Fic by: Ray | Beta: Lilá
TRAILER DE NUTS!
Antes de a fic começar eu devo dar alguns avisos:
- Os guys são fixos, como vocês devem ter percebido pelas perguntas.
- Cada capítulo tem a história de um casal como principal, mas isso não significa que os outros casais não aparecem.
- Sempre embaixo de cada capítulo estará indicado o casal principal do mesmo. O casal principal nem sempre vai estar junto, mas o capítulo vai girar em torno da história deles.
- Você pode ter algumas características que não são suas, e eu só fiz isso para enxugar as perguntas. Se não gosta, copie a fic, cole no word e coloque suas características verdadeiras. Ou use sua imaginação. ;)
- Você pode não começar com o seu guy, mas essa é a intenção.
Bom, é isso. Boa leitura!
Going Nuts, de acordo com o Google Tradutor = Enlouquecendo.
Prólogo
O último ano do Ensino Médio é inesquecível.
É uma dessas épocas da vida as quais você guarda na memória e relembra, num futuro não muito distante, numa cadeira de praia, rodeado por seus netos. 'Aqueles eram bons tempos... Na minha época os jovens eram contestadores, eram cheios de vida!' você dirá, embora saiba que, independente da época, jovens serão sempre jovens, ou seja: Só estão afim de encher a cara e fazer o maior número de besteiras possíveis que conseguirem no menor espaço de tempo.
O último ano do colégio é geralmente um ano feliz, cheio de esperanças de uma nova vida, no qual jovens, cheios de espinhas e amor para dar, fazem promessas silenciosas a si mesmos de que, finalmente, as coisas vão melhorar. Prometem estudar para os A-levels - assim como prometeram estudar para os GCSE's - e, por mais ou menos duas semanas, realmente levam a escola a sério.
Então o ano passa como um cometa, as provas começam e você percebe que nada mudou. Tudo continua a mesma merda de sempre: Sua vida não fez sentido, você não descobriu o dilema do "ser ou não ser", ainda não sabe que carreira quer seguir, sua cara ainda está cheia de espinhas, seus amigos parecem se divertir bem mais do que você e a frustração é consequência. Você começa a atrair coisas ruins, trair seus amigos, ignorar sentimentos, fazer mais idiotices do que nunca e, de repente, sua vida está atolada num lamaçal de mentiras e decepções.
O que você faz?
Enlouquece.
Capítulo 1 - 'And everyone will please me now, the rumors start to spread around the school...'
McFLY, Broccoli
Tom e .
Talvez aquela touca fosse um pouco desnecessária, assim como os óculos escuros. A festa da noite passada era uma coisa mais íntima, muito provavelmente ninguém estava sabendo do ocorrido. Mas para Tom era melhor prevenir do que remediar.
Ele atravessou os grandes portões do St. Albans College como uma sombra. Ninguém nem notou sua presença. Entretanto, em sua mente distorcida pela dor e humilhação, todos o encaravam, cochichavam e passavam adiante a mais nova fofoca. 'Parem de me olhar, parem de me olhar!' ele pensava repetidamente, enquanto pisava firme no concreto cinza que forrava o chão.
O pátio do colégio era formado por um círculo de bancos de concreto verde musgo e algumas máquinas de doces e refrigerantes. Do lado direito dos bancos alguns alunos estavam sentados no que gostavam de chamar de 'campão', composto de grama verde clara e poucas árvores altas. Do lado esquerdo, esse praticamente vazio, o vento ricocheteava sozinho pelo corredor que dava acesso ao prédio com as salas de aula.
Tom avistou seus amigos sentados nos bancos de concreto, ou simplesmente 'cebolão' - os alunos do St. Albans College tinham algum tipo de fetiche por palavras no superlativo -, e foi até eles. Era sempre melhor ser humilhado pelos próprios amigos.
- E aí, Fletch. - Harry cumprimentou-o, sendo mais simpático do que o normal. Todos estavam sendo mais simpáticos do que o normal, com piadinhas e tapinhas nas costas.
Aquilo não era normal.
- Dia. - ele suspirou, sentando-se. Seus amigos, Danny, Harry e Dougie, tinham aquele mesmo olhar de pena da noite passada. Todos ficaram em silêncio, o encarando, esperando alguma reação. - Que foi? Tô cagado? - perguntou, e eles desviaram o olhar. Voltaram a conversar como se nada tivesse acontecido, mas vez ou outra um deles olhava de soslaio para Tom, como se quisesse garantir que ele não puxaria uma arma do bolso e mataria a todos e a si mesmo.
'Até que não é má ideia...' pensou, macabro.
Ele fixou os olhos no portão do colégio, mesmo sabendo que quando ela passasse por ele o choque de realidade dar-lhe-ia um tapa na cara. Mesmo sabendo disso, sentia que talvez fosse até melhor vê-la: A ficha cairia mais rápido.
Aos poucos o pátio do colégio ia se enchendo de pessoas e vozes. Tom ainda tinha aquela sensação de que todos o olhavam e de que todos já sabiam. Alguns realmente olhavam para ele e cochichavam, mas o resto da escola estava mais preocupada em seus próprios problemas do que na humilhação pública de Tom.
Ele suspirou mais uma vez.
Parecia uma garotinha apaixonada.
- ...é ela cara, tô te falando... - ouviu Dougie sussurrar para Danny. Olhou para todos os lados e não encontrou ninguém. Quando voltou seus olhos para o portão, lá estava ela. Mini-saia preta, meia-calça cinza, coturno de couro marrom e uma blusa listrada caída no ombro direito. Seu cabelo negro, com mechas loiras por baixo, estava preso num rabo-de-cavalo alto. Ela estava com os olhos bem marcados e a boca sem cor alguma. Ao seu lado, de mãos dadas, o pivô da separação: Emily. Usavam uma calça jeans skinny, regata branca básica e jaqueta de couro preta. O cabelo bem curto e negro estava arrepiado pra cima, fazendo-a parecer o Sid Vicious.
- Ela nem é tão bonita assim. - Danny colocou a mão pesada em seu ombro, num ato de consolo. Estava mentindo: Achava Cassadee maravilhosa.
- Não precisa me dizer essas coisas, não é como se eu fosse bater numa garota nem nada... - ele respondeu, embora vontade não faltasse.
Observou sua ex-namorada dizer algo, fazendo Emily - ou Sid - rir. Observou também seus dedos - agora sem o anel que Tom dera a ela - entrelaçados aos dedos compridos de Emily. Observou um colar novo, de prata, com um pingente de coração na ponta; provavelmente presente de Emily.
Há quanto tempo estavam tendo um caso bem embaixo do seu nariz?
Se a traição fosse com um homem, seria menos humilhante. E mais fácil de acabar com a raiva: Dar uns socos no cara e acabou. Mas aquilo... Aquilo era demais. Ela era uma garota, pelo amor de Deus! Cassadee praticamente estava dizendo: 'Olha só, querido, eu tentei com você, mas nem rolou. Meu negócio não é pinto'. Quer coisa mais envergonhosa que essa?
Naquela altura do campeonato, os rumores já haviam se espalhado por todos os cantos, e todos olhavam ou para o mais novo casal lésbico do colégio ou para Tom, estagnado, olhando para àquela cena dantesca. Não tinha como ser mais patético. Ou tinha?
Claro que tinha. Quando se tratava de Thomas Fletcher, o mais patético possível não era o suficiente.
Cassadee cochichou algo para Emily, que concordou com a cabeça, e ela começou a andar em direção a Tom. Os flashes da noite anterior começaram a pipocar em sua cabeça. As duas na cama, se beijando, sem a parte de cima da roupa. Na verdade, aquilo seria bem sexy, se não fosse tão sujo.
- Tom, eu posso falar com você? - ela foi direto ao ponto, sentando-se ao seu lado. Os guys disfarçaram e vazaram da cena do crime. Se a conversa tomasse o rumo do dia anterior, algumas coisas voariam por ali.
- Acho que nós já falamos tudo que tínhamos para falar ontem, Cass... adee. - ele completou. Ela não era mais sua namorada, não merecia mais um apelido fofo.
Cassadee suspirou e ele pode realmente sentir o coração parar de bater. Ela pegou sua mão sem pedir permissão.
- Tom, nós fomos namorados por dois longos anos, e eu realmente amei você. Mas eu amava você de um jeito diferente. Eu amava você como um irmão, uma pessoa que me fazia bem, me fazia rir, um amigo. Agora com Emily... - ela lançou um olhar apaixonado na direção da garota, que conversava com alguns amigos. - Com Emily é diferente. Eu a amo como mulher.
- Então durante os dois anos que ficamos juntos você me amava como um homem? - ele perguntou, ácido. - Eu namorei um cara?
- Não foi isso que eu quis dizer, Tom... - ela virou os olhos, impaciente.
- De qualquer jeito, Cassadee, acabou, já foi, pode viver sua vida que eu vou viver a minha. - ele sentiu seu estômago virar do avesso. - Eu só quero meus DVD's de volta. E minha irmã quer aquele vestido que te emprestou no Natal do ano passado.
- Não queria que acabasse assim. - ela choramingou, soltando sua mão. - Mas se é assim que você quer, vou dar tempo ao tempo.
Tom sorriu sem mostrar os dentes, concordando com a cabeça. Cassadee levantou-se e ele não pôde se conter:
- Há quanto tempo vocês... Vocês...
- Fiquei com ela a primeira vez no mês passado, na viagem à Bath. - ela respondeu, fria, indo em direção à nova namorada.
E ele ficou ali, sentado com a boca aberta e vontade de se matar.
Maldito Stonehenge!
não ouviu o despertador tocar. Estava bêbada demais para sequer abrir os olhos. Só conseguiu acordar lá pelo meio-dia, com Napoleão lambendo sua boca. 'Pelo amor de Deus, cachorro, você é a reencarnação do mal!" pensou, afagando sua cabecinha de filhote. Ele deu dois latidos agudos e saiu pelo quarto abanando o rabinho. Ela levantou a cabeça e olhou em volta. Seu quarto estava uma zona. E ela não se importava.
Levantou-se, o cobertor escorregando pelo seu corpo nu. Aquele era um dos motivos pelo qual ela havia optado por morar sozinha: Dormir pelada. Com dois irmãos na antiga casa e dividindo o quarto com um deles, era impossível.
Amava seu flat como um gordinho amava chocolate. Principalmente porque seus pais que pagavam o aluguel.
Caminhou até o banheiro rapidamente, chutando algumas roupas pelo caminho. Tomou um banho rápido e vestiu a roupa que preparara no dia anterior: Meia-calça preta, bota marrom de andar na neve, shorts jeans e uma regata cinza por cima. Vestiu seu bom e velho cardigã preto e terminou com um cachecol marrom e branco. Era Outono, e o frio já começava a pegar.
Prendeu o cabelo de qualquer jeito, ajeitando os fios rebeldes com grampos, maquiou os olhos de preto. Bebeu uma garrafa inteira de água, escovou os dentes e comeu torradas com bacon e ovos. Escovou os dentes novamente - um ritual idiota, mas que ela seguia à risca - e bebeu mais água. Tomou uma aspirina e saiu de casa, não sem antes colocar comida para Napoleão.
Enquanto descia pelo elevador começou a relembrar da noite passada: A festa de Adele em que Cassadee traíra Tom com Emily Sands. Sentia-se mal por Tom, mas com um fundinho de esperança. 'Quem sabe agora ele não percebe que eu sempre fui a menina certa para ele?' pensou, animada. Aquele seria um novo começo, depois de uma tentativa frustrada há três anos. Os dois tinham 15 anos e não sabiam muito bem como funcionava uma relação. Acabou que os dois perderam a virgindade juntos, de um jeito completamente constrangedor, e resolveram acabar com aquela coisa estranha e serem só amigos. concordou, contrariada, só para dar tempo para que ele percebesse que não viveria em ela. Ele não chegou a essa conclusão, superando-a rapidinho ao encontrar Cassadee dando sopa alguns meses depois; ficou sozinha pelos longos dois anos em que namoraram, se remoendo de culpa por tê-lo deixado ir, mas agora finalmente o casal meloso estava separado e ela poderia tentar de novo. Tudo perfeito para recomeçar!
Desceu ao primeiro subsolo, avistando seu pequeno Ford K no meio da vastidão de carros. Deslizou até ele, animada. Nada nem ninguém poderia fazer o seu dia ficar ruim.
Tom encontrou com na saída do colégio.
A saída de verdade seria às 14h30, mas ele, com certeza, nunca iria usar aquelas aulas inúteis de psicologia, então meio-dia era um ótimo horário pra ele. Não conseguia se lembrar, em todos aqueles anos de high school e college, uma única vez em que ficara até o final do dia. Afinal de contas, escola era pros fracos, e ele gostava mais da ideia de aprender com a vida. Ou com filmes de ficção científica.
acenou com um cigarro na mão. Os dois se aproximaram.
- Fala, . - ele sorriu para ela. Os dois deram um selinho, como costumavam se cumprimentar. - Beleza?
- Ah, tranquilo. O que eu perdi? - ela perguntou, analisando Tom discretamente. Bermuda na metade da bunda, All Star preto básico, uma camiseta escrita "suck my dick", uma daquelas toucas para esconder dreds verde musgo e óculos escuros. Nada mal. Ou gostoso pra caralho. Dependeria muito do desenrolar das coisas.
- Além dos comentários sobre minha traição homossexual? - ele perguntou, fazendo-a gargalhar. - Nada demais...
- É claro que não. Sabe o que te animaria? - Tom negou com a cabeça, analisando através dos óculos escuros. Cara, como ela era gostosa... - Uma cerveja bem gelada e alguns episódios de Life On Mars! - sugeriu, apagando o cigarro com a bota. Claro que não perderia a chance de chavecá-lo na primeira oportunidade!
- Desculpa, , mas vou passar essa. Quem sabe outra hora? - ele deu de ombros, com um sorriso triste.
Mesmo estando muito feliz com a separação de Tom e Cassadee, não conseguia ver seu melhor amigo - e paixão platônica - triste. Era de partir o coração, mesmo que fosse um coração frio e promíscuo como o dela.
- Olha, só por que eu sei que você não tá legal, eu te empresto meu Play 3. - ela virou os olhos quando Tom abriu um sorriso de orelha a orelha. - Mas só por hoje! E você vai ter que jogar na minha casa! E... E... - ela o calou quando ele fez menção de abrir a boca. - Você vai ter que conseguir a última roupa pra mim no Red Dead!
- Ah, , você sabe que é impossível! - ele exclamou, desanimado.
- Você disse que ia conseguir pra mim! Você prometeu... - ela fez biquinho, e ele não conseguiu dizer não àqueles olhos azuis que tanto queriam animá-lo.
- Tá. Beleza. - suspirou. - Mas só por que hoje eu estou inspirado a passar a tarde inteira jogando vídeo-game!
- Você sempre está inspirado para passar a tarde inteira jogando vídeo-game. - virou os olhos e ele gargalhou. - Vamos?
- Vamos. - ele sorriu, ficando genuinamente feliz pela primeira vez, desde que vira sua ex-namorada com outra garota na cama. Abraçou a amiga pela cintura e agradeceu por ter uma amiga tão legal com um Play 3 novinho em folha.
Casadee viu Tom atravessando a rua com abraçados. Os dois riam juntos e ele aceitou um daqueles cigarros nojentos que ela tanto odiava. Conseguira fazê-lo parar quando namoravam e agora ele estava fumando novamente, menos de um dia depois de terem terminado.
Ela apertou os olhos, puta da vida. Nunca gostara de . Durante todo o tempo em que namorou Tom ele insistia em cumprimentá-la com um beijo na boca e, além disso, os dois haviam perdido a porra da virgindade juntos! Tinha como ser mais patético? Cassadee a odiava do fundo da alma. É claro que ela não ia perder a chance de agarrá-lo assim que Cassadee o deixasse ir. Ela já podia imaginar, mas a imagem dos dois juntos fez com que seu estômago se revirasse.
Vagabunda! E depois não entendia por que Tom preferira Cassadee a ela. Aquela máscara de garota independente, que fuma um maço de cigarros por dia e tem uma tatuagem de escorpião na perna não estava com nada.
- O que foi, Cass? - Emily tirou-a dos pensamentos, colocando uma das mãos em seu ombro esquerdo.
- Nada. - ela disse, sentindo um frio percorrer sua espinha ao toque da garota. Não foi um frio bom.
Tom passou a tarde e a noite jogando vídeo-game, sem tirar os olhos da televisão. tentou distraí-lo, mas ele não estava nem um pouco interessado no fato de que ela não tinha calcinhas limpas então não as estava usando. Na verdade ele nem pareceu perceber o comentário, que tinha a intenção de deixá-lo de boca aberta. Naquele momento, sua vida dependia do vídeo-game.
Eram quinze para meia-noite quando ele finalmente desligou o console. dormia ao seu lado no sofá, com a boca aberta e Napoleão no colo, e ele se dignou a beijar sua testa antes de sair. acordou no meio da madrugada, toda dolorida, e foi para a cama, frustrada. Adormeceu com o mantra de que não ia desistir de Tom.
Tom voltou para casa, tomou duas garrafas de cerveja e dormiu como um bebê, sonhando com os cavalos do Red Dead Redemption. No dia seguinte acordou bem mais disposto e foi para a escola. Deixou a touca e os óculos para trás, vestindo uma pólo azul marinho, uma calça jeans e um par de chinelos. Esqueceu de pentear o cabelo, mas nem percebeu.
Chegou à escola um pouco menos melancólico, mas toda a sua recente felicidade foi sugada por Cassadee, que o abordou assim que ele apontou no pátio.
- Precisamos conversar. - ela murmurou. Tom varreu o pátio com os olhos e constatou que Emily não estava por perto.
- Estou ouvindo. - ele respondeu, sem nenhuma emoção. Passou a mão pelo cabelo, observando Cass de cima a baixo. Infelizmente continuava gostosa, mesmo usando moletom e camiseta.
- Eu vi você com a ontem. - ela acusou, nervosa. - Você sabe o quanto eu a odeio, não sabe, Tom?
Tom olhou para a ex-namorada, perplexo.
- Sim, eu sei. - ele disse, falando bem devagar para que ela entendesse. - Mas eu sei também que você virou lésbica, me trocou por uma garota, que nós não somos mais namorados, que eu tenho o direito de andar com quem eu quiser e que a raiz quadrada de 49 é 7.
Cassadee fungou.
- Eu... Bom, eu... - ela encarou o chão. - Eu sei que não estamos mais juntos, mas eu não quero mais te ver com essa garota. Entendeu? - Tom piscou duas vezes e não respondeu. Ele não conseguiria abrir a boca sem xingá-la de todos os palavrões que estavam voando por seu cérebro. - Espero que você me escute. O baile está chegando - ela chegou bem perto, deixando-o inebriado com seu perfume. -, e eu ainda não me decidi.
- V-você... - ele gaguejou, mas foi em vão, pois Cassadee já estava longe, rebolando os quadris largos para longe dali.
Tom ficou estático no meio do pátio, tentando processar direito o que havia acontecido. Tomou o maior susto do universo quando chegou por trás, apertou sua barriga e gritou 'Booom!'.
- Caralho, ! Quer me matar? - gritou, virando-se para ela.
riu gostoso e Tom não aguentou, rindo junto. Observou que ela usava a mesma saia que usara no dia em que os dois perderam a virgindade juntos. Lembrava-se claramente de tentar tirar a saia sem abrir o zíper e, quando percebeu a gafe, tentou de fato abrir o zíper, que se prendeu na pele dela. Ela gritou de dor e ele ficou meia hora se desculpando e passando os dedos de leve pelo pequeno corte, o que o deixou mais excitado ainda.
Aos poucos os dois voltaram a se beijar e...
Tom chacoalhou a cabeça, evitando pensar naquilo. Evitava pensar naquilo desde que acontecera, e não seria agora que teria uma recaída.
- O que ela queria? - perguntou, enciumada. - Você de volta?
Tom riu por ela ter acertado na mosca, e de repente teve a melhor ideia de todos os tempos. Não se sentia tão inteligente desde que roubara o gabarito da prova de estudos sociais. Aquilo era perfeito! Cassadee odiava e ainda não havia se decidido entre ele e Emily. Era mais do que perfeito, era genial! Era sua deixa para reconquistar a namorada e o orgulho!
- , você quer tomar uma cerveja comigo no final da aula? - ele perguntou e sorriu, tirando sua covinha da toca.
segurou um sorriso apaixonado, o que fazia há dois anos toda vez que via aquela covinha linda. Ela sempre passou uma imagem de durona, mas era só Tom sorrir que tudo aquilo ia pelo ralo.
- Claro, por que não? - perguntou, maravilhada. Um encontro! Ela nem precisaria se esforçar tanto! Tom estava na dela, assim com ela estava na dele.
Aquele dia não tinha como melhorar...
Capítulo 2 - "And why do we like to hurt so much?"
Paramore, That's What You Get
Danny e .
saiu da última aula radiante, cantarolando pelo pátio. Saiu pelos portões e caminhou até o final da rua, entrando no pequeno pub que cheirava à cerveja e futebol. E lá estava ele, com os braços atrás da cabeça, o calcanhar de uma perna em cima do joelho da outra, uma caneca de cerveja na mão e a televisão ligada na reprise de jogo do dia anterior. Ele não era um grande fã de futebol e ela sabia que ele só queria passar uma imagem de machão.
- Oi, Tom. - disse, beijando-lhe os lábios. Tom segurou sua nuca ao retribuir, como fazia quando estava animado. sentou-se em sua frente e sorriu. Tom empurrou uma taça de vinho para ela e sentou-se direito.
- Como foram suas aulas?
- Ah, uma grande explosão de sentimentos! - ela exclamou, fazendo-o rir. - Você sabe que foi uma merda. E as suas?
- Só assisti as duas primeiras. Bom, na verdade eu dormi nas duas primeiras... - seus braços saíram de trás da nuca e ele ficou sério. - ... Eu... - e, de repente, ele perdeu a coragem.
Não sabia se conseguiria pedir aquilo a ela. era sua melhor amiga, sim, mas também era apaixonada por ele e ele sabia muito bem disso - embora fingisse não saber de nada. E se ela se enchesse dele de uma vez por todas? Mesmo parecendo não se importar muito, não queria perdê-la. Não suportaria perdê-la.
- Você...? - ela o incentivou. Estava esperançosa. Talvez ele estivesse tentando chamá-la para sair, e se isso acontecesse ela sabia exatamente o que iria rolar: Os dois iriam ao seu apartamento - o qual dividia com Harry -, rolaria um remember daquela noite perfeita de dois anos atrás e os dois viveriam felizes para sempre...
- , eu te chamei aqui hoje pra te pedir um favor. - ele explicou, decidindo-se: Se fosse mesmo sua amiga, entenderia que ele era apaixonado por Cassadee e o ajudaria.
deu um gole no vinho, concordando com a cabeça para que ele continuasse.
- Eu preciso da sua ajuda para reconquistar a Cass. - pediu, abaixando o rosto. Sentia-se um canalha, mas era sua última esperança.
quase cuspiu o conteúdo da taça. Teve de fazer força para não passar vergonha. Depois de lutar alguns segundos, que mais pareceram horas, contra a garganta, engoliu o vinho de qualquer jeito, tossindo feito louca.
- Você o quê? - perguntou, com a voz subindo uns cinco tons.
- Preciso que você me ajuda a reconquistar Cass. Preciso que você finja estar comigo todas as vezes que ela estiver por perto. Ela me disse hoje mais cedo que ainda não se decidiu, e eu sei que ela te odeia com todas as forças, e talvez se ela pensasse que nós estamos juntos se decidisse por mim... Nada que o ciúmes não faça, não é? - sorriu, finalmente olhando nos olhos, que sentia seu coração bater mais rápido do que o normal. Se morresse ali, naquele momento, sua morte não seria nada dramática. Um ataque cardíaco num pub fedido: Qual era a graça naquilo?
- E aí, , aceita? - ele pediu, esperançoso. fechou os olhos e respirou fundo. Estava tão anestesiada pela dor e humilhação que a única coisa que conseguiu fazer foi balançar a cabeça em afirmativa. - Eu sabia! Você é demais! - Tom exclamou, beijando sua testa. - A melhor amiga que já existiu!
Ela ficou em silêncio, olhando para a taça de vinho, sem forças para nada, embora o que mais quisesse era virar um tapa bem dado naquele rostinho de bebê de Tom.
- Bom, eu vou indo, preciso comprar um pedal novo pra minha guitarra. Depois a gente se fala!
Dito isso, saiu pela porta, deixando-a sozinha, olhando como idiota para a taça de vinho.
saiu do pub soltando fogo pelas orelhas. O que ela mais precisava naquele momento era passar o dia com alguém que gostasse e que gostasse dela. Queria se sentir querida e amada. Queria se sentir como uma mulher tem direito de se sentir.
Abriu o flip do celular, tremendo, e discou o 3 da discagem rápida. Ele atendeu no primeiro toque, como se já esperasse por aquilo.
- ? - chamou do outro lado. Sua voz rouca a arrepiou.
- Oi. - ela murmurou, segurando as lágrimas na garganta. - Você está ocupado?
- Não, não... - ele respondeu, embora estivesse no meio de uma maratona online de Call Of Duty.
- Posso dar uma passada aí? - ela pediu, manhosa.
- Claro! Claro, ! - ele exclamou, feliz. - Quando você quiser!
- Chego aí em cinco minutos. - ela disse, entrando em seu carro e desligando o celular.
Danny saiu pulando pelo 'apartamento' - que, na verdade, era uma quitinete minúscula e barulhenta de dois cômodos -, pegando tudo que estava fora do lugar. Enquanto o McFLY não desse certo a quitinete era a única coisa que conseguia pagar com seu salário ridículo de recepcionista do Starbucks, mas ele não tinha vergonha do lugar. Pelo menos ele era seu e só seu.
Ele avisou pelo microfone aos seus colegas de partida que estava vazando, pois estava vindo. Eles lhe desejaram boa sorte, pois todos sabiam o efeito que causava em Danny, e ele se pôs a arrumar o cafofo. Lavou a louça, tirou a sujeira do sofá, arrumou a cama e trocou de camiseta - tudo isso dando menos de 10 passos -, não sem antes passar dois litros de desodorante. Quando abriu a porta, sem nem ao menos bater, Danny estava esparramado no sofá, assistindo ao Mtv Hits e tomando uma Stella Artois.
foi até ele e o beijou com vontade, como se quisesse fundir suas bocas.
- Oi, lindo. - ela disse assim que partiu o beijo, sentindo os braços fortes de Danny entrelaçarem sua cintura.
- Oi, linda. - ele respondeu, ofegante, hipnotizado pelos lábios vermelhos e molhados dela. - Quer tomar alguma coisa?
concordou com a cabeça, sentando-se no sofá, e ele correu até a cozinha - dando uns três passos para chegar até lá. Pegou uma taça de vinho e voltou ao seu encontro. virou o conteúdo todo sem pestanejar e depositou a taça no chão. Tirou a garrafa de cerveja das mãos de um Danny hipnotizado, colocando-a ao lado de sua taça e, sem dizer uma palavra, passou uma das pernas por cima de sua pélvis, pressionando seu corpo contra o dele.
Danny segurou sua cintura com força, fechando os olhos ao sentir os lábios quentes dela contra os seus. Seu cheiro era totalmente viciante. Ele poderia ficar daquele jeito pelo resto da vida.
Aos poucos os dois foram tirando a roupa. Empurraram-se para o quarto, derrubando tudo pelo caminho.
Passaram a noite juntos.
Tom acordou no dia seguinte com seu celular vibrando no criado-mudo. Atendeu sem olhar pro visor, arrependendo-se instantaneamente por isso. Os berros de poderiam ser ouvidos pelo vizinho do primeiro andar, que era surdo.
- O QUE DIABOS VOCÊS FEZ 'PRAQUELA' VADIAZINHA!? - ela gritou, puta.
Tom tirou o telefone de perto da orelha, piscou algumas vezes para absorver a informação e se espreguiçou antes de responder alguma coisa.
- Já pedi pra você não falar assim dela. - ele resmungou, fechando os olhos mais uma vez ao constatar que ainda eram 8h15 da madrugada. - E também já disse que ela curte o Danny e não há nada que eu possa fazer para mudar isso.
- VOCÊ AINDA NÃO PERCEBEU QUE ISSO NÃO TEM NADA A VER COM O DANNY!? ELA SÓ VEM AQUI SE ENROSCAR NELE QUANDO VOCÊ FAZ ALGUMA MERDA! O QUE VOCÊ FEZ DESSA VEZ? SEU IDIOTA! - estava furiosa.
- 'Vem aqui' - ele imitou sua voz. -, você fala como se vocês morassem juntos. - Tom ignorou a pergunta, sonolento.
- Eu sou a vizinha dele, Tom. Eu posso ouvir os gemidos dela. - ela disse, com asco. - Eu odeio você!
- Ao invés de me odiar você deveria odiar o cara que nem sabe que você existe... - Tom bocejou. - Se a fica com ele é porque vai atrás e não fica sentada no apartamento assistindo Amor Além da Vida e rezando para que o cara que ela ama entre a cavalo com uma armadura reluzente e a peça em casamento. Por que, ao contrário de você, ela sabe que cavalos cagam pra caramba.
- Isso é o que você pensa. - disse, ácida. - Tenho certeza que ela está esperando você entrar com uma armadura no apartamento dela.
- Isso mesmo: Sem o cavalo. - Tom comentou, rindo internamente. bufou do outro lado. - Nós fomos namorados no high school, , eu não tenho todo esse poder sobre ela que você pensa que eu tenho. - explicou, mas ele sabia que sim, era louquinha por ele.
- Você poderia pelo menos tirá-la do meu caminho! Eu não tenho chance nenhuma com ela por perto! - ela estremeceu. Não era páreo para uma garota com uma tatuagem de escorpião e sabia disso. A coisa mais rebelde que tinha era uma cicatriz de nascença no ombro esquerdo em forma de coração.
Ela não achava tão bonita assim como os garotos do colégio diziam... Ela era só uma garota comum. Tinha quase certeza que todo aquele fetiche estudantil estava relacionado àquela porra daquela tatuagem no tornozelo.
- E você poderia pelo menos parar de ser tão frígida e ir atrás do cara. - Tom aconselhou.
- Ah, vá se foder, Fletcher. - ela exclamou, desligando o celular.
Tom fechou os olhos e voltou a dormir.
Danny acordou assustado, com alguns gritos no apartamento vizinho. Olhou de relance para o relógio: 8h15 da madrugada. Virou os olhos, estressado.
Ele não sabia quem morava ao seu lado, mas sabia que era uma garota, e que ela era muito, mas muito, barulhenta. Ele tinha a impressão de que os poucos momentos de silêncio que tinha naquela casa eram passados no chuveiro, enquanto cantava. Tomar banho era o único momento do dia em que a desgraçada da vizinha calava a porra da boca ou desligava o rádio.
Não que a voz dela fosse feia... Ao contrário, a vizinha tinha uma voz muito bonita, aguda, compassada. A voz de uma jovem de uns 17, 18 anos - ou uma velha com a voz aguda -, mas Danny gostaria de ter alguns segundos de silêncio na sua própria casa, e ele só os tinha no banheiro.
Talvez fosse por isso que tomava tantos banhos.
Danny virou-se para o lado, dando de cara com , adormecida. Ele sorriu, colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha e ficou admirando sua beleza. Adormeceu novamente sentindo-se o cara mais sortudo do mundo.
Foda-se a vizinha e seus escândalos. Quem poderia ficar bravo quando tinha uma beldade deitada na cama?
acordou no dia seguinte zonza. Abriu os olhos, sonolenta, encontrando Danny pelado ao seu lado. Virou os olhos, um pouco enojada por mais uma vez fazê-lo de idiota, e levantou-se. Deu um beijo de leve em sua testa, marcando-o com batom vermelho cereja, e pegou suas roupas no chão, indo até o banheiro. Trocou-se rapidamente, demorando-se ao fechar o zíper da saia, a mesma a qual Tom a machucara dois anos atrás.
Balançou a cabeça, decidida a não pensar mais naquela noite, e saiu do banheiro. Penteou o cabelo com as pontas dos dedos ao não achar uma escova e caminhou pela minúscula quitinete, fazendo uma pequena vistoria pelo lugar. Pegou um pêssego no meio do caminho e depois de constatar que Danny passara os últimos dias jogado no chão da sala jogando vídeo-game, saiu do apartamento. Enquanto atravessava o corredor, observou com o canto dos olhos uma loirinha muito bonitinha, que ela tinha a impressão de já ter visto na escola. A loirinha analisava o jornal do dia anterior com muito interesse, o que era um tanto quanto curioso. podia jurar que seus olhos verdes a analisavam de cima a baixo, mas, julgando ser só paranóia sua, pegou o elevador para ir embora.
Saiu pela porta do hall depois de trocar algumas palavras com o porteiro, que já a conhecia, e deu de cara com Dougie e andando de mãos dadas na calçada.
- Olha só quem eu encontrei no meio do caminho! - exclamou, chamando a atenção dos dois e de todos em sua volta. - Brad Pitty e Angelina Jolie! - gritou, e todos os transeuntes olharam para o casal. Quando perceberam que não, não era o casal Brangelina, xingaram baixinho , que ria de gargalhar.
- ! - gritou, correndo até sua melhor amiga e lascando-lhe um beijo na bochecha. Olhou para ela de cima a baixo, constatando que usava a mesma roupa do dia anterior, e depois olhou para cima, fazendo uma cara de reprovação ao entender o que estava acontecendo ali. - Você não deixa o menino em paz mesmo, né? Só vai parar quando ele se jogar do décimo quinto andar!
- Qual é, , você sabe que o cara é louco por você... - Dougie lhe deu uma bronca, depois de beijá-la no rosto. Ele estava cheirando muito bem, como ela pôde constatar. Não era uma surpresa: Dougie era muito cheiroso.
- E quem disse que eu também não sou!? - ela perguntou, sorrindo. Por trás de toda aquela animação, sua vontade era de se matar. Se eles achavam que ela não se sentia mal em zoar assim com a cara de Danny, estavam muito enganados. Mas não podia lutar contra aquele sentimento de exaustão emocional e, toda vez que se sentia sozinha e triste, Danny estava lá. - Estão indo para a escola? - mudou de assunto, evitando pensar naquilo.
- Estava tentando convencer a de ir para um motel, mas não estava dando muito certo... - Dougie suspirou, derrotado.
- Prefiro fazer na escola. Muito mais emocionante! - sussurrou, piscando para , e os três riram.
Eles caminharam juntos até a escola, conversando sobre os lugares mais exóticos em que fizeram sexo e, ao chegarem, parecia ter esquecido toda aquela coisa Tom/Danny. Sentia-se feliz, o que durou, aproximadamente, 15 minutos. Assim que avistou os grandes portões do St. Albans, avistou também Tom conversando com uma ruiva baixinha que ela nunca havia visto na vida.
deu uma desculpa fiada qualquer e saiu correndo para o banheiro, sentindo seu estômago embrulhar. Dougie e se entreolharam, mas não disseram nada. Sabiam o quanto era apaixonada por Tom, e o quanto aquilo a estava destruindo.
Os dois se aproximaram do amigo e Dougie sentiu como se tivesse levado um soco nas bolas ao perceber quem era a garota com quem Tom conversava. Sentindo-se tão enjoado quanto , apertou a mão da namorada e saiu correndo sem dizer nada, antes que a ruiva o visse.
- Tá todo mundo louco hoje! - exclamou, aproximando-se de Tom e sua amiga ruiva. Tom beijou sua testa e a garota estendeu o braço.
- , é um prazer. - ela sorriu e as duas trocaram um aperto de mão.
- Ué, , você ainda não estava aqui quando a foi transferida? - Tom perguntou.
- Acho que não. Eu me lembraria dela. - sorriu e olhou fundo nos olhos castanhos de , que instantaneamente adorou a garota. Quem tinha um olhar firme daqueles merecia respeito.
- Então, você já estudava aqui? - perguntou, curiosa.
- Sim, mas fui fazer intercâmbio no México. - a ruiva deu de ombros. - Agora estou de volta.
- Bom, seja bem-vinda! - ela sorriu, sincera. Depois sentiu o celular vibrar. - Preciso ir, gente, depois nos falamos.
Dougie caminhava a esmo pelos corredores. Uma sensação esquisita espalhava-se pelo seu peito, mas ele não sabia dizer o que era: vergonha, saudades, amor, raiva, indiferença...
Ao longe avistou uma garota muito loira e irritada bater com força a porta do armário. Seguiu seu olhar e encontrou Danny perto do bebedouro, conversando - jogando-se em cima de – com , que o ignorava com louvor.
Pelo menos ele não era o único ali com problemas sentimentais.
Dougie abriu o armário e enfiou a cabeça lá dentro. O cheiro de kit kat o fez esquecer momentaneamente seus problemas.
pedia mentalmente - implorava na verdade - para que Danny a deixasse em paz. Sabia que era maldade, sabia que o garoto era louco por ela, sabia de tudo aquilo... Mas não conseguia se conter! Toda vez que Tom partia seu coração, Danny era o único super bonder ao alcance.
- ...então nós poderíamos ir ao show nesse final de semana. O que você acha?
continuou bebendo água, perdida no mundo da lua.
- ?
Ela levantou a cabeça, limpou a água que escorria por seu queixo com as costas da mão e olhou para ele. Suas sardinhas eram fofas, seus olhos eram de um azul profundo, o sorriso sincero e todo seu corpo definido e desesperado por ela. Mas não... Ele não era Tom. Ele não tinha os olhos castanhos sensíveis, não passava a maior parte do tempo fazendo metáforas com Star Wars e, definitivamente, não tinha o mesmo toque suave de Tom na cama.
- Olha só, Dan, não vai rolar... - ela respondeu, e quase pôde tocar a decepção em seus olhos. - Eu vou... Visitar meus pais.
- Em Bolton? Olha só, nós podemos ir juntos! - ele se animou novamente. Se tinha uma coisa que Danny amava mais do que , essa coisa era Bolton.
- Não, não, eles estão vindo para Brighton. - ela mentiu. Olhou para o relógio de pulso e deu um pulo. - Ah, meu Deus, estou atrasada pra aula de física, a sra. Perez vai me matar! Até mais, Dan! - ela exclamou, lascando um beijo na boca de Danny e correndo pelo corredor.
Ele se apoiou nos armários e colocou o dedo sobre os lábios. Ah... Aquela garota...
"BAM!" fez o armário de mais uma vez. Era a terceira vez que ela batia o armário com força, e as pessoas em volta estavam saindo de perto, amedrontadas. Deveriam ter medo mesmo! Se ela tivesse uma arma miraria na cabeça de - que finalmente se afastava de Danny - e acabaria com todo o seu desgosto.
- Bate mais forte, ! Isso, assim! Continua, assim que eu gosto! - ouviu Tom berrar, muito próximo a ela. Ele chegou por trás sem que ela percebesse e abraçou a garota pela cintura, que quicou e virou de frente para ele. Seus narizes se bateram e Tom a apertou contra o próprio corpo. O garoto ria sem um pingo de vergonha na cara, e sentia todo o seu corpo esquentar.
- Para com isso, idiota! - ela murmurou, mas Tom continuou.
- Com mais força, ! Mais força! - ele gritava o suficiente para que todos no corredor parassem para assistir a cena.
Sabe a arma imaginária de , aquela que mataria ? Bom, se ela realmente existisse, agora estaria mirada na testa de Tom.
Quando Tom deu-se por satisfeito da brincadeira, largou a garota e abriu seu próprio armário. Ele assoviava baixinho como se nada daquilo tivesse acontecido. E por que ele estava tão feliz? Não deveria estar chorando pelos cantos por ser trocado pela namorada lésbica?
- Eu já disse que te odeio mais do que tudo no universo? - engasgou, morta de vergonha.
- Hoje ainda não. - ele respondeu. - Só estava te dando um incentivo. Achei que você não estava batendo o armário com força o suficiente. - ele piscou para ela depois de tirar a cabeça de dentro do armário. - Da próxima vez eu venho pelado.
- Tom, não fale... - ela rosnou, respirando bem fundo. - Só não fale comigo hoje. Ok?
- Não está mais aqui quem falou. - ele sorriu, afastando-se.
Danny desceu para o intervalo, maluco para fumar um cigarro. Só estava se esquecendo de dois pequenos detalhes: Ele não tinha cigarro, nem podia fumar dentro da escola. Meros detalhes da vida...
Procurou por todos os lados, mas a garota parecia ter evaporado! Achava que ela o estava ignorando... Achava? Era óbvio que ela o estava evitando!
Ele se aproximou da máquina de refrigerante, pensando que uma Coca-Cola teria um terço do efeito do cigarro, e pescou cinco libras do bolso da calça. Esperou na fila, atrás de uma loirinha muito bonitinha, que tinha dificuldade em pegar seu refrigerante. Ele esperou pacientemente enquanto a menina apertava todos os botões da máquina, sem muito sucesso. Aparentemente a máquina havia engolido seu dinheiro.
Depois de um bom tempo esperando, e de todos os que esperavam na fila atrás dele irem embora, Danny resolveu ajudá-la.
estava tentando pegar sua Coca-Cola sem muito sucesso. Odiava aquelas maquininhas mais do que odiava . Sempre roubando seu dinheiro, sempre...
- É só apertar aqui. - ela ouviu o coral dos anjos atrás de si. Virou o rosto em câmera lenta, dando de cara com nada mais nada menos do que Danny Jones parado ao seu lado, apertando um botão qualquer. Ele não estava olhando diretamente para ela, então pôde observar de pertinho suas olheiras e seus olhos vermelhos sem que ele percebesse que ela o encarava. Danny parecia triste, magoado, irritado. Ela não conseguia vê-lo daquele jeito! Seu Danny tristinho...
Mas, hey, aquela era a primeira vez, em um ano inteiro que ela o conhecia só de vista, que ele se direcionava a ela!
estava em êxtase.
- Er... Que burra! - exclamou, sorrindo e dando um tapa na testa. Ele pareceu reparar nela pela primeira vez e seus olhos se encontraram, mas ele logo desviou o olhar para a máquina, que fazia um barulho esquisito. A Coca caiu pelo buraco e ele se agachou para resgatá-la. olhava maravilhada para aqueles braços pintadinhos de sardas, musculosos, que se movimentavam com destreza em busca do refrigerante. Como seriam aqueles braços segurando sua cintura? Como seriam aqueles braços abraçando-a com carinho?
- Nah, eu também só descobri isso esses dias. Essas máquinas são um teste de estresse. - ele sorriu, fraquinho, entregando a Coca para , que saiu do caminho para que ele pudesse usá-la. Ele colocou uma nota de cinco libras na máquina e escolheu a mesma coisa que ela. - Se você quiser saber se está estressado ou não, compre uma Coca-Cola numa máquina qualquer.
queria que aquele momento nunca acabasse, mas Danny já estava pegando sua Coca-Cola e indo embora.
- Obrigada, er, por isso. - ela levantou a lata em sua direção. Danny sorriu de canto.
- Não foi nada. - respondeu. Olhou com curiosidade o pequeno sinal em seu ombro esquerdo e foi embora sem nem se despedir.
Seu primeiro contato direto com Danny Jones! E ele reparara no seu pequeno sinal de nascença, a coisa mais rebelde e legal de ! Ela até esqueceu-se da raiva que passara mais cedo, quando ele estava dando em cima de .
Ah... As coisas estavam melhorando...
Capítulo 3 - "I feel this burning inside, a feeling that no one should know!"
Sum 41, Noots
Harry e .
- , precisamos conversar... - Harry murmurou ao passar por no corredor do segundo andar. Sua voz não era a das melhores.
- No mesmo lugar? - perguntou baixinho, para que Dougie, uns cinco passos a sua frente, não ouvisse.
- Sim. - ele respondeu, sumindo entre as pessoas.
Mesmo depois de cheirar seu armário, coisa que sempre o acalmava, Dougie ainda estava com aquela sensação esquisita de mais cedo.
Ele tinha o direito de se sentir esquisito. Ver depois de um ano era uma apunhalada no peito. Logo agora que ele estava namorando, estava bem, estava feliz...
Fora namorado da ruiva por apenas dois meses antes dela viajar - os melhores dois meses de sua vida, diga-se de passagem -, mas, de algum modo, vê-la novamente fez todo o seu corpo formigar. Conhecia aquele sentimento: A sua boa e velha amiga submissão. Sempre vinha visitá-lo quando estava por perto.
E ela conversava justo com quem? Com Tom, o conquistador barato do pedaço, com toda aquela pinta de fofinho e sentimental.
Meu Deus, o que ele estava falando? Tom era seu melhor amigo!
E de quem Tom não era melhor amigo?
Dougie balançou a cabeça, irritado.
Era claro que gostava de . Aqueles olhos castanhos expressivos, a boca carnuda, os cabelos negros e o jeitinho de rebolar enquanto andava eram de deixar qualquer um louco. Mas, infelizmente, não era e não tinha o impecável gosto musical. não era e não falava cinco línguas diferentes. não era e não sabia gemer em alemão. não era e com certeza não saberia cantar All The Small Things na língua do P. ... não era .
Percebeu que Harry passou por ele como um vulto e se abaixou um pouco ao passar por , mas não deu importância.
No intervalo, Harry foi até os fundos da escola e acendeu um cigarro. Respirava fundo, apoiado contra o muro, dando pulos toda vez que ouvia algo se mexer. Quando cobriu seus olhos com as pequenas mãos, ele quase teve um enfarte fulminante.
- Não! É tudo mentira! - gritou ao sentir dez dedos quentes envolverem seu rosto.
- O que é mentira, Hazz? - retirou as mãos de seu rosto, intrigada. Pegou o cigarro de sua mão e pisou em cima, fazendo-o espumar de raiva.
- Por que você fez isso? - perguntou, estressado.
- Porque eu já disse que não gosto que você fume! Não gosto que o cara que eu amo fique cheirando a chaminé! Me responde, Harry, o que é mentira? - ela perguntou, levantando uma das sobrancelhas.
- Pensei que fosse... - ele suspirou. - Pensei que fosse o Doug.
- Hazz, quantas vezes eu vou ter que repetir? O Dougie nunca vai saber de nós dois. - profetizou, virando os olhos muito bem maquiados numa expressão de tédio.
Aproximou-se e o prensou contra a parede, beijando-o com vontade. Ele pôde sentir a pequena festa que seu amiguinho fazia em suas calças: Era sempre assim que reagia ao menor toque de . Aquela garota... Aquela garota sabia como tirá-lo do sério!
Depois de alguns segundos de mãos bobas e línguas para todos os lados, ele finalmente conseguiu afastá-la de seu corpo, com uma força que tinha certeza ser sobrenatural.
- , não dá. Não dá mais. Eu não... Eu não posso continuar enganando meu amigo! Meu melhor amigo! Há quanto tempo nós estamos assim? Três semanas? Um mês?
- Três semanas e dois dias, na verdade. - ela suspirou, olhando para as unhas, de saco cheio daquelas crises de Harry. - Qual é, Hazz, eu já disse que vou terminar com ele! Só não quero terminar tão perto assim das provas finais... É difícil de entender isso?
- Vocês estão juntos há dois meses, ! Não é como se ele fosse morrer! - Harry gritou desesperado. - Ele nem conheceu os seus pais! Vocês nunca, sei lá, foram fazer um piquenique juntos! - 'piquenique, Harry? Mas que belíssimo exemplo!' - Não sei com o que você se preocupa tanto...
- Judd, meu amor. - ela enrolou uma mecha do cabelo no dedo indicador. - Eu tinha como saber que me apaixonaria por você? Não tinha! Eu não tenho uma verruga no nariz e leio bolas de cristal! - Harry riu, desanimado. - Eu gosto muito do Doug, mas eu amo você e só você. Seja um pouco paciente! No sábado depois das provas finais, antes do baile de formatura, estará tudo acabado, e eu serei sua e só sua. É uma promessa! - ela levou a mão ao coração, simbolizando o que acabara de falar. - Ok?
Harry respirou fundo e olhou bem nos olhos castanhos da amante. Ela sorria com sinceridade.
- Ok... - ele suspirou e ela bateu duas palminhas, ficando na ponta dos pés para beijá-lo.
'Ok'. Afinal, tudo estava 'ok' perto de .
resolveu descer para fumar um cigarro no intervalo. Sabia que era proibido fumar no colégio, mas não se importava nem um pouco. Ao passar pelo cebolão observou Danny conversar, em frente à máquina de refrigerante, com a mesma loirinha que vira mais cedo em seu prédio, e tratou de vazar dali o mais rápido possível, antes que ele a visse.
Sentou-se na grama e tirou um cigarro do maço. Como uma sombra, Tom sentou-se ao seu lado, e ela virou os olhos. Será que ele não poderia deixá-la em paz? Não entendia que todos os seus problemas eram relacionados a ele?
- Oi. - resmungou, estendendo um cigarro a ele.
- Oi. - ele respondeu, recusando-o com um gesto. - Parei de fumar.
- Nossa, depois de uma recaída de um dia? - ela exclamou irônica. - Parabéns por essa conquista!
Tom riu e ela sentiu seu coração esquentar dentro do peito. Acendeu seu cigarro, tragou e ficou observando a fumaça se desfazer no ar. Tom a observava, com o pensamento longe.
- O que você acha da Cass? - ele perguntou, distraído.
respirou fundo.
- Eu acho que ela é... - 'uma vagabunda, filha da puta, aproveitadora, que só está afim de causar intriga e me ferrar' - Ok.
- Hm...
Nesse exato momento a dita cuja saiu para o intervalo sozinha. Seu cabelo estava solto e ela usava uma micro-mini-saia, atraindo o olhar de todos os garotos do pátio. Ah! Aquela prostituta!
Ela procurava aflita por alguém, mas assim que seus olhos, ágeis como águias, perceberam Tom e juntos, seu rosto ficou vermelho de ódio e ela se esqueceu completamente de que estava procurando por Emily.
Tom percebeu sua súbita fúria e resolveu aproveitar o fato de que estava ao seu lado.
A morena comentava sobre o quanto gostaria de viajar para a França nas férias quando foi interrompida pelos lábios de Tom.
Mas que beleza de interrupção!
, aproveitando-se da situação, enfiou as duas mãos na nuca dele e fechou os olhos. Tom, tomado pela excitação, pediu passagem com a língua - 'o que você está fazendo, Tom? Era só um beijinho rápido!' - e ela abriu a boca sem pestanejar.
Sempre que ele a cumprimentava com um selinho, via pequenas estrelinhas. Mas agora, com aquele beijo de verdade, que ela esperava desesperadamente havia dois anos, ela pôde realmente ouvir e sentir fogos de artifício dentro do peito. Assistia toda uma nova galáxia se formar em seus neurônios! As mãos de Tom estavam quentes, segurando com carinho sua nuca... Esperava por aquele beijo desde o dia em que ele tirara sua virgindade, para logo depois dizer que o relacionamento deles estava indo rápido demais.
deveria sentir raiva de Tom pela proposta indecente do dia anterior, mas não conseguia. Aquele era ele: Sincero demais, sensível demais, apaixonado demais, profundo demais... Tom chorava, não tinha medo de demonstrar seus sentimentos, amava filmes e gatos. Sabia que era impossível não se apaixonar por ele. Aqueles olhos castanhos, as palavras doces, o modo delicado de segurar a garota pela cintura, tratando-a como uma boneca de porcelana...
Tom, ao sentir a língua agitada de contra a sua, relembrou-se de todas aquelas sensações antigas... Como era intensa, perigosa. Perder a virgindade com ela fora o melhor momento da sua vida, e não podia negar que sentia falta de todo aquele calor e daquela paixão, claro que sentia, mas não sabia se poderia controlá-la. As mesmas coisas que o deixaram louco por ela há dois anos, também o afastaram. Ele não era homem o suficiente para ela.
Partiu o beijo de uma vez só, não querendo mais pensar naquelas coisas. Não de novo.
- O quê... - ela ia dizendo, quando ele fez sinal de silêncio com o dedo em riste. Cassadee andava para longe dos dois, batendo os pés no chão como um touro.
- Eu preciso ir atrás dela. - ele murmurou, levantando-se e batendo com as mãos na calça. - O que você acha que eu devo falar?
fechou os olhos e suspirou. E, de repente, como um raio ao atingir a Terra, teve a melhor ideia de todos os tempos. Era óbvio! Era brilhante! Ela ajudaria Tom a reconquistar Cassadee, mas de um jeito... Único.
- Você vai atrás dela, segura seu braço com força e diz 'aonde pensa que vai, vagabunda?' - Tom franziu o cenho, surpreso. - É sério! Ela vai curtir! Você tem de mostrar a ela que é homem de verdade, e não um cachorrinho! - ela piscou os cílios como uma criancinha. - Confia em mim.
Tom hesitou, confuso. fez que sim com a cabeça, com uma carinha de cachorrinho sem dono. Ele se decidiu por ouvir a amiga, e saiu correndo atrás da ex-namorada.
recostou-se na parede, com um sorrisinho diabólico no rosto, e ficou observando Tom correr pelo pátio.
Harry andava pelos corredores um pouco mais calmo. Cumprimentava todos pelo caminho, com um sorriso de orelha a orelha. terminaria com Dougie e tudo ficaria bem. Ele tinha certeza que sim.
Dougie nunca iria saber da traição.
Depois de algum tempo depois do término, os dois assumiriam o namoro, Harry pediria perdão para o amigo - já tinha até ensaiado suas desculpas: 'Eu não queria me apaixonar pela sua ex-namorada, Dougie, você sabe como eu sempre respeitei vocês dois, mas não pude evitar!' - e tudo voltaria ao normal. Nada daquilo abalaria o McFLY, nada daquilo abalaria a amizade secular dos dois, nada daquilo abalaria sua vida.
Ao longe Harry pôde avistar uma garota que nunca havia visto antes na escola. Era ruiva, tinha os olhos verdes gigantes e um sorriso encantador. Parecia tímida, perdida, mas algumas pessoas já pareciam conhecê-la de longa data. Quem seria?
Ela era... Linda!
O baterista balançou a cabeça, mordendo com força o lábio inferior. 'Chega de se meter em encrenca, Harry. Chega!'
procurava Harry pelos corredores, depois do último sinal do dia, sem muito sucesso. Não achou seu "amante" - odiava aquela palavra, assim como odiava enganar Dougie -, mas acabou dando de cara com , que andava com a cabeça baixa pelos corredores.
- Hey, ! - exclamou, animada. era sua melhor amiga, mas nem ela sabia das suas puladas de cerca.
- Cara, eu não quero ir pra minha casa. - disse, ignorando a saudação. - Eu quero fazer tudo, menos ir pra casa.
- Vamos no Joey's? - sugeriu. - Não estou achando o Dougie, acho que ele já foi embora. Odeio quando ele faz isso! Parece que ele está dizendo 'não vou te dar carona porque você está gorda. Vai andando!'
- É, super gorda... - apertou a barriga da amiga, fazendo-a quicar e rir. - Olha só toda essa gordura! Poderíamos alimentar um país inteiro da África com toda essa banha! - as duas riram escandalosamente, atraindo alguns olhares maldosos. - Mas pode ser, vamos ao Joey's.
As duas observaram Emily passar por elas pelo corredor, sozinha e tristonha. não se espantava muito, sabia como Cassadee podia ser filha da puta, mas estava preocupada. Se o seu conselho descabido desse certo ela teria a certeza de que Cassadee era a vagabunda que sempre achou que fosse, mas também se culparia eternamente por empurrar Tom de volta para ela.
- Eu sou muito burra... - murmurou.
- Hã? - perguntou, distraída.
- Nada... Nada... Vamos, não aguento mais essa escola. - ela pegou sua mão e saiu do prédio.
estava nas nuvens. Danny finalmente havia falado com ela! Poderia morrer feliz, poderia mesmo. Parecia meio imbecil pensar naquilo só por ter falado com um cara, mas era a verdade.
não era de todo idiota e inocente, mas gostava de Danny há muito tempo para se dar o luxo de não ficar contente... Há quanto tempo gostava dele mesmo? Desde que ele se mudara para o apartamento ao lado? Sim, desde que ele se mudara para o apartamento ao lado, há um ano, com suas guitarras velhas e sua voz linda. Ouvi-lo cantar no chuveiro era o ponto alto do seu dia. Se ao menos aquela voz fosse só sua e aqueles braços pintadinhos fossem só seus...
- Hey, , tá afim de tomar uma cerveja? - a voz aguda de Tom a tirou dos pensamentos. Ele de novo? - Estou querendo me redimir pela brincadeirinha de mais cedo. - ele piscou para ela. Sua boca estava vermelha e ele ofegava. Boa coisa não estava fazendo antes de chegar ali, restava saber se era com Cassadee ou .
Estava louca de vontade de perguntar, mas resolveu ficar quieta. Estava tão bem humorada que a vontade de infernizar sua vida nem lhe passou pela cabeça.
Ela então olhou bem para o melhor amigo: Camiseta do De Volta Para o Futuro meio suja e um sorrisinho no rosto, com aquela covinha irresistível aparecendo. Antes de Danny, chegou a cogitar a hipótese de que talvez estivesse apaixonada por Tom, mas não... Não, aquela voz melódica, treinada, embora linda, nunca seria como a voz rebelde e sensual de Danny.
não entendia muitas coisas em Tom, mas o que mais a irritava era a recusa do amigo a tocar no assunto '' com Danny durante os ensaios do McFLY. ", para com isso, esse negócio de pombo correio é muito infantil. Se você quer ficar com o cara, vai lá e fala com ele!" ele sempre dizia, deixando puta da cara. Mas, apesar de todos os seus defeitos, eram melhores amigos.
Ela sorriu para ele.
- Claro, porque não? - respondeu.
passou o dia inteiro meio perdida entre as pessoas. Um ano de intercâmbio fora o suficiente para que ela sentisse falta daquele calor latino que só os mexicanos tinham. Os ingleses passavam por ela como se ela não existisse! Se ainda estivesse no México seria parada de dois em dois segundos para conversar. Além de ser ótimo para treinar o espanhol, se sentia como uma princesa. Todos queriam ser seus amigos só porque ela era inglesa. Ela nem era assim tão diferente dos mexicanos, mas aquele ar inglês, que só ela tinha, fazia com que todos a admirassem.
E agora ela estava de volta, invisível no meio da multidão...
De longe avistou um conhecido e se apegou a ele com unhas e dentes. Mas ele não era apenas um conhecido, ele era... apertou os olhos, maravilhada. Era Dougie! Dougie, seu ex-namoradinho!
- DOUGIE! HEY, DOUGIE! - todos que passavam agora olhavam pra ela, que não se importou nem um pouco. Dougie fez de tudo para fingir que não estava ouvindo, mas berrava tão alto que não rolou. Ele teve de se virar, xingando-se mentalmente por ter passado naquele corredor só pra ir tomar água - quem precisava de água? Água era pros fracos! -, e marchou lentamente até sua ex-namorada.
Ele estava indo tão bem e justo no final do dia o havia localizado!
- "Oi". - ele disse por mímica labial. Ignorando o fato de que seu rosto estava quente, ele se aproximou. – Oi, .
- Doug! - ela exclamou, erguendo os braços para um abraço. Dougie, estranhando a recepção calorosa, inclinou o corpo para frente, deixando-se ser abraçado por uma saltitante. Seu rosto encaixou-se perfeitamente na covinha do ombro da garota, e aquilo o lembrou das noites que passaram juntos assistindo TV, enquanto o pai dela, sentado no outro sofá, os vigiava. Infelizmente as lembranças sumiram quando ela o soltou. - Como você está?
- Estou bem. Ótimo. Maravilhoso! - ele disse, os olhos lacrimejando de vergonha. mantinha o sorriso no rosto, suas sardinhas indo parar na orelha. - Estou namorando. Sabia? É, há quatro meses. Não é legal? É... Namorando...
olhou para ele, divertida.
- Cara, não acredito que você ainda estuda aqui! - exclamou, ignorando os delírios de Dougie. - Antes de viajar você me disse que talvez fosse se mudar pro País de Gales, depois nunca mais deu notícias... Agora você está aqui! Que maravilha!
- Sim... Sim... Maravilha... - ele pigarreou. - Bom, eu tenho que... Tenho que ir pro... Aquário. - ele soltou, e ela o olhou curiosa. - Pro aquário da diretora, porque ela me pediu ração pros seus peixes. - levantou a sobrancelha. - Porque... A ração que os peixes dela comem só é vendida num pet shop ao lado da minha casa. E... É... Bom... Tchau. - ele engasgou, inclinando-se para beijá-la no rosto. sorriu, divertida, quando Dougie se afastou cambaleante e, antes que perdesse a coragem, gritou pra ele:
- Quer tomar uma cerveja comigo depois de ir ao aquário?
Dougie estancou. Não pelo convite, mas porque dobrava o corredor com ao seu lado. Ele deu três passos para trás e trombou com . Pegou sua mão e exclamou:
- Ah, esquece o aquário, vamos agora! Por que não?
Arrastou-a pelo final do corredor, correndo, e se deixou ser rebocada, sentindo aqueles dedos calejados de tanto tocar baixo contra sua pele lisa. Aquela mão firme, que tanto a confortou no passado. Hm... Como pôde se esquecer das mãos de Dougie?
- Cara, não tô afim de pegar na baqueta hoje. - Harry reclamou. 'Eu estava afim era de pegar a ...' pensou melancólico.
- Tenho outra coisa melhor pra você pegar. - Danny brincou, fazendo um gesto obsceno para Harry, que o empurrou contra a parede. - Beleza, vamos lá pro Joey's tomar uma cerveja, estou de folga do Starbucks hoje.
- Pode ser. - resmungou. O pensamento em o estava deixando maluco. Ele nem conseguia mais falar com Dougie direito sem se sentir culpado. Eram melhores amigos, mas Dougie já começava a desconfiar que Harry estava com algum problema, como havia demonstrado mais cedo naquele dia ao perguntar para ele o que estava acontecendo. Harry ainda teve presença de espírito e inventou mais uma: Uma tia doente. Pelo menos Dougie engolira a história, mas até quando poderia mentir?
E, além de tudo, tinha aquela ruivinha que vira mais cedo... Quem seria? E por que não conseguia tirá-la da cabeça quando podia ter , uma das garotas mais lindas que já havia visto, toda pra ele. Sua cabeça era uma confusão...
- ...aí eu pensei em tirar aquele solo do começo.
- Hã?
- Cara, cê tá me ouvindo? - Danny perguntou, estressado com a ausência de Harry nos últimos dias.
- Não, foi mal... - ele deu de ombros, pegando um cigarro do maço assim que colocou os pés pra fora da escola. Acendeu um pouco trêmulo. - Diz aí.
Danny suspirou. Ultimamente ninguém parecia prestar atenção nele.
- Bom, vou recomeçar...
Capítulo 4 - "So much has changed... Now it feels like yesterday, I went away!"
McFLY, Memory Lane
Dougie e .
Dougie chegou ao Joey's com atrás de si, tagarelando sobre a comida mexicana. Ele pensava que já havia despistado e abriu a porta do pub sem nenhum cuidado, reparando mais em seu cadarço desamarrado do que no pub em si. Quando levantou os olhos, em câmera lenta, deu de cara com Tom, Harry, Danny, , e uma loirinha que ele não sabia quem era sentados numa mesa olhando para ele. Estancou na porta e não percebeu, trombando nele.
- Dougie, qual é, vai ficar parado aí como um idiota? - ela perguntou brincalhona.
- Vocês. - Dougie murmurou, como quem acabara de se deparar com os assassinos de sua família. Todos olhavam para o 'casal' parado na porta, e coube a quebrar o silêncio, passando por Dougie e exclamando:
- Tom! ! - disse sorridente. Depois seus olhos caíram em Danny, e ela quase teve um piripaque. - DANNY!?
- !? - ele gritou, esquecendo só por um momento que estava sentada ao seu lado na mesa. Atravessou o pub correndo e abraçou a amiga, tirando-a do chão. - Quando você chegou?
- Ontem! Por que você não me ligou? - ela perguntou, mais uma acusação do que uma pergunta.
- Porque eu perdi o celular com o seu número e esqueci de te pedir por e-mail! - ele gritou perplexo. - E como eu ia saber que você havia chegado pra poder te ligar? Você estava fazendo tanto suspense com a sua volta...
- Porque era uma surpresa, dã! E eu te mandei um e-mail ontem avisando que iria pra escola hoje! - exclamou. Os dois ainda estavam abraçados enquanto todos ali os olhavam assustados. Dougie agradeceu aos céus pelo foco da atenção ter saído dele, entretanto uma pergunta não lhe saía da cabeça: Desde quando Danny conhecia ? Ele sabia que ela era amiga de Tom, mas não de Danny. E Danny não havia se mudado para Brighton um ano atrás, exatamente o ano em que passou no México?
- Não entrei na Internet ontem, eu... - então ele corou e pigarreou. - Eu estava ocupado.
, que assim como todos, ouvia curiosa a conversa, pigarreou constrangida e respirou fundo, contando mentalmente até 10.
Harry estava boquiaberto. Então todos os seus amigos conheciam a ruivinha, menos ele?
estava tão encantada em reencontrar aquela garota tão simpática que conhecera mais cedo que nem percebeu que ela viera ao pub com o seu namorado. E também nem percebeu o olhar que o seu Harry lançou a ela.
estava muito feliz em reencontrar Danny, muito mesmo. Mas quando foi que ele ficara tão... Gostoso? Sério. Ela estava nas nuvens, sendo abraçada por aqueles braços grandes e... Fortes.
Quando ele finalmente a soltou, Dougie pareceu sair do transe em que se encontrava.
- Oi, pessoal. Oi, amor. - foi até a mesa e beijou , o que deixou Harry e boquiabertos. Harry porque odiava ver a sua garota sendo beijada pelo seu melhor amigo e porque não esperava que Dougie estivesse namorado com , a única menina que fora simpática com ela naquele dia inteiro.
'Mas que merda!' pensou. Mas seus pensamentos foram interrompidos por Danny, que a conduziu pela mão até a mesa.
- Alguns de vocês não devem conhecer a . - ele a apresentou a , que acenou com a cabeça, a Harry, que engasgou e sorriu sem mostrar os dentes, a , que murmurou um 'encontrei com ela hoje de manhã!' e a , que deu um sorriso rápido e fechou a cara.
Tom percebeu que mais uma vez sua amiga estava enciumada, e resolveu dar um empurrãozinho no destino.
- Ah, como eu sou idiota! - exclamou. - Pessoal, essa aqui é a . - ele abraçou a amiga pelos ombros. Todos murmuraram um 'oi, ', menos Danny, completamente encantado com a volta de , encantado ao ponto de ignorar , que estava adorando aquilo. Um segundo de paz com Danny por perto...
deu mais um de seus sorrisos rápidos em resposta ao cumprimento geral e tomou um grande gole de sua cerveja.
Tom suspirou. Será que Danny poderia ser menos idiota?
sentou-se ao lado de Danny e Dougie. Uma garota que ela não sabia quem era, com os maiores olhos azuis que já havia visto, entornava uma paint inteira, o que a deixou bem impressionada.
Todos começaram a conversar em pequenos blocos. O 'zumzumzum' da mesa a deixou um pouco confusa, então ela resolveu prestar atenção em só uma conversa.
- Hoje eu resolvi me impor, cara, e você não vai acreditar! Ela simplesmente me beijou! - Tom confidenciou a Harry, o que fez a garota com os grandes olhos azuis, que deveria ser , beber mais rápido e com mais vontade. Quando acabou, limpou a boca com as costas da mão e encarou a parede.
não conhecia a garota dos grandes olhos azuis, mas pelo pouco tempo que conviveu com Cassadee, sabia que qualquer uma era melhor que ela. E, aparentemente, estava caidinha por Tom. Estava na cara, e não conseguia entender como Tom poderia não gostar da garota sentada ao seu lado. Até estava apaixonada por ela! Aqueles cabelos escuros, os olhos claros, a pele lisinha, a expressão quente... Aquela garota exalava paixão! Como Tom poderia querer ficar com a vaca frígida da Cassadee ao invés dela?
- Eu também não entendo... - Dougie murmurou, assustando-a. - Como ele pode não querer ficar com ela? Quero dizer, você reparou naquele corpo?
olhou bem fundo nos olhos ora verdes ora azuis de Dougie, perplexa, mas em menos de dois segundos se lembrou de quando namoravam e como ele tinha o dom de sempre ler sua mente.
Dougie lançou-lhe um sorriso rápido antes de voltar sua atenção à . sentiu um ciúmes esquisito brotar em seu coração. Só não sabia se era pelo comentário que o garoto fizera sobre a beleza de ou porque ele simplesmente leu sua mente e depois a deixou ali, sozinha, para voltar a conversar com dos olhos castanhos que transbordavam energia.
era o tipo de garota que queria conquistar o mundo e que, com certeza, realizaria essa tarefa muito bem. Como poderia competir com e ? Como!?
Olhou então para a última garota da roda. , como Tom havia apresentado. Ela estava muda, bebericando sua cerveja com os olhos cravados em Danny, que estava tão interessado na conversa de e Dougie que nem parecia tê-la notado. E ela também era linda! Parecia alta, mesmo sentada, e seus olhos verdes brilhavam com uma força incrível...
'Aonde eu fui me meter? Numa porra de um concurso de Miss Inglaterra?' pensou amarga. 'Como posso tentar alguma coisa com Dougie se ele tem uma namorada linda, uma amiga maravilhosa e uma conhecida modelo?'
Mas o que ela estava pensado!? Pelo que se lembrava, fora ela quem dera um pé na bunda de Dougie para poder viajar tranquila. Que direito tinha de se sentir enciumada?
Evitou olhar para as meninas da mesa, concentrando seu foco no único cara que ela não conhecia. O baterista com os antebraços mais lindos do mundo e o rosto mais másculo que já havia visto. Qual era mesmo o seu nome? Barry? Larry?
Ficou um bom tempo analisando o partido. Perdeu-se em pensamentos - não muito cristãos -, e nem percebeu quando o baterista gostosão virou seu rosto. Quando reparou, ele já sorria de um jeito totalmente gracinha para ela. Ela sorriu de volta, tímida, e ele tentou esconder seu próprio sorriso, sem muito sucesso. E então, de repente, voltou a ficar sério e a conversar com Tom.
observou seu reflexo em um dos grandes espelhos da parede, procurando algo de errado. Talvez seus cabelos, de um vermelho fogo, estivessem um pouco despenteados, ou talvez fosse uma terrível caquinha de nariz. Mas, ao se olhar no espelho, não encontrou nada que fizesse o baterista gracinha mudar tão rápido de opinião quanto a flertar com ela.
suspirou. O que havia acontecido com seu sex appeal?
estava um tanto quanto desconfortável com aquela situação. A única pessoa que conhecia na roda - pelo menos a única pessoa que a conhecia de volta, porque, na verdade, era uma ótima observadora e analisara a vida de todos os presentes - parecia muito entretido na conversa que tinha com Harry, e mais ninguém parecia perceber que, hey, ela estava ali, sozinha, muda, constrangida... Ninguém, nem mesmo Danny, que parecia muito mais interessado em fingir conversar com e Dougie enquanto lançava olhares nada religiosos para os peitos da menina nova, a ruiva. Até a garota nova era mais atraente a ele do que ... Qual era o seu problema!? Ela fedia? Tinha os dentes amarelos?
Mas não podia culpar a todos ali por sua falta de tato social.
Por que não conseguia abrir a porra da boca e ser sociável uma vez na vida?
- Sabe de uma coisa? Acho que eu também vou virar lésbica! - , a última pessoa com quem gostaria de conversar no mundo, comentou, bêbada. - Quem sabe assim... Quem sabe assim ele goste de mim? Rimou! - ela exclamou, dando um tapinha na boca e rindo descontroladamente. observou a mesa e reparou que, além das três paints, já havia bebido uns cinco shots USA, um drink colorido e muito forte, que misturava tequila, vodka e um licor de menta.
nem precisou olhar para onde olhava. Sabia que estava falando de Tom.
'Quem sabe assim você deixa de ser uma vagaba? pensou.
- Não acho que seja uma boa ideia. - disse, ao invés. - Talvez você devesse contar a ele o que sente.
'O que você está fazendo, ? Dormindo com o inimigo?'
- Ah não, não... Você não conhece o Tom... - ela suspirou, sem vergonha nenhuma de contar a uma estranha sua paixão por Thomas Fletcher.
- Sou amiga dele desde que cagava nas fraldas. Acho que o conheço mais do que - 'você' - o suficiente.
Os olhos azuis de fuzilaram sem dó nem piedade.
- E quem é você? - perguntou, enfim.
- . - ela olhou para sua cerveja. Nem a pau trocaria um aperto de mão com aquela vagabunda.
- Você é a famosa !? - ela franziu o cenho. - Desde que conheço Tom é só isso, aquilo... Estava começando a pensar que talvez você fosse um fruto da imaginação fértil dele... Mas não! Você existe!
- Yey. - ela comemorou irônica.
Os oito passaram a tarde inteira no pub. Aos poucos foram todos entrando numa conversa só, largando os pequenos grupos. estava completamente apaixonada por , com aquele cabelo pegando fogo e as piadas mais engraçadas do mundo. estava até interagindo, mesmo que só risse ou fizesse pequenos comentários, e de repente, depois de algumas cervejas, Danny pegou-se olhando para ela. Muito bonitinha...
Tom estava em êxtase, sentindo o corpo esquentar toda vez que se lembrava da conversa de mais cedo com Cassadee e como os dois haviam ficado juntos. Cassadee prometera a ele que teria uma conversa séria com Emily, e ele tinha a esperança de que ela esquecesse de uma vez por todas aquela baboseira de virar lésbica e ficasse com ele. Se isso acontecesse, teria uma dívida eterna com .
A tarde passou como um raio e, quando menos esperavam, já estavam bêbados e sendo expulsos do pub pelo próprio Joey. 'Está tarde, meninos! Vocês têm aula amanhã!'
Dougie foi o primeiro a se despedir. Beijou as garotas no rosto - demorando-se um pouco em - e foi embora com ao seu encalço. Esta, antes de sair, mandou um beijinho discreto para Harry - sem que ninguém visse -, que fingiu pegá-lo no ar e guardá-lo no coração. Tom foi embora com , e Danny. Levá-los-ia para casa, já que Danny não tinha carro, viera com ele e estava mais bêbada que um gambá. Ofereceu carona para , mas ela disse que morava perto e estava com saudades de caminhar por Brighton. Tom deu de ombros, avisou Harry que deixaria a chave embaixo do tapete e foi embora.
Por fim, Harry e ficaram sozinhos.
- Foi um prazer conhecer você, Harry. - ela sorriu, beijando seu rosto. - Nos vemos na escola.
- Você não quer que eu te acompanhe? - ele ofereceu. 'O que você está fazendo, Harry?' uma sirene disparou em seu cérebro. - Onde você mora?
- Woodingdean. - ela respondeu.
- Ah, eu moro em Rottingdean, é caminho. Posso te acompanhar.
Os dois saíram juntos para encarar o começo do frio de outono das ruas. Observaram algumas garotas vestidas de romanas atravessarem a rua rindo, fumando cigarros e bebendo vinho direto da garrafa. O frio era cortante e elas não usavam nada além de uma toga branca, o que fez os dois se arrepiarem.
- Sabe, costumam dizer que as latinas são vagabundas, mas eu não vi nenhuma mexicana usando um pedaço de pano que nem cobre a bunda num frio desse. - comentou amarga. Estava pegando um pouco de raiva de seu país natal.
- É a mentalidade do colonizador. Faça o que eu falo, não faça o que eu faço. - Harry concordou.
Os dois foram conversando todo o trajeto. Harry contava a ela coisas que ela havia perdido durante sua estadia no México - como o festival da cidra, em que ele e todos os guys ficaram bêbados e tiraram a roupa -, e contava a ele coisas sobre o México, ensinando-o um pouco de espanhol. Quando ela chegou em sua casa, na Downs Valley Road, Harry já sabia falar "hola" e "hermano" e os dois se sentiam tristes em dizer adeus. Mesmo que fossem se ver no dia seguinte.
- Até amanhã, então. - ficou na ponta dos pés, abraçando seu mais novo amigo. Harry deixou-se levar por seu perfume floral. - Obrigada por me acompanhar.
- Eu não podia deixar uma menina bonita como você andar sozinha até aqui. - Harry disse e o rosto de ficou quente. Ela sabia que deveria estar tão vermelha quanto seu cabelo, então soltou Harry e deu dois passos para trás, evitando ficar na claridade. Harry não podia vê-la vermelha daquele jeito se ainda quisesse alguma chance com o bonitão. - Boa noite, .
- Boa noite, Harry.
Ela entrou em sua casa e Harry encostou-se ao pequeno muro de entrada. Pescou um cigarro no bolso e o acendeu.
Dougie parou o carro em frente à casa da . Ela curvou-se para beijá-lo, mas ao invés de beijar sua boca, beijou sua bochecha.
Ele estava estranhando a frieza da namorada há algum tempo. Umas três semanas, mais ou menos. Não queria mais beijá-lo, não queria mais pegar em sua mão, não queria mais transar, pelo amor de Deus! Será que ele estava fazendo algo errado? Será que não estava sendo homem o suficiente para ela?
Cansado daquele joguinho, resolveu reagir. estava saindo do carro quando ele agarrou seu braço e a puxou de volta.
- Ai, Dougie, o quê... - ela ia dizendo, quando foi calada pela boca do garoto, que se colou a sua.
sentiu todo o seu corpo formigar, pela queda e pela sensação macia dos lábios de Dougie contra os dela. Deixou-se levar por aquela sensação deliciosa, fechou os olhos e agarrou com firmeza a nuca do namorado. Dougie não era tão doce e firme quanto Harry, mas era delicado e brusco, características que amava.
Toda vez que Dougie a beijava daquele jeito, ela entendia porque não conseguia deixá-lo ir. Ela amava Harry, mas também amava Dougie. Só não sabia ao certo quem ela amava mais.
Ele começou a tirar sua roupa e não negou. Os vidros do carro ficaram todos embaçados em poucos segundos, o que era uma bela proteção caso seu pai saísse na porta. Os dois se jogaram de qualquer jeito para o banco de trás, puxando a camiseta de Dougie para cima e ele puxando a calça de para baixo. Voltaram a se beijar com urgência, os dois gemendo baixinho. Os olhos - agora verdes - de Dougie brilhavam de excitação, e ele se esqueceu completamente de . , por sua vez, esqueceu que aquelas mãos que a exploravam por todos os lados não eram as mãos firmes de Harry, e sim as mãos delicadas de Dougie.
Acho que nem é preciso dizer o que rolou naquele banco traseiro.
- Acorda, acorda, acorda! - a voz irritante e fina de Samuel, o irmãozinho de seis anos de , ecoava pelo quarto sem dó. Seus cabelos vermelhos como os da irmã voavam para todos os lados enquanto ele jogava almofadas em cima dela. - Mamãe me pediu pra te acordar.
- É... - ela resmungou, sem abrir os olhos. - Eu percebi isso. Agora vaza daqui, pirralho chato!
O irmãozinho saiu do quarto rindo e saltitando e se levantou. Arrastou-se até o banheiro e tomou um banho rápido. Ao sair, vestiu uma saia preta, meia calça verde musgo, sapatos Oxford pretos, regata básica preta, um cardigã verde oliva e um cachecol azul marinho. Pegou sua bolsa e olhou-se no espelho, resolvendo por prender seus cabelos, que mais pareciam um arbusto mal cuidado. Estava prendendo com grampos quando um deles caiu no chão. Ela se agachou, irritada, e tateou por debaixo da cama, resgatando o grampo e um pedaço de papel amassado junto. Curiosa, abriu o papel, encontrando um bilhete antigo escrito com a caligrafia torta de Dougie. 'Sabe de uma coisa? Ontem eu descobri que sim, ruivas naturais existem!' ele dizia.
Ela gargalhou e guardou o bilhete no bolso da calça. Ele jogara aquele bilhete em sua mesa do colégio havia um ano e alguns meses atrás, depois que eles transaram pela primeira vez. achara tão engraçado o bilhete - nunca ninguém havia dito aquilo a ela, e não podia dizer que era exatamente uma iniciante no assunto sexo - que resolvera guardá-lo. O que diabos ele estava fazendo embaixo de sua cama? E por que cargas d'água ela o havia encontrado?
Ela saiu pela porta ainda rindo. Estava de tão bom humor que até beijou a testa de Samuel, que fez uma careta. Sua mãe, também ruiva, olhou para seu pai, que fez uma expressão de surpresa por cima das espessas sobrancelhas negras.
Dougie acordou com um pesadelo. Abriu os olhos e sentou-se na cama tão rápido que acabou caindo de bunda no chão. Depois do susto olhou no relógio e percebeu que estava atrasado para a aula. Xingou baixinho e estava se levantando quando algo brilhante embaixo de sua cama lhe chamou a atenção. Ele se deitou de barriga para baixo e estendeu o braço até alcançar o pequeno objeto brilhoso. Quando finalmente pegou-o entre os dedos tomou um susto. Aquele era o seu primeiro piercing labial, que ele estava procurando feito doido há, sei lá, quinhentos anos. havia dado o piercing a ele antes de viajar - e terminar tudo. Havia dito que aquele era um presente de despedida, pois ela sabia o quanto Dougie queria fazer um furo no lábio.
Ele ficou um bom tempo sentado no chão, observando o pequeno brinco já enferrujado. Era irônico que, depois de uma noite incrível com , aquilo havia misteriosamente aparecido.
Um sorriso tímido brotou em seus lábios. Será que Deus, se é que ele existisse, estava querendo lhe dizer algo?
Capítulo 5 - "She's the kind of girl you want so much it makes you sorry..."
The Beatles, Girl
Harry e .
Alguma coisa estava no ar aquela manhã, e podia sentir. Talvez fosse o cheiro do inverno que se aproximava, talvez fosse o fato de que o baile de formatura estava chegando, assim como as provas finais, e talvez fosse só um dia bom. O que quer que fosse, realmente não importava, porque era indiscutivelmente bom.
A morena acordou com uma ressaca terrível. Não entendia por que insistia em continuar bebendo mesmo sabendo o quão fraca era para destilados. Levantou-se, nua, e foi até o banheiro. Lembrava-se de pouca coisa do dia anterior: A conversa no pub com a famosa , ser carregada por Tom e Danny escadaria acima de seu prédio - depois que eles descobriram que o elevador estava quebrado - e lembrava-se de dizer a Danny que era muito bonita, o que ele respondeu com um 'você também é', antes de beijá-la nos lábios e cobri-la. Tom, no batente da porta, observou toda a cena em silêncio, sem nenhum sinal de ciúmes, o que fez se revoltar e arrancar toda a roupa depois que os dois saíram de seu apartamento. Em seguida, ligou para o irmão mais velho, que a mandou ir se foder porque estava no meio de 'uma coisa importante' - e a levar em consideração os gemidos ao fundo, ele estava mesmo -, ao que ela obedeceu, adormecendo com o celular na testa.
Uma noite memorável.
E ali estava ela. Tomando uma ducha quente e se amaldiçoando por passar da conta mais uma vez.
Mas algo estava no ar... Ela podia sentir...
-Talvez ela não tenha te visto, mate. - Harry sugeriu. - Ou talvez ela queira te surpreender. Nunca se sabe.
- É... Ou talvez ela tenha se decidido pela Emily. - Tom murmurou, apático. Cassadee acabara de passar por ele como se ele não existisse. Pior, como se não gostasse dele, mesmo ele não existindo. - Eu só me fodo nessa merda...
- Se você tivesse escolhido a , ao invés da Cassadee, talvez não estivesse tão deprimido agora. - ele rebateu, como quem não queria nada. Não era o melhor indicado para conselhos amorosos, mas não aguentava mais a novela -Tom-Cassadee.
Eles atravessaram o portão do colégio e avistaram e sentadas juntas, conversando e rindo, e foram até elas. Tom sentiu as mãos suarem, mas era normal; acontecia toda vez que se aproximava de .
- Bom dia. - desejou Harry, sorrindo e beijando a testa das duas 'amigas'. Demorou-se um pouco mais em , sentindo-se mal pelo flerte descarado com do dia anterior. , por sua vez, sentia-se péssima por transar com Dougie. Prometera a si mesma, desde que começara a ficar com Harry, que não iria mais fazer aquilo com Dougie. Até aquele momento, fizera inúmeras vezes...
- Bom dia, Hazz. - sorriu, linda como sempre. - Bom dia, Tommy.
- Bom dia, . - os dois disseram ao mesmo tempo. Tom sentou-se ao seu lado e Harry sentou-se ao lado de . Discretamente, os dois entrelaçaram os dedos, sem que nem Tom percebessem.
Ficaram no cebolão conversando sobre nada e tudo ao mesmo tempo. , com sono, os olhos quase fechando, apoiou a cabeça no ombro de Tom, e ele, involuntariamente, ficou passando os dedo pelo seu cabelo. Ela estava quase dormindo quando...
- Uau! Alguém acordou de bom humor! - Tom gritou, assustando-a. levantou a cabeça rapidamente e observou atravessar os portões. A garota parecia uma louca, os cabelos bagunçados e cara de sono. Mostrou os dois dedos do meio para Tom, que gargalhou. Harry, por sua vez, soltou a mão de , que o fuzilou com os olhos, incrédula. Ele resmungou algo como 'ela é amiga do Dougie' e não voltou a segurar sua mão. Não conseguiu pensar em mais nada assim que a ruiva colocou seu lindo corpinho em seu campo de visão.
- Não é você que acorda com um irmãozinho hiperativo gritando e pulando, Tom. Nem todos nós podemos acordar lindos e... Bem dispostos. - ela resmungou, avaliando o amigo. - Bom dia, pessoal! Bom dia, Harry. - ela sorriu tímida para o baterista. abriu a boca, pasma, e Harry piscou para a ruiva. sentou-se entre o antigo e o novo amigo, não percebendo o impulso assassino de , que praticamente rosnava ao seu lado.
lançou um olhar rápido para , morrendo de inveja de sua beleza iminente. A garota estava morrendo de sono e mesmo assim continuava linda!
- Bom dia, . - cumprimentou, amarga.
- Bom dia, . . - ela sorriu. Seu sorriso parecia alegrar o mundo.
acenou com a cabeça, enojada com toda aquela fofura. Ainda não tinha se decidido se gostava ou não da nova garota. Por enquanto era um não.
- Já que estão todos aqui, eu preciso fazer uma pergunta muito séria. - Tom, que parecia ter recobrado o bom humor de sempre e esquecido Cassadee, levantou-se. Ficou de frente para os amigos e fez pose. - Essa camiseta faz com que eu fique gordo?
- Fletcher, você é gordo. - a voz conhecida de Danny atraiu os olhares dos amigos. Ele vinha em direção ao grupo com Dougie atrás de si. desviou os olhos, sentindo o rosto esquentar, e Dougie olhou para baixo, envergonhado.
- Toda vez que você magoa um gordinho, um panda morre. - Tom resmungou, sentando-se agora ao lado de , deixando sozinha. Danny, aproveitando-se da situação, sentou-se do lado dela que, sem pensar duas vezes, apoiou a cabeça em seu ombro. 'Não é a mesma coisa...' pensou, amarga. "Mas foda-se, estou com sono e Danny está aqui."
Assim que encostou a cabeça no ombro do amigo e este começou a passar os dedos pelo seu cabelo, exatamente como Tom fazia há alguns instantes, atravessou os portões da escola. Usava uma calça jeans cinza, botas de neve cinzas, camiseta do Sex Pistols e um sorriso encantador, que logo murchou ao ver Danny com .
- , estão me chamando de gordo... - Tom gritou para ela, chamando sua atenção. Ela estava prestes a passar batido pelo grupo, mas Tom fez sinal para que se aproximasse.
- Ah, Tommy, não é por nada não, mas você está mesmo gordinho. - ela brincou, e isso desencadeou um acesso de risadas em Danny. Ele ficou vermelho e quase perdeu o fôlego, o que deixou radiante. virou os olhos, irritada pelos movimentos bruscos que Danny fazia ao rir, e apoiou a cabeça nos próprios joelhos.
O grupo ouviu Cassadee rir do outro lado do cebolão, de mãos dadas com Emily. Tom, enojado, levantou-se bruscamente e foi embora sem dizer nada. Curiosa com os comentários, levantou o rosto a tempo de ver Tom se afastar. Também sem dizer nada, foi atrás do garoto.
Danny ficou observando a cena, tristonho.
- Caramba, ela gosta mesmo dele, eim? - perguntou, ignorando completamente os sentimentos que Danny tinha por . Ele não mencionara nada para ela em todos os e-mails trocados. Não queria que a amiga soubesse do amor não correspondido que tinha pela morena.
Todos deram um jeito de tirar o cu da reta, ignorando a pergunta de e entrando em assuntos paralelos. Ela não entendeu muito bem por que, mas deu de ombros. Era nova no 'grupo', e não poderia exigir saber de todos os podres.
Danny suspirou e enterrou a cabeça nas mãos. , ainda em pé, percebendo que estava mais do que deslocada no grupo, deu de ombros e foi embora para a sala de aula.
Tom estava parado do lado de fora dos muros da escola, apoiado na parede, respirando fundo. Estava tentando se lembrar onde estacionara o carro, mas estava tendo dificuldades em meio ao mar de veículos. Maldito estacionamento!
- Seu carro está na terceira fileiram, Tom. - surgiu como uma sombra ao seu lado, apontando para seu Honda Fit prata. - Eu já te disse que seu carro é muito gay?
- Já. - ele respondeu, desanimado. Abriu o carro com a chave e foi até ele, deixando a amiga para trás. Mas como era uma garota obstinada, foi atrás dele.
- Sabe, Tom, talvez não esteja na hora de desistir dela? Quero dizer, acho que ela já te magoou demais e...
- Não, não acho. - Tom virou-se, estressado. Estava louco para descontar a raiva em alguém, e estava praticamente se oferecendo como saco de pancadas. Como sempre. - E quem é você para dar palpite na minha vida? Você nem ao menos gosta de alguém pra saber o que eu estou sentindo.
'Porra... Falei merda...' pensou, arrependendo-se instantaneamente.
sentiu como se tivesse levado um soco no estômago. Quem aquele... Quem aquele filho da puta pensava que era pra falar daquele jeito com ela? Então era naquilo que seu sentimento de mais cedo sobre as coisas estarem diferentes se transformara? Belo sinal, sr. Deus.
- , eu... - ele tentou consertar, mas ela levantou o dedo indicador em sua direção, possessa.
- Você nunca vai dar certo com ninguém, Tom, e sabe por quê? Porque você é imbecil o suficiente pra não reparar em quem está debaixo do seu nariz! - exclamou, a voz esganiçada, os olhos azuis marejados. - E não espere me ter como step quando cair na real.
Dito isso, virou-se de costas.
- , me desculpa, eu não quis dizer aquilo! - ele gritou, enquanto ela se afastava. - , por favor! Caralho... - murmurou, assim que ela sumiu de seu campo de visão.
O loiro entrou no carro e ficou olhando para frente, sem reação. Depois de alguns instantes em transe, deu um soco no volante com toda força e urrou de raiva e dor:
- FILHO DA PUTA!
recebeu uma mensagem no meio da aula de história da arte. Abriu o celular com todo cuidado para que o professor não a mandasse para fora e sorriu. 'Preciso te ver, te tocar, te beijar... Me encontra no mesmo lugar de sempre. No intervalo. Hazz' Ela guardou o aparelho na bolsa e encaixou o rosto nas mãos, sonhadora.
Nunca ninguém a fizera se sentir como ela se sentia com Harry. Ninguém, nem mesmo Dougie, com seu sorriso encantador e seu senso de humor macabro.
olhou em volta, preocupada; ninguém poderia ler aquele mensagem, e ela sabia o quão fuxiqueiras eram as meninas daquela turma. Felizmente, só encontrou a sala inteira dormindo e ao seu lado.
descobriu que teriam aquela aula juntas quando encontrou a mais nova amiga perdida em frente a sala 302. A raiva que estava sentindo pela ruiva já havia passado - afinal de contas, Harry só queria que a aluna nova se sentisse novamente em casa - e a convidou para se sentarem juntas.
Aparentemente, era a única pessoa naquela escola interessada em história da arte. Copiava tudo, interessada, mas não desgrudava do iPod. espichou o pescoço para descobrir o que ela tanto ouvia. Blink 182, Blink 182, Blink 182... Ela só ouvia Blink 182!
- Você não cansa, não? - ela cochichou, apontando com a cabeça para o iPod da colega.
- De Blink 182? - perguntou, surpresa. - Quem se cansa de Blink 182?
sorriu, educada, mas por dentro fez uma careta. Ela era uma daquelas nerds estranhas. Ah, que ótimo...
Harry esperava nos fundos do colégio. Era mais um encontro casual, daqueles que aconteciam freqüentemente havia um mês. finalmente chegou, esbaforida, e beijou seu amante. Os dois começaram a se agarrar descaradamente, sem nenhum pudor. Harry estava quase tirando a camiseta de quando ouviu uma risadinha abafada. Abriu os olhos e deu de cara com em pessoa, a loirinha que conhecera no pub. Ela segurava um iPhone na mão, este diretamente apontado para o casal. pareceu não perceber nada de estranho, e Harry teve que parar o beijo a força.
- Ah, Hazz, por qu... - foi dizendo, quando percebeu pela expressão dele que algo estava errado. Virou-se lentamente e quase caiu dura ao ver parada ali. A morena soltou um gritinho histérico. - O que você está fazendo aqui?
- Bom, se quer mesmo saber, eu vim aqui procurar algum lugar calmo para terminar minha redação, mas acabei encontrando uma coisa muito mais... Interessante... - ela abaixou o celular, rindo. Digitou algumas coisas rapidamente, e Harry só tentou arrancar o celular de sua mão passado o choque. - Nã nã não, nem adianta, gato, já mandei pro meu e-mail!
- Sua... Vaca! - ele exclamou. - O que você vai fazer com isso?
- Bom, eu posso colocar na Internet, posso mandar pro e-mail do Dougie... Mas o que eu realmente vou fazer com isso? Chantagem, claro. - disse, como se fosse óbvio. Harry fez menção de xingá-la mais uma vez, mas tomou as rédeas da situação. Colocou a mão no peito de Harry, para que ele calasse a boca, e deu dois passos a frente.
- Muito bem, srta... - ela levantou a cabeça, em dúvida.
- . . - ela sorriu, os olhos verdes brilhando de excitação.
- . O que você quer? - ela perguntou, cautelosa. - Dinheiro? Gabaritos? O quê?
- Não seja idiota, eu não preciso do seu dinheiro e sei muito bem me virar nas provas. - ela virou os olhos e teve de se segurar para não dar na cara dela. - Eu quero uma coisa muito mais complexa...
- Desembucha, esquisitona. - Harry exclamou, nervoso.
gargalhou, divertida com o terror dos dois. Tinha tirado a sorte grande!
Respirou, recompondo-se, e olhou bem fundo nos olhos azuis de Harry Judd.
- Eu quero Danny Jones.
Harry corria como um louco pelos corredores, os tênis fazendo barulhinhos irritantes toda vez que freava nas curvas. Precisava vazar do colégio o quanto antes e ir até o apartamento em que dividia com Tom. Só ele poderia ajudá-lo.
Aquela era completamente pirada! Uma amizade de anos dependia de Danny Jones, que, para seu azar, parecia só ter olhos para . A garota, por sua vez, parecia só ter olhos para Tom Fletcher. Se Harry pudesse fazer com que Tom tirasse do caminho, Danny poderia finalmente desistir dela e ele entraria como cupido, empurrando em cima dele.
Ou poderia simplesmente contar a verdade para Dougie, mas só a possibilidade fez com que desse um piti épico.
Então ele estava ali, correndo como idiota. Corria contra o tempo, porque, além de tudo, estipulara um prazo: Danny tinha que ser dela até o Baile de formatura.
Estava tão concentrado nos pensamentos que nem reparou na ruivinha parada perto dos armários, e acabou passando por cima dela.
- Ah, meu Deus, me desculpe! - ele exclamou, ajudando-a se levantar. Ela parecia irritada. - Me desculpe, , foi sem querer, eu estou atrasado...
A irritação deu lugar ao sorriso, o que fez o coração de Harry derreter. Ela negou com a cabeça.
- Não foi nada! Relaxa!
- Não foi nada, eu quase te matei! - ele exclamou, desacelerando o ritmo para conversar com ela. - Me desculpe!
- Já disse que não foi nada. - então ela, num gesto sincero, passou o dedão pelo rosto de Harry. - Onde você estava? Numa mina de carvão? Seu rosto está todo sujo e... Eca, suado! - ela fez um careta e ele gargalhou.
- Jura? Estou sujo!? - ele perguntou, parando de rir. Passou as mãos por todo o rosto, sujando-o mais ainda. Foi a vez de gargalhar.
- Piorou! - exclamou. Então ela pegou um lencinho na bolsa e começou a passar pelo rosto de Harry, que aproveitou cada instante. Quando ela terminou o serviço, guardou o lenço e olhou em seus olhos.
- Obrigado. - ele murmurou, de repente sem fôlego, mesmo já tendo parado de correr.
- Não foi nada. - ela sorriu.
Os dois ficaram um bom tempo se encarando, até que ela sentiu seu rosto esquentar e abaixou os olhos.
- Você não estava com pressa? - perguntou, tentando parecer desinteressada.
- Ah, é, sim! - ele exclamou, lembrando-se da sua pressa. - Nos vemos por aí, !
Ele depositou um beijo em sua testa e saiu correndo como um louco. apoiou-se no armário e observou ele ir. Colocou a mão no bolso, sentindo-se mais calma ao tocar o bilhete de Dougie.
chegou na sala de geografia com as pernas bambas. Tinha aquela aula com Dougie, e ele já estava lá, esperando-a. Ela não estava preparada para aquela tortura psicológica. Poderia chorar a qualquer instante.
- Pronta para passar os 100 melhores minutos do dia ao lado do seu amor? - ele perguntou, batendo de leve na cadeira ao seu lado. sentou-se, atordoada. Dougie beijou sua testa e virou-se de lado para conversar com dois amigos. Ela aproveitou a situação para mandar uma mensagem a Harry. 'Falou com o Tom?' Não obteve resposta e passou as duas aulas tensa ao lado de Dougie, que não parecia perceber que sua namorada estava tendo um colapso nervoso.
Quando a aula estava quase acabando, ela olhou direito para ele, reparando algo diferente.
- Trocou o piercing no lábio? - perguntou, curiosa.
- Sim. Esse é... - ele tocou o piercing, sorrindo. - Antigo.
Harry entrou correndo em casa, gritando desesperadamente por Tom.
- Caralho, Harry, tô no meu quarto! Onde mais eu poderia estar num apartamento de 90 metros quadrados? Na adega? - o guitarrista apareceu na porta de seu quarto só de boxers. Parecia mal-humorado. Harry, que normalmente implicaria com toda aquela nudez, foi até ele e atravessou a porta. Sentou-se na cama e afundou a cabeça nas mãos.
- Cara, eu preciso da sua ajuda. - murmurou.
- O que foi? Dinheiro pra traficante eu não tenho. - Tom sentou-se na cadeira da escrivaninha.
- Não tô zoando, cara, eu tô ferrado! - Harry levantou o rosto. Estava pálido e trêmulo, deixando Tom assustado.
- Que foi, mate? O que você fez?
- Eu não posso dizer o que é, mas eu preciso que você tire a do Danny. O Danny não pode nunca mais ficar com ela, ele precisa sentir que ela não gosta nem um pouco dele!
Tom franziu o cenho.
- Tá maluco, Judd? - foi o que ele respondeu.
- Tom, você precisa me ajudar! E nem venha me dizer que não pode, porque todos nós sabemos que a menina é louca por você! - Harry exclamou. - Tá tudo em jogo, cara, nossa amizade, o McFLY... Tudo!
Tom levantou-se, confuso. Estava morto de curiosidade para saber o que estava rolando, mas como conhecia Harry melhor do que gostaria, sabia que ele não iria dizer nada. Sua palavra era levada a sério.
- Eu briguei com a hoje. Briguei feio...
- Então conserte! Pelo amor de Deus, conserte! - Harry estava mais do que desesperado.
- Eu vou tentar, cara, mas não te garanto nada.
- Obrigado, Tom. Só de você tentar já é ótimo! - ele suspirou, aliviado.
- Mas eu tenho uma condição. - Tom anunciou. Harry levantou o rosto, surpreso. Tom não era um homem de condições. Se estava afim de ajudar, ajudava. Se não estava, foda-se você. - Você vai me dizer o que está rolando quando puder.
Harry ponderou a condição e decidiu por aceitar, balançando a cabeça em afirmação.
Melhor Tom ficar sabendo do que Dougie.
Capítulo 6 - 'I'll keep you my dirty little secret!'
The All American Rejects, Dirty Little Secret
Todos.
No dia seguinte, Danny esbarrou mais uma vez na loirinha. Estava subindo para a aula de química avançada - e quem diria? Danny Jones em química avançada! - e deu um encontrão com ela no corredor do terceiro andar.
- , oi. - disse, assustado.
- . Pode me chamar de . - ela sorriu, e Danny acompanhou o sorriso involuntariamente.
- Tá indo pra onde? - perguntou, só para não ficar naquele silêncio constrangedor, e os dois recomeçaram a andar, juntos, ombro com ombro.
- Inglês. E você?
- Química. - ele resmungou. Não gostava que os outros soubessem que ele mandava bem em química.
- No terceiro andar? Você faz química avançada? - exclamou, fingindo estar surpresa. Claro que ela já sabia, sabia de tudo da vida dele, mas preferiu fingir-se de desinformada; não queria parecer uma maníaca obsessiva, muito embora fosse.
- Pois é. Bom, nos vemos por aí. - ele desconversou e entrou na sala, envergonhado.
caminhou mais um pouco e entrou na sala seguinte, onde podia-se ler na porta: Física avançada.
É, ela também tinha seus segredos.
Tom acordou determinado. Esperou deitado, quieto e silencioso, enquanto Harry se arrumava no quarto ao lado. Só abriu os olhos quando ouviu o amigo passar a chave na fechadura e sair do apartamento.
Pulou da cama na ponta dos pés e, sorrateiro, entrou no quarto do roomate. O lugar estava meticulosamente arrumado, como um santuário, e Tom não pôde evitar um pensando: 'Veadinho...'
Começou então a revirar tudo, cuidadosamente, lembrando-se de colocar todas as coisas nos lugares em que pertenciam antes. Observando todas aquelas coisas caras ele não pôde se conformar que o riquinho do Harry Judd havia trocado sua família burguesa por um apartamento minúsculo em Brighton só para poder tocar com o McFLY. Se a banda desse certo, Tom, Danny e Dougie seriam eternamente gratos a Harry, que além de se mudar para mais perto os ajudava financeiramente.
Depois de vários minutos de investigação, Tom não estava tendo muito sucesso. Sentou-se na cama e suspirou, já cansado. O que quer que Harry estivesse escondendo, escondia muito bem.
Levantou-se e foi se arrumar. Não descobriria nada ali... Mas não desistiria.
Não mesmo.
O despertador de ecoou pelo quarto. Embora estivesse muito bem acordada, virou-se para o lado e silenciou o barulhinho irritante. Fechou os olhos bem apertados para não deixar outra lágrima escorrer. Sabia que não podia evitar a escola para sempre, mas com certeza não iria naquele dia. Não depois da recente humilhação.
Durante todo aquele tempo, durante dois malditos anos, durante todo o tempo em que conhecia Tom, ela sempre estava lá, juntando os caquinhos, aconselhando, ajudando, amando, cuidado... E como ele retribuía? Insultando-a.
Não. Ela não seria mais uma baba ovo de Tom. Daquele dia em diante seria uma pessoa correta, uma garota normal em busca de um novo amor. Adeus, Tom; adeus, Danny; olá, vida nova!
Entre uma aula e outra, Harry vagava pelos corredores, tentando resgatar em sua memória o horário das aulas de Danny. Sua memória não era ruim, mas alguma coisa o impedia de se lembrar...
Foi só quando saiu da quarta aula que o destino resolveu brincar com ele, entregando o amigo em uma bandeja.
- Danny, meu querido. - exclamou, aliviado.
- Fala, coração. - ele respondeu, remexendo sua mochila em busca do iPod perdido. Não conseguiria passar pela aula de história sem ele. Sem o iPod, não Harry.
- Que horas você entra no Starbucks hoje? - perguntou, interessado.
- Entro depois da aula. - ele respondeu, com dificuldade em achar o maldito iPod.
- E que horas sai?
- Umas seis... Por quê? - perguntou, puxando os fios do fone de ouvido e comemorando mentalmente por tê-los achado.
- Vamos sair hoje? Tomar alguma coisa? - Harry sugeriu. - Tenho algumas ideias sobre aquelas guias que vocês me passaram no último ensaio...
- Isso é um encontro? - Danny perguntou, distraído.
- Pode ser o que você quiser, meu amor. - Harry respondeu. - Às seis e mais no Matriarca?
- Uau, no Matriarca? - Danny exclamou, ficando subitamente interessado na conversa. - Você paga, né?
- Pago. - ele se xingou mentalmente. Não tinha pensando nisso! Como Danny pagaria alguma coisa no Matriarca? Não tinha dinheiro nem para pagar o único cômodo em que morava. - Eu estou afim de um negócio mais romântico, sabe como é... - enrolou, procurando um jeito de dar dinheiro ao amigo. Quando percebeu que não ia ter nenhuma boa ideia, improvisou. - Cara, você pode guardar esse dinheiro pra mim? - puxou duas notas de 50 libras do bolso e entregou para o amigo.
- Por quê? - Danny perguntou, mas não negou. Dinheiro, mesmo não sendo dele, era sempre bem vindo.
- Porque... - Harry coçou a nuca. - Porque não cabe mais na minha carteira.
Ele virou as costas e foi embora, deixando Danny com um único pensamento: 'Filho da mãe sortudo...'
Mais uma aula com . Graças a Deus ela não estava toda falante e fofa, pois não se sentia bem humorada a ponto de bater um papo com a mais nova amiga. A ameaça de acabou com todo o seu bom humor pelo resto da semana. Pelo resto do mês. Talvez pelo resto do ano!
Naquele dia a ruiva usava um blusão I Love México e ouvia Millencolin. sentia-se muito fútil perto dela. Mas, de qualquer jeito, era mesmo meio fútil, embora não admitisse que seu gloss sabor cereja da Victoria Secret's era a coisa que mais amava no mundo.
A morena reparou que segurava um bilhete amassado entre os dedos e sorria a toa. Ela mesma sorriu: Estava de mau humor, mas nunca, nunca mesmo, ignoraria uma fofoca.
- Apaixonada? - perguntou, fazendo a amiga retirar os fones para poder ouvir. - Eu perguntei se estava apaixonada.
- Por quê? - perguntou surpresa, guardando o bilhete no bolso da calça com rapidez. Desde que achara o bilhete, no dia anterior, andava pra lá e para cá com ele na mão. Era de se esperar que as pessoas começariam a perguntar.
- Está toda sorridente aí... - ela empurrou a garota com os ombros.
- Ah, não, não... É que hoje meu irmão não me acordou com gritos e tapas, e isso já torna o meu dia feliz. - improvisou uma desculpa qualquer - não queria que soubesse que estava sonhando acordada com o namorado dela -, o que não era totalmente mentira. Qualquer dia sem ser acordada pelo irmãozinho era um dia feliz.
suspirou, por dois motivos: O primeiro era saber que não arrancaria nenhum babado interessante de , e o segundo era o fato de que só tinha dois irmãos mais velhos, que já faziam faculdade bem longe de Brighton, e sentia falta daquele relacionamento de irmãos. Aquela coisa meio entre tapas e tapas.
Apoiou a cabeça no queixo e tentou prestar atenção na aula de geografia, embora estivesse com a cabeça longe. Lá em Dougie... Sim, em Dougie, não em Harry.
Depois de ser ameaçada por , passou o dia anterior e o atual pensando num jeito de terminar o relacionamento sem partir o coração do namorado, mas toda vez que pensava na palavra "terminar" seu estômago se retorcia e ela se sentia a garota mais cuzona do universo; como pôde fazer aquilo com Dougie, o garoto mais fofo da face da Terra? Traí-lo com seu melhor amigo?
Ela com certeza iria pro inferno.
- , você sabia que eu e o Dougie namoramos? - murmurou, interrompendo seus pensamentos. O que ela queria agora? Era uma garota gente fina, legal e tudo mais, mas simplesmente odiava ser interrompida quando... Espera aí. Hã?
- Quê? - perguntou, virando-se para ela. estava toda vermelha, nos olhos, nas bochechas, no cabelo, nas sobrancelhas... Parecia um pimentão.
- Eu namorei o Dougie. - ela repetiu. - Eu só estou te contando isso porque, não sei, achei que talvez pudéssemos ser amigas, e amigas não namoram os namorados das amigas e não contam isso. Só se você for a Paris Hilton. - ela praticamente vomitou as palavras, tão nervosa estava. Não queria apanhar na primeira semana de aula em que estava de volta. Tinha quase certeza que por trás de toda aquela beleza feminina de , ela escondia punhos de aço.
ficou um pouco surpresa e muito enciumada. Dougie namorara aquela ruiva nerd e super fofa? E por que diabos eles não estavam mais juntos? Porque, convenhamos, era totalmente o tipo dele.
Mas logo em seguida seu cérebro vibrou numa intensidade monstruosa.
Era o destino! Só podia ser! Se desse um jeito para que e Dougie voltassem, tudo estaria resolvido! Ela ainda poderia usar a desculpa de ter ficado muito chateada por Dougie tê-la trocado por e a única pessoa que a ajudou a superar tudo fora Harry. Ela sairia como a vítima, e Dougie como o monstro! Ninguém ficaria sabendo da traição! Era perfeito! Ela teria Harry, Dougie teria sua ruivinha perfeitinha de volta e tudo voltaria aos eixos.
Tudo!
- Jura? Quando? - ela se virou de lado, apoiando o queixo na mão, interessada.
- Antes do intercâmbio. Foi um namorico de nada, não durou muito tempo... Eu só não quero que você me odeie! - suspirou. Não poderia se dar ao luxo de perder a única menina que fora simpática com ela no colégio.
- ! Qué isso! Eu não vou te odiar! - ela assegurou, os lábios se curvando num sorriso diabólico. - Aliás, acho que agora eu gosto mais ainda de você...
O dia acabou a cada um tomou seu rumo. Danny, depois do exaustivo trabalho no Starbucks - era seu dia de limpar os banheiros -, pegou um táxi para o Matriarca, que ficava do outro lado da cidade. Enquanto isso, ligava sem parar para Harry, que, por sua vez, desligou o celular e foi para a casa de . Os dois foram para o quarto e, enquanto esperavam que o plano bolado desse certo, faziam coisas... Não cristãs.
Tom voltou para o apartamento que dividia com Harry e ligou para , que ouviu o celular tocar e tocar e não moveu um só músculo para atender.
Dougie e se trombaram na saída da escola, ele indo pra casa depois de receber a notícia de que estava doente e não poderia se encontrar com ele, ela indo para o Matriarca encontrar seu futuro marido.
saiu da escola e ficou andando pela cidade, passando em frente ao Royal Pavilion, jogando caça níquel no Brighton Pier e parando em todos os pubs perto da praia. Passou pela rua das baladas, lotada de intercambistas e ingleses caindo de bêbados e quando já era bem tarde, decidiu ir para casa. Assim que pisou suas botas nos degraus do ônibus, deu de cara com Dougie.
- Dougie! - exclamou. - Aonde você está indo?
- Minha mãe pediu umas frutas que só tem ali no Taj. - ele apontou para o pequeno mercado árabe atrás dela. - E você?
- Pra casa.
- A é? Não quer ficar? A gente pode, sei lá, dar uma volta. - ele sorriu. Estava chateado pelo furo de - os dois haviam planejando assistir a um filme e pedir comida chinesa - e queria se vingar um pouco, mesmo que para isso precisasse dar uma volta com a linda ex-namorada e correr o risco de ter uma recaída.
, animada por fazer alguma coisa acompanhada, pulou do ônibus e esperou Dougie sair. Ele exclamou um "cheers" para o motorista e abraçou a amiga pelos ombros.
- Ah... Nada como a noite fria de Brighton... - murmurou, andando com a amiga pela rua.
encarava com os olhos marejados as 26 ligações perdidas do celular. Era sempre assim: Tom a magoava e depois ficava ligando, mandando mensagens, implorando para que ela o perdoasse.
Não seria mais daquele jeito.
Desligou o celular e voltou a se deitar. Usava um pijama vermelho de flanela que guardava para ocasiões em que ficava muito tempo na cama, por ser fofinho e confortável na medida certa. Passar o dia inteiro na cama era um dom, que precisava ser modelado e treinado.
tinha esse dom.
Acabou adormecendo por apenas cinco minutos, sendo acordada por batidas firmes na porta. Pensou ter dormido por horas e amaldiçoou a pessoa que batia na porta. Pulou da cama, xingando mentalmente o que esperava ser sua vizinha de baixo implorando para que ela abaixasse a TV da sala, e quase caiu de costas ao dar de cara com Tom parado do outro lado da porta. Ele usava uma calça jeans escura, camiseta básica, o cabelo bagunçado e um buquê de tulipas vermelhas na mão.
- Oi. - murmurou, sorrindo lindamente. A covinha só estava lá de teimosa, como quem dizia 'olha só, , se você não me perdoar eu nunca mais saio da toca!' - Não vai me convidar para entrar?
- Não. - ela respondeu, apoiando-se na batente. - O que você está fazendo aqui?
- Vim te pedir desculpas. - esfregou o buquê na cara dela. - Isso é pra você.
- É, eu percebi. - ela pegou as flores de qualquer jeito. – Agora, tchau.
Fez que ia fechar a porta, mas ele foi mais rápido, travando-a com o pé direito e entrando no apartamento com o pé esquerdo. virou os olhos e deu-lhe as costas, indo até a cozinha colocar as flores num grande vaso de mármore que comprara em sua última viagem à Londres.
Tom caminhou atrás dela, decidido a ter seu perdão.
Queria se convencer de que só estava obstinado daquele jeito para atender ao pedido desesperado de Harry, mas no fundo não suportava brigar com a amiga. Tinha algo em que os conectava, ligava-os. Ele não sabia direito o que era, mas sabia que não podia ficar muito tempo longe da morena antes de sucumbir à depressão ou coisa pior.
- , por favor, eu não tive a intenção de dizer aquelas coisas. - ele implorou, começando a ficar desesperado. Nunca vira os olhos azuis e quentes da amiga tão frios, tão amargos.
- Teve sim, Tom. Ninguém diz alguma coisa sem ter a intenção. - sentou-se na mesa de madeira da cozinha, encarando o amigo. A covinha havia desaparecido, dando lugar a uma expressão de profunda tristeza. - Eu estou cansada de te perdoar.
- Vai ser a última vez! - ele prometeu, aproximando-se dela. Pegou suas mãos quentes e macias entre as dele e aquele choque conhecido percorreu seu corpo. - Se eu der mancada mais uma vez eu nunca mais me aproximo de você. Palavra de escoteiro! - ele levantou os dedos em sinal de promessa.
- Não, Tom. Desculpa, não vai rolar. Você já - 'me magoou demais, mexeu com os meus sentimentos demais, me ignorou demais, me apaixonou demais' - passou dos limites.
Tom suspirou. Seria obrigado a usar sua última arma. Não queria que fosse daquele jeito, porque tinha uma espécie de abstinência de depois que tudo se acabava - e essa abstinência era o motivo por ele tentar ao máximo não ceder aos encantos da garota -, mas era o único meio de fazer com que ela cedesse.
Subiu as mãos delicadamente pelos seus braços descobertos e parou em sua nuca. Encaixou o corpo entre suas pernas e ficou da sua altura. Ela fechou os olhos, sentindo todo o corpo esquentar e amolecer.
Por quê? Por que ele tinha que fazer aquilo com ela?
- Vamos lá, . É a última vez. - murmurou em seu ouvido, tirando uma das mãos de sua nuca e levando-a até sua cintura. Ela estremeceu, entreabrindo os lábios. Aproveitando as fissuras recém abertas naquele campo de proteção que ela havia criado em volta de si, Tom chapou os lábios contra os dela.
Bem lá no fundo de seu âmago, sua razão, agora escondida e amedrontada pela paixão, gritava a pleno pulmões: ', ele vai te magoar de novo! Não faça isso!'. estava se derretendo toda, mas estava decidida a não sucumbir.
Empurrou o guitarrista para longe de si e caminhou até a porta. Abriu e ficou olhando para baixo.
Tom caminhou até ela, entendendo o recado. Passou como um vulto pela porta, sem dizer uma palavra.
Assim que a porta se fechou, a morena escorregou pela parede até o chão e começou a chorar.
Harry estava amarrado na cama, com seu sorriso mais malicioso estampado no rosto. Poderia se soltar a qualquer instante com o nó de garotinha que dera, mas decidiu fingir-se de indefeso.
A garota saiu do banheiro com uma camisola de seda branca, dando a entender que debaixo do pedaço de pano não havia mais nada que os impedissem de ser feliz.
Embora passasse a imagem de fútil e mesquinha, sua essência era muito mais complicada que isso, e ela sentia como se Harry fosse o único capaz de tirar todas aquelas camadas, olhar bem no centro de sua alma a aprovar o que estava vendo.
Era por isso que o amava e que não poderia deixá-lo ir.
Harry, por sua vez, sabia que era a única garota capaz de lhe dar prazer e carinho ao mesmo tempo. Seus olhos castanhos, ora felinos, ora amorosos, descarregavam uma onda de bem estar nele, e aquela sensação não poderia ser jogada fora. Sabia que sua atração poderia ser somente sexual, mas ele tinha certeza que não. Se aquilo que sentia por ela não fosse amor, ele não sabia o que era.
- Pronto, meu tigrão? - ela perguntou, engatinhando pela cama de casal.
- Sempre. - ele respondeu, hipnotizado.
Dougie e estavam sentados na areia de pedras da praia de Brighton. A brisa congelante do mar golpeava-os no rosto, o único pedaço de pele livre de roupas. tremia de frio, observando Dougie tragar profundamente o que ela tinha certeza não ser um cigarro normal.
- Quer? - ele ofereceu a ela.
- Não, obrigada. Você sabe que eu sou careta pra essas coisas... - ela sorriu amarelo.
- , isso aqui é um cigarro normal. - ele mostrou pra ela, rindo. - Esqueceu que na terra da rainha nós não compramos cigarros, nós os fazemos.
bateu com a mão na testa. Como podia ter se esquecido daquilo? As taxas dos cigarros convencionais eram muito altas no Reino Unido, compensando bem mais comprar o tabaco e a seda para fazer o cigarro.
Quanto tempo tinha passado no México mesmo? 17 anos?
- Ah, eu sou muito burra... - ela riu, e ele negou com a cabeça.
- Não, tudo bem, todos os intercambistas na rua me param para perguntar se a maconha é legalizada aqui. - ele deu de ombros, rindo.
- Mas eu não sou intercambista! Eu nasci e morei minha vida inteira aqui! - ela exclamou, chateada. - Eu passei um ano fora e quando volto eu não me encaixo mais...
- Pô, , calma aí, você só esqueceu que nós fazemos os cigarros aqui, não é a pior coisa do mundo! - ele tentou confortá-la, embora não fosse muito bom nisso.
- É, hoje passei o dia inteiro andando como turista pela cidade e o barman de um pub pediu minha identidade e ficou espantado quando soube que eu era inglesa! Doug, o que está acontecendo comigo!? - exclamou, apoiando-se em seu ombro num momento de fraqueza.
Dougie, que não era idiota, abraçou a amiga pelos ombros, apoiando o queixo no topo de sua cabeça.
- Ah, , você ainda está acostumada com os latinos. Você passou um ano lá! Em um ano é fácil esquecer que os ingleses são frios, chatos e fedidos... - ele então cheirou suas axilas, fazendo-a gargalhar. - É, eu sou bem inglês.
- Você não está fedendo! - ela exclamou, desvencilhando-se do abraço do amigo para cheirá-lo. Ele, sentindo cócegas, caiu de costas nas pedras frias da praia, e ela deitou ao seu lado. - Só não está cheirando bem.
- Blasfêmia! - exclamou, gargalhando junto com a amiga. Nunca se divertia assim com . Mas, por outro lado, nunca havia dito que ele estava fedendo.
- Sabe, Doug? - ela perguntou, encostando-se mais a ele. - Senti sua falta.
- Eu também senti sua falta, . - ele murmurou. - Minha ruivinha natural. - disse, e se esgueirou, recebendo um tapa ardido no braço. - O QUÊ? É a mais pura verdade...
- Tarado. - ela resmungou e olhou bem em seu rosto. Então seus olhos desceram para o lábio e ela sorriu, involuntariamente. - Esse é o piercing que eu te dei antes de ir embora?
Dougie colocou a mão em cima da boca, como num reflexo, envergonhado.
- É. - murmurou, olhando para o lado.
- Ficou muito bonito. - ela sorriu, derrubando o ex-namorado mais uma vez na areia de pedras.
Os dois passaram a noite abraçados na praia, relembrando o passado e rindo. Fazia tempo que não se divertiam tanto.
chegou no Matriarca às dez pras 18h. Não queria parecer desesperada, mas ah... Foda-se, ela estava mesmo desesperada.
Recusou o convite da recepcionista para sentar-se em uma mesa e foi direto e reto para o bar. Pediu uma Coca-Cola e fixou seus lindos olhos verdes de falcão na entrada do restaurante. Passados quinze minutos, Danny atravessou as portas, afobado. Perguntou algo para a recepcionista, que analisou a lista de reservas. Depois negou com a cabeça, indicando com o braço a direção do bar. Danny enfiou o celular na orelha, esperou algum tempo, suspirou e caminhou pela direção indicada.
deixou os longos cabelos loiros caírem pela face direita de seu rosto e fingiu estar muito interessada no cardápio. Pela cortina de cabelo podia observar Danny sem ser descoberta.
O garoto pediu uma cerveja e ficou olhando em volta, entediado. Tentou falar com Harry mais duas vezes, sem muito sucesso. Onde aquele puto se metera?
Foi quando seus olhos captaram a loirinha sentada ali perto. Ela lia o cardápio interessada - ou pelo menos era isso que fingia fazer, pois seu cabelo estava na frente do rosto e ele não podia ver o que ela de fato fazia. Danny ficou um bom tempo analisando a garota, o jeito que o corpo se curvava na bancada, as pernas nem grossas nem finas, os dedos compridos e bem tratados... Conhecia aquela garota de algum lugar... Mas de onde?
Então , percebendo que Danny Jones - SIM! DANNY JONES! - a analisava, arrumou a postura, e o cabelo deu lugar ao seu rosto fino e suas bochechas coradas.
- ! - Danny exclamou, animado por tê-la reconhecido. Talvez ela soubesse onde Harry se enfiara. Pulou três bancos para sentar-se ao seu lado e o coração de poderia explodir a qualquer momento. - Tudo bom?
- Tudo bom. - ela sorriu, nervosa. - O que está fazendo aqui?
- Era isso mesmo que eu ia te perguntar... Você por acaso viu o Harry?
- Só quando eu saí do colégio, depois não vi mais... - respondeu, ingênua.
- Cara, que merda... Ele me pediu para vir até aqui e agora não atende o celular! - exclamou, estressado. Resolveu mudar de assunto antes que começasse a xingar um de seus melhores amigos na frente de uma estranha. - E você? Está fazendo o que aqui?
- Combinei com uma amiga, mas aparentemente estamos no mesmo barco. Ela não veio e não me atende... - mentiu. poderia ganhar o Oscar de melhor atriz. - Acho que eu já vou indo... Queria tomar alguma coisa, mas estou esperando há mais de uma hora!
Danny sorriu, cúmplice. Pelo jeito os dois haviam sido trocados.
Pelo menos era isso que queria que ele pensasse.
A loira fez menção de se levantar, mas Danny, num ataque súbito de compaixão, segurou seu braço. quase perdeu o equilíbrio, mas acabou sentando-se graciosamente.
- Já que fomos renegados, vamos tomar alguma coisa juntos. - ele sorriu. Onde estava com a cabeça? E se fosse uma sociopata?
- Tem certeza?
- Sim. Por que não?
Danny chamou a recepcionista com as mãos e ela os levou até uma mesa na área de fumantes. Os dois se sentaram e ficaram naquele silêncio constrangedor até que a garçonete chegou à mesa. Danny pediu uma cerveja e acompanhou. Pediram uma porção de batatas fritas - que custava 24 libras, o que fez Danny estremecer na cadeira - e um cinzeiro.
- Então, - ele lembrou de chamá-la pelo apelido enquanto acendia um cigarro. -, da onde você conhece o Tom?
- Nossas mães são amigas desde... Não sei, desde sempre. - ela sorriu, e seu sorriso fez com que Danny sorrisse também, como fizera mais cedo no colégio. Ele ofereceu um cigarro a ela, que negou com a cabeça. - Tom é como um irmão mais velho pra mim.
- Tom é muito reservado. Acho que só comentou de você algumas vezes desde que nos conhecemos. - ele explicou, o que fez xingar mentalmente o amigo. - Mas pode ficar tranqüila, só disse coisas boas.
'É bom mesmo...'
- Onde você mora, Danny? - ela perguntou, interessada. 'And the Oscar goes to... !'
- Moro no centro, num apê perto da escola. E você?
- Eu também. - sorriu. - Moro no St. Ariel, na Abbey Road.
- Eu também! - ele exclamou, maravilhado. - Moro no terceiro andar, apartamento 32.
- Eu moro no 33! - ela exclamou, rindo internamente, e Danny mal podia conter sua surpresa. Mas, passados alguns segundos, lembrou-se do apartamento 33 e de sua vizinha irritantemente... Irritante. - Você é minha vizinha de lado?
- Acho que sim. - ela se derreteu toda com o sorriso meio malicioso, meio ingênuo nos lábios do amado.
- Posso te pedir um favor? - ele sussurrou, e ela teve que se curvar para ouvi-lo direito. - Você pode, por favor, quebrar o seu CD da Britney Spears? Por favor? Eu faço qualquer coisa para não ouvir aquele CD de novo. Qualquer coisa.
ficou sem reação por um instante, mas logo caiu na gargalhada.
- Ah, meu Deus, me desculpe! - pediu, ainda rindo.
- Qual é a graça? - ele perguntou, confuso.
- É que por um momento eu te imaginei na cama, tentando dormir, enquanto ouvia Oops, I Did It Again e me amaldiçoava silenciosamente. - ela continuava rindo. - Na verdade eu ganhei esse CD de amigo da onça e meio que... Bom, eu meio que gostei. - ela sorriu, tímida.
- Bom, então certifique-se de que eu não estou no apartamento ao lado quando for ouvir. - ele pediu, desesperado. - Se eu ouvir mais um 'baby baby' eu juro que me mato. Eu juro!
- Tudo bem, tudo bem. Não coloco mais para ouvir se souber que vocês está ao lado. - ela levantou a mão em sinal de promessa. - Mas só se você ouvir alguma coisa diferente de Bruce Springsteen. Nada contra o cara, mas parece que é o único CD que você tem!
- Ah, não! Nunca! - ele colocou a mão na testa de um jeito dramático. - Não faça isso comigo!
- Vamos ter que entrar num acordo aqui, Danny. - ela disse, séria, e os dois caíram na risada.
Ficaram conversando a noite inteira. Danny descobriu várias coisas legais sobre a vida de , e fingiu que conheceu coisas legais sobre Danny. Eles passaram uma noite muito agradável juntos, em meio a risadas. Quando Danny pediu a conta, os dois já estavam animadinhos pelos copos de cerveja bebidos, e resolveu agir.
- Sabe, eu sempre pedi pro Tom me deixar ir num ensaio da banda, mas ele nunca deixou, disse que é proibido... - resmungou. - Mas como eu percebi que você é mais legal que o Tom, eu tenho uma novidade legal pra vocês.
- A é? - ele perguntou, entregando o dinheiro que Harry dera a ele mais cedo. Ele podia ter dado o cano, mas ia pagar de qualquer jeito. - Que novidade?
- Sabe aquele estúdio perto da H&M? - Danny afirmou com a cabeça. - Eles estão com uma parceria com a Universal e estão caçando bandas pelo litoral da Inglaterra. Recebi no meu e-mail ontem, é um concurso bem legal, e quem ganhar assina um contrato com a gravadora!
- Jura? - os dois se levantaram, e Danny estava prestando 110% de atenção na conversa. Um contrato com a Universal era tudo que o McFLY precisava. Eles tinha bons fãs na Internet, e faziam, em média, 10 shows por mês. Entretanto, ainda não era o suficiente para um contrato com a Universal. - Como funciona o concurso?
- É simples! A banda tem que escrever uma música com o tema "perdão" até o final desse mês. A melhor música ganha o contrato. - ela sorriu, e os dois saíram para o frio das ruas. - O único problema é que o dia da entrega é um dia depois do nosso baile de formatura, e vocês vão ter que tocar a música ao vivo. Vocês conseguem se controlar pra não ficarem muito bêbados?
- Com uma oportunidade como essa? - ele exclamou. - Claro que conseguimos! , isso é demais, é a chance que estávamos procurando!
- Eu sei. - ela sorriu, e sabia mesmo. Era parte do seu plano: Agora Danny a amaria para sempre por passar a informação.
Pelo menos era isso que ela esperava.
- Amanhã nós temos ensaio depois da aula. Você está convidadíssima! - ele exclamou, e os dois avistaram o ônibus que os levaria até o apartamento.
- Obrigada, Danny! - agradeceu, honrada.
Pegaram a rota 22. Os dois foram conversando bobeiras até chegarem ao prédio. À essa altura do campeonato, Danny estava morto. Trabalhara o dia inteiro e ainda tivera o pique de atravessar a cidade para tomar um bolo. Pelo menos a companhia fora agradável, mas o que ele mais queria era tomar um banho e ir dormir.
Subiram pelo elevador e se despediram com um beijo no rosto e um 'até amanhã!'. Danny entrou no apartamento, tomou um banho silencioso e deitou-se, adormecendo com os pensamentos lá em .
tomou um banho agitado e ainda ficou um bom tempo zapeando pela TV em busca de algum programa divertido. Desistiu por fim, indo deitar-se. Sentia-se tão bem que adormeceu sorrindo.
Capítulo 7 - 'Drugs, give me drugs, give me drugs!'
My Chemical Romance, Na Na Na
Dougie e .
Dougie acordou em êxtase. Passara uma noite maravilhosa com a ex-namorada e conseguira se controlar para não agarrá-la. Fora difícil, só ele sabia o quanto, mas sentia-se um vencedor. 'Eu consegui! Fui forte!'
A conquista nem era tão merecedora de comemoração, afinal, ele nunca seria capaz de trair , mesmo se pedisse.
Bom, é, talvez se implorasse...
Mas aquilo não vinha ao caso. Dougie Poynter não era do tipo de homem que traía, e nunca seria. era uma ótima namorada e ele seria bom para ela enquanto durasse. Traição era imperdoável.
A única coisa ruim nisso era que agora ele tinha uma decisão importante nas mãos: ou ? E quanto antes se decidisse, menos magoaria as pessoas em sua volta.
Analisou-se no espelho. O cabelo escuro com mechas roxas - cabelo esse resultado de uma aposta perdida - estava em pé, os olhos azuis com uma borda vermelha e o piercing no lábio torto para a direita. Olhando para o piercing, lembrou-se da noite passada. Honestamente, passar a madrugada olhando para o céu e falando merda era o tipo de diversão da qual seus amigos passariam longe, mas para o jovem baixista era um deleite. Principalmente se uma pequena ruiva estivesse envolvida.
A pior parte da noite, em sua opinião, fora a despedida. Não sabia se a abraçava, beijava, chacoalhava a mão... Decidiu-se por um breve aceno de cabeça, o qual foi respondido com um sorriso radiante. Deixou-a em casa, voltou para a sua e adormeceu logo em seguida.
Virou-se para o lado, ainda pensando na noite anterior, e contemplou seu laptop aberto. Mexeu no mouse e a foto do plano de fundo acabou com todo aquele sentimento de felicidade que estava sentindo. Na foto ele e sorriam, deitados na cama. Ela com as pernas em seu joelho, ele fazendo uma careta. A morena usava um shorts jeans e uma camiseta rasgada. Era verão, e Dougie parecia sinceramente feliz ao lado da namorada. fora a única garota capaz de apagar todas as lembranças dolorosas de de uma só vez.
O que diabos ele faria agora?
chegou atrasada para a segunda aula. Dormiu no máximo duas horas antes do estúpido despertador tocar Whistle For The Choir, anunciando o início da tão sonhada sexta-feira. Sentia-se exausta, mas perder aula estava fora de seus planos e dos planos de sua mãe, que esmurrava a porta.
Enquanto corria pelo corredor e contra o tempo, agradecia a Deus por não ter nenhum período com aquele dia. Sinceramente, não saberia o que fazer quando a encontrasse. Que tipo de amiga passava a noite com o namorado da outra?
Aproveitando que o professor estava de costas para a lousa, correu para dentro da sala e sentou-se ao lado de Tom, que babava na carteira.
- O que eu perdi? - perguntou num sussurro, abrindo o fichário.
- Sei lá... Se vira. - ele deu de ombros e virou-se para o outro lado.
ficou observando o amigo atônita. Passado o choque, puxou-o pelo manga da camiseta. Tom virou o rosto meio a contragosto, irritado. Seus olhos estavam vermelhos e seu rosto corado.
- Você andou chorando, Tommy? - a ruiva perguntou, esquecendo-se da bronca que acabara de formular na cabeça ao encontrá-lo naquele estado. Encostou a bochecha na carteira, os olhos verdes ficando em paralelo com os olhos castanhos de Tom. O guitarrista fungou e sorriu.
- Claro que não. Eu estou doente. - respondeu, o que não deixava de ser verdade: Não 'andou chorando', mas 'andou segurando o choro'.
- Tom, eu sou sua amiga, você pode conversar comigo. É alguma coisa com a Cassadee? - ela lançou um olhar rápido para a garota, que fazia as unhas embaixo da carteira. O fiel cãozinho Emily, sempre ao seu lado, copiava a matéria da lousa para as duas.
Tom soltou um suspiro nasalado e virou os olhos.
- Eu não estava chorando, , deixa de ser neurótica...
- Sr. Fletcher e Srta. , por favor. - a voz estridente do professor de sociologia ricocheteou pela sala. ajeitou-se na carteira e Tom enfiou o rosto entre os braços.
Seus olhos se encheram de lágrimas, mas ele respirou fundo e elas foram embora.
Sexta-feira era um ótimo dia para todos: Danny tinha duas aulas de educação física, tinha metade do primeiro período livre - em que podia ficar observando Danny na educação física -, Dougie e Harry podiam dormir tranquilamente nas aulas de teatro, e Tom não tinham nenhuma aula juntos - e, devido as circunstâncias, aquilo era uma benção -, adorava o professor de filosofia e tinha aula com todos os novos amigos - menos com e Dougie, bom e ruim ao mesmo tempo.
O dia passou como um cometa, e, quando se deram conta, o sinal da última aula tocou.
Mais um final de semana regado a coisas que eles mais amavam: Sexo, drogas e rock 'n roll!
O que Dougie mais gostava nas sextas-feiras não eram as aulas inúteis de teatro, e sim o clima de despedida. Mesmo sabendo que encontraria todos na segunda-feira seguinte, divertia-se dando tchau para os porteiros e zeladores do colégio.
Era isso que estava fazendo quando os braços soados de Danny molharam seus ombros.
- E aí Dougs.
- Caralho, mate, já falei pra você não encostar em mim depois da educação física! - ele exclamou, enojado. Tirou o cabelo de rosto e o braço de Danny dos seus ombros.
- Eu só queria um pouco de amor, um pouco de carinho. - Danny brincou. Enfiou as duas mãos no bolso e caminhou ao seu lado. - Falando sério agora. Sabe aquele filho da puta daquele...
- Garotos, por favor, nada de palavrões na minha portaria. - Simas, o porteiro, advertiu-os. - Só porra e merda. Caralho e filho da puta estão banidos.
- Você deveria proibir veadisse também, Simas. - Dougie sugeriu, apontando com a cabeça para o amigo.
- Simas, ele tá brigando comigo! - Danny fez beicinho. - Manda ele parar!
- Saiam daqui, mocinhas, antes que eu seja obrigado a usar a força. - o porteiro virou os olhos e segurou o cabo de sua arma de choque.
- Isso não assusta nem uma garotinha, Simas. - Danny provocou, fazendo-o gargalhar.
- Vocês querem experimentar? É isso? - tirou a arma do coldre e os dois saíram correndo em disparada, deixando o bom e velho Simas morrendo de rir para trás. Ele estava acostumado com as provocações dos garotos, e fazê-los correr daquele jeito era a hora mais divertida do seu dia.
Os amigos só pararam de correr quando trombaram com Harry e Tom na calçada da praia, do outro lado da rua. Danny, aproveitando que era a primeira vez que encontrava Harry no dia, chegou perto dele e colocou duas notas de cinco libras em sua mão.
- Toma aí, filho da puta, um souvenir do que sobrou do nosso encontro de ontem à noite. - resmungou.
- Cara, você não recebeu minhas mensagens? - Harry perguntou, inocente. - Eu avisei que não poderia mais ir! E com o que diabos você gastou todo o meu dinheiro?
Harry e com certeza haviam frequentado a mesma escola de teatro.
- Encontrei com a . - ele respondeu, dando de ombros.
- O que tem eu? - a garota pareceu brotar do chão, e todos se viraram para olhá-la.
Ela estudava com eles há muito tempo, e era amiga de Tom há mais tempo ainda, mas Dougie, Danny e Harry não sabiam muito a seu respeito.
Talvez Harry soubesse um pouquinho a mais que os outros...
Era esquisito que só agora, depois de todo aquele tempo juntos, ela resolvesse ser legal e agir como um ser humano.
- Danny estava contando sobre o encontro romântico de vocês dois ontem à noite. - Tom respondeu, lançando um olhar significativo à amiga. Ela o ignorou e cruzou os braços. Harry apoiou o peso do corpo na perna oposta, incomodado com a presença de .
- Não teve nada de romântico. Foi uma coisa mais profissional. - Danny rebateu, o que fez a loira retrair uma careta. - Vocês sabiam que tá rolando um concurso pra assinar com o Universal aqui em Brighton?
Todos ficaram mudos e estáticos, olhando para Danny e para sem nenhuma expressão. Só depois do baque ter passado que Harry resolveu abrir a boca.
- E você só nos conta isso agora?
passou o dia inteiro procurando por Dougie. Fazia uma vistoria completa do corredor entre uma aula e outra. Encontrou com todos, , , Danny, Tom, - bom, ela avistou de longe e saiu correndo, mas isso ainda contava como um 'encontro' - e até Harry, mas Dougie parecia ter desaparecido do mapa.
Ela só gostaria de vê-lo e conversar com ele, principalmente depois do que havia acontecido, mas aparentemente ele havia morrido.
Só de pensar no dia anterior uma sensação gostosa de felicidade invadia todos os poros de sua pele, e ela queria muito continuar sentindo aquilo. Passar a noite abraçados, encontrando figuras engraçadas nas estrelas... E quando foram embora, com todos os ônibus já fora de circulação - nem percebeu o tempo passar! - Dougie pagou um táxi para os dois, totalmente cavalheiro! Chegando à porta de sua casa, acenou com a cabeça e murmurou um 'até amanhã'.
Então aonde diabos ele tinha se metido?
- Hey, , tá afim de assistir ao ensaio dos meninos? - chamou sua atenção. De onde ela havia surgido? - O Doug acabou de me mandar uma mensagem nos convidando. Quer ir?
- Ah, claro, pode ser. - respondeu, sorrindo amarelo. A morena pegou a mão da amiga e a arrastou corredor afora.
Ah, se pudesse ler seus pensamentos...
Mas enquanto sua mente ainda estava devidamente protegida, assistir ao ensaio do McFLY não era nenhum pecado.
encontrou com e no estacionamento.
- Fala, . Fala, Ruiva. - ela mandou dois beijos no ar.
- . Eu... Hm... Eu me chamo .
- Eu sei. Mas combina mais com Ruiva. - ela piscou para a garota. sentia-se um pouco intimidada perto de . - E aí, aonde estamos indo?
- Pra casa do Dougie. Vamos assistir ao ensaio. - explicou, destravando seu Punto preto. sentou-se no banco da frente, ao lado da motorista, e enfiou-se silenciosamente no banco de trás.
- A é? - deu uma risadinha nervosa. Ficar no mesmo lugar que Tom e Danny por umas boas horas não estava em seus planos para o dia, mas ela também não poderia recusar. Estava sempre querendo assistir aos ensaios, e se negasse ia querer saber por que, e explicar aquilo para sua melhor amiga seria pior do que ter de passar algumas horas com o homem que partiu seu coração. Quer dizer, ia querer matá-la por não ter contado antes. - O que deu neles? Nós nunca podemos assistir aos ensaios.
- Sei lá. O Dougie está todo misterioso. Nós vamos nos encontrar lá no centro, em frente ao Starbuck's. - deu partida no carro. - , respira fundo.
fez menção de perguntar por que, mas não foi preciso, ela logo se deu conta: era uma louca psicopata nos trânsito, costurando tudo e todos e correndo como se tivesse de tirar a mãe da forca. , ao seu lado, fumava um cigarro tranquila, agindo como se não estivesse prestes a morrer, uma morte lenta e dolorosa.
A ruiva sentia-se enjoada e pensou que fosse vomitar. Quase o fez, mas parou o carro bem a tempo e exclamou, animadinha:
- Chegamos.
Quando Harry avistou , e se aproximando, não soube para quem olhar primeiro. Decidiu-se por , embora o sorriso de e os olhos azuis de fossem um tanto quanto tentadores.
- O que estamos fazendo aqui? - perguntou, abraçando e beijando Dougie na boca. olhava para o chão, evitando dar qualquer bandeira de que a noite passada com Dougie acontecera. - Os ensaios não são na sua casa?
- São. - respondeu por Dougie, contrariado. Por que ela tinha de beijá-lo na boca? - Leia o cartaz.
As recém-chegadas levantaram o rosto para um pequeno cartaz rosa pregado na parede azul clara do Starbuck's.
"Concurso Cultural 'Leve Sua Banda Ao Estrelato!'. Se você tem uma banda e está procurando seu lugar ao Sol, a Universal, em parceria com a Pepsi, preparou um concurso animal: Um contrato, em troca da melhor música que você e sua banda puderem compor, com o tema 'perdão'. A banda assina um contrato, a música será tema da próxima propaganda da Pepsi e sua banda alcança a glória! Inscreva-se na rede de estúdios Hands, espalhada por todo o litoral britânico. Participação exclusiva para maiores de 16 anos. Mais informações no nosso site, www.universal.com.uk"
Assim que terminou de ler, abaixou o rosto e seus olhos cruzaram-se com os de Tom. Ele sorriu fraquinho, tentando uma aproximação, mas ela o ignorou. Foi até a calçada e acendeu outro cigarro com seu Zippo dourado.
Danny observava a cena maravilhado, ao contrário de , que estava bem próxima do suicídio. Ou do assassinato de Harry Judd e .
- Uau! Meninos, isso é ótimo! - exclamou. Ela fez um 'joinha' para Dougie, que riu. - Essa é a chance de vocês!
- Dã. É por isso que a gente tá aqui. - Tom bagunçou o cabelo da amiga. Agiria normalmente. Não daria aquele gostinho de vitória para , não mesmo. - Além de trazer o Danny no Starbuck's em seu dia de folga. Mas assinar com a Universal é nossa prioridade.
- Tom, o gozador. - Danny brincou, recebendo um safanão do amigo.
- Tá, mas e aí, nós vamos ficar parados no meio da rua ou o quê? Onde fica essa Hands? - perguntou, impaciente.
- No final da rua. - Harry apontou para o pequeno estúdio ao lado do H&M e acompanhou todo o contorno do seu braço musculoso até a ponta do dedo. Respirou fundo, determinada a não cair em tentação. Nem reparou que fez exatamente a mesma coisa.
- Vocês esperam aqui e nós vamos lá, ok? Depois vamos para minha casa ensaiar. - Dougie determinou, indo com os amigos realizar seus sonhos.
Os guys já estavam lá há muito tempo. estava entediada, lançava olhares ameaçadores para e estava louca de ansiedade.
, e conversavam sobre qualquer coisa, ignorando completamente . sentia-se mal por isso e tentou puxar assunto com a loira algumas vezes, sem muito sucesso: Ela só respondia monossilabicamente!
Daquele jeito ficava difícil...
- Vamos fazer o que depois do ensaio? - perguntou, enquanto colocava tabaco na seda, despreocupada.
- Não sei, mas minha mãe já mandou avisar que não quer vocês na minha casa por um bom tempo depois do que aconteceu na última vez. - respondeu, e as duas caíram na risada.
- O que aconteceu na sua casa? - intrometeu-se, curiosa.
- Meu pai acordou no meio da noite e encontrou a seguinte cena: Tom pelado do lado de fora, mijando na piscina, eu e o Dougie trancados na dispensa e dormindo bêbada no próprio vômito. Vômito esse localizado na camiseta do Harry! - as duas riram mais uma vez. - Eu falei pra gente não tomar aquelas balas...
- Que balas? - finalmente se interessou pela conversa.
- Ecstasy. - deu de ombros. - Por quê, loirinha, interessou?
- Bastante. - ela sorriu, mostrando os lindos dentes alinhados. - Estou com algumas dessas aqui comigo. - ela abriu a bolsa e mostrou um saquinho com algumas 'balas'. - Podemos tomar. Pode tornar o ensaio mais... Interessante.
As três se entreolharam, surpresas com a declaração da mudinha.
'Nem pensar...' pensou, amarga.
- , acho que eu te amo. - sorriu, fazendo com que virasse os olhos e ficasse apreensiva.
- É isso aí, meninos, estão inscritos. - o jovem atrás da mesa anunciou. Recolheu o papel que os meninos haviam acabado de assinar e guardou em uma pasta no arquivo. - Tragam a música no último domingo do mês. Nós temos todos os instrumentos aqui, menos os pratos da bateria, mas vocês podem trazer os seus próprios se quiserem.
'Ahã que eu vou recusar um Fender Jazz Bass pra trazer meu baixo fuleira' Dougie pensou, apertando a mão do garoto.
Os quatro saíram da Hands muito orgulhosos de si mesmos. Na porta, avistaram as quatro amigas rindo juntas. Harry estranhou o fato de que ria com , mas resolveu deixar pra lá. sabia ser bem falsa quando queria.
- Pronto. - Tom avisou, girando as chaves no dedo indicador. - Vamos?
- Finalmente! - exclamou. Parecia outra menina, corada, feliz. Sobre o que diabos elas estavam conversando?
, e foram no carro de . Harry, Dougie e Danny no carro de Tom. Pararam na rua da casa de Dougie. A garagem estava vazia, sinal de que seus pais haviam saído. Dougie guiou os amigos até o que a banda gostava de chamar de 'casinha do cachorro'. Uma edícula no quintal da casa principal. Três cômodos, sala, cozinha e banheiro: Uns 70 metros quadrados de pura diversão.
A bateria de Harry estava montada no fundo da sala. Uma Mapex vermelha. Completa, com exceção dos pratos, que estavam em sua bag verde musgo.
Ao lado da bateria um Squier todo riscado, preto com escudo branco. Não era o melhor baixo do mundo, com certeza não, mas Dougie o adorava. Principalmente com o conjunto de cordas profissionais Ernie Ball.
Danny trazia sua Fender Strato na bag, e a Les Paul de Tom estava na bag de couro dentro do 'estúdio'.
Harry sentou-se no banco da bateria e começou a rosquear os pratos, um por um. Danny, Dougie e Tom afinavam os instrumentos, completamente alheios ao fato de que as meninas estavam ali.
Drogadas.
Cada uma havia engolido uma bala inteira, o famoso ecstasy. A sensação de bem estar e euforia era geral. As quatro estavam grudadas no grande sofá do estúdio.
Precisavam de contato físico...
- Sou só eu ou eles estão mais gostosos que o normal? - cochichou, e as quatro caíram na risada.
Harry lançou um olhar curioso para as meninas depois da terceira sessão seguida de gargalhadas. Logo a banda inteira olhava para as quatro lunáticas no sofá. Elas riam feito idiotas e estavam muito perto umas das outras. estava até com o rosto colado ao de !
Tom apertou os olhos. Elas estavam...
- Vocês estão drogadas? - perguntou, surpreso. É claro que estavam!
- A gente? Não! - mal conseguia falar de tanto que ria. Estava vendo tudo verde, roxo, azul...
- Alá sua namorada, Dougie! Tá muito louca! - Danny exclamou.
- O que vocês tomaram? - Harry se interessou, saindo da bateria. Os quatro foram até elas. tirou o pacotinho com mais seis balas da bolsa. Os músicos se entreolharam.
Por que não?
A noite veio, trazendo toda a loucura à tona. O ensaio foi esquecido, assim como a porta aberta. Quando a mãe de Dougie chegou e foi dar uma espiadela no filho, o encontrou dançando feito louco no meio da edícula, só de cueca. Duas garotas, uma ruiva e uma morena, o acompanhavam. Outros jovens - alguns ela reconheceu como sendo da bandinha de garagem de Dougie - estavam sentados no chão, bebendo muita água.
A Sra. Poynter arregalou os olhos e tratou de sair logo dali. Tratou de convencer-se de que era só uma reunião normal de jovens normais.
Pobre Sra. Poynter.
Os oito estavam alucinados!
- Cara, cara, olha só esse bíceps! - exclamou, passando a mão pelo braço de Danny, que gargalhava. Seus olhos estavam fixos em , mas o toque de o arrepiava. - Olha só... É tão... Lisinho!
- Lisinho, ? Lisinho? - exclamou, gargalhando. - Eles são é gostosos!
- Olha, eu estou aberto pra negócio. - Danny brincou, deitando-se no chão. Observou, de ponta cabeça, Harry esmurrar a bateria com as baquetas e Dougie, e dançarem ao ritmo da batida. Antes que pudesse atacá-lo, levantou-se e juntou-se aos amigos.
Segurou pela nuca, e ela não se importou, jogando os cabelos cor de fogo de um lado para o outro.
, incendiada pela droga e pelo ritmo, esqueceu um pouco Tom, indo se juntar ao grupo.
queria dançar também, mas quando foi tentar se levantar levou um tombo e rolou para perto de Tom. O guitarrista pareceu acordar de um pequeno transe e caiu na risada.
- ! ! Você perdeu a sua cara! - ele falava e ria ao mesmo tempo.
Nunca vamos saber se agiu pelo efeito da droga, da rejeição ou da vontade. Só sabemos que ela agiu. E que Tom gostou.
A loira ficou de quatro em cima dele, o rosto bem próximo ao seu. A risadinha divertida do guitarrista murchou, dando lugar a uma expressão bem mais... Sóbria.
- O-o quê... O que v-você está f-fazendo? - gaguejou. Nunca vira daquele jeito, mas não podia negar que a amiga era linda. E estava em cima dele.
- Tom! Tom! Você perdeu sua cara! - ela exclamou, antes de beijá-lo.
Tom não costumava ir com tanta sede ao pote, mas o ecstasy falava mais alto. Enfiou as duas mãos na nuca da loira e a empurrou para o lado, envolvendo suas pernas em seu quadril. cravou as unhas nas costas de Tom e os dois ficaram se agarrando no chão.
O gosto de Tom era doce, quase enjoativo. sentiu o corpo inteiro esquentar, o coração acelerar, as mãos tremerem. O corpo dele colado ao seu era gostoso demais!
Tom sentia o cabelo macio da melhor amiga entre seus dedos. Sua boca movia-se com destreza, sua língua era áspera, rápida, sensual. Não queria pensar no que estava fazendo, porque provavelmente iria se arrepender depois, então ia só curtir o momento.
, que dançava ali do lado, parou de dançar e observou a cena horrorizada. Tom com , a loirinha simpática das drogas. Então olhou para o outro lado, observando Danny dançar bem animadinho com .
Seu mundo estava girando, girando, girando...
Precisava de ar. Ar, ar, ar!
Saiu correndo da edícula com a mão na boca, vomitando todo o almoço de mais cedo no jardim da Sra. Poynter.
Ninguém percebeu sua fuga. Estavam loucos demais para perceber qualquer coisa.
As mãos fortes de Danny passeavam pelo corpo de , mas ela não estava nem aí. Em condições normais, estaria constrangida com alguém apalpando suas coxas, nádegas, barriga, seios... Mas aquela não era uma condição normal. Seus olhos estavam fechados, sua cabeça no ritmo da bateria de Harry. Não havia melodia, só a batida.
- Senti sua falta, - Danny suspirava, quase gemendo em seu ouvido. -, senti mesmo.
- Percebi. - ela gritou por cima do barulho, em resposta. - Eu também senti.
- Você já contou para eles como nos conhecemos?
estancou. Virou de frente para ele.
- Porque, convenhamos, acho que já perceberam que você foi embora de Brighton quando eu cheguei. Como poderíamos ser amigos? - perguntou, piscando para ela.
empurrou o amigo para longe. Então enfiou o dedo indicador em seu rosto.
- Se você abrir essa sua boca imunda eu juro que te mato. - ameaçou, apertando os olhos. - Eu não estou brincando, Jones.
- Opa! Calma aí, leoa! Não vou contar nada pra ninguém. - ele abriu os braços em sinal de rendição. - Mas quando descobrirem, não vão achar a fofa da tão fofa assim...
- Seu escroto. - ela xingou e saiu pela porta. Passou por , que fumava um cigarro ao lado do próprio vômito, e foi até a frente da casa. Sentou-se na calçada e começou a chorar.
Danny deu de ombros, procurando por . Não a encontrou, mas viu o amasso que Tom dava com no tapete. Não sentiu-se exatamente entusiasmado com isso... Pensou que fosse diferente. Mas, afinal de contas, eram todas iguais...
Sentou-se no sofá e adormeceu logo em seguida.
Dougie e ainda dançavam, mesmo Harry tendo parado de tocar. O baterista sentou-se no chão e acendeu um cigarro ali mesmo na edícula. Observou sua garota dançar com Dougie, Danny adormecido no sofá e Tom rolando com pelo chão. Procurou por e , dando-se conta de que nenhuma das duas estava lá.
Entediado, passou a ouvir a conversa de Dougie com , pegando-a no final.
- Eu vou lá fora um pouco. - Dougie avisou. - Preciso de um pouco de ar.
- Tudo bem. - mordeu o lábio inferior, lançando um olhar rápido, mas cheio de intenções para Harry.
Dougie deu um beijo na testa de namorada e saiu. Não percebeu a ausência de e nem o amasso de Tom e no chão.
Assim que saiu, deu de cara com sentada no chão, apagando o cigarro com uma cara de poucos amigos. Resolveu não falar nada, pois sabia como a amiga se irritava fácil. Foi então até a entrada da casa, encontrando chorando.
- Hey, , o que foi? - perguntou, preocupado, sentando-se ao lado da ex-namorada. Passou o braço pelo seu ombro. - Bateu a bad trip?
- N-não... - ela engasgou, chorosa. Apoiou a cabeça no ombro de Dougie. Ele beijou o topo de sua cabeça.
- Você não quer falar sobre isso? - perguntou, e ela negou com a cabeça. - Então podemos conversar sobre...
- Podemos só ficar aqui? Assim? - pediu, apertando mais ainda o baixista ao seu corpo.
Dougie sorriu.
- Claro que sim. Deixa só eu pegar uma blusa pra você lá dentro, tá muito frio aqui fora! - levantou-se num pulo, correndo até a edícula.
Harry e beijavam-se com vontade. Danny estava adormecido e o casal Fletcher- estava no maior amasso do século, não se importando nem um pouco com o que acontecia em sua volta.
Harry estava com a mão dentro da blusa de , e ela tentava abrir o zíper da calça do baterista.
Aconteceu muito rápido. A porta se abriu, os dois se separaram e Dougie abriu a boca, incrédulo.
- O que está acontecendo aqui?
Capítulo 8 - "Truth be told, I'm lying..."
The All American Rejects, Gives You Hell
Tom e .
levantou-se com um pulo, correndo até Dougie. Harry ficou no chão, estático, sem saber o que fazer.
- Doug, Doug, não é isso que você está pensando! - a morena exclamou, segurando sua mão.
- O que é então? - ele perguntou, apontando com a cabeça para Tom e se beijando no chão. - Eles estão brincando de desentupidor de pia?
olhou confusa para onde Dougie olhava. Então entendeu. E começou a rir.
Gargalhar.
Harry, aliviado, começou a gargalhar também, deixando Dougie confuso. 'Qual é a porra da graça?' pensou, irritado. Não gostava quando seus amigos faziam aquela zona em sua casa, pois depois sobrava para ele limpar tudo e ouvir desaforos dos pais.
Foi até o sofá onde Danny dormia e puxou o casaco debaixo de sua bunda. Antes de sair, virou-se para e Harry.
- Não quero ninguém transando aqui. Avise aqueles dois.
Então saiu.
resolveu sair da "festa". Não ficaria ali para continuar sendo humilhada.
Entrou na edícula, pegou seu casaco e saiu sem ser vista. Não olhou para Tom e no chão, nem para Danny adormecido no sofá. Foi embora antes que fizesse alguma besteira.
Saiu para a rua, ignorando os soluços de , que chorava copiosamente no ombro de Dougie. Se corresse, ainda poderia pegar o último ônibus universitário para casa.
Instalou-se no ponto do final da rua, acendendo um de seus cigarros do maço. Carregava sempre tabaco e seda para os momentos descontraídos e cigarros industrializados para momentos como aquele; ela nunca conseguiria bolar um cigarro naquele estado!
Fumava com os dedos trêmulos enquanto olhava os horários atrás de si. Eram 3h23 da manhã e o ônibus só passaria às 3h38.
Encostou a cabeça no ponto e fechou os olhos.
- Noite ruim? - uma voz masculina a assustou. abriu os olhos no mesmo instante, dando de cara com um garoto sentado ao seu lado. Ele estava embaixo da luz fraca do poste, com o rosto brilhando de uma maneira fantasmagórica. Seus olhos eram de um escuro opaco, assim como o cabelo liso, que chacoalhava com o vento. As sobrancelhas eram bem desenhadas e a sombra de uma barba envolvia seu maxilar. O garoto usava um sobretudo preto com a gola levantada.
teve a nítida sensação de estar conversando com um vampiro.
Um vampiro maravilhoso.
- Meu Deus, você me assustou! - exclamou, arrumando-se no banco. Foi só quando viu o casaco grosso do garoto que se deu conta do frio que fazia. Apertou contra si seu cardigan branco. - Não é legal sair por aí assustando garotas em pontos de ônibus.
- Não é legal, mas também não é ilegal. - ele comentou, os lábios se movimentando de uma forma sensual.
- Espero que você não faça nada que se torne ilegal. - ela rosnou, querendo parecer ameaçadora, embora estivesse totalmente amedrontada. O garoto era bonito o suficiente para ser "o maníaco do ponto de ônibus", e ela era muito jovem para morrer.
Ficaram ali em silêncio, esperando o ônibus. De vez em quando a morena olhava de soslaio para o garoto, que bolava seu cigarro tranquilamente. O tempo parecia não passar, e quanto mais ele agia normalmente, mais medo ela tinha.
Brighton era um lugar tranquilo. Era muito difícil ouvirem-se histórias sobre assassinatos, sequestros e estupros naquela cidade, mas não podia se dar ao luxo de confiar em qualquer um.
O garoto enfim acendeu o cigarro e o barulhinho da seda queimando a acalmou um pouco, sabe-se lá por que.
- Finalmente. - ele comentou.
- Finalmente o quê?
- Você relaxou os ombros.
deixou um sorrisinho escapar. Abaixou o rosto, sem conseguir segurar a risada. Logo ela gargalhava de alívio, influenciando a nova companhia. Enquanto os dois riam, o garoto ofereceu a ela um de seus cigarros. aceitou e procurou pelo isqueiro, o que não era necessário, já que o vampiro misterioso estava com o dele aceso em sua frente.
- Eu sou Jim. - ele estendeu a mão assim que guardou o isqueiro.
- . - ela estendeu sua própria, as mãos encontrando-se e chacoalhando-se. - , na verdade.
- Meu nome é muito curto para um apelido, mas se quiser, pode me chamar de Ji. Ou Jota. - ele brincou.
Os dois se olharam e sorriram, mas o barulho do ônibus virando a esquina atrapalhou um pouco o clima.
Levantaram-se e entraram. Subiram as escadas, encontrando o andar de cima completamente vazio. Sentaram-se nas primeiras cadeiras, apoiando os pés no corrimão.
- Então, , sua festa não estava muito legal? - Jim perguntou, tirando o sobretudo. Por debaixo dele, o moreno usava uma camiseta básica, preta, de manga comprida e calça jeans.
- O que te garante que eu estava numa festa? - perguntou, achando graça.
- Descabelada, pupilas dilatadas, boca branca... Me desculpe, não fui muito detalhista: Uma festa com ecstasy, devo acrescentar. - ele sorriu, mostrando uma fileira de dentes brancos e perfeitos.
abriu a boca, admirada.
- Uau! Você é bom nisso! - exclamou. - Mas, respondendo sua pergunta, sim, minha festa estava uma droga. E a sua?
- Não estava em nenhuma festa. - ele olhou para frente, ficando repentinamente sério.
- Não está mais aqui quem perguntou... - ela murmurou, olhando para frente também.
Ficaram algum tempo naquele silêncio constrangedor. Jim olhava para frente, pensativo, e xingava-se mentalmente por tê-lo assustado, qualquer que fosse o motivo.
- Me desculpe, não quis ser rude. - ele murmurou, depois de algum tempo.
- Não tem problema, Jim. - ela respondeu, e eles se olharam com intensidade. Com um pouco de relutância, Jim apontou com a cabeça para algo atrás dela. virou o rosto, observando pela janela um pequeno ponto de ônibus no meio do nada.
- Minha parada! - achou graça naquela constatação, pois sempre se perguntava quem diabos parava naquele ponto de ônibus no meio da hípica. Bom, caso resolvido: Jim parava.
O ônibus deu um tranco para frente e ele se levantou.
- Prazer em conhecê-la, .
- Prazer em conhecê-lo, Jim.
Os dois apertaram as mãos e o moreno desceu do ônibus.
ainda ficou olhando o misterioso vampiro desaparecer entre o grande campo imerso na escuridão, até que o ônibus virou a esquina.
- Essa foi por pouco, Hazz. - murmurou, sentando-se ao lado do baterista. - Temos que tomar mais cuidado!
- Achei que meu coração fosse sair pela boca. - ele comentou, com uma mão no peito e a outra na nuca.
Os dois ficaram um bom tempo mudos, respirando fundo de alívio, até que olhou para o lado e suspirou. Observava o casal de loiros se pegarem no chão.
- Você acredita nisso? - perguntou, apontando com a cabeça para Tom e . Harry seguiu seu olhar. - Louca pelo Danny, mas dando uns pegas no Tom!
- Essa menina é muito esquisita. - Harry murmurou.
O que eles não sabiam era que estava beijando Tom, mas podia ouvir tudo que estavam dizendo claramente. Ouviu o quase flagra dos dois e agora ouvia o casal de amantes falarem mal dela.
Seu coração ficou apertado no peito e ela se sentiu mal. Infelizmente, eles estavam certos. No que diabos estava pensando? Beijar Tom, seu melhor amigo, quando Danny estava ali do seu lado?
Tom estava imerso no mais completo prazer. Nunca chegou a pensar que, de fato, fosse uma garota. Uma garota com uma língua. Uma bem macia, diga-se de passagem...
De repente, o tapete nas costas de parecia muito áspero, o corpo de Tom ficou extremamente pesado e sua cabeça começou a latejar.
- A gente fez ela se encontrar com o Dan e olha como ela se empenha em conquistá-lo: Agarrando o Tom! - exclamou, indignada. O seu relacionamento com Dougie e com Harry estava em risco ali, e parecia mais interessada em pegar quem desse na telha do que de fato fisgar Danny.
- E o pior de tudo é que estamos na mão dessa sociopata! - Harry concordou.
abriu os olhos na mesmo hora em que ouviu a palavra "sociopata". Lembrava-se de tê-la ouvido em várias de suas eternas consultas com psicólogos, quando ainda era criança e controlada pelos pais, mas não se recordava de ser tão doloroso assim.
Tom ainda mantinha os olhos fechados, bem apertados. Parecia estar curtindo. então separou suas bocas, ofegante. O loiro ainda demorou um pouco para perceber que a língua da melhor amiga havia ido embora. Olhou em volta, despertando de seu pequeno transe.
Ela não disse nada. Levantou-se, pegou a mochila no chão e a jaqueta de couro no sofá e saiu da edícula, batendo a porta atrás de si.
Tom apoiou-se nos cotovelos, olhando para e Harry sem entender nada. O baterista deu de ombros e a morena enrolou os dedos na altura da orelha, como quem dizia: Louca.
não chorava mais, mas também não queria sair do abraço carinhoso de Dougie. O baixista estava com a bochecha colada no topo de sua cabeça, e ela podia sentir seu cheiro de sabonete.
Dougie, por sua vez, estava numa briga interna; queria soltá-la, por medo de que resolvesse dar uma volta e os encontrassem ali, mas não queria soltá-la, porque... Simplesmente porque não queria.
passou por eles como um raio. Os dois levantaram o rosto, e foi a brecha para Dougie soltar a ex-namorada.
Foi difícil, mas era preciso.
- Hey, , aonde você vai? - gritou, mas foi ignorada. Teve a impressão de tê-la visto chorar, mas talvez fosse só impressão...
Os dois observaram a loira correr pela rua. Quando a perderam de vista, Dougie balbuciou:
- Tem alguma coisa muito errada rolando lá dentro.
Levantou-se e entrou apressado pelo portão do jardim, deixando para trás.
- O que diabos está acontecendo aqui? - Dougie perguntou ao entrar na edícula. Danny dormia no sofá, Tom bebia uma segunda garrafa de água, Harry desmontava os pratos da bateria e se olhava no espelho. Os quatro levantaram o rosto para o baixista.
- Você que nos diga. - Tom respondeu, tirando a garrafa da boca.
Dougie olhou em volta, confuso. Tinha certeza que encontraria os amigos brigando, ou, sei lá, botando fogo nas cortinas.
veio logo atrás. teve um pequeno deja vù do pub ao vê-la atrás do namorado, mas não se importou. Lembrou-se da confissão da ruiva e, pra dizer a verdade, sentiu-se aliviada. Se os dois estivessem se aproximando, parte de seu plano estaria completo...
- A saiu correndo, e eu pensei que... - olhou mais uma vez em volta. - Onde está a ?
Todos olharam em volta, confusos.
- ? Onde? - Danny acordou de repente, os olhos inchados.
Os amigos olharam em volta, procurando pela morena. Ela não estava lá.
- Eu nunca mais trago vocês aqui. - Dougie tirou o cabelo dos olhos, pegando duas garrafas de água vazias do chão. - E nunca mais tomo ecstasy.
- É, Doug, você sempre diz isso. - Harry comentou, terminando de guardar os pratos.
- Sobre trazer vocês aqui ou sobre as drogas?
- Os dois. - Tom respondeu pelo amigo.
- Mas e aí, o que vamos fazer agora? - Harry colocou o bag com os pratos no chão e as mãos na cintura.
- Hazz, querido, são quase 4 horas da manhã. - sorriu, sentando-se ao lado de Danny no sofá, sem olhar para ele. - O melhor que temos para fazer agora é dormir.
- Dormir é pros fracos. - ele resmungou.
- Então eu sou uma formiguinha. - Tom deitou-se mais uma vez, improvisando um travesseiro com o bag da guitarra. - Boa noite, princesas.
- Boa noite. - Dougie, Harry e Danny responderam em uníssono. e se entreolharam, com sorrisinhos no rosto.
Danny jogou a cabeça para trás e voltou a dormir. deitou-se de lado, com a cabeça no apoio do sofá, e adormeceu também. Harry desmontou o banquinho da bateria e o colocou no chão. Com a cabeça ali, dormiu. Dougie virou os olhos e deitou-se no chão. foi até ele e o abraçou pela cintura. Dormiram abraçados no tapete felpudo.
Tom acordou no dia seguinte com alguns passarinhos irritantes piando do lado de fora. Abriu os olhos sonolento, demorando-se para lembrar onde diabos estava, mas assim que bateu os olhos no conhecido teto da edícula, tudo voltou a tona: Inscrição no concurso, ensaio, ecstasy, ...
Levantou-se, dolorido, e olhou em volta. Danny babava nele mesmo, dormia de boca aberta, Dougie e dormiam com as testas encostadas e Harry ao lado da bateria.
Avistou o violão destruído de Dougie no canto da sala e resolveu tentar compor algo para o concurso. Saiu da edícula e sentou-se na grama, entre os pequenos arbustos da Sra. Poynter. O Sol já estava alto, esquentando sua pele gelada. O cabelo loiro caía-lhe nos olhos castanhos, que estavam semi-abertos devido a claridade.
Dedilhou o violão sem nenhuma inspiração.
Começou a pensar sobre os acontecimentos dos últimos tempos... Antes de Cassadee traí-lo, sua vida estava completa: Namorava uma garota linda, tinha uma banda com alguns fãs, shows todos os finais de semana, amigos fiéis, amigas divertidas... Então tudo aconteceu, de uma vez só: A traição de Cassadee, a briga com , os amassos com ... Tudo o que restava da "antiga vida" eram os amigos e a banda.
Como diabos aquilo havia acontecido?
De repente, veio-lhe a mente. Se existisse alguém que merecia um pedido de desculpas, esse alguém era ela. Sempre esteve ao seu lado, esperando por uma chance, mesmo nos dois longos anos em que namorou Cassadee... Era uma garota independente, mas, de algum modo, dependia totalmente de Tom, e ele a havia decepcionado.
'Me perdoe se teve de ser assim... Eu nunca quis te afastar de mim. Eu entendo que sempre me amou, mas não fui homem e tudo se intensificou. Se ao menos pudesse me entender, poderia deixá-la me esquecer...'
Balançou a cabeça em negativa e deletou a melodia da cabeça.
As batidas na porta eram constantes e não paravam. tentou ignorá-las por mais ou menos quinze minutos, então desistiu. Levantou-se, pelada mesmo, e foi até a porta. Quem quer que fosse, teria que aceitá-la como veio ao mundo.
- O que é? - perguntou, abrindo a porta de supetão. Um jovem de mais ou menos 14 anos estava do outro lado, segurando uma rosa nas mãos. Ao ver a garota como veio ao mundo, ficou sem palavras. teve de encorajá-lo. - Vamos lá, fedelho, eu quero voltar pra minha cama.
O garoto estava perplexo. Por mais que ela estivesse completamente nua, era o escorpião tatuado em seu calcanhar que mais chamava sua atenção.
- E-entrega p-pra senhorita. - estendeu a rosa em sua direção e tratou de sair correndo dali, esquecendo-se da ficha que deveria entregar para ser assinada. Se sua namorada descobrisse que vira outra garota pelada - ainda por cima ao vivo -, cortaria suas bolas fora.
trancou a porta rindo e sentou-se no sofá. A flor em sua mão era uma rosa comprida, vermelha e suculenta. A morena estava realmente com vontade de comê-la, mas ao invés disso, colocou-a em um copo cheio de água, ao lado do buquê de tulipas de Tom.
Enrolada à rosa estava um pequeno cartão azul. Segurou-o entre os dedos.
'Foi realmente um prazer conhecê-la. - Jim.'
ficou perplexa. Como diabos o vampiro misterioso havia descoberto seu endereço!?
Mas não podia negar que fora fofo...
acordou com o celular vibrando no bolso da calça. Abriu os olhos, assustada, dando de cara com Dougie adormecido. Suas testas estavam encostadas, e o cabelo escuro dos dois se misturava.
Virou-se para o lado e pegou o celular no bolso. Era uma mensagem de .
'Preciso conversar. Píer em meia hora. xxoo'
sentou-se e olhou em volta, observando todos os amigos adormecidos. Deu um beijo na testa do namorado e outro na testa de Harry antes de sair.
estava sentada no final do píer, perto da pequena montanha-russa. Fumava um cigarro industrializado, sentada em uma das cadeiras de praia que ali se encontravam. Através dos óculos escuros, observava o Sol preguiçoso pairar no céu. A rosa estava em suas coxas, os espinhos pinicando sua pele.
- ! - ouviu a voz rouca de a chamar. sabia muito bem que apaixonava qualquer um com aquela voz.
- ! - sentou-se direito no banco e subiu os óculos de sol. - Você está acabada.
- E você maravilhosa! - a amiga exclamou, dando um beijo no rosto de . Sentou-se na cadeira ao lado e apontou com a cabeça para a rosa. - Querida, eu sei que é legal se dar presentes, para a auto-estima e todas essas coisas, mas não acha que comprar uma rosa para si mesma é um pouco 'forever alone' demais?
- Eu não comprei essa rosa. - sorriu. - Eu ganhei.
- O florista estava de bom humor? Estou brincando, estou brincando! - exclamou, recebendo os tapas ardidos de no braço. - Quem é a vítima da vez?
- Jim. - mostrou o pequeno cartão para . - Conheci ontem no ponto de ônibus.
- ! Você não pode levar garotos que conhece no ponto de ônibus para casa! E se ele for irlandês? - exclamou, e as duas caíram na risada.
- Sinceramente, , eu tenho cara de quem transa com garotos desconhecidos dos pontos de ônibus? Ainda mais irlandeses?
- Sinceramente? - perguntou, recebendo outro tapa no braço. - Não! Eu ia dizer que não!
- Cala boca e escute a história, !
narrou tudo, desde que saíra da edícula ao ver Tom com - , e toda a torcida do Manchester, sabia de sua paixão por Tom - até a despedida no ponto da hípica. ouviu tudo em silêncio, genuinamente curiosa. Quando terminou a história, ela tinha um sorrisinho idiota no rosto.
- Que coisa mais romântica! - exclamou, maravilhada. - Você precisa encontrar esse Jim!
- Mas e se ele for um stalker? Quero dizer, ele achou meu endereço em menos de um dia, e eu nem dei meu sobrenome a ele...
- ! Para de ser idiota, essa foi a coisa mais linda que eu vi um homem fazer desde que o... - então ela parou de falar. Seu rosto ficou quente e ela arregalou os olhos. observou toda a cena curiosa.
- Desde que o...? - repetiu, olhando fundo nos olhos da amiga. Sabia que estava escondendo algo há algum tempo, e era sua deixa para descobrir. - , termine a frase.
abaixou o rosto. Se conhecia , só sairia dali depois de contar. Precisava pensar em alguma mentira rápido, mas, mesmo assim, corria o risco de que ela não acreditasse. Eram amigas desde o primeiro ano do College, mas se conheciam mais do que amigas de longa data...
esperou pacientemente a amiga levantar os olhos. Ela pôde ver medo neles.
abriu e fechou a boca várias vezes. Lágrimas acumularam-se embaixo de seus olhos. Sua garganta estava seca. Queria contar aquilo para há muito tempo, mas sempre que tinha a oportunidade, perdia a coragem.
- , querida, você está me assustando. - comentou, segurando as mãos da amiga entre as dela.
- , eu fiz uma coisa muito errada. - a morena soltou de uma só vez, as palavras atropelando-se. - E antes de contar, quero te pedir uma coisa. - concordou com a cabeça para encorajá-la. - Você tem todo o direito de ficar brava, mas, por favor, não conte nada a ninguém. Eu vou dar um jeito de consertar tudo, só não sei como...
- Tudo bem, querida. Você sabe que eu sou um túmulo.
respirou fundo. Sabia o quão brava ficaria, pois Dougie era seu irmãozinho.
- Eu traí o Dougie. - soltou de uma vez só. abriu a boca para falar, e então ela continuou: - E não é só isso. Eu traí ele com o Harry. Estamos juntos há um mês.
travou. Não sabia o que dizer. e Dougie eram o casal perfeito, sem problemas, sem drama... Eram só duas pessoas que se gostavam! Dougie tinha um carinho imenso pela namorada, e parecia adorá-lo.
Aquilo não era possível. Eles eram o único casal que ainda a fazia acreditar no amor. Dougie era um de seus melhores amigos, o cara mais doce da face da Terra. não poderia ter feito aquilo. Não mesmo.
- , diz alguma coisa. - agora chorava copiosamente, as lágrimas carregando sua maquiagem para a bochecha. - Por favor, diz alguma coisa.
levantou-se da cadeira, segurando a rosa entre os dedos. Guardou o isqueiro no bolso da saia e olhou diretamente para . Estava puta com a melhor amiga. Ela não tinha o direito de brincar assim com os sentimentos de alguém! Dougie era um garoto decente, e Harry era seu melhor amigo de longa data. Como eles foram capazes de trair Dougie daquele jeito?
Como?
- ...?
- Eu não tenho nada para dizer, . - murmurou, ainda sem acreditar direito. - Eu não vou contar nada para ninguém, pelo menos não agora. Mas você vai ter que resolver isso, se não eu mesma resolvo.
caminhou lentamente para longe dali, deixando sozinha. A morena chorava sem se importar com os olhares, sentindo-se suja. Sua vida estava horrível: Dividida entre dois garotos, traindo o namorado com o melhor amigo dele e agora, para completar, sua melhor amiga estava puta com ela.
levantou-se sob os olhares dos curiosos.
- O QUÊ FOI? VOCÊS NUNCA ERRARAM NA VIDA NÃO? - gritou, antes de sair correndo.
Capítulo 9 – ‘I see the way you're acting like you're somebody else!’
Avril Lavigne, Complicated
Danny e .
não sabia onde estava, nem porque estava. Provavelmente nem em Brighton estivesse mais, levando em consideração a quantidade de ônibus que pegara... A única coisa que sabia era que não se sentia bem. Muito pelo contrário, sentia-se como lixo, jogado ao meio-fio sem qualquer consideração.
Sentou-se em um banco de madeira envernizado, que ficava de frente para um laguinho artificial, onde patos e gansos faziam barulho e batiam suas asas. Tirou as botas de andar na neve – só as usava por serem bonitinhas, pois a neve ainda demoraria a chegar – e esfregou os pés cansados de tanto andar. O lugar estava quase deserto, com exceção de alguns corajosos senhores que jogavam xadrez ali perto. Era muito tarde ou muito cedo, mas, definitivamente, não era horário para ninguém estar na rua naquele frio, principalmente uma loirinha com cara de Barbie.
cruzou as pernas e deixou-se perder nas águas calmas do lago. Pensava no beijo de Tom, nos comentários maldosos de Harry e , nos olhares que Danny lançava à e em todos aqueles sentimentos que se misturavam e se chocavam em sua cabeça.
Percebeu que os velhinhos que jogavam xadrez deixaram a distração do jogo de lado e agora estavam observando atentamente a jovem menina de maquiagem borrada e olhos perdidos.
Ela se virou de lado, dando as costas para os novos amigos, e fechou os olhos. Antes que pudesse se dar conta, lágrimas do tamanho de uvas desciam como cachoeira por suas bochechas e queixo. Caíam de qualquer jeito na blusa, no banco e até mesmo nas pernas; ela inclinou a cabeça e franziu a testa, deixando o choro sair livremente. Estava cansada de ser submissa aos comentários de pessoas que nem a conheciam, cansada de se abater tanto pela opinião dos outros. Se pudesse escolher, seria forte como , livre como e indiferente como , mas não era, e isso a afetava muito.
Depois que o choro cessou, começou a rir, relembrando-se de sua mãe dizendo que o choro lavava a alma. Na época, o bordão parecia-lhe ridículo, mas, naquele momento, não era mais.
Quanto mais pensava em quão fraca era, mais a risada aumentava. Logo, gargalhava. Decidiu-se por ir embora antes que os senhores chamassem a polícia, e calçou de volta as botas. Levantou-se e saiu da praça, a procura de um ponto de ônibus.
Ela ainda não sabia o que era, mas algo havia mudado.
acordou ao lado de Danny, sentindo o pescoço latejar. Olhou de soslaio para o amigo, que também estava desperto e se espreguiçava e lembrou-se da primeira vez em que botara os olhos naqueles cachinhos castanhos, em meio a um tornado de total desespero. Nunca ia esquecer o quanto Danny fora importante e como seus conselhos a ajudaram quando ela mais precisou. Era até difícil admitir que, naquele momento, sentia muita raiva do amigo.
- Bom dia. – Danny desejou ao perceber que a amiga também estava acordada. respondeu com um “bom dia” seco enquanto bocejava. – Ainda está brava comigo?
- Que pergunta idiota. – respondeu, ajeitando a saia sob os joelhos ossudos. – É claro que eu estou brava.
- Então acho que nós precisamos conversar. – o guitarrista sugeriu, enfiando a mão entre os dedos entrelaçados da ruiva e completando. – Por favor?
bufou teatralmente, mas no fundo sabia que não existiria pecado no mundo que a faria ficar brava por mais de 10 minutos com Danny Jones.
Os dois se levantaram sem fazer barulho e saíram da edícula rápidos e discretos como ninjas. Ao saírem, passaram por Tom sem se dar conta de que ele estava ali.
Caminharam em silencio pela rua por algum tempo, aproveitando o calor dos primeiros raios do dia contra suas peles frias. Danny procurava uma maneira 100% eficiente de se desculpar, enquanto não sabia o que dizer.
- Me desculpe, .
- Danny, não conte nada ainda. – eles dispararam ao mesmo tempo, se olhando logo em seguida. parecia triste, quase desesperada, e Danny não pôde evitar abraçá-la.
- , eu não vou contar nada para ninguém. – prometeu, beijando o topo de sua cabeça. – Eu não sei por que disse aquelas coisas ontem, mas você pode esquecer tudo, eu estava sendo idiota. Já se esqueceu da promessa que te fiz?
ficou em silêncio, sentindo um nó se formar em sua garganta. Odiava segurar o choro.
- Eim, ? – ele insistiu, apertando-a contra seu corpo.
- Não, eu não esqueci. – ela murmurou em resposta, envolvendo a cintura fina do amigo.
- E o que foi que eu te disse? – Danny quis saber, tratando-a como uma garotinha mimada.
- “Eu nunca vou te magoar, !” – a ruiva imitou perfeitamente a voz rouca de Danny, o que o fez jogar a cabeça para trás e gargalhar.
Os dois andaram abraçados até o ponto de ônibus do final da rua. Sentaram-se juntos e esperaram. O silêncio ainda se fazia presente, mas não era mais constrangedor.
Assim que o ônibus da linha 13 apontou na esquina, Danny saltou do banco e fez sinal. Antes que ele chegasse, o moreno se curvou em direção à e beijou sua testa.
- Pode contar comigo, , sempre que precisar. – ele ofereceu, afagando sua cabeça com carinho.
Harry acordou no susto com os roncos altos de Dougie. Custou a se lembrar porque diabos estava dormindo no chão ao lado de uma bateria quando deveria estar em sua cama quente, com o cheiro do café de Tom invadindo o lugar. Quando finalmente recordou-se dos acontecimentos da noite anterior, procurou rapidamente com os olhos, constatando que a amante não estava lá.
Amante. Como ele odiava aquela palavra.
Levantou-se com dificuldade, já que suas pernas pareciam duas marias-moles, e olhou-se no reflexo das janelas. Seu cabelo estava em pé, e uma marca de beijo pairava em sua testa. Antes que pudesse sorrir com aquilo, percebeu que Dougie havia ganhado o mesmo presente.
“Eu sou só uma putinha usada...” pensou, amargo.
Pegou o bag com os pratos e tratou de sair dali antes que Dougie acordasse e o forçasse a ajudá-lo com a limpeza.
Já do lado de fora, deu de cara com Tom.
- Opa, estava indo te procurar. – o loiro comentou, com o violão velho de Dougie em uma das mãos e o case da guitarra na outra. – Vamos?
- Por favor. – Harry respondeu com voz de cansado.
Tom entrou na edícula, devolveu o violão e voltou no tempo que Harry levou para acender um cigarro. Os dois foram até o carro do baterista, guardaram os instrumentos no porta-malas e entraram.
Harry ligou o rádio baixinho e deu partida, pensando em , onde ela estaria naquele momento e o que ela estava vestindo. Enquanto isso, Tom reparava na marca de beijo em sua testa.
- Hm, Harry... – ele chamou, e o baterista se virou para ele. – Tem um beijo na sua testa.
Harry apressou-se em apagá-lo com as costas da mão direita, mas não poderia apagar a visão de Tom, por mais que tentasse.
- Agora você vai me contar o que está acontecendo? – o loiro perguntou curioso.
- Não. – Harry respondeu, brusco. – Cuida da sua vida, Padawan.
Tom só suspirou e voltou sua atenção para a estrada.
Dougie finalmente acordou. Ele era sempre o último, e, conseqüentemente, aquele que limpava tudo. Odiava quando aquilo acontecia, o que não era raro, então quando abriu os olhos e se percebeu sozinho, socou o chão com toda a força.
“Filhos da puta...” pensou, levantando-se e analisando a zona em volta de si. “Malditos filhos de uma puta...”
Começou pegando as partes do sofá espalhadas pelo chão, como almofadas e capas, e passou a recolher as bitucas de cigarro e as garrafas de água tomadas no auge da droga.
Depois que deixou o lugar relativamente limpo, foi até o banheiro para mijar. Ao passar pelo espelho, reparou no borrão vermelho de batom na testa em forma de beijo e, por um milésimo de segundo, imaginou que ele pudesse ser obra de . Depois balançou a cabeça e lembrou-se da linda namorada com quem dormira junto, e em como ele era sortudo em tê-la.
Apagou a marca de batom com papel higiênico e livrou-se de seus pensamentos pecaminosos. Afinal, se os olhos não vêem o coração não sente.
voltou da pequena aventura da madrugada duas horas e 3 ônibus depois. Chegou à frente do prédio em que morava com os olhos borrados, a boca roxa de frio, o nariz vermelho e o cabelo bagunçado. Suas botas estavam sujas de barro, sua meia calça toda furada e a camiseta molhada da garoa.
Era a cara do desastre.
Passou pelo porteiro, que teve de olhá-la duas vezes antes de reconhecê-la, e entrou no elevador quentinho. A subida, que geralmente durava 10 segundos, durou uma eternidade. Quando chegou ao hall de seu andar, sentia-se 20 anos mais velha.
A loira entrou no apartamento e foi direto para o chuveiro. Tomou um bom banho de meia hora e saiu revigorada. Vestiu uma calça jeans, uma segunda-pele preta e uma camisa xadrez por cima. Calçou seus coturnos e saiu de casa. Precisava comprar leite e cerveja, e era isso que faria naquele momento, antes que se esquecesse e acordasse no dia seguinte sem leite e muita raiva.
Esperava o elevador impaciente quando Danny surgiu pelas escadas, ofegante e segurando duas sacolas nas mãos. De dentro de uma das sacolas fazia-se ouvir o barulho de vidro se chocando, e na outra, quatro caixas de leite iam e vinham vagarosamente.
Os olhos da loira brilharam.
- Cerveja e leite, nada mais que o necessário. – Danny comentou, ao ver os olhos da vizinha em suas sacolas. – Oi, .
- Se eu te disser que estava indo comprar exatamente isso, você acredita? – ignorou o cumprimento e perguntou, incrédula.
- Claro! – Danny respondeu, colocando a chave na fechadura. – Uma menina inteligente como você deve saber que cerveja e leite são as chaves para uma vida longa e próspera.
- Dizem por aí que esse é o segredo da rainha... – a loira respondeu, divertida.
Danny colocou as sacolas no chão e olhou para a amiga, rindo. Os olhos azuis dele se fixaram nos olhos verdes dela, e ele sentiu-se feliz. Feliz o suficiente para um convite inusitado.
- Tá afim de entrar e tomar uma cervejas?
Algumas horas e cervejas depois, o dia era noite e era outra. Não estava bêbada, mas estava alegre; alegre o suficiente para se sentir amiga íntima de Danny.
O guitarrista trocava o CD do Blink por um dos Beastie Boys quando resolveu tocar em um assunto delicado com a maior naturalidade do mundo.
- Danny, o que exatamente você e a têm?
Normalmente, a loira não teria coragem de fazer aquela pergunta, mas ela já havia tomado seis garrafinhas de Stella Artois, então, que se foda.
Danny deu play no aparelho de som e voltou-se para ela. Seus olhos haviam escurecido vários tons.
- Nós ficamos de vez em quando... – comentou, forçando uma indiferença inexistente.
- Só isso? – insistiu. Queria conhecer a história, queria saber o porquê de todo aquele fascínio do guitarrista pela morena. – Não quero parecer intrometida, mas me parece que você quer mais do que só uma amizade colorida com ela...
Danny deu um gole longo em sua cerveja, pensando no que acabara de falar. É, estava óbvio para Danny que ele queria bem mais que uma amizade colorida com , mas estava assim tão transparente para as outras pessoas? Ele não queria parecer desesperado!
- É, talvez eu queira mesmo... – ele admitiu, sentando-se ao lado de . Depositou a garrafa de cerveja no meio das pernas e suspirou. – Mas desde que eu a conheço, ela só tem olhos, cabeça e coração para o Tom.
O guitarrista suspirou e fez uma careta. Com um pouco de pesar, continuou o relato.
- Quando eu aceitei montar uma banda com Tom, tudo o que sentia por era uma atração maluca e inexplicável. Infelizmente, depois de algum tempo essa atração se transformou em paixão, e eu me ferrei. Quero dizer, eu não podia simplesmente mandar a banda pros ares só porque a garota que eu gostava estava apaixonada por um dos integrantes! Mesmo por que, ao mesmo tempo em que fui me apaixonando por ela, fui me tornando muito amigo de Tom.
Danny deu mais um gole na cerveja, e acompanhou, fascinada.
- Eu a vi pela primeira vez no primeiro dia de aula. Clichê, não? – perguntou tristonho. Sem esperar a resposta, continuou. – Ela estava usando uma saia verde limão. Pode parecer ridículo, mas nunca ninguém havia me chamado tanto a atenção como ela me chamou.
sorriu, imaginando a cena. O que ela não sabia era que a primeira vez que o vira fora exatamente naquele mesmo dia. Algumas horas antes dele conhecer , os dois dividiram o mesmo elevador. O garoto usava uma touca verde musgo e batia os pés ao ritmo da música em seus fones de ouvido. Ele nem percebeu que a loira estava ali graças ao horário de pico do elevador, mas ela passou o resto do dia pensando no vizinho.
- E quando vocês ficaram pela primeira vez? – terminou sua sabe-se lá qual garrafa de cerveja e a colocou na mesa de centro. Descruzou e cruzou as pernas enquanto Danny relembrava-se.
- Tom havia brigado com Cassadee alguns dias antes, e passou a semana inteira feliz. – Danny sorriu, totalmente dominado pela nostalgia. – Então no sábado, ela descobriu que os dois já estavam bem novamente, e bebeu duas garrafas inteiras de vinho e metade de uma vodca.
Danny levantou-se e foi até a geladeira. Voltou com mais duas garrafas e entregou uma nas mãos de .
- Naquele dia eu pensei que teria de levá-la ao hospital. No final das contas, levei-a só até meu apartamento. Passei a noite inteira tentando fazer com que ela melhorasse, e, quando isso aconteceu, não consegui me conter. – Danny suspirou, perdendo os olhos no vazio da sala.
, com uma garrafa em uma das mãos e o coração na outra, deu dois tapas de leve no ombro do guitarrista. Pôde sentir seus músculos se retraírem e depois relaxarem, e continuou ali por algum tempo, alisando seus braços.
Por mais que aquela história a deixasse menos esperançosa quanto a um futuro com Danny, pelo menos ela agora entendia tudo. E, além disso, há muito tempo ela vinha nutrindo aquela paixão secreta pelo vizinho e, em um ano, nunca imaginou que eles seriam amigos e que ela estaria sentada em seu sofá, o ouvindo reclamar sobre a vida.
- Às vezes as coisas não são como queremos. – ela comentou mais para si mesma do que para Danny. – Mas essas decepções só nos levam aonde realmente devemos estar.
- Um brinde a isso. – Danny levantou sua garrafa e a bateu contra a de . Os dois se olharam longamente antes de beberem.
Era um começo. Não o começo que imaginara tantas vezes deitada em sua cama antes de dormir, com a cabeça no travesseiro, mas definitivamente era um começo.
Capítulo 10 – ‘Everyone knows I'm in over my head!’
The Fray, Over My Head
Todos.
Danny estava sentado em uma poltrona de madeira real, revestida com veludo vermelho sangue, só usando uma toga branca. dançava de roupas íntimas em sua frente, enquanto massageava suas costas com óleos e cremes. Enquanto a loira lhe sussurrava coisas sensuais, a morena o provocava com o corpo; Danny estava em êxtase. Bolhas de sabão voavam por todos os lados, e uma música conhecida tocava nos modernos aparelhos de som que rodeavam a sala. “You and me, baby, are not but animals, só let’s do it like they do in the Discovery Channel!”
Depois de alguns minutos com o mesmo refrão insistente, Danny percebeu que algo estava errado. já não dançava mais, e olhava assustada para ele. O guitarrista viu tudo ao seu redor derreter e, quando pensou que morreria, abriu os olhos e tragou a maior quantidade de ar possível. O celular vibrava sem parar no aparador ao lado da cama, tocando a mesma música do sonho.
“Sonho. Foi só um sonho.” pensou, arfando. Tateou às cegas em cima do móvel até conseguir segurar o aparelho entre os dedos.
- Alô. – ele resmungou.
- Danny, ensaio em meia hora aqui em casa. – Tom avisou, animado. Com certeza já havia acordado, tomado banho, tomado café, acordado Harry e assistido a um pouco de televisão. “Ele não precisa trabalhar mesmo, pode se dar ao luxo de acordar cedo em um domingo...”
- Uhum. – foi a única coisa que ele conseguiu responder.
Danny ainda enrolou um bom tempo nas cobertas, rolando de um lado para o outro, tentando voltar a dormir. Quando viu que não conseguiria mais, jogou longe o edredom com os pés e foi amaldiçoando Tom até o chuveiro.
Tomou um banho rápido, se arrumou e comeu torrada com ovos, tudo em menos de 20 minutos. Aliás, qualquer coisa que fizesse no espaço ridículo que constituía seu apartamento seria como se estivesse na velocidade da luz.
Saiu no hall do andar ainda sonolento, observando a porta do apartamento de . Lembrou-se da despedida meio confusa do dia anterior, depois da conversa íntima que tiveram, mas nada que o deixasse constrangido; se tinha de contar aquela história para alguém, que fosse para uma desconhecida que não o julgaria.
Desceu pelo elevador, cumprimentou o porteiro, e foi até o final da rua esperar o ônibus. Seria perfeito se conseguisse pegar um 2A, mas o único disponível naquele horário seria o 22, então Danny o esperou por dois minutos e subiu no veículo lotado de velhinhas alegres e jovens carrancudos.
Chegou na Abbey Road – não a oficial, a da cidade de Brighton – e saltou do transporte. Andou por alguns minutos com as mãos nos bolsos e parou em frente a um pequeno prédio de tijolos vermelhos.
Apertou o interfone e a porta se abriu com um estalo.
O guitarrista subiu de escadas – o prédio era tão pequeno que nem elevador tinha – e chegou um tanto quanto esbaforido no apartamento que Tom chamava de lar e Harry chamava de “todo dia tem uma cueca diferente na geladeira”.
- Porra, Danny, que demora! – Tom exclamou assim que avistou seu colega de banda. Harry estava sentado no sofá, trocando os canais da TV rapidamente, e Dougie afinava o baixo distraído. – Cadê sua guitarra?
- Não quis trazer no ônibus, vou usar seu violão. – Danny largou a mochila que usava no chão e tirou os tênis. – Por que estamos tendo esse ensaio em um domingo de manhã?
- Por que Deus quis. – Tom respondeu, pegando o controle das mãos de Harry e desligando a TV. – Nós temos uma semana para compor uma música que vai nos garantir um contrato com a Universal. Será que vocês não podem levar isso um pouquinho mais a sério?
Harry revirou os olhos, como quem dizia “senta que lá vem história”, e Dougie simplesmente o ignorou. Danny, acostumado com o fato de que Tom sentia-se o dono da banda, foi até o quarto dele, pegou o violão e voltou para a sala.
- Pronto chefe. Estamos ao seu dispor. – ele bateu continência, fazendo Harry gargalhar e Dougie segurar a risada.
- Vocês são uns imbecis. – Tom comentou, com um sorrisinho afetado escapando pelos lábios.
- Eu não consigo pensar em nada... – Tom resmungou, batucando nas pernas. – Nem melodia nem letra.
- Parece que tudo que eu crio vem acompanhado da palavra “lixo”. – Danny comentou, querendo fazer com que Tom não se sentisse tão mal. – Esse tema está quebrando minhas pernas!
Os quatro já estavam há meia hora olhando um para a cara do outro, sem conseguir compor nem um peido sequer.
- Bom, eu só pretendia mostrar essa música quando a banda já fosse famosa, porque ela é muito boa, mas já que estamos em apuros, eu vou mostrá-la para vocês. – Dougie pegou um papel todo amassado do bolso da calça e o estendeu sob seu colo. Deixou o baixo de lado e pegou o violão, arrumando os dedos em ré. – Preparem-se para orgasmos auditivos.
As três cabeças concordaram juntas, curiosas para ouvirem o próximo sucesso do McFLY.
‘Perdão, uma palavra com cinco letras e um significado muito profundo. Quando penso em você, me sinto tão oriundo. Me perdoe! Me perdoe! Eu sei que errei, mas esses erros nunca mais cometerei!’
- Hm... Dougie... Você sabe que perdão tem seis letras, não sabe? – Harry perguntou; seus lábios tremiam do tanto que ele segurava a risada.
Dougie fez cara de confusão e franziu o cenho. Ditou a palavra perdão em voz alta, contando as letras nos dedos. Só então percebeu o erro.
- Ah, mas que droga, agora a letra não faz mais sentido... – ele murmurou tristonho.
Danny teve de abaixar a cabeça para não ser visto rindo, e Tom ficou vermelho. Os lábios de Harry ainda tremiam, e Dougie os olhava sentido.
Depois que a graça passou, três cabeças com instrumentos de corda se viraram para Harry. O baterista levantou as mãos em sinal de rendição e pediu.
- Nem olhem pra mim! Eu sou só o baterista!
O ensaio durou pouco mais que duas horas, mas duraria o dobro se Danny não precisasse ir embora para trabalhar. Apesar do bom tempo em que passaram juntos, nenhum deles conseguiu compor. Os quatro passaram a manhã inteira quebrando a cabeça para tentar escrever algo, mas nada de interessante se solidificou.
- Amanhã começam os a-levels, mas a gente pode marcar de se encontrar. – Danny comentou, vestido a blusa de frio para sair. – Só temos mais essa semana.
- É, e já que nós não estamos assim tão interessados em tirar um A+ nos a-levels, podemos nos encontrar todos os dias depois das provas. – Tom concordou, completando. – Vamos também tentar escrever algo quando estivermos sozinhos. Alguma coisa tem que sair!
Dougie, que ouvia a conversa com o celular no ouvido, bateu o flip com força e suspirou.
- Alguém aí conseguiu falar com a ? Ela não me atende desde ontem!
Harry sentiu o rosto esquentar um pouco, mas pigarreou para disfarçar.
- Por que nós estaríamos tentado falar com a sua namorada? – ele quis saber, sorrindo amarelo.
- Porque vocês são amigos dela? – Dougie respondeu, entortando uma sobrancelha só.
- Não falei com ela, não, cara. – Danny comentou, salvando Harry de mais constrangimentos. Abriu a porta do apartamento e se despediu. – Adeus para os que podem vagabundear pelo resto do dia.
- Falou, Danny! – Tom exclamou, mostrando o dedo do meio pro amigo. O guitarrista saiu pela porta e Tom virou-se para Dougie, negando com a cabeça. – Não falo com a desde sexta.
- Bom, então acho que eu também vou nessa. – Dougie levantou-se, segurando o case do baixo nas mãos. – Minha mãe quer que eu volte cedo.
- Filhinho da mamãe! – Tom exclamou, bagunçando os cabelos pretos do baixista.
Dougie fez uma careta e atravessou a mesma porta que Danny havia atravessado minutos antes. Tom pegou seus instrumentos e os levou para o quarto, deixando Harry na sala. Assim que o baterista viu-se sozinho, pescou o celular de dentro do bolso interno da jaqueta que usava e abriu o flip. ‘, cadê você? Dê sinais de vida! – Hazz.’ Guardou de volta o celular assim que Tom voltou e se jogou ao seu lado.
- E aí, vai me contar o que está rolando ou nem? – o loiro quis saber, ligando a TV.
- Nem. – Harry respondeu apreensivo.
Os pais de não a viram chegar no sábado; ela entrara pelos portões dos fundos e fora direto para seu quarto; adormeceu logo que encostou a cabeça no travesseiro, cansada da noite mal passada no sofá de Dougie.
Algum tempo depois, foi acordada pelos berros estridentes de sua mãe.
- Pelo amor de Deus, ! Aonde você se meteu? Nós estávamos preocupados!
A ruiva abriu os olhos devagar, tentando se situar. Olhou para o relógio em cima do criado-mudo, dando-se conta de que já eram 12h13 do domingo. Como havia dormido tanto assim?
- Eu estava no Dougie. – ela respondeu com a voz rouca.
- No... No Dougie? No Dougie, Dougie? – sua mãe perguntou incrédula.
- É mãe, no Dougie, Dougie. – respondeu, levantando-se. Olhou em volta meio zonza, sentindo o estômago se revirar de fome.
- O que você estava fazendo na casa do Dougie, ? – sua mãe perguntou. Sua pergunta saiu quase como uma intimação.
- Nós estávamos conversando. – foi até a janela a abriu a cortina, cobrindo com as mãos os olhos não acostumados com a claridade.
- Só vocês dois? Estavam conversando sobre...? – sua mãe deixou a pergunta no ar.
- Não estávamos a sós. E, mesmo se estivéssemos, esse assunto nunca iria surgir. – resmungou irritada. Sua mãe sabia o que lhe doía conversar sobre aquilo, mas insistia em machucá-la. – É um assunto morto.
A mãe de apoiou-se na parede do quarto e olhou para baixo.
- Às vezes é difícil para uma mãe admitir que sua própria filha não tem coração.
estancou de costas para ela, olhando a movimentação da rua. Ouviu a mãe se mexer atrás de si e sair do quarto. Logo após o ‘clic’ da porta, sentiu uma lágrima escorrer pelo seu rosto.
As sacolas nas mãos de estavam pesadas, mas ela se sentia bem. Nada como comprar o mundo com o cartão de crédito do pai quando nada mais fazia sentido. Primeiro a decepção com Tom, depois da revelação de . Aos poucos, tudo que ela conhecia como certo estavam se desmanchando.
A morena sentou-se na praça de alimentação do lado de fora, pediu um café e acendeu um cigarro bolado. Aproveitou a primeira tragada do dia e começou a folhear um dos seus novos livros. Estava tão distraída que não percebeu quando Jim sentou-se em sua frente.
- Gostou da rosa? – ele perguntou. deu um pulo da cadeira e olhou boquiaberta para ele. – Te assustei?
- Parece que você tem esse dom, não é? – a morena rebateu, colocando as mãos em cima do peito. – Minhas chances de infarto subiram 120% agora!
- Me desculpe. – ele fez uma mesura exagerada e sorriu. – Eu só fiquei um pouco curioso em saber se você gostou do presente que eu te enviei.
sorriu e fechou o livro, guardando-o em uma das sacolas. Olhou para os olhos escuros de Jim, tentando decifrar os mistérios que os mesmos guardavam.
- Adorei. – respondeu e tragou seu cigarro antes de continuar. – Como descobriu meu endereço?
- Eu poderia te contar, mas aí teria de matá-la. – Jim comentou, roubando um dos cigarros de sem pedir permissão.
- Vindo de você, eu não me surpreenderia. – comentou, tomando um gole do café. – Eu já cogitei a hipótese de que você é um vampiro e fica me observando dormir todas as noites desde que eu nasci, mas aí eu me dei conta de que você não brilha no sol.
- Ah, mas que droga... Essa hipótese me parecia tão promissora! – Jim respondeu, acendendo o cigarro. – Mas se você quer mesmo saber, eu só usei a lógica. Levando em consideração o fato de que eu parei no penúltimo ponto do ônibus e você continuou nele, pude concluir que você desceu na última parada.
ouvia a explicação atenta, concordando com a cabeça.
- Essa última parada está localizada em um cruzamento com a Downs Valley Road e a Down Hills Road. De acordo com o cronograma dos ônibus, a linha 13 atende as ruas anteriores a essas, e a linha 14B as ruas posteriores.
Jim parou um pouco com sua narrativa e tragou o cigarro.
fez o mesmo, ainda hipnotizada por aqueles lindos olhos escuros. Naquela tarde, Jim usava outro sobretudo, dessa vez marrom, e calça jeans de lavagem clara. Nos pés, um Vans.
- Logo, concluí que você deveria morar em uma das duas ruas e fui dar uma volta por lá. Eu não sabia seu nome e não tinha por onde começar, então simplesmente me sentei em um banco na Downs Valley. Estava quase desistindo de te procurar quando ouvi um garoto descrever uma garota muito parecida com você.
- E se não fosse eu? – quis saber, adorando toda aquela atenção. Por mais que muitos a achassem linda, a morena nunca fora o tipo de menina por quem homens faziam grandes declarações de amor. Estava condicionada a acreditar que ela não valia a pena; garotas como recebiam provas de amor, garotas como só eram cantadas na rua.
- Decidi apostar no destino. – Jim sorriu, mostrando a fileira perfeita de dentes brancos. , por via das dúvidas, ainda procurou por caninos muito expostos ou afiados, mas não os encontrou. Logo o sorriso do moreno se transformou em uma expressão de cuidado. – Você está achando que eu sou um stalker louco agora, não está?
não tinha certeza. Talvez estivesse, ou talvez só o achasse perfeito demais para ser verdade.
Ponderou um pouco suas alternativas, e optou por seguir o conselho de Jim: Apostar no destino.
- Não, não estou.
Jim e passaram o dia inteiro tomando café, fumando cigarros e conversando sobre a vida. De vez em quando, Jim a olhava com tanta intensidade que ela pensava que seus olhos iam entrar em órbita, mas, fora esse pequeno detalhe, não conseguia encontrar defeitos nele.
Os dois não se beijaram; nem mesmo ficaram mais próximos do que uma mesa de distância, mas, mesmo assim, sentiu que estava se apaixonando. Se não fossem pelos pequenos lapsos de pensamentos em Tom, ela diria que Jim a ajudaria a esquecê-lo.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, estava com os pés descalços na areia de pedras da praia de Brighton. Apesar do frio, ela usava uma saia leve e uma regata, com os cabelos voando para todos os lados. Não muito longe dali, há alguns metros de distância, comprava fish ‘n chips de barraca e planejava passar a tarde inteira tentando não pensar no que dominava sua mente há mais de um ano.
Assim que seu número fora anunciado, ela pegou o pratinho de plástico e andou até as pedras. Sentou-se com cuidado para não derrubar a comida antes de se deixar afundar. Apesar do frio, a areia estava quente, e as ondas batiam com força no quebra-mar.
queria chorar, mas há muito não chorava. Desde que voltara, tentara agir como uma garota normal, com problemas normais, mas ela tinha de admitir que não era uma garota normal. Não mais.
Naquele momento, sentia vergonha de si mesma, relembrando-se dos momentos da semana, dos amigos novos... Como era ridícula! Pagando de gatinha quando deveria era estar enfrentando os erros cometidos.
- ! – a ruiva ouviu uma voz conhecida chamar, mas não deu bola. Afinal, não faltavam s em Brighton. Ameaçou dar uma dentada em seu peixe quando ouviu de novo. Virou-se para o lado, irritada, e avistou há alguns metros de distância, fazendo sinal com as mãos! – , aqui!
‘Ah, era só o que me faltava... Só porque eu preciso ficar a sozinha a anti-social das anti-sociais resolve dar uma de extrovertida!” ela pensou, acenando de volta.
entendeu o sinal como um convite, e se aproximou.
- Oi, . – cumprimentou, meio a contragosto. , que não era boba, percebeu que não era bem-vinda ali.
- Oi, . – respondeu, deixando os ombros caírem. Por um momento pensou que com poderia estabelecer uma amizade. Uma amizade de verdade. Ledo engano... – Bom, só passei para dar oi. Nos vemos no colégio.
A loira preparava-se para levantar quando suspirou. Em questão de milésimos de segundo, ela chorava torrencialmente, e não sabia o que fazer.
Voltou a se sentar e envolveu os ombros da amiga, dando tapinhas de leve em suas costas. Ela não era muito boa em consolar as pessoas; estranho era sua mãe ser psicóloga, já que ela não tinha a mínima idéia de como fazer com que as pessoas se sentissem melhor.
- E-eu sou uma p-péssima p-pessoa... – fungava, limpando as lágrimas com a manga da blusa. negava, e quanto mais o fazia, mais se desmanchava. – Sou sim! Sou sim, sou péssima, eu nem merecia estar viva!
- Não fale besteiras, , você é ótima! – dizia, agora afagando seu cabelo cor de fogo e segurando o prato de fish ‘n chips da amiga.
- Não sou não! Eu sou um monstro! Estou agindo como uma idiota, como uma imbecil! Eu não devia ter fugido, eu nem devia estar aqui... – falava sem parar, coisas que não faziam o menor sentido para , e as pessoas que passavam as olhavam curiosas.
, percebendo que não pararia tão cedo de chorar, suspirou e abriu a bolsa. Tirou de lá dentro uma garrafa fechada de vinho barato e mostrou para , que fechou a boca no mesmo instante.
- Pronto, agora tudo vai ficar melhor. – consolou, num tom de voz maternal. concordou com a cabeça e parou de chorar.
- Sabe, eu não era assim! – murmurou. As palavras estavam se embolando na boca e ela via duas s em sua frente.
O dia já havia se transformado em tarde, e duas garrafas de vinho – uma da bolsa de , outra do mercado ali perto – descasavam na areia.
A ruiva tombou o corpo na areia e ficou observando o dia nublado.
- Tudo aconteceu tão rápido, e eu tive que ir embora, fugir...
- O que aconteceu tão rápido? – perguntou. Sua visão estava embaçada, e ela só sabia que era deitada ali ao seu lado pelo o cabelo vermelho e os olhos borrados.
negou com a cabeça, recusando-se a responder. deu de ombros; não era curiosa e podia viver sem saber qual era o grande segredo de .
- Você não precisa me contar, mas se te consola um pouco, eu sou completamente apaixonada por Danny Jones desde que ele se tornou meu vizinho, há um ano. – disse, tentando soar casual, mas a emoção em sua voz era palpável. A loira só havia admitido a paixão por Danny para Tom, mas, mesmo não sabendo por que, sentia que podia confiar em .
- Danny Jones? – exclamou, sentando-se direito. Seus olhos estavam arregalados. – Você é apaixonada por Danny Jones?
- Sim. – respondeu, envergonhada.
- Meu Deus, mas isso é... Isso é... – não conseguia encontrar palavras para definir o quão bizarro era saber daquilo. Depois se lembrou dos amassos de e Tom na sexta-feira e a paixão totalmente platônica que Danny sentia por , e encontrou a palavra perfeita. – Uma merda!
riu, jogando a cabeça para trás. Ria pra não chorar.
- É, eu sei o que você deve estar pensando. Gosta do Danny e deu uns amassos no Tom? – ela comentou, soltando um suspiro desanimado. – Eu estou tão envergonhada por causa disso... Nem sei se vou conseguir olhar naqueles olhos castanhos de cachorrinho que caiu da mudança novamente...
- Bom, se te serve de consolo – imitou , fazendo-a rir –, eu ainda sou apaixonada por Dougie Poynter.
Ao dizer o nome do baixista, os olhos de se encherem de lágrimas de novo. Ela abaixou o rosto, envergonhada, e completou.
- Eu sou um monstro...
- , pare de falar essas coisas! – pediu, fingindo estar brava. – Você não é um monstro. Aliás, se o Dougie soubesse o que faz com ele, com certeza estaria com você agora.
Assim que ela acabou de falar, percebeu a besteira que havia feito e cobriu a boca. Arregalou os olhos e ficou negando com a cabeça.
- O que a faz com o Dougie? – quis saber, segurando os dois braços de e a chacoalhando. – Eim, ? O que faz com o Dougie?
- Ela o trai! – berrou, abrindo os braços em sinal de rendição. – Ela está traindo o Dougie com o Harry!
Os lábios de se transformaram em um “o” e uma expressão de incredulidade tomou conta do seu rosto.
- Não acredito! – gritou. – Não acredito, não acredito, não acredito! Com o Harry! Mas que vaca!
balançou a cabeça em afirmativa. Normalmente não concordaria; achava que todos tinham o direito de fazer o que quiserem com a própria vida, afinal, o livre arbítrio estava lá pra isso. Mas, naquele momento, estava brava com os comentários maldosos de , então, sim, ela era mesmo uma vaca.
- Bom, resumindo: Estamos todos fodidos... – suspirou, batendo com as mãos na calça para tirar os restos de areia e levantando-se. se levantou junto e as duas ficaram cara a cara. A loira era quase um palmo maior que a ruiva. Num impulso, abraçou , afundando a cabeça no vão do seu ombro. – Obrigada por me ouvir, .
sentiu-se honrada. Era a primeira vez que alguém a reconhecia por ter feito algo.
- Não foi nada. – ela respondeu, hesitando em separar o abraço; assim que as duas se soltaram, sorriu.
- Eu tenho que ir embora agora. Preciso consertar minha vida.
- Boa sorte com isso! – exclamou. – Se conseguir, me ensine depois.
riu e acenou com as mãos.
Ali, nas areias de pedra da cidade de Brighton, uma amizade começava.
Capítulo 11 - 'Romeo take me somewhere we can be alone!'
Taylor Swift, Love Story
Harry e .
Domingo à tarde, e o último lugar na face da Terra em que Harry gostaria de estar naquele momento era estacionado na frente da casa de , com o celular em uma das mãos e um cigarro na outra. Infelizmente, ele não tinha outra opção; a morena não respondia suas mensagens no celular, Twitter, Facebook, e-mail e muito menos atendia ao celular. Sim, o baterista havia esgotado todas as suas possibilidades e sentia-se o cara mais idiota do mundo, perseguindo a namorada do melhor amigo.
'Vamos lá, , me atenda...' ele implorava mentalmente, discando o número da amante pela décima vez em menos de um minuto.
Ficou de tocaia por pelo menos meia hora antes de desistir. Poderia ter ficado muito mais, se seu cigarro não tivesse acabado e seu celular não estivesse apitando por falta de bateria.
Harry saiu do carro e dirigiu-se a casa de . Parou em frente à porta de madeira envelhecida e respirou fundo. Por mais que a mãe da morena o conhecesse e achasse que os dois eram apenas bons amigos, Harry não se sentia confortável com aquela aproximação. Adorava a Sra. , mas adoraria mais ainda se ela pudesse ser sua sogra de verdade.
Ele bateu três vezes e esperou. Depois de alguns instantes, bateu mais duas vezes, e ouviu o barulho de alguém descendo as escadas. Ajeitou a postura e esperou.
- Pois não? - o rosto sorridente da mãe de apareceu do outro lado, e foi difícil para Harry esconder a decepção. - Harry, querido! Como vai?
- Vou bem, Sra. , e você? - ele perguntou, desconfortável. De repente, a gola da sua camisa pólo parecia mais um nó de forca.
- Estou bem também, muito obrigada! - a Sra. sorriu, e Harry reconheceu o mesmo sorriso acolhedor da filha. - E eu já disse para vocês, crianças, me chamarem de Elizabeth! Parece que não aprendem! Dougie mesmo, só falta enfartar quando me chama pelo primeiro nome!
Harry riu, mas queria mesmo era dar um tiro na própria boca ao ouvir o nome do amigo. Às vezes se perguntava se valia mesmo a pena todo aquele teatro por uma garota, mas logo a imagem de se materializava em sua mente e ele esquecia esses pensamentos contraditórios.
- Me desculpe, Elizabeth. - Harry pediu, envergonhado.
- Sem problemas. - ela respondeu, animada. - Em que posso ajudá-lo, querido?
- Bom, eu estava esperando que você pudesse chamar a pra mim, se não fosse muito incômodo. - Harry sorriu amarelo. Por cima dos ombros da mulher, varreu a sala de estar com os olhos, não encontrando quem procurava.
- Ah, querido, a não está! - Elizabeth fez uma careta. - Saiu com o pai mais cedo, acho que os dois foram visitar a família dele. Eu queria ter ido, mas precisei fazer uma faxina aqui em casa... É algo importante?
- Não, não... É que Dougie não consegue falar com ela e como eu estava por perto, resolvi dar uma especulada. - Harry mentiu, dando dois passos para trás. - Vou avisá-lo que ela está com o pai. Provavelmente a bateria do celular acabou, não?
- É, pode ter sido isso! - a mãe de sorriu. - Assim que ela chegar aviso que veio aqui.
- Obrigado, Sra. . Elizabeth! - corrigiu, ao ver a expressão de desgosto da mulher. - Até mais.
- Até mais, Harry!
Só quando a porta se fechou por completo que Harry desceu os três degraus da entrada da casa. Lançou um olhar rápido à janela do quarto de , mas esta estava fechada. A explicação de sua mãe havia lhe acalmado um pouco, mas Harry ainda sentia um vazio entranho no peito ao dar partida no carro.
estava em cima do vaso sanitário, espiando pela janela do banheiro. Ouviu o bater da porta no andar de baixo e ficou na ponta dos pés. Observou Harry sair da frente de sua casa, lançar um olhar desapontado para sua janela e ir embora.
Ouviu então os passos no corredor e desceu da tampa. Fingiu estar se olhando no espelho quando a mãe entrou no banheiro.
- Pronto, ele foi embora. - ela constatou, pegando o cabelo da filha entre os dedos. - Posso saber o que está acontecendo? Por que despistou o menino?
- Ah, por nada... Eu só estou sem vontade de sair de casa, e com certeza eles iam me chamar pra fazer alguma coisa... - deu uma desculpa qualquer.
A Sra. fingiu acreditar e saiu do quarto para poder deixá-la sozinha. Sabia que algo estava errado só de olhar fundo naqueles olhos castanhos tristonhos, mas odiava meter-se na vida da filha, então resolveu abster-se de comentários.
, por sua vez, sentou-se na beirada da cama e olhou para as 26 ligações perdidas de seu celular, isso sem contar as mensagens. Com muito peso no coração, deletou todas e desligou o celular. Sentindo-se muito mal, deitou-se de barriga para cima e ficou brincando com um chaveiro em formato de coração que ganhara de Dougie, enquanto lágrimas escorriam pelos cantos dos olhos e molhavam o travesseiro.
pegou os dois ônibus necessários para chegar a casa dos avós em um estado de torpor. Não ouviu quando o motorista lhe desejou um bom dia, nem quando a senhora sentada ao seu lado comentou sobre as condições do tempo. A ruiva só olhava para frente e repassava toda a vida na cabeça, como um filme mal escrito.
Como chegara naquela situação? Tudo o que mais queria na época em que sua vida não era um mar de arrependimentos era ser uma jovem normal, com um relacionamento normal, amigos normais e uma vida normal. Então tudo aconteceu, e ela foi covarde, fugindo para não encarar a realidade.
Desceu do segundo ônibus e olhou para os dois lados. Fazia tanto tempo que não ia até aqueles lados de Brighton que não conseguia ao certo se recordar onde exatamente ficava a casa dos avós. Por intuição, virou à esquerda, caindo exatamente na rua em que procurava.
Passou por três casas exatamente iguais antes de chegar à correta. O número 12 do muro estava torto para o lado e pôde sentir o cheiro da maravilhosa torta de maçã de sua avó. A grama do jardim estava alta e mal cuidada, mas, ainda assim, tinha aquele cheiro atípico do qual se recordava.
A ruiva estancou, observando a fachada da casa em que passara muitos de seus finais de semana comendo e jogando gamão com o avô. Naquela época, nunca passara pela cabeça de que um dia eles iriam se separar; seus avós eram sua vida, seu tudo. Agora ela estava ali, um ano depois do ocorrido, sentindo-se uma estranha no ninho.
Só havia visto os avós uma vez desde que tudo acontecera, e arrependia-se amargamente pela decisão que tomara; estava ali justamente para consertar o erro.
Caminhou em direção a entrada. Estava para bater na porta quando seu avô a escancarou, com um saco de lixo preto nas mãos enrugadas.
não pôde evitar as lágrimas quando ele a olhou e, como se estivesse vendo uma assombração, exclamou.
- ?
Sem poder se controlar, a ruiva correu até ele e o entrelaçou pela cintura, apoiando a cabeça em seu peito frágil. Chorava copiosamente, talvez até mais do que chorara na praia com .
O Sr. soltou o saco preto de lixo no chão e abraçou a neta com toda força que podia, ofegante. Pequenas lágrimas enfeitavam seus olhos.
- Me desculpe, vovô. - pediu com a voz embargada. - Por favor, me aceite de volta. Eu vou consertar as coisas!
- Você não precisa se desculpar, . - seu avô respondeu, passando os dedos por entre suas mexas cor de fogo. - Enquanto eu e sua avó estivermos vivos, você sempre será bem-vinda nessa casa!
Avô e neta ainda ficaram abraçados por muito tempo, tentando compreender toda a emoção daquele reencontro.
A televisão estava com o volume no mínimo desde que Harry entrara no apartamento. A cara do baterista não era a das melhores, e aquilo só fez com que Tom ficasse extremamente curioso.
O loiro fingia assistir à MTV, mas, na verdade, estava com os ouvidos atentos a qualquer movimentação no quarto do amigo. Assim que ouviu o barulho do chuveiro sendo ligado, ele saiu correndo, entrou no quarto de Harry e pegou seu celular, que dava sopa em cima da escrivaninha.
Correu para seu quarto e trancou-se lá dentro. Deitou-se confortavelmente na cama, tirou os tênis e abriu o flip do celular. Entrou nas últimas ligação e seu queixo caiu. As 33 tentativas de ligação para , só naquele dia, isso sem contar as ligações feitas em outros dias, deixaram Tom em sinal de alerta. O guitarrista então entrou nas mensagens, e só aí deu-se conta de o porquê Harry estar escondendo aquele segredo.
Eram mensagens e mais mensagens, trocadas entre Harry e , com conteúdo romântico, íntimo e muitas vezes erótico. A primeira mensagem havia sido mandada por Harry havia exatamente um mês. 'Me desculpe, , por favor! Eu não sei... Eu só... Eu nem sei o que dizer! Atenda minhas ligações, por favor! Hazz' ao que apenas respondeu. 'Precisamos conversar. '. Depois dessas primeiras mensagens, eles só foram trocar outras uma semana depois, mas essas eram bem menos arrependidas. 'Foi ótimo poder ficar com você depois das torturantes horas no colégio, Hazz! Não consigo mais ficar nem um segundo longe de você! ' e a resposta foi tão apaixonada quanto. 'Só consigo pensar em você, na sua boca, no seu corpo... Você me deixa louco! Hazz'.
Quanto mais Tom lia, mais ele tinha vontade de arregaçar o roomate. Como ele tinha sido capaz de tamanha traição? Dougie era seu melhor amigo! Será que Harry não tinha consciência disso?
Tom terminou de ler a última mensagem quando Harry desligou o chuveiro. Esperou um pouco antes de ir tirar satisfações, para que o baterista pudesse se vestir e estar fisicamente preparado para a surra que Tom lhe daria. Ou pelo menos era isso que ele gostaria que acontecesse, já que Harry era infinitamente mais forte que ele.
Passados quinze minutos, Tom levantou-se, destrancou o quarto e foi até o quarto de Harry. Abriu a porta com cuidado, pretendendo surpreender o moreno, mas acabou sendo surpreendido.
Harry estava de costas para Tom, sentado sem camiseta na cadeira giratória da escrivaninha. Seus pés estavam em cima da cama e ele segurava o laptop no colo. Na tela, a foto de perfil do facebook de estava aberta. A morena sorria e mostrava o dedo do meio.
Tom ficou parado ali, apoiado na batente da porta, observando Harry olhar uma por uma as fotos dos álbuns de . Nas fotos em que ela estava com Dougie, ele passava direto, mas, nas fotos em que os dois estavam juntos, ele demorava-se.
O guitarrista assistia àquela demonstração de amor com espanto. Como aquele casal havia se formado embaixo de seus olhos? Tom, que sempre fora observador e perceptivo, havia ignorado totalmente o fato de que seu colega de apartamento estava apaixonado pela namorada do melhor amigo.
Aquilo não tinha como piorar. Não mesmo.
Aos poucos, a vontade de brigar com Harry era substituída por uma vontade imensa de deixá-lo em paz. Harry com certeza tinha uma consciência, e estava lutando contra ela ao trair o melhor amigo. O melhor que o loiro podia fazer era dar tempo ao tempo, para que eles se resolvessem sozinhos. Afinal, uma surra não iria fazê-lo mudar de ideia. Se fosse simples assim, Tom não estaria fazendo de tudo para conquistar a ex-namorada, que já dera sinais bem claros de ser uma megera sem coração.
O loiro encostou a porta com cuidado e foi até a sala, deixando o celular do baterista em cima da mesa de jantar.
Harry já havia feito de tudo para tirar aquela sensação estranha do peito. Havia comprado outro maço de cigarros e fumado quase metade, havia dado uma volta pela cidade com o carro, havia comprado um novo jogo de vídeo-game e, o melhor de tudo, havia comprado uma pele novinha em folha para sua bateria, que estava montada na edícula de Dougie.
Mas então... Por que aquele sentimento não ia embora?
Durante o banho, pensara e repassara toda sua relação com .
Os dois se conheciam desde o jardim de infância, mas nunca haviam trocado uma só palavra. era do tipo de menina que despertava interesse, mas que não dava muita abertura para as pessoas em sua volta. Os dois cresceram juntos, frequentaram as mesmas aulas e se transformaram jovens influentes no colégio, cada um de seu jeito.
entrou para o clube de teatro, e Harry entrou para o McFLY. E então, em um belo dia, Dougie apareceu de mãos dadas com a garota e a apresentou como sua nova namorada.
Harry ficou muito feliz pelo amigo, ainda mais depois de tudo que ele sofrera com o término do namoro com - naquela época, Harry não sabia quem era , pois havia passado os quatro meses em que Dougie namorou a ruiva na casa dos avós na França e só ficou sabendo do ocorrido pelos amigos, na sua volta.
E, em questão de semanas, passou de conhecida a amiga. Estava sempre com eles, onde quer que fossem. No começo, Harry a achou um pouco nariz empinado, mas percebeu que aquele era seu jeito, e se acostumou. Aos poucos, os dois foram tornando-se muito amigos. Amigos ao ponto de se ligarem durante o dia para bater papo e ficarem no MSN até tarde conversando sobre besteiras. Sempre que saíam, quando ela não estava com a boca grudada na de Dougie, os dois ficavam rindo de suas piadas internas.
Tudo estava perfeito; Dougie estava feliz novamente, a banda estava indo bem e Harry tinha uma nova amiga.
Até que essa nova amiga começou a povoar seus pensamentos.
No começo, Harry achou que era o excesso de convivência. Pegava-se pensando na morena durante as aulas de filosofia, ou no meio de algum filme, mas não ligava. Então esses pensamento ficaram mais frequentes, e, do dia para a noite, não saía mais de sua cabeça. Harry pensava nela assim que acordava, durante o banho, durante as aulas, durante o dia, durante os ensaios, durante as saídas, durante a noite e, já com a cabeça no travesseiro, seu rosto era a última imagem que se desfazia antes de adormecer. Se já não bastassem esses pensamentos constantes, Harry passou a imaginá-la enquanto se satisfazia.
Foi aí que as coisas começaram a ficar estranhas. Quando eles se encontravam, Harry mal podia cumprimentar a amiga sem lembrar-se das fantasias sexuais que andava tendo. Sentia vontade de agarrá-la pelos braços e beijá-la sempre que a morena sorria e o chamava de Hazz. Além disso, ele também percebeu uma mudança no comportamento dela, mas colocou na cabeça que era só sua imaginação fértil pregando peças.
Então o tempo foi passando e o aniversário de namoro de quatro meses de Dougie e se aproximava; ela só sabia falar disso. Harry odiava sentir por ela o que ela obviamente sentia por Dougie, e fazia de tudo para evitá-la, o que era difícil, já que tinham muitas aulas juntos e ela namorava seu melhor amigo.
No dia do aniversário de namoro, a morena ligou para Harry, pedindo ajuda com o jantar romântico que estava preparando e o baterista, já sem forças para ignorá-la, foi de bom grado. No fundo, ele tinha a intenção de tirá-la da cabeça de uma vez por todas.
Chegando à casa dela, a encontrou correndo de um lado para o outro, arrumando tudo. Ajudou-a com a regulação das luzes, com as velas e com a comida. Quando tudo ficou pronto e Harry estava prestes a ir embora, sentindo-se mais apaixonado do que antes, recebeu uma ligação de Dougie avisando que não poderia ir pois tinha que estudar para a prova que teriam no dia seguinte.
ficou puta. Olhou então para todo o trabalho que tivera e, sem nem pensar, convidou Harry para usufruir.
- Depois de todo o nosso trabalho, nada mais justo, não acha? - ela perguntou, ajoelhando-se em frente à mesa enfeitada com sushis. Harry deu de ombros e fez o mesmo.
As luzes estavam baixas, um CD de músicas românticas tocava baixinho e as velas iluminavam os dois.
- Pelo menos eu vou poder comer. Estava morrendo de fome vendo você preparar esses sushis! - Harry exclamou, pegando um com as mãos enquanto abria os hashis. A morena viu a porquice do baterista e deu-lhe um tapa na mão.
- Deixa de ser afobado, Harry! Tudo tem sua hora! - ela exclamou, entregando os hashis para ele.
Os dois comeram tudo, conversando e rindo, mas a frase de não lhe saía da cabeça. 'Tudo tem sua hora!'. Será que tinha mesmo? Harry havia passado a vida inteira ficando casualmente com as meninas, procurando por aquilo que todos seus amigos já haviam encontrado, mas nada se comparava com o que ele sentia quando olhava para . Sua boca em formato de coração, os olhos castanhos quentes, o cabelo sedoso...
Assim que acabaram de comer, levantaram-se para colocar as coisas na cozinha. Levaram tudo e Harry lavou a louça enquanto colocava mousse de chocolate em duas taças. Os dois foram para a sala de estar e sentaram-se lado a lado no sofá, satisfeitos e exaustos.
No meio da sobremesa, uma conversa esquisita surgiu: Amor.
- E você, ama o Dougie? - Harry quis saber, depois que os dois se recuperavam de um ataque de risos consequentes da história que o baterista contara sobre uma garota que era obcecada por ele.
depositou a taça vazia de mousse em cima da mesa e mordeu o lábio inferior, pensativa. Harry acompanhava cada gesto, cada movimento.
- Acho que não. Ainda não. - ela respondeu, por fim. - Não acredito que o que tenhamos seja amor... Talvez um gostar... Não sei. Eu sempre tive na cabeça que amar era se sentir leve perto da pessoa.
Harry se remexeu desconfortável no sofá, pois era exatamente assim que se sentia ao lado de .
A morena suspirou e sentou com perna de índio. Era impressão de Harry ou ela estava ficando cada vez mais próxima?
- Amar pra mim é acordar e dormir pensando na mesma pessoa, e isso não acontece comigo e Dougie.
- A é? E em quem você pensa? - Harry perguntou, colocando sua taça ao lado da dela. Voltou para o lugar, ficando de frente para a morena. A boca dela estava vermelha.
- Mas isso é pergunta que se faça para uma dama, Harry? - exclamou, fingindo-se ofendida.
- Ah, me desculpe, não foi minha intenção ofendê-la! - Harry desculpou-se teatralmente. Os dois riram um pouco, mas logo ficaram sérios novamente. Harry olhou mais uma vez para a boca de e deixou os olhos ali. Sem nem pensar no que estava fazendo, perguntou. - Quer saber em quem eu penso ao acordar e antes de dormir?
, que também olhava para a boca de Harry, perguntou com a voz mais rouca que o normal.
- Em quem?
Harry não respondeu. Ao invés disso, colocou delicadamente uma das mãos em sua nuca e aproximou seus rostos. Suas respirações estavam rápidas, mas isso não o impediu de continuar. Logo, suas bocas estavam unidas, dançando em uma sincronia perfeita. Suas línguas se entrelaçavam com urgência, aumentando o ritmo do beijo. Logo, Harry estava deitado por cima de no sofá, e suas duas mãos exploravam o corpo da morena, que ofegava e mordia a boca do baterista.
Em nenhum momento a traição passou pela cabeça dos dois envolvidos.
não pensou em Dougie enquanto Harry tirava seu vestido, e Harry não pensou em Dougie quando levou a morena para o quarto. não pensou em Dougie enquanto a língua de Harry explorava cada canto de seu corpo, e Harry não pensou em Dougie enquanto gemia seu nome. Nenhum dos dois pensou em Dougie quando os dois corpos se transformaram em um e, definitivamente, Dougie não passou por suas cabeças enquanto dormiam abraçados depois daquele noite memorável.
Tom, com o violão no colo, não conseguia compor nada. Só pensava no caso /Harry e em como guardaria aquele segredo.
Como era possível? Com tantas garotas no mundo, o baterista havia justo de se apaixonar pela namorada do melhor amigo?! Isso por que Harry já a conhecia desde a pré-escola!
Enquanto Tom fritava os neurônios, seu celular começou a vibrar no bolso da calça. O loiro abriu o flip e leu o nome 'Cass' com o coração na boca.
'Você pode me encontrar em frente ao Primarke em meia hora? É urgente! Cass'.
Tom apertou o responder e ficou um bom tempo encarando a tela em branco, pensando em mil maneiras como recusar o convite. Por fim, desistiu da vingança e enviou um simples 'Ok. T'.
O vento fazia o cabelo de Tom voar e ricochetear em seu rosto. Suas mãos repousavam no fundo dos bolsos da calça jeans surrada e suas orelhas congelavam. 'Deveria ter pego minha touca' pensou, arrependido. Não havia nem sinal de Cassadee, e ele, mais uma vez, sentia-se como uma garotinha usada. 'Como eu posso julgar Harry se faço pior?'
Avistou a ex-namorada virar a esquina um bom tempo depois. Ela usava uma saia curta e uma regata estampada. Seu rosto estava corado, e ela andava como se o dia estivesse ensolarado e quente, apesar da lua que já dava sinais de vida no céu e o frio anormal que fazia.
Antes de ao menos processar o quanto ela estava gostosa, Tom só conseguiu pensar no frio que Cassadee deveria estar passando.
- Oi, Tom! - ela piou animadinha, ficando na ponta dos pés e beijando a bochecha de Tom. Seus lábios estavam quentes, diferente de todo o resto do corpo do guitarrista, que parecia uma pedra de gelo. - Obrigada por vir!
- Tudo bem, eu estava de bobeira mesmo... - ele fez um sinal de indiferença com as mãos.
- Que ótimo! Vamos tomar um café então? - ela convidou, sem lhe dar tempo para pensar. Agarrou suas mãos e o rebocou pela rua.
'Ah, merda... Eu e minha boca grande...' Tom pensou, antes de se deixar levar.
andava pela rua sentindo-se mais leve. Passar o dia com Jim só a fizera bem. Durante várias horas, ela nem chegou a pensar em Tom, o que, para ela, era uma grande conquista.
'Talvez, dando chances para outra pessoa, eu possa esquecê-lo!' pensou, forçando-se a ignorar o fracasso que fora a tentativa com Danny.
O ponto de ônibus estava perto, mas ela não tinha pressa. Tanta calma a fazia observar as vitrines e as pessoas em sua volta. Dentro de um café, chegou a pensar que avistara Tom e Cassadee e riu consigo mesma. Franziu o cenho, crente de que estava vendo coisas, mas o que pensou ser uma miragem transformou-se em realidade. Lá estavam os dois, sentados juntinhos em um sofá, rindo de alguma coisa que ela mostrava no iPhone.
deixou o queixo cair, sentindo o ar esvair-se em sua volta. Quase derrubou as sacolas que segurava desde cedo, não podendo acreditar. Mas então, como num passe de mágica, o ar voltou aos seus pulmões e ela recobrou os sentidos.
Tom podia ficar com Cassadee.
Não importava mais.
Ela tinha o Jim agora.
Capítulo 12 - 'I never meant to brag, but I got him where I want him now!'
Paramore, Misery Business
Tom e .
O clima de desespero era unânime. Jovens corriam pelos corredores do Brighton College com nada menos que espanto em seus rostos. Os A-level começariam em uma hora, e o futuro de alguns dependia daquelas notas.
No meio do mar de preocupação, Tom andava distraído, ouvindo Strokes nos fones de ouvido. Estava cagando e andando para as provas. Aliás, se não fosse pela pressão de seus pais, ele nem estaria cursando o College. Teria parado no High School e seguido suas aspirações a rockstar. Afinal, ele nascera para aquilo, e nada nem ninguém o faria mudar de ideia.
Avistou uma cabeleira loira se destacar na multidão e correu até ela sem perder tempo.
- ! - ele exclamou, puxando a amiga pelo braço. Ela virou-se de supetão e os dois se trombaram.
Passado o susto, eles se olharam. A loira estava envergonhada, o loiro não sabia o que falar.
- Aonde você se meteu? - ele perguntou por fim. - Te liguei o final de semana inteiro! Aconteceu alguma coisa com o seu celular?
- Aconteceu. Ele caiu numa poça de constrangimento. - disse qualquer coisa para tentar acabar com aquele clima ruim, fazendo Tom gargalhar.
- Qual é, !? Nós somos amigos há tanto tempo. Um beijinho de nada vai mudar isso? - ele perguntou, inconformado.
- Um beijinho de nada? - exclamou, perplexa. - Eu dei o melhor de mim e você ainda o chama de beijinho de nada?
Tom riu mais uma vez.
- Me expressei mal. Não foi um beijinho de nada. - ele tentou consertar, colocando uma mecha do cabelo de atrás de sua orelha. A loira enrubesceu. - Aliás, ele seria um dos melhores que já provei, se não fosse mais ou menos como se eu tivesse beijado minha irmã.
Foi a vez de gargalhar. Tom sorriu ao arrancar uma risada da melhor amiga. Pelo menos as coisas não estavam tão estranhas como ele pensou que estariam.
- Sabe que eu senti a mesma coisa? - perguntou, depois de se recuperar da falta de ar. - Mas acho que foi mais como beijar meu cachorro.
- Me sinto lisonjeado! - Tom fez uma mesura. - Como é bom ouvir que beijo como um cachorro!
- Quem beija como um cachorro? - Dougie quis saber, aparecendo do nada. Segurava o skate nas mãos e ofegava.
- O Tom. - deu de ombros.
- Ah, sim, é verdade... - Dougie comentou. - Acho que são os olhos de cachorrinho que caiu da mudança.
- Eu ainda estou aqui... - Tom comentou.
- Não... Acho que é o queixo. Cachorros são queixudos, não são? - perguntou, analisando o queixo de Tom.
- É uma ótima teoria! - Dougie exclamou, maravilhado. - Nunca tinha pensando nisso!
- Eu posso ouvir tudo que vocês estão falando, sabe? - Tom perguntou, e os dois olharam para ele sem entender o porquê de sua indignação. Tom só bufou e completou. - Esquece.
Os três amigos caminharam juntos pelo corredor, procurando com os olhos as salas nas quais fariam os exames, interessados em colocar suas mochilas lá e voltar para o pátio antes da tão temida primeira prova.
Dougie foi o primeiro a entrar, na sala 18, e Tom e continuaram a procurar as suas. A próxima, 19, era a de .
Os dois loiros pararam em frente a ela. Alguns alunos já estavam sentados em suas carteiras, lendo ou dormindo, e lançou-lhes um olhar nervoso.
- Nervosa? - Tom quis saber, quebrando o gelo.
- Um pouco. Ao contrário de você, eu preciso ir bem nessas provas. - comentou, apertando as alças da mochila.
- Vai dar tudo certo. Você é um pequeno gênio, vai tirar de letra. - Tom incentivou, beijando a testa da amiga. - Acredite em você mesmo.
sorriu, olhando bem no fundo daqueles olhos castanhos tão misteriosos.
- Obrigada, Tom. Você é um ótimo amigo. - ela agradeceu, preparando-se para entrar na sala. Mas, antes que pudesse se virar, Tom a segurou pelo braço mais uma vez. o olhou, interrogativa.
- , nós estamos bem, não é? - ele perguntou, receoso.
- Por quê? Nós já estivemos mal? - rebateu, piscando para ele e entrando na sala.
Tom afastou-se da sala com um sorriso na boca.
desceu no ponto de ônibus em frente a escola um pouco enjoada. Deveria ter estudado, mas não o fizera, e agora tinha certeza absoluta que iria mal nas provas e seu futuro seria limpar a casa de dondocas milionárias em troca de mixarias.
Maldito seja o Facebook e seus aplicativos! Se não fossem por eles, teria ao menos batido os olhos naquelas malditas equações.
Se pelo menos tirasse notas boas o suficiente para a Universidade de Brighton, já ficaria feliz. Ao contrário de todos os alunos do Brighton College, a morena não almejava Oxford ou Cambridge. Verdade seja dita, estava mais interessada nas festas da universidade do que nos estudos em si.
Seus olhos azuis gelados amedrontavam algumas calouras que conversavam na entrada do colégio, e ela adorava causar esse efeito. Quanto mais as pessoas tivessem medo dela, mais a respeitariam.
nem tinha por que ser temida, mas depois de tantos boatos sobre sua vida, ela passara a aproveitar o status de delinquente.
Em pensar que todos os boatos começaram com uma simples tatuagem de escorpião em seu calcanhar.
Se ao menos eles soubessem que aquele era só um lembrete de seu signo...
Atravessando os jardins da entrada, percebeu algo diferente; era uma moto, estacionada bem na frente das escadarias que davam acesso ao prédio. Encostado na moto, Jim segurava o capacete nas mãos e sorria para a menina. Seu sorriso era tão lindo que nem parecia real.
O garoto usava uma jaqueta de couro fechada até o pescoço e uma calça jeans surrada. Nos pés, outro par de Vans.
- Oi, gata. Vem sempre aqui? - ele perguntou, assim que se aproximou. Ela gargalhou e pegou o capacete de Jim entre as mãos.
- Não sabia que você tinha uma moto. - comentou, colocando o capacete. - Fiquei bonita?
- Você quer uma resposta sincera ou amigável? - Jim perguntou, retirando o capacete da cabeça de . Ela riu, ajeitando o cabelo com as pontas dos dedos.
- Sincera.
- Ficou linda. - ele respondeu, galanteador.
- Ah, meu Deus, estou conversando com um bad boy conquistador, que está apoiado em uma moto e está usando uma jaqueta de couro. É agora que devemos cantar Tell Me More ou não chegamos nessa parte do filme ainda? - quis saber, passando a mão pelo banco de couro da moto de Jim. Ele riu e colocou sua mão por cima da dela. A morena levantou os gélidos olhos azuis, encarando os mornos olhos castanhos de Jim.
- Acho que essa é a parte do filme em que a mocinha, tão encantada pela surpresa, joga os braços em volta do mocinho e o beija. - ele deu de ombros, sorrindo malicioso.
mordeu o lábio inferior, pensativa. Passara uma tarde maravilhosa ao lado dele no dia anterior, mas ele não havia insinuado nada, e agora ali, na frente de todos os alunos do seu colégio, ele pedia um beijo.
Como proceder?
- Parece que você é fã de filmes clichês dos anos 80. - ela comentou, retirando a mão debaixo da dele.
- Parece que você está fugindo do assunto. - ele não se deixou vencer, colocando a mão rejeitada na cintura da garota, que acompanhou o sorriso malicioso dele.
- Uma garota de verdade nunca foge de nada. - ela sussurrou, deliciada com aquela atenção.
- Então prove. - Jim provocou, trazendo o corpo da garota junto de si.
Todos que estavam por perto observavam a cena curiosos. Os garotos ainda disfarçavam, mas as meninas olhavam sem constrangimento para o novo amor de . Entre cochichos, comparavam Tom e Jim, e o moreno ganhava com certa facilidade. Garotas, por mais que odiassem umas as outras, odiavam mais ainda garotos que partiam seus corações, e era exatamente isso que Tom vinha fazendo há muito tempo com . Ela merecia outra chance de amar.
hesitou. Geralmente isso não acontecia nas baladas e bares que frequentava, mas ali, sóbria, encontrando alguma possibilidade daquilo evoluir para um relacionamento sério, a morena travou. Felizmente, sua falta de reação não foi um problema.
Jim passou a língua pelo lábio inferior e, com um sorrisinho malicioso, a beijou.
Cassadee estava fugindo de Emily, que não parava de ligar. Desde que haviam começado a ficar, a relação delas passava por altos e baixos. Aquele era um baixo, e Cassadee sentia a necessidade de afogar-se nos calmos olhos castanhos de Tom.
A incapacidade de surpreender que Tom possuía fora exatamente o que os separara, mas, naquele momento, era do que ela mais precisava.
Nos dois anos em que ela e Tom ficaram juntos, Cassadee sentiu-se entediada; Tom era previsível, e ela odiava suas manias. Por isso o começo com Emily fora épico! A garota era uma caixinha de mistérios, cheia de surpresas e ideias.
Cassadee olhou de um lado para o outro antes de sair do prédio, com medo de ser vista.
Aos poucos, a instabilidade de Emily, que tanto a encantara no começo, estava deixando-a maluca. Ela não aguentava mais as noitadas, as loucuras e as mudanças de humor da namorada. O que ela mais queria era voltar a ser a parte dominante da relação, e quem melhor que Tom para deixá-la agir como tal?
No dia anterior, depois de uma briga feia com Emily, ela ligara para o ex-namorado, louca para se vingar. Os dois se encontraram em um café, mas Tom estava diferente... Não tinha mais aquele olhar de cachorrinho sem dono, e sequer aceitou o convite de irem para a casa dela, o que deixou Cassadee com a pulga atrás da orelha. Será que a vagabunda da finalmente conseguira fisgá-lo?
Enquanto pensava nisso, passou os olhos por um casal que se beijava na entrada do colégio, apoiados em uma moto, e alguma coisa no beijo a deixou intrigada. Ela conhecia aquela menina...
! Era !
Cassadee coçou a nuca, mordendo o lábio inferior. De repente, toda aquela vontade de se encontrar com Tom de segundos atrás havia sumido. estava fora do caminho, e ela sabia que a morena era a única que representava qualquer tipo de ameaça, então não havia com o que se preocupar.
Ela virou de costas e voltou para a escola.
Tom andava rápido pelos corredores, procurando por alguém.
Ele estava feliz por ter a amizade de de volta, mas seus pensamentos não conseguiam sair de Cassadee, e do encontro que haviam tido no dia anterior.
Por que ela insistia em brincar com ele daquele jeito? Chamá-lo para sair, depois para irem para a casa dela... Qual era o problema de sua ex-namorada, e por que ela não podia simplesmente deixá-lo em paz? Agora ele tinha que ficar quebrando a cabeça, tentando decifrar os sinais, remontando os diálogos, e tudo para o quê? Levá-la para o baile e, no dia seguinte, tomar mais um pé na bunda?
Avistou a garota entrar no prédio e foi até ela, que andava distraída. Como ela não o viu chegar, ele segurou sua cintura por trás e sussurrou em seu ouvido.
- Aquele convite de ontem ainda está de pé?
Cassadee tomou um susto e se virou. Encarou Tom indiferente e sorriu por educação.
- Ah, Tom, me desculpe... Hoje não vai rolar.
Tom sentiu o conhecido aperto no peito da rejeição.
- Hm, então... Nós podemos sair, tomar um café, não sei... ? - tentou, soltando a cintura da ex-namorada, que pareceu suspirar de alívio.
- Hoje eu estou ocupada, Tom... Mas quem sabe semana que vem, depois das provas, do baile... - ela sorriu, fazendo com que o sorriso de Tom murchasse por completo.
Depois do baile. Então ela não tinha a intenção de ir com ele.
- Beleza, então... Boa prova. - ele desejou, dando as costas para a ex-namorada.
Tom caminhou tentando esquecer a conversa que acabara de ter. Ele estava cansado de ser humilhado, por mais que procurasse por isso. Depois de dois anos juntos, era assim que ela o tratava?
O guitarrista saiu puto pelas portas principais, descendo as escadas de dois em dois. Ao final dela, esbarrou em uma moto e se desculpou. Como ninguém respondeu, ele levantou os olhos, afobado.
A visão que teve só fez seu peito doer mais ainda. Aquela era ? A sua ? Beijando um cara com pinta de bad boy, que parecia prestes a atacá-la e tirar sua roupa?
O queixo do loiro foi parar no chão. Sentiu que todos os olhos em sua volta estavam estacionados nele, mas não se importou. A única coisa que importava era que seu primeiro amor estava ali, beijando um cara qualquer.
Nunca chegou a sentir aquilo quando a via beijar Danny, pois sabia que Danny era um cara legal que nunca faria mal a ela. Mas aquele garoto, não parecia nenhum pouco bem intencionado. A mão dele aproximava-se vagarosamente da bunda da morena, e isso fez o sangue de Tom ferver. Ele, num impulso impensado, cutucou o ombro de , que abriu os olhos e separou-se de Jim instantaneamente.
- Tom...? - ela perguntou, incrédula.
- O que está rolando aqui? - o loiro franziu o cenho, olhando dela para Jim.
- Do que isso te interessa? - rebateu.
Tom ficou mudo, sem saber o que responder. Por que mesmo ele tinha cutucado a garota?
- É o seu namorado? - Jim perguntou, mas alguma coisa em seus olhos indicava que ele já sabia a resposta.
- Não, ele não é nada meu. - respondeu, irritada.
Tom arregalou os olhos.
- Nada seu? Eu não sou nada seu? - ele sibilou, perplexo.
- Você já se esqueceu, Tom? - soltou-se de Jim para poder olhar bem no fundo dos olhos castanhos dele. - Não se lembra de que eu não gosto de ninguém?
Tom lembrou-se do que havia dito para a amiga alguns dias antes e revirou os olhos.
- Pelo amor de Deus, , eu só estava nervoso, eu não quis te dizer aquilo...
- Eu estou atrapalhando alguma coisa aqui? - Jim perguntou, puxando para mais perto de si.
- Não, não está. O Tom já estava de saída, não é, Tom? - fuzilou o amigo com os olhos.
Tom não sabia o que responder. No que ele estava pensando? era sua amiga, e nada além disso. Por que ele não podia deixá-la ser feliz?
- Sim. - foi o que ele disse, perdendo o tom arrogante na voz. - Eu já estava de saída.
'Me encontre no mesmo lugar de sempre, antes das provas. '
Harry estava apoiado naquele muro desde que chegara ao colégio. O maço de cigarros no bolso gritava para ser fumado, mas ele não queria que o visse fumando.
A garota apareceu quinze minutos antes das provas começarem. Estava toda vermelha e ofegante, e seus olhos faiscavam.
- , eu... - o baterista foi dizendo e andando na direção dela. desvencilhou-se do abraço e segurou suas mãos.
- Harry, acabou. - ela disse, olhando bem fundo nos olhos dele.
- O que aconteceu? Por que você sumiu? Eu... - então as palavras dela o nocautearam e ele deu três passos para trás. Suas mãos se separaram. - O quê?
Uma lágrima solitária escorreu pelo rosto maquiado da morena.
- Acabou. Eu não consigo mais continuar com isso. - ela abaixou o rosto. - Me desculpe.
Harry perdeu o chão. As palavras dela ecoavam por todos os lados, como se os dois estivessem presos em uma caverna. Ela não podia estar falando sério.
Ou podia?
- , o que aconteceu? O que eu fiz? - ele perguntou, levantando o rosto da morena pelo queixo.
- Você não fez nada. Aliás, fez sim. - curvou-se para alcançar o ouvido dele. - Você me notou na hora errada.
Ao dizer isso, deu as costas para o baterista e foi embora, deixando-o com os olhos arregalados e um peso imenso no peito.
- Harry, você tá legal? - perguntou assim que o baterista irrompeu dentro da sala. Ele estava mais pálido que um fantasma.
- Eu... - ele balbuciou, despencando na carteira. - Eu não sei...
trocou de lugar para ficar ao lado do amigo assim que o fiscal entrou com as provas.
- Todos em seus lugares. Em cima da mesa, caneta, lápis e borracha. - ele disse, abrindo o pacote de provas com um estilete.
- Harry, você não está legal. O que aconteceu? - sussurrou, arrastando a carteira para mais perto dele. - Você está pálido!
- Eu... Ela... Não sei, ela só... Eu não sei o que eu fiz... - ele não dizia nada com nada, e começou a ficar preocupada. No estado em que ele estava, não conseguiria fazer a prova, e se zerasse, corria o risco de não entrar em nenhuma universidade.
- Harry, onde estão as suas canetas? - tomou as rédeas da situação, lançando olhares de esguelha para o fiscal, que acabara de abrir o pacote de provas.
Harry não respondeu, então pegou sua mochila e a revistou. Achou uma caneta azul, uma lapiseira e uma borracha perdidas no fundo dela. Colocou-as em cima da mesa de Harry e arrumou-se na carteira. O fiscal entregava as provas de fileira em fileira, aproximando-se deles.
- Harry, me escuta direitinho. - ela murmurou, e ele fixou os perdidos olhos azuis nela. - Eu entendo bem de literatura, então eu vou colocar as respostas bem grandes ao lado da folha e você coloca igual, tudo bem?
- Tudo bem. - ele concordou com a cabeça, voltando a perder-se em pensamentos.
O fiscal passou por eles e colocou as provas viradas de cabeça para baixo nas mesas. Harry olhou para baixo, finalmente caindo em si. Olhou desesperado para o lado, mas fez sinal para que ele não se preocupasse. Ele tentou sorrir, mas não conseguiu.
- Podem começar. - o fiscal anunciou, ligando o cronômetro.
virou a prova e começou a ler as perguntas. Harry só ficou encarando o branco do papel, sem conseguir pensar em outra coisa a não ser o pé na bunda que havia acabado de levar.
Dougie fumava um cigarro e lia a mensagem enviada pela namorada mais cedo naquele dia. 'Me encontre fora dos portões do colégio depois das provas. '.
estava desaparecida desde sexta-feira, e Dougie não sabia mais o que fazer para encontrá-la. Havia ligado para ela o final de semana inteiro sem obter resposta. Sua mãe deveria odiá-lo naquele momento, pois ele perdera a conta de quantas vezes ligara no telefone fixo, só para ouvir que havia saído com o pai ou com os avôs. Por causa desse sumiço, Dougie estava no quinto maço de cigarros em menos de três dias.
Ele acabava de apagar um deles com a sola do tênis quando apareceu.
- ! - ele exclamou, abrindo os braços. foi até ele vagarosamente. Ela tinha o nariz e os olhos vermelhos. - O que diabos ouve com você? Por que você sumiu?
Dougie a abraçou, e ela deixou-se levar, mas depois soltou-se do abraço e segurou o rosto do namorado entre as mãos.
- Eu estava doente, e não queria que você pegasse. - ela explicou, com um brilho de hesitação nos olhos.
- E por que não atendeu às minhas ligações?
Dougie retirou as mãos de de seu rosto e as segurou entre as dele.
- Do jeito que eu te conheço, sabia que ia querer me visitar. - dizia tudo com um semblante sério, e Dougie achou estranho. - Se você viesse fazer as provas doente, eu nunca me perdoaria!
- Eu agradeço a preocupação, mas nunca mais me assuste assim! - Dougie abraçou novamente a namorada, mas ela o empurrou delicadamente.
Ela respirou fundo, como se quisesse sugar coragem do oxigênio, e disparou de uma vez só.
- Dougie, eu te chamei aqui porque quero terminar.
O baixista franziu o cenho, incrédulo.
- Hã... Terminar, tipo, pra sempre? - ele perguntou.
- Tipo pra sempre. - ela respondeu, afagando o braço do namorado que, naquele momento, era ex-namorado. - Você merece alguém bem melhor do que eu.
- Mas você já é o melhor que eu posso ter. Você é perfeita! - Dougie murmurou, ainda sem poder acreditar. Segundo pé na bunda em menos de dois anos. Qual era o problema com ele?
- Você também é o melhor que alguma garota pode pensar em ter, mas eu realmente não acredito que eu sou a garota certa pra você, nem que você é o garoto certo pra mim. - apertou os ombros de Dougie com um sorriso triste nos lábios. - Me desculpe.
- Eu... - Dougie parou, abaixando o rosto. - Eu não sei o que dizer.
- Não diga nada. - ela deu dois passos para trás. - Dê tempo ao tempo, e tudo vai fazer sentido.
- Eu espero que faça. - ela levantou os olhos. - Porque agora eu realmente não sei o que vou fazer sem você.
ameaçou chorar, mas logo se recompôs. Acenou com a cabeça para o agora ex-namorado e foi embora.
saiu da prova com os neurônios fervendo. Nem era tanto pela prova, pois colar fora fácil. O único problema fora trapacear decentemente quando a única coisa que parecia rondar sua cabeça era a conversa que tivera com Tom mais cedo. O que ela mais queria era chutá-lo bem fundo nas bolas, mas isso não seria muito feminino de sua parte.
Ela andava pelo corredor rumo à saída quando passou como um trator.
- Sim, eu já estou indo... Acabei as provas agora!... Vou passar no mercado e comprar. - a ruiva murmurava, com o celular grudado na orelha. - Não se preocupe, eu já tenho uma lista das coisas que estão faltando... Não precisa, vou pegar dinheiro com a minha mãe... Chego aí em uma hora.
estancou, observando-a correr feito uma louca para o ponto de ônibus.
O que aquela ruivinha, aparentemente meiga e ingênua, estava aprontando?
Capítulo 13 - 'Love of my life, you've hurt me...
Queen, Love Of My Life
Danny e .
saiu das provas com as pernas bambas. Aquela era sua única e última oportunidade de entrar em Oxford.
Sempre foi o seu sonho e sempre seria; Oxford. Lembrava-se com clareza dos momentos que passou na universidade, quando a visitou pela primeira vez. A cidade era maravilhosa, as pessoas bem esclarecidas, o clima perfeito, os estudantes lindos, as construções imponentes... Além disso, seus pais haviam se conhecido lá, e seu irmão atualmente cursava direito. Toda a sua família tinha uma história na universidade, e com ela não seria diferente.
Ela queria participar de todos os rituais. Queria ser a caloura que, durante o primeiro semestre, apagaria as luzes das ruelas para que as festas pudessem começar. Queria picotar a capa preta quando se formasse. Queria viver Oxford, respirar Oxford.
- ! Espera aí, ! - a voz rouca de Danny interrompeu seus pensamentos. Ela se virou, surpresa, encontrando o guitarrista esbaforido atrás dela. Ele se curvou, apoiou as mãos nos joelhos e respirou por algum tempo. Depois inclinou a cabeça, fechando um dos olhos por causa do sol e sorriu. Ela pôde sentir o coração parar de bater. - Você viu o Harry por aí?
- Não vi... Acho que ele fez a prova com a , se eu não me engano... - deu de ombros. - Por quê?
- Porque ele disse que ia me ajudar em física, mas agora não atende o celular! - Danny arrumou a postura, ficando da mesma altura de . - Eu tô fodido...
mordeu o lábio inferior. Se tinha uma matéria que ela mandava bem, essa matéria era física. Ela estava em todas as matérias avançadas, mas física era sua preferida. Ela nem assistia mais às aulas; seu professor havia dito que não era mais necessário.
- Bom, eu faço física avançada, se quiser, sei lá, passar lá em casa, eu posso te ajudar. - ela comentou, raspando a sola do seu All Star vermelho no chão.
Os olhos de Danny faiscaram de excitação. Ele sorriu, não podendo se conter.
- Física avançada? - ele exclamou, animado. - , você caiu do céu!
'Ah, meu Deus, posso morrer agora?' a loira pensou, sorrindo.
- Bom, eu estou indo pra lá agora, pode ir a hora que quiser. - ela sorriu, logo depois arrependendo-se de parecer tão desocupada. Ela não queria parecer desesperada, embora sua ansiedade já a fizesse quicar no mesmo lugar.
- Eu tenho que ir trabalhar agora. Devo aparecer por lá umas 18h. - Danny curvou-se e beijou o rosto da amiga. - Obrigado, , você salvou minha vida!
ficou parada no mesmo lugar, observando o amor da sua vida se afastar para pegar o ônibus. Seu coração, aos poucos, voltava a bater, e ela sentia-se bem. Muito bem.
Oxford podia esperar.
Danny caminhava animado pela calçada. Harry mandava bem em física, mas cursava física avançada! Tinha como ser melhor? Ela era uma porra de uma cientista!
Ele se sentou no ponto de ônibus e, aproveitando que não tinha ninguém por perto, acendeu um cigarro. Curtiu a primeira tragada do dia e colocou os fones de ouvido. Avistou o ônibus surgir na esquina e lamentou ter de jogar seu cigarro recém aceso fora.
As portas se abriram e ele esperou um senhor entrar. Enquanto esperava, viu descer as escadas do colégio correndo, a mochila batendo nas costas. Acenou pra ela, mas a morena parecia alheia aos acontecimentos em sua volta. Só tinha olhos para alguma coisa em sua frente.
O guitarrista curvou o corpo para trás e observou a cena que se seguiu em câmera lenta.
jogou-se nos braços de um estranho qualquer, que estava com um sorriso meio demoníaco no rosto. Ela então inclinou a cabeça para trás e o beijou. Na boca.
- Garoto, vai entrar ou não? - o motorista gritou de trás do volante. Danny virou o rosto atordoado, entrando no ônibus. Mostrou o passe e correu para o andar de cima. Sentou-se no último banco, observando e Jim até o ônibus virar a esquina.
- Cadê a porra do Jones, Deryck? - o gerente baixinho e corpulento da Starbucks mais movimentada de Brighton, localizada na 201, Western Road, East Susesex, perguntou ao mais novo contratado, que não tinha ideia de quem diabos era Jones.
- Não sei - ele se curvou, procurando pelo nome Jones na escala -, mas ele deveria estar aqui.
- Eu sei, porra! Por que acha que eu perguntei? - o gerente gritou, sorrindo para dois fregueses que entravam. - O filho da puta resolveu sumir no horário de pico! - ele completou com um sussurro irritado. Jogou um papel com alguns números escritos no rapaz e resmungou um 'ligue para ele e diga que se ele não chegar em dois minutos está despedido!'
Deryck, um garoto de 16 anos recém completos, pegou o papel trêmulo. Só estava trabalhando na Starbucks para juntar uma grana e ir viajar com a namorada. Não era obrigado a aguentar aquilo.
Discou o número com o próprio celular e esperou. Depois de vários toques, a ligação caiu na secretária eletrônica. "Aqui é Danny fucking Jones. Se eu não atendi, de duas uma: Ou estou longe do telefone ou não gosto de você. Nem se incomode em deixar uma mensagem após o sinal."
O garoto franzino suspirou. Seu chefe não ia gostar nada daquilo.
A lapiseira de parecia cintilar toda vez que a loira passava pela mesa da sala e a luz batia em sua ponta.
’Onde ele se meteu?' ela se perguntou mentalmente, olhando o horário no relógio do DVD. Eram 18h49 e nada de Danny Jones. Ela havia colocado todo seu material de física em cima da mesa, algumas latas de Pringles que comprou a caminho de casa e duas garrafas de Guinness.
As cervejas ficaram quentes, e nada de Danny.
A loira afundou no sofá e bufou. Pegou o celular no bolso e procurou pelo número de Danny - número esse que ela havia roubado do celular de Tom alguns meses atrás. Pensou em discar, mas não queria parecer uma stalker maluca. Ao invés disso, foi até o número de e apertou o send.
- Alô? - a morena atendeu com a voz sonolenta.
- ? - murmurou, enterrando o celular contra a orelha. - Aqui é a .
- Oi, . - continuava sem nenhum tipo de emoção na voz. Só sonolência. - Diz aí, qual é a boa?
franziu o cenho. só podia estar delirando de sono; ela não deveria odiá-la por estar ameaçando contar seu segredo?
- , eu preciso da sua ajuda. - então respirou fundo e desembestou a falar, sem nem parar para respirar. - Hoje o Danny pediu minha ajuda para estudar física, e eu disse pra ele passar aqui às 18h. Já são 18h51 e ele não chegou. Preciso que você ligue pra ele, descubra onde ele está e se ele vai demorar, aí me ligue de volta para contar. Se você não fizer isso eu mando o vídeo para o Dougie agora mesmo. Não duvide de mim!
estava preparada para ouvir berros e contestações, mas só o que ouviu foi o som do silêncio. Depois de vários segundos, ele começou a constranger.
- ...?
- Onde você pegou o meu número? - foi tudo o que a morena respondeu.
- Peguei na agenda do Tom há alguns dias, mas isso não vem ao caso! - exclamou. Será que havia batido a cabeça? - O caso aqui é que você precisa me ajudar. Vai me ajudar ou não?
- Não.
desencostou um pouco o celular da orelha, pensando ter ouvido mal.
- Não? - quis confirmar.
- Não. - foi curta e categórica.
- , acho que você não entendeu o que está em jogo aqui. - trocou o celular de orelha. Sua nuca estava molhada de suor. Chantagear alguém não era tão divertido quanto parecia nos filmes.
- Sim, eu entendi, , e você pode ir se foder, antes que eu me esqueça. - disse, sem nem um pingo de emoção. - Pode mandar o vídeo pra quem quiser. Eu e Dougie terminamos, logo depois que eu terminei com o Harry. Está satisfeita agora?
arregalou os olhos, esquecendo-se de que não podia ver sua reação.
- E se quer mesmo saber minha opinião, esquisitona, não é destruindo a vida das outras pessoas que você vai conquistar o Danny. Aliás, fique você sabendo que ele nem sabe da sua existência! Ele só tem olhos para a , que é muito mais mulher do que você. Tenha uma boa noite.
mal pôde acreditar quando ouviu o 'clic' da ligação cortada.
acordou com o celular vibrando sem parar. Como não estava acostumada a dormir naquela cama, foi difícil para ela lembrar-se de que ele estava no criado-mudo do lado esquerdo. Assim que ela o colocou na orelha, ouviu resmungar do outro lado da linha.
- Até que enfim!
suspirou. Ela sabia, no momento em que passou o número de celular para a mais nova amiga que, mais dia menos dia, iria se arrepender. Demorou menos do que ela imaginara.
- , eu estava dormindo... - ela resmungou.
- Meu Deus, são seis horas da tarde, o que há de errado com vocês? - exclamou, e não entendeu o que ela quis dizer com 'vocês', mas não se atreveu a perguntar. - , aconteceu alguma coisa entre o Harry e a ?
- Como eu vou saber? - berrou. Depois tapou a boca com as mãos e abaixou a voz consideravelmente. - Merda...
- Onde diabos você está? Por que está sussurrando? - pôde ouvir os passos apressados de e sua voz oscilar.
- Onde diabos você está? Por que está ofegando? - ela rebateu na mesma moeda, tentando fugir da pergunta.
- Eu perguntei primeiro. - respondeu como uma criancinha mimada.
- É, e eu vi o Tom Cruise primeiro, mas nem por isso ele é meu marido. - a ruiva suspirou e voltou a fechar os olhos. - Mas se você quer mesmo saber, estou na casa dos meus avós.
- E todos aí dormem às seis horas da tarde?
- Não, eu só... , isso não vem ao caso! Você só me ligou para perguntar se aconteceu alguma coisa entre a e o Harry ou tem mais coisa? - a ruiva não estava com paciência para interrogatórios.
pareceu pensar um pouco antes de responder.
- Eu combinei de me encontrar com o Danny hoje, e ele não apareceu. - 'Hm, isso está ficando um pouco mais interessante. Danny Jones, o cachorrinho de , marcando encontros com ? Será que a esquisitona conseguiu fisgar o peixe grande?' pensou, sorrindo. Estava se afeiçoando a menina. - Então eu liguei para , e ela me contou que terminou com Dougie e com o Harry!
A última informação fez parar de pensar em como havia conseguido tirar Danny das garras da poderosa e engasgar com a própria saliva.
- Com o Dougie? - perguntou, sentindo o coração dar um salto no peito.
- Sim, com o Dougie! - pareceu esquecer-se completamente de que havia dito que ainda era apaixonada pelo baixista no dia em que se encontraram na praia. - Mas e aí, tá sabendo de alguma coisa?
voltou a si a tempo de se lembrar da cena que presenciara mais cedo.
- Então é isso! - ela sussurrou, recordando a pseudo-loucura de Harry.
- Isso o quê? - ofegou, fazendo um barulho e xingando baixinho em seguida.
- , onde você está? O que está acontecendo? - quis saber, intrigada.
- Bom, se você quer mesmo saber, estou no parapeito da janela tentando enxergar alguma coisa no apartamento de Danny. - respondeu naturalmente, como se aquilo fosse uma coisa normal para ela. Bom, vindo de , talvez pudesse ser. - Agora você pode me explicar o que está rolando? O que eu perdi?
- Eu encontrei o Harry totalmente desnorteado hoje, antes da prova. Ele parecia um zumbi, um maluco, não falava nada com nada e eu tive que passar todas as questões da prova pra ele. Depois que ele acabou, entregou a prova e sumiu. Tentei procurá-lo, mas aí... - ponderou se continuava ou não. Decidiu-se por improvisar. - Aí tive que ir embora se não perderia o ônibus.
- Ah, mas que merda! Caralho, merda, porra, buceta! - berrou a plenos pulmões. - E agora quem vai me ajudar com o Danny, eim? Me fodi! Perdi minha única chance de conquistá-lo!
revirou os olhos no escuro do quarto com cheiro de torta de maçã e fumo.
- , se essa é sua preocupação, eu posso te ajudar. - ela comentou, cansada. - Mas você não acha que está meio grandinha pra precisar de ajuda de alguém para simplesmente chegar e conversar como um ser humano com o cara? Afinal, você é o quê, uma mulher ou um saco de pipoca?
- Sou um saco de pipoca, mas pode me chamar só de Sá. - a loira respondeu, fazendo gargalhar.
- , saia do parapeito e vá tomar um banho para relaxar. Amanhã Danny vai te explicar o que aconteceu e tudo vai voltar ao normal. Ele vai gostar ainda mais de você se perceber que não é uma maluca que adora pegar no pé. - 'Levando em consideração que você está no parapeito do apartamento dele, acho que ele já sabe que você é uma maluca que adora pegar no pé' pensou, mas resolveu não pegar pesado com a nova amiga. não parecia ser o tipo de pessoa que levava críticas construtivas numa boa.
- É, acho que é o que eu vou fazer. - resmungou. ouviu alguns barulhos e xingamentos baixinhos, e logo o barulho de carros e pessoas falando não existia mais. estava sã e salva em seu apartamento. - Obrigada, .
- Vá dormir, . - bocejou. - E tome um pouco de juízo. Fiquei sabendo que estão vendendo em garrafa.
- Isso se chama cerveja, e causa o efeito oposto, . - comentou, antes de desligar sem nem se despedir.
'Maluca...' pensou, virando-se para o lado sem fazer barulho. 'Mas é boa pessoa'.
Danny estava sentado de pernas abertas, com uma cerveja na mão e uma stripper no colo. Por mais que os peitos da mulher estivessem roçando seu rosto sem cessar, ele não conseguia apagar a lembrança de nos braços de outro cara.
Ele precisava de outra cerveja. Mas não tinha dinheiro. Quanto havia gasto ali? Muito em cerveja e mais ainda em uma lap dance? Ele não conseguia se lembrar.
- Hey, garotão, você ao menos está curtindo a dança? - a mulher com grandes peitos e uma voz grave perguntou. Danny reparou que ela tinha o nome de uma mulher tatuado no pulso. Lésbica?
- Quem é Katie? - ele perguntou, abestalhado. Sua voz saiu como um chiado. - Sua namorada?
- É minha filha. - a mulher respondeu, levantando-se. - Escuta aqui, eu sei que você pagou, mas se vai ficar curtindo com a minha cara eu prefiro devolver seu dinheiro.
Danny piscou os olhos vagarosamente. Quem era aquela mulher e por que ela estava falando com ele?
- Escuta, Katie, você já se apaixonou? - ele perguntou, jogando a cabeça para trás. O teto era forrado com estrelas.
- Meu nome não é Katie. - a mulher respondeu, cobrindo seu corpo com um roupão. - Meu nome é Samantha.
- Samantha Who? - o guitarrista perguntou, rindo da própria piada ruim.
- Vamos lá, garoto, está na hora de você voltar pra casa da mamãe. - a mulher pegou Danny pelos cotovelos. Ele foi se levantando com dificuldade, e quando finalmente conseguiu ficar em pé, despencou de volta na poltrona.
Samantha suspirou e colocou a cabeça para fora das cortinas de seu 'escritório'.
- Jeremy, temos um desmaiado aqui! - ela berrou.
Alguns segundos depois, Jeremy, seu 'agente', irrompeu pela sala com seu melhor sorriso. Beijou Samantha na testa e analisou o estrago.
- Malditos adolescentes. - resmungou, cutucando Danny com o celular.
Danny, que ainda estava acordado e muito bem consciente, obrigado, olhou para Jeremy e fez uma careta. Ele era bem parecido com o cara que ele vira mais cedo com , não fosse o bigode e os 20 anos a mais.
- Samantha, o nome dela é . - Danny continuou, como se Jeremy não estivesse ali. - Ela é linda como o Sol. E queima como ele.
Jeremy revirou os olhos e Samantha riu.
- Querida, tome conta desse aí até ele melhorar. - Jeremy pediu, afetado. - Vou avisar que você finalizou por hoje. A Christina pode te cobrir. Não quero nenhum papai processando meu estabelecimento.
- O cliente em primeiro lugar! - Samantha sorriu irônica e Jeremy saiu, fechando as cortinas.
- É seu namorado? É o pai da Katie? - Danny quis saber, tentando se levantar sem muito sucesso.
- Não, é meu agente, mais gay que um cavalo marinho. - Samantha respondeu, sentando-se ao lado de Danny.
- Você tem um belo par de peitos. - Danny comentou, encarando-os sem qualquer pudor. - Eu poderia olhar para eles o dia inteiro.
- Eu sei disso, querido, por isso ganho dinheiro com eles. - Samantha respondeu, passando os dedos compridos pelo cabelo desgrenhado de Danny. Depois pegou um maço de cigarros na mesinha ao lado e acendeu um. - Me conte mais sobre a sua .
- Ela é linda como o Sol... - Danny suspirou, enfiando a cara no vão dos peitos de Samantha. Ela gargalhou, acostumada a lidar com jovens de coração partido. Acariciou a nuca do moreno, enquanto ele continuava. - Primeiro ela ficou com o Tom, meu melhor amigo, agora com esse cara aí, um motoqueiro, eu te contei dele...
- Não contou não, querido. Durante a dança você só ficou olhando pra sua cerveja. - a stripper prendeu os longos cabelos tingidos de ruivo para trás e voltou a consolar Danny, dando-lhe tapinhas nas costas. - Me conte sobre o motoqueiro.
- Eu não sou ruim de cama. - Danny constatou, ignorando o pedido de Samantha. - Por que ela tem que ficar se esfregando com qualquer um quando o que ela precisa sou eu? Meu pinto não é pequeno!
Samantha deu uma rápida olhadela para baixo. A julgar pelo volume sob a calça jeans, talvez houvessem controvérsias.
- Não é só isso que nós procuramos em um homem. Nós também queremos...
- Um cafajeste imbecil que não está nem aí para vocês. - Danny completou do seu jeito, amargurado.
Samantha tirou o rosto de Danny do meio dos seus peitos e o olhou com carinho.
- Isso realmente acontece com algumas de nós, mas nem todas são assim.
- Sam, eu posso ser o pai da sua filha. - Danny balbuciou, sem tirar os olhos do peito da stripper.
- É claro que pode, querido, mas acho que já existe uma mulher maravilhosa lá fora esperando para ter um filho com você. E, além de tudo, minha filha já tem um pai. - Samantha beijou a testa de Danny, que tombou para trás e lá ficou.
A stripper de 34 anos levantou-se e amarrou o roupão. Pegou uma de suas toalhas de corpo e a colocou em cima de Danny para aquecê-lo; ele parecia preso em seu próprio mundo. Ela estava prestes a sair quando Danny levantou a cabeça e perguntou.
- O pai da Katie deixa você trabalhar como stripper? Eu não deixaria...
Samantha virou-se para trás, com um sorriso doce nos lábios. Danny nunca chegou a imaginar que encontraria uma dançarina com olhos tão puros quanto os de Samantha.
- O pai da Katie morreu quando ela nasceu. Se ele estivesse vivo eu te garanto que não estaria aqui hoje dançando. - ela piscou para Danny e saiu, fechando a cortina atrás de si.
O sono se apossou de Danny quase que instantaneamente. Ele não sabia como havia parado ali, nem quem era a mulher que estava conversando com ele agora há pouco... Só sabia que estava com tamanho ódio de que nem cabia no peito.
Alguns instantes antes de adormecer, Danny lembrou-se da conversa que tivera com mais cedo, e como a loira sorrira para ele.
Aquele sorriso o acompanhou noite adentro.
Próximo capítulo: Dougie e .
Capítulo 14 - 'I'd give anything again to be your babydoll!'
Lady GaGa, You And I
Dougie e .
Dougie sentia-se mal por não estar mal.
Claro que ele ficara um tanto quanto surpreso com o pé na bunda que levara de , e o que ele dissera a morena mais cedo, de não conseguir mais viver sem ela, fora a mais pura verdade; como ele conseguiria viver agora sem ser lembrado todas as noites de fazer as listas de exercício de matemática?
Mas ele não se sentia mal. Não, definitivamente a fossa não o pegou em cheio. Os sintomas ainda não haviam aparecido, e ele desconfiava que nunca iriam.
O baixista estava esparramado no chão da sala, jogando GTA e pensando na vida. Sua mãe lavava a louça na cozinha e seu pai trabalhava no escritório; um típico dia inútil.
Mas uma coisinha o incomodava naquele dia tedioso: Seu celular estava em cima de seu colo, e parecia bem mais pesado do que o normal.
'Pare com isso' ele pensou, lançando um olhar irritado ao aparelho.
Atropelou alguns pedestres no jogo só por diversão, mas nem isso o acalmou.
'Pare com isso, filho da puta, eu não vou ligar pra ela' ele se levantou, deixando o celular cair no chão. O barulho alto fez sua mãe gritar da cozinha.
- O QUE FOI ISSO? DOUGIE, O QUE VOCÊ QUEBROU?
O moreno suspirou, revirando os olhos.
- Nada. - ele resmungou, sentando-se no sofá para ficar o mais longe possível do celular.
- O QUÊ? DOUGIE, VOCÊ ESTÁ ME OUVINDO?
- EU NÃO DERRUBEI NADA, MÃE! Caralho, velha chata... - ele completou bem baixinho.
- ENTÃO O QUE FOI ESSE BARULHO? DOUGIE POYNTER, SE VOCÊ QUEBROU MEU VASO CHINÊS EU JURO QUE...
- QUE GRITARIA É ESSA AÍ, DOUGIE? - foi a vez de seu pai entrar na discussão. - O QUE VOCÊ FEZ PRA SUA MÃE?
- TONY, O DOUGIE QUEBROU MEU VASO CHINÊS! - sua mãe berrou de volta, irritada.
O som do jogo estava alto, e Dougie derrapava com o carro enquanto ouvia a gritaria. Sua irmã aumentou o som do andar de cima e sua casa virou uma loucura só.
- DOUGIE, VOCÊ QUEBROU O VASO DA SUA MÃE? - seu pai berrou, nitidamente não interessado no assunto.
Dougie respirou fundo, fixando os olhos na TV. Agora as prostitutas berravam com ele no jogo.
- DOUGIE, VOCÊ ESTÁ ME OUVINDO?
- PUTA QUE PARIU! EU NÃO QUEBREI PORRA NENHUMA, FOI O MEU CELULAR QUE CAIU NO CHÃO! - ele berrou a plenos pulmões, jogando o controle longe. - VOCÊS PODEM, POR FAVOR, CALAR A BOCA AGORA?
A casa inteira ficou no mais total silêncio. Até sua irmã abaixou o som. A única coisa que se podia ouvir era o personagem principal do jogo exclamar 'give me back my fucking money!'.
Sua mãe colocou a cabeça para fora da cozinha, de boca aberta.
- Isso é jeito de falar com a sua mãe, Dougie? - seu pai apareceu no topo das escadas.
- Vocês estavam me acusando de uma coisa que eu não fiz! Olha ali seu precioso vaso, mãe. - Dougie apontou para o vaso em cima da mesa enquanto pegava irritado o celular no chão.
Depois de pegá-lo, desligou o jogo e bateu os pés até a porta da frente.
- Aonde você pensa que vai? - sua mãe quis saber, ainda indignada com a reação do menino. Dougie era sempre tão calmo...
- Dar uma volta. - ele respondeu, batendo a porta atrás de si.
Fazia frio. Aquele tipo de frio de trincar os dentes, mas permanecia indiferente ao vento que bagunçava seu cabelos. Seus pensamentos estavam muito além das sensações corpóreas; era como se ela estivesse revivendo as lembranças.
Nelas, Dougie estava com a cabeça encaixada na cova entre seu ombro direito e seu pescoço, e eles assistiam TV de conchinha. Era verão, e os dois corpos nus estavam cobertos somente por um lençol branco.
- Eu não acredito que você está me fazendo assistir isso. - ele resmungou, o hálito morno aquecendo a pele fria da nuca dela.
- Não é isso! É O Diário da Princesa, e é o melhor filme que já fizeram!
A ruiva revirou-se na cama, ficando de frente para o namorado. Ele estava com uma cara de perplexidade jamais vista por ela.
- Melhor filme que já fizeram? - ele perguntou, franzindo o cenho. - , isso foi praticamente uma blasfêmia!
gargalhou, juntando mais ainda seu corpo ao dele.
- Quanto drama...
Dougie não sorriu, mas seus olhos o fizeram. seria capaz de passar o dia inteiro olhando para eles, tentando descobrir se eram verdes ou azuis. Naquele momento, estavam verdes como os dela.
- Você sabe que eu te amo. Não sabe, ? - Dougie quis saber, beijando-lhe a ponta do nariz.
- Sei. Está estampado na sua testa. - ela sorriu desdenhosa. Dougie fez uma careta para imitá-la, o que a fez gargalhar novamente. - Eu também te amo, Dougster.
- Eu quero casar com você. - ele sussurrou, e sentiu que não ligaria se morresse naquele momento; pelo menos morreria feliz. - Eu quero ter filhos com você! Quero ser muito rico, comprar uma casa enorme e viver pra sempre ao seu lado, com nossos oito filhos. - Dougie sorria com doçura para a namorada, sem nunca perder o ar de gozação.
- Oito filhos? - ela exclamou, todo o encanto do momento quebrando-se em milhões de pedacinhos. - Você acha que eu sou o que, um coelho?
- Meu coelhinho de estimação. - ele acariciou atrás das orelhas da namorada. Então apertou os olhos, como se percebesse algo. - Sabe que você tem mesmo cara de coelho?
- Idiota! - ela exclamou, dando-lhe vários tapas ardidos.
- Ei! Agressividade não leva a nada! - ele berrava, enquanto apanhava da namorada. Depois que cansou de fingir estar perdendo a batalha, segurou os pulsos dela e mostrou a língua. - Sua fraca.
respondeu erguendo só uma sobrancelha, o que fez Dougie se borrar de medo. Ele soltou os braços dela e fez cara de santo.
- Assim que eu gosto. - ela comentou, sorrindo por sua vitória.
Dougie não respondeu nada. Ele parecia perdido no rosto da namorada, analisando cada detalhe. Aos poucos, a ruiva foi ficando inteira de uma cor só: vermelha.
- Para com isso, Dougs, você sabe que eu não gosto quando fica me olhando desse jeito psicopata. - ela pediu, abaixando os olhos.
Dougie levantou o queixo de com suavidade, beijando-lhe os lábios.
- É sério, , eu te amo.
sorriu acanhada, beijando a testa do namorado.
- Eu também te amo, Dougs.
foi tirada bruscamente de uma de suas melhores lembranças pelo toque do celular. Pegou irritada o aparelho do seu bolso e mal pôde acreditar ao ver o nome de Dougie estampado na tela.
Primeiro pensou estar ficando louca, mas quanto mais o aparelho insistia, mais ela se convencia de que Dougie estava mesmo ligando para ela.
- Alô? - ela atendeu, ofegante.
- ? - Dougie chamou do outro lado. - ?
- Sim, sou eu, Dougie. - sorriu sozinha. Dougie sempre dando uma de Dougie.
- Ah... É que eu pensei que talvez não fosse o mesmo número... - Dougie comentou, dando uma tossidinha de leve. - Mas, e aí... Tudo bom?
engoliu a seco. Bom, bom, não estava, e ela desconfiava que nunca estaria.
- Tudo na boa... E você?
Dougie ficou mudo. só conseguia pensar em terminando com ele; por mais que aquilo a deixasse feliz, sabia que a morena provavelmente era o melhor pra ele. era o que ela nunca poderia ser.
- Nós podemos nos encontrar em algum lugar?
Aquilo pegou de surpresa. Ela não soube o que responder.
- Hã, Dougie, eu...
- É um encontro amigável, nada demais, eu só preciso... Conversar. - Dougie parecia obstinado a convencê-la.
ficou em silêncio pelo o que pareceu uma eternidade. O que ela poderia responder? 'Sim, Dougie, vamos nos encontrar, tomar um café e agir como se nada tivesse acontecido entre nós!' Ela pôde ter feito isso por alguns dias, mas não queria mais agir como se fosse a miss sunshine.
- Bom, pode ser... - enfim cedeu e olhou para trás, analisando o mais completo silêncio da casa. - Aonde quer se encontrar?
- Pode ser em frente ao Varsity? Nós podemos dar uma volta pela praia... - Dougie parecia ansioso.
- Claro. Chego lá em 10 minutos. - olhou no relógio, dando-se conta de que o ônibus só passaria no ponto em frente a casa dos avós em 15 minutos. - Ou melhor, em uns 25 minutos.
- Beleza! Até daqui a pouco, .
- Até daqui a pouco, Dougie.
Tom deu play no filme A Pequena Sereia e ajeitou-se no sofá. Aproveitando-se da ausência de Harry, usava a TV de plasma da sala, grande o suficiente para que ele assistisse sem perder nenhum detalhe. Mas, por mais incrível que parecesse, nem seu filme favorito da Disney estava conseguindo tirar a imagem de com o motoqueiro fantasma de mais cedo.
Ele tinha o direito de se sentir enciumado. era sua amiga de longa data! Ele tinha certa autonomia para saber quem era ou não bom para ela. Danny era bom para ela, o motoqueiro vampiro não.
Deu o primeiro gole na garrafa de Jack Daniel's que repousava entre suas pernas e sentiu o whisky descer queimando pela garganta. Fez uma careta e sentiu-se mais leve. Tom nunca tinha problemas; a bebida sempre estava lá para apagá-los de sua memória.
Lá pela metade do filme, após muitos goles na garrafa de whisky, a pequena sereia tornou-se um tanto quanto borrada, e incrivelmente parecida com .
Seria loucura ou o efeito da bebida? Ele não tinha como saber... Só se fosse até a casa dela!
Aquilo lhe parecia uma ótima ideia! O apartamento de não era longe. Só algumas... Quantas quadras mesmo?
Tom levantou-se e sentiu o mundo dar um 360flip twist carpado. Desligou a TV, pegou uma blusa de frio e saiu de casa. Descendo as escadas, esbarrou com a vizinha chata do andar de cima.
- Boa tarde. - ele desejou, sorrindo.
- Boa tarde. - a mulher de uns 50 anos respondeu, surpresa por Tom estar sendo simpático. Ele geralmente era mal humorado e mal educado.
- Tenha um bom resto de tarde solitária com os seus gatos! - ele desejou, não percebendo o olhar de indignação da mulher ao ouvir aquele comentário.
O loiro saiu para a rua e quase nem sentiu o frio cortante. Caminhou aos trancos e barrancos até a esquina e ficou uns bons cinco minutos tentando adivinhar se tinha que pegar a direita ou a esquerda. Decidiu-se pela esquerda, e fosse o que fosse.
- Esse é o meu apartamento. - sorriu, apontando para o pequeno espaço de no máximo 90 metros quadrados. Era uma pequena caixa de fósforo - maior que o apartamento de Danny pelo menos - mas ela o amava como se fosse um palácio.
- Muito legal. - Jim comentou, segurando entre os dedos as tulipas que Tom dera para ela, agora murchas e sem vida. - É adepta da arte morta?
- Ah, isso aí não é nada... - a morena comentou, indo até Jim e pegando o vaso nas mãos. Abriu o lixo com os pés e, sem pestanejar, jogou as flores lá dentro, com água e tudo. - Com toda essa loucura de provas, me esqueci de jogá-las fora.
Jim sorriu de lado, saindo da cozinha e sentando-se no sofá. Deu dois tapinhas de leve ao seu lado e se juntou a ele. O moreno colocou a mão na parte interna de sua coxa e ela sentiu um frio esquisito subir sua espinha.
Por mais que quisesse, ainda não se sentia confortável o suficiente com o novo affair.
- E aí, quer assistir algum filme? Eu tenho vários! - ela exclamou, levantando-se com um pulo. Caminhou até a estante de filmes e passou o dedo pelas lombadas estampadas com títulos desde Star Wars até O Máscara.
Jim colocou os braços atrás da cabeça e cruzou as pernas.
- Escolhe algum aí. - ele sorriu, não se mostrando decepcionado pelo chega pra lá dado por .
Ela passou os olhos ágeis pelos filmes, demorando-se na Pequena Sereia. Respirou fundo e pegou o filme ao lado.
- Pode ser O Exterminador do Futuro? - ela perguntou, mostrando a capa para Jim.
- Claro! Quanto mais explosões, melhor. - ele brincou, e agachou-se para colocar o CD no DVD. Pegou o controle, ajustou as configurações e deu play.
Sentou-se ao lado de Jim e ele a abraçou pelos ombros. Nada de mão na coxa, e respirou aliviada.
O filme marcava 25 minutos quando Jim cansou de bancar o bom moço. Ele começou por tirar o braço das costas de , fingindo um bocejo. Depois abaixou os braços e colocou a mão no joelho dela, que olhou de soslaio, desconfiada.
Ele então começou a beijar o pescoço da morena que, por um momento, deixou-se levar. Quando os beijos ficaram perigosamente perto da linha do busto, ela começou a empurrar a cabeça dele delicadamente.
- Qual é, . - ele sussurrou, subindo os beijos por seu queixo. - Não estou fazendo nada de errado.
- Mas está pensando em fazer. - ela comentou, sendo interrompida pelos lábios do garoto.
'É só um beijo... Não é nada demais...' ela pensava, enquanto com uma das mãos ele acariciava seu joelho e com a outra segurava sua nuca. 'Qual é o seu problema? Não gosta mais de se amassar com um cara gato?'
Lentamente, Jim deitou no sofá. Ela queria estar aproveitando, queria estar curtindo, mas não conseguia. Alguma coisa estava errada. O jeito que ele a beijava era esquisito; não era ruim, só parecia treinado. Parecia que Jim sabia como beijava e estava fazendo exatamente a mesma coisa.
- Relaxa, . - ele murmurou em seu ouvindo, mordendo a almofadinha de sua orelha esquerda. - Eu não vou fazer nada. Só... Relaxa.
- Eu estou relaxada. - ela mentiu, passando as mãos pelas costas do garoto.
Jim estava prestes a colocar a mão por debaixo da blusa da morena quando eles ouviram batidas na porta. Ele bufou, irritado, e sentou-se, respirando fundo.
- Estava esperando alguém? - ele perguntou, lançando um olhar desconfiado para a porta.
- Não... - ela respondeu pensativa. Não se lembrava de ter combinado nada com ninguém, mas quem quer que fosse, a salvara, e ela seria eternamente grata. - Não que eu me lembre.
A morena caminhou até a porta sentindo o coração martelar no peito, ainda recuperando-se da sessão pegação com Jim; ela teria que pensar em alguma desculpa muito boa para mandá-lo embora, isso no intervalo de tempo em que atendia a porta, despachava o visitante e voltava para o sofá.
Às vezes ela gostaria de pensar mais rápido.
Ao chegar à porta, ela resmungou baixinho por não ter um olho mágico e a abriu de sopetão.
Quem estava do outro lado não era exatamente quem ela esperava encontrar. Pensou em se tratar de alguma vizinha para reclamar do barulho alto ou talvez o síndico trazendo a correspondência que precisava de sua assinatura. Mas nunca, nunquinha, imaginou botar os olhos em...
- Tom?
Só faltaram as lentes de visão noturna para Harry se sentir um completo espião russo. O céu já estava escuro, e ele deveria estar em casa estudando para a prova do dia seguinte, mas acampar na casa de parecia bem mais sensato.
A luz do quarto dela estava acesa, e sua sombra movia-se de um lado para o outro. Harry só queria entender o porquê daquele ponto final, o porquê da mudança repentina. Pensou que ela o amava, pensou que tudo ia se resolver com Dougie e que os dois seriam felizes para sempre.
Ele não podia ter pensado tão errado assim, não é? era uma excelente atriz, mas não poderia ter mentido para ele. Ele podia sentir que ela o amava.
De repente, as luzes do quarto se apagaram, e ele não pode ver mais nada. Suspirando, acendeu outro cigarro e apoiou-se na mureta do outro lado da rua.
Passados alguns minutos, a porta se abriu, e ele estancou. saiu para a rua arrastando um saco preto de lixo. Ela ouvia música no iPod e tinha a feição tristonha. A música estava alta, e ele pôde ouvir nitidamente Brighter Than Sunshine do Aqualung, a música que ela costumava dizer que descrevia os dois.
O baterista desencostou-se da mureta e caminhou até ela.
odiava colocar o lixo pra fora, pois se sentia uma empregada doméstica, mas sua mãe estava tão ocupada com a janta que ela resolveu fazer esse favor. Qualquer coisa que a tirasse do próprio quarto, em que guardava recordações tanto de Dougie quanto de Harry.
Ela saiu pela porta distraída, ouvindo a mesma música pela décima sétima vez. Avistou os outros sacos de lixo e foi até eles. Depositava o saco ao lado dos irmãos quando sentiu cinco dedos envolverem seu braço. Com o susto, ela derrubou o saco, que fez um barulho alto de garrafas de vidro se quebrando.
Harry estava parado ao seu lado, cheirando a cigarro. Seus olhos estavam muito vermelhos; ela não o julgaria se ele tivesse fumado um. Afinal, ela havia pensado em fazer o mesmo, mas não tinha mais com quem arranjar, já que Dougie era quem sempre comprava para ela.
- Vamos bater um papo, ? - ele pediu, sem soltar seu braço.
- ! , abre aê pô! - Danny esmurrava a porta da vizinha, sem se importar com os outros vizinhos, que provavelmente estavam ouvindo a todo aquele pampeiro. - Abre aê, preciso falar com vocêêêê!
Quanto mais ele batia, mais a vontade de falar com crescia. Ele não se lembrava de como chegara até ali; a única coisa que conseguia se recordar era de uma mulher ruiva tê-lo colocado no banco de passageiro do próprio carro. Qualquer que fosse a história daquele noite, provavelmente era muito louca.
- ! ! ! - o guitarrista havia desistido de esmurrar a porta, e agora estava com a bochecha colada na superfície áspera da madeira, sussurrando o nome da amiga e babando.
De repente, ele se viu sem apoio, desequilibrando-se e caindo aos pés de alguém.
estava em sua cama, jogando Playstation na TV de LED. As cobertas cobriam seu corpo até o pescoço, e seus olhos seguiam Poseidon, quem ela deveria matar. Não estava tendo muito sucesso, já que estava tão frio que seus dedos não tinham a agilidade necessária para vencê-lo.
Ela estava tão concentrada no jogo que, por um instante, havia esquecido do bolo que levara de Danny; aquela era sua nova ideologia: Não se importar. Depois da bronca que levara de e , resolveu obedecê-las. Afinal, as duas sempre se deram bem, enquanto ela... Bem, ela só sonhava acordada com Danny Jones.
Jogava distraída, quando começou a ouvir seu nome. Primeiro pensou que estava ouvindo coisas, mas a voz começou a ficar tão nítida que ela teve de pausar o jogo. Mal pôde acreditar em quem chamava por ela; a voz rouca e melódica de Danny era inconfundível.
Levantou-se, ignorando o fato de que estava de baby doll vermelho de seda, e correu até a porta, pois do jeito que o guitarrista berrava, acordaria o prédio inteiro.
Abriu a porta com tudo, e ele caiu aos seus pés, rindo.
- Danny, você está louco? Quer acordar o prédio inteiro? - ela perguntou, irritada.
Danny levantou-se com dificuldade e olhou com intensidade para a loira, sorrindo com doçura.
mordia o lábio inferior e procurava apreensiva por Dougie. Onde ele estava? Já haviam se passado meia hora, e ela estava com medo de ter levado um bolo; onde ela estava com a cabeça em ter aceitado aquele pseudo encontro? Nem deveria ter atendido o celular, para começo de conversa. Sentia-se idiota e fraca.
De repente, sentiu dez dedos gélidos cobrirem seus olhos, e os segurou entre suas próprias mãos, alarmada.
- Quem é? - ela perguntou, por mais que já soubesse quem era.
- Sou eu. - Dougie sussurrou em seu ouvindo, arrepiando seu corpo por inteiro.
tirou as mãos do garoto de seu rosto e virou-se para trás. Dougie estava perto.
Perto demais.
Capítulo 15 - 'I just want your extra time and your... Kiss!'
Prince, Kiss (versão Glee)
Todos.
Só quem já beijou a pessoa amada sabe como é bom. O explosivo encontro das línguas, o calor que sobe e desce pelo corpo, a energia inebriante que parece acordar até as últimas células... Um beijo dado com amor sempre foi e sempre será o símbolo das paixões reprimidas, dos sonhos da juventude, da inconsequência.
O beijo.
Sempre o beijo.
não quis pensar em nada.
Quando Dougie ligou para mais cedo naquele dia, ele não tinha segundas intenções. Só queria conversar, contar sobre o pé na bunda que levara de , perguntar sobre as provas, divagar sobre seu dia. Entretanto, quando ele se deu conta da proximidade da ex-namorada, as palavras embaralharam-se na ponta da língua.
O que acontece é que o baixista sempre achou difícil elaborar uma frase coerente quando o olhava daquele jeito e ele percebeu, da pior maneira, que nada havia mudado.
De repente, sua boca tinha coisas muito mais interessantes para fazer do que conversar, e a única reação que ele teve, foi a de puxar a cabeça da ruiva pela nuca e beijá-la.
Simples assim.
Ao contrário do que Dougie pensou que aconteceria, não o impediu. Nem ao menos hesitou! Ela simplesmente enrolou os dedos nos cabelos roxos do ex-namorado e retribuiu o beijo.
Os dois caminharam sem equilíbrio até encostarem à parede fria do Varsity Pub. Já devidamente confortáveis, eles abriram as bocas e deixaram suas línguas se encontrarem.
Seria uma mentira deslavada dizer que não sonhava com aquilo desde que fora para o México. Era tudo o que ela mais queria! E esse sentimento só fazia crescer desde que suas mãos se reencontraram no corredor do colégio alguns dias atrás.
A sensação de ter novamente a língua de Dougie de encontro com a sua era inexplicável. Era exatamente como ela se lembrava, mas completamente diferente. Como ela pôde sobreviver tanto tempo sem aquele beijo?
Eram em momentos como aqueles que tinha certeza de que os dois haviam sido programados para ficarem juntos. Era simplesmente intolerável a ideia de somente pensar que existisse um beijo mais sintonizado que aquele.
Dougie aproveitou-se de que estava apoiado na parede e estava entre suas pernas e desceu uma das mãos para a bunda coberta pela calça jeans dela. Como todo bom homem, o baixista passara noites e mais noites relembrando-se da delicadeza das curvas da ex-namorada e de como ela se movimentava graciosamente na cama.
ofegou com o toque brusco e puxou o cabelo do baixista para trás com mais força. Dougie, entendendo o sinal, colocou a outra mão em sua bunda e puxou a ruiva para mais perto.
Finalmente, eles eram dois novamente.
não teve tempo de pensar.
Tom não respondeu à pergunta de . Tom? Sim, Tom era ele, e ele não queria mais agir como um completo imbecil, como um medroso que não tinha a capacidade de segurar pela cintura e beijar-lhe como ela gostaria de ser beijada.
Claro que parte desse desejo todo vinha do fato de que Tom estava bêbado, e bêbados sempre fazem o que suas mentes hipócritas os impedem de fazer quando estão sóbrios. Então, ele apenas se curvou, puxou a amiga pela cintura e a beijou diretamente na boca, sem errar o alvo. Matinha os olhos fechados, apertados em uma expressão irreconhecível e exalava a whisky.
levantou os braços na altura da cabeça em um sinal de surpresa e arregalou os olhos. Ficou sem saber o que fazer por alguns instantes, com uma única frase rodopiando por sua consciência: 'O que diabos está acontecendo aqui?'
Com um tranco, Tom a puxou para mais perto, tirando seus pés do chão e, em um movimento automático, fechou os olhos e franziu o cenho. Ela sabia que o seu cérebro não conseguiria pensar em mais nada enquanto a língua do loiro estivesse dançando com a sua então acabou cedendo. Não se importou com a imensa força com a qual ele apertava sua cintura, nem o quão agressivo era aquele beijo; ela queria ser beijada com toda aquela paixão há muito tempo, toda vez que o amigo a cumprimentava com selinhos, toda vez que ele sorria para ela.
Por alguns instantes, esqueceu seus votos e não se impôs. Ela só fez o que qualquer garota apaixonada faria: correspondeu ao beijo do cara que amava.
não disse o que realmente pensava.
- Nós não temos o que conversar. - deu de ombros tentando em vão se soltar de Harry. - Harry, me solta, você está me machucando!
- Então acho que estamos quites. - ele comentou irônico, puxando para mais perto. Seus dedos estavam realmente machucando a morena, que começou a choramingar de desespero. - Eu só solto se você me der algum motivo.
- Você quer motivo melhor do que trair o seu melhor amigo? - berrou começando a esmurrar o peito de Harry para que ele a soltasse. - Harry, eu vou gritar! Você está me machucando!
- Se esse é mesmo o motivo, então por que você resolveu falar só agora? - pôde perceber que o baterista não estava caindo em sua conversa, mas ela não ia dizer a verdade. Não quando a verdade poderia parecer tão fútil aos olhos do cara que ela amava. – Por que, pelo o que me parece, você não pensava no Dougie quando gemia o meu nome na cama.
- Harry, por favor. - ao ouvir aquelas ofensas, as lágrimas que estavam entaladas na garganta de subiram aos olhos. Por que Harry não podia ser compreensível e entender de uma vez por todas que o que ela estava fazendo era o melhor para os dois? - Eu não tenho outro motivo para te dar.
- Eu sei que não é esse o seu motivo! - Harry cuspiu as palavras, dominado pelo ódio, pelo ressentimento. - Me diz, porra, o que eu fiz de errado?
- Você não fez nada de errado! Pare de pensar que a vida é uma disputa de vídeo-game, Harry! Você não pode vencer todas! - gemia de dor, batendo no baterista com toda a sua força. - Me solta, caralho! HARRY, ME SOL...
Mas ela não completou seu grito por ajuda, pois Harry enfim soltou seu braço só para calar a sua boca com um beijo.
Pega desprevenida, ainda tentou gritar com a boca colada à de Harry, mas o baterista fazia tanta pressão que os gritos dela soavam como gemidos. Os braços dele imobilizavam todo o corpo da morena, que se debatia sem parar. Mas, aos poucos, o abraço dele foi afrouxando e ela parou tentar de fugir.
Os dois abriram a boca ao mesmo tempo puxando uma lufada de ar e deixando com que suas línguas se encontrassem. Eles ofegavam como se estivessem lutando contra eles mesmos para que fossem fortes e separassem o beijo, e Harry podia sentir o gosto salgado das lágrimas de .
O beijo mais parecia uma luta. Os dois se movimentavam para frente e para trás, ela tentando em vão se soltar, ele tentando em vão arrancar alguma confissão.
pensou que estava sonhando.
- Já te disseram que você tem lindos olhos azuis? - Danny perguntou aproximando-se de .
Ele colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha e sorriu mordendo o lábio inferior logo em seguida. Seus próprios olhos azuis voltaram-se para os lábios da loira, que tremiam de frio e surpresa.
- Er... Obrigada. - ela respondeu descendo também os olhos em direção aos lábios de Danny, onde um sorriso gostoso repousava. Ela mal podia acreditar no quão próximo eles estavam. Quantas vezes havia sonhado com aquilo? - Danny, você está bêbado. - ela balbuciou debilmente.
Afinal, o que mais ela poderia dizer? Não era do tipo de menina que sabia flertar, nunca fora.
Felizmente, Danny parecia ser muito bom nisso.
- E daí? - ele perguntou diminuindo o espaço entre eles até que seus troncos estivessem totalmente colados. - Você nunca ouviu falar que os bêbados são sinceros?
corou, abaixando o rosto. Danny, que enxergava duas s, uma mais linda do que a outra, puxou o rosto dela pelo queixo e depositou um beijo suave em seus lábios.
O beijo foi quase como um sopro de beijo, mas o suficiente para deixar tonta. A cartilagem de seus joelhos transformou-se em gelatina e ela poderia desabar a qualquer momento. Felizmente, só o fez quando Danny a envolveu em seus braços fortes e a beijou de verdade.
Nem nos sonhos mais loucos de ela imaginou que Danny pudesse ter gosto de bala de goma e cigarro de cravo. Era o tempero mais delicioso ao qual ela já havia provado.
O coração da loira mal cabia dentro do peito. Tudo o que ela mais queria era fundir-se ao corpo do guitarrista e ficar ali eternamente. Sim, ele estava bêbado; sim, ele não sabia exatamente o que estava fazendo; e sim, ele não se lembraria daquilo no dia seguinte, mas ela não se importava. Afinal, quem em sã consciência se importaria? Era Danny Fucking Jones!
Danny Jones, dono da voz mais sexy do universo, do sorriso mais doce, da risada mais gostosa, estava com a língua dentro da sua boca! Ele poderia muito bem estar por aí beijando qualquer uma pela rua, mas não, ele estava na porta do seu apartamento, beijando a sua boca.
Era oficial: poderia morrer feliz.
Só quem já recebeu um tapa da pessoa amada sabe como é ruim. O explosivo encontro dos dedos na pele fria, o calor que se encapsula no local, a energia ruim que faz os olhos lacrimejarem... Um tapa com raiva sempre foi e sempre será o símbolo da rejeição, da raiva, da dor.
O tapa.
Sempre o tapa.
Dougie não entendeu nada.
As coisas estavam esquentando entre Dougie e . As mãos do baixista já passeavam por debaixo da blusa dela e ela o puxava para mais perto, esfregando seus corpos sem timidez.
não podia evitar relembrar-se dos momentos bons que eles passaram juntos. Geralmente, os melhores eram como aquele que estava acontecendo, inesperado. Mas, naquela época, não tinha medo da intimidade. Ela se entregava sem nenhum pudor buscando ao máximo satisfazer seus desejos e os desejos dele. Mas, passado um ano, aquela proximidade a assustava.
Ela queria parecer desencanada, mas só o simples pensamento daqueles beijos transformarem-se em algo a mais a amedrontava. É, não era mais quem costumava ser.
Dougie enfim retirou os lábios dos dela e distribuiu pequenos beijos pelo seu pescoço até chegar ao ouvido. Lá, mordeu a almofadinha de sua orelha e murmurou.
- Vamos para a minha casa?
Como uma bigorna caindo de 20 andares, acordou daquele sonho e, sem nem entender a sua própria reação, desferiu um tapa bem dado no rosto do ex-namorado.
Tom não teve tempo de se esquivar.
Tom não estava entendendo nada. Primeiro, estava em êxtase com a língua de enroscada na sua e, de repente, cinco dedos frios acertavam seu rosto.
- O quê... Mas que porra foi essa, ? - ele perguntou cambaleando para trás e segurando o rosto com as duas mãos.
- Tom, vai embora. - ela ordenou; o peito subindo e descendo em um ritmo descompassado. - Vai embora, agora!
Tom olhou assustado para a morena não sentindo mais aquele formigamento gostoso proporcionado pela bebida. O efeito colateral do álcool havia sido substituído pelo desentendimento. Ele não conseguia compreender por que os olhos azuis da menina o fitavam com tanta indiferença.
O loiro jogou uma mecha do cabelo para trás, sem saber o que fazer.
continuava encostada no batente da porta, parecendo aborrecida. Mais do que aborrecida, ela transbordava ressentimento.
- , me desculpe, eu não sei o que deu em mim. Eu só... Eu nem sei mais o que está acontecendo comigo ultimamente. - ele admitiu aproximando-se com cuidado da amiga. Ela parecia impenetrável como uma muralha. - Uma hora eu estou pensando em como vou fazer para ter minha ex-namorada de volta e na outra estou pensando em você para compor. Eu não sei o que é isso, eu acho que estou ficando maluco!
continuava impassível, com os braços cruzados na frente do corpo e os olhos azuis semicerrados.
- Eu preciso de algumas respostas. Eu preciso da sua ajuda. - ele sussurrou sendo sincero pelo menos uma vez na vida. - Eu quero entender o que eu realmente sinto por você, porque em todo esse tempo eu nunca soube explicar o que é isso. - Tom gesticulou, apontando para ela e depois para ele. - O que é isso? Nós não somos amigos, nós não somos namorados. O que diabos nós dois somos?
abriu a boca para responder, mas a fechou. Abriu novamente, repetindo o movimento. O que ela poderia dizer? Estava tão emocionada com aquelas palavras que poderia arrancar as roupas e fazer amor com Tom ali mesmo, no hall do andar. Mas ela não podia. Ela não havia prometido a si mesma que seria forte? Que esqueceria Tom e que encontraria um novo amor? Cair em tentação nas primeiras palavras bonitinhas dele não era o sinônimo de ser forte!
Seu coração implorava por aquilo, sua mente queria desesperadamente seguir o coração.
Por que era tão difícil assim negar qualquer coisa para Tom?
De repente, lembrou-se de um diálogo que ouvira em Glee enquanto peregrinava pelos canais de televisão em um dia tedioso de chuva. 'Por que você não esquece essa garota? Ela te traiu, ela só fez mal a você!' perguntou a protagonista. Como viu que não obteria resposta, ela mesma respondeu a pergunta. 'Eu sei por quê... Porque nós perdoamos qualquer coisa do nosso primeiro amor'.
sentiu uma dor esquisita no peito; ela não queria ser assim. Justo ela, a miss independent, presa ao seu primeiro amor?
- , diz alguma coisa, por favor. - Tom pediu, dando dois passos em sua direção.
abriu a boca para responder, mas o baque surdo do corpo do garoto ao aterrissar no chão a impediu.
Harry sentiu mais dor com as palavras.
só foi domada por alguns instantes. Assim que percebeu que Harry havia amolecido, soltou-se dos pulsos de ferro dele e deu-lhe um tapa bem dado no rosto.
Harry curvou-se para frente xingando baixinho e esfriando o local com as mãos frias.
- Por que você fez isso, caralho? - ele perguntou irritado.
- Você me deu outra opção? - afastou-se dele com medo de ser presa novamente.
- Dei! A opção da explicação! - ele berrou arrumando a postura. - Porra, , eu só quero entender!
limpou com as costas da mão as lágrimas que molhavam seu rosto e encarou suas pantufas de ficar em casa.
- Não tem nada para entender. Será que você não entende isso?
- Não, não entendo! - ele suspirou derrotado. - Você disse que ia terminar com ele, disse que ficaríamos juntos depois do baile. O que mudou? Por que você não quer mais ficar comigo?
- Porque eu não quero carregar o sentimento de culpa por toda a minha vida! - ela berrou finalmente se abrindo. Harry não ia desistir e ela só queria que ele a deixasse em paz para chorar pelo resto da noite. - Eu não quero construir um relacionamento baseado em uma mentira! Eu não quero ser chamada de vaca por todo mundo! Eu não quero ser a outra, aquela que não tem conteúdo algum e sai por aí abrindo as pernas pra qualquer um! Porra, Harry, eu não quero ser quem eu estou sendo agora!
Harry olhou embasbacado para não acreditando que aqueles eram mesmo seus motivos. Então tudo que passaram juntos era facilmente descartado por vaidades de uma menina mimada?
Danny não teve tempo de sentir.
estava curtindo cada vez mais o beijo e o calor que sentia era uma prova disso. Ela sabia que faria alguma besteira se Danny continuasse a acariciar sua cintura delicadamente. Sabia que não conseguiria se controlar se ele continuasse a morder seu lábio inferior de um jeito totalmente enlouquecedor. Sabia que teria de juntar todas as suas forças para evitar uma catástrofe se Danny não parasse de pressionar seu corpo contra o dela.
Infelizmente - ou felizmente -, no final, nem foi tão difícil assim reunir forças para se controlar, Danny Jones cavou sua própria cova com um só deslize.
- Hm... Você tem gosto de hortelã, ... - ele murmurou no ouvido de em um dos poucos momentos em que eles separaram as bocas para respirar.
arregalou os olhos no mesmo instante e o empurrou para longe. Antes mesmo que pudesse pensar direito, espalmou os cinco dedos no rosto quente de Danny, que caiu desfalecido no chão.
'Ai meu Deus! Eu matei Danny Jones!'
Capítulo betado por Fee
Capítulo 16 - 'And I don't feel like I am strong enough...'
Seether feat. Amy Lee, Broken
Dougie e .
Dougie cambaleou para trás, arregalando os olhos que, naquele momento, brilhavam num tom de azul royal. O ar fugiu-lhe dos pulmões e ele permaneceu um bom tempo imóvel.
levou as mãos a boca e começou a tremer.
- Meu Deus, me desculpe! - ela exclamou, correndo até ele. Tentou tocá-lo, mas Dougie desvencilhou-se, perplexo. - Eu perdi o controle, eu...
- Você pode me explicar por que fez isso? - Dougie pediu, irritado.
deixou uma lágrima solitária rolar pelo rosto.
- Me desculpe, eu perdi o controle. Já faz tanto tempo, eu só... Eu não... Me desculpe! - ela nem sabia o que dizer, gesticulando com exagero, visivelmente constrangida. - Eu não devia ter feito isso!
- Ah, você acha? - ele berrou, irônico.
Dougie olhava para incrédulo; o que diabos acabara de acontecer? Já não bastava o pé na bunda que levara de , agora ele era rejeitado pelo grande amor de sua vida!?
Definitivamente as coisas não andavam muito boas para o baixista...
E de repente, sem qualquer aviso prévio, parou de pedir desculpas feito uma idiota e ficou séria, fitando Dougie com intensidade. Seus olhos verdes faiscavam de um jeito que ele jamais havia visto.
- O que foi? - ele se viu perguntando, preocupado com aquela mudança repentina de estado de espírito.
- O que foi? Você ainda me pergunta o que foi? - cuspiu as palavras, franzindo o cenho de um modo assustador.
'Pronto, baixou a TPM, tô fodido' o moreno pensou, cruzando os braços na defensiva em frente ao corpo.
- Quem você pensa que é para tratar as pessoas desse jeito, eim? E a , já se esqueceu dela? - parecia possuída pelo Lúcifer em pessoa, os olhos pegando fogo de raiva. Até a fala baixa e rápida parecia a de outra pessoa. Dougie deu alguns passos para trás, preparando-se para correr uma maratona a qualquer sinal de giros de 360 graus com a cabeça. - Acha que pode sair por aí beijando qualquer uma e não sofrer as consequências? Espera só até eu contar para a sobre isso, seu imbecil!
Dougie não podia afirmar com certeza, mas alguma coisa bem no fundo do seu âmago lhe dizia que estava blefando. Mas a necessidade de fumar um cigarro tirava-lhe toda a concentração, então ele deixou essa teoria de lado para apalpar os bolsos em busca do tabaco e da seda. E lá estavam eles, imaculados, pedindo para serem fumados.
Mas eles não podiam ser fumados enquanto não parasse de gritar, e isso só aconteceria se Dougie contasse a verdade.
O baixista respirou fundo e soltou o ar devagar, como sua professora de coral o ensinara. Não pretendia contar a "novidade" tão cedo, mas não lhe dava outra escolha.
- ...além do mais, ela sempre foi uma boa namorada para você, e eu...
- Ela terminou comigo hoje de manhã antes das provas, . - ele soltou de uma vez só.
- ...sou só sua ex-namorada de infância, não tem parâmetro...
- , você me ouviu? Nós terminamos.
- ...será que você não... O quê?
inclinou a cabeça para o lado, pega de surpresa. Uma surpresa um tanto quanto falsa, de acordo com os poucos neurônios de Dougie que não estavam concentrados nos cigarros em seu bolso.
- Não se faça de desentendida, . Foi isso mesmo que você ouviu. - não aguentando mais esperar, o baixista tirou a seda e o tabaco dos bolsos da calça e começou a bolar seu cigarro, trêmulo. - Nós terminamos. Acabou. Fim. Agora, se por estar traindo eu recebi um tapa no rosto, sugiro que você comece a pedir desculpas com mais vontade.
Ruiva e moreno estavam sentados nos fundos do Varsity Pub, fumando um cigarro e olhando para as estrelas. Não haviam falando nada desde que Dougie revelara a o que ela já sabia. Ele não conseguiria abrir a boca enquanto não acabasse de reabastecer os pulmões com um pouquinho de câncer, e ela não queria ter que se explicar, então permanecia muda.
Sabe-se lá quanto tempo os dois passaram ali, com as costas na mureta de tijolos; o fato é que pareceu uma eternidade.
Dougie mirou em uma bicicleta que passava e jogou a bituca do cigarro, acertando o hidrante ao invés.
- Você quer conversar sobre o que acabou de acontecer? - ele finalmente conseguiu formular uma frase coerente, orgulhoso de sua performance.
- Não exatamente. E você? - virou-se para ele.
- Não exatamente.
- Suspeitei desde o princípio. - a ruiva comentou, voltando a apoiar a cabeça no muro. - Sobre o que quer conversar, então?
- Bom, meu plano inicial era te contar sobre o pé na bunda que levei de e só depois agarrá-la, mas as coisas saíram um pouco diferentes do planejado. - Dougie deu de ombros.
soltou uma risadinha nasalada e abaixou a cabeça. Dougie sabia que ela estava vermelha, porque sempre fazia de tudo para esconder sua faces ruborizadas. Aquela era uma das coisas que ele achava mais fofo na ex-namorada.
'São pensamentos como esses que me envergonham de ter nascido com culhões' ele pensou, mordendo o lábio com força.
- Mas me diga, como você se sente em relação ao pé na bunda? - continuou, tentando manter uma conversa racional.
- Tirando o fato de que agora eu vou finalmente poder assumir um relacionamento sério com a minha mão direita, eu estou me sentindo... - Dougie parou para pensar, mas, por mais que o fizesse, não conseguia tirar da ponta da língua a palavra que o assombrava. - Normal.
- Não é isso que as pessoas costumam se sentir quando terminam um namoro. - comentou, só por comentar.
- As pessoas também não costumam namorar umas as outras só para tentar esquecer uma terceira. Ah não, falha minha, isso acontece sempre! - Dougie disparou, sarcástico.
Mais uma vez, abaixou o rosto, e mais uma vez, Dougie ficou com vontade de apertar as bochechas dela.
- Quem você estava tentando esquecer? - ela perguntou, ainda sem olhar para ele.
- Essa pergunta é séria, ? Você tem quantos anos mesmo? 8? - Dougie brincou, empurrando pelos ombros. - Quem foi minha única namorada além da ?
- Não precisa vir com todo o sarcasmo pra cima de mim, ok? Eu não tenho 8 anos... Eu só não sou prepotente ao ponto de me apontar como principal suspeita. - a ruiva revirou os olhos e roubou mais um cigarro da cartilha de Dougie.
O moreno riu de lado, acendendo o isqueiro na frente do cigarro dela. Enquanto ela tragava profundamente para acendê-lo, os dois se olharam com intensidade através da chama.
- Eu nunca esqueci você, . - Dougie admitiu, fechando o Zippo com um estalo quando percebeu que o cigarro já estava aceso.
soltou a fumaça presa em seus pulmões e tossiu um pouco. Passado o acesso de tosse, ela voltou a encarar os tênis.
- Você não vai dizer nada? Nem um "obrigada, mas eu não posso dizer o mesmo"? - Dougie insistiu.
suspirou. Se eles estavam brincando do jogo da sinceridade, não era ela que iria quebrar as regras. Afinal de contas, omitir não era o mesmo que mentir.
- Eu também nunca te esqueci, Dougster.
Dougie sorriu abobalhado ao ouvir o antigo apelido; quem era aquela garota, e quais eram seus poderes psíquicos para dominá-lo com a simples menção de um apelido idiota?
- Bom, há de se convir que minha habilidade de arrotar o hino da França é bem inesquecível mesmo. - ele brincou, querendo quebrar aquele momento tenso.
riu gostoso, e Dougie aproveitou para acender outro cigarro.
- Eu lembro como se fosse ontem... - suspirou, nostálgica. - Nós dois na Marina, esperando na fila para entrar no cinema. Eu toda perfumada, de vestido e cabelo alisado, e você de All Star cano médio, meias na metade das canelas, o cabelo pintado de vermelho e arrotando o hino da França.
- Bons tempos... - Dougie deixou os ombros caírem.
- Eu realmente não sei como meus pais me deixaram sair de casa com você. - admitiu, entre as risadas dos dois.
Dougie pegou as mãos da ex-namorada entre as suas e as apertou. subiu seus olhos até encontrar os dele. Parecia prestes a chorar, e Dougie não conseguia compreender o porquê. Tinha que ter algum outro motivo além das lembranças.
- Nós podemos tentar de novo. - ele sugeriu, sério e intenso. - Não há nada nos impedindo agora! Nós podemos ser aquele casal de novo. É só você querer.
ficou muda, incapaz de abrir a boca.
- foi muito especial para mim, mas nunca passou de uma amiga. Eu nunca senti com ela o que eu fui capaz de sentir com você; ela foi só uma ótima amiga, a única que foi capaz de me distrair de você. Quando você voltou, eu não soube o que fazer; eu não podia simplesmente descartá-la! Não depois de ter sido tão boa pra mim. Mas agora ela terminou comigo! Não acha que isso talvez seja um sinal? Olha só - ele então soltou uma das mãos de e puxou o piercing do lábio -, isso aqui estava perdido nas profundezas do meu quarto há muito tempo, mas foi só você voltar que ele ressurgiu! Tem alguém querendo nos dizer algo, , e eu sei disso!
sentiu seu peito inflamar de felicidade. Nunca, em toda a sua vida, sentira-se tão maravilhosamente bem.
'Vamos lá, ! É só aceitar! Você merece ser feliz de novo!'
Seus olhos se encheram de lágrimas. Por que ela não podia entregar-se? Por quê? Era só... Dizer sim!
'Ilusão. É só uma ilusão. Você não pode realmente pensar que vocês vão voltar e tudo vai ser como antes!'
- O que me diz, ? Vamos tentar de novo? - Dougie insistiu, colocando parte do cabelo rebelde da ruiva atrás da orelha.
- Dougie, eu... - ela respirou fundo mais uma vez. A coragem precisava vir. Ela queria desesperadamente que a coragem viesse. Mas ela não veio. - Eu não posso.
Ela pôde ver muito bem o lampejo de desapontamento passar pelos olhos de Dougie. Ele soltou as mãos da ex-namorada e fitou o chão.
Aproveitando a deixa, vestiu sua máscara de indiferença e levantou-se.
- Eu acho que você entendeu tudo errado. Nós - ela apontou para ele e depois para ela - não daríamos certo. Não vamos estragar as lembranças maravilhosas que temos um do outro. Eu só faria mal a você.
Dougie não disse nada, ainda sem olhar para ela.
- Eu vou nessa. Obrigada - 'por fazer minha vida valer a pena' - pelos cigarros.
Dougie esperou ir embora para finalmente soltar aquele nó na garganta. Pelo menos essa dignidade ele ainda tinha. Nunca chorar na frente da ex-namorada era uma das regras do Manual do Homem, e ele realmente levava o manual muito a sério.
Ele deixou uma ou duas lágrimas caírem e as secou com força com a manga da blusa. Parecia um garotinho birrento chorando por não ter conseguido o carrinho motorizado de Natal!
Levantou-se e bateu a poeira das calças. Algumas meninas muito bem produzidas passaram por ele e cochicharam entre si, mas Dougie só conseguiu pegar o começo. 'Coitado do garoto, está chorando...'
'Vagabundas...' ele pensou, afastando-se o mais rápido que pôde dali. Na verdade, queria apagar completamente da mente aquele dia. Maldito dia em que saiu de casa!
Esperou por exatos 7 minutos o ônibus da linha 14. Dougie não gostava de pegar a linha 14, pois ela estava sempre lotada de intercambistas que iam até o Royal Pavilion tirar algumas fotos do palácio e depois correr para o North Laine, ansiosos por encher a cara, mas ele não tinha outra opção. Naquela hora da noite, ou era a linha 14 ou era um táxi.
O ônibus, como ele suspeitou, estava lotado. Dougie mostrou seu cartão para o motorista e foi direto para o segundo andar, esbarrando em algumas mulheres que conversavam ao lado de seus carrinhos de bebê.
Lá em cima ele não encontrou lugares vazios, então acabou sentando-se ao lado de uma garota que falava animada ao celular. Ele não sabia em qual língua ela falava, e nem queria saber.
O baixista ligou o iPod e relaxou. Nem havia percebido o quão tenso estava.
Fechou e olhos e tentou não pensar na humilhação que havia acabado de passar. Eco & The Bunnymen talvez não fosse a melhor trilha sonora, mas ele estava com preguiça demais para mudar.
So cruelly you kissed me...
Your lips a magic world!
Dougie desligou o aparelho irritado e o enfiou no bolso do blusão. A garota do celular agora olhava distraída pela janela. Mas mal o ônibus fez uma curva, ela se virou para o lado e sorriu.
- Por favor, você sabe me dizer se o Royal Pavilion ainda está aberto?
Dougie fez esforço para não revirar os olhos.
- Provavelmente sim... Ele só fecha lá pelas 24h. - ele respondeu, tentando ao máximo ser educado.
- Ah, que ótimo! - ela exclamou, o sotaque latino saltando-lhe pelos lábios.
Dougie achou graça na animação da menina em visitar um palácio idiota e sorriu. Ela tomou isso como um incentivo para continuar, e foi o que fez.
- Meu nome é Laís, eu sou brasileira. - ela estendeu a mão, e Dougie a apertou. Arrependeu-se amargamente; ela parecia uma pedra de gelo.
- Nossa, você deve estar com frio. - ele comentou, olhando para a garota toda agasalhada com o que pareciam 3 blusas de lã. - Meu nome é Dougie.
- Muito prazer, Dougie. - Laís sorriu, apertando os olhos castanhos para ele. - Você andou chorando?
O baixista arregalou os olhos. Aquele não era o tipo de conversa que ele estava acostumado a levar nos ônibus. As velhinhas com quem conversava nunca estavam interessadas em nada além do tempo.
- Não. - ele respondeu no mesmo instante.
- Seus olhos estão vermelhos... - a brasileira deu de ombros. - Desde que eu cheguei aqui, andei chorando muito... Já sou especialista em distinguir olhos vermelhos de choro e olhos vermelhos de maconha.
Dougie remexeu-se desconfortável.
- Por que você... Hm... Andou chorando?
- Ah, homesick, problemas de adaptação, problemas em entender esse maldito inglês... - ela olhou de relance para Dougie. - Vocês não são o povo mais simpático da face da terra, sabe...
- É, estou ciente disso. - Dougie deu de ombros. Eles não pediam por intercambistas; eles simplesmente pareciam brotar da terra. - Mas os intercambistas também não são o povo mais educado da face da terra.
- Eu sou bem educada! - Laís esbravejou, ofendida.
- Tenho certeza que é.
Laís ficou quieta por um instante, sentindo o sacolejar do ônibus. Mas ela era daquele tipo de garota que não era capaz de calar a boca um só instante, por isso continuou a tagarelar depois de algum tempo.
- Me diga, Dougie, por que você andou chorando?
Dougie até tomou um susto ao perceber que havia se esquecido do motivo que o fizera chorar.
- Mulheres...
Laís riu.
- Nós somos péssimas, não? - Dougie concordou com a cabeça. - O que aconteceu?
Dougie deixou escapar uma risadinha. Como se ele fosse contar para uma estranha sua história de vida! Só uma brasileira mesmo para achar que...
Então, quando se ele deu conta, estava contando tudo o que acontecera com ele, desde a viagem de para o México até o beijo de minutos atrás. Ao final, estava sem fôlego e sentindo-se mais leve.
O ônibus deu um tranco e virou a esquina, revelando o grande Royal Pavilion, dourado, imponente.
- Eu tenho uma ótima análise sobre o seu caso, Dougie. - Laís comentou, juntando suas tralhas de turista contra o corpo. - Mas não tenho tempo para explicá-la.
- Então só me diga o que fazer! - o baixista praticamente berrou, atraindo a atenção dos outros passageiros. - Por favor. Eu estou desesperado. - ele abaixou a voz, olhando suplicante para a estranha do ônibus.
De repente, Dougie foi jogado para a frente e voltou com a parada do ônibus. Laís levantou-se, passou por ele e, enquanto esperava as outras pessoas andarem na fila em sua frente, disse.
- Não deixe esse episódio te abalar, Dougie! Se é ela quem você quer, é por ela que você tem que lutar. É só não desistir na primeira dificuldade. A menina está confusa, só isso... Lá no Brasil nós costumamos dizer que a garota está fazendo 'cu doce' quando isso acontece... Vai com calma, peça desculpas, faça ela se sentir segura... Mostre para ela que você é o que ela sempre sonhou! - Laís sorriu, sendo empurrada pela fila de pessoas. - Prazer em te conhecer, Dougie!
- Prazer em te conhecer, Laís! - Dougie acenou de longe, observando-a desaparecer pelas escadas. Encostou a testa no vidro e observou a estranha correr pela calçada para atravessar a rua e riu quando ela olhou para o lado errado da rua e quase foi atropelada.
Assim que o ônibus partiu, ele encostou a cabeça no encosto estofado e pensou nas palavras da brasileira.
Ele não iria desistir de tão fácil assim.
Não mesmo.
abriu a porta de casa sem se importar em não fazer barulho. Fechou-a atrás de si e sua mãe, que assistia TV na sala, virou-se para olhá-la. Tomou um susto ao perceber que a filha chorava torrencialmente.
Correu até ela e a abraçou. desabou nos braços da mãe e soluçou. Seu pai, ouvindo a movimentação no andar de baixo, desceu as escadas correndo, mas sua mãe fez sinal para que ele voltasse e não deixasse o irmãozinho de descer e encher o saco.
A sra. levou até o sofá e sentou-se com ela ali. chorava tanto que ela nem se atreveu a perguntar o que havia acontecido.
Depois de muito tempo, a ruiva se acalmou o suficiente para parar de soluçar, mas não de chorar. Aproveitando a deixa, a sra. perguntou, com todo o cuidado.
- O que foi que aconteceu, querida?
soluçou com um solavanco e chorou alto antes de responder.
- E-ele... E-e-ele me b-beijou...
Capítulo 17 - 'Her heart is breaking in front of me!'
Maroon 5, This Love
Tom e .
- JIM! - ouviu-se a voz de ecoar pelo hall, mas o moreno não deu importância. Ele foi até Tom caído no chão e o pegou pelo colarinho, levantando-o para dar-lhe uma cabeçada.
Tom, meio zonzo, cambaleou para trás, e Jim recuou. Aproveitando a baixa da guarda do oponente, o loiro fechou o punho e acertou sua orelha.
- PAREM COM ISSO! - berrou, entrando no meio da briga. - PAREM COM ISSO AGORA!
Jim empurrou com força e ela bateu com o ombro na parede, gemendo de dor. Tom observou a cena atônito, ficando fora de si; partiu novamente para cima de Jim, acertando em cheio seu nariz. O moreno urrou, berrando todos os palavrões existentes. Depois saiu correndo e se jogou em cima de Tom.
Os dois se agarraram e caíram no chão. Tom chutava Jim e Jim socava Tom. A briga rolava quase que poética ao embalo dos berros desesperados de . Se não fosse tão desesperador, ela até poderia estar se sentindo lisonjeada. Sempre quis dois homens brigando por ela, mas não daquele jeito.
Jim passou as pernas pela cintura de Tom e jogou o peso para o lado, ficando em cima do loiro. Começou então a esmurrar seu rosto. Em pouco tempo, Tom jazia inconsciente no chão, sem poder se defender.
- JIM, PARA! VOCÊ VAI MATAR ELE! - correu até os dois, mais uma vez sendo empurrada para trás; ela não tinha forças o suficiente para impedi-lo, e precisava de ajuda. Sem nem pensar duas vezes, inflou os pulmões de ar e começou a gritar. - SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDA, POR FAVOR!
A morena saiu correndo pelo hall esmurrando todas as portas de seus vizinhos. Logo, homens de pijamas, mulheres sonolentas e crianças curiosas colocavam a cabeça para fora de suas portas.
- POR FAVOR, ME AJUDEM! - ela berrou, apontando para os dois garotos no chão.
Três homens e um adolescente correrem até a briga, e foi necessário a força dos quatro para retirar Jim de cima de Tom.
- VOCÊ VAI FICAR DO LADO DELE? - Jim berrava, se debatendo todo. Ele estava fora de si. - VOCÊ VAI FICAR DO LADO DO CARA QUE NUNCA TE DEU VALOR?
- VOCÊ NEM CONHECE ELE, SEU MANÍACO! - gritou de volta, correndo até o amigo desfalecido no chão. - VAI EMBORA, EU NUNCA MAIS QUERO VER SUA CARA NA MINHA FRENTE, SEU FILHO DA PUTA!
Jim, a todo custo, soltou-se dos homens que o seguravam e desapareceu pelas escadas de incêndio como uma sombra.
As lágrimas corriam pelo rosto de , enquanto ela acariciava o rosto machucado de Tom no chão.
- Tom, não morre, por favor não morre...
- Ele não está morto. - um dos homens que a socorrera ajoelhou-se ao seu lado, apontando para o peito que subia e descia de Tom. - Só desmaiou. Deve acordar daqui a pouco. Você sabe onde ele mora?
- Sei. - respondeu, chorosa. - Não é melhor levá-lo para um hospital?
- Se você estiver disposta a denunciar o seu amigo, pode levá-lo. - o homem respondeu, chamando os outros para ajudá-lo a levantar Tom. - Mas pela sua cara, acho que não vai querer isso. Vamos, eu levo ele, você só precisa me indicar o caminho.
, os quatro homens e Tom desmaiado subiram pelas escadas do pequeno prédio em que ele morava. A morena rezava para que Harry estivesse em casa, mas ele não estava. Ela então pegou a chave reserva debaixo do tapete e abriu a porta, pedindo para que os homens colocassem Tom em sua cama.
Eles o colocaram lá, agradeceu mais de 100 vezes e finalmente encontrou-se sozinha com Tom.
Ela foi até a cozinha, pegou uma toalha e um balde com água e voltou para o quarto. Limpou as feridas de Tom e foi até o banheiro, pegando bandaids. Ele ainda precisaria ir até o hospital para tomar alguns pontos no lábio, mas era melhor do que nada.
- Me desculpe por isso. - sussurrou, enfiando os dedos pelo cabelo embaraçado de Tom e os colocando para trás. Continuou fazendo isso repetidas vezes, como se acariciasse um gato. - Você me salvou daquele psicopata, mesmo sem a intenção... Obrigada.
Tom continuava apagado. então beijou-lhe a testa e suspirou. Pegou uma folha do caderno de física dele, que jazia completamente vazio na escrivaninha do quarto, e ficou alguns minutos pensando no que queria dizer. Finalmente, ela escreveu algumas linhas - que não diziam nem um pouco tudo o que ela gostaria de dizer -, depositou o papel dobrado em cima do caderno fechado e saiu do apartamento.
Tom acordou dez minutos depois, sentindo todo o corpo latejar. Fez a menção de se levantar, mas a dor de cabeça foi tão intensa que ele resolveu permanecer deitado até que ela parasse. Abriu os olhos e esperou a visão entrar no foco. Ele encarou o teto do próprio quarto, confuso. Ele não estava na sala, assistindo A Pequena Sereia? Por que estava agora em seu quarto? E por que estava tão dolorido?
Aos poucos, as cenas da briga com o novo namorado de , Jim, foram voltando, e ele sentiu a raiva circular pelas suas veias. Sentiu vontade de levantar correndo e voltar para o apartamento dela, mas não achou prudente; se ele estava em sua própria casa, então ela o havia levado ali, pois só ela sabia onde ficavam as chaves reservas. Além disso, era bem provável que Jim já tivesse ido embora e não iria mais incomodá-la.
Tom suspirou e voltou a fechar os olhos.
, sempre trazendo problemas para sua vida. Até quando seria assim?
Eles eram amigos desde sempre, e ele sempre estava metido em confusões por causa dela. Como quando os dois eram crianças inocentes de 5 anos cursando a nursery school e Billy Thompsom roubou a boneca favorita dela; Tom ficou de castigo pelo resto do dia por tê-lo jogado de cima do trepa-trepa. Ou então no primeiro ano do high school, quando eles tinham 11 anos e Tom começava a se interessar pelas garotas. Um dia ele e os amigos estavam olhando o vestiário das meninas mais velhas e os pegou no pulo; ele passou uma semana em casa pela suspensão que levou e o resto do ano sendo perseguido pela diretora.
Mas nenhuma dessas confusões passava perto da confusão mental de ter perdido a virgindade com a melhor amiga.
Tom chegava a passar horas deitado na cama, relembrando-se desse dia. Mesmo quando namorava Cassadee, voltar para o dia de sua primeira vez era um de seus passatempos favoritos. Ele não sabia o porquê, mas sempre que se lembrava de como adormecera em seus braços seu pulso acelerava e ele se sentia bem.
Os dois tinham 15 anos e estavam no penúltimo ano do high school. Tom havia acabado de ganhar sua tão sonhada Gibson Les Paul e perguntava-se se seria muito estranho ligar para . Não que ele não ligasse sempre para ela; aliás, era sempre para ela que ele ligava quando algo de bom ou ruim acontecia, mas não naquela segunda-feira. Não quando os dois haviam passado a festa inteira do domingo agarrando-se no porão da casa de Georgia Smith.
Os dois estavam pegando gosto pela troca de saliva; já era a quinta festa consecutiva em que eles bebiam demais e acabavam em algum canto qualquer, beijando-se como se não houvesse amanhã.
Era muito estranho para Tom ter aqueles sentimentos por , já que ela era sua amiga de longa data. A mesma que correu dois quilômetros até a casa dele para avisar para seus pais que ele havia caído de bicicleta. A mesma que tomou banho com ele até os 8 anos de idade. A mesma que não gostava de abraçá-lo para tirar fotos nas festinhas de aniversário. Mas ele não conseguia se controlar; era só ela dançar perto que ele já queria agarrá-la.
Por que ele não se sentia do mesmo jeito com , que era tão sua amiga ou talvez mais? Seria pelo mesmo motivo pelo qual ele não queria apresentar para , pois sabia que a loira ficaria com ciúmes do jeito que ele tratava a morena?
Ele culpava os hormônios, e sempre fazia questão de esconder o fato de que não sentia tudo aquilo por mais nenhuma garota, só por .
Ele finalmente decidiu ligar, depois de discar e apagar o número dela inúmeras vezes.
atendeu ao segundo toque.
- Alô? - ela disse, afoita.
- Oi, . - ele respondeu, sentindo-se idiota. Por que havia ligado mesmo?
- Tom! - ela berrou, animada. - Por que não foi pro colégio hoje? Tivemos uma palestra sobre educação sexual e você perdeu o Dougie sendo suspenso por, abre aspas, gemer durante uma apresentação séria, fecha aspas.
Tom riu com a história e se sentiu menos tenso. Ela não parecia muito preocupada em comentar sobre os beijos que trocaram na festa do dia anterior, então ele podia relaxar. Não que ele não estivesse decepcionado por ela sempre parecer se esquecer das noites que passavam juntos, mas ele não podia deixar de admitir que era um alívio e tanto. não era como as outras garotas, que precisavam conversar e discutir sobre tudo. Era isso o que ele mais gostava nela.
- Eu não fui porque tive que ficar em casa para esperar uma encomenda. - ele contou, esquecendo todo o drama daquele relacionamento esquisito e sentindo-se imensamente feliz ao lembrar-se da nova guitarra. - Te dou uma chance para adivinhar o que...
- AH, MEU DEUS, TOM! O SEU KIT DE AUMENTO DE PÊNIS FINALMENTE CHEGOU! - berrou do outro lado, e Tom teve que afastar o celular da orelha, rindo. - AH, TOM, EU NEM ACREDITO! ESSE DEVE SER O DIA MAIS FELIZ DA SUA VIDA!
- Para a sua informação, o meu pinto tem 35cm no frio. - Tom respondeu assim que parou de berrar. - E você parecia curiosamente interessada nele ontem à noite.
- Na verdade, meu caro, eu só estava fazendo meu trabalho de detetive e procurando entre as suas pernas o que deveria estar lá. Nem preciso dizer que falhei com louvor. - Tom ouviu um barulho do outro lado e imaginou ser deitando-se na cama. O que será que ela estava vestindo? Ou será que estava sem roupa?
Era tão difícil ter 15 anos e a melhor amiga mais gostosa do colégio...
- , eu não entendo porque você está desperdiçando seu talento como comediante. Você deveria estar na TV! - ele comentou, irônico. - E não, não foi meu kit para aumentar pênis, que já é monstruosamente imenso, que chegou. Por acaso, foi a minha Les Paul.
Tom teve que afastar o celular da orelha mais uma vez. Os gritos de eram tão altos que ele desconfiava que os vizinhos de baixo estavam ouvindo.
- , porra, nem eu fiquei tão histérico assim! - ele gritou, tentando abafar os gritos da amiga.
- Eu nem acredito, Tom! - ela disse, quando conseguiu ficar mais calma. - Quando vamos poder testá-la?
Tom imaginou pelada, segurando a guitarra com um cigarro na boca.
Maldita imaginação fértil.
- Se quiser vir aqui, estou tocando ela agora mesmo. - Tom ligou o amplificador, que chiou. - Está ouvindo?
- O Harry está aí com você? - ela quis saber, mas Tom não conseguiu perceber a malícia em sua voz. Estava mais preocupado em imaginá-la sem roupa atrás de uma bateria. Não conseguia se decidir qual imagem era mais excitante.
- Não, ele voltou para Liverpool. O avô dele quebrou o fêmur ou alguma coisa do tipo. - Tom respondeu distraído.
- Beleza... Passo aí em 10 minutos. - combinou, e os dois desligaram.
Tom passou os 10 minutos seguintes dedilhando a nova guitarra, apaixonado pelo som que ela reproduzia. Se as guitarras fossem seres humanos, a Les Paul era Deus.
Quando a campainha tocou, Tom colocou a guitarra de lado e foi atender a porta. A reação de abrir a boca foi quase imediata. No que estava pensado? Ela queria matá-lo?
A morena usava uma mini-saia preta de zíper, uma regata branca transparente que denunciava seu sutiã preto e chinelos. Suas bochechas estavam coradas e ela sorria com os olhos azuis.
- Veio correndo? - Tom perguntou, tentando não olhar muito para o seu decote.
- Não, por quê? - ela perguntou, entrando sem pedir permissão. Jogou-se no sofá e cruzou as pernas. Tom apertou a maçaneta com força.
- Você está vermelha. - ele se limitou a dizer, trancando a porta.
E lá estavam eles. Sozinhos.
- Ah, isso? - ela sorriu. - Está calor lá fora.
Tom foi até a cozinha e pegou duas cervejas na geladeira. Quando voltou, não estava mais na sala. Ele foi então até o quarto, encontrando-a sentada na cama com a guitarra no colo.
- Se você deixar cair eu juro que corto todos os seus dedos com um alicate. - ele ameaçou, sentando-se ao seu lado. colocou a guitarra do lado, ofendida. - Eu estou brincando, pode tocar.
- Também não quero mais. - ela cruzou os braços, emburrada.
- Ah, para de ser bicha, . - Tom brincou, abraçando a amiga pelos ombros. - Eu estava brincando.
- Não! Pode abraçar sua preciosa guitarra e fazer amor com ela! - continuou de birra. - Quero só ver aonde você vai penetrar seu membro imenso de 35cm.
- No frio. - Tom completou, achando graça.
deu uma olhada de lado, conferindo o pacote. Tom percebeu o que ela estava fazendo e curvou-se para frente.
- Tire esses olhos julgadores de mim, satã, antes que eu tenha que te provar que sou grande o suficiente.
- Como se você fosse... - revirou os olhos, na maior pose bitch please.
- Ah, então você está mesmo duvidando da minha masculinidade? - Tom perguntou, perplexo.
- De jeito nenhum, Tom! - a morena exclamou, levantando os braços em sinal de rendição. - Eu estou afirmando sua falta de masculinidade.
- Você vai se arrepender de ter dito isso. - Tom puxou para seu colo. Ela soltou um gritinho abafado e gargalhou. - Ou não.
não pensou que Tom estivesse falando sério e continuou gargalhando, mas ele não a acompanhou. Ela percebeu isso e voltou a cabeça para seu eixo normal. Tom olhava para sua boca de um jeito que ela nunca vira.
- Então nós estamos mesmo fazendo isso? - ela perguntou, enfiando as duas mãos na nuca de Tom e sorrindo com malícia. Ele lambeu o lábio inferior e aproximou as duas cabeças. Suas mãos estavam estrategicamente localizadas na cintura da amiga. - Você vai mesmo me provar que é homem, Thomas Fletcher?
- Não. - Tom sussurrou, mordendo sua orelha. - Eu vou fazer com que você nunca mais queira ficar com outro homem.
O Tom de 3 anos no futuro suspirou. Por que diabos ele dissera aquilo? Claro que na hora era o que ele mais queria - ter , a garota mais linda do colégio, só para ele -, mas como ele poderia saber que levaria aquilo tão a sério?
Será que ele era tão bom de cama assim?
Aos poucos ele se virou de lado. A cabeça ainda latejava, mas pelo menos a dor da costela estava diminuindo. Colocou o travesseiro na cabeça e voltou 3 anos no tempo.
- Vamos ver se você consegue essa proeza. - brincou, abaixando os olhos para os lábios do amigo.
Aquele era o sinal. Era só ela olhar para a sua boca. Ele tinha entendido isso depois da segunda vez que ficaram.
Tom já estava com no colo, então foi fácil virar-se para trás e deitar-se sobre ela. Ele ainda ficou um bom tempo analisando o rosto da melhor amiga; quando foi que ela ficara tão bonita? Não conseguia se lembrar. Alguns dias atrás ela era uma criança gordinha com os dentes separados, e lá estava ela, os olhos azuis como dois faróis, os lábios chamando por ele, o corpo meticulosamente desenhado.
, percebendo a aproximação de Tom, fechou os olhos e deixou a boca entreaberta. Tom beijou primeiro seu pescoço, para subir ao queixo e, por fim, acertar-lhe a boca.
O beijo foi bem calmo, mas eles sempre eram. A princípio.
, que até aquele momento estava estática, envolveu o pescoço do loiro com os braços e grudou seus corpos. Tom, gostando daquela sensação, riu em meio ao beijo, e fez o mesmo.
- Você está pensando o mesmo que eu? - perguntou, ainda com os lábios grudados aos de Tom.
- Se você está pensando no melhor jeito de mostrar seu pênis monstruosamente grande e largo para mim sem me assustar, sim, eu estou. - Tom respondeu, fazendo gargalhar e separar suas bocas.
- Na verdade, eu estou pensando em como isso é esquisito. - ela admitiu, beijando a bochecha do amigo. - Mas eu preciso admitir que, de uns tempos pra cá, eu só penso em quando vou ficar com você de novo.
- Fico tranquilo em saber que você não tem um pênis. - Tom comentou, lambendo a bochecha da amiga, que riu e a secou com as costas da mão.
Tom estava em cima dela, apoiando nos cotovelos, e ainda segurava sua nuca com carinho. Suas pernas estavam entrelaçadas e Tom podia sentir seu amiguinho ficar animado nas calças. Ele pensou seriamente em continuar com as piadas, já que o seu cérebro parecia estar passando por um curto circuito, e ele não sabia mais o que fazer. Jogar na cama era o máximo de sua atitude. O que ele devia fazer agora? Tirar as calças e partir para o ataque? Beijá-la até ela implorar por mais?
Será que aquele era o último momento para estragar tudo e desencanar da ideia antes de ir a fundo? Afinal, eles ainda não haviam feito nada. Seria fácil desistir, colocar um filme na TV e passar a tarde com ela, como amigos faziam. É, era isso que amigos faziam; eles assistiam TV. Eles definitivamente não transavam no quarto um do outro, só para provar que eram capazes.
Mas, por outro lado, Tom podia deixar de ser virgem naquele mesmo dia! O quão glorificado ele seria se chegasse no colégio no dia seguinte admitindo ter perdido a virgindade com , o sonho de consumo de todos.
Só que, infelizmente, Tom sabia que a amiga também era virgem. Será que ele seria egoísta ao ponto de fazer aquilo com ela só para contar para os amigos? E se depois ele não quisesse mais nada com a amiga? Claro que isso era quase impossível; qualquer um que enfiasse a língua na boca de gostaria de ficar com ela para o resto da vida. Mas... E se não fosse assim com ele?
Por que aquilo tinha que ser tão complicado? Ele era louco pela amiga, e queria ter a primeira vez com ela, e só com ela.
Mas era tão... Intensa. E se ele não conseguisse acompanhá-la?
- Tom, tá tudo bem aí? - atrapalhou seus devaneios, passando a mão em frente ao seus olhos.
- Ah, sim... Tá tudo bem... - o loiro respondeu, sorrindo. Ele tinha que perguntar, e aquele era o momento. Ele não podia fazer o que bem entendesse! Ela era sua amiga, e ele queria que fosse tudo perfeito. Além disso, ele não queria fazer nada que ela não se sentisse confortável em fazer. - , você... Você quer mesmo fazer isso?
, que analisava o rosto do amigo, sorriu de lado.
- Você está arregando, Tommy? - ela quis saber, divertida.
- Não! - Tom exclamou, ofendido. - Eu só não quero que você se arrependa depois.
- Tom. - inclinou-se e posicionou os lábios na orelha do amigo. Tirou uma das mãos de sua nuca e a colocou na barra de sua bermuda. - Faça de uma vez.
Tom sentiu toda a pele das costas se arrepiarem e soltou o peso sobre a amiga. Ela bateu com as costas no colchão e sorriu maliciosa. Ele voltou a beijá-la, dessa vez com força. Ele guiava o beijo, e tinha pressa em acompanhá-lo.
A morena colocou as duas mãos por debaixo da camiseta de Tom, arranhando suas costas. Depois, sem pedir permissão, subiu a camiseta dele e os dois separaram os lábios por milésimos de segundo, só para passá-la pela cabeça de Tom. Assim que a camiseta foi jogada pelos ares, pousando na cadeira da escrivaninha de Tom, as bocas se juntaram como ímãs.
ofegava baixinho, mordendo os lábios de Tom com força. Ele parecia estar gostando, pois toda vez que ela mordia, ele cravava as unhas em sua cintura. Irritado pelo tecido que os separava, foi a vez dele de arrancar a blusa fina da garota, que foi parar embaixo da cama. Mas ele não voltou a beijá-la. Ao invés disso, distribuiu beijos e mordidas pelo pescoço e colo da garota, que gemeu baixinho.
Tom, sem experiência nenhuma, enfiou as duas mãos pelos lados do corpo de , que se curvou para trás. O loiro alcançou o feche do sutiã preto de renda da amiga, maravilhado por sua conquista. O primeiro sutiã que ele teria a honra de abrir. Lutou por uns bons 10 segundos contra ele, jogando as mechas loiras para trás sempre que elas caíam em seus olhos.
observava a cena maravilhada; Tom era lindo. Talvez o garoto mais lindo que ela já havia conhecido. Claro que ele tinha alguns defeitos, como os dentes tortinhos e o queixo protuberante. Mas para ela, ele era perfeito, e não existia ninguém melhor para se ter a primeira vez.
Assim que o sutiã se juntou a blusa da morena, Tom ofegou e observou o corpo da amiga. Se antes tinha dúvidas, agora não tinha mais. Seria com ela.
Ele voltou a beijá-la, encostando seus peitos nus, mas ela tinha outros planos. Assim que Tom encostou os lábios nos da amiga, ela fez força para o lado e subiu em cima dele. Ele bateu com a cabeça no colchão e colocou as duas mãos na cintura da amiga. Ela sorriu maliciosa e subiu as mãos do amigo. Assim que ele encontrou o ouro, perdeu o ar e mordeu o lábio inferior. Ficou um bom tempo acariciando a amiga, que fechou os olhos e gemeu de prazer.
De repente, se curvou, e Tom foi obrigado a descer as mãos para suas coxas, apertando-as enquanto a morena o beijava, esfregando seu corpo ao dele. Não aguentando mais, Tom segurou dos dois lados da barra da saia e a puxou para baixo, mas ela permaneceu intacta no quadril da amiga.
- É uma saia com zíper, espertinho. - murmurou.
Tom, então, puxou a garota para o lado, subindo mais uma vez em cima dela. Se continuassem a brincar de quem ficava por cima eles cairiam da cama antes que pudessem chegar aos finalmentes.
O loiro procurou o zíper por todos os lados, encontrando-o na lateral da saia. Sem ponderar, deu um puxão nele, e soltou um grito agudo, virando-se para o lado em posição fetal.
- O que foi? O que eu fiz? - ele perguntou, assustado.
- Caralho, Tom, você prendeu minha pele com o zíper... - resmungou, gemendo baixinho de dor.
- Desculpa, ! - ele pediu, virando a amiga para si. Aproximou-se e viu o pequeno corte vermelho em sua perna. Tirou a saia de uma vez, mas agora sem nenhum motivo sexual, embora seu amiguinho estivesse múltiplas vezes mais animado naquele momento.
Tom curvou-se e beijou o pequeno corte na pele de , que deu um pulinho de dor.
- Me desculpa, , de verdade. - ele pediu, passando de leve os dedos pelo machucado. olhava para ele com uma mistura de encanto e dor. - É isso que dá tentar perder a virgindade com um virgem. Tem certeza que não prefere alguém do College?
- Para de ser idiota, Tom. - revirou os olhos. - Eu sonho em perder a virgindade com você desde que nós demos nosso primeiro beijo.
- Você sonha em perder a virgindade comigo desde os 6 anos de idade? - Tom perguntou, incrédulo.
- Não, seu imbecil! - riu, jogando a cabeça para trás. - Desde que demos nosso primeiro beijo de verdade.
- Ah... - Tom disse, passando o polegar pelo machucado. Apesar de estar praticamente nua, não fosse sua calcinha, Tom estava mais preocupado em tirar-lhe a dor do que em qualquer outra coisa. - Bom, não posso negar que imaginei o mesmo. Você é linda demais para eu não querer ter minha primeira vez com você.
corou e abaixou o rosto. Tom o levantou pelo queixo e beijou-lhe de leve os lábios. Os dois abriram os olhos ao mesmo tempo. Tom ainda massageava o machucado de , e para ela a sua preocupação era a coisa mais excitante do mundo.
Aos poucos, Tom foi deitando-se novamente por cima de , que o beijava apaixonadamente. Em menos de cinco minutos sua bermuda estava no chão, e só o tecido leve das roupas de baixo os impediam de finalizar o serviço. Mas, ao invés de se apressar, Tom resolveu fazer tudo com perfeição. Ele desceu lentamente pela barriga da amiga e abriu suas pernas, retirando sua última peça de roupa.
Assim que ele começou a fazer o que achava que deveria fazer depois de assistir todos aqueles filmes pornô, arqueou as costas e gemeu baixinho. Pensando ter acertado em cheio, continuar a fazer o que estava fazendo, sem deixar de sentir um prazer imenso. Os gemidos da amiga mexiam com ele. Há quanto tempo ele não vinha imaginando como seria fazê-la gemer?
Depois de algum tempo, o puxou gentilmente pelos cabelos, e os dois voltaram a se beijar. Tom estava quase explodindo; sentia que quando finalmente fizesse o que estava ansioso por fazer, chegaria ao clímax em dois minutos. E então começou a se sentir nervoso. E se ela pensasse que ele era um idiota que tinha problemas funcionais de orgasmo precoce?
abriu a gaveta do criado-mudo de Tom e pescou uma camisinha de lá de dentro.
- Como você...? - ele perguntou, embasbacado.
- Está esquecido que eu vivo no seu quarto? Já conheço todos os seus esconderijos. - segurou a camisinha entre os dentes. - Não que isso possa ser chamado de esconderijo.
Tom gargalhou e pegou a camisinha de sua boca. Abaixou ele mesmo a samba-canção que usava e se protegeu. Olhou para mais uma vez, e ela sorria para ele, tranquila. Ele olhou para baixo e ela fez que sim com a cabeça. Então ele sorriu de lado e os dois passaram a melhor tarde de suas vidas.
estava na cozinha, abrindo uma garrafa de vinho. O celular estava em cima mesa, assim como uma das tulipas que ela havia jogado fora mais cedo. No que ela estava pensando? Deixar um estranho qualquer entrar em sua casa! E se Tom não tivesse chegado a tempo, o que teria acontecido?
Ela despejou o líquido vermelho sangue na taça e cheirou o aroma amadeirado. Antes de beber, acendeu um cigarro e tragou profundamente. Soltou a fumaça e deu um gole no vinho. Napoleão, já fora do banheiro em que estava trancado, olhava sentido para ela, como quem dizia "Como você pode me trancar naquele banheiro escuro e frio?"
chamou por seu nome, mas ele só rosnou baixinho e foi se enfiar embaixo do sofá.
A morena estava no finalzinho da taça de vinho quando o celular tocou. Ela sabia que ele ia tocar, mas não imaginou que seria tão difícil assim não atender. Mas ela se segurou, e ficou se torturando durante as cinco ligações de Tom.
Quando ele finalmente parou de ligar, desligou o celular e decidiu não se torturar mais.
Seria daquele jeito dali em diante.
Tom desistiu de ligar para a amiga e ficou de pé. Tentou espreguiçar-se, mas a dor foi tão única que ele desistiu da ideia. Ao invés disso, arrastou-se pelo quarto e acendeu a luz. Chamou por Harry, mas não obteve resposta.
O loiro foi até o espelho, só para ver seu supercílio partido no meio e sua boca inchada. O que diabos ia contar as pessoas? E como diabos ia fazer a prova de geografia do dia seguinte se não conseguia nem olhar para os lados sem sentir dor?
Ele desabou na cadeira da escrivaninha, sentindo-se péssimo. Apoiou os cotovelos no caderno de física em cima da mesa e esbarrou em um pedaço de papel dobrado. Ele não se lembrava de ter escrito nada em muito tempo, então abriu o papel, curioso.
A letra caprichada de era inconfundível. Tom bateu os olhos nas únicas três linhas do papel e sentiu sua garganta se fechar.
Tom, não quis te levar para o hospital para não dar problema. Já conversei com o Jim e isso não vai voltar a acontecer.
Não me procure mais.
.
Ao acabar de ler, ele amassou o papel com raiva e o jogou no lixo.
Lembrou-se de quando terminou as coisas com há 3 anos, e de como ela havia feito a tão falada tatuagem de escorpião no tornozelo um dia depois do término.
Se aquele era o jogo que queria jogar, ele seguiria as regras à risca.
Capítulo 18 - 'Meninas são tão mulheres, seus truques e confusões...'
Leoni, Garotos
Harry e .
- Eu não acredito que você está me dizendo isso, depois de tudo que eu fiz por você. - Harry balbuciou. Ele não conseguia acreditar no que estava ouvindo. não podia estar falando sério.
- Hazz, eu... - ela suspirou, deixando os ombros caírem.
- Não me chame mais assim. - ele pediu, sério. - Não quero mais que você me chame assim.
- Você não entende! - ela abriu os braços, irritada. - Você não sabe como foi enganar Dougie por todo esse tempo! Eu me sentia suja! Ele nunca foi ruim para mim, ele sempre fez eu me sentir amada e especial.
- Mas ele não era o suficiente. Você tinha que transar com o melhor amigo dele, não é, ? - Harry estava disposto a magoá-la como ela o havia magoado. - Você tinha que abrir as pernas para o melhor amigo do seu namorado porque você estava entediada! Porque um cara só não proporcionava a emoção que você queria sentir. Você não estava satisfeita em fazer só um de idiota. Teve que fazer o melhor amigo dele de idiota também!
- Não fale assim comigo... - pediu com a voz trêmula. As lágrimas voltavam aos olhos, dessa vez com mais intensidade. Suas pálpebras ardiam. - Por favor, não fale assim comigo.
- Por que eu deveria te tratar bem, se você me tratou feito lixo? - Harry quis saber, sentindo-se mal por ter falado daquele jeito com . Ela parecia tão frágil naquele momento...
- Eu só quero ficar sozinha até eu me decidir. É só isso. - explicou, abaixando os olhos.
Decidir? Ela ainda tinha dúvidas?
Harry só podia estar sonhando. Essa era a única explicação para o que estava acontecendo ali. Depois de tudo o que ele fez, depois de passar por cima de uma de suas amizades mais antigas para poder ficar com , ela ainda tinha que pensar no assunto?
- Beleza, eu vou deixar você pensar. - ele disse, abrindo os braços em rendição. - Pode pensar bastante, passe o resto do ano pensando! E sabe por que eu vou deixar você pensar tanto?
não respondeu, ainda encarando os pés.
- Porque a sua decisão não me importa mais. Quem não quer mais nada agora sou eu.
Harry deu as costas para e respirou fundo.
- Hazz, eu... - ela ainda tentou falar, mas Harry a impediu.
- Já falei para não usar mais esse apelido comigo.
Ele caminhou lentamente até o carro e o abriu com a chave. Mas, antes de ir embora, ele ainda se virou, só para observar na mesma posição. Ele ainda conseguiu ver uma lágrima rolar pela bochecha da ex-amante e cair no chão.
- Eu nunca fiquei tão decepcionado na minha vida inteira. - ele disse, antes de entrar no carro e arrancar pela rua.
Harry chegou em casa muito rápido; dirigiu feito um louco, costurou tudo e todos e estacionou de qualquer jeito na rua. Ele subiu as escadas correndo e abriu a porta fazendo barulho. Ele não entedia toda a pressa que estava sentindo, mas sabia que queria chegar logo em casa.
Talvez fosse porque os homens tinham regras entre si, e ele gostava de segui-las à risca. A regra do momento era: Homens só podiam chorar em dois locais, no chuveiro e na cama.
Mas coisas mais importantes o impediram de deitar na cama e chorar como uma garotinha com cólicas. Coisas como seu melhor amigo e guitarrista do McFLY sentado no sofá olhando para o nada, parecendo um abacate podre.
- Puta que pariu! - ele exclamou, atônito. - O que fizeram com a sua cara?
- Tá tão ruim assim? - Tom perguntou, ainda olhando para algum ponto fixo.
- Não tá ruim, tá escroto! - Harry respondeu. - Caralho, eu estou com ânsia de vômito de olhar pra você! Quem fez isso, um orangotango solto pela cidade?
- O novo namorado da . - Tom deu de ombros.
- O que você fez para a pobre coitada dessa vez? - Harry foi até a geladeira e voltou com duas garrafas de cerveja. Enquanto estivesse preocupado com Tom, não pensaria em . Tinha que admitir que a cara toda estourada do amigo veio bem a calhar! - Você tem que parar de tratar a única garota que te ama de verdade como lixo, Tom, isso não é uma brincad...
- Eu beijei ela. - Tom respondeu, finalmente olhando para Harry. Ele parou de falar, interessado na história. - Eu beijei a .
- Você não beija ela todos os dias? - o baterista quis saber, tirando o maço de cigarros do bolso e acendendo um. Tom pegou um dos cigarros e pediu o isqueiro do amigo. Harry não recusou, mesmo sabendo que Tom havia parado de fumar.
- Eu beijei de verdade, com língua e o caralho... - Tom deu de ombros, tragando profundamente. - Eu estava bêbado, fiquei alucinado, bati na porta dela, beijei ela e depois tomei a surra do século.
- Porra, Tom, você tá zicado. - Harry puxou o cinzeiro da mesa de centro para mais perto e bateu as cinzas do cigarro nele. - Primeiro a Cass te troca por uma mina, depois a arranja um namorado novo.
- É, eu sei, você não precisa me lembrar disso. - Tom comentou, sarcástico. - Eu não vou conseguir escrever uma música que fale de perdão quando quem tem que ouvir isso sou eu.
Harry engoliu a seco. Havia se esquecido completamente da competição, mas se tinha alguém ali apto para escrever uma música sobre perdão era ele mesmo.
Será que Dougie algum dia o perdoaria?
- Quem precisa ouvir desculpas é a coitada da , que te aguentou a vida inteira só para ser trocada todas as vezes por algo que te "agrade" mais. - Tom tomou um tapa com luva de pelica, e não quis responder. Ao invés disso, mudou de assunto.
- Onde você estava? - ele perguntou. - Sumiu depois da prova...
- Eu fui procurar a . - o baterista respondeu sem pensar. Depois se ligou da burrada que havia feito e olhou com o canto dos olhos para Tom. Ele não parecia ter se abalado, mas mostrava-se curioso.
- O que você queria com a ? - o loiro quis saber, e Harry suspirou.
- Ah, merda... - ele disse, afundando-se no sofá. - Se eu vou mesmo te contar isso, precisamos de alguma coisa mais forte que cerveja e cigarro.
Harry e Tom estavam sentados na mesa da cozinha, viajando. Haviam fumado um baseado cada um do estoque de Harry. Ele não costumava dividir sua erva, pois era das melhores, mas Tom talvez estivesse precisando mais do que ele.
Afinal, para o que mais serviam os amigos se não dividir um baseado?
- Acho que você já pode me contar o que está rolando. - Tom comentou, dando um gole na quinta garrafa de cerveja. Mal os sintomas do whisky haviam passado e lá estava ele, se embebedando de novo.
Mulheres...
- Eu e estamos juntos há mais ou menos um mês. - Harry contou, acendendo outro cigarro. - Você deve estar me achando um filho da puta agora, e provavelmente está certo em achar.
- Estou. - Tom confirmou, soltando uma risada logo em seguida. - Mas que se foda. Eu também sou um grandessíssimo filho da puta.
- Ela me deixa louco! - Harry exclamou. - O jeito que ela anda, o jeito que ela coloca o cabelo atrás da orelha... Eu não queria ficar com ela! Nossa, só eu sei o quanto eu lutei contra...
- Cara, com aquele par de peitos, nem eu aguentaria por muito tempo... - Tom riu novamente. Sempre fora mais fraco que os outros para as drogas.
- O jeito que ela diz o meu nome! Meu Deus, o jeito que ela abre a boca para falar "Hazz" me faz querer arrancar as roupas dela! - Harry sentia um alívio imenso em contar aquilo para alguém depois de quase um mês escondendo.
Tom começou a lembrar de como falava o seu nome. Ela sempre fazia um biquinho durante o "o" de "Tom", e depois seus lábios se curvavam em um sorrisinho malicioso.
- Essas meninas... - ele murmurou, apontando para Harry. - Essas meninas vão acabar matando a gente.
- Vão. - Harry concordou. - Se já não mataram.
Os dois ficaram em silêncio, encarando a mesa. Tom arregalava e cerrava os olhos sem parar, mas nem percebia. O cigarro de Harry estava apagado no cinzeiro, mas ele não deu importância.
- O que você vai fazer em relação ao Dougie? - o silêncio foi cortado por Tom, que levantou o rosto.
- Não faço a mínima ideia, mate. - Harry respondeu, dando de ombros. - A mínima ideia.
- Alô? - atendeu o celular assim que terminou de assoar o nariz. Sua mãe havia acabado de deixá-la sozinha, e ela só queria morrer. Estava em seu quarto, chorando baixinho, mas não queria que ninguém soubesse disso, nem mesmo o anônimo que estava ligando.
No fundo, ela tinha esperanças de que fosse Dougie ligando. Na verdade, ele queria desesperadamente que fosse Dougie ligando.
- ? - não era Dougie, mas sim a última pessoa com quem ela gostaria de falar no momento.
Era .
- ? - ela perguntou, incrédula, esquecendo-se de que há dois minutos atrás estava chorando como uma noiva deixada no altar.
- Eu posso conversar com você? - perguntou, e começou a ficar apreensiva.
Meu Deus, ela sabe!, a ruiva pensou, sentindo o coração disparar dentro do peito. Ela sabe que eu beijei o Dougie!
Mas como ela poderia saber? Será que Dougie seria filho da puta a esse ponto?
Não podia ser. Dougie não era do tipo fofoqueiro. Ele podia ser tudo, menos fofoqueiro. Além disso, o que contar sobre o beijo para acrescentaria em sua vida? Ele só sairia perdendo; seria odiado por e por .
- Pode, claro. - foi tudo o que ela respondeu.
- Me desculpe estar ligando tão tarde. - parecia receosa. Mais do que isso, parecia estar falando contra a sua própria vontade. - Sei que nós não somos assim tão próximas, mas eu precisava falar com alguém, e eu e a brigamos, então eu só pensei que, sei lá, nós pudéssemos conversar... Eu não tenho muitas amigas mulheres, sabe...
- Pode falar, . - a ruiva incentivou, começando a ficar curiosa. Seu coração não batia mais tão rápido; ela confiava demais em Dougie e não acreditava que ele pudesse ter feito uma escrotice daquelas.
- Bom, eu... - a morena respirou fundo do outro lado da linha. - Olha, por favor, não me julgue antes de ouvir toda a história.
- Pode ficar tranquila.
E então contou. Mas ela não contou tudo; omitiu o fato de que era perdidamente apaixonada por Harry. Fez parecer que ela só ficava com ele porque estava entediada. Ela não entendeu porque fez isso, mas achou mais propício - também não precisava saber de tudo.
No meio da história, a morena começou a chorar, e só parou quando terminou de contar.
- E é isso... - ela fungou. estava muda, sem saber o que falar. , do outro lado da linha, soltou uma risada nasalada. - Eu sou patética.
- Não, não é não. - a ruiva sentia uma empatia gigantesca por naquele momento.
era uma garota que provocava diversas sensações nela. Primeiro, gostou muito da morena, pois fora a única garota do Brighton College que fora simpática com a "nova aluna". Depois, ficou chateada em saber que ela estava com o seu Dougie. Aí passou para o ódio completo, ao descobrir que ela traía Dougie com Harry - ela podia suportar Dougie feliz com outra, mas não podia aceitar que qualquer vagabunda sem coração magoasse o baixista. E então, naquele momento, queria abraçá-la e dizer que tudo daria certo, embora tivesse certas dúvidas quanto a isso.
- Ah, meu Deus... - ria e chorava. - Por que tem que ser tudo tão difícil? Eu não quero magoar nenhum dos dois!
- , no fundo você sabe de quem realmente gosta. - murmurou, rezando mentalmente para que ela não respondesse "É verdade, eu sei que no fundo eu amo o Dougie! Meu Deus, como eu fui burra, vou ligar para ele agora e pedi-lo de volta!". Se ela dissesse isso, subiria para o quarto dos avós, pegaria o pote de veneno de rato na segunda gaveta do armário e tomaria com leite.
- Eu não sei. - mentiu. Era claro que ela sabia. - Eu só sei que não quero magoar o Dougie.
- Você só vai magoar o Dougie se não abrir o jogo com ele. - a ruiva aconselhou. - Ele precisa ficar sabendo, e ele vai te perdoar.
Assim espero, ela pensou.
- Ele sempre foi tão bom comigo! Ele não merece esse tipo de tratamento. - choramingou. - Além do mais, eu não quero ser julgada por algo que eu não sou. Você sabe como é fácil conseguir fama entre as pessoas!
Ah, como sabia daquilo... Na verdade, a possibilidade de ser conhecida por algo que ela não era a amedrontava mais do que ela podia suportar. Ela vivia com medo da temida "fama", e conseguia entender o que estava sentindo.
Mas, como boa hipócrita que era, ela usou o mesmo conselho que sua mãe cansou de dar a ela.
- Você não pode se importar com o que os outros pensam, ! O que importa é o que você sente!
Ah é, até parece.
- Você bem que podia me ajudar, não? - subitamente mudou de humor. Ela parecia afoita.
- Eu posso te ajudar a contar, sem problemas...
- Não, com outra coisa.
ajeitou-se no colchão e franziu o cenho.
- Não estou entendendo, .
ficou um pouco em silêncio, deixando confusa do outro lado da linha.
- Bom, você e o Dougie foram namorados. - ela começou cautelosa, mas entendeu de primeira aonde ela queria chegar.
- Sim, fomos...
- Então... Vocês bem que poderiam tentar de novo. - a ruiva deixou o queixo cair. - Sabe como é, se ele estivesse feliz com outra, não seria tão difícil assim receber a notícia de que a ex-namorada o traiu com o melhor amigo dele!
- , eu...
- Não precisa responder agora! Afinal, eu nem sei se você ainda sente alguma coisa por ele... - a boca de recusava-se a se fechar. - Mas pense nisso. Por mim.
Capítulo 19 - 'Cause when we kiss... Fire!'
Bruce Springsteen, Fire
Danny e
Danny caiu no chão e ficou imóvel. Na mesma hora, agachou-se e deu vários tapinhas em seu rosto. Ele resmungou alguma coisa e virou o corpo para o lado.
Bom, pelo menos ele está vivo, ela pensou, amarga. Eu não preciso adicionar 'assassina' a minha lista de esquisitices.
Danny sentou-se com dificuldade e olhou fundo nos olhos azuis da garota que estava beijando até pouco tempo atrás. O que havia acontecido?
- Por que você me bateu? - ele perguntou debilmente.
- Porque você é um cretino. - deu de ombros, como se Danny estivesse acostumado a ouvir aquilo a todo momento.
Bom, talvez ele estivesse. Nenhum homem que confundia o nome das garotas nas quais enfiava a língua dentro da boca merecia qualquer tipo de respeito.
- Mas o que eu fiz? - Danny apoiou-se nos cotovelos. - Pensei que você estivesse gostando!
- Não foi o beijo, seu idiota. Você me chamou de ! - berrou, levantando-se bruscamente. Danny fez o mesmo, só que bem mais devagar do que a loira, que já estava de pé ajeitando o pijama.
O moreno de uma boa olhada no corpo da amiga; como ele nunca havia percebido que ela era gostosa pra caralho?
Talvez fosse porque era o tipo de garoto que fazia de tudo para não chamar atenção para si mesma. Ou talvez ofuscasse todas as outras meninas do colégio.
Mas... Espera aí? Ele havia chamado de ?
Quando?
- Eu não chamei você de porra nenhuma! - ele disse, confuso. - Você está ficando louca!
- Eu sempre fui louca! - estourou, berrando sem nenhum pingo de ironia.
Ela era louca, e sabia que era. Sabia desde pequena que era diferente. E de qualquer jeito, mesmo que ela não tivesse percebido por si só, seus pais dariam um jeito de jogar em sua cara. Sociopata, timidez aguda, depressão, bipolaridade, autismo e muitos outros diagnósticos faziam parte do seu longo histórico psicológico.
nunca se encaixou. Ela era sempre a 'esquisita' ou a que 'entraria na escola armada e mataria todo mundo'. Tinha que admitir que nos primeiros anos de colégio era bem difícil ver todos se entrosando em sua volta e não conseguir se encaixar, mas depois de muito tempo de terapia e indiferença das pessoas, ela não se importava mais.
Na verdade, ela até gostava de ser diferente; podia fazer e dizer qualquer coisa que ninguém a julgaria. Afinal, coitadinha, era só a louca da !
Mas ouvir da boca de Danny que estava ficando louca trazia todo um novo conceito para a palavra; não era a mesma coisa que ouvir do grupo de garotas imbecis com as quais ela não tinha o menor interesse de se relacionar.
- Do que você está falando? - o guitarrista perguntou, sem entender nada.
- Eu tenho quase 18 anos, Danny, e passei esses quase 18 anos em terapia, tomando remédios, fazendo acupuntura, meditando, ouvindo música clássica entre tantas outras coisas que meus pais me forçavam a fazer para tentar me 'curar'. - nunca havia contado aquilo para ninguém. - Eu moro sozinha há um ano porque eles simplesmente não me aguentavam mais. Eu nunca seria a garota perfeita para eles.
- Eu ainda não estou acompanhando. - ele comentou.
- Minha última esperança é passar em Oxford e poder provar para eles que eu sou digna de confiança, e digna de ser amada. - escolheu por ignorar o comentário do garoto que a olhava um tanto quanto embriagado. - Mas você está tirando toda a minha concentração. Você está tirando o meu sono, a minha vontade de estudar e o meu tempo livre!
- O que eu fiz? - Danny começava a ficar desesperado.
Como diabos poderia ter feito tudo aquilo com uma garota que até alguns dias atrás ele nem sabia que existia? Será que seu irmão gêmeo do mal andava conquistando garotinhas por aí?
Será que ele tinha um irmão gêmeo do mal?
Isso seria foda.
- Pelo amor de Deus! Eu sou tão invisível assim? - perguntou, mas Danny só conseguia olhar para o seu decote.
Se Deus criou a mulher para acompanhar o homem, Lúcifer criou o decote para fazer com que o homem quisesse muito mais do que só ser acompanhado.
- Eu fiquei um ano inteiro bolando planos e metas no Excel só para fazer você me notar! Um ano inteiro! Você sabe o que é isso? - falava e cutucava o peito de Danny com o dedo indicador. O guitarrista olhava abobalhado para ela, que estava fora de si. - Eu sou sua vizinha há um ano! Eu ouço você cantar no chuveiro há um ano! Eu estudo com você há um ano! Para ser completamente sincera, eu sonho com esse maldito beijo há um ano! Para você fazer o quê? Simplesmente estragá-lo me chamando de !
- , eu...
- Cala boca, agora eu vou falar!
E Danny calou a boca.
- Você é um imbecil, sabia? Quantas vezes eu não passei em frente ao seu apartamento? Quantas vezes eu não fiquei segurando o elevador para esperar você entrar? Quantas vezes eu não matei aula para te ver jogar na Educação Física? - jogou o cabelo para trás e riu sem humor. - Eu sou uma imbecil mesmo! Você não merece toda essa minha devoção!
- Pelo amor de Deus, eu nem sabia que você existia até pouco tempo atrás! - Danny berrou, irritando-se com todas aquelas críticas que recebia de graça.
- Claro que não! Por que você é um idiota que só tem olhos para uma garota que, visivelmente, não está nem aí para você! - a loira arfou, irada com o comentário do moreno. - E eu não vou ser tratada como ela te trata! Eu não vou ser o seu maldito step!
- Eu só te dei um beijo, , eu não te pedi em casamento! - Danny não se sentia mais tão bêbado. - Qual é o seu problema?
abriu a boca, perplexa. Ele tinha que pegar tão pesado?
- O MEU PROBLEMA É VOCÊ! - ela berrou, entrando no apartamento e batendo a porta na cara de Danny.
Sem nem pensar direito, ele deu um soco na porta da loira com ódio.
- SE EU SOU O SEU PROBLEMA, ENTÃO NÃO ME PROCURE MAIS!
abriu a porta e jogou um caderno em cima dele.
- FOI VOCÊ QUE VEIO ME PROCURAR, SEU RETARDADO!
- Ah... - ele resmungou, e bateu a porta mais uma vez em sua cara. - É...
O guitarrista se agachou e pegou o caderno no chão.
'Física Avançada' estava escrito na capa.
entrou no apartamento e chutou uma cadeira que estava pelo caminho. Irritada, foi até a terceira gaveta da cozinha e puxou o fundo falso dela, pegando uma caixinha transparente. Ela a abriu e respirou fundo, sentindo o cheiro da maconha. Levou o pote para a mesa, pegou seda de dentro do armário de condimentos e bolou o baseado com a destreza que suas mãos trêmulas permitiram. Depois o acendeu e tragou profundamente.
Ainda com o cigarro entre os lábios, foi até o som da sala e deu play. A música que estava na metade não podia ser mais propícia para o momento.
You drive me crazy, I just can't sleep!
aumentou o som até o último volume e riu sem nenhum humor.
Danny Jones pagaria por ser um miserável insensível que beijava tão deliciosamente bem.
I'm so excited, I'm in too deep.
A loira ouviu alguns barulhos como se algo estivesse se chocando contra a parede de seu apartamento e sorriu satisfeita. Claro que estaria mais satisfeita se Danny estivesse no seu apartamento, a beijando com devoção. Mas já que aquilo não estava acontecendo, torturar o vizinho com Britney Spears estava de bom tamanho.
Crazy, but if feels alright.
Então os barulhos cessaram, e tragou mais uma vez o baseado. Ela fechou os olhos e se jogou no sofá, a altura da música fazendo o chão tremer.
Ainda com os olhos fechados, ela ficou relembrando toda a cena do beijo na cabeça várias e várias vezes, e sempre se demorava nos segundos antes de Danny beijá-la. Aquilo fazia o seu coração disparar.
Apesar de tudo, ela ainda continuava sendo uma idiota. Pensar nele depois do que ele havia dito?
De repente, a tremedeira do chão ficou mais rápida, e teve de abrir os olhos.
Outra música vinha de encontro a Britney Spears.
Baby thinking of you keeps me up all night!
I'm driving in my car... I turn on the radio...
Danny Jones estava puto. Mais do que puto; estava irado. Os murros na parede pareciam não ser o suficiente para acalmá-lo. Muito menos Bruce Springsteen na caixinha de som do computador.
Britney Spears! Além de louca, ela com certeza iria ouvir Britney Spears pelo resto da noite só para irritá-lo!
Ele não podia ter dito que aquilo o irritava...
Bom, naquela época ele não sabia que ela era maluca. Mas agora ele sabia - ela havia deixado bem claro. Nenhuma garota normal o perseguiria como ela havia dito que o perseguiu!
I'm pulling you close, you just say no!
Mas pensando por outro lado... Ele não agia daquele jeito com ?
Danny sentou-se no sofá, chutou algumas garrafas de cerveja e acendeu um cigarro.
A vizinha então aumentou o som, e ele teve de fazer o mesmo. Onde ele estava com a cabeça em beijá-la? era visivelmente maluca de pedra! Bem que os alunos do Brighton College diziam, mas ele nunca havia dado bola. Bom, ele também nunca havia percebido que tinha uma vizinha até poucos dias atrás...
You say you don't like it, but girl I know you're a liar!
Por que ela tinha que beijar tão bem? Por que ela tinha que ter uma cintura fininha, que cabia no encontrar das mãos. Por que ela tinha que cheirar tão bem?
Ah, acima de tudo, por que ela tinha que ser maluca?
'Cause when we kiss... Hm... Fire!
Capítulo 20 - ''Cause every little thing is gonna be alright!'
Bob Marley, Three Little Birds
Todos.
Terça-feira amanheceu ensolarada, apesar do frio que envolvia Brighton. Naquela época do ano, era bem difícil um dia bonito como aqueles, mas nem isso animou , que se vestia com total apatia. Ela colocou uma calça jeans skinny, botas de andar na neve e sobretudo verde militar. Prendeu o cabelo sem qualquer cuidado em um coque frouxo e não passou maquiagem.
Ela agachou-se e fez carinho na cabeça de filhote de Napoleão - que ainda estava muito chateado com a dona por ela tê-lo trancado no banheiro no dia anterior -, mas ele não deu bola, voltando sua atenção a um par de meias velhas, que mordia com total devoção.
Até o meu cachorro me despreza, ela pensou com certa ironia mórbida. Então fritou alguns ovos e comeu com as únicas torradas velhas que tinha no apartamento. Preciso passar no Taj na volta.
Ela colocou ração na cumbuca de Napoleão e saiu de casa, trancando a porta. Só levava uma caneta na bolsa, o suficiente para fazer uma bela prova chutada.
desceu até o subsolo, entrou em seu velho Ford K e saiu da garagem. Já na rua, colocou um CD gravado só com músicas do Queen no player e acendeu um cigarro. Cantarolando Radio Gaga, pensou que seu dia pudesse melhorar. E então os primeiros pingos de chuva começaram a acertar o vidro da frente do carro.
Eu não tenho sorte mesmo...
chegou bem cedo à escola, carregando consigo algumas anotações de alemão. Sentou-se sob a sombra de uma árvore comprida e leu alguns parágrafos, mas as informações simplesmente não eram processadas. Sempre que seus olhos começavam a dançar pelas letras, seu pensamento voava até os gélidos olhos azuis de Harry, que a fitaram com desprezo no dia anterior.
A morena colocou as anotações de lado e suspirou. Era boa em alemão - seu pai era alemão -, não precisava mais estudar, mas queria se distrair.
Não precisou pensar muito; grossos pingos de chuva começaram a acertar sua meia-calça grossa, e ela teve que sair correndo pelo pátio para poder se abrigar no refeitório. Lá, alguns alunos estudavam, suas cabeças apoiadas nas mãos e os olhares nervosos correndo as várias páginas de seus respectivos resumos.
encaminhou-se até o caixa e comprou um café grande. Depois sentou-se à mesa mais afastada, cruzou os braços e deitou-se sobre eles.
Mais uma vez ela sentia a água, mas dessa vez eram suas próprias lágrimas que molhavam sua blusa de lã.
Chorou em silêncio por pouco tempo, pois logo sentiu duas mãos acariciarem seu cabelo. Ela levantou só os olhos e encontrou sentada ao seu lado, com cara de acabada e um sorriso cúmplice.
- Vamos sair daqui? - perguntou, e concordou com a cabeça.
As duas enfrentaram juntas alguns metros de chuva e pararam embaixo de um pequeno quiosque no meio do pátio, onde alguns alunos brancos demais costumavam passar seus intervalos nos dias ensolarados.
Elas se sentaram lado a lado no banco de madeira, e segurou a mão de .
- Por que você está chorando? - ela quis saber, acariciando o pulso da amiga com o dedão.
- Eu terminei com eles. - deu de ombros, não se importando com as lágrimas que escorriam novamente pelo seu rosto. - Ah, ... Eu estou cansada de chorar! Eu não sei mais o que fazer, e então você parou de falar comigo, e eu fiquei totalmente perdida...
abraçou pelos ombros e beijou o topo da sua cabeça.
- Eu sempre fui a mais sensata, não é?
- Sempre.
Elas ficaram abraçadas e silenciosas, só ouvindo a chuva. Então fungou e limpou o rosto com as costas da mão, endireitando o corpo e fugindo do abraço de .
- Me desculpe por ser uma vaca. - ela pediu, olhando nos fundo dos olhos azuis da melhor amiga.
- Não é para mim que você deve pedir desculpas. - disse, e deixou os ombros caírem. - Mas já é um belo começo. E eu te perdoo, a propósito. Acho que fui muito severa, para falar a verdade.
- Foi mesmo. - concordou. - Mas desde quando você usa a palavra severa?
- Desde quando você pede desculpas para alguém, sua grande chorona mimada? - rebateu, e as duas riram.
- E você? Como vai? - perguntou, querendo mudar um pouco o foco da conversa; queria se distrair, parar de pensar obsessivamente em como conseguiria o perdão de Harry. - Ouvi dizer que está de namorado novo.
- Ah... - suspirou, remexendo no bolso da blusa. - Para te contar essa história eu vou precisar de um cigarro.
ouviu toda a história com a boca ligeiramente aberta.
- ...e então eu o levei para casa e o deixei lá, com um bilhete que mentia dizendo que eu já havia conversado com Jim, que ele não iria mais incomodar e que ele não me procurasse mais. Fim da história.
jogou a bituca do cigarro na grama e o apagou com a sola da bota.
- É, , não é nossa melhor fase. - comentou, mordendo o lábio inferior. - Não sei quem está pior.
- Provavelmente eu. - mordiscou a unha do dedão, mas deu um tapa em sua mão, como sempre fazia quando via a amiga roendo as unhas. - Você pelo menos não tem um psicopata perigoso apaixonado por você.
- Você não sabe se ele é um psicopata. Qualquer um ficaria fora de si quando visse a garota que gosta beijando outro. Mas eu disse para você não sair por aí dando bola para estranhos em ponto de ônibus.
Ao longe, as duas avistaram entrar correndo no colégio, com os olhos apertados e um caderno na cabeça. Elas se entreolharam e fizeram sinal para que a ruiva se aproximasse, e foi o que ela fez.
estava tendo um dia horrível. Além de estar com os olhos inchados de tanto chorar no colo da mãe na noite anterior, seu cabelo estava armado por causa da chuva, sua maquiagem borrada pela pressa com que fora feita e seu caderno de história ensopado.
Ela se abrigou no quiosque que sempre pensou ser inútil e o tirou da cabeça.
- Merda. - sussurrou, passado o dedo pelas páginas borradas da matéria da prova que teria em pouco tempo. - Chuva escrota.
- Ah, Deus! Eu não quero mais viver nesse mundo! - exclamou, e olhou para ela sem entender. - falou um palavrão. Um não, dois!
caiu na risada, e foi acompanhada por . primeiro ficou um pouco ofendida, mas depois caiu na risada com as meninas.
Pisou na merda, abre os dedos!, ela pensou.
não comentou sobre a conversa que ela e a ruiva tiverem no dia anterior pelo telefone, e achou melhor assim; tinha quase certeza que não gostaria de saber que estava se confidenciando com outra.
A ruiva se sentou ao lado de e ela lhe ofereceu um cigarro; negou com a cabeça e o pegou. As duas acenderam na mesma brasa do isqueiro e tirou um fio de cabelo de sua saia.
- Preparadas para a prova? - a ruiva perguntou.
- Ninguém nunca está preparado para matemática, ruivinha. - deu de ombros.
- Eu tenho alemão, meu pai é alemão, então... - deixou a frase morrer no ar. - E você, tem prova do que?
- História.
- E você com certeza vai gabaritar, não vai, ruiva? - olhava divertida para a menina.
sorriu sem graça; odiava ser observada por . Parecia que a menina estava sempre com aquele sorrisinho de deboche nos lábios.
adormeceu ouvindo Britney Spears com Bruce Springsteen e acordou ouvindo só Britney Spears. Sua cabeça doía, e ela esticou o braço do sofá em que adormecera para desligar o rádio. Depois jogou longe a bituca do baseado que havia fumado e levantou-se com certa dificuldade.
Sem que ela pudesse impedir, os flashes da noite anterior invadiram seu pensamento, e seu coração acelerava toda vez que ela se lembrava de como os dedos de Danny a tocaram com delicadeza.
Não, ela não desistiria de Danny. Ela só o faria tomar jeito.
A loira se arrumou rapidamente e saiu do apartamento. A porta de Danny estava fechada, mas pela primeira vez em muito tempo ela não o esperou enquanto segurava a porta do elevador. Não, ela só entrou, apertou o térreo e esperou o elevador fazer sua mágica.
Se era uma vaca sem coração que Danny queria, uma vaca sem coração seria.
As três garotas sob a proteção do quiosque mágico ouviram um estalo alto e viraram os rostos ao mesmo tempo na mesma direção. estava perto delas, e havia acabado de derrubar todas as suas coisas no chão.
As três foram até ela e a ajudaram. Logo, o grupo estava protegido no pequeno quiosque no meio do nada.
- Obrigada. - agradeceu com um murmuro.
- Tem mais balinhas para nós hoje, loira? - perguntou, encostada na viga de madeira e observando a nova intrusa com um sorriso diabólico nos lábios. Recebeu um cutucão de e olhou feio para a amiga. - O quê? Eu vou mal na prova de qualquer jeito!
- Prova do quê? - quis saber, remexendo na bolsa.
- Matemática.
- Eu também tenho matemática hoje, se quiser posso responder sua prova por você.
O grupo ficou mudo, enquanto continuava a remexer a bolsa.
- Sério? - os olhos de brilharam. - Tipo, sério mesmo?
- Sério. - deu de ombros, subindo os olhos para . - É só não chegar mais perto do Danny.
- Fechado! - berrou, ao mesmo tempo em que revirou os olhos e exclamou:
- Ainda essa história do Danny?
soltou uma risadinha e finalmente achou o que procurava na mochila; um pacote de balas de goma.
- Essas balas servem? - ela perguntou, abrindo o pacote e ignorando a pergunta de .
Cada uma pegou uma minhoca e fizeram caretas ao colocá-las na boca.
- Não sei o que você vê no Danny. - comentou, depois de mastigar e engolir sua minhoca. - Ele é tão...
- Infantil! - completou, e as duas riram.
- Ele não é infantil na cama. - deu de ombros, e a fuzilou com os olhos. - O quê? Eu nem sabia que você era afim do cara! Por que não me disse antes? Eu ficaria longe dele pro resto da vida se você fizesse todas as minhas provas!
- Deixa de ser vaca, ! - exclamou, rindo.
- Eu diria que ela não é a única vaca por aqui. - comentou, dando de ombros.
só ouvia, rindo dos comentários; não queria se meter onde não era chamada, por mais que já soubesse de tudo o que estava rolando.
- O que você quer dizer com isso? - cerrou os olhos. - Não sou eu que saio por aí filmando as coisas particulares dos outros.
- Eu te fiz um favor. Se não os tivesse alertado, qualquer um poderia descobrir sobre vocês, e eu tenho certeza que ninguém seria bonzinho como eu fui. - pegou mais uma minhoca do saco, sendo acompanhada por . - Além do mais, eu nunca filmei nada. Meu celular nem tem filmadora.
A loira tirou o celular do bolso e mostrou para , que estava boquiaberta.
- Eu te desculpo por ter mandado eu ir me foder, pode ficar tranquila. - ela completou, sem que a morena dissesse nada.
caiu na risada, acompanhada por .
- Do que vocês estão rindo? - perguntou, irritada. - Se nada disso tivesse acontecido eu ainda estaria...
- ...com dois caras, confusa e sempre com medo de que Dougie descobrisse sobre Harry. - comentou, e a olhou de esguelha. - Acho que te fez mesmo um favor.
- Vocês são ridículas. - revirou os olhos.
Aos poucos a chuva foi diminuindo e o sol voltou a brilhar. Entre conversas e risadas, as meninas perderam a noção do tempo, e se assustaram quando o primeiro sinal para a prova bateu.
- Ah, Deus, é agora. - exclamou, apagando o cigarro que acabara de acender.
- Relaxa, eu vou fazer a sua prova. - disse, sorrindo com certa dificuldade; ela não era uma garota de muitos sorrisos. - Vai dar tudo certo.
Vai dar tudo certo.
Era só nisso que as quatro gostariam de acreditar.
Danny chegou ao colégio desanimado. Além de ter a tão temida prova de física, ele voltava de um encontro nada agradável com seu chefe. Ou pelo menos quem costumava ser seu chefe; agora ele não tinha mais emprego nem esperanças de entrar em uma boa universidade.
Sua única chance seria o McFLY, mas do jeito que as coisas andavam, Danny acabaria como músico de rua, tocando Beatles por algumas moedas.
Ele carregava o caderno de embaixo do braço; havia dado uma lida nele antes de dormir, e muitas de suas ideias foram clareadas, mas não era o suficiente para que ele fosse bem na prova.
Depois de entrar pela segunda portaria, o guitarrista entrou no refeitório. Lá encontrou Dougie, que estudava matemática compenetrado.
- Perdi o emprego. - ele anunciou, sentando-se ao lado do amigo, que nem tirou os olhos do caderno.
- O Tom está me devendo 10 libras então. - ele comentou.
- Qual foi a aposta dessa vez? - o guitarrista quis saber.
- Eu apostei que você perderia o emprego em duas semanas, Tom apostou um mês. - Dougie respondeu.
- O Tom é o único que ainda acredita no meu potencial... - Danny suspirou.
Ele abriu o caderno de física da vizinha e abriu na página que havia parado.
Um termômetro graduado com uma escala X registra -10°X para a temperatura do gelo fundente e 150°X para a temperatura da água fervente, ambos sob... ele queria resolver o exercício, mas acabou reparando em uma frase escrita com letra miúda no topo da página.
"The course of true love never did run smooth." - William Shakespeare.
- Você perdeu o emprego ou a capacidade de se comunicar? - Dougie perguntou, tirando Danny do devaneio.
- O que foi?
- Você já escreveu alguma coisa para a música? - Dougie repetiu a pergunta que havia acabado de fazer.
- Ah... Porra nenhuma... Na verdade, estou depositando todas as minhas esperanças na homossexualidade do Tom. - Danny confidenciou, e os dois riram, mas logo pararam ao ouvirem Tom comentar atrás deles:
- Estão esperem sentados.
Os dois se viraram e soltaram palavrões distintos ao mesmo tempo.
Harry estava ao lado de Tom, mas nem foi notado.
- Caralho, Tom, quem foi que te deu um tiro de 12 na cara? - Danny exclamou, horrorizado.
- Longa história. - o loiro revirou os olhos, sentando-se ao lado dos amigos. Todos no refeitório olhavam para ele, tão perplexos quanto Danny e Dougie.
- Você tá parecendo um tomate podre! - Dougie balbuciou. - O que foi que aconteceu?
- Não quero falar sobre isso. - Tom disse, abrindo o caderno de geografia.
Harry sentou-se ao lado deles e fez sinal para que eles não insistissem. Logo os quatro voltaram suas atenções aos estudos, mas de vez em quando Dougie e Danny lançavam olhares de esguelha para Tom, que fingia não perceber.
Aos poucos, o refeitório foi lotando, e todos que passavam pela mesa de Tom cochichavam. O loiro parecia compenetrado no caderno, mas tudo no que conseguia pensar era no bilhete de .
Não me procure mais.
Não me procure mais.
Não me procure mais.
Ele suspirou e apoiou a cabeça nas nãos, mas se arrependeu amargamente - apoiou-se bem no hematoma que tinha no queixo.
Ao seu lado, Dougie tentava não pensar em como estava linda naquela manhã. Eles quase se esbarraram quando ele desceu do ônibus e ela despontou na esquina, mas ele foi mais rápido e se escondeu em uma cabine telefônica.
Sim, ele havia decidido não desistir de , mas não pretendia começar no dia seguinte ao fora que levara. Ninguém era suicida a esse ponto.
Ele faria sentir sua falta.
Ou pelo menos esses eram os seus planos - claro que eles poderiam ir por água a baixo na primeira festa em que Dougie ficasse bêbado e ligasse para ela.
Preciso deletar o número dela do meu celular, ele pensou, mas não o fez.
- Tom, é sério, cara, seu rosto está me deixando enjoado. - Danny comentou, não conseguindo ficar quieto. - Quem fez isso com você?
- Ah, cara... Só eu sei o quanto eu odeio vocês... - Tom suspirou, fechando o caderno, o qual ele nem estava lendo. - Ontem eu fui até a casa da ...
Tom passou aproximadamente 15 minutos contando a história de como havia apanhado feito uma garotinha de um cosplay de vampiro, e ao final os seus três amigos estavam se segurando para não rir.
- ...e então ela me escreveu um bilhete pedindo para que eu não a procurasse mais. - Tom deu de ombros. - Eu até cheguei a pensar que ela talvez sentisse algo por mim, mas depois de ontem eu tenho certeza que não passo de um amigo pé no saco.
- Você não tem medo que esse cara machuque ela? - Dougie quis saber. - Se ele fez isso com você, imagina o que faria com ela.
- No bilhete ela deu a entender que eles já estão juntos de novo, então a minha participação na história acaba aqui. - 'Mas eu vou andar com os olhos bem abertos, e se ele fizer algo com a eu juro que arranco o pinto dele com um alicate de cortar unhas' ele pensou em dizer, mas não queria parecer muito melodramático.
O sinal batel nesse instante, e os quatro se levantaram. Harry, que até então estava deletando as mensagens de do celular, levantou os olhos para o refeitório e a observou passar em frente as janelas com , e ao seu lado. Ele sentiu como se tivesse levado um chute nas bolas e guardou o celular no bolso da calça jeans, enjoado.
Agora ela era amiguinha da garota que até pouco tempo atrás estava ameaçando os dois?
Aonde aquele mundo iria parar?
- Mas e aí, e a música? - Dougie quis saber, enquanto os quatro saíam pelas portas duplas do refeitório para a umidade do lado de fora. A chuva havia parado, deixando a grama molhada e o barro como rastro. - Nós temos que fazer alguma coisa, e logo!
- Não consigo agir sob pressão. - Tom deu de ombros.
- Nós precisamos escrever essa música até domingo! - Harry exclamou. - Como vamos fazer isso se temos que estudar para as provas?
- Não se preocupem, nós vamos dar um jeito. - Danny deu de ombros. - Nós sempre demos um jeito.
- No final, tudo dá certo. - Tom sorriu, e os quatro amigos entraram no prédio em que fariam as provas.
Capítulo 21 - 'All I wanna do is lose control!'
Smile, Avril Lavigne
Dougie e .
se despediu das amigas e entrou na sala 23; ao entrar nela, passou lentamente no corredor entre as carteiras a procura do seu nome na etiqueta. Finalmente ela o encontrou: Segunda carteira da segunda fileira.
A ruiva se sentou, tirou uma barra de cereal de dentro da bolsa e a colocou no chão. Abriu a embalagem com delicadeza e mordeu a pontinha, sentindo o gosto do chocolate. Feliz por estar quentinha na sala de aula, ela tirou o iPod do bolso da calça e colocou no aleatório. Cantarolava baixinho Monster do Paramore quando Dougie entrou na sala.
Ah... Merda..., foi tudo o que ela pensou.
Dougie deu de cara com na segunda fileira e sorriu amarelo.
Ah... Merda..., ele pensou, abaixando os olhos para as carteiras. E, como se Deus já não estivesse cansado de brincar com ele, seu lugar era ao lado dela.
O baixista sentou-se e pegou o iPod do bolso do blusão. Colocou os fones de ouvido, mas não escolheu nenhuma música. Ao invés disso, virou-se de lado e segurou o braço de , que pareceu congelar.
- Oi...? - ela retirou um dos fones, fixando seus olhos verdes esmeralda nele.
- Será que nós podemos conversar? - ele quis saber, e suspirou.
- Dougie, eu...
- Não, é sério, eu só quero entender. Eu sei que não é legal ficar pressionando os outros, mas se você disser que não quer nada comigo eu te deixo em paz. Juro que deixo! - Dougie sorria com doçura, e quis morrer.
A ruiva não queria conversar, pois sabia que se conversasse iria voltar atrás na sua decisão. Ela não queria voltar com ele enquanto não tomasse coragem e contasse o que estava escondendo.
Conversando com a mãe no dia anterior, ela conseguiu juntar metade dessa coragem - a outra metade só viria com o tempo.
- O que me diz? - ele insistiu.
- Dougie, eu não... Eu só... - retirou o outro fone do ouvido. - Eu não quero conversar sobre isso.
- Por que não? - agora Dougie havia perdido o sorriso doce e começava a ficar impaciente.
- Porque não! - sussurrou, não querendo que os outros ouvissem aquela conversa e fossem contar para que os dois estavam de tititi. Não quando a morena estava sendo tão simpática com ela.
- Qual é, , eu não mereço pelo menos uma explicação? - Dougie agora estava irritado.
- Por quê? Não fui eu que te liguei ontem e muito menos fui eu que pedi um beijo! - tinha que ser dura, ou talvez amolecesse com aqueles olhos que na luz do sol estavam azuis.
- Ah, , vai pra puta que pariu. - Dougie revirou os olhos. - Se você não quer nada comigo fale de uma vez, não fique fazendo joguinhos. Nós não estamos mais no quinto ano!
- Eu não estou fazendo joguinho nenhum, eu só não quero conversar sobre isso antes da prova mais importante da minha vida. É o meu futuro que está em jogo aqui! É difícil de entender? Quer que eu desenhe? - ironizou, e Dougie fingiu rir, sarcástico. - E não use palavrões comigo, você sabe que eu não gosto.
- Claro que eu sei, Srta. Perfeição.
- Imbecil. - murmurou, colocando de volta um dos fones de ouvido. Estava colocando o outro quando ouviu Dougie murmurar.
- Vaca...
Ela retirou o fone que acabara de colocar e o fitou séria.
- Do que você me chamou?
- De nada. - ele disse rápido.
Rápido demais.
Um senhor magrelo com uma carranca, mais conhecido como inspetor de alunos, entrou na sala de aula segurando um pacote grande de provas nas mãos e levantou os braços no ar, sem perder tempo.
- Pois não? - ele perguntou, despejando as provas na mesa.
- Eu gostaria de mudar de sala. - pediu, já juntando suas coisas.
- Nós não podemos mudar ninguém de sala, srta...? - o inspetor apertou os olhos.
- . - levantou-se sem olhar para Dougie. - Eu preciso trocar de sala, sr. Law.
- Posso saber por que, srta. ? - o inspetor analisava por cima dos óculos redondos com curiosidade.
- Porque Dougie Poynter está com mononucleose, e eu tenho a imunidade baixa e posso pegar no ar. Não quero ficar doente durante as provas! - deu de ombros, e Dougie a olhou incrédulo. - Sei que é a doença do beijo, mas eu não posso ficar me arriscado a toa.
A sala inteira estava rindo baixinho, e Dougie sentiu a cabeça esquentar.
- Tudo bem, srta. , você pode fazer sua prova na sala 12. - o sr. Law desistiu, percebendo que não conseguiria argumentar contra aquela ruiva de olhos ferozes.
pegou sua prova e seguiu o inspetor porta afora, sem nem olhar para Dougie. Assim que os dois entraram na sala ao lado, ela bateu os olhos pelos alunos e encontrou Harry com um sorriso no rosto. Ela sorriu de volta, alguns pensamentos impuros invadindo sua mente.
Eu vou te mostrar quem é a vaca, Dougie Poynter, ela pensou, indo se sentar ao lado do baterista.
- Oi, . - Harry cumprimentou, ajeitando-se. Ele era grande demais para as carteiras do Brighton College, o que fez sorrir e beijar seu rosto antes de se sentar.
- Oi, Harry. - ela colocou as canetas em cima da mesa. - Nervoso?
- Não muito. - ele deu de ombros, olhando de relance para o decote da menina. - Ainda mais agora que você está do meu lado. Tem prova do que?
- Alemão. - percebendo que o baterista olhava para seu decote de cinco em cinco segundos, inclinou-se para frente. O baterista se remexeu, olhando por mais tempo. Dessa vez ele ainda mordeu o lábio inferior. - E você?
- Ah... Eu... - ele coçou a nuca, fixando os olhos azuis em qualquer outro lugar que não os peitos da amiga. - Tenho filosofia. Mas que droga! Não vou poder colar de você.
- Ainda bem! - sorriu. - Eu sou um desastre em filosofia, por isso nem escolhi cursar.
A inspetora gordinha da sala abriu o pacote de provas com um canivete e as apoiou entre o busto e os braços.
- Eu só coloquei filosofia na minha grade porque pensei que fosse só fumar um baseado, viajar e responder o que vier na cabeça. - Harry fez uma careta. - Não é bem assim que as coisas funcionam.
- Não mesmo. - o acompanhou na careta. - O que é uma injustiça, se quer saber. Os únicos que puderam fumar um baseado e viajar foram os que escreveram as coisas que nós somos obrigados a estudar. Ah... Como eu não sinto saudades do high school...
- Eu sinto. - Harry deu de ombros. - Pelo menos naquela época eu não tinha com o que me preocupar.
- Nem me fale. - concordou sombria.
- Desliguem os celulares. - a inspetora avisou, começando a entregar as provas.
, que já estava com a dela, ficou fingindo olhar para a lousa, só para deliciar-se com os olhos de Harry, hipnotizados pelo seu decote.
A inspetora colocou a prova de Harry em cima de sua mesa e acabou de entregar todas. Ao final, escreveu o horário na lousa e avisou que todos poderiam começar.
- Boa sorte. - a ruiva sussurrou para Harry, que sorriu com malícia.
- Obrigado. - ele disse. - Pra você também.
Dougie estava borbulhando de ódio. Não conseguia se concentrar em nenhum exercício de matemática, nem mesmo o simples sobre módulo. Agora todo mundo iria pensar que ele estava mesmo com mononucleose! Principalmente o inspetor ranzinza, que o olhava com certo receio e evitava passar ao seu lado.
Claro que ele não devia ter chamado de vaca - ela não havia feito nada para merecer aquele tratamento. Mas Dougie ficava tão irritado quando contrariado! Ela deveria saber isso...
Depois de algum tempo repassando mentalmente todo o diálogo que tivera com a ruiva, Dougie conseguiu se acalmar e começou a fazer a prova. Tinha a esperança de que depois era só comprar algumas flores e pedir desculpas - não havia motivos para entrar em pânico.
Mal sabia ele o que seu xingamento causaria...
acabou a prova e a entregou para a inspetora. Saiu da sala e apoiou-se na parede em frente. Cinco minutos depois, Harry apareceu, e ela sorriu com certa malícia para ele.
- Me esperando? - ele quis saber, ajeitando a mochila nas costas.
- Sim. - ela deu de ombros, e os dois começaram a caminhar juntos pelo corredor. - Vai para casa agora?
- Infelizmente. Tenho matemática amanhã.
- Outch. Boa sorte com isso! - sorriu. Depois apertou com força a alça da bolsa que usava. Não sabia direito o que estava fazendo, só sabia que queria fazer. - Nós podemos ir juntos, eu estou indo pra casa também.
- Beleza, eu te acompanho. - os dois saíram do prédio, encontrando um sol para cada um do lado de fora. - Mais bipolar que esse tempo só o Tom.
- Ah, eu gosto. - deu de ombros. - Do tempo, não do Tom.
- Eu acredito em você. - o baterista sorriu.
Os dois ficaram um pouco em silêncio, mas não queria ficar em silêncio; ela estava nervosa demais para isso.
- As coisas eram sempre tão quentes no México... Eu sinto falta.
- Eu conheço algo que pode te esquentar rapidinho. - Harry comentou, e deu-lhe um tapa no braço. - O quê? Eu estava falando do meu novo cobertor elétrico!
ficou mais vermelha que seu cabelo, e Harry gargalhou.
- Eu não sei com quem você está andando, mas eu não sou o tipo de cara que dá em cima das meninas desse jeito grosseiro. - Harry sentou-se no ponto de ônibus. - A não ser que você queira, claro.
Depois do comentário, o moreno se remexeu desconfortável no banco do ponto. Já não bastasse , agora ele queria pegar o primeiro amor de Dougie também?
Qual era o problema dele afinal?
- Eu ainda estou decidindo se eu quero ou não. - sentou-se ao lado do baterista, que sorriu constrangido e malicioso ao mesmo tempo. Envergonhada pelas próprias palavras, a ruiva tentou mudar de assunto. - Pensei que iríamos a pé.
- Não estou afim hoje. - o moreno deu de ombros.
- Por quê?
Harry olhou de um lado e depois para o outro, como se procurasse algo.
- Eu não estou tentando te impressionar nem nada - aproximou-se, curiosa. -, mas eu sou o Batman, e não posso sair por aí andando em plena luz do dia. Meus inimigos estão à solta, prontos para atacar!
gargalhou e Harry a acompanhou.
- É sério! Eles não respeitam mais ninguém hoje em dia!
- Você é idiota. - comentou, empurrando o moreno com o ombro direito. - Mas eu gosto de você.
- Eu também gosto de você, .
E por mais que os dois estivessem naquela situação por motivos totalmente distorcidos, eles realmente se gostavam.
O ônibus parou no ponto favorável aos dois e eles saíram, sem parar de conversar. Caminharam um pouco e logo se encontraram em uma bifurcação. A rua da direita era a de , a rua da esquerda era a de Harry.
- Entregue. - ele comentou, por mais que não quisesse que fosse embora.
- Obrigada por me acompanhar. - ela sorriu, por mais que não quisesse ir embora.
Os dois ficaram em silêncio. Um silêncio bem constrangedor, diferente da conversa animada e fluída que estavam tendo há pouco tempo.
- Bom, então eu...
- É melhor você...
Eles param de falar. Harry pigarreou. olhou para baixo.
- Você quer ir lá em casa, sei lá, passar o tempo? - o baterista enfim fez a pergunta que os dois esperavam ansiosamente.
Ah Harry... Você é um ser desprezível..., ele pensou.
- Ah, pode ser... Eu nem vou estudar de qualquer jeito! - sorriu um pouco envergonhada.
- Beleza, a gente pode jogar vídeo-game, beber, sei lá... - Harry deu de ombros. - Provavelmente Tom vai estar lá, e nós podemos fazer alguma coisa juntos.
- Beleza! - concordou, e eles viraram juntos para a esquerda.
Errado.
Aquilo era tão errado.
Tom não estava em casa.
Harry jogou as chaves em cima da mesa e apoiou-se na bancada da cozinha americana. aproximou-se, observando tudo em volta; estava no recanto sagrado de gênios musicais.
E ele estava bem sujo.
- Esse é o meu humilde lar. - Harry comentou, olhando em volta. - Meu laboratório secreto fica no subsolo do prédio, junto com o BatCarro e todas as outras coisas. Mas eu não vou te mostrar. Isso te deixaria perturbativamente apaixonada por mim.
- Perturbativamente? - olhou para Harry, os olhos faiscando de excitação e receio. - Essa palavra ao menos existe?
- Eu espero que sim. - o baterista sorriu sem mostrar os dentes.
Ah, meu Deus, se ele não fosse tão gato eu poderia mudar de ideia, pensou. Mas ele é estupidamente gato. E eu vou ter que continuar com a minha vingança.
- E aí, o que quer fazer? - ele perguntou, desapoiando-se da bancada e caminhando até a sala de TV. Antes que ele pudesse chegar nela, tocou seu braço, e ele se virou.
A ruiva aproximou-se sentindo as pernas bambearem. Colocou uma das mãos na nuca do moreno, e ele ficou sem reação. Ela então sorriu com certa malícia e juntou seus corpos.
- Acho que você já sabe o que eu quero fazer. - ela mordeu o lábio inferior. - O resto é com você.
Harry piscou duas vezes, ainda meio atordoado com as reações da ingênua .
Talvez, ele pensou, ela não seja tão ingênua assim.
Sem nem pensar duas vezes, ele encostou seus lábios aos dela.
Ah, merda, jogou os braços pelos ombros de Harry. O filho da puta beija bem.
Ah, merda, Harry agachou-se um pouco e envolveu as coxas finas de com as mãos grandes, fazendo com que ela abraçasse sua cintura com as pernas. Agora ela estava mais alta que ele. A filha da mãe é gostosa demais.
Harry carregou pelo pequeno corredor do apartamento e entrou em seu quarto. Lá chegando, colocou a ruiva com delicadeza na cama e deitou-se em cima dela. Rapidamente, suas mãos foram parar embaixo de sua blusa.
O que eu estou fazendo? Meu Deus, se eu fosse Dougie eu nunca mais olharia na minha cara! Harry estava no meio de um conflito: Transar com uma garota linda e gente boa ou manter a amizade já bastante abalada com Dougie.
Ele então passou os olhos pelo corpo de e se decidiu.
Foda-se Dougie. Ele superaria.
Faz tanto tempo que eu não faço isso, o cérebro da ruiva estava a mil. Será que vou conseguir fazer direito?
- Você está nervosa? - ele perguntou com os lábios colados aos dela.
- Um pouco. - foi sincera. - Não faço isso há muito tempo.
- Fica tranquila - ele desceu os lábios para o pescoço descoberto da menina. -, é como andar de bicicleta.
- A gente nunca esquece? - contraía-se toda sob os toques de Harry.
- Não, é só sentar no cano.
De repente, o coração de parou, e ela se curvou toda. Ah, que maravilha! Aquela sensação era sempre boa, mas quando envolvia outra pessoa era melhor ainda.
- Uou. - Harry arfou, batendo com as costas no colchão. - Pra quem não fazia há muito tempo você tem andado bastante de bicicleta...
riu, ofegante.
Então seu coração voltou a funcionar, assim como os neurônios, e os olhos se arregalaram.
O que ela tinha feito?
- , qual é o problema? - Harry estava sentado de samba canção na beirada da cama, observando a ruiva enfiar suas roupas com raiva. - O que eu fiz?
- Eu não acredito que você foi capaz de cair na minha! - queria morrer. - Qual é o seu problema? Será que não percebeu que eu estava fora de mim?
- Sim, eu percebi que você estava agindo estranho, mas estranho de um jeito bom. - ele sorriu malicioso, tentando segurar na mão dela, que desvencilhou-se com raiva. - Não foi nada demais, nós só...
- NADA DEMAIS? - ela berrou, colocando o braço na manga do casaco. - Harry, eu... Eu não... Ah, tchau!
A ruiva saiu feito um furacão pela porta, trombando com Tom, que havia acabado de chegar.
- ? - ele perguntou, mas ela não respondeu nada. Ao invés disso, saiu pela porta aberta da entrada e desceu as escadas do prédio correndo.
Harry apareceu na porta do quarto só de samba canção e Tom o olhou indignado.
- Você tem noção de que , o único amor do nosso amigo Dougie, acabou de sair do seu quarto visivelmente transtornada? - ele perguntou, e Harry fechou os olhos com uma careta.
Primeiro , depois ? Tom pensou com ele mesmo, observando Harry entrar de volta no quarto e trancar a porta. Qual é o problema dele?
Harry sentou-se na cama com a cabeça entre as mãos. Seus olhos permaneciam fechados e uma pergunta o infernizava.
O que foi que eu fiz?
pegou o primeiro ônibus que passou no ponto e subiu correndo as escadas. Ela só parou de correr quando se sentou em um dos bancos estofados e respirou fundo. O que ela havia feito?
Depois de quinze minutos, o ônibus deu um tranco e parou no centro da cidade. A ruiva deu um pulo e saiu correndo. Já na rua, avistou um salão de cabeleireiro bem charmoso ao lado da H&M e entrou nele, bastante afobada. As cabeleireiras, todas desocupadas, olharam curiosas para a garota parada no meio do salão.
- Eu quero mudar. - ela disse, mexendo no cabelo. - Quero ser outra pessoa.
se olhou atônita para o espelho do salão. Seu cabelo, antes na metade das costas, ruivo natural e comportado, estava bem curto e escuro na nuca e subia em um pseudo moicano ruivo.
Ela estava satisfeita com o resultado.
pagou a cabeleireira com dinheiro e saiu do salão. Do lado de fora, ela pegou o celular do bolso da calça e ligou para a casa dos avós.
- Alô? - seu avô chamou, um pouco alto demais.
- Vô? É a .
- Sim, , querida. Aconteceu alguma coisa?
- Aconteceu. - olhou para cima. Já começava a escurecer, e o vento gelado atingia seu rosto descoberto. - Eu estou pronta.
Capítulo 22 - 'But I made up my mind, I'm keeping my baby!'
Madonna, Papa Don't Preach
Harry e .
A avó de estava esperando a neta na porta de casa, enquanto seu marido, avô de , brincava com Lilly no jardim. A senhora de cabelos grisalhos e avental amarrotado estava nervosa; não sabia no que aquilo iria dar, mas esperava que desse tudo certo.
Ela avistou a neta virar a esquina e arregalou os olhos. O que ela havia feito com as lindas mechas ruivas, presente genético dela própria?
- Querida, o que você...?
- Eu só dei uma mudada, vó. - sorriu, mas aquele sorriso não condizia com a dureza de seus olhos. - Agora eu sou uma nova mulher.
- Você ainda é uma criança. - a sra. fez um sinal de contradição. - Não é uma mulher.
- Mas pretendo ser.
As duas mulheres entraram na casa lado e lado, e foi até os fundos da casa. Apoiou-se na batente da porta que dava acesso ao quintal e cruzou os braços, observando a pequena garotinha de um ano e alguns meses sentada em um balanço de madeira, mordendo um pedaço de pano e sendo empurrada para frente e para trás devagarzinho pelo sr. . A garotinha gargalhava com vontade, o que fazia os olhos dele brilharem de emoção.
A menina era ruiva como , mas tinha os mesmos olhos misteriosos de Dougie, ora verdes ora azuis.
A ruiva suspirou. Estava pronta para ser mãe; mas será que Dougie estava pronto para receber a notícia de que era papai?
acordou dez minutos antes do despertador. Não conseguindo mais ficar na cama, ela se levantou e foi tomar um banho. Meia hora depois ela saía do chuveiro, inundando o quarto com a neblina de vapor que estava concentrada no banheiro.
A morena passou mais de uma hora se arrumando; era sempre assim, e ela não se importava com aquela rotina. Tudo para ficar bonita.
Depois de todo o ritual, ela desceu estonteante as escadas de casa, dando de cara com a mãe, tão bonita quanto ela.
- Caiu da cama, ? - ela quis saber, rindo.
- Quase isso. - deu de ombros. As duas foram até a cozinha e ela colocou café em uma caneca. Tomou o líquido puro, fazendo uma careta em seguida.
- Está nervosa? - sua mãe quis saber, mordendo uma torrada com geleia de damasco.
- Um pouco. Hoje é o teste para a Alice e acho que posso perder o papel para a Frankie. - era mentira; o papel já seria de antes mesmo que ela entrasse no palco. Não era aquilo que a estava deixando nervosa. E sua mãe sabia disso.
- Vai dar tudo certo. - foi o que ela respondeu.
beijou o topo da cabeça da mãe e despediu-se do pai, que assistia ao noticiário na sala de TV.
Ela saiu para o vento frio da manhã de Brighton e suspirou; se ainda namorasse, Dougie a estaria esperando com um carro quentinho e um delicioso Frappucino Mocca do Starbucks. Mas ela não namorava mais Dougie, o menino perfeito, e não tinha mais aqueles privilégios.
Mas, ao invés de ficar se martirizando, ela somente espreguiçou-se, pegou o cartão de estudante do bolso da calça e foi até o final da rua esperar o ônibus.
Harry estava apoiado na mureta do colégio fumando um cigarro e conversando com Tom. O loiro estava falando engraçado por causa do corte no lábio inferior, e Harry não conseguia parar de rir todas as vezes que o amigo falava a palavra "jock", pois ele acabava pronunciando "cock".
O ônibus da linha 22 parou em frente ao ponto do colégio e alguns estudantes começaram a descer. Os alunos de high school estavam de uniforme, e os alunos do college mordiam-se de inveja; bons tempos em que eles não precisavam se preocupar com a roupa que usariam na manhã seguinte.
Em meio a todos os alunos, uma garota conhecida chamou sua atenção. Ele apertou os olhos e deixou o queixo cair. Era , mas não se parecia nada com ela.
- Mas que porra é essa? - Tom pareceu ler seus pensamentos. Ele olhava fixamente para a amiga, que andava distraída em direção aos portões do colégio.
- Eu não sei. - Harry deu de ombros. - Mas vamos descobrir agora. !
A ruiva virou o tronco em direção aos músicos, perdendo o ar de leveza ao cruzar olhares com Harry. Tom acenou freneticamente, e ela só apontou para o relógio de pulso, alegando estar atrasada. Depois deu as costas para os amigos e entrou no colégio.
- Harry, o que você fez pra ela? - Tom quis saber.
- Nada! - ele exclamou. - Ela pirou...
- Vai conversar com ela! - Tom aconselhou. Empurrou Harry com toda a sua força, e ele cambaleou para frente. - Vai logo!
atravessava o longo corredor de salas em direção ao anfiteatro. Estava adiantada para o teste, mas ela tinha para si que era melhor prevenir do que remediar. Além disso, a bicha louca do diretor das peças de teatro prezava mais a pontualidade do que a atuação em si e, por mais que ela fosse a queridinha dele, puxar o saco nunca era demais.
Ela andava com o roteiro embaixo dos braços, mas já havia lido Alice no País das Maravilhas tantas vezes que nem precisava decorar nada; ela já começava a entrar no personagem e, naquele momento, sentia-se como Alice.
A morena andava apressada, batendo as sapatilhas no chão. Ela tinha um porte muito bonito de andar, graças aos muitos anos de balé que havia feito. Além disso, sua estrutura óssea era invejável, presente dos anos e anos de natação.
havia sido criada para se destacar. Ela era tudo que sua mãe sonhara em ser, mas que nunca fora por ter pais muito rígidos.
As salas do high school pelas quais ela passava estavam vazias - os alunos agora usavam as salas do segundo andar enquanto aquelas eram reformadas -, então foi uma surpresa para ela ouvir certa movimentação naquele corredor. Era um murmúrio baixo e rápido vindo de uma das salas em reforma; o suficiente para despertar sua curiosidade.
A morena foi chegando mais perto da origem da conversa e diminuiu os passos. Encontrou a sala certa e foi aos poucos a abrindo. Ela conhecia aquelas vozes... Conhecia mais do que bem...
Harry. A voz baixa e firme de Harry.
Ela travou. Não sabia se queria saber o que estava acontecendo.
A quem ela estava querendo enganar? Claro que ela queria!
A porta estava aberta o suficiente para que ela pudesse enxergar lá dentro. Ela enfiou a cabeça pelo vão com cuidado e prendeu o ar. Harry gesticulava com , que o ouvia impassível de braços cruzados.
- ...você... saiu correndo... problema...
- ...surtei... qual é... meu Deus, Harry!
O que diabos estava rolando ali?
não queria mais saber. Não quando o que ela suspeitava podia se concretizar diante de seus olhos.
Ela tirou a cabeça da fresta e recomeçou a andar pelo corredor. Quando deu por si, estava correndo. Chegou ao anfiteatro ofegante, e jogou-se na primeira cadeira que viu. O lugar estava vazio e ela pôde enfim respirar.
Aquilo não a afetaria. Ela era Alice, e estava prestes a chegar ao País das Maravilhas.
Dougie viu sair correndo depois de espiar alguma coisa em alguma das salas que estavam sendo reformadas. Ele estava indo para o refeitório comer alguma coisa antes de encarar a prova de biologia, e achou aquela atitude um tanto quanto esquisita. Ele sabia que não faria a prova pois estava indo para a audição concorrer - e ganhar - ao papel de Alice na peça de final de ano, e sabia também que no dia em que ela fazia audições, nada a abalava. Então por que diabos ela estava tão transtornada?
Curioso, Dougie aproximou-se da sala de aula e colocou a cabeça no mesmo lugar em que outrora a cabeça de estivera. Ele avistou Harry conversando com uma menina de costas, a qual ele nunca havia visto antes...
Mas então a menina se virou, e ele reconheceu , com um moicano. Um maldito moicano!
Tinha como ser mais fetichista?
O moreno parou de pensar no fetiche que tinha com garotas de moicano e passou a prestar atenção na conversa dos dois; eles pareciam exaltados. O baterista gesticulava, e ouvia com uma expressão de raiva no rosto.
O baixista não podia ouvir o que eles falavam, pois seus tons de vozes estavam muito baixos, mas ele sabia que não deveria ser algo bom pelas expressões de seus rostos.
Ele tinha todos os motivos para ficar enciumado, afinal, a garota que ele amava parecia estar muito transtornada com o que Harry falava. Mas, ao invés de se preocupar com ela, ele próprio ficou intrigado. Por que aquela cena havia deixado tão esquisita?
Dougie tirou a cabeça da fresta da porta e olhou para frente. já havia entrado no anfiteatro.
Com a ideia fixa de que os três envolvidos estavam escondendo algo, Dougie continuou seu caminho rumo ao refeitório.
Harry alcançou ainda no corredor. Todos a olhavam, cochichando baixinho. Ele não os julgava; não era do tipo de menina a qual eles esperavam alguma atitude drástica. talvez, não.
- . - ele sussurrou, segurando seu braço.
suspirou e virou-se. Seus olhos verdes estavam frios como pedra.
- O que foi? - ela quis saber.
- Nós podemos conversar? - Harry pediu, já a empurrando para dentro de uma sala vazia.
- Não temos nada para conversar. - ela disse, tentando sair de perto do baterista, que a impediu, ainda com a mão envolta de seu braço.
- Temos sim. - ele a contrariou. - O que foi que eu te fiz? Ontem você deu em cima de mim, nós ficamos juntos e foi legal. Aí você me acusa de coisas que eu não fiz, vai embora e aparece toda esquisita no colégio no dia seguinte?
- Harry, eu não quero falar sobre isso. - a ruiva revirou os olhos. - O que passou, passou. Eu posso ir embora agora?
- Que há de errado com vocês, garotas? - o baterista estourou, erguendo os braços em rendição. - Eu não consigo entender vocês nunca!
abaixou o rosto. Duas pauladas na cabeça de uma vez só não devia ser fácil para Harry, mas ela tinha problemas maiores para resolver do que ficar se preocupando com dramas amorosos.
- Ontem você saiu correndo de mim! Se o problema sou eu, por favor, me diga, porque alguma coisa eu tenho que estar fazendo errado, não é possível...
- Eu surtei, ok!? - berrou, respirando fundo. - Qual é o problema de vocês, homens, em deixar as coisas quietas em seus devidos lugares? Meu Deus, Harry! Foi só sexo!
Harry abriu a boca. Estava mesmo ouvindo aquilo vindo de ?
- Ah, pelo amor de Deus... - ele desistiu de argumentar. - Vocês são todas loucas. LOUCAS!
- Nós somos loucas porque vocês nos deixam loucas. - comentou, dando de ombros. - Nós já acabamos aqui?
- Por favor! - Harry exclamou.
lançou um olhar irritada para ele e saiu da sala batendo os pés.
O moreno ainda ficou um bom tempo lá, olhando para o nada.
Malditas mulheres, ele pensou amargo. Será que é tarde demais para começar a gostar de homens?
Capítulo 23 - 'All we need is love and beer!'
Bownling for Soup, Shut Up and Smile.
Danny e
Quarta-feira arrastou-se sem maiores preocupações. conseguiu o papel de Alice e todos os outros queimaram os poucos neurônios que ainda não haviam morrido com as drogas em suas respectivas provas.
Ao final do dia, eles voltaram para suas casas e passaram o resto do dia estudando/no facebook/chorando as mágoas no chuveiro/cuidando da filha.
O dia seguinte amanheceu frio e chuvoso, e foi motivo de muitos resmungos para sair da cama. Mas, pelo menos, nossos protagonistas tinham algo para os alegrar: Iriam fazer a penúltima prova como alunos de college de suas vidas!
Danny acordou com aquela sensação de que tudo estava dando errado em sua vida. Havia conversado com os pais no dia anterior e agora eles já sabiam que ele não tinha mais emprego. "Se você não achar outro emprego em menos de um mês vai voltar para Bolton, Daniel!" sua mãe esbravejou. "Você sabe que nós não temos dinheiro! Não podemos bancar um marmanjo como você a essa altura do campeonato! Ou você dá um jeito nisso ou desiste dessa loucura de 'música', que não vai te levar a nada!"
Aquelas ameaças o estavam deixando louco de preocupação. Não que voltar para Bolton fosse tão ruim assim - ele adorava a cidade e sua família que morava lá -, mas voltar para uma cidadezinha pacata de interior depois de tanto tempo em meio as loucuras da cidade conhecida como capital das baladas da Europa não era algo que ele almejava.
Além disso, ele nunca desistiria da música. Era a sua paixão, e dentre todas as outras que ele havia perdido, ele não deixaria essa passar.
acordou ansiosa. Faria a prova da matéria que mais odiava, mas precisava ir bem. História. Maldita história! Por que tão complicada, tão inútil, tão... Normal!?
Além disso, ela recebeu mais uma das ligações padrão de seus pais logo pela manhã. Amenidades, perguntas genéricas, desejos de boa sorte, julgamentos subentendidos e tchau. Era sempre assim, e seria sempre assim. Pelo menos enquanto ela não passasse em Oxford.
Ela se arrumou e ouviu o chuveiro de Danny ser ligado. Então sentou-se no sofá e fechou os olhos. Ele cantava Blackbird dos Beatles, uma de suas músicas favoritas.
Blackbird singing in the tree all night... Take this broken wings and learn to fly! All your life... You were only waiting for this moment to arrive! Blackbird fly... Blackbird fly...
Maldito Danny Jones!
dormiu mais uma vez na casa dos avós. O berço de Lilly estava ao lado de sua cama, e ela adormeceu observando a pequena garotinha. Teve sonhos conturbados onde Dougie descobria de vários jeitos diferentes sobre Lilly, e em todos eles ele agia com hostilidade e indiferença. Apesar do frio, ela acordou soando com o choro baixinho da bebê.
Depois de alimentá-la, trocá-la e colocá-la de volta no berço, ela foi se arrumar. Ligou para os pais e avisou que estava tudo bem. Sua mãe, feliz pela filha ter finalmente assumido suas funções de mãe, depois de um ano fingindo que nada havia acontecido, conversou muito com , e a ruiva foi sincera: Estava com medo, muito medo, mas não desistiria. Sua mãe também perguntou sobre Dougie, e prometeu que contaria a ele; só não sabia quando. Podia ser aquele dia, podia ser 17 anos depois, quando Lilly já estivesse indo para a Universidade...
Do outro lado da cidade, Dougie acordou intrigado. Havia passado a noite inteira relembrando do ódio nos olhos de ao ver Harry com . Por quê? Harry não passava de um amigo pra ela! Claro que eles tinham todas aquelas piadas internas irritantes entre eles, e ele estava sempre perfumado perto de sua ex-namorada, mas nada que pudesse justificar o que ele havia visto.
E então tinha o término súbito de namoro, que ele não conseguia achar uma explicação para ter acontecido. Ele era um namorado tão bom! O genro que as mães pediam a Deus...
Tinha algo estranho no ar. E ele iria descobrir.
acordou muito cedo para os ensaios da peça, que começariam naquela quinta de manhã. Ela estava um caco; não havia conseguido dormir, pensando em Harry com . Pela primeira vez em muito tempo, ela não se maquiou meticulosamente, ajeitou o cabelo com devoção e escolheu a roupa como se estivesse indo para um desfile de moda.
Não. Ela só prendeu o cabelo em um rabo de cavalo, não passou maquiagem nenhuma e colocou a primeira coisa que pegou no armário.
Sua mãe, já pronta na cozinha, até se assustou. não estava feia; ela não ficaria feia nem se tentasse. Mas ela também não estava deslumbrante como todos os dias. Com jeitinho, ela conseguiu perguntar o que estava acontecendo, mas só deu uma resposta defensiva e saiu porta afora.
Harry acordou com o despertador. Ele estava mais puto do que o normal, e o aparelho estraçalhado no canto do quarto era uma prova disso. Ele nem se deu ao trabalho de acordar Tom, que babava no travesseiro, pois sabia que se o fizesse, o loiro ficaria de frescura e ele estouraria sem motivo nenhum com o amigo.
Ao invés disso, ele ligou o iPod e foi para o colégio ouvindo músicas que considerava encaixar-se no quesito "perdão". Pelo menos seus problemas não o impediam de pensar no McFLY, o que parecia estar acontecendo com os outros três.
Afinal, sem o McFLY ele não tinha nada.
Tom acordou atrasado. Olhou para o relógio e estranhou. Harry sempre o acordava!
Ele caiu da cama e foi correndo até o quarto do baterista. Ele estava vazio e arrumado. Irritado, o loiro tomou uma chuveirada, comeu uma torrada e saiu correndo. Foi só no ônibus que ele finalmente se lembrou que deveria escrever uma música para aquele domingo. Ele então puxou um caderninho de dentro da mochila e começou a rabiscar qualquer coisa, o garrancho saindo pior do que o normal pelo balançar do meio de transporte. Todavia, nada do que ele escrevia fazia sentido, porque tudo na sua cabeça era uma confusão. Cassadee, , Emily, Jim, provas finais, música, baile... Eram tantas coisas que ele só queria sentar e chorar.
O ônibus freou bruscamente e ele se viu no ponto em frente ao colégio. Desceu os lances de escada e entrou correndo. Talvez mais tarde ele tivesse a inspiração para a música que precisava, mas antes ele precisava se formar.
estava comprando cigarros quando sentiu que havia alguém atrás dela pela primeira vez. Depois ela estava tomando café no Starbucks que demitira Danny dias atrás. E então ela estava virando a esquina para entrar no colégio, e a sensação não a deixava em paz.
Ela se virava de tempos em tempos, mas não havia ninguém.
Talvez ela estivesse ficando paranoica. Ou talvez ela não fosse rápida o suficiente para perceber que havia sim alguém a seguindo.
Às 18 horas todos saíram do colégio. estava fumando com do lado de fora quando passou por elas.
- Loira! - exclamou, e se virou para ela. - Vamos sair hoje à noite. Tá afim?
- Onde? - quis saber. Precisava mesmo espairecer, se não surtaria com toda aquela coisa de provas/Danny.
- Ah, sei lá, estava pensando em ir no Coco Loco. - fez uma careta. - Apesar dos intercambistas, é a melhor balada daqui.
- Pode ser. - ela deu de ombros. - Que horas?
- Nós estávamos indo nos arrumar agora. Tá afim de ir junto? Nós passamos na sua casa pra pegar suas roupas.
- Beleza. - a loira sorriu. - Vamos lá.
- Danny! - Harry exclamou, seguindo o guitarrista pelo corredor. Danny virou-se. - Vamos no Coco Loco hoje?
- Harry, nós temos uma música pra fazer, a última prova amanhã e o baile no sábado... - Danny ia falando, quando Harry o cortou.
- Eu pago.
- Beleza, eu só preciso pegar umas coisas lá em casa.
Quinta-feira e o Coco Loco estava cheio. Não tão cheio quanto de quarta-feira, mas não tão vazio como de segunda.
Danny e Harry entraram com seus RG's falsos às 11h59, o limite para não pagar a entrada de 1 libra. Eles foram para a chapelaria e deixaram seus casacos e logo depois foram se encontrar com Christina, a bartender que sempre os atendia.
- Crissi! - Danny exclamou, colocando 6 libras no balcão. - Duas tequilas.
- Danny Jones, você é um chupim! - ela exclamou, ao perceber que Harry estava bancando a noite. Mais uma vez.
- Eu não sou um chupim! - ele exclamou ofendido. - Não tenho culpa se Harry Judd é milionário.
- Não sou milionário. - Harry deu de ombros, fazendo Christina e Danny o olharem desconfiados. - Tá, talvez um pouco...
- O que importa é que hoje o shot de tequila é 3 libras. - Christina deu de ombros, colocando dois copinhos de shot no balcão.
Ela colocou o cabelo descolorido atrás da orelha e fixou os olhos azuis nos copos. Despejou o líquido cobre até a boca e colocou um pote com sal e limão na frente dos amigos.
Os dois viraram a bebida e fizeram caretas distintas após o limão.
- Hoje a noite vai ser boa. - o baterista comentou, e Danny sorriu, apoiando-se no balcão.
Na mesma hora, três garotas entravam no salão.
usava um vestido preto que acentuava seu corpo esguio. De salto alto, ela era a menina mais alta da balada. O cabelo platinado estava preso em um coque, deixando seu pescoço a mostra e destacando sua maquiagem escura, com exceção do batom cor de boca. Ela usava pulseiras e brincos de prata, que brilhavam toda vez que os lasers passavam por eles.
A morena estonteante ao lado delas era . Ela usava um vestido bandage preto e scarpins roxos de verniz. O cabelo estava solto e a maquiagem leve. Ela não tinha olhos claros nem cabelo descolorido, como quase todas as meninas ali, mas era infinitamente mais linda do que todas elas juntas.
completava o grupo com um vestido branco e curto. Os olhos azuis brilhavam como dois faróis sob a maquiagem bronze. Ela usava sandálias laranjas e o cabelo solto. Como de costume, o escorpião estava lá, pela primeira vez um pouco apagado pelas luzes brilhantes.
- Ah, merda... - Danny sussurrou, e Harry pensou o mesmo.
A música do Linkin Park estava no final. Breaking the Habbit animou todos os presentes, que pulavam feitos imbecis e riam de qualquer coisa. Já eram 2 horas da manhã, e todos estavam bêbados. Danny voltava de uma temporada no fumódromo, e procurava por Harry.
Ele não encontrou com o baterista, mas acabou esbarrando em .
- . Oi. - ele disse, constrangido. Não a havia cumprimentado quando a viu entrar na balada, e nem queria. Ainda estava chateado com toda a história do vampiro de filmes dos anos 80 que ela parecia estar de rolo.
- Oi, Danny. - ela sorriu. Cambaleou um pouquinho para o lado e apoiou-se nele para não desabar. - É impressão minha ou eu estou no meio de um terremoto?
- Estamos todos no meio de um terremoto. - o guitarrista olhou para o lado, avistando um gordinho encostado num canto sozinho. - Bom, talvez aquele cara não.
Where Have You Been do Reel Big Fish começou a tocar, e os dois se olharam constrangidos.
You called me up last night in tears, and said you missed me after all these years... But I've been waiting here so long! I've gotten over it since you've been gone...
abaixou o rosto, encarando os pés. Danny deu uma desculpa qualquer e se afastou. Chegando ao pé da escada, ele cruzou os braços na frente do corpo e ficou observando a morena. Ela balançava o corpo de um lado para o outro no ritmo da música.
Ele ficou pensativo. sempre fora uma boa amiga, mas eles resolveram estragar tudo por noites incríveis de sexo e manhãs constrangedores de indiferença por parte dela.
You called me late last night again... And said you're finished with your new boyfriend! Asked if you could come back home. So sorry that you left me all alone! Well...
A morena levantou o rosto, e os olhares se cruzaram. Danny sorriu de lado, e ela acompanhou.
You say you love me, love me again, but if you love me... Where have you been? You say you need me more than anyone else, well go to hell! Where have you been?
O guitarrista cantarolou junto com a música, ainda olhando para , que pareceu entender o que ele queria dizer. Afinal, a música retratava como ela o vinha tratando; como um step. Se ela o amasse mesmo, onde estava quando ele precisava?
You showed up at my door today... You said: "My friend why do you push me away? Life with him was just so dull. But what we had was something wonderful!", well...
Era aquilo que iria acontecer com eles? Danny sempre estaria ali para as vontades de ? Era isso que ele queria? Era isso que ela queria? Eles eram amigos antes de tudo, e amigos não gostavam de magoar uns aos outros.
Pelo menos não os bons amigos.
You say you love me, love me again, but if you love me... Where have you been? You say you need me more than anyone else, well go to hell! Where have you been?
deu de ombros, e Danny fez o mesmo. Ele pôde ler os lábios da morena, que sussurravam sorry. Mas ele entendia... Por mais que quisesse, eles não podiam continuar com aquela mentira. Tinham que seguir com suas vidas.
No way! You wish! I don't need this! What makes you think I'd ever want you again? Yeah right! As if! I don't need this! What makes you think I'd ever want you again? Again?
O moreno saiu do pé da escada e foi em direção ao fumódromo.
Era o fim da amizade com benefícios. Sem lágrimas, sem drama, sem arrependimento.
dançava com alguns desconhecidos enquanto bebia sua cerveja. Ela não gostava das bebidas homossexuais que as meninas costumavam tomar, e muito menos era do tipo tequila de menina. Aquele tipo que tomava alguns shots de tequila, abria as pernas para qualquer um e depois dizia que "a tequila fazia aquilo com ela".
Ela era rápida e prática. Se queria ficar bêbada, bebia vodca pura. Se queria curtir, bebia cerveja.
E lá estava ela, não tão bêbada ao ponto de cair pelos cantos, mas não tão sóbria ao ponto de olhar em volta e sair correndo ao perceber que estava dançando com quatro caras estranhos.
- Você dança muito bem. - um deles comentou, segurando sua nuca. Ela tirou a mão soada do garoto com um pouco de nojo e fez uma careta.
- Você podia elogiar meus belos olhos azuis ou minha postura de bailarina, mas você elogia justo a minha desabilidade? Uau, parabéns! Onde você conseguiu o diploma de babaca? - ela respondeu, dando as costas para o garoto.
Ele soltou um palavrão e saiu de perto, fazendo sinal de "essa aí é louca" para os amigos, que o seguiram como ovelhinhas treinadas.
A loira continuou dançando sozinha, até que sentiu alguém se aproximar. Sem dar importância, ela nem se deu ao trabalho de virar-se para trás.
- Seus olhos estão mais bonitos do que o normal hoje. - ela ouviu aquela voz rouca que a deixava maluca sussurrar no pé de seu ouvido.
De repente, seu corpo não obedecia mais aos seus comandos, e ela dançava junto com Danny, que encaixou seu corpo junto ao dela.
Ele colocou uma das mãos em sua barriga e a outra em sua coxa. Ao som de DJ Got Us Falling In Love Again eles iam de um lado para o outro. Danny roçava seus lábios no pescoço dela, que encaixou sua cabeça na curva do ombro do guitarrista. Os dois pares de olhos estavam fechados, e o chão tremia sob seus pés.
- Me desculpe. - ele pediu. - Você sempre foi legal comigo. Eu não deveria ter dito aquelas coisas.
não respondeu nada. Desconfiou que se abrisse a boca poderia acabar dizendo alguma besteira. Por isso, continuou ouvindo o que Danny tinha a dizer.
- Eu não acho que você seja louca. Um pouco intensa talvez, mas todos nós somos às vezes. - sentiu um nó se formar em sua garganta. - Eu só queria que você soubesse que eu estou arrependido por ter estragado o nosso primeiro beijo.
Com destreza, Danny segurou na cintura de e a virou de frente para ele. Ela abriu os olhos e se perdeu na imensidão dos olhos azuis do guitarrista.
- Se você me permitisse, eu gostaria de tentar de novo.
- Eu... - começou, mas então lembrou-se das sábias palavras de . Ele vai gostar ainda mais de você se perceber que não é uma maluca que adora pegar no pé. Talvez estivesse na hora de começar a virar o jogo. Havia passado da hora, na verdade. - Danny, você me magoou muito. Eu não posso te perdoar assim, sem mais nem menos.
Danny ficou em silêncio, ouvindo com atenção.
- Eu tenho que ter uma prova de que você não vai me tratar mais do jeito que me tratou.
- E como eu posso te provar isso? - ele quis saber.
- Você é inteligente. - ela piscou para ele. - Vai dar um jeito.
Danny ficou parado observando se afastar.
É, estava na hora de esquecer e dar uma chance para quem realmente gostava dele.
Harry estava mais louco que o Batman. O segurança já havia avisado que mais um envolvimento em discussões com as pessoas na pista de dança e ele seria expulso da balada.
De longe, ele avistou conversando com algumas garotas do Brighton College. Sem nem pensar duas vezes, ele foi até ela.
Quando percebeu a aproximação do baterista, deu um jeito de despachar as amigas. Sozinha, ela fechou a cara.
- ! - ele exclamou, subindo a mão direita para um high five. não o acompanhou, e ele desceu o braço decepcionado. - Ainda brava comigo?
- Você disse que não queria mais saber de mim, Harry. - ela disse amarga. Não conseguia tirar da cabeça a cena que vivera mais cedo - Harry e sozinhos em uma sala de aula, parecendo se conhecer melhor do que ela pensava que se conheciam. - Eu só estou seguindo suas instruções.
- Ah, isso... - ele deu de ombros. - Mas, ... Eu amo você!
- Harry, vaza. - ela o empurrou pelo ombro. - Vá procurar a e me deixe em paz.
Harry observou sair do seu campo de visão e franziu o cenho.
Mas a nem estava na balada!
saiu ziguezagueando no meio das pessoas e esbarrou em Danny. Sem nenhum pingo de sangue no álcool, ela o abraçou e começou a chorar.
- O que aconteceu? - ele quis saber, afagando a cabeça da amiga. Como ela não respondeu nada, ele continuou a confortá-la em silêncio.
Depois de muito chorar, ela levantou o rosto inchado para ele e piscou os grandes olhos castanhos.
- Danny, você me acha bonita? - ela quis saber, e Danny foi pego de surpresa por aquela pergunta.
- Acho! Claro que acho! - ele respondeu. - Nossa, , você é uma das garotas mais bonitas que eu conheço!
- Então por que eu sou tão fodida da cabeça?
- Você... Eu... O quê?
- Danny, me dá um beijo?
Danny arregalou os olhos. O que estava acontecendo com aquelas meninas ultimamente?
A morena ficou na ponta dos pés e fez bico. Danny ficou olhando, sem saber o que fazer. Não que ele nunca tivesse pensando em ficar com . Até onde ele sabia, ela era solteira e linda. Mas até aquele momento ela nunca havia o tratado como nada além de um bom amigo.
E lá estava ela. Preparada para um beijo.
Danny começou a se curvar lentamente, ainda com o conflito interno beijar ou não beijar a ex-namorada de um de seus melhores amigos. Seus lábios estavam muito próximos, e com um movimento automático, ele olhou para o lado, batendo os olhos em .
Ela dançava de olhos fechados, jogando o cabelo platinado de um lado para o outro. Mantinha um sorrisinho nos lábios e parecia estar curtindo o momento.
- . - Danny chacoalhou a morena, que abriu os olhos e desfez o bico. - Desculpa, não vai rolar.
- Por que não? - ela perguntou decepcionada.
- Não sei. - o guitarrista deu de ombros. - Acho que eu estou ficando louco.
sentiu o braço ser envolvido por cinco dedos. Ela abriu os olhos e deu de cara com Danny.
- Beleza, você não quer me beijar, mas nós podemos beber juntos como amigos, não podemos? - ele perguntou, estendendo uma cerveja para ela. - Afinal, all we need is love and beer!*
olhou do copo para Danny e de Danny para o copo.
Ah, que se foda...
- Podemos. - ela sorriu, encaixando o copo cheio de cerveja no copo vazio que estava em sua mão.
Danny sorriu e os dois voltaram a dançar. Ele dançava de um jeito engraçado, e os dois passaram bons momentos juntos, rindo e curtindo a noite.
Conforme o tempo ia passando, seus copos iam se enchendo. Lá pelas 4 horas da manhã eles estavam tão bêbados que apagou.
A loira acordou com a cabeça explodindo. Abriu os olhos e descobriu-se em um quarto diferente do seu.
Onde, diabos, ela estava?
Lentamente, ela virou o rosto para o lado e arregalou os olhos.
Danny Jones dormia tranquilamente ao seu lado na cama de casal.
Desesperada, ela levantou o edredom e descobriu que usava só calcinha e sutiã. Ela então pulou da cama e pegou sua roupa na cadeira da escrivaninha. Colocou seu vestido com pressa e saiu correndo do apartamento do vizinho.
Atravessou o hall como um foguete e pegou a chave embaixo do tapete de entrada. Trancou-se em sua própria casa e entrou embaixo do chuveiro.
Ficou forçando a mente, tentando se lembrar o que diabos havia acontecido na noite anterior.
Ela não conseguia se lembrar de nada depois do décimo copo de cerveja.
Como uma avalanche, lágrimas começaram a cair de seus olhos e misturaram-se com a água do chuveiro.
Ela nunca mais sairia de casa.
*Trecho da música Shut Up and Smile do Bowling for Soup.
Capítulo 24 - 'I am afraid right now! What if I can't get out? What if I don't want to be saved? This is me afraid!'
Yellowcard, Afraid
Tom e .
Garotos, comprem aqui o seu ingresso para o baile de formatura! Esse ano com a temática de baile de máscaras. Colação de grau, open bar e food e última festa como estudante do Brighton College! Você não pode perder essa!
*Lembrando que só homens podem comprar os ingressos. (Garotas, nós sabemos quando vocês estão disfarçadas).
**Alunos que não estão se formando só podem ir se forem convidados por um formando.>
- Ah, cara... - Dougie suspirou ao lado de Harry, Danny e Tom. Os quatro olhavam para a barraca montada no meio do pátio, apinhada de pessoas. - Não tenho ninguém com quem ir nessa merda.
- Somos dois, Doug. - Tom fez uma careta. - Acho que vou chamar aquela gordinha da sala de psicologia do Harry.
- Ei! Eu estava planejando chamá-la! - Harry olhou com o canto dos olhos para o loiro, que deu de ombros.
- Vou chamar a professora Parker. - Danny comentou. - Ela sempre quis o meu corpo nu.
A banda ficou aproximadamente 15 minutos na fila. Quando chegaram ao caixa, compraram 2 ingressos cada um e encaminharam-se para o prédio das salas de aula. Despediram-se na porta de suas respectivas salas e entraram para fazer a última prova de suas vidas.
acabou a prova e saiu da sala. Colocou seu maior óculos de sol para evitar que as pessoas a vissem com sua típica cara de ressaca e saiu do colégio. Com um ingresso do baile no bolso - Brian Saxx, solista do coral da escola, fora o primeiro a convidá-la, e como ela estava sem saco para jogar o jogo do "quem dá mais", acabou aceitando, o que motivou a ira do resto dos alunos homens que estavam programando só chamá-la depois que o primeiro perdedor o fizesse e fosse recusado -, ela desceu a escadaria e deu de cara com Jim apoiado em sua moto.
Ele sorriu, o que fez o coração dela disparar. Mas não de um jeito bom. De um jeito que fez seu cérebro aconselhá-la sabiamente com uma única palavra: Corra!
Ela apressou o passo e passou por ele sem nem ao menos olhá-lo.
- , por favor! - ele pediu, mas ela não se virou.
Como num passe de mágica, ele estava ao seu lado, segurando seu braço com firmeza. Seus dedos estavam gelados.
- Eu só quero conversar, por favor. - ele pediu, e finalmente parou. Virou-se para ele e cruzou os braços. - Eu só quero pedir desculpas.
- Você tem 30 segundos. - ela apertou o cronômetro do relógio. - Pode começar.
- Eu perdi a cabeça, ok? Eu vi o cara te beijando e fiquei louco! Por favor, me perdoa, vai!? É que eu fiquei tão encantado por você que nem podia pensar na possibilidade de te perder, eu só...
- Acabou o tempo. Tenha uma boa vida, Jim. - ela sorriu, dando-lhe as costas.
Essa foi a última prova da minha vida, Tom pensou, enquanto guardava no bolso da calça a sua fiel caneta preta, único item que levou para o colégio durante os dois anos do college. Eu nunca mais vou ter que sentar minha bunda em cadeiras desconfortáveis e ouvir fósseis falarem sobre coisas que eu não quero ouvir. Nunca. Mais.
Claro que seus pais gostariam que ele fizesse faculdade, mas aquilo não estava nos planos do guitarrista. Thomas Fletcher seria grande. Thomas Fletcher seria uma porra de uma estrela do rock! Ele teria milhares de garotas aos seus pés, drogas e mais drogas, muito dinheiro e fama e tudo o que teria que fazer em troca era cantar sobre seus sentimentos com uma guitarra nos ombros.
Com certeza não existia melhor emprego nesse mundo.
Claro que ele teria de abrir mão de seu anonimato e de sua vida normal para estampar as capas de revistas a qualquer espirro, mas ele não se importava. Nem um pouco; queria viver seus 15 minutos de fama, e que esses 15 minutos se prolongassem pela vida inteira.
Ao sair pelos portões do Brighton College, Tom sentia-se mais animado. Aliás, ele poderia muito bem dar meia volta e convidar Megan Knoxville, a segundanista mais gostosa do college, para o baile. Sem Cassadee, sem , sem drama: Só ele e uma gostosa. Quem sabe ele não se daria bem no final da noite? Rolavam boatos de que a menina era mais fácil do que fazer omelete.
Tom apontou nas escadarias e travou. Não porque seus pés não o obedeciam mais, mas porque ele não podia acreditar no que estava vendo.
Lá estava , com os braços cruzados na frente do corpo, olhando para Jim, que falava sem parar, gesticulando. Tom não podia ver o rosto da morena, pois ela estava de costas para ele, mas Jim parecia bem confiante. E ele segurava seu braço com certa intimidade.
E então ela olhou para o relógio e depois para ele.
Um encontro. Eles estavam marcando um encontro! Te encontro daqui meia hora no meu apartamento. Nós podemos transar a noite inteira! Vamos comemorar o final das minhas provas com a sua língua em mim! ele a imaginou dizendo, e essa imagem fez seu estômago se embrulhar.
Quase como se estivesse planejado, Tom deu meia volta e entrou novamente no colégio, trombando com Cassade por não conseguir enxergar nada pelo efeito lusco fusco.
Esse só pode ser o meu dia de sorte...
Cassadee estava com duas bolsas enormes e negras embaixo dos olhos. Passara a prova de trigonometria inteira chorando, assoando o nariz em lencinhos umedecidos e mascando chicletes sem açúcar.
Então Emily a havia deixado, sem mais nem menos, depois de pedir para que elas se encontrassem no banheiro. Antes da última prova de sua vida. O quão maldoso fora aquilo?
Tudo o que ela precisava naquele momento era de... Tom! E lá estava ele, com cara de apavorado, o queixo tremendo um pouco, franzindo o cenho por ter acabado de voltar da claridade.
- Tom! - ela berrou, e ele coçou os olhos antes de responder, sem nenhuma emoção.
- Cassadee, e aí...
A loira/morena foi até ele e o abraçou com força. Antes que pudesse se dar conta, estava soluçando, e o loiro afagava suas costas com certa relutância.
- Ah, Tom... Foi horrível... - ela disse, babando na manga da camiseta do guitarrista.
- O que foi horrível, Cass? - ele quis saber, mais por educação do que por curiosidade.
Com tudo o que havia acontecido nos últimos dias, Cassadee era a última preocupação de Tom, e ele não estava em um estado de espírito bom para aguentar as bipolaridades da ex-namorada. Claro que só a visão da garota mexia com ele, mas ele não sentia mais vontade de se matar toda vez que ela passava, sempre linda, cheirosa e gostosa... Talvez ele tivesse se acostumado à presença dela. Ou talvez, e algo no fundo do seu âmago dizia que aquela era a resposta, ele não sentisse mais por Cassadee o que sentia no término do namoro.
Afinal, o tempo passa e com ele passa a dor, pois tudo passa, até o amor.
- A Emily terminou comigo! - ela fungou, assoando o nariz em um lencinho que havia puxado do bolso da saia. - Sem mais nem menos!
- Mais ou menos como você fez comigo? - ele deixou escapar, e Cassadee soltou o abraço, olhando para ele com mágoa. - Me desculpe, não quis ser... Indelicado.
- Eu entendo tudo agora. - ela ficou repentinamente séria. - Meu Deus, Tom, estava embaixo de nossos narizes!
- O que estava embaixo dos nossos narizes? As nossas bocas?
- Esse tempo que eu passei com a Emily foi só para que eu pudesse descobrir que você é o meu verdadeiro amor! Foi o destino! - ela exclamou, puxando um dos convites para o baile que estava no bolso da calça de Tom e que ela estava de olho desde que os dois se encontraram. Ela colocou o pedaço de papel na frente do rosto do loiro e sorriu. - Tom, sei que isso vai parecer estranho, mas você gostaria de ir ao baile comigo?
Tom ficou sem reação. E lá estava Cassadee, falando as palavras que ele mataria para ouvir há duas semanas atrás. Mas, naquele contexto, elas não significavam mais o que significaram um dia. Eram só palavras jogadas ao vento.
Mas Tom ainda tinha seu orgulho. E conquistar a sua garota de volta mostraria a todos do colégio que ele era capaz de tudo - capaz até de converter uma lésbica.
Como uma tentativa de ser impedido, ele olhou de relance para trás, mas não estava na porta, esperando o momento propício para se manifestar. Ela provavelmente estava no carro, indo para casa preparar-se para uma noite inteira de sexo violento e bizarro com o vampiro stalker, e não havia nada que ele pudesse fazer para impedir.
Sua chance havia passado. Seu momento havia passado. estava em outra, e ele teria que viver com aquele arrependimento para o resto da vida.
- Diz alguma coisa, Tom! - Cassadee sorria com certo nervosismo. Ela não aguentaria ser rejeitada duas vezes no mesmo dia.
- Eu adoraria, Cass. - Tom respondeu, dando de ombros. - Eu te pego às 19h?
ouviu alguns xingamentos virem de Jim e logo depois o barulho do motor de sua moto. Em poucos instantes, o lugar estava silencioso, e ele não estava mais lá.
Ainda atordoada pelo medo, virou-se e olhou em volta. Nervosa, ela acendeu um cigarro e apoiou-se no corrimão das escadas. Cruzou as pernas e chutou algo que estava no chão. Olhou para baixo por instinto e encontrou um celular de última geração caído, um pouco trincado nos lados pelo tombo.
É o celular dele, ela pensou, arregalando os olhos.
Rapidamente, ela se agachou e pegou o aparelho. Com certo espanto, ela observou sua foto de perfil do facebook na proteção de tela, e então teve de se sentar ao entrar nas mensagens do celular.
Eram milhares delas, direcionadas a ninguém. Rascunhos e mais rascunhos, como uma agenda escolar. E o que mais assustava era o conteúdo das mensagens.
"8h30 - horário que costuma sair de casa".
"9h45 - intervalo, geralmente com o babaca do Fletcher. Sempre come um lanche natural no café em frente ao Brighton College".
"Brighton Ink Studio - retoca a tatuagem de 3 em 3 meses".
"Todas as terças ela faz as unhas".
"Compra cigarros sempre na banca do Lou, por serem mais baratos".
"Placa do carro: NL60 KBX".
leu todas as mensagens com o coração na boca. Ele sabia tudo sobre sua vida, sua rotina, suas manias, conhecia seus amigos, sua família, seus hobbies, seus gostos... Absolutamente tudo!
Muito assustada, ela decidiu entrar nas fotos, e quase não se impressionou ao ver que todas eram dela. Algumas do seu facebook, algumas recortadas de redes sociais de seus amigos, algumas tiradas de longe, como se ele fosse algum tipo de paparazzi. Na maioria das fotos ela estava ao lado de Tom, só que ele havia sido recortado, ou, quando não era possível, ele aparecia com um x vermelho no rosto.
Tremendo, a morena pegou o seu próprio celular do bolso da calça e ligou para .
- ? - atendeu do outro lado, uma música alta indicando que ela estava no ensaio da peça de final de ano.
- - ela falou tremendo, seu coração disparado no peito -, , eu acabei de pegar o celular do Jim. Ele é um maldito stalker! Eu estou com medo do que ele possa fazer contra mim, mas mais ainda contra o Tom. Ele parece ter um ódio irracional dele... Ah, , eu não sei o que fazer!
- Espera aí, , como você pegou o celular dele? Onde você está? O que aconteceu? - parecia preocupada, e agora a música não tocava mais tão alto, pois ela havia se trancado no camarim. - Vamos lá, com calma.
Então contou sobre a tentativa de pedir desculpas de Jim, sua fuga e o celular no chão. Contou sobre as mensagens e as fotos, e como ele parecia saber tudo sobre a sua vida.
- Ai, caramba... Eu sabia que tinha alguma coisa estranha nesse cara do ponto de ônibus! - exclamou, apreensiva.
- Não é hora de falar "eu te avisei", . - disse, impaciente. - Eu não sei o que fazer!
- Acho melhor você ir para casa e ficar o resto do dia lá. Amanhã é o baile de formatura, nós vamos e vamos aproveitar a noite. Depois, no domingo, vamos até a delegacia e vemos o que podemos fazer para te proteger. Fica tranquila, , não vai acontecer nada com você. Não enquanto eu estiver do seu lado!
- Obrigada, . - suspirou, sentindo-se realmente mais segura depois das palavras de conforto da amiga. - Você é a melhor amiga do mundo.
- Eu sei que sou. - ouviu uma gritaria no fundo e xingou. - Porra, preciso voltar. É a cena em que eu corro atrás do coelho.
- Mas a Alice corre atrás do coelho durante o livro inteiro!
- Exatamente. Nós vamos passar a peça inteira agora. - comentou, fazendo rir. - Vá para casa, , e não saia de lá até amanhã!
- Pode apostar que eu não vou! Já tenho tudo o que eu preciso por lá. Cigarros, cervejas e até haxixe para comemorar o final das provas!
- Você não vale nada, ...
- Tchau, . Obrigada mais uma vez. Bom ensaio de peça pra você!
- Tchau, . Não se preocupe, é para isso que servem os amigos. Bom final de tarde para você!
Capítulo 25 - 'You know that everybody likes to party on a Saturday Night'
McFLY, Saturday Night
Todos.
Danny estava sentado no pátio do colégio, quase cochilando. Num estado de semi consciência, começou a se recordar daquela manhã maluca...
Ele acordou sem saber onde estava, mas aquilo não o apavorava mais. Estava acostumado com aqueles brancos pela manhã, após uma noite de farra.
O guitarrista então se espreguiçou lentamente, esticando-se ao ponto de ter cãibras nas duas pernas. Depois de xingar por aproximadamente dois minutos, as dores foram passando e ele foi se lembrando da noite anterior.
A Coco Loco tinha sido um tanto quanto intensa. Primeiro , depois , depois e por fim novamente.
E, se suas lembranças não estivessem erradas, ela deveria estar...
- Bom dia, . - ele murmurou, tentando fazer com que sua voz rouca soasse mais rouca ainda.
Ele sabia o que aquilo causava nas mulheres.
O moreno rolou para o lado, animado com a possibilidade de abraçar e dormir mais um pouco, mas ele acabou rolando até o final da cama e caindo no chão.
- Ai, caralho! - ele xingou, ficando de pé logo em seguida, com medo da possibilidade de estar em algum lugar do quarto observando aquela cena patética.
O guitarrista olhou em volta, envergonhado, mas não encontrou o par de olhos azuis os quais ansiava em encontrar.
- ? - ele chamou, sua voz ecoando no minúsculo apartamento inteiro, sem que nenhuma resposta fosse obtida.
A loira não estava lá.
Danny fora largado sozinho em casa de cuecas.
Mais uma vez.
Cada vez mais ele se convencia de que a vida era injusta pra caralho.
E quando seus olhos não aguentavam mais o peso das pálpebras, ele avistou quem esperava.
Última prova de sua vida. Aquela tinha sido a última prova de sua vida, e havia mandando bem. Mais do que bem; provavelmente havia gabaritado o teste.
Seu sorriso ia de orelha e orelha quando ela saiu do prédio, mas ele logo se desmanchou assim que ela avistou Danny Jones caminhando em sua direção, mais lindo do que nunca. Os olhos azuis ingênuos do guitarrista estavam semicerrados em razão do sol e suas bochechas estavam coradas. O cabelo ainda estava úmido, e ela queria mordê-lo.
- Caramba, como você demora para fazer prova! - ele exclamou, ofegante. - Eu saí há uma hora!
- Eu... É, eu... Não demoro tanto... Talvez um pouco... É, acho que demoro mesmo...
Pane. Seu cérebro estava em pane. não sabia o que dizer, o que falar, como agir, como se comportar. Para dizer a verdade, ela só queria sair correndo, trancar-se em seu quarto e chorar até que os resultados de Oxford saíssem.
- , sobre ontem a noite, eu...
- Danny, eu preciso ir, deixei minhas roupas no varal e vai chover. - os dois olharam para cima, observando o céu azul vivo sem nuvens. abaixou o rosto, vermelha como um rabanete, e sorriu amarelo. - Tchau.
Danny piscou duas vezes e a loira não estava mais lá. Ele se virou para trás, pronto para berrar para que ela voltasse, mas a garota estava correndo em direção ao ponto de ônibus, com os cadernos grudados no corpo.
Caramba, ele pensou. Será que eu tenho bafo?
- Vô, vó, eu cheguei. - anunciou, jogando as chaves da casa no aparador. Ouviu as respostas dos avós e subiu correndo para o quarto.
Ela atravessou o corredor e parou em frente à porta pintada de rosa de sua filha. Uma placa de madeira talhada a mão fixada na porta indicava que aquele era o quarto de Lilly.
o abriu de leve, encontrando sua filha adormecida no berço. Ela caminhou com passos leves até ela e acariciou sua bochecha.
- Oi, filha. Como foi o seu dia?
Sem obter resposta, a ruiva pegou uma cadeira e sentou-se ao lado do berço, passando agora a mão pelo cabelo liso e falho da filha.
- Hoje a mamãe fez a última prova como aluna do college. Se tudo der certo eu vou para uma universidade, para poder trabalhar e ganhar dinheiro, e então nós duas vamos morar em uma casa linda, com um parque de diversões pra você. - a ruiva sentiu uma lágrima escorrer pela bochecha esquerda. - Eu queria que seu pai também fosse morar conosco, mas as coisas andam complicadas entre nós dois. Sabe, até pouco tempo atrás eu não sabia que você era o meu melhor presente, mas agora eu sei, mas tenho medo de contar para o seu pai e ele não sentir o mesmo.
Lilly revirou-se no berço e deu uma choradinha, voltando a dormir profundamente.
- Mas pelo menos as coisas estão começando a se acertar para nós duas. Daqui alguns dias vamos nos mudar para a casa do vovô e da vovó, mas você ainda vai ver muito os seus bisavós!
passou as costas do dedo indicador pela testa da menina, contornando seu nariz e parando no queixo.
- Nós seremos muito felizes juntas, Lilly. - outra lágrima escorreu pelo seu rosto. - É uma promessa.
A avó de ouvia tudo do corredor, sentindo o coração encher-se de felicidade e tristeza. Felicidade porque a neta finalmente havia tomado juízo e parecia obstinada a reconquistar a filha, e tristeza porque ela estava sofrendo sem conseguir contar a verdade para Dougie, o pai da criança.
Ela limpou as lágrimas no avental e desceu as escadas com certa dificuldade. Ela sabia que estava velha, e que seu tempo se encolhia todos os dias, mas esperava viver o suficiente para ver sua neta feliz. E ela sentia que aquilo não demoraria; o destino demora, mas uma hora chega.
- Napoleão, caralho, você pode parar de pegar as minhas calcinhas do cesto de roupa suja e trazer para a varanda? - recolhia suas peças íntimas do chão e berrava com o cachorro, que a olhava sem entender o porquê daquela bronca.
A morena passara o dia inteiro limpando o apartamento, e só percebera as calcinhas quando fizera um intervalo para fumar.
Sábado tinha sido um dia perdido. A maioria das meninas passaria o dia de seus bailes de formatura no salão de cabeleireiro, se embelezando e relaxando, mas não era a maioria das meninas, e não estava nem um pouco animada com a ideia de passar a noite dançando com um babaca qualquer. Além disso, a ideia de que Jim talvez pudesse aparecer por lá a aterrorizava como nenhuma outra.
Ela pegou as cinco calcinhas do chão e as colocou em cima da pequena mesa de vidro que ocupava todo o ambiente. Com dores nas costas, sentou-se no chão e suspirou. Pegou seu último cigarro e o acendeu no piloto automático, observando os casais na rua, que andavam de braços dados, procurando algum bom restaurante para comer naquele final de tarde.
Por mais que pudesse parecer patético, ela sentia falta de quando saía com Tom pelas ruas de Brighton a procura dos pubs mais baratos do dia. Claro que era chato ter de ouvi-lo conversar com Cassadee ao celular de cinco em cinco segundos, mas só o cumprimento com um selinho e as longas conversas, regadas a risadas e até um pouco de flerte, compensavam o fato de que os dois eram só amigos, e nunca passariam disso.
Napoleão, percebendo a tristeza da dona, apoiou a pequena cabeça de filhote em suas pernas e deu uma pequena lambida em seu joelho nu. A morena sorriu e acariciou a cabeça do melhor amigo.
- Ah, Napoleão... Como eu gostaria de ser um cachorrinho... Sem problemas amorosos, sem dúvidas em relação ao futuro... Só comer, brincar e dormir.
Napoleão deu mais uma lambida no joelho da dona e esta o puxou para seu colo.
Os dois ficaram aninhados por algum tempo, o cachorro brincando com o botão da camisa de , observando as pessoas na rua.
Então, de repente, algo brilhou no céu.
Uma estrela cadente, ela pensou, ajeitando-se no chão duro. Não acredito!
A morena fechou bem os olhos azuis e apertou Napoleão contra o corpo. Pensou, pensou e pensou mais um pouco. Então esvaziou a cabeça, e desejou a primeira coisa que lhe veio a mente.
Eu quero ser feliz. Por favor, me deixe ser feliz.
O barulho de secador ensurdecia . As mulheres em sua volta no salão tagarelavam sobre os tabloides, mas sua mente estava distante... Estava no colégio, pátio dos fundos, muro escondido. Harry beijava seu pescoço e, sorrateiramente, colocava a mão dentro de sua calça.
- Hazz, pare com isso! - ela exclamou, mas na verdade queria com todas as forças que ele continuasse.
- Hm... Mas você gosta... - ele sussurrou, mordiscando sua orelha e afundando mais a mão
- Gosto, mas não aqui, não desse jeito... - ela se apegou no resto de lucidez que insistia em não deixá-la cair em tentação.
- Então vamos sair daqui. Vamos para o meu apartamento... Tom está com a , eles foram em algum show não sei aonde...
- Eu tenho ensaio em uma hora! - ela exclamou, gemendo baixinho quando o baterista encontrou o que procurava. - Ah, Hazz, por favor...
- Vamos lá. Você nunca chega atrasada, nunca faz nada de errado, está sempre perfeita, sempre correta... Quebre as regras uma vez na vida!
- E como você pretende me recompensar se eu quebrar as regras com você?
Harry deu um selinho rápido em , já a pegando pelas mãos.
- Vou recompensá-la com todo o amor que você merece. - ele piscou para ela.
- Ah, não! Eu quero que você continue fazendo o que estava fazendo! - ela brincou, e os dois saíram de trás do muro em direção a saída do colégio.
- E o que você acha que "com todo o amor que você merece" significa?
cruzou as pernas na cadeira do salão, como se pudesse sentir o toque de Harry em sua pele.
- Querida, tem certeza que não quer deixar assim? - o cabeleireiro perguntou, desligando o secador. - Esse cabelo esvoaçante é uma graça!
- Não, prefiro alisar. - deu de ombros. - Não quero parecer um leãozinho na pista de dança! Além do mais, se deixar o cabelo desse jeito, corro o risco de perder minha máscara entre os nós!
O cabeleireiro fez um ar de desapontamento e foi procurar a chapinha, dando brecha para que pulasse para outra lembrança.
Ela e Dougie estavam deitados na cama de casal dela, rindo sem parar. Namoravam há pouco mais de uma semana, e Danny os havia presenteado com duas balas. Como se não fosse suficiente, depois que o efeito da droga bateu, eles fumaram haxixe.
não sabia muito bem se era pelo ecstasy ou se estava realmente apaixonada por Dougie, mas só sabia que queria devorá-lo inteiro. Então ela curvou-se sobre ele e começou a beijar seu pescoço.
- Caramba, ... - ele murmurou, enfiando os dedos entre o cabelo já bagunçado dela. - Você está machucada?
A morena abriu os olhos castanhos e encarou o namorado.
- Não. Por que estaria?
- Porque você é um anjo que caiu do céu!
Ela piscou os olhos duas vezes, e então caiu na risada mais uma vez, sendo acompanhada por Dougie.
- Um cabelo tão bonito, tão vistoso, e você quer deixá-lo sem graça. - o cabeleireiro voltava com a chapinha em punhos, tirando-a dos pensamentos. - Não entendo essas meninas de hoje em dia!
- Jeff, você acredita que uma pessoa possa gostar de duas ao mesmo tempo? - ela perguntou de súbito, o que não pareceu surpreendê-lo.
- Não. - ele respondeu simplesmente, começando a alisar o cabelo da cliente.
- É, foi o que eu pensei... - ela olhou para o espelho em sua frente.
Harry. Era Harry quem ela amava. Dougie era um amigo, um ótimo amigo, e por muitas vezes um ótimo amante, mas ela não queria chorar toda vez que ele se afastava.
A escolha parecia tão óbvia, mas ela havia demorado tanto para chegar a ela... Mas tudo estava claro, e ela pretendia reconquistar o baterista de volta naquela noite.
Só esperava que ele pudesse perdoá-la e aceitá-la de volta.
- Você está linda. - Julian Martinez elogiou , que saía do hall do apartamento embaixo de um guarda-chuva rosa.
Ótimo dia para se chover, no meu maldito baile de formatura!
- Obrigada. Você também está muito bonito. - respondeu por educação, estendendo o braço para que o garoto colocasse a flor em seu punho.
Ele a ajudou a entrar no próprio carro e entrou logo em seguida. Ligou o rádio e começou a cantar perfeitamente bem, até um pouco afeminado, a qualquer música do Aerosmith que tocava.
odiava Aerosmith.
Ela cruzou as pernas dentro do vestido curto de cetim roxo e olhou pela janela, observando as gotas no vidro apostarem corrida. Seu cabelo estava preso em uma trança embutida e sua máscara jazia sozinha na bolsa de mão.
Seu acompanhante usava um terno clássico, que ressaltavam seus lindos olhos escuros, escondidos embaixo de uma máscara preta e comum. Ele não era feio, mas seu nariz desproporcionalmente grande atrapalhava a simetria do rosto. tinha a teoria de que ele tinha aquele nariz gigantesco para puxar todo o ar do mundo e cantar com perfeição.
Claro que ela só estava indo ao baile com aquele cara porque não queria passar pela humilhação de chegar sozinha. Chegando ao baile ela o abandonaria em qualquer canto e iria se divertir com as suas amigas.
Sim, amigas. e já faziam parte do seu círculo de amizades. nunca fora o tipo de garota que amava milhares de pessoas, mas quando sentia que tinha afinidade com alguém, fazia de tudo para que se tornassem especiais um para o outro. E era isso que faria com e .
- Acho que todo mundo deve estar se perguntando o porquê de eu estar indo para o baile com a garota mais bonita do college. - Julian sorriu para ele mesmo, orgulhoso de sua conquista. Então ele se virou para quando eles pararam no farol. - Obrigado por aceitar ir comigo.
- Sem problemas. - deu de ombros, soltando um sorriso rápido e logo fechando a cara. - Você é um cara legal.
Julian corou e voltou a dirigir.
nunca soube, mas depois daquela conversa Julian sentiu-se confiante. E quando se viu sozinho e sem acompanhante no meio do baile, tomou coragem para conversar com o amor de sua vida desde o jardim de infância, Ann Bouvier, sua vizinha francesa.
Os dois se apaixonaram no baile e se casaram alguns anos depois.
De vez em quando Julian ainda se lembra de , e a agradece mentalmente por ter feito com que ele tivesse coragem de chegar em Ann. Se não fosse pela morena dos belos olhos azuis, ele não teria se casado com a mulher de sua vida e não teria os dois filhos maravilhosos que tinha.
Mas esse não foi único destino traçado no baile de formatura daquele ano.
- , nunca te vi tão linda. E olha que eu tenho te observado há um bom tempo já! - Nick Strauss elogiou e soltou uma risada fanha, ajudando-a a subir no ônibus.
Ela estava indo para o seu baile de formatura com o líder do clube de celibato do Brighton College em um ônibus.
Não tinha como ficar pior.
- Valeu. - ela respondeu, ajeitando-se no banco. Ela usava um vestido preto bem justo ao corpo, o qual sua mãe havia mandando para ela dias antes pelo correio. Ela se sentia patética mostrando tanta pele, e mais patética ainda com uma máscara espalhafatosa no rosto, azul com uma pena comprida do lado.
Além disso, o aparentemente santo Nick Strauss não era tão santo assim, e estava com a mão em sua coxa direita.
- Você quer, por favor, tirar essa mão daí?
O garoto piscou os grandes olhos verdes de bebê escondidos atrás da máscara também azul e retirou a mão, emburrando logo em seguida.
O humor de estava péssimo. Ela havia passado o dia inteiro trancada em casa, ouvindo Danny bater em sua porta de tempos em tempos. Ela estava se sentindo péssima, mas não podia contar para ele... Aliás, não podia nem perguntar o que diabos haviam feito depois da festa de quinta-feira sem se sentir estúpida e suja.
A ligação de Nick viera a calhar. Afinal, sendo do clube do celibato ele não tentaria nada com ela.
Ledo engano.
- Desculpe por não ter uma flor para te dar. - Nick pediu, os cachinhos escuros voando com o vento que entrava pela janela aberta do ônibus, junto com algumas gotas de água da chuva. - Eu nem ia a esse baile, mas então lembrei de você e...
- Não tem problema, Nick. É só não me apalpar de novo que nós estamos bem e vamos curtir esse baile.
Claro que eu não vou curtir nada com você, pensou, mas resolveu ficar quieta, principalmente porque Nick pareceu se animar com suas palavras e começou a falar sobre como ser líder do clube do celibato era uma benção em sua vida.
A noite seria longa para ...
- Há quanto tempo você está morando aqui? - perguntou, caminhando lado a lado com Zimbaliê, mais conhecido como Zack, já que ninguém conseguia pronunciar o nome do intercambista africano.
- Vai fazer 5 meses amanhã. - ele respondeu com o sotaque carregado.
Zack era um negro alto e sorridente. Amigo de todo mundo da cidade, ele era o principal fornecedor de cocaína para as festas do Brighton College, e vivia rodeado de garotos idiotas que o consideravam Deus.
Apesar disso, ele era um cara legal. E estava muito gato de terno e uma máscara branca e discreta.
Zack havia convidado para o baile havia alguns dias, mas ela recusara. Então ligara para ele de última hora, e ele aceitou ir com ela, mesmo que já tivesse convidado outra menina. Ele disse que daria um jeito, e não quis saber que jeito era aquele; ela só queria ir ao seu baile de formatura.
Afinal, não era todo dia que ela se formava!
A ruiva estava linda em um vestido verde escuro com fendas dos lados. O cabelo estava baixo, em um chanel desajustado, e sua máscara, também verde, estava pendurada no pescoço. Ela não conseguia respirar muito bem com aquela merda no rosto.
- Ah, eu pensei que você estivesse aqui há mais tempo... Você fala inglês tão bem!
- Meu pai é britânico, então minha mãe me ensinou inglês desde pequeno. - Zack respondeu, seus dentes brancos como papel brilhando em contraste com a pele escura. - Ele passou uma temporada de sexo, drogas e coisas exóticas na África do Sul com os amigos da universidade, engravidou a minha mãe e se mandou. Eu então esperei completar 16 anos e vim procurá-lo. Encontrei ele trabalhando como encanador... Maior decepção da minha vida.
ouvia a história calada. Ficou imaginando como contaria a Lilly que nunca tivera coragem de contar ao seu pai que ele tinha uma filha.
- Mas então nós nos aproximamos, ele me deu uma casa para morar e agora eu posso mandar dinheiro para a minha mãe todos os meses. - Zack acendeu um baseado, atraindo a atenção das pessoas que andavam em volta deles. - Ela agora pode criar meus irmãos com mais tranquilidade.
- Que bom, Zack. - sorriu, entrelaçando seu braço ao braço do amigo. - E eu espero que você esteja pronto para curtir essa noite!
- Curtição é o meu sobrenome, . - ele sorriu, e os dois continuaram a caminhar.
- Não acredito que você aceitou ir comigo. Não acredito. Sério, eu... Eu não acredito!
- Tudo bem, Boris, pode parar de falar isso. - revirou os olhos, no banco de trás da limusine que os estava levando para o baile de formatura.
Boris van der Haidden era o cara mais nerd do Brighton College, e a pessoa que precisava no momento. Só uma muleta, até que ela conseguisse o perdão de Harry.
Boris ajeitou a gravata borboleta e tomou um gole do champanhe que estava segurando desde que buscara . Sua máscara amarela estava torta no rosto, e a morena sorriu por educação para ele antes de voltar encarar as próprias unhas recém pintadas de vermelho.
usava um tubinho preto básico, deixando o brilho vir de sua máscara branca bordada com cristais. O cabelo estava solto e liso, caindo em cascata por sob seus ombros.
Boris ainda sussurrou alguns "eu não acredito" durante o caminho, mas eles não trocaram uma só palavra. Boris achava que estava tímida, mas ela no fundo estava se sentindo mal por fazer um cara legal e ingênuo como Boris de idiota. Quando aceitou ir com ele, nunca pensou que ele fosse alugar uma maldita limusine!
Mas aquela era a vida de . Ela estava sempre sendo injusta com alguém.
Tom chegou à casa de Cassadee de ônibus. Ele não gastaria o pouco do dinheiro que seus pais mandavam para ele todo mês em uma limusine. Ele não queria admitir, mas no fundo pensava que a ex-namorada não valia todo o esforço e dinheiro.
- Tom! - ela exclamou, saindo do hall do prédio e jogando-se em seus braços.
A loira/morena usava um vestido curto e um tanto quanto indecente. A máscara estava guardada na pequena bolsa de mão, e Tom queria abaixar sua calça e levantar a saia da ex-namorada ali mesmo, mas teve que se contentar com sua excitação roçando o tecido grosseiro da cueca.
- Cass, você está linda. - ele sorriu, beijando a bochecha da ex-namorada.
- Ah, Tom! Não precisamos disso, nós fomos namorados por dois anos! - ela exclamou, beijando a boca de Tom, que ainda não estava de máscara.
Os dois se beijaram por um longo tempo, até que ouviram o ônibus no final da rua e se soltaram.
Tom então entrelaçou a cintura de Cassadee, colocou sua máscara preta e esperou.
Ele não se sentia feliz.
- Você está lindo.
- Vai se foder.
- É sério, lindo demais!
- Por que você não morre?
- Essa sua roupa vai ficar linda no chão do meu quarto!
- Dougie, vai tomar no cu.
Dougie riu e encostou a cabeça no encosto do banco do ônibus, sentindo a nuca coçar pelo elástico da máscara azul.
Danny suspirou e se sentiu idiota naquele terno idiota, com aquela máscara vermelha idiota. Ele estava indo ao baile de formatura com um homem. Não só com um homem, com Dougie!
Maldito dia em que resolveu não convidar ninguém.
- Eu só espero que a bebida alcoólica não acabe tão cedo. - o guitarrista reclamou.
- Para de frescura, cara. Nós vamos arranjar alguém por lá e passar a noite fazendo sexo crazy shit!
- Ou vamos acabar a noite gorfando em nós mesmos no estacionamento. - Danny suspirou.
- Você está muito negativo hoje.
- Você está muito homossexual hoje.
E assim os dois foram ao baile, recebendo olhadelas de senhoras que não conseguiam acreditar naquele mundo em que viviam.
Um casal de homens indo ao baile de formatura juntos! uma delas sussurrou.
Que absurdo... Mas Deus está vendo! Deus está vendo e vai acabar com essa palhaçada mais cedo ou mais tarde! a outra respondeu, cuspindo as palavras com ódio.
Que ele te ouça, Nancy, que ele te ouça...
Harry Judd chegou ao colégio sozinho. Não queria a companhia de ninguém além da dele mesmo, e dos seus amigos.
Quando eles chegassem.
Ele não quis participar da homossexualidade de Dougie e Danny, e chegou antes que todos.
O salão estava bem legal, e ele podia ouvir a música do lado de fora. Muitos alunos se enfileiravam perto da porta, conversando, fumando e bebendo. O segurança deixava-os entrar de 5 em 5, e ele logo se posicionou atrás de Ally Bell, sua colega de classe.
Ele começou a conversar com alguns amigos, todos de máscara, e nem viu o tempo passar. Só perto das 23h, seus colegas de banda começaram a chegar e ele resolveu colocar sua própria máscara verde.
O primeiro que ele avistou fora Tom. Ele acenou para o amigo, que o cumprimentou de volta, com o braço nos ombros de Cassadee, que estava parecendo uma vagabunda com o vestido curto.
Estava oficialmente iniciada a noite a qual eles nunca se esqueceriam.
Capítulo 26 - 'She's not a saint and she's not what you think, she's an actress!'
Taylor Swift, Better Than Reveng
Tom e .
Tom pediu a Cassadee que entrasse e o esperasse lá dentro; ele tinha assuntos importantes a tratar com Harry e os meninos. Cassadee primeiro fez cena, mas depois desistiu de tentar convencê-lo a entrarem juntos e foi para junto de suas amigas, falarem mal das outras meninas que esperavam na fila, essas meninas também falando mal de outras meninas.
Era um círculo vicioso.
O loiro aproximou-se do baterista e o cumprimentou sem ânimo. Assim que eles soltaram as mãos puderam ouvir Danny gritar com Dougie na esquina do clube.
- Eu não vou colocar porra de flor nenhuma no seu pulso, Poynter!
Baixista e guitarrista juntaram-se aos outros dois e eles se cumprimentaram.
- Então está oficialmente aberta a sessão "nós somos um fracasso e não tivemos a capacidade de escrever uma música"? - Tom perguntou, furtando um cigarro do maço que Danny acabava de abrir. O loiro acendeu o cigarro um pouco trêmulo e o tragou profundamente, sem se importar com os olhares dos amigos da banda, que sabiam que ele havia parado de fumar. - Algum de vocês tem algo a dizer?
- Haverá outras oportunidades. - Dougie tentou se auto confortar, girando a máscara azul no dedo indicador.
- Eu espero que sim. - Danny comentou, colocando sua máscara vermelha no rosto antes que a perdesse. - Eu não quero morrer sendo balconista do Starbucks.
- Você não vai morrer sendo balconista do Starbucks, Danny! - Harry exclamou, dando tapinhas amigáveis nas costas do moreno. - Mesmo porque, nem esse emprego você tem mais...
- Vai se foder, Harry.
- Bom, então é isso. O McFLY está oficialmente fora do concurso. - Tom suspirou, colocando sua máscara preta e encaminhando-se para a entrada da balada.
- Nós somos ridículos. - Harry deu de ombros, também colocando a máscara verde no rosto.
- Não tão ridículos quanto o fato de que Dougie e Danny vieram como um casal para o baile de formatura, mas sim, nós somos. - Tom comentou, recebendo um soco no ombro de Danny.
- Eu realmente não sei como vocês ainda são meus amigos. - Danny resmungou.
- Sabe sim. - Dougie deu de ombros. - O Harry paga as suas baladas, eu te suporto quando você está carente e o Tom melhora as músicas que você faz.
Danny fechou a cara sob as risadas dos outros e eles chegaram à porta da balada.
Dougie foi o último a se camuflar colocando a máscara, e os quatro entraram juntos no baile de formatura.
já estava de saco cheio de ouvir Julian comentar sobre o timbre de voz da Lady Gaga ou como Bruno Mars alcançava notas que muitas mulheres não alcançavam.
Ela só queria beber até vomitar, usar qualquer droga que a fizesse voar e dançar até cansar em sua própria festa de formatura, era pedir demais? Mas seu acompanhante não parecia muito interessado nisso...
Ela tentou algumas vezes arrastá-lo para a pista de dança, mas o menino negou.
- Das cantoras atuais, ela só perde para a Adele vocalmente, mas suas performances são um show a parte! - ele dizia, quando revirou os olhos e o interrompeu, não suportando mais.
Chega!, ela pensou. Eu não vou ficar aqui ouvindo essas asneiras no meu baile de formatura! Eu colei muito para estar aqui, e não vou desperdiçar esse dia!
- Eu acho tudo isso muito legal, Julian, mas vou buscar alguma coisa para beber... - ela anunciou, levantando-se da mesa. - Você quer alguma coisa?
- Não, valeu.
A morena correu até o bar - queria desesperadamente se ver livre de seu acompanhante tedioso - e pediu uma cerveja. O barman logo a atendeu, apesar da fila gigantesca; às vezes era bom ser uma mulher bonita. Ele despejou todo o líquido da latinha em um copo plástico descartável e voltou a atender as outras pessoas, sempre fazendo força para que seus bíceps se destacassem.
Garotas fáceis e sem cérebro adoravam bíceps destacados.
ficou encostada no balcão até terminar a sua cerveja. Pediu mais uma, e depois mais uma, sempre sendo atendida de prontidão pelo homem, que deveria ter no máximo 25 anos e era incrivelmente gato.
Mas então ela ficou de saco cheio de esperar alguém chamá-la para dançar e resolveu ir sozinha.
Não espere dos outros o que pode fazer você mesma era o lema de .
A morena não percebeu que Dougie e Harry estavam ao seu lado no bar, irreconhecíveis em suas máscaras. Ela também não viu quando passou ao seu lado, nem quando e se trombaram - sem também se reconhecerem.
Totalmente camuflada, a morena começou a dançar sozinha.
E do outro lado da pista, alguém a observava.
- Ah, meu Deus, ela não veio com essa roupa! - Cassadee exclamou, apontando para uma colega de classe que atravessava o salão ao encalço do namorado. - Que coisa terrível! Meu Deus, ninguém a impediu de sair assim?
Tom revirou os olhos, desejando um cigarro mais do que tudo no universo. Ele balançava a perna freneticamente.
Pare de mexer a perna desse jeito, Raíssa diria se o visse fazendo aquilo. Parece que você é esquizofrênico!
- Bom, de que qualquer jeito... Sobre o que nós estávamos falando mesmo? - Cassadee quis saber, voltando seu rosto para o ex-namorado.
- Até agora, sobre as roupas das suas amigas. - o loiro disse, coçando o nariz por debaixo da máscara.
Malditas coisas incômodas... Quem fora o idiota que dera a ideia de um baile de máscaras? Ele não sabia quem eram seus amigos no meio daquele mar de gente e seus olhos lacrimejavam de irritação.
- Ah, amor! Me desculpe! - Cassadee exclamou, saindo da cadeira em que estava sentada e sentando-se no colo de Tom. Ele sentiu a calça ficar mais apertada. - Eu estou sendo uma chata, não estou?
- Não, não está. - ele mentiu, beijando o queixo de Cassadee.
A garota curvou-se e começou a beijar Tom sem timidez. O loiro a princípio curtiu, mas ficou entediado depois de algum tempo... O beijo da ex-namorado não o fazia mais se sentir bem. Era só uma língua de encontro a sua, e nada mais... Até a sua animação estava indo embora.
Constrangido por estar praticamente comendo a namorada no meio do salão, ele abriu os olhos para ver se alguém os encarava e acabou se interessando em uma menina linda dançando sozinha. Ela usava um vestido roxo e uma máscara preta.
Ela é linda, ele pensou, hipnotizado. Linda, linda, linda!
A menina dançava alheia ao fato de que todos os homens solteiros a observavam. Aliás, a menina parecia não saber que provavelmente era a mulher mais bonita do recinto.
Tom apertou os olhos, ainda com os lábios colados aos de Cassadee. Ele analisou a morena de cima a baixo, e a tatuagem de escorpião no calcanhar chamou a sua atenção.
Claro que era ... , sempre ! Sempre chamando sua atenção, sempre deixando o guitarrista maluco.
- Tom, você está me beijando de olhos abertos! Que desagradável! - Cassadee exclamou, tirando Tom do transe em que ele se encontrava.
O loiro voltou o rosto para a ex-namorada e suspirou.
- Cass... - ele pensou em dizer o que estava pensando. Cass, isso não está mais dando certo, ou, Cass, quando foi que você ficou tão chata?, mas ele resolveu mentir. - Eu vou procurar os meninos... Quero curtir um pouco a minha formatura com eles. Tudo bem?
Cassadee ajeitou-se no colo de Tom, retirando a máscara do rosto para olhá-lo melhor. Desde quando ela tinha aquela cara de... Vagabunda?
- Ah, tudo bem... - ela fez beicinho. - Nos encontramos mais tarde pelo menos?
- Claro. - ele mentiu. - Claro que sim.
- Eu queria saber como eu faço para beijar uma menina linda como você? - um garoto mais baixo que e com sérios problemas de seios masculinos dançava em sua frente, tirando a concentração da morena.
Ela só conseguia olhar para os seios do garoto. Eram provavelmente maiores que os dela!
A morena o ignorava teatralmente, mas teve de parar de dançar ao ouvir a última pérola do garoto. Respirando fundo ela olhou para baixo e colocou as mãos na cintura.
- Você quer me beijar?
O garoto, já acostumado a ser ignorado, arregalou os olhos e encarou .
- Sim, eu quero. - ele respondeu de súbito. - Muito!
- Eu te dou um beijo se você for lá fora e encontrar a Patty Simons para mim.
O gordo concordou com a cabeça e saiu correndo, atrapalhando-se nos próprios passos. soltou uma risada maligna e voltou a dançar, até que ouviu uma voz sussurrar em seu ouvido.
- Patty Simons, a garota que não estuda mais no Brighton College desde o começo do ano?
riu baixinho mas não se virou. Continuou a dançar, agora com o novo pretendente respirando em sua nuca. Ele cheirava a cigarro e perfume feminino.
- Você sabe que é a garota mais bonita da festa e se aproveita disso. - ele continuou, fazendo-a rir mais um pouco. - É o seu tipo de mulher que destrói muitos corações de jovens espinhentos...
- Mas...? - quis saber, pois pelo jeito que o garoto havia dito, haveria um "mas".
O garoto riu. Havia mesmo um "mas".
- Mas o seu coração também está destruído.
continuou dançando, sem nada dizer.
- Ele está destruído, e você sente que nunca vai se recuperar. Você, a mulher que poderia ter o garoto que quisesse, se apaixonou justamente por aquele que não pode ter. E teme que nunca possa tê-lo.
se virou rapidamente, encarando os olhos do garoto que falava com a voz grave, quase como se ele a quisesse camuflar. Seus olhos eram escuros e seu cabelo também, mas até o mais loiro dos loiros estaria com os cabelos escuros na luz negra da balada.
Algumas pessoas esbarravam nos dois enquanto dançavam já bêbadas, mas eles pareciam não sentir. Seus olhos estavam conectados uns aos outros.
- O que você quer, eim? - ela quis saber, entortando os lábios em uma careta. - Quem é você?
- Não interessa quem eu sou. - ele sorriu, aproximando-se da morena. Enlaçou sua cintura e embalou a garota na batida. - Eu só quero dançar com você.
- E quem disse que eu quero dançar com você?
- Já está dançando, . - o garoto sorriu, apontando com a cabeça para os dois, que iam de um lado para o outro ao ritmo da música.
ainda hesitou, mas depois sorriu e continuou a dançar.
Será que aquele garoto misterioso a faria esquecer de Tom, Danny e Jim?
Afinal, ela merecia um recomeço!
Capítulo 27 - 'So if you're crazy... I don't care, you amaze me!'
The Fratellis, Whistle For The Choir.
Danny e .
Que tipo de filho da puta não sabe que ar condicionados são necessários em festas de formatura? amaldiçoava a comissão de formatura enquanto atravessava o salão a procura de outro bar, já que o gelo havia acabado no outro.
E que tipo de filho da puta não calcula o tanto de gelo que vai precisar para uma festa open bar?
A loira estava transpirando pela testa devido ao contato do veludo da máscara contra a pele, seu vestido não parava de subir nas coxas e ela não achava nenhuma das amigas.
A única coisa positiva da festa até aquele momento fora ter perdido o seu acompanhante, que parecia bem mais interessado em passar a mão em garotas bêbadas do que conversar com ela.
Cansada de zanzar pelo salão em busca de bebida gelada, apoiou-se em uma parede qualquer e respirou fundo. As pessoas passavam por ela como se ela fosse invisível.
Grande ironia, ela fechou os olhos. Em um baile de máscaras, onde todos deveriam ser invisíveis, a única realmente invisível sou eu, que sempre o fui.
- Doug, caralho! Eu já fui 10 vezes pegar cerveja pra gente, é a sua vez agora!
arregalou os olhos no mesmo instante.
Danny estava há poucos metros dela, usando a máscara como tiara e coçando os olhos azuis. Os cachos escuros do seu cabelo estavam molhados de suor e presos para trás, e ela nunca o tinha visto tão sexy.
Além disso, Danny também parecia estar puto com a festa, xingando sozinho e com razão; gotas de suor escorriam pelas laterais de seu rosto.
- Eu não vou pegar aquela fila sozinho! - Dougie gritou de volta, já sem terno e com as mangas da camisa social arregaçadas. Só que, ao contrário do amigo, ele ainda persistia em usar a máscara quente e incômoda.
- Eu já peguei aquela fila sozinho umas 20 vezes e te trouxe cerveja gelada! - Danny parecia realmente irritado, e Dougie percebeu, um sorrisinho diabólico espalhando-se pelo seu rosto.
- Mas tá muito grande...
- Eu sei, eu já fui lá 30 vezes!
- E tem muita gente fedendo em volta...
- Caralho Dougie, as 40 vezes que eu fui não contam nada para você?
- Você percebeu que está aumentando o número de vezes que foi até o bar pegar cerveja em P.G., não é?
- Ah, vai se foder, Dougie...
- Tá bom! Eu vou, eu vou! - Dougie levantou os braços aos céus em sinal de rendição. - Mas fica aqui, não sai daqui, se não eu vou beber a sua cerveja!
Danny concordou com a cabeça e afrouxou a gravata. Algumas garotas de vestidos minúsculos passaram por ele, que acompanhou bem interessado o rebolado delas.
Passadas as bundas, o guitarrista olhou em volta a procura de madeixas loiras, mas com o salão escuro ficava difícil distinguir quem era loiro e quem era moreno; todos pareciam ter os cabelos escuros.
Ele passou os olhos por , apoiada imóvel na parede, mas não a reconheceu. Ele a havia procurado durante toda a noite, e quando finalmente a encontrou, não a reconheceu com a máscara.
ficou como uma estátua até que Danny virou-se de costas para ela. Então ela suspirou de alívio e saiu correndo dali.
A noite continuou e o gelo chegou, mas o fato mais comemorado da noite passou despercebido para e o garoto misterioso; eles só queriam dançar.
havia tentado de todas as maneiras descobrir quem era o garoto com quem dançava. Ela sentia que o conhecia, muito bem por sinal, por mais que ele se recusasse a respondê-la.
Mas também as luzes negras não ajudavam muito, assim como o nível de embriaguez da morena.
- Não é possível. - ela exclamou, depois que ele permaneceu mudo após outra de suas muitas perguntas. - Eu sinto que conheço você! Conheço essas mãos que seguram a minha cintura, conheço esse cheiro... Mas a pessoa que eu estou pensando que você talvez seja...
Ela olhou para os olhos do garoto atrás da máscara, mas sua visão estava embaçada.
- Não pode ser...
- Não vamos nos prender nessa questão, . - a voz dele agora estava mais baixa, como se ele estivesse perdendo a paciência de esconder a sua verdadeira voz. - Só vamos curtir juntos. Quem eu sou não é relevante nesse momento.
- Mas eu não posso continuar dançando com um desconhecido!
- Ah é? - ele sorriu, e apertou os olhos. Os dentes... Aqueles dentes... Não podia ser... Então ele fechou a boca e os escondeu, permitindo-se ainda sorrir com deboche. - Não é isso que vocês, garotas, fazem em baladas? Dançam com estranhos?
- Ah, por favor, me diz quem é você e acaba com essa agonia... - a morena choramingou, perdendo a paciência e a compostura.
O garoto misterioso então sorriu mais uma vez e aproximou-se, segurando firme na cintura dela. E, sem pedir nenhuma permissão, colou seus lábios aos dela, que sentiu todo o corpo esquentar.
Sem nem pensar direito no que estava fazendo, entrelaçou as duas mãos na nuca do garoto e encostou todo seu corpo ao dele. Os dois continuaram a dançar, só que agora a dança ficava em segundo plano; o beijo consumia quase toda a atenção dos dois.
ficou bastante surpresa com o beijo, mas deixou rolar... Era um dos melhores beijos o qual ela já havia experimentado. E o garoto conseguiu o que queria: desviar a atenção dela sobre sua identidade.
Ela não pensaria mais naquilo até o final da festa.
- Atenção! Atenção em mim aqui, galera!
Dougie estava dentro da cabine do DJ, com o microfone dele em uma mão e um copo de vodca com energético na outra. O DJ, Erick Müller, era um antigo amigo de infância do baixista, e pagava um favor que estava devendo há ele havia muito tempo.
Os jovens que dançavam na pista vaiaram, mas voltaram suas cabeças para o alto.
Dougie estava muito bêbado e drogado, e a ideia de fazer uma declaração de amor parecia-lhe sublime! E nada soava mais como uma declaração de amor do que subir na cabine do DJ, tirar a máscara e cantar uma música. Mas não era uma música qualquer; era a música que ele não parava de ouvir desde que voltara do intercâmbio.
- Meu nome é Dougie Poynter e eu estou me formando do college assim como todos vocês!
Uuuuuuh!
Saí daí caralho!
Coloca a música de volta, filho da puta!
- E estou aqui essa noite para fazer uma declaração!
Declara pro meu pau!
Veadinho!
Dougie, seu lindo!
O último grito viera de Harry.
- Eu vou cantar essa música para uma garota muito especial para mim, e eu espero que ela entenda o recado... Eu sei como você se sente, então não precisa ter medo de mim!
Lá embaixo, bem próxima ao bar, olhava para aquela cena embasbacada.
Dougie não sabia cantar.
Dougie parecia uma gralha com amidalite cantando.
O que diabos Dougie estava fazendo?
O que ele estava fazendo não sabia, mas ele fez mesmo assim. E o que ele fez levou lágrimas aos olhos da ruiva.
O baixista pigarreou e segurou o microfone como se ele fosse uma mamadeira. Piscou os olhos que brilhavam em azul escuro e pareceu procurar alguém em meio a multidão. Como não encontrou quem procurava, começou a cantar, com a voz um pouco esganiçada e, para o espanto de , afinada.
Shadows and Regrets do Yellowcard. Uma das músicas favoritas dela.
I'm back, back in town... And everything has changed! I feel, feel let down... The faces stay the same! I see, see shadows... Of who we used to be! When I drive, drive so slow... Through this memory!
Aquilo não fazia sentido. Quando ele havia voltado para a cidade? Ele ficara em Brighton durante todo o tempo em que ela estivera fora...
When we were only kids... And we were best of friends... And we hoped for the best... And let go of the rest!
De fato eles eram amigos, os melhores amigos que poderiam existir. E sempre fizeram planos para o futuro! Mas mesmo assim ela não estava entendendo... Pensou que a música fosse ser para ela, mas o começo não fazia o menor sentido!
I heard, heard myself... Say things I'd that back! If could, could retell... And make this stories last! I see, see shadows... Of who we'll always be! When I'm blind drive these rodes, that made our memories...
Então enfim entendeu. A música não era para ela; era a história dos dois do ponto de vista dela.
Ela sorriu sozinha, hipnotizada por Dougie em cima do palco.
Ele sempre a entendia mais do que ela própria. Sempre.
When we were only kids... And we were best of friends... And we hopped for the best... And let go of the rest! The shadows and regrets, we'll let go of the rest!
Everything has changed... The faces stayed the same! Everything has changed... The faces stayed the same!
Assim que Dougie acabou de cantar o salão explodiu em palmas, e mordeu o lábio inferior.
Lá estava o homem da sua vida, cantando para ela.
Ela não podia esperar muito mais de uma formatura; estava tudo perfeito.
- ...então você conseguiu entrar em Oxford, Mellody? - Harry perguntou, o braço direito apoiado na parede. Seu corpo estava parcialmente encostado ao da ruiva com quem conversava. Ela sorria por debaixo da máscara e ele estava fascinado pelas sardinhas dela.
- Sim, consegui... Mas acho que a doação de 500 mil libras que meu pai fez para a reforma da biblioteca do instituto de artes deu um empurrãozinho! - a ruiva mordeu o lábio inferior. - Mas não vamos mais falar sobre isso... Hoje é a nossa última noite como alunos do college, vamos aproveitar!
- O como você sugere que façamos isso? - o baterista perguntou, chegando mais perto da ruiva. Mellody segurou a gravata dele e mordeu o lábio inferior.
Ela mal podia acreditar no que estava acontecendo. Ela sempre fora a gordinha rejeitada, mas depois de passar dois meses em um acampamento para gordinhos e colocar implantes de silicone ela começou a ser paquerada por todos, inclusive Harry Judd, um dos caras mais bonitos do Brighton College!
Talvez ele pudesse escrever uma música para ela. Mas ela não sabia se bateristas escreviam músicas... Então talvez ele pudesse pedir para Danny escrever uma música para ela!
- Harry, eu preciso conversar com você.
Mellody olhou por cima dos ombros de Harry e avistou parada atrás dele, segurando a máscara nas mãos e limpando os olhos que lacrimejavam com as costas da mão.
Por que ela estava chorando? E o que ela queria com Harry? Será que ela não via que ele estava ocupado? Ela ia mesmo estragar o melhor momento da formatura de Mellody até aquele momento? Por que as meninas bonitas estavam sempre estragando seus planos?
Aliás, Harry e eram amigos? Não que Mellody soubesse... Mas claro que eles deveriam ser amigos, era ex-namorada de Dougie, o melhor amigo de Harry! E Dougie não havia acabado de cantar uma música sobre alguém que voltava para a cidade? Provavelmente queria saber para quem era a música. Provavelmente ela estava chorando pois sabia que a música não era pra ela.
É, com certeza era aquilo.
não estava ali para estragar nada. Aquele era o momento de Mellody e ninguém iria estragá-lo. Afinal, ela também era bonita agora.
E ela podia se orgulhar de sempre pegar as coisas no ar, como havia acabado de fazer. Não era a toa que estava indo fazer letras em Oxford; queria ser uma grande escritora um dia.
- Eu não tenho nada pra conversar com você, . - Harry respondeu de costas para . Seus músculos de repente se contraíram e ele ficou tenso.
Como ele sabia que era ela sem nem olhar para trás?
Eles eram tão amigos assim?
- Harry... Por favor...
Mellody foi obrigada a arregalar os olhos azuis e infantis. Em todos aqueles anos no Brighton College ela nunca imaginou que ouviria suplicar por alguma coisa. A atriz sempre fora o tipo de menina linda, séria e inalcançável, que passava pelos corredores com o nariz na lua e a consciência de que todos a admiravam.
- , por favor, me deixa em paz. Você já fodeu muito com a minha mente...
- Hazz, me dá uma chance, só uma chance...
- Não, .
Mellody ficou olhando colocar a máscara e se afastar, as lágrimas rolando pelo seu rosto coberto. Então olhou para Harry e ele não parecia nada feliz.
Sua sempre companheira auto-estima então falou mais alto e ela deixou os ombros caírem, sentindo que precisava se desculpar por... Bem, por não ter feito nada.
- Hm... Você quer que eu... Hm, sei lá... Vá embora? - ela perguntou, rezando mentalmente para que ele dissesse que não. E, para o espanto da ex-gordinha, foi o que ele fez.
- Não, Mellody, eu não quero que você vá embora. Eu quero aproveitar a festa com você.
E então ele a beijou.
Danny havia acabado de dar uma passadinha no banheiro para recarregar as energias com uma carreira que Zack havia trazido quando trombou em uma garota alta, loira e que parecia muito assustada.
Alta. Loira. Assustada.
Quem mais poderia ser?
- ! Finalmente eu te achei!
estava ofegante e muito surpresa por ter encontrando Danny.
- Te procurei a noite inteira! Onde diabos você se meteu? Aliás, para onde você foi depois do colégio? Eu bati na sua porta umas duas vezes! - Danny estava muito acelerado. Como se chegasse a uma conclusão, bateu com a mão na testa e soltou uma risada alta. - Que idiotice a minha... Vocês meninas passam o dia inteiro no salão antes de uma festa, não passam?
piscou os olhos azuis, duas piscinas de completo terror.
Ela não sabia o que dizer, e Danny percebeu.
- O que foi? O gato comeu a sua língua? Você não parecia ser quieta naquele nosso encontro no bar... Caramba, faz menos de uma semana isso e eu sinto como se tivessem se passado meses... Tanta coisa aconteceu, não é? Olha, eu sei que fui um completo idiota com você, mas acho que nós fizemos as pazes na quinta-feira, não? Foi uma noite e tanto, eim? Fazia muito tempo que eu não ficava bêbado daquele jeito e...
- É, bom... Acho que eu vou dançar... - cortou o assunto de Danny no meio e olhou para o chão.
- Ah, legal. Eu vou com você então! - ele não pareceu se abalar.
- Er... Acho que eu prefiro ir sozinha...
A loira subiu os olhos e encontrou Danny petrificado. Ele parecia muito confuso. Mas logo a confusão se foi, deixando nada mais que um rastro de indignação, esta que ele fez questão de botar pra fora.
- , qual é!? O que aconteceu? O que eu fiz? Eu pensei que você gostasse de mim! - ele exclamou, tirando a máscara do rosto.
Ele está tão lindo... pensou, morrendo um pouquinho por dentro. Eu quero tanto beijá-lo...
Mas ela não podia. A vergonha era demais...
- É, bem... Eu talvez... Talvez não goste mais! - ela respondeu, as palavras embolando na ponta da língua.
- Então me explica o porquê! Aliás, não, não me explica... Só me dá outra chance para eu poder te provar que posso ser o cara por quem você se apaixonou!
Ah, meu Deus... Por que? Por que ele tem que falar tudo o que eu sonhei em escutar agora que só deve estar falando com segundas intenções... Por que eu fui estragar tudo? Idiota, idiota, idiota!
- Qual é o seu problema comigo agora, eim? - gritou, atraindo olhares das pessoas que estavam em volta. Então ela abaixou o tom de voz. - Eu sou doida, maluca! Por que você não pode voltar ao normal e continuar a me ignorar, como fez durante um ano inteiro?
- O meu problema com você é você mesma! - Danny passou a gesticular, completamente alterado com aquela mudança de humor drástica da loira. Não era ela que fazia gráficos no excel por ele? O que havia acontecido? Por que as coisas nunca davam certo para ele com as garotas de quem ele gostava.
E enfim a ficha caiu.
Danny estava apaixonado por .
- O que você quer dizer com isso? - ela quis saber, franzindo o cenho.
Danny abriu e fechou a boca diversas vezes, sem saber o que dizer... Não, ele não podia estar apaixonado... Ele não era apaixonado por ? Como assim havia desapaixonado tão rápido assim?
Então ele olhou para os olhos azuis de e sentiu uma fisgada no peito.
Até quando você vai ficar se apaixonando por garotas malucas? o anjinho em sua mente perguntou.
E até quando você vai ser uma bichinha e não vai falar para as garotas de quem você gosta o que você realmente sente por elas? o diabinho sussurrou de volta.
Danny resolveu seguir o diabinho. Afinal, ele já ia pro inferno mesmo...
- Sabe o que está me deixando louco, ? Sabe qual é o meu problema com você? São essas suas mudanças de humor! - ele parou para respirar fundo e soltou de uma só vez o resto do raciocínio. - E o fato de que eu possivelmente estou me apaixonando por cada uma das suas múltiplas personalidades!
- Ah, Danny! Pare de mentir pra mim! - enfiou os 10 dedos entre o cabelo e o jogou para trás, com uma pontinha de desespero na voz. - Eu sei porque você está dizendo essas coisas, mas eu te garanto que aquilo que aconteceu foi um erro e que eu não vou ser só mais uma na sua listinha de possibilidades! Eu com certeza já ferrei com tudo entre nós, e vou me atormentar pelo resto da vida por causa disso, mas agora eu preciso te esquecer antes que saia muito magoada dessa história. Mais do que já estou!
- Do que diabos você está falando? - Danny ergueu os braços para o alto. - Sério, por favor, me explica, porque eu não sei em que língua você está se comunicando comigo !
- Não se faça de idiota, Danny! - então deu-se conta de que segurava um copo de cerveja quente, e, antes que pudesse se conter, despejou o líquido na cabeça do guitarrista, que ficou sem reação. - Eu já cai no canto da sereia uma vez, mas não vou cair mais! Passar bem, Jones.
Danny ficou parado, sentindo as gotas de cerveja quente entrarem pelo seu colarinho e atravessarem sua pele quente, a boca aberta em surpresa e indignação.
era louca. E a cada ato de loucura, Danny se apaixonava mais e mais.
Capítulo 28 - 'Don't trust a hoe, never trust a hoe!'
3OH!3, Don't Trust Me.
Harry e .
Mellody já havia ido embora, assim como Lisbeth, Anna e Anna C. Mas nenhuma delas havia despertado qualquer coisa além de um desejo passageiro em Harry.
E então lá estava ele, parado com cara de idiota no meio do salão, observando pegar uma bala da mão de uma amiga e a engolir inteira. Ela já estava bem chapada, e aquilo completaria o seu quadro de loucura completa.
, , ... Só Harry sabia o quanto ele queria tomá-la nos braços e beijá-la pelo resto da noite, levá-la para casa e passar o resto do final de semana no quarto dele, fazendo em todas as posições e curtindo a melhor fase de suas vidas.
Ali perto, Dougie pegava uma cerveja no bar e percebeu seu melhor amigo parado a poucos metros. Abriu a boca para gritar por seu nome, mas a fechou no meio do caminho. Como um sexto sentido, ele resolveu ficar quieto e observá-lo. Harry parecia prestes a chorar.
O baixista então seguiu a direção do olhar do amigo e encontrou dançando com algumas amigas. A sua ex-namorada parecia linda, e ele só a ficou observando por alguns instantes. Mas então algo em sua cabeça estalou e ele deixou a cerveja em cima do bar e correu até Harry.
O baterista foi pego de surpresa pelo amigo, que o segurou pelo cotovelo.
- Ah, Dougie! - ele exclamou, virando-se completamente para ele. - Caramba, onde você se meteu? Te procurei a noite inteira! Peguei umas meninas que você não tem ideia...
- Harry, o que tá rolando?
- Ah, não sei, acho que estou mais bonito do que o normal hoje...
- Não, não isso... Entre você e a .
Harry engasgou e tossiu algumas vezes. Deu um passo para trás e se soltou de Dougie.
- C-como assim?
- Eu já venho reparando há algum tempo... - Dougie olhou de relance para e Harry fez o mesmo. - Você está apaixonado por ela ou algo do tipo?
- Dougie, não... Você tá viajando, cara! Por que acha isso? - Harry precisava fumar.
Naquele instante.
- Harry, cara, eu sou o seu melhor amigo. Só me fala, não tem problema...
- Caralho, cara, não, eu não estou afim da ! Eu nem estava olhando pra ela...
- Eu falei alguma coisa que você estava?
Harry olhou de novo para .
Ele estava fodido. Fodido, fodido, fodido. Havia se entregado.
- Cara, não...
- Ah, Harry, vai se foder... - Dougie exclamou e foi embora, sumindo entre as pessoas.
Estou a salvo, o baterista pensou, soltando o ar.
Mas ele não estava. Na verdade, toda a merda da noite estava apenas começando.
estava em outro mundo, viajando, viajando, viajando... Até que sentiu alguém segurar seu braço.
Virou-se bruscamente e encontrou Dougie.
- Doug! - ela exclamou, abraçando o ex-namorado. - Bela música você cantou lá em cima... Para quem foi?
- Depois eu te conto, . Vem comigo agora, eu preciso esclarecer algumas coisas. - Dougie disse sério, puxando a morena da pista de dança.
E ela foi atrás despreocupada, sem nem imaginar o que estava por vir.
Harry assistiu tudo de camarote. Dougie pegando pelo braço, o abraço, os dois trocando meia dúzia de palavras e Dougie a rebocando para perto do baterista.
Ele estava bêbado e já havia fumado haxixe com Tom antes dele desaparecer.
Estava encurralado. Não tinha para onde fugir.
- Pronto, Harry. - Dougie puxou para mais perto, e a morena arregalou os olhos. - Agora vocês dois vão me contar o que está acontecendo.
E antes que o baterista pudesse contornar a situação, caiu no mais profundo choro, repetindo sem parar.
- Ah Dougie, Dougie... Me desculpe! Por favor, nós não fizemos por mal!
- , cala boca... - Harry sibilou, mas Dougie passou por cima de sua voz, quase gritando.
- Não fizeram o que? O que vocês estão escondendo de mim?
parou de chorar e Harry olhou para os pés.
- CARALHO, DIGAM DE UMA VEZ! - o baixista berrou, assustando os dois.
- EU E O HARRY FICAMOS ENQUANTO EU E VOCÊ AINDA ESTÁVAMOS JUNTOS, DOUGIE! - berrou de volta, voltando a chorar. Agora ela olhava para Harry. - Me desculpa, eu não aguentava mais guardar isso, eu precisava... Eu precisava contar... Não dava mais, Harry... Não dava mais...
Dougie abriu a boca. Depois respirou fundo algumas vezes e perguntou, com um pouco mais de calma.
- Quantas vezes?
Nenhum dos dois o respondeu.
- QUANTAS VEZES, PORRA?
Agora todos em volta olhavam para a briga e cochichavam. , Danny e se aproximaram do grupo.
- Dougie, por favor... - tentou, mas Dougie mostrou-se impassível.
- Quantas. Vezes?
- Durante um mês. - Harry respondeu, sem emoção.
- Você comeu a minha ex-namorada, Harry, é isso? - o baixista aproximou-se do amigo, com um ar de lunático presto aos olhos.
Danny aproximou-se dos dois, preocupado.
- Dougie, calma cara, você tá bêbado... - ele tentou puxá-lo para trás, mas Dougie desvencilhou-se do guitarrista e apontou o dedo na cara dele.
- Você sabia disso, Danny? SABIA?
- Todos nós sabíamos, Dougie. - entrou no meio, apontando para Harry e . - Sabíamos que eles estavam juntos, mas não queríamos magoar você. Queríamos que os dois te contassem... Não seria certo se nós te contássemos...
- Fica fora disso, . - Harry rosnou.
- Então todo mundo sabia, menos eu? - a voz de Dougie estava tremendo. Ele olhou um por um, ofegante. - TODO MUNDO SABIA, MENOS EU? O CORNO É O ÚLTIMO A SABER, É ISSO?
- Dougie, cara, por favor, eu ia te contar, nós íamos te contar, mas nós entramos em provas, nós não... - Harry tentou, mas Dougie virou-se para .
- Sua vagabunda. - ele disse simplesmente, sem emoções. - Queria saber quem era melhor na cama, não é? Quem mais você pegou? O Danny, o Tom, a porra da banda inteira?
- Não fala assim com ela, cara, ela cometeu um erro... - Danny tentou apaziguar as coisas, mas a bomba já havia explodido, e não havia mais nada a ser fazer.
ficou quieta, ouvindo tudo com lágrimas escorrendo pelo rosto e sem esboçar qualquer reação. O que mais temia estava acontecendo; ela seria julgada e mal falada pelo resto da vida. Nada do que havia feito para impedir havia dado certo.
- Cala boca, Poynter. - Harry sibilou, trincando o maxilar ao ouvir o amigo falar daquele jeito com . - Cala a porra dessa boca!
- Ah, agora você está se sentindo ofendido? Ofendi o seu amor? Agora me diz uma coisa: ela não é uma vagabunda? Ela deu para você enquanto estava comigo... Que eu saiba, essa é a definição exata de uma vaca completa.
E então o que veio a seguir aconteceu muito rápido. Harry partiu para cima de Dougie, mas este já estava preparado, e com uma rapidez surpreendente desferiu um soco certeiro no nariz do baterista, que caiu para trás num baque surdo.
gritou, curvou-se para ajudar Harry, Danny tentou segurar Dougie e colocou as duas mãos na boca. As pessoas em volta emudeceram e Dougie saiu correndo, trombando em todo mundo que se colocava em seu caminho, inclusive em .
A partir daí, tudo virou um pandemônio. e ajudaram Harry a se levantar e o carregaram para fora e Danny foi atrás de Dougie, enquanto as pessoas começaram a comentar sobre a briga, e ela logo já era o tópico mais comentado da festa.
Somente ficou parada no mesmo lugar, perplexa e sem saber o que fazer.
- , entra lá e acha alguma coisa para a gente limpar o sangue dele. - pediu assim que as duas colocaram Harry sentado na calçada.
O baterista pegou o maço de cigarros de dentro da calça e acendeu um, trêmulo. Não se importava com o sangue que pingava do seu nariz; ele só precisava fumar um cigarro.
Sem suas respostas irônicas de sempre, obedeceu e voltou para o salão, deixando os dois sozinhos do lado de fora, com alguns bêbados vomitando em volta e alguns seguranças com cara de mau.
suspirou e também pegou um cigarro do maço de Harry, sem pronunciar uma palavra. Pegou o isqueiro do chão e o acendeu. Tragou profundamente e soltou a fumaça. Então puxou a cabeça de Harry para si, e ele deitou-se no colo da menina, fechando os olhos. O nariz sangrava e pingava no terno dele.
Os dois ficaram do lado de fora sem dizer nada, fumando e perdidos cada um em seus pensamentos.
Eles não precisavam dizer nada.
Continua...
Próximo capítulo: Dougie e .
N/A (05/04/2012): OLÁ MENINAS, tudo bom?
Sei que andei deixando vocês na mão, mas aproveitei essa semana santa que eu pude ficar inteira em casa (obrigada USP, por formar vagabundos) e escrevi essa atualização dupla. Eu estou particularmente feliz com essa atualização. Ficou tudo como eu gostaria que ficasse... E olha que ainda não aconteceu nem metade do que está previsto para essa formatura, HAHAHAHA.
Finalmente o Dougie ficou sabendo e não foi muito legal, não é? Agora imaginem quando ele ficar sabendo que é papai e que a Poynter transou com o Harry. oO' Só agora eu fui ver... Acho que fodi demais o Dougie nessa história! HAHAHAHAHA.
Finalmente vou voltar a respondê-las, depois de um longe e tenebroso inverno... Falando em inverno, eu tô lendo Game of Thrones, e só digo uma coisa: LEIAM! É um dos melhores livros que eu li na vida! Estou até me segurando pra ler devagar e não acabar tão rápido...
Bom, sem mais delongas, vamos as respostas! Vou responder só que comentou na última atualização, se não não acabo isso aqui nunca! ;)
Bia Martins: Não vou desistir, escrever é mais forte que eu! HAHAHAHA. Muito obrigada Bia, de coração. Eu também amo vocês. ;) E pretendo passar mais madrugadas boladona escrevendo, HAHAHAHA. Isahhh: Vocês fazem a minha vida mais feliz também, suas lindas! s2 Ah, eles podem escrever a música ainda... Não dizem que as melhores músicas são escritas em cinco minutos? ;) Nossa, passar o resto da vida escrevendo Nuts!... Acho que seria legal! HAHAHA. Espero que tenha gostado da atualização dupla. ^^ Vicky (Denise - @Nise_Poynter): AEEE, primeiro comentário! Toca aí! o/ HAHAHAHA, fica tranquila gata, contanto que você esteja gostando, comentários são irrelevantes. ;) Beleza, quando minha fic estiver pronta para assumir um compromisso ela te procura! *____* Fico feliz em saber que as minhas histórias te inspiram, de verdade! <3 Nat: Capítulo Jones bem grande em sua homenagem! ;) Espero que tenha ido bem no simulado! ^^ Waleska: Da filha ele ainda não ficou sabendo, mas o momento está chegando... HAHAHAHA. Stephanny: Se você está gostando eu já fico feliz, os comentários são de menos. ;) Espero que tenha gostado da atualização dupla! o/ Jess Biana: Não fica com raiva de mim, mandei uma atualização dupla pra me redimir! ;) Cecis: Demorei um pouquinho, mas espero que valha a pena a espera! ^^ Laiza: HAHAHAHA, não sei se é o Tom, mas nós vamos descobrir! ;) Pronto, pode chorar de felicidade, a atualização é dupla! MariiiLuck: E aí, a festa está sendo do caralho? HAHAHAHA. Carol: Aaah, mas essa atualização foi dupla só pra me redimir! o/ Eu também, mesmo porque, a Fletcher não tá com muita moral pra deixar se levar pela conversa de homens misteriosos... HAHAHAHA. O McFLY ainda pode participar, nem tudo está perdido! @vasgaravatti: Surtou com a dupla também? HAHAHAHA. Thaay Marques: Então tá, um pouco mais! o/ Beatriz Braga: Não me esgana não, se não nunca saberemos o final da fic! HAHAHAHA. jacque: A Fletcher tem que tomar mais cuidado com esses homens... xD Espero que tenha gostado da atualização dupla! @laleclaro: HAHAHAHA, você deve ter achado a Patty pra eu mandar essa atualização dupla, eim? Mandou muito! o/
Meninas, notícia triste agora... A Lilá, a beta de Noiei, Nuts! e Gossip Boys 2 até esse presente momento, não será mais a minha beta. Infelizmente ela deixou o mundo da betagem, mas continuará a ser minha amiga querida e eu serei sempre grata por tudo que ela fez por mim e pelas minhas fics. Lilá, MUITO obrigada por tudo... Vou sentir sua falta como beta, mas eu sei que nós nunca vamos perder o contato. Obrigada por meu ouvir, me ajudar e sempre tratar minhas fics como se fossem suas. Noiei, Nuts! e Gossip Boys 2 não seriam nada sem você! s2
Agora todo mundo se despedindo da Lilá e dando oi pra Benny, a nova beta de Nuts! OOOI BENNY, muito obrigada por assumir Nuts! assim, no susto, mesmo estando indisponível. Espero que você goste de betá-la e que nós possamos nos tornar amigas, assim como me tornei amiga da Lilá! ^^
É isso meninas... Comentem, porque essa atualização me tomou metade do feriado! HAHAHAHA. E me sigam lá no twitter: @Raycjay
Beijos,
Tia Ray.
P.s.: Pra quem ainda não cadastrou o e-mail/twitter para ser avisada atualização é só colocar no comentário que eu já coloco na lista. ^^
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N/B: Awn Ray, é um prazer assumir a betagem de Nuts! E não se preocupe que eu tenho a leve impressão de que vamos virar amigas sim! .xx
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