História por: Nina B. || Revisão por: Celine (do capítulo 7 em diante)


Prólogo


Muitos dizem que amor só se sente uma vez ao longo da vida ou que, algumas vezes, nunca é sentido. Dizem que é algo especial, que nos melhora e nos fortalece, nos dá um sentido para viver, um sentido para continuar lutando e nunca desistir. O mesmo conceito se aplica às almas gêmeas. Mas para mim, apenas metade desse conceito sobre amor e alma gêmea é correto, pois penso que podemos amar e ter uma ou mais almas gêmeas em vida. Acredito também que podemos ter dezenas de amores e almas gêmeas verdadeiras. A cada amor vivido, acredito que ganhamos mais conhecimento sobre o que é o ser humano em si e que a cada amor recebido de uma verdadeira alma gêmea é um pedaço que faltava dentro de nós. Almas gêmeas encontramos aos montes em nossas vidas, amores, mais ainda. Mas sempre há aquelas que nos marcam, sempre há aquelas que foram e que ainda nos são tudo. E essa é a história de um amor e de duas almas gêmeas.

CAPÍTULO 1



Dougie's POV

- BRASIL! BRASIL! BRASIL! BRASIL! - era só nisso que eu pensava. E só o que eu ouvia também. - BRASIL! BRASIL! BRASIL! Estamos chegando ao BRASIL - Danny cantava, ignorando minha cara de "cala a boca". Como ele podia ser tão irritante, às vezes?
- Danny, eu já percebi que estamos chegando ao Brasil, dude, então... DÁ PRA CALAR ESSA BOCA? - Tom disse num tom de quem não aguentava mais, lendo meus pensamentos. Só Harry estava indiferente. Provavelmente estava pensando na namorada outra vez. Sorte a dele, se quer saber. Mr. Judd garanhão, pensando na namorada... Coisa boa é que podia ser, MUITO BOA!
- E aí, gnomo, já sabe o que vai fazer de bom no Brasil? - Danny chegou pulando em cima de mim com uma bandeira verde, amarela e azul pendurada nas costas.
- Uhmm... O que você quer dizer com isso, dude? - eu realmente não estava entendendo muito bem. O que eu vou fazer? Bem, que eu saiba, vou me apresentar e...
- AAAAH, DOUGIE, QUE ISSO! É O BRASIL CARA! FESTA, PRAIA, BEBIDA, MULHERES! MAS TU VAI ARRANJAR UMA MULHER. DEIXA DE SER TROUXA! - berrou Danny saltando do meu colo e me dando um sorriso de lado. Foi andando até o outro lado do avião, pegou seu iPod e pôs ‘One (Your Name)’ pra tocar no último volume.
Só uma palavra pareceu penetrar do discurso idiota de Danny: MULHERES! Arrumar uma mulher? Digo, uma mulher que futuramente venha ser uma namorada? Danny devia estar louco, só pode! Eu acabei de terminar um namoro de dois anos com a mulher da minha vida e ele acha que eu já devo partir pra outra? “Er, Danny, eu não sou como você..” pensei.
Olhei para os lados, a fim de olhar um pouco para a paisagem lá fora, mas sem antes cruzar o olhar com Tom e Harry, que me fitavam com um olhar de algo como... Pena? “Uhmm, pular do avião sem pára-quedas até que não seria uma má ideia” pensei ao ver o oceano que se estendia por baixo de nós.
- Hey, Dougie - Harry sentou ao meu lado com culpa nos olhos. O que será que ele queria?
Eu odiava quando me olhavam assim, já sabia que coisa boa não era.
- O que foi, dude? - perguntei já me arrependendo na mesma hora. Uma mulher começa a gemer. QUÊ?
- MENSAAAAAAAAAAAAAAAAAGEM! - Danny sai correndo para pegar seu iPhone, que na pressa, acaba jogando do outro lado do avião. - OH, FDP! - Na tentativa de se esquivar de Harry e de mim, Danny tropeçou e caiu sentado no colo de Tom - Oi, amor, vim te ver! - disse, com uma sobrancelha levantada a lá Harry Judd e com um sorriso sedutor nos lábios.
- Sai daqui, Danny! – Danny caia sentado no chão, depois de Tom empurrá-lo por ameaçar lhe dar uns beijinhos.
- Er... Danny? Você não tinha uma mensagem, não? - sorri, vendo o rosto de Danny se espantar e ir correndo em busca de seu celular.
- Uhmm, é da Geórgia... Melhor eu ir pro banheiro. - Danny sorriu e foi correndo pelo avião derrubando tudo que via pela frente.
Começamos a rir, mas Harry voltou sua atenção pra mim. Continuou a me encarar com aquele olhar que dizia muitas coisas, mas que eu não queria escutar, não queria...
- Dougie, o Danny está certo, você TEM que achar alguém! - O que? ATÉ VOCÊ MEU TIGRÃO? VOCÊ? - É dude, eu to falando sério. E além do mais, você já disse que estava procurando uma namorada brasileira. As garotas devem estar prontas pra pular em cima de ti, garanhão! - Harry olhou pra mim e me deu um sorriso mordaz como se soubesse o que estava falando. “Até que a idéia do pára-quedas não seria tão péssima assim...” pensei.
Mas as coisas não são assim tão fáceis. Aliás, as coisas só viraram mais fáceis para Harry Judd depois que ele virou o novo macho da Magazine Attitude. Quem é que pode saber mais que ele em relação a mulheres? Bem, qualquer um, quem sabe? E além de tudo, ele pode ter qualquer garota aos seus pés, sorte a minha dele estar namorando.
- Uhhmm, eu e minha boca grande - olhei pro teto pensando no que seria de mim. Eu não estou pronto pra um novo relacionamento, não mesmo. Meu namoro com Frankie havia acabado havia o que? 2 semanas? 1 mês? ... Espera, isso não foi há 3 meses? Será que faz tudo isso? Será que já se passou tanto tempo assim?
- A gente te ajuda a achar uma garota supimpa pra você, dude - Tom deu um sorriso, me apoiando.
- SUPIMPA? QUEM FALA SUPIMPA HOJE EM DIA? - Danny começou a gargalhar da cara de Tom, e o baque surdo se fez ouvir quando ele caiu da cadeira. “Mas tinha que ser o Danny mesmo” pensei, com um sorriso na cara. Era típico de Daniel Jones fazer uma coisa dessas... Harry e Tom estavam rindo da cara de Danny que continuava a rir da cara de Tom. Era disso que eu realmente precisava: amigos. Da felicidade dos meus AMIGOS e não de uma namorada para me fazer feliz. Pelo menos não agora.

- SENHORES PASSAGEIROS, APERTEM SEUS CINTOS PARA O POUSO. PRÓXIMA PARADA, RIO DE JANEIRO – anunciou a aeromoça. Ui, é agora ou nunca.

Mal abriram a porta do avião e já estavam berrando nossos nomes e algumas coisas estranhas numa língua mais estranha ainda.
- Como são rápidas essas brasileiras, hein? Dougie vai achar uma bem rapidinho, desse jeito - Danny saiu na frente de todo mundo, acenando e mandando beijo pra quem quisesse ver, ou tentar agarrá-lo, se desse. Tom saiu em seguida, mostrando sua monocova para todas as presentes e fazendo algumas garotas delirarem com gritinhos histéricos.
- Vamos Dougster? - Harry me chamou, ainda com aquele olhar de piedade na cara. Eu já disse o quanto eu odeio aquele tipo de olhar? Harry saiu na frente e os berros aumentaram - consideravelmente.
Provavelmente, seu ego deve ter subido um bocado, mas quem se importa agora? Enquanto eu pegava minha mala com meus pertences, comecei a ouvir vários tipos de... Posso chamar isso de pedidos? Coisas estranhas como “DOUGIE, ME ESCOLHE!” ou “DOUGIE, NAMORA COMIGO!” ou até um “DOUGIE, EU SOU UMA ALIEN!”... Bem, coisas desse tipo.
Saí do avião com o sol ofuscando meus olhos claros. O que eu estava pensando? É claro que no Brasil deveria estar com sol e um calor horrível, não estamos mais em Londres e seus trezentos milhões de quilos de neve, Dougie, dãããr. Um coro de umas 200 meninas chamavam meu nome. Dei um sorriso meio amarelo e acenei. Seria um longo dia.

's POV


"DOUGIE, CASA COMIGO!” ou “DOUGIE, ME ESCOLHE!” ou até mesmo “DOUGIE, EU SOU UMA ALIEN!”.
Ah, por favor, né? Vocês são um bando de retardadas, isso sim!", fiquei pensando em quanto passava pela horda de garotas que se jogava em cima das grades para ver o novo solteiro do McFLY. "Ai, ai, Dougster, se você soubesse o que te espera aqui nesse país... UM BANDO DE FÃS MANIACAS!”, continuei pensando, no auge da minha irritação.
Não me entenda mal, eu gosto do McFLY. Não, isso sai como se fosse pouco. Eu AMO o McFLY, eles são a minha banda favorita, mas eu não tenho muito saco pra esse negócio de fama, fãs e paparazzis. Aliás, eu ODEIO isso. Mas eu os amo, então, não há muito que eu pudesse fazer para tirar esse peso deles.
Quando o avião pousou, a gritaria já tinha começado. E valha-me deus, que coisa insuportável. Todas as garotas se jogando uma por cima das outras pra poderem ver a sombra dos guys, enquanto eu tive de me espremer para conseguir chegar até o portão de embarque onde (só os autorizados, OI) podem passar. Os garotos iriam aparecer a qualquer instante. Há poucos dias, eu recebi uma carta dizendo que eu auxiliaria os garotos até o hotel, do hotel para o show e essas coisas assim. Quase cai dura quando a ficha caiu. E aqui estou eu, YAY.
O primeiro a aparecer foi o Danny Jones, só podia. Ele acenava e sorria para todas e fazia-as darem gritos histéricos toda vez que lhe mandava um ou outro beijinho com as mãos. Não vou negar que Jones seja um pedaço de mau caminho, mas eu sei bem como me aguentar (ou será que não? – pensei, imitando o Cosmo em um dos episódios mais fodásticos de Padrinhos Mágicos). Logo em seguida apareceu Tom, acenando e fazendo questão de mostrar aquela monocova linda que carregava junto de seu corpo malhado. "Uhhmm, acho que vou por o dedo na mon... PARA, , VOCÊ TEM QUE TRABALHAR!", continuei esperando os outros dois que faltavam. Harry aparece arrancando suspiros e gritos desesperados de fãs que queriam vê-lo mais nu do que puderam ver na Attitude. "Bando de taradas, é isso que somos... Não, elas são." sorri ao pensar isso. Os braços de Harry estavam muito maiores do que eu pensava e, dudes, que delicia. "Será que serei expulsa se eu atacar ele? Err... Definitivamente sim!" eu esperei, enquanto pensava coisas nada éticas para se fazer com o Mr. Tigrão ali. "Cadê o Dougie?" Na hora que tive esse pensamento, um coro de “DOUGIE, EU TE AMO!” começava. E enfim, ele apareceu. Com um olhar meio vago e triste, um sorriso amarelo no rosto e com suas bagagens nas costas. Não parecia ser aquele mesmo Dougie de alguns meses atrás, que se divertia, falava besteira em frente das câmeras e que era a criança do grupo. Depois de Danny, ok?
Dougie desceu as escadas do avião e foi ao encontro do resto da banda que o esperava para poder passar. Mostrei meu crachá para o segurança que me permitiu a entrada na área reservada, deixando indignadas dezenas de outras garotas que foram barradas logo atrás de mim. Corri ao encontro dos guys.
- Oi, prazer. Sou e irei auxiliar vocês enquanto estão no Rio de Janeiro. - falei em um inglês tranquilo e formal. Talvez formal até demais.
- Prazer ! - Tom me cumprimentou dando-me um beijo na bochecha. "MONOCOVA, ESTOU PERTO DA MONOCOVA!" era a única coisa que consegui pensar naquela cena, suspira.
Escutei risadas e vi os garotos me olhando com cara de bobos. Provavelmente, eu é que devia estar com cara de boba depois do ataque surpresa do Fletcher em mim. Balancei um pouco a cabeça, parecendo um cachorro confuso, para sair do transe.
- Err, queiram me acompanhar, por favor.
Os guiei pelo aeroporto até o carro que lhes era destinado e levei-os para o hotel. Danny não parava de mexer no seu iPhone, e de instantes em instantes, soltava o toquinho de uma mulher gemendo. Na primeira vez, levei um susto tão grande que bati a cabeça no teto, fazendo todos rirem de mim. Apenas Dougie não riu, absorto em seus pensamentos. "Eu queria poder te ajudar, Doug. Eu bem que queria ter o poder de te tirar esse sofrimento." Como se tivesse lido o meu pensamente, Dougie me encarou profundamente. Fiquei vermelha quando percebi que o estava encarando, e desviei o olhar.
- Dougie is my heero, Dougie is my heeeeeero. LA LA LA LA, LA LA LA LA... - Danny cantarolava tentando achar alguma reação do amigo. E pela primeira vez no dia, vi o verdadeiro sorriso de Dougie. Era quente, calmo e sincero. Esse era o Dougie que eu conheci e pelo qual eu era louca. Sorri junto, e ele sorriu ao me ver. Fiquei vermelha... Preciso dizer que foi DE NOVO?!
- Dougie, não faz assim com a , não dude! Não vê que ela está mais vermelha do que antes? - Harry disse, olhando de Dougie para mim. Não sei porquê, mas senti uma mensagem subliminar vinda de Harry.
- Desculpa, , e não liga pro Harry. Agora que você é nossa guia, ele vai te atormentar até a gente voltar. E isso NÃO É legal! - Tom olhou para Harry, censurando-o.
- Ah, Tom, não estraga o clima entre os dois.
Clima? QUE CLIMA? Olhei pra Harry com um cara de interrogação e Dougie o olhou com uma cara de interrogação MAIOR ainda, se era possível.
- Que clima, senhor Judd? - Dougie olhou para Harry, semicerrando seus olhos como quem suspeitasse de algo. Harry deu um sorriso estilo Colgate e balançou os ombros, encostando-se no banco do carro e pondo seus fones de ouvido no último volume.
O que Harry disse no carro ficou flutuando pela minha cabeça pelo resto do dia. O que ele quis dizer com aquilo? Apesar da dúvida, não tive muito tempo para pensar. Mantiveram-me ocupada o dia inteiro e aquilo estava começando a me deixar louca, mas valia à pena. Passar dois dias inteiros com os guys. Não acredito na minha sorte ainda.

Chegou a noite do show.
Era uma corrida eterna para deixar tudo preparado para a apresentação. Os garotos estavam no camarim se preparando. Acredita que até maquiagem eles passam? Como se precisassem, há há, maldita ironia. Harry continuava a me olhar com uma cara estranha, como se estivesse aprontando algo, enquanto estava sentado recebendo pinceladas de pó na cara.
- Falta o batonzinho, Harry! - gritei pra ele na porta, fazendo todos rirem e quase me fazendo levar um tênis na perna - Quanto amor, hein? - Comecei a rir, saindo do caminho. Danny e Tom pararam de rir e começaram a atacar as comidas que eu trouxe há pouco. Quem via a cena confundia os dois com dois tigres esfomeados... Não, leões esfomeados. Só o Harry é tigrão ali no meio. Eles comiam e riam com a boca cheia, era nojento, mas bem... Eram eles. Até quando eles peidam, achamos bonitinho. E eu estava feliz por participar da vida deles também, rindo da cara deles.
Olhei pro lado e vi Dougie deitado no sofá, olhando para o teto com um fone de ouvido. Eu podia escutar a musica daqui, era "A Day Late", do Anberlin. Ele estava tão distraído que se assustou quando eu toquei seu braço. Ele me olhou e eu sorri.
- Está na hora de levantar desse sofá Dougie. Se eu fosse você iria comer alguma coisa antes que seus amiguinhos ali devorem a sua parte junto - apontei para trás e ele sorriu.
- É, eles seriam capazes disso! - O que? Dougie falou comigo? OLHA, estamos progredindo. Eu continuei com o sorriso na cara e puxei-o do sofá, levando-o até a mesa das comidas. Ele foi de bom grado, mas quando estava chegando na mesa, pulou em cima de Danny e roubou o croissant que ele tinha na mão.
- HEY, ISSO É MEU! - reclamou Danny, vendo Dougie por tudo na boca.
- Aoul be, ea... – Dougie reclamou.
- MAS O QUÊ?
- Digo, falou bem... ERA! – ele terminou de engolir o croissant e foi para mesa tomar seu Red Bull.
- Você é nojento, Dougster - berrou Tom, indo pular em cima dele. Olha ali, o sujo falando do mal lavado. INCRÍVEL. Eu continuei fitando-os, não acreditando no que via. Será Dougie um daqueles casos estranhos de bipolaridade? Uma hora ele estava deitado olhando para o teto e na outra pulando em cima dos amigos e roubando comida... Como um macaquinho. “Como é que pode?” fiquei parada por um tempo encarando os garotos se abobando. Harry passou por trás de mim me dando um pedala.
- Uhm, bom trabalho! - Ele me olhou de cima em baixo e deu uma piscadela.
Bom trabalho NO QUÊ? Olhei pra ele, que continuou com seu sorriso misterioso no rosto. Fiz uma cara de quem não entendia nada e fui procurar alguma coisa pra fazer, mas Harry fez questão de me chamar em alto e bom som.
- Hey, , vamos nos reunir essa noite no quarto do Danny pra dar uma festinha particular. Já que você é a nossa guia... Aparece por lá! AAAH, e leva uma amiga!
E foi nesse momento que eu gelei, é.

O show foi fantástico. Todo mundo estava histérico. Pulavam, berravam, cantavam juntos todas as músicas. Milhares de lágrimas escorreram quando Danny e Tom começaram os acordes de Too Close For Comfort, numa versão acústica, especialmente para nós. Nunca vi um show tão maravilhoso, tão animado, tão... Especial! Dougie havia virado outra pessoa, mais alegre e confiante. Sorri com esse pensamento. Mas havia algo que ainda estava me incomodando e que me deixou um pouco mais ansiosa que o próprio show. Eu iria a uma festinha no quarto dos garotos mais tarde.

CAPÍTULO 2



's POV

estava começando a me dar nos nervos. Ela estava achando que só ela estava ansiosa pra ir na “festinha particular no quarto do Danny” essa noite? Ia ser uma forma de conhecermos os guys melhor, entendem? SEM SEGUNDAS INTENÇÕES, OK? Mentira, com muitas intenções.
- Que horas é a festinha, mesmo? - me perguntou sorrindo.
Ela estava em um vestido preto, com um cinto coral logo acima da cintura, estava linda. Estava terminando de passar a chapinha no cabelo, enquanto eu ainda me encontrava deitada na cama enrolada na toalha pensando na vida.
- Hã? - olhei para ela, meio perdida. - O que você falou, mesmo? - me olhou, censurando-me.
- Eu pedi que horas que começa a festinha.
Eles não haviam me dito uma hora exata, então, chutei uma hora qualquer. Quem realmente se importa?
- Uhm, lá pelas dez horas - respondi, só temendo o momento em que ela descobrisse que eu não sabia.
Continuei deitada com o cabelo molhado em cima da cama por mais um tempo. Eu estava longe. Fiquei admirando os enfeites do lustre no teto, as cortinas logo do meu lado. Fiquei pensando no quanto a vida é bela, no quanto eu me dou bem com as coisas e no quanto eu minto em relação a isso. Só percebi que horas eram quando jogou um chinelo em mim.
- ANDA, , VOCÊ NEM COMEÇOU A SE ARRUMAR AINDA! - Ok, ok, estava mesmo na hora de começar a me mexer.
Expulsei-a do meu banheiro, e comecei a me arrumar. Se eu dissesse que não estava nervosa para ir a essa festinha, não seria inteiramente verdade. Eu estava um pouco nervosa, mais por causa do que Harry insinuou do que por estar perto deles mesmo, pois eu já tinha passado o dia inteiro com eles. Mas não foi só o comentário de Harry que deixou essa parcela de nervosismo em mim: toda vez que eu olhava para Dougie, meu coração dava aquele salto e borboletinhas começavam a aparecer no meu estômago, mas isso ainda era o de menos. Eu podia controlar o que sentia, e era isso o que eu iria fazer hoje: CONTROLAR MEUS SENTIMENTOS. “Espero que não tenha caipirinha” pensei. Tenho um fraco por qualquer coisa que contenha limão, então, caipirinha era um fraco... E dos grandes.
Meia hora depois, estava pronta. Apesar das batidas insistentes de na porta, continuei trancada no banheiro, me olhando no espelho. Estava praticamente hipnotizada, imaginando cenas minhas com o Dougie no quarto de Danny, nós dois conversando, nós dois rindo, nós dois bebendo, nós dois nos beijando... As batidas continuaram, até que abri a porta para uma completamente irada do lado de fora.
- , JÁ SÃO DEZ HORAS PASSADAS, ACELERA! - berrou, e foi para a outra parte do quarto. Dei um sorriso de lado e fui correndo ao seu encontro, pulando em suas costas e derrubando-a na cama, onde comecei a fazer coceguinhas. - PAAAAAAARAA! - ela berrava enquanto eu continuava. Quando percebi que ela já estava começando a fica com um tom meio roxo, eu parei. Ela continuou deitada, rindo por um tempo.
- Bem, agora você vai ter que arrumar seu cabelo de novo... AI-QUE-SA-CO! - sorri. jogou uma almofada em mim, que eu desviei com facilidade enquanto voltava para o banheiro para dar os últimos retoques.
- , você vai assim, mesmo? - ela me olhava de cima a baixo, com um olhar de estranheza na cara. Estranheza? Essa palavra existe? Possivelmente não exista, mas ok.
- Sim, vou assim mesmo - respondi. O que havia de errado na minha roupa? Shorts jeans escuros, com uma regata bege com listras finas de azul marinho com um monte de estrelas por ela inteira e meu all star azul marinho estilizado. Me olhei de cima a baixo como se tivesse algo errado e me conferi no espelho, e não, estava tudo certo.
- O que há de errado, ? - levantei uma sobrancelha, sem entender.
- Ah, nada não. Só está normalzinha demais - ela balançou os ombros, indo em direção da cama a procura de sua escova.
- Ah, tanto faz - respondi.
Quando terminamos de nos arrumar, fomos à procura do quarto dos garotos. Aliás, eu estava hospedada no mesmo hotel que eles, para ajudá-los com qualquer coisa caso precisassem.
Achar o quarto de Danny não foi TÃO difícil como eu achava, eu sabia o andar, mas pensei que teria que bater de porta em porta até achar o quarto certo, mas a música alta ajudou já ajudou.
- AAAAAAAE , DEMOROU HEIN? PENSEI QUE NÃO VINHA MAIS! - Harry berrou, indo me abraçar como se eu já fosse super íntima dele. Melhor pra mim, não? - Uhhm, quem é você gracinha? - ele olhou para , lançando seu poder de sedução em cima dela, que não conseguiu formar nenhuma palavra coerente para responder.
- Hã... Ahn... Erm... Eu sou ! - ela conseguiu dizer depois de uns 10 segundos parada pensando, arrancando um sorriso lindo de Harry. “Cafajeste” pensei, “você tem namorada!”.
Entramos no quarto e ficamos meio que... chocadas. O quarto era enorme, tinha uma TV gigante em frente da cama, visão privilegiada da praia e para a minha perdição, um frigobar repleto de cervejas, tequilas, vodkas e outros tipos de bebida. Danny, obviamente, já estava com sua latinha de cerveja na mão, pulando em cima da cama igual a uma criança antes de os pais obrigarem a ir dormir. Tom, não sei como, continuava a comer. Da última vez que o tinha visto, ele estava atacando uns muffins que eu havia comprado. Comprei 10, ele comeu uns 6 ou 7.
Tom me deu um sorriso, largando sei-lá-o-que que era aquilo que ele devorava e veio me dar um beijo e um abraço.
- , oi! Você lembra de mim? - disse na maior casualidade, meio bêbado.
- Não, Tom, eu não passei o dia inteiro contigo, então, não, não me lembro de ti - sorri para ele. - Ah, essa é a minha amiga, ! - ela sorriu para Tom, que sorriu de volta, nos fazendo uma quase reverência e nos dando passagem para ir falar com o resto dos garotos.
- UHUUUUUUUUL, FESTA! - Danny continuava adoidado pulando em cima da cama. Qual era o problema dele? Berrava, cantava junto com a musica. Tentou até dar uma pirueta, mas foi tão fail que quase caiu de cima da cama, arrancando risadas de todos que assistiam. "Aai, doeu" ele fez biquinho, arrancando um suspiro muito audível de , que estava ao meu lado.
- Se segura aí, - sorri e dei uma piscada pra ela. Ela sorriu de volta.
- Ele é melhor ao vivo, como isso pode ser possível? - disse, admirando o abdômen de Danny que aparecia toda vez que pulava da cama.
- HEY, ! - Olha, gente, ele me notou!
- Oi, Danny - ele saltou correndo da cama e pulou em cima de mim. Ok, o que era isso? Eles queriam tentar me matar do coração? Porque se era isso, estavam conseguindo! Preferi não falar nada sobre isso. Era divertido, não queria que acabasse.
- E aí, Danny, já tomou quantas antes de começar a pular na cama? - olhei pra ele, mas ele não me respondeu. Esperei um pouco mais. E nada. - Danny? - olhei para onde ele olhava e vi quem ele havia reparado.
- Oi, eu sou Danny, Danny Jones! - disse, caminhando para perto de , que prendeu a respiração por tanto tempo que estava começando a ficar roxa.
- O... Oi, sou a... - ficou vermelha ao ver que Danny não tirava os olhos dela.
- É um bonito nome – disse, ficando vermelho também.
Pasmei muito com a cena. Danny Jones estava dando em cima da MINHA amiga, sendo que ele tinha namorada? Muito errado! Fiquei olhando com cara de bunda para os dois que não paravam de se encarar e trocar sorrisos envergonhados.
- Não pense muito mal do Danny. Ele e a namorada brigaram e terminaram logo depois do show. E, bem, ele é Danny Jones, não consegue resistir - disse Tom, chegando ao meu lado e me dando um olhar explicativo.
- Bem, pelo menos ele não está traindo ninguém! - dei uma torcida de boca e olhei para Tom. - E então, o que temos para fazer nessa festa? - mudei de assunto. Não queria continuar com o clima estranho que tinha surgido. sabia se cuidar sozinha. Bem, não sei se ela sabe se cuidar o suficiente com Danny do lado, mas isso não era de grande importância agora.
- Uhhm, cadê Dougie? - olhei ao redor, e não o vi. Não gostei disso. Ele era a atração principal da festa.
- Ah, ele sumiu. Disse que ia dar uma volta ou coisa parecida - Tom deu de ombros, como se isso não fosse grande coisa.
Ele foi andando pelo quarto. Digo, andando não, dançando igual a um robô até o frigobar e resolvi segui-lo. A noite ia precisar de uns drinques. Comecei com uma cuba libre, duas, três, quatro. E nada daquele ser nanico aparecer. Desisti das cubas, vendo que não estavam fazendo efeito. Sentei na cadeira e comecei a rir vendo Tom e Harry descerem até o chão, rebolando juntos.
- UUUUH, SEXY! - berrei, e eles riram, continuando com a dança e encaixando um no outro.
Olhei pro lado, vendo o quarto mais vazio que o normal. Danny e haviam saído há algum tempo. Sorri só de pensar o que ELA faria com ele. Se conheço bem a figura, ela vai deixar ele louquinho e vai fazê-lo arrastá-la pra Londres com ele. A hipótese me agradava, eu iria com ela de lambuja. Lambuja? Eita, palavra estranha.
- Então, vai ficar aí, sentada, ou vai vir aqui com a gente? O Dougie não está aqui agora e a gente promete que não conta nadinha pra ele - Harry deu uma piscadinha pra mim e foi buscar alguma coisa dentro de uma sacola do outro lado do quarto.
Quando Harry voltou, vi o que ele carregava: limões.
- LIMÕES! O QUE VOCÊ VAI FAZER COM ESSES LIMÕES? - fui correndo e berrando em direção a Harry que me olhava de forma engraçada.
- Ahm, vou cortar uns para a tequila, acho... E vou fazer umas caipirinhas, também! - Meus olhos se iluminaram. Caipirinha? Tequila? Não, ele estava de brincadeira comigo, só podia.
- Harry, eu te amo, dude! - pulei em cima dele que começou a rir da minha cara. Quando percebi o que tinha feito, larguei-o e comecei a ajudá-lo a preparar os drinques.
- O primeiro copo é meu - roubei-o da mão de Tom e comecei a beber, enquanto ele caia na cama de tanto rir.
- Primeiro você ataca o Harry, depois me ataca, quem mais falta? - ele falava ainda deitado na cama. Levantei meu copo junto ao dos dois e fizemos um brinde.
- À insanidade da - brindou Tom.
- Aos ataques da - brindou Harry.
Na minha vez, a porta se abriu, mostrando um Dougie risonho. Ele parou na soleira da porta e olhou para nós, que nos olhamos e brindamos.
- AO DOUGIE!
Pus meu copo no móvel e comecei a rir da cena e fui correndo em direção de Dougie para fazer sei-lá-o-que que eu estava pensando. Atacar ele? Possível, já que eu já havia agarrado Harry e roubado o copo de Tom. Beijá-lo? Possível também, considerando meu estado. Corri em sua direção e tropecei. Tropecei e caí em cima Dougie. Caí em cima de Dougie e derrubei-o no chão.
FIM.

Dougie's POV

“Nunca lhe dão um desejo sem também lhe dar o poder de realizá-lo.”
(Richard Bach)

O dia estava muito quente para ficar trancado em um quarto.
- Hey, dudes, vou dar uma volta ou sei lá - Tom acenou com a cabeça. Abri a porta e saí pelo corredor. Danny estava tentando se recuperar do fora que havia levado enchendo a cara de cerveja e ia conseguir, do jeito que eu bem o conhecia. Comecei a andar até que encontrei uma escada que levava ao terraço. “Por que não?”, pensei. Subi, e por lá fiquei por um tempo.
O céu estava salpicado de estrelas, coisa não muito normal de se ver quando se está em Londres, mas o Rio era outra coisa. Fiquei por ali, vendo o céu, procurando alguma explicação dentro de mim para tentar entender o que eu havia feito de errado com o meu namoro. “Poxa, eu sou tão mau namorado assim?” pensei comigo mesmo e deitei no chão. Provavelmente, devo ter cochilado por alguns minutos.
Abri meus olhos e vi uma estrela candente. "Faça um pedido, Dougie, quem sabe ele se realize". Continuei olhando para o céu e desejei "Quero ser feliz de novo!". Respirei fundo e continuei parado por alguns minutos, até que uma dorzinha nas costas começou a incomodar, fazendo-me decidir voltar para o quarto.
Enquanto descia as escadas, escutei uns barulhos um tanto conhecidos. "Tem gente se pegando, aqui?", desci as escadas pé ante pé, mais silenciosamente que pude e me deparei com Danny e uma garota morena em um vestido preto curto se agarrando encostados na parede de uma forma nada discreta. Danny Jones nunca foi de ficar esperando seu coração melhorar, ele partia logo pra outra. E essa outra era uma garota realmente MUITO bonita, bonita demais pra Danny, aliás.
Eles se beijavam tão intensamente que tive vontade de agarrar a primeira que aparecesse na minha frente só para entrar no clima. Sua mão passava de seus cabelos a sua bunda. E o que me deixou mais de cara: ela fazia a mesma coisa! Danny abriu os olhos por um momento e me viu ali parado observando a cena com cara de babaca. Deu-me uma piscada e voltou sua atenção para a garota. Andei devagar para não atrapalhar o casal. Chegando perto da descida da escada, não resisti à tentação.
- Vai arrumar um quarto, Danny! - falei alto e sai dali rapidinho, antes que eles conseguissem romper aquele beijo. Escutei algumas risadas e uma rápida troca de palavras logo acima e um silêncio seguido de mais barulhinhos românticos e molhados. "É, acho que o meu desejo foi para o Danny...". Continuei caminhando vagarosamente pelo corredor com ainda um sorriso bobo estampado na cara. Cheguei na porta do quarto e a abri.
Harry, Tom e estavam brindando com copos de caipirinha na mão. Eles me olharam e em seguida se olharam.
- AO DOUGIE! - levantaram seus copos em minha direção.
me olhou e abriu um sorriso, pôs seu copo na mesa e veio correndo na minha direção. Harry deu um sorriso gigante enquanto ela vinha ao meu encontro. Antes que ela conseguisse me alcançar, ela tropeçou no tênis de Tom e, literalmente, voou em cima de mim.
Caímos no chão juntos, perto da porta. A queda a teria machucado se eu não amortecesse, mas nada impediu de meu bumbum ficar dolorido. Ela ficou toda vermelha, provavelmente estava meio bêbada. Harry se jogou na cama enquanto Tom caia no chão rindo muito da nossa cara.
- Oi, - sorri, e ela deu um sorriso envergonhado. Ela estava literalmente em cima de mim. Seu rosto estava a centímetros do meu e eu podia sentir o calor fluindo nele. Controlei-me para não fazer nada estúpido, lembrando da cena de Danny com a garota na escada. Rolei de lado com ela indo parar em cima dela, que levou um susto gigante com a mudança de posição.
- Se assustou, é? - disse tirando uma mecha de cabelo da frente de seus olhos. Ela era muito linda. Fiquei por uns bons 15 segundos olhando pra ela, enquanto sua respiração começava a ficar descompassada. Olhei para trás e vi Harry mordendo o lábio com uma cara óbvia de ‘eu sabia desde o princípio’. Dei uma balançada na cabeça para desanuviar os pensamentos pouco, bem, pervertidos que começaram a surgir na minha cabeça.
Levantei e dei a mão para ela levantar. Ela me olhou com uma incerteza no olhar e segurou minha mão; eu a puxei para cima.
- Desculpa, Dougie... Não era pra... Pra isso acontecido isso ter... Ahm... Não era pra ter acontecer isso! - ela se confundiu e olhou pra baixo, mais envergonhada do que antes, com os dois rindo as nossas costas.
- Relaxa, , isso acontece.
- Você sabia que meu apelido É ? – ela disse sorrindo. Balancei a cabeça negando, vendo o vermelho de suas bochechas irem sumindo. Ela olhou para o lado e foi correndo em direção da cama onde Harry ainda estava rindo. Pulou em cima dele e começou a fazer cócegas, deixando quase roxo.
- Vai parar de rir? Vai parar? - dizia ela, provocando-o mais e mais, até que ele concordou.
- EU PROMETO QUE EU PARO DE RIR... PARA... POR FAVOR! - e continuou a rir enquanto ela fazia mais um pouco de cócegas. Eu ria junto com eles, enquanto Tom veio me trazer um copo de caipirinha que eles tinham acabado de preparar. levantou deixando Harry quase desmaiado na cama.
- Essa garota é um perigo! - ele dizia sem fôlego, tentando se levantando para ir buscar seu copo. Ela seguiu pelo quarto até o sofá onde estava antes de ter me atacado.
- Cadê o meu copo?- semicerrou os olhos pro móvel onde ele deveria estar antes. Olhei para meu próprio copo e vi uma marca de gloss na borda. Olhei para Tom que me mostrava aquela covinha com cara de espertinho.
Ela olhou para Harry que mostrou as mãos livres, o copo de Tom estava ali no chão onde ele havia posto enquanto ria de nós dois. Por fim, ela olhou para mim.
- AHÁ, ACHEI! - ela veio até mim, parou na minha frente. Encostando o dedo em meu peito, chegou perto de meu ouvido e sussurrou “Você tá me devendo uma caipirinha, Dougster.” Ela me olhou com cara de quem ia aprontar.
- Mas enquanto isso... - ela caminhou para o lado de Tom - ... A do Tom serve. Roubou o copo de sua mão e saiu correndo para o outro lado do quarto.
- DE NOVO? - Tom ficou olhando com uma cara de cão chupando manga, enquanto ela virava toda a caipirinha de uma vez. Fiquei admirando-a por um tempinho.
- Não consegue mais tirar os olhos dela, não é? - Harry sentou ao meu lado, olhando ir em direção ao som e pondo ‘Only Girl’ da Rihanna para tocar no máximo.
- Da ra da da ra, da ra da da Ra - ela ia cantando e dançando com as mãos para o alto como se mais ninguém estivesse vendo. Nem parecia a mesma garota envergonhada que tinha caído em cima de mim alguns minutos atrás. Ela cantava alto, afinada e como se fosse a música mostrasse seus sentimentos.
- WANT YOU TO MAKE ME FEEL LIKE I'M THE ONLY GIRL IN THE WORLD, LIKE I AM THE ONLY ONE THAT YOU EVER LOVE, LIKE I AM THE ONLY ONE WHO KNOWS YOU HEART... ONLY GIRL IN THE WORLD - e olhou para mim, rapidamente, como se quisesse saber se eu estava olhando para ela. E eu estava.
- Dougie? - Tom chegou perto e se encostou à parede.
- Fala, dude - olhei para cima. Ele olhou para dançando por um tempo e se virou para mim em seguida.
- Não deixe essa garota escapar!

CAPÍTULO 3


's POV


- Bom dia, !
Acordei com uma bandeja de café da manhã logo ao meu lado na cama. Eu não teria estranhado se fizesse isso sempre. Mas bem, ela nunca fez. A cortina estava entreaberta deixando a luz do sol passar, me ofuscando a visão. Sol na cara logo de manhã? Espreguicei-me na cama e estranhei seu tamanho king size. Para mim, eu tinha pegado um quarto com duas camas de casal. Estranho, muito estranho. Foquei meus olhos na pessoa que estava a minha frente já quase desejando um bom dia. Meus olhos se ajustaram a claridade, focando a pessoa na minha frente. Berrei alto, quase pulei de cima da cama quando vi que era Dougie e não logo na minha frente. Agarrei-me ao lençol, puxando-o para cima com toda a minha força. Acabei por derrubar um lindo e fofo Dougie, antes sentado na beirada do colchão, no chão.
- E o Dougie vai para o chão… DE NOVO! - ele disse, olhando para a cima e começando a rir. As mini ruguinhas de expressão em seus olhos deixavam ele com uma cara de… Homem. Não que ele não fosse antes, mas ele era tão criancinha e agora virou esse homão. Ai, Doug, vem cá.
- Dougie... O que aconteceu ontem à noite? - olhei para ele, esperando uma resposta que talvez não me agradasse muito. Eu não me lembrava de muita coisa que havia acontecido ontem. Minha cabeça latejava um pouco e minha boca estava seca. Isso só podia significar uma coisa: RESSACA. Eu estava começando a ficar perita nesse assunto. Nada bom, nada, nada bom, mesmo. Enquanto eu tentava me arrumar na cama, ele me trouxe um copo com um de água de coco para me salvar. Peguei o copo, bebericando um pouco da água. Tentei lembrar o que eu havia feito na noite passada. Comecei listando: primeiro eu bebi, depois dancei, fiz cócegas no Harry e roubei alguns copos de caipirinha do Tom... Derrubei o Dougie no chão e... DERRUBEI O DOUGIE NO CHÃO?
- AI, MEU DEUS! DOUGIE, O QUE ACONTECEU ONTEM? - perguntei mais uma vez a ele. Vi que ele me olhava com cara de interrogação, voltando a sentar no chão.
Ele levantou e chegou perto de mim. Seus olhos estavam mais brilhantes que o normal. Por dentro, eu estava mais derretida que sorvete fora da geladeira no verão do RJ, mas por fora fique firme e parada, sem fazer nenhuma besteira. Se é que eu já não tinha feito, ontem.
- , fica calma! Você estava dançando na festa depois de um tempo e ficou meio bêbada demais. Me pediram pra deixar você dormindo aqui e não vi nenhum problema. Quero dizer, o Danny me pediu pra deixar você dormir aqui, entende? É que o Danny estava com uma garota ontem, e... É O DANNY! - Ele falou rápido demais, me olhando com cara de quem pedia desculpas por toda aquela confusão. Eu achei fofo, toda essa preocupação em me contar o que havia acontecido.
Tudo bem, eu sabia como Danny Jones era em relação à garotas e sabia também que ele não ia deixar nenhuma escapar se ele tivesse chances de ficar com ela. Saber demais sobre o McFLY dá nisso: nos faz conhecer até o pior deles... E se esse for o pior, quero ser uma dessas garotas. Ou não.
Fiquei por alguns momentos raciocinando o que Dougie havia dito. Sabe, sobre a tal garota de Danny. Eu não estava conseguindo entender o porque de, em vez de Danny expulsar eu e Dougie daqui, ele nos deixar ficar e sumir com a garota. Para onde é que aquele maluco iria?
- Mas Dougie, se esse aqui era o quarto do Danny, para onde ele foi? - Dizem que não é bom ser curiosa demais. Nunca prestei atenção nessa besteira.
- Ele disse que a garota tem um quarto aqui no hotel e foi para lá com ela. - ele me respondeu, balançando os ombros. Levantou-se da cama e seguiu para a sacada, abrindo mais as cortinas bem na minha cara. Levantei também, percebendo a falta de algo em meu corpo. Olhei para baixo… Eu só estava de sutiã e shorts.
- CADÊ A MINHA BLUSA? - berrei, escandalizada. Como assim eu estava sem blusa? Eu exagero às vezes na bebida, mas ficar sem blusa e não ter consciência disso? Essa não era eu. Comecei a procurar pelo quarto enquanto Dougie pôs sua cabeça para dentro do quarto.
- Está ali em cima do móvel, . Você a tirou antes de dormir e eu juro que tentei impedir! - ele apontou para o móvel perto da TV, onde minha blusa estava pendurada em um dos enfeites. Fez um sinalzinho de promessa com as mãos e voltou para a sacada, enquanto eu estancava a meio passo da cômoda. Eu entendi direito ou Dougie Poynter, o nosso nanico meio tarado por sexo, peitos e tudo que entre no assunto, tentou me IMPEDIR de tirar a blusa? Não pode ser verdade, pode? MEU DEUS, DOUGIE, VOCÊ VIROU GAY, DUDE?
Ainda com cara de indignada, vesti minha blusa. Antes peguei o copo de suco de laranja de meu café da manhã. Tentei me lembrar de tudo o que havia acontecido na noite anterior. Eu senti a falta de Danny na festa e da minha amiga também, mas será que era ELA a garota que havia ido para o quarto com Mr. D. Jones? Ela não seria tão retardada de já ter ido pra cama com ele, logo assim de cara... Ou seria? Era uma oportunidade única, eu sei, mas eu confiava demais nela. Ir para a cama assim, logo de primeira NUNCA dava certo. A não ser naqueles filmes totalmente água com açúcar que assistia de vez em quando. Resumindo, ela não iria me decepcionar de acordo com isso.
- Hey, Dougie, como era a garota do Danny? - perguntei a ele, enquanto ia ao banheiro lavar meu rosto e tentar dar uma melhorada na aparência.
Eu estava parecida com uma panda, com os olhos todos pretos por causa do rímel e do lápis que usei como delineador. E, para melhorar, parecia que eu havia levado um choque só pelo estado do meu cabelo. Um troféu joinha de falta de beleza para mim.
- Ah, era uma garota morena, mais ou menos da tua altura. De salto, claro. Acho que estava com um vestido preto curto e tinha o cabelo nos ombros. Não sei direito como ela era de rosto, não deu pra ver, sabe? Tinha um Jones na cara dela. - ele deu uma risada e se calou. Sua descrição me fez sentir um aperto no coração: era , a minha . MAS QUE MERDA! "Espero que ela não tenha feito nenhuma besteira!" Pensei comigo mesma, enxugando meu rosto e terminando de me arrumar.
Segui para a sacada. Dougie estava só de bermuda, com o sol fazendo seus cabelos brilharem enquanto ele admirava a vista da praia. Suspirei, um pouco audível demais, ao ficar admirando ele ali parado na minha frente. Ele se virou e me chamou para ficar ali em sua companhia. Fui até ele, parando ao seu lado. Fechei meus olhos por alguns segundos. Senti o calor do sol e a brisa do mar em meu rosto. Respirei fundo, aproveitando os cheiros da cidade, juntamente com um perfume masculino maravilhoso. Adivinhem só quem estava usando-o? É, você já deve ter adivinhado.
Quando abri os olhos, Dougie me olhava com a cabeça ligeiramente inclinada.
- O que foi? - perguntei com um sorriso nos lábios, ao ver que ele estava meio hipnotizado e com os olhos um pouquinho fechados por causa do sol.
- Ahm, nada não. Só estava me perguntando uma coisa: como é que você não se lembra de ontem a noite? - ele me fitava, censurando-me com um carinha emburrada.
- Mas eu lembro… De algumas coisas, ok? - disse, ao perceber que ele bufava e quase começava a rir da minha mentira descarada. - Olha aqui, eu sei que eu bebi, dancei, te derrubei no chão… - comecei a rir um pouco. - Roubei uns copos de caipirinha do Tom. Eu me lembro disso. Não é o suficiente, não? O que mais eu fiz?
Ele abaixou a cabeça. Era como se estivesse decepcionado com a minha resposta nada malcriada. Dougie comentou com uma voz quase inaudível.
- Você não se lembra de nada… De nós dois? - ele me olhou fundo nos olhos enquanto minha boca se escancarava. Isso não podia estar acontecendo. Não, não, não, NÃO! Não podia! Como eu não iria me lembrar de uma noite com o Dougie? JUSTO COM ELE? E eu julgando a antes? AI, MEU DEUS!
- O que... O que você quer dizer com isso, Dougie? Nós dois… - perguntei, tentando manter a calma e fazendo alguns gestos totalmente estranhos com as mãos para encenar o que eu estava querendo dizer. Obviamente, ele entendeu rapidamente e, enquanto meu desespero crescia, ele começava a abrir um sorriso enorme.
- O que foi? - eu estava intrigada, mas ele só sabia rir. Agonizante, isso sim.
- , você está pálida! Não aconteceu NADA entre a gente, RELAXA! - disse rindo mais alto. - E seria tão ruim assim se acontece? Quer dizer, sou tão inaceitável, assim?
Meu rosto começou a pegar fogo. Não foi a vergonha que começou a deixá-lo vermelho nesse instante. Foi raiva.
- Que brincadeira mais estúpida, Dougie Lee Poynter! COMO VOCÊ PODE FAZER ISSO? - Quase pulei em seu pescoço. - Dougie, você tem 3 segundos antes de eu te matar… CORRE!
Comecei a contar. Até seu cérebro raciocinar o que ele precisava fazer, eu já estava quase no número três. Ao ver minha cara, ele disparou para dentro do quarto. Eu fui mais rápida. Atravessei a porta e o alcancei-o em dois passos. Pulei em cima dele, derrubando-o direto em cima da cama e deixando seus braços presos por minhas pernas. Sem jeito de conseguir se soltar. Ele tentou resistir por um tempo, mas acabou parando com as tentativas de se libertar. Sabendo que não ia conseguir sair dali, me olhou de forma que a mensagem estava explícita em seu olhar: COMO?
- Aulas de defesa pessoal... Servem para mais do que apenas defesa, como você pode perceber! - dei um sorriso cínico, chegando bem perto de se corpo. Uma mecha de meu cabelo caiu sobre seu rosto. Acabei por espalmar minha mão em seu peito, de uma forma provocativa. Seus olhos passavam por meu corpo parando em meus olhos com um toque de surpresa, enquanto eu mordia meu próprio lábio pensando no próximo passo. Liberei seus braços, deixando-o se apoiar em seus cotovelos, para chegar mais perto. Me aproximei, deixando centímetros nos separarem. Eu estava perto demais.
A porta se abriu mostrando três rapazes e uma garota. Todos que entraram no quarto estavam rindo e conversando animadamente. Eu e Dougie nos viramos para eles, que se calaram ao se depararem ao com aquela cena.
- MAS O QUE É ISSO? - berrou Danny, começando a rir de nossa situação, enquanto nós dois olhávamos para eles com as bocas escancaradas.
- É só a gente deixar esses dois sozinhos por algumas horas que já quase se agarram? Nada contra vocês dois, ok? Podem se agarrar a vontade, mas tranquem a porta antes de tudo! - disse Harry, acompanhando os outros três nas risadas, dando um abraço em Danny, mas sem perder a chance de antes me mandar um sorriso safado.
Saltei de cima de Dougie que parecia meio zonzo com a situação. Dei um sorrisinho para Harry que ainda me olhava com uma cara divertida. E, pela primeira vez, reparei quem era a garota logo atrás deles.
- .toUpperCase()) ?

Dougie's POV


Continuei deitado na cama, enquanto despedia-se animadamente dos garotos e tentava puxar sua amiga para fora do quarto. Danny segurou o braço da tal , dando-lhe um beijo de despedida, enquanto me mandava um sorrisinho discreto de lado.
- Então, Danny, quero a minha amiga nesse instante. Depois vocês se vêem. Tchau, guys. Tchau… Doug - ela saiu com sua amiga, ainda meio empacada. Assim que ouvi a porta bater, fechei meus olhos. Comecei a lembrar da noite passada, do que estava cantando. Fazia todo sentido agora. Lembrei-me dos últimos 5 minutos atrás. A forma que havia me prendido, ficado por cima de mim. Seu rosto perto do meu. Ainda conseguia sentir sua respiração bater em minha boca, enquanto seu cabelo fazia cócegas em minha bochecha. Ela estava ali, tão próxima e eu não fiz nada. NADA!
- Você é uma anta, Dougie Poynter! - pensei meio alto enquanto respirava fundo.
Me joguei no colchão, com as mãos na frente da cara. Isso nunca havia acontecido comigo. Eu era um Danny Jones mais discreto e mais comprometido com a namorada, mas era igual a ele: NUNCA FALHAVA NA HORA H. tinha algo de especial, mas eu ainda não sei dizer o que é exatamente. Ela é completamente pirada, faz o que bem entende e sabe se divertir. Ela é o que todo cara que nem eu procura, mas nunca encontra. Será que aquela estrela da sorte estava finalmente realizando meu desejo? Espero que sim.
- A gente concorda! - ouvi os guys responderem, um pouco atrasados. Apoiei-me em meus cotovelos e fiquei olhando para eles com os olhos semicerrados. Era como se estivesse aclamando por mais comentários que me fizessem sentir pior do que eu já estava. Se burrice matasse, Danny provavelmente já estaria morto. Mas arrependimento? Pode até não matar, mas que tortura, tortura e muito.
- Ok, não está mais aqui quem falou. - Danny fez dois x com os dedos na frente de sua boca, ficando quieto em seu canto. Já Tom e Harry continuavam a me olhar como se eu estivesse escondendo algo realmente valioso deles. Hora de trocar de assunto.
- E ai, Danny. Desembucha tudo. Você e aquela amiga da ? O que aconteceu ontem a noite?
- , é? Já está com toda essa intimidade com ela? - Tom comentando, me dando um soquinho no braço, enquanto eu revirava meus olhos.
- Cala a boca, Tom. - reprovei a atitude infantil dele. Ele sempre fazia isso. - Fala aí, Danny. Não sei quem é ela.
- Ah, então. Aquela era a . Quando a , digo, chegou aqui ontem, ela trouxe a junto. Como você já sabe, aquele Grinch que eu namorava me deu um fora. Eu estava tentando recuperar a meu modo, com muito álcool circulando pela veia. Mas, quando apareceu… Porra dude, ela me atraiu. Fiquei parecendo um idiota olhando para ela.
- Você já é um idiota, Danny. Não mudou grande coisa. - Tom deu mais um de seus comentários inúteis, ganhando assim, uma travesseirada de Harry e um cala boca em alto e bom som.
- É, cala a boca, Tom. Sei que isso tudo é puro ciúmes. Só porque eu preferi ela do que você, minha loira gostosa. - Danny foi correndo e se jogou em cima de Tom, que tentou afastá-lo, por pura birra. - Ah, bitch. Vem cá satisfazer os meus desejos.
- O que? Pelos meus cálculos, você já deveria estar com os desejos realizados, Danny. - comentei.
- Meus desejos nunca são realizados. Eu quero sempre mais.
- Tá, tá, fodão. Agora termina de contar sobre a tal .
Danny foi até o frigobar, pegou uma latina de cerveja e se jogou numa cadeira de frente para nós.
- Então…
A explicação da noite de Danny foi a coisa mais bizarra que eu já pude ouvir saindo de sua boca. E olha que não foram poucas. Depois de absorver todas as informações, tornei a me deitar e a me lembrar do acontecido. Meus pensamentos estavam indo longe demais com o que teria acontecido se eles não tivessem invadido o quarto exatamente naquela hora ou se, mesmo que eles tivessem entrado no quarto, eu tivesse tomado alguma atitude quando ela estava a centímetros da minha boca.
Passei um bom tempo apreciando meus devaneios, mas sempre tinha alguém para estragá-los no final.
- E então, dude? Vai demorar muito pra explicar o que era a em cima de ti agora a pouco? - Tom disse com a mão na cintura. Parecia a minha mãe! E isso não era um pensamento que eu gostaria de ter nesse momento.
- Ah, nada demais - balancei os ombros, como quem queria mostrar que estava pouco me importando, totalmente ao contrário do que eu realmente estava. Senti vários olhares acusadores sobre mim e um Danny rindo.
- AH TÁ BOM QUE AQUILO NÃO ERA NADA! SE AQUILO NÃO FOR NADA, EU PASSO A NOITE INTEIRO PELADO NO QUARTO DO TOM! - Ele exclamou audivelmente, começando a rir.
- HEY, SAI PRA LÁ!
Depois de algum tempo discutindo a aposta, Tom e Danny, pareceram esquecer sobre e pararam de me importunar para tentar descobrir a verdade sobre nós dois. Eu preferi me manter quieto. Não precisava de ninguém fuxicando meus sentimentos sobre o que havia acontecido agora. Mas, apesar de toda minha aversão de contar, eu necessitada contar a alguém. Não para eles. Eles saberiam depois. Esperei um pouco mais, até que eles começaram a sentir fome, o que não era muita novidade, e resolverem ir almoçar. Eles saíram do quarto e desceram pra o restaurante.
- E então Dougie, o que aconteceu? - Harry havia estado quieto desde o começo.
Abri os olhos, respirei fundo e comecei a contar tudo que havia acontecido: ela acordando, nossa conversa na sacada, ela ficando irada comigo, pulando em cima de mim, me prendendo na cama, se aproximando demais - ... E eu não sabia o que fazer, dude. Ela estava ali, grudada em mim. Se vocês não tivessem entrado eu não sei o que teria acontecido. Eu vi que ela queria e eu, err… Eu também queria, Harry. Eu não sinto um corpo tão próximo de mim desde que terminei com a outra lá e isso já faz muito tempo. Você sabe como tem sido. De todas as garotas que conheci, ela foi a única que me despertou algum interesse. E eu não sei mais o que fazer em relação a isso. - terminei de despejar tudo o que eu estava sentido, um pouco desesperado. Me joguei na cama novamente. Isso já estava virando rotina. Eu estava parecendo aquelas garotas de filmes americanos contando os babados para as amigas. "Gay Dougie, muito gay", pensei comigo mesmo.
Harry continuou quieto por um tempo, absorvendo a história toda, enquanto eu esperava. E esperava. E ele continuava quieto pensando. Olhei para ele com um ar de desesperado e ele balançou a cabeça, já entendendo que devia se apressar. Me fitou por mais um tempo e disse numa voz calma e controlada.
- Dougie, eu sei que você vai achar isso meio estranho. Mas você acabou de esquecer a vaca lá. Acho que teu coraçãozinho gay já achou outra a quem sem prender. Você gosta da , dude.
Eu olhei para ele sem parar para entender todas as suas palavras..
- …, eu gosto da , mas o que isso tem haver?
- Não, dude. Olha, você não só gosta da , você GOSTA da - ele repetiu, dando ênfase na palavra. Pisquei algumas vezes até entender o que Harry havia dito.
- Eu gosto da ? - perguntei embasbacado, vendo Harry menear com a cabeça. Parei um pouco para pensar sobre isso tudo. Se fossemos rever tudo o que aconteceu, era tudo culpa de Harry essa aproximação de . Lembrei de dois dias atrás, quando chegamos. Harry havia dito que tinha um clima entre a gente. E agora, está tendo um clima realmente. Depois, ele inventou essa festinha para nos aproximar. Seria Harry um vidente ou um guru do amor? Ou será que seu tapete do amor adquiriu poderes mágicos? Nunca se sabe. - Eu gosto da ... - repeti, só para sentir como as palavras saiam de minha boca. Soavam verdadeiras, pareciam confirmar o que eu sentia. Meu coração deu um pulo.
- Harry?!… EU GOSTO DA .toUpperCase())! - pulei da cama e fui de encontro com Harry, abraçando-o e começando a pular. A cena foi meio bizarra, ok? Mas era a emoção de sentir algo de novo. Eu só conhecia a três dias e ela já me deixou desse jeito, mesmo que tenha sido com a interferência do nosso Mr. Attitude. Só ele para abrir minha mente para uma possibilidade dessas. Eu sorria verdadeiramente pela primeira vez em três meses. Meus olhos brilharam como se fosse primeira vez que eu sentia essa força em mim.
- Se eu disser que eu te disse desde o princípio, vai sair meio clichê, não vai? - Harry me deu um sorriso e um abraço de lado. - Vem, vamos almoçar. Os dois gordos já desceram e as garotas devem ir pra lá logo, se já não estiverem lá.
Ainda com um sorriso besta na cara, descemos para o almoço. Combinamos que seria nossa dia de descanso, o que só podia significar uma coisa quando estávamos no Rio de Janeiro: hora de ir pra praia. Com a .


CAPÍTULO 4


's POV


"Quente, quente, quente, quente. Muito quente. Odeio areia. Odeio sol. QUERO NEVE. QUERO MORAR EM LONDRES." Primeira coisa que pensei ao chegar na beira da praia em Copacabana. Mesmo de chinelos, meus pés estavam pegando fogo e isso não era nada agradável. Praia estava lotada, com muita gente rica, linda e famosa e com a qual eu não me importava nem um pouquinho. É claro, se não for por um certo cara chamado Dougie Poynter e seus amiguinhos Daniel Jones, Thomas Fletcher e Harry Judd.
O dia estava abafado e sem nenhum vento, o que fazia com que o sol batesse em nossa pele diretamente e ardesse mais que o normal. Enquanto caminhávamos pela areia a procura de um lugar para colocarmos nossas coisas, os garotos planejavam o que fariam depois da praia, aonde gostariam de ir conhecer e o mais importante, de acordo com Tom, onde iriam parar para comer alguma coisa. Caminhamos por um tempo até encontrarmos um lugarzinho vago, onde nos instalamos aliviados.
Coloquei minha cadeira num lugar estratégico, ficando direto na sombra do guarda- sol que eu havia feito Danny carregar. Claro que consegui essa proeza alegando que eu sofria de insolação. Como Danny não é lá essas coisas quando se fala em esperteza, ele aceitou o fardo de burro de carga. Coisa que os outros três dispensaram alegando cansaço, dor nas costas e um corte minúsculo no dedinho.
Os garotos largaram suas coisas na areia e foram correndo para água, deixando eu e sozinhas para arrumar o embolo de pertences que eles tinham feito.
- Mas que lindo mesmo, viramos as mães deles agora? - reclamei para e vendo-a me olhar com razão, balançando a cabeça e fazendo um biquinho torto com a boca.
Colocamos as camisas e chinelos empilhados junto às toalhas deles e começamos a arrumar nosso "acampamento" na praia. Enquanto se estirava no sol, fiquei bem feliz debaixo da sombra de meu guarda-sol. Fique só observando as belezas que se encontravam logo a minha frente, lá na água.
Danny havia dado um mergulho. Quando voltou, fez questão de balançar seus cabelos na cara de Tom. Já Tom, por sua vez, tentou afogar Harry que estava dando pézinho para Dougie fazer um mortal. Não posso dizer que a cena de Dougie dando um mortal assim, naquela perfeição toda, não ia me deixar nem um pouco boba, mas ignoremos meu comentário. Harry perdeu um pouco da força ao ser atacado por Tom e quem pagou foi Dougie, que só deu um meio mortal e foi de barriga na água, arrancando risadas dos amigos. Fiquei observando-o voltar a tona e brigar com os outros. Ele olhou para nós e me viu observando-os. Se não me falha a visão, ele ficou vermelho por inteiro. Tão fofo!
Dougie me mandou um sorrisinho e eu retribui. Ele me deu uma piscada e sabe-se lá como e com que força (e tamanho) ele pulou em cima de Danny, mandando-o pra baixo da água. Dei uma risada anasalada ao ver a cara de Danny depois do mergulho, que acabou por dar um soquinho no braço de Dougie que tentava nadar para longe dele.
- Do que você está rindo? - me perguntou. Ela estava deitada de barriga pra cima tentando pegar alguma cor naquela brancura toda. Seus óculos verde petróleo da Ray Ban iam deixar uma marquinha bem bonita na cara dela quando ela tirasse. Seu rosto já estava começando a ficar vermelho por causa do sol de 40°C que estava no RJ.
Eu a ignorei por um tempo, olhando do mar para o céu e voltando a olhar para o mar. Mas vejamos, quando eu digo que estou olhando para o mar significa: OI, ESTOU SECANDO MUITO BEM SECADO UM TAL DE DOUGIE POYNTER, FALOU? Continuei com meu disfarce imperfeito de surdez aguda, até ela começar a reclamar de novo e passar a jogar areia em mim.
- Anda ... Fala logo!
- Nada de mais, é só o Dougie... - comentei, deixando a frase indefinida. Ele tinha acabado de virar em minha direção e me mandado um beijinho. Sabe aquela falta de reação que te deixa de boca aberta? Então, era exatamente essa a cara de , ao perceber o que havia acabado de acontecer. Ela se levantou de sua toalha e se jogou em meu colo, me dando um abraço.
- Desde quando… você e o Dougie… Ah, conta tudo!
- Que? Não tem nada pra contar, erm. - Resolvi mudar de assunto antes que ela pudesse perceber o quase ataque cardíaco que eu estava tendo naquele momento. - Mas e então… Você… o Danny... Vai demorar muito pra me contar o que aconteceu ontem a noite, vai? - Vi seu rosto corar e ela ofegar um pouco, enquanto um sorrisinho começou a aparecer em meus lábios. YAY, consegui! - Mas e então , conta logo como foi... CONTA! CONTA! CONTA! CONTA! - enchi um pouco o saco dela por ela não ter me contado antes.
- Tá, aconteceu o seguinte...

FLASHBACK MODE ON - .toUpperCase())

- UHUUUUUUUUL, FESTA! - Danny continuava adoidado pulando em cima da cama. Ele estava tão lindo, só de calça, rodando a camisa com a mão. Sua voz, UIUIUI, mais perfeita que tudo. Para ficar melhor, só se ele estivesse sussurrando meu nome em meu ouvido. Enquanto ele estava lá se divertindo, pulando e mostrando pra quem quisesse ver aquele abdômen super definido, e aqueles olhos azuis, e aquele sorriso, e aquela boca...
- Aai, doeu - ele fez biquinho depois de pular meio torto e quase ter caído da cama. Suspirei fundo, a cena era perfeita demais para ser verdade.
- Se segura aí, - me olhou de lado, me dando uma cutucada com o cotovelo e de quebra, dando uma piscadela. Eu sorri ainda admirando Danny logo a minha frente
- Ele é melhor ao vivo, como isso pode ser possível? - comentei, ainda admirando o corpo malhado de Danny. Harry e Tom haviam acabado de nos cumprimentar, até que Danny resolveu vir também.
- HEY .toUpperCase()) ! - ele a chamou e saiu correndo, pulando em cima dela.
- Oi Danny - cumprimentou-o, rindo da cara de bobo dele. - E aí Jones, tomou quantas antes de começar a pular na cama? - perguntou, mas ele não a escutava mais. Ele se virou pra mim e ficou meio que... ME ENCARANDO!, com a boca começando a abrir... PUTA QUE PARIU, QUE VONTADE DE ATACAR ELE!
- Danny? - Ela o chamou.
- Oi, eu sou Danny, Danny Jones! - ele se apresentou, olhando para mim, enquanto eu prendia minha respiração, não acreditando que ele estava ali, e tipo, FALANDO COMIGO. Meu cérebro deu um curto. Acho que eu esqueci como se fala. Qual é meu nome mesmo?
- O.. Oi, sou Ma.. . - Senti meu rosto corando enquanto ele balançava a cabeça, desanuviando as idéias.
- É um bonito nome... - Ele disse ficando vermelho também. Tinha cena mais clichê do que essa?
Eu só conseguia pensar no quanto aquele momento era surreal. Eu, , um ser insignificante no mundo falando com ele, Daniel Jones, desejado por mais de meio mundo. Não era possível, era algo que não poderia estar acontecendo comigo...
- Você… Gosta de caipirinha? - Danny perguntou, me parecendo não ter assunto. Que fofo.
- Hm, sim. Eu gosto...
- … Eu acho que caipirinha é uma invenção magnífica. - Definitivamente, ele não tinha assunto.
- Eu... Eu também acho - falei, corando. Como ele conseguia ser tão…? Aff, nem palavras existem pra expressar como ele é.
Ficamos por um tempo observando a loucura de nossos amigos. parecia se divertir com a cena de Tom e Harry rebolando até o chão. Danny não conseguia parar de rir.
- Eu preciso de um ar - disse ainda rindo. - Vamos dar uma volta?
- Claro, até porque se a gente não sair daqui, eles vão nos arrastar pra rodinha do funk. - Eu definitivamente não era boa com palavras.
Andamos por quase cinco minutos, admirando a beleza daquelas... Escadas do prédio? Até que…
- CUIDADO! - Danny gritou e no mesmo instante eu me vi caída no chão, com o salto quebrado.
- Droga, como eu sou desastrada! - Inútil, esse sapato foi caro. Eu havia ganhado quase o meu primeiro salário inteiro com ele.
- Hey, calma. A gente dá um jeito nisso. Você esta bem?
- Erm, to bem. Mas meu sapato não. - Fiz biquinho, de um jeito que só eu sabia fazer, modéstia a parte.
Danny parecia perdido em algo mais abaixo de meu vestido. Depois de alguns minutos eu percebi que ele olhava minhas pernas que estavam mais descobertas que o normal. Levantei rapidamente, enquanto seus olhos acompanhavam meus movimentos. Percebi que ele se aproximava lentamente e meu coração acelerou de uma forma diferente. Logo senti uma mão passando por minha cintura, me levantando do chão e me puxando para mais perto. Ele grudou nossos lábios de leve. Senti minhas pernas ficarem bambas. Parcialmente. O beijo ia se intensificando cada vez mais, até que, bem... Me deixei levar. Porra, eu estava com Daniel Jones e ele estava me agarrando.
Me agarrei em seu pescoço enquanto minha outra mão brincava com seus cabelos. Ele passava sua mão pela minha cintura, e... pela minha bunda. Não fiquei muito surpresa com essa parte, confesso.
Ficamos lá pelas escadas durante alguns minutos, quando alguém pareceu para nos incomodar com um "Vai procurar um quarto, Danny!", mas eu não me importei muito em dar atenção ao Dougie, sabia que ia fazer isso mais tarde... Ou não, né?
Danny interrompeu o beijo rapidamente, começando a rir.
- Voltei aqui. - Grudei nossos lábios. Danny se interessou mais ainda e continuou me agarrando no canto da escada até puxar uma de minhas pernas na altura de sua cintura. Ofegante, cortou o beijo e me puxou pela mão. Começamos a procurar o quarto mais próximo.
- Vamos para o meu. - Sugeri. Haha, ninguém é de ferro.
Consegui abrir a porta com dificuldade, e logo já estávamos na cama, continuando o beijo da onde paramos. Ele começou a subir o meu vestido enquanto eu desabotoava sua camisa, quando eu lembrei que eu estava em minha cama, com um cara que, apesar de vasculhar a sua vida pela internet sempre, era completamente estranho pra mim.
- Danny, espera. - Me peguei interrompendo o momento mais especial da minha vida.
- O que foi? Eu... Eu fiz algo errado?
- Não, na verdade. Você não, eu acho que... Acho que eu não posso fazer isso.
- Por quê? - Ele tinha uma expressão indecifrável.
- Sabe, você é tudo que eu já sonhei, mas eu não o conheço. Não te conheço o suficiente pra isso. - Expliquei. Quase me arrependendo de ter parado. Quase.
- Como assim não me conhece? Eu achei que você e a ... Vocês…
- Sim, nós somos fás do McFLY, mas isso não quer dizer que a gente conheça vocês de todas as maneiras. Você, por exemplo, eu já imaginava que isso iria acontecer. Não que eu estaria aqui agora com você, mas eu imaginei que eu conseguiria ir adiante com você.
- Então, você não quer? - Agora sua expressão era um pouco desanimada.
- Acredite, eu quero. Mas eu não sou assim. Não me entrego a qualquer um na primeira noite.
- Qualquer um? , eu não sou qualquer um. Eu sou D... - antes que ele pudesse continuar, eu me levantei e comecei a me arrumar.
- Desculpa Danny, mas eu não sou quem você está pensando que eu sou. - Sério que ele achou que eu era mais uma vadia que ele pode usar e jogar fora? Sério mesmo?
- Espera . - Ele levantou me puxando pelo braço - Eu... Eu sinto muito. Eu não acho que você seja mesmo esse tipo de garota.
- Wow, Daniel Jones tem sentimentos? - Me irritei por ele fazer tão pouco caso de mim, mas é agora que ele vira um ser agressivo e acaba comigo?
- Claro que sim, ou você achou que eu fosse um galinha tapado que usa qualquer uma e depois joga fora?
- Confesso que eu pensei nessa hipótese. - Isso , piora a situação.
- Sabe , você realmente não me conhece. Eu posso ser um cara extremamente romântico, posso ser prestativo, com a pessoa certa.
- Sabe Daniel, parece que eu não te conheço mesmo. Nunca pensei que você soubesse tantas palavras desse jeito. - Ah, a arte de provocar.
- Qual é garota? Quem você pensa que é para me chamar de burro?
- Sei lá, talvez uma garota que faz faculdade, lê pelo menos dois livros em um mês, estuda que nem uma condenada pra poder um dia ir para fora do país e se dar bem na vida e que trabalha, diferente de um cara que começou a tocar em uma banda e que, por acaso, deu certo. Que agora vive as custa do dinheiro de pobres fás iludidos. - Burra! O QUE FOI QUE VOCÊ FEZ?
- Se você pensa assim, é melhor eu voltar pra festa então. Tenho certeza que lá eles não me acham tão inútil quanto você me acha.
- Ok Danny, espera. Me... Me desculpe? - Respirei fundo, enquanto ele parava com a mão na maçaneta, se voltando para mim. - Ah qual é, eu sou muito orgulhosa pra admitir que você é muita areia pro meu caminhãozinho. - Eu não disse isso, não disse isso.
Daniel parecia realmente estar ofendido com aquela situação, o que me restava a fazer? A culpa era toda minha mesmo.
- Danny, você… Você é um cara legal. Eu sei que não é preciso muito pra saber que você tem um coração bom. Sério, eu prefiro que a gente se conheça melhor, até você perceber que eu não sou uma estúpida ignorante como eu acabei de ser. Me desculpa?
- Erm, claro que eu desculpo. - Daniel fofo, fofo e fofo. - Mas você vai pagar por isso. Muito caro!
- Haha, só se você conseguir me pegar. - Eu não estava fazendo isso, não mesmo. Comecei a correr feito uma louca pelo quarto e Danny corria atrás de mim. É mais que óbio que ele conseguiu me pegar.
Ficamos algumas horas sentados na cama, conversando sobre coisas variadas. Confesso que Danny podia ser um cara muito inteligente se ele quisesse, mas só se ele quisesse...

FLASHBACK MODE OFF - .toUpperCase())

-… E isso foi tudo.
Ela terminou de contar, corando um pouco. Reações de , primeira parte: ficar parada olhando para a cara de minha amiga. É, eu não tenho uma reação muito rápida, não.
- Ai , fala alguma coisa, to ficando nervosa já. - me olhava meio desesperada, fazendo algumas caretas de medo enquanto eu continuava olhando para ela.
Segunda reação: atacar minha amiga.
- MAS QUE ORGULHO DE TI, .toUpperCase())! - Pulei em cima da minha amiga, que rolou junto comigo, indo parar na areia. Minhas mãos apertavam suas bochechas fofas enquanto ela tentava se afastar de mim aos berros.
- VAZA... MULHER! - ela me empurrou, fazendo-me sentar na areia. ECA. - Por que orgulho?
- Porque você não… Ah, você entendeu. - ri um pouco da cara de ofendida dela.
- Estava achando que eu ia dar pra ele, é sua vaca?
- Estamos falando mesmo de Daniel Jones?
- Vai se catar, - Ela me empurrou mais forte, a partir do momento que eu a ataquei novamente e comecei a fazer cosquinhas em sua barriga. Olhamos uma para outra depois de um tempinho. Legal, parecíamos humanas a milanesa. Será que o Dougie não iria gostar de me provar agora?
- PENSAMENTO SUJO, PENSAMENTO SUJO, PENSAMENTO SUJO. - comecei a berrar, com as mãos na cabeça. me olhava com uma cara divertida, já entendendo o que significava esse meu ataque.
- Tá afim de ficar mais salgada, amiga?
- Preparar. Apontar. FOGO! - É isso mesmo? Estamos mesmo fazendo uma competição de quem chega primeiro na água? Corri rapidamente, deixando para atrás. Os garotos nos viram da água correndo na direção deles. Cheguei na água pulando as ondas com no meu encalço. Por pouco nós duas não caímos de cara na água. Quando finalmente chegamos até os garotos, me joguei para os braços de Dougie. Foda-se o que iriam pensar, deixem-me aproveitar enquanto posso ter ele por perto.
Harry puxou o corinho de 'uhmmms', enquanto eu passava meus braços ao redor do pescoço de Dougie e me apoiava nele, enquanto as ondas teimavam em querer me levar para o fundo.
- Então garotos, o que estão pensando em fazer mais tarde? - não custava perguntar, não é? Já que era eu quem estava ajudando eles aqui no Brasil mesmo.
- Olha, eu não sei o que nós vamos fazer. - Harry apontou para si mesmo e para Tom. - Mas vocês quatro aí já sabem bem o que fazer.
- Cala a boca, Judd. - espirrei água na cara dele, fazendo ficar quieto. - Então, alguma idéia?
- Na verdade, a gente estava querendo ir em algum pub. Tem algum bom por aqui? - Danny me mandou um sorriso como se eu entendesse aonde ele queria chegar. E eu entendia. Ele passou o braço pela cintura de , puxando-a mais para perto e dando um beijo em sua bochecha.
- Salgada, eca.
- O que mais você esperava, Danny? - ela olhou para ele, censurando-o e fazendo uma carinha fofa.
Ficamos por um tempo conversando sobre nossa saída mais a noite, até que resolvemos ir a um pub pertinho do hotel.
Um ventinho havia começado a passar pela praia, deixando com que o calor do sol sumisse de nossa pele. Olhei para os garotos, percebendo alguns narizes e ombros já vermelhos. Dougie então, estava com o rosto todo em uma pura vermelhidão de queimado. Harry se exibia com dois riscos completamente brancos de protetor nas bochechas.
- Hey guys - chamou-os -, vamos voltar? Já está ficando tarde pra ficar aqui na praia. - disse, olhando para o céu - E vocês vão querer descansar antes de irmos, certo?
- Errado. Vocês trouxeram roupa pra cá, não foi? - Disse Tom, olhando dos garotos para nós duas.
- A tá bom, Tom. Vai sonhando que vamos direto. - Dei um tapinha de leve em seu braço. - Vamos voltar. Tomem banho, descansem um pouco e vamos pro pub. Por volta das 20h, nós duas vamos descer e esperar vocês na recepção.
Arrastamos os garotos para fora da água, desarmamos o acampamento e fomos para o hotel. Já estava perto das 17h e eu estava afim de dormir um pouco antes de ir. Eu não era de ferro, certo? Chegamos ao hotel, subimos para nosso quarto, despedindo-nos dos garotos ainda no elevador. Em nosso quarto, tomamos um banho rápido, trocamos de roupas, ajustamos nossos despertadores e dormimos o sono mais pesado desses últimos dias.

CAPÍTULO 5


's POV


Batidas insistentes na porta fizeram-me levantar da cama. Mas que diabos estava acontecendo? Isso não é jeito de se bater na porta do quarto de alguém! As batidas continuaram, até me ouvirem virar a chave na fechadura.
- Aleluia, irmã. - Danny disse, invadindo meu quarto e parando ao ver dormindo profundamente. - Ela é tão linda. - disse, transformando seus pensamentos em palavras.
Ele ficou bem uns 5 minutos admirando-a dormir. Era lindo ver Daniel tão bobo assim por alguém. Era o tipo da coisa que eu jurava que jamais iria ver em minha vida. Por isso sempre dizem: nunca diga jamais. Ou seria nunca diga nunca? Tanto faz, dá tudo na mesma bolinha.
- Erm, Danny? - chamei-o. Já estava ficando meio enjoada daquela cena romântica e fofa.
- Ahn? - disse ele virando-se para mim, com uma cara meio embasbacada. Como se isso fosse novidade, certo? Lembram aquela foto do que eles recebem um belo de um balde de água na cara? Então, sua cara estava igual. Tirando o cabelo mais enroladinho e comprido e, claro, tirando a água também.
- O que diabos você veio fazer aqui?
Minha voz era quase que um sussurro, porque mesmo que tenha o sono de uma pedra, eu tenho pena de acordá-la. E pode apostar que ela não iria gostar nem um pouco de saber que Danny estava admirando-a babar no travesseiro.
- Só vim buscar meu iPhone. - disse ele, indo até a cabeceira da minha cama e pegando aquele aparelhinho que eu pouco vasculhei há 2 horas atrás.
Ele me mostrou o aparelho, confirmando que havia vindo aqui justamente para isso e se dirigiu a porta do quarto. - Diz pra que ela é linda dormindo.
- Acho que ela não vai gostar muito de saber que você viu ela nesse estado deplorável. - respondi, balançando os ombros. Ele me olhou sem entender. - Estado deplorável é como ela chama seu cabelo e seu rosto amassado no seu estado 'pós- acordada'. - expliquei, rindo um pouco.
Ele riu junto. Abriu a porta e se despediu de mim rapidamente, já fechando a porta em seguida.
- Hey, Danny - chamei. Ele pôs a cabeça para dentro do quarto novamente. - Gostei das fotos. Você sempre se fotografa nu ou foi o Tom te espionando?
Comecei a bufar, segurando o riso enquanto ele mandava eu me foder, procurando algo para atacar em mim. Sem achar nada que não fosse me machucar, me mandou um dedo do meio, sem antes deixar escapar uma risada.
- Hey, , você dorme naquela cama? - ele apontou para a cama vazia.
- Sim… Por quê?
- Nada, não. Só troque os lençóis. - disse ele, me mandando o sorriso terrivelmente cruel. E sim, foi uma redundância só para enfatizar o quão mal foi aquele sorriso.
Ele saiu do quarto e me pus a pensar o que ele quis dizer com isso. Seu iPhone estava em minha cabeceira e , quando voltamos para o quarto, tirou algumas coisas da minha cama… AH, NÃO, NA MINHA CAMA, NÃO!
- , SUA BITCH. LEVANTA! - sacudi-a, fazendo abrir os olhos devagar, morrendo de sono. - VOCÊ E O JONES DORMIRAM NA MINHA CAMA?
- Quê? - ela não entendeu direito. - Do que tu tais falando, guria louca?
- Você e Daniel Jones fizeram besteirinhas na minha cama?
- , você é completamente surda, amiga. Eu te disse que a gente não fez nada. Só ficamos conversando.
- JONES MALDITO! - Joguei minhas chaves no chão. Ele tinha que me induzir à dúvida. Isso era mais que torturante, MUITO MAIS! - Ah, vou tomar banho. Levanta aí também. Temos que descer daqui a uma hora e eu conheço a sua rapidez quando o assunto é se arrumar.
Peguei uma muda de roupas e me tranquei no banheiro. Joguei elas de qualquer jeito em cima da pia, parando para encarar meu reflexo no espelho. Meus olhos estavam borrados de rímel e com olheiras enormes. Meu cabelo estava do tamanho do mundo. Meus cachos estavam todos desmanchados e frisados. Subi minha mão por meu couro cabeludo, levantando meu cabelo e prendendo-o num coque desajeitado. Me olhei no espelho novamente. O espelho me transmitiu a careta que eu lhe mandei. Arrumei meu cabelo, tirei minha roupa e me enfiei debaixo do chuveiro.

Dougie's POV


- Cadê elas? - Harry já estava impaciente, sentado na salinha de espera do hotel em que estávamos hospedados. Não era para menos. As garotas haviam combinado conosco as 20h e já eram… 20:45H! CARALHO, JÁ? E não era para menos. O Harry odiava esperar. Uma vez ele foi convidado a posar para uma revista estadunidense. Ele foi para a revista todo empolgado. Só para constar no relato, no dia anterior ele havia me obrigado a assistir o seu ensaio fotográfico fictício. Mas quando ele chegou na revista em si, foi obrigado a ficar horas e horas esperando, para no final, sair em uma reportagem de meia página no final da revista. Agora, só a Atitude tinha o privilégio de fotografá-lo.
- Cansei, também - disse Tom, entediado, escorado na porre. - Estou com fome, poxa.
- Tom, fica quieto vai. Deixa que eu vou lá em cima chamá-las. - disse Danny, já indo em direção ao elevador, enquanto nós dávamos aleluia por sua iniciativa. Ele chamou o elevador, ficando parado na frente da porta. O elevador chegou, fazendo um leve clique, ao indicar sua parada. As portas se abriram.
- UAU!
Danny ficou parado de frente para o elevador com a boca escancarada. Ele olhou para gente e voltou seu olhar para dentro do elevador de novo, não acreditando muito no que seus olhos viam. Ele fez uma reverência, dando passagem para quem estava ali. Duas garotas saíram do elevador e pararam na nossa frente.
- Desculpa a demora, gente. - fez uma carinha fofa, olhando para gente. Igualmente a Danny, meu queixo foi para no chão. Elas estavam incríveis. Estavam lindas, mais do que normalmente eram. Olhei de relance para Harry e Tom que, ainda na mesma posição de antes, admirava-as com a mesma expressão antes mostrada por Danny.
- Querem parar com isso, por favor? - pôs a mão na cintura, olhando com uma falsa cara de brava para a gente, enquanto tentava sumir com o vermelho que havia parecido por seu rosto. - Olha que eu e a voltamos pro quarto, hein?
- NEM PENSEM NISSO! - disse Harry, quase dando um pulo ao ouvir a ameaça. Não pude deixar de dar uma risada com isso.
- Vamos? - Tom nos olhou esperançoso.
- Vamos, vamos.
Daniel foi para o lado de , segurando-a pela cintura e sussurrando alguma coisa em seu ouvido, deixando-a ligeiramente encabulada. veio em minha direção, mas parou no meio do caminho para ver o que eu estava olhando. Ela se virou para mim, dando um sorrisinho de lado ao ver a reação de . Veio em minha direção. Ela parou na minha frente e sorriu para mim.
- E então? Como eu estou? - ela me perguntou. Olhei ela de cima a baixo e, uau, ela estava realmente incrível. Mas é claro que eu fiquei sem reação. Só para variar um pouquinho a situação. - Era isso mesmo que eu queria saber. Vamos! - ela me puxou pela mão.
Saímos do hotel e andamos duas ou três quadras. Chegamos a um barzinho escondido entre duas grandes lojas. O barzinho era relativamente pequeno, não tão pouco movimentado como pensamos que seria, mas era muito agradável. e foram juntas ao balcão para pegarem uma mesa VIP para nós seis.
Parecia que hoje era noite de show. Tinha uns cinco garotos arrumando o palco. Dois deles estavam tentando arrumar uma bateria, com pouco sucesso. Harry olhava para os dois e lamentava cada vez que ele os via errando os lugares dos tambores ou dos pratos. Outros dois estavam afinando suas guitarras e baixos. Eles plugavam todos os instrumentos de uma vez na caixa, o que garantiu belos chiados para todos os pouco presentes no momento. O quinto integrante estava no microfone, acertando com o volume das caixas e fazendo caretas para os amigos.
apareceu na minha frente, entregando-me uma pulseirinha.
- Ponha-a agora, não vou comprar outra se você perder essa. Isso vale para você também, Jones!
e distribuíram as pulseirinhas restantes entre nós, já usando as delas. Elas nos puxaram pelo bar até uma escada, onde um segurança conferiu nossas pulseiras e nos deixou passar. Subimos e fomos para o canto da área VIP. Com a área VIP quase vazia, fomos nos aconchegar mais para o canto. comentou que já haviam pago consumação. Danny puxou para um beijo e alguns garçons vieram até nós, pondo duas garrafas de vodka em nossa mesa, seguidas de refrigerante, cerveja, tequila e, para a felicidade de e de Danny, muitas caipirinhas.
Cada um pegou o que mais lhe interessava. Íamos bebendo, deixando o tempo passar. Danny já estava passando do seu ponto de estado idiota normal para o de idiota bêbado, o que já era bem rotineiro. , sentada ao seu lado, ria de suas piadas sem graça, enquanto ele embolava nas palavras e começava a corar. Harry e Tom estavam olhando par baixo, volta e meia comentando sobre a forma que a banda estava terminando de arrumar seus instrumentos (que admito, era horrível! Eu não gostaria de ser um instrumento deles.), sobre o quanto em apenas meia hora o pub havia enchido e que agora estava quase lotado e sobre o que eles assistiram de tarde na Disney. Óbvio que a Disney era culpa de Tom.
Olhei para o público e constatei que era verdade: o pub estava realmente cheio. Vi mais para o lado, também olhando para baixo. Provável que esteja procurando rostos familiares, já que essa era a sua cidade. Ela olhou para mim e me deu um sorriso só de boca.
- Algo errado, ?
- É , agora? - ela me olhou com olhos travessos. - Depois da noite que passamos juntos, voltei a ser só ? Oh, que decepção. - ela terminou, pondo as costas de sua mão nas testas e fazendo um pequeno drama. Ela começou a rir e eu ri junto, admirando suas bochechas coradas por causa da bebida.
As luzes do Sacramentum Pub se apagaram e uma massa começou a aplaudir.
- - olhei para ela, que sorriu com o apelido -, quem vai tocar hoje?
- É um grupo que faz cover do Red Hot. - ela sorriu, virando para frente.
O grupo se apresentou e começou a tocar Californication, levando Harry à loucura. Ele uma hora cantava com toda força, outra hora bebia sua cerveja. Tom e participaram do coro, enquanto eu ia cantando comigo mesmo em direção à mesa de bebidas. Fiz uma cuba bem forte e voltei para onde eles estavam.
O show foi nesse ritmo até perto da 1h da manhã, com músicas como Dani California, Otherside e By The Way tocando a toda. Quando a banda se despediu do público, uma salva de palmas começou. Eles agradeceram novamente e começaram a retirar seus instrumentos. Preciso dizer que Harry voltou a reclamar da forma despreocupada que eles tratavam seus companheiros de show?
Um DJ começou a tocar para movimentar o pub. Virei para Danny para ver se obteria alguma reação dele, mas parece que exerce uma força sobre ele bem maior que a da música eletrônica. Voltei-me para a direção de Tom, que já possuía o rosto bem vermelho, enquanto dançava de uma forma esquisita sozinho.
Duas mãos passaram de minhas costas para meu peito, enquanto eu recebia um beijo no pescoço.
- Dougie! - me deu um abraço mais apertado e veio, com um salto, parar na minha frente. Seu perfume era muito bom. Suave e provocante, exatamente como era. Ela mordeu o lábio de lado e me olhou de cima abaixo. - Vem! - ela me puxou para dançar. Essa estava sendo a melhor noite que eu tive desde que tudo começou.


's POV




Voltamos para o hotel quase de manhã e eu sabia que eu ia ter que sofrer as consequências por esse passeio. Fletch devia estar me mandando raios da morte lá de Londres pelo fato que, da última vez que eu vi, tinha umas quinze chamadas não atendidas dele. E o Tommy, então? Estou completamente ferrada.
Os garotos chegaram completamente tortos ao hotel. Em uma mão carregavam uma garrafa de cerveja, andando todos abraçados em suas junções Flones e Pudd. Eles pareciam vindos daqueles velhos filmes americanos onde completos desconhecidos tornavam-se melhores amigos depois de uma noite de bebedeira. Mas o caso não era esse. Eles caminhavam unidos cantando Dancing In The Dark, da Dev, com Danny gemendo no ouvido de Tom, enquanto o próprio Sr. Certinho Fletcher passava suas mãos pelos mamilos de Danny. Dougie e Harry andavam ao meu lado. Andar não é a palavra certa para como eles se locomoviam. Cambalear se encaixa melhor. Harry acompanhava o coro, balançando uma mão como um maestro regendo sua orquestra. Dougie estava ao meu lado, segurando minha mão enquanto íamos em direção ao elevador. Minha mão se aqueceu com que seu toque. Assim com meu corpo inteiro ficou em estado de alerta. A sensação que me percorreu era como, sei lá, por o dedo na tomada e levar um choque daqueles. Mas vejamos, esse era um choque bom. Era daqueles que nos dá mais motivos ainda para querer que esse momento jamais acabasse.
Antes que pudéssemos sequer chamar o elevador, um dos seguranças veio correndo em nossa direção, impedindo que algumas fãs, que estavam no hotel, atacassem os garotos. Ele olhou para mim, meio torto, com olhos de quem me perguntava que diabos eu estava fazendo ali com eles. Era óbvio que eu não deveria estar ali ainda.
Algumas fãs barradas me olhavam torto e seus pensamento estavam estampados em suas testas: DIE, BITCH, DIE! E imaginem só a reação de Tommy se nos visse aqui agora. Tenho medo só de pensar o que ele seria capaz de fazer comigo. Algo como me torturar com farpas nas unhas, jogar ácido na minha cara e me decepar. Ou apenas me tirar o privilégio de estar com os guys. Bate na madeira três vezes.
A porta do elevador se abriu, mostrando um Tommy nada feliz na minha frente.
- TOMMY - Danny berrou, indo abraçar seu agente.
- Bêbado de novo, Jones? Você também, Judd? Até você, Tom? - disse ele reprovando-os e afastando Danny de si. - Vocês quatro, digo... Cinco - reparando em ao lado de Tom -, esperem-me ali. Preciso ter uma conversa séria com a amiguinha de vocês. Dougie, solta ela.
Eu olhei desesperada para eles, enquanto Tommy me puxava e minha mão soltava a mão de Dougie. Segui meu carrasco por um corredor lateral do hotel, indo em direção a um outro corredor um pouco menor e menos iluminado. Legal, eu ia ser torturada, esquartejada e iam jogar meus pedaços no mar para os tubarões. Jamais achariam meus restos mortais e me dariam por desaparecida. O que pensariam meus pais? E meus amigos? Que morte horrível para se ter.
Continuamos pelo corredor até pararmos em frente a uma porta um tanto suspeita. Tommy abriu a porta na minha frente, me mandando entrar. Entrei. A sala parecia algo como uma sala do zelador chefe, só que sem todas as possíveis parafernálias que ele deve guardar por lá. Era apenas uma sala vazia. A porta fechou atrás de mim. Me preparei e virei em direção à Tommy. Ele estava respirando fundo e eu senti uma bronca daquelas chegando em cinco, quatro, três, dois, um...
- ... QUAL É O SEU PROBLEMA? Você tem alguma ideia do tamanho da confusão que você me arrumou hoje? Um dia inteiro sem receber nenhuma notícia, simplesmente NADA. Onde é que diabos vocês estavam? Você tem noção de que o Fletch está louco atrás do garotos? Ele quase me matou hoje através do Skype e tenho certeza que, quando ele chegar amanhã... E sim, ele está vindo para o Brasil justamente para buscar os garotos, ele vai ter o prazer de te estrangular até a morte. Você sabia que os garotos tinham uma entrevista com a Capricho hoje? Você tem a menor ideia do papel de ridículo que eu fiz ao chegar ao estúdio deles e descobrir que os garotos não tinham comparecido numa entrevista que estava marcada há mais de mês? Não é porque eles são um bando de garotos com os hormônios a flor da pele e são mundialmente famosos que eles podem sair por aí fazendo o que bem entenderem. Eles tem responsabilidades, senhorita . E você, acima de tudo, deveria saber isso, já que foi escolhida a dedo POR MIM para cuidar das responsabilidades deles. Estou decepcionado com a sua falta de comprometimento com a nossa equipe. E aonde vocês foram, aliás? Você ainda não me respondeu! Porque, pelo o que pude receber, Danny está bêbado novamente. Da última vez que viemos ao Brasil, foi a mesma coisa, tirando o fato de Danny ter fugido do hotel e ido atrás de alguns rabos de saia. - ele deu um tempo, respirando fundo. Seu rosto havia adquirido um tom vermelho cereja não muito agradável aos olhos humanos.
Tentei controlar as batidas do meu coração um pouquinho, não com muito sucesso.
- Tommy - tentei recuperar um pouco da minha voz -, fomos em um barzinho aqui perto. Não aconteceu nada de mais e...
- NADA DE MAIS? TODO MUNDO ESTAVA QUASE PERDENDO O EMPREGO E A CULPA É TODA SUA. SUA FALTA DE RESPONSABILIDADE ME ENOJA. VOCÊ, , ESTÁ...
- NEM OUSE DIZER A PALAVRA 'DEMITIDA', TOMMY! - Dougie abriu a porta e se pôs entre nós dois. - NEM PENSE EM DEMITIR A . Foi MINHA ideia sair sem avisar. Foi MINHA culpa ela não ter atendido o telefone. Ela quis te avisar, mas não deixei. Nem pense em culpar a por algo que ela não fez. Se quiser culpar alguém, culpe a mim. - ele terminou, encarando seu agente.
- Dougie, não… - tentei argumentar, mas ele tapou minha boca com sua mão.
- Verdade, culpe a ele. - Danny, Tom, Harry e entraram aos tropeções, afirmando.
- Ah, Tommy, a noite foi ótima. Estamos todos bem e foi a melhor noite que já tivemos no Brasil. Ninguém precisa se preocupar à toa. Contando que o Fletch não saiba, está tudo bem. - Tom disse, indo ao encontro de Tommy, dando alguns tapinhas em suas costas.
- "Contanto que o Fletch não saiba". "Contanto que o Fletch não saiba"? Nesse exato momento, senhor Thomas, o Fletch está dentro de um avião, vindo buscar vocês. Nada mais de Brasil tão cedo pra vocês, garotos.
Com essa frase de impacto, Tommy saiu do quartinho fétido. Eu ouvi isso, mesmo? Sem mais Brasil tão cedo pro McFLY? Olhei para os garotos sem querer acreditar no que eu tinha ouvido. Eles tinham uma expressão desesperada. O quartinho parecia tão pequeno. O ar estava começando a faltar em meus pulmões.
- Ar. Preciso. De. Ar. - disse, fazendo meu corpo se arrastar para fora do quartinho e tirando essa sensação de claustrofobia que havia se apossado de meu corpo.
- Gente, ajuda aqui. - Escutei Danny dizer ao largo. Senti meu corpo batendo no chão e tudo ficando preto.


Dougie's POV


- Gente, ajuda aqui. - Danny chamou com urgência.
estava caída no corredor, enquanto Danny tentava acudi-la. Corri em sua direção desesperado. Se houvesse acontecido qualquer coisa com ela, a culpa seria inteira minha.
Ela estava muito branca, bem mais que o normal. Sua respiração estava fraca e aquele monte de gente amontoada ao seu redor também não estava colaborando. Pedi para se afastarem, enquanto erguia seu corpo em meus braços. Se eu não estivesse tão preocupado com ela, eu até poderia me sentir o próprio príncipe encantado Dougie salvando a princesa do perigoso dragão da torre mais alta. Ai, como eu vegeto.
Levei-a até o saguão de entrada e mandei , a menos bêbada ali no meio, comprar uma água bem gelada. Sentei num banco próximo e apoiei a cabeça de no meu colo. Ela estava completamente apagada. Seu desmaio poderia levar a noite inteira e eu não conseguiria dormir direito, sabendo do estado dela, sem saber se ela estava realmente bem.
Enquanto esperávamos pela volta de com a água, fiquei admirando os traços de . Tão suáveis, davam impressão de fragilidade, mesmo sabendo que ela não tinha nada de frágil. Queria que ela acordasse logo. Essa aflição estava simplesmente me matando. Minha mão seguia de seu rosto a seu braços como expressão de meu nervosismo, já que nem a minha perna eu poderia ficar balançando.
- Doug? - Harry agachou-se logo a minha frente, pondo uma de suas mãos na testa de . - Ela está muito fria e, apesar de ser uma área mais aberta, não acho que fará bem a ela ficar por muito tempo por aqui.
Terminou, olhando em meus olhos. Meus olhos, por sua vez, estavam cravados nas mãos de Judd.
- Ok, ok. Entendi. Você cuida dela. No touch.
veio correndo com a água na mão. Tentei dar um pouco de água a ela, mas foi inútil.
- , você se importa se a dormir no meu quarto essa noite? Eu não vou ficar tranqüilo até ela acordar.
concordou. Peguei no colo devagar, com medo de deixá-la cair. Tom correu para chamar o elevador, tropeçando no tapete da entrada do hotel, chamando a atenção de todos. Ele apertou o botão e o elevador abriu imediatamente. Entrei e subi até meu quarto com Danny. Danny subiu comigo para abrir a porta. Ele entrou rapidamente, pegou uma calça de pijama e foi para o quarto de .
Deitei na cama menos entulhada de coisas. Corri para arrumar a outra cama. Joguei as roupas de Danny no chão mesmo. Amanhã ele se virava para arrumar a bagunça que ele tinha deixado no quarto. Desocupei a cama, fui buscar e acomodei-a na cama de casal. Só para constar, o quarto tinha duas camas: uma de casal e uma de solteiro. Eu não estava dormindo na mesma cama que Jones, ok?
Ela ainda estava apagada, mas sua pele já tinha voltado a cor e a temperatura normal. Tirei seus sapatos e pus do lado da cama. Lembrei de Danny comentando que uma vez, uma garota com quem ele havia saído algumas vezes, dormiu com um brinco comprido e acabou quase rasgando a orelha dela porque engatou no travesseiro. Decidi não arriscar com a . Tirei seus brincos, colar e pulseira. Não que a pulseira fosse engatar na cama e arrancar seu pulso fora, mas só por precaução mesmo.
Aproveitei o embalo de arrumar as coisas e resolvi tomar um banho rápido, já que eu estava fedendo a fumaça. Quando voltei, fiquei vendo-a dormir. Fui até o outro lado da cama e me enfiei debaixo das cobertas. se movimentou, indo para com metade de seu corpo em cima de mim. Prendi a respiração com medo de acordá-la, mas não funcionou por muito tempo. Soltei o ar e respirei fundo, com seu perfume ainda invadindo o meu corpo. Aninhei-a em meus braços. Abracei-a de leve, dando um beijo em sua testa. Adormeci nessa mesma posição.


Na manhã seguinte, acordei com barulhos de tecla ao meu lado. Abri os olhos e vi de costas para mim, como o telefone do hotel nas mãos. Ela falava em português, então não consegui identificar o que ela estava falando. Ela estava bem. Sua voz, apesar de ser baixa, para provavelmente não me acordar, estava normal. Ela desligou o telefone e se espreguiçou com os olhos fechados, deitando na cama. Sua cabeça foi parar quase na minha barriga.
- Bom dia, .
Ela abriu os olhos, arregalando-os e olhando para mim. Ela só não berrou que nem no dia anterior, porque ela já tinha me visto ali antes.
- Bom dia, Doug. - ela disse.
Seus olhos estavam borrados. Seu rosto estava inchado de tanto dormir e com marcas do travesseiro. Seu cabelo estava todo embolado. Mas mesmo assim, ela conseguia ser linda. Ela era uma bruxa, por acaso? A Frankie precisava de 30kg de maquiagem para ficar apenas aceitável, e ela… Fiquei parado olhando para .
- Obrigada por ontem, sabe… Por ter me defendido. Mesmo que você tenha mentido em todo o seu discurso. Erm, obrigada MESMO. Não sei nem como te agradecer por isso. - ela ficou me olhando de cabeça para baixo. Vai lá, Dougie. Beija ela. É tão difícil assim?
ficou de joelhos na cama e se atirou em meus braços, dando-me um abraço apertado e um beijo nas bochechas. Ela ficou deitada no meu peito, ainda me abraçando. Vai, Dougie. AGORA!
Bateram na porta e levantou para pegar o café da manhã! "MERDA!", pensei, rolando os olhos e fechando-os por fim. Senti sentando ao meu lado.
- Quer? - ela estava mordendo um croissant. Eu ia negar, estava com raiva de mim mesmo, mas minha barriga nao me deixou mentir: eu estava faminto!
Balancei a cabeça e me sentei na cama. pegou um croissant para mim e me deu na boca. Eu podia me acostumar a isso.
Ficamos em silencio durante o café inteiro. Tom entrou no quarto, com um tom de desespero em seu rosto.
- Dougie… - Ele olhou de mim para e voltou para mim - NÓS VAMOS EMBORA DENTRO DE 2 HORAS!
- O QUE? - Pulei de cima da cama. Nossa passagem era só para semana que vem! Eu tinha mais um semana inteira com a aqui no Brasil. MAS QUE MERDA É ESSA?
- O TOMMY MUDOU AS PASSAGENS ONTEM À NOITE. A GENTE ESTÁ INDO EMBORA! - Tom olhou para e foi correndo abraçá-la, enquanto eu começava a alimentar um ódio muito grande pelo meu agente. Meu rosto começou a ficar quente, enquanto minhas mãos começavam a ficar esbranquiçadas com a fora que eu estava fazendo ao fechá-las. Tommy um dia iria me pagar por isso. Ah, ele iria.


's POV


- Você promete que não vai me esquecer? - Meus olhos estavam começando a ficar marejados, eu não queria chorar, não agora. Ele me olhou profundamente, e foi quase como que esse olhar fizesse todas as pessoas do salão de embarques se calarem. Era um olhar fixo, que dizia tudo e nada. Era o olhar de quem queria ficar. E eu queria que ele ficasse.
- E como eu poderia me esquecer de ti? - Ele me lançou um sorriso de lado. Senti a culpa me invadindo. A culpa por deixar ele ir e não poder fazer nada para mudar isso. Eu não podia ir agora.
Em nossa volta, parecia que tudo estava acontecendo tão rapidamente. Vi Danny autografando algumas coisas, Tom batendo fotos, com seu sorriso fofo e fazendo caretas para todas as que pediam para por o dedo na sua covinha e Harry distribuindo sorrisos.

"Senhores passageiros do vôo 567 British Air, com destino a Heathrow, Londres. Embarque no portão 15."

Ao final do aviso, meu coração deu um aperto. Ele tinha de ir embora e eu teria de ficar. Parando com a melancolia aqui, mas era a verdade. A três dias, quando eles chegaram, Dougie estava mais pra baixo que peru em época de Ação de Graças. Ele malmente sorria, quase nunca comia e andava de um jeito muito anêmico. Eu me preocupava com ele e os guys também, mas ele não estava deixando se ajudar, até aquela festinha no quarto de Danny. A lembrança trouxe um sorriso a meus lábios.
- ? - Ele me chamou. - O que aconteceu?
- Lembrei da festinha no quarto do Danny... - Deixei a frase morrer, o sentindo já lançando um sorriso em seu rosto.
- Sabia que foi o Harry quem inventou essa festa, não é?
- Suspeitei desde o princípio. - Franzi o cenho, fazendo um biquinho junto.
Dougie levantou sua mão e acariciou minha bochecha, deixando um rastro quente por onde passava. Desfranzi meu rosto e fechei meus olhos, sentindo seu calor, desejando ele comigo por mais tempo.
Mal tive tempo de abrir meus olhos, quando três trogloditas, cujo os nomes você já deve ter imaginado, pularam em cima de mim.
- EU NÃO QUERO DEIXAR A ! - Danny me abraçava, imitando o Dougie que havia se afastado alguns passos para não ser atingido. Tom estava sentado, brincando com meus dedos, cismado em tirar meu esmalte que já estava saindo. Dei um jeito de me virar e abraçar Danny. Eu ia sentir falta daquele besta bêbado, muita falta mesmo. Olhei para o lado e vi sentada no banco, meio carrancuda.
- Hey Danny, vou sentir sua falta, mané. Tens que vir mais vezes para cá. - Puxei Danny para um abraço mais apertado ainda e depositei um beijo em seu rosto. - Agora vai lá cuidar da tua mulher! - Meneei a cabeça para lado, mostrando uma triste no banco. Toda vez que ela ficava nesse estado, ela perdia toda a reação também. Ela estava logo ali sentada no banco, com as mãos segurando a cabeça e com o olhar perdido na tabela de vôos. O vôo dos garotos sai as 10:37h. Olhei para o relógio: 10h12.
Danny foi andando em direção a e sentou-se ao seu lado. Ela não havia percebido que era ele quem estava ali.
- ? - Ele chamou seu nome. Ela olhou para ele com os olhos marejados, quase se entregando ao choro. - ? MINHA , não chora, não... Olhe para mim... - Ele pôs sua mão quente em seu queixo, erguendo seu rosto e fazendo-a se perder no azul de seus olhos. - , esses últimos três dias foram incríveis, sabe por quê? Porque eu conheci a garota mais interessante que existe. Conheci a garota mais doce, mais inteligente, mais sexy e a única que me fez ser melhor e que me impediu de ir mais adiante. - Danny disse rindo, fazendo corar e olhar para baixo. - O que eu quero dizer, erm... Eu acho que eu te amo, .
, ao receber a notícia, não poderia ter tido uma reação diferente: primeiro, confusão, espanto, medo, com direitos a olhos arregalados, bocas em formas de 'O' e duas mãozinhas segurando o rosto ao estilo de 'O Grito', de Edvard Munch. Em seguida, sua expressão mudou para choro, alegria, excitação e um pequeno acesso de loucura. Ela pulou de seu banco, abrindo suas pernas e sentando no colo de Danny, de frente para ele, atraindo olhares de todos no aeroporto.
- Daniel... Alan... David... Jones... - disse, beijando cada pedaço de pele existente a sua vista, por fim, olhando para ele, que ria com seu ataque. - Eu esperei anos para te conhecer, e agora que finalmente te encontrei, você se vai. Eu te amo, Daniel, e mesmo que você vá agora, não importa. Eu irei te procurar aonde quer que você esteja. - Ela finalizou, beijando-o da forma mais intensa que já havia beijado-o.
- Temos mesmo de ir embora? - Tom estava parado ao meu lado, abraçado a Harry. Com os olhos marejados, ele olhava para o casal se agarrando logo mais a nossa frente. - A gente poderia se acostumar a viver aqui...
- Mas nós temos uma vida em Londres, Tom. Nossa vida não está aqui. - Harry disse, ao seu lado, abraçando o amigo mais forte.
- E vocês podem voltar sempre que quiserem, é claro. Não precisa ser necessariamente para um show, não é? - Completei, dando um sorriso para Harry e Tom e me virando para Dougie, sorrindo também.

"Senhores passageiros do vôo 567 British Air, com destino a Heathrow, Londres. Embarque no portão 15. Última chamada."

Meus olhos procuram por Dougie, aflitos. Ele andou rapidamente em minha direção. Seus braços puxaram minha cintura para perto de si, enquanto sua boca colava na minha, com urgência. Me entreguei fácil ao que seria o momento mais doloroso e extasiante que já passamos juntos. O beijo foi partido, enquanto ele me abraçava e sussurrava em meu ouvido.
- Agora eu também tenho uma vida aqui.


O avião estava decolando e um pedaço de mim estava dentro dele, assim como um pedaço de . Abracei minha melhor amiga, deixando as lágrimas rolarem por meu rosto. Fomos andando abraçadas pelo saguão de embarque até as portas de saída. O silêncio entre nós perdurava. O choro silencioso de continuava, enquanto eu abraçava-a mais forte a cada soluço.
Saímos a procura de um taxista que não se assustasse com nossas caras manchadas de rímel e inchadas de tanto choro. O feito de achar um taxi a essa hora era quase impossível também, mas seguíamos andando em direção ao ponto de táxi, quando um parou ao nosso lado, deixando um idoso com suas malas. Fomos até ele e dissemos nosso endereço. O motorista nos olhava de uma forma muito estranha, quase que com pena. Qual é? Nunca viu duas garotas chorando porque os amores de suas vidas haviam acabado de partir para um outro continente, levando um pedaço de cada uma com eles? Percebe-se que não.
soluçou mais alto ao meu lado. E minhas lágrimas quase voltaram a escorrer por meus olhos. Não me permiti ser fraca agora, minha amiga precisava de mim.
- ... Será que vamos voltar a vê-los? – ela me perguntou, olhando para mim.
- Sim , nós vamos. – sorri para ela, tendo a certeza de que minhas palavras eram verdadeiras.


CAPÍTULO 6


Dougie's POV

Ao chegar em Londres, logo sentimos falta do Brasil. A falta de fãs à nossa espera no aeroporto era claramente visível. Cadê todas as nossas fãs inglesas? Por mero acaso, encontramos duas pelos corredores do aeroporto e que por acaso também, quase não nos reconheceram. Ah, se Danny não tivesse berrado meu nome. Elas vieram ao nosso encontro com um certo ânimo na cara. Eu, pessoalmente, não estava muito animado em atendê-las. Sei que é meu dever como ídolo e tudo o mais, mas acima de tudo, eu sou humano. Eu tenho princípios, carências e necessidades. Meus princípios, nesse momento, estavam berrando com meu cérebro e me mandando ser simpático e "adoravelmente estranho", como diziam alguns desses sites de fofoca sobre mim. Sites que adoravam achar que conheciam mais da minha vida do que eu mesmo. Minhas carências, por outro lado, estavam me cutucando igual ao Tom quando quer que eu passe a comida para ele: INCESSANTEMENTE. Elas diziam-me: vá para casa!, tome banho!, deite numa cama!, DURMA! Não nego que a visão de uma cama quentinha e muito aconchegante me atraia muito. A viagem realmente desgastou grande parte de minhas forças e era muito longa para o meu gosto. Lá no fundo, do grande Big Bang que minha cabeça estava se tornando, um luzinha piscava, tentando chamar minha atenção. Era a minha necessidade de, nesse momento, pegar o próximo avião para o Brasil e procurar pela .
Dois pares de mãos apareceram repentinamente na minha frente. Eu olhei primeiramente sem entender o que significava aquilo. Olhei para as garotas e logo atrás, vi Danny me encarando, mandando andar logo com isso. Incorporei meu papel de fofo, amável e querido Dougie Poynter. As garotas ficaram loucas, por assim dizer. Dei meu melhor sorriso, juntamente de algumas caretas e fiz uma brincadeirinha boba com o cabelo azul de uma delas.
Ao terminar minha cessão de fotos e autógrafos, as garotas foram embora sorrindo, dando gritinhos de alegria enquanto conferiam os novos autógrafos e fotos que haviam acabado de conseguir. Suspirei fundo e segui para perto dos garotos. Harry passou o braço por meus ombros, dando-me um abraço de lado. Eu retribui com tapinhas nas costas. Meus olhos percorriam a tabela de vôos, enquanto procurávamos a saída do aeroporto.
- Nem pense em dar uma de garoto rebelde, Poynter. - Tommy olhou torto para mim, ainda ressentido pelo fato de eu ter defendido a ontem, ao invés de abaixar a cabeça e escutar a voz da razão e blábláblá.
- Eu não vou fugir… - "pelo menos, não agora." terminei o pensamento com meus miolos, enquanto mandava um sorrisinho para ele.
Fui andando de cabeça baixa até a van que nos levaria em casa. Era de se esperar que pelo menos agora que estávamos em Londres, poderíamos ir para casa com nossos próprios carros. Mas doce ilusão. Fletch, que não havia conseguido vôo para vir para o Brasil ontem, deixou ordens explicitas de que nenhum de nós quatro deveríamos ser deixados à deriva, por conta própria. Era só o que me faltava: agora eu tinha uma babá.
Os guys entraram na van. Danny se jogou no banco de trás, encostando suas costas na parte da janela. No Brasil, ele havia sido proibido de se sentar dessa forma, mas como ignorou a ordem, quase foi puxado para fora por um bando de fãs enlouquecidas e com os hormônios a toda. Depois dessa, só em Londres mesmo. Harry e Tom se jogaram no bando da frente, cada um com seus fones de ouvido. Fui até a parte do motorista, enquanto Tommy supervisionava o carregamento de nossos instrumentos, aparelhagens e alguns produtos de sexshop que Tom comprou para a namorada.
- Hey, you… - Olhei para o motorista. Era um garoto. Ele devia ter uns 18 anos, magricela, com a cara meio espinhenta, mas e daí, era ele quem iria me salvar agora. Olhei para seu crachá. - Jimmy? E aí cara? Depois que eu embarcar, já podemos partir, ok?
- Mas o Tommy não deveria vir conosco?
- Olha, se você deixar o Tommy aqui, você pode até ser despedido desse emprego chato. Mas eu PROMETO que, se nos tirar daqui agora e for demitido, eu te arrumo um emprego no Insonia's Pub e você será gerente de organização. Sabe, aqueles caras que arrumam os detalhes para as audições de novas bandas que tem lá. Então… Está interessado?
- O Insonia's mesmo? - Pobre garoto, seus olhos brilharam quando toquei no nome do pub.
- Sim, o Insonia's.
- Ok, então. Entre na van!
Ele me mandou entrar fechar a porta logo. Passei para ele o meu celular, caso ele realmente fosse demitido. Não sou nenhum babaca que faz promessas e não as cumpre. Caminhei até a porta e, como deu para perceber, entrei por último, fechando a porta atrás de mim. Para variar, não tinha mais lugar para mim, então me joguei em cima de Danny. Quem manda ele ser gordo e ocupar todo o espaço?
A van ligou e começou a se mover. Instantaneamente um sorriso apareceu em meu rosto. Fletcher se assustou, acordando de se transe junto a Harry.
- Por que a van já está indo? Cadê o Tommy? - disse olhando em todas as direções, constatando a falta do agente. Seus olhos pararam em mim e em meu sorriso. - Mas que porra tu fez, Dougie?
- Nada que a influência do McFLY não possa comprar. - Disse, me jogando para trás e apoiando as pernas em cima do banco. - QUÊ? Eu tenho direito de me aproveitar disso de vez em quando! - olhares acusadores pousaram sobre mim. - Depois eu me arrumo com ele. Vão dormir, vão!
Saí de cima de Danny e me arrumei no banco. Peguei meu ipod dentro da minha mochila. Olhei desanimado para ele, os fones estavam todos embolados. Sabe o que mais? Deveriam criar fones anti-embolo. Quem sabe assim eu não perdesse uns 20 minutos de cada um dos meus dias tentando arrumá-los.
Estava concentrado, tentando entender aonde que começava o embolo dos fios. Achei uma ponta e comecei a desembolar. Um nó, dois nós. À medida que eu ia progredindo em minha tarefa, meus pensamentos voaram até o Brasil. Que horas seriam lá? Aqui são 7p.m., então lá devem ser 4p.m. Lembro de me falando algo sobre um tal de "horário de verão", que diminuía uma hora no horário normal. Então 3p.m. Uhm, será que mando uma mensagem para ela, avisando que cheguei? Como será que ela está? Hoje o Rio estava tão ensolarado, convidativo. Parecia zombar da situação em que nos encontrávamos. Queria ter tido mais tempo com ela.
- Hey, Dougie? - o motorista gritou lá do banco da frente, parando a van totalmente no sinal e virando para trás. - Eu tinha instruções de levar vocês ate a casa do Fletch, mas já que fugimos… O que eu faço?
Ele me encarou e eu encarei os guys.
- Vamos para o Insonia's. Hora de te arrumar um novo emprego!
Jimmy virou para frente e meteu o pé no acelerador. Voltei a recostar minha cabeça no cabeça no banco e balançá-la ao som da batida. Vi minha mochila jogada no chão. Me estiquei e a peguei. Abri o primeiro bolso, onde eu mantinha preso um bottom do The Strokes e peguei meu celular.

Sinto sua falta, !
xx D.

Olhei a mensagem digitada em meu celular. Com um toque, apaguei-a. Guardei meu celular no bolso, inseguro. Bem-vindo à sua vida idiota, Dougie Poynter.


A vida de um famoso nunca são as mil maravilhas imaginadas pela metade do mundo. Seus passos nunca passam despercebidos aos olhos de seus stalkers, muito menos daqueles stalkers que ganham a vida com suas vidas. Sabem aquela maldita frase que o vilão sempre diz no pior momento do filme? "Não adianta fugir, não adianta se esconder. Vou te achar aonde quer que você vá!"? Esse é o lema desses sugadores de alma. Esse é o lema que vive passando pela minha cabeça. Esse era o lema que não me deixava seguir em frente.
Após meu rompimento definitivo com Frankie Sandford, minha vida mudou de cima para baixo. Foi a pior dor que já enfrentei. Não senti exatamente como se meu mundo estivesse desmoronando, mas vi a pessoa que eu mais amava partindo e me trocando por outro sem um motivo qualquer. Vi que tudo o que eu construí ao longo do tempo que passamos juntos foi se apagando, se quebrando ao meu toque como algo podre e sem vida. Vi minha vida afundando dentro de mim e minha alma chorando com as rachaduras que nela se formaram. Entendi o que realmente era um amor sangrento, mais conhecido como "bleeding love". Esse tipo de amor se referia à dor que sentimos ao vermos nosso coração em pedaços dentro de nós, ao vermos nossa mente entupida de ódio e rancor, mas ao mesmo tempo, cheia de amor por aquele que nós levou para o abate. Demorei para me recuperar. Passei por momentos ruína e momentos piores ainda. Fui para a reabilitação, cuidar de mim, me livrar daquele sentimento estúpido que anuviava meus pensamentos e me mandava mensagens constantes com a intenção de me torturar.
Um mês depois, senti minha liberdade voltando. Saí da reabilitação, não totalmente curado, mas com meus sentimentos guardados e meu "eu" enfaixado. Fui recebido com amor pela minha família. Minha mãe, minha irmã e meus melhores amigos: Daniel Jones, Harry Judd e Thomas Fletcher. Enquanto estava fora, foram eles que me apoiaram e mentiram para o mundo inteiro sobre o meu sumiço. Eles me defenderam, me ajudaram e sei que com eles, eu estarei seguro. Eu terei a minha vida de volta.
Minha vida voltou a tomar rumo aos poucos. Comecei a trabalhar arduamente nas nos músicas. Passei a ensaiar em cada momento livre de meu dia, como um exercício constante que me impedia de lembrar do que me machucava. Fui mantido longe da imprensa, da qual só sabia relembrar os difíceis momentos por quais passei, em vez de tentarem me ajudar. Meus melhores amigos me protegeram. Tom me acolheu em sua casa, junto com sua, agora noiva, . Danny e Harry passavam o dia comigo. Cantávamos juntos, bebíamos juntos, falávamos merdas juntos. Eu passava horas num dia sem lembrar de Frankie, mas quando a noite chegava e todos iam embora, eu ia para meu quarto, deitava em minha cama e pensava "Por quê?".
Três meses depois, entramos em turnê e fomos ao Brasil. Lá, conheci dezenas de garotas apaixonadas pelo McFLY. Apaixonadas pelos meus amigos e por mim. Conheci garotas incríveis, inteligentes, divertidas, de bom coração. A cada garota que passava por mim, em cada M&G ou em cada hotel, eu notava alguma semelhança com Frankie. Nada me fazia esquecê-la. Até conhecer . Foi aí que tudo mudou.

Já faz seis meses que não a vejo. Sinto falta dela. Ainda me culpo por não ter tido coragem de mandar aquela mensagem para ela. Prometi nunca a esquecer e não a esqueci, de fato. Minha memória já começa a falhar e já não me lembro de todos os seus traços. Não me lembro mais como era a sua voz. Às vezes, tenho um leve vislumbre de seus olhos fechados, de sua boca ligeiramente aberta, respirando fundo. Lembro-me de seu beijo. A urgência, o desejo e o medo da perda juntos, como um só sentimento. Lembro-me de seus olhos marejados, ao me ver entrar na sala de embarque. Minha última visão, à qual me prendo como se minha vida dependesse disso. E eu sei que depende.
Tive relacionamentos com outras mulheres ao longo desses 6 meses. A cada vez que acordava e via alguém dormindo ao meu lado, a culpa batia no meu peito. Eu me despedia da mulher que passava a noite comigo sempre de um jeito mais… Querido, nunca rudemente. Não era o meu feitio querer machucar alguém, mesmo sabendo que algumas se machucariam por achar que conseguiriam mais que uma noite só.
Há um mês, Danny me jogou na piscina. Meu celular estava em meu bolso e acabou estragando, perdendo assim o número de . Na verdade, nunca desculpei Danny totalmente por isso. Aquela era a única forma que eu tinha de poder reencontrá-la, mas como tudo sempre dá errado para mim, isso tinha de acontecer. Mas sempre mantive forte um pressentimento dentro de mim. Era mais como a ponta de uma esperança me dizendo "Você ainda vai encontrá-la, Dougie. Fique esperto!"

CAPÍTULO 7


’s POV

Céu nublado, mas sem chuva. O dia estava friozinho, por já ser mais ou menos metade do outono. As folhas das árvores caíam ao meu redor, tingindo as ruas e parques de uma cor avermelhada, enquanto uma leve brisa passava por entre os meus cabelos, me deixando arrepiada. Eu inspirei profundamente aquele ar fresco do parque enquanto fazia de tudo para terminar de atravessá-lo. Eu ainda nem acredito que estou realmente em Londres. A cidade dos meus sonhos, onde eu poderia começar a minha vida de novo, esquecendo o meu passado no Brasil.
A cidade estava meio parada a essa hora do dia, 15h00min, mas do mesmo jeito, continuei o meu caminho. Saí do parque, chegando a uma ruazinha simples e pequena, mas bastante movimentada. Fui em direção ao meu destino. O Insonias Pub era um lugar onde a música ao vivo era apreciada. O espaço do pub era grande o suficiente para se fazer uma audição com dezenas de músicos para uma nova banda, e era isso mesmo que estava acontecendo.
Nós, digo, e eu, fomos convocadas para ajudar na preparação dessa audição. Por já termos tido muito contato nessa área, fomos chamadas para abrirmos a audição com uma apresentação, um tipo de “show de entretenimento aos artistas” e, quem sabe, ajudar na audição em si. Por que não participar? Música sempre foi a nossa vida. Viver um pouco mais perto dela não faria mal a ninguém.
- Mas onde é que você estava, sua retardada? - Recebi um pedala na cabeça de uma furiosa. Seu violão estava pendurado ao lado de seu corpo. Ela usava uma blusa preta simples, uma calça jeans skinny também escura e, é claro, seu inseparável All Star. O que posso dizer sobre mim? Eu estava com a mesma coisa que ela. Se fosse há alguns meses, estaria bem mais produzida que agora, mas ultimamente nós duas estávamos ligadas no modo “foda-se!”. Nós já havíamos conseguido o que queríamos e isso nos fazia ver que não era a roupa que realmente importava, éramos nós, o que nós fazíamos para conseguir as coisas.
- Calma, , estou aqui agora. E como estão as coisas? - Perguntei a ela, que me mandava um dedo do meio por tê-la mandado ficar calma. Tirei meu violão de sua capa e passei a afiná-lo. Como eu não estava de folga hoje, mal tive tempo de ver a cor dele.
- Dude, a audição está prestes a começar e, pelo que pude ver, o povo aqui é genial!
Percebi por sua voz que estava preocupada. E, ultimamente, estivemos preocupadas o tempo inteiro. Chegamos a Londres há mais de duas semanas e de lá para cá, nossas vidas estavam sendo uma correria. Arrumar um apartamento decentemente grande nessa cidade era algo que parecia ser impossível. E além de tudo, teríamos de arrumar os móveis, comprar comida e ter dinheiro. Ah, o dinheiro. Arrumar um emprego teria sido impossível nessa cidade super lotada, se não fosse por um mero acaso de termos entrado na Starbucks bem na hora que o Mr. Lorren estava demitindo duas de suas empregadas. As bandidas estavam desviando o dinheiro dos caixas para uma conta especial com outro nome. Bandidas mesmo!

’s Flashback ON

- Com licença, senhor…? - Chamei-o ao vê-lo de cabeça baixa, respirando fundo enquanto tentava manter a calma. Ele me olhou com aquele olhar tipicamente frio de quem estava passando por um momento difícil e que não estava a fim de ser atazanado. Tentei não parecer intimidada, apesar de que, por dentro, eu já havia me encolhido por inteira. Recomecei. - Senhor, acabo de ver o que aconteceu e… O senhor provavelmente precisará de duas novas atendentes. Minha amiga - Apontei para , sentada na mesa devorando um muffin - e eu chegamos a Londres faz pouco tempo e, se o senhor nos aceitar, gostaríamos de nos candidatar para essas vagas. Ah, aliás, meu nome é !
Terminei meu discurso, quase embolando com a pressa que eu jogava as palavras para meu possível novo patrão. Senti que estava engasgando. Talvez fosse apenas meu coração querendo sair por minha boca. Dei uma tossida e voltei a olhá-lo.
O homem deu um sorriso atravessado, deixando as marcas de irritação de lado e mostrando que, apesar dos quilinhos a mais, do grande e farto bigode que possuía e da boina um pouco cafona, deveria ter sido um grande conquistador quando mais jovem. Ele me avaliou por alguns instantes, quem sabe pensando se seria uma boa ideia ou não nos expulsar dali.
A porta do café se abriu com força enquanto alguns garotos entravam. Ok, confesso, garotos não, homens gostosos e ingleses. COMO EU AMO ESSE PAÍS!
- - o homem me chamou -, sou o Mr. Lorren, o seu novo patrão. - Ele abriu um sorriso, me fazendo sorrir pela primeira vez, aliviada. - Qual é o nome da sua amiga mesmo?
- , senhor.
- Ah, sim, . Espero vocês duas aqui amanhã, às oito e trinta.
Voltei para minha mesa, me segurando para não agarrar minha amiga na frente do Mr. Lorren. Quando meu novo patrão voltou para a cozinha, corri o restante do percurso e agarrei minha amiga por trás.
- NINA, SUA VADIA! VOCÊ ESTRAGOU MEU MUFFIN! - ela berrou enquanto eu a soltava para ver os estragos. Seu muffin de chocolate parecia pisado, com um sulco exatamente no meio. Até parecia que tinham furado ele com alguma coisa. Eca.
- Ah, , me descul… - Olhei para ela, começando a rir descontroladamente. A calda de chocolate pingava de seu nariz enquanto ela me lançava raios mortais de raiva.
Escutei risadas logo atrás de mim. Virei e vi os garotos que tinham entrado no café a pouco olhando pra gente. começou a ficar vermelha, dando a impressão de ser um morango coberto de chocolate. Os garotos começaram a rir mais ainda, olhando descaradamente para nós duas. foi correndo para o banheiro e eu fui à direção deles.
- Posso saber por que vocês estão rindo e olhando em direção a mim e à minha amiga? - Meus olhos se fecharam um pouco e meu lábio afinava. Típica expressão de fúria que eu exibo com vigor.
Eles pararam de rir na hora. O mais baixinho veio para frente, no primeiro ato de socialização daqueles quatro.
- Desculpa se fomos um tanto… Insensíveis. Mas a cena foi hilária. Você pulando nela e a cara de brava da sua amiga. - Ele começou a se desculpar, quase que falando rápido demais. - Não foi nem por causa da calda, mas foi engraçado. Desculpa… Ah, desculpa mesmo.
Ele abaixou a cabeça enquanto seus amigos olhavam para o alto ou batiam com a mão na cara com a tamanha falta de jeito que seu amigo estava tendo. Eu, com toda a minha irritação à flor da pele, comecei a rir. Simplesmente rir. Eles se olharam com caras estranhas, me achando uma pirada. E, provavelmente, eu era. Olhei de novo para eles, parando para tomar fôlego.
- Meu nome é , prazer.
Eles se olharam e deram de ombros.
- Nathan. - disse o menorzinho, dando um sorriso de desculpas… DE NOVO?! Os outros três se apresentaram como Siva, Tom e Max.
Escutei uma porta mais atrás se fechando, enquanto uma andava de cabeça baixa e estancava, ao levantar a cabeça e me ver conversando com eles.
- Agora - olhei para eles -, vão lá e peçam desculpas para a . Eles foram.

’s Flashback OFF

começou a me puxar para dentro do pub. Ela me deu um passe para o backstage. Subimos algumas escadas e passamos pelos seguranças. Olhamos para baixo e vimos a área cheia de guitarristas, baixistas, cantores solistas, dançarinos e tudo o mais que se pode imaginar. Até parecia que estávamos nos bastidores do America's Got Talent, só que, é claro, numa versão inglesa.
- Olha quem chegou! - Escutei a voz de se dirigindo a alguém.
Um garoto, um eterno garoto de cabelos espetados, começando a enrolar por falta de chapinha e calor, veio correndo ao nosso encontro. Jimmy estava com seu iPad, arrumando a ordem das apresentações. Dançarinos com dançarinos, cantores com cantores e toda essa complicação que só ele tinha paciência para resolver. Ele chamou uns dois nomes. Dois bailarinos foram encaminhados para perto do palco antes de suas apresentações.
Jimmy veio em nossa direção, nos dando um breve abraço.
- Venham, daqui a pouco são vocês duas!
Ele nos levou até o nosso camarim, composto por um pedaço de linóleo preso numa escada com duas garrafinhas de água. Ficamos por ali conversando sobre os participantes, até um grito sobressaltar Jimmy, que foi correndo até uma porta entreaberta mais à frente.
Deitei nos degraus, apoiando minha cabeça na perna de . Conversamos algumas coisas banais sobre o trabalho, parando de vez em quando para escutar os aplausos das apresentações dos dançarinos. Minha cabeça não parava de latejar e minha barriga insistia em fazer barulhos estranhos, já que eu não havia comido nada o dia inteiro. Levantei do colo de , à procura de minha bolsa. Meus olhos ficaram escuros, perdi meu equilíbrio com a tontura que aparecera. Acabei caindo de bunda no chão.
- ! Está tudo bem? - chegou mais perto de mim, segurando meu braço para me ajudar a levantar. Seu olhar de preocupação era de dar pena.
- Nada não, . Só levantei rápido demais.
Levantei do chão, com mais cuidado agora, indo em direção à minha bolsa para pegar um remédio. Peguei um analgésico, abri uma garrafa de água e dei um gole, desejando que fizesse efeito logo. Enquanto encostava-me à mesa, eu curtia minha cabeça quase explodindo antes da apresentação. Escutei a voz de Jimmy mais ao fundo. Como não sabia a que hora iríamos nos apresentar e se daria tempo de ir a um bar comprar algo para comer, resolvi andar à sua procura, até encontrar a origem da voz. E, de fato, encontrei-o dentro de uma sala. Antes de bater na porta, escutei outra voz além da de Jimmy, perguntando-lhe algo. Aproximei meu ouvido da porta, mesmo sabendo que eu estava indo contra qualquer principio ético por mim conhecido.
- … Acabaram de chegar, chefe. Os garotos já foram mandados para a área VIP. Podemos começar as a abertura das audições sérias.
- Tens alguém em mente para fazer essa tal abertura de que me falou?
- Na verdade, chefe, tenho DUAS.
Desencostei da porta e corri até com o coração na mão, após ouvir passos se aproximando da porta. Sentei ao seu lado, ofegante, pondo a mão no peito como forma de controlar a respiração.
- , o que deu? É a sua tontura de novo? Eu disse que você devia ter comido alguma coisa.
me olhava com os olhos espremidos de reprovação. Fiz um sinal com a mão, pedindo tempo. Respirei fundo algumas vezes, tentando controlar minha voz.
- , eu acho que… ELES estão aqui.
- Eles quem, ?
- ELES, .
- Você está falando do McF…
- GAROTAS! - Jimmy veio correndo até nós, empolgado. - Vocês vão abrir as audições. Vamos, vamos!
Ele foi nos puxando, empurrando ou qualquer outro nome que possa se dar ao ato de nos levar até atrás do palco para nos prepararmos. Eu mal havia recuperado meu fôlego da corrida e já estava ali, correndo de novo e com o coração na mão por sermos as primeiras. Ouvimos aplausos e as luzes do palco se acenderam, dando destaque ao homem que estava falando com Jimmy há pouco tempo. Nosso nome foi chamado e Jimmy, literalmente, nos jogou para cima do palco. A luz nos cegou por alguns instantes, até nossos olhos se acostumarem a ela. Vimos a multidão que iria nos assistir. Dei uma espiada na área VIP, sem muito sucesso de reconhecer quem estava lá.
Segurei meu violão perto de meu corpo e , em vez de pegar seu violão, pegou uma pequena percussão. Olhei para , sorrindo nervosa, ela retribuiu e sibilou qual seria nossa música. Era hora de mostrarmos para o mundo, ou apenas para nosso pequeno salão cheio de artistas mais talentosos que a gente, o poder de duas garotas que passaram suas vidas inteiras ensaiando em um apartamento apertado e que agora cansaram de ficar escondidas.
- Boa noite a todos - peguei o microfone logo à minha frente, começando a nos apresentar -, sou e essa é minha amiga . Vamos tocar para vocês a música Daydream Away, do All Time Low.
começou com seu “chocalho” e eu, com os acordes. A música foi saindo sem dificuldades, como se tivesse o poder de nos levar ao passado, onde tudo era mais fácil e sem preocupações. Quando dei por mim, os últimos acordes estavam terminando de se formar em minha mão e minha voz não tremia, não desafinava. Terminamos e uma salva de palmas jorrou em nossas direções. Abri um sorriso enorme, olhando emocionada para nosso público. Virei para e, é claro, a chorona estava com os olhos completamente marejados. Já era de se esperar. Agradecemos pela atenção e saímos do palco nos abraçando, pulando, comemorando, tropeçando, quase caindo e pulando de novo. Recebemos mais alguns pares de parabéns pela apresentação, até que Jimmy nos puxou para perto, reclamando nossa atenção.
- MEU DEUS DO CÉU, ISSO FOI INCRÍVEL! Eu sabia que vocês eram boas, mas não sabiam que eram TÃO boas! - Os olhos de Jimmy brilhavam em nossa direção.
- Ah, Jimmy, querido, você não viu nada! - deu uma piscadela numa tentativa de sedução muito mal feita, fazendo-o corar. - Obrigada pela oportunidade, Jimmyzinho!
- Obrigada mesmo, chuchu! - Apertei uma de suas bochechas e dei um beijo na outra. - E agora… Vamos para o bar. - Puxei pelo braço, sentindo meu estômago se contorcer de fome.
- Eita, bêbada!
Mostrei a língua para e agradeci Jimmy mais uma vez por tudo. Seguimos para o bar da forma mais rápida que pudemos, mas não tão rápido quanto eu pretendia. Finalmente chegando ao balcão, após vários parabéns e cumprimentos, pedi um sanduíche frio rápido, devorando-o assim que colocaram em minha frente.
- Bem melhor! - Disse, terminando de mastigar o último pedaço.
Um atendente do bar veio em nossa direção, recolhendo meu prato e botando na pia logo atrás de si.
- Hey, bela apresentação. - O atendente disse. - Aliás, me mandaram entregar isso para vocês. É lá da área VIP. - Ele nos entregou dois copos de caipirinha com um número gravado no guardanapo. Dizia “Me liguem agora”. Olhamos uma para a cara da outra e começamos a rir. Que palhaçada era essa agora?
- Que ideia idiota. - Comentei, ainda rindo. parou de rir, em choque.
- , querida, quem seria tão idiota a esse ponto? - Ela parou, me olhando sério. Era tão óbvio.
Disquei o número. Tocou três vezes até alguém atender.
- Demoraram pra ligar. - Uma voz forçadamente disfarçada soou pela linha.
- Ah, desculpe-nos. Estávamos aproveitando o drink que nos mandou.
- Espero vocês na área VIP. A senha é “stalker”. - Escutei algumas risadas ao fundo e a ligação foi cortada.
ficou me olhando por um tempo. Minha cara deveria estar realmente engraçada, porque sua cara de segurar riso, com certeza, também estava.
- Acorda, . - Ela estalou os dedos algumas vezes na frente de meus olhos, acabando por parar em minhas bochechas e beliscá-las.
- SAI, MULHER!
Tirei-a de perto de mim. Sua risada começou alta com meu ataque, acabando por se engasgar. Dei uns tapas de leve em suas costas (lê-se: quase quebrei suas costelas com os quase socos que dei). O rosto vermelho de começava a voltar ao normal, mesmo ainda estando ofegante.
- Poxa, , quer me matar, é? - Seus olhinhos manhosos me fitavam.
- Até que não seria uma má ideia… - Deixei a frase pelo ar. Sua cara de indignada foi o ponto certo do momento para trocar de assunto. - Então, nos mandaram ir para a área VIP.
Levantei meu celular e o sacudi com a minha mão, enfatizando que estava falando da ligação. Seus olhos começaram a brilhar.
- Será que são… Eles? - Sua voz foi afinando de acordo com a aproximação do final da pergunta.
- Só temos um jeito de descobrir.

Por que esse lugar tinha que ser tão pequeno? Passar por essa multidão chegava a ser sufocante algumas vezes. Cadê o ar desse lugar? Pessoas suadas e fedidas, sim, porque tem gente que não sabe para que serve um desodorante, passavam raspando em mim. Seus cheiros, líquidos corporais e o calor de seus corpos passavam para meu cabelo, meus braços, tronco, cabeça, pé, unha, tudo! Minha mão, começando a suar, estava grudada na de , que tentava me seguir pelo emaranhado de artistas e seus frequentadores diários.
Por fim, chegar à maldita escada da área VIP tinha se saído mais difícil que o planejado. Meu Deus, sinceramente, de onde havia surgido tanta gente nesse lugar?
abriu sua bolsa, começando a espirrar desodorante por todo o seu corpo e em mim também.
- Estou. Intoxicada. Com. Esse. Fedor. De. Cebola. Podre! - Ela ia murmurando e espirrando.
- E eu vou morrer intoxicada com esse seu desodorante fedido! - Abanei o ar com minhas mãos.
- Isso quer dizer que eu sou fedida, é?
- Sempre!
Prontas e cheirosas, de acordo com , decidimos que a hora era agora. Coloquei minha mão no corrimão da escada. Imediatamente um King Kong mutante apareceu na minha frente.
- Aonde pensam que vão, mocinhas? - O segurança nos olhava de cima para baixo, nos avaliando.
- Hm… Subir, não? - Senti uma puxada de cabelo de .
- Subir? - Ele deu um sorriso maléfico em nossa direção. - Eu acho que não.
- Eu acho que sim. - Sorri para ele. Suas sobrancelhas levantaram e um vestígio de sorriso aparecia em seus lábios. Aproximei-me de seu ouvido e disse as palavrinhas mágicas num sussurro. - A senha é STALKER.
Ele virou rapidamente, agora com um verdadeiro sorriso no rosto.
- Então são vocês as garotas. - ele comentou para si. - Eles estão lá em cima, podem subir.
Tentei dar um sorrisinho ao segurança, mas acho que ele não saiu da forma que eu esperava. A menção “deles” me deixou com uma grande pedra na boca do estômago. Talvez fossem apenas borboletas entaladas, mas pedras me pareciam mais sensatas.
Peguei a mão de minha amiga e voamos escada acima. A palpitação acelerada era devido, em grande parte, à corrida que acabávamos de ter, mas ao visualizar os últimos degraus, pensei que iria levantar vôo. Chegando à área VIP, meus olhos demoraram um pouco para se acostumar com as luzes mais fracas e discretas do local. Alguém cobriu meus olhos com uma mão e com a outra, os de .
- Quem é? - Perguntei, nervosa. Senti a mão balançando um pouco e o sopro de risadas atrás de mim. - Vai, precisamos de uma pista!
- Eu, oras. - A voz saiu perto de meu ouvido esquerdo enquanto meu corpo todo se retesava. Olhei rapidamente para e viramos juntas, com os olhos arregalados e os corpos duros de ansiedade.
- Oi, ! Oi, garota do Muffin.
- Nathan?

Nathan’s POV

Não sei o porquê, mas as garotas pareciam meio surpresas ao me ver. Elas me olhavam com aqueles olhos pouco sedutores arregalados e com as mãos tampando suas bocas. Eu não sei quem elas esperavam que fosse, mas eu é que não era.
- Ok, acordando do transe - Estalei os dedos na frente de seus rostos -, sei que sou gostoso, mas não precisam ficar assim. Podem vir me dar um abraço! - Abri meus braços e tentei fazer uma carinha convidativa. Sucesso? Nenhum. As duas só começaram a rir.
- Oi, Nath!
veio e me deu um abraço, ainda rindo.
- O que você está fazendo aqui? - Ela perguntou, enquanto também vinha me abraçar.
- Então, nós temos uma boyband e estamos à procura de mais um membro. - Sorri.
- Nós? - perguntou.
- E aí, coisas lindas?! - Tom Parker apareceu, dando um beijo na bochecha de cada uma. - Não sabia que vocês tocavam. Se nós não estivéssemos à procura de um macho, eu escolheria vocês duas. - Ele deu uma piscada, deixando-as sem graça.
- É, nós!
Sorri calorosamente para as meninas. Puxei as duas pelas mãos e levei-as para nossa mesa. Siva e Max cumprimentaram as garotas, dando parabéns pelo show de antes. Nós nos sentamos ali por alguns minutos, conversando, bebendo e rindo. havia se encaixado numa conversa entre Siva e Tom sobre o melhor tipo de cabelo para cada um. Max conversava com nosso produtor, sobre os detalhes de nosso futuro primeiro CD. Isso seria um sonho maravilhoso a ser realizado e, se Deus quiser, iríamos conseguir.
Sentei mais perto da bancada para escutar melhor os candidatos. Entre as papeladas que estavam na minha frente, estava a foto de uma garota loira.
- Sua namorada? - apareceu atrás de mim e apoiou sua cabeça no meu ombro.
- Não, minha irmã.
- Ela é linda. E, reparando melhor, é a sua cara! - sentou do meu lado. - Quer ajuda?
- Obrigado. - olhei para ela, realmente agradecido.
Passamos quase que o tempo todo avaliando os candidatos. No final do dia, separou seus preferidos e eu, os meus. Discutimos um pouco sobre os 43 escolhidos e, por fim, tiramos os dez melhores que tínhamos em comum desse meio. insistiu particularmente em um loiro com uma voz diferente. Aceitei sua opinião, afinal, ela estava mostrando ter um puta bom gosto. Passamos a lista inteira para o apresentador. Nosso trabalho estava feito e agora era só esperar pela apresentação do dia seguinte. De onze, então, um seria o quinto integrante do nosso grupo.
- Então, o grupo já tem um nome?
- Bem - Nathan olhou para alto, pensativo -, estamos entre dois nomes: The Beatles e The Wanted. Qual você prefere?
não conseguia olhar para mim sem rir.
- AI, NATH! - Sua cabeça caía para trás a cada risada e sua voz saía meio arfada. - The Wanted é um ótimo nome.
- Mas The Beatles é tão legal.
- É, mas já existe, criatura! - ela continuava rindo.
- Ok, então - o garçom passou por nós dois e eu peguei duas bebidas -, um brinde ao The Wanted! Cheers!
- Cheers! - levantamos nossos copos e brindamos.
Passamos o resto do tempo conversando. Juntamos-nos aos outros nas mesas mais atrás, dissemos nossas escolhas e o nome do nosso grupo. Eles adoraram e prometeram que me ajudariam amanhã, o que eu duvidava um pouco.
- Hey, garotas - Siva chamou-as -, vocês não querem escutar a audição amanhã com a gente?
As duas se olharam e fizeram cara de desânimo.
- Ai, Siva, desculpe, mas temos que trabalhar. - choramingou. concordou com a cabeça. Seria legal se elas estivessem aqui. - Mas vocês vão passar lá na Starbucks depois da audição para nos contar as novidades. Prometem?
- Prometemos!
- Puta merda, já é meia-noite e meia! - Max exclamou de repente - Nem vi o tempo passar.
- O QUÊ? - As garotas berraram, se olhando desesperadas. - Garotos, temos que ir! Até chegarmos em casa, vai demorar ainda e temos de acordar cedo.
- Querem que eu leve vocês? - Perguntei. Não custa nada ser educado, sabe?
- Nath, nem se preocupe. Nós pegamos um táxi mesmo.
- Um táxi. - Levantei uma mão, não muito alto. - Pegar carona comigo. - Levantei a outra mão, mais alto. - Que dúvida cruel, não? Assim vocês me magoam!
- Ah, tadinho do Nath. - apertou minhas bochechas, fazendo uma carinha fofa.
- Ok, Nath, aceitamos sua carona. Mas por favor, vamos AGORA! - me olhou desesperada.
- Tudo bem. Hey, volto mais tarde, bichinhas. - mandei um beijo para os rapazes, peguei a minha chave e desci com as meninas.
Saímos do bar, que ainda se encontrava lotado. Atravessamos a rua, indo em direção ao meu carro.
- Para onde, madames?
- Segue reto toda vida, Nath. E sem essa de madames .- me mostrou a língua e sorriu em seguida.
Entramos no carro e fomos embora. Uns 15 minutos mais tarde, estávamos parados na frente do prédio delas.
- Estão entregues! - Comentei, sorrindo e piscando de lado.
- Obrigada, Nath, te devemos uma!
- É mesmo! Até amanhã. - , que sentava do meu lado, me deu um beijo na bochecha e saiu. - Boa sorte com a audição!
Acelerei o carro e fui embora. Enquanto voltava para o pub, não conseguia parar de pensar que amanhã era um novo dia cheio de surpresas pro grupo e que eu estava feliz por ter feito duas novas amigas.

CAPÍTULO 8


’s POV

Nathan não conseguia parar de rir de alguma idiotice que Tom havia contado. Os garotos sentavam ao meu redor e a música tocava bem alto e num ritmo dançante. Siva se engasgava com a bebida em sua boca e Max tentava cantar a garota sentada mais próxima de si. Parando para pensar em tudo o que estava acontecendo ali, eu estava feliz, olhando maravilhada para os garotos se divertindo.
Troca. A cena continua a mesma. No lugar de Nathan, Dougie sentava segurando a minha mão, rindo de algo que Danny havia dito. Tom e Harry acompanhavam com risadas exageradas e gostosas de ouvir. Mas, não, estava tudo errado. Eu não estava entendendo nada.
Olhei para baixo, vendo minhas mãos cercadas pelas de Dougie. Sua risada parou e olhei para ele. Seus olhos estavam em meu rosto, dançando por ele. Aquele sorriso escondido por trás das rugas de expressão me deixava com uma dor profunda no peito.
- Dougie…
Minha voz se perdeu com a visão de sua boca chegando mais e mais perto de mim. Ele dizia algo. Sussurrava meu nome…
- ?! ACORDA! - estava de frente pra mim, me balançando. Se eu já não tivesse acordado, provavelmente teria lhe beijado.
- O que você quer, demônio? - Puxando minhas cobertas para cima, rolei de lado e tentei voltar a dormir.
- Você estava falando durante o sono. - comentou. Meus olhos se abriram rapidamente, mas permaneci na mesma posição. Não importava o que ela tinha escutado, não ia dar o braço a torcer e admitir que ainda sentia algo com a menção desse nome. - Você nunca falou durante o sono.
- Eu sei, vai ver estou virando sonâmbula. - Tentei mudar a direção do assunto.
- É, talvez. - Os segundos pareceram se estender por décadas. Ela ia falar o nome dele. Não fala, por favor, não fala! - Você estava chamando pelo Dougie.
A mesma dor, sentida no sonho, me tomou de novo. Saudades, amor retraído e esperança de encontrá-lo novamente. “Garota estúpida!”, pensei, “Ele nem deve lembrar mais de você”.
- Eu sei também. - Minha voz saiu pior do que o planejado. Suspirei fundo e sentei direito na cama, cruzando as pernas. - , e se nunca mais os virmos?
- , você se lembra de seis meses atrás? Quando os vimos pela última vez?
Balancei minha cabeça. Aquela cena ia e voltava em minha cabeça quase que 24 horas por dia.
- Então, naquele dia, logo que eles embarcaram... Você me disse que os veríamos novamente…
- Mas,
- SHIU! Deixei você falar? - Ela olhou para mim, semicerrando os olhos e abrindo um sorriso caloroso. - Você me disse que os veríamos novamente e, agora, EU estou dizendo que vamos vê-los novamente. Pode ser hoje, amanhã, mês que vem ou daqui a dez anos, mas, , nós vamos!
Abracei , deixando duas lágrimas escorrerem. Maldita melhor amiga, só me dá esperanças. Talvez eu deva matá-la. Ou melhor não. Sequei as lágrimas com a manga do meu pijama. Aproveitei e deitei de novo. Voltar a dormir era tudo o que eu queria.
- O que você pensa que está fazendo? - Abri os olhos e virei para , rolando na cama. – Levanta, mulher, o ônibus pro trabalho sai daqui a 30 minutos.
Pulei da cama urgentemente. Por que diabos ela não me disse isso antes? Corri para o banheiro, tomando um banho - minto, não era bem um banho, era mais uma passagem rápida de água pelo corpo muito da sem vergonha! -, me arrumando e correndo para pegar minha bolsa.
- Olha, em todos os anos que eu te conheço, nunca te vi se arrumar tão rápido!
Parei na frente do espelho, me olhando de cima para baixo. Blusa branca larguinha, calça skinny preta e um All Star de couro. Cabelo preso num rabo-de-cavalo meio solto. Perfeito.
- Vamos? - Perguntei, passando de um lado do outro do quarto para pegar a chave jogada em cima do móvel.
Saímos de casa correndo e por pouco não perdemos o ônibus. Dentro de dez minutos, nos encontrávamos na frente da Starbucks, com o Mr. Lorren batendo o pé e nos olhando meio emburrado.
- Estão atrasadas.
- Não necessariamente, faltam cinco minutos para a gente entrar. - disse, sorrindo. – Desculpa, chefinho, chegaremos antes do nosso horário da próxima vez!
Mr. Lorren começou a rir do jogo de ironias de .
- Bom dia, Mr. Lorren. - cumprimentei-o. Aliás, precisava ganhar uns pontinhos com ele.
- , eu já te disse. Mr. Lorren não, Adrian. Só Adrian.
- Ok, vamos recomeçar. - Dei alguns passos para trás e voltei a andar em sua direção. - Bom dia, Adrian!
- Bom dia, ! Agora, corre para se arrumar. Já tive de atender um grupo que entrou logo quando virei a plaquinha de “aberto”.
Corri, me arrumei e fui para o balcão. decidiu ficar no caixa por hoje.
Duas mulheres saíram do Além, quero dizer, a Starbucks tem dois andares no qual apelidamos carinhosamente de Submundo o térreo e de Além o primeiro andar. Elas conversavam sobre alguma coisa, rindo de vez em quando dos comentários que faziam.
- Bom dia, já sabem o que querem ou desejam ver o nosso cardápio?
- Já sabemos. - Disse a morena baixinha, de olhos castanhos claro, decidida. - Queremos dois Caramel Macchiato, três Flavoured Latte e um “Skinny” Flavoured Latte de bebida. - Disse rindo. - Ah, mais 15 muffins. Um de cada sabor.
- QUINZE? - Olhei para elas, não querendo acreditar que dentro daqueles corpos magros caberiam quinze muffins gordos.
Elas olharam uma para a cara da outra e riram, dessa vez, da minha cara.
- Não é pra gente. Talvez um ou dois, se sobrarem.
- Ah... - tentei me consertar no balcão. Sei que era por nada, mas fiquei envergonhada por isso. - Qual a mesa?
- Dezesseis, lá em cima. - A mais alta, também morena e de um corpo esguio, ergueu seu dedo para cima, mordendo o lábio de graça.
- Logo levarei seu pedido.
Corri pelo balcão para preparar as bebidas. Como não tinha ninguém fazendo menção de querer pagar qualquer coisa, puxei de seu momento de inércia. Depois das bebidas prontas, pegamos os muffins e começamos a subida até o Além. Meus olhos estavam grudados nos degraus das escadas. Não seria a primeira vez que eu tropeçaria ali. Risadas invadiram os meus ouvidos, mas, assim como , não demos muita bola. Isso era comum por aqui.
A mesa era logo na subida das escadas. Chegando quase no último degrau, uma bolinha de papel saiu rolando escada a baixo, fazendo parar para recolhê-la. Resolvi não esperá-la.
Cheguei ao local das risadas, levantando minha cabeça de meus pés para a mesa. Estanquei onde estava.
- Dougie?

Dougie’s POV

Inclinado na cadeira, olhando para o teto, eu jogava uma bolinha de papel para cima, pensando em nada e em tudo. Voltei com a cadeira ao normal, vendo o que acontecia na mesa. Pisquei os olhos algumas vezes, como se tivesse um tique ou algo do gênero, acordando dos meus devaneios. Tom fazia gracinhas, deixando encabulada. Senti alguma coisa caindo em minha cabeça. Era a bolinha de papel que saiu rolando entre as cadeiras até a escada, por onde começou a descer. Reparei em duas bandejas subindo as escadas. Comida! Já estava até sentindo meu estômago dar pulos de alegria.
A primeira das garotas com as bandejas parou de frente para mim, enquanto eu me preocupava em abrir espaço naquela mesa abarrotada de coisas. A mesa foi tomada por um silêncio instantâneo.
- Dougie? - Uma das garotas me chamou. Mais uma fã.
- Sim. - Levantei meu olhar para ela, pronto para encarnar meu papel de ídolo perfeito. Aqueles olhos castanhos invadiram a minha visão, fazendo-me cair em círculos num mundo paralelo. Ok, isso é exagero, mas foi como me senti. Meus olhos não acreditavam no que estavam vendo. Era praticamente impossível! encontrava-se do outro lado do oceano, não aqui, agora, na Starbucks onde eu estava.
Senti como se saísse de meu corpo e visse toda essa cena bizarra por cima. Todos passavam seus olhos de mim para e voltavam a mim, como se fôssemos uma divertida partida de tênis. e não entendiam nada do que estava acontecendo e tentavam chamar a atenção de seus respectivos namorados, Tom e Harry, a respeito disso. As bocas abertas de todos deixavam-nas mais perplexas do que eu estava.
Uma segunda garçonete terminou de subir as escadas, logo atrás de , com minha bolinha de papel numa mão e uma bandeja na outra. Mas era claro que elas jamais iriam se separar.
- Mas quem foi o responsável por essa bolinha de…? - Ela chegou, reclamando conosco. parou ao ver que ninguém se movia e que só um par de olhos azuis, sem nenhum cérebro atrás, escutava o que ela dizia.
- AI, MEU DEUS, DANNY! - A mesa despertou com seu “escândalo”. Daniel se levantou e foi correndo ao seu encontro, abraçando-a forte. Seria uma cena bonita de se ver se eu não estivesse pensando o quão idiota eu fui por não ter feito a mesma coisa com . Os dois ficaram uns bons dois minutos ali parados até voltarem à realidade. - Harry? Thomas? Dougie? NÃO ACREDITO! NÃO ACREDITO! - Ela dava pulinhos de animação enquanto todos se levantavam para cumprimentar as duas.
Todos menos eu, e . As garotas acabaram por cumprimentar todos com abraços bem apertados.
- , … - Tom chamou as duas - Essa é a minha namorada, . - Tom trouxe para mais perto de si.
- Namorada, Tom? - Uma voz de censura saiu da boca da morena.
- Noiva. Ela é minha noiva! - Ele sorriu, abraçando-a e dando um beijo em seu pescoço.
- Noiva? - sorriu de volta. - Eu não tinha ficado sabendo dessa. Parabéns, Tomzinho e parabéns, . É um prazer conhecê-la.
- Parabéns! - Disse , depositando um beijo na bochecha dos dois, voltando a cair nos braços de Danny.
Harry se aproximou das duas, puxando a morena baixinha.
- Já que o Tom já apresentou, essa é a minha AINDA namorada, . - Ele sorriu com um segundo sentido.
deu um abraço nas duas na ponta dos pés, ainda sorrindo pelo comentário do namorado.
se virou para mim. Pelo visto, eu era o último da mesa a ser cumprimentado. Tentei me recompor, tirar a expressão de surpresa da cara. Por que eu tinha de ser tão fraco? Ela parou em minha frente, sorrindo fraco.
- Oi, Dougie.
- Oi, .

POV Duo

Minhas bochechas queimavam e deviam estar mais vermelhas que um pimentão. Então ele lembrava, lembrava de mim, do meu apelido. Tentei manter minha confiança e coragem lá em cima. Respirei fundo, mantendo um sorriso estampado em minha cara. Ele estava ali, agora eu só tinha que começar um assunto.
E como se começa um assunto?
- Tudo bem? - Olhei timidamente para ele. Ok, um “Tudo bem?” é ótimo para quebrar o gelo, mas e depois? O que vinha? Meus olhos haviam se perdido no azul em que seus olhos estavam hoje. “Da última vez, eram verdes”, lembrei. Ele vindo em minha direção, me beijando. Senti minha perna começar a tremer. Esperei seis meses por esse dia, imaginei milhares de vezes como seria nosso reencontro e agora mal faço ideia de como agir. “Muito bem, ”, pensei, “Só não vá desmaiar agora”.

“Vamos, Dougie, responda!”, tentei me motivar a responder, mas acho que o gato comeu a minha língua ou eu a engoli mesmo. Comecei a sentir uma vontade súbita de sair correndo. estava me encarando e, por hora, era o suficiente para me deixar sem reação. Ela me olhava ansiosa, mordendo os lábios e tremendo a perna como costumava fazer quando estava nervosa. “Vamos, Dougie, vamos! Você consegue!”
- Não muito… - Abaixei a cabeça, me arrependendo da resposta ridiculamente sincera que eu dei. - Mas e você, então... Er, ah… Tudo bem?
Ela abaixou a cabeça. Seus lábios se comprimiram, seus olhos fecharam com força e ela falou, entrecortando com um suspiro.
- Não muito.

Eu queria saber o que era aquela sensação estranha que havia acabado de se formar entre nós. Meus olhos passavam pelos detalhes dos pisos até a canela de Dougie. Mas que merda era aquela? Calça skinny? Ele, por acaso, andou comprando roupas femininas?
Enquanto eu estava perdida em pensamentos sobre o novo estilo dele, Dougie pôs sua mão em meu queixo, me fazendo olhar para seus olhos.
- , por que você não está bem? - Ele me perguntou. Sua barba estava por fazer e seu cabelo mais comprido que da última vez que o vi.
Tentei não encarar aqueles olhos azuis, mesmo que eles agissem como ímãs para os meus.
- Você nunca me ligou.
- Eu sei. - Ele parecia arrependido, seus olhos estavam tristes e eu odiava ver isso. - Você também nunca me ligou.
Não foi uma provocação e nem palavras soltas só para comprovar um fato. Foi apenas uma afirmação, e doeu. Muito.
- Eu sei.

Aquilo estava começando a me deixar mais nervoso. Ela parecia a ponto de chorar e eu a ponto de sair do meu momento de estátua e beijá-la, dizer que estava tudo bem, que havíamos nos encontrado e que seriamos felizes para sempre juntos.
- Ahn, gente? Vamos lá para baixo se… Vocês não se incomodarem. - disse numa voz meio incerta, levando todo mundo para baixo, sem antes me desejar um “boa sorte” aos sussurros.
Olhei para e ela parecia diferente. Era a mesma que eu conheci, mas mais mulher. Ela ainda tinha 18 quando nos conhecemos e agora deve ter… Dezoito ainda. Ou talvez dezenove, nunca se sabe o dia de seu aniversário. Eu não sabia ainda, pelo menos. “Nota mental: descobrir seu aniversário”. Ainda reprimida em seus pensamentos, tentei chamar a atenção de de alguma forma, sem muito exagero, mas ela preferiu me ignorar. Se ela me ignora, o que mais posso fazer se não surpreendê-la? Andei em sua direção e a abracei. Tão forte quanto pude, sem machucá-la, e tão desesperado quanto eu me sentia.
Seus braços passaram por meu pescoço, me apertando mais forte contra seu corpo.
- Obrigada por isso. - Ela sussurrou, ainda me abraçando. - Era tudo o que eu precisava agora.

Por quanto tempo ficamos ali mesmo? Para mim, se foram minutos, pareceram anos. Mas eu não me importaria se pudesse ficar assim por toda a eternidade. Sentir Dougie ali de novo, perto de mim, me deu um novo ânimo. , com certeza, iria receber um prêmio de melhor amiga do mundo por não ter me deixado afundar na minha cama para dormir até a hora que bem entendesse e por ter feito algum vodu para eles terem aparecido ali hoje.
Tirei meus braços de Dougie e sorri para ele.
- Me pergunta de novo.
- Perguntar o quê? - Claro que ele não ia entender.
- Se eu estou bem, né?
Pisquei de lado, fazendo graça. Essa era eu, uma palhaça ambulante.
- Ok, mas peraí.
Ele se afastou um pouco e virou do nada pra mim, fazendo cara de espanto.
- , QUANTO TEMPO! Como você está? - Ele imitou uma leve afobação, me fazendo rir.
- Estou melhor do que nunca, capitão. Melhor do que nunca.
Abracei-o de novo. E, por fim, isso era o suficiente para fazer meu dia perfeito.

CAPÍTULO 9


’s POV

O dia foi uma correria e a noite não poderia ser diferente. Encontrar o McFLY de novo só me trouxe problemas. Problemas básicos como limpar a sala, arrumar o quarto, lavar a louça e o principal, pelo menos para mim, que roupa vestir? também estava com o mesmo dilema enquanto nós duas íamos lavando a sala e tirando o pó dos móveis. Em toda a minha nada longa estadia em Londres, nunca vi nosso apartamento tão limpo.
No dia em que encontramos os guys, decidimos marcar de nos encontrar de novo. Eu, é claro, sempre eu, tive a genial ideia de chamá-los para uma microfesta em nosso apê. Só depois fui perceber as consequências que esse convite trazia. Como os garotos tinham uma participação num programa no dia seguinte, marcamos para o outro dia. E assim foi.
- Ai, , eu tô quebrada! - começou a resmungar. Eu também já não estava mais aguentando ficar limpando tudo. Olhei para o relógio, constatando que tínhamos mais ou menos uma hora e meia até eles baterem na porta de nossa humilde residência.
- Olha, , faz assim. Corre pro banho agora que eu vou passar ali na vendinha e comprar algumas coisas, sei lá... Bebida, de preferência. Quando eu voltar, espero te ver fora desse banheiro e pronta para preparar alguma coisa. - Avisei-a.
Ela saiu correndo em direção ao quarto e eu em direção as escadas.

Dougie’s POV

- Don't waste your time on me, you're already. Your voice inside my head. I MISS YOU, I MISS YOU.
- CALA A BOCA E ANDA LOGO, DOUGIE! - Danny começou a bater na porta do banheiro. Bater não, esmurrar. Se visse o que ele estava fazendo com sua porta, eu teria certeza de que não seria a porta que levaria alguns cascudos.
- VAI PRO BANHEIRO DO TOM, PORRA! - Berrei em resposta. Eu tinha passado o dia todo treinando as novas músicas e quando voltei para casa, só não fedia mais que um rato de bueiro porque eu não tinha tido o prazer de dar um mergulho no esgoto. Ainda.
Eu tentava esfregar todos os cantos possíveis e tocáveis do meu corpo para tirar todo aquele cheiro de inhaca. Esfreguei-me tanto que cheguei a ficar vermelho. E não é onde você está pensando. Ok, lá também, mas não só lá.
Depois de uma meia hora, acho, saí do banho quente. Parei na frente do espelho com a toalha na cabeça.
Destranquei a porta, saindo para meu quarto. Estaria tudo ok se não estivesse lá com a maldita da roupa de cama lavada.
- QUE MERDA, DOUGIE! - ela disse, tampando os olhos e virando de costas. - EU JÁ TE DISSE QUE A TOALHA VAI NA CINTURA.
Tirei a toalha da cabeça, dando antes uma esfregada rápida com ela no cabelo. Amarrei-a na cintura.
- Pronto, . - Eu disse. Já estava acostumado com isso. Não era a primeira vez que me via pelado e, pelo desenrolar das coisas, não seria a última também - Desculpa, ok? Não vai mais se repetir.
- Eu já ouvi isso das últimas vezes. - Escutei o tom de reprovação em sua voz. Ela se virou devagar e constatou que eu realmente não estava mais totalmente à vontade.
- Dougie, o Tom e o Harry não vão hoje com vocês.
- O quê? Mas por quê? - Minha voz saiu mais indignada do que eu planejava. O Tom até que não teria tanto problema, mas o Harry tinha prometido que iria me ajudar com a . O que seria da minha pessoa inútil e sem atitude agora?
- Porque eu e a já tínhamos marcado um jantar de casais bem antes de vocês terem marcado com essas duas garotas. Aliás, Tom e Harry iam ficar vegetando lá. Só se eles se agarrassem, aquilo seria mais interessante para eles. Ou para vocês, sei lá do que vocês gostam. - ela deu de ombros e saiu do quarto.
Então agora éramos só eu e Danny com e .

’s POV

Voltei correndo para casa, com medo de que estivesse atrasada. Abri a porta e constatei que ninguém havia chegado ainda. O chuveiro não estava mais fazendo barulho, então isso significava que, uma vez na vida, havia resolvido me escutar.
- Demorou, hein? - Ela apareceu no corredor, já pronta, apenas passando a escova em seus cabelos.
- A vendinha estava fechada. Tive que ir lá na do outro lado do bairro. - reclamei, deixando as compras em cima da mesa da cozinha americana e voltando para o caminho da sala - Prepara alguma coisa aí? Vou tomar um banho rápido.
- Ok, ok. Eu preparo alguma coisa.
- Obrigada, xuxu. - Respirei fundo, me apoiando na parede para descansar.
- Tá, o que é isso agora? Te movimenta, mulher. Você tem meia hora até eles chegarem aqui!
Saí correndo em direção ao quarto para pegar alguma roupa. Decidi pôr uma calça jeans preta e uma bata prata que eu havia ganhado no verão passado e nunca havia usado. Peguei algumas roupas íntimas que não estavam em frangalhos na gaveta e fui para o banho.
Eu estava literalmente fedendo. Não só de suar, mas de água sanitária também. E só quem limpa casas ou desinfeta alguma coisa sabe o quanto esse cheiro gruda na gente. Passei o máximo de tempo possível debaixo da água escaldante, até comprovar que mais nenhum cheiro, a não ser o do meu sabonete, se encontrava em meu corpo.
Saí do boxe com a toalha já na cabeça. Escutei a campainha tocando e olhei para o relógio. Só podiam ser eles. E eu nem teria tempo de secar o meu cabelo. Quer saber? Foda-se. Já estou cheirosa mesmo e cabelo seca com o tempo.
Arrumei-me rapidamente. Passei uma maquiagem básica composta por um lápis como delineador e rímel. Achei minha rasteirinha antiga pendurada no porta-sapato que havia insistido em colocar no banheiro. Não posso mais negar, apesar da aparência feia, era bem útil.
Abri a porta do banheiro e o vapor d’água invadiu meu quarto. Apaguei todas as luzes e fui para a sala. Chegando lá, não encontrei ninguém sentado no sofá, na sacada ou até mesmo na cozinha com .
- Eles não chegaram? - Perguntei cismada.
- Nope. - me respondeu, dançando enquanto cozinhava alguma coisa.
- Quem tocou a campainha?
- Era a vizinha daqui de cima. Ela veio avisar alguma coisa, mas eu não entendi nada. Acho que ela é alemã. O inglês dela tinha um sotaque muito estranho. - ela deu de ombros como se não valesse mesmo a pena escutar o que a vizinha tinha para nos dizer.

Dougie’s POV

- ANDA, DANNY! - Eu bati na porta do banheiro de Tom. Ele tanto me apressou que agora era ele o atrasado.
- Agora espera. - Ele respondeu calmamente, voltando a cantar sua ópera errada numa língua estranha.
Cansei de ficar em pé esperando no quarto de Tom. Saí dali e desci as escadas correndo, indo parar na sala. Acabei encontrando Tom dormindo no sofá, com um livro aberto sobre o peito. Ele roncava alto, cansado do dia cheio que tivemos. Dei um sorrisinho de lado.
Saí à procura de e acabei encontrando-a na cozinha. Cochichei algo em seu ouvido e ela apontou para seu quarto, rindo da minha ideia. Corri lá para cima, fazendo o menor barulho que pude para não acordar Tom.
Entrei no quarto do casal e comecei a vasculhá-lo, à procura da sacolinha que havia me descrito. A porta do banheiro abre e sai de lá de dentro um Danny todo arrumado.
- Que merda é essa, cara? Tá vendo as calcinhas da ? - Ele perguntou, pegando sua toalha para terminar de secar seu cabelo.
- Cala a boca, bicho, e me ajuda aqui.
Contei para Danny meu plano, rindo. Ele concordou com a ideia e saiu à procura da sacola. Por fim, acabei encontrando-a na segunda gaveta da cômoda do quarto.
Olhei para Danny mostrando minha arma na mão. Descemos as escadas em silêncio e encontramos Thomas ainda na mesma posição.
- Acharam? - nos perguntou baixinho, lá da cozinha.
Acenamos com a cabeça, mostrando seu pequeno delineador em minha mão. Lancei um olhar malvado em direção ao Danny e começamos nossa surpresinha. Desenhamos um bigode grosso e uma barbicha, junto com uma mega monocelha que combinava com o resto do visual.
- Uma obra de arte! - Exclamei, caindo na risada.
- Com certeza, dude. - Danny concordou, controlando a risada. Ele pegou seu iPhone e tirou uma foto - Essa vai para o Twitter.
Joguei-me no chão, rindo desesperadamente.
Tom acordou com nossas risadas. Ele abriu os olhos, franzindo o cenho para a gente, sem entender do que tanto ríamos.
- AMOR…? - Ele berrou, procurando por sua noiva.
- Aqui, Tom. - apareceu pela porta da cozinha, enxugando um prato. Ao levantar seu olhar da louça, teve um ataque histérico de risos, fazendo com que Danny e eu ríssemos mais ainda.
- Mas do que vocês estão rindo?
- Nada não, Tom. - Disse sorrindo. - Estamos indo, tá? Aproveitem o jantar. Tchau, . Tchau, Sr… Bigodes.
Thomas arregalou os olhos e saiu correndo para se ver no espelho da sala de jantar. Apontei para Danny as chaves da casa e do carro. Saímos correndo dali. A última coisa que ouvimos foi alguma exclamação muito furiosa que devia estar difamando nossos amáveis nomes.

’s POV

Arrumei alguns petiscos na mesinha de centro. Não sabia se eles já viriam jantados ou não. Olhei para o sofá, vendo jogada nele. Ela estava quase dormindo, tadinha. Olhei para o relógio e constatei quase uma hora de atraso.
- Adoro essa pontualidade britânica. - comentei. balançou a cabeça, concordando.
Escutamos uma batida na porta e eu fui atender. Dougie e Danny estavam parados do lado de fora de nossa porta, mostrando seus melhores sorrisos.
- Desculpa o atraso, - Dougie disse, sorrindo e me dando um beijo na bochecha - O nosso querido Danny atrasou tudo.
- Atrasei nada! - ele reclamou, indignado.
Eles entraram no apartamento, indo em direção a cozinha.
- Oi pra vocês também. - Uma com cara de sono surgiu dos confins de nosso sofá. Daniel abriu um sorriso e foi dar um beijo na garota.
- Oi, . - Dougie deu um “oi” de longe enquanto ficava do meu lado na cozinha. Ele estava tão cheiroso. Eu não me importaria se esse cheiro invadisse todo o meu lençol.
- Gente, sintam-se em casa. Sério, tem bebida na geladeira e alguma gororoba que a preparou por aí.
- Gororoba VÍRGULA! Eu preparei um delicioso brigadeiro a la brazilian Power e ele está na geladeira.
Caí na risada, relembrando a velha denominação das fãs brasileiras do McFLY. Já fazia um tempo que eu não escutava esse nome, mas é sempre bom lembrar essas brincadeiras antigas, não é? Fui em direção à geladeira e peguei o potinho contendo o doce marrom. Peguei uma colherada e pus na boca.
- Ai, que delícia, . - Fazia um milênio que eu não comia brigadeiro, ainda mais o dela.
- O que é isso? - Dougie me olhou com cara de nojo.
Peguei minha colher, pondo um pouco de brigadeiro nela e dando para ele. - Experimenta!
Ele me olhou desconfiado e pôs na boca. Sua expressão não podia ser outra: adoração, devoção, manjar dos deuses, oh, Lord!
- O que é isso? Se o Dougie gostou, eu também quero! - Daniel reclamou do sofá enquanto abraçava .
Peguei o pote de brigadeiro e mais três colheres, levando-o para a sala. Pus brigadeiro numa colher e fingi que iria dá-la para Danny. Ao tentar pegar, tirei-a da mão dele e lambrequei a boca de de propósito.
- Pronto, descubra o gosto. - Sorri para os dois.
Daniel olhou-a esfomeado, tascando-lhe um beijo em seguida. Fiquei feliz pelos dois, mas me arrependi em seguida. Dougie estava ali e agora sobrava a gente.
- Então, né? - Falei alto, tirando os dois da agarração. Eu estava envergonhada demais pra sair agarrando Dougie assim. Eu não era uma da vida que não tinha vergonha de demonstrar sentimentos - Querem beber alguma coisa?
Olhei do casal para Dougie, que estava com um vestígio de sorriso na cara. Dei uma piscada para ele. Danny pediu por uma cerveja, assim como . Dougie, que também queria uma, foi até a cozinha me ajudar a pegar as bebidas.
- Muito esperto o que você fez antes.
Ele comentou enquanto eu me abaixava para tirar as bebidas da geladeira.
- Eu só não queria deixar o clima estranho e…
- Ou você não queria deixar nós dois vegetando.
Olhei para ele, enrubescendo um pouco. Mordi meu lábio com força, tentando acalmar meus nervos que começavam a querer dar um piti.
- Mais ou menos isso. - Eu disse, virando para frente para pegar a última garrafa de cerveja que ainda estava na geladeira.
- Mas quem disse que a gente ia ficar vegetando?
Parei o que estava fazendo e me virei para ele. Ele me deu um sorriso brincalhão, com olhos que queriam dizer mais do que disse com as palavras. Ele foi chegando mais perto de mim, passando suas mãos por minha cintura. Larguei as garrafas em cima da mesa de qualquer jeito, prestando atenção nele. Coloquei meus braços ao redor de seu pescoço.
- Oi, . - Ele disse, começando a beijar minha bochecha e sussurrando meu nome ao meu ouvido.
- Oi, Dougie. - Eu o abracei, nos aproximando. Nossas bocas estavam a milímetros de se tocarem.
- Bem que eu percebi que nossa cerveja estava demorando pra chegar. - Danny apareceu, sorrindo na cozinha. Ele pegou as garrafas que eu tinha deixado em cima da mesa, saindo da cozinha, mas sem antes, claro, dar uma piscada para nós dois. Minha única reação foi dar um olhar de censura para ele.
- Onde é que estávamos? - Dougie me perguntou, voltando minha atenção para ele. Seus olhos estavam verdes e estavam começando a me deixar sem fôlego.
- Vamos descobrir agora.
Senti uma gota gelada caindo em meu nariz e olhei para cima. Senti Dougie beijando meu queixo enquanto eu estava num misto de sentimentos, onde não sabia se ria ou se chorava. Dougie olhou para mim sem entender, eu também olhava pra ele e tentava segurar o riso. Outra gota caiu, agora na sua bochecha. Nós dois voltamos a olhar para cima. O teto da cozinha estava todo molhado, com várias goteiras. berrou da sala, dizendo que tinha goteiras lá também. Olhei para Dougie, preocupada, e puxei-o pela mão. A sala estava cheia de pontos com água pingando. Corri pelo apartamento, constatei que tinha goteiras em todos os cômodos.
- Mas que merda é essa?! - Reclamei, indo buscar na área de serviço alguns baldes para conter a água.
- CARA, EU LIMPEI ISSO HOJE! - quase berrou ao ver a sala se fazendo em água.
- Um minutinho, garotas. Vão arrumando a mala de vocês. Aqui é que vocês não ficam hoje.
Dougie e Danny abriram a porta e correram escada acima enquanto eu e corremos para nossos respectivos quartos para arrumar nossas roupas. Dez minutos depois, Dougie aparece em meu quarto.
- , estourou a encanação da casa de cima hoje à tarde. A vizinha disse que veio aqui avisar. Eles vão ter que quebrar o apartamento inteiro. - ele disse, fazendo careta.
Sentei na cama, arrasada. Levantei rápido, pois estava tudo molhado.
- Mas Dougie, todas as nossas coisas estão aqui. Ok, o apartamento é alugado e os móveis vieram junto com ele, mas nós não temos nada e muito menos para onde ir! - Eu disse, sentindo que ia começar a chorar. O que eu ia fazer agora?
- Você tem pra onde ir sim. Arruma as suas coisas, vamos para a casa do Tom agora.
Ele me deu um beijo na testa e foi à procura de para dar a mesma notícia. Um peso a menos se desfez em meu peito.

Dougie’s POV

- Então foi isso o que aconteceu. - Danny terminou de contar, esclarecendo o porquê de nós quatro estarmos ali encharcados. e estavam vermelhas de vergonha. Mal conseguiam olhar fixo para algum ponto que não fosse abaixo da visão de todo mundo, até da de .
pediu um momento e saiu correndo pela casa. Voltou uns dois minutos depois com quatro toalhas nos braços, entregando uma para cada um. As garotas agradeceram, se enrolando. Um pedaço do teto tinha desprendido, despejando água na gente e molhando todo mundo. Imagina se caísse na cabeça de alguém.
- Ai, gente. Desculpa chegar assim do nada e estragar o jantar de vocês. - se desculpou, olhando para as garotas todas arrumadas com vestidos sociais e os garotos de terno.
- Que é isso, garota? Para, né? - Disse , indo abraçar as duas - Não se preocupem, a gente vai arrumar um lugar para vocês ficarem.
- É, vocês podem ficar aqui. - Thomas disse sorrindo - Seria bom ter mais companhia feminina. Digo, não que a da e a do Dougie já não sejam, né?
Com esse comentário, Tom arrancou risada de todos ali, até de Dougie. pediu mais um minutinho, saindo da sala antes de dar explicações.
- Admite que você gosta, vai. Admite! - Dougie disse, abrindo os braços para Tom e fingindo que ia dar um abraço molhado no amigo.
Tom se afastou com cara de nojo, fazendo todos ficarem sem fôlego de tanto rir.
- Garotas, vocês têm alguma roupa ou ficou tudo no apartamento? - perguntou.
- Estão no porta-malas, acho. - me olhou indecisa e eu confirmei.
nos mandou um olhar atravessado, como se não tivéssemos percebido algo óbvio. E é claro que não percebemos: roupas secas! Dei um cutucão em Danny e fomos buscar as malas das garotas. Quando voltamos, elas foram se trocar no lavabo. Logo estavam secas e protegidas da friagem.
- Menos duas coisas para nos preocuparmos: que roupas vocês iriam vestir e se iriam ficar doentes. Mas com esse chocolate quente, tenho certeza que não vão pegar nem um resfriado sequer! - chegou, carregando quatro xícaras de chocolate quente - Tem cinco marshmallows para cada um. - Ela deu um sorriso amável, encaminhando as garotas para a sala.
Seguimos também, mas ela nos barrou.
- Não quero ninguém molhado no meu sofá. Danny, o Dougie te empresta uma roupa limpa. Tenho certeza que vai caber, principalmente a cueca. - ele nos olhou de cima a baixo, soltando uma risada de alguma piada interna.
- O que ela quis dizer com isso? - Danny perguntou para mim, semicerrando os olhos ao olhar para .
- Nem quero saber, dude. Nem quero saber.
Nós nos encaminhamos para o meu quarto e trocamos de roupa. Cinco minutos depois, Danny já se encontrava ao lado de , que se aninhava nele, e eu me encontrava sentado com o braço passado ao redor de .
- Bem, só precisamos resolver mais uma coisa. - Harry olhou para todos, lançando seus poderes hipnotizadores sobre nós - Onde as garotas vão dormir?
- Isso é uma boa pergunta. - disse com um muxoxo. Ela abraçou Danny, se aquecendo.
Parei para pensar em todas as nossas possibilidades, até uma luz se acender.
- Eu tenho uma ideia e acho que vocês vão gostar.
Meu sorriso não podia dizer o contrário.

CAPÍTULO 10


’s POV


A lua estava linda. Sua luz passava pela janela de meu suposto novo quarto, iluminando meu rosto. Desde que cheguei a Londres, uma semana e meia atrás, não havia tido a oportunidade de ver o quanto o céu daqui é bonito à noite. Meu coração estava se sentindo estranho. Era como se ele estivesse fora de meu corpo, como se tivesse outra vida e sentisse coisas que eu não saberia nem de perto o que seriam.
- Isso é estranho.
Pensei alto, olhando para a lua e fazendo uma careta de lado. Não queria pensar em Dougie agora, pois sabia que era por ele que meu coração pedia. Eu não podia pensar nele dessa forma. Eu estava vivendo na casa dele, ele me acolheu. Ok, Tom também teria me acolhido e eu poderia ter ido para a casa de Danny com , mas Dougie achou sua ideia melhor.
- , já está na hora de parar de incomodar o Tom e a . Eu vou ficar sozinho lá em casa, seria bom ter a sua companhia, pra variar.
Ele sorriu de um jeito lindo. Só de lembrar, me arrepiei. “Para, , você não pode. Você está na casa dele!”
Desisti de tentar dormir ao perceber que não conseguiria tirar Dougie de minha cabeça tão cedo. Atravessei o quarto para procurar meu iPod dentro da mochila. Ele não estava lá. Tentei vasculhar a bolsa melhor, mas não obtive sucesso.
Comecei a revirar o quarto no escuro, fazendo o menor barulho possível para não acordar Dougie, que estava no quarto ao lado. Uma luzinha piscou dentro da minha cabeça: Dougie! Eu havia emprestado meu iPod para ele.
- Ah, merda, agora vou ter que ir lá buscar. - Pensei. Eu estava enérgica demais para tentar dormir sem escutar minha música.
Abri a porta do quarto e fui pé ante pé até a porta de Dougie. Ela estava entreaberta. Tentei abri-la mais, bem devagar para não fazer nenhum barulho, e assim foi feito. Eu nunca havia entrado no quarto dele antes, e não posso negar, me impressionei com o que vi. O quarto era espaçoso, com uma sacada que dava para o jardim. Tinha livros e revistinhas guardadas numa estante, algumas réplicas de dinossauros em miniatura. Roupa? Claro, jogadas em todos os cantos. Em cima das cadeiras, em cima da estante e até algumas peças no chão. As paredes eram cobertas de pôsteres, o que dava mais vida para o quarto e deixava-o mais aconchegante ao estilo punk rock dos anos 80. Sorri comigo mesma: meu quarto no Brasil era exatamente a mesma coisa. Logo no canto da estante, estava um recipiente de vidro. Fui andando em sua direção quando percebi que era Zukie que estava lá.
- Awn, oi, Zukie. - Sussurrei. Cheguei perto do recipiente, vendo o lagarto.
Alguém suspirou. Olhei pela primeira vez para Dougie. Eu havia me impressionado tanto com o quarto que não havia o reparado ali, esticado em uma cama de casal. Sozinho. Meu coração apertou de novo. “Quer parar com isso, por favor?” disse para mim mesma. Ele estava lindo. A luz da lua também batia em sua pele. Seu rosto estava calmo. Ele sorria. Seu cabelo, bagunçado no travesseiro, continuava jogado de lado como sempre foi, apenas um pouco mais comprido que o normal e sua barba estava por fazer. “Ele está tão lindo!” falei num sussurro, suspirando em seguida. Olhei para seu corpo descoberto, ele estava só com uma boxer. Minha mente começou a inventar cenas impossíveis.
Só depois de me proibir de avançar sobre Dougie, lembrei o motivo da minha ida ao seu quarto: meu iPod. Comecei a procurar sem fazer nenhum barulho. Procurei por debaixo das roupas, nas cadeiras e estantes, procurei na cabeceira de sua cama, tomando cuidado até na hora de respirar. Um brilho chamou minha atenção. Meu iPod estava com ele, debaixo de seu travesseiro.
- Mais essa agora, o que eu faço? - Fiquei olhando aquela cena. Não havia modo de pegar o iPod sem acordar Dougie, então... Bem, desisti.
Enquanto fazia um esforço para sair do quarto e não acordá-lo, uma voz chegou aos meus ouvidos.
- .
Estanquei no mesmo instante e olhei para trás, com uma explicação já na ponta da língua. Ele estava dormindo. Depois do susto, veio a surpresa. “Ele está sonhando comigo?!”, pensei ao ouvi-lo chamar meu nome de novo. O maior sorriso do mundo apareceu em meu rosto. Dougie Lee Poynter ESTAVA sonhando comigo. Eu sabia disso.
- Por favor... Não…
O quê? O sonho mudou? O que eu estava fazendo?
- Não... Preciso de... - De quê? De quem?
- Você precisa de mim, Dougie? - Sussurrei baixinho, como se ele pudesse me escutar e me dar a resposta que eu estava esperando.
- Preciso de você. - E deu um sorriso.
Ele pulou da cama, assustado. Respirou fundo algumas vezes, olhando para a coberta ao seu lado. Levantou a cabeça, me vendo parada na frente de sua porta.
- . - Disse espantado por me ver ali e preocupado por talvez eu ter ouvido alguma coisa.
- Doug, desculpa se eu te acordei! - Falei olhando para o chão - Eu só vim procurar o iPod que deixei contigo. - Corei um pouco.
- . - Ele levantou meio devagar e veio até mim. Seu corpo estava lindo, ele inteiro estava lindo. Seus olhos estavam indecisos, com medo. Seu corpo tremia um pouco. Meu coração começou a acelerar como se quisesse ganhar forças e voar - Você é mesmo real?
Ele chegou perto de mim. Sua mão começou a se aproximar, como se tivesse receio de que não conseguisse me tocar. Ele roçou seus dedos em minha bochecha enquanto eu fechava os olhos. Senti seu toque como se fosse algo novo. Eu nunca tinha me sentido assim. E era bom, me deixava feliz.
Abri meus olhos. Ele olhava para mim atentamente. Sua boca estava entreaberta, talvez não acreditando que eu realmente estivesse ali.
- Desculpa, Dougie, descul... - Não cheguei a conseguir terminar minha frase. Ele encurtou a distância entre nós o mínimo possível. Eu podia sentir seu hálito batendo em minha boca, a centímetros de mim. Olhei para seus olhos, que continuavam a me encarar. Sua boca sumiu com a distância que ainda nos separava. Seus lábios roçaram nos meus. Senti sua língua contornando minha boca. Aceitei seu beijo.
Estávamos em transe. A cada segundo, aprofundávamos mais nosso beijo, forte e delicado, intenso e complicado, mais do que deveria de ser. Senti sua boca se afastando da minha, indo parar ao pé de meu ouvido.
- Você é mesmo real.
Ele sussurrou, mordendo de leve meu lóbulo. Meu corpo tremeu ao seu toque inesperado. Ele voltou seus olhos para mim e sorriu. Sorriu com sua boca, que antes estava grudada na minha, sorriu com seus olhos, que me olhavam com admiração, sorriu com cada célula viva existente em seu corpo quente. Sorriu mais uma vez, me beijando de novo.
Pus minhas mãos em seus cabelos e ele me puxou para cima. Segurou-me em seu colo sem partir nosso beijo. Começamos a nos mover, até pararmos em sua cama. Seu corpo estava sobre o meu. Sua boca foi a melhor de todas que eu já havia provado. Continuamos em sua cama e nossas mãos passavam por toda parte de nossos corpos. Senti algo crescendo, pressionando minha virilha. Dei um sorriso para ele e ele retribuiu com um de quem não se aguentava mais. Eu também já não aguentava, estava sonhando com esse momento desde sua partida. Minha camisola era meio transparente. Ou digo, ERA. Dougie rasgou-a inteira, tirando-a de mim. E eu amei isso.
Enquanto me beijava, ele segurava meu rosto com uma mão. Tirara meu sutiã com outra mão, livrando-se de mais um obstáculo. Seus olhos estavam cheios de prazer, admirando meu corpo seminu. Seus olhos pararam em meus seios descobertos. Ele me beijou, começando a descer por meu pescoço e indo para eles. Ele os acariciava, os beijava. Eu entrecortava meus gemidos com suspiros fortes, queria mais. Ele continuava brincando com meus seios até me fazer implorar por mais.
- Doug, por favor! - Eu disse entre gemidos. Ele me deu um sorriso safado, entendendo o que eu queria.
Abriu a gaveta da cômoda, tirando um pacotinho. Pôs a camisinha rapidamente, dando-me um beijo em seguida. Seu último obstáculo? Minha calcinha. Ele olhou para ela, mordendo os lábios. Tirou-a tão rápido que eu mal senti a peça escorregar por minhas pernas. Ele me olhou, admirando novamente meu corpo. Seus dedos passavam por minha intimidade, esperando por mais, desejando mais. Ele me provocava, sabendo que eu queria.
- Por favor... - Pedi fracamente.
Em meio ao tempo de um suspiro, ele me penetrou. Gemi alto com o prazer que ele me proporcionava. Foi forte e ele permanecia com uma vontade voraz no olhar. Eu era beijada por inteira enquanto meus gemidos iam saindo cada vez mais altos, chamando por seu nome a cada vez que ele me penetrava mais e mais forte. Uma de minhas mãos acariciava ativamente meu clitóris, aumentando meu prazer. A outra segurava fortemente o colchão, tentando me manter controlada com contorções de prazer.
Estava beirando a insanidade de tanto desejo com tudo o que ele estava me dando. Seu rosto expressava o mesmo que o meu: vontade, tesão, prazer e algo mais escondido sobre os suspiros de cada um. Eu o beijava mais intensamente a cada instante. Sexo nunca tinha sido tão bom para mim como foi com ele. Dougie segurava minha cintura. Logo nós dois sentimos nossos primeiros orgasmos.
- ...
Ele gemeu meu nome. Vi o suor brilhando em sua pele. Sua respiração estava descontrolada, igual a minha. Nós nos sentíamos incríveis.
Deitei ao seu lado um pouco mais tarde. Nossos corpos suados estavam juntos mais uma vez. Estávamos juntos apenas por ficar, para sentirmos a presença um do outro mais forte do que antes. Sua mão passava por minha intimidade, ainda me fazendo suspirar. A minha fazia o mesmo, brincando com seu membro ainda duro. Ficamos nos curtindo por um tempo. Nosso beijo havia se normalizado. De um beijo quente e cheio de desejo, havia se transformado em puro carinho. Como é que ele conseguia me deixar assim, como se o céu fosse o limite? Ficamos nos beijando até adormecermos. Meu coração batia feliz. Dormimos abraçados enquanto a lua ainda nos banhava.

Dougie’s POV

Ela andava pela rua com seu sobretudo esvoaçando por suas costas. O dia estava frio e não era comum ela sair de casa com um tempo como esse. Eu disse que iria voltar pra casa, por que ela não me esperou lá?
Ela andava depressa e meio furtiva, como se tivesse esperando alguém para desmascará-la no meio daquela confusão. Ia passando por diversas lojas, dentre as quais eu teria certeza que ela iria parar se estivesse prestando atenção aonde ia e não a quem lhe cercava. Ela só andava e andava, esgueirando-se pela multidão e ignorando meus passos a alguns metros de distância.
A neve começara a cair poucos dias antes e a rua estava enlameada. Pequenos flocos começaram a cair sobre seus cabelos encaracolados e desciam por seu corpo coberto. Sua respiração parecia ofegante. Estaria ela com medo de alguma coisa? Tentei chegar mais perto, tocar seu braço, mas a menção de meu toque a fez virar e berrar desesperada.
Enquanto eu entrava em estado de choque pelo ataque inesperado, ela pôs-se a correr. Usava uma bota de salto fino e, mesmo assim, conseguia correr pelos becos mais escorregadios e pelas ruas mais movimentadas sem muitos problemas. Comecei a correr atrás dela, mas ela era rápida. Corria a seu encalço a uns 20 metros de distância quando ela sumiu.
Eu a encontrei caída no meio da rua, com o salto da bota quebrado. Ela olhou para mim com uma cara de... Seria medo? Ela fez menção de se levantar, mas não conseguiu, berrando de dor com o tornozelo torcido.
- Adeus, Dougie... - Eu estava ali, quando a buzina soou e ela se despediu.
- , NÃO!…
Acordei assustado, ofegante e a ponto de chorar. Meu coração batia desesperado no peito e meu cérebro estava em branco. Eu devia estar pálido também, só podia.
- Doug, o que aconteceu? - Escutei sua voz ao meu lado e meu coração bateu mais rápido ainda.
- ? - Olhei pro lado, ela estava comigo. Aos poucos, as lembranças da noite voltaram à minha cabeça e senti meu corpo pulsar de alegria, se possível. Eu havia passado a noite com ! EU PASSEI A NOITE COM A , PORRA!
- Doug, você está pálido! O que aconteceu? Teve algum pesadelo? - Ela me perguntou, sentando-se ao meu lado com as pernas cruzadas. Seu corpo, ainda nu, mantinha-se enrolado em meus lençóis.
Pensei em formular alguma resposta decente, mas a visão de seu corpo na minha frente me deixou desconcertado.
- Não foi nada, . Foi só um pesadelo... Mas você está aqui agora.
Virei em sua direção e a beijei. A lembrança de seu beijo estava longe de ser tão boa quanto na realidade. E a noite ainda prometia ser melhor ainda.

Continua...



Nota da Beta: Qualquer erro na fanfic, avisem-me por e-mail. Beijinhos e boa leitura!