Capítulo 3
[Ludmile’s Pov]
Estava um sol dos diabos. Sem gracinhas. Era literalmente dos diabos. Depois de almoçarmos, caminhei até debaixo daquela árvore de sombra gostosa. Peguei meu livro, um romance bom que consegui pegar de mamãe antes de voltar de Paris. Recostei-me já seca, apesar de ter mergulhado no lago diversas vezes. John havia sumido e resolvi não ficar correndo atrás dele. Não gosto de sufocar. Não sou dessas. E ele também não deve gostar muito disso, já basta o assédio diário, certo?
Alguém se sentou ao meu lado e, ao julgar pelo perfume, é claro que era Judd.
- Por favor, vai encher outro – disse calmamente, tentando fingir que seu aroma não perfurava meu pulmão e provocava memórias que causavam reviravoltas toscas em meu estômago. Infeliz.
- Qual seria a graça? – Ele disse depois de dar uma risada alta e gostosa. Risada de Harry, você não entenderia.
- Judd, já estragou meu dia...
- Não estraguei não... Seu dia nem começou... – Ele disse, aproximando-se perigosamente. Eu não ia olhá-lo nos olhos. Eu não podia. Simplesmente cairia na tentação.
- Por que você não vai brincar no lago? Criança – Revidei a provocação evidentemente ardendo de raiva. Sim, só de raiva. Mesmo ele estando só de bermuda.
- Só se você vier comigo – Ele cochichou em meu ouvido.
- Harry, não quero falar com você – resmunguei cansada.
- Eu também não quero conversar – Ele disse numa voz propositalmente sedutora e, infelizmente, eficaz. Sua mão esquerda acompanhou o desenho do biquíni de meus ombros até minha cintura. Rezando para que ninguém tivesse visto, afastei-o – Meu Deus, como é bom te fazer ficar assim... Fale sério, , ele, aquele Lennon, não faz nem metade do que eu...
- Cansei, chega, saí daquilo – disse, aumentando gradativamente minha voz a cada palavra.
Ele se levantou e me mandou um beijinho no ar. Idiota.
Tentei voltar à leitura umas trinta vezes e assim que consegui, outro vulto se sentou ao meu lado.
- Pelo amor de Deus, nem vem – Disse em tom raivoso e autoritário.
-Hm, só queria resolver umas coisas... – A voz de Lennon me fez saltar.
- Ah! Desculpe! - disse, estendo a mão para tocá-lo no braço, e ele recuou – John, achei que era outra pessoa, me perdoe.
- Sem problemas – ele disse, repousando rapidamente seus olhos em meu rosto e depois vendo que percebi, desviando-o – Como eu disse, só quero resolver umas coisas.
- Diga – disse, tentando manter a calma. Como era complicado. Eu o adorava, mesmo. Eu o queria perto de mim, ele me fazia rir, e pensar claramente em tudo. Mas às vezes ele mergulha num mundinho só dele. Impenetrável. E eu fico confusa, nós não nos conhecemos há muito tempo, ou melhor, há um mês. Mas parece que o conheço há anos. Nunca quis magoá-lo. Mas é de Harry que estamos falando.
- Não dá pra competir com quem dorme com você – suas palavras saíram de sua boca, atingindo-me de um modo inesperado. Fechei o livro e o soltei ao meu lado.
- John...
- Fica quieta, é minha vez de falar, eu escutei aquele monte de merda e fiquei calado apenas para não te envergonhar.
Pisquei três vezes. Minha boca se abriu mais três. Mas, sem chances de algo sair de lá. Esse é mesmo John Lennon? Talvez.
- Só quero deixar claro que você não precisa me dar satisfações. E que não, eu não quero conversar sobre o assunto – Ele fez uma pausa e nossos olhos se encontraram novamente. Nossos rostos estavam muito próximos. Ele ficava incrivelmente sexy bravo. Mas mesmo assim, estava sendo grosso, como Harry nunca foi em um ano de namoro. Fiz uma careta e isso pareceu despertá-lo de seu transe rápido em minha boca. Antes que ele começasse, disse:
- Espera aí, me deixa explicar, foi uma brincadeira do Harry...
- Ele dormiu lá? – John disse, olhando-me com ódio novamente.
- Sim, mas...
- Mas nada. Entendo você. Só não entendi porque me trouxe até aqui.
Seus olhos eram incrivelmente ressentidos, comecei a ficar realmente culpada. Em minha mente rodavam ideias idiotas de que como ele se importava comigo, e como ele me queria.
- Por favor. Me escuta – falei, erguendo minha mão até seu rosto – É bobagem, o Judd é uma criança... – Ele fechou os olhos ao sentir meu toque e um sorriso veio à minha boca. Eu gosto dele. Nem sei quanto, mas gosto.
- Eu não ligo para ele, , ligo para você – Seus olhos se abriram e o ódio estava lá. Soltei seu rosto de imediato. Não gostava desse John.
- Eu também ligo para você... – soltei sem pensar, será que ligo?
- Não liga não. E eu não tenho tempo pra isso – ele disse com ar esnobe e se levantou – Vamos embora amanhã de manhã.
E esta é a vigésima vez hoje que eu fico em choque hoje.
- Ama... Amanhã?
- É.
Disse e saiu andando até a beirada do lago onde se sentou ao lado de Paul.
- Mas o que?... – gaguejei sozinha. Senti meu rosto corar, minha garganta secar. Que raios está acontecendo?
Peguei meu livro e fingi novamente que sabia onde tinha parado a leitura e que não estava confusa em relação a ter Lennon afastado de mim.
chegou com Thomas e ninguém mais que meu inferninho particular, Harry Judd.
- Eai, moça rica? – brincou comigo. Olhei-a com desprezo, nem foi por querer. Ela entenderia, eu imagino – O que aconteceu?
Sorri surpresa com a rapidez de análise de meu humor feita pela fofa que agarrava as mãos de seu namorado, ao constatar que o lago se enchia de garotas, essas desesperadas por um homem. Coitadas, se dependesse de mim e de ...
Enfim, resolvi respondê-la:
- Nada. Depois conversamos – Olhei com ferocidade pra Judd. Ela entendeu o recado. Aliás, os peixes do lago entenderam o recado. assentiu e veio se sentar ao meu lado. Os garotos se sentaram também e começaram a conversar sobre uma nova moto.
- Vamos sair hoje à noite? – disse descontraída, olhando as unhas e depois analisando a capa de meu livro – Dar uma andada de moto. Dirigir hoje quem sabe, né Thomas?
- HA-HÁ – ele disse irônico, estudando-a com cuidado, como se temesse que essa ideia se instalasse.
- Eu deixo, ! – Harry disse, brincando com Thomas.
- Não sei – ignorei-o – Paul e John irão embora amanhã... – Comentei como se não fosse uma novidade inesperada.
- Vão? – disse meio desconcertada.
- AH, que peninhaaa! – Disse Harry sorrindo de orelha a orelha.
- Realmente muito chato, né? – Riu Tom.
Meninos maus.
- Mas isso não nos impede de sair – Disse McCartney, surgindo do além e sorrindo complacente.
- É – disse , olhando diretamente para Thomas como se pedisse para que ele se controlasse.
- Feito, hoje de noite as belezinhas vão subir na moto. Mas dessa vez, pra botar pra quebrar – Paul disse, pegando sua cesta e partindo até o carro lançando um aceno a todos e um ''até mais tarde'' enquanto John apenas assentia pros garotos e sorria em adeus para .
Ele não disse adeus para mim. Tudo bem, ninguém percebeu. Ou melhor, apenas Harry percebeu.
- Vish, problemas no paraíso – Falou Judd assim que o carro dos Beatle boys sumiu na virada de esquina.
- É que às vezes o Inferno quer subir ao céu – Disse, saindo de lá antes que um lindo pescocinho fosse cortado.
[’s Pov]
O rádio estava ligado enquanto eu esperava
tomar banho e xeretava em suas roupas. Meus quadris dançavam automaticamente ao som de Little Bitty Pretty One, de Thurston Harris. Joguei para trás uma blusinha vermelha florida, vendo que ela não combinava com a calça jeans que eu havia escolhido para hoje à noite. Como os pais de ainda estavam em Paris, tínhamos que nos virar com a comida, então, percebendo que a minha amiga iria ficar o resto da semana no banho, desci as escadas em direção a cozinha. Abri a geladeira e retirei uma jarra de suco de maracujá, junto com um pote de manteiga. Separei duas fatias de pão e preparei um lanche improvisado, em tempo suficiente para terminar seu banho.
- Hmmm, que fome! – ela apareceu ao meu lado, torcendo o cabelo na toalha, usando seu típico roupão azul escuro.
- Pois é – resmunguei – Agora você pode terminar de preparar enquanto eu tomo banho, ok? Obrigada.
Ri de sua expressão surpresa, subi rapidamente a escada e entrei correndo no banheiro, sentindo meu corpo se enchendo de adrenalina. Não pensei em nada enquanto o jato de água caia por meu corpo, e isso restaurou minhas energias. O dia no lago foi pelo menos intenso, e eu mal esperava uma “festa de despedida” hoje, pensava que os Beatle Boys ficariam mais tempo. O que era uma completa bobagem, para quê eles ficariam em Brighton?
Quando saí do banho, estava sentada em sua cama, lendo uma Vogue e comendo seu lanche.
- Uau, o tempo que você passa no chuveiro é recompensado pela rapidez com que você se troca – olhei-a confusa – Você sabe que isso não faz sentido, né?
- Na verdade – ela respondeu sem prestar muita atenção, mal tirando os olhos da revista – faz certo sentido, sim.
Decidi ignorá-la, dando atenção à roupa que iria vestir. O céu já estava escuro, uma brisa gelada batia na janela vindo em nossas direções, conseguindo abafar o calor que se instalava no ar, e logo os garotos viriam nos buscar. O lugar para onde iríamos não era muito longe, mas era bem isolado. Lá havia um bar de que poucas pessoas tinham conhecimento, e aonde os dois casais (Tom e eu e Harry e ) íamos em ocasiões raras.
Escolhi colocar um crop top florido, que combinava com minha calça capri jeans, e um salto de cor bege escura, que eu sempre usava. Quando terminei de me vestir, nós duas descemos as escadas e fomos até a sala esperar nossos pares. Eles chegaram rapidamente e entregaram suas jaquetas pretas a nós, alegando estar “frio lá fora”, mesmo que tenhamos percebido seus olhares reprovadores para nosso decote. Mas aceitamo-las sem delongas, afinal, elas acrescentavam um charme em nosso look.
- Tem cerveja aqui? – Tom perguntou inquieto.
- Tom, querido, nós estamos indo para um bar – minha mão pousou em seu ombro, tentando consolá-lo – Posso lhe assegurar que lá há cerveja.
Ele me respondeu, educadamente, com uma careta. De qualquer maneira, abrimos um par de garrafas e ficamos jogando conversa fora, pois era relativamente cedo para sairmos. O loiro puxou-me para seu colo e eu me sentei sem censura. Ele acariciou meu braço, descobrindo meu ombro e depositando um beijo lá.
- Conseguiu descansar? – sua voz era calma e suave.
- Nem um pouco – sorri sem jeito – e você? – ele fez um sinal negativo com a cabeça.
- Meu pai conseguiu completar uma hora de sermão hoje, dizendo como eu sou um completo vagabundo que não procura por emprego... – ele fez cara de cansaço – E ele descobriu sobre o carro.
- Ai meu Deus, Tom! – ajeitei-me em sua perna para conseguir ver seu rosto melhor – E ele deixou você vir aqui?
- Ele nem sabe que estou aqui – o loiro se mexeu desconfortavelmente e evitou meu olhar.
- Thomas... – segurei seu rosto e ele tentou se livrar de mim – Thomas? – prendi sua atenção em mim, segurando fortemente seu rosto – Não gosto de você com essas briguinhas com seu pai. Não gosto que ele pense mal sobre você. Você é um bom filho e ele não percebe isso. Amanhã vou lá ter uma conversa com o Sr. Fletcher.
- , deixa disso. Você acha que alguma coisa entra na cabeça dele? E outra, eu não estou procurando emprego mesmo – Ele riu sem achar graça e bagunçou seu cabelo.
- Você quer começar a procurar? Talvez se você achasse algo bem simples, fizesse com que ele parasse de encher... – Parei de falar assim que vi seu ar de reprovação.
- Não quero trabalhar agora, , você sabe... Não quero perder tempo... – Ele me olhou como se fosse perder o tempo que tinha comigo.
- Nós podemos trabalhar juntos! – disse sorrindo meigamente com vontade de acalmá-lo. Podia sentir sua aflição em relação ao pai.
- Deixa de ser louca. Você trabalhando?
- Trabalhar? , pelo amor de Deus né – a cabeça de surgiu em minha visão, intrometendo-se.
- O que? – disse ofendida – Gente, eu sei fazer as coisas...
- Trabalhar é pra quem precisa... – começou com desgosto.
- Mas querida, eu preciso. Não tenho pais ricos que me sustentem.
- Não gosto desta ideia – protestou Tom.
- Gente, imagina a com avental de lanchonete! – Comentou Judd. Todos riram menos que murmurou um ‘idiotas’.
- Mas nos ama, né? – disse Harry.
- Ama sim – Eu respondi antes que ela estragasse o momento. Tirei minha atenção deles e me concentrei no loiro que me encarava com cara amarrada – Me diz o que eu faço para ver um sorrisinho lindo em seu rosto? – disse 'jogando um charme'
- Me dá um beijo – ele pediu, provocando-me ao morder seu lábio inferior.
Obedeci-o e encostei nossos lábios delicadamente. Sua língua invadiu minha boca como se precisasse de um pouquinho da minha essência para melhorar seu humor. Nossos lábios sincronizados fizeram com que Harry e sumissem e, como sempre, só o que importava ficasse. Senti um pouco de tensão no beijo, mas consegui aliviá-la um pouco enquanto passava minhas mãos em sua nuca e cabelo, bagunçando-o um pouco. A jaqueta do nada não precisava mais me esquentar, pois o beijo já cumpria esta função, e senti necessidade de, infelizmente, respirar. Separei nossos rostos, sorrindo levemente e aproveitando a reviravolta em meu estômago.
- Melhor? – perguntei, brincando com seu nariz, fazendo um beijinho de esquimó.
- Eu sei que ele vai falar que está melhor... Mas eu sei que na cabeça dele ele pensa que estaria melhor mesmo se estivessem lá em cima, numa cama – Disse Harry, com seu usual cavalheirismo, sentando-se ao nosso lado entrando em meu campo de visão.
- E eu acho que você devia calar a boca – disse com sua voz de irritação.
- Você só fala isso – resmungou Judd choroso.
- Porque você nunca cala a boca – respondeu a menina, e ele fez um bico e nos olhou com cara de pena.
- Você sabe que ela quer que você cale a boca e faça alguma OUTRA coisa né Harry... – comentei, dando-lhe uma piscadela. Ele riu alto junto a Thomas e se levantou em direção a .
-, sua vadia – ela gritou enquanto era agarrada por Harry. Virei-me de costas para eles.
- Sério, está melhor? – perguntei séria, olhando nos olhos de Tom. Ele abriu a boca para responder, mas antes alguém bateu na porta.
Fiz que ia me levantar e Thomas apertou suas mãos em minha cintura. Sorri pra ele e com a insistência lá de fora ele me soltou, fazendo careta.
- Pois não! – Abri a porta ainda sorrindo. Esse sorriso desmoronou quando um Paul apoiado na soleira me aguardava de jeans claro e apertado, blusa preta e jaqueta de couro.
- Olá, queridinha – Sua mão veio até meu queixo e ele deu uma apertadinha. Enrubesci levemente e abri passagem para que ele entrasse.
- Olá, McCartney! – disse , desligando o rádio.
- Olá, Riquinha...
- Chato – ela disse enquanto Judd a abraçava por trás. E não se sabe para quem foi o 'chato', se para Judd ou Paul. Mas sinceramente acho que foi para Paul, pois assim que Harry a tocou ela sorriu.
-Nós vamos de moto na frente para mostrar o lugar – Judd disse, virando-se para e fechando sua jaqueta até o pescoço com ar protetor.
Todos concordaram, mas antes que pudéssemos subir nas motos, outro carro chegou e parou em nossa frente. Gelei ao perceber que era o Sr. Fletcher com uma cara amarrada. Apertei a mão de Tom e vi que ele engolia em seco, como seu pai havia descoberto que estávamos aqui?
- Thomas, entre no carro – Bob gritou, sem ao menos sair de onde estava. O loiro olhou para baixo, negando com a cabeça, até ter coragem para falar:
- Não, pai. Eu não vou entrar no carro.
- Tom, por favor, não faça isso – sussurrei em seu ouvido, temendo pelo que poderia acontecer se ele desobedecesse a sua família. Ele soltou nossas mãos e caminhou até o carro do pai. Eu o segui.
- O que é que você disse, moleque? – o Sr. Fletcher era uma das pessoas mais pacíficas que eu conhecia, menos quando alguém o contrariava, o que resultava nele ficando vermelho e mais estressado a cada minuto.
- Pai... Será que a gente não pode discutir isso mais tarde? Estávamos saindo agora e...
- Você não vai a lugar algum, garoto! Acha o que? Que pode fazer o que quiser na hora que quiser? – Tom fez cara de ‘mas é claro que sim’, mas não disse nada. – Entre no carro.
- Bob? – tentei intervir, mas o homem me lançou um olhar mortífero – Hm, Sr. Fletcher? Desculpa interromper, mas...
-O que diabos você está fazendo, ? – Tom perguntou, puxando meu braço. Eu apenas me desvencilhei.
- Eu conversei com o Tom e ele me disse que já está procurando por um emprego – Cof cof – Você não pode deixá-lo ir conosco só agora?
Desta vez, era eu quem engolia em seco. O olhar que meu sogro me dava era muito além de bravo. Era como se eu tivesse cometido um crime, apenas me direcionando a ele. Ele saiu do carro, aparentemente tentando se acalmar, e tocou levemente meu ombro.
-, – ele pensava em como dizer pra eu ir pro inferno sem ofender – isso é um problema de família, e quero resolvê-lo com meu filho. Em nossa casa, se não for problema – Concordei com a cabeça, olhando para o chão – Agora, Tom, no carro. Já.
Tom virou-me para ele e me beijou carinhosamente. Ouvi a porta do carro batendo enquanto ele fazia um carinho bom em minha bochecha, como um pedido de desculpas. Quando cortamos o beijo, olhei bem em seus olhos, que demonstravam uma raiva enorme.
- Não torne isso maior do que já é, ok? – pedi, segurando seu rosto carinhosamente.
- Ok – ele respondeu relutante, enquanto me dava outro selinho.
Observei ele jogar a chave da moto para Harry e entrar no carro de seu pai, nada feliz.
- Então – ouvi McCartney dizer após um minuto de silêncio – Acho que temos uma moto vaga, não é mesmo?
Uma risada seca saiu de minha garganta, mas eu não havia achado engraçado. Comentários sarcásticos depois de situações tensas não me agradavam, ainda mais sendo por um que não fazia parte do nosso grupo. Decidi não responder, pois se o fizesse, com certeza não seria bonito. Então Harry fez isso por mim.
- Se você acha por um segundo que vai chegar perto da moto do Fletcher... – ele deixou a frase no ar, olhando ameaçador também para John, que estava dentro do carro. John retribuiu o olhar, como se quisesse deixar claro que não tinha medo de Judd.
- Harry... – começou, mas ele lançou o mesmo olhar ameaçador a ela, que mesmo assim não ficou quieta – Como você espera que ela volte, andando? – perguntou ácida – John e Paul vão direto para o hotel ao irem embora, então teremos de usar a moto de Tom.
Concordei com a cabeça e vi Paul olhando fixamente pra mim, como se imaginasse o que faria comigo mais tarde; eu estremeci.
- Eu não estou gostando nada disso... – Harry insistiu e, mesmo que não concordasse, não pôde fazer nada – E o Tom também não vai gostar.
- Eu não estou nem aí se você está gostando ou não, Judd, a não ser que arranje um jeito de voltar conosco – ele ficou em silêncio e sorriu vitoriosa. – Vamos.
Ela falava comigo, então me precipitei para a moto, dando de encontro com Paul, que umedeceu os lábios com o rosto bem perto do meu. Fingi que sua respiração não batia em minha bochecha e subi na garupa, abraçando-o e sentindo o ar fresco bater em meu rosto quando ele deu partida.
Capítulo 4
[Ludmile’s Pov]
Chegamos lá bem rápido, ainda mais de moto. Era um lugar um tanto deserto, no final de uma estrada em uma rua sem saída, bem desviada, com um matagal em volta do espaço reservado para o bar e seus afins. O bar, por fora, era clássico, um dos meus preferidos. O nome St. Patricks piscava em cores neons, e caía um pouco para a esquerda por puro charme. Era bege com listras mais escuras e a porta era vermelha, com uma pequena plaquinha com o escrito “Aberto” pendurada na janelinha da porta. Judd parou a moto e saiu de cima dela com certa grosseria, me ignorando. Não aprovei essa ação. Fiz careta e saí da moto, acomodando-me na jaqueta.
- Vou comprar umas cervejas – Harry disse.
- Pegue pra... – Mas ele já havia entrado no St. Patricks.
Idiota, isso que ele é. Um bipolar, maluco. Meia hora atrás estava cheio de abraços e cócegas, e agora... O Judd convencido que nunca está sentindo ciúmes. Ainda.
e Paul, que chegaram conosco, também entraram no bar, mas eu esperei John chegar com o carro, encostada na moto com os braços cruzados. Tive a impressão de que ele estacionou o carro em frente ao bar só porque era o lugar mais longe de onde eu o esperava, mas tentei ignorar isto. Dei uma pequena corridinha para alcançá-lo e vi um sorriso se formar em seu rosto com esta cena.
- O que é tão engraçado, Lennon? – perguntei quando finalmente o alcancei na porta do St. Patricks. Ele coçou o queixo lentamente antes de responder.
- Se você soubesse o quanto fica – ele se aproximou de meu ouvido e pousou sua mão em minha cintura, falando com a voz rouca – hilária correndo atrás de mim... Chega a ser patético.
Suas palavras pareciam ter sido feitas de ácido, e me atingiram em cheio, linchando o sorriso que estava em meu rosto, fazendo a expressão emburrada ficar em seu lugar. Ele entrou no bar sem nenhuma hesitação ao me deixar para trás. Tive vontade de gritar. Qual era o problema de todos hoje? Era o dia oficial de fazer se sentir um lixo e eu não sabia? Acendi um cigarro antes de empurrar a porta vermelha a minha frente e colocar em meu rosto o sorriso mais falso que consegui formar.
veio até mim com um sorriso forçado e estranhou minha rigidez e falsidade ao pegar a cerveja que ela oferecia. Nossos olhos se encontraram rapidamente. Discutiríamos mais tarde. Ainda teríamos uma noite inteira pela frente para aguentar junto aos Beatles Boys e Judd.
Saí logo atrás do meu grupo, ao lado de , que recebeu um olhar autoritário de Harry como se ele fosse a vigiar. Esse que me ignorou e levou a cerveja à boca. Meu cigarro acabou. Olhei com certo ódio para as motos. Fazia uns seis meses que eu não andava em uma. Mas a adrenalina que vinha apenas dando partida era inevitável e extasiante. Serviria para despachar a raiva. Mas melhor seria dar umas bofetadas em Harry.
Caminhei até a moto de Judd na qual ele se encostava. Joguei o cigarro no chão e pisei, apagando-o.
- Então... – disse, bebendo mais um gole de cerveja – Como vai ser?
- Acho que vamos testar os Beatles... Brincar numas curvas... – ele se virou pra mim e piscou.
- Eu não estava falando disso... Quero saber se hoje vai ser o Harry ácido, ou fofo – Olhei-o nos olhos, não tinha o porquê de enrolação, nós dois nos conhecíamos bem demais para perder tempo.
- Qual você prefere? – ele se aproximou com malícia, segurando minha cintura.
- Ainda não me decidi – Disse baixo quase encostando nossos lábios.
- Nem eu – Ele disse, soltando-me e caminhando até o carro de Lennon, onde todos estavam apoiados conversando.
Fui atrás, lentamente bebericando minha bebida, observando a tensão cada vez maior entre Judd e Lennon, como seu contato visual era hostil e ambos retorciam levemente a boca. Isso me fez sorrir. Era puramente a competição natural entre homens, mas o fato de o troféu ser eu, bem, me fez um pouco melhor.
- Bom, eu ando na de Tom – disse, como se isso fosse necessário, estendendo a mão à Paul. Ele sorriu, e fez que não.
- Primeiro vamos andar juntos, que tal?
- Acho que você... – Harry começou a dizer, ficando meio vermelho.
- Acho que vindo pra cá, vocês já andaram juntos, certo? Dê a chave à ela, McCartney, e se acalme, Judd.
- Na minha anda a – disse Harry, me ignorando e ignorando Paul também, que brincava de 'não deixar a pegar a chave' – E um de vocês dois também. Vamos logo.
se sentou na moto ao mesmo tempo que eu. Ignoramos os olhares curiosos dos dois Beatles que permaneciam no capô do carro.
- Você... Lembra-se de tudo? – Disse Harry que se encontrava ao lado da moto.
- Tive um bom professor Judd, fique tranquilo – Pisquei-lhe e sorri. Na época, ou seja, o começo de nosso namoro, ele fez questão de me ensinar tudo que sabia. E não é pouco. Dei partida, acelerei. ao meu lado fez o mesmo.
- Pronta, ? – perguntou sorrindo nostálgica. Por muito tempo, andar de moto, driblar objetos e correr foi nosso hobby favorito.
Harry fez um aceno à que o retribuiu com um sorriso corajoso. Ela saiu do lugar ao mesmo tempo que eu. O caminho tinha várias pedras grandes, latões de lixo que insinuavam curvas e outros 'perigos'.
Ambas nos divertíamos muito andando juntas, mas ela resolveu acelerar. Bom, parece que esse continuou sendo o hobby dela. Sorri ao lembrar que, bem, ela gostava mais de correr do que eu. Eu só me entusiasmava por Judd. Sua paixão nesse joguinho de quase morte me envolvia e me empolgava a tal ponto de me fazer amar a adrenalina.
Mas eu não competia com , nós nem conseguíamos. Sempre que corríamos juntas nos separávamos e pegávamos trilhas diferentes. Por mero costume.
gostava de velocidade, pois seu pai corria. Bem, meu pai não corre nem andando. Quando cheguei de volta a frente do bar, saía de cima da moto e esperava-me em meu lugar. Saltei da moto já esperando aquele abraço que ela me deu. A é manteiguinha, toda nostálgica. Sorri quando ela soltou uma risada por simplesmente estar cheia de adrenalina.
- Senti saudades disso, sua riquinha – ela me soltou e foi até o bar pegar mais cerveja.
Fui até o carro e sorri ao ver McCartney me olhar com certa satisfação.
- Que foi, McCartney?
- Você é boa nisso.
- É claro que sou – ri de sua tentativa de me irritar.
- Impressionante – ele disse e me ofereceu um cigarro. Aceitei.
- Que tal eu e você agora, McCartney? – disse John, passando os olhos rapidamente por mim com um sorriso nos lábios.
- Certo! – Paul disse, empolgando-se – Vamos apostar.
Ambos foram até as motos e se acomodaram. Eu me apoiei no carro e bebi da cerveja que trouxera para si. Ela pegou de volta, deu de língua e se apoiou do meu lado.
Percebi que o rádio do carro estava ligado. Estava tocando Johnny Rivers - Cupid. Harry chegou e se apoiou ao lado de .
- Sabe o que eu acho? Que estou mais do que de vela aqui. Estou tipo um castiçal... E também acho que vocês deviam dançar.
diz isso e sai andando tranquilamente até onde John e Paul vão chegar.
- Acho que ela estava certa – Disse Harry.
- É, super castiçal.
Ele riu e pegou minha mão, puxando-me pra dançar.
- Harry, porque às vezes eu quero te matar? – perguntei, assustando-me ao perceber o quão vulnerável eu parecia com aquela mera pergunta.
- Não sei , só acho que você não devia gastar energia comigo, e sim com o Lennon, ele é o intrometido.
- Não sei, não.
- Você sabe tudo, mas só vê o que quer – ele me girou – Nada vai mudar entre nós enquanto esse cara estiver no meio – Ele disse um pouco agressivamente.
- Judd...
Ele me soltou e entrou no bar. Olhei pro chão e quando percebi John estava na minha frente. Entendi porque Harry me soltou e saiu tão rápido.
Cupid please hear my cry
And let your arrow fly
Straight to that girl's heart for me
Ele me lançou um olhar seco e eu o encarei de volta. Eu estava com muita vontade de chorar, mesmo. Toda a força e falsidade desmoronando. Tinha que tomar cuidado com as provocações de Lennon. Ia doer. Pois eu o machuquei e ele não deixaria barato. Não mesmo.
- Quem ganhou? – perguntei, engolindo em seco.
- Ele – John comentou – Se eu não o deixasse ganhar com a por aqui, ele ficaria revoltado.
- Imagino – Ri sem humor.
- Sei que eu deveria estar querendo te ver mal, mas não me satisfez o Judd te largando aqui sozinha. Ele não tem o que queria? Você toda pra ele.
Olhei pro chão... O rádio preencheu o silêncio, não sabia onde ninguém se encontrava. As palavras de John como sempre, pesadas demais. Sutilmente carregadas.
- Parece que, para ele, eu ainda não me entreguei por inteiro – disse, olhando para o chão.
John puxou meu braço e me balançou num ritmo lento, ao fundo tocava Cuckoo Clock dos The Beach Boys, eu apenas deixei-me ser guiada. O ritmo estava errado. Mas a respiração de Lennon e seu aperto em minha cintura estavam certos.
I went back to her side
(Tick-tock Tick-tock)
I had to swallow my pride
A música parou e eu e John nos separamos quebrando o encanto que nosso contato fazia em mim.
- Enquanto ele tiver ciúmes de você, ele te ama – sussurrou em meu ouvido e me soltou de um jeito delicado, andando para a moto novamente, desafiando, ninguém mais, ninguém menos que Harry.
Sentei no capô inclinada a torcer por John, relembrando sua frase. E aplicando-a nele também.
[’s Pov]
Quando saí novamente do bar, esperava ver e Harry juntos, mas ao invés disso, vi Judd subindo em uma moto e John em outra. Fiquei chocada, mas antes que pudesse fazer algum tipo de comentário, uma voz surgiu ao meu lado, dizendo:
- Quem você acha que ganha? – McCartney olhava pra , e eu entendi o que ele queria dizer: quem eu achava que ficaria com ela no final. Ri, olhando pra baixo, sentindo uma pontada de pena da minha amiga.
Voltei meu olhar para os dois que subiam na moto; Lennon, calmo, suave, mas com certeza estava tremendo por dentro, e Judd: despreocupado, fumando seu cigarro enquanto provocava John fazendo barulhos com o motor. E depois percebi outra coisa: era a primeira vez que Paul falava algo seriamente comigo. Olhei espantada para ele.
- O que? Você acha que eu ganho? – ele tragou seu cigarro – Eu sabia.
Ri de sua cara e ele, olhando pra mim, riu junto. Ele colocou o cigarro na minha frente e eu o traguei de sua mão.
- Isso – ele fez sinal de calor, ajeitando a jaqueta – foi extremamente sexy!
- Você não viu nada – retruquei, surpreendendo até a mim mesma, e saí andando até . Podia sentir o olhar de Paul em mim, e gostei da sensação.
- Por que Paul está com aquela cara? – sorriu ao perguntar, já imaginando coisas – O que você fez com o coitado?
- Nada, ué, só estou me divertindo – sorri meigamente – Não era isso que você queria que eu fizesse? – ela piscou algumas vezes, pra ter certeza de que havia escutado certo e depois sorriu, virando-se para os barulhos de moto que se intensificavam.
Uma moto chegou primeiro, fazendo poeira em volta de si. A outra chegou logo atrás, e quem saiu dela parecia bem raivoso. Judd andou rapidamente até o bar, mas não sem antes lançar um olhar mortal para , que olhou pra baixo ao recebê-lo. John andava até nós com um sorriso singelo em seu rosto e o abraçou fortemente.
Eu era um castiçal novamente.
- Ok – pulei quando Paul gritou em meu ouvido. Vire-me pra ele chocada – Já podemos começar a nos divertir agora?
Olhei sugestivamente para ele e sem dizermos nada, entramos no St. Patricks e, enquanto ele caminhava até a JukeBox, que ficava no meio do bar, eu pedia mais uma bebida para dividirmos.
Caminhei calmamente com a minha cerveja na mão até onde Paul estava agachado. E sim, eu reparei em seu bumbum. Sorri com esse pensamento e reprimi a vontade de fazer certas coisas que passavam em minha cabeça. Ele levantou bruscamente e esbarrou em mim, mas eu o segurei e ao mesmo tempo me apoiei para dar Play na música que ele havia escolhido.
Good Luck Charm, de Elvis, começou a tocar e Paul tomou-me em seus braços. Dançávamos calmamente, sua mão em minha cintura não me apertava e isso me agradou, pelo menos ele sabia os limites, pelo menos por ora. Ninguém parecia ter reparado que era um membro dos Beatles no meio do bar, pelo jeito estavam bêbados demais para isso.
Come on and be my little good luck charm
Uh-huh huh, you sweet delight
I want a good luck charm
a-hanging on my arm
To have, to have, to hold, to hold tonight
McCartney cantava baixinho para si mesmo e eu, sem querer, o observei a música inteira com um sorriso no rosto. Quando ele levantou seu olhar para o meu, sorriu comigo, mas de uma forma curiosa.
- Você pode tirar uma foto depois – zombou – Ou, se preferir, pode pintar um quadro.
- Como você consegue ser tão...
- Lindo?
- Arrogante – sorri vencedora. Ele retribuiu o sorriso de forma maléfica.
- É uma qualidade natural, sabe – nós rimos.
A música já havia terminado, mas alguém aleatório havia selecionado outra para tocar logo após. Era ‘Roses Are Red, My Love’ de Bobby Vinton. A ironia do destino tocando uma música lenta, só para eu e McCartney.
- Cuidado para não se apaixonar – Paul piscou bem perto do meu rosto, mas algo em sua voz estava diferente, como se ele falasse sério.
- Você também – disse sem pensar, e mais seriamente do que planejava.
Agora sua mão apertava um pouco minha cintura, aproximando-me de seu corpo, que transmitia um calor para o meu. Sem perceber, encostei minha cabeça em seu ombro, sentindo seu perfume preencher meus pulmões. Pude perceber que ele se enrijeceu um pouco, provavelmente desconfortável com a proximidade, mas eu já tinha bebido o suficiente para não me importar.
- Roses are red, my love – sua voz grave cantou em meu ouvido e eu fechei os olhos, apenas absorvendo aquelas palavras.
- Violets are blue... – sussurrei tão baixo que pensei que nem eu mesma havia escutado, mas pude sentir Paul sorrindo.
- Sugar is sweet, my love – seu lábio encostou em meu pescoço, e eu senti toda a área tocada se arrepiar – But not as sweet as you.
Sorri, ajeitando minha cabeça para poder olhá-lo. Ele estava fazendo a mesma coisa, resultando na mistura de nossas respirações. Meu olhar foi instantaneamente para sua boca, a linha fina de seu lábio superior parecia extremamente convidativa, assim como o seu lábio inferior parecia chamar por mim.
Nossos lábios se juntaram com a naturalidade de um piscar de olhos. Com essa mesma automaticidade, nossos corpos se sincronizaram, assim como nossas línguas. Paul segurava meu rosto, trazendo-o para mais perto do dele, e eu passava minhas mãos por seu abdômen.
Suas mãos desceram para a minha cintura e um frio passou por minha barriga. Puxei seu lábio inferior com meu dente e continuei o beijando, pois aquilo estava muito bom, e eu não estava afim de parar. Mas, depois de alguns segundos, ele separou nossas bocas, pois precisava de oxigênio. Só percebi que também precisava quando puxei o ar desesperadamente quando nos separamos.
- Bom – ele começou, com aquele sotaque maravilhoso se destacando, juntamente com seus lábios, que estavam totalmente vermelhos – isso foi...
- Eu sei – completei sua frase, sentindo-me estranhamente completa depois daquele beijo.
Um riso se formou em nossas bocas, um riso meio que cúmplice, e Paul beijou-me mais uma vez, mas de um jeito mais gentil, como se fosse uma despedida. No fundo tocava I Can’t Stop Loving You, na versão de Elvis.
O gosto daquele beijo era de quero mais e terminou mais rápido do que eu queria. Ele apenas lançou-me um olhar significativo e foi embora, me deixando sozinha e confusa em meio de casais dançando.
Fui até o banheiro para me recompor, lavei meu rosto, tomando cuidado para não estragar minha maquiagem. Ouvi barulhos de pessoas se beijando e instintivamente olhei para o espelho, que mostrava apenas uma porta fechada atrás de mim. Como eu estava no momento “vou me divertir”, peguei um pedaço de papel, molhei-o e joguei por cima da cabine.
- Puta merda! – a voz rouca masculina gritou e eu arregalei os olhos.
- Harry? – chutei a porta. Chutei mesmo. E lá estava ele, aos beijos com uma loira. Acusei-o com o olhar, mas fechei a porta com a mesma ferocidade com a que havia aberto e fui embora.
Ele nem teve a decência de me seguir para se explicar! Atravessei o bar e empurrei a porta vermelha, batendo-a em...
- Tom?! – o loiro tinha um olhar assustado, mas eu joguei meus braços em volta de seu pescoço do mesmo jeito – Como você...?
- Bom, digamos que conversei com o meu pai – ele parou pra pensar – E só vamos dizer isso – abri a boca para argumentar – Depois eu te conto melhor.
Sorri e ele aproximou nossos rostos, pronto para começar um beijo, mas eu me afastei, me lembrando que havia beijado Paul há menos de dez minutos atrás.
- O que foi? – ele perguntou, preocupado.
- Nada – menti – Só preciso conversar com a ... – dei-lhe um selinho e saí à procura da minha amiga, que estava conversando com John e Paul. Engoli em seco.
- Olá – ela enfatizou meu nome, deixando claro que sabia o que eu havia feito. Olhei com ódio para Paul.
- Ei, eu não falei nada! Ela adivinhou! – ele se defendeu, fazendo gestos engraçados com a mão.
- Só espere que o seu namorado também não adivinhe – ela disse, sem nenhuma acidez na voz, mas apenas sendo sincera. Um silêncio se instalou entre nós, até que o quebrou – Bom então vocês já vão mesmo?
Olhei para cima imediatamente, alerta. Eles já iam embora?
John foi se despedir propriamente de , ou seja, eles iam se pegar rapidinho. Paul apenas se aproximou de mim, depositando um beijo no canto de minha boca.
- Te vejo por aí, boneca – senti-o colocando alguma coisa no bolso de minha jaqueta.
Eles entraram no carro com a mesma sutileza e dignidade de quando nos vimos pela primeira vez. entrelaçou nossos braços e ficamos assim por uns minutos, até ela suspirar.
- Por que eu fui conhecer esses dois, hein ? – ela perguntou pesarosa.
- Não sei – respondi pensativa, lembrando-me do bilhete em meu bolso. Tirei-o de lá e ao abri-lo encontrei uma caligrafia um pouco torta, mas bonita, que dizia: “‘I can’t stop wanting you, it’s useless to try’. Te vejo por aí, boneca. xX”
- Talvez seja destino – completei, sem saber direito o que falava, e depois me lembrei do momento do banheiro – Ah, ?... Tem uma coisa que eu preciso te contar.
Capítulo 5
[Ludmile’s Pov]
Acordei ainda com um pouco de sono.
respirou fundo ao meu lado, ela dormira em casa para não voltar sozinha com Thomas. Sem comentários para essa história de pegar o McCartney. Espreguicei-me e virei-me para olhá-la, ela dormia pesadamente, e confortavelmente. Agradeço a meus pais pela cama de casal. Eu, e Harry aprovamos.
Levantei-me, tomando cuidado para não acordar nenhum dos dois. Se bem que, se Harry rolasse da cama e caísse no chão frio e duro, eu não ficaria tão chateada. resmungou e girou com o lençol para o canto. Suas roupas de baixo, que minha camisola emprestada tampava, eram pretas. Fletcher perdeu a diversão, fazer o que, não é mesmo?
Harry chamou o nome de uma tal de Michelle, depois relinchou que nem um cavalo e soltou um . Sorri, ainda com ódio dele, e parti pro banheiro para lavar o rosto. Quando saí de lá, nenhum dos dois estavam mais no quarto, então eu desci para a cozinha, encontrando apenas
preparando algo que cheirava deliciosamente bem.
- BU! – gritou Harry apenas de cuecas no meio de minha cozinha. E, claro, me assustando.
- Inferno Harry! – gritei, afastando-o de mim.
-Vocês dois... – resmungou – Quietos, estou de ressaca.
Não falei mais nada, pra mim Judd podia morrer. Afinal, quem precisava dele? Eu certamente que não. Ele que fique se divertindo com suas vadiazinhas em banheiros de bares, eu não me importo. Sei que nenhuma delas nunca vai conseguir fazer o que eu faço com ele.
- AH, , sua fofoqueira! – Harry protestou, percebendo o clima de tensão que havia se formado.
- Eu o caramba, você sabe que eu conto. Larga mão de ser trouxa – Olha a raivosa.
- Mas eu estava bêbado e...
- Harry, shh, também estou de ressaca – disse simplesmente e depois me virei para – Quando estiver pronto, você me chama? Vou tomar um ar.
Ela fez um sinal afirmativo com a cabeça e eu me direcionei até a porta, fechando-a gentilmente atrás de mim. Sentei-me no banco em frente ao portão de entrada, feliz por não ter nenhum barulho que aumentasse minha dor de cabeça.
Ouvi a porta abrir. Respirei fundo, sabia que era Judd ao meu lado.
- Você está só de cuecas?
- Sim. Do jeito que você gosta – ele provocou, passando o braço em volta de minhas costas.
- Harry, eu estou cansada disto – disse baixo, sem olhá-lo nos olhos.
- Duvido! Você não se cansa disso – ele continuou brincando.
- GENTE! ESTÁ PRONTO! A escrava já acabou – gritou da cozinha, e me levantei.
- Estou falando sério – olhei-o nos olhos – Mais tarde conversamos.
Sentamo-nos na mesa e minha amiga cozinheira deu nossos pratos sorrindo e cantando uma música do Elvis. Eu sabia que assim que Harry se fosse, conversaríamos sobre ontem. Harry pegou seu prato das mãos de e piscou-lhe amigavelmente. Ela se acomodou e comemos em completo silêncio. Eu aliviada, Judd tenso e ela indecisa entre tensão e felicidade.
Quando acabamos Judd saiu, ia para casa tomar um banho e resolver algumas coisas. Realmente não me importei, mas marcou com ele mais tarde no Milk's Bar, que é próximo de casa. Ambas tomamos nossos banhos e nos vestimos com roupas limpas e decentes. Vestidos, para voltar ao padrão. Estávamos relendo minha revista Chanel quando o assunto virou Lennon, e depois McCartney.
Contei a ela que John e eu ficamos juntos todo o tempo depois das corridas, e que ele havia sido meigo novamente. Comentei que a bipolaridade dele me assusta e ela disse que era apenas ciúmes. Ambas rimos quando perguntei como era dar uns beijos no McCartney. Ela me olhou com um brilhinho nos olhos e respondeu num sussurro: ''diferente''.
Contentei-me com a resposta, pois esse não era meu foco. Minha tarefa era contar a ela o que eu pretendia fazer essa tarde. Ela ficaria bem brava e defenderia Harry, mas eu sei que, no final, ela entenderia.
- Cansei-me da relação aberta, entende? – disse num tom de murmúrio, repetindo isso pela quinta vez – Ele simplesmente não me dá valor.
- , você faz o que achar que deve fazer. Mas todos sabem que os dois são 'liberais' e completamente apaixonados um pelo outro. Isso não é segredo. Não se engane, vocês vão voltar – ela me censurou com esse seu jeito fofo e direto, mas me fez pensar que Harry nunca havia dito um “eu te amo” para mim. E talvez esse seja o problema, pois a qualquer momento essas palavras poderiam sair de minha boca.
A conversa terminou quando um Tom buzinou de seu Ford Thunderbird preto e descemos correndo até ele. Cumprimentamo-nos rapidamente e partimos pro Milk. No carro a tranquilidade reinava.
não se sentia culpada, pois como sabíamos, ela estava bêbada, e isso nunca se repetiria. Era de Thomas que estamos falando: o amor da vida dela. O ar que ela respira. Blábláblá. Coisa de apaixonados. Chegamos rapidamente, meu coração já acelerava e a palma de minha mão começava a suar.
Avistei-o conversando com uns amigos da escola: Brad e James. Bom, isso poderia ser constrangedor, levando em conta que eu já havia... Estado, digamos assim, com esses dois amigos dele. Quem sabe, se eu tiver sorte, eles me ignorem.
Todos me encararam afoitos quando me aproximei. Harry continuou contando a excelente história enquanto os seus amigos encaravam minhas pernas mal cobertas pelo mini-vestido azul.
- Boa tarde, docinho – disse Brad.
- Boa tarde, Brad – cumprimentei-o, mas olhando para Harry – Pra você também, James – cumprimentei o garoto que me secava com malícia.
- E pra mim? – perguntou Judd, adorando me provocar na frente dos amigos – Nada de bom não é mesmo...
- Podemos conversar? – pedi, cruzando os braços e explorando a sensação de dormência que aqueles olhos azuis causavam em mim.
- Claro – ele disse, fazendo um aceno para os meninos que sorriram e me analisaram mais uma última vez antes de saírem. Caminhamos um pouco até sairmos do Milk’s e parar em frente de seu carro. Apoiei-me no capô e olhei para as minhas mãos. Eu já havia feito aquilo. E como eu sabia desde a primeira vez que Judd tocará em mim, não existia ninguém como ele, e cada segundo que eu fazia com que ele se afastasse de mim, era um segundo de arrependimento. Mas eu cansei de ser usada de troféu. Harry não dá valor para o que tem em mãos, e eu não vou deixar barato essa de ficar pegando qualquer 'inha' por aí.
- Harry, – comecei – eu... Eu...
- , que tal ir pra sua casa, e aproveitar aquela cama, sem uma para atrapalhar?
Olhei-o chocada, levantei-me do carro e fuzilei seus olhos.
- Tire a máscara, não tem ninguém aqui. Eu estou terminando com você, Haz.
Ele me encarou por longos minutos. Sua boca se contorceu num sorriso amargo.
- Por causa de uma garota da qual eu nem lembro o nome?
- Michelle.
- O qu...
- Você disse enquanto dormia – Cruzei os braços em meu peito e olhei ao redor. Nesse momento o que eu mais queria era sumir. Foquei-me em um ponto ao meu lado onde o chão tinha uma irregularidade quase imperceptível. Logo ele falaria algo. Passaram-se mais minutos, eu sentia os olhos dele em mim, eu sentia um calorzinho gostoso, uma paz, um ódio, uma revolta.
- – ele disse, segurando meu queixo e aproximando nossos rostos de um jeito perigoso e intensamente bom – Você sabe que não é necessário tudo isso. Você e eu estamos acostumados a essa relação mais aberta...
- Mais aberta? MAIS? – disse, soltando meu rosto de sua mão – Harry, você faz sexo com desconhecidas no banheiro!
- Você não faz diferente com carinhas de bandas... – Judd disse num murmúrio envenenado de ciúmes e rancor, como se estivesse guardando essa frase há muito tempo.
Dei-lhe um tapa na cara.
- Pois saiba que não transei com Lennon, seu imundo – disse e entrei no estabelecimento, trêmula.
Andei rapidamente até a mesa onde meus amigos estavam, enquanto tremia de raiva da cabeça aos pés. Olhei para Tom quando disse:
- Eu o odeio! – minha voz estava esganiçada, como se de alguma maneira, Tom fosse o culpado de tudo. Mas eu apenas queria ter certeza de que a mensagem chegaria ao Judd. E, bom, chegou, pois ele estava bem atrás de mim.
levantou e começou a me puxar até o banheiro, Thomas nos seguiu, acompanhado por Judd. Entramos no banheiro e ela começou a trabalhar agilmente, puxando papel para secar meu rosto e limpar meus olhos. A maquiagem não estava muito borrada, pois sou rica e não compro maquiagem ruim. Ela me olhou com ar de serenidade. Ela já esperava e também já estava acostumada. Abraçamo-nos e ouvimos batidas na porta.
Saí depois de respirar fundo algumas vezes, segurando a mão de . Thomas nos olhou preocupado e chocado com o berro que eu dera em sua cara, e ao lado dele, Harry, que me olhava com certo ódio.
- Você. Me. Bateu. – ele disse entre dentes cerrados – Na frente de todos – ele disse, chegando mais perto.
Limpei a garganta, tentando não fazer barulho, olhei-o com certo medo, mas eu sei que Harry nunca tocaria em mim para fazer algum mau. Cheguei perto de seu rosto e sussurrei:
- Eu. Quero. Que. Você. Se. Exploda.
Ele me olhou com certo choque e saiu frustrado para a mesa em que seus amigos o receberam com vaias e risadinhas de deboche. Continuei o encarando mesmo depois de ele se sentar e se distrair com seu Milk Shake. Reparei em seus traços de raiva, e a discórdia em seus olhos azuis com um misto entre ficar triste ou revidar. Limpei as lágrimas que restavam em meu rosto, indo pedir alguma coisa para acalmar meus nervos. Chocolate, com certeza. Mas antes que eu pudesse chegar ao balcão, uma garota loira, usando um shorts particularmente curto, entrou no Milk’s e sorriu para a mesa onde Harry estava sentado. Era aquela maldita Michelle, pelo que havia contado.
Ela se sentou praticamente em seu colo, e pude perceber que ele tinha dificuldades para lembrar-se de onde a conhecia. Ele me olhou com os olhos fervendo, minhas pernas tremeram, ele sorriu para a menina que o chamava. Observei quase que câmera lenta ele falando coisas ao pé de seu ouvido. Meus punhos se fecharam automaticamente. O que diabos estava acontecendo comigo? Eu nunca tive ciúmes de Harry.
Caminhei cegamente até o balcão, pedindo um Milk shake de chocolate. Dei um olhar significativo para James, que se levantou sem delongas e apareceu ao meu lado.
- Você está um arraso, como sempre... – James disse em meu ouvido. Segurando em minha mão livre, ele me girou; meu milk se remexeu em minhas mãos e nós dois sorrimos com a agilidade dele ao segurar meu copo.
- Que tal a gente sair, tá livre, não é mesmo? – ele falou, sorrindo malicioso.
Belos amigos os seus, Judd. Belos mesmo... Tipo, lindos. Olhei para Harry, e para Michelle, foquei-me novamente em James e respondi-o com um aceno confuso.
- Vou considerar isso como um sim –disse rindo. Sorri falsamente e bebi meu milk shake. Seus olhos acompanharam minha boca do indo até o canudo e bebendo o líquido. Quando acabei o gole, sorri a ele.
- Você quer? É só dizer, por que...
- Eu quero sim... – sua voz era extremamente maliciosa.
Agora seus lábios estavam colados aos meus, sua mão segurando o milk junto comigo, e a outra segurando meu pescoço com bastante força, mas nada que me machucasse. Quando nossos lábios se soltaram percebi que ele estava sendo puxado, abri os olhos ao sentir algo gelado em minhas mãos e a falta sua língua brincando com a minha. James sempre beijara bem. Mas agora meu foco estava no loiro e na morena que tentavam segurar um Harry que agarrava as roupas de James. Olhei-o intrigada e confusa. Suas ceninhas de ciúmes eram sempre bem comedidas, nunca em lugares públicos, ou apenas entre nosso grupo ou entre quatro paredes, ou seja, só entre nós dois.
Nossos olhos se encontraram e ele soltou James no mesmo segundo, desviando o olhar e saindo do Milk's, deixando todos desconcertados. James arrumou sua roupa e saiu atrás de Judd em disparada. O silêncio reinou no recinto enquanto minha cabeça zunia e eu procurava onde me sentar.
[’s Pov]
Meu caderno estava aberto em História Inglesa, mas como era final de aula, e o professor já havia terminado sua explicação, eu comecei a prestar atenção no que Betty e suas amigas fofocavam.
- Mas então, eu ouvi dizer que Harry... É, mas é claro que é Harry Judd! – ela fez barulhos de impaciência – Que ele espancou John Lennon!
Sorri com a ignorância de algumas pessoas, dispostas a acreditarem em qualquer coisa que façam a vida delas ser menos tediante. Segurei-me para não soltar isso em sua cara. E acrescentar que ela realmente precisava escovar o cabelo. Ou pelo menos usar uma presilha.
Não precisei me incomodar mais com ela, pois o sino bateu e eu me direcionei até o pátio, onde encontrei sentada na bancada, conversando com umas garotas inúteis que nos perseguiam diariamente. Mais para cima na bancada, Harry observava sem nenhum pudor minha amiga, depois desviou o olhar quando percebeu que eu o olhava confusa. Vai entender este casal. Ou ex-casal. Que seja.
Passei por , que piscou pra mim. Ou seja: ela estava totalmente sacaneando as perseguidoras. Ri disso e continuei subindo as escadas, para chegar ao meu namorado.
- Oi – beijei sua bochecha, deixando-o com uma marca de batom. Minha forma de marcar território.
- Olá, doçura – ele mordeu o lábio ao me ver tão próxima de seu rosto, e um sorriso formidável surgiu em seu rosto. Sua mão em minha cintura me fez sentar ao seu lado.
- Como foram suas aulas? – perguntei, beijando levemente seu pescoço. Desculpa, eu não consigo evitar.
- Chatas – ele fez careta – Eu prestei atenção.
- Que orgulho – soltei, rindo. Tom nunca prestava atenção, mas de alguma forma conseguia ir bem nas provas. Ele riu também, uma risada gostosa, meu estômago fez a festa. Ele colou seus lábios nos meus, brincando agilmente com nossas línguas.
Era o nosso primeiro dia de aula após as férias de verão. Havia se passado uma semana do incidente do Milk’s Bar. Desde então, o grupo andou meio afastado. Eu e Tom tínhamos que dividir os dias, saindo com em um e com Harry no outro. Pelo jeito eles estavam levando esse negócio de terminar a sério. Isso era um saco. Não gosto de dividir a atenção com meus melhores amigos.
Tom molhou meu lábio inferior, tirando-me de meus devaneios. Depois pareceu se lembrar de alguma coisa, quando Harry soltou um suspiro impaciente.
- Você pode consertá-lo, por favor? – perguntou de um jeito manhoso, falando sobre o amigo.
- Eu não sou um brinquedo, Thomas – zombou o moreno, que tomava um gole de sua Coca-Cola.
- Uma pena, porque se fosse eu te jogava no lixo – Tom retrucou – Você está começando a perder a graça, cara.
Harry não se abalou. Apenas fez uma cara de desdém para o amigo e depois lançou um olhar significativo para mim. Entendi isso como um “Controle o seu namorado ou ele vai voltar para a aula sem uns dentes”. Retribui com um olhar que dizia “Se você tivesse controlado o seu amiguinho aí embaixo primeiro nada disso estaria acontecendo”. Ah!, A Arte de se comunicar por olhares.
Ele abaixou a cabeça e continuou bebericando refrigerante de sua garrafa.
- – ouviu me chamando, mas olhei para Harry. Afinal, ele é o meu melhor amigo, e mesmo fingindo, posso ver o quanto estar separado de lhe faz mal – Posso falar com você? – ela também olhou pra ele quando terminou a pergunta. Ele a olhava como se procurasse algo interessante para ver.
-Você pode falar na minha frente, – cruzou os braços – Não é como se eu me importasse.
Ela precisou respirar fundo para conseguir ignorá-lo. Levantei-me da bancada, dando um tapa na cabeça dele, mas depois sorrindo. Descemos as escadas e caminhamos pelo pátio.
- Então... A que devo a honra? – zombei, pois ela estava muito séria.
- Por favor, me diz que você tem História agora!
- Não, desculpa... Tenho Francês – direcionei-me até a cantina para comprar um suco – Qual o motivo do desespero?
- Tenho aula com Harry e James agora – soltou um muxoxo triste – E com certeza vai ser... Estranho.
- Desculpa, amiga – abracei-a de lado.
Compramos um suco de kiwi e um de abacaxi com hortelã e voltamos para a arquibancada. Mas antes que pudéssemos chegar lá, o sino tocou. Fiz careta. Não estava afim de ter aula, ainda mais de Francês, sem o meu namorado por perto. Queria pelo menos ter alguém para observar.
Procurei-o com o olhar, mas não o encontrei em nenhum lugar, então entrei na escola, já me direcionando para a sala, quando senti uma mão em meu braço. Fui puxada para dentro de uma sala, que mais parecia um almoxarifado vazio e escuro. Senti a mão que havia me puxado para cá agora se posicionava em minha cintura.
- Ei! Quem voc... – comecei a falar, mas uma boca conhecida se encostou à minha – Tom! O que você está fazendo?
- Você parece saber muito bem o que eu estou fazendo, – sua mão desceu para minha perna, apertando-a. Sorri, sentindo-a fraquejar.
- Thomas... – até pensei em pedir uma explicação do porquê nós não estávamos em nossas respectivas salas de aula, mas pareceu uma perda de tempo.
Então eu agarrei vários fios de seu cabelo loiro macio e puxei sua cabeça para baixo, mordendo seu lábio inferior. Ele se arrepiou, e se empolgou também, pois um segundo depois eu fui empurrada para um dos armários do almoxarifado. Sua boca grudou brutalmente na minha, já tirando meu fôlego quando nossas línguas se encontraram. Sua mão viajava por minhas pernas e cintura.
Já a minha mão estava ocupada em abrir o zíper de sua calça. Não sou apressada, mas não tínhamos muito tempo. Nossa escola, quando se tratava de regras, era muito rígida.
Opa, achei outra coisa rígida.
Ri com este pensamento, quebrando o beijo.
- O jeito como você me leva a sério é tocante – Tom disse entre beijos em meu pescoço.
- Tom... – comecei, trocando nossa posição e o pressionando contra o armário. Abaixei seu jeans – Você não faz ideia.
Nós apenas sorrimos e eu entrelacei minhas pernas em volta da cintura de Tom, sentindo ele me carregar até uma mesa e me colocar delicadamente lá. Ele mesmo tirou sua jaqueta e blusa enquanto eu não conseguia parar de beijá-lo. E se o seu abdômen não fosse tão convidativo, eu com certeza continuaria.
Sua mão quente começou a abrir meu vestido, e enquanto o retirava, deixava um traço de beijos pelo caminho. Minhas costas se arqueavam toda vez que seus lábios encostavam-se a minha pele.
- ... – ele murmurou meu nome entre um beijo, fazendo-me apertar seu corpo ainda mais forte contra o meu.
Suspirei num tom bem alto antes de nos tornarmos um só. Ok, isso foi ridículo. Eu quis dizer antes de nós transarmos.
Terminei de abotoar meu vestido. Ajeitei meu cabelo e senti-o envolver minha cintura.
- Às vezes eu acho que você é boa demais pra mim – ele sussurrou, e eu fechei os olhos para absorver o efeito de sua voz – Mas então eu lembro que você não é uma menina boa – ele soltou um riso rouco e deixou um beijo gentil em meu ombro.
- Eu sou muito boa, ok Fletcher? – virei-me para ele com as mãos na cintura, esperando para ver sua cara de surpresa quando achasse a ambigüidade na frase. Mas ele apenas parecia estar curioso.
- Você realmente é boa, – ele me olhou ainda mais curioso – E isso geralmente vem com prática.
Eu engasguei com a minha própria saliva.
- Você acha que eu já fiz... Isso – não consegui falar outra palavra, pois estava muito chocada com o que Tom sugeria – com alguém além de você?
- Bom...
- Thomas! Como você pode até considerar isto? – aproximei-me dele agora cruzando os braços em meu peito – É preciso haver intimidade, e você é a única pessoa que eu já tive... Intimidade.
Ok, isso não foi muito bem formulado, mas ele pareceu entender. Também se aproximou e colocou suas mãos em meu ombro.
- Desculpe, ok? Não quis insinuar nada – eu sorri, mas ele ainda tinha aquela cara sacana dele – Mas o que eu realmente quis perguntar... Foi se você já ficou com outro garoto.
Fiquei olhando para ele com minha melhor cara de boba.
- Eu... – comecei, já me enrolando. Foi sua vez de cruzar os braços – Talvez... – ele esperou eu terminar – Uns... Dois, três...
- Três? – seu olho se arregalou. Droga.
- Quatro? Cinco... – eu olhava pra baixo, pensando quão cômica a situação seria se meu namorado não quisesse me matar.
- CINCO? – seu olhar era espantado e eu tentei dar um sorriso encorajador. Não deu muito certo – Qual é, Tom, o seu número com certeza é maior.
Ele ficou em silêncio, analisando-me, e depois deu de ombros, mostrando o número sete com os dedos. Não fiquei surpresa. Ele era loiro, lindo, forte, gentil. Que garota não iria querê-lo? E, além de tudo, a garota que ele escolheu fui eu. Então pra que me preocupar? Descruzei seus braços e segurei nossas mãos, beijando-o gentilmente.
- Tom, eu não me importo com números, porque eu sei que eles estão no passado e que o que realmente importa somos nós dois, agora, neste momento.
Nossas testas se encostaram e ele fez um sinal positivo com a cabeça, roubando-me um selinho.
-Você é a melhor, já disse isso? – ele sorriu.
- Ah, se já – sorri também.
N/a: Oi gente, aqui é a Gabriela, tudo bem com vocês? Eu sei que as Fletchers não gostaram muito de trair o Tom, desculpem :( Mas faz parte da história, hehe. Continuem comentando! xx