Living in the (not so) Material World
História por Júlia e Gabriela | Beta: Sarah C.


A garota passou a mão pelo cabelo castanho e arrumou a franja, dedilhando a testa e soltando fios de cabelos que a incomodavam. Uma fita azul foi colocada no topo da cabeça, um laço perfeito foi formado. Ela apertou suas bochechas a fim de rosá-las. Sorriu satisfeita. Pegou seu batom rosa - ganhara-o de , sua amiga que agora estava em Paris. Essa que vez ou outra lhe mandava "lembrancinhas", que na opinião de , a garota que agora se arrumava, eram um pouco mais que uma lembrança, mais para um presente. E dos caros. Mas era assim: impunha sua riqueza com atos carinhosos e nada modestos. Todos seus presentes eram guardados em uma estante pessoalmente bem cuidada por . fazia falta. Ainda mais em situações como essas. Festa da primavera, terceiro ano do ensino médio, com pares. sabia tudo sobre festas, ela era essencial nesse dia. Mas essa sua amiga leal agora estava longe, entupindo-se de cosméticos caros europeus, de lojas da elite européia e das dondocas francesas.
Ela se levantou, passando as mãos pelo vestido, também azul, com bolinhas em branco. As mangas eram curtas e encapadas por cetim aveludado em um azul ainda mais anil que a saia do vestido. O sapato era de salto, branco como uma nuvem. Ela caminhou, fazendo com que ele fizesse um barulho alto nos tacos do piso de madeira. Pegou seu perfume mais forte, pois nenhuma ocasião a permitia usá-lo: Chanel nº 5.
- ! - ouviu sua mãe chamá-la do andar de baixo.
- Sim? - disse calmamente, andando até a porta e respirando fundo, tentando acalmar a palpitação no coração.
- Ele chegou... - sua mãe disse vagamente, num tom brando e calmo.
Desceu as escadas sorrindo, medrosa.
Sua mãe disparou um flash. pegou-se sorrindo para ela. Um sorriso puro e cheio de significado para a fotografia. Sua mãe, Elena, a criou sozinha, já que seu pai era um bêbado, e por mais que a mãe tentasse se defender, de nada adiantava. Ela sabia que ele era um cafajeste. E essa mesma era apontada e mal falada por ser abandonada, mesmo não sendo justo, ainda acontecia.
voltou sua atenção a Tom, o garoto com quem iria ao baile. Para a sorte da garota, sua mãe o conhecia e o aprovava, pois Tom era o anjo em pessoa, a fofura de uma nuvem metamorfizada em figura humana. Esse que a esperava na porta de entrada de sua casa com sua pulseira branca com flores azuis e roxas bem pequenas, que combinavam com as das flores do bolso do paletó escuro do mesmo.
Caminhou até ele, cumprimentando-o com um beijo delicado na bochecha, que o deixou vermelho e o fez soltar um sorriso tímido. Elena sorriu e se dirigiu a porta.
- Aproveitem, crianças. A volta está prevista para...? - perguntou num ar autoritário.
- Meia noite, Sra. . - respondeu Tom educadamente.
- Certo. Boa noite, meninos. - ela disse, já fechando a porta.
Os dois sorriram de modo angelical um para o outro.
- Vamos, - o garoto puxou-a pela mão, fazendo-a sentir uma dormência na palma da mão. Ela fechou sua mão na dele e olhou para o lindo loiro que a guiava até o seu Ford Thunderbird preto.
O loiro abriu a porta para ela, que se acomodou. Ele entrou logo depois, sorrindo de modo diferente.
- Está pronta para hoje, senhorita ? – perguntou divertido, ligando o carro.
- Sempre estive, senhor Fletcher. - ela respondeu, passando um batom vermelho por cima do rosa claro que havia passado em casa - Cadê os cigarros, Tom?
- Porta-luvas. - apontou para o lugar, sorrindo safado. Despenteou seus próprios cabelos, desfazendo o perfeitinho penteado que antes se encontrava. Acendeu o cigarro para a menina e não pôde deixar de conter seus olhos, que agora observavam a boca vermelha de sua namorada. - Você está um arraso hoje hein, ! - ele disse malicioso e encantado ao mesmo tempo.
- Eu sou um arraso, querido. - ela piscou para ele enquanto tragava o cigarro e lhe oferecia. Tom o aceitou e dirigiu até a rua da escola.
- Depois de fazer uma horinha aqui no baile vamos andar de moto. - o loiro disse, estacionando o carro - com Harold e sua sei lá o quê.
Isso fez rir baixinho. Harold era o máximo, e o melhor amigo do casal. E nunca tinha uma namorada fixa. O que deixava aliviada, pois o menino pertencia a , pelo menos ao ver da menina.
Chegaram ao salão da festa, que era nada mais, nada menos, que o pátio do colégio. Tom entrelaçou suas mãos nas de , que agora tinha os cabelos soltos e enrolados caindo pelos ombros. Ela sorriu, observando seus colegas dançarem, e olhou para seu namorado, que mantinha seu terno aberto e a camisa branca de baixo com os primeiros botões abertos. Sua gravata ficava charmosa bem onde estava: no bolso. Seu cabelo despenteado agora sim retratava o verdadeiro Tom, mesmo que aquele perfume nunca deixasse de ser dele, com cabelos arrumados ou não. Ele era, definitivamente, um garoto sexy.
- e Fletcher. - Harold chegou por trás, assustando-os - Que surpresa os dois juntos. - disse num tom irônico, deixando um rastro do hálito também de cigarro.
- Surpresa é você estar bêbado. - começou Tom, cético.
Todos riram e Harry os virou de frente para ele. O garoto de cabelos morenos claros e olhos azuis sorria com um misto de saudade e felicidade.
- Gab devia estar aqui, né? – ele perguntou num tom baixo.
- É. – responderam Tom e em uníssono. Harold abraçou e a girou.
- Pelo menos me deixaram com minha melhor amiga.
- Harold, olha a saia, cuidado! – ela reclamou. Tom riu e segurou na cintura da namorada, para tirá-la da situação precária.
- Quem você vai levar hoje? – a morena perguntou.
- Jéssica. – o moreno apontou com a cabeça para um grupo de meninas – A ruiva.
- Certo. - assentiu a menina, assustada. Harry adorava escolher meninas “excêntricas” quando estava ausente. – Nos vemos daqui uma meia hora, ok? Vou dançar com Tom enquanto ainda há músicas que prestem. Tom gostou da atenção e girou por baixo dos braços, fazendo sua saia rodar enquanto entravam na pista. Devil In Her Heart tocava nas caixas de som, haviam poucos casais, mas eles não se importavam muito, afinal, de quem mais eles precisavam quando se tinham? O loiro a conduzia com eficiência e sutileza, e isso os faziam ser o casal mais sincronizado da pista. Seus sorrisos faziam uma espécie de aura brilhar ao redor de ambos.
Quando I Wanna be Your Man começou a tocar, a música nem era mais quem mandava em seus movimentos. Eles sentiam que tocariam With The Beatles inteiro naquela noite. Tom cantava partes românticas da música ao pé do ouvido de , que sorria com a ironia. Aquela música era a que Tom sempre cantava para ela.
Love you like no other baby, like no other can?
Saíram da pista quando um péssimo blues começou a tocar. Thomas conduziu até uma parede perto dos banheiros, que estava esquecida por todos, e a beijou caprichosamente, segurando seu queixo delicadamente. Tom cortou o beijo, grudando seus olhos castanhos nos da namorada enquanto acariciava sua bochecha. O loiro achava que aquele beijo não era suficiente para expressar o quanto achava a garota bonita, o quanto ele a queria por perto a cada segundo, por isso começou a dar vários selinhos nela, fazendo-a rir apaixonadamente.
- I wanna be your lover, baby, I wanna be your man. – ele repetiu baixinho, roçando os lábios nos de e encarando-a com seus olhos castanhos brilhando.
-Você já é. – ela sorriu e o beijou novamente.

 Capítulo 1
[Ludmile POV]

- Paul, faça-me um favor e pegue aquele verde pra mim, não?
- Não. – ele riu sarcástico – Peça pra seu namoradinho ali... Eih, John?!
John sorriu malicioso para mim e pegou o vestido. Quando se aproximou, pisquei para ele, arrancando o vestido de sua mão.
- Que horas é o vôo? – perguntei do vestiário.
- Às oito... Isso se você não nos atrasar com todas essas compras. – Paul, que claramente me amava, comentou distraído com alguma coisa. Coloquei minha cabeça para fora e o vi olhando para uma mulher que se abaixava.
- Oh, Paul! Pensei que eu fosse a única! – e voltei minha atenção para o vestido verde, ainda rindo. Ele riu junto a John.
- É mesmo, a única que consegue ficar numa loja duas horas e não escolher nada.
- Deixe disso. – John disse, defendendo-me – Não iríamos fazer nada, mesmo.
- Poxa, já acabei. – disse, sofrendo muito para abrir meu mais novo vestido de Paris. – John, preciso de uma ajuda para abrir o fecho, por favor? – falei baixinho, afastando um pouco a cortina.
- Para isso ela não me chama. – reclamou Paul.
- Até te chamaria se não ficasse de olho em outros pares de saia. – brinquei.
- Não sou homem de uma só mulher, docinho.
- Mas eu sou só de um homem, docinho.
- E esse sou eu, certo? – um John lindo abria meu vestido para mim.
- Eu espero que sim. – disse, empurrando-o para fora e fechando os olhos pensando em Haz.
Saímos da loja com muitas sacolas e fomos direto para o aeroporto, pois nossas malas já estavam no carro. George e Ringo estavam em suas casas visitando a família, por isso nós havia conhecido apenas John e Paul. Nossa amizade surgiu em apenas um dia de convivência, e eu havia convencido os dois de irem para Brighton comigo. Essa era uma surpresa que eu não podia enviar a por correio. Eu estava com meu vestido vermelho com frente única, meu cabelo preso em um rabo e um salto preto emoldurava meus pés.
O vôo foi tranqüilo. Chegamos umas nove e meia da noite. Estávamos passando na frente de minha escola quando vi meus melhores amigos saindo um pouco felizes demais. e Tom de mãos dadas e Judd. Meu Judd... Com uma menina qual eu não lembro, ruiva. Vaca. Paramos o carro bem em frente do grupo e, por um momento, olhou chocada para o carro, provavelmente pensando que íamos seqüestrá-la, mas depois me viu e abriu um sorriso brilhante.
-! – ela soltou-se de Tom e correu até mim como se não estivesse de salto. Ela estava muito bonita e lembrei-me de que ela havia me avisado de que hoje era o baile de primavera da escola. Enquanto ela me abraçava, eu me preocupava em fuzilar Harry, que me olhava estático – ? Deus! O que você está fazendo aqui?
-Apresentando uns amigos. – sorri para , não querendo mais encarar os olhos azuis hipnotizantes de Harry. Nisso, Paul e John saíram do carro, deixando todos chocados. Principalmente quando Lennon decidiu por sua mão em minha cintura. Harry ficou meio confuso, mas mesmo assim veio em minha direção. Porém, ele não tem o direito de aparecer com uma ruiva e depois querer um abraço, então me desviei de seus braços e abracei novamente. Afinal, ela era minha melhor amiga e seu abraço me fazia muito bem. Judd pareceu entender a mensagem e se afastou com amargura no olhar.
- MEU DEUS DO CÉU! – a ruiva deu vários passos em direção a Paul e John, com os olhos brilhando – Oi, meu nome é Jéssica. – ela abraçou Paul, pois John permanecia com os braços em minha cintura. McCartney se desvencilhou rapidamente dela e disse:
- Não se dê ao trabalho, fofa, daqui a cinco segundos eu vou esquecer. – passou os olhos por nós e parou, sorrindo para – Viu só, já esqueci. Oi, Paul, ao seu dispor. – e deu um beijinho em sua mão, ela enrubesceu levemente.
- Cuidado Paul, também é mulher de um homem só. – comentei, dando uma piscadela para Camarão. E quando depois percebi que a aquela ruiva idiota ainda estava entre nós, olhei com o maior desprezo possível para ela – O que você ainda está fazendo aqui? Você não é desse grupo... Vamos, TCHAU! – depois dessa a garota nem pensou duas vezes antes de ir embora. Harry sorriu para nós e me seguiu até nosso carro.
- Não vai caber todo mundo, ... – Harry disse desdenhoso, fuzilando-me com seus olhos azuis cheios de dúvidas.
- Pra isso serve o colinho do Paul aqui! – o mesmo disse, rindo da piada antes de acabá-la.
- Há-há. – disse Tom, nada feliz com o comentário, direcionado a sua namorada.
- Hello-o? Eu sou a única vendo essas belezinhas aqui? – perguntei, apontando para as duas vespas pretas estacionadas do nosso lado - Vem, John!
- O... O que? – gaguejou Harry, com os olhos arregalados. Sim, eu estava procurando por essa reação.
- Você não se importa de ir de carro com o Paul, né? – perguntei, mais que tudo, sarcástica.
- OI! Por que EU tenho que ir de carro? – ignorei este comentário e me aproximei do moreno com os olhos azuis.
- Ou, se você quiser, - acariciei seu braço e ele engoliu em seco – pode ir com a sua nova amiguinha... Aquela com cabelinhos vermelhos secos e frisados? – naquele ponto, eu já estava com os meus braços em volta de seu pescoço – Você é quem sabe. – terminei, dando-lhe um beijinho no canto de sua boca.
- Que tal... – ele disse, após se recuperar de nossa aproximação, entrando no jogo e roçando as mãos em minha cintura, esquentando tudo por onde encostava – Nós irmos juntos na minha moto? – ele ergueu as sobrancelhas e sua boca chegou a um centímetro da minha.
- Aprovo essa ideia. – disse, subindo na garupa de Tom – Vocês têm muito que conversar... John, não tem problema, tem?
- A... Acho que não. – John nos olhou confuso. Eu sorri angelicalmente para ele e me virei para Harry, ansiosa. Ele sorriu de orelha a orelha e sentou-se. Os dois BeatleBoys entraram no carro enquanto eu sentava na garupa do meu Harry dos olhinhos azuis.
- Nós vamos seguindo vocês. – anunciou John meio bravo.
Harry deu partida na moto e sorriu sarcasticamente para os que se encontravam no carro.
-Se vocês conseguirem nos seguir ficarei feliz em mostrar o caminho para a casa da minha namorada.
E então acelerou não deixando nem ao menos eu abrir a boca para explicar.

[’s POV]

O vento batendo em meu rosto era calmo e refrescante. Tom não estava muito feliz com a companhia da metade dos Beatles, mas eu estava extasiada. Fala sério, o que a não conseguir fazer? Meu Deus, ela trouxe Paul McCartney e John Lennon para Brighton! Eu apertava fortemente a cintura do loiro e fungava deliberadamente seu pescoço descoberto. Os fios louros de seu cabelo estavam bagunçados ainda mais por causa do vento, e eu achando que ele não podia ficar mais sexy!
Quando paramos em frente a casa vazia de minha amiga, Thomas puxou-me fortemente para perto de si e me tascou um beijo digno de novela. Sua língua entrou em minha boca sem ao menos pedir passagem e praticamente me engolia, mas quem sou eu para reclamar? Quando paramos de nos agarrar, vi que John, e Haz já haviam entrado, mas Paul me observava com um sorriso maroto no rosto, provavelmente porque pensava que eu era santa.
Fomos em direção da casa, e lá dentro a música estava alta e o cheiro de cigarros e bebidas estava forte no ar. Tom me puxou para perto de seu corpo para dançarmos ao som de ‘Don’t let me Down’.
- Eu te amo, sabia? – ele sussurrou em meu ouvido na metade da música, enquanto eu viajava minhas mãos pelos seus cabelos macios.
- Claro que sim, quem não me ama? – ele deu um risinho, roubou um pequeno beijo meu e foi buscar uma bebida. A música mudou para ‘Love Me Do’ e fui surpreendida por um Paul me puxando para dançar com ele. Eu não conseguia evitar as risadas, conseqüentes das expressões que ele fazia enquanto se remexia loucamente ao som de sua própria banda. Ficamos assim até o final da música, quando ele cometeu o erro de me puxar pela cintura e me deixar a três milímetros de sua boca. Eu estava hipnotizada e me aproximava cada vez mais de seu rosto, até que um grito do meu namorado me despertou.
- HEY! – afastei-me automaticamente de Paul e olhei para Tom – Que merda, ! – e saiu correndo e batendo portas da casa de , que me olhava com espanto.
-Desculpa. – Paul sorriu e depositou um beijo em minha bochecha – Acho melhor nós irmos, John.
Ninguém os impediu e eu fui deixada com o perfume de Paul ainda em meus pulmões.
- Agora é o momento que você vai atrás do seu namorado... Né? – insinuou e eu fui atrás de Thomas, meu anjinho loiro que estava com muita vontade de matar um BeatleBoy.
Achei-o na varando do quarto de , olhando para onde a lua minguante aparecia no céu. Apoiei-me ao seu lado e, depois de um tempo em silêncio, ele se pronunciou:
- Sabe, por um minuto eu achei que você realmente fosse beijá-lo... – sua voz continha um ódio com um misto de dor. E pelo jeito, meu silêncio o machucou ainda mais, afinal, eu estava realmente quase beijando o outro garoto.
- Tom, eu... – ele me deu tempo para falar, mas nada saiu de minha boca. Minha garganta ficou seca e meus olhos molhados.
- É só que... – ele limpou a garganta e olhou para mim – você nunca fez nada como isso antes.
- Eu sei! Tom, eu não sou assim – tentei explicar, aflita, mas nada sensato vinha a minha mente e as coisas que saíam de minha boca me agradavam menos que os pensamentos – eu não sei o que me deu, eu...
- Não entendi o que aconteceu lá, eu sei que você não é assim... – ele me respondeu tristemente.
- Eu... Fiquei impressionada... Ele é um Beatle... – parei, fazendo careta e sabendo que tinha errado o caminho da explicação.
- E por ele ser um Beatle você deve beijá-lo? – Tom indagou com ódio, e seu olhar demonstrava que realmente não previa isso.
- Óbvio que não. – disse, recuando um passo, sentindo nojo de mim mesma – Estou um pouco bêbada... Deixei-me levar pela música e pelas gracinhas dele...
Ele não mais me respondeu e eu deixei as lágrimas rolarem pelo meu rosto. Está pra nascer alguém mais estúpida que eu! Já fazem três anos que estou com Tom, já passamos por praticamente tudo juntos... E chega um garoto que me encanta e eu simplesmente nem penso em Tom. O que foi aquilo, afinal? Paul havia conseguido me encantar com apenas um olhar e um gesto, e eu tinha uma impressão de que essa nova atração não tinha nada a ver com ele ser famoso. Afastei aqueles pensamentos de minha cabeça e me voltei para meu namorado, que agora me observava com um olhar vago e misterioso, que eu não conseguia decifrar e que me fez olhar para baixo no momento em que se encontrou com os meus.
Esperei para que ele limpasse minhas lágrimas, mas ele apenas virou seu rosto, forçando-me a mim mesma limpá-las. Tentei juntar nossas mãos, mas ele desviou e caminhou para fora do meu ponto de visão. Foi difícil respirar depois disso, pois o aperto em meu coração parecia aumentar a cada segundo. Sentei-me na cama de , sem prestar muita atenção nas vozes altas que vinham do andar de baixo. Depois de uns dez minutos que fiquei chorando, senti braços quentes em volta de meu corpo.
-Tom – comecei, conseguindo respirar novamente – sou eu, você sabe que sou eu!
- Shh, eu sei... – suas mãos acariciavam meu cabelo e sua voz era baixa, mas profunda, que me acalmava sem trabalho – Desculpe, meu amor. Eu sei que você nunca faria nada para me machucar.
- Nunca. – resmunguei ainda um pouco abalada e ainda fungando.
Ele riu e depositou um beijo no topo de minha cabeça. Descansei um pouco meus olhos e quando os abri novamente, os olhos de Tom me observavam curiosos. Senti uma enorme vontade de beijá-lo e foi o que eu fiz. Desta vez, felizmente, ele não recuou ao meu toque. Nosso beijo calmo foi logo se transformando em um urgente, como se não nos víssemos há semanas. Suas mãos estavam com pressa e passaram da minha cintura indo direto para minhas coxas. Mas as minhas mãos não estavam pra trás, pois já tiravam seu paletó e desabotoavam sua camisa social que separava nossos corpos.
Paramos o beijo, ofegantes, e o loiro começou uma trilha provocante de beijos, que começavam em meu pescoço e iam da minha mandíbula até meu colo. Ele já desabotoava meu vestido e voltava a me beijar, quando ouvimos um ahem ahem conhecido.
- Desculpa, mas não me lembro de ter autorizado que vocês transassem em minha cama.
- Não se preocupe, , do jeito que a coisa está, – Harry cruzou os braços e se encostou à parede – Tom terá terminado antes mesmo de começar!
- EW! Saiam da minha cama! – nos enxotou e, enquanto descíamos as escadas, resmunguei:
- Valeu, Harry!
- Sempre ao seu dispor. – ele piscou – Todos sabem que eu agüento mais que o Fletcher aqui, principalmente a . – ele terminou e todos riram alto, menos a menina que havia me expulsado de seu quarto, que estava um pimentão.
- Chega! Todos saindo da minha casa! – nós vaiamos – É sério, estou cansada... Sabe como é com Paris e tudo... E amanhã vamos ao lago.
Não questionamos. Eu e Tom nos despedimos, porque Harry ficaria até “mais tarde”, o que significava que ele ia dormir lá. A viagem de volta também foi tranqüila, mesmo eu ainda estando um pouco preocupada com o que havia acontecido. Tom parou a moto em frente a porta de casa.
- Então... – acariciei seu rosto – está tudo bem? Entre nós?
- Sempre. – seu sorriso era controlado, mas me acalmou, mas quando dormi, meus sonhos trouxeram Paul de volta a meus pensamentos.

Capítulo 2
[Ludmile 's POV]

Harry só podia estar brincando quando fez sinal que ia ficar mais um tempo aqui em casa. Eu precisava descansar, e ele não estava com cara de que iria deixar. Quando acompanhei até a porta, fiz de tudo pra lançar-lhe um olhar tranquilo, mas ambas sabíamos que ela tinha um pequeno problema a resolver. Paul era um garanhão, pervertido. E sim, depois, eu ia me meter nisso.
Caminhei novamente até meu quarto, retirando a colcha rosa de cima da cama, pois essa foi colocada lá para proteger a cama do pó, e como estive fora por um tempo considerável, a colcha teve de fazer seu papel.
Abri minha mala. Lá dentro deviam estar meus pijamas... Abaixei-me, puxando minha camisola de seda rosa. Senti uma respiração quente acompanhada de duas mãos em minha cintura. Eu sabia que ele iria fazer isso, sabia mesmo. Com dois anos e meio de namoro, sim, nós começamos a namorar na mesma época que e Tom. Enfim, com dois anos, era meio que impossível não conhecer cada detalhe de seu namorado. Não que eu possa realmente chamá-lo de namorado... Nós tínhamos mais um relacionamento aberto, afinal, eu viajava mais que respirava e não queria nada sério.
- Judd, Judd... – disse, em sinal de desaprovação – Fica por aí entre rabos de saia e vem me infernizar assim que chego. – falei, resgatando meu fôlego para virar para encará-lo.
- Infernizar? – ele disse, entortando a boca num sorriso contido, como se em sua mente passasse tudo que ele queria estar fazendo ao invés de conversar.
- Exatamente. – respondi, virando-me novamente e fechando a mala. Amanhã eu cuidaria disso.
Harry voltou suas mãos em minha cintura, puxando-me pra perto de seu corpo. Ofeguei com a provocação desnecessária.
- Eu senti sua falta, senti tanto, achei que não fosse possível... – sua voz tornou-se um tanto irônica – Que eu estava ficando louco, mas a dor era real. Uma pedra no coração, dia e noite. – pude senti-lo sorrindo em meu pescoço e não consegui evitar que um sorriso pervertido também surgisse em meus lábios.
Fechei meus olhos, senti seu perfume embrenhar minha mente. Como aquilo era verdade. Respirei lentamente sentindo falta do esquecido oxigênio.
Na sala, a música alta começou a tocar Elvis - Fever.
Judd me girou pra ele novamente. Segurando minha mão pra cima, acomodando a outra em minha cintura.

Never know how much I love you
Never know how much I care

Ele sorriu satisfeito com a deixa. Fechou os olhos e me guiou numa dança mais lenta que o ritmo comum da dança. Nosso ritmo. Fechei os olhos, deixando-me levar, deixando um sorrisinho brincar em meus lábios.
- Você é linda. – Harry disse, com seu rosto bem próximo ao meu, me surpreendendo. Apenas olhei seus olhos intensamente azuis. Deixando-o juntar nossas bocas. Seus lábios nos meus fizeram algo se renovar em meu corpo. Um calor conhecido e a muito apagado se re-esquentar. Correspondi ao beijo momentaneamente, fazendo-o sorrir e disputar espaço com minha língua. De um modo tão natural que não parecia fazer seis meses que não nos víamos e sim seis horas.

You give me fever when you kiss me
Fever when you hold me tight
Fever in the morning
Fever all through the night


Ele já não beijava mais minha boca e sim meu pescoço. Minha respiração já falha, meu corpo já esquecido daquele calor. Eu já esquecida daquela paixão intensa.
Suas mãos pararam de bailar comigo para abrir meu vestido tiracolo, tirando o laço que não deixava que meu vestido caísse. Sua boca desceu até meu colo, relembrando milhões de lembranças quentes de nosso passado juntos.
- Senti falta desse pescoço... – ele sussurrou, passando os lábios por lá novamente, arrepiando cada milímetro por onde passava – Desses seus arrepios... – ele disse, fazendo-me rir de nervoso. Ele continuou com a trilha, agora acrescentando mais malícia em seus toques, roçando seu quadril em minha cintura. Mas minha mente me avisava para controlá-lo.
- Chega, Harry. – eu disse, empurrando-o com muita contrariedade – Devagar...
- Devagar? – ele disse, puxando meu vestido pra baixo. Assenti timidamente, odiando-me por estar me comportando tão submissamente, mas meu corpo implorava pelo dele – Meu Deus, diz que é brincadeira... Você me abandona por seis meses e agora me pede arrego?
- E... Eu... – disse abobada pela forma direta com que ele me repreendia.
- Eu sei, você me ama. – ele disse convencido.
- Eu, eu estou com o John... – balbuciei.
- Não, você não está. – ele disse firmemente.
- Estou sim. – falei firmemente, odeio que me contrariem.
- Querida , a partir do segundo em que você pôs seus lindos pézinhos nesse mundo – ele disse pausadamente, sem pressa, chegando em meu ouvido para continuar – Você me pertenceu.
- Harry ... – tentei continuar nosso monólogo, mas ele me calou com seu beijo insano.
- Cada – ele disse, largando de minha boca – lindo – ele dedilhou todo meu corpo de minha cintura pra cima – pedacinho – ele terminou tascando outro beijão em mim e soltando-me devagar.
- Ahn... – disse desconcertada, sem perceber que a música havia parado.
- Você deve estar cansadinha, vou dormir no sofá. – Ele falou, mandando um beijinho no ar e me deixando apenas de roupas íntimas, completamente arrepiada e chocada.

Acordei cedo no outro dia, Harry já havia partido e deixado um bilhete ao meu lado.
“Quase te acordei só pra te beijar, mas pra que desespero, não é mesmo? Temos o dia inteiro...”
Dobrei o papel com ódio e me levantei. Atrevido, isso que ele é. Caminhei até o banheiro, ainda dormindo e desacostumada com o caminho. Fiz minha higiene matinal que foi seguida por um bom banho quente e perfumado. Tudo que eu precisava. Saí a fim de encontrar logo uma roupa realmente linda e esfregar na cara do Judd meu novo homem: Lennon.
A 'relação aberta' entre Harry e eu nunca havia dado defeitos. Até que viajei e quase morri sufocada de saudades. O que era extremamente irônico, pois ambos queriam certa liberdade, mesmo juntos. Mas a única coisa que pensei desde a primeira semana em Paris foi que devia ter trazido Judd na minha mala. Mesmo que isso criasse problemas com o aeroporto, ou não, sou rica, e nesse caso o tráfico de pessoas não seria aplicado. Era apenas meu namorado, oras.
Ignorei as tolices que sombreavam minha lucidez e peguei meu maiô azul, minha saia azul de bolinhas e coloquei-a rapidamente, achei minha sapatilha vermelha e depois coloquei minha tiara também de bolinhas.
Estava descendo as escadas, já pronta e maquiada, quando percebi que um John apoiava-se na porta, dentro de uma camiseta branca e jeans, ficando extremamente sexy. Sorri enquanto ele caminhava até mim pra me dar a mão pra descer o último degrau. Ele retribuiu o sorriso e me deu um selinho.
- Sabia que sua porta estava aberta? Isso é perigoso. – fiz careta ao pensar que só estava aberta pois Harry havia saído de lá há pouco tempo.
- Bom, essa cidade é bem calma, então não precisamos nos preocupar. – disse, envolvendo seu pescoço.
- Mas eu me preocupo com você. – ele disse num tom sedutor – Por isso acho que devo dormir por aqui... – riu da própria piada, e eu o acompanhei, pensando em como Judd estava adiantado.
- Bom, vamos. – disse, depois de receber um beijo digno de arrepios, pegar uma toalha para estender na grama e minha bolsa já pronta para o dia na lagoa.
Saímos de casa e caminhamos a pé até o parque perto de casa. Era sábado de manhã e o parque ainda estava vazio. O sol reinava absoluto no céu, sem chances do dia ficar nublado. Sentei-me embaixo de uma sombra gostosa de uma árvore realmente grande e percebi que John fazia o mesmo ao meu lado.
- Você está linda. – ele disse baixo ao pé de meu ouvido.
- Sério? – sorri maliciosa.
- Seriíssimo, – respondeu, roubando um selinho meu.
- Compramos juntos esse maiô. – lembrei-o, sorrindo com a lembrança.
- Ah, claro, tinha que ter meu dedo nisso. Combina muito com você. Tinha que ter um olho clínico, entende? – dei risada de toda aquela pretensão e o beijei – Paul disse que traria uma cesta cheia de guloseimas, sabe... Que ganhou de uma fã... – comentou tranquilamente depois de nos separamos um pouco.
- Entendo, e ele vem de carro? – indaguei.
- Vem sim. – ele respondeu por fim, encostando a cabeça no topo da minha, respirando lentamente, fazendo-me relaxar também.
Começou a tocar uma musiquinha ao fundo, sorri ao identificar The Temptations - Check Yourself, ecoando de dentro de um carro parado próximo ao parque.
- ? – opa... Voz de Harry.
- Bom dia para você também, Sr. Judd. – disse John num tom irônico. Como se tivesse ganhado algum prêmio. E esse prêmio devia ser o ódio de Harry, pois era tudo que ela ganhava nesse momento. John apertou meu braço firmemente como se cravasse uma batalha com aquele comentário.
E cravava.

Aww, I really played in the game.
I'd always win.
Now the tables turn.
And I'm on the losing end.


Engoli em seco com a música e com medo do que Harry faria agora.
- Na verdade, estava falando com ela... Mas tudo bem né, já percebi o quão intrometido você é. – rebateu Judd.
Era mais ou menos isso que eu temia.
- Ah, verdade... , que coisa feia, querida. – Lennon disse, segurando-se pra não rir – Diga bom dia pro Harry ... Diga.

Oh don't, feel sorry.
I had it coming, it's true. '
Cause I'm losing, yes, I'm losing, I'm losing you.


Abri a boca pra falar, mas voz que foi ouvida não era minha, e sim de Judd .
- Na verdade... Já nos vimos hoje, não é mesmo, ? – ele me olhava com um olhar acusador e de diversão.
- Peraí, EU não te vi coisíssima nenhuma. – disse antes de pensar e Harry deixou um sorriso vencedor repousar nos lábios.
- Mas EU, te vi. – disse por fim. Cheque-mate. John soltou meu braço.
- O que...?
- Pois é, pernoitei lá, otário. – soltou Harry e piscou pra mim.
- Não... John! Harry! – disse zonza.
- Nós dois estamos aqui. – Disse Harry, ironizando meu pânico
- Eu... – balbuciei – Você! – apontei pra Harry – Você dormiu lá porque quis e eu não consegui te por pra fora...
- Do seu coração. – Completou Harry, rindo da piada feita em hora perigosa.
- Não! – berrei aturdida pelo olhar julgador de John – Não é isso!
- Então o que é? – John perguntou aflito com meu pânico, interpretando-o errado.
E foi quando eu ia tentar explicar novamente o ocorrido que e Thomas chegaram.

[ ’s Pov]

Desculpa se pareço convencida, mas... Eu estou linda. Bom, pelo menos não falei o comentário de Thomas , que poderia ser considerado ofensivo para algumas pessoas. Não para mim, mas eu sou muito suspeita para avaliar. Eu não parava de babar pelo meu short preto de coraçõezinhos brancos que havia me trazido de Paris. Enquanto me arrumava, perguntei a mim mesma se Paul estava lá quando ela o escolheu, mas havia conseguido afastar aqueles pensamentos antes que me levassem a algo mais sério e desastroso. Voltei à realidade, onde Tom apertava levemente minha coxa, demonstrando afeto. Sorri em sua direção, aproveitando a visão do sol em seu rosto. A música no carro estava baixinha e nós conversávamos animadamente.
- Ainda não consigo acreditar que seu pai lhe emprestou seu Pontiac... – comentei, um tanto distraída com o tempo tão bonito que fazia, relembrando-me da mania louca do Sr. Fletcher de nunca deixar ninguém usar aquele carro.
- Bom... – o loiro deu um sorriso debochado – O que Bob Fletcher não vê, ele não sente.
- Tom! Eu sabia! – minha gargalhada tomou conta do ar quando imaginei o quão cômico deve ter sido Tom roubando o carro do pai escondido – Você não toma jeito, não é mesmo?
- Estou apenas tentando acompanhar seu ritmo, coração. – ele voltou sua atenção para a estrada, enquanto eu apenas retocava meu batom vermelho.
Tom buzinou quando chegamos, fazendo três cabeças se virarem bruscamente para nós. Duas delas não apresentavam expressões muito felizes, mas Harry mantinha um sorriso vitorioso no rosto. Observei John sussurrar alguma coisa para , que mantinha no rosto uma expressão confusa e magoada, e ir pra longe acender um cigarro que estava em seu bolso.
Ajudei Tom a levar a cerveja até onde eles haviam estendido a toalha de piquenique e fiquei ainda mais curiosa com o que estava acontecendo entre o triângulo quando empurrou Judd e foi para a outra direção do parque. Aproveitei para fazer isso quando Tom foi resgatar minha amiga.
- Bom dia, Harry. – sorri meigamente quando ele me abraçou em resposta.
- Não sei se posso concordar com isso. – comentou enquanto se afastava de onde estava, fazendo-me acompanhá-lo.
- O que você fez? – perguntei sem pensar, Harry ficou chocado.
- Por que sempre...? Argh. – ele desistiu de tentar se defender e bagunçou seus cabelos - Contei a Lennon que passei a noite na casa de .
- Aposto que não foi nada sutil. – comentei, desta vez sem medo de algum olhar desaprovador: eu conhecia meu amigo.
Andamos por uma trilha que nos levava a um lado mais cheio do parque. Várias crianças brincavam uma com as outras, rolando na gramam, sem terem a preocupação de serem pegos pelos pais, pois esses provavelmente conversavam sobre trabalho e nem botavam os olhos em suas crianças. Em praticamente todas as árvores, flores rosas e amarelas brotavam nos galhos, e os troncos eram marcados por nomes de casais, esquecidos no tempo. Ficamos conversando e vagando pelo parque por mais um tempo, até Tom aparecer, dando um grande tapa, que garotos chamam de "amigável", nas costas de Harry.
- Qual é cara, você tem sua garota, deixe-me aproveitar a minha. – Judd fez careta, mas não discordou.
- Quero uma cerveja. – comentei aleatoriamente depois de entrelaçar meu braço no do loiro.
Servimo-nos de duas garrafas e fomos no sentar na beira do lago, refrescando nossos pés debaixo da água. Ao nosso lado havia um pneu pendurado numa árvore por uma corda, mas sabíamos que deveríamos esperar o clima ficar mais confortável para aproveitarmos o dia juntos.
- Está vendo aquele carrinho ali? – Tom apontava para o fundo do parque, bem além do lago. Assenti, vendo um carrinho vermelho, que parecia ser de colecionador, meio destroçado, meio enterrado na terra – Eu tinha dez anos quando fiz aquilo... Meu pai ficou uma fera!
- Ai meu Deus! – tampei a boca, tentando não rir ao imaginar a cena – Você nunca havia mencionado isso...
- Lembrei apenas agora. – seu sorriso era sonhador, como se estivesse revivendo a cena em sua mente – Era da coleção dele, – continuou, dando um gole em sua cerveja – e eu, acidentalmente, o deixei jogado na rua.
- Ele viu? – perguntei ansiosa para saber o resto. Nunca me cansava das historias de Tom. Elas sempre me soavam cheias de vida e de alegria, e eu ficava imaginando como seria se meu pai fosse 'normal' e ainda estivesse aqui em Brighton, será que eu teria histórias como essas para contar?
- Não quando foi atropelado, mas ele viu quando eu tentava enterrar o maldito carrinho! – o garoto riu da improbabilidade e eu ri com ele – Levei uma surra daquelas...
- Ah, tadinho do meu amor. – apertei sua bochecha e aproveitei para passar meu braço em volta de seu ombro, ficando mais próxima de seu rosto.
- Pois é, quando eu precisava de uma enfermeira você não estava lá. – ele encostou nossos narizes e me deixou um tanto confusa com o comentário.
- Eu não sou uma enfermeira, tem certeza que esta se referindo à namorada certa, Thomas? – ele riu com o meu comentário e logo se explicou.
- Tenho certeza absoluta. – seu olhar mudou de gentil para um olhar intenso, cheio de significados – Eu quis dizer que você sempre cuidou muito bem de mim, e bem... – sua voz ficou mais baixa e maliciosa, arrepiando-me quando sua respiração bateu em meu pescoço – Você fica extremamente sexy vestida de enfermeira!
- Thomas! – bati em seu braço, lisonjeada, mas ao mesmo tempo, um tanto ultrajada. No calor do momento, ele me roubou um beijo, e pude sentir que sorria enquanto nossas línguas se encontravam.
- Olá, crianças! – uma voz um tanto distante, mas conhecida, nos separou – O que eu perdi?
McCartney estava ótimo, no sentido literal e figurado da palavra. Sua bermuda e blusa eram listradas e em sua cabeça, uma boina branca dava-lhe um ar de marinheiro. Tom amaldiçoou baixinho quando viu Paul, então me voltei para ele, dando-lhe um selinho e tentando acalmá-lo com o olhar. Não tive certeza se aquilo havia funcionado, mas não queria forçar a barra.
Fui me juntar a , alegando a Tom que não podia deixar minha amiga sozinha. Para ser honesta, parte de mim queria saber mais sobre o Beatle... Como ele era, quais eram suas manias, queria saber suas histórias.
- Oi, . – disse simplesmente, colocando as mãos na cintura e esperando minha amiga sorrir de volta. Mas não foi isso que ela fez.
- Nossa, agora eu existo, não é mesmo? – ela exclamou com a voz exasperada, cruzando os braços em seu colo e impondo com o olhar para que eu explicasse minha ausência.
- Não, você também existia enquanto me comprava este lindo shorts. – sorri angelicamente para ela, que continuava com a cara emburrada – Já lhe agradeci por isso e por ser a melhor amiga deste mundo?
- Hum, tudo bem... Esta parcialmente perdoada. – ela lançou-me um meio sorriso, como se eu tivesse que completar algumas fases para ganhar um abraço – Então... O que deseja?
Mordi o lábio e olhei rapidamente para Paul, que conversava com John. Ele tinha duas cervejas na mão e sorria de um modo debochado.
- Ah, não.
Fiquei estática. Como ela...?
- , olhe para mim. – olhei e ela agora segurava meus ombros, impedindo-me de escapar do seu sermão – Não, nem ao menos pense nisso.
- Mas eu n... – fui me explicar, mas olhei para o lado novamente e desta vez vi Paul conversando com... Tom ?! – O que?!
Olhamos, paralisadas, Tom Fletcher e Paul McCartney apertarem as mãos. Como num cumprimento. Amigável. Bom, não exatamente amigável, mas educado. Vamos apenas agradecer a Elvis (nesse caso, Deus) que eles não estavam se matando. Vi que a cerveja que o Beatle antes segurava fora entregada ao meu namorado, que concordava com alguma coisa que o outro falava. Será que as pessoas se sentem assim quando vêem uma miragem?
- Ok... E o que fazemos agora? – perguntei confusa, com medo de estragar o momento. Mesmo não tendo muita certeza de qual era o tal.
- Eu vou falar com John... Você junta o que resta das pessoas para nadarmos. – ela disse com desprezo, referindo-se a Harry.
Mas antes que eu pudesse chegar a ele, Tom chegou a mim com um sorriso retardado no rosto. Parece que Paul esteve usando os mesmos truques que usou comigo, mas em meu namorado. Abri a boca para perguntar o que diabos estava acontecendo e ele aproveitou esse momento para enfiar sua língua em minha garganta.
Uau, Tom, quanta classe. Vou te contar viu. Este me empurrou para uma árvore que havia do nosso lado e apertou fortemente minha coxa, fazendo-me finalmente querer corresponder aquele beijo quente. Eu despenteava seu cabelo, arrancando vários fios dos lugares por onde minha mão passava, mas foi quando Thomas achou o fecho de meu biquíni que eu decidi que aquilo era o suficiente por ora.
- Fletcher, acorda, estamos em um parque, não em seu quarto! – o repreendi, sentindo-me ainda mais exposta ao ver que o parque agora estava mais cheio de gente do que antes.
- Desculpe. – ele limpou o canto de sua boca, olhando para a direção de Paul – Eu só precisava ter certeza de que a mensagem fora entregue. – franzi o cenho, com um medo real formando em minha expressão.
- Ahn... Mensagem? – tentei parecer calma, eu não ficaria muito feliz se Tom tivesse afastado Paul de nossa convivência... – Mensagem para quem? – ele olhou novamente para o lado – Tom, pelo amor de Deus, ele nem está olhando para nós! – seu olhar foi para baixo, demonstrando vulnerabilidade e certa vergonha. Levantei seu rosto para mim – O que foi que vocês conversaram?
- Ele me pediu desculpas. – os seus olhos castanhos relutaram com este fato mais do que sua voz.
- E você o odeia assim mesmo? – cruzei os braços e Tom levantou a cabeça rapidamente até mim. Ele estava definitivamente tendo uma briga interna consigo mesmo.
- Não... Não o odeio. Só me parece que ele esta tentando me superar, entende?
- Você não pode simplesmente aceitar as desculpas e deixar tudo isso para trás? – segurei seu rosto novamente e olhei bem em seus olhos. Ele relaxou ao meu toque – Por favor?
Ele concordou e me beijou calmamente, fazendo meu estômago se remexer e todo o meu corpo se arrepiar com o seu carinho. Acariciou minha bochecha e foi encontrar Harry para acharem algo salgado para comerem. Concordei, dando-lhe mais um beijo, e o observei se afastar. O sol estava mais forte a cada momento, então decidi aproveitar isto. Retirei meu shorts, dobrando-o e colocando-o cuidadosamente sobre a nossa toalha e caminhei até a beira do lago. A ponta do meu pé testou a água, que estava geladíssima, fazendo eu me afastar automaticamente, para trombar em... McCartney.
Essas surpresas estavam virando rotina.
Senti suas mãos quentes envolverem minha cintura, enquanto meu rosto queimava. E não era por causa do sol. Mas ao invés dele fazer algo desagradável (para Tom), ele apenas disse:
- Segure a respiração, boneca. – e pulou comigo dentro do lago.
O problema é que ele não me soltou, suas mãos permaneceram intactas em meus quadris, e como se tivéssemos conectados de alguma forma, abrimos os olhos ao mesmo tempo. O magnetismo foi maior que a razão e, no calor do momento, nossas bocas se encontraram. Minhas pernas entrelaçaram-se em sua cintura e nós emergimos ainda grudados um no outro. Todo o meu corpo formigava e pedia por mais daquele momento, mas tomei conta do que ele planejava ao vê-lo piscando para mim e saí de lá imediatamente. E, pior do que a sensação de aflição que tomava conta dos meus pensamentos, era saber que eu desejava por mais um mergulho com o Sr. Paul McCartney.



Capítulo 3

[Ludmile’s Pov]
Estava um sol dos diabos. Sem gracinhas. Era literalmente dos diabos. Depois de almoçarmos, caminhei até debaixo daquela árvore de sombra gostosa. Peguei meu livro, um romance bom que consegui pegar de mamãe antes de voltar de Paris. Recostei-me já seca, apesar de ter mergulhado no lago diversas vezes. John havia sumido e resolvi não ficar correndo atrás dele. Não gosto de sufocar. Não sou dessas. E ele também não deve gostar muito disso, já basta o assédio diário, certo?
Alguém se sentou ao meu lado e, ao julgar pelo perfume, é claro que era Judd.
- Por favor, vai encher outro – disse calmamente, tentando fingir que seu aroma não perfurava meu pulmão e provocava memórias que causavam reviravoltas toscas em meu estômago. Infeliz.
- Qual seria a graça? – Ele disse depois de dar uma risada alta e gostosa. Risada de Harry, você não entenderia.
- Judd, já estragou meu dia...
- Não estraguei não... Seu dia nem começou... – Ele disse, aproximando-se perigosamente. Eu não ia olhá-lo nos olhos. Eu não podia. Simplesmente cairia na tentação.
- Por que você não vai brincar no lago? Criança – Revidei a provocação evidentemente ardendo de raiva. Sim, só de raiva. Mesmo ele estando só de bermuda.
- Só se você vier comigo – Ele cochichou em meu ouvido.
- Harry, não quero falar com você – resmunguei cansada.
- Eu também não quero conversar – Ele disse numa voz propositalmente sedutora e, infelizmente, eficaz. Sua mão esquerda acompanhou o desenho do biquíni de meus ombros até minha cintura. Rezando para que ninguém tivesse visto, afastei-o – Meu Deus, como é bom te fazer ficar assim... Fale sério, , ele, aquele Lennon, não faz nem metade do que eu...
- Cansei, chega, saí daquilo – disse, aumentando gradativamente minha voz a cada palavra. Ele se levantou e me mandou um beijinho no ar. Idiota. Tentei voltar à leitura umas trinta vezes e assim que consegui, outro vulto se sentou ao meu lado.
- Pelo amor de Deus, nem vem – Disse em tom raivoso e autoritário.
-Hm, só queria resolver umas coisas... – A voz de Lennon me fez saltar.
- Ah! Desculpe! - disse, estendo a mão para tocá-lo no braço, e ele recuou – John, achei que era outra pessoa, me perdoe.
- Sem problemas – ele disse, repousando rapidamente seus olhos em meu rosto e depois vendo que percebi, desviando-o – Como eu disse, só quero resolver umas coisas.
- Diga – disse, tentando manter a calma. Como era complicado. Eu o adorava, mesmo. Eu o queria perto de mim, ele me fazia rir, e pensar claramente em tudo. Mas às vezes ele mergulha num mundinho só dele. Impenetrável. E eu fico confusa, nós não nos conhecemos há muito tempo, ou melhor, há um mês. Mas parece que o conheço há anos. Nunca quis magoá-lo. Mas é de Harry que estamos falando.
- Não dá pra competir com quem dorme com você – suas palavras saíram de sua boca, atingindo-me de um modo inesperado. Fechei o livro e o soltei ao meu lado.
- John...
- Fica quieta, é minha vez de falar, eu escutei aquele monte de merda e fiquei calado apenas para não te envergonhar.
Pisquei três vezes. Minha boca se abriu mais três. Mas, sem chances de algo sair de lá. Esse é mesmo John Lennon? Talvez.
- Só quero deixar claro que você não precisa me dar satisfações. E que não, eu não quero conversar sobre o assunto – Ele fez uma pausa e nossos olhos se encontraram novamente. Nossos rostos estavam muito próximos. Ele ficava incrivelmente sexy bravo. Mas mesmo assim, estava sendo grosso, como Harry nunca foi em um ano de namoro. Fiz uma careta e isso pareceu despertá-lo de seu transe rápido em minha boca. Antes que ele começasse, disse:
- Espera aí, me deixa explicar, foi uma brincadeira do Harry...
- Ele dormiu lá? – John disse, olhando-me com ódio novamente.
- Sim, mas...
- Mas nada. Entendo você. Só não entendi porque me trouxe até aqui.
Seus olhos eram incrivelmente ressentidos, comecei a ficar realmente culpada. Em minha mente rodavam ideias idiotas de que como ele se importava comigo, e como ele me queria.
- Por favor. Me escuta – falei, erguendo minha mão até seu rosto – É bobagem, o Judd é uma criança... – Ele fechou os olhos ao sentir meu toque e um sorriso veio à minha boca. Eu gosto dele. Nem sei quanto, mas gosto.
- Eu não ligo para ele, , ligo para você – Seus olhos se abriram e o ódio estava lá. Soltei seu rosto de imediato. Não gostava desse John.
- Eu também ligo para você... – soltei sem pensar, será que ligo?
- Não liga não. E eu não tenho tempo pra isso – ele disse com ar esnobe e se levantou – Vamos embora amanhã de manhã.
E esta é a vigésima vez hoje que eu fico em choque hoje.
- Ama... Amanhã?
- É.
Disse e saiu andando até a beirada do lago onde se sentou ao lado de Paul.
- Mas o que?... – gaguejei sozinha. Senti meu rosto corar, minha garganta secar. Que raios está acontecendo?
Peguei meu livro e fingi novamente que sabia onde tinha parado a leitura e que não estava confusa em relação a ter Lennon afastado de mim.
chegou com Thomas e ninguém mais que meu inferninho particular, Harry Judd.
- Eai, moça rica? – brincou comigo. Olhei-a com desprezo, nem foi por querer. Ela entenderia, eu imagino – O que aconteceu?
Sorri surpresa com a rapidez de análise de meu humor feita pela fofa que agarrava as mãos de seu namorado, ao constatar que o lago se enchia de garotas, essas desesperadas por um homem. Coitadas, se dependesse de mim e de ...
Enfim, resolvi respondê-la:
- Nada. Depois conversamos – Olhei com ferocidade pra Judd. Ela entendeu o recado. Aliás, os peixes do lago entenderam o recado. assentiu e veio se sentar ao meu lado. Os garotos se sentaram também e começaram a conversar sobre uma nova moto.
- Vamos sair hoje à noite? – disse descontraída, olhando as unhas e depois analisando a capa de meu livro – Dar uma andada de moto. Dirigir hoje quem sabe, né Thomas?
- HA-HÁ – ele disse irônico, estudando-a com cuidado, como se temesse que essa ideia se instalasse.
- Eu deixo, ! – Harry disse, brincando com Thomas.
- Não sei – ignorei-o – Paul e John irão embora amanhã... – Comentei como se não fosse uma novidade inesperada.
- Vão? – disse meio desconcertada.
- AH, que peninhaaa! – Disse Harry sorrindo de orelha a orelha.
- Realmente muito chato, né? – Riu Tom.
Meninos maus.
- Mas isso não nos impede de sair – Disse McCartney, surgindo do além e sorrindo complacente.
- É – disse , olhando diretamente para Thomas como se pedisse para que ele se controlasse.
- Feito, hoje de noite as belezinhas vão subir na moto. Mas dessa vez, pra botar pra quebrar – Paul disse, pegando sua cesta e partindo até o carro lançando um aceno a todos e um ''até mais tarde'' enquanto John apenas assentia pros garotos e sorria em adeus para .
Ele não disse adeus para mim. Tudo bem, ninguém percebeu. Ou melhor, apenas Harry percebeu.
- Vish, problemas no paraíso – Falou Judd assim que o carro dos Beatle boys sumiu na virada de esquina.
- É que às vezes o Inferno quer subir ao céu – Disse, saindo de lá antes que um lindo pescocinho fosse cortado.

[’s Pov]

O rádio estava ligado enquanto eu esperava
tomar banho e xeretava em suas roupas. Meus quadris dançavam automaticamente ao som de Little Bitty Pretty One, de Thurston Harris. Joguei para trás uma blusinha vermelha florida, vendo que ela não combinava com a calça jeans que eu havia escolhido para hoje à noite. Como os pais de ainda estavam em Paris, tínhamos que nos virar com a comida, então, percebendo que a minha amiga iria ficar o resto da semana no banho, desci as escadas em direção a cozinha. Abri a geladeira e retirei uma jarra de suco de maracujá, junto com um pote de manteiga. Separei duas fatias de pão e preparei um lanche improvisado, em tempo suficiente para terminar seu banho.
- Hmmm, que fome! – ela apareceu ao meu lado, torcendo o cabelo na toalha, usando seu típico roupão azul escuro.
- Pois é – resmunguei – Agora você pode terminar de preparar enquanto eu tomo banho, ok? Obrigada.
Ri de sua expressão surpresa, subi rapidamente a escada e entrei correndo no banheiro, sentindo meu corpo se enchendo de adrenalina. Não pensei em nada enquanto o jato de água caia por meu corpo, e isso restaurou minhas energias. O dia no lago foi pelo menos intenso, e eu mal esperava uma “festa de despedida” hoje, pensava que os Beatle Boys ficariam mais tempo. O que era uma completa bobagem, para quê eles ficariam em Brighton?
Quando saí do banho, estava sentada em sua cama, lendo uma Vogue e comendo seu lanche.
- Uau, o tempo que você passa no chuveiro é recompensado pela rapidez com que você se troca – olhei-a confusa – Você sabe que isso não faz sentido, né?
- Na verdade – ela respondeu sem prestar muita atenção, mal tirando os olhos da revista – faz certo sentido, sim.
Decidi ignorá-la, dando atenção à roupa que iria vestir. O céu já estava escuro, uma brisa gelada batia na janela vindo em nossas direções, conseguindo abafar o calor que se instalava no ar, e logo os garotos viriam nos buscar. O lugar para onde iríamos não era muito longe, mas era bem isolado. Lá havia um bar de que poucas pessoas tinham conhecimento, e aonde os dois casais (Tom e eu e Harry e ) íamos em ocasiões raras.
Escolhi colocar um crop top florido, que combinava com minha calça capri jeans, e um salto de cor bege escura, que eu sempre usava. Quando terminei de me vestir, nós duas descemos as escadas e fomos até a sala esperar nossos pares. Eles chegaram rapidamente e entregaram suas jaquetas pretas a nós, alegando estar “frio lá fora”, mesmo que tenhamos percebido seus olhares reprovadores para nosso decote. Mas aceitamo-las sem delongas, afinal, elas acrescentavam um charme em nosso look.
- Tem cerveja aqui? – Tom perguntou inquieto.
- Tom, querido, nós estamos indo para um bar – minha mão pousou em seu ombro, tentando consolá-lo – Posso lhe assegurar que lá há cerveja.
Ele me respondeu, educadamente, com uma careta. De qualquer maneira, abrimos um par de garrafas e ficamos jogando conversa fora, pois era relativamente cedo para sairmos. O loiro puxou-me para seu colo e eu me sentei sem censura. Ele acariciou meu braço, descobrindo meu ombro e depositando um beijo lá.
- Conseguiu descansar? – sua voz era calma e suave.
- Nem um pouco – sorri sem jeito – e você? – ele fez um sinal negativo com a cabeça.
- Meu pai conseguiu completar uma hora de sermão hoje, dizendo como eu sou um completo vagabundo que não procura por emprego... – ele fez cara de cansaço – E ele descobriu sobre o carro.
- Ai meu Deus, Tom! – ajeitei-me em sua perna para conseguir ver seu rosto melhor – E ele deixou você vir aqui?
- Ele nem sabe que estou aqui – o loiro se mexeu desconfortavelmente e evitou meu olhar.
- Thomas... – segurei seu rosto e ele tentou se livrar de mim – Thomas? – prendi sua atenção em mim, segurando fortemente seu rosto – Não gosto de você com essas briguinhas com seu pai. Não gosto que ele pense mal sobre você. Você é um bom filho e ele não percebe isso. Amanhã vou lá ter uma conversa com o Sr. Fletcher.
- , deixa disso. Você acha que alguma coisa entra na cabeça dele? E outra, eu não estou procurando emprego mesmo – Ele riu sem achar graça e bagunçou seu cabelo.
- Você quer começar a procurar? Talvez se você achasse algo bem simples, fizesse com que ele parasse de encher... – Parei de falar assim que vi seu ar de reprovação.
- Não quero trabalhar agora, , você sabe... Não quero perder tempo... – Ele me olhou como se fosse perder o tempo que tinha comigo.
- Nós podemos trabalhar juntos! – disse sorrindo meigamente com vontade de acalmá-lo. Podia sentir sua aflição em relação ao pai.
- Deixa de ser louca. Você trabalhando?
- Trabalhar? , pelo amor de Deus né – a cabeça de surgiu em minha visão, intrometendo-se.
- O que? – disse ofendida – Gente, eu sei fazer as coisas...
- Trabalhar é pra quem precisa... – começou com desgosto.
- Mas querida, eu preciso. Não tenho pais ricos que me sustentem.
- Não gosto desta ideia – protestou Tom.
- Gente, imagina a com avental de lanchonete! – Comentou Judd. Todos riram menos que murmurou um ‘idiotas’.
- Mas nos ama, né? – disse Harry.
- Ama sim – Eu respondi antes que ela estragasse o momento. Tirei minha atenção deles e me concentrei no loiro que me encarava com cara amarrada – Me diz o que eu faço para ver um sorrisinho lindo em seu rosto? – disse 'jogando um charme'
- Me dá um beijo – ele pediu, provocando-me ao morder seu lábio inferior.
Obedeci-o e encostei nossos lábios delicadamente. Sua língua invadiu minha boca como se precisasse de um pouquinho da minha essência para melhorar seu humor. Nossos lábios sincronizados fizeram com que Harry e sumissem e, como sempre, só o que importava ficasse. Senti um pouco de tensão no beijo, mas consegui aliviá-la um pouco enquanto passava minhas mãos em sua nuca e cabelo, bagunçando-o um pouco. A jaqueta do nada não precisava mais me esquentar, pois o beijo já cumpria esta função, e senti necessidade de, infelizmente, respirar. Separei nossos rostos, sorrindo levemente e aproveitando a reviravolta em meu estômago.
- Melhor? – perguntei, brincando com seu nariz, fazendo um beijinho de esquimó.
- Eu sei que ele vai falar que está melhor... Mas eu sei que na cabeça dele ele pensa que estaria melhor mesmo se estivessem lá em cima, numa cama – Disse Harry, com seu usual cavalheirismo, sentando-se ao nosso lado entrando em meu campo de visão.
- E eu acho que você devia calar a boca – disse com sua voz de irritação.
- Você só fala isso – resmungou Judd choroso.
- Porque você nunca cala a boca – respondeu a menina, e ele fez um bico e nos olhou com cara de pena.
- Você sabe que ela quer que você cale a boca e faça alguma OUTRA coisa né Harry... – comentei, dando-lhe uma piscadela. Ele riu alto junto a Thomas e se levantou em direção a .
-, sua vadia – ela gritou enquanto era agarrada por Harry. Virei-me de costas para eles.
- Sério, está melhor? – perguntei séria, olhando nos olhos de Tom. Ele abriu a boca para responder, mas antes alguém bateu na porta.
Fiz que ia me levantar e Thomas apertou suas mãos em minha cintura. Sorri pra ele e com a insistência lá de fora ele me soltou, fazendo careta.
- Pois não! – Abri a porta ainda sorrindo. Esse sorriso desmoronou quando um Paul apoiado na soleira me aguardava de jeans claro e apertado, blusa preta e jaqueta de couro.
- Olá, queridinha – Sua mão veio até meu queixo e ele deu uma apertadinha. Enrubesci levemente e abri passagem para que ele entrasse.
- Olá, McCartney! – disse , desligando o rádio.
- Olá, Riquinha...
- Chato – ela disse enquanto Judd a abraçava por trás. E não se sabe para quem foi o 'chato', se para Judd ou Paul. Mas sinceramente acho que foi para Paul, pois assim que Harry a tocou ela sorriu.
-Nós vamos de moto na frente para mostrar o lugar – Judd disse, virando-se para e fechando sua jaqueta até o pescoço com ar protetor.
Todos concordaram, mas antes que pudéssemos subir nas motos, outro carro chegou e parou em nossa frente. Gelei ao perceber que era o Sr. Fletcher com uma cara amarrada. Apertei a mão de Tom e vi que ele engolia em seco, como seu pai havia descoberto que estávamos aqui?
- Thomas, entre no carro – Bob gritou, sem ao menos sair de onde estava. O loiro olhou para baixo, negando com a cabeça, até ter coragem para falar:
- Não, pai. Eu não vou entrar no carro.
- Tom, por favor, não faça isso – sussurrei em seu ouvido, temendo pelo que poderia acontecer se ele desobedecesse a sua família. Ele soltou nossas mãos e caminhou até o carro do pai. Eu o segui.
- O que é que você disse, moleque? – o Sr. Fletcher era uma das pessoas mais pacíficas que eu conhecia, menos quando alguém o contrariava, o que resultava nele ficando vermelho e mais estressado a cada minuto.
- Pai... Será que a gente não pode discutir isso mais tarde? Estávamos saindo agora e...
- Você não vai a lugar algum, garoto! Acha o que? Que pode fazer o que quiser na hora que quiser? – Tom fez cara de ‘mas é claro que sim’, mas não disse nada. – Entre no carro.
- Bob? – tentei intervir, mas o homem me lançou um olhar mortífero – Hm, Sr. Fletcher? Desculpa interromper, mas...
-O que diabos você está fazendo, ? – Tom perguntou, puxando meu braço. Eu apenas me desvencilhei.
- Eu conversei com o Tom e ele me disse que já está procurando por um emprego – Cof cof – Você não pode deixá-lo ir conosco só agora?
Desta vez, era eu quem engolia em seco. O olhar que meu sogro me dava era muito além de bravo. Era como se eu tivesse cometido um crime, apenas me direcionando a ele. Ele saiu do carro, aparentemente tentando se acalmar, e tocou levemente meu ombro.
-, – ele pensava em como dizer pra eu ir pro inferno sem ofender – isso é um problema de família, e quero resolvê-lo com meu filho. Em nossa casa, se não for problema – Concordei com a cabeça, olhando para o chão – Agora, Tom, no carro. Já.
Tom virou-me para ele e me beijou carinhosamente. Ouvi a porta do carro batendo enquanto ele fazia um carinho bom em minha bochecha, como um pedido de desculpas. Quando cortamos o beijo, olhei bem em seus olhos, que demonstravam uma raiva enorme.
- Não torne isso maior do que já é, ok? – pedi, segurando seu rosto carinhosamente.
- Ok – ele respondeu relutante, enquanto me dava outro selinho.
Observei ele jogar a chave da moto para Harry e entrar no carro de seu pai, nada feliz.
- Então – ouvi McCartney dizer após um minuto de silêncio – Acho que temos uma moto vaga, não é mesmo?
Uma risada seca saiu de minha garganta, mas eu não havia achado engraçado. Comentários sarcásticos depois de situações tensas não me agradavam, ainda mais sendo por um que não fazia parte do nosso grupo. Decidi não responder, pois se o fizesse, com certeza não seria bonito. Então Harry fez isso por mim.
- Se você acha por um segundo que vai chegar perto da moto do Fletcher... – ele deixou a frase no ar, olhando ameaçador também para John, que estava dentro do carro. John retribuiu o olhar, como se quisesse deixar claro que não tinha medo de Judd.
- Harry... – começou, mas ele lançou o mesmo olhar ameaçador a ela, que mesmo assim não ficou quieta – Como você espera que ela volte, andando? – perguntou ácida – John e Paul vão direto para o hotel ao irem embora, então teremos de usar a moto de Tom.
Concordei com a cabeça e vi Paul olhando fixamente pra mim, como se imaginasse o que faria comigo mais tarde; eu estremeci.
- Eu não estou gostando nada disso... – Harry insistiu e, mesmo que não concordasse, não pôde fazer nada – E o Tom também não vai gostar.
- Eu não estou nem aí se você está gostando ou não, Judd, a não ser que arranje um jeito de voltar conosco – ele ficou em silêncio e sorriu vitoriosa. – Vamos.
Ela falava comigo, então me precipitei para a moto, dando de encontro com Paul, que umedeceu os lábios com o rosto bem perto do meu. Fingi que sua respiração não batia em minha bochecha e subi na garupa, abraçando-o e sentindo o ar fresco bater em meu rosto quando ele deu partida.



Capítulo 4

[Ludmile’s Pov]

Chegamos lá bem rápido, ainda mais de moto. Era um lugar um tanto deserto, no final de uma estrada em uma rua sem saída, bem desviada, com um matagal em volta do espaço reservado para o bar e seus afins. O bar, por fora, era clássico, um dos meus preferidos. O nome St. Patricks piscava em cores neons, e caía um pouco para a esquerda por puro charme. Era bege com listras mais escuras e a porta era vermelha, com uma pequena plaquinha com o escrito “Aberto” pendurada na janelinha da porta. Judd parou a moto e saiu de cima dela com certa grosseria, me ignorando. Não aprovei essa ação. Fiz careta e saí da moto, acomodando-me na jaqueta.
- Vou comprar umas cervejas – Harry disse.
- Pegue pra... – Mas ele já havia entrado no St. Patricks.
Idiota, isso que ele é. Um bipolar, maluco. Meia hora atrás estava cheio de abraços e cócegas, e agora... O Judd convencido que nunca está sentindo ciúmes. Ainda.
e Paul, que chegaram conosco, também entraram no bar, mas eu esperei John chegar com o carro, encostada na moto com os braços cruzados. Tive a impressão de que ele estacionou o carro em frente ao bar só porque era o lugar mais longe de onde eu o esperava, mas tentei ignorar isto. Dei uma pequena corridinha para alcançá-lo e vi um sorriso se formar em seu rosto com esta cena.
- O que é tão engraçado, Lennon? – perguntei quando finalmente o alcancei na porta do St. Patricks. Ele coçou o queixo lentamente antes de responder.
- Se você soubesse o quanto fica – ele se aproximou de meu ouvido e pousou sua mão em minha cintura, falando com a voz rouca – hilária correndo atrás de mim... Chega a ser patético.
Suas palavras pareciam ter sido feitas de ácido, e me atingiram em cheio, linchando o sorriso que estava em meu rosto, fazendo a expressão emburrada ficar em seu lugar. Ele entrou no bar sem nenhuma hesitação ao me deixar para trás. Tive vontade de gritar. Qual era o problema de todos hoje? Era o dia oficial de fazer se sentir um lixo e eu não sabia? Acendi um cigarro antes de empurrar a porta vermelha a minha frente e colocar em meu rosto o sorriso mais falso que consegui formar.
veio até mim com um sorriso forçado e estranhou minha rigidez e falsidade ao pegar a cerveja que ela oferecia. Nossos olhos se encontraram rapidamente. Discutiríamos mais tarde. Ainda teríamos uma noite inteira pela frente para aguentar junto aos Beatles Boys e Judd.
Saí logo atrás do meu grupo, ao lado de , que recebeu um olhar autoritário de Harry como se ele fosse a vigiar. Esse que me ignorou e levou a cerveja à boca. Meu cigarro acabou. Olhei com certo ódio para as motos. Fazia uns seis meses que eu não andava em uma. Mas a adrenalina que vinha apenas dando partida era inevitável e extasiante. Serviria para despachar a raiva. Mas melhor seria dar umas bofetadas em Harry.
Caminhei até a moto de Judd na qual ele se encostava. Joguei o cigarro no chão e pisei, apagando-o.
- Então... – disse, bebendo mais um gole de cerveja – Como vai ser?
- Acho que vamos testar os Beatles... Brincar numas curvas... – ele se virou pra mim e piscou.
- Eu não estava falando disso... Quero saber se hoje vai ser o Harry ácido, ou fofo – Olhei-o nos olhos, não tinha o porquê de enrolação, nós dois nos conhecíamos bem demais para perder tempo.
- Qual você prefere? – ele se aproximou com malícia, segurando minha cintura.
- Ainda não me decidi – Disse baixo quase encostando nossos lábios.
- Nem eu – Ele disse, soltando-me e caminhando até o carro de Lennon, onde todos estavam apoiados conversando.
Fui atrás, lentamente bebericando minha bebida, observando a tensão cada vez maior entre Judd e Lennon, como seu contato visual era hostil e ambos retorciam levemente a boca. Isso me fez sorrir. Era puramente a competição natural entre homens, mas o fato de o troféu ser eu, bem, me fez um pouco melhor.
- Bom, eu ando na de Tom – disse, como se isso fosse necessário, estendendo a mão à Paul. Ele sorriu, e fez que não.
- Primeiro vamos andar juntos, que tal?
- Acho que você... – Harry começou a dizer, ficando meio vermelho.
- Acho que vindo pra cá, vocês já andaram juntos, certo? Dê a chave à ela, McCartney, e se acalme, Judd.
- Na minha anda a – disse Harry, me ignorando e ignorando Paul também, que brincava de 'não deixar a pegar a chave' – E um de vocês dois também. Vamos logo.
se sentou na moto ao mesmo tempo que eu. Ignoramos os olhares curiosos dos dois Beatles que permaneciam no capô do carro.
- Você... Lembra-se de tudo? – Disse Harry que se encontrava ao lado da moto.
- Tive um bom professor Judd, fique tranquilo – Pisquei-lhe e sorri. Na época, ou seja, o começo de nosso namoro, ele fez questão de me ensinar tudo que sabia. E não é pouco. Dei partida, acelerei. ao meu lado fez o mesmo.
- Pronta, ? – perguntou sorrindo nostálgica. Por muito tempo, andar de moto, driblar objetos e correr foi nosso hobby favorito.
Harry fez um aceno à que o retribuiu com um sorriso corajoso. Ela saiu do lugar ao mesmo tempo que eu. O caminho tinha várias pedras grandes, latões de lixo que insinuavam curvas e outros 'perigos'.
Ambas nos divertíamos muito andando juntas, mas ela resolveu acelerar. Bom, parece que esse continuou sendo o hobby dela. Sorri ao lembrar que, bem, ela gostava mais de correr do que eu. Eu só me entusiasmava por Judd. Sua paixão nesse joguinho de quase morte me envolvia e me empolgava a tal ponto de me fazer amar a adrenalina. Mas eu não competia com , nós nem conseguíamos. Sempre que corríamos juntas nos separávamos e pegávamos trilhas diferentes. Por mero costume.
gostava de velocidade, pois seu pai corria. Bem, meu pai não corre nem andando. Quando cheguei de volta a frente do bar, saía de cima da moto e esperava-me em meu lugar. Saltei da moto já esperando aquele abraço que ela me deu. A é manteiguinha, toda nostálgica. Sorri quando ela soltou uma risada por simplesmente estar cheia de adrenalina.
- Senti saudades disso, sua riquinha – ela me soltou e foi até o bar pegar mais cerveja.
Fui até o carro e sorri ao ver McCartney me olhar com certa satisfação.
- Que foi, McCartney?
- Você é boa nisso.
- É claro que sou – ri de sua tentativa de me irritar.
- Impressionante – ele disse e me ofereceu um cigarro. Aceitei.
- Que tal eu e você agora, McCartney? – disse John, passando os olhos rapidamente por mim com um sorriso nos lábios.
- Certo! – Paul disse, empolgando-se – Vamos apostar.
Ambos foram até as motos e se acomodaram. Eu me apoiei no carro e bebi da cerveja que trouxera para si. Ela pegou de volta, deu de língua e se apoiou do meu lado.
Percebi que o rádio do carro estava ligado. Estava tocando Johnny Rivers - Cupid. Harry chegou e se apoiou ao lado de .
- Sabe o que eu acho? Que estou mais do que de vela aqui. Estou tipo um castiçal... E também acho que vocês deviam dançar.
diz isso e sai andando tranquilamente até onde John e Paul vão chegar.
- Acho que ela estava certa – Disse Harry.
- É, super castiçal.
Ele riu e pegou minha mão, puxando-me pra dançar.
- Harry, porque às vezes eu quero te matar? – perguntei, assustando-me ao perceber o quão vulnerável eu parecia com aquela mera pergunta.
- Não sei , só acho que você não devia gastar energia comigo, e sim com o Lennon, ele é o intrometido.
- Não sei, não.
- Você sabe tudo, mas só vê o que quer – ele me girou – Nada vai mudar entre nós enquanto esse cara estiver no meio – Ele disse um pouco agressivamente.
- Judd...
Ele me soltou e entrou no bar. Olhei pro chão e quando percebi John estava na minha frente. Entendi porque Harry me soltou e saiu tão rápido.

Cupid please hear my cry
And let your arrow fly
Straight to that girl's heart for me


Ele me lançou um olhar seco e eu o encarei de volta. Eu estava com muita vontade de chorar, mesmo. Toda a força e falsidade desmoronando. Tinha que tomar cuidado com as provocações de Lennon. Ia doer. Pois eu o machuquei e ele não deixaria barato. Não mesmo.
- Quem ganhou? – perguntei, engolindo em seco.
- Ele – John comentou – Se eu não o deixasse ganhar com a por aqui, ele ficaria revoltado.
- Imagino – Ri sem humor.
- Sei que eu deveria estar querendo te ver mal, mas não me satisfez o Judd te largando aqui sozinha. Ele não tem o que queria? Você toda pra ele.
Olhei pro chão... O rádio preencheu o silêncio, não sabia onde ninguém se encontrava. As palavras de John como sempre, pesadas demais. Sutilmente carregadas.
- Parece que, para ele, eu ainda não me entreguei por inteiro – disse, olhando para o chão.
John puxou meu braço e me balançou num ritmo lento, ao fundo tocava Cuckoo Clock dos The Beach Boys, eu apenas deixei-me ser guiada. O ritmo estava errado. Mas a respiração de Lennon e seu aperto em minha cintura estavam certos.

I went back to her side (Tick-tock Tick-tock) I had to swallow my pride

A música parou e eu e John nos separamos quebrando o encanto que nosso contato fazia em mim.
- Enquanto ele tiver ciúmes de você, ele te ama – sussurrou em meu ouvido e me soltou de um jeito delicado, andando para a moto novamente, desafiando, ninguém mais, ninguém menos que Harry.
Sentei no capô inclinada a torcer por John, relembrando sua frase. E aplicando-a nele também.

[’s Pov]

Quando saí novamente do bar, esperava ver e Harry juntos, mas ao invés disso, vi Judd subindo em uma moto e John em outra. Fiquei chocada, mas antes que pudesse fazer algum tipo de comentário, uma voz surgiu ao meu lado, dizendo:
- Quem você acha que ganha? – McCartney olhava pra , e eu entendi o que ele queria dizer: quem eu achava que ficaria com ela no final. Ri, olhando pra baixo, sentindo uma pontada de pena da minha amiga.
Voltei meu olhar para os dois que subiam na moto; Lennon, calmo, suave, mas com certeza estava tremendo por dentro, e Judd: despreocupado, fumando seu cigarro enquanto provocava John fazendo barulhos com o motor. E depois percebi outra coisa: era a primeira vez que Paul falava algo seriamente comigo. Olhei espantada para ele.
- O que? Você acha que eu ganho? – ele tragou seu cigarro – Eu sabia.
Ri de sua cara e ele, olhando pra mim, riu junto. Ele colocou o cigarro na minha frente e eu o traguei de sua mão.
- Isso – ele fez sinal de calor, ajeitando a jaqueta – foi extremamente sexy!
- Você não viu nada – retruquei, surpreendendo até a mim mesma, e saí andando até . Podia sentir o olhar de Paul em mim, e gostei da sensação.
- Por que Paul está com aquela cara? – sorriu ao perguntar, já imaginando coisas – O que você fez com o coitado?
- Nada, ué, só estou me divertindo – sorri meigamente – Não era isso que você queria que eu fizesse? – ela piscou algumas vezes, pra ter certeza de que havia escutado certo e depois sorriu, virando-se para os barulhos de moto que se intensificavam.
Uma moto chegou primeiro, fazendo poeira em volta de si. A outra chegou logo atrás, e quem saiu dela parecia bem raivoso. Judd andou rapidamente até o bar, mas não sem antes lançar um olhar mortal para , que olhou pra baixo ao recebê-lo. John andava até nós com um sorriso singelo em seu rosto e o abraçou fortemente.
Eu era um castiçal novamente.
- Ok – pulei quando Paul gritou em meu ouvido. Vire-me pra ele chocada – Já podemos começar a nos divertir agora?
Olhei sugestivamente para ele e sem dizermos nada, entramos no St. Patricks e, enquanto ele caminhava até a JukeBox, que ficava no meio do bar, eu pedia mais uma bebida para dividirmos.
Caminhei calmamente com a minha cerveja na mão até onde Paul estava agachado. E sim, eu reparei em seu bumbum. Sorri com esse pensamento e reprimi a vontade de fazer certas coisas que passavam em minha cabeça. Ele levantou bruscamente e esbarrou em mim, mas eu o segurei e ao mesmo tempo me apoiei para dar Play na música que ele havia escolhido.
Good Luck Charm, de Elvis, começou a tocar e Paul tomou-me em seus braços. Dançávamos calmamente, sua mão em minha cintura não me apertava e isso me agradou, pelo menos ele sabia os limites, pelo menos por ora. Ninguém parecia ter reparado que era um membro dos Beatles no meio do bar, pelo jeito estavam bêbados demais para isso.

Come on and be my little good luck charm
Uh-huh huh, you sweet delight
I want a good luck charm
a-hanging on my arm
To have, to have, to hold, to hold tonight


McCartney cantava baixinho para si mesmo e eu, sem querer, o observei a música inteira com um sorriso no rosto. Quando ele levantou seu olhar para o meu, sorriu comigo, mas de uma forma curiosa.
- Você pode tirar uma foto depois – zombou – Ou, se preferir, pode pintar um quadro.
- Como você consegue ser tão...
- Lindo?
- Arrogante – sorri vencedora. Ele retribuiu o sorriso de forma maléfica.
- É uma qualidade natural, sabe – nós rimos.
A música já havia terminado, mas alguém aleatório havia selecionado outra para tocar logo após. Era ‘Roses Are Red, My Love’ de Bobby Vinton. A ironia do destino tocando uma música lenta, só para eu e McCartney.
- Cuidado para não se apaixonar – Paul piscou bem perto do meu rosto, mas algo em sua voz estava diferente, como se ele falasse sério.
- Você também – disse sem pensar, e mais seriamente do que planejava.
Agora sua mão apertava um pouco minha cintura, aproximando-me de seu corpo, que transmitia um calor para o meu. Sem perceber, encostei minha cabeça em seu ombro, sentindo seu perfume preencher meus pulmões. Pude perceber que ele se enrijeceu um pouco, provavelmente desconfortável com a proximidade, mas eu já tinha bebido o suficiente para não me importar.
- Roses are red, my love – sua voz grave cantou em meu ouvido e eu fechei os olhos, apenas absorvendo aquelas palavras.
- Violets are blue... – sussurrei tão baixo que pensei que nem eu mesma havia escutado, mas pude sentir Paul sorrindo.
- Sugar is sweet, my love – seu lábio encostou em meu pescoço, e eu senti toda a área tocada se arrepiar – But not as sweet as you.
Sorri, ajeitando minha cabeça para poder olhá-lo. Ele estava fazendo a mesma coisa, resultando na mistura de nossas respirações. Meu olhar foi instantaneamente para sua boca, a linha fina de seu lábio superior parecia extremamente convidativa, assim como o seu lábio inferior parecia chamar por mim.
Nossos lábios se juntaram com a naturalidade de um piscar de olhos. Com essa mesma automaticidade, nossos corpos se sincronizaram, assim como nossas línguas. Paul segurava meu rosto, trazendo-o para mais perto do dele, e eu passava minhas mãos por seu abdômen.
Suas mãos desceram para a minha cintura e um frio passou por minha barriga. Puxei seu lábio inferior com meu dente e continuei o beijando, pois aquilo estava muito bom, e eu não estava afim de parar. Mas, depois de alguns segundos, ele separou nossas bocas, pois precisava de oxigênio. Só percebi que também precisava quando puxei o ar desesperadamente quando nos separamos.
- Bom – ele começou, com aquele sotaque maravilhoso se destacando, juntamente com seus lábios, que estavam totalmente vermelhos – isso foi...
- Eu sei – completei sua frase, sentindo-me estranhamente completa depois daquele beijo.
Um riso se formou em nossas bocas, um riso meio que cúmplice, e Paul beijou-me mais uma vez, mas de um jeito mais gentil, como se fosse uma despedida. No fundo tocava I Can’t Stop Loving You, na versão de Elvis.
O gosto daquele beijo era de quero mais e terminou mais rápido do que eu queria. Ele apenas lançou-me um olhar significativo e foi embora, me deixando sozinha e confusa em meio de casais dançando.
Fui até o banheiro para me recompor, lavei meu rosto, tomando cuidado para não estragar minha maquiagem. Ouvi barulhos de pessoas se beijando e instintivamente olhei para o espelho, que mostrava apenas uma porta fechada atrás de mim. Como eu estava no momento “vou me divertir”, peguei um pedaço de papel, molhei-o e joguei por cima da cabine.
- Puta merda! – a voz rouca masculina gritou e eu arregalei os olhos.
- Harry? – chutei a porta. Chutei mesmo. E lá estava ele, aos beijos com uma loira. Acusei-o com o olhar, mas fechei a porta com a mesma ferocidade com a que havia aberto e fui embora.
Ele nem teve a decência de me seguir para se explicar! Atravessei o bar e empurrei a porta vermelha, batendo-a em...
- Tom?! – o loiro tinha um olhar assustado, mas eu joguei meus braços em volta de seu pescoço do mesmo jeito – Como você...?
- Bom, digamos que conversei com o meu pai – ele parou pra pensar – E só vamos dizer isso – abri a boca para argumentar – Depois eu te conto melhor.
Sorri e ele aproximou nossos rostos, pronto para começar um beijo, mas eu me afastei, me lembrando que havia beijado Paul há menos de dez minutos atrás.
- O que foi? – ele perguntou, preocupado.
- Nada – menti – Só preciso conversar com a ... – dei-lhe um selinho e saí à procura da minha amiga, que estava conversando com John e Paul. Engoli em seco.
- Olá – ela enfatizou meu nome, deixando claro que sabia o que eu havia feito. Olhei com ódio para Paul.
- Ei, eu não falei nada! Ela adivinhou! – ele se defendeu, fazendo gestos engraçados com a mão.
- Só espere que o seu namorado também não adivinhe – ela disse, sem nenhuma acidez na voz, mas apenas sendo sincera. Um silêncio se instalou entre nós, até que o quebrou – Bom então vocês já vão mesmo?
Olhei para cima imediatamente, alerta. Eles iam embora?
John foi se despedir propriamente de , ou seja, eles iam se pegar rapidinho. Paul apenas se aproximou de mim, depositando um beijo no canto de minha boca.
- Te vejo por aí, boneca – senti-o colocando alguma coisa no bolso de minha jaqueta.
Eles entraram no carro com a mesma sutileza e dignidade de quando nos vimos pela primeira vez. entrelaçou nossos braços e ficamos assim por uns minutos, até ela suspirar.
- Por que eu fui conhecer esses dois, hein ? – ela perguntou pesarosa.
- Não sei – respondi pensativa, lembrando-me do bilhete em meu bolso. Tirei-o de lá e ao abri-lo encontrei uma caligrafia um pouco torta, mas bonita, que dizia: “‘I can’t stop wanting you, it’s useless to try’. Te vejo por aí, boneca. xX”
- Talvez seja destino – completei, sem saber direito o que falava, e depois me lembrei do momento do banheiro – Ah, ?... Tem uma coisa que eu preciso te contar.



Capítulo 5

[Ludmile’s Pov]

Acordei ainda com um pouco de sono.
respirou fundo ao meu lado, ela dormira em casa para não voltar sozinha com Thomas. Sem comentários para essa história de pegar o McCartney. Espreguicei-me e virei-me para olhá-la, ela dormia pesadamente, e confortavelmente. Agradeço a meus pais pela cama de casal. Eu, e Harry aprovamos.
Levantei-me, tomando cuidado para não acordar nenhum dos dois. Se bem que, se Harry rolasse da cama e caísse no chão frio e duro, eu não ficaria tão chateada. resmungou e girou com o lençol para o canto. Suas roupas de baixo, que minha camisola emprestada tampava, eram pretas. Fletcher perdeu a diversão, fazer o que, não é mesmo?
Harry chamou o nome de uma tal de Michelle, depois relinchou que nem um cavalo e soltou um . Sorri, ainda com ódio dele, e parti pro banheiro para lavar o rosto. Quando saí de lá, nenhum dos dois estavam mais no quarto, então eu desci para a cozinha, encontrando apenas
preparando algo que cheirava deliciosamente bem.
- BU! – gritou Harry apenas de cuecas no meio de minha cozinha. E, claro, me assustando.
- Inferno Harry! – gritei, afastando-o de mim.
-Vocês dois... – resmungou – Quietos, estou de ressaca.
Não falei mais nada, pra mim Judd podia morrer. Afinal, quem precisava dele? Eu certamente que não. Ele que fique se divertindo com suas vadiazinhas em banheiros de bares, eu não me importo. Sei que nenhuma delas nunca vai conseguir fazer o que eu faço com ele.
- AH, , sua fofoqueira! – Harry protestou, percebendo o clima de tensão que havia se formado.
- Eu o caramba, você sabe que eu conto. Larga mão de ser trouxa – Olha a raivosa. - Mas eu estava bêbado e...
- Harry, shh, também estou de ressaca – disse simplesmente e depois me virei para – Quando estiver pronto, você me chama? Vou tomar um ar.
Ela fez um sinal afirmativo com a cabeça e eu me direcionei até a porta, fechando-a gentilmente atrás de mim. Sentei-me no banco em frente ao portão de entrada, feliz por não ter nenhum barulho que aumentasse minha dor de cabeça.
Ouvi a porta abrir. Respirei fundo, sabia que era Judd ao meu lado.
- Você está só de cuecas?
- Sim. Do jeito que você gosta – ele provocou, passando o braço em volta de minhas costas.
- Harry, eu estou cansada disto – disse baixo, sem olhá-lo nos olhos.
- Duvido! Você não se cansa disso – ele continuou brincando.
- GENTE! ESTÁ PRONTO! A escrava já acabou – gritou da cozinha, e me levantei.
- Estou falando sério – olhei-o nos olhos – Mais tarde conversamos.
Sentamo-nos na mesa e minha amiga cozinheira deu nossos pratos sorrindo e cantando uma música do Elvis. Eu sabia que assim que Harry se fosse, conversaríamos sobre ontem. Harry pegou seu prato das mãos de e piscou-lhe amigavelmente. Ela se acomodou e comemos em completo silêncio. Eu aliviada, Judd tenso e ela indecisa entre tensão e felicidade.
Quando acabamos Judd saiu, ia para casa tomar um banho e resolver algumas coisas. Realmente não me importei, mas marcou com ele mais tarde no Milk's Bar, que é próximo de casa. Ambas tomamos nossos banhos e nos vestimos com roupas limpas e decentes. Vestidos, para voltar ao padrão. Estávamos relendo minha revista Chanel quando o assunto virou Lennon, e depois McCartney.
Contei a ela que John e eu ficamos juntos todo o tempo depois das corridas, e que ele havia sido meigo novamente. Comentei que a bipolaridade dele me assusta e ela disse que era apenas ciúmes. Ambas rimos quando perguntei como era dar uns beijos no McCartney. Ela me olhou com um brilhinho nos olhos e respondeu num sussurro: ''diferente''.
Contentei-me com a resposta, pois esse não era meu foco. Minha tarefa era contar a ela o que eu pretendia fazer essa tarde. Ela ficaria bem brava e defenderia Harry, mas eu sei que, no final, ela entenderia.
- Cansei-me da relação aberta, entende? – disse num tom de murmúrio, repetindo isso pela quinta vez – Ele simplesmente não me dá valor.
- , você faz o que achar que deve fazer. Mas todos sabem que os dois são 'liberais' e completamente apaixonados um pelo outro. Isso não é segredo. Não se engane, vocês vão voltar – ela me censurou com esse seu jeito fofo e direto, mas me fez pensar que Harry nunca havia dito um “eu te amo” para mim. E talvez esse seja o problema, pois a qualquer momento essas palavras poderiam sair de minha boca.
A conversa terminou quando um Tom buzinou de seu Ford Thunderbird preto e descemos correndo até ele. Cumprimentamo-nos rapidamente e partimos pro Milk. No carro a tranquilidade reinava.
não se sentia culpada, pois como sabíamos, ela estava bêbada, e isso nunca se repetiria. Era de Thomas que estamos falando: o amor da vida dela. O ar que ela respira. Blábláblá. Coisa de apaixonados. Chegamos rapidamente, meu coração já acelerava e a palma de minha mão começava a suar.
Avistei-o conversando com uns amigos da escola: Brad e James. Bom, isso poderia ser constrangedor, levando em conta que eu já havia... Estado, digamos assim, com esses dois amigos dele. Quem sabe, se eu tiver sorte, eles me ignorem.
Todos me encararam afoitos quando me aproximei. Harry continuou contando a excelente história enquanto os seus amigos encaravam minhas pernas mal cobertas pelo mini-vestido azul.
- Boa tarde, docinho – disse Brad.
- Boa tarde, Brad – cumprimentei-o, mas olhando para Harry – Pra você também, James – cumprimentei o garoto que me secava com malícia.
- E pra mim? – perguntou Judd, adorando me provocar na frente dos amigos – Nada de bom não é mesmo...
- Podemos conversar? – pedi, cruzando os braços e explorando a sensação de dormência que aqueles olhos azuis causavam em mim.
- Claro – ele disse, fazendo um aceno para os meninos que sorriram e me analisaram mais uma última vez antes de saírem. Caminhamos um pouco até sairmos do Milk’s e parar em frente de seu carro. Apoiei-me no capô e olhei para as minhas mãos. Eu já havia feito aquilo. E como eu sabia desde a primeira vez que Judd tocará em mim, não existia ninguém como ele, e cada segundo que eu fazia com que ele se afastasse de mim, era um segundo de arrependimento. Mas eu cansei de ser usada de troféu. Harry não dá valor para o que tem em mãos, e eu não vou deixar barato essa de ficar pegando qualquer 'inha' por aí.
- Harry, – comecei – eu... Eu...
- , que tal ir pra sua casa, e aproveitar aquela cama, sem uma para atrapalhar?
Olhei-o chocada, levantei-me do carro e fuzilei seus olhos.
- Tire a máscara, não tem ninguém aqui. Eu estou terminando com você, Haz.
Ele me encarou por longos minutos. Sua boca se contorceu num sorriso amargo.
- Por causa de uma garota da qual eu nem lembro o nome?
- Michelle.
- O qu...
- Você disse enquanto dormia – Cruzei os braços em meu peito e olhei ao redor. Nesse momento o que eu mais queria era sumir. Foquei-me em um ponto ao meu lado onde o chão tinha uma irregularidade quase imperceptível. Logo ele falaria algo. Passaram-se mais minutos, eu sentia os olhos dele em mim, eu sentia um calorzinho gostoso, uma paz, um ódio, uma revolta.
- – ele disse, segurando meu queixo e aproximando nossos rostos de um jeito perigoso e intensamente bom – Você sabe que não é necessário tudo isso. Você e eu estamos acostumados a essa relação mais aberta...
- Mais aberta? MAIS? – disse, soltando meu rosto de sua mão – Harry, você faz sexo com desconhecidas no banheiro!
- Você não faz diferente com carinhas de bandas... – Judd disse num murmúrio envenenado de ciúmes e rancor, como se estivesse guardando essa frase há muito tempo.
Dei-lhe um tapa na cara.
- Pois saiba que não transei com Lennon, seu imundo – disse e entrei no estabelecimento, trêmula.
Andei rapidamente até a mesa onde meus amigos estavam, enquanto tremia de raiva da cabeça aos pés. Olhei para Tom quando disse:
- Eu o odeio! – minha voz estava esganiçada, como se de alguma maneira, Tom fosse o culpado de tudo. Mas eu apenas queria ter certeza de que a mensagem chegaria ao Judd. E, bom, chegou, pois ele estava bem atrás de mim.
levantou e começou a me puxar até o banheiro, Thomas nos seguiu, acompanhado por Judd. Entramos no banheiro e ela começou a trabalhar agilmente, puxando papel para secar meu rosto e limpar meus olhos. A maquiagem não estava muito borrada, pois sou rica e não compro maquiagem ruim. Ela me olhou com ar de serenidade. Ela já esperava e também já estava acostumada. Abraçamo-nos e ouvimos batidas na porta.
Saí depois de respirar fundo algumas vezes, segurando a mão de . Thomas nos olhou preocupado e chocado com o berro que eu dera em sua cara, e ao lado dele, Harry, que me olhava com certo ódio.
- Você. Me. Bateu. – ele disse entre dentes cerrados – Na frente de todos – ele disse, chegando mais perto.
Limpei a garganta, tentando não fazer barulho, olhei-o com certo medo, mas eu sei que Harry nunca tocaria em mim para fazer algum mau. Cheguei perto de seu rosto e sussurrei:
- Eu. Quero. Que. Você. Se. Exploda.
Ele me olhou com certo choque e saiu frustrado para a mesa em que seus amigos o receberam com vaias e risadinhas de deboche. Continuei o encarando mesmo depois de ele se sentar e se distrair com seu Milk Shake. Reparei em seus traços de raiva, e a discórdia em seus olhos azuis com um misto entre ficar triste ou revidar. Limpei as lágrimas que restavam em meu rosto, indo pedir alguma coisa para acalmar meus nervos. Chocolate, com certeza. Mas antes que eu pudesse chegar ao balcão, uma garota loira, usando um shorts particularmente curto, entrou no Milk’s e sorriu para a mesa onde Harry estava sentado. Era aquela maldita Michelle, pelo que havia contado.
Ela se sentou praticamente em seu colo, e pude perceber que ele tinha dificuldades para lembrar-se de onde a conhecia. Ele me olhou com os olhos fervendo, minhas pernas tremeram, ele sorriu para a menina que o chamava. Observei quase que câmera lenta ele falando coisas ao pé de seu ouvido. Meus punhos se fecharam automaticamente. O que diabos estava acontecendo comigo? Eu nunca tive ciúmes de Harry.
Caminhei cegamente até o balcão, pedindo um Milk shake de chocolate. Dei um olhar significativo para James, que se levantou sem delongas e apareceu ao meu lado.
- Você está um arraso, como sempre... – James disse em meu ouvido. Segurando em minha mão livre, ele me girou; meu milk se remexeu em minhas mãos e nós dois sorrimos com a agilidade dele ao segurar meu copo.
- Que tal a gente sair, tá livre, não é mesmo? – ele falou, sorrindo malicioso.
Belos amigos os seus, Judd. Belos mesmo... Tipo, lindos. Olhei para Harry, e para Michelle, foquei-me novamente em James e respondi-o com um aceno confuso.
- Vou considerar isso como um sim –disse rindo. Sorri falsamente e bebi meu milk shake. Seus olhos acompanharam minha boca do indo até o canudo e bebendo o líquido. Quando acabei o gole, sorri a ele.
- Você quer? É só dizer, por que...
- Eu quero sim... – sua voz era extremamente maliciosa.
Agora seus lábios estavam colados aos meus, sua mão segurando o milk junto comigo, e a outra segurando meu pescoço com bastante força, mas nada que me machucasse. Quando nossos lábios se soltaram percebi que ele estava sendo puxado, abri os olhos ao sentir algo gelado em minhas mãos e a falta sua língua brincando com a minha. James sempre beijara bem. Mas agora meu foco estava no loiro e na morena que tentavam segurar um Harry que agarrava as roupas de James. Olhei-o intrigada e confusa. Suas ceninhas de ciúmes eram sempre bem comedidas, nunca em lugares públicos, ou apenas entre nosso grupo ou entre quatro paredes, ou seja, só entre nós dois.
Nossos olhos se encontraram e ele soltou James no mesmo segundo, desviando o olhar e saindo do Milk's, deixando todos desconcertados. James arrumou sua roupa e saiu atrás de Judd em disparada. O silêncio reinou no recinto enquanto minha cabeça zunia e eu procurava onde me sentar.

[’s Pov]
Meu caderno estava aberto em História Inglesa, mas como era final de aula, e o professor já havia terminado sua explicação, eu comecei a prestar atenção no que Betty e suas amigas fofocavam.
- Mas então, eu ouvi dizer que Harry... É, mas é claro que é Harry Judd! – ela fez barulhos de impaciência – Que ele espancou John Lennon!
Sorri com a ignorância de algumas pessoas, dispostas a acreditarem em qualquer coisa que façam a vida delas ser menos tediante. Segurei-me para não soltar isso em sua cara. E acrescentar que ela realmente precisava escovar o cabelo. Ou pelo menos usar uma presilha.
Não precisei me incomodar mais com ela, pois o sino bateu e eu me direcionei até o pátio, onde encontrei sentada na bancada, conversando com umas garotas inúteis que nos perseguiam diariamente. Mais para cima na bancada, Harry observava sem nenhum pudor minha amiga, depois desviou o olhar quando percebeu que eu o olhava confusa. Vai entender este casal. Ou ex-casal. Que seja.
Passei por , que piscou pra mim. Ou seja: ela estava totalmente sacaneando as perseguidoras. Ri disso e continuei subindo as escadas, para chegar ao meu namorado.
- Oi – beijei sua bochecha, deixando-o com uma marca de batom. Minha forma de marcar território.
- Olá, doçura – ele mordeu o lábio ao me ver tão próxima de seu rosto, e um sorriso formidável surgiu em seu rosto. Sua mão em minha cintura me fez sentar ao seu lado.
- Como foram suas aulas? – perguntei, beijando levemente seu pescoço. Desculpa, eu não consigo evitar.
- Chatas – ele fez careta – Eu prestei atenção.
- Que orgulho – soltei, rindo. Tom nunca prestava atenção, mas de alguma forma conseguia ir bem nas provas. Ele riu também, uma risada gostosa, meu estômago fez a festa. Ele colou seus lábios nos meus, brincando agilmente com nossas línguas.
Era o nosso primeiro dia de aula após as férias de verão. Havia se passado uma semana do incidente do Milk’s Bar. Desde então, o grupo andou meio afastado. Eu e Tom tínhamos que dividir os dias, saindo com em um e com Harry no outro. Pelo jeito eles estavam levando esse negócio de terminar a sério. Isso era um saco. Não gosto de dividir a atenção com meus melhores amigos.
Tom molhou meu lábio inferior, tirando-me de meus devaneios. Depois pareceu se lembrar de alguma coisa, quando Harry soltou um suspiro impaciente.
- Você pode consertá-lo, por favor? – perguntou de um jeito manhoso, falando sobre o amigo.
- Eu não sou um brinquedo, Thomas – zombou o moreno, que tomava um gole de sua Coca-Cola.
- Uma pena, porque se fosse eu te jogava no lixo – Tom retrucou – Você está começando a perder a graça, cara.
Harry não se abalou. Apenas fez uma cara de desdém para o amigo e depois lançou um olhar significativo para mim. Entendi isso como um “Controle o seu namorado ou ele vai voltar para a aula sem uns dentes”. Retribui com um olhar que dizia “Se você tivesse controlado o seu amiguinho aí embaixo primeiro nada disso estaria acontecendo”. Ah!, A Arte de se comunicar por olhares.
Ele abaixou a cabeça e continuou bebericando refrigerante de sua garrafa.
- – ouviu me chamando, mas olhei para Harry. Afinal, ele é o meu melhor amigo, e mesmo fingindo, posso ver o quanto estar separado de lhe faz mal – Posso falar com você? – ela também olhou pra ele quando terminou a pergunta. Ele a olhava como se procurasse algo interessante para ver.
-Você pode falar na minha frente, – cruzou os braços – Não é como se eu me importasse.
Ela precisou respirar fundo para conseguir ignorá-lo. Levantei-me da bancada, dando um tapa na cabeça dele, mas depois sorrindo. Descemos as escadas e caminhamos pelo pátio.
- Então... A que devo a honra? – zombei, pois ela estava muito séria.
- Por favor, me diz que você tem História agora!
- Não, desculpa... Tenho Francês – direcionei-me até a cantina para comprar um suco – Qual o motivo do desespero?
- Tenho aula com Harry e James agora – soltou um muxoxo triste – E com certeza vai ser... Estranho.
- Desculpa, amiga – abracei-a de lado.
Compramos um suco de kiwi e um de abacaxi com hortelã e voltamos para a arquibancada. Mas antes que pudéssemos chegar lá, o sino tocou. Fiz careta. Não estava afim de ter aula, ainda mais de Francês, sem o meu namorado por perto. Queria pelo menos ter alguém para observar.
Procurei-o com o olhar, mas não o encontrei em nenhum lugar, então entrei na escola, já me direcionando para a sala, quando senti uma mão em meu braço. Fui puxada para dentro de uma sala, que mais parecia um almoxarifado vazio e escuro. Senti a mão que havia me puxado para cá agora se posicionava em minha cintura.
- Ei! Quem voc... – comecei a falar, mas uma boca conhecida se encostou à minha – Tom! O que você está fazendo?
- Você parece saber muito bem o que eu estou fazendo, – sua mão desceu para minha perna, apertando-a. Sorri, sentindo-a fraquejar.
- Thomas... – até pensei em pedir uma explicação do porquê nós não estávamos em nossas respectivas salas de aula, mas pareceu uma perda de tempo.
Então eu agarrei vários fios de seu cabelo loiro macio e puxei sua cabeça para baixo, mordendo seu lábio inferior. Ele se arrepiou, e se empolgou também, pois um segundo depois eu fui empurrada para um dos armários do almoxarifado. Sua boca grudou brutalmente na minha, já tirando meu fôlego quando nossas línguas se encontraram. Sua mão viajava por minhas pernas e cintura.
Já a minha mão estava ocupada em abrir o zíper de sua calça. Não sou apressada, mas não tínhamos muito tempo. Nossa escola, quando se tratava de regras, era muito rígida.
Opa, achei outra coisa rígida.
Ri com este pensamento, quebrando o beijo.
- O jeito como você me leva a sério é tocante – Tom disse entre beijos em meu pescoço.
- Tom... – comecei, trocando nossa posição e o pressionando contra o armário. Abaixei seu jeans – Você não faz ideia.
Nós apenas sorrimos e eu entrelacei minhas pernas em volta da cintura de Tom, sentindo ele me carregar até uma mesa e me colocar delicadamente lá. Ele mesmo tirou sua jaqueta e blusa enquanto eu não conseguia parar de beijá-lo. E se o seu abdômen não fosse tão convidativo, eu com certeza continuaria.
Sua mão quente começou a abrir meu vestido, e enquanto o retirava, deixava um traço de beijos pelo caminho. Minhas costas se arqueavam toda vez que seus lábios encostavam-se a minha pele.
- ... – ele murmurou meu nome entre um beijo, fazendo-me apertar seu corpo ainda mais forte contra o meu.
Suspirei num tom bem alto antes de nos tornarmos um só. Ok, isso foi ridículo. Eu quis dizer antes de nós transarmos.

Terminei de abotoar meu vestido. Ajeitei meu cabelo e senti-o envolver minha cintura.
- Às vezes eu acho que você é boa demais pra mim – ele sussurrou, e eu fechei os olhos para absorver o efeito de sua voz – Mas então eu lembro que você não é uma menina boa – ele soltou um riso rouco e deixou um beijo gentil em meu ombro.
- Eu sou muito boa, ok Fletcher? – virei-me para ele com as mãos na cintura, esperando para ver sua cara de surpresa quando achasse a ambigüidade na frase. Mas ele apenas parecia estar curioso.
- Você realmente é boa, – ele me olhou ainda mais curioso – E isso geralmente vem com prática.
Eu engasguei com a minha própria saliva.
- Você acha que eu já fiz... Isso – não consegui falar outra palavra, pois estava muito chocada com o que Tom sugeria – com alguém além de você?
- Bom...
- Thomas! Como você pode até considerar isto? – aproximei-me dele agora cruzando os braços em meu peito – É preciso haver intimidade, e você é a única pessoa que eu já tive... Intimidade.
Ok, isso não foi muito bem formulado, mas ele pareceu entender. Também se aproximou e colocou suas mãos em meu ombro.
- Desculpe, ok? Não quis insinuar nada – eu sorri, mas ele ainda tinha aquela cara sacana dele – Mas o que eu realmente quis perguntar... Foi se você já ficou com outro garoto.
Fiquei olhando para ele com minha melhor cara de boba.
- Eu... – comecei, já me enrolando. Foi sua vez de cruzar os braços – Talvez... – ele esperou eu terminar – Uns... Dois, três...
- Três? – seu olho se arregalou. Droga.
- Quatro? Cinco... – eu olhava pra baixo, pensando quão cômica a situação seria se meu namorado não quisesse me matar.
- CINCO? – seu olhar era espantado e eu tentei dar um sorriso encorajador. Não deu muito certo – Qual é, Tom, o seu número com certeza é maior.
Ele ficou em silêncio, analisando-me, e depois deu de ombros, mostrando o número sete com os dedos. Não fiquei surpresa. Ele era loiro, lindo, forte, gentil. Que garota não iria querê-lo? E, além de tudo, a garota que ele escolheu fui eu. Então pra que me preocupar? Descruzei seus braços e segurei nossas mãos, beijando-o gentilmente.
- Tom, eu não me importo com números, porque eu sei que eles estão no passado e que o que realmente importa somos nós dois, agora, neste momento.
Nossas testas se encostaram e ele fez um sinal positivo com a cabeça, roubando-me um selinho.
-Você é a melhor, já disse isso? – ele sorriu.
- Ah, se já – sorri também.

N/a: Oi gente, aqui é a Gabriela, tudo bem com vocês? Eu sei que as Fletchers não gostaram muito de trair o Tom, desculpem :( Mas faz parte da história, hehe. Continuem comentando! xx



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