- ?
- Oi? – acordei do meu transe e encarei Nathalie.
- Tava viajando aí, onde essa cabecinha tava, hein? – sorriu maliciosa e eu sorri sem graça.
- Ah, lugar nenhum, oras! – dei de ombros. – Tô pensando nas provas, só isso.
- Aham, sei. – concordou com relutância. – Mas ok, quando começam suas provas?
- Semana que vem! – fiz uma careta.
- Sorte sua, as minhas começam essa semana. – imitou minha careta. – Ei, quer ir tomar um suco comigo?
- Agora? – mordi o lábio inferior, ela assentiu. – Poxa, Nath, não vai dar.
- Por quê? – perguntou, triste. – Alguma coisa com o Johnny?
- Ahn, é... Pois é, a babá não vai poder ficar muito tempo hoje. – levantei-me do chão, rapidamente. – Aliás, tô atrasada pra ir pra casa. Deixa pra próxima, ok?
- Ah, tudo bem, né? – levantou-se também e me deu um abraço. – A gente se vê, então. Manda beijo para o tampinha do Johnny, ok?
- Pode deixar, eu mando. – sorri e me afastei, ajeitando a bolsa nos meus ombros. Apertei meus livros no peito e apressei meus passos. – Você adora mentir, né ? Aliás, sua vida é uma mentira! – repreendia a mim mesma enquanto andava até em casa que, por sinal, não era longe da faculdade. Assim que entrei, pude ouvir gritinhos e risadas altas, sorri só por ouvi-las. Vi Norah, a babá , sentada no sofá enquanto Johnny brincava de carrinho no tapete da sala. – Ei, meu príncipe!
- Mamãe! – exclamou alto, levantando-se e correndo até mim. Vi seus grandes olhos brilharem e junto abrir um grande sorriso. Ele sempre lembrava o pai, era impossível não lembrar.
- Ah, que saudades, filhote! – agachei-me à sua frente, passei a mão por seu cabelo loiro e beijei sua testa. – Brincou muito? – assentiu animado. – Bagunçou muito também? – assentiu, fazendo uma cara marota. – Ah, espertinho! – mordi sua bochecha.
- Pára, mãe! – passou a mão no local onde eu mordi. – Tô com fome.
- Tá? Ok, eu vou preparar algo pra gente. – segurei em sua mãozinha. – Norah, eu sei que o seu horário é só até às 11h, mas será que você podia estender um pouco? – perguntei, indecisa.
- Claro, ! – sorriu paciente. Norah era uma jovem de vinte e três anos, trabalhava de babá nas horas vagas pra juntar dinheiro pra pagar a faculdade de medicina, ao contrário de mim, que ainda tinha vinte anos, um filho de três, estudava de manhã, trabalhava num café à tarde, tinha uma vida dupla com o pai do meu filho e, claro, ele não sabia que tinha um filho. Por quê? Ah, logo você vai descobrir.
- Obrigada – sorri verdadeiramente. – Eu vou sair, mas prometo não demorar muito.
- Tudo bem. – sorriu e voltou a atenção para a televisão.
- E você, mocinho, o que quer comer? – perguntei, levando-o até a pequena cozinha.
- Panqueca! – pulou animado e eu sorri.
- Hm, panqueca? Ok, vamos fazer panquecas! – concordei e ele pulou de novo. Depois de me alimentar e alimentar meu filho, tomei um banho e me arrumei rapidamente. Fitei-me no espelho e fiz uma careta pra mim mesma. – Saia dessa vida, por favor! – implorava pra mim mesma, mas eu sabia que era fraca demais pra desistir de tudo. Bufei impaciente e saí dali, voltando para a sala. – Johnny, mamãe vai sair, ok? Logo, logo eu tô de volta, anjinho. – olhou-me com a mão dentro da boca e depois voltou a atenção para o desenho que passava na televisão. – Não demoro, Norah.
- Não se preocupa, . Vai sem pressa. – assenti e logo estava fora de casa, rumando mais uma vez para aquele loft luxuoso. Minha vida era tão irônica. Assim que pisei no loft, pude sentir o cheiro de perfume masculino no ar. Ele já havia chegado. Olhei para o sofá e nele havia um paletó azul escuro estendido, suspirei e continuei andando. À medida que ia entrando, pude ouvir seus assobios. Quando cheguei ao quarto, vi-o lá, parado de costas, debruçado sobre a janela enquanto soltava a fumaça do cigarro pela boca. Voltou a assobiar e se virou na minha direção, enxergando-me ali. Um sorriso imediatamente apossou de seus lábios.
- Hei, linda! – deixou o cigarro de lado e se aproximou de mim. – Achei que não viesse, demorou. – afastou meu cabelo do meu rosto.
- Eu sempre acabo vindo, não é? Eu devia ter desistido disso há três anos! – rolei os olhos, descrente comigo mesma.
- Não vamos começar, . – beijou o canto da minha boca. – Uh? – segurou minha nuca, descendo os beijos para o meu pescoço. – Hoje eu tenho a tarde de folga, vamos relaxar.
- Sinto muito, mas eu não tenho. – disse seca. – Eu trabalho, desculpe se eu não tenho a vida ganha.
- Não tem porque não quer. – disse baixo, sem parar de me beijar. – Já disse que banco você aqui, você não quer porque é teimosa.
- E não quero mesmo... – fechei meus olhos, sentindo-o morder levemente minha orelha. – Não quero nada que venha de você.
- Você quer sim. – sussurrou. – Você me quer, tanto como eu te quero. – disse, antes de me beijar de verdade e eu, como todas as outras vezes, correspondi. Sendo tola de novo e de novo. Em segundos, ele já estava me pressionando contra a parede perto da porta do quarto, beijando-me com urgência. Ergueu uma de minhas coxas e circulou-a ao redor de seu quadril. A posição levantou meu vestido e ele apertou mais minhas coxas. – Preciso tocar você, . – ele murmurou e deslizou uma das mãos para o interior das minhas coxas, erguendo ainda mais meu vestido, no processo. Quando dedos hábeis acariciaram o meu centro mais íntimo, tremi e agarrei os ombros dele. Eu estava lá, sendo usava e persuadida mais uma vez. Até quando, ? Até quando?
***
Estávamos deitados na cama, quando um celular começou a vibrar em cima do criado-mudo. Ele se remexeu e esticou o braço até alcançar o telefone. Bufou assim que leu a bina e se sentou na beirada da cama.
- falando! – disse, assim que atendeu. Puxei o lençol para encobrir meu corpo, tampando-me até o pescoço enquanto o ouvia falar. – Eu tô em uma reunião, Emma! – estremeci quando ouvi o nome dela. – Não sei quando vai terminar, sinto muito. – passou a mão nos cabelos, bagunçando-os ainda mais. – Ok, eu te ligo assim que der. Claro, eu também. Beijos. – e desligou. Mordi meu lábio inferior e desviei o olhar dele para o teto. Suspirei baixo e me forcei a levantar. – Ei, aonde pensa que vai? – segurou minha cintura e beijou minhas costas. – Ainda tá cedo.
- Eu tenho que ir, . - soltei-me dele. – Tenho que trabalhar agora... – alcancei minha roupa íntima, vestindo-a. – E você tem que voltar pra sua... – engoli seco. – Pra sua mulher.
- Ah, qual é, fica, vai. – pediu e eu tentei não encará-lo, porque sei que seria fraca e não resistira àqueles olhos. Terminei de me vestir e me olhei no espelho, arrumando meu cabelo. - ?
- , por favor, não insista! – pedi, finalmente o fitando.
- Ok, ok! – se deu por vencido. – Mas amanhã você volta?
- Eu não posso. – apanhei minha bolsa. – Tenho que cuidar... Erm, estudar para as provas da faculdade.
- Ah, que pena! – fez uma carinha triste. Respirei fundo e forcei um sorriso.
- Bom, eu vou indo. – acenei da porta. – Depois a gente se fala, .
- Até mais, linda. – acenou também. Levantei a cabeça e saí daquele lugar pra voltar a viver a minha vida de mentira.
DOIS
Trabalho meio período em um café daqui, somente pra ter dinheiro o suficiente para poder sustentar Johnny sem precisar pedir aos meus pais. Minha mãe mora no Brasil e, sim, ela é brasileira e meu pai é inglês. São divorciados, ela mora lá e ele aqui. A minha intenção ao vir para Londres era apenas me formar aqui, mas como pode ver, não foi assim que aconteceu. Passei toda a minha gravidez no Brasil, porque não queria que suspeitasse de nada, foi difícil esconder isso dele, mas acabou por concordar que eu tinha que passar um tempo com a minha mãe. Conheci Nathalie quando já tinha o Johnny, ela e meus pais acham que ele é filho de um ex-namorado que fugiu da responsabilidade. Ou você acha que eu havia contado que eu tenho um caso com um homem de trinta e cinco anos e casado? Nunca. Durante o período da manhã, Johnny ficava com a babá e, à tarde, ia comigo ao café. Havia uma creche nos fundos do mesmo, onde ficavam os filhos dos funcionários e, olha, eram bastante. Enquanto trabalhava, Johnny ficava ali com as outras crianças, até tinham pequenas aulas, às vezes.
- Ai, só eu estou cansada aqui? Querendo urgentemente minha cama? – Debbie choramingou, debruçando-se sobre o balcão.
- Não mesmo, Deb. – concordei, juntando-me a ela. – Eu estou exausta hoje! – fechei meus olhos. – Johnny está testando minha paciência. Anda agitado demais, não sei mais o que fazer.
- Ah, , normal. Criança nessa época é sempre assim, não fica quieta. Tem sempre energia pra gastar. – sorriu e eu concordei. É, ela sabia do que falava. Debbie era uma mãe solteira assim como eu, tinha a Taylor, de quatro aninhos, e vivia com a mãe. O pai era um vagabundo e não quis assumir a criança, então ela teve que dar um jeito de se sustentar e sustentar a pobre menina.
- Gente, alegria! – Megan, garçonete do Black Coffe, lugar onde eu trabalho, disse, animada. Levantei a sobrancelha, sem entender. – Daqui a pouco a gente está indo embora. Nosso horário, suas lesadas.
- É disso que eu estou falando! – Debbie disse, animada também, e eu ri. – Vou fazer minha mãe alimentar a Taylor, porque eu vou direto pra minha caminha linda.
- Desculpe, eu não tenho a minha mãe aqui, então, cuidarei do meu filhote sozinha. – rolei os olhos e elas riram. – Bem, movam-se, se pegarem a gente de papo, não precisaremos voltar amanhã.
- Falou! – Debbie bateu continência e foi atender uma mesa. Sorri, cansada, para Megan e também me mandei dali. Vi um casal se sentar perto da entrada e suspirei, arrumando meu uniforme, seguindo até lá.
- Boa tarde, em que posso ajudá-los? – perguntei, pegando minha caderneta. A mulher à minha frente sorriu e fitou o cardápio.
- Não sei, ainda estou em dúvida. – disse, fazendo uma careta. – Amor, o que você acha?
- Ah, sei lá, pede qualquer coisa, Emma! – o homem, que estava concentrado no visor do celular, disse, impaciente. Não demorou dois segundos para eu reconhecê-lo. Puta que pariu. não sabia onde eu trabalha, sempre omiti esse detalhe pra ele, mas agora vi que era tarde demais, quando ele levantou a cabeça pra me olhar. – Oh, droga!
- O que foi? – Emma perguntou. E não. Eu não conhecia Emma pessoalmente, até esse momento, sempre preferi não saber qual era o rosto da mulher dele, não queria ter esse desprazer de olhar na cara dela e fingir que nada estava acontecendo. Mas, pelo jeito, o destino prega peças.
- Ahn... – ele desviou o olhar de mim e fitou a esposa. – Nada, só lembrei que deixei um documento importante no escritório.
- Ah, não se preocupe, depois a gente passa lá. – e segurou a mão dele sobre a mesa. Pigarreei e forcei a fitar a caderneta em minhas mãos.
- Acho que vou deixá-los pensar mais um pouco, depois eu volto, ok? – sorri forçadamente e me distanciei dali o mais rápido possível. Voltei ao balcão ofegante, tentando controlar os batimentos do meu coração, mas estava quase impossível.
- Ei, , está tudo bem? – Megan perguntou, preocupada.
- Ahn? Ah, claro, tá sim! – sorri amarelo. – Só estou cansada, só isso.
- Ok. – concordou e voltou a atenção para os pedidos que estavam sobre o balcão. Apoiei meus cotovelos sobre o mesmo e tentei respirar fundo. Em vão para a cena que se seguiu...
- Tem whisky? – ouvi uma voz ao meu lado e eu não precisava olhar para saber de quem era. Megan assentiu. – Me dá um duplo... – suspirou. – Não, um triplo.
- Só um minuto. – ouvi ela pedir e, então, virar-se e ir fazê-lo.
- O que você está fazendo aqui? – ouvi-o perguntar baixo. Suspirei alto. Às vezes, ele pode ser tão óbvio. Virei-me e lhe lancei o meu melhor sorriso.
- Trabalhando? – perguntei irônica.
- Não sabia que você trabalha aqui! – confessou baixo.
- Eu sei. – respondi no mesmo tom. – Bom, se me der licença, eu tenho que atender outros clientes, senhor.
- Espera... – pediu e olhou de soslaio para Megan, que depositava o seu pedido sobre o balcão. Sorriu agradecido e depois voltou a me fitar. – Você não pode nos atender. – levantei uma sobrancelha, esperando ele terminar. – Eu não vou conseguir disfarçar com ela do meu lado.
- Que seja! – dei de ombros. Olhei para o relógio no meu pulso e sorri. – Na verdade, eu já estou indo embora. – depositei minhas coisas sobre o balcão e me virei de novo pra ele. – Então, não se preocupe comigo ou com a sua mulher. – revirei os olhos. – Eu não vou chegar perto dela.
- Não é isso, é só que... – ele se interrompeu quando viu uma mulher se aproximar de nós. No caso, Debbie, e... Oh, ceús! Ela estava trazendo Taylor e Johnny junto a ela. não podia conhecê-lo, não podia.
- , eu tomei a liberdade de… - eu a interrompi.
- Debbie! – disse, fingindo animação. – Ahn, acho que está na hora de a gente ir, né? – olhei para Taylor e Johnny e eles conversavam animadamente, sem notar a minha presença ali. – Ahn, o senhor pode ser atendido por qualquer outra garçonete daqui, ok? Faça bom aproveito. – sorri amarelo e saí arrastando Debbie e as crianças para longe dali.
- , . - ela me chamava e, só depois de estarmos no fundo do estabelecimento, eu parei. – Ei, o que houve?
- Oi? – tentei puxar fôlego. – Nada, está tudo bem.
- Não me parece isso! – fez uma cara de quem não acreditava. – Me diz o que aconteceu... – fitou-me. – Você conhecia aquele homem?
- Não! – disse rápido. – Quer dizer, conheço de vista, só isso.
- Sei. – fingiu acreditar. – Bom, eu só ia dizer que já tinha buscado o Johnny pra você, mas não deu tempo de falar.
- Ah, obrigada! – sorri agradecida. – Oi, príncipe.
- Mãããe, quero ir pra casa! – fez bico e eu fiz junto.
- Ok, meu filho, nós já vamos, tá? – ele concordou mais animado.
- Eu também já estou indo, quer uma carona? – Debbie ofereceu e eu concordei. Minutos mais tarde, já estávamos em casa e Johnny estava correndo na mesma.
- Ei, mocinho, pára de correr! – repreendi, ele riu e voltou a correr. Rolei os olhos. – Crianças! – joguei-me no sofá e fitei o teto. Droga, por pouco toda a minha vida iria por água abaixo. não pode sonhar em conhecer o filho, não saberia a reação dele. Ele mesmo já disse que não quer ter filhos, acho que é porque a esposa também não pode engravidar. Que seja, eles não podem se encontrar. Johnny parou na minha frente e me fitou. Por que ele tem que ser a cópia de ? Ele sorriu sapeca, abraçou meu pescoço e depositou um beijo molhado na minha bochecha. – Ai, que gostoso!
- Tinhamu! - disse alto, eu fiz uma cara fofa e o agarrei. – Mããe!
- Ah, mas que coisa mais gostosa, gente! – mordi sua bochecha enquanto ele ria alto. – Também te amo, seu pirralho lindo. – apesar de tudo o que eu passo por causa de , ele não poderia ter me dado algo tão bom e puro, como o amor dessa criança. Eu não saberia mais viver sem o meu filho, ele era a única razão porque eu levantava todas as manhãs. Aquele sorrisinho, que eu recebia todo dia, compensava tudo que eu já passei. Tudo.
***
- Já vou! – disse alto assim que ouvi o soar da campainha. Larguei meus livros em cima do sofá e pulei Johnny, sentado no chão, fitando a tevê. Abri a porta e tive uma surpresa. – Pai!
- Oi, filhinha! – ele abriu os braços e eu corri para abraçá-lo. – Que saudades!
- Eu também! – sorri, sentindo-me aquecida. – Quando voltou? – soltei-me dele, dando espaço para que ele entrasse.
- Voltei ontem à noite. – disse, caminhando até onde avistara Johnny. – Ei, campeão!
- Vovô! – pulou animado, correndo para os braços do avô em seguida.
- Nossa, mas tá grande esse menino. – apertou-o. – Tá ficando bonito igual ao avô.
- Ai, pai. – revirei os olhos, rindo.
- Como você tá, ? – perguntou, sentando-se e colocando Johnny em seu colo.
- Eu estou bem, na medida do possível. – sorri sem graça. – E você? Como tá?
- Bem também. – sorriu, beijando a testa do neto. – E você, tampinha, só se divertindo? – Johnny concordou, sorrindo. - , o que vai fazer agora?
- Ahn, acho que nada. Só estava estudando, por quê? – perguntei, cruzando os braços.
- Quero levar vocês pra jantarem comigo! – sorriu.
- Sério? – meus olhos brilharam com a possibilidade. – Eu adoraria!
- Quer ir jantar fora, John? – perguntou ao neto e o viu assentir animadamente. Sorrimos. – Acho que isso é um sim também.
- Certo, então eu vou me arrumar, – ele concordou. – Filho, vamos nos arrumar pra ir jantar com o vovô?
- Siiiiim! – disse, pulando do colo do avô e correndo para o quarto. Eu e meu pai nos entreolhamos e disparamos a rir.
- Seu filho! – ele disse rindo.
- Seu neto! – rebati e saí rindo de lá, voando para me arrumar. Não demoramos muito para estarmos prontos e já no restaurante escolhido por meu pai. Depois de escolhermos nossas comidas, começamos a conversar.
- Tem falado com a mamãe? – perguntei, arrumando a gola da camiseta de Johnny.
- Não muito, estive muito ocupado esses dias, sabe como é. – assenti, voltando a apoiar minhas mãos sobre o meu colo. – Então, como vai a faculdade?
- Normal, só me cansando, como sempre. – fiz uma careta.
- Tem visto o Adam? – perguntou com cuidado. Adam era um cara que eu havia inventado para as pessoas, dizendo ser pai de Johnny. Neguei. – Você deveria procurá-lo, sabe? Vocês têm todo direito de exigir uma pensão.
- Pai, já falamos sobre isso, ok? Não vamos começar de novo. – pedi suplicante.
- Tudo bem, eu só quero o que é melhor pra vocês. – concordei com um aceno de cabeça.
- Eu sei disso, mas eu não quero nada que venha dele, ok? – deu-se por vencido, encerrando o assunto ali. – Mas, então, como andam os negócios?
- Oh, muito bem! – sorriu animado. – Consegui mais um sócio. – disse confiante. – Sabe aquela empresa de marketing, super famosa? A MK? – concordei relutante. – Pois bem, fechamos contrato com ela, essa semana.
- Que ótimo, pai. – sorri amarelo. – Vocês agora são sócios?
- Sim, querida. – sorriu novamente. – Estou tão feliz! – seus olhos brilhavam. – Ah, por falar nisso, temos um jantar de comemoração marcado. Quero que você vá, ok? Não aceito não como resposta!
- Ah, pai, preciso mesmo ir? – fiz uma cara desanimada. – Sabe que eu não curto muito essas festas.
- Ah, , vamos? Vai ser legal! – insistiu e eu vi que ele estava muito feliz por isso, não havia como negar isso a ele. Acabei por ceder e concordar em ir. – Obrigado, vai ser importante ter alguém da minha família por lá. – sorriu, estendendo a mão. Sorri também e juntei nossas mãos. Tudo ótimo, tudo lindo, só há um probleminha: é o presidente dessa empresa. Eu estava ferrada.
TRÊS
- Vamos brindar à chegada da em Londres! – Emily disse animada, levantando uma garrafa de cerveja. Nós concordamos, levantando as respectivas garrafas de cerveja.
- Ah, valeu, meninas! – sorri agradecida. – Pressinto que esse ano vai ser ótimo!
- É claro que será, eu vou estar... – Emily foi interrompida pelo garçom do local, colocando três drinks sobre a mesa. – A gente não pediu isso.
- Eu sei, é cortesia dos rapazes daquela mesa. – e apontou para uma mesa a poucos metros da nossa. Nela havia três homens, muito gatos por sinal, e eles sorriam para a gente.
- Uh! – Emily sorriu, pegando o drink. – Isso tá começando a ficar bom!
- Eles estão olhando descaradamente pra cá. – Ashley sorriu e acenou pra eles.
- Ashley, pára! – repreendi, rindo.
- Ah, larga de bobeira, se eles querem... Que mal há? – Emily disse, piscando pra mim em seguida. – Somos jovens, temos o direito de nos divertir.
- É, mas eles parecem ser bem mais velhos. – fitei-os e eles conversavam ainda olhando para a nossa mesa. Um deles parou de conversar e olhou pra mim, erguendo um copo. Sorri sem graça e mordi o lábio inferior, desviando o olhar.
- Gosh, eles estão vindo pra cá! – Ashley arrumou o curto vestido, passou a mão no cabelo e fez a melhor cara de vadia que podia.
- Boa noite, meninas! – um deles disse assim que se aproximou da mesa. – Vejo que receberam nosso presentinho.
- Oh, sim, obrigada. – Emily agradeceu, sorrindo perversamente. – Querem se sentar com a gente?
- Nah, tava pensando em dar uma voltar, sei lá... Não quer me acompanhar? – ele estendeu a mão para Emily e ela nos olhou sem saber o que fazer. – Não se preocupe com as suas amigas, elas ficarão em boa companhia, não é mesmo, rapazes?
- Se depender da gente! – o outro sorriu, piscando pra mim. Abaixei a cabeça e sorri de lado.
- Viu, só? – Emily mordeu o lábio e continuou nos fitando.
- Vai lá, Emily! – Ashley a encorajou. – A gente vai ficar bem.
- Ok, não vou demorar. – levantou-se e aceitou a mão que ele estendia pra ela. Os outros dois homens se sentaram junto a nós, na mesa.
- Então, como vocês se chamam? – o cara de camisa social azul perguntou.
- Eu sou Ashley e essa é a . – apresentou-nos.
- Prazer, meninas. – o outro sorriu. – Eu sou Eddie e esse é o meu amigo .
- Saíram da trabalho direto pra balada, senhores? – Ashley perguntou ao notar que todos eles estavam vestidos de social. Eles se olharam e riram.
- Merecemos folga, não é? – o tal Eddie disse, dobrando a manga da camisa.
- Então, são daqui mesmo? – perguntou, lançando um sorrisinho pra mim. Caralho, esse cara tá me deixando sem graça.
- Ahn, eu acabei de me mudar pra cá. – confessei, rindo sem graça.
- Ah, sério? Seja bem-vinda, ! – Eddie sorriu animado. – Devemos comemorar isso, não acha, ?
- Concordo com você! – piscou pra mim e aproximou sua cadeira da minha. – Tem quantos anos, ? Desculpa a indelicadeza. – perguntou baixo, somente pra mim.
- Erm, dezoito. – fiz uma careta. – Eu sei, sou uma pirralha.
- Ah, eu não acho... – colocou a mão sobre o meu joelho e eu prendi o ar sem querer. – Você já sabe o que quer e o que faz.
- Yeah, eu sei. – coloquei uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e voltei a fitá-lo. – E você? Quantos anos tem?
- Eu tenho trinta e três. – confessou. Sabia que ele era bem mais velho, sabia. – Mas isso não é um problema, é?
- Não, claro que não. – sorri.
- Ótimo. – aproximou-se mais de mim, segurando meu queixo. – Quer dar uma volta?
- Ahn, não sei se devo. – fiz uma cara desanimada.
- A gente não vai longe, prometo. – fez um xis na frente dos lábios. – Eu só quero te conhecer melhor. Aqui dentro tá muito barulho e fica difícil.
- Hm... – olhei de soslaio para Ashley, pude ver ela e Eddie rindo e conversando ao pé do ouvido. Ok, ela não ia me dar moral tão cedo. Voltei a minha atenção para e esse tinha um sorriso brincando nos lábios. – Tá bom, eu vou.
- Que bom! – levantou-se rapidamente e me puxou junto a ele. – Eddie, depois a gente se fala. Vamos dar uma volta por aí.
- Tudo bem, ? – Ashley perguntou em dúvida. Somente assenti e sorri pra ela, que sorriu de volta.
- Tá certo, cara! - deu um tapinha no ombro dele e entrelaçou a mão na minha. Respirei fundo e me forcei a pensar que estava fazendo a coisa certa. Ele nos guiou para fora da boate e, assim que saímos, senti o vento frio que estava lá fora. percebeu que eu arrepiei e sorriu.
- Frio? – perguntou e eu assenti. – Ok, meu carro tá logo ali. Eu tenho aquecedor lá dentro.
- Ahn, carro? – disse incerta.
- Não se preocupe, eu não vou te seqüestrar. – riu e eu me senti uma boba naquela hora. – E também não vou fazer nada que você não queira, relaxa.
- Ok. – sorri, tentando deixar a insegurança de lado, e fui até o carro onde ele acabara de abrir a porta do banco passageiro. Assim que entramos, senti o ar frio ficar do lado de fora e o aquecedor fazer efeito lá dentro. – Ah, bem melhor.
- Você é linda, sabia? – ele disse de repente. Fitei seus olhos e ele estava com a expressão séria. – É sério, nunca vi alguém tão linda quanto você.
- Poxa, obrigada. – sorri sem graça e imaginando que ele devia dizer isso para todas. – Erm, você trabalha com o que, ?
- Eu sou presidente da MK, uma empresa de marketing aqui de Londres! – sorriu, passando os dedos pelo meu rosto. – Sabe o que me encantou em você?
- O quê? – fiz uma careta.
- A sua inocência! – pronto, agora ele achava que eu era um criança ingênua. – Digo, você parece não ter malícia nas coisas, tem esse rostinho de boneca, parece tão frágil, que dá vontade de abraçar e não soltar mais. – ponto pra ele. Fiquei vermelha de vergonha. Ele notou isso e sorriu, passando o indicador pelos meus lábios. – Não precisa ficar com vergonha, é só o que eu acho.
- Você deve estar achando que eu sou uma criança que não sabe nada. – desabafei. – Eu não sou tão inocente assim. – ele levantou a sobrancelha, malicioso. Burrada, , burrada.
- Eu sei que não. – beijou o canto da minha boca. – Como eu já disse, você já sabe o que faz. – beijou meu queixo e eu fechei meus olhos. – Eu só quero te ensinar um pouco mais... – e mordeu meu lábio inferior. – Claro, se você me permitir.
- Eu permito! – disse rápido demais e ele riu, mas, no segundo seguinte, já tinha seus lábios pressionados aos meus. Agarrei sua nuca e o deixei aprofundar o beijo, sentindo sua língua procurar pela minha, sentindo meus pelos arrepiarem a cada toque da mão dele em minha cintura. Sua mão subiu e junto com ela minha ansiedade. Afastei sua mão dos meus seios e ele riu durante o beijo. Voltou a descer sua mão, que ficava indecisa entre minha cintura ou minhas pernas descobertas. Puxou-me rapidamente e logo eu estava sentada em seu colo, deixando o beijo ficar ainda mais quente. Suas mãos apertaram meus glúteos e eu arfei. desceu os beijos para o meu pescoço e eu finalmente pude respirar de novo. O que não durou muito, porque minha respiração faltou quando o senti beijar meus seios sobre o vestido. Isso estava indo longe demais. - ... – chamei-o baixo.
- Eu não vou fazer nada que você não queira. – entendeu meu recado, subindo novamente os beijos e encontrando minha boca. Baguncei seu cabelo enquanto ele voltava a apertar minhas pernas. Por falar em pernas, pude sentir algo a mais se “evoluindo” por entre as pernas dele. Ô-ou. Ouvimos algo bater no carro e balançá-lo todo, soltamo-nos depressa e fitamos o local de onde vinha o barulho. Um cara bêbado tinha acabado de tropeçar e bateu de cara com o vidro do carro, os amigos foram rapidamente o ajudar. Salva por um bêbado. Passei a mão no meu cabelo, tentando ajeitá-lo, e não conseguia olhar para . - , tá tudo bem?
- Tá sim. – sorri amarelo. – Só acho que a gente devia parar por aqui.
- Por que, linda? – apertou minha cintura e eu fechei os olhos. deu leves mordidinhas em meu pescoço e eu tentei não acelerar minha respiração. – A gente podia ir à um lugar menos movimentado, não acha?
- Ahn? Erm, por quê? – mordi meus lábios e o fitei. sorriu e abaixou a cabeça.
- Eu não posso fazer isso com você... – confessou desanimado.
- Como assim? – perguntei, não entendendo. me colocou sentada de volta ao banco e segurou meu rosto enquanto falava.
- , eu vou ser bem sincero com você – disse calmamente e eu prestei atenção. – Eu vim hoje nessa boate a fim de diversão, na verdade, é uma festinha de despedida de solteiro do Tony, aquele que saiu com a sua amiga. – ele ia dizendo e eu tentava não parecer surpresa. – Eu achei que ia chegar aqui e me divertir com qualquer garota... – continuou e eu, sem perceber, afastei-me dele. – Mas aí eu te vi e não consegui desgrudar os olhos de você... – colocou as mãos nos meus ombros. – Eu estou falando isso porque eu não quero me aproveitar de você, se eu fizer alguma coisa será porque você quis e não porque eu te forcei a algo, entendeu? – assenti silenciosamente. – Você é diferente de todas essas outras garotas, , por isso eu estou te contando isso, você é especial. – sorriu, deslizando as mãos e entrelaçando às minhas. – Ah, e tem mais uma coisa... – ele fez uma careta e soltou uma mão, alcançando o paletó que estava sobre o banco de motorista, tirou a carteira de lá e, num pequeno bolso dentro da mesma, retirou uma aliança. Oh, não.
- , isso não significa o que eu acho que significa, né? – afastei-me rapidamente dele.
- Infelizmente, sim, eu sou casado.
Eu tive a oportunidade ali, de fugir de tudo isso, mas eu escolhi ficar. Deixei-me levar por palavras bonitas e acabei fodendo com a minha própria vida. Sim, eu era a única culpada por isso, eu não tinha direito de culpar mais ninguém pelos meus erros e minhas escolhas.
- Johnny, filho, não faz bagunça com o sorvete – pedi enquanto o assistia jogar sorvete para todos os lados. – Se não quer mais, é só não comer.
- Quero! – respondeu, voltando a comer normalmente. Rolei os olhos, rindo.
- Isso mesmo, pivete, come tudo porque eu estou te bancando. – Nathalie fingiu estar brava, mas depois riu. – Ele tá tão fofo, amiga.
- Fofo e bagunceiro, né? – ele riu, culpado. – Quanto mais cresce, mais arte faz.
- Me dá ele? – pediu, apertando as bochechas dele, que fez uma careta.
- Fica à vontade, é todo seu. – dei de ombros, rindo. – Quer ficar com a tia Nath, filho?
- Eu quero, eu quero! – sorriu animado.
- Nossa, filho, vai deixar a mamãe? – fiz bico e ele também.
- Não, não. Eu quero a mamãe! – fez cara de choro.
- Ok, ok. É brincadeira, príncipe, você vai ficar com a mamãe. – puxei-o para o meu colo. – Ninguém nunca vai tirar você de mim.
- Amiga, vai fazer o que no sábado? – Nathalie perguntou, tomando seu sorvete.
- Hm, vou à um jantar com o meu pai. – fiz uma careta. – Odeio jantares formais.
- Ah, sim. – suspirou, derrotada. – Achei que você fosse me fazer companhia!
- Por que você não vem também? – decidi de repente. – É, vai ser ótimo ter você pra me livrar daquelas pessoas chatas - e de fazer besteira com a presença do lá. – Ah, vamos, Nath?
- Seu pai vai me chamar de penetra. – fez bico.
- Penetra por quê? Eu estou te convidando, oras! – revirei os olhos. – Você vai e pronto, esteja linda no sábado.
- Sua mãe é uma mala, hein? – Nathalie disse a Johnny, ele apenas riu. – Viu, ele concorda.
- Concorda nada e não adianta, você vai, Nath! – insisti.
- Ok, , você venceu, eu vou! – deu-se por vencida e eu sorri vitoriosa. – Mas se eu ficar com fama de penetra, eu te mato.
- Tá, sua exagerada. – rolei os olhos. - Por falar nisso, eu ainda não comprei um vestido pra ir.
- É, e agora eu também preciso comprar. – concordou. – Quer ir ao shopping?
- Hm, por mim tudo bem. – sorri e ela assentiu. Pagamos nossos sorvetes e fomos para o shopping, entramos em várias lojas, mas parecia que nenhum vestido nos agradava. Enquanto olhava alguns vestidos de um lado e Nathalie do outro, Johnny estava sentado em um sofá vermelho que ficava ao lado do provador. Olhei-o rapidamente e ele estava com os cotovelos sobre os joelhos e a cabeça apoiada nas mãos. Estava fofo, porém parecia entediado. Caminhei até ele. – Ei, príncipe, o que foi?
- Casa! – disse somente, esfregando os olhos, mostrando sinal de sono.
- Tá com sono, meu amor? – ele assentiu, fazendo bico. – Ok, a gente vai pra casa, tá? Vem aqui! – puxei-o pela mão e nos guiei até Nath. – Amiga, vamos pra casa.
- Mas por quê? Nós ainda nem escolhemos nossos vestidos, . - fez uma careta.
- Depois eu faço isso, Johnny está morrendo de sono. – apontei para baixo e ele bocejava pela décima vez. Rimos.
- Tudo bem, então. – ela me deu um abraço e um beijo na bochecha de Johnny e logo saímos da loja. Enquanto caminhávamos para fora do shopping, Johnny avistou um pequeno parque e aí, todo sono que ele sentia, esvaiu-se. Após uma birra, ele conseguiu me convencer a deixá-lo brincar um pouco nos brinquedos.
- Vai com a moça e se comporta. – beijei sua testa e a mulher responsável pelo local pegou sua mão, guiando-o até alguns carrinhos que tinham ali. Sorri e o observei. Ok, sou uma mãe muito coruja sim, não nego. Apoiei meus braços na grade de proteção e acenei pra ele assim que ele fez o mesmo.
- ? – ouvi alguém chamar meu nome, virei-me para descobrir quem. – Oi, linda!
- Droga! – resmunguei baixo.
- Oi? Desculpe, eu não ouvi. – ele sorriu e eu agradeci por ele não ter ouvido.
- Ahn, nada. – sorri sem graça. – Oi, .
- Saudades de você. – colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e eu respirei fundo, controlando-me. – Tá sozinha? – olhou para os lados e eu mordi os lábios, assentindo. – Hm, vai fazer alguma coisa agora?
- Na verdade, sim, eu vou! – fui firme. – Ahn, já que você está aqui, eu preciso te avisar uma coisa. – engoli a seco. – Eu vou pra festa de comemoração da MK com o novo sócio.
- Espera, como você sabe do novo sócio? – ele levantou uma sobrancelha, desconfiado.
- Porque ele é meu pai. – confessei, enfim. Ele riu sem humor. – Ele me chamou, não havia como recusar.
- Seu pai é dono da ’s P&P? – assenti. – Por que você nunca me disse?
- Porque você nunca perguntou. – respondi irônica. – Olha, só estou te avisando pra não ter nenhuma surpresa quando me ver lá, ok?
- Hm, ok. – riu. – Vai ser interessante ter você lá, vai ser difícil me controlar perto de você, mas eu vou tentar. – piscou malicioso e eu tive que rir. Nunca desiste, né, ? - Sabe que eu vou levar a Emma, né?
- Sei. – respondi baixo.
- Ok. – concordou e olhou para algo atrás de mim. Ouvi uma voz conhecida gritando “mãe” e eu me controlei para não virar. Vi sorrir e acenar, levantei a sobrancelha.
- Tá acenando pra quem? – perguntei aflita.
- Sei lá, tem um menino ali acenando pra cá, acenei de volta pra não deixar ele sem graça. – deu de ombros, olhando pra mim novamente. – Ele é fofo.
- Você achou? – mordi o lábio inferior e ele assentiu.
- Aham. Olha, tenho que ir. – beijou minha bochecha. – A gente se vê no sábado, então.
- Tudo bem, até lá. – sorri e ele logo desapareceu das minhas vistas. Ouvi de novo um “mãe” e me virei para olhar meu filho já voltando para onde eu estava. – Oi, pequeno.
- Mãe, você não me viu. – choramingou. Agachei-me até ele e arrumei sua roupinha.
- Claro que vi, você estava se divertindo muito. – mordi sua bochecha e ele riu. – Estava lindo!
- Mamãe, o “homi” deu tchau pra mim. – sorriu radiante e eu sorri junto.
- Eu vi, filho. – levantei-me, agarrando sua mãozinha. – Eu vi. – sorri sozinha com a possibilidade de talvez ter mudado o conceito dele sobre filhos e crianças. Talvez.
QUATRO
Estava me trocando para ir embora depois de mais um dia de trabalho, quando ouvi meu celular tocar. Peguei minha bolsa e depois o celular, olhei a bina e sorri antes de atender.
- Oi, pai.
- Olá, querida – disse alegre. – Como está minha princesa? - Eu tô bem, e você? – pendurei minha bolsa no ombro e saí andando para a casa de Nathalie, onde tinha deixado Johnny.
- Bem também. Então, preparada para amanhã? – perguntou animado. Mordi meu lábio inferior, incerta. - Acho que sim – ri sem graça.
- Não se preocupe, você vai gostar. – garantiu. – Bom, você tem um minuto para vir ao meu escritório hoje? - Tenho agora, por quê? – perguntei confusa.
- Eu tenho um presente para te dar. Já comprou seu vestido, querida? – neguei. – Foi o que eu imaginei. Bom, se você puder vir aqui, ficaria feliz. - Ok, eu só tenho que ir buscar o Johnny na casa da Nath e depois vou para aí, tudo bem? – ele concordou e desligou logo após. Presente? Ai, Senhor! Fui até a casa de Nathalie buscar Johnny e de lá seguimos para o escritório do meu pai. – Oi, Anne. Meu pai pode me receber? – perguntei a Anne, secretária do meu pai, que já me conhecia há algum tempo.
- , você pode aguardar um minuto? Ele está com um sócio agora, mas já devem estar terminando. – pediu com um sorriso no rosto e eu assenti, indo me sentar em um sofá que existia lá.
- Senta aqui, filho. – pedi a Johnny e ele prontamente sentou ao meu lado. – Se divertiu hoje na tia Nath?
- Aham, nós brincamos de massinha! – disse animado.
- Imagino como deve estar a sala dela agora. – ri sozinha, imaginando a casa dela cheia de massinhas. Coitada.
- Quero ver o vovô! – Johnny choramingou, pulando do sofá.
- Daqui a pouco, amorzinho. – pedi, juntando as mãos. – Fica quietinho pra não atrapalhar ninguém, tá?
- Mas eu quero ver o vovô! – disse alto e eu fechei a cara.
- Johnny , não me faça brigar com você. – disse séria e ele fez um bico enorme. – Senta aqui agora e fica quietinho.
- Quero o vovô! – disse baixo enquanto cruzava os braços e se sentava no chão. Passei a mão na testa, impaciente.
- Não vou falar outra vez, Johnny! – abaixei o rosto para que só ele pudesse me ouvir. – Eu não tô brincando, garoto. – vi uma lágrima escorrer pelo seu rosto e o bico continuar em seus lábios. Suspirei cansada. Pouco depois, ouvi vozes se aproximando e a porta do escritório ser aberta. Um mini-furacão levantou do chão e correu ao encontro do avô. Abraçando suas pernas.
- Opa! – papai disse assim que sentiu Johnny abraçá-lo. Sorriu largamente e o pegou no colo. – E aí, rapaz?!
- Vô! – disse alto e feliz. Respirei fundo e me levantei, indo até eles, só então me dando conta que vinha uma pessoa logo atrás de papai. Não podia ser. Não mesmo.
- Ei, , conhece o meu neto? – apresentou ao homem que já estava ao seu lado. Encarei Johnny e somente ele.
- Neto? – riu. – Não sabia que tinha neto, Charlie.
- Eu tenho, meu caro. – riram. Eu engoli o seco e fitei meus sapatos com medo de encará-lo. - , esse é o meu neto, Johnny. Dá oi pra ele, campeão.
- Oi. – Johnny acenou e depois colocou a mão na boca.
- Ei, garotão! - bagunçou o cabelo dele e eu finalmente resolvi encará-lo. Ele tinha um sorriso irônico nos lábios, mas, ao mesmo tempo, podia se ver um ar confuso em seus olhos. – Achei que você tivesse me dito que só tinha uma filha.
- Mas eu só tenho uma. – papai respondeu inocentemente. – Esta aqui... – apontou suavemente para mim. - , esse é o , meu novo sócio.
- Ahn, prazer. – sorri amarelo, mas não pareceu notar. Aliás, parecia que o mundo tinha parado de girar ao seu redor, porque ele estava paralisado, não piscava, não se mexia, só tinha aquela expressão de surpresa no rosto. Ele não podia ter descoberto, droga, muito menos assim. olhou novamente para Johnny, mas, dessa vez, seu olhar continha curiosidade.
- Quantos anos você tem, Johnny? – perguntou, segurando sua pequena mão. Johnny tirou a mão que estava na boca e fez um três com os dedos. assentiu, rindo sem humor. – É um belo garoto, . – dirigiu-se a mim. Eu apenas tentei sorrir, mas não deu muito certo. – Se me dão licença, tenho que ir embora agora. Nos vemos amanhã, Charlie.
- Até amanhã, ! – papai disse sorridente. – Dá tchau, Johnny.
- Tchau! – acenou, abrindo e fechando a mão. sorriu e acenou de volta. Minhas mãos gelaram quando o vi depositar um beijo na bochecha do filho, sem saber, ou talvez já sacando tudo. É claro que ele havia sacado, . Não seja idiota.
- Tchau, . - disse simplesmente e saiu de lá. Soltei a respiração toda de uma vez, passando a mão no cabelo, nervosa.
- Vem, vamos entrar. – meu pai pediu, já voltando a sala, e eu o acompanhei. – Que bom que veio, eu tenho um... ? Ei, tá tudo bem? Você me parece meio pálida.
- Ahn? – virei-me pra ele. – Ah, tudo bem, não se preocupe. – sorri amarelo, sentando-me na cadeira em frente à sua mesa. – O que você queria de mim?
- Então, como ia dizendo, eu comprei algo pra você, não sei se vai te agradar, mas qualquer coisa é só trocar. – sorriu, colocando o neto no chão. – Johnny, pega aquela sacola em cima daquela mesa, sim? – ele concordou e correu até o embrulho. – Traz pra sua mãe. – e foi o que ele fez, entregou-me a tal sacola com o logo da Armani e eu abri levemente a boca, observando meu pai fazer sinal para eu seguir em frente. Abri o embrulho e, aí sim, meu queixo foi ao chão. Lá dentro havia um vestido lindo.
- É... – eu gaguejei. – É lindo!
- Você realmente gostou? – assenti, fazendo-o sorrir. – Fico feliz por isso. Eu queria te dar um presente, não é muito, mas eu achei que iria gostar.
- Obrigada! – agradeci, levantando-me e indo abraçá-lo. – É realmente lindo.
- Fico satisfeito! – cruzou as mãos em cima da sua mesa. – Tenho certeza que você ficará linda nele. – e piscou maroto, fazendo-me rir por alguns segundos, até me lembrar do que havia acontecido há pouco.
- Bom, pai, eu sinto muito, mas eu precisarei ir. – fiz uma careta. – Tenho que alimentar essa pestinha. – apontei para Johnny, que mexia nos livros do escritório. – E colocá-lo para dormir.
- Ok, querida. – levantou-se também. Deu-me outro abraço e um beijo na testa. – Se cuidem! – e logo estávamos dentro do elevador. Roía a unha constantemente, imaginando tudo que estava passando na cabeça de naquele momento. Não queria nem imaginar. Olhei para o meu colo e Johnny estava com a cabeça encostada em meu ombro, ainda acordado, mas bem quietinho. Agora ele fica quieto, né? Respirei fundo, quando o elevador se abriu, encaminhei-me para o fora do prédio para chamar um táxi, mas não foi preciso.
- ! – chamaram-me e eu nem precisei me virar para saber quem era. – Será que podemos conversar?
***
Deitei Johnny sobre a tão conhecida cama e o deixei descansar ali, já que ele havia dormido durante o percurso até o loft onde e eu nos encontrávamos. Suspirei baixo, depositando um beijo em sua testa. Virei-me para ir até a sala e ele já me aguardava na porta do quarto com os braços cruzados, creio eu, esperando uma explicação plausível para tudo aquilo. Passei direto por ele e continuei andando até a sala.
- Certo... – disse baixo, sentando-se no sofá. – Acho que mereço uma explicação, não acha? – foi irônico, visivelmente controlando a raiva. – Quem é esse garoto? Onde você o encontrou? Por que não disse que havia adotado uma criança? – ri sarcástica, fitando-o incrédula.
- Você é idiota ou o quê? – perguntei, balançando a cabeça.
- Não me subestime, - disse alto.
- , você já olhou para aquele menino? Olhou realmente? Viu seus olhos? – perguntei já alterada. – Você viu com quem ele se parece? – apontei para o lado onde Johnny dormia. – Não se finja de idiota, você entendeu muito bem que ele é meu filho de sangue. Não só meu... – suspirei alto. – Como seu filho também.
- MEU? – gritou e depois riu. – Impossível.
- Óbvio que não! – rebati. - , quantas vezes já corremos o risco de gravidez? Não sei como ainda se surpreende.
- Como assim? Você disse que tomava pílulas. – vociferou, levantando-se e vindo em minha direção. – Você me enganou, ?
- Não! – defendi-me. – Claro que não, mas houve uma época que fiquei doente e tive que tomar antibiótico, não sei se você sabe, mas isso anula o efeito da pílula, foi nesse meio tempo. – dei de ombros, derrotada. – Não foi premeditado.
- Tá realmente me dizendo que aquele garoto, aquele que tá dormindo bem ali, aquele garoto de três anos é mesmo meu filho? – riu de novo. – Não pode ser. – bagunçou o cabelo, andando de um lado para o outro. – Você tá louca, só pode.
- Não preciso que você acredite em mim, na verdade, não preciso de nada de você. – sorri irônica. – Não é à toa que você não soube disso durante três anos.
- PORRA, TRÊS ANOS! – gritou comigo e eu fechei os olhos fortemente. – Como eu nunca soube disso? Sim, porque se você realmente tivesse um filho meu, eu iria saber, onde você teve esse garoto? Onde você estava quando tava grávida?
- Lembra daquele tempo que eu fui para o Brasil? Pois é, eu fui pra lá por esse motivo. Não queria que você soubesse, descobri tudo muito rápido e, quando dei por mim, já era tarde demais. – disse baixo, abraçando meus próprios braços, segurando o choro.
- Brasil? – perguntou, não acreditando. – Que droga, . - estava cada vez mais vermelho. – Eu não posso acreditar nisso, eu simplesmente não consigo.
- Já disse, não precisa acreditar em mim. – fingi indiferença. – Eu sempre vivi muito bem sem você saber e posso continuar assim.
- Espera... – parou de repente, fitando-me. – Ele é aquele garoto do shopping, não é? – assenti e ele riu irônico novamente. – Que idiota, que idiota! – falava baixo, como se fosse só para si mesmo. – Como não percebi? Ele estava chamando pela mãe! – apontou pra mim. – MÃE! E a mãe é você.
- Sim. – respondi, mesmo sabendo que não era uma pergunta. Mordi meus lábios, não sabendo se aguentaria segurar muito tempo o choro que teimava em querer cair.
- Quanto tempo mais achou que guardaria esse segredo, uh? – aproximou-se de mim, devagar. – Qual a sua intenção realmente? Por que até agora eu não entendi. Deixar o garoto crescer o suficiente para depois reclamar paternidade e pensão? Quanto você quer, ?
- O quê? – afastei-me, não acreditando no que ouvia. – Cala a sua maldita boca, . – vociferei. – Eu. Não. Quero. Nada. De. Você. – disse pausadamente. – Deu pra entender? Eu não quero nada seu. NADA.
- Ah, qual é, não seja idiota. – abriu os braços. – Vamos agir como adultos, o que você quer com isso tudo?
- Arght, não dá pra conversar com você. – rolei os olhos, impaciente. Eu ia voltar ao quarto, mas Johnny apareceu antes disso, coçando os olhinhos com cara de sono, andando meio que se arrastando. – Oi, amor, que houve?
- Não consigo dormir, mamãe. – fitou-me com os olhinhos brilhantes. Como pode duvidar que é filho dele? É a cópia.
- Ok, filho, vamos pra casa, tá? – ele assentiu.
- Ei, Johnny, venha aqui! - o chamou, agachando-se. Johnny olhou pra mim, apreensivo.
- Tudo bem, príncipe. Vai lá. – encorajei-o e ele andou rapidamente até , meio relutante. Apenas os observei.
- Uau! – disse baixo, tocando o rosto do filho. – Você parece alguém que eu conheço, sabia? – perguntou, passando a mão no cabelo dele. – Você é muito bonito, garoto.
- Minha mãe disse que eu sou lindo. – respondeu inocente. riu, concordando.
- Ela tem razão. - segurou a cintura de Johnny. – Você gosta de brincar de quê, Johnny?
- Ah, eu gosto de brincar de caminhão. – sorriu animado, fazendo-nos sorrir também. – Eu quero um bem grandão, mas a mamãe disse que é muito caro. – fez um bico, abaixando a cabeça. Cortou-me o coração.
- É mesmo? Ah, isso é uma pena. – levantou a cabeça dele. – Mas, sabe, eu posso te contar um segredo? – ele assentiu. – Um passarinho me contou que talvez você possa ganhar esse caminhão.
- Posso? – perguntou com os olhos brilhando.
- Pode sim. - sorriu ao ver a carinha feliz que ele fez. – Ei, garotão, posso te dar um abraço? – e, antes de responder, Johnny o abraçou delicadamente. As lágrimas que eu segurava já não as continha mais, rolavam pelo rosto sem controle. Aquela cena, mais do que tudo, mexeu com o meu emocional. – Eita, mas que menino cheiroso! – disse, após soltá-lo. Johnny riu e colocou o dedo na boca.
- Hey, mocinho, tira o dedo da boca. – mandei e ele tirou rapidamente. me fitou novamente e depois olhou de Johnny para mim.
- Tenho que admitir, . - sorriu de lado. – Nós fizemos um belo trabalho.
- Eu também acho. – fitei Johnny, permitindo-me me orgulhar do filho que tinha. Deixando um sorriso bobo brotar em meus lábios. – Ele é tudo que posso me orgulhar de mim. Somente disso.
- Por que você nunca me contou? – perguntou-me, mas ainda fitando o filho, fascinado.
- Eu tive medo. – confessei baixo. – Você sempre disse que não queria filhos, não gostava de crianças, eu tive medo da sua reação.
- Eu nunca disse que não queria filhos. – fitou-me. – Eu disse que Emma não podia ter filhos e eu a compreendia, somente isso.
- Mas... – eu fraquejei.
- Mas você sequer pediu minha opinião sobre tudo isso, em nenhum minuto tentou saber como eu me sentiria se soubesse que tinha um filho. – levantou-se, andando até mim. – Deixou claro seu ponto de vista sobre mim e decidiu sozinha o que eu pensaria a respeito disso.
- O que você queria que eu pensasse? , eu estava pensando no futuro dessa criança. – defendi-me. – Eu não queria que ela sofresse tudo o que eu sofri por sua causa. Porque, vamos ser sinceros, você é casado. Qual seria o futuro que você daria a ela? – ele ia se manifestar, mas eu o interrompi. – Eu respondo: nenhum.
- O seu problema é pensar que sabe o que quero, mas você não sabe, , não sabe. – rebateu, balançando a cabeça negativamente.
- Tá, ok. É isso? Desabafou? Disse tudo? – cruzei os braços. – Posso ir agora?
- Pode ir... – foi para o lado de Johnny. – Mas ele fica.
- Ah, claro – rolei os olhos. – Não viaja, . É claro que eu vou levar meu filho, tá louco?
- Nosso filho, - corrigiu-me e eu apenas ri. – Eu quero ter um tempo com ele, eu tenho esse direito.
- Direito? Qual é, você não tem direito algum sobre ele. – andei até Johnny e o peguei no colo. – Você nem deveria saber da existência dele.
- Tenta outra coisa, . Tarde demais, agora eu sei, e eu quero conhecer o meu filho. – disse baixo. Suspirei, encarando-o e depois fitando Johnny em meus braços, que tinha uma cara confusa, olhando para o pai. – Por favor, me deixa ficar um pouco com ele.
- Não sei, ... – apertei mais ele nos meus braços. me olhava aflito, esperando uma resposta afirmativa. Beijei a bochecha do meu filho e o coloquei de volta ao chão, sobre o olhar de . – Ele pode ficar, mas eu também vou ficar.
- Tudo bem. – concordou, sorrindo e olhando para o filho. – Johnny, tá com fome?
- Tô. – respondeu baixo.
- Quer comer o quê? – perguntou, aproximando-se dele.
- Chocolate! – pediu animado. Nós rimos.
- Chocolate não, filho. Você precisa comer alguma coisa que te alimente direito. – avisei.
- Já sei, vamos todos à algum lugar comer e lá decidimos, pode ser? – perguntou a mim e eu concordei. A besteira já estava feita, tudo o que lutei para esconder durante anos foi por água abaixo, agora era deixar a realidade entrar na minha vida, assim como, querendo ou não, tinha entrado na vida de Johnny.
CINCO
- Então, o que acontece conosco agora? - perguntou enquanto fitava Johnny brincar com as batatas fritas. Suspirei alto e desviei o olhar para as minhas mãos.
- O que já deveria ter acontecido há muito tempo... – mordi meus lábios e o fitei demoradamente. – A gente não vai mais se ver.
- Em que sentindo você quer dizer isso? – levantou uma sobrancelha, desconfiado.
- Em todos os sentidos, . - rebati.
- Acho que não, . - sorriu irônico. – A partir do momento em que eu descubro ter um filho, eu tenho o direito de querer fazer parte da sua vida. Eu concordo que o clima entre nós tenha acabado... – eu discordo, . Idiota. – Mas eu ainda preciso te ver. Bem, querendo ou não, nós temos um filho juntos e isso muda muita coisa, querida.
- , eu já disse que você não precisa participar de nada que envolva o meu filho. – falei entre dentes. – Por que você precisa vê-lo, uh? Você nem sabia da existência dele há poucas horas!
- Porque eu quero ter um filho, ! – confessou e eu apenas o escutei. – Eu sempre quis ter um, mas eu não podia fazer nada, porque Emma não pode ter, entende? Ela não quer adoção, ela diz não querer cuidar dos filhos de outras pessoas. E agora, droga, eu tenho um, entende isso? Eu descobri que tenho um filho biológico... – sorriu, olhando para Johnny. – E ele é lindo. – voltou a ficar sério e a me fitar. – E você não vai me proibir de vê-lo, não mesmo.
- , vamos com calma! – pedi, tentando ser paciente. – Eu não sei se quero você na vida dele... – disse baixo. – Você pode estragar tudo. Você pode estar empolgado agora, mas eu não sei se isso logo vai passar. – passei a mão sobre a minha testa. – Se você começar a se envolver, o que eu vou dizer a ele depois? Como vou apresentá-lo? Pai? Eu não sei se irá dar certo apresentar um pai, cujo nem o sobrenome ele tem. , você é casado e eu já percebi que isso nunca irá mudar. Eu não quero o mesmo futuro incerto para o meu filho, assim como o meu. Eu fui uma idiota deixando tudo isso acontecer, e para quê? Para nada. Acho que o melhor que se tem a fazer agora é fingir que você nunca o conheceu, fingir que você também nunca me conheceu. – respirei enfim.
- Posso te fazer uma pergunta? – perguntou somente e eu acenei um sim. – Se você se martiriza tanto por estar comigo todo esse tempo, por que ficou comigo até hoje? – engoli em seco.
- Não muda de assunto. – cortei-o e ele riu sarcástico.
- , eu já disse, não vou abandoná-lo. E não adianta fugir, eu vou encontrar vocês e você sabe que eu posso. – levantou as sobrancelhas. – Quer tentar fazer isso mais simples ou não?
- Eu te odeio. – vociferei.
- Você não me odeia e sabe disso. – continuou com o tom calmo de antes. – Vamos lá, , diga a verdade e eu direi também... – olhei-o, sem entender. – O que você sente por mim?
- Como se isso importasse. – rolei os olhos.
- Não vai dizer? – encarou meus olhos. Desviei. - , eu estou falando com você. – puxou meu rosto para voltar a fitá-lo.
- , por favor, foco somente no Johnny, ok? Isso não importa mais. – suspirei.
- Ok, eu não vou te pressionar… - cruzou as mãos em cima da mesa. – Mas, algum dia, eu vou repetir essa pergunta e espero que você me dê a resposta... – fitou minha boca. – A resposta que eu quero ouvir.
- Dane-se, ! – levantei-me. – Johnny, vamos para casa, príncipe?
- Eu deixo vocês lá! – levantou-se também.
- Não precisa, nós pegamos um táxi! – peguei meu filho no colo, rapidamente. – Até amanhã, .
- Até lá! – sorriu, colocando as mãos dentro do bolso da calça. Parei o primeiro táxi que passava e lá estava eu, indo rumo à minha casa, tentando digerir tudo o que havia acontecido há algumas horas na minha vida. Olhei para Johnny sentado em meu colo, brincando com o cordão em meu pescoço, tão disperso de tudo o que estava acontecendo à sua volta. Suspirei, cansada de tudo. Beijei sua testa delicadamente. – Minha criança. – apertei-o em meus braços. – Só minha.
***
- É impressão minha ou a elite toda de Londres está aqui? - Nathalie sussurrou para mim, assim que chegamos ao coquetel. É, ela tinha razão, a maior parte da elite estava presente ali. E isso me dava medo.
- Venham, meninas! Quero apresentar vocês a algumas pessoas. - papai estendeu os braços e nós nos entrelaçamos cada uma em um. À medida que andávamos, sentia-me mais deslocada, era por isso que eu não gostava dessas festas. O olhar dessas pessoas sobre nós, julgando-nos sem ao menos nos conhecer. Andamos pouco, pois um casal nos parou durante o percurso.
- Charlie, finalmente chegou! - ele disse animado. Meu pai sorriu e estendeu a mão, cumprimentaram-se rapidamente.
- John, essa é a minha filha, ! - olhou, indicando-me. - E essa é a sua amiga, Nathalie.
- Prazer em conhecê-las, senhoritas! - foi cordial e nós sorrimos em resposta. Ele nos apresentou a sua esposa e emendou com meu pai um papo sobre negócios. Um garçom passou por nós e eu peguei uma taça de champagne.
- Opa, vai devagar, ! - Nath riu, observando-me tomar quase a taça toda de uma vez. Sorri sem graça. - Algum problema?
- Não, tudo bem. - sorri amarelo. - Só estou pensando em Johnny.
- Ele está bem, não se preocupa. - piscou, passando-me confiança. - Sério, será que eu arranjo um namorado aqui hoje? - falou calma enquanto passeava os olhos pelas pessoas. Eu comecei a rir.
- Nath, controle-se! - tomei mais um pouco do champagne; aquilo era bom.
- Tá, ok. Pode ser só um caso mesmo. - deu de ombros, como se estivesse falando sobre frango frito. - Ah, qual é! Você viu quantos caras gatos, gostosos e ricos tem aqui hoje? – é, ela estava certa, eu não podia discordar.
- A maioria tem esposa, amiga. - suspirei, lembrando-me de um certo homem casado.
- É, tipo aquele que está indo falar com o seu pai. - avisou e eu procurei meu pai, avistando-o cumprimentar e a esposa. Droga! - Nossa, ele é realmente gostoso! - murmurou maliciosa.
- Infelizmente! - disse para mim mesma, tomando o resto do champagne e apanhando outra taça assim que o garçom passou por nós de novo. Vi meu pai vindo em nossa direção, com e sua esposa perfeitinha em seu encalço. Oh, céus! Por que ele não poderia pelo menos ser feio? Ajudaria bastante. Ele estava impecável, usando um terno escuro, cabelos penteados para trás e aquele sorriso lindo brincando em seus lábios. Filho de uma...
- Eles tão vindo para cá, ô-ou! - Nathalie murmurou, logo após sorrindo, assim que papai chegou até nós. me olhou de cima a baixo, levantando a sobrancelha. Apenas desviei o olhar, tomando mais champagne.
- , você já conhece o ? - meu pai sorriu.
- É claro! - sorri, levantando a taça. - Como vai?
- Muito bem, e você? - ele sorriu e a mulher dele pigarreou.
- Ah, e essa é Emma, sua esposa. - papai apresentou e, então, eu reparei melhor nela. Emma era uma mulher muito bonita, uma loira, alta, olhos azuis e um sorriso brilhante. O que quer comigo mesmo? - Minha filha, .
- Não sabia que você tinha filhos, Charlie. - ela disse, lançando-me um sorriso animado. - E ela é linda!
- Obrigada. - disse agradecida.
- Hm, sinto que já a vi em algum lugar. - Emma disse vagamente. Engoli seco, havia me esquecido do encontro no café.
- Ah, creio eu que não. – sorri, sem jeito. Outro garçom passou por nós, oferecendo vinho, e eu troquei a taça de champagne por uma de vinho, tomando rapidamente. levantou a sobrancelha, curioso. Os outros também pegaram uma taça.
- Amor, vou ao toilete. - ouvi Emma avisar a , virar-se para nós, sorrir, pedir licença e sair. Papai começou uma conversa animada com Nath, deixando-me sozinha com . Ele sorriu para mim com aquele ar malicioso de sempre e eu rolei os olhos, tomando mais vinho. Ele aproximou o rosto do meu ouvido, discretamente.
- Vai com calma, ! - pediu, vendo que eu tomava quase que desesperadamente a bebida. Quase o mandei tomar conta da vida dele, mas me contive e apenas sorri sem humor. - Ah, e você está linda! - disse, fazendo-me sorrir.
- Valeu. Você também está. - fui sincera e ele riu. Ah, aquela risada.
- , onde estão os homens solteiros dessa festa? Preciso apresentar uns à minha filha. - papai se virou para nós, falando divertido.
- Pai! - repreendi. Eles riram.
- Está procurando namorado, ? - me olhou, intrigado.
- Não só ela! - Nath se intrometeu, rindo. Ok, isso estava ficando desconfortável.
- Se me dão licença, rapazes, vou ao toilete. - avisei. - Nath, vem comigo?
- Claro, ! - sorriu, concordando. - Cavalheiros! - disse e a puxei por entre as pessoas, andando para qualquer lugar que não fosse ali. - Você sabe onde fica?
- Na verdade, não! - parei de andar, encarando-a.
- Ai, ! - rolou os olhos. - Vem, vamos perguntar a alguém. - perguntamos a uma garçonete e logo menos estávamos no banheiro. - Nossa, mas aquele tem um charme, hein? - abanou-se, rindo.
- Ai, Nathalie! Não é para tanto. - encarei-me no espelho do banheiro.
- Ah, nem vem! Eu vi vocês dois de papinho, viu? Conversando muito próximos. - fez um gesto de "estou de olho". Ignorei, voltando para o espelho.
- Não viaja! - suspirei. - Quero ir embora! - virei-me, encostando-me à pia.
- A gente mal chegou, ! - Nathalie fez uma careta. - Nem está tão ruim assim, vai. E você está bebendo pra caramba!
- Claro que não! - olhei-a indignada. Ela cruzou os braços, fitando-me com uma sobrancelha levantada. - Tá bom, talvez um pouco.
- Está acontecendo alguma coisa e você não quer me dizer? – perguntou, enfim. Apenas neguei com a cabeça. - Hm, sei.
- Vem, vamos voltar! - puxei-a de volta para a festa e, assim que saímos, vimos Emma acenar, chamando-nos. Sorri amarelo e nos encaminhamos até onde ela estava com mais duas outras mulheres.
- Ei, meninas, essa é a , filha do Charlie. - apresentou-me. - E a amiga dela.
- Não sabia que Charlie era casado! - a ruiva disse, olhando-me com cara de esnobe.
- E ele não é. - avisei. - Ele é divorciado.
- Entendo. - disse, tomando um pouco do seu vinho. Sorri falsamente. Ouvi um barulho de algo batendo e procurei pelo tal barulho.
- Pessoal, atenção! - e achei. Era , mais à frente, batendo a aliança na taça, chamando nossa atenção. - Quero fazer um brinde. Um brinde à nossa união com a empresa do meu querido Charlie . - levantou a taça. - Graças a vocês, consegui tudo o que tenho. Obrigado a todos os presentes. Obrigada também à minha linda esposa, Emma, por me apoiar sempre. - piscou para ela, que sorriu e mandou beijos. Senti meu estômago revirar. Todos levantaram as taças em concordância.
- Obrigado, . Fico honrado de fazer parte dessa grande família. - papai disse, sorrindo. Você não sabe que família, pai. Logo após, as pessoas se dispersaram e voltaram a conversar. Inclusive Nathalie, que conversava com um rapaz, bem animada. Aproveitei a oportunidade e saí discretamente dali, andando entre as pessoas até sair em um jardim enorme. Uau, tem bom gosto para casas. Avistei uma pequena fonte no meio do jardim e me aproximei dela. Como a minha vida virou do avesso da noite para o dia? Parecia que tudo estava contra mim. Suspirei, abraçando-me, sentindo uma brisa fria passar por mim e, junto com ela, o aroma de um perfume que eu conhecia bem.
- Frio? - perguntou, parando ao meu lado. Observei-o, de soslaio, retirar o isqueiro de estimação do bolso, um cigarro e acender o mesmo.
- Sua mulher não se importa de você fumar hoje? - perguntei, intrigada.
- Eu preciso fumar, estou nervoso! - confessou, dando uma tragada.
- Nervoso por quê? - levantei uma sobrancelha, curiosa.
- Porque toda vez que eu vejo você perto da Emma, eu acho que ela pode descobrir tudo... - riu irônico.
- Eu não vou... - ele me interrompeu.
- E toda vez que eu vejo você tão linda, eu tenho vontade de te agarrar e te beijar. - riu sarcástico.
- Não seja idiota! - desviei meu olhar para o chão.
- Ah, você está aí! - ouvimos uma voz atrás de nós e nos viramos.
- Oi, Nath! - sorri para ela. - Hm, foi um prazer, .
- O prazer foi todo meu, . - sorriu, pegando minha mão e beijando o dorso da mesma. Acenei brevemente e saí de lá com Nathalie em meu encalço.
- Perdi alguma coisa? - disse, assim que voltamos ao salão de festa.
- Não! - dei de ombros. Vi um garçom passar por nós, então o parei. - Ei, o que tem aí?
- Temos whisky e tequila, senhorita. - respondeu educadamente.
- ... - Nathalie repreendeu. Ignorei-a.
- Hm, eu quero whisky! - pedi e ele me deu um copo. Tomei um longo gole e senti o álcool descer queimando, mas era uma ótima sensação.
- Nunca vi você beber tanto, sério! - comentou, preocupada.
- Estava precisando, nada de mais. - eu disse, dando de ombros. Começou a tocar uma música lenta e alguns casais começaram a dançar. - Que ótimo! - revirei os olhos. Quando eu ia tomar mais um gole da minha bebida, senti alguém tomar o copo da minha mão. - Ei!
- Segura, por favor? - entregou o copo para Nath, que o pegou prontamente. - Dança comigo? - estendeu a mão. Rolei os olhos, aceitando.
- Tanto faz! - ele me arrastou para longe e segurou minha cintura. Num impulso, coloquei minhas mãos em volta de seu pescoço.
- Para de beber, ! - murmurou para que só eu ouvisse. Bufei, impaciente.
- Vai ficar me vigiando agora? - falei, meio tonta. Ele apertou as mãos na minha cintura.
- Todo mundo percebeu que você já está bem animadinha. - foi irônico.
- Fodam-se! - sorri sarcástica.
- Por que você está fazendo isso? - perguntou, num tom preocupado, procurando meus olhos.
- Acha que só você está nervoso? - fitei seus olhos. - Acha que eu não estou nervosa por estar aqui? Vê-lo com ela, vendo você a exibir como um troféu para os seus amigos. Acha que eu adoro isso? - desabafei.
- ... - sussurrou, mas eu o cortei.
- Quer saber? Para mim chega! - soltei-me dele, deixando-o sozinho lá. Avistei Nathalie e, assim que me aproximei, ela abriu a boca para falar algo, mas eu já fui logo cortando. - Não fala nada, só me segue. Preciso achar meu pai e ir embora daqui agora. - ela fechou a boca e concordou, seguindo-me, enfim. Assim que encontrei meu pai, vi que estava conversando com a ruiva amiga de Emma. Forcei um sorriso e me meti na conversa. - Ei, pai?
- Ah, oi, querida! - ele sorriu, animado. - Já conhece a minha filha, Liz?
- Aham, já nos conhecemos. - eu disse, sorrindo falsamente para ela. - Pai, eu tenho que ir agora. Norah tem que ir para casa e não posso deixar Johnny sozinho, ok? - concordou, triste.
- Tudo bem, eu levo vocês. - avisou.
- Não precisa, nós vamos de táxi - pedi, sorrindo.
- Tem certeza, filha? - segurou minha mão. Beijei sua bochecha.
- Absoluta! Fica e aproveita a festa, comemora com os seus amigos. - sorri verdadeiramente. - Até mais. Boa festa! - acenei e puxei Nathalie para fora dali. Demorou algum tempo para arranjarmos um táxi, mas assim que encontramos, logo estávamos em casa. Fomos em silêncio o caminho todo, Nathalie só abriu a boca quando estávamos dentro de casa.
- Então... - ela se jogou no sofá, cruzando os braços. - Estou esperando uma explicação.
- Hm, não adianta eu fugir, né? - ela negou. - Certo... - joguei-me ao seu lado. - Está na hora de você saber a verdade sobre mim.
- Sobre você? - perguntou confusa.
- Sobre mim, Johnny e .
Encarei Nathalie pela décima vez após eu ter contado tudo. Resumido, na verdade, sobre e eu. Ela ainda estava com aquela cara de choque, e estava me agoniando.
- Ai, fala alguma coisa, pelo amor de Deus! - pedi, gesticulando rápido. Ela desviou o olhar pra mim.
- Ainda não consigo acreditar nisso - disse baixo. - Por que você nunca me contou?
- Era... É tudo muito complicado - encarei minhas mãos sobre o meu colo. - Não envolve somente a mim, mas várias pessoas.
- Eu queria que você tivesse confiado em mim, - murmurou. Levantei o olhar até ela, Nathalie me fitava com o visível sentimento de decepção. Meu doeu muito.
- Eu sinto muito, de verdade - suspirei. - Já tem muito drama na minha vida, não precisava de mais.
- Hm, então não existe nenhum Adam? - assenti com a cabeça. - E o tal é o pai do Johnny? - concordei de novo. - E o que você pretende fazer agora? Continuar fingindo e mentindo pra todo mundo? Seus pais, a mulher do ... Seu filho? - dei de ombros.
- Eu não sei... - fui sincera. - Eu nunca soube o que fazer por isso me encontro nessa situação.
- , você não pode privar o Johnny de crescer com um pai, sabia? Ele não tem culpa de nada! - aumentou o tom de voz. - Ele é o único inocente nessa história toda.
- Eu sei, tá bom? - falei no mesmo tom. Ela se calou. - Eu tô cansada de saber disso! Por isso eu estou indo com calma, não quero assustar Johnny com essa aproximação toda do - suspirei alto. - Eu tenho medo de me deixar levar com isso e depois magoar o filho. Eu não suportaria vê-lo triste.
- É um risco que você tem que correr - comentou.
- Eu tô deixando eles se aproximarem aos poucos, para eu poder ver a reação de cada um - expliquei, fitando-a, meio apreensiva. - Você não sabe o quanto isso me sufocou durante anos.
- E eu estava aqui o tempo todo pra te ajudar, te escutar - rebateu. Eu suspirei cansada.
- Eu sei, me perdoa? - segurei suas mãos. - Por favor? - Nathalie me olhou por um tempo, e depois sorriu, me puxando para um abraço.
- Claro que perdoo! - me apertou no seu abraço. - Eu não consigo sentir raiva de você, ainda mais quando você precisa de mim.
- Obrigada, amiga - falei sinceramente. Vi Nathalie bocejar assim que nos soltamos, sorri. - Hora de ir dormir, certo?
- É, noite agitada! - fez uma careta e eu concordei, fazendo outra.
- Vem, dorme comigo - levantei, puxando-a comigo. Guiando-nos para o meu quarto.
- Vai abusar de mim? - nós rimos.
- É claro! - falei brincando. Indo até o meu closet e pegando roupas confortáveis para nós. - Que tipo de amiga eu seria se não fizesse isso?
- Idiota! - riu, se jogando na cama. - Sinceramente? Eu quero ver como essa história vai andar de agora pra frente.
- É... - suspirei. - Infelizmente, eu também!
***
Observei Johnny correr na sala enquanto jogava o pequeno carro de brinquedo para um lado e para o outro. Caia no chão e não chorava, pelo contrário, gargalhava alto. Sorri, vendo-o cair mais uma vez e olhar pra mim rindo.
- Cuidado pra não se machucar, meu amor - pedi, me sentando no chão. Ele sorriu e veio engatinhando até mim.
- Cai! - disse rindo. Sorri, passando as mãos no seu cabelinho loiro.
- Johnny, o que você achou do ? - perguntei, mordendo o lábio inferior. Ele se sentou entre as minhas pernas, pegou uma bolinha colorida e brincou com ela.
- O "homi" do caminhão? - perguntou inocente. Assenti, beijando sua bochecha. - Legal! Gosto dele - respondeu somente. - Ele gosta de mim.
- E quem não gosta de você, hein? - mordi seu braço, fazendo-o rir.
- Pára, mamãe! - se virou pra mim, ficando de pé e segurando meu rosto.
- Vou morder você - ameacei, fingindo que ia mordê-lo. Ele riu, aproximando seu rostinho do meu, olhando dentro dos meus olhos. Aqueles intensos do seus grandes olhos, me fitaram por um tempo. Foi impossível não lembrar de . - Te amo, gordinho!
- Tinhamu, mamãe! - abraçou meu pescoço. Retribui, enlaçando seu corpo pequeno em meus braços.
- Tá com fome, príncipe? - perguntei, assim que ele se soltou de mim e voltou a se sentar no chão.
- Quero comer "macão!" - disse animado. Ri, me levantando.
- Certo, vou fazer macarrão pra gente! - sorri, me dirigindo até a cozinha, quando ouvi meu celular tocar. - Atende o celular pra mamãe, filho! - gritei da cozinha, ouvindo Johnny correr até o celular jogado sobre o sofá. Fui até o armário pegando um pacote de macarrão, selecionando uma panela e colocando água nela. Macarrão comum, ao alho ou bolonhesa? Hmm. Ao alho!
- Eu quero, eu quero! - Johnny disse animado ao telefone. Sorri, levantando a sobrancelha. Coloquei a panela no fogo e fui até ele, observando-o segurar o aparelho com as duas mãos.
- Quem é, filho? - perguntei, me agachando até ficar de sua altura.
- Mamãe chegou! - ele anunciou a pessoa. - Toma, mamãe - e estendeu o celular para mim, peguei prontamente.
- Ahm, alô? - perguntei, enfim.
- Que garoto animado! - a voz falou, e eu a reconheci de imediato. - Deve ter energia o tempo todo.
- Claro, ! Ele é uma criança - falei óbvia, me levantando e voltando para a cozinha. - O que você tava falando com ele?
- Ah, nada de mais - falou sem dar muita importância. - Tava o chamando pra passar um dia comigo.
- Você o quê? - quase gritei. - Tá louco? O que eu disse? Era pra gente ir com calma, !
- Ih, calma, ! - ele riu. Desgraçado! - Eu tô ciente de tudo. Eu também não quero assustar o garoto - suspirou. - Mas eu falei sério, quando disse que queria conhecê-lo.
- Você não vai desistir, não é? - perguntei suspirando alto e me encostando a bancada. Ele negou. - O que você tem em mente? - perguntei, dando-me por vencida.
- Quero passar um dia com ele, sei lá - sugeriu, meio nervoso. - Passear, tomar sorvete. Essas coisas que criança gosta de fazer!
- Hm... - fiz, olhando Johnny me fitar com os dedos na boca. - Ele gosta de brincar no parque. Adora desenhar e vive tocando sua guitarrinha pra mim - sorri, lembrando-me. - , sabe que eu vou ficar com ele o tempo todo, certo?
- Eu sei, - suspirou impaciente. - Mas você vai ter que confiar mais em mim.
- Eu vou tentar - confessei, passando a mão na testa. - Quando você quer fazer isso?
- Tenho folga amanhã - explicou. - Queria pegar ele cedo e curtir o dia. Tudo bem?
- Tudo bem, não tenho muita alternativa mesmo - dei de ombros. - Eu o levo para o loft.
- Não quer mesmo que eu saiba onde você mora, né? - riu, sarcástico. - Mas, tudo bem, a gente se encontra lá.
- Tchau, ! - me despedi.
- Ah, ? - me chamou baixo.
- O que? - respondi.
- Eu sinto muito por ontem - pediu, suspirando alto, logo após. Fechei meus olhos, sentindo meu coração acelerar.
- Esquece - murmurei. - Eu que sou sempre a idiota mesmo.
- , não... - ele disse rápido.
- Tchau, ! - o interrompi, desligando depois. - Idiota! - disse entre dentes. - Eu sou muito burra mesmo. - falei baixo.
- "Macão!" - Johnny falou, apontando.
- Droga! - resmunguei, correndo para apagar a água que já tinha secado. - Droga, droga! - xinguei mais algumas vezes, apoiando as mãos na cabeça. Sentindo uma dor imensa se apossando dela.
- Mamãe? - Johnny chamou, e eu mirei minha atenção para ele. - Ele gosta de você!
- O que? Quem? - perguntei confusa. Ele riu, colocando a mão na boca. - Johnny?
- ! - disse meio atrapalhado. Levantei a sobrancelha, confusa.
- Não entendo, meu filho! - o levantei, colocando-o sentado sobre o balcão da cozinha. - Por que você tá dizendo isso?
- Ele me disse - confessou, sorrindo e segurando a minha blusa. - Quero comeeeer!
- Ahm... - balancei a cabeça, tentando colocar os pensamentos em ordem. - Ahm, certo, certo! - tentei sorrir. - Vou agilizar isso aqui, ok? Vem! - o tirei de cima do balcão, colocando-o de volta ao chão. Johnny correu de volta a sala, voltando a brincar. - Gosta de mim? - perguntei a mim mesma, cruzando os braços. Um sorriso surgiu em meus lábios sem que eu percebesse, mas logo voltei à realidade. - não gosta de ninguém além dele mesmo - bufei, voltando a preparar o macarrão. Eu sinto que estou mais perdida do que eu imaginava.
- Obrigada - agradeci ao taxista, depois de pagá-lo e sair do carro. Johnny se mexeu em meu colo, encostando a cabeça em meu ombro, bocejando em seguida.
- "Xoninho" - murmurou, suspirando depois.
- Eu sei, meu amor - passei a mão em sua cabeça. - A gente já tá chegando. Logo você vai brincar muito e o sono vai passar. - expliquei, enquanto andava rumo ao loft. Só mesmo pra me fazer agir assim. Eu estava a ponto de levar meu filho para o homem o qual, há poucos dias, não tinha ideia que tinha um filho. E agora, estava muito animado para conhecê-lo. Isso era loucura demais para mim e para o meu doce Johnny. Mas era como Nathalie disse, eu não podia privá-lo de ter um pai na sua vida. Infelizmente, ela estava certa. Parei de andar e olhei a porta a minha frente. Respirei fundo antes de bater na mesma. Bati uma vez e, logo em seguida, ela foi aberta. Um sorridente e com os olhos brilhando, estava a minha frente.
- Oi, ! - disse enfim. não estava com os seus usuais ternos, mas sim com uma calça jeans, uma camiseta verde clara e tênis. Querendo ou não, eu tinha que confessar que ele estava muito, mas muito bonito mesmo. Ele passou a mão no cabelo, bagunçando-o. E foi ai que eu percebi, eu estava feito uma estátua parada a sua frente, sem dizer nada.
- Ahm, eu... Oi! - falei tremula, me odiando no segundo seguinte. Ele deu espaço para que eu pudesse passar e, assim, eu o fiz.
- Ei, Johnny! - ele sussurrou atrás de mim, chegando perto de Johnny. Ele se mexeu, desencostando a cabeça do meu ombro e fitando o pai, curioso. - Como vai, campeão?
- ! - disse animado, espantando todo vestígio de sono que ainda pudesse ter. Sorri, por saber que ele gostava de . Mas, ao mesmo tempo, sentindo medo por tudo isso acontecer depressa demais. deu a volta, parando a nossa frente.
- Então, pronto para se divertir? - ele perguntou, apertando a barriguinha dele, que riu assentindo.
- Aonde você está pensando em ir, ? - perguntei, colocando Johnny no chão.
- Vocês já tomaram café? - foi até a mesinha, apanhar as chaves do carro.
- Eu tomei, mas Johnny não quis - expliquei, vendo ele sorrir animado. Eu nunca vi sorrir tanto em toda a nossa história.
- Então, eu vou levá-lo para comer em um lugar que eu gosto muito - avisou.
- Mas não corre o perigo de sermos visto? - perguntei, aflita. Isso era um dos grandes motivos por quais nós nunca saímos do loft.
- Tá tudo bem, é um local pouco frequentado por pessoas que me conhecem - piscou maroto. Mordi o lábio inferior, assentindo. - Vamos lá, pequeno Johnny? - perguntou, estendendo a mão para que ele a segurasse. Johnny me olhou, em dúvida. Sorri, assentindo e ele finalmente segurou a mão do pai. o fitou por um tempo, parecendo não acreditar que estava segurando na mãozinha do seu filho. Seu filho, de verdade.
's POV
Lá estava eu, dirigindo para o restaurante Camino, com duas pessoas no meu carro. Minha amante ao meu lado e meu filho no banco de trás. Quando eu pensei que isso aconteceria comigo? Nunca, é a resposta. O carro estava quieto. Johnny estava olhando pela janela, entretido com as lojas que passavam. suspirava a cada cinco segundos, estalava os dedos e passava a mão no cabelo. Não precisava ser um gênio pra saber que ela estava nervosa. A olhei de soslaio. Ela estava mordendo o lábio inferior, como ela sempre fazia quando estava nervosa. Eu adorava isso. Na verdade, eu adorava a forma como ela sorria tímida sempre que eu a elogiava, adorava as caretas que ela sempre fazia quando eu dizia algo bobo, adorava como ela beijava meu pescoço quando eu estava nervoso ou cansado por algum motivo do trabalho. Eu a adorava! Se não fosse por isso, por que ficamos juntos três anos? Suspirei, apertando o volante entre meus dedos. Três anos. Puxa, isso é muito tempo! Eu não me orgulho de trair a minha mulher, não mesmo. Mas eu casei muito novo, Emma e eu sempre fomos amigos, acho que uma coisa levou a outra. Só depois parei pra pensar o quão precipitados nós havíamos sido. E com esse pensamento em mente, pensando o que eu tinha perdido, o quão monótono era meu casamento, quantas mulheres eu perdi por ter me casado, que eu sai com a primeira mulher fora do meu casamento. E ai, já era. Foram uma atrás da outra. Nunca uma tinha durado mais de uma semana. Nenhuma aceitava isso. Mas, ai, eu conheci a . Eu não sei como ela aguentou até hoje. Ela não é desse tipo, senti isso desde a primeira vez que a vi. Agora eu penso que foi por Johnny ou...
- , tá me ouvindo? - me tirou do meu transe.
- Oi? Desculpa! - pedi, sorrindo sem jeito. - O que você disse?
- Johnny estava falando com você - explicou, levantando a sobrancelha. - Tá tudo bem? Você estava meio distraído.
- Tá sim, não se preocupa - dei de ombros. - Fala, Johnny! - sorri, o fitando pelo retrovisor. Ele sorriu ao ouvir seu nome. Eu tinha que confessar, aquele moleque era a minha cara!
- Já chegou? - perguntou, balançando as perninhas.
- Ahm... - visualizei onde estávamos e sorri satisfeito. - Sim, chegamos!
- Nossa... - murmurou, tirando o cinto de segurança. Saiu do carro e foi pegar Johnny no banco de trás. Saí do carro também e esperei que eles viessem para o meu lado. - Que lugar lindo!
- Eu gosto bastante daqui - sorri, olhando para Johnny no chão, segurando a mão da mãe. Ele sorriu de volta, estendendo a outra mão para que eu pudesse segurar também. Sem relutar, eu segurei. E assim, entramos no restaurante.
- Você tá linda! - sussurrei, após observá-la por vários minutos. tirou a atenção do copo do vinho e olhou pra mim, com as sobrancelhas levantadas.
- Como é? - perguntou, confusa. Sorri, vendo sua careta ao não entender.
- Eu disse que você tá linda - repeti, segurando a mão dela sobre a mesa.
- Ahm... Nem vem, ! - tirou a mão da minha.
- , eu sinto sua falta - confessei baixo. Ela estreitou os olhos, balançando a cabeça negativamente.
- Não, não sente - falou, sorrindo irônica. - , eu só vim aqui hoje por causa do Johnny, só isso.
- Por favor, não faz isso... - pedi, voltando a segurar sua mão. Ela as olhou por um instante e depois olhou pra mim. - Eu adoro você!
- , não... - suspirou, fechando os olhos. - Não complica as coisas, por favor!
- Vamos lá, ! - beijei seus dedos, sentindo que ela começava a suar frio. - Fica comigo mais uma vez?
- , as coisas mudaram... - me fitou, séria. - Tudo mudou, você não notou isso? - olhou de relance para Johnny, me fazendo olhar também. Johnny comia uma comida mexicana, que não lembro o nome, muito animado e entretido. Nem ligando para a nossa presença. Ela suspirou alto, voltando a olhar pra mim. - Me esquece, ok? Só me esquece. Não vai ser difícil pra você!
- Por que você acha que eu sou tão frio assim? - falei mais alto. Ela riu, sarcástica.
- Porque, ahm, vamos ver... Você trai sua esposa? - disse como se fosse surpresa. - Você só gosta de si mesmo.
- Mas eu disse que adoro você! - rebati.
- Eu não quero que você me adore! - falou alto, levantando-se. – Eu... Eu preciso ser amada - respirou fundo, fechado os olhos. Passou a mão na testa, controlando o nervosismo. Virei à cabeça, olhando para os carros nas ruas, sentindo meu coração doer. E eu nem sabia o porquê. Estava apertado, minha garganta estava apertada. Parecia que meu coração iria sair pela boca. Estava doendo. Aquilo que ela disse me doeu. - Hm, você pode levar o Johnny para o loft às 18h? - pediu baixo.
- Posso sim - respondi no mesmo tom, desviando meu olhar até ela. Ela olhou pra mim por um tempo, olhando bem fundo nos meus olhos. Abriu a boca pra dizer algo, mas balançou a cabeça negativamente e levantou a mão.
- E-eu já vou - anunciou, se agachando pra ficar perto do filho. - Meu amor... - ela o chamou, e eu não sei o porque, mas eu tive vontade de que aquelas palavras fossem ditas a mim. Mas o que eu tô falando? - A mamãe vai pra casa, tá? - passou a mão sobre o cabelo dele. Johnny sorriu, assentindo. - Se divirta com o . Se quiser ir embora, peça a ele que te leve, ok? - ele assentiu de novo. - Se cuida, meu príncipe! - beijou a testa dele. - Te amo!
- Tinhamu! - ele respondeu, sorrindo. Era isso. Eu não poderia ter aquele amor todo pra mim. Eu jamais conseguiria ter o amor que Johnny tinha pela mãe. Ele sempre me veria como um estranho, um amigo. Mas... Pai? Será que um dia eu conseguiria que ele me chamasse assim. Aliás, o que eu faria com essa criança de agora em diante? não olhou pra mim de novo enquanto andava em direção a porta, não disse mais nada. Apenas se despediu do filho e pegou um táxi. Eu não sei se eu estava pronto pra deixá-la partir... Ir embora de vez. Aquela mulher foi importante demais pra mim. Ela me aguentou mesmo quando nem a minha própria esposa não aguentou. Ela ficou do meu lado quando as coisas não estavam bem. Ela me fez rir quando eu estava pra baixo. Ela me fez... Feliz! Eu não podia deixá-la desistir assim.
- Ei, Johnny! Quer fazer uma surpresa pra mamãe?
's POV Off
SETE
Silêncio. Há quanto tempo eu não tinha silêncio. Nem em casa, nem na faculdade e muito menos no trabalho. Suspirei, jogando-me no sofá. Observei os brinquedos de Johnny espalhados pela casa, lembrando-me mentalmente de ensiná-lo a guardar os brinquedos depois de brincar. Depois de passar no trabalho, avisando que tiraria as folgas atrasadas durante essa semana, decidi vir pra casa estudar. Afinal, minhas provas estavam aí, eu precisava por meus estudos em dia. Levantei, rumando para o meu quarto, disposta a aprender tudo o que eu havia esquecido devido aos atuais fatos. Peguei meus livros e caderno sobre o criado-mudo, sentei-me na cama e me pus a ler. Ler é uma coisa, concentrar-se é outra totalmente diferente. O rosto de e suas palavras martelavam em minha cabeça. Ele achava o quê? Pode ficar comigo sempre que tiver vontade? Pode me fazer de idiota por muito mais tempo? Chega! Pra mim já deu o que tinha que dar. Eu não vou mais me sucumbir aos desejos dele, não vou mais ser a grande idiota da história. Eu só estaria com ele se fosse por Johnny, nada mais. O que eu estava pensando esse tempo todo? Que ele iria largar a esposa e ficar comigo? Eu fui muito imbecil de acreditar nisso. Acreditei na esperança de ele sentir algo verdadeiro por mim, além de desejo carnal. Suspirei alto, largando os livros de lado. Levantei-me, andando até o banheiro, na intenção de tomar uma ducha bem quente pra tentar relaxar. Era sempre assim: só pensar nele que meu corpo explodia com todos os tipos de emoções. Ódio, decepção, abstinência de seu toque, de seus beijos, sentia angústia, culpa e amor. Como consigo sentir tudo isso junto? Eu deveria apenas odiá-lo. Mas não, , você tinha que amá-lo. Arranquei sem dó as minhas roupas, jogando-as no cesto de roupas ao lado. Logo após, enfiando-me debaixo da ducha, sentindo a água me lavar por completa, ou não tão completa assim. Eu era fraca e sabia disso, mas ele não precisava saber, certo? Certo.
Depois de me sentir um pouco mais limpa, finalmente consegui estudar um pouco. Estudei algumas horas até sentir minha barriga roncar, avisando que eu precisava comer alguma coisa. Espreguicei-me logo após, dirigindo-me até a cozinha. Vasculhei meus armários atrás de algo comestível. Tudo o que encontrei demoraria a ser feito, então optei por um pacote grande de Doritos e um copo de coca. Joguei-me novamente no sofá, liguei a TV e enfiei a cara na comida. Dane-se a celulite!
- Eu sei, Nath! Mas o que eu poderia fazer? Eu não ia conseguir ficar lá com ele por muito tempo. Eu precisava desse tempo sozinha também. – confessei, colocando as pernas sobre o encosto do sofá. Ajeitei o celular na minha orelha, pegando mais uma colher de sorvete com a outra mão livre. É, eu ia virar uma gorda. Mas quem liga? Segundos depois, ouvi a campainha soar. Larguei o sorvete no chão e, com muita preguiça, levantei do sofá, indo abrir a porta. E qual foi a minha surpresa quando abri a mesma? Dando de cara com um buquê enorme de rosas brancas. – Ahm, Nathalie, eu te ligo depois! – não esperei ela se despedir e finalizei a ligação. – O que você tá fazendo aqui?
- Bom te ver de novo também, . - ironizou, sorrindo. Rolei os olhos, vendo Johnny segurando sua mão livre enquanto ria. – Eu trouxe pra você! – ele estendeu o buquê em minha direção. Mordi o lábio inferior, em dúvida. – Vamos lá, aceite! Não me faça ficar sem graça.
- Isso não muda em nada, - avisei, pegando o buquê de rosas. Inalei seu perfume por um momento, logo voltando a prestar a atenção ao ser parado a minha frente. – Como descobriu onde eu morava?
- Posso entrar? – ignorou minha pergunta, fazendo outra. Suspirei, vendo Johnny se soltar de e entrar correndo em casa. Abri mais a porta, dando espaço para que ele pudesse entrar também. Ele sorriu, entrando em seguida. – Hm, é um bom lugar! – comentou, andando e observando tudo ali. Parou em frente a um porta-retratos, onde podia se ver uma foto de Johnny em meu colo quando era apenas um bebê. Respirei fundo e fui até a cozinha, arranjando um vaso qualquer para colocar as rosas dentro.
- Você ainda não me disse como me descobriu aqui. – voltei a perguntar, após depositar as rosas no vaso e voltar para a sala. se virou pra mim e riu.
- O seu pai me disse, . - respondeu somente, indo se sentar no sofá. Chamando Johnny com as mãos, esse indo prontamente até ele. o colocou sentado no seu colo, deixando ele brincar com a aliança em seu dedo.
- Como meu pai te disse? Você não contou a ele, contou? – perguntei, horrorizada. Ele negou apenas. – Então...?
- Disse que era do cartão de crédito. – confessou, passando a mão pelo cabelo do filho.
- Hmm... – fiz, olhando a cena dos dois juntos. – E por que você veio até aqui? Nós não tínhamos combinado no loft?
- Eu queria fazer uma surpresa. – sorriu. – Então, surpresa!
- O que você tá querendo com tudo isso, ? – perguntei, cansada. Sentando-me ao seu lado. Ele me olhou por um tempo, sem muita expressão. - ?
- Eu quero você! – confessou baixo, desviando o olhar. – Eu sinto sua falta, .
- Você tem a sua esposa, não precisa de mim. – suspirei, encarando o chão.
- Ela não é você. – alertou, descendo Johnny de seu colo, que correu para os brinquedos jogados no chão. – Poxa, a gente ficou junto tanto tempo. Será que eu não mereço nem um pouco de fé?
- ... – virei-me para ele, puxando sua mão e entrelaçando nossos dedos. Ele prestou atenção em mim, olhando fixamente nos meus olhos. – Eu gosto de você, eu gosto mais do que gostaria que fosse. – suspirei baixo. – Mas sejamos francos, isso não vai dar em nada. – ele ia se manifestar, mas eu continuei. – E você sabe disso tanto quanto eu. Então, por que prolongar tudo isso? Você tem uma vida, uma esposa. E eu tenho um filho e quero um futuro pra mim e pra ele, entende? Eu não posso depender que você um dia vá deixar a sua esposa, porque isso não vai acontecer. – mordi meus lábios, fitando-o, meio apreensiva. – Vamos fazer isso pelo Johnny, ok? Eu não quero privá-lo de um pai, eu sei o quanto é importante crescer com um. Mas, por favor, não torna isso mais difícil do que já é.
- Acho que você tem razão. – soltou as nossas mãos. – Você quer um futuro que eu não posso te dar. Você é mais inteligente que isso. Você não é como as outras, por isso eu te quis tanto. – passou a mão nos cabelos. – Eu quero fazer isso dar certo pelo Johnny. Quero ficar perto dele e vê-lo crescer. Mas eu quero que você saiba que eu nunca quis tanto uma pessoa quanto eu quis você, na vida. – tocou meu rosto com os seus dedos, deslizando-os suavemente. – Você me fez bem como ninguém. Você me deu um carinho que eu jamais poderia imaginar que merecesse ganhar. – contornou meus lábios com o indicador, olhando fixamente para o movimento que fazia. Eu fixei meu olhar no seu, acompanhando-o. – Na verdade, eu não mereço. Acho que você nunca foi aquela menininha que eu achava que era. Você sempre foi essa mulher forte e decidida. Você é linda. – sorriu de lado. – E fica ainda mais a cada dia. – suspirou alto, voltando a entrelaçar nossas mãos. – Não deixa ninguém mais machucar você, tá? Eu já fiz isso demais, não quero que você passe por isso de novo. Eu só queria te pedir uma coisa.
- O-o quê? – perguntei, trêmula. se aproximou mais de mim.
- Eu posso te beijar pela última vez? – pediu. Eu abri a boca sem conseguir dizer nada, vendo passear os olhos por todo o meu rosto, esperando uma resposta. Respirei fundo, fechando a boca e apenas balançando a cabeça positivamente. se aproximou de mim, beijando a minha testa, a ponta do meu nariz, o canto da minha boca e, finalmente, encostando os lábios aos meus. Aquele seria o nosso último beijo, a última vez que eu sentiria o seu gosto. Entreguei-me por completa àquele momento, deixando sua língua explorar minha boca. Coloquei minhas mãos em sua nuca, apertando-a levemente. segurou meu rosto firmemente, sentindo a urgência que aquele beijo era para os dois. Meu mundo podia acabar ali, não estava me importando com mais nada além dos lábios dele sobre os meus. O beijo foi parando aos poucos até se transformar em selinhos. Assim que nos soltamos, nossas respirações estavam pesadas. olhava no fundo dos meus olhos enquanto eu me perdia naqueles olhos incrivelmente . Sua boca estava bem vermelha, imaginei que a minha não estava tão diferente. – Ahm, eu... – ele quebrou o silêncio. – Eu acho melhor eu ir.
- É. – disse somente. se levantou, indo até o filho.
- Ei, campeão! – Johnny o olhou, sorrindo. – Eu já vou indo, tá? Adorei passar o dia com você, tampinha! – bagunçou os cabelos dele, fazendo-o rir. – A gente se encontra em breve. – agachou-se até ele, beijando sua bochecha demoradamente. – Tchau!
- Tchau, ! – ele falou animado, logo depois voltando a brincar. Levantei-me também, acompanhando-o até a porta.
- Hm, obrigada pelas rosas. – agradeci, enfim, assim que ele já estava do lado de fora. Ele deu de ombros, enfiando as mãos dentro do bolso. – Ahm, pode ligar quando quiser falar com o Johnny.
- Eu farei isso. – sorriu sem muito humor. – Bom, tchau, !
- Tchau, ! – encostei-me à porta, vendo-o sorrir antes de se virar e andar até o elevador. Mordi meu lábio inferior, vendo-o passar as mãos no cabelo várias vezes, mostrando-se nervoso.
- , só mais uma última coisa. – virou-se para mim novamente. Meu corpo se alertou.
- O que foi? – perguntei, desconfiada.
- O que você sente por mim? – soltou de uma vez. Respirei várias vezes antes de responder.
- Eu amo você. – falei, sorrindo triste. sorriu, balançando a cabeça positivamente. As portas do elevador se abriram e ele olhou para as duas pessoas que havia lá dentro, depois voltando a olhar pra mim.
- Eu sinto muito... Por tudo. – falou baixo, desviando o olhar e entrando no elevador em seguida. Soltei o ar que prendia, entrando e fechando a porta. Encostei-me à mesma, sentindo o choro que estava preso na garganta querer sair. Vi que Johnny ainda brincava muito entretido, então fui para o quarto. Joguei-me na cama, colocando um travesseiro sobre o rosto, abafando o meu choro que saía com intensidade. Era o choro que guardei por muito tempo, o choro que estava entalado com aquelas palavras: “Eu amo você”. Eu ia sofrer, ia doer muito, ia demorar curar e cicatrizar. Mas seria melhor, seria melhor para nós dois. Se eu tinha certeza? Bom, eu não tinha, mas eu teria que arriscar.
***
- Então, já escolheu o que você quer dar pra vovó? – perguntei a Johnny, vendo-o olhar para a prateleira com diversas coisas. Ele continuou olhando, em dúvida.
- Pônei! – falou animado, apontando para o pônei roxo de pelúcia. Ri com a escolha.
- Tem certeza, meu amor? – ele afirmou ainda mais animado. – Ok, então! – dei de ombros, pegando o pônei que ele indicara e indo para o caixa. – Sua avó vai adorar esse presente. – comentei rindo, olhando para o objeto em minhas mãos. – É para presente! – informei à moça, entregando o pônei a ela. Ela sorriu, assentindo. Franzi o cenho, reconhecendo aquela cabeleira loira, aqueles olhos verdes e... – Emily?
- Sim? – ela perguntou, direcionando o olhar para mim. Sorri. Há quanto tempo não a via!
- Não se lembra de mim? – perguntei, fazendo uma careta. Ela entortou a boca, tentando se lembrar. - ?
- ?! – ela meio que gritou. Eu assenti, sorrindo. - , a brasileirinha? – assenti novamente, rindo. – Ah, meu Deus! Quanto tempo! Como você está?
- Eu estou bem, e você? Nunca mais nos falamos! – falei, animada.
- Ah, menina, estou indo. Trabalhando aqui, como pode ver. – deu de ombros. – E você, o que tem feito?
- O de sempre, estudando e trabalhando – informei. Johnny puxou minha mão, chamando a minha atenção. Ele odiava não ser apresentado e ficar em segundo plano. Acho que era filho de mesmo.
- E quem é essa criaturinha fofa? – perguntou, finalmente olhando para Johnny. Agachei-me até ele, pegando-o no colo.
- Esse é o Johnny, meu filho. – sorri, fitando-o. – Dá oi, filho.
- Oi, oi! – disse ,acenando. Emily sorriu, apertando as bochechas dele.
- Muito lindo você! – falou, sorrindo. – Ele lembra alguém... – franziu o cenho.
- Ahm... – pigarreei. – Então, a gente tem que se encontrar qualquer dia. Colocar os papos em dia, né?
- Eu também acho! – comentou, indo embrulhar o presente, enfim. – Mas então, você se casou?
- Hm, na verdade, não. – fiz uma careta. – Johnny é uma longa história.
- Compreendo! – assentiu, terminando de empacotar o presente. Paguei a ela e peguei o embrulho. – Bom, obrigada. Vê se não some, ok? Sabe onde eu trabalho agora.
- Pode deixar, eu não vou sumir! – sorri, acenando e saindo da loja. Qual seria a reação de Emily se soubesse que até hoje eu me relacionava com aquele cara do pub? Será que ao menos ela sabia de toda a história daquele dia? – Ai, vida! – suspirei, colocando Johnny de volta ao chão e segurando sua mão. – Tá muito pesado, príncipe. – ele riu, colocando a mão livre sobre a boca. – Espertinho! Vamos embora. – avisei, começando a andar para fora do shopping.
- ? – ouvi meu nome ser chamado. Virei meu rosto para onde a voz havia saído, arrependendo-me depois.
- Emma! – disse quase que entre dentes. Ela sorriu, aproximando-se de mim. Ela e um monte de sacolas.
- Como está, querida? – perguntou, sorridente. Sorri amarelo.
- Bem, obrigada. – agradeci, ajeitando a alça da bolsa em meu ombro. Ela assentiu, colocando uma mecha do cabelo sedoso atrás da orelha. Olhou para Johnny ao meu lado, sorrindo.
- Que menino lindo! – comentou, lançando um sorrisinho para meu filho. Ótimo, porque ele é a cara do seu marido, moça. – Quem é ele, ?
- Ahm... – eu abri a boca pra responder, mas fui impedida por Johnny gritando e apontando.
- Mãe, mãe! – puxou minha mão. – O ! – olhei para onde ele apontava e pude ver mais adiante, conversando ao celular distraidamente, não notando nossa presença ali.
- Mãe? – Emma levantou a sobrancelha, intrigada. – Não sabia que você era mãe, menina. – sorriu. – E muito menos sabia que seu filho conhecia meu marido.
- Pois é! – ri, sem graça. – Tenho um pirralhinho. – aproximei Johnny de meu corpo. – E o seu marido conheceu Johnny esses dias na empresa do meu pai, quando fui visitá-lo.
- Entendo! – concordou, parecendo acreditar. – Bom, eu tenho que ir. Mas vamos marcar alguma coisa, qualquer dia, certo? – apenas concordei com a cabeça. – Tchau, mocinho! – acenou, distanciando-se de nós rapidamente. E, rapidamente, também saí dali.
- Que gracinha, ele acompanha a esposa às compras! – ironizei, sentindo uma pontada de ciúmes. É, pois é, tenho ciúmes mesmo. Foda-se!
OITO
’s POV
Tentei me concentrar pela milésima vez nos relatórios jogados na mesa do meu escritório, na minha casa. Afrouxei a gravata, pois me sentia sufocado. Passei a mão no cabelo, bagunçando-o. Eu estava inquieto desde a minha ida à casa de e eu não sabia o porquê. Era isso o certo, não é? Então, por que parece que está tudo errado e que falta algo? Eu odeio esse sentimento! Na minha vida tudo tem que estar certo, no seu perfeito lugar. Mas eu não me sinto assim agora.
- Droga! – soquei a mesa, nervoso. Aquelas três palavras soavam na minha mente como se fosse um CD arranhando. Repetindo, repetindo e repetindo. “Eu amo você”. – Ah, ...
- O quê? – Emma perguntou, entrando de repente no meu escritório. Encarei-a, assustado. Ela sorriu, aproximando-se de mim.
- Nada, amor. Só estou meio nervoso com esses relatórios aqui. – sorri sem humor. Ela assentiu, puxando a minha cadeira para a sua frente e sentando-se no meu colo de frente para mim. – Emma, eu...
- Shh... – ela fez, segurando na minha gravata e aproximando seu rosto do meu. – A gente precisa ficar mais tempo juntos, amor. Faz tempo que você não tem tempo pra mim. – fez um leve bico nos lábios. Suspirei, segurando sua cintura com uma mão e com a outra acariciei seu rosto.
- Sinto muito, linda. – pedi, afastando seu cabelo do rosto. – Eu ando trabalhando muito, então não tenho tempo pra nada. – fiz uma careta. Ela assentiu, beijando minha bochecha.
- Eu sei, . Eu entendo, não fico te cobrando, você sabe. – balancei a cabeça, concordando. Ela se ajeitou melhor no meu colo e mordeu a boca. – Mas eu sinto falta de você, sabe? Sinto falta de como você cuidava de mim e me queria como nunca. – confessou, beijando de leve os meus lábios. – Às vezes, acho que fiquei chata demais e você não me quer mais, por isso.
- Não pensa isso, ok? Não tem nada a ver, Em. – sorri, apertando a sua cintura. – Você é uma mulher incrível, sempre foi.
- Eu te amo! – ela sussurrou, olhando nos meus olhos. Meu coração apertou.
- Eu também te amo... – sussurrei de volta, puxando seu rosto e a beijando profundamente. Eu a amava? É claro que eu a amava! Eu a amo, mas não creio que seja do jeito que ela me ame. E agora eu me sinto péssimo por isso. Emma entrelaçou os dedos no meu cabelo, aprofundando ainda mais o beijo. Passeei minhas mãos por seu corpo, tentando sentir de volta todo aquele calor que eu tinha antes ao tocá-la. Mas não foi isso que aconteceu. Qual é? Emma era uma puta de uma gostosa, sempre foi. E por que parece que agora eu não consigo sentir quase nada quando a toco? Deslizei minha mão para a sua coxa, apertando-a levemente. Emma arfou, cortando o beijo e descendo-o para o meu pescoço. Tirou a minha gravata e a jogou no chão. Abriu os botões da minha camisa, descendo ainda mais os beijos. Fechei os olhos, tentando me concentrar naquilo, mas o rosto de veio à minha mente. Ela sorria de uma forma nada inocente, mordia o lábio daquele jeito que sabia que me provocava. Abri os olhos, depressa. Olhei para Emma e ela retribuiu, sorrindo de lado. Pela primeira vez, eu senti que não ia conseguir fazer aquilo. Não dava. Não com ela na minha cabeça o tempo todo. Puxei o rosto de Emma para me encarar, ela me olhou, esperando alguma ação. Apenas depositei um beijo em sua testa. – Vamos deixar isso pra outro dia, tudo bem? Eu estou realmente cansado.
- Mas, , eu... – ela ia dizer algo, mas se conteve. Apenas suspirou, assentindo. Saiu de cima de mim e arrumou sua camisola. – Eu acho que vou dormir. - apontou para trás com o polegar. Assenti, passando a mão no cabelo. – Ahn, você vai demorar aqui ainda?
- Não, eu também já estou indo. – respondi. Emma apenas sorriu, meio sem graça, e saiu do escritório, deixando-me sem saber o que pensar. O que era esse turbilhão de pensamentos e emoções que eu estava sentindo? Acho que nunca me senti assim. Eu não sou uma pessoa de me preocupar. Mas, no momento, eu estou muito preocupado com isso. Levantei-me e me arrastei até a cozinha, peguei um copo e fui até a geladeira pegar um pouco de água. Sentei-me no balcão, encarando o copo à minha frente. Parecia que minha mente estava presa nela e nada e nem ninguém conseguiria fazê-la mudar. Presa no seu sorriso, no seu beijo e seus toques. Eu sentia tanta falta. Eu a queria em meus braços, mas não só isso, eu a queria comigo agora. Queria fazê-la sorrir, sorrir o meu sorriso. Eu nunca me senti tão bem como eu me senti durante esses últimos três anos. fazia parte da minha vida. Querendo ou não, ela me pertencia. Olhei o relógio do micro-ondas e marcava uma e meia. Eu senti uma vontade absurda de ligar pra ela e ouvir sua voz, só por ouvir. Mirei o olhar para o telefone sem fio na base, sem saber o que fazer. Com certeza, ela estaria dormindo. Batuquei os dedos no copo, indeciso. – Droga, ! – xinguei baixo, puxando o telefone da base e discando os números do celular dela. Chamou uma, duas, três, quatro...
- Alô? – ela atendeu com a voz manhosa e rouca. Meu coração acelerou. – Oi? – perguntou novamente. Fechei os olhos, tentando imaginá-la deitada em sua cama enquanto estava ao telefone. – Eu estou ouvindo a sua respiração! Quem é? - Não! – falei, depois de desligar. Empurrei o telefone para longe, não querendo repetir essa burrada. – Não, não! – falei alto, pegando o copo e jogando-o no chão, fazendo-o quebrar em vários pedaços e fazendo um estrondo enorme. Segundos depois, Emma apareceu na cozinha, toda assustada.
- Oh, meu Deus! – colocou a mão na boca ao ver a bagunça. – Você tá bem? O que houve? – olhei-a por alguns segundos. É, eu não amava como deveria ser.
- Eu deixei cair sem querer... – murmurei. Pulei alguns cacos e fui até ela. – Deixa isso, depois a empregada arruma. – Peguei a sua mão e entrelacei a minha. Dirigi-nos até o nosso quarto, soltei-me dela e fui para o banheiro. Despi-me e entrei no box, ligando a ducha no frio e me enfiando debaixo dela. mexe comigo não só no físico, mas também no meu emocional, acabo de constatar isso. E acabo de concluir que minha ligação com ela não vai ser tão fácil de ser desligada. Tomei o banho mais rápido da minha vida, enrolei uma toalha na cintura e voltei para o quarto. Emma já estava na cama, deitada de lado, de costas para mim. Fui até o closet e peguei uma boxer qualquer e uma regata e as vesti. Fui até a cama e me deitei ao lado de Emma, sem pensar muito, abracei-a. Ouvi-a suspirar e suspirei junto. De longe, essa foi a noite mais longa da minha vida.
- Então é isso, . - Charlie finalizou a demonstração no seu laptop. Concordei, sorrindo. Tinha ficado realmente boa a projeção.
- Ficou ótimo, Charlie! - comentei. Ele sorriu, assentindo.
- Deu trabalho, mas deu tudo certo. - explicou, fechando a tela do laptop. Descansou as mãos sobre a mesa, fitando-me. - E como vai a vida, meu jovem?
- Bem, na medida do possível. - respondi, sorrindo torto. - Sabe como é, mulheres!
- Sei como é. - ele riu, concordando. - Eu tive uma por muitos anos. E, bom, tenho que cuidar de uma ainda. - explicou. Sorri amarelo. Era bem com essa que eu mais temia em lidar. Sua doce filhinha. - Sorte sua ainda não ter filhos. Não sabe como dão trabalho!
- É, sorte minha - falei baixo.
- Sabe, nunca me deu realmente trabalho. Ela é uma pessoa adorável e ajuizada, mas teve esse cara, entende? Ele a iludiu e a engravidou. E o idiota nem teve a capacidade de assumir o filho! - explicou, alterando o tom de voz. Engoli a seco. Eu nunca havia visto ele tão nervoso. - Se eu um dia pegar esse cara, ele vai se ver comigo!
- Vo-Você sabe quem é esse cara? – minha voz vacilou. Apertei meus punhos debaixo da mesa, controlando para não enfiar os dentes nos meus lábios com muita força.
- Um ex-namorado dela. Mas não cheguei a conhecê-lo. – deu de ombros. – Só sei que ele é britânico também. Sabe que minha filha é brasileira, certo?
- Sei sim. – sorri amarelo. É claro que sabia.
- Johnny também fala um pouco de brasileiro. está o ensinando. – sorriu, orgulhoso. – Você precisa conhecê-lo melhor, ele é uma criança incrível.
- Eu imagino que sim, Charlie. – sorri, lembrando-me de Johnny e o nosso dia juntos. – Sua filha não pensa em se casar?
- Ela nunca fala disso comigo, sempre muda de assunto, sabe? – riu, balançando a cabeça. – Essas crianças! – criança, Charlie? Acredite em mim, sua filha não tem nada de criança. Ele abriu a boca pra falar algo, mas foi interrompido pelo soar do seu celular. Levantou o indicador, pedindo um minuto, e atendeu. – Oi, ! – ele sorriu. Eu travei. – Eu estava falando de... Ei, calma, o que houve? – perguntou sério. Franzi o cenho, curioso. – Filha, tudo bem, fica calma! Vai dar tudo certo, ok? Sua mãe está aí com você? – uma longa pausa. – Ok, acalma-se! Eu estou indo para aí, tá bom? Não saiam daí, eu já estou chegando. – e desligou o celular. Encarei-o, curioso e assustado pela expressão de seu rosto pálido.
- O que houve, Charlie? – perguntei, enfim. Ele se levantou rapidamente.
- Meu neto desapareceu! – avisou. Senti o chão debaixo dos meus pés sumir e, por pouco, não caí ali mesmo.
- Co-Como? Como assim desapareceu? – perguntei alterado, levantando-me também. Ele pegou as chaves do carro e foi se direcionando para fora, eu o acompanhei.
- estava no aeroporto esperando o voo da mãe, descuidou-se por um minuto e ele tinha sumido. – explicou rapidamente, andando até o seu carro. Sem rumo e sem saber o que fazer, apenas continuei o seguindo.
- Descuidou-se? – quase gritei. – Mas o que ela pensa que... – parei de falar ao notar o olhar de confusão de Charlie.
- Desculpa, , mas preciso ir agora. – avisou, entrando no carro e eu parei ao seu lado. Mordi a boca e não pensei duas vezes.
- Posso ir com você? – pedi. Ele levantou a sobrancelha, sem entender.
- Ahn, claro, eu acho. – deu de ombros. Assenti e fui até o outro lado, entrando no lado do passageiro. Em poucos minutos, estávamos no aeroporto, entrando no mesmo e indo nos encontrar com elas. Durante esse tempo, minha mente viajou por todas as coisas ruins possíveis que poderiam acontecer com uma criança perdida. Mas me lembrei de que ele ainda devia estar no aeroporto, esperava eu, e me tranquilizei mais. Não sabia qual seria a reação de quando me visse ali, mas resolvi arriscar em vê-la. Assim que as avistamos, vi nos braços de uma jovem mulher de cabelos castanhos, curtos, morena e magra. Na verdade, ela lembrava bastante . estava com a cabeça encaixada no pescoço da mãe, ao que tudo indicava, chorando. Sua mãe cochichou algo em seu ouvido e ela direcionou o olhar para nós. Seus olhos vermelhos procuraram os meus e eu os fixei nos dela. Segundos depois, vi correr para os braços do pai e voltar a chorar. – Vai ficar tudo bem, filha. Nós vamos achá-lo!
- Eu quero meu filho, papai. – choramingava. – Meu príncipe! Eu preciso dele aqui, não posso perdê-lo. – apertou ainda mais o pai. Charlie fechou os olhos, retribuindo o abraço apertado. Mordi minha boca, fitando-a com os olhos cheios de água. Confesso que minha vontade de abraçá-la era mais forte do que nunca. Eu queria que ela soubesse que eu estava ali com ela e que também estava sofrendo com isso. Queria que ela soubesse que eu era seu porto seguro. Mas eu não podia, não deveria.
- Vocês já avisaram a segurança do aeroporto? – Charlie perguntou. apenas balançou a cabeça positivamente, fungando alto.
- Eles estão procurando, mas esse lugar é enorme! – disse num muxoxo. Seus olhos voltaram a me fitar e eu não sabia o que falar.
- Sinto muito, ... – disse a primeira coisa que veio na minha cabeça. Ela mordeu os lábios, assentindo.
- Eu não posso perdê-lo... – disse novamente, mas olhando para mim dessa vez. Suspirei, sentindo minhas mãos formigarem de vontade de abraçá-la.
- Eu vou ver se faço alguma coisa para agilizar essa busca. – Charlie se soltou dela, indo de encontro à ex-esposa. Acompanhei-o com o olhar até vê-los se abraçando e conversando. Girei meu rosto para voltar a encarar e essa tinha a cabeça baixa, com os braços cruzados sobre o peito.
- , eu realmente sinto muito... – comecei, dizendo baixo. – Acredite em mim, tá doendo em saber que ele tá sozinho por aí. – ela fungou alto, avisando que iria chorar novamente. – Eu vou te ajudar a encontrá-lo, eu prometo!
- Obrigada! – agradeceu, limpando algumas lágrimas que teimavam em cair. Observei Charlie se aproximar de nós acompanhado de sua ex-esposa.
- Eu e sua mãe vamos atrás do chefe da segurança, querida. - avisou. - Você pode cuidar dela pra mim, ?
- Claro, Charlie! Pode ir. - respondi, balançando a cabeça.
- Tudo bem, obrigado. - agradeceu, voltando o olhar para a filha. - , já voltamos. - ela assentiu apenas. E, então, eles se distanciaram, deixando-nos a sós. Mordi a boca, fitando com o olhar perdido. Sem esperar mais nenhum segundo, puxei-a para os meus braços e ela os aceitou sem hesitar. chorou em meus braços, finalmente. Afaguei seus cabelos enquanto ela molhava minha camisa.
- Shh! Tudo bem, linda. Vai dar tudo certo! - sussurrei, beijando o topo de sua cabeça. Ela fungou alto. - Me explica direito o que aconteceu? Eu não entendi muito bem. - desenterrou o rosto do meu peito e olhou pra cima, para o meu rosto. Seu rostinho delicado estava todo molhado, mas mesmo assim essa mulher não deixava de ser linda.
- E-Eu estava vindo para cá buscar a minha mãe... - começou, chorosa. - Johnny e eu passamos por uma loja de brinquedos, ele ficou pedindo um carrinho que tinha lá, mas eu disse que não podia. Bom, ele não aceitou, começou a chorar e eu briguei com ele e, então, ele ficou emburrado... - apertava minha cintura enquanto falava. - Quando fui receber mamãe, virei as costas por um segundo e ele sumiu! - voltou a chorar de novo. - Ele é tão pequeno, . Nosso menino pode se machucar!
- Ele não vai se machucar, ... - tentei tranquilizá-la. - Isso aqui é um aeroporto, ele não pode ter ido longe!
- Mas tem gente má aqui dentro. - soluçou alto. Suspirei, beijando sua testa e segurando sua mão.
- Eu tive uma ideia! - avisei. - Você se lembra da loja onde estava o tal carrinho que ele queria? - ela assentiu.
- Sim, mas eu já fui lá. Ele não estava lá! - explicou, balançando a cabeça.
- Se importa se checarmos de novo? - deu de ombros. - Ótimo, vamos até lá! - e assim seguimos até a tal loja. Durante o percurso, nós permanecemos com as mãos juntas. Não me importei, pelo contrário, eu estava adorando aquele contato com ela. Assim que chegamos até a tal loja, me guiou até uma das atendentes, que sorriu aliviada.
- Oh, Deus! É você de novo! - ela disse, olhando para . - Já estávamos acionando a segurança.
- O que houve? - ela perguntou, aflita.
- Achamos o menino! - ela sorriu. - Ele estava escondido debaixo da mesa, por isso não o vimos a primeira vez.
- Oh! - exclamou, colocando a mão na boca. - Onde ele está?
- Venham comigo! - ela pediu, seguindo à nossa frente. apertava cada vez mais minha mão. Entramos em uma salinha e logo localizei meu filho sentado no chão, brincando com um carrinho, despreocupado.
- Johnny! - chamei. Ele virou o rostinho na nossa direção, sorriu e se levantou, correndo desajeitado até nós. me soltou, agachando-se e abrindo os braços. Johnny correu até ela e se aninhou em seus braços. o abraçou tão forte que eu achei que fosse quebrar o garoto.
- Meu amor! - ela sussurrou, beijando toda a extensão do rosto do filho.
- Mamãe! - ele disse animado. Agachei-me também, ficando ao lado deles, observando a cena do carinho e amor entre eles. Mordi a boca, fitando o chão. Pouco depois, senti dois bracinhos envolvendo meu pescoço com força. Retribuí o abraço, fechando os olhos e sentindo aquele carinho verdadeiro que Johnny tinha.
- Ei, garotão! - baguncei seu cabelinho loiro. Afastei-me um pouco para poder olhá-lo.
- ! - quase gritou, rindo. Seus olhos se encontraram com os meus e eu me vi refletido ali. Meu corpo todo estremeceu, meu coração acelerou e eu comecei a suar frio. Meu Deus! Eu amava aquele garoto!
- Você nos deu um susto, moleque! - falei, sorrindo. Ele riu todo sapeca, colocando as mãos na boca. o pegou no colo, levantando-se, enfim. Copiei seu ato.
- Vamos embora? - perguntou, beijando a bochecha dele. - Seus avós estão loucos atrás de você.
- Vovôôô! - falou alto, levantando os bracinhos. Todos riram. Quando saímos da loja, depois de agradecer a atendente umas cinquenta vezes, estávamos voltando ao lugar de antes, mas, durante o caminho, parou de repente. Franzi o cenho, fitando-a.
- Algum problema? - perguntei, estudando seu rosto. Ela mordeu os lábios, encarando meus olhos.
- Obrigada! - falou. Respirei aliviado. - Obrigada por ter vindo e ter ficado ao meu lado.
- Não precisa agradecer, . - coloquei a mão sobre o seu ombro, onde Johnny não estava encostado, acariciando-o. - Eu estava preocupado de verdade. Ele também é meu filho. E, bom... - suspirei, fitando Johnny. - Apesar de você achar que eu só me importo comigo, eu acho que amo esse garoto!
- Isso é bom, muito bom! - ela sorriu, ainda com os olhos e nariz vermelhos. Sorri junto. - Ahn, acho melhor acharmos meus pais, eles ainda estão o procurando. - concordei e, finalmente, voltamos para o local de antes.
’s POV Off
NOVE
- Filha, solta um pouco o garoto! Assim você vai sufocar o menino. – mamãe falou ao perceber que eu não soltara Johnny desde o aeroporto. Sorri meio sem jeito, afrouxando mais os meus braços entorno dele. Johnny se mexeu um pouco e voltou a comer o sanduíche à sua frente. Estávamos em um pequeno restaurante, decidimos parar para comer algo. Eu, mamãe, papai, Johnny e, claro, . Eu estava apreensiva com essa aproximação dele com a minha família. Nunca imaginei estarmos sentados todos juntos à mesa, algum dia. Mamãe encarava com curiosidade, não havia tirado os olhos dele desde que o viu. – Engraçado, sinto que já o conheço, senhor .
- Me chame de , por favor! – ele pediu, sorrindo. Ela concordou, balançando a cabeça. – Eu tenho o rosto comum, deve ser por isso. – Na verdade, ele não tinha o rosto nada comum. Sejamos francas, era único.
- Hmm, pode ser... – ela disse, mirando o olhar para mim. Desviei rapidamente, voltando a fitar Johnny em meu colo. – Seus olhos...
- Mãe! – chamei-a depressa. – Você não me contou como estão as coisas lá no Brasil.
- Estão quentes, querida! – ela riu. – O Brasil está quente como sempre. Mas está ótimo! Caloroso e alegre como deve ser.
- Ah, eu sinto falta de lá! – sorri, lembrando-me da minha infância. – Eu adorava ir à praia depois da aula.
- É, e sempre me deixava preocupada! – lembrou também, rindo. – Você fugia da escola com aquele seu namoradinho de colegial. Qual é mesmo o nome dele?
- Rafael! – falei, mordendo o lábio inferior, logo após. – Sinto falta dele!
- Acho que ele ainda mora perto da praia. – mamãe comentou, pensativa. – Deve estar um rapaz muito bonito hoje em dia.
- É, deve estar. – falei, observando de soslaio, vendo-o fitar o molho de pimenta sobre a mesa.
- Hmm... – mamãe fez, também o observando. Ela era muito observadora e eu odiava isso. – Ele fala português, ? – perguntou ela, falando em português. Neguei com a cabeça, vendo franzir o cenho, não entendendo. Papai levantou a sobrancelha, observando mamãe, entendendo perfeitamente o que ela dizia. – A gente precisa conversar depois, ok?
- Tudo bem, mãe! – concordei com um sorriso amarelo. Johnny se remexeu em meu colo, fitando a avó com um sorriso.
- Eu te amo! – ele disse em português com um sorriso estampado no rosto. Sorri boba, beijando sua bochecha.
- Te amo também, meu netinho lindo! – mamãe apertou as bochechas dele, fazendo-o rir.
- Meninas, vocês estão deixando o sem graça! – papai intercedeu por ele, que sorriu sem jeito.
- Tudo bem, eu preciso mesmo ir! – anunciou, levantando-se. – Ainda tenho que voltar para o escritório. – passou a mão no cabelo, meio nervoso. – Foi um prazer te conhecer, Elizabeth! – ele sorriu para mamãe. Ela acenou com a cabeça, sorrindo cordialmente. - ...
- Obrigada por ajudar! – agradeci, apontando discretamente para Johnny. Ele apenas sorriu, concordando.
- Charlie, a gente se vê no escritório! – deu uns tapinhas nas costas do meu pai, que sorriu, concordando.
- Depois te envio os relatório da projeção. – avisou. assentiu, enfiando as mãos dentro do bolso da calça social.
- Tudo bem. Tchau, pessoal! – e saiu, finalmente. Suspirei aliviada, desviando o olhar de todas as formas que pude de mamãe.
- Tá ok. – papai disse, após sair. – Alguém pode me explicar o que foi essa conversinha entre vocês?
- Conversa entre mulheres, Charlie! – mamãe avisou, não tirando os olhos de mim. Ok, mamãe tinha entendido tudo. Chegou a hora da verdade, .
Depois de colocar Johnny para dormir, juntei toda a coragem que ainda restava em mim e fui até a sala encontrar e conversar com mamãe. Respirei fundo, aproximando-me dela. Mamãe se remexeu no sofá, tirando a atenção do chá para me olhar.
- , quero que confie em mim, ok? – pediu após eu me sentar ao seu lado. Concordei, sem relutar. – Eu preciso que você me conte a verdade. Eu sou sua mãe, você precisa confiar em mim.
- Eu sei, mãe. – suspirei, encarando minhas mãos sobre o meu colo. – Tudo bem, diga o que você quer dizer... Apesar de já saber, eu quero que você diga.
- O é pai do Johnny? – e ela o fez. Respirei fundo várias vezes antes de balançar a cabeça, respondendo-a.
- Sim, ele é o pai do Johnny! – confirmei, sentindo meu coração apertar com a revelação.
- Desconfiei no primeiro minuto em que pus os olhos nele. – confessou, balançando a cabeça. – Está na cara isso, ! Johnny é a cara dele!
- Eu sei, eu sei. – balançava a cabeça para um lado e para o outro, sentindo-a começar a doer. – Eu tive medo de contar e você me julgar, ter vergonha de mim... – meus olhos começaram a arder. Eu iria chorar. – Eu queria muito ter te contato a verdade, mamãe. Eu juro!
- Por que você fez isso, filha? – perguntou com mágoa na voz. – Por que me escondeu isso por tanto tempo?
- Mãe... – funguei, sentindo as lágrimas rolando por minha face. - é casado!
- Mas o quê? – ela quase gritou. - , o que você tem na cabeça?
- Mãe... – murmurei chorosa.
- Eu não acredito que você tenha escondido isso de mim todo esse tempo! – ela largou a xícara de chá sobre a mesinha e se levantou. – Você enganou todo mundo.
- Isso não foi premeditado, mãe! – tentei me defender. – Eu me envolvi com ele e quando dei por mim, estava grávida.
- Que tipo de pessoa com boa educação, com boa índole e com tudo que eu e seu pai te ensinamos, faria uma coisa assim? – acusou-me. – Ele é sócio do seu pai, garota!
- EU SEI! – disse alto. – Ele não era nada dele quando nos conhecemos. Eu era tola e me deixei levar. E quando percebi já estava envolvida demais pra poder sair.
- Você pensou por um segundo nas consequências disso tudo? Pensou na mulher dele, em como ela se sentiria sobre isso? – ela olhou nos meus olhos. – Pensou no seu filho?
- Eu tentei fugir disso várias vezes, ok? Mas eu não consegui. Acredite, eu tentei, tentei muito. – desviei o olhar. - Mas eu não pude me afastar dele.
- E por que não, ? – perguntou, nervosa.
- Porque... porque... – suspirei. – Porque eu o amo.
Houve um breve silêncio. A sala estava quieta e só se ouvia nossas respirações e meu choro. Se tivesse uma faca ali, poderia ser cortada com ela toda a tensão existente. Mamãe balançou a cabeça negativamente, andando pela sala com a mão na cabeça. Voltei ao sofá e me sentei, apoiando as pernas sobre ele e as abraçando.
- Você vai se afastar desse cara imediatamente! – avisou com autoridade. – Não vai mais vê-lo, está me ouvindo?
- Ele é o pai de Johnny! – expliquei o óbvio. – Ele quer ficar perto do filho.
- Isso só vai complicar mais as coisas. – comentou, parando à minha frente. – Eu acho melhor você voltar comigo para o Brasil.
- Fugir não é a melhor escolha, mãe. – fui firme, pela primeira vez, encarando-a.
- Quer ficar e ser taxada de vadia por todo mundo? – vociferou. Senti meu coração ser esmagado ao ouvir minha própria mãe falar assim de mim.
- Você não entende, não é? – falei entre dentes. – Eu não escolhi me apaixonar por ele, eu não escolhi engravidar e ser uma “vadia” como você diz... – alterei meu tom de voz. – Eu não posso apagar o meu passado, mamãe. Confesso que errei, agora eu tento mudar, mas não vou consertar isso do dia para a noite. Mas se eu não tenho o apoio da minha própria mãe, quem vai me ajudar nisso, não é?
- , não inverta as situações. – tentou ser calma. Balancei a cabeça negativamente, levantando-me.
- Esquece! – abanei o ar, indo até a mesinha e pegando meu celular. Enfie-o dentro do bolso da minha calça e rumei para a porta de entrada.
- Aonde pensa que vai? – perguntou, enfim.
- Esfriar a cabeça! – respondi sem olhá-la. – Cuida de Johnny, por favor. Se não for demais para você. – pedi, saindo pela porta e fechando-a com força, logo após. Respirei fundo, tentando controlar o choro que se prendeu em minha garganta. Passei os dedos pelos cabelos, tentando alinhá-los, enquanto esperava o elevador. Assim que as portas se abriram, enfiei-me lá dentro, seguindo rapidamente para o térreo e, finalmente, para fora do prédio. Senti a brisa gelada de Londres tocar meu rosto, dando graças as Deus por isso. Se fosse o calor do Brasil, com certeza, eu estaria muito mais nervosa. Eu sempre ficava nervosa no calor. Enfiei as mãos dentro do bolso e andei sem rumo certo, apenas deixei que meus pés me guiassem para qualquer lugar para longe dessa bagunça toda que minha vida se tornou. Eu sabia que minha mãe iria ficar brava, mas não sabia que isso ia me doer tanto. Vadia. Era isso que ela pensava que eu era. Afinal, eu era isso mesmo? Eu me envolvi com um homem casado, oras! É, , você é uma vadia. Ri sem humor, chegando a uma praça não muito longe de casa. Sentei-me num banco gelado da praça, deixando-me respirar sozinha pela primeira vez.
Eu queria chorar, mas sabia que isso de nada adiantaria agora. Só suspirei várias e várias vezes. Enfiei a mão dentro do bolso, tirando meu celular de lá. Encarei o objeto em minhas mãos, pensando se devia fazer o que eu estava pensando. Entrei no menu e fui até as mensagens. Escrever nova mensagem...
“Eu precisava tanto de você agora.”
Hesitei, pensando bem se enviava ou não. Nós não estávamos mais juntos, o que eu esperava dele? Conforto? Ah, nem eu mesma sabia mais. Eu só sabia que eu o queria ali comigo. Sem pensar muito, enviei a mensagem. Não sabia se ele iria responder, então não criei esperanças. Ou talvez sim.
O celular vibrou em minhas mãos. Respirei fundo, encarando a tela do mesmo, e observei uma cartinha dançar na tela.
“O que houve?”
Era somente o que a mensagem perguntava. Falava ou não? Não!
“Nada importante. Só queria você aqui agora.”
Enviei novamente. Demorou menos de um minuto para a resposta chegar.
“Não mente, . Eu te conheço. O que aconteceu?!”
Ah, que ótimo! Agora ele achava que me conhecia. Suspirei, desviando a atenção do celular e fitando algumas pessoas que também estavam na tal praça. Deu-me certa raiva de ver um casal todo meloso e feliz, mais adiante. Por que mesmo eu não posso ser feliz? O celular voltou a vibrar na minha mão.
“A gente devia conversar. Por que sua mãe estava me olhando daquele jeito? Você contou algo a ela?”
Era tudo o que eu precisava, uma brecha pra iniciar essa conversa. Mas não poderia ser por SMS. Digitei rapidamente uma resposta.
“Você pode ligar ou vir para onde estou? Eu preciso muito falar com você!”
Não demorou muito e meu celular estava tocando audivelmente. Contei até três mentalmente antes de atender:
- Oi. – foi o que eu conseguir dizer.
- Sabia que tinha algo errado! – murmurou. – Onde você está? - Hmm... Uma praça a quatro quadras do meu apartamento. – expliquei rapidamente.
- Ok, estou indo! – avisou e desligou. - Tão educado! – fui irônica, enfiando o celular de volta ao bolso. Comecei a bolar um plano para contar tudo isso a ele, mas nada parecia plausível o suficiente para começar a dizê-lo que minha mãe havia descoberto tudo. Não vi quanto tempo se passou, mas, quando dei por mim, avistei um ser de roupa social andando até mim enquanto passava a mão no cabelo de um jeito nervoso. Não precisou ele estar muito perto para poder sentir o seu perfume tão conhecido por mim. Levantei-me, esperando ele estar realmente parado à minha frente. - ...
- … - ele me imitou. – Quer conversar aqui mesmo ou prefere ir a outro lugar? – Ele não poderia me matar em público, certo?
- Aqui está bom. – dei de ombros, voltando a me sentar. Ele fez o mesmo, cruzando as pernas masculinamente.
- Então, vai me contar o que houve? – perguntou, descansando o braço em cima do banco, ao redor de mim. Suspirei.
- Minha mãe descobriu tudo. – desabafei baixinho.
- Como? Eu não ouvi. – perguntou, não entendendo.
- Eu disse que minha mãe descobriu tudo. – falei, aumentando a voz. fixou o olhar em mim sem dizer nada. Descruzou as pernas e apoiou os cotovelos sobre os joelhos, olhando para os lados.
- Eu sou um cara morto... – riu sem humor. – Eu estou realmente ferrado!
- Eu... Eu sinto muito! – gaguejei, encarando meus sapatos.
- Não! – disse mais alto. – Eu sinto muito!
- Do que sente muito, ? – perguntei, finalmente o fitando.
- Quer saber mesmo do que eu sinto muito? – hesitei, mas ele continuou. – Sinto muito ter entrado naquele Pub há três anos. – confessou, fazendo meu coração se despedaçar por completo. – Sinto muito tê-la trazido para aquele loft e sinto mais ainda você ser tão desejável, bonita e sexy... – franzi o cenho, confusa. finalmente fixou seus olhos em mim. – Mas, principalmente, sinto muito saber que o meu casamento e minha carreira estejam desmoronando e eu só consiga pensar o quanto eu te quero.
- , eu não estou te entendendo… - perguntei, realmente não entendendo nada do que estava acontecendo ali. Ele estava se... Declarando?
- Eu sabia que isso uma hora podia acontecer, ainda mais com a presença de Johnny! – segurou minha cintura, puxando-me para mais perto de si. Prendi minha respiração. – Eu não sei o que você fez comigo, eu não sei o que eu estou sentindo... – ele procurou meus olhos, estudando meu rosto antes de continuar. – Mas eu sei que eu não consigo parar de pensar em você! – disse, enfim. – Eu penso em você o tempo todo, eu não consigo mais tocar na minha mulher porque eu só quero você, !
- Você não pode tá falando sério, está? Pois essa brincadeira não tem graça! – pedi, ainda sentindo meu coração acelerar. balançou a cabeça, negando.
- Eu não sou de brincar, , você sabe. – falou sério. Suspirei. – Se não fosse algo sério, eu não estaria aqui agora, falando isso pra você.
- , você só acha o sexo divertido entre nós. Só isso! Ok, eu também acho, mas você sabe o que eu sinto de verdade por você. – mordi meus lábios fortemente. Ele colocou uma mão no meu queixo, aproximando o seu rosto do meu.
- , eu não estou falando de sexo! – ele sussurrou, deixando-me sentir o seu hálito fresco bater contra meus lábios. – Eu estou falando que eu sinto algo que eu ainda não sei o que é, mas não é só divertimento. Acredite em mim, eu te quero muito, .
- Minha mãe pediu para eu me afastar de você e voltar para o Brasil com ela. – confessei. paralisou.
- Você não vai para o Brasil! – não foi uma pergunta.
- Eu não vou! – respondi, mesmo sabendo disso.
- Ela deve contar isso para o seu pai, seu pai vai me odiar. – fechou os olhos, afastando-se de mim. – Emma logo deve descobrir também.
- , posso repetir uma pergunta que eu te fiz há dois anos? – perguntei hesitante. Ele balançou a cabeça, consentindo. – Por que você ainda está com ela?
- ... – começou, com aquela típica voz dele de que não conseguiria explicar. – É complicado. Emma e eu estamos juntos há um bom tempo. Meus pais e os pais dela se conhecem há anos, todo mundo sabe que somos casados. Amigos e sócios.
- Você tem medo da sociedade, é isso? – franzi o cenho, não acreditando. – Ou você não me leva a sério o suficiente para me apresentar aos seus amigos, sócios e pais?
- Não é isso, . – cruzei os braços, esperando uma explicação. – Não posso simplesmente destruir um casamento assim, do nada.
- Então, por favor, não fala que sente algo por mim! – levantei-me sob o seu olhar. – Você nunca vai me aceitar como... – suspirei alto. – Sua mulher.
- , não faz isso... – levantou-se também.
- Eu só queria te alertar sobre a minha mãe. Bom, já está feito! – sorri sem humor. – Tchau, .
- Não, de novo não! – ele me puxou pela cintura, fazendo meu corpo chocar com o seu. – Eu deixei você ir embora uma vez, não vou deixar isso acontecer de novo.
- É? E o que vai fazer? – desafiei, levantando as sobrancelhas.
- Você conseguiu, ... – ele desviou os olhos, depois voltando a me fitar. – Eu vou me separar da Emma.
DEZ
- , você nem tocou no seu sanduíche! – Ashley comentou, terminando o dela. Fiz uma careta, afastando o prato com o sanduíche de perto de mim. – Você está bem?
- Acho que estou. Só não estou com fome agora. – Sorri amarelo, sentindo meu estômago embrulhar mais uma vez. Ashley me olhou desconfiada, mas acabou concordando.
- Ok, você quem sabe. – Tirou a parte dela da carteira e colocou sobre a mesa, eu fiz o mesmo. – Então, vamos? Eu preciso passar na casa da minha mãe. Ela anda me enchendo o saco, porque diz que não vou visitá-la. – Ela revirou os olhos, rindo.
- Hm, acho que vou ficar aqui no shopping mesmo, Ash. – Tentei sorrir. – Eu acho que vou voltar naquela loja e levar aquela saia, lembra? Gostei bastante!
- Ah, sim. Ela ficou linda em você, . – Sorriu animada. Levantou-se e eu a acompanhei. – Então, tudo bem. Divirta-se! – Aproximou-se de mim e depositou um beijo em minha bochecha. – Depois te ligo, amiga.
- Tudo bem, então. Tchau, Ash! – Acenei, vendo-a se afastar. Respirei aliviada e rumei para o banheiro mais próximo dali. Respirei fundo, tentando controlar a ânsia que me dominava, e fechei os olhos rezando para a tontura passar. Mas não passou. Corri para uma cabine livre e despejei todo o meu café da manhã ali. Havia dias que eu estava assim e isso estava me preocupando seriamente. Após lavar meu rosto e minha boca, tomei uma decisão e rumei para a primeira farmácia que encontrei. Enquanto voltava para a casa, parecia que tinha um mundo dentro da minha bolsa. Sentia-me pesada e com medo, muito medo. Se minhas suspeitas estivessem certas, eu estava muito encrencada. Quando cheguei em casa, corri para o banheiro, tirei o destino do meu futuro da bolsa - o teste de gravidez - e segui todas as instruções indicadas na caixinha. Peguei o bendito teste e fui para a sala do meu apartamento. Coloquei-o sobre a mesinha de centro e me sentei no sofá, esperando os malditos cinco minutos. Coloquei as pernas sobre o sofá e as abracei, fitando aquela coisinha que iria decidir minha vida. Um filho? Eu não estava pronta para um filho; eu mal tinha começado a faculdade. Eu só tinha dezoito anos! Droga!
– O vai me matar! – sussurrei pra mim mesma.
Ouvi meu celular tocar longe, mas não estava com a mínima vontade de falar com ninguém agora. Fixei meus olhos no teste de novo e, juntando toda a coragem que ainda tinha, peguei-o sem olhar direito. Fechei os olhos, contei até três mentalmente e logo os abri, dando de cara com a minha nova realidade.
– Positivo! – falei alto, tentando absorver aquilo. – Positivo. – repeti, sentindo meu rosto esquentar e as lágrimas molharem meu rosto. Eu ia ter um filho!
Ouvi meu celular voltar a tocar. Bufei e fui atrás dele, dentro da minha bolsa, que estava no banheiro. Olhei a bina e meu coração acelerou. .
– O-oi!
- Oi, ! – a voz dele soou do outro lado, fazendo minhas pernas tremerem. – Linda, a gente vai ter que adiar nosso encontro de hoje, ok? Tenho que ir à casa dos pais de Emma com ela.
- Tudo bem. – respondi somente. – Hm, nós precisamos conversar depois, .
- Sobre o quê? Pode me adiantar o assunto? – perguntou daquele jeito curioso e afobado dele. Suspirei. - , espera, acho que... – ele se interrompeu e eu ouvi uma voz feminina. Emma. – Ahm? Claro, amor. Você está linda! – Naquele momento, meu coração se quebrou de vez. E eu soube que teria que cuidar desse filho sozinha. – Ahm, John, depois eu te ligo e a gente resolve aqueles problemas, ok? Abraço! – E, sim, ele desligou na minha cara.
Deixei o telefone cair das minhas mãos e fui me sentar na cama, sentindo-me sozinha - completamente sozinha. Deixei meu choro tomar conta de mim e do quarto. Coloquei minhas mãos sobre a minha barriga e a acariciei.
– Agora somos só nós dois, meu filho.
Virei-me na cama, sentindo-me mole e... Ei, espera! Cama? Abri os olhos devagar e me deparei com um quarto. E eu o conhecia bem. Sentei-me na cama, passando a mão no rosto, tentando despertar por completo. Mas o que eu estou fazendo aqui no loft do ? Sentindo minha cabeça girar, levantei-me devagar e andei até a sala, onde eu o encontrei sentado no sofá, olhando fixamente para um ponto do chão, absorto em pensamentos.
- ?! – chamei-o. Ele virou o rosto até seus olhos se encontrarem com os meus. Sorri levemente e ele apontou o lugar ao seu lado.
- Sente-se melhor? – perguntou assim que me sentei. Acariciou meu rosto e eu balancei a cabeça concordando, achando aquilo tudo meio estranho.
- O que aconteceu? Eu não lembro direito... – Coloquei a mão na cabeça, tentando me lembrar de algo. Emma. – Eu...
- Você desmaiou, . – explicou, soltando meu rosto e voltando a direcionar o olhar para o chão. – Você desmaiou nos meus braços.
- Hmm... – disse apenas. Mordi a boca, olhando seu perfil. - , eu lembro que... – Fui interrompida de novo, mas, dessa vez, pelo seu celular tocando.
Ele tirou do bolso e eu pude ver na bina: “Emma”. E de novo ela. Sempre ela. Olhei para ele, esperando-o atender, mas não foi o que ele fez. rejeitou a ligação e desligou o celular, virando-se pra mim.
- Eu sei que você lembra, . – falou, fitando meus olhos. – Eu também me lembro do que te disse. Eu vou me separar dela e ficar com você... – Um sorriso involuntário se apossou dos meus lábios. – Não vai ser fácil, mas eu preciso fazer isso. Não só por mim ou por você, mas por ela também. – Balancei a cabeça, concordando.
- Você vai ser meu? Só meu, finalmente? – Meus olhos brilharam com a possibilidade. me puxou pela cintura, segurando meu rosto em seguida.
- Eu sou seu nesse momento, ... – soprou contra meus lábios. – Inteiramente seu!
- Querendo ou não, eu... Eu... – Empurrei-o pelos ombros, fazendo-o deitar no sofá. – Eu sempre fui sua, . – Sorri maliciosa, sentindo as mãos dele apertando minha cintura. Passei uma perna de cada lado do seu corpo, abrindo calmamente os botões de sua camisa. – Eu quis negar isso por muito tempo, mas eu não consigo mais. Não dá para negar o que eu sinto e sempre senti por você... – Deixei a camisa deslizar por seus braços, deixando seu peito à mostra. Beijei cada pedaço dele, subindo para o seu pescoço, sua bochecha... – E eu quero você como nunca. – sussurrei antes de finalmente beijar sua boca. De novo, eu senti como era bom beijá-lo, sentir suas mãos passeando pelo meu corpo, sentindo-me uma mulher em seus braços - a mulher que ele me tornou, aquela mulher desejada que ele me fazia sentir e só ele sabia fazer isso.
puxou minha blusa para cima, lançando-a a algum lugar. Reverteu nossas posições, sentando-se e me fazendo sentar em seu colo, beijando toda a extensão do meu colo enquanto eu me anestesiava de prazer em seus braços.
- Céus! Como eu senti falta do seu corpo, ! - murmurou contra os meus lábios, logo descendo os beijos até meus seios sob o sutiã. A cada toque seu, eu me arrepiava. Minha pele gritava por mais. Ele pressionava seu corpo cada vez mais contra o meu e eu ia perdendo o fôlego a cada segundo que passava. Eu podia estar me iludindo de novo, mas quem liga? Eu precisava dele - eu precisava daquilo novamente. No dia seguinte, talvez, eu fosse me arrepender de tudo - ou talvez não. Mas de uma coisa eu sabia: eu o amava mais do que imaginava amar alguém.
- , me responde uma coisa? - perguntou enquanto estávamos deitados no carpete fofinho na sala.
- Hm? – incentivei-o a continuar. Ele acariciou meus braços e eu me aninhei em seu peito.
- Você já esteve com alguém, além de mim, aqui em Londres? – ele foi firme. Mordi meus lábios, incerta se contava a ele que até tentei me relacionar com outros caras, mas não consegui.
- Por que você quer saber isso? – perguntei, deslizando minha mão sobre o seu abdômen.
- Porque fiquei curioso. Não devo? Foram tantos assim? – Levantou o rosto e eu o fitei, rindo.
- Não, seu bobo! – Dei um beliscão em sua barriga, fazendo-o soltar um resmungo, seguido de um riso. – Eu tive apenas um, mas não deu certo.
- Que bom! – murmurou, roubando-me um selinho.
- E você? – Mordi meu lábio inferior, apoiando-me sobre seu peito e fitando-o. – Mesmo estando comigo, procurou outras mulheres?
Ele suspirou, passando a mão no meu cabelo e afastando minha franja molhada da testa.
- Você me conhece, . Sabe que não sou nenhum santo... – Concordei, arrependendo-me de ter feito essa pergunta. – Eu estive com outras mulheres, mas foi logo no início.
- Hm... – resmunguei, sentindo meu coração acelerar. – E por que não continuou se encontrando com elas depois?
- Você quer mesmo ter essa conversa, linda? Não me sinto confortável falando disso com você. – Fez uma careta, roubando-me mais um beijo rápido.
- Tudo bem! Só fiquei curiosa! – Dei de ombros, voltando a deitar sobre o seu peito. – Quando você pretende conversar com a Emma sobre a separação?
deu um longo suspiro antes de responder.
- Sinceramente? Eu não sei... Mas prometo que vai ser logo. Eu já enrolei tempo demais. – Colocou a mão nas minhas costas, fazendo um carinho bom que me deu sono, mas fui despertada pelo meu celular tocando.
- Ahmmm, que preguiça! – resmunguei, levantando-me e indo atrás da minha calça. Capturei-o dentro do bolso e visualizei quem me ligava. Era o número da minha casa, então só poderia ser minha mãe. – Droga! É minha mãe. Johnny deve ter acordado. – Suspirei cansada. Procurei pelas minhas roupas íntimas, achando-as em lugares diferentes da sala. Logo as vesti, bem como as minhas roupas. também se levantou e começou a se vestir. – Ah, queria tanto ficar aqui com você hoje! – Aproximei-me dele, ajudando-o a fechar os botões da camisa. – Queria passar a noite com você.
- Você tem que cuidar do nosso filho, . - falou, enlaçando-me pela cintura. Concordei, fazendo um bico. – Eu te levo para casa.
- Não precisa! Eu pego um táxi! – Abanei o ar, dando de ombros.
- , eu quero te levar! – avisou autoritário. Sorri, concordando.
- Tudo bem, então. – Entrelacei nossas mãos e ele não relutou - pelo contrário, apertou-a mais. Sorri internamente. Pegou sua carteira, a chave do carro e o celular. E, então, finalmente fomos para a minha casa.
Quando cheguei em casa, mamãe não estava. Nem ela e muito menos Johnny. Vi um bilhete ao lado do telefone, avisando que ela havia saído com Johnny até um parque ali perto, já que ele estava querendo brincar com outras crianças. Pobre Johnny. Suspirei, largando o bilhete lá e rumando para o meu quarto. Precisava tomar um bom banho. Despi-me rapidamente e fui até o banheiro. Antes de entrar embaixo da ducha, mordi meus lábios e fitei meu reflexo no espelho. Eu não era a mais bonita das mulheres, mas também não era das mais feias. Eu era “bonitinha”. É, era isso - apesar de não entender como um homem como podia ter se atraído por mim. Olhei para o meu corpo, sentindo-me bem com o que via. Mesmo depois da gravidez, eu lutei bastante e consegui ter o meu corpo magrinho de volta. Disso eu não podia reclamar. Ser jovem, nessas horas, tem suas vantagens. Finalmente entrei no box e liguei a ducha, sentindo aquela água quentinha me molhar por inteiro. Demorei uns bons minutos ali, pois quando saí, ouvi a vozinha de Johnny já em casa. E esta estava meio chorosa.
- Mamãããe! – Ele entrou no quarto, gritando. Enrolei a toalha no meu corpo e me agachei, ficando à sua altura.
- Oi, meu amor! O que aconteceu? – perguntei, afagando seu cabelinho loiro. Vendo aqueles enormes globos se encherem de água. Mamãe entrou no quarto também, logo depois dele.
- O menininho falou que eu não tenho papai! – choramingou, fechando as mãozinhas e as esfregando nos olhos. Meu coração se apertou. Direcionei o olhar para minha mãe, que tinha aquele olhar de “eu te avisei que isso aconteceria”. Suspirei, limpando suas lágrimas. – Cadê meu papai, mamãezinha?
- Ah, filho, é complicado! – Fiz uma careta, tentando pensar em algo para falar. – Você tem um pai, meu anjinho. Todo mundo tem um, tá? Mas o seu está longe, longe. – menti, sentindo meu coração cada vez mais se quebrar. – Mas você pode ter certeza que ele te ama, ok? Ele te ama assim como eu te amo. E eu te amo muito, meu pequeno! – Abracei-o apertado. – Te amo demais! Eu não sei o que seria da minha vida sem você. – Beijei sua bochecha, tentando sorrir logo depois. Limpei uma lágrima que escorreu pelo meu rosto e que tentei inutilmente segurar. – Mas você tem a mamãe, ok? Serve pra você?
- Serve! – Ele sorriu, finalmente. – Tinhamu, mamãe!
- Oh, meu pedaço de gente! – Abracei-o mais forte. – Ei, que tal tomar um banho? Você está sujinho. Tem que tomar um banho pra gente poder comer o jantar, tá?
- Está bem, mamãe! – Pulou, sorrindo, mudando totalmente de humor e correndo para fora do quarto. Sentei-me no chão, sentindo as lágrimas chegarem com força. Cobri meu rosto e desatei a chorar. Chorar de soluçar.
- Eu sou uma péssima mãe! – murmurei aos soluços.
- Não, você não é, ! – Ouvi a voz de minha mãe dizer. Solucei ainda mais. – Isso você não pode dizer. Eu não permito! Apesar de tudo, você soube educar e criar bem essa criança. Você fez isso sozinha e fez muito bem. Você cometeu erros graves, mas isso eu não posso negar que você soube fazer. – Ela se aproximou de mim, puxando-me para cima e me fazendo olhar para ela. – Eu te eduquei, . Eu fiz a minha parte como mãe e, acredite, você também está fazendo a sua. – Concordei, balançando a cabeça. – Mas você sabe que não vai poder esconder isso dele por muito tempo, né? Uma hora ele vai crescer e vai querer entender o que aconteceu com o pai dele. E aí?
- Eu me viro até lá! – Soltei-me dela, indo até meu closet.
- Bom, você é a mãe dele; sabe o que faz! – Deu de ombros, saindo do quarto. Suspirei alto, pensando em como eu iria fazer se não cumprisse sua promessa e não se separasse de Emma. Johnny ia sofrer. Eu ia sofrer. Eu ia matar - ia fazê-lo se arrepender de ter entrado na minha vida. Porque ninguém machuca o meu filho sem sair impune.
- O quê? Despedida? – falei alto, não acreditando. Era só o que me faltava: despedida. – Mas... Mas... – gaguejei, deixando meu corpo cair sentado na cadeira atrás de mim. – Senhor Green, eu preciso desse emprego. Eu sei que estou em falta ultimamente, mas eu prometo melhorar. As coisas na minha casa não estão muito bem e...
- Sinto muito, ! – ele balançou a cabeça, usando seu tom cansado. – Eu não posso fazer mais nada por você. Eu já até contratei outra garçonete para ocupar o seu lugar. – respirei fundo, concordando.
- Tudo bem! – levantei-me, tentando ao máximo segurar as lágrimas. – Obrigada, de qualquer maneira, por ter me deixado ficar aqui esse tempo todo.
- Não por isso, querida! – sorriu fraco. Balancei a cabeça, positivamente. Dei um breve aceno e saí de sua sala. Decidi sair pela porta dos fundos, pois não queria ser vista por nenhuma das meninas. Era isso. Estava desempregada, com a faculdade trancada – não contei esse fato? – e com um filho para criar. Parabéns, !
Dei um pulinho de susto quando senti meu celular vibrar no bolso da minha calça. Praguejei, tirando-o de lá e fitando a bina: número desconhecido. Bufei, mais alguém querendo encher o meu saco.
- Alô? – atendi sem animo.
- Oi? Alô, quem fala? – a pessoa perguntou. Era uma voz feminina, diga-se de passagem. - Ahm, quer falar com quem? – fiz outra pergunta.
- Com a , esse número é dela? – falou, enfim. Franzi o cenho, desconfiada. - Hm, é sim. É ela quem tá falando. Quem é?
- ? – ela sorriu. – Ufa! Ainda bem que você ainda usa esse número, porque era o único que eu tinha. – riu. E eu ainda não sabia quem era. - Quem está falando? – tornei a perguntar.
- Uh, claro! – riu. – É a Emily, ! – identificou-se, e eu finalmente reconheci a voz. - Ei, Emily! – sorri, finalmente. – Que devo a honra da sua ligação?
- Ah, encontrei com a Ashley. Lembra-se dela? – concordei, lembrando-me. É claro que eu lembrava. – Então, nós conversamos por um tempão, nos lembramos de muitas das nossas noitadas! – rimos. – E a gente tá querendo repetir uma hoje, topa? Por favor, diz que sim. Siiim? - Ai, Emily! – entortei a boca. – Você sabe que eu não sou mais de sair assim, né? Eu sou mãe agora.
- Mas a gente não vai fazer nada de errado, ! – avisou. – Só vamos relembrar os velhos tempos. Qual é, vamos nos divertir! - Hmm... – Diversão? Há tempos que eu não sei o que é isso. Só é problema atrás de problema, preocupação e noites sem dormir. Quer saber? Eu tenho quase vinte e um anos e mal aproveitei minha vida. Eu mereço! – Onde e que horas?
- Ahh! – ela soltou um gritinho animado. – Que bom que você vai! Bom, é naquele pub perto do Hyde. – Claro, tinha ser lá. O pub onde eu e nos conhecemos. – Aparece lá pelas nove horas, ok? - Ok, então. Até mais, Emily! – nos despedimos e, então, desliguei. Suspirei alto. Era isso, eu ia me divertir de novo. Espero que dê tudo certo e que eu esteja fazendo a coisa certa.
Johnny estava sentado na minha cama, pintando um livro de desenhos, distraidamente. Olhei meu guarda-roupa, indecisa de qual roupa usar hoje à noite. Onde estavam minhas roupas de noite? Minhas roupas... Sexy? Oh, eu me tornei uma pessoa tão não sociável assim?
- Ótimo! – resmunguei, vasculhando por entre minhas roupas. Peguei um vestido verde, coloquei na frente do corpo e me olhei no espelho. – Blerght!
- Blerght! – Johnny me imitou, fazendo-me rir.
- Tá feio, né, príncipe? – ele riu, concordando. – É, também achei! – revirei os olhos, jogando-o de volta ao guarda-roupa. Passeei os olhos pelas minhas blusas e parei em uma preta, mullet e que mostrava um pouco da barriga. – Hmm... – fiz, pegando-a e a colocando na frente do meu corpo. – E essa, Johnny?
- Bonita! – sorriu, mostrando o sorriso falho.
- Então vai ser essa! – decidi, colocando-a sobre a cama e me sentando ao lado do meu filho. – Filho, a mamãe vai sair hoje à noite, tudo bem? A tia Norah vai ficar com você enquanto eu estiver fora, já que a vovó voltou para o Brasil. – suspirei, lembrando que ela voltou e ainda não tínhamos nos resolvido. Vai ser complicado. Balancei a cabeça, espantando os pensamentos ruins, hoje eu só preciso de boas vibrações. – Comporte-se, ok?
- Tá, mamãe! – concordou, voltando a pintar seu desenho. Aproveitei que ele estava entretido no desenho e decidi ir tomar banho. Demorei no banho, fiz o meu banho longo e quentinho que eu tanto amava. Quando saí, Johnny já estava deitado na minha cama, dormindo. Sorri, indo até ele e depositando um beijo em sua testa. Voltei ao closet e peguei minhas roupas íntimas, não sei o por quê, mas me deu vontade de usar algo mais ousado, então peguei meu conjunto vermelho e o vesti. Coloquei a blusa preta e uma calça jeans justa. Assim que terminei de vestir, a campainha tocou. Era Norah.
- Ah, Norah, obrigada por vir! – agradeci, voltando para o quarto e sendo seguida por ela.
- Ah, que isso, ! – deu de ombros, sorrindo. Viu Johnny dormindo na cama e se sentou ao seu lado. – Esse mocinho nem me dá trabalho! – sorriu, passando a mão no cabelo dele.
- Ele é um amor mesmo! – sorri, toda coruja. – Ah, ele já jantou, ok? Você dá um leite morno pra ele mais tarde, tudo bem?
- Pode deixar, eu cuido dele. – garantiu. – E aí, vai pra onde? To gostando de ver, saindo pra se divertir.
- Vou sair com umas velhas amigas. – sorri, animando-me. – Acho que to precisando disso ultimamente, sabe? Minha vida anda uma loucura!
- Eu sempre te incentivei a isso, mas você nunca me ouvia. – ri, concordando. Fui até o banheiro e fui fazer minha maquiagem, fiz uma maquiagem não muito pesada, mas não muito leve, também. Sequei meu cabelo de um jeito meio bagunçado, jogando-o para o lado. Pronto, eu estava pronta. Sorri, nervosa, olhando-me no espelho. Parece que eu não sei fazer mais isso. Ri sozinha, voltando ao quarto.
- Então? Como estou? – perguntei, dando uma voltinha.
- Linda, né? – Norah sorriu, batendo palminhas.
- Ai, preciso confessar que estou nervosa por sair de novo, sabe? – ri, sentindo-me ainda nervosa. – Espero que dê tudo certo.
- Vai dar, não se preocupe! – concordei, indo pegar minha bolsa e calçando minhas sandálias.
- Bom, deseje-me sorte! – sorri. – Boa noite, Norah! Cuida bem do meu menino, tá?
- Divirta-se, ! – sorriu, encorajando-me. É isso aí, let’s go to the party, baby!
- Espera, espera! – Ashley pediu, tomando mais um gole da sua vodka. – Conta isso de novo, Emily!
- O quê? É verdade, oras! – riu, dando de ombros. – Ele me ofereceu um drink e algumas horas mais tarde nós estávamos no apartamento dele.
- E você tem certeza que é o filho do governador? – perguntei, chocada. Ela concordou. – Qual é! – rimos.
- Sortuda! – Ashley riu. – Ei, garçom! – chamou, mas ele não olhou. Então, ela assobiou alto e ele a viu. Nós rimos. Na verdade, eu estava rindo de qualquer coisa. Até se uma folha caísse no chão eu acharia graça. Bêbada? Não, claro que não. – Traz mais uma rodada de vodka pra gente.
- Não, Ash! – falei, sentindo-me mole. – Eu tenho que ir embora!
- Só mais uma, vai? – pediu, fazendo biquinho. Rolei os olhos, rindo, e concordei. – Yay! – riu. – Ok, traz lá! – e o garçom foi.
- Ash, você deveria conhecer o filho da . - Emily disse, fazendo uma voz fofa. – Ele é uma gracinha!
- Ele é lindo! – corrigi, sendo coruja. – É meu filho, né?
- Convencida! – Emily riu, dando-me um empurrãozinho no ombro. – Olha essa garota, por favor, não parece que você é mãe.
- É, mas eu fiquei horas na academia. – comentei, fazendo uma careta.
- Ei, me conta uma coisa... – Ashley começou. – Quem é o pai do seu filho? – perguntou, enfim. Mordi os lábios, suspirando em seguida.
- Vamos mudar de assunto? Vamos beber, por favor! – pedi, pegando meu copinho de vodka e tomando tudo de uma vez. – Arght! – fiz uma careta, sentindo o álcool queimar enquanto descia por minha garganta. – Eu preciso de mais!
- Uh, vai com calma! – Emily riu, colocando o restante da garrafa no meu copo.
- Vai por mim, isso ainda é pouco. – avisei, levantando o copinho cheio e tomando tudo mais uma vez. – Cheers! Depois de mais uma garrafa de vodka e risos, eu não sabia mais quem eu era. Eu sabia que estava tarde e eu precisava voltar para a casa. Espera, onde fica mesmo?
- Ok, já chega, ! – Ashley falou, tirando o copo da minha mão. Fiz um biquinho choroso. – Acho melhor irmos para a casa.
- Concordo! – Emily disse, levantando-se e cambaleando. Riu. – Ops!
- Suas fracas! – Ashley riu e eu vi tudo girando. Legal! - , vou chamar um táxi pra você. Qual é o endereço da sua casa?
- Endereço? Hmm. – fiz uma careta, tentando lembrar. – Acho que é na quatro, não, espera! Acho que é na seis com a oito... Ih! – gargalhei. – Não sei. – dei de ombros.
- Não acredito! – Emily riu. – Idiota! Me dá seu celular, sua bêbada!
- Você que tá bêbada! – apontei, rindo.
- Anda logo, ! – exigiu. Mostrei a língua, entregando o meu celular pra ela. – Hmm, quem está na sua discagem rápida... – vasculhou meu celular. – Papai? Não, não vamos meter o senhor na bagunça. Próximo! – falou alto, voltando a vasculhar. – Hmm, acho que temos um escolhido. – sorriu maliciosa, piscando pra mim. Eu? Eu apenas ri.
’s POV
Traguei mais um pouco do cigarro e soltei a fumaça, de uma forma prazerosa. Suspirei, fitando a cidade da janela. Bela noite pra ficar sozinho, . Mas é melhor Emma passar uns dias na casa da mãe, vai ser mais fácil depois. Ou não.
- Mas que droga! – praguejei, ouvindo meu celular tocar em cima do sofá. – Não quero te atender, seja lá quem for! – falei sozinho, tentando ignorar aquele som estridente. – Saco! – xinguei, indo até ele pronto para desligá-lo, até ver a bina. Chequei o horário e essa não era uma hora muito típica para a me ligar. Atendi imediatamente. – Alô, ? Tá tudo bem?
- Oi? Ah, não é a ! – uma voz feminina avisou. Franzi o cenho, não entendendo. – É uma amiga dela! – ela quase gritou, devido ao intenso barulho que estava lá, seja onde for que ela estava. - Aconteceu alguma coisa com a ? – perguntei, enfim. Ela riu. Louca!
- Ela tá bem, cowboy! – riu novamente. – Ela só está... Alegre demais para lembrar o próprio endereço! Sorte sua, você foi o sorteado na discagem rápida dela para vim buscá-la. - O quê? A tá… Bêbada? – perguntei, não acreditando. Ela riu, concordando. Ouvi sua voz de fundo, cantando? Oh, não! – Ok, onde vocês estão?
- Estamos na... Ei, alguém sabe o nome desse lugar? – ela pareceu perguntar para alguém, ouvi vozes, mas não entendi o que disse. – Olha, é o único pub perto do Hyde! - Hm... – ri, irônico. – É o Diablo Pub! Escolha interessante.
- É, longa história desse lugar! – falou nostálgica, voltando a rir. – E aí, virá? - Tudo bem, estou indo. Cuida dela aí, por favor! – pedi.
- Relaxa, cowboy! – e desligou na minha cara. - Droga! – resmunguei, pegando minha carteira e as chaves do carro, rumando para aquele lugar, o qual eu conhecia bem. Ri sozinho enquanto dirigia. Qual é, a vida vive tirando sarro da minha cara. Coincidência? Acho pouco provável. Andei o mais depressa possível até lá, assim que cheguei, tive que respirar fundo antes de entrar no local. Havia um bom tempo que eu não entrava ali. Na verdade, desde que conheci . Sorri, lembrando-me do dia. Balancei a cabeça, enfiando as mãos dentro do bolso e, finalmente, entrei no pub. Não demorei muito a encontrá-las, porque só tinha uma mesa onde havia três garotas rindo muito alto e chamando a atenção de todos os caras presentes ali. Bufei, chegando mais perto. – Boa noite, garotas!
- Wow! – uma loira, que estava ao lado de , falou. – Olá, bonitão!
- Oh, droga! - resmungou baixo, mas não o bastante para que eu não ouvisse. Abaixou a cabeça, encostando-se à mesa.
- Ei, você deve ser o tal , né? – a ruiva perguntou e eu concordei. – Hmm... – olhou-me de cima a baixo, sorrindo de canto. - sortuda.
- Ahm, acho melhor levá-la pra casa! – avisei, querendo encerrar com aquilo tudo logo.
- Ei, como você se chama? ? – a loira voltou a perguntar. Balancei a cabeça, concordando. – Oh, cara! Eu te conheço!
- Acho difícil, moça! – sorri, sem jeito. Andei até , levantando seu rosto. - , vamos para a casa, por favor! – pedi, segurando-a pelo o braço e a levantando.
- Hm, oi! – ela sorriu, de um jeito bêbado. – Como me achou, doçura?
- “Doçura”? – eu tive que rir. – Vamos lá, você precisa descansar!
- É ISSO! – a loira gritou, de repente. – Eu conheço você... – ela apontou. – Conheço você... DAQUI!
- Daqui? É possível, eu já vi aqui algumas vezes! – expliquei, começando a ficar desconfiado.
- É claro! – ela balançou a cabeça, tentando lembrar. – Você estava com o Tony! – e nesse minuto eu parei, olhei para ela e, sim, eu a reconheci da noite em que conheci . Tirando sarro de mim de novo, vida?
- , eu estou com sono! - choramingou, jogada em meus braços.
- Ahm, claro! Já vamos! – falei, acordando de meu transe. – Se cuidem, meninas! – acenei, saindo rapidamente de lá. – Ok, se segura!
- Mas o que você... – ela se interrompeu, sentindo-me pegá-la no colo e levá-la até o carro. – Hm, você é fortão! – riu, jogando a cabeça para trás.
- Cuidado, ! – pedi, vendo-a piscar longamente. Ela sorriu, olhando meu rosto. Levantei as sobrancelhas. – Tudo bem?
- Céus, como você é lindo! – falou, de repente. Sorri, negando. – Sério! Nossa!
- Ai, ! – coloquei-a sentada dentro do carro, finalmente. Mas assim que ia soltá-la, ela agarrou a gola da minha camisa.
- Já disse o quanto você é gostoso? Sério, , você é muuuuuito gostoso! – gargalhou, jogando a cabeça pra trás. Apenas ri, soltando-me dela e dando a volta no carro, entrando no lado do motorista.
- Sua mãe ainda está na sua casa? – perguntei, ligando o carro.
- Nãnão! – falou mole. – Johnny está com a Norah. – sorriu. – Ela é uma gracinha!
- Imagino que sim! – sorri também, dirigindo até o loft. Não queria que ninguém visse desse jeito, principalmente o nosso filho. Assim que estacionei, dei a volta novamente, pegando no colo e a levando para cima. Demorei um pouco para abrir a porta, porque ela não ajudava se mexendo tanto no meu colo. Andei rapidamente até o quarto, depositando-a na cama.
- Uh, tá quente! – resmungou, tirando a blusa. E só agora eu pude notar o quão linda ela estava. Suspirei, sentando-me ao seu lado. Tirei suas sandálias e a acomodei melhor na cama. – Hmm, acho que estou cansada.
- É, você precisa descansar. Amanhã vai se sentir melhor, prometo. – falei, colocando uma mão na sua cintura.
- , eu sou feia! – fez uma careta. Oh, ela ia chorar? – Eu sou sem graça, não é? Por isso você não gosta de mim!
- Não fala isso, ! – pedi, beijando levemente seus lábios. – Você é linda! Na verdade... – suspirei alto. – Você é a mulher mais linda que eu já vi.
- Ahm... – murmurou apenas.
- Por que você estava lá, ? – perguntei, enfim. – Por que estava naquele pub de novo?
- Minhas amigas me convidaram! Estávamos nos divertindo. – riu de um jeito mole. – Eu merecia, né? Minha vida está uma bagunça. – suspirou.
- Eu sinto muito por isso... – pedi baixo, aproximando o rosto do dela. Tirando alguns fios de cabelos que caíam em seu rosto.
- É. – disse somente, voltando a suspirar. – Você tem culpa... – começou, puxando minha gola e me fazendo deitar ao seu lado. Apertou minha camisa em sua mão, aproximando nossos rostos novamente. – Você deixou minha vida uma loucura, sabe? – suspirou de novo. – Eu perdi meu emprego hoje. Não foi legal! – fez um biquinho, choramingando.
- … - segurei seu rosto, acariciando.
- Tudo bem. – deu de ombros, fechando os olhos. – Tudo bem! – repetiu. – Eu arrumo outro, eu preciso cuidar de Johnny.
- Eu te ajudo, eu já te disse! – falei, mesmo sabendo que isso não era hora pra ter aquela conversa.
- Hmm... – fez somente. - ?
- Oi, linda? – ela se aconchegou em meu peito.
- Eu te amo! – sussurrou. Fechei meus olhos, absorvendo aquelas palavras. Depositei um beijo em seus lábios e outro em sua testa.
- Eu sei, meu amor... – respirei fundo. – Eu sei.
’s POV
Senti os raios do sol adentrarem o quarto, fazendo meus olhos arderem. Resmunguei baixo, enfiando o rosto no travesseiro. Minha cabeça deu uma grande pontada, fazendo-me gemer de dor. Joguei o travesseiro para o lado e, com dificuldade, abri os olhos. Tentei focalizar o quarto à minha frente, reconhecendo imediatamente aquele lugar. Mas como eu vim parar aqui, de novo?
- Ai, ai! – gemi, sentindo minha cabeça pesada. Coloquei as duas mãos nela, tentando fazer parar de doer. Mas, obviamente, não funcionou. Tirei o lençol de cima de mim, notando que eu estava apenas de lingerie. – Ô-ou! – fiz, pensando se tinha feito algo noite passada, mas não conseguia lembrar. Só me lembrava do pub, das meninas e muito, muito álcool. – Álcool, eu te odeio. – praguejei, levantando-me com cuidado. Não liguei de estar apenas com roupas intimas, saí assim mesmo, indo até a sala. Mas não encontrei ninguém. – Eu estou ficando louca!
- Concordo! – ouvi a porta da frente se abrir e entrar por ela. – Bom dia!
- Ai, bom dia! – gemi, deitando no sofá, colocando as mãos na cabeça.
- Dor de cabeça, né? Eu imaginei! – falou, vindo ao meu encontro e se sentando ao meu lado. – Fui à farmácia e comprei alguns compridos para dor de cabeça. Aproveitei e passei em uma Starbucks e comprei nosso café. – ele abriu a sacola da loja, fazendo um aroma muito bom invadir minhas narinas.
- Hm, obrigada. – sorri, sem graça. – Ahm, , eu ainda não entendi como vim parar aqui. – ele riu, deixando o café no chão e pousando uma das mãos no meu rosto, acariciando-o.
- Suas amigas me ligaram, porque você não se lembrava do seu próprio endereço, ! – explicou. Fiz uma careta.
- Ah, não! – cobri meu rosto com as mãos. – Que vergonha! Não acredito que bebi a esse ponto.
- Pois acredite! – falou, puxando as minhas mãos do rosto.
- Eu fiz alguma coisa muito vergonhosa? – mordi o lábio inferior, com medo do que pudesse ouvir.
- Nada, você foi uma lady! – piscou, maroto. Entortei a boca, pedindo a verdade. – Ok, você só falou algumas coisas...
- Que coisas? – pedi.
- Hmm... – ele riu. – Você falou que eu sou gostoso e lindo!
- Oh, não! – ri, voltando a encobrir meu rosto. – Vergonha de mim!
- Ah, nem foi nada de mais, ! – puxou-me pela cintura, fazendo-me sentar. – Ei, tudo bem!
- Fico pra frente quando bebo! – fiz bico. – Mas eu não menti, não é? – mordi o lábio inferior, vendo-o sorrir todo malicioso. – Ei, espera! E Emma? Onde ela ficou nessa história toda de ontem à noite?
- Ela foi passar uns dias na casa da mãe. – confessou, dando de ombros. – Ela precisava desse tempo.
- Hmm... – fiz, concordando. Ia puxar assunto sobre a separação, mas me contive. – Ai, ai! – fiz, sentindo minha cabeça dar outra pontada. – Ok, eu preciso tomar esse remédio. – choraminguei, encostando a cabeça no ombro dele. – E depois preciso ir pra casa, tenho que dispensar Norah e ficar com Johnny.
- Eu queria ficar com ele hoje. – confessou baixo. Sorri, levantando o rosto.
- Podemos fazer isso juntos, pode ser? – ele concordou, sorrindo. – Ótimo!
- Hmm... – ele fez, olhando para o meu corpo coberto somente pela lingerie. – Tive que me segurar muito ontem, sabia? – sorri sem graça. – Você é muito linda, . Tem noção disso?
- Não, para com isso! – pedi, fazendo uma careta. – Você é muito bobo!
- E você é linda! – sorriu, beijando meus lábios rapidamente. Neguei, vendo seus lábios se afastarem dos meus. Puxei-o pela nuca, voltando a selar nossas bocas e não as afastando tão cedo, não enquanto eu não aproveitasse toda aquela perfeição à minha frente.
DOZE
Encostei-me à uma árvore, observando mais à frente, agachado, brincando e conversando com Johnny. Ele sorria como uma criança, sorria como o filho à sua frente. Sorri, cruzando os braços. Eu não queria perder aquele momento. beijou a bochecha de Johnny e deixou que ele fosse brincar com os outros garotos, junto ao escorregador do parquinho. Ele passou a mão no cabelo, com um sorriso brincando em seus lábios, andando na minha direção e parando à minha frente.
- Ele é incrível! – confessou.
- Ele é! – concordei, sendo coruja. – Você deveria ter visto nos seus primeiros meses de vida, era tão frágil e doce. - abaixou a cabeça, enfiando a mão no bolso da calça.
- Deve ter sido ótimo presenciar tudo isso. – levantou a cabeça, fitando meus olhos. – A primeira palavra, a primeira vez que ele andou... – sorriu irônico. – E eu perdi tudo isso.
- Yeah... – desviei o olhar, suspirando baixo. – Sabe qual a primeira palavra dele? – sorri, lembrando. Fez um som com a boca, incentivando-me a continuar. – “Mama”. – falei sorrindo. – Ele tinha nove meses quando isso aconteceu. Depois ele começou a pedir água, biscoito, tudo em português... – expliquei, gesticulando. – Foi quando eu introduzi o inglês a ele. Meu pai me ajudou com isso, então, desse dia em diante, ele começou a falar as duas línguas. – ele concordou com um aceno de cabeça. Voltei a fitá-lo, encarando aqueles enormes olhos . – Mas sabe o que ele nunca teve a oportunidade de chamar? Em nenhuma língua? – ele esperou que eu continuasse. – Pai.
- É, ele não teve um... – falou baixo. – Digo, Charlie deve ter te ajudado muito nisso, é claro. – concordei. É, meu pai foi meu grande heroi nessas horas, sempre me apoiou e esteve ao meu lado. – Mas ele nunca o chamou de pai, certo? Ele não teve um... - olhou de soslaio para trás, fitando rapidamente o filho, e depois voltando para mim. – Sabe de uma coisa? A primeira vez que Johnny me abraçou, ali, naquele momento, eu me tornei um pai. – confessou tímido, passando a mão pelo cabelo. – Eu não sei explicar o que eu senti quando o vi. Era como se eu tivesse me visto ali, entende? – concordei com a cabeça. É claro que eu entendia. – Eu nunca acreditei em amor puro, ou algo do tipo, mas... – ele suspirou. – Foi tão puro aquilo tudo. Agora eu entendo que a vida só vale a pena quando se ama alguém... – voltou a fitar Johnny, sorrindo. – E eu só voltei a viver quando conheci vocês! – confessou, voltando a me fitar. O sorriso que se instalou no meu rosto foi tão grande que mal cabia nele. O meu primeiro impulso foi abraçá-lo e eu fui retribuída. – Eu sei que eu te culpei no começo, sei que falei coisas horríveis pra você... – beijou minha bochecha, sussurrando no meu ouvido. – Mas obrigado. Obrigado por colocar Johnny na minha vida.
- Você teve a sua contribuição, ! – brinquei, beliscando seu abdômen e me afastando dele. Ele fez uma careta, rindo. me encostou na árvore, apoiando o braço perto do meu rosto. Mordi os lábios, encarando os dele. Ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha, acariciando meu rosto levemente.
- , eu não vou te beijar aqui… - soprou.
- É, eu sei. – concordei, suspirando e ainda encarando os lábios rosados dele. Damn it! - Sabe? Então, por que você está se inclinando para cima de mim? – perguntou, segurando o riso.
- Não, eu não estou! – rebati, voltando a me encostar à árvore. Como eu fui parar tão perto dele? Ele mordeu o lábio inferior, rindo. – O quê? Para de rir!
- Desculpa, desculpa... – pediu, ainda rindo. Encarei-o, incrédula. Ah, , , não brinque com fogo!
- Ah, é uma pena estarmos em um lugar público, né? – sussurrei, puxando-o pela calça, subindo os dedos pelo seu abdômen e peitoral, abrindo ali dois botões de sua camisa. riu, balançando a cabeça negativamente. – Arght! Tá calor, né? – falei, colocando meus dedos sobre o meu colo e deslizando para dentro da minha blusa. acompanhou o movimento com o olhar.
- , estamos em um parque infantil. – sussurrou. Olhou para um lado e para o outro, depois se aproximou de mim e puxou meu lábio inferior com os dentes, afastando-se rapidamente.
- Ah, seu danado! – rimos. sorriu, observando-me. Tocou meu rosto, fazendo um carinho bom.
- Sabe que daqui uns dias essa paz vai acabar, certo? – concordei, fazendo uma careta. me olhou de um jeito engraçado. – Acabo de ter uma ideia.
- Que tipo de ideia? – perguntei, curiosa.
- Quer viajar comigo? – despejou. Surpreendi-me.
- Viajar? Pra onde? – falei rápido. Ele deu de ombros.
- Eu não sei e não importa! – falou, descendo as mãos para a minha cintura. – A gente só precisa aproveitar esse tempo que ainda está tudo calmo, entende? E, sei lá, curtir isso. – explicou, animado. – Eu, você e Johnny.
- Hmmm, me soa bem! – sorri, gostando da ideia. – Me parece bom, é.
- Então está decidido! – suspirou, antes de prosseguir. – Vamos viajar!
- Viajar, ? – Nathalie indagou. Apenas concordei, ajeitando-me melhor no sofá. – Olha, eu sou sua amiga, sei o quanto você deve estar feliz com esses súbitos desencadeamentos da história de vocês...
- Mas...? – questionei, sabendo que teria um “mas”.
- Mas você não acha que está se entregando demais? Digo, quem garante que ele vai realmente ficar com você? Só com você? – foi óbvia. É, ela tinha razão e eu sabia disso. – Ele fez isso com a Emma, quem garante que ele não vá fazer isso com você também, ? – suspirou, segurando as minhas mãos. – Eu só quero o seu bem e você sabe disso, certo? Eu não quero ver você sofrer por ele de novo.
- Eu sei, Nath. – concordei, sentindo algo dentro de mim se quebrar. – Acho que quero tanto que dê certo, quero que ele goste de mim e me apresente às outras pessoas que, sei lá, tento não cogitar essas possibilidades. – confessei, tirando o nó que havia se formado na minha garganta. – Eu só queria uma família.
- Oh, … - fez solidária, puxando-me para um abraço. Respirei fundo, tentando não chorar. – Eu posso estar errada, eu quero estar errada. – afagou meus cabelos. – Eu só quero que você fique alerta, ok? Não quero que você se magoe.
- Tudo bem. – falei. – Eu vou tomar cuidado, eu prometo. – sorri amarelo, soltando-me dela.
- Quer ir tomar um sorvete ou algo assim? – sugeriu.
- Claro, parece ser uma boa ideia! – concordei, dando de ombros. – Só não posso demorar muito, porque tenho que ir buscar Johnny no escritório do meu pai.
- Por que ele está no escritório do seu pai? – perguntou, levantando as sobrancelhas.
- Sr. Charlie o buscou aqui e disse que queria ficar um tempo com ele, então o levou para o escritório. – expliquei, dando de ombros. Nathalie concordou, levantando-se, e eu a acompanhei. Fomos andando até a sorveteria mais perto de casa, pedimos nossos sorvetes, conversamos, rimos. Tentei me distrair, mas o que ela havia dito não saía da minha cabeça. Ela tinha total razão. Ele podia muito bem não ficar só comigo, eu seria a próxima Emma? É um tipo de relacionamento sem garantias, eu sabia disso. Mas eu o amava, o que eu poderia fazer a respeito? Eu tenho um filho dele, é mais complicado ainda. É isso! Talvez ele valorizasse essa relação pelo filho. Mas espera aí! Eu quero que ele fique comigo por mim, não só por Johnny. Oh, céus! Que confusão!
- ? ? – Nathalie me chacoalhava, chamando minha atenção.
- Oi? O quê? – perguntei, saindo do meu transe.
- Seu celular tá tocando! – avisou, apontando para o mesmo sobre a mesa. Sorri sem graça, pegando o celular e o atendendo.
- Alô? – falei, sem nem olhar quem ligava.
- Ei, ! - falou, animado. – Você tá ocupada?
- Ahm, não. Por quê? – perguntei, franzindo o cenho.
- Você pode vir até o loft? É sobre a nossa viagem, temos que escolher o lugar. – explicou. Suspirei, concordando.
- Tudo bem, eu vou até aí. – avisei. – Ok, beijos. – e desliguei. Nathalie me encarava, esperando alguma explicação. - .
- Eu imaginei. – falou, rindo. – Tudo bem, vá aonde você tem que ir.
- Ele quer falar sobre a viagem... – comentei, levantando-me. – A gente se fala depois, ok?
- Tudo bem, se cuida! – concordei, acenando e me dirigindo até o loft de .
e eu estávamos sentados na cama, ele estava me mostrando alguns lugares para a viagem, no laptop em seu colo. Confesso, não estava prestando tanta atenção assim no que ele dizia.
- Eu gostei desse lugar, o que acha? - apontou para a tela do computador.
- Bom. – falei somente. franziu o cenho, fechando o laptop e o colocando de lado.
- O que aconteceu? – perguntou, preocupado. Suspirei alto, antes de tomar coragem para falar.
- Estou com dúvidas. – confessei, mordendo o lábio inferior. virou meu rosto para fitá-lo.
- Não estou entendendo. – riu, sem humor. – Dúvidas sobre o quê?
- Sobre o que vai se tornar isso... – apontei para mim e para ele, respectivamente. – Eu não quero ser mais uma Emma na sua vida, !
- Mas o quê? O que você... – levantou-se, passando a mão no cabelo e me fitando. – Por que você tá falando isso?
- Qual é, ! – falei, levantando-me também. – Você já fez isso, pode fazer de novo.
- É isso que você pensa? – balançou a cabeça negativamente. - , eu vou deixar a Emma por você!
- Mas... – eu ia falar, mas ele me interrompeu.
- Eu vou mudar a minha vida toda por sua causa! Eu nunca fiz isso por nenhuma outra... – explicou, gesticulando rápido. – Você não entende? Você me deu um filho, . Um filho!
- Eu sei e eu tenho medo disso! – falei, fechando os olhos fortemente. – Medo de você querer ficar comigo só por causa do Johnny e não porque sente algo por mim.
- Eu não vou ficar com você só por causa do Johnny, que droga! – vociferou, aumentando seu tom de voz.
- Como eu posso ter certeza disso, ? – falei no mesmo tom.
- Você tem que confiar em mim, ! – rebateu. Era isso, estávamos gritando um com o outro.
- Eu confio em você! – gritei de volta. – Eu não confio no que você sente por mim.
- …
- Você nunca vai... – respirei fundo. – Eu te amo! – ri, irônica. – E você nunca vai...
- Eu também te amo! – parei de falar assim que o ouvi. Fitei seus olhos, confusa.
- Desculpa, eu acho que não... – apontei para o meu ouvido. – Eu pensei ter ouvido...
- Eu te amo, ! – falou novamente, fazendo-me ter certeza do que eu tinha ouvido da primeira vez. – Eu nunca tinha dito isso em voz alta... – comentou, como se para si mesmo. Riu, parecendo não acreditar. – Eu te amo há muito tempo, mas nunca quis assumir isso. Ou talvez, eu não sei, tinha medo do que isso poderia ser.
- , você não pode brincar com isso, sabia? – pedi, suplicante. – Não tem o direito!
- , cala a boca! – sussurrou, vindo rápido até mim e me puxando pela cintura, selando nossos lábios. Deixei que nossas bocas, mais que conhecidas, se explorassem mais uma vez. apertou carinhosamente a minha cintura. Entrelacei meus braços no seu pescoço, puxando devagar o seu cabelo.
- Você é um idiota! – sussurrei, dando um beijo rápido em seus lábios.
- É, eu sei. – concordou, beijando-me mais uma vez. – Eu sou um imbecil! – falou, puxando minhas pernas para entrelaçar na sua cintura.
- É, que bom que sabe... – soprei contra seus lábios. Encostou a testa na minha, fitando meus olhos sem desviar.
- Eu disse!
- Você disse! – concordei.
- Isso faz você confiar no que eu sinto por você? – perguntou, roçando nossos lábios.
- Um pouco. – respondi, fazendo uma cara maliciosa. Ele riu, beijando-me rapidamente.
- Atiça, ! – mordeu meu lábio inferior. – Eu também sei fazer isso.
- Oh, Deus! – ri, escondendo meu rosto na curva do seu pescoço.
- , a gente tem que terminar isso. – pediu e eu ri.
- Eu não posso, ! – fitei-o, fazendo uma careta. – Eu tenho que ir buscar o Johnny no escritório do meu pai.
- O que ele tá fazendo lá? – perguntou, colocando-me no chão.
- Meu pai queria ficar com ele hoje. – dei de ombros, explicando.
- É, então ele ainda não descobriu! – riu, sem humor. – Ah, a vida me pregando peças.
- Está com medo dele, ? – perguntei, levantando a sobrancelha.
- Já viu o tamanho do seu pai? Já o viu com muita raiva? – ele riu, nervoso. – Então, sim, estou.
- Não acredito! – segurei o riso. – Seu bundão!
- O quê? – ele quase gritou, fuzilando-me com os olhos. – Repete isso!
- Bundão! – desafiei, colocando as mãos na cintura. levantou a sobrancelha, malicioso. - , não! Eu conheço esse olhar, não faz isso.
- Então, corre! – avisou, rindo.
- Droga! – resmunguei, ri e saí correndo pelo loft. Ele veio atrás de mim. – Sai, sai!
- Não, não! – riu, alcançando-me e me colocando contra a pia da cozinha. Segurando meus pulsos, apertados. – E aí, quem é o bundão agora?
- Hmm... – desviei o olhar dos seus olhos, checando seu traseiro. – É, ainda é você!
- ! – pediu, rindo.
- Ahmm, eu tenho que ir! – choraminguei. – Me solta, !
- Paga pedágio! – ordenou. Ri, rolando os olhos.
- Que tipo de pedágio? – questionei, entrando na brincadeira.
- Fica nua! – disse somente. Comecei a rir. – É sério, poxa!
- Aham, claro! – rolei os olhos. – Sério, me solta!
- Vai ficar nua? – levantou a sobrancelha.
- Não! – ri. – Idiota!
- Como você é chata, ! – soltou-me, roubando-me um beijo.
- Tão adulto! – falei, andando até a porta, até sentir um tapa na minha bunda. - !
- Pedágio, oras! – deu de ombros, cruzando os braços. Apenas ri. – Ei, deixa eu te perguntar uma coisa... O que você vai fazer amanhã?
- Cuidar do Johnny, só isso por enquanto, por quê? – perguntei curiosa.
- Consegue arrumar alguém pra cuidar dele o final de semana? – questionou. Franzi o cenho, confusa.
- Consigo, mas não estou entendendo... – falei, arqueando uma sobrancelha. Ele sorriu.
- Só faça isso, ok? Então, amanhã quero a senhorita pronta e com uma pequena mala, está bem? – pediu, adorando me ver confusa.
- Não vai adiantar eu perguntar mais nada, né? – ele negou. – É, eu imaginei! – dei-me por vencida. – Certo, certo! Eu estarei pronta, .
- Ótimo, agora você pode ir! – sorriu malicioso. Ri, revirando os olhos e indo finalmente buscar meu filho.
TREZE
- Nathalie, sabe que eu te amo, né? Obrigada por cuidar do meu pimpolhinho! – sorri agradecida, dando-lhe um abraço rápido. – Qualquer coisa, me liga, tá? Qualquer coisa mesmo.
- , relaxa! – ela riu. – Divirta-se! Johnny e eu vamos nos divertir muito, não é, pivete? – brincou, olhando para ele ao seu lado. Johnny riu, animado. – Viu, só?
- Acho que estou um pouco nervosa com isso. – confessei, mordendo o lábio inferior. - nunca foi de fazer surpresas.
- Ele não deu nenhuma dica? – neguei. – Quem sabe, ele não te leve para Paris? É logo ali. – nós rimos. – Mas fica calma, pra onde quer que seja, eu tenho certeza que vocês vão aproveitar muito. – piscou pra mim.
- Espero, eu realmente espero! – cruzei os dedos. – Bom, já foi indo. Daqui a pouco ele aparece lá em casa. Cuidem-se e juízo, os dois.
- Juízo, a senhorita também, hein? Não quero ser tia de novo. – brincou e eu mostrei língua pra ela, que riu.
- Idiota! – dei um empurrão fraco nela. Agachei-me ao lado de Johnny, puxando-o para um forte abraço. – Se cuida, filhote! – beijei sua testa. – Mamãe te ama, tá? Vou morrer de saudades!
- Tinhamu, mamãe! – sussurrou. Fiz um bico manhoso e ele riu.
- Tchau, crianças! – levantei-me, acenando para eles. Logo estava de volta à minha casa, terminando de arrumar a tal mala que pediu. Dobrei mais uma calça e a coloquei lá dentro. Cruzei os braços e encarei a mala. – Ah, ! – falei, rindo. Houve uma batida na porta, corri até ela, indo abri-la. – Ei! – disse animada, recebendo um selinho demorado.
- E aí, pronta? - perguntou, olhando no relógio de pulso.
- Quase, só to fechando a mala. – avisei, dando espaço para que ele passasse, e foi o que ele fez. Voltei para o quarto com ele atrás de mim.
- Hm, tem biquíni aí dentro? – perguntou, olhando para a minha mala. Franzi o cenho, negando. – Então coloque um, linda.
- Ah, sério? , aonde estamos indo? – perguntei, curiosa.
- Surpresa, ! Não estrague isso, ok? – aproximou-se de mim, segurando a minha cintura. Mordi o lábio inferior, assentindo. – Tudo bem, a gente precisa ir agora. Já está tudo acertado com a sua amiga, sobre o Johnny?
- Sim, senhor! – concordei, indo fechar a mala, finalmente. – Deixei-o lá não tem muito tempo.
- Então, vamos cair na estrada, meu bem! – ele sorriu malicioso, retirando os óculos escuros da gola da camisa e os colocando no rosto.
- Que eu não seja sequestrada! – nós rimos. Minutos depois, já estávamos dentro do carro, seguindo a rota que somente sabia. Arght! Eu odiava ficar curiosa.
- Como você fala durante uma viagem, hein? - ironizou. Já havia se passado quatro horas desde que nós saímos de Londres e eu havia ficado metade desse tempo calada, a outra metade também, mas eu estava dormindo, não conta.
- Não começa! – rolei os olhos, pegando a garrafinha de água que ele havia comprado e tomando um gole. – Eu fico ansiosa e nervosa quando não sei para onde eu estou sendo levada, sabe? – ele riu.
- Calma, apressadinha! – olhou para mim de soslaio, sem tirar a atenção da estrada. – Já estamos chegando.
- Me dá uma pista, ! – choraminguei. – Por favor!
- Ah, … - ele riu, observando a paisagem que passava por nós. De repente, ele sorriu abertamente. – Já sei que pista eu vou te dar. – apontou mais à frente para uma placa. – Bem-vindo a Blackpool!
- Blackpool? – falei surpresa. – O que estamos fazendo aqui?
- Eu disse que era surpresa, esqueceu? – continuou com o mistério. Logo o início da cidade começou a aparecer, já pude avistar as lindas casas da cidade, algumas construções antigas, as casinhas e os ônibus coloridos. Quando entramos realmente na cidade, vi todo o movimento. O sol estava vivo lá e eu adorava isso. Eu amava o sol. – Ahm, não sei se você lembra, mas eu nasci aqui.
- É, eu lembro! – o fitei. – Por isso a minha surpresa.
- Minha família morou aqui por muito tempo, depois nos mudamos para Londres. – eu prestava atenção em cada detalhe que ele falava. nunca me contava nada sobre a família dele. – Minhas raízes foram feitas aqui. Eu tenho ótimas lembranças! – ele sorriu nostálgico.
- Aqui é lindo, de verdade! – sorri verdadeira, dando uma breve olhada na cidade à minha volta. – Oh, aquela é a Blackpool Tower? – perguntei, observando a grande torre ao meu lado. riu.
- É sim, é linda! – ele também observou, diminuindo a velocidade do carro para poder apreciá-la melhor. – Não te mostrei a torre Eiffel, mas te mostro a torre de Blackpool, a torre Eiffel da Inglaterra. – sorriu sincero. Sorri junto, sentindo-me aquecida. – As pessoas que vêm aqui sempre dizem que é onde os ingleses se soltam. É um ótimo lugar para se relaxar, distrair e se divertir.
- Já me sinto mais feliz só de estar com você! – confessei, aproximando-me dele e depositando um beijo em seu pescoço. Ele sorriu, puxando meu queixo e me dando um beijo breve, voltando a dirigir logo após.
- Mas eu trouxe você aqui por um motivo especial... – fitou meus olhos rapidamente, depois desviando para a rua novamente. – Depois que fui morar em Londres, não saí mais de lá. – continuou a contar. Respirei fundo, tentando imaginar o que viria a seguir, mas nada me veio à cabeça. – Mas meu irmão, Ethan, casou-se aqui e por aqui ficou. Ele conheceu Sophie, sua esposa, aqui. – explicou. Ethan, eu quase nunca ouvia falar dele. – Na verdade, Sophie nasceu na França, mas conheceu Ethan aqui.
- Eu não sabia disso. – confessei.
- Eu sei, eu nunca te contei muitas coisas sobre a minha família. Era o meu jeito de me preservar. – suspirou. – Mas agora estou te contando. – balancei a cabeça, concordando. Seguimos pelas ruas por algum tempo, até encostar debaixo de uma árvore, em frente à uma casa. Ele direcionou o olhar para mim, segurou minhas mãos e beijou a ponta dos meus dedos. - , eu quero que você conheça alguém... – ele procurou meus olhos. – Alguém muito importante pra mim.
- … - eu ia dizer algo, mas ele me interrompeu.
- Não, eu quero fazer isso. – respirou fundo e sorriu. – Eu quero que você conheça meu irmão, Ethan.
- Tem certeza? Acho que não é certo! – apavorei-me. – Como você vai me apresentar? Não, não. E sobre a Emma? Não, . – falava apressadamente.
- , ! – ele falou rápido, segurando meu rosto. – Ethan sabe sobre você.
- O quê? – falei surpresa. – Como assim ele sabe? O que ele sabe?
- Ethan é meu irmão mais velho, somos amigos, eu conto as coisas da minha vida pra ele! – explicou calmo, acariciando minha bochecha. – Relaxa, ele não vai te julgar e nem nada disso.
- E a mulher dele? A Sophie? – perguntei aflita.
- Vamos dizer que ela nunca gostou da Emma. – ele riu, fazendo uma careta. – Não se preocupe, vai dar tudo certo. – beijou minha testa, descendo para a minha boca. – Ok?
- Você devia ter me contado antes! – estapeei seu braço. – Eu ia me preparar para isso. – cruzei os braços, feito uma menininha. Ele riu. – Não ri.
- Tá linda toda nervosinha! – apertou minhas bochechas. Eu sorri, revirando os olhos. olhou para a casa à nossa frente, voltando a me fitar após. – E aí, vamos entrar? – mordi o lábio inferior, concordando. Descemos do carro, veio ao meu encontro e entrelaçou a mão à minha, guiando-nos até a porta de entrada. Eu estava nervosa, com o coração acelerado e quase desmaiando. Mas eu estava muito feliz por estar ali. tocou a campainha e apertou meus dedos delicadamente. Segundos depois, a porta foi aberta, atrás dela estava uma morena dos olhos extremamente azuis. Sorriu ao ver .
- Ah, ! – exclamou animada e eu pude ouvir bastante sotaque ali.
- Sophie! – ele sorriu, soltando-me e indo abraçá-la. – Como vai?
- Estou ótima, e você? Que surpresa você em Blackpool! – disse realmente surpresa. Seus grandes olhos azuis foram de encontro com os meus e pareciam confusos. – Ah, olá!
- Ahm, oi. – falei sem jeito, apertando sem querer a mão de com força.
- Não me diga que finalmente você largou a loira oxigenada? – perguntou animada. Não aguentei, tive que rir.
- Sophie, não começa! – ele riu. – Essa é a . E eu tenho certeza que o Ethan falou dela pra você. – ela sorriu culpada. – Eu sabia!
- Bom, prazer em conhecê-la, ! – ela estendeu a mão para mim e eu a aceitei.
- Prazer, Sophie! – sorri.
- Já gostei de você. Qualquer pessoa que faça o largar daquele avestruz, vira minha amiga.
- Acho que vou gostar de você também. – concordei, rindo.
- Ah, vocês duas! – riu, balançando a cabeça negativamente.
- Ei, entrem, por favor! – ela deu espaço para que nós entrássemos. E assim o fizemos. A casa era linda, Ethan não ficava atrás do irmão nesse quesito.
- Cadê o meu irmão, Sophie? - perguntou, largando-se no sofá e me levando junto, rimos.
- Oh, Ethan! Mon Dieu!. - resmungou em francês. – Está no escritório em dia de sábado, acredita? Não para de trabalhar! – ela rolou os olhos, sentando-se na poltrona à nossa frente. – Mas não se preocupe, daqui a pouco ele chega. – sorriu, fitando-nos. – Ah, vocês são fofos juntos. Escolheu bem dessa vez, pequeno ! – mordi o lábio, envergonhada. Senti a mão de abraçar meus ombros, trazendo-me para mais perto dele, se era possível. – Mas, então, o que os trouxeram à nossa velha cidade?
- Vim visitar vocês, oras! - deu de ombros. – E precisava falar com o Ethan também.
- Sabia que tinha algo por trás! – Sophie balançou a cabeça.
- Vou precisar dos serviços dele. - esclareceu. Franzi o cenho para ele, não entendendo.
- Uh, é o que eu estou pensando? – ela perguntou surpresa. balançou a cabeça, concordando. – Oh, finalmente! – eu ia perguntar do que se tratava, mas se ele ainda não havia me dito, talvez não fosse da minha conta. Apenas me aninhei mais em seus braços, vendo a mulher à minha frente me fitar curiosa.
- Sophie, poderia nos arranjar um quarto? A viagem foi bem cansativa. - pediu, fazendo uma careta.
- É claro, ! – sorriu, levantando-se. – Vou prepará-lo, já volto. Fiquem à vontade! – dito isso, sumiu escada acima.
- O que achou dela? - perguntou, fitando meu rosto. Mirei seus olhos tão perto que parecia que eu poderia mergulhar neles.
- Eu a adorei! – fui sincera. – Só me sinto muito intrusa.
- Não fala assim. – abraçou-me de lado, beijando o topo da minha cabeça. – Você é minha, só isso. Nada de intrusa, ok? – sorri, concordando.
- Ops, esqueci o meu celular no carro! – lembrei-me de repente. – Tenho que ficar colada nele. Nathalie pode me ligar a qualquer momento.
- Pode ir lá buscá-lo! – tirou a chave do carro do bolso e me entregou. Dei um selinho nele e saí da casa, indo rumo ao carro, buscar o celular. Peguei minha bolsa, no banco do passageiro, e a chequei, achando o celular, sem nenhuma novidade. Tranquei o carro novamente e ia voltando para a casa, mas um carro me fechou, quase batendo em mim.
- Presta a atenção! – o cara do carro gritou. – Esses pedestres imprudentes! – resmungou alto. Dei alguns passos para trás, assustada. O motorista estacionou o carro na vaga do irmão de . Assim que ele desceu do carro que eu liguei as coisas. Ele era alto, cabelo loiro escuro, branco e, claro, seus olhos eram extremamente , como os do irmão. Ethan. Tinha que admitir: A beleza era evidente na família. Apesar de não conhecer os pais de , pelo menos, sei que os genes nos filhos são bons. Fiquei o encarado sem ser discreta e ele percebeu. – Algum problema, moça? Tá perdida? Sofreu algum arranhão?
- Não, eu to bem! – sorri, sem graça.
- Ahm, que bom! – falou confuso. Virou as costas e entrou em sua casa. Encostei-me à árvore ao meu lado e respirei fundo. Balancei a cabeça e decidi entrar de novo. Quando entrei, vi a cena de e Ethan se abraçando e rindo. Não pude deixar de sorrir também.
- Ah, seu gay! – Ethan falou rindo enquanto dava um soquinho no braço de . – Você sumiu daqui!
- Pois agora estou aqui, não estou? - brincou. – É bom te ver, mano.
- É bom te ver também! – e eles sorriram. Encostei-me à porta, observando-os. me viu e sorriu, fazendo Ethan, que estava de costas até o momento, virar-se e me ver ali.
- Desculpa, moça, mas você entrou na minha casa! – ele falou surpreso. – Você vai querer me assaltar ou o quê?
- Não, Ethan! Não, não! - riu, chamando-me com a mão. Encaminhei-me até ele, que me abraçou de lado. – Essa é a !
- Oh! – ele colocou a mão na boca, sem jeito. – Que vergonha! – ele riu. – Me desculpe, , eu não sabia. Me desculpe também pelo negócio do carro.
- Que negócio do carro? - perguntou, confuso.
- Nada de mais, . – sorri. – Não se preocupe, Ethan, todo mundo comete erros.
- Pois vejam só, finalmente conheci a famosa ! – disse ele, cruzando os braços.
- Famosa? Eu? – comecei a rir. – Não mesmo!
- Claro que é! Conta pra ela, . – o desafiou. o empurrou, rindo.
- Fica quieto, Ethan! – mandou.
- Oh, mon amour! - Sophie voltou à sala e foi direto ao encontro do marido, beijando-o e abraçando-o.
- Oi, minha francesinha! – retribuiu os carinhos. – Viu só quem veio nos ver?
- Finalmente, né? – Sophie fuzilou com o olhar. Eu apenas ri.
- Ethan, vim visitar vocês, é claro, mas também vim resolver alguns problemas. - falou, olhando atentamente para o irmão.
- É claro, sobre o que se trata? – perguntou ele, curioso.
- Podemos resolver isso depois, não se preocupe. Falaremos a sós depois. - sorriu, tranquilizando-o. Por que eu acho que estou sendo excluída da história?
- Tudo bem! – Ethan sorriu. – Temos que sair para comemorar sua vinda, irmão!
- É claro, vamos sim. Mas antes, por favor, precisamos descansar um pouco, certo, ? - questionou e eu apenas concordei com a cabeça.
- Tá certo. Amor, leve-os até o quarto. Vou tomar um banho e descansar um pouco também. – despediu-se de nós e saiu do nosso alcance. Sophie nos mostrou o nosso quarto, buscou nossa mala e depois nos jogamos na cama, do jeito que estávamos. Ele me abraçou e eu apoiei minha cabeça sobre o peito dele.
- Muito obrigada por me trazer aqui. – agradeci.
- Eu sempre quis te trazer aqui. – confessou. Eu apoiei meu queixo no seu peito, fitando-o. – Sempre quis que você conhecesse minha família, mas me negava isso. Eu não queria chegar a esse ponto de envolvimento.
- E agora? Que ponto você chegou? – perguntei, mordendo os lábios, receosa.
- Bom, agora... – ele acariciou meu rosto e sorriu. – Agora eu to mais do que envolvido. – fixou os olhos em mim. – Eu to apaixonado! – sorri boba.
- Eu sempre estive apaixonada. – confessei, recebendo um beijo nos lábios. – Ahm, , eles sabem sobre, hm, Johnny?
- Não, ainda não. – suspirou. – Mas pretendo contar esse final de semana. Ethan é meu melhor amigo, eu confio nele. – sorri, achando aquilo fofo. – Por que tá sorrindo?
- Acho legal você falar que seu irmão é seu melhor amigo. Nunca conheci nenhum amigo seu. – dei de ombros.
- É, ele é. Sempre foi, na verdade. – sorriu. – Quando eu tinha treze anos, um menino mais velho do nosso colégio me bateu e Ethan viu. Ethan ficou tão bravo com ele que bateu no garoto até o nariz dele sangrar. Ethan disse que se ele se metesse comigo de novo, ia se entender com ele. – ele riu e eu o acompanhei. – E ele só tinha quinze na época. - ficou quieto um tempo, fitando o teto do quarto enquanto eu fazia desenhos abstratos no seu peito. - , quero te mostrar um lugar. – avisou, levantando-se.
- Que lugar? – perguntei curiosa, levantando-me também. Ele somente sorriu. – Mais surpresas?
- Mais surpresas! – ele concordou. Sorri, acostumando-me. Peguei minha bolsa e logo estávamos nas ruas de Blackpool, sem saber para onde eu ia. Eu estava adorando observar as pessoas dessa cidade, elas pareciam tão encantadoras. Queria conhecer cada uma delas. Da senhora sentada no banco da praça à criança que brincava com um carrinho na areia da praia. Eram fascinantes! Rodamos pouco até chegar a um píer. E o lugar era lindo. A noite começava a cair, fazendo as luzes do local começarem a se acender. Descemos do carro, segurou em minha mão, guiando-me para dentro do píer. Tinha uma enorme placa colorida escrita: South Pier.
- Nossa! – soltei baixo. sorriu, puxando-me pela cintura, enrolando seu braço ali. Continuamos a caminhar, deixando-me mais fascinada com o local. Já havia algumas pessoas ali, crianças brincavam nos brinquedos do parque, enquanto alguns casais namoravam à beira do píer.
- Eu sempre adorei esse lugar! – comentou, parando na ponta do píer. Encostou-se à grade, puxou-me para perto do seu corpo, abraçando-me por trás. Senti o cheiro natural de sua pele emanar. Ah, eu adorava!
- Trouxe quantas namoradas aqui, hein? – brinquei.
- Só uma. – beijou meu pescoço e sussurrou: - Você. – arrepiei.
- Eu sou sua namorada? – perguntei, mordendo o lábio inferior. Ele me apertou mais em seus braços.
- Você é minha! – respondeu. – Não gosto de rótulos. Você é minha, ponto final.
- É, eu sou. – Virei-me para fitar seu rosto. segurou minha cintura, apertando-a delicadamente. Enlacei meus braços em volta do seu pescoço. Senti sua respiração bater contra meus lábios, fechei meus olhos e deixei que ele guiasse o beijo que vinha a seguir. Sentia os pelos da minha nuca se arrepiarem. Não sabia se culpava o vento frio ou as mãos e os toques de . É, devia ser o vento. Aos poucos o beijo foi perdendo velocidade, terminando em selinhos na minha boca e uma mordida de leve no queixo. voltou a me abraçar, aquecendo-me.
- Quer comer alguma coisa? – perguntou, de repente.
- Hmm, pipoca doce? – pedi feito uma criança. Ele riu, concordando.
- Já volto, me espera aqui. – beijou minha testa e foi atrás da pipoca. Sorri boba, vendo-o se afastar. Tudo começava a mudar, finalmente.
’s POV
Enfiei as mãos dentro do bolso da minha calça e segui andando, procurando essa pipoca doce que a tanto queria. Confesso, nesse momento, eu faria qualquer coisa que ela me pedisse. Não consigo entender como cheguei até aqui, não sei explicar. Só cheguei nesse ponto onde parece que não dá pra voltar mais, na verdade, eu não quero voltar. Logo à frente avistei uma barraca de pipoca, sorri satisfeito.
- Ei, uma pipoca doce, por favor! – pedi ao homem barbudo, vestido de listrado, atrás do balcão. Ele balançou a cabeça concordando, indo preparar a pipoca.
- ? – ouvi uma voz atrás de mim, virei meu rosto para encontrar quem falava. - ?
- Foi o que me disseram! – falamos juntos. Nós rimos. – Nate! – falei alto, dando um breve abraço nele. – Cara, quanto tempo!
- Nem fala, mate! – ele sorriu. – Desde quando está de volta a Blackpool?
- Na verdade, eu estou só passeando. – dei de ombros. – Vou passar um final de semana com o meu irmão.
- Ethan, é verdade. – sorriu, passando a mão nos cabelos pretos. – Mande lembranças a ele. – sorriu nostálgico. - E aí, cara, como tá a vida? Você se mudou para Londres e nunca mais tive notícias suas.
- Pois é, a vida tá ocupada! – fiz uma careta.
- Aqui, senhor! – o atendente barbudo chamou a minha atenção. – Duas libras.
- Obrigado! – agradeci, pagando-o e pegando a pipoca.
- Se casou? – Nate perguntou, sorrindo. Quando ia abrir a boca para responder, vi vir ao meu encontro.
- Ah, achei você! – ela disse, alcançando-me. – Perdi você de vista.
- Estava bem aqui. – sorri, estendendo a pipoca para ela. – Aqui, madame!
- Obrigada! – sorriu, beijando-me brevemente. Olhei para Nate, que sorria.
- Nate, essa é a ... – ele a olhou. – Minha... – ele me olhou, também me olhou, curiosa com a resposta. – Minha garota!
- Prazer, Nate! – ela sorriu, abraçando-me pela cintura.
- Prazer, ! – ele balançou a cabeça. – Ah, já que você está acompanhado, por que não se juntam a mim e à minha esposa? Estamos logo ali, naquela mesa. – ele apontou para uma mesa mais à frente, com uma mulher de cabelos castanhos e curtos, sentada à mesa. Ela acenou para ele. Olhei para , esperando alguma reação. Ela me olhou, dando de ombros.
- Tudo bem. Precisamos mesmo relembrar os velhos tempos! – dei um tapinha em seu ombro, rindo. Logo nos juntamos a eles à mesa. Liguei para Ethan e Sophie, chamando-os para se juntarem a nós.
Continua...
Nota da Autora: Que emoção esse capítulo! :') HAHAHA Gosto bastante dele, acho ele fofinho. A-há! Vocês nem sabiam que o seu guy tinha um irmão, hein?! Ah, por favor, amem a Sophie. Ela é francesa e linda. HAHAHA Bom, espero que tenham gostado. Até o próximo capítulo! Ah, antes que eu esqueça: Johnny ganhou como Destaque do Mês na YepFics! o/ Eu fiz um post especial lá, com curiosidades e comentando sobre a criação e personagens lá. Deem uma olhada! ;) Beijos, suas lindas.
Curtam minha página no FB, agora já arrumada, corram!Luana Magalhães Fanfics Lá tem eu sempre aviso quando tem atualização de alguma fic no site, acompanhe outras fics minhas. :)