Linger
História por Luci S. | Revisão por Carol Mello

Capítulo 1

Segunda-feira, mais uma semana começando. E, como de costume, acordei às sete da manhã para ir ao colégio. Prazer, meu nome é , tenho dezessete anos e curso o último ano no Athaydevile High School. Moro em Londres, mas nasci no Brasil. Vim para cá porque meu pai teve que cuidar de uma das empresas de meu avô que tem filial aqui.
Fiz minha higiene matinal, coloquei o uniforme e desci para tomar café. Como sempre, meus pais já estavam na mesa conversando sobre algo que não dei a mínima atenção. Já falei que meu humor de manhã não é dos melhores? Enfim, depois de ter terminado de comer, peguei uma carona com meu pai até o colégio.
Assim que o carro parou em frente daquilo que aparentava ser uma prisão, me despedi de meu pai. Não me entenda mal, eu até gosto daqui, e nunca fui uma péssima aluna, muito pelo contrário, estava entre as melhores, mas o visual desse colégio, cheio de grades e muros altos me dava uma sensação de aprisionamento.
Atravessei o gramado em direção à , minha melhor amiga, que se encontra sentada no banco debaixo da árvore. Nós nos conhecemos quando tínhamos oito anos e eu tinha acabado de me mudar do Brasil, ela foi a primeira pessoa a vir falar comigo (e a única). Como nunca fomos populares, nos tornamos muito unidas, assim uma não deixava a outra só.

- Hey, moribunda! – pulei em cima dela, tirando sua atenção do livro que estava lendo. – Como foi o final de semana com os sogrinhos?
- Normal, eles falaram mais com os parentes que estavam lá. – ela deu de ombros como se aquilo não importasse muito. – Mas e você, o que fez?
- Nada né? – bufei e cruzei os braços – Minha melhor amiga viajou com a família do namorado e me deixa sozinha!
- Para de dengo, ! – Ela sempre acaba com os meus showzinhos – Pensei que os meninos tinham ficado com você. – Ah ok, até parece... Eles só me aguentam por causa da , que namora o melhor amigo deles.
- Sei lá, . – abaixei a cabeça pra que ela não percebesse que aquilo mexia comigo. – Eles deviam ter algum compromisso e... – fui interrompida por um brutamontes, vulgo , que chegou dando um selinho na namorada. Opa, e não veio sozinho. – Oi meninos! – cumprimentei, colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha. Droga, estava ficando vermelha. Odeio ser tímida.
- E aí, ! – eles acenaram com a cabeça e assim que desgrudou da namorada, deram um abraço coletivo nela. Mais uma prova que não gostam de mim.

O sinal tocou e eu dei graças a Deus, não gosto de ficar em escanteio nas conversas deles. Fomos para a sala e sentei na cadeira de sempre. Você deve estar pensando quem é o namorado de e os meninos... Como eu disse, nós duas sempre fomos unidas e sozinhas, mas no primeiro ano um menino se mudou para a cidade e passou a estudar com a gente. Ele se chama . Na primeira aula de química dele, ele e fizeram dupla (eu estava doente, e por isso não tinha ido), começaram a conversar e como ele ainda não estava enturmado, andava comigo e com a . Sempre brincava com a que alguma coisa a mais que amizade estava rolando, mas nunca aconteceu nada entre os dois. Até que depois de um final de semana o me aparece na escola junto com um grupo de garotos que é bem popular no Athaydeville: , e .
Acontece que tinha feito um teste para fazer parte da banda dos meninos e passou. Todo mundo ( e eu) pensamos que por agora ser amigo dos meninos, ele iria nos "abandonar", porém no final de semana seguinte ele convidou a para sair, e foi nesse dia que eles ficaram pela primeira vez. A partir daí, foram ficando e depois de um mês já estavam namorando. Os novos amigos dele começaram a falar com a gente, mas não era nada parecido com amizade. Eles andavam no colégio comigo, mas isso não quer dizer que eles falavam. Tipo, com a até tinham contato e tal, mas comigo não passava de "bom dia", "oi","tchau"... O único que realmente me dava atenção e eu considero amigo é o , o que é uma pena porque eu sou apaixonada pelo desde... Sempre. Porém ele nunca olhou pra mim.
O professor de literatura entrou e começou a colocar matéria no quadro. Coloquei meu material sob a mesa para copiar. Podem me chamar de nerd, eu sei que eu sou. Talvez seja isso que afaste as pessoas de mim. e sempre dizem que sou uma nerd legal, porque não fico me gabando das notas e ajudo todo mundo que pedir. Mas parece que eles são os únicos a achar isso, os outros só se lembram de mim na hora das provas para pedir cola.
Depois da maratona de aula, deu-se a hora do intervalo. e os meninos tinham ido para a cantina já que eu fiquei mais um pouco na sala copiando o resto da matéria. Assim que terminei, fui encontrá-los, peguei meu lanche e fui me sentar com eles que estavam na mesa de sempre (no gramado, debaixo da árvore mais afastada). Me sentei ao lado de e comecei a comer, estava totalmente alheia da conversa. Até que vi uma mão roubando uma batatinha, e quando olhei para cima, dei de cara com sorrindo sapeca e piscando pra mim. Sorri para ele e adivinhe? Minhas bochechas começaram a esquentar. Logo, ele voltou a atenção para os amigos e eu pro meu lanche. Pelo pouco que entendi do papo, estavam falando sobre um possível show que aconteceria em um pub sábado que vem. Os meninos tem uma banda chamada McFLY, e eles estão tentando um contrato há dois anos (desde o dia que o se juntou a eles).
Após o sinal bater avisando o término do intervalo, fomos para a sala ter as últimas aulas do dia. Assim que saí do colégio, vi o carro do motorista parado do outro lado da rua. Perguntei se queria carona, mas ela ia para a casa do . Me despedi dela e andei em direção ao carro.

Já são quatro horas, todos os meus deveres estão feitos e eu não tenho nada para fazer. Impressionante como fico entediada quando a está ocupada! Ela, desde que começou a namorar, tinha mais coisas pra fazer sem ser só me dar atenção, mas mesmo já fazendo dois anos, eu ainda não me acostumei. Talvez se eu arrumasse um namorado... Ri com a minha própria ideia, até parece que alguém um dia olharia pra mim. Primeiro que eu não costumava sair, logo o único garoto que eu poderia conhecer tinha que ser do colégio. E, bem, pelo que pude perceber, todos esses anos em que estudo lá, sou completamente invisível para qualquer pessoa do sexo masculino, mas isso não me incomodava, eu só queria ter atenção de uma pessoa, . Meus pensamentos foram interrompidos pelo celular.
- Fala. – atendi já sabendo quem era.
- Nossa, é assim que você fala com a melhor amiga de todo esse mundo? – deitei-me na cama de barriga pra cima, observando as estrelinhas coladas no teto do meu quarto.
- Foi mal, moribunda linda. Mas, então, ao que devo a honra da ligação? – ouvi umas vozes no fundo e a risada da . Ela deve estar na casa do .
- É que eu tô aqui na casa do , os meninos acabaram de chegar e a gente tá aqui sem fazer nada... Quer vir fazer nada com a gente?
- E quem disse que eu não estou fazendo nada? - ri de um "Porra !" no fundo.
- E precisa dizer? Para de palhaçada e vem logo. – Ótimo, ela desligou na minha cara. Ela sempre faz isso.

Me levantei da cama e procurei uma roupa. Vesti um short jeans, blusa larguinha branca e um All Star preto; fiz um rabo de cavalo, peguei meu celular e desci chamando por Joseph, o motorista, para me levar. A casa do não é muito longe mas tava sol (milagre!) e eu não queria chegar lá suada.
Em menos de cinco minutos, já tinha chegado. Me despedi de Joseph e fui em direção à porta já ouvindo uma gritaria. Ri e toquei a campainha. Um sem ar de tanto rir abre a porta. Antes que ele pudesse falar alguma coisa, , também sem fôlego, ma abraça como se não me visse há anos.

- , finalmente você chegou! – ela me solta e me puxa para dentro – Já estava ficando louca sozinha com esses animais.
- Quem ouve até acredita! - falou rindo passando pela gente e se jogando no sofá em cima de - Você era a que mais gritava!
- Calúnia! , olha o que o ... - passou por eles como um furacão e me abraçou tão forte que me tirou do chão.
- ! Finalmente saiu da toca e tá se socializando! – tentei arrumar a minha blusa assim que ele me colocou de volta no chão.
- Cala a boca, - sentei-me na poltrona ao lado do sofá – Você fala como se eu nunca saísse.
- E é mentira? – ele riu e eu dei a língua, rindo logo depois.

O resto da tarde, jogamos vídeo game, quer dizer, os meninos jogaram, e eu ficamos assistindo. Depois de algumas partidas, começamos a conversar enquanto comíamos pizza.
- Então, como foi hoje naquela parada do show? – perguntou olhando para os meninos.
- Foi desmarcado - respondeu com a boca cheia de comida – O pub vai fechar para um "after party" do Festival de Música.
- Que pena. – eles concordaram com a cabeça – Mas eles remarcaram?
- Nop... - falava enquanto colocava outro pedaço de pizza no prato. – Mas ele falou que ia mandar o CD com as músicas para o empresário do festival, eles dão oportunidade para algumas bandas novas, talvez sejamos aceitos.
- Mas as chances são mínimas. Mesmo ele gostando da música, tá muito em cima. – completou .
- Quando é o festival? - perguntou.
- Essa sexta é o primeiro dia, sábado é o último. - dava de ombros como se não importasse, mas pela cara dele dava para ver que estava chateado.
- Esse é o festival de música que vai ser em Liverpool? – PErguntei assim que um click veio em minha cabeça.
- Aham, como sabe? - que estava sentado ao meu lado, olhou para mim.
- Hm... Minha mãe é quem tá organizando. - quatro pares de olhos se viraram em minha direção – Ela é promotora de eventos e organiza festivais de música.
- Tá de brincadeira? - falava como se eu estivesse contando a coisa mais absurda do mundo – E você vai?
- Claro! É um projeto da minha mãe, eu vou a todos. – eles continuaram a me olhar como se eu fosse de outro mundo ou algo parecido. Opa! E se... Não... Será? – Vocês querem que eu mande o CD de vocês para ela? Não é a responsável pela parte musical, mas conhece quem é.
- Sério ? A g-gente não q-quer te dar t-trabalho. - gaguejava - Tipo, você não p-precisa f-fazer isso.
- Até parece que isso é sacrifício, ! É só vocês me darem uma cópia que eu mostro para a minha mãe ainda hoje! – mal terminei a frase e senti quatro marmanjos em cima de mim.

Assim que escureceu, o motorista, a mando de meu pai, veio me buscar. Os meninos me deram o CD e se despediram de mim me agradecendo mais uma vez. pegou carona comigo e em alguns minutos eu estava em casa.
Cheguei e logo entreguei o CD para mamãe explicando a situação, ela disse que ia fazer o que pudesse para os meninos tocarem. Como já tinha comido, fui para o quarto arrumar meu material para amanhã. Depois de checar se todos os livros estavam na mochila, fui tomar banho e dormir.

Capítulo 2



Mais um dia ensolarado. Londres está me surpreendendo. Fiz a minha rotina matinal e fui para a escola com meu pai. Atravessei os portões correndo, estava atrasada, tomara que o professor não tenha entrado. Suspirei aliviada quando vi a mesa vazia. Fui em direção ao meu lugar e assim que sentei, vi o professor chegar e começar a aula.
Como me sinto aliviada quando eu ouço o som do sino! Fui direto pegar meu lanche, tô morrendo de fome. Eu estava comendo enquanto me falava de alguma banda nova que ela descobriu na internet, quando os meninos chegaram à mesa fazendo o maior alvoroço.

- Dude, aquele menino é muito idiota! - gargalhava enquanto colocava sua bandeja na mesa.
- Quem? - desligou seu Ipod para prestar mais atenção – Collin?
- O próprio! - riu e se sentou ao lado da namorada – Ele tá lá na sala ajudando a professora de química a preparar a aula. – riu mais e continuou – Tá se gabando todo porque foi ele quem pegou os sapos para a aula!
- Cara, pra que a gente precisa abrir sapos? - colocava o máximo de batatas que podia dentro da boca. Ri da cara de nojo que fazia – Répteis nem tem o mesmo corpo que a gente!
- Sapo é um anfíbio, - disse rindo e ele deu de ombros. Ele é bem fofinho quando fala besteira, fica com as bochechas rosadas, mas não é de vergonha como as minhas...

As últimas aulas chegaram ao fim, e como de costume, meu motorista já estava me esperando. Cheguei em casa, almocei, fiz meus deveres, conversei com , mas eu estava ansiosa para a chegada de minha mãe com a resposta do show. Assim que ouvi a voz dela no andar de baixo, saí do quarto correndo.

- Mãe! E aí? Eles aceitaram? – assim que cheguei à sala, parei em frente a mais velha.
- Oi pra você também, ! - ela me deu um beijo na testa – Olha, o John, empresário que é responsável pela parte musical, disse que eles são bons. – comecei a pular e soltei um grito baixinho – Mas tá muito em cima e ele não vai poder encaixar os meninos...
- O quê? – ótimo, agora eu não ia surpreendê-los, ou melhor, o . - Esse tal de John não disse que eles são bons?
- Sim, eles são. Mas filha, um evento desses tem que ser organizado, e os músicos tem que estar ensaiados. – cruzei os braços e sentei no sofá – Como eu ia dizendo, o John gostou dos meninos e vai apresentar o CD para um estúdio e colocá-los em uma lista para possíveis novos festivais.
- Sério? – sorri para ela que concordou também sorrindo – Então não é o fim. Eles ainda tem chances de fazer shows esse ano! – pulei em cima dela que ria da minha reação. – E tem mais. Como os seus amigos querem ser músicos, eu consegui ingressos para o festival para eles. Você vai para o show de sábado e eu comprei para eles no mesmo dia, e pra também, claro.
- Ah mãe! Te amo, te amo, te amo! Amanhã vou contar a eles! – subi correndo as escadas gritando coisas sem nexo, ouvindo a gargalhada dela.

O resto da noite parece estar se arrastando, cada minuto pareciam horas. Eu tô louca pra chegar amanhã e contar para os meninos! Eu sei que eles vão ficar chateados pelo lance do festival não ter dado certo, mas eles iam ser apresentados para uma gravadora. Eu não entendo muito dessa área, mas sei que isso é bom. E sei também que ouvindo a música deles os empresários vão contratá-los porque são muito bons.

Nunca acordei tão bem humorada. Tomei meu banho, me vesti, tomei meu café e ainda esperei meu pai terminar o dele, por incrível que pareça não estou atrasada hoje. Quase saltei do carro em movimento quando papai passou na porta do colégio, sorri quando os vi todos sentados no lugar de sempre.
- Hey, people! Tenho novidades. – Mal olharam para mim e eu comecei a falar – Sabe o lance do show? Então, minha mãe falou com o responsável da parte musical e ele disse que não vai dar para colocar vocês. – vi eles abaixarem a cabeça e fazer carinho no cabelo de , o reconfortando - Hey! Ainda não terminei! – quando todos eles me deram atenção eu continuei – Mas ele gostou e colocou o nome de vocês para outros eventos e vai mostrar o CD para uma gravadora.
- O que? - pulou do banco – Vão nos escutar?
- Aham! – Balancei a cabeça sorrindo. – E vocês podem conhecê-lo. – eles me encaravam confusos - Minha mãe conseguiu entradas para o show de sábado pra vocês.
- ! ! - gritou me pegando no colo e girando. Tomei um susto e ri. – Dude, não acredito! - vi os meninos comemorarem gritando coisas sem sentido. Sentei ao lado de e nós duas ficamos os observando, contentes.

Nem preciso dizer que o resto do dia os meninos não conseguiram prestar atenção em nenhuma aula, né? Não era pra menos, nem eu estava concentrada. Minha mente estava no show de sábado, seria a primeira vez que eu ia sair com os meninos e estava insegura de como me comportar. Podem me chamar de idiota ou o que quiserem, mas eu nunca fui segura de mim e com certeza não tenho experiência nenhuma em relação ao sexo oposto. Não queria que eles me vissem como uma retardada, ou melhor, não queria que o me visse assim. Já comentei que eu tenho uma quedinha por ele?
Durante os dois dias seguintes, só se falava de festival, gravadora, banda, música e afins, até que sábado chegou.

Tinha combinado com os meninos oito horas na frente de minha casa, minha mãe nos levaria já que o carro dela é grande. resolveu dormir em casa, porque tinha menos chances de se atrasar.
Sete horas meu despertador tocou e fui tomar banho, assim que saí acordei e ela fez o mesmo. Quarenta minutos depois já estavam prontas do lado do carro esperando os meninos, que não demoraram para chegar.

- Minhas lindas, preparadas para passar um dia inteiro com o cara mais gostoso e sexy de toda cidade? - abraçou a namorada dele e eu ao mesmo tempo. Deu um selinho na e depois me beijou na testa.
- O que importa pra elas o cara mais sexy da cidade se elas têm o melhor de UK aqui? - passou por o empurrando de leve.
Minha mãe chegou nessa hora, falando ao celular, provavelmente com alguém do evento.
- Então vocês são os meninos do McFLY? – eles concordaram sorrindo. – Vocês tocam muito bem, parabéns! – eles agradeceram em coro e minha mãe deu sinal para entrarmos no carro.

Fui na frente, enquanto os cinco se acomodavam atrás. Pelo que eu pude ver ninguém ficou desconfortável ou apertado, que bom que meu pai comprava carros espaçosos. O caminho foi tranquilo, cantamos algumas músicas que tocavam no rádio, os meninos contavam piadas - algumas só eles entendiam - , conversamos sobre músicas, filmes... Enfim, foi uma boa viagem.
Os responsáveis pelo evento iriam ficar hospedados em um hotel perto do local do show, minha mãe então reservou mais dois quartos, um pra mim e , e o outro pros meninos. Combinamos de ir à piscina, então assim que chegamos fomos para os respectivos quartos trocarmos de roupa. Faltava só eu colocar uma blusa quando eles bateram na porta.

- E aí? Já estão prontas? – dei passagem para entrar e ele foi seguido pelos outros três – Cadê a ? – nesse instante ela saiu do banheiro.
- Pronto, ! Não precisa ficar com saudades de mim! – ela amarrou o cabelo em um rabo de cavalo se olhando no espelho – Então, vamos?

Chegamos na área da piscina e pegamos uma mesa próxima ao bar. Não deu nem dois segundos e eles já tinham pulado na água, espirrando um pouco em mim e na .
- Hey, vocês duas estão esperando o que? - fez um aceno com a cabeça nos chamando. Rimos e pulamos juntas jogando água neles. – É guerra! – dito isso os loucos nos cercaram e começaram a jogar água na gente, nós duas nos defendemos como pudemos, empurrando água em qualquer direção.
- Chega! Vamos morrer afogadas! - se jogou em cima de que ria. – Vamos brincar?
- Briga de galo! - puxou e se abaixou para que ela subisse em seu ombro. Nisso sinto duas mão em minha cintura e olho pra trás assustada, sorri pra mim e se abaixa. Subi sem ter realizado que estava subindo nas costas de . – Vamos lá, amor. Acaba com eles!
- Sem ter pena, ! - se aproximava dos dois comigo em seu ombro – Pra cima! – empurrava e ela fazia o mesmo. A gente ria tanto que eu perdi a força e caí. Continuei rindo quando cheguei à superfície e vi e comemorando.
- Ganhamos, seus losers! - fazia um sinal de "L" na testa.
- Só porque a gente deixou, . - concordei com sorrindo – Na próxima vocês não vão ter essa sorte!
- Agora acabou! Vamos ver se vocês se vocês ganham da dupla mais foda de toda Inglaterra! - se aproximava com em seus ombros fazendo todo mundo rir. - subiu novamente nas costas do e eles começaram a "luta". Dessa vez os meninos deram a melhor.
- Isso me cansou - falou colocando a mão no coração. – Vamos pra banheira de hidromassagem?

Todos concordaram. Pagamos nossas coisas na mesa e fomos para a sala onde ficava a banheira, e por incrível que pareça não tinha ninguém. Entrei e senti todos os meus músculos relaxarem assim que a água quente tocou a minha pele.

- Banheiras são excitantes, né? - começou fazendo todos rirem – Sério, vocês não acham? – ele se virou para os meninos e eles afirmaram com a cabeça.
- É, mas elas não são nada excitantes com três homens juntos. – rimos de que se virou para e continuou – Mas se você quiser, amor, a gente pode voltar aqui depois do show. - deu um tapa no ombro dele.
- Controle seu hormônios, ! – ele riu e deu um beijo na bochecha da namorada.

Ficamos mais um tempo conversando sobre bobagens e quando vimos já tinha escurecido. Fomos para o bar comer alguma besteira, já que a última refeição foi o café-da-manhã. Depois de devidamente alimentados, fomos para o quarto tomar banho e nos arrumar.


Capítulo 3



Separei a minha roupa enquanto a tomava banho. Optei por uma calça jeans skinny azul escura, blusa preta em que um dos ombros ficava à mostra e meu bom e velho All Star. Estendi a roupa na cama e fui atender o telefone que começou a tocar.
- Alô? – respondi equilibrando entre o ombro e a cabeça enquanto ligava a TV.
- Filha, só liguei pra avisar que vou mais cedo pra organizar tudo. Quando estiverem prontos é só ligar pra mim que mando alguém ir buscar vocês, tá bom?
- Ok, mãe. 'Brigada. – esperei ela se despedir e desliguei o telefone.
Me joguei na cama e olhei a TV, mas minha mente estava bem distante. Mais precisamente em e o acontecimento da piscina. Pode parecer besteira, mas só aquele toque dele já me deixava tremendo nas bases. Qualquer palavra dele me fazia ficar com borboletas no estômago, qualquer gesto ou olhar me tirava do sério. Sempre fui apaixonada por ele, mas nunca fui correspondida, óbvio, quer dizer, ele podia ter quantas garotas quisesse e no colégio tinha meninas muito bonitas.
Quando ele se aproximou de mim e da , eu achei que nós ficaríamos mais colados e aí poderia acontecer alguma coisa. estava muito enganada. Posso contar nos dedos qualquer contato que tivemos, dos meninos ele é o mais afastado de mim, e não o culpo, não sou uma pessoa interessante. Dizem que a primeira impressão é a que fica, se eu soubesse disso alguns anos antes... Afastei esses pensamentos quando vi a porta do banheiro abrindo.
- Liberado. Vai com que roupa? - procurava alguma coisa em sua mochila.
- Com essa em cima da cama. – Fechei a porta do banheiro e liguei o chuveiro – Faz uma maquiagem em mim? – gritei para que ela ouvisse lá de fora. Ouvi um "claro" e continuei meu precioso banho.
Quando saí, o banheiro estava cheio de vapor, não podia fazer nada se só tomava banho com a água fervendo. Vi que já estava vestida e secando o cabelo, comecei a colocar a roupa que eu tinha separado e esperei ela terminar o cabelo para fazer o mesmo. Depois de meu cabelo estar devidamente seco, (já maquiada) começou a me maquiar. Diferente dela, eu estava com os olhos pretos e a boca clarinha, só com um gloss, enquanto ela estava com a boca mais escura e o os olhos mais leves.
Ligamos para o quarto dos meninos para ver se eles estavam prontos e como eles disseram que sim, comuniquei minha mãe que mandou um motorista do evento nos buscar. Fomos os seis para a recepção esperar o tal carro, que chegou em poucos minutos.

O local estava cheio, mas nós ficamos na pista VIP, que ficava um pouco acima dos outros lugares, então podíamos ver bem o palco. e namoravam enquanto o show não começava, e foram pegar alguma bebida e eu fiquei olhando o nada. Sentia o olhar de sobre mim mas fingia não perceber para não ficar vermelha de vergonha, iria ser um mico.
- Hey, - virei-me em direção à ele que se aproximou e ficou do meu lado. – Então, ansiosa pro show?
- Aham. – balancei a cabeça afirmando – E você?
- Muito, cara, nem sei que banda quero ver mais... – ele falava animado e ri de seu entusiasmo – Não sabia que você gostava de coisas assim. – olhei-o não entendo o que ele queria dizer e ele se apressou a explicar – Tipo, você nunca vai a nenhum show com a gente e o fala que você não sai muito...
- É... Eu não sou de sair, mas gosto de shows. – percebi que ele prestava atenção então continuei – Eu acabo sabendo de várias apresentações por causa do trabalho da minha mãe – o vi assentir e dei de ombros - Mas nunca me animei pra ir. Acho que é porque nunca tive companhia. A não é muito fã de programas como esse, então eu ficava sozinha pra ir e aí desistia.
- Pois saiba que agora você só vai sozinha se quiser. – ele disse e eu o encarei sem entender. – Se você me convidar, eu vou pra todos os shows! – ele riu e eu o acompanhei. Fomos diminuindo o riso e ele ficou me olhando de uma forma estranha, desconhecida pra mim.
- Dudes, pegamos bebidas pra vocês - interrompeu seja lá o que for que estava acontecendo, ele trazia com as bebidas. Cada um pegou uma taça, mas quando ele esticou a última para mim, eu neguei.
- Não bebo. – ele me fitou em choque – O que foi? - perguntei sem graça com o olhar dele e de , já que o resto estava entretido com alguma coisa.
- Nada, só que é estranho alguém da nossa idade não beber - disse e foi se juntar à conversa.
- Quer ir ao bar pegar alguma coisa pra você? – ouvi perguntar no meu ouvido, já que a música que tava rolando antes do show estava alta. Assenti e caminhamos juntos até o bar. – O que você vai querer? – ele se apoiou no balcão e me perguntou.
- Uma água. – ele sorriu. O barman ouviu e pegou uma garrafa para mim, agradeci e voltamos para o nosso grupo.

As luzes se apagaram e passou no telão um clipe de todas as bandas que iriam se apresentar. Quando esse acabou, a luz focalizou mais o palco e a primeira apresentação começou.
Tinham bandas conhecidas e algumas eram novas, estávamos nos divertindo muito! Uma banda desconhecida, formada por cinco meninos e uma menina que é a vocalista, tocaram um cover, Kiss Me do Sixpence None The Richer. Me surpreendi com alguém segurando a minha mão e me puxando, subi meu olhar e vi o rosto de sorrindo para mim e como se fosse automático correspondi. Vi com meu olhar periférico e dançando, sorri com isso e voltei minha atenção para o menino em minha frente. Ele me abraçou pela cintura e coloquei meus braços ao redor do pescoço dele, insegura; começamos a dançar sem nem sair do lugar.
A música acabou e sorrimos um para o outro, ele aproximou seu rosto do meu e deu um beijo em minha bochecha. Virou-se para o palco e assistiu o resto da apresentação, nem preciso dizer que eu fiquei alguns minutos parada sem saber o que fazer, nem pensar. Eu estava em choque. Tinha acabado de dançar com ... ! E ele tinha me dado um beijo no rosto, e foi bem diferente dos outros que ele me dava quando ia me cumprimentar ou se despedir... Sei lá, foi um beijo carinhoso.

Quando o show acabou já tinha amanhecido, estávamos tão cansados que nem esperamos minha mãe nos levar, pois ela tinha que encerrar algumas coisas. O mesmo motorista que nos buscou, deixou a gente na porta do hotel. Mal nos falamos e fomos para os quartos tirar umas horinhas de sono, porque daqui a pouco teríamos que voltar para casa e pra aula.
Minha mãe interfonou para meu quarto avisando que estaria lá em baixo esperando. Liguei pros meninos, que ainda estavam dormindo, e fomos para o estacionamento. No caminho minha mãe perguntou se tínhamos gostado e o máximo que conseguimos dizer foi um "aham", parecia que depois do show uma tsunami de sono nos pegou. Nem vi os meninos saindo do carro, quando acordei já estava na frente de minha casa, peguei minha mochila e fui direto para o quarto. Só acordei no dia seguinte, com meu despertador tocando para ir à escola.

Levantei da cama e senti meus músculos da perna doendo, isso que dá ser sedentária. Me olhei no espelho antes de entrar no banho e vi olheiras enormes, hoje eu não tava nada bem. Terminei de me arrumar e dei um jeito nas olheiras. O motorista me esperava, já que eu me atrasei e meu pai não pode me esperar.
Só cheguei no segundo tempo, e quando entrei na sala vi e de cabeça baixa dormindo e quase fechando os olhos. tava olhando fixamente para algum ponto, totalmente alheia à explicação, e corri meus olhos pela sala e não encontrei nenhum sinal do . Fui para o meu lugar e me esforcei ao máximo para prestar atenção.

Na hora do intervalo, apareceu e se juntou ao grupo que estava sentado na mesa de costume.
- Onde você tava, dude? - perguntou quando viu o menino chegando.
- Dormi, fui ao banheiro matar o primeiro tempo e acabei pegando no sono sentado no vaso. – nós rimos.
- Só você, cara - balançou a cabeça como se não acreditasse – E ontem, hein? Que show... Uma banda melhor que a outra.
- Concordo, e olha que eu nem sou tão entendida de música. - disse mordendo seu lanche.
- E parece que não foi só a que gostou, né? - empurrou , que estava ao seu lado, com o ombro e olhou pra mim - O e a pareciam ter gostado muito da música Kiss Me. – todos riram e eu fiquei vermelha. parou de rir e sussurrou para um "para, dude!".

Falamos de mais alguma coisa do festival, sem tocar no assunto "a dança de e " de novo, graças a Deus. O sinal tocou e fomos para as últimas aulas do dia que eram as piores. O tempo ia se arrastar...


Capítulo 4



Sábado. Graças à Deus! A semana passou rápido demais, mal tive tempo de conversar com alguém ou me distrair com qualquer outra coisa sem ser matéria. Sabe o que é ter uma maratona de provas a semana inteira e pior, sem aviso prévio disso? A minha escola só podia ser doida... Só os alunos de lá sabiam como era difícil frequentar "a escola de maior prestígio de Londres".
Ouvi meu celular apitando e saí do banheiro escovando os dentes. Fui ver de quem era a mensagem que dizia: "Festa na casa da Madison hoje, a escola toda tá convidada! xoxo ". Dei de ombros e voltei para o banheiro. Ouvi o som de uma nova mensagem, esta falava: "Aparece aqui em casa sete horas pra gente se arrumar!". Nem preciso dizer de quem é, né?
Madison é a garota mais popular do colégio e costumava dar festas com bastante frequência. Ela não é o que eu posso chamar de exemplo, já que é aquela típica líder de torcida que fica com todos os meninos (o Mcfly todo, com exceção do , já pegou) e trata mal as meninas que considera loser. A mim ela nunca fez nada, acho que preferia me ignorar e fingir que eu não existia, e eu também não dava motivos pra ela me importunar, já que me esquivava toda vez que ela me dirigia o olhar.
Sentei na cama e pensei no que fazer até de noite. Não tinha deveres e eu me recusava a ficar um sábado parada em frente da TV ou computador. Como estava um dia ensolarado, resolvi dar um volta e passar na sorveteria próxima de casa. Coloquei um short jeans, blusa do Rolling Stones e um chinelo, peguei uma quantia de dinheiro e guardei em um bolso diferente do que estava o meu Ipod. Avisei aos meus pais que estava saindo, mas logo voltava.
Fui andando calmamente ouvindo minha música, quando entrei na sorveteria vi que tinha um grupinho da minha escola sentado em uma mesa próxima ao balcão de pedidos, e nesse grupo estava Madison. Abaixei a cabeça e andei rapidamente para que não fosse reconhecida, e teria conseguido se não tivesse esbarrado em alguém. Senti todo conteúdo gelado de dentro do pote cair em cima da minha blusa. Já ia me desculpar quando olhei pra cima e vi em quem eu tinha trombado, .

- Desculpe, eu não olhei pra fren... – gesticulava com a mão nervosa e envergonhada por ter chamado a atenção das pessoas no local.
- Sem problema, . Eu também tava distraído – nessa hora ele olha para o lado e vi que ele estava acompanhado do , que sorriu pra mim. Nessa hora chega a última pessoa que eu queria ver no momento.
- Não se preocupa, . Pior que isso não fica. – Madison para na frente de e me olha dos pés à cabeça. Lembra quando eu disse que ela não implicava comigo? Então, isso só acontecia quando não tinha nenhum outro loser no local para que ela se ocupasse.
- Madison... - foi interrompido pelo dedo que ela colocou em frente aos seus lábios pra que ele se calasse.
- Você vai à minha festa hoje, ? – ela fazia a melhor cara de nojo que conseguia e os amigos dela sentados na mesa riam da cena. Nem consegui responder e ela se adiantou – Acho bom você ir com uma roupinha melhor, não quero ninguém na minha casa vestido com trapo. – ela puxou a parte que não estava suja da minha blusa e saiu, voltando para seus amigos.
Já estava preparada pra dar meia volta e sair dali, quando senti um braço me segurando, encarei e vi ele hesitar se falava ou não.
- Vo... Você não quer tomar sorvete? – ele apontou para si e , que estava sorrindo me dando força. Parecia que ele não se importava, diferente de que parecia tenso.
- Acho melhor não. – balancei a cabeça – Tenho que ir pra casa trocar de roupa. – ia me virar, mas senti novamente me puxando.
- Você quer carona? – ele bagunçava o cabelo, já falei que isso me deixa hipnotizada? – Er... O tá de carro... Se você quiser... – olhei pra . Vi que não tinha problema e aceitei.
Saímos do local juntos e senti o olhar de Madison e sua trupe sobre mim. Entrei no banco de trás do carro e apontei para onde devia seguir. Fui dando as instruções e ele parou quando pedi.

- Vocês querem entrar? – perguntei antes de sair do carro. Notei que eles observavam a minha casa de boca aberta, mas não me incomodei, já estava acostumada.
- Ahn... A gente vai pra casa do , ele o estão nos esperando pra ensaiar. - disse, acenei com a cabeça e saí do carro agradecendo. Já estava na metade do caminho para entrar em casa quando ouvi me chamarem.
- ! - encarei e esperei ele falar. Ele bagunçou os cabelos procurando o que dizer – Você vai à festa da Madison?
- Eu ia, mas agora não sei. – respondi sinceramente – Acho que ela não vai ficar muito satisfeita com a minha presença. – ri sem humor.
- Que isso! O lugar vai estar lotado, ela nem vai te ver... – ele sorriu e fez cara de cachorrinho sem dono - Vamos, ! Vai ser divertido! – ri do modo como ele tentava me convencer.
- Vou pensar. – ele sorriu e involuntariamente fiz o mesmo – Mas não tenho certeza! – apressei-me a dizer. Ele concordou soltando uma gargalhada.
- Te espero lá, ! – ele se aproximou e beijou meu rosto, fiquei em choque. Se afastou e piscou pra mim, deu as costas e voltou para o carro.

O que foi isso que até agora eu não entendi? Desde quando me trata dessa forma? Ele vem me tratando diferente desde o dia do show... Dúvidas, dúvidas. Tenho que tirá-las com a mais tarde quando for me arrumar pra festa. Porque eu VOU à festa, já tinha me decidido no momento em que ele perguntou se eu ia.
Entrei em casa e dei de cara com minha mãe sorrindo, não entendi nada e continuei a andar em direção à escada.
- Filha! – virei pra ela – Esse menino não era o que foi pro show conosco? – confirmei e ia retomar o meu caminho, mas fui novamente interrompida. – Vocês estão ficando amigos. – ela sorriu mais e senti minhas bochechas queimarem. Dei de ombros e corri para meu quarto antes que ela me metralhasse de perguntas.
Abri a porta do closet e procurei uma roupa que me deixasse atraente, mas que não dissesse "eu sou puta". Não consegui separar nada e liguei pra .
- Preciso de ajuda. – sentei frustrada na cama. – Não tenho roupa. – a ouvi rir, o que me deixou irritada.
- , você é a pessoa que mais tem roupa que eu conheço, tenho certeza que vai achar alguma coisa.
- Sério, amiga, eu preciso de um help! Vem pra cá e se arruma aqui, please! – deitei na cama e sabia que ela ia aceitar.
- Ok... Às sete eu chego aí, tá?
- Obrigada! Te amo! – ouvi um "também minha mocreia, beijo" e desliguei.

Estou muito ansiosa para essa festa, quero dizer, pediu para eu ir, então no mínimo ele ia falar comigo, né? Ok, não é só por isso que eu quero ir, eu sei que não devo ter esperanças, mas é inevitável. Sonhei com uma aproximação desde quando tinha treze anos e o vi entrando naquela sala, sendo apresentado pelo professor. Tá certo que naquela época eu me apaixonava facilmente, e quem em seus treze não gosta do coleguinha bonito de classe? Essa queda que eu tenho por ele, porém, nunca passou.
Bufei, entediada, ainda eram quatro horas e eu não tinha nada para fazer. Decidi assistir alguns episódios de The O.C. para passar o tempo, optei pela primeira temporada. Alguém, além de mim, tem como sonho de consumo o Seth? Ele é muito fofo! E essa cena que ele sobe no balcão de café e se declara para a Summer, só faz subir o nível de fofura.
Depois de quatro episódios vistos, fui tomar banho antes que a chegasse. Saí com sacrifício do chuveiro e só foi eu colocar os pés para fora do banheiro que ouvi a campainha tocar. Não me preocupei em ir atender, mesmo não tendo nenhum empregado em casa, eu sabia que esse sábado meus pais não trabalhariam (milagre).

- Diva, cheguei! – ri e olhei para de braços abertos e com uma mochila enorme nas costas.
- Vai se mudar, amiga? – ri mais e ela negou.
- Chata! – mostrou a língua - Sabe como é, né? Mesmo tendo namorado não quero que ele olhe para nenhum rabo-de-saia. Já falei como é difícil ser namorada de ?
- Imagino! – a vi colocando a mochila no chão e se sentando na cama – Deve ser super difícil namorar um macaco. – ela jogou a almofada na minha cara e começamos a rir.
- Tá bom, vamos parar de falar mal do meu namorado lindo e perfeito e começar a se arrumar pra te deixar divina para o ! – fiz um olhar de deboche para ela que sorriu – Pode falar o que quiser, . Eu sei que você só vai por causa dele. - rolei os olhos e ela continuou – Vamos fazer o seguinte? Você finge que me engana e eu finjo que acredito.

Começamos a nos arrumar. Primeiro fizemos o cabelo, fez uns cachinhos na ponta do meu e o dela ficou liso. Ela me ajudou a escolher uma roupa (vestido nude soltinho, cinto de metal dourado e ankle boot preta). optou por um vestido preto tubinho de um ombro só e scarpin amarelo. Na hora da maquiagem, ela deixou meu olho bem carregado com sombra preta, e só colocou um rímel e deu destaque na boca com batom vermelho.
Terminamos de nos arrumar e minha mãe nos deixou no local da festa, ela teve que parar um pouco afastada da casa já que tinha carros estacionados na calçada.
- Boa festa, meninas. – agrademos e abrimos a porta para sair – Juízo! – rimos e saímos.
- Mãe, eu vou dormir na casa da . – ela sorriu e bati a porta do carro. Vi o carro partir e começamos a caminhar em direção à festa.
Parecia que a casa ia explodir de tão cheia, encontrar os meninos não ia ser fácil. Entramos e senti meus tímpanos doerem de tão alta que a música estava, só senti a mão de me puxando pelo salão e saindo dele. Fomos para fora da casa, em um local mais afastado e escuro depois da piscina. Vimos a silhueta de duas pessoas.

- O me mandou uma mensagem dizendo que estão aqui. - falou assim que o barulho da música amenizou.
Nos aproximamos e vimos e conversando.
- Oi, amor. - se abaixou para cumprimentar o namorado com um selinho – Hey, ! – ela sorriu e acenou com a cabeça e ele fez os mesmo.
- Hello, . – dei um beijo no rosto dele e me virei para falar com . – Hey... – sorri pra ele que se aproximou mais de mim e beijou meu rosto.
- Oi, linda. – me sentei entre a e o . – Que bom que você veio. – o fitei sorrindo.
- Gente, onde tá o e o ? - perguntou, atraindo a nossa atenção.
- Procurando alguma menina. - deu de ombros.
- E o não foi com eles por que? - olhou para ele que sorriu e negou com a cabeça.
- O tá apaixonado. - riu, e sorriu e negou com a cabeça. Era o que me faltava, a menina que ele gosta chegar e eles ficarem se beijando na minha frente. Abaixei os olhos com esse pensamento.
- Não exagera, ! – ele deu de ombros – Eu só não quero ficar com essas meninas...
- Porque já pegou todas, né? - sorriu ironicamente pra ele. Dos meninos, é o que ela menos gosta, acho que é por ele ser pegador, e ela sempre soube que sou meio "in love" por ele.
- Tá com a bruxa hoje, hein ? – tive vontade de rir mas segurei. Conhecendo bem a ela devia estar vermelha de raiva, nem me atrevo a olhá-la.
- Vamos dançar, vem amor... - puxou a mão da namorada e lançou um olhar nada bom pro amigo.
- Ela é um doce, né? – ri e balancei a cabeça.
- Ela é sim, se você conhecê-la vai ver como é uma ótima amiga. – ele sorriu e ficou me encarando. Já estava ficando incomodada e sentia meu rosto esquentar – Hum... A sua namorada vai vir? – juntei toda a minha coragem para perguntar, minha mão estava suando de tanto nervoso.
- Ela não é minha namorada. - "menos pior", pensei – Na verdade, a gente ainda nem ficou – olhei para ele que continuava com o olhar pra cima de mim, isso me dá aflição, não sabia o que ele queria dizer. – Eu não tô apaixonado, como o idiota do disse... Eu só tô, sei lá... Balançado. – senti um soco no estômago. Logo agora que eu pensei que teria uma chance, ele aparece com outra! Não é justo...
- Quem diria, o pegador do colégio, balançado por uma garota. – ele riu e colocou os braços para trás se apoiando neles, não ficando nem deitado nem sentado.
- Não é bem assim... Não sou esse putão que o povo diz. – olhei para ele que riu – Ok, talvez seja. Ou melhor, era!
- Nossa, me apresenta essa menina que fez milagre! – ele riu e eu escondi a minha frustração.
- Você conhece... Muito bem, eu diria. – o encarei confusa. Será que ela estudava no colégio? Só pode, para eu conhecê-la. Espero que não seja a Madison, aí seria demais pro meu organismo. – Na hora certa você vai saber. – fiz um biquinho e ele apertou a minha bochecha sorrindo – Vamos entrar? Tá ficando frio. – concordei e seguimos o caminho que e tinham feito minutos antes.

Estávamos prestes a entrar na sala e ele pegou minha mão. Não tive tempo de recusar (como se eu fosse), nem pensar, acho que foi por isso que nem com vergonha eu fiquei.


Capítulo 5



Fomos até a cozinha e ele me deu uma garrafinha de água, que eu bebia enquanto ele preparava um drink. Viro para a porta quando ouço umas vozes agudas se aproximando, Madison e mais duas meninas que eu via de vez em quando na escola apareceram e pararam de falar. Droga, isso não ia dar em boa coisa!
- , estava te procurando! – ela se jogou em cima dele e o abraçou pelo pescoço – Vai ter uns joguinhos lá em cima... - "joguinhos", que menina de classe! – Chamei pouca gente, mas você tá convidado. – ela deu ênfase em "você" enquanto olhava para mim.
- Valeu pelo convite. – ele disse tirando os braços dela de si - Mas eu tô acompanhado. – nessa hora ele me abraçou pela cintura, e se não estivesse encostada na bancada, tenho certeza que cairia.
- Dela? – Madison me olhou de cima a baixo e depois riu – Você já teve gosto melhor, . - as duas amigas dela riram também e eu olhei para baixo.
- Engraçado, eu penso o contrário. – vi Madison cruzar os braços – Já aguentei tanta porcaria, agora meu gosto tá mais refinado! – ele deu seu melhor sorriso e me puxou pela mão saindo da cozinha.
Atravessamos o salão lotado e saímos de casa. Ele sentou na calçada e eu o acompanhei.
- Não liga para o que ela fala... – ele começou, atraindo a minha atenção – Elas são idiotas.
- Tudo bem. – apressei-me em dizer e dei de ombros - Depois de um tempo você se acostuma.
- Ninguém se acostuma com isso...
- Vamos combinar que eu entendo melhor disso que você, né? – falei com bom humor e ele sorriu.
- Você é uma menina legal, . – ele disse depois de um tempo em silêncio – Quero dizer, nós nunca fomos próximos nem nada, mas o pouco que tô conhecendo de você eu to gostando. – Ele olhava em meus olhos e eu só conseguia fazer o mesmo. – Gostando muito... – disse mais baixo. Ele foi se aproximando de mim e fiquei parada, em choque.
- Aí estão vocês! - chegou gritando e fez voltar para sua posição inicial, assustado. – gente voltou para a piscina mas vocês tinham saído.
- Jura, ? - falou de mau humor.
- Acordou de TPM, dude?
- Então, o que estavam fazendo? - interrompeu os dois para quebrar o clima pesado.
Mais algumas horas de festa, gente saindo bêbada, outros se agarrando pelos cantos, resolvemos ir embora. Como o tinha desaparecido e provavelmente não estaria em condições de dirigir, o levou , e eu embora, mandou uma mensagem para o celular de avisando.

- Pode ir me contando o que tava rolando entre você e o lá na calçada. – mal entramos no quarto dela e já foi me interrogando. – Nem vem com essa cara de desentendida, eu vi o clima.
- Nada demais. – dei de ombros – Tipo, ele falou que eu sou legal e tá gostando de me conhecer melhor... – não consegui completar, pois começou a gritar – Para de berrar, doida! – ri.
- Ah, é que eu fiquei feliz com a notícia! E para de tentar esconder que eu sei que você quer fazer o mesmo!
- Querer, eu quero. Mas é melhor não ficar criando esperanças.
- Para de drama, ! – ela jogou uma almofada em mim.
- Tá bom, tá bom! – me joguei na cama e virei para ela – Já te contei o fora que o deu na Madison? – vi ela negando e comecei a falar.
Contei cada detalhe. xingou quando contei que ela me insultou. Ficamos mais algum tempo deitadas na cama dela, que é de casal, e com a roupa da festa, pegamos no sono.

- Acora, flor do dia! - sentia alguém me sacudindo, mas a minha vontade de abrir os olhos era zero. – Anda ! Os meninos estão vindo, a não ser que você queira que o te veja com a cara cheia de maquiagem borrada, é melhor você começar a se arrumar!
- Acordada! – abri os olhos imediatamente e levantei indo em direção ao banheiro.
- Santo ! - disse rindo e saindo do quarto.
Tomei banho e tirei a maquiagem. Peguei um vestido azul larguinho de . Se a gente ficaria em casa, era melhor estar confortável. Desci para comer alguma coisa e encontrei na cozinha.
- Fiz torrada. – Assenti e sentei, me servindo.
A campainha tocou e , que já tinha acabado de comer foi atender.
- Hey, amor! - deu um selinho nela e entrou, sendo seguido pelos outros que deram um beijo na bochecha dela. – Trouxe filmes pra gente ver.
- Que cínico! Quem alugou fui eu! - riu e passou pela , se jogando no sofá.
- Deixa os DVDs aí que depois a gente vê. A tá tomando café, vocês estão com fome? – eles negaram e ficaram conversando no sofá, enquanto eu terminava minha refeição.
- Hey, ! - veio falar comigo assim que pisei na sala.
- Oi, . – falei sorrindo.
- Deixa a falar com os outros, dude. - passou por e me deu um beijo no rosto. Sorri e cumprimentei todos.
- Que filme a gente vê primeiro? - mostrou os dois, esperando a nossa resposta. Um é 'Star Wars' e o outro '10 Coisas Que Eu Odeio Em Você'.
- Não acredito! – pulei pegando o dvd da mão dela - '10 Coisas Que Eu Odeio Em Você'! Amo esse filme!
- Dude, como você aluga isso? - se vira para que levanta os braços em protesto.
- O mandou pegar dois, um para elas e outro pra gente... A menina da locadora disse que esse é legal...
- Que ótimo, ! – disse com os olhinhos brilhando – Esse é um dos meus preferidos! – encarei e falei mais baixo, só para ela ouvir. – O Heath Ledger tá muito lindo! – rimos.
- Como se ele conseguisse ficar feio! – rimos mais, e os meninos nos olharam com cara de quem não estava gostando do assunto. Parece que não estávamos falando baixo assim.
Coloquei o DVD e nos sentamos para assistir. Os meninos reclamaram no começo, mas depois se calaram, a não ser na hora que o personagem de Heath canta para a Cat, em que eu e suspiramos e eles bufaram.
No final do filme, quando ela recita o poema, eu não resisti e chorei. Só eu que choro em comédias românticas? Olhei para e ela tava com o rosto seco. Tentei limpar as lágrimas antes que notassem, mas foi tarde. que estava ao meu lado viu e sorriu pra mim, mas não era de deboche, foi um sorriso carinhoso.
- Não acredito que você tá chorando por causa do poema. – ele falou baixinho para ninguém ouvir, o que eu acho difícil, já que o povo já tava super animado com o outro filme.
- É que é tão bonitinho o que ele faz, ela se rendendo... – sequei as lágrimas e ele riu baixo.
- Você é muito bobinha. – olhei para ele e pelo seu rosto ele não tava falando mal.
- Eu sei, a sempre diz isso!
- Para de perturbar a , . Deixa-a ver o filme! – Só aí me dei conta que já tinha começado. Corei e tentei prestar atenção.

Esse filme é um saco, odeio ficção científica! Olhei ao redor e todos estavam prestando atenção. Levantei como quem não quer nada e fui para a cozinha. Qual é a graça de ver algo que não é real? Ok, Twilight e Harry Potter é legal, mas só!
Enchi um copo de água e sentei na cadeira de costas para a porta.
- Desistiu do filme? – olhei para trás e me deparei com .
- Ficção científica não é pra mim. – ele riu e acompanhei com o olhar ele se sentar do meu lado. – Mas parece que eu não sou a única...
- Não, eu gosto. Mas já decorei as falas. – rimos e ficamos nos olhando.
Queria saber o que aquele olhar queria dizer. Ele passou a encarar minha boca e foi se aproximando de mim. Estava sentindo a respiração dele bater em minha boca e o vi sorrir e encostar os lábios nos meus. Fechei os olhos automaticamente. Ficamos assim por alguns segundos e antes que pudéssemos aprofundar o beijo, ouvimos um berro na sala.
Nos afastamos rapidamente e invadiu a cozinha. Por pouco não viu o pseudo beijo.
- O que vocês estão fazendo? – ele começou a procurar algo nos armários. Antes de nos deixar responder, nos interrompeu - , você sabe onde tem pipoca?
Peguei dois sacos no armário de cima e coloquei um deles no microondas.
- Pode voltar pro filme, quando estiver pronto eu levo. – sorri e ele voltou pra sala. Vi não se mover e abaixei a cabeça envergonhada, já que ele me fitava.
Ouvi o bip do microondas. Tirei a pipoca e coloquei a outra. Me virei para seguir o caminho da sala e me parou, ele estava em pé na porta.
- Deixa que eu levo. – ele pegou o pote e se aproximou – Não precisa ficar com vergonha, . – ele piscou e seguiu para a sala.
Levei o outro pote e coloquei na mesa para quem quisesse.
O filme já estava no fim, mas dessa vez eu não fugi. Fiquei olhando as imagens, mas meus pensamentos ficaram na cozinha, relembrando o acontecido de minutos atrás com a pessoa que estava sentada do meu lado.

Capítulo 6

Finalmente segunda! Mal dormi essa noite pensando no aconteceu ontem e no que poderia acontecer. Estava ansiosa pra ver se ele ia falar comigo, como ele agiria. Pelo que me disse ontem, não se arrependeu, e também parece que não quer mudar a relação de... Amizade?
Afastei esses pensamentos e me arrumei mais rápido que o usual. Com a minha sorte, porém, não adiantou nada, porque dessa vez houve um imprevisto no carro da minha mãe e ela teve que pegar carona com meu pai. Conclusão: cheguei atrasada e todo meu empenho foi por água abaixo.
Bati na porta e a abri um pouquinho, olhando para o professor.
- Pode entrar, Srta. . – entrei depois de sussurrar um "licença" baixinho.

Olhei para a classe e vi a metade dos alunos dormindo e a outra metade olhando para o nada, totalmente alheios à explicação. Senti um olhar em mim e o segui, chegando em . Ele sorriu e o máximo que eu consegui fazer antes de me sentar e começar a anotar a matéria, foi dar um meio sorriso a ele.

- Gente, que sono! - chegou na mesa onde estávamos sentados.
Os meninos estavam ouvindo música e eu estava concentrada no meu livro de Biologia. Tinha prova hoje e eu não podia ir mal, principalmente essa matéria, que é a minha menor média.
- Sono? Você dormiu três tempos seguidos! – encarei que deu de ombros.
- Só você consegue prestar atenção em aula de manhã, .
- Eu tenho que prestar, né? A prova hoje não vai ser nada fácil... – dizia enquanto marcava algumas informações importantes.
- Prova?! - saltou da cadeira – Tá doida, ! Que prova?
- De biologia, hoje à tarde. – dei uma rápida olhada pra ele e voltei para o livro.
- Maravilha! Outro zero no meu boletim - reclamava, ganhando apoio dos meninos.
- Se quiserem, eu posso estudar com vocês. – todos fizeram cara de quem desaprovava – Não dá para entender! Vocês reclamam que vão tirar nota baixa, mas também não querem se esforçar para melhorar? – eles olharam um para o outro sem graça.
No final das contas, consegui colocar um pouco de matéria na cabeça deles, só espero que se lembrem.

A prova foi fácil, com certeza daria para subir a minha média. Fui sentar-me à mesa de sempre, achando que ficaria sozinha, pois terminei a prova rápido, mas vi todos sentados.
- Milagre! saindo da sala de provas antes do horário? - brincou e eu dei a língua.
- Bobo! Vocês também terminaram cedo.
- Mas a gente, você sabe como é, né? – neguei com a cabeça e sentei ao lado de .
Senti meu celular vibrar e levantei-me para atender.
- Oi, pai.
- Oi, filha. Tenho que falar rápido porque estou em reunião. O Joseph não vai poder te buscar, houve um problema com a filha dele. Pegue um táxi que quando eu chegar te dou o dinheiro.
- Ok, pai. Beijo. – ouvi um "outro" e desliguei, voltando para o meu lugar.
- Quem era? - virou-se para mim.
- Meu pai. O Joseph não vai poder vir e ele falou para eu pegar um táxi.
- Joseph? - perguntou e só então me dei conta que todos prestavam atenção na gente. – Quem é?
- Meu motorista – respondi baixinho, odeio responder esse tipo de coisa. Não gosto de me passar por rica ou coisa assim.
- Às vezes esqueço que você tem muita grana.
- Que bom. É bom saber que se aproximam de mim sem saber o que eu tenho. – dei de ombros – E ter muito dinheiro não é tudo isso... Pelo menos, não pra mim. – falei baixo a última parte, pra ninguém ouvir.
- Eu te dou uma carona, . – sorri para agradecida.
- Mas nada de ir pra casa, 'bora sair. - falou e ganhou o apoio de todos.
- Ninguém merece ficar em casa depois de uma prova daquela... - disse rindo.
- Pra onde vamos? – perguntei.
- Sei lá... Pro parque? - sugeriu e todos aceitamos.
- Ok, mas eu tenho que voltar cedo. Meus pais me matam se eu voltar tarde em dia de semana, vocês sabem como eles são. – me levantei os seguindo.
- Prometo que a princesa estará aqui antes do anoitecer. - falava de um jeito teatral que me fez rir.

Fomos cantando as músicas que tocavam na rádio. estacionou o carro o mais perto possível e caminhamos em direção ao parque.
O parque estava vazio, com exceção de algumas pessoas que corriam ou andavam de bicicleta, mas essas estavam indo embora (provavelmente pelo tempo que não estava dos melhores). O local é cheio de árvores, com bastante vegetação. Andamos até o rio, nos sentamos lá. É uma área em que geralmente as pessoas iam para fazer piquenique.

- Cara, a gente devia ter trazido cerveja...
- Se embebedar em dia de semana, ? - se sentava entre as pernas do namorado que fazia carinho na lateral dos braços dela.
- Eu vivo bêbado! - rimos e os meninos concordaram com ele.
Senti uma gota cair na minha testa.
- Ih, começou a chover. - olhava para o céu e a frequência com que as gotas caíam aumentava.
- Poxa, mal chegamos... - lamentei e já ia me levantando quando fui interrompida por que segurou a minha mão.
- E quem disse que a gente vai embora? – olhei-o sem entender. Ele sorriu e se levantou. – Nunca brincaram de pique-pega na chuva?
levantou, me puxou pela mão e começou a correr, enquanto eu desajeitadamente tentava manter a mesma velocidade que ela. Os meninos começaram a correr atrás da gente.
Não sei o por que, mas quando vi, tinha corrido para um lado e eu fui para outro. Arrisquei um espiadinha para ver se tinha alguém me seguindo e desacelerei quando não vi ninguém. Andei de costas observando melhor, afinal podiam estar escondidos nas árvores.
Parei quando trombei em algo, ou melhor, alguém, já que os braços seguravam minha cintura. Tomei ar para gritar, mas o ser me virou. Desisti instantaneamente de fazer qualquer coisa quando vi .
- Você me assustou! – coloquei a mão no peito. Ele jogou a cabeça para trás rindo.
- Foi mal. Não resisti de te dar um susto. – ele fez cara de sapeca e eu cruzei os braços, mesmo que isso tenha sido meio complicado, pois ele ainda me segurava pela cintura, fazendo com que a distância entre nós fosse mínima.
- Não teve graça.
- Teve sim, você faz uma carinha tão bonitinha... – ele fez um biquinho que me fez desmanchar e dei um meio sorriso. Caímos em um silêncio constrangedor.
- Hum, acho melhor a gente voltar. – indiquei com a cabeça o caminho de volta, e ele negou.
- Vamos curtir a chuva. – ele me soltou e abriu os braços. – Vai, !
- Você é louco. – ri baixinho.
- Vai dizer que nunca tomou banho de chuva?
- Não. – ele me olhou incrédulo e se aproximou. Pegou minhas mãos e abriu meus braços.
- Tem uma primeira vez pra tudo. – ele disse baixo – Deixa a água te molhar.
Respirei fundo e olhei para o alto, com os braços abertos, deixando me molhar. E não é que é bom mesmo? Dá uma sensação de liberdade. Comecei a girar totalmente alheia a tudo ao meu redor, mas pude sentir um olhar sobre mim.
- Não é bom? – ele sussurrou no meu ouvido. Fiquei em choque e o máximo que pude fazer foi assentir.
- É como se eu fosse totalmente livre. – ele sorriu daquele modo que eu não tinha noção de que sentimento estava por trás.
Ele se aproximou de mim e segurou minha cintura. Olhei para cima e encarei seus olhos me fitando intensamente. Dos olhos, passaram a focalizar meus lábios. Vi ele molhando os seus e passei a olhar para os dele também.
Colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha, fez carinho com as costas da mão e fechei os olhos, tentando memorizar a sensação. Senti sua respiração se aproximando e fiquei tensa, prevendo o que estava prestes a acontecer.
Ele passou o nariz no meu pescoço devagar, me arrepiando, e foi subindo o toque até os narizes se tocarem. Ficamos um tempo assim, até que os lábios se uniram.
Sua língua quente tocou minha boca e a abri lentamente. Quando as línguas se tocaram, foi indescritível. Ele me puxou para si e o abracei pelo pescoço, acariciando a sua nuca.
Senti-o sorrir durante o beijo, que era doce e calmo, porém firme.
- ? ? – ouvimos a voz de se aproximando e nos afastamos - Ah, aí vocês estão! Achei! – ela virou a cabeça para trás e em pouco tempo os meninos chegaram correndo. – Cara, como vocês se meteram aqui? Não notaram que já se passou maior tempão? A chuva apertou! - se aproximou da namorada e ao notar nosso estado, abriu um sorriso malicioso.
- Interrompemos alguma coisa? – senti meu rosto queimar e abaixei a cabeça. Pela visão periférica, notei dar um soco nos braços do amigo.
- Cala a boca! Vamos! – todos se viraram para ir embora e antes que pudesse segui-los senti a mão de se entrelaçando com a minha.


Capítulo 7



- Me conta tudo que aconteceu! – nem tive tempo de dizer oi, e já veio me interrogando. – E não adianta falar que não houve nada, porque eu vi!
- Se você viu, por que quer que eu conte? – deitei de barriga para cima com o telefone na mão. Ouvi bufar do outro lado e segurei o riso.
- Eu percebi o estado que vocês estavam quando a gente achou vocês. – mesmo ela não podendo me ver, senti o rosto ruborizar. – Se fosse outra pessoa, eu diria que estava se pegando, MAS como é você... – rimos juntas.
- Para! Eu também sou humana, ok? – ouvi um grito do outro lado e afastei o telefone.
- Você e o se beijaram! – mais um berro – E aí, como foi? Ele beija bem?
- Bem? Ele é simplesmente maravilhoso! – ela riu.

Falamos mais um tempo no telefone e tive que me despedir para fazer meus deveres, só interrompi os estudos para jantar. Meus pais me encheram de perguntas sobre o que fiz na parte da tarde. Ponto ruim de morar em uma casa cheia de empregados é que nenhum movimento seu passa despercebido. Falei a verdade, não sabia mentir, e eles aceitaram numa boa assim que disse que já tinha feito todos os trabalhos de casa. Para meus pais é assim, basta você ser bom aluno, e tudo está resolvido e certo na sua vida.
Terminei minhas tarefas tarde, e fui dormir para não me atrasar.

Acordar cedo, definitivamente, não é meu forte. De manhã nada funciona, tudo dá errado e não importa a que horas eu acorde, sempre chego atrasada.
- Srta. , essa é a última vez que te deixo entrar na minha aula. – o professor de química sempre dizia isso, mas nunca me negava a entrada na sala. Deve ser porque apenas eu e Collin participávamos.
- Desculpa, professor.
Fui me sentar na cadeira de sempre e tirei meu material da mochila.
- Agora que todos já chegaram... – ele olhou para mim e dei um sorrisinho sem graça – Eu posso avisar sobre a feira de ciências desse ano. O trabalho reunirá as matérias de biologia, física e, é claro, química. Cada turma será dividida em grupos com quatro componentes, sendo que cada um abordará uma fonte de energia. No final do dia, eu quero uma lista com o nome dos integrantes de cada grupo e o tema que irão apresentar. Agora vamos para a aula?

- , quer fazer parte do meu grupo? – antes de sair da sala, Collin me chamou.
- Ah, não sei. Eu vou fazer o trabalho com a , e o também... – o vi ficar cabisbaixo. Tadinho, não tinha nenhum amigo, todo mundo no colégio, tirando eu e , o evitava. – Mas não precisa se preocupar, você não vai ficar sozinho. Vem comigo que a gente resolve os grupos.
O puxei e segui em direção aos meus amigos na nossa mesa.
- Hey, , estávamos te esperando para organizar os grupos. - parou de falar quando viu o menino encolhido atrás de mim. – Tá perdido, Collin?
- Não, ele veio comigo. – Respondi firme. Não me preocupei em ser educada, odiava injustiça e o que faziam com Collin era ridículo. – E é exatamente sobre isso que eu queria falar com vocês. – eles me encaravam – Collin está sem grupo, e como dois de nós irá "sobrar", eu queria saber se essas pessoas podem se juntar a ele.
- Como é que é?! - exclamou e eu dei um olhar mortal a ele. – Hum... Por mim tudo bem, eu acho. – Todo mundo concordou e sorri.
- Pronto, Collin, problema resolvido! – o vi sorrir agradecido e fiquei feliz. Ele é um bom menino. Antes de entrar no colégio, e quando a faltava, ele me fazia companhia. – Quer sentar com a gente? – senti olhos assustados sobre mim.
- N-não precisa, e-e-eu vou pr-pra biblioteca. – mal terminou de falar e deu as costas, andando rápido.
- , o que foi isso? - começou o interrogatório – Virou amiga do Collin agora?
- Eu nunca fui amiga dele, mas isso não quer dizer que eu tenho que ignorá-lo... E ele é melhor que muita gente desse colégio.
- Mas, , querida . Ele é a pessoa mais idi... - lançou um olhar assassino para , que se calou. – Deixa para lá. Então, quem vai fazer grupo com Collin?
- Sei lá, cara. A gente pode tirar na sorte. - deu de ombros.
- Ok, eu fico com a ! - abraçou a namorada.
- A gente vai sortear, animal! - deu um tapa na cabeça dele.
- Não custa nada vocês me deixarem no mesmo grupo que a minha namorada!
- Olha, eu posso fazer grupo com o Collin, afinal sou a pessoa mais próxima dele. – falei e corria meus olhos para todos – Agora só falta resolver o outro...
- Pronto, se resolvam os três mosqueteiros aí, para ver quem vai se juntar a mim e ao meu amor.
- Eu vou com a . - disse e sorriu para mim. Fiz o mesmo. Se ele continuar sorrindo desse jeito, um dia ele me mata.
O sinal tocou anunciando o fim do recreio e voltamos para a sala.
Tudo ocorreu normalmente até o último tempo, que é o de química, e iramos entregar a formação dos grupos. Sempre tinha confusão porque alguém sobrava, outros não aceitavam a divisão...
Mal o professor entrou na sala e Madison foi falar com ele, não consegui escutar já que todos falavam, vi o mais velho tentando acalmar a mais nova, que se virou emburrada e voltou para sua cadeira.
- Atenção, por favor! – pediu o professor – Quero a lista com os grupos, coloquem-na em minha mesa. – nesse instante ele passou a lista para a primeira aluna sentada na frente dele e esta começou a anotar até passar a lista para outro. – Tem alguém com grupo incompleto? – ele falou olhando para Madison, que me encarava. Levantei a mão.
- Eu, professor. Está faltando uma pessoa.
- Perfeito! A senhorita Madison completará o seu grupo.
Como é que é? Ela e eu não podíamos ficar juntas nem na mesma sala, imagina no mesmo grupo! A minha cara de choque e insatisfação estava contrastando com a sua. Ela parecia ter gostado. Isso não podia ser boa coisa, ou ela está aprontando algo ou, finalmente, decidiu dar uma chance para me conhecer. Prefiro acreditar na primeira opção, só não imagino o que ela ganhará com isso, nota alta, talvez?
- Me dê a lista logo, . – ela pediu, já que estava demorando para anotar os nomes do seu grupo de propósito. – Prontinho professor! – ela foi saltitando até a mesa dele depois de ter escrito nossos nomes. – Vai ser ótimo estudar com você, gatinho. – ela falou para .
Agora sim tudo fazia sentido. Ela sabia que ia estar no mesmo grupo que eu. Idiota, só quer chamar atenção!
Virei-me para frente, com a intenção de prestar atenção na aula, mas minha cabeça só processava maneiras de socar Madison. Essas reuniões para fazer o trabalho prometiam. Maldita hora em que me apressei a falar que faltava alguém.

- Ei, . – Collin corria em minha direção de forma desengonçada – Então, Madison White no nosso grupo, huh? – ele fez uma careta e eu ri.
- Pois é, esse trabalho vai ser mais difícil do que imaginei. – olhei para a frente encontrando o motorista – Tenho que ir, atá amanhã. – sorri e segui meu caminho.

Capítulo 8



Nem preciso falar sobre a minha animação com esse trabalho, né? Hoje mais cedo recebi uma mensagem da Madison marcando uma reunião na casa dela, sexta-feira. Sinceramente, eu ainda não consegui entender o motivo pelo qual ela quis fazer parte do mesmo grupo que eu. Tudo bem que o também está, e isso já é um ótimo motivo, mas ela podia tê-lo e falar com ele quando quisesse.
Devido aos pensamentos nada bons sobre como seriam as reuniões, eu mal tive tempo de recapitular o episódio do parque. Nem tive chances de comentar nada com ele. Bem, não passou pela minha cabeça trazer aquele assunto à tona, mas vai que quisesse falar algo?

Infelizmente, o resto da semana passou sem nenhuma novidade. Parecia que quanto mais eu rezava para sexta não chegar, mais rápido os dias passavam. Eu e continuamos na mesma. Depois daquele beijo, não aconteceu mais nada, nem tocamos no assunto, e quando um dos meninos faziam alguma gracinha, eles eram logo cortados por . É claro que eu fiquei meio chateada no início, tipo, eu sabia que ele não ia querer nada comigo, foi uma surpresa aquele beijo! Mas alguma coisa dentro de mim não me permitia parar de pensar nele e ter esperanças. Eu acredito em contos de fadas, mesmo que a minha história não chegue nem perto, eu fazia o máximo para encaixá-la em um.

Acordei sexta com vontade de permanecer na cama, queria estar doente para que meus pais me permitissem faltar. Sabia que isso não ia acontecer, mas qualquer coisa que eu pudesse fazer para adiar a minha ida à casa da Madison, eu faria. Não estava com um bom pressentimento, se é que isso exista.
Me arrumei e desci para tomar café. Até cogitei falar com minha mãe sobre o dia de hoje e pedir para não ir, mas conhecendo-a, ela nunca cairia nessa. Ao terminar de comer, chamei Joseph para me levar ao colégio.
Fui o caminho todo ouvindo a minha música, nervosa com o que poderia acontecer. Me despedi do motorista e desci do carro, rastejando até a sala de aula. Nem preciso dizer que estava atrasada, né?
Bati na porta e a professora de História sorriu, me dando permissão para entrar. Prestei muita atenção nas aulas para evitar pensar no que irá acontecer mais tarde.
Na hora do intervalo, fui me sentar com meus amigos. Ao me acomodar, senti falta de , olhei para os lados mas não o encontrei. Voltei a atenção para a conversa.
- Preparada pra passar a tarde na casa da cruela, amiga? - perguntou.
- Até parece... Se você soubesse quantas desculpas pensei em dar pra faltar hoje...
- Por que tudo isso, ? Até parece que a Madison pode fazer alguma coisa contra você. - comia o lanche da namorada, que reclamava baixinho por ele estar falando de boca cheia. – E além do mais, o e o Collin vão estar lá. Não que o Collin possa fazer alguma coisa... – ele falou a última parte mais pra ele mesmo, mas todos ouvimos.
- Quem te ouve, pensa que o pode fazer muito. – todos rimos do que falou.
- Falando de mim, amor? - apareceu se sentando na única cadeira vaga ao lado de e .
- Só tava comentando como você não leva jeito pra super-herói. - disse dando de ombros.
- E por que eu seria super-herói?
- A precisa de um para defendê-la na casa da Madison, mas acho que vai ter que ser o Collin. - disse a última parte me encarando.
- Te defender do que, ? – os olhos de fizeram o mesmo caminho que os do amigo.
- Nada... Eles só estão me sacaneando por eu não querer ir para a reunião.
- Ela não vai fazer nada, prometo. – ele sorriu e eu dei um meio sorriso – E se ela tentar... – ele deu de ombros – Estamos em maioria. – ele levantou quando ouviu o toque do sinal e foi seguido por todos. Esperou os amigos irem na frente e parou ao meu lado. – E se você precisar de um herói, não vai ser o Collin. – ele piscou e virou, seguindo o seu caminho.

Fiz o mesmo caminho que eles para a sala de aula de um jeito robótico. Porque depois do que o disse, precisei de uns minutos para me recuperar. Esse menino ainda vai me matar!
A aula voou, para meu azar. Me despedi de e fui com Collin e esperar por Madison no portão. Vimos um conversível vermelho parar na nossa frente e a uma menina com óculos maiores que a própria cara no volante. Alguém precisa avisar a ela que a vida não é "Meninas Malvadas" ou "As Patricinhas de Beverly Hills", ou seja lá o que inspire esse ser.
Segui com os meninos para o carro, sentei-me com Collin no banco traseiro enquanto se acomodou ao lado de Madison, para alegria dela, que colocou a mão nas coxas dele. Ela falou apenas com o caminho todo e também ficou com aquela maldita mão na perna dele, que ficou imóvel todo o trajeto.

A casa dela é muito bonita, da última vez que vim não pude notar muito, talvez pela quantidade de pessoas que estavam aqui dentro. Ao entrarmos na sala, vi uma senhora sentada no sofá lendo uma revista. Ela parou o que fazia para nos olhar e percebi que ela é muito parecida com Madison, provavelmente ela será igualzinha a essa senhora quando mais velha.
- Olá, querida. Vejo que tem companhia! – ela se levantou e veio em nossa direção – Quem são seus amigos que eu não conheço? – ela nos encarou depois de falar com a filha e com (óbvio que ela já o conhecia).
- Eles não são meus amigos! – a mulher ficou sem graça com a atitude da filha – Peça à empregada para servir nosso almoço na varanda, e não nos perturbe. – Madison disse no mesmo tom arrogante que falava com os losers do colégio.
Sorri para a mulher que ainda estava encabulada com a maneira que a mais nova nos tratou e segui os outros para o lado de fora da casa.
Tudo bem que eu sabia que Madison não era o melhor exemplo de pessoa, mas achava que ela só era assim na escola. Pelo visto, ela também não poupa a família do seu mau humor.
Sentamos em uma mesa redonda na varanda, e em poucos minutos, dois empregados trouxeram a refeição. Comemos em silêncio, às vezes quebrados por Madison que falava com . Ao terminarmos, retiraram os pratos vazios e começamos a discutir o tema do trabalho.
- Então, vamos falar sobre o que? - , que estava sentado entre Madison e eu, quebrou o silêncio.
- Hum... Podíamos fazer sobre Energia Nuclear... – Collin nos encarou inseguro – Eu acho mais fácil e tem muita coisa para falar... Mas é só uma sugestão. – ele se apressou em dizer, estava com muita vergonha.
Toda a situação está estranha. tentando puxar assunto e amenizar o clima, Collin encolhido em sua cadeira só abriu a boca para falar o tema, já eu nem coragem de fazer isso tinha, mal conseguia encarar Madison, e ela olhava as unhas totalmente alheia ao real motivo que nos trouxe aqui, o trabalho.
- Ótimo, Collin. - sorriu para o menino, tentando ser simpático – Vamos falar sobre energia nuclear. Por onde a gente começa?
- Pesquisa. – respondi de pronto – Temos que aprender a fundo sobre as usinas, e podemos procurar os casos de desastres para apresentar a parte de biologia, casos de problemas genéticos e doenças... – falei muito rápido sem me importar se eles entenderam ou não.
- Concordo. A química e a física vão se unir nesse trabalho, o que vai facilitar. – Collin, que parecia ser o único a ter alguma noção além de mim, me completava.
- E a estética? Toda a apresentação precisa ser atraente... – Madison falou pela primeira vez, ainda encarando as unhas. – Por que a gente não se divide? e eu cuidamos da aparência e vocês cuidam do conteúdo.
- Não acho boa ideia. - apressou-se a dizer – Digo, não precisa de duas pessoas para cuidar dessa parte, Madison. Eu posso cuidar da biologia, e a e o Collin, da química e física. Se não tiver problema, claro.
- Por mim... – dei de ombros e olhei para Collin que concordou.
- Então tá resolvido! Vocês fazem a pesquisa e depois me mandam, que eu monto tudo. Pode deixar que eu compro o material também. – Madison se levantou – Agora vamos parar de falar nisso que estou ficando com dor de cabeça.
- E a pesquisa, não vamos fazer? – É possível que ela só tenha nos chamado aqui para falar isso?
- Já?
- Claro, Madison! Você acha que a gente veio aqui só pra falar o que cada um ia fazer? Isso, podíamos fazer na escola. - se levantou – Vamos nos dividir e começar as pesquisas.
- Ok, tem um computador no escritório, vou pegar o meu Notebook. – a menina se levantou e nos guiou até a sala que tinha comentado.
As paredes eram repletas de livros, e no canto perto de uma janela gigante, estava uma mesa com o computador.
- Alguém vem comigo no meu quarto me ajudar a pegar o material? – esperei algum dos dois se voluntariarem, mas parecia que isso não ia acontecer. - , vem comigo. – ela ordenou e saiu da sala, não me dando tempo de arrumar uma desculpa e pedir para outra pessoa ir no meu lugar.

Subi as escadas seguindo-a. Eu tenho que parar de ser ridícula e de sentir medo dela. O que ela é, afinal? Apenas uma menina da minha idade que não pode fazer nada de grave contra mim! E se tentar, eu tenho meus amigos ao meu lado.
O quarto dela é exatamente o que eu imaginei, aquela coisa bem filme americano. Não que eu ache feio, muito pelo contrário, mas é tão sem originalidade...
- Pega o Notebook em cima da cama, . – ela pediu (ordenou) e pegou alguns materiais de papelaria. Já ia sair do quarto quando ouço a sua voz me chamar. - ! Só quero te dizer uma coisa. – olhei para ela – Eu não me juntei ao seu grupo sem querer, eu sabia que o estava no trabalho com você. E eu também sei que você gosta dele. – se o olhar dela matasse, eu já estaria dentro de um caixão – Mas fique sabendo que um cara como ele nunca vai olhar para você, nunca!
- Eu não espero por isso. – disse baixo a encarando.
- Não pense que me engana. – ela seguiu em direção à porta, mas antes de sair virou-se – Fique longe dele, está avisada.
Esperei ela sair do quarto para voltar ao escritório, onde os meninos estavam. Não sei por que as ameaças sem sentido da Madison me balançavam tanto. No fundo eu sabia que ela não faria nem a metade do que pensa em fazer, não é?
Ela agia como se nada tivesse acontecido. Se ela não passasse em nenhuma faculdade, poderia ser atriz. Começamos as pesquisas. Collin e eu nos juntamos no computador e fazia a sua parte no Laptop. Não podia dizer que White fazia o mesmo, já que parecia se importar mais com o menino que com o desenvolvimento do trabalho.
As horas passavam lentamente e eu me sentia sufocada. Parecia que tudo ia explodir dentro de mim a qualquer momento. Minha concentração tinha ido embora e Collin dava conta de tudo. Tanta coisa rondava a minha cabeça: o fato de ter me beijado e não ter dito nada, nem uma explicação; Madison estava aprontando algo e isso me agoniava.

Às cinco horas da tarde, meu pai me ligou. Saí da sala para poder atendê-lo com privacidade.
- Oi, pai.
- Filha, consegui sair mais cedo do trabalho. Estou pensando em fazer uma reserva naquele restaurante que você e sua mãe gostam, o que você acha?
- Claro, por mim seria ótimo. Você pode vir me buscar? – sussurrei a última parte para que ninguém me ouvisse lá de dentro.
- Onde você está? – ele perguntou sem me questionar e passei o endereço a ele. – Te ligo quando chegar, está certo?
- Ok. 'Brigada pai. Beijo. – ouvi "outro" e desliguei, voltando à sala. – Meu pai está vindo me buscar. Eu continuo a minha parte em casa. – Coloquei o celular no bolso traseiro e peguei a mochila, me certificando de não ter esquecido nada. – Já vou indo. – Sorri para todos e saí de lá o mais rápido possível.
Esperei por meu pai, sentada no banco na varanda. Já me sentia melhor só de ter saído do mesmo teto que aquela menina. Em poucos minutos, o carro parou e me levantei, entrando nele.
- Oi, querida. – dei um beijo em seu rosto – Como foi o trabalho?
- Ótimo! – respondi ironicamente colocando o cinto de segurança.
- Aconteceu alguma coisa? – ele olhou para mim antes de dar partida no carro.
- Nada demais. – dei de ombros – Apenas não gosto dessa menina e não me sinto confortável perto dela. – encerramos o assunto e liguei o rádio.

Chegamos em casa e minha mãe já estava lá, a cumprimentei e segui para o quarto, precisava ligar para e falar o que tinha acontecido hoje. Precisava ouvi-la xingar Madison e falar que ela só queria me perturbar e não ia fazer nada contra mim.


Capítulo 9



Voltei do jantar com meus pais cedo, parece que eu não era a única que estava cansada. Subi para meu quarto, iria assistir a algum seriado até pegar no sono. Tomei banho e coloquei uma blusa larga velha, que mais parecia um vestido. Procurei por alguma coisa que prestasse na TV, mas nada encontrei.
Ouvi um bip no celular e corri para ver o que era. Uma mensagem de alguém desconhecido, "vá até a varanda" era o que dizia. Já falei que sou medrosa? Pois bem, sou. E essa frase parece aquelas de filme de terror, vai que eu chego na varanda e tem um assassino me esperando? Ou também pode ter o Zac Efron, como no High School Musical, quando ele aparece na varanda da Vanessa. Ok, pare de ser ridícula !
Tomei coragem e abri a porta de minha varanda, fiquei na ponta dos pés para ver alguém, mas não encontrei nada. Fui me aproximando da sacada e pude ver que tinha uma pessoa bem debaixo da varanda, não pude acreditar quando finalmente reconheci.

- ? – perguntei sem saber se era verdade ou não. Será que eu já tinha dormido e isso era um sonho?
- Hey, ! – ele sorria abertamente. Vestia uma calça jeans larga, blusa da Hurley e All Star. – Pode descer aqui?
- Descer? – meus pais me matariam se saísse sem avisá-los com antecedência – Eu não sei se meus pais vão deixar.
- Poxa, só queria te levar para a casa do , o povo tá todo lá. – ele fazia carinha de cachorro sem dono. – Conversa com seus pais!
- Você não os conhece... Podem parecer legais mas são muito rígidos. – olhei para trás para me certificar que eles não estavam observando o meu falatório, já que teoricamente devia estar só. – Daqui a pouco alguém aparece aqui...
- Nem adianta falar nada, eu não saio daqui até você vir comigo. – ele fez menção de se sentar no gramado.
- Ok, eu vou! – ele sorriu – Mas se meus pais descobrirem e eu ficar de castigo, a culpa vai ser sua e você vai ficar com a consciência pesada! – agora ele ria de forma descontraída – Pare de rir, eles vão nos ouvir!
- , relaxa! Tô te esperando no carro!

Procurei alguma roupa, era só a casa do , certo? Optei por calça jeans e uma blusinha básica branca com um cardigã cinza e meu All Star. Passei a escova rapidamente em meus cabelos e dei uma olhada no meu rosto vendo se estava tudo ok.
Saí do quarto sem fazer barulho, como não ouvia nenhuma voz, desci os degraus lentamente. A luz do escritório estava aberta, meus pais estavam conversando lá. Corri nas pontas dos pés para a porta e a abri sem fazer barulho. A fechei com a minha chave e corri o mais rápido que pude para o carro parado no outro lado da rua.
- Não acredito que saí de casa sem falar com meus pais! – disse assim que sentei.
- Fala sério, . Nunca fez nada escondido? – ele olhou para mim e neguei com a cabeça.
- Não. – seu olhar passou a ser espantado, não acreditando. Ele voltou a atenção para o carro, dando partida.
- Você é impressionante, . – olhei-o sem entender – Nunca mente para os pais, não aproveita a grana que tem, não usa isso para se dar bem com as pessoas da escola e não aproveita a liberdade que seus pais te dão.
- Meus pais não me dão liberdade, eles marcam pesado. Me pressionam para tirar as melhores notas e não me deixam fazer nada que possa queimar a imagem deles. – eu olhava para frente e sentia seus olhos caírem sobre mim, quando o carro parava em algum sinal. – Eles me deixam sair e tudo, mas eu tenho que avisá-los antes, para eles verem se estava tudo bem ou não.
- Você não parece se sentir pressionada em satisfazer a vontade deles.
- Mas eu me sinto, só não deixo transparecer. Não gosto que os outros fiquem preocupados comigo, não gosto de parecer fraca.
- Fraca? Se fosse assim, eu seria a pessoa mais fraca do mundo! – ele riu sem achar graça e continuou – Minha mãe não coloca em mim nem metade da responsabilidade que há em cima de você e eu me sinto sufocado.
- Sua mãe é linha dura? – olhei-o interessada. Nunca o vi falando sério.
- Não, ela é tranquila. Só as vezes que implica com o lance da banda. Para ela, isso não é um futuro seguro.
- Entendo. Meus pais querem que eu me forme em administração para prosseguir com os negócios da família. Mas meu sonho é fazer publicidade.
- Sério? Pensei que você ia querer fazer medicina, pelo jeito que estuda. – ri um pouco.
- Nunca, odeio sangue. E eu não conseguiria ser fria quando visse um caso grave. E me toco muito com histórias tristes. – ele me olhou sorrindo docemente.
- Chegamos. – ele suspirou, parando o carro frente da casa – Bem que o podia morar mais longe. – o olhei atentamente e ele fez o mesmo – Não sou muito de ter conversas sérias, sei lá, não gosto. Prefiro ser descontraído, sabe? Como se não houvesse problemas nessa vida. – concordei com ele, em certa parte eu sou parecida, não gostava de compartilhar problemas, porém não era divertida como ele.
- Eu também não sou de falar sobre essas coisas com ninguém. A única que me ouve reclamando é a , mesmo assim é muito raro. – sorri e ele fez o mesmo.
- Que bom que você me deixou saber dessas coisas, . E eu também me senti bem falando com você. – corei levemente e ele sorriu mais. apareceu na porta nos chamando.
- Hey, o que vocês estão fazendo aí? Tá todo mundo esperando! – ela voltou para casa e voltei a atenção para .
- Acho melhor irmos. – fiz menção de abrir a porta, mas fui interrompida pela mão de que olhou me segurou pelo braço.
- , você vai fazer alguma coisa amanha? – não consegui falar nada, apenas neguei com a cabeça. Aquilo seria um convite? – Então eu passo na sua casa às onze, ok? – concordei com a cabeça e ele sorriu.

Saímos do carro entrando na casa e eu mal acreditava no que tinha acabado de acontecer. Eu ia sair com amanhã!
Todos já estavam bebendo e conversando, cumprimentei-os e me ofereceu uma bebida, mas neguei.

- Esqueci que você não bebe. – ele fez o drink dele e foi se sentar ao meu lado no sofá – Quer uma água ou refrigerante?
- Não, obrigada. – sorri agradecendo – Os pais do não ligam de vocês beberem?
- Eles estão viajando, só voltam mês que vem. – Entendido, nenhum pai em santa consciência deixaria jovens menores de idade invadindo o bar. – Seus pais devem viajar muito também, né?
- Mais ou menos. – ele me encarava, estávamos alheios a tudo. Os outros conversavam entre si e também não nos davam atenção. – Eles viajam muito, meu pai por causa da empresa e minha mãe pelos eventos. Mas nunca fico só, tem vários empregados em casa. – rolei os olhos mostrando que não gostava daquilo.
- Você é a primeira pessoa naquele colégio que não usa o dinheiro para aparecer. – ele disse sorrindo, olhando diretamente em meus olhos.
- No colégio as pessoas são amigas da conta bancária da outra. Por isso que a Madison manda em tudo. – fiz cara de nojo quando falei o nome dela e riu. – Esse é o ônus de estudar em um dos colégios mais caros da Inglaterra. Cada um querendo mostrar que tem mais que o outro.
- Pois é. – ele falou olhando para baixo – Sabe, se não fosse os meninos, eu acho que ficaria totalmente deslocado.
- Por que? – me interessei em saber. Fala sério, deslocado?
- Meus pais não tem condição de pagar a mensalidade, quem faz isso é minha tia. – assenti como se compreendesse – Ela não se casou e nem teve filhos, como ela é rica ajudou a minha família. Não que eu seja pobre e passe necessidade, apenas não tenho dinheiro para pagar o Athaydevile High School.
- Entendo. – ele deu um meio sorriso. Caímos em um silêncio mortal, e de tanto que ele olhava para mim, abaixei a cabeça sem graça.
- Você é diferente. – olhei-o sem saber se aquela frase era para mim ou não – Se eu falasse que não sou rico para alguma menina lá do colégio, eu perderia metade do encanto.
- Com certeza! Elas não iam ter como dar o golpe do baú! – rimos juntos.
- Mas duvido que parassem de se jogar em cima de mim nas festas. – ele sorriu sacana e neguei com a cabeça tentando ficar séria.
- Que convencido. O que te faz pensar que as meninas que se jogam em você não estão interessadas no seu dinheiro? – ele me olhou fingindo estar chocado.
- Quer dizer então que eu não sou atraente? – ele tentou fazer uma cara sexy e ri abertamente, o vendo sorrir.
- Você é ridículo, ! – ele riu comigo. Ouvimos uma tosse forçada chamando a nossa atenção.
- Casal! - olhava em nossa direção, e quando notei que ele falou aquilo para nós, logo parei de rir e fiquei com vergonha. – Se juntem a nós e vamos brincar.
- Brincar, ? - levantou olhando debochado para o amigo. Me levantei também e nos aproximamos do grupo.
- Sei lá, dude. – ele falava de um jeito mole, pelo efeito da bebida – Tá todo mundo bêbado e entediado.
- Eu não tô bêbada, ! - estava com a cabeça deitada no ombro do namorado e com os olhos fechados. Ela é fraca para bebida, mas pelo menos nunca deu vexame.
- Se for assim, eu também não. - que estava no chão falava de forma embolada.
- Há quanto tempo eles estão bebendo? – perguntei baixinho para que estava ao meu lado.
- Quando cheguei da casa da Madison eles já tinham começado. – Tinha me esquecido que fui embora antes de todos da casa da menina, quanto tempo ficou lá? Será que ele ficou sozinho com ela? – Fui embora uma hora depois de você, junto com o Collin. – ele falou logo depois como se lesse minha mente.
- Hum... Vocês avançaram no trabalho? – fingi que não tinha ficado aliviada com a informação que ele acrescentou.
- Um pouco. – deu de ombros. - ? – olhei para ele que prosseguiu – O que a Madison te falou quando vocês foram buscar o material? – Fiquei sem fala. Então ele tinha notado a minha reação quando voltei do quarto... Ou apenas perguntou por perguntar?
- Nada demais... – dei um meio sorriso – Nada que ela não faça todos os dias.
- O que ela fez? – ele insistiu com o semblante sério.
- Ah, ... Não foi nada, sério. – Minha timidez não me permitia dizer. Ia ser quase que um confissão de que eu gosto dele se contasse o que ela falou e depois ele juntasse tudo com a minha reação durante o resto do dia, não ia?
- , eu falei que ia te proteger da Madison, e não estava mentindo. – ele me olhava sério, como nunca tinha feito antes.
- Ela fa... – tomei coragem e folêgo – Ela falou para eu me afastar de você.
- Só isso? - pensei em contar a parte em que ela afirmou que ele nunca olharia para mim, só para ouvi-lo negar, mas o medo de não vê-lo fazer isso falou mais alto.
- Só. - dei um sorriso tentando parecer convincente.
- Ok, então. – ele sorriu fofo – Se ela fizer algo que te machuque, não hesite em dizer. – ele aproximou a boca em meu ouvido e sussurrou – Esqueceu que eu sou seu super-herói? – ele riu pensando que o feito não era nada sexy. Mal sabe ele que qualquer coisa pra mim, vindo de sua pessoa se tornava irresistível.

Conversamos mais um pouco, ou melhor, eu conversei com , já que os outros estavam mais pra lá do que pra cá, e ninguém sóbrio entendia o que eles falavam.
Mais tarde, decidi que era hora de ir embora, meus pais nem sonhavam que eu estava lá, imagina se eu chegar em casa tarde e eles descobrirem? fez questão de me levar. No carro conversamos sobre assuntos fúteis, estávamos com sono, e eu e não conseguia raciocinar em coisas difíceis.
Quando parou o carro na frente da minha casa, ele me deu um beijo na bochecha e me desejou boa noite. Saí do carro e entrei em casa fazendo o mínimo de barulho possível. Por sorte, meus pais estavam no quarto e nenhum empregado me viu entrando.
Assim que cheguei ao quarto, não pensei em nada. Estava com sono. Coloquei minha roupa de dormir e logo que deitei, apaguei. Devo ter sonhado com o meu "encontro" com amanhã.

Capítulo 1O



Acordei incrivelmente bem humorada essa manhã. É claro que tudo isso é pelo meu "encontro" com mais tarde. Às nove horas, em pleno sábado, já estava de pé, afinal tinha que ter tempo de me arrumar.
Não sabia o que esperar, ele pode ter me convidado para conversarmos, como fizemos ontem. E eu não iria me incomodar, gostei de ter contado coisas que até então apenas a minha melhor amiga sabia. Parece que quando você solta algo que te incomoda, se sente mais leve.
Nem desci para tomar café, fui direto tomar banho. Depois de alguns minutos no chuveiro, fui separar uma roupa. O que eu ia vestir, se nem ao menos sabia para onde iríamos? Optei por algo confortável e que não fosse diferente de mim. No rosto coloquei algo suave, blush leve e rímel.
Ninguém sabia que eu ia sair com ele. Preferi não dizer para não ficar mais ansiosa, agiria da maneira que achasse melhor. A minha conversa com ele no dia anterior me deixou mais segura, afinal tínhamos coisas em comum, mesmo que fossem nossas inseguranças.

Ouvi o meu celular tocar e vi o nome no identificador.
- Oi, . – respondi prontamente sorrindo.
- Hey, . Já tô aqui na frente da sua casa. – abri um pouco da cortina de meu quarto e vi o carro estacionado e o menino em pé encostado nele.
- Tô descendo. – desliguei o celular e o coloquei na minha bolsa, saindo do quarto rapidamente.

Por sorte não tinha ninguém em casa, meus pais trabalham aos sábados e os empregados nem ligavam para o que eu faço. Teria vergonha de informá-los aonde iria e com quem, sabe como é, não estou acostumada com tudo isso.
Assim que me viu sair, abriu um sorriso lindo e fiz o mesmo automaticamente. Atravessei a rua e parei em sua frente.

- Oi...
- Oi, . – ele deu um beijo demorado em minha bochecha – Você tá linda.
- 'Brigada. – as maçãs do meu rosto coraram – Para onde vamos? – tentei mudar o foco para algo menos embaraçoso.
- Surpresa. – olhei-o intrigada – Hoje você não vai precisar voltar para casa cedo, vai?
- Não, meu pais vão trabalhar o dia todo, só voltam para o jantar.
- Ótimo. – não entendi o motivo pelo qual ele disse isso e nem me importei.
abriu a porta do carro para mim e correu dando a volta no carro.
- Preparada para passar um dia inteiro com ? – olhei para ele e assenti – Ainda dá tempo de desistir.
- Prefiro arriscar. – o vi abrir um sorriso lindo que me hipnotizava. Ele ligou o carro e partimos para um lugar desconhecido para mim.
- Pode escolher a música. – ele indicou com a cabeça o rádio – Tem CD no porta-luvas, se você quiser. – liguei o rádio e ouvi as primeiras batidas da música do Rolling Stones, Sympathy For The Devil.

Please allow me to introduce myself
I'm a man of wealth and taste
I've been around for a long, long years
Stole many a man's soul and faith


Comecei a cantar e percebi que desviou a atenção para mim, sorri para ele que voltou a mirar a estrada.

And I was 'round when Jesus Christ
Had his moment of doubt and pain
Made damn sure that Pilate
Washed his hands and sealed his fate


Dessa vez fui acompanhada por que cantou sorrindo e batendo os dedos no volante.

Pleased to meet you
Hope you guess my name
But what's puzzling you
Is the nature of my game


Cantávamos cada vez mais alto, nos empolgando com o som.

I stuck around St. Petersburg
When I saw it was a time for a change
Killed the czar and his ministers
Anastasia screamed in vain

I rode a tank
Held a general's rank
When the Blitzkrieg raged
And the bodies stank


Cai na risada acompanhada pelo menino.
- Amo essa música! – disse animada – Rolling Stones é demais! – a música ainda tocava, mas estava sem ar para acompanhá-la.
- Também acho. Mas eu já sabia que você curtia. – olhei para ele o indagando. Ele reparou e se apressou a esclarecer – Naquele dia na sorveteria, você estava com a blusa deles. – balancei a cabeça me recordando.
- Nem me lembre daquele dia. Pensar na Madison não me anima nem um pouco. – fiz uma careta, fazendo-o rir.
- "... Não quero ninguém na minha casa vestido com um trapo". – ele tentou imitar o timbre da voz de Madison me fazendo rir.
- Acho que ela não aprova o meu senso para roupas. – fingi estar triste. – Shorts, All Star e blusa de bandas não é muito a cara dela.
- Bom que não é a ela que você tem que impressionar, né? – ele levantou uma sobrancelha e abriu um meio sorriso.
- Como assim? – quis entender.
- Você pode ter decepcionado a Madison, mas a mim não. Se vestir dessa maneira faz de você diferente das meninas daquele colégio. – não consegui evitar que um sorriso envergonhado se abrisse e meu rosto corasse – Você se envergonha por tudo, hein!
- Eu sei. – bufei e rolei os olhos – O pior é que eu sempre fico vermelha, não dá nem pra disfarçar. – ele riu e senti minha timidez passar.
- Que bom. – ele sorriu de lado – Você fica encantadora envergonhada. – ele olhou para mim e dessa vez não senti meu rosto esquentar – Droga, não foi dessa vez que te fiz corar. – ele fingiu estar chateado.
- Sorte a minha. Mas pode deixar, na próxima eu não vou estar preparada e corarei. – ele riu junto comigo.

O resto do caminho foi tranquilo, às vezes conversávamos, mas depois de um tempo fui ficando cansada. Sempre que perguntava se estávamos chegando, respondia que sim, porém já fazia mais de uma hora que ele dirigia.
Paramos um minuto em um drive-thru e pedimos lanche, o que fez minha barriga delirar, estava morrendo de fome, nem café da manhã tinha tomado. Devoramos o lanche dentro do carro e seguimos o nosso caminho. Dessa vez me assegurou que faltava pouco para chegar onde ele planejava.
Peguei no sono e só acordei com ele me chamando.

- Chegamos, linda. – ele colocava uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
Olhei pela janela e vi uma casa normal, de um andar, toda branca. Onde estava?
- , onde estamos? – tirei o cinto e o vindo fazendo o mesmo.
- Essa é a casa de praia da minha tia, eu venho aqui uma vez por mês para limpar. É claro que ela me dá uma boa grana para isso. – Ele saiu do carro e veio abrir a porta para mim. – Vamos?
- Estamos na praia? – chocada, era assim que eu estava. Algumas horas atrás, me encontrava em Londres, e agora tô aqui, em outro Estado. – Para onde você me trouxe?
- Estamos na praia de Essex. O marido da minha tia era daqui e ela se mudou para cá quando se casou. – assenti e pegou uma mochila no banco traseiro.
- Pensei que ela não tinha ninguém, filhos, marido...
- E não tem. Ela se tornou viúva antes de engravidar. Vamos entrar? – concordei e ele pegou a chave no bolso da bermuda. – Só vou deixar a mochila aqui antes de irmos para a praia.

Ele abriu a porta da casa e entrou dando espaço para mim. Os móveis são brancos e a casa é bem iluminada devido à cortina branca que cobria a grande porta de vidro que nos levava para praia. A cozinha é no estilo americano, o que combinava bem com o estilo de praia. O lugar é simples (como casas de verão tradicionais), mas muito bem decorado.
deixou a bolsa em cima do sofá e abriu a cortina, deixando a luz invadir ainda mais o cômodo.

- Vamos? – ele indicou com a cabeça para a praia.
- Eu não trouxe biquíni...
- E quem disse que para cair na água precisa de biquíni? – fiz cara de desentendida, não sabendo onde ele queria chegar. – O que você tá fazendo? - se aproximava de mim e eu dava passos pequenos para trás. - . – ele me olhava fixamente de uma maneira assustadora.
- O que? – minha voz saiu baixa e não tive certeza se ele ouviu.
- CORRE! – nem pensei no que acontecia e comecei a fugir dele.
- O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? – meu fôlego estava indo embora quando senti duas mãos envolverem a minha cintura e me levantarem do chão. - , o que é isso? Você tá me assustando!
- Calma, ! – ele ria e eu ainda estava assustada. – Vamos dar um mergulho para você se acalmar.

Nisso ele abriu a porta de vidro que dava para a praia e saiu comigo em seus braços. Ele tirou os chinelos do pé quando chegamos perto do mar e eu fiz o mesmo de modo desengonçado.
Me agarrei em seus pescoço quando ele entrou e o senti apertar meu corpo contra o seu quando água atingiu metade de seu corpo.

- Tampe o nariz, . – ele me pediu e o fiz puxando ar antes, meu corpo afundou junto com o dele. Esse não me soltava, muito pelo contrário, agora que estávamos debaixo d'água, ele me segurava com mais força.

Ficamos alguns segundos submersos e quando subimos, dei de cara com um par de olhos brilhantes e um sorriso encantador. Como estávamos próximos, podia ver cada detalhe de seu rosto perfeito e ele fazia o mesmo com o meu.

- Gostou do mergulho? – ele quebrou o silêncio.
- Você é maluco, . – ele riu – Vamos sair? É que a água tá fria. – ele me soltou delicadamente e concordou, saindo do mar comigo ao seu lado.
- Tá com muito frio? – senti seus olhos sobre mim.
- Um pouco. – o encarei também – Daqui a pouco passa. ? – o chamei me recordando de uma dúvida que tive desde que chagamos. – Por que você me trouxe aqui? – Ele ficou algum tempo pensando, enquanto sentávamos na areia de frente pro mar.
- Na verdade, não sei. Eu queria vir pra cá hoje e pensei que você também gostaria. – ele olhava fixamente para mim, o que me deixava encabulada – Você gostou?
- Claro! Nunca tinha vindo para essa praia antes. – mirava seu sorriso lindo – Eu só não entendi o porquê de ter me convidado... Não me interprete mal, mas nós nunca fomos próximos.
- Eu gostei de conversar com você ontem, e mesmo antes disso, já estávamos ficando mais próximos. E eu... Eu me sinto confortável de falar com você sobre qualquer assunto. – fiquei de boca aberta com a última parte, parecia que ele tinha lido a minha mente.
- Eu também me sinto muito bem conversando sobre certas coisas que eu não falo com mais ninguém. – vi o sorriso dele se abrir e não pude deixar de fazer o mesmo.

Ficamos olhando um para o outro sem dizer nada, não precisava. Dessa vez não fiquei envergonhada, muito pelo contrário, parecia que aquele era o lugar que eu devia estar. Senti o rosto de se abaixando e se aproximando. Não fiz nada para detê-lo, apenas fiquei parada para que o esperado acontecesse.
Seu nariz tocou o meu e ele brincou um tempo com isso. Depois encarou meus lábios e os tocou com o dedo, me fazendo fechar os olhos só de imaginar o passo seguinte. Assim como eu ansiava, nossas bocas se tocaram em uma sintonia perfeita. Sua língua procurou pela minha e quando a encontrou, choques elétricos passaram pelo meu corpo, me arrepiando.
Ficamos alguns minutos assim e só paramos porque ficamos sem ar. Nos afastamos lentamente e ele me puxou para mais perto. Seus braços me abraçaram pela cintura e encostei a cabeça em seus ombros. O silêncio era confortável, apenas sentíamos a respiração pesada um do outro recuperando o fôlego perdido.

- ? – olhei para cima para encará-lo – Eu devo pedir desculpas por não ter comentado nada sobre o dia do parque. Eu sei que você não é uma das meninas que eu tô acostumado a sair, mas eu não tinha noção do que falar.
- Tudo bem, . Nós nos beijamos e você em momento nenhum me desrespeitou ou algo do tipo. Não há necessidade de pedir desculpas.
- Ok, eu só não queria que você pensasse que eu esqueci aquele dia ou que estava te ignorando. Eu não estava. – ele falava sério e eu concordei com a cabeça.
- Tá tudo bem, . – Toquei a sua mão e ele as entrelaçou.
- Vamos entrar? Tô começando a ficar com fome. – concordei e ele me puxou para cima. Fomos andando de volta para casa de mãos dadas como um casal de namorados. O que me fez aquecer por dentro.


- Não é uma refeição de primeira, mas dá pro gasto. – nós comíamos miojo, que era a única coisa que tinha na casa, sentados no chão.
- Tá maravilhoso, . Com a fome que eu tava, qualquer coisa é ótimo!
- Pena que daqui a pouco temos que ir. Queria que você visse o pôr do sol daqui.
- Não vai faltar oportunidade. – sorrimos um para o outro e ele se aproximou dando um selinho.
- Não quero voltar para Londres, ficar aqui tá tão bom. – ele disse com os lábios grudados nos meus. – Será que seus pais vão ficar preocupados se eu te sequestrar?
- Provavelmente. – dei de ombros nos fazendo rir juntos.

Quando terminamos nossa refeição, lavamos a louça e fomos tomar banho (um de cada vez, claro), já que nossos corpos estavam molhados. Como não tinha levado nenhuma roupa extra, vesti as que me ofereceu, ele tinha pensado em tudo e separou um vestido de sua irmã que tinha servido em mim.
Já estávamos no meio do caminho quando escureceu, e meu pai, estranhando minha ausência me ligou. Disse a ele que estava com amigos – o que não era uma mentira – e logo chegaria. Como no dia seguinte não tinha aula, ele não criou problemas quanto a isso.
Dessa vez tentei fazer companhia a a viagem inteira, conversamos, cantamos, contamos piadas (ele contou, eu apenas ria), e às vezes quando parávamos em algum sinal, nos beijávamos. Foi ótimo, quem nos olhasse pensaria que éramos namorados.

- 'Brigado pelo dia, . – ele disse assim que estacionou na frente de minha casa, se aproximando de mim para me beijar.
- Eu que tenho que agradecer. Foi demais, . – nos beijamos carinhosamente. – Acho melhor eu ir, antes que alguém apareça na porta. – ele sorriu e roubou um último selinho.

Acenei para ele antes de entrar em casa e o vi ligando o carro e dando partida, esperei-o virar a esquina e entrei. Para minha surpresa não encontrei ninguém na sala, fui ao escritório que estava vazio. Pude ver um bilhete em cima da mesa "Querida, fomos jantar fora. Qualquer coisa nos ligue. Beijos, mamãe." Se soubesse que ele iam sair, ficaria mais tempo dentro daquele carro. Sorri com o pensamento e subi para meu quarto.
Troquei de roupa, colocando uma para dormir, e fui ver por que meu celular apitava tanto. Dez ligações não atendidas, todas da . Retornei a ligação e logo ela atendeu.

- Onde estava?
- Oi para você também. – Sentei-me em frente ao computador o ligando – Eu saí.
- Como assim, você saiu? Com quem, pra onde, quando?
- Com o , para a praia de Essex, hoje de manhã e só voltei agora. – silêncio do outro lado da linha.
- NÃO ACREDITO! - berrava do outro lado da linha, essa menina tá querendo me deixar surda. – Tá esperando o que? Me conta tudo!

Contei tudo, nos mínimos detalhes – ela que pediu – e cada acontecimento que ela achava fofo, dava um grito. Papeamos por mais tempo e quando ouvi vozes do andar de baixo desliguei, para ir falar com meus pais.


Capítulo 11



É impressionante como meus pais são presos à rotina! Todo domingo, sem exceção, vamos ao clube e passamos o dia lá, vendo meu pai jogar golfe com seus amigos e minha mãe conversar com as outras esposas, enquanto eu faço absolutamente nada, já que nunca me encaixei no grupo de filhas ricas da cidade.
Só voltamos para casa à noite, depois de termos ido jantar no restaurante preferido do meu pai. Agradeci por isso, assim não restaria tempo para ficar imaginando o dia seguinte e criando expectativas para ele.
Seria a primeira vez que falaria com depois do "encontro" e estava ansiosa para ver como ele reagiria. Quero dizer, não esperava por algum pedido ou algo fora do normal, mas depois de ter ouvido ele falar e agir de forma tão encantadora, não tinha como não criar esperanças.


Acordei com o despertador interrompendo a melhor parte do meu sonho, bem quando ia me falar algo. Será que até em sonho eu não podia ser a namorada dele? Tudo ocorreu como de costume de manhã.
Milagrosamente cheguei cedo, mas como a sorte não é minha parceira, não adiantou nada, já que dessa vez quem se atrasou foi o motivo pela minha ansiedade. Fui direto para a sala me preparar para a aula, estava fazendo anotações quando meu coração começou a bater forte quando ele passou pela porta.


- E aí, nervosa para falar com o depois do dia perfeito? - falava baixinho enquanto caminhávamos para a mesa em que os meninos se encontravam.
- Se você parar de me lembrar isso a cada dois minutos vou ficar melhor.
- Para de palhaçada, ! Se ele falou a verdade para você no sábado, ele não vai te ignorar. – Ok, mas e se ele tivesse mentido para mim? Não a perguntei pois tínhamos chegado à mesa.
sentou-se ao lado do namorado e a única cadeira vaga era entre e . Senti a respiração do último no meu rosto e virei-me em sua direção, sendo surpreendida pelos seu olhos me encarando.
- Oi, linda. – ele sussurrou – Vai fazer o que depois da aula?
- N-não sei... Estudar... Er... Pesquisa... – me embolava perdida em seu olhar.
- O que vocês estão falando? - , intrometido, desviou a atenção da mesa para mim.
- Trabalho. A vai lá pra casa hoje, temos que preparar algumas coisas. – ele inventou algo rapidamente e o agradeci mentalmente por isso.

Pelo visto ele não comentou nada sobre sábado com os meninos. Mas então, por que falou aquilo para mim? Será que era só para me beijar? Ah, se ele soubesse que não precisava de nada daquilo para ficar comigo.
Senti o olhar de pesar sobre mim, ela devia estar preocupada de eu estar mal ou algo assim. Sorri para ela mostrando que estava bem. Não me senti triste por ele escoder que ficamos, isso já era o esperado por mim. Só de ficar com ele, e ter ele reparando em mim, já me deixa muito feliz. Pode parecer pouco, mas eu fiquei anos só querendo que ele me olhasse, agora que eu o tinha me beijando não ia estragar isso, mesmo que os beijos só acontecessem escondido. Melhor desse jeito que não ter beijo nenhum, né?

Coloquei meu material dentro da mochila e saí da sala com o celular na mão, prestes a ligar para o motorista, mas fui chamada por que vinha apressado em minha direção.

- Então, vamos? – olhei-o sem entender – Eu não estava mentindo quando disse que você ia para a minha casa. – ele sorriu e fiquei mais perdida ainda. Ele não tinha inventado aquilo?
- Mas , a sua parte do trabalho é diferente da minha.
- , você é tão bobinha assim ou se faz? – ele sorria enquanto falava, me acompanhando até a saída. – Eu nem comecei as pesquisas, e não vou começar hoje. – olhava para ele que sorria abertamente.
- Hum. Vou avisar aos meus pais. – disquei o número da minha mãe e falei que tinha encontro de trabalho e ela aceitou numa boa. Se soubesse que eu não ia fazer trabalho nenhum e ia sair em dia de semana, eu seria morta assim que pisasse em casa. – Você está me fazendo mentir para meus pais com certa frequência, sabe?
- Esqueci que você é a filha perfeita que nunca mentiu para seus pais... – saímos pelo portão do colégio, e fizemos um caminho que só sabia. Nunca tinha ido à casa dele, pelo visto era perto, já que íamos à pé. – Acho que estou te desvirtuando. – ele fez uma cara de falso arrependimento.
- Eu não sou a filha perfeita! – me defendi – Só não gosto de contrariar meus pais.
- Ok, . Se eu fosse como você, acho que minha mãe não teria metade dos cabelos brancos. – ri e ele sorriu docentemente. – O que você fez domingo? Eu liguei para a sua casa, mas quem atendeu disse que tinha saído.
- Er... Eu saí com os meus pais. – tentava organizar meus pensamentos. tinha me ligado? Ok, saímos juntos, o que é bem mais significante que um telefonema. Mas ele me ligou! Qualquer atenção vinda dele é lucro para mim. – Todo domingo meus pais vão para um clube e passamos o dia fora. – fiz cara de tédio e ele riu levemente.
- Parece que você não gosta muito, né?
- Nunca gostei desses encontros com os amigos da família. Até tem gente da minha idade lá, mas fico mais isolada que na escola, e olha que isso é uma tarefa bem difícil.
- E você se importa de não ter muitos amigos no colégio?
- Não. Se eu não tivesse a ao meu lado, ia ser complicado, mas ela é uma amiga muito boa para mim.
- Chegamos. – ele apontou para uma casa de dois andares, não era grande como a minha mas parecia ser bem mais acolhedora. – Mãe? - chamou assim que abriu a porta me dando passagem para entrar.
- Oi filho! – uma senhora bonita saiu da onde eu achava que era a cozinha – Temos visitas hoje. – ela sorriu abertamente para mim, tinha o mesmo sorriso que o filho.
- , prazer. – estendi a mão e ela me puxou para uma abraço. – Amiga nova, filho? – ela deu uma piscadinha para , achando que eu não tinha visto. Corei na hora e vi que não era a única, o menino parecia um pimentão.
- Mamãe! – ele a repreendeu.
- Calma! Só estou feliz por ter encontrado uma menina que, diferente das outras, não cortou a saia do uniforme. – ri da observação dela e balançava a cabeça, visivelmente embaraçado.
- Ok, vamos subir, . Já tá bom de mico por hoje.
Ainda rindo o segui para o andar de cima.
- Desculpa pela minha mãe. Ela fala as coisas sem pensar mesmo...
- Tudo bem, a achei muito engraçada. – ele tirou o tênis e fiz o mesmo, me sentando na cama em seguida.
- Aposto que só gostou dela porque falou mal das outras garotas. – ele puxou a cadeira que estava em frente ao computador para a minha direção.
- Com certeza! – rolei os olhos e ele riu.
- Minha mãe também gostou de você.
- Por que acha isso?
- Ela teria sido grosseira se não fosse com a sua cara. Ela não é do tipo que esconde o que pensa. - ri levemente. Ouvi alguém batendo na porta e pouco depois a Sra. a abriu.
- O almoço está pronto, querem que o traga para cá? - Senti o olhar de sobre mim, deixando a decisão em minhas mãos.
- Não quero dar trabalho. A gente pode almoçar lá embaixo, não é? - perguntei para o menino que confirmou sorrindo.
- Como você quiser.
Descemos e a mesa já estava pronta, uma macarronada com molho vermelho estava posta no centro da mesa.
- , querido, pegue os copos que eu me esqueci – Sra. pediu ao filho me estendendo um prato. – Sabe, você é a primeira garota que ele traz em casa para almoçar. – ela falava baixo, para o menino não ouvir. – Fale a verdade para mim, querida, vocês são namorados?
- Hum, e-eu n-não ... – não conseguia formular uma frase, cadê o que não volta? Parece que foi fabricar os copos.
- O que estavam falando? – ele voltou com três copos nas mãos – Nossa, tô morto de fome! – ele se sentou ao meu lado e de frente para a mãe.
O almoço estava muito bom, aquela era a melhor macarronada que tinha comido em toda a minha vida. E graças a Deus, a mãe de parou de nos envergonhar, pelo menos até o fim da refeição.
- , querida, foi muito bom ter te conhecido. – ela se levantava – Agora se me dão licença, eu vou me retirar, tenho que chegar mais cedo no trabalho.
- Ok, mãe. Pode deixar que eu lavo a louça depois. – ela deu a volta na mesa, deu um beijo na testa do filho e depois na minha, acrecentando um "volte sempre". – Ela gostou MESMO de você. - disse assim que a senhora saiu de casa.
- Sabe como é, né? Tenho esse poder de conquistar pais. – falei fazendo uma pose de "eu sou demais”.
- Nossa, não sabia que estava acompanhado de uma conquistadora! – ele se levantou sendo seguido por mim. – Bom saber, vou te levar para todas as reuniões de família! – ri e o ajudei a levar a louça para a cozinha. – Deixe aí, , depois eu lavo.
- Que isso, ... Faço questão de ajudar. – ele sorriu para mim – Eu lavo e você seca, ok? – ele assentiu prontamente ainda me olhando de modo fixo.
- Inteligente, bonita, boa filha, queridinha pelos pais, arruma a casa... – parei de raciocinar no "bonita". Ah! Ele me achava bonita! – Tá pronta para casar. – ri sem graça.
- Não penso nisso. Quero viver antes, ter liberdade, sabe? Quero conhecer o mundo sozinha, sem meus pais por perto, amadurecer. – passava um prato para ele secar e sentia seu olhar sobre mim.
- É isso que você vai fazer quando acabar o colégio? Viajar o mundo inteiro sozinha com uma mochila nas costas? – ele sorria de lado.
- Bem que eu queria. Mas se eu fizer isso, meus pais não pagam a faculdade, e eu quero ter uma profissão.
- Seus pais são bem rígidos, né? – concordei com a cabeça – É difícil de imaginar, sua mãe pareceu bem tranquila no dia do festival.
- Na frente dos outros , não tem pressão alguma, mas experimente viver com o peso de ser a única herdeira das empresas de meu avô. Eu nasci sabendo o que iria fazer, no que iria trabalhar. Nasci sabendo como seria meu futuro. – olhei para ele, que mantinha o olhar no meu. – Você deve me achar ridícula. Uma riquinha que tem tudo, reclamando da vida...
- Não, eu não estou. – virei meu rosto rapidamente para ele, procurando por algum sinal de deboche. Não encontrei – Na verdade, estou pensando como você é forte para aguentar tudo isso. Eu não sei o que faria no seu lugar, eu surto com a minha mãe e ela não faz nem um quinto da pressão que sua família faz. – sorri, pela primeira vez me abria daquele jeito com alguém, e por incrível que me parecesse, fui compreendida. – Uma das graças da vida é viver o amanhã sem saber o que vai acontecer. Não deixe sua família te tirar isso. – paralisei, o encarando. Respirei fundo e voltei minha atenção para a louça.
- Eu não sei se consigo nadar contra a maré, .
- , a minha mãe também fica no meu pé, para que eu estude e deixe essa ideia de banda. Mas nunca vou desistir, é meu sonho, é a única coisa que sei que consigo fazer bem. Vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para conseguir. – ele me olhava sério, por um momento não vi aquele garoto inconsequente na minha frente – Se você quer muito alguma coisa, vai lutar por ela.
- É, acho que sim. Eu só não encontrei nada que me faça querer lutar.
- Mas é claro! – olhei-o sem entender – Você vive em um castelo, . Parece aquelas princesas que não podem ser tocadas, sabe? Não me leve a mal, não quero lhe insultar, só acho que você tem que quebrar mais as regras, entende?
- Acho que sim. – sorri levemente – Mas já tô fazendo isso, menti algumas vezes para meus pais sobre meu paradeiro... – ele riu jogando a cabeça para trás.
- É... A princesa tá fugindo do castelo... – ria o acompanhando – Bom saber que fui o que te fez quebrar as regras. – corei, droga, maldita timidez.
- A maioria das pessoas não se orgulhariam disso. – virei para a pia, tentando disfarçar a vermelhidão do meu rosto.
- Quando quebrar as regras quer dizer salvar a princesa do que a faz mal, eu me orgulho e muito. – por que ele não para de falar logo, eu tô ficando cada vez mais encabulada, se isso é possível – Não é esse a função do príncipe? – ele falou essa parte mais baixo e próximo ao meu ouvido.
- , para com isso. Eu tô com vergonha! – abaixei mais o rosto e ouvi sua risada – Não tem graça! – minha voz saiu abafada, pois estava me escondendo com as mãos.
- Foi mal, . É que você fica uma gracinha, assim, corada. – ainda estava me escondendo quando senti sua mão em meu queixo, enguendo minha cabeça. – Prometo que vou parar. – ele me olhava fixamente, me fazendo perder a fala e só concordar.

O vi se aproximar e fechei os olhos, já sabendo o que iria acontecer. E para meu alívio não tardou para sentir os lábios de nos meus. O beijo foi ganhando intensidade com o tempo e nossa sincronia estava perfeita, como sempre.
Senti ele me puxando pela cintura e passei meus braços pelo seu pescoço para não perder o equilíbrio. Fazia carinho no cabelo de sua nuca e ele brincava com a barra da minha blusa do uniforme.
Fomos ficando sem fôlego e senti ele morder meu lábio inferior e me dar vários selinhos seguidos antes de se separar de mim. Abri meu olhos devagar e o vi sorrindo carinhoso.

- , como você reagiria se eu te beijasse na frente de todos do colégio? – acho que parei de respirar. Isso queria dizer algo, mesmo com a minha experiência zero em relacionamentos, sei que essa pergunta tem alguma intenção. – É que eu prometi não te fazer ficar com vergonha... – ele estava ficando sem graça, não sei se é insegurança ou por eu estar o encarando com cara de boba. Parecia que meu cérebro tinha derretido, não conseguia processar nada. - , será que você podia falar alguma coisa? Agora é você que está me deixando sem jeito.
- Desculpa. – falei de forma débil – Eu... Eu ficaria bem envergonhada se isso acontecesse – ele sorriu decepcionado, achando que tinha negado e um calor me preencheu por dentro. Ele realmente queria me beijar na frente de todos! – Mas acho que no final das contas, eu iria gostar de passar por isso. – abaixei o olhar e o senti me puxar para mais perto.
- Então eu posso quebrar a promessa pelo menos uma vez? – ele apoiou a cabeça em meu ombro.
- C-claro. – ele beijou minha bochecha e iria beijar meus lábios de novo se o celular dele não interrompesse. Ele bufou e pegou o aparelho que estava no bolso.
- Fala, - o que será que a queria com ele? – Ah, ok. Falo com ela sim. O que você acha que eu sou?! – ele fez uma cara de indignado. Se bem conheço minha amiga, ela o estava pertubando. Só eu sei como ela consegue ser chata quando quer. – Ok, tchau. – ele desligou e jogou o objeto na mesa. – Sua amiga é muito exagerada!
- Eu sei.. o que ela queria?
- Seu pai tá louco te procurando, ele só conseguiu falar com a . – arregalei os olhos e corri para o quarto de , onde tinha deixado minha mochila. Peguei o celular e tinha várias ligações não atendidas.
- Droga, ele vai me matar - estava parado na porta me olhando andar nervosa pelo quarto com o celular no ouvido. – Oi, pai. Desculpa não ter atendido, deixei o celular na bolsa e não escutei. – o menino sentou na cama ainda me olhando.

Meu pai me deu uma mini bronca, tipo: "ande com o celular para todos os lugares, até no banheiro", mas nada muito grave. Isso porque ele achava que eu estava estudando, se ele soubesse que não o atendi pois estava me agarrando com na cozinha, não iria sobrar para contar história.
Meu pai me fez passar o endereço da casa de , ele viria me buscar e por mais que eu tenha tentado fazê-lo me deixar aqui mais tempo, não consegui. Pelo que eu pude entender, hoje teríamos um jantar na casa de um dos amigos - interesses finaceiros - dele.

- Tenho que ir, os negócios da família me chamam. – sorri sem humor e ele levantou sério da cama.
- Você não pode ficar mais um pouco? Depois eu te levo. – neguei com a cabeça.
- Daqui a alguns minutos meu pai para aqui na porta. – ele me abraçou pela cintura e fiquei nas pontas dos pés para sentir mais de perto o cheiro de seu pescoço.
- Então temos que aproveitar esse tempinho que nos resta – ele sorriu malicioso e antes de tomar consciência do que ele falou, o senti me beijar.
O beijo foi tomando uma intensidade maior que os outros. foi andando para trás, me lavando junto, senti ele me segurar mais forte quando sua perna bateu na cama e caímos nela. Comigo em cima dele, não paramos com o beijo. trocou as posições mas antes que ele pudesse voltar a me beijar, fomos interrompidos por uma buzina. - Nossa, seu pai veio de jatinho? – ele se afastou de mim com os lábios vermelhos e ofegante. Ri de seu comentário e o empurrei delicadamente para poder levantar.
Calcei meu tênis e peguei minha mochila. Olhei-me no espelho e fiz um coque em meus cabelos despenteados. Desci a escada sendo seguida por , que antes de abrir a porta me deu mais um selinho.
- Até amanhã. – ele disse ainda com a boca colada na minha.
- Até. – abri a porta e andei em direção ao carro de meu pai.
- Como foi o trabalho, filha? – Papai me perguntou assim que sentei no banco ao seu lado.
- Ótimo. – não queria prolongar o assunto, sou péssima com mentiras.
- Aquela menina que te importuna estava aí? – neguei.
- Não, hoje ela não veio. – dei um sorriso sem graça e meu pai fez o mesmo, não desconfiando de nada.

Minha mãe já tinha chegado do trabalho e estava se arrumando. Não sei porque esse exagero, o jantar ia ser bem mais tarde. Resolvi fazer meus deveres e deixá-los em dia. Para minha sorte eram matérias que eu tenho facilidade.
Quando escureceu, fui para o banho; sequei meus cabelos e separei um vestido azul claro. Fiz uma maquiagem leve e rabo de cavalo com uns fios soltos. Estava sem saco para me arrumar. Tudo que eu queria era ter ficado mais na casa de . Assim que fiquei pronta desci para a sala. Meu pai estava sentado no sofá olhando o nada e fui me acomodar ao lado dele. Alguns - vários - minutos depois, minha mãe apareceu.
No caminho para a casa do tal amigo meus pais engataram uma conversa e eu peguei meu Ipod na bolsa. Depois de dirigir uns trinta minutos, meu pai parou em frente a uma casa amarela clarinha, parecida com a minha na estrutura, mas tinha o jardim menor.

- Tire o fone do ouvido, filha. – minha mãe ordenou enquanto checava no espelho se estava tudo bem. – Os Johnson têm um filho, você não vai ficar sozinha essa noite. É bom que assim fará novos amigos.
- Como se fosse tarefa fácil pra mim – disse baixo pra mim mesma.
- O que disse, querida?
- Nada mãe, tava cantando a última parte da música. – sorri parecendo convincente.
- Lembre-se , fazer amigos é importantíssimo, quanto mais você tem, mais contatos empresariais consegue. – assenti com a cabeça e rolei os olhos. Desde quando a melhor coisa que um amigo pode lhe dar é contratos? Tenho pena dos colegas de papai.
Descemos e andamos em direção à entrada. Parecia ser um jantar privado, não tinha muitos carros parados na porta. Um empregado atendeu a porta e nos encaminhou até a sala, onde tinha umas cinco ou seis famílias sentadas.
- Chegou quem faltava, a família ! – um homem tão arrumado quanto meu pai veio nos cumprimentar com um entusiasmo muito exagerado. – Aposto que o trânsito estava pesado, não? – ele dirigiu-se a meu pai.
- Sim, dirigir em Londres está cada dia pior. – não tinha visto trânsito nenhum no caminho. Aposto que colocar a culpa de nosso atraso no engarrafamento é mais educado do que dizer a verdade: que minha mãe demorou uma eternidade para ficar pronta.
- Nem me fale. – ele desviou a atenção para as outras famílias – O jantar já vai ser servido.

Que coisa mais chata! Um bando de gente sorrindo de maneira falsa, rindo de piada totalmente sem graça, as mulheres reparavam discretamente em tudo para poder fofocar no dia seguinte... É um mundo tão fútil e sem noção.
Sentamos em uma grande mesa retangular. Estava ao lado de minha mãe e do outro lado estava o assento vazio. E assim eu queria que continuasse, seria péssimo ter que aguentar o jantar inteiro uma pessoa chata querendo puxar assunto.
Minhas esperanças foram por água abaixo quando vi a cadeira se afastando e um menino mais ou menos da minha idade se sentando. Devia ser o filho dos Johnson que minha mãe mencionou. Durante o jantar, os adultos conversavam sobre qualquer coisa que não me interessava, nem comi direito, minha cabeça estava na casa de repassando tudo que aconteceu.

- Jantar chato, não? – uma voz ao meu lado me tirou a concentração.
- Nada fora do esperado – respondi baixo o vendo rir em concordância.
- Acho que já estou me acostumando, se fosse há alguns anos atrás já teria inventado algo para sair antes do fim.
- Mas o fim é a melhor parte, às vezes alguém bêbado fala mais do que devia, ou derruba algo... É o auge da animação! – ele assentiu e ri junto a ele.
- Christopher Johnson. – ele estendeu a mão e a apertei – Pode me chamar de Chris.
- .
Conversamos um pouco e não pude reclamar do resto da noite, Christopher é uma pessoa legal. É divertido e bonito, nada comparado a , claro. São belezas diferentes, um é mais arrumadinho e o outro é estrategicamente desarrumado... Seja lá o que isso quer dizer.
Não demorou e fomos embora, ainda tinha aula e eles não me deixariam dormir tarde.
- Se divertiu hoje com o filho dos Johnson, querida? – minha mãe mal deixou me acomodar no carro e já me metralhou de perguntas.
- É, ele é legal.
- E muito bonito também. – ela me olhava pelo espelho.
- Se você diz. – dei de ombros. Minha mãe me olhou desanimada e encerrou o assunto.
O resto do caminho, me isolei com meu Ipod, imaginando como seria o dia seguinte, será que iria mesmo me beijar ?

Capítulo 12



Idiota. É isso que eu sou. Como pude achar que ele realmente ia me beijar na frente de todos? Aqui estou sentada ouvindo meus amigos falarem uma besteira qualquer, ele conversava como se nada estivesse acontecido ontem. Será que ele ao menos se lembra do dia anterior?
Eu sei que não posso pedir nada, não éramos namorados, apenas ficávamos de vez em quando. E ele não precisava divulgar aos amigos que estava me pegando. Me sinto uma dessas meninas fáceis do colégio, quando penso que é isso que sou para ele. Uma diversão, aquela que ele pega e joga fora no dia seguinte.
O pior, porém, é que isso não me faz querer parar. Admito que sou fácil nas mãos dele, não fico com qualquer um e não me ponho em situações que minha imagem possa ser comprometida, mas quando o assunto é , eu posso ganhar a fama que ele quiser que eu ganhe.
Ser adolescente é como viver em um dramalhão mexicano, quando uma mulher vai se sentir tão ridiculamente apaixonada por um cara que ela beijou menos que a quantidade de dedos que tem nas mãos? Devia ser proibido meninas ficarem apaixonadas e ter complexos de Cinderela antes de atingir a fase adulta.
Meu mau humor é visível, que me conhece melhor que eu mesma nem se atreveu a me perguntar o que estava acontecendo. Quando estou com raiva é melhor me deixar quieta no meu canto. até tentou me animar mas depois de o ter ignorado três vezes ele desistiu. E é melhor assim, acho que ele não sabia que eu tinha ficado com e se ele pensar que o amigo me magoou ( mesmo que não tenha feito nada de errado) vai querer brigar para me defender. O é o tipo de amigo protetor, não machuque quem ele gosta que o menino fica uma fera.
O sinal bateu anunciando o fim do intervalo, finalmente, não aguentava mais ter que ouvir a voz de . Sinceramente, não sei por que estou com raiva dele. Nós não somos namorados e não devemos explicações um ao outro, então por que eu estava com tanta raiva?
Mergulhei de cabeça na aula, para esquecer esses pensamentos por um momento. Biologia não é nada divertida, mas quando ela me faz esquecer o , ela se torna minha “ídola”. Se a professora não tivesse interrompido a explicação, eu teria decorado todos os hormônios possíveis, tamanha era a minha concentração.

- Separem-se em duplas e abram na página 212. Os que terminarem primeiro e estiverem corretos vão ganhar meio ponto no teste. – a professora sorriu e se sentou em sua mesa.
- Meio ponto? – um assustado que tinha acabado de acordar chamou a atenção de todos – Isso não adianta pra mim, professora.
- Pelo menos você vai estudando para a recuperação. – a classe riu e emburrado empurrou a sua carteira para ficar ao lado de .
Ótimo, com quem eu iria fazer o dever? Olhei para o lado e vi e sentados juntos, estava na frente deles, mas nem que me paguem eu iria fazer dupla com ele. Estava muito irritada para isso. Ao meu lado estava Collin, perfeito, faria com ele. Ele sorriu para mim e já ia se aproximando quando foi impedido com uma mão em seu ombro.
- Eu vou fazer dupla com ela, Collin. - falou sério para o menino, que recuou. Senti ele juntar nossas carteiras - E aí, já começou a fazer? – ele agia como se estivesse tudo normal. Cínico - O que foi, tá chateada com alguma coisa?
- Não. Estou ótima, obrigada – voltei minha atenção para os exercícios.
- Eu te fiz alguma coisa, ? – ele nem tinha aberto o livro ainda e me olhava perdido.
- Não. O que você poderia fazer? – sorri debochada. Ele ainda me olhava e parecia procurar por algum motivo.
- Já sei, você tá assim por ontem, não? – depois de um tempo ele quebrou o silêncio – Está chateada por eu não ter te beijado na frente de todos como falei. – agora ele sorria. Que vontade tinha de quebrar aqueles dentes.
- Claro que não. Por que ficaria? – abaixei minha cabeça para o livro novamente.
- Não é por falta de vontade, mas não se pode beijar no colégio. E acho que uma ida à diretoria não seria nada bom.
- Até parece que você se importa. – ainda mantinha a atenção no livro, não conseguiria falar isso olhando para ele. – Você passa mais tempo lá do que na sala de aula.
- Eu sei. Mas não disse em relação a mim, e sim a você. Seus pais comeriam seu fígado se você ganhasse uma advertência. – é, nisso ele tem razão. Porém, não facilitaria as coisas pra ele.
- Quem tem que se preocupar com que meus pais sou eu.
- Quer dizer então que você quer? – o encarei e vi seu sorriso safado, como se estivesse prestes a fazer alguma besteira.
- Quero o que, ? – esse joguinho dele está me fazendo perder a paciência.
- Depois não me culpe. – ele disse rápido e antes que eu pudesse perguntar o por que, ele me beijou. Sem mais nem menos, no meio da sala de aula, na frente da turma.
Depois de uns segundos de choque pude ouvir uma gritaria na sala e como se acordasse do susto, correspondi ao beijo. Senti sorrir e aprofundá-lo. Provavelmente essa seria uma situação constrangedora para mim, contudo quando estava ao lado dele eu ganhava coragem e uma segurança inexplicável.
- e , acho que a sala de aula não é o local adequado para esse tipo de comportamento. – a professora estava séria, já podia sentir o cheiro do castigo.
- Que isso professora, tem demonstração maior que isso de hormônios na adolescência? - perguntou arrancando risos da classe.
- Até tem, mas agradeço por eles terem protegido minha inocência - (que achava que falava baixo) fez a turma rir mais. Dessa vez e eu não resistimos e rimos também, interrompendo o beijo.
Foi só me dar conta que todos, sem exceção me olhavam que senti minhas bochechas esquentarem.
- Foi mal, professora. Mas eu tinha que fazer isso. – a mais velha o olhava fingindo estar brava - Eu não rompo com as minhas promessas – ele cochichou no meu ouvido, piorando meu estado de timidez.
- Tudo bem, mas é melhor acabar por aqui, caso contrário vou ter que mandá-los para a diretoria. – assenti prontamente a vendo sorrir e voltar sua atenção para as provas que estava corrigindo.

- Cara, você é muito sortudo - gesticulava animado saindo do colégio acompanhado pelo grupo inteiro – Aposto que fosse eu, a professora não teria aliviado e me mandaria para uma semana de detenção.
- Que nada, dude. Ela só aliviou porque quem tava na encrenca era a aluna perfeita dela. – ele me abraçou pelos ombros e sorri timidamente.
- E vocês, hein? - era o que falava agora - Não sabia que estavam ficando.
- Eu sabia que estava rolando algo, mas pensei que tinha parado no dia do parque. - disse rapidamente surpreendendo a todos.
- Como você sabia?
- Fala sério, . O estado que vocês estavam quando encontramos vocês... Tava na cara que tinha rolado alguma coisa.

Saímos pelo portão e vi o carro do meu motorista me esperando, tirei o braço de do meu ombro e me despedi rapidamente de todos.
Não queria criar tumulto em casa por algo que eu não sabia se tinha futuro ou não. Meus pais não iam aceitar numa boa um possível namoro, e por mais que soubesse que Joseph, meu motorista, nunca diria nem faria nada para me prejudicar, era melhor não arriscar.
Chegando em casa fui direto para o chuveiro e depois coloquei uma roupa confortável. Desci para a cozinha ver se o almoço já estava pronto e dei graças a Deus quando vi meu prato já feito e posto na mesa. Depois de devidamente alimentada, voltei para meu quarto e fiz os deveres do dia e o que não tinha terminado da aula de biologia. Sorri ao me lembrar o motivo pelo qual não terminei a tarefa.
- Alô. – atendi meu celular sem olhar o identificador, sabia quem era.
- Amiga! – afastei o aparelho do ouvido rindo da reação de . – O que foi aquilo? Juro se não tivesse visto, NUNCA teria acreditado. O que você fez com a que eu conheço?
- Sei lá, nem eu sei quem sou quando estou perto dele - ouvi fazer uma barulho com a boca e ri mais ainda - Para com isso, .
- Para você, . Eu tenho que curtir o clima de romance que minha amiga está vivendo!
- Românce? Você está maluca? Não tem nada de romântico nessa história.
- Tem sim. - ia interromper, mas fui cortada - E nem adianta negar que você sabe que estou certa. - bufei e ouvi uma risada vitoriosa do outro lado - Sabe que eu fiquei surpresa quando o disse que o estava sozinho na casa dele? Pensei que vocês iam se encontrar depois do lance da aula.
- , minha amiga linda e fofa, não tem nada demais acontecendo, pelo menos não para ele.
- , para de drama, isso não é filme de Hollywood em que a personagem chora, chora, chora e só fica feliz no final. - achei graça da comparação dela.
- É, eu sei. Você sabe que eu adoro um draminha, não? - fiz uma cara de sapeca, mesmo sabendo que ela não podia ver.
- É, eu sei. O que está fazendo? - mudou de assunto.
- Meus deveres. Tenho que adiantá-los para não dar motivos para meu pais me perturbarem.
- Que saco. Queria companhia para fazer nada em casa.
- Cadê seu namorado?
- Ensaiando. Acho que vou me vestir de nota musical para ele, talvez assim ele me dê mais atenção.
- Quem está fazendo drama agora? E também para de falar sobre sua vida sexual com o , é demais para minha inocência.
- Para de besteira. - ri um pouco - Vou te deixar estudar e aproveitar minha solidão e abandono sozinha. - momento drama queen da minha amiga - Beijo diva.
- Beijo diva - rimos e desliguei.
Voltei minha atenção para meus trabalhos e aproveitei fiz alguns resumos da matéria me prevenindo de uma possível prova ou teste surpresa. Exagerada? Não, você não conhece meus pais.
Estava escurecendo quando senti meu estômago pedindo por comida. Desci e vi meus pais sentados no sofá tomando vinho enquanto conversavam.
- Oi, filha - minha mãe me viu primeiro e fui até ela que me deu um beijo na testa. Fui falar com meu pai e sentei ao seu lado - Fui ao seu quarto falar com você mas percebi que estava um silêncio, pensei que estava dormindo então preferi não incomodar.
- Estava estudando. Também não ouvi vocês chegarem.
- Minha menina de ouro - papai me puxou para um abraço. Mal sabia que a filha perfeita dele mentia para sair escondido com um menino. E se não bastasse isso, esse menino não queria nada com a vida, quer dizer, para meus pais, pois para mim, fazer parte de banda é algo incrível.
- Estou com fome, o jantar já está pronto? - desviei o assunto.
- Sim, mas estávamos nos distraindo para esperar por sua companhia - mamãe sorriu carinhosa.
Fomos juntos para a sala de jantar e finalmente a refeição foi servida. Comemos e conversamos agradavelmente, é algo raro momentos assim.
Após a sessão família feliz, fui para o computador ver se tinha alguma novidade. Papeei um pouco com e , era engraçado como eles viviam entre tapas e beijos. Hoje mais cedo pensei que iria brigar feio com ele, sem razão, claro. A banda é importante para os meninos.
Sentir meu corpo ficar mole e meus olhos pregarem, vesti meu pijama e fui me deitar, dormindo rapidamente.

Mal saí do carro e Collin me chamou correndo em minha direção.
- ! – virei-me para ele que parou em minha frente sem fôlego - Já fiz parte da pesquisa, queria que você desse uma olhada - ele me passou um pen drive - Me diz o que você acha, ok?
- Claro! Também encontrei coisas interessantes, vou te passar por e-mail assim que chegar em casa. - o vi concordar - Acho que seria bom nos encontrarmos para reunir todas as informações, fazer trabalho em grupo pelo computador não vai dar certo - sorri para ele e o vi concordar.
- Claro, quando preferir.
- Pode ser hoje? Não tenho nenhum compromisso depois da aula, mas se você estiver ocupado...
- Não, hoje está ótimo - ele me cortou rapidamente e fomos juntos até a sala.

- Você vai levar o Collin pra sua casa? - fazia cara de nojo ao mencionar o nome do menino e logo recebeu um beliscão de .
- Qual é o problema? Ele é uma pessoa incrível, só tímido demais para os outros o conhecerem. - falei depois de tomar meu suco.
- Mas ele é estranho.
- Prefiro gente estanha que vagabundas - olhou a menina a nossa frente que fazia movimentos exagerados para as amigas. A menina era Madison. - E para de falar assim do menino, . Odeio quando você faz isso.
- Ok, não está mais aqui quem falou - ele colocou as mãos para cima.
- E aí, macacada! - chegou acompanhado de e .
- O único macaco aqui acabou de chegar. - olhou para e ele mandou a língua.
- Você consegue ser bem chata quando quer, !
- Eu sei, essa é a minha graça - ela tomou o suco e ri levemente da careta que fez - Sabia que a vai passar a tarde inteira acompanhada? - olhou surpreso para mim.
- Com quem?
- Collin. - segurou uma risada mas os meninos não fizeram o mesmo.
- Se fosse em outro caso eu não ficaria nada feliz, mas como é do Collin que estamos falando - ele se virou para mim - Boa sorte, .
- Vocês são patéticos! - dizia emburrada.
- Não sei por que vocês implicam com o menino. Ele é uma ótima pessoa, deviam dar oportunidade para conversar com ele - disse séria.
- Não está mais aqui quem falou - se rendeu e sentou pegando meu lanche, como de costume.


- Você também não perde a oportunidade para perturbar o , hein? - conversava com em frente ao portão do colégio esperando meu motorista.
- Ah, você sabe como eu sou...
- Sei sim, mas foi totalmente desnecessário aquilo no recreio. Querer que sinta ciúmes de mim, é demais.
- Mas ele iria sentir se fosse outro menino, não viu o que ele falou? - não pude responder pois Joseph parou com o carro em frente ao portão. Olhei para os lados procurando por Collin e o vi correr em minha direção pela segunda vez no dia.
- Vamos? - perguntei para ele que acentiu. Me despedi da minha amiga e entrei no carro.
Collin é bem mais tímido que eu, mas como já conversávamos antes a comunicação não foi um problema. Ele é bem engraçado, às vezes falava coisas difíceis de acompanhar mas nada que me fizesse ficar assustada. É uma pena que os outros não dão valor a pessoas assim.
Depois de comer fomos para o escritório iniciar o trabalho. Juntamos nossas informações, adicionamos novas, e fizemos slides para a apresentação. Achei melhor nós - lê-se eu - decorarmos a nossa parte, não sabia até onde Madison estava comprometida com isso e quanto menos deixar em suas mãos, melhor.
- ? - estava vendo que cor combinava mais quando Collin desviou minha atenção.
- Fala. - virei para ele sorrindo.
- Você e o ... Er... - ele estava indeciso se continuava ou não - Estão namorando? - fiquei surpresa com a mudança de assunto.
- Hum... Não, não - balancei a cabeça sem graça.
- Mas vocês se beijaram ontem...
- Não estamos namorando. Só ficamos algumas vezes... - coloquei o cabelo para trás da orelha em sinal de nervosismo.
- Ah, sim. Entendo... Eu acho - ri da falta de jeito com que falávamos sobre aquilo.
- Acho melhor voltarmos pro trabalho, certo? - o vi concordar e continuar com a pesquisa em seu Notebook.
Um pouco antes do anoitecer Collin foi embora. Aproveitei para descansar um pouco, não tinha nenhum trabalho, já tinha feito todos ontem, então coloquei um DVD para assistir enquanto trocava o meu jantar por um balde de pipoca.
Nada melhor que esquecer dos problemas e ansiedades, sem se dar conta que a hora está passando e o melhor de tudo: vendo o Heath Ledger lindo em CASANOVA. Bem que o podia atuar em um filme assim caso a carreira como músico não desse certo. Ele se parece tanto com o personagem principal. Ri com que estava pensando. Será que nem com um Deus grego na minha frente eu pararia de pensar no ? Com o fim do filme e minhas energias esgotadas, fui me deitar. Pela primeira vez desde que me entendo por gente fui dormir sem peso nas costas. Mesmo em uma situação flutuante e insegura com , eu não me sentia mal. Pelo contrário, eu sabia que no fundo ele sentia algo por mim. Podia ser amizade, carinho... Não sei ao certo, mas é algo que ele não sentia por outra garota que tinha ficado.
Dormi acreditando pela primeira vez no que ele me disse naquele dia na praia.

Capítulo 13



O resto da semana passou rápido e sem confusões. Não fugi de casa para me encontrar com , não por falta de vontade, é que meus pais proibiram pois já tinha saído muito essa semana. Não reclamei, apenas esperava ansiosamente pelo fim de semana.
Os pais de iam visitar um parente e só voltariam segunda de manhã, e ela me chamou para dormir em sua casa. Meus pais deixaram, porém, eles não sabiam da história completa. Da parte que os pais dela iam sair e deixaram a vizinha a vigiando, eles estão cientes. Já que a vizinha é uma senhora de sessenta anos que só se importa com os bailes para idosos que frequenta e que pouca atenção daria aos adolescentes na casa ao lado, bem... Disso meus pais não sabiam.
Já tinha arrumado minha mochila com algumas roupas, tinha posto umas mais arrumadas também, não sei se iríamos sair, mas é melhor estar prevenida.

- Mamãe, já estou indo para a casa da ! – abri a porta do quarto de minha mãe, colocando a cabeça para dentro.
- O Joseph está na cozinha, é só chamá-lo. – ela se levantou e andou em minha direção. – Juízo, e qualquer coisa me liga, ok? – ela sorriu carinhosa e deu um beijinho em minha testa.
- Pode deixar, a gente só vai ficar em casa mesmo. Mas caso a gente saia, eu ligo avisando. – ela concordou e me deu mais um beijo.

Meu pai ainda estava no trabalho, então não deu para me despedir. Chamei Joseph e ele prontamente me atendeu. Nem me dei ao trabalho de explicar o caminho, ele sabia.
- Tchau, Joseph. Obrigada. – ele disse um "Não precisa agradecer. Bom final de semana".
Corri até a entrada da casa de minha amiga que abriu a porta rapidamente.
- Diva! – ela me abraçou e eu fiz o mesmo – A casa é nossa! – ela dizia animada dando espaço para eu passar. – Deixa a mochila lá no meu quarto. – concordei e subi as escadas correndo. Assim que cheguei em seu quarto ouvi a campainha.
- Está esperando mais alguém? – Gritei de seu quarto.
- Nop. – Ela fez o mesmo. Não pude entender se ela respondeu mais alguma coisa, já que tudo que escutei foram vozes altas. Desci as escadas e dei de cara com quatro meninos sorrindo que nem bobos. – O que vocês estão fazendo aqui? – ela falava com as mãos na cintura.
- Nossa, amor. Quem ouve pensa que você não está feliz em me ver. - fazia biquinho e rolava os olhos.
- , eu estava com você duas horas atrás. – o menino deu de ombros e se jogou no sofá.
- Eu sei. E também sei que esta casa não tem adultos, e isso me fez vir pra cá. Amor, não deu tempo de almoçar... Tô com tanta fome... – ele fazia cara de cachorrinho abandonado para a namorada.
- Vamos pra cozinha, minha mãe deixou uma lasanha pronta. – ela o puxou pela mão mas parou no meio do caminho – Vocês também estão com fome? – Neguei com a cabeça mas os outros três afirmaram. – Mortos de fome. – ela reclamava indo para a cozinha, seguida de , e .
- Vai passar o fim de semana todo aqui? - me perguntou de frente a escada.
- Sim. – sorri e o vi fazer o mesmo.
- Isso é bom. A casa de não tem quinhentos seguranças, o que facilita meu trabalho. – ele fazia uma cara engraçada.
- Trabalho?
- É, de te sequestrar. E além do mais tenho vantagem, já que um dos meus melhores amigos tem livre acesso a essa casa.
- Nossa, se meus pais soubessem disso, aposto que não me deixariam vir. – ele riu e pegou minha mão.
- Que bom que eles acham que nesse momento você está vendo filmes românticos com a e nem imaginam que quatro caras desnaturados estão presentes. – dessa vez fui eu que ri.
- Vocês vão vir comer ou vão continuar se agarrando? - colocou a cabeça para fora da cozinha. Ouvi risadas dos outros, mais a de e corei.
- Mas não estamos nos agarrando! – me defendi e ele deu de ombros voltando para o outro cômodo.
me puxou pela mão e fomos nos servir. Quero dizer, ele foi, eu já tinha almoçado e só fiquei sentada olhando eles avançarem na comida. É, eles realmente são um bando de mortos de fome.
- Esse final de semana vai ser muito bom! - ainda estava com a comida na boca.
- Isso tudo porque meus pais não estão na cidade?
- Claro que não, eu gosto dos seus pais. - fez uma cara engraçada e levantou para abraçar o namorado. – Só vai ser legal cuidar de você alguns dias.
- Que fofinho o ! - começou a zoar com o amigo.
- Que cara romântico – agora era a vez de .
- Isso é meloso demais, vocês podem esperar até eu acabar de comer? - fazia careta.
- Você é o último a poder falar alguma coisa, .
- Eu?
- Não se faça de desentendido, você sabe o que eu quero dizer. - se defendia enquanto voltava para sua cadeira.

Tentei acompanhar o diálogo dos meninos, mas não consegui, parecia que só eles tinham noção do que se estava sendo falado. obrigou os meninos a lavarem a louça, pois a empregada tinha sido dispensada, enquanto ela ia tomar banho. Eles reclamaram um pouco, mas contrariar a é coisa que só louco tenta fazer. Fui para a sala me distrair com algum programa de tv bobo.
Passou alguns minutos e fui até o quarto de ver se ela já estava pronta.

- Os meninos terminaram a louça – ela estava devidamente vestida e secava os cabelos com a toalha.
- Nop – sentei na cama – Na verdade eu não sei, mas a gritaria na cozinha continua.
- Esses meninos... – ela balançava a cabeça – Vamos descer antes que eles destruam a louça da minha mãe. – Já terminaram? – eles estavam jogados no sofá rindo de alguma coisa que fazia.
- Yep. Vamos fazer alguma coisa, sair... Sei lá. - falou e todos concordaram.
- Ok, pra onde? - se jogou ao lado de e repousou a cabeça no ombro dele. – Com esse tempo não dá pra fazer nada. Chuvinha chata!
- A gente pode ver algum filme – falei dando de ombros.
- Desde que não sejam vocês duas que escolham, tudo bem. - sorria dizendo.
- Filme? Poxa, queria algo com mais ação!- gesticulava.
- Vai procurar a Madison, então.
- Muito engraçado, . – O menino deu o dedo do meio para o outro.
- O que vocês iam fazer antes da gente chegar? - olhava para mim.
- Não sei... Provavelmente estaríamos papeando sobre coisas sem sentido. - riu confirmando o que disse.
- Nossa, e tem gente que diz que as meninas amadurecem mais rápido. - negava com a cabeça com cara de falsa decepção.
- Falou o Sr. Maduro. - rolou os olhos - A gente podia jogar alguma coisa... Cartas, pode ser?
- STRIP POKER! - vibrou e recebeu quatro olhares irritados, menos que parecia ter aprovado a ideia. - Qual é, vai dizer que não é uma boa?
- É uma péssima - falou e concordou prontamente – E além do mais, não sei jogar poker.
- Vocês podiam tocar pra gente. – falei do nada.
- O que isso tem a ver com jogos de cartas? - me olhava sorrindo e fiz o mesmo (como sempre, seu sorriso parecia chamar pelo meu).
- Não tem nada, mas é que eu tô com vontade de ouvi-los – dei de ombros e riu levemente.
- Ok, vamos tocar. – Ele se decidiu, levantando-se em seguida.
- Como? Nossos instrumentos não estão aqui. - falou o que é obvio.
- Eu sei. A gente pode ir pra sua casa, tem algum problema? – o menino negou.
- Resolvido, vamos para a casa do 'mor. - ficou de pé recebendo olhares indignado dos meninos. Ri e subi as escadas correndo para pegar meu celular na mochila, enquanto ouvia do andar de baixo os meninos zombando com o casal.

Fomos todos no carro de . Eu, , e estávamos espremidos no banco de trás, mas como a casa do não fica longe, não foi nenhum desconforto. Quando chegamos, fomos recebidos pela mãe dele, que já estava acostumada com aquela bagunça e não fez alarde. Descemos para o porão que é onde os meninos ensaiam.

- Que música vocês querem? - olhava para nós que estávamos sentadas no sofá em frente ao aparelho.
- Alguma recente... - olhava para cima tentando se lembrar – Aquela que você disse que tinha escrito semana passada!
- Você falou para ela, dude? Poxa, tinha que ser surpresa! - reclamava com o amigo como se não estivéssemos ali.
- Eu não falei nada sobre isso, sério. – o outro se defendeu e deu sinal para começarem a tocar.
Ouvi o som da bateria e um ritmo dançante. Os meninos estavam concentrados, acho que era por ser música nova e os acordes não estarem tão bem treinados. Mas eu não consegui perceber nenhum erro.

We ran past strawberry fields and smelt the summer time,
(Nós corremos por campos de morango e sentimos o cheiro do verão)
When it gets dark I'll hold your body close to mine,
(Quando ficar escuro, eu vou abraçar seu corpo perto do meu)
Then we'll find some wood and hell we'll build a fire,
(Então nós vamos achar madeira e como vamos construir uma fogueira!)
And then we'll find some rope and make a string guitar.
(E então vamos achar umas cordas e fazer um violão)

Danny cantava com os olhos fechados, ele se esforçava para cantar e tocar perfeitamente.

Captivated by the way you look
(Cativado pelo jeito que você está essa noite)
tonight the light is dancing in your eyes
(A luz está dançando em seus olhos)
Your sweet eyes,
(Seus doces olhos)
Times like these we'll never forget,
(Tempos como esses nós nunca esqueceremos)
Staying out to watch the sunset,
(Ficar fora para assistir ao pôr-do-sol)
I'm glad I shared this with you,
(Estou contente por ter compartilhado isso com você)
You set me free,
(Você me liberta)
Showed me how good my life could be,
(Me mostrou quão boa minha vida podia ser)
How could this happen to me?
(Como isso aconteceu comigo?)
Yeahhh aww

Durante o refrão senti alguém me encarando e segui o olhar, era quando viu que eu reparei ele deu um meio sorriso mas não desviou os olhos, meu coração acelerou. A letra do refrão me era familiar, só não sabia exatamente o porquê.

And then I'll swing you girl until you fall asleep,
( E então eu vou te balançar, garota, até você adormecer)
And when you wake up you'll be lying next to me,
(E quando você acordar, estará deitada ao meu lado)
We'll go to Hollywood make you a movie star,
(Nós iremos à Hollywood fazer de você uma estrela de cinema)
I want the world to know how beautiful you are,
(Eu quero que o mundo saiba quão bonita você é)

Tom cantava agora, a voz dele é mais suave que a de Danny, mas mesmo assim linda. As duas são muito diferentes, mas combinam, quando juntas. Olhei rapidamente para Harry e o vi cantando lá da bateria.

Refrão

As memórias do dia na praia vieram a minha cabeça, o pôr-do-sol que não conseguimos ver juntos, o momento que passamos só nós dois, mas sabia que estava viajando. Nem foi o que escreveu a música, e mesmo que tivesse sido, não queria dizer que eu era realmente especial para ele fazer isso.

There are no secrets to be told,
(Não há mais segredos)
Nothing we don't already know,
(Nada que nós já não saibamos)
We've got no fears of growing old,
(Nós não temos medo de envelhecer)
We've got no worries in the world.
(Nós não temos nenhuma preocupação no mundo)

Ba ba ba ba ba ba ba
Ba ba ba ba ba ba ba

Ba ba ba ba ba ba ba
Ba ba ba ba ba ba ba

Os meninos faziam caras engraçadas no final e eu e Isa balançávamos o corpo no ritmo da música. Aplaudimos quando terminou e eles sorriram com isso.
- Qual é o nome? – perguntei interessada.
- No Worries - respondeu rapidamente.
- Foi você quem escreveu, ? - ele assentiu com a cabeça para mim.
- e eu escrevemos a maior parte, mas todos demos ideias. – ele sorria deixando a namorada com a cara mais boba. – Gostaram?
- Sim! - bateu palmas arrancando risadas de todos.

Tocaram mais duas músicas, That Girl e Get Over You, até que a mãe de apareceu o avisando que sairia e tinha deixado um lanche na cozinha. Foi só ouvir a palavra comida que os meninos perderam a concentração e correram para o andar de cima. Sem alternativa, os seguimos.
Comemos um bolo de chocolate delicioso e enquanto eu e engatamos uma conversa, os meninos foram para sala jogar vídeo game. Não me importei com os gritos e xingamentos que vinham do outro cômodo, isso é mais do que normal quando estavam competindo esses jogos.

- A gente bem que podia sair amanha à noite, né? - se servia de mais um pedaço. Concordei com a cabeça – Depois eu falo com o , ele deve ter alguma ideia legal.

Depois de terminar de comer, fomos para a sala ver se os meninos tinham destruído alguma coisa. Assistimos eles jogarem mais um pouco de vídeo game e depois deram a devida atenção para nós duas.
- Vamos sair amanhã? Fazer algo diferente? - perguntou a todos.
- Tipo o que? - se jogou ao meu lado no sofá e por pouco não me esmaga – Foi mal, .
- Sem problema – ri.
- Coitada, vem pra casa do ouvir música e quase morre com a bunda gorda do - debochava e recebeu um dedo do meio como resposta.
- Que graça você está hoje, . - sorria forçado.
- Deve ser a chuva, . Você sabe como ele ama a chuva - riu e foi acompanhado pelos outros, menos .
- Pensei que ele só se animava quando estava tomando banho de chuva - entrou na brincadeira sorrindo. Só agora notei que eles estavam dando indiretas e que eu tinha grande possibilidade de fazer parte disso.
- Banho de chuva acompanhado, porque sozinho não tem graça, né ? - continuava e agora também caía na gargalhada. Vi corar e eu não devia estar diferente. Então eles sabiam do dia do parque... Bom saber. Sorri por dentro. – Serve seu jardim ou só serve o parque?
- Ok, parem de palhaçada. – Ele bufou – Pensem em algo para fazer, porque a chuva tá apertando e vamos ter que ficar aqui até acalmar.
Fomos interrompidos pelo telefone da casa de , era a irmã dele falando que iria dormir na casa de uma amiga, pois não conseguiria voltar para casa naquele tempo. Pode parecer exagero, mas eu nunca tinha visto Londres assim. Sempre chovia, mas nada comparado àquilo.
- Acho que a chuva não vai embora tão cedo. - me encolhi no sofá olhando pela janela - , liga para seus pais e vê se eles já chegaram na casa de sua tia. – A vi concordar rapidamente e sair da sala para fazer a ligação.
- Seus pais estão em casa? - me perguntou e confirmei.
- Sim, pela hora eles já voltaram – sorri agradecida pela atenção dele.
- Eles acabaram de chegar - avisou assim que voltou ao cômodo – Ih, vai passar 'De Volta Pro Futuro' – ela apontou para a TV ligada onde anunciava a próxima programação.
- Marty McFly chegou para salvar o tédio - se levantou e antes de entrar na cozinha perguntou - Tem pipoca aqui, ?
- Deve ter - ele deu de ombros, o outro bufou e foi para a cozinha.
Minutos depois voltou com três potes cheios e os colocou na mesinha pouco a frente da televisão. Os meninos estavam bem concentrados, eles adoravam aquele filme, tanto que o nome da banda deles veio daí. Depois de uns vinte minutos, comecei a ficar entediada. Eu até gosto do filme, mas já o assisti e esse não é o tipo que eu gosto para ver várias vezes.
- Entediada? - me perguntou baixinho para não atrapalhar os outros.
- Um pouco – fui sincera e ele soltou uma risada baixa.
- Parece que nosso gosto para filmes não é parecido – olhei-o confusa – Da última vez que vimos filme juntos você fugiu da sala – ele esclareceu e me recordei do dia na casa de .
- Eu até gosto desse, mas não é o tipo que vejo várias vezes.
- , você pode ir cantar a em outro lugar, por favor? Eu não me sinto confortável com essa melação do meu lado - que estava com a boca cheia de pipoca tirou a concentração de todos da tela.
- Hoje você tá com tudo, hein? Resolveu não me deixar em paz? - falou sério, mas sua fisionomia era calma. fez um barulho pedindo silêncio e voltou a olhar a tv. – Vamos sair daqui. – ele levantou e fiz o mesmo. Como eu sou inocente de pensar que esse ato passaria despercebido... Mal levantamos e começaram a nos perturbar.
- São uns palhaços – disse sorrindo quando chegamos na varanda, que se não fosse tão grande já teria sido totalmente alagada. Sentamos em um sofá olhando para a chuva.
- Você não achou que eles iam nos deixar sossegados depois do beijo na aula, achou?
- Não – fiz um movimento com a cabeça enfatizando a minha resposta e caímos em um silêncio gostoso, apenas ouvindo o barulho da água caindo – Gostei da música nova. Você e o fizeram um bom trabalho. – o encarei e ele que já me fitava sorriu.
- Que bom que gostou. O fez a maior parte, quando ele nos mostrou a letra, juntei com algo que eu tava escrevendo. – ele falava como se escrever músicas fosse a coisa mais simples.
- Combinou perfeitamente. Que parte você escreveu? – o vi hesitar em responder e já ia mudando de assunto quando ouvi sua voz.
- O refrão. O que o escreveu não tava bom e... Eu já tinha uma parte pronta. Não era para ser o refrão na minha música, mas quando fizemos a melodia, ficou legal. – ele respondia com uma voz serena observando o tempo. Seus olhos viraram-se em minha direção – Eu escrevi depois do dia na praia. – levantei o olhar assustada e o encontrei levemente corado. Não sabia o que falar, minha boca estava aberta, literalmente.
- Nossa! Nem sei o que dizer – falei debilmente, tentava processar a informação e dizer algo de útil, mas nada saía, e ele parecia ficar cada vez mais encabulado com a minha demora - Obrigada, nunca ninguém escreveu nada pra mim. É linda...
- Também nunca escrevi pensando em alguém... Quero dizer, quando eu precisava de uma música, eu simplesmente escrevia, mas não sei por que tive necessidade de colocar no papel aquilo que eu... – ele falava rápido e isso me fez rir. Ele me olhou como se estivesse perguntando se eu era maluca – O que houve?
- Você fica engraçado com vergonha. – ri mais um pouco e seu olhar mudou para indignação.
- Eu tô aqui, falando uma cosa séria que a maioria das meninas esperam ouvir de um cara e você tá... – não o deixei completar e para minha SURPRESA segurei seu rosto e o beijei.

Apenas juntava fortemente nossos lábios, e ele parecia em choque pelo que eu fiz. Se me contassem, nem eu iria acreditar... Eu agarrei ? Estou mudando, definitivamente. Ele apertou minha cintura e senti sua língua nos meus lábios, pedindo para intensificar o beijo, e eu, é claro, deixei, ansiosa para isso acontecer.
Ele me puxava para mais perto e eu agarrava seus cabelos os bagunçando. subiu uma das mãos pelas minhas costas e a levou para meu cabelo os puxando levemente. Já ficava sem fôlego, nunca tinha dado um beijo tão intenso como aquele. Mordi seu lábio e me afastei para respirar.

- Se soubesse que a reação ia ser tão boa, tinha te contado antes. - falava bobo.
- Como se você nunca tivesse me beijado antes.
- É que ser agarrado é bem melhor. – ele me olhava esperando por algo – Os tempos estão mudando, há alguns dias você estaria roxa de vergonha.
- Desapontado?
- Nem um pouco. - ele curvou-se para me beijar de novo, mas antes que pudéssemos aprofundar o beijo, apareceu.
- Só isso te faz parar de assistir "De Volta Pro Futuro" – ele ria e balançava a cabeça – O filme já acabou, mas pelo visto vocês não estão nem um pouco interessados nisso. – ele voltou para dentro e rimos baixinho.
- É agora que o vai nos perturbar até a morte.
- O não contaria a ele... – falava duvidando de minhas próprias palavras – Tem razão, vamos sofrer se voltarmos agora.
- Onde estávamos mesmo? – ele deu um sorriso malicioso e veio em minha direção.
Ficamos algum tempo na varanda, conversando, vendo a chuva, nos beijando... Até que ouvimos eles nos chamando e optamos por voltar. Os meninos estavam jogando cartas e jogava no iPod do .
- , vem fazer dupla comigo. - pediu sem desviar a atenção das cartas nas mãos.

Me juntei a no sofá. Pouco tempo depois, a mãe de chegou reclamando da tempestade, e nos impediu de voltar para casa. Disse que íamos passarmos a noite lá. e eu dormiríamos no quarto da irmã de , e os meninos no quarto dele.
Quando anoiteceu a Sra. serviu o jantar. Depois de todos terem comido, ela recolheu a louça, nos oferecemos para lavar mas ela negou tanto que desistimos. Ela foi para o quarto para descansar, pois disse que tinha tido um dia cansativo no trabalho.
Ficamos algum tempo conversando sentados no sofá enquanto algum programa passava na TV. Senti uma mão segurar a minha discretamente e sorri internamente por isso. Ele fazia um carinho de leve, estava tão bom ficar só aproveitando aquele momento... É claro que todos estavam notando, mas, por sorte, ninguém comentou.
Estava ficando com sono e agora só observava os outros papeando, foi a primeira a se levantar e comunicar que ia se deitar, aproveitei e fui junto. Antes que eu pudesse levantar, porém, me desejou boa noite e me deu um selinho demorado. Subi as escadas rapidamente para eles não terem a oportunidade de me verem vermelha.

- Você e o estão sérios? - perguntou assim que entramos no quarto.
- Não sei, a gente fica, mas não acho que ele queira algo sério. – respondi sincera. Vesti um blusão que a mãe de tinha separado para mim e me deitei – Espero que amanhã a chuva pare, tenho que ir pra sua casa pegar minhas coisas.
- Amanhã vamos sair, hein? Faça chuva ou faça sol. - também se deitou e não demorou muito, caímos no sono.

Acordei cedo e fui ao banheiro, como não tinha escova de dente coloquei a pasta no dedo e fiz o que pude. Realmente precisava das minhas coisas. Penteei meus cabelos e depois os prendi com um coque. O blusão parecia um vestido, suspeito que seja a roupa de , não vi problema em descer assim, já que estava decente.
Atravessei todo o corredor e cheguei na escada. A casa estava em silêncio, cheguei na sala e olhei pela janela, não estava sol, mas pelo menos tinha parado a chuva. Fui até a cozinha e vi a mãe de sentada tomando seu café.

- Bom dia, Sra. . – a cumprimentei e a vendo se virar e fazer o mesmo.
- Dormiu bem, querida?
- Sim – sentei-me na cadeira à frente dela que me indicou a comida já servida.
- Sinta-se à vontade – ela dava seus últimos goles e se levantou – Desculpa, mas tenho que ir, meu plantão no hospital começa cedo hoje.
- Tudo bem, bom trabalho. – sorri e ela fez o mesmo.
- Obrigada, querida. Aproveite o dia. – ela saiu apressada e comecei a me servir com torradas e geléia.
A mãe de é cirurgiã e passa muito tempo no hospital, é claro que isso a dá uma bela condição financeira, o Sr. também tem uma carreira bem sucedida. Ouvi barulho de alguém descendo as escadas, pelo jeito devia ser um dos meninos.
- Hey, linda. - apareceu e me deu um selinho – Dormiu bem?
- Aham – fiz um barulho estranho e assenti, pois estava mastigando.
- Que bom, porque eu não preguei o olho, o ronca muito! – ri e começou a comer – Essa blusa é do ? – Ele apontou para o que eu estava vestindo.
- Acho que sim, a Sra. separou ontem pra mim.
- Alguém falando de mim? - entrou com cara de sono e apenas com sua boxer.
- Coloca uma roupa, dude! - reclamou e o ignorou.
- Qual é o problema, ? Tá com medo da se apaixonar e você perder o encanto? – ele brincou mordendo um pedaço de pão – Ah, e você fica muito bem nas minhas roupas – Ele falou para mim e riu.
- Deixa a te ver falando assim. - falou mal humorado – E ela ficaria muito melhor com a minha blusa. – não resisti e soltei uma risada seguida por , o que fez ficar mais emburrado.
- Bom dia! - estava incrivelmente feliz, deu um beijo no namorado. – Por que o tá com essa cara?
- Ele tá com ciúmes porque eu falei que a tá bem com a minha roupa - riu do que o namorado falou.
- Ainda tá cedo, será que vocês podem esperar um pouco para começar a me zoar? – o casal riu mais.
- O deixem comer em paz. – o defendi e todos olharam pra mim, o rosto de relaxou um pouco e tive a impressão que vi um pequeno sorriso.

Por mais que não faltasse vontade, eles não perturbaram. Comemos em silêncio quando acordou e se juntou a nós. só foi aparecer uma hora depois, e ainda demonstrava sono. De tanto insistir, nos deu uma carona para casa de . Nós marcamos de sair mais tarde e os meninos iam nos buscar oito horas. Não sabia para onde iríamos, eles é que iam resolver.



Capítulo 14



e eu passamos o resto do dia assistindo uma maratona "Pretty Little Liars" e quando começou a escurecer fomos nos arrumar. Secava meus cabelos pensando no que vestir, não tinha levado muita coisa, o máximo que devia ter é uma calça jeans nova e uma blusa mais arrumada. Não saber para onde eles iam também atrapalhava na hora da produção.
- , vê se aquela roupa que separei ‘tá boa. – pedi assim que ela saiu do banheiro secando o cabelo com a toalha.
- Amiga, dessa vez nem eu sei o que vestir... Os meninos não deram nenhuma pista para onde vamos hoje.
- Ok, meu cabelo não quer cooperar. – desliguei o secador bufando.
- Faz um rabo de cavalo e deixa umas mechas soltas, você fica linda com o cabelo preso. – sorri para ela – Acho que eu sei uma blusa que vai ficar bem com essa sua calça.
- A que eu trouxe não é bonita?
- Para um jantar do seu pai sim, mas para deixar o babando não. – ela falava aquilo como se fosse óbvio – Se bem que você não precisa de muito, ele está sendo muito fofo com você. ‘Tá me surpreendendo... – sorri mais ainda. Como eu sou boba! – Essa aqui! – ela tirou uma blusa cinza do armário. Na frente não tinha nada demais, era muito comportada, atrás, porém, era completamente nua.
- Não ‘tá meio frio para essa roupa? – entortei a boca e revirou os olhos.
- Veste e não reclama. – ela jogou a peça na cama e voltou a atenção para o armário à procura de algo para colocar.
Me vesti e gostei do resultado, era diferente do que eu estava acostumada, mas era bonito. Fiz uma maquiagem mais carregada nos olhos e um brilho labial. me emprestou um par de brincos grandes e depois prendeu meu cabelo em um rabo alto. Me achei bonita e sorri confiante.
- Que linda, amiga!
- 'Brigada! - olhei-a e ela também estava perfeita, meia calça preta, vestido cinza e botas de cano baixo. Ouvi o telefone tocar e olhei o relógio, eram oito e quinze. atendeu e logo desligou.
- Eles estão lá embaixo nos esperando. – Peguei minha bolsa e segui minha amiga. Saímos de casa e vi dirigindo o mesmo carro que fomos para a praia, estava ao seu lado. – Cadê e ?
- Já foram, pegou carona com - saltou do carro e beijou a namorada. – Estão lindas! – Entramos no carro e cumprimentamos que virou-se para trás sorrindo para a gente.
- Para onde vamos? - perguntou assim que nos acomodamos e o carro partiu.
- A um show que uma banda nova ‘tá fazendo naquele pub perto do colégio. - respondeu prestando atenção na estrada.
- Nunca fui lá. - comentou olhando pela janela.
- Nem nós, quando tem show abrem para menores de idade também – conversamos durante o caminho e por sorte não pegamos engarrafamento. Chegando no lugar, colocou o carro em um estacionamento próximo. – Vamos entrar? - me deu a mão e seguimos e que já estavam entrando.
- Como vocês vão achar e o aqui? – gritei próximo ao seu ouvido devido à alta música.
- Qualquer coisa a gente liga para eles. - deu de ombros e fomos nos sentar em frente ao palco. Cara, esqueci de ligar pros meus pais pedindo para vir! Bati a mão na testa e pedi licença a indo a parte externa onde o barulho era mais baixo.
- Pai?
- Oi, filha. Aproveitando aí com a ?
- Aham, olha, será que eu podia sair com ela e os meninos hoje? Tem um show de uma banda nova e eles querem fazer alguma coisa diferente... – tentava abafar o som para que ele não suspeitasse que eu já tinha saído de casa.
- Claro, mas tenha responsabilidade, está ouvindo? Você sabe como são as regras, não sabe? – respirei aliviada.
- Sim, se eu fizer algo errado e que os decepcione toda a confiança vai embora, não é isso? – meu pai confirmou – Ok, pai. Te amo, beijo! – ouvi "outro" e desliguei.
Voltei feliz para a mesa onde estávamos e no trajeto pude perceber que tinha muita gente do colégio lá. Não me importei com isso, estava com meus amigos e a noite ia ser legal.
- Onde foi? - perguntou assim que me sentei.
- Telefone.
- Seus pais? – ele deu um meio sorriso e confirmei. se aproximou e juntou nossos lábios.
- Olá casais! - chegou e nos cumprimentou. Corei com o plural e vi que também ficou sem graça.
- E aí, . Onde ‘tá o ? - perguntou enquanto a abraçava com um braço em seus ombros.
- Da última vez que eu vi ele tava conversando com uma menina perto do bar. Acho que era a mesma que ele ficou durante uns meses no verão passado.
- Ainda ela? Cara, o ficou vidrado! Não parava de falar. - negava com a cabeça e todos riram, menos eu, provavelmente se lembrando do caso.
- ? – uma voz, infelizmente conhecida pra mim, chamou o menino ao meu lado recebendo a atenção de todos da mesa.
- Oi, Madison - pareceu desconfortável.
- Não sabia que você vinha, curte a banda? – Ela tinha ignorado todos os outros e parecia não se incomodar com isso.
- Nem conheço, só viemos para sair de casa mesmo – ele olhou para nós, talvez para a menina nos cumprimentar.
- Hum – ela nos olhou com cara de pouco caso – Eu ‘tô naquela mesa com alguns amigos, qualquer coisa aparece por lá – Ela apontou para a mesa e vi algumas pessoas do colégio.
- Valeu, mas eu vou ficar aqui com os meus amigos. – Ele sorriu e colocou o braço no meu ombro me puxando para si. Sorri levemente, em compensação Madison não pareceu gostar nem um pouco.
- Ok, o convite ainda ‘tá de pé. – ela deu meia volta e voltou para seu grupo. Rimos dela depois que essa se afastou.
- Aí, ! - deu um tapa em seu braço o parabenizando – Parece que a Madison ‘tá na sua.
- Se quiser pode ficar com ela! – o outro fez cara de nojo.
- Cuspindo no prato que comeu, ? - ria. E forçou uma risada debochava.
- Hey, ainda estamos aqui! - interrompia o papo – Falem sobre garotas quando voltarem para casa.
- Delicada como sempre! - sorriu forçado - Se inspire na , .
- O que você quer dizer com isso, ?
- Que a parece ser uma namorada mais fácil e o vai para o céu por namorar com você sem ter tentado te matar em dois anos. – ele deu um beijo na testa de e saiu correndo antes que a menina pudesse responder.
- Cretino! - bufou e rimos dela.
- Relaxa, amor. Você sabe como o é.
- Eu sei – ela respondeu simplesmente dando de ombros. Ela não tinha se importado, é assim, pega no pé dos meninos mas é por isso que a gente gosta dela.

A banda foi anunciada e o vocalista foi até o microfone, se apresentando. Eles tocaram músicas próprias e alguns covers. Cantava algumas que eu sabia e batucava na perna as que gostava. Não entendo muito, mas a banda não era nada mal. Se pedissem a minha opinião, eu colocaria o McFly para se apresentar. Um acorde conhecido começou a tocar e os casais foram para a pista dançar. e preferiram ficar sentados namorando e vi a mão de cobrir a minha.
- Vamos? – ele apontou para a pista e concordei rapidamente. Senti aquecer por dentro, naquele momento não me importei com mais ninguém, apenas queria dançar com ele. Levantamos e seguimos o canto da pista de mãos dadas. me puxou para si e abraçou minha cintura e eu coloquei minhas mãos levemente em seus ombros. Olhávamos um para os olhos do outro, ele sorriu para mim, mas não consegui retribuir, estava nervosa. Começamos a nos movimentar com o ritmo de Wonderwall, do Oasis.

Today is gonna be the day
That they're gonna throw it back to you
By now you should've somehow
Realized what you gotta do
I don't believe that anybody
Feels the way I do
About you now

(Hoje vai ser o dia
Que eles vão devolver isso para você.
Neste momento você devia, de algum modo,
Ter percebido o que tem de fazer.
Eu não creio que alguém
Sinta-se do modo como me sinto
A seu respeito neste momento.)

Quando a voz do cantor começou a ser ouvida, me segurou com mais força, e eu só o encarava, nem sei como conseguia me mover.

Backbeat the word is on the street
That the fire in your heart is out
I'm sure you've heard it all before
But you never really had a doubt
I don't believe that anybody
Feels the way I do
about you now

(A conversa que corre na rua é
Que o fogo no seu coração se apagou
Tenho certeza que você ouviu isso tudo antes,
Mas você nunca realmente teve uma dúvida.
Eu não creio que alguém sinta-se
Do modo como eu me sinto
Sobre você agora)

Ele se inclinou para mim e encostou sua bochecha no topo de minha cabeça. Deslizei minhas mãos que estavam em seus ombros e o abracei pelo pescoço. Seu perfume me hipnotizava mais ainda, se isso é possível. Mexia meus dedos, embaraçando os cabelos de sua nuca, senti-o arrepiar e sua respiração acelerar.

And all the roads we have to walk are winding
And all the lights that lead us there are blinding
There are many things that I'd
Like to say to you
But I don't know how

(E todas as estradas pelas quais temos de caminhar são sinuosas,
E todas as luzes que nos conduzem até lá estão nos cegando.
Existem muitas coisas que eu
Gostaria de dizer para você,
Mas eu não sei como...)

Ele encostou a boca em meu ouvido e pude ouvir sua voz cantando o trecho perfeitamente. Levei um pequeno susto com isso, mas logo me recuperei e aproveitei para não sentir cada pedacinho daquele momento.

Because maybe
You're gonna be the one that saves me
And after all
You're my wonderwall
(Porque talvez
Você vai ser aquela que me salva...
E no final das contas,
Você é minha protetora)

Sentia seu hálito quente bater em meu rosto, para mim naquele instante só havia nós dois. Todas as pessoas e a banda tinham sumido para nos deixar em paz. Curtindo um ao outro.

Today was gonna be the day
But they'll never throw it back to you
By now you should've somehow
Realized what you're not to do
I don't believe that anybody
Feels the way I do
About you now
(Hoje iria ser o dia,
Mas eles nunca devolverão isso para você.
E neste momento você devia, de algum modo,
Ter percebido o que não deve fazer.
Eu não creio que alguém
sinta-se do modo como me sinto
Sobre você agora)

And all the roads that lead you there were winding
And all the lights that light the way are blinding
There are many things that I'd like to say to you
But I don't know how

(E todas as estradas que conduzem até você eram sinuosas,
E todas as luzes que iluminam o caminho estão cegando.
Existem muitas coisas que eu gostaria de dizer para você,
Mas eu não sei como...)
I said maybe
You're gonna be the one that saves me
And after all
You're my wonderwall
(Eu disse que talvez
Você seja aquela que me salvará...
E no final das contas,
Você é minha protetora)

I said maybe
You're gonna be the one that saves me
And after all
You're my wonderwall

(Eu disse que talvez
Você vai ser aquela que me salvará...
E no final das contas
Você é minha protetora)

I said maybe
You're gonna be the one that saves me

(Eu disse que talvez
Você seja aquela que me salvará...)

Agora ele cantava me encarando e eu fazia o mesmo tentando decifrar o que os olhos dele diziam. E como sempre, não consegui, é frustrante. Eu acho que sei o que se passa na cabeça dele, mas ao mesmo tempo eu não sei! Nem eu me entendo. Com ele, me sinto segura, mas também insegura. É como se tudo estivesse bem no momento que eu estava com ele, amanhã porém, tudo podia acabar e não ter mais sua presença. Como se ele fosse quem me passava segurança, mas também fosse a pessoa que me podia tirá-la facilmente.
A música acabou e enquanto todos aplaudiam a banda, eu e não nos movemos. Ainda nos fitávamos, parados na pista de dança.
- Eu adoro essa música! – falei baixinho e senti ser abraçada com mais força. Agora então, amo a música ainda mais! É claro que disso ele não precisa saber.
- Também. – ele afastou de mim e acariciou meu rosto. Ouvimos um ritmo mais agitado e conhecido, a banda agora tocava um cover de Always, Blink 182. Continuamos a dançar e o abracei novamente pela nuca. - "Come on let me hold you, touch you, feel you always. Kiss you, taste you, all night always." (“Vamos, me deixe te abraçar, te tocar, te sentir sempre. Te beijar, te provar a noite inteira sempre.”) – ele riu com a boca próxima ao meu ouvido e corei, dando um leve tapa em seu braço por causa disso.
- Pare com isso, . – não resisti e ri também – Você não presta! – neguei com a cabeça.
- Foi mal, não deu pra evitar. – continuamos a dançar e fomos interrompidos por Madison.
- Pensei que você não dançasse, . – ela segurava um drink – Pelo visto estava enganada... Me dá a honra dessa dança? – disse sorrindo maliciosa.
- Estou com a . – Ele ainda me segurava pela cintura e a qualquer momento eu sentia que podia sair correndo. Não estou ACOSTUMADA com essa situação e sou muito insegura para ficar tranquila.
- Ela não se incomoda, não é, ? – ela me olhava de maneira superior e deu o efeito exato. Já ia me afastando e assim que fizesse isso me daria um soco por ser tão idiota.
- E-eu.. er.. c-claro.. – afastei os braços de mas ele segurou minha mão me impedindo de sair.
- Já estávamos de saída, fica pra próxima! – ele disse rapidamente e me puxou saindo dali - , já deu pra mim, vamos embora?
- Mas já? A banda nem acabou de tocar!
- Eu sei... Se não quiser ir tudo bem, quer que eu deixe o carro para você? - se ofereceu pegando minha bolsa que tinha deixado em cima da cadeira.
- Não precisa. Acho que o não vai estar em condições de dirigir o carro dele mesmo – o menino concordou e finalmente saímos.
Seguimos em silêncio pelo caminho, aos poucos o som da música ficava mais afastado, olhei para o lado e vi com a cara fechada. O que será que tinha acontecido para deixá-lo assim? A história com a Madison não podia ser, é uma coisa muito boba!
Entramos no carro e nenhuma palavra ainda tinha sido dita. No meio do caminho, quando reparei que ele fazia o trajeto para minha casa, me lembrei que estava na casa de .
- , estou na casa da . – quebrei o silêncio o olhando insegura.
- Ah, é! Esqueci, foi mal. – ele fez o retorno e olhava para a janela tentando ficar mais calma, até recordar de outro detalhe.
- ? – ele fez um movimento com a cabeça para que eu falasse – Eu não estou com as chaves – sorri envergonhada e ele riu. Esse menino é maluco! – Do que está rindo?
- Não consigo ficar chateado com você – Ele negava com a cabeça ainda sorrindo.
- E por que você estava chateado comigo?
- Poxa, . A Madison te perturbou e você ia fazer exatamente o que ela queria?
- Mas ...
- Não tem mas, . – ele me interrompeu – Cadê sua segurança? Você realmente achou que eu ia te soltar e começar a dançar com Madison?
- Não sei... – respondi baixinho – E não precisa ficar emburrado, não há motivos grandes para isso.
- Eu sei, mas às vezes esse seu modo de pensar me irrita, de sempre se colocar abaixo dos outros.
- Não me acho inferior – O podia ser bem irritante quando queria.
- Ah, não? E por que ia me deixar e sair de lá?
- Não sei, ! Mas que assunto chato! – cruzei os braços e fechei a cara, e ele? Riu! Qual é o problema desse ser? – Não tem graça! – nem senti o carro parando, apenas reparei nisso quando ele tirou o cinto e saiu do carro. Fiz o mesmo e vi que estávamos na casa de . Olhei-o em dúvida, o que fazíamos ali?
- Vou mandar uma mensagem para , assim que a chegar em casa eu te deixo lá. - concordei ainda meio emburrada pela conversa do carro – E já chega com essa carinha. – ele puxou meus lábios para cima simulando um sorriso, e não aguentei soltando um riso franco.
- Tudo bem, nem sei por que fiquei assim, foi exagero, foi mal.
- Também exagerei. Estamos quites – sorrimos um para o outro e entramos em sua casa. As luzes estavam apagadas, mas a TV não. A Sra. estava sentada e nos encarou.
- Oi, filho. Pensei que ia chegar mais tarde – ela me viu e se levantou para me cumprimentar - , bom te ver.
- Digo o mesmo. – sorri verdadeiramente - , onde é o banheiro?
- Seguindo em direção à cozinha, primeira porta. – assenti e segui o caminho indicado. Na volta, parei no caminho ao ouvir a Sra. falar com o filho.
- Ela vai dormir aqui hoje, filho?
- Não, mãe. Ela está sem chave de casa, quando a amiga dela chegar eu a levo. – pude ver que ele estava corado.
- Ah, sim! Sabia que ela não era dessas... – a mais velha fez cara de reprovação e riu, segurei-me para não fazer o mesmo – Muito legal essa menina. Espero que finalmente você tenha criado juízo!
- Mamãe... – hora de interromper. Entrei na sala e ele parou de falar.
- Vou para meu quarto, acho que você não querem a minha companhia – ela sorriu e subiu as escadas rapidamente, não vendo nossos rostos avermelhados.
- Ela tem o talento para deixar as pessoas encabuladas! – ri do que ele falou.
- Tudo bem, acho que todos os pais são assim.
- ? – encarei-o e ele se aproximou tocando meus lábios com os dedos – Você quer... – o barulho do celular de o assustou o fazendo se afastar – Fala, dude. Ok... Me liga quando chegar. – ele desligou colocando o aparelho no bolso – O e a já saíram de lá. Só vão deixar o em casa antes. – concordei com a cabeça. Antes que eu pensasse no que estava fazendo, me aproximei de .
- O que você ia falar?
- Nada... Depois eu digo – ele disse depois de pensar um pouco. Assenti duvidosa – Não precisa ficar preocupada, linda. – Ele me deu um selinho que logo passou a ser um beijo de verdade – Mais uma vez o celular de tocou e ele bufou antes de atender – O que é, dude? Ah. Buzina quando chegar. Valeu. – ele olhou para mim e me puxou para sentar ao seu lado no sofá – O já deixou o em casa e vai passar aqui pra te pegar.
- Ok. – respondi simplesmente. Ainda estava curiosa para saber o que ele iria falar.
- Enquanto isso a gente aproveita. – ele sorriu malicioso e voltou a se inclinar sobre mim, voltando a me beijar.
Nesse meio tempo nos beijamos, conversamos, rimos e nos beijamos mais. É agradável e confortável ficar com ele. Ouvimos a buzina do carro e fui embora. Ele queria ir também, mas disse que não precisava, já era tarde e ele estava na casa dele, o convenci e fui para casa de com ela e .
nos deixou em casa e partiu para a sua. Ele mora perto da namorada e ligou para ela assim que chegou. Fui tomar o banho e me arrumar para dormir, e fez o mesmo.
- O que aconteceu para você e o terem ido embora mais cedo? – ela me perguntou assim que entrou no quarto já com a roupa de dormir.
- Madison. – fiz cara de nojo – A gente tava dançando quando ela chegou e pediu pro dançar com ela... Ele falou que estava comigo mas ela ignorou e perguntou a mim se eu me importava.
- Que cara de pau. Não aceita que foi dispensada... Mas o que você falou?
- Eu ia negando, né? Já tava até me afastando...
- O que?! Por Deus, ! – ela rolava os olhos desaprovando minha atitude e me apressei para me defender.
- Eu não queria que ele deixasse de fazer algo que gosta só para não me magoar ou algo assim.
- Você realmente acha que ele prefere a Madison a você? – ela me olhou incrédula.
- Não sei! Odeio esse papo! – cobri meu rosto com as mãos.
- O que o achou sobre a sua falta de atitude?
- Ele não gostou. – comecei a contá-la sobre o ocorrido no carro e defendia cada frase que me dissera. Depois de tudo dito fui dormir.
Tive um sono agitado, mas não me lembrei do sonho quando acordei. Fui até a cozinha beber um copo de água e assisti a algum programa chato na TV até o sono voltar. Ao sentir meus olhos pesarem, voltei para o quarto e só acordei de manhã com um céu ainda acinzentado.

Capítulo 15



ainda dormia e eu desci para comer alguma coisa. Aquele friozinho em pleno domingo me fazia querer ficar em casa o dia todo, debaixo da coberta e tomando chocolate quente. Preparei o chocolate e fui sentar no sofá, liguei a tv e estava passando Paul O'Grady, deixei lá e ria das piadinhas que ele soltava. Ouvi alguém bater na porta, mas ignorei. Quem poderia ser a essa hora? Tudo bem que não é tão cedo, já se passava das dez da manhã, mas mesmo assim, não esperava receber visita.
Voltei a prestar atenção no programa e novamente batem na porta. Bufei e me levantei para atender antes que tocassem a campainha e acordassem . Eu sei como ela fica mal humorada quando é acordada. Fui até a janela e afastei um pouco a cortina para poder ver quem era. Por que não imaginei? Ri e abri a porta sendo abraçada por .

- Bom dia. – minha voz saiu abafada, pois ele me abraçava forte – Tudo isso é saudade de mim, ? – brinquei e ele riu se afastando.
- Também, de você e da . Cadê ela? – quando ele entrou na casa pude ver que não estava sozinho. me encarava sorrindo.
- Dormindo. – disse e me aproximei do outro que ainda estava do lado de fora. Ele me abraçou e fiz o mesmo – Bom dia.
- Dia. – nos afastamos e dei espaço para ele entrar – Acabou de acordar? – concordei com a cabeça e voltei para o sofá, tomando meu chocolate – Não sabia que você era preguiçosa... – ele balançava a cabeça com um falso desapontamento.
- Vou subir pra ver minha namorada. – já subia as escadas mas parou no meio do caminho – O casal se comporte!
- Idiota. – disse baixinho me fazendo rir – Vendo o Paul, preguiçinha?
- Preguiçinha? Eu não sou preguiçosa, . Mas ontem eu fui dormir tarde, é normal que não acorde cedo. E quem ‘tá me surpreendendo é você. Não esperava te ver antes do meio-dia.
- Isso é verdade, mas o fato dos pais da namorada do meu amigo que não estão em casa e deixaram a filha e sua linda amiga sozinhas e desprotegidas, necessitando de nossa proteção, fez com que acordássemos mais cedo e viéssemos para cá. – ele falou tudo rápido e olhava para ele de forma engraçada.
- Você não existe, . – voltei minha atenção para a TV.
- Vai dizer que você não gostou da surpresa? – dei de ombros fingindo indiferença. Senti suas mãos se aproximando e começou a fazer cosquinhas em mim.
- Para com isso, ! – gritava e ria ao mesmo tempo me encolhendo no sofá tentando desviar dele – Eu ‘tô sem ar! Socorro! – ele ria do meu desespero.
- Confessa que gostou da minha visita. – pedia enquanto eu ainda gritava por socorro.
- Ok, eu g-gostei! – peguei fôlego e disse o que ele me pediu. Sentia suas mãos se afastarem e me recompus, abaixando a blusa que tinha sido levemente levantada pela movimentação – Você é maluco.
- Eu sei. – ele colocou os braços atrás de mim no sofá e olhou para a TV – Um dia eu vou estar lá com o McFly. – ele se referia ao programa e sorri, segurando sua mão.
- É claro. E eu vou parar tudo que estiver fazendo para assisti-los. – ele sorriu fofo para mim e me deu um selinho.
- Você é linda, sabia? – corei levemente e ele voltou a me dar vários selinhos seguidos. Ouvimos o barulho de passos descendo e me puxou para apoiar a cabeça em seu ombro.
- Que lindo! – descia as escadas seguida por – Não é, ?
- O que?
- O e a . – ela apontou para nós e a olhamos como se perguntássemos o motivo – Vocês abraçadinhos vendo TV... – ela fazia uma cara melosa e rimos.
- , eu sou lindo, a também, logo tudo que fazemos fica lindo!
- O que te estraga é esse ego imenso, . – ele jogou a cabeça para trás rindo da menina – Vou comer alguma coisa, ‘tá com fome, ? – neguei com a cabeça, mas antes de responder fui interrompida por .
- E eu? Eu ‘tô com a barriga vazia!
- Ok, amor, eu faço alguma coisa pra gente. Vai querer o que, ? - ela desviou o olhar de para .
- Já tomei café, . – ela concordou e o casal foi pra cozinha – O que vamos fazer hoje? – ele começou a falar assim que ficamos sozinhos na sala.
- Não sei... Sinceramente estou morrendo de vontade de ficar em casa, com esse tempo... Dá uma preguiça...
- Viu como você é preguiçosa?
- Ok, sou um pouco. Mas por pelo menos um dia eu posso, não? – fiz uma cara fofa e ele sorriu confirmando – Se vocês quiserem sair tudo bem, o que decidirem eu aceito.
- Quando os pombinhos voltarem, a gente pergunta.
- E o e o ?
- deve estar dormindo e não vai acordar cedo, ele ficou até mais tarde ontem. E o não 'tá se sentindo muito bem.
- O que ele tem?
- Bebeu demais e 'tá de ressaca. – ri levemente e voltei a repousar minha cabeça em seu ombro. É tão bom ficar assim! Ficamos abraçados no sofá, eu nem conseguia me concentrar em nada, apenas curtia aquilo.
- Povo, bem que a gente podia ir ao cinema... Programa leve e legal. – entortei a boca, cansada só de pensar que teria que sair de casa – A gente chega cedo já que tem escola amanhã. – ela olhava para mim tentando me convencer. Os meninos aceitaram numa boa, só faltava eu.
- Ok, vou me arrumar. – suspirei derrotada e me levantei indo para o quarto colocar uma roupa decente.

também foi se trocar e em poucos minutos já estávamos prontas. O cinema é próximo e em pouco tempo tínhamos chegado. Fui com comprar pipoca enquanto os meninos eram responsáveis pelos ingressos. Nem sabia o que iríamos ver, mas se eu ficar da mesma maneira que estava assistindo TV na sala, pode ser tudo, até ficção científica!

- Já compraram? – perguntou para os meninos que estavam nos esperando um pouco afastados. Eles concordaram com a cabeça. aproveitou que eu me aproximei e pegou um punhado de pipoca.
- Mas a gente tem que esperar meia hora, chegamos cedo. – disse sentando-se em uma mesa que tinha próxima ao lugar que vendia a pipoca. Olhei para meu relógio e vi que era meio-dia em ponto, nem tinha percebido que fiquei quase duas horas no sofá com . É, quem diz que quando nos divertimos o tempo passa rápido está corretíssimo!
- Poxa, a pipoca vai acabar toda antes do filme! – reclamei para que não tinha parado de comer.
- É bom que assim a gente tem tempo de se distrair com outra coisa. – ele piscou maroto me fazendo corar. Ele, e começaram a rir da minha cara e minha vontade é enfiar a cara no saco de pipoca.
- Já terminou o momento “envergonhando ”, podemos mudar de assunto? – brinquei, fingindo estar brava, fazendo-os rir mais um pouco. As risadas foram interrompidas, mas não sabia o por que, senti uma mão tocar meu ombro e me virei para ver – Chris? Oi! – Me levantei surpresa e o cumprimentei. – Nossa que coincidência te ver aqui!
- A gente mora na mesma cidade, não ia demorar para nos vermos de novo – sorri sendo simpática com ele, o vi olhar para trás de mim onde estava meus amigos.
- Deixa eu te apresentar... – os três que estavam sentados, fizeram o mesmo que eu e se levantaram – Essa é a , minha melhor amiga. – ele sorriu para a menina enquanto apertava sua mão – Esse é o , namorado dela, e meu amigo, eu devo ter lhe falado sobre eles no jantar ...
- Contou sim. Prazer em conhecê-los! – ele agora apertava a mão de e se postou atrás de mim e abraçou minha cintura com um dos braços me aproximando de seu corpo – E esse deve ser seu namorado. – fiquei encabulada por um segundo. Que menino cara de pau! Não é o tipo de coisa que se fala para alguém que mal conhece! Antes que pudesse falar, fui cortada.
- . – o menino estendeu a mão que não estava em minha cintura.
- Prazer. – o outro deu um sorriso tentando ser educado, mas não foi correspondido. Essa não é a hora que ele ia falar que nós não estamos namorando? – Eu estou com uns amigos aqui, vou encontrá-los... Foi bom te ver, .
- Digo o mesmo.
- Nos encontramos em outro jantar de negócios... – ele fez uma careta e ri levemente, assentindo – Bom filme pra vocês. – desejamos o mesmo e ele voltou para o encontro dos seus amigos.
- Sorrir não mata, não perdeu a oportunidade e o alfinetou . Sentamos novamente e parecia realmente bravo.
- Não ‘tô pra brincadeira, .
- Que isso! Você tava bem até agora... – o olhava estranho, não entendendo sua mudança de humor.
- Estava bem até o bonitão rico aparecer. – olhava o menino reprovando sua atitude. Enquanto isso eu fiquei calada com medo de dizer qualquer coisa. já tá pegando pesado com .
- ... – falei baixinho a reprovando.
- O que foi, ? O ficou olhando o garoto como se fosse dar um soco nele a qualquer instante! – ela desviou o olhar para e sorriu carinhosa – Eu gosto de vê-los juntos, vocês são meus amigos e eu quero o melhor pra vocês. Mas acho melhor fazer as coisas direito. – ela se levantou – Acho que já podemos entrar, vamos logo que eu quero pegar uma cadeira legal – ela mudou o tom de voz e saiu andando puxando como se não tivesse falado nada. Essa minha amiga é uma figura! Eu e ficamos sozinhos na mesa e dessa vez ele parecia bem mais sem graça que eu.
- Vamos? – estendi minha mão gentilmente sorrindo carinhosa. Ele abriu um sorriso lindo e a segurou se levantando. Fomos caminhando até a entrada, mas antes que pudesse entregar meu ingresso para chegar na sala, fui puxada por . O encarei.
- , a tem razão. Eu fiquei com ciúmes. – ele bagunçava o cabelo , totalmente sem graça – Eu vi aquele cara se aproximando, falando com você... Ele frequenta os mesmos lugares que seus pais, as famílias são amigas... Sei lá, bateu insegurança. Desculpa se eu fiz alguma coisa que te magoou.
- Não fez. – respondi sincera e sorrindo. Estava feliz e não conseguia esconder. Ele tinha ficado com ciúmes de mim! E por mais tenha achado a atitude da exagerada, eu queria agradecê-la, pois se ela não tivesse pressionado , ele não teria admitido – E não tem por que ter ciúmes. Ele é um conhecido, a gente só conversou durante um jantar de negócios e nunca mais nos falamos... – dei de ombros. Vendo que ele não ia falar mais nada, me virei para continuar o caminho mas fui puxada novamente. Vi respirar fundo.
- Não posso ter ciúmes porque não temos nenhum compromisso, não? – toda a felicidade que sentia foi embora. Eu sei que não temos nada sério, mas também não precisava esfregar na cara! Concordei rapidamente e abaixei a cabeça, totalmente envergonhada. Ele levantou meu rosto, segurando meu queixo – A não ser que você queira mudar isso... – O que esse menino está fazendo? – Quer namorar comigo, ? – ele sorria carinhosamente e eu não sabia o que falar. Meu Deus, ele tá me pedindo em namoro! Quero gritar. Preciso gritar.
- Namorar? – minha respiração estava acelerada e pude perceber que minha demora o estava deixando nervoso – Eu adoraria. – abri meu maior sorriso e ele riu alto, jogando a cabeça para trás. Ele me abraçou tão forte que tirou meus pés do chão, grudou a boca na minha e ficamos assim por um tempo.
- Que susto, menina. Pensava que você ia me dar um fora. – ele disse assim que nossas bocas se afastaram, mas ainda me abraçava.
- Negar? Claro que não! – disse e ele abriu um sorriso enorme – Estava nervosa, não esperava por isso. – ele me deu as mãos e seguimos para uma pequena fila que tinha se formado.
Logo entregamos nosso ingresso e fomos para a sala indicada. Como as luzes não estavam apagadas, visualizamos e rapidamente, eles conversavam animados.
- Demoraram, quando olhamos para trás não vimos vocês... Onde estavam? – desviou a atenção para gente.
- Pela cara deles estavam fazendo coisa boa. – abriu um sorriso malicioso.
- Não estávamos fazendo nada do que está pensando, . – Me apressei em defender, sentei ao lado de e ao meu.
- Mas não quer dizer que não foi bom... – falou baixinho mas todos puderam ouvir. Apenas eu entendi e sorri pra ele, na verdade, não o tinha tirado do rosto desde que sou oficialmente namorada de . Ri mais com esse pensamento, mas ninguém percebeu. O que é bom, já que poderiam me achar maluca.
- Estranho... O que aconteceu? – me encarava, ela sabe que pode arrancar coisas facilmente de mim. me olhou como se perguntasse se podia falar e assenti.
- Estamos namorando. – ele foi direto, fazendo e abrirem a boca chocados. – Não vão falar nada?
- Cara, nunca pensei que esse dia chegaria! namorando! – falou de jeito cômico e se inclinou para bater em seu braço. deu um grito mudo (se é que isso é possível) e deu um abraço em mim e ao mesmo tempo, esquecendo que estávamos em uma sala de cinema.
- Sabia que com um pouco de pressão o confessava! – falava animada arrancando três pares de olhares curiosos – Fala sério, ele queria te pedir em namoro, só faltava um empurrãozinho!
- Nunca pensei que um dia diria isso, mas... Valeu, .
- De nada, . – eles riram e logo as luzes foram apagadas.

Não tinha a mínima noção do que esse filme tratava, me perdi em poucos minutos de duração. Também, os meninos que escolheram, o que eu esperava? Mas nem me preocupei, brincava com meus dedos e sorria enquanto fazia isso. Ele apertou minha mão, me chamando atenção. Olhei-o e pude notar que esse já estava bem próximo. Que previsível esse . Se pegando no cinema com a namorada... Programinha mais clichê!
Namorada, eu sou a namorada dele! Sabe aqueles carinhas que você é totalmente apaixonada a vida escolar inteira? Então, eu sou assim por ele. Nunca nenhum outro me pareceu mais interessante e tomou conta dos meus pensamentos mais que ele. E agora eu sou a namorada dele, e isso me faz me sentir especial. Eu sei que são raros os relacionamentos adolescentes que duram a vida inteira, porém, eu sei que sou especial para ele. Esse namoro pode durar anos ou meses, mas vou continuar sendo especial, pois sou seu primeiro relacionamento sério. E quanto a mim, não preciso nem falar, ele é especial por ser o primeiro que eu me interessei.
Não posso dizer que o filme não foi bom, porque não o assisti. Mas o tempo passou rápido demais sem me fazer ficar entediada. Saímos do cinema e ainda nem tinha chegado quatro horas da tarde. Rodamos um pouco no shopping, fazendo hora. Já disse que é muito bom andar de mãos dadas com ?
Depois de algumas horas andando e conversando resolvemos voltar pra casa. Amanhã tinha aula e não queria estar cansada, afinal dar motivos para meus pais não me deixarem ter mais finais de semana como esse, é a última das minhas intenções.
Os meninos ainda ficaram mais um pouco na casa de , estávamos nos divertindo, papeando sobre qualquer coisa sem importância e, é claro, namorando um pouco. Quando começou a escurecer os meninos foram embora. Eu e arrumamos nosso material e separamos nossos uniformes. Eu, como sempre, liguei para meus pais e contei como foi meu dia, caso não fizesse isso era possível que ligassem para a polícia pensando que fui sequestrada. Eles não se importaram quando falei sobre a ida ao cinema (preferi esconder a parte , tenho que preparar o terreno primeiro), quando citei o encontro com Chris minha mãe pareceu bem empolgada. Ela realmente tinha gostado dele... Depois de ouvir a programação agitada dos dois desliguei e fui contar aos mínimos detalhes o pedido de namoro de .
O resto da noite passamos conversando empolgadas até repararmos que estava tarde e ir dormir.

No dia seguinte acordei com o despertador de . Fiz minha higiene matinal e vesti meu uniforme. também estava pronta e fomos tomar nosso café quando o celular dela tocou. Era , ele iria nos levar hoje. Uns cinco minutos depois ele já estava buzinando. Chegando no colégio, avistamos os outros meninos sentados no lugar habitual conversando.

- Bom dia – me deu um selinho assim que me aproximei.
- Dia – respondi com a boca ainda grudada na sua.
- nos contou que estão namorando, meu pêsames, . – falou fazendo todos rirem e recebeu um tapa de .

Contamos como foi nosso final de semana, lê-se contou, ele tava animado sobre o encontro que teve com essa menina com que já tinha saído mas por algum motivo que eu não sabia, o lance não deu certo. Sua história foi interrompida pelo sinal que indica o começo das aulas, essas passaram sem nenhuma novidade e logo estávamos no intervalo.
Só foi eu sentar que reparei que esqueci meu suco. até se ofereceu para ir pegar pra mim mas eu disse que não precisa. Afinal, uma caminhada até a fila da cantina não mata ninguém! Estava esperando a minha vez quando escuto a voz mais irritante daquele colégio me chamar.

- ! – Meu sobrenome fica horrível na voz da Madison. Me virei esperando que falasse – Soube que você e o estão namorando. É verdade? – Como ela sabia? Por Deus, começamos a namorar ontem, como isso já chegou aos seus ouvidos?
- Como sabe? – minha curiosidade foi maior e quando vi já tinha perguntado. Sua cara foi impagável, minha resposta não foi direta, mas ela não é boba, isso foi praticamente um “sim, é óbvio que estamos”.
- Notícias voam nesse colégio. Nem sempre elas são verdadeiras, mas pelo visto essa é. – ela tinha o semblante duro, parecia estar se controlando para não falar ou fazer algo que não devia. Virei-me novamente ficando de costas para ela. Quanto menor a provocação, melhor. Briga no colégio (ou em qualquer outro lugar) é altamente evitada por mim – Eu acho que te subestimei ... Você teve coragem para me contrariar ou não levou a sério o que eu te disse na minha casa.
- Madison, sério, eu não quero confusão. Nunca quis te contrariar. Se fiz isso, foi sem querer. Desculpa-me.
- Não venha dar uma de santinha pra cima de mim. Eu te conheço, talvez seja a única. Você fez tudo pensado. Foi esperta, tenho que concordar. Mas ser esperta não te salva de levar um belo pé na bunda do . Ele pode ter qualquer uma desse lugar, você acha que ele te escolheu porque ficou encantado? Não me faça rir. – ela me olhou dos pés à cabeça e saiu andando, voltando para seus amigos que estavam sentados na mesa do centro.
Voltei à minha posição inicia, mas tinha esquecido por que estava lá. Saí da fila e voltei para minha mesa sem o suco. Só queria sentar e digerir o que acabou de acontecer. Não sou boa em discussões, sempre fico nervosa e não consigo me defender. Me acomodei no meu lugar, entre e .
- Ué, cadê o suco? – perguntou assim que cheguei.
- Tá tudo bem, ? Está estranha. – dessa vez foi que me olhava preocupado.
- Tudo bem, er... A fila tá muito grande, aí eu desisti. – me olhava desconfiada, assim como o menino ao meu lado.
- Se quiser divido com você.
- Obrigada. – lancei um sorriso forçado para e voltou para sua conversa. Sabia que não tinha convencido ele, nem . Mas depois me preucupo em achar uma desculpa melhor.

Tenho que admitir que estou assustada com a Madison. Ela não vai se dar por vencida, ela quer o , e geralmente consegue o que quer. Sabia que o que me disse sobre ele se interessar sobre mim era verdade. Essa dúvida de que ele nunca ficaria com uma menina como eu sempre esteve na minha cabeça, mas de uns tempos para cá, eu venho me sentindo segura, e realmente acho que ele possa estar gostando de mim. Se ele não estivesse, então por que estaríamos juntos? Afastei as bobeiras ditas pela Madison da cabeça. Não valia a pena! Eu estava com e ele gosta de mim. Sou boba de gastar minutos da minha vida com qualquer coisa vinda dela.
Tentei agir de forma normal durante o resto do intervalo. Eu sei que quando pisar para fora desse colégio vou ser metralhada de perguntas, ou pela , ou por , no pior dos casos, pelos dois. O pior de dizer o por que de ter meu humor mudado vai ser ouvir eles me dando lição de moral, sobre dar valor a coisas que Madison diz... E eu sei que eles vão estar certos.


Capítulo 16



Encontrei meus amigos do lado de fora do colégio, como sempre tinha sido a última a sair. , , e se despediram, deixando eu e sozinhos. Ele pegou minhas duas mochilas (uma com meu material e a outra com as roupas que tinha levado para passar o final de semana na casa de ). Fomos para seu carro e assim que entramos, ele fez a pergunta que eu já esperava desde o intervalo.

- O que aconteceu com você hoje mais cedo? – coloquei meu cinto e ele fez o mesmo.
- Nada demais. – Não queria que ele soubesse que tinha deixado Madison me atingir de novo. Parecia que ele se afetava muito com isso.
- Não foi besteira, . Tava tudo bem, aí do nada, você chega toda estranha. – ele ligou o carro e saímos do estacionamento do colégio.
- Foi a Madison. – confessei depois de um tempo – Ela me perguntou sobre nosso namoro. Nem sei como ela descobriu.
- Fica meio óbvio depois de eu ter te agarrado no meio da aula... – ele fez uma cara engraçada e sorri me lembrando disso – Mas por que isso te incomodou tanto?
- Não foi só isso. – sussurrei, mas tinha ouvido – No dia em que fomos na casa da Madison fazer o trabalho teve uma hora que fomos pegar o material...
- Eu lembro. Você voltou branca, parecia que ia sair de lá correndo.
- Então, ela me falou para ficar longe de você e que você nunca olharia para mim. – estava meio tímida por dizer isso. Agora sim ele me acharia uma boba. Senti o carro parar e ele se virou o máximo que pôde para mim.
- , para de acreditar em tudo que ela diz. Ela não me conhece, não sabe como penso e nem como me sinto. Eu gosto de você, caso contrário não teria te pedido em namoro! Se quiser eu posso te dar vários motivos para gostar de você. Mas me prometa que vai acreditar em mim e não cair na da Madison. – prestei atenção no que ele falou e concordei sorrindo.
- Eu acredito você. Só me sinto mexida, mas já tô melhorando. – ele sorriu e se aproximou para selar meus lábios – Vamos?
- Tem certeza que vai pra sua casa? – ele fez biquinho e ri levemente.
- Tenho que ir. Mas eu posso tentar sair mais tarde... – falei como quem não quer nada e gargalhou partindo com o carro.

Ele me deixou em frente à minha casa e me despedi dele antes de sair do carro. Abri a porta e vi minha mãe na sala falando ao celular, provavelmente com alguém do trabalho. Deixei minhas bolsas no chão e esperei ela desligar. Assim que fez isso, ela veio me abraçar.

- Que saudades, filha. Como foi na casa da ? – nos sentamos no sofá.
- Foi divertido. Saímos naquela noite que te liguei e no dia seguinte fomos ao cinema. Os meninos passaram um tempo com a gente também.
- Você foi à escola hoje, certo? – ela perguntou séria.
- Sim, mãe. levou a gente.
- Ok. Ele quem te trouxe até aqui?
- Não. O me deu carona. – disfarcei, tentando parecer normal falando de .
- ... – ela tentava se lembrar quem ele era. O ela já conhecia, ele é meu amigo há mais tempo, mas sempre confundia os outros meninos. – Acho que sei quem é. – Fiquei calada esperando ela falar mais alguma coisa.
- Hum... Acho que vou para meu quarto... Deixar as coisas lá. – ela sorriu concordando.

Assim que entrei no quarto me joguei na cama, pensei em como foi louco esse final de semana. Ri sozinha e fui até o closet pegar uma roupa confortável para vestir. Tenho que pensar em um motivo para minha mãe deixar eu sair mais tarde. Se eu disser que tenho trabalho em grupo, ela vai falar que esse tipo de dever é para ser feito nos finais de semana, e aí vai se lembrar de que eu disse que não tinha nenhum compromisso nesse final de semana. Foi por isso que me deixou passar esses dias na casa de .
Falar que simplesmente quero sair não vai adiantar, a menos que eu queira receber um belo “não” como resposta. Depois eu penso nisso, agora tudo que quero é almoçar, estou morrendo de fome. Desci e não vi minha mãe na sala de jantar, fui para a cozinha.

- Vamos comer aqui hoje? – perguntei assim que entrei.
- Como seu pai está no trabalho e só vamos ser nós duas, achei melhor almoçarmos aqui. É mais prático.
- Por mim, tudo bem. – sorri e fomos nos servir.

Minha mãe falou sobre seu trabalho e os novos eventos que estava fazendo. Depois de devidamente alimentada, ela se despediu de mim. Ocorreu um problema na decoração e só ela podia resolver. Fui para meu quarto fazer os deveres do dia. O relógio marcava quatro horas quando terminei. Não tinha ninguém em casa, a não ser os empregados, por um instante pensei em ligar para e marcar de encontrá-lo, mesmo que escondido. Se fizesse isso e fosse descoberta, iria ser pior e teria que contar sobre o ... E não estou pronta para isso.
Ouvi meu celular tocar e corri para atender. Sorri sozinha quando li o nome de no identificador.

- Oi. – falei boba.
- Oi, linda. Falou com seus pais sobre sair hoje?
- Não... Eles estão no trabalho... – sentei na cama pensando em uma solução – Mas, se você quiser... – fiz suspense com uma idéia na cabeça.
- Se eu quero o que? – perguntou curioso.
- Você que vir pra cá?
- Não tem problema?
- De maneira alguma. Não vai ter motivos para meus pais implicarem, basta você querer vir.
- Se é assim, chego aí em dez minutos.
- Ok, ‘tô esperando. – desliguei o telefone e liguei a televisão me distraindo com um programa qualquer.
Antes do esperado, chegou. Ele mandou uma mensagem avisando que estava lá em baixo. Desci e fui abrir a porta para ele.
- Por que não tocou a campainha? – disse depois dele me dar um beijinho.
- Sei lá, vai que quem atendesse me mandasse embora... – comecei a rir e ele parou de falar.
- Ninguém vai te expulsar, . Deus, você acha que minha casa é o que? Uma prisão altamente protegida? – zombei enquanto o puxava para dentro.
- Quer que eu fale a verdade? – dei um tapa leve em seu braço.
- Bobo. – ele analisava a casa.
- Casa legal.
- ‘Brigada. – dei de ombros – Vamos subir! – puxei sua mão subindo as escadas. ainda olhava tudo. Chegando no meu quarto larguei sua mão e ele sorriu levemente passando os olhos pelo lugar.
- Quarto legal. Combina com você. – percebi que ele indicava as fotos e detalhes que realmente diziam muito sobre mim – Não tem problema mesmo eu estar aqui? – ele me encarou e indiquei a cama para ele se sentar.
- Não, quando meus pais chegarem a gente desce e finge que só estava conversando. – abriu um grande sorriso e me puxou pela cintura. Sentei-me em seu colo, ficando meio de lado para olhá-lo.
- A gente vai fingir?
- É claro, não acho que eles vão gostar de saber que estávamos sozinhos no meu quarto.
- Tem razão. – ele concordou com a cabeça – Mas enquanto eles não chegam, que tal a gente aproveitar um pouco? – sorri e aproximei nossos rostos. Ele me abraçava pela cintura para que eu não caísse e eu o puxava pelo pescoço. – O que aconteceu com a que eu conheço? – ele sorria bobo.
- Como assim?
- A antiga não me convidaria para sua casa sem a permissão dos pais e muito menos estaria me beijando no quarto. – ri levemente e ele fazia um carinho gostoso com o dedo na minha cintura, sorrindo para mim.
- Pode-se dizer que estou um pouquinho mudada.
- E por acaso eu tenho uma parcela de culpa nisso? – concordei com a cabeça.
- Você tem toda a culpa nisso! – ele sorriu mais e voltou a me beijar.

Aproveitamos nosso tempo juntos, namorando e falando besteiras. mexeu no meu computador, vendo algumas fotos e músicas que eu tinha. Ele também se interessou em olhar meus CDs – gostou bastante do que viu – e meus DVDs – não gostou nem um pouco do que viu. Ele reclamava da minha coleção de filmes e ficava dizendo que ia comprar novos para mim, assim eu podia refinar meu gosto.
Algumas horas se passaram e nós descemos para a sala, afim de não criar nenhum problema com meus pais, que logo chegariam. Pude sentir que assim que meu pai chegou, ficou petrificado. Ele esperava e torcia para que minha mãe chegasse primeiro, pois já tinha a conhecido e também porque, pelo que eu contava, ele acha meu pai muito severo.

- Oi, pai. – me levantei e apressei-me a cumprimentá-lo – Esse é o , meu amigo. Nós estamos no mesmo grupo do trabalho da escola. – sorri discretamente para que não conseguiu fazer o mesmo. Parece que toda a confiança que ele tinha no dia-a-dia tinha evaporado.
- Prazer em conhecê-lo, rapaz. – meu pai estendeu a mão e o menino logo a apertou.
- Prazer é meu, senhor.
- Vocês estavam estudando? – meu pai sentou no sofá e nós o imitamos.
- Sim, mas já terminamos – respondi prontamente e vi concordando. Ouvimos o barulho de alguém chegando e logo minha mãe adentrou a sala.
- Olá, queridos – ela ainda não tinha reparado em e jogou a bolsa em uma poltrona mais próxima da porta . Passou o olho por nós e foi surpreendida pela presença do menino ao meu lado. Ele ainda estava nervoso e achei isso engaçado, era a primeira vez que me sentia mais segura que ele. – Oi, acho que já conheço você, , certo?
- Sim, senhora. – ele sorriu se levantando para falar com minha mãe.
- fala muito de você. – ela se sentou ao lado de meu pai, no outro sofá. Sabe toda aquela segurança? Pois ela acabou de acabar. Como assim que falo muito dele? Não é verdade, quero dizer, eu até falava, mas não para minha mãe, e sim para ! O nome só foi dito nessa casa quando contei sobre meu final de semana e quando conversamos sobre o festival!
- Sério? – deixou a vergonha de lado e me olhava brincalhão.
- Claro, que tipo de pessoa não fala sobre os amigos? – disse tentando parecer firme e assentia fingindo estar sério. Ele até pode estar enganado meus pais, mas eu conheço esse olhar debochado dele.
- Vai ficar para o jantar, ? – meu pai perguntou simpático.
- Obrigado, senhor, mas não avisei a minha mãe que ia jantar fora, ela pode ficar preocupada – Não avisou a mãe, finge que me engana. Ele deve estar é com medo de ter que ficar um jantar inteiro com minha família. Pode crer que eles, por mais agradáveis que sejam, impõem certo medo.
- É uma pena, fica para a próxima. – meus pais fizeram mais umas perguntas, mas nada demais. Depois de algum tempo, alegou que estava na hora de ir. Se despediu de meus pais e de mim, com um beijo demorado na bochecha.
- Não sabia que ia receber visita. – minha mãe falou assim que saiu.
- Nem eu. Nós fazemos trabalho juntos e como já tinha feito minhas tarefas, achei bom adiantarmos a parte da apresentação. – joguei a desculpa “trabalhos de casa feitos” para que eles não reclamassem.
- Tudo bem, querida. Gostei desse menino, ele parece ser um bom aluno. – segurei para não rir. Meu pai, definitivamente, precisa de óculos. Quem em sã consciência acharia um bom aluno? Ele estava longe de se encaixar no padrão Christopher Johnson de ser.
- Ele é esforçado, sabe bem o que quer e luta por isso. – Não deixe de falar a verdade. sabia o que queria para seu futuro: a banda. E ninguém pode dizer que ele e os meninos não batalham por ela.
- Isso é muito bom. – papai sorria e fiquei feliz por saber que o tinha agradado. Sei que com minha mãe é mais difícil, por mais que ela seja menos severa. Acontece que meu pai só é rígido em relação a estudos e profissão, então eu sou livre para fazer e ir onde quiser, desde que nada prejudicasse o currículo escolar. Já minha mãe não, estudos para ela são importantíssimos sim, mas além disso ela controla (ou tenta) meus amigos e vida amorosa (se já tivesse tido uma).
- O sobrenome dele é qual, querida? – minha mãe perguntou como se não importasse muito mas sei que assim que contar, ela vai estar sentada em frente a um computador, pesquisando no Google toda a família do menino.
- . – disse simplesmente e minha mãe parecia querer se lembrar se conhecia ou não esse nome – Não é uma família conhecida, mãe. A senhora não sabe quem são.
- Ele estuda na sua escola? – ela ainda interrogava.
-Claro! Eu não disse que estamos no mesmo grupo no trabalho escolar? – ela pareceu mais aliviada com isso, aparentemente ela achava que só por estudar no Athaydevile High School, tinha dinheiro, já que a instituição é conhecida por ser uma das mais caras na Inglaterra. – Será que a gente pode jantar? Estou morta de fome. – mudei de assunto para que ela não fizesse mais perguntas.
- Claro, vou ver se já está pronto. – minha mãe se levantou e foi para a cozinha verificar.

Com a mesa devidamente posta, fomos comer. O rumo da conversa foi mais ameno para mim, já que agora eles falavam sobre negócios e sobre o que aconteceu no dia deles. Depois, quando terminei fui para meu quarto passar o tempo. me ligou e perguntou sobre o que tinha acontecido hoje mais cedo. Disse tudo que tinha se passado com a Madison no intervalo, sobre o caminho de volta para casa com e sobre o que ele falou após ouvir essa história, e é claro, sobre a tarde que passamos juntos e o encontro dele com meus pais.
manifestava quando algo a chamava a atenção, me fazendo rir. Papeamos mais um pouco até falar que precisava desligar. Zapeei alguns canais na TV, até achar algo que me distraísse. Deitei-me na cama, já com a roupa para dormir e assisti a um filme, caindo no sono minutos depois.


- Vamos logo, ! Você já está atrasada, mais um pouco e quem chega tarde ao trabalho sou eu! – meu pai me chamou da sala e eu engoli o mais rápido que pude meu suco.
- Pronto. – cheguei correndo na sala pegando minha mochila que estava em cima no sofá. Fomos para o carro e sentei-me no banco ao lado de meu pai.
- Filha, não quero que você me leve a mal, ou fique com vergonha. – meu pai começou e o olhei apreensiva. Onde ele quer chegar? – Sobre aquele rapaz que estava lá em casa ontem. Ele não é só um amigo de turma, é? – ele me encarou rapidamente, voltando depois a atenção para a rua.
- Pai... – não sabia o que falar. Não gosto de mentir para meus pais, apenas queria contar a eles sobre de outra maneira. Quando estivesse mais preparada – Ele é um bom amigo...
- Mas não é só amizade, ou é? – estudei o rosto de meu pai, procurando por alguma pista, se ele estava bravo. Ele estava tranquilo, papai sempre foi mais relaxado que minha mãe (em relação a namoro), o que é bem estranho, pois pelo o que diz, geralmente o pai não gosta de ver a filha namorando.
- Não, estamos namorando. – respondi baixinho e lentamente. Vi que sua fisionomia não mudou – Mas eu ia contar, só estava esperando...
- Tá tudo bem. – meu pai sorriu verdadeiramente – Por mais que eu sinta ciúmes da minha filhinha estar namorando, – sorri achando graça disso – eu sei que essa hora ia chegar. E gostei do . – abri um sorriso maior – Mas se esse menino te magoar, eu acabo com ele. – não resisti e soltei uma risada alta, me aproximei de meu pai e beijei seu rosto.

O resto do caminho foi calmo, falávamos besteiras, como a música que estava tocando no rádio ou sobre qualquer coisa estranha que passou na TV ontem. Ele me deixou na porta da escola e me deu um beijo, desejando boa aula.
Como esperado eu cheguei atrasada, não muito, apenas cinco minutos. Bati na porta, já sabendo o que iria acontecer.

- Srta. , como sempre atrasada.
- Desculpa, professor. Posso entrar? – ele assentiu e entrei, indo para meu lugar.
Copiei e prestei atenção na aula, às vezes trocava algumas palavras com Collin sobre a matéria e fazia anotações sobre observações interessantes que ouvia. Depois de dois tempos de aula, o sinal tocou e saí da sala com meus amigos. me esperava ao lado da minha mesa enquanto eu escrevia uma última observação.
- Vamos? – ele estendeu a mão para mim e a segurei.
- Claro, estou morrendo de fome! – entramos na fila para pegar nosso lanche.
- O que seus pais falaram de mim depois que eu fui embora ontem?
- Nada demais... – dei de ombros – Minha mãe perguntou algumas coisas e meu pai gostou de você. – sorri para ele que pareceu não acreditar – Ele já sabe que estamos namorando. Contei a ele hoje de manhã.
- Pensei que você ia esperar mais um pouco...
- E ia, mas ele me perguntou se éramos só amigos e tive que contar a verdade. Não precisa ficar preocupado, ele gostou de você. Só que se você me magoar, ele disse que te mata.
- Normal – deu de ombros – Engraçado, pensei que seria mais difícil para seu pai aceitar o namoro. Estou surpreso.
- Ele não é tão rígido assim, só com os estudos mesmo. Minha mãe é um pouco mais chata, mas agora que meu pai sabe e aprovou, ela não vai criar confusão. – assim eu espero.
- Ótimo. – me deu um selinho rápido, já que não era permitido beijo no colégio. Fizemos nossos pedidos e levamos nosso lanche até a mesa.

Nossos amigos estavam conversando e não foi preciso muito esforço para eu e nos interarmos do assunto. nos contava a conversa que teve com sua mãe ontem sobre a carta da faculdade. Daqui a algumas semanas já poderíamos nos inscrever para as instituições que queremos, isso não me deixava preocupada, sei muito bem o que quero. A única coisa que me faz tremer um pouco é se eu não for aceita, mas falta alguns meses para a carta com o resultado chegar, então prefiro não sofrer antecipadamente.
Os meninos falavam como seus pais não aprovavam a decisão deles de não fazerem faculdade, mas todos (com exceção da família de ), deram um prazo para se dedicarem a banda e seguirem o caminho que desejam. Senti um pouco incomodado com o assunto, sei o quanto isso é difícil para ele. Apertei sua mão, como quem diz “fica tranquilo, tudo vai dar certo”. Ele sorriu agradecido para mim e fiz o mesmo.
Na volta para a sala, estávamos sentados esperando pelo professor, quando recebi um bilhete. “Trabalho em grupo na minha casa sexta depois da aula, Madison.”, dobrei o papel e coloquei no meu estojo. Por que eu tinha que ir à casa dela? Já tinha feito minha parte, a pesquisa pronta, devidamente editado e decorado... Mas é claro que eu vou! Nunca vou deixar sozinho na casa dela. Eu confio nele, só não digo o mesmo em relação a ela.

- Vai para a casa da Madison na sexta? – perguntei (mesmo já sabendo a resposta) à na saída, enquanto caminhávamos para o estacionamento.
- Aham. Você vai, né?
- Claro. Já terminou sua parte? – o vi concordar.
- Agora só é passar para a Madison, alguma coisa ela tem que fazer.
- Por mim ela pode não fazer nada, desde que não atrapalhe e faça a apresentação direito.
- Coitada, ela não é tão chata quando você a conhece. – virei para ele e se olhar matasse, com certeza ele já estaria no andar de cima há muito tempo.
- Não acredito que você vai defendê-la. Ela é insuportável e não faz a mínima questão de mudar isso.
- Ok, vamos mudar de assunto. – concordei ainda um pouco emburrada – Vamos para a minha casa? Não tem ninguém lá... – ele sorriu malicioso para mim.
- Não sei, eu queria, mas você sabe como as coisas são lá em casa. – o vi assentir um pouco contrariado – Por mais que meu pai tenha gostado de você, eu não quero dar motivos para ele implicar.
- Tá tudo bem. – ele forçou um sorriso tentando parecer que estava de acordo.
- Mas... Eu acho que posso dar uma fugidinha. – o olhei de lado esperando por sua reação. Ele sorriu, só que dessa vez verdadeiramente.
- O que você vai falar? Estudo na minha casa?
- Não... Eles não vão acreditar... – pensava em algo que meus pais acreditariam e não contrariassem – Já sei! – peguei meu celular e disquei o número de – Amiga, preciso que você faça um favorzinho para mim. – fiz uma careta como se ela pudesse me ver.
- O que quer que eu faça, amiga?
- É que eu estava querendo passar a tarde com o e bem... Você sabe como meus pais são... Eu vou dizer a eles que estou na biblioteca da escola com você e só queria que me desse cobertura caso eles queiram verificar a história. – disse tudo muito rápido, e pude reparar que me ouvia atentamente.
- É claro que faço isso, não precisava nem pedir.
- Ok, amiga. ‘Brigada.
- Que isso, aproveita! – desliguei e agora tentava falar com meus pais. O celular de meu pai estava desligado, provavelmente devia estar em alguma reunião. Minha mãe também não atendia, deixei um recado e liguei para casa. Falei com a empregada que ia passar a tarde na biblioteca com e pedi para ela dar o aviso a quem chegasse em casa primeiro.
- Pronto, todos avisados! – sorri vitoriosa.
- Que menina inteligente, essa minha namorada. Acho que estou te desencaminhando... – ele balançou a cabeça como se estivesse desconsolado.
- Até parece que você está chateado por isso.
- Nem um pouco. – ele sorriu descarado e balancei a cabeça rindo também – Uma tarde inteira com , sozinhos, only me and you, baby! – ele piscou para mim.
- Se você falar mais um pouco, eu vou ficar assustada e saio correndo!
- Eu não deixo, vou te prender e só solto quando quiser.
- Até parece, fraquinho desse jeito, eu corro de você sem esforço – ele me olhou incrédulo e tentei não rir.
- Retire o que disse. – ele falava firme, mas sorria, neguei com a cabeça – ...
- O que? – perguntei cínica.
- Você acabou de chamar seu namorado de fraco e não vai pedir desculpas?
- Não, é verdade. – ele me olhava, fazendo um biquinho. O carro parou em frente à sua casa e saltamos. Fomos caminhando em direção a entrada e o abracei pelo pescoço, quase que me jogando em cima dele. – Mas ser fraquinho é o seu charme. – disse bem pertinho de sua boca e me afastei voltando a andar.
- , ...
- Vamos logo, ! – falei alto já parada em frente a porta, vendo ainda parado no lugar em que eu o abracei. Ele chacoalhou a cabeça e veio em minha direção – Sua irmã não está em casa?
- Não, ela tem balé, ginástica, violão, flauta... Sei lá... Aula de alguma coisa. – ele abriu a porta e entramos – Como eu disse, estamos sozinhos! – deixei minha mochila no sofá ao lado da dele. – Vamos comer que estou morrendo de fome. – Fomos até a cozinha e como não tinha ninguém em casa, procuramos por algo fácil para fazer.
- Só sei fazer macarrão. – o ouvi rir.
- Melhor que eu, não sei fazer nada.
- Ok, acho que vamos comer macarrão. – peguei o pacote da mão dele e coloquei na panela que já tinha enchido de água. – Que tipo de molho?
- Qual você sabe fazer? – ele estava do meu lado olhando atentamente o que eu fazia.
- Branco e vermelho.
- Vermelho. – ele respondeu de imediato. Pedi os ingredientes e ele pegou tudo, colocando-os em cima da pia.
Fazia o molho e sentou na cadeira me olhando. Depois de alguns minutos a comida estava pronta e nos servimos.
- Não sei se está bom. – o avisei antes que ele começasse a comer. Esperei ele colocar a primeira garfada na boca e ele fez um barulho de satisfação.
- Tá maravilhoso, . – sorri e comecei a comer.
- ‘Brigada.

Ficamos calados durante toda a refeição, estávamos com fome. Assim que terminamos, nos levantamos e lavamos a louça. Depois, fomos para a sala e me puxou para sentar no seu colo no sofá. Ele me puxou pelo queixo e me beijou carinhosamente. Logo o que era só um toque de lábios intensificou. Senti sua língua em meus lábios e abri a boca dando passagem. Nossas línguas se encontraram e nos agarramos mais, ele puxando minha cintura e eu sua nuca.
Nossas línguas brincavam intensamente, mas devagar, queríamos explorar um ao outro e não tínhamos pressa. Levei uma das minhas mãos aos seus cabelos e os baguncei um pouco. Senti os dedos de massagearem minhas costas por debaixo da blusa do uniforme e me arrepiei levemente. Puxei um pouco seus cabelos o fazendo dar um sorriso entre o beijo. Aquele estava sendo, definitivamente, o beijo mais intenso que já tinha dado. E não queria parar, estava adorando.
Puxei o lábio inferior do menino para recuperar um pouco do meu fôlego e desceu os beijos para meu queixo e depois pescoço. Me encolhi um pouco, arrepiada com a sensação dos lábios de em minha nuca. Isso pareceu estimulá-lo já que ele tinha intensificado mais o carinho. Não me restava fazer nada (nem eu queria fazer nada), então eu só me entretinha com seu cabelo.
Suas mãos das minhas costas passaram para minha barriga, nunca tinha chegado tão longe, mas isso não me inibia, me sinto confortável e segura ao seu lado. Ele começou a brincar com a barra da minha blusa e logo estava subindo com ela. A peça foi parar no chão e mostrou meu sutiã branco com bolinhas rosa. Corei um pouco, primeiro por estar daquele jeito na frente de uma menino e segundo pelo modo como me olhava. Ele encava meus seios de maneira intensa e depois me olhou no olhos, voltando a me beijar.
Aos poucos fui ganhando confiança e levei minhas mãos até a barra da camisa dele. percebeu isso e sentindo que eu anda estava meio insegura me puxou para mais perto (se isso era possível) pelos braços. Levantava devagarzinho sua camisa e me ajudou levantando o braço. E não tirava os olhos de cima de mim, nunca tinha visto aquele olhar antes, era diferente dos outros com que ele me encarava. Tinha mais do que carinho ali, acho que tinha desejo.
Nossas bocas se grudaram de novo e passava minhas mãos pelo seu peito e ombros. também me massageava próximo aos meus seios, de vez em quando sentia ele encostar levemente neles. Quando percebi que suas mãos desciam para minha coxa, que agora estavam em volta de seu corpo, a vergonha voltou. Ele acariciava leve, mas depois os toques se tornaram mais fortes.
Sabia onde aquilo ia chegar, sabia que estava cedo, pois começamos a namorar não tinha nem uma semana! Mas o tem esse efeito sobre mim, ele me faz parar de pensar, me deixa desorientada, sem saber o que é certo ou errado, se eu estou saindo do limites ou não. Por mais que eu quisesse que aquilo acontecesse, já que vontade não faltava, eu levei minhas mãos para minha perna onde as suas se encontravam. Segurei-as a impedindo de prosseguir o que estava fazendo. Separamos nossos lábios e abri meus olhos, vendo ele me fitar. Ele não estava triste ou desapontado, como eu pensei que ele ia ficar, ele tava sorrindo.

- Desculpa... – ele levou seu dedo aos meus lábios me fazendo calar.
- Tudo bem, . Eu sabia que você não ia querer continuar isso.
- Não é que eu não queira. – corei violentamente – Eu quero, muito. Mas é que tá um pouco cedo de mais. Eu sei que estamos namorando e você espera que eu faça isso... Só que, não sei, eu queria esperar só um pouco.
- , não precisa explicar. Eu não estou namorando você por causa de sexo, - fiquei mais encabulada com ele sendo tão direto. – apesar de estar louco que isso aconteça. Eu te espero.
- Você é lindo sabia? – sorri, ainda um pouco corada. – Eu confio em você , e como já falei, eu quero. Eu só preciso de tempo para entender um pouco isso... – acariciei sua bochecha e virou o rosto para beijar minha mão.
- Acho melhor você sentar aqui do meu lado. Eu disse que ia respeitar sua vontade, mas se você ficar mais um minuto nessa posição vai complicar as coisas para mim. – ri um pouco e saí de cima de seu colo.
- Foi mal. – mordi os lábios como se me desculpasse. Vi ele pegar uma almofada e colocar em cima de suas pernas. Peguei minha blusa que estava no chão e a vesti, seguia meus movimentos com os olhos. Entreguei sua blusa a ele, mas esse não a pôs. – ? - o chamei baixinho, um pouco acanhada. Ele me olhou esperando que eu prosseguisse. – Tá tudo bem? – perguntei no mesmo tom de voz. Ele jogou a cabeça para trás e riu, me puxou para mais perto e repousei minha cabeça em seu ombro.
- Juro que se não te conhecesse eu ia achar que você faz de propósito. – apoiei meu queixo e fiquei olhando seu rosto.
- O que?
- Você faz as coisas sem intenção, né? – ainda não entendi – , você sabe muita coisa de matéria e escola mas quando é posta em situações assim... Vira a menina mais inexperiente. – ele sorria carinhoso.
- Eu realmente não tenho experiência em namoro. – o que ele queria dizer? Será que ele não gostava de meus beijos? – Por que? –perguntei com medo de ouvir a resposta.
- Porque você faz as coisas e parece não ter nem noção do efeito que elas tem sobre mim. – Opa! Isso é bom de se ouvir. Controlei para não dar um sorriso maior que meu rosto. Aproximei os rostos e o beijei, mas antes que pudéssemos aprofundar o beijo, se afastou – ... – ele me alertou e eu, dessa vez, não consegui controlar e ri.
- O que? – perguntei cínica.
- Vamos fazer alguma coisa para você se distrair um pouco. – ri mais e senti ele me puxar pela mão. Subimos as escadas e fomos para seu quarto. Vi seu violão em cima da cama e corri para pegá-lo.
- Me ensina? – ele abriu um sorriso, talvez achando graça da minha cara de felicidade.
- O que você quer tocar? – ele se sentou ao meu lado.
- Não sei... Nunca toquei nenhuma música... – dei de ombros – Me ensina alguma do McFly.
- Qual?
- Uma que seja fácil.
- Ok... – ele pensava – Get Over You é mais curta. Ele passou para trás de mim, me deixando entre suas pernas. Suas mãos encobriam as minhas, as direcionando a tocar da maneira certa. Aquilo era mais difícil que eu imaginava, esquecia as ordens das notas e errava toda hora.
- Nossa, isso é muito difícil! – ele riu um pouco.
- É só treinar, . Você não está indo nada mal para quem nunca pegou em um violão.
- Até parece, você só tá dizendo isso para me deixar feliz.
- Talvez – ele confessou dando de ombros, não pude evitar e ri. – Mas nada que a prática não resolva. - virei minha cabeça para trás, tentando olhá-lo e ele me deu um selinho demorado.
Ouvi meu celular tocar e bufei com preguiça de atender. Peguei o aparelho do meu bolso e o atendi sem olhar o identificador.
- Alo?
- Oi, filha. Eu tô saindo do trabalho mais cedo, quer que eu te busque na biblioteca? – minha mãe perguntou.
- Não precisa. Quando eu acabar com a pesquisa, ligo pro Joseph e ele me busca.
- Ok, então. Bons estudos. – Me despedi e desliguei.
- Você tá ficando boa nisso.
- No que?
- Em mentir pros seus pais.
- Ah, não tô fazendo nada de mais, estou? Continuo fazendo minhas obrigações, não tem por que eles pegarem tanto no meu pé.
- Longe de mim reclamar. – ri e selei nossos lábios.

Fiquei na casa de até umas cinco horas, aí ele me levou para casa. Chegando lá, fui falar com meus pais, disse que tinha vindo andando com e eles nem reclamaram. Subi para meu quarto, ainda tinha que fazer alguns deveres, não podia bobear. Por sorte as matérias eram fáceis e não demorou nem uma hora e já estava com tudo devidamente terminado.
Tomei meu banho e coloquei uma roupa bem larga e confortável. Desci para ver se o jantar estava pronto.

- Filha! – minha mãe me chamou assim que eu apareci na sala. Ela estava bem arrumada assim como meu pai. – Vamos jantar fora, você quer ir com a gente? Pode ir se arrumar, a gente espera sem problemas.
- Não, mãe, estou cansada. – Ótimo, adoro quando eu tenho a casa só para mim. Tudo bem que isso não é cem por cento certo, porque ainda tem os empregados, mas pelo menos eles não pegam no meu pé.
- Tudo bem, já estamos indo. Não sei se tem jantar pronto, mas é só pedir que preparam o que você quiser. Beijo, filha. – minha mãe saiu pela porta onde meu pai a esperava sair.
- Tchau, . – papai falou, devia estar angustiado com a demora da minha mãe. Era sempre assim quando saíam.
- Tchau. – vi eles saírem e fui para a cozinha, encontrando a empregada lá – Hey, Molly.
- Oi, pequena . O que você vai querer? – adoro a Molly, ela trabalha aqui em casa há vinte anos, antes mesmo de eu nascer. Sempre a tive como segunda mãe.
- Panqueca de frango! Dá trabalho? – não tinha comida no mundo melhor que a dela.
- Claro que não. – ficamos conversando até a comida ficar pronta – Vai comer onde?
- Aqui mesmo. – ela colocou meu prato no balcão da cozinha – Já jantou?
- Sim, querida. – sorri e continuei a comer. Tive que me controlar muito para não pedir para ela fazer mais. Depois de comer levei o prato para a pia, afim de lavá-lo, mas Molly os retirou de minha mão – Deixa que isso eu faço.
- ‘Brigada, Molly. Vou subir, boa noite. – dei um beijo no seu rosto e a vi sorri carinhosamente para mim, beijando minha testa depois.
- Boa noite.

Peguei meu celular e liguei para , ainda tinha que conversar com ela sobre a tarde que passei com . Por mais vergonha que eu tinha de falar sobre isso é necessário, ela tem mais experiência nesse assunto e pode me dar bons conselhos.

- Hey, . – falei assim que ouvi um “oi” atrapalhado do outro lado da linha. – Tá tudo bem?
- Aham, acabei de correr para atender, sabe como eu sou com exercícios. – ri levemente do outro lado, mas minha concentração estava em como começar o próximo tópico.
- , – chamei-a baixinho – eu passei a tarde na casa do .
- Eu sei, você me disse isso hoje depois do colégio. Se lembra? – parecia que ela estava falando com uma retardada.
- Lembro.
- , o que você quer me falar? – , sempre direta.
- Ah, eu não sei como falo isso...
- , qual é o problema? Não é nenhuma daquelas besteiras da sua cabeça em relação a Madison, é?
- Não, tô nem aí para a Madison, . – respirei fundo – Olha, eu passei a tarde sozinha com o hoje e... Depois do almoço, nós fomos para a sala e... – bufei, me senti corar mesmo não tendo ninguém me vendo. – a gente começou a se beijar...
- Ah, é isso! – me interrompeu – Você está tentando introduzir o assunto sexo, não é? – soltou uma gargalhada – Poxa, , pensei que com o você ia parar com essa timidez toda.
- Para de palhaçada! – bufei.
- , você transou com ele?
- Não. – respondi rapidamente – Mas não por falta de vontade – vi soltar um grito vibrando – Só demos um amasso, ele tirou minha blusa e eu a dele. Logo depois eu interrompi tudo.
- E por que você interrompeu?
- Porque a gente não tem nem uma semana de namoro, está muito cedo.
- Está certíssima, amiga.
- Hum... ?
- O que?
- Quando eu sei que é a hora certa? – perguntei insegura.
- ... Quando você se sentir pronta. Por mais segura que você esteja e confie no , se você não foi até o fim é porque não era a hora. Quando essa hora chegar, você não vai pensar se está cedo ou não, simplesmente vai acontecer.
- Ah! Como esse assunto é complicado, quando eu sonhava em namorar o nunca tive essas indecisões! – ouvi rir.
- Em sonho tudo é mais fácil... Me conta, e o , como ele ficou assim que você o parou? – falei sobre a reação de e sobre o resto da tarde. Ela soltava um “que fofo” depois de quase todas as frases que eu dizia sobre as ações do menino. Eu ria e continua a contar.

Conversamos por uns bons minutos até eu desligar, estava com sono e ainda precisava acordar cedo amanhã.

Capítulo 17

Finalmente sexta-feira! Mal posso esperar pelo final de semana. Para falar a verdade eu não posso reclamar. Meus dias de semana não estão entediantes como antes, agora eu saio mais e me divirto, isso na maioria das vezes escondido de meus pais. Mas poder andar com meus amigos sem me preocupar e inventar algo é muito melhor! Não gosto da ideia de mentir.
A única coisa ruim de uma sexta feira é quando logo depois da escola eu vou ter que ir para um lugar pior. A casa da Madison. Dessa vez eu não estou tão apreensiva, me sinto mais forte e mais protegida, tenho meu namorado e um amigo ao meu lado, enquanto ela não tinha ninguém.
As aulas se passaram normalmente, os professores conversaram sobre as faculdades e sobre a apresentação que seria daqui uma semana. Que bom que nosso grupo estava adiantado, pelo visto era o único. O trabalho de com os meninos não estava nem na metade, segundo ela não conseguiam se concentrar quando estavam juntos.
Eu e fomos de mãos dadas até a frente do colégio com Collin ao nosso lado, para encontrar Madison que já nos aguardava. Seu motorista estava ocupando a maior parte da calçada e parecia não notar o olhar zangado dos outros pais e alunos, nem me surpreendo, para agüentar essa menina o tempo todo tem que ter muita paciência.
Chegamos na casa dela e fomos direto para o escritório, em poucos minutos nos serviram o almoço lá mesmo, comemos em um silêncio chato. Para falar a verdade ninguém se falava muito, com exceção de que as vezes me perguntava alguma coisa ou fazia algum comentário. Collin parecia assustado, como se, se falasse alguma coisa poderia morrer. Madison não fingia o contragosto de estar nos recebendo, nem o trabalho ela comentava. E eu, bem, só falava quando me chamava.

- Então, vamos fazer o trabalho? – perguntou assim que nosso almoço foi retirado.
- A minha parte e a do Collin já está pronta. – respondi de imediato olhando para minhas mãos que estavam repousadas em minhas pernas.
- Eu fiz o conteúdo de biologia, mas nem me atrevi a arrumar, sou péssimo nisso. – começou a brincar com a minha mão e o olhei sorrindo, no meio do caminho meus olhos encontraram Madison nos olhando raiva.
- Eu fiz. – ela respondeu depois de um tempo fitando nossas mãos – Você me mandou por e-mail e eu já arrumei tudo. – ela se levantou e pegou o notebook – Vê se está bom. – ela nos passou o computador e coloquei no meu colo, já que eu estava sentada entre os dois no sofá.

Tenho que dizer, a Madison fez um ótimo trabalho. Ela pode ser uma péssima aluna mas quando o assunto é decorar ela sabe o que faz. Além de ter feito a parte do , ela deu uns ajustes na minha e na de Collin, fez uma apresentação muito bonita no computador.

- Nossa! Tá lindo, parabéns – sorri para ela tentando ser agradável mas ela não retribuiu.
- Eu sei. – ela foi para trás da grande mesa e pegou um mural enorme. – Achei legal fazer uma exposição de fotos de pessoas vítimas de desastres nucleares. – ela nos mostrou. Eu estava encantada, já tinha feito trabalhos bons mas visivelmente chamativo e bonito, nunca.
- Perfeito. – a menina parecia não estar nem aí com meus elogios.
- Hum...’Brigada – ela agradeceu baixo, como se estivesse com vergonha por fazer isso – A gente vai treinar a apresentação?
- Er... claro. Eu e o Collin podemos apresentar a nossa parte que é física e química e você pode dividir biologia com o ? – me virei para meu namorado como se perguntasse se estava tudo bem.
- Ok. – ele deu de ombros sorrindo para mim. Dei umas orientações de como eles podiam apresentar. Eu e Collin já sabíamos como falar nosso trabalho, não estávamos preocupados. Isso até a hora da apresentação, que aí a insegurança de falar em público ia vir à tona.
- Hum, acho que a gente já terminou tudo aqui... – Collin falou pela primeira vez no dia.
- É mesmo. – Madison se levantou com sua pose de superior. Todos fizemos o mesmo.
- Então é isso! Tchau para vocês, tô indo curtir meu final de semana! – falou de um jeito descontraído como se o clima não estivesse estranho o suficiente. – Até segunda.
- Bom final de semana para vocês. – Collin praticamente fugiu do lugar.
- Tchau, Madison. Até segunda. – falei e fui saindo sendo puxada por .
- ! – Madison me chamou quando já estávamos atravessando a porta. Voltei para o cômodo e nos olhava do lado de fora. – ‘Brigada por me ajudar com a apresentação, eu tava bem perdida. – O que? Meu Deus, o mundo acabou e eu não sei?
- Tudo bem, não precisa agradecer. – falávamos tão baixo que nem que estava do outro lado da porta devia ter ouvido. – Bom final de semana. – a vi assentir com a cabeça e deu um meio sorriso. Pela primeira vez a vi sem aquela máscara que ela usa na escola. Pela primeira vez ela pareceu humana.

Saí com da casa dela e fomos andado de volta para o colégio, já que o carro de estava no estacionamento. Sorte que não estávamos tão distantes assim.

- O que a Madison queria? – caminhávamos de mãos dadas e por mais simples que isso seja, era uma sensação muito gostosa.
- Me agradecer. – falei ainda não acreditando no que tinha acontecido. me olhou incrédulo. – Nem precisa dizer nada, eu também estou surpresa.
- Uau! Nunca pensei que ela pudesse ser agradável com alguém...
- Mas foi momentâneo, segunda volta a ser como antes. De qualquer jeito foi lucro.
- Mudando de assunto, o que vamos fazer esse final de semana?
- Não sei... O que você quiser está ótimo. – caímos em um silêncio e me lembrei – Na verdade domingo eu tenho que ir a um encontro com os amigos de trabalho da minha mãe. – ele fez um biquinho, contrariado. – Quer ir?
- Na reunião do trabalho da sua mãe? – ele me olhava meio assustado. Concordei com a cabeça. – Acho melhor não, .
- Qual o problema? Ninguém vai te morder. Para ser sincera, ninguém vai nem notar a gente. Eles só vão falar sobre esse novo evento, inaugurações, festivais... – parecia distante e de repente me olhou interessado.
- Ok, eu vou. – ele mudou de idéia do nada, mas nem me importei com isso.
- Sério? – abri um grande sorriso. O vi assentir e o abracei meio desajeitada – Obrigada, ia ser tão chato aguentar aquilo sozinha!
- Mas como é isso? O que acontece? Nunca fui a essas coisas de alta sociedade. – ele fazia gestos exagerados e eu ri.
- Não acontece nada. Cada um fala sobre seus novos projetos, quando é sobre os negócios do meu pai é mais chato, mas no caso do trabalho da minha mãe, é um pouco mais agitado. Ela trabalha com eventos, decoração, música... então as pessoas são menos sérias, sabe? – o vi concordar. – Geralmente tem gente com um papo mais descontraído.
- Hum... e por que você não gosta de ir?
- Não gosto de ir sozinha. Eu sou tímida, você sabe.
- Sei... – ele riu levemente e apertou mais minha mão. – Você tem que me ajudar a escolher uma roupa, senão eu vou de tênis e calça jeans velha. – ri alto.
- Por mim, tudo bem. Mas pode deixar, eu te ajudo.

Continuamos a falar besteiras até o estacionamento do colégio, que pela hora estava vazio. Quem em uma sexta à tarde, depois da aula, ia estar na escola?

-Você precisa ir para casa? – me perguntou antes de dar partida no carro.
- Meus pais sabem que eu estava na casa da Madison, desde que eu chegue em casa antes do jantar, tudo ok.
- Ótimo, às sete te levo de volta para casa. Sábado vamos sair, tá?
- Claro. – respondi de imediato. – Para onde vamos?
- Não sei ainda, qualquer lugar, só quero sair com você. – Oh, , se soubesse como eu fico quando você fala essas coisas... – Passo na sua casa às dez, ok? – ele me olhou rapidamente e voltou para a estrada.
- Ok. , a gente podia ir para aquela casa de praia da sua tia... – riu levemente.
- Pode deixar, eu vou falar com ela. – sorri satisfeita.

Antes de chegarmos na casa dele mandei uma mensagem avisando minha mãe para onde estava indo. Ainda não tinha a comunicado diretamente que estava namorando , mas tenho certeza que ela sabe. Esperei ao lado de fora até encontrar a chave, para isso ele quase precisou tirar tudo de dentro da bolsa.

- Finalmente! – disse ao abrir a porta e me dar espaço para entrar. – Tá com fome? Porque eu tô com muita! – ri e neguei.
- Acabamos de almoçar, . – ele foi para a cozinha e o segui.
- Eu sei, mas aquela comida lá da Madison não me sustenta. – vi ele procurar por algum alimento e voltei para a sala. Observei as estantes de filmes, procurando por algo interessante.
- ! – chamei-o da sala – Vamos ver um filme? – sorri com o DVD que encontrei.
- Ok – ele apareceu na porta da cozinha – Vou fazer pipoca – ele sorriu como criança e desapareceu novamente.

Coloquei o DVD no aparelho, sabia que não ia ficar tão feliz quando visse o filme que eu escolhi, “Um Amor Para Recordar”. Ri sozinha, foi uma surpresa encontrar algo que eu gostasse, devia ser da irmã de .

- ! – poucos minutos depois gritou lá da cozinha. Corri para ver o que ele precisava – Me ajuda aqui. – ele pedia enrolado com a bacia de pipoca que carregava e ao mesmo tempo queria segurar o refrigerante e os copos. Peguei os copos e ele levou a garrafa. – Que filme vamos ver?
- “Um Amor Para Recordar” – ri com a careta que ele fez. – Ué, você devia gostar, estava na sua estante!
- Com tanto filme bom lá você escolhe justamente um dos piores! – nos sentamos lado a lado no sofá – E só para esclarecer, isso é da minha irmã.
- Aham, sei. – ri baixinho. Peguei o controle e dei play.
- Pelo menos a gente não vai perder um bom filme... – começou e o olhei sem entender.
- Como assim?
- Você acha mesmo que a gente vai assistir? – ele me lançava um olhar malicioso que me deixou envergonhada.
- Safado. – disse baixinho e ele ria. – Shiu! Vai começar – olhava para a tela e bufou fazendo o mesmo.

enfiava a maior quantidade possível de pipoca na boca, ele não estava nem aí para o filme, enquanto eu parecia que ia entrar na tela. Já tinha até decorado as cenas mas mesmo assim nunca me enjôo. Em menos de vinte minutos a bacia já estava vazia, sendo que eu não comi nada. Como não tinha com o que se distrair ele passou a tentar me chamar atenção. Senti ele brincar com meus dedos e deixei, afinal não estava me atrapalhando. Não durou muito e ele passou a soprar no meu pescoço que se arrepiou de início. Encolhi um pouco com o susto mas não desviei o olhos do filme. Os lábios de passaram a tocar o lugar que antes a sua respiração batia. Fechei os olhos sentindo os pêlos da minha nuca arrepiarem.

- ... – sussurrei o censurando – Quero ver o filme. – Ele não ligou e continuou a beijar meu pescoço, mas dessa vez eles estavam ficando mais fortes.
- Para de fingir que está prestando atenção na TV. – ele falou com uma voz rouca perto do meu ouvido.
- Eu já disse que eu quero assistir.
- Aposto que você já viu.
- Já, mas quero ver de novo... – comecei mas fui interrompida por que me puxou pela cintura me fazendo ficar sentada de frente para ele.
- Você prefere ficar vendo o filme? Tem certeza? – ele me olhava com um meio sorriso, já sabendo minha resposta. Começo a acreditar que ele tem consciência do efeito que tem sobre mim.
- N-não – minha voz falhou e riu alto me beijando em seguida.

Mesmo o namorando e o beijando constantemente, eu ainda não tinha me adaptado com o que sentia com os beijos dele. Parecia que todos eram o primeiro, em que as sensações eram completamente novas e intensas. Já nem queria saber do filme, na verdade, já tinha esquecido até que filme estava assistindo.
Não demorou muito para estar deitada no sofá e sobre mim. Uma de suas mãos tocavam o osso da minha cintura e iam levantando lentamente minha blusa, passando a tocar minha barriga. Eu bagunçava e puxava de vez em quando seu cabelo e com a outra mão acariciava seu braço.
Esses amassos estão acontecendo com certa freqüência, e devo dizer, estou amando! Fala sério, sonho de anos se tornando realidade, tem coisa melhor? Eu estava menos nervosa que na primeira vez, agora eu não sentia vergonha, apenas queria curtir tanto quanto ele. Sabia que me respeitaria, ele sabe que eu não estava pronta para avançar mais.
Ouvimos vozes do lado de fora e nos separamos. Ajeitei meus cabelos e tentava acalmar minha respiração descompensada. Meus lábios deviam estar vermelhos, pois o de estavam. A porta se abriu e a mãe dele entrou junto com uma menina mais ou menos da nossa idade.

- , que surpresa, querida. não me disse que você viria hoje! – ela veio até mim e eu me levantei para abraçá-la.
- Nem eu sabia... A gente acabou de voltar de uma reunião de estudos. – sorri para ela.
- Ah, é! me falou. – ela se sentou no outro sofá e a menina que veio com ela parou na minha frente.
- Oi, eu sou a Kate, irmã de . – ela me cumprimentou com um beijo no rosto.
- Prazer, . – disse e ela sorriu se sentando ao lado da mãe e fiz o mesmo, voltando para meu lugar.
- Fiquei muito feliz quando disse que vocês estavam namorando. – Sra. , como sempre nos deixou corados.
- Tava demorando... – reclamou tão vermelho quanto eu. Kate ria da nossa cara.
- Sabia que você é a primeira namorada dele? Pelo menos, a única que ele nos apresentou formalmente até agora... – ela continuou a falar mas foi interrompida pelo filho.
- Ok, já deu. Vamos subir, , antes que ela nos deixe mais envergonhados. – ele se levantou em um pulo e me puxou pela mão. Kate ria sem parar, aposto que se eu estivesse no lugar dela estaria fazendo o mesmo.

Subimos a escada rápido e entramos em seu quarto. fechou a porta e eu fui me sentar na cama dele.

- Minha mãe tem o poder de deixar qualquer um tímido... – ele se sentou ao meu lado. Ri levemente.
- Ela é engraçada, espontânea... Mesmo me fazendo ficar bem envergonhada, eu queria rir. – vi levantar e procurar por algo na mesa do computador. Desviei meus olhos, reparando em tudo ao meu redor e de repente vi um flash no meu rosto. – ! Não acredito que você tirou uma foto minha! Não estava preparada!
- Espontânea fica mais legal! Tá linda, . – ele se aproximou e me deu um selinho.
- Deixa eu ver. – peguei a câmera analisando a foto – Nossa ! Apaga isso, por favor!
- Nop. É minha primeira foto sua, tenho que guardar como recordação.
- Recordação? – olhei-o irônica.
- Claro. Quando o McFly for famoso, eu vou mostrar a foto para o mundo ver como você é linda! – corei e sorri com a referência que ele fez da música “No Worries” (“I want the world to know how beautiful you are”). – “Captivated by the way you look, tonight the light is dancing in your eyes… Your sweet eyes”. – ele sussurrou no meu ouvido e depois encostou os lábios nos meus delicadamente. Se afastou e sorrimos um para o outro.
- Você é lindo, sabia? – disse boba, sem poder controlar.
- Eu sei. – ele deu de ombros e eu dei um tapa leve em seu braço – Mas você é mais. – Nem preciso dizer o que eu senti, não? Não tinha borboletas no estômago e sim rinocerontes!
- Você fala da sua mãe, mas é igualzinho. Adora me deixar encabulada.
- Mas no seu caso é especial, você fica ainda mais linda toda coradinha. – ele riu da minha careta e mordeu minha bochecha. Alisei o local resmungando e ele ria mais.
- Vamos tirar fotos? – mudei completamente de assunto e de humor.
- Há um minuto você tava reclamando que eu tirei uma foto sua, agora... – o interrompi sem paciência para vê-lo reclamar.
- Mas agora eu vou estar preparada e as fotos vão sair bonitas, além do mais, eu quero ter fotos com você. – falei rápido pegando a câmera que estava ao seu lado na cama. Ele me puxou para sentar em seu colo e pegou a câmera mirando-a em nossa direção. Sorri enquanto ele apoiou o queixo em meu ombro.

Batemos várias fotos, algumas bem clichês mesmo, que todo casal em início de namoro fazem. Outras mais inusitadas, essas eram ideias de , mas o que eu podia esperar? Ele não saiu “normal” em nenhuma, a cada foto batida, uma careta diferente. Eu nem falei nada, acho lindas as caras que ele faz!
Ele plugou a câmera no computador para passar as fotos e rimos da maioria. A gente se divertia com tão pouco! Fui ao banheiro e quando voltei vi que ele tinha colocado aquela primeira foto como papel de parede. Eu estava olhando para o lado, completamente alheia a tudo e com um pequeno sorriso no rosto. Tinha tanta foto melhor, por que ele foi escolher justo essa? Nem reclamei, não ia adiantar. Ouvimos alguém bater na porta do quarto e olhamos para ver quem era.

- Desculpa, meu amores. Só quero saber o que querem para jantar? – a mãe de nos encarava esperando pela resposta. Só aí que me dei conta da hora, peguei meu celular, já eram sete horas! Droga, tomara que meus pais ainda não tenham chegado em casa.
- Eu tenho que ir. – disse para e ele se levantou da cadeira. – Sinto muito, Sra. , mas tenho que ir para casa.
- Tudo bem, querida. Fica para a próxima – ela sorriu carinhosa. Era impressionante como ela conseguia ser acolhedora. Me despedi dela e avisou que logo estaria em casa.

Chegando na sala fui falar com Kate que via TV, nos despedimos com um beijo no rosto e um abraço. A família de é tão afetiva, nem se comparava com a minha. Depois dizem que os europeus são mais frios... Minha família está aí para provar que toda regra tem um exceção.
me levou até em casa e no caminho trocamos algumas palavras, sempre falando sobre qualquer coisa sem importância. Ele parou em frente a minha casa e tirei o cinto me virando para ele.

- ‘Brigada pela carona. – sorri e dei um selinho nele. – Até amanhã.
- Até. – ele sorriu e encostou nossas bocas de novo – Às dez, não esquece! – assenti e ele me beijou novamente.

Saí do carro e antes de entrar em casa me virei e acenei para ele que retribuiu. Esperei ver o carro sumir da rua para abrir a porta. Assim que entro encontro meu pais sentados no sofá, fingi que não tinha acontecido nada de mais (e realmente não tinha). Não se passava de sete e quinze e o jantar nem tinha sido servido.

- Oi. – disse sorrindo indo dar um beijo neles. Meu pai retribuiu de bom grado e minha mãe ainda estava com um semblante meio sério.
- Olá, filha. Como foi o dia? – meu pai perguntou e me sentei ao lado da minha mãe.
- Bom. Fui à casa da Madison depois da aula, para resolver os últimos detalhes do trabalho...
- E houve algum problema lá com essa garota? – meu pai questionou preocupado.
- Não, foi tudo bem dessa vez. – sorri e ele também , parecendo tranqüilizado. – Depois fui a casa de e ele me trouxe aqui.
- E por que ele não entrou? – já disse que meu pai é um fofo?
- A mãe dele o estava esperando para o jantar.
- Vocês ficaram sozinhos na casa dele? – dessa vez foi minha mãe, ela estava bem séria.
- Não, a mãe e a irmã dele estavam lá. – é claro que não ia falar os minutos que estávamos sozinhos e nem que já ficamos um dia inteiro só com ele na casa.
- E o dever de casa, já fez? – minha mãe queria de qualquer maneira arrumar um motivo para meu pai ficar do lado dela.
- Ainda não. Mas tem pouquinho, depois do jantar eu faço. Logo eu termino, já que eu não deixo acumular. – vi meu pai sorrir orgulhoso para mim e me controlei para não rir da cara contrariada da minha mãe – O jantar já tá pronto, estou morrendo de fome!
- Sim, só estávamos esperando você chegar. – minha disse ainda de mau humor.

Fomos para a sala de jantar e tivemos uma refeição em paz. Minha mãe desistiu de procurar erros em , pelo menos por enquanto. Depois disso fui cumprir o que falei, fazer meus deveres de casa.
Como previsto finalizei tudo rápido e fu tomar meu banho, relaxei e senti o cansaço tomar conta de mim. Já tinha avisado e pedido autorização para sair amanhã, que foi concedida. Caí na cama e dormi rapidamente, sem preocupações no mundo.

Capítulo 18



- Parque de Londres? De todos os lugares da cidade e por causa de todo o seu mistério eu estava esperando por algo mais inusitado... – falei assim que saí do carro e pegando a mão de . Ele segurava uma cesta grande com a outra mão.
- Decepcionada? – ele levantou uma sobrancelha me olhando divertido.
- Nem um pouco. – sorrimos um para outro e fomos para o ramado perto do lago.

- Acredita que essa é a primeira vez que eu faço um piquenique?
- Tá brincando? – me olhava surpreso. Neguei com a cabeça. – , o que você fez esses todos esses anos? Você teve infância?
- É claro que tive! Só foi diferente da sua. – ele soltou uma risadinha e me deu um selinho em seguida.
- Eu já tinha notado que você é diferente das outras pessoas do colégio. Pela maneira de se comportar, agir e por sempre estar alienada de todas as novidades . – rimos juntos – Mas eu pensava que você era aquela menina riquinha e metida que acha que é melhor que todos.
- Nossa! Bom saber que eu te passava uma boa impressão! – disse irônica fazendo rir.
- Eu sei que fui precipitado. Mas o que me fez pensar isso foi te ver andando com a e o . Principalmente com a , já que ela não é conhecida como uma das pessoas mais “legais”. – o olhava interessada. Nunca pensei por esse ponto de vista. Para mim sempre me ignorou por eu ser uma “loser”, mas não, ele me achava metida que nem as outras meninas.
- Eu achava que esse era o tipo de menina que te agradava, como a Madison, por exemplo. – ele me olhou surpreso e depois sorriu.
- Como passamos a impressão errada um para o outro, não? – ele passou o braço pela minha cintura e eu deitei a cabeça em seu ombro. – Eu gosto de você, . Gosto mesmo de você. – Olhei-o surpresa e não pude controlar um sorriso maior que a minha cara.
- Eu também. Eu gosto muito de você. – Na verdade eu sou completamente apaixonada por você desde que eu entrei naquele colégio e até vi pela primeira vez. Claro que ele não precisa saber disso, pelo menos não por enquanto. Mesmo que eu suspeite que ele já saiba. – Para de me olhar desse jeito! – ri, vermelha como um pimentão, tentando tampar seus olhos. Ele riu alto e tirou as minhas mãos de seu rosto.
- Linda! – ele me beijou antes que eu pudesse ter tempo de ficar tímida – Você pode ir lá pra casa mais tarde, né? Preciso de ajuda para escolher uma roupa pra festa do trabalho da sua mãe.
- Ok. Hoje eu tenho o dia liberado para fazer o que eu quiser.
- Que noticia boa, minha linda. – ele me deu um beijinho no topo da cabeça.

Ficamos namorando mais um pouquinho, conversando várias coisas, mas nada realmente importante, e comemos o lanche que o preparou, lê-se comprou. Quando começou a esfriar, arrumamos tudo e fomos para a casa dele.
- Pensei que a sua mãe estaria em casa. – disse assim que entrei em seu quarto.
- Minha mãe quase nunca está, ou está trabalhando ou vai para a casa de alguma amiga ou parente. - me sentei na cama e foi procurar algo no armário. – As roupas mais formais que eu tenho estão no lado direito. – ele fez uma reverência como se fosse para me aproximar.
- Sabe, eu não me importo se você for vestido de com uma calça velha e um All Star sujo.
- Eu sei, mas a sua mãe se importa e quanto menos motivos eu dar para desapontá-la melhor. – sentou-se onde eu estava e ri voltando minha atenção para o armário.
- Mas eu adoro o seu All Star sujo... Você fica sexy com ele. – dessa vez foi que riu, não esperando que eu fosse falar isso – Você tem alguma calça jeans que não fique caindo? – se aproximou e pegou uma calça no cabide.
- Minha mãe comprou, finalmente vou poder vesti-la.
- Pronto. – separei tudo e coloquei cuidadosamente em cima do pequeno sofá. – Não combina com você nada muito formal. – me expliquei quando ele foi olhar a roupa escolhida. Uma calça jeans nova, blusa básica e um blazer ficaria ótimo, informal mas arrumado. – E coloca um All Star. – completei e riu um pouco mais alto e veio me beijar.
- É claro que eu vou usar All Star, principalmente agora que eu sei que você me acha sexy com ele. – voltamos a nos beijar, não demorou muito e se inclinou para cima de mim , o que me fez deitar. Sua mão passou a massagear minha cintura por debaixo da blusa e eu agarrei com mais força seus cabelos. passou a beijar e distribuir chupões pelo meu pescoço, me dando tempo para tentar recuperar o fôlego.
Comecei a levantar lentamente sua blusa, um pouco insegura de dar algum passo. percebeu, olhou nos meus olhos e deu um leve sorriso, me incentivando a continuar. Ele levantou os braços me ajudando a retirar a peça. Minhas mãos deslizaram até sua barriga e subiram até seu peito. Senti se arrepiar com isso e sorri um pouco. Era bom saber que não era a única que sentia essas coisas. voltou a me beijar com mais desejo que antes e eu retribuí na mesma intensidade. Logo minha blusa não estava no meu corpo e uma das alças de meu sutiã estava abaixada. Os beijos passaram da minha boca para o meu pescoço, depois para meu ombro descoberto, desceram para minha barriga e fizeram o mesmo caminho de volta.
Minha respiração estava ficando falha e cada vez mais meu corpo era puxado em direção ao corpo dele, se é que isso era possível.
- Opa! – nos separamos rapidamente e olhamos para a porta, a irmã de nos olhava tentando não rir, nossas caras deviam estar hilárias. – A porta só estava encostada, eu achei que você estava sozinho... Foi mal.
- Sai daqui! – disse irritado saindo de cima de mim e tentando me esconder com seu corpo.
- Que falta de educação, ... – ela negou com a cabeça, mostrando uma falsa decepção – Mamãe não ia gostar de saber que você é mal educado com as pessoas... Pensando melhor, ela não ia gostar de muita coisa que eu vi aqui. - jogou uma almofada que só não acertou Kate porque ela fechou a porta.
- Desculpa por isso. – ele disse me encarando. Era fofo vê-lo com as bochechas rosadas, diferente de mim, ele não ficava estranho. – Kate é sem noção.
- Tudo bem. Ela não podia adivinhar que a gente estava aqui. – sorri compreensiva e lhe dei um selinho antes de vestir minha blusa que estava no chão perto da cama.
- Ela ainda vai me pagar por isso. – bufou e vestiu sua camisa.
Passamos o resto da tarde vendo filme, na verdade eu vi o filme, ou devorava a pipoca que tinha feito ou ficava tentando me distrair. Tinha acabado de escurecer quando a mãe dele chegou e foi nos ver no quarto. Por sorte, diferente de Kate, ela não nos viu fazendo nada demais.

Quando recebi uma mensagem de meu pai avisando que estava voltando para casa e era melhor eu ir para lá logo, evitando assim qualquer conflito com a minha mãe, me despedi de todos e me levou. Tentei convencê-lo a não fazer isso, eu podia pegar um táxi, mas sua mãe e ele insistiram muito.
- Até amanhã, coisa linda! – ele segurou meu rosto e pressionou nossos lábios.
- Até amanhã, lindo! – ele sorriu meio bobo e saí do carro correndo em direção a minha casa.
Meus pais ainda não tinham chegado, então fui tomar um banho e vestir uma roupa típica para ficar em casa, um blusão velho e um short. Tinha acabado de ficar pronta quando ouvi alguém batendo na minha porta.
- Pode abrir. –meu pai entrou no quarto.
- Como foi o dia, filha? – ele perguntou depois de me dar um beijo na testa.
- Foi divertido. Fiz um piquenique, assistimos filme... Foi legal. – sorri e ele fez o mesmo – Mamãe criou problema com alguma coisa?
- Nada além do normal. Ela está lá embaixo perguntando por você. – antes de sair do quarto ele se virou e sussurrou – Se ela te perguntar se você chegou há muito tempo, diz que antes de anoitecer já estava em casa. – ri assentindo e meu pai saiu do quarto.
Ele é um máximo. O melhor pai do mundo! Talvez eu já tivesse enlouquecido nessa casa sem ele. Penteei meu cabelo antes de descer e falar com minha mãe. Como sempre ela estava com aquela cara de quando era contrariada ou algo tinha saído fora de seus planos.
- Oi, mãe. – beijei seu rosto e me sentei ao seu lado.
- Onde passou o dia? Há quanto tempo você chegou em casa? – oi para você também, mamãe! Respirei fundo para ser o mais educada possível.
- Passei o dia no parque de Londres. E estou em casa desde tarde. – Estou ficando boa nessa coisa de mentir. Deve ser a prática.
- Hum... Acho bom.
- Deixa a menina respirar um pouco!- meu pai chegou na sala e se sentou no sofá de costume. – Está com fome, filha?
- Não, acabei de comer. Vou para meu quarto. – meu pai e eu demos um sorriso cúmplice e subi para meu quarto rapidamente.

Já estava devidamente arrumada. Vestia um vestido soltinho, uma sandália com saltos não tão altos e poucos acessórios, apenas um colar de ouro fininho. Discreta e arrumada, perfeito. Não gostava de chamar atenção. passaria aqui em alguns minutos para irmos com meus pais. Coloquei meu celular e um brilho labial na pequena bolsa.

Recebi uma mensagem de avisando que estava lá embaixo me esperando. Desci as escadas rapidamente para recebê-lo, mas minha mãe foi mais rápida e ele já tinha entrado.
- Já que todos estão aqui, é melhor irmos. Não posso chegar atrasada. – ela mal olhou para e passou pela porta sem esperar por ninguém. Me aproximei de sorrindo e ele me deu um beijo na testa.
- Como vai, rapaz? – meu pai bateu levemente nas costas de com um sorriso simpático.
- Ótimo, senhor. Obrigado. – parecia não ter se abalado com a falta de gentileza da minha mãe e respondeu meu pai educadamente.
- Você veio de carro?
- Sim, senhor. – Já nos encaminhávamos até a porta quando meu pai nos chamou.
- Não querem ir juntos? Caso fiquem entediados, é só saírem discretamente, depois eu arrumo uma desculpa para a sua mãe. – sorri para meu pai, e me olhou como se esperasse pela minha resposta.
- E aí? Quer ir comigo? – ele sorriu carinhoso e concordei com a cabeça.
- Se isso não for dar confusão com a minha mãe, eu preferia sim.
- Fiquem tranquilos, eu sei lidar com a mulher com quem me casei. – meu pai abriu a porta e deu espaço para sairmos.
Eu e fomos para seu carro e esperamos o carro de meus pais saírem para o seguirmos.
- Você está linda. – disse antes de dar partida no carro e me deu um beijo rápido.
- Obrigada. Você também.
- Música? – ele indicou o rádio com a cabeça.
- Sempre. – ligou o rádio, estava tocando Teenage Dream da Katy Perry. fez uma careta e ameaçou trocar de estação. – Deixa aí. Eu gosto dessa música.
- Sério? – assenti com a cabeça animadamente e comecei a cantarolar a música bem baixinho – Let’s go all the way tonight, no regrets, just love (Até o fim essa noite, sem arrependimentos, só amor) We can dance until we die, you and I will be young forever (Nós podemos dançar até morrer, você e eu seremos jovens para sempre). – olhei-o surpresa e ele riu, provavelmente da minha cara.
- Para quem não gostava tá sabendo bem, hein? – brinquei e ele riu mais um pouco.
- Eu não disse que não conhecia. Essas músicas grudam na cabeça...
- Aham, sei. - ironizei – Fã de Katy Perry... Essa eu nunca iria adivinhar. – balancei minha cabeça demonstrando uma falsa decepção.
- Não acredito que você descobriu. – ele soltou um suspiro derrotado – Vai me largar por isso? – me olhou diretamente nos olhos, e isso sempre me faz estremecer.
- Eu posso lidar com isso. – ele riu e eu depositei um beijo em seu rosto.

Nada estava fora dos padrões. A não ser, é claro, por ao meu lado. O “pequeno” encontro de trabalho da minha mãe, pelo menos para mim, sempre era entediante. parecia estar meio deslumbrado com tudo. Não o culpo, eu também ficaria se não fosse obrigada a vir a festas assim praticamente todo mês. Conversar com empresários, donos de gravadoras famosas e artistas da moda não eram muito meu interesse. Não é como se eu fizesse muito esforço para passar despercebida pelos olhos deles, como eu sempre digo, ser invisível é meu principal talento. Eles só prestavam atenção em mim e tentavam chamar minha atenção quando descobriam que eu era filha da responsável pelos grandes festivais de música do Reino Unido.
- Como você pode não gostar disso? – me perguntou enquanto estávamos sentados em um banco no enorme e iluminado jardim. O encontro de trabalho da minha mãe era em um grande clube, isso porque segundo ela era só um “pequeno encontro”. – Aquele cara não trabalha na Island Records? – apontou para um homem que conversava com minha mãe.
- Sei lá. Pode ser... – dei de ombros – Eu não conheço essas pessoas. Já vi algumas em revistas mas nunca liguei para isso. Meus artistas preferidos estão quase todos mortos ou se separaram. Os que ainda estão juntos são legais demais para vir a eventos como esse. – rolei os olhos e virei-me para quando o ouvi rir. – O que foi?
- Para de ser rabugenta! – ele me abraçou e deu um beijo rápido. – Não é tão chato como você diz. – ia retrucar mas ele foi mais rápido – Se você quiser, daqui a pouco a gente foge. – ele falou baixo no meu ouvido.
- Ok. – dei um sorriso enorme e depositei minha cabeça em seu ombro. – Por que você não vai falar com ele? – indiquei o senhor que tinha falado há alguns segundos atrás e não parava de encarar.
- Não! – ele disse assustado – Eu nem saberia o que dizer.
- Ah, fala que você tem um banda, sei lá. Puxa algum assunto... Não é importante a banda ter algum conhecido nesse meio? – ele me olhava com dúvida – Se quiser eu vou com você. – sorri o encorajando.
- Você acha? – concordei rapidamente. Se o McFLY tivesse algum conhecido no ramo da música mais chances eles tinham de encontrar um empresário e assinar com uma gravadora. Já estávamos no último ano do colégio, o plano deles era banda, eles não viam outro futuro sem ser esse. Deviam lutar por isso, e se eu podia ajudar, eu o faria. – Então vamos.- ele se levantou e me segurou forte minha mãos. Caminhamos até onde minha mãe estava, ainda conversando com o tal homem.
- Hey, mãe. – a interrompi delicadamente dando o melhor sorriso que conseguia. Ela desviou a atenção para mim um tanto que desconfiada, eu nunca ia falar com ela e seus amigos.
- . Esse é Stanley Blackwell, filho de um dos fundadores da Island Records. Stanley, essa é minha filha. – ele se aproximou para me cumprimentar.
- Finalmente eu conheci a famosa , sua mãe fala muito de você. – olhei minha mãe surpresa.
- Prazer em conhecê-lo, senhor. Esse é meu namorado . – indiquei o garoto que estava ao meu lado e que apertava cada vez mais meus dedos. Ele largou meus dedos para cumprimentar o mais velho.
- Ele tem uma banda, Stanley. Eu apresentei algumas demos para o Fletch. Ele gostou, talvez toquem em um próximo festival. Sempre é bom apresentar bandas novas. – eu e viramos rapidamente para minha mãe. Ouvir elogios para saindo de sua boca, com certeza não era algo que se podia esperar.
Mas eu já devia saber. Minha mãe se importa muito com o que os outros pensam dela e da nossa família. Ela iria elogiar meu namorado e fazê-lo parecer o melhor partido de Londres. E nada melhor para ela que sua filha namorando um aspirante músico. Se o namoro durasse ela poderia fazer uma história bem legal para as revistas.
Não estou exagerando sobre a minha mãe. Eu a conheço o suficiente para saber como ela pensava. Ela passou anos da minha vida falando que o partido perfeito para mim era algum filho dos amigos do meu pai, que eram ricos de berço. Para ela não bastava ter uma boa conta bancária, era necessário nome. E isso, segundo ela, dinheiro nenhum compra. O desgosto que ela tinha da minha relação com era visível, mas ela disfarçava bem. Juro, ela seria uma boa atriz se tentasse. Hollywood iria amá-la, pena que escolheu o ramo da música. Como me contrariar não era uma escolha inteligente, pelo menos não quando meu pai está ao meu lado – ele é a única pessoa que ela realmente respeita e ouve – preferia elogiar na frente de todos, para que seus amigos pensassem como ela tem sorte de ter uma filha namorando um garoto bom e talentoso.
Me distraí com meus pensamentos e nem prestava atenção que conversava com o tal Stanley. Minha mãe, diferente de mim, prestava bastante. Segurei sua mão e puxei-a discretamente dali. Era melhor deixar os dois conversando sozinhos, sem estarem sob os olhares dela. Ela lançou um olhar assassino para mim quando finalmente a afastei e depois foi falar com um grupo que estava ali perto.
Andei pelo local, sozinha e passando despercebida. O clube era realmente lindo, peguei uma bebida e sentei em um banco afastado. Nem vi o tempo passar, às vezes reconhecia algumas músicas que a banda convidada tocava e cantava baixinho, quando percebi não estava mais sozinha. Não precisei olhar para saber quem era, o perfume já denunciou.
- Te procurei por todo lugar, não tinha um banco menos escondido para sentar? – passou o braço pelo meus ombros.
- Eu gosto de lugares silenciosos. Como foi a conversa? – não virei para ele, apenas continuei na mesma posição, deitada em seu ombros, sentindo fazer um carinho gostoso em meu braço descoberto.
- Foi legal. Ele pareceu interessado na banda, fez várias perguntas.
- Isso é bom, né?
- Não sei, espero que sim.
A batida de uma música conhecida começou a tocar. também reconheceu e levantou-se me puxando pela mão.
- Dança comigo. – ele aproximou nossos corpos e me envolveu pela cintura. Passei meus braços pelo seu pescoço juntando mais meu corpo no dele, se isso era possível.

Oh yeah, I'll tell you something
I think you'll understand
When I say that something
I wanna hold your hand
(Oh, yeah, eu direi a você algo
Eu acho que você entenderá
Quando eu digo alguma coisa
Eu quero segurar a sua mão)

I wanna hold your hand
I wanna hold your hand
Eu quero segurar a sua mão
Eu quero segurar a sua mão

Balançávamos nossos corpos devagar, não nos importando se estávamos no ritmo ou não, só queríamos ficar abraçados, sentindo a presença um do outro. Eu sentia o cheiro que emanava de seu pescoço e me estiquei para perto.

Oh, please! Say to me
You'll let me be your man
And, please! Say to me
You'll let me hold your hand
(Oh, por favor diga pra mim
que você me deixará ser seu homem
E por favor diga pra mim
Você me deixará segurar sua mão)

Now let me hold your hand
I wanna hold your hand
(Agora deixe-me segurar sua mão
Eu quero segurar sua mão)

Depositei um beijo delicado em seu pescoço e o senti arrepiar, sorri com isso. É bom saber que o corpo dele reage a mim, porque o meu também reage com ele. olhou diretamente nos meus olhos antes de pressionar nossos lábios. Logo, os beijos passaram para minha bochecha e desceram para meu queixo e pescoço. Assim como ele, eu também fiquei arrepiada. Ele me abraçou mais forte, tanto que meus pés quase não encostavam no chão. Agora ele se distraía com meu pescoço e minha orelha.

And when I touch you I feel happy inside
It's such a feeling that my love
I can't hide, I can't hide, I can't hide
(E quando eu te toco, eu me sinto feliz por dentro
É como um sentimento que meu amor
Eu não consigo esconder, eu não consigo esconder)
Yeah, you got that something
I think you'll understand
When I say that something
I wanna hold your hand
(Yeh, você começou isso
Eu acho que você entenderá
Quando eu digo algo
Eu quero segurar sua mão)

Começamos a nos beijar calorosamente, sabíamos que ninguém poderia nos ver, era um canto muito isolado e todos pareciam se divertir muito para perceber nosso desaparecimento. Suas mãos passavam por toda as minhas costas e com o movimento meu vestido subiu levemente.
Agarrava seus cabelos com pouco de força o descabelando ainda mais. Nem me importava com a falta de ar, eu só queria ficar daquele jeito, respirar eu podia deixar para depois. Passamos o resto da música nos agarrando, e só fomos nos separar quando esta acabou. olhou para mim sorrindo e assim como eu, ofegante.
- Acho que já está na hora da gente fugir. – com um sorriso de lado ele me puxou pela mão, atravessamos pelo clube rapidamente. Assim que entramos em seu carro, mandei uma mensagem para meu pai avisando que estava indo embora. Alguns segundos depois meu celular apitou. “Pode deixar que eu lido com sua mãe. Juízo.”
Por incrível que pareça não fizemos nada demais. Não por falta de vontade, mas meu pai confiou em mim, não iria quebrar isso em uma noite. Tudo tem seu tempo eu saberia esperar o meu. Como não somos de ferro, ficamos dando uns amassos no banco traseiro de seu carro, em frente à minha casa. A rua estava vazia, ninguém nos veria, e se meus pais chegassem, perceberíamos e eu podia correr para dentro de casa como se nada tivesse acontecido.
estava deitado em cima de mim, distribuindo beijos e chupões em meu pescoço. Minha sorte é que maquiagem existia, porque eu ia ficar morrendo de vergonha de ter que explicar isso. Meu vestido já estava levantado até minha barriga, dando chance para passar a mão por toda a minha perna, e as vezes apertava minha coxa. Eu passava as mãos pelas suas costas, por debaixo da camisa, seu blazer já estava jogado em algum lugar do carro. abriu minhas pernas e se acomodou entre elas, ele tentou levantar mais meu vestido e eu sabia que se isso durasse mais um pouco não daria mais para parar. Aproveitei que ainda tinha um pouco de sanidade e separei nossos corpos.
- Desculpa. – falou abafado, pois seu rosto estava afundado em meu pescoço. Sentou-se depois de algum tempo e fiz o mesmo com dificuldade. – Me empolguei. – suas bochechas estavam coradas e ele tinhas os cabelos mais desarrumados que o normal.
- Tudo bem, eu também me empolguei. – fiquei vermelha que nem um pimentão e me aproximei dele para dar um beijo em seus lábios. – Acho melhor ir para casa. Você quer ficar lá comigo até meus pais chegarem? A gente pode ver filme... – perguntei enquanto ajeitava seus cabelos.
- Acho melhor ir para casa. Preciso de um banho frio urgentemente. – ele falou a última parte mais para ele do que pra mim e ri um pouco sem graça. – Não tem graça, .
- Tem sim. – beijei-o novamente e o soltar um gemido sofrido.
- Não faz isso. – me afastei rindo. Esperei um pouco até se “acalmar”.
- Boa noite. – disse antes de sair do carro.
- Durma bem e sonhe comigo. – como se ele precisasse pedir. Esperei o carro dar partida para entrar em casa.
Fui tomar um banho antes de dormir. Isso se eu conseguisse, ainda estava agitada. Depois de uma chuveirada bem quente, coloquei minha roupa de dormir. O sono demorou a vir, minha mente sempre voltava para os acontecimentos de minutos mais cedo. É impressionante como sempre perco a noção quando estou perto de . Nada parece errado ao seu lado, é como se eu virasse outra pessoa, uma menina corajosa, segura. Não tinha medo de nada quando estava junto com ele.
Aos poucos meus olhos foram ficando pesados e caí em um sono profundo.

Capítulo 19


Cheguei no colégio mais dormindo do que acordada, ultimamente minhas noites de sono estão ficando cada vez mais escassas. Último ano de escola, fase final, estudando cada vez mais para ter as maiores notas possíveis... Tenho que manter uma boa média, minha admissão na faculdade depende disso. E aí está outro problema que tem tirado horas do meu sono: qual curso escolher? Quero dizer, eu sabia qual eu queria, mas fugir das regras e decepcionar meus pais ainda era algo que eu fazia com dificuldade.
Meus pais queriam que me formasse em Administração para dar continuidade aos negócios da família, já eu sempre quis fazer Publicidade. Sempre imaginei meu futuro trabalhando com isso. Já tinha tomado a minha decisão, iria fazer aquilo que me deixava feliz, afinal, não dá para passar o resto da vida fazendo o que detesta. A única coisa que faltava era a coragem de dar a notícia a eles. Eu sabia que ficariam decepcionados, meu pai, por mais que ficasse triste no inicio, no final apoiaria minha escolha. Por outro lado minha mãe... Só Deus sabe como ela irá reagir.
De qualquer forma, tenho que ter essa conversa o mais rápido possível. Já chegou a hora de me inscrever nas universidades. Como esse ano passou rápido, já estava nos últimos meses de aula, em um piscar de olhos as cartas chegariam com a resposta que mudariam meu futuro profissional. Já se passou três meses desde a festa do trabalho da minha mãe, em que levei e ele conheceu o empresário de uma gravadora famosa aqui em Londres. Depois disso as coisas começaram a melhorar para o lado do McFly. Eles já tinham recebido um telefonema de um empresário, Fletch, que estava interessado em ouvi-los tocar. Ele vai assisti-los durante um festival, organizado pela minha mãe, nesse final de semana. Os meninos, nem preciso comentar, né? Estão super animados e ensaiando bastante. Eles sabem que oportunidade como essa não aprece toda hora.
Meu namoro com está indo muito bem. Ele conseguia me deixar cada vez mais encantada. E parece que não sou só eu, minha mãe também está o tratando melhor. Ele já foi até jantar com a gente algumas noites.
De qualquer forma, nessa reta final do ano estamos todos muito ocupados e correndo atrás de nosso futuro. , assim como eu, estava na luta por uma faculdade, ela não tinha preferências, diferente de mim, disse que iria se inscrever para as mesmas que eu, e se passássemos para a mesma, ela iria comigo. Esse é o sonho de futuro dela, me lembro de quando éramos pequenas e ela dizia que dividiríamos um apartamento e iríamos para todas as festas juntas. fazia planos para um futuro próximo, enquanto eu fazia para um futuro bem distante. Enquanto ela queria aproveitar a faculdade, eu queria me formar e começar a trabalhar, para aí sim falar que estava totalmente livre e independente dos meus pais.
Anotei a matéria da lousa e arrumei meu material para próxima aula. Essa seria difícil de aguentar, o professor é um saco. , que estava ao meu lado, dormia sob o caderno. O único que parecia com toda a disposição do mundo para prestar atenção na aula era Collin. Esse estava sendo meu fiel escudeiro nos estudos. Ele queria cursar Engenharia, e como era justamente nas matérias que ele tinha maiores notas as que eu tinha mais dificuldade, ele me ajudava. Olhei novamente para , a invejando por não ter a mesma cara de pau que ela para dormir na aula. Virei-me para as carteiras do fundo e quatro delas estavam vazias, eram as de , , e . Os meninos estavam faltando muito às aulas essa semana para ensaiar, afinal daqui a dois dias é a primeira apresentação profissional deles. A escola ficava chata sem . Bufei e voltei para minha posição inicial, o dia ainda estava longe de terminar.

Depois da aula eu e fomos à casa de , onde os meninos estavam ensaiando, não ficaríamos muito, porque tínhamos que voltar a enfiar a cara nos livros, mas por alguns minutos era bom se distrair e divertir. Os meninos são engraçados e nos fazem esquecer dessa rotina estressante.
- Amor! – , como sempre escandaloso, gritou assim que abriu a porta e nos viu. Enquanto foi cumprimentar sua namorada, eu entrei e fui para o porão. Aqueles dois não tem jeito, na verdade, eles são perfeitos um para o outro.
Não precisou nem abrir a porta para ouvir os meninos. Eles quando juntos pareciam quatro crianças. Assim que perceberam minha presença, veio falar comigo, e os outros dois falaram um “Oi, ” de onde estavam.
- Senti saudade. – me beijou carinhosamente.
- Também. - sorrimos um para o outro mas continuamos abraçados – Como está indo o ensaio?
- Puxado. Mas o show é sábado e a gente tem que arrebentar.
-Vocês vão. – ele me abraçou mais forte e me puxou para um beijo.
- Vai ficar para assistir? A gente podia fazer alguma coisa depois. – ele se sentou em no sofá e me puxou para seu colo.
- Não posso. Tenho que estudar. Semana que vem já vou mandar minha inscrição para algumas universidades... Ah, , eu estou tão estressada e cansada! – afundei meu rosto em seu pescoço. Ele acariciou meu braço e me beijou no topo da cabeça.
- Fica tranquila, você vai passar para todas, quer apostar? – tirei meu rosto do esconderijo e o olhei para ele – Nunca conheci ninguém tão inteligente e dedicada como você, . – sorri para ele que retribuiu ao notar que tinha me acalmado – Já decidiu para onde quer ir?
- Acho que Cambridge, tradicional, ótima qualidade e o melhor, afastada de Londres. Pelo menos afastada o suficiente para eu ter que me mudar e morar sozinha.
- Sozinha? Achei que a mala da não ia te deixar em paz. – disse com um sorriso brincalhão nos lábios.
- Quem é mala, senhor ? – apareceu no porão seguida por . – Amiga, não sei como você consegue namorar um cara tão chato. – ela se jogou no outro lado do sofá e enquanto eu e ríamos dela – Mas o que vocês estavam falando que envolveu minha pessoa?
- Faculdade.
- Ah, nem me fala. Se eu tiver que aguentar isso por mais alguns meses eu morro. Se nenhuma me aceitar, eu não tento de novo. Prefiro seguir o plano número dois, que é me casar com , que será um músico famoso e ser sustentada. – todos rimos e foi abraçá-la.
- Se você quiser pode seguir esse plano, amor. Já tô com saudades antecipadas só de pensar que você vai ter que estudar em outra cidade, sendo que eu vou continuar aqui. – eles fizeram um biquinho e começaram a se beijar. Cara, como eles conseguem ser tão melosos assim com quase três anos de namoro?
, porém, falou algo que eu não tinha parado para pensar ainda. Eu iria me mudar, iria para longe e não veria mais com tanta frequência. Será que ele ainda iria querer ficar comigo? Quero dizer, namoro à distância é complicado, e o nosso não é como o de e , em que mesmo ela resolvendo estudar no Alasca continuariam juntos. Eu e tínhamos acabado de ficar juntos, só alguns meses, será que isso é tempo o suficiente para suportar a distância?
Afastei meus pensamentos, depois pensaria nisso, agora precisava me focar no presente, se eu passasse aí sim pensava em ter essa conversa com . Ficamos por mais ou menos meia hora e fomos embora. Ainda tinha muita coisa para fazer, como por exemplo, conversar com meus pais o que eu iria cursar.

- Como foi o dia na escola hoje, querida? – meu pai perguntou durante o jantar.
- Tudo normal. Muito estudo, não estou mais aguentando, quero muito receber a resposta da faculdade logo para poder descansar.
- Daqui a pouco você está de férias, aproveitando e ainda melhor, com a notícia que passou para uma boa universidade. Já decidiu para quais vai se inscrever?
- Universidade de Londres, Oxford, Cambridge, talvez também Liverpool. Mas a que eu quero mesmo é Cambridge, gostei dos programas de intercâmbio e da grade de matérias. – meu pai assentiu sorrindo. Se tinha uma coisa que ele se orgulhava muito é o fato de eu ser boa aluna, ele sempre se gabava para os amigos disso, e olha que meu pai é a pessoa que menos gosta de aparecer que eu conheço. Acho que herdei isso dele.
- Quando começam as inscrições? – minha atenção se desviou para minha mãe.
- Segunda.
- Você quer ir conhecer as universidades? Ver qual te agrada mais? – mamãe também incentivava muito meus estudos. Que pais não fazem isso? – Soube que o filho dos Johnson vai visitar Oxford no próximo final de semana. Seria bom você ir com ele, assim não iria sozinha. Além disso, ele também vai cursar Administração. – ela sorria com a ideia. O sonho dela era eu namorar um garoto desses, depois de formada e totalmente capacitada para cuidar dos negócios poderia me casar ou sei lá o que tinha na mente dela.
- Hum... – me engasguei levemente com a água que bebia. Acho que essa é a hora para dizer toda a verdade. – É que... Bem, eu não estava pensando em fazer Administração. – dois pares de olhos de direcionaram espantados em minha direção.
- Como? - o rosto de minha mãe começou a ficar vermelho de raiva. – Que ideia mais maluca é essa, ?
- Não é uma ideia maluca, mãe. – falei educadamente, quanto menos atiçasse a fera, melhor – Eu quero fazer Publicidade.
- Publicidade?! E os negócios da família, ? Você vai jogar tudo para o alto, não vai dar continuidade? Esse é seu jeito de agradecer e retribuir tudo que seu avô fez, todos os anos de trabalho que ele batalhou para conseguir formar tudo que temos?
- Não coloca meu avô no meio disso, mãe, tenho certeza que ele me apoia em qualquer decisão que eu tome. – virei-me para meu pai, tentando me justificar, pois sabia que mesmo que ele não brigasse comigo como minha mãe, ele estava chateado. – Eu vou fazer o possível para manter os negócios bem, mas eu realmente quero cursar Publicidade, é o que gosto de fazer.
- Você tem dezoito anos, como pode saber o que é melhor para sua vida? – minha mãe histérica continuou.
- Posso não saber. Mas eu tenho que experimentar, errar, ganhar lições de vida para me conhecer. Se eu fizer tudo que a senhora quer o tempo todo, nunca vou saber quem sou. – ela negava com a cabeça, transtornada e levantou-se da mesa.
- Aposto que tudo isso é culpa daquele menino, ele não é para você, mas eu não tenho voz nessa casa, ninguém me escuta!
- O não tem nada com isso. Eu sempre quis isso como carreira, a diferença é que antes eu não tinha coragem de desafiar ninguém. Achava que era melhor abrir mão de tudo que eu mais queria para agradar os outros. E se for o responsável por isso, então eu o agradeço.
- Olha o que essa menina está falando! – ela virou-se para meu pai esperando apoio. Ele ainda me encarava.
- É melhor continuarmos essa conversa amanhã, quando os ânimos estiverem menos exaltados. – ele se levantou da mesa e saiu, deixando minha mãe irritada do outro lado da mesa.
Saí da sala de jantar antes que ela falasse mais, fui para meu quarto e me joguei na cama. O que aconteceria agora? A minha parte já tinha feito, falei a verdade. Não sei se eles vão aceitar numa boa. Mas o que eles podem fazer também? Não pagar a minha faculdade? Será que eles chegam a esse ponto? Não acredito que meu pai fizesse isso. Bufei, ansiosa e frustrada por não saber como isso terminaria. A noite seria longa.

Durante o café da manhã ninguém falou nada. Minha mãe saiu para o trabalho e falou apenas um “Bom dia” tão baixo que só ouvimos porque o silêncio era absoluto. Sem mais palavras acabei de comer e fui pegar minha mochila na sala, sabia que meu pai iria me levar e provavelmente estaria atrasado.
Já no carro, e ainda em silêncio, estávamos presos no trânsito de Londres que parece cada dia pior. Ouvia as músicas do meu iPod pensando em quando a conversa de ontem a noite viria à tona novamente.
- Eu apoio. – meu pai disse de repente me assustando. Olhei-o confusa, sem saber exatamente o que ele apoiava. – Sobre sua faculdade. Eu apoio. – ele mantinha a atenção no trânsito, então não pôde ver o sorriso que se formou em meu rosto.
- Sério? Mamãe já sabe disso?
- Conversamos hoje antes de você acordar. Ela não aceitou tão facilmente mas, ontem eu pensei bem e não é certo te obrigar a fazer o que não queira.
- Obrigada, pai. Muito obrigada mesmo! – tirei os fones do ouvido e guardei o aparelho na mochila.
- Você podia ter nos avisado antes. Seria mais fácil aceitar, ficamos muito surpresos ontem, pois sempre que falávamos que você faria Administração você nunca contrariava...
- Eu sei. Eu tinha medo de desapontá-los.
- Nós somos seus pais, . Sempre iremos te apoiar. Até a sua mãe, ela é desse jeito, gosta de tudo sobre o controle dela, mas ela faz isso para proteger você e a família.
- Desculpa não ter contado.
- Tudo bem. Tenho certeza que você será uma ótima profissional. Sua mãe até já te vê fazendo a publicidade da nossa empresa e do trabalho dela. – ri levemente junto com meu pai. Quando vi já estava na frente de meu colégio.
- Tchau, pai. – me despedi com um beijo no rosto. – E obrigada de novo.
Fui direto para a sala de aula, pois estava atrasada (para variar um pouco). Os meninos, como o esperado, tinham faltado. se encontrava no lugar concentrada no seu caderno, quando me aproximei notei que ela estava desenhando. A professora entrou na sala poucos minutos depois e logo a aula começou.

- E aí, como estão suas notas? – perguntava enquanto saímos da escola com nossos boletins em mãos.
- Boas. Consegui manter minha média. E as suas?
-Razoáveis, acho que posso passar para uma boa universidade. – sorri feliz por ela.- Preparada para mandar as cartas? – concordei com a cabeça.
- Minha mãe perguntou se eu não queria conhecer as instituições para a qual vou me inscrever... Você quer ir comigo?
- Quando?
- Não sei. A gente vai estar em aula, então só pode ser no final de semana. – a vi assentir e continuei – Podemos ir em apenas duas, as que mais queremos.
- Topo. Vai se legal ficar sozinha durante um final de semana inteiro conhecendo o campus das universidades, deve ser muito louco. –ela fez uma cara safada e neguei com a cabeça.
- Coitado do , se eu fosse ele iria para a faculdade com você! – falei rindo.
- Universidade não é nem um terço do que ele vai viver se tudo der certo com a banda. Acha mesmo que aquelas fãs doidas e safadas não vou fazer de tudo para ter qualquer um deles?
- O nunca faria nada, . Você sabe disso, ele te ama.
- Eu sei, confio nele, mas poxa, é difícil só de imaginar que eu não vou vê-lo todos os dias e que mulheres lindas estarão à disposição o tempo todo. Vai me dizer que nunca pensou nisso?
- Não dessa forma. Pensei apenas na distância... Sendo muito honesta eu nem sei se meu relacionamento com aguenta isso. A gente não é como você e o , não são dois anos e meio de namoro. São alguns meses, apenas. – segurei meus livros com mais força e olhei para o chão. A verdade é que eu estou disposta a continuar o namoro, mas eu não sei sobre , e também não quero privá-lo de curtir nenhum momento de sua vida.
- Tempo de namoro não diz tanto assim. Se vocês realmente se gostam, vão ficar juntos. – concordei com ela sem ter muita certeza. – Mudando de assunto, como foi a conversa com seus pais ontem? – contei tudo, inclusive o papo com meu pai no carro hoje cedo. Ela ficou feliz por mim e continuamos nosso caminho até sua casa.
Era sexta-feira, véspera do show dos meninos, eu passaria a tarde na casa da , para me distrair dos estudos. Só fui embora à noite, quando minha mãe passou lá para me buscar na volta de seu trabalho.
Ela parecia bem melhor, já sorria e contava sobre o dia que teve e fez poucas perguntas sobre o meu. Durante o jantar também não mantivemos uma conversa pesada, falávamos sobre assuntos diversos e logo estava na minha cama, tinha que estar descansada para o dia de amanhã. Seria um dia agitado, sabia disso.

Acordei mais animada que o normal. Tomei banho, me arrumei e desci para tomar o café da manhã. Meu pai iria trabalhar só pela parte da manhã hoje e minha mãe já havia saído, ela tinha que estar desde cedo no festival, afinal era ela quem organizava. Passei a manhã inteira inquieta, e na falta do que fazer fui para a piscina, não era sempre que Londres estava ensolarado daquele jeito. Só saí dela quando já estava no horário do almoço, no qual eu não consegui comer direito. O festival começaria no final da tarde e o McFLY abriria o show.
Tomei outro banho, lavei meu cabelo e o sequei. Não queria que ele se armasse hoje. O prendi em pequenos coques para ficar com leves ondas e fui separar uma roupa. Quando vi que não tinha mais nada para fazer, fui para o computador, baixei algumas músicas, assisti vídeos de bandas novas, olhei fotos e novidades das pessoas da minha escola. Mandei uma mensagem para perguntando como estava e ele respondeu dizendo que estava indo fazer a checagem de som.
Depois de longas horas, comecei a me arrumar. Depois de pronta liguei para , falando que já estava indo para sua casa buscá-la. Como liberei o motorista, pedi por um táxi que em cinco minutos já buzinava lá embaixo.
Falávamos alto e ríamos sem nem ao menos saber do que no taxi, tenho certeza que o motorista pensava que estávamos bêbadas, e realmente parecíamos. Assim que chegamos no local, mostramos a autorização para a Área VIP e perguntamos onde ficava o camarim do meninos. Um dos seguranças nos levou até o corredor com várias portas e cada um com o nome de uma banda ou artista escrito em um plaquinha. Bem no final do corredor estava escrito McFLY. abriu a porta sem cerimônias, o que é bem perigoso quando se trata deles, vai que estejam todos nus correndo pelo quarto?
- AMOOOOOOOR! – foi o primeiro a notar nossa presença e correu para abraçar , a levantando do chão. – PEQUENA! – agora ele fazia o mesmo comigo, me fazendo rir.
- Já tá bêbado, amor? – perguntou preocupada.
- Bêbado? A gente não colocou uma gota de álcool na boca. Ainda, é claro. – se levantou para nos cumprimentar.
- Cadê o ? – perguntei indo falar com .
- Está no banheiro. Ele já foi para umas quatro vezes, acho que ele vai sair desse show com cinco quilos a menos. – se levantou da cadeira indo me abraçar.
- Tadinho. – me sentei no sofá olhando para a porta que eu supus ser o banheiro.
- , obrigado por tudo. A gente sabe que se não fosse a sua mãe, não estaríamos aqui. – sério mas mantinha um sorriso fofo no rosto. Os outros dois concordaram com ele, me olhando agradecidos.
- Que isso, vocês estão aqui porque são talentosos. – respondi sentindo minha bochechas corarem. Logo, me abraçou sendo seguido pelos outros, eles já estavam me sufocando com a força do abraço e só ria nos encarando.
- Posso saber por que vocês estão agarrando minha namorada? – apareceu na porta que eu encarava há poucos minutos. Os meninos se afastaram de mim rindo e sentou-se ao meu lado me puxando para um beijo.
- Que nojo, cara! – fingiu vomitar enquanto nos fitava.
- Nojo de que, dude? – olhou para o amigo sem entender.
- Você acabou de passar o dia vomitando e agora tá beijando a ... Coitada.
- Eu escovei os dentes, idiota. E a não tem nojo de mim. – ele se aproximou de mim para me beijar novamente. E eu me afastei.
- Para falar a verdade, eu teria nojo se você não tivesse escovado os dentes sim, . – todos, inclusive eu, rimos da cara indignada que fazia.
- Ah é? – ele começou cócegas na minha barriga e eu me encolhia rindo, logo nossos amigos pararam de prestar atenção na gente, nem ligando pelos meus pedidos de socorro.
- Para ! Para, por favor! – ele gargalhou e me soltou.
- Isso é para você nunca mais falar que tem nojo do seu namorado lindo, talentoso, sexy, cheiroso e perfeito.
- E modesto também. – ri levemente e segurei seu rosto – Tô brincando, você é perfeito sim. – aprofundamos o beijo e ficamos apenas curtindo o carinho um do outro até os meninos serem chamados para subir no palco.
A tranquilidade que tinha se instalado foi embora em segundos, eles foram por um outro corredor que dava para o palco e eu e fomos para a área da platéia que era reservada para os VIPs.
As luzes se apagaram e meu coração foi parar na boca. Olhei para e ela estalava os dedos, nervosa. O som da guitarra pode ser escutado e luzes coloridas tomaram conta do lugar, os meninos começaram a tocar e a platéia, mesmo não sabendo as músicas, pulava animada.
Os meninos tocaram Broccoli, That Girl, Obviously, Met This Girl, Saturday Night, Not Alone, Down By The Lake, No Worries (o que fez meu coração parar durante alguns minutos, me lembrei do dia que ouvi essa música pela primeira vez, e a conversa que tinha tido com depois), Unsaid Things e encerrou o show com 5 Colours in Her Hair. Eles foram aplaudidos no final, a platéia teve um reação bem positiva para uma banda principiante. Fiquei muito orgulhosa deles, sabia que o tal Fletch, que está aqui os assistindo, tinha gostado deles.
Voltamos para o camarim, para recebê-los. Os meninos logo chegaram que nem loucos, gritando e tirando as camisas molhadas de suor. , que foi o primeiro a entrar, pulou em cima de mim, que estava sentada no sofá, e me encheu de beijos. Mesmo ele muito suado eu não reclamei e só ria da alegria dos meninos. Nunca os tinha visto desse jeito.
- Gostaram do show? – perguntou deitado com a cabeça em meu colo.
- Vocês foram um máximo! Tenho certeza que o Fletch vai levá-los à gravadora. – sorriu para mim e me inclinei para beijar seus lábios.
Ficamos para ver mais algumas bandas e depois fomos embora para a casa de comemorar, pois os pais dela tinham saído. Não me importei com a hora, pois já tinha avisado a minha mãe que dormiria na casa de hoje. Como de costume os meninos ficaram bem bêbados, menos que ficou responsável por dirigir. e já estavam adormecidos um no sofá e outro no chão, também não estava muito bem, estava quase dormindo em pé e , não sei como, estava bebendo mais. Juro que um dia eu não me surpreendo se eles entrarem em coma alcoólico, isso se não já estiveram.
- Vai dormir aqui hoje? – e eu estávamos abraçados no sofá encarando o estado de nossos amigos.
- Vou. Tem certeza que vai conseguir levar os meninos para casa? – rimos vendo dançar sozinho com um copo na mão. – Deixa eles aqui, os pais de só voltam amanhã no final da tarde. – concordou com a cabeça.
- Você acha que eles vão notar se a gente sair daqui?
- Claro que não. Mas por que a gente sairia daqui? – levantei uma sobrancelha sorrindo para ele.
- Quero passar o restinho da noite mais feliz da minha vida com a minha namorada, só isso. – ele me olhou sério, o que me fez arrepiar.
- Vamos. – levantei e estendi minha mão para ele que segurou sem pensar duas vezes.
Entramos no carro de e em poucos minutos chegaríamos em sua casa, pois as ruas estavam sem muitos carros a essa hora. Sabia qual era a intenção de com esse convite, mas não precisava sentir medo. nunca me forçaria a nada, nunca me machucaria, e além do mais, eu queria.
Assim que chegamos em sua casa, que estava escura já que todos deviam estar dormindo, fechou a porta com cuidado, para não fazer nenhum barulho. Subimos a escada, e ele me abraçava por trás. Chegamos em seu quarto e ele trancou a porta para dessa vez não ter riscos de sermos interrompidos.
Deitei na cama com ele em cima de mim, nos beijamos intensamente, de uma maneira que nunca fizemos. apertava fortemente minha cintura e eu puxava seus cabelos. Seus beijos passaram para meu pescoço, me deixando arrepiada, sua mão subiu pela minha barriga levantando minha blusa. Ele se afastou de mim para retirar a peça, levantei meus braços facilitando. Ele retirou a própria camisa e voltou a deitar em cima de mim. Sua mão agora passava dos meu ombros, seios, barriga, até chegar na cintura novamente.
Voltamos a nos beijar e sentia a mão de no cós da minha calça. Essa começou a ser desabotoada, desci minha mão do peito até o zíper de sua calça fazendo o mesmo que ele fez com a minha. Ele me levantou um pouco para puxar meu jeans, e com o pouco de dificuldade tirava o dele. Só estávamos de roupas íntimas nos beijando com muito desejo. Ele mexia no fecho do meu sutiã e não demorou muito para soltá-lo, eu mesma tirei a peça devagar, sob os olhos atentos do menino. Ele se livrou da última peça de roupa de nós dois, se esticou para abrir a gaveta do criado mudo, pegou um preservativo e voltou a me beijar. Cravei minhas unhas em seu braço quando senti ele dentro de mim.

Capítulo 20


A primeira coisa que vi quando acordei naquela manhã foram os olhos de . Ele sorriu para mim e beijou minha testa. As cenas da última noite passavam pela minha cabeça e tudo que eu queria era ficar ali abraçada com ele. Foi sem dúvida a melhor noite da minha vida, não me senti insegura, envergonhada ou qualquer desconforto.
- Bom dia, meu amor. – encarei rapidamente seus olhos, nunca tinha me chamada de amor antes. – Estava esperando você acordar.
- Dia. – selei nossos lábios – Faz tempo que você acordou?
- Uns quinze minutos. – ele passava o nariz pelo meu pescoço. – Tá com fome? – sua voz saiu abafada e seu hálito quente me fazia arrepiar. Soltei um barulho afirmando, não tinha capacidade de falar nesse momento. – Vamos procurar algo para comer, porque eu ‘tô morto de fome.
- Ok, mas antes eu vou tomar um banho. – sorriu malicioso.
- Banho? – concordei com a cabeça – Pensando melhor, a fome fica para depois. – ele levantou da cama e me pegou no colo.
- , o que você está fazendo? – senti o lençol que cobria meu corpo nu cair no chão. E por incrível que pareça eu não fiquei com vergonha, afinal, não tinha nada ali que ele já não houvesse visto.
- Você não queria tomar banho? – assenti e o vi abrir um sorriso ainda maior – Então, eu também estou precisando de um banho. – ele piscou para mim e eu entendi.
Permiti que ele me levasse até o seu banheiro. O que devo dizer? Foi o melhor banho da minha vida. Vesti uma blusa e boxer de e descemos para preparar nosso café da manhã.
- Minha mãe saiu cedo, foi para o shopping com as amigas... Temos a casa só para gente... – Apontou o bilhete que estava na bancada da cozinha e veio me abraçar pela cintura.
- E a Kate? – passou a distribuir beijos pela minha nuca.
- A gente se livra dela.
-! – o repreendi e ele riu. – Controle-se. – o empurrei levemente me afastando – ‘Tô com fome. – ele soltou um muxoxo.
- O que vai querer? – tirava algumas comidas do armário da cozinha. – Torradas com geleia, panquecas, cereal...
- Torradas.
- Ok... E para beber?
- O que tem?
- Bom dia! – Kate com pijama e cara de sono apareceu na porta.
- Dia. – respondemos ao mesmo tempo.
Kate pegou o cereal que antes tinha me oferecido. E colocou um pouco em uma tigela servindo-se de leite depois.
- Quer um, ?
- Obrigada, vou comer torradas. – apontei com a cabeça para que retirava as fatias da torradeira.
- Meu irmão tá preparando o seu café da manhã? – ela riu incrédula - Essa é nova.
- Qual o problema, Kate? Eu sei fazer torradas. – sentou ao meu lado trazendo dois pratos.
- Que bom que você sabe fazer torradas, , pelo menos a torradeira você sabe usar. Só estou surpresa de você estar fazendo isso por alguém. Até para si próprio você tem preguiça...
-Kate, o dia mal começou, será que você pode começar a encher o saco depois, por favor? – ele me estendeu o pote de geléia. Kate deu a língua para ele e voltou a comer seu cereal.
- E como foi o show ontem? – Kate perguntou interessada para o irmão.
- Ótimo, melhor noite da minha vida, sem dúvidas! Agora só estamos esperando a resposta do tal Fletch.
- Vocês vão conseguir! Ele adorou o show. – olhou para mim sorrindo e apertei sua mão dando uma força.
- Foi bom estar com vocês, pessoas bonitas, mas eu vou sair, porque passar o domingo de vela pro casalzinho não é o melhor dos programas. Beijos . – Kate saiu rapidamente da cozinha nos deixando sozinhos terminando nosso café.
Poucos minutos depois, ligou falando que minha mãe estava me procurando. Resolvi ir para casa de antes que minha mãe resolvesse me aparecer por lá ao invés de só ligar. Eu e nos arrumamos rapidamente e fomos. Chegando lá, e óbvio que tivemos que ouvir algumas indiretas dos meninos pelo nosso sumiço, mas tudo foi logo interrompido por antes que eu morresse de tanta vergonha.
Como esperado, não demorou muito para minha mãe ligar dizendo que estava vindo me buscar. Não precisei enfrentar um grande interrogatório dessa vez, uma das poucas famílias que a minha mãe se deixa relacionar sem olhar nenhum interesse profissional é a , então de certa forma ela confiava muito quando eu ficava na casa dela, mesmo sem adultos por perto.
Arrumei meu material para o dia seguinte, sabia que minha mãe não me deixaria sair mais hoje então fui pegar um solzinho na piscina. Já no finalzinho da tarde fui para meu quarto e só saí de lá para jantar. Essa semana seria mais tranquila para mim, iria mandar minhas cartas de inscrição logo na segunda, então seria só esperar. Sabia que minhas notas já garantiam que eu não ficasse reprovada. Sem nada para fazer, fui dormir cedo e só acordei no dia seguinte.

Tentei chegar mais cedo para falar com , esperei-a sentada no banco de sempre mas o sinal bateu e nada dela aparecer, fui para a sala esperá-la lá. Algumas pessoas já estavam lá, conversavam sobre o final de semana com os amigos. Olhei para o fundo da sala e surpreendentemente vi os meninos, me aproximei para cumprimentá-los.
- Bom dia. – sorri para todos que retribuíram e dei um selinho em que me puxou para sentar em seu colo – Chegaram cedo, pensei que iam faltar hoje também.
- Infelizmente não. E eu achando que ia ter alguma novidade, mas esse lugar continua o mesmo. – resmungou encostando a cabeça na parede.
- A gente ficou uma semana fora, dude. Não um ano. – falou enquanto desenhava no caderno.
- Você também chegou cedo, linda. – falou fazendo um carinho gostoso na minha coxa.
- Pois é, eu queria falar com a , mas pelo visto não adiantou nada.
- Aconteceu alguma coisa? – ele pareceu preocupado.
- Não, é besteira mesmo. – encostei nossos lábios e ele começou a brincar com meus dedos. O professor logo chegou e fui me sentar no meu lugar de sempre.
só chegou no segundo tempo, iríamos mandar as cartas juntas depois da aula. Na hora do intervalo os meninos foram pegar nosso lanche enquanto eu e guardávamos a mesa.
- Pode contando o que aconteceu no sábado à noite. – assim que sentamos começou o interrogatório. – Levei maior susto quando dei conta da ausência de vocês.
- Mentira, você estava bêbada, vocês todos estavam, só eu e estávamos sóbrios.
- Ok, tanto faz. – ela fez um gesto com as mãos como se dissesse que não tinha importância – Te conheço muito bem e sei que você não fugiu lá de casa só para dormir abraçadinha com o Poynter.
- Se você já sabe, o que eu preciso falar? – prendi o riso, é curiosa e sabia que ela já estava ficando irritada.
- Para de enrolar e falar logo, . Antes que os meninos cheguem.
- A gente foi para a casa dele e aconteceu. Na verdade, nós fomos já sabendo que ia acontecer.
- E... Foi bom? – corei levemente e concordei com a cabeça.
- Foi ótimo. Achei que ia ficar nervosa e acabar fazendo algo errado, mas não, eu me senti muito segura o tempo todo. – ainda me olhava esperando que eu falasse mais. – Esquece, eu não vou dizer os detalhes. – ri e ela deu a língua.
- E no dia seguinte?
- Apenas a irmã dele estava em casa... Tomamos café da manha juntos e depois fomos para a sua casa. Mas antes disso tomamos banho juntos. – sorriu maliciosa.
- Hum... Mas agora para de falar. Te vi crescendo, é muito estranho imaginar minha menininha fazendo essas coisas. – gargalhei.
- Primeiro que quem pediu para contar foi você, segundo que a gente tem a mesma idade, e terceiro, não era para imaginar nada, sua pervertida! – rimos juntas e os meninos chegaram com nossos lanches.
- Sobre o que estão rindo? – Por que o tem que ser tão intrometido? Olhei para esperando que ela inventasse algo, eu sou péssima com mentiras.
- Nada demais, estamos pensando em como pode ser louca a vida na faculdade. – foi tão convincente que quase eu acreditei. fez uma careta quando ela falou isso.
- Ih dude, se ela já tá assim antes de ir, imagina o que a não vai fazer quando chegar lá... – sacaneava arrancando risadas dos outros na mesa.
- Não vou fazer nada, . Além do que a vida de vocês vai ser muito mais agitada que a minha. Festas cheias de celebridades e mulheres que querem a todo custo mostrar o útero para vocês...
- Não precisa se preocupar, amor. Eu só tenho olhos para você. – disse abraçando .
- Acho bom. Senão eu te faço parar de fazer xixi pelo método natural, entendido? – ele a olhou assustado e os meninos gargalhavam.
- Que namorada violenta, Jones! – debochou ainda rindo – O tem mais sorte, pelo menos tem uma namorada tranquila. – sorriu para mim e me deu um beijo na bochecha.
- Tenho sorte mesmo, . Mas tira o olho dela. – ele jogou uma batata em que a pegou com a boca no ar.
- Pode ficar relaxado, . Mulher de amigo meu é homem, e além do mais a não ia querer nada comigo, ela já mostrou que tem um péssimo gosto para homens. – ele saiu rapidamente da mesa indo falar com um grupo de meninas de líderes de torcida e jogadores de futebol.
- Bastardo. – xingou baixinho.
- não perde tempo... – soltou uma risadinha – Já atacando as líderes de torcida.
- Isso tudo por causa do baile de primavera? – perguntou para que confirmou com a cabeça – Mas ainda falta um mês... Pra que toda essa pressa?
- Porque chegar no baile sozinho é suicídio social. – falou.
- E que diferença faz? Em dois meses já vamos ter saído daqui mesmo... Ficar um mês como “loser” não me parece nada insuportável. – dei de ombros e vi concordando. – Mas você não parece tão preocupado, . Já tem par?
- Isso é um convite, ? – ele sorriu sacana e eu ri negando. jogou outra batata em mas esse não foi rápido para pegá-la. – Brincadeira, dude! – todos rimos da reação de . – Sinto em decepcioná-la, , mas eu já tenho par. – fiz uma falsa cara de desapontamento.
- E posso saber quem é a menina? - perguntou.
- Por que vocês estão tão interessadas em saber com quem o vai? – virou-se para a namorada.
- Porque eu não quero que meu amigo esteja acompanhado de qualquer uma. – explicava para o namorado – E pode parar de fazer essa cara, seu bobo! – ela puxou os lábios do menino para cima.
- Vocês vão conhecê-la. Já ‘tô saindo com ela há um tempo.
- Que fofo, finalmente encontrou alguém! Enfim, a gente tem que começar a caça aos vestidos. – mudou de assunto e se voltou para mim.
- A gente tem um mês pela frente, . – falei nem me importando com o que eu ia vestir.
- Eu sei, mas é melhor procurar já. Vai que não tenha nada bonito próximo do baile... Sua mãe deixa você ir no shopping hoje à tarde?
- Hoje nós vamos enviar nossas cartas, amanhã começamos a pensar nisso. – falei séria e fez uma careta.
- Você é muito certinha, .
- Vai mandar sua inscrição hoje? – perguntou atencioso. Concordei com a cabeça e ele apertou minha mão. – Quer que eu vá com você?
- Eu vou com a , mas a gente pode se encontrar depois, vocês vão ensaiar?
- Nop, quando tiver terminado lá com a me liga que eu te busco. – assenti depois de um selinho.
O sinal bateu e voltamos para a aula. Assim que essas terminaram, eu e fomos para a minha casa, e juntas, endereçamos as cartas e colocamos na caixa do correio. Agora eu já não podia fazer mais nada, é só esperar a resposta.
- Vou ligar para o vir me buscar.
- Quer dizer que para ir ao shopping comigo você não tem tempo, mas para o Poynter a história é outra, né? – colocou as mãos na cintura. Ri e assenti.
- Exatamente. – ela abriu a boca fingindo estar chocada. – Amanhã a gente vai, .
- Tá tudo bem, vai curtir o seu namorado.
Em poucos minutos já tinha chegado, deu uma carona para e fomos para a sua casa depois. Falei com Kate que estava com duas amigas, logo as deixamos em paz e subimos para o quarto. Abri a porta com me abraçando por trás enquanto distribuía beijos na minha nuca.
- Tava com saudade. – ele fechou a porta e a trancou, me abraçou e em seguida juntou nossos lábios.
- Nos vimos há algumas horas atrás, . – disse assim que ele passou seus lábios para meu pescoço, fechei os olhos e senti leves arrepios.
- Mas não da maneira como eu queria. – ele sorriu malicioso e neguei com a cabeça rindo, passou a distribuir beijos e mordidas no meu pescoço me deixando arrepiada.
- Você não presta mesmo...
- Não foi só para isso que eu te trouxe aqui. Preciso de sua ajuda para uma coisa. – olhei-o abrir o guarda-roupa e pegar dois cabides, um com um blazer branco e outro preto – Qual desses combina mais com o vestido que você está pensando em comprar?
- Isso é um convite para o baile? – perguntei sorrindo e ele assentiu com um sorriso de lado – O preto. – ele deixou os cabides no sofá e se aproximou de mim, me abraçou e caminhou comigo em direção à cama.
- Sua irmã está em casa com as amigas, e vai que a sua mãe chega... – me afastei um pouco encarando seus olhos.
- , minha mãe está no trabalho e só volta no final da tarde. E a Kate está grandinha o suficiente para saber o que um casal de namorados fazem quando estão sozinhos no quarto. Além do mais, ela nos viu naquela manhã, acha mesmo que ela não percebeu nada? – fiquei em silêncio, entendeu como um sinal que eu tinha concordado e deu um sorriso de lado, voltando a me beijar.
Com uma mão eu bagunçava seu cabelo, enquanto com a outra fazia carinho nas suas costas por debaixo da blusa. Já as mãos de estavam levantando a blusa do meu uniforme, ajudei-o a tirá-la, levantando meus braços, grudando nossos lábios logo em seguida. Em poucos minutos só estávamos de roupas íntimas, se sentou na cama me puxando junto e fazendo com que sentasse em seu colo, abracei-o com as minhas pernas enquanto ele me apertava ainda mais a seu corpo. Senti-o brincar com o fecho do meu sutiã e em pouco tempo esse estava no chão, ele se afastou um pouco para encarar meu corpo, vendo que já estava ficando envergonhada ele se aproximou novamente e deitou em cima de mim. Logo as únicas peças que faltavam já acompanharam as outras no chão e o quarto passou a ser preenchido por gemidos.

Estávamos deitados na cama, me abraçava pela cintura, fazendo carinho no meu cabelo e eu acariciava seu peito.
- Quando as respostas das faculdades chegam?
- Em um mês e meio, mais ou menos. – dei de ombros – Agora que eu já enviei as cartas estou bem mais tranquila, não tenho mais nada a fazer mesmo... – caímos em um silêncio nada constrangedor. Senti meu estômago reclamar e me lembrei que não tinha comido nada. – , ‘tô com fome. – ele sorriu e beijou minha testa.
- Vamos descer, pequena, vou fazer uma pizza pra gente.
- Você também ainda não almoçou? – levantamos da cama e começamos a vestir nossas roupas.
- Claro que já, mas você me deixou sem energia. – ele piscou malicioso e senti meu rosto pegar fogo.
- Para com isso, !
- Tô brincando, linda. – ele já estava de bermuda e veio me abraçar enquanto eu ajeitava minha blusa. – Pronta? – concordei com a cabeça e descemos para a cozinha.
Kate e as amigas já não estavam mais na sala, ele pegou a pizza e fui adiantar ligando o forno. Encostei na bancada e veio me abraçar. Ficamos assim trocando beijos e carinhos, conversando coisas sem importância, quando a pizza ficou pronta nos serviu.
Terminamos de comer, lavamos a louça e voltamos para a sala. Passamos mais um tempinho juntos e pedi para me levar para casa, já tinha ficado muito tempo fora e confusão com minha mãe é algo que eu sempre evito.

No dia seguinte fui a aula e depois eu e fomos direto para o shopping procurar pelos vestidos. Eu não sei como a consegue passar o dia inteiro vendo vitrines, é obvio que eu gosto de fazer compras mas ficar experimentando mil roupas e dar voltas pelo mesmo lugar não está nos meus programas favoritos.
não encontrou nada que a satisfizesse, eu até tinha gostado de alguns, mas não comprei nada porque falou que eram todos muito ultrapassados e a gente conseguiria encontrar melhores. Como não sou eu a que mais entende de moda, segui a sugestão dela, não que eu me importe com “estar na moda”.
Fizemos um lanche e conversamos sobre assuntos alheios. Quando anoiteceu e não tinha mais nada para fazer nem nenhuma loja legal que ainda não tínhamos entrado, fomos para casa. Liguei para só para perguntar como foi a sua tarde, falamos por alguns minutos e depois fui dormir.

A semana passou relativamente rápido e o assunto do baile era o que mais se falava naquele colégio, mesmo faltando um mês, três semanas para ser mais exata. E todos já procuravam por seus pares, parece que a maioria pensava como os meninos: “ir para o baile sozinho é suicídio social”. Madison, como sempre perturbando a minha vida, deu várias indiretas para levá-la ao baile. É nessas horas que eu penso que nasci na época errada, porque até onde eu sei namorados vão juntos, pelo simples fato de serem NAMORADOS! Não precisa ser um gênio para entender isso! Enfim, depois de muitos foras finalmente ela compreendeu que eu e iríamos juntos.
Foi no sábado, enquanto eu e estávamos no shopping (de novo) para encontrar os vestidos, que recebemos a ligação de dizendo (berrando) que o tal Fletch ligou e que tinha marcado uma visita do McFLY na gravadora. Eu e corremos para a casa de , onde estavam os meninos já comemorando a notícia. Como sou a única ali que não bebe, fiquei rindo das palhaçada dos meninos, mas mesmo não tendo ingerido uma gota de álcool estava bem animada e curtindo a notícia como eles, era tão bom vê-los felizes daquele jeito. Acordamos amontoados na sala de , nem sei como a sua mãe não deu um ataque quando viu, pode ter certeza que se fosse a minha a reação seria diferente.
Essa semana diferente da anterior não poderia ter passado de forma mais lenta, os dias pareciam horas. Os meninos estavam uma pilha porque seria no sábado a visita à gravadora, eles estavam ensaiando como loucos, e como o esperado, não foram para o colégio, tinham que se dedicar 100% à banda. Eu e não iríamos com os meninos, era um momento deles e a gente não podia ajudá-los em nada. Eles ficaram de nos ligar assim que tivessem uma resposta.
No sábado de manhã, bem cedinho, passamos na casa de , onde os meninos já se encontravam e estavam prontos para ir.
- ‘To nervoso. – falou assim que me aproximei dele. Fiz um carinho em seu rosto e ele sorriu de lado.
- Vai dar tudo certo. – disse abraçada a ele – Se ele já marcou um encontro com a gravadora é porque já achou vocês bons, agora é só confirmar. Eu tenho certeza que vão sair de lá com um contrato assinado. – deu um sorriso mais largo e me beijou.
Nos afastamos sorrindo um para o outro. Aproximamos dos meninos, tentava os acalmar em vão, logo tivemos que nos despedir, estava na hora deles irem e um atraso não era nada bom. Desejei boa sorte a todos, dei um beijo em e junto com vimos o carro dos meninos dobrarem a esquina e sumirem de vista.
Trocamos poucas palavras, o que não é normal, acho que era o nervosismo, a gente tinha que controlar na frente dos meninos mas estávamos tão aflitas quanto eles. propôs que fôssemos ao shopping (que está quase virando nossa segunda casa) para finalmente comprarmos os benditos vestidos, concordei, já que qualquer coisa que me fizesse ficar mais calma era válido.
Já tínhamos entrado em duas lojas quando encontramos vestidos que nos agradassem (leia-se, agradassem ), compramos e fomos para a praça de alimentação tomar um sorvete. Os meninos não davam sinal de vida, essas coisas devem ser demoradas mesmo. Fomos para a minha casa, assistimos um filme que estava passando na TV, e quando esse já estava no final, o meu celular tocou. A princípio só ouvimos gritos, depois reconheci a voz do .
- CONSEGUIMOS! – na hora eu não entendi nada, que ouviu o berro do outro lado da linha olhou para mim e teve mesma reação que eu. – ASSINAMOS O CONTRATRO! VAMOS GRAVAR UM CD! – arregalamos os olhos uma para a outra e começamos a gritar. pulou em cima de mim na cama e tomou o celular da minha mão.
- Onde vocês estão? – não ouvi a resposta, só fiquei com um sorriso que não cabia na minha cara olhando para esperando uma resposta – Chagamos aí em cinco minutos.
- Casa do agora! – ela me puxou pela mão e descemos as escadas correndo. Nem sei como não caímos. Por sorte o motorista tinha acabado de chegar e nos levou.
Assim que chegamos, abriu a porta que não estava trancada, a abraçou fortemente. Entrei na casa procurando , mas tudo que senti foram braços agarrando minha cintura e me puxando para um beijo. me levantou e continuamos a nos beijar, rimos entre o beijo, até abraçar nós dois, fazendo se desequilibrar, cair no sofá comigo em cima dele. Aquilo, não sei o porque, motivou que todos fizessem um montinho na gente. Quem chegasse e visse aquela cena, com certeza acharia que tínhamos bebido muito, mas não nos importávamos, era tanta felicidade, parecia que finalmente tudo estava em seu rumo. O sonho de todos estava se realizando: os meninos com a banda, eu e com a faculdade.

Continua...


Nota da Beta: Qualquer tipo de erro encontrado nessa atualização, contacte-me por e-mail, não utilizem a caixa de comentários. Obrigada, espero que gostem da fic. XX