No meio da aula de física, senti meu celular vibrar no bolso de meu casaco de moletom, o peguei e vi que era minha mãe, então pedi para sair, ela não era de me ligar quando estava na escola. Mas assim que saí da sala, o celular deu um faniquito louco. Bufei e rolei os olhos, tirei sua tampa traseira e arranquei a bateria, esperei até que ligasse, mas nada! Voltei pra sala. Foi assim a aula inteira. Mamãe estava tentando falar comigo de qualquer maneira e isso estava começando a me deixar preocupada. Tentei retornar a ligação, mas não conseguia completar a chamada, esses aparelhos não valem bosta nenhuma! O professor chegou até a chamar minha atenção por não estar prestando atenção na aula. O sinal do intervalo tomou minha atenção. Peguei minha mochila, guardei meus livros e sai da sala, estava indo de encontro a minhas amigas, e que já me aguardavam no refeitório, mas primeiro passei em meu armário para guardas algumas coisas. Tentei ligar mais uma vez para minha mãe enquanto andava em meio aos alunos e, assim como das outras vezes, não consegui, então resolvi mandar um sms. Meus cabelos tampavam parte de minha visão e sem querer esbarrei em alguém, fazendo meu celular cair de meus dedos. Droga, por que as pessoas não olham por onde andam? Passei a mão em meus cabelos, os jogando para trás, estava precisando cortar um pouco, mas isso não vem ao caso agora.
– Desculpe – escutei a voz de um menino, que se abaixou em seguida para pegar meu celular.
– Não foi nada – falei, e quando o olhei, fiquei branca. Acho que entendi o que minha mãe estava querendo falar comigo. – ? – a palavra saiu como um sussurro por meus lábios. Peguei meu celular rapidamente de sua mão e tentei sair correndo, mas ele me impediu. – Me larga – tentei me soltar de seu braço forte que estava me envolvendo em um abraço apertado. – Está me sufocando!
– Ah! Que isso, não vai dar um abraço no seu irmãozinho querido, não? – falou sarcástico e eu tive vontade de voar no pescoço dele, mas me contive e apenas o fuzilei com os olhos. Puxei meu braço com força e sai correndo dali o mais rápido possível, atraindo olhares de todos que estavam ao redor.
Naquele momento só pensei em uma coisa: que diabos aquele imbecil estava fazendo na minha escola? Não que ela fosse minha escola, mas... Ah, vocês me entenderam. Fui caminhando rapidamente ao encontro do meu porto seguro, . Tentei localizá–la no refeitório, sem sucesso... Onde essa bitch se meteu? Finalmente, a vi de longe, já sentada em mesa com seu lanche. Andei rápido até lá e me sentei ao seu lado.
– O que houve? – perguntou com a maior tranquilidade que um ser pode ter.
– Nada. Quem disse que aconteceu alguma coisa? – falei tão rápido que nem eu mesma entendi.
– Anda, , fala logo – ela comia um sanduíche natural que sua mãe costumava fazer. – Até parece que viu um fantasma... – fiquei brincando com o celular em minha mão, não sabia se contava ou não.
Afinal, não deixava mesmo de ter visto um fantasma do meu passado.
– Me dê isso – ela disse e tomou o aparelho de mim. – Agora conta!
– Meu irmão, andando, escola – disse cada palavra sem sentindo, mas sabia que ela havia entendido.
– O que ele faz aqui? Se bem me lembro, morava em Los Angeles – deu um gole em seu suco de uva.
– Até ontem acho que morava – soltei o ar e deitei com a cabeça sobre a mesa. – O que ele faz aqui? Voltou só pra atazanar minha vida! – perdi completamente a concentração quando vi entrando no refeitório junto de , seu melhor amigo. – Por que ele é tão lindo? – perguntei e o observei de longe fazer seu trajeto até o balcão da cantina.
acompanhou meu olhar e logo depois se virou para mim, fazendo uma cara pensativa.
– Daria meu estoque inteiro de jujubas só pra dar um aperto naquela bunda – ela falou na maior tranquilidade.
– QUE BUNDA?! – perguntei um pouco alto demais, recebendo olhares reprovadores dos alunos e logo repeti a pergunta, só que mais calma. Estava perdida demais em pensamentos para prestar atenção ao mundo em meu redor.
– A do , lógico! – ela respondeu como se eu fosse a pessoa mais retardada da terra e meu queixo caiu de uma forma que achei que abriria uma cratera no chão. Encarei-a indignada.
– Sua pervertida! – gargalhei e ela logo caiu na risada também. – Se comporte!
– Só falei a verdade ué! – deu de ombros.
apareceu no refeitório correndo como se fosse tirar o pai da forca, ela abanava uma revista na mão, que logo reconheci como a Rolling Stones.
– Saiu! Gente Saiu! – chamava atenção de todos. – A nossa entrevista saiu – se jogou ao meu lado no banco e começou a esfolhear a revista, pensei que ela iria rasgar as páginas. – Aqui – abriu em uma página onde estava escrito com letras enormes: Hell Queens. – Estamos lindas na foto! – seus olhos brilhavam.
– Me deixe ver o que escreveram – a peguei de sua mão.
– O que eles escreveram não importa, estamos lindas! – rolei os olhos.
– Nem se Picasso me pintasse eu ficaria bonita... – comecei a ler, mas não tirava os olhos de , então comecei a rir novamente de minha conversa com a .
– Do que você tanto ri? – perguntou meio nervosa, deveria estar pensando que eu estava rindo dela.
– Da bunda do – respondeu , lendo meus pensamentos.
– Aposto 50 libras que você não tem coragem de ir lá e apertar a bunda dele – colocou o dinheiro na mesa. – Recebi minha mesada hoje – riu.
– Percebi. Não sei se devo. O que acha ? – perguntei, fechando a revista e deixando a entrevista de lado.
– Se fosse você já tinha levantado e apertado, além de ganhar 50 libras, você ainda ia se deliciar com aquela bunda.
– Ui, tentadora essa oferta... Vou lá – me levantei e fui em direção à cantina, onde ele ainda estava. Aproximei-me e quando fiz menção de me mover para mais perto dele, se virou bruscamente, esbarrando em mim e quase virando seu refrigerante em minha cabeça, cheguei a sentir uns respingos.
– Me desculpe! – pediu – Você está bem? – perguntou colocando a mão em meus ombros. – Te molhei?
– S-sem p-problemas! – respondi atônita, olhando pra seus olhos que agora me encaravam.
deu um sorriso torto e quase caí dura no chão com aquilo, então ele saiu andando ao lado de . Escutei a gargalhada alta de , todos a olharam, inclusive os meninos, mas a retardada nem se importou. Balancei a cabeça, voltei até a mesa e lhe dei uma cotovelada para que parasse de rir.
– Você está bem? – fez uma voz grossa.
– Cale a boca, você está chamando atenção do colégio inteiro – escondi o rosto com meu cabelo. – , já acabou de comer? – tentei desviar o assunto.
– Não. , já pode parar de rir, ela não vai mais ficar envergonhada – era incrível como era tão diferente de nós, tinha horas que ela parecia o Buda. – Além do mais, eles estão olhando para nós.
Agora sim, coloquei o gorro de meu casaco, me escondendo ainda mais. Não vou aparecer no refeitório por, ao menos, uma semana.
Quando cheguei em casa, minha mãe estava saindo. Disse brevemente que havia voltado, mas que não poderia falar muito, porque já estava atrasada com algum compromisso, que também não contou qual. Subi direto para o meu quarto, larguei a mochila em cima da cama e comecei a me despir, indo em direção ao banheiro. Depois de um dia tão emocionante como esse, eu merecia pelo menos um banho relaxante, mas minha expectativa foi aniquilada quando minha irmã chegou no meu quarto, gritando com aquela voz irritante de gata no cio.
– ! ! – ela gritava, parecendo que o mundo inteiro ia desmoronar, mas era bem capaz disso acontecer mesmo, a voz dela já era irritante, imagina gritando então.
– O QUE É? – gritei do banheiro, já impaciente.
– ME EMPRESTA SUA BLUSA ROXA?
– HÁ HÁ HÁ – saí do box, me enrolei na toalha e abri a porta do banheiro, colocando somente a cara pra fora. – Você está de brincadeira com a minha face, né? Nem morta te empresto alguma coisa minha!
– Ahh, , qual é! Deixa de ser rabugenta, é só pra eu ir ali me encontrar com um bofe – Aargh! Esqueci-me de mencionar que ela é uma piriguete de marca maior... Sabe aquelas mulheres de clipe de rap, que tem estampado na testa "ME COMA''? Então, essa era minha irmã. – Não seja chata, anda vai. Onde você a colocou? – ela abriu meu armário. – Não precisa, achei outra – quando a vi com minha blusa favorita branca de ombro caído em suas mãos, quase tive um colapso nervoso.
– Essa NÃO! – sai do banheiro. – Michelle você tem tanta roupa, por que tem de pegar logo as minhas? – perguntei indignada.
– Porque as suas ninguém viu em meu corpinho. Empresta qualquer uma! Preciso sair e a mamãe não quer me dar dinheiro – odiava o fato dela chamar minha mãe de mamãe.
– Não posso fazer nada – ela nem estava me escutando falar, pois revirava meu guarda–roupa. – Pare de fazer bagunça – disse ao ver voar meu all star vermelho.
– Nossa, você está perecendo uma velha chata. Já achei o que queria – saiu de meu quarto com a blusa roxa na mão.
Esqueci-me de mencionar que ela vestia um short que mais parecia um cinto, em seus pés havia um Nike dunk branco com lilás, seu cabelo completamente escorrido pela chaminha tinha pontas rosa e em sua cabeça um boné de aba reta escrito NY. Sério gente, minha irmã de criação parecia que tinha vindo do gueto. Desci as escadas e passei pela sala, só então percebendo que estava sozinha em casa. Fui em direção à cozinha, pois estava morrendo de fome e precisava alimentar minhas lombrigas, né! Revirei a cozinha inteira e não achei nem uma migalha de pão pra comer. Tratei de pegar o telefone e discar pra pizzaria. Enquanto esperava a pizza chegar, veio ao meus pensamentos, me deixando atordoada. Eu precisava saber o que ele estava fazendo aqui em Londres e, o pior, na minha escola! Isso é um absurdo! Eu precisava esclarecer isso com a minha mãe, será qu... Ding Dong.
– Mas quem será que está atrapalhando minhas reflexões? – perguntei, levantando-me do sofá.
Assim que abri a porta, dei de cara com o entregador de pizza e James que estava vindo logo atrás.
– Huum... Parece que cheguei em uma boa hora, né! – James falou e sorriu pra mim que estava com a caixa de pizza na mão.
– JAMES! – gritei entusiasmada com a visita do meu melhor amigo, que há muito tempo não via. Abracei-o desajeitada por conta da caixa que segurava e o puxei para dentro. – Seu camundongo! Me abandonou! – fiz biquinho.
– Ah! Minha ursinha! – se aproximou, me abraçando. – Você sabe que nem se eu quisesse eu ia me esquecer de você, né?
– Não sei, estou começando a duvidar disso...
Nós sentamos na sala e devoramos a pizza vendo The Walking Dead, mas minha refeição foi interrompida, a campainha tocou. Quem será a essa hora da noite? Pedi que James esperasse enquanto ia atender. Ao abrir a porta, fechei na mesma hora e passei o pega ladrão.
Capítulo Dois: Sexy Back
– Vai embora, não tem lugar para você aqui! – falei.
– , pare de palhaçada e abra essa merda. – disse irritado. – Aqui fora está frio.
– Pra mim você pode morrer congelado! – me afastei da porta e fiquei olhando para ela.
Escutei o barulho de chaves, então pulei na maçaneta a segurando. Não ia deixar que ele entrasse, mas meus braços de barata não aguentaram contra os dele. entrou. Trocamos olhares nervosos, acho que se pudesse sairia raios dos meus olhos e o torraria vivo. Vi que tinha alguém com ele, e trazia malas, muitas malas, e também uma gaiola. Ah não! Ele não estava com um gato, estava? Só porque sou alérgica!
– Esse animal não vai entrar aqui dentro de casa! – esbravejei.
– Quem, eu? – escutei seu amigo perguntar.
– Não, , ela está falando do Mizzie. – o gato mostrou os dentes para mim. Olha, que legal, ele não foi com a minha cara, também não tinha ido com a cara dele mesmo. – Meu quarto continua no mesmo lugar?
– Se está falando da casinha do cachorro, sim, continua. – falei sarcástica e ele passou por mim, quase me levando junto. – VOCÊ É CEGO ou o que? Não está me vendo?
– Ah! Cala a boca! – nessa hora James apareceu no hall, ele estava confuso sem entender o escândalo que estava acontecendo ali.
– O que tá acontecendo? – perguntou olhando para , ou melhor, o fuzilando com os olhos e se aproximou de mim de modo defensivo. – O que ele tá fazendo aqui? – sussurrou em meu ouvido.
– Eu escutei, tá?! – nos olhava meio irritado.
– Então se escutou, já deveria ter respondido! – falei só para provocar.
– Não te devo satisfações. – respondeu com desprezo olhando dentro de minha cara.
– Deve sim, você está na minha casa agora e... – fui interrompida.
– CHEGA! – gritou histérico já impaciente. – Estou aqui em pé, nesse frio, carregando um milhão de malas, uma gato pulguento... e... EU QUERO MIJAR! – eu e James o olhamos como se ele fosse um E.T, mas definitivamente não parecia um, porque meu Deus, que cara gostoso! Ok, parei! – O que foi? Estou apertado, oras!
– Tá! Primeira porta a esquerda indo por esse corredor, tem um banheiro. – apontei para o corredor atrás de mim.
– Valeu! – sorriu aliviado, jogou as malas no chão de qualquer jeito, assim como a gaiola do gato e foi na direção que apontei.
– Tome cuidado com o Mizzie. – tirou o bicho de sua prisão.
– O que foi? Vai ficar me olhando com essa cara de mal comido, é? – perguntei olhando para , ele ignorou totalmente a minha pergunta e subindo as escadas. – Ei! Onde pensa que vai? – fui atrás dele, mas não me respondeu e continuou subindo. – Estou falando contigo, seu idiota! – eu já estava à beira de um ataque de pânico.
– Ah! Que seja! Não enche o saco. – deu de ombros e continuou o trajeto até “seu” quarto, dele não, porque quem o ocupava agora era Michelle.
– MAS QUE MERDA É ESSA? – gritou assim que entrou no quarto e viu vários pôsters de cantores de rap e paredes rosa chiclete. Não me aguentei e dei um ataque de riso. – Do que está rindo sua barata descascada?
– Eu disse que você ia dormir na casa do cachorro. – me gabei.
– Vou ligar para a mamãe agora! – pegou o celular em seu bolso.
– E falar o que? , não tem lugar para você aqui! Nossa família já está completa.
– Já mandei você calar a boca. – praticamente rosnou.
– Faça o que quiser, não tem lugar para você dormir.
– Qualquer coisa coloco uma beliche no seu quarto e dormimos todos juntos, não seria incomodo nenhum. – ele deu um sorrisinho sínico.
– Faça isso e acordará capado. – semicerrei os olhos. – Imbecil.
– E aí, , é aqui que vamos ficar? – entrou no quarto me esbarrando e quase me jogando no chão.
– Seu cavalo, não está me vendo aqui? – perguntei me compondo, mas o idiota não me deu atenção. – Arg!
– Não sei, pelo visto não. Estou tentando falar com minha mãe, mas velho é uma desgraça, nem atender o celular ela sabe.
– Não fale desse jeito da minha mãe! – dei um tapa nada forte em seu braço.
– Sua? Desde que eu saiba saímos da mesma barriga... infelizmente. – respondeu com arrogância.
– Espera, ela que é sua irmã mais nova? – apontou para mim como se eu fosse um troço. – Pensei que era gostosa.
– Ér, cara! Enquanto eu desejava ter como presente a Megan Fox como irmã, vem uma barata descascada de brinde.– me desprezou, e eu o enchi de murros e pontapés enquanto ele gargalhava.
Me virei lentamente para contando de um até dez mentalmente para manter a calma e não começar a esmurrá-lo também.
– Ninguém pediu sua opinião! E se você abrir a boca mais uma vez, eu arranco esse negócinho que você chama de pênis. – esbravejei apontando o dedo na cara dele que arregalou os olhos.
– Ok! Não tá mais aqui quem falou! – disse levantando as mãos em sinal de rendição.
– Opa! Vai rolar uma suruba aqui e ninguém me chamou? – falou minha “irmã” entrando no quarto e quase comendo com os olhos.
– Nossa, como você é escrota, ein, garota! Aargh! – disse com nojo dela.
– , acho que ganhamos a Megan Fox. – comentou olhando as pernas de Michelle, já que seu short era praticamente um cinto.
– Eu mereço! Isso aqui vai virar um prostíbulo! – falei e saí do quarto, já estava cansada de escutar aquelas besteiras.
James estava na sala me esperando.
– Desculpe a demora. – falei me sentando ao seu lado. – Posso dormir na sua casa, tipo assim, pelo resto da vida? – ele riu do meu desespero. – É serio, já tinha que aguentar a mano do gueto da Michelle, agora vou ter que aturar dois tarados no cio! – meus cabelos estavam de pé. No mínimo descabelada com aquela situação eu deveria estar. – Sério, devo ter sido uma pessoa muito ruim na encarnação passada.
– Não diga isso, minha morcega. – abraçou minha cabeça praticamente me sufocando. – As coisas vão se acertar, e falando em dormir fora. Por que você não dorme na casa da por uns dias?
– Ah não, ela fica escutando aqueles funks irritantes. Nem pensar. Já que citamos o nome da . O que rola entre vocês dois, ein? – perguntei me soltando de seu abraço e o encarando, ele desviou o olhar e se mexeu desconfortavelmente no sofá.
– Nada, oras! De onde você tirou isso? – cuspiu gesticulando freneticamente.
– Ah, qual é, James? Como assim não rola nada? Eu já percebi um clima entre vocês e você ficou todo nervoso quando falei dela, vai negar? –falei cutucando sua cintura e ele riu corando.– Anda! Admite!
– Ok! Você venceu! Eu gosto dela, mas é só um pouquinho assim ó! – disse semicerrando os olhos e fazendo sinal de pequeno com os dedos.
– Aham, sei, só um pouquinho. – dei uma cutucada em suas costelas o fazendo pular. – Sábado minha mãe vai viajar, estava pensando em dar uma festa. Convidar a , você... – balancei a cabeça. – O que acha?
– Não acho nada. E você pare de ficar falando essas coisas, a nem olha na minha cara.
– Imagina, ela é cega. – dei língua. – Não seja chato. Alana volta na quinta, podemos organizar pra sexta, já que meus pais vão partir pela manhã e só voltam na segunda à noite.
– E vocês podiam fazer um show acústico pra mim, né? – ele deitou a cabeça em meu ombro e fez cada de dengo.
– Vamos pensar no seu caso. – apertei suas bochechas.
Escutei uma cavalaria descendo as escadas, olhei por cima do encosto do sofá e vi com seu amiguinho.
– Estou com fome, o que tem pra comer? – perguntou.
– Pula a cerca e come a ração do cachorro do vizinho. – sugeri.
– Não vou comer a sua comida, irmãzinha. – deu um sorrisinho.
– Que isso, não me incomodo, pode ficar a vontade. – rebati.
– Nossa, essa casa vai virar um inferno. – comentou James. – , vou indo.
– Vem, te levo até a porta. – falei estendendo as mãos pra ele que a segurou.
O conduzi até a porta me despedindo com um abraço. Me virei em direção as escadas e me comecei a subi-la, mas fui interrompida por .
– Ei! Eu disse que estou com fome! – falou indignado.
– E daí, come o Whiskas do Mizzierável. – dei de ombros e continuei meu trajeto.
– Eei! O nome dele é Mizzie.
– Que seja! – repedi suas palavras com désdem.
Cheguei ao meu quarto, encostei a porta e avistei o amor da minha vida.
– Lola! – Lola é a minha guitarra, meu refúgio quando quero esquecer de tudo.
Apoiei ela no meu colo e pluguei na caixa de som, comecei a tocar The Day That Never Comes do Metallica.
Waiting for the one
The day that never comes
When you stand up and feel the warmth
But the sunshine never comes.
No, the sunshine never comes.
Love is a four letter word,
And never spoken here.
Love is a four letter word,
Here in this prison.
I suffer this no longer,
I'll put an end to this, I swear.
This, I swear. The sun will shine.
This, I swear,
This, I swear,
This, I swear!
Quando acabei de tocar a música, escutei aplausos, me virei assustada encontrando na porta do quarto com um sorriso sarcástico nos lábios.
– Uhul! Não é que minha irmãzinha toca razoavelmente bem. – falou.
– Há quanto tempo você tá aqui? – perguntei já com a raiva transbordando no meu olhar.
– Calma, irmãzinha, isso não vem ao caso agora. A propósito, bonita guitarra. – apontou pra Lola.
– Obrigada, eu acho. Agora dá o fora do meu quarto! – disse indo em direção à porta o expulsando dali.
– Espera, que horas a mamãe vai chegar?
– Não faço ideia. – bati a porta em sua cara.
– É serio, . Estou com fome e com sono, temos que ver onde vou dormir. – ele parecia uma criança choramingando no corredor.
– Peça uma pizza e durma no sofá! Não posso fazer nada. Se vira. – deitei em minha cama.
’s POV
Minha barriga estava roncando e não tinha porcaria nenhuma pra comer naquela casa. não fazia questão de ajudar também! Falando nela, até que a guria toca bem. Isso me fez lembrar de quando tinha uma pequena banda de garagem em L.A que não foi pra frente, mas quem sabe agora?
Eu e conhecemos dois meninos na escola que sabiam tocar, e se nos juntarmos e fizéssemos uma banda? Até que não seria má ideia. Preciso falar isso com . Desci as escadas pulando alguns degraus. Fui até a sala e pulei em cima do sofá.
– Cara, tive uma ideia. – desliguei a TV para que me escutasse. – Que tal montarmos uma banda?
– Somos apenas dois, . Como vamos montar uma banda assim?
– Têm aqueles dois caras na escola, eles também sabem tocar. – ergueu uma sobrancelha. – Então, o que acha? Seria uma boa!
– Vamos ver, estava escutando sua irmã falar sobre uma festa, podemos conhecer melhor os caras. E pegar as amiguinhas gostosas dela!
– Então fechou! – batemos nossas mãos. – Essa festa promete, meu amigo. – dei um sorriso largo.
Sexta feira! Tive que arrumar meu quarto no porão, até que tinha ficado legal, era bem grande e espaçoso. Deu pra montar a bateria de perfeitamente em um canto, mais as camas e os móveis, e ainda sobrou espaço.
Escutei a campainha tocar. Já estava pronto, então subi correndo pra atender. Não sei como conseguiu passar tanta gente por uma porta só, em menos de um minuto a casa estava lotada. Tive que me espremer entre as pessoas pra conseguir subir até o quarto de . Entrei sem bater e escutei um grito.
– Tarado! – me tacaram uma almofada.
– Ele não vai fazer nada, . – disse . – O que quer, ?
– A festa já começou. – avisei.
– Ok, agora vaza! Já vou descer. – falou ríspida.
– Estou começando a achar que sua TPM é constante. – disse e recebi uma almofada na cara. Saí rindo do quarto.
Desci as escadas e vi uma menina entrar, ela parecia meio perdida, olhava para os lados procurando algo ou alguém. Passei entre à multidão e fui até ela.
– Hey. – chamei sua atenção e ela me olhou. – Posso te ajudar? – perguntei e dei um sorriso.
– Sim. Você viu a ? – bem, se eu fosse um estranho não saberia quem é minha irmã.
– Ela está no quarto, mas cuidado, quem entra lá é bombardeado por travesseiros. – avisei e ela deu um sorriso lindo.
– Obrigada por avisar. – tocou meu ombro e depois saiu andando.
Fui olhando aquela menina me perguntando quem seria. Ela realmente era linda.
– Fala aê, ! – entrou e deu um tapa em meu ombro.
– Fala cara! – revidei o tapa. veio logo atrás me dando outro tapa. Qual é o problema dessas pessoas? Virei saco de pancada. – Entrem e sintam-se à vontade.
Vi se aproximar, e pra variar ele me deu um soco, no ombro. Nele eu devolvi a porrada, porém com o dobro de força.
– Ai! Cacete! – reclamou, alisando o local da pancada.
POV’s
Eu estava nervosa, apesar de já ter tocado várias vezes na frente de milhões de pessoas. Não conseguia parar quieta, caminhava de um lado para o outro no quarto, estava ansiosa demais. me fitava querendo descobrir qual o motivo daquele nervosismo todo.
– ! Você já tá me deixando tonta de tanto que roda nesse quarto. – falou impaciente.
– , você tem noção de quem vai estar aí embaixo? – perguntei arqueando as sobrancelhas.
– AAAAHHHH, entendi! – disse com um sorriso malicioso. – Relaxa, a gente já tocou pra multidões, não vai ser nenhum bicho de sete cabeças e... – ela foi interrompida por uma gazela saltitante, vulgo, Alana que acabava de entrar no quarto.
– BITCHES DA MINHA VIDAAAA. – gritou pulando em cima de mim me jogando na cama junto de . – CHEGUEEEI!
– Uau! Jura?! – falei revirando os olhos. – E você tá me esmagando! – gritei tentando sair debaixo dela.
– O quê? Você tá me chamando de gorda, é isso? – ela disse com um tom falso de indignação, enquanto ria parecendo um porco.
– Dá pra sair logo? – gritei impaciente.
– Ui! Tem alguém de TPM aqui... – Alana saiu de cima.
– É que ela tá nervosa, porque o vai vê-la tocando. – falou em tom de deboche e Alana arqueou as sobrancelhas com ar de riso.
– Me deixem em paz, suas malas sem alça. E vamos descer logo que o pessoal tá esperando. – me dirigi para a porta do quarto, enquanto elas me seguiam.
– Nossa, isso aqui está cheio, ein! – declarou quando chegamos à sala, que já estava entupida de gente.
– Está mesmo! Agora vamos para o palco, quero acabar logo com isso. – caminhei na direção de um palco improvisado no meio da sala. Subi nele e as meninas me acompanharam, coloquei a Lola nos meus braços e peguei o microfone que estava no pedestal. – E aí, galera?! – todos gritaram. – Vocês estão prontos? – gritaram novamente. – Isso é Hell Queens! – gritei e eles também.
Começamos a tocar uma música nossa a galera foi a loucura, depois foi Wake Up Call do Maroon 5. Passei os olhos pela multidão e avistei , , e conversando num canto, não acredito que ele é amigo daquele ser desprezível do meu irmão! Parecia que eles estavam combinando algo, achei estranho, mas resolvi deixar pra lá e continuei cantando.
Tocamos mais umas cinco músicas, nada de muito um show grande, aquilo ali era mais uma festinha mesmo, agradecemos o público e descemos exaustas do palco.
Caminhei entre as pessoas em direção ao meu irmão e seus novos “amigos”. Parei em frente de que me deu um sorriso um tanto quanto falso, retribui do mesmo jeito.
– Não vai me apresentar pros seus amiguinhos, irmãozinho? – perguntei irônica.
– Não sei, talvez se você me apresentar suas amigas. – ele era muito idiota. – Que tal? – o olhei, depois pensei na oportunidade de me aproximar de .
– Ok. – me afastei e voltei com Alana, e . – Meninas, esse é meu irmão e os amigos dele, os quais também não conheço. – ergui uma sobrancelha. Era uma espécie de desafio de quem chegava mais longe.
– Prazer. – acenou para elas. – Esses são meus amigos , e . Me chamo . – o desgraçado deu sorriso perfeito.
– Essa é Alana, e . – apontei para cada uma. começou a rir do meu lado. Olhei para ela séria. – O que foi agora? – perguntei praticamente rosnando.
– Nada! Por que você não disse que o tarado que invadiu o quarto era seu irmão? – rolei os olhos, porque minhas amigas têm de me envergonhar tanto? Alana permanecia quieta, parecia estar tão constrangida quanto eu. Já não estava nem em sintonia com o planeta terra, ela olhava para certo ponto da sala. – Ein, ?! – tomei um tapa na cabeça.
– Ela não gosta que espelhem por ai que somos irmãos. – respondeu.
Permaneci quieta e olhei para o mesmo lado que estava olhando. Pude ver Michelle conversando com James, não, conversar seria pouco para descrever a situação, ela estava praticamente estirada em cima dele, enquanto o coitado tentava se esquivar. Reparei que também olhava para a mesma direção que nós, mas ele tinha um sorriso no rosto. Achei estranho, era melhor nem comentar.
– O que é isso, ? – perguntou já cheia de intimidade com meu irmão.
Direcionei meu olhar para a mão dele, onde tinha um saquinho com um troço azul claro.
– O nome dele é gulal, mas acho que vocês conhecem como pó colorido.
– Que merda é essa? Um tipo de droga nova? – perguntei.
– Não! – ele tirou mais dois saquinhos do bolso, um cor de rosa outro amarelo.
– Você já viu aquelas festas indiadas, que tem um pó colorido que eles tacam um nos outros? Se não em engano essa festa se chama Holi. – disse .
– Tipo aquele clipe da Ke$ha? – indaguei.
– Exatamente. – concordou .
Caramba, se ou abrisse um saquinho daqueles sujaria a casa toda!!
– ! Nem pense nisso! – adverti. – Você tem noção do tamanho da sujeira que um saquinho desses faria?
– Não sei, mas acho que a sua amiga vai descobrir. – apontou para que já não estava mais ao meu lado, e sim indo na direção de Michelle e James.
– Droga. – falei e parti atrás dela, só que foi tarde demais.
cutucou o ombro de Michelle com apenas um dedo, mantendo toda sua pose de menina calma, e assim quando a mesma se virou, minha amiga jogou um pó laranja na cara dela. Aquilo voou para tudo quanto é lado! Olhei para meu irmão, mas ele não estava mais onde eu havia deixado, nem ele e seus amigos! Malditos. Voltei minha atenção para Michelle e , que agora se engalfinhavam. James tentava tirar de cima de Michelle, que segurava seus cabelos, sinceramente, pensei que minha amiga iria ficar sem um chumaço de cabelo, que por sua vez estapeava a periguete do gueto.
Corri para ajudar a separar a briga, pois ninguém ao redor fazia nada, e além do mais, o coitado do James não estava dando conta de separá-las.
Segurei Michelle pela cintura e a puxei para trás, fazendo com que caíssemos no chão. Quando levantei segurando os braços dela pra que não pulasse em cima de , do nada, percebi que começou a voar pó colorido para todos os lados. Olhei desesperada para aquilo ao meu redor. Me deu uma vontade de chorar! Ia dar tanto trabalho para limpar! Adeus final de semana.
O sofá de camurça bege de mamãe parecia um arco–íris. Eu tinha que fazer algo, antes que aquela bagunça de pó coloridos fossem para os quartos, cozinha, ou banheiro.
Joguei Michelle nos braços de James e corri até o palco improvisado no meio da sala. Peguei o microfone e o liguei.
– Chega! A festa acabou! – gritei e a música parou de tocar. – Estão esperando o que? Fora todo mundo! – sim, eu estava estressada, teria de limpar aquela merda toda! – , nem ouse fugir! Vou te buscar até o inferno para que limpe essa merda! – falei ao ver meu irmão entrando pela porta da cozinha.
O pessoal começo a se mexer, indo para fora da casa. Sentei na beira do palco derrotada, a festa tinha sido um fiasco por causa do meu irmão idiota. Estava com vontade de socar ele, e muito!
Levantei e olhei para a sala que estava parecendo, ah, sei lá o que estava parecendo; aquilo estava muito sujo, não sabia nem como e por onde começar. Meus amigos estavam parados me olhando um tanto quanto assustados. Acho que nunca tive uma reação desse tipo. Eu estava com os nervos à flor da pele.
Vi e seus amigos parados perto da escada, também me olhando. Bem, acho que pelo menos eles iriam me ajudar.
– Então, acho que vou pegar uma vassoura. – disse e saiu da sala.
– Vou contigo. – Alana foi junto. Elas sabiam que eu iria soltar os cachorros a qualquer momento.
estava descabelada e toda colorida, e me olhava com um cara de quem pedia desculpas, apenas assenti, ela tinha seus motivos para fazer o que fez, além do mais, Michelle estava dando em cima de James, e isso deixa mais do que claro que ela gosta dele.
– Que droga! – reclamava Michelle. – Estou parecendo uma palhaça.
– Não se preocupe. – falei levantando. – Você já é uma em tempo integral. Agora pare de reclamar e nos ajude. – passei por ela. – E você, , por que ainda está parado me olhando com essa cara?
– A culpa não foi minha. – disse ele com a maior cara de santo.
– Não? – praticamente rosnei. – A culpa foi minha! – disse alto. – Não sei por que ainda não soquei sua cabeça na parede!
Sai andando. Todos ajudaram a limpar as coisas. Com dez pessoas foi muito mais rápido do que achei que fosse.
Depois de voltar com o último balde de água suja para a lavanderia, dei de cara com .
– Precisa de ajuda com alguma coisa? – perguntou parando na porta.
– Não, acho que agora acabou. – soltei o ar de meu peito e deixando meus ombros caírem, estava cansada. – Obrigada pela ajuda.
– Não foi nada, afinal, também ajudei com isso tudo. – veio e se encostou na máquina de lavar, ficando à minha frente. – Desculpe por tudo isso. – ele deu um sorriso tímido.
– Tudo bem, não foi sua culpa, infelizmente foi do meu irmão. – ri com isso. – Devo ter parecido uma louca expulsando todo mundo daquela maneira.
– Que nada, se eu estivesse no seu lugar faria a mesma coisa. Ainda mais depois de ver o sofá da sua mãe sujo daquele jeito, serio, não sei como conseguimos limpar. – agora rimos juntos. – Você tem um sorriso lindo. – comentou me deixando constrangida. Meu Deus. O disse que eu tenho um sorriso lindo! Vou derreter. – Venha cá. – estendeu a mão.
Mordi o lábio inferior com receio. Peguei sua mão, afinal, não tinha nada a perder mesmo, só a ganhar. Ele me puxou para perto, fazendo com que ficássemos bem próximos, não, ficamos MUITO próximos. Consegui sentir o cheiro de seu perfume, era delicioso.
Ergui meu olhar encontrando os olhos azuis dele. Lindos. Nunca tinha chegado assim tão perto para ver a cor de suas íris. Seus lábios levemente vermelhos me dava água na boca. Queria prová-los. Engoli em seco quando seu rosto se aproximou do meu, a ponta de nossos narizes se tocaram, então senti um leve arrepio. Ambos ficamos reciosos de continuar com aquilo, chegamos a nos afastar um pouco, mas depois juntamos nossos lábios com serenidade.
Sua boca era macia e tinha um gosto bom, parecia de bala de morango, não sei bem. Dava vontade de ficar ali e não sair mais. Meus braços subiram e se enroscaram em seu pescoço com leveza, e suas mãos enlaçavam minhas costas.
Escutei o barulho de um balde sendo colocado no chão.
– , onde coloco isso? – a voz de James tomou meus ouvidos.
Me separei de e olhei para meu amigo, que estava de pé ao lado do tanque.
– Em qualquer lugar. – respondi e ele não tinha uma cara muito boa.
– Estou indo embora. – disse James com um tom irritado.
Não atrapalhe meu momento agora, por favor. Olhei para e ele me soltou.
– Tenho que ir também, depois nos vemos. – me deu um selinho rápido e foi embora.
– Valeu James, valeu mesmo. – falei encostando na máquina de lavar e cruzando meus braços.
– Não acredito que você estava ficando com ele! – disse indo até a porta e a fechando para que ninguém escutasse a nossa conversa.
– É, James, eu estava! Mas você atrapalhou. – respondi irritada.
– , ele é amigo do seu irmão! Sabe que eles são todos iguais. Esse cara vai te fazer de palhaça na primeira oportunidade que tiver. – apontou o dedo para mim.
– Não vai, não! não é assim. – tirei o seu dedo de minha cara.
– Até parece que você conhece ele direito. – cruzou os braços também. – , abre os olhos, ele não presta pra você.
– Como pode saber de alguma coisa se nem o conhece? – bufei.
– Hoje já foi o suficiente. Acha mesmo que não vi ele e seu irmão distribuindo aquela merda de pó? Depois não venha reclamar que ele te fez de otária. – retrucou e saiu da lavanderia batendo a porta atrás de si.
– Droga. James, volte aqui! – falei alto para que escutasse, mas não obtive resposta.
Sai atrás dele. Não gostava de brigar, ainda mais com meu camundongo. Vi James já na porta de casa.
– Espera, a nossa conversa ainda não terminou. – disse apertando o passo. Ok, fui ignorada. – Hey! James! – corri até ele, já estávamos do lado de fora da minha casa.
– Não vou conversar com você aqui e nem agora. – se virou para mim e olhou para a varanda, olhei por cima de meu ombro e vi as meninas ali, mais meu irmão e . Torci o nariz.
– Te acompanho até em casa. – falei passando por ele e indo na frente.
Fomos em silêncio o trajeto inteiro, a rua estava deserta e parecia que cada palavra que daríamos a vizinhança inteira iria escutar. Assim quando chegamos a casa dele, subimos para o quarto, não queríamos acordar seus pais. Fechei a porta quando passei, James andava de um lado para o outro, ele estava irritado.
– Agora você pode falar. – cruzei os braços e disse baixo, não ia fazer escândalo.
– O que tem na cabeça para ficar com aquele garoto? – perguntou parando de andar e olhando para mim.
– Sou afim dele mesmo antes de virar amigo do meu irmão. – respondi. – Nós estudamos na mesma escola já tem uns anos.
– Engraçado o fato dele só se manifestar com a chegada do seu irmão, não acha? – fiquei revoltada com a insinuação dele.
– O que está querendo dizer? Que o só me beijou porque é coisa do meu irmão? – minhas narinas inflavam de raiva.
– Não é obvio demais? Acorda. Eles estão armando para cima de você. – James voltou a andava de um lado para o outro.
– O não é assim. Isso não faz sentido. Você está falando merda. Eu vou embora, cansei desse seu chilique. – abri a porta e sai do quarto.
– Não. , espera. – James segurou meu braço e me puxou para dentro, fechando a porta e me encostando contra ela.
Meu coração disparou com aquilo. Ele estava perto demais. Sua respiração pesada batia contra meu rosto. Ambos estávamos nervosos. Minhas pernas ficaram meio trêmulas. Fechei os olhos. Isso não podia estar acontecendo. Minhas bochechas estavam queimando, eu deveria estar que nem um tomate. Tinha que fazer alguma coisa, sair dali, me afastar, afastar ele, fingir um desmaio, qualquer coisa!
Voltei a abrir os olhos e vi que seu olhos estavam tão verdes como nunca, nossos olhares se encontraram, sem querer me perdi ali. Ele encostou sua testa na minha. Abaixei a cabeça na tentativa de me desviar daquilo que estava me atraindo, não adiantou em nada, senti sua boca perto de minha orelha, sua respiração me dava arrepios. Ao mesmo tempo em que estava querendo sair daqui, queria continuar para ver o que aconteceria, mas também tinha medo de ir longe demais. A mão dele tocou minha cintura e meu corpo não reagiu como esperado, que era recuar.
Virei o rosto para o mesmo lado que o do dele, nossas bocas estavam perto.
“, pare antes que seja tarde demais.” Dizia um lado de minha consciência. Agora a outra... “Anda logo sua lerda, beija essa boca, antes que ele desista.” Uni as sobrancelhas, praticamente fazendo uma careta, e recuei um pouco. Se o James é afim da e eu do , o que estávamos fazendo? Em meu peito, meu coração continuava em disparada por causa daquela situação. Era difícil de respirar e já estava começando a ser difícil até pensar, meu corpo não queria me obedecer.
James quebrou toda aquela pequena distância e encostou sua boca na minha. Fiquei surpresa e tentei me afastar, mas a boca dele era uma espécie de imã, voltei para cima dele com tudo. Minha língua invadiu a boca dele sem pedir licença, dando espaço para que ele fizesse a mesma coisa. Minhas mãos abusadas agarraram a gola de sua camisa com força o puxando para mais perto, já as dele seguraram minha cintura com vontade, fazendo com que nossos quadris se encontrassem. Alisei seu peito até subir para o seu pescoço e arranhar sua nuca, meus dedos se torceram em seus cabelos, os puxando de leve, mas querendo puxar com força.
James chocou meu corpo contra a porta com brutalidade. Sua mão desceu até minhas coxas e as agarram, fazendo com que ele me erguesse, enlacei minhas pernas em volta de sua cintura. Minha mão pequena e delicada traçou um caminho até a barra de sua camisa, logo meus dedos quentes tocaram a pele de sua barriga e subiu até suas costelas. James forçou seu quadril contra o meu e apertou minha coxa. Hum. Que pegada.
Meu celular começou a berrar em minha bunda. Nos assustamos e separamos nossos lábios, um tanto quando ofegantes. A música Stockholm Syndrome do Muse não parava de tocar. Ficamos nos olhando, seus lábios estavam vermelhos e meus olhos não se decidiam entre os dele e sua boca. Meu peito subia e descia rapidamente, lufadas de ar saiam pelo meu nariz. Para falar a verdade, não tenho menor ideia do que acabamos de fazer, a única coisa que eu sabia, era que queria mais. Mesmo com meu celular gritando, minha atenção não se desviava de James.
Lambi meu lábio inferior e mordi o mesmo no canto. Ele deu um sorriso e negou com a cabeça.
– Acho melhor eu ir. – falei em voz baixa.
– Também acho. – disse no mesmo tom de voz que eu.
Segurei em seus ombros largos e desenlacei minhas pernas de sua cintura, ficando bem mais baixa que ele agora. Me virei para abrir a porta.
– .
– Camundongo.
– Isso não vai mais acontecer.
– Não mesmo. – confirmei. – E não pode acontecer. – quando falei isso, um arrepio percorreu minha espinha. – Até amanhã. – segurei a maçaneta e a girei.
– Até. – foi o que escutei antes de sair de seu quarto.
Desci as escadas e sai rapidamente da casa. Olhei para trás e vi o James de pé na janela, olhando para mim. Dei um breve aceno e caminheira apressada. Alguém me explica o que está havendo? Acabei de beijar meu melhor amigo! O cara que gosta da minha melhor amiga e ela dele. E eu gosto do . Que merda foi essa?
Passei a mão no rosto, isso não era verdade, devo ter desmaiado na hora em que a tacou aquele pó colorido em Michelle e estou sonhando isso tudo. Claro, só pode ser um sonho. Não tem outra explicação plausível para isso. Posso ter tido um infarto também e ter morrido. Agora, se o céu for desse jeito, vou me atirar na frente de um carro agora mesmo.
N/A Juh: Oi gente, ainda não faço a mínima ideia do que escrever aqui e estou sem inspiração >< maaas... anyway, esse cap. toda vez que eu leio não consigo ficar sem rir, na boa, não sei de onde eu e a Rapha arranjamos esses apelidos, digamooos... exóticos “barata descascada” e etc.. Mas e essa pegação da principal com o James, ein? HAHAHAHA atoron, confesso que fiquei com invejinha da principal HOHOHO então é isso... beijos e queijos! Comentem!
N/A Rapha: Minhas divas! Como estão? Espero que melhor do que eu, já que esse meu PC me estressa diariamente com essa lerdeza dele. Então... KKKKKKKKK... Falando da fic agora do que só sobre minha pessoa. O que estão achando? Sinceramente? Estou adorando escrever com a Juh! Ela é demais. [~le puxando o soco]. Nem preciso falar muito, já que essa rata ai em cima disse tudo! James, pegação. Curti a parte do barraco na festa! Super adoro uma briga.
Espero que estejam gostando tanto quando eu. *-* Não esqueça de nos deixar feliz com seu comentário. Muitos beijos e até a próxima.
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