Living The Dream
Autoras: Patricia e Stephanie | Beta: Thais




Capítulo 1.

- Última chamada para o voo 6452 com destino a Dallas/Texas, embarcar na plataforma 3... – essa sou eu correndo desesperada pelo aeroporto com medo de perder meu voo. Graças a Deus eu conheço aqui como a palma da minha mão e sei que tem uns lugares que dá para cortar caminho.
Bom, você deve estar se perguntando quem eu sou, certo?
Sou , tenho 18 anos e trabalho nesse aeroporto basicamente como Comissária de bordo, sim, é legal, você vê vários famosos, mas depois de um tempo, se acostuma, vira uma rotina aquilo tudo. Mas isso não tem nada a ver com meu trabalho. Bom, tem um pouco.
Eu comecei a trabalhar com apenas um intuito: ter dinheiro para ir aos shows que eu sempre quis e comprar tudo que eu sempre quis. Clichê, não? Mas assim que comecei a trabalhar, saiu uma notícia que me deixou um pouco triste, mais ao mesmo tempo feliz.
Já contei que sou muito fã do One Direction? Não? Então, eu sou tipo mega fã deles, desde o finalzinho do x-Factor, então saiu a maravilhosa notícia de que eles fariam uma turnê pelos Estados Unidos, e eu fiquei indignada me perguntando: “por que não pelo Brasil?”. Eles tinha praticamente acabado de fazer uns 20 shows por lá com o Big Time Rush. Mas tudo bem, eu superei, e em um momento de pura idiotice, como minha mãe diz, eu decidi que sim, eu iria para os Estados Unidos ver o One Direction.
Não não é brincadeira. Até porque eu não brincaria com isso, né? Então lá fui eu tentar convencer minha mãe me deixar ir e, nossa, como isso demorou. Ela colocou não sei quantos empecilhos e mais um milhão de nãos, e o meu irmão então? Foi difícil, viu? Toda vez que ele vinha aqui em casa, eu chegava bufar de tanta raiva, porque ele ficava colocando pilha pra minha mãe não me deixar ir. Mas que mal poderia acontecer? Eu só ficaria 2 dias e meio, não pode acontecer algum de ruim nesse tempo, certo?
Então eu passei o final do mês de abril e o mês de maio inteiro tentando convencer a minha mãe de me deixar ir, e não é que no final ela acabou cedendo? Foi, tipo, o melhor dia da minha vida, eu praticamente a agradeci 1000 vezes por minuto. Não, não é impossível, acredite. E depois disso, tudo foi praticamente uma corrida contra o tempo, eu decidi que iria num final de semana, sairia daqui numa sexta de madrugada e voltaria segunda de manhã. Mas antes disso, eu tinha que conseguir comprar o ingresso para o show. Fui vendo que na maioria das cidades os ingressos já tinham acabado, e eu consegui achar duas cidades com ingressos sobrando ainda, porque tinham colocado mais à venda. Foi tipo um milagre, né? Porque eu logo lembrei que no início do ano já tinham acabados os ingressos pra turnê na Inglaterra do ano que vem, tem noção? ANO QUE VEM! E então eu fui ver quais eram as duas cidades e quando vi, surtei. As duas eram no mesmo estado e, praticamente, coladas uma na outra! Outro milagre, né? E as cidades eram Dallas e Houston, as duas ficam no Texas.
E eu que não sou boba, nem nada, logo comprei ingresso para os dois shows, né? Se aconteceu um milagre desses, pra que desperdiçar? Ainda mais que os ingressos estavam entre 30 e 60 dólares, incrível, eu sei, também não acreditei quando vi. Então eu me tornei a pessoa mais feliz do mundo quando consegui comprar, juro que eu até chorei e saí pulando pelo meio da casa quando apareceu a confirmação da compra e falando que meu ingresso chegaria na minha casa, sonho com isso até hoje. Minha mãe me chamou de louca umas 30 vezes, mas quem disse que me importei? Estava conseguindo realizar dois sonhos ao mesmo tempo: conhecer o One Direction e ir ao Texas.

Como eu já tinha conhecimento do Aeroporto, comprar minhas passagens foi fácil, mas digo que a parte mais difícil de todas mesmo foi arrumar um lugar pra ficar. Tudo bem que eu só ia dormir lá, mas mesmo assim foi difícil, porque eu simplesmente não sabia nada da cidade, como achar um hotel confiável? Até mesmo uma pousada servia. E de tanto postar no twitter que eu não estava conseguindo um lugar pra ficar lá nos dias do show e que provavelmente eu teria que dormir no meio da rua ou sei lá na entrada da casa de show, apareceu uma boa alma na minha vida, a Kathy, ela também iria aos shows e morava em Dallas, olha como milagres realmente acontecem em grande porte?
Começamos a conversar por twitter e Skype e ela me disse que tinha um hotel perto da casa dela, não era aquela coisa toda requintada, era simples, e quem disse que eu estava ligando? Mano, eu só queria mesmo uma cama num quarto com pelo menos um ventilador, só isso e eu já estava feliz.
Ela me falou o nome e eu prontamente já fui pesquisar no Google e achei, a diária dele era 50 dólares e oferecia de tudo, de café da manhã a lanche de madrugada.
Na mesma hora, eu entrei em contato com o pessoal de lá e reservei um quarto pra mim nos dias 23 e 24 de junho. Tudo resolvido, era hora de pensar em o que levar, faltavam apenas duas semanas pros shows e eu não tinha noção do clima lá. Perguntei à Kathy e ela disse que, como era verão, o tempo estava mais ou menos quente e quase não chovia, então resolvi levar algumas roupas básicas porque só iria ficar 2 dias e meio.
Claro que levaria meu CD e DVD do One Direction e meus livros Dare Tho Dream e Forever Young. Sim, sim, sim, eu comprei pela internet, nem ligando se estava em inglês ou não. Pelo menos eu tinha conseguido comprar, porque esperar pra chegar no Brasil era pedir pra sofrer, né? E então, faltando uma semana pro show, a Kathy me dá a noticia mais perfeita ever: os meninos iriam fazer uma tarde de autógrafos numa livraria em Houston, e adivinha quem iria? Sim, Kathy e eu. Sairíamos de manhã cedo de Dallas e encontraríamos umas amigas dela que já estariam na fila.
Perfeito, né?

Capítulo 2

E o dia tão esperado chegou. Sim, o dia que eu iria pros Estados Unidos pra conhecer o One Direction. Nem preciso dizer que eu não dormir direito esses dias, né?
Já estava tudo pronto, eu levaria uma mala pequena e uma mochila. Tudo isso porque minha mãe insitiu em me fazer levar umas roupas a mais, porque eu não sabia se o clima ia mudar. Mães, sempre superprotetoras. Eu acordei mais que radiante nesse dia, parecia que tinha um sol reluzente sobre mim, estranho, eu sei. Faltavam algumas horas para ir para o aeroporto, eu estava uma pilha de nervos, andava de um lado pro outro, tentava ver se estava tudo certo, se não estava faltando nada. Minha mãe até ameaçou me dar um calmante.
Eu só conseguia pensar em como ia ser, imaginar estar em outro país só pra ver sua banda favorita. Era uma coisa que eu jamais pensei em fazer, e estava ali há algumas horas de se tornar realidade. Quem em sã consciência faz isso? Só eu mesmo, devo ter tomado alguma droga bem duradoura. Passado esses meus devaneios, minha mãe me chamou, avisando que estava na hora de ir pro aeroporto, ela me levaria junto com meu irmão. Enquanto pegava minhas coisas ela andava atrás de mim perguntando:
- Pegou tudo mesmo? Casacos? Tênis? Meias? Shorts? Remédios? , você realmente tá me ouvindo? – rolei os olhos mais uma vez e a respondi.
– Sim, mãe, eu peguei tudo isso. Lembra que você me fez uma lista? E me obrigou a revisar tudo dentro da mala 3 vezes? – a ouvi dar um suspiro como se dissesse “essa menina não tem jeito”.
- Tudo bem então, vamos logo que seu irmão está esperando. Mais uma pergunta: você tem certeza que essa menina vai no show também? Você sabe como tenho medo dessas pessoas de internet, – e mais uma vez ela veio com esse assunto, não importava quantas vezes eu tenha feito ela conversar com a Kathy no Skype e obrigado ela a mostrar o ingresso dela dos dois shows, minha mãe cisma com essa coisa toda de “eu não confio nessas pessoas de internet”.
– Mãe, eu já te disse a Kathy vai me encontrar lá, não tem problema, eu tenho o endereço do hotel é só pegar um táxi, vai dar tudo certo. O hotel é perto do aeroporto, no máximo 20 minutos, e eu te ligo assim que descer do avião. Só relaxa e fica feliz por mim. – dito isso ela ficou um pouco mais calma e me ajudou a levar as coisas pro carro. As únicas coisas “digitais” que ela me deixou levar foi o celular, o Ipod e a câmera, não me deixou levar o computador e muito menos o Ipad. Mas eu meio que entendo o lado dela, porque eu estava indo para outro país e iria passar lá dois dias e meio, pra que levar computador, né? Com certeza lá deveria ter algum tipo de lan house ou eu usaria mesmo o computador da Kathy.
Entramos no carro e fomos direto para o aeroporto, mas assim que chegamos no meio do caminho, tinha um engarrafamento muito gigante mesmo, aí começou a bater o desespero, né?

Eu já estava impaciente dentro daquele carro, o ar parecia que estava acabando eu só conseguia pensar: “pronto, eu vou perder esse voo, não vou conseguir conhecer o One Direction”, e minha mãe toda hora me mandava ficar quieta, mas eu não conseguia.
Enfim conseguimos chegar no aeroporto depois de quase duas horas no engarrafamento, faltava aproximadamente 25 minutos pro meu voo, e eu não estava com paciência de esperar meu irmão estacionar, por isso disse que ia na frente com a minha mãe e ele nos encontrava lá na sala de embarque. Fomos andando direto pra fila do check-in e estava enorme, me desesperei mais ainda, pensando: “pronto, consegui chegar no aeroporto, mas não vou conseguir embarcar por causa dessa merda de fila que tá pra fazer esse check-in do cacete”.

Depois de aproximadamente 20 minutos, eu consegui fazer, até meu irmão já tinha conseguido estacionar e eu ainda estava lá. Ouvimos a mulher chamando para o meu voo e me despedi rápido deles, ouvindo recomendações da minha mãe e zoações do meu irmão falando pra eu não comer tudo dentro do avião e nem me perder no meio dos cowboys no Texas. Engraçadinho, né? Eu ia retrucar, quando ouvi:
- Última chamada para o voo 6452 com destino a Dallas/Texas, embarcar na plataforma 3... – eu sai correndo pelo aeroporto cortando caminhos pra chegar mais rápido. Devo ter chegado na entrada parecendo uma louca toda descabelada respirando igual a um cachorro louco quando tem raiva ou algo assim, porque as pessoas me olhavam estranho. Vai entender, né.
Então a aeromoça mostrou minha cadeira e perguntou se eu precisava de alguma coisa, disse que precisava apenas de uma garrafa de água, por enquanto. Ela concordou e disse que traria em um minuto.

O voo tinha cerca de onze horas e eu não sabia muito o que fazer durante esse tempo, então resolvi ouvir uma música e tentar dormir um pouco. Foi difícil onseguir, pois minha cabeça estava a mil, imaginando como iria ser conhecer Kathy, ir aos shows, e a tarde de autógrafos. Será que iria ser melhor que em meus sonhos? Tomara que sim. Definitivamente eu tinha um bom pressentimento sobre essa viagem, algo me dizia que eu ia me divertir, mesmo nesse tempo curto. E foi pensando nisso tudo que eu consegui dormir.
Devo ter dormido mais ou menos umas sete horas direto, só acordei mesmo porque estava com fome, eu chamei a aeromoça e perguntei se ela podia me trazer algumas coisas salgadas e alguns doces ela disse que sim e perguntou o que eu queria pra beber e respondi que queria um refrigerante. Sim, eu como demais, meu irmão sempre me zoou por causa disso, ele sempre diz que eu como por nós dois.
Depois de comer todas as besteiras que ela me trouxe, resolvi voltar a dormir, só faltavam algumas poucas horas pra chegarmos.

Capítulo 3
E então fui acordada pela aeromoça me avisando que já tínhamos chegado e que a metade dos passageiros já tinha desembarcado. Eu ainda estava meio atordoada por ter dormido, então concordei e fui pegar minha bolsa e limpar minha roupa porque percebi que tinha sujado tudo com farelos de biscoito, lerda, eu? Magina!
Saí apressada do avião segurando minha bolsa toda torta com uma cara de sono enorme, quando chego no saguão do aeroporto, começo a procurar pela Kathy, quando olhei pra esquerda só faltei desmaiar de tanto rir, mas ao mesmo tempo eu tinha raiva aquela vagaba, só falando assim mesmo, me aparece com um cartaz escrito “a bitch from brazil called ”, como não querer socar uma pessoa dessas? Então ela deve ter percebido minha cara amassada de sono misturada com raiva e resolveu jogar o papel para o alto e me dar boas vindas.
- , bem vindaaa! - sorri sarcasticamente pra não ser mal-educada. Minha cabeça estava explodindo. Será que era o fuso horário?
- Bitch, como você tem a audácia de escrever isso numa plaquinha? Se minha cabeça não estivesse doendo tanto, eu te socaria - ela começou a rir da minha cara, e eu só queria melhorar pra socar ela.
- Bem que era verdade que os brasileiros são barraqueiros.
- O quê? - na verdade eu tinha ouvido, mas queria ouvir ela repetir.
- Nada – tossiu. - Vamos, eu vou te ajudar com as malas para o táxi.
- Espera eu melhorar pra você ver quem é barraqueira. - e então taquei todas as minhas duas 95808503 malas nela e saí andando na frente, tudo que eu ouvia eram uns palavrões baixos. Começei a rir da cara dela, olhei pra trás e disse: - Isso é pra nunca mais me chamar de barraqueira, mon amour.
- Muito legal você, hein! - fomos andando até o estacionamento e pegamos o táxi. - Você não abre o olho que eu te deixo no meio do nada e quero ver tu se virar sozinha aqui.
- Não vem com essa não, que domingo te faço passar vergonha contando pro do seu pequeno altar em culto a ele no seu quarto. - comecei a rir e a vi ficar de todas as cores possíveis, abrindo a boca e fechando várias vezes. Adoro chantagear ela. Ela respirou fundo - Ei, desse jeito você vai acabar com o ar do carro. - confesso, não resisti. – Ok, Kathy, vamos ficar calmas, eu sou só uma brasileira barraqueira que vai ficar aqui por dois dias. - Dois dias? Ah não - ela encostou a cabeça no vidro, entediada.
- Ei, amiga, tá entendiada? Não fica, pensa positivo estamos a menos de 24 hrs de conheçer o One Direction, tem noção? Foi por eles que nos conhecemos e é por eles que estamos aqui, eu vindo do Brasil e você cagando pra mim.
- Ai, One Direction - ela deu um salto que eu até me assustei. – Como, por um momento, eu pude esquecer deles? Own, amiga, desculpa - ela me abraçou, estávamos começando a nos dar bem - É que é muito informação ao mesmo tempo para o meu cérebro. Uma Brasileira na minha cidade. Show do One Direction. Conhecer o One Direction. ONE DIRECTION! - Ela gritou que até o motorista olhou pelo retrovisor – Desculpa.
- Tudo bem, amiga, te desculpo. Eu te entendo, a minha ficha ainda não caiu, mas por favor, não grita assim outra vez, a minha cabeça parece que tá inflada de tanto que dói. - ela sorriu pra mim de um jeito fofo que, sem brincadeira, por um momento, eu me lembrei do , será coincidência isso, já que ele é o fave dela? Quem sabe... – E, por Deus, para de sorrir desse jeito fofo estilo ? Me incomoda.
- Tomara que o pense como você! E que seja bonito o suficiente para conquistá-lo. Porque eu não saio daquele lugar sem pelo menos um selinho do . - o motorista já estava olhando estranho pra nós duas, deve achar que a somos loucas. Eu sou louca sim. Pelos meninos, por estar nos EUA. Conhecer eles. Parecia o conto da Cinderela. Mas eu não queria que terminasse à meia-noite. Não mesmo.
- Vai na fé, irmã, tomara mesmo, porqueque aí você pode dar uns toques no e contar sobre a sua maravilhosa amiga brasileira, né? Ok, se foca, , você não veio aqui pra isso, mas bem que seria bom. E eu vou parar de falar sozinha. - eu via a Kathy só rindo da minha cara e o motorista meio que fazendo um gesto de que não temos jeito mesmo.
- Graças a Deus chegamos! - a velocidade do carro foi diminuindo e kathy foi saindo do carro afobada.
- Ei, vai esquecer de pagar o motorista? - gritei da janela.
- É mesmo! - ela deu meia volta. - Pode deixar por minha conta. Mas não acostuma, ok?
- Tudo bem, tudo bem. Só quero poder descançar e me preparar psicológicamente pros shows e pra sessão de autógrafos. Espero que sejam do jeito que eu imaginei e imagino. - comecei a pensar em tudo que fiz pra chegar até aqui e me sentia realmente feliz por estar fazendo isso tudo por eles, sentia que seria retribuída de alguma forma. – Vamos, amiga, quero logo tomar um banho e um remédio pra minha cabeça passar.
- Vamos lá dar entrada no hotel, depois você vai lá pra casa pra gente conversar e eu te mostrar os ingressos - e ela começou a pular, ao perceber minha expressão de susto ela parou e ajeitou a roupa. - Tá bom, parei, vamos andando.
- Ok, mas você vai me deixar pelo menos tomar um banho, certo? Quero tirar essa nhaca de avião antes de ir na sua casa. Prometo não demorar, amiga, tô louca pra ver os seus ingressos, e seu altar pro . - Ela me olhou de cara feia quando disse isso e só consegui rir.
- Tudo bem - fomos andando até o hotel. Não era muito longe. O motorista deve ter estacionado na casa, mas nem reparei. Demos a entrada e pegamos a chave.

Capítulo 4

- Eu só vou subir pra saber como que é o quarto, tá? - balançou a chave como se fossem guizos de natal enquanto caminhávamos em direção ao elevador. O barulho me irritou. Mas como é pertubada essa garota, senhor. Resmunguei e continuei a seguindo. Espero mesmo poder descançar, não quero chegar no show parecendo um cachorro desidratado com olheiras de ursos panda. Fui andando e quando cheguei no quarto, a criatura estava deitada na cama mexendo no celular como se vivesse ali há anos, posso com isso?
- O que foi? Estou testando a cama pra você, oras. - respira fundo, pensei comigo. Joguei as malas no chão. O quarto não era pra lá de moderníssimo, mas tinha uma decoração bem simples e combinada, uma cama de casal que tinha um cobertor floral (que provavelmente já estava todo destruído depois, já que Kathy fez questão de se jogar sobre ele) uma cômoda encostada na parede direita, uma penteadeira com um espelho, todos no tom verde-claro. Cheguei perto do espelho. E que visão era aquela! Eu estava necessitando de um banho. Mais do que necessitada, meu corpo implorava por um banho e pelo menos umas 12 horas de sono seguidas. Mas eu tinha plena certeza de que não conseguiria isso. Como as pessoas na rua não se assustaram com essa minha cara de morta viva? A Kathy essa vagaba nem pra me avisar que eu estava desse jeito.
Catei uma roupa qualquer dentro da mala, nem olhei direito, e fui direto para o banheiro, ela que se virasse sozinha no quarto. Assim que a água fez contato com meu corpo parecia que todo o peso do avião estava saindo de mim, se eu pudesse ficaria ali a vida inteira... Mas 15 minutos depois Kathy já se esgoelava na porta gritando pra eu me apressar.
Como não querer socar uma pessoa dessas? Só pode ser um carma essa minha amiga.
- Vaaaaaamos, ! Eu não tenho o dia todo! – ela bateu na porta, eu ainda me vingo, não posso nem tomar um banho em paz, que mundo é esse?
Vesti minha roupa e saí do banheiro e me deparei com a Kathy DORMINDO. Vê se pode?! Já sei! Cheguei bem perto do ouvido dela - OLHA KATHY O ! - Ela levantou tão afobada que quase deu um tapa no meu rosto.
- Cadê onde? Hein? - arrumando o cabelo e eu comecei a rir.
- Tá ali no meu poster dentro na mala - rindo mais ainda - Isso é pra aprender a não me apressar mais e depois dormir. - Agora vamos logo , que quero ver o seu altar em culto a Harold Edward .
Tudo que eu ouvi depois disso foi um bufar irritando enquanto eu saia correndo pelo corredor do hotel. Desci as escadas sentindo Kathy andar um pouco atrás de mim, parei na porta e a esperei afinal eu não conhecia essa cidade e muito menos sabia aonde ela morava. Ela passou por mim resmungando um "Bitch, você me paga" e pediu pra que eu a seguisse. A segui segurando o riso do jeito que ela estava vermelha de raiva, mas mesmo assim reprimindo aquele sorrisinho idiota dela.
Ai ai, essa minha amiga e seu amor pelo . Esses dois se merecem, se ela não o agarrar nesses dias eu faço o favor de perder meu avião e atravessar os EUA só pra fazer esses dois se pegarem logo.

Depois que saímos, fomos andando pela direção direita do hotel, a cidade até que era movimentada, graças a Deus, tinha todas a lojas perto. Depois de andar belos 15 minutos chegamos num conjunto, parecia até com aquelas dos filmes.
- Poxa, casinha longe a sua, hein? - Parei, respirando fundo.
- Nossa, pensei que você brasileiros fossem mais atléticos - ela riu e depois parou com a expressão sarcástica quando viu que eu comecei a correr atrás dela, até ela entrar na casa há esquerda no final da rua reta.
- Dá proxima vez, avisa que tua casa não é na esquina, nunca pensei que iria andar tanto. Ah, mas um dia eu te soco, quem sabe quando eu recuperar meus pulmões que eu deixei na primeira esquina.
- Para de ser fresca, tu mora no país do futebol e não consegue andar uns 5 minutinhos? Aonde já se viu isso? - Ela começou a rir e me questionar aonde estaria o meu porte atlético, e eu só sabia encarar ela incrédula. Entramos na casa dela, e a mãe dela estava sentada na sala assistindo a um programa que eu acho que era de culinária. Passamos por ela e Kathy me apresentou como a sua amiga do Brasil que iria para o Show do One Direction também, a mãe dela deu um daqueles sorrisos tipo "mais uma louca, senhor" e eu a cumprimentei mais fofa que consegui.
Subimos a escadas, nada clichê isso, pensei, passamos por um corredor e chegamos numa porta rosa com uma plaquinha escrito "Welcome to my room".
- Olha não repara a bagunça, tá? E talvez você me chame de poser. - Então ela abriu a porta e entramos, o quarto estava intacto, só tinha algumas revistas espalhadas pela cama e um notebook com uma página do twitter aberto. Mas o que mais me impressionava era o painel que tinha rente à cabeçeira da cama dela com um poster GIGANTE dos meninos.
- Te chamar de poser? Porque, mulé? Se tu é uma poser eu sou uma poeira né? Aonde que no Brasil venderia um poster DESSE tamanho? no máximo eu tenho aqueles que vem em folha A4 de revista, man, que sonho eu ter eles desse tamanho no meu quarto, eu agarraria e não soltaria mais. Oh, quantos sonhos impuros eu teria, quem me dera. Ok, ok, vamos parando, Patricia. - Então ela começou a rir da minha cara, idiotinha, né? Eu só estava falando a realidade.
- Nossa, é mesmo? Ainda dizem que os fãs brasileiros são os melhores – tossiu;
- O que foi que você disse? - Eu disse enfurecida, como assim ela ousava falar da minha pátria?
- Nada, nada! - então a mãe dela bate na porta. – Pode entrar - ela gritou, e rindo.
- Vim trazer suco! - A mãe dela entrou com uma bandeja com uma jarra de suco de laranja, dois copos e um prato com cookies, isso é o quê? Um Reality Show de pegadinhas e eu não estou sabendo?
É muito surreal pra ser verdade, o Chad Dylan Cooper vai aparecer daqui a pouco me chamando de louca? Ou o Sérgio Malandro vai gritar "PEGADINHA DO MALANDRO IÊ IÊ" e eu vou ter que voltar pra minha vida monga e sonsa de sempre? É melhor agradecer a Kathy tá me olhando estranho, como se eu tivesse delirando.
- Muito obrigada, dona Sara. - Eu sorri e ela se retirou dizendo que terminaria de ver seu programa. A Kathy então começou a me apresentar seu quarto e eu vi que tinha uma parte que ela meio que estava escondendo de mim, eu parei na frente dela segurando o riso e disse
Kathy, amiga, vai, eu sei que tu ta me escondendo o altar do , me mostra, por favor, prometo não rir! Vaaaaaaaai? - Fiz a carinha mais fofa que consegui e ela não conseguiu segurar o riso dizendo que eu era impossível. Então ela foi andando até o closet e abriu a orta dele.
- Suas roupas? Legal, preciso ir embora - já ia me virando para ir embora e ela me segurou.
- Não é isso, né, anta. Vem aqui que eu te mostro.
Então ela empurrou alguns casacos e tinha uma porta. Olhou para os lados e me puxou para dentro tão rápido que eu quase tropecei. Na hora que eu entrei não acreditei. Um cômodo com as paredes todas preenchidas de pôsteres.
Uma parede, claro, tinha só do . E como eu desconfiava, o altar. Que tinha umas flores e o bonequinho dele com o CD e DVD Up All Night, ela foi até ele, ajoelhou e beijou o boneco. Eu não sabia se ficava pasma ou se ria.

- E aí, o que achou? - Ela veio até mim com maior sorriso. - Eu.. Eu não sei oque falar. Juro que eu imaginei muito diferente, sei lá uma mesinha com um porta retrato dele e, sei lá, alguma vela ou flor em volta. Amiga, eu... Eu estou sem palavras. - Eu estava pasma e ao mesmo tempo incrédula com aquilo tudo, eu nunca imaginei que seria desse jeito, sei lá, quando se falar altar em culto a alguém ou algo tu pensa numa mesinha com uma foto e talz aquilo tudo era... Como eu posso dizer... Exagerado? Eu a olhava com aquela carinha de cachorrinho esperando e na hora eu sai correndo e dei um abraço nela. Não sei o porquê, mas eu senti vontade de abraça-lá e depois disso caimos na gargalhada como duas idiotas.
Então ela ficou me explicando cada foto, os detalhes que eu nem tinha percebido. Até no teto tinha foto. Parecia entediante, mas eu estava feliz por estar ali compartilhando com minha amiga o meu sonho. O nosso sonho. Passamos horas conversando como seria o show. Imaginando coisas idiotas. Fomos para o notebook dela, fizemos twitcam juntas. Até que começou a escurecer.
- Você quer ficar para jantar com a gente? - Ela me perguntou, fechando o notebook. - Obrigada, Kathy, mas eu preciso dormir. Esse fuso-horário me cansou. Qualquer coisa eu como lá no hotel mesmo. - Eu estava necessitando dormir.
- Tudo bem, mas meu pai te leva até o hotel. - não tinha como recusar, estava exausta, precisando de uma cama e cobertor. Chegamos rapidamente até lá. Agradeci ao pai dela e ela por ter me acompanhado e disse que iria até lá bem cedo para podermos fazer um pré-show. Só me lembo de ter pego o elevador e me estirado na cama. Eu precisava disso. Nunca tinha dado tanto valor ao sono.

Eu acordei extremamente quebrada, eu não sabia que estava tão cansada assim. Fui ao banheiro fiz meu ritual matinal mais quando vi meu rosto, quase gritei, eu estava horrível o cabelo todo bagunçado a cara extremamente amassada e a boca ressecada por causa da merda do aparelho. Tive que tomar um banho, assim que água do chuveiro bateu sobre meu corpo eu despertei mais despertei mesmo começou a me bater uma ansiedade pré- show parecia que eu não conseguiria me conter.

Terminei meu banho logo e fui me vestir, quando vi já eram 10:30h e no meu celular tinham duas mensagens do meu irmão, uma da Kathy e seis ligações da minha mãe. DROGA! Eu esqueci de ligar pra minha mãe e avisar que cheguei bem. MEU DEUS, ELA DEVE ESTAR SURTANDO!
Na mesma hora, eu liguei pra minha mãe e, nossa, nunca ouvi ela reclamar tanto, me chamando de irresponsável e seus derivados. Eu só prendia o riso e concordava. Fiquei mais ou menos trinta minutos com ela ao telefone, contei sobre tudo que tinha acontecido e sobre a minha ansiedade pré-show, ela pediu que eu me cuidasse e que não esquecesse de ligar pra ela.
Assim que desliguei, tratei logo de ligar pra Kathy avisando que iria ir pra casa dela, se eu lembrasse o caminho, claro. Ela disse que me encontraria na metade do caminho e que era pra levar logo a roupa do show. Arrumei tudo em uma bolsa e saí rumando pra casa dela, a ansiedade me corroendo, imagens do DVD vindo à minha cabeça me fazendo perguntar se seria realmente como parece ser. Fui andando o mais rápido que pude. Por pouco não fui atropelada na faixa de pedestres com o sinal aberta, pensando no show. Pelo menos aqui alguns motoristas são educados. Avistei Kathy do lado da Starbucks com dois copos na mão.
- ISSO SÃO HORAS? EU FALEI BEM CEDO! - Ela esticou a mão para me entregar o copo.
- Desculpa! Depois dessa viagem, show e One Direction e... Me dá logo esse copo – tomei da mão dela. Ah! Starbucks... Por que não tem uma loja dessas colada na minha casa? Meditei enquanto caminhávamos para a casa dela, e conversando que horas iríamos sair da casa dela, como seria, seu eu sabia mesmo todas as músicas e não travaria na hora e etc.

Andamos mais um pouco e chegamos a sua casa, a mãe estava na cozinha e, pelo cheiro, fazia algo delicioso para o café da manhã. Minha barriga roncou só de sentir o cheio e Kathy deu um risinho, não percebi que estava com tanta fome assim.
Entramos na cozinha e falamos com a sua mãe, ela nos convidou para tomar café e, claro, eu não recusei. Parecia que eu tinha vindo do deserto, fizemos várias brincadeiras bobas durante o café e depois subimos para o seu quarto, ficamos lá por quase duas horas quando a sua mãe nos chamou para almoçarmos. Durante o almoço, ela dizia para termos cuidado e que qualquer coisa o celular dela e do pai de Kathy estaria ligado para não ficarmos muito avoadas e prestar atenção em cada movimentação estranha, eu e Kathy só concordávamos com tudo, terminamos de nos almoçar e fomos tomar banho pra nos arrumar e ir para fila. Algumas amigas de Kathy já estavam lá há alguns dias e elas ficavam revezando, ela até dormiu uns dois dias na fila essa semana, corajosa.
Arrumamo-nos e a meu ver, estávamos lindas, Kathy estava com o seu cabelo meio ondulado e com uma tiarinha de lacinho estilo Blair Waldorf ela estava de all Star cano médio um short jeans que tinha metade da bandeira inglesa e metade da americana (que eu amei) e sua blusa escrita ", maybe you can tell me some dirty things" e atrás estava escrito um "Mrs. " básico, e uma jaqueta parecida com a que o geralmente usa na primeira parte do show por cima.
Eu estava basicamente do mesmo jeito que ela all star cano médio com bigodinhos, short jeans meio detonado e uma camiseta escrito " Vans Happening Dallas?" e atrás, básico, "You Can Call Me Mrs. Malik", meus cabelos estavam com cachos grossos e meio bagunçado eu tinha um headband trançado e com a minha fiel varsity jacket vermelha com o P&Z na frente.
Estávamos basicamente maquiadas, pois iriamos enfrentar fila antes do show e não queríamos parecer urso panda na hora, né. Terminamos de nos arrumar, passamos perfumes, pegamos nossos pertences e fomos com o coração na mão e a ansiedade nos corroendo. O Pai da Kathy nos levaria até a casa de show, nos despedimos de sua mãe que ainda nos dizia as mesmas coisas do almoço e fomos.

Capítulo 5

Kathy estava tão ansiosa para entrar no carro que passou como um furacão na minha frente e esqueceu que o pai dela nem tinha destravado o carro. Ficou igual uma louca tentando abrir a porta e foi impossível conter minha risada, o mais engraçado foi sua cara de raiva pra mim, do tipo “você não vai me ajudar?”. Ajudar a quebrar, amassar a porta do carro do seu pai?
Não, obrigada, eu acho que ela já estava fazendo um ótimo trabalho sozinha. Pensei, segurando o riso. O seu pai destravou o alarme e ela espatifou no chão de uma vez. Eu não consegui me conter e o meu riso aumentou de uma forma estrondosa, e ela me olhava com uma cara furiosa do chão como se dissesse: “você ainda me paga, ” e eu só ria. Kathy conseguiu levantar com a ajuda de seu pai, que também ria, deu uma arrumada na roupa pra ver se não tinha sujado e entrou no carro, na mesma hora que ela entrou, a feição dela voltou pra radiante outra vez e eu sorri com isso. Enfim estaríamos realizando nosso sonho de ir ao show dos meninos e seria perfeito.
Então demos play nas músicas deles e fizemos uns aquecimentos, aquela casa de shows parecia que nunca ia chegar, e o pai de Kathy tentando nos acalmar, dizendo que quando ele tinha nossa idade, ele frequentava shows das bandas como Ramones, Guns N' Roses, Nirvana, que ele e seus amigos gostavam e sabia como era a adrenalina que estávamos sentindo, mas obviamente, ele não achava os integrantes lindos, mas nos deixou um pouco aliviadas saber que ele já passou por isso.
Nos descontraimos cantando “What Makes You Beautiful” (até o pai dela entrou na brincadeira e estava tentando cantar, haha!), viramos a esquina e já puder ver a fila que se formava em volta da casa de shows. Eu olhei assustada pro tamanho da fila já e sabia que era apenas o começo dela, que ainda chegariam muitas pessoas, Kathy me olhou como se quisesse me passar confiança e eu perguntei:
- Suas amigas já estão na fila, né? Tem certeza? - e ela sorriu e disse:
- Claro, antes de sairmos, já liguei pra elas pra confirmar e me falaram que são umas das primeiras. Então significa que vamos ficar bem na grade.
Eu sorri aliviada e meu coração deu uma acelerada, eu ficaria frente a frente com eles o show inteiro. Eu poderia tocar a mão deles e o quão perfeito isso seria? Olhei pra Kathy ela parecia estar do mesmo jeito que eu, imaginando como seria ficar grudada na grade.

Chegamos na fila, Kathy me apresentou suas outras amigas e ficamos conversando, cantando e tudo mais. Eu estava tão empolgada com aquele momento ali que não fiquei com fome, nem sede, meu coração disparava por causa da adrenalina, de estar nos EUA, na fila daquele show, prestes a realizar meu sonho. Fiquei sentada no chão encostada na grade olhando para a Kathy e suas amigas ali, tudo aquilo em minha volta. Parecia tão surreal! Até Kathy soltar um belo sorriso para mim. Ela sabia o que passava na minha cabeça. Ela estava sentindo mesmo que eu. Deu para perceber só de trocarmos olhares. Ela me puxou e começamos a puxamos o coro de “Torn” e todos da fila começaram a cantar num coro só. Parecia tudo ensaiado. Mas logo paramos com aquela apresentação quando vimos que o segurança ia abrir os portões.
Na hora que todo mundo percebeu que iam abrir os portões, começou uma afobação enorme, e quando eu percebi, a fila tinha duplicado, se não triplicado de tamanho. Todas ali demonstravam estar sentindo tudo oque eu sentia, a euforia de poder ver os meninos, a realização do sonho tudo junto e misturado. Era a melhor sensação do mundo e eu sabia que era só o começo que tudo aquilo era só o inicio de uma noite maravilhosa.
E então o segurança avisou que só abriria os portões quando todas se acalmassem, ok, coisa difícil de acontecer, mas juro que tentamos. E num piscar de olhos, eu me sinto correndo atrás de Kathy, eu não sabia para onde iria, só estava a seguindo e a cada vez mais a sensação de realização do sonho me tomava junto com uma ansiedade enorme. Eu sentia minhas pernas falharem, mas me obrigava a correr mais e mais, eu TINHA que conseguir ficar na grade, eu NECESSITAVA disso. Mais uma curva e eu vejo o local do show, foi como se um alivio percorresse meu corpo, passando gelado por minha espinha e eu me forcei a correr mais, eu não ligava se caísse, eu tinha que chegar lá. Eu a via cada vez mais perto e a cada minuto eu me sentia mais fraca, como se fosse desmaiar, mas eu tinha que aguentar. C'mon, eu sou mais forte do que uma simples corridinha. Agora eu percebi o quanto um exercício físico faz falta, minha mãe vai querer me matar por eu ter precisado vir a outro país pra perceber isso.
E então a grade estava a poucos centímetros de mim, quando eu a senti, agarrei de tal forma que ninguém conseguiria me tirar dali, nem o próprio Huck, aposto. Olhei para o lado e Kathy estava do mesmo jeito e mesmo assim ela conseguia sorrir, um sorriso extremamente radiante e eu tentei sorrir, mas aposto que saiu uma careta horrenda de dor. Depois de conseguir recuperar um terço da minha respiração e me sentir um pouco mais 'forte', eu resolvi dar uma olhada pro palco e, MANO, estavamos exatamente no meio do palco, BEM NO MEIO, onde os meninos mais ficam, onde rolam as dancinhas idiotas, onde fica o sofá, NO MEIO DO MEU SONHO! Ok, não exagera, . Continuei olhando e vi a bateria do Josh, o bass do Andy e resolvi olhar a casa de show. NOSSA, como isso era grade e, NOSSA outra vez, eu corri isso tudo? Se eu contar pra minha mãe, ela nem acredita. Ela vai simplesmente jogar na minha cara: “eu te avisei e blá bla blá”. Se exercícios físicos servem para alguma coisa, é para alcançar a grade do show. Eu sou prova viva que isso é mentira. Mas eu não queria nem pensar nas bobagens que a minha mãe fala pra mim (coitada, mãe, te amo, tá?). Eu estava com as minhas mãos transpirando a todo vapor como nunca. Algumas garotas do meu lado começaram a tirar seus celulares, pareciam estar testando a câmera ou algo parecido. Na hora me veio na mente, noites, madrugadas, festas perdidas só para ver o show deles pela internet, e agora eu estava ali. Não sabia o que pensar, o que falar, eu só sabia que eu não iria esquecer nenhum momento que eu estava passando ali.
Se passaram alguns minutos, que pareciam séculos, olhei para trás e estava tudo lotado. Fiquei impressionada porque aquilo não era nem metade do que tínhamos visto na fila. Sem muitas delongas, uma banda começou abrindo o show, todo mundo animado e dançando, eu não conhecia a banda, muito menos as músicas, mas foi legal curtir e brincar com a Kathy naquele cenário que parecia um sonho e se fosse um eu não queria acordar.
Acabou a abertura. As cortinas se fecharam novamente e ficamos a espera por mais alguns minutos. Até que começou um solo na bateria. Meu coração iria sair pela minha boca, eu tremia, não sabia se o show ia começar, se o Josh ou seja lá quem for, estava fazendo brincadeira com a nossa cara, mas eu queria ser um diferencial naquele show. E eu seria. Eu faria de tudo pra ser notada naquele show, afinal, eu era uma Directioner brasileira no meio de milhares de americanas sem sal sem querer ofender, claro, mas essas meninas parecem que não sabem participar de um show. Eu mostraria pra elas como é participar de um show realmente, você tem que dar tudo de si e mais um pouco para que o artista dê o impossível dele. E isso faz toda a diferença porque o show fica muito mais perfeito.
Do nada sinto Kathy agarrando minha mão e dando um gritinho histérico e eu ouço os gritos aumentarem muito mais, quando eu olhei pra frente vi que tinham umas luzes piscando e certa movimentação atrás das cortinas. Era agora eu iria conhecer meus meninos, eu iria realizar meu sonho. Apertei ainda mais a mão de Kathy e sussurrei pra ela 'vai ser perfeito' e ela sorriu e concordou. Eu já podia sentir os arrepios em meu corpo, as lágrimas se formando em minha garganta, o grito pedindo pra sair, o nervoso corroendo cada parte do meu ser. Era uma sensação incrível de se sentir eu não queria que acabasse nunca. E então o som da bateria aumentou e eu vejo que as cortinas foram abertas e o telão do meio do palco foi ligado e todo mundo ali dentro começou a gritar, faltava pouco agora daqui a pouco eles estariam ali. Em um segundo, eu estava olhando a bateria e gritando um 'Josh' ensurdecedor e acenando e no outro, Josh estava olhando para minha direção e sorrindo. Ok, pausa, JOSH DEVINE ESTAVA SORRINDO PARA MIM! Olhei pra Kathy e ela estava estática olhando para mesma direção que eu, a direção do Josh. Nós nos olhamos demos um grito e nos abraçando falando coisas sem sentido como 'o Josh nos notou'.

Capítulo 6

Quando eu abracei Kathy, pude ouvir ela fungando, o show mal havia começado e já estava chorando de emoção assim como eu, sou manteiga derretida, eu sei, mas toda aquela energia que eu sentia, era impossível de ficar parada ou simplesmente não sentir nada. Então eles entraram pulando, cantando ao som de "Na Na Na". Meus olhos não queriam acreditar naquilo que eu estava vendo. Como se eu estivesse naquelas cenas de filme, em que tudo fica calado e em câmera lenta. Foi assim que eu me senti. Aliás, eu não sabia o que sentia muito bem naquela hora, e não me preocupava também, eu só queria aproveitar cada segundo daquele momento. Eu olhava atentamente para o palco e meus olhos seguiam cada um, era uma coisa totalmente surreal, eu sinceramente não acreditava que estava ali vivendo tudo. Eu me sentia maravilhada, me pegava perguntando se tudo era mesmo real, e a cada vez que um deles passava na minha frente, eu gritava mais e tentava a todo custo chamar a atenção de pelo menos um deles. Sabia que Kathy estava do mesmo jeito, pois ouvia os gritos dela em meu ouvido e bem éramos as que mais gritavam ali, pelo menos ao nosso redor.
E então começou “Stand Up” simultaneamente eu me sentia pulando e gritando, os meninos pareciam mais do que radiantes, eles estavam perfeitos cantando com aqueles sorrisos no rosto. Dei um suspiro e dei uma olhada em Kathy ela estava com lágrimas escorrendo pelo rosto um sorriso enorme e cantando a música a plenos pulmões, sorri para ela e voltei minha atenção para os meninos que andavam de um lado a outro no palco. A sintonia deles era perfeitamente visível, parecia um daqueles sonhos que você sabe que é um sonho, mas parece extremamente real, eu me sentia assim e bem real ou não, essa sensação era a melhor possível. Chegava até ser engraçado o jeito que eu me encontrava, eu não sabia se gritava, se olhava, se tirava foto, mas todo aquele clima ali era algo surreal. O jeito engraçado que o se movia ao som da batida que o Josh fazia com a bateria era bem mais lindo e engraçado do jeito que eu via por DVD ou por vídeos. Aliás, todos eles. É como se eles tivessem lido a minha mente e falado "Vamos fazer assim e acenar assim" para alguns, todos os shows são iguais, mas para mim, além de ser o primeiro, me fez sentir coisas que eu nunca tinha sentido antes. Terminaram a música e as luzes se abaixaram. Então se acenderam novamente e eles enfileirados um ao lado do outro e então começou “I Wish” com vindo para frente. Aquele toque da guitarra, aquela voz, aquela música, aqueles garotos. Eu não me contive e comecei a chorar, tentando cantar junto. Pude sentir o braço direito de Kathy me envolver, me dando um abraço de lado. Eu percebia minha voz falhando em determinados momentos da música, mas eu a forçava cada vez mais. Aquela música tinha um significado enorme pra mim, ela me tocava, sabe? Fazia eu me sentir incrivelmente leve e ainda mais o jeito que eles cantavam o jeito que o cantava. Sentia-me arrepiada, era possível ele me afetar desse jeito?
Kathy e eu chorávamos horrorosamente, graças a Deus usamos maquiagem leve, porque se não estaríamos parecendo o coringa do Batman. E mais uma música chegava ao final e os meninos vieram para frente do palco pra agradecer como eles fazem no DVD e, NOSSA, eles são mais perfeitos ainda bem de perto. Eu e Kathy estávamos sem reação olhando abobalhadas pra cima e tentando decifrar o que eles falavam porque, sinceramente, eu não entendia nem o que eu pensava.
Eles terminaram de agradecer e fez o famoso discurso que eu repeti juntinho sobre eles na casa dele na fogueira e tudo isso que todas já sabem e então se sentou com todos os outros meninos. No momento que o se sentou ao lado do Josh, ele olhou diretamente para nós duas e deu um sorriso e eu o olhei a abobalhada e senti Kathy chacoalhar meu braço. Era real isso? Então começou a introdução de “I Gotta Feeling” e, nossa senhora, assim que o começou a cantar, eu senti uma tremedeira na perna, tive que me agarrar na grade e no braço de Kathy se não eu cairia, ainda mais que ele veio cantar BEM NA NOSSA FRENTE e olhou para baixo. Sim, ELE SORRIU PRA NÓS DUAS E PISCOU O OLHO. ELE - PISCOU - O - OLHOU - PRA - NÓS - DUAS. TIPO: posso morrer agora? Ou esse show vai ficar ainda mais perfeito? Eu estava tão anestesiada que após aquela olhada acompanhada com uma piscadela, achei que iria flutuar do nada ali e ir ao encontro do e ele cantar só pra mim. Mas tudo isso se dissipou quando ele terminou de cantar e fez seu agradecimento que eu gritei junto, então levantou com o violão tocando “Stereo Hearts” com a sua voz doce - mesmo com alguns gritos do meu lado - seu jeito irlandês era encantador, era impossível não gostar dele. Então ele terminou de cantar e com a sua voz engraçada gritou para darmos um brado para o , eu repetia tudo que ele falava, percebi que algumas meninas estavam me olhando estranho mas 'foda-se' eu quero é curtir o show, não vou ficar travada para agradar gringas. então com sua voz fina começou a cantar Valerie, parecia um paraíso, aquele lugar com a sua voz, o seu carisma, eu estava tão entretida na música que não percebi ele vindo para o nosso lado, "acordei" quando Kathy apertou meu braço, alguém podia tirar sangue dele que eu não ia sentir nada de tão forte que ela apertou, até senti um formigamento. Então ele acenou para nós duas e quase desmaiei. Eu percebi que a menina atrás de mim estava gritando demais. Então eu continuei acenando para ele, mas não era pra nós que ele estava olhando. Era para as gringas atrás de nós. E como eu sabia que elas eram gringas? Pelo jeito de falar. E eu só ouvi o grito delas na hora que ele chegou perto. Sério que elas estavam ali? Legal, trollada até nos Estados Unidos e show dos meninos. De tanto que eu tentava chamar a atenção dele, ele devia tá achando que erámos loucas. Não queria nem ver o estado do meu cabelo/rosto naquela hora. então voltou pra onde os meninos estavam e o pediu aplausos para ele, e mais uma vez eu disse junto a ele as frases cada vez mais pessoas me olhavam estranho nessas horas, mas eu não ligava, foda-se a porra do show, quem estava curtindo era eu, do meu jeito estranho mais estava.
Então levanta cantando a introdução de Torn e todas as pessoas presentes ali começaram a gritar e eu só conseguia pensar “pronto, é hoje que eu desidrato de tanto chorar". Na parte do , eu gritava cada vez mais alto segurando a mão de Kathy, tentando demonstrar o quanto aquela musica mexia conosco. Na parte do solo, parou bem na nossa frente e deu um sorrisinho sapeca. Juro que eu senti a mão da Kathy ficando gelada e tremer mais do que já estava, eu dei uma rápida olhada e ela estava branca, eu disse baixo: “respira, amiga, respira” e a vi tentando fazer isso. Por mais que eu soubesse que parecia difícil. Assim que a musica acabou, eu olhei para Kathy e percebi que ela estava um pouco melhor, continuamos de mãos dadas e o choro incessante nos pertencia. Sinceramente eu não queria que esse show acabasse, eu não queria acordar e enfrentar a realidade de que eu não iria mais vê-los por um bom tempo, a não ser, claro, em meu DVD. A coisa que eu mais desejava naquele momento é que de alguma forma a vida nos ajudasse, a mim e a Kathy, e pelo menos conseguir um autógrafo deles amanhã na tarde de autógrafos. Sinto Kathy dando um puxão em meu braço me trazendo pra realidade e foi aí que percebi que o fazia a introdução de Moments.

Capítulo 7

Pronto, é hoje que eu afogo todo mundo. Percebi que eles se posicionaram enquanto o foco de luz estava sobre o , então ele terminou. As luzes acenderam e começou, com a sua voz doce e calma. - mesmo com todos os gritos. E, por um momento, parece que o meu cérebro tinha parado no tempo e quis se forcar só ali naquele MOMENTO. Era emoções demais dentro de mim, sinceramente eu me sentia flutuando era uma sensação incrível de se sentir. Eu sentia as lágrimas escorrendo pelo meu rosto mais uma vez, vejo que vou ficar desidratada até o final do show. Eles cantavam com tanta intensidade, com tanto amor. Meu coração acelerava a cada nova frase cantada era ali que eu queria permanecer para o resto da minha vida sabendo que os teria ali pelo tempo que for. Queria poder sentir essa emoção em todos os momentos possíveis da minha vida, era uma sensação renovadora, me enchia de uma alegria, uma liberdade que eu jamais senti. Naquele segundo, eu senti que alguma coisa mudaria, e não era só porque eu estava ali naquele show com a menina que eu conheci pela internet, mas sim que aquilo não seria o fim, sabe? Nem para mim e Kathy e nem para nós duas e os meninos. Confuso, eu sei. Mas meu coração entendia, e ele nele crescia uma chama de esperança que se agarrava a esse pressentimento, sendo ele real ou não. E quando a música estava acabando, eu não queria que aquela sensação toda acabasse ali, então eu olhei para minha volta, aquelas luzes, as pessoas gritando, olhei para Kathy que estava com o braço esticado e com um pouco do seu rímel escorrendo, então ela olhou para mim e soltou sorriso e a gente se abraçou que eu não aguentei, desabei a chorar mais ainda, virei o rosto - abraçar minha amiga, a emoção é legal, sabe? Mas eu gostaria de ver o show todo também - e o cantou a última frase. Eles se posicionaram juntos formando o círculo entre eles e as luzes se cessaram, começou a passar o vídeo enquanto eles trocavam de roupa. E a assim foi o resto da noite, quando eu pensava que as minhas glândulas lacrimais já haviam se secado, eu desabava a chorar mais ainda. Eu estava parada estática olhando pro palco na esperança que eles voltassem mais uma vez, eu não acreditava que tinha passado tão rápido, como isso era possível? Num momento, eu estava pulando e dançando em Up All Night, no outro eu estava esticando meu braço ao máximo pra conseguir uma bolinha de neve em One Thing e quando vi, já estava surtando em What Makes You Beautiful, lembrando da minha sobrinha que ama essa música. Eu não conseguia sair daquela posição, os braços sobre a grade, os olhos esbugalhados - e com certeza huper vermelhos - vidrados no palco, com mil pensamentos na cabeça e a esperança por um fio. Tinha sido tudo real? Eu não tinha sonhado com isso tudo? Será que a Kathy estava do mesmo jeito que eu?
Olhei pro lado com meu restinho de força e percebi que a maioria das pessoas a nossa volta já tinha saído e Kathy estava de frente para mim com as mãos abaixadas e os olhos arregalados me olhando. Meu rosto deveria estar mais ou menos igual ao dela todo vermelho e borrado. Sinceramente? Eu estava pouco me fodendo pra isso eu tinha acabado de ver o MELHOR SHOW DA MINHA VIDA e podia cair um meteoro na minha frente que eu continuaria sorrindo de felicidade. Quando percebi, Kathy estava me abraçando e fazendo as mesmas perguntas que eu fazia em minha mente, era tudo real mesmo? O que acabamos de presenciar foi verdade? Eu não sabia o que fazer pra onde ir e então do nada não sei de onde me deu um ataque de riso, mas um tipo daqueles que parece que você tá prendendo a vida inteira, sabe? Kathy me olhou e começou a rir, ficamos ali, as duas loucas rindo feito duas hienas no meio da casa de show. Passada essa crise de riso, resolvemos sair dali e ligar pro pai de Kathy nos buscar. Não estávamos cansadas, mas estávamos, confuso? É, eu sei. E precisávamos sobreviver porque amanhã teria tarde de autógrafo e mais um show. SIM, SIM, SIM, iríamos em mais um show. E, sinceramente, eu esperava que esse show fosse 098520983 mil vezes mais perfeito que esse, eu não sei se iria ser mais tinha um pressentimento bom. Bom não, ÓTIMO.
Então enquanto esperávamos o pai de Kathy, compramos uma água na saída da casa de shows. Graças ao bom Deus, o pai dela não demorou. Só me lembro de ter entrado no carro, e Kathy me pedindo para dormir na casa dela, mas eu não podia aceitar, queria passar um tempo sozinha meditando tudo que aconteceu, ligar para minha mãe, que devia estar igual louca pensando como foi o show, se eu não morri pisoteada, nem assaltada e essas coisas de mãe. Prometi para ela que no dia seguinte dormiria lá, ficaria mais fácil até de ir para o aeroporto e tudo mais. Não, eu não quero pensar em aeroporto e Brasil. Eu estou nos EUA e amanhã eu vou em uma tarde de autógrafos conhecer os garotos. Meus garotos. Ficamos discutindo os detalhes iguais loucas no carro. Nem esperamos seu pai perguntar como foi, e ele somente dava gargalhada, parecida até idiotice, mas somos observadoras: “Você viu a piscadinha do para o ? O mostrando a língua para o e ?”. Conversamos tanto que nem percebi que tínhamos chegado na porta do hotel. Agradeci Kathy e seu pai, combinamos um horário razoável para a tarde de autógrafos. Tomei o elevador. Escadas? Nem que se os meninos estivessem lá em cima – mentira, eu ia sim. Eu estava cambaleando de sono, quem não me conhecesse e me visse, ia achar que estava bêbada. Bêbada de sono. Joguei a bolsa em cima da cadeira que estava na frente da penteadeira e tomei um banho rapidamente, coloquei o pijama e olhei as horas e nessa hora, já era de madrugada no Brasil. Amanhã eu ligo para minha mãe, ela vai entender. Eu só queria deitar na cama, deixei uma pequena fresta da janela um pouco aberta para ter a sensação gostosa do vento frio que eu amo. Fechar os olhos, rebobinar e meditar o que tinha acontecido comigo naquele dia e acreditar que era real.

Do jeito que eu deitei, acordei, passei a mão pelo rosto e pelo cabelo pra examinar meu estado e percebi que não tava a lindeza em pessoa. Fui tentar levantar da cama e senti toda a dor que eu não senti ontem por estar na adrenalina total e, nossa, como era possível sentir tantas dores juntas assim? Juntei meus cacos e os levei ao banheiro e, puta merda, quase sai correndo quando me olhei no espelho, eu pensei “quem é você e o que tá fazendo aí no meu espelho?”. Juro que até olhei do lado pra ver se não era um daqueles espelhos falsos e, ok, eu tô delirando demais. Dei um jeito no meu visual, fiz todo minha rotinal matinal e fui trocar de roupa pra ir tomar café. A cada passo que eu dava em direção a lanchonete do hotel, era um murmúrio baixinho de dor que eu soltava, acho que vou perguntar aonde tem uma farmácia porque não posso ficar com dor hoje, já que tem a segunda rodada de shows.
Tomei meu lindo e maravilhoso café, maravilhoso mesmo, juro que não sabia por onde começar a comer, acho que nunca vi tanta comida junta assim. Meu Niall interior falou mais alto e fui comendo um pouco de cada coisa, mas eu comia com tanta vontade que algumas pessoas me olharam estranho, qual é? Eu tô em fase de crescimento, tá? Mesmo que pros lados, pra mim conta. Sai daquela mesa desejando não ter fome pelo resto do dia, porque acho que não entraria mais nada ali, passei na recepção e perguntei aonde era a farmácia mais próxima. A menina que tava ali disse que era duas ruas depois da pensão. Agradecei e fui lá comprar um remédio pra dor. No caminho, passei por uma Starbucks e não resisti, tive que comprar um muffin e um cappuccino, mesmo que minha barriga estivesse estourando. Não dizem que comida te deixa feliz? Então, eu tô comendo pra segurar a depressão de ter acabado o show de ontem e pra conter a ansiedade pra tarde e a noite de hoje. Weee, só espero não fazer igual a menina do vídeo que tocou no Zayn e desmaiou.
Devorei o muffin e o cappuccino rapidamente. Às vezes dá vontade de bater minha cabeça na parede me perguntando por que não tem Starbucks no Brasil como aqui. Cada esquina tem um e um McDonald’s! Decidi ligar pra minha mãe, ela devia estar furiosa pra saber como foi show e tudo mais, como ela já não é tirar conclusões precipitadas, deve estar pensando que eu fui raptada ou algo assim. Sim. Fui raptada pela beleza dos meninos. E, na verdade, quem foi raptada, foi minha sanidade após ver aquelas cortinas se abrindo. Só de lembrar meu coração disparava.
Entrei no quarto e me joguei na cama e fiquei olhando para o teto segurando celular no ouvido. Dois toques, isso foi o bastante para a minha mãe ver que era eu e atender desesperadamente.
- Alô? Filha? Como você está? Comeu direito? Como foi o show? Que horas você foi dormir? Ninguém te assaltou nem mexeu com você né? Se não eu pego o primeiro voo agora! LIGA PRA COMPANHIA ÁREA, QUERO O PRIMEIRO VOO PARA OS ESTADOS UNIDOS! - ouvi ela gritando, devia estar falando com minha tia, pra que esse desespero. Meu Deus.
- Mãe. Mããe. MÃE! Eu estou bem, já tomei café da manhã, estava tudo delicioso e ninguém me assaltou nem nada. O show foi muito bom, obrigada.
- Só muito bom, , tem certeza? Tá em choque ainda, minha filha? Porque certeza que se você tivesse normal, não me falaria só isso - começei a rir, cara, a minha mãe me conhecia bem demais e eu precisava surtar com ela. Não era a toa que ela tinha me apoiado nisso tudo. Ela sabia que eu ia ficar muito feliz e ela me fez prometer que contaria tudo pra ela. – Bora, , me conta logo, aproveita que sou eu que tô pagando a conta do celular - ri denovo e me preparei pra surtar.
- MÃE, FOI A COISA MAIS PERFEITA DO MUNDO, O SORRIU PRA MIM, AQUELE QUE EU FALO QUE É MEU NAMORADO/MARIDO E O BATERISTA ME DEU TCHAU E O SORRIU PRA MIM, AQUELE DAS BOXEXAS, E O SHOW FOI EXATAMENTE IGUAL AO MEU DVD E PARECIA QUE EU IA FLUTUAR DE TÃO FELIZ QUE EU TAVA. E EU CONSEGUI TIRAR FOTOS PERFEITAS. MÃE, TEM NOÇÃO? MUITO OBRIGADA POR TER ME APOIADO NESSA LOUCURA E EU VOU PARAR DE GRITAR PORQUE SE NÃO VÃO BATER NA PORTA ME XINGANDO - minha mãe começou a rir no telefone e eu ouvi o riso da minha tia e do meu irmão, sabia que ele ia colocar no viva voz pra ela. – Juro, mãe, valeu a pena todo sacrificio que eu passei pra poder vir pra cá, e hoje tem mais, a tarde eu vou pra tarde de autógrafo e de lá vamos pra fila do show. E hoje eu vou tentar de novo ficar na grade e conseguir pelo menos uma foto com eles, quem sabe?
- Eu sabia que você ia se divertir, mas eu tinha que fazer meu papel de mãe preocupada, né? - ela riu e ouvi meu irmão reclamando que ela tá muito liberal pro gosto dele, ela mandou ele ficar quieto e ri alto e percebi que eu estava gritando e rindo em português. - Mas quero saber a hora que você vem amanhã, sabe que não gosto que perca aula na faculdade – fodeu, eu tinha esquecido total da faculdade, vão comer meu rim quando eu voltar.
- Eu volto amanhã de tarde, mãe, devo tá desembarcando de madrugada.
Desliguei o celular e tinha umas 30 mensagens da Kathy, não deu tempo de ler e o celular tocou.
- Que isso, vadia? Pensei que não ia atender o celular. A seção começa às 14:00! - Kathy e seu vocabulário super discreto. Isso me encanta. Olhei para o relógio e eram 11h. Merda. Perguntei para ela se podia almoçar e me arrumar melhor na casa dela. Fui tomar um banho, colo quei um short jeans surradinho, all star cano médio e uma regata branca escrita na frente um coração dividido em três partes, a bandeira da Inglaterra, do Brasil e da Irlanda e atrás “Vas Happenin' Boys?”, fiz um coque e coloquei meu ray-ban preto no rosto. Coloquei tudo que era possível dentro da mochila e saí toda afobada para a casa de Kathy.
Como de costume, ela me encontrou no Starbucks e assim que avistei ela do outro lado da rua com dois cafés na mão e braços estendidos, cheguei perto dela, peguei o café e joguei no lixo.

Capítulo 8

- PÔ! Isso custou 10 dólares, sabia? - Ela falou enquanto eu puxava o braço dela para andar mais rápido.
- Não temos tempo para café. Vamos logo para sua casa! - Comecei a andar para a direita.
- . É pra esquerda. - Eu virei para e esquerda e disse:
- Eu já sabia, só tava querendo descontrair, sua boboca - eu comecei a rir e me perguntei se eu realmente tava bem, acho que aquele remédio me dopou ou algo assim, mas pelo menos eu estava sem dor.
- Você tá realmente bem? - Kathy me olhou de um jeito estranho acho que pensou que eu tava ficando louca.
- Claro que eu tô, né, acho que é só nervosismo, qual é? Vamos ficar frente a frente com eles, tu queria o quê? Que eu tivesse mongolando por aí? - comecei a rir e olhei pra ela engraçado, segurando o ar nas bochechas e piscando os olhos. Ela começou a rir e saímos correndo porque não queríamos chegar tarde.

Cheguei na casa da Kathy, sua mãe tava fazendo almoço e seu pai ainda estava no trabalho, iriamos de ônibus pois ele não conseguiu trocar o horário, mas nos buscaria a noite.
Comprimentei a mãe de Kathy e fomos direto pro quarto, separar as coisas que deveríamos levar e a nossa roupa. Eu trouce minha câmera, minha agenda, meu UAN, meus livros e meu dvd. Já vim totalmente preparada, de acordo com as regras eles poderiam autografar tudo o que pedíssemos, então eu meio que ia abusar, né? Ficamos ali no quarto por uns vinte minutos, quando sua mãe nos chamou pra almoçar. E, nossa, eu já estava morrendo de fome outra vez, não é possível, esse pais não tá fazendo bem pra mim, minha fome tá descomunal.
Terminamos de almoçar e já era 12:30. Saímos correndo pra nos arrumar e arrumar nossas bolsas, o ônibus ia sair da praça 13h, tínhamos exatamente 30 minutos pra nos arrumar perfeitamente para nossos namorados/maridos.
Nos arrumamos em vinte minutos, tempo total recorde e bem estávamos apresentáveis. Acho que nos destacaríamos no meio de tantas meninas, ou assim eu espero, né. A mãe de Kathy nos levou até a praça e nos deixou cheias de contra indicações e cuidados, juro que fui da casa de kathy até praça prendendo o riso e ela estava do mesmo jeito que eu.
Chegamos uns cinco minutos antes de o ônibus sair, e eu comemorei porque era sinal que eu sentaria na janela, weee. Nos despedimos de sua mãe e fomos correndo procurar nosso lugar. A viagem seria mais ou menos longa e teríamos que conter nossa ansiedade.
Nós sentamos no ônibus então. Ficamos treinando nossas falas. Parece idiota, mas eu fiz.
- Vai, agora finge que você é o - falei com Kathy.
- Ta bom, ér. Como o fala mesmo? Ah, sim. "Vas happenin' girl?"
- Eu acho que desmaio, Kathy. - ela começou a rir da minha cara.
- Velho, se você desmaiar, eu corro para o e foda-se você - ela caiu na gargalhada e eu dei um tapa no ombro dela. Estava pouco me lixando para as pessoas no ônibus, queria curtir aquele momento, eu, minha amiga, indo para a tarde de autógrafos ver nossos namorados/maridos. Só pensar naquilo, as borboletas na minha barriga começavam a voar. Kathy disse que estestávamos chegando e ela deu o sinal para a gente descer.
Tivemos que andar uns cinco minutos até chegar o local que seria a sessão, era tipo uma livraria enormemente gigante. Assim que viramos a rua e vimos aquele prédio enorme, meus olhos começaram a brilhar imaginando o tanto de livros perfeitos que tinham ali, só que antes disso fui puxada pela realidade por Kathy, que me balançava e xingava baixinho olhando pro tanto de pessoas que estavam ali. Eu paralisei e comecei a pensar que não conseguiria entrar naquela sessão, eles só iriam atender 200 pessoas e tinha o triplo disso ali. E agora?
Na mesma hora, mandei Kathy ligar pras amigas dela, que já estavam na fila nos esperando, elas era a minha ponta de esperança. Vi Kathy falando no telefone, mas não conseguia entender quase nada, ela falava rapido demais e eu só sabia pensar se conseguiríamos entrar. Senti um puxão no braço e vi que ela me arrastava pela rua, mas continuava no telefone, fomos entrando no meio daquela multidão de pessoas e Kathy continuava procurando por suas amigas, foi quando vimos um grupo de mais ou menos cinco garotas acenando pra nós duas. Saímos correndo de encontro a elas, quando chegamos, nos avisaram que dali a dez minutos eles iam dar as pulseiras para as pessoas que iriam entrar e, bem, estamos dentro, certo? Posso começar a me imaginar de frente eles?
E se eu desmaiar? Ai, meu Deus eu não posso desmaiar. Além de passar vergonha, vou parecer mais uma dessas fãs malucas que tocam neles e desmaiam. Ok, eu tô entrando em desespero, deixa eu me concentrar ‘respira respira respira.’
Os dez minutos passaram voando, parece que eu pisquei e me apareceu aquele monte de segurança montando as grades de separação e com várias pulseiras coloridas nas mãos. Eles começaram a distribuição delas, o pessoal estava completamente fora de controle, querendo pegar pulseirinhas antes que acabassem. Eu e Kathy tratamos de pegar a nossa assim que vimos o segurança chegando para o nosso lado. Uma menina quase tomou minha pulseira, mas eu dei uma tapa na mão dela. Ainda bem que o segurança não viu, se não eu ia ser expulsa de lá e isso era a última coisa que eu desejava naquele momento. Após 15 minutos, eles acabaram de distribuir as pulseirinhas. Percebi algumas meninas lá trás chorando e gritando, acho que elas não tinham conseguido pegar. Eu olhei para o meu braço e não estava acreditando. Até que Kathy me tirou do transe, apertando, dando socos no meu braço.
- , OH, MEU DEUS, SÃO ELES! - Uma gritaria tomou conta do local e começou a tocar What Makes You Beautiful.
- ONDE? CADÊÊÊ? - perguntei desesperada, tentando ficar na ponta dos pés me apoiando no ombro da Kathy.
- ALI! OLHÁ LÁ O , AI, MEU DEUS, EU VOU MORRER - Kathy começou a gritar e eu não estava conseguindo enxergar. Merda de genética me deu estatura baixa. Então a música deu um pause, e comecei a ouvir, aliás, tentei ouvir em meio aos gritos.
- Hello Houston! - Eu poderia reconhecer aquela voz grossa e pouco fina no final de longe. Era o que havia falado, Kathy estava na minha frente e eu fiquei em estado de choque, parecendo retardada, observando a nuca dela. Ela se virou para mim e nos comunicamos com olhar e começamos a gritar, eu não consegui enxergá-los, mas só a voz já me trazia arrepios. Acho que o nosso grito valeu por todas que tinham gritado até agora, por que umas meninas ao nosso redor na fila ficaram nos encarando bem estranho. - Eles estão sentando! , me segura. - Kathy estava na ponta dos pés então se virou e me abraçou e começou a chorar.
- Ei, ei! Vai estragar a maquiagem e vai sujar minha blusa, bitch!
- Own, pare! - Ela saiu do abraço, limpou as lágrimas e tirou o espelho e um rímel da bolsa e pediu para mim segurar. Típico de Kathy.
Passando-se uma hora e meia, eu devia estar um trapo, fedida, meu penteado já devia ter se desfeito, minha maquiagem borrada. Eu estava escorada grade e Kathy elétrica como sempre.
- , NÓS SOMOS AS PRÓXIMAS, LEVANTA LOGO, PORRA!- Eu saí do meu estado de lerdeza, peguei uma mini escova que levava na bolsa, arrumei meu cabelo, Kathy também, ela deixou eu ficar na frente dela para que ela pudesse segurar o espelhinho enquanto eu ajeitasse meu cabelo. Ouvi o segurança dizer: - Hey, garotas, isso aqui não é um salão de beleza. - então eu havia terminado de fazer meu coque e me virei, eu iria realmente xingar aquele idiotinha, só que naquele momento eu tinha algo melhor para apreciar. Cinco garotos fazendo brincadeiras, nessa ordem: , , , e . Percebi que o olhou para a gente e falou alguma coisa no ouvido do e ele olhou para nossa direção e sorriu. Sim. Pode preparar meu funeral.

Capítulo 9

Fomos andando meio que empurradas pelo segurança, qual é, eu não estava sentindo minhas pernas depois daquele sorriso. Mil coisas passavam na minha cabeça ao mesmo tempo e tudo que eu conseguia pensar era “chegou o meu momento! Agora é a minha vez” e quando vi, estava de frente ao e ele sorria e perguntava o meu nome, acho que fiquei o encarando por alguns segundos, porque senti Kathy me cutucando e falando baixo “ele perguntou seu nome”. Ok respira, respira.
- É... É – merda, por que fui gaguejar logo agora? Ele soltou um risinho e falou:
- Prazer em te conhecer, , eu sou o . - Kathy riu e eu disse:
- Mas é claro que você é o , né. – Ok, Patrícia pode continuar andando já pagou seu primeiro mico.
- Eu poderia ser outra pessoa disfarçada de - ele disse num tom como se estivesse num filme de 007, impossível não rir dele.
- Ok, quando encontrar com o de verdade, fala pra ele que eu gosto muito dele – Kathy, que estava atrás de mim, estava falando normalmente com ele. Me ensina essa técnica tipo AGORA?
- Olá, garotas - disse com aquele seu sorriso doce e amável, eu estava tão nervosa que meu estômago doía demais. Dava vontade de arrancá-lo.
- Hey, , está aproveitando a tour? - falei com um sorriso meio nervoso. Resolvi que não ia deixar meu nervosismo estragar tudo. Mas espera. Que merda é essa que eu falei? Era óbvio que ele estava aproveitando a tour. Os meus neurônios não estão colaborando comigo.
- Está tudo muito bem! - ele sorriu novamente e eu senti um pouco da minha tensão ir embora. Esses meninos tem super poderes? Só pode, cara.
- Hey, bem que você poderia nos seguir no próximo followspree, né? - Kathy disse e eu a olhei assustada, como ela consegue ser tão natural assim? Alguém me ensina? Por favor? riu e disse:
- Mas é claro, me diga o twitter de vocês e sigo agora mesmo.
Tudo bem, deixa eu me jogar ali rapidinho. Socorro o vai nos seguir no twitter tipo AGORA? - Ei, você não é daqui certo? - me perguntou e eu me assustei, porque eu falei menos de duas frases e ele prestou atenção no meu sotaque.
- Não, não, eu sou do brasil e vim aqui só pra ir no show de vocês - eu falei sorrindo , só agora me sentindo a vontade.
- Sério isso? - perguntou e todo mundo olhou pra ele, como ele estava prestando atenção na conversa se ele estava assinando zilhões de coisas? Meu Deus, esses meninos são ninjas.
- Sim, eu tinha um sonho de ir no show de vocês. E como vocês nunca vão ao Brasil, eu decidi juntar dinheiro e vir ver vocês. Acabei conhecendo a Kathy pela internet, essa maluca aqui do lado, e nos tornamos amigas. Tudo por vocês. - Sorri e percebi que Kathy também sorria olhando pros meninos abobalhada.
- Então quer dizer que temos uma brasileira entre nós? Como é o Brasil? Tão bonito quanto ouvimos falar? Tem muitas praias? Futebol? Biquínis? - sempre safado. Soltei um risinho e respondi:
- Sim, legal na maioria das vezes, acho que sim, sim, sim e sim, dirty boy. - Todo mundo começou a rir e senti que num mundo alternativo nós poderíamos ser melhores amigos.
Percebi alguns olhares de algumas garotas que estavam a nossa volta, elas cochichavam. Com certeza era sobre nós, pela nossa "conversa com os meninos". Gringas invejosas me dão nojo. Fomos andando mais um pouco e distanciando de e , agora estava de frente para , quanto mais eu chegava perto do - que permaneceu calado durante aquela conversa toda. Típico dele - meu coração disparava mais e mais. Eu o observava assinar os cds, e posters das outras meninas, falando e sorrindo animadamente.
- Então, como é a comida do Brasil? - fez que eu saísse do transe de observar seu amigo.
- É muito boa – sorri. - Se eu for em um show de vocês em outro país que não seja o Brasil, eu trago comida pra você.
- "Se" não, você vai, isso é uma promessa agora! - Senta lá, Cláudia, tenho uma dívida de trazer comida da minha terra natal para Horan do One Direction. Ninguém vai acreditar nessa história quando eu contar.
- Eu vou ter certeza que não vai ser ela que vai cozinhar, ela não é muito boa, sabe? - Kathy falava um pouco baixo com o , como se fosse um segredo, eu me virei pra ela e dei um tapa no seu ombro.
- Hey! Eu cozinho bem! – disse rindo.
- Aham amiga, nós acreditamos em você. - Ela e ficaram rindo de mim.
- Isso não é justo, sabia? Aquela vez que eu te ensinei a fazer o bolo pelo skype, só não deu certo porque eu me atrapalhei com algumas coisas. - eu disse tentando me defender. Kathy me olhou tentando segurar o riso e disse:
- Que coisas? Você estava sozinha em casa, cara, e conseguiu queimar um bolo. Um simples bolo. – Ok, Kathy, fica quieta se não te soco aqui mesmo.
- Então você também não cozinha muito bem, mas não admite? - olhei assustada, era o . Ele tinha se pronunciado pela primeira vez desde o sorrisinho. Olhei dele pra Kathy e de Kathy para e os meninos e tentei respirar fundo e responder
- Devo falar que isso tudo é calunia da Kathy, ela não admite que ficou com vontade de comer meu bolo e fica falando que ele queimou. - e ri, ele me olhou desconfiado e soltou um risinho voltando sua atenção aos papéis que estava assinando.
- Se não é verdade, então eu gostaria de provar um dia seu bolo. Pra ter a prova de que é gostoso, sabe? - disse rindo e meio que insinuando que vamos nos encontrar de novo. Tipo, ai meu Deus, isso é real mesmo?
- Tenho que deixar claro que eu vou ter um grande problema da próxima vez então. Trazer comida para o e . Como eu vou fazer isso, Deus? - ri enquanto autografava minhas coisas.
- Oh, você vai trazer para todos nós - deu um piscadinha com o olho direito e entregou meu UAN, com aquele sorriso magnífico e sem querer - ou não - peguei na mão dele retribuindo o sorriso envergonhada e mordendo o canto da boca.
- Posso te dar um abraço? - com muita dificuldade aquelas palavras saíram da minha boca.
- Só se você prometer trazer para todos nós!
- Isso mesmo! - gritou.
- Brincadeira - ele riu e levantou e me abraçou. A barba mal feita - mas que não machucava - arranhou um pouco minha bochecha e pude sentir o aroma do seu perfume favorito, Unforgivable do Sean John. Estava bom demais para ser verdade e ouvi a voz do Paul falando para mim andar rápido que tinham mais pessoas.
- É melhor você ir - sussurrou no meu ouvido, o que me fez arrepiar um pouco. Saí do abraço e acenei "sim" com a cabeça, sorrindo.
- Ele não estava brincando sobre trazer para todos nós - disse rindo, pegando minhas coisas e começou a autografar.
- Oh, Deus, estou sendo ameaçada pelo One Direction - e todos eles riram.

Capitulo 10

Depois dessa conversa surreal, fomos nos despedindo dos meninos, e nos fizeram voltar para nos dar um abraço e prometer mais uma vez que eu faria comida para eles. Kathy estava ao meu lado em pleno estado de choque depois de ser abraçada por , que eu bem que percebi tirando um proveito de minha amiga. Ah, esse dirty boy!
Nos despedimos mais uma vez, e assim que saímos fomos quase que exterminadas por olhares famintos das outras meninas. Juro que eu fiquei com medo do olhar delas era tipo faminto, cara, nunca vi coisa assim.
Eu carregava Kathy pelo lugar procurando a saída, tentando assimilar oque tinha acabado de acontecer e com o pensamento de que mais tarde eu os veria de novo. E que precisávamos correr porque se não perderíamos o lugar na fila do show, e eu quero tentar mais uma vez grade e torcer para que os meninos vejam nós duas e reconheçam.
- Isso tudo foi real? - me assustei com Kathy, ela estava falando pela primeira vez depois de seu abraço em .
- Sinceramente, amiga? Eu não sei o que foi isso, em um momento estávamos surtando, no outro você estava agindo como se eles não fossem o One Direction e no outro eles estavam nos intimando a fazer uma comida tipicamente brasileira para eles no próximo show que iremos em outro país. Quer dizer, eu vou mesmo a outro show em outro país? Oh, meu Deus, acho que vou ficar maluca, eu não vou aguentar, isso é demais pra mim, eu não sei, eu vou surtar, eu preciso de ar. Tá faltando ar aqui ou não? Eu não consigo...
- Tem como calar a boca? Tá todo mundo olhando pra nós duas. - Outch, Kathy!
- Ok, eu paro, mas não precisa ser grossa. Vamos logo que precisamos chegar na casa de show logo. - Sai puxando Kathy pelo braço a caminho do ponto de ônibus.
- O cheiro do cabelo do , você sentiu? - Enquanto estávamos paradas no ponto de ônibus Kathy cheirava as mangas da sua blusa pra ver se tinha algum rastro perfumado dos cachos do .
- Mano, eu acho que eu nem respirei quando estava perto deles, eu estava me controlando pra não surtar. Atravessar aquela mesa lá e adeus vida.
- Dois! E você viu aquelas ridículas olhando pra gente? Estava vendo o veneno escorrer no olhar daquelas najas.
- Eu até mandaria elas se foderem, mas estava muito ocupada com os meninos - rimos.
- Olha lá o ônibus - Kathy deu sinal.
- Aleluia! - entramos nele e ficamos conversando sobre os detalhes da tarde de autógrafos. Até as mínimas coisas, como um gesto, um sorriso ou um olhar, até que chegamos na casa de shows. Descemos e percebi que a fila estava dando volta nos quarteirões.
- Porra! Não vamos conseguir ficar na grade! - eu disse assim que percebi aquela fica que parecia com as dos restaurantes populares do Brasil.
- Aquelas minhas amigas estão no começo da fila de novo. Não são as primeiras, mas estão lá - Kathy disse sorrindo e eu a abracei.
- Eu já disse que te amo hoje?
- Não precisa, eu sei que você me ama - eu saí do abraço e dei um tapa na cabeça dela, nós duas rimos e fomos em direção á fila.

Ficamos por ali conversando e ansiando o momento do show. Nem conseguia acreditar na tarde perfeita que tive e que ainda teria o show pra fechar meu final de semana da melhor forma possível e totalmente diferente do que eu imaginei. Seria possível isso tudo estar mesmo acontecendo? Sei lá, eu nunca fui muito do grupo das sortudas e hoje parece que ganhei na loteria, é uma sensação engraçada e estranha. Parece que eu vou acordar a qualquer momento.
Senti me cutucando pra avisar que já iríamos entrar, me preparei mentalmente pra ter que correr igual uma desesperada outra vez sem desmaiar ou passar mal. Quando vi já estava descendo a rampa da casa de show desesperada com Kathy a minha frente à procura da reta que daria na parte do palco, saí correndo com o máximo de forças que existia em mim naquele momento. Tudo que eu conseguia pensar era que eu iria ver eles de novo, depois da tarde maravilhosa que tive e tudo graças a eles. Tem como melhorar? Me aproximei mais ainda do palco e quando o vi tão perto de mim senti um alivio e fui desacelerando, só que nesse momento um zilhão de garotas passaram na minha frente e acabei não conseguindo ficar na grade. Ah qual é, piada isso? É hoje eu e kathy vamos ter que nos contentar com a terceira fileira. De tanto não tenho que reclamar até que está confortável aqui e nem vou ser esmagada de novo.
E os meninos começaram tradicionalmente com Na Na Na, saltitantes como sempre. Eu e Kathy sentíamos a mesma sensação do primeiro show, mesmo sendo o nosso segundo. Eu pude me "acalmar" e observar mais alguns detalhes que eu não percebi no primeiro show, eles faziam brincadeiras idiotas enquanto respondiam as perguntas do twitter. Quando ouvi os primeiros acordes de Moments eu apenas desmoronei. Essa música tocava na minha alma de um jeito diferente. Independente se eu a ouvisse dez milhões de vezes. Kathy e eu ficamos abraçadas em meio ás lágrimas cantando olhando fixamente para os meninos, - eu especificamente para - quando seu solo veio, ele se aproximou, conforme a coreografia e para nossa sorte era bem onde estávamos. Eu o observava atentamente, ele olhava para aquela multidão, até que ele concentrou o olhar para o lugar onde a gente se encontrava.

Capítulo 11

Ele deu um sorriso e um aceno com a cabeça, e eu me perguntei se era mesmo para mim e Kathy aquele sinal. Era meio que surreal pensar que ele poderia nos reconhecer, saber que éramos as meninas da sessão de autógrafos que eu era a brasileira que praticamente foi intimada a cozinhar para eles.
- Que foi? - virei minha cabeça para Kathy querendo saber o porque dela estar quase arrancando minha pele.
- O tá cantando e apontando pra nós duas e ele tá fazendo uma dancinha. Socorro, , eu não sei se vou conseguir sobreviver a esse show não - Eu virei pra frente no mesmo momento e percebi que ria igual a uma criança ao lado de e apontava pra onde estávamos. Não, isso não era possível.
- Kathy? Ainda estamos sonhando, certo? Esse é o meu ou o seu sonho? Porque não pode ser possível isso tudo está acontecendo em menos de 24hrs.
- Sinceramente, eu não sei, não consigo entender qual é a do milagre conosco hoje. Mas sei lá, vamos aproveitar enquanto nenhuma das duas acorda, né?
Voltamos atenção para o show e para nossa tristeza, a música já estava acabando e bem coreografado, eles se posicionaram em círculo, uns de frente para o outros. Mal terminaram e saíram correndo para trocar de roupa, e começou a mostrar no telão o backstage com eles trocando roupa, nós obviamente não nos contemos e começar a gritar ao ver os meninos semi-nus, mas estava bom demais para ser verdade e cena mudou para eles começando a brincar com aquelas atrizes na biblioteca e afins que qualquer uma de nós queria ser elas. Então terminou e o instrumental de More Than This começou a tocar, e as luzes se acenderam sofá estava posicionado no centro do palco, e ali estavam eles perfeitos novamente. Eu e Kathy cantávamos e acompanhávamos cada letra e pessoa sem piscar os olhos, a forma que o refrão ecoava pela casa de shows juntamente com o coro das fãs me deixava arrepiada, e tenho certeza que Kathy sentia o mesmo. Podia ver em seus olhos quando raramente nos encarávamos com a expressão “isso tudo é real”? Era até engraçado para um momento tão emocionante. Não que eu fosse estilo manteiga derretida, mas qual é, aquele era o momento épico da minha vida e eu vou chorar, nem vem. E Gotta Be You passou num piscar de olhos e quando percebi já estava começando Up All Night com o perguntando se queríamos uma festa ali. Precisava nem responder né querido? Tudo passava como um borrão e eu tentava aproveitar ao máximo possível.
Tell Me a Lie e Everything About You passaram numa velocidade absurda, eu estava tentando acompanhar tudo mais estava ficando meio desnorteada. Porque tinha que passar tão rápido? Eu não estava conseguindo aproveitar tudo, absorver tudo. Meus braços doíam, acho que por ficar com muito tempo levantado e eu mal conseguia gritar os meninos. Não tá certo isso. Será que é algum tipo de carma que você tem que cumprir? Não pode ir em dois seguidos do One Direction? Não, não! Dei muito duro pra chegar até aqui e não vou deixar meu físico me atrapalhar. Então eles saíram mais uma vez e de repente fizeram novamente uma troca de roupas e Kathy lançou um olhar pra mim perguntando se eu estava bem já que estava fazendo algumas caretas. Mas eu não queria preocupa-la justo ali, então acenei positivamente e de repente. O cover de Use Somebody veio para fazer meu coração explodir ainda mais êxtase. Era meio impossível mas eu tentei parar de pensar na dor e me foquei no quanto eles estavam lindos naqueles trajes de inverno. E como estavam. Tenho certeza que aquelas garotas que estavam ali conheciam a música por que os meninos a incluíram no set list. Não querendo me gabar, mas eu realmente sei o que é música boa. E isso obviamente incluía Kings Of Leon. O violão começou a tocar One Thing e aquela neve artificial caindo sobre nossas cabeças só fez com que o clima ficasse mais emocionante. Eu até tentei pegar algumas das bolinhas que eles tacavam para o público, mas a minha estatura não estava colaborando comigo e Kathy não queria me carregar nas suas costas. Injustiça, viu!
Eu tentei incansavelmente segurar uma bolinha de neve, mas tudo que eu consegui foi aquela espuma grudenta em meu cabelo. Os meninos se acabavam de rir quando viam que as meninas tentavam arrumar o cabelo desesperadamente e tudo que conseguiam fazer era espalhar mais ainda aquela espuma. E então começou Save You Tonight e eu senti meu coração dá um daqueles solavancos e em seguida me senti fraca como se eu pudesse desmaiar a qualquer momento. Eu estava me segurando ao máximo, o show já estava quase no fim e eu tinha que conseguir não podia desistir. Kathy me cutucou quando avisou que iria pegar o celular de uma menina para filmar os meninos e tirar fotos na hora da música. A casa de show foi a loucura, aonde estávamos todas as meninas levantaram seus celulares e ficaram apontando pro palco, os meninos conversavam e decidiam qual o iria pegar. Eu fiz um esforço máximo tirando força de não sei aonde e estiquei meu celular em direção ao palco e quando eu vejo, ele já não está mais em minhas mãos e sim na mão do . Sim, bitches, Payne está segurando meu lindo celularzinho e tirando foto de si mesmo. Tomem essa, otárias!
Quando a música começou, eu não conseguia acreditar que o já tinha tirado várias fotos com ele, de todos os meninos, os meninos da banda e dos meninos virados pra plateia. Surreal!
E então ele começou a gravar os meninos cantando e fazia cada pose bizarra que tudo que eu sabia era rir, e ainda por cima dava aquela risada perfeita. Espero que saia o som na gravação!
O pegou meu celular da mão do e ficou fazendo caretas e imitando um fotógrafo pedindo pro e o fazer as poses mais estranhas e cômicas possíveis.
E então o pegou meu celular, apontou para si mesmo, falou alguma coisa e então começou a filmar a plateia cantando junto e também ao que brincava com uma bola que surgiu no palco do nada.
arrancou o celular da mão do e começou a se filmar, eu via que ele estava falando várias coisas e ficava rindo, espero que não seja besteira.
A música estava quase no final e eu não conseguia acreditar que eles estavam mesmo brincando com o meu celular no palco.
Acho que nem a Kathy conseguia acreditar, porque a cada coisa que eles faziam com meu celular ela dava um gritinho e se agarrava a mim.
Acho que ela tá pensando que o sonho é meu e que eu vou acordar a qualquer minuto.
E então quase no fim da música eles se juntaram no meio do palco e se filmaram fazendo gracinhas.
Então o pegou o meu celular da mão do e tirou uma foto de si mesmo e depois digitou algo. AI, MEU DEUS, o que será que ele digitou?
E então ele devolveu o celular ao que deu a um segurança pra me entregar, nesse momento olhou pra mim e Kathy e piscou.
Se fosse possível pegar algum plástico e colocar o celular dentro para que ele pudesse permanecer com o toque dos meninos, eu faria. Ok, meio bizarro, mas MEU OS MENINOS PEGARAM NO MEU CELULAR! A curiosidade gritava dentro de mim pra ver o que tinha escrito, tentei entrar rapidamente nos rascunhos, eu precisava ler uma frase, uma letra, uma palavra, qualquer coisa! E um título dizia "para a brasileira", uma fincada forte de nervosismo tomou conta do meu coração. Era isso mesmo? Ele se lembrava de mim? Isso deve ser uma miragem ou sei lá o quê. Abri um enorme sorriso, mas não dava tempo de olhar aquilo ali e agora, o toquinho de WMYB já estava começando e eu não podia perder aquele gran finale por nada neste mundo, ouvi alguém gritar um pouco longe de mim "nem pense nisso, sua vadia", olhei para os lados com as sobrancelhas franzidas e obviamente não tinha nem como saber se aquilo era pra mim e quem era.
- Você ouviu isso? - falei perto do ouvido de Kathy enquanto a música quase chegava no primeiro refrão.
- Ouvi o quê? - ela gritou e eu achei melhor deixar pra lá, acenei negativamente com a cabeça e decidi concentrar mais no show. Após alguns segundos que eu já estava me recuperando meu fôlego, senti alguém puxando meu braço direito, mas a multidão era tanta e as luzes estavam apagadas que eu não enxergava nada. Tentei gritar Kathy, mas obviamente me confundiriam com mais uma fã histérica tentando chamar atenção dos meninos. Meu braço foi solto, mas eu já tinha dado bastante passadas para trás o suficiente para que minha amiga não me visse mais. Tentei pular, ouvi uma garota dizer "cala sua boca, vadia, os meninos já pegaram seu celular", e com isso senti o olhar de várias meninas que estavam ali perto se direcionando para mim. Falei que precisava encontrar com minha amiga, mas elas estavam mais interessadas em me deixar lá do que terminar de ouvir o hit dos meninos. Fiquei parada na tentativa de que eu poderia esperar, mas como o show já estava terminando e eles faziam seus agradecimentos eu levei um belo de puxão de cabelo.
Na mesma hora eu levei minha mão à cabeça e procurei quem tinha feito isso, só que nesse momento duas meninas me deram um esbarrão e eu cambaleei quase caindo. Não podia ser possível sério mesmo que elas iam me espancar aqui?
Eu achava que essas coisas não aconteciam por aqui. Enquanto eu pensava nisso senti um chute na canela, e meu pânico começou a aumentar. Eu estava entrando em desespero pra todo lugar que eu olhava eu as via me encarando como se estivessem se preparando para me atacar.
Fui empurrada para trás com tanta força que tive que me apoiar entre duas mulheres que pareciam mães. Elas olharam pra mim e sorriram como se estivessem perguntando se estava tudo bem, eu acenei com a cabeça e me afastei um pouco delas. Erro da minha parte, porque nesse momento eu senti como se estivesse sendo sufocada, um grupo de mais ou menos dez meninas se juntou ao meu redor e ficaram me prensando no meio delas. Sentia que a cada segundo eu perdia um pouco das minhas forças.
Um puxão no cabelo, um chute na perna, uma cotovelada na barriga, outro puxão de cabelo era mesmo necessário? Tentava sair do meio delas, mas cada vez ia sendo empurrada um pouco para trás parecia que os meninos já estavam a uns 8 metros de distância, mais ou menos. Assim que percebi isso meu desespero aumentou, como eu encontraria Kathy depois? Será que eu estaria muito machucada? O que eu falaria para os pais de Kathy? E para minha mãe, meu Deus? Eu volto para casa amanhã, e ela não pode perceber que eu estou machucada. Comecei a chorar, meu desespero aumentando gradualmente o ar faltando. Isso definitivamente não pode estar acontecendo, é sorte demais pra não dizer ao contrário.
Senti mais um chute na canela e mais uns cinco pisões nos pés. E mais uma vez fui empurrada para trás sendo que dessa vez acabei batendo com força na grade. Senti minhas forças sumindo e cai sentada. Não ligava se o chão estava cuspido ou com comida.
Eu precisava sentar pra me recompor.
Eu conseguia ouvir o riso delas, um riso de deboche.
Como se estivessem feito o trabalho bem e agora estavam observando o resultado.
Meu corpo inteiro doía e eu sentia uma vontade anormal de gritar, de xingar elas de todos os nomes possíveis, mas eu não tinha forças pra isso. Não apenas pela dor física, mas emocional também. Que tipo de monstros eram aquelas meninas? Eu apenas ouvia a voz de dizer o nome da cidade e agradecendo as fãs. Mesmo no meio daquele caos instaurado, eu dei uma pequena risada sarcástica. Aposto que se eles soubessem o que havia acontecido iriam ficar preocupados com a fã machucada e postar coisas no Twitter do tipo "Isso não é coisa que se faz", etc e tal. Mas eles não iam saber. Eles nunca saberiam. O que eu faria? Me levantar, pular e gritar que fãs enlouquecidas me lincharam? Era capaz de eu levar mais tapas. Naquele momento eu só queria que Kathy, um segurança ou uma pessoa qualquer com seu senso de sanidade em dia, que não se importasse apenas se fulano teve a sorte de ter seu celular pego pela sua boyband favorita e descontar literalmente sua raiva nela. Passei a mão pelo meu corpo, na tentativa de achar algum lugar que estivesse sangrando - não me surpreenderia - e quando cheguei em minhas canelas senti um dor muito forte que doía até na espinha. As luzes da casa de shows se acenderam e eu tentei aproximar meus joelhos contra o peito sem sentir mais dor a cada vez que encostava em cada parte das minhas pernas e abracei-as um pouco forte e abaixei minha cabeça. Na tentativa de me "proteger" de olhares estranhos, debochados, ou até mesmo, mais chutes. Fiquei repetindo para mim mesma baixinho que tudo ia ficar bem, Kathy apareceria daqui a pouco, ela me ajudaria a levantar. Iria me dar algumas broncas por não ter chamado ela quando a agressão começou. Seu pai nos buscaria e eu dormiria na sua casa, por exigência dela. Ela me daria uma aspirina, eu tomaria um banho tranquilo e dormiria normalmente e me lembraria daquela história dando risadas e que deveria ter descontado os golpes nas garotas. Mas não foi o que aconteceu. Eu não ouvia mas burburinhos e então levantei minha cabeça.

Capítulo 12

Eu levei uns bons 5 minutos piscando tentando descobrir se era mesmo real ou eu tinha desmaiado. O Paul estava ali na minha frente, sim, o segurança dos meninos estava praticamente plantado em minha frente.
- Você é a , certo? - Ele perguntou e eu assenti como pude.
- , , , e ficaram preocupados em não te ver ao lado da sua amiga assim que o show acabou e pediram para eu te procurar e ver se não tinha acontecido nada demais, já que eles sabem que algumas fãs não perdoam certas coisas e podem sair um pouco fora do controle. Então eu mesmo resolvi vir procurar a senhorita. Está tudo bem contigo, Patrícia? - Eu fiquei olhando pra ele de boca aberta, sem realmente acreditar. Oh, mas o meu sonho começava a ficar bom de novo. Então eu olhei para o lado e percebi a reação abismada das pessoas que ainda restavam ali, não só na pista Premium, mas na comum também. Tomem essa, queridas! Ele pigarreou e perguntou mais uma vez.
- Está tudo bem com você, ? - Percebi que deveria dar uma resposta, só não sabia se minha voz sairia por causa da crise de choro que tive minutos antes.
- S-s-s-sim... Eu es-sto-ou be-e-em - Respondi gaguejando. Droga, não queria soar tão derrotada.
- O que realmente aconteceu com a senhorita? Por que está sentada neste chão imundo chorando? – Oh, por que ele tinha que perguntar o que tinha acontecido? Eu não tive tempo de arrumar uma desculpa, olhei para baixo e percebi que já existiam algumas marcas em meus braços e depois virariam roxos e também percebi que minha canela direita estava um pouco inchada. Droga, vadias arrombadas, espero que queimem no inferno!
- Nada demais, apenas algumas garotas se desentenderam comigo e eu não pude me defender - Eu disse um pouco baixo olhando para os lados, explicitamente com medo.
- Eu sabia que os boatos eram reais, algumas fãs simplesmente perdem a noção do real. Acham que podem fazer certas coisas com outras fãs que os meninos não iram descobrir. Estão enganadas. Precisa de ajuda para se levantar, Patrícia? - Eu o olhei um pouco acanhada tentando descobrir se eu ainda tinha forças o suficiente para isso, mas percebi que não conseguiria me mover. Minha coluna queimava, eu sentia meu corpo pinicando e minha perna latejava fora a dor de cabeça infernal que começava a sentir. Sem mais nem menos ele se abaixou e simplesmente me pegou no colo. Fácil assim.
Eu não sabia como agir, o que pensar. Será que eu iria desmaiar? Não podia, eu tinha que me manter forte para pelo menos me manter acordada.
Eu sentia que ele estava andando, mas não prestava atenção para onde era. Minha visão estava turva e percebi que ele entrara num corredor bem largo e pude ouvir algumas vozes, gritos e risadas engraçadas. Não acredito que estava passando perto do camarim dos meninos.
- Os... Meninos... - falei com a última gota de força que tinha em mim num som quase inaudível. Ele apenas permaneceu em silêncio e continuou seu trajeto, então senti uma superfície macia embaixo de mim e percebi que estava na enfermaria e ai ouvi a voz de Paul, acho que ele falava comigo e dizia algo como 'desculpe, senhorita Patrícia, tenho ordens restritas para não levar ninguém ao camarim dos meninos. Desejo melhoras e contarei aos garotos que encontrei a senhorita e que a deixei em segurança para que nada de ruim aconteça.' E então tudo o que vi foi uma escuridão, que me tomava cada vez mais.
- Patrícia. - senti uma leve cutucada no braço. Abri meus olhos lentamente e enxergava um teto cor azul piscina, com um ventilador ligado e sua lâmpada branca embutida. Movi meu rosto um pouco para direita e lá estava Kathy sentada num banquinho e veio correndo em minha direção após perceber que eu tinha acordado. Por alguns milésimos, agradeci mentalmente por finalmente ver alguém conhecido depois daquele caos.
- Meus Deus, o que houve com você? - ela disse com sua voz estava trêmula, e se abaixou para me abraçar. Ela parecia uma mãe que tinha acabado de encontrar o filho no hospital.
- Kathy... Meu corpo ainda dói - não ia dispensar um abraço dela, mas ainda era um pouco doloroso mover algum músculo, ainda mais ser apertado.
- Oh, me desculpa. - ela se afastou com algumas lágrimas nos olhos.
- Tudo bem. - procurei sua mão e segurei firme - Ei! Ei! Não precisa chorar, eu estou bem!
- Eu sei é que - ela fungava e limpava os olhos com a outra mão - eu estava tão vidrada no show dos meninos que nem percebi que você estava sendo levada. - ela fungou novamente e eu fiz o esforço de me colocar sentada enquanto ela falava.
- Shhh! Não diga mais nada. Nada do que você fizesse ia afastar a fúrias daquelas vadias. Era capaz de você sofrer com isso também, eu não queria nem imaginar isso.
- Ah, se eu descubro quem foram as filhas da - ela ergueu o olhar como se estivesse tentando canalizar a raiva dentro de si.
- Não adianta. Mesmo se quisesse, hoje tinha o quê? Dez mil pessoas? Vamos embora, eu quero esquecer este fato.
- Nós vamos à delegacia. Patrícia, isso é crime!
- Que crime. Você está exagerando as coisas, no Brasil isso sempre acontece em shows. - fui movimentando minhas pernas para fora da maca.
- Acontece que você não está no Brasil!
- Acontece que quem decide as coisas aqui sou eu! - fui um pouco grossa, mas depois abaixei o tom. - Por favor, Kathy, vamos embora, eu só quero esquecer tudo isso! Amanhã é a minha volta pro Brasil, nem fiz minhas malas, tenho muita coisa a pensar.
- Tudo bem, teimosa - ela sorriu com os lábios colados. E se pôs do meu lado, para que eu colocasse meu braço no seu ombro, me ajudando a andar.
Fomos andando devagar até a saída/entrada e nem parecia que tinha acontecido um show ali.
- Meu Deus, Kathy, por quanto tempo eu fiquei desmaiada? - Perguntei pasma com a visão que eu tinha.
Ela riu e respondeu - Meia hora mais ou menos. E eu já liguei pro meu pai e ele tá vindo nos buscar, não vamos voltar de ônibus com você nesse estado. - Eu sabia que ela estava preocupada e a culpa era minha, mas não precisava disso tudo eu poderia muito bem voltar de ônibus.
- Kathy, não precisava incomodar seu pai, eu tô bem, sério. Tirando o meu pé enfaixado, claro. Poderíamos ir de ônibus sem problema nenhum. - Tentei me defender em vão, pois sabia que de agora até a hora de entrar no avião ela não tiraria os olhos de mim. Eu iria sentir saudades dela.
Ela me olhou com aqueles olhos inocentes e riu não aguentei e comecei a rir também. Senti umas pontadas na costela mais deixei pra lá, o importante era aproveitar aquele momento ali com Kathy depois eu pensaria no que aconteceu.
Não demorou muito para que o pai dela chegasse, estávamos encostadas numa mureta perto dali.
- O que aconteceu com você? - a cara de espanto dele era tanta que parecia que tinha perdido meu pé. Agora eu sei de quem Kathy puxou isso.
- Um dos meninos da banda pegou o celular dela e um grupo de fãs furiosas a arrastou para trás e bateu nela - antes que eu pudesse responder Kathy resumiu a história. – Ai, como eu fui burra, devia ter ficado de olho em você!
- Kathy já falei que não adianta ficar se martirizando, já passou! - ela bufava enquanto eu dizia.
- É verdade, filha, você não tem culpa e não tinha nada que podia fazer.
- Viu? Até seu pai concorda comigo!
- Aposto que se eu estivesse lá, aquelas put.. - olhou para o pai que a reprimiu com o olhar - aquelas garotas, eu ia socar cada uma.
- Bem, o tempo não volta, vamos entrando no carro. - Os dois me ajudaram a caminhar até o carro, coisa que eu podia fazer sozinha, não precisava daquilo tudo. Pode ser que eu seja um pouco orgulhosa, confesso. E também não ia desprezar aquela ajuda e carinho ali. Entrei primeiro no banco de trás sem muita dificuldade e Kathy em seguida. O cansaço tomava conta de mim e eu não resisti em encostar minha cabeça no ombro dela. - Você volta amanhã para o Brasil, não é? - o pai dela perguntou depois de um tempo, quebrando o silêncio e sem tirar os olhos do trânsito. - É - suspirei fundo e agarrei a mão dei um aperto forte.

Pov Kathy

Chegamos em casa e eu estava exausta, a tava dormindo no meu colo e eu pedi meu pai que não acordasse ela. Então eu ajudei ele a levar ela pra cama, não tinha como ela ir pro hotel hoje, sem condições, total que eu iria a deixar dormir sozinha. Quando minha mãe nos viu, ela entrou em desespero perguntando o que tinha acontecido eu tentei explicar de um jeito que não a deixasse mais desesperada.
- Não foi o que você tá pensando mãe, calma! Aconteceu que os meninos pegaram o celular da no show e se filmaram e depois disso algumas meninas não gostaram disso e meio que fizeram uma rodinha em volta dela. - eu disse da forma mais calma possível tentando não chorar de raiva por eu não ter ouvido ela me gritando.
- Como assim fizeram uma rodinha em volta dela, Katherine? - ela disse num tom desconfiado.
- Elas puxaram o cabelo dela, empurraram ela e bateram nela, mãe. Tudo porque os meninos pegaram o celular dela no palco. - eu não ia mais conseguir segurar o choro por muito tempo.
- E você não a ajudou, katherine? Não tinha segurança nesse lugar? Não é cheio de pais e mães esse lugar? Como eles deixam uma coisa dessas acontecer? Meu Deus, isso é inadmissível. - Ela se exaltou ainda mais chegando ao ponto do desespero, eu percebi que a se transformou numa segunda filha dela e nesse momento eu já não conseguia mais segurar o choro.
- Eu... Eu... Eu não ouvi ela me chamando, mãe... Eu não consegui ajudar ela... É tudo minha culpa... Ela tá assim, é minha culpa, mãe... - Eu soluçava a essa hora, não conseguia acreditar que não pude ajudar ela. É tudo minha culpa, ela nunca mais vai querer ser minha amiga. Meu choro aumentou e eu pude sentir minha mãe me abraçando e falando:
- Sshhh, Kathy, meu amor... Não precisa ficar assim, minha querida... Não precisa se sentir desse jeito... Shh, minha criança. - Eu percebi que ela estava chorando também e me enfiei mais em seu abraço. Ficamos assim por uns minutos até nos acalmarmos e ela me mandou ir tomar banho e ir pro quarto. Depois disso eu só lembro de me deitar do lado da e apagar pensando no .

Kathy pov off

Continua...

N/a 1: Oi leitorees, eu vou escrever rapidão por que eu tenho que ir para o meu cursinho (ninguém me perguntou, mas como meu lema é ozadia e alegria -q) só quero dizer que graças a Deus e as meninos o ffobss está de volta,colocaremos as atualizações em dia, obrigada por estarem até aqui conosco continuem lendo e deixem comentários pleeease! Qualquer coisa me chama no @fani_lirio Xxx

N/a 2: Oi gente, eu quero agradecer a quem continua nos acompanhando depois de todo esse tempo. Muito obrigado viu? Isso vale muito!
Espero que gostem dessa atualização, é pequenininha mais é de coração viu? Estamos trabalhando num final e esperamos que vocês adorem. Continuem comentando sobre oque vocês acham, e espero que vocês gostem de os meninos estarem fixos agora. Muito obrigada por tudo, amo vocês <3
Qualquer coisa grita no meu twitter ou facebook @paahbias e /Patricia.bias.16 xoxo beyonce hahahaha

Nota da beta: Encontrou algum erro nessa fic? Mande-me um e-mail ou um tweet avisando. Não use a caixinha de comentários para isso, por favor. xx

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