que minhas suspeitas de que meu namorado me peça em casamento talvez se confirmem.
Só de pensar nisso senti um frio percorrer meu estomago, certo , não vomite.
Aproveitei que tinha entrado no elevador, para ver quem havia me ligado antes. Como se eu já não soubesse quem era.
Doze ligações perdidas de Alice.
O elevador chegou a meu andar. Saí e abri as portas de vidro que davam para a sala de madeira refinada onde Alice e as outras secretarias ficavam.
- ! Onde...
- Já sei, Alice - eu a interrompi. Não estava a fim de ficar ouvindo-a perguntar por que eu tinha me atrasado e bláblá. Sou impaciente mesmo e daí?
Entrei em minha sala. Deparei com duas figuras de costas olhando a janela. E uma me parecia estranhamente familiar. Parecia o corpo de costas de...
E então ele virou.
Seus olhos lindamente expressivos se encontram nos meus, há quanto tempo eu não via aquele divino rosto pessoalmente. E ele parecia ainda mais perfeito do que há três anos.
Então ele era meu cliente.
Então estava noivo.
Olhei sua noiva, ela estava desligando o celular que há um segundo estava em seu ouvido. Ela sorriu animada para mim, com um sorrindo lindo, aliás.
- - ela me estendeu a mão, se apresentando - Desculpa, ligação urgente.
- Sem problemas. Eu que tinha que me desculpar pelo atraso. Sinto muito - eu respondi, sincera, apertando sua mão.
- Ah, tudo bem - abanou o ar e pegou a mão de - Esse é o . Meu noivo.
Meu noivo. Suas palavras ecoaram em minha mente. Noivo.
Olhei para que me olhava petrificado. Ele parecia tão incrédulo, surpreso, quanto eu. Era coincidência demais.
O homem que eu amei intensamente há três anos atrás estava ali, na minha frente. Segurando na mão de outra mulher, com quem ele estava noivo. Com quem ele iria se casar.
Casamento.
Oh céus! O casamento que eles queriam que eu organizasse! Organizar o casamento do meu ex! O que eu tinha feito de tão ruim para merecer isso?
Então ele estendeu sua mão livre para eu apertar, seu rosto já estava recomposto. Devagar levantei a mão e a apertei na dele.
- Prazer - ele disse normalmente sorrindo cordial.
- Igualmente - sorri amarelo mais convincente possível.
Então seria como se nós não nos conhecêssemos. Como se nunca tivéssemos vivido um mês juntos. Como se ele não tivesse me feito várias juras de amor. Como se não tivéssemos trocados beijos apaixonados. Como se as noites calorosas nunca tivessem acontecido. Como se “nós dois” nunca tivesse existido.
- Podem se sentar - fiz um gesto às cadeiras a frente da mesa. Sem que eles vissem respirei fundo e engoli o nó que tinha se formado em minha garganta. Sentei-me na frente deles. Apenas a mesa separava eu, e .
. Analisei-a discretamente. falava alguma coisa em seu ouvido e a cada vez que a boca dele se mexia o sorriso de aumentava. Ela era simpática e parecia ser uma ótima pessoa.
Sorri de lado. Eu deveria ficar feliz por eles. Mais um casal que se amava e que com minha ajuda teriam um casamento perfeito. Claro que não era mais um, querendo ou não, era meu ex. Esse casamento sim marcaria minha vida pra sempre.
Isso seria bom ou ruim?
- Então! Bem vindos a nossa agência de casamentos! - eu disse simpática. Mesmo que aquilo fosse difícil para mim, eu os trataria como se fosse qualquer cliente. Sempre educada, simpática e dando o melhor de mim.
Ok, não seria tão fácil quanto os outros.
- Obrigada - agradeceu sorridente. Eu podia ver que a felicidade transbordava por seu rosto. Eu a entendia. O que pode ser melhor do que saber que você vai estar sempre do lado de quem você quer ficar? E se tudo desse certo, hoje eu estaria com mesma cara, quando Derek me pedisse em casamento.
- A e o que nos recomendaram vir aqui - contou , me voltei de volta a realidade. Eu me distraia muito fácil, fato.
- Ah é? Eles falaram mesmo que tinham me recomendado para um casal de amigos. Só não sabia que eram vocês - eu falei, olhando dessa vez para os dois. Meus olhos novamente encontraram os de . Senti minha respiração faltar. Olhar naqueles olhos me deixava sem fôlego.
Desde a primeira vez que nossos olhares se cruzaram foi assim. Como se tudo se tornasse mais leve. E quando ele me abraçava contra seu corpo definido (e gostoso) era como se o mundo se tornasse melhor, porque eu sentia que com ele eu estava protegida; eu acreditava que íamos ficar juntos pra sempre!
Pura ilusão.
- , você está bem? - perguntou com uma ruga de dúvida no meio de suas sobrancelhas.
- Estou sim. Só preciso de um minuto - eu disse baixo, sorrindo amarelo.
- Certo. Se estiver passando mal, tudo bem. Nós podemos voltar depois, né ?
- Claro que sim - ele assentiu, falando normalmente.
- Não é preciso - abanei o ar - Volto rápido.
balançou a cabeça afirmativamente, nem olhei para .
Levantei-me e andei para fora do meu escritório, fechei a porta e me apoiei nela. Coloquei a mão no peito, meu coração batia acelerado. Meus olhos agora estavam cheios d’água. Eu não consegui resistir ao choro. Corri para o banheiro que ficava no hall e tranquei a porta. Deixei as lágrimas correrem por meu rosto. Sentei na privada e posicionei minha cabeça entre as pernas como se fosse uma menininha chorando porque um garoto mal arrancou a cabeça de sua barbie.
Eu queria que fosse assim.
Que no dia seguinte eu pudesse resolver que nem a menininha, que pode ir comprar uma barbie nova e mais linda ainda.
Mas eu não poderia substituir , não poderia substituir o que vivemos, nem o fato de que ele estava a poucos metros de mim em outra sala.
Derek podia ser meu namorado atual, mas não seria como a barbie nova. Ele não poderia ser melhor que .
era insubstituível.

Capítulo 4 - I never will be good enough for her

Flashback on
- - me apresentei sorrindo.
- Você parece preocupada - ele disse calmamente, me olhando intensamente. Devolvi o olhar, sem tirar meus olhos dos dele. Eram tão hipnotizantes, como se me prendessem só de olhá-los.
- Você também parece - eu respondi e ele sorriu de lado, prossegui - Qual o problema? - Oh, meu Deus! , onde já se viu sua educação? - Me desculpe. Não devia ter te perguntado, quer dizer, nem te conheço.
- Sem problemas - ele riu de meu embaraço - Não é nada demais. Sem importância - ele deu de ombros. Mesmo curiosa como sou, não insisti para que ele me falasse.
- E você? O que te afligi?
Ri do jeito que ele tinha falado. Afligi? Então tá.
- Grana. Grana e grana. Preciso arrumar um trabalho.
- Bem, você está em Londres. É só andar pelo centro, que você vai ver mil anúncios de “Precisa-se de empregados”.
- Hm, vou seguir seu conselho então - eu sorri agradecida. Ele retribui o sorriso e se levantou. Caminhou até embaixo da árvore em que eu estava e se sentou ao meu lado. Tão próximo.
- Você prefere sorvete de chocolate ou morango, senhorita?
- O quê? - eu ri - De chocolate, senhor - eu disse me virando para olhar seu rosto. Deparei-me com seus olhos lindos perto de mim, olhando-me. Ele abaixou seus olhos para minha boca. Nossos rostos estavam tão próximos que eu conseguia sentir seu delicioso hálito de menta. Hm.
- O que acha de eu pagar um pra você então? - ele murmurou ainda com nossos rostos próximos, meu nariz quase colando no dele.
- Você pode me pagar depois, - murmurei em resposta, me inclinei para frente ao mesmo tempo que ele, e nossos lábios se colaram.
Flashback off


Era tão involuntário. Eu só queria esquecer essas imagens da minha mente. Eu tentava há três anos ao máximo evitá-las, mas isso parecia impossível. Era inevitável, eu nunca esqueceria. Querendo ou não, foram dias que me marcaram pra sempre. Foi tudo tão intenso e tão maravilhoso.
Eu provavelmente já estava a uns cinco minutos no banheiro e já deviam estar estranhando minha ausência.
Levantei-me da privada e fui me olhar no espelho, eu estava decadente. Minha cara parecia um pimentão e meus olhos estavam vermelhos e pequenos. Assoei meu nariz mais uma vez e lavei bem meu rosto. Abri a terceira gaveta do gabinete abaixo da pia. Em meu andar trabalhavam oito pessoas, dessas, sete eram mulheres! Então já estávamos preparadas, cada uma tinha um pequena estojo de maquiagem no gabinete em casos urgentes.
Passei lápis e rímel. Pronto. Guardei o estojinho de maquiagem. Estava pronta para sair do banheiro quando meu celular começou a vibrar no bolso de meu casaco. Sem ver o visor atendi.
- ? - ouvi a voz grave de Derek do outro lado da linda.
- Oi, amor! - sorri involuntariamente.
- O que aconteceu? - ele perguntou com um tom preocupado. Obrigada à voz de choro que me denunciou!
- Nada - menti automaticamente.
- Nada? - ele riu de descrença – Vai, , eu te conheço.
- Eu não quero falar disso, está bem? - respondi mais áspera do que o necessário. Ops.
- Tudo bem - ele respondeu surpreso pelo meu tom. Mas que p*rra! Por que eu acabo magoando as pessoas que eu amo? POR QUÊ? - Eu só queria falar que hoje eu vou estar te esperando quando sua aula na faculdade acabar.
Saí do banheiro e andei em direção ao hall ouvindo o que ele falava. Deparei com uma cena... Estranha.
e Alice conversavam perto do elevador, e apenas assentia concordando com o que a noiva falava. Era impressão minha ou eles estavam indo embora? WTF? (N/A-WOW TOM FLETCHER - não me segurei!).
- Amor, desculpa. Beleza. Tenho que desligar, até mais tarde - desliguei o telefone me sentindo uma péssima namorada por mal conversar com Derek. Mas eu tinha uma missão agora, descobrir o que , Alice e estavam planejando. Seria um complô?
Eu viajo muito, fatão.
Fui até eles dando passos devagar querendo demonstrar segurança. Cheguei até eles que me encaravam cautelosamente como se eu fosse um bicho papão pronto pra atacar. Minha aparência estava tão precária assim?
- O que foi?
- Eu que pergunto, ! O que foi? O que aconteceu? - Alice perguntou desesperada me segurando pelos ombros como se achasse que eu não conseguisse parar em pé sozinha.
- Ah er... - pensa, , pensa - Minha tia avó, Elizabeth, morreu - menti. Tinha acabado de matar uma tia que nem existe, credo! , você tem que inventar desculpas melhores.
- Ah, , que horror! - Alice e falaram juntas e me abraçaram. Fiquei surpresa, não por Alice me abraçar. O que era um milagre porque Alice não era muito de abraços e momentos ternuras, mas sim por . A menina mal me conhece e já me abraçou de um jeito tão maternal. Sério, não era um desses abraços só abraçar, era de amigo mesmo.
E meio que veio a culpa então. Eu estava há um minuto atrás chorando por causa do noivo dela, por tudo que vivemos juntos, por ele ser tão indiferente comigo. Mas o que eu queria? Que ele me abraçasse e dissesse que sentia minha falta enquanto tinha uma noiva tão legal? Que agora no momento me abraçava consoladamente sem saber de nada enquanto o noivo dela apenas me encarava. Sem expressão. Era indecifrável seu rosto, seus olhos, sua expressão. Será que ele sabia que ele era a causa disso tudo?
Não, ele não pode saber! Seria tão humilhante! Eu não deveria ficar mal por esse... Idiota? É talvez essa seja a palavra.
Desfiz-me do abraço grupal de Alice e , e agradeci baixo:
- Muito obrigada, amores.
- , eu e vamos embora - avisou - Mas vamos voltar quando você estiver melhor.
- É, eu vou marcar o dia com a Alice - disse olhando de mim para Ali. Seu olhar se encontrou com o meu por três segundos, que mais me pareceram minutos. Apertei meus olhos para ele. Como ele conseguia dar uma de oi-sou-um-cara-correto-e-prestativo-que-só-quero-ajudar-essa-pobre-estranha quando na verdade ele me conhecia? E me conhecia MUITO bem.
Ok, no comments.
- Isso. Sem problemas, eu acerto tudo - Alice concordou freneticamente.
- Ligamos mais tarde - sorriu amarelo - Eu sinto muito, , mas você vai ver as coisas vão ficar boas.
É, as coisas vão ficar boas quando esse indivíduo, o seu querido noivo, sair da minha frente!
! Sem ironia, ela está tentando ajudar e ser educada. Obrigada, Consciência!
- Claro - eu disse dando meu melhor sorriso de gratidão.
- Vamos então? - se dirigiu a noiva e depois olhou para mim e Alice - Até mais!
Alice disse algo que eu não ouvi e também, eu estava mais preocupada em achar algum sinal de culpa ou sei lá, algum sentimento no rosto de . Nada.
- Tchau, até! - eu disse para meio alheia.
Eles foram embora e eu continuava no mesmo estado, não de transe ou de brisa, mas sim de choque. Pra falar verdade me senti indignada! Eu idiota fiquei mal por reencontrá-lo e ele? Nem ligou.
Ele que se foda.
Eu tinha prometido a mim mesma há três anos que não iria derramar mais nenhuma lágrima por ele, e eu podia ter quebrado a promessa hoje, mas eu não faria isso de novo.
Porque ele simplesmente não merecia.
Eu sempre achei que eu não era boa o suficiente pra ele, sempre achei que ele merecia algo melhor que eu. Mas não era verdade. Eu era boa, eu fui tudo que ele precisava. Eu dei o melhor de mim por ele, eu me entreguei a ele. Eu me culpei por muito tempo por nós dois termos acabado. Eu procurava meu erro, eu só pensava “onde eu tinha errado?”, mas eu nunca errei com ele.
Se alguém fez com que o nosso relacionamento acabasse foi ele, ele que quis. Não eu.
- , vai pra casa, sim? - Alice disse me tirando de meus devaneios amargurados.
- Certo - murmurei. Era tudo que eu precisava agora, ir para casa e falar com a pessoa que me entendia melhor no mundo, que eu realmente acreditava que a gente tinha uma ligação: .

' POV
- , qual o problema? Você está estranho desde que saímos da agência - comentou com uma ruga de preocupação na testa.
- É só que eu acho que não deveríamos voltar pra agência - eu disse sincero. Pra mim, a opção voltar era fora de cogitação. Até agora.
- Por que não, amor?
- Não quero ninguém organizando nosso casamento - dei de ombros, suando frio. Parei o carro no semáforo quando suas luzes ficaram vermelhas e olhei para .
- Ah, , por favor - pediu. Era difícil negar alguma coisa com minha namorada, digo noiva, me olhando com seus olhos grandes, tão intensamente. -Diga que vai pelo menos pensar - ela sussurrou pegando em minha mão e a colocando em seus lábios, passando por sua bochecha. Como eu poderia dizer não?
- Tá, vou pensar.
- Obrigada, amor! - ela sorriu de orelha a orelha, me dando um selinho - Só não entendo por que mudou de ideia. Você tinha concordado e a parece saber fazer casamentos lindos! Você não gostou dela, é isso?
- Eu só acho que nós poderíamos organizar o nosso casamento , só isso. Claro que não tem nada a haver com ela - engoli seco. Claro que tinha tudo a haver com ela. Isso era a ruína, minha ex-namorada organizando meu casamento!
Então a imagem de veio em minha cabeça, ela estava ainda mais linda do que a última vez que nos vimos. O que só dificultava ainda mais a situação. E pra piorar eu tenho certeza que ela não chorou por casa da tia Elizabeth, Elena, ou seja, o nome que for. Eu tenho certeza que for mim que ela chorou.
O que não faz nenhum sentido.
Se alguém deveria estar muito mal com isso, esse alguém era eu. Quer dizer, que me deixou. Ela que sumiu sem explicação, sem despedidas, ela simplesmente desapareceu do nada.
- , o semáforo! - berrou afobada e eu ouvi as buzinas dos carros de trás. Mano, nem tinha me ligado que o semáforo tinha mudado do vermelho para o verde. Voltei a dirigir pela larga avenida, até chegarmos ao apartamento de que ficava a só três minutos dali. Ela se despediu com um beijo caloroso de mim e eu tomei direção à casa de .
Agora sim eu poderia refletir e raciocinar direito.
Eu tinha que fazer mudar de ideia, assim ela esqueceria essa coisa da agência organizar o nosso casamento e eu ficaria longe de . Seria o melhor pra todo mundo. Bom, eu acho.
Na verdade, por mim essa história de que daqui a oito meses eu estaria no altar me casando com era surreal, pra não dizer absurda. Não que eu não quisesse me casar com ela, mas acho que estamos indo rápido demais. Certo, estamos namorando há quatro anos e só nos separamos uma vez (naquele mês), mas isso não quer dizer que já precisamos nos casar! Eu sou muito novo pra casar!
O problema é que e vão se casar em apenas um mês. Sem problemas eles resolveram juntar as trouxinhas e colocarem as algemas. Fico feliz por eles, claro, são meus amigos. O ruim é que com isso nasceu uma súbita vontade em de se casar! já tinha comentado antes em casamento, mas agora a vontade dela aumentou o triplo do triplo do triplo. E bom eu não tive muito como escapar, então foi meio que: “Beleza amor, vamos nos casar”.
Foi por livre espontânea pressão.
E agora vem isso. Por que justo a tinha que organizar o casamento? Já não estava difícil o bastante?
Mas eu vou ter que fingir pra que não nunca conheci nem nada, nunca pode descobrir o que houve entra nós. Nunca mesmo.
. .
Depois de tanto tempo ela reaparece do nada na minha vida.
Eu nunca tinha me esquecido o que tínhamos vivido, fiquei sem reação quando a vi ali na minha frente. Eu só concluí que devia me comportar apenas como um cliente normal que acabava de conhecê-la.
Eu nunca entendi porquê ela foi embora, estava tudo ótimo, o que eu fiz pra ela me deixar sem explicação alguma? Nada. Eu não fiz nada, ela não tinha motivos. Talvez ela já estivesse cansada de mim e quisesse algo melhor.
Eu nunca serei bom o suficiente para ela.
Então por que ela se comportava como se eu fosse o culpado? Eu não era o vilão da história e muito menos ela a vítima. Afinal, quem entende as mulheres?
Bufei e estacionei de frente para a casa de , hoje eu não teria que ir trabalhar. Estava de férias, pelo menos isso.
Saí do carro enquanto ouvi as vozes de e Antony reclamando sobre como o juiz do jogo era ladrão. Toquei a campainha e logo depois ouvi Antony gritando: “O deve ter chegado”, respondeu: “Vai atender a porta, vagabundo!”.
Eu ri de como meus amigos eram retardados. Isso aí, assistir futebol falando besteira com os amigos e bebendo cerveja.
É apesar de tudo o dia podia ficar ótimo.

Capítulo 5 - I see you in my dreams, I see your face, you're haunting me

O tédio me consumia naquela tarde. Passava um filme estranho no canal da TV aberta. Chamava-se Cassie, a Unicórnio azul. A unicórnio pulava pela floresta, então surgiu um cavalo elegante e bonito, o tipo de cavalo que eu queria ter. Ele faz um barulho e Cassie se virou pra ele, eles galoparam na direção um do outro e se cruzaram, como se fizessem uma dança do amor. Senti as lágrimas passando por todo meu rosto. Oh, por que eu estava chorando?
O telefone tocou e eu corri para atendê-lo, eu não queria mais ver Cassie e seu cavalo.
"Alô?" perguntei. Minha voz estava doce em vez de estar chorosa, sorri com isso.
"? Não sei se você lembra de mim, é o..." a voz da pessoa ia dizendo quando a interrompi.
"?" reconheci a voz, era impossível não a reconhecer.
"É, eu mesmo. Então vai parecer muito clichê se eu dizer que desde que nos vimos não paro de pensar em você?" ele perguntou rindo, mas parecia encabulado.
"Muito!" eu ri alto.
Tudo ficou preto por um tempo indefinido quando eu senti duas mãos grandes segurando carinhosamente meu rosto. E eu me vi beijando , os lábios dele juntos aos meus, nossas línguas em perfeito sincronizamento. Ele separou nossas bocas e eu me senti confusa, eu não queria parar de beijá-lo. Nunca. Seus olhos lindos e brilhantes me encaravam e neles transbordava felicidade. Sorri involuntariamente abobalhada e voltei a beijá-lo. Era tão bom. Mas nós nos separamos novamente, eu estava sendo puxada pra longe dele. Tudo em volta de nós desapareceu e só ficou a escuridão, e eu.
"NÃO! Não! Soltem-me!" gritei "Eu quero ficar com ele, me deixem em paz!", mas ele só ficava cada vez, mais longe de mim. Olhei para ele, suplicando pra que ele me ajudasse ", me ajude, por favor," implorei. Ele não disse nada, apenas me olhou com um sorriso debochado e começou a rir. Rir da minha cara. "Não me deixe, POR FAVOR", ele continuou apenas rindo, agora alto. Como se visse um filme hilário de comédia e eu fosse o palhaço.
Eu caí na escuridão total.


- NÃO! - berrei. Abri meus olhos e subitamente me sentei na cama assustada. Eu suava frio e podia sentir meu corpo cheio de adrenalina. Tudo tinha sido um sonho. Não, um pesadelo. Coloquei a mão em minha testa molhada, respirei profundamente tentando acalmar minha respiração ofegante.
Logo que cheguei do trabalho, joguei meu casaco, caí na cama e peguei no sono. Olhei no relógio da cabeceira, eram 12h40. Senhor, eu havia dormido muito tempo!
Tentei lembrar-se do que eu sonhei, eu era boa nisso. Ao contrário da maioria das pessoas eu conseguia várias vezes me lembrar do que sonhei, ou no caso, o meu pesadelo. Man, eu sou foda!
Certo, primeiro eu assistia um filme de um unicórnio, totalmente sem noção. Beleza, irrelevante. Então eu atendia ao telefone. Aquilo já tinha acontecido! Eu me lembro tão bem: me ligou após o dia no parque (eu tinha dado meu número para ele depois do sorvete e achava que ele nem iria lembrar-se de me ligar) e o começo de nossa conversa foi exatamente igual! Ok, vamos prosseguir. Depois eu estava beijando-o como ocorreram várias no passado... Nossa como ele beija bem! Tá, parei.
Mas o que me intrigava era o final, sabe, quando eu era puxada e ele ria da minha cara. Acho que de alguma forma meu inconsciente reagiu assim ao nosso reencontro e também pelo jeito como nós terminamos. Quer dizer, nós não chegamos a terminar. Eu fui embora, e eu sei que foi errado eu ter ido sem nem falar nada, mas eu estava tão abalada por tudo!
- ? ! - entrou em meu quarto correndo com o rosto preocupado. Ela me abraçou forte, como sempre. Eu adorava isso! O jeito como nós duas éramos unidas, inseparáveis! - Você tá bem? O que foi? Eu ouvi você gritando do banho. Não tá doente né? E...
- , calma! - eu ri - Não é nada. Foi só um sonho ruim, ok? Não tô doente, nem com gripe suína, nem nada! - eu esclareci sorrindo convincente.
- Tem certeza? - ela perguntou mais calma.
- Tenho - apertei as bochechas dela - Que bonitinha, toda preocupada com a .
- Pois é, né? - riu e sorriu fofa - Cruz credo, gripe suína, gripe suína! - ela disse se afastando de mim como se eu fosse uma parasita.
- Aff, - eu ri alto e tentei abraçá-la que por sua vez deu uma bundada pra trás falando:
- Sai de mim!
- Não saio não, eu vou pra onde você for! - brinquei e pulei em seu colo fazendo com que nós duas caíssemos.
- SOCORRO, TÔ SENDO ESTUPRADA! - berrou parecendo uma débil mental. Levantei uma sobrancelha para ela, que começou a rir que nem uma demente.
- Banhas! Banhas! - apertou minha barriga e começou a fazer cócegas. Ah não vale! Ela conhecia meu ponto fraco!
- , NÃO VALE - gargalhei e consegui me desvencilhar de suas mãos e pular para fora da cama. Saí correndo pelo apartamento sabendo que corria atrás de mim, ela gritou:
- , vou apertar as suas banhas!
- EU NÃO TENHO BANHAS! - gritei rindo - Help me if you can! - eu cantei e riu ainda mais alto.
- Ninguém pode te ajudar, - fez uma cara de maníaca. Medo.
É, a gente é retardada.
O telefone tocou e nós duas paramos de correr, nos entreolhamos e no mesmo segundo saímos correndo em direção do telefone. Eu que estava mais perto, cheguei mais rápido e segurei o telefone em minha mão.
- Rá-Rá eu cheguei antes! - eu disse fazendo meu melhor sorriso de criança feliz.
- Coloca no viva voz, vadia! - pediu (leia-se: mandou) . Revirei os olhos rindo, dei um tapa no ombro de minha amiga. Coloquei no viva voz e atendi o telefone, finalmente.
-Alô? - a voz de saiu do aparelho.
- ! - disse com uma voz meiga toda animada.
- OI, zinho - eu sorri grande mesmo sabendo que ele não podia ver.
-Oi, meninas - ele riu de nossa animação, provavelmente - E aí, quem topa sair com o delícia aqui?
- Delícia desde quando? - eu o zoei.
-Eu sei que te seduzo, , então menos - disse fingindo estar sério, e nós rimos.
- É, delícia, você seduz a todos - brincou .
-Eu sei, eu sei - ele disse convencido - Mas e aí?
- Não dá hoje, .
- É, hoje é a última sexta do mês - explicou .
A última sexta do mês.
Era o dia em que era proibido de vim para cá, e qualquer visita masculina era expulsa. Toda última sexta feira, eu e tínhamos um dia só de mulheres. Era o dia em que nós podíamos ser pattys. Pintávamos as unhas uma da outra, fazíamos escovas, comprávamos roupas, íamos ao spa, no cabeleireiro e etc. Às vezes tínhamos visitas de amigas da faculdade ou de nossas amigas de nossa antiga cidade. É MUITO LEGAL, MEU.
-Ah é. Tinha me esquecido - ele disse desanimado. Olhei para e controlamos a risada. odiava esse dia, porque não saímos com ele.
Somos muito pops, fato.
-E a noite, depois da facu? - perguntou ele.
- Eu vou sair com Derek - suspirei. Ai, Derek!
- acha que ele vai pedi-la em casamento hoje - fofocou sorrindo.
-SÉRIO? E você nem me conta, ? Não me contam mais nada nesse bagulho.
- Bagulho, ? - riu. Eu já comentei como é uma pessoa risonha?
- Ai, , não fala assim! Você sabe que eu te amo - eu disse melosa.
-Não sei não - negou. Fazendo charme, aposto! - Mas então, , vamos sair?
- Vamos sim. Pra onde, ?
-Pro barzinho do Flitz. O Bryan vai lá também.
- Tá, mas eu vou levar uma amiga. Porque não quero ficar sozinha quando vocês forem catar as menininhas! - exclamou.
- Nossa, falou a pura que não pega ninguém - eu disse irônica e eles riram.
-Firmeza, até mais tarde, - disse me provocando.
- Não adianta me ignorar, , eu sei que você não vive sem mim - eu disse.
-É, infelizmente - suspirou e depois deu uma risada - Beijos pra vocês.
Desliguei o telefone e fui pega de surpresa por que voltou a fazer cócegas em mim. Que amiga idiota eu tenho.

- I know your type! Your type. Yeah, daddy's little girl! Just take a bite! - eu e cantamos alto o começo da música Good Girls Go Bad do Cobra Starship com a diva Leitghton Meester (N/A-Super recomendo essa música, é muuito boa)
- One bite - fez o coro toda sorridente.
- Let me shake up your world. Cuz just one night couldn't be so wrong! I'm gonna make you lose control! - cantei alto e fez movimentos com as mãos como se fosse uma dançinha.
- She was so shy, 'til I drove her wild - berrou e eu fiz suas dançinhas. Isso tudo no meio da rua, como se a gente ligasse pro povo encarando a gente.
- I MAKE THEM GOOD GIRLS GO BAD! I MAKE THEM GOOD GIRLS GO BAD! - gritamos juntas e demos altas risadas.
- Ok, acho que já tá bom, - eu disse em meio as risadas.
- É, não vamos estragara nossa reputação - ela disse e depois fez uma cara pensativa - Pera aí! Não temos reputação!
- Você pode não ter, mas eu tenho - eu sorri debochada fazendo um L de loser na testa pra , que me mostrou o dedo do meio. E novamente voltamos a dar risada.
- Beleza, vamos tentar ter uma conversa normal agora - eu pedi sorrindo.
- Certo. Tenho que te falar um assunto importante. - fez uma cara séria. Lá vem bomba. Era tão fácil ler as expressões faciais de minha amiga, eu sempre sabia como ela estava. Se estava feliz, triste, brava, decepcionada, ansiosa. SEMPRE.
- Pode falar - eu mordi o lábio apreensiva.
- O que aconteceu? E não me diga que não tem nada de errado, porque eu SEI que tem - ela disse direta, não era de fazer rodeios.
- Eu já te disse. Só foi um pesadelo - rolei os olhos. Por que ela estava insistindo nesse assunto?
- Não tô falando disso, - ela disse um pouco impaciente - Alice me ligou hoje. Ela me disse que sua tia Elizabeth tinha morrido e que você estava muito mal. Eu posso ser boba pra muitas coisas, admito, mas...
- Muitas mesmas - eu murmurei. E deu um sorrisinho, porém logo voltou a ficar séria e continuou a falar:
- Como eu dizia, eu sei que não existe nenhuma tia Elizabeth. Então é melhor me contar o que aconteceu pra você ter ficado arrasada.
- Não quero falar sobre isso - eu disse muito baixo, achei que nem tinha ouvido, mas sim, ela ouviu.
- , você me deve uma explicação! Eu não saí mais cedo do meu trabalho pra nada - ela deu um sorriso com uma mistura de bondade, mas que mostrava que ela não iria acreditar em minhas desculpas. Ai, fazer o que se ela me conhece tão bem assim?
- voltou - eu disse suspirando.
- O QUÊ? - parou do nada e quase deixou cair a sacola de doces que ela segurava em sua mão. Tínhamos o hábito de toda última sexta do mês, antes de começar o Momento Meninas, de irmos até uma lojinha de doces ali perto e fazer a rapa. Sempre que a gente chegava lá, os olhos da moça do caixa (que chamamos de Tia do Doce) brilhavam ao nos ver. Falamos que quando ela nos vê, ela pensa "Opa, a minha janta tá garantida hoje!". Tá, é uma brincadeira maldosa. But é verdade, a gente que sustenta a Tia do Doce.
- voltou. Sim, ele mesmo: . Na verdade, não foi que ele voltou. Nós acidentalmente nos reencontramos. Ele e a sua noiva são os amigos que falou que tinha me indicado. Ou seja, eles pretendem que eu organize o casamento deles. E foi horrível ver ele de novo. O pior é que não foi horrível por eu reencontrá-lo, foi horrível porque eu fui uma idiota. Eu sou uma idiota. A única coisa que eu consegui foi falar um pouco com eles e correr pro banheiro chorar. E ele percebeu que eu chorei por ele, eu tenho certeza. Só que , ao contrário de mim, reagiu super bem. Ele ficou normal, como se tivesse acabado de me conhecer e não soubesse nada de mim além de meu nome. Foi como se ele tivesse sofrido uma amnésia e não soubesse quem eu sou! Eu me sinto uma imbecil, porque pra mim ele foi tudo e eu não fui nada pra ele. E me sinto ainda pior, porque a noiva dele foi tão legal comigo. Eu não quero voltar a vê-lo, nunca mais - despejei tudo fora, cuspindo as palavras que estavam engasgadas em minha garganta.
Sabe o que eu senti? Eu me senti muito melhor. Acho que as novelas têm razão quando dizem que o melhor é desabafar e colocar tudo pra fora, por mais difícil que seja. Só não tenho certeza se a frase clichê das novelas: "Dar tempo ao tempo" é verdadeira.
- Ai, - suspirou com uma cara triste de preocupação, ela parou de andar e me puxou para um abraço enorme de urso. Não sei por quanto tempo ficamos abraçadas, mas foi muito reconfortante. desfez o abraço e disse olhando em meus olhos:
- Você não é uma idiota. Um pouco, mas só quando esta perto de mim, porque eu te passo a minha idiotice. Mas que seja, você não pode ter sido nada pra ele. Isso é impossível, . Não digo só porque você é minha melhor amiga, mas sim porque é verdade. Você é incrível, , e se ele não percebeu isso, então ele é o imbecil - dito isso ela me puxou para mais um abraço e eu dei uma risadinha. Só pra me fazer rir em um momento desses.
Sussurrei então para ela:
- Eu já disse que te amo? Já disse que te amo muito?
É talvez agora fosse um bom momento para testar a teoria do "De tempo ao tempo", eu sei que vai estar aqui para me ajudar.
Sempre.

Capítulo 6 - I don't know if I can face it again

Assim que os braços de Derek me envolveram em um abraço gostoso uma tranqüilidade absoluta se apoderou de meu corpo. Ah, estar com meu namorado me deixava tão relaxada.
- Estava com saudades, amor? - ele sussurrou perto de meu ouvido. Com sua voz super sexy.
- Muitas - sussurrei agarrada em seu pescoço. Eu podia não ver o seu rosto, mas sabia que seu sorriso tinha aumentado com minha resposta.
- Vamos, bebê - ele disse desfazendo nosso abraço, ele pegou minha mão e me conduziu até o carro. Entrei, pus meu sinto e fitei Derek. Ele estava lindo como sempre, com um suéter vergo musgo da Lacoste. Seus olhos extremamente verdes encontram os meus e eu não hesitei em puxá-lo pela gola e beijá-lo com vontade.
- Nossa, , tudo isso era saudade? - ele murmurou interrompendo o beijo, nossos lábios ainda colados.
- Acho que sim - dei um sorriso culpado e voltei a beijá-lo, minhas mãos bagunçavam seus cabelos e ele me segurava com força pela cintura acariciando-a, sentei em seu colo e ele me apoiou contra o volante do carro beijando meu pescoço, passei a mão pelo seu abdômen por debaixo do suéter, e ele segurou meus seios por cima da minha blusa. Que calor, céus.
- Ok, é melhor a gente ir ao restaurante primeiro, Derek - eu disse sem fôlego.
- Vamos pular essa parte - ele sorriu malicioso. Ui.
- Mas, amor, eu tô com fome. E você disse que a gente ia jantar - eu rebati. Certo, eu estava trocando sexo no carro por um jantar romântico. Qual é! Meu estômago estava roncando.
- É que na verdade, , meus planos nunca foram ir jantar em um restaurante - Derek admitiu - Eu estava pensando em jantar lá em casa.
- Hm... - poderíamos chegar ao apartamento de Derek, fazer sexo e depois ele me traria a janta na cama e comeríamos nus com luzes de vela, e depois ele me pediria em casamento. Ok, não seria tão romântico quanto no restaurante - Beleza!
Voltei ao meu banco e Derek dirigiu até seu apê, não conversamos muito no caminho. Derek parecia um tanto nervoso e eu estava ansiosa. Seria perfeito! Foda-se que não era um jantar romântico no restaurante, os planos eram muito melhores!
Derek estacionou o carro e já no elevador estávamos nos amassando, eu sempre pensava nesses momentos o que o porteiro pensava quando via aquelas cenas. Sim, o elevador tinha câmera.
Só tivemos que interromper o beijo para meu namorado abrir a porta. Envolvi minhas pernas em sua cintura voltando a beijá-lo e ele nos levou até seu quarto, onde me deitou em sua cama.
Logo nossas roupas já estavam jogadas pelo quarto, sem agüentar mais tempo Derek pegou a camisinha, que eu coloquei devagar o excitando mais ainda, e ele me penetrou. Chegamos ao orgasmo quase juntos, o corpo dele caiu cansado sobre o meu.
Ficamos em silêncio por um bom tempo, quando ele se deitou ao meu lado e disse:
- , preciso contar uma coisa.
- O quê? - perguntei. ERA AGORA!
Embora pensando bem eu preferisse jantar primeiro.
- Vou viajar com a empresa.
- Hã? Por quanto tempo?
- Três meses.
- Três meses? - repeti surpresa - Era isso que você queria me falar? Por isso queria tanto que saíssemos juntos hoje?
- Arã.
- Argh - bufei e levantei, me vesti rapidamente irritada, decepcionada.
- , acho melhor darmos um tempo sabe, quando eu voltar da viagem a gente volta também - ele disse devagar.
O QUÊ? Eu ouvi certo? Fuzilei com os olhos e retruquei falando mais alto do que pretendia:
- Ah é? Você me leva pra cama pra depois terminar comigo? Você é um imbecil, Derek! - eu joguei o controle da televisão nele - Que ódio! E não! Nós NÃO vamos voltar. ACABOU!
Saí brava pelo apartamento, consciente de que ele me seguia e berrava palavras de amor. Como se eu ligasse! Bati a porta com força e entrei no elevador que se fechou bem quando Derek iria entrar.
Bem feito.
Lágrimas de raiva jorraram dos meus olhos. Eu poderia dar um soco em alguém tamanha era minha raiva. Eu achando que ele me pediria em casamento e ele vem com essa! ARGH!
Se ele achava que me teria de volta, estava completamente errado. Filho da mãe!
Saí do prédio rápido e peguei o táxi, logo eu estaria de volta em casa.
Solteira.

- Um sorvete de chocolate, por favor - pedi ao sorveteiro. Sim, em pleno sábado de manhã no inverno londrino eu estava em um parque coberto de neve comprando sorvete de chocolate. É isso aí! Mas eu não tinha vindo sozinha, veio comigo e agora ele devia estar no banheiro masculino - Quanto é?
Depois da noite passada, quis me levar para passear no parque. Ele achava que podia fazer com que o meu humor melhorasse. O que seria difícil, mas eu estava fazendo o melhor possível pra não descontar minha raiva de Derek em .
- Cinco libras - o sorveteiro respondeu pegando meu chocolate e me entregando o mesmo. Ergui minha mão com a nota quando uma voz me interrompeu.
- Eu pago - ele disse. Aquela voz que insistia em aparecer em meus sonhos, a voz linda e sexy dele. Que sempre tinha me transmitido tranqüilidade e agora fazia um frio passar pelo meu estômago.
Meu cérebro demorou a processar e quando eu ia protestar ele estendeu uma nota de dez libras para o sorveteiro, que a pegou.
- Oquevocêestáfazendoaqui? - me embaralhei nas palavras, nervosa.
- O mesmo que você. Vim tomar sorvete - sorriu torto.
Perguntas que passaram nesse momento pela minha cabeça:
1º-What the hell?
2º-Por que está pagando meu sorvete?
3º-Como assim um dia ele me trata com indiferença e no outro dia é simpático?
- O que você está fazendo? - perguntei pausadamente.
- Tomando sorvete, ué - disse com cara de óbvio enquanto pegava seu sorvete de flocos com o sorveteiro.
- Não, - revirei os olhos - Quero saber por que está falando comigo.
- Por que não falaria? - ele respondeu com outra pergunta e eu tive a impressão de ele fugia do assunto. estava sério agora e seus olhos evitavam os meus.
- AH! Então é assim? Ontem você finge que me desconhece e agora vem pagar meu sorvete como se estivesse tudo ótimo entre nós!
Ok, eu estava indignada.
Mas qual é! Eu não estava com nem um pouco de bom humor.
- Vocês podem, por favor, discutir longe do meu carrinho de sorvete? - perguntou áspero o sorveteiro.
- Desculpe.
Coitado do homem. Estávamos espantando sua clientela. Quer dizer, eu estava.
- - disse devagar, controlado - não pode saber. Eu não podia ir falar com você como estou fazendo agora e falar do que aconteceu no passado, me enxeria de perguntas e eu não suportaria magoá-la.
- É, o melhor é não desconfiar - murmurei. Ele só não sabia que protegendo sua namorada da verdade ele havia me magoado. Como se ele ligasse!
Afinal se soubesse de tudo ela terminaria com ele. Sem dúvidas.
- E é melhor também, vocês organizarem o seu casamento em outro lugar.
- Eu sei, - concordou parecendo cansado - Mas te adorou e ela não vai desistir da ideia.
Desculpa então se eu sou tão cativante e conquisto a todos.
- Podemos tentar esquecer o que já aconteceu entre nós e nos tratar normalmente - sugeriu com seus olhos esperançosos.
- No way. Impossível eu esquecer - eu cerrei os olhos - Porém, eu concordo com a segunda parte da frase.
- Está bem, como quiser - ele bufou impaciente - Eu realmente não te entendo. Eu que devia ser o revoltado aqui.
HÃ?
- E por que você seria a vítima nessa situação? - eu perguntei debochando-o.
Sim, eu estava irritada com . Muito irritada. Pelo jeito bipolar dele, por não contar a verdade para a noiva, por ser um mentiroso canalha, por tentar amenizar as coisas, por se fazer de vítima!
E sim, meu pavio pode ser curto às vezes.
Ainda mais hoje.
- Por quê? - aumentou a voz sarcástica, seu rosto estava zangado e seus olhos confusos.
A resposta estava na ponta da língua quando apareceu me abraçando pelos ombros no estilo irmão-mais-velho-protetor e perguntando:
- O que está acontecendo aqui posso saber?
- Nada, . Encontrei um velho conhecido. Porém, ele já está de saída. Não está? - olhei diretamente nos olhos de .
- É, tenho coisas muitos mais interessantes e importantes pra fazer - ele retrucou a mim.
deu as costas e logo sumiu sob a minha vista, continuei olhando para o lugar onde momentos antes ele estava. Ainda um pouco surpresa com nossa conversa.
- , quem é ele? E por que vocês estavam discutindo? - perguntou me virei de lado para olhá-lo e respondi:
- , se lembra?
- O quê? - disse incrédulo com os olhos arregalados. Eu sabia que essa seria sua reação, sabia de tudo e não era nem um pouco fã de - Mas o que o idiota estava fazendo...?
Contei para dos acontecimentos recentes: ontem na agência e sobre o que falamos. Ele ficou quieto com uma expressão pensativa.
- , pelo amor, fale alguma coisa - eu pedi angustiada. Silêncio é um som assustador.
- Hm, , você sabe que eu te apoio em tudo e eu acho que você tenha razão em odiar ele e é mesmo impossível pra vocês esquecer o que aconteceu. Mas apesar de eu desprezar esse cara pelo o que ele faz contigo, eu tenho que concordar um pouco com ele - fez uma pausa me olhando paternalmente - Se ele vai ser o seu cliente, vocês têm que se tratar bem e tentar ter uma boa relação pelo menos quando estiverem na agência. Você não pode confundir sua vida profissional com sua vida pessoal. E desse jeito as coisas podem se tornar bem mais fáceis.
Absorvi tudo que meu melhor amigo tinha dito e cheguei a uma conclusão: tinha razão.
Ai, o que eu seria sem os conselhos dele e de ?
- Obrigada, zinho, você está totalmente certo - eu o abracei - Como sempre - dei um pequeno sorriso.
- Eu sou foda - ele riu e retribuiu meu abraço - Hm, ?
- Sim?
- É melhor terminar de tomar esse sorvete antes que roube ele de você!
- Nossa, eu já tinha até me esquecido do sorvete - dei um risinho e desfiz nosso abraço.
Andamos pelo parque conversando nada importante enquanto eu terminava de tomar meu apetitoso sorvete de chocolate.
E hoje seria uma boa noite, eu iria a uma cerimônia de casamento e depois sairia com meus amigos.
Tudo que eu precisava para esquecer de tudo.
I gotta a feeling that tonight is gonna be a good night!

Capítulo 7 - Dance, dance. And these are the lives you love to lead

- VAMOS! - gritou da sala - é sempre a mais lerda pra se arrumar!
- TÔ INDO, FILHA DE DEUS! - gritei em resposta. Olhei-me no espelho e analisei minha roupa. Eu vestia uma calça jeans de lavagem azul bem escuro da Calvin Klein, uma bata prata em decote V e nos pés ankle boots pretas. Meus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo bem arrumado. Minha maquiagem estava básica: os olhos esfumados com sobra preta, rímel e um batom cor da boca. E claro, meus amados brincos de argola. É, eu estava gata.
- Ui, vai seduzir hoje ein, . - brincou , parando na porta. Revirei os olhos - Sério, , você está linda, os rapazes vão correr atrás de você!
- Que ótimo. Tô afim de me divertir hoje - abri um sorriso malicioso, o que fez rir alto - Nossa, ! E você então! Esse decote que os peitos pulam pra fora!
estava com um vestido preto com um decote generoso, seu cabelo caia em seus ombros, ela usava um colar prata lindo e sua maquiagem estava demais. Concluindo: está muito linda, fato.
- Não tem nada demais - Ela corou - E ninguém vai olhar pra mim com você gata assim.
- Cala a boca - eu sorri divertida - Vamos embora!
- Mano, o e todo mundo já deve tá lá - falou. Iríamos para a boate com o povo da faculdade que realmente já devia estar lá.
- Verdade - concordei - A gente sempre é as últimas a chegar aos lugares, fact.
- Por que será? - me deu uma indireta levantando a sobrancelha.
- Você não pode falar nada, vagal, porque várias vezes eu fico te esperando! - eu apontei o dedo para ela sorrindo.
- Tá eu admito. Mas na maioria das vezes é você, , e não tente negar - fechou nosso apartamento e pegamos o elevador.
- Tá bom, ! Você venceu! - eu ri e ela sorriu vitoriosa.

Um psy que eu particularmente não conhecia tocava na boate, as pessoas balançam seus corpos ao ritmo da batida da música, e na minha mesa, eu, , , Jenny e Dylan conversavam alegremente já um pouco alterados pela bebida.
Jenny era da sala de e era atualmente a ficante da vez de . Dylan era da minha sala e não era segredo pra ninguém que ele era afim de mim. Quer dizer, ele deixava bem claro!
- Gente, eu vou ao bar pegar mais Cosmopolitan pra gente! - avisou fazendo um sorriso débil.
- YEAH! - eu e Jenny comemoramos.
- Jenny, vem dançar comigo - a chamou todo feliz e corado.
- É pra já! - ela sorriu grande pegando a mão que esticara e os dois foram para pista.
- Acho que só sobrou a gente - comentou Dylan.
- Pois é - eu sorri torto e mudei de lugar, indo para o seu lado.
- Olha essa - ele disse rindo e apontando para trás de mim. Olhei para o balcão e lá estava minha amiga paquerando um cara extremamente gato.
- Essa daí não perde tempo - brinquei.
- , por que você não me dá uma chance? Pelo menos uma vez - ele disse baixou com seus olhos suplicantes.
O caso era que desde o primeiro ano da faculdade Dylan era afim de mim, e apesar de eu ter namorado com o Derek e ele com algumas moças, ele ainda gostava de mim mesmo nós sendo apenas amigos.
Dylan não era de se jogar fora. Não mesmo! Seus olhos eram de um vivo azul-oceano, seus cabelos eram loiros escuros dourados e sua pele era bronzeada como as dos surfistas, ele não era muito mais alto que eu e fazia tipo o menino fofo.
Seu jeito era totalmente diferente do de Derek. Meu ex-namorado fazia o tipo menino popular galinha da escola e Dylan era o garoto tímido super bonitinho da sua sala.
O charme de Derek versus o sorriso encantador de Dylan.
- Dylan, eu acabei de sair de um relacionamento não quero me comprometer - eu disse franzindo o cenho.
- Só hoje, , só essa noite - ele disse um pouco mais perto do que antes.
Que mal faria? Como um moleque da faculdade dizia: que amizade pode ser melhor do que essa de amigos com benefícios? Depois seria só hoje, não significa que teríamos que andar de mãos dadas por semanas e ter um compromisso com outro. Viva a liberdade!
E, além disso, eu deveria aproveitar que não estávamos totalmente sombrios, porque se estivéssemos nenhum de nós teria coragem.
Aproximei-me mais dele e vendo isso como um sim, Dylan me beijou delicadamente. Ele beijava bem. Ok, ele beijava MUITO bem. E só. Não tinha aquela química, aquela paixão que eu tinha com Derek.
Beijamos-nos por um bom tempo, quando eu separei nossas bocas e abri meus olhos para encarar os pares de olhos mais amorosos que eu já tinha visto.
Sério, aqueles olhos azul-oceano seduziam demais.
- Nossa você beija muito bem - ele comentou sorrindo torto.
- Você também, com certeza - sorri para ele mordendo o lábio.
Voltamos a nos beijar, dessa vez sem tanta calma como antes.
Fui até o bar pegar mais Cosmopolitan, porque 1º) tinha sumido com o gato do balcão e 2º) com o calor tínhamos ficado com sede.
- Aqui está, moça - disse o barman me entregando dois copos contendo a bebida que eu tinha pedido.
- Obrigada...
- ?
- Ah, oi, ! - eu disse surpresa ao me virar em me encontrar . O que significa que...
- , olha quem eu encontrei! A !
... está aqui também.
Ele veio em nossa direção com um sorriso simpático no rosto (forçado claro, ele ainda devia estar puto comigo por hoje de manhã).
- Oi, que surpresa! - ele disse para mim e eu sabia que a incredulidade em seu roso era verdadeira.
- Vejo que você está acompanhada! - comentou com os olhos brilhando, fitando os dois copos em minha mão.
- Na verdade, eu vim com meus amigos. É que só um está comigo no momento - contei. Ou eu deveria dizer o meu ficante de hoje?
- O que vão querer? - o barman perguntou para .
- Eu quero uma batida...
- Ah não. Algo mais forte! Queremos uma tequila - pediu para o barman.
- Estamos ali - apontei para a mesa onde Dylan me esperava - Se quiserem ir lá.
- Uau, que gatinho ein, - sorriu.
- Sabe, amor, ainda estou aqui - revirou os olhos. E mesmo a palavra amor me dando uma cutucada eu dei risada junto a .
- Certo, vamos lá sim! - concordou.
Sorri para eles, e com os copos de Cosmopolitan fui em direção a mesa.
Seria estranho. Eu, Dylan, e na mesma mesa. Dei de ombros, talvez fosse pela bebida, mas eu estava despreocupada quanto a isso.
Sorri grande para Dylan ao me sentar e dei um selinho nele antes de contar a novidade.

A conversa vinha tão naturalmente, riamos de tudo e eu estava me divertindo muito. Não só eu, todos nós estávamos. E isso inclui . Quando ele chegou à mesa com , ele estava travado, mas depois de algumas tequilas ele começou a conversar conosco. Parecíamos todos velhos amigos da velha guarda!
- Nossa, gente! Já volto vou usar o banheiro - berrou animada.
- Meu Deus, nunca vi alguém tão animada pra ir ao banheiro! - eu dei risada.
- É isso que uns copos de tequila fazem, ! - Dylan sorriu e cutucou minha barriga me fazendo rir.
- Para, Dyl! - pedi entre risadas.
- Tá, tá - ele parou de me cutucar e se levantou - Me deu vontade de ir ao banheiro também, já volto.
- Vai lá, dude - disse.
- Vai ir ao banheiro também, ? - brinquei. SIM, EU ESTAVA CHAMANDO O PELO APELIDO.
- Não agora não! - ele deu aquele seu sorriso lindo. Aquele que ele me dava todos os dias quando me via - Sabe, , é bom ter você de volta. Ter você perto de mim novamente, ver você sorrindo pra mim de novo.
Meu coração parou. estava dizendo tudo aquilo mesmo? E não era da boca pra fora, eu podia ver que era sincero! OMG!
É como dizem, quando se bebe demais, se fala demais!
Não, . O ditado é: A bebida entra e a verdade sai!
É isso aí!
- Eu posso dizer o mesmo. Eu senti sua falta, é bom ter o velho de volta - dei meu maior sorriso sincero. E minhas bochechas que já estavam coradas, agora estavam muito vermelhas. Eu me envergonhava fácil, fato.
Nem eu acreditava que eu própria tinha admitido o que sentia por ele, nem havia admitido para mim mesma.
Mas era verdade, eu sentia falta de . Eu sempre senti! Ele podia ter se apagado um pouco em meu coração, mas continuava ali e sempre estaria. Porque por mais eu mentisse para mim mesma eu ainda o amava. E era um sentimento eterno. Nem Derek, nem Dylan, nem qualquer um me faria tão feliz quanto me fez, eu sabia daquilo.
Aquele era o meu . O brincalhão, amoroso, divertido, idiota e que acima de tudo me completava.
Estávamos mentindo um para o outro. Estávamos usando mascaras o tempo todo um com outro, porque nós éramos assim na verdade. Era assim que era quando estávamos juntos.
Pergunta:
Como consigo filosofar estando bêbada?
- Amigos? - estendeu seu copo.
- Amigos! - eu sorri e brindei com ele. Viramos os copos agora de tequila, nos olhamos e demos risadas.
Como nos velhos tempos.
Senti o sofázinho afundar ao meu lado, e os braços de Dylan me envolveram.
- Quer dançar? - ele sussurrou de uma maneira convidativa.
- Claro. Porque não? - eu continuei sorrindo e me levantei, Dylan pegou minha mão e eu acenei para que retribuiu meu gesto e nos dirigimos à pista.

Uma semana havia passado desde a noite na boate. Ali estava eu jogada no sofá enquanto passava um filme qualquer na televisão.
Fazia uma semana que eu não via . Nem mesmo .
O que acontecera depois que eu fui dançar com Dylan foi: nos pegamos de novo, e Jenny reapareceram e dançaram conosco, eu não vi mas e , e sumiu pela noite inteira. O que me deixou preocupada, então liguei para ela que não atendeu, e depois de minutos uma mensagem dela chegou dizendo que estava tudo bem e que passaria a noite fora. Então no dia seguinte um barulho alto me acordou. Adivinha quem era? Ela mesma! tropeçou em meu sapato jogado no chão e caiu, causando o barulho. A vaca da minha melhor amiga, apenas me contou que tinha sido a melhor noite de sua vida e que tinha passado a noite com o cara do balcão. Só.
Isso mesmo, não me contou nadinha sobre ele. Seu nome ou nem mesmo como ele era. Já que eu só o vi de longe e eu não me lembrava muito bem, porque eu havia bebido muito na noite anterior. Mas eu lembrava que ele era MUITO gato.
Então eu o nomeei de o gato misterioso.
É gato misterioso parece mais cool que o cara do balcão.
E essa semana andou bem ocupada com ele. Hm...
Sério, ela desapareceu várias vezes durante a semana e sempre que dava escapava para ver se tinha uma mensagem nova no celular. Detalhe: peguei no telefone falando coisas amorosas várias vezes.
Por isso que em pleno sábado à tarde eu estava sozinha em casa.
Dylan? As coisas estavam normais entre nós. A semana inteira não nos pegamos e fomos apenas amigos. Fizemos como o combinado: só naquela noite.
Era um milagre hoje eu não ter NENHUM casamento! Essa semana na verdade, havia sido relativamente calma na agência. Graças ao Pai!
Muita coisa havia mudado nessas duas últimas semanas, pensei.
Primeiro de namorada-futura-noiva pra solteira, fiquei com meu amigo, reencontrei meu amor do passado, chorei e briguei com ele, e no final ri com ele.
Uma pergunta latejou em minha mente por toda semana: Como as coisas seriam agora com ?
Afinal, se não tivéssemos bebido ainda estaríamos "brigados". Talvez eu estivesse me preocupando a toa é verdade, mas isso não saia da minha cabeça.
Suspirei cansada. Cansada de não fazer nada.
! Por que eu não ligava para ela? Não nos víamos faz tempos, e talvez ela pudesse sair comigo pro shopping ou vir aqui, sei lá, alguma coisa!
Peguei o telefone para discar seu numero quando o telefone tocou. Hã?
- Alô? - atendi.
-Hm, oi.
- Meu Deus. É você, ?

Capítulo 8 - Your voice was the soundtrack of my summer

(Coloque pra carregar 1, 2, 3, 4 - Plain White T's)

' POV
Deitei de bruços em minha cama. Que tédio, velho. Todo mundo parecia estar muito ocupado nesse sábado à tarde e eu aqui sem fazer absolutamente nada.
Se pelo menos estivesse aqui... Entretanto, minha noiva tinha viajado para o interior, era aniversário de sua prima. Eu até teria ido com ela, mas eu voltara a trabalhar nessa semana. Então fiquei aqui, infelizmente.
Peguei meu IPhone e o liguei afim de ver se não havia uma mensagem nova de ou .
Eu conhecia há muito tempo, desde o colégio. Ele era aquele cara que era seu amigo pra todas as horas. Pra beber cerveja e te aguentar na ressaca. Isso podia suar muito gay, mas ele era mais que eu melhor amigo. Eu considerava meu irmão.
Uma nova mensagem apareceu na tela do meu IPhone. De .

Amor, está tudo ótimo aqui, todos te mandaram beijos. Te ligo à noite, ok? Saudades, amo você demais.
Xx


Sorri com a mensagem e respondi rapidamente. Coloquei os fones de ouvido e comecei a ouvir 21 guns do Green Day. Apoiei minha cabeça na almofada do sofá e fechei meus olhos, estava quase caindo no sono quando uma nova música começou a tocar.
1, 2, 3, 4 do Plain White T's. A música minha e da , a nossa música.

Flashback on

- , tenho que admitir, fiquei muito surpresa com sua ligação, sabe da primeira vez que saímos- disse sorrindo.
- Por que, ? - eu peguei mais uma rosquinha de chocolate. Fazia um dia ensolarado em Londres, e meu dia não podia estar melhor. tinha aceitado sair comigo pela terceira vez e agora estávamos fazendo um piquenique embaixo da árvore em que nos conhecemos. Ela era incrível. Como eu podia gostar tanto dela desse jeito em tão pouco tempo?
- Não sei. Achei que você só estava pegando meu telefone por educação, sabe.
- Claro que não, - eu ri - Eu realmente gosto de você, eu já te disse isso. É difícil acreditar?
- Um pouco-ela sorriu - NOSSA, EU AMO ESSA MÚSICA!-ela berrou quando começou a tocar 1, 2, 3, 4 do Plain White T's em seu celular - Vamos dançar, ?
- Dançar? Aqui?
- É vamos! - ela pegou em minhas mãos e nós nos levantamos.

1, 2, 1, 2, 3, 4

Ela pôs minhas mãos em sua cintura e colocou suas mãos em meus ombros. Nos movimentamos devagar, um passo pra cá e outro pra lá.
Give me more love than I've ever had,
Make it all better when I'm feeling sad,
Tell me that I'm special even when I know I'm not.

(Me dê o amor que eu jamais tive.
Torne tudo melhor quando estou me sentindo triste.
Me diga que eu sou especial mesmo quando eu sei que não sou.)

Estávamos tão perto e ela me olhava intensamente com aquele brilho que nunca saia dos seus olhos.

Make it feel good when I hurt so bad,
Barely gettin' mad,
I'm so glad I found you.
I love being around you.

(Me faça sentir bem quando estou muito machucado.
Quase nunca fico zangado,
Eu sou tão agradecido por ter te encontrado.
Eu amo estar perto de você.)

Encostei minha testa na dela, o espaço entre nós quase nulo.

You make it easy,
As easy as 1, 2, 1, 2, 3, 4.

(Você facilita tudo.
Tão fácil quanto 1, 2 (1, 2, 3, 4))

There's only one thing,
To do, three words,
For you.
I love you (I love you)
There's only one way,
To say those three words
That's what I'll do.
I love you (I love you)

(Só existe uma coisa para fazer, três palavras para você.
Eu amo você.
(eu amo você)
Só existe uma maneira de dizer aquelas três palavras
e é o que eu vou fazer.
Eu amo você.
(eu amo você))

encostou seus lábios nos meus devagar, com calma.

Give me more love from the very start,
Piece me back together when I fall apart,
Tell me things you never even tell your closest friends.

(Me dê mais amor desde o início.
Me decomponha quando me despedaço.
Me diga coisas que você nunca disse nem para seus amigos mais íntimos.)

Interrompi nosso selinho demorado, passando minha língua no contorno de seus lábios.

Make it feel good when I hurt so bad,
Barely gettin' mad,
I'm so glad I found you.
I love being around you.

(Me faça sentir bem quando estou muito machucado.
Quase nunca fico zangado,
Eu sou tão agradecido por ter te encontrado.
Eu amo estar perto de você.)

Nós curtíamos o beijo sem pressa, com carinho.

You make it easy,
As easy as 1, 2, 1, 2, 3, 4.

(Você facilita tudo.
Tão fácil quanto 1, 2 (1, 2, 3, 4))

There's only one thing,
To do, three words,
For you.
I love you (I love you)
There's only one way,
To say those three words
That's what I'll do.
I love you (I love you)

(Só existe uma coisa para fazer, três palavras para você.
Eu amo você.
(eu amo você)
Só existe uma maneira de dizer aquelas três palavras
e é o que eu vou fazer.
Eu amo você.
(eu amo você)

Segurei seu rosto com minhas mãos acariciando sua bochecha, ela envolveu meu pescoço com seus lábios, interrompi nosso beijo e dei mais um selinho nela. Com nossas bocas se roçando eu cantei o refrão junto à música para ela.
- I Love you, I Love you-terminei de cantar e no rosto de nasceu o sorriso mais lindo e sincero que eu já tinha visto.

Flashback off

Um sentimento de vazio tomou conta de mim. E apesar de um sorriso idiota ter nascido em meu rosto, eu não me sentia feliz. Porque ela não estava aqui.
Tudo que eu queria agora era ter em meus braços novamente, sentir o gosto de seus lábios doces, de seu perfume delicioso, de seu hálito quente batendo contra meu rosto, de ouvir sua risada contagiante, mexer em seus cabelos macios, o brilho de seus olhos, sua bochechas coradas quando eu a envergonhava, suas manias, seu jeito de falar, suas mensagens bobas no celular, seus abraços empolgados, seus beijos quentes e amorosos, sua pele na minha, o contraste de nossas mãos juntas.
Eu a queria comigo agora.
Eu precisava dela.
Nem que fosse pra dizer o quão maravilhosa ela era.
O quanto eu pensara nela essa semana.
O quanto eu sentia falta dela.
O quanto eu a amava.
Se ao menos pudesse vê-la hoje.
Calmo aí. Eu podia.
Tirei os fones de meu ouvido (agora tocava The Who) e disquei o número de em meu IPhone.
- Oi, - atendeu não muito empolgada. Novidade. Ela não gostava de falar no telefone.
- , pode me fazer um favorzão?
- Hm, depende! Fala.
- Me passa o telefone da ? É porque eu quero fazer uma surpresa pra no casamento e preciso que ela me ajude - menti. Mas era uma por uma boa causa. Eu acho...
- Own, que fofo! - disse, eu tinha certeza que ela estava com um sorriso romântico no rosto. Garotas... - Passo sim. Anota aí: 9878-2344.
Anotei rapidamente em um guardanapo.
- Valeu, , te devo essa!
-E eu vou cobrar, ein! - ela brincou.
- Beleza.
-Beijo, .
- Beijo - desliguei o telefone satisfeito.
Certo, agora era parte mais difícil. Respirei fundo e disquei o número da .
Eu não sabia por que estava fazendo aquilo, eu só estava seguindo meus impulsos. Que nem quando sábado passado. Andando pelo parque vi de costas no carrinho de sorvete e sem pensar, por impulso fui até lá falar com ela.
-Alô? - a voz de atendeu do outro lado da linha.
- Hm, oi - eu respondi sem jeito. , você é um idiota.
-Meu Deus. É você, ? - o tom da voz dela era um misto de incredulidade e alegria.
- É sou eu.
-Nossa, que surpresa - ela fez uma pausa e ficamos em silêncio por alguns segundos.
- Então... Eu liguei porque... Ah, só pra saber como você está.
Covarde.
-Ah, estou bem - ela respondeu baixo - E você?
- Também.
-Então é isso? - parecia decepcionada. Por que diabos eu não falava logo em vez de ficar enrolando?
- Acho que sim.
-Está bem. Até mais.
Silêncio.
- ?
-Sim?
- Você está fazendo alguma coisa? - como eu não tinha pensado nisso antes? devia estar com seu namorado, o Dylan.
-Na verdade não...
- Quer sair? - perguntei - Como amigos, claro - esclareci.
-Ah... - novamente ela parecia surpresa - Tudo bem. Vamos sim. Pra onde?
O QUÊ? realmente aceitou sair comigo? Em choque.
- Certo. Vamos ao cinema, que tal? Soube que tem um filme legal passando - a velha desculpa do filme.
-Isso! Eu amo cinema.
- Ás 18h horas no cinema da Avenida 74?
-Ótimo. Até então.
- Até.
Dude, eu não acreditava! Energicamente corri até meu quarto, coloquei uma pólo preta com algumas listras cinza e brancas (N/A-Dougie tem essa pólo, dik) e uma calça jeans folgada. Calcei meu tênis de skatista da DC e baguncei um pouco o cabelo. Passei meu perfume da Armani, e eu estava pronto.
Matei o tempo no YouTube e quando olhei o relógio já eram 20 pras seis. Peguei as chaves da minha BMW e desci pelo elevador.
provavelmente perguntaria o porquê de eu tê-la convidado para sair. Parei para pensar por um momento e formulei minha resposta.
O trânsito estava calmo, então cheguei ao cinema em cerca de 15 minutos. Pra minha surpresa quando cheguei à porta do mesmo ela já estava lá.
Meus olhos passaram por ela de cima para baixo.
Como tinha conseguido ficar mais linda e gostosa?
Seus olhos cruzaram com os meus e ela sorriu sem jeito.
Agora era a hora.

Capítulo 9 - I don't wanna love you in no kind of way

- Uau - foi tudo que saiu de boca na hora em que avistei de longe.
Logo que ele me viu, seus olhos passaram por tudo meu corpo e se encontraram com os meus, eu sorri sem graça pelo jeito que ele me olhava.
foi se aproximando e a cada segundo eu sentia uma adrenalina pulsando em minhas veias, meu coração batia mais forte, prendi minha respiração, borboletas voavam em meu estômago e eu mordia meu lábio inferior nervosa. Um misto de sensações passou por todo meu corpo e mente, esse era o efeito de sobre mim.
- Como assim você chegou antes de mim?-ele brincou quando já estávamos pertos o bastante para conversar e beijou minha bochecha.
- Não sei – sorri – Oi, .
- Oi, - ele retribui meu sorriso - Então, que filme você quer assistir?
- Hm, não tenho idéia - franzi o cenho fitando o letreiro.
- Bom, o que vai passar daqui a pouco... - olhou o letreiro, também lendo os nomes dos filmes e seus respectivos horários - 2012?
- Já assisti.
- Lua nova?
- Eu já assisti duas vezes, mas eu ia adorar ver pela terceira vez...
- Ah, nem vem, ! - fez uma careta de desaprovação - Não tô a fim de ver os vampiros.
- Tá né - concordei derrotada.
- Atividade Paranormal?
- Quero dormir à noite.
- Só porque eu queria ver! - fez bico e eu dei risada.
- Nem vem.
- Só sobrou a Princesa e o Sapo então.
- Então é o que veremos! - eu sorri enquanto fazia uma cara de desanimo – Ah, ! Não tem outro filme e deve ser divertido!
- Divertido para crianças de sete anos - ele rebateu teimoso.
- Aff - revirei os olhos - Vamos logo comprar esses ingressos, ! Eu não vim ao cinema pra não assistir nada! - por impulso peguei na mão de e o puxei.
Um choque elétrico passou todo meu corpo quando senti a pele de contra a minha no toque de nossas mãos, senti o olhar em dúvida dele sobre mim, mas não ousei olhar em seus olhos e me perder neles, soltei rapidamente a mão dele e continuei olhando para chão enquanto sentia minhas bochechas ferverem de vergonha. Shit!
insistiu em pagar meu ingresso. O que eu não gostei muito. Qual é? Nós mulheres, podemos muito pagar nosso ingresso. Pode ser sim cavalheirismo, mas também é machismo dependendo do homem.
Logo que compramos os ingressos não faltava muito tempo para que o filme começasse. Então compramos pipoca e refrigerante e entramos na sala de cinema.
A sala estava LOTADA. Só tinha lugar do meio pra baixo, então ficamos na sexta fileira de cima para baixo. A sala estava lotada de crianças com seus pais. Acho que só deveríamos ser nós na faixa de pessoas de vinte à vinte e cinco anos que não estava acompanhando crianças. E claro que esse fato não passou despercebido por .
- , só tem a gente de adulto aqui! Olha só tem crianças e seus pais! - ele reclamou com os olhos arregalados.
- Bom, ... Você não achou que teria muitos adultos aqui, não é? - mordi o lábio vendo a cara de frustrado dele.
- É, eu tinha uma idéia que teria mais crianças, mas não achei que seriamos os únicos jovens! - estava inconformado, fato - E se a gente for ver 2012? - ele sugeriu com os olhos brilhando e um sorriso nascendo em seu rosto impecável.
- Espera aí. Você está pensando no que eu estou pensando? - eu disse sorrindo.
- O que você está pensando, Cérebro? - brincou com a frase do desenho Pink e Cérebro.
Ri alto, atraindo olhares nada legais dos pais das crianças.
- Opa - murmurei colocando a mão em minha boca.
- ... Vamos? - sussurrou perto de mim. Perigosamente perto. Ele pareceu perceber que eu prendi a respiração com sua proximidade e se afastou. Não podíamos correr o risco de fazer algo que nós nos arrependêssemos depois.
- ... Você está sugerindo que nós mudemos de sala ou é impressão minha? -falei baixo. Tinha um menininho na fileira de trás que tentava ouvir nossa conversa. Pestinha.
Ele assentiu com um sorriso sapeca de orelha-a-orelha. Meu Deus, , não tinha mudado nada desde que nos conhecemos.
Pensei bem. Não era certo mudar de sessão, afinal compramos ingresso para assistir A Princesa e o Sapo. Whatever, que mal faria? E se a sessão de 2012 estivesse cheia nós poderíamos sentar na escada. Não haveria problema nenhum. Era errado, mas às vezes regras precisam ser quebradas! A Princesa e o Sapo X 2012! Eis a questão!
Ok, crianças, não façam isso.
- Vamos antes que eu mude de idéia - eu sorri. E saímos sem causar muito alvoroço, mesmo com o pestinha apontando para nós. encostou-se à parede e olhou de um lado para o outro para ver se tinha alguém no corredor.
- A barra tá limpa - ele disse saindo da sala de cinema. achava que estava em um filme de missão secreta e que ele era um espião da CIA.
- Calmo aí, James Bond - brinquei com ele que fez uma cara de pilantra ao entrar na sessão em que começaria 2012.
Que malandros somos.
- Mais uma missão bem sucedida - brincou ao se sentar na poltrona vinho.
- Você tem problemas mentais, - afirmei rindo.
- Problemas mentais? - ele fez uma cara de maníaco e começou a fazer cócegas em minha barriga.
Já comentei que esse é o meu ponto fraco?
- PARA... VAI... COMEÇAR... O... FILME! - eu tentei em falar em meio as minhas risadas altas.
Os trailers começaram a passar e só por isso parou. Chato!
- Ai, eu quero ver esse filme - eu disse com uma voz meiga quando passou o trailer de Alice in Wonderland. O filme é fofo e ainda o maravilhoso do Johnny Depp. Morri.
- Cala a boca - sorriu debochado cortando meu barato.
- Idiota - joguei uma pipoca nele.
- Ei - ele reclamou e jogou outra pipoca em mim.
Adivinha o que aconteceu depois disso? Sim, uma guerra de pipoca.
No final minha pipoca estava pela metade e a de já tinha praticamente acabado, o que me fez zoar dele.
O filme começou e estava em silêncio totalmente entretido com as tragédias que aconteciam no filme.
Mas eu não estava muito concentrada em 2012 ao contrário de . Era tão irreal essa situação de nós dois assistindo filme depois de tanto tempo como amigos. A minha vontade era de me encostar em seu ombro e beijá-lo no escuro do cinema como qualquer casal de namorados faria. Esse pensamento me fez perguntar se estaríamos juntos se nada tivesse acontecido entre nós há três anos. Será que estaríamos vendo esse mesmo filme abraçados agora? Mas não adiantava pensar no passado e nos “se”. Nada mudaria o fato de que não havia mais nada entre nós. Quer dizer, pra mim ainda via. Os vestígios de nosso romance e tudo que ele causou ainda estavam guardados em meu coração. E tudo que eu sentia por ele parecia voltar à tona agora que ele estava de volta.
Tudo entre nós sempre foi muito intenso. Tudo ou nada.
Nosso caso acabou da mesma forma que começou: muito rápido. Nos conhecemos e de repente já estávamos apaixonados um pelo outro. Bom, pelo menos eu estava. O sentimento de por mim era uma incógnita. Eu sempre achara que ele me amava do mesmo jeito que eu o amava, mas depois do que eu vi naquele dia, já não sabia se o sentimento era recíproco.
E agora eu estava mais confusa ainda. Afinal, por que diabos havia me chamado para vir aqui? Ele realmente achava que era possível que nós fossemos amigos?
Balancei minha cabeça e murmurei para ele:
- Vou ao banheiro.
apenas assentiu vidrado nas imagens do filme, me levantei e fui até o banheiro a fim de colocar as idéias no lugar. Eu precisava de um lugar que não estivesse perto de mim. O aroma de seu perfume não me deixava raciocinar direito.
Abri a porta com tanta força do banheiro que a uma menininha que secava as mãos me olhou assustada e saiu correndo. Ela devia estar assistindo A Princesa e o Sapo.
Sorri levemente com isso e apoiei minhas mãos na pia.
Encarei minha imagem no espelho. Minha testa estava franzida e minha boca uma linha reta, refletindo a confusão dentro de mim. Reparem como eu sou boa em esconder minhas emoções, não.
Muito bem. Isso não daria certo. Sabe, eu e amigos. Como eu olharia em seus olhos lembrando o de três anos atrás? Ele era o mesmo, a única diferença é que parecia mais maduro agora e não tinha mais aquela cara de menino. Era impossível sermos amigos depois de tudo que aconteceu. Eu não sentia ódio de . Não mais. Mas ainda havia uma feriada que doía e ela tinha nome: mágoa.
Novamente olhei minha imagem no espelho. Os cantos de minha boca estavam ligeiramente virados para baixo e meus olhos traziam um brilho melancólico. Eu já sabia o que deveria fazer. Mas como fazer?
Olhei em meu relógio, ainda tinha pelo menos uma hora e meia de filme. Suspirei e voltei para a sessão pensando no que diria a depois que o filme acabasse.

- Cara, esse filme é muito maneiro! - disse empolgado enquanto saíamos da sala de cinema.
- Eu sei - sorri grande - É realmente demais.
- Não sei por que você não queria ver de novo - ele indagou e eu apenas dei de ombros.
- , tenho que te perguntar uma coisa - eu disse parando no meio do caminho. fez o mesmo que eu e me olhou curioso.
- Fala.
- Por que você me chamou pra sair hoje? - eu disse rápido, mas não tão rápido para que ele não entendesse.
- Eu não tinha nada pra fazer, então me lembrei de você e fiquei com vontade de te ver - disse como se tivesse ensaiado essa fala várias vezes.
Claro, eu fora a última opção.
- Por que você se lembrou de mim? - as palavras saíram e minha boca antes que as controlasse.
- Eu não sei... Eu acho que eu queria ver como as coisas estariam depois de sábado - ele balbuciou surpreso pela minha pergunta – Sabe, se estamos como amigos mesmo. Se está tudo bem entre nós.
ARÁ! Onde eu queria chegar.
- ... Acho que não devíamos estar aqui... – eu comecei a dizer olhando para baixo.
- Como assim? - a voz de denunciava sua confusão.
- Não podemos ser amigos - eu fui direta e encarei seus olhos lindos que sofreram uma transformação, a dor transpareceu neles ao ouvir minhas palavras.
- Por que não, ? O que tem de errado?
- Ah, ! - eu mordi meu lábio inferior para evitar que ele tremesse. Minha voz saia fraca - Eu não consigo esquecer passado, eu não posso fingir que nada aconteceu! É o melhor para todos.
- Ótimo, então - disse frio - Se você não quer mais me ver, está ótimo para mim.
Seu jeito ressentido me atingiu como pontadas em meu peito.
Eu o compreendia. nunca soube as razões pelas quais eu fui embora. Ele achava que não sabia que ele tinha culpa no cartório. Ah, se ele soubesse que eu descobrira tudo, que por isso eu o deixara.
- Não é isso - tentei parecer firme, mas minhas palavras saíram em um sussurro - Nós ainda vamos nos falar, na agência. Eu vou organizar seu casamento você, entende? Não posso sair com você.
Parecia que eu estava terminando tudo entre nós. O que de certa forma não era mentira. Afinal, as coisas entre nós nunca tiverem realmente um “ponto final”.
pareceu entender finalmente o que eu queria dizer e a expressão rígida em seu rosto murchou e ele me puxou para um abraço. Abracei-o forte, retribuindo o abraço. Seu abraço era bom e tranqüilizador. Eu me sentia tão bem ali, como se meu lugar fosse em seus braços.
- Eu queria que as coisas fossem diferentes - murmurei contra a curva de seu pescoço.
Ele afrouxou nosso abraço e encarou meus olhos, respondeu baixo, porém forte:
-As coisas podiam ser diferentes.
Eu entendi o recado dele.
- Até mais - eu disse tão baixo que achei que não ouvira, mas ele assentiu como resposta.
Girei meus calcanhares e passei pela saída, chamei o primeiro taxi que passou e falei o endereço do apartamento.
Olhei para trás e através da janela pude avistar parado na calçada com o olhar vago.
Tudo seria tão mais fácil se eu não o amasse. Eu queria não amar , não queria sofrer por ele e não queria que ele sofresse por mim.
Fazer ele sofrer era o que mais me machucava. E eu estava fazendo de novo.
Era a segunda vez que eu deixava .

Capítulo 10 - I'd like to make myself believe

- Ah, eu nem acredito! Já na quinta! - mais uma vez Mary exclamou com um suspiro de felicidade, os olhos castanhos brilhavam mais que nunca. Nunca vira Mary tão ansiosa. Ela não parava de batucar a mesa com as unhas esmaltadas de coral e constantemente mexia nos cabelos compridos e ondulados.
- Eu sei, amor, mas calma - Jasper riu da ansiedade da noiva. Jasper parecia bem mais tranquilo, embora o sorriso de felicidade não saísse por um segundo do seu belo rosto.
Jasper e Mary são o casal perfeito. Sério. Eles eram predestinados a ficar juntos.
Eles eram tão divertidos e fofos juntos, sabe, como se eles se completassem.
Eu os conheci há bastante tempo e, depois de meses e meses, a hora do casamento estava chegando. Era nessa quinta. E hoje era a última vez que eles estariam em minha sala resolvendo o que faltava ser resolvido. Como a papelada.
- É, Mary, não precisa surtar, vai dar tudo certo - eu sorri acalmando-a. Como se uma mulher conseguisse ficar calma em uma hora dessas.
- Eu sei, eu sei. É que passou tão rápido! - ela disse agitada, Jasper apertou de leve a mão entrelaçada dos dois em cima da mesa.
- Mas então, , nós podemos assinar esses documentos agora? - Jasper perguntou me fitando com os olhos azuis.
- Os do cartório vocês tem que assinar depois da cerimônia na igreja, já que resolveram fazer junto - lembrei - Não se esqueçam de tirar a certidão de casamento também, e Mary se você pegar o sobrenome do Jasper terá que mudar vários documentos também. Eu só preciso que vocês assinem agora um documento da agência, sabe que tem os dados de vocês e o preço...
Eu expliquei algumas coisas burocráticas para eles e depois Jasper assinou assuntos pendentes. Eles já estavam de saída, quando Mary resolveu me lembrar de um pequeno detalhe que eu já me esquecera.
- , não se esqueça de levar um acompanhante no casamento. Certo?
- Há... Certo - sorri amarelo.
Jasper e Mary se despediram de mim, então quando eles saíram pude começar a surtar.
O problema é que eu não tinha quem levar!
Na época que eu recebi o convite para o casamento dos dois, eu ganhei outro que era para um acompanhante. Porque naquela época eu namorava Derek, e eu contei para Mary. Como me arrependo hoje em dia por não ter ficado de boca fechada.
Eu definitivamente não podia ir sozinha.
E definitivamente eu não iria com Derek, porque A: ele terminou comigo, B: ele está viajando e C: estou brava com ele ainda.
Quais eram minhas opções então?
Bom, vamos ver:

1º Eu posso chamar um conhecido da faculdade, o que seria embaraçoso porque achariam que eu tenho segundas intenções.
2º Posso chamar Dylan. O que estaria totalmente fora do esquema, porque eu disse que éramos somente amigos e ele interpretaria de outra maneira (se é que me entende). Principalmente, depois daquela noite.
3º Posso pagar algum guru pra ir comigo.

Todas as opções estão descartas.
Preciso de um acompanhante que faria esse favor sem hesitar e que sabe muito bem que eu não quero relações amorosas nem nada.
- Mas é claro, , sua burra! - era tão obvio, como não pensei antes?
!
Olhei no relógio do computador, faltavam apenas 5 minutos para o horário dos próximos clientes.
E adivinha quem são eles? e .
Uau, fantástico.
Faça como eu: use a ironia para superar os obstáculos, dica.
Peguei o telefone e disquei o número de já decorado. No quarto toque ele atendeu.
- Fala, !
- Oi, , preciso de um favor! - eu pedi fazendo uma voz doce. Normalmente eu não seria TÃO direta, mas já que não havia muito tempo...
- Um "tudo bem com você?" seria bom - reclamou.
- Ah, , me desculpe, foi sem querer está bem? É que eu realmente eu estou com pressa... E é importante... - tentei me explicar.
- Tô zoando, , não tem problema - ele deu uma risada - Pode falar.
- Obrigada, - fiquei aliviada ao saber que ele não estava irritado comigo, acho que uma das piores coisas é magoar/brigar com um amigo - É o seguinte: preciso que você seja meu acompanhante em um casamento.
- É isso? - perguntou parecendo surpreso.
- Aham.
- Só? Achei que você ia pedir algo mais complicado do que ir a um casamento. Quando é?
- Então, é na quinta - falei casualmente.
- Nessa quinta? - novamente a surpresa. Eu sei, não é normal você convidar a pessoa dois dias antes. Dude, como sou prevenida.
- Você podia ter avisado antes! - ele exclamou - Mas eu vou. Não só porque você pediu, mas porque gosto de festas.
sempre fazendo charme, ai ai.
- MUITO OBRIGADA, MEU AMOR! Eu juro, faço o que você quiser! - eu estava quase saltitando pelo escritório.
- Vou cobrar, pode apostar. Só uma pergunta: Por que você só me chamou hoje?
- Porque eu esqueci completamente que era pra levar um acompanhante. Na verdade, quando Mary, a noiva, me deu os convites ela sabia que eu estava namorando o Derek. Mas agora eu não estou claro. Então... Te chamei!
- Beleza. , não comenta com a Jenny tá? - pediu .
- Por quê? - perguntei. ainda estava ficando com Jenny, embora não estivesse tão "sério". E Jenny sabe muito bem que eu e somos melhores amigos, ela entenderia. Certo?
- Ah, dude, nunca se sabe. A Jenny é meio ciumenta também, então é melhor ela não saber - explicou com a voz apreensiva.
- Tudo bem. Mas você não acha melhor contar pra ela? Porque depois se Jenny descobrir ela pode ficar chateada por você não ter contado - aconselhei.
Se tem uma coisa que aprendi é que falta de honestidade acaba com um namoro. E eu digo isso por dois namoros que terminaram por isso. Com e Derek.
Duas decepções.
Embora eu saiba que no primeiro caso eu também o decepcionei, mas essa não é questão.
- Eu prefiro não contar, não tô a fim dos interrogatórios da Jenny - disse, acabando com o assunto.
- Se você prefere - dei de ombros - , tenho que desligar. Meus próximos clientes já devem estar chegando.
Ou seja: e .
- Até a faculdade então. Beijos.
- Beijo - desliguei o telefone, aliviada.
Porém meu alivio foi por água baixo quando vi que estava na hora de chegar com . A qualquer momento eles entrariam pela porta a minha frente e eu começaria a fazer meu trabalho. Ou seja, organizar o casamento deles. Por mais que isso fosse difícil. Fala sério, você teria estômago pra ajudar o amor da sua vida a se casar com outra mulher?
Isso me fez pensar em duas coisas.
Primeiro, foi quando cogitei ontem à noite em pedir para que Patrik organizasse o casamento deles. Patrik entenderia, e ficaria feliz por me ajudar.
E segundo: será que era realmente o amor da minha vida?
Que foi o primeiro cara que eu realmente amei de verdade eu tenho certeza. Total. Mas ele podia ser só isso. O meu primeiro amor. Talvez eu ainda encontrasse alguém que era o predestinado, sabe, que será O cara.
Com eu conheci o que é amar alguém mais do que si própria. Antes eu só tinha tido 'paixonites'. Nosso romance pode ter durado pouco, mas foi real. Eu sei que foi.
Eu sei que pra mim foi.
Foi isso que enfiei na minha cabeça antes da porta se abrir revelando Alice com o feliz casal, enfiei na minha cabeça que eu sou corajosa, que eu podia enfrentar tudo isso e que tudo que passei com já foi, que é passado e que devo seguir em frente. E que melhor jeito de seguir em frente do que ajudá-lo a ser feliz com ?
- ! - abriu um grande sorriso - Quanto tempo, desculpe não ter te ligado antes!
- Ah, sem problemas, amor - devolvi o sorriso, embora eu não estivesse tão feliz quanto aparentava - Fiquem a vontade. Oi, .
- Oi, - devolveu meu sorriso amarelo com o olhar cauteloso.
Certo, devia estar me odiando. Mais do que antes.
Tudo bem. Posso lidar com isso.
- Bom, por onde começamos? - mordeu o lábio inferior ansiosa.
- Preciso saber se vocês têm uma idéia de onde querem se casar. Na igreja, em um Buffet, em uma chácara...?
- Igreja - falou rapidamente.
- Certo - peguei na segunda gaveta um álbum - Tenho fotos das igrejas da cidade. Falem-me as que mais gostarem. Dependendo da igreja é mais caro e algumas têm que agendar a cerimônia com mais de um ano de antecedência.
- Pretendemos casar daqui a oito meses mais ou menos - finalmente abriu a boca pra falar sobre o assunto. Por que eu achei estranho o jeito dele falar "pretendemos"? Será que não queria se casar e...? NÃO, não mesmo, .
- Aham, eu não queria que fosse muito luxuoso - entortou a boca e começou a folhear as páginas observando atentamente cada foto.
Alice entrou no escritório após bater na porta e ofereceu café, depois se dirigiu a mim:
- , Mary e Jasper te mandaram isso - ela me entregou uma caixa de bombons Ofner com um cartão em cima que dizia "Obrigado por tornar esse sonho realidade! Com amor, Mary e Jasper Carter".
- Ah, que lindos - pela primeira vez eu sorri de verdade nos últimos minutos, emocionada pelo presente.
- Wow, você conhece a Mary e o Jasper? - perguntou boquiaberta.
- Sim, eu organizei o casamento deles - eu continuava sorrindo boba.
- Então você vai ao casamento? Ah, meu Deus, eu sou prima da Mary! - exclamou incrédula.
Eu estava mais surpresa ainda. Meus olhos arregalaram e o sorriso vacilou.
- Sério? Não acredito.
E não acreditava mesmo.
me persegue, fato. Não.
- Bem, isso quer dizer que não vou ficar sozinha lá - ri nervosa. Uma parte de mim gostou da notícia, outra nem um pouco. Quanto menos tempo eu e ficássemos no mesmo ambiente melhor.
- É isso aí!
- Que bom - disse não tão entusiasmado quanto à noiva. Por que será?
Mas eu tinha sorte, e dessa vez eu não estava sendo irônica. Eu tinha sorte porque eu teria comigo lá. Eu não estaria sozinha.
Essa festa podia amenizar o clima tenso entre mim e , e bom, podíamos ser colegas. Podíamos pelo menos conviver como se fossemos meros conhecidos. Eu poderia me convencer de que ele não era o amor da minha vida, e podia ser amiga de verdade de , sem essa barreira invisível que me bloqueava.
As coisas podiam se ajeitar.
Será?

Capítulo 11 - We used to kiss all night, now it's just a bar fight

- , eu já disse. Você tá linda - rolou os olhos depois de eu perguntar pela quinta vez.
Passei a mão pelo vestido Christian Dior de um rosa tão forte que era quase vermelho, nervosa. A cerimônia na igreja já acabara e agora eu e estávamos sentados em nossa mesa, com outros convidados na festa.
- Desculpe por estar te enchendo o saco - falei baixo. deu um sorriso torto e me abraçou pelos ombros.
- , relaxa. Pare de pensar que ele está nesse salão e vamos nos divertir.
Pensei no que disse. Eu não podia perder um festão por preocupação, cedo ou tarde nós acabaríamos nos vendo e eu não tinha nada o que fazer quanto a isso.
- É isso aí! Quer saber, eu não vou perder meu tempo! Vamos dançar - puxei da cadeira e ele riu da minha recente animação.
O DJ tocava músicas antigas dos anos 60's, 70's e por aí vai. Macho Man começou a tocar e fez uma dança muito gay, que fez eu e quem estava em volta dançar gargalhando. Dançamos Twist and Shout dos Beatles e It's Raining Man, eu realmente estava me divertindo. Quando vi eu estava no palco cantando Dancing Queen com Mary e pasmem: .
Só pra enfatizar: eu não tinha bebido nada.
Quando descemos do palco todos aplaudiram loucamente, apesar de nós termos cantando MUITO mal. Well, o que importa é a intenção!
Assim, que saí da aglomeração dos convidados dançando avistei e fui em sua direção seguida pelas meninas.
- O que foi aquilo? - ele riu descaradamente - Vocês arrasaram!
- Nós somos demais - eu fiz um joinha e procurei um garçom, eu estava morrendo de sede.
- Ah, parabéns pelo casamento - disse sorrindo para Mary que retribui o sorriso.
- Obrigada, ah, eu não podia estar mais feliz! E vocês? Estão gostando? - ela perguntou com os olhos brilhando muito, tamanha era sua felicidade.
- Tudo está perfeito! - elogiou .
- Claro né, quem organizou tudo? - brinquei.
- , você é muito convencida, sabia? - riu Mary - Obrigada, , sem você nada estaria acontecendo.
- Imagina - sorri modesta - Ah, esqueci de apresentar! - bati a mão na testa, eu era tão esquecida - esse é o . essa é .
- ? Já ouvi falar de você - deu um sorriso disfarçado e me lançou um olhar significativo. Assenti, sabendo o que ele perguntara silenciosamente. Sim, , essa é a , a noiva do .
- Sério? Hum - ela me lançou um olhar divertido e interrogativo. Dei uma risada totalmente sem graça. Constrangedor.
- Estou interrompendo alguma coisa? - Jasper surgiu do nada, o que me deu um alívio gigantesco.
- Não, amor - Mary abraçou o marido.
- Então vocês não vão se importar se eu roubar a minha esposa? - Jasper olhou divertido para mim, e - Temos que falar com todos os convidados e depois tem a valsa.
Mary e Jasper tinham mudado a ordem e deixado a valsa para o meio da festa não no começo.
- Fiquem à vontade - riu assim como eu e .
Já percebeu que sempre que duas pessoas se casam elas ficam o tempo todo falando "meu marido" ou "minha esposa"? Sério, pode perceber.
- Vão lá - eu disse. Eles se despediram de nós e os recém-casados foram falar com um senhor sentado em uma mesa próxima.
- Ai só de pensar que daqui há alguns meses será eu e o ! - suspirou sonhadora. Eu sorri amarelo, com uma pontada no coração. me olhou de soslaio como se esperasse ver se eu ia desmaiar ou algo do tipo. Amigos próximos homens costumam a ser tão protetores. , seu lindo.
- E onde ele está? - perguntou .
- Boa pergunta - correu os olhos pelo salão - Vou procurar ele e já volto. Não saiam daqui, beleza? vai gostar de vê-los.
GOSTAR? Isso eu pago pra ver.
deve ter pensado mesmo porque começou a tossir.
Valeu, , você é tão discreto.
Segurei a risada e comecei a bater nas costas de . Admito foi uma cena patética.
- , meu Deus, o que aconteceu? - continuei dando tapas em suas costas, como se ele tivesse engasgado.
- Estou bem, estou bem - tirou minhas mãos de suas costas - Calma, , já passou.
- Credo - arregalou os olhos - Você está bem mesmo?
- Ele está ótimo. Não está, ?
Indireta? ADORO.
- Perfeito - deu aquele seu sorriso fofo que faziam as meninhas morrerem - Pode ir lá, , a gente te espera
- Ok - retribuiu o sorriso de meu melhor amigo e saiu à procura de .
Foi só ela sair, para eu me virar para e nós dois começarmos a rir. Muito.
- Caramba, , precisava me bater?
- Óbvio, idiota! Você nem finge!
- Foi mal, é que... Desde quando o tal do vai ficar feliz com sua presença?
- Obrigado por me lembrar - revirei os olhos e continuei sorrindo - Você é foda, - abracei de lado.
- Posso dizer o mesmo de você - beijou minha bochecha. , seu fofo! - Mas, , isso é sério. Você sabe.
- É, eu sei - suspirei - Espero que ocorra tudo bem. Vai ser difícil encará-lo.
- Você precisa ser forte, .
- Eu sei, é só que... Com tudo que aconteceu nas últimas semanas, eu não sei como lidar. Sabe, é sempre tudo tão rápido e tão intenso entre nós, que fica difícil de digerir tudo - desabafei.
- Eu tenho certeza que você vai conseguir. Você tem que pensar que está fazendo a coisa certa.
- Eu estou, sei disso. Não tenho duvidas - eu disse olhando para baixo - Mas não entende, ele deve estar achando que eu estou sendo egoísta e má.
- Então ele é muito infantil - suspirou . Eu me virei de frente para ele, apertou meu nariz me fazendo sorrir involuntariamente.
E por alguns momentos eu consegui não pensar no que viria pela frente.

Tomei mais alguns goles da batida de morango terminando a bebida, coloquei na mesa. Ao meu lado, conversava com um total estranho. Eles estavam engatados em uma conversa há um tempo já. Era incrível como, ao contrário de mim, fazia amizades muito fácil. Não que eu fosse anti-social ou tivesse sido uma loser na escola. Eu só não era super extrovertida, sabe? Quando eu não conheço uma pessoa ou estou em um ambiente desconhecido eu posso ser tímida.
Anyway, depois da valsa que fora linda (eu dançara com ) fomos nos sentar em nossa mesa. Eu vira de relance e ela fez um gesto de "Estou indo aí daqui a pouco, fica aí!".
Não que eu fosse a algum lugar.
Nesse meio tempo ganhei sete olhares indiscretos de rapazes e mais três que vieram me chamar pra dançar. Eu estava no lucro só por não ter recebido nenhuma cantada infame. Fala sério!
Eu seduzo muito.
Não.
Como um dos que me chamou pra dançar era gato, e quando eu digo gato quer dizer que ele era um deus grego, eu aceitei dançar com ele.
Como me arrependi.
Além de o cara ter pisado no meu pé quatro vezes (detalhe: não era música lenta) ele era muito chato, e quando digo que ele era chato quer dizer que ele um completo mala, então depois que a música acabou dei a desculpa eu precisava ir ao banheiro.
A velha desculpa do banheiro sempre cola, dica.
- ! - a voz de veio de trás de mim. Olhei para trás onde ela e - vinham em minha direção.
Eles se sentaram nas cadeiras vazias ao lado. Todo mundo estava dançando. Tirando eu, , o estranho, alguns idosos, a maioria das crianças e suas mães.
- Voltei - ela sorriu radiante. definitivamente estava aproveitando a festa. Acho que todo mundo estava aproveitando mais que eu, pra ser sincera.
- Percebi - eu sorri - , olha quem voltou.
que até agora não tinha percebido duas novas presenças virou. Percebi uma coisa. Que me deixou um tanto intrigada. O que eu percebi foi que quando os olhos de encontraram o rosto de ele sorriu. Ele não só sorriu. Sabe quando todo rosto sorri? Desde quando sorria daquele jeito para alguém? Esse era o sorriso que ele só guardava para mim e nos momentos de bobeiras ou fofos. Contudo, dava o mesmo sorriso para . WTF?
Fiquei com uma ponta de ciúme, admito.
- , esse é o , meu noivo - o apresentou.
Percebi outra coisa diferente.
Duas, na verdade.
A primeira foi que disse a palavra "noivo" com a voz fraca. E a segunda, foi o jeito que ela olhou para . Como se ele fosse seu ídolo e ela o visse pela primeira vez, depois de sonhar tanto com ele.
As coisas estavam estranhas.
E confusas.
Ao contrário de mim, não percebeu nada. O motivo?
Ele estava muito concentrado em me estudar. Seus olhos correram pelo meu vestido e param em meu rosto. Ele deve ter percebido minhas sobrancelhas juntas enquanto eu deduzia o que se passava. arqueou a sobrancelha, e desviou seus olhos para o copo de caipirinha que ele imediatamente virou.
Entenda que tudo que eu descrevi desde sorriso de até se passou em cinco segundos.
Sou bem perceptiva, é.
começou a conversar com , e participou um pouco da conversa também. Eu estava bem alheia, admito.
Sei lá, não conseguia me concentrar no que eles falavam. Motivo?
Porque estava ali, tão perto de mim e ao mesmo tempo tão longe. Seu perfume era tão tóxico.
E estava ali também, abraçada a ele. Eu não queria dar alguma furada.
Era difícil me concentrar e ao mesmo tempo não fazer nenhuma besteira.
Imaginei se passava pelo mesmo que eu. Eu diria que sim, suas mãos estavam suadas, ele não parava de mexer nelas, ele estava nervoso.
Depois de alguns minutos, que eu não sei dizer se foram 10 ou 20, uma música que parecia ser bossa-nova (não tenho muita certeza) começou a tocar.
- AH, , vamos dançar? - disse começando a se mexer no ritmo da bonita melodia.
- Hm, desculpa, amor, mas não afim não - retorceu a boca fazendo uma careta engraçada.
- Ah, por favor - pediu.
- Er - resmungou desconfortável.
- Tudo bem, né - revirou os olhos - Então você não vai se importar se eu chamar o pra ir comigo?
Três reações diferentes:
franziu o cenho pensando na hipótese.
arregalou os olhos de um jeito discreto que sempre fazia quando estava surpreso.
Eu reagi pior. Quase gritei um estrondoso "NÃO". Eu não queria ficar sozinha com .
Sempre era perigoso.
- Não - sorriu fraco - Pode convidá-lo.
Como assim "pode convidá-lo"?
- Algum problema pra você, ? - perguntou com precação. Não entendi o porquê da pergunta, eu não era a dona de nem nada pra proibi-lo de ir dançar.
- Óbvio que não - dei de ombros.
- Obrigada - sorriu - Vamos? - ela olhou para .
Ele me mandou um olhar preocupado que eu entendi muito bem mensagem, era como se ele me perguntasse "Tem certeza? Porque aí você vai ficar sozinha com ele e se você não quiser, eu não vou". Eu assenti para , como se falasse "Está tudo bem, sério" e ele entendeu.
Eu e nos comunicamos por telepatia.
- Beleza - deu um sorriso grande para que retribui e eles foram em direção a pista.
Sobrando apenas eu e .

Foi bem tenso.
Eu cruzei minhas pernas várias vezes sem achar uma posição confortável. Virei uma caipirinha fingindo não estar pensando nele, observei as pessoas dançando como se estivesse alheia ao fato dele estar ali.
Não olhei para ele, nem quebrei o silêncio entre nós.
Ele não estava me encarando, eu saberia se estivesse. estava apenas fingindo que nem eu.
Foquei meu olhar em e . Ele a girava, eles riam, não tiravam o sorriso do rosto, havia uma sintonia entre eles. Isso era tão óbvio, só um idiota não perceberia. Esse pensamente me fez perguntar se percebera isso.
Até que finalmente ele se pronunciou.
- Isso é desconfortável.
- Eu sei - falei com a voz fraca.
Silence again.
Lembrei do meu pensamento de poucos dias atrás: "Essa festa podia amenizar o clima tenso entre mim e e, bom, podíamos ser colegas. Podíamos pelo menos conviver como se fossemos meros conhecidos." Estava na hora de tentar colocar isso em prática.
Respirei fundo e comecei.
- Então, como você está? Não conversamos desde...
- Do dia do cinema - ele me interrompeu com certa aspereza na voz. Bem, eu já esperava por isso.
- É - murmurei.
- Estou ótimo e você?
- Também.
Constrangedor.
- Podemos ir direto ao ponto? - perguntou com a voz entediada. Eu finalmente virei meu rosto para olhá-lo.
Já comentei como ele estava divino? Usava o smoking preto aberto, já estava sem gravata e a camisa estava com um botão aberto. Seus cabelos estavam daquele jeito desarrumado e arrumado ao mesmo tempo, de um jeito perfeito e seus olhos pareciam mais brilhantes e carismáticos do que nunca. Sua boca rosa me hipnotizou por um tempo, eu me controlei para não me inclinar e encostar meus lábios nos seus.
Preciso de fôlego.
- Hã? - balbuciei.
- Pensei muito desde sábado no cinema quando você foi embora. E cheguei a uma conclusão.
- E qual seria?
- Está na hora de acertamos as coisas. Esclarecer tudo.
- COMO? - exclamei incrédula. Ele não estava falando sério, estava?
- É isso mesmo que você ouviu. Já passou a hora de resolvermos tudo - ele confirmou decidido.
- Não temos nada para resolver - menti. E eu não sei o por quê. Eu sempre quis falar tudo que estava entalado na minha garganta à , mas agora que parecia que o momento estava próximo eu simplesmente não tive coragem.
- Ah, claro - disse sarcástico e riu sem humor - Não seja medrosa, .
- Eu-não-sou-medrosa-e-não-estou-com-medo - eu disse paudasamente com força.
- E eu sou o papai Noel - mais uma vez ele foi sarcástico. Ai, que cara irritante - Admita, . Você está com medo de me encarar, de encarar a verdade. Você não quer esquecer o passado.
- Cala a boca! Argh, você é um... um... idiota! - balbuciei brava levantando da cadeira.
- Eu sou o idiota que te conhece melhor que ninguém, que te faz feliz como ninguém, que você pode mentir o quanto quiser para si mesma, mas que sabe o que você sente - disse no mesmo tom se levantando como eu.
Percebi que agora estávamos perto demais, tão perto que eu podia sentir seu o hálito gostoso e um calor irradiar pelo meu corpo.
- Corrigindo: você não me conhece, você não sabe nada de mim. Você me fazia feliz como ninguém e não entende nada sobre meus sentimentos - falei com toda a dignidade que eu consegui juntar.
- Então você quer dizer que aquele mês não foi nada? Que eu não conheci a verdadeira ? Eu podia te fazer feliz até hoje se você não tivesse ido embora do nada. E eu acho que sei sim sobre seus sentimentos. Ou vai negar que nesse exato momento você não tem vontade de me beijar? - disse de uma forma tão sexy e com tanta convicção que eu tive que parar pra pensar melhor no que responder. Quando a ficha caiu de tudo que ele dissera dei dois passos para trás, me afastando.
Agora eu pergunto novamente: Ele não estava falando sério, estava?
Quer dizer, qual é a dele afinal?
- Pelo amor, eu sempre fui sincera com você! Eu nunca menti! - me defendi, percebi que minha voz estava um tanto chorosa. Droga - E eu não quero te beijar nem agora nem nunca! - tá, isso foi uma mentira das grandes - Sabe o que acho? Que está mais do que na hora de esclarecermos tudo. Mas esse não é o momento e nem o lugar adequado.
- Está bem. Você tem razão, não é aqui o melhor lugar. Mas será em breve, pode apostar - e com esse aviso deu as costas e sumiu entre a multidão.
Caí dura na cadeira e coloquei a mão na cabeça. Não acredito que isso aconteceu. Não mesmo.
Eu só tinha uma certeza quanto a tudo isso:
O acerto de conta entre nós estava próximo.

Capítulo 12 - You can put the blame on me
's POV
A água quente batia em minha pele enquanto eu fechava os meus olhos e me lembrava da noite passada. A primeira imagem que veio na minha cabeça foi o rosto de .
Isso não é certo, eu sei. Sabe ficar pensando tanto nele. Quer dizer, eu estou noiva. Noiva!
E além do mais, está namorando a , que é minha amiga. Bem, eu acho que ela é minha amiga. Sinceramente? Eu gosto muito dela, mas às vezes parece que ela tenta me evitar. Ah, não sei.
Mas isso não muda nada, pensar nele tanto assim continua sendo errado. Totalmente errado.
Eu não sei por que, mas o sorriso dele não sai da minha cabeça. Eu sinto falta de ouvir o som da risada dele nos meus ouvidos. Isso porque eu o conheci ontem à noite! Não faz nem 24 horas que eu não falo com ele. O que está acontecendo comigo?
Suspirei, eu estava fazendo drama demais com isso.
Eu só gostei muito de , como amigo, claro. Enquanto dançávamos ontem à noite, conversamos bastante. Somos tão parecidos e ao mesmo tempo temos algumas opiniões tão diferentes.
Depois que dançamos fomos voltar para onde estávamos sentados antes. Só continuava ali, tinha ido pra sei lá onde.
Tive a leve impressão de que alguma coisa acontecera, pois estava com uma cara estranha.
Ela e saíram para conversar ou namorar, não sei. Quanto a mim, fui procurar meu noivo e depois de um tempo eu o achei. estava muito alegrinho e vermelho, ou seja, ele tinha bebido mais do que devia.
Só vi e depois na hora da saída, quando eu e estávamos indo embora.
É, foi uma noite boa.
Saí do gostoso e quentinho banho, me enxuguei e fui me trocar. Coloquei uma calça skinny desbotada com uns rasgos pequenos e uma camiseta comprida e justa de gola V listrada branco e vinho da Abercrombie. Desejei que tivesse deixado meu all star aqui no apartamento de , mas, como não tinha, calcei os sapatos de veludo salto 12 centímetros que eu usara ontem. Ai meus pés.
Coloquei a bolsa no ombro e peguei o vestido que eu usei na festa ontem. Desci as escadas do duplex e avistei sem camisa (sem comentários) fazendo panquecas na frigideira. Lambi meus lábios.
- Hey - eu sorri e me sentei no banquinho que ficava em frente da bancada que dava para a cozinha.
- Bom dia, linda - me deu um selinho.
Era por isso que eu não podia pensar em , eu tinha um noivo perfeito comigo. E eu o amo.
- Hm, isso parece bom - elogiei me referindo as panquecas.
- Não parece. Está - ele me corrigiu dando uma piscadinha. Mais uma vez eu sorri.
Ultimamente as coisas não estavam muito bem comigo e , e eu tinha que saborear ao máximo momentos como esse.
estava distante e eu sei que ele estava escondendo alguma coisa de mim. Mas tenho culpa nisso também. Admito, estou pressionando demais ele com o casamento.
- , você vai me matar se eu disser que já estou indo embora? - perguntei. Ok, eu sei. Tudo estava indo muito bem, eu devia aproveitar e tal, mas eu estava atrasada.
- Você já vai? Por quê? - perguntou desfazendo o sorriso.
- Tenho que passar na galeria e depois tem a prova do vestido das damas de honra do casamento da - expliquei.
Pois é, eu tenho uma galeria. Eu gosto de pintar e de desenhar, é minha paixão. Estou no começo ainda, mas já vendo bastantes quadros.
- Tá né - ele respondeu rolando os olhos - Mas primeiro tem que comer uma panqueca.
- Está bem, obrigada, amor - eu dei um beijo na sua bochecha e peguei uma panqueca que ele acabara de fazer - Te recompenso mais tarde - sussurei em seu ouvido.
- Aí sim - sorriu de um jeito safado.
- Tchau, - saí sorrindo de seu apartamento enquanto comia.
Andei cinco minutos e peguei o metrô que ia para o centro da cidade.

Assim que cheguei à galeria fui falar com a gerente e ver se estava tudo bem. Esta por vez disse que uma cliente esperava há já algum tempo para ser atendida por mim.
- É aquela moça ali - Joanne, a gerente, apontou.
- Obrigada, Joanne - sorri prestativa e fui até a cliente.
- Oi, eu sou , a dona da galeria. Você precisa de ajuda? - perguntei para moça ao chegar perto. Ela virou o rosto para me olhar e eu percebi na hora que a conhecia de algum lugar.
Ela tinha aproximadamente a mesma idade que eu, cabelos ruivos e lisos que iam até os ombros, grandes olhos âmbar e um nariz delicado. Vestia um casaco de crochê violeta por cima de uma legging preta e botas.
- Ah, oi, é um prazer conhecê-la - ela sorriu educada - Sou uma grande fã de suas obras.
- Sério?
- Aham, eu sempre passo aqui e fico olhando. Hoje resolvi que queria conhecer a artista - percebi que ela parecia bem animada mesmo. Uau. Eu não estava acostumada com isso.
- Nossa, obrigada. Hã, desculpe, mas eu acho que te conheço. Você é amiga de uma ? - eu acabara de reconhecê-la.
- Sou sim, por quê? - ela franziu a testa sem entender.
- Você não estava com ela sábado retrasado no Quarter's?
- Na boate Quater's? Estava sim. 'Pera aí! - ela levantou a mão até a cabeça - Eu me lembro de ter te visto de relance com a , o Dylan e um rapaz!
- É, era meu noivo - confirmei.
- Bem, sou a Jenny - a moça se apresentou - Você conhece o também?
- Conheço sim, vi a e ele ontem.
Será que ela era amiga do ?
- Onde? - perguntou Jenny, sem sorrir dessa vez. Ops, falei algo errado?
- No casamento da minha prima. A organizou o casamento dela - expliquei.
- E o que o estava fazendo lá? - Jenny perguntou estranhando.
Isso está esquisito, sério.
- Acompanhando a , ué, eles são namorados - dei de ombros.
No momento em que as palavras saíram de minha boca percebi que tinha falado algo com certeza errado. Os punhos de Jenny se fecharam na hora e ela estreitou os olhos.
- Namorados? está namorando com a ? - ela indagou brava - Cafajeste!
- Hã... Desculpa mas eu não entendi - falei em um pio com medo.
- estava ficando comigo. Aquele idiota me traiu - ela bufou mais do que zangada - Olha me passe seu telefone, por favor, quero conversar sobres seus quadros com você. Eu faço design, me interesso por isso. Não dá pra falar agora, acho que vou explodir de tanta raiva daquele imbecil do .
- Ok - concordei assustada, falei meu número. Jenny agradeceu e foi embora soltando fogo pelo nariz.
Ai, eu acho que fiz merda.

's POV
- Quem está faltando ainda? - a irmã de perguntou impaciente enquanto escolhia uma música em seu Ipod.
- Falta a - respondeu de dentro da imensa sala de provas onde ela provava seu vestido de noiva com sua mãe e a costureira.
- Ela tá há meia hora atrasada - disse a Sra. do outro lado da porta - Você tem certeza que ela vem, ?
- Tenho. , você pode ligar pra essa bitch e vê onde ela tá? - pediu .
- Claro - respondi bocejando. Eu só tinha acordado há uma hora, estava morrendo de sono.
Foi só eu pegar meu telefone e ir até a agenda para a porta se abrir revelando .
- Cheguei, pessoas, desculpa a demora - ela sorriu culpada.
- Aleluia! - exclamei ao mesmo tempo em que .
- Todo mundo aqui agora? - perguntou uma das outras damas de honra. Éramos cinco.
- Aham - respondeu . A porta se abriu.
Uau. Uau. Uau.
Fiquei sem palavras.
estava totalmente maravilhosa.
E não digo isso por ela ser minha amiga. Ela realmente estava.
- O que acharam? - ela perguntou tímida.
- Bem, só tem que ajustar um pouco aqui... - ia dizendo à costureira até ser interrompida por cinco vozes.
- Perfeita.
- Minha filha, não vai ter noiva mais linda que você - disse a Sra. com a voz emocionada enquanto abraçava a filha pelos ombros.
- Ai, mãe - sorriu de orelha a orelha, emotiva - Isso é um sonho.
Eu e nos entreolhamos. Ri ao perceber que nós duas estávamos com os olhos marejados.

Eu já tinha me despedido de todas e descia o elevador junto com . Meus planos era ir para casa, dormir e só acordar na hora da faculdade. Ainda bem que fui liberada do trabalho hoje. Graças!
- Nossos vestidos de dama de honra ficaram demais, nossa! - comentou sorridente.
- Eu sei. Mal posso esperar pro casamento da - concordei.
- Hã, , mudando de assunto. Tenho que te contar uma coisa - disse mordendo o lábio.
- Fala.
- Eu acho que fiz besteira. Acho não, tenho certeza.
- Ai, . O que você fez? - perguntei já temendo pela resposta.
- Eu encontrei com a Jenny, sua amiga, hoje, sabe? A gente se encontrou sem querer na galeria.
- Aham.
Desde quando elas se conhecem?
- E eu deixei escapar que você e o estão namorando. E bem... Ela ficou muito brava, muito mesmo - disse devagar.
Não preciso falar que minha boca se escancarou.
Comecei a surtar.
- Você não disse isso pra ela, disse? AI, SENHOR, NÃO ACREDITO! Eu e o NÃO estamos namorando, somos apenas melhores amigos. O está com a Jenny. Ah não, a Jenny vai matar a gente.
Desesperada. Esse é era meu estado.
- Ah, , desculpa. Desculpa mesmo. Eu... Eu não sabia, achei que vocês estavam juntos - disse angustiada - Olha, se você quiser eu falo pra Jenny que foi erro meu e...
- Não precisa - interrompi - Eu mesma vou falar com ela. E, , não estou brava com você, sério. Você não tem culpa.
- Tenho sim, , eu causei uma confusão - ela disse cabisbaixa.
- Não, está bem. - coloquei a mão em seu ombro - Olha, eu tenho que ir. Mas pode ficar tranquila eu vou resolver tudo - dei um rápido abraço em tentando ser convincente.
Porém, eu sabia que não ia ficar tudo bem. Eu conhecia Jenny muito bem para isso.

Logo que avistei meus melhores amigos no campus da faculdade tive uma certeza: tinha algo de errado. Certeza. Afinal de contas, e estavam sozinhos quando sempre estavam rodeados de muita gente.
Assim que eu estava próxima dele dei um "oi" e beijei a bochecha de cada um.
- Hã... O que aconteceu? - perguntei sentindo o clima meio tenso.
- Tem certeza que não sabe, ? - perguntou com o olhar triste e a voz calma.
Olhei para procurando algum apoio, alguma resposta, mas ela pareceu ler minha mente.
- Isso mesmo que você está pensando, .
Ah não. Não mesmo.
Meu queixo caiu, não por surpresa, porque eu já imaginava que fosse isso. Mas sim por indignação. O que ela estava pensando?
- O que a Jenny está pensando? - indaguei - Não me diga que ela veio tirar alguma satisfação!
- Claro que veio. O que você esperava? É a Jenny. Claro que ela não perdeu a oportunidade de fazer um escândalo - claramente estava magoado.
Isso NÃO ia ficar barato.
- , se ela não acreditou em você ela é uma cega. Agora se ela foi brigar com você aqui, então ela é uma idiota!
Sério, que ízo essa garota tem para achar que eu e estamos juntos e ainda fazer barraco?
- Ela realmente é idiota - concordou - O pior é que tentei falar com ela, mas a Jenny não quis me ouvir também.
- Vocês duas - disse apontando para nós, agora não tão calmo - Não quero que tomem minhas dores. Se a Jenny não confia em mim o problema é dela. Eu não estou nem aí.
- Mas, ! - exclamei - Ela brigou com você!
- Eu sei. Por isso EU que tenho que resolver isso - suspirou - Eu sabia que ela reagiria assim se soubesse do casamento. Só estou nervoso por ela não confiar em mim e sim nos outros.
Vi que essa era uma referência a .
- Meu sinal já tocou. Até depois, lindas - deu um meio sorriso forçado e assim como vários alunos entrou no prédio de economia.
- Tenso. Muito tenso - comentou assim que já estava longe.
- Pois é - suspirei e mudei de assunto - E aí? Como foi sua tarde com o gato misterioso?
- Ah... Perfeita - sorriu com aquela sua cara apaixonada.
- Que bom - eu ri - E quando eu vou conhecer ele?
- Em breve - ela soou enigmática - Muito em breve, .
Nesse momento o meu sinal e o de tocaram.
- Let's GO, babe! - brinquei. riu e eu me despedi indo em direção ao prédio de administração. Vi a cabeleira loira de Dylan perto de mim, gritei seu nome. Ele virou e me avistou deu um leve sorriso, embora seus olhos estivessem ressentidos.
Foi quando percebi que Jenny colocara Dylan contra mim com toda essa história.
Ah, não ia ficar barato mesmo.

Capítulo 13 - Breathe in for luck, breathe in so deep

(Coloque pra carregar Bigger Than Love-My Favorite Highway)

Já fazia um mês que eu fora provar o vestido de dama de honra de .
Um mês! Nem acreditei quando me dei conta de que o casamento de e já era amanhã.
Primeiro uma felicidade pelos meus amigos invadiu meu coração, mas logo uma pequena parte dele foi tomada pela angústia.
Amanhã não era só o casamento de , amanhã era o dia em que eu encararia fora do escritório depois de nossa pseudo-conversa na festa de Jasper e Mary.
E eu não tinha um bom pressentimento quanto a isso.

- Ah, tá bom, . A já tá quase pronta. Beijos, delícia - desliguei o celular e virei para e para o cabeleireiro que arrumava um arco em seu cabelo.
- O que a disse? - perguntou ansiosa enquanto borrifava o perfume Channel 5 no colo e pescoço.
- Que a igreja já está praticamente lotada...
- Ou seja, quase todos convidados já chegaram - completou Jerry (o cabeleireiro) de ganso.
- Isso - assenti - E que o já está no altar te esperando quase morrendo de ansiedade.
- Rá, duvido que ele esteja tão ansioso como eu - discordou balançando a cabeça, sorrindo.
- Bem, isso eu não sei - dei uma leve risada.
- Prontinho, acabei - Jerry disse.
- Ai, obrigada. Eu adorei - agradeceu admirando o arco preso em seus cabelos.
- Não foi nada, meu bem - ele sorriu de jeito bondoso - Desejo toda felicidade do mundo pra você e seu noivo, bela.
- Obrigada mesmo, Jer - agradeceu emocionada. Percebi que minha amiga continha lágrimas de felicidade.
- Tchau, meninas - ele disse olhando de mim à - E você também está uma arraso.
Jerry se referiu a mim, confirmando minhas suspeitas sobre seu jeito afeminando.
Logo após ele sair do quarto me olhou nervosa.
- Minha mãe tá demorando, será que aconteceu alguma coisa?
A Sra. tinha saído para avisar o Sr. que já estava tudo quase pronto para irmos à igreja e ver se as outras damas de honra precisavam de ajuda com alguma coisa.
- Calma, . Ela só deve estar ajudando alguma das meninas com a maquiagem.
- , alguma das suas clientes já desmaiou antes do casamento? - ela perguntou se abanando.
- Ai senhor! Relaxa, ok? É normal surtar antes do casamento - tentei tranquilizá-la.
- Eu sei, eu sei - respirou fundo tentando se acalmar.
- Olha, eu vou ligar pra Buffet pra vê se está tudo certo - avisei já sacando o celular.
- Não, não, não! - rapidamente tirou o celular de minha mão.
- Por quê? - perguntei confusa.
- , hoje eu não sou sua cliente. Sou sua amiga. Nesse ano e alguns meses você se tornou muito importante mesmo pra mim e eu preciso de você aqui.
Foi só ela terminar de falar pra eu dar um abraço de urso.
Que linda.
- Ai, ai, vai amassar nossos vestidos! - reclamou.
- Verdade - eu ri.
E foi nesse momento que a Sra. entrou no quarto com um sorriso de orelha à orelha e disse olhando para nós:
- Você já está mais de meia hora atrasada, filha. Está na hora.

Olhei para trás vendo quatro moças com o mesmo lindo vestido de dama de honra que eu (N/A- imaginem um dos dois modelos meninas: http://jaksflowergirldresses.com/Prom_a43.jpg). Atrás de mim estava , ela estava bem bonita com uma sombra cobre e uma parte do cabelo preso para trás. Depois vinha a irmã de , , que estava igualmente linda. E por último a irmã de .
- Ainda não caiu a ficha de que minha melhor amiga desde os 12 anos vai se casar agora - disse animada para mim.
- Eu imagino - sorri para ela. E imaginava mesmo. Eu estaria pirando se a estivesse agora em um vestido de noiva. Eu estaria toda emocional, certeza.
- Certo, vocês quatro entram agora - um cara da igreja disse apontando para nós (damas de honra) - Depois a mãe da noiva entra com o pai do noivo. Alguma dúvida?
- Não - dissemos todos juntos.
- Você - ele olhou diretamente para mim - Quando eu der o sinal vou abrir a porta e você entra. Ok?
- Ok - assenti. Isso que dá ser a primeira a entrar.
- Caminhem devagar, sorriam e não tropecem - instruiu o rapaz - E pra as meninas: não deixem em hipótese nenhuma o buquê de flores cair.
- Muito bem - disse o Sr. .
(N/A-Coloque para Tocar)
Esperamos por alguns minutos quando eu comecei a ouvir uma melodia conhecida.
Depois de uns trinta segundos o rapaz fez o sinal e abriu a porta.
Dei o primeiro passo vendo todas as pessoas da igreja olhando em minha direção.
Um com um sorriso nervoso no rosto, o padre atrás do altar.
Mais um passo. Fui indo de devagar, ouvindo o som do piano e olhando para frente. Tentei esquecer as milhares de pessoas ao meu redor, eu não podia correr o risco de olhar e tropeçar.

We've all got scars as big as ours
A token for the pain we hide inside of us
Everyone's scared that somebody knows
You push it inside, yeah, that's how it goes
If you've ever heard a beating heart
A rhythm for the songs we're too afraid to sing
Nobody here is perfectly fine
A delicate frame, a fragile design


Subi os degraus e me posicionei do lado direito do altar.

If there's a hole in your heart
You gotta pull it together
It takes the courage to start
But now is better than never
It takes a push and a shove
Somehow it's never enough
And it's alarming how quick you could forget that


estava do meu lado e se posicionava ao seu lado, seguida pela irmã de .

Nothing's bigger than love
Nothing's bigger than love
Nothing's bigger than love
All you need, all you need is love


A Sra. entrou acompanhada do Sr. . O sorriso de aumentou ainda mais. Eles chegaram devagar e robustos ao altar. Primeiro, o pai de cumprimentou e abraçou o filho, depois foi a vez da Sra. . Ela se ajuntou ao lado do altar onde eu estava e o pai de foi para o lado do filho.

Some people change and some just won't
You can't take back the words you wish you'd never said
Promises break and lovers will lie
You hold up your hands and let out a sigh
So smile right before you fall
And lay beside this mess and call it consequence
Somebody said that life isn't fair
When somebody else was saying a prayer


Invés de a música continuar até o fim, ela foi acabando ao som do piano.
Alguns segundos de silêncio.
A marcha nupcial começou.
E então a grandiosa porta de madeira foi aberta revelando uma magnífica e perfeitamente linda (N/A- Imaginem sua amiga com esse vestido http://www.noivinhafeliz.com.br/wp-content/uploads/2008/02/vestido15.jpg) de braços dados com seu pai.
Não preciso dizer que a igreja toda parou de respirar admiranda a noiva que andava devagar pelo corredor segurando um buquê de flores amarelas.
Prestei atenção em também. Eu adorava olhar a cara do noivo nessa hora.
Acho que foi um dos que mais estava com uma cara apaixonada. Sério, ele estava quase babando.
Senhor, que fofo.
chegou até ele, que por sua vez apertou a mão do pai dela e depois beijou a mão de com carinho.
A cerimônia começou. O padre começou a falar as palavras de sempre com certas modificações que o casal pediu.
Procurei meus amigos nos bancos com os olhos.
estava entre e um cara bonito.
Espera aí.
Aquele era o gato misterioso.
estava entre e o gato misterioso.
Ele passou o braço ao redor dela abraçando-a de lado de forma gentil. olhou para ele e beijou sua bochecha.
Sorri com isso. Era tão bom ver minha melhor amiga feliz como nunca.
Ela pareceu me ver, sorriu e disse com os lábios sem pronunciar som "Esse é o ".
Embora, eu nunca fosse boa de ler lábios consegui entender.
Segui meus olhos para o lado esquerdo. Do lado de estava sentado ...
? Voltei meu olhar apenas para ele.
Era ele mesmo. E pra variar, ele estava maravilhoso e gato. Ai, como eu podia resistir a ele?
Admito, não tirei meus olhos dele boa parte da cerimônia. E assim foi com ele também, não parou de me olhar. Nossos olhares estavam grudados.
Quando, enfim, me voltei para o padre, e estava na hora dos votos.
Que eu já sabia de cor de tanto ouvir.
- , você promete diante de Deus e de todos aqui presentes receber como sua legítima esposa, viver com ela, honrá-la, amá-la e respeitá-la na sua saúde e na doença, na riqueza e na pobreza até que a morte os separe?
- Sim, prometo - respondeu alto e sorrindo.
- , você promete diante de Deus e de todos aqui presentes receber como seu legítimo esposo, viver com ele, honrá-lo, amá-lo e respeitá-lo na sua saúde e na doença, na riqueza e na pobreza até que a morte os separe?
- Sim, prometo - respondeu com a voz feliz enquanto lágrimas caiam por seu rosto.
Depois foi feita a entrega das alianças e a oração final. Enfim o padre disse:
- Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.
Os dois se viraram um para o outro. colocou as mãos ao redor do rosto de e a beijou docemente.

Tudo corria perfeitamente. Mesmo. Todos estávamos nos divertindo muito. E nem o fato de eu e estarmos na mesma mesa fez as coisas ficarem desagradáveis. De repente era como se nada tivesse acontecido. Só queríamos curtir essa noite.
Na mesa estava do meu lado direito , do lado dela , do lado , do lado e do meu outro lado .
O caso foi que uma hora estava todo mundo rindo e se divertindo na mesa e de uma hora pra outra, já no final da festa sobrou apenas nós dois na mesma.
Eu e .
Ok, eu me lembrava de e saírem pra supostamente dançar quando tenho certeza que foram se amassar. Mas por que e tinham saído mesmo?
Whatever, eu estava sozinha com .
Senhor, nós sabemos que essas ocasiões nunca dão certo.
- Então... Quer dar uma volta? - perguntou quando concluiu que estávamos sozinhos.
- Ah, claro - dei de ombros concordando.
Saímos do grande salão, onde todos os convidados e inclusive e se divertiam dançando. O Buffet era assim, ENORME. Tinha uma grande parte fora com vários bonitos jardins. Fomos andando por eles em silêncio até já estarmos longe o bastante da festa para não ouvir o barulho das pessoas e a música bem baixa.
então virou completamente para mim.
Respirei fundo desejando um pouco de sorte. Eu sabia: esse era o momento que eu esperava por um pouco mais de três anos.

Capítulo 14 - This is goodbye

(Coloque pra carregar a música Out From Under-Britney Spears)

- Foi lindo o casamento deles.
E essa foi a única coisa que eu consegui pensar pra falar.
Uau. Parabéns, .
- É - concordou parecendo distraído - Você está linda.
O QUÊ? Eu ouvi direito?
Ok, eu estava bem arrumada mesmo. A parte da frente do meu cabelo estava presa atrás por uma fivela de ouro 900 kilates com brilhantes e meus cabelos compridos estavam com cachos grandes feitos com bobs. Minha maquiagem estava leve e iluminada dando destaque aos olhos, e eu coloquei nos lábios um gloss rosa claro, discreto e sexy da Victoria Secrets. Eu usava uma gargantilha folhada a ouro no pescoço e brincos grandes que eram um conjunto.
Mas assim, como ele pode falar isso do nada?
- Obrigada - eu agradeci com a voz baixa.
Ele sorriu pra mim. Um sorriso torto que me fez derreter por dentro.
Isso era tão baile de primavera dos filmes americanos adolescentes. Éramos dois jovens (mais velhos do que nos filmes, claro) no lado de fora da festa em um jardim bonito, isolados de todos. Com todo um clima de romance.
O problema é que já éramos crescidos e tínhamos alguns probleminhas no meio desse romance.
E, ah é, o meu "par" está noivo.
Eu não acreditei que falei o que falei em seguida. As palavras simplesmente brotaram da minha boca. Mas agradeci mentalmente por ter falado aquilo quando ele respondeu e depois fez o que fez.
Eu disse:
- Nós podíamos ainda estar juntos. Não tinha que ter acabado.
- Ainda não acabou.
me beijou.
E eu retribui, surpresa.
Suas mãos seguraram com força minha cintura colando nossos corpos. Minhas mãos estavam em seu pescoço puxando seu cabelo. Nossas línguas eram rápidas e urgentes em um beijo fogoso e apaixonado. Logo, eu estava sendo prensada entre e uma arvore atrás de mim. Eu quase tinha esquecido como beijava bem e de como nossas línguas tinham uma perfeita sintonia. Céus. Podia durar pra sempre. Nossos beijos foram acalmando e se tornando mais amáveis. Agora minhas mãos estavam em seu peito forte (de um jeito bom, não todo bombado) e as dele seguravam cada lado de meu rosto. E por um tempo foi tão terno.
Até a voz de a minha consciência gritar Não, ! Pare com isso, ele é noivo da ! Se lembre do que ele fez com você também! Então eu juntei a força que restava para ficar longe dele e eu o empurrei afastando-o de mim.
- O quê? - perguntou sem fôlego.
É, eu também precisava de ar.
- Isso não é certo - expliquei com a mão no coração. Ele martelava contra meu peito - Dude, que tipo de marido louco você pretende ser se já está traindo sua noiva?
- Não estou traindo - negou balançando a cabeça - Eu e não estamos mais juntos.
- Quê?
Eu só podia ter ouvido errado. O casal vinte tinha se separado?
- Isso mesmo que você ouviu - confirmou ele - Nós demos um tempo.
- Por quê? - perguntei ainda sem acreditar. Isso era... Impossível, inacreditável!
- As coisas não estavam mais as mesmas entre nós há já um tempo. Faz duas semanas já que nos separamos - explicou.
- Por isso ela cancelou de ir à agência semana passada - concluí finalmente.
- Aham.
Ficamos um tempo quietos, o único som era o de nossas respirações ofegantes e bem baixo a música que vinha da festa.
Até se pronunciar.
- Eu te fiz feliz?
- Que pergunta é essa, ? - eu indaguei. Era uma pergunta tão óbvia.
- Eu te fiz feliz? - ele balançou a cabeça insistindo.
- Acho que você já sabe a resposta - sussurrei.
- Diga em voz alta então, eu te fiz feliz? - disse firme, porém como se estivesse cansado de perguntar.
- Claro que sim. Você me fez muito feliz - falei em alto e bom tom.
- Por que você foi embora então? - ele despejou.
Eu sabia que essa pergunta estava engasgada em sua garganta há muito tempo.
- Tem certeza que não sabe? - murmurei.
- Não né, senão eu não perguntava! - resmungou irritado.
- Pensa no que você fazia enquanto estávamos juntos - eu disse.
- Olha, , eu não sei o que eu fiz, mas eu posso mudar. Eu juro, vou fazer o que puder pra ser o melhor possível pra você - falou de um jeito tão seguro que eu até me arrepiei.
- Isso não importa mais - eu disse. Na hora me culpei por ter dito isso, eu fora dura demais.
- Eu não te entendo. Você que vai embora do nada, some de um minuto pro outro sem avisar NADA e ainda reclama de mim! - é agora estava bem irritado.
- Claro que reclamo! Você mentiu pra mim em todo aquele um mês! Eu era sua amante. Você namorava a e nunca me contou! Você fingiu que era solteiro e me fez de idiota - explodi - Você tem idéia do quanto eu chorei por você em todo esse tempo?
- , não me acuse do que você não sabe! - ele disse tentando se controlar.
- Pode parar de mentir, . Eu vi a mensagem dela no seu celular. Eu me lembro perfeitamente.

Flashback on
- , eu só vou tomar banho e aí a gente vê o filme, beleza? - perguntou.
- Tudo bem - eu sorri. Como se fosse possível sorrir mais do que eu já sorria antes. Dei um selinho nele.
- Não comece sem mim, hein - ele brincou e eu saí de seu abraço para ele poder se levantar.
- Prometo que não - pisquei.
deu risada e subiu as escadas do duplex em direção de sua suíte.
Liguei a TV e coloquei no canal Warner, passava Two and a half Man.
Bem na hora que ouvi o barulho do chuveiro ligado o celular de começou a tocar.
Hesitei em atender. Mas por fim peguei o celular. Hm, uma nova mensagem de . Quem é ?
Cliquei em OK e li.

Estou morrendo de saudades, volto de Manchester amanhã. Precisamos nos ver e conversar. Eu te amo. XX
Paralisei completamente. Quase deixei o telefone cair de minhas mãos trêmulas.
- Que merda é essa? - eu disse comigo mesma.
Só uma resposta veio em minha mente: tem namorada. E ela está fora da cidade.
Mas ela volta amanhã. A namorada de volta amanhã.
E eu não sabia de nada.
não me contou que tem namorada. Ou seja, eu sou sua amante.
Coloquei o celular dele na mesa, calcei meu all star, peguei minha bolsa e sem olhar pra trás saí do apartamento com lágrimas já escorrendo pelo meu rosto.
me fez de trouxa e eu nunca mais queria vê-lo por isso.
Flashback off


- Você está brincando, né? - indagou. Suas sobrancelhas estavam juntas e seus lábios franzidos.
Não respondi. Meu silêncio já dizia minha resposta a sua pergunta.
- Wow. Não acredito - ele se virou de costas com as mãos na cabeça - Sério, não consigo acreditar nisso.
Eu não esperava por essa reação. Estava sendo completamente diferente do que eu imaginava. Quando ia assumir sua culpa?
Continuei quieta. Eu tinha impressão que ele explodiria a qualquer momento.
E foi o que aconteceu.
- , você não podia ter confiado em mim? Esperado eu sair do banho pra gente conversar? - ele urrou - Mas não. Você sempre é a dona da razão, sempre está certa. Quando é que a senhorita perfeição ia errar...
- Cala a boca, ! - interrompi. Eu não ia permitir ele falar daquele jeito de mim na minha frente. Eu sei que não sou perfeita, sei que não estou sempre certa. Eu não preciso dele pra me dizer isso.
- Não, , fica quieta você agora! Você já falou, agora é minha vez - apontou para o próprio peito. Ok, ele estava puto.
Fiquei quieta, aproveitou isso pra continuar.
- Saiba que você esteve errada todo esse tempo. Eu não estava mais com , nós tínhamos dado um tempo. Eu fui sincero, eu era solteiro. Nunca menti pra você - ele jogou a verdade como uma bomba. Sua voz foi ficando mais calma enquanto ele falava.
Precisei de um minuto pra me recuperar dessa.
A ficha demorou a cair.
Quer dizer que ficamos separados por... Nada?
Senhor, que besteira eu fiz. Nunca vou me perdoar por isso, nunca.
- Ao contrário do que você acha, eu sei admitir meus erros... E eu errei. Eu não devia ter fugido - eu disse em um pio, sem conseguir olhar para ele.
Eu queria enfiar minha cabeça em um buraco. Certeza que eu estava um pimentão de vergonha. Sempre me dou mal, droga.
- Realmente - disse com a voz debochada.
- E você? Fica aí se fazendo de santinho - de repente eu estava muito brava. Comigo mesma, com , com todo o universo. Empurrei-o com minhas mãos para trás - Eu sou sempre a segunda opção, né? Você tem um probleminha com a e corre pra mim. Você fez isso daquela vez como você mesmo disse e fez isso agora.
(N/A-Coloque para tocar)

Breath you out (Expiro você)
Breath you in (Respiro você)
You keep coming back to tell me (Você fica voltando para me dizer)
you're the one who could have been (Que você é o aquele que poderia ter sido)
and my eyes see it all so clear (E os meus olhos vêem isso claramente)
It was long ago and far away but it never disappears (Isto foi a muito tempo mas nunca desapareceu)
I try to put it in the past (Eu tento deixar isso no passado)
Hold on to myself and don't look back (Agarrar-se a mim e não olhar para trás)

I don't wanna dream about (Eu não quero sonhar com isso)
All the things that never were (Todas as coisas que nunca existiram)
Maybe I can live without (Talvez eu possa viver sem isto)
When I'm out from under (Quando eu tiver resolvido esse problema)
I don't wanna feel the pain (Eu não quero sentir a dor)
What good would it do me now (Que bem isso faria a mim agora)
I'll get it all figured out (Eu resolverei tudo isso)
When I'm out from under (Quando eu estiver livre esse problema)

So let me go (Então me deixe ir)
Just let me fly away (Apenas me deixe voar livremente)
Let me feel the space between us growing deeper (Me deixe sentir o espaço crescer entre nós profundamente)
And much darker every day (E mais escuro a cada dia)
Watch me now and I'll be someone new (Me olhe agora e eu serei uma pessoa nova)
My heart will be unbroken (Meu coração será indestrutivel)
It will open up for everyone but you (Ele estará aberto a todos menos para você)
Even when I cross the line (Mesmo quando eu cruzar a linha)
It's like a lie I've told a thousand times (É como uma mentira que eu contei milhares de vezes)

E aí, inesperadamente, comecei a correr, eu queria ficar longe de , de tudo e de todos. Eu queria apenas que pelo menos uma vez as coisas dessem certo pra mim. Eu estava cansada de drama. Chega de sentir dor por , chega de sonhar com um futuro de nós dois juntos. Isso não era mais possível.
Eu tinha errado feio com ele, e nada poderia mudar isso.
Corri pelos jardins do Buffet (agora a música de lá de dentro podia ser ouvida bem melhor) até uma mão forte me puxar pra trás.
me puxou para trás e me abraçou, não devolvi seu abraço apenas chorei em seu peito.
- Me deixa, , quero ficar sozinha - balbuciei com a voz embargada.
Ele desfez o abraço para olhar em meus olhos.
Eu vi toda dor que eu sentia refletida neles. sofria tanto quanto eu.

And part of me still believes (E parte de mim ainda acredita)
When you say you're gonna stick around (Quando você diz que ficara por perto)
And part of me still believes (E parte de mim ainda acredita)
We can find a way to work it out (Que podemos encontrar uma maneira de resolver isto)
But I know that we tried everything we could try (Mas eu sei que tentamos tudo que podiamos tentar)
So let's just say goodbye (Portanto vamos apenas dizer adeus)
Forever (Para sempre)

- Não posso mais te ver, . Não depois disso - ele murmurrou - Confiança é a base de qualquer relacionamento. E nós, claramente, não temos isso.
- Eu sei - murmurei me afastando. Eu sabia mesmo disso.
- Eu... Eu estou mal e realmente bravo, mas mais do que tudo estou decepcionado - ele disse sem olhar pra mim, como se eu não estivesse ali.
Isso me atingiu como uma punhalada no peito.
- Sabe o real motivo de eu e não estarmos mais juntos? - ele perguntou e eu balancei a cabeça negativamente - Ela descobriu de nós dois, ela sabe que eu fiquei com você naquele mês quando eu não estava mais com ela. Ela acha que eu ainda te amo e que não pode competir com isso. Além dela também não ter total certeza do que sente por mim agora. E ela tem razão sobre mim.
falou isso agora me olhando com uma tristeza misturada com rancor e deu as costas indo embora.

I don't wanna feel the pain (Eu não quero sentir a dor)
What good would it do me now (Que bem isso faria a mim agora)
I'll get it all figured out (Eu resolverei tudo isso)
When I'm out from under (Quando eu tiver resolvido esse problema)

Capítulo 15 - There's a moment in time and it's stuck in my mind, way back

Peguei um pãozinho francês com manteiga quentinho que acabara de sair da frigideira. Que delicia.
- Man, que dor de cabeça - reclamou pegando um muffy.
- Isso se chama ressaca, - informei rindo de leve.
entrou na cozinha e ao contrário de nós não estava com a mínima cara de sono. Ele tinha dormido aqui, o que já era normal.
- Nossa, já são quatro da tarde - ele comentou olhando o relógio enquanto ia fazer seu café.
Tínhamos voltado da festa por volta das cinco, seis horas da manhã. Eu fiquei um tempo sozinha no jardim depois que fora embora, eu não sabia o que fazer.
Quando entrei de volta na festa tentei fingir estar animada, mas mesmo e estando bêbados eles perceberam que eu não estava nada bem. Isso porque quando bebe fica absurdamente lerda. Os dois me pressionaram para eu contar o que acontecera, mas obviamente eu não contei. Não queria que eles parassem de se divertir por minha causa.
- Por que ele não está mal que nem eu? - questionou fazendo uma careta de indignação. Essa imagem foi muita engraçada.
Nem preciso dizer como eu ri, né?
- Nem pense nisso, - eu adverti vendo o procurar alguma coisa que pudesse jogar em .
- Loser! - apontou para dando sua risada escandalosa - Ai, isso dói - ela reclamou colocando a mão na testa.
Agora quem ria vitorioso era . Ai, eu mereço.
- , não ria da desgraça alheia - brinquei.
- É, , não ria da minha desgraça - disse ofendida nos fazendo rir.
O telefone começou a tocar e saiu para atender.
- Alô - ele disse já na cozinha de novo - Quem é?
A pessoa do outro lado disse alguma coisa e respondeu:
- Ah, beleza, ? Aqui é o .
? Por que estava ligando pra cá?
- What the fuck?- eu falei olhando pra que deu de ombros.
ficou um tempo mudo apenas ouvindo. Ele estava com uma cara fechada e apreensiva agora. Senhor, o que tinha acontecido?
- Pode contar comigo, com a e com a pro que precisar, nós vamos te ajudar a procurar ela.
Ela quem?
- Não é nada, dude. Falou - e desligou telefone.
- O que foi? - eu e perguntamos juntas.
- . Ela sumiu! - respondeu com a voz preocupada.
- Como assim ela sumiu? - indagou .
- Era pra ela e o terem se encontrado hoje no almoço, mas ela não foi. Ele liga pra ela e cai na caixa postal, o foi ao apartamento dela, mas o porteiro disse que ontem depois da festa ela não chegou a ir pra lá.
- Ela não está na casa de alguma amiga ou algum parente...? - perguntei.
- Não, a família da mora no interior e ele já ligou pra todos os amigos dela de Londres.
- E agora? - disse.
- Eu disse pro que nós vamos procurar ela também. Não sei, ela deve estar em algum lugar, no shopping, no parque... Não sei - estava realmente muito mal com isso.
Mas eu não estava menos aflita. apesar de tudo era minha amiga, e ela tinha desaparecido. E se algo de mal tivesse acontecido com ela?
- Beleza. Nós vamos ajudar claro - assenti.
Fomos colocar uma roupa decente, afinal, não íamos sair de pijama.
Peguei a primeira calça jeans que vi e calcei meu all star branco, coloquei uma blusinha de manga comprida branca e um moletom justo e comprido cinza. Rapidamente amarrei meus cabelos deixando eles em um rabo-de-cavalo alto e frouxo. Era mês de Julho e estávamos no verão, mas, afinal, em Londres sempre é bom estar prevenido. Coloquei o celular e uma nota de vinte libras no bolso do jeans.
- Tá pronta? - colocou a cabeça para dentro de meu quarto.
- Aham - confirmei.
- Ok. Ow, o moletom azul do tá aqui?
- Tá sim - peguei o moletom de que estava jogado na bancada do computador.
Voltamos para sala e eu joguei a blusa ao . Estávamos todos prontos em menos de cinco minutos, acho que esse foi nosso recorde.
- Valeu, . Você vai ao meu carro ou no da ?
- Em nenhum - respondi - Vou de táxi.
- Hã? - chonga.
- É porque separados temos mais chance de encontrá-la - expliquei. Embora esse não fosse o único motivo. Eu precisava estar sozinha se encontrasse , eu tinha que falar com ela, explicar sobre mim e .
Meus amigos concordaram e nós saiamos para a nossa busca.

Chamei o táxi pelo telefone e agora era só esperar.
Pensei: Onde pode estar?
Se eu quisesse sumir pra onde me esconderia?
Até que uma lembrança do casamento de Jasper e Mary veio a minha mente:
"-Eu realmente amo Londres, não me arrependo de ter me mudado pra cá - ouvi comentando. , e conversavam, eu não estava prestando muita atenção.
- Eu também, nós moramos em uma cidade fantástica. O lugar que eu mais gosto daqui é o London Eye - disse animada."

Então eu já sabia onde estava.
O táxi chegou, entrei e disse ao motorista:
- Pro London Eye.

Eu sempre me impressionava com o London Eye, era realmente demais.
Olhei em volta, não foi difícil achar .
Em um banco à alguns metros do London Eye, ela estava sentada observando a Londres a sua frente.
ainda vestia o vestido de dama de honra e por cima ela usava um casaco. Seus cabelos ainda estavam presos, porém agora estava bagunçado. Olheiras se encontravam abaixo de seus bonitos e grandes olhos. tinha nas mãos um saco de biscoitos.
Fui até ela e sentei ao seu lado.
Ela não disse nada, apenas estendeu o pacote de biscoitos para mim.
- Obrigada - agradeci e peguei um.
- Sem problemas - ela respondeu.
- Você sumiu - eu disse - Todos estão preocupados com você.
- Imagino - não me olhava.
- , o que aconteceu? - perguntei, minha preocupação era alta agora.
- Então agora vamos ser sinceras uma com a outra? - ela me alfinetou.
Ok, essa doeu.
- Desculpa, , desculpa mesmo. Eu-eu errei com você. Não devia ter escondido sobre mim e . Mas acredite, enquanto vocês estavam juntos nunca houve nada entre nós.
- Eu se i- ela suspirou - Sabe, no fundo eu sempre soube que ainda te amava.
Amava, não ama mais. Eu pensei.
- Você sempre soube quem eu era? - perguntei.
- Não, eu sabia que tinha se relacionado com alguém quando estivemos separados. Mas não, eu não sabia que esse alguém era você.
- Hm, ele te contou sobre nós? - perguntei cautelosa. Eu não queria que parecesse que eu a estava pressionando.
- Aham - ela confirmou - Quando vocês se conheceram eu estávamos separados há algumas semanas e eu fui visitar meus parentes no interior, quando eu voltei, me encontrei dois dias depois com . Sabe, ele estava mal. Ele não estava acabado na aparência, claro, mas você percebia que por dentro ele estava mal. Então ele me contou sobre vocês.
Fiquei pasma. Eu nunca imaginei que contara a .
- E que o ele contou? - perguntei, eu necessitava saber mais.
- Que tinha conhecido uma menina e que vocês começaram a namorar e que ele realmente gostava de você. Só que você tinha ido embora do nada e ele não fazia a mínima ideia do porquê - disse com a testa franzida como se estivesse em dúvida se devia ou não ter falado.
- Eu-eu estraguei tudo - eu balbuciei. Por que esse assunto sempre me deixava tão emocional?
- Hm, já que estamos sendo sinceras agora... - mordeu o lábio, insegura - O que aconteceu ontem entre vocês?
- Como você sabe que...?
- me contou - me interrompeu. Como assim? sabia tanto, eu parecia saber tão pouco em comparação.
- Hã?
- Ontem, ele me disse que ia conversar com você. Tentar resolver as coisas - explicou.
- Não deu certo - murmurei. Eu não queria falar sobre isso com . Quer dizer ela é ex-noiva de . É estranho e embaraçoso.
- Eu sinto muito, , de verdade - disse baixo.
- Eu acredito - eu sorriu. E acreditava mesmo
agora me olhava, ela retribuiu meu sorriso.
- , por que você sumiu de ontem pra hoje? - perguntei.
- Eu estou tão confusa - ela respirou fundo - Não sei mais o que eu sinto, nem o que sentir.
- O que você quer dizer? - indaguei.
- Eu não sei se gosto do - ela disse de olhos fechados.
- É o né? - deduzi sem dificuldades.
- É - ela confirmou átona - É tão fácil perceber assim?
- Não. Digamos que eu sou bem observadora - eu pisquei, sorriu.
- É que eu não acho certo continuar com pensando tanto em - ela gesticulou deixando o pacote de biscoitos cair - Eu já sei que não tenho só uma queda por . É mais do que isso.
- Não se culpe, , não dá pra mudar nossos sentimentos, infelizmente, a gente não decide de quem gostar - consolei.
- Realmente - ela deu uma leve risada - Obrigada por ter vindo, . Ainda bem que foi você que me encontrou.
- Concordo - sorri.
Naquele momento eu soube que não existia mais nenhuma barreira entre mim e .
- Posso fazer uma pergunta pessoal? - perguntei. Eu não queria invadir o espaço de , mas eu estava curiosa. O que posso fazer?
- Claro - ela deu de ombros.
- Você e o iam sair pra almoçar hoje, né?
- Íamos - ela suspirou - Ontem quando ele me disse que ia conversar com você, contou que não esconderia nada de mim. Que não entraria em uma relação com você antes de nós dois termos certeza que tínhamos acabado. Mas como você pode ver, eu não tive coragem de ir.
- Nós nos beijamos. E depois brigamos - contei - Posso pegar mais um biscoito?
- Não, todos são meus - ela brincou e eu peguei um.
- Parece que nós duas somos namoradas dele e estamos o disputando - comentei. Pra mim parecia muito isso, embora eu soubesse que não era a situação.
- É verdade - riu - Mas nenhuma está com ele.
- Olha, eu digo não como ex do , mas sim como melhor amiga do : ele gosta de você, eu o conheço muito bem e sei disso. Então se você escolher o não torne as coisas mais difíceis pra ele, ou seja, não o dê esperanças.
Eu não iria deixar passar pelo o que eu passei de sofrer por amar uma pessoa comprometida.
- Eu sei, , prometo que...
não terminou a frase. De repente sua cara era de pânico. Me virei e olhei na direção que ela olhava. Eu o vi.
andava em nossa direção com a cara amarrada. Fodeu.
apressadamente se levantou e deu uma corridinha marota até ele.
- , o que você aqui? - ela perguntou baixo, não teria ouvido se não fosse pela minha boa audição.
- O que ela faz aqui? - disse alto o bastante para que eu ouvisse perfeitamente. Ele apontou diretamente pra mim.
Isso me incomodou, odeio quando apontam pra mim. Que falta de educação, hunf.
- Ela é minha amiga e tem todo o direito de estar aqui - disse com a voz indignada.
- E eu sou seu ex-noivo, droga! Enquanto vocês conversavam estava todo mundo te procurando. Você tem noção de como estávamos preocupados com você? - foi se acalmando enquanto falava.
Senti uma ponta de culpa. tinha razão, eu achara e não tinha avisado ninguém. Foi irresponsabilidade minha.
Mas isso não foi pior do que o jeito como ele disse "sou seu ex-noivo", me fez tremar. Ele ainda amava , isso era tão evidente.
Droga, o que eu estava fazendo aqui?
Levantei e fui até eles.
- , olha... - começou a dizer até eu a interromper.
- Ele tem razão -eu interferi - Eu devia ter avisado que tinha te achado, . Foi erro meu.
- Pelo menos admiti - murmurou consigo mesmo. Revirei os olhos.
- Eu acho melhor eu ir. Tchau, , depois continuamos a conversa - sorri amarelo e a abracei.
Andei rápido para longe deles e quando vi eu estava correndo.
Eu me sentia péssima.
e ainda eram um casal. E talvez eles fossem aquele tipo de casal que mesmo separado e com outras pessoas ainda eram casal. Eu não tinha como lutar contra isso.
Quando iria me escolher se ele tinha uma garota como que nunca vacilara com ele como eu fiz?
A verdade era que só não voltaria com ela, se ela não quisesse.
Eu não tinha direito de torcer contra, depois do que eu fiz. merecia alguém melhor que eu. Alguém como .
não estaria pronto pra me perdoar tão cedo. E eu sabia que ele estava certo.

Capítulo 16-Maybe it's best you leave me alone

Cheguei em casa e a primeira coisa que eu fiz foi me esparramar no sofá.
Fora um longo dia.
Trabalhei na agência de manhã, depois fiquei lá à tarde pra cobrir o Patrik que não poderia ir e agora à noite ainda fui ao casamento de uma cliente (as aulas na faculdade já tinham acabado). Por isso que quando e me chamaram pra ir com eles à um barzinho eu recusei. E também porque não queria ficar de vela. E mais ainda porque eles já tinham saído todos os dias da semana comigo tentando me animar.
tinha se tornando um amigo e já estava dentro da nossa rotina. Isso em uma semana só. Era normal agora ele sair comigo, , e o grupo da faculdade. Que não incluía mais Jenny e infelizmente Dylan. Ele ainda achava que eu e estávamos juntos. Fala sério, que cara burro!
Enfim, me contara que estava meio que como eu. Desanimado e chateado, embora ele soubesse disfarçar melhor que eu. Well, eu nunca fui boa em esconder minhas emoções.
Levantei do sofá com preguiça pra ir pegar o Nothing Personal, o último cd lançado pelo All Time Low quando a campainha tocou.
Bufei. Tudo que eu queria agora era não fazer nada e ouvir uma das minhas bandas favoritas e aí bem agora chega visita.
Andei preguiçosamente até a porta e abri a porta sem nem olhar o olho mágico.
Como me arrependi.
Porque sempre aparece sem avisar e em momentos importunos?
- Posso entrar? - ele perguntou frio.
Eu poderia dizer que estava super mau cuidado, com a barba pra fazer, com roupas amassadas, com bafo de cerveja, com olheiras roxas embaixo dos olhos, que ele estava um caco.
Mas estava o contrário.
Ele estava daquele seu jeito irresistível e casual. Ele não precisava se esforçar pra estar bonito, ele já era assim de qualquer jeito. Usava um moletom preto escrito Hurley no peito em rosa Pink, bermuda cinza e Vans nos pés. E obviamente ele estava impecavelmente lindo como sempre.
- Fique à vontade - senti minhas bochechas corarem após encará-lo tanto tempo e baixei meus olhos.
Ele passou pela porta e pelo hall e parou na frente de meu piano que ficava no lugar de onde devia estar à mesa de jantar.
Sim, eu tenho um piano. Eu toco desde os dez anos de idade, quando fiz dezesseis em vez de pedir um carro como à maioria dos jovens eu pedi meu piano. Antes eu tinha que treinar com teclado, e, caso você não saiba, há sim diferenças entre o piano e o teclado.
Discretamente me olhei no espelho do hall verificando se estava tudo ok. Eu usava meu moletom branco escrito VANCOUVER CANADÁ em marrom e um alce em creme atrás que minha irmã me deu, eu estava sem maquiagem e minha franja estava presa para trás.
Andei até a sala e me apoiei na parede amarela claro. comentou de um jeito distante:
- Você mudou a cor do sofá.
Que descoberta, pensei irônica. Obviamente não foi o que eu disse.
- Aham, aquela cor sujava muito - dei de ombros.
- Ficou bom - ele disse sem emoção.
Revirei os olhos cansada de sua indiferença e frieza comigo. Será que era tão difícil ele olhar nos meus olhos pra falar?
- , o que você quer de mim? - perguntei direta - Se for pra brigar comigo ou me atacar como você me fez no London Eye pode ir embora.
Então ele se virou pra mim. Seu olhar agora era tão intenso, que parecia que ele podia ver através de meus olhos e ler meus pensamentos.
- Claro que não - ele falou cético, como se essa ideia fosse absurda - Eu quero te mostrar uma coisa.
- O quê? - indaguei.
se sentou no banco comprido que ficava na frente do meu piano e bateu a mão no espaço ao seu lado.
- Senta aqui - sua voz era mais como uma ordem do que como um pedido.
Arqueei minha sobrancelha. Cada vez eu estava mais desconfiada. Dei passos divagares até meu piano e sentei ao lado de .
- Você se importa...? - ele perguntou tocando em uma tecla de meu piano - Eu sei o quanto você se importa com ele, vou tomar cuidado.
- Eu sei que vai - eu disse deixando eu sorriso fraco escapar pelos meus lábios.
- Feche os olhos - disse e eu o fiz.
Então ele começou a tocar uma melodia desconhecida e logo sua voz se juntou a melodia cantando:
- I'm getting tired of asking. This is the final time. So, did I make you happy? - a voz de era tão linda e me fazia sentir calafrios - Because you cried an ocean. When there's a thousand lines, about the way you smiled, written in my mind. But every single word's a lie.
Tremi, não só pela voz de .
- I never wanted everything to end this way, but you can take the bluest sky and turn it grey - cantou - I swore to you that I would do my best to change, but you said it don't matter. I'm looking at you from another point of view. I don't know how the hell I fell in love with you. I'd never wish for anyone to feel the way I do.
Mas porque agora tudo estava claro.
escrevera a música.
- Is this a sign from heaven? Showing me the light. Was this supposed to happen? - cada palavra parecia me perfurar - I'm better off without you, so you can leave tonight. And don't you dare come back and try to make things right. 'Cause I'll be ready for a fight.
E a música falava sobre mim.
- I never wanted everything to end this way, but you can take the bluest sky and turn it grey - repetiu - I swore to you that I would do my best to change, but you said it don't matter. I'm looking at you from another point of view. I don't know how the hell I fell in love with you. I'd never wish for anyone to feel the way I do.
Abri meus olhos e o observei tocar. Ele não cantava mais agora, apenas tocava as notas em meu piano. Sua boca estava rígida, suas sobrancelhas juntas, mas a expressão de seu rosto... Essa era inexplicável, não era de rancor, braveza, raiva, tristeza, ódio, magoa... Eu não conseguia identificar o que estava ali.
Eu só sabia que não era algo bom. Isso estava explícito.
Respirei fundo e fechei meus olhos de novo. Ver assim me matava por dentro.
cantou de novo o que parecia ser o refrão:
- I never wanted everything to end this way, but you can take the bluest sky and turn it grey. I swore to you that I would do my best to change, but you said it don't matter. I'm looking at you from another point of view. I don't know how the hell I fell in love with you. I'd never wish for anyone to feel the way I do.
E terminou a música:
- And you said, and you said, and you said. I do! And you said, and you said, and you said. Do! 'Cause you said it don't matter. I do! And you said, and you said, and you said. I do! And you said, and you said, and you said. Do! 'Cause you said it don't matter. And you said, and you said, and you said, and you said, and you said, and you said. 'Cause you said it don't matter. And you said, and you said, and you said, and you said, and you said, and you said. 'Cause you said it don't matter
Abri meus olhos ao mesmo tempo em que a última sílaba foi cantada. respirou fundo e se levantou. Fiquei estática onde eu estava. Eu nunca estaria preparada para ouvir isso, nunca.
Ouvi seus passos e me virei em sua direção. Abri minha boca, mas nenhum som saiu. Forcei minha garganta até as palavras saírem.
- Eu não sabia que você se sentia assim -eu disse baixo.
- Agora sabe - murmurou indiferente, dando de ombros. Como se ele não ligasse, mas eu não caia nessa. Antes eu até acreditava nessa indiferença dele, mas hoje eu sabia que era tudo um disfarce. Ele ligava sim.
- , me per...
- Não - me interrompeu - Não fale nada está bem? Não vamos deixar as coisas piores do que elas já são.
- Então você vai deixar as coisas assim? - perguntei indignada - Nós vamos simplesmente desistir de nós dois?
- Caralho, , você é surda? Não entendeu nada do que eu disse? Eu não quero conversar com você - ele disse alto. Não, ele gritou. Não, gritou não, ele urrou.
Dei dois passos para trás, assustada e encostei-me à parede, minha mão foi até minha boca.
nunca tinha falado assim comigo. Acho que ninguém nunca tinha sido tão grosso comigo daquele jeito.
Na hora me lembrei de suas palavras cantadas: “you can leave tonight. And don't you dare come back and try to make things right. 'Cause I'll be ready for a fight.”
(“Vá embora hoje à noite e não ouse voltar e tentar consertar as coisas. Porque eu estarei pronto para brigar”). Mas isso não fez diferença.
Ele estava na minha casa e mesmo se não estivesse ele não tinha o direito de falar assim comigo.
- Vá embora. Agora - o expulsei e apontei com a mão trêmula para a porta.
arregalou os olhos e eu vi o arrependimento eu seu rosto. Então ele percebeu o quão rude, grosso, fora comigo? Ótimo.
Porque agora era eu que não queria mais vê-lo e nem conversar com ele.
Ele fez o que ordenei e saiu de meu apartamento com aquela expressão torturada. Eu não estava pior.
Escorreguei minhas costas pela parede e sentei no chão, as lágrimas rolando a solta pelo meu rosto caindo em meu moletom.
Por que eu nunca me dava bem?
Quando as coisas seriam fáceis?
A imagem de tocando voltou para minha mente assim como sua música.
A expressão de seus olhos lindos, agora eu sabia do que era. Era de dor.
Eu me odiava por ter machucado e por tê-lo feito sofrer. Eu queria deixar de existir e só voltar quando tudo, em um passe de mágica, tivesse se resolvido.
Mas a vida não é um conto de fadas.
A realidade nem sempre é justa.
De um certo modo eu sabia que as coisas terminariam bem. Pelo menos pra mim. Em relação a mim e eu duvidava.
Muitas coisas foram ditas, e agora não há como voltar atrás.
Senti-me uma emo daquele jeito. Sabe? Toda deprimida. Er.
Eu estava tão afogada em meus pensamentos e em minhas lamentações que mal ouvi a campainha tocar.
- Porra, o que é agora? - eu disse comigo mesma - JÁ VAI!
Levantei com dificuldade e fui lavar meu rosto e enxugar as lágrimas.
Eu tinha quebrado minha promessa. Mais uma vez eu chorara por . Quando isso iria mudar?
Arrastei meus pés até a porta. As pessoas sempre chegavam nos piores momentos. Não tinha momento pior que esse. Eu ali decadente por ter chorado rios pelo imbecil que eu (infelizmente) ainda amava.
Quer dizer tem como piorar?
Dessa vez olhei pelo olho mágico.
E tive uma certeza: Sim, tinha como piorar.

Capítulo 17-What a beautiful mess this is

Sério, essas coisas só acontecem comigo.
Se já é ruim seu ex aparecer de repente, imagine como é quando seu outro ex aparece depois do seu ex.
É isso mesmo.
Derek estava aqui na minha porta me dando um sorriso simpático.
E eu? Eu não senti nada.
Era de esperar que eu sentisse raiva, magoa, tristeza, saudade, alegria ou algum outro sentimento ao vê-lo, mas eu não senti nada. Apenas um vazio.
Quando eu ia ficar com vontade de socá-lo pelo o que ele me fez ou sentir borboletas no meu estômago por finalmente ver seu rosto de novo depois de todo esse tempo?
Fazia umas algumas semanas que tínhamos nos separado, ele não devia voltar só daqui uma semana e um mês?
Whatever, eu nem tinha sentido falta dele ou sofrido nessas semanas. Talvez fosse porque meus dias já estavam dramáticos o bastante com a volta de , mas eu mal pensei em Derek.
Pelo jeito ele tinha pensado em mim, senão não estaria aqui.
Eu já devo ter dito isso algumas vezes, mas tenho que acrescentar: Derek é muito gato. E gostoso.
Ele não era muito mais alto que eu, o que tinha seu pró e seu contra. Pró: eu não precisava ficar na ponta dos pés para beijá-lo, ele só tinha que abaixar um pouco a cabeça. Contra: eu prefiro homens altos.
Seus olhos não eram nem de um verde claro ou de um verde bem claro, eles eram verdes escuros e brilhantes, como esmeraldas. E tinha aquele sorriso. Seu sorriso era aqueles de comercial de pasta de dente com dentes brancos e perfeitamente alinhados. Sua pele era morena bronzeada de sol e seus cabelos castanhos escuros eram jogados não de um jeito Justin Bieber ou Zac Efron em High School Musical. Na verdade, desde que eu conheço seu cabelo é assim, ou seja, antes da “modinha”. E ele não precisava de chapinha.
Ele estava parecendo um modelo da Armani. Seu peito gostoso estava por baixo de uma camiseta branca gola V e seus braços com bíceps definidos estavam escondidos por um casaco aberto preto. Ele usava uma calça jeans quase preta que não era nem folgadona nem super coladinha no estilo banda colorida.
Sem palavras. Ai, ai.
- Oi, - Derek continuou sorrindo e se inclinou para frente dando um beijo demorado na minha bochecha. Bochecha não. Foi praticamente na trave.
Ele sabia bem como me provocar.
- Hm... Oi - eu disse sem jeito, dando espaço para que ele entrasse.
Ao contrario de ele não ficou de pé, Derek foi direito sentar no sofá sem cerimônias.
- Então... - eu comecei.
- Então - ele repetiu calmo. Ao contrário de (again), Derek não parecia estar chateado ou com dificuldades de falar comigo. Ele estava tão de boa.
Até demais pro meu gosto.
- Você não deveria voltar só mês que vem? - perguntei me sentando no sofá menor.
- Devia, mas eu mudei de ideia - ele disse parecendo se deleitar com a pergunta. Acho que era o que ele exatamente queria que eu perguntasse - As coisas estão indo bem na nova filial que abrimos em Nova York e eu precisa voltar, , eu precisava te ver.
Tossi.
What the fuck? Que cantada barata era essa?
- Aham - eu disse irônica. Isso me fez lembrar a frase “Aham, Claudia, senta lá”, ri por dentro.
- Sério - ele disse com a cara realmente séria. O jeito que ele me olhou como se sua vida dependesse de eu acreditar, me fez mexer desconfortável.
- Não sei, Derek. Eu não esqueci o que você fez - desviei o olhar para a sacada.
- O que eu fiz? - Derek disse se fingindo de inocente. Ah vá...
- Você sabe muito bem - cerrei meus olhos para ele - Você foi um canalha comigo.
- Tá bem, eu admito - ele levantou as mãos daquele jeito que os ladrões levantam quando são pegos pela polícia. Ah, vocês entenderam - Foi errado o que eu fiz. Você não merecia aquilo.
- Não mesmo - murmurei.
- Você me perdoa? - Derek se inclinou para frente e pegou minha mão fazendo carinho nela com o polegar. Não senti nenhum choquinho - Por favor?
Olhei bem para ele. Eu conhecia Derek bem o bastante para saber que ele estava sendo sincero. Ele é uma dessas pessoas que não sabem mentir. Alguns ficam mexendo nas mãos, olham para cima ou sorriem de um jeito risonho quando mentem. Já Derek ficava piscando sem parar. Chegava até a ser engraçado.
E só para constar: ele não estava piscando.
- Tudo bem - eu disse e tirei minha mão da sua.
- Valeu, , eu prometo que não vou te decepcionar de novo - ele sorriu feliz.
Ah droga, acho que ele entendeu errado.
- Mas não pense que isso vai mudar as coisas. Eu te perdoei, não quer dizer que eu esqueci - avisei.
Tenho esse defeito, sou rancorosa. Eu consigo perdoar as pessoas sem dificuldade, mas esquecer as mancadas que elas fazem? Isso não.
- Já esperava por isso, eu te conheço, - ele suspirou desanimado - Você bem que podia me dar outra chance.
- Derek... - comecei, mas ele me cortou.
- , eu cruzei o oceano por você. Você tem noção do quanto foi arriscado sair de lá? Meu pai vai cortar minha cabeça, mas quer saber? Eu não me importo. O que me importa é estar com você. Eu me arrependi todos os dias enquanto estava lá pelo o que eu fiz com você, dude, eu nunca devia ter terminado. Não mereço outra chance, verdade, mas mesmo assim me deixe tentar te fazer feliz outra vez - Derek se levantou e foi até mim se ajoelhando a minha frente, as palavras saíram firmes e urgentes de sua boca.
Fiquei sem reação.
O que eu deveria fazer?
tinha dito diretamente que não me queria mais, que não voltaria comigo. E Derek estava de joelhos a minha frente falando que me queria e que queria voltar comigo.
Primeiro sou rejeitada e agora vem isso.
Eu não podia dizer um não depois disso, mas não poderia dizer um sim. Eu não estava pronta para ficar com ele de novo, porque eu não tinha me recuperado de . Infelizmente era que eu amava.
- Olha... - de novo fui cortada. Er.
- Não precisa me responder agora. Pense e me ligue - Derek beijou minha testa.
- Eu te levo até a porta - sussurrei em choque.
- Não precisa - ele sorriu torto.
Deixei Derek sair e fui trancar a porta.
Eu estava perdida e minha cabeça estava uma confusão só.
O que fazer?

Nada como tomar café da manhã na Starbucks. Waffles com nutella e frappuccino de caramelo. Yummi!
- , pode me contando o que aconteceu ontem à noite - exigiu tomando um gole de seu frappuccino de chocolate.
- Digamos que meus dois ex-namorados apareceram - suspirei cansada, eu não queria reviver a noite passada.
- Qual deles? - perguntou .
- Óbvio né, . e Derek - respondi sua pergunta.
- Ah sei lá - ela me lançou um olhar rabugento me fazendo rir – Vai, conta logo, vaca.
- Primeiro veio o e, tipo, ele fez uma música pra mim - contei sem emoção.
- Ah que fofo - piscou os olhos de um jeito que era pra ser fofinho (coisas dela).
- Não foi fofo - balançei a cabeça negativamente - Foi cruel.
- Como assim? - lerdinha!
- Tá, cruel é um exagero. Mas não foi uma música do tipo “Minha linda, eu te amo” foi mais pro tipo “Suma da minha vida, não quero nunca mais olhar pra sua cara” - expliquei dramática.
- ... – fez uma cara triste - Eu não sei o que falar.
- Tudo bem, obesa, sério - sorri fraco.
- Eu sei que não está tudo bem. Não adianta mentir, eu não caio nessa. Você ama esse cara - ela me abraçou de lado.
- Infelizmente você está certa – murmurei – Por que eu tenho que gostar dele?
- Não sei, não dá pra escolher essas coisas - deu de ombros.
- ER. Continuando, depois o Derek apareceu. Ele quer voltar comigo - resumi.
- Como assim? - abriu a boca no formato de ''O'' - Conta direito agora.
Contei tudo detalhadamente.
- O que você faria se estivesse no meu lugar? - perguntei aflita.
- Boa pergunta - ela disse pensativa - Eu diria não ao Derek, acho. E ignoraria o pro resto da minha vida. É como dizem, , melhor sozinha do que mal acompanhada.
- É, acho que você tem razão - refleti.
- Mas não faça isso só porque eu tô falando. Pensa direito no que você quer - avisou de boca cheia mastigando seu muffy.
- Eu não sei o que quero! - exclamei alto demais recebendo olhares das mesas do lado - Eu já não sei se quero ou não o . Quer dizer, eu o quero! Mas ao mesmo tempo não quero mais vê-lo. Estou cansada de drama.
- Entendi - fez uma cara de consolo - Vamos mudar de assunto... Que tal sairmos nós três hoje? Eu, você e o animal do ?
- Pode ser – sorri - Liga aí pra ele então.
discou o número de e pôs o telefone no ouvido. Estiquei-me para o lado e grudei meu ouvido no celular para ouvir também.
Tu tu tu tu tu tu.
- Fala, - atendeu impaciente.
- Vamos sair? - ela perguntou - Eu e a estamos a fim de fazer alguma coisa hoje.
- Não vai dar. Estou ocupado - ele respondeu.
- Aff. Vai estar ocupado o dia inteiro então? - perguntou sarcástica.
- Talvez. Não dá pra falar agora, eu estou com a e nós estamos ocupados. Tá ligada? - disse baixo e deu ênfase no ocupados.
Nós duas trocamos olhares na hora.
- Como assim? , desde quando? - perguntou rápido curiosa.
Peguei o telefone de sua mão.
- Ei, você vai contar essa história melhor depois, senhor ! - eu disse. What the fuck? e juntos? Desde quando?
- Tá, que seja - resmungou - Vou voltar a fazer o que eu estava fazendo antes de ser interrompido. Tchau pra vocês duas - e desligou.
- COMO ASSIM? - repetiu sua pergunta agora para mim - Tá, eu sabia que ele 'tava afim da . Mas quando foi que eles ficaram?
- Não sei. Depois ele vai ter que contar - eu disse indignada e terminei de tomar meu frappuccino.
- Até parece que ele vai contar mesmo - disse realista.
- Então vamos ter que perguntar pra - eu disse divertida dando um sorriso malandro.
- Nós sempre envergonhamos as ficantes do ! - riu.
- Aham, é legal deixar elas constrangidas - concordei me juntando a e rindo.
- Ainda mais porque faz ainda pior com nossos namorados e ficantes!
tinha uma chata mania de ter uma “conversinha” com os caras que eu ou estávamos. Isso porque nós duas somos como irmãs pro e ele tem essa necessidade de proteger a gente. Por exemplo, quando comecei a namorar o Derek, o disse para ele que se ele estivesse só brincando comigo e me magoasse, Derek ia se ferrar com ele.
- Se lembra quando ele ameaçou o Wayne? - comecei a rir muito me lembrando.
Wayne foi um garoto que estava ficando por dois meses, mas não era nada sério. Então se meteu no meio e foi ter uma “conversa” com Wayne. Ele disse: “É melhor que a não seja só um passatempo pra você, porque ela realmente gosta de você, dude, e eu não quero ver ela decepcionada. Se isso acontecer você vai levar porrada”. estava muito temperamental nessa época, não sei se era porque estava no auge dos seus dezoito anos. O caso é que Wayne ficou tão assustado que fugiu. ficou puta com e o ignorou por duas semanas. Depois disso ele não se meteu tão bruscamente em nossas vidas amorosas.
- Lembro - ela disse amargurada - Acho que nunca quis matar tanto como naquela vez.
Agora eu estava morrendo de rir da . Ai, ai, coitada.
- Dude, é tão irritante isso! Tudo bem que é meio fofo ele querer proteger a gente, mas nós já somos grandinhas o bastante para saber em que caras devemos enfiar a língua na boca deles - bateu seu frappuccino na mesa.
Recuperei meu fôlego depois de rir tanto e respondi:
- Certo, mas admita, graças ao já nos livramos de uns trastes!
- Verdade - concordou - É cada um que aparece.
- , você acha que o já teve essa conversa com o ? - perguntei.
- AH NÃO - berrou.
Terminamos de comer conversando sobre os imprestáveis que já tinham aparecido e demos boas risadas.
Relaxei, tirando da minha cabeça o triangulo amoroso que eu protagonizava: Derek, eu e .

Capítulo 18 - I've got more wit, a better kiss, a hotter touch

Já havia passado três semanas e dois dias desde aquele dia. Eu ainda não tinha ligado para Derek e nem falado com . Eu ainda não tinha a mínima ideia do que fazer, mas continuava seguindo o conselho de . Resolvi deixar a vida me levar.
Contudo, eu vira , infelizmente. Fomos à uma balada, eu, e , com o pessoal da faculdade e o chamou, sem ninguém saber, . Fiquei nervosa com . Nada aconteceu. Nada mesmo. Ignoramo-nos a noite inteira.
Agora eu me arrumava para ir ao churrasco na casa de . Finalmente eu veria e que voltaram ontem de lua de mel, eles passaram um mês em um resort no Brasil.
A questão era que roupa pôr? Estava bem quente em Londres.
Depois de um tempo em frente ao espelho peguei um vestido soltinho azul escuro de alcinha justo nos seios. Só pra constar: ele não tinha um decote indecente.
Calcei minha sapatilha melissa azul royal e coloquei um colar prata que tinha um pingente grande da Sininho em brilhantes. Passei lápis preto nos olhos, um pouco de blush e um gloss rosa claro. Enquanto isso eu ouvia California Gurls da Katy Perry que tocava no ITunes.
Peguei uma bolsa e joguei tudo que precisava dentro: celular, carteira, ipod, o lápis e o gloss, absorvente, chave do apartamento e a capa de óculos de sol.
Coloquei meu aviador Ray Ban de lentes azuis, penteei o cabelo e gritei pra :
- TÔ PRONTA!
- EU NÃO, CALMAI AÍ! - ela gritou em resposta.
Encontrei no banheiro secando os cabelos molhados com o secador.
estava com seu short jeans super claro, um tope azul escuro e por cima uma bata de um ombro só, branca com listras do mesmo azul, all star branco de couro e uma tiara prata com um enfeite brilhante.
- Nós duas estamos de azul - reparei rindo.
- Pelo menos a gente não tá igual - ela sorriu se referindo às vezes em que saímos sem quer com uma mesma blusa ou camiseta.
- Ninguém vai perguntar se a gente vai cantar - eu deduzi divertida.
E respondeu com um joinha sorrindo.
- Acabei - ela desligou o secador e o tirou da tomada - Podemos ir.
- Finalmente! - exclamei recebendo um pedala de minha tão legal (cof cof) amiga.
- De onde vem essa música? - perguntou fazendo uma hilária cara de interrogação.
- Ai, esqueci o computador ligado! - bati na minha própria testa e fui desligar.
- Depois eu sou a lerda - zoou .
- E não é? - perguntei.
- Não mais que você - ela sorriu.
- Ah é - eu disse irônica - Vai, vamos logo que a gente já tá atrasada.
- Como sempre - disse e nós saímos do apartamento.

morava no subúrbio de Londres em uma bonita casa grande. estacionou seu carro (um Smart branco) e nós duas saímos do carro.
- Quantas vezes você já esteve aqui? - perguntei impressionada, olhando deslumbrada para a elegante casa.
Olhei para as casas em volta, uma era mais linda que a outra. Ok, não tinha casas assim na minha antiga cidade.
- Algumas - riu - Eu também fiquei com essa cara na primeira vez que vim.
- Eu não sabia que o era riquinho assim - comentei.
- Você não pode falar nada, , porque o seu ex, Derek, mora nesse bairro também - lembrou.
- É, mas o pai do Derek é dono de uma empresa - lembrei também, dando um sorriso esperto - O que o seu namorado faz por acaso?
É, eu nem sabia o que o fazia da vida. Eu sempre achei que ele não fazia nada, só ficava vagabundiando pelo mundo.
- Ele trabalha com o , na produtora - respondeu me puxando para que eu andasse até a porta da casa em vez de ficar parada com uma cara de boba.
Acho que nunca comentei sobre isso, mas é produtor. Ele produz bandas de rock que ainda estão no começo da carreira e as lança na mídia, depois geralmente essas bandas viram um sucesso.
Pode apostar que muitas bandas inglesas que você conhece foram descobertas por .
- Eles deviam montar uma banda - eu disse.
- Verdade, os dois sabem tocar instrumentos e com certeza entendem muito de música - apertou a campainha enquanto falava.
- E música boa. Não essas porcarias que tocam na rádio - complementei. Não que eu ache que tudo que toca na rádio é uma porcaria, mas grande parte é.
- Né - concordou com os olhos brilhando - O devia entrar na banda também!
- CLARO - concordei empolgada - E o também sabe tocar que eu sei.
- Imagine, , eles famosos - começou a dar pulinhos e depois a rir freneticamente - Olha a gente, dude, estamos prevendo o futuro dos meninos!
Comecei a rir junto com ela e nós fizemos previsões de como eles iam ser ultra famosos, iam fazer turnês pra fora da Europa, tipo na América Latina, iam ter várias groupies atrás deles e nós seriamos invejadas por conhecermos eles antes da fama e sermos amigas deles. Foi engraçado.
Bem na hora em que estávamos gargalhando abre a porta.
- Demoro, hein? - eu disse em meio às risadas para a criatura que estava na porta de bermuda de listras verticais marrom, camiseta gola V branca, havaianas pretas normais. Vulgo, .
- Foi mal - ele coçou a cabeça - Eu estava assando a carne. É assim que se fala? Assando? - fez uma cara pensativa fazendo-nos rir ainda mais.
- Ain, que lindinho, pensando - apertou as bochechas dele e deu um selinho.
- Só isso? - fez uma cara de gatinho do Shrek e puxou pela cintura.
Preciso dizer que eles começaram a se amassar? Sim, bem ali na porta e na minha frente. Adoro ficar de vela (ironia, só pra deixar claro).
- Não vou nem comentar - eu disse saindo dali e entrando na casa.
Se a casa de já era linda por fora por dentro então...
Havia bastantes pessoas na sala e o som estava alto, tocava I'm In Miami Bitch do LMFAO. Procurei por conhecidos e vi que lá fora na área da piscina e da churrasqueira, estavam e nas espreguiçadeiras. estava com apoiada em seu peito. Que cena bonita (dessa vez não estou sendo irônica).
Falando no casal... Eu e descobrimos o que aconteceu entre eles, nós ameaçamos o a contar porque se ele não nos contasse íamos contar sobre as exs dele pra . E digamos que o não gostaria disso, porque, bem, algumas das exs de são tensas. Bem tentas. Altas histórias.
O caso é que na noite anterior daquele dia ligara para o chamando-o para jantar. (Viram meninas? É uma mulher de atitude!) Conversa vai, conversa vem, ela tomou coragem e contou o que sentia em relação a ele. E ao . disse que tomara uma decisão: Ela daria uma chance a si mesma de ficar com , mas só se ele a quisesse.
Adivinhem o que o zinho respondeu? Que sim, ele a queria, e que a queria muito.
Então os dois foram até o apartamento de e passarão a noite juntos. CALMA, não é o que vocês tão pensando! Eles NÃO dormiram juntos, APENAS ficaram lá se beijando e vendo filmes. Como eu tenho certeza disso? Porque obrigou a contar essa parte nos mínimos detalhes.
Aí a acabou ficando lá e no dia seguinte saíram para tomar café e foram ao parque, aí foi quando nós duas ligamos para eles e interrompemos a pegação.
Fim!
Fui em direção deles.
Droga, mais uma vez eu ficaria de vela.
Nessas horas eu queria ter um namorado.
Assim que me viu ela gritou “” atraindo olhares dos amigos de que estavam na churrasqueira ou na piscina. não se importou, ela estava pouco se fodendo para o que os outros pensassem dela.
- Hey - cumprimentei-os dando um beijo na bochecha de cada um e me sentei na espreguiçadeira à frente deles.
- Cadê a ? - perguntou , tentando avistá-la por trás de mim.
- Ela está sendo recepcionada pelo - pisquei falando maliciosa.
- Oopa, esses dois não perdem tempo! - disse de um jeito mais malicioso ainda que eu, nós três rimos.
- Também né? O aprendeu com o gostosão aqui - brincou dando um sorriso de lado.
- Claro, gostosão, claro - eu disse irônica - Isso porque o conheceu a antes de te conhecer.
- Verdade - riu - Então ele não aprendeu com você não, querido! Eu acho que ele aprendeu com o .
Ok, a intenção da brincadeira de foi boa e estava engraçado até ela falar o nome de . Porém isso gerou uma pausa constrangedora na conversa. Afinal, não era segredo para ninguém aqui que tanto eu quanto tínhamos tido romances com . E agora estava ficando com , então não era nem um pouco legal ela falar do ex.
Não deixei que o clima chato se instalasse por mais de 10 segundos.
- , eu e a estamos curiosas, você já teve aquela conversa com o ?
- Se eu falar a me mata - fez uma cara de pânico.
- Aff, conta logo! Deixa de ser gay, ! - eu disse divertida provocando .
- , você não tinha me falado da sua sexualidade antes - entrou na brincadeira. Fiquei feliz por isso.
- Como não, fofa? - afinou a voz e fez uma cara afetada. , sua bichona!
Foi impossível não rir.
- Ai caralho, só você, ! - gargalhei.
- Qual é a graça? - apareceu do nada e sentou no meu colo.
- - apontou para ele rindo.
- E desde quando o é engraçado? - fez um falso olhar de desprezo a .
- Nossa, , depois dessa... - balançou a cabeça em reprovação, se segurando para não rir e se levantou. segurou o braço de , rindo. - Não, não - ele tirou a mão dela de seu braço - Quer um broche, ?
- Eu quero! - fiz bico e recebi uma pedalada de , um soquinho de e uma mordida de - Ei! Seus chatos. E saí, , tá doendo!
- Seu braço é bom de morder - ela disse sorridente. É possível ter amiga mais retardada e feliz que a minha?
- Animais - chegou correndo passando pelos seus amigos desconhecidos - A e o chegaram!
Ninguém precisou pensar. Nós levantamos na hora e saímos correndo até o hall de entrada. Quem visse a cena acharia muito idiota jovens na casa dos 20 anos correndo que nem crianças pela casa. Mas nós tínhamos um bom motivo para isso.
Sorri abertamente assim como meus amigos ao vermos o casal familiar cumprimentando algumas pessoas.
Então tanto quanto nos viram e foram em nossa direção.
- AAAAAAH!-, eu e pulamos ao mesmo tempo em , que retribuiu nosso abraço.
- ABRAÇO GRUPAL, GALERINHA!- gritou e os meninos nos abraçaram.
E aí um monte de gente alheia estava junto no nosso abraço. Olhei para que estava esmagada entre ao seu lado, eu do outro e um cara fortão atrás. Eu também estava sendo esmagada por ela, por e por um desconhecido com um forte cheiro de cerveja. Foi uma cena tão escrota que nós duas começamos a rir muito.
- SOCORRO, TÔ SENDO ENCOCHADA AQUI! VOU SAIR GRÁVIDA! - gritou que estava bem no meio da massa humana.
Um abraço de quatro, virou um abraço de sete, que virou um abraço de trezentos!
- EI, PAREM DE ENCONCHAR MINHA MULHER, SEUS FOLGADOS - ouvi .
Depois de uns minutos de aperto, finalmente pude respirar.
- Nunca, nunca mais comecem um abraço grupal assim - disse pausadamente.
- Concordo - assentiu.
- Ah, foi mó legal! - riu , parecendo uma criança, e concordou.
- Isso porque não foi a mulher de vocês que quase saiu grávida - resmungou.
Estava a maior barulheira lá em baixo e já tínhamos perdido nossos lugares à beira da piscina. Então nós fomos até a sala de TV da casa. Ao chegarmos lá nos deparamos com um casal se amassando, que por caso era a prima de com seu namorado (ele disse que ficou traumatizado ao ver a prima naquela situação quente), ele expulsou os dois e nós ficamos lá.
Os rapazes foram pegar espetinhos e depois trouxeram mil garrafas de Sminorff e Heineken.
Tudo ia ótimo, e contaram sobre a lua de mel e nós estávamos nos divertindo pra valer com as merdas que ou ou soltavam.
Mas é como dizem tudo que é bom acaba.
- Cadê o ? - perguntou - Dude, ele tá muito atrasado.
- É mesmo - concordou - Vou ligar pro .
- Não vai ser preciso.
Falando no diabo...
- - chamou animado e levantou para cumprimentá-lo – Onde você estava, dude?
- Foi mal a demora - se desculpou - Eu estava no trabalho, vendo uma nova promessa no mundo da música.
Observei . Ele estava com uma camiseta normal cinca escuro, uma bermuda de jeans claro e all star bege já velho. Os óculos de sol estavam pendurados na gola da camiseta.
- E quem seria essa nova promessa? - perguntou .
- A Stacy - disse e uma menina de uns 17 anos saiu de trás dele para a surpresa de todos.
Ela estava vestida com uma blusinha vermelha decotada como se tivesse alguma coisa para mostrar e um micro-micro short jeans, parecia aqueles shorts curtinhos de pijama que só cobre metade da bunda. Ela tinha cabelos castanhos claros e meio lisos até embaixo do ombro, sua franja estava presa para trás mostrando sua testa cheia de espinhas.
Ela passou seu braço pelo o de e ficou de lado para nós empinando para frente o peito que ela não tinha e empinando para trás a bunda que ela não tinha.
Cacetada. Tratava-se de uma putinha.
Entortei a boca enojada.
- Oi, geeente - a tal da Stacy disse. Porra, que voz de gralha era aquela?
Olhei para , ela estava com a testa franzida e com uma expressão de desprezo para o projeto de puta, estava com uma cara de WTF. me deu uma cotovelada e murmurou:
- Cacete, qual é a...
- Eu sei - interrompi.
Nós estávamos pensando a mesma coisa sobre a tal da Stacy. E eu tinha certeza que e também.
- Achei que você produzisse bandas de rock - alfinetou .
- Eu abri uma exceção - deu de ombros.
Percebi que mandava um olhar de desgosto a .
- E aí, dude? - levantou para cumprimentar .
depois foi cumprimentar . Depois dela vinha e depois eu. Obviamente, eu não estava nem um pouco a fim de ser ignorada por que era o que ele iria fazer. Aposto que ele ia falar com e já pular para (que estava do meu outro lado).
- Vou pegar mais cerveja - anunciei.
Passei pelo projeto de puta e ela me olhou de cima para baixo como se fosse superior. Caramba, eu conhecia ela há menos de cinco minutos e já estava com vontade de dar uma voadora naquela garota.
Senti os olhares dos meus amigos nas minhas costas. Eles sabiam que isso era apenas uma desculpa para evitar o . Os únicos que ainda não sabiam dele e de mim, eram e , porque estavam de lua mel quando os conflitos aconteceram. Sorte deles.
Fui até a cozinha de e peguei duas cervejas. Enrolei ao máximo para voltar. Sabe, aquela garota me dava ânsia de vômito. Eu já tinha passado por toda zona da sala de estar e entrei no corredor que dava no final para a sala de TV quando ouvi duas vozes conhecidas. Reconheci a voz de e depois a de , o som vinha do alto da escada que ficava a minha direita.
Curiosa, demais, subi silenciosamente os degraus até o segundo andar. Vi e dentro de um quarto que parecia ser um escritório. Voltei um pouco e fiquei atrás da parede.
Ouvi dizer nervoso:
- Qual é a sua, dude? Primeiro, que quem é essa menina? Você não pode começar a produzir um cliente sem nem ao menos me comunicar, ou você se esqueceu de que nós trabalhamos juntos? E segundo, ela não é nosso tipo de cliente mesmo. E pior ainda, trazer ela aqui é totalmente anti profissional!
- Eu sei, beleza? Relaxa, dude, não tô trabalhando com ela. A Stacy ia ter uma audição com o Roger e ele não estava lá, então pediram que eu a ouvisse. E eu tenho meus motivos pra ter trazido ela aqui - disse na defensiva.
- E você acha que eu não sei por que ela está aqui? - disse irônico - Você trouxe a Stacy aqui para causar ciúmes na...
E aí o fechou a porta. Isso mesmo, ELE FECHOU PORTA! Bem na hora H quando o ia falar em quem tentou causar ciúme o resolve fechar a merda da porta! Será que era em mim ou na ? Tipo, certeza que ia falar ou meu nome ou o de . Mas de quem ele ia falar? Bufei brava. Subi os degraus na esperança de pegar o resto da conversa e posicionei meu ouvido na porta. Não consegui ouvir nada. Droga, nos filmes americanos sempre da certo!
Desci para o primeiro andar emburrada e voltei à sala de TV.
Só estava nela , e isolada no canto a Stacy. Bleh.
- Que demora pra pegar duas cervejas hein - reclamou .
- Teve um imprevisto no meio do caminho - comentei casualmente me jogando nas duas.
- Antes de você contar, eu quero ir comer - disse com os olhos brilhando.
- É uma gorda mesmo - caçoou .
- Pare de ser chata e me deixe comer - se levantou e puxou nós duas.
Fomos até a parte de fora da casa de onde a maioria das pessoas estavam.
Cheguei à conclusão de que tinha um bom nível social, porque a casa não podia estar mais lotada do que já estava.
Um cara bem bonitinho estava na churrasqueira, pedimos a ele espetinhos. e pegaram espetinhos de frango, eu peguei de carne mesmo.
- Vocês viram esse cara? - comentou na hora que damos as costas para ele, e ele não poderia mais nos ouvir.
- Ele é muito lindo - falou praticamente babando.
- Suas safadas. Você está namorando - apontei para - E você pior ainda, está casada - apontei para .
- Dane-se! Olhar não tira pedaço - disse com sua maior cara de safada - E além do mais, eu sou muito mais o meu .
- Ah, se eu fosse solteira! - suspirou.
- Uma pena né? Eu posso dar meia volta e ir lá conhecer ele. Ele é bem bonito mesmo. Imagina ele sem camisa? - provoquei.
- Essa menina tá pedindo para ser batida - me mandou um olhar assassino.
- É, dude, menos, ! - concordou .
- Aaai, é brincadeira! - sorri abraçando as duas.
- Só pra constar: eu nunca que trocaria o por ele! - exclamou e nós todas rimos.
Sentamos no sofá dentro da casa. Falamos dos caras que valiam a pena ali no churrasco, até o chegar com uma cara de irritado.
Lá vem.
- Que foi zinho? - perguntei.
- - ele respondeu bufando.
- O que tem ela? - perguntou hesitando.
- Ela SÓ fala do . está morrendo de ciúme do com a Stacy - disse. Bem, ele estava muito irritado.
- Mesmo? - perguntou.
- Aham. Ela fica especulando se eles estão ou não juntos. Toda hora. E não é de hoje que ela não para de falar dele. Sempre é assim, o nome “” sempre aparece nas nossas conversas. Puta que pariu, por que ela não vai falar com ele logo?
- Por que você não conversa com ela sobre isso? - mordi o lábio, indecisa.
- Claro que não - discordou.
- Então dá uma indireta direta pra ela. A tem que se mancar - aconselhou .
Eu e assentimos concordando.
- Tá, vou fazer isso - cedeu – Valeu, gatinhas da night.
- Gatinhas da night? - nós três repetimos rindo e fez um joinha já longe.
- Ela ainda não esqueceu o - disse chateada.
Não falei nada. Eu também ainda não o tinha esquecido. Seria tão melhor se nós duas já não ligássemos para . Vida injusta.
Peguei uma garrafa de Smirnoff que estava na mão de e virei o que restava dela. Ai, eu precisava disso.
Mas o que eu precisava assim mesmo, era saber de quem o ia falar.
Isso ainda estava na minha cabeça. Imagina se o estivesse falando de mim e ainda confirmasse que ele estava certo?
Eu precisava muito saber, a curiosidade me matava.
É claro, que podia muito bem não ser de mim. Sabe, tinha grandes chances de ter trazido o projeto de puta, vulgo Stacy, pra cá pra causar ciúmes na . E também há outra opção: não a trouxera para causar ciúme em nenhuma de nós duas, ele podia muito bem estar gostando dela.
Só não sei como ele podia gostar daquilo.
- ? ! - berrou meu nome e ainda por cima me beliscou. Biscate. Brincadeira.
- Ai, , o quê? - resmunguei em resposta. Agora meu braço estava dolorido.
- Você estava na maior brisa intensa - ela disse.
- Eu só estava... Pensando - respondi simplesmente.
- Pensando no que? Você está estranha, - indagou.
Contei para elas o que eu tinha visto e ouvido de e .
- Por que você acha que ia falar de você? Quer dizer, você e não têm nada então porque ele ia querer causar ciúme em você... Calma aí, vocês não têm nada, têm? - perguntou confusa.
- Digamos que nós já tivemos um lance há um tempo - falei casualmente - Mas é uma longa história depois eu te conto.
- Er - resmungou .
- , pode ser tanto de você tanto da - disse o óbvio.
- , você acha que poderia perguntar pro ...
- Ah não, ! - me cortou - Tá louca? Você quer que eu chegue pro e fale “Oi, , tudo bem, tchutchuco? Então, a ouviu sua conversa com o e ela quer saber se você 'tava falando que ele queria fazer ciúme nela ou na ?” Nem fodendo.
- Ah, ... - fiz minha melhor cara meiga.
- Não vai adiantar - disse firme. Aff.
- Mas afinal, o que vai adiantar você saber disso? - disse pensativa - Vai mudar alguma coisa?
Pensei nisso. Na verdade, não ia. Se queria ou não fazer ciúme em mim não ia fazer com que eu deixasse de estar zangada com ele por ter sido o maior grosso comigo. Não mudava nada.
- Você tem razão. Não vai adiantar em nada - admiti, meus ombros caíram.
- Ótimo então - sorriu .
- O assunto acaba agora porque o tá vindo - falou baixo e discreta.
Olhei ao redor, de fato vinha em nossa direção.
- Vocês vão se importar se eu sequestrar minha namorada? - perguntou ao chegar a nós.
- Não, vai lá - sorri.
- É. Leva essa menina embora logo - caçoou recebendo um dedo do meio de .
- Eu sei que vocês me amam - ela piscou.
- Eu quero te apresentar aos meus amigos - disse de um jeito muito fofo e os dois foram falar com um casal que estava no sofá do lado.
Dei uma bundada para o lado, onde estava antes. Foi só o lugar onde eu estava ficar vazio para um cara sentar ali.
Ele se virou na hora para mim.
- Arnold e você? - ele se apresentou.
- Arnold? - repeti rindo. Por algum motivo, eu sempre achei esse nome Arnold engraçado.
- Pode rir, eu sei que é feio mesmo - ele sorriu de lado.
Olhei para o Arnold. Ele não era lá grande coisa como o cara da churrasqueira, ou como , ou como Derek, ou como Dylan. Mas ele era bonito sim.
Ele tinha cabelos ondulados ruivos e era bem branquinho. Eu gosto de ruivos. Olhos castanhos claros. Arnold tinha um jeito meio nerd, mas era fofo.
- Desculpe - sorri sem jeito - .
Nós começamos a conversar. Ele era um cara legal, engraçado e ele realmente era fofo. Percebi que ele estava me flertando. Eu ficaria com ele, sério. Mas eu não conseguia pensar em beijar outro rapaz que não fosse . Desde que tínhamos nos beijado no casamento do e da , eu não ficara com ninguém. Não porque não tive oportunidade, mas porque eu não conseguia/queria. De repente, eu só queria encostar meus lábios nos de .
Pra não dar um fora no Arnold, eu fingi que tinha namorado. Logo depois que eu disse isso ele saiu.
Virei para falar com , mas ela estava em um momento de amor com seu marido. Ela estava encostada no peito de e ele falava baixo em seu ouvido a fazendo dar risadinhas.
Saí dali. Eu não ia ficar ali de vela.
Era a terceira vez que isso me acontecia hoje, nossa.
Entrei no mesmo corredor que dava pra sala de TV e fui ao banheiro. Lavei minhas mãos e retoquei o lápis e o gloss.
Ok, eu não tinha nada pra fazer.
Porque eu não conhecia ninguém além de que estava apresentando ao povo, e , que não sei onde estavam, e e que estavam naquele momento romântico. E que devia estar com a puta.
Isso acendeu uma lâmpada na minha cabeça. Saí do banheiro e dei passos silenciosos e divagares até a sala de TV. Mais uma vez eu ia espionar os outros.
Como previ estava com a Stacy. Só que de um jeito diferente ao qual eu tinha imaginado. Não sei por que achei que os dois iam estar quietos vendo televisão. Como sou ingênua.
Stacy estava deitada no sofá marrom escuro e estava por cima dela. As mãos dele estavam embaixo dela apalpando sua bunda. Ela estava com as mãos por baixo da camiseta dele. se levantou um pouco para tirar a camiseta e voltou a beijá-la ferozmente.
Só que antes de voltar a colocar sua língua na boca dela, olhou para cima. E me viu. Na hora girei meus calcanhares e saí do local.
Caramba, eu estava com ânsia só de ver aquilo. Eu estava com vontade de vomitar. Dessa vez eu realmente estava.
Como sou otária.
Enquanto eu não conseguia beijar outros caras por causa dele, estava nas preliminares pra comer aquela putinha.
Eu não podia ficar mais ali ou se não eu ia vomitar só de ver ele de novo com ela. Meu estômago embrulhou. Saí da casa, atravessei o jardim da entrada e peguei meu celular quando estava na calçada.
Só tinha uma pessoa que podia me tirar dali.
- ? Dude, achei que você não ia mais me ligar - Derek atendeu surpreso.
- Derek, você está em casa? - perguntei com pressa.
- Tô sim. Você tá por aqui perto?
- Aham, tô na Rua Doctor Willians. Casa número... - virei e li os números dourados em cima da porta-612.
- Estarei aí em cinco minutos no máximo - ele disse.
- Derek?
- Sim? - ouvi o barulho do motor.
- Obrigada, muito obrigada mesmo.
- Não tem que agradecer nada, linda - ele respondeu e eu podia jurar que ele estava sorrindo, e desligou.
Foi eu guardar o celular na bolsa pra um ser aparecer de dentro da casa. Claro, .
- , olha, eu pos...
- Não precisa explicar nada, – cortei-o ríspida - Você não me deve satisfações.
- Você não precisa ir embora por minha causa - ele disse no mesmo tom que eu.
- Sério? Achei que você não queria nunca mais me ver - eu falei sarcástica.
- ...
- Não, - cortei novamente fria - Você disse que não queria mais falar comigo, que não iria mais conversar comigo, se lembra? Agora quem não quer conversar com você sou eu.
não respondeu nada apenas me olhou arrependido. Não liguei, eu estava pouco me ferrando pra ele.
Ouvi o barulho de rodas no asfalto. Olhei para o lado. Derek fazia a curva no seu conversível vermelho. Em três segundos ele estava parado no encostamento a minha frente.
Sendo observada por , contornei a frente do carro e entrei no banco do passageiro. Então Derek saiu com carro. Olhei para trás e vi parando na calçada me olhando nervoso.

Capítulo 19-Things are shaping up to be pretty odd

- Então, vai me contar o que aconteceu? - Derek perguntou me olhando de rabo.
Suspirei. Eu tinha que contar, devia isso a ele. Afinal, ele parou qualquer coisa que estivesse fazendo só pra vir me buscar. Quantas pessoas teriam feito isso sem hesitar?
- Provavelmente tem a ver com aquele cara que 'tava na calçada. Ele parecia meio nervoso - ele comentou tirando uma das mãos do volante para por seus óculos de sol.
- Aquele cara é meu ex-namorado - eu disse olhando para as casas chiques que passavam rápido pela minha vista.
- Wow, você é rápida, - Derek disse surpreso. Virei meu rosto para olhá-lo e responder:
- Calma, Derek, ele foi antes de você - eu ri.
- A tá - ele disse aliviado e sorriu - Mas e aí?
- E aí o que? - perguntei. Sou lerda e...?
- E aí o que aconteceu entre você e ele hoje? - ele falou com cara de óbvio
- Você quer mesmo saber? - mordi o lábio. Diga não, diga não.
- Sim – droga - Melhor ainda, conte toda a história de vocês.
- É uma história longa e chata - avisei tentando fazer com que ele desistisse.
- Vai, , conta logo - Derek insistiu, rindo de mim.
Resmunguei e contei. Contei tudo mesmo. Foi meio estranho, sabe, falar com seu ex do seu outro ex. Mas dane-se.
- E você ainda gosta dele - Derek não perguntou, ele afirmou. Não respondi. Eu não gostava de , era muito mais que isso.
- Eu não devia ter sido tão chata com ele agora, é que na hora... Não sei o que deu em mim. Eu o vi com aquela adolescente e eu já estava brava com ele antes... Aí eu descontei tudo na hora - murmurei.
- Ele mereceu, não mereceu? Você mesma disse como ele foi um imbecil com você no outro dia - Derek parou no semáforo vermelho.
- Eu não falei imbecil. Ele não foi legal aquele dia, mas eu merecia, porque quem errou feio fui eu. tinha razão de estar puto comigo - falei olhando para Derek.
- É, pode ser - ele deu de ombros – Então, , estamos saindo do bairro. Pra onde você quer ir?
- Tanto faz - dei de ombros.
- Você que manda, aonde quer ir? - ele olhou para mim e sorriu.
- Hm... A gente podia ir naquela sorveteria que a gente ia sempre - retribui o sorriso meio sem jeito. Tudo isso era estranho.
De um certo modo, as coisas era tão simples com Derek. Não tinha drama, não tinha problemas (tirando quando ele terminou comigo). Estar saindo com Derek como amigos (porque eu não quero nada além disso com ele), é como se tudo tivesse voltado ao normal. Como nos velhos tempos quando ainda estava sumido da minha vida.
O semáforo abriu e Derek entrou em uma avenida. O Rio Tamisa agora passava ao meu lado.
Não demorou muito e chegamos ao nosso destino. Peguei duas bolas de sorvete: uma de menta com chocolate e outra de negresco. Passei cobertura de chocolate por cima e aquelas pequenas nozes (ou sei lá como se chama). Delícia. Derek foi um cavalheiro e pagou para mim. Se tem uma coisa que é broxante é você sair com um cara e ele pedir pra você pagar o dele além do seu. Acredite, é muito broxante.
Assim que sentamos em uma mesinha peguei meu celular e mandei uma mensagem para , falando para ela não se preocupar que eu estava bem, que depois explicava porque eu fora embora e para pedir desculpas ao por eu ter saído.
- O que está fazendo? - Derek perguntou, pegando uma colherada de sorvete de chocolate.
- Mandei uma mensagem pra , se não ela vai ficar preocupada com meu sumiço - sorri fraco - Mais uma coisa que eu não devia ter feito: saído do churrasco sem falar com ela e .
- , você passa muito tempo se autocriticando - Derek rolou os olhos.
- Eu me criticando? Nunca. Eu sei que sou linda e diva - brinquei e fiz biquinho.
- Ae, essa é a que eu conheço - ele riu.
Derek tinha razão, eu vinha tão estressada ultimamente. Primeiro por causa do , depois pelo Derek, aí a faculdade estava corrida por ser final de semestre, depois de novo, e , e mais uma vez.
Dude, estou de férias da faculdade e essa é minha semana de férias da agência também preciso me divertir em vez de me estressar.
- Então estou te devendo uma, já que você me salvou - falei divertida sorrindo.
- Saia pra almoçar amanhã comigo - Derek sorriu e aproximou sua mão livre da minha que não estava segurando a colher.
Opa.
Tirei a mão da mesa e fingi arrumar meu cabelo como se não tivesse percebido o movimente dele.
Era impressão minha ou Derek estava entendo errado? Tá, eu tinha ligado pra ele como ele pedira. Mas e daí? Eu só tinha ligado porque era questão de vida ou morte, não queria dizer que eu quisesse voltar com ele. E ele mesmo sabia de meus sentimentos por .
- Ah, tudo bem - sorri amarelo - Me pega às duas no meu apartamento?
- Sem problemas - o sorriso dele aumentou.
Droga, eu estava dando esperanças ao Derek. Mas o que diabos eu podia fazer?

- , tem certeza que não quer pra minha casa e a gente faz alguma coisa lá? - Derek disse sugestivo quando parou em frente ao meu prédio. Tínhamos ido almoçar em uma cantina italiana e depois demos uma volta no shopping.
- Ah não, estou cansada e eu quero passar um tempo com a – expliquei - Ela dormiu ontem no e saiu hoje com ele, e . Entende?
- Claro, tudo bem - ele falou, porém fez uma cara feia.
Saí do carro e ele saiu também e me acompanhou até o portão do prédio.
- Então tchau.
Pra me despedir fui dar um beijo em sua bochecha. Só que bem na hora Derek virou o rosto e me deu um selinho.
- Derek! - o repreendi me afastando dele - O que você fez?
- Calma, , não é nada demais - ele disse displicente.
- Nunca mais faça isso - enfatizei irritada.
Se tivesse sido sem querer tudo bem, afinal, era só um selinho. Só que ele tinha feito de propósito.
- , qual é? Eu me ajoelhei pra você, fui quando você precisou de mim e não ganho nada? - ele perguntou indignado.
- Desculpa, mas não dá - falei séria.
- Por que não? Por causa daquele cara? - ele pegou em meu braço forte - , me deixe te fazer esquecer ele. Vocês dois não tem futuro juntos.
- Solta meu braço - pedi firme - Sério, está me machucando.
- Então diga que vai voltar comigo! - ele apertou mais ainda meu braço.
- Derek, se você não largar meu braço eu não olho mais na sua cara, estou falando sério.
Eu estava muito brava. Meu braço estava doendo e ele ainda tinha falado que eu e não tínhamos futuro! Porra, isso não é problema dele.
Derek então caiu em si e seus ombros caíram derrotados, então ele soltou meu braço.
- Depois a gente conversa - eu disse sem emoção. Ele assentiu e voltou ao seu carro. Vi o conversível de Derek partir e bufei.
Então uma coisa esquisita aconteceu. Eu senti como se estivesse sendo observada, como se alguém o tempo todo estivesse me olhando. Olhei ao redor, mas não vi ninguém.
- Dona , tudo bem? - o porteiro apareceu ao meu lado.
- Tudo sim - sorri amarelo e ele abriu o portão para que eu entrasse.
Só quando eu entrei dentro, no hall do prédio a sensação de estar sendo observada parou.
Era só encanação minha ou alguém estava me espionando?

’s POV
- , você está entregue - eu falei à que estava no banco de trás.
Como todos estavam de férias, eu, , e tínhamos ido passar o dia na praia. Tínhamos chamado e , mas eles iam ver um jogo de futebol no estádio, não iria poder ir e ia sair com o Derek. Agora eu pergunto: o que a ia fazer com aquele otário?
Tudo tinha sido maneiro, mas eu estava meio irritado com a . Por mais uma vez ela tinha tocado no nome de várias vezes.
Caralho.
01-Valeu pela carona, , beijos - ela deu um beijo na minha bochecha e na de e saiu do carro.
- Tchau, - falei sorrindo pra ela e se despediu também. Como tinha ido embora por conta própria, restou somente eu e .
Esperei que entrasse no hall do prédio. Enquanto esperávamos entrar, eu avistei um vulto de longe me encarando.
- , a já entrou - me avisou.
- Ah beleza - tirei meus olhos do vulto e dei partida no carro.
- Droga, hoje a gente só para nos faróis vermelhos - comentou quando paramos poucos segundos depois. Olhei pelo retrovisor tentando ver o vulto novamente, mas só avistei algumas pessoas andando apressadas.
- Pois é... – desviei meus olhos para e então vi pela janela que parado ao nosso lado estava um conversível vermelho e quem dirigia não era ninguém mais que o otário do Derek – Olha, , o cara que a saiu hoje.
virou o rosto para vê-lo.
- Hm, ele é bonito - ela comentou. Entortei a boca e ela riu.
- Não mais que você, .
- E quem é mais bonito que eu? - brinquei.
- Então, Senhor Bonitão, você não quer dormir lá em casa hoje? - falou casualmente. Dormir na casa da ? Ah moleque, não precisa nem perguntar.
Sorri malicioso.
- Não posso recusar um convite seu, senhorita - falei e deu uma risadinha.
Minha irritação com durante o caminho se amenizou. Nunca fui uma pessoa de ficar zangada por muito tempo. morava nessas típicas casas londrinas germinadas e de tijolos vermelhos. Ficava mais afastada do centro, mas como não tinha trânsito hoje (um milagre) não demoramos tanto para chegar.
O caminho todo aquele vulto ficou na minha cabeça. Podia não ser nada, mas chegava a ser muito suspeito.
Quando parei em frente à casa de , certifiquei de que não tinha ninguém nos observando.
Mas lá dentro foi impossível pensar naquele vulto, porque eu e fizemos coisas muito mais interessantes. Se é que você me entende, dude.


Capítulo 20 - With every single letter, in every single word there will be a hidden message, about a boy that loves a girl
(N/A: Coloque pra carregar: Can't Stand It – Nevershoutnever!)

I wake up every evening with a big smile on my face, and it never feels out of place, and you're still probably working…

Acordei com o barulho do celular. Droga, sempre que você está em um ótimo sonho, como por exemplo, você e em uma praia deserta no Caribe, acham alguma maneira de te acordar. E um dos jeitos mais irritantes é o seu celular tocando.
Levantei rápido da cama e dei uma corridinha pra atender o celular antes que acordasse. Aposto que era engano. O que as pessoas têm na cabeça para ligar a essa hora da manhã? Olhei no relógio e vi que eram onze e cinco. Tá, não é tão cedo assim, mas quando você e sua amiga resolvem que só vão dormir depois que o sol nascer, é muito cedo.
Tanto faz.
Olhei no visor e vi que ali aparecia o nome Derek. Respirei fundo e atendi.
- Derek, o que foi? - minha voz saiu baixa e sonolenta.
- Te acordei? - ele perguntou do outro lado da linha.
- É - eu disse apenas, me sentando no sofá; fechei meus olhos.
- Foi mal. É que eu recebi uma ligação anônima aqui no trabalho... Uma moça ligou falando que você está me fazendo de bobo, visto que você está namorando o .
Meus olhos se escancararam na hora.
- QUÊ?
- Isso mesmo que você ouviu. Nós rastreamos o número, ela ligou de um orelhão.
- Ah, dude, era só o que faltava - choraminguei. Quer dizer que agora tinha alguém tentando estragar minha vida? Menos, . Só queriam estragar sua pseudo-amizade com Derek. Que seja, eu não conseguia raciocinar morrendo de sono.
- , você me disse que está namorando, não está? - ele perguntou.
- Aham - respondi.
- Então, se ligaram pra mim, é bem provável que tenham ligado pra namorada dele - Derek disse.
- Ai não, verdade. Vou ligar pro - falei aflita - Obrigada, mesmo.
- Não foi nada. Eu acho que depois do outro dia esse era o mínimo que eu podia fazer - ele suspirou - Até mais, .
- Até, tchau - desliguei.
Voltei ao meu quarto e deitei na cama, entrando debaixo do lençol. Tentei dormir, mas isso não saía da minha cabeça. Quem poderia ter feito isso? Mas meu cérebro, no estado praticamente adormecido, não pensava em ninguém.
Ok, esqueça isso e durma. Eu estava naquele estado meio inconsciente, meio consciente.
Será que tinham ligado pra ? Preciso ligar pro !
Mas eu posso fazer isso quando dormir e acordar, daqui há umas seis horas.
E se fosse tarde demais?
Não vai ser, , agora não pense em nada, deixe sua mente vazia...

Me vi em uma praia linda, como aquela que eu estava antes com . Eu andava em direção ao mar cristalino, de um azul claríssimo. Então, apareceu no meio do caminho um enorme orelhão. Alguém estava atrás dele. Sorrateiramente o contornei e vi quem falava no telefone. Baixa, magra, cabelos ruivos. Ela colocou o telefone no gancho e se virou pra mim.
Jenny me olhava maldosa, com seus grandes olhos âmbar.


Acordei na hora.
Saí correndo da cama, tropecei no chinelo que estava no meio do caminho, mas não parei. Peguei o celular, fui às chamadas recentes e cliquei em .
Caiu direto na caixa postal.
- Prazer, ... . Ou estou ocupado, ou não quero falar com você, então deixe seu... , cala a boca! - a risada de no fundo - Como eu dizia antes de ser interrompido pela trouxa da , deixe seu recado após o bip. BIP!
Merda. Liguei pra , mas depois ficar chamando um tempão, caiu na caixa postal.
Meu sexto sentido feminino me dizia que algo estava errado. Voltei ao meu quarto, me troquei rapidamente e peguei na gaveta o endereço de , que estava anotado em um papel. Fui ao quarto de e verifiquei se ela continuava dormindo. Sim, ela estava esparramada na cama, dormindo de bruços, como uma pedra. Deixei um bilhetinho pedindo para que ela me ligasse quando acordasse e saí do apartamento.
A Starbucks era a apenas uma quadra, então fui até lá comprar um cappuccino pra ir tomando no caminho, e depois chamei um táxi.

Eu nunca tinha ido à casa da . Ela morava nessas casas típicas londrinas, que são todas germinadas, feitas com tijolos vermelhos. Tinha um jardim na frente da casa, todo bem cuidado e bonitinho, a cara dela.
- Quanto deu? - perguntei para o taxista.
- Vinte libras - ele respondeu.
Peguei duas notas de dez libras e entreguei para ele.
- Obrigada - agradeci com um sorriso cordial.
- Eu que agradeço - o senhor de idade retribuiu meu sorriso.
Saí do taxi, passei pelo jardim da frente e subi a escada de quatro degraus que dava para a porta. Toquei a campainha.
Eu já estava quase desistindo e indo embora quando, depois de minutos, ouvi o barulho da chave abrindo a porta.
Não foi que abriu a porta, nem . Foi . Eu já devia adivinhar, estava sempre em todos os lugares. Se existe essa coisa de destino, ele conspira em juntar eu e . Só pode. A não ser que seja algum tipo de vidente e por isso sempre aparece nos lugares que eu vou, mas acho mais provável a coisa do destino.
- Hm... Oi - falei sem jeito.
- Oi - respondeu com a voz calma.
- A está? - perguntei da forma mais convincente possível, como se ele não me afetasse.
- Aham. Pode entrar - abriu a porta completamente e me deu espaço para entrar. À minha frente estava a cozinha, e à minha direita a sala. Logo percebi que estava sentada no sofá verde escuro; sua cabeça estava baixa, apoiada nos cotovelos, e seu rosto estava coberto por suas mãos.
- Quem chegou, ? - ela perguntou com a voz abafada e chorosa.
- A - ele respondeu. Ao ouvir meu nome, levantou a cabeça na hora. Seu rosto estava todo vermelho e seus olhos, normalmente grandes, estavam pequenininhos de tanto chorar.
- Ah, - fui rápida em sua direção e a abracei forte. Ela chorou em meu ombro.
- Ai, , eu estraguei tudo - ela falou entre soluços.
- Calma, calma – consolei, passando a mão carinhosamente por seus cabelos.
Olhei para , preocupada. Ele fez uma cara triste. Só pra comentar: triste e muito fofa. Em outra situação, eu teria até apertado suas bochechas.
Ficamos assim por um tempo, até desfazer o abraço. Limpei suas lágrimas com minha mão.
- Obrigada - ela sorriu triste.
- , foi aquela ligação, não foi? – questionei, franzido a testa - Não acredite nela, não tem cabimento...
- Eu sei, - ela me interrompeu com a voz baixa - Recebi sim a ligação, mas é claro que não acreditei. Eu sei que não há nada entre você e o . Acredito em vocês dois, não em uma ligação anônima ridícula.
Suspirei aliviada. Não que isso fosse me fazer ficar menos puta com a anônima. Quer dizer, com Jenny.
- Então o que aconteceu? - perguntei. Agora eu não estava entendo nada. Se não era pela ligação, por que estava tão mal assim?
- O terminou comigo - ela respondeu e começou a chorar de novo.
- Como assim? Mas por quê? – indaguei espantada.
- Depois te conto - ela lançou um olhar na direção de , que agora estava indo para a cozinha. Entendi na hora: ela contaria depois, quando não estivesse presente.
- Está bem - concordei.
- , você se importa se eu der uma saída? Preciso muito fazer uma coisa.
- Claro, tudo bem - ela sorriu fraco - Você tem como ir?
- Ah, eu chamo um táxi - dei de ombros. Eu praticamente vivia de táxi. E de caronas.
- ! - o chamou.
- Quê? - ele respondeu, aparecendo na sala com uma lata de cerveja na mão.
- Dê carona para a - ela disse.
- Não, não! Não precisa - falei rápido.
- Claro que precisa - rolou os olhos e falou para - Por favor?
- Mas e você? Vai ficar sozinha? - perguntou, tentando escapar.
- Eu preciso ficar sozinha - corrigiu, determinada a fazer me dar uma carona. Por quê?
- Está bem - suspirou derrotado; se voltou para mim – Então, vamos? - e pegou as chaves de seu carro.
Assenti para ele e falei para :
- Até mais. Melhora, tá?
- Eu vou - ela sorriu com os olhos marejados.

Saí da casa de , e já me esperava dentro de sua BMW. Atravessei a rua e entrei no banco passageiro.
- Pra onde você vai? - ele perguntou, ligando o carro.
- Camden Town - falei o bairro da casa de Jenny.
- Beleza - respondeu, saindo com o carro, e logo depois ligou o rádio. Tocava uma música erudita, e mudou para outra estação. Na outra, tocava uma música reggae. Entortei a boca. Não achei que fosse ver, mas ele viu e deu risada de minha reação. Mudou de novo de estação. Reconheci a música na hora.
- Deixa aí! - falei animada. Eu amava Can't Stand It, do Nevershoutnever. (N/A: Coloque pra tocar!)

Baby I love you
I never want to let you go
The more I think about
The more I want to let you know
That everything you do
Is super fucking cute
And I can't stand it


- Ah, eu conheço essa música - falou, sorrindo.

I've been searching for
A girl that’s just like you
Cause I know
That your heart is true


Eu cantava junto com a voz do Chris Drew, e logo começou a cantar junto.

Baby I love you
I never want to let you go
The more I think about
The more I want to let you know
That everything you do
Is super duper cute
And I cant stand it


Paramos no farol e olhou pra mim, sorrindo enquanto cantava. Retribui seu sorriso, com uma felicidade borbulhando dentro de mim.

Let's sell all our shit
And run away
To sail the ocean blue
Then you'll know
That my heart is true

Baby I love you
I never want to let you go
The more I think about
The more I want to let you know
That everything you do
Is super duper cute
And I can't stand it


A cada verso, nós cantávamos mais alto.

You, you got me where you want me
Cause I'll do
Anything to please you
Just to make it through another year

You, I saw you across the room
And I knew, that this is gonna blossom
Into something beautiful
You're beautiful


cantou a última parte olhando diretamente em meus olhos. Senti minhas bochechas esquentarem.
Desviei meu olhar, envergonhada, e voltou a olhar para frente; agora passávamos na frente do London Eye.

Baby I love you
I never want to let you go
The more I think about
The more I want to let you know
That everything you do
Is super duper cute
And I can't stand it

Baby I love you
I never want to let you go
The more I think about
The more I want to let you know
That everything you do
Is super duper cute
And I can't stand it
No I can't stand it, no I can't stand it


Quando a música terminou, nós começamos a rir.
Isso mesmo, eu e estávamos rindo juntos! Percebi o quanto o som daquela risada me fazia falta.
- Então... - falou, procurando um assunto.
- Então? - fiz uma cara pensativa
Agora tocava Who Knew, da Pink, na rádio.
- Então, o que você está indo fazer em Camden Town? - perguntou, enquanto fazia a curva.
- Resolver assuntos inacabados - falei vagamente.
- Que tipo de assuntos inacabados? - perguntou, curioso.
- Preciso colocar uma pessoa no seu devido lugar – falei - Digamos que preciso por a vaca no pasto.
Eu sei, minha metáfora foi uma bosta! Mas vocês entenderam, né? Jenny é a vaca.
Corrigindo: Jenny é uma vaca.
- Acho que alguém está com ódio reprimido aqui - brincou.
- É, acho que sim - sorri.
- E o que você vai falar pra essa vaca? - perguntou ele. Percebi que estava muito mais bem humorado agora. Quando saíamos da casa de , ele estava meio “Que droga, não quero ter que dar carona pra ela”, e agora ele estava com um sorrisinho torto no rosto, de quem está se divertindo.
Obrigada, Chris Drew.
- Não sei ainda - eu disse, sincera - Mas tenho o pressentimento de que vou explodir na hora.
Eu era assim: controlava-me bastante, mas uma hora tudo saía de supetão.
- Eu tenho certeza que você vai fazer isso - opinou, divertido.
Isso fez com o sorriso que já estava no meu sorriso aumentasse ainda mais. Como assim, eu estava conversando amigavelmente com ? Pra melhorar só faltava nós estarmos no Caribe, como no meu sonho.
- , eu posso fazer uma pergunta pessoal que não é da minha conta? - mordi o lábio, indecisa. Eu estava muito curiosa pra saber o que tinha ido fazer na casa de . Não dava pra controlar, assim como não dava pra controlar minha imaginação que se perguntava o que tinha sentido ao saber que rompera com , e se ele ia tentar voltar com , agora que ela estava livre e desimpedida.
- Vai em frente - ele deu de ombros e ultrapassou a lesma (um Passat vinho) que estava na nossa frente.
- O que você foi fazer na casa da ? - perguntei tudo de uma vez, antes que a coragem fosse embora.
hesitou em responder. Ele parecia estar pensando no que falar, medindo as palavras. Me olhou de rabo de olho, um olhar com uma mistura de humor e desconfiança.
Engoli em seco.
- Desculpe pela pergunta, não precisa responder se não quiser - falei baixinho, temendo.
- Não, tudo bem - balançou a cabeça, com um sorriso brincando em seus lábios - Eu só estava me perguntando o porquê da pergunta.
A resposta sincera seria: Porque mesmo que eu não queira, fico com uma ponta de ciúme quando te vejo com ela, visto que eu ainda sou apaixonada por você, .
Mas como não sou corajosa o bastante para admitir isso a , respondi:
- Por nada, só curiosidade.
- Hm - fez a maior cara de descrença possível - Eu fui à casa da chamar ela e o pra sair. Eu ia chamar o , , e também.
Fiquei aliviada por saber que seria com mais gente, mas também nasceu um buraco no meu estômago. Que legal, ia chamar todos os meus amigos pra sair, menos eu.
- Ah - eu não tinha o que falar.
Ficamos um momento sem falar, o único barulho que vinha era o da rádio, que agora tocava a música Waka Waka. Fiquei com vontade de dançar, eu sabia fazer aquela coreografia do clipe.
- Ainda não me conformo com a campanha da Inglaterra na Copa do Mundo - comentou, se referindo em como eles tinham ido mal esse ano na copa.
- Nem eu, fiquei decepcionada - concordei.
Começamos a falar de futebol. Eu gosto de futebol, apesar de não entender tudo. Só entendi esse ano o que é impedimento.

Finalmente chegamos em Camden Town (o bairro de Jenny) e dei as coordenadas para chegar à casa dela.
Paramos em frente a uma antiga e bem cuidada casa azul claro, com pedras mineiras abaixo das janelas.
- É aqui – suspirei, conferindo o número da casa - Obrigada pela carona, .
- Calma, , vou com você - deu uma risada, achando graça da situação.
- Sério, , não precisa - saí do carro e bati a porta; , teimoso, fez o mesmo.
- Sério, , eu vou com você - ele insistiu e travou o BMW. Rolei os olhos; até que era bonitinho querer me acompanhar. Atravessamos a rua.
Na frente da casa tinha um jardinzinho cheio de orquídeas e uma escada feita de pedra mineira, também com quatro degraus que levavam para a porta. Toquei a campainha.
A porta não demorou a ser aberta pela própria Jenny Cooper. Ela vestia um tubinho tomara que caia cinza e scarpim de camurça da mesma cor, o cabelo ruivo estava preso e ela usava uma gargantilha prata no pescoço.
- O que você está fazendo aqui? - ela sibilou.
- Quero falar com você - respondi.
- Não vai dar, querida, pois caso você não tenha reparado, eu vou sair - Jenny sorriu cínica e apontou para si mesma.
- Que pena, porque eu vou falar agora. Relaxa, querida, serei rápida - sem ser convidada, entrei na casa.
entrou atrás de mim; ele me abraçou de lado, pousando sua mão em meu braço. Eu sabia que fazia isso para me dar força. O contato da pele dele com a minha me causou choques elétricos.
A mãe de Jenny, uma bondosa senhora com um rosto de traços bonitos já envelhecidos, apareceu na sala. Seus olhos me focaram e ela deu um grande sorriso.
- , meu amor! Quanto tempo eu não te vejo, nem a ! - ela foi na minha direção e eu a abracei.
A Sra. Cooper era um doce de pessoa, ela não merecia a filha que tinha.
- Olá, Sra. Cooper - me afastei para olhá-la no rosto - É verdade, não nos víamos faz tempo. É que as coisas estão muito corridas.
- Sim, entendo. A Jenny também não pára em casa - ela olhou sorrindo para a filha, que retribuiu o sorriso - Ela tem um encontro daqui a vinte minutos!
- Sério? – perguntei, olhando para Jenny como se ainda fossemos amigas - Com quem?
- Um rapaz de fora da faculdade, você não o conhece - Jenny sorriu amarelo.
- E quem é esse belo rapaz? - a Sra. Cooper correu os olhos pelo rosto de . , que agora não estava mais com a mão no meu braço, infelizmente.
- . Prazer, Sra. Cooper - sorriu simpático e a cumprimentou com um aperto de mão.
- Bem, vou trazer um café para você e sua namorada - ela disse educada.
CALMA, ela se referiu a mim como a NAMORADA do ? Oh, céus. Quem me dera se fosse verdade.
- Obrigada, mas não precisa - falei atordoada.
- E você, querido? - a Sra. Cooper perguntou, gentil, a .
- Não, obrigado.
- Está bem, vou deixar vocês jovens sozinhos - a Sra. Cooper sempre tinha no rosto aquela expressão bondosa de vovó. Assim que ela se retirou, Jenny disse, com uma expressão contraria a da mãe, uma expressão assassina:
- Vamos subir para o meu quarto.
Eu e a seguimos quietos até seu quarto, onde ela fechou a porta para que sua mãe não ouvisse o que falaríamos.
- Desembucha, , o que você quer?
- Quero acabar com isso, Jenny, quero que você deixe eu, e meus amigos em paz - falei firme.
- Ah, tá - ela falou sarcástica.
- Essa sua vingança sem motivo é patética, isso mostra o quão imatura você é.
- Sem motivo? -Jenny respondeu, cética - Por sua culpa eu ouvi todo mundo me chamando de corna na faculdade, sua piranha.
- Se te chamam de corna, a culpa é sua. Você que espalhou pra faculdade toda que eu e tínhamos um “caso”- fiz aspas, com as mãos, no ar.
- , pode parar de mentir. Você não engana ninguém - ela acusou, ríspida.
Impressiono-me com a burrice das pessoas. É verdade o que dizem: as pessoas só acreditam no querem acreditar.
- Dude, primeiro você me difamou pra toda universidade, vários colegas da minha classe vieram me perguntar se era verdade o boato entre mim e , que por acaso você que espalhou. Você fez o Dylan parar de falar comigo e ficar contra mim. E ainda por cima, você estava me espionando ontem! - eu chegara à conclusão que só podia ter sido Jenny que estava me observando - Mas pior de tudo, você se intrometeu na minha relação com Derek, fazendo aquela ligação anônima e, não satisfeita, você ainda ligou pra , tentando atrapalhar o namoro dela e do ! Você é uma vaca nojenta.
Cuspi todas as palavras para fora e, como previsto, explodi.
- Eu fiz tudo isso mesmo, e faria de novo - Jenny confirmou, sem mostrar um pingo de arrependimento ou remorso - E pode ter certeza, ainda nem comecei.
- Não se atreva...
- A fazer o quê? O que você vai fazer pra me impedir? - ela riu, debochando de mim.
Bem nessa hora a porta do quarto se abriu, revelando a mãe de Jenny, e por trás um rapaz na casa dos 30 anos. Era alto, tinha cabelos curtos castanhos, barba mal feita e olhos verde-azulados. Reconheci na hora.
- Jen, o Garrett chegou - a Sra. Cooper avisou.
Garrett Ward, o professor da faculdade de matemática da universidade. O professor mais assediado, aquele por quem todas as alunas morriam. Jenny me contara muitas vezes como ele era lindo e blá, blá, blá.
- Oi - ele sorriu de um jeito fofo para Jenny e beijou sua bochecha. Então só podia significar que... O ENCONTRO DE JENNY ERA COM O PROFESSOR WARD!
- Ah, oi, Garrett - Jenny murmurou, constrangida por ter sido pega no flagra!
- Garrett, essa é , amiga da Jenny, e , o namorado dela – a Sra. Cooper nos apresentou. O Prof. Ward não me reconheceu, afinal, ele não dava aula pra mim e existiam milhões de alunos na universidade.
- Prazer - ele sorriu e apertou a minha mão, depois a de .
- O prazer é nosso - falei sorridente, pois agora eu ria por dentro.
- Mãe, Garrett, podem nos dar um minuto a sós? É rapidinho - Jenny pediu.
- Ah, claro - Prof. Ward deu de ombros e logo nós três estávamos sozinhos novamente.
- Bem, acho que temos um acordo. Eu não falo pra diretoria da universidade sobre você e o Sr. Ward, em troca você deixa eu e meus amigos em paz. Você nunca mais vai se meter na minha vida ou na de , e vai falar pro Dylan que tudo que você disse sobre mim e é mentira - sorri vitoriosa. Talvez isso pudesse ser chamado de chantagem, mas eu estava pouco ligando - Feito?
- Feito - Jenny falou séria.
- Me leva até a porta? - perguntei para irritá-la, que me fuzilou com os olhos.
Bem feito!
Na sala, a Sra. Cooper e Ward nos esperavam. Despedi-me amigavelmente dos dois, e falsamente de Jenny.

Assim que eu e entramos em seu carro, ele disse:
- Wow, , você arrasou com ela!
- Acho que ela nunca mais vai se meter comigo – concluí, feliz e orgulhosa de mim mesma.
- Só não entendi uma coisa: qual problema dela estar saindo com esse tal de Garrett? - perguntou confuso enquanto ligava o carro.
- , Garrett Ward é um dos professores da Jenny - expliquei.
- Ah, entendi - falou, raciocinando - Mas o que aconteceu, afinal? Você falou de umas ligações, fiquei boiando.
- É que, assim, a Jenny ligou pro Derek, falando que eu o fazia de trouxa, porque eu estava com o . Depois ela ligou para a também. , quer atitude mais infantil que essa? - indaguei.
- Realmente - falou, parecendo distante. Ele hesitou, mas depois continuou - Já que você me fez uma pergunta pessoal, vou fazer uma também.
- Pode fazer - dei de ombros.
- O que você tem com esse cara? - como paramos no semáforo, virou seu rosto para olhar em meus olhos.
- Derek? – perguntei, franzido o cenho. assentiu - Não sei. Ele é meu ex-namorado, nós terminamos faz quase três meses - respondi constrangida. Por favor, não! Eu já tinha falado de para Derek, agora eu teria que falar de Derek para ? Que encruzilhada - Ele estava nos EUA, voltou há algumas semanas e nós saímos pra conversar.
- Sei, ele é aquele cara que te buscou no churrasco do ? - não olhava mais para mim, já que o semáforo abrira.
- Hm... É - engoli em seco. Que tal mudarmos de assunto?
- Pra onde você vai agora? Estamos chegando no centro - disse, mudando de assunto. Ah, obrigada! Minhas preces foram ouvidas.
- Não tenho ideia. Eu queria falar com , mas não faço a mínima ideia de onde ele possa estar - respondi.
- Liga pra ele - sugeriu com aquela cara de óbvio.
Fiz o que disse, mas adivinhem? Depois de oito toques, caiu na caixa postal. Optei, então, por mandar uma mensagem perguntando onde ele estava.
Um minuto depois, veio a resposta: No boliche do shopping.
- Ele está no boliche do shopping - informei . Só um shopping em Londres tinha boliche, o resto dos boliches ficavam fora de shoppings.
- Ótimo, é a poucas quadras daqui - sorriu satisfeito.
Respondi a , dizendo que estaria lá em 15 minutos.
Assim que chegamos, , ao contrário do que eu pensava, não parou na entrada do shopping, mas entrou no estacionamento.
- , o que você está fazendo? - perguntei intrigada. Ele pretendia me acompanhar de novo ou era só impressão minha?
- Ué, eu quero comprar meias, não posso? - ele perguntou divertido, contendo o riso.
- Claro - falei irônica e sorri.
Entramos no shopping e, como o previsto, foi comigo até a entrada do boliche.
- Por que você não fica? - perguntei esperançosa.
- Não vai dar, deu um problema na gravadora e me pediram pra ir lá hoje à tarde - ele fez uma careta.
- Bem, obrigada, , obrigada mesmo. Você não tinha a obrigação de me dar carona, de entrar comigo na casa da Jenny e muito menos de me trazer até aqui. Ainda mais depois do que aconteceu...
- Calma, - ele riu e colocou a mão na minha boca para que eu parasse de falar - Eu vim porque eu quis, não porque a praticamente me obrigou; outra, eu não ia te deixar sozinha. Quanto ao que aconteceu entre nós, depois a gente conversa sobre isso. O que você acha?
- Eu adoraria – murmurei, hipnotizada pelos olhos de . Como eu poderia esquecê-lo quando ele me olhava desse jeito intenso, quando sorria torto pra mim ou quando falava essas coisas?
- Então, até mais - sorriu daquele modo que só ele sabia sorrir.
- Até - falei toda boba e ele se virou pra ir embora.
- Manda um abraço pro - exclamou já de longe. Observei ele subir a escada rolante e suspirei. Não era justo me deixar assim.

Entrei no boliche e avistei no balcão, comendo um sanduíche e bebendo coca-cola.
Andei silenciosa por trás e cobri seus olhos com minhas mãos.
- - ele falou com humor na voz.
- Você sempre acerta – resmunguei, sentando ao seu lado.
- Sou foda, fazer o quê? - sorriu.
- , o que aconteceu? - fui direta.
- Eu terminei com a - ele falou cabisbaixo - Não estava dando certo, .
- Não entendo, , até poucos dias atrás estava tudo bem. Anteontem, eu me lembro de ter te ligado e você me disse que dormiria lá na casa dela.
- E estava. Mas depois eu pensei muito, . A ainda não esqueceu o , isso é óbvio. Qualquer idiota percebe. Não vou continuar com uma mulher que ainda tem sentimentos pelo ex - ele levantou os olhos e fez uma cara triste.
- Ai, , eu sinto muito – abracei-o – Mas acho que você está certo.
- Relaxa, estou bem - sorriu amarelo – Por que você não liga para a e pede pra ela e o virem pra cá? Aí a gente pode jogar.
- Vou fazer isso.
Fiz o que pediu e contei resumidamente toda história à , que estava totalmente alheia. Meia hora depois, ela e chegaram.
Divertimo-nos muito e fizemos esquecer seu problema com .
Primeiro jogamos eu e versus e , depois foi eu e contra e .
Pra quem visse a cena de fora, achariam que nós estávamos em dois casais.
Eu e , assim como e , somos a própria viva que existe sim amizade verdadeira entre homem e mulher.

Capítulo 21 - I'm a little drunk, and I need you now

- Ai, caramba, tô tonta - resmungou do banco da frente.
- Por que será? - perguntei irônica. tinha bebido mais do que devia. Eu, ela e tínhamos ido pra uma balada/barzinho e agora iria nos deixar em nossas respectivas residências.
- Ah, qual é? Eu não exagerei, não é minha culpa ser fraca pra bebida - respondeu - E geralmente o está comigo pra me controlar.
- Own - eu e fizemos juntas.
- Que fofo, o toma conta do quanto a bebe - disse com uma voz ultra forçada meiga.
- Agora me digam se o não é perfeito? - sorriu derretida. Eu estava apoiada no banco das duas para poder vê-las melhor.
- Seu marido perfeito deve estar bêbado agora com os outros dois - comentou, levando um soco no ombro de - Ei, não me atrapalha, sua bitch, eu tô dirigindo!
- Quem manda falar do meu Mister ? - disse, toda alegre pelo efeito da bebida. Quem mandou virar a tequila em dois segundos?
- Mas é sério, certeza que aqueles três estão bêbados! - comentei divertida. Pense comigo: + + + bar = muita bebida a noite toda.
- Concordo - disse.
- Dois - concordou também.
- Nossa noite só de mulheres foi ótima, quem precisa deles? – falei, me deitando no banco de trás. Tá, eu devia colocar o cinto de segurança.
Já que tínhamos saído entre meninas, os rapazes resolveram fazer o mesmo e sair só entre eles. Só e não tinham ido, porque eles iam fazer sei lá o que.
- Gente, sério, obrigada por terem feito isso por mim hoje - falou gentil. O principal motivo para nós termos feito essa noite feminina era pra tirar da fossa.
- Não foi nada, , você precisava sair e se divertir - falei sorrindo e me sentei pra colocar o cinto. Viram? Sou uma moça correta.
- É! A gente não ia te deixar em casa na fossa! - falou com a voz animada demais para o momento, e nós rimos com isso.
- Obrigada mesmo. Eu já disse que amo vocês duas, vacas? - disse emocionada.
- Ain, a gente te ama também - riu - Caraca, tô começando a ficar com sono!
Quando estava com sono ela ria por tudo. Ainda mais em um momento em que ela estava alegre assim.
- Ok, , você está entregue - parou no meio fio, à frente do meu prédio.
- Valeu pela carona, - dei um beijo na bochecha dela e outro na de - Até mais! E, , vê se dorme bastante, hein!
- Pode deeeeeixar! - acenou, molenga.
- Tchau, - sorriu.
Saí do carro e bati a porta. Acenei para as duas quando o porteiro abriu o portão e entrei no edifício.

Logo que cheguei ao meu apartamento, tirei a maquiagem com demaquilante e lavei o rosto. Despi a saia de cintura alta e a regata que eu usava e entrei no banho. Depois que saí do mesmo, borrifei perfume no pescoço e colo, passei o desodorante e coloquei uma camisola baby doll fresquinha. Fazia um calor insuportável essa noite.
Foi só eu entrar pra dentro dos lençóis e apagar a luz para um barulho estranho vir da sala. O barulho era como se algo tivesse caído ou alguém tivesse esbarrado em um móvel.
Ladrão.
Eu não tinha nada que pudesse me proteger, então teria que improvisar. Tateei as gavetas da escrivaninha e peguei a lanterna que se encontrava na terceira gaveta de cima para baixo. Rapidamente, saí da cama e dei passos silenciosos até chegar à sala.
Meu plano era simples: eu estava andando com a lanterna nas mãos, pronta pra bater no ladrão. Quando fizesse isso, eu meteria um chute com o joelho no estômago do cara. Não me pergunte o que eu faria depois disso. Talvez eu batesse com a lanterna na cabeça dele pra ele desmaiar e eu chamar a polícia.
Agora era a hora de usar o instinto.
Foi quando uma voz cochichou:
- ? Cadê você?
QUÊ?
Liguei a luz da lanterna. A luz foi na direção do rosto de , que se cobriu com as mãos.
- , você me deu um susto! Como você entrou aqui? - estiquei o braço e acendi a luz da sala, e logo depois desliguei a lanterna.
- A porta estava aberta - deu um sorriso bobo.
Passei por ele para ir até a porta e senti um forte cheiro de álcool vindo dele. Minhas suspeitas estavam confirmadas sobre o bar.
Tranquei a porta e voltei onde estava , que se sentara no sofá.
- O que você está fazendo aqui a essa hora? - perguntei, me sentando ao seu lado.
- Eu queria te ver - falou risonho e se deitou, apoiando a cabeça no meu colo.
Ok, estava bêbado.
- Você não dirigiu até aqui, né? - perguntei. Minhas sobrancelhas se juntaram em uma careta preocupada.
- Não, não. Vim de taxi, o e o foram também - respondeu. Sorri aliviada. Seria um perigo pra sociedade e pra eles próprios se um daqueles três estivesse dirigindo.
- Que bom - não resisti a tirar o cabelo todo desarrumado da testa de . Eu já disse como adoro esse cabelo?
- Você está cheirosa. Você parece um anjo, sabia? - ele perguntou. realmente tinha bebido muito pra achar que eu pareço um anjo! Ai, meu Deus!
- Hm, obrigada - agradeci embaraçada.
- ... Nós ainda devíamos estar juntos - falou com a voz séria, porém mole. Olhei nos seus olhos e vi sua sinceridade.
- Também acho - suspirei. Comecei a passar as mãos no cabelo de maternalmente, vendo ele fechar os olhos e sorrir satisfeito. Só não sei se foi porque minha massagem estava boa ou pelo o que eu dissera.
- Não sei por que estamos assim... Eu preciso estar com você, eu te a... - esperei que continuasse a frase, mas em vez disso ele respirou fundo e roncou. COMO ELE PODE APAGAR NESSA HORA?
Bufei. Levantei com cuidado e coloquei uma almofada embaixo de sua cabeça, depois tirei seu all star.
Eu podia ter ficado um bom tempo olhando ali dormindo no meu sofá, com toda sua beleza, mas fui para meu quarto tentar dormir. Tinha sido só ele fechar os olhos pra cinco segundos depois cair no sono. E ainda bem no meio da frase! Custava ter terminado a frase?
Rolei na cama, pensando no que queria dizer. Havia três possíveis opções:
Eu te amo (a que eu prefiro acreditar e acho a mais provável), eu te adoro ou eu te abomino (a qual eu duvido, pelo o que ele dissera antes).
Custei a dormir, mas quando finalmente consegui tive um sonho recheado de beijos com .

Senti minha cama balançando e depois um corpo pulando em cima de mim. Abri os olhos e vi caída em mim. Que bela visão ao acordar.
Ironia.
- , você quer sair de cima da minha barriga? - murmurei sonolenta.
- Bom dia pra você também, disse irônica - Olha, um bilhete! - ela esticou o braço e pegou um papel dobrado da minha escrivaninha, onde estava escrito meu nome em letra maiúscula de forma.
- Hã? - peguei o papelzinho da mão dela. Só podia ser de... !
Levantei, e depois de alguns passos apressados, cheguei à sala. Suspirei frustrada ao ver o sofá onde dormira antes agora vazio. Ouvi os passos de atrás de mim.
- ? O que foi? Você saiu que nem uma louca.
- não está mais aqui, ele dormiu aqui - contei desapontada.
- É, isso explica por que eu o vi saindo do elevador no hall de entrada - comentou casualmente e se sentou no sofá.
- Af, eu não acredito. Que bosta! - me esparramei ao seu lado.
- , abre logo o bilhete do ! - mandona, curiosa e bisbilhoteira.
Abri o bilhete com as mãos trêmulas:

Hey, , desculpe por ontem à noite.
XX

- O que aconteceu ontem à noite, dona ? - eu já disse como é curiosa? E bisbilhoteira?
Eu a perdôo, só porque eu também sou.
- Ele veio aqui logo depois que eu cheguei, e ele tava bêbado! - contei.
- E aí?
- E aí que ele começou a dizer coisas...
- Coisas?
- É. Tipo, ele disse que nós devíamos estar juntos, que precisava de mim e eu acho que ele ia dizer que me amava - contei, sentindo minhas bochechas esquentarem.
- Oh, meu Deus! Como assim você ACHA? - começou a surtar.
Contei a parte em que apagou totalmente, e minha amiga ficou em choque.
- , man, o que você tá esperando? Vai atrás dele AGORA! - eu disse que ela é mandona!
- Mas eu não sei onde ele tá! - falei com aquela voz de chorosa de criança de cinco anos - Há quanto tempo ele saiu?
- Sei lá, faz uns dez, quinze minutos - respondeu indecisa e deu de ombros.
- Er, eu não sei pra onde ele foi - murmurei frustrada.
- Eu já sei como podemos achar o - sorriu enigmática e pegou o telefone do gancho. Ela teclou rapidamente o mesmo.
- Hey, - ela sorriu e saiu da sala para falar com ele. Hã?
Dei de ombros; pelo jeito, iria nos ajudar. Liguei a TV e coloquei na Warner, como sempre. Passava Smallville, me lembrei de uma amiga minha que é apaixonada pelo Tom Welling (N/A - Referência à Tamão linda).
Depois de uns minutos (não sei dizer quantos, eu estava entretida na série, pra ter noção), voltou, com um sorriso de “eu sou foda e muito esperta” no rosto.
- O que você pediu pra ele?
- Pra ele ligar pro e perguntar discretamente onde ele está - se sentou ao meu lado, com o telefone ainda em sua mão.
- Ahh... Mas será que o vai cair nessa? Porque o não é a pessoa mais discreta do mundo - ponderei.
- Er - fez uma careta - Espero que sim.
Não demorou cinco minutos para que o telefone tocasse de novo. atendeu rápido.
- Conseguiu? - ela perguntou - Ah, ok. Obrigada, hihi - então eles começaram a ter uma longa e melosa despedida. Eu mereço – Pronto - desligou o telefone e se virou pra mim - Ele saiu pra comer alguma coisa na Starbucks e agora foi pro parque.
- Qual parque? - perguntei.
- Aquele que vocês sempre iam, animal - respondeu rindo - Agora se troca e vai logo!
- Beleza - fiz o que mandou e fui me trocar rapidamente. Coloquei uma bata branca com listrinhas finas pretas de alcinha bem leve, um coletinho de alfataria preto, um short jeans azul-claro e rasteirinhas. Passei lápis e rímel, coloquei um colar dourado com o símbolo de “Paz e Amor” e penteei o cabelo.
- Tá gatchenha, - falou, fazendo graça.
- Obrigada, delícia - falei do jeito mais sexy possível, fazendo-a rir - Agora, você me dá uma carona?
- , você tem que arrumar um carro logo! - ela pegou as chaves enquanto fazia seu discurso - Você vive de carona.
- EI! Eu ando bastante a pé, pego taxi, e dependendo pra onde vou, pego ônibus ou metrô - me defendi enquanto trancava o apartamento e segurava o elevador.
- Um dia eu vou fazer uma vaquinha com o povo e vou comprar um carro pra você - disse.
- Aaae! - comemorei e pulei em cima dela.

parou o carro na entrada do parque. Olhei para ela nervosa.
- Vai dar tudo certo - ela sorriu, me encorajando - Boa sorte, .
- Obrigada - agradeci sincera - Mesmo.
Saí do carro e acenei para quando entrei.
Agora eu tinha que achar .
Ele devia estar andando por aí, ou ele poderia estar sentado embaixo da nossa árvore. Ou em qualquer outro lugar do parque que, por sinal, é enorme.
O jeito era arriscar.
Fui correndo em direção à árvore. Era engraçado, mas pra mim aquele lugar era marcado. Não era igual às outras trocentas árvores que tinham aqui. Claro que o fato do carrinho de sorvete ficar por ali ajudava bastante.
Parei no meio do caminho, cansada. Apoiei as mãos em meus joelhos. Ufa. Tomei fôlego e voltei a correr. Eu não poderia perder essa chance. Era agora ou nunca.
E eu não iria perder.
Finalmente cheguei, mas não estava sentado embaixo da nossa árvore, como eu imaginara. Olhei em volta. Nada. Nenhum sinal de . E agora? Era impossível percorrer o parque todo e achar . Senti meus olhos lacrimejarem.
- , sua idiota, você não vai chorar - falei comigo mesma e me apoiei, desanimada, na árvore. Controlei as explosões frustradas dentro de mim. Por que eu estava com vontade de chorar?
- O que você está fazendo aqui, ?
Tomei um susto e levei minha mão até meu coração. Girei meus calcanhares para olhar o rosto de .
- Nossa, você me deu um susto, !
- Ah, desculpa - ele coçou a cabeça, envergonhado - Mas então, o que você está fazendo aqui?
- Eu vim te procurar – admiti - Porque ontem...
- Eu fui à sua casa - completou - Foi mal por ter te incomodado, .
Na verdade, não me incomodara. Verdade que tinha sido em um momento bem inconveniente, mas eu gostara de ele ter ido lá. Admito.
Quer dizer, tinha me dito tudo aquilo...
- Não foi incômodo nenhum - dei de ombros.
- Como não? - levantou as duas sobrancelhas, cético - Eu fui à sua casa em plena madrugada e bêbado e não te incomodei?
- Pior que não - respondi, sorrindo de lado. E então aconteceu uma coisa que eu nunca tinha visto. corou. ESTAVA VERMELHO! Achei isso extremamente fofo.
Resolvi tomar coragem e perguntar sobre ontem à noite.
- , tudo que você disse ontem era verdade?
Mordi meu lábio inferior, mais insegura que nunca. Se dissesse que sim, tudo mudaria. Mas se dissesse que não... Bem, aí eu não sei o que aconteceria.
- Era - ele disse simplesmente, me olhando com carinho.
Involuntariamente, eu estava sorrindo. Meu Deus, era tudo verdade! Será que me amava, então? Eu não sabia ao certo o que fazer, mas eu precisava perguntar.
- Ontem, o que você ia dizer quando apagou? - usei toda coragem que me restava mais uma vez.
me olhava intensamente, com aquele brilho no olhar que me deixava sem fôlego. Ele pegou minha mão direita. Fiquei petrificada. deu um passo para frente, então ele me disse calmamente:
- Eu ia dizer que eu te amo e que nunca deixei de te amar nesses anos.
Foi como se fogos de artifício estourassem dentro de mim. Eu explodi em felicidade, uma felicidade sem igual. Eu só podia estar sonhando, isso não podia ser real. Era bom demais pra ser verdade, literalmente. Mas era. tinha dito as três palavras mágicas que toda mulher sonha em ouvir do cara que ama e tinha dito ainda mais. Eu podia ouvir até sininhos tocando.
Eu não sabia o que dizer, eu estava sem fala. Nenhuma palavra era boa o bastante pra descrever o que eu sentia. Contudo, eu sabia muito bem o que podia fazer. Fiquei nas pontas do pé e grudei, sem hesitar, meus lábios nos de em um selinho demorado.
Então, os braços de me contornaram e ele me levantou até eu ficar na mesma altura que ele. Abracei seu pescoço, nossas bocas se separaram e encostou sua testa na minha. Fechei os olhos.
- , você me perdoa? - perguntou, seus lábios roçando nos meus.
- Pelo o quê? - indaguei, débil. Não dava pra raciocinar direito assim.
- Por eu ter sido o maior imbecil com você - abri os olhos, vendo que me fitava. Ele continuou - Por aquele dia no seu apartamento e depois no churrasco do . Eu tentei fazer com que você ficasse com ciúme...
- Era em mim que você queria fazer ciúme? - repeti deslumbrada. Agora minha dúvida havia sido respondida.
- E pra quem mais seria? - franziu a testa, confuso. Eu dei de ombros, sem dizer a única pessoa que aparecia em minha mente - Que seja, você me perdoa?
- Só se você me perdoar por não ter confiado em você. , eu sinto muito. Eu fui tão... Idiota - murmurei. Até hoje me sinto otária por isso.
- Você está perdoada - sorriu aquele sorriso que ele só dava pra mim.
Beijei-o lentamente, aproveitando cada segundo. Não tínhamos pressa. Tínhamos todo o tempo do mundo, e nada mais importava. Era como se tudo ao nosso redor tivesse sumido. Era só eu e , como sempre deveria ter sido. Agradeci mentalmente por estar me segurando, senão eu já teria caído por causa de minhas pernas bambas.
Ele mordeu de leve meu lábio inferior e o puxou.
- , não acha melhor você me pôr no chão? - perguntei sorrindo. Era impossível parar de sorrir.
- Por que, ? - ele não aguardou minha resposta e me deu um beijo de esquimó.
- Porque... - cortei o beijo - daqui a pouco você não vai me aguentar mais e nós dois vamos cair.
- , essa sua descrença pela minha força chega a ser broxante - rolou os olhos e eu apenas ri.
Como eu pedira, me pôs no chão. Ele se sentou apoiado na árvore e eu fiquei no meio de suas pernas, deitando minha cabeça em seu peito.
Fechei os olhos e me senti completamente em paz. No meio da natureza, ouvindo apenas o canto dos passarinhos, com aquele cheirinho de terra, o sol batendo de leve no meu rosto, uma calma brisa e com . Esse era o paraíso.
- , eu não quero que isso acabe - falei meio mole.
- Isso não tem que acabar - ele cochichou na minha orelha. Virei meu rosto para poder vê-lo.
- O que vamos fazer? - perguntei, me referindo a tudo. Estava tudo perfeito agora, mas e depois?
- Eu não sei, . Mas, sinceramente, não quero pensar nisso, tudo o que me importa agora é estar aqui com você. Depois a gente vê o que faz - ele acariciou minha bochecha, me olhando com dúvida - Tudo bem?
- Aham - eu assenti.
Ele sorriu de lado e aproximou com cuidado meu rosto do seu. Beijamo-nos, dessa vez mais intensamente. As mãos de estavam no meu quadril e eu segurava seus cabelos. Então ele me empurrou para trás, me deitando na grama.
Ai, que calor.
Tomei impulso e me virei, saindo debaixo e ficando em cima dele.
- Prefiro assim - sussurrei em seu ouvido e sorriu marotamente.
- Muito esperta você, senhorita - fez uma cara de mau - Mas não mais que eu - e se virou, ficando por cima de mim.
- É o que você pensa, - cerrei os olhos, brincando.
Quando percebi, nós dois estávamos rolando pela grama e gargalhando.
- Pára, , eu tô ficando tonta! - gemi, sentindo tudo girar.
- Sério? Você tá bem, ? - se sentou na hora, com a maior cara de preocupado. Achei isso realmente bonitinho.
- Acho que estou sim - falei, me apoiando em meus cotovelos. Eu via tudo rodando. Fechei os olhos e depois os abri. Isso ajudou um pouco - Só um pouco tonta.
- Senta um pouco e coloca a cabeça entre as pernas - aconselhou. A mão dele estava em meu braço, fazendo carinho. Fiz o que me pediu. Depois de um minuto assim, minha tontura passou.
- Melhorou? - perguntou cuidadoso.
- Aham - eu sorri e o abracei com força.
- Nossa, , o que foi? - ele perguntou, surpreso pelo meu repentino abraço.
- Nada. Eu só estou feliz - eu falei contra seu ombro e minha voz saiu abafada - Muito feliz.
Dude, eu estava no céu.
Eu só não sabia de onde eu estava tirando coragem pra dizer essas coisas. Geralmente eu travo nesses momentos e não consigo falar.
O que estava acontecendo comigo?
- Eu posso dizer o mesmo, - disse e desfez nosso abraço para me beijar de um jeito apaixonado - Vem, - se levantou e me ofereceu sua mão. Peguei em sua mão e ele me puxou, entrelaçando seus dedos nos meus.
- O que você pretende, ? - perguntei desconfiada.
- Andar, ué - deu de ombros, sorrindo torto. Fiz uma careta desanimada - Ah, deixa de ser preguiçosa.
Resmunguei e deu risada com isso.
Andamos silenciosamente por alguns segundos, até eu falar involuntariamente, sem pensar:
- ?
- Hm?
- Eu te amo também.

Capítulos revisados por Mari Alves.


Capítulo 22 - Got a secret can you keep it?

Depois de uma tarde mais que agradável com , cheguei ao meu apartamento nas nuvens. Fechei a porta e me encostei a ela, suspirando apaixonada. Sou uma boba apaixonada.
Fazer o quê?
- ! - ouvi uma voz chamando meu nome. Mas eu estava tão absorta em meu próprio mundo de fantasias que nem me preocupei em reconhecer ou responder a voz.
- Chamando de volta à Terra - uma mão abanou na frente do meu rosto – Volte, terráquea.
- Hã... Oi? - foquei meus olhos em - Ah oi, Tomzinho!
Pulei em seu colo, me segurou surpreso.
- Nossa, o que deu em você?
- Nada, nada - cantarolei.
- Eu sei bem o porquê de ela estar assim - brotou do chão. Maneira de dizer que ela apareceu do nada.
- Conta, então - falou e me levou até o sofá - Tenho que fazer isso - e então ele me pôs no sofá e começou a fazer cócegas em mim.
- Não, não! - berrei desesperada em meio aos meus risos.
- Depois a conta, nós temos um problema maior - estava séria. Isso é uma coisa difícil de ver.
- Ah é, já tinha me esquecido - ficou sério também. O que diabos estava acontecendo?
- O que foi? - indaguei.
- No banheiro está o...
não precisou terminar sua fala, porque a porta do banheiro se abriu revelando Derek.
Oh crap.
- O que você está fazendo aqui? - cerrei os olhos e falei o mais ríspida possível.
Ele não ia estragar o meu perfeito dia, eu não iria deixar.
- Eu só queria... Hm... Conversar.
Pelo jeito eu intimidara Derek.
- Então, , se lembra que eu falei que queria te mostrar meu carro novo? - mentiu. Ele não comprara nenhum carro novo, afinal, seu Jaguar estava em perfeito estado e só tinha dois anos.
- Não lembro, não - negou sem entender a intenção de de deixar eu e Derek a sós.
- Eu te falei sobre isso, , lembra? - pressionou, dando um olhar intimidador. Devo ter dado esse olhar pro Derek quando o vi, só que ainda pior.
- Aaaah claro! Eu lembro - finalmente entendeu.
Os dois saíram rapidamente do apartamento.
Amarrei a cara.
- , eu sei que você deve estar me odiando - ele suspirou.
- Não estou te odiando. Odiar é muito forte - falei indiferente.
- Ah, que bom, pelo menos - uma sombra de sorriso passou por seu rosto. - Eu quero te falar uma coisa.
- Fale - dei de ombros. Quanto mais rápido isso fosse, melhor. Ele se sentou no sofá com certa distância de mim, provavelmente ele temia que eu o socasse se ele chegasse mais perto.
E estava certo.
Brincadeira. Não sou tão má assim.
- Eu sei que tenho errado muito com você ultimamente - ele falou e eu apenas assenti - Mas eu tenho uma proposta. Eu quero recompensa-lá por tudo.
- Como? - arqueei a sobrancelha achando todo esse papo extremamente esquisito.
- , quer casar comigo?

’ POV

Toquei a campainha da casa de . O plano era nós jogarmos vídeo-game e beber cerveja. Essa cena me lembrou o dia em que eu revi pela primeira vez nesses três anos. Eu fiquei tão estressado que a única coisa que me relaxou foi ver futebol e beber com e Antony. O Antony, por sinal, estava há dois meses fazendo uma viagem de mochilão pelas três Américas: Norte, Sul e a Central. Só tenho amigo sortudo, cacete!
- Fala, - ele abriu a porta.
- E aí, ? Está sozinho em casa? – perguntei entrando e depois me esparramando em seu grande e confortável sofá de couro preto.
- Aham. A foi com a ao shopping - respondeu pegando seu controle e me oferecendo o outro.
Olhei para a TV, o menu do PES 2010 já aparecia na tela.
Imagens da tarde voltaram na minha mente. Eu e nos beijando, rolando na grama, rindo juntos. Isso podia soar muito gay, mas eu me sentia melhor do que nunca. As coisas estavam bem entre mim e , e foda-se se estou parecendo uma menininha pré-adolescente apaixonada, é só isso que me importa.
- ? Porra, dude, tô falando com você!
Fui acertado nesse momento pelo controle remoto da TV.
- Que foi, ? - perguntei jogando a merda do controle no saco dele. Só que não chegou a atingir o alvo, porque o pegou antes.
- , é impressão minha, ou você está felizinho demais? Geralmente você teria me mostrado o dedo do meio ou me xingado em vez de jogar o controle na mesma força que uma menininha - riu.
- , eu fiquei com a - falei em transe, mal ouvindo o que ele dissera, eu só queria compartilhar minha felicidade. É, , você é mesmo uma menininha pré-adolescente apaixonada.
- Quando? – escancarou a boca.
- Agora à tarde - respondi no mesmo estado.
- Wow, dude, parabéns - sorriu e abraçou minha cabeça bagunçando o meu cabelo.
- Valeu, . Agora sai pra lá! Que eu não gosto de banana não! - empurrei-o para longe, rindo.
- Achei que você gostasse de mulher banana - caçoou , me soltando.
- Claro, claro - falei sarcástico e ri.
- Falando sério, agora: Você nunca a esqueceu, não é? - perguntou.
- Nunca – assenti sorrindo.
- Dude, não tem muito a ver com o assunto. Mas como você reagiu ao fim do namoro do e da ? - franziu a testa e perguntou cauteloso.
- Não sei - e realmente não sabia. Esse assunto estava ficando desconfortável.
- Você sabe por que eles terminaram? - questionou.
- Não, na verdade - dei de ombros. Que diferença fazia?
- Hum - fez uma cara que eu já conhecia muito bem. Era aquela expressão de quem quer muito contar uma coisa, mas não pode.
- Desembucha, - falei agora curioso.
- Hum... - estava em uma luta interna - Af, está bem - ele cedeu. Isso mesmo, bom garoto.
- Então...?
- Mas não conte isso pra ninguém. A contou pra , que nem podia ter contado pra mim, mas contou. Então ela nem sonha que eu sei.
- , alguma vez eu dedurei ou espalhei alguma coisa sua ou do Poynter? - perguntei rolando os olhos
- Não - ele negou.
- Pois então.
- É o seguinte: terminou com a por tua causa - soltou de uma vez.
- Minha? - repeti surpreso. O que eu tinha feito dessa vez?
- É. acha que ainda não te esqueceu, que ela ainda gosta de você - aparentava estar preocupado. Deixei o controle do vídeo-game cair da minha mão involuntariamente.
- Caralho. Como? - ele só podia estar zoando da minha cara.
- É verdade - fez uma careta do tipo foi-mal-dude-mas-é-isso-mesmo.
ainda gostava de mim? Isso podia ser possível.
Bem, eu a namorara por três anos e ainda amava . Tudo é possível.
- Então, vamos jogar ou não? - mudei de assunto bruscamente. Aquela conversa estava muito desconfortável.
- Vamos. Só me deixa pegar umas cervejas - se levantou do sofá e foi para a cozinha.
- Ow, vamos chamar os outros dois dudes e as meninas? - sugeri esperançoso. Tudo pra ver de novo.
- Hm, sei bem que menina você quer chamar - saiu da cozinha com um sorriso malicioso e quatro garrafas de cerveja, duas em cada mão.
- Claro - dei risada.
- Liga pro povo, então - me ofereceu uma cerveja.
- Beleza - coloquei a garrafa entre as pernas e peguei meu celular.
Algo me dizia que essa noite prometia.

’s POV

Já fazia uns vinte minutos que Derek se fora, mas eu continuava petrificada, sem conseguir mover um músculo ou falar algo para meus dois que amigos que tinham subido assim que ele fora embora.
e estavam ajoelhados na minha frente, apreensivos.
- E se ela tiver entrado nesses estados de choque? - se referiu a mim aflita - Temos que levá-la pro hospital.
- Calma, , não é pra tanto... - disse sem desviar seu olhar de mim.
Meu olhar estava fixo no nada, pisquei e olhei de verdade pros dois.
Resolvi falar, eu não podia deixar meus amigos aflitos desse jeito.
Tentei falar algo lógico e racional como:
- Não preciso de hospital.
- Ó meu Deus, obrigada! - ergueu as mãos para os céus.
- , o que esse cara te fez? Se você quiser, eu vou atrás dele e... - ia dizendo, até eu o interromper.
- Não, não, não! - minha voz saiu muito esganiçada.
- Então o que aconteceu? Por que você tá nesse estado? - perguntou.
- Não sei nem se consigo falar.
Como pronunciar a pergunta de Derek? Como?
- Escreve, então - arrancou uma folha do bloco de notas que ficava do lado do telefone e em cima da mesinha de canto.
- Caneta? – perguntei olhando para os lados em busca de uma.
- Vou pegar - se levantou e entrou no corredor.
- Você realmente tá bem? , você está pálida - indagou.
- Estou, sim - sorri amarelo.
- Pronto - voltou e me jogou uma caneta BIC azul.
Respirei fundo e escrevi em letra de forma: ELE ME PEDIU EM CASAMENTO. Ergui a folha para eles lerem.
Momento de silêncio.
arregalou os olhos e escancarou a boca. tossiu.
- Você tá brincando, né? - falou como se estivesse em transe.
- Pior que não - suspirei triste.
Minhas mãos que até agora estavam fechadas se abriram. Minha mãe direita revelava um anel de ouro branco com um bonito cristal reluzindo em cima.
- Caramba, isso deve ter custado uma fortuna - disse espantando fitando o anel.
- Mas , o que você respondeu? - perguntou intrigada.
- Hã... Que não sabia – balbuciei - Falei que ia precisar de um tempo pra pensar.
- Como? - estava indignada agora - Não me diga que está pensando em se casar com esse cara!
- Não é isso. É só que eu não sabia como dizer “não” sem ser fria ou parecer sem coração - expliquei.
Quer dizer? Como dizer “Não, não quero me casar com você” de um jeito legal? Sem ser uma megera?
- Acho que não tem nenhum jeito bom de dizer “não” - opinou pensativo.
Nesse momento o telefone tocou. apenas esticou o braço para atender o mesmo.
- Alô? - ele disse – Ah, e aí, ?
?
Uma palpitação me veio. Meu coração batia mais forte só de ouvir o nome dele e vinha aquele frio no estômago.
Ocorreu-me que era a segunda vez seguida que ligava pra cá e era quem atendia. Era por isso que muita gente ficava surpresa ao descobrir que não morava conosco. Acho que como ele passa grande parte do tempo aqui, seria justo ele ajudar com as contas. Hm, eu vou propor isso pra depois.
- Ah beleza, as meninas com certeza vão querer ir. Em quarenta minutos, no máximo, estamos aí - disse. Aonde nós iríamos? Eu e nos entreolhamos com dúvida - Até mais, falou - desligou o telefone.
- E aí? Vamos pra casa do ? - se levantou sorrido de lado para nós.
- Você tem duvidas da nossa resposta? - riu.
- É, eu achei que fosse isso mesmo - deu uma risada também.
Resolvemos tomar um banho antes de sair, menos o que é um porquinho. Ele disse que estava com preguiça.
foi primeiro, me deixando sozinha com no meu quarto.
- , você vai contar pro ? - ele perguntou esparramado na minha cama e mexendo no controle da TV a procura de algum canal com algo decente passado. Por fim ele parou no VH1 Mega Hits, ou a extinta MTV Hits.
- Contar o quê? - perguntei debilmente, mais preocupada em ver o twitter do .
- Sobre o Derek, né - disse com aquela voz de dã.
- Ah - a fixa caiu, pensei por uns segundos sobre isso - Não pretendo falar tão brevemente.
- , quanto antes você contar melhor - aconselhou parecendo meu pai.
- Não é, não - me virei para ele. Já tinha fuçado o bastante o twitter do - Nós acabamos de ficar. E eu não sei se realmente estamos juntos. Mas mesmo assim, eu não quero estragar o que está acontecendo, entende?
- Entendo - deu de ombros suspirando pesadamente.
Mordi o lábio, não era a hora de contar para . Eu estava certa disso.

Capítulo 23 - Some call it science, we call it chemistry

Eu não podia estar mais feliz.
Afinal, ali estava eu com sete amigos lindos ao meu redor que eu amo muito. E para melhorar, nós assistíamos a um dos filmes mais engraçados da história: Se beber, não se case.
Mas o melhor de tudo era estar sentado ao meu lado no confortável sofá do , com as nossas mãos discretamente entrelaçadas desde o começo do filme (que agora já estava na cena do casamento). Isso, sim, não tinha preço.
Pra variar, , e eu fomos os últimos a chegar à casa de . Quando cheguei, me cumprimentou com um demorado e gostoso beijo na bochecha.
Na hora de e se cumprimentarem, todos ficamos apreensivos desnecessariamente. sorriu amigável para , que retribuiu sem jeito. Depois ele deu um beijo rápido na bochecha dela como se fossem apenas amigos. Ao contrário do que podiam pensar não estava zangado com ela. Ele sempre fora muito compreensivo.
Falando neles, eu tinha a dúvida na cabeça, se sabia o motivo da separação dos dois. Mas achei melhor não perguntar, afinal, tudo estava tão bem entre nós, pra que arriscar? O caso de Derek era a mesma coisa. Pra que contar ao sobre o pedido de Derek? Eu não ia arriscar tudo justo agora. Além do mais, minha decisão já estava feita. Eu diria “não” ao Derek, o único problema era encontrar um jeito de dizer sem magoá-lo muito. Porque convenhamos, não há como dizer “não” sem magoá-lo. Nem que eu usasse a velha frase clichê “Não é você, sou eu”, Derek sairia machucado.
De qualquer modo, depois que chegamos, resolvemos jogar futebol no Playstation 3 do . Fizemos um mini-campeonato. Primeiro jogou contra , ganhou. Segunda partida: Eu versus . Com dificuldade ganhei de um a zero. não ficou muito feliz por ser derrotado por uma mulher. Depois foi a vez de versus , ganhou de goleada. E por último e , que perdeu.
Na semifinal foi contra eu. Adivinha quem ganhou? Claro que foi o , ele joga isso o dia todo! E também ganhou de . Na final, em uma disputa acirrada, perdeu para . Segundo , não foi justo, ele disse que roubou. Claro, cof, cof.
Ah, tenho que admitir, foi engraçado ver sendo zoado por !
E então, depois disso, começamos a ver o filme.
Agora passava os créditos e enquanto isso, do lado, mostrava as fotos da despedida de solteiro em que Phil, Doug, Alan e Stu estavam drogados, já que o Alan colocara sonífero na bebida deles. Minha barriga doía de tanto rir.
Dica: esse não é um filme para se ver com seu irmão mais novo, porque tem umas cenas... Digamos que tensas.
Logo que o filme acabou comentamos sobre as partes engraçadas (ou seja, quase o filme todo em si) e eu descobri que fazia uma imitação de voz do Alan muito idêntica!
- Ei, quem tá a fim de jogar poker? - perguntou, pegando o barulho da estante da TV.
- Ah, poker não, é muito complexo. - fez bico.
- Vamos jogar truco então. - sugeriu.
- Isso, truco! - disse animado, seus olhos brilhavam de animação. Ele parecia essas criançinhas loucas para abrir seu presente de natal.
- Quem vai jogar? - perguntou olhando para cada um de nós. Ele se demorou mais no meu rosto. Eu soltara minha mão da dele assim que acenderam a luz. Não que eu quisesse fazer isso, mas era preciso, né. No entanto, pareceu entender, porque ele fez um biquinho de charme assim que soltei sua mão.
- Não tô a fim. - disse preguiçosamente.
- Nem eu. - concordou .
- , se você não ia jogar, porque reclamou do poker? - indagou.
- Ah, sei lá. - ela deu de ombros.
- Ok, vamos ignorar a . - disse divertida. - Quem joga com quem?
- Me ignorar? Por quê? - perguntou indignada.
- Por nada, , senta lá. - falei abanando a mão e me referindo ao sofá. fez uma careta de contragosto e meus amigos riram.
- Como eu dizia: Quem joga com quem? - repetiu .
- Eu vou com o . - disse na hora.
- Claro que vai. Vocês dois sempre ficando tramando. - apontou para e acusatoriamente.
- Nós? Tramando? Claro que não, . - se defendeu falsamente.
- Então, vai ser e , eu e a ? - deduziu.
- Não, não! Eu não quero ir com o . - falou sorridente.
- Nossa, amor, valeu, hein? - agradeceu sarcástico.
- É que é mais sexy você ser meu oponente. - explicou rindo.
- Hm, aposto que o vai gostar. - entrou de gansa na conversa e disse maliciosa.
, sempre maliciosa.
Era por isso que sem ela saber, eu e deduzimos que ela é igual ao Howard de The Big Bang Theory: sempre pensando no lado malicioso das coisas. E que quando ela ficar velha, vai ser que nem a Dona Brígida, uma velha safada de uma novela brasileira que passa em um canal da televisão.
- Sem comentários, . - dei risada enquanto ela recebia um dedo do meio de .
- E pensar que alguns anos atrás, a era apenas uma menina pura. - comentou balançando a cabeça negativamente, como se a repreendesse.
- Na verdade, ela nunca foi pura. - corrigiu . - Nunca.
Nós ficamos mais um tempo de bobeira até começarmos a jogar. No final, ao contrário do que prevíamos, os vencedores de mais partidas não foram e , e sim eu e !
- Quero revanche! - disse sem acreditar que havia perdido.
- Ganhei duas vezes do hoje! - riu vitorioso.
- Vai tomar no cú, . - resmungou.
- AAAÊÊ! - berrei feliz, fazer o quê? Sou uma pessoa competitiva que adora ganhar! - É nóis, !
- Somos fodas!
e eu fizemos o toque que havíamos inventado antes do jogo.
- vai ficar insuportável agora que ganhou. - brincou .
- Ei, que ultraje! - fingi estar ofendida.
- Ultraje? - riu . - Quem fala “ultraje”?
- Ei, algum problema, ? - o encarei fazendo minha maior cara assustadora, isso fez os demais rirem.
- Nunca tive tanto medo da como agora. - disse com os olhos arregalados.
- Muahaha, que bom que eu imponho medo! - dei uma risada maquiavélica e fiz minha melhor cara de maníaca.
- NOSSA! - começou a gargalhar se dobrando para frente.
- , depois dessa, vai embora, por favor. - disse rindo.
- É, , faça algo útil. - disse em meio as suas risadas.
- Já que não me querem, eu vou embora então. - levantei fazendo charme.
- Já vai tarde. - zoou .
- Obrigada pelo carinho, - agradeci irônica e dei um pedala nele.
- Ow, alguém tá a fim de comer pizza? - perguntou de repente. Houve uma algazarra de gritos animados de “SIM”. O desespero geral me fez pensar em como somos todos gulosos e gordos. Isso sim!
- Liga aí, . - mandou.
- Por que eu ligaria? - arqueou a sobrancelha.
- Porque eu sou o dono da casa e eu que mando, além do mais, você que teve a idéia. - respondeu prático.
- Eu não...
- Deixa que eu ligo. - simplificou as coisas interrompendo que sorriu feliz. Preguiçoso.
- Vou pegar os pratos. - falei eficiente.
- Eu ajudo. - disse rapidamente.
- HMMM... - super discreta.
- É, pra isso o não tem preguiça. - super safado.
Muito obrigada e .
- Hã? Como assim? - perguntou olhando para os lados em busca de uma resposta.
Saí rápido para a cozinha para evitar respostas e me seguiu. Bufei, se antes só e sabiam que eu tinha ficado com (de novo), agora todos deviam ter percebido. É claro que já podia ter cantado pro (porque o obviamente não sabia), mas os outros: , e não sabiam. E eu preferia que tivesse ficado assim. Por quê? Porque eu não queria em hipótese nenhuma magoar os sentimentos de .
- Tudo bem, ? - perguntou. Sua mão quente estava no meu ombro e sua voz sussurrou ao pé do meu ouvido. Tremi arrepiada. era tão... sexy.
- Está sim. – suspirei e me virei de frente para ele. Cruzei minhas mãos em volta de seu pescoço e sorri o mais convincente possível.
- Não acredito. - ele disse sério, não bravo. Sua mão livre acariciou meu rosto e eu fechei os olhos, deliciada com seu toque.
- Sou uma mentirosa tão ruim assim? - murmurei de olhos fechados.
Ouvi o som de sua risadinha e senti seu hálito saboroso.
- É.
Abri os olhos e encarei os olhos de . Eles brilhavam e pareciam me penetrar, como se enxergassem além dos meus olhos, como se enxergassem minha alma, meus pensamentos. Agradeci por as pessoas não terem o poder de lerem a mente dos outros, porque se lesse a minha, eu estaria ferrada.
- Não se preocupe com o que os outros vão pensar de nós. Eles são nossos amigos e nos querem felizes. - disse. Era incrível como depois de tanto tempo, ainda parecia saber minhas preocupações e meus sentimentos.
- Eu sei. - respondi. Minha voz saiu baixinha, minha garganta estava seca. Não conseguia mais pensar, tudo que eu queria era beijar .
encostou sua testa na minha e fechou os olhos. Eu o imitei. Então, ele me deu um beijo de esquimó. Até eu me descontrolar e passar minha língua por sua boca fervorosamente. respondeu na mesma ansiedade. E quando dei por mim, eu estava sentada na pia da cozinha com entre minhas pernas. Minha mão passava por baixa da blusa dele e logo ele fazia o mesmo, suas mãos apertando minha barriga. Até eu sentir minha blusa levantando de leve, nesse momento eu me afastei e empurrei com gentileza para trás.
- Não... Tão... Rápido. - eu arfei sem ar.
- Desculpe, , eu me empolguei. - respondeu com a voz rouca.
- Tudo bem. – sorri, desculpando-o.
Ouvi risadas vindas da sala.
- Estamos na casa do e da ! - falei surpresa. Eu até já tinha esquecido esse “pequeno” detalhe.
- Dude! - a boca de abriu em um “O”.- Verdade!
Entreolhamos-nos por um segundo e começamos a rir. A rir muito. Havíamos sido desligados a ponto de esquecer onde estávamos nos pegando!
- O que é tão engraçado? - apareceu do nada. Quer dizer, só a cabeça dela apareceu do lado da porta.
- Nada. - respondi em meio às risadas e desci da pia.
- Sei. - ela disse cética. - Não quero estragar a felicidade de vocês, mas amanhã vai ser estranho quando eu vir na minha cozinha tomar café e lembrar que vocês tavam se pegando aqui!
- Não estávamos! - exclamei enquanto ainda estava incapaz de falar.
- E eu sou o papai Noel! - ela disse irônica sorrindo.
- Então, eu e a vamos pegar os pratos e... - parecia não saber o que falar - Os copos?
- É, , isso mesmo. - riu. - Estão na parte de baixo do armário.
Levamos os pratos, copos e talheres com a ajudazinha de , para a mesa de jantar.

A pizza não demorou a chegar e depois que chegou, nós a devoramos como se nunca tivéssemos visto comida em toda nossa vida. e foram fazer bolinhos de chocolate para tomarmos com sorvete enquanto o resto de nós continuou preguiçosamente na mesa. Só falamos besteiras, pra variar.
Depois de comermos a sobremesa, pegamos dois violões. Começou a música. Cantamos milhares de músicas dos Beatles, uma paixão compartilhada por todos nós e depois mais trezentas músicas de outros artistas. Por fim, fomos fazer uma balada na piscina de e . Zoamos mais que dançamos para nos divertir. Foi hilário.
Depois de ficarmos por volta de uma hora na piscina, estávamos todos mais que cansados. Resolvemos dormir por lá mesmo.
Isso até cochichar para mim:
- Ei, você quer ir pra um lugar mais privado?
- , será muito obvio se nós sumirmos juntos enquanto todo mundo está dormindo. - cochichei em resposta.
- Mas eu, bem... - ele se enrolou e corou. - Não estava pensando em ficar aqui.
Nesse momento entendi que não queria dizer ir se esconder na casa dos , mas sim sair.
- Aaah, acho que você quer me seqüestrar. - sorri sugestivamente.
- Eu quero. - ele admitiu, corando de novo. Own. E depois sorriu maroto.
- No seu apartamento ou no meu? - perguntei me sentindo estranhamente ansiosa e ao mesmo tempo insegura. Isso tudo era tão bom que eu tinha medo de não durar o bastante.
- No meu. - ele murmurou em resposta.
sorriu de lado e pegou minha mão. Olhe para os lados, mas todos estavam lá dentro, decidindo onde cada um dormiria. Apertei a mão dele na minha. Só de sentir a mão de na minha, minha segurança aumentava e eu lembrava que tudo isso era mesmo real. Pela primeira vez em muito tempo, estar bem com não era apenas um sonho distante.
- Mas o que vamos fazer? Sabe, pros outros não perceberem. - perguntei. hesitou a responder, sua voz séria.
- , eu acho que já perceberam. Por que você tem tanto medo assim?
- É só que... - olhei para baixo a fim de evitar seus olhos. - Tenho medo de magoar a .
Diante da minha resposta, tocou gentilmente meu queixo e levantou meu rosto cuidadoso, como se eu pudesse quebrar ao maior toque. Ele sorriu fraco.
- Não tenha, por favor. Eu sei que pode parecer egoísta, mas agora que te tenho de novo aos meus braços, não quero que nada atrapalhe. Só quero estar com você, , sem me preocupar com nada.
Vacilei por um momento. Não esperava uma resposta tão intensa e tão doce ao mesmo tempo. Me estiquei e dei um beijo leve e doce em seus lábios.
- Eu também, . - eu disse, me sentindo tão emocional. Deus, como estou sentimental ultimamente! - Vamos.
- Agora? - ele perguntou seu sorriso se espalhando pelo rosto.
- Agora.


CONTINUA...

N/A (24/01)- Hey, mcgathenhas!
Antes de tudo: PARABÉNS, JU! Saúde, felicidade, garotos a lá Harry Judd pra você, que esse ano a gente conheça pessoalmente o McFLY, o ATL (5 DIAS PRO SHOW!) e o BLG! :D Uma das minhas bffs, fazendo 16 aninhos hoje!
Pronto, agora posso falar, HAHA.
Também fiquei surpresa com duas atts seguidas! Tipo, achei que a att passada do Cap 22 só ia entrar no começo de fevereiro. Eu fui entrar aqui pra ver se tinha comentários novos e quando vi tinha o capítulo 22. Aí olhei tipo, WTF, e fui entrar na home do FFOBS pra ver se tinha mesmo att IH. Agradeçam a diva da Abby, que é uma beta super rápida! HAHAHA.
Geeeente, eu não sou tão má, ok? Não ao ponto de você e seu guy ficarem juntos FINALMENTE em um capítulo e já estragar isso. Outra coisa, que eu disse uma vez na N/A do capitulo 14 uma coisa que eu nunca vou fazer é apressar a fic ou deixar sempre tudo as mil maravilhas. Se não, não tem graça, né? :)
Sobre esse capitulo, é um dos meus favoritos! Não sei por que, mas é!
“Dica: esse não é um filme pra se ver com seu irmão mais novo, porque tem umas cenas... Digamos, que tensas.” Sério isso já aconteceu comigo! Tava eu, a Thamy, a Ju e a Maytê e o irmão mais novo dela super fofo e até antes daquele filme provavelmente inocente. Pra quem não assistiu Se Beber, Não se Case assistam!Nunca ri tanto com um filme na minha vida.
A música título do capítulo é Hummingbird Heartbeat da Katy Perry.
Comeeeeentem! Hihi.

Belle d- HAHAHAHAHA Obrigada! Fiquei feliz que eu não do “ponto sem nó”. Sobre sua amiga ex do seu guy eu morro de vontade de dar uma dica sobre o que ela vai ter a ver com o resto da história! Então vou dar um pequeno spoiler: ela é importante, mas não do jeito que a maioria está pensando!
Thayane – Sério que você amou? AAE Achei que depois dessa att todo mundo ia querer me bater! HAHA Pois é, eu também não sei de onde eu tiro ele. Confesso que não o acho assim tão chato (:
Laisy p – Uhu leitora nova, que bom que você está amando *-----* Obrigada pela sinceridade. Viu? Mais um capítulo feliz! HAHAHA. Ó, mais contando rápido aqui, se você pensar as únicas brigas sérias da fic foram a do cap 14 e 16. As outras desavenças foram só hostilidades, haha.
Daniela - Obrigada pela sinceridade +1. Tenho que admitir que ri da sua raiva pelo Derek. HAHAHAHA. Mas acho que essa é a intuição mesmo. Quer dizer, não escrevo pra que ninguém morra de amores por ele, né? O próximo capítulo é o que eu citei estar escrevendo na att passada, é suuuuper amor, espero que você goste!

Hoje me empolguei e fiz minha maior N/A! haha. Até!

Bru (Bruniti)

Contato:
@teixeirabruna_
teixeirabruna.tumblr.com






Nota da Beta: Se virem algum erro de português/script/HTML, não usem a caixinha de comentários, me avisem por aqui: nellotcher@hotmail.com

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Nota da Beta: Erros? Enviem diretamente para mim em awfulhurricano@gmail.com. Não usem a caixa de comentários, por favor! xxx Abby