
Betada por: Bih hedegaard (a partir do capítulo 25)
Um
- Anda, ! Você é pior que mulher para se arrumar! - Eu gritava ao pé da escada enquanto esperava meu amigo noiva para se arrumar, já disse que ele é lerdo? Já faziam vinte minutos desde que eu chegara e gritara do banheiro que estava tomando banho. E fazia quinze minutos desde que ele saiu do banheiro e disse que estava penteando o cabelo. E já faziam doze minutos desde que ele disse que ia calçar os tênis. Af. Bom, deixe eu me apresentar, mal educada eu, não é?! Bom, me deixa contar minha história. Meu nome é França. Tenho dezesseis anos recém completos e moro com meus pais. Bom, o que vou falar de mim? Tenho um grupo de amigos na escola que é formado por mim, , e mais cinco meninos. Esses meninos são , , , e . E, a propósito, eu sou apaixonada pelo último. E, só pra deixar em pauta, desde que me conheço por gente, ele é meu melhor amigo, e a gente tem uma relação de irmão e irmã sabe? (com certa tara pelo lado da irmã, mas isso não vem ao caso). A gente se conhece desde os dez anos de idade, a não ser e eu, que nos conhecemos há mais tempo, o resto eu conheci com treze anos. Como vocês já perceberam, nós gostamos muito de andar com homens. Tipo, isso faz mais o nosso estilo. Eles são menos fúteis e com bem menos frescuras e não ficam te enchendo por você não usar blush ou salto alto, na realidade, eu queria ser homem, sabe? Bom, mas isso eu acho que, novamente, não vem ao caso. Quase caí para trás quando olhei para a escada e vi o ser que descia dali, fazendo uma cara super sexy, tipo ator de filme pornô, sabe? Bom, é essa a cara que ele está fazendo nesse momento. E eu juro que estou sentindo meu coração batendo bem... Na orelha.
- Totalmente gay! - Disse rindo da sua cara de decepção. - E sexy! – Acrescentei, dando uma mordidinha nos lábios, antes de pegar minha bolsa e ir em direção a porta. Iríamos para uma pizzaria para eu poder conhecer a tal namorada que o arrumou enquanto eu viajei duas semanas. Quando eu digo, eles reclamam. É só eu dar as costas que essas crianças começam a aprontar. Primeiro o e a começam a se pegar (o que já era tempo, realmente, mas precisava esperar eu viajar?) e logo depois o me vem com uma de que está namorando? Ah, fala sério. Mas como eu sei que isso não vai durar mesmo. Ele nunca passa de vinte dias com a mesma garota. Então, ponto para mim! Já que ele diz que a única mulher da vida dele, sem ser a mãe é claro, sou eu! Aplausos para mim. Mas pena que ele não enxerga que já está na hora de parar de me enxergar como uma irmã e começar a me ver como mulher. Já passou da hora, não é? Bom, mas isso não vem ao caso agora, já que ele está namorando. E, a propósito, eu nem perguntei como essa dita cuja é. Nem fiz muita questão. Mas como já estava chegando na hora de conhecê-la, eu precisaria, pelo menos, saber o nome da coisinha, certo? - Como ela é? - Perguntei quando estávamos parados em um sinal. hesitou. Só não podia ser um tribufu por que se não eu me matava. Fala sério! Dar mole para um tribufu e não dar mole para mim?
- Bom, ela é mais ou menos da sua altura, tem o cabelo da cor dos seus e os olhos castanhos claros. O cabelo dela e enorme sabe? E todo de uma cor só. A única diferença do seu porque, se ela tivesse essas suas mexas roxas, de costas vocês se pareceriam muito. Eu cheguei até a comentar isso com ela e ela ficou super curiosa para te conhecer.
- Nossa, , muito parecida comigo, hein?! Me procurando em um outro alguém é? - Perguntei sorrindo de canto e arqueando a sobrancelha. O menino ao meu lado apenas riu, seguindo em frente com o carro. - Como que começou isso? Digo, o namoro e vocês? - Perguntei, pela primeira vez sentindo a curiosidade aguçada em relação a esse relacionamento.
- Tipo, eu fui te levar ao aeroporto e depois de lá eu resolvi ir tomar um milkshake. Então eu conheci essa menina e comecei a conversar com ela, aí conversa vai, conversa vem. Você sabe como eu sô bom de papo, não é? - Ele sorriu convencido e eu apenas dei um tapa em seu braço. – Bom, aí a gente acabou ficando . Ela disse que era nova na cidade e que não conhecia nada aqui, já que tinha acabado de chegar, ela veio morar com o pai. Meio que a contragosto porque, pelo que eu entendi, ela não se dá muito bem com a irmã, que, pelo o que ela disse, é uma peste. Aí eu me ofereci para mostrar a cidade para ela. A gente saiu mais algumas vezes e começamos a namorar. Ela é demais. Eu tenho certeza que você vai gostar dela.
- Bom, se ela realmente é desse jeito que você está falando, eu devo gostar sim. Se você gosta... Eu também. - Sorri sincera. - Tudo o que fazia bem para , me fazia bem, isso não significava que me fazia feliz, mas... Não se pode ter tudo, não é?
- Que bom! Você sabe que é importante para mim que você goste dela! - Ele disse parando o carro e eu saltei de dentro do mesmo. – E, a propósito, eu já expliquei para ela nossa relação de irmandade. - Ele disse e eu sorri. Pegando as chaves do carro e colocando na bolsa logo em seguida, abraçando-o pela cintura. Mas que merda, não ia dar nem para rolar uma provocação? - Sabe, eu acho que estou apaixonado! - Ele disse e eu senti meu coração parar de bater por um breve instante. Apaixonado? Ele nunca tinha dito essas palavras antes! Sorri andando com ele em direção a porta de entrada e me preparando para conhecer a tão famosa namorada do e sentindo, pela primeira vez, incômodo por aquele namoro. Um incômodo que parecia que iria crescer, até demais. Entramos na pizzaria e logo avistamos uma mesa onde alguns débeis mentais faziam palhaçadas. Vi um corpo com cabelos castanhos claros, longos, caídos sobre as costas. Realmente, de costas se parecia comigo, a não ser pelas mechas roxas.
- , você esqueceu o mais importante! - Eu disse quando chegávamos perto, a menina parecia que iria se levantar.
- O que? - Ele me olhou com aquela típica cara de retardado mirim, a qual eu amo.
- O nome dela! Dã! - Eu disse, olhando para a menina que agora tinha se levantado e permanecia de costas, olhei para e sua cara não era das boas. Ela não deve ter gostado da menina, pensei. Se não gostou, eu também não iria gostar. Ai meu Deus. Eu acho que futuramente teríamos problemas no ar.
- Ah, é! - Ele disse batendo na testa. - . - Ele disse. - . - Ele disse e assim que terminou a frase a menina se virou de frente para nós. Naquele momento eu tive certeza de três coisas. Primeira: Eu não gostaria dela. Segunda: Os problemas já estavam no ar. Terceira: E mais importante, eu ODIARIA aquele namoro.
Dois
- Esse lugar já foi mais bem freqüentado! - Ela disse, me mirando de cima a baixo e eu tive uma enorme vontade de pular no pescoço daquela vagaranha e acabar com a vida dela ali mesmo.
- Faço das suas as minhas palavras, queridinha! O que você está fazendo aqui? – Perguntei, sentindo meu rosto queimar. Ela era a namorada do meu ! MEU! Ah não! Eu vou ter um ADP! Parou , porque ADP é coisa de fresca!
- Eu acho que o que eu faço ou deixo de fazer aqui não é da sua conta! Que foi?! Está me seguindo agora? - Ah não! (imagina que dentro da sua mente tem uma mini você, gritando e se debatendo e gritando exatamente assim: Ah não! Me segura ou eu vou acabar com a vida dela! Ah, se vou! Quem ela pensa que é para me dar um fora?! Eu tentei ser civilizada, mas já que era para voltar no tempo das cavernas, vamos voltar! E que, de preferência, eu sai puxando-a pelos cabelos e depois arranque-os um por um! Com as unhas dos dedos dos pés! Ai! Que ódio!).
- TE SEGUINDO? - Elevei o tom de voz. – Se enxerga garota! Quem você acha que é?! EXISTEM COISAS MELHORES PARA FAZER DO QUE OLHAR PARA SUA CARA DE ESTRUME! Poupe-me! Se enxerga, ! – Falei, colocando a mão na cintura e mirando-a de cima abaixo com cara de nojo! Até meus neurônios estavam quicando de raiva.
- Se enxerga você garota! Está pensando que é quem? - Ela falou, chegando mais perto e apontando o dedo na minha cara! Sinceramente, pensei em fazer a tática , mas acho que isso não seria muito bom. Falando em , já entendi por que ela estava com aquela cara. E, ah, vocês querem saber a tática ? Bom, amanhã, nesse mesmo canal e nesse mesmo horário! Zoa! A tática é o seguinte: você olha fundo nos olhos da pessoa, respira, conta de um até dez, respira de novo e voa no pescoço dela! Isso é maneiro e funciona!
- Para começar, tira o caralho do dedo da minha cara! - Falei entre dentes e segurando seu dedo. O caralho saiu. Isso não é bom sinal. Já comentei que sentia fumaça saindo de minhas orelhas?
- , calma! - Ouvi a voz de e só então me toquei que ele tinha se levantado, assim como . estava parado estático ao meu lado e e Vinicius continuavam com cara de débeis mentais. Só que, desta vez, concentrados. Foi então que me toquei que tínhamos gritado e que toda pizzaria prestava atenção em nós
- Tira a mão de mim garota, se não eu te quebro! - Ela disse e seu rosto parecia vermelho, e eu tinha certeza que queimava igual ao meu. O nome disso era ódio.
- Você o que? - Não agüentei e soltei uma gargalhada alta e estridente. - Quero ver quem vai ser a mulher que vai ma bater, queridinha! Tenta, é bom que você vai me dar mais um motivo para quebrar essa cara de cachorro mal tratado que você tem! - Falei chegando ainda mais perto. - E sem um pingo de pena! – Sibilei, bufando logo em seguida.
- Hey, hey, hey! - Vi entrar entre nós duas, tentando amenizar a situação. - Eu acho que vocês duas já se conhecem! - Ele disse sorrindo, meio nervoso.
- INFELIZMENTE! - Respondemos juntas.
- Que foi garota?! Além de ficar me seguindo vai ficar repetindo que eu falo, é? - Ela disse, colocando a mão na cintura e batendo os pés no chão, exatamente como eu tinha feito há alguns minutos atrás.
- , calma. , calma. - disse, tentando amenizar a situação e me segurando pelos ombros, fazendo aquela cara de gato de botas do Shrek, o que geralmente me faria desistir dessa briga na hora, mas, dessa vez, não fez.
- Espere aí, você a conhece? - disse. Meu Deus! Ela é cega ou burra? Será que não viu que chegamos juntos? Meu Deus!
- ... - se virou para ela, segurando seus ombros agora. - Essa é a ...
- Eu sei que ela é , ! - Ela disse arrogante, o que me fez ter vontade de arrebentar a cara dela por falar assim com o meu , só quem falava assim com ele era eu!
- A minha melhor amiga! - Ele disse e eu fiz uma cara tipo, tentem imaginar a Beyoncé em Irreplaceble, quando ela encosta-se ao carro levanta a sobrancelha e faz cara de deboche. Bom, foi exatamente essa cara que eu fiz, mas sem encostar-me ao carro. E, pela cara da de duas a uma, ou ela odiou a minha cara de deboche, ou tinha dito o quão próximos éramos. E isso a deixou com ciúmes! Otária! – ... - Ele se virou para mim agora. - Essa é .
- Eu já percebi que ela é a e que é a SUA NAMORADINHA, ! – Falei, fazendo gestos exagerados.
- Namoradinha? Olha o jeito que você fala de mim, garota! - Ela se aproximou novamente, colando o seu corpo as costas de . - Eu sou a NAMORADA dele. E você é só a amiguinha. - Ela disse e, hm, cara, pegou na ferida. - Algum problema nisso? - Ela fez a mesma cara que eu fiz há segundos atrás e eu sei que agora ela deveria ter sentindo raiva pelos dois motivos.
- TODOS! COM TANTA MULHER NO MUNDO ELE TINHA QUE ESCOLHER LOGO VOCÊ? – Gritei, chegando mais perto também e colando meu corpo ao de , mesmo com o calor da discussão não pude deixar de sentir um arrepio devido a sua respiração que bateu em mim.
- GRANDE ESCOLHA, QUERIDINHA! - Ela gritou de volta.
- GRANDE MERDA, ISSO SIM! – Rebati.
- MERDA É A MÃE! - Ela respondeu de volta.
- NÃO METE A MINHA MÃE NO MEIO NÃO, GAROTA – E, dessa vez, não me controlei, pulei por cima de (alta eu né?) no pescoço dela, agarrando alguns fios de cabelos, mas fui logo separada, já que ela ficou sem reação e o estúpido do me segurou pela cintura, me puxando para trás. - Você não bota a mãe no caralho da discussão, não! – Falei, já perdendo toda classe que eu tinha, isso é, se algum dia eu tive alguma.
-VOCÊ É LOUCA? TEM MERDA NA CABEÇA, É? - Ela gritou, se recompondo do susto e querendo partir para cima de mim, mas sendo segurada por .
- CALMA GENTE! - gritou e um silêncio reinou no lugar, ele respirou fundo e se eu não estivesse tão afobada pela discussão morreria de rir por ver dando uma de chefe. - Bom, eu já tenho certeza que vocês se conhecem!
- Mas é claro que a gente se conhece, seria impossível se a gente não se conhecesse! - Ela disse naquele tom irônico para de novo. Ah! Eu vou arrasar com ela.
- Por que impossível? - Ele disse, fazendo aquela típica cara de ameba verde dele quando não entendia as coisas. Respirei fundo, tentando conter a raiva, olhei para e logo em seguida para . Por mera coincidência, ou não, dissemos juntas as duas palavras que esclareceriam toda aquela confusão.
- Somos irmãs!
Três
- MEIA irmã! - Repetimos a frase juntas e olhamos uma para a outra, bufando alto.
- Como assim sua irmã? - A voz de apareceu atrás de mim e só então me toquei da presença dos demais, me olhando com cara de cú.
- Meia irmã! - Falei ainda de mau humor. Ódio, ódio, ódio.
- , você nunca disse que tinha uma irmã! - me olhou indignado.
- Você nunca perguntou! - Respondi indignada. Que foi? Ele vai me acusar agora por nem lembrar que existia uma irmã minha por aí?
- E precisava? – disse, se levantando.
- Claro. - Eu disse, fazendo cara de óbvio. - E do que importa? Eu nem lembrava que tinha irmã, ela não mora aqui mesmo! – Disse, me lembrando desse fato e também me lembrando da conversa no carro com .
- Morava, queridinha. - Ela disse o queridinha fazendo cara de deboche. Meu Deus.
- Me chama de queridinha mais uma vez que eu quebro seus dentes! – Disse, ameaçando-a.
- Alguém me explica? - falou, levantando o dedo indicador no alto, com sua típica cara de idiota.
- Ela é minha meia irmã , não tem mais nada para explicar! Não moramos juntas, ela é filha de um relacionamento que o meu pai teve um mês antes de conhecer minha mãe. Simples! - Eu disse, já impaciente e, tipo assim, do nada um surto de raciocínio me atingiu. - Espera aí, você disse que morava, o disse que você era nova aqui... Então se você morava, quer dizer que não mora mais e se você não mora mais, quer dizer que...
- Eu estou morando na sua casa, queridinha!
- Espera aí, você falou para ele que eu era uma peste? – Disse, mas logo em seguida outro surto de raciocínio me atingiu. - VOCÊ ESTÁ MORANDO AONDE? AH! EU NÃO ACREDITO... – Falei, virando de costas para todo mundo e indo em direção a porta de saída! - ISSO É SÓ UM PESADELO! , VOCÊ DEVE ESTAR DORMINDO! – Gritei, tentando me convencer disso! Precisava ser real.
- , aonde você vai? - Ouvi gritar assim que alcancei a porta.
- Eu não acredito, eu não acredito! - Eu repetia para mim mesma, tentando fazer com que aquilo fosse um sonho, apenas um sonho, e que no instante seguinte eu acordasse.
- Hey! Minhas chaves! - Ouvi a voz de , mas eu não prestava atenção.
- Não acredito, não acredito...
- PAI! - Entrei em casa gritando. - Ô PAIÊ! - Subi as escadas e antes de correr para o quarto dos meus pais fui direto para o quarto de hóspedes e vi minhas esperanças caírem por terra quando vi que ele estava ocupado. - PAIÊ! - Entrei no quarto sem bater e pude ver os rostos serenos de meu pai e minha mãe sentados na cama, assistindo televisão. Eu odeio quando eles fazem isso.
- Vejo que você já deve ter se encontrado com a , não é? - Meu pai disse com um sorriso no rosto. Já disse que meu pai é hiper gato? Pois bem, ele é. E faz qualquer garota de dezessete anos suspirar por ele. Mas não suspirem, porque ele é da minha mãe!
- Como assim a Carolina está morando aqui? Ninguém me disse nada! Eu viajo duas semanas e quando eu volto ela está morando aqui? Como assim? - Eu não consegui conter minha raiva e ela estava sendo expressa na minha voz.
- A Hillary resolveu mandar a para morar uns tempos aqui. E nós aceitamos numa boa... - Meu pai disse logo em seguida, voltando sua atenção para a televisão.
- Mas pai, mãe, a senhora vai deixar essa garota morar aqui, assim? – Falei, cruzando os braços. Minha mãe bem que podia ser uma madrasta hiper chata, não é?
- , essa garota tem nome e ela é sua irmã. - Minha mãe disse calma, ainda olhando para a televisão.
- MEIA irmã.
- Então vai se acostumando, porque a sua MEIA irmã... - Ela disse, frisando a palavra meia. - Vai morar aqui, você queira ou não. - Minha mãe disse me olhando séria. Saí do quarto a passadas duras e bati a porta do meu quarto assim que passei por ela. Joguei-me na cama, bufando de raiva. Eu poderia estar parecendo uma menininha mimada, mas que se foda. Minha convivência com Carolina nunca fora fácil e agora mesmo que não seria, afinal, eu teria que dividir com ela.
Acordei com o som da porra do despertador no meu ouvido. Primeiro dia de aula. Mas que merda, e, para completar, com a na mesma escola que eu, eu devo ter jogado catarro na cruz, só pode. Virei para o lado, ficando de frente pra parede e afundando meu rosto no travesseiro. Tudo o que eu queria era que aquilo não tivesse passado de um pesadelo.
- Será que a senhorita poderia devolver as chaves do meu carro? - Ouvi a voz de falar e sentei de um pulo na cama, sentindo meu coração batendo descompassado devido ao susto.
- Putaquepariu! - Falei as palavras todas juntas, levando a mão de encontro ao peito, querendo que com esse gesto meu coração se acalmasse um pouco.
- Bom dia! - Ele disse rindo e se levantando do pufe onde estava sentado, e se sentando na minha cama. Aquele sorriso que fez com que meu coração, ao invés de se acalmar, acelerasse ainda mais.
- Desculpa por ontem. - Eu disse meio sem graça. – A gente não se dá bem. - Eu disse, me referindo à e ele fez um aceno com a cabeça, dizendo que estava tudo bem.
- Você não tem do que se desculpar, a não ser que meu carro tenha algum arranhão. - Ele disse.
- Na realidade ele tem... - Eu disse séria e a expressão em seu rosto se alterou, passando de brincalhona para alarmada. Não custava nada eu zoar um pouco, não é? Não mata ninguém. - Mais de um arranhão, já que eu atropelei uma lixeira com ele! - Eu disse e os olhos de fizeram como nos desenhos animados em que estão prestes a saltar do rosto. - Brincadeirinha! - Disse rindo de sua cara.
- Mais uma dessas, você me mata! - Ele disse. - E a senhorita não vai se arrumar para a escola, não? – Perguntou, se deitando na cama e me olhando. Coisa típica de vir me acordar e ficar esperando eu me arrumar para irmos juntos para a escola. Coisas de e , a diferença é que agora teria a no meio.
- Vou não. - Eu disse deitando e jogando o travesseiro na cara. - Estou cansada. - Disse com a voz abafada.
- , você acabou de voltar de uma viagem, que, segundo seus pais, foi para você poder descansar antes de começar as aulas, e você me diz que está cansada? - Ele fez uma cara engraçada e eu soltei uma risada nasalada. – Anda, levanta! - Ele falou e começou a me fazer cócegas.
- Pára , já estou indo! Calma aí! - Disse me sentando. - Pronto, estou indo. - Me levantei e fui em direção ao banheiro do meu quarto, mas parando na porta e me virando para encarar , apesar dos meus trajes que eram uma boxer dele e uma mini blusa, não me encarava com malícia. E eu me sentia feliz por aquilo. Mesmo que às vezes ele me secasse um pouco, segundo o que dizia. - Eu acho que suas visitas matinais vão ter que acabar! - Eu disse séria e ele me olhou assustado.
- Que foi? Não quer mais minha carona? Ou não quer mais ser acordada por mim? - Ele estava sério.
- Nenhum dos dois. A sua namorada vai acabar ficando com ciúmes e eu não quero arranjar problemas. - Disse olhando para o chão.
- Psiu, olha para mim - Ele disse e eu o encarei. - Você é minha melhor amiga e nada vai mudar isso. - Ele disse e eu sorri, logo em seguida entrando no banheiro.
Saí do banheiro vinte minutos mais tarde e dei de cara com um adormecido na minha cama. Sorri da situação e tive um pouco de medo de que aquilo pudesse acabar, afinal, agora ele era meu cunhado, ou melhor, meio cunhado.
- , acorda – Disse, indo em direção à cama, enxugando os cabelos. Mas o menino não se moveu. – Estrupício, acorda! - Falei mais alto, jogando a toalha molhada em cima de seu rosto.
- Isso é golpe baixo! - Ele reclamou, tirando a toalha do rosto e me olhando com cara de mal logo em seguida.
- Anda, levanta daí se não vamos nos atrasar! – Falei, fazendo cócegas no mesmo, vendo-o se encolher e se sentar imediatamente. Isso sempre funcionava, em ambos. – Vamos! – Falei, pegando minha mochila e logo em seguida abrindo a porta do meu quarto e dando de cara com uma com a testa franzida e com cara de poucos amigos. - Vai se acostumando, honey, porque é assim todo o dia! – Falei, me referindo à cara que ela fez ao ver sair do meu quarto; eu desci as escadas logo em seguida, me afastando dos dois, mas não antes de ouvir um.
- Bom dia amor. Carona? - Vindo de e mecanicamente me virei a tempo de ver um beijo entre os dois e um balde de água fria na minha cabeça.
– , dá para andar logo porque eu não quero me atrasar para a porra do colégio! - Disse no tom mais arrogante que consegui formar, já que naquele momento todos os meus sentidos haviam fugido, não que eu nunca tivesse visto beijando outra menina, mas o caso ali era diferente. Aquele era minha irmã. Meia, na verdade, mas eu acho que vocês já entenderam isso.
- EU VOU NA FRENTE! - Ouvi a voz irritante da minha irmã dizer e percebi que não conseguiria ficar mais um segundo perto dos dois.
- Eu vou caminhando! - Falei assim que cruzamos a porta de saída e não esperei que se pronunciasse. Desci as escadas que levavam até a rua e comecei a andar depressa, consultando o relógio em seguida. O colégio ficava a oito quarteirões e a casa de a dois. Se adiantasse o passo ainda conseguiria uma carona.
- Entra no carro, ! - Ouvi a voz de assim que virei a primeira esquina. E não olhei para dentro do carro.
- Não. Estou com vontade de ir a pé. - Respondi indiferente, olhando as unhas.
- Anda, . - Ele falou meio dengoso. Isso geralmente funcionaria. Mas naquela hora não. Eu não iria entrar no mesmo carro que ela, e ainda por cima no meu lugar. MEU! Um lugar que me pertencia desde que ganhara o carro.
- Ah... Dã! – Falei, fazendo um gestinho com a mão, típico Mike Kayle, e erguendo a sobrancelha. Esperava realmente que entendesse e saísse dali, pois ouvir a minha irmã resmungando Botton, com voz de gato escaldado, estava me dando nos nervos. Se a Nicolle ouvisse isso, com certeza a escalpelaria.
- Anda , deixa de ser chata. - Ele repetiu. Está bem, isso realmente estava me irritando.
- Caralho, ! Já falei que não, ok? NÃO! Entendeu? - Pronto, tive que apelar para o caralho. Quem me conhece sabe que só uso o caralho quando estou: nervosa, ansiosa, estressada ou com raiva. Ao ouvir minha voz, bufou e acelerou o carro, graças a Deus! Meus tímpanos estavam livres daquela poluição sonora.
- ? - perguntou assim que atendeu a porta da casa de , me olhando com uma sobrancelha erguida.
- Não, o ursinho da Páscoa! - Respondi entrando na casa.
- Mas a páscoa não tem ursinho, é coelhinho! - Ele disse, fazendo cara de idiota.
- Por isso mesmo. - Respondi olhando ao redor. - Cadê o ? – Perguntei, me jogando no sofá.
- Terminando de se arrumar. O que aconteceu? - Ele perguntou. - O não te busca todo dia?
- Sim, mas minha MEIA irmã estava junto e eu não quis ir. – Respondi, dando um sorriso torto e gritando logo em seguida. – , anda!
- Já estou indo, . ? - Ouvi sua voz lá de cima e pude imaginar sua cara.
- Não! O urso panda! - Respondi e pude ouvir o som de sua risada. Dez minutos se passaram enquanto e eu jogávamos conversa fora e fazíamos entre outras coisas que depois eu explico e nada de aparecer. Levantei-me indo em direção a escada e gritei mais uma vez. – Caralho, ! Está demorando demais! Mas que caralho. Vamos nos atrasar! - Disse e voltei em direção ao sofá, onde ria e pude ouvir os passos de na escada.
- Vamos! - Ele disse com o olho arregalado, simulando medo, e eu pude ouvir quando ele sussurrou para . - Ela usou o caralho duas vezes, então é melhor fazer o que ela manda, se não ela pode nos matar e jogar nossos corpos para as piranhas! - Ele terminou e me olhou de rabo de olho, e a única coisa que fiz foi mostrar-lhe o dedo do meio enquanto passava sua frente.
Assim que chegamos ao portão da escola o sinal tocou, fazendo com que o amontoado de hormônios ambulantes fossem como rinocerontes no cio para suas determinadas salas. Devido ao atraso, não tive tempo de conversar com . Entrei na sala de aula correndo, mas pude perceber o olhar torto do Sr. Thompson para mim. Puta merda, mais um ano com aula desse velho fedido. Olhei para que tinha aquela cara de interrogação e sorri para ela, tentando mostrar que em pouco tempo conversaríamos. Sentei-me na penúltima cadeira do canto do lado esquerdo, um dos meus lugares prediletos e comecei a dar mais atenção as minhas unhas enquanto ouvia a bomba de fedor, vulgo meu professor, explicar pela milésima vez como funcionava seu sistema de avaliação. Bufei alto, e olhei pela janela, me distraindo, mas essa distração logo foi embora quando ouvi o professor dizer meu sobrenome.
- Srta. ... - Ele disse, no mesmo instante ergui meus olhos para o mesmo, me arrependendo logo em seguida, pois a vontade que tive no momento foi de matar a mim mesma por existir. – Bom turma, essa é a Srta. , a nova aluna desse semestre e irmã da nossa querida amiga, . - Ele disse e eu lancei um olhar fuzilador para , que me devolveu o mesmo, me sorrindo cinicamente de canto. Bufei alto logo em seguida sibilando.
- Meia irmã. Meia! - Passei as mãos pelos cabelos, tentando afastar a idéia de como seria um inferno minha vida daqui por diante. era sonsa, cínica e falsa. Ela tinha o dom de fazer as pessoas acreditarem nela, e esse era o problema. Por que quem virava o problema era eu, enquanto a outra ria da minha cara no maior cinismo toda vez que me dava mal. Ai! Como eu queria poder matá-la, pensei e me distraí nesses pensamentos de formas dolorosas de matar minha irmã quando senti uma bolinha de papel caindo sobre minha mesa.
Mais Calma? Cara, eu nunca te vi como ontem! Você parecia que iria explodir. Vocês, na realidade! Eu tentei te ligar para te avisar, mas seu telefone só dava desligado!
.
Eu cheguei ontem depois do almoço. foi me buscar no aeroporto e depois que deixei as coisas em casa fui para a casa dele. A gente passou a tarde toda juntos, e eu esqueci o celular dentro da mala. Estava desligado. Tipo, quando você a viu?
.
Tipo, marcamos de sair , , a nova namorada e eu. Então quando chegou lá, ela nem se lembrou da minha cara. Mas eu me lembrei da dela. De quando nós fomos passar as férias em NY, na casa da mãe do seu pai e a vimos. Essa praga!
Hahaha. Você nunca superou a tinha preta né? Hahaha.
E nem vou superar, assim como você não vai superar o ciúme de ver ela com ! Ha.
Vaca! Fechei a cara com o último bilhete, ela precisava jogar na cara, é? A dela é essa, não é? Me deixa explicar para vocês. Quando tínhamos onze anos nós fomos passar as férias na casa da minha avó. Mas a também foi. Vocês nem queiram imaginar como foi! Ela tocou tinha preta no cabelo loiro de ! Depois eu sou quem não presto!
Amassei o bilhete, jogando-o em seguida na direção da lixeira e sentindo o olhar de em cima de mim. Bufei alto e peguei a caneta começando a escrever coisas aleatórias no caderno, tentando passar o tempo.
-Três, dois, um... - Ouvi a voz de atrás de mim e antes que pudesse me dar por conta, já corria como uma desesperada em direção a uma das mesas do enorme pátio da escola, mas tendo em visão apenas um banco, o mesmo que sempre dividia com . Na realidade, era o mesmo que sempre tentávamos dividir, já que sempre um dos dois acabava no chão.
- Mete o pé, ! - Gritei quando me pegou pela cintura, tirando meus pés do chão e sentando-se no banco. Que há segundos atrás eu juraria que seria meu.
- Mete o pé você, Loser! - gargalhou debochado, fazendo um L com a mão esquerda, levando um pedala na cabeça logo em seguida.
- Vai dar, ! - Fiz careta, mas gargalhei logo em seguida ao ver sua cara.
- , daqui a alguns dias de tanto você mandar o ir dar, ele vai acabar aceitando seu conselho! - Pude ouvir a voz de atrás de nós, que ria da cena. Sentei-me sem um pingo de pudor, isto é, se algum dia eu tive algum, no colo de , ignorando por completo a cara de tacho da minha meia irmã a nossa frente a o olhar de chupa essa manga de para mim.
- Se ele resolver aceitar seu conselho, quero que saiba que já estou na fila! - fez uma cara de atriz de filme pornô mexicano, mordendo os lábios em seguida e eu não pude deixar de rir mais ainda.
- Vai dar, ! - Mandei-lhe língua. Ok, essa mania do vai dar já estava começando a ficar freqüente, mas fazer o que?
- Acho melhor você especificar bem o que você quer que eu dê! - fez novamente a sua cara de filme pornô e eu ri, virando a cara para as demais pessoas que chegavam agora na mesa, ou seja, e .
- Queridinha, será que tem como você sair do colo do meu namorado porque eu quero sentar! - Ouvi a voz irritante da mini-naja a minha frente e revirei os olhos, saindo do colo de porque, realmente, a cara de cú dela para mim já estava me irritando.
- Sente-se meu amor, as pernas finas de já estão me incomodando mesmo! – Disse, me virando para meu best ali sentado, que me olhava indignado. - Que foi, benhê? Suas pernas são finas, mas sua bunda é gostosa! - Sorri de sua cara e dei-lhe uma mordida na ponta do nariz, indo para perto de e que conversavam, deixando e aproveitarem seu momento love. Distrai-me observando o time de futebol que jogava e logo meus pensamentos foram voando para o garoto sentado ao lado com sua mais nova namorada que, por acaso, o pseudo era: minha irmã. Mas que treva, com tanta menina no mundo ele tinha que ficar logo com a minha irmã? Que há? Senti uma bolinha de papel batendo na minha cabeça e logo que virei carrancuda.
- Que foi? – Perguntei.
- Filme mais tarde, já é? - perguntou e eu ainda meio (totalmente) distraída não captei a mensagem direito.
- Filme no , mais tarde, ! - gritou e logo em seguida acrescentou. - Pelo amor de Deus, espírito do mal que se apossou da minha amiga, saia! – Disse, apontando uma das mãos na direção da minha cabeça, fazendo todos rirem, inclusive eu.
- Vai-te a merda ! - Eu falei, mostrando como era lindo meu dedo do meio para ele.
- Ela está viajando, deixa ela de fora! - disse, me olhando com cara de deboche e eu acrescentei.
- Se você não calar essa boca, quem vai viajar vai ser você, mas para o mundo dos espíritos! - Falei entre dentes e a fuzilando com o olhar. - Eu vou! - Disse simplesmente, antes de levantar da mesa e ouvir o sinal do fim do intervalo tocar. Oh! Treva!
Caminhei pela tão conhecida rua da casa de . Já passavam das 16h00min e eu estava indo ver filme na casa do meu amigo. Desde a hora do recreio não via a cara de , o que tinha me deixado de completo bom humor. Voltei da escola de carro com e fui direto para o quarto, me recusando a almoçar já que não estava com fome. E acabei dormindo. Cheguei em frente a tão conhecida casa e não me importei de bater, afinal, eu nunca fazia isso, pelo contrário, peguei a cópia da chave da casa de no bolso do meu short e abri a porta. Não gostando muito do que vi logo em seguida. estava deitado no sofá, por cima de , que tinha a saia levantada e a blusa parcialmente aberta. estava sem camisa e os dois pareciam que iriam se fundir. Não vou dizer que não me importei e que não senti nada, porque seria a maior mentira da minha vida, doeu sim, e muito. Pra caralho, pra dizer a verdade, meus olhos rapidamente se encheram de lágrimas, mas eu não me permitiria derramar nenhuma, não por , não por , na realidade, não pelos dois juntos, não mesmo. Respirei fundo, acalmando (tentando) meu coração que batia a 24578591 quilômetros por hora. Bati a porta com força, fazendo com que os dois se assustassem e caísse do sofá, no chão. Fiz cara de nojo para tudo aquilo e segui para a cozinha, sob o olhar fuzilador de e o envergonhado de . Peguei minha Nutella no esconderijo e logo em seguida uma colher, passando novamente pela sala, indo em direção a escada. O chocolate provavelmente me faria esquecer um pouco das coisas.
- Eu acho que o filme foi marcado para as sete horas, não é? - Ouvi a voz da minha MEIA irmã falando e parei no pé da escada, me virando de frente para poder fitá-la.
- Que eu saiba, eu não preciso de horário para vir na casa do , ou preciso? – Perguntei, olhando para a cara do mesmo e arqueando a sobrancelha e preparando-me para a sessão porrada que teria caso ele dissesse que eu precisava de horário.
- Claro que não, . - Ele disse sorrindo e eu sorri de volta. Ainda bem que é um menino esperto, caso contrário ficaria sem alguns dentes agora. É obvio que meu sorriso foi hiper falso e forçado. Logo virei minha atenção para o ser parcialmente desnudo em minha frente.
- Está vendo?! - Sorri forçado. - Eu entro e saio daqui à hora que eu quiser. Se o dono da casa não se incomoda, quem é você para se incomodar?
- Ele é MEU namorado! - Ela disse nervosa e se levantando do sofá. Não sei se é impressão minha, mas acho que estou ficando um pouco violenta ultimamente, porque, dude, eu tinha muita vontade de arrancar os olhos daquela naja.
- Ele é MEU melhor amigo! E que eu saiba, nossa amizade veio bem antes do seu namoro, honey! - Disse descendo o primeiro degrau, o qual tinha subido antes.
- Problema, mas agora as coisas vão mudar! - Ela disse, seguindo na minha direção.
- Não porque você quer, queridinha. – Disse, dando um sorriso sarcástico para ela. E logo em seguida voltando ao trajeto da escada, indo em direção ao quarto de . - E vê se fecha essa blusa por que eu não estou nem um pouco a fim de ver seus seios. E eu tenho certeza que meu pai também não gostaria de saber que eu os vi. E aonde os vi! - Dei uma piscadela para ela e voltei ao meu trajeto inicial. Caso contrário, minhas respirações cachorrinhos disfarçadamente feitas para tentar me acalmar, iriam por água abaixo.
Já disse que odeio minha irmã?
Pois bem!
E já disse que esse filme vai acabar dando em merda?
Tome nota!
Quatro
- EU NÃO ACREDITO QUE ELA VAI ENTRAR AQUI DESSE JEITO E VOCÊ NÃO VAI FAZER NADA!... COMO ASSIM? ISSO É ERRADO! - Eu ouvia enquanto minha irmã tentava, sem sucesso, convencer a tomar a minha chave e não permitir que eu entrasse mais na casa dele. Coitadinha dela. Bom, deixa eu explicar uma coisa que vocês não devem estar entendendo, mas eu tenho a chave da casa do pelos seguintes fatos: acordar ele, jogar vídeo game, fugir dos problemas. E apenas para ficar com ele, capiche? Joguei-me na cama já abrindo meu copo de Nutella e liguei a televisão em um canal qualquer de clipes. Já disse que amo Nutella? Cara, esse treco é muito bom. Saí do meu transe devocional a Nutella assim que ouvi a porta do quarto sendo aberta e um extremamente vermelho entrando por ela. Juro que se ele me pedir para devolver a chave da casa dele, ele vai ficar com a cara muito mais vermelha do que está agora, sem sombras de dúvidas.
- Vo... - Eu ia falar algo, mas fui interrompida por , que disse um pouco nervoso.
- Na moral, sua irmã tem um geniozinho, hein?! Puta que pariu. - Ele disse e entrou no banheiro, sorri de canto, satisfeita com o comentário. Isso não duraria muito. Não a guerra entre nós duas, pois eu acho que isso seria infinito. Mas sim o namoro dos dois. Ah, se não duraria. A amizade de por mim é mais forte! Bom, pelo menos é o que eu acho.
- CADÊ OS ENERGÚMENOS QUE HABITAM ESSA CASA? - Ouvi a voz de gritar assim que mais um episódio de One Tree Hill acabou, olhei o relógio e vi que se tratava de 19h10min. Queria dizer que os mutantes maiores deviam ter chegado. Olhei para a cabeça encostada no meu ombro e sorri vendo o modo como ele dormia fácil vendo televisão, e, principalmente, quando estava bolado. Desde a discussão de mais cedo com a que ficou meio alteradinho. Ela, por fim, foi embora dizendo que não sabia se voltava mais tarde para o filme, o que o deixou mais irritado ainda.
-AQUI EM CIMA! – Gritei, fazendo despertar do sono com um susto e arrancar uma gargalhada minha. – Desculpa amor, te acordei... - Falei ainda rindo da sua cara de sono e dos amassados feitos ali.
- Putz. Eu... - dizia, mas a frase não foi completada já que e chegaram se jogando em cima de nós, me deixando em um estado totalmente sem ar. Já disse que odeio quando eles fazem isso?
- Ah, , está me sufocando. - Eu disse rindo, mas me sentindo realmente sufocada.
- Pede arrego! - Ele disse rindo, sapeca.
- ... - Eu disse manhosa.
- Pede arrego!
- Arrego! - Falei alto, a fim de tirar logo todo aquele peso de cima de mim enquanto os outros dois riam da minha posição nada confortável.
- Pede pinico!
- , cacete! – Gritei, começando a ficar irritada. - Pinico!
- Fala: , você é lindo, gostoso e o meu sonho é te dar um beijo na boca! - Disse e gargalhou ao terminar a frase. E eu também. Ambos sabiam o motivo da gargalhada. Mais deixa em off.
- Eca! Seu imbecil, sai de cima de mim!
- Só se você falar o que eu pedi, se não eu posso ficar aqui o resto da noite! - Ele disse se movimentando em cima de mim fazendo até meu útero doer.
- Caralho! , você é lindo e meu sonho é te dar um beijo na boca! - Eu disse, esperando que aquele peso saísse dos meus simples cinquenta e seis quilogramas muito bem distribuídos e que agora eu os sentia bem amassados.
- Esqueceu do gostoso!
- GOSTOSO E MARAVILHOSO! MEU SONHO É CASAR COM VOCÊ E TER VOCÊ SÓ PARA MIM COM OS NOSSOS DEZENOVE FILHOS! AGORA SAI DE CIMA DE MIM, PORRA! - Gritei com todo o restinho de ar que restava em meus pulmões e o menino saiu de cima de mim, se deitando na cama as gargalhadas, junto com os outros dois bestas ao meu lado.
- , eu sei que você me ama e que é uma ninfomaníaca, mas dezenove filhos? - Ele disse arqueando a sobrancelha e eu sorri de canto.
- Não vou te dar descanso! - Gargalhei e dei uma olhada para , que nunca gostava quando eu e brincávamos com esse assunto. Na realidade, é um amigo meio ciumento. Ele tem ciúme dos meninos que eu fico e quase nunca os trata bem. Os únicos que ele não tem ciúmes é e , que era meu best também junto com . Mas de ele tinha ciúmes. E não fazia questão de esconder.
- Então, eu acho melhor a gente deixar esses dois bocós aqui vendo o filme enquanto a gente vai ali para o banheiro começar agora, que tal? – disse, logo em seguida levando uma almofadada de na cara, que o olhava sério. Já disse que meu melhor amigo fica lindo ciumento? Pois bem, ele fica muito!
- Ah, o que foi, ? Você nunca me deixa dar em cima da direito, pô! - Ele reclamou. – Ô, , finge que não ouviu porque você não pode saber que eu estou dando em cima de você, está bom? - Ele me mandou uma picadela e eu sorri de canto.
- Ah, está bom. Eu nem sei de nada. - Disse rindo. Na realidade, não estava brincando, ele realmente dava em cima de mim. Na frente dos meninos de sacanagem, só para irritar , pois ele já percebera que ele não gostava muito desse tipo de brincadeira. E em particular sério, e é claro que eu não tinha perdido a oportunidade de dar uns pegas nele, já que, particularmente, quem resiste aqueles belos pares de olhos brilhando para você e uma boca gostosa daquela. Meu Deus, , para de babar pelo porque o ali, seu sonho de consumo, está bem do lado dele. E é impossível meu coração não acelerar com aquele sorriso que o me dava e com aquela cara de bravo que ele fazia naquele momento. Cara, eu gosto dele de verdade. De verdade verdadinha mesmo. O é só passatempo. Assim como a é para ele. Afinal, eu não vou ficar sem beijar para o resto da vida, não é?
- Cadê a ? - disse, mudando de assunto.
- Está vindo, ela teve que sair com a mãe antes para fazer umas comprinhas. - disse, sacudindo os dedos no ar em sinal de futilidade, o que nos fez rir.
- Bom, então só nos falta ! Onde ele se meteu? – Perguntei, me levantando da cama e recebendo o olhar nada discreto de nas minhas pernas, enquanto fazia o mesmo, só que disfarçadamente, bem disfarçadamente. Sorri internamente, olhando para e arqueando a sobrancelha. Descendo logo em seguida. , que não é burro, desceu logo atrás, entendendo o meu recado. Não. Eu não pego o também. Ele é, tipo, meu diário ambulante, entende? Com ele eu converso tudo sobre o .
- Como você está se sentindo com tudo isso? - Ele perguntou assim que nos sentamos à mesa da cozinha.
- Estranha... - Bem essa era a palavra que descreveria aquilo naquele momento. - Muito estranha.
- O está apaixonado. - Ele disse àquelas palavras que me soaram como um balde de água fria. Mas eu precisava daquela sinceridade. Aquela que só tinha para comigo.
- Eu espero que ele seja feliz. - Eu disse. - De verdade, mas tinha que ser com a minha irmã? - Falei desanimada.
- Sabe, , a vida continua... Você é linda. E tem muita coisa pela frente ainda. - Ele disse se levantando e me dando um beijo na testa. E indo em direção a sala. – E vê se você e disfarcem que vocês andam se pegando, porque se não o vai perceber! - Ele disse e eu engasguei com a própria saliva. Estava tão na cara assim?
- Cheguei! - Ouvi a tão irritante voz que ultimamente estava me perseguindo. Eu devo estar pagando por todos os meus pecados, não é? Levantei da mesa da cozinha, indo em direção, agora, ao armário. Tirando dali algumas latas de leite condensado e algumas pipocas de microondas.
- Ô, empregada, dá para trazer um refrigerante para mim? - Ouvi a voz de vindo da porta e não pude evitar sorrir. Foi engraçado a primeira vez que ficamos, assim como todas as outras. Mas não deixava de ser bom. Era mais curtição. Falta do que fazer, sabe? De ambas as partes.
- Quer que eu vista o avental também ou assim estou bem? - Perguntei me virando e lhe mandando uma picadela. O menino, na mesma hora, se levantou e veio na minha direção. – Ih, pode saindo. - Disse rindo e me virando para a pia, a fim de pegar as coisas para fazer brigadeiro.
- . - Ele disse no pé do meu ouvido de uma forma sexy e eu só consegui rir. Éramos amigos acima de qualquer coisa. Ele me deu um beijo na orelha e eu ri mais ainda. Ele não agüentou e desfez sua cara sexy e também caiu na gargalhada, me virei olhando de frente para ele.
- O está aí, nem vem. - Eu disse assim que ele fez menção de vir em direção a minha boca.
- O que tem? Ele não é o seu dono e muito menos o seu pai. E outra, tudo o que é perigoso e escondido é melhor. - Ele deu uma piscadela e eu não pude deixar de concordar, olhando para a porta da dispensa e logo em seguida mandando um olhar significativo para o menino a minha frente. apenas riu e me puxou para dentro do recinto, me prensando na parede instantes depois e colando seus lábios nos meus. O beijo era simples e bom. Mas sempre acontecia alguma coisa quando estávamos ficando, isso era fato. Resolvi curtir o momento e esquecer que existe por um tempo, afinal, eu estava trocando saliva com um dos meus melhores amigos, na dispensa da casa do garoto que eu gosto (e que eu não sei se o sabe), que, por sinal, está namorando a minha meia irmã, que não me suporta e o ódio é recíproco. Minha melhor amiga está pegando meu diário ambulante, quem, por sinal, descobriu que eu estou pegando o doidinho. E o é uma pessoa maneira. Quem sabe não valha a pena? Falta mais alguma coisa? Ah, sim, falta dizer que virou gay.
Bom, estávamos nos pegando bem na frente da porta da dispensa, qualquer um que entrasse na cozinha naquele momento veria aquela cena. me puxou, andando um pouco para o fundo do pequeno cômodo para podermos ficar 'invisíveis'. Como andávamos ao mesmo tempo em que nos pegávamos, não viu uma sacola no chão e pisou em cima, escorregando e me levando junto. Meu pé bateu em uma das prateleiras da dispensa, derrubando algumas latas de achocolatado e de leite em pó, fazendo uma barulheira danada. Paramos, olhamos um para a cara do outro e começamos a rir descontroladamente. Da última vez que ficamos, um gato pulou por cima de nossas cabeças enquanto estávamos sentados em um canto escondido da escola. Agora me responda, da onde surgiu um gato na escola?
- Que barulhada foi essa aqui? - entrou na dispensa e logo fechou a cara ao me ver deitada por cima de , com a cabeça encostada em seu peito e rindo. Na realidade, nós dois riamos como crianças. arregalou os olhos, mas eu logo o cutuquei, querendo dizer para ele disfarçar e me levantei, pegando uma lata de achocolatado e acrescentando em seguida.
- Eu vim pegar achocolatado e o veio atrás. Só que essa antinha nordestina tropeçou na sacola, caiu e me puxou. - Eu disse, como se eu não estivesse acabado de fazer nada. Cínica eu, não é? E logo fui para a cozinha novamente e vi a cara de na porta junto com , que deveria ter chegado na hora da nossa seção pegação. - Olá corações. - Mandei beijos para ambos e desviei meu olhar do de , que mantinha aquele olhar acusador. Estilo Lucas Scoot. apareceu logo atrás dele e eu me virei, a fim de não ver aquele ser exorbitante e estragar a minha felicidade.
- , por que as bocas de vocês estão vermelhas? - saiu com logo atrás dele, que ficou com aquela cara de idiota de sempre que me fez ter vontade de gargalhar. me fazia bem.
- A gente estava chupando gelo ! - Eu disse de supetão. – Ai, que encanação! Está pensando o que? Que eu estava pegando o na dispensa, aí a gente foi tentar se esconder, ele escorregou na sacola, a gente caiu, derrubou as coisas e eu usei a desculpa de pegar o achocolatado só para te enganar? - Perguntei com a sobrancelha erguida e quase mandei tudo para o ar por causa da cara de : exageradamente hilária. me olhou sério, arqueou a sobrancelha e eu gelei. Puta merda. Um silêncio se instalou na cozinha e me olhava assustado
- Não! Vocês não fariam isso. Fala sério, você ficar com o ? - Ele disse rindo e saindo em direção a sala, seguido por , discutindo algo sobre cabelos. Depois eu e que somos as mulherzinhas do grupo. apenas nos olhou e então eu não agüentamos, caímos na gargalhada novamente.
- Vocês são loucos! - Foi a única coisa que disse antes de nos deixar sozinhos na cozinha novamente. Recompus-me e me pus a fazer o brigadeiro. Um silêncio ficou na cozinha, só se podia ouvir a briga entre e pelo vídeo game.
- Por que você não conta para ele? - disse, se sentando no balcão e me fitando.
- Contar o que e para quem? – Perguntei.
- Para o , e não adianta fingir que não sabe do que eu estou falando porque você sabe. - Olhei para ele erguendo a sobrancelha e ri.
- Você quer que eu chegue lá na sala e diga: ô, , aquilo que eu falei da dispensa era verdade. eu estávamos nos agarrando, aí ele tropeçou e...
- Você sabe que não é disso que eu estou falando. - Ele me cortou e eu engoli a seco. - Eu estou falando sobre você gostar dele! - Respirei fundo e me virei, pegando uma colher dentro da pia.
- Quem disse isso para você? - Perguntei sem encará-lo.
- Eu posso ser lerdo, desastrado e desajeitado, mas não sou burro, . Nem cego. É só olhar para a sua cara quando você está perto dele. Qualquer dia desses eu filmo e te mostro. Seu olho brilha. Seu sorriso fica lindo. Até a sua voz muda. Você ajeita mais o cabelo, sua bochecha fica mais vermelha que o normal. É bonito o sentimento que você tem por ele. É lindo ver alguém se sentindo assim.
- Eu não queria sentir isso. – Desabafei, por fim me virando para encará-lo.
- Por quê? Você é a melhor amiga dele, você sabe tudo o que ele gosta, tudo o que ele quer. Você faz bem para ele. Você o completa.
- Mas aí está o problema. Eu sou a melhor amiga dele. E a minha irmã a namorada. As coisas ficaram mais difíceis agora.
- Mas o que você sente por ele é mais forte. Tão forte que você não consegue nem disfarçar direito. Você vai passar por tudo isso, e no final vai ser só você e o e ninguém mais. Sempre foi assim. E sempre será. Seus destinos foram traçados há muito tempo, e nem e nem ninguém pode mudar isso. - Pela primeira vez eu via falando uma coisa séria e com convicção, e não era sobre música.
- Deus te ouça! – Disse.
- Ele não precisa me ouvir. Ele já escreveu a história de vocês há muito tempo. E eu acho melhor você parar de pensar nele e começar a usar máscara, porque sua irmã está de olho em tudo. Principalmente em você! - Ele disse descendo da bancada e me dando um beijo na testa e acrescentando. - Mas enquanto esse sempre não chega. - Ele me deu um beijo na bochecha. - Eu vou continuar me aproveitando da sua solteirice! - Ele terminou e me deu um beijo na boca que eu não pude deixar de retribuir. Por dois motivos. Primeiro, entre nós o jogo era aberto. Segundo, ele era um gato e beijava bem demais!
Cinco
- Cheguei, crianças! - Ouvi a voz de quando atravessei o hall em direção à sala de televisão junto com , carregando várias vasilhas de pipoca e duas panelas de brigadeiro.
- Sua vaca, que demora, hein?! - Eu disse, depositando as coisas na mesinha de centro e olhando para a menina sentada no colo de . - Estava fazendo o que?
- Fui fazer compras com a minha mãe! - Ela disse e eu respondi com um 'ah’, me sentando, logo em seguida, entre e e tomando o controle do vídeo game da mão do segundo e desligando o mesmo.
- Coloca aí o filme. - Disse para que vinha andando. Olhei para o sofá onde aquela naja vestida de verde limão estava, cruzes! Está horrível! Mexia nas unhas. É isso! O apelido da agora vai ser Limonaja! , você é terrível. - Cadê o ? – Perguntei, já que sua Limonaja estava sentada no sofá sozinha.
- Lá em cima! - me respondeu.
- Vou buscá-lo! – Disse, me levantando do sofá e subindo para buscar aquele ser que fazia sabe-se lá o que sem sua querida (diga-se de passagem) namorada.
- Hey, cadê você? – Perguntei entrando no quarto de e encontrando-o saindo do mesmo.
- Não vive sem mim, não é? – Ele disse, sorrindo daquele jeito que me fazia derreter até o cérebro. Já disse que amo o sorriso desse garoto? Ele é o único que consegue fazer com que todos os meus cabelos se arrepiem de uma só forma, que consegue me dar um motivo em especial para sorrir mesmo quando as coisas não me mostram motivos bons. O único que conseguia alegrar os meus dias com um simples sorriso, bem, eu simplesmente sou louca por esse garoto.
- Mas é claro que não, como é que seria a minha vida sem você para me alegrar? – Perguntei fazendo bico e ele me deu uma leve mordida na bochecha.
- Me leva no colo! - Eu disse indo em direção as suas costas e pulando em sua coluna. - Vamos! – E então começou a correr.
- Pode dizer que eu sou melhor que Edward Cullen, aquele vampiro desbotado e sem graça. - Falou descendo as escadas, o que me fez gargalhar e esquecer por um momento que a Limonaja estava ali e voltar ao tempo em que era apenas eu, e os amigos, sem nenhuma naja para nos atrapalhar.
me jogou no sofá e eu continuei gargalhando, enquanto ele ficava meio sem graça pela cara que a fez. E eu? Ria mais ainda olhando para que não agüentou e começou a rir, que olhou para , que sem saber o porquê, também começou a rir, levando e a rir também junto com . E a Limonaja continuou séria, nos encarando enquanto riamos como um bando de débeis loucos que, na realidade, era o que éramos. E naquele momento eu percebi uma coisa. Ela não se encaixava no nosso grupo.
- Cara, eu não sei porque vocês duas ainda insistem em ver esse filme, vocês sabem as falas de cor, sabem tudo o que vai acontecer e ainda choram. Eu acho, na minha união, cara, que a gente poderia estar jogando vídeo game ou vendo De Volta Para o Futuro, assim, na minha opinião, mas já que ninguém nunca me escuta... – Falou , o indignado.
- Se você acha, é obvio que tem que ser na sua opinião! - Carolina disse e todos nós a olhamos.
- Dráuzio Varela! - Disse da mesma forma a qual Galvão Bueno narrava os jogos, o que fez com que todos rissem, menos , como sempre. É claro que sabíamos que tinha erro de concordância na frase, mas não tem problema nenhum deixar o falar daquele jeito, certo? Mas não, a Limonaja tem sempre que vir se meter onde não é chamada, Ô, treva!
- Idiota! - Ela disse, se referindo a mim.
- Querida, eu acho, na minha opinião, já que a minha opinião é o que eu acho, então significa que eu acho na minha opinião... - Sorri de canto para ela. - Que ninguém te chamou na conversa, então enfia sua língua em outro lugar, honey, porque a conversa ainda não chegou ao limoeiro! - Disse e ri para mim mesma da minha piada ridícula que ninguém entendeu, a não ser eu mesma.
- Limoeiro? - novamente se manifestou e foi a minha vez de interrompê-lo.
- Cala a boca, . - Eu disse. – , é agora! - Falei para . – Rose, você é boba, Rose! Você é boba! - (N/A: Bel, essa é pra você!) Ah, acabou com a minha vida. Desatei a chorar. Na realidade, eu não sabia bem porque estava chorando, se era por estar vendo Titanic, que era uma coisa que eu fazia pela milésima vez, (eu choro com Titanic, ok? Cara, é tão deprimente.) ou por estar vendo e atracados no sofá ao lado do meu. Na realidade, o filme era uma desculpa para poder chorar abertamente a dor de ver o garoto que eu gosto com a minha irmã. - Vou fazer mais pipoca. - Não agüentava mais ver aquilo. Acho que a preferia discutindo comigo. Distrai-me enquanto olhava para o microondas e via o saquinho ficar cada vez maior. Foi quando ouvi da sala um grito vindo de e entrando na cozinha rindo.
- O que você fez? – Perguntei, já conhecendo aquela risada diabólica da minha best.
- Eu não fiz nada. Foi só a colher cheia de brigadeiro que foi parar debaixo da bunda da sua irmã ACIDENTALMENTE e fez parecer que ela tava toda cagada! - Ela disse rindo e eu acompanhei a sua gargalhada.
- , você não presta. - Falei rindo da mente diabólica da minha amiga, como se eu prestasse mais que ela, né?
- Somos duas, honey. Ela foi colocar uma bermuda do ... - Minha amiga disse e ficamos ali conversando enquanto esperávamos o resto da pipoca ficar pronta e colocamos tudo dentro das vasilhas e voltamos para a sala.
- Dude, sério, não agüento mais ver Titanic, esse monte de água já está me deixando com falta de ar. – disse e desatamos rir de sua cara absurdamente exagerada. - E essa parada da Rose, caralho, cara, porque ela não entra na porra do barco e vai embora, ele é um pintor ferrado, ela vai se dar muito melhor na vida se continuar dando para o outro. – Ele continuou seu discurso, parando simplesmente do nada, como se tivesse tido a melhor idéia de todas. – Vamos tomar banho de piscina? – Ele perguntou e todos nós o olhamos incrédulos.
- Mas você não acabou de falar que não agüentava mais ver água?! – perguntou arqueando as sobrancelhas, tirando a pergunta da boca de completamente todas as pessoas ali.
- Mas no filme, oras, na vida real é diferente e está um calor desgraçado. Estou suando mais que Jurumin do mato! – Disse fazendo caretas e logo levando um pedala, já disse que essas crianças são esquisitas?
- Eu acho melhor todo mundo ir para casa porque amanhã nós temos aula! – disse recebendo olhares assustados em seguida.
- Cara, você está expulsando a gente da sua casa? – fez sua típica cara de gato do Shrek.
- Eu acho que a não vai gostar muito disso! – Ouvi dizer e imediatamente virei-me na direção em que vinha, logo achando o que eu não gostaria. E que realmente não gostei.
- Tira, agora! – Disse me referindo a MINHA boxer de coraçãozinho que me dera de presente de aniversário, e que eu MORRIA de ciúmes, nem para eu emprestava. Que há? Sou ciumenta com as minhas coisas.
- Não! – Ela respondeu entortando a boca e caminhando para o sofá em seguida, mas é claro que eu não deixei! Quem ela pensa que é para ficar desfilando aí com a Gioconda (eu tenho mania de dar nomes esquisitos as coisas, ok?).
- Eu não estou pedindo, eu estou mandando! – Disse, segurando bruscamente seus braços, fazendo com que ela se virasse para mim com uma expressão meio “estranha”. Na realidade, ela era toda estranha, né? Mas isso não vem ao caso.
- Mas eu NÃO vou tirar! – Ela puxou o braço ao qual eu segurava. - A boxer estava no guarda-roupa do meu namorado e ele me mandou pegar qualquer coisa lá, e não me deu nenhuma restrição dessa cueca estranha! – Disse, fazendo cara de deboche. Espera aí, ela disse cueca estranha?
- Ah, mas você vai tirar por bem ou por mal, queridinha! - Disse com uma das mãos segurando seus braços e com a outra apontando as escadas. - Sobe e tira o caralho da boxer, agora! Ela é minha e eu NÃO te emprestei! – Ao invés de subir, tirar a boxer e me fazer uma criança feliz, ela apenas puxou o braço e me empurrou, dizendo em seguida.
- Eu não vou tirar! Não vi seu nome escrito nela! - Estávamos parecendo duas crianças brigando pelo mesmo brinquedo, mas e daí? Eu só precisava de um motivo concreto para poder arrebentar a cara daquela puta, sem dó nem piedade. E era exatamente isso que eu estava prestes a fazer.
- Hey, não me empurra não, garota! – Disse, empurrando-a de volta. - JÁ MANDEI TIRAR O CARALHO DA MINHA BOXER! - Gritei já nervosa. O caralho já tinha saído, então boa coisa provavelmente não estava por vir. E eu tive absoluta certeza disso quando ela me deu um empurrão mais forte e pronto, o barraco já estava armado. Lembra que eu disse que só precisava de um motivo concreto para arrebentar a cara dela? Pois bem, aí está o meu motivo. Empurrei-a de volta e, pronto, o barraco estava feito! E não sei como em menos de meio segundo depois estávamos no chão. Eu por cima dela segurava seus cabelos com uma das mãos e a outra fazia questão de deixar marcas de minhas unhas em seu belo rosto de vadia. Bem, pelo menos eu acho que era o seu rosto, mas se não fosse, tudo bem, o importante era que eu estava batendo nela de alguma forma e isso estava me agradando muito, porém, o que não me agradou muito foi o que aconteceu segundos depois, porque ela estava por cima de mim, invertendo a situação, ótimo para mim, mas tudo bem, já que tive oportunidade agora de socar sua barriga e logo puxei um pedaço de pano que descobri ser sua blusa, que eu havia acabado de rasgar, deixando um de seus seios amostra. Pagou peitinho!
- GENTE! PÁRA, PELO AMOR DE DEUS! - e gritaram juntos, vindo em nossa direção, tentando me segurar, e a Limonaja dele; , e apenas riam e gritavam em coro.
- , , !
- ME SOLTA, , PORQUE EU QUERO ARREBENTAR ESSA GAROTA! - gritava se debatendo e tentava contê-la.
- VEM ME ARREBENTAR, MINHA FILHA, QUERO VER SE VOCÊ É MULHER! AH, ISSO EU QUERO VER. ME SOLTA, CARALHO! - Disse dando unhadas em , que acabou me soltando e fazia o mesmo com , que também acabou cedendo, e em meio segundo estávamos novamente nos estapeando e puxando o cabelos de ambas.
- ME SOLTA!
- ME SOLTA!
- EU VOU TE MATAR!
- EU VOU TE ARREBENTAR!
Gritávamos enquanto éramos seguradas agora por pares trocados. Acho que ainda não havia reparado no seio de fora, apenas agora quando, por segundos, ela tirou sua atenção de mim e mudou para o seio descoberto, estávamos as duas em pé e quando sua atenção voltou-se para mim, não desperdicei a oportunidade, fechando as mãos em punho e acertando seu rosto, sentindo em seguida meus dedos estralarem. Puta que pariu, que dor. virou o rosto atingido pelo soco e me tirou do chão com os braços, me suspendendo em seus ombros e me carregando dali escada acima, minhas pernas estavam jogadas por uma parte de sem ombro e meus braços ele segurava com a outra mão livre do outro lado. fez o mesmo com , só que seguindo o caminho da cozinha, enquanto ambas gritávamos palavrões, insultos e outras palavras inapropriadas para o horário.
***
- Ok, já dá para você parar de me bater agora? - disse me jogando em um lugar macio logo em seguida, que eu defini por sua cama, pelo cheiro gostoso que exalava, tirei os cabelos que me tapava a visão, respirando fundo e sentindo o olhar cortante de em cima de mim. O encarei, e em menos de cinco segundos estávamos as gargalhadas na cama, eu sei que isso pode parecer estranho, mas é o que realmente aconteceu. – , o que está acontecendo com você? Não sabia que você era violenta! Onde está a paz e amor que eu conheci? – Ele perguntou me olhando de forma engraçada.
- Se perdeu por aí desde que essa garota veio morar aqui! – Respondi, ficando séria.
- , vocês estão morando juntas não tem nem quarenta e oito horas e vocês já estão nisso! Imagina em uma semana? Ela não é tão ruim assim.
- Não me diga! - Fiz careta, revirando os olhos, e ele apertou meu nariz.
- Cara, tenta relaxar um pouco mais, eu te conheço e sei que você pode respirar fundo antes de partir para a porrada, ok? E, putz, é a , cara, não faz mais isso... - Disse por fim, tentando me dar uma bronca pela briga. - Eu sei que vocês têm essas diferenças... - Ele disse, se sentando ao meu lado. – Mas eu realmente gosto dela, sabe? Eu me sinto bem com ela, e você é minha melhor amiga, fica difícil para eu tentar equilibrar as duas.
- , não é porque ela é sua namorada, é porque ela realmente me irrita! - Disse fazendo gestos exagerados com as mãos e soltando um riso fraco.
- Relaxa, cara, eu sei que sou gostoso e que é super sexy ver duas mulheres brigando por minha causa, mas você é minha melhor amiga e ela minha namorada, as coisas não podem continuar desse jeito, entendeu? Se não meus pais vão me matar quando souberem que a casinha preciosa deles foi destruída por duas malucas! - Disse se levantando da cama e esticando os braços. - E para todo o efeito, eu te dei uma baita bronca, ok?
- Ha, quem vai dizer que você me deu bronca? , você não sabe nem gritar para dar esporro, você é muito mole! - Disse rindo da sua cara e mandando-lhe uma piscadela antes de pular em seu colo e morder sua bochecha.
- Eu já te disse alguma vez que isso dói? - Fez careta, acariciando o local afetado.
- Sério? - Ergui a sobrancelha e ele concordou com um aceno de cabeça. - Nem senti! - Disse antes de bater em sua bunda e descer as escadas correndo. Era engraçado e chato, ao mesmo tempo, ver dividido, era engraçado porque ele nunca fora bom com as escolhas, geralmente sempre ficava na dúvida e levava as duas ou simplesmente nenhuma, nunca sabia escolher. E esse era o meu medo, que entre nós duas ele resolvesse escolher alguém.
- Toma sua cueca maldita - jogou a boxer em minha direção. Sua blusa agora estava emendada e seu rosto arranhado. HÁ, O OLHO DELA ESTAVA FICANDO MEIO INCHADO! Alguém por aqui vai ficar de olho roxo! Eu e os outros ali seguramos o riso pela sua enorme cara de bunda. De coração, cara, ela estava hilária, sua cara vermelha parecia que iria explodir. Sua maquiagem usada em excesso estava borrada e seu cabelo, sempre impecavelmente arrumado, estava muito mais do que bagunçado. Há! Ainda sou boa nisso, o que as batalhas com não podem te ensinar?
- Thank you, Honey! - Sorri debochada pegando minha boxer. Já achava que era hora de ir para casa, afinal, amanhã seria mais um dia de aula, e esse era apenas o primeiro dia de minha vida com presente nele, infelizmente, o primeiro de muitos.
Seis
Acordei ainda sentindo meu corpo pesado de sono, mas não abri os olhos. Contei os segundos mentalmente, esperando que o som do despertador chegasse aos meus ouvidos, mas isso não aconteceu. Esperei também que a voz de chegasse, mas isso também não aconteceu. Tinha certeza que não era madrugada, pois, embora ainda estivesse com os olhos fechados, podia sentir a claridade. Abri os olhos, enrugando-os pela luz que os atingia, mas que diabos estava fazendo com que eu me esquecesse de fechar as cortinas? Olhei o relógio na minha cabeceira e quase caí da cama de susto. Já passava das oito, mas por que caralho não viera me acordar? Corri para o banheiro, escovando os dentes ao mesmo tempo em que prendia os cabelos e colocava a calça jeans. Desci as escadas correndo, terminando de calçar o tênis quando alcancei a porta. Corri pela rua com a pesada mochila nas costas e xingando até a décima geração de . Corri o mais rápido que pude, ainda na esperança de chegar a tempo na escola, quem sabe, pelo menos, para o intervalo. Em menos de dez minutos estava em frente à escola, completamente descabelada, suada, esbaforida e com raiva, ódio, para dizer a verdade. Passei pelo portão sobre o olhar assustado do porteiro, provavelmente pelo meu estado. E caminhei bufando pelo pátio vazio. No momento em que meus pés pisaram no corredor, o sinal tocou e os amontoados de rinocerontes saíram de suas salas. Era o horário da troca de professores, o olhar de cruzou com o meu e ela arregalou os olhos, assustada.
- Hey, amiga, o que aconteceu com você? – Ela perguntou ajeitando meu uniforme, e eu aproveitei para prender os cabelos descentemente dessa vez.
- Meu despertador não tocou – Disse apenas.
- Mas e o ? – Ela perguntou. Ótimo! Eu não era uma maluca psicótica que estava me fazendo essa mesma pergunta desde a hora que abri os olhos. Não respondi, procurando o mesmo com os olhos, não precisei mais me dar ao trabalho, já que logo sua voz me chegou aos ouvidos, por trás.
- Hey, , chegou agora por quê? - Ele sorria e chegou logo atrás dele, assim como os outros meninos. Mandei um olhar fuzilador para a Limonaja, virando–me para .
- Obrigada por me acordar, valeu mesmo, ! – Disse, fazendo um joinha com uma das mãos e respirando fundo para não socar ninguém. Que foi? Eu fico de mau humor quando tenho que fazer muitas coisas em um curto espaço de tempo, e, principalmente, quando essas coisas tinham que ser feitas assim que eu acordasse. E isso, com certeza, incluía: correr oito quarteirões com uma mochila pesada nas costas, quando meu melhor amigo que deveria ter me acordado, provavelmente estava se agarrando em um canto qualquer com minha meia irmã, que você detesta! É, isso realmente me deixava de mau humor.
- Mas a disse que você estava acordada! - Se defendeu, olhando para a Limonaja pendurando em seu ombro, meus olhos seguiram o mesmo destino que os seus e eu fiz o que estava mais acostumada a fazer naqueles dias, a fuzilei com os olhos. Acho que se eu continuasse a fazer isso com tanta freqüência, raios lasers iam acabar brotando dali.
- Mas é claro que ela estava! - Ela disse séria, olhando e virando-se para mim logo em seguida. - Você até falou comigo! - Ela me deu um sorrisinho de lado, seu olho não estava mais tão roxo. Que pena, mesmo que aqueles olhos roxos tivessem me restado o resto da semana de castigo. Valeu muito a pena, e quando eu digo muito, eu realmente digo muito. Alguém aí segura minha mão antes que ela resolva fazer outro estrago na casa dessa vaca, por favor!
- Mas é claro que não estava! – Disse, controlando a minha vontade de socá-la, mais ninguém aí quer socar essa garota ou sou apenas eu quem tenho andado meio violenta ultimamente?
- , se você se atrasou, tente arranjar uma desculpa melhor ao invés de culpar os outros! - disse e eu abri a boca, incrédula.
- Desculpa?
- , eu te conheço, e sei muito bem que você adora arranjar desculpas para os seus erros! - Ele sorriu de canto e foi sua vez de ser fuzilado com os olhos.
- Sério, ? Se você me conhecesse realmente tão bem assim, você, com certeza, saberia que eu não acordo apenas com o despertador. E é por esse motivo que eu peço para que você esteja no meu quarto todo dia pela manhã, mas já que você não sabe disso, eu acho que você não me conhece tão bem assim. – Respondi, virando-me em seguida para a outrazinha. - E se eu fosse você, tomava cuidado, porque seu cabelo ficaria muito bonito como peruca de algum careca, seu quarto não tem tranca, honey! - Sorri ironicamente. Em seguida apontando meu indicador para seu rosto. - Toma cuidado com sua língua, naja, porque uma hora o seu veneno acaba escorrendo garganta abaixo. - Virei-me, seguindo em direção à minha próxima aula, que, como hoje já era quinta, infelizmente era Física. Não estava puta por ter perdido a primeira aula, mesmo que meu professor de sociologia seja um gato não pedófilo, e bota gato nisso, eu estava puta porque preferiu acreditar em ao invés de mim. Isso sim estava me deixando puta. Muito puta, bem puta. Eu já disse puta alguma vez?
- Desculpa! - Disse para uma menina que havia acabado de esbarrar, fazendo-a derrubar todas as coisas que tinha em mãos, caminhava distraída pelo corredor que me levaria ao pátio, o sinal que anunciava o intervalo acabara de tocar e todas as pessoas andavam como hipopótamos famintos, esbarrando em mim toda hora, e, conseqüentemente, fazendo com que eu embarrasse em alguém. - Eu estava distraída. - Acrescentei assim que devolvi uma revista sua que havia caído com a trombada.
- Dia ruim? - Ela perguntou e só então eu a olhei. Diferente do jeito que a maiorias das pessoas se vestiam naquele lugar, (algumas de salto alto, maquiagem em excesso e roupas curtas, minha irmã definitivamente se enquadrava naquele meio. E as de calça e tênis, como e eu), a menina possuía os cabelos em cachos grossos e negros, que lhe caiam pelas costas, chegando até a altura da cintura. Seu rosto branco possuía traços delicados que eram bem disfarçados graças ao lápis preto muito forte usado no local. Seus olhos eram azuis. Bom, sua roupa? Ela usava uma saia verde camuflada do exercito, da BillaBong, um All Star cano longo preto, com um cadarço da mesma cor, cheio de caveirinhas rosas (minha melhor amiga se vestia assim, então não achem estranho! Fran, é você!) e seu uniforme. Bom, era diferente da maioria das pessoas ali, uns desenhos estranhos tapavam totalmente o branco escolar, definitivamente ela era meio estranha.
- Um pouco. - Disse, observando agora suas unhas, simplesmente enormes e quadradinhas, lindas, por que eu roia unhas mesmo? Que merda, a unha dela era perfeita, e estava pintada de preto. Hey, já disse que seus braços eram cheios de pulseiras iguais aos meus? Acho que essa era a única coisa em comum que tínhamos.
- A fim de fumar? - Ela perguntou, mostrando o maço de cigarros em sua bolsa.
- Por que não?! - Sorri e então seguimos o caminho que nos levaria até a parte de trás da escola, reservada aos viciados e namoradores cabuladores de aula. Fiquei pensando em meus amigos, que provavelmente se perguntariam onde eu estava, mas dei de ombros, afinal, estaria lá. E também, e eu estava com raiva por ele ter se esquecido de mim. Mas iria me pagar, ah, se ia.
- Pensando em como destruir alguém? - A garota perguntou, se sentando em um canto qualquer, jogando seu material ao lado. Acenei com a cabeça, repetindo os movimentos e sentando-me ao seu lado.
- Quero me vingar da minha meia irmã! – Sorri, pegando o cigarro que ela me oferecia, já aceso.
- Irmã muito praga? - Ela perguntou, franzindo o nariz de um jeito engraçado.
- Muito praga, mentirosa, e atual namorada do meu melhor amigo.
- Você quer acabar com esse namoro?
- Acabar não, só mostrar para o quem ela realmente é.
- ? - Ela perguntou, arqueando as sobrancelhas.
- O próprio!
- Hey, você é ! - Ela exclamou de uma forma engraçada. - E está falando com uma loser!
- Hey, eu sou uma loser, meu bem! – Disse, ajeitando o óculo de grau que usava, devido ao meu atraso, havia me esquecido de colocar as lentes.
- Não é não! – Ela sorriu debochada. - E você está diferente.
- Bom, se acordar atrasada, colocar a primeira calça que viu, ou seja, a mais velha que você tem, pôr uniforme amarrotado. Esquecer as lentes, e sair sem brinco (eu me sinto nua sem eles), me faz diferente, eu nem ligo! – Disse, entortando a boca. - Mas tem uma pessoa que vai ligar muito por eu estar “diferente”, - Fiz aspas com os dedos. - Hoje, ah, se vai!
- Relaxa, cara, vingança é um prato que se come frio, congelado, de preferência. - Ela disse, soltando a fumaça de seu cigarro e olhando para frente.
- No meu caso eu quero comer quente, fervendo, mais que feijão na pressão! - A menina riu da minha frase, acrescentando em seguida.
- Já que é assim, eu tenho uma idéia que pode te ajudar. A namorada dele é aquela que se parece um pouco com você, certo? - Fechei a cara com sua comparação.
- Claro que não, eu sou bonita, benhê! - Disse com minha modéstia.
- Já que é assim, preparada para colocar o plano em ação? - Ela disse, apagando o resto de seu cigarro, se levantado e limpando a bunda, em seguida.
- Mais do que preparada! – Respondi, repetindo seus gestos e pegando meu material. - Mas o que nós vamos fazer?
- Aguarde e verás! - Ela disse tomando o mesmo rumo no qual viemos, comigo ao seu encalço.
- Ok. E, a propósito, qual é seu nome?
- , mas pode me chamar de .
Sete
- Bom dia! – Disse para meus pais sentados na mesa, tomando café.
- Bom dia, minha filha. – Meu pai disse se levantando de onde estava, depositando um beijo em minha testa e dando um selinho em minha, mãe, que fofo ele, não? Sentei-me onde ele estava pegando um pedaço de pão, colocando um pouco de geléia e levando a boca em seguida.
- Com você está, meu amor? – Minha mãe perguntou me olhando significativamente.
- Ótima! – Sorri ainda com pão na boca, eu tinha estendido o que ela quis dizer com esse “como você está”, o problema era que eu realmente não queria explicar para ela como eu realmente estava, entendeu? – Meus dedos já pararam de doer. – Disse fazendo os gestos de abrir e fechar a mão direita, que desde que haviam acertado um soco em estava doendo muito e minhas articulações haviam ficado um pouco inchadas. Praga daquele estrupício.
- Você sabe que eu não estou falando fisicamente, eu estou perguntando como você está aqui! – Ela apontou seu indicador para minha cabeça. - E aqui. – Ela apontou desta vez para o meu coração. Eu sei que não deve estar sendo fácil para você ter a morando aqui e ainda por cima ter que dividir o com ela. – Soltei o ar dos pulmões, me dando por vencida.
- Realmente, está sendo uma merda, mãe. A não tem mais tempo para mim porque a única coisa que sabe é ficar com o e falar dele o tempo inteiro, os outros meninos... É divertido ficar com eles, mas é estranho sem o , sei lá.
- Você só acha que é estranho, porque você gosta do e é com ele que você quer sempre estar, por isso! – Minha mãe segurou minha mão. – Mas, filha, eu sei que você e a não se dão bem e ter ela namorando o deve estar sendo difícil para você, mas tenta levar em consideração de que ela é sua irmã e que vocês estão dividindo o mesmo teto agora.
- Mãe, eu estou tentando, ok?
- Mas e você e o , como estão?! Eu não o tenho visto tanto por aqui. Não com você, pelo menos. – Ela acrescentou.
- Estamos bem, tirando o fato de que ele não acreditou em mim quando eu disse a verdade, não tem vindo me acordar, e me deixou de lado a semana inteira. Acho que a vaga de meu melhor amigo está quase indo a leilão. – Sorri ao dizer aquilo, havia completamente esquecido de mim durante aquela semana, os meninos estavam atrás de alguma caloura gostosa que havia entrado no colégio, e, bem, eu havia passado completamente o resto de meus intervalos semanais com , o que me fez rir bastante de suas idéias malucas, ela era completamente uma de calcinha. E, falando nesse, desde a casa de que não nos pegávamos, era sempre assim, rolava ocasionalmente.
- Isso daqui a pouco passa, é só essa fase de início de namoro, depois ele volta ao normal.
- Tomara que a vaga dele não tenha sido preenchida quando isso acontecer! – Disse. – E, mãe, quem te disse que eu gosto do ? – Perguntei, agora me tocando do que ela havia dito.
- , até parece que você não saiu de dentro de mim, né, garota? – É, acho que ninguém jamais me conheceria como minha mãe. - E acho melhor você desarrumar essa tromba porque já está na hora de você aproveitar o tempo perdido.
- Hãm? – Ergui as sobrancelhas.
- Bom dia, . – Minha mãe disse e eu me virei, encontrando um recém acordado com aquele cheiro de colônia masculina que a maioria dos homens tinha, mas que só nele fazia um efeito diferente, o boné estava virado para trás, suas bermudas dois números acima do normal e uma blusa branca, simplesmente lindo, e meu cunhado. Meio na realidade.
- Bom dia, tia. – Ele disse dando um beijo na testa da minha mãe. – Bom dia, ! - Ele sorriu para mim, me beijando a testa também e sorrindo daquele jeitinho Lucas Scot, sabe? Como se ele nem tivesse me ignorado dois dias seguidos. Como esse garoto é cínico.
- Ué, lembrou que eu existo? Ou só veio falar comigo por que sua namorada está dormindo e você detesta ficar sozinho? – Perguntei de maneira natural, pegando mais uma torrada e passando mais geléia de morango, essa parada realmente é muito boa.
- Bom, estou saindo. Tranca a casa se fizer o mesmo, entendido? – Minha mãe disse e eu a olhei na dúvida, eu não estava de castigo por ter batido na coisa? – Está liberada! – Ela disse como se lesse meus pensamentos, como ela mesma disse, eu saí de dentro dela, né? Nada mais normal do que ela adivinhar o que eu estava pensando. Eu acho.
- Ah, , deixa de ser dramática. Eu sei que essa semana eu te deixei meio de lado...
- Meio? - O interrompi, ele ainda tem coragem de assumir isso assim, na maior cara de pau. Sem nem se preocupar em arranjar desculpas, nem nada?
- Ok. , desculpa, eu sei que eu deveria ter te acordado ontem, mas é que a disse que você estava meio bolada e que era melhor eu esperar você esfriar a cabeça... E você sabe que eu te conheço bolada, então eu também achei melhor esperar você ficar mais calma.
- A disse? – Perguntei, não tinha prestado a atenção em nem metade do que ele tinha dito a partir da frase “a disse”, desde quando o ouve o que alguém diz, mesmo?
- , escuta, desculpa, ok? Mas é que vocês ficam com toda essa briga idiota e eu não quero ter que decidir entre nenhuma das duas. Você é minha melhor amiga e ela é minha namorada, não tem com vocês pararem com essa briga besta?
- , meu problema com a eu resolvo com A , não tem nada a ver com você ou com qualquer outra pessoa. Mas o que me deixou chateada foi o fato de você não ter acreditado em mim e ainda por cima ter me ignorado depois disso, isso foi o que realmente me deixou chateada.
- Me desculpa... - Ele fez uma careta super fofa e eu sorri de lado. - Estou desculpado? - Ele sorriu de forma mais fofa ainda e eu não resisti. Olhar dentro daqueles olhos me fazia querer ficar dentro deles e, sei lá, que aquele momento não acabasse nunca. Será que eu sou maluca por me sentir tão bem assim só de olhar dentro dos olhos de uma pessoa?
- Desculpado! - Sorri e ele me puxou, desajeitado, para um abraço. É, definitivamente, aquela era a melhor sensação do mundo.
- Anda, , é só deixar solto e pronto! - falava deitado na minha cama, encarando a porta do banheiro onde eu estava. Já se passava das dez da manhã (é eu acordo cedo) e a Limonaja ainda não havia acordado. havia me chamado para ir ao shopping com ele, pois estava precisando de algumas roupas, e segundo ele eu era a única que sabia escolher as roupas do jeito que ele realmente gostava. Onde já se viu isso? Olhei-me no espelho e optei pelo mesmo penteado de sempre, prendi os cabelos em um coque desajeitado, passei um gloss nos lábios e saí.
- Vamos? - Perguntei para o boyzinho deitado na minha cama olhando o teto entediado. Calcei meu All Star branco, estava simples, um short jeans e uma regata da mesma cor do tênis.
- A senhorita não acha que esse short está curto, não? - Ele perguntou, me seguindo até a porta.
- Eu ainda acho que a sua namorada está dormindo no quarto ao lado, meu bem! - Disse e no exato momento que fechava minha porta, abria do quarto dela. - Pelo menos estava! - Acrescentei ao vê-la, e ela mandou um olhar interrogativo para o .
- Aonde você vai? - Perguntou erguendo uma das sobrancelhas. É impressão minha ou alguém aqui anda querendo imitar meus gestos?
- Vamos ao shopping! - Respondi já que o parecia paralisado, cara, ele está com o que medo dela? Af, fala sério. Que cara de idiota é essa que ele fica a olhando? Ninguém merece isso, cara!
- Quer... - ia se pronunciando, mas lhe dei um beliscão e pude ver seus olhos se arregalarem. Ele está pensando o quê? Ele não disse que seriamos apenas nós dois? - Quer alguma coisa de lá?! - Disse meio engasgado e tive que conter um sorriso.
- Não, eu acho que eu...
- Vamos, . - Cortei , ela realmente acha que vai ao shops conosco? Bem capaz!
- Er, , mais tarde eu passo aqui, ok? - Ele disse, dando-lhe um selinho e descendo as escadas na minha cola.
- Qual vai comprar? – Perguntei a ao vê-lo com duas camisas pólo em uma das mãos, uma era roxa e possuía listra branca, simplesmente perfeita, a outra era rosa e lisa.
- Você decide! – Ele disse e eu apontei a roxa, achei a mais bonita e ficava simplesmente perfeito de roxo. Caminhamos em direção ao caixa onde entregou as camisas – ele já havia escolhido outras – e o cartão de crédito para a atendente que o olhava descaradamente, como se ele nem estivesse com uma menina do lado. Bufei incomodada com aquilo, ninguém merece. O telefone de começou a tocar uma música qualquer do Linkin Park e eu diria que era se em menos de um segundo meu telefone também não tivesse começado a gritar uma música qualquer da Pink.
- . – apontou o próprio celular, rindo.
- . – Disse e consultei o visor do meu telefone que piscava o nome “”.
- . – fez uma cara engraçada antes de atender seu telefone e eu fazer o mesmo.
Estávamos dentro do carro de e uma música qualquer tocava na rádio. Os pais de haviam viajado, o que significava que teríamos uma nova casa para usarmos para fazer bagunça. E tem o fato de que a piscina da casa do é maravilhosa. me deixaria na casa de , minha mais nova amiga de infância, e depois passaria para pegar “a coisa”. e já estavam no recinto, assim como .
- Hey, essa menina nova é maneira? - Ele perguntou no decorrer do trajeto que nos levaria até a casa de .
- Eu só ando com gente legal! – Disse mandando-lhe uma piscadela.
- Mas é porque, tipo, - Ih ele lançou o “é porque, tipo,”, lá vem bomba. – ela é meio estranha! – Ele franziu o nariz de forma engraçada, o que me fez rir. – Digo, sei lá...
- A é um doce de pessoa, e se você quer saber como ela realmente é, imagine o de calcinha. – Agora foi sua vez de gargalhar.
- Acho que o de calcinha não é uma coisa muito boa de imaginar. - Disse virando a esquina, a casa da não era muito longe da minha.
- É aqui. – Disse apontando a casa que ficava a apenas três ruas de distância da minha, e onde ele parou o carro.
- Está entregue e não demora a chegar, hein?! – disse e eu acenei com a cabeça, dando-lhe uma mordida na bochecha e fazendo um joinha com uma das mãos. – E, obrigada!
- De nada! – Sorri-lhe. – Ao seu dispor.
- Obrigada por continuar sendo minha amiga! – Ele me mandou uma piscadela.
- Você acha mesmo que alguma pode mudar minha amizade por você? – Perguntei abrindo a porta do carro. – Você está muito enganado se estiver pensando assim.
- Por isso que te amo, sua loser! – Ele me deu um tapa na testa. – Você é minha Best.
- Hey, dude, isso soou meio gay.
- Mete o pé, tampinha, sua irmã já está me ligando. – Disse pegando o telefone que começava a tocar alto uma música qualquer das Spice Girls. Franzi a testa com o toque e ele apenas riu. Desci do carro e o vi fazer o trajeto da minha casa. Toquei a campainha da casa a minha frente e em questão de segundos uma totalmente diferente da que eu via na escola atendeu a porta. Sem um pingo de maquiagem, shortinho curto, regatinha verde e os cabelos presos e um rabo de cavalo, que faziam parecer que seus cachos eram bem maiores e mais grossos.
- Hey, garota, madrugou, hein?! – Disse dando passos para trás para que eu entrasse na casa.
- Coloca um biquíni porque vamos para a casa do .
- Fazer? – Ela franziu a testa.
- Tomar banho de piscina, e é bom que você conhece melhor os meninos.
- Ok, sobe. – Disse e eu a segui pela escada que dava em seu quarto, que mais parecia um quarto de boneca, todo branco e rosa, muito fofo. - As coisas já estão prontas. - Disse saindo do banheiro com dois potes em uma das mãos, e devidamente arrumados.
- Ótimo, a gente aproveita que não tem ninguém lá em casa e coloca as coisas no lugar. – Sorri ao ver os ingredientes de nosso plano diabólico. Descemos as escadas e seguimos na direção que eu imaginei que daria na garagem.
- Ah, já ia esquecendo de dizer, minha mãe saiu com o carro, então só nos resta a segunda opção.
- Que segunda opção? – Perguntei e ela me apontou “a” segunda opção, uma moto enorme e preta que, de coração, fiquei até com medo. é pequena demais para agüentar aquele troço. – Eu não vou andar nisso, e ainda por cima com você. – Disse para que ria da minha cara de besta, tudo bem que eu nunca tinha andado de moto. Mas dava medo.
- Que foi?! Não confia em mim? – Perguntou me estendendo um capacete preto e colocando outro em seu antebraço, montou na moto, ligando-a e, em seguida, abrindo a porta da garagem com o controle, fiquei observando-a. – Anda, garota, você é uma mulher ou uma rata? - Não respondi, apenas subi na moto com um pouco de medo e fechei os olhos, quando dei por mim passávamos a uma velocidade razoável pelas casas. Dude! Andar de moto é muito bom, dá uma sensação de liberdade! Paramos em frente a minha casa e rapidamente subi, colocando os potes no devido lugar e troquei de roupa, voltando em seguida para o meu trajeto original, ou seja, ’s House.
- Olá, corações! - Disse indo na direção dos meninos que conversavam na varanda, dei um beijo no rosto de casa um, assim como um apertão nas nádegas. – Criança, deixe-me, oficialmente, apresentar minha mais nova amiga para vocês! Essa aqui é a . – Apontei a menina um pouco atrás de mim. Que sorriu com os braços cruzados na frente do peito. – , essa são , , e o . – Apontei respectivamente os meninos que seguiram e deram um beijo em cada bochecha de . Educados eles, né? - Onde está a ? – Perguntei ao .
- Ouço meu nome? - saiu de dentro da cozinha pulando em cima de mim, fazendo com que eu quase caísse.
- Vaca! – Disse dando-lhe um tapa nas nádegas. - Amiga, me deixa te apresentar, essa é . – Disse e deu lhe um abraço.
- É você que está roubando a de mim, né? – Ela perguntou e sorriu.
- Nada mais justo, afinal, o te roubou de mim! – Protestei e só então notei a presença da Bananaja (o biquíni dela era de um amarelo gema, e gemanaja não pegaria muito bem, pareceria que eu estava mandando-a gemer então vai Bananaja mesmo.). Ela tomava sol em um canto isolado qualquer do quintal, em uma espreguiçadeira. - O que vocês estão esperando para entrar na piscina? – Perguntei para os meninos. – Estou louca para ver esse bando de homens gostosos apenas de sunguinha branca nadando para mim! – Disse e foi ouvido um coro de gargalhadas. – Está bom, gente, eu sei que vocês são um bando de magrelos, branquelos e esquisitos, mas até que vocês ficam bonitinhos com os cabelos escorrendo pela cara. – Sorri jogando a bolsa que carregava em um canto e indo me sentar em uma das espreguiçadeiras bem longe de . e seguiram a mesma direção que eu e logo engatamos uma conversa qualquer sobre em qual filme o Ashton Kutcher ficava mais bonito e em qual filme Channing Tatum ficava mais gostoso (o cara de Ela dança, Eu danço, Veia de lutador, Ela é O cara, GIJOE, Querido John, esse cara bom aí, mesmo). tinha voltado a ser a velha , onde o assunto principal da sua vida não era . Não que eu tivesse algo contra, longe disso, mas é que às vezes enjoava, sabe aquelas crianças especiais que vivem no seu “mundinho feliz”? parecia uma delas, ela vivia no seu mundinho feliz e lá só existia . Mas agora não! Ela havia voltado a ser a boa e velha de sempre, ela e estavam se dando bem. Maravilha! Tem como tudo ficar melhor? É claro que tem, se a Bananaja sumir daqui e nunca mais voltar. Aí sim, meu mundo ficaria perfeito!
Oito
(Nota da Autora: Se quiser entrar no clima na hora, coloca para carregar essa música)
- Cara, me diz que não foram vocês duas que vieram naquela moto lá fora! – apareceu do nada na nossa frente, nos tirando da conversa anterior.
- Não fomos nós! – disse e ele fez uma cara de idiota muito engraçada.
- Não?
- É claro que fomos nós, quem mais poderia ter sido?! – Ela respondeu fazendo aquela cara de óbvio.
- Depois deixa a gente dar uma volta? – pediu.
- Mas é claro! – disse, jogando-lhe a chave.
- Acho que vou entrar na água. – Disse me levantando e tirando a regata que vestia.
- Acho que vou deixar a voltinha para mais tarde. – sorriu me olhando de um jeito safado, levando uma latinha de cerveja vazia na cabeça em seguida.
- OUTCH! – Ele exclamou acariciando o local afetado e olhando para a direção na qual fora acertado. – Qual é, ? – apenas passou rindo, sem camisa e com uma bermuda azul claro caindo, deixando a mostra sua cueca branca. É impressão minha ou as coisas ficaram mais quentes?
’s POV On
Ok, eu acho que eu realmente devo ser anormal. Porque, dude, como ninguém percebe que a e o estão se pegando, porque está mais do que óbvio isso, pelo menos para mim. Fato. Ok, pára tudo, será que esse povo daqui é realmente besta ou eu que sou anormal mesmo? Porque, tipo, que sorriso besta é esse na cara dessa menina? E que brilho besta é esse nos olhos? Ah, cara, ela não precisou me dizer que pegava o de vez em quando porque isso eu já desconfiava, mas agora ela não precisa me dar um motivo a mais para ter raiva da , porque isso já tinha ficado mais que óbvio.
- Se comporte, . – disse indo em direção a piscina e, em questão de segundos, suas mãos espalmaram as costas de e , jogando-s dentro da água ao mesmo tempo. O local explodiu em gargalhadas, ria com ambas as mãos apoiadas no joelho. e emergiram xingando todos os palavrões possíveis existentes e inexistentes. ria da cena, ainda com a camiseta em mãos, de uma forma tão apaixonada. O jeito que ela olhava para daria inspiração para qualquer poeta escrever um soneto.
- Porra, dude, essa água está gelada pra caralho! – exclamou saindo da piscina e indo agarrar que o estapeava rindo.
- Acho que eu desisto de entrar na água. – disse voltando ao lugar de origem, pude observar olhar que estava de bunda para cima dando a mínima atenção para o que acontecia ao seu redor. Então voltou sua atenção para que havia acabado de se sentar ao meu lado.
- Ah, , você vai entrar, sim! – Ele disse se aproximando de onde estávamos e se virou olhando, agora, em nossa direção de uma forma esquisita, poderia dizer que era até inveja, na realidade, essa garota é toda esquisita, fato.
- Nem ouse fazer o que está pensando, . – falou sério, mas ao mesmo tempo sorria com os olhos. deu mais um passo, chegando mais perto de onde estávamos. – , se você se atrever a fazer o que está pensando, eu garanto que você nunca mais vai ser capaz de fazer filhos. Seu bonitinho nunca mais vai levantar! – Ela falou olhando significantemente para o meio das pernas dele. Ok, pode ser a minha mente pervertida, mas vai dizer que ela não quis dar uma conferida no volume da criança? Bem capaz que não, né? apenas riu, chegando mais perto, se levantou passando agora a ficar atrás da cadeira onde estava.
- Um... – disse sem tirar os olhos dela, é impressão minha ou tem um brilho diferente ali também?
- ! – Ela ameaçou.
- Dois...
- , eu estou falando sério! A água está gelada eu não quero mais entrar. – Ela apelou para o lado manhoso.
- Três! - Quando ele terminou de pronunciar a frase os dois já corriam pelo jardim como duas crianças e a olhava a cena quieta, como se, sei lá, ela admirasse. Essa garota é muito estranha. Após correr pelo jardim, gritar, pedir, implorar, se esconder atrás do . Tomar um pedala da e um empurrão de mim, o finalmente conseguiu jogá-la na água. Eu ria da cena assim como ao meu lado. xingava um caralho a cada duas palavras, o que me fazia querer gargalhar mais ainda, foi quando vi e caminhando até onde estávamos com caras sapecas. Em questão de segundos eu e já estávamos dentro da água também rindo. era o único ainda seco, então todos nós saímos atrás dele, que corria com suas perninhas tortas finas e brancas. Era, simplesmente, hilário. , e eu pulamos juntas em suas costas, jogando-o no chão. Os meninos o pegaram, dois pelas pernas, um pelo braço e correram com em direção à piscina.
- Um, dois, três! – Nós gritamos e vimos cair como um maracujá podre dentro da água. foi em direção a , mas ela o deu alguma resposta atravessada e ele voltou emburrado, mas logo caiu na piscina e começou a rir. saiu da piscina por instantes apenas para ligar o rádio no último volume.
- Briga de galo! – gritou pulando e batendo palminhas como uma foca. – Vem, . – Ela falou rindo e tão espontaneamente que eu e nos entreolhamos meio assustadas, os meninos discutiam quem ficaria com a mais pesada e não ouviram o convite de .
- Não, muito obrigada. – respondeu e se virou novamente para nós, eu e ainda a encaramos incrédulas e ela apenas deu de ombros. Ok, não entendi mesmo.
- , você vai me carregar! – disse pulando nas suas costas e o menino fez cara de sufocado, ainda rindo.
- Eu sempre fico com o maior peso! – Ele disse levando um pedala de e mergulhando em seguida para que a menina se sentasse em seus ombros.
- A vem comigo. – se aproximou e fez o mesmo que para que eu sentasse.
- E eu sou o juiz, então! – riu. – Umdoistresjá. – Ele disse as palavras todas juntas e começamos a nos bater, e empurrar uma as outras. O cabelo de batia no meu olho, minha unha arranhava que, por sinal, tentava derrubar , eu e nos olhamos e ao mesmo tempo partimos para atacar que ria mais do que nada. Sem que esperássemos, os três meninos levantaram nossas pernas e nos jogaram dentro da água.
- GANHEI! – Eles gritavam e pulavam comemorando, e nós rimos ainda mais, eles se juntaram em um montinho, tentando afogar e nós fizemos o mesmo, só que, dessa vez, a vítima fui eu. Uma música começou a tocar no rádio e os meninos se entreolharam saindo da piscina correndo e voltando para nossa frente, cada um segurando algo diferente em uma das mãos, como se fosse um microfone. segurava um pente, segurava um celular, segurava uma lata de cerveja e uma banana. Pude reconhecer a música como Santana - Smoth (coloquem para tocar), e ri da careta que fez quando começou a narrar a música.
Man it’s a hot one, Cara, essa é quente
Like seven inches from the midday sun É como estar a dois passos do sol do meio dia
I hear you whisper and the words melt everyone Eu ouço você sussurrar e suas palavras derretem a todos
But you stay so cool Mas você fica tão fria
cantou rebolando desengonçadamente sua bunda farta e fazendo biquinho ao terminar a frase, acariciando os próprios seios.
My muñequita, Minha bonequinha,
my Spanish harlem monalisa, minha Mona Lisa do Harlem Espanhol
our my reason for reason Você é a razão da minha razão
The step in my groove A cadência do meu balanço
Foi a vez de cantar, fazendo cara de atriz de filme pornô mexicano, e tentando morder os lábios de um jeito sensual.
And if you say this life ain’t good enough, E se você dissesse que a vida não é boa o suficiente
I give my world to lift you up,I change my life Eu daria o meu mundo pra te levantar
to better suit your mood, Eu poderia mudar toda a minha vida para me adaptar ao seu estilo
Cause you’re so smooth Porque você é tão suave
Agora quem assumia o comando e cantou última palavra fazendo caras e boca para , que quase se mijava de rir ao nosso lado na piscina, assim como nós.
And just like the ocean É como o oceano sob a lua
under the moon sob a lua
Well that’s the same as the emotion that I get from you É a mesma emoção que eu recebo de você
You got the kind of lovin’ that can be so smooth, Você tem esse jeito de amar tão suave
Give me your heart, Me dê o seu coração,
make it real faça acontecer
Or else forget about it Ou vamos esquecer tudo
Todos cantaram juntos, rebolando de um jeito muito hilário, fazendo gestos exagerados e muito homossexuais. abraçou e abraçou . Começaram a dançar a introdução como se estivessem dançando bolero. Dois para lá e dois para cá.
I’ll tell you one thing, Bem, vou lhe dizer uma coisa
If you would leave it would be a crying shame Se você partisse seria lastimável
In every breath and every word I hear your name calling me out Em cada respiração e cada palavra eu ouço você chamando meu nome
Out from the barrio, Por todo o bairro,
you hear my rhythm on your radio, você ouve meu ritmo no seu radio
You feel the turning of the world so soft and slow, Você sente o mundo girando tão suave e lentamente
Turning you round and round Fazendo você girar e girar
parou de dançar e começou a cantar fazendo caras e bocas, oras para , oras para , quem olhava aquilo com uma expressão indecifrável. fez aquela famosa cara de tigrão, mostrando as patinhas como se quisesse pegar algo.
And if you say this life ain’t good enough, E se você dissesse que a vida não é boa o suficiente
I give my world to lift you up,I change my life Eu daria o meu mundo pra te levantar
to better suit your mood, Eu poderia mudar toda a minha vida para me adaptar ao seu estilo
Cause you’re so smooth Porque você é tão suave
assumiu novamente e desta vez, ao cantar a última palavra, virou a bunda para nós, balançando-a e ouvindo nossos gritinhos.
O coro se repetiu e eles gritavam como se fossem os seres mais afinados do mundo. Eles jogaram seus microfones para o alto e assumiram os pares de novo, pegou na cintura de e na de , como se fossem o homens que conduziam a dança, e os outros dois seguraram em seus ombros, fazendo cara de donzelas oferecidas, jogando os cabelos para o lado e fazendo cara de orgasmo. rebolou a bunda de um jeito ridículo e nos olhou com cara de sedução. A bermuda de abriu e ele fez cara de donzela envergonhada.
- Uhul! Dança para a gente, tchutchuca! – gritou e eu e entramos no ritmo.
- TIRA, TIRA! – Começamos a gritar e os meninos se soltaram um dos outros, começando a fazer um mini strip tease, abrindo suas bermudas e tirando-as e jogando para cada uma de nós. jogou para sua bermuda, jogou para , jogou sua bermuda para mim e jogou a sua para , que apenas agarrou a bermuda e jogou para o lado.
- LINDO, TESÃO, BONITO E GOSTOSÃO! – Gritávamos como malucas para os meninos apenas de boxers a nossa frente. Nada sexy, por sinal, ou melhor, sexy sim, mesmo com boxers de bichinhos, eles eram bem saradinhos e, dude, acho que estou no paraíso! Os olhos de brilhavam e os de também, não sei se eu estou observadora demais, mais havia uma coisa que estava me intrigando desde a hora que cheguei e eu não sabia se isso era ruim ou não. Os olhos de estavam sempre indecisos, sobre para qual das duas irmãs olhar. Era engraçado de se ver, e, cara, os outros podem não ter percebido, mas eu percebi para quem os olhos dele mais olhavam, e para quem, sem sombra de dúvidas, eles brilhavam muito mais.
Nove
- Eu não entendi nada! – disse quando fazíamos o almoço.
- Muito menos eu! – Foi a vez de .
- Ah, gente, eu estava tentando ser boazinha. E não custava nada chamar a garota para tomar banho com a gente, estava todo mundo lá, sei lá, e ela destacada, e eu resolvi chamar, ué. – Dei de ombros, pegando mais do material necessário para terminar o nosso almoço.
- Você boazinha, ? Eu te conheço há dezessete anos, gatinha, você nunca tenta ser boazinha com ninguém.
- Eu só estava testando para ver se meu plano ia valer a pena e se ela não merecia uma segunda chance, mais ela me mostrou que sempre vai ser uma vaca e que nunca vai merecer uma segunda chance.
- Que plano? – perguntou, parando o que fazia e olhando de mim para .
- A parada é o seguinte... – Depositei as coisas que tinha em mão na mesa a minha frente e comecei a contar à o que havia planejado.
- Você não vale uma bala chupada! - disse quando terminei de lhe contar tudo o que havia feito. – Eu não estou acreditando que você fez isso.
- A idéia foi dela. – Apontei para , que fez cara de inocente. - O que foi, vai dizer que você não gostou?
- Mas é claro! Mas mesmo que a idéia tenha sido da , a maldade é sua, afinal, a irmã é sua!
- Ah, mas chega de falar disso.
- É, realmente, vamos falar agora sobre coisas mais interessantes...
- Como? – Perguntei arqueando uma das sobrancelhas.
- Como a festa que vai ter lá no colégio semana que vem. – Ela falou como se o assunto fosse a coisa mais óbvia do mundo.
- Que festa? – Eu e perguntamos em uníssono.
- Vocês não estão sabendo da festa? Em que mundo vocês estão? Tem cartazes espalhados por todos os lados da escola.
- Acho que devo estar meio míope. – disse.
- Míope? Vocês devem estar cegas, isso sim. A escola inteira só fala dessa festa.
- Mas que festa é essa? Vai ser sobre o que? Qual vai ser o tema?
- Vai ser a festa do sinal! – Vendo nossa cara de besta, continuou. – As pessoas só podem ir vestidas de três cores, vermelhas, se forem comprometidas, amarelo se forem enroladas e verde se estiverem solteiras.
- Hum... Gostei dessa festa! – Disse, já pensando com qual cor iria. - E quando vai ser?
- Daqui quinze dias.
- Ainda? – colocou as coisas que havia picado na panela, refogando o molho.
- Ainda, mas não vai se animando muito não, senhorita !
- Por que não?
- Porque essa festa só promete pegação para os solteiros, e isso não é algo que podemos dizer que você é. E não se faça de sonsa porque você sabe exatamente do que eu estou falando.
- , amorzinho da minha vida... – A voz de entrou na cozinha. Olhar vindo na minha direção, com aquela bermuda caindo, aqueles cabelos escorridos na testa e aquele sorriso no rosto, simplesmente me fazia sentir que podia enfartar a qualquer momento. Ele sempre vinha para perto de mim com aquele sorriso que fazia meu coração disparar mais que um sei lá o que. E eu não conseguia parar de sorrir. Era como se os músculos do meu rosto congelassem e eu não conseguisse parar de mostrar os dentes.
- O que você quer, ? – Perguntei, passando as mãos por seu cabelo.
- A comida já está pronta? – Ele perguntou se sentando na bancada da cozinha. - Eu já to sentindo meu corpo ficando mole. – Ele fez uma cara engraçada.
- , eu acho que não agüento mais um minuto sem comida, por favor, alimente essa pobre alma faminta! – Um mais pálido do que o normal entrou na cozinha se jogando no chão da mesma, ao nosso lado.
- Amor, eu estou com fome! – Dessa vez foi .
- Ah, não agüento mais não, estou com fome, estou com fome, estou com FOME! - falou de forma meio “desesperada” e começando a abrir as panelas.
- Mete o pé! – Disse, dando-lhe um tapa na mão e ele se sentou na bancada ao lado de .
– O que vai ter de comida?
- Arroz, feijão, bife e batata frita. – disse, indo se posicionar entre as pernas de .
- O bife vai ser acebolado? – perguntou com os olhos brilhando.
- Coitada da ! – riu.
- Falando de mim? – Ela entrou na cozinha rebolando sua bunda branca e prendendo os cabelos em um coque. Soltei os meus.
- O estava falando coitada de você porque eu vou comer bife acebolado. – disse, explicando a situação.
- A comida já está pronta? Estou com fome! – Ela disse abraçando o por trás e encaixando o rosto na curva de seu pescoço.
- Está quase. – respondeu, porque as meninas, bem, acho que para me apoiarem, ficaram em silêncio coletivo.
- O que tem para comer? – Ela perguntou com sua voz manhosa.
- Arroz, feijão, bife e batata frita. – quem a respondeu.
- Não tem nada mais leve para comer, não? Só coisa gordurosa. – Olhei para aquele ser, respirei fundo para não mandá-la educadamente ir para O caralho e saí da cozinha revirando os olhos, indo colocar os pratos na mesa. Cara, se existe uma coisa com a qual eu não tenho paciência, é futilidade, não tenho mesmo.
’s Point Of View On
- Eu acho que a gente não deveria ver nem Titanic, nem Um amor Para Recordar, nem As Tartarugas Ninjas... Esses filmes ridículos de humor e muito menos De Volta Para o Futuro, não sei como vocês agüentam ver esses filmes o tempo inteiro, eu que estou aqui a pouquíssimo tempo já não agüento mais! – disse e um instante de silêncio se fez, todos, inclusive eu, a olhamos como que não acreditássemos no que ela havia acabado de falar. Como assim? – Bom, pelo menos essa é minha opinião. – Disse dando de ombros e indo se sentar no sofá a nossa frente.
- Eu acho que vou fazer a pipoca e o brigadeiro, e eu voto por As Férias de Mr. Been. - disse perdendo os cabelos, e a imagem de caminhando para o sofá segundos atrás parecia se repetir, elas se pareciam muito. E quando eu digo muito, eu realmente digo muito.
- Eu estou de acordo com a ! – disse.
- Eu também! – concordou.
- Eu voto por As Férias de Mr. Been também. – disse e sem mais nem menos começou a rir como um maluco.
- Então vamos ver as férias de Mr. Been mesmo. – Disse indo até o DVD e colocando o filme, me sentei do lado de e passei meu braço por seus ombros.
- Não sei como que vocês agüentam isso... - Ela resmungou para mim de cara emburrada, onde foi parar o humor dessas pessoas, hein? – Ah, amor, faz eles colocarem outro filme. – Ela disse fazendo aquela voz, sabe aquela voz que acaba com a vida de qualquer homem? Inclusive eu? Pois bem, foi exatamente essa que ela fez.
- Desculpa, amor, mas aqui sempre funcionou assim, vai por votação. E sem sombra de duvidas eles são a maioria. – Disse deitando minha cabeça no seu colo e esperando que ela fizesse carinho na minha cabeça. O que não aconteceu. voltou da cozinha e se sentou do lado de , que logo deitou a cabeça no colo dela, ela tinha os cabelos soltos, uma coisa que havia percebido no decorrer dessa semana, se estava por perto e de cabelos soltos, prendia o dela, se estava com os cabelos presos, soltava, acho que era para não se parecer nem um pouco com ela. O que eu achava engraçado, já que mesmo sem querer as duas se pareciam muito, ai de mim se ousasse dizer isso. Mas, sem sombra de duvidas, era a verdade, acho que o fato de rirem do mesmo jeito, aquele jeito espontâneo, sabe? Pena que só faça isso quando estamos apenas nós dois. Na realidade, meio que virava outra pessoa quando outras pessoas estavam por perto. Seu jeito de sorrir mudava totalmente, a forma como ela olhava as coisas, seu olhar não me parecia tão especulativo quando estávamos apenas nós dois juntos, quando as outras pessoas, principalmente , estavam por perto, parecia que se transformava em outra pessoa, ela tinha o dom de parecer metida e de irritar as outras pessoas, a sua voz ganhava um tom diferente e eu achava isso estranho, mas não comentava, ficava quieto, vai ver é apenas insegurança, não sei do que, já que desde o começo eu deixei bem claro o que significava para mim, uma irmã, mas ela parecia não entender, vai entender as mulheres? Olhei para e e notei que ela começou a fazer carinho na cabeça dele, olhei para que prestava muito mais a atenção nas unhas do que em mim, então não me pronunciei, olhei para a janela e vi que o tempo começava a fechar, vai entender? Até agora a pouco o sol estava queimando e agora às nuvens já começavam a tomar conta do céu. Meu olhar bateu em de novo, quem cochichava algo com . Sabe, aquela menina tem um futuro brilhante pela frente, não digo por inteligência ou capacidade, porque mesmo assim ela tem, mas digo pelo coração, ela tem um coração muito grande, ela, quando gosta de alguém, não mede esforços para fazer aquela pessoa feliz, ela tem um coração de mãe. Mas existia uma coisa que ela tinha quase tão grande como o coração, a teimosia e a impulsividade, e a sua teimosia era algo que eu via também em , eu fiz que não, mas bem que eu vi chamando para dentro da piscina, e a cara que a outra fez para o pedido, fiquei feliz por saber que havia deixado um pouco de lado orgulho. É, essa é minha garota. Minha irmãzinha.
– Amor, pega água para mim?! – Despertei com falando, que a propósito fez de novo aquela voz de dengo. Já disse que pensar me dá sono, é, dude, me dá. Tanto que acabei dormindo enquanto o filme rolava. Acenei com a cabeça, dando-lhe um selinho e me levantando, notei que faltavam duas pessoas na sala, e . Provavelmente fazendo pipoca, pensei e fiz meu trajeto ate a cozinha, mas mudei completamente de idéia sobre o que achava que eles estavam fazendo quando entrei cozinha e vi algo que nunca esperava, e se beijando.
Dez
(Nota da Autora: se quiser, coloca pra carregar esse vídeo, só usa um trechinho)
Um barulho fez com que eu e nos soltássemos, aturdidos, senti meu coração bater na goela, mas quando olhamos para a porta, não tinha nada lá.
- Acho melhor a gente voltar para a sala... – Disse e fez sua carinha de bunda.
- Ah, por quê? Vamos continuar aqui, a gente já viu aquele filme trezentas vezes...
- Mas eu acho melhor a gente voltar... – Disse, olhando ainda para a porta da sala, uma impressão estranha de que estava nos olhando me vinha à cabeça e eu não gostava de pensar assim, acho que ele ficaria chateado se me visse beijando e não contasse nada para ele, mas também ficaria puto porque não gostaria que eu ficasse com , mas qual o problema? Na realidade, eu queria me libertar dessa necessidade de querer agradar a todo tempo, dessa coisa que tem dentro de mim, sei lá, as vezes só queria seguir minha vida sem me importar com o que ele diria sobre o que faço ou deixo de fazer, mas não consigo, fazer o que?
- Alguma coisa que eu diga vai mudar sua opinião de voltar para a sala? – Ele perguntou e eu fiquei em silêncio. – Acho que não... – Concluiu por fim, me roubando um selinho. – Estou voltando. - Fiquei um tempo parada no mesmo lugar ‘pensando’ na vida, por que eu, simplesmente, não tomava vergonha na cara e dizia “, a parada é o seguinte, estou pegando o ”? Por que eu sempre ficava com esse medo idiota? Não é tão simples?
Pronto, está decidido, vou contar para o .
- Pensando na morte da bezerra? – apareceu na cozinha e eu quase engasguei com a própria língua, devido ao susto.
- É... – Respondi sem graça, abrindo e fechando a boca várias vezes, antes de dizer meu chocho ‘é’.
- Que foi?! Aconteceu alguma coisa que você queira me contar? – Ele perguntou, pegando um copo no armário e me olhando. Fodeu, ele viu, anda , cadê a sua coragem?!
- Não... – Respondi colocando a mão na boca, maldita pelinha que estava doendo pra cacete.
- Tem certeza? – É, ele fez aquela cara de Lucas Scoot que me fazia lembrar o motivo de ter me apaixonado por ele, ele ergueu aquela sobrancelha e cerrou os olhos.
- Absoluta. – Respondi rápido. – Er, vou voltar para a sala, sorri sem mostrar os dentes e saí da reta do olhar de . Idiota! É isso que sou! Consigo ser mais medrosa que Scooby Doo em cidade fantasma, por que eu não falo logo? Aff.
- Que foi?! – perguntou quando me sentei ao seu lado.
- Nada, não. – Disse colocando as pernas no sofá e voltando a pensar na vida.
- Você está comendo a pele do seu dedo, , isso significa que você está bolada com alguma coisa. – Ela fez cara de óbvio.
- Acho que o me viu beijando o ...
- Até que enfim! E o que tem isso de mais?
- Sei lá!
- , minha amiga, já está na hora de você deixar de lado um pouquinho essa influência do , você pega o , gosta disso, e o que tem de mais, o não é seu dono! - Ela disse naquele tom “você sabe que eu tenho a razão, então não discuta comigo” que eu estava acostumada a fazer.
- Ah, sei lá, você sabe que eu sou estranha... – Disse e uma trovoada roncou do lado de fora.
- Tempo doido! – disse indo até a janela. – Vai chover muito, acho melhor a gente ir para casa... – Ele disse e então peguei o telefone no meu bolso, consultando a hora.
- Acho que vou para casa, ainda tenho que terminar um trabalho de Biologia... – Disse, fazendo careta.
- Eu já terminei o meu, graças a Deus! – disse e concordou com ela, em um aceno de cabeça.
- Sorte de vocês, eu nem cheguei à metade ainda. – Disse, me levantando. – Crianças, vou-me já, pois a pressa me abunda. – Disse e dei um beijo na bochecha de cada ser ali presente, claro que com exceção de um, né?
Mesmo sentindo meu corpo pesado, não conseguia pegar no sono, mesmo tendo tomado banho de piscina, que geralmente é uma coisa que me dá muito sono, não conseguia dormir, minha mãe costuma dizer que quem pensa muito perde o sono, deve ser por isso então, tenho pensado de mais. Na realidade, desde que cheguei da casa de , a única coisa que fiz foi pensar, e as questões da minha morgação eram: por que eu tenho medo do que ele possa pensar de mim? Por que eu sou tão dependente? Por que, simplesmente, não sigo minha vida, ah, sabe por quê? Por que, infelizmente, eu gosto daquele ser. Por que a opinião dele é importante para mim, e por que, mesmo que eu não queira e ele não saiba, ele tem uma influência gigantesca sobre mim. Como agora, por exemplo, no meio da minha insônia, a quem eu poderia recorrer? Advinha só?! Mas não ia fazer isso, não ia ligar para , não mesmo, havia outros truques tão infalíveis quanto a voz de , como, por exemplo, secar os carinhas dos pôsteres na minha parede, o que eu já estava fazendo há mais de meia hora, as estrelinhas verdes fluorescentes penduradas em meu teto também já não estavam me dando a sonolência esperada. O barulho do ar condicionado em meus ouvidos não estava passando apenas de um zumbido, fechei os olhos, e sem querer voltei a pensar. Há quanto tempo eu me sentia assim por ? Desde a sexta série? Sétima? Sexta, para dizer a verdade. Tanto tempo, tantas coisas já passamos juntos, tantas lágrimas eu já havia derramado por aquele que agora se autodenominava meu cunhado, quantas oportunidades eu havia tido de dizer a ele como eu me sentia, mas sempre dava para trás, sempre amarelava, e agora outra veio e pegou a vez. Agora, eu me via pensando, será que um dia eu consigo tirar esse garoto da minha mente? Será que um dia eu vou conseguir vê-lo apenas como um amigo, ou até mesmo como meu cunhado? Meu celular vibrou uma vez e parou, me assustei e peguei-o olhando o visor, era uma mensagem, e o nome aparecia nela. Ouvi essa música e pensei em você, estou mandando a acústica, beijos.
Cliquei na música e deixei que tocasse, estava sempre me mandando uma música nova para ouvir.
And I'll hold a place for you inside / Eu vou manter um lugar pra você aqui dentro
Inside my heart for you and I / Dentro do meu coração somente para nós dois
And I won't forget these tears I cried / Eu não vou esquecer essas lágrimas que eu chorei
With every year that passes by / Com cada ano que se passou
And I can't sleep without you / E eu não posso dormir sem você
And I can't breathe anymore / E eu não posso mais respirar
Travei com a música, juro. Às vezes me assustava. Disquei, no telefone, seu número e nem o primeiro toque havia se completado quando ele atendeu.
- Te acordei com a mensagem? – Ele perguntou de forma cuidadosa.
- Não! – Sorri para mim mesma, não sei porque, mas meus olhos começaram a marejar, coisa estranha, devo estar para ficar menstruada, só pode.
- Gostou da música?
- Aham, acho que ela era tudo o que eu precisava ouvir... – Disse, mexendo nos cabelos.
- Insônia?
- É, né... - Disse e se fez silêncio. – Canta para mim?
- Só se você vier para cá... – Sua voz soou pidona do outro lado.
- Mas está tarde!
- Eu vou te buscar. – Novamente, o silêncio. – Por favor, , tem muito tempo que você não dorme comigo.
- Tudo bem, vou colocar uma roupa.
- Estou chegando aí, beijo. – Ele disse e desligou o telefone, com preguiça de acender a luz, iluminei meu quarto apenas com a lanterna do telefone, catando uma calça jeans que estava por perto e um casacão da Hurley de que eu havia catado. Calcei minhas havaianas brancas e saí do quarto, apenas a luz que vinha do lado de fora iluminava a casa e tive que tomar cuidado para que não me estabacace no chão. Procurei minhas chaves na mesinha ao lado da porta e quando eu finalmente as achei, a luz da sala se acendeu, e a voz do meu pai ecoou pelo local.
- Aonde a senhorita pensa que vai?! – Ele ressaltou bem a palavra pensa em sua frase e logo em seguida apontou com a cabeça para o relógio da sala, que marcava duas e dezessete da manhã.
- Ai, que susto, pai! – Disse, levando uma mão de encontro ao peito e respirando fundo.
- Acho que essa não é minha resposta, certo? – Ele cruzou os braços e me olhou cerrando os olhos.
- ? – Perguntei mordendo os lábios e ele fez aquela cara de “me convença se puder”. – Por favor, pai, tem tanto tempo que eu não durmo lá.
- , ele está namorando sua irmã!
- E daí? – Perguntei, erguendo uma sobrancelha.
- Você não pode pegar o namorado da sua irmã! – Ele fez uma cara absurda.
- Pai, eu não pego o ! - Fiz dessa vez cara de “tem coisa mais óbvia que isso!”.
- E eu sou o Elton John!
- Se você gosta de piano e terno rosa, isso eu já nem sei, o que eu sei é que eu NÃO pego o !
- Não? Digo, não mesmo? Não rola nada sexual entre vocês? Nem nada a mais...
- Nada além de amizade, pai.
- Nunca rolou? Você nunca ficou com ele?
- Nunca, pai.
- Vocês dois dormem na mesma cama, e nunca ficaram? Nem um beijo?
- Nem um beijo, pai! – Eu já começava a achar graça da cara que meu pai estava fazendo.
- O é gay! – Ri alto do que meu pai disse. – Ele é gay! – Meu pai disse com mais convicção. – Só pode, porque se ele nunca te pegou, minha filha, ele só pode ser gay, porque você é muito gata! Ou então o Junior é pequeno e ele tem medo de mostrar.
- PAI! - Não podia acreditar no que meu pai estava dizendo, ele sempre fala besteira, mas hoje estava se superando.
- Okay, parei, mas já que não rola nada sexual entre vocês, você pode ir, mas não deixa sua irmã saber, porque, se não rola nada sexual entre vocês, também não quero que role nada sexual entre eles! – Ele disse.
- Pai, você está falando sério que estava levando numa boa se tivesse usado ‘sexualmente’... – Fiz aspas com as mãos. -... Suas duas filhas?!
- Claro que não! – Ele fez cara feia. – Nunca deixei a dormir lá, então eu achava que só tinha rolado algo ‘sexual’... – Ele imitou meu gesto. –... Com você.
- Paizinho, querido, meu amor, para rolar algo sexual entre eles, a não precisa dormir lá! – Disse, lhe mandando uma piscadela. – Agora posso ir? - Ele acenou com a cabeça, ainda com uma cara engraçada.
- Você vai sozinha? – Ele perguntou e nesse exato momento o telefone na minha mão começou a vibrar, o sacudi no ar, mostrando ao meu pai.
- Ok, vai lá, e use camisinha! – Disse rindo antes de subir as escadas.
Já disse que meu pai é uma figura? Pois bem, anote isso então, por favor!
Onze
- Você realmente não vai me dizer por que está com essa cara? - Perguntei a , estávamos deitados na cama dele, olhando para o teto há mais ou menos meia hora; conhecendo como conheço, ele tinha algo para perguntar, mas não sabia exatamente como.
- Somos amigos, certo? - Ele continuou olhando para o teto e então fiz o mesmo.
- Acho que nem preciso responder sua pergunta...
- Amigos contam tudo um para o outro.
- Exatamente. – Concordei.
- Você me conta tudo, ? - Pela primeira vez desde que me pegara em casa ele olhou diretamente para mim. Porém, eu não correspondi ao olhar, acho que sabia aonde aquela conversa podia parar.
- Não... – Respondi e então ele fitou o teto novamente.
- Por quê?
- Não sei. - Respirei fundo e ele fez o mesmo, um clima tenso parecia predominar no local.
- Tem alguma coisa que você deveria me contar?
- , às vezes calar é bem melhor do que mentir. Eu prefiro que a gente troque de assunto.
- Por que você sempre foge das coisas? Principalmente daquelas que sempre vão mostrar um pouco dos seus sentimentos?
- Porque eu sou assim, eu não gosto de falar do que eu sinto. Eu não me sinto bem falando dos meus sentimentos! – Não para você, pensei.
- Eu queria saber porque você esconde tanto as coisas que você sente... Às vezes é muito mais fácil colocar para fora.
- Eu já acho que é muito mais fácil deixar rolar, e acho melhor a gente trocar de assunto. - Me virei de lado, encarando-o, e ele fez o mesmo, cruzando suas pernas nas minhas e passando um de seus braços por baixo do meu pescoço, por incrível que pareça, o clima tenso havia desaparecido, e eu e voltamos a ser apenas nós dois, sem mais climas tensos. – Como você está? - Perguntei e ele riu.
- Você pergunta como se não tivesse passado o dia comigo. - Respondeu rindo.
- Mas eu quero ouvir de sua boca como você tem se sentido, há muito tempo não passamos um tempo só nós dois.
- , a gente foi para o shopping hoje de manhã.
- Ah, você entendeu o que eu quis dizer! – Fiz careta e comecei a fazer carinho em sua cabeça.
- Eu estou bem, muito feliz, e você?
- Normal... – Disse e o momento de silêncio voltou, minha mão continuava fazendo carinho em sua cabeça e ela começou a brincar com uma de minhas mechas.
- Sabe, , eu estou me sentindo tão bem, sua irmã me faz bem, sabe, e gosto do jeito dela, do jeito que ela sorri, quando ela meche no cabelo, eu nunca me senti assim por ninguém na minha vida, é um sentimento tão gostoso, o jeito que eu sinto meu coração se acelerar quando ela está perto de mim.
- Que bom. Eu fico feliz que você esteja feliz, você sabe que a sua felicidade é a minha felicidade.
- E eu fico feliz que você esteja tentando. Você tem um coração muito grande, . E você tem um futuro brilhante pela frente.
- Digo o mesmo para você, . – Ele sorriu e então começou a cantarolar alguma música qualquer, que fazia com que o sono viesse com mais facilidade que o normal. Meus olhos se fecharam e eu foquei minha atenção ao som da sua voz, que a cada vez ia ficando mais distante, até sumir por completo.
- Sua filha da puta! – Bem, essa foi a frase que me fez abrir os olhos, e logo em seguida pude ver que algo verde voava em minha direção. Não sei se por ainda estar meio dopada de sono, mas não conseguia reagir devidamente. O que me fez compreender que aquilo realmente não era um sonho, foi sentir meus cabelos sendo puxados e algo se chocando contra a minha pele, em tentativas nada frustradas de tapas.
- Caralho, está doendo! – Disse, empurrando o corpo estranho de cima de mim e fazendo-o cair da cama. Passei as mãos por meus cabeços bagunçados e por meu rosto inchado – do sono, diga-se de passagem. – O que está acontecendo? – Perguntei, arregalando bem os olhos para ver se eles me obedeciam e não teimavam em se fechar, puta que pariu de sono. – Você está maluca, garota? Tem merda na... - Caí na gargalhada quando meus olhos pararam em , Agora sentada com os braços apoiados no chão, seus olhos pareciam que poderiam soltar chamas a qualquer momento e me queimar viva. Seus cabelos, antes de um tom castanho claro e com mechas quase loiras naturais, agora tinham um tom de verde catarro, e as mechas naturais? Mais para verde diarréia. Gargalhei na maior cara de pau de seus cabelos e ela se levantou, vindo novamente em minha direção. Suas pernas se encaixaram de cada lado de meu corpo e suas mãos atingiam aonde conseguiam. Eu apenas protegi meu rosto com as mãos, ainda rindo. Eu não correspondia aos tapas que ela me dava, muito pelo contrário, as lágrimas saíam de meus olhos de tanto que eu ria, parecia que iria explodir a qualquer momento de tanto rir, minha barriga já começava a doer. entrou no quarto eu não conseguia ler o que estava escrito em seus olhos, era um misto de irritado, lamentoso e divertido. Sinceramente, dessa vez ele me confundiu. Suas mãos seguraram pela cintura, tirando-a de cima de mim e ele acenou com a cabeça para que eu pudesse sair do quarto, eu apenas ria, ria de uma forma que eu acho que nunca ri na minha vida. Seu cabelo estava foda, simplesmente fodástico. gritava palavras de baixo calão – falei bonito agora –, tentando se soltar dos braços de . Seu rosto estava vermelho, seu cabelo parecendo algas e o olhar faiscante de raiva. Saí do quarto tentando segurar o riso. Pude ouvir tentar acalmar , que tinha a voz chorosa. Não me contive e colei meus ouvidos na porta, tentando ouvir o diálogo.
- Olha o que essa filha da puta fez comigo! - disse e eu sorri vitoriosa, agora sim estávamos quites.
- Amor, calma, não xinga a mãe da , porque ela tem sido bem legal com você ultimamente.
- Mas ela criou um monstro, . Olha só o que ela fez comigo! Olha para o meu cabelo.
- Você está linda! – Ele disse e eu revirei os olhos, era um filha da puta, mentiroso.
- Linda? - Ela perguntou e um silêncio, seguido de algo que eu não entendi, tomou o local. - O que ela estava fazendo aqui?
- Dormindo? - Ele usou aquele tom de “tem coisa mais óbvia que isso?”.
- Dormindo? E posso saber, por um acaso, aonde você dormiu? - Ela ressaltou bem o uso da palavra você.
- Aqui! – De novo, o mesmo tom.
- Você está tentando me dizer que dormiu com a como se fosse a coisa mais normal do mundo! - Ela elevou sua voz.
- Não, eu não estou tentando, eu estou te dizendo que eu dormi com a porque É a coisa mais normal do mundo!
- E você vai me dizer que também não rolou nada entre vocês? - Sua voz parecia, sei lá, chorosa.
- Mas não rolou nada entre a gente! – Ele fez aquele tom de ‘estou começando a ficar irritado’. - Nunca rolou, e provavelmente nunca vai rolar! – Fechei a cara com aquela afirmação dele, feita com tanta convicção.
- Ah, sim, e eu sou a Lindsay Lohan. - Ela usou exatamente o tom que ele detestava que usassem com ele.
- Se você é drogada e lésbica eu não sei, quer saber? Foda-se! Eu não quero e não vou me meter nessa história de vocês duas. Vocês querem se matar? Se matem! Eu só quero que deixem minha casa e de preferência me deixem inteiro. - Ele disse e eu ouvi seus passos vindo em direção a porta. Corri, entrando no cômodo ao lado, e os passos de vieram nessa mesma direção. Ele abriu a porta e eu o olhei com carinha de criança quando apronta. - Pegou pesado! – Foi tudo o que ele disse e saiu, dei de ombros. Esperei um tempo até que provavelmente tivesse saído do quarto e entrei no mesmo, olhei para a cama aonde eu havia passado a noite com – ui, bem segundas intenções essa frase – e cacei minha calça, que por pura amnésia matinal ou desleixo mesmo, eu não tinha idéia de onde tinha enfiado. Minha pergunta foi respondida quando meu celular começou a tocar e como ele estava no bolso da mesma, logo a achei. E advinha onde estava? Debaixo da cama. Catei minhas calças e como naqueles filmes de terror, enquanto estava em baixo da cama, vi um par de pés se aproximarem e ficarem parados ao lado contrário a mim. Levantei-me e me encarava. Não a encarei de volta, apenas coloquei minhas calças, não admito isso para ninguém e nego até a morte se me perguntarem, mas acho que peguei pesado com a coitada, coitadinha, está com o cabelo verde, se bem que ela mereceu. Caminhei em silêncio até a porta, mas senti uma de suas mãos puxarem meu braço quando fiz questão de abri-la. Sua expressão, misturada com a cor exótica dos cabelos, estava me assustando, fato.
- Acho que nós duas precisamos ter uma conversinha... – Ela disse e forçou um sorriso que mais fez parecer uma careta.
- Acho que não temos nada para conversar, honey. – Disse debochada. – E, a propósito, seu cabelo está verde. - Ri na sua cara, na maior cara dura e soltei meu braço.
- Eu sei muito bem que meu cabelo está verde, não sou daltônica! – Ela disse com a cara emburrada.
- Claro que não, daltonismo é uma doença que só se desenvolve em homens, pena que a burrice não, né? - Sorri de lado. – Agora que você já sabe disso, acho que já pode me deixar ir embora, certo?
- Mas não é sobre meu cabelo que eu quero falar... – Disse cruzando os braços na frente do peito e emburrando mais ainda a cara.
- Bem como já disse, não tenho nada para falar! – Disse, voltando ao meu trajeto.
- Eu quero que você se afaste de ! – Parei ao ouvir suas palavras e me virei, a encarando, perplexa, ela realmente não queria isso, queria?
- Como é que é?
- Eu disse que quero que você fique longe dele, e se puder, de preferência, desaparecer. - Ela realmente estava com cara de mal.
- Você só pode estar brincando de me pedir isso, né, garota? - Eu sorri.
- Não... – Sua cara era realmente séria. – Eu acho que nunca falei tão sério em toda a minha vida. Eu quero que você se afaste do meu namorado.
- Bem capaz! - Ironia mode on.
- Sabe qual o seu problema, ? Você quer tudo para você!
- E você sabe qual o seu problema, ? Você quer que tudo seja feito do seu jeito, eu já te falei uma vez e vou repetir, o mundo não gira ao seu redor.
- Muito menos ao seu, e eu não digo o mundo, eu digo . Ele não é seu! - Seus olhos brilharam ao pronunciar a última frase e sua voz subiu um pouco de tom.
- Não sei se alguém já te disse, mas o não tem dona! – É, estávamos discutindo por ele.
- Mas ele tem namorada, e não sei se alguém já te disse, mas ela NÃO é você! – Sorri ironicamente para ela, sacudindo a cabeça. Vaca.
- Bom, honey, recadinho dado, agora me deixa ir porque eu tenho coisas mais interessantes do que olhar para esse seu cabelo cor de catarro. – Disse e novamente dei meu passinho, dessa vez pegando na maçaneta.
- Você morre de inveja de mim! – Ok, depois dessa e realmente tive que voltar. - Você tem inveja porque em duas semanas eu consegui o que você tenta há anos, ser a namorada do . - Ela falou calma, dessa vez seu olhar não tinha ódio, tinha desafio, curiosidade, ela estava blefando, plantando verde para colher maduro.
- Sério? Não me diga? Acho que você descobriu a América, meus Deus, ó, , como eu invejo você!
- Você sabe que é verdade, , você finge que não, mas você se morde por dentro toda vez que nos vê junto. Porque lá no fundo você sabe que o que você mais queria era estar no meu lugar! – Uh, dedo na feriada mode on.
- E por que você acha isso? - Recostei-me na porta, cruzando os braços e a encarando, esperando resposta, olhando-a com ar de desafio.
- Olha para você! Você está se roendo por eu estar com , porque você queria o que EU tenho dele! – Ela sorriu de forma vitoriosa.
- Bom, agora vamos ver, o que você tem dele? - Ergui minha mão e segurei meu dedo mindinho, contando os itens. – Você tem a língua dele na sua boca, a mão dele na sua bunda e dentro do teu sutiã. - Mostrei meus três dedos erguidos para ela. – Já eu, tenho a chave da casa dele, o telefone particular da mãe dele, eu sou o rosto de 95% das fotos dessa casa, eu tenho livre acesso àquela cama, que a propósito nós passamos a noite, eu sei quando ele está bem, eu sei quando ele está mal, eu sei ao que ele tem alergia, a comida predileta, o que ele gosta, o que não gosta... - Parei para respirar, já podia sentir o sangue correndo mais forte por minhas veias, eu já estava começando a ficar alterada. Troquei a mão que fazia as contas. – Eu compro as roupas dele, quando ele fica doente é para mim que ele liga, sou eu quem está com ele quando uma puta qualquer o machuca, quando ele chora porque queria que os pais tivessem lembrado seu aniversário, sou EU quem estou com ele, então não venha me dizer que eu tenho inveja de você, porque esses seus míseros três itens, honey, não significam nada diante do que eu tenho dele! - Ela me olhava quieta. – Você quer que eu me afaste? – Perguntei, pensando na conversa da noite anterior, no que tinha dito há minutos atrás “nunca vai rolar”. Ele estava feliz. – Então ótimo, eu me afasto. Mas eu só vou te dar um aviso, , um só. Você o magoa, e não vai ser só seu cabelo que vai ficar verde, não. Você pode ter certeza disso, eu acabo com sua raça. - Ela abriu a boca para falar algo, mas de sua boca não saiu nada. - O significa muito para mim, e eu não meço esforço para a felicidade dele. - Disse e me virei. – Acho que estamos devidamente conversadas. - Falei antes de bater a porta atrás de mim. Desci as escadas e não procurei para dizer que estava indo embora. É, eu cedi. Já ouviu falar que quando se gosta muito de uma pessoa a felicidade dela é mais importante do que a sua própria? significa demais para mim, e a felicidade dele era o que importava, e se a felicidade dele consistia em eu ter que me afastar, era isso que iria fazer.
Cheguei em casa mais rápido do que imaginei, a chamada perdida do meu telefone era de meu pai, eu nem precisava atender para saber do que se tratava. Abri a porta e foi ele a primeira pessoa que vi, sentado no sofá, com um jornal em mãos.
- Nem preciso dizer, né? - Ele perguntou e eu joguei minhas chaves na mesinha do lado da porta, a conversa com havia me dado uma enorme vontade de chorar.
- Castigo. – Afirmei, indo em direção às escadas.
- Exatamente! – Ele tirou os olhos do jornal e me encarou. – Aconteceu alguma coisa? - Ele perguntou com uma cara preocupada, beijei sua testa e me virei.
- A aconteceu, pai! – Disse tão baixo que duvido que ele tenha escutado.
Fechei a porta de meu quarto, e algumas lágrimas desceram por meu rosto. Não adiantava eu tentar me convencer que não sabia o porquê, porque eu sabia, no fundo estava certa. As palavras de me rodeavam a mente, ‘nunca vai rolar’ ‘eu estou muito feliz’. Uma tristeza muito grande tomou conta de mim naquele momento. E mesmo que eu não quisesse admitir, aqueles três míseros itens, me faziam mais falta do que qualquer um poderia imaginar.
Doze
Eu não sei explicar, mas me sentia triste. Não era uma tristeza, “oh, vou me matar”, era mais uma tristeza, “estou com vontade de chorar sozinha e, por favor, ninguém me atrapalhe”; esse era o tipo de tristeza que eu estava sentindo, e, consequentemente, estava deixando que os outros percebessem isso, o que estava me deixando puta comigo mesma. Detesto quando as pessoas sentem pena de mim ou então me perguntam se eu tenho certeza quando digo que está tudo bem. Af, isso realmente me irrita. Fato. Acho que não existe nenhum problema no fato de uma pessoa querer ficar trancada dentro de seu quarto, ouvindo músicas cu, comendo chocolate e olhando para o teto, existe? Minhas amigas achavam que sim, porque elas simplesmente não paravam de me encher o saco, já havia dito que estava de castigo, mas não se convenceu que era apenas isso, e , movida por ela, também não. Duas vacas. Quando digo que está tudo bem, é porque está tudo bem! E, se não está, vai ficar, não é isso que dizem? Tudo no final dá certo, se não deu certo é porque ainda não chegou ao final. Então considero que meu final ainda não chegou. havia me perguntado o que tinha acontecido por eu estar tão quieta e eu apenas disse que era tensão pré menstrual, há três dias ele e nem os meninos apareciam na escola, quando perguntei à do paradeiro deles, ela disse que apenas lhe disse que eles foram acampar. Aham, acredito muito. não deu as caras na escola, estava tratando o cabelo, e o foda disso tudo é que eu quem estou pagando o ‘tratamento’. Minha puta que pariu. Também não tinha a visto em casa, afinal, eu estava na monotonia de apenas quarto, escola, cozinha, quarto, escola e cozinha. Apenas isso. A porta do meu quarto se abriu e quase voei no teto de susto. e entraram sorrindo e se jogando em cima de mim. Sinceramente, acho que tenho cara de pula-pula, só pode.
- Bom dia, cabrita! – disse, saindo de cima de mim e se sentando, apoiada na parede.
- Olá, coração! – se sentou em um pufe de frente para a minha cama e as duas me encararam.
- Oi! – Respondi, colocando os fones no ouvido de novo e olhando para o teto, acho que já tinha dito à elas que queria ficar sozinha. Por que será que ninguém respeita meu humor negro?
- Tira essa cara de bunda, pelo amor de Deus! – disse, puxando os fones e entregando à .
- Merda, , que música cu! – disse depois de tirar um dos fones do ouvido. Sorri com a frase.
- Sua frase realmente me emocionou, merda, , que música cu! – Disse, rindo de lado e fazendo cara de pensativa. Cara, eu não conheço essa menina há muito tempo, mas não sei porque, gosto dela pra cacete!
- Ah, deixa isso pra lá, levanta dessa cama porque você está feia! – disse, fazendo careta.
- Muito obrigada pela parte que me toca! – Falei, fingindo estar comovida.
- Você não penteia o cabelo há, pelo menos, três dias, não passa um lápis no olho há uns quatro e seu esmalte já está mais que descascado.
- Acho que alguém aqui está começando a ligar para ‘futilidades’! - Sacudi os dedos no ar.
- Não é futilidade, , são coisas essenciais, me diga o que te afliges, muchacha! – Ela se deitou do meu lado e eu fiquei quieta.
- E eu não vou sair daqui, entendeu? – Bati minha outra mão do lado vago, fazendo sinal para que se deitasse ao meu lado também, e foi o que ela fez. – Cara... – Comecei. –... Eu gosto muito dele, muito mesmo, e eu quero que ele seja feliz, só isso.
- ?! – disse e eu acenei.
- Eu gosto muito dele, tanto que a palavra gostar acho que não é o suficiente, sabe? Eu me sinto tão bem quando eu estou com ele, e tal, mas ele gosta da !
- Mas ele também gosta de você!
- Como amiga! Irmã é a palavra que ele descreve.
- , vai ver ele não descobriu ao certo o que ele sente por você, ainda! – disse.
- Porra, quanto tempo ele precisaria para saber que gosta de mim? Um ano? Porque eu já estou nessa há quatro! Ele gosta da , me disse isso com todas as palavras, e ela gosta dele, ele está feliz com ela e então é hora de tirar meu time de campo.
- E a deixar ganhar?
- Não é questão de ganhar ou perder, ele nunca foi meu, então não se perde o que nunca se teve.
- , você me desculpa, honey, mas se tem uma coisa que eu e o colégio inteiro sabemos, é que sempre foi seu, independente de qual sentido! – riu.
- E você não pode perder, sem, pelo menos, lutar, , eu nunca te vi lutando por ele, coloca isso que você sente por ele para fora, garota. Sentimentos são feitos para serem compartilhados, e não escondidos.
- Não é tão fácil assim!
- Por que não? – perguntou.
- Por que... E se ele mudar comigo? Você quer que eu vire e diga “, cara, esse tempo todo fui afim de você!”? Não dá. Eu tenho certeza que ele mudaria comigo, e se eu perdesse a amizade dele?
- , de duas, uma. Se ele mudar com você, ou é porque você mexeu com ele, ou é porque ele não é seu amigo de verdade.
- Cara, vocês não entendem, eu tenho medo.
- Medo é o caralho! – disse, se revoltando e se sentando. – Toma vergonha na porra da cara e vai atrás da porra do homem que você ama, se não eu juro que vou ter que te dar uma porrada! Estamos entendidas? – Ela se levantou, indo até a porta. – Tenho que ir que minha mãe está me esperando! – Ela nos mandou uma piscadela e eu ri. Baixou a revolucionária.
- A está certa, , bota um sorriso nesse rosto e vamos animar! – se sentou também e eu ri da atitude delas. - Aquele bofe é teu, guria, e ninguém vai te tirar isso, muito menos uma estranha de cabelo verde, você não concorda? – Ela sorriu marota, indo até minha coleção de CDs e tirando um da capa, logo uma música alta e animada começou a tocar pelo quarto, é, dude, elas tinham razão. Eu tinha que lutar, e, bem, acho que é isso que vou começar a fazer.
’s Point Of View
O sinal tocou e eu agradeci mentalmente por mais um fim de semana que chegava. Juro que se tivesse que agüentar a mal comida da professora de Biologia falando mais cinco minutos, eu tinha um surto psicótico e batia nela ali mesmo. Ok, eu não sou do mal, cara, é que ela é chata, só isso.
Assim que pisei no pátio que dava até o portão central, senti um peso em minhas costas e não precisei me virar para ver de quem se tratava. . Graças aos céus! Estava sentindo saudades da minha amiga louca.
- Porra, , desce logo! – Gritei, me sacolejado e a assistindo cair de bunda no chão. - Estou com cara de burro de carga, agora? Você está gorda, folha. – Sorri, debochando da sua cara de Broke Davis e logo se juntou a nós. Rindo de , que se levantava, ajeitando as costas. Era bom tê-la de volta.
- Vaca! - Ela resmungou e eu apenas ri. Geralmente éramos assim, nos amávamos, sabe? Logo minha atenção foi chamada por um grupo de quatro garotos que caminhavam em nossa direção, rindo de qualquer besteira que um deles havia pronunciado.
- Olá, garotas! - Eles disseram.
- Hey, guys, comeram muitas cabritas? - Perguntei, arrancando algumas gargalhadas. Bom, eles sumiram por dois dias, alegando que iriam acampar, está bom e eu sou a fada do dente.
- Não, sua mãe não estava lá! - disse, debochado, rindo da minha boca aberta e eu lhe mandei o dedo do meio. Muito bonito, por sinal. Ia abrir a boca para responder, porém me interrompeu, enfiando a língua na minha boca, e isso é bem melhor do que responder o , te garanto. cortou nosso beijo com seu típico “éca”, passando por entre nós e se jogando em cima de , da exata maneira que fizera comigo segundos atrás.
- Pessoa, me leva no colo? - Ela perguntou, sorrindo. Bem, será que eu sou a única pessoa que percebe aquele brilho besta nos olhos e aquele sorriso besta nos lábios dela quando ele está por perto ou eu preciso de óculos? Sério, cara, ela não sabe disfarçar. Como ela tinha medo de colocar isso para fora? Era tão fofinho o jeito do olhar dela.
- , às vezes você esquece que você está pesada! - disse rindo e levando alguns pedalas da menina.
- Hey, acabei de dizer isso à ela! – Falei, indo em direção aos meninos e dando uma mordida na bochecha de cada um.
- Hey, o que vamos fazer de tarde?! Hoje é sexta, pelo amor de Deus, não quero morgar, não! – Disse, enquanto caminhávamos em direção ao portão central, que nos daria liberdade daquele hospício. e seguiam em nosso encalço, conversando sobre algum filme que viram na televisão, eu falei que eles não tinham ido acampar. e iam à frente, com ele a carregando nas costas, e ? Bom, esse aí eu não sei, provavelmente se agarrando com alguma estranha nos arredores.
- Ué, vão lá pra casa, oras. – falou. – A gente pode ver filme, comer pipoca com brigadeiro a tarde inteira e inventar algo diferente à noite. - Falou animada, batendo palminhas de um jeito que lembrava uma foca. Observei como o sorriso dos três seres a minha frente cresceram no rosto e arqueei as sobrancelhas não entendendo o motivo, ah, já sei, ela citou brigadeiro. Virei-me novamente, indo em direção ao portão onde o pseudo casal nos esperava em frente ao carro de . - Isso é, se vocês quiserem ir! – Falou, ainda andando um pouco na frente e observando as unhas.
- Mas é claro que vamos! - respondeu, colocando um dos braços em volta de seus ombros. É impressão minha ou não ficou mais quente aqui para alguém corar? - Mas só se for de terror, Jogos Mortais, de preferência, nada daqueles filmes melosos de donzelas! - Ele disse e sorriu mostrando todos os seus dentes, muito bem escovados, e eu vi dar um sorriso sem graça –danada.
- Ah, esse filme nojento não! - se pronunciou, fazendo careta, o que fez com que todos rissem.
- Deixa de ser gay, Jones! - disse, dando um pedala no menino, que fez careta.
- Desse jeito vocês matam meus neurônios, sabiam? - Ele perguntou, passando uma das mãos no local atingido.
- , sinto te informar, mas não existe mais nenhum vivo aí dentro. – disse, dando um último tapa na cabeça de Jones antes de entrar no mesmo carro que . Apenas ri, a seguindo, e todos caminharam para seus devidos carros e caronas. Seria simplesmente apenas mais uma tarde de filmes em uma das casas, mas alguma coisa me dizia que aquele seria diferente. Ah, e como eu gosto de confirmar que eu não estou enganada!
Não sei explicar o que aconteceu ou o que fez essa situação chegar aqui, só sei que estávamos sentados no chão do quarto de , os meninos sem camisa – meu namorado é um gato, fica a dica –, uma garrafa já vazia de vodca estava parada no centro da roda, e outras duas, uma pela metade e outra ainda cheia, ao lado de , o mais sóbrio. Pelo menos era o que eu achava. O filme havia acabado há tempo, então resolvemos fazer algo mais ‘interessante’ para animar nossa noite – bebidas e besteiras -, já havia saído há mais ou menos meia hora, provavelmente foi se encontrar com , essa, por sinal, não apareceu na escola nenhum dia da semana, nem mesmo para ir ao ensaio das líderes de torcida, que ela havia passado no teste, havia dito que ela estava ‘tratando o cabelo’. Coloquei algum CD de que encontrei perdido pelo quarto e uma música maneira começou a ecoar pelo local. Todos estavam sentados em roda e conversavam mais soltos que o normal, o que a bebida não faz?
- Eu quero eu nunca! - gritou, erguendo os braços para o alto, seguido de , que começou a rir sabe–se lá de que. Sentei-me novamente na roda que era seguida de , , , , , e eu.
- Vou pegar mais copos, então! – disse, se levantando, e eu e a seguimos até a cozinha.
- Você podia pegar o ! – disse rindo, segurando o copo que lhe dava.
- Concordo plenamente! – Disse, recebendo os meus copos. gargalhou e, sem se virar para nós, disse.
- Concordo absolutamente! – E saiu na frente, correndo junto com , seria um lindo casal eles dois, muito fofos. As duas subiam as escadas como duas hienas rindo de sabe-se lá o que, que eu não entendia. A campainha tocou e me mandou abrir, sumindo escada acima.
- Hey, de novo! – Disse para , abrindo caminho para ele entrar e cumprimentando com um aceno de cabeça. – Ainda estão no mesmo lugar! – Disse e sorriu animado, subindo as escadas na frente da namorada, nem a esperando. estava com os cabelos pretos, me segurei para conter a cara de espanto. Ela estava estranha. Sem sombra de dúvidas.
Assim que entrei no quarto, pude ver torcendo o nariz e segurando o riso, todos olhavam espantados os cabelos, antes claros, agora pretos de .
- Peguem seus copos pessoas, porque a brincadeira vai começar! – disse imitando Jim Carey e todos rimos, inclusive , o que foi super estranho, já que ela nunca ri de nossas piadas. Mas vai, né?! se sentou ao lado de e ao seu lado, consequentemente ficando de frente para , as duas se entreolharam por instantes e logo se pronunciou.
- Só vale a verdade, somente a verdade, nada além da verdade! – Disse, enchendo os copos e passando para cada um. – Eu, como o mais bonito... – Ele ia dizendo e uma camisa voou em seu rosto, e as gargalhadas voltaram. – Como eu ia dizendo... – Ele falava rindo. –... Eu, como o mais bonito, começo, e a roda gira no sentido horário. Bom, para começar... – Ele parou um pouco e pensou, mordendo os lábios, super sexy. – Eu nunca beijei um menino! – Ele disse e gargalhou em seguida, , , e eu levamos o líquido à boca e bebemos sem pestanejar. ergueu o copo e todas as atenções se viraram para ele, assustados...
- Brincadeirinha! – Ele soltou uma gargalhada estrondosa, que contagiou a todos.
- Que susto, já ia te proibir de dormir no ! – Disse.
- Hey, sou macho, nunca te provei isso, não, amor? – Ele fez a pergunta perto de meu ouvido e pude sentir minhas bochechas corarem. – Próximo! – Ele disse e foi a vez de .
- Eu nunca beijei uma mulher! - Ela disse sorrindo e os meninos ergueram seus copos, brindando. Graças a Deus por isso! Eles beberam com orgulho e rindo a toa, acho que alguém soltou o gás do riso aqui e eu não vi. Agora era a vez de .
- Eu nunca... – Ele parou para pensar. -... Nunca peguei alguém em um momento mais íntimo. – Ele fez sinais com as mãos para melhor interpretar a pergunta. bebeu e todos a olhamos rindo e pude ver os olhos de se estreitando, acho que já sabemos quem ela pegou em um momento mais íntimo.
- Eu nunca vomitei dentro de um carro. – disse e , , , e eu bebemos. – Fracos! – Ela disse.
- Eu nunca fumei um baseado! – Foi a vez de . e beberam.
- Foi só para experimentar, detestei! – disse e concordou com ela.
- Nunca faça isso! – Ele disse, alertando aos amigos.
- Eu... – pensou e seus olhinhos estavam um pouco vidrados, demonstrando o alto teor de água que ela já tinha ingerido. –... Eu nunca transei! - Ela riu alto e todos nós bebemos, o que gerou uma gargalhada mutua.
- Virgem Maria! – A zoei.
- Acho que preciso resolver esse meu problema! – Ela disse.
- Olha eu aqui! – ergueu os braços e uma camisa voou na sua cara, junto com um olhar feio de .
- Ah, eu nunca peguei, ou dei em cima da por medo do , pronto falei! – Ele jogou os braços ao lado do corpo de forma engraçada, mostrando revolta. bebeu o líquido tão rápido, na tentativa do não ver, que acabou se engasgando, gerando mais risadas. batia em suas costas enquanto ele tossia, ria e xingava ao mesmo tempo.
- Eu nunca dei em um banheiro! – Disse e bebeu, safadinha.
- Eu nunca dei em um banheiro! – disse, inconformado. - Na verdade, eu nunca dei!
- Eu também não! – .
- Muito menos eu! – .
- Eu já! – disse e nós o olhamos. – Já dei beijo no rosto da , da ...
- Idiota! – Disse, lhe tacando algo que nem percebi o que era. – Serve comer também! – Disse e todos os meninos beberam.
- Eu nunca peguei a Clarckton! – disse e sorriu vitorioso. bebeu.
- Aquela espinhenta do segundo ano? – perguntou fez cara de nojo.
- Eu estava bêbado, ok? – Ele justificou.
- Eu nunca tratei mal alguém da minha família. – disse e mandou uma piscadela irônica para . Ela e beberam.
- Eu nunca fiquei com uma amiga. – disse. , , , e eu bebemos.
- Eu nunca quis matar alguém! – e beberam.
- Eu nunca transei na escola. – e beberam.
- Eu nunca... – parou, pensando. –... Eu nunca tive o cabelo verde! – sorriu debochada e tomou, com cara de desafio.
- Eu nunca coloquei uma calcinha. - Era a vez de , com exceção de nós meninas, e tomaram. Eu ri alto com isso.
- Eu nunca toquei uma punheta! – Disse vitoriosa e gargalhei da minha própria frase, todos os meninos beberam.
- Eu nunca recebi um oral. – Tenso. - e beberam, rindo com os olhos.
- Éca! Vocês fizeram um no outro! – disse tão naturalmente que fez com que e cuspissem o líquido em suas bocas, exclamando reclamações e xingamentos. A vez agora era de , ela encarou o copo a sua frente com um sorriso maléfico – diga-se se passagem – seus olhos buscaram o de e ela sorriu mostrando os dentes, olhando minha amiga.
- Eu nunca fui apaixonada pelo namorado da minha irmã! – Ela disse e o quarto caiu em silêncio. Ao contrário das outras pessoas, leia, eu e , que fazíamos cara de assustadas, pareceu não se surpreender. Todos os olhos estavam em cima dela, inclusive os de , que parecia confuso e olhava fixamente para as mão de no copo. abriu um sorriso e deu uma gargalhada, arqueando a cabeça para trás, e logo em seguida fez algo que nunca imaginei que ela teria coragem de fazer. Ergueu o copo com o líquido e bebeu.
Treze
Acordei sentindo mãos envolvendo minha cintura, mas não fiz nenhum movimento para que pudesse ver quem era. Tinha certeza que se movimentasse minha cabeça, ela provavelmente se deslocaria de meu corpo, rolando pelo quarto e provavelmente mataria alguém do coração – ok, parei. Eu ainda não havia aberto os olhos, mas tinha certeza de que quando fizesse, isso me arrependeria amargamente, assim como estava me arrependendo, naquele momento, de ter bebido na noite passada, fazer o que, né? É a vida, vivendo e se arrependendo, se bem que pelo que eu me lembre, o ditado não é bem assim, mas eu ainda estou meio bêbada, porém, dessa vez, de sono, e de ressaca, então, deixe-me pensar os ditados errados, por favor. Algo se chocou contra meu rosto e instintivamente abri os olhos, me arrependendo, minha cabeça deu uma pontada tão forte que se eu não soubesse que gritar a faria doer mais ainda, eu o teria feito. O pé de havia batido em meu rosto quando o mesmo fez menção de se mexer na cama. Quase soltei uma gargalhada ao olhar nosso estado. , , e eu dormíamos na cama da mesma. Os braços de estavam passados por minha cintura de forma engraçada, ele havia me abraçado para não cair no chão, fato. Do outro lado, no chão, os casais dormiam em paz. Eu poderia ver apenas os cabelos negros de , provavelmente rolara para debaixo da cama, como sempre fazia. Ergui meu tronco, apoiando meu corpo em uma das mãos, enquanto outra massageava minha testa. Fechei bem os olhos, apertando-os contra minhas pálpebras e os abri, sabe quando você vê uma porção de churumingos quando abre os olhos? Ok, você vai me dizer que não sabe o que é churumingo. Eu explico. e eu costumamos dizer que vemos churumingos quando vemos uma porção de luzinhas brancas diante de nossos olhos, entendeu?
Sentei-me, ereta desta vez, e prendi meus cabelos em um coque frouxo, passei a mão pelo rosto e joguei uma de minhas pernas por cima do corpo de , apoiando uma perna no chão e logo depois fazendo o mesmo com a outra, quando finalmente apoiei meu peso no chão, me levantando, tudo ao meu redor girou e tive que me segurar na cabeceira da cama para que não caísse. Fechei os olhos novamente e depois os arregalando e esperei que a tontura passasse para que pudesse seguir meu caminho, minha boca estava muito seca e meu organismo implorava histericamente por água. Desci as escadas em silêncio e entrei na cozinha, tirando da geladeira aquele bendito líquido denominado H2O e o bebi com tanta vontade que achei estranho que não tivesse engasgado. Sentei-me em um dos bancos de frente ao balcão da cozinha de e fiquei olhando a garrafa, logo minha mente se projetou a tentar lembrar-se de tudo o que havia acontecido na noite passada. Filme, pique pega, nada para fazer, começamos a beber, eu nunca e... Merda. Travei com a última lembrança e a mais sóbria que tinha. Merda, merda, merda, mil vezes merda. Caralho, eu...
- Achei que tivesse sido o único a madrugar! - disse, entrando na cozinha e sentando em minha frente, do outro lado do balcão. E eu arregalei os olhos, o olhando assustada, meu coração deu cambalhotas, um duplo twister carpado, antes de parar no mesmo lugar e começar a bater de maneira exageradamente ridícula, mais rápido do que escola de samba prestes a entrar na Sapucaí. Minhas mãos suaram e pude senti-las tremer de leve. Fodeu, fodeu! Abaixei a cabeça, fitando o meu copo e respondi sem olhá-lo.
- A sede falou mais alta! - Sorri sem mostrar os dentes, ainda olhando o copo, já sei o que iria fazer, ia fingir que nada havia acontecido. Amnésia pós bebedeira, isso era normal, certo? Cara, eu sou muito inteligente, quase uma Bill Gates. Ha. - Pensei que você ainda estivesse dormindo quando saí do quarto! - Ergui minha cabeça, o olhando, e passando as mãos pelo cabelo, não queria nem saber como eu estava, porque, de fato, deveria estar horrível. Minha puta que pariu, por que ele tem sempre que ser tão lindo pela manhã?
- Na verdade, nem dormi direito... - Ele sorriu de lado, um sorriso tão fofo, tão lindo, tão perfeito que eu tive que abaixar novamente os olhos para não secar descaradamente meu cunhado. - Você dormiu bem? - Nossa conversa estava, de fato, estranha, parecia que estávamos pisando em ovos para falarmos um com o outro. Mas ainda estava melhor do que se ele perguntasse: e aí, , tu és afim de mim, né?
- Com o e o na mesma cama? Bem capaz! – Disse, rindo e tomando mais um gole da minha água, que nesse momento nem me parecia mais tão gostosa, não com os lábios de na minha frente, super rosadinhos e parecendo apetitosos, não mesmo. Tarada.
- Ele roncou de novo? Nem ouvi! - disse, rindo dessa vez, mostrando os dentes.
- Se ele roncou eu nem sei, apaguei, nem lembro de nada! - Fiz questão de sutilmente destacar o nem lembro de nada, para que ele pudesse entender perfeitamente que eu não lembrava de nada. Muito menos da parte de ter admitido que era apaixonada por ele, eu nem me lembrava disso. Você se lembra? Porque eu não.
- Não se lembra de nada? Nada mesmo? - Ele perguntou e eu abri a boca para responder, mas meu corpo reagiu mais rápido, meu sangue subiu direto para minha bochecha, denunciando-me. Caralho de corpo que não colabora comigo. Cara, por que o caralho para mim soa tão libertador? Não é a mesma coisa que um porra, o caralho é tão... Tão caralho! Mas voltando, nem agora, corpo? Merda, você tinha que ser meu amigo! Briguei com meu subconsciente traidor. E abaixei meus olhos de novo para o copo fechando minha boca, merda, merda!
-Eu…
- , olha para mim! - Ele disse de forma tão suave que foi impossível não obedecê-lo. - O que você afirmou, ontem, quando bebeu, é verdade? - Ele me olhou, mas ele não parecia estar bravo, nem ressentido. Ele parecia entender, ou quem sabe ele já esperava por isso, afinal, eu não sei disfarçar. Um momento tenso, e meio que constrangedor se instalou entre nós até que eu respondesse a sua pergunta.
- É... - Respirei fundo, esperando ele me chamar de doida, dizer que eu estava confundindo as coisas e que éramos apenas amigos, e que precisaríamos nos afastar por um tempo, ao contrário, ele tirou o copo da minha mão, as segurando entre as suas.
- Há quanto tempo você sente isso? – Ele me olhou de uma maneira tão terna, seus olhos transbordavam tanto carinho, que pela primeira vez eu não senti medo de realmente dizer o que estava sentindo.
- Um bom tempo... - Me senti Edward Cullen respondendo quando a Bella pergunta: há quanto tempo você tem dezessete anos? Ok, parei de novo. Eu tenho mania de pensar em coisas ridículas quando estou nervosa, ok?
- E por que você nunca me falou antes? - Me senti obrigada e responder aquilo olhando em seus olhos, já havia sido feito, e já que era para dar continuidade, que fosse feito direito.
- Cara, você queria que eu virasse pra você e falasse: poxa, , você me desculpa aí, eu sei que você me vê só como sua amiga, mas eu sou muito a fim de você, sabe? E só você não percebe, porque eu sou burra o suficiente para não saber disfarçar em momento nenhum, tanto que minha irmã, que mora na minha casa há apenas quinze dias, já percebeu e joga isso na minha cara! Eu não podia fazer isso, . Você é meu melhor amigo, você se importa comigo, você está comigo sempre, é você que está lá todas as manhãs me acordando, é você quem segura minha mão na maioria das vezes que eu choro, é em você que eu penso sempre antes de dormir, é com você que eu sonho. Só você me olha desse jeito, que me faz sentir como se eu realmente importasse, é só o seu sorriso que me faz sorrir sem motivo, é você que me liga no meio da noite, e se o que eu sentisse mudasse tudo? - Olhei no fundo de seus olhos, eu me sentia tão segura quando estava perto dele, como se nada mais importasse realmente, apenas nós dois e o que estávamos vivendo no momento, mesmo que fosse a coisa mais simples do mundo, mas seu olhar mudava completamente tudo dentro de mim, e naquele momento até o medo que eu tinha de proferir aquelas palavras. - Eu, eu me sinto tão segura quando eu estou com você, é como se nada mais importasse, sabe? É uma coisa tão boa de sentir e se tudo isso mudasse por causa de um suposto sentimento que eu tenho? Eu poderia estar apenas confundindo as coisas e tal, e depois veio a ...
- Por isso toda implicância? – Ele ergueu as sobrancelhas, de um jeito meio sapeca.
- Minha implicância com ela veio desde o dia em que tínhamos apenas meses e nossos pais nos apresentaram. Então você não tem nada a ver com isso! – Disse, e ele cerrou os olhos com um sorrisinho de lado que dizia ‘me engana que eu gosto’. - Talvez isso tenha piorado um pouco as coisas entre nós duas, mas não fez nascer nada, nosso ódio já veio criado. E tem o fato de você sempre ter deixado bem claro que me via apenas como amiga... E eu não quero que você mude comigo só pelo fato de saber como eu me sinto. – Abaixei os olhos. – Eu ouvi quando você disse para a : nunca rolou nada entre a gente e provavelmente nunca vai rolar... – Não pude deixar de me sentir triste ao lembrar-se de suas palavras.
- , eu...
- Bom dia, pessoas! - Um mais animado que o normal entrou na cozinha e rapidamente puxei minhas mãos de encontro ao meu corpo.
- Nossa, que animação! - Sorri sem graça para ele, que nem percebeu que atrapalhou nossa conversa, é um lerdo mesmo.
- Posso saber por que toda essa animação? - perguntou, o encarando, curioso.
- Tive uma idéia de uma parada para a gente fazer hoje! – Disse, eufórico. - Na realidade, eu tive um sonho que me deu uma idéia! – Disse, se sentando em um dos bancos ao meu lado e bebendo minha água. Folgado.
- Então diga, né, homem! – Disse, pegando meu copo de suas mão e terminando de beber a água, enquanto ele explicava sua brilhante idéia.
- Vamos para a praia! Acampar? - Ele disse sorrindo, mostrando seus quarentas e três milhões de dentes muito bem cuidados, obrigada. Nada exagerada eu.
- Como assim? Com direito a barraca e tudo? - perguntou.
- Claro, né? Você já viu acampar sem levar barraca? - deu um tapa na cabeça de e riu em seguida.
- Bom dia, pessoas sem miolos que eu tanto amo! - entrou na cozinha se espreguiçando, e dando um beijo em cada um e se sentando em meu colo em seguida. Impressão minha ou só tem folgados ao meu redor? - O que vocês falam? – Perguntou.
- Vamos acampar na praia essa noite! - respondeu. Ok, como se todos nós tivéssemos concordado com isso, mas abafa. - Cara, eu acho que a idéia é perfeita, só basta saber se todo mundo vai aceitar! - Ele me lançou um olhar e eu entendi o que ele quis dizer com aquele todo mundo. .
- Por mim, eu estou dentro! – Disse.
- Eu também! - concordou.
- Você também o que, senhorita? - Um com a cara amassada entrou na cozinha, dando um selinho na namorada e se debruçando na bancada, quase dormindo em pé.
- Acampar na praia! - disse e pareceu perder todo o sono com suas palavras.
- Uhul! Estou dentro! - Ele disse, fazendo uma dancinha ridícula, o que nos fez gargalhar.
- Uhul! Eu também! - entrou e começou a imitar dançando, porém parou abruptamente, nos encarando, confuso. - Dentro de que? - Ele fez uma cara de idiota e lhe deu um pedala na cabeça.
- Só gente bonita, na minha casa, à uma hora dessas! - entrou na cozinha, já de roupa trocada e cabelos penteados. É impressão minha ou todos resolveram acordar de uma vez, e não me deixar terminar a conversa com ? - Meu Deus do céu, que beleza. - Ela cumprimentou a todos com um beijo.
- Vamos acampar? - e eu dissemos juntas, rindo em seguida e entrou na cozinha no exato momento em que fazíamos a pergunta.
- Acampar? - Ela, e perguntaram juntos. recomeçou a fazer a dancinha tosca.
- Mas é claro! Minha mãe tem uma van. Dá pra todo mundo e ainda cabem as coisas que vamos precisar levar.
- Então, está topado? Vamos todos acampar na praia? - perguntou com os olhos brilhando mais que o normal. Eu poderia tirar uma foto dele e jogar a legenda: Dorgas Manolo!
- Eu não vou! - se pronunciou. Todos a encaramos em silêncio. Eu, com um ódio nos olhos e vontade de arrancar todos os seus cabelos, não havia esquecido o que ela tinha feito na noite passada. Não mesmo.
- Por que, amor? - perguntou, erguendo uma das sobrancelhas. Amor? Hum, como estamos.
- Já não basta ter dormido no chão, essa noite, agora vou ter que dormir em uma barraca? - Ela ergueu uma das sobrancelhas, abrindo exageradamente a boca.
- Fecha a boca que senão vai entrar mosca, meu amor! – Disse, debochada, e ela apenas me fuzilou com o olhar, com um sorriso de deboche no rosto. Como eu adoraria torturá-la vagarosamente, exatamente como Hitler fez na época do nazismo. Ok, parei, nem sou tão má assim.
- Vamos, , vai ser legal, a gente vai pra praia. - tentava convencê-la e eu orei internamente para que isso não se concretizasse.
- Pra que eu vou querer ir pra praia se tem piscina na sua casa? E... E ainda por cima eu nem sei nadar! - Ela disse e eu me levantei.
- Se preocupa não, honey... - A olhei, sorrindo de canto. - Não sei se já te disseram, mas merda bóia! - Mandei lhe uma piscadela e então saí da cozinha.
Estávamos no carro a caminho para a praia, na realidade. não era um carro, era uma van que a mãe de havia nos emprestado. dirigia e e estavam ao seu lado, no banco da frente. Merda de poder de persuasão do . , , , e eu íamos atrás, cantarolando músicas de acampamento e músicas estranhas, como de Chaves, Eu, a Patroa e as Crianças, As visões da Raven e outras coisas estranhas. Estávamos indo para uma praia que já havia visitado há alguns anos, mas algo me dizia que estávamos perdidos, insistia que sabia o caminho e que chegaríamos à praia em breve, o que já estava começando a parecer difícil, porque quando se olhava pela janela, via-se apenas uma estrada deserta, onde tinha apenas mato no caminho e muito na frente uma pequena cidadezinha. É, parece que viemos parar bem no interior da cidade. Fato. Acho muito difícil encontrarmos alguma praia por aqui, mas o diz que não, então quem sou eu para duvidar? Estávamos brincando de Stop - menos , que dormia profundamente, chegando até a roncar ocasionalmente - e tentava não rir de algo que eu nem sabia o que, mas que estava me dando uma enorme vontade de rir também. Assim como tinha certeza que o resto do povo sentado ali também queria. Foi quando ouvimos a voz de .
- Hey, crianças, chegamos! - Ele disse e então o carro parou, olhei pela janela assim como todo o resto do pessoal e, uau, foi tudo o que consegui pensar. Uma praia com visão paradisíaca estava a nossa frente, ninguém por perto, e eu me perguntei como tínhamos chegado ali se há três minutos eu havia olhado pela janela e a única coisa que via era mato, mato e mato.
- , como a gente chegou aqui? – Perguntei boquiaberta, saindo da van, logo atrás de e , que conversavam algo super animados.
- Uma trilha que peguei no meio da estrada que dá para esse paraíso! – Ele disse, abrindo os braços e respirando fundo antes de abraçar a . e também conversavam algo um no ouvido do outro, rindo baixinho e eu desviei minha atenção, indo até a parte traseira do automóvel para ajudar os outros dois machos da trupe a tirarem as coisas dali. e já corriam em direção ao mar e eu apenas ri com aquilo, pareciam duas crianças. Bem capaz que eu iria entrar no mar àquela hora, a água deveria estar muito gelada. Em poucos minutos as barracas já estavam montadas e tudo arrumado no seu devido lugar. Todos foram para a água e eu sentei na areia, apenas os olhando enquanto riam descontroladamente, até ria. De certa forma, fiquei um pouco feliz. Ela estava deixando ‘se envolver’, mas uma pontadinha de ciúmes me martelou o peito, ver como ela estava rindo lá com os meus amigos, com o meu . Peguei o telefone e liguei o MP3 e selecionei uma música qualquer para que tocasse. Meus amigos eram lindos, pareciam modelos fakes, tamanha a beleza deles. A espontaneidade de cada um, às vezes eu tinha medo de que isso um dia acabasse, de que cada um seguisse seu caminho e que momentos como esse ficassem apenas na memória. Acho que estou passando por um momento emo, como diria . Ok, eu sei que não é o momento apropriado, mas o que eu podia fazer? Eu havia acabado de me declarar para o meu melhor amigo, que estava a metros de mim se divertindo e se agarrando com minha irmã. Também não era para menos. Está doendo, ok? Está doendo ver ele com a , está doendo ver meus amigos rindo, e de alguma forma eu me sentir triste. Simplesmente, está doendo um pouco.
- Dont look away, dont run away cause baby its only life. Don’t lose your faith. Don’t run away. Yeah its only life. - Cantarolei baixinho um trecho da música. Eu tinha que estar aproveitando o dia com meus amigos, mas estava lá. E eu ainda não conseguia olhá-lo nos olhos.
- , vem! – Ouvi a voz de de longe e acenei negativamente. A água realmente poderia estar gelada e eu que não me arriscaria. e participavam de algum momento casal, assim como e dentro da água. , e jogavam água um no outro e brincavam de algo como pique e pega, eu acho, correndo como uns loucos pela água. Foi quando os dois últimos saíram da água, vindo em minha direção.
- Nem adianta, eu não vou entrar e nem vem com essa parada de me jogar dentro da água porque nem coloquei biquíni ainda! – Disse, apontando para meus trajes, uma regata verde e um short jeans escuro.
- Olha só minha cara de preocupado! – Foi o que disse, antes de ele e me pegarem a força – que fique bem claro - um pegou meus braços e outro minhas pernas, enquanto eu apenas me debatia, xingando-os.
- Porra, me solta! - Eu tentava me desvencilhar, o que foi em vão, em questão de segundos eles começaram a correr em direção a água, - que nem estava tão gelada - e senti meu corpo ser mergulhado, quando me levantei, ao invés de xingar, brigar, gritar ou bater, eu apenas ri, nunca acreditei nisso, mas minha vó sempre dizia que um mergulho no mar tirava toda tristeza, e, de certa forma, tirou um pouco. Então eu gargalhei, jogando meus cabelos para trás. Gargalhei por ser uma burra que, por um medo idiota, deixou escapar pelos dedos o menino que gosta. Gargalhei por ter amigos que me amam e que realmente se importam comigo, gargalhei por ter uma vida boa, cercada por pessoas que me amavam de verdade, e então saí correndo na direção de , que correu para o lado oposto, rindo também, iniciando um pique pega. Acho que é aquela parada, eu não posso deixar minha vida passar por mim sem aproveitá-la. Porque tudo uma hora passa, as coisas ruins passam e as boas também, então eu tinha que aproveitar, para não me arrepender no futuro. Tinha que aproveitar e viver com intensidade cada segundo ao lado dos meus amigos, não importando o que estivéssemos passando. Não importando qual situação fosse, pensei, olhando para as pessoas em minha volta, correndo e rindo sem um motivo eminente, e depois me toquei sobre o que havia cantado. – Não olhe em volta, e não fuja, porque, querido, isto é apenas a vida. Realmente, isso é apenas a vida. Minha muito louca, mas, ainda assim, minha tão amada vida.
Quatorze
- Bom, então, a parada é a seguinte, os meninos vão pescar, e depois as meninas fazem a janta com o peixe que a gente trouxer, combinado? – disse, se levantando de repente e todos o olhamos, em silêncio, então ele se sentou. – Que foi, cara? Sempre tive vontade de dizer isso! – Disse, cruzando os braços, infantilmente. E soltou uma gargalhada alta, que fez com que todos a encarássemos, surpresos, é, cara, acho que alguém aqui está começando a mudar. Já passavam das três da tarde e estávamos todos sentados perto da água, e debaixo do guarda sol e o resto apenas na areia. Eu e jogávamos areia no corpo de , que já começava a ficar coberto e apenas ria, dizendo que era esfoliação ‘grátis’.
- Cala a boca, ! – disse, rindo, jogando areia nele e se levantando.
- Vai aonde, coração? – Perguntei, a olhando.
- Eu não sei vocês, mas eu estou com fome e com sede, e então acho que vou atrás de algo para comer! – Disse, e então me levantei, seguindo-a, assim como .
- Tragam algo para comermos! – se ergueu, tirando um pouco da areia do corpo. – Estou com uma fome de uns quarenta e cinco mendigos!
- E eu estou com fome de uns três s! – disse, rindo.
- Ok, o ganhou! – Dissemos e eu, juntas, rindo. superava todo mundo comendo, ele dava medo, fato. E, voltando em direção a van, que não estava muito longe, na realidade, ela estava em uma área perto de onde acabava a trilha e era gramada. As barracas – quatro ao total, uma para e – ARGH -, uma para e , uma para e e outra para e eu.
- ... - Ouvi chamando e, dude, foi bizarro ouvir a voz dela me chamando pelo nome, porque acho que ela nunca me chamou de por livre e espontânea vontade. Nunca, velho. Os olhares se voltaram para ela, e se seu rosto não estivesse tão vermelho devido ao sol, diria que ela havia corado.
- O que? – Perguntei, nem ignorante e nem simpática. Vamos aprender a ser social, né?
- Er, posso ir com vocês? – Ela perguntou, sem jeito, e eu dei de ombros.
- Por mim... – Disse, me virando e voltando minha caminhada ao encalço de . logo estava ao nosso lado, em silêncio, na realidade, um silêncio havia se instalado entre nós. E ouvia-se apenas o barulho do mar e as conversa dos meninos. abriu a parte traseira do carro, tirando dali uma enorme bolsa térmica e um isopor pesado, que eu a ajudei a carregar. abriu uma mesinha portátil, que tínhamos trazido, e nos ajudou a tirar as coisas para montarmos os sanduíches. Ainda em silêncio, montamos sanduíches. E pegamos algumas caixinhas de suco natural que havíamos trazido dentro do isopor. Estávamos muito lights.
- Eu vou chamar os meninos! – disse quando terminamos de arrumar nossa pequena grande mesa de mantimentos.
- E eu vou desenterrar o , porque ninguém vai querer fazer isso! – disse e eu a olhei, apelativa, para não me deixar sozinha com , juro que seria capaz de matá-la. Silêncio.
- Er... ... – me chamou. Ah, não. já é apelar demais.
- pra você. – Disse, não fazendo um pingo de questão de ser educada.
- ! – Ela disse. – Será que dá para a gente parar com isso pelo menos um dia de nossas vidas? – Ela perguntou, colocando as coisas que trazia na mesa e me encarando, séria. Sem deboches e ódio, quase como uma menina sensata.
- Parar? Parar com o que? Com o fato de você ter vindo morar aqui para infernizar a minha vida? Ou melhor, com o fato de você ter nascido para isso? Então, ok, eu te mato e a gente acaba com isso rapidinho. – Disse, debochada, e me sentindo uma criança de cinco anos de idade. Mas fazer o que? Minha verdadeira vontade, naquele momento, era matar aquela filha de uma puta.
- Eu estou falando dessa implicância ridícula que a gente anda tendo uma com a outra, cara, a gente está sempre juntas! Para que isso? – Espera aí, é impressão minha ou ela está tentando fazer parecer que sempre a culpa é minha? E pelo o que eu me lembre, nós não estávamos sempre juntas, ela insistia em estar junto comigo, ou melhor, junto dos meus amigos! Já que ela não largava do pé do .
- Escuta aqui, , não se faça de santa e fique falando como se você não tivesse culpa de nada que acontece entre a gente, porque você é tão culpada quanto eu!
- E quem está falando de culpa aqui, ? Sabe qual o seu problema? Tem que colocar sempre a culpa em alguém, a culpa nunca pode ser sua. Que eu me lembre, não fui eu quem pintou o seu cabelo de verde.
- Como se você não tivesse feito nada para merecer! – Sacudi as mãos no ar, em sinal de deboche. – Sabe qual o seu problema? – Perguntei, apontando meu dedo na sua cara. – Você está sempre tentando arranjar problemas em mim e para mim! Quem mandou você se meter no meio da minha relação com o ? Quem mandou você entrar na minha vida, será que só você não enxerga que você NÃO é bem vinda? Que inferno, garota! – Destaquei bem a palavra não e me segurei para não voar em seu pescoço. Eu detestava me sentir assim, com ódio mortal de alguém, era uma raiva tão forte que às vezes nem parecia ser eu, mas com era inevitável. – Eu realmente queria saber... Que diabos você veio fazer aqui? – não respondeu, apenas continuou parada, me encarando.
- Você não me aceita como irmã, né? – Ela perguntou, ao invés de responder minha pergunta.
- Não, , eu não te aceito como irmã. Para mim, você não passa de uma intrusa no meio dos meus amigos e dentro da minha casa, para mim, você nunca deveria ter saído de Nova York. Por mim, você nunca teria existido! – Disse, séria, e, por segundos, senti um pingo de remorso. Só um pinguinho. Mas logo me aproximei mais ainda dela, deixando meu rosto a centímetros do seu. – Para mim, você não passa de uma vadia que não consegue ser feliz e por isso tenta destruir a felicidade dos outros a qualquer custo. E, ontem à noite, quando você me desafiou na brincadeira, você só me provou uma coisa, que você é uma biscate de quinta categoria. Você achou que eu ia ter medo de beber, né? Você achou que eu e iríamos brigar, né? Você estava enganada, honey. Eu não te considero uma irmã, , muito menos uma meia irmã. Mesmo sabendo que cinqüenta por cento do sangue que corre nas suas veias é o mesmo que corre nas minhas, eu te considero um lixo! Porque, para mim, é isso que você é. – Meu tom de voz saiu calmo e controlado. piscou algumas vezes antes de dar dois passos para trás e se afastar de mim, dando a volta na mesa, fazendo com que apenas ela nos separasse.
- Você também não vale muita coisa, , que eu me lembre, desde pequena você sempre revidou minhas armações. – Senti um pouco de magoa na sua voz, e me senti feliz, de uma forma que eu não sabia qual, eu havia atingido algum ponto fraco dela, e isso me fazia querer pular de alegria, vê-la daquela forma, como se estivesse a ponto de chorar.
- Mas, ao contrário de você, eu nunca mexi com os sentimentos ou os medos de ninguém, sabe, , eu fico me perguntando... O que você veio fazer aqui? Os seus amiguinhos cansaram de ter uma cobra como amiga e te expulsaram de lá ou sua mãe cansou de ter uma filha puta? – Apoiei minhas mãos na mesa, a encarando com as sobrancelhas erguidas, e ela repetiu meu gesto.
- Não fale sobre o que você não sabe! – Ela me encarou, com o olhar furioso.
- Então não se meta aonde não foi chamada! – Nos encarávamos com fúria, e acho que, se fosse possível, mataríamos uma a outra apenas com a força do pensamento.
- Hey, hey, meninas! – chegou, percebendo o ‘clima tenso’ no ar. E pegou um sanduíche na mesa, mas, mesmo assim, e eu não quebramos o contato visual. Era como se uma linha invisível nos ligasse de alguma maneira.
- Hey, , vem cá! – me puxou pelo braço, e só então virei o rosto, vendo meus amigos nos olhando, em silêncio. Andei com em direção à praia, sentindo meu rosto esquentando apenas agora, depois da discussão, e a raiva de era tão forte dentro de mim a ponto de eu ter vontade de chorar. E eu só chorava quando estava realmente com muita raiva. – , eu estou falando! - parou na minha frente, fazendo com que eu freasse de supetão.
- O que? – Perguntei e meu tom de voz saiu frio, como se ainda estivesse falando com . Respirei fundo, passando as mãos na cabeça. – Desculpa, amiga, eu não ouvi o que você falou.
- O que aconteceu com vocês? A gente saiu dois minutos e quando voltamos vocês estavam a ponto de se matarem com o olhar.
- A gente só teve uma conversa, só isso! – Disse e não pude manter contato visual com minha amiga, ela me conhecia bem demais para saber que minha quebra de olhares significava que não queria mais falar do assunto. Olhei de soslaio para o local de onde tinha acabado de vir e pude notar caminhando em direção ao carro do lado, onde não poderia vê-la, e a seguir com o olhar. E logo se virar para mim, com a sobrancelha erguida. Soltei pesadamente o ar de meus pulmões e me virei, quebrando mais uma vez qualquer contato visual. – Vou andar... – Disse, e antes que pudesse dizer ou fazer algo, saí andando.
Minhas pernas já doíam, mas eu ainda queria continuar andando, parecia que a dor física estava me fazendo, aos poucos, esquecer da minha oura dor, uma dor que eu não queria sentir, foi quando senti uma bola na minha cabeça.
- Outch! – Exclamei, e, por segundos, tudo a minha volta ficou preto, acho que a falta de alimentação, a alta temperatura, o esforço físico em excesso – é, eu levo uma vida sedentária e daí? Caminhar na areia é o ó! - e a bolada, contribuíram para que, por alguns segundos, eu pensasse que iria me estabacar no chão como uma manga podre quando cai do pé.
- Hey, menina, desculpa! - Alguém que eu não pude identificar disse, me segurando nos braços antes que meu corpo realmente desabasse. – Hey, olha para mim, tudo bem? – Ele me deu um leve sacolejo e aos poucos minha visão foi voltando a clarear, e logo tudo voltou ao normal, inclusive a cor deve ter voltado ao meu rosto, já que o dono do lindo par de olhos verdes respirou aliviado assim que meus olhos se encontraram com os seus. – Desculpa, acho que te acertei! – Ele disse, sorrindo sem graça. E que sorriso, hein, colega?!
- Tudo bem, acho que eu que andei demais sem comer nada e acabou que me senti mal... – Disse, me afastando um pouco e ele soltou meus braços, só então percebi outras pessoas em nossa volta, mais uma menina e um menino, na verdade.
- Está tudo bem mesmo? Você parece meio pálida. Você quer uma água?! A gente tem no carro... – Ele apontou para um carro esportivo, parado a uma distância boa de nós.
- Eu aceito a água... – Disse, sentindo minha boca salivar só de pensar em beber água.
- Eu vou pegar, calma aí! – Ele disse e logo correu em direção ao carro, as outras duas pessoas apenas me encaravam em silêncio, o menino logo voltou e me deu uma garrafinha de água, que eu bebi com uma vontade tão grande que cheguei me sentir envergonhada.
- Obrigada! – Disse, quando terminei de beber a água. – ... – Disse, estendendo a mão a ele. Não ia perder a oportunidade de me apresentar para um gatinho desses, né? – Mas pode me chamar de .
- Josh! – Ele disse, apertando minha mão e me puxando para dar dois beijinhos em meu rosto. – E esses aqui são a Julie e o Nick! – Ele disse, apontando para as respectivas pessoas, a menina chegou perto de mim, me cumprimentando com dois beijinhos no rosto e o outro menino apenas me cumprimentou com um aceno de cabeça.
- O que você faz aqui, menina? - A garota me perguntou, me olhando de uma forma estranha, ela usava a parte de cima de um biquíni e um short de lycra.
- Eu estou com uns amigos... – Disse, olhando para a direção de onde viera e percebendo que estava longe demais, muito longe, puta que pariu! Teria que andar tudo aquilo de volta e não chegaria lá antes do anoitecer, que merda!
- Bom, a não ser que você tenha uma super visão, eu realmente não estou vendo ninguém! – O menino, me apresentado como Nick, disse, olhando para a mesma direção que eu viera.
- É porque eu acho que andei de mais! – Disse, desanimada, e o dos olhos verdes me olhava em silêncio, com uma cara de mal, no bom sentido, é claro.
- Se quiser, te damos uma carona! – Ele disse. – Não costumamos ver muitas pessoas por aqui, poucas conhecem o caminho... – Disse com um sorrisinho de canto, ele tinha um olhar tão, como eu posso dizer, sexy.
- Um amigo meu conhece o caminho... – Disse, mexendo na tampa da garrafa em minhas mãos. – E não precisa, eu vou andando, rapidinho chego onde eles estão. – Disse, sem graça pela forma que ele estava me olhando, e que olhada! Não pude deixar de sorrir para mim mesma, nada melhor do que um cara bonito te secando, para inflar seu ego, concorda comigo?
- Mas é claro que eu não vou deixar uma linda dama andar por aí sozinha, e, pelo que eu entendi, seus amigos são aqueles pontinhos lá no final, certo? – Ele perguntou, apontando para a direção que eu viera, mas eu não vi pontinho nenhum. – E, se você não está vendo pontinho nenhum, significa que você está bem mais longe do que deveria! – Ele sorriu. - Então, não aceito um não como resposta.
- Tudo bem! – Disse, e a menina chegou mais perto, começando a puxar um assunto qualquer enquanto caminhávamos para o carro. Quer saber de uma coisa? Quero mas é que e todos os problemas que ela estava me trazendo se fodam, afinal, nada melhor do que fazer novas amizades, certo? E se nessas novas amizades estivesse incluído um moreno de olhos verdes, como aquele, valia mais que a pena!
Quinze
(Coloca aí para carregar: Tomorrow – Avril Lavigne)
’s POV On
A está surtando, isso é fato. Mas eu não a culpava por isso. Não mesmo. A sempre foi muito coração, e nunca consegue esconder o que sente, a não ser o fato do que sentia por mim, e preciso deixar bem claro que foi uma surpresa e tanto para mim, quando ela entornou aquele copo de vodka. Mas, ao mesmo tempo, eu me senti feliz, porque a sempre foi tudo o que eu procurei em uma menina, e nunca soube que o que eu precisava estava bem ao meu lado e eu nem percebi. Mas nada disso mudava o fato de que ela estava perto de ter uma crise psicótica e sair matando todo mundo com um sorriso enorme nos lábios, ok, não é para tanto, mas eu conhecia bem demais para saber que ela estava prestes a explodir, por dois motivos óbvios. Primeiro, ela realmente não gosta de . Segundo, mexeu com uma coisa da que ninguém ousa se intrometer, os sentimentos, as coisas que ela sente. Cara, e fazer com que a dissesse que era a fim de mim, naquele quarto, mesmo com ela estando bêbada, era demais, e eu entendia a estar querendo explodir. Mas nada justifica o fato dela ter saído por aí, andando, sem dar uma mínima justificativa, e não ter voltado até agora! Essa menina quer me deixar louco!
- Porra, , senta que você está começando a me deixar preocupado! – disse, sério.
- Cara, a não voltou ainda, daqui a pouco começa a escurecer, e cadê ela? – Disse, já nervoso, passando a mão no cabelo, eu, junto com , estava perto da água, olhando para a direção em que saíra caminhando, e o resto do pessoal estava espalhado entre o carro e as barracas. Nem dando a mínima para o meu pequeno surto sobre onde estava a .
- Dude, calma, acho melhor a gente ir atrás dela, porque você já me deixou preocupado. – disse, e, nesse instante, um carro apontou no horizonte e eu parei meus movimentos, observando enquanto ele se aproximar. Aos poucos, pude identificar uma figura conhecida, em pé, na parte de trás do jipe. Aquele balançar de cabelos era impossível de não ser reconhecido. Junto com ela, estava mais uma menina, que ria de algo que uma das duas havia falado. O carro parou a nossa frente, e desceu da parte traseira, junto com a menina, e, da parte da frente, dois caras esquisitos desceram. Mas que merda ela...
- , você precisa experimentar andar daquele jeito! – Ela disse, animada, prendendo os cabelos em um rabo de cavalo alto.
- Você quer me matar do coração? – Perguntei, com as mãos na altura da cabeça.
- Ham? – Ela fez aquela cara de desentendida e eu respirei fundo. , ... Essa menina está começando a me deixar de cabelo em pé.
- Onde você estava?
- Fui andar... – Ela respondeu. – Essa daqui é a Julie. - Ela apontou para a menina um pouco mais atrás. - E esses são Josh e Nick! - Apontou para os dois esquisitões que saíram do carro. – Pessoal, esses são e , e ainda tem o resto que deve estar... - Ela continuou falando, mas eu apenas acenei com a cabeça, sem fazer questão de ser simpático, e voltei meu olhar para .
- Eu quero falar com você! – Disse, estreitando meus olhos e indo em direção ao carro.
- Seu namorado? – Ouvi um dos estranhos perguntar.
- Não, somos só amigos... - A ouvi responder.
- Que bom! – Ouvi o estranho falar e senti seu tom carregado de malícia. Então, apressei os passos.
- Posso saber onde você estava? Pelo amor de Deus, , você quer me matar? Você nunca veio aqui e, então, sai andando por aí, como uma maluca! Você sabe o que poderia ter te acontecido? – Disse, e não dei tempo para que ela respondesse. – E, ainda por cima, volta em um carro com dois garotos, que você nem sabe quem são! E sabe-se lá de onde vieram! Você sabe o que eles são? O que eles fazem? , eles podem ser maníacos! – Falei, e um leve sorriso se formou em seus lábios, se desmanchando logo em seguida. – Será que você não vai parar de fazer merda?
- Merda? – Ela perguntou, arqueando as sobrancelhas daquela forma revoltada dela. – E desde quando eu só faço merda?
- Desde o momento em que você mudou, desde que você deixou de ser o que você era! – Respirei fundo, sei que ela ficaria muito puta comigo, mas aquilo era o que eu achava. – Desde que a chegou.
- Eu mudei? - Ela perguntou, apontando para si mesma. – Por quê? Por que eu não aceito que os outros passem por cima de mim?
- Não, , você simplesmente mudou! Eu não enxergo mais em você a que eu costumava ver! Porra, , você me deixou preocupado!
- Preocupado?! Por quê? Por que eu não pedi sua ‘benção’?! – Ela fez aspas com as mãos, como eu costumava fazer. - Por isso que eu mudei? – Ela falou exatamente naquele tom que me irritava, então ela sai por aí andando, não dá nenhuma justificativa, me deixa preocupado e ainda quer dar uma de certa? Só a mesmo!
- Não, , porque você passou a fazer coisas que não fazia. Você passou a esconder as coisas, você não era assim! Você passou a arranjar briga por tudo, a aprontar para cima dos outros, você ficava com o e não me disse, até um sentimento por mim você escondeu! Será que ele existia mesmo ou você só o inventou por causa da ? – Falei, me arrependendo logo em seguida, pelo olhar que me lançou, ótimo! Morte ao !
- Escuta aqui, ... - Ela me chamou pelo sobrenome, é, dude, acho que me fodi. – Se você acha que o que eu digo sentir por você é invenção, eu não posso fazer nada! Mas, todas as vezes que eu estive com você, eu nunca fiz questão de esconder nada do que eu sentia por você, e eu não posso fazer nada se você é burro o suficiente para nunca ter percebido. Mas se você realmente acha que eu inventei isso por causa da sua linda namorada, eu tenho duas coisinhas para te dizer. Primeira, você realmente não me conhece, e, segunda... – Ela disse, alongando a palavra e apontando seu dedo indicador na minha direção, de forma raivosa, e, por incrível que pareça, dude, ela estava linda. Mas suas palavras não foram nem tão lindas e nem tão doces como suas feições eram, e suas palavras me magoaram, mais até do que eu achara que magoariam. - Você não é quem eu pensava que era! – Disse, e saiu pisando duro, e... Caraca! Cara, a está com uma bunda enorme.
’s POV Off
Minha barriga já doía de tanto que eu ria das palhaçadas que Nick e Josh falavam, mas não era apenas eu que ria. , , , e também riam do que os meninos falavam, e , nesse momento, se aproximavam, os antissociais resolveram se socializar, uma salva de palmas para eles. Aí! Aí é o cacete, eles poderiam ficar bem longe daqui, isso sim! Principalmente essa baranga que eu tenho que chamar de irmã. E esse traste que ela chama de namorado também. Julie, Nick e Josh eram irmãos. Ela era gêmea de Nick e ambos tinham dezessete anos, e Josh era mais velho, tinha dezoito. Eles moravam em uma cidadezinha perto da trilha para a praia e costumavam ir para lá para se distraírem. Dos três, Josh era o único comprometido, o que fez se sentar mais perto ainda da menina, e não tirar o sorriso galanteador do rosto. Danado!
- Mas e vocês, contem mais sobre vocês... – Nick disse vocês olhando diretamente para mim, estou sentindo um interesse aí, é! - Têm namorados, meninas? – Ele sorriu para mim, antes de olhar para o resto das meninas. puxou para mais perto e Josh soltou uma risada gostosa de ser escutada.
- Essa daqui tem! – disse, aproximando mais de si e lhe dando um selinho.
- E vocês duas?
- Eu estou solteiríssima! – Disse, mandando uma piscadela para Nick, e pude sentir um sorriso discreto no rosto de e , e um olhar reprovador de . Quer saber?! Que se dane o mundo, e que se dane tudo. Ele não acreditava que eu gostava dele? Então foda-se, quem saiu perdendo foi ele. Estou errada?
- Também estou solteira, solteiríssima! – disse, sorrindo de canto, meio sem graça pela olhada que lhe deu.
- Nossa! Um desperdício, lindas meninas, como vocês, estarem solteiras. Acho que está faltando homens com atitude lá onde vocês moram! – Nick disse e os meninos o olharam, reprovadores. – Tirando vocês, é claro! – Disse, com um sorriso maroto nos lábios, para os meninos.
- Bom, chega de papo furado, o que vocês acham de pegarmos os violões, hein? – se pronunciou, se levantando, acho que ele não estava gostando muito do rumo da conversa.
- Acho uma ótima idéia, vou te ajudar! – Disse, me levantando e tirando a areia da bunda, sendo minuciosamente acompanhada por , Nick e... ! Quem ele pensa que é para ficar olhando minha bunda? Segui , e, quando percebi que ninguém mais podia nos ver, pois o carro nos tapava, advinha o que fiz? – , amor da minha vida, quando você vai tomar postura de homem e dar uma agarrada daquelas na ? – Perguntei e pude perceber sua cara de espanto.
- O que? - Ele sorriu, sem graça.
- Ah, para, , geral percebeu que você fica secando ela e babando por ela, então, quem está impedindo vocês? Mostra para ela sua pegada, homem! – Ri do meu modo de falar. Oi, sou estranha.
- Você não ficaria chateada? – Ele arqueou as sobrancelhas de um jeito estranho.
- Por quê? Nós não temos um casamento de 32 anos e muito menos 19 filhos juntos, e somos amigos acima de tudo isso, certo? – Ele não me respondeu. – Certo, ? – Perguntei mais uma vez, e, então, ele alargou o sorriso.
- Então você realmente não vai ficar bolada, né?
- Claro que não! – Sorri junto com ele. Ele realmente achou que eu ficaria bolada? Acho que meus amigos realmente não me conhecem.
- , você não existe! – Ele me puxou para um abraço apertado, indo pegar o violão logo em seguida, me dando um e carregando outro.
- Alguém de vocês sabe tocar? – perguntou, colocando o violão que havia lhe entregado no colo e começando a fazer algumas notas aleatórias.
- Eu sei! – Nick disse, e quase me derreti. Que foi? Acho um charme homens tocando. Mesmo quando eles não sejam , e, quando é, cara, eu me derreto mais ainda. Entreguei um violão a ele, que repetiu o gesto que . – Vocês conhecem essa? - Ele começou a tocar as notas de Remembering Sunday e eu quase pulei em cima dele, mordi sua bochecha e apertei sua bunda. Cara, aquela era uma das minhas músicas prediletas, ele começou a cantar e foi acompanhando as notas com o outro violão. A voz de Nick era simplesmente perfeita. Não era um da vida, mas também não ficava muito atrás. Todos cantarolavam baixinho, balançando de um lado para o outro, hora tomando um gole de nossas bebidas, hora apenas olhando um para o outro, sendo embalados pelo ritmo gostoso da melodia, quando Julie começou a cantar a música junto com Nick, morri de inveja, a voz dela era simplesmente perfeita, linda, ela cantava de uma maneira tão gostosa. Quem me dera ter uma voz como aquela! Remembering Sunday acabou e emendou, começando a tocar Tomorrow, da Avril Lavigne, ele sorriu de canto, ainda sem me olhar, e eu não pude deixar de sorrir também, ele sabia o quanto eu amava aquela música, e isso me fez lembrar das inúmeras vezes em que eu e ele cantamos essa música em seu quarto, rindo das vezes em que tentava, ainda, aprender as notas. De sempre que ele elogiava minha voz. Das inúmeras vezes em que nos perdíamos um no outro, enquanto estávamos embalados pelo ritmo da melodia. Era incrível, mas eu não sentia mais raiva de . A nota que daria início a música entrou, mas eu não comecei. , pela primeira vez naquela noite, ergueu seu olhar para mim, me incentivando com os olhos, ele sabia que eu tinha medo de que os outros ouvissem minha voz. Na realidade, sabia tudo sobre mim. Ele recomeçou a introdução. Ainda me olhando, e quando a música finalmente iria começar, ele sorriu, me incentivando, e, sinceramente, era impossível não fazer algo que quisesse toda vez que ele dava aquele sorriso.
And I wanna believe you
When you tell me that it'll be okay
And I try to believe you
But I don't
When you say that it's gonna be
It always turns out to be a different way
I try to believe you
Not today, today, today, today, today
Sentia minhas bochechas quentes e abaixei meu olhar, cantando, olhando diretamente para a areia, mas, ainda assim, podia sentir o olhar de sobre mim, e aquele olhar, sim, não me faria parar, aquele era o olhar com o qual eu sonhava todas as noites, era o olhar que vinha a minha mente de vinte em vinte segundos, pelo menos.
And I
I don't know how I'll feel
Tomorrow
Tomorrow
And I
I don't know what to say
Tomorrow
Tomorrow is a different day
sorria, olhando, dessa vez, para o violão. Fechei os olhos, e a única imagem que me vinha à cabeça enquanto cantava, era de seus olhos, de seu sorriso. Ele começou a cantar a música junto comigo, e, então, era como se mais ninguém estivesse ali, como se tivéssemos voltado a sermos apenas nós dois, sentados na sua cama, em uma quarta-feira à tarde, onde não tínhamos nada para fazer e resolvíamos cantar, era como se nenhum problema mais existisse, e, naquele ambiente, fossemos apenas nós. Nós e mais ninguém. Abri meus olhos e eles encontraram novamente com os de . Eu sabia que ele não duvidava dos meus sentimentos, e que havia dito aquilo apenas da boca para fora. E, no fundo, eu sabia que ele pensava a mesma coisa que eu, nós éramos assim, não precisávamos de palavras para que pudéssemos entender o que queríamos dizer um ao outro, nossos olhares se comunicavam por si só. E, naquele momento, eu sabia que o olhar de dizia a mesma coisa que o meu. Que ele daria tudo para voltar atrás, ao tempo em que era apenas eu e ele, e mais ninguém para nos atrapalhar.
Dezesseis
Música, música, música, risada, bebida, música, olhares, sorrisos e músicas. Assim tinha sido nossa noite. Nada de mais, nada de menos, nada de muito bombástico e nada de muito entediante. Apenas música, bebidas e risadas. As barracas foram montadas para nada, já que cantamos até o amanhecer. Despedimo-nos de Josh, Nick e Julie e convidamos eles para aparecerem na festa da escola, afinal, não custava nada, e eles eram maneiros. Na realidade, quem os convidou fomos e eu. , por sinal, sentiu um pouco de interesse em Julie, que não demonstrou negação. Hum, danado!
- ... - Ouvi a voz de me chamar, segurando meu braço, quando ia sair do carro. havia sido a primeira a ser deixada em casa, porque disse que estava com sono de mais. E o resto, agora, estava em frente à casa de , ajudando-a a tirar as coisas do carro. Para que pudéssemos seguir cada um para a sua casa.
- Fala. – Disse, e não consegui soar fria como eu gostaria de ter soado. Mas, pelo menos, o meu tom saiu indiferente, pelo menos aos meus ouvidos.
- Você não acha que a gente tem que conversar? – Ele fez aquela carinha de gatinho do Shrek, e, porra, que vontade de apertar suas bochechas.
- Conversar sobre o que? O fato de você achar que eu sou uma mentirosa e falsa? Acho que a gente não tem nada para conversar, .
- , para de palhaçada! Você sabe exatamente que eu não acho nada disso de você, e que falei aquilo da boca para fora, ontem. – Ele disse, ainda segurando meu braço para que eu não saísse do carro.
- , olha...
- , eu quero que você me diga o que realmente está acontecendo! – Ele disse, me olhando sério. E eu não respondi. - Eu estou falado sério, , o que aconteceu com você? O que aconteceu comigo? O que aconteceu com o nós que existia na nossa amizade? – Ele perguntou, e eu continuei quieta. – Nem você sabe a resposta. Sabe por quê? Porque a gente mudou um com o outro, sem nem percebermos, a gente não dorme mais juntos, não brigamos mais pelo mesmo lugar à mesa, a gente não vai mais ao cinema, você não aparece mais lá em casa com a mesma freqüência, eu não te acordo mais, e nem a gente sabe o motivo de tudo o isso ter parado de acontecer!
- É, eu sei... – Disse, derrotada.
- , desde que você bebeu, lá na , eu não duvidei, em momento nenhum, do que você sentia por mim, eu me senti até feliz. Porque, , você é linda, minha melhor amiga, e é a garota que eu sempre achei perfeita, mas agora eu tenho uma namorada e não quero que o que eu tenho com ela, atrapalhe o que eu tenho com você, porque, cara, você é a , a garota que está sempre ali comigo, é você quem me conhece melhor do que ninguém e nada, nem ninguém, pode mudar isso que a gente tem, entendeu? Nada pode mudar a nossa amizade, porque, cara, eu amo você! – Ele disse a última frase colocando meu cabelo atrás da orelha. – E ontem, enquanto a gente estava cantando lá, eu senti falta de como nós éramos um tempo atrás, de você sempre lá em casa, da gente sempre juntos, eu senti falta de acordar você de manhã e de, até, acordar com você ao meu lado, eu sinto falta de ter você mais perto de mim... – Ele falou aquilo de forma tão doce, que quase escorreguei pelo banco do carro, de tão derretida que fiquei. Diga-me como eu posso não me apaixonar por esse garoto? Sorri de lado e ele continuou. – Eu só quero voltar ao que éramos antes da , só isso.
- Tudo bem... – Sorri, encostando minha cabeça no encosto do banco, estava de lado e de frente para ele, assim como ele para mim. – Eu também sinto falta de estar mais com você. Mas...
- Sem mas, por enquanto... – Ele abriu aquele sorriso que contagiava aonde quer que ele passe. - Promete que vamos voltar a ser a e o de um mês atrás? - Ele mostrou aquele sorrisinho sapeca.
- Prometo. – Sorri junto.
- Promete mesmo? – Ele ergueu, dessa vez, uma das mãos, mostrando seu dedinho, e não pude deixar de rir mais ainda. – Olha que promessa de mindinho não pode ser quebrada!
- Prometo bem prometidinho! – Eu gargalhei, e, então, juntamos nossos dedinhos, rindo um pouco da nossa infantilidade. – Agora, mete o pé, pirralho, que eu quero dormir! – Disse, dando um beijo em sua testa e descendo do carro. fez o mesmo, e, quando estava quase entrando na porta da garagem que daria acesso à casa de , me virei, vendo-o saindo pela garagem. – Hey! – O chamei, vendo-o virar-se com o telefone em mãos. – Eu também amo você, seu pirralho chato! – Mandei-lhe uma piscadela e sorri, pensando o quanto aquelas palavras poderiam ter um duplo sentido.
***
Sabe quando você tem aquela sensação de estar acordada, mas, ao mesmo tempo, estar dormindo? Você sente as coisas ao seu lado, consegue até ouvir vozes, mas, ao mesmo tempo, não consegue se mover por que sabe que está em um sono pesado? Minha mãe costuma dizer que isso é o cochilo, o dormir e estar acordado, bom, já eu, acho que isso é esquisito para cacete, mas, fazer o que? Eu já estava acordada, mas estava dormindo. Eu sabia que a qualquer momento o telefone despertaria, mas eu continuava imóvel. Estava cansada, de todos, eu sou sempre a mais fraca com as coisas, com a bebida e, principalmente, com a falta de sono. E ter uma das minhas noites não dormidas por ter estada na praia, com meus amigos, me deixou morta, e ter ido dormir apenas às vinte horas do dia seguinte, me deixou mais morta ainda, eu e ficamos em sua casa, conversando com sua mãe por horas, a tia era show de bola. Mas agora estou aqui, esperando que o telefone despertasse para que eu pudesse reclamar por existir a escola e virar para o lado e dormir, mesmo que, no fundo, eu soubesse que já estava acordada. É, eu sou estranha. Contei mentalmente, esperando que o som, que, no momento, iria me estressar, de Barry and Fible, entrasse por meus ouvidos – é eu sentia quando o telefone ia tocar, já disse que sou estranha –, mas quando minha contagem regressiva estava quase perto do final, uma voz inesperada chegou aos meus ouvidos.
- Acorda! – disse, bem pertinho de meu ouvido, e eu movi meu corpo para frente, ainda de olhos fechados, dando com a minha testa na parede. Puta que pariu, que susto.
- Outch! – Exclamei, ainda de olhos fechados, e puxei minhas cobertas, tapando meu rosto, não precisava abrir meus olhos para saber qual era meu estado, eu havia ficado uma noite acordada e dormido a outra como uma pedra, eu havia lavado os cabelos e não esperei eles secarem para dormir, então, não queiram que eu esteja uma princesa. Minha cara deveria estar mais inchada do que quando a Broke Davis tomou uma surra em OTH, e digamos que isso, comparado a ‘princesa’ com quem tinha dormindo, ao lado, me deixava, digamos que, meio sem graça. Eu sei que não sou feia, e que também não. Mas minha irmã parecia estar sempre pronta para uma grande ocasião, a maquiagem sempre perfeita, os cabelos sempre perfeitos, não é inveja, mas eu tenho uma competidora de alto nível.
- Anda, , acorda! – Ele pulou em cima da cama, mais precisamente, em cima de mim.
- Ah, , mais uns minutinhos! – Puxei mais ainda as cobertas para tapar meu rosto, porém percebeu o que fazia e começou a puxá-las de mim. – Não, ! – Disse, manhosa, enquanto sentia minhas cobertas me deixando aos poucos, mas não fui fraca, fui forte e resisti até o fim. Lutei até que minhas forças, ou meu estado completo de preguiça, não me permitissem mais lutar. Abri um dos olhos e estava ali, de joelhos, na minha cama, ao meu lado, com aquele sorriso lindo, aquele cabelo despenteado, com a cara inchada de quem também tinha acabado de acordar, e, simplesmente, o cara mais lindo do mundo. Então me senti feia, engraçado que nunca tive essas crises de auto estima perto dele, mas ele é tão perfeito. Tapei meu rosto com o travesseiro. - Deixa eu dormir, tio! – Minha voz saiu abafada, por causa do travesseiro na minha cara.
- Ah, , deixa de ser preguiçosa! – Ele se jogou na cama, ao meu lado. – Você sabe que se não se levantar, vai se atrasar, né?
- Uhum... – Ainda o travesseiro.
- E você não vai levantar? – Pude sentir maldade em sua voz.
- Huhum... – Isso foi um som negativo, que se desprendeu de minha garganta.
- Então acho que ser legal não adianta com você, então vou ter que apelar para a baixaria! – Ele disse, e podia imaginar o sorriso em seu rosto.
- , não... – Antes que eu pudesse terminar de me pronunciar, já estava em cima de mim – ui –, me fazendo cócegas. – Para, ! – Eu ria, e, então, consegui segurar suas mãos. estava com uma perna de cada lado de minha cintura e ria, divertido. – Você é muito mau, sabia? – Disse, ainda segurando seu braço, e ele fez uma careta super fofa.
- Você fica bonita quando acorda! – Ele disse e eu senti minhas bochechas esquentarem. Como assim bonita? Cara inchada, cabelo desnorteado... Será que tem algum problema de vista? Acho que vou emprestar meus óculos a ele.
- Você é problemático! – Disse, soltando suas mãos.
- Sério, , você é o tipo de menina que não precisa de maquiagem para ficar bonita, porque você já é naturalmente! – Oi? Que isso? me elogiando essa hora da manhã?! Me senti, aqui.
- Você também, , você é o tipo de garoto que faz o coração de qualquer garota parar de bater por alguns segundos, quando você dá um de seus sorrisos ou quando você, simplesmente, manda um olhar! – Disse, rindo de canto, vendo-o ficar sem graça. Na sua cara, . Ele sempre ficava sem graça com elogios. Silêncio. Nós apenas estávamos nos olhando, eu gostava tanto de olhá-lo, seus olhos tinham um magnetismo tão grande.
- , você... – Minha mãe entrou no quarto, mas parou quando viu . – Ah, eu não tinha visto seu carro lá na frente, ... – Ela disse, aparentemente, feliz demais. É! Minha família é estranha. Minha mãe entra no meu quarto e encontra um cara em cima de mim e não diz nada, simplesmente parece estar feliz de mais para a reação de uma mãe.
- Vim sem carro, hoje vamos todos a pé! – Ele falou, olhando para minha mãe e se virando para mim. – Acho que algumas pessoas aqui estão precisando emagrecer! – Ele apertou minha barriga, rindo, e eu abri a boca, indignada. Minha mãe apenas riu.
- Só vim te chamar porque achei que você ia acabar perdendo a hora, mas vejo que já retomou seu posto! – Ela disse, com um sorriso enorme no rosto, e se virou, indo em direção à porta, mas acrescentando antes de sair. –... É muito bom ver vocês assim, de novo! – Ela deu um sorriso tão fofo que eu tive vontade de apertar suas bochechas.
- Sua mãe me ama, cara! – Ele disse, de forma convencida.
- Eu estou gorda? – O empurrei de cima de mim, e ele quase caiu da cama, o que resultou em gargalhadas múltiplas de nossa parte.
- Você quer me matar, é? - Ele perguntou, ainda se recuperando do susto.
- Gorda é a senhora sua mãe! – Retruquei, ainda rindo e me levantando.
- É verdade... - Ele se deitou na cama, observando enquanto eu levantava. – Você não está gorda, você está mais para gostosa! – Disse, e toquei uma almofada em sua cara, antes de entrar no banheiro. É, acho que finalmente voltamos a ser o que éramos antes.
Não podia dizer que estava confortável com a situação, mas digamos que eu realmente estava com uma puta vontade de rir, é, cara, eu estava. Caminhávamos para a escola em uma situação bizarra, , de mãos dadas com e comigo. Quando ele disse que voltaríamos a ser o que éramos antes, ele realmente estava falando sério. Quando eu descia as escadas de minha casa, estava me esperando, para irmos para a escola junto com , que mantinha a cara emburrada, e preciso dizer que quase morri quando ela pegou na mão dele para irmos andando, e, então, ele pegou na minha?! Para nós era super normal isso, andarmos de mãos dadas, mas com ali, a situação estava engraçada, porque, para completar, resolveu nos ignorar e colocou os fones no ouvido. Toda vez que tentava me desvencilhar de suas mãos, sentia que ela se apertava mais ainda em torno da minha, impedindo de me soltar. E tenho certeza que ele fazia o mesmo com . Já que ele quer assim, né? Deixa estar. Assim que cheguei à escola, pude ver , , e conversando, porém, nada de , provavelmente fumando atrás do colégio, havia chegado a uma conclusão. Não fumaria mais, e, se dependesse de mim, faria abandonar ao hábito também. Cumprimentei aos meus amigos com um beijo no rosto – leia-se: mordida na bochecha – de cada um deles, e sentei ao lado de , que parecia incomodada com alguma coisa.
- Que foi, amiga? – Perguntei, baixo, para que só ela ouvisse.
- Ai, amiga, eu preciso conversar! - Ela disse, mordiscando a unha.
- Vamos lá atrás? Quem sabe a gente encontra a ? – Sugeri e ela que concordou com um aceno de cabeça. – Pois bem, meninos, a dor do parto é grande, mas vou lhes deixar! – Disse, fazendo gestos exagerados com as mãos e os meninos apenas riram de mim. havia ido ver algo sobre líderes de torcida, dei mais uma mordida na bochecha de cada um, e, por último, em , que retribuiu o carinho.
- É bom te ter de volta! – Ele sorriu e eu não pude deixar de encarar aquele olhar que tanto me prendia, que tanto me chamava e que tanto me encantava.
- É bom estar de volta! – Sorri, antes de sair caminhando com . Uma coisa eu havia entendido naquele momento, seja lá o que fosse que eu tinha com – uma amizade muito forte ou um amor mais forte ainda –, era forte o suficiente para que nós pudéssemos encarar, e nada podia nos separar, e, quando eu digo nada, isso, literalmente, inclui a .
Dezessete
A semana havia passado tão rápida que nem a havia notado, os professores haviam nos enchido de trabalho, o que dificultou para que nos encontrássemos. Na escola, o único assunto tratado era a tal festa do sinal, não se falava mais em outra coisa, apenas em quem apareceria de que cor, e como. , minha linda irmã, havia passado no teste das líderes de torcida e havia se tornado mais uma das Barbies do colégio, só que não loira. Foi bom, já que seu intervalo ela não passava mais conosco, mas, ao mesmo tempo, ruim. Não sei se era coisa da minha cabeça, mas acho que estava mudando um pouco de personalidade, ou então estava finalmente parando de fingir, e começado a ser o que realmente era. O intervalo já estava quase acabando, e já não estava mais tão inquieta, no começo da semana, ela havia chamado a mim e para conversarmos, ela estava pensando em transar com o , e queria saber o que achávamos. se considerava virgem, já que só tinha feito sexo uma vez, quando tinha quatorze anos de idade - precoce ela - com seu primeiro namorado, por pressão do mesmo e havia odiado, mas, segundo ela, com a coisa era bem diferente, ela tinha vontade e se sentia a vontade para isso. , no começo, preferiu não opinar, ela disse que nunca fez amor, e apenas sexo, e que nunca tinha sentido a sensação do prazer e sentimento juntos, então, não podia opinar, já eu? Eu sou virgem, porra. Mas dei uma força, se era isso que ela queria.
Flashback
- Mas, , tem muito tempo que eu fiz, e doeu muito, será que vai doer de novo? - Ela perguntou à , que estava sentada na sua frente, exatamente no lugar onde estávamos quando ela me trouxe para fumar. O que ela estava fazendo, por sinal. , na escola, era diferente, sua maquiagem era mais carregada, e suas roupas mais pesadas, mas, ainda assim, era linda.
- Bom... - Ela disse, apagando seu cigarro. -... Quando eu transei pela segunda vez, doeu um pouco, na realidade, nem foi dor, foi mais ardência, sabe?! Mas eu estava excitada e isso nem me incomodou tanto, por esse motivo. Você precisa estar excitada, gatinha, assim você vai ao céu e volta, sem tirar o fato de relaxada também, porque, senão, fodeu.
- , com quantos anos você perdeu sua virgindade? - Eu perguntei. Ah, sou curiosa, e daí?
- Doze... - Ela disse e senti meu maxilar se desprendendo do rosto. - Não me olhem com essa cara de assustadas! Minha mãe, como vocês mesmas já viram, não bate bem da cachola, e quando ela ia para esses shows que ela gosta de ir, eu ficava na casa de uma vizinha, que tinha um filho dois anos mais velho que eu, e como não tinha outro lugar para ficar, eu sempre dormia no quarto dele, a vizinha era inocente de mais para nunca imaginar o que poderíamos fazer. - Ela sorriu. - E era engraçado.
- Por que engraçado? - perguntou.
- Por que a Meggi teve filho tarde, quando ela teve o Bryan, ela já estava com 42 anos. E na cabeça dela, um menino de 14 e uma menina de 12, nunca transariam, e, às vezes, quando, por imprudência nossa, um gemido escapava, ela sempre gritava “Crianças, não briguem, vocês vão acabar se machucando de verdade!”, ela dizia, do outro lado do quarto. - Ela sorriu, mas pude perceber uma nuvem rodar seus olhos.
- Você morava aonde? Aqui mesmo?
- Na verdade, não, minha mãe resolveu se mudar para cá quando soube o que acontecia entre Bryan e eu. - Ela sorriu, sem humor, e encarou o chão.
- Como ela soube? – Perguntei, insegura.
- Aquilo já rolava há dois anos. Sempre que podíamos, nós nos encontrávamos, mas não rolava sentimento, era mais excitação, sabe? Acho que se jogassem água em nós, quando nos beijávamos, ela viraria fumaça. - Ela respirou fundo. – Mas, por descuido nosso, eu... Eu engravidei. - Ela evitou nos olhar e eu fiz o máximo que pude para não olhá-la com pena, ou, até mesmo, espanto.
- E o que aconteceu? - se pronunciou, quando eu fiz questão de abrir a boca para perguntar o mesmo.
- Eu era nova, eu não sabia o que fazer quando minha menstruação atrasou e fui procurar o Bryan, quando fiz um exame de farmácia e deu positivo. Sabe o que ele fez? - Ela nos olhou, com os olhos brilhantes, não de choro, mas de raiva. - Disse que era para eu me virar! - Ela riu. - O cara tira minha virgindade, me come por dois anos e quando nós dois cometemos um erro, ele diz que a culpa é só minha e me manda pastar. Eu cheguei em casa, desesperada, e me vi obrigada a contar para minha mãe. Quando ela soube, quis matar o filho da puta. E, então, resolvemos nos mudar para cá, minha mãe tinha recebido uma proposta de emprego e resolveu aceitar. Mas eu era nova, meu corpo ainda estava passando por muitas mudanças e eu acabei perdendo o bebê antes mesmo de chegar a completar dois meses. O médico disse que era normal, por causa da minha idade. - Seus olhos brilhavam muito mais que o normal. - Acho que foi quando minha mãe e eu ficamos mais amigas, ela me contou a história de quando engravidou de mim, ela só tinha 17 e meu avô a expulsou de casa e tal. E ela disse que isso nunca aconteceria comigo, ela conversava comigo sempre. Eu fiquei um ano parada, sem estudar e sair de casa para nada, mas, depois, fui me recuperando, por isso que eu sou do mesmo ano que vocês, mesmo sendo mais velha.
- Você nunca mais voltou e ver o Bryan? - perguntou.
- Voltei, ele veio atrás de mim porque queria saber do filho, não acreditou em mim quando eu disse o que tinha acontecido e falou que eu tinha matado o filho dele.
- E o que você fez? – Perguntei.
- Eu nada, mas minha mãe bateu muito nele! - Ela sorriu. – , o que quer que vá fazer, faça com alguém de quem você goste, e que não vá se arrepender depois. O coração é muito mais importante que a carne.
End of Flashback
Lembrar das coisas que havia dito, me deixava meio, sei lá, mexida. Ela tinha a minha idade e já havia passado por coisas que eu sequer imaginava, um dia, passar.
- Hey, , você ouviu o que lhe falei? - perguntou, depois de me jogar uma bolinha de papel na cabeça.
- Ham? - Arqueei a sobrancelha.
- Passa lá em casa depois da escola?! Queria que você fizesse aquela macarronada para mim! - Ele fez aquele olhar pidão, eu ri.
- O que você não me pede sorrindo que eu não faço chorando?
’s POV On
O barulho que fazia, na cozinha, dava para ser ouvido a quarteirões de distância! Ok, nem tanto, mas dava para ser ouvido do outro lado do quintal. Ela batia as coisas com vontade, e cantava enquanto cozinhava. Ela estava vestindo apenas um short jeans curto, que havia deixado por aqui, e uma camiseta minha, que ficava muito bonita nela, por sinal. cantarolava algo que eu reconheci como Roxete- Listen To Your Heart. É, a gosta dessas músicas mais antigas. Na realidade, ela gosta de todo tipo de música que se pode imaginar, nunca vi uma menina para gostar tanto de ouvir e descobrir novas bandas como a . Era encantador o jeito que ela ficava quando ouvia uma música que, segundo ela, a fazia ter um orgasmo mental, com vontade de sair pulado e gritando por aí, o jeito que ela sorria era contagiante, o modo como ela inclinava a cabeça para trás e cerrava os olhos, como ela passava a língua pela bochecha toda vez que estava pensando, mesmo que nunca percebesse isso, a é uma menina de ouro, e sortudo é o cara que ficar com ela. E ela gosta de mim! Mas, agora, não adianta fazer mais nada em relação a isso, eu tenho a , e nada muda esse fato. era minha melhor amiga, e vai ser assim, mas, confesso, fiquei mexido com tudo o que ela me disse, com tudo o que ela sentia. E, por mais que eu quisesse me afastar temporariamente, para não magoá-la, eu não conseguia, eu queria sempre ela por perto. Ela para me fazer rir, ela para secar minhas lágrimas... Engraçado que quando eu penso na minha vida daqui a alguns anos, em como eu e todo o resto vamos estar, eu penso da seguinte forma: a casada com o , e com dois filhos. O com um filho, mas não casado, o ? Esse não consigo imaginar nada concreto. Talvez trabalhando em um circo, e a , bem, eu a imagino ao meu lado, não como algo a mais ou menos, eu só imagino ela do meu lado, junto comigo. Estranho isso, né? Mais estranho ainda é uma coisa que vem preenchendo minha cabeça nos últimos dias, beijando . É uma cena que não sei explicar, mas que, quando vi, me perturbou um pouco, nada contra o , mas a era de mais para ele. O cara é um dos meus melhores amigos, mas aquela, dude, aquela é a , a garota mais perfeita do mundo, ao meu ponto de vista, e...
- Um prato e brigadeiro pelos seus pensamentos! - disse, entrando na sala e se jogando no sofá, com um pano de prato entre as mãos.
- Isso é golpe baixo! – Sorri, vendo-a olhar para a televisão e pegar o controle jogado na mesinha ao lado.
- Não é, não! - Ela me mostrou a língua e colocou em um canal qualquer de clipes. - Não vai me dizer?
- Estava pensando em quando você vai parar de me torturar e dizer que a comida está pronta! - Disse, estava cozinhando um dos meus pratos prediletos e que só ela fazia do jeito que eu gostava. Pode parecer estranho, mas a fazia um macarrão e temperava-o com alguma coisa que eu não sabia o que era, depois jogava molho branco, frango desfiado, misturava uma porção de treco, e, no final, colocava queijo e presunto e jogava no forno, era simplesmente perfeito. Mas não mais perfeito do que o sorriso que ela havia dado naquele momento, não mesmo.
- Então sua tortura acabou, senhor , está pronta! - Ela disse, de supetão, se levantando e correndo até a cozinha. Levantei-me e a segui. Quando entrei na cozinha, ela já colocava a travessa com o macarrão em cima da mesa, que estava coberta com uma parada que eu não entendo. A campainha tocou no exato momento em que tirava a luva que usava para pegar as coisas no forno e colocava os pratos a mesa.
- Eu atendo! – Disse, e, por um momento, pensei que se fosse , o barraco estaria armado, ela implicaria e falaria, falaria por toda vida pela estar aqui. E quando aquela ali começa a falar... Mas não poderia ser ela, afinal, ela estava em um daqueles treinos de líderes de torcida e, de lá, sairia com as amigas para comprar algo para ir à tal festa. Bom, eu realmente espero que ela compre vermelho, né? Se bem que a de vermelho...
- Hey, dude, o cheiro está bom! - disse, já entrando na MINHA casa, e indo direto para a cozinha. Olhei, boquiaberto, para o tal, que nem comigo direito falou. Quando cheguei à cozinha, ele já estava com um prato em mãos.
- Esfomeado! – Disse, pegando meu próprio prato e passando para , quando ela terminou de encher o de .
- E com muito orgulho, a comida da é a melhor.
- Deixa a ouvir isso! - disse e deu de ombros, sorrindo, bobo. Oh, paixão. Era só falar no nome dela que ele ficava assim, com esse sorriso idiota no rosto.
- Ela também acha a sua comida a melhor. – Disse, se sentando à mesa e começando a comer. A refeição foi feita em silêncio. Eu comia pensando, também e comia rápido para poder repetir a comida, o que fazia com que ríssemos de lado. Assim que terminamos de comer, se levantou para lavar os pratos.
- Pode deixar que nós vamos lavar! - Disse e ela deu de ombros, provavelmente iria deitar no sofá da sala e tirar um cochilo. E foi exatamente o que fez. - Você lava e eu seco e guardo. - Disse a , me levantando e colocando meu prato e o de na pia. Estávamos em silêncio, porém o quebrou.
- Dude, aconteceu alguma coisa? - Ele perguntou, ligando a torneira e começando a ensaboar as coisas.
- Como assim? – Perguntei, saindo do transe em que estava.
- Eu perguntei se aconteceu alguma coisa! Você está estranho...
- Na verdade, não é que tenha acontecido alguma coisa, mas é que... Sei lá, dude, não sei explicar.
- É por causa da , não é? - Ele perguntou, como se já soubesse a resposta.
- É... Cara, ela gosta de mim, você já sabia disso? – Perguntei, na dúvida, afinal, contava tudo para também.
- Na realidade, , o mundo inteiro já tinha percebido isso, menos você. – Disse, me encarando, sério, e logo depois voltando ao seu trabalho.
- Cara, mas, tipo, eu achava que era apenas amizade, que era o jeito dela, você sabe como a é.
- , mais uma coisa, ela agia totalmente diferente com você, a forma dela te olhar e sorrir. O jeito de te tratar... Você jura que nunca desconfiou de nada?
- Não, eu nunca parei para pensar na dessa forma, como algo a mais que uma amiga e... - Deixei as palavras morrerem na minha boca, respirando fundo.
- E o problema é que agora você começou a pensar! - Ele disse, como se completasse minha fala interrompida.
- Não é que eu pense assim, é que, como eu posso dizer, eu comecei a enxergá-la não só como minha amiga, entende?! Antes eu enxergava a como se ela fosse um de vocês, mas, agora... Sei lá, depois das coisas que ela me falou, eu percebi que a garota que eu sempre precisei, estava do meu lado e eu nem percebi.
- Nunca é tarde, meu caro amigo! - disse, colocando alguns pratos no escorredor.
- É claro que é tarde, eu tenho namorada. E... E eu gosto da .
- Bom, se você pensa assim, e se você realmente gosta da , deixa as coisas como estão.
- É... Acho melhor mesmo deixar as coisas como estão, mas, dude, tem outra coisa que está me incomodando.
- O que?
- Eu vi a e o se beijando...
- Então você já sabe...
- Eles estão ficando? – Perguntei, com receio de receber a resposta.
- Não, eles ficaram algumas vezes, mas nada de mais. A me falou que não ia ficar mais com ele.
- Por quê? – Perguntei, sentindo um sorriso de canto de boca se formar em meus lábios.
- Você sabe exatamente a resposta do porquê. Quando você viu os dois ficando?
- Alguns dias atrás, aqui em casa.
- E você jura que realmente não fez nada? Dude, como você é imprevisível.
- Vontade não me faltou, eu quis pular em cima do e arrebentar ele por estar ficando com a , mas que direito eu tinha de fazer isso? Ela é só minha amiga, certo?
- Certo... - disse, indiferente. -... Já que é o que você está dizendo... – E, então, o silêncio caiu na cozinha, apenas na cozinha, porque, minha cabeça, bem, essa aí continuava funcionando a mil por hora.
Dezoito
(n/a coloca essa musica pra carregar http://www.youtube.com/watch?v=OhLSBPhHaTE)
- TIRA, TIRA, TIRA! - era isso que ouvia de cima da mesa em que estava. Minha vista estava embaçada, meus cabelos grudando na testa, e o suor em meu pescoço, mas eu não estava me importando com aquilo. Para dizer a verdade, eu estava adorando aquilo, aquela sensação de liberdade. De fazer o que me desse na telha, de estar pouco me importando com o que os outros estavam pensando. Eu estava amando aquilo! Fechei os olhos, me mexendo mais ainda o meu corpo conforme a batida da musica e fui descendo um pouco, ouvindo os murmúrios positivos da mini platéia masculina a minha volta. Olhei para ao meu lado e ri; na realidade eu não ri, eu gargalhei. Gargalhei como nunca tinha feito antes na minha vida; ergui minha mão até a alça de minha blusa e meus olhos por breves segundos se encontraram com os de , e antes que ele pudesse pronunciar a frase, não faça isso, minha blusa já voava em direção ao aglomerado de pessoas a minha volta.
3 horas antes...
- Anda, , você já ta me irritando com essa indecisão! – disse, estressada por eu não ter escolhido ainda minha roupa pra festa.
- Ai, o que eu posso fazer se eu não sei o que usar? – disse olhando para o meu guarda-roupa aberto e não encontrando nada que realmente me agradasse.
- Agora você não pode fazer nada, porque a já esta esperando a gente, você poderia ter feito ontem, antes de ontem! – ela fez gestos exagerados.
- Feito o que? – perguntei, fechando o guarda-roupa e me jogando desanimada sobre a cama, já não estava mais com vontade de ir.
- Poderia ter ido comprar uma roupa descente, mas não, tava lá com o ; é o pra cá, o pra lá – ela disse imitando minha voz de uma forma ridícula e fazendo gestos bestas.
- Eu não falo assim – disse rindo de sua péssima performance de mim.
- Ta, mas você precisa achar uma roupa para ir a essa festa hoje! – ela disse de forma desesperada, abrindo meu guarda-roupa. – Que tal esse aqui? - ela perguntou me mostrando um vestido verde limão que eu havia ganhado de uma tia, ele até que era bonitinho, mas gritava muito “to na pista pra negócio”.
- Muito: solteirona na pista, solteirona na pista. – eu cantei e só faltou eu colocar as mãos nos joelhos para ficar uma verdadeira cavalona do funk – nada contra quem é.
- Ai , chata do jeito que você é não vai querer colocar nada que o “ julgue fora do indicado”. - ela fez aspas com os dedos, ta e o que o tem a ver com a nossa conversa mesmo? – A já esta esperando. – ela fez aquela cara de impaciente, que já estava me irritando.
- , meu amor, vamos fazer o seguinte. - eu me levantei e fui em sua direção. - Você vai para a casa da , porque como você mesma disse, ela já esta esperando. – eu fui empurrando-a para fora do quarto. – E eu fico aqui, vendo o que vou usar, ok? E vocês passam aqui pra me buscar. Eu juro que vou estar pronta, já é? – eu lhe mandei uma piscadela antes de fechar a porta do quarto em sua cara e rumar em direção ao meu guarda-roupa, tentando desesperadamente achar algo que pudesse usar. Por que eu tinha que ser tão indecisa com roupas mesmo?
Terminei de passar o gloss e como se sentisse meus movimentos, buzinou do lado de fora. Dei uma última checada no espelho e sorri satisfeita pra mim mesma. Sai de casa trancando a porta e andando a passadas largas até o carro.
- Que isso hein. – falou me mandando uma piscadela exatamente que nem aqueles coroas fazem quando passamos por aquelas paradas de obras, e eu ri.
- Assim você mata o do coração. – disse me avaliando assim que entrei no carro.
- Mas quem disse que eu quero matar o do coração? – perguntei de forma inocentemente. – Eu preciso dele bem vivinho, e com o coração batendo muito bem, de preferência. – ri e então saiu com o carro. Fomos o caminho inteiro cantando músicas antigas que tocavam na rádio, com direito a Whitney Houston e tudo meu bem. Assim que chegamos ao estacionamento da escola, pudemos ouvir uma música alta que já ecoava pelas redondezas; o estacionamento estava com muito mais carros do que costume e eu ri pra mim mesma começando a me animar para a festa. Descemos do carro e eu estranhei quando tirou uma única chave do molho que tinha nas mãos. - Ta fazendo o que? – perguntei e ela jogou as outras chaves dentro do carro, trancando os mesmo com a única chave que restava em suas mãos e guardando-a no decote de sua blusa.
- Precaução, honey. - ela me mandou uma piscadela e nós rimos. usava uma calça jeans escura com uma blusa verde bem justinha e tinha os cabelos soltos com todos aqueles cachos de dar inveja em qualquer um, inclusive eu. Oi. Nos pés ela tinha uma sandália estilo botinha preta com prata. estava com um vestido vermelho tomara que caia – ou que Tomtie - estilo – não toque em mim, que tenho dono, - e tinha os cabelos estilo princesinha, metade solto e metade preso, nos pés uma sandália dourada super fofa. E eu? Estava com o melhor look que consegui montar, um shortinho preto, com uma blusa branca bem justinha na barriga, porém mais larguinha na parte de cima, com alguns detalhes de pedrarias verde na frente e com detalhes de amarração verde nas costas, que faziam lembrar um espartilho. Nos pés eu usava uma sandália branca e verde com lacinho na frente e meus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo com minha franja de lado. Preciso dizer que estávamos lindas? Preciso? Preciso? Assim que passamos pela porta de entrada, ai sim eu fiquei boquiaberta, o local estava perfeito. Luzes verdes, vermelhas e amarelas piscavam por todo o canto e as pistas eram divididas em cores. Pelos cantos , podiam –se ver algumas áreas neutras, onde algumas pessoas conversavam com outras de cores diferentes das suas e um bar ficava nessa área mesmo, algumas mesas estavam espalhadas por todo canto, assim como alguns pufs e sofás. No meio da pista verde era possível ver um mini palco com um daqueles ferros no meio estilo pra quem pratica pole dance. Estava simplesmente perfeito.
Em uma das mesas da área neutra pude ver os meninos sentados e algumas latinhas já vazias em volta deles, assim como muitas outras cheias também.
- Olá rinocerontes de minha vida. – disse dando um beijo na testa de cada um deles, e me sentando entre e , quase de frente a e .
- Eu vou, hein. – disse me olhando e rindo antes de chegar em e tascar-lhe um beijo desentupidor de pia.
- Eca! Tem menores de idade aqui – disse lhes tacando algo não identificado. assim como eu, cumprimentava os meninos com um beijo, a única diferença era que era no rosto, no momento em que ela ia dar um beijo em , eu o chamei.
- . – disse um pouco mais alto do que deveria, mas valeu à pena, já que o beijo que depositaria no rosto pegou exatamente nos lábios deles! Aê! Tudo tem que ter um dedo meu! Fazer o que, né? Ri da cara de agradecida que me fez e da de safado de . Ele é um fofo, mas meio lerdo às vezes, e ela é uma menina de atitude, não sei o que anda acontecendo com esses dois que ainda não se pegaram. se sentou entre e , e entre e , peguei algo nas mãos de e beberiquei; tinha um gosto bom, forte, mas gostoso e era doce.
- O que vocês estão fofocando ai? – perguntei terminando em uma só golada a bebida. E os meninos começaram a rir. ria daquela forma engraçada que fazia qualquer um rir, suas bochechas estavam em uma linda tonalidade rosada, e ele tinha os olhos bem apertadinhos, de tanto que ria. E eu ri junto olhando o quão lindo ele era. Nós, as meninas, não entendemos o motivo de risada, mas rimos junto, apenas pelo fato da cena ser engraçada. E então tomou a posição de contador de história. Respirou fundo, secou uma lágrima que ameaçava cair e a única coisa que conseguiu dizer antes de cair na gargalhada foi:
- levou mó tombão! – e então a mesa explodiu de novo em gargalhadas, levou quase meia hora pra que os meninos conseguissem contar a história de que , mais cedo,quando estava na casa de jogando video-game, havia cochilado e sonâmbulo levantou e subiu as escadas; depois na hora de descer, tropeçou nas próprias pernas e saiu quicando com a bunda os degraus até chegar no último, e quando ele chegou só levantou, olhou pra cara dos meninos e disse: legal – e saiu andando mancando pra banheiro. É claro que eu quase me mijei de rir imaginando com aquela bunda toda e ainda caindo, dizendo legal, e saindo mancando. Muitas latas vazias já estavam na nossa mesa e eu já sentia o álcool começando a ferver no meu sangue. Mas na mesa agora só tinha cerveja, e eu queria mais daquele negocio rosa que eu havia bebido mais cedo.
- Gente eu vou pegar algo diferente pra beber. – disse já bem animada. e eram os que estavam bebendo menos, quase nada pra dizer a verdade, provavelmente voltariam dirigindo, meninos responsáveis. Mas tudo bem, eles já eram totalmente cachaçados naturalmente. Sai da mesa e logo depois saiu também, com o telefone nas mãos e na direção oposta a minha, caminhei sorrindo sozinha – acho que isso já ta virando uma rotina minha rir sozinha, acho que to ficando maluca. Fui direto ao bar onde caras muito gatos faziam nossas bebidas, ai sim eu ri mais ainda. Cheguei ao bar me debruçando sobre o mesmo e chamando a atenção de um atendente loiro dos olhos verdes, morri, que sorriso era aquele meu Deus.
- Posso te ajudar? – ele perguntou ‘claro, para de sorrir desse jeito que ai sim eu não morro precocemente na véspera dos meus dezessete aninhos, que você me ajuda muito’, foi o que eu queria dizer, mas não disse.
- Claro, eu quero uma daquelas bebidas rosas. – disse apontando uma outra atendente que entregava a bebida a uma menina do outro lado do bar.
- Claro, seu pedido é uma ordem. – ele disse ainda sorrindo e me dando uma piscadela, eu sorri de volta quando ele me entregou a bebida e agradeci, recebendo mais uma piscadela dele quando saia. Uma música com uma batida gostosa começava a tocar e eu senti uma enorme vontade de dançar, mas sentia vergonha de dançar sozinha, quem sabe não aceitaria? já estava agarrada em algum canto da área vermelha com , avistei , vestida de branco com uma camiseta escrita organização bem decotada, todas as lideres de torcida usavam iguais. Minha irmã estava dando esporro em algum garoto que ameaçava vomitar no chão. Quase gargalhei quando ela o xingou e enfiou o dedo na cara dele por algo que ele tinha feito, e o menino arregalou os olhos não esperando aquela reação dela. Por um momento aquela imagem me pareceu familiar, e logo depois eu me toquei, ela lembrava a mim mesma quando brigava com alguém. Sacudi a cabeça revirando os olhos para aquilo e me virei, tomando a direção de minha mesa, quando esbarrei em alguém que quase me fez derrubar minha bebida em mim mesma.
- Desculpa. – uma voz conhecida disse e um par de braços me segurou. – ! – ergui cabeça e encontrei os olhos de Josh me encarando com um sorriso aberto pra mim. Será que eu já to ficando bêbada, ou todos os garotos que se dirigem a mim tem um sorriso encantador?
- Josh! – disse mais animada do que deveria. – Vamos dançar. - pedi e provavelmente devo ter feito uma cara de criança feliz, porque Josh sorriu engraçado.
- Claro. – ele disse e eu segurei em sua mão, terminando minha bebida em um só gole e colocando-a na bandeja de algum garçom que passava por nós. Assim que cheguei ao meio da pista verde, comecei a mexer meu corpo conforme a música, ergui meus braços e me sacudi, como diria minha vó. Josh parecia meio tímido, mas logo a timidez sumiu e ele começou a se mexer também. Rimos de nós mesmos, eu já estava meio sobre o efeito da bebida, mas ele estava totalmente sóbrio e ria de mim. Dançamos três músicas sem parar, um pouco de suor já começava a brotar em minha testa e eu já estava ficando com sede. Uma música mais lentinha começou a tocar e eu tratei de puxar Josh para fora da pista antes que ele resolvesse dançar coladinho, isso não, coladinho hoje não.
- Eu to com sede! – disse quando chegamos a um canto da área neutra, colocando minha franja atrás da orelha.
- Vou pegar algo para bebermos. – ele disse.
- Eu vou pra mesa. - disse e apontei para a mesa onde se via apenas , e sentados e conversando. Eles não podiam me ver, mas eu os via perfeitamente.
- Ok. – Josh disse antes de sair em direção ao bar, passei pelas pessoas bêbadas e cheguei ofegante a mesa, dançar havia sido bom, e Josh era uma ótima companhia.
- Voltei! – disse chamando a atenção dos três integrantes da mesa.
- Até que enfim, - disse. - achei que tinha se arranja... – ela ia continuar, mas foi interrompida.
- Sua bebida – Josh me entregou um copo com um liquido agora verde, e eu agradeci. – Oi. – ele sorriu e eu o puxei para se sentar.
- Arranjado por ai. – terminou sua frase com um sorriso sapeca nos lábios e me olhou da mesma forma. se esticou no lugar onde estava e cumprimentou Josh com um aceno de cabeça, bebendo um gole de sua cerveja.
- Agora entendi porque o sumiu. – ele disse. - Sua irmã ta ai também, né? – ele perguntou a Josh.
- Ta, foi ela quem ficou insistindo em vir a essa festa. – ele disse e passou os braços por cima de meus ombros, terminei a bebida que Josh tinha trazido e peguei uma latinha de cerveja que estava em cima da mesa; eu queria beber, e muito.
- Acho que sobrei .– disse por fim olhando diretamente para o braço de Josh e se levantou. – Vou pegar algo diferente para beber. - ele saiu andando e eu quase me afoguei na minha própria baba ao secar sua farta bunda andando, merda, por que ele tinha que ser tão lindo?
- Eu preciso ir ao banheiro. – disse. – Bebi demais. – ela também era outra que já estava meio alterada. – Vamos, ?
- Ah, vamos, eu também to precisando. – disse me levantando e sentindo um pouco as coisas rodarem.
- Ainda vou descobrir o que vocês tanto fazem juntas no banheiro! – disse rindo.
- Um dia eu também descubro esse segredo. - foi Josh dessa vez.
- Segredos do banheiro? Nunca saberão. – eu disse rindo e andamos em direção ao banheiro. Assim que entramos, o banheiro não estava cheio, me olhou com aquela cara de curiosa.
- Você pegou o Josh! – ela não perguntou, ela afirmou.
- Não! – respondi rindo e ela fez careta.
- Mas vai pegar? – ela perguntou com um brilho nos olhos.
- Quem sabe? – eu lhe mandei uma piscadela e uma música entrou pela porta do banheiro, que fora aberta por umas garotas do primeiro ano bêbadas. – AH, EU AMO ESSA MÚSICA! VAMOS DANÇAR! – é, eu gritei, e sai puxando pela mão em direção a pista de dança, tropeçando nas pessoas a nossa volta. Getting Over You tocava a todo vapor e eu dançava mexendo meu corpo e sacudindo a cabeça no ritmo, assim como meus quadris; , assim como eu, estava se acabando. - THERE’S JUST GETTIN OVER YOU! – eu cantei a plenos pulmões e a imagem de veio a minha mente, sacudi mais a cabeça, tanto pela música, tanto para afastar os pensamentos dele de mim, sai da minha cabeça! Era o que eu tinha vontade de gritar. A música acabou e London Bridge começou a tocar. e eu rebolávamos até o chão, não nos importando se estávamos chamando atenção demais, queríamos apenas dançar, bom, eu pelo menos queria. Mas no momento eu não sabia se conseguiria continuar dançando se não bebesse algo, minha garganta estava seca. Olhei na direção do bar e lá estava , nossos olhos se cruzaram por breves segundos, pois logo depois minha visão dele foi tapada pelos cabelos de , e tudo o que vi, foi os dois se beijando.
- Eu preciso beber. – eu disse a e sai na direção oposta a que tinha olhado, parando logo em seguida, estava em frente ao bar, isso significava que eu teria que ir lá pra pegar bebidas. Argh, mas que caralho!
- Que foi? – parou ofegante ao meu lado.
- Quero beber! – disse me sentindo uma criança.
- Bebidas? Por aqui. – um garoto mais velho que nós disse e nos guiou em direção a um aglomerado de pessoas, quando chegamos mais perto vimos que elas estavam em volta de uma mesa, e que de cada lado da mesa havia uma pessoa, com oito copos a sua frente e um prato com limão e sal. Uma das pessoas segurava uma bola e a outra parecia prestes a vomitar. – Ping pong, topam? – o garoto perguntou, ele estava visivelmente bêbado.
- Como é que é isso? – eu perguntei, mas foi mais rápida.
- É claro que topamos, eu desafio a ! – ela disse e foi andando em direção ao garoto que parecia prestes a vomitar, puxando-o e ficando em seu lugar.
- Senhora e senhores, temos duas novas desafiantes. – o garoto ao meu lado gritou, segurando minha mão e me puxando para o meio da roda, me fazendo ficar de frente a mesa, onde os copinhos estavam sendo novamente enchidos. - É o seguinte, ela vai tacar a bolinha, e se cair dentro do seu copo, você vai ter que tomar, o objetivo é você acertar mais bolinhas, pra ela ficar bêbada mais rápido e não conseguir mais acertar o seu copo.
As pessoas a nossa volta falavam e me mandou um olhar pervertido, ela tinha a bolinha em uma das mãos e tacou, acertando no terceiro copo da fila, sorri pra ela debochada e derramei o liquido garganta a baixo, que logo depois eu descobri ser vodka, e logo em seguida chupei o limão fazendo careta.
- É assim, né? – eu sorri com malícia sentindo um calor se espalhar por meu corpo. As pessoas ao meu lado gritaram, mirei a bolinha e taquei, acertando seu primeiro copo, acho que não percebeu, mas eu sim, os copos, começavam mais cheios e terminavam mais vazios. errou a segundo bolinha assim como eu, acertamos a terceira, eu errei a quarta, e ela acertou, assim como a quinta que eu também errei. O álcool já tinha feito efeito em mim e eu começava a ver as coisas rodando e ria de nada, não via mais com clareza o copo de e tinha certeza que ela não via mais o meu. – CHEGA, VOCÊ GANHOU! – eu disse tacando a bolinha dentro do meu último copo cheio, tirando e bebendo tudo em um gole; em seguida, meu olho ardeu, a lágrima desceu e a garganta queimou. – wins! – eu falei erguendo meu copo e correndo em sua direção, queria saber como não me estabaquei no chão, devido à altura do meu salto e meu grau de embriagues. Abracei , que me abraçou também. É, parecíamos duas débeis mentais. Olhei pra pista de dança, puxando-a novamente pra lá, e então aquele mini palco me pareceu tão atraente, eu sempre tive vontade de fazer pole dance. Olhei para , que logo pareceu entender o recado; como se fosse um sinal, uma música do Marron 5 que eu amo começou a tocar, puxei pelo braço em direção ao palco, dois degraus auxiliavam a subida e nós subimos, chamando a atenção de algumas pessoas. (n/a coloque a música pra tocar ) Eu gargalhei alto e soltei meus cabelos me balançando conforme o ritmo da batida quando a voz sexy do Adam Levine me chegou aos ouvidos.
I really, I really
Eu realmente, eu realmente
Whoa
Ooohhh
I really need to know
Eu realmente preciso saber
I really, I really
Eu realmente, eu realmente
Whoa
Ooooohhh
Or else, ya gotta let me go, oh
Ou você precisa me deixar ir
I really, I really
Eu realmente, eu realmente
Eu mexia meu corpo conforme a batida da música, adorava Maroon 5, me fazia sentir tão sexy! Encostei-me na barra erguendo as mãos acima da cabeça e comecei a me mexer.
This time I really need to do things right
Esta vez eu realmente preciso fazer as coisas direito
The shivers that you give me keep me freezing all night
Você me arrepia e me mantem estremecido a noite
You make me shudder
Você me arrepia!
I can’t believe it, I’m not myself
Eu não posso acreditar, não sou eu mesmo,
Suddenly I’m thinking about no one else
De repente eu estou pensando em ninguém mais
You make me shudder
Você me arrepia!
I really, I really
Eu realmente, eu realmente
Or else, ya gotta let me go, oh
Ou você precisa me deixar ir
, assim como eu, se mexia sem se importar com o que os outros iriam pensar. Quando dei por mim, alguns caras já estavam em volta da mesa, gritando e soltando assobios. Olhei para um deles e mandei uma piscadinha me abaixando e chegando próximo ao seu rosto antes de subir rebolando. Balançava meus cabelos e jogava-os para trás. Minhas mãos deslizaram por minha blusa e logo um coro de vozes pode ser ouvida.
- TIRA, TIRA, TIRA! - era isso que ouvia de cima da mesa em que estava. Minha vista estava embaçada, meus cabelos grudando na testa, e o suor em meu pescoço, mas eu não estava me importando com aquilo. Para dizer a verdade, eu estava adorando aquilo, aquela sensação de liberdade. De fazer o que me desse na telha, de estar pouco me importando com o que os outros estavam pensando. Eu estava amando aquilo! Fechei os olhos, me mexendo mais ainda o meu corpo conforme a batida da musica e fui descendo um pouco, ouvindo os murmúrios positivos da mini platéia masculina a minha volta. Olhei para ao meu lado e ri; na realidade eu não ri, eu gargalhei. Gargalhei como nunca tinha feito antes na minha vida; ergui minha mão até a alça de minha blusa e meus olhos por breves segundos se encontraram com os de , e antes que ele pudesse pronunciar a frase, não faça isso, minha blusa já voava em direção ao aglomerado de pessoas a minha volta. Os assobios e murmúrios positivos se tornaram gritos de comemoração e eu ri mais ainda, adorando a positividade da minha mini platéia. Joguei minha cabeça novamente para trás, fechando os olhos e quando os abri tudo girou; não girou pelo fato de eu estar bêbada, mas sim por que havia sido acabada de ser jogada sobre algum ombro, ri assustada com aquilo e tive a visão de uma bunda, bem farta e gostosa por sinal. Por que tinha sempre o prazer de acabar com a minha felicidade? Eu tentei me debater, mas um dos braços de segurava firmemente minhas pernas e sua outra mão livre meu braço. Olhei para o lado e pude ver na mesma posição que eu, porém sobre os ombros de , olhamos uma para a outra e rimos acenando como se estivéssemos em uma passeata. Antes de sair do salão da festa, a última coisa que vi foi o olhar de , e o sorriso espantado que ela me deu.
- , me solta! – eu disse quando tive certeza que ele poderia me ouvir, e então ele me pôs no chão, tudo girou e por breves segundos eu achei que ia cair, mas suas mãos me seguraram. Segundos depois chegou ofegante com , colocando-a no chão também, ela ao contrário de mim veio lutando até o fim para ser posta no chão.
- Você tá maluca? – dizia sério e eu me senti uma criança quando faz algo errado. – O que te deu na cabeça pra beber desse jeito e sair por ai se exibindo? – seu rosto possuía uma tonalidade vermelha e ele me lembrou meu avô quando brigou comigo por ter posto salgadinhos de camarão no prato de sabendo que ela era alérgica, quando tínhamos 11 anos. Eu fiquei em silêncio, meio assustada e com uma enorme vontade de rir. respirou fundo e olhou para os dois ao meu lado, parecia não saber o que fazer. – Dude, tu leva a em casa, porque ela ta de carro, que eu vou levar a pra minha casa; o também ta de carro então ele leva o resto do povo. – continuava sério e então e desatei a rir, eu ria que nem hiena com cólica. Eles me olhavam com cara de quem não estava entendendo nada.
- , manda ele pegar a chave. – eu disse e ela pareceu entender o que eu falava e começou a rir também.
- Pega a chave – mandou e não entendeu.
- E onde está a chave? – ele perguntou com aquela cara de ameba.
- Adivinha? – ela fez sua melhor cara se sexy e olhou para os seios agora cobertos apenas pelo sutiã. ficou vermelho e eu ri mais ainda.
- , entra no carro. – mandou sério e eu não ousei desrespeitar. – E vocês se virem para pegar a chave. - disse antes de entrar e dar a partida, eu olhei para a janela e olhei para que continuava serio. Mas que merda, ele ia ficar bolado comigo mesmo?
- ... – eu chamei com voz de criança, mas ele não me respondeu. – ! – eu insisti, me virando para ele.
- O que passou pela tua cabeça pra você fazer uma coisa dessas? – ele me encarou de verdade pela primeira vez e eu me senti tonta, não pela bebida, mas por aquele olhar, aquele jeito de olhar dele que me fazia perder as estribeiras, me fazia esquecer toda noção do que era certo e errado, me fazia esquecer o mundo. Me fazia querer ficar horas ali, só olhando para ele. Respirei fundo me ajeitando no banco e deixando minha cabeça descansar no mesmo, e respondendo sua pergunta com a única coisa que andava rondando minha cabeça e a única resposta para todas minhas ações.
- Você. – foi o que respondi antes que o silêncio total tomasse o carro.
Dezenove
(n/a: coloque essa música pra carregar)
’s POV On
No começo eu senti raiva por ver a em cima daquela mesa, dançando tão insinuante, tão desinibida tão... Sexy. Senti raiva por aquele bando de idiotas estarem olhando para ela daquele jeito, e senti raiva por ela ter dado um mínimo de confiança para eles. Mas agora eu não estava mais sentindo, para dizer a verdade eu não sabia mais o que sentia. O carro estava em completo silêncio, olhava pela janela, eu sabia que ela estava bêbada, e como a conhecia bem, sabia também que provavelmente depois de dormir, não lembraria de metade das coisas que fez. Mas mesmo assim eu sentia uma necessidade enorme de brigar com ela pelo que fizera. bufou alto e ligou o radio, deixando que uma música qualquer ecoasse pelo silêncio que estava no local; ela batucava o pé conforme a batida da música, enrolava uma mexa do cabelo e parecia que estava começando a ficar com sono.Foi quando uma introdução bem conhecida começou a tocar e ela se virou com um enorme sorriso nos lábios, aumentando o volume do rádio e sorrindo de tal forma, que , dude, é impossível não sorrir junto. A é totalmente bipolar, já disse isso?
- Own, eu amo essa música! – disse antes de abrir a janela e começar a cantar que nem uma maluca, com a cabeça para fora e sacudindo os cabelos. – MAKING MY WAY DOWNTOWN, WALKING FAST, FACES PASSES AND I’M HOME BOUND! – ela colocou a cabeça para dentro do carro e fingiu estar tocando um teclado imaginário. – STARING BLANKLY AHEAD, JUST MAKING MY WAY, MAKING MY WAY THROUGH THE CROWD! – novamente o teclado imaginário foi tocado e ela olhou para mim, cantando com um sorriso nos lábios. – AND I NEED YOU! AND I MISS YOU, AND NOW I WONDER... IF I COULD FALL, INTO THE SKY, DO YOU THINK TIME WOULD PASS ME BY, CAUSE YOU KNOW I’D WALK A THOUSAND MILES IF I COULD JUST SEE YOU TONIGHT! – ela cantou a última frase me olhando e apontando, gargalhando muito em seguida. – Ah , seu carro tinha que ser um conversível! Eu sempre tive o sonho de cantar essa música com os cabelos voando, que nem nas Branquelas! – ela fez gestos exagerados, demonstrando seu pouco grau de lucidez.
- Você sempre sonhou? – eu perguntei com uma das sombracelhas arqueadas.
- Ah, me responde qual menina nunca teve vontade de fazer sua própria performance das Branquelas? – ela respondeu prendendo os cabelos em um nó frouxo. – Eu simplesmente amo aquele filme! Os irmãos Wayans são tão bons atores. – ela mordeu os lábios. – E são tão hots também... - ela jogou a cabeça pesadamente sobre o encosto, fechando os olhos e ficando em silencio também. Sabe, é estranho saber que eu estava na mente dela, porque, cara, a é minha amiga, e é muito novo pra mim saber que ela era afim de mim, e eu queria entender por que eu tinha que estar na cabeça dela pra ela fazer tudo aquilo?
- . – ela chamou minha atenção quando eu parei o carro na minha garagem.
- Diga. – falei desligando o carro e encarando-a.
- ... – ela falou de novo, arrastando a voz, fazendo daquele jeito manhoso que sabia que me derretia. Puta merda. – , eu quero nadar! – ela disse fazendo aquela cara de quem quer fazer travessura. Com aquele sorrisinho de lado que ela dava, com os olhos apertadinhos e mordendo os lábios. E uma coisa se passou pela minha cabeça, dude, como eu nunca me apaixonei por ela antes?
- , não viaja. – disse rindo. – São quase três horas da manhã e a única coisa que você tem o direito de querer agora é ir para a cama.
- Fazer o que na cama? – ela me olhou séria, mordendo os lábios e... Cacete! Eu sou homem, não me culpe por ter dado segundas intenções essa frase dela. Mas antes que eu pudesse sair do meu devaneio sobre segundas intenções, havia aberto a porta do carro e saído correndo, chutando as sandálias para fora dos pés em direção a minha piscina. (Dêem Play na música)
- , espera. – eu sai do carro correndo em sua direção, chegando a tempo apenas de vê-la se jogando na água, de roupa e tudo. Acho que devo ter ficado com cara de babaca enquanto a olhava emergir, com os cabelos caindo no rosto e o sorriso mais perfeito que alguém poderia ter. Ela tinha uma aura inocente em volta dela, uma coisa ao qual sempre admirei é o fato de nunca se importar com o que os outros vão pensar. Com a maioria de seus atos ela gostava apenas de aproveitar o que estava vivendo. Às vezes eu conseguia descrevê-la melhor do que a mim mesmo.
- Vem, . – ela pediu afastando alguns fios do rosto e me olhando daquele jeito pidão. Ela mergulhou e emergiu na borda perto de mim. Me encarando em silêncio.
- Nada disso, . Anda, sai da piscina que você vai acabar pegando um resfriado, e daqui a pouco começa a chover. – disse olhando o céu que cada vez mais parecia não ter estrelas.
- Me dá a mão então – ela pediu de forma inocente, e eu lhe estendi, esquecendo só de um detalhe,mínimo, mas essencial no momento: de inocente a não tem nada! E então ela me puxou pra piscina junto com ela! Primeiro me assustei, mas quando emergi, ela estava rindo da minha cara e eu não pude deixar de rir, por que... Ah cara, ela me dava vontade de sorrir.
- Deixa de ser carrancudo, ! – ela tacou água na minha cara. – Parece um velho gaga que só sabe resmungar, tá pior que o meu avô.
- Eu, carrancudo? – perguntei indignado e a olhando maldoso, antes de jogar água em seu rosto. Ela abriu a boca incrédula e me olhou com os olhos semi cerrados; antes de pular em cima de mim na tentativa de me afogar, em vão, já que ela era bem mais fraca que eu. Quando ela percebeu que suas tentativas foram em vão, se afastou de mim gargalhando. E eu a encarei com maldade. entendeu meu sinal e começou a correr, ou melhor, nadar para longe, mas ela não era mais rápida que eu, já que em questão de segundos eu já havia acompanhado-a e a puxando para baixo. E assim ficamos que nem crianças, correndo um atrás do outro e jogando água, às vezes até tentava de novo me afogar, mas sempre em vão, eu era bem maior que ela. Foi quando as grossas gotas de chuva começaram a cair sobre a gente.
- Ah, eu amo tomar banho de chuva. – ela falou soltando as mãos que estavam presas as minhas na altura de nossos rostos, já que estávamos em uma ‘lutinha’, e abrindo os braços, virou o rosto para o céu, com os olhos fechados e um sorriso nos lábios. A chuva começou a cair com mais intensidade de modo que se eu quisesse falar com ela teria que quase gritar, mas eu não o fiz. Ao contrario, fiquei olhando-a e uma pergunta se passou pela minha cabeça, quando foi que ela cresceu que eu não percebi? Porque a que eu to olhando agora não é mais a mesma magrela e desajeitada que dormia comigo, e dude, ela tá tão linda. Não que ela não fosse, mas ela estava... Diferente. abriu os olhos e me olhou de forma engraçada quando um trovão rompeu no céu. Ela tinha medo.
- Vamos sair. - disse apoiando os braços na borda da piscina e fazendo força para erguer meu corpo, meu jeans pesava e minha camisa já estava mais do que fundida ao meu corpo. Quando sai, entendi a mão a , que saiu meio tonta, mesmo com o banho gelado ela ainda estava um pouco sobre o efeito da bebida.
- Me leva no colo, tio. – ela disse e eu ri virando as costas para que ela subisse, ela escorregava um pouco, mas prendeu bem as pernas em volta de minha cintura. – To com sono. – ela falou apoiando seu queixo no vão do meu pescoço e fechando os olhos.
- Não ouse dormir, mocinha! – disse entrando em casa e sacudindo levemente o corpo para que ela acordasse. Mas não sei se ela se assustou e escorregou, ou sei lá, mas no segundo seguinte, não senti mais o peso dela em minhas costas. Quando olhei para trás, ela estava no chão estatelada e rindo que nem uma hiena. – Machucou? – eu perguntei com meio sorriso nos lábios, preocupado.
- Não. – ela disse parando de rir e recusando minha mão de ajuda para se levantar. – , eu realmente to com sono. – ela jogou os braços em volta do corpo.
- Então sobe e troca de roupa. - eu disse a avaliando e tirando minha própria camisa. – Ou melhor, coloca uma, porque você já ta quase nua. – ela então se olhou e parece que só agora que ela se tocou que estava apenas com o sutiã.
- Ai é! Eu gostava daquela blusa, mas não vou trocar de roupa não! – ela sorriu de forma sapeca. – Eu vou dormir assim. – ela gargalhou e me olhou que nem criança antes de começar a correr em direção as escadas.
- Ah pode parar ai. – eu corri rindo atrás dela. Conhecendo do jeito que conheço, ela estava planejando se jogar na minha cama. Do jeito que estava, toda molhada, e posso garantir que não seria a primeira vez que ela faria isso. – Pode parando ai, mocinha. - eu disse segurando-a pelo braço e puxando-a, quando ela ia subir o primeiro degrau. Mas acho que errei na dose, segurei rápido demais, puxei forte de mais e agora ela estava perto demais. Muito perto... nossos corpos se encostavam de leve, e nossas respirações se cruzavam.
me olhou nos olhos e por um segundo eu achei que não conseguiria desviar minha atenção deles, era como se algo atraísse meus olhos aos dela. Mas eu não consegui continuar a encará-los por muito tempo, meus olhos foram descendo para seus lábios, que me pareciam tão tentadores no momento. Eles estavam tão perto. Era como se inconscientemente eles estivessem me chamando. Fechei os olhos com firmeza, respirando fundo antes de dar um passo para trás. Aquela ali era a . Minha amiga desde sempre, e eu tinha namorada, não era justo com a , não era justo com a própria .
- Er... eu vou trocar de roupa. – ela disse passando a mão pelos cabelos,olhando para baixo. Ela deu um passo para trás e merda! Eu não conseguia entender e explicar o que estava acontecendo, nem o que estava fazendo. Era como se um imã me puxasse para ela, como se se eu não fizesse isso me arrependeria para o resto da minha vida. Eu sabia que tinha namorada, sabia que ela era irmã da , e isso estava martelando minha cabeça, estava. Porque no momento seguinte, uma de minhas mãos puxou pela cintura, enquanto outra subia para sua nuca, e no momento em que eu grudei seus lábios aos meus e nossas línguas se encontraram, nada mais tomou conta de meus pensamentos a não ser o gosto de . E a onda de sensações maravilhosas que ele estava me causando no momento.
Vinte
Acordei, mas não me mexi como de costume. Fiquei quietinha, sentindo o ar gelado que passava por minhas vias respiratórias e o calor aconchegante ao qual meu corpo estava envolvido; era tão gostosa aquela sensação de acordar sem barulho, simplesmente por acordar. Mas eu sabia que no exato momento em que abrisse os olhos, uma enorme dor de cabeça me atingiria, e aquela sensação de conforto sumiria em um piscar de olhos. Literalmente, algo se mexeu em minhas costas e eu quase pari meu baço de susto, e logo me lembrei de uma coisa, não estava na minha casa e nem na minha cama. estava ao meu lado. Forcei meus olhos, ainda cerrados, a me lembrarem o que havia acontecido para que eu fosse parar ali, mas minha mente parecia doer demais, então resolvi seguir por etapas. me buscando em casa, a festa, Josh, dança, musica, putz! Eu havia dançando em cima da bancada? Não acredito que eu fiz isso! Eu ri sozinha, ainda de olhos fechados; céus, eu realmente estava bêbada... bom, estou lembrando, então vamos prosseguir. me trouxe pra casa dele, eu me joguei na piscina, ele me carregou no colo, a gente se beijou... CARALHO! Sentei de imediato, abrindo os olhos da forma mais arregalada que alguém poderia abrir, mesmo de ressaca; acho que se não estivesse, meus olhos sairiam saltando de meu rosto e eu teria que procurá-los às cegas. Ta bom, chega de viajar. Dude, como eu não acordei lembrando imediatamente disso? Um sorriso bobo se formou no meu rosto de orelha a orelha, e eu olhei para o menino adormecido ao meu lado. Nós havíamos nos beijado, e a iniciativa havia sido dele!
Flashback
- , eu realmente estou com sono. - disse jogando meus braços em volta do corpo, a roupa que vestia parecia pesada e eu já começava a sentir frio.
- Então sobe e troca de roupa. - disse me avaliando e tirando sua própria camisa que também estava encharcada. Bom, eu não precisei de espelho naquele momento para ter certeza que eu estava com a maior cara de tarada do mundo! Ver ele ali, sem camisa, na minha frente, com todo aquele corpo, nós dois sozinhos dentro de uma casa... Ele está me provocando, você não acha não? – Ou melhor, coloca uma, porque você já ta quase nua. – ele olhou diretamente para os meus seios. TARADO! Tu olhou pros meus peitos que eu vi, eu pensei histericamente, pensei histericamente? Tem como pensar histericamente? Deve ter, porque eu to pensando assim. Olhei-me e, caraça, eu tava só com o sutiã, dude! Mas ele é uma graça, fica a dica, um dos meus prediletos, preto e com rendinha.
- Ah, eu gostava daquela blusa! Mas não vou trocar de roupa não! – eu ri. Estava com preguiça, pra que tirar a roupa? - Eu vou dormir assim. – gargalhei batendo palmas em frente ao rosto, eu estava com vontade demais de rir. E me deu uma vontade enorme de brincar de pique pega, então eu corri para a cama de , ou melhor, tentei correr.
- Ah, pode parar. – correu atrás de mim. – Pode ir parando ai, mocinha – ouvi sua voz quando pisei no primeiro degrau e ele segurou meu braço, me puxando de volta. Não sei se por ele ter feito o movimento com demasiada força, não sei se por eu estar bêbada e meu corpo mole demais, só sei que no segundo seguinte, estava com seu corpo junto ao meu, sua barriga encostada a minha. Eu senti uma onda de arrepios me invadirem quando nossos olhares se encontraram. Céus, era como se ele tivesse me hipnotizado, e não havia outra coisa no mundo que eu pudesse querer naquele momento mais do que ele. Ele produzia um efeito em mim que parecia até que todo o álcool tinha evaporado de meu sangue. Seus olhos se desviaram dos meus e desceram para meus lábios. E por instinto, meus olhos fizeram o mesmo, seus lábios eram tão lindos, parecia tão macios, eu precisava muito sentir seu gosto, como era beijá-lo, acho que eu morreria se não fizesse isso. fechou firme os olhos e respirou com dificuldade, como se estivesse fazendo muita força para tirar algo da mente... como se quisesse evitar algo. E então eu me toquei. Ele queria me tirar da mente, ele queria me evitar.
- Er... Eu vou trocar de roupa. – disse, passando as mãos pela cabeça na inútil tentativa de não ficar sem graça; é, ele havia acabado de me rejeitar. Evitei olhar em seus olhos, não acho que agüentaria fazê-lo. Dei um passo em direção a escada, mas as mãos de me impediram de continuar meu caminho. Ele me puxou para si, grudando seus lábios nos meus. Uma de suas mãos foi para minha nuca, enquanto a outra me puxou pela cintura, colando nossos corpos. Por meio segundo ficamos parados, sentindo apenas nossos lábios unidos, mas logo sua língua delicadamente pediu passagem em meus lábios, facilmente concedida, e eu me senti amolecer mais ainda, se era possível. me beijava calmamente e eu sentia meu coração parar de bater a cada segundo. Por muito tempo eu havia imaginado e criado ilusões em minha mente sobre como seria beijá-lo, se seria bom... eu estava enganada demais em todas as hipóteses imaginadas, porque nenhumas delas havia chegado perto do quão perfeito estava sendo.
Flashback off
Sentei-me na cama e pus um pé para fora, tomando todo cuidado necessário para não acordar . Primeiro, porque eu deveria estar pavorosa naquele momento, segundo, porque eu não sabia como encará-lo. Sempre havia um momento constrangedor por trás de um beijo, e eu estava começando a temer o meu momento constrangedor com . Eu o conhecia bem o suficiente para saber que ele se arrependeria, para saber que ele me diria que foi um erro, e que ele tinha namorada, e eu sabia que era exatamente isso que ele faria quando acordasse. Com todo cuidado do mundo cacei algo no guarda-roupa de que pudesse ser vestivel, essa palavra existe? Pois bem – lê-se que ninguém me mande para o manicômio quando me ver vestida na rua - e sai do quarto. Eu não conseguia conter o sorriso e a euforia em mim. Eu havia beijado ele! Eu sei que poderia ser apenas um beijo, para ele apenas mais uma de sua lista, mas pra mim havia sido especial, aquele era , o cara que eu sempre quis beijar! E, se um dia eu estive confusa sobre o que realmente sentia por ele, essa confusão se desfez, porque eu sabia exatamente o que queria, e sem sombra de dúvida, era o meu objeto de desejo. Sai da casa com um de seus casacos por cima de uma calça legging que havia em seu guarda-roupa e uma havaiana no pé. Não havia escovado os dentes e o único trabalho que havia me dado era de prender os cabelos. Não me assustaria se alguma criança saísse correndo na rua quando me visse. O tempo estava frio, gostoso, e minha cabeça voltou a latejar. Não demorou muito para que eu chegasse em casa. Tudo estava em completo silencio, tomei um banho bem quente e demorado, lavando bem os cabelos. Sequei-os e olhei o relógio: meio dia. Não era estranho que minha casa estivesse em silêncio, eu havia madrugado completamente. Meus pais não estavam em casa e Carolina provavelmente estava dormindo. Senti um aperto no peito ao me lembrar dela, ela podia ser uma vaca, vadia, puta, e cadela, mas ainda era minha irmã, e ainda era namorado dela. Merda, não sei se devia, ou se não, mas um puta remorso estava começando a surgir em mim, não era justo. Nunca fui a favor de traição, não faço com os outros porque não gostaria que fizessem comigo. Mas ao mesmo tempo aquele era . Dude, há quanto tempo eu queria isso dele? Três anos? Mais? Muito mais! Resolvi ir até a casa de , estava chovendo e eu infelizmente não poderia subir na minha ‘árvore do pensamento’. É, eu tenho uma árvore, no fundo do quintal da minha casa, que eu gosto de subir pra pensar na vida, enquanto vejo tudo o que esta acontecendo ao meu redor, sem que ninguém perceba que eu estou presente. É quase como se eu tivesse uma capa da invisibilidade sem ficar invisível. A casa de estava em completo silêncio, não se ouvia um pio. Fui até a parte de trás, pegando a chave no esconderijo e entrando; se a dúvida sobre onde estaria não fosse tão grande, eu provavelmente estaria na sua porta, mas era meio ameaçadora pela manhã. Subi as escadas, e entrei no quarto de , parando no segundo seguinte e dando meia volta. Segurando totalmente o riso, e a vontade de pular em cima da cama, de empolgação, ou sei lá o que, e tive que me segurar também pra não tirar uma foto. Então eu apenas sai do quarto, o mais rápido possível, e só quando cheguei na sala, na parte de baixo, cai na gargalhada. estava deitada, dormindo totalmente absorta, com as pernas e braços abertos, enquanto segurava em sua cintura, numa falsa tentativa de não cair da cama, com uma das pernas já pra fora, e com os cabelos de em sua cara. Devo ressaltar a parte do sem camisa. Joguei-me em seu sofá ligando a TV, bateu a preguiça de ir para casa e seria engraçado encontrar os dois quando acordassem, então joguei as pernas em cima da mesinha, colocando em um canal qualquer - tanto faz minha mente não estava ali mesmo. Reencostei a cabeça no sofá pensando em quando teria que encarar e já prevendo tudo o que ele me falaria, sentindo o remorso e o medo já começarem a me corroer por dentro. Suspirei frustrada, lembrando novamente dos dois lá em cima; sorri fraco pra mim mesma, pelo menos para alguns as coisas poderia começar a andar agora, né?
’s POV
Rolei na cama me espreguiçando e em seguida ouvi um baque surdo no chão, como se algo tivesse se chocado fortemente contra o mesmo; mas que merda é essa? Minha pergunta foi respondida quando se ergueu, jogando-se ao meu lado da cama e puxando as minhas cobertas, se enrolando nelas, e resmungando mal-humorado.
- Já é a terceira vez, chata pra caramba, até o chuta menos, que saco. – e então ficou em silêncio, como se tivesse caído em um sono profundo, dormindo com a boca aberta. Ri daquilo e cocei os olhos, olhando meu relógio de cabeceira em seguida. Uma e vinte. Acho que já estava na hora de levantar. Sentei-me na cama e sai, tomando cuidado para não acordar nem derrubar novamente, coitado. Eu tinha plena noção de como ele era dormindo, e digamos que não era uma companhia muito agradável, se mexia demais. Escovei os dentes e penteei os cabelos. Minha cabeça não doía muito, mas minha barriga já gritava por comida. Desci as escadas e quase sai voando pelo teto de susto quando vi jogada no meu sofá com o controle da TV em mãos.
- Quenga, quer me matar? – foi sua vez de se assustar quando ouviu minha voz. – Madrugou, foi? – perguntei me jogando no sofá ao seu lado.
- Aham. – ela concordou olhando para a televisão, pensativa. E como se se lembrasse de algo, me encarou de volta com meio sorriso nos lábios. – O que o estava fazendo no seu quarto, e sem camisa? Dormindo abraçadinho com você? – ela fez cara de segundas intenções com direito a sobrancelha erguida e tudo.
- Ah, nada demais! – eu disse indiferente. – Eu só peguei ele ontem. – disse a olhando séria e três segundos depois soltamos juntas gritinhos empolgados.
- Como assim você o pegou? Como aconteceu? – me joguei no sofá ao seu lado e comecei a contar minha história.
- , manda ele pegar a chave. - gritou de forma totalmente histérica caindo na gargalhada. Em seguida e eu me lembrei de algo que me fez rir que nem uma maluca também.
- Pega a chave. – disse, colocando minhas mãos na cintura e empinando os peitos. , lerdo como sempre, pareceu não entender.
- E onde está a chave? – ele perguntou com aquela cara de ameba, como se fosse o único a não entender a piada.
- Adivinha? - tentei fazer minha maior cara sexy enquanto olhava para os meus próprios seios e cai na gargalhada em seguida. mudou de cor e eu avistei de lado enquanto entrava no carro com ao seu lado, fala sério, mó caretão o .
Fiz minha melhor cara sexy e olhei para os seios, agora cobertos apenas pelo sutiã. continuou parado olhando pro meu sutiã na dúvida. - Como é que é? Vai pegar ou não? - perguntei rindo, mas ele não se moveu. Eu apenas bufei alto tirando a chave do sutiã.
- Ta de sacanagem que o não quis tirar a chave? - perguntou, parecendo indignada. - Ele é gay? Você lá, toda gostosona, dando mó mole e ele... - deixou a frase pairar no ar e eu ri.
- Cala a boca e me deixa terminar.
foi dirigindo até minha casa, ele estava em silêncio e eu estava inquieta; queria fazer algo, detestava ficar parada, ainda mais depois da quantidade enorme de álcool que tinha ingerido. Quando o carro parou dentro de minha garagem, eu não pude mais me conter. Peguei o controle do portão que estava nas mãos do menino, fechando-o, deixando tudo escuro. E sem pensar duas vezes, pulei para o banco do motorista, sentando no colo de e beijando-o em seguida.
- OMG! - exclamou rindo. - Você agarrou o ? Isso a,i amiga, tenha atitude! - eu ri do comentário. - Mas e depois?
- A gente ficou se agarrando mó tempão no carro, até que eu já estava bêbada demais, e me sentia cansada demais, ai eu capotei. - gargalhou alto, tapando a boca em seguida, talvez por medo de que ele acordasse. - E então não lembro de mais nada. Mas e você, como foi o esporro do ?
- Ah, ele não falou muito. - ela disse olhando pra frente. Estranhei. - parecia puto quando saiu da festa.
- E estava. Mas depois... - ela parou ainda olhando para um ponto vago.
- Depois? - a incentivei a continuar.
- Ele perguntou o que tinha passado na minha cabeça pra fazer aquilo e eu fui sincera.
- Você? - eu fiquei incrédula, minha menininha estava começando a encarar as coisas. - Você disse que era ele?
- Aham, eu estava bêbada. Depois começou a cantar Carlton na rádio, eu comecei a cantar que nem uma maluca, e acho que ele esqueceu que estava meio bravo. Ai, quando chegamos a casa dele, eu me joguei na piscina e ele foi junto, a gente ficou que nem dois malucos. - ela riu sozinha com aquele olhar apaixonado olhando o nada, eu queria realmente entender por que esses dois foram idiotas o suficiente para não ficarem juntos antes. De coração. Eu não entendo! Eles se gostam, está mais do que na cara isso.
- Você se jogou na piscina? , você é bem pior bêbada do que eu! – sorri. - E depois, o que aconteceu? – perguntei, pegando um pacote de biscoitos que estava jogado em cima da mesinha e apoiando meus pés no mesmo lugar. ficou em silêncio.
- Você já quis muito uma coisa, mas depois se sentiu culpada por ter conseguido? Ou ficou com medo das conseqüências que isso poderia te trazer? - ela perguntou séria e eu joguei minha cabeça no sofá, encarando o teto que nem ela fazia.
- O que aconteceu, ?
- O me beijou. - cuspi todo o biscoito que tinha posto na boca no momento que ouvi aquela frase. E não pude deixar de rir.
- Isso é ótimo! - refreei um pouco minha empolgação quando vi a cara de , ela estava séria. - Ele beija mal? - arqueei minha sobrancelha em dúvida.
- Não. - ela sorriu fraco. - Foi tão bom! Ele que me beijou, ele que tomou a iniciativa. - e então ela começou a me contar os detalhes de como tinha acontecido.
- E depois? Digo, que vocês pararam de se beijar?
- Ele me deu um selinho, me olhou da forma mais fofa possível e disse que eu precisava trocar de roupa, porque ele não queria ser responsável caso eu pegasse uma pneumonia. E então eu subi, troquei de roupa e apaguei.
- Ai, amiga, que fofo! E por que você ta com essa carinha? – perguntei, tentando entendê-la. O cara que ela gosta havia beijado-a, ela tinha que estar feliz, muito feliz, muito mais do que aquele sorrisinho idiota que ela sempre tem! Ela tinha que estar com um sorriso estilo curinga no rosto.
- Ele tem namorada, , ele namora minha irmã, ele é meu cunhado. E eu conheço o bem o suficiente pra saber o que ele vai dizer quando a gente se vir. - agora sim eu havia entendido.
- , relaxa. Às vezes ele pode se surpreender. - a puxei de lado para um abraço, enquanto ela suspirava.
- Deus te ouça, amiga, Deus te ouça.
Vinte e Um
Assim que alcancei o portão da escola, senti meu sangue congelar em minhas veias. Agora era inevitável, eu teria que encarar , e o medo do que ele iria dizer me fazia tremer nas bases. Respirei fundo e me encarou, como se me encoraja-se; ela entendia meu medo. Era importante para mim o que diria, e apesar de saber exatamente o que era, eu temia ouvir saindo da boca dele, porque eu tinha certeza que doeria. O sinal tocou e apareceu atrás de nós, sorrindo e me encarando daquele jeito estilo: vai mulher! O amontoado de hormônios ambulantes seguiu para suas determinadas salas. Eu avistava meio de longe enquanto , e caminhavam até a sala, nenhum deles havia me visto e eu agradeci muito por isso. Quando não os vi mais, entrei pelo portão, sem me dar o trabalho de me importar se estaria atrasada ou não, a única coisa que eu queria era não ter que encarar , mas que merda! Eu era uma mulher ou uma rata? Acho que rata era a minha melhor opção. As aulas passaram monótonas e chatas, como de costume, mas eu não queria que elas passassem. Senti meu coração bater na boca quando o sinal que anuncia o intervalo tocou. Olhei para os meus dois lados, encarando minhas amigas e sinceramente? Me senti como Edward Cullen, saindo da sala apressada como se fosse tirar o pai da forca. Sinceramente? As pessoas podiam não entender meu medo, mas a verdade é que eu sempre tive medo de rejeição, de não ser aceita. Traduzindo: eu tenho medo de levar um fora, toco, pé na bunda. É isso. E eu sabia que era exatamente isso que iria fazer assim que me visse. Não que nós tivéssemos algo, mas ele simplesmente iria acabar com minha doce ilusão do nosso beijo, diria que foi um erro, e que não deveria acontecer mais. E eu não queria ouvir aquilo, não mesmo, então eu recorri à única opção que me restava naquele momento: me esconder nos fundos do colégio . E era isso que eu estava fazendo, minha mochila se encontrava jogada entre minhas pernas e eu encarava o nada a minha frente. Street Map do Athlete ecoava de um dos fones do meu iPod - apenas de um por que eu tinha a nata habilidade de queimar sempre um -, e eu contava mentalmente quanto tempo faltava para as minhas aulas daquele dia acabarem, ou qual seria a probabilidade de eu quebrar uma de minhas pernas ou braços, ou me machucar tentando pular o muro a minha frente, Foi quando uma voz conhecida chegou aos meus ouvidos e eu senti todos os meus órgãos afundarem em meu corpo quando se sentou ao meu lado.
- Acho que atrás da escola é um lugar muito óbvio pra você se esconder de mim. – disse e eu não precisei encará-lo para saber que ele tinha um sorriso nos lábios.
- E quem disse que eu estou fugindo de você? - perguntei ainda olhando para frente, sentia meu coração bater tão forte que seria capaz de vomitá-lo a qualquer momento.
- Bom você não atende as minhas ligações, não estava no seu quarto quando fui te acordar. Ficou no portão da escola esperando eu entrar pra que você pudesse fazer o mesmo. – ele soltou um risinho. – E esta aqui na hora do intervalo, perdendo a oportunidade de zoar a e o por estarem se agarrando, então eu deduzi que você estava fugindo de algo. E já que você ainda não me olhou desde que eu cheguei, eu deduzi que esse algo seja eu. – não o respondi, apenas fiquei quieta, olhando o nada. Sempre o nada. Ah, e já disse que de minha boca também não saia nada? Pois bem, fica a dica. – , a gente precisa falar sobre o que aconteceu sábado. – ele assumiu um tom mais serio.
- Eu acho que não, porque eu já sei o que você vai falar. – disse, por fim, finalmente o encarando.
- Sabe? – ele ergueu uma das sombracelhas e então desviou o olhar. - Então diga. – ele agora olhava para frente, para o nada, assim como eu voltei a fazer.
- Bom, que primeiro foi um erro, que você estava equivocado, que você tem namorada, que você se arrependeu, que a gente deveria esquecer tudo o que aconteceu e agir como se nada tivesse acontecido, e que espera que isso não mude nossa amizade. – eu disse.
- Exatamente... – ele respirou fundo e eu senti meu coração afundar mais ainda em meu peito. – Era exatamente isso que eu tinha que dizer. Mas não vou. – foi minha vez de virar para encará-lo, mais ele não fez o mesmo. – Droga, , você me deixou confuso! Eu te beijei, eu tenho consciência disso, sei também que a atitude foi minha, que eu tenho namorada, mas não consigo me arrepender disso! Pelo contrário. – ele passou a mão pelos cabelos, bagunçando-os mais ainda do que já estavam. - Eu não consigo olhar pra você agora sem ter vontade de repetir tudo. – ele então me encarou, deixando seus braços caírem sobre o corpo. Alguns segundos se passaram em silêncio, minha boca estava entreaberta e eu agora tinha vontade de sorrir; ele não estava arrependido, pelo contrário, ele queria fazer de novo! – Olha, , - se apoiou nos joelhos, girando e ficando de frente a mim. - Você me deixou confuso, eu... Eu não sei o que fazer, desde aquele dia que você bebeu lá na , e de tudo o que você me falou, você mexeu com a minha cabeça. Você é minha melhor amiga, e eu sempre fui sincero com você, como eu to sendo agora, mas desde aquele dia, eu não consigo olhar pra do mesmo jeito de antes, e nem... Tocar ela da mesma forma..por que eu comecei a olhar você de uma forma diferente, de um jeito que eu não sei explicar, mas que me deixa mais confuso toda vez que eu tento entender.
- , eu...
- ,escuta, eu não quero te magoar, mas eu também não quero magoar a , da mesma forma que eu também não quero sair magoado disso tudo. Eu quero te beijar de novo. Eu quero muito, mas não é justo com você, não e justo com a . Eu... Eu to confuso. – ele passou novamente as mãos pelos cabelos, como se estivesse desesperado. – Eu não sei o que fazer. – ficamos nos encarando por longos segundos, e eu não sabia descrever qual a sensação se passava no meu corpo aquele momento. Meu coração batia de forma desesperadoramente exagerada, e eu sentia vontade apenas de jogar aquela merda de mochila pra bem longe de mim e pular nos braços do cara que eu gosto - que havia em meias palavras acabado de dizer que estava ficando afim de mim - e enche-lo de beijos, sem me importar com o que os outros iriam dizer. E por uma fração de segundos eu achei que pensava o mesmo, pela forma que ele me olhava. – Você não vai dizer algo?
- , você me conhece muito bem. Eu gosto de você, eu gosto de tudo em você; e aquele beijo, ele significou muito pra mim, mais do que você pode ate conseguir imaginar. Desde então, a única coisa em que tenho pensado é em como eu quero repetir, como quero te beijar de novo, e em como eu vou apagar esse sorriso idiota nos meus lábios antes que as pessoas comessem a pensar que eu to maluca. Mas ao mesmo tempo, eu me sinto com remorso porque, dude, você namora minha irmã! E eu não quero me sentir culpada por isso, por querer tanto te beijar de novo, por querer você... Então você vem e me diz tudo o que eu não imaginaria que você pudesse dizer e ainda quer que eu te diga algo? – eu sorri de canto, - Eu não sei o que dizer. Mas uma coisa você pode ter certeza, eu não vou virar pra você e falar ‘larga ela e fica comigo’, porque se eu for entrar na sua vida dessa maneira, digo sem ser apenas sua amiga, isso não vai depender do que eu vou dizer, mas do que você vai fazer. Eu acho que é isso que eu tenho a dizer. – eu disse e então ele sorriu.
- Eu sabia que você diria exatamente isso. - o sinal tocou e parecia que nós nem havíamos nos tocado disso. – , me dá um tempo, eu preciso pensar – ele fez aquela cara de criança abandonada.
- Você tem o tempo que você quiser. Só não se esqueça que é minha irmã, e por mais que eu a deteste, eu também não quero que ela saia magoada disso, e eu te mato se alguém souber que eu falei isso. - ele sorriu abertamente de uma forma que me fazia querer beijá-lo de novo, de novo, de novo e de novo. Me ergui, evitando olhá-lo. Não saberia quanto tempo mais agüentaria sem atacá-lo. - A gente se vê por ai - disse jogando minha mochila apenas em um ombro e dando dois passos. Sabe quando o certo e o errado parecem às mesmas coisas? Sabe quando tudo o que você quer e tudo o que você não deve querer parecem ser o mesmo? era o meu erro, minha maior fraqueza, meu certo e meu errado, meu bem e meu mal, eu não sei se estava em mim ou não, se me arrependeria ou não, mas meu corpo falou muito mais rápido do que minha mente poderia raciocinar. Meus pés não se mexeram para o terceiro passo, ao contrário disso, eles se viraram, e mais uma vez eu vi perto demais. Eu não queria me submeter a isso, mas ele estava aqui, uma de suas mãos me envolveu pela cintura e rapidamente joguei meus braços em volta de seu pescoço.
- Você sabe que isso é errado, né? – perguntei, olhando-o nos olhos.
- Eu sei - disse olhando no fundo de meus olhos. Olhá-lo fazia parecer que as coisas estavam todas em seus lugares certos, que tudo iria dar certo; olhá-lo dava uma segurança inexplicável. Um sorriso de canto se formou em meus lábios e nos deles também, nossos rostos foram se aproximando automaticamente e os lábios de roçaram os meus em um carinho, seu nariz brincou com o meu em um beijo de esquimó e rimos juntos, antes de finalmente grudarmos nossos lábios em um beijo de verdade. Sua língua procurou a minha e eu senti que poderia explodir de alegria com seu toque; minhas mãos brincaram com seu cabelo e me puxou para mais perto, colando mais nossos corpos. Nosso beijo ganhou velocidade e, de coração, nunca pensei que beijar pudesse ser tão bom, tão perfeito. Tão... Eu não sei explicar, nunca pensei que apenas um beijo pudesse trazer essa sensação de plena felicidade. Finalizei o beijo com uma mordida em seu lábio inferior, o que fez me apertar mais ainda contra si, iniciando o beijo novamente. Eu não queria sair dali, não queria soltá-lo, mas alguém podia aparecer, ele era meu ‘cunhado’, meu melhor amigo, e seria estranho que as outras pessoas nos vissem se beijando. Separei nossos lábios e tirei minhas mãos de seu pescoço, sorrindo de uma forma que eu me sentia idiota, mais uma idiotice boa, muito boa.
- Eu tenho que ir.- disse olhando o chão. Se olhasse novamente, não me responsabilizaria mais por meus atos. me olhou em silêncio, mas ainda com meio sorriso nos lábios, e acenou com a cabeça. Me virei de costas, voltando ao meu trajeto inicial, lutando com todas as minhas forças contra o meu instinto, a minha vontade e o pior de tudo, lutando contra o meu coração para não voltar e ficar o resto do meu dia ali com , beijando-o, abraçando-o, sentindo seu cheiro, seu toque, ouvindo sua respiração. Aquilo não era certo, ele namorava minha meia irmã. Mas mesmo sabendo disso, eu não pude deixar de evitar o sorriso idiota que se formava em meu rosto e a euforia maior que parecia crescer a cada segundo dentro de mim.
Vinte e Dois
(N/A coloque essa música para carregar )
- Oi, mãe. – disse, enquanto me jogava no colo da mesma, e recebendo uma gargalhada em resposta. Coloquei minha mochila em um canto qualquer, e me deitei no sofá, com a cabeça apoiada no colo da minha coroa. Ela assistia a um programa qualquer de fofoca e olhou-me rindo.
- Que bom humor é esse? – ela perguntou, colocando uma das mãos em meus cabelos e começando a acariciá-los.
- Nada. – disse sorrindo. – Só estou com bom humor, só isso. – dei de ombros me aconchegando, mais ainda, em seu colo.
- Isso esta me cheirando a namorado novo. – minha mãe riu e me olhou curiosa. – Me conta, é o ? Eu o acho uma graça, se eu fosse uns vinte e cinco anos mais nova, ele não me escapava. – ela disse animada e eu gargalhei alto, vendo a porta da sala ser aberta por .
- Oi, oi. – ela disse, se jogando no sofá do nosso lado, com uma cara não muito agradável. Oh my God será que...
- Aconteceu alguma coisa, ? - minha mãe perguntou de forma terna.
- Não, tia, nada não. Eu só estou um pouco cansada do ensaio. – ela sorriu para minha mãe e depois virou-se pra mim. – , você sabe se o foi pra casa depois da aula? Desde a primeira aula que eu não o vejo, tive que resolver umas coisas no intervalo e acabou que eu nem falei com ele.
- Não, os meninos foram todos para a casa do , fazer não sei o quê. – respondi, tentando parecer educada.
- Ah, ok, obrigada. – ela disse e se levantou.
- Tem comida no forno, ! – minha mãe gritou e eu a ouvi soltar um muxoxo de agradecimento.
- Mãe? – chamei-a e ela fez um barulho com a boca, demonstrando que estava ouvindo. – A senhora já quis muito uma coisa e quando conseguiu, percebeu que não era aquilo mesmo que você queria? – perguntei, fitando o teto.
- Como assim, você não quer mais?
- Não, não é o fato de não querer mais, o fato é querer até demais. E eu não sei se é certo esse querer. – fiz careta e minha mãe voltou a fazer carinho em minha cabeça.
- Ah, minha filha, o único conselho que eu posso te dar agora, é pra você seguir teu coração. Ele é o único que pode te ajudar nesse momento, mas também, não deixe a razão de lado, porque ela também é muito importante, não corrompa seus princípios, só isso. – ela sorriu me olhando de forma amável.
- É, acho que a senhora tem razão. – disse me ajeitando no sofá, de forma a ficar com o rosto virado para sua barriga.
- E ... – minha mãe me chamou e eu fiz um barulho com a boca insinuando que estava ouvindo. – Por que você não tenta investir no , sabe? Ele sempre foi meu segundo preferido, e nem que fosse só pra dar uns beijinhos. – minha mãe riu da minha careta.
- O está com a , mãe. – ri quando minha mãe soltou um muxoxo de decepção. – E, aliás, figurinha repetida não preenche álbum. – gargalhei da cara que a minha mãe fez, e afundei meu rosto novamente em seu colo.
- Não preenche álbum, mas dá muito bem pra jogar bafo. – foi minha vez de gargalhar de sua frase. Essa minha mãe é uma figura.
- É claro que não! É óbvio que o Jensen é mais bonito! – disse revoltada, apontando para a televisão.
- Lógico que não, o Jared é muito mais gato! – disse, pausando a televisão e apontando para o rosto do Jared Padalecki, na tela.
- Olha, se vocês continuarem secando meus homens, eu vou ser obrigada a dar porrada na cara das duas, o Jensen é meu e o Jared também. Os Winchesters me pertencem, propriedade exclusiva minha. – disse, com toda a minha possessão.
- Ê laiá, , você... – ia dizendo quando a campainha tocou.
- ENTRA! – gritamos em coro e rimos em seguida. Meus pais resolveram passar a noite fora, então eu tinha resolvido chamar o bando de retardados mórs para minha casa. Meus olhos se encontraram com os de , brevemente, quando ele, , e passaram pela porta, mas eu desviei os olhos, voltando a olhar a televisão. Sentindo meu coração bater forte.
- MONTINHO! – ouvi e gritarem, e antes que pudesse fazer algo, senti alguns, muitos, quilos sobre nós. gritava e xingava, enquanto dava gritos histéricos, se remexendo, e eu ria, igual a uma hiena com tuberculose, me movendo e tentando achar um jeito de sair dali. Alguém se encostou à minha barriga e eu quase gritei.
Tá, na verdade, eu gritei. – ISSO É MINHA BARRIGA, TIRA A MÃO DAÍ! – disse me remexendo, e conseqüentemente, movendo a todos que estavam no sofá, embolados. Os dedos, que se encostavam a minha barriga, começaram a me fazer cócegas e eu gritei, rindo e me mexendo mais ainda, tentando me livrar daquilo.
O fato de eu me mover, fez com que conseqüentemente, todos se mexessem e no segundo seguinte todos estavam no chão. Caímos do sofá, uns em cima dos outros, e todos deram gargalhadas. estava em baixo de mim, a barriga de Gleide na direção do meu rosto, a bunda de na direção da minha mão, tinha o pé em minhas costelas, a cabeça de encostava-se à minha barriga e todos estávamos em cima de .
- Como é que é? Virei o quê? Tapete? - ele disse tentando se mover e sair de baixo de nós, virei o rosto e o de estava a milímetros do meu, sorrimos juntos, nos encarando, era tão bom olhá-lo nos olhos, me fazia sentir tantas coisas, e então, algo cutucou minha coluna e eu me virei apoiando as mão em algo macio, fazendo força pra cima, em seguida para me levantar.
- ISSO É O MEU... – começou sobressaltado, mas sua voz se tornou um pio. - Pênis? - ele rolou para o lado encolhido e com as mãos entre as pernas, caímos todos na gargalhada, enquanto o coitado do apenas rolava de um lado para o outro gemendo de dor.
- Desculpa, meu amor, eu sei que o Júnior vai ficar bem! – disse me agachando e ficando ao seu lado. Estava morrendo de vontade de rir, mas tentava me manter séria em nome do Júnior, ou pelo menos à memória dele.
- Vai nada, você vai precisar fazer massagem nele para ele voltar ao normal. - ele me olhou sapeca e duas almofadas voaram em sua direção. Olhei para traz e notei que uma das almofadas viera da direção de , mas quando olhei para o outro lado, me surpreendi, a outra almofada vinha de .
- Mais respeito com as mulheres da minha família, rapaz! - ela disse em tom brincalhão e se jogando no sofá com um pote de sorvete. - Alguém quer? - ela sorriu e acho que o silêncio foi mútuo. se levantou, rindo e caminhando em sua direção.
- É claro que eu quero. - ele pegou uma colher na mão de , que já comia, e mergulhou no pote, e eu trocamos um olhar e ela sorriu. Estendeu-me uma colher, aceitei ainda confusa e meus olhos se encontraram com os de , que deu de ombros e aceitou, também, a colher que lhe oferecia. Todos pegaram suas próprias colheres e começamos a comer. Rimos de , que se melecou todo e iniciou uma mini guerra de sorvete!
- Oh meu Deus, isso ta envenenado? - eu perguntei olhando para , para o sorvete e voltando meu olhar a ela novamente, que soltou uma gargalhada estrondosa, que mesmo sem querer, me fez rir também. Por um momento achei que iríamos discutir, mas pelo contrário, apenas colocou mais sorvete na boca e disse:
- Qual é, , já ta na hora da gente crescer né? – oi, para tudo, alguém ai pausa a fita e volta à parte em que a fica legal, porque eu acho que perdi.
-Ah é, né? - eu disse, estranhando toda aquela gentileza repentina e me levantando. – Vou pegar uns edredons para nós nos jogarmos em cima. – disse me levantando. – E aproveitar pra limpar o meu rosto. - sorri para todos antes de caminhar até a escada.
Merda! Como assim? Ela agora resolveu ser legal? Droga! Isso só serviu para aumentar a minha culpa, que eu já estava achando que não existia, estava tentando ser legal comigo e eu tinha ficado com o namorado dela. Que vaca eu sou! Lavei o rosto e o enxuguei em uma toalha qualquer, sai do banheiro e abri o guarda-roupa atrás de edredons e colchonetes que pudesse colocar no chão para nos acomodarmos.
- Acho que vou começar a cobrar taxa. - ouvi a voz de atrás de mim e quase voei de susto.
- Ai que susto! – exclamei, levando as mãos ao peito. – Cobrar pelo o quê? – perguntei, não entendendo e ele apontou com a cabeça para a camiseta que eu vestia. Ah, claro. Era dele. – Ah, claro, se eu cobrar tudo que faço por você, vou te levar a falência, honey. – disse, lhe mandando uma piscadela, e rimos juntos. Então o riso cessou, mas ainda continuamos nos encarando, com um leve sorriso nos lábios. Era engraçado e estranho, parecíamos duas pessoas que acabaram de se conhecer. Uma coisa gostosa borbulhava minha barriga com intensidade e eu poderia continuar ali para sempre, apenas olhando-o. Mas eu era humana, olhá-lo tão intensamente me trazia vontades, de beijá-lo, de abraçá-lo, de sentir seu cheiro, sentir sua pele junto com a minha, sua respiração batendo no meu rosto. Eu queria tanto ele, que eu nem sabia como explicar, era uma força quase sobrenatural a que eu estava fazendo naquele momento para não tocá-lo, para não beijá-lo. Dude, eu quero tanto ele.
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- Acho melhor eu descer. – disse, depois de longos segundos em que apenas nos encarávamos.
- Por que a gente não fez isso antes? - ele perguntou, ainda me olhando nos olhos.
- Será que é porque somos burros demais? - perguntei rindo, peguei alguns edredons e joguei por cima do braço, ajeitando para que eu pudesse carregar de qualquer jeito. - Eu acho melhor descer, a ta lá embaixo, e pela primeira vez na vida ela está sendo legal comigo, não quero que a culpa que eu estou sentindo aumente.
- A é legal, . - ele disse e eu acenei com a cabeça. - Foi ela quem foi me buscar para eu te tirar daquela mesa na festa.
- Me lembre de agradecer a ela depois, não sei o que eu teria feito se você não tivesse me tirado de lá. - sorri, eu e não parecíamos nós mesmos naquele momento, não mesmo. - Vou descer... - disse por fim, dando dois passos em direção à porta.
- ... - me chamou e eu parei ainda de costas pra ele. - Eu não sei o que ta acontecendo, mas a única coisa que eu sei é que eu quero te beijar de novo. - ele disse e eu senti vontade de abraçá-lo, de jogar tudo o que eu tinha em minhas mãos para o alto e beijá-lo ali mesmo, sem me importar com quem quer que fosse que estivesse lá em baixo.
- Eu quero te beijar também, , quero muito. - disse e virei, me deparando com seus olhos me encarnado de uma forma engraçada, e um sorriso torto que brincava em seus lábios. Ele se virou. - Mas a sua namorada esta lá em baixo. E eu não vou ter nada com você, até que você se resolva com ela. - disse e sorri de canto antes de sair do quarto, minha cabeça estava a mil, as coisas pareciam acontecer de uma forma que fugia ao meu controle. Eu queria , mas não queria estragar o que ‘poderia’ estar começando entre e eu. Ele é o namorado dela, mas também é o cara que eu sempre quis, sempre amei. E essa vontade, essa sensação que percorre todo meu corpo quando ele esta perto de mim, uma espécie de dormência gostosa, uma frio gostoso na barriga. A vontade que eu tinha de sentir seu toque.
- Hey , karaokê? - chamou e eu sorri, acenando com a cabeça e aceitando o microfone que ela me oferecia. E tentando entender o que era maior em mim naquele momento, a vontade de voltar àquelas escadas correndo e me jogar nos braços de , ou a culpa por querer tanto ele, mesmo sabendo que ele namora minha irmã.
On
- Qual é cara, a gente vai cantar no Karaokê, desistimos do filme. - disse, colocando a cabeça pra dentro do quarto de e me tirando de meu transe total. – Que cara é essa, dude? O quê que houve? - ele perguntou, me olhando estranho e entrando no quarto.
Eu estava sentado na cama com os cotovelos apoiados no joelho e olhando para a parede.
- Nada não, eu só estava pensando. – disse saindo totalmente do meu transe.
- Aham, e eu nem te conheço, né? – ele disse, se sentando na cama ao meu lado. – Anda, desembucha, que cara é essa?
- Dude. – eu respirei fundo, eu precisava falar com alguém e bom, eu acho que não tinha ninguém mais indicado do que pra isso, ele é um dos meus melhores amigos e é super cabeça. - Eu to afim da . – soltei.
- Putz, cara! – afundou o rosto nas mãos, antes de erguê-los rapidamente e me encarar. – Que merda hein! – ele fez uma careta. - E o que você vai fazer?
- O que eu já fiz, você quer dizer? - disse e me olhou sério, com a boca aberta.
- Você não fez isso... – ele disse baixinho e eu concordei com a cabeça.
- Eu a beijei, cara! - disse e não sei por que, mas um sorriso se formou nos meus lábios.
-VOCÊ O QUE? VOCÊ É MALUCO, CARA? O QUE VOCÊ TEM NA CABEÇA? - gritou, se levantando e me olhando sério.
- Cala a boca, dude, assim a casa toda escuta! – disse me levantando também e lhe dando um pedala.
- Dude. – colocou a mão no rosto e respirou fundo antes de acrescentar. – Primeiro. – ele ergueu seu dedo indicador. – Você tem namorada e se você não se lembra, ela é irmã da . Segundo. – ele ergueu o outro dedo, apontando-o quase na minha cara, antes de acrescentar. - Você não pode fazer isso com a , não pode tratá-la como a outra. Eu sei que com a nem são as mil maravilhas e tal, mas ela também não merece nada disso! - me repreendeu.
- Eu sei, eu sei! Minha cabeça esta uma merda maior do que ela já costumava ser. Dude, eu nunca senti nada, com ninguém, parecido com o que eu senti quando eu beijei a . Sei lá. Foi tão... Diferente! - eu tentei fazer com que entendesse meu ponto de vista.
- Dude, sinceramente, eu não quero parecer grosso, mas eu não quero saber se foi diferente ou não. Aquela é a , minha melhor amiga também. Você tem que decidir o que você quer. Você não pode fazer isso com ela. - disse decidido. - Você tem que decidir o que você quer. Se é a , se é a , ai sim, você faz alguma coisa. Mas não brinque com os sentimentos da , ela gosta muito de você. - ele disse se aproximando e colocando uma das mãos em meu rosto. - E eu vou ser obrigado a quebrar seu lindo rostinho. – ele deu dois tapas no local, antes de continuar. - Caso ela seja magoada com isso tudo. - disse apertando minhas bochechas, antes de caminhar até a porta. - Agora vamos descer, porque eu não quero minha namorada me perguntando por que eu passei tanto tempo dentro de um quarto com um marmanjo! - não pude deixar de rir, me levantando também.
- Vou ao banheiro primeiro, pode descer. - disse caminhando até a porta do banheiro de .
- Ok, ah, dude, posso te dizer uma coisa? - ele perguntou já na porta e eu acenei com a cabeça positivamente. - Você não está afim da . - ele disse e eu arqueei a sobrancelha não entendendo. - Você sempre foi afim da , mas sempre foi idiota o suficiente para não perceber isso! - ele gargalhou antes de sair, e eu passei as mãos no cabelo, sem deixar de pensar que talvez aquela fosse a mais pura verdade.
- Qual é, dude, eu quero cantar My Heart Will Go On. - disse rindo e tomando o microfone das mãos de , que insistia em cantar Tracy Chapman, segurando o dedão do pé.
- Ah, mete pé, , eu quero cantar Pussycat Dolls! - a empurrou pegando o microfone de suas mãos, e por incrível que pareça, isso não gerou confusão.
- Claro que não, eu já te ouvi cantando e você parece com um gato escaldado. - pegou o microfone de volta, rindo.
- Eu quero cantar Eminem. - disse, roubando o microfone. E fazendo pose de mano do gueto.
- Como assim, cantar Eminem? Dude, tu não sabe nem cantar a musiquinha do alfabeto sem se embolar e quer cantar Eminem? – disse, tomando o microfone de sua mão. - Eu vou cantar Pavarotti. - disse e as risadas foram mútuas. - Qual é, canto muito, a pode até fazer par comigo fingindo ser a Mariah Carey!
- Ok, parou a veadagem! – disse mais alto, roubando o microfone de mim. – Eu vou cantar, fui o único que ainda não cantou. – ele começou a selecionar uma música qualquer no DVD. Joguei-me no sofá observando a cena, eu estava aleatório demais pra continuar naquela briga. Os demais estavam empolgados demais para sentar. se posicionou no alto de uma poltrona, como se fosse o astro do show e as meninas suas groupies, ri com aquilo, quando uma musica do The Fray começou a tocar. (N/A aperte play)
There are certain people
Há certas pessoas
You just keep coming back to
para as quais você acaba sempre voltando
She is right in front of you
Ela está bem a sua frente.
Sorri, olhando para e o jeito como ela se mexia sem se importar muito com as coisas que estavam acontecendo ao seu redor. Ela dançava e ria junto com , que gargalhava de alguma palhaçada que provavelmente havia feito, mas que eu não percebi, naquele momento meus olhos estavam focados em , que sorria da forma mais contagiante, em minha opinião, que alguém pode sorrir.
You begin to wonder
Você começa a se perguntar
Could you find a better one
se poderia achar alguém melhor
Compared to her now she's in question
Comparada a ela, agora ela está em questão.
Então parou a minha frente, não a minha frente literalmente, mas no meu campo de visão. Então eu a observei, como ela também parecia descontraída entre meus amigos pela primeira vez, como ela ria de forma natural, e como ela não parecia estar fingindo na frente deles.
And all at once the crowd begins to sing
E de uma vez a multidão começa a cantar
Sometimes the hardest thing and the right thing are the same
Às vezes a coisa mais difícil e a certa são a mesma coisa
Meus ouvidos se focaram na música e foi como se alguma coisa se acendesse dentro de mim.
Maybe you want her
Talvez você a queira
Maybe you need her
Talvez você precisa dela
Maybe you started to compare
Talvez você começou a comparar
To someone not there
Com alguém que não está
Minha mente se voltou para três anos atrás, quando havia me dito que dera seu primeiro beijo e como eu senti raiva do cara, me lembrei da discussão que tivera com algumas semanas atrás, ‘nunca rolou e provavelmente nunca vai rolar’ era assim que eu sempre pensei. Porque, dude, aquela ali é a , ela sempre me contava tudo, nunca achei que ela pudesse esconder um sentimento de mim.
Looking for the right one
Procurando pela pessoa certa
You line up the world to find
Você arruma o mundo para encontrar
Where no questions cross your mind
Onde nenhuma pergunta cruza sua mente
But she won't keep on waiting for you without a doubt
Mas ela não continuará te esperando, sem dúvida
Much longer for you to sort it out
Mas, sim, para você cuidar disso
Quantas vezes eu já havia me sentido atraído por ela, mas sempre achei que era apenas amizade? Quantas vezes a gente já ficou se olhando, sem nada a dizer e aqueles momentos pareciam perfeitos, como se nada mais importasse, como se apenas nos olhar bastasse.
And all at once the crowd begins to sing
E de uma vez a multidão começa a cantar
Sometimes the hardest thing and the right thing are the same
Às vezes a coisa mais difícil e a certa são a mesma coisa
Então a chegou bonita, inteligente e legal. Tudo entre as demais qualidades. Ela me fez sentir diferente, me fez sentir algo novo, gostoso. Algo que eu nunca havia sentindo com ninguém. E olhando para as duas ali agora, na minha frente, eu conseguia entender o quê, e o porquê. As coisas pareciam bem claras na minha cabeça. ‘Talvez você a queira, talvez você precise dela’. Essa frase nunca me pareceu tão certa. Mas com um sentido um pouco diferente ‘com certeza eu a quero e sim, eu preciso dela’. É dude, às vezes a coisa mais difícil e a certa são as mesmas.
Maybe you want her
Talvez você a queira
Maybe you need her
Talvez você precisa dela
Maybe you started to compare
Talvez você começou a comparar
To someone not there
Com alguém que não está
Maybe you want it maybe you need it,
Talvez você queira talvez você precise
Maybe it's all you're running from,
Talvez seja disso tudo que você está fugindo
Perfection will not come
Perfeição não virá
Eu sempre achei que nunca pudesse me relacionar com a por ela ser a minha amiga, minha melhor amiga também. Eu achava que seria difícil. - Às vezes a coisa mais difícil e a certa são as mesmas. - cantarolou e eu continuei olhando para as duas garotas à minha frente e agora eu entendia, as coisas estavam claras na minha frente. Dude, como eu nunca havia percebido antes? Como eu não tinha me tocado antes? Sem sombras de dúvidas a coisa mais difícil e a coisa certa a fazer ali eram a mesma.
Vinte e Três
(N/A: Coloque essa música para carregar | narrativa em terceira pessoa)
Todos dormiam espalhados pelo chão da sala, sem se importarem muito em cima de quem o outro estava. se levantou do canto onde estava e olhou de soslaio para o relógio grande pendurado na sala. Três horas da manhã. Não conseguia mais dormir, já fazia um bom tempo que estava rolando de um lado para o outro no chão da sala. Já havia cogitado a idéia de ir para sua confortável e amada cama, mas a quem estava enganando? Ela sabia que não conseguiria dormir. Caminhou até a cozinha, planejando tomar um copo de leite com achocolatado e quase soltou um grito ao encontrar parado em frente à janela, olhando o nada a sua frente.
- Esta fazendo o que acordado há essa hora? – disse baixo e foi a vez de se assustar, fazendo com que ela risse, na verdade gargalhasse.
- Que foi?– o menino perguntou, levando a mão ao peito e respirando rápido, estava realmente distraído e havia realmente se assustado.
- Você tinha que ter visto a sua cara, foi impagável. – ela disse caminhando até a geladeira e tirando dali duas caixinhas de suco, tacando uma na direção de . – Insônia? – perguntou se sentando em um dos bancos da bancada da cozinha.
- É! Detesto quando isso acontece. – o menino fez uma careta, se sentando no banco em frente à menina e a observando. Aquela música não saia de sua cabeça, e de certa forma ele não queria que ela saísse. – Tive uma idéia. – ele disse de repente, com um sorriso sapeca nos lábios.
- Hum, o quê? – a menina perguntou, bebericando seu suco, já sabendo que viria bomba. Sempre vinha quando fazia aquela cara.
- Que tal nós dois sairmos para dar uma volta? – ele sorriu malicioso, o que fez com que a menina gargalhasse.
- você está louco? Minha irmã está dormindo logo acima da gente. – a menina disse baixo, mas não deixando de sorrir de aprovação com a idéia. Não tinha coisa, naquele momento, que ela quisesse mais do que estar longe de todos e perto apenas de . Mas não podia, as coisas não podiam ser assim.
- , por favor. Só sair pra dar uma volta. Não tem nada demais nisso. – o menino sorriu abertamente, ele não entendia o porquê, mas queria ficar com , apenas os dois, longe de tudo e de todos. – Nós sempre fizemos isso, certo? - ele mordeu o lábio inferior, rodando as chaves entre os dedos.
- Ok, mas não podemos demorar. São três e pouco da manhã, , amanhã temos aula. – sorriu, dando-se por vencida e por fim concordando com a idéia. Não poderia ter nada de errado sair para passear com ele, certo? Aquele era o , sempre faziam isso. não pode deixar de sorrir com a resposta afirmativa e se levantou, segurando-a pelas mãos, antes de puxá-la para fora da casa. A temperatura do lado de fora estava gostosa, chegando a ser até agradável. não parou de caminhar apressado, nem mesmo quando já estavam fora da rua da menina. carregava um sorriso nos lábios, que voltava sem a mínima permissão da mesma, assustando-a quando ela percebia que ele estava ali. Era como se ele simplesmente nascesse por vontade própria. Assim que atravessaram a rua, soltou uma gargalhada alta, que fez com que se assustasse, devido à sua distração.
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- O que foi? – ela perguntou, colocando uma mecha de seu cabelo, que se desprendeu de seu rabo de cavalo, atrás da orelha. a olhou de forma terna, sorrindo engraçado, antes de se virar e voltar a caminhar.
- Nada não, vamos que o meu carro esta em casa. – apressou mais seus passos e ela riu daquilo, ainda sem entender direito. Não deram cinco minutos e os dois estavam parados em frente à casa de . Entraram no carro e se entreolharam em silêncio, que foi quebrado cinco segundos depois por uma cascata de gargalhadas soltas por ambos.
- Do que você esta rindo, seu louco? – a menina perguntou, enxugando os olhos molhados devido ao riso que ela nem ao menos sabia o motivo. A única coisa que sabia era que queria rir. a fazia ter vontade de sorrir.
- Não sei. – ele deu de ombros, fazendo bico. - E você também esta rindo, sua louca. - ele sorriu novamente, antes de dar partida no carro.
- Para onde estamos indo? – ela perguntou, olhando pela janela as casas que passavam, as ruas estavam em completo silêncio e a maioria das casas tinha suas lâmpadas apagadas.
- Qualquer lugar. – ele deu de ombros, fazendo uma curva. – Qualquer lugar que possamos ficar só eu e você. – ele sorriu de canto ainda olhando para frente. Para ela era novo aquilo, a forma que a estava tratando, não tanto, eles sempre se tratavam daquela forma, sempre fugiam de madrugada para algum lugar, o que era novo ali era a intensidade dos sentimentos, os delas que pareciam crescer a cada olhar que ele lhe lançava, a cada sorriso, a cada palavra, a cada lembrança do beijo, isso sim era novo. – Para de me olhar desse jeito! – a encarou com as bochechas vermelhas. Sentia o olhar de sobre si e o que mais o assustava em tudo aquilo, era que ele queria corresponder. Nunca fora um romântico, mas sempre quis uma menina que o fizesse sentir da forma que se sentia naquele momento. E bom, estava ali.
- Que jeito? – ela gargalhou, sentindo as bochechas esquentarem por ter sido pega.
- Como se quisesse me apertar. – ele gargalhou da própria frase. - Eu sei que eu sou lindo, gostoso e maravilhoso, mas você me olhando desse jeito fica difícil eu me concentrar em dirigir! – ele sorriu de novo, não conseguia parar de sorrir, já estava começado a se sentir ridículo, era como se o que ele era não estivesse mais ali. Totalmente gay, mas ele não conseguia evitar fazer essa cara de retardado, era uma atração muito forte que o estava levando a isso.
- Por quê? - a menina perguntou, virando-se de lado no banco do carona, de forma a ficar toda de frente a ele.
- Porque me faz ter vontade de te beijar. – ele sorriu sem graça, mordendo o canto da boca e quase se arrependendo da frase, ele tinha que se arrepender, mas ele não queria. Era a verdade, aquela ali era a , e ele nunca tivera segredos com ela, bem, quase nunca. A menina se endireitou no banco sem graça e olhou pela janela, observando o carro perder velocidade até parar.
- O que você... – ela ia falando, mas quando olhou para o lado já batia a porta do motorista e se dirigia à porta do carona, abrindo-a. – Olha que bonitinho, meu menininho esta virando um homenzinho! Que coisa mais linda! – ela disse apertando suas bochechas, sorrindo debochada, levando um peteleco na orelha em seguida.
- Cavalheirismo é meu nome do meio, senhorita. – ele disse, virando-se de costas – Sobe. – mandou, agachando um pouco, de forma que a menina pudesse se encaixar em suas costas, ficando em sua corcunda. não hesitou em pular nas costas do menino, entrelaçando suas pernas em sua cintura e apoiando os braços em seus ombros. havia estacionado o carro em um píer e agora descia o caminho de pedras que levava à praia.
- O que viemos fazer aqui? – a menina perguntou, observava o mar, que ficava cada vez mais próximo. Apoiou o queixo no vão do pescoço de e soltou a respiração em seguida, fazendo com que uma onde de sensações percorresse o corpo do menino, junto com um arrepio.
- Não sei. – ele disse dando de ombros. – Acho que você esta precisando de uma dieta. – disse, levando um pedala logo em seguida. – Olha, eu sou bonzinho, te carrego e ainda apanho, é isso mesmo? – disse, gargalhando em seguida.
- Claro. E não fala muito não.
- Abusada, fica de graça que eu te jogo no chão. – ele disse em tom brincalhão.
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- Você não é doido. – disse e no instante seguinte sentiu colidir com algo macio, a areia abaixo de si. – Eu vou matar você, . – ela disse em tom ameaçador, mas na verdade, tudo o que tinha vontade de fazer era gargalhar e abraçar o menino a sua frente. Levantou-se caminhando decidida em direção ao mar, parando quando sentiu a areia molhada em seus pés. Abaixou-se e pegou algo, que não pode identificar, entre as mãos. O menino se sentia estranho, uma coisa gostosa estava em seu peito, algo que ele sempre soube que existia quando estava apenas ele e , mas que agora parecia estar maior, como se tudo o que lhe bastasse fosse estar ali e com ela, a forma que ela sorria, que estava lhe dando vontade de sorrir. Ele queria se sentir arrependido pelo beijo, mas não conseguia. A única coisa que conseguia se arrepender era por não ter dado ele antes. se levantou e se virou para o menino, com um sorriso enorme nos lábios, não conseguia parar de sorrir por mais que quisesse, por mais que se sentisse culpada, simplesmente não conseguia. Aproximou-se de , dando pulinhos igual criança, e observou o mesmo a olhar desconfiado.
(N/A: aperte Play.)
- O que foi, ? – ela sorriu, chegando ainda mais perto, quando o menino ia abrir a boca para falar ela passou areia molhada em seu rosto, melecando-o todo. se afastou rindo e resmungando baixo, olhando a menina que ria de forma descontrolada. – Chumbo trocado não dói. – ela deu de ombros, rindo.
- Eu não teria feito isso se fosse você. – disse caminhando em direção a areia molhada e enchendo as duas mãos antes de começar a correr atrás da menina, que ria e corria pela areia seca, soltando gritinhos todas as vezes que seu pé se encostava à areia gelada.
- , se você tacar areia em mim, considere-se um cara morto. – ela riu, não agüentando mais correr, areia sempre a deixava cansada. - Pára, PÁRA! – gritou e parou, ainda com uma das mãos cheias e se sentindo ofegar devido a pequena corrida.
- Ok, só porque eu sou um cara bonzinho com você. – ele sorriu, balançou a cabeça fazendo com que o cabelo, que antes lhe caia no olho, fosse para a testa, que já começava a dar sinais de suor.
- Eu sei que você é bonzinho comigo porque você me ama. – disse, lhe dando a língua e se aproximando. – Joga isso fora. – ela disse olhando diretamente para as mãos de . – Anda , joga fora. – ela disse vendo-o erguer as mãos. – Bom garoto. – ela disse, mas no segundo seguinte foi atingida no braço pela bola de areia molhada.
- Chumbo trocado não dói. – disse gargalhando e se aproximando da menina com as mãos erguidas, mostrando as palmas. fez o mesmo com as mãos, mostrando que estavam totalmente limpas.
- Está sujo aqui. – disse, aproximando-se e limpando com o polegar a bochecha do menino, sorrindo para ele logo depois de terminar seu serviço. – Pronto, está limpo. – disse e o menino a segurou pela cintura, aproximando-a e fazendo com que seus corpos se encaixassem. Abraçou-a apertado, beijando o topo de sua cabeça. A respiração de ambos estava descompassada, mas naquele momento nenhum dos dois saberia explicar se pela corrida recente ou se pela proximidade dos corpos.
Well where I come from,
Bem, de onde eu vim,
You learn to take it nice and slow.
Você aprende a levar isso agradável e lento.
But baby since we met,
Mas baby, desde que nos conhecemos,
Oh, it's been go, go, go
Oh ele foi crescendo, crescendo.
passou os braços em volta do pescoço de e apoiou a cabeça em seu peito, ouvindo o som de seu coração. Suas mãos fizeram um carinho de leve na nuca do menino, assim como as deles fizeram um carinho lento por suas costas. Eles não tinham palavras para falarem naquele momento e nem queriam. O silêncio era gostoso, era aconchegante.
So you can rough me up
Então você pode ser rude comigo
Yeah baby you can hurt me too.
Yeah baby, você pode me machucar também.
Because all I've got
Porque tudo que eu tenho
You see, all I've got is you.
Veja, tudo que eu tenho é você.
Seus corpos começaram a se balançar de um lado para o outro, não havia música, ou talvez houvesse o som de suas respirações, que se acalmavam aos poucos, e o coração de ambos, que batiam de forma acelerada, misturada com o som do vento e das ondas se chocando com as pedras, soavam como música aos seus ouvidos, uma música que não podia ser ouvida, melhor do que isso, podia ser sentida, o vento batia no cabelo de ambos, bagunçando-os mais do que o normal. sentia que se pudesse, ficaria ali pra sempre sentindo a pele macia de acariciando suas costas, trazendo uma sensação tão boa que palavras não poderiam descrever.
You can rough me up,
Você pode ser rude comigo,
You can break me down,
Você pode me derrubar
Baby don't stop now.
Baby, não pare agora.
Oh, you can use me up till it all runs out,
Oh você pode me usar até que tudo se esgote,
Baby don't stop now.
Baby não pare agora.
I'm all yours,
Eu sou todo seu,
I'm all yours somehow,
Eu sou todo seu de alguma forma
Baby don't stop now.
Baby não pare agora.
se sentia estranho. Nunca tinha se sentido dessa forma, não com tanta intensidade, nunca o silêncio lhe parecera tão verdadeiro. Era como se o silêncio falasse com ele coisas que ele mesmo nunca tinha parado pra reparar. Sentia-se estranho, mas era um estranho bom, um estranho gostoso, um estranho repentino, mas que ele não queria que acabasse.
So where I come from,
Então de onde eu vi,
You learn to make the best of things.
Você aprende a fazer o melhor das coisas.
Honey since we met,
Querida desde que nos conhecemos,
You know you've had the best of me.
Você sabe que teve o melhor de mim.
O Sol já dava sinais de que queria nascer, o céu já começava a se tornar mais claro, ficando com uma coloração alaranjada. se soltou de por uns instantes, sentando-se na areia macia e trazendo-a para se sentar entre suas pernas, a menina apoiou novamente a cabeça no peito de e começaram a olhar o mar, suas mãos se entrelaçaram e ela sorriu com aquilo, fazendo um carinho gostoso nele com seu polegar.
So you can lock me out,
Então você pode me trancar,
Yeah baby throw away that key,
Yeah baby jogue aquela chave longe
Because all I know,
Porque tudo que eu sei,
Is this is where I wanna be.
É que esse é o lugar onde quero estar.
- , me promete uma coisa? – ela disse se virando um pouco, de modo que pudesse encará-lo. O menino assentiu com a cabeça, olhando dentro de seus olhos. – Que mesmo que nada disso dê certo, que mesmo que a gente não fique junto, a gente não vai mudar um com o outro? - ela sorriu de canto. – Que você nunca vai deixar de ser o meu melhor amigo? – o menino sorriu com o pedido, sentindo seu coração se apertar com aquilo. Mesmo que quisesse, achava que nunca conseguiria deixar de ser algo de .
You can rough me up,
Você pode ser rude comigo,
You can break me down,
Você pode me derrubar
Baby don't stop now.
Baby, não pare agora.
Oh, you can use me up til it all runs out,
Oh você pode me usar até que tudo se esgote,
Baby don't stop now.
Baby não pare agora.
I'm all yours,
Eu sou todo seu,
I'm all yours somehow,
Eu sou todo seu de alguma forma
Baby don't stop now.
Baby não pare agora.
- Claro que não. – ele respondeu sorrindo e depositando um beijo em sua testa. – Não importa o que aconteça. Sempre seremos amigos. Você sempre será a do e eu sempre serei o da . – ele sorriu da próxima frase.
- Promete? – ela perguntou, fazendo um carinha infantil.
- Prometo.
- Promessa de mindinho? – ela riu mordendo o canto da boca.
- Promessa de mindinho. – ele uniu seu dedo ao da menina, que gargalhou com aquilo o olhando nos olhos. Os olhos de correram por toda face da menina e ele depositou um beijo demorado em sua testa, fechou os olhos ao sentir os lábios quentes do menino encostados a sua pele. Suas mãos se ergueram, acariciando a bochecha do mesmo. Os lábios de desceram, beijando-a entre os olhos e os dois respiraram fundo. A vontade era forte demais, a necessidade que ambos sentiam um do outro, no momento, era muito grande para que pudesse ser ignorada. Os olhos de se abriram, encontrando os de , que brilhavam perto demais, o rapaz desceu os lábios pelo nariz da menina, depositando ali um pequeno beijo na ponta antes que seus lábios se encontrassem. deixou seus olhos pesarem e beijou de leve os lábios da menina em seus braços. Sua língua fez o contorno de seus lábios, pedindo passagem pelo mesmo, concedida imediatamente. Suas línguas se acariciavam com ternura, brincando uma com a outra. As mãos de desceram para o pescoço do menino, acariciando o local e indo em direção a sua nuca, mexendo em seus cabelos. As mãos de acariciavam sua bochecha e ele as levou à nuca de , puxando-a para mais perto e aprofundando o beijo. Ele não precisava de mais nada naquele momento, ele não queria mais nada. Os lábios da menina eram doces e macios, ele poderia ficar beijando-a o resto da vida. Suas mãos desceram por seu pescoço e ombro acariciando-os, fazendo o mesmo trajeto pelo braço, fazendo um carinho leve até a sua mão e voltou, chegando ao seu rosto novamente. brincava com seus cabelos e passava as unhas de leve por sua nuca, ergueu um pouco o tronco da menina e se mexeu, passando suas pernas por cima de sua cintura, ficando de frente ao menino, o beijo parecia ganhar ritmo e intensidade. Beijar nunca havia parecido tão bom para ambos. O tempo pareceu passar, mas nenhum dos dois saberia dizer se foram horas ou minutos, na verdade pareceram segundos. partiu o beijo e olhou o céu, que já estava muito mais claro.
- Acho que é melhor irmos, temos aula daqui a pouco. – ela disse e o menino colou suas testas acariciando suas bochechas.
- Jura? Por mim a gente poderia ficar aqui o dia todo. – ele disse sorrindo e ela fez o mesmo, ainda olhando em seus olhos. apertou suas bochechas, fazendo com que seus lábios formassem um bico e depositou um pequeno beijo ali. – Vamos voltar à realidade? – ele disse puxando-a para mais próximo de si, apertando-a em seus braços e depositando um beijo em seu pescoço, que fez com que ela se encolhesse arrepiada.
- Vamos voltar a nossa triste realidade. – ela falou de forma engraçada, beijando-o no pescoço também, e sorriu satisfeita ao ver que ele também se arrepiara.
- Eu vou terminar com ela hoje. – disse quando os dois ainda estavam abraçados. – Eu acho que eu não agüento mais um dia sem poder te beijar assim de novo. – ele disse ainda olhando o mar a sua frente e não pode deixar de sorrir.
- Eu sei que ela é minha irmã, mas eu não posso deixar de dizer que estou feliz que você tenha dito isso.
- Eu também. – ele disse antes de juntar seus lábios aos dela novamente. Porque naquele momento, nada o fazia mais feliz do que aquilo.
Well, baby don't stop now.
Vinte e Quatro
Abri a porta de minha casa e olhei com cuidado o chão da minha sala; as pessoas dormiam em silencio, o que me fez respirar aliviada. Caminhei pé ante pé vagarosamente em direção as escadas, subindo-as com o maior cuidado possível; passei pela porta de e pude ouvir o barulho de algo se chocando contra o chão, o que me fez adiantar meus passos, entrando quase correndo em meu quarto. Fechei a porta atrás de mim e não pude deixar de suspirar alto, sentindo um enorme sorriso se formado em meus lábios, provavelmente me deixando com a maior cara de idiota do mundo.
- Isso são horas de se chegar em casa. – ouvi uma voz vindo da minha cama e quase pari de susto, meu coração bateu no cérebro, e minhas pernas tremeram, fazendo com que eu quase caísse.
- Que susto, . – eu disse levando a mão ao peito na falsa tentativa de acalmar meu coraçã,o que batia mais rápido que bateria de escola de samba. Por um momento eu pensei que pudesse ser , mesmo com a voz masculina. É, acho que a culpa nos faz alucinar.
- Posso saber onde a senhorita esteve durante toda a madrugada? – o menino perguntou ainda enrolado em minha coberta, ele abraçava meu urso branco, que havia me dado e logo o soltou quando percebeu meu olhar estranho. – O que foi? Eu gosto de abraçar algo enquanto durmo. – ele deu de ombros se virando de barriga para cima e chegando para o lado, batendo no colchão pedindo para que eu me deitasse ao seu lado.
- Quem te deu autorização para dormir na minha cama, hein mocinho? – eu perguntei fazendo careta e me jogando na cama ao seu lado, deitando meu pescoço por cima de seu braço, que continuava estendido.
- Eu vim pra cá logo depois que você e saíram, a estava me chutando e o roncado alto. – ele riu sem mostrar os dentes e logo tomou uma postura séria. - , o que vocês estão fazendo? – ele perguntou de uma forma terma, mas dando muito bem a entender que sabia muito bem o que e eu estávamos fazendo. – Ela é sua irmã!
- Eu sei, , eu sei. – disse tapando o rosto com as mãos. – Mas eu não consigo, é mais forte do que eu. Eu sei que eu estou agindo que nem uma vadia fazendo isso, mas eu simplesmente não consigo deixar ara lá. Eu gosto muito dele, , muito mesmo. E quando eu estou com ele, é como se nada mais importasse, sabe? Como se o mundo ao nosso redor não existisse, como se fossemos apenas nós dois. – disse mordendo os lábios e destapando o rosto.
- Eu sei, , e eu posso até te dizer que eu te entendo, porque eu me sinto da mesma forma com a , mas ele continua tendo namorada. E é isso que esta me preocupando. Você e eu conhecemos o há muito tempo. Ele é meu parceiro, mas nós sabemos muito bem a quantidade de corações que ele já partiu por ai, certo? Eu estou com medo de que você acabe da mesma forma. – ele passou as mãos pelos meus cabelos gentilmente.
- Eu sei, , e isso martela na minha cabeça sempre. – disse respirando fundo. – Sabe, eu acabei de passar a noite toda com ele, e foi tão bom, tão bom nós juntos, eu só queria que pudesse ser sempre assim, sabe? Sem ter que esconder de ninguém.
- Eu sei. Eu te entendo, pequena. Mas eu quero, ou melhor, eu preciso que você me prometa uma coisa. – ele se virou de lado me encarado ainda com o semblante sério, e eu acenei positivamente com a cabeça. – Me promete que você só vai entrar nisso de cabeça quando o estiver solteiro?
- Prometo, . – concordei sorrindo fraco com o pedido.
- Ótimo, ai sim eu vou torcer demais por vocês. Para que vocês fiquem juntos, casem, tenham filhos netos, bisnetos e tataranetos. – ele sorriu. – Porque foi o que eu sempre torci, você sabe disso.
- Eu sei. – sorri de canto.
- E se eu fosse você, iria tomar banho logo para tirar toda essa areia antes que alguém estranhe que você tenha dormido em casa e acordado com areia da praia. – ele me deu uma bundada, fazendo com que eu quase caísse da cama. - Vocês adolescentes e essas loucuras de amor. - ele disse de forma pensativa, como se fosse um senhor de sessenta anos. - Passar a noite na praia, vê se pode? – ele balançou a cabeça de forma negativa, mas com um sorriso nos lábios. – Acho que já sei onde vai ser meu próximo encontro com a . – ele gargalhou antes que eu lhe desse um tapa de brincadeira e me levantasse da cama rindo da sua cara, caminhado até o banheiro. Deixei que meus pensamentos fluíssem. Mal sabia que eu já estava nisso, e totalmente de cabeça.
- Hey, . - ouvi um menino chamar quando ia caminhando em direção a mesma mesa de sempre na hora do intervalo. Meus olhos estavam pesados, eu queria dormir, dormir muito. As aulas estavam muito mais chatas do que o normal, ou talvez fosse a minha vida que estava confusa e fazia tudo parecer chato ao meu redor, ou talvez o fato de eu ter passado a noite toda acordada e o sono estar querendo me dominar agora seja o motivo de eu estar tendo essa conversa com o meu interior . Ou realmente física fosse uma parada não muito agradável, para ser sincera eu não sei. A única coisa que eu sabia era que eu não queria ter que ver e juntos, eu não queria mais pensar em nós dois na praia. As pessoas já me olhavam estranho achando que eu era algum tipo de demente. Eu sorria quando me lembrava isso. Mas o mais importante, eu não queria mais me sentir culpada, porque eu estava me sentido. Muito. Era como se eu tivesse me tornado igual a , ou quem sabe até uma versão diferente. Virei-me vendo um menino alto e loiro se aproximando de mim com um sorriso nos lábios, forcei meus olhos a ficarem abertos. Ele provavelmente deve ter achado que eu ingeri algum tipo de droga.
- Oi? - perguntei insegura se a que ele chamou realmente era eu, de repente no estado de demência que eu estava eu estivesse tendo alucinações. Vai saber?
- Sua blusa. - ele me entregou uma sacolinha e eu demorei uns bons dez segundos para entender o que ele esta falando, olhei a sacolinha e pude ver algo conhecido lá dentro. - Você jogou para o povo no sábado, e eu peguei. – ele sorriu de uma forma doce, e envergonhada, que bonitinho. – Como pra mim não vai ter nenhuma utilidade, nada mais justo do que devolver para a dona, né? – ele deu um sorriso torto.
- Ah, muito obrigada. – disse agradecida. – Eu realmente gosto dessa blusa, obrigada mesmo... – fiz uma careta. Eu não sabia o nome dele.
- Ryan – ele me estendeu uma das mãos
- Ryan. - eu concordei apertando sua mão. – Obrigada mesmo, eu já tinha até esquecido um pouco do meu vexame no sábado. – disse envergonhada, eu estava em total estado caótico por causa do sono, mas ainda assim sentia as pessoas me olhando de forma diferente, principalmente os olhares masculinos. Bom, acho que é isso que se acontece quando se fica apenas de sutiã na festa da escola, né?
- Que nada, você estava linda lá em cima. – ele sorriu e eu fiquei sem graça, qual é, eu nunca tinha falado com o garoto em toda minha história acadêmica, então de repente ele me olha, sorri – um sorriso bem bonitinho por sinal – e fala que eu estava bonita de sutiã. Duvido que você não ficaria sem graça. – Eu até te procurei para te entregar ontem, mas não te vi na hora do intervalo.
- Eu estava ocupada. – disse dando de ombros. Bom, eu estava pegando o namorado da minha meia irmã atrás do colégio, colega, foi por isso que você não me viu – meu cérebro gritava. – Bom, muito obrigada, Ryan. – eu disse meio que cortando o assunto. – A gente se v.ê – disse antes de me virar pra continuar caminhando.
- Espero. - ele disse antes de fazer o mesmo e eu me virei, vendo-o caminhar no sentido contrario a mim; ele disse espero ou eu estou maluca? Acho que estou alucinando. Ele tava me dando mole? – fiz careta perguntando a mim mesma. Ah, acho que não, ele só estava me entregando a blusa, certo? Certo.
- Que cara de retardada é essa? – ouvi a voz de e só então me toquei que estava quase em frente a mesa onde ele, , , , , e estavam sentados. Senti meu coração se apertar ao olhar os dois últimos e decidi que não olharia. Não me faria bem.
- Nada, eu estava pensando – disse jogado minha mochila em cima da mesa e me sentando, apoiei meus braços na mesma e afundei meu rosto no local. Por que, meu Deus? Por que eles tinham que ser namorados? Por que ela não poderia ter escolhido o , ou até o tal do Ryan, eles dois nãos eram de se jogar fora. Ou então por que eu não escolhi me apaixonar por um dos dois? Por que tinha que ser tudo tão complicado? E por que eu tinha que sentir esse bolo no estômago por ela esta sentada do lado dele, essa vontade de chorar? Afina, ela ainda era a namorada dele, certo? Mas eles terminariam, havia me dito que terminariam. Eu não precisava me sentir assim, ou precisava? Talvez ela sofresse. Eu sei que ela é uma vaca, mas mesmo assim sofrimento é uma coisa que eu não desejo a ninguém. - Alguém me leva para casa, pelo amor de Deus, que eu quero dormir. – disse afundando mais ainda meu rosto. Por que tinha que doer?
- , se você quiser eu te levo pra minha, ai a gente forma o quarto casal, o que você acha? Qual é, já esta na hora de nós dois pararmos de segurar vela. - disse de forma brincalhona e eu ri fraco. Seria bem mais fácil mesmo, se eu ficasse afim dele e ele afim de mim, assim todos sairíamos mais felizes dessa situação.
- Ué, , e a Julie? – ouvi perguntar. Por que a voz tão fofa? Por que essa voz tinha que fazer meu coração acelerar tanto? Caralho de sentimento.
- Mora muito longe, não ia dar certo. – ouvi responder e ergui meu rosto; sério, eu capotaria se continuasse nessa mesma posição. e conversavam de forma engraçada me lançado alguns olhares interrogativos, o que me fez quase concluir que havia contado a e ela havia contato para . Não se tem mais privacidade nessa porra de pais. - Falando nisso, o Josh pediu seu telefone. - ele disse e eu pude sentir o olhar de em mim. Assim como o das outras pessoas na mesa. – Acho que ele gostou do seu show de sábado e quer pedir um particular. – ele disse e eu lhe taquei uma bolinha de papel que estava jogada a mesa.
- Ele me ligou ontem. – disse, dando de ombros
- Danada! E você nem conta. - as palavras de saíram com pura malícia. – E o que aquele bonitinho ali queria com você, hein? – ela apontou com a cabeça para a quadra aonde Ryan nos observada e acenou quando nossos olhos se encontraram.
- Na verdade, ele me ligou e eu tava dormindo, mais tarde ele retornou. E o Ryan queria devolver minha blusa. – dei de ombros.
- Só devolver sua blusa? Sei, sei. – disse rindo. – Mas não muda de assunto não, o que o tal do Josh disse, hein mocinha? – ele perguntou fazendo cara de detetive e eu ri.
- É impressão minha ou o espírito do meu pai encarnou aqui? – disse debochada. – Acho que sim, né? – fiz careta. – Queria me chamar para sair, ok? - observei se mexer em seu próprio lugar, falava algo com ele. Mas nossos olhares se encontraram por breves segundos.
- E você o que disse? – perguntou. Por que você pergunta, ? Isso, acaba comigo mesmo. Filho da... ok, a tia é legal.
- Que não dava, uai. Dude, ele mora muito longe. – dei de ombros.
- Casos a distância, mesmo que não seja namoro, nunca dão certo. – se pronunciou. – Eu mesma já passei por isso, no final um dos dois sempre sai magoado, – ela sorriu, e eu me forcei a fazer o mesmo, sem mostrar os dentes, deixando que o silêncio pairasse na mesa.
- É. – o quebrou. – Eu preciso dizer que vocês duas estavam muito hots sábado. – oh my God, por que as pessoas haviam resolvido falar disso agora?
- A sempre me disse que queria praticar Pole Dance, mas você me surpreendeu, amiga, ficar de sutiã em frente de metade da escola é ter coragem. – ela disse e eu abaixei a cabeça envergonhada. – Acho que se a não tivesse agido rápido, eu nem sei o que aconteceria. – gargalhou e eu lhe mandei o dedo.
- Obrigada, . – me vi dizendo. – Por ter chamado o , acho que eu estava meio surtada.
- Nada. - ela sorriu. – Eu já passei por uma situação parecida e digamos que ninguém fez isso por mim e as conseqüências não foram muito agradáveis. – ela fez careta.
- É, e eu é que fiquei com a parte pior! - reclamou e eu ouvi um barulho de tapa seguido por gargalhadas.
- Por que parte pior? – perguntou com um semblante ameaçador.
- A foi nas costas do quietinha, que nem uma Lady, ai você se mexe, pensando que ta em carro de escola de samba, me bate, me chuta, me morde, aperta minha bunda, sou quase um sobrevivente de atentado depois daquilo - ele disse sério, o que levou todos as gargalhadas. - Não riam, eu fui seriamente molestado durante o trajeto até o carro e depois dentro dele. - ele continuou com a cara séria recebendo outro tapa, deixando vermelha.
- Como assim, , você esta me dizendo que uma mulher te agarrou? Onde está sua atitude, parceiro? – riu e foi a vez de ficar vermelho, abrindo e fechando a boca sem saber o que falar.
- Se fodeu. – disse rindo voltando a cor normal.
- , aonde você estava durante a noite? – perguntou na tentativa de mudar de assunto e de forma ingênua e eu gelei. – Eu levantei para beber água e não te achei.
- Eu estava no meu quarto. – respondi rápido, vendo ficar tenso no seu lugar. – Eu acordei quando o pediu pra eu abrir a porta para ele ir dormir na cama dele e depois subi para o meu quarto. O foi atrás de mim e tudo. – cutuquei o menino por baixo da mesa. Eu havia dito a todos pela manhã que havia resolvido ir para casa de madrugada.
- Por isso a porta estava trancada? – perguntou.
- Claro. – foi a vez de me cutucar. – Você acha que eu ia deixar a porta aberta com a oportunidade de mais alguém se enfiar na cama quentinha em que eu estava? - ele deu de ombros.
- Hey, olha vocês dois, hein. – disse risonha. Ela sabia exatamente onde eu estava, caso contrário, não faria essa cara normal que estava fazendo. Não quando seu namorado dormiu trancado no quarto de sua amiga. Eu sei que eu era a melhor amiga dela, mas, de qualquer forma, era esquisito, não?
- Ih amiga, nem esquenta, o não faz o meu tipo. – disse.
- Hey, eu faço o tipo de qualquer garota. - ele disse recebendo um tapa estalado de . – Principalmente o da minha baixinha aqui. – ele sorriu dando um beijo na namorada..
- Eca, vão para um quarto. – eu disse tacando algo os dois que apenas se agarraram mais ainda, joguei novamente meu rosto na mochila. Eu precisava dormir - Me acordem quando for a hora de ir embora - disse rindo, mas mal terminei de falar o sinal tocou. - Ah meu cacete, eu devo ter tacado catarro na cruz, quê que há? Quem adiantou a hora desse sinal? - eu disse revoltada me sentando e pegando meu material. Meus amigos riram da minha cara e começaram a se levantar e caminhar, conversando entre si com seus determinados pares indo em direção à sala de aula.
- , vamos embora que sua próxima aula é comigo! - disse e eles dois saíram para um lado contrário. Nenhum deles notou a minha falta de sono em excesso, eu vivia sonolenta. , ao contrário de mim, parecia ter dormido a noite toda, estava lindo como sempre, usando o uniforme da escola e com o cabelo jogado para o lado. Sabe qual a parte mais engraçada de gostar dele? Ele era lindo, mas não tinha sido por sua beleza que eu me apaixonara, não foi ela que me encantou primeiro. Foi o seu jeito, a forma que ele mexia nos cabelos e olhava para baixo quando estava sem graça, a forma que olhava para o lado e inclinava a cabeça levemente quando estava querendo fugir de um assunto. Como ele coçava a cabeça quando estava irritado ou ansioso. Como ele fechava os olhos e jogava a cabeça pra trás na hora de rir. E que por sinal era uma das coisas que mais me encantava nele. Ele não conseguia rir e deixar os olhos abertos ao mesmo tempo. A forma que ele dormia jogado na cama quando estava sozinho e como ele ficava quietinho a noite toda quando eu estava com ele, eu havia me encantado até pela forma que ele chorava, mordendo o lábio inferior enquanto tentava segurar e olhando pra baixo quando já não conseguia mais. Engraçado como eu havia me apaixonado por todas as partes deles, todos os mínimos detalhes. Não só sua beleza física, mas sim pela sua interior. Eu tenho certeza que poderia ter qualquer outra aparência, poderia ser moreno, ruivo, baixinho, magrelo, mas eu me apaixonaria por ele de novo, porque eu não que apaixonei pelo que ele aparentava ser, mas sim pelo que ele era de verdade.
- Hey, , acorda! – disse estalando os dedos na minha frente. – Dorme com os olhos abertos não porque isso dá medo. – ele sorriu parando a minha frente. – Eu estou falando com você a uns bons três minutos e você parece que não ouviu um A. - ele gargalhou da minha cara junto com , que me olhou com aquela cara de “eu sei o que você fez na noite passada”. – Eu sei que o chão estava duro, e que eu ocupei sua cama, mas vamos lá, reage. Eu sei que você consegue. – ele gargalhou da própria frase junto com , pegando sua mão e começando a caminhar, sem se dar ao trabalho de me dizer o que ele estava falando antes. Dei de ombros com aquilo e ajeitei minha mochila nas costas. Soltei meu cabelo em seguida e olhei as pontas roxas, eu precisava urgentemente retocá-las, já estavam estranhas .Foi quando senti uma mão segurar a minha e me virar para trás.
- Que susto, . - disse distraída e olhando-o.
- Posso falar com você? - ele perguntou com meio sorriso nos lábios.
- E desde quando você pede para falar comigo? - rolei os olhos. E ele riu, passando um dos braços por meus ombros e me guiando até a parte de trás da escola; nossos amigos estavam distraídos demais para prestar a atenção em nós. - Você sobe ou eu primeiro? - ele perguntou se referindo a uma escadinha na nossa frente, assim que chegamos à parte deserta da escola.
- É aqui que você vai me molestar, ? – perguntei com um sorriso nos lábios vendo-o gargalhar, apontando com a cabeça para a escada. - Primeiro as damas. - disse entregando minha mochila a ele e subindo, pegando as mochilas e esperando que ele fizesse o mesmo trajeto que eu, em pouco tempo estávamos no terraço da escola; nos sentamos em um lugar, onde até pouco tempo atrás costumávamos freqüentar muito, mas infelizmente aquele canto foi descoberto por outras pessoas, então paramos de vir aqui.
- Nada melhor do que estar no terraço e não na aula de Matemática. - disse rindo e apoiando minha cabeça na pilastra atrás de mim.
- Oh, nem fala, a minha aula era de Biologia. - ele sorriu pegando minhas mãos e começando a brincar com os meus dedos. Os arrepios por toda a minha pele começaram com o simples fato de sentir o seu toque. Ou quem sabe pelo simples fato de saber que estávamos apenas nós dois. Bom, porque era naquele momento que eu me desligava de todo o mundo ao meu redor e para mim era como se existisse apenas nós dois.
- Lembra quando a gente veio parar aqui de madrugada por não ter nada de bom apra fazer e acabamos dormindo aqui no terraço, e morrendo de frio?! - disse rindo.
- Claro, você além de roubar meu casaco quase se fundiu a mim de madrugada porque estava sentindo frio.
- Nós dois burros demais para simplesmente ir para casa. - eu gargalhei.
- minha mãe ainda ficava em casa nessa época - ela disse olhando para frente - falando nisso ela me ligou essa manha, disse que mês que vem ela volta, e te mandou um beijo. - ele me olhou
- Eu estou com saudades dela. Quando ela te ligar de novo diga isso a ela, e fala que eu mandei beijos.
- Pode deixar. - ele disse ainda brincando com meus dedos. Um silêncio gostoso ficou entre nós. Eu apenas olhava para frente, o terraço dava uma boa visão de parte da cidade, e até um pouco de nossas casas. Senti um beijo sendo depositado no topo de minha cabeça e um dos braços de se apoiar em meus ombros, me trazendo mais para perto; e então ficamos assim, olhando o horizonte e rindo de vez em quando de alguma palhaçada que nem dois idiotas, apenas sentindo um a presença do outro, porque por muitas vezes para mim, só saber que ele estava comigo já bastava.
Eu acordei ligada no duzentos, é. Depois de ter dormido no terraço com e ele ter me trago para casa, eu havia dormido que nem um bebê e acordei disposta. Vesti um casaco de que ele havia esquecido por aqui e uma bermuda e resolvi dar uma corrida. Há muito tempo não me exercitava. Peguei meu iPod e foi isso que fiz. Sabe, é engraçado como temos sempre uma maneira de arrumar uma desculpa para tudo o que acontece em nossas vidas, sejam elas coisas boas ou ruins. Nós desperdiçamos muito do nosso precioso tempo pensando em explicações para coisas que não têm explicação. Era isso que e estava tentando fazer com o que estava acontecendo comigo e . Não havia uma explicação lógica para o que estava acontecendo, mas estava acontecendo, né? Eu me sentia culpada por ser minha irmã, mas me vem uma coisa na minha cabeça, será que ela se sentiria culpada se fosse o contrário? Será que valeria a pena arriscar não só minha amizade com , mas também algo que poderia surgir entre minha irmã e eu por aquilo? O que eu sinto por é forte o suficiente para passar por isso, mas será que o que ele sente por mim é forte o bastante? E se eu for apenas mais uma das garotas que ele acha que está apaixonado? E se ele estiver confundindo as coisas? Sabe, é ai que entra a duvida, a falta de coragem, o medo. E a porra toda de ruim. Mas será que não é isso que é viver? Se aventurar, sentir a euforia de fazer algo, arriscar, correr riscos, magoar, ser magoado, sorrir chorar. Não é disso que se trata a vida? Às vezes a magoa te torna mais forte para as coisas que podem vir em seguida. Às vezes te faz querer ser uma pessoa melhor. Mas trás também o medo. O medo, ele sempre te afasta de algo, talvez daquilo que você mais deseja, talvez daquilo que você realmente é, e muitas vezes não percebemos, mas deixamos que o medo nos impeça por alguns momentos de viver, de sentir coisas que talvez possam não mais ser sentidas. O medo é uma das maiores barreiras que enfrentamos para que possamos realmente viver, e era esse dilema que eu estava enfrentando agora, o medo do que dizer, o medo do que fazer. Para ser mais sincera, acho que o meu fato era insegurança, medo de que os sentimentos de fossem apenas uma confusão, e que depois eles passassem, me deixando magoada; medo que um dia nossa amizade ou quem sabe posso até chamar de história, fosse esquecida, ou quem sabe até não mais vivida. Eu estava à beira de um ataque de pânico. Não tirava a frase que havia me dito mais cedo da cabeça ‘eu quero você. Vou terminar com a hoje’. Acho que a primeira parte da frase sempre foi tudo o que eu quis ouvir dele. Mas eu não sei por que estava com medo. Talvez do que as pessoas falariam quando nos vissem juntos... Acho que não, nunca me importei muito com opinião alheia. Acho que estava apenas procurando uma desculpa, porque simplesmente não conseguia encarar o fato de que tudo estava bom demais para ser verdade, eu e , ficaríamos juntos, ele queria ficar comigo. Fechei as mãos em punho tentando conter um pouco do entusiasmo. Mas o sorriso bobo não saia de meus lábios. E para ser sincera, eu não queria que ele saísse; há muito tempo eu não sentia essa sensação plena de felicidade, de completo êxtase, satisfação. Eu estava feliz, feliz demais. Eu precisava contar a alguém, eu não estava me agüentando. Mas ao mesmo tempo eu estava com medo, era como algum tipo de sexto sentido. Era como se de alguma forma algo fosse acontecer para tirar toda essa felicidade de mim. Sacudi a cabeça tentando afastar esse sentimento, já estava na rua de trás de minha casa e resolvi que não daria a volta para entrar pelo portão da frente, passaria pelo de trás mesmo. Minhas pernas já doíam e minha respiração estava ofegante. Tirei os fones do ouvido respirando fundo e fazendo um pouco de força para abrir o portão que há muito tempo já não era usado. Foi quando vi algo estranho e voltei dois passos, me escondendo um pouco. colocou a cabeça para o lado de fora, olhando atentamente provavelmente para se certificar que não tinha ninguém ali e logo depois saiu, carregando uma sacola preta em mãos. Quase correu em direção a lixeira e tacou a sacola ali, voltando mais que depressa para dentro de casa. Achei a reação estranha, mas assim que me certifiquei que ela realmente tinha ido, entrei no quintal, enrolando os fones em volta do meu iPod. Já ouviu falar que não existe nada pior do que curiosidade? Pois bem, não existe mesmo, porque ela sempre te faz descobrir algo que não quer. Mas minha curiosidade foi maior que eu, fui até a porta e coloquei a cabeça para dentro, quando vi que não estava mais lá, voltei quase que correndo para a lixeira. Abri-a em seguida, estava completamente vazia, a não ser pelo saco que havia jogado nele. Peguei-o. Sabe toda aquela ladainha de medo, de sexto sentido, de sentir que tudo estava bom demais para ser verdade?Bom tudo isso se confirmou quando abri aquele saco, e principalmente quando vi o teste de gravidez com o resultado positivo que havia dentro dele.
Capítulo 25
Coloque pra carregar essa música: Jessie J - Who You Are
Sabe aquela sensação de que todo o peso do mundo esta sobre você ameaçando te esmagar a qualquer momento e você não pode fazer simplesmente nada para mudar isso? Era assim que eu me sentia naquele momento, encarando a caixa em minhas mãos. Eu queria chorar, mas não sabia se algum choro era possível naquele momento. Ele parecia estar preso em minha garganta, prestes a sair, mas era como se esperasse algo a mais para se libertar. Talvez a confirmação. Ouvi a porta de minha casa bater e respirei fundo. Havia esperado meus pais saírem novamente para que eu fosse falar com , não queria correr o risco de que mais alguém ouvisse nossa conversa. Certifiquei-me de que o carro não estava do lado de fora, observando da janela antes de bater na porta do quarto de minha irmã. A mesma não demorou a abrir e me olhou assustada. Sua boca se abriu, como se ela fosse indagar o motivo da minha visita e seus olhos em momento algum correram para o objeto em minhas mãos. Entrei no quarto sem nem ao menos me dar ao trabalho de pedir autorização, ou de esperar que ela falasse algo. Parei a alguns centímetros da janela, virando-me para , que continuava me encarando como quem não esta entendendo nada. Mas mesmo assim sem pronunciar uma palavra. Ela tinha os olhos vermelhos, como se estivesse chorando há pouco tempo.
- Fecha a porta. – eu disse séria e a mesma fez o que eu pedia, talvez estranhando o meu tom de voz. – Isso é seu? – ergui minha mão e pude observar o rosto da minha irmã perder completamente a cor, seus olhos foram se arregalando e sua boca foi se abrindo. Logo seu rosto voltou à tonalidade, atingindo um tom fortemente vermelho e ela explodiu:
- QUEM TE DEU O DIREITO DE MEXER NISSO? – ela vôou em minha direção para arrancar a caixa de minhas mãos, mas eu me desviei a tempo, escondendo a caixa atrás de mim, que nem criança faz quando querem tomar seu brinquedo predileto.
- Eu te fiz uma pergunta, isso é teu? – perguntei alto, ela parou. Seus lábios tremiam fracamente. Eu estranhei que meu tom de voz não tivesse fracassado, afinal. Eu tremia.
- É. – respondeu, engolindo a seco. Ela não tinha o olhar superior de sempre. Seus olhos transpareciam medo. Talvez estivessem que nem os meus naquele momento.
- Esse filho é do ? – era a pergunta de um milhão de dólares.
- É. – disse, desviando seu olhar do meu e eu agradeci por isso. Naquele momento foi como se eu tivesse acabado de levar um soco na boca do estômago. O soluço veio por minha garganta, mas eu me proibi de deixá-lo escapar. Meu coração pareceu se afundar dentro do peito. Eu não me lembrava de algum dia na minha vida ter me sentido tão mal. Mordi a parte interna de meus lábios com força, tentando fazer com aquela mínima dor distraísse meu coração. Porque estava doendo. Muito. A única coisa que eu conseguia pensar com coerência naquele momento era que eu queria sair dali, cavar um buraco na terra e me esconder nele para sempre.
- O que vocês dois têm na cabeça? – foi a única pergunta que consegui formar. continuava olhando para a direção oposta a mim. E então, para minha surpresa, ela soluçou. O primeiro soluço foi baixo, quase inaudível. Mas não para meus ouvidos, que pareciam mais apurados que o normal naquele momento. Os soluços que seguiram aquele, bom, foram como se eu tivesse pegado uma caixa de som e começado a aumentar até chegar o seu volume máximo. Porque foi isso que aconteceu com ela. estava chorando. Na minha frente. E eu não sabia o que fazer. Coloquei a caixa em cima da cômoda próxima a mim e me aproximei, colocando as mãos em seu ombro.
- Eu tô com medo. – ela disse no meio dos soluços. E eu por breves instantes analisei sua situação. Dezessete anos. Grávida. Eu estaria desesperada.
- Vem cá. – eu não consegui acreditar que aquela frase estava saindo de mim, e nem que eu realmente estava fazendo aquilo, mas no segundo seguinte ao pronunciar da frase, puxei para um abraço. Foi aí que ela realmente desmoronou. E eu senti que estava desmoronando também. – Calma, vai ficar tudo bem. – disse a ela, mas tentando convencer a mim mesma de que minhas palavras eram reais. – Eu tenho certeza que você e o serão excelente pais. – eu passei gentilmente as mãos nas suas costas.
- Meu pai vai me matar. – ela disse.
- É claro que não. – eu me soltei dela e a puxei para se sentar na cama, sentando-me ao seu lado.
- Nosso pai é uma das pessoas mais compreensivas que eu conheço. Ele pode até ficar bravo porque você não se cuidou, mas ele vai te apoiar em tudo, Carol. Não precisa se preocupar.
- O que eu faço? – ela passou as mãos pelo rosto vermelho, enxugando um pouco das lágrimas, que ainda não paravam de descer.
- Acho que você deveria fazer um exame de sangue. E depois, bom, depois do resultado definitivo, você deveria falar primeiro com a minha mãe. – ela acenou com a cabeça. - Tem uma clínica aqui por perto que fica aberta 24 horas, por que a gente não vai até lá?
- Eu tô sem grana.
- Eu pago. – disse, levantando-me. – Eu te espero lá em baixo. - segui para a porta.
- Por que você esta fazendo isso? – ela perguntou. – Sendo legal comigo?
- O é meu melhor amigo, e tem uma parte dele agora dentro de você. – dei de ombros – E não há nada que eu não fizesse pra ver qualquer parte dele feliz. – disse antes de sair, fechando a porta atrás de mim.
Eu batia o pé freneticamente no chão, enquanto e eu aguardávamos o resultado do seu exame de sangue. Minha mente ainda se recusava a acreditar no que estava acontecendo, e eu esperava que tudo isso fosse um sonho, e que eu pudesse a qualquer momento acordar. Senti meu celular vibrar no bolso e o peguei, olhando o identificador de chamadas. “ gostosão” era quem me ligava, ele mesmo havia colocado esse nome em minha agenda. Olhei para o lado e roía as unhas, olhando fixamente para a porta pela qual a enfermeira sairia a qualquer momento. Levantei-me e caminhei para um pouco longe, para que ela nem escutasse minha conversa e nem soubesse com quem eu falava.
- Oi. – atendi, e meu tom saiu totalmente sem vida. Era como eu me sentia. Era como se eu estivesse agindo em uma espécie de piloto automático.
- Tá em casa? - sua voz perguntou de forma doce, e eu quis sentar e chorar ali mesmo. para mim nunca tinha parecido tão perto, e tão longe ao mesmo tempo.
- Na verdade, não, eu vim fazer um favor pra minha mãe. – disse.
- Aconteceu alguma coisa? Sua voz tá estranha. – ele perguntou preocupado e eu olhei para a garota que roía a unha do outro lado da sala.
- Eu... , nós precisamos conversar.
- Ok, sobre o quê? – ele perguntou preocupado.
- Eu não quero falar com você pelo telefone.
- Ok, eu vou à sua casa mais tarde falar com a , e a gente conversa. – ele disse ainda com seu tom preocupado.
- Tudo bem. – olhei o corredor, onde uma mulher branca apareceu trazendo um envelope em mãos.
- . – ela disse e minha irmã me olhou apreensiva, com um olhar de pânico no rosto.
- , eu preciso desligar. Mas assim que você chegar lá em casa eu preciso falar com você. Por favor. – disse, ouvindo um sibilo de resposta e não me despedindo, desligando o telefone em seguida. caminhou em minha direção com o envelope de cor parda, e eu pude notar que suas mãos tremiam.
- Já abriu? – perguntei, colocando o telefone no bolso.
- Não, eu tô com medo. – sua voz quase fraquejou. – Abre pra mim. – ela entregou o objeto em minhas mãos. Peguei o envelope e senti que começava a tremer tanto quanto ela. Abri o envelope sob seu olhar assustado. Percorri os olhos sobre a folha, onde algumas coisas, como seus dados, estavam escritos. Mas meus olhos bateram no final da linha, onde estava o resultado do teste.
- Positivo. – eu disse, sentindo minha voz embargar. – Seu exame deu positivo. – eu me senti desesperada. Era como se só agora com a confirmação real da gravidez a notícia tivessem me atingido. Como se eu tivesse tomado realmente noção do que estava acontecendo. Ela não chorou. Engoliu em seco e passou as mãos pelos cabelos. Eu queria chorar. Estava tão perto de ter tudo o que eu queria. e eu ficaríamos bem. estava grávida. Nada ficaria bem. Pelo menos para mim. – Acho melhor irmos para casa. – disse, seguindo em direção à porta. Minha cabeça começava a latejar. E a única coisa que eu pensava naquele momento era em como eu queria o meu quarto, minha cama, meu travesseiro e meu mundo dos sonhos. Na verdade, eu queria que tudo isso fosse um sonho.
- Eu não quero que o saiba. – foi o que disse assim que chegamos em casa, não trocamos uma palavra sequer no trajeto da clinica até lá.
- Como assim? – perguntei assustada.
- Eu não quero que ninguém saiba, não agora. Não por enquanto. – ela me olhou em súplica. – Isso inclui seus pais. , , . Qualquer um dos meninos. Eu quero que isso fique apenas entre nós por enquanto, . Eu sei que não somos amigas, mas eu nunca te pedi nada. Por favor.
- Ok. – disse em desagrado. – Eu não vou falar nada com ninguém. Mas como vocês foram tão estúpidos? Nunca ouviram falar de algo chamado camisinha, não? – perguntei, sentindo raiva dela por estragar tudo o que eu sempre quis quando eu estava tão perto.
- Não foi proposital, ok? – ela falou.
- Vocês tinham que ter tomado mais cuidado! – eu disse em tom de acusação. – O que vocês têm na cabeça? Merda? Meus pais são compreensivos, mas a mãe do ? Ela vai surtar! – disse, jogando minhas chaves em cima do criado mudo próximo à porta.
- Foram só duas vezes que a gente não se protegeu, em uma estávamos bêbados. – ela disse, jogando a bolsa dela em cima do sofá. – Que foi lá na casa da . E a outra vez foi essa semana, no domingo, quando não tinha ninguém em casa, mas aí eu tomei a pílula do dia seguinte. - eu tenho plena certeza de que continuou a falar, mas eu não ouvia mais nada que saía de sua boca. Todo meu corpo havia paralisado com a sua frase “foi essa semana, no domingo”. Minha mente estava distante, era como se eu tivesse impossibilitada de me mexer ou esboçar qualquer reação. Mas eu me forcei a isso, e ignorando-a totalmente, eu voltei o trajeto até porta e deixei-a falando sozinha. Eu só queria silêncio. Depois de ter me beijado, ele havia transado com ela. Acho que palavra nenhuma conseguiria explicar o que eu sentia naquele momento, porque estava doendo. Doendo muito. Eu só queria sentar e chorar, mas parecia que o choro ao mesmo tempo em que queria, não queria sair. Ele parecia entalado na minha garganta, me sufocando cada segundo mais. Eu me sentia totalmente desnorteada. , aquele que eu sempre imaginei que nunca me magoaria, que nunca me deixaria para traz, aquele que eu sempre imaginei que me protegeria. Bom, ele havia sido o primeiro a me magoar. A me deixar na mão, a me decepcionar. Eu estava totalmente decepcionada. Com por me enganar, comigo mesma por me deixar ser enganada.
Caminhei pela rua sem um rumo certo. Eu só queria andar, só queria acordar do pesadelo que minha vida havia se tornado de três horas para cá. Porque era exatamente isso que eu estava vivendo. Um pesadelo. E dos piores. Eu não sei por quanto tempo caminhei, mas quando me dei por mim, estava em frente a um pub. Não era muito cheio, na verdade ele era mais usado por aqueles que queriam sempre fugir da vida, exatamente como eu naquele momento. Entrei sem me dar ao trabalho de olhar as pessoas que estavam por ali. Meus olhos só viam um rumo. Apenas um lugar onde eu queria estar. Mas ele não era possível. Sentei-me em um banco que dava de frente para o bar e chamei a garçonete com uma das mãos.
- O que você tiver de mais forte. – disse contemplando todas as bebidas em uma prateleira e ela me sorriu amigável, pegando uma garrafa com algum liquido transparente.
- Dia ruim? – perguntou, colocando um copo à minha frente e depositando nele um pouco do líquido.
- O meu dia estava sendo ótimo, até que a tarde estragou o que parece ser o resto da minha vida. – disse sem pensar, olhando o copo à minha frente. – Por que quando tudo está bem nós sempre somos obrigados a deixar pra trás? – perguntei à estranha à minha frente sentindo meus olhos marejarem, mas pisquei ara afastar as lágrimas. Eu não choraria. Pensei que ela fosse rir da minha cara, mas ao invés disso ela pegou outro copo, depositando a mesma quantidade de bebida e colocando a garrafa ao nosso lado.
- Bem vinda ao que chamamos de vida. – ela bebeu e eu fiz o mesmo. – . – disse, estendendo uma das mãos.
- , mas pode me chamar de . – ela encheu novamente meu copo.
- Esse é por conta da casa. – sorriu novamente de forma amigável e eu tentei fazer o mesmo, mas não conseguia. Eu me sentia travada entre as lágrimas e as gargalhadas. Mas eu não poderia culpar ninguém além de mim mesma. Eu sabia que ele tinha uma namorada, eu sabia que ele poderia estar confuso. Mas mesmo assim havia decidido entrar de cabeça naquilo tudo. Mas como eu imaginaria que pudesse fazer isso comigo? Ou ele realmente faria? Poderia ser mentira de , não?
- Hey, , vamos? – ouvi uma voz conhecida e encarei o rapaz ao meu lado. – Hey, . - ele disse sorrindo abertamente.
- Hey. – tentei sorrir com o mesmo entusiasmo, mas não consegui. Algumas lágrimas que queriam sair ainda embaçavam minha visão. – O menino que pegou minha camiseta, certo? – perguntei.
- Isso. – ele concordou empolgado. – O que faz perdida por aqui? As meninas bonitas não costumam frequentar esse lugar.
- Hey, olha eu aqui. – disse, dando um tapa no rapaz e seguindo para uma porta.
- Você é uma exceção, . – ele disse risonho antes de se virar para mim como se esperasse uma resposta.
- Vai ver eu não sou uma menina bonita. – dei de ombros, bebendo o último gole da bebida que havia posto em meu copo. – E você? O que faz perdido por aqui?
- Ah, a é minha irmã. Eu vim buscá-la para podermos ir à fogueira da outra cidade.
- Fogueira? – perguntei sem entender.
- É, fogueira. - apareceu do meu lado vestindo um casaco. – Nem chega a ser em outra cidade, é a uma meia hora aqui. Todo ano nessa mesma data e no mesmo horário os moradores vão lá e queimam coisas. Coisas que eles querem deixar pra trás, sabe? É bonito de se ver. – ela ajeitou o cabelo. – Eu também costumo falar que é um ritual desintoxicante.
- Quer vir conosco? – Ryan, eu acho que esse era o nome dele, perguntou.
- É, venha, vai ser divertido, eu só preciso pegar minha bolsa. – voltou pela mesma porta pela qual havia saído.
- Ah, não. Obrigada. Eu... Eu acho que vou me encontrar com umas amigas. – disse, tirando do bolso uma nota e colocando-a no balcão. – Vejo vocês por aí. – disse antes de caminhar em direção à saída. O ar do lado de fora era bem mais frio do que o de dentro do Pub. E o vento e o excesso de nuvens no céu demonstravam que iria chover. Respirei fundo. Eu queria que aquela sensação de angústia saísse de mim. Eu acho que tudo o que eu precisava era conversar com uma de minhas amigas. Elas talvez pudessem me dar o conforto que eu necessitava. Saquei o telefone de meu bolso, discando o segundo número da minha discagem rápida e atendeu depois do terceiro toque.
- Oi, amiga! – ela disse com voz risonha e eu pude ouvir gargalhadas no fundo.
- Hey. – tentei transparecer animação, mas não consegui. E ela também pareceu não perceber.
- Quem é? – ouvi a voz de no fundo e mais uma enxurrada de gargalhadas. Eles não estavam sozinhos. – É a . – ouvi-a dizer. – Manda um beijo pra ela. – foi a voz de e eu pude jurar ouvir um grito de .
- Programa de casais, é? – perguntei desanimada.
- É, estamos saindo pro cinema. – ela respondeu rindo. – Mas o que você ia falar, amiga?
- Nada não, eu ia te perguntar se eu tinha deixado meu livro de matemática com você, mas acabei de lembrar que emprestei pra uma menina da minha sala.
- Ah, lerdona você, hein? – ela disse rindo. – Ok então. Tchau.
- É, ... – chamei antes que ela desligasse e ouvi um “oi” como resposta. – Quem foram os últimos a irem dormir no dia em que estávamos na casa da ? – perguntei mordendo meus lábios. – No dia em que brincamos de “eu nunca”. – mordi os lábios, esperando a resposta.
- Se não me engano, e . Por quê?
- Nada não. – respondi. – Vai lá, amiga, amanhã a gente se fala na escola. – disse, sentindo meus olhos marejarem mais e piscando rápido para que nenhuma lágrima me escapasse. Caminhei novamente em direção à rua, mas não a direção que daria em minha casa. Lá era o último lugar em que eu queria estar. Eu não queria ver e sua barriga que ainda não aparecia. Eu não queria ver nada. Eu não queria pensar em nada.
- Tem certeza de que você não quer ir conosco? – perguntou de dentro de um carro que andava devagarzinho ao meu lado e eu me assustei com minha distração. – Não somos nenhum tipo de malucos psicopatas e nem vamos fazer nada de ruim com você, te garanto que você não vai se arrepender. – ela sorriu abertamente.
- Anda, , eu até te devolvi sua blusa. – Ryan disse sorrindo e eu concordei com a cabeça, abrindo a porta traseira do carro e entrando. Ninguém falou nada quando eu entrei. E eu agradeci por isso, eu parecia mergulhada em outro mundo. Não pensava em nada direito. Minhas mãos estavam no bolso do casaco que eu usava, e a única coisa de que eu estava totalmente consciente era do telefone em meu bolso, e eu o segurava. Eu queria muito ligar para e saber onde ele havia passado o domingo. Com quem ele havia passado o domingo e fazendo o quê. Mas eu tinha medo. poderia ser o que fosse, mas não era burra ao ponto de mentir sobre aquilo, era? Ela sabia que era meu melhor amigo e que eu poderia perguntar a ele. Ela só não sabia das consequências que isso poderia causar na minha vida. E eu estava com medo de descobrir.
- Chegamos. – Ryan disse depois de um tempo de viagem. Só então eu me dei conta de que ele tinha estacionado o carro em uma espécie de praça, onde havia varias pessoas conversando, rindo e comendo alguma espécie de doce que vendia nas inúmeras barraquinhas por ali. Desci do carro e me olhou de forma estranha. Ela sorriu antes de caminhar em direção a uma enorme fogueira no meio da praça. Ela tinha uma camisa nas mãos e a jogou lá antes de voltar em nossa direção.
- Existe algo que você quer deixar pra trás hoje, ? – ela sorriu, mas um sorriso triste. Eu não soube responder, e ela pareceu entender. Ryan consultou o relógio em seu pulso, virando-se para nós em seguida.
- Faltam só três minutos. – ele disse e nós nos aproximamos do amontoado que estava se formando no meio. Um trovão rompeu no céu e eu olhei meus dois acompanhantes, que sorriram.
- Sempre chove nesse dia. As pessoas daqui costumam dizer que é pra lavar de nós os vestígios daquilo que estamos deixando pra trás. Um senhor subiu em uma espécie de mini palquinho e começou a falar algo para as pessoas que estavam por ali. Era como se fosse um discurso antes da fogueira ser acesa. Eu não prestei muita atenção, afinal, tudo o que eu conseguia sentir era o celular em meu bolso que eu esperava que tocasse. Ergui meus olhos para aquele senhor de cabelos branquinhos que falava de forma doce, como se soubesse todas as respostas para as minhas dúvidas.
- Michelangelo disse uma vez: – concentrei-me em sua voz - o melhor jeito de julgar os elementos essenciais de uma estatua é jogá-la de um morro, e as peças que não forem importantes vão se quebrar. Às vezes a vida é assim, ela nos joga morro abaixo, mas quando atingimos o fim e só restam as coisas mais importantes é quando nossa visão clareia. É quando nos agarramos ao que conhecemos, enquanto a esperança se mexe dentro de nós, é quando damos valor àquilo que realmente importa. – ele continuou falando, mas eu voltei a não prestar atenção. era uma coisa muito importante em minha vida, será que ele não ficaria inteiro da queda do morro? Era apenas isso que eu precisava saber. Tomei coragem e então eu peguei meu telefone, discando o primeiro número da minha discagem rápida, sentindo meu coração aumentar a velocidade a cada batida. [n/a: aperte o play]
I stare at my reflection in the mirror
Eu observo meu reflexo no espelho
Why am I doing this to myself?
Por que eu estou fazendo isso comigo?
Losing my mind on a tiny error
Perdendo minha cabeça em um pequeno erro
I nearly left the real me on the shelf
Eu estava perto de deixar meu verdadeiro eu na prateleira
- Até que enfim. – disse ao atender ao telefone no final do segundo toque.
- Onde você estava domingo, ? – fui direta, e a linha ficou muda do outro lado. Ouvi respirar e eu respirei junto, temendo sua resposta.
- Eu estava com o...
- Por favor, não diga . – disse, temendo que ele mentisse - Porque ele passou a tarde inteira na casa do jogando video game com o . – pedi, sentindo minha garganta começar a se fechar. – Você é meu melhor amigo, , não deveria mentir pra mim. – senti que minha voz começava a falhar. Ele estava mentindo para mim.
Don't lose who you are, in the blur of the stars
Não perca quem você é, no borrão das estrelas
Seeing is deceiving, dreaming is believing
Ver é enganar, sonhar é acreditar
It's okay not to be okay
Tudo bem não estar tudo bem
Sometimes it's hard
Às vezes é difícil
To follow your hear
Seguir seu coração
But tears don't mean you're losing
Mas lágrimas não significam que você está perdendo
Everybody's bruising
Todo mundo se machuca
Just be true with who you are
Basta ser verdadeiro com quem você é
- Eu estava com a . – eu pude ver a tocha com fogo que foi lançada no meio da madeira, acendendo a enorme fogueira, iniciando altas chamas e começando a queimar todas as coisas jogadas ali. Eu sentia que meu coração estava se derretendo com todos aqueles objetos. – . - eu não queria mais ouvir sua voz, eu não queria mais olhar em seu rosto. Eu só queria que ele sumisse.
- Nós não tínhamos nada, . - forcei-me a parecer indiferente. - Eu não tenho nem o direito de te cobrar nada. - reprimi o bolo em minha garganta. – Eu acho que me enganei, eu esperava mais de você. Mas, afinal, você não é diferente de nenhum outro cara, é? – sorri irônica, sentindo uma lágrima escapar pelo canto de meu olho. - Eu só quero te dizer duas coisas. Esse nada que nós tínhamos acabou de acabar. – engoli em seco. - E pelo que eu possa entender, essa amizade também. – desliguei o telefone antes que ele pudesse dizer algo. Eu não queria mais escutar sua voz. Ele havia me traído. Traído minha confiança cega nele, traído nossa amizade. Ele havia brincado com meus sentimentos. Desde o começo eu sabia que era um erro. Afinal, ele namorava minha irmã. Mas aquele continuava sendo o . Contemplei o fogo, que parecia ficar cada vez mais alto. E pude perceber que o único som que se ouvia ali era das labaredas por ele produzidas. As pessoas contemplavam a fogueira com um olhar diferente, como se tivessem esperanças. Algumas com olhares tristes, e até com lágrimas nos olhos. Fechei os olhos, tentando esquecer aquela sensação que percorria meu corpo.
Don't lose who you are, in the blur of the stars
Não perca quem você é, no borrão das estrelas
Seeing is deceiving, dreaming is believing
Ver é enganar, sonhar é acreditar
It's okay not to be okay
Tudo bem não estar tudo bem
Sometimes it's hard
Às vezes é difícil
To follow your heart
Seguir seu coração
But tears don't mean you're losing
Mas lágrimas não significam que você está perdendo
Everybody's bruising
Todo mundo se machuca
Just be true with who you are
Basta ser verdadeiro com quem você é
- Você está bem? – perguntou e eu acenei com a cabeça. Ryan havia se distanciado de nós. Éramos apenas nós duas ali, no meio de um monte de gente que eu não conhecia. Eu tentava reprimir as lágrimas que ameaçavam descer a cada segundo. Porque estava doendo. Estava doendo demais. Eu me sentia fraca e incapaz. Eu não estava bem, não estava tudo bem, e tudo parecia bem distante disso. O fogo parecia cada vez mais alto, e então as primeiras gotas grossas começaram a cair. Primeiro fracas, em seguida se tornando mais fortes, começando a apagar a enorme fogueira. A pior sensação do mundo é estar cercada por várias pessoas e ainda assim se sentir só. E era assim que eu me sentia naquele momento. Foi quando a chuva começou a me molhar que as lágrimas começaram a descer. Era como se elas precisassem de uma barreira de proteção para se sentirem livres. Ali, debaixo daquela chuva, eu chorei. Chorei por estar perdendo , chorei por ele ter mentido para mim, brincado comigo. Eu chorei pelas coisas que não pareciam que iriam melhorar. Chorei por ter me entregado a ele. Chorei por ter sido estúpida e idiota. Chorei por me sentir perdida. Chorei porque era a primeira vez que eu sentia esse batalhão de sentimentos que pareciam me sufocar mais a cada segundo, e chorei porque era a primeira vez que me sentia assim e não podia contar com meu melhor amigo para me abraçar. era a minha estátua que havia sido jogada da montanha, e infelizmente não havia sobrado nenhuma parte dele que se pudesse aproveitar.
Capítulo 26
Eu jogava a caixinha de suco natural dentro da lixeira da cozinha quando vi um vulto de cabelos pretos passar correndo pela porta da mesma em direção ao banheiro, jogando todas as suas coisas pelo caminho sem um pingo de discrição. Assustei-me e corri em direção à escada, vendo todo o material de jogado no chão e um barulho no banheiro. É, ela estava vomitando. Caminhei até a porta, parando no batente da mesma e observando - por incrível que pareça - sem nojo enquanto ela provavelmente despejava todo o seu lanche na privada.
- Está tudo bem? – perguntei quando a vi fechar a tampa. E ela se virou para mim. Sua cara estava verde, seus lábios sem cor e seus olhos vermelhos. Não, ela não estava bem. Senti-me idiota por fazer essa pergunta. Cheguei perto dela para ajudá-la a selevantar quando percebi que se ela fizesse isso sozinha provavelmente se estabacaria no chão que nem maracujá podre.
- Como eu nunca tinha percebido que o perfume do é tão doce? – ela fez careta, ligando a torneira e juntando as mãos em concha. - É tão enjoativo, como ele consegue usar aquilo o tempo inteiro? – ela revirou os olhos, mergulhando o rosto na água fria.
- Você já contou pra ele? – perguntei sem dar muita importância à menção do perfume dele, que para mim era simplesmente perfeito.
- Ainda não, acho que vou fazer isso hoje à noite. – ela lavou a boca, prendendo em seguida os cabelos em um coque frouxo, e pela primeira vez eu a vi fazendo isso e não soltei os meus.
- Por que você não foi à escola? - ela se virou para mim com uma expressão curiosa.
- Não estava a fim. - dei de ombros, caminhando até a saída.
- Um menino lá na mesa apareceu te procurando. Ryan, se eu não em engano, o nome dele. – parei, virando-me novamente para a Limonaja, ops, .
- O que ele queria? – perguntei curiosa.
- Ele eu não sei, já o passou a manhã toda tentando te ligar, mas seu telefone só dava desligado. Ele passou no seu quarto hoje cedo, mas a porta estava trancada, e como sua mãe ainda estava dormindo ele nem chamou.
- Ok. – voltei a fazer o meu caminho.
- Ele disse que vinha aqui daqui a pouco, só ia em casa esperar a ligação da mãe dele.
- Ok. – disse novamente. Entrei no meu quarto, fechei a porta e me sentei na cama, observando a parede. Eu me sentia totalmente desanimada, meu coração doía apenas com uma simples suposição de ter que encarar . Eu ainda não conseguia acreditar que ele tivesse feito isso comigo. Respirei fundo. Eu não choraria. Não mesmo. Havia prometido a mim mesma ontem que não choraria, não ficaria quieta pelos cantos e muito menos iria demonstrar que tudo estava me abalando. não conseguiria me ver mal. Porque eu tenho plena certeza que é isso mesmo que ele pensava que iria acontecer, afinal, ele me conhecia melhor do que todos, não? Eu mostraria a ele o quanto ele estava enganado. Tomei um banho rápido, vesti uma roupa e saí de casa, antes que ele pudesse chegar lá e eu tivesse de encará-lo. Caminhei meio sem rumo, até que decidi dar um pulo no Pub, quem sabe estaria por lá? E até mesmo Ryan, aí eu poderia saber o que ele queria.
- Hey. – disse carregando uma caixa de engradados vazios quando eu passei pela porta.
- Oi. – disse sem graça. – Eu não tinha nada pra fazer e então resolvi vir aqui ver se, sei lá, você precisa de alguma ajuda. – ontem quando voltávamos da fogueira, e eu conversamos um pouco sobre ela e o irmão. Os dois eram órfãos há um ano, e o pai deles havia deixado aquele pub de herança. Há pouco tempo havia demitido o administrador e largado a faculdade para que pudesse gerenciar o negocio sozinha, ela achava que o cara não estava fazendo um bom trabalho.
- Na verdade, eu quero sim, traz aquela caixa ali pra mim. – ela apontou para a outra caixa de engradados vazia, que eu peguei, e a segui para uma parte interna. – Pode colocar ali. – ela apontou com a cabeça para o local.
- o Ryan esta por aí? A disse que ele estava me procurando hoje no colégio.
- Ele foi comprar uns refrigerantes pra mim, daqui a pouco está aqui. – voltou para a parte principal, indo para o bar agora. – Se sentindo melhor hoje? Ontem você parecia bem triste.
- Sim. – forcei um sorriso. - BEM melhor. – revirei os olhos sem que percebesse, coitada, se ela soubesse que esse meu "bem melhor" significava com uma enorme vontade de me esconder do mundo e chorar... Mas eu podia superar isso.
- Que bom, por que eu quero ser exploradora. – sorriu de forma sapeca. – Eu tive uma idéia pra agitar um pouco o Pub, duas na realidade. E eu queria a opinião de alguém mais jovem e que não fosse meu irmão.
- Sou toda ouvidos.
- Eu tive idéia de uma noite dos desafios. – ela falou com os olhos brilhando.
- E isso seria?
- Vários grupos, vários desafios e um prêmio.
- E que desafios seriam esses? – perguntei curiosa, eu nunca tinha ouvido falar da noite dos desafios.
- Vários desafios, e garanto que nenhum deles vai ser fácil, não tem graça quando é fácil, e não tem graça se eu contar pra você. E o prêmio nada mais é que acesso exclusivo para um show que eu vou fazer aqui.
- E de quem seria esse show? - perguntei curiosa.
- Maroon Five. – esse é o momento em que o meu eu interno esta se debatendo e contorcendo no chão tendo ataques histéricos enquanto o meu eu que todos vêem faz cara de bunda. - ?
- OH, SHIT É SÉRIO ISSO? – eu me exaltei, empolgada. Eu simplesmente AMAVA Maroon Five, não é à toa que esse era a banda que tocava quando eu resolvi fazer um strip-tease no meio da festa.
- Seríssimo! E eu preciso da sua ajuda pra divulgar a noite dos desafios, porque ela vai ser ÓTIMA pra divulgar o show, que provavelmente vai ser na semana que vem.
- Semana que vem? SEMANA QUE VEM? What the fuck? Como assim tão rápido?
- Um amigo meu que trabalha como produtor da banda conseguiu assim, DO NADA, sabe? E eu não posso perder a oportunidade, vai ser única de levantar o Pub.
- Coloca única nisso.
- Então você esta dentro?
- É claro! Tô mais dentro que farpa de madeira quando entra no dedo. – disse e riu da comparação.
- JURA? Então posso mesmo contar com você?
- Óbvio! E eu tenho que ganhar esse desafio, eu PRECISO ver meu Adam.
- AH, que bom. – me abraçou e eu ri. – Então já que eu posso contar com você pra explorar, que tal me ajudar pendurando esses cartazes da noite dos desafios junto com o Ryan?
- Claro! – peguei a pilha de cartazes que ela me estendia e me virei, ouvindo barulho de passos.
- Hey, . – Ryan disse sorrindo e meio vermelho, ele carregava dois engradados de refrigerantes, o que provavelmente estava pesado. – Prontinho, senhorita. – ele disse a , depositando os engradados em cima do balcão. – Refrigerantes comprados, agora, que eu me lembre, na minha lista resta apenas grudar os cartazes, certo? – ele passou as mãos pelos cabelos.
- Certo. – lhe entregou uma pilha de cartazes como a minha. – A disse que vai te ajudar, olha que fofa! – apertou minhas bochechas, o que fez com que eu fizesse careta.
- Oh, que ótimo, eu estava achando que seria um saco pendurar isso por aí sozinho.
- Eu não tinha nada pra fazer mesmo! – dei de ombros, sorrindo. – O que você queria comigo na escola? – perguntei curiosa.
- Era falar que a queria te falar do desafio. – ele se virou em seguida para a irmã. – Você já explicou a ela, né?
- Já, já.
- Por que você não me disse que era isso que ele queria falar quando eu falei que ele queria falar algo? - perguntei, rindo da cara de .
- , eu às vezes esqueço até meu segundo nome, quanto mais que o Ryan ia te falar que eu falei pra ele falar pra você que eu queria te falar do desafio – ela parou por um momento. – Ok, eu me confundi, esqueçam isso e vão pendurar os cartazes, vocês estão perdendo tempo! – ela nos enxotou e Ryan e eu rimos, saindo do Pub.
- E aí, já está bem mais animadinha que ontem, hein. – Ryan sorriu, colando o primeiro cartaz em um poste não muito longe do pub.
- É, eu acho que ficar quieta pelos cantos e remoendo os fatos da vida não levam ninguém a nada, você não acha? – disse, caminhando um pouco mais à frente e pregando dois cartazes em um muro onde alguns outros cartazes já estavam pendurados.
- Eu acho que é normal fazer isso às vezes. – ele seguiu um pouco mais à minha frente.
- Eu acho que não vai me levar a lugar nenhum. – dei de ombros, mesmo que no fundo eu soubesse que o que eu mais queria era ficar quieta no meu canto remoendo os fatos da minha vida.
- Isso tem a ver com o ? – ele perguntou e eu engasguei.
- Como?
- O . Todo mundo sabe que vocês dois tem uma ligação esquisita, só que ninguém sabe ao certo o que é. E então ele apareceu namorando aquela menina, que depois todo mundo soube que era sua irmã, e vocês dois, bom, era notável que vocês dois ora pareciam bem, hora mal. – ele riu.
- As pessoas observam isso?
- Qual é, , nós estamos na escola. Vocês são "populares". - ele fez aspas com os dedos. - Todos os garotos do colégio querem chegar em você, mas nenhum deles nunca fez nada porque o vivia te cercando, e às vezes olhava de cara feia. E vocês dois sempre pareceram estar juntos, mãos dadas pra cá, abraços pra lá. Um grude só. – ele riu. - E depois ele apareceu com uma namorada. Só vocês que não perceberam, mas a vida de vocês na escola virou praticamente um Big Brother.
- Tá falando sério? – eu quase ri, de tão ridículo que isso parecia.
- Seríssimo, quando você começou a beber lá na festa do sinal jogando ping pong e a dançar, rolou até aposta de em quanto tempo o ia te tirar dali e levar pra casa quando entrasse.
- Entrasse?
- É, ele estava no bar com sua irmã e os dois foram lá pra fora. E geral apostou quanto tempo demoraria até que ele te tirasse de lá.
- E demorou muito? – perguntei curiosa.
- Bom, primeiro sua irmã entrou e depois ela saiu, acho que pra chamar ele, e depois ele veio. Eu ganhei a aposta. – Ryan sorriu vitorioso.
- Por quê? – perguntei rindo.
- Eu apostei que não demoraria cinco minutos, e eu ganhei. – ele sorriu vitorioso. – Além de ganhar a aposta ainda ganhei a blusa que voou na minha direção.
- Sortudo, hein. – sorri e percebi que já havíamos colado cartazes na rua quase toda. – E fofoqueiro também. – gargalhei.
- Fofoqueiro não, informado. E não é nada que ninguém não saiba. – ele deu de ombros.
- Eu nunca tinha te visto na escola. – disse sincera.
- Eu entrei esse semestre, ou seja, há um mês atrás. Mas já tem uns três meses que eu moro aqui.
- Foi fácil deixar as coisas na sua cidade pra trás? – perguntei curiosa. Na noite anterior eu soube que Ryan morava em outra cidade, a mesma em que cursava a faculdade, só os dois moravam juntos e os pais aqui, cuidando do Pub e de outras coisas da família.
- No começo, não. Sinceramente, foi horrível. Mas a e eu estávamos precisando disso, novos ares. Principalmente ela. Nós dois estávamos em uma fase muito ruim, tanto pela morte de nossos pais quanto por alguns outros problemas.
- Você se arrepende de ter vindo pra cá?
- Olha, no começo, sim, me arrependi, mas teve um dia que eu fiz que nem você falou, cansei de ficar pelos cantos remoendo o passado e comecei a viver o presente. – ele deu um sorriso largo. – E hoje em dia não me arrependo mais.
- Que bom, fiquei feliz em te conhecer. – sorri sincera.
- Eu também, é bom ver que você está sorrindo hoje, diferente de ontem.
- Ontem foi um dia ruim. Péssimo, pra dizer a verdade. Mas a partir de hoje tudo vai ficar bem. - disse, forçando outro sorriso e me virando de costas para pregar outro cartaz, deixando que o sorriso sumisse em meus lábios e respirando fundo, lutando contra as lágrimas que a cada segundo pareciam querer tomar conta de mim. Nada ficaria bem, eu podia ter certeza disso a cada segundo.
Capítulo 27
- Eu posso saber onde você se meteu? – perguntou irritada assim que eu apareci no corredor do colégio no horário de troca de professores. Mais uma vez eu havia me atrasado. Havia passado a tarde anterior toda pregando cartazes pela cidade junto com Ryan e ficado até tarde no pub ajudando a organizar algumas coisas. Não fazia idéia de onde havia largado meu celular, e ele provavelmente estava desligado, o que dificultava alguém me achar. Eu não havia ficado em casa, só em lugares onde meus amigos provavelmente nem se tocariam de me procurar.
- Por aí. – dei de ombros, abrindo meu armário e pegando meu livro de Biologia.
- E não ligou o celular por quê? Eu estou tentando falar com você, já fui à sua casa duas vezes e nada!
- Ok, , chega de chilique, eu já estou aqui, não estou? Diga o que quer. – disse, sacudindo-a pelos braços e rindo, fazendo-a fazer o mesmo.
- Aconteceu. – ela exclamou feliz com as bochechas rosadas. Demorei meio segundo para entender do que ela estava falando.
- Você e o ?
- É! – ela deu dois pulinhos e eu repeti seus gestos, feliz por ela. Foi quando avistei no final do corredor junto com , que falava algo animado, mas ele não parecia prestar muita atenção. Seus cabelos estavam mais bagunçados que o normal, sua mochila jogada apenas em um ombro, e ele nunca me pareceu tão lindo, tão perfeito, tão filho da puta, cafajeste, traidor. O sorriso pela felicidade de murchou na mesma hora em que nossos olhos se encontraram.
- Eu tenho que ir. – eu disse e se virou, observando a dupla que seguia em nossa direção.
- Hey, espera aí. – ela segurou meu braço. – O que aconteceu com vocês dois? Ele estava tão atrás de você ontem quanto eu.
- Nada. – soltei meu braço, virando-me e dando de cara com e , que vinham conversando animados segurando um cartaz.
- Olha quem deu o ar de sua graça. – disse rindo e me beijando a testa assim como . Ninguém pareceu notar meu desespero e vontade de sair dali, já que os dois energúmenos taparam minha saída, e eu conseguia ouvir a voz de e mais próximos, até que eles já estavam do meu lado. – Noite dos desafios amanhã. – continuou, estamos todos dentro, né?
- É claro. – disse, já parado ao meu lado e dando um selinho em . - Olha a sumida. – disse, dando-me um beijo no mesmo lugar que os outros dois.
- Eu só faltei ontem. – sorri sem encarar , virando-me para sair dali, mas o mesmo segurou meu braço.
- , eu preciso falar com você. – ele disse sério e os demais nos encararam sem entender.
- , até que enfim. – Ryan apareceu do nada no meio de um monte de gente com seu sorriso encantador, e eu quase voei em seu colo em agradecimento. Ele segurava em uma das mãos cartazes e em outra meu celular, cara, eu amo esse moleque, sério.
- Meu celular! – exclamei, soltando meu braço das mãos de e pegando o objeto das mãos de Ryan. – Onde estava?
- Dentro do meu carro, você provavelmente o deixou cair lá terça. – ele sorriu.
- MUITO obrigada, você vive resgatando minhas coisas. – disse rindo. – Vamos terminar de pendurar os cartazes? – fiz a pergunta mais como se fosse uma afirmação, pegando o bolo de cartazes das mãos do rapaz à minha frente.
- Claro. – ele concordou.
- Valeu, gente, eu vou ajudar meu amigo. – disse aos meus amigos, e até a , que havia acabado de se juntar a nós, me olhou estranho. Mandei-lhe um beijo no ar. – Sorry, , eu tenho mais o que fazer. – respondi seca, enlaçando os braços nos de Ryan e o puxando para o corredor mais longe que eu pudesse ir daqueles olhos azuis que insistiam em assaltar meu coração.
- Obrigada! – disse assim que viramos o corredor.
- Eu percebi que você estava quase gritando socorro quando o se aproximou. – ele riu e eu fiz o mesmo, grudando um cartaz ao lado do banheiro, quando vi a porta ser aberta. saiu do mesmo branca, sem nenhuma cor em seu rosto e seu rosto estava meio molhado, como se aquilo fosse suor.
- Hey, você está bem? – perguntei assustada com a sua aparência, sua bolsa quase escapava de seus dedos, ela não parecia ter forças para segurá-la.
- Não. – ela respondeu em um fio de voz antes que seu corpo cedesse e ela fosse direto de encontro ao chão.
Ryan agiu mais rápido que eu, segurando o corpo de antes que ele se chocasse ao chão. Eu agi por impulso, segurando sua cabeça, e pude sentir seu rosto frio com um suor grudento. Senti-me desesperada. Ela parecia morta.
- Hey, . – dei um tapa fraco em seu rosto, minhas mãos começaram a tremer. – ! – chamei um pouco mais alto, batendo um pouco mais forte. – em outra ocasião eu estaria adorando bater em seu rosto, mas eu disse bem, em outra situação. Não agora.
- Hey. – Ryan ergueu no colo. – Acho melhor levar ela pra enfermaria, . – ele não esperou minha resposta e começou a andar na minha frente. Peguei a bolsa no chão, seguindo no encalço de Ryan, olhando os cabelos de minha irmã batendo contra seus braços e seu braço mole pendendo ao lado do corpo. Eu nunca me senti assim antes, preocupada daquela forma, minhas mãos tremiam e meu coração estava totalmente acelerado. Ryan entrou correndo na enfermaria e deitou em uma maca, sob o olhar preocupado da enfermeira, que assim que nos avistou veio ao nosso encontro.
- O que aconteceu com ela? – a enfermeira perguntou, pegando no pulso de .
- Ela desmaiou do nada. – disse sentindo minha voz falhar. A enfermeira pediu que saíssemos da sala e então voltamos para o corredor pelo qual viemos.
- Caralho. – disse, levando a mão à boca, começando a roer as unhas.
- Cara, que susto, ela caiu dura do nada. – Ryan parecia tão assustado quanto eu. – Acho que é melhor avisar ao , não? Ele é namorado dela. – ele pareceu cauteloso.
- Claro. – disse e ele saiu andando em direção às salas. Comecei a andar de um lado para o outro. Eu não gostava de , mas mesmo assim ela era minha irmã, meia. E estava grávida, tudo bem os enjôos, mas cair dura do nada eu acho que não é muito normal, não.
Não passaram cinco minutos até que a enfermeira aparecesse dizendo que ela estava no soro, que o desmaio havia sido provocado pela falta de alimento e vômito em excesso, e que provavelmente deveria ter sido alguma reação alérgica ou virose. Acenei com a cabeça, dizendo que entendia, e fiquei ali na porta, preocupada. Eu queria saber se estava tudo bem com ela e o bebê. Mas não sabia se a enfermeira saberia da gravidez.
- O que aconteceu com ela? – ouvi a voz de atrás de mim e quando me virei para encará-lo pude admirar seu semblante preocupado.
- Você que é namorado não sabe? – perguntei arisca, ele provavelmente já deveria saber da gravidez. Afinal, ela havia dito que ia contar na noite anterior.
- Deveria? - ele perguntou, e, pela sua cara, ele ainda não sabia. Ótimo, não seria eu que contaria.
- Tanto faz, eu não tenho nada a ver com a vida de vocês. – dei de ombros, caminhando até o corredor, mas segurou meu braço.
- Custa você me dizer o que aconteceu com ela? Ela é sua irmã!
- Ela desmaiou, pronto, já está sabendo. Agora eu posso ir embora? – pedi com a voz mais firme que eu poderia fazer.
- , você sabe muito bem que nós dois precisamos conversar. – ele disse, ainda segurando meu braço. – Será que eu posso falar com você?
- Estamos em um país livre onde você tem todo o direito de falar, e eu tenho todo o direito de não querer ouvir. – respondi, puxando meu braço.
- Você poderia pelo menos tentar me ouvir, me deixar explicar, por favor? – ele pediu, já começando a ficar nervoso. Eu conhecia muito bem aquela expressão de quem já estava começando a perder a paciência.
- Explicar o quê? Você não tem nada pra explicar, , ela é sua namorada, certo? Você está muito bem em ficar com ela, errada fui eu em... Em entrar em tudo isso, em ficar com você, agora só esquece que aconteceu, ok? – pedi com a cara mais convincente que eu poderia fazer. – Eu só não volto atrás em nada do que eu disse. Eu pensei que você fosse diferente, cara. Mas eu me enganei. – sorri forçado. – E se eu não deixei bem claro, eu não tenho nada pra ouvir de você.
- Sua irmã está te chamando. – a enfermeira apareceu no corredor e eu me virei para a porta, evitando ter que olhar aqueles olhos à minha frente. Caso contrário todo o meu autocontrole iria embora e eu o estapearia, gritando o quão decepcionada com ele eu estava, e como a única coisa que eu queria era que aquela dor no meu peito passasse. – Desculpe, mas ela quer ver só a irmã. – a enfermeira informou quando fez questão de se mover, indicando que entraria na enfermaria. Era esquisito ouvir alguém sem ser parente chamando de minha irmã. me olhou estranho, ele queria dizer coisas, eu o conhecia muito bem para entender isso. O problema é que eu não queria ouvir. Entrei na área de enfermaria, e preciso dizer que minha escola era muito bem equipada em matéria de saúde dos alunos. estava deitada com uma agulha espetada em seu braço lhe transferindo soro.
- Que susto, hein. – disse, sentando-me na beira da cama ao seu lado. – acho que vou ter que pintar seu cabelo de verde de novo, assim vai combinar mais com a sua cara de ultimamente. – sorri fraco, querendo fazer graça, mas ela não riu. Seu olhar era distante. – Por que você não tem comido direito? A enfermeira falou que você passou mal por falta de alimento. Você não sabe que grávidas têm que comer bem pra fazer bem pro bebê? – ela continuava olhando para algum ponto à sua esquerda, sem me encarar e falar nada. O que já estava me deixando preocupada. – Por que você ainda não falou com o ? Ele vai te ajudar e...
- Eu não quero ter esse filho. – falou séria, encarando-me pela primeira vez, e se eu não soubesse que ela estava tão mal, ou melhor, se eu não percebesse que ela estava à beira de um ataque de pânico, eu teria dado em tapa na sua cara. – Não me olha desse jeito, não é você quem tem dezessete anos e está grávida. Não é você que vai ter que aguentar todo mundo te olhando torto por onde você for, não é você quem vai ter que se virar pra sustentar um filho, sendo que nem a escola terminou ainda. Não é você, , então não me olha desse jeito, porque você não sabe como é que é. – engoli a seco, ela havia me chamado de . Coisa que, bom, ela havia feito apenas uma vez e eu a havia repreendido.
- . – Respirei fundo antes de começar a falar. - Eu sei que não vai ser fácil, principalmente pra você. Eu sei que o vai surtar no começo. Meu pai, bom, eu sinceramente não sei o que meu pai vai fazer. Ele sempre me surpreende, mas você sabe o quão compreensivo ele é. E você pode conversar primeiro com a minha mãe. Vai ficar tudo bem, , você não precisa se preocupar com você e o futuro dessa criança porque eu tenho certeza de que vai ficar tudo bem com vocês!
- Eu estou com medo. – ela soluçou baixinho e e segurei sua mão, apertando-a junto à minha.
- Tudo Vai ficar bem. - disse.
- E como você pode ter tanta certeza assim? - ela soluçou novamente, com as lágrimas escorrendo por seu rosto.
- Eu sei porque essa criança vai ter uma ótima tia. – eu sorri. - Que vai ajudá-la sempre que ela precisar, e que promete ensiná-la sempre o melhor. E você vai poder contar comigo pro que der e vier daqui pra frente. – apertei mais ainda sua mão. – Eu não vou te abandonar, cara, sério. Você pode contar comigo.
- Eu não sei o que fazer. – ela soluçou baixinho. – Eu tô ferrada, eu tô ferrada.
- Pensasse nisso antes de transar sem camisinha. No que você tem que pensar agora é seu bebê e em se alimentar direito pra ele ficar saudável. E para nascer tudo bem com ele. – sorri e ela enxugou as lágrimas que anda molhavam sua bochecha.
- Eu quero ir pra casa. – ela disse fraco.
- Eu vou com você. – disse, levantando-me. - E ainda vou fazer minha macarronada, que é minha especialidade, assim você alimenta esse guri, ou guria, aí. – eu merecia um prêmio por ser a melhor pessoa do mundo, sério. Sai à procura da enfermeira e não demorou e nós já estávamos em casa, e eu mais uma vez não assistiria à aula Não sei o que ela havia dito a e nem me dei o trabalho de saber. Nada mais que era relacionado a ele me interessava, ok, na verdade interessava sim, mas eu não queria mais que interessasse. Entreguei um prato de macarronada a , que estava sentada no sofá em frente à TV, e me sentei ao seu lado com meu prato. Começando minha refeição, virei-me de lado, encarando-a e percebendo que ela apenas olhava a comida.
- Ou você come isso ou eu te enfio goela abaixo. – disse ameaçadora e ela sorriu fraco, começando a mexer na comida.
- Obrigada. – ela sorriu sincera. Pela primeira vez, eu conseguia ver a sem a máscara superior. - Você tem sido uma boa pessoa pra mim, , obrigada.
- É isso que parentes devem fazer um pelo outro, não? – sorri sem mostrar os dentes. - Agora come porque vamos precisar de ajuda amanhã na nossa noite dos desafios, e, bom, com você vai ser ajuda em dobro, sempre ouvi dizer que grávidas dão sorte. – disse, pegando o controle e mudando para um canal de filme qualquer.
- Vou começar a cobrar minha companhia por aí. – ela disse rindo, comendo minha macarronada. E então embarcamos em uma tarde de filmes e séries de TV que nem duas pessoas civilizadas, coisa que, pela primeira vez na vida, e eu estávamos sendo uma com a outra.
Capítulo 26
Eu jogava a caixinha de suco natural dentro da lixeira da cozinha quando vi um vulto de cabelos pretos passar correndo pela porta da mesma em direção ao banheiro, jogando todas as suas coisas pelo caminho sem um pingo de discrição. Assustei-me e corri em direção à escada, vendo todo o material de jogado no chão e um barulho no banheiro. É, ela estava vomitando. Caminhei até a porta, parando no batente da mesma e observando - por incrível que pareça - sem nojo enquanto ela provavelmente despejava todo o seu lanche na privada.
- Está tudo bem? – perguntei quando a vi fechar a tampa. E ela se virou para mim. Sua cara estava verde, seus lábios sem cor e seus olhos vermelhos. Não, ela não estava bem. Senti-me idiota por fazer essa pergunta. Cheguei perto dela para ajudá-la a selevantar quando percebi que se ela fizesse isso sozinha provavelmente se estabacaria no chão que nem maracujá podre.
- Como eu nunca tinha percebido que o perfume do é tão doce? – ela fez careta, ligando a torneira e juntando as mãos em concha. - É tão enjoativo, como ele consegue usar aquilo o tempo inteiro? – ela revirou os olhos, mergulhando o rosto na água fria.
- Você já contou pra ele? – perguntei sem dar muita importância à menção do perfume dele, que para mim era simplesmente perfeito.
- Ainda não, acho que vou fazer isso hoje à noite. – ela lavou a boca, prendendo em seguida os cabelos em um coque frouxo, e pela primeira vez eu a vi fazendo isso e não soltei os meus.
- Por que você não foi à escola? - ela se virou para mim com uma expressão curiosa.
- Não estava a fim. - dei de ombros, caminhando até a saída.
- Um menino lá na mesa apareceu te procurando. Ryan, se eu não em engano, o nome dele. – parei, virando-me novamente para a Limonaja, ops, .
- O que ele queria? – perguntei curiosa.
- Ele eu não sei, já o passou a manhã toda tentando te ligar, mas seu telefone só dava desligado. Ele passou no seu quarto hoje cedo, mas a porta estava trancada, e como sua mãe ainda estava dormindo ele nem chamou.
- Ok. – voltei a fazer o meu caminho.
- Ele disse que vinha aqui daqui a pouco, só ia em casa esperar a ligação da mãe dele.
- Ok. – disse novamente. Entrei no meu quarto, fechei a porta e me sentei na cama, observando a parede. Eu me sentia totalmente desanimada, meu coração doía apenas com uma simples suposição de ter que encarar . Eu ainda não conseguia acreditar que ele tivesse feito isso comigo. Respirei fundo. Eu não choraria. Não mesmo. Havia prometido a mim mesma ontem que não choraria, não ficaria quieta pelos cantos e muito menos iria demonstrar que tudo estava me abalando. não conseguiria me ver mal. Porque eu tenho plena certeza que é isso mesmo que ele pensava que iria acontecer, afinal, ele me conhecia melhor do que todos, não? Eu mostraria a ele o quanto ele estava enganado. Tomei um banho rápido, vesti uma roupa e saí de casa, antes que ele pudesse chegar lá e eu tivesse de encará-lo. Caminhei meio sem rumo, até que decidi dar um pulo no Pub, quem sabe estaria por lá? E até mesmo Ryan, aí eu poderia saber o que ele queria.
- Hey. – disse carregando uma caixa de engradados vazios quando eu passei pela porta.
- Oi. – disse sem graça. – Eu não tinha nada pra fazer e então resolvi vir aqui ver se, sei lá, você precisa de alguma ajuda. – ontem quando voltávamos da fogueira, e eu conversamos um pouco sobre ela e o irmão. Os dois eram órfãos há um ano, e o pai deles havia deixado aquele pub de herança. Há pouco tempo havia demitido o administrador e largado a faculdade para que pudesse gerenciar o negocio sozinha, ela achava que o cara não estava fazendo um bom trabalho.
- Na verdade, eu quero sim, traz aquela caixa ali pra mim. – ela apontou para a outra caixa de engradados vazia, que eu peguei, e a segui para uma parte interna. – Pode colocar ali. – ela apontou com a cabeça para o local.
- o Ryan esta por aí? A disse que ele estava me procurando hoje no colégio.
- Ele foi comprar uns refrigerantes pra mim, daqui a pouco está aqui. – voltou para a parte principal, indo para o bar agora. – Se sentindo melhor hoje? Ontem você parecia bem triste.
- Sim. – forcei um sorriso. - BEM melhor. – revirei os olhos sem que percebesse, coitada, se ela soubesse que esse meu "bem melhor" significava com uma enorme vontade de me esconder do mundo e chorar... Mas eu podia superar isso.
- Que bom, por que eu quero ser exploradora. – sorriu de forma sapeca. – Eu tive uma idéia pra agitar um pouco o Pub, duas na realidade. E eu queria a opinião de alguém mais jovem e que não fosse meu irmão.
- Sou toda ouvidos.
- Eu tive idéia de uma noite dos desafios. – ela falou com os olhos brilhando.
- E isso seria?
- Vários grupos, vários desafios e um prêmio.
- E que desafios seriam esses? – perguntei curiosa, eu nunca tinha ouvido falar da noite dos desafios.
- Vários desafios, e garanto que nenhum deles vai ser fácil, não tem graça quando é fácil, e não tem graça se eu contar pra você. E o prêmio nada mais é que acesso exclusivo para um show que eu vou fazer aqui.
- E de quem seria esse show? - perguntei curiosa.
- Maroon Five. – esse é o momento em que o meu eu interno esta se debatendo e contorcendo no chão tendo ataques histéricos enquanto o meu eu que todos vêem faz cara de bunda. - ?
- OH, SHIT É SÉRIO ISSO? – eu me exaltei, empolgada. Eu simplesmente AMAVA Maroon Five, não é à toa que esse era a banda que tocava quando eu resolvi fazer um strip-tease no meio da festa.
- Seríssimo! E eu preciso da sua ajuda pra divulgar a noite dos desafios, porque ela vai ser ÓTIMA pra divulgar o show, que provavelmente vai ser na semana que vem.
- Semana que vem? SEMANA QUE VEM? What the fuck? Como assim tão rápido?
- Um amigo meu que trabalha como produtor da banda conseguiu assim, DO NADA, sabe? E eu não posso perder a oportunidade, vai ser única de levantar o Pub.
- Coloca única nisso.
- Então você esta dentro?
- É claro! Tô mais dentro que farpa de madeira quando entra no dedo. – disse e riu da comparação.
- JURA? Então posso mesmo contar com você?
- Óbvio! E eu tenho que ganhar esse desafio, eu PRECISO ver meu Adam.
- AH, que bom. – me abraçou e eu ri. – Então já que eu posso contar com você pra explorar, que tal me ajudar pendurando esses cartazes da noite dos desafios junto com o Ryan?
- Claro! – peguei a pilha de cartazes que ela me estendia e me virei, ouvindo barulho de passos.
- Hey, . – Ryan disse sorrindo e meio vermelho, ele carregava dois engradados de refrigerantes, o que provavelmente estava pesado. – Prontinho, senhorita. – ele disse a , depositando os engradados em cima do balcão. – Refrigerantes comprados, agora, que eu me lembre, na minha lista resta apenas grudar os cartazes, certo? – ele passou as mãos pelos cabelos.
- Certo. – lhe entregou uma pilha de cartazes como a minha. – A disse que vai te ajudar, olha que fofa! – apertou minhas bochechas, o que fez com que eu fizesse careta.
- Oh, que ótimo, eu estava achando que seria um saco pendurar isso por aí sozinho.
- Eu não tinha nada pra fazer mesmo! – dei de ombros, sorrindo. – O que você queria comigo na escola? – perguntei curiosa.
- Era falar que a queria te falar do desafio. – ele se virou em seguida para a irmã. – Você já explicou a ela, né?
- Já, já.
- Por que você não me disse que era isso que ele queria falar quando eu falei que ele queria falar algo? - perguntei, rindo da cara de .
- , eu às vezes esqueço até meu segundo nome, quanto mais que o Ryan ia te falar que eu falei pra ele falar pra você que eu queria te falar do desafio – ela parou por um momento. – Ok, eu me confundi, esqueçam isso e vão pendurar os cartazes, vocês estão perdendo tempo! – ela nos enxotou e Ryan e eu rimos, saindo do Pub.
- E aí, já está bem mais animadinha que ontem, hein. – Ryan sorriu, colando o primeiro cartaz em um poste não muito longe do pub.
- É, eu acho que ficar quieta pelos cantos e remoendo os fatos da vida não levam ninguém a nada, você não acha? – disse, caminhando um pouco mais à frente e pregando dois cartazes em um muro onde alguns outros cartazes já estavam pendurados.
- Eu acho que é normal fazer isso às vezes. – ele seguiu um pouco mais à minha frente.
- Eu acho que não vai me levar a lugar nenhum. – dei de ombros, mesmo que no fundo eu soubesse que o que eu mais queria era ficar quieta no meu canto remoendo os fatos da minha vida.
- Isso tem a ver com o ? – ele perguntou e eu engasguei.
- Como?
- O . Todo mundo sabe que vocês dois tem uma ligação esquisita, só que ninguém sabe ao certo o que é. E então ele apareceu namorando aquela menina, que depois todo mundo soube que era sua irmã, e vocês dois, bom, era notável que vocês dois ora pareciam bem, hora mal. – ele riu.
- As pessoas observam isso?
- Qual é, , nós estamos na escola. Vocês são "populares". - ele fez aspas com os dedos. - Todos os garotos do colégio querem chegar em você, mas nenhum deles nunca fez nada porque o vivia te cercando, e às vezes olhava de cara feia. E vocês dois sempre pareceram estar juntos, mãos dadas pra cá, abraços pra lá. Um grude só. – ele riu. - E depois ele apareceu com uma namorada. Só vocês que não perceberam, mas a vida de vocês na escola virou praticamente um Big Brother.
- Tá falando sério? – eu quase ri, de tão ridículo que isso parecia.
- Seríssimo, quando você começou a beber lá na festa do sinal jogando ping pong e a dançar, rolou até aposta de em quanto tempo o ia te tirar dali e levar pra casa quando entrasse.
- Entrasse?
- É, ele estava no bar com sua irmã e os dois foram lá pra fora. E geral apostou quanto tempo demoraria até que ele te tirasse de lá.
- E demorou muito? – perguntei curiosa.
- Bom, primeiro sua irmã entrou e depois ela saiu, acho que pra chamar ele, e depois ele veio. Eu ganhei a aposta. – Ryan sorriu vitorioso.
- Por quê? – perguntei rindo.
- Eu apostei que não demoraria cinco minutos, e eu ganhei. – ele sorriu vitorioso. – Além de ganhar a aposta ainda ganhei a blusa que voou na minha direção.
- Sortudo, hein. – sorri e percebi que já havíamos colado cartazes na rua quase toda. – E fofoqueiro também. – gargalhei.
- Fofoqueiro não, informado. E não é nada que ninguém não saiba. – ele deu de ombros.
- Eu nunca tinha te visto na escola. – disse sincera.
- Eu entrei esse semestre, ou seja, há um mês atrás. Mas já tem uns três meses que eu moro aqui.
- Foi fácil deixar as coisas na sua cidade pra trás? – perguntei curiosa. Na noite anterior eu soube que Ryan morava em outra cidade, a mesma em que cursava a faculdade, só os dois moravam juntos e os pais aqui, cuidando do Pub e de outras coisas da família.
- No começo, não. Sinceramente, foi horrível. Mas a e eu estávamos precisando disso, novos ares. Principalmente ela. Nós dois estávamos em uma fase muito ruim, tanto pela morte de nossos pais quanto por alguns outros problemas.
- Você se arrepende de ter vindo pra cá?
- Olha, no começo, sim, me arrependi, mas teve um dia que eu fiz que nem você falou, cansei de ficar pelos cantos remoendo o passado e comecei a viver o presente. – ele deu um sorriso largo. – E hoje em dia não me arrependo mais.
- Que bom, fiquei feliz em te conhecer. – sorri sincera.
- Eu também, é bom ver que você está sorrindo hoje, diferente de ontem.
- Ontem foi um dia ruim. Péssimo, pra dizer a verdade. Mas a partir de hoje tudo vai ficar bem. - disse, forçando outro sorriso e me virando de costas para pregar outro cartaz, deixando que o sorriso sumisse em meus lábios e respirando fundo, lutando contra as lágrimas que a cada segundo pareciam querer tomar conta de mim. Nada ficaria bem, eu podia ter certeza disso a cada segundo.
Capítulo 27
- Eu posso saber onde você se meteu? – perguntou irritada assim que eu apareci no corredor do colégio no horário de troca de professores. Mais uma vez eu havia me atrasado. Havia passado a tarde anterior toda pregando cartazes pela cidade junto com Ryan e ficado até tarde no pub ajudando a organizar algumas coisas. Não fazia idéia de onde havia largado meu celular, e ele provavelmente estava desligado, o que dificultava alguém me achar. Eu não havia ficado em casa, só em lugares onde meus amigos provavelmente nem se tocariam de me procurar.
- Por aí. – dei de ombros, abrindo meu armário e pegando meu livro de Biologia.
- E não ligou o celular por quê? Eu estou tentando falar com você, já fui à sua casa duas vezes e nada!
- Ok, , chega de chilique, eu já estou aqui, não estou? Diga o que quer. – disse, sacudindo-a pelos braços e rindo, fazendo-a fazer o mesmo.
- Aconteceu. – ela exclamou feliz com as bochechas rosadas. Demorei meio segundo para entender do que ela estava falando.
- Você e o ?
- É! – ela deu dois pulinhos e eu repeti seus gestos, feliz por ela. Foi quando avistei no final do corredor junto com , que falava algo animado, mas ele não parecia prestar muita atenção. Seus cabelos estavam mais bagunçados que o normal, sua mochila jogada apenas em um ombro, e ele nunca me pareceu tão lindo, tão perfeito, tão filho da puta, cafajeste, traidor. O sorriso pela felicidade de murchou na mesma hora em que nossos olhos se encontraram.
- Eu tenho que ir. – eu disse e se virou, observando a dupla que seguia em nossa direção.
- Hey, espera aí. – ela segurou meu braço. – O que aconteceu com vocês dois? Ele estava tão atrás de você ontem quanto eu.
- Nada. – soltei meu braço, virando-me e dando de cara com e , que vinham conversando animados segurando um cartaz.
- Olha quem deu o ar de sua graça. – disse rindo e me beijando a testa assim como . Ninguém pareceu notar meu desespero e vontade de sair dali, já que os dois energúmenos taparam minha saída, e eu conseguia ouvir a voz de e mais próximos, até que eles já estavam do meu lado. – Noite dos desafios amanhã. – continuou, estamos todos dentro, né?
- É claro. – disse, já parado ao meu lado e dando um selinho em . - Olha a sumida. – disse, dando-me um beijo no mesmo lugar que os outros dois.
- Eu só faltei ontem. – sorri sem encarar , virando-me para sair dali, mas o mesmo segurou meu braço.
- , eu preciso falar com você. – ele disse sério e os demais nos encararam sem entender.
- , até que enfim. – Ryan apareceu do nada no meio de um monte de gente com seu sorriso encantador, e eu quase voei em seu colo em agradecimento. Ele segurava em uma das mãos cartazes e em outra meu celular, cara, eu amo esse moleque, sério.
- Meu celular! – exclamei, soltando meu braço das mãos de e pegando o objeto das mãos de Ryan. – Onde estava?
- Dentro do meu carro, você provavelmente o deixou cair lá terça. – ele sorriu.
- MUITO obrigada, você vive resgatando minhas coisas. – disse rindo. – Vamos terminar de pendurar os cartazes? – fiz a pergunta mais como se fosse uma afirmação, pegando o bolo de cartazes das mãos do rapaz à minha frente.
- Claro. – ele concordou.
- Valeu, gente, eu vou ajudar meu amigo. – disse aos meus amigos, e até a , que havia acabado de se juntar a nós, me olhou estranho. Mandei-lhe um beijo no ar. – Sorry, , eu tenho mais o que fazer. – respondi seca, enlaçando os braços nos de Ryan e o puxando para o corredor mais longe que eu pudesse ir daqueles olhos azuis que insistiam em assaltar meu coração.
- Obrigada! – disse assim que viramos o corredor.
- Eu percebi que você estava quase gritando socorro quando o se aproximou. – ele riu e eu fiz o mesmo, grudando um cartaz ao lado do banheiro, quando vi a porta ser aberta. saiu do mesmo branca, sem nenhuma cor em seu rosto e seu rosto estava meio molhado, como se aquilo fosse suor.
- Hey, você está bem? – perguntei assustada com a sua aparência, sua bolsa quase escapava de seus dedos, ela não parecia ter forças para segurá-la.
- Não. – ela respondeu em um fio de voz antes que seu corpo cedesse e ela fosse direto de encontro ao chão.
Ryan agiu mais rápido que eu, segurando o corpo de antes que ele se chocasse ao chão. Eu agi por impulso, segurando sua cabeça, e pude sentir seu rosto frio com um suor grudento. Senti-me desesperada. Ela parecia morta.
- Hey, . – dei um tapa fraco em seu rosto, minhas mãos começaram a tremer. – ! – chamei um pouco mais alto, batendo um pouco mais forte. – em outra ocasião eu estaria adorando bater em seu rosto, mas eu disse bem, em outra situação. Não agora.
- Hey. – Ryan ergueu no colo. – Acho melhor levar ela pra enfermaria, . – ele não esperou minha resposta e começou a andar na minha frente. Peguei a bolsa no chão, seguindo no encalço de Ryan, olhando os cabelos de minha irmã batendo contra seus braços e seu braço mole pendendo ao lado do corpo. Eu nunca me senti assim antes, preocupada daquela forma, minhas mãos tremiam e meu coração estava totalmente acelerado. Ryan entrou correndo na enfermaria e deitou em uma maca, sob o olhar preocupado da enfermeira, que assim que nos avistou veio ao nosso encontro.
- O que aconteceu com ela? – a enfermeira perguntou, pegando no pulso de .
- Ela desmaiou do nada. – disse sentindo minha voz falhar. A enfermeira pediu que saíssemos da sala e então voltamos para o corredor pelo qual viemos.
- Caralho. – disse, levando a mão à boca, começando a roer as unhas.
- Cara, que susto, ela caiu dura do nada. – Ryan parecia tão assustado quanto eu. – Acho que é melhor avisar ao , não? Ele é namorado dela. – ele pareceu cauteloso.
- Claro. – disse e ele saiu andando em direção às salas. Comecei a andar de um lado para o outro. Eu não gostava de , mas mesmo assim ela era minha irmã, meia. E estava grávida, tudo bem os enjôos, mas cair dura do nada eu acho que não é muito normal, não.
Não passaram cinco minutos até que a enfermeira aparecesse dizendo que ela estava no soro, que o desmaio havia sido provocado pela falta de alimento e vômito em excesso, e que provavelmente deveria ter sido alguma reação alérgica ou virose. Acenei com a cabeça, dizendo que entendia, e fiquei ali na porta, preocupada. Eu queria saber se estava tudo bem com ela e o bebê. Mas não sabia se a enfermeira saberia da gravidez.
- O que aconteceu com ela? – ouvi a voz de atrás de mim e quando me virei para encará-lo pude admirar seu semblante preocupado.
- Você que é namorado não sabe? – perguntei arisca, ele provavelmente já deveria saber da gravidez. Afinal, ela havia dito que ia contar na noite anterior.
- Deveria? - ele perguntou, e, pela sua cara, ele ainda não sabia. Ótimo, não seria eu que contaria.
- Tanto faz, eu não tenho nada a ver com a vida de vocês. – dei de ombros, caminhando até o corredor, mas segurou meu braço.
- Custa você me dizer o que aconteceu com ela? Ela é sua irmã!
- Ela desmaiou, pronto, já está sabendo. Agora eu posso ir embora? – pedi com a voz mais firme que eu poderia fazer.
- , você sabe muito bem que nós dois precisamos conversar. – ele disse, ainda segurando meu braço. – Será que eu posso falar com você?
- Estamos em um país livre onde você tem todo o direito de falar, e eu tenho todo o direito de não querer ouvir. – respondi, puxando meu braço.
- Você poderia pelo menos tentar me ouvir, me deixar explicar, por favor? – ele pediu, já começando a ficar nervoso. Eu conhecia muito bem aquela expressão de quem já estava começando a perder a paciência.
- Explicar o quê? Você não tem nada pra explicar, , ela é sua namorada, certo? Você está muito bem em ficar com ela, errada fui eu em... Em entrar em tudo isso, em ficar com você, agora só esquece que aconteceu, ok? – pedi com a cara mais convincente que eu poderia fazer. – Eu só não volto atrás em nada do que eu disse. Eu pensei que você fosse diferente, cara. Mas eu me enganei. – sorri forçado. – E se eu não deixei bem claro, eu não tenho nada pra ouvir de você.
- Sua irmã está te chamando. – a enfermeira apareceu no corredor e eu me virei para a porta, evitando ter que olhar aqueles olhos à minha frente. Caso contrário todo o meu autocontrole iria embora e eu o estapearia, gritando o quão decepcionada com ele eu estava, e como a única coisa que eu queria era que aquela dor no meu peito passasse. – Desculpe, mas ela quer ver só a irmã. – a enfermeira informou quando fez questão de se mover, indicando que entraria na enfermaria. Era esquisito ouvir alguém sem ser parente chamando de minha irmã. me olhou estranho, ele queria dizer coisas, eu o conhecia muito bem para entender isso. O problema é que eu não queria ouvir. Entrei na área de enfermaria, e preciso dizer que minha escola era muito bem equipada em matéria de saúde dos alunos. estava deitada com uma agulha espetada em seu braço lhe transferindo soro.
- Que susto, hein. – disse, sentando-me na beira da cama ao seu lado. – acho que vou ter que pintar seu cabelo de verde de novo, assim vai combinar mais com a sua cara de ultimamente. – sorri fraco, querendo fazer graça, mas ela não riu. Seu olhar era distante. – Por que você não tem comido direito? A enfermeira falou que você passou mal por falta de alimento. Você não sabe que grávidas têm que comer bem pra fazer bem pro bebê? – ela continuava olhando para algum ponto à sua esquerda, sem me encarar e falar nada. O que já estava me deixando preocupada. – Por que você ainda não falou com o ? Ele vai te ajudar e...
- Eu não quero ter esse filho. – falou séria, encarando-me pela primeira vez, e se eu não soubesse que ela estava tão mal, ou melhor, se eu não percebesse que ela estava à beira de um ataque de pânico, eu teria dado em tapa na sua cara. – Não me olha desse jeito, não é você quem tem dezessete anos e está grávida. Não é você que vai ter que aguentar todo mundo te olhando torto por onde você for, não é você quem vai ter que se virar pra sustentar um filho, sendo que nem a escola terminou ainda. Não é você, , então não me olha desse jeito, porque você não sabe como é que é. – engoli a seco, ela havia me chamado de . Coisa que, bom, ela havia feito apenas uma vez e eu a havia repreendido.
- . – Respirei fundo antes de começar a falar. - Eu sei que não vai ser fácil, principalmente pra você. Eu sei que o vai surtar no começo. Meu pai, bom, eu sinceramente não sei o que meu pai vai fazer. Ele sempre me surpreende, mas você sabe o quão compreensivo ele é. E você pode conversar primeiro com a minha mãe. Vai ficar tudo bem, , você não precisa se preocupar com você e o futuro dessa criança porque eu tenho certeza de que vai ficar tudo bem com vocês!
- Eu estou com medo. – ela soluçou baixinho e e segurei sua mão, apertando-a junto à minha.
- Tudo Vai ficar bem. - disse.
- E como você pode ter tanta certeza assim? - ela soluçou novamente, com as lágrimas escorrendo por seu rosto.
- Eu sei porque essa criança vai ter uma ótima tia. – eu sorri. - Que vai ajudá-la sempre que ela precisar, e que promete ensiná-la sempre o melhor. E você vai poder contar comigo pro que der e vier daqui pra frente. – apertei mais ainda sua mão. – Eu não vou te abandonar, cara, sério. Você pode contar comigo.
- Eu não sei o que fazer. – ela soluçou baixinho. – Eu tô ferrada, eu tô ferrada.
- Pensasse nisso antes de transar sem camisinha. No que você tem que pensar agora é seu bebê e em se alimentar direito pra ele ficar saudável. E para nascer tudo bem com ele. – sorri e ela enxugou as lágrimas que anda molhavam sua bochecha.
- Eu quero ir pra casa. – ela disse fraco.
- Eu vou com você. – disse, levantando-me. - E ainda vou fazer minha macarronada, que é minha especialidade, assim você alimenta esse guri, ou guria, aí. – eu merecia um prêmio por ser a melhor pessoa do mundo, sério. Sai à procura da enfermeira e não demorou e nós já estávamos em casa, e eu mais uma vez não assistiria à aula Não sei o que ela havia dito a e nem me dei o trabalho de saber. Nada mais que era relacionado a ele me interessava, ok, na verdade interessava sim, mas eu não queria mais que interessasse. Entreguei um prato de macarronada a , que estava sentada no sofá em frente à TV, e me sentei ao seu lado com meu prato. Começando minha refeição, virei-me de lado, encarando-a e percebendo que ela apenas olhava a comida.
- Ou você come isso ou eu te enfio goela abaixo. – disse ameaçadora e ela sorriu fraco, começando a mexer na comida.
- Obrigada. – ela sorriu sincera. Pela primeira vez, eu conseguia ver a sem a máscara superior. - Você tem sido uma boa pessoa pra mim, , obrigada.
- É isso que parentes devem fazer um pelo outro, não? – sorri sem mostrar os dentes. - Agora come porque vamos precisar de ajuda amanhã na nossa noite dos desafios, e, bom, com você vai ser ajuda em dobro, sempre ouvi dizer que grávidas dão sorte. – disse, pegando o controle e mudando para um canal de filme qualquer.
- Vou começar a cobrar minha companhia por aí. – ela disse rindo, comendo minha macarronada. E então embarcamos em uma tarde de filmes e séries de TV que nem duas pessoas civilizadas, coisa que, pela primeira vez na vida, e eu estávamos sendo uma com a outra.
Capítulo 28
Noite dos desafios: Parte I
Coloque pra carregar essa música: The Maine - We All Roll Along
- Meu Deus, isso daqui está lotado! – disse quando consegui chegar ao balcão onde e Ryan serviam algumas bebidas para as pessoas amontoadas ao redor. Ainda faltavam alguns minutos para que a noite dos desafios começasse oficialmente.
- Nem me fala, precisamos da sua ajuda. – abriu a entrada para que eu pudesse me juntar aos dois atrás do balcão, jogando-me uma lata de cerveja em seguida e apontando com a cabeça para uma menina perto de mim.
- Você está linda! – Ryan disse, dando-me um beijo na testa e eu sorri, beijando seu rosto e entregando uma cerveja a uma menina que se esticava no balcão.
- , eu não sei como te agradecer, sério. Você é o máximo, mulher. – disse rindo e apertando minhas bochechas, voltando em seguida a entregar bebidas para as pessoas. O Pub não estava lotado, mas estava MUITO movimentado. Cerca de cento e poucas pessoas estavam por ali conversando animadas enquanto esperavam que dessem nove da noite, para que oficialmente a noite começasse.
- Eu estava achando que não ia conseguir chegar a tempo, eu saí daqui muito tarde. – falei continuando com o meu trabalho.
- Ainda bem que você chegou, alguns dos seus amigos já estão por aí, e o já veio aqui perguntar por você. – ergui minha cabeça para Ryan quando ele pronunciou o sobrenome do dito cujo. Eu havia passado o resto da minha semana fugindo e ignorando o máximo que eu podia. Ficara no Pub até tarde quase todos os dias, ajudando Ryan e com o novo design do lugar, que agora estava simplesmente perfeito. Muito mais moderno, as pessoas estavam gostando, o que significava que dali para frente era só melhorar.
- Ele parecia bem a fim de falar com você, . – me encarou de forma engraçada. – Caso de amor não resolvido? - ela arqueou a sobrancelha.
- Meu EX melhor amigo. - sorri sem vontade, ok, era estranho falar dessa forma. – E eu não queria falar dele, não agora. - concordou com a cabeça e eu pude ver e caminhando rindo em minha direção.
- E aí, sumida, até que enfim você chegou, hein? – disse rindo e se debruçando sobre o balcão. – Eu quero uma cerveja, garçonete. – ri, entregando a cerveja a minha amiga e apertando a bochecha das duas.
- Eu não estou sumida, vocêes me vêem na escola todos os dias. - fiz careta para as duas.
- É, mas você está sempre colada com o bonitão ali. - me olhou com cara de sapeca. – O que esta rolando hein?
- Nada. – disse simplesmente, dando de ombros. - Ele é apenas um novo amigo. – entreguei uma cerveja a .
- Ta, já que você me diz que não está rolando nada entre você e o bonitão ali, – bebericou sua bebida – e eu acredito veemente que é verdade já que você não mentiria para mim... - ela me mandou seu olhar assassino. - O que esta acontecendo com você e o ? – ela falou séria. - E não adianta me dizer que não é nada porque todo mundo já notou o jeito que ele te olha, o jeito que você olha pra ele e vocês dois não estarem nem se falando é mais do que uma mostra de que tem alguma coisa errada. - ela fez cara de que era a coisa mais óbvia do mundo. – E você pensa que me engana com esse sorriso enorme, mas eu sei que você está triste por dentro, .
- Ele só não é a pessoa que eu pensava que ele fosse, só isso. – dei de ombros. Seria estranho se eu dissesse que estava de saco cheio do ? – Eu não quero falar dele, amiga, não hoje, não agora. Eu tô bem. – sorri abertamente. – Eu juro. Eu só não quero mais perder nenhum tempo da minha vida com ele.
- Mas vocês dois não tinham ficado? – falou baixo, de forma que apenas nós três pudéssemos escutar – O que aconteceu?
- É só porque ele namora a sua irmã? – perguntou.
- , você esta se escutando? Na verdade eu nem sei onde eu estava com a cabeça pra ficar com ele, foi um erro, ele não SÓ namora a minha irmã. Isso não é um só. Você tem noção do quão vadia eu fui ficando com ele mesmo sabendo que ele tinha namorada? Eu não sou assim. Nunca fui, você sabe disso. Eu só quero esquecer que isso aconteceu, só isso. Pelo menos por essa noite, tem como? – fiz cara de pidona.
- O que você não pede sorrindo que eu não faço chorando? – disse, apertando minhas bochechas. - Estamos por aí, qualquer coisa é só gritar. – ela sorriu. – Se bem que com um desse aí do seu lado, eu pediria é pra ele me fazer gritar. – ela fez cara de tarada e eu abri a boca espantada, rindo ao mesmo tempo. Ela provavelmente já tinha bebido umas latinhas, não havia dúvidas. saiu andando, voltando para onde os meninos provavelmente estavam e chamando com as mãos, que antes de sair me puxou para perto.
- Você não vai conseguir se livrar disso tão fácil assim. – ela disse séria. – E se você pensa que me engana você está muito enganada, senhorita. – ela sorriu antes de sair andando na mesma direção que . Será que era complicado pedir demais para esquecer o apenas por uma noite?
- Eu preciso falar com você. – falando no diabo... Virei-me em direção à voz e ergui meus olhos a ele, e, meu Deus, por que tão lindo?
- Acho que não temos nada pra falar, . – dei de ombros, entregando uma latinha a uma menina e abrindo uma para mim, eu precisava sentir álcool correr por minhas veias essa noite.
- É claro que temos, , deixa de ser teimosa. – ele apoiou os braços no balcão.
- , me ajuda lá trás? – Ryan veio em meu socorro. Bendito Ryan, deveriam fazer uma estátua para ele e pendurar em praça pública. Que nem fizeram com aquele cão do filme lá no Japão. O Rat. É esse o nome dele mesmo? Ah, sei lá.
- Claro. - acenei com a cabeça. – Nós não temos nada a conversar, . Eu já disse que o que tínhamos acabou, e essa foi minha palavra final. – segui para a parte de trás do Pub, onde tinha uma espécie de cozinha. Tudo o que eu queria era me ver livre dele por pelo menos uma noite, mas tudo o que eu conseguia era ele cada vez mais no meu pensamento. Merda.
- Uma dose antes de inauguração? – Ryan me estendeu um copo com algum líquido verde. Sorri, pegando o copo. Ele tinha um semelhante na outra mão. Erguemos, brindamos e bebemos rindo um para o outro. Eu tinha a leve impressão que estávamos flertando. Não sei dizer, eu sou meio lerda com essas coisas.
- Tem vodka? – perguntei depois de derramar o líquido pela garganta, que desceu queimando.
- Aqui. – apareceu, jogando-me uma garrafa, se não fosse meu bom reflexo, ela teria ido para o chão. – Agora me incluam nesse brinde. – ela riu, estendendo um copo.
- Claro. – enchi meu copo, o dela e o do Ryan. – Um brinde à primeira de várias noites bem sucedidas na Poison. – eu havia sugerido e havia aceitado o nome do Pub como Poison. Eu já era praticamente uma funcionária.
- À primeira de várias – ergueu o copo. E todos nós brindamos, bebendo em seguida. Meus olhos lacrimejaram e eu pisquei algumas vezes. Coloquei o copo em um canto, pegando um engradado no chão.
- Não precisa disso, vai começar agora. – ela disse, saindo da cozinha. Peguei uma latinha de cerveja no freezer e então Ryan e eu caminhamos em direção a onde meus amigos estavam. Eu havia pedido para incluir Ryan e – é, ela participaria dos desafios, mesmo sendo uma coisa organizada por ela - no nosso grupo, já que poderia ser de até dez pessoas. , e estavam parecendo crianças prestes a andar na montanha russa pela primeira vez. Dei um beijo no rosto de cada um parei entre Ryan e .
- Espero que você tenha se alimentado direito, não quero ninguém desmaiando enquanto eu estiver lutando pela chance de conhecer meu homem. – disse bebericando minha cerveja e ela riu.
- Duas vitaminas, um pacote de biscoito e mais umas quinhentas coisas que eu comi hoje durante o dia, está bom ou você quer mais? – ela sorriu um mesmo sorriso que eu estava acostumada a dar. Um sorriso de desafio. – E quem disse que ele é o SEU homem?
- Eu disse, honey. – mandei-lhe uma piscadela. – Afinal, não sou eu quem tenho um namorado e estou grávida. – ri da sua cara de injustiçada.
- Golpe baixo. – ela reclamou.
- Realidade!
- Boa noite, pessoal! – gritou de cima do palco e as pessoas ao meu redor, incluindo eu, fizeram um murmúrio positivo. Na verdade todos gritaram que nem um bando de malucos. – Estão todos preparados para os desafios? – ela falava super animada e todos ao redor pareciam da mesma forma, eu principalmente. Eu me sentia animada, eu disse que precisava de álcool. – Acho que todos estão curiosos para o que vai acontecer, né? Seguinte: temos aqui o total de dezesseis grupos, e isso significa que temos aqui dezesseis envelopes. – ela sacudiu uma caixa em suas mãos. - Em cada um desses envelopes existem tarefas que vocês deverão fazer e cada uma dessas tarefas vai levar vocês à próxima. Serão cinco envelopes no total. O quarto envelope levará vocês até a tarefa final e todos terão que se encontrar aqui à meia noite. É preciso gravar vídeos demonstrando que vocês realmente executaram as tarefas, caso contrário vocês estão fora da competição. E vou deixar bem claro que é válido apenas para quem chegar aqui até meia noite, meia noite e um já está desclassificado, ok? Estamos entendidos? - todos gritaram. – Lembrando só que serão apenas três horas para cumprir os desafios, e que não é permitido o uso de carro. – ela depositou a caixa no chão. – QUE OS JOGOS COMEÇEM. – gritou e antes que eu pudesse piscar ela já caminhava em nossa direção com um envelope em mãos.
- Olá, pessoas que eu não conheço, meu nome é , mas prefiro que me chamem de . – ela disse as palavras rapidamente. – Eu sou organizadora, mas não fiz nem metade dos desafios, isso ficou por conta de uns amigos meus que têm a cabeça bem melhor pra isso, então significa que se vocês acham que eu sou de grande ajuda, fodeu! – todos riram da forma que ela falou, mexendo os braços.
- Tudo bem, o importante é uma cabeça a mais pra ajudar. – disse. – A propósito, meu nome é , esse daqui é o , aquele o , , , , e eu esqueci seu nome. – ele quis se referir a Ryan, que riu.
- Eu sou Ryan, irmão dela, pra quem não sabe. – ele disse sorrindo e suas bochechas estavam rosadas, own, que lindo, ele estava com vergonha.
- Ok, apresentações feitas, vamos ao primeiro envelope. – ela deu o mesmo a , que o abriu sem demoras, lendo em seguida.
- No estacionamento existe uma mochila escondida dentro de uma lata de lixo azul, achem-na e escolham cinco pessoas para realizar o primeiro desafio. – foi só terminar de falar que todos correram que nem um bando de malucos em direção ao estacionamento. Havia uma quantidade razoável de carros e mais lixeiras do que deveria naquele lugar. Sem contar que todas elas eram vermelhas. Os meninos olhavam em baixo do carro e eu estava perto de uma árvore, vendo se de repente não havia jogado a lixeira por lá, quando ouvi a voz de gritar um “achei”. Quando cheguei próximo, todos já estavam reunidos.
- Vou ler. – disse, pegando a mochila de dentro de uma lata de lixo vermelha onde havia uma lata de lixo azul. Um envelope estava grudado do lado de fora. – “Já escolheram os cinco participantes?” – ela ergueu os olhos e todos nos encaramos.
- Por que não fazemos assim: estamos em cinco meninos e cinco meninas, os meninos executam essa primeira. – sugeriu, os meninos fizeram careta, mas concordaram assim mesmo. Então continuou.
- “O primeiro desafio de vocês é entregar as roupas que estão na mochila à loja, as notas fiscais estão dentro do bolso interno, mas existe um detalhe. Vocês deverão entregar as roupas vestindo-as.” – as gargalhadas não puderam ser evitadas quando tirou as roupas de dentro da mochila, porque na verdade não se tratava de roupas e sim de lingeries. Era uma enorme quantidade de calcinhas fio dental, sutiãs sexys, cinta ligas e camisolas.
- Isso é sério? – pegou uma calcinha vermelha fazendo careta.
- Desafio é desafio, amor. – disse rindo e entregando a ele um sutiã e uma cinta liga, fazendo em seguida o mesmo com os outros meninos. Um papel caiu quando ela pegou a última peça. Ela abriu e leu: - Se quem executar esse desafio for homem, tire 50% das roupas.
- Nossa. – disse derrotado. - Eu serei uma bicha louca. – gargalhou, tirando a camiseta.
Peguei a mochila, colocando lá dentro as roupas que os meninos tiravam, e fiz o máximo de força possível para não olhar . Depois que todos estavam vestidos eu não pude deixar de rir. Foquei minha atenção em cada um deles, Ryan usava um conjunto de camisola de seda rosa com uma tanguinha de renda vermelha e uma cinta liga preta nas pernas. Ele não era totalmente definido, mas seu corpo era saltado nos lugares certos. Dando um charme, tirei o elástico que prendia meu cabelo e me aproximei dele, juntando o cabelo que caia em sua testa e amarrando-o.
- Você está um gato. – sorri quando ele fez bico. Era engraçado como eu me sentia bem quando estava com ele.
- Eu sou uma bicha linda, meu bem. – ele me deu uma piscadela e em seguida um beijo no nariz. Sorri com o carinho, mesmo que tivesse ficado surpresa com tal.
- Pode dizer, eu sou ou não sou o ser assexuado mais lindo desse mundo? - deu dois passos rebolando, ele usava sua boxer preta e branca e por cima da mesma uma camisola vermelha com detalhe de bojo nos seios e uma cinta liga rosa. – Gente, cadê meu batom? – ele fez bico e cara de puta. Foi impossível não rir.
- Ai, amiga, bichas chiques não precisam de batom, elas são deslumbrantes de qualquer forma. - disse. Ele usava uma calcinha fio dental branca e um sutiã de bojo da mesma cor.
- Vamos, povo, estamos perdendo tempo. – disse e foi quase impossível não olhá-lo. Seu cabelo estava bagunçado e ele usava um sutiã de renda vermelho e uma calcinha da mesma cor, fio dental. E, por baixo, uma boxer verde que eu havia lhe dado. Por que ele tinha de ser tão lindo?
- Então, , qual endereço? – me tirou dos meus devaneios sobre e todos encararam minha meia irmã, que leu o endereço em voz alta.
- Mas só tem um problema. – ela acrescentou. - A loja fecha em exatamente quinze minutos. – Foi só ela falar que disparamos a correr, não era muito longe. Cinco quarteirões. Mas parecia que correr nos faria chegar mais rápido. Eu estava ao ponto de ter uma crise de riso, olhar os cinco meninos correndo com roupas íntimas por cima de suas boxer e de tênis era simplesmente hilário. com suas pernas tortas era o mais engraçado. corria mexendo os braços como se estivesse se preparando para levantar vôo. As pessoas na rua nos olhavam como se fossemos anormais, e para dizer a verdade eu tinha quase certeza de que éramos. Não era possível termos vindo desse mundo! Eu não consegui correr e respirar ao mesmo tempo, o que me ocasionou uma dorzinha incomoda abaixo do seio, perto das costelas, sei lá a localidade exata. Acho que era no baço. Só sei que doía mais a cada passo que eu dava. O nome disso: sedentarismo. Parei com as mãos apoiadas nos joelhos e respirando fundo ao mesmo tempo em que tentava me controlar para não rir. Ryan foi o único que percebeu que eu parei e veio em minha direção com o habitual sorriso nos lábios.
- Que foi? – ele perguntou, chegando mais perto.
- Doeu. – eu disse rindo, mas sem saber ao certo por que estava rindo. Só sei que estava. Algumas pessoas na rua me olhavam estranho. O que fazia com que eu risse ainda mais. Apontei para o lado da minha barriga que doía.
- Respira pelo nariz e solta pela boca com os braços esticados assim, respira cinco vezes. -Ryan me pôs reta e colocou meus braços em “posição de vôo” e eu fiz o que ele mandou, pelo menos duas vezes, na terceira eu comecei a rir de , que estava discutindo com uma senhora que o repreendeu pela roupa. E também tinha , , e , que posavam enquanto tirava foto de suas posições excêntricas. Pelo menos eles haviam percebido que eu tinha parado.
- Se você rir vai doer mais ainda. – ele falou, mas também começou a rir depois de olhar na mesma direção que eu. Voltei à minha posição de “vôo”, respirando pelo nariz e soltando pela boca cinco vezes, até que a dor sumiu.
- Como é que é? Vocês vêm ou não? – gritou. Sim, ele gritou. Estava poucos metros à nossa frente e eu o encarei. Quem diabos ele pensa que é para gritar?
- Tem alguém te pedindo pra esperar? Você sabe o caminho, ninguém está com suas pernas. – respondi e me olhou com os olhos arregalados. Ok, todos me olhavam de olhos arregalados. Já sei o que era. Eu nunca havia dado um fora em antes. Dude, como eu nunca tinha feito isso antes? Era tão legal. Deu-me uma sensação boa.
- É, mas está atrasando o grupo. – ele cruzou o braço, fazendo cara feia. Cara feia para mim é fome, meu amor, sinta-se à vontade para comer sua linda namoradinha grávida.
- Até você chegar lá, encontrar a loja e tirar a roupa Ryan e eu chegamos, então, por favor, não se incomode conosco. – disse revirando os olhos e olhando para o lado, onde havia um bar. Ótimo, eu estava com sede. – Quero cerveja, vem. - puxei Ryan pela mão, entrando no bar. Alguns caras me olharam, mas eu não liguei. Pedi duas cervejas, entregando ao meu “companheiro”. Quando cheguei do lado de fora, os outros, com exceção de , e , já haviam ido. Sorri para eles. – Alguém quer? – ofereci minha cerveja e Ryan fez o mesmo. Terminamos a cerveja e eu sorri que nem uma retardada olhando para os meus amigos. – Quem chegar por ultimo é mulher do padre. – disse antes de disparar a correr com correndo desengonçado atrás de mim, seguido por , e Ryan, que havia ficado por último. Ao dobrarmos a última esquina nos deparamos com o shopping da cidade e paramos rindo.
- Você sabe onde é a loja? – perguntou ofegante assim que me alcançou.
- Sei sim, sigam-me os bons. – imitei o Chapolin Colorado antes de voltar a correr. Eu me sentia com o pique todo. De repente me deu uma vontadezinha de dançar. Pessoas riam, comentavam, gritavam, vaiavam e faziam uma porrada de coisas conforme íamos passando por elas. Apenas três entradas depois, estávamos de frente à loja em que deveríamos entregar as roupas. Era em frente a uma praça de alimentação. Saquei meu celular do bolso.
- Anda, coisas lindas, façam uma pose sexy pra tia aqui. – disse e os meninos se juntaram, fazendo biquinho e caretas que só eles julgavam sexy.
- De onde vocês surgiram? - apareceu de repente, do lado oposto do qual havíamos vindo. Ela estava suada e ofegante. Todos estavam.
- Da entrada ué! – deu de ombros e eu virei o telefone para filmá-lo. – Vamos, porque eu acho que já cansei de usar isso. - ele entrou na loja seguido dos outros meninos. Fiquei por último filmando a entrada de todos quando parou ao meu lado.
- Ele tá merecendo uma porrada? – perguntou em tom brincalhão, eu sabia exatamente de quem ele estava falando.
- Duas. – eu ri. - Eu tô rindo mas falando sério, se você não fizer isso eu contrato umas pessoas para judiarem dele que nem a Lily Allen fez em Smile. gargalhou.
- Estou começando a ficar com medo de você. – ele riu, entrando na loja. Pausei o telefone e salvei o vídeo, entrando em seguida.
- Queremos devolver algumas roupas. – disse, olhando para os meninos em seguida, e a mulher atrás do caixa riu.
- E por acaso eu posso saber que roupas seriam essas? - ela perguntou, mas o tom de riso era claramente notado em sua voz.
- Essa daqui, minha senhora. – foi à frente, tirando a calcinha que usava. – E isso aqui também. - ele entregou o sutiã em seguida.
- Ah, e tem mais aqui, minha senhora. – seguiu os mesmos gestos, entregando as peças que vestia, assim como todos os garotos.
- Ah, e aqui estão as notas ficais. – disse, abrindo a mochila e entregando as notas à senhora do caixa.
- Bom, tudo certinho. – ela disse depois de conferir as notas e me entregou um envelope. – Isso aqui é pra vocês. – peguei o envelope e caminhamos para fora, assim que todos estávamos reunidos em uma roda eu o abri e li.
- Primeiro desafio cumprido! Parabéns, agora a segunda missão de vocês é ir até o endereço abaixo e pedir o seguinte: “Quentes”. Todos deverão executar essa tarefa. – terminei e nos entreolhamos sem entender muito o que “quente” poderia dizer.
- É muito longe daqui? - perguntou.
- Não muito. – disse depois de ler o endereço no envelope. – Uns três quarteirões.
- Tranquilo, dá pra irmos andando. – se pronunciou, começando a caminhar. o seguiu, parando ao seu lado e pegando em sua mão.
- Do jeito que estamos tendo que andar, ficarei com as pernas grossas e gostosa. – disse rindo e fazendo uma dancinha engraçada.
- Do jeito que estamos eu só espero que esse tal de quente seja algo de comer, porque eu tô com uma fome de uns quarenta e sete mendigos e mais dois s. – falou e nós rimos. – Sério, eu seria capaz de comer qualquer coisa agora.
- Eu queria mesmo era uma cerveja bem gelada. – disse e minha boca encheu de água, eu estava com sede.
- Não, eu queria uma Ice. – mordeu os lábios.
- Eu queria um banheiro, porque eu tô louco pra mijar. – fez careta.
- Você é homem, cara, qualquer canto de árvore serve. – disse. Para os homens era tudo tão mais simples! começou a responder e todos embarcaram em uma conversa na qual eu nem estava prestando atenção. Minha mente parecia viajar. Para nada especifico, mas viajava. Eu estava me sentindo engraçada, eu estava agitada, feliz, sei lá. Estranha eu, não? Será que só eu sou assim? Sinto umas coisas estranhas e parece que se eu contar a alguém ninguém vai entender.
- Um chocolate por seus pensamentos. – Ryan chamou minha atenção.
- Se eu sou a única pessoa retardada do mundo. – ri da minha própria resposta. – E o que seria esse tal de quente? Eu fico imaginando se seria alguma coisa de comer, ou de beber. Ou se nos jogarão água quente, ou nos lavarão com lama quente, eu só fico imaginando o que seria. Tô com medo. – disse fazendo gestos com as mãos, não era como se eu não estivesse pensando naquilo naquele momento, porque inconscientemente eu sabia que estava. – Acho que ganhei um chocolate. – mandei-lhe uma piscadela e ele riu.
- É, acho que lhe devo um chocolate, mas eu acho que posso te dar ele quando formos ao cinema. O que você acha? – ele ergueu a sobrancelha sorrindo sem mostrar os dentes. E então eu percebi algo que me fez perceber o quão eu estava alienada por causa do .
- Dude, você tem covinhas? – eu parei, sorrindo que nem uma boba com o dedo indicador parado a meio caminho do seu rosto. É, eu parecia uma retardada.
- Tenho. – ele sorriu abertamente e suas covinhas ficaram mais fundas e fofas e lindas e ele ficou vermelho, colocando as mãos no rosto. – Para de me olhar como se fosse me morder.
- Eu posso? – pedi, batendo palminhas na frente do rosto que nem uma foca.
- Você vai ao cinema comigo? – ele barganhou.
- Você vai me deixar morder as covinhas se eu for? – ok, foi uma barganha ridícula, mas acho que já estava na hora de eu deixar de mover minha vida baseado no que acha, no que o faz e no meu relacionamento com ele. Já passou da hora de viver por mim mesma. Ryan era um cara legal, fofo e boa companhia, e não parecia haver segundas intenções em seu pedido de ir ao cinema, não era como se ele fosse me estuprar e vender meus órgãos no mercado negro se eu não fosse. Ele tirou as mãos da frente do rosto e eu pulei, rindo e soltando gritinhos totalmente ridículos, mordendo sua bochecha em seguida, de leve. Era tão fofo ter covinhas. Era meu sonho master. Dei um beijo estalado em sua bochecha. – É tão fofo. - eu disse, apertando-as e ele riu.
- Obsessão esquisita, hein, covinhas. – Ryan passou as mãos pelo local mordido. – Acho que tô ficando com medo de você.
- Eu sou perigosa, muamuamua... – eu tentei imitar uma risada maquiavélica, o que não deu muito certo e acabou que ele riu da minha cara. – Acho covinhas tão lindo. Sério, se existisse algum tipo de cirurgia que as pessoas fizessem só pra ter covinhas, eu faria.
- Tá falando sério? Você queria ter um buraco no meio do rosto? – ele me olhou como se eu tivesse problemas.
- Não é um buraco, é O buraco, lindo fofo e sexy. – mandei-lhe uma piscadela.
- Você é esquisita, . – ele gargalhou quando levou um tapa. O caminho até o segundo desafio foi rápido, não demorou muito e estávamos de frente a um tipo de barraca, com cobertura de lona laranja. Uma senhora negra vestindo uma roupa branca e uma espécie de lenço na cabeça nos olhou sorrindo conforme nos aproximávamos.
- Oi, por favor, queremos dez quentes. – pediu e a senhora falou para que nos sentássemos, porque ela iria nos servir. Sentamos todos em volta de uma enorme mesa redonda.
- Quem aí tem alguma idéia do que seja esse quente? – perguntou e todos fizeram cara de interrogação.
- Eu aposto que vai ser algo MUITO ruim. – disse.
- O meu amigo que me ajudou a organizar os desafios não vale muita coisa, então não esperem nada bom.
- , , se algo ruim me acontecer a culpa será toda sua. – disse.
- Eu agora já tenho completa certeza de que é alguma coisa de comer, porque, menina, tá brabo aqui. – sorriu ao ver a senhora caminhar em nossa direção com uma enorme bandeja. Ela depositou a bandeja no centro da mesa e todos nós nos entreolhamos.
- Quem vai ser o primeiro? – perguntou olhando estranho para o que parecia ser um bolinho, mas que eu nunca tinha visto na minha vida.
- O que é isso? – perguntou avaliando.
- O nome disso é Acarajé, é uma comida típica do Brasil. – a senhora disse alto de dentro da sua barraca.
- Esse é o momento em que eu acho que ela tem audição super ninja? – Ryan falou baixinho olhando assustado na direção da moça, fazendo-nos rir.
- Quem vai se arriscar primeiro? - perguntou.
- Eu. – pegou o bolinho. – Isso até que está com uma cara ótima.
- Espera! – disse antes que ela colocasse na boca. – Todos deveríamos comer juntos, assim ninguém escapa, e deveríamos pedir alguém pra filmar. – todos concordamos e ele chamou a mesma senhora que havia nos dado o bolinhos, ligando seu celular e entregando-o a ela. Pegamos nossos próprios bolinhos.
- No três, hein? – falou. – Um, dois, três. – todos nós abocanhamos o bolinho. Não era ruim. Não mesmo. Mas tinha alguma coisa diferente. Muito diferente. Algo que ardeu meus olhos e me fez pensar em fogo.
- PIMENTA! – gritou cuspindo. Eu engasguei, não pela pimenta que queimava e ardia meus olhos, fazendo com que lágrimas descessem sem minha permissão. Mas sim pela cena. havia cuspido em cima de , que tinha a boca aberta ainda com o alimento nela gritando para soprar, mas o mesmo tossia bufando. abanava a própria boca, Ryan havia cuspido no chão e havia cuspido para a frente, acertando , que o xingava e cuspia. – Água, moça. ÁGUA! – pedia desesperado para a moça.
- Desculpa, mas tenho ordens de não dar água. – ela disse rindo de nossa cara.
- Porra, SOPRA. – abriu a boca para que soprasse, mas o mesmo puxava o ar para sua própria boca, numa tentativa de se “auto soprar”.
- Isso aqui é gostoso. – continuava comendo seu bolinho como se não estivesse temperado apenas com pimenta e aquilo não estivesse queimando sua boca. Sério, essa garota é adotada.
- Você é louca? – a olhou estranho. – Esse treco queima até a minha alma e você está aí comendo de boa?
- Eu achei gostoso, ué. – ela deu de ombros continuando a comer o bolinho e eu era quem abanava minha própria boca.
- Ajuda aí? – Ryan perguntou, fazendo careta e abanando minha boca. Ri da cena, agradecendo com a boca aberta, e comecei a abanar sua boca assim como ele fazia com a minha.
- Muito obrigada por gravar, moça. – pegou o celular da mão da senhora, que saiu andando anda rindo da nossa cara, mas voltou segundos depois trazendo um envelope branco em mãos.
- Isso aqui é pra vocês. – ela entregou um envelope nas mãos de , que não demorou a abrir. – Parabéns! Desafio dois cumprido. Agora para compensar a pimenta, vocês irão atrás de água. Na próxima rua há uma praça, e no meio dessa praça, uma fonte. A missão de vocês é pegar dinheiro o suficiente ali para ir até o centro da cidade. Não haverá envelopes escondidos até o quinto desafio, portando, siga as instruções desse por partes. Por enquanto é só.
- Essa é fácil. – disse limpando a boca. – Quem nunca roubou dinheiro da fonte dos desejos, gente? – todos nós a encaramos incrédulos. Quando eu digo que essa menina só pode ser adotada, ninguém acredita em mim!
’s Pov
Todos estavam parados de frente à fonte dos desejos e sem um pingo de coragem de cumprir o próximo desafio. A praça na qual a fonte ficava estava cheia de gente, que a cada vez que passava nos olhava estranho, talvez pensando que iríamos assaltar alguém. Veja bem, dez adolescentes parados olhando para um mesmo lugar em silêncio e concentrados, provavelmente com cara de maus – não que seja de propósito, mas o gosto da pimenta ainda me fazia fazer careta toda vez que engolia saliva. Eu também pensaria que iria ser assaltado. É uma reação óbvia. Talvez se todos pensassem que éramos assaltantes iriam embora, assim poderíamos roubar o dinheiro sem problemas. Dude, isso realmente fazia de mim um assaltante! Quem disse que a vida é fácil? Ela não é!
- ! – me puxou pela blusa cochichando: – O que a gente vai fazer, cara? – ela falou de forma engraçada e eu senti um cheiro engraçado de álcool. Só então prestei atenção em sua mão. Ela tinha uma garrafa de vodka.
- Líquido! – eu quase gritei, roubando sua garrafa. – Onde você arrumou isso? – perguntei, dando uma golada que desceu queimando mais que a pimenta, mas ainda assim o gosto era melhor, bem melhor.
- Água! – pulou animada, pegando a garrafa de minhas mãos.
- É Vodka, amor, nem sei onde essa pinguça arrumou! – disse me virando para , que riu.
- Eu sou uma menina prevenida. – ela riu, tirando outra garrafa de dentro da mochila que carregava nas costas. De onde essa menina tinha tirado isso? É uma cachaceira mesmo! – Vocês estavam tão distraídos, eu comprei ali, ó. – ela apontou uma barraca, onde alguns caras bebiam.
- Você é rápida. – disse rindo e tomando a garrafa das mãos de . , e bebiam da outra garrafa que havia comprado. – Vai, ? – perguntei ao meu amigo, que ainda estava parado olhando a fonte.
- Quero não, valeu. – ele respondeu indiferente sem nem olhar em nossa direção direito. Eu queria entender o que estava se passando entre e , ao dirigir meu olhar à última notei o quanto ela estava rindo de algo idiota que Ryan deveria estar falando. Já que era com ele que ela conversava. bufou em seu canto e eu me aproximei.
- O que aconteceu com vocês? – perguntei, colocando as mãos no bolso. – Não adianta dizer que nada, não sou idiota, nem cego e nem surdo. A te deu um fora hoje no meio da rua, não está nada bom pro seu lado.
- Ela está puta comigo e nem quer me escutar. – ele passou as mãos pelos cabelos. – Eu sei que eu vacilei, mas, porra, custava ela apenas me escutar? – ele bufou novamente.
- O que você fez? – comecei a pensar que talvez eu não quisesse muito ouvir o que ele havia feito. Eu sentia um instinto de proteção em relação à engraçado, e isso estava me fazendo pensar que estava próximo de tomar um soco a qualquer momento.
- Dude. – ele passou as mãos novamente nos cabelos. Olhei para trás, o resto do pessoal conversava animado um pouco distante de nós, compartilhando a bebida e olhando a fonte como se planejassem como roubá-la.
- Desembucha logo, . – disse já impaciente, olhando novamente para o grupo e meus olhos se focaram em , que continuava rindo e enfiando o dedo na bochecha de Ryan, o cara até que parecia ser legal.
- Eu fiquei com a no domingo, logo depois de ter beijado a . – eu deixei que o silêncio predominasse ao invés de acertar um soco na cara dele. Juro que essa foi minha vontade. Filho da puta! Como ele poderia ter feito isso com a . Não disse nada, apenas virei as costas e o deixei lá sozinho. Sim, eu estava puto. Parei no meio do caminho e voltei, chegando próximo a novamente.
- Você tem noção do quanto você é idiota? Ela é sua melhor amiga, cara, você pode magoar qualquer um menos ela! Você sabe que ela gosta de você e resolve agir que nem um otário logo com ela? Que merda você tem na cabeça? – perguntei controlado para que as outras pessoas não percebessem. – Eu achava que você era um idiota, mas agora eu já tenho completa certeza. – saí pisando duro. Eu não queria mais papo com o , não por enquanto. – E aí, alguém teve alguma idéia? – perguntei quando cheguei ao grupo, que parecia realmente estar organizando um assalto.
- A teve a idéia de começarmos a fingir que estamos brincando de pique e pega, e então alguém “cai” dentro da fonte e todos nós nos jogamos depois e começamos a pegar o dinheiro. Toda vez que um tiver o dinheiro o suficiente pra sua própria passagem sai da fonte e vai correndo para aquela rua ali, – apontou para a rua seguinte – e espera o próximo, porque provavelmente o guarda vai querer correr atrás da gente. É aí que os meninos entram. Por que vocês vão dar um olé nele. – ela apontou com a cabeça para o guarda que nos olhava com cara de desconfiado parado do outro lado da pracinha.
- Tá, e a gente vai literalmente se jogar mesmo na fonte? - perguntou. – Tipo, Vamos ficar todos molhados?
- É, ninguém vai morrer, não. – disse rindo, se aproximou mais do grupo.
- Então vai ser isso? Apenas um pique pega que vai terminar na fonte? – parecia interessado.
- Sim. – todos concordaram e acrescentou: - Eu filmo, não posso me molhar, problemas femininos. – ela disse sorrindo sem mostrar os dentes e pegando o telefone. (N/A: aperte Play)
- O último a tocar está com o pique. – disse colocando as mãos no meio, todos se entreolharam e colocaram as mãos em seguida, apressados para não serem os últimos. Eu fui o segundo.
- NÃO ESTÁ COMIGO – saiu correndo gritando, sobressaltando algumas pessoas por perto. Eu fiz o mesmo, gritando a mesma frase e começando a correr com os braços abertos. Eu não havia nem bebido, mas a sensação que eu tinha naquele momento era de estar bêbado, talvez de felicidade? Fala sério, o que seria melhor do que estar com seus melhores amigos em uma sexta feira à noite e se divertindo?
- Isso é injusto! – gritou rindo antes de começar a correr atrás de , que ria e pulava por cima de alguns bancos vazios
I remember every night we spent on weekends
With good friends
We did nothin' but it seems like we did so much
Back then
Oh back then we would kick it and laughin' all relaxin' and taking things for granted
We did anything just for a little rush
- Você não me pega, cara de meleca! – balançou as mãos próximas ao rosto, dando língua à amiga, e todos rimos de , que fez cara de enfezada, mas mudou de direção, encostando-se a , que estava distraído olhando . Ih, tá apaixonado mesmo.
- CORRE, NEGADA. – ele colocou os braços para trás e imitou um touro correndo atrás de , que ria, pulando também por cima dos bancos e passando por alguns casais que riam da nossa cara. foi a primeira a pular na fonte.
Just don't forget this, we won't regret this
We've got one chance to get it right
- Hey, o que você pensa que está fazendo? – o guarda levantou do seu lugar, caminhando em direção à fonte. Corri em sua direção e percebeu o que eu iria fazer. Fiquei atrás do guarda, escondendo-me e fazendo olé com o . – Será que vocês poderiam me deixar passar? – o guarda se sobressaltou. – Existem meninas tomando banho na minha fonte. – olhei para a fonte e agora todas as meninas estavam dentro da fonte caçando moedas. - ELAS ESTÃO ROUBANDO A MINHA FONTE! – ele gritou, esquivando-se, mas , Ryan e nos ajudaram a cercá-lo e começamos a dançar em volta do guarda, que ficava cada vez mais puto e vermelho. As pessoas riam demais.
We're alive and we drive to the center of it
Where we know we're all fine and this just can't be it
And in the end we all know we only breathe for so long
So tonight's the night
We all roll along
- PEGUEI O SEU, RYAN. – gritou, saindo de dentro da fonte e correndo.
- EU TAMBÉM PEGUEI A MAIS. – gritou.
- FONTE! – gritou e todos corremos para a fonte caindo de joelhos nela. Talvez não, mas acho que fui o único idiota que meteu o joelho no chão, e doeu. A água não tapava nada, era totalmente raso. Minhas mãos investigavam o fundo à procura de moedas. Eu não contava nenhuma delas. Apenas pegava.
Back to our first cigarette
You know we can't forget all of the faces we've met
Eight One Twenty Three means everything to me
Take me back to the parking lots
The sleep we fought
All the places we got caught
This place will always be part of me
Yeah, you're all a part of me
Dois guardas apareceram não sei de onde e o desespero bateu.
- CORRE, NEGADA. – eu gritei, enfiando as moedas dentro do bolso, e comecei a correr. nos seguiu e não demorou muito para que alcançássemos as meninas um pouco mais à frente, mancava, e eu tive plena certeza de que eu não tinha sido o único idiota a meter o joelho no chão.
Just don't forget this, we won't regret this
We've got one chance to get it right
We're alive and we drive to the center of it
Where we know we're all fine and this just can't be it
And in the end we all know we only breathe for so long
So tonight's the night
We all roll along
Eu não fui o único a perceber que mancava, Ryan estava bem atento a isso, e então ele parou, pegando-a no colo e voltando a correr com ela rindo e falando idiotices. Ela aprecia uma boneca pendurada em baixo de seu braço e eu ria disso. Minha amiga estava feliz, rindo de verdade, e pela primeira vez eu a via fazendo isso independente de . Peguei nas mãos de , que quase não aguentava mais correr. E olhei para tras, os guardinhas ainda corriam em nossa direção. Então, seguindo o exemplo de Ryan, fiz o mesmo com a minha namorada.
I remember every day that I spent dreaming
Of leaving
This place behind I would run away from thinkin'
Adding up all the days spend wasted
Chasing the girls we hated
Some things, well they never change
Take me back to the sleepless nights
The stupid fights
It never mattered who was wrong or who was right
You're all a part of me
- Hey menino, me leva também. – cutucou as costas de , que me olhou e olhou para Ryan e , os dois pareciam meio alienados, sem dar atenção às coisas ao redor, apenas corriam e riam de coisas que os dois falavam um para o outro. Pude ver o olhar de seguir naquela direção e seu sorriso murchar nos lábios, mas o despertou pedindo para subir nas costas dele, assim como tinha feito em , e agora em . Todos os meninos pareciam burros de carga. O que me fez gargalhar.
We're alive and we drive to the center of it
Where we know we're all fine and this just can't be it
And in the end we all know we only breathe for so long
So tonight's the night
We all roll along
Só paramos alguns minutos depois, quando as guardinhas já haviam desistido de nos perseguir, as meninas desceram do colo e se ajeitaram.
- E agora? - perguntou ainda meio ofegante.
- E agora é partir pro centro da cidade. – disse rindo e caminhando em direção ao ponto.
- E ainda temos mais dois desafios pela frente. – eu disse erguendo as mãos aos céus.
- Mais dois desafios. – repetiu rindo e empurrando Ryan com a cintura, que também riu e retribuiu o feito. Eu sentia que as coisas começavam a mudar. Se para bom ou ruim, bem, isso apenas o tempo iria dizer.
Continua...
N/a: MAOE. Quem ta surtando ai com as novas musicas do McFly? QUEM? QUEM ? QUEM? EU o/. Sim surtei ao ver meu nanico lindo cantando What you want. As pessoas riram de mim, mas eu não liguei. Surtei e continuo surtando e rezando e começando a fazer todo tipo de mandinga existente pra eles poderem vir aqui no Rio. Zoa/ então, o que vocês acharam do capitulo? E dos primeiros desafios hein? Espero que tenham gostado. Então, por hoje é só. Beijundas pra vocês e até a próxima :D
Outras fics:
Comatose (Restritas/ Em andamento)
No Place To Go ( McFly / Em andamento)
Outros:
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N/B: Qualquer erro nessa fanfic, seja de gramática/script/HTML, mande um e-mail para mim. Obrigada.