Autora: Lis Benevides
Beta-Reader: Amy Moore




Ela riu, sem realmente ter prestado atenção na piada da qual todo o seu grupo de amigos ria, pois estava mais do que fixada no jogo que acontecia na quadra de seu colégio. Não importava naquele momento que estivesse atrasada para chegar em casa. Não importava as dores no corpo que persistiam depois de seu jogo há quase uma hora atrás. Nada importava, a não ser o garoto que corria em direção ao gol com uma velocidade incrível, acabando por ser derrubado e ganhar uma falta a favor de seu time.
sorriu de canto. Como era irônico o fato de que ela abrira mão dele apenas para desejá-lo desse jeito. Gol. Toda a pequena arquibancada – que na verdade eram as grandes escadas da cantina – gritou e pulou. sorriu abertamente, apesar de não fazer mais do que isso ela era quem mais torcia ali. levantou e começou a gritar junto com Summer. a invejou por segundos. Ela adoraria levantar assim e gritar o nome dele. Então o juiz apitou e os dois times relaxaram, cada um indo para um lado, cada um indo para uma porta em direções diferentes.
se levantou no mesmo momento e ignorou os gritos de sobre aonde ela pensava que ia. Mais por não saber exatamente o que estava fazendo do que por simplesmente gostar de irritar a amiga. Entrou no corredor estreito ao lado da quadra, com apenas a grade de proteção separando-o da quadra. Passou por um pequeno grupo de garotos que se aglomeravam dos dois lados, fazendo um corredor humano, arrancando assovios que foram ignorados totalmente. Ela não ouvia nada a não ser seu coração martelando em seus ouvidos. Então já estava do outro lado da quadra, em meio a uma concentração de garotos que ela conhecia – e que deixara de falar – e de outros garotos que nunca havia visto, provavelmente amigos dos jogadores. Ela respirou profundamente antes de passar por eles.
estava encostado na grade de proteção que envolvia toda a quadra, apenas observando-a. Ela sabia que ele estava irritado, era visível pelos cabelos totalmente bagunçados e por ele ter tirado a camisa do time e ela estar jogada no banco. Ele sempre fazia isso quando estava irritado: bagunçava o cabelo como se ele tivesse culpa e arrancava a blusa, jogando-a em qualquer parede ou coisa dura por perto. Ela sempre ria deles nesses momentos e sem nenhuma razão ele ria com ela. Mas não seria assim ali. E ela também sabia que ele tinha uma ótima razão para estar irritado. Estar perdendo por dois gols com um time que era mais fraco que o adversário não é tão engraçado assim. Soltou uma golfada de ar, não tinha reparado que tinha prendido-o.
- Oi – foi o que ela se limitou a dizer. Ele ficou totalmente alarmado ao ouvir aquela voz, ele conhecia aquela voz, aquele tom. Mas... O que ela estaria fazendo ali? Ah, claro, o jogo dela tinha sido antes do jogo antes do seu. E como o jogo antes do seu era o dos garotos da sala dela... Ela possivelmente ficou para ver. Assim estando ali. Ele não conseguiu conter seus olhos e eles se arregalaram quando ele se virou sem ter um comando real, ficando de frente para ela. Ela entendia perfeitamente a reação dele. Também ficaria assim se ele viesse falar com ela. Era a primeira conversa real que eles teriam desde que terminaram, ou melhor, desde que ela terminou com ele.
- O-Oi – foi tudo que ele conseguiu dizer. Seu coração batia contra as suas costelas e suas mãos gelaram instantaneamente. Amaldiçoou-se por ainda deixar que ela tivesse todo esse poder sobre ele. O que ela queria dizer travou na garganta e não iria sair. Se encararam por alguns segundos até ela reformular um outro assunto que pudesse dizer a ele sem parecer extremamente idiota por tê-lo procurado.
- Er... sabe, vocês são três para três, se cada um marcar um sem desgrudar deles por nenhum segundo a cada ataque deles, bom, duvido muito que eles consigam chutar a gol. E se vocês avançassem todos juntos, ao invés de só você e o indo para auxiliar no passe, acho que as chances de realmente fazerem um gol é bem maior – disse , olhando para os All Star pretos, que de tão sujos estavam com partes cinza. É, ela precisava dar uma lavadinha nele. Ele estava sem reação, olhando para ela; ela realmente foi atrás dele para falar sobre como seu time ganharia? E antes que ele pudesse falar algo o juiz apitou. Ela pareceu acordar de um transe enquanto olhava para ele, e inesperadamente sorria, as bochechas em um tom de vermelho gritante mostrando seu constrangimento.
- E eu quero meu gol. – Então abaixou o olhar novamente, saindo quase correndo de tão rápida. Ele ainda ficou um segundo parado tentando absorver a informação. Então foi em direção à porta da quadra. E já se sentava sentindo o olhar de , e lhe queimarem as costas.

O time dele conseguiu diminuir a diferença para um gol, porém no ataque do outro time eles conseguiram uma falta e a converteu em gol, voltando a fazer seu time perder por dois gols.
Ele ainda não estava prestando atenção no que ela havia lhe dito.
Foi a primeira vez que olhou para arquibancada, ela parecia decepcionada com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos segurando o rosto. Uma sensação de aperto envolveu seu coração. Por que não?, ele pensou, não pode ficar pior do que está. E então pediu tempo ao juiz.
- Ok. Vamos ter que ajeitar isso – começou. – “, você marca o Keaton. , você marca o Harry e eu marco o Paul. – O tom dele estava agressivo quando disse o nome Paul. Eles nunca se deram bem, principalmente porque Paul era louco por desde a 5ª série e fazia questão de demonstrar isso de todas as maneiras possíveis. Não que ligasse para isso, cada fora dela nele era quase um espetáculo escolar.
Então se lembrou de outra coisa.
- E, ah, vamos avançar no tipo triângulo. Eu e subimos para frente e você vem mais atrás e no meio . – Os meninos assentiram, surpresos. não era do tipo que gostava de compartilhar os holofotes, ficou assim principalmente depois que terminou com ele. Antes ele era o cara que perdia um gol, mas dava o passe.
Nem 8 minutos da volta pro jogo e eles já haviam feito um dos dois que precisavam. fora o autor dele com a assistência perfeita de .
E então chegou o momento dele. Driblou dois que se infiltraram na frente dele, logo após receber o passe de . Agora era ele e o goleiro. Chutou e só viu o garoto pular para tentar barrar seu foguete. Antes mesmo de ele pular já era gol.
Toda a arquibancada voltou a pular intensamente. Ele comemorava na quadra, abraçando os amigos, enquanto todos gritavam por ele de onde ela estava, porém ela continuava parada, sorrindo bestamente na sua direção. já reivindicava o gol e gritava para todos escutarem que era dela. Só dela. Jéssica ria, dizendo que tudo bem já que o anterior fora dela. Então ele olhou para lá enquanto o outro time se posicionava no meio de campo. Seus olhares se cruzaram e tudo ficou silencioso naquele segundo. E ela sorriu. Não importava que ela o tivesse feito sofrer naquele término há um ano, não importava a obsessão absurda de por tudo que fosse dele. Inclusive seus gols. Nada importava, e ela sabia que ele era seu. Assim como o gol.
Falta. Era a chance do time adversário. Toda a arquibancada estava tensa, menos , que sorria confiante para ele. E os salvou com uma bela cabeceada para fora. Logo após chegou a vez deles com conseguindo um pênalti por ter sido empurrado contra a parede. Então, Gol. E a plateia foi ao delírio. Eram gritos, palmas e mais. Mas ele não ligava pra aquilo, não enquanto seu olhar estava novamente preso no de , e seus sorrisos se abriam, tímidos, ao mesmo tempo.
E soou o apito de fim de jogo. Se antes a plateia delirou, agora ela estava ensandecida. Todos gritavam tanto que um grande número de pessoas tapou os ouvidos. sorriu, enquanto pegava sua bolsa no colo de , levantando-se e indo embora. ainda a chamou, dizendo que queria falar com ela, mas ela apenas movimentou os lábios de uma maneira possível de ler seu “depois”.
Ele demorou alguns minutos em sua comemoração, tanto com os seus companheiros de equipe como os amigos do lado de fora da quadra, na porta do lado que dava para a arquibancada, ainda sem abrir a porta de proteção. Então, voltou seu olhar em direção esquerda da arquibancada, atrás de um único olhar capaz de lhe passar a confiança, coragem e excitação ao mesmo tempo. Não a encontrou em seu lugar normal, mudando a direção imediatamente para a saída. E lá conseguiu ver a silhueta desejada, saindo com a bolsa no braço. Abriu imediatamente e com força a porta de saída para arquibancada, tendo em mente correr em direção a ela, e, antes de beijá-la, agradecer. Aquela vitória só fora possível por sua causa. Mas antes mesmo de sair totalmente da quadra, sua visão fora tapada por uma fumaça de cabelos cacheados e embaralhados, altamente desarrumados, possivelmente pelos vários pulos e gritos que havia dado a cada avanço de seu time, correndo em sua direção. E então sua cintura fora envolvida pelas coxas grossas e bronzeadas – artificialmente para alegar uma viagem ao litoral da Califórnia que não fora realmente feita – de e sua boca fora capturada pelos lábios ávidos dela, sendo praticamente sugados por ela. Ele não correspondeu por vários segundos, até sua mente processar todas as informações e ele ver que precisava beijar sua namorada. Mesmo que não quisesse. E então ele forçou seus olhos a se fecharem, sua mente sendo invadida por lembranças de . De como estar com . De como beijar . E ele não se atreveu a pensar, “de como amar, ”. Aquela era uma coisa da qual ele não precisava lembrar, porque nunca havia esquecido. Pelo contrário, ele vivia assim. Amando-a tão desesperadamente quanto achava possível. Suspirou durante o beijo, quebrando-o. Estava cansado demais para fingir que estava maravilhosamente bem com . Ela sorria – falsa, ele sabia – enquanto descia de seu colo e começava a sorrir e acenar. Como sempre. Mas ali, ele a achara tão altamente irritante que mordeu a língua fortemente sentindo o leve gosto do sangue, para não dizer o que não deveria. Mas queria.

-x-

Revirou na cama pela décima vez, só naqueles 15 minutos. Ele não havia falado com . Ele não havia conseguido falar com ela. E estava morrendo de medo de ligar para ela. Riu sem humor. Ela havia ido, na frente de dezenas de pessoas – incluindo suas duas melhores amigas e sua namorada, também sua amiga – falar pessoalmente com ele. Já ele não conseguia nem falar com ela por telefone, sem ninguém nem por perto, nem com ninguém sabendo. Ele era mesmo um covarde. Sempre soube disso – e ela havia lhe dito isso milhares de vezes durante o namoro – e agora estava comprovado. Se bem que, ela só o chamava de covarde por ele perder a atitude perto dela, mas não era exatamente sua culpa. O fato de estar perto dela, de poder abraçá-la, beija-la, ou seja, lá o que fosse, o deixava nas alturas e absurdamente tímido. Ele tinha medo de errar, de ir rápido demais a algum momento ou de qualquer coisa que fosse, o que o fazia ficar parado até que ela viesse até ele e pegasse suas mãos, colocando-as em sua cintura enquanto se aproximava, envolvendo sua nuca e encostando seus lábios. Ficou tão absorto em suas lembranças que nem percebeu quando dormiu. Não exatamente chegando a sonhar, mas a apenas imaginar isso acontecendo depois do jogo.
Acordou tarde, estava atrasado para o baba no clube. Correu pro banheiro, se jogando debaixo d’água do chuveiro, rapidamente saindo e escovando os dentes enquanto pegava qualquer roupa no guarda-roupa já muito bagunçado dele.
Ele deveria correr, mas não queria. Não enquanto caminhava pela rua conhecida, a qual ele sempre ia acompanhado, de mãos dadas, rindo ou se beijando. Olhou a casa com o rosa cor-de-pele desbotado nas paredes que seguravam as grades brancas. Então parou, estático. Ela estava lá; Bem na janela do quarto da frente, sentada calmamente em sua cama, olhando algo a frente enquanto penteava os cabelos lisos ondulados molhados, indo de castanho a preto, passando um creme e separando as mechas de um jeito indiferente e atencioso. O jeito que apenas ela conseguia ter perfeitamente. Suspirou feito uma garotinha, ele estava ficando pior a cada segundo. É claro que ele sabia que aquilo ia acontecer, no momento em que voltasse a realmente ouvir aquela voz ele sabia que voltaria se apaixonar como antes. O caso é que aquilo já não era mais uma paixão. Ele a amava; E estava em um problema louco para saber se ela também. E se o resultado fosse positivo porque, diabos, ela havia terminado com ele?

sorriu, revendo o filme que fizeram na viagem ao torneio regional. Seus dois times haviam se classificado. Ela no Handebol. Ele no futsal. Estava passando a bagunça no ônibus. Ele liderava os meninos batendo nos pequenos tambores que levaram, cantava e os outros acompanhavam como dava. Ela estava filmando, até que reivindicou a máquina e a empurrou para ele; ela caiu exatamente no colo dele depois de passar pelo corredor humano que os amigos deles haviam feito no corredor extremamente estreito do ônibus. Todos eles a empurraram delicadamente até ela chegar lá. E ele já a esperava, tendo tirado o tambor de cima do colo antes que ela caísse nele. Suspirou como uma adolescente tipicamente apaixonada. Ainda lembrava do sorriso caloroso que recebera, mais o beijo maravilhoso com direito a palmas, assobios e grandes zoações como o de : “vai com calma, . Se não a some.” E o de : “estou até vendo a língua deles entrando cada uma em uma boca. Dá até pra ouvir o barulho do ‘sss’. – Ela sugou a saliva para mostrar o barulho bem nesse momento no vídeo.
voltou a rir, dessa vez alto, enquanto passava dando dedo para enquanto ela dava o dedo para . Eles dois fizeram uma cara indignada, trocando olhares para no minuto seguinte eles também estarem se pegando na poltrona a frente da deles no ônibus. Eles sempre ficavam e ainda ficam. é um idiota que não consegue admitir ser totalmente apaixonado por . Mas ela não liga já que eles tem um pseudo-namoro. Só não sendo um namoro por falta de pedido – é, eles não ficavam com ninguém além deles mesmos. E Harry estava fazendo o mesmo com a – já que eles são namorados mesmo e estão até hoje - na poltrona ao lado da de e e com isso a gravação foi cortada. Logo depois o vídeo foi editado, começando o jogo; Era o delas contra o Colégio Harverick e elas estavam perdendo por dois gols de diferença. Foi ai que ela montou um ataque com abrindo barreira na direita enquanto descia pela esquerda com . As outras duas meninas do time trocaram alguns passes pelo meio, até pegar a bola, dar uma driblada perfeita numa brutamontes da barreira e arremessar – deixando com uma cara de cú perfeita. A goleira defendeu, a bola foi ao alto e pulou, pegando a bola e arremessando antes de qualquer barreira se quer pensar em defender. Foi o gol mais bonito que ela já fez. E é claro que nunca mais se repetiu. Ela voltou correndo e gritando, parando no meio de campo para fazer um coração para , que filmava fazendo comentários idiotas. Ele pegou a câmera e virou para ele, foi ai que ela viu um dos sorrisos mais lindos do mundo: o orgulhoso.
- Ha, essa é a minha garota. Minha pequena. E pode tirar o olho dela Paul. – Ele dava ênfase nos adjetivos possessivos. Nisso ele pegou uma latinha de coca e jogou numas duas filas a frente, acertando em cheio a cabeça de Paul. Foi hilário. Ela ainda se lembrava como havia sido quando passaram esse mesmo vídeo na sala. Paul foi zoado por semanas a fio e ele quase brigou com – quase porque no momento que ele ia avançar para cima dele entrou na frente. Ela por pouco não levou um soco na cara (mas ela esperava isso, com o rosto erguido e o olhar fulminando de ódio). Paul pediu desculpas pelo desentendimento e depois eles relaxaram. Falavam-se muito malmente, mas ainda se falavam.

’s Point Of View



Senti novamente uma pontada no peito. Aquilo estava ficando pior. Respirei fundo enquanto parava de hidratar meu cabelo para apertar o local onde eu achava que ficava meu coração achando que assim aquelas fisgadas parariam. Era meio obvio que não. Estavam piores desde o inicio da semana, agradeci mentalmente a minha mãe por ter marcado a revisão. Soltei o ar que eu prendi ao sentir outra fisgada e olhei deliberadamente para a janela. Eu adorava olhar o céu azul por aquela janela. Fazia-me pensar que tudo podia dar certo se você quisesse; era uma pena saber que aquilo era apenas um pensamento ilusório. Então eu comecei instantaneamente a ofegar. estava ali! Na frente da minha janela com um sorriso bestamente lindo olhando para mim, um sorriso único e raro, até nos momentos comigo. E então me lembrei do momento em que eu o vi pela primeira vez, desejando poder fazer o que eu fiz naquela ocasião.

Flashback of ’s in your P.O.V.



Ok. Eu estava nervosa. Não, eu estava uma pilha de nervos. Por que que ele faz isso comigo? Eu devo ter sido muito mal na minha vida passada pra merecer um cara mal como ele. Então eu fui atingida por uma onda de água vinda pelo céu. Ele pulou na piscina – de novo. E, oh, deus... Esqueçam tudo o que eu disso. Eu devo ter sido a Madre Tereza de Calcutá na outra vida e Deus resolveu me agraciar com uma vida de pecados agora. Porque ele não pode exigir que eu seja uma santa com um pedaço, não, com o mau caminho todo sem camisa e gostoso daquele jeito. Não mesmo. Ele sorriu daquele jeito pervertido, os lábios se repuxando levemente nos cantos, sem mostrar os dentes. Chega suspirei. Então ele saiu da água, se jogando em cima de mim todo molhado na espreguiçadeira. Passei uns segundos a mais do que os segundos que ele realmente ficou em pé olhando para o abdômen definido do meu homem. E depois fiquei olhando para o lugar onde antes o abdômen do meu homem estava antes dele se jogar encima de mim. Não estou reclamando, que fique claro, os choques elétricos que eu recebia quando a pele gelada e molhada dele encostava na minha chegava a ser mil vezes melhor do que o calor que me apoderava quando eu o olhava só de bermuda – e com aquelas lindas boxers coloridas e estampadas aparecendo, como a de ursinho verde lima que ele está usando junto com a bermuda preta hoje. Gemi ao o sentir dar uma mordida leve no meu pescoço, motivo: falta de atenção.
- Não gosto quando você ignora meus beijos, Srta. , futura Sra. – ele disse, com a voz rouca, voltando a distribuir beijos do meu ombro até a minha orelha. Não disse? Gemi instantaneamente quando ele mordeu levemente o lóbulo da minha orelha – Viu? Isso é o que o garoto faz comigo, na menor das hipóteses. Pude sentir o sorriso em sua risada baixa e eu sorri com a boca encostada em seu ombro.
- Eu não estou ignorando seus beijos. Na verdade, eu gosto muito, muito deles para ignorá-los. – Ele abandonou meu pescoço para erguer o pescoço para me olhar. Fiz um biquinho em reclamação enquanto corava e ele selou seus lábios nos meus depois de alguns segundos me olhando. Eu esperava ele fazer menção de mudar de selinho para o beijo. Mas ele não fez nenhuma menção. Sorri, enquanto continuava com os lábios grudados ao dele. Somente sentindo aqueles arrepios gostosos na nuca decorrentes dos carinhos dele lá e a lateral de meu corpo pinicar por onde sua mão passava e arrepiar onde a mão dele parava. Então a língua dele contornou meu lábio inferior com a língua me fazendo suspirar – acho que já deu pra notar que eu só tenho duas ações nesses momentos – enquanto abria a boca lentamente, dando passagem à língua dele, o beijo começou calmo, ganhando intensidade, fervor. E antes que eu soubesse, ele estava se sentando e me levando junto na espreguiçadeira, colocou uma perna de cada lado e colocando as minhas também a cada lado do seu corpo. Foi puro reflexo quando eu o envolvi com minhas pernas. O beijo continuava ainda, forte, imponente, os lábios dele se chocavam contra os meus e quando paramos para respirar, ele riu.
- Batom bonito, delícia. – brincou, referindo-se a cor gritante de rosa que eram meus lábios agora. As mãos dele subiam e desciam nas minhas coxas, chegando até o super mini-short que eu usava e apertando a minha bunda. No mesmo momento em que ele fez isso, desci arranhando as costas dele dos ombros até o início da bermuda. Ele mordeu os lábios jogando a cabeça pra trás. Então, em um momento eu estava no encoxando-o e no outro ele estava com as mãos espalmadas na minha bunda e me carregando no colo. Nem me pergunte como ele realizou essa proeza sem que eu percebesse; Segredos de .
E sem romper o beijo começou a me carregar para dentro de casa e nisso eu já estava suando frio. Acho que ele percebeu porque minhas mãos ficaram estranhamente frias de uma hora para outra e eu espalmava essas mesmas mãos em seu peitoral – o que é mais do que uma ótima razão para elas terem que estar quentes. Ele parou de me beijar, rompendo o beijo e me olhando nos olhos – e foi aqui que eu descobrir que nós estávamos na frente da escada de dentro da casa. Acho que já deu pra perceber o efeito que ele possui em mim.
- Não vai acontecer nada se você não quiser, ok? – ele disse sorrindo, enquanto me dava uma bela mordida na bochecha, eu ri, normalmente era eu quem fazia isso e então ele me abraçou e eu entendi que não tinha motivo para estar nervosa, era algo normal, destinado, certo. Era algo que tinha que acontecer. E além do mais...
- Eu quero. – Até eu me surpreendi com minhas palavras e a verdade delas. Eu o queria, ele me queria, era algo que tinha que ser e nada poderia mudar isso. Um furacão poderia acabar com a casa e só perceberíamos se fossemos separados. E um sorriso besta e lindo apareceu no rosto dele no momento em que eu voltei meu olhar para cima e ele percebeu que era sério. Que eu fazia aquilo por querer e não por tentar agrada-lo e seus lábios capturaram os meus em um desejo ardente que era totalmente recíproco. Eu nunca me esqueceria daquele sorriso, tão perfeito e feliz de um jeito que nem mesmo eu tinha visto em mais de um ano juntos. Era meu aquele sorriso, assim como o dono dele.

End’s Flashback



Então eu percebi que estava arfando e devia estar mais corada que camarão ao sol. Ele me olhava sério agora. Abaixei meu olhar e tentei me recompor. Minha garganta travou. Merda, como é que se fala mesmo?

End ’s Point Of View



- Oi – ela falou, baixinho. Ele nem teria escutado se não estivesse tão vidrado nela. Depois de piscar compulsivamente, processou o que ela havia dito e sorriu, constrangido. Devia responder.
- Ahn... Oi... – ele disse o apelido dela quase em um sussurro, vendo o jeito como passou a tremer logo após. Fazia muito tempo que não sentia isso. Havia se proibido de sentir.
Havia, também, se esquecido de quão bom era.
Ela sorriu, pouco; mal se dava pra ver, mas ele via. Ele sabia tudo sobre seus sorrisos e sobre aquela boca.
Ele abaixou o olhar, sorrindo, enquanto colocava as mãos nos bolsos. Era seu charme, ela sempre dizia.
Até seu sorriso desaparecer. Igual a ela, que havia sumido da janela.
- Claro, seu idiota, até parece que alguma coisa... – Ele ia aumentando a voz, gritando consigo mesmo até ser interrompido por um barulho. Ela havia ido abrir a porta da frente, que abria para uma espécie de varandinha no térreo que dava numa sala de visitas dentro da casa. Ela não tinha mais o sorriso.
Ela havia escutado.
Ficou olhando pros seus pés, descalços, e com a mão na porta. Sem nem se mexer.

’s Point Of View



MERDA, MERDA, MERDA.
Eu estava com uma louca vontade de me chutar só pela expressão que ela tinha no rosto. Alguns meses antes, eu me deliciaria com isso. Mas não hoje, não agora.
Eu queria correr pra ela e abraçá-la. Pedir desculpas. E então finalmente fazer o que eu queria ontem, mas não pude.
Fiquei lá, naquela luta psicológica, sem me mexer por alguns segundos. Até ouvir o barulho do portão se arrastando. Olhei instintivamente e vi a figura esperando, segurando o portão e ainda olhando para os seus pés.
- Vo-Você... – Ela respirou fundo e então olhou pra mim, seu olhar era como o de anos atrás, sereno e simples, sem complicações, junto com o sorriso. Era terno e caloroso.
Oh, shit. Que saudade daquele sorriso.
- ? – Ela chamou, só assim pra me tirar dos meus pensamentos mirabolantes sobre como voltarmos no tempo e concertarmos essa merda que virou a nossa realidade. Me forcei a voltar, mas não foi preciso esforço quando olhei pra ela. Foi como se eu estivesse drogado. Eu relaxei, sorri de volta e nem mesmo lembrei dos planos que fazia antes. Ali, foi como se estivéssemos ainda no ano passado, provavelmente em alguma reconciliação por alguma briga idiota. Foi fácil e sem complicações. Sem lembranças amarguradas, sem choros, sem pensamentos nostálgicos. Era somente nós dois.
Como foi feito pra ser.
- Oi. – Eu sorri, como costumava. Fazia tanto tempo que não sorria assim que foi quase um alívio. Até que fiquei confuso. – O que foi?
Ela riu. O som ecoou pela garagem da casa dela. Tornou a situação engraçada e logo nós dois ríamos sem motivo aparente. Até vi algo que estava desaparecido desde aquele verão do ano anterior. Aquele brilho nos olhos que iluminava o rosto dela de um jeito maluco. Talvez fossem os meus olhos. Quem sabe?
Quem liga?
- Você vai entrar ou não? – ela perguntou, com o sorriso engraçado ainda no rosto. Eu me toquei e ri da minha lerdeza. Eu nem tinha escutado ela perguntar porra nenhuma de tão absorto em meus pensamentos que eu estava. Fiz charme de novo, olhei pra baixo rindo pouco e coloquei novamente as mãos nos bolsos.
Ela sorriu e balançou a cabeça negativamente, sabia que eu fazia por provocação.
- Entra logo – ela disse, brincando e deixando o portão aberto enquanto ia até a porta da varanda. Ficou parada lá, com a mão segurando a porta enquanto me esperava passar.
Não sei nem como não fui correndo.
- Entra aí – ela disse, enquanto voltava para a janela que antes eu observava do lado de fora da casa. Eu não sabia que ela tinha se mudado pra aquele quarto. Antes, ali era um quarto de hóspedes, hoje estava todo decorado e arrumado. Era lilás claríssimo em três paredes enquanto a parede em que a cama dela estava encostada era coberta por um papel de parede listrado colorido. O guarda-roupa ainda era o mesmo de sempre, branco, mas devia ter as roupas dela ao invés das da casa agora. Ainda tinha uma peça, também branca, com uma TV grande, umas 42 polegadas, DVD e um aparelho de som que ela devia usar como home theather. Embaixo da peça, ainda, tinha dezenas de livros. Pequenos, grandes, de bolso, enormes.
Eu imaginava vê-los ali. Junto da pilha de CDs. Como sempre.
Havia dois puffs, ainda, encostados num canto. Um era roxo escuro e o outro era de um tom bem legal de rosa que eu não faço ideia de qual seja.
Mudei o foco de atenção quando vi a imagem congelada na tela. Éramos nós.
- Mas o que... – Simplesmente saiu. Eu não tinha nem realmente percebido que falei até ela se virar pra mim e xingar.
- Ah... Ér... Eu... Eu tava assistindo o DVD do campeonato. – Ela se explicou, sem olhar pra mim, claro. Os pés dela pareciam mais atraentes no momento. Eu tentei sorrir confiante, mas deve ter saído muito mais um sorriso amarelo. E não adiantava muita coisa com ela sem olhar pra mim.
- Eu... – Ponderei o quão ruim poderia ser, mas não dei atenção ao resultado. – Por que não assistimos? Acho que você é a única que tem uma boa cópia... A minha o quebrou em duas. – Balancei a cabeça negativamente enquanto lembrava daquele episódio em que ele sentou encima do meu DVD e nós só ouvimos o “crack” dele se quebrando.
E do fato de eu ter quase quebrado a cara dele por isso.
Ela riu e foi procurar o controle. Então colocou o filme de novo. E não vou negar que senti falta de nós dois congelados na tela.
- Como é que ta indo a banda... e os meninos? – Ela tentou iniciar um assunto quando o silêncio tomou conta do quarto e o DVD resolveu dar pau. Puta que pariu, tinha que ser comigo, só acontecem essas merdas comigo, claro, com quem mais iria acontecer? Eu ri da cara que ela fez, devia estar pensando a mesma coisa.
- Estamos sem baterista...
- E o Harry? – ela sugeriu. HARRY?
- Harry? – Acho que eu devia ter feito uma cara bem sem noção pra ela ter rido do jeito que riu. – Harry Judd?
- É, Harry Judd, o namorado da – falou, com um tom de explicação que me fez sentir como um idiota.
- Ele toca bateria? Desde quando? – Ela riu do que eu disse ou da minha expressão, quem sabe? Os dois deviam ser motivo de riso mesmo. HARRY JUDD? Tocando bateria? Nunca ouvi falar.
- Bom, desde que ele se conhece por gente, que eu saiba. Ele toca super bem, até dá aulas. Mesmo que eu e não sejamos boas alunas. – Ela comentou, rindo. Meu deus, HARRY JUDD? Fala sério, além de jogar feito o cão ele ainda toca batera? Eu vou pedir o cara em casamento! – Se quiser o telefone dele é esse aqui, ó. – Ela foi escrever num papel. – Mas nem adianta ligar agora, porque ele tá no baba lá no clube.
Ó, MEU DEUS, O BABA.
- MERDA. – Acabei xingando muito alto e ela me olhou assustada.
- O que foi? – ela veio preocupada até mim, mas parou antes que as suas mãos chegassem ao meu rosto. Quase xinguei de novo. Quase.
- O baba... – Eu ia explicar, mas quando se trata de , ela costuma entender o que eu quero dizer antes mesmo que eu saiba. Ou explique. Eu poderia dizer que é apenas ela e que ela só tem esse dom comigo, mas seria uma mentira daquelas bem cara-de-pau. é assim naturalmente, uma conversa dela com chega a ser irritante quando ele fala alguma coisa sem noção e ela termina o que ele quis dizer.
- Tá esperando o quê? – Ela deu risada apontando pra minha cara de pensativo quando passou a ser de confuso. – Pra sair correndo até o clube... – Ela explicou, eu dei um sorriso sem graça, lembrando das mil vezes que eu tinha feito isso. Eu não tinha medo de voltar e não encontrar ela em casa ou de não a ver assistindo o jogo meia hora depois, só que agora eu estava me roendo de medo de sair pela porta e não vê-la mais. Ou de perder o clima legal e despreocupado que tínhamos agora.
- Vai logo, . – Ela riu e então sua feição prendeu minha atenção. Era tão calma e divertida. – Eu vou estar bem aqui quando você voltar. – Ela prometeu. Não pensei que aquelas palavras fossem me dar uma sensação tão boa e gostosa. Senti-me tão relaxado que abri um sorriso enorme pra ela, enquanto corria e a abraçava.
Pronto. Acho que agora não vou embora mesmo...
- DOUGIE POYNTER. – A voz de cortou o clima legal e amigável que tinha se estalado no quarto. E olhe que ela estava do lado de fora da casa, soltei só para olhar para minha atual namorada baixinha e extremamente irritada no mesmo lugar onde antes eu olhava abobado para a minha ex – que, por acaso, estava nos meus braços agora e eles não faziam muita menção de quererem soltá-la.
É, fodeu.
- Tchau, – falei, a contragosto, enquanto saia pelo portão da frente da casa para a garota que segurava o portão olhando pra baixo. deu um salto do banco onde estava e veio batendo o pé falar comigo. Não que eu tivesse ficado parado lá esperando, continuei andando sem nem olhar pra ela no momento em que me deu tchau também. Ainda deu tempo de ver a cara feia que fez pra , que fechou o portão na cara dela. Ui.
- DOUGIE POYNTER, VOLTE AQUI! – vinha gritando atrás de mim mas eu estava muito feliz pra ligar pra ela. Bom, pelo menos enquanto ela não cravava aquelas unhas de mais de um metro no meu braço.
- AI. Tá louca, garota? – Gritei. Ela fez um bico petulante que um dia já fez efeito comigo. Que pena.
- Estou! Estou sim, . Louca de raiva com você! – Ela começou a gritar e a fazer mil e uma explicações com as mãos das quais eu não entendia nenhuma. – O que foi aquilo com a , hein? Me diga, ! – A louca começou a gritar no meio da rua.
- Nada. – E voltei a andar enquanto ela ainda gritava no meu encalço. Que merda.
O caminho até o clube foi exatamente assim. Eu andava na frente enquanto ela ia me xingando e me gritando e pedindo desculpas e me xingando de novo atrás. Ela me arranhou mais duas vezes, mas parou quando viu a cara que eu estava. Só faltava mais um segundo pra que eu gritasse com ela até ela nunca mais olhar na minha cara.
Na verdade, vendo por esse lado... Não, , você é um cavalheiro. Se não quer mais ela, termine, oras.
Mas e se a não me quiser? E se formos só amigos? Eu não consigo ser só amigo dela. Mais um abraço daqueles e eu a agarro!
- ! – A voz de me tirou dos pensamentos que me levavam de volta aquele quarto, com aquele corpo no meu novamente. Opa, lá vou eu de novo.
- Oi, . – Balancei a cabeça tentando sair daqueles devaneios. Ele levantou a mão para um Hi-5, mas antes que eu pudesse bater na mão dele, uma furiosa passou entre nós dois batendo o pé. Dei de ombros pro olhar confuso de e finalmente bati o Hi-5. Ele sorriu, balançando a cabeça negativamente.
- Nem sei porque fico surpreso com vocês brigando – disse, enquanto me empurrava pra dentro do clube. – Ei, gente, o bela adormecida chegou! – Ele gritou para a concentração de garotos sentados na beira da porta pro campo. Eles acenaram e alguns riram alto. Eu só olhei feio pra e depois fui rindo com meu melhor amigo até os outros.

End Point Of View




Capítulo 2

- Mas que merda! – O xingamento alto fez com que se virasse, assustada, para ver quem era, e começar a rir enquanto via se enrolando toda para estacionar a moto de . Balançou a cabeça negativamente e foi ajudar.
- Sério, você não tem precedentes, . – A amiga sorriu feio em outra direção, fazendo olhar e ver e Harry rindo até se acabarem. Atrás deles vinham e , conversando sobre alguma coisa. riu da cara irritada de quando não conseguiu estacionar, de novo, dando dedo para Harry após outro comentário dele.
- Tenta ligar a moto e colocar de ré, . – Ela deu a dica, enquanto andava até e Harry. Os dois sorriram para ela.
finalmente estacionou a moto, fazendo o grupo bater palmas entre as risadas e gritos de aleluia foram ouvidos da sacada do colégio. mandou todos pro inferno enquanto dava dedo. O grupo se dispersou após o show ter terminado. estava entrando no colégio junto com quando Harry a chamou.
- ? – Ele sorriu ao ver a cara contrariada dela pelo uso do sobrenome. – Posso falar contigo? Rapidinho?
- Que foi, Judd? – Ela esperou, dando tchau a que pareceu meio desligada quando viu junto de falando com uma loira que não reconheceu.
- Ér. O veio falar comigo... – ele começou. O rosto de se iluminou em compreensão e ela sorriu pra ele.
- E ai? Você aceitou né? – Ela estava animada, mas o rosto de Harry não era do melhores.
- Eu não sei... Eu não ando muito com eles por causa da , você sabe. Estou achando que vai ser estranho... – ele encostou na parede e colocou as mãos no bolso, encolhendo os ombros. Ela ficou confusa.
- Você não acha que vai ser estranho, você está com medo de ser estranho ao ponto de ser desconfortável... Harry, larga de besteira, você sabe que a vai te dar a maior força e que ela vai adorar te ver andando um pouco mais com os meninos. Vocês são muito grudados, chega a ser nojento. Eca. – Ela fez careta e riu da cara debochada do garoto. – Além do mais, eu quero a mais pra mim. – Ela fez voz de criança e uma carinha de dengo. – Eu mal a vejo a tarde depois que vocês entraram na fase do grude. E os meninos são ótimos!
- Quem são ótimos? – se intrometeu enquanto ignorava o porteiro que dava a terceira advertência no mês por ela chegar atrasada. se assustou.
- Marine! Você voltou quando, sua vadia? – Ela pulou encima da amiga atraindo olhares desconfiados do porteiro. A garota beliscou a barriga da de cabelos enquanto reclamava.
- Me deixe respirar, eu não aguento você! – fez uma cara feia para ela, tinha emagrecido! – E eu voltei ontem, obrigada por perguntar. – As duas se separaram e Harry sorriu para a outra, batendo um Hi-5. – E, voltando ao assunto, quem são ótimos? – ela fez uma expressão maliciosa.
- Nem te conto. – entrou na brincadeira, revirando os olhos e se abanando com as mãos. Harry revirou os olhos e começou a arrastar as duas meninas.
- Vamos, o sinal já vai bater.

- Sério que você não quis aceitar? – olhava para o namorado como se ele fosse de outro mundo. cruzou os braços e fez sua típica cara de eu avisei. Harry simplesmente deu dedo à garota de cabelos enquanto se virava para a sedução que era sua namorada tentando explicar seu ponto de vista e desistindo na metade de uma frase. ria e o olhava de um jeito fofo e admirado.
- Ah, meu amor! – ela exclamou, passando as mãos pelo pescoço do garoto de cabelos escuros e barba rala com os olhos azuis mais lindos que ela já vira. – Eles não vão tirar você de mim. – ela sussurrou com os lábios colados no do garoto. – Eu mato eles antes disso. – ela brincou, piscando depois de finalizar o selinho e fazendo Harry rir gostoso, aquela risada rouca que arrepiava a garota.
- ? – ele chamou, os olhos cravados no da namorada e um sorriso cumplice em seus lábios.
- Fala. - nem se preocupou em olhar, sabia que ele não olharia para ela enquanto o clima love pairava entre os dois.
- Pode dizer pro que eu tô dentro. – E mal terminou de falar para puxar a namorada para si e deixar todos de vela no melhor beijo que havia dito a que ela já tivera em toda a sua vida.
- Eca. – brincou, correndo para os braços de que a chamava, sentada no banco da outra mesa a uns metros da que ela estava.
- Larga a , . Fica comigo que não te troco por ninguém. – brincava, abraçando a amiga forte enquanto a outra lhe dava um beijo na bochecha.
- Ai, amor, não posso, pois nós temos um pacto. Ela pega ele agora, mas de noite é pros meus braços que ela corre. – brincou, a voz maliciosa enquanto brincava com os cabelos longos de . A outra fez cara de indignada.
- E eu? Só porque eu viajei você me largou e rasgou meus horários, é? – As duas riram.
- Falando na sua viajem, e aí? Como foi? – A de cabelos tirou alguns fios da frente dos olhos colocando atrás da orelha enquanto se ajeitava no colo da amiga para olha-la. abriu um sorriso mas deu de ombros.
- O lugar era lindo, com gatos de matar do coração e tudo o mais.
- Estou sentindo que vem um “mas” por aí. – cantarolou, juntando as mãos e olhando a amiga suspeitamente.
- Mas eu não estava no clima para curtir. – soltou, os olhos varrendo a cantina em segundos e se tornando vazios ao voltar a face de . – Meus pais estavam lá também... Curti na boa. – declarou fazendo rir alto.
- Essa sua cara de triste pelo é realmente inconfundível. Parece até que tem escrito na sua testa que é por causa dele que você não curtiu. – fez um o em indignação.
- EI! – reclamou. – Aquele idiota não tem nada haver com isso, tá, ?! Só porque ele não quis vir comigo e meus pais por causa daquele campeonato idiota eu não ia ficar me remoendo pelos cantos. – Brigou com a amiga, a voz subindo alguns tons nos xingamentos. simplesmente olhou-a, fazendo-a se encolher na cadeira. – Merda. Ta mesmo na cara, não é?
- Muito. – sorriu, complacente, enquanto abraçava a amiga que escondia o rosto na curva do pescoço da mesma.
- Por que ele não foi comigo, ? – perguntou, o tom ficando embargado e abafado. sentiu o coração apertar, enquanto fazia carinhos nas costas da amiga. Olhou mais a frente e viu cabelos loiros voando e correndo em direção a cantina, parando na entrada enquanto olhava em todas as direções parecendo desesperado. sorriu. – Nada tinha graça sem ele lá. Eu queria ele pra ver o pôr-do-sol, andar pela praia, ficar irritado pelos caras que passavam me secando no biquíni novo que eu tinha comprado porque achei que ele ia... Eu só o queria.
- E eu tenho certeza que todo esse tempo, ele ficou esperando por você. Quer saber por quê?
- Quero, sim. Na verdade, estou precisando saber. – tentou brincar, mas o choro preso estava fazendo até mesmo respirar ficar difícil e a fala saía embargada e falha. sorriu, virando o rosto da amiga para a direção da porta onde a causa de suas aflições olhava desesperado para os lados em busca de alguém.
Em busca dela.
- Porque nesse tempo todo... Ele só quis você.
achou no mesmo momento o olhar aflito de quem procurava loucamente pela cantina. Tinham se passado três semanas desde que os vira e seu coração chegava a apertar de saudade. Ele queria sua . Queria pedir desculpas por não ter ido. Queria abraça-la, beija-la e então voltar finalmente para onde devia estar: ao lado dela.
Engoliu a seco quando ela baixou o olhar do jeito que fazia quando brigavam e ela ficava com vergonha. Merda. Ele também não era conhecido por sua atitude – pelo menos fora de campo.
Mas era , certo? Ele havia vacilado em não ter ido com ela e os pais quando os mesmos o convidaram e mesmo sendo férias. Mas se bem que sua mãe teria pirado se eles acabassem ficando mais uma semana assim como os pais da resolveram. Mas eles não fariam isso se ele fosse... Eles tinham aula e eles tinham prometido a sua mãe que seriam só duas semanas. Que fora o que ele ficou repetindo para si mesmo enquanto tentava se concentrar no jogo da semana passada. O caso é que a única coisa que mantinha sua cabeça longe de era o campo, quando jogava, pelo menos enquanto a banda dele e dos meninos ainda não tivesse um baterista – compor músicas tinha o efeito totalmente contrário do futebol.
Porra, devia ter ido. Perderia um jogo, é, mas pouparia toda a aflição, angustia e saudade que tinha sentido todo esse tempo. E também pouparia sua própria imaginação, que tratava de imaginar coisas muito cruéis que poderia fazer para se vingar – ela bem gostava dessas coisas.
Balançou a cabeça para espantar seus pensamentos maldosos que só faziam seu peito se apertar. Queria sua menina em seus braços e queria agora.
se soltou calmamente da amiga enquanto mentia dizendo que ia comprar um suco para ela. Ajeitou seus cabelos e deixou-a sentada com os cotovelos apoiados na mesa e as mãos enterradas na cabeça enquanto os cabelos cor-de-ouro tapavam a visão do rosto. Passou deliberadamente por um aflito que caminhava extremamente lento até onde elas antes estavam.
- Ou você vai lá agora, ou eu te quebro em dois – ameaçou, vendo-o mandar-lhe ao inferno com a voz mais falha e baixa que a da amiga. Ele andou mais um pouco até respirar fundo e sentar-se na mesa onde ela se apoiava.
- Hei – chamou, a voz saindo mais baixa do que queria. Ela ficou tensa no mesmo segundo, os ombros ficando retos e flexionados. As mãos pararam o carinho na cabeça enquanto escorregavam pelos cabelos sedosos que ele tanto sentira falta. Ela olhou-o, os olhos vermelhos em choro contido, fazendo-o apertar os lábios em repreensão. Ela não devia estar assim por ele! Não, ela não!
- Como foi a viagem? – ele soltou, fazendo-a rir quando bateu em sua própria testa ao ver que merda havia dito. Sorriu ao vê-la rindo baixo. Ah, meu deus, como ele precisava dela!
- Legal. - Ela simplesmente deu de ombros. Os olhos indo até suas mãos juntas em seu colo. Ele levou um dedo ao queixo dela enquanto fazia uma pequena pressão para cima, ela devia olha-lo para ver o quão sério ele falava. Quando os olhos vermelhos dela fuzilaram os seus, ele sorriu.
- Vem aqui – puxou-a e prendeu-a entre suas pernas, enquanto colocava as duas mãos em seu rosto e olhava-a dentro de seus olhos assustados. – Nunca mais fique longe por tanto tempo e nunca mais me deixe ser um idiota e deixar você ir assim. - Ela sorriu, o choro contido sendo libertado aos poucos. Ele enterrou uma mão em seus cabelos enquanto a outra estava firme em sua cintura para que ela não sumisse como em seus sonhos. Ele colou os lábios nos dela, sua língua trilhando todo o lábio inferior dela, enquanto as bocas se abriam ao mesmo tempo e tudo o que eles precisavam sentir de novo voltava.
- Isso é tão frustrante e traumatizante. – falou, os ombros murchando enquanto ela tomava coca-cola e assistia o casal fazendo as pazes. assentiu, roubando a coca-cola da amiga e olhando que a reconciliação dos dois havia inspirado e Harry.
- Eu nunca mais vou arranjar um namorado. Estou com nojo disso. – A amiga falou, colocando a lata vazia em cima da mesa onde estavam sentadas. riu.
- tá vindo ali. – Lii soltou, olhando além da entrada da cantina.
- ONDE? – falou alto demais, levantando a cabeça para vasculhar a cantina. balançou a cabeça negativamente.
- É, realmente... que nojo.
- Se fode. – deu o dedo médio e a outra riu, parando abruptamente quando um par de olhos azuis conhecidos encontraram os seus. sorriu de canto, olhando para muito atrás de que resolvera estacionar a sua frente e desatar a falar. sorriu de volta, sentindo-se desconfortável por estar fazendo isso por trás de , sua amiga, que por acaso estava virando para ver para quem o namorado sorria. acenou para ela, disfarçando rapidamente e voltando a falar com , que a olhava significativamente.
- Hum, sinto que tem algo aqui que eu não sei. – cantarolou, apertando os olhos em um jeito investigativo em direção a amiga.
- Não tem nada, pode parar por aqui, ! – desconversou, dando um gole no refrigerante.
- Arrã, tô acreditando muito , fala logo! – sentou ao lado da de cabelos e puxou seus cabelos de leve. escondeu o rosto entre as mãos e deixou uma brecha para um olho enquanto mordia o lábio inferior antes de suspirar e falar.
- Ele... Ele apareceu na frente da minha casa. No domingo. – apertou os olhos ao ver o queixo de cair. Mas continuou falando. – Eu... abri a porta pra ele. A gente conversou... Ai, sei lá ... Foi tudo tão... – respirou fundo e olhou para a frente, um ponto ao longe na parede. – Foi como sempre era. Foi como tinha que ser.
suspirou, envolvendo a cintura da amiga e dando-lhe um beijo no topo da cabeça dela. Sentiu o jeito como o corpo da amiga estava tenso junto ao seu, as complicações voltando a tomar sua cabeça e deixando-a daquele jeito depressivo de antes. fechou os olhos e apoiou a testa no braço de , as lembranças marejando seus olhos.
observava tudo de longe, os olhos apertados querendo descobrir o que sua menina estava pensando, o que estava falando e o que ele deveria fazer. A sua frente, brigava com ele pela terceira vez no dia pelo incidente do domingo. Na primeira briga, ela havia dito que não falaria com ele até ele se explicar. Não tinha passado nem duas horas até ela lhe ligar toda manhosa, perguntando se ele poderia ir na casa dela.
Ele disse não. E dez minutos depois, ela tocava o interfone da dele. Depois de meia hora dele tentando fazer com que ela entendesse que ele não tava nem ai pra briguinha idiota dela, resolveu deixar que ela falasse. Ele não estava dando a mínima mesmo.
- Tchau – ele disse, quando ela voltou a ladainha de que ele não devia estar na casa da ex, porque isso e porque aquilo.
- ? DOUGIE, volte aqui! – começou a gritar atrás dele e depois mandou-o para um lugar não muito bonito. Ele deu de ombros e continuou andando até as duas garotas abraçadas na mesa do canto. apertou seu braço fazendo a garota olhar para cima e ver o rosto pasmo da amiga olhando se aproximar com as mãos nos bolsos e um sorriso de canto que fazia seu coração se acelerar sempre. Mordeu o lábio em reação ao súbito aumento dos batimentos de seu coração.
- Oi – ele falou de um jeito fofo e se amaldiçoou por querer suspirar. sorriu e cumprimentou com um aceno de cabeça.
- Oi – respondeu, o rosto meio escondido entre os braços da amiga. O silêncio simplesmente se instalou enquanto ele sentava no banco a frente delas. Não demorou dois minutos até os meninos simplesmente surgirem na mesa causando gargalhadas e brincadeiras. Mas eles dois não esboçavam maiores reações que sorrisos, um para o outro.
O sinal bateu antes que terminasse de explicar como quase bateu no muro da sua casa tentando desviar de um carro quando estava aprendendo a dirigir. limpava as lágrimas enquanto tentava voltar a respirar entre as risadas. deu o dedo médio com vontade para os dois.

- Quem tem o que agora? – tentava descobrir seu horário enquanto não a soltava de um abraço de urso.
- História. – levantou a mão enquanto arremessava a latinha no lixo e ela não entrava.
- Também. – avisou, enquanto Harry fazia 3 indicando que ele estava incluído.
- Biologia. também. – avisava enquanto abraçava em um pedido de desculpas, mas ela estava num doce pesado para lado dele.
- Eu tenho Biologia também. – chegou com um sorriso e uma mão cheia de doces.
- Eu acho que sou história, mas vou ter mais certeza se você, amor, me soltar por dois segundos. – pediu com carinho e depois ironizou. riu mas nem frouxou o abraço.
- Você tem dois horários de História hoje e o último é Artes, amor. – Todos olharam para os dois.
- Como...?
- O quê? Eu gravei no primeiro dia que saiu em que sala você estava. Queria saber quando filar. – A cara de safado dele convenceu a todos. E fez todos gargalharem, também.
- Você não presta, Thomas . Vai me tornar uma péssima aluna. – falava no ouvido dele a última parte, dando uma pequena mordida no lóbulo do namorado.
- Eu sempre posso lhe dar uma aula particular quando você precisar, amor – respondeu, depois de controlar os arrepios que sua mordida sempre causava.
- ECA! – gritou, fazendo uma cara de nojo que fez todos rirem. – Perdi toda a inocência que tinha quando pensava em estudar na casa da .
- Ou do . – acompanhou.
- Ou com os dois lá em casa. – completou o ciclo.
- Fodam-se. – ria, dando o dedo médio e dando um selinho em sua garota.
- Caralho, vamos logo, a Sra. Brumont não costuma ser boazinha com quem fila as aulas dela. – chamou, andando de braços dados com .

Continua...

Nota da Autora: Oi galerinha! *-*
Primeiro eu queria fazer algumas observações: first, todo mundo já percebeu que a fanfiction não é separada por capítulos né? Ah, tá, obrigada. haha.
Second, minha primeira fic no FFOBS, tô tão emocionada *-* (cryariver)
Eu tenho umas trezentas fics sem terminar mas tô dando enfoque em quatro. Uma é essa, meu xuxu, que deveria ser uma short mas que me inspirou para mais. A outra é uma Potter, então quem for Team Malfoy me mande beijos via e-mail (é, gosto do bad boy, haha). E a ultima é Twilight, tem umas coisas parecidas com essa, até, mas é mais dramática.
E tem uma outra minha, restrita, em parceria com a Sue* que deve tá entrando. Aviso a vocês assim que isso acontecer! (:
Certo, eu sei que deveria calar meus dedos mas antes vou agradecer aos comentários. Muito obrigada mesmo menines! *-*
Quero dizer que adoooorei o elogio das meninas e que elas me deixaram muito mais confiante de mim mesma. Podem esperar muito mais dessa fiction, amores. Satisfação garantids. (6)
E também mandar um "oi" pras meninas da tag, que me prometeram passar por aqui. (:
Pronto, vou me calar, calma.
Beijonoqueixo :*

*Sue: Autora de Carnaval 1 e 2.

Meus contatos:

twitter: @ThatsLis
tumblr
e-mail




Nota da Beta: Comentem. Não demora, faz a autora feliz e evita possíveis sequestros - só um toque. Qualquer erro encontrado nesta fanfiction é meu. Por favor, me avise por email ou Twitter. Obrigada. Amy Moore xx