Betada por Benny (até cap 6), Sofia (até cap 14), Brunna (até capítulo 19) e xGabs (a partir do cap 20)



Prólogo

Às vezes me pergunto como fui chegar essa situação que me encontro: oras é só um contrato, uma droga de um simples contrato de um ano de casamento, para ser mais exata. Vocês podem até estar me julgando por me casar por um contrato, não pensem que não respeito às religiões, não é isso; na verdade eu só estou indo assinar o contrato agora por um motivo muito justo, digamos que até nobre. Preciso mandar dinheiro para minha família no Brasil, minha mãe está bem doente e sem a minha ajuda, eu nem sei o que pode acontecer. Infelizmente não sou dotada de riquezas, por isso estou recorrendo a um contrato de casamento que, como conveniência, tende ajudar minha mãe em seu tratamento contra uma doença rara; o meu contratante (e futuro marido), é nada mais nada menos que , é aquele mesmo, o do McFly, pois é ele quer uma esposa e eu quero poder pagar o tratamento da minha mãe. Bem, digamos que o queridinho não anda fazendo coisas que se pode orgulhar, esta acabando com sua imagem na mídia com suas noitadas e mulheres. Com isso ele começou a procurar uma esposa que ficasse com ele por um contrato; agora me pergunto que tipo de cara precisa recorrer a um contrato se quando ele estala os dedos tem tipo umas dez ou mais “piriguetes” aos seus pés, eu não entendo mesmo... mas minha amiga (na verdade, que me disse que eu era ótima para essa “vaga”) me explicou que ele não quer um casamento normal, como se por contrato fosse alguma coisa normal, ele só quer mesmo um casamento de aparência. E como me meti nisso? Simples, minhas melhores amigas são namoradas dos outros mcguys; a namora o , o namora a e o . Bom, aí vem a parte pior de todas, com esses amigos todos incomuns vocês estão achando que nos damos bem? Errado, ele me odeia com todas as forças e digamos que eu tento odiar, acho que isso se deu devido aos nossos amigos tentarem nos empurrar tanto um para o outro, que simplesmente virou ódio na primeira tentativa.

Capítulo 1 - I’m a loser
25/11/2007 – Londres

- Não, , eu não admito que você em pleno sábado fique aí estudando e que não vai sair enquanto eu e as meninas vamos nos divertir, e fora que você ainda não conhece o ; ele é lindo, perfeito e... - suspirou e iria continuar, mas de boa, eu estou completamente cansada de é isso ou aquilo. Então disse para :
- Ok! Que horas nós vamos? – a super louca começou a pular em cima de mim. - Tá, , mais um pulo e eu não vou mais. - ameacei e de súbito ela saiu de cima de mim, se ajeitando.
-Tá bom, , você é super chata sabia? - disse fazendo biquinho, como se isso colasse comigo. Talvez ela esteja tão acostumada com o que, de certa forma, achou que comigo iria funcionar, grande erro!
-, meu amorzinho. - falei sarcasticamente. Acho que minha amiga tem problema porque acha que eu realmente caio na dela. - Eu tenho cara de ? - perguntei olhando bem séria para cara dela, mas confesso que minha vontade era de rir, porque ela estava me medindo como se estivesse tentando achar alguma familiaridade entre mim e o . Definitivamente tem problema.
- Não , você e o não tem nada a ver! – ela me disse como se eu fosse uma alien, é... - pensei daqui direto para o manicômio.
- Ah, esquece! Definitivamente esquece, . - meu querido senhor, me dê forças para agüentar essa amiga linda que você me deu, pensei.
- Que horas nós vamos? E mais importante, quem vai? - perguntei me ajeitando melhor no sofá.
- Nós vamos a um pub novo que abriu super lindo, eu fui lá semana passada, lembra? Comentei com você. - confirmei com a cabeça, com isso ela continuou. - Então nós vamos às dez horas, os meninos vão passar aqui e respondendo a sua curiosidade queridinha, vai o de sempre: eu, , e , e . - terminou me olhando com expectativa.
- Você quer dizer, , - falei me levantando do sofá, apontando o dedo em sua direção - Que eu vou pra ficar de vela?
- Não, querida , quero te dizer que você vai ficar com uma companhia, que está solteiro e é tão lindo quanto meu namorado.
- Quem? - perguntei curiosa.
- , o único integrante que falta, já que eu e as meninas estamos namorando os outros três, sobrou ele e você. Não é muito bom? – ela me perguntou com um sorriso de orelha a orelha.
- E esse é legal, ? Tipo, você já falou com ele?
- Na verdade não, como os meninos estão de férias, ele foi visitar a família e voltou ontem, então ainda não o conheci. Poxa, mas todos os outros são legais e conseqüentemente o também deve ser. - falou me passando confiança.

Em seguida, como já era quase à hora de ir, fomos nos arrumar. e chegaram logo depois já indo para o banho. Passando mais de uma hora depois que começamos a nos arrumar. Paramos as quatro em frente a um espelho que nós temos em cima do aparador da sala, e digamos que estávamos prontas para arrasar.

- Nossa, , como isso aqui é bonito. - falei para que tentava andar para dentro do pub super lotado e bem decorado em que nos encontrávamos. e já tinham ido à frente e já se encontravam no local. passou na hora correta e nos pegou no apartamento que eu dividia com as meninas. era bem legal, sortuda da minha amiga, fiquei feliz por ela, agora entendo todos os suspiros apaixonados.
nos direcionou para uma mesa onde se encontravam minhas outras duas amigas e seus respectivos namorados, e mais um cara super lindo sozinho. Minha anteninha já detectou que seria o tal .

- Oi, gente! - disse para o grupo sentado à mesa. Eu e fizemos o mesmo, acenando e recebemos acenos também. Depois das apresentações, o único lugar vago e estrategicamente planejado por minhas queridas amigas, era ao lado de , que tinha um perfume delicioso.

Estava em meus devaneios quando me dei conta de que só se encontrava eu e o na mesa. Ele bebia uma cerveja e eu um coquetel com uma cor linda, era tão colorido. Ótimo, o que faço agora? Não sou boa com essas coisas, não é à toa que estou sozinha aos 19 anos; não que nunca tivesse namorado, mas é que não era muito boa em manter eles por muito tempo. Acho que a teoria da estava certa de que namoro com os estudos, bom, é que minhas amigas podem se dar o luxo de não estudar tanto quanto eu, que sou bolsista, e com isso saem mais e namoram mais também. Não sou nenhum patinho feio como andam pensando, na verdade sou bem bonita, afinal quando passo em frente a uma obra eu escuto muito isso, não necessariamente a palavra “bonita”, mas vocês entenderam, pedreiros levantam a moral de qualquer mulher. Saindo de meus devaneios, fitei bem o , olhos hipnotizantes, cabelos brilhosos, no momento botando o gargalho da long neck na boca e engolindo aquele delicioso líquido, e que boca, involuntariamente me peguei lambendo os lábios; como eu queria ser essa garrafinha agora. Quando a falo que ele era bonito não fez jus a sua beleza de forma alguma, isso só porque falei do rosto, o corpo então não deixa a desejar nada. olhando mais abaixo do rosto me deparei com um peitoral definido, mas nada exagerado, apenas definido, aparecia um pouco pela blusa ser em gola V. No pescoço carregava um cordão que caia perfeitamente no meio do peitoral, a calça justa também mostrava as suas definições, o cara é extremamente perfeito, aparentemente nenhum defeito. Conclui esses detalhes de forma rápida, agora estava olhando a pista de dança, onde e iam até o chão ao som de David Guetta, acho que eles já passaram da conta. Ri do meu próprio pensamento.

- Tá rindo de quê? - me perguntou , me fazendo olhar para ele.
- Tô rindo da e do , olha! – disse, apontando pra pista onde agora além de e , dançavam e . - riu e falou.
- Quer dançar também? - corei violentamente, e escondi o rosto, definitivamente preciso de uma bebida pra ter coragem de dançar (é que ainda não contei, mas não sou muito boa nisso), por isso logo tentei mudar de assunto.
- Que tal antes você me pagar mais um drinque como esse aqui? – disse levantando meu copo que agora estava quase no fim e fazendo a minha melhor cara sensual. Acho que deu certo porque riu e se levantou, estendendo a mão para eu levantar da mesa que nos encontrávamos.
- OK! Como você quiser, vamos ao bar e depois você me deve uma dança. Certo? - disse isso rindo com um sorriso torto, e em seus olhos eu via pura malícia ou luxúria, sei lá como chamam.
- Tá... é, tudo bem! Só não sou uma boa dançarina, mas se você quer... – falei incerta e com um pouco de vergonha devido ao olhar que ele me mandava.

Caminhamos em direção ao bar, sentamos nos banquinhos e chamou o barman e foi atendido de prontidão (ser famoso tem suas vantagens, se fosse eu só meia hora depois que ia ser atendida) - Uma cerveja e um Sex on the Beach, por favor! – ah, então a bebida que gostei tinha esse nome, agora deu até vontade de rir eu dizendo pra ele que queria mais uma bebida daquela com o ar sedutor que eu usei... merda, será que ele pensou que eu queria ir aos finalmentes? Se pensou, errou, porque isso nem passou pela minha cabeça.

Apesar do corpo lindo e o rosto mais ainda, qual é, que tipo de mulher eu seria se na primeira noite eu fosse levada pela luxúria que me consome agora? Merda, controle-se , PORRA! Você é uma mulher determinada e se quiser arranjar um namorado, não pode fazer isso no primeiro encontro, se isso for um encontro. É um encontro arranjado, mas é um. - disse pra mim mesma tentando me convencer.

- Então , você mora no mesmo apartamento que as meninas? – perguntou, apontando para pista de dança que os outros casais dançavam, incluindo meus amigos.
- Sim! Moro com as meninas. - respondi não sabendo exatamente o que ele queria com essa pergunta (para de paranóia, , vai ver ele só quer te conhecer melhor, mas minha anteninha dizia outra coisa). - Por quê? – perguntei.
- Nada, só achei interessante... – respondeu com cinismo. – Então, vamos dançar? - perguntou se levantando, estendendo os braços e esticando as mãos em minha direção, pegando a minha, me fazendo sentir uma eletricidade com seu simples toque. Não hesitei, acho que a bebida já subiu e se instalou na minha corrente sanguínea, porque me sentia totalmente desinibida. Caminhamos juntos para a pista de dança, onde o som de alguma batida contagiante bombava as caixas de som do local, palmas pra o DJ. Quando vi já dançava até o chão com minhas mãos passando sem pudor nenhum pelo peitoral do , que se mexia de acordo com a música. Virava-me de costas para ele sempre que tinha chance, esfregava a sua virilidade em mim me deixando completamente excitada com a sua aproximação. Como se não bastasse, me virou de frente fazendo com que nossos corpos ficassem ainda mais grudados, senti sua excitação roçar na minha barriga, senti seu hálito gostoso soprar ao meu ouvido no momento que começou a distribuir beijos pela região, descendo para o pescoço, me deixando extremamente desnorteada com uma sensação de tremor que descia pela minha espinha, me dando verdadeiros choques conforme sua boca encostava-se à minha pele. Eu estava ficando muito excitada, e se não saísse dali tudo que iria fazer era arrastar o para qualquer canto pra satisfazer meus desejos, quando uma idéia me sobressaltou.

- . – eu disse com uma voz rouca de tanto desejo. – Preciso ir ao toalete. – falei olhando bem naqueles olhos que sempre que eu olhava me lembravam um mar calmo, mas que agora me lembravam uma tempestade furiosa em alto mar. Suspirando, ele disse:
- Ok, mas não demora, vou ficar te esperando ali no bar. - disse apontando na direção do mesmo.
- Tá bom! - respondi já saindo em direção ao banheiro. O pub estava completamente lotado, e chegar no banheiro não estava sendo uma tarefa fácil. Esbarrava e pedia desculpas, até ver a plaquinha que tanto queria. Entrei no banheiro e me apoiei na bancada onde de frente havia um espelho enorme que ia de parede a parede, atrás ficavam as cabines. Respirei fundo tentando me acalmar, o que estava pensando me atracando com o daquela forma, sabia perfeitamente pelo jeito dele que se fizesse o que tanto queria, não duraria mais que uma noite, que seria só mais uma e terminaria pior do que me encontrava, sem namorado, sem paquera e sem . Droga, e agora? O que vou fazer... Ajeitei a maquiagem e saí do banheiro. Mal acabei de me afastar da porta quando fui tomada por braços urgentes em torno de mim, que me aprisionaram me encostando à parede do pub, quando olhei pra frente para ver quem era o meu raptor, não tive surpresa nenhuma em constatar que se tratava de , que no momento me olhava com aquela mesma tempestade que vi antes de ir ao banheiro, olhos que transbordavam fúria, desejo, pura luxúria. Inconscientemente, suspirei com tal pensamento, parece que isso foi um consentimento, porque logo depois fui tomada por uma sensação indescritível com os lábios do sobre os meus. No começo ele só roçou, e isso bastou para que todas as minhas partes do corpo ficassem em alerta, depois começou a pedir passagem e eu cedi, mergulhando na fúria de seus lábios. O mais engraçado é que o beijo me lembrava os olhos do , uma tempestade de emoções, uma tempestade louca de emoções. Minhas mãos não sabiam mais onde ficavam, eu estava perdendo o controle; eu estava excitada, dominada, quase entregue ao poder que aquele homem exercia sobre mim, mas que eu não poderia mais o deixar exercer pelo simples fato de não querer ser só mais uma. Juntando minhas forças consegui falar quase que em um sussurro.
- Pa... para, . - a princípio ele nem notou o que eu pedi, mas depois de falar de novo e com a voz mais firme, fui atendida. Ele me soltou e ficou de olhos fechados, com a testa encostada na minha até que sua respiração voltou ao normal, então abriu os olhos e o que encontrei neles não foi tempestade nem calmaria, foi nada, não tinha nada ali pra poder dizer como ele estava se sentido; como sempre ele deixava transparecer, só que agora ele não deixava nada. Respirou mais uma vez e se afastou um pouco, se ajeitou e me disse.
- Desculpa, achei que você quisesse e... Desculpa. - e saiu, simples assim, saiu e me deixou com cara de tacho, plantada na porta do banheiro. Bem, ele estava certo, eu quero, queria, só estou confusa, argh... raiva de mim mesma. Resolvi deixar de ficar parada lá e fui procurar o pra pedir desculpas e dizer que eu queria, mas não ali naquele lugar e nem agora, eu só queria conhecer ele melhor. Fui andando e pensando como eu ia chegar e dizer isso tudo pra ele. O pub parecia ainda mais lotado do que quando eu fui ao banheiro, esbarrava e pedia desculpas, assim foi até chegar ao bar, lá eu vi a e o conversando. Resolvi saber se eles tinham visto o .
- você viu o por ai? - perguntei casualmente como quem não quer nada.
- Bom, a última vez que o vi ele estava com você, na mesa. - emendou.
- , você viu ele, querido? - olhei para que parecia que tinha perdido a visão em algum canto do pub e ficava vermelho a cada instante, resolvi acompanhar o seu olhar e levei um susto em ver como se recuperava rápido, estava agarrado, ou melhor, colado, se fundindo com uma loira peituda qualquer da vida. Eu fiquei com tanto ódio que meu rosto estava queimando, não dava pra acreditar! Em cinco minutos o cara esquece que quase te comeu e vai comer outra, imagina se eu tivesse cedido, eu ia estar mais puta do que agora. Na verdade, eu ia estar envergonhada, ainda bem que só me agarrei com o senhor galinha.

- Há, já achei. - disse, virando-me para e , que me olhavam com ar de pena. Eu odeio que sintam pena de mim então fiz minha melhor cara de que isso nem me atingiu, ri com o melhor sorriso que se podia dar em uma hora dessa e disse: – Quem tá a fim de beber um pouquinho? - me olhou com uma cara de que viu um alien, mas não falou nada, pelo contrário, me apoiou.
- Isso amiga, vamos beber que a noite só começou. - não quis estragar e dizer que já era três da manhã e quebrar o clima, então só confirmei; já voltava com três long necks e as distribuiu, peguei a minha e bebi como se fosse o néctar dos deuses, e fiz isso com tantas outras que perdi a conta. O não tinha me procurado mais, e nem eu a ele, mas sempre o meu olhar caía disfarçadamente sobre o canto do pub a sua procura, mas ele não estava mais lá, deveria te ido satisfazer sua vontade com a loira peituda. Quando eram umas cinco da manhã, apareceu e me chamou pra ir embora. Bem, eu não me encontrava em uma situação muito boa pra ir embora sozinha com as minhas pernas, então minhas amigas me ajudaram, quando eu acordar eu não quero me lembrar disso, isso é humilhante. Antes de ir, dei beijinhos no barman que ficou muito meu amigo. Gatinho ele, me deu o telefone e tudo. Estatística da noite: entrei melhor do que saí, ou seja, desastre total. O melhor da noite: o celular do barman. Quando isso for o melhor da sua noite, gata, você é uma perdedora.


Capítulo 2 - A Festa
28/06/2009 - Londres

Hoje é aniversário da . E eu fiquei na faculdade até tarde, não comprei presente. Eu sempre faço isso. Acho que ainda dá tempo de ir ao shopping, não tenho nem noção do que vou comprar, mas a nem é tão exigente assim. Ah, vou comprar aquele vestido que ela gostou semana passada, mas a gente estava com tanta pressa que acabamos não comprando. Bom pra mim. Agora é só ir lá e comprar, e fazer a minha amiga feliz.
Peguei um táxi e fui direto para o shopping. Ainda bem que ele estava vazio. Ótimo. Praticamente corri até a loja. Só faltavam três horas pra festa da , e como eu sou lerda, levo no mínimo duas horas para me arrumar.

Cheguei à loja e o vestido estava lá lindo e belo na vitrine, dei graças a Deus e entrei na loja. Se não estivesse mais lá, aí sim eu ia estar ferrada. Pedi a vendedora o número dela e pedi para embrulhar pra presente também. Saí do shopping e peguei um táxi, o trânsito estava bom, desci do táxi e entrei em casa. Subi sem que ninguém me visse, depositei o presente em cima da minha cama e desci pra procurar o pessoal, afinal essa casa tá muito silenciosa para um lugar em que daqui a pouco vai rolar uma festa, onde será que esse povo se meteu? Estranho. Caminhei para a cozinha e nada, continuei andando até chegar a uma porta de vidro que ligava o nosso jardim, onde tinha uma área boa para festa, junto com uma piscina nem tão grande, mas também nem tão pequena. Digamos que no tamanho ideal. Estavam todos lá ajeitando a decoração, e quando eu digo todos, são todos mesmo, até o ; preciso dizer que nessa hora meu coração deu um pulo, não. Um salto. Merda! Não sei porque tenho que reagir assim sempre quando eu o vejo, parece uma droga na qual eu sou viciada e estou sofrendo de abstinência. Só que eu só experimentei essa droga uma única vez e foi o suficiente pra me deixar assim.
Deixando esses pensamentos de lado, fui me aproximando do pessoal. tentava pôr algumas bolas penduradas na parede e a o ajudava. carregava uns guardanapos e colocava nas mesas, enquanto ajeitava o som. jogava bolas dentro da piscina, fazia o mesmo. vinha na minha direção, com uma longneck na boca, caminhando com todo seu charme de óculos escuro, camiseta gola v e bermudão. Como eu adoro esse modo dele de se vestir. Perfeito. Controle-se, , afinal você o odeia, pelo menos é isso que venho tentando passar durante esses quase dois anos que o conheço, e todos acreditam, mas na verdade é tudo mentira. Eu não consegui odiar ele nem por cinco minutos. Depois daquele dia no pub, já era tarde. Eu já estava bem atraída. Só que eu sou muito orgulhosa pra admitir isso para mim mesma, quanto mais para os meus amigos! Por isso que pra todo mundo eu odeio o . Damo-nos choques em qualquer lugar que a gente estiver juntos. Não é fácil viver sempre junto dele, por ter amigos em comum. É inevitável, me protejo como posso. Mas o , a respeito disso, nenhum fingimento, ele me odeia mesmo.

- Querida , como você está? – me perguntou com um ar despreocupado.
- Você é sempre cínico assim, ou só hoje resolveu ficar pra me encher? – perguntei, fazendo a maior cara de nojo. Afinal, apesar de não o odiar, não posso deixar de lado que ele me irrita e muito.
- Pra fala a verdade, , é só hoje mesmo, sabe como é, né?! Olhei-te de longe e não resisti. Vim aqui te perturbar um pouco.
- É... a falta do que fazer é foda, né ? Apesar de que eu vejo muita coisa para ser feita, por isso, vou fazer. - dito isso parti para a cozinha, onde e agitavam as coisas agora, deixando o pra trás. Ótimo! Cozinha é um território seguro, pelo menos ele não ia me encher na frente das meninas.
Porque ele só me enchia quando nós estávamos sozinhos, na frente dos outros ele simplesmente me ignorava. e tagarelavam sem parar, resolvi prestar atenção no que elas diziam, mas não apareci, fiquei encostada na porta onde eu podia ouvir a conversa. Eu sei que é feio, mas eu tinha escutado o nome do , então já viu.

- Então , o me disse e eu não acreditei, o famoso garanhão foi domado! Me falou que ela é uma verdadeira megera, mas que o está completamente caidinho por ela! Bom, e se realmente ele a pediu em namoro... – dito isso deixou a frase no ar olhando para , que confirmava com a cabeça.
- O também me falou isso. Bom, de qualquer forma, vamos saber hoje mais tarde, quando o a trouxer aqui. - fizeram uma careta e começaram a rir.

Merda! Então o foi fisgado. Trinquei os dentes de raiva, já me virava pra voltar pro jardim quando bati de frente com a . – Ai, você me assustou!- disse arfando com o susto. - Eu te assustei, por que será, hein? Será que é porque você estava ouvindo a conversa dos outros? - falou com uma cara de ‘te peguei no flagra’.
- Não sei da onde que você tirou essa idéia. Eu estava só... Voltando da cozinha e me distraí e não te vi. Só isso. – falei tentando parecer calma, dando de ombros.
- Tá bom, , você me convenceu. Será que você pode me ajudar lá fora? Tenho que falar com os garçons e o DJ também. Já tá quase na hora e ainda tá todo mundo sem se arrumar, então enquanto eu falo com o D,J você cuida de checar os garçons. Certo?
- Sim, , tá tudo certo, mas vê se não demora, a gente ainda tem que se arrumar. Dizendo isso nos encaminhamos para o jardim que, tirando DJ e a equipe de garçons, estava vazio. Franzi a testa achando aquilo um pouco estranho. – , cadê os meninos?
- Foram pra casa se arrumar, voltam daqui a uma hora.
- Hum... Pensei que eles iam se arrumar aqui.
- Iam, mas o vai buscar a namorada e os meninos resolveram ir pra casa também, mas é melhor assim, só ia atrasar, mais gente para tomar banho e se arrumar... – suspirou ajeitando os cabelos em um coque mal feito e deu uma volta reparando no jardim, que agora se encontrava em perfeita ordem.

As mesas estavam cobertas com uma toalha de cetim na cor vermelha com fantasminhas brancos nas cadeiras, a decoração era toda vermelha e branca. A mesa do bolo também era bem ornamentada, tudo digno de uma festa pra , continha sua personalidade em tudo.

- Dá um trabalho, mas no final vale apena. Eu vejo a em tudo que olho. – disse rindo para .
- Verdade. Eu vejo paixão, meiguice e força, assim como a é.
- Bom, vou fala com os garçons, ver se está tudo certo, e depois vou subir.

Dizendo isso, fiz o que me foi pedido. Como não tinha nada errado, foi bem rápido, subi para o quarto que dividia com a , em dúvida do que vestir. Parei em frente ao meu guarda-roupa procurando uma roupa bonita, sexy, sem ser vulgar. Quase ri de mim mesma, eu sou exigente. Achei um vestido lindo que usei poucas vezes, era preto, tomara-que-caia estilo tubinho; era sexy, mas não era vulgar e era bonito. Ótimo, vestido ok! Agora o sapato. Caminhei até onde os guardava e peguei o meu favorito, também preto, mas com o salto rosa pink, resolvido esse problema. Fui para o banho.
Tomei um longo banho para relaxar, mas no momento que me lembrei que daqui a alguns minutos ia ter que encarar o e sua mais nova conquista, me senti tensa de novo. Saí do banho e me vesti, fiz uma maquiagem forte nos olhos e a boca nude. Adoro esse visual. Escovei os cabelos deixando eles soltos; me olhei no espelho e o que veio na minha cabeça de súbito foi: PRONTA PRA MATAR. Agora o quê eu ainda não sei.
também já tinha se arrumado e descido, porque o havia chamado-a para resolver qualquer problema lá embaixo. Pegando o presente da , fui até o seu quarto que ficava de frente pro meu. Entrei e a vi sentada na cama, calçando o sapato. Quando ela ergueu os olhos, me abriu o sorriso mais lindo. Como eu adoro essa minha amiga. Quer dizer, eu adoro todas, mas cada uma tem um jeitinho especial.

- Oi! Eu vim te trazer o seu presente antes de descer. Olha, vai gostar. Eu não deixei você comprar semana passada, então me senti muito mal por isso. Toma. - os olhinhos dela brilharam de curiosidade. Pegou a sacola da minha mão e abriu. Tirou o vestido de dentro e me olhou boquiaberta.
- Ah! Não acredito. Eu amei, sério... obrigada! - disse me abraçando.
- Nada, ainda bem que você gostou.
- Eu adorei! - falou, sincera.
- Bom, , eu vou descer. Espero-te lá embaixo, vê se não demora.
- Tá, amor. Não vou demorar. Só vou trocar de vestido.
- Por quê? – indaguei. – Você tá linda com esse. - disse apontando para o vestido.
- Mas vou ficar muito mais com esse. – disse segurando o meu presente.
- Concordo! Muito melhor. - disse rindo e saindo do quarto.

Desci a escada, a sala estava vazia. Meu coração batia desesperado como se eu fosse para a forca e não pra uma festa. Tentei me acalmar, mas a idéia de ver com outra nunca foi legal, muito menos agora que essa ‘outra’ parece ser especial. Por que ele a pediu em namoro? Isso é que não saía da minha cabeça. Nesses anos que o conheço, ele nunca tinha ficado mais de uma vez com alguma menina, era sempre uma noite só, ele dizia que era o seu lema. No entanto, agora se encontra namorando. está namorando! Se não fosse a e a falando, eu não ia acreditar. Eu não queria acreditar. E acima de tudo eu não podia aceitar, pelo simples motivo egoísta de que a namorada não era eu. Era outra.

Chegando ao jardim a festa estava cheia, a música rolando. Garçons andando com suas bandejas pra lá e pra cá, pessoas sentadas às mesas bebendo e se divertindo. Procurei achar alguém familiar diante de tantos rostos, achei por fim conversando animadamente com a mãe da e com o pai em uma mesa do canto.
Ri sozinha com essa observação. Minhas amigas eram tão sortudas, acharam caras tão legais que parece que estão em extinção. Resolvi pegar uma bebida com o garçom que passava por ali. Bebendo, comecei a andar entre os convidados, foi quando olhei para entrada e me deparei com a imagem que tentei não visualizar desde hora que eu fiquei sabendo que ele vinha com a namorada. Na porta, entrava falando alguma coisa no ouvido da loira que estava com ele, ela ria. Deve ter falado alguma obscenidade pela cara dela de quem gostou.
Tentei tirar aquela imagem da cabeça. Comecei a andar em direção à mesa que agora se encontrava com , e sentados conversando e bebendo. Nenhuma surpresa.

- Oi, gente. Vou me sentar aqui. A já desceu?
- Não! Acho que ela tá pensando que o casamento dela é hoje e não o aniversário, acha que é a noiva. – disse rindo e que tinha acabado de chegar à mesa naquele momento esbugalho os olhos e se mando no mesmo tempo. Não sei por quê, mas quando se fala em casamento os homens correm. Com essa atitude todos na mesa caíram de rir e nem percebemos e sua mais nova conquista chegando à nossa mesa. Como era uma mesa grande, ainda tinham lugares vagos, como se minha sorte já não fosse muita, os lugares vagos eram ao meu lado. Ótimo! Depois que eles sentarem, eu disfarço e saio. Nesse momento eu tô sentindo uma raiva do e dessa loira oxigenada que se eu ficar mais que o necessário, sou capaz de agarrar os dois pela cabeça e bater as duas juntas. Olhei para o meu copo, escutando as apresentações, por fim tomei coragem pra levantar a vista e encarar aquela cena toda, e me preparar pras apresentações que vinham pela frente.
- , essa aqui é a . - disse ele apontando pra mim. A coisinha me deu dois beijinhos na bochecha e me mediu dos pés a cabeça. Idiota! Disse meu sobrenome como se nós nem fossemos íntimos, como se nem me conhecesse, queria me humilhar... Ah... Mas não ia dar esse gostinho a ele. Sorri simpaticamente e me dirigi a .
- Oi! Como vai?
- Ótima. Feliz em finalmente conhecer vocês. O estava me enrolando. - dito isso passou o braço possessivamente entre o do . - Não é, querido? - disse com uma voz anasalada beijando a boca dele.

Que vão para o inferno os dois. Que ódio dessa mulher. Ela queria de alguma forma me mostrar que o território “” era dela. Idiota! Que dizer, não tem nada de idiota, muito esperta afinal. Idiota sou eu que fico me remoendo por um cara que nem é meu, nunca foi e provavelmente nunca será. Sorrindo, vi o confirmar com a cabeça a pergunta da coisinha.

- Vem, , quero que você conheça a aniversariante. Só falta ela...

E assim foram se afastando pra cumprimentar a , que tinha acabado de descer. Realmente o vestido ficou lindo nela. Olhando pra minha mesa de ponta a ponta, eu só via duplas. Casais, como você preferir chamar, duas pessoas que estão juntas, pode se chamar também de par. Alma gêmea. Não tão longe assim, apenas par e uma ímpar, mas isso era fácil de resolver. Quem nunca teve um amigo step? É aquele que te ajuda nas horas mais difíceis, aquele cara bonito que é perfeito, daria um ótimo namorado, mas não chega a balançar seu coração. Porque você prefere sempre os canalhas. É, eu também sou assim. O Adam seria o cara perfeito, mas eu simplesmente não consigo deixar ele se aproximar. Não que a gente não se pegue, a nossa amizade é bem colorida, mas não passa disso. Conheci o Adam na faculdade, ele era da minha sala no segundo ano de jornalismo. Foi amizade à primeira vista. E depois virou amizade colorida. Hoje, no terceiro ano de faculdade, não mudou muita coisa, sempre quando ele tá a fim, ele me procura e vice versa, eu agora to muito a fim de não ficar sozinha nessa festa cheia de pares. Antes o sempre chegava sozinho e depois arranjava alguma “piriguete” e eu já era acostumada a arranjar alguém também; agora que ele traz de casa, eu é que não vou ficar de solteirona, vou trazer o meu também.
Tomara que o Adam não tenha nenhum plano, porque senão eu to ferrada. Peguei o celular e fui pra um lugar mais afastado do som, para poder ligar pro Adam. Disquei o numero rezando pra ele atender. No segundo toque minhas preces foram atendidas.

- Adam? - disse, quase desesperada.
- Oi, . Tudo bem, amor? - sempre jogando o seu charme.
- Sim! Ta fazendo o que agora? Que dizer, tá livre? - disse apreensiva. Diga "não to fazendo nada"... Diga...
- Pra você, sempre... - disse, rindo.
- Uhm... Ta a fim de vir em uma festa? A da , aqui em casa. Eu preciso de você... - disse de forma melosa.
- Ah, mas depois dessa não posso nem me recusar. Meia hora e eu já vou estar aí.
- Jura? - perguntei, animada.
- Juro! Só meia hora, , a gente se vê. – prometeu.
- Ok! Vou te esperar. Não demora. Beijo!
- Beijo, gata. – desligou.

Suspirei e me virei pra voltar pra mesa, mas me deparei com me olhando de forma interrogativa com um sorriso nos lábios.

- Falando com o namoradinho, ? – perguntou com desdém na voz.
- Deu agora pra escutar a conversa dos outros? - disse, levantando uma sobrancelha e olhando pra ele. Respirei fundo cruzando os braços sobre o peito esperando uma resposta.
- Na verdade eu só vim fumar um cigarro e te vi aqui. Só escutei porque você fala muito alto e eu não sou surdo. Ah, e o local não é só seu, então...
- E se fosse o meu namorado, qual o problema? - cortei logo ele. Que atrevimento dizer que falo alto.
- Nenhum. Só que ia estragar a festa da , com o temporal que ia armar. - disse jogando uma tragada de cigarro pra alto.
- Se quando você chegou com a sua namorada não mudou o tempo, comigo é que não vai levantar nem um ventinho. - falei, rindo.
- É, o tempo realmente parece que não vai mudar. - falou olhando pro céu estrelado. – Nem que eu diga que vou me casar agora isso vai acontecer. Então, se você trouxer um namoradinho, vai ficar tudo normal. - deu de ombros. - Escolhemos um bom dia. – terminou de dizer soltando mais uma baforada de cigarro pra cima, contemplando as estrelas, mas só dele associar a palavra casamento com ele meu coração levou um tombo.
Respirei fundo e o encarei lindo. Perfeito do seu jeito. Singular.
- É, provavelmente sua teoria está certa. – disse rindo. Mas eu fiquei surpresa. namorando, esse dia vai entrar pra história.
- Eu cansei disso tudo... - falou olhando pra mim. - , a é uma garota legal... – disse, passando a mão pelos cabelos e franzindo o cenho como se tivesse mais coisa ali.
- Entendo... – foi tudo que consegui dizer. Se eu falasse mais, ia sair coisa que eu ia me arrepender. Garota legal? Só isso? Pensei que ele ia dizer que ela era única, perfeita. Mas legal? Isso todo mundo é. O me deixa maluca. Eu não consigo entender de jeito nenhum esse garoto.
- Não! Você não entende... – e riu uma risada amarga. – Vou voltar pra festa... Até, ... - saiu caminhando como se não tivesse me dito nada. Eu não entendo. Realmente? Não entendi nada, louco! Maluco! Que me deixar louca, isso sim.

Caminhei de volta para a mesa onde a me olhava com uma cara estranha. Provavelmente mais tarde vai me perguntar o que eu falava com o . Sentei e comecei a conversar com o pessoal.
Olhando pra entrada do jardim, avistei Adam. Obrigada Senhor, suspirei, me levantando da mesa e caminhando até ele com sorriso de orelha a orelha.

- Adam! Não demorou nada. Que bom! – disse o abraçando e dando dois beijinhos na bochecha, mas quando ia me afastar, ele me segurou e me beijou na boca. Olhei pra ele assustada.
- Desculpa. Tudo isso foi saudade! - confessou com um sorriso safado, me juntei a ele na risada e peguei em sua mão para levá-lo para a mesa da tortura.
- Gente, esse aqui é o Adam! – apresentei-o de uma forma geral ao pessoal. Sentamos do lado do e da namoradinha dele.
- Oi, Adam, que bom que você veio! - disse chegando à mesa e se juntando a gente.
- Parabéns, , tudo de bom!
- Obrigada! Fique à vontade, a casa é sua. – falou para Adam que confirmou com a cabeça.

A conversa seguiu bem alegre e descontraída na mesa. Às vezes eu ouvia a voz anasalada da , mas o Adam logo me distraía com a nossa própria conversa. Depois que o jantar foi servido, e estava maravilhoso, chegou a hora de cortar o bolo.
Caminhamos à mesa do bolo, eu segurava a mão do Adam, e ria de uma observação que ele tinha acabado de fazer e reparei que alguém me olhava. Virei-me pra ver quem era e meu olhar se cruzou com o do , que cerrava os olhos me olhando, como se estivesse tentando decifrar a minha situação com o Adam. Assim que eu comecei a encarar ele com uma sobrancelha levantada, ele desviou sua atenção para a mesa do bolo e não olhou mais. Depois disso cantamos os parabéns. estava super feliz. O primeiro pedaço foi para os pais e depois para , que ficou todo bobo.
A maioria dos convidados já tinha ido embora, só ficando mesmo o de sempre. disse que ia sair pra levar a namorada em casa, mas que voltava.
Depois de um tempo Adam me disse que tinha que voltar pra casa porque ia sair amanhã cedo. Eu nem discuti e acompanhei-o até a porta. Ele parou já quando estava perto da saída e se virou me olhando, cerrando os olhos com um sorriso malicioso.

- Será que não mereço nem um beijo? Vai me deixar ir embora assim, ? - disse, abrindo os braços como se estivesse indicando que estava vazio. Eu ri e corri até ele me jogando em seus braços e me entregando a um beijo nada calmo.
- Ah, agora sim. Eu vou embora feliz! - anunciou ele me dando um beijo no rosto e se virando pra ir embora. Vi ele entrar no carro e partir, continuei parada onde estava. Passei os dedos sobre a boca sentido minha boca ainda quente com o beijo de Adam; suspirei ao pensar como ele era fofo, educado e bonito. Suspirei novamente, mas agora de raiva de mim mesmo por enxergar tão bem suas qualidades, mas não as sentir como eu deveria. Despachando esses pensamentos, resolvi entrar. Quando me virei, me deparei com o encostado na porta de braços cruzados, a sobrancelha levantada com o olhar de sarcasmo e com um sorrisinho no rosto. Respirei fundo e resolvi ignorar e passar sem lhe dar o gostinho de discutir. Só faltava essa, ele agora fica me observando. Caminhei até a porta e quando ia passando, segurou o meu braço de uma forma brusca. Tentei soltar, mas óbvio que ele era bem mais forte que eu. Resolvi então levantar a cabeça e olhá-lo para ver o que ele queria.
- Sonhando acordada, ? - começou a rir na minha cara, olhei pra ele com um olhar que podia matar um.
- Escuta aqui. Eu não te devo satisfação de nada. Entendeu? Nada! - gritei. - Agora será que você pode me soltar? - dizendo isso, tentei puxar o meu braço do seu aperto, mas não obtive nenhum êxito. Acabou ele apertando mais e com isso dei um grito de dor. - Me solta, ou eu vou gritar tão alto que você vai passar vergonha quando todo mundo chegar aqui. - disse tentando intimidá-lo, mas isso também não adiantou. Ele não tirava aquele sorriso da cara e muito menos soltava o meu braço. Aproximou-se da minha orelha e sentindo a sua respiração, meu corpo reagiu ficando todo arrepiado, o que pareceu perceber.
- Escuta aqui você, querida . Eu sei que você não me deve satisfação de nada. - disse ele rindo e passando a mão pelo meu rosto, fazendo um carinho e com a outra mão apertando ainda mais o meu braço. - Eu gosto! Não. Eu tenho o prazer em te atormentar. E sabe por quê? – falou beijando o meu rosto. - Porque você fica linda irritadinha. É muito fácil te tirar do sério. - terminou de falar, rindo ainda mais e aproximando sua boca da minha. Eu já estava totalmente inebriada por ele, a mão no meu braço se afrouxou e rodeou minha cintura, rolamos para parede de dentro da casa e escutei o baque da porta se fechando logo atrás. Fui prensada na parede, o beijo de se tornou mais urgente, mais voraz; minhas mãos estavam espalmadas em seu peito, como se estivessem ali pra me lembrar que eu deveria afastar ele, isso se eu fosse dotada de bom senso, o que eu estou descobrindo que eu não sou.
De repente nós ouvimos um baque. Quando abri os olhos pra ver, empurrei pra trás, que não demonstrou resistência. A minha cara deveria ser a de quem viu um fantasma, totalmente sem fôlego, respirando rápido, olhava para os meus amigos. Comecei a sentir meu rosto super quente, provavelmente deveria estar bem vermelha, e as caras deles eram impagáveis, todos estavam de boca aberta e a tinha nos seus pés uma avalanche de pratos quebrados. Provavelmente foi o barulho que eu e o ouvimos.
Olhei para o lado para tentar busca algum apoio e também pra ver a reação do , mas me deparei com seu sorriso de orelha a orelha. O filho da mãe estava achando a situação divertida. Vi que dali não ia sair nenhum apoio. Resolvi me virar para os meus amigos para tentar me explicar de alguma forma. Eles agora tentavam não rir da situação. Olhei pra eles atônita. Logo não agüentou e acompanhou o na risada, daí foi um passo pra todo mundo começar a rir na minha cara. Eu estava ficando bem furiosa com essa situação, até que a se controlou e comentou.

- Meu Deus! Eu achava que era mais fácil ter uma terceira guerra mundial, a ver você e o trocando algum tipo de carinho algum dia. Eu estou chocada! - disse, apontando pra mim.
- Acontece, , que o me agarrou. - disse dando uns tapas nele. - Esse idiota me agarrou. - gritei de tanta raiva. Ele tentava se defender, mas como não parava de rir estava levando uma boa surra até o me segurar e me afastar.
Ainda rindo disse: - Calma , vai matar o .
- Mas é isso que eu quero. – grunhi e tentei me soltar pra avançar nele, mas me segurava como tivesse segurando uma pena. Droga! Desisti. Soltei-me de , ajeitando o meu cabelo e roupa. Olhei para , que agora em vez rir esfregava o braço onde eu tinha batido nele.
- Você me machucou, . Mãozinha pesada, hein?
- Isso ainda é pouco pelo que você fez. Idiota! – gritei.
- Vai pagar de santa agora e dizer que não retribuiu o beijo? Porque, caso você não saiba, todo mundo aqui viu que você não demonstrou nenhuma resistência. - falou apontando para os nossos amigos, todo mundo me olhava esperando a minha reação, mas o que eu ia dizer? Que não retribui o beijo? Eu ia estar mentindo. E todo mundo ia saber, optei por ficar quieta e sair da sala, sem falar com ninguém. É, dei uma de covarde mesmo. Subi para o meu quarto e peguei a minha roupa de dormir, entrando no banheiro e trocando de roupa. Deitei na cama e pondo a mão na boca suspirei com a lembrança do beijo do , esse beijo sim não é fácil de esquecer. A única coisa que me deixava intrigada era por quê? Por que ele fez isso? Só pra me irritar como ele tinha advertido ou tinha mais coisa? Será que ele ficou com ciúmes? Não, impossível. Tratei de tirar esses pensamentos e antes de apagar, a última coisa que eu pensei foi que eu tinha que tomar mais cuidado com essas festas.

Capítulo 3 - Sexta do desabafo
Londres - 17/12/2010
(n/a: Pode pôr para carregar essa música

) Caminhando na fria rua do centro de Londres, tentava andar o mais rápido possível. Para variar, eu estava atrasada, mas isso todo mundo já estava acostumado. Na verdade, não era isso que me fazia querer correr, era o fato de há cinco dias a minha vida pacata e até monótona ter virado de cabeça para baixo. E isso tudo se deve a uma ligação que eu recebi do meu pai, dizendo que minha mãe estava internada e que os médicos ainda não tinham obtido nenhum resultado sobre o que ela tinha. Hoje mais cedo, ele me ligou, disse que minha mãe ia fazer um exame mais detalhado e, com toda certeza, ia ter uma resposta. Eu estava tão ansiosa que não guardei o celular desde a hora que ele me telefonou. Apesar do frio, a minha mão suava por debaixo da luva. Eu estava completamente assustada, as meninas tentaram me alegrar durante a semana, mas eu estava me sentindo completamente perdida, acho que estou segurando o celular até agora porque ele é a única forma de me ligar aos meus pais. Suspirando, olhei para o celular tão longe e tão perto. Tentando me acalmar, peguei meu iPod da bolsa, que se dane que eu estou atrasada, é melhor eu caminhar com mais calma do que chegar toda transtornada como eu estava. Pondo uma de minhas músicas favoritas, retornei à minha caminhada ao som dos The Strokes. O som dos primeiros acordes de You Only Live Once enchia os meus ouvidos e meus sentidos, me acalmando. (n/a: Pode pôr para tocar)

Some people think they're always right. (Algumas pessoas pensam que estão sempre certas)
Others are quiet and uptight. (Outras são quietas e nervosas)
Others they seem so very nice nice nice nice (oh-ho). (Outras parecem tão bem, bem, bem, bem)
Inside they might feel sad and wrong (oh no). (Por dentro elas devem se sentir tristes e erradas)


Respirando o ar gelado, virei à esquina com minhas mãos no bolso e segurando o celular, como se a qualquer momento ele pudesse sair correndo de minhas mãos. Ri com esse meu pensamento idiota e desesperador.

Twenty-nine different attributes. (Vinte e nove atributos diferentes)
Only seven that you like (oh-oh). (Só sete que você gosta)
Twenty ways to see the world (oh-ho). (Vinte maneiras de ver o mundo)
Twenty ways to start a fight (oh-ho). (Vinte maneiras de começar uma briga)

Oh don't don't don't get out. (Oh não, não, não vá embora)
I can't see the sunshine. (Eu não posso ver a luz do sol)
I'll be waiting for you, baby. (Estarei esperando por você, amor)
Cause I'm through. (Porque eu estou acabado)
Sit me down. (Me acalme)
Shut me up. (Me cale)
I'll calm down. (Eu vou me acalmar)
And I'll get along with you. (E vou me entender com você)


Tentando não chorar no meio da rua, olhei para cima com o intuito de não derramar as lágrimas que se formavam em meus olhos, respirei fundo e contemplei o céu que não continha nenhuma estrela, a não ser uma imensidão de um tapete escuro e sem vida, de ponta a ponta.

Oh Men don't notice what they got. (Homens não sabem o que têm)
Women think of that a lot. (E mulheres pensam nisso demais)
One thousand ways to please your man (oh-ho). (Milhares de maneiras de agradar seu homem)
Not even one requires a plan (I know). (E nenhuma precisa de um plano (eu sei))

And countless odd religions, too. (E incontáveis religiões estranhas, também)
It doesn't matter which to choose (oh no). (Não importa qual escolher)
One stubborn way to turn your back (oh-ho. (Um jeito teimoso de dar as costas)
This I've tried, and now refuse (oh-ho). (Isso eu já tentei e agora me recuso)

Oh don't don't don't get out. (Oh não, não, não vá embora)
I can't see the sunshine (ohh) . (Eu não posso ver a luz do sol)
I'll be waiting for you, baby. (Estarei esperando por você amor)
Cause I'm through. (Porque eu estou acabado)
Sit me down. (Me acalme)
Shut me up. (Me cale)
I'll calm down. (Eu me acalmarei)
And I'll get along with you. (E vou me entender com você)
Alright . (Tudo bem...)

Shut me up. (Me cale)
Shut me up. (Me cale)
And I'll get along with you. (E vou me entender com você)


Chegando ao pub, onde eu marquei com o pessoal, entrei e me vi acolhida por um ar bem mais quente que o de lá de fora. Hoje era o dia de juntar o pessoal. Todas as sextas-feiras a gente se reunia para desabafar, tanto para o lado ruim, quanto para o bom. Isso começou assim que eu e as meninas nos conhecemos. Um belo dia, a gente bebeu todas em um pub e desabafamos tudo, isso foi tão bom que a gente resolveu todas as sextas fazer isso. Quando elas começaram a namorar, os garotos ficaram com o pé meio atrás, pensando que o desabafo delas era outro. Até que um dia, eles foram com a gente, e agora sempre que eles não têm nenhum compromisso, se juntam a nós.

Tirei meu sobretudo, cachecol e luvas, guardei meu iPod, comecei a prestar a atenção na música que tocava na jukebox. Esse pub era especial, por causa disso, você fazia a música e o que tocava agora era uma música que amo, do Arctic Monkeys. Embalada pelo ritmo de Fluorescent Adolescent, caminhei até a mesa dos meus amigos, que se localizava no fundo do pub, em um local mais reservado. Já estavam todos ali sentados, em uma mesa redonda, rindo provavelmente de alguma piada dos meninos. Cumprimentei a todos e me sentei na única cadeira vazia; mal sentei e já me vi com uma garrafa de cerveja em mãos. Eu realmente estava precisando, estava tão aflita, eu queria tanto estar lá agora com a minha mãe, mas meu pai disse que eu tenho que ser forte, que minha mãe não ia querer que eu deixasse tudo e voltasse para o Brasil. Com isso, só me resta esperar a ligação.

Tomei mais um gole da minha bebida, resolvi prestar a atenção na conversa que se instalava ao meu redor. tentava chamar atenção, dizendo para a gente começar logo. Todos pararam e concordaram em começar, botando a garrafa no centro da mesa. girou e ela parou com a boca virada para , que começou a contar sua semana para a gente. Como não tinha nenhuma surpresa, seu discurso foi rápido. Girando novamente, a garrafa parou com a boca virada para , que começou seu discurso.
- Sabe a minha residência? – perguntou, fazendo suspense. Todos responderam que sim e ela continuou. - Eu consegui, eu vou ficar no hospital. – começamos a rir, felizes com a notícia. Era o que ela mais queria. - E meu namoro com o vai bem, então hoje é só felicidade. – terminou rindo e todos deram os parabéns para a mais nova ginecologista do hospital.
Rodando novamente a garrafa, dessa vez parou na , que contou que levou uma bronca enorme no trabalho, mas que isso não atrapalhou sua promoção, e comemoramos também, tomando mais cerveja. Rodamos novamente e caiu na frente do , que se mostrava quieto e aéreo até agora. Deu um grande suspiro, tomou um gole de cerveja e começou.
- Eu estou ferrado. A mídia não me deixa em paz. Eu não posso dar um passo, que lá vai uma foto. Eu estou muito ferrado. – terminou de dizer, passando as mãos pelo cabelo. Os meninos ficaram calados, como se só eles entendessem esse discurso confuso, eu e as meninas ficamos olhando, esperando por mais, sem entender. Estou tentando entender o porquê de ele estar ferrado. A mídia sempre foi assim, por que ele está assim só agora?
- O que aconteceu, ? – perguntou , quebrando o silêncio que tinha se instalado na mesa.
- O nosso empresário me deu um ultimato. Ou eu arranjo alguém que eu leve a sério ou me separo da . – passou as mãos pelo cabelo e tomou mais um gole de cerveja, vendo que ele não ia dizer mais nada, resolvi perguntar.
- Mas eu pensei que o seu namoro com a era sério. – disse, franzindo o cenho e olhando para ele.
- Você, definitivamente, não lê os tablóides. – esse foi o , me recriminando por não ser fofoqueira, ora vá.
- Ainda bem, né? Para que eu vou ler isso? O que iria me acrescentar?
- Nesse momento, iria te acrescentar muito. - disse .
- Ok! O que eu não estou sabendo e parece que vocês todos sabem?
- O anda traindo a que nem você troca de roupa, e isso anda saindo na mídia direto, e ela anda se aproveitando e se fazendo de vítima para a mídia toda e, com isso, a gente acabou de perder um contrato muito bom. O nosso empresário ficou doido e deu um ultimato no , ou ele se acerta com ela de vez ou arranja outra. – terminou , fazendo uma negativa com a cabeça.
- Ai, gente, vocês estão fazendo uma tempestade em um copo de água. É só ele ficar solteiro e pegar quem ele quiser. Acabou o problema. Próximo. – disse a com toda a sua praticidade. Eu ri.
- Na verdade, é mais complicado um pouquinho. Não adianta o ficar solteiro, ele tem que mudar a imagem dele. Solteiro com certeza só ia piorar. – comentou. - Mais um pouquinho? – perguntou o , batendo com o punho na mesa, causando um estrondo. - Você deve estar de sacanagem. Eu tenho que me casar! – gritou o , totalmente descontrolado.
- Casar? – quatro vozes se elevaram ao mesmo tempo. Nem preciso dizer de quem foram.
- C- Casar? – Eu murmurei, me encostando à cadeira, fechando os olhos. Definitivamente, eu estou em uma semana péssima. O que mais pode me acontecer? Primeiro minha mãe, agora o . Saí do meu estupor com meu celular tocando, automaticamente meu coração deu um pulo, me levantei rápido com um gesto para o celular, disse que ia para fora para atender e saí quase correndo do pub. Abri a porta e atendi o celular.
- Pai? – disse em um sussurro.
- Oi, meu amorzinho. – sua voz estava rouca, como se tivesse chorado.
- Como está a mamãe? – perguntei, apertando os olhos, fazendo uma súplica silenciosa a Deus, pedindo para que tudo isso fosse um sonho, que eu iria acorda a qualquer hora.
- Sua mãe agora está dormindo, sedaram-na, daqui a pouco vai acordar. – suspirou e disse. - Eu não tenho boa notícia para você, meu anjo.
- Não? – Murmurei.
- Não, descobriram a doença da sua mãe. – disse e ficou mudo.
- Qual? É grave? Tem cura? Ó meu Deus! – disse tudo de uma vez, me apoiei na parede do pub tentando ter forças para escutar o que vinha a seguir. Com um suspiro longo, como se também tentasse ter força, meu pai começou a me dizer o que era o inevitável.
- Sua mãe sofre de uma doença rara chamada Esclerose lateral amiotrófica, eu sei que você nem deve saber do que se trata, mas o que eu também sei, por alto, é que ela atinge a parte neuromotora e, o pior de tudo, é que não tem... – parou de falar, soluçando.
- Não tem? – perguntei, me encostando mais ainda na parede, como se eu fosse cair a qualquer momento, chorando junto com meu pai.
- Não tem tratamento, , não tem cura...
- Não! Não! – gritei desesperada. - Como assim não tem cura, pai? Nem tratamento? Isso... Isso quer dizer que minha mãe vai morrer?
- Eu não sei. – soluçou. - Tem um remédio que retarda a doença e, com fisioterapia, diminui o avanço, mas eu não sei se o SUS dá esse remédio e a fisioterapia provavelmente vai ser pelo particular... Eu ainda não vi nada... Eu estou perdido, meu amor. – terminou de falar em um sussurro.
Respirei fundo, tentando me acalmar, afinal, meu pai deve estar com um peso enorme nas costas, me endireitei na parede, mas continuei encostada. O choque foi grande.
- Pai, escuta, a gente vai dar um jeito. Eu posso voltar. Não! Eu vou para aí...
- Nem pense nisso. – me cortou.
- Eu posso aguentar tudo aqui sozinho, sua mãe não quer que você venha. Fica aí, pela sua mãe.
- Como eu posso ficar aqui, sabendo o que vocês estão passando aí? Eu não consigo...
- Mas vai conseguir, a gente lutou tanto para você estudar aí. Você não pode abandonar tudo agora. Eu não quero. Muito menos a sua mãe.
- Tá bom, me liga se acontecer qualquer coisa. Promete?
- Prometo. Agora eu tenho que ir, sua mãe acordou. Beijos, meu anjo.
- Manda um beijo para ela? Diz que eu a amo, que eu estou com saudade.
- Pode deixar! Beijo.
- Beijo. – desligou.

Limpando as lágrimas, entrei no pub, me dirigi à mesa dos meus amigos e sentei.
Todos olharam para a minha cara. Foi tão automático que eu não consegui segurar as lágrimas e, logo depois os soluços que se seguiram, eu não conseguia enxergar ninguém na minha frente, de tantas lágrimas.
Minha respiração estava pesada, o meu mundo estava despencando. Braços me apertaram, dizendo palavras amáveis. Deram-me uma garrafa de cerveja e eu nem pensei, bebi tudo de uma vez só. Limpei as lágrimas e me deparei com sete rostos me olhando, alguns assustados, outros com olhar de pena, mas todos com cara de solidariedade, como bons amigos ficam. Respirei fundo e agora vinha a pior parte: contar o porquê desse choro. As meninas já sabiam que minha mãe estava doente, mas não sabiam o que ela tinha. Ninguém falou nada, até eu começar a falar.
- Minha mãe está doente. – pigarreei para minha voz sair mais audível. - Ela tem uma doença chamada Esclerose lateral amiotrófica. Essa doença ataca a parte neuromotora da pessoa, é uma doença rara que não tem cura e o tratamento é por um remédio que retarda a doença, nada mais. – respirei, tentando não chorar com a palavra que eu tinha que pronunciar. - Mas isso não ajuda a curar, então ela provavelmente vai morrer... – terminei de falar em um sussurro, essa única palavra me desestabilizava. Sequei uma lágrima teimosa que caiu e olhei para os meus amigos.
- , vem aqui, eu sinto tanto, pode contar comigo para tudo. – disse , me abraçando.
- Verdade, no que eu puder te ajudar, conta comigo. – disse , me dando apoio.
- Eu posso tentar saber mais lá no hospital, se tiver algum caso lá, eu vou me informar e te explico melhor tudo que eu descobrir. – disse , passando a mão sobre a minha como se quisesse me passar segurança.
- Obrigada, meninas, eu sei que posso contar com vocês. - disse emocionada.
- Você pode contar com a gente também, , no que precisar. – disse, apontando para os meninos, e todos concordaram com a cabeça, até o .
- Obrigada, meninos! Obrigada mesmo pelo apoio de vocês todos. – disse, tentando não chorar de novo.
deu um assovio e pediu mais cerveja para a nossa mesa. me perguntou se o remédio era caro, eu disse que meu pai não sabia se davam pelo SUS e que ainda tinha que fazer fisioterapia e, provavelmente, meu pai não tinha dinheiro o suficiente para os dois. Automaticamente, disse que me dava o dinheiro. Juro que eu fiquei tentada a aceitar, mas disse que, por enquanto, não podia aceitar, só em último caso. Ele ficou meio chateado com a minha resposta, mas disse que quando eu quisesse, era para eu pedir. Os outros também disseram o mesmo, é, até o . Eu fiquei surpresa, mas acho que ele ofereceu porque todo mundo fez, abafa.
- Gente, eu não posso aceitar um dinheiro que eu não vou poder pagar. Entendem? Prefiro deixar para o último caso, se não tiver nenhum jeito mesmo, aí eu aceito. Desculpa se pareço ingrata, eu não consigo aceitar.
- Tudo bem, , a gente entende. – disse .
Depois de um tempo, o silêncio já incomodava, resolvi voltar a brincadeira.
- Ok! Eu tenho problemas, mas a gente ainda não terminou, falta a , o , o e eu ainda, então roda a garrafa. – disse com um sorriso. Automaticamente, o rodou a garrafa e parou na , ela sorriu, olhando diretamente para o , como se os dois combinassem algo e então, começou a falar.
- Bom, eu fui admitida, também no escritório, e vou trabalhar lá. – se formou em Advocacia. - E o mepediuemcasamento. – falou tão rápido que não sei se escutei certo.
- O quê, ? – perguntei, todos olhavam com a mesma cara de quem tinha escutado direito. Menos , que tinha um sorriso enorme no rosto, e fora a , que estava que nem um pimentão. Ela pigarreou e falou pausadamente.
- O--ME-PEDIU-EM-CASAMENTO. – disse rindo, super feliz.
- Meu Deus! Isso é sério? – falei, já levantando para abraçar os noivos.
- Sim, eu estou tão feliz. – disse no meu ouvido enquanto eu a abraçava.
Me separei dela e os outros foram cumprimentar também, fui abraçar , que também era abraçado por todos.
- Espertinho. – disse, dando um soquinho no seu ombro. – Podia ter me dito.
- Para você estragar toda a minha surpresa? Não, eu te conheço, .
- Está me chamando de fofoqueira? – fiz uma cara de ofendida, mas querendo rir.
- Não, apenas de leal. Se você soubesse, ia querer contar para a . – ponderei e manejei a cabeça, talvez eu fizesse isso mesmo, por fim, concordei.
- Realmente, foi melhor assim, parabéns! Eu estou tão feliz por vocês.
- Obrigado! – disse, me abraçando.

chamou o garçom quando todo mundo já estava no seu lugar e perguntou se não tinha champanhe, o garçom confirmou, e quando ele trouxe as taças e o champanhe, fizemos um brinde aos noivos.
- Ainda está faltando o , a e o para a gente terminar. – disse .
- Verdade, com isso tudo, a gente se esqueceu. – comentou , alisando a mão da namorada por cima da mesa.
- Roda então essa bagaça. – falou , já com a voz meio arrastada.
Rodei a garrafa e parou no próprio , que riu com a ironia.
- Bom, eu estou feliiiz... – arrastou as palavras, todos riram. - Não riam, seus chatos. – recriminou ele. - Eu não tenho mais nada para falar. – fez um gesto de dar de ombros e rodou a garrafa de novo, que parou em mim.
- Tirando o problema da minha mãe, que vocês já sabem, eu ainda não sei o resultado do estágio, só sai semana que vem. Fora isso, estou na mesma.
- A sempre está na mesma. – disse o , bufando e revirando os olhos.
- Melhor que você, que sempre está fazendo merda. – repliquei, com raiva.
- Você deveria calar...
- Chega! – interveio . - Vocês não param, não? Parecem duas crianças, pelo amor de Deus, eu acho que cada um de vocês tem problemas demais para ficar trocando farpinhas um com o outro. – terminou de falar, olhando para mim e para o com uma cara de poucos amigos.
- Foi ele que... – comecei a falar, mas me assustei com um murro que a deu na mesa e falou:
- Não começa de novo, pelo amor...
Nervosinha que nem o namorado, tenho medo desse casal. Resolvi ficar bem quietinha.
Com isso, ficou um silêncio, bebi meu champanhe e vi o rodando a garrafa e parando nele mesmo. Todo mundo começou a rir, porque só tinha ele mesmo para falar, então para quê rodar? Isso só Freud para explicar.
- Que foi? – perguntou, franzindo o cenho. - Ainda falta eu, não disse como foi minha semana. – disse, tentando explicar por que rodou a garrafa. Isso bastou para todo mundo voltar a rir mais ainda. , que já estava muito bêbado, chorava de tanto rir. Puto da vida, cruzou os braços e ficou olhando bem sério para a gente, um a um, nós fomos nos acalmando. Quando todo mundo já estava quieto, ele deu um pigarro e começou.
- Minha semana também foi muito boa, tirando a situação do e a quebra de um contrato. – fez uma careta para o . - O último show foi ótimo, casa super lotada. – terminou com um sorriso. Todo mundo gritou um “aê”, fazendo um brinde, uns com champanhe, outros com cerveja. Na verdade, já estava todo mundo meio doido e o que vinha para a mesa era lucro. A dor de cabeça que ia ser geral amanhã, mas nada que um bom café forte não resolva.

Conversávamos vários assuntos aleatórios e, cada vez mais, eu via meus amigos mais bêbados. Não que eu não estivesse alterada um pouquinho, mas nem tanto quanto eles. fez um barulho engraçado com a boca, como se pedisse silêncio, automaticamente todos pararam de falar e prestaram a atenção nele.
- Isso ainda não resolve a situação do e da . – terminou soluçando e olhando para todos, o engraçado é que o mais bêbado nos lembrou.
- É verdade, o que a gente vai fazer? – perguntou .
Recaiu um silêncio, todos pareciam pensar na melhor solução.
- Eu tive uma ideia, gente. – de repente, gritou, fazendo todo mundo se assustar.
- Que ideia? Você quando tem uma ideia, eu não sei... – comentei.
- Engraçadinha, eu quero te ajudar e você me sacaneando. – disse , fazendo biquinho. Lá vem ela com esse bico. - Prestem bem atenção, porque eu só vou dizer uma vez. – disse, olhando para todos nós. - O precisa de um casamento e a precisa de dinheiro, então, como eu sou muito prática, eu pensei... – fez uma pausa dramática e continuou. - Você, , e você . – falou apontando pra cada um. - Para resolver todo esse problema, deveriam se casar. – finalizou com um sorrisinho no rosto. Do jeito que estava eu fiquei, não acredito que ela estava propondo isso, até ouvi uma risada desesperadora e olhei para o lado, me deparando com o dono da risada. Cessou e perguntou bem sério para .
- Eu tinha esperanças que isso fosse uma piada, mas vendo que ninguém riu, acredito que você esteja falando sério. – disse o , com sarcasmo.
- Não, , isso não é uma piada, eu estou falando sério. Presta a atenção. Você precisa de um casamento de aparência e a precisa de dinheiro para o tratamento da mãe dela. Se vocês se casassem, você teria uma esposa, e a , o dinheiro. – explicou sua ideia maluca. Eu, do jeito que estava, fiquei, isso seria uma loucura total, só de pensar eu e o na mesma casa, era loucura.
- , eu não acho que... – comecei a falar, mas fui interrompida pelo .
- Não, , essa é uma ótima ideia. Vocês poderiam fazer um contrato com um certo tempo de casamento e estipular, também, um valor para você receber. – Agora sim eu acho que todos estão loucos e a bebida subiu legal.
- Concordo com o . – disse. - Afinal, vocês se odeiam tanto que é o mais seguro, e fora que a é de confiança, não vai espalhar essa história para ninguém, e se você não confiar, , coloque no contrato.
Caramba, cadê o cara bêbado de quinze minutos atrás? Bufei, acho que eu estava perdendo a guerra. tinha a mesma aparência, se manteve tão quieto quanto eu, será que estava pensando na possibilidade? Só de pensar nisso, meu coração deu um pulo, comecei a imaginar eu casada com o , vê-lo todos os dias, beijá-lo, dormir com ele. Dormir com ele? Pára tudo.
- Gente, eu não posso me casar com ele. – disse, apontando para o próprio. Eu não iria aguentar, ele ia acabar descobrindo que eu o amo e aí, adeus disfarce, ele ia pisar em mim que nem um inseto, e eu não estava nem um pouco a fim de ser humilhada.
- Mas pelo que eu entendi, , seria só um contrato. Vocês não vão ter um casamento comum. Só na frente das câmeras, vocês iam ter que interpretar. Pensa assim, amiga, que você é uma atriz interpretando um papel. – disse , ô menina prática.
- Mas eu não sou atriz, sou jornalista. – choraminguei. - Isso é a maior loucura, eu estou precisando muito de dinheiro, mas isso não vai dar certo. – concluí, tentando buscar apoio em alguém.
- , eu acho que seria melhor você aceitar, você disse que não iria aceitar nosso dinheiro porque não ia ter como pagar, encontramos um meio de você pagar, se case com o e assim resolvemos dois problemas com uma solução só. – falou , com toda sua sinceridade.
- O que você acha, ? – perguntou . Parecendo sair do seu próprio mundo, olhou para e tomou mais um gole de sua cerveja. Bufou e falou:
- Eu acho que vocês, caros amigos, já decidiram tanto por mim, quanto pela . Não adianta, , a gente declarar nossas negativas, eles já nos casaram. – falou olhando para mim. E que olhos! Fiquei perdida naqueles olhos por uns segundos, antes de me dar conta que eu encarava o descaradamente. Desviei a vista para a jukebox no outro canto do pub, esperando o rubor passar.
- Então, já está decidido. Se o não se opõe, vocês vão se casar. – afirmou . Ouvindo aquilo, me virei indignada.
- , desde quando a minha opinião não vale mais sobre a minha própria vida? - perguntei, cravando os olhos nela. - Vocês estão aí dizendo o que eu tenho que fazer, mas em nenhum momento ninguém perguntou para mim, nem para o , se realmente a gente quer isso, se essa seria a melhor solução.
- Mas essa é a melhor solução. – disse . - Pára, , de ser chata e pensa, qual outra forma você ia conseguir o dinheiro? – perguntou, quando eu ia responder que talvez dê para pagar e tem ainda o SUS, ela nem me deixou falar, respondendo por mim, como sempre. - Nenhuma, essa é a melhor solução para você e para o .
Encostei na cadeira bufando, tomei mais um gole de cerveja e olhei de rabo de olho para o . Ele me observava com um sorrisinho no rosto, voltei minha atenção para o e para , que discutiam agora onde seria o meu casamento. Meu Deus, o estava completamente certo, nós já estávamos casados. Saí do meu estupor, quando me chamou.
- !
- Oi?
- O que você acha? – me perguntou. Sério que ele está me perguntando isso? Eu acho, o que eu acho? Uma loucura.
- Uma loucura! Nós dois juntos? – perguntei, revirando os olhos.
- E por que não? Eu gosto de loucuras, e você? – me perguntou piscando um olho, merda, piscadinha já é demais. Quer me matar.
- Está querendo dizer que você está concordando com tudo isso?
- Estou querendo te dizer que, se for pra eu me amarrar à alguém, que seja de mentira, e nada melhor que você para me lembrar bem que é uma mentira o nosso casamento. – ai, eu podia ter ficado sem essa, doeu no fundo do meu útero. Ogro!
- Verdade, eu também lembraria todos os dias, não, todos os segundos, que esse casamento seria de mentira e que eu só aceitei por estar precisando muito. – disse com sarcasmo, eu que não ia ficar por baixo.
- Viu, ? Pela primeira vez entramos em um acordo. Vai ser fácil. Te proponho um ano de casamento, os termos legais a gente trata com o advogado depois. O que você acha? – perguntou, bebendo mais um gole de sua cerveja.
- Ela acha ótimo! – simplesmente respondeu por mim.
- , eu ainda sei falar. – disse quase gritando de tanta raiva. - Eu vejo que não tenho outra saída. – respondi, olhando para o , ele balançava a cabeça confirmando, respirei fundo e continuei. - Então eu aceito o contrato.
Disse bem claro a palavra contrato, mas minha vontade era de dizer casamento, mas não iria me rebaixar, já basta estar aceitando essa loucura toda. O meu maior medo é que um dia o descubra, de verdade, os meus sentimentos por ele. Se já era difícil esconder nas ocasiões que nos encontrávamos, imagina viver na mesma casa? Meu Deus, eu vou ter que dobrar a vigilância sobre mim, porque se eu der um mole, pronto, ele me humilha mais ainda do que já faz. Que Deus me ajude.
- Ótimo, , vou marcar com o advogado e você procure um também, e vai na gravadora para a gente acertar o seu preço. – disse a palavra preço com nojo, como se eu estivesse me vendendo, eu estava prestes a responder, dizendo que quem se vendia era a mãe, quando falou de repente:
- Mas vocês não podem dizer que vão logo se casar, precisam aparecer juntos, depois noivos e aí sim casar, senão todo mundo vai achar muito estranho. – concordei com a cabeça e olhei para o , que fazia o mesmo.
- E outra. – continuo . - Antes de mais nada, você, . – disse, apontando para o mesmo. - Tem que terminar com a .
- Ai! Eu tinha me esquecido dela. – disse o , passando as mãos pelo cabelo. Eu quase ri com o desespero dele, quase, só não ri porque meu dia hoje foi muito cheio e eu não queria mais encrenca.
- É, amigo, boa sorte! – disse, dando duas batidinhas no ombro do , como se quisesse confortar.
- Boa sorte nada, esse puto merece todos os gritos que ele vai ouvir. – disse, dando um tapa na cabeça do , que se retraiu e agora passava a mão na mesma.
suspirou.
- Na verdade, é melhor ela não fazer nenhum escândalo, então vê bem como vai terminar com ela. – disse o .
- Deixa, que eu sei lidar com a . – falou o em um tom cortante.
- Ok, garanhão, não está mais aqui quem falou! – respondeu , em um tom sarcástico.
Todos começaram a rir da cara do , que nem ligou, olhou o relógio e disse que estava na hora de ir para a casa. Com essa deixa, todos concordamos que passamos da hora também, pagamos a conta e nos dirigimos para fora do pub. O ar era de gelar, a rua já estava bem vazia, poucos carros transitavam. Eu e as meninas chamamos um táxi para ir para a casa e os meninos iam de carro. aparentava estar menos bêbado, sentou no banco do motorista, nos despedimos e fomos cada um para suas respectivas casas.

Sentada na janela do banco de trás do taxi, eu me perguntava se tinha feito merda, agora que o vento gelado de Londres batia em meu rosto, parece que eu vivi um sonho misturado com pesadelo alguns minutos atrás. Saí dos meus pensamentos com a me cutucando.
- Oi?
- Você está legal?
Confirmei com a cabeça.
- Olha, a gente não queria se meter na sua vida, é só que você não ia ter outra chance, eu sei que você odeia o , mas ele é legal. – levantei a sobrancelha, em um gesto de interrogação. – Certo, talvez com você ele não seja tão legal assim, mas com a gente ele é. Por que você não dá uma chance para ele? – terminou de falar e continuou me olhando. Como eu ia explicar para ela que eu daria tudo, se ele pedisse? Tadinha, ela realmente achava que eu o odiava mesmo. É, de certa forma devo servir para ser atriz, se engano meus próprios amigos, o resto vai ser fácil.
- Não vai responder, ? – perguntou .
- Gente, vocês estão botando de um jeito, como se fosse só eu que não gostasse do , mas ele também não gosta de mim. A gente briga direto. – tendo as três carinhas na minha frente, me olhando em um súplica, eu respirei fundo e prometi o que eu nunca deveria. - Eu vou tentar ser legal com ele e essas palhaçadas todas aí.
- Ai, que bom! – respondeu , com alívio.
- Vem cá, me dá um abraço, coisinha chata da minha vida. – eu ri e fui abraçar, logo o abraço duplo virou quádruplo e quase caímos do banco de trás.
Emocionada, disse:
- Eu amo vocês! – falei, abraçando ainda mais.
- Eu também amo vocês! – respondeu , apertando ainda mais o abraço.
- Idem! – falou , beijando todas nós.
- Eu amo muito vocês, suas pervas. – disse e caímos na gargalhada, nos separando e sentando direito.
Eu agora tinha uma longa jornada pela frente, eu vou casar. Casar? E com o . Eu ri sozinha com essa observação. O que não faz uma sexta-feira do desabafo...

Capítulo betado por Isabela H.




Capítulo 4
Londres: O contrato

Depois de três noites daquelas no pub, me peguei no escritório da gravadora, sentada em uma cadeira confortável. Eu tomava o café que a secretária havia acabado de trazer, e ao meu lado esquerdo se encontrava , minha advogada. também estava ao lado do seu advogado, um rapaz que aparentava ter menos de trinta anos, mas nem por isso passava um ar de irresponsabilidade. Elegante, trajava um terno impecável, de corte italiano, e mostrava toda sua seriedade e profissionalismo. Ele havia se apresentado com voz firme e clara:
- Dr. Alex Turner. – disse o advogado assim que entramos no escritório da gravadora.
- . - cumprimentei-o.
- Bom dia, senhorita . Sentem-se. – ele falou, indicando as cadeiras nas quais agora e eu estávamos sentadas.

também havia se apresentado e , que já estava sentado, fez um cumprimento rápido e pediu à secretária que nos trouxesse café. Agora, nós estávamos esperando o Dr. Turner começar. Ele pegou duas cópias do que me parecia um contrato, deu uma para e ficou com a outra, esperando a avaliação de . Ambos conversavam em um tom baixo e , com seu ar profissional, perguntou ao Dr. Turner se eu poderia mudar algum termo do contrato, mas ele respondeu que não, pois aquelas eram as exigências do seu cliente. Dando uma olhada na direção de com uma expressão dura, engoliu em seco e se voltou para mim.

- Antes de mais nada, como sua advogada, devo te informar de que algumas cláusulas desse contrato chegam a ser abusivas. Como amiga, eu sei que você precisa, mas não sei se esse contrato é uma boa ideia. - ela terminou de falar com pesar.
- Como assim? Me explique, . - pedi.
- Bem, vou começar pelos seu deveres, impostos pelo contratante, nosso caro . – ela finalizou apontando para o mesmo, com deboche. - Primeira cláusula: você, em hipótese alguma, deve contar a alguém que o seu casamento é de conveniência. - assenti com a cabeça e prosseguiu. Melhor eu nunca abrir minha boca para ninguém além dos meus amigos que já sabiam... Pigarreando para chamar a minha atenção, continuou. - Você deve tratar o senhor em lugares públicos como se fossem casados e, principalmente, na frente da imprensa. - revirei os olhos. Isso seria um pouco difícil, mas... - Deve estar sempre à disposição para os eventos e shows nos quais for solicitada a sua presença. - ok, isso já está ficando chato. - Quando der entrevistas, deve falar sempre bem do senhor . - deve, deve... Eu não aguento mais dever! Assenti e continuou, franzindo o cenho. Ótimo, pela cara dela, não vinha coisa boa. - Não deve ter um relacionamento fixo durante esse um ano de contrato - e isso está valendo para ambas as partes. Devem ser discretos com suas necessidades físicas. - do outro lado da mesa, emitiu um risinho, que logo foi transformado em pigarro, e voltou a ficar sério. A palavra "relacionamento" me fez lembrar instintivamente do Adam - eu precisava contar a ele que ia me casar! Respirando fundo, voltei a prestar atenção na . - Esse relacionamento é só de aparência, portanto, os contratantes não têm o dever de se relacionar amorosamente, mas também não estão proibidos de tal ato. – não acredito que o impôs essa cláusula! A minha vontade era de rir da presunção dele! Eu sabia que não resistiria se ele tentasse alguma coisa, mas daí ele ter tanta certeza ao ponto de expor isso em uma cláusula me deixava mais nervosa ainda. leu mais uma cláusula, mas eu não estava prestando atenção e pedi para que ela parasse e lesse de novo, pois eu não tinha entendido. Ela engoliu em seco e recomeçou. - Se desse relacionamento resultar algum fruto, esse fruto será só de responsabilidade da senhorita , e o contratante não será responsabilizado. - fiquei estática olhando para e, em seguida, encarando . Ele me olhava com uma expressão gelada, de alguém extremamente calculista. Eu não ia me segurar, tinha que perguntar o porquê disso.
- Por quê?
- Só quero me assegurar de que você não vai arrumar uma barriga como meio de me tirar mais dinheiro. - ele respondeu em tom seco.
- E o que te leva a pensar que eu faria tal coisa com você? - perguntei horrorizada.
- O que me leva a pensar? Deixe-me ver. - ponderou, com a mão no queixo. - Tudo! Você precisa de dinheiro agora, e olha o que está fazendo! Está se casando comigo, um casamento de mentira. E se depois não quiser abandonar a vida boa? Vai arranjar uma barriga! E eu, querida , já estarei prevenido contra esse golpe. - eu estava de boca aberta, com um olhar atônito. Não posso ter escutado essas palavras... Então era isso que ele pensava de mim? Que eu era uma mercenária? Será que se esqueceu de que estou fazendo isso pela minha mãe? A resposta veio mais rápida do que a pergunta: não, ele sabia muito bem por que aceitei, mas ele não ia perder a oportunidade de me humilhar. Tentando não transparecer a minha mágoa, fixei meu olhar em um quadro até meus olhos voltarem ao normal - eu não ia chorar, muito menos na sua frente.
- Pode prosseguir, . - minha voz saiu em um tom gelado que assustou até a mim, e me encarou, como se para ter certeza de que podia continuar. Afirmei com a cabeça e ela prosseguiu.
- Se algum caso de traição de ambas as partes cair na mídia, ambos os contratantes terão que pagar uma multa por danos morais. – acho que o estipulou essa cláusula para ele mesmo. Se fizer merda, vai ter que me pagar. Até que enfim alguma coisa pra me beneficiar! – Caso qualquer uma das cláusulas citadas acima seja desobedecida, deverá ser pago o dobro do valor exposto inicialmente à senhorita .

Meu Deus, vou ter que andar com o contrato debaixo do braço, como se fossem meus dez mandamentos! Não posso pecar em nenhuma cláusula, senão saio mais falida do que entrei. Engolindo em seco, me virei para , que balançava a cabeça negativamente.

- Viu, eu te disse, essas cláusulas são abusivas! Eu acho...
- , quais são os meus direitos? – cortei-a. As cláusulas eram abusivas, mas eu não tinha saída: era pegar ou me arrepender por não dar um tempo de vida maior para minha mãe, e disso eu não abriria mão por cláusula absurda nenhuma.
- Os seus direitos... - resmungando, pegou o contrato. - Você vai receber metade da quantia quando assinar o contrato e a outra metade vai ser repartida mensalmente até o fim do contrato. Se você não desobedecer nenhuma cláusula, vai ser beneficiada com um bônus.
- Viu como eu sou bonzinho, ? - perguntou, cínico.
- Muito bonzinho, um anjo. - falei sarcasticamente.
- Posso voltar aos direitos? - perguntou .
- Sim! - respondi de imediato.
- Você vai ter disponível um cartão de crédito para comprar o que for necessário. - olhei para com desconfiança. Ele estava sendo muito bonzinho. Vendo a minha cara, começou a se explicar.
- , o cartão é para você comprar roupas e fazer o cabelo, essas coisas de mulher... Afinal, você tem que estar à minha altura. - ele terminou de falar rindo com desdém.
- Você nem se acha, né? Mas eu cumpro com o que digo, pode deixar que não vou te desapontar.
- Ótimo! Assim a gente vai se dar muito bem. - ele piscou para mim.
- Eu posso continuar? - perguntou de modo impaciente.
- Sim! Desculpa, .
- Nada. - ela disse, pegando o contrato e lendo-o novamente. - O valor estipulado pelo senhor é esse, . - me mostrou o papel, e minha vista até embaçou quando olhei para aqueles zeros todos: cinquenta mil euros era o meu preço! Engoli em seco e olhei para , que pediu um segundo e se levantou, me levando junto.
- , a quantia é boa, mas você não acha as cláusulas um absurdo? - me perguntou com pesar.
- Eu acho, , mas não vou descumprir nenhuma delas. Eu preciso disso, você sabe. - falei, tentando convencer mais a mim mesma do que à .
- Ok! Eu sei que você precisa, mas tome cuidado com essas exigências todas do - caso você desobedeça uma delas, a multa é tão alta que você sequer vai poder pagar!
- Eu sei, pode deixar! Agora vamos logo assinar a minha sentença. - eu disse, rindo, e tentando amenizar a situação.
Sentamos novamente nos nossos respectivos lugares. Olhando para o Dr. Turner, disse que eu aceitava o contrato. Nessa hora, meu olhar se desviou para o rosto de , que mantinha um sorrisinho nos lábios, mas possuía olhos frios como o gelo. Tentando não me desesperar, assinei o contrato e logo depois ele também o fez. Quando finalizamos o acordo, ao invés de o selarmos com um beijo, nosso “casamento” foi selado com um simples aperto de mão. Não significou nada, mas foi eficaz para que eu voltasse à realidade: aquilo tudo não passava de mais um negócio para o .
A voz grave do Dr. Alex Turner me chamou a atenção - ele dizia que o noivado aconteceria daqui a duas semanas e, o casamento, daqui a dois meses, e só aí entraria em vigor o prazo de um ano. Concordei e logo depois nos despedimos.
quase foi derrubada por ao abrir a porta, que parecia estar colado a esta para ouvir alguma coisa. Com um olhar feio, a vi fazendo uma negativa com a cabeça para , que estava da cor de um tomate. Ele pediu desculpas e se afastou para nos dar passagem. Mais duas pessoas curiosas nos esperavam: e estavam sentados; o primeiro fingia ler uma revista que, reparando bem, estava de cabeça para baixo - eu ri com isso, mas não o dedurei -, e o segundo, com seus óculos escuros, apenas olhava para frente. Todo mundo disfarçava, fingindo que eles não estavam ouvindo atrás da porta.
Parecendo ter percebido nossa presença só agora, se virou e sorriu. Eu sorri de volta, mas tinha vontade de rir do cinismo deles. fez o mesmo em seguida e, acredito eu, por não aguentar mais de curiosidade, perguntou ao se a gente já tinha acertado tudo. Ele respondeu que sim, sem muito humor para mais conversas, e disse que tinha que ensaiar. Assim, os outros se levantaram e , que estava ao meu lado, também, para então se dirigirem à porta. Disseram apenas um "até mais".
Eu e pegamos o elevador e descemos para uma rua movimentada de Londres. O tempo era o de sempre - frio. Andamos alguns metros e paramos em uma Starbucks para tomar café. Pensando bem, o dia estava gelado assim como os olhos de . Sacudi minha cabeça para afastar tal pensamento e nos sentamos para fazer nossos pedidos.

- , você está legal? - me perguntou docemente.
- Sim! - afirmei. - Confesso que estou um pouco assustada, mas depois vai passar. Vou me dar bem com essa situação.
- Eu sei! Não é isso o que me assusta, são essas malditas cláusulas abusivas. - ela disse fazendo uma careta. - Você sabe que se der algum mole... Eu nem quero pensar nisso! - balançou a cabeça como se quisesse espantar os pensamentos.
- Calma, ! Você está mais nervosa do que eu! Vai dar tudo certo, é só um ano, passa rápido. E depois a gente vai até esquecer esse contrato.


Capítulo betado por Lizzie Darioli



Capítulo 5 - O noivado

Tive que aparecer ao lado do depois de dois dias que a gente tinha assinado o contrato. Era um evento social, com direito a imprensa e tudo. Confesso que estava bem assustada. Não era a primeira vez que eu ia a esses tipos de eventos, mas era a primeira vez que eu ia acompanhada pelo meu futuro marido. tinha passado pontualmente as sete horas na minha casa. Eu já estava vestida, tive que passar o dia no salão de beleza e ir ao shopping com a para escolher um vestido apropriado para a ocasião. Não que eu não saiba me vestir, mas não queria cometer nenhuma gafe. A verdade era que queria fazer bonito, e por mais estúpido que seja o que vou confessar, queria que o se sentisse orgulhoso por me ter ao seu lado. Eu sei, sou idiota, mas quando a gente ama, quem não é?

Quando me viu descendo a escada de casa, sua reação, se houve alguma, não se deixou trasparecer. Isso me chateou um pouco, mas resolvi que isso não iria estragar a minha noite. Eu, apesar de querer te ouvido ele falar, não precisava ouvir para saber que estava linda; vestia um vestido preto longo, com sandálias da mesma cor, meus cabelos estavam presos em um penteado moderno e estiloso. Eu estava perfeita, digna, se assim poderia dizer, de ser em breve a senhora .
Quando chegamos à festa, a reação da imprensa foi assustadora. Eram tantos flashes que eu daria tudo por um óculos escuro, eu estava totalmente tonta, me segurava firmemente como se soubesse o que estava passando pela minha cabeça naquele momento, e confesso que como uma bela covarde que sou meu pensamento era sair correndo e se esconder de baixo da primeira mesa que eu visse.

- , dá pra parar de tremer? – falou entre os dentes, sorrindo para as câmeras.

Eu estava tremendo? Até aquele momento eu nem me dava conta do que eu realmente estava sentindo, só queria ter um óculos escuro (lembrar agora de sempre ter um a mão). Continuei a rir para as câmeras, com a mandíbula já doendo de tanto ficar contraída para que eu não começasse a bater dente com dente. Olhei para o , ele me olhou e eu vi naqueles olhos de tempestade a mais pura calmaria, se a intenção dele era me acalmar, conseguiu, porque me vi totalmente perdida nos seus olhos.

- Vai dar tudo certo, calma. Nem parece a que eu conheço. - disse rindo.
Eu ri e ruborizei, voltando a olhar para as câmeras, de mãos dadas com ele e com um sorriso mais relaxado. Logo fomos andando mais a frente e entrando no baile.

As notícias no dia seguinte era desconcertantes. Tomando meu café, me deparei com uma imagem tão linda. O casal da foto se mostrava tão apaixonado e era um par perfeito. O cara olhava a menina como se ela fosse a coisa mais importante da vida dele e a menina tinha um brilho nos olhos como se ele fosse tudo para ela. Balancei minha cabeça pensando como uma foto pode enganar tanto. Para mim realmente o era tudo, eu o amava desesperadamente, mas eu sabia que ali, naquela foto, se alguém estava interpretando, esse alguém não era eu.
Com raiva taquei o jornal pela cozinha que acertou em cheio a que entrava.

- Ai! Bom dia para você também. – disse, passando a mão na barriga, onde tinha pego o jornal. Murmurei um bom dia e voltei minha atenção para o meu café.
- Nossa, você e o estão tão lindos nessa foto. E a manchete? Que lindo. “ encontra sua princesa. Será que agora vai?” - disse , suspirando. Dei um tapa na cabeça dela e a olhei furiosa.
- Ai! – gemeu.
- Você tá falando como se eu fosse a namorada dele de verdade. Esqueceu, ? A palavra "contrato" te lembra alguma coisa? - perguntei, me segurando para não gritar, como se não bastasse eu ter que me lembrar que isso era só uma droga de um contrato, vou ter que fica lembrando a eles também? Impossivel, será que eles não percebem que se eles ficarem me dizendo essas coisas, eu vou acabar acreditando e aí a porrada quando eu cair vai ser pior, bem pior.
- Eu sei, caramba. Tá de TPM? É só que vocês dois aqui parecem um casal de verdade, até me convenceu. – disse, me olhando com uma carinha fofa.
Suspirei e me recostei na cadeira, olhando para . Se eu enganei uma das minhas melhores amigas eu ia conseguir enganar o resto.
- Eu não estou de TPM. E a intenção é que a gente parecesse mesmo um casal. – disse rindo.
- Boa representação. – disse rindo também e me parabenizando.
- Bom dia! Quem tá representando? –disse entrando na cozinha com sua camisola branca com bolinhas vermelhas, toda vez que eu a via assim nessa camisola, ela me lembrava uma joaninha.
- A tá representando. Olha. – disse dando jornal para , que pegou se sentando à mesa.
- Hum... Tá bem legal essa foto de vocês. Nem parecem que se odeiam. - disse como se estivesse muito orgulhosa de mim. Eu ri com esse meu pensamento.
- Tá rindo de quê? - perguntou , franzindo o cenho.
- Nada. – respondi, parando de ri.

O telefone tocou e sonolenta entrou na cozinha com ele na mão.

- , é pra você. - disse ela bocejando e me entregando o telefone.
- Alô! - atendi com medo de que já fosse o logo pela manhã.
- ! Que história é essa que eu estou lendo no jornal? É verdade? – perguntou o Adam. Eu juro que tinha esquecido de contar a ele.
- Oi, Adam, como você tá?
- Não me enrola, . Eu quero a verdade.

Merda! Engoli em seco e resolvi ser sincera. Afinal, antes de ser meu “peguete”, ele é meu amigo.

- É verdade. Eu e o estamos junto.
- Sério? Não era você que me dizia que odiava ele?
- Então, sabe como é. Amor e ódio andam lado a lado.
- Então agora você quer me convencer que ama o ?
- Mas é a verdade. Eu amo o .

Meu Deus, eu nunca tive que dizer isso alto, foi como se tivesse tirado um peso das minhas costas. As meninas estavam dizendo para eu acabar logo com ele. Mandei elas calarem a boca e tentei prestar atenção no que Adam dizia:

- , e a gente?
- Adam, a gente sempre foi mais amigo do que outra coisa. – disse com pesar. Eu tinha que deixar bem claro o que a gente ia ser de agora em diante.
- Eu sei, mas eu também gosto de ser sua outra coisa. – disse rindo. Eu ri também e agora eu já sabia que iria ficar tudo bem. O Adam era um cara gente boa demais para me criar qualquer tipo de problema.
- Mas agora eu estou namorando. Só que a sua amizade é muito importante para mim. Vai continuar a ser meu amigo? – perguntei cheia de lágrimas nos olhos, eu não queria perder o Adam.
- Claro! Amor, como eu posso ficar sem você? - perguntou rindo.
- Não pode.
- Eu sei que eu não posso. Por isso mesmo que nem passou pela minha cabeça deixar de ser seu amigo.
- Que bom. Eu não iria suportar. - disse sincera.
- Quero ser o padrinho do casamento. - disse rindo, como se estivesse fazendo uma piada; mal sabia ele que em breve isso iria acontecer. Tentei disfarçar dizendo que sim e me despedi dele. Desliguei o telefone e olhei para minhas amigas secando as lágrimas que escorriam e suspirando por ter tirado mais um peso de minhas costas.
- Menos um. – disse seca.

Depois que nós aparecemos juntos, o meu telefone não parou mais de tocar, eu não conseguia ir mais à esquina sem que alguém me tirasse uma foto. O meu emprego no jornal já tinha ido pelo ralo, impossível trabalhar e conciliar com os horários do . A minha mãe continuava na mesma, mas agora tomava o rémedio e fazia a fisioterapia diariamente, isso que me fazia aguentar essas mudanças drásticas que minha vida levou.
Hoje era o dia do meu noivado. As duas semanas desde de que eu assinei o contrato voaram. Tinha chegado o dia. Preciso dizer que estava nervosa? Não. vai passar aqui às sete horas. Nós vamos jantar em um restaurante super fino e chique que tem aqui em Londres. O nosso noivado tem que ser público, é mais uma das estratégias de melhorar a aparência do . O jantar ia ser só nós dois. Se eu fechasse os olhos até acreditaria que isso tudo era verdade e que ele me amava. Nesse tempo que a gente vem passando juntos, ele é outro , e com isso me faz amá-lo ainda mais. Mas basta ficarmos sozinhos para ele me lembrar que tudo não passa de uma grande interpretação.
A buzina do lado de fora me tirou dos meus desvaneios. Olhei mais uma vez no espelho para conferir se estava bem. Sim, tudo no local. As meninas me desejaram boa sorte e me deram beijinhos para me passar segurança. Abri a porta e caminhei em direção ao carro. Abri a porta do carro e entrei. O cavalheirismo passou longe aqui. Cadê o cara que abre a porta? Sumiu e fico o no lugar dele; bufei e me sentei. O caminho foi tedioso, em silêncio. Só uma canção suave tocava na rádio, me fazendo encostar a cabeça na janela e me esquecer do que eu estava prestes a fazer hoje.
Depois do que me pareceu uma eternidade, chegamos ao restaurante; era bem bonito e elegante, isso porque só tinha visto a fachada da frente. Estava lotada de fotógrafos; a acessoria do é bem eficaz. Parecia que todos os jornalistas de colunas sociais estavam na porta do restaurante. Andamos para frente e paramos para que tirassem mais fotos. Sorrindo, eu e seguimos para dentro do restaurante. Indicaram nossa mesa e, como em um passe de mágica, o cavalheiro voltou, me ajudando a sentar na cadeira para logo depois sentar-se também.

- Vinho tinto ou branco? – perguntou, olhando o cardapio de vinhos.
- O que você escolher para mim está ótimo. - disse sorrindo, tentando ser simpática.
- Hoje, querida. - disse pegando minha mão que estava em repouso em cima da mesa e fazendo um carinho com o polegar. - É você quem escolhe.

Preciso dizer que me arrepei com o seu toque? Que meu coração disparou com os seus carinhos na minha mão? Tentei manter a calma, sorri e respondi ao , entrando no nosso joguinho de sedução para o nosso público.

- Obrigada, querido... - falei enfatizando o querido. riu. - Vinho tinto. - Respondi, retirando a minha mão da sua. O carinho estava ótimo, mas não queria me iludir. Para nossa plateia estávamos dando um belo show.

Chamando o garçom, ele pediu o vinho e o jantar também; enquanto esperávamos, conversamos sobre o nosso dia e eu contei que a imprensa não me deixava mais em paz. disse que era normal e que com o tempo eu iria acostumar. Respondi que não seria tão facil assim, mas ele teimou em dizer que eu iria me acostumar. Para não estragar o clima bom que estava entre a gente, decidi concordar.

- , o meu empresário disse que a gente não pode ficar se tratando mais pelos sobrenomes. O que é uma pena, porque eu realmente gosto de te chamar assim. - disse o assim que acabamos de jantar.
- Por quê? - perguntei frazindo o cenho achando aquela observação estranha. Eu também já estava mais que acostumada a chamá-lo assim.
- Porque daqui a... – parou pra olhar o relôgio. - Daqui a quinze minutos nós vamos nos tornar noivos. E noivos não se chamam por sobrenomes. - Explicou.
- Vai ser meio difícil, mas tudo bem, . – disse, timidamente. Nunca tinha chamado ele pelo apelido.
- Ótimo! . - disse, rindo. – Faz uma cara de contente quando eu te pedir em casamento. - me espantei com essa sua observação. - Eu sei. Vai ser meio estranho me ver ali ajoelhado...
- Ajoelhado? – quase gritei de susto. Ele quer realmente me matar.
- É, tenho que fazer isso direito. - respondeu torcendo a boca em uma careta. – Todo mundo tem que acreditar que eu estou caidinho por você. Se não tudo que a gente fez até agora não vai valer de nada.
- Tudo bem, , ajoelha aÍ, reza, faz tudo que você tiver que fazer pra convencer esse pessoal. – disse tremendo, esperando o momento.
- Ok! Eu nunca pedi ninguém em casamento, mas deve ser fácil. Todo mundo faz isso. - murmurou, se levantando da cadeira e se ajoelhando na minha frente. Meu coração parou e voltou a bater violentamente. Meus olhos encontraram com os de e meu mundo nesse momento se tornou o dele. As pessoas que estavam no restaurante ficaram em silêncio.
tirou uma caixinha do seu paletó e pegou a minha mão, e com um meio sorriso me olhou. Vergonhosa a forma que minhas mãos suavam e tremiam. Engoli em seco e esperei as palavras sairem da sua boca.
- , você quer se casar comigo?
- S-sim! – respondi com a voz meio embargada. Me matem, eu sei, não era pra demostrar qualquer tipo de emoção. Talvez eu tenha que ter uma conversa bem séria com o meu cérebro e meu coração. Eles dois tinham que se entender, mas fazer o que se tudo isso era culpa do , só ele tinha esse poder de me deixar assim: confusa, ofegante, sem oxigenar direito. Maldito com toda a sua prepotência. Ele estava de joelhos na minha frente e mesmo assim em momento algum deixou de estar por cima.

Depois do meu sim, o pôs o anel no meu dedo. Ele era lindo. Era um típico anel de casamento, mas por ser meu fazia toda a diferença. Era único.
Assim que o anel foi posto, escutei palmas pelo restaurante todo. Automaticamente senti uma vergonha tamanha de estar ali, totalmente exposta. Rindo, se levantou e me deu um beijo calmo nos lábios como se fosse para selar aquele momento. Voltou para sua cadeira e me encarou.

- Até que não foi difícil. – disse baixo para que ninguém ouvisse, já que o restaurante tinha voltado ao seu burburinho normal.
- Sim! Enfim noivos. – disse fazendo um brinde com as nossas taças de vinho e em seguida bebendo.
- Enfim noivos. – disse . Suspirando acrescentou. – Agora vamos para a parte final. O casamento. E depois , enfim sós. – disse aquela frase com um tom malicioso que me causou arrepios.
O anel no meu dedo pesava; eu estava noiva, eu tinha noivado.




Capítulo 6 - O casamento

O meu vestido voava a favor do vento. Eu corria, corria, mas parecia que não saía do lugar. Um sentimento de impotência tomou conta de mim. Minha respiração estava entrecortada. Eu continuava a correr como se estivesse atrasada. Olhando mais atentamente para mim percebi que trajava um vestido negro, me parecia um vestido de noiva gótica, todo negro, até o véu era da mesma cor. Olhei horrorizada para o vestido e pensei no que tinha me levado a usar essa cor tão morta. Olhei mais a frente e consegui ver para onde eu corria; era uma igreja, sua estrutura era antiga, parecia aquela igreja onde aconteciam as coroações e os casamentos reais. O que eu iria fazer ali? Faria sentido se eu fosse casar com o príncipe Harry? Mas meu príncipe, quase sapo, era o . Mas mesmo assim eu corria como se meu corpo não obedecesse minha mente. Já estava arfando e sem ar, parei à porta da igreja. Olhei para dentro, pois as portas estavam abertas. Estava bem escura, mas se eu forçasse a vista dava para ver o me esperando lá no altar, com uma das mãos estendidas para mim. Ele trajava negro assim como eu. Meu Deus, será que eu ia fazer parte de alguma seita macabra? Engolindo em seco. Resolvi subir os degraus e acaba logo com aquilo tudo. Quando pus os pés no segundo degrau, começaram a sair pessoas de dentro da igreja apontando para mim e gritando palavras horríveis ao meu respeito, a pricipal era "mentirosa"... Aquilo se repetia na minha mente, me fazendo retroceder. Alguns rostos era reconhecíveis como os dos meu amigos, alguns paparazzis, outros eram só borrões. Apontavam-me o dedo e me encurralavam, me fazendo ir direto a uma fonte. Senti minha panturrilha bater na mureta da fonte; sem lugar para correr, olhei para a mutidão que me chamava de mentirosa. Foi quando eu o vi com seu traje negro, como se fosse algum vingador, vindo em minha direção e gritando tão alto que meus tímpanos reclamaram de dor.

- Mentirosa. – ele dizia e repetia conforme avançava cada vez mais, rindo da minha cara. Eu balançava a cabeça freneticamente de um lado para o outro, tentando negar aquelas palavras que saiam da boca de todos. - , você é uma metirosa. – e com isso me empurrou, me fazendo cair na fonte de costas. Em um segundo eu estava submersa e descendo cada vez mais. Uma fonte não era tão funda assim, isso parecia o mar, parecia que eu estava em uma tempestade em pleno mar. E de repente não era mais o mar que me incomodava, eram aqueles olhos frios que me encaravam, os olhos de . Mentirosa...


- , acorda! – acordei assustada com alguém me sacudindo. Meu coração estava na boca, a palavra "mentirosa" girava na minha mente como se fosse um outdoor com neons piscando incansavelmente. Eu já estava com dor de cabeça.
- ? O que foi? Para de me sacudir, criatura. – disse tentando sentar na cama.
- Poxa, você me assustou. Ficou aí gemendo e se balançando toda. Achei que tava baixando alguma coisa e você queria dar algum recado. – disse com ar sério sentando à beira da minha cama. Suspirando, resolvi responder minha amiga maluca.
- Talvez eu estivesse fazendo isso tudo por estar sonhando? - perguntei sarcasticamente. – Ou talvez estivesse mesmo baixando alguma coisa em mim. – disse, fazendo dar um pulo da minha cama e começar a se benzer. Ri e taquei o travesseiro na cara dela. Fiz a mesma me olhar com uma cara de poucos amigos, fazendo eu me preparar para a guerra de travesseiros que vinha a seguir.
Paramos bruscamente com a nossa porta do quarto de hotel sendo aberta. Nós duas continuávamos com os travesseiros na mão esperando uma distração para dar o golpe final.
- O que vocês estão fazendo? – perguntou com uma voz sonolenta.
- Brincando. – respondeu.
- E quantos anos vocês têm? – perguntou entrando no quarto também com toda sua sarcastidade.
- 23! – essa foi a respondendo a pergunta da . Preciso dizer que todo mundo caiu na gargalhada.
- O que foi, gente? Ela perguntou minha idade e eu respondi. Vocês são estranhas. – respondeu balançando a cabeça como se fôssemos aliens.
- Nada, . – disse , tentando parar de rir. – Gente, não traumatiza.
- Há! Eu quase ia me esquecendo. O pessoal que vai cuidar da sua beleza, , e da nossa, é claro, chegou. Estão no quarto ao lado esperando a gente. – disse dando pulinhos de alegria.

O meu sorriso murchou, minhas pernas bambearam, engoli em seco aquela informação. E, de repente, tudo que eu vinha tentando evitar nesses últimos dois meses veio como uma grande porrada na minha cabeça. Eu vou me casar hoje. O dia finalmente tinha chegado ou eu poderia dizer, com toda a certeza, infelizmente tinha chegado.

- Ei, , você está bem? Tá tão palida... – me perguntou.
- Eu to bem. Só tinha esquecido que era hoje. – mumurei.
- Como você pôde esquecer isso? – me perguntou horrorizada.
- Esquecendo?
- Eu não esqueceria nunca o dia do meu casamento. – disse me criticando.
- Talvez porque você se casaria por amor, porque o cara te ama? E não como no meu caso. Um acordo, um contrato. – disse com armagura na voz.
- As vezes eu esqueço disso. – mumurrou envergonhada. – Desculpa? – me perguntou fazendo beicinho.
- Sempre. – respondi rindo e a abraçando.
- Agora vamos para as nossas horas de tortura. Afinal, para ficar linda, cansa. – disse e com isso entramos no quarto ao lado, dando de cara com um batalhão; tinha de depilador a cabeleleiro.

Sentei em uma cadeira e as meninas fizeram o mesmo. Não demorou muito e senti que um já mexia em meu cabelo, outro pegava as unhas da mão e outra começava a depilação. Que Deus me ajudasse a aguentar a tortura sem gritar. Fechei os olhos e comecei a pensar como dois meses voaram desdo dia que o me pediu em casamento.
Eu estive tão oculpada que quase não vi meu “noivo”; era ir na modista ver o vestido, dar entrevistas pra jornais. Confesso que essa era a parte pior de todas, ah, e aguentar ameaças de fãs malucas que diziam que se eu casasse com o , iriam me matar. Eu já estava quase pedindo um seguro de vida incluso junto com um plano de saúde, é claro. Mas também tinham aquelas que me apoiavam e isso era bem legal. Eu só via o quando tinha que comparecer a algum evento, fora isso não o via. Nosso casamento ia se realizar em uma igreja na cidadade onde ele nasceu, por ser menos populosa que Londres. Estávamos eu e as meninas instaladas em um hotel. O e os meninos ficaram na casa da mãe dele. Outra preocupação, eu ia conhecer a mãe do . Eu nunca tinha visto, porque sempre que tinha alguma coisa na casa dele, eu nunca ia. Eu estava rezando para poder enganá-la, para ela não descobrir a nossa mentira. Eu disse para contar para ela, mas ele disse que nem pensar, a mãe dele iria surtar quando soubesse que ele ia se casar por motivos ilícitos, se assim posso dizer. Não querendo discultir, mesmo porque meus próprios pais pensam que estou casando por amor, resolvi concordar e já que ele queria assim, só me bastava seguir com o plano dele.
A marcha nupcial começou a soar dentro da igreja no momento que as portas se abriram, a decoração era de flores da época. O grande tapete vermelho se estendia por todo o caminho que eu iria pecorrer. Minhas amigas eram as minhas damas de honra, junto com a irmã do . Os padrinhos eram os meninos junto com Adam, que fazia par com a . O meu vestido era simples, mas muito bonito, era um tomara que caia com véu, mas não muito longo. Meus cabelos estavam soltos, minha maquiagem estava básica, meu buquê era de rosas vermelhas, fazendo um contraste com o vestido branco. Mais cedo quando me olhei pronta no espelho, vi uma pessoa tão diferente da que eu costumava ser... talvez eu não seja mesmo aquela de antes. A minha vida mudou tanto nesses dois últimos meses que talvez realmente eu não seja mais como antes.
O barulho de pessoas se levantando dentro da igreja me chamou a atenção, focalizando bem lá dentro pude ver como estava lotada. Tinha alguns paparazzis na porta quando desci do carro, mas agora eu sorria para o meu fotógrafo, que iria retratar o meu casamento. Minhas damas de honras trajavam um vestido longo na cor vermelha; é, eu sei, meio chamativo, mas elas estavam lindas combinando com o meu buquê. Os meninos trajavam um terno preto com a gravata vermelha de seda, estavam lindos, e olhando mais a frente eu via o meu menino trajando o mesmo terno preto só que a sua gravata era branca de seda, combinando com o meu vestido. Ele estava lindo, com as mãos para trás em uma pose descontraída, como se fisesse isso todos os dias. Eu comecei a entrar na igreja e a marcha nupcial se fez mais alta, as pessoas me olhavam. Estava entrando sozinha, com meu pai cuidando da minha mãe no Brasil, não tinha ninguém para entrar comigo, e nem queria que ninguém substituisse o lugar do meu pai. Respirei fundo e fui me concentrando em pôr um pé por vez. Continuei a caminhar olhando diretamente para frente em direção ao . Ele deu uns passos para frente e pegou na minha mão, me guiando para o altar. Nesse momento os meus olhos se encheram de lágrimas não derramadas, sentir o toque dele junto com o seu olhar me fez querer chorar de felicidade por estar vivendo aquele momento. O padre começou a celebração da nossa união e logo que eu vi já prometia a Deus e ao muitas coisas que com certeza eu não iria cumprir; me senti meio suja por estar enganando a todos, mas a minha mãe merecia o melhor. Depois foi a vez do me fazer as mesmas promessas que também não iriam se realizar. Enfim estávamos casados, o nosso beijo foi simples; a igreja bateu palmas e na saída teve chuva de arroz.
A música enchia o salão onde acontecia a nossa festa de casamento, garçons passavam de um lado para o outro com suas bandejas, eu e o já estávamos cansados de tirar fotos com todos. As pessoas realmente pareciam felizes com o nosso casamento, a mãe do era uma. fez questão de me dizer o quanto me adimirava por ter enfim conseguido fazer o seu filho se casar, ela me confidenciou que já estava pensando que nunca iria ver ele casado com alguém. Eu disse a ela que tinha pego ele de jeito mesmo, e que o estava caidinho por mim (se é para mentir, por que não posso aumentar?) riu e disse que me achou uma gracinha. Mas sabe quando o teu sexto sentido diz que tavez no futuro aquela pessoa possa te causar algum problema? Então, o meu piscou que nem vagalume.
Agora eu me encontrava sentada em uma cadeira na mesa com meus amigos. Meu pé já estava cheio de bolhas e eu estava louca para isso tudo acabar para eu poder dormir. Alguns convidados já tinham ido embora, só ficando mesmo a família e amigos. A irmã do era muito engraçada, ficamos amigas logo de cara, era impossível não notar o clima que estava rolando entre ela e o Adam, e se você me perguntasse se eu estava com ciúmes, eu te respoderia que não. Eu achei até legal os dois juntos. Eles agora se levantavam, indo em direção a pista de dança.

- , daqui a alguns meses vai ser a vez da gente. – disse para a namorada, dando um beijo calmo, ambos olharam para o buquê que agora era posse da . Ela tinha pego o meu buquê na hora que eu joguei. Acho que isso pode ser um presságio que ela escolheu bem a hora de casar, ou que já estava passando da hora.
- Sabe que até me deu vontade de casar também? – disse , olhando fixamente pro namorado, fazendo um biquinho. , que bebia distraidamente o champanhe se engasgou e precisou de uns tapinhas nada discretos do , que estava ao seu lado na mesa. Já parecendo recuperado disse que tinha que ir ao banheiro e se levantou rapidamente da mesa. Sei. Banheiro? Covarde.
abriu a boca pra começar a pronuciar algo, mas foi cortada por um afobado levantando da mesa.
- E... Eu vou é... n-na , que saudade que eu tô da sua mãe, . - dito isso saiu quase derrubando a cadeira em direção a mãe do , que passava pela nossa mesa.
- Gente, eu só ia perguntar para ele se ele lembrou de ligar para a mãe. – disse , assustada com a reação do .
- É só falar em casamento que eles correm, amiga. Isso é normal. – falei tentando amenizar a situação. – Um dia, quando você menos esperar, ele vai estar pronto. Você vai ver. – disse pegando eu sua mão.
- Será mesmo? – perguntou ela desconfiada. Balancei a cabeça confirmando. Ela suspirou e resolveu dar atenção a sua taça de champanhe. Ficou na cara que ela ficou chateadam assim como a , que olhava para frente totalmente alheia a tudo ao seu redor.
- ! – resolvi chamar sua atenção. Não gosto de ver minhas amigas sofrendo.
- Oi! – respondeu virando para mim. Cheguei mais perto com a cadeira para que ninguém pudesse ouvir nossa conversa.
- O que está te perturbando tanto? E não vá me dizer que foi o que aconteceu agora. Porque eu sei que até te chateou, mas não ia te deixar assim. – ela me fitou como se decidisse por algo e com um suspiro de derrota resolveu começar a falar.
- É, você realmente me conhece. – disse com um sorriso que não chegava aos olhos.
- Me fala, o que está acontecendo? – perguntei mais preocupada ainda.
- Eu queria conversar com você, mas não hoje. Nem aqui. – disse olhando ao redor.
- Tudo bem! – disse, a abraçando forte.

Eu e o estávamos sozinhos na mesa agora, todo mundo tinha ido dançar. Bebíamos o champanhe e comíamos o nosso bolo de casamento; olhei para o lado e reparei que tinha glacê no canto da boca do . A vontade que me deu de lamber foi tão grande que eu segurei até com mais força a minha taça para não fazer besteira.

- . – chamei, fazendo ele me olhar. – Tem glacê no cantinho da sua boca. – disse apontando. Ele pegou o guardanapo e tentou limpar, mas limpou o lugar errado.
- Ta limpo?
- Não. – disse rindo e sem pensar peguei o guardanapo da mão dele, chegando mais perto para limpar a sua boca. Enquanto limpava, ele me olhava de um jeito estranho, como se me desejasse. Olhei pra boca dele com um pensamento de que se eu chegasse mais um pouquinho perto, eu podia encostar meus lábios nos seus. Umideci os lábios com esse pensamento e involuntariamente me vi chegando mais perto ainda. Ele fazia o mesmo caminho com os olhos. Dos meus olhos para minha boca e assim sucessivamente, minha respiração começou a pesar e eu de repente não me vi pensando em mais nada a não ser o pensamento de que eu queria aquela boca na minha. Até que eu ouvi uma risada sair daqueles lábios tão desejosos e como se acordasse de um transe sentei corretamente na minha cadeira, ouvindo a voz rouca do ao meu ouvido, me humilhando novamente.
- Isso me faz pensar como vai ser bom o nosso casamento, querida. Eu sei que você mal pode esperar para ficar sozinha comigo. – disse rindo.
Engolindo o champanhe todo da minha taça e voltei a encarar o meu querido marido com raiva, com uma vontade de dar um soco naquela cara perfeitinha dele.
- Só nos seus sonhos, querido. – disse com sarcasmo.
- Então eu já estou sonhando, querida. – disse se levantando e piscando o olho para mim, me deixando mais nervosa do que eu já estava com essa situação toda. Que Deus me ajudasse, porque meu inferno acabava de começar junto com esse casamento.


Capítulo 7 – Casa

Acordei assustada com as batidas na porta, sentei na cama e tentei me organizar mentalmente. Olhando mais atentamente para o quarto pintado de azul com pôsteres de bandas espalhados por todos os lados, à esquerda se encontrava uma porta pintada de branco: era o banheiro. A cama se localizava no meio do quarto. Agora ela era de casal, mas até pouco tempo era de solteiro. À direita tinha a porta que alguém esmurrava pelo lado de fora pintada de um azul mais profundo que o do quarto. Levantei a fim de abrir logo a porta e tentar parar com o barulho irritante, quando tropecei em algo, ou melhor, em alguém. Aos pés da cama, se encontrava um adormecido. Foi quando que com um gemido, toda minha realidade veio à tona. Praguejando baixinho, fui acordar o meu lindo maridinho.
-! ! – Chamei no seu ouvido para a pessoa do lado de fora não ouvir.
-Hum! – Isso foi toda a resposta que eu tive. Passei a sacolejá-lo. Chamei de novo, sussurrando no seu ouvido.
! ! Ah! – Gritei de susto, quando ele me agarrou e em um segundo me encontrei embaixo dele, olhando para aqueles olhos hipnotizantes. Com um sorrisinho presunçoso, ele me encarava.
-Você não deveria me acordar assim desse jeito, sussurrando no meu ouvido. Eu posso pensar que você está finalmente querendo começar a nossa lua de mel.
Aquele corpo em cima do meu já me fazia ficar imaginando como seria se nossos corpos estivessem nus. Com esse pensamento, minha respiração começou a ficar pesada. Automaticamente, as pontas dos meus dedos roçaram os lábios de em uma carícia de puro desejo, como se fosse um incentivo. Ele abaixou e roçou seus lábios nos meus, iniciando um beijo calmo, como se quisesse descobrir meu gosto. Se não fosse tão surreal, eu diria que o beijo estava sendo um beijo apaixonado. Como se fosse para tirar a gente daquele clima, as batidas se fizeram mais urgentes, fazendo-me soltar um gemido de angústia por ter que terminar aquele momento tão terno com o .
-Ei! Que foi? – me perguntou, sussurrando, fazendo um carinho gostoso no meu rosto.
-Tem alguém batendo na porta. – disse, já tentando levantar e acabar de vez com aquela ilusão toda.
Em um segundo, a expressão de satisfação de mudou e se tornou uma expressão de alerta.
- Caramba! Rápido, esconde minha cama. – disse o , já se levantando e enrolando o colchonete para debaixo da minha cama, como se alguns segundos atrás não estivesse me beijando. Há dois dias era assim, ainda estávamos na casa da e quando anoitecia o destino do era o colchonete.
Respirou fundo e foi atender a porta.
- Oh! Desculpe, eu não quis atrapalhar vocês. É que todos já estão tomando o café. – a coitada tentava se justificar, enquanto o filho ria da própria mãe.
- Tudo bem, mãe. Eu e a já descemos. – disse pra , que concordava e virava as costas, indoem bora. fechou a porta e começou a rir.
- Isso é engraçado. – disse, sentando na cama.
- O que é engraçado? - perguntei, levantando e indo pro banheiro.
- Essa história de ficar fingindo. Você viu a cara da minha mãe? Ela ficou toda sem graça, achando que a gente estava fazendo alguma coisa.
- Sério que você acha isso engraçado? Ficar mentindo pras pessoas? – perguntei, exasperada.
- Não, lógico que eu não gosto de mentir. – disse, dando de ombros. – Mas é engraçado.
- Eu não vou contrariar, maluco. Vou tomar um banho. – disse, entrando no banheiro e fechando a porta com a chave, porque eu ainda não estava louca.
Quando saí do banho, já não estava no quarto. Provavelmente deveria ter desistido de me esperar sair e foi tomar banho no banheiro principal da casa. Já vestida, só me olhei no espelho pra ver como tinha ficado a roupa que eu escolhi. Tudo ótimo, hora de descer e enfrentar a família do . Respirando bem fundo, saí para o corredor, onde, tirando a porta do , tinha mais três portas, cada uma de uma cor. A do era azul bem escura, tinha outra na cor vermelha sangue, outra na cor bege e a última em uma mistura de cores. Automaticamente saquei que aquela só poderia ser a porta do quarto da . Como se para comprovar, a mesma saiu de lá me dando um sorriso de orelha a orelha.
- Oi! Bom dia, cunhadinha! – ela falou, já me abraçando.
- Oi! Bom dia! – respondi, no mesmo tom e meio assustada com aquele afeto todo.
- Vamos tomar café, mamãe já está sem paciência com a nossa demora, eu só subi pra pegar meu celular, vai que alguem me liga, né? - terminou de falar com um ar de apaixonada no olhar. Eu ri e concordei com a cabeça enquanto nós desciamos as escadas.
lavava a louça do café da manhã enquanto eu e a Vick, sentadas na mesa, conversávamos. Vick me dizia como adorou conhecer o Adan, e como ele era fofo.
Concordei com ela. Logo ela me disse que eles tinham combinado de se encontrar. Achei isso muito bom, mais um sinal de que ele realmente não ficou chateado comigo. se levantou e disse que ia ao seu quarto. O silêncio reinava agora na cozinha. O que se podia escutar era o barulho da torneira e a risada do de fundo, que estava na sala com os seus tios e primos. Era nessas horas que o vazio me avassalava ali no meio daquela família, e eu me sentia uma intrusa, uma impostora. fechou a torneira, pegando um pano de prato na bancada ao lado, secando as mãos e se virando pra me encarar. Dei um sorriso sem dentes tentando ser simpática, mas o mesmo não foi retribuído. Soltando o pano de prato na bancada, ela caminhou até ficar de frente pra mim na mesa, pôs os braços sobre a mesa, se inclinando para mim em uma pose ameaçadora. – Me diz, qual o seu plano? – me perguntou de uma forma direta, sem rodeios, assim me supreendendo, fazendo os meus olhos se abrirem de susto. Tentando não mostrar o meu desconcerto, tentei manter a calma na hora de falar:
– Que plano? – perguntei, fazendo cara de desentendida.
- Acho que você não vai facilitar pra mim. Então eu vou ser ainda mais direta. – disse a , balançando a cabeça negativamente e continuou. – Sabe, eu acho muito estranho o meu filho ter se casado assim tão rapidamente. – eu ia abrir a boca pra explicar, mas sua mão levantada me impediu de continuar. Fechando a boca e me encostando ainda mais na cadeira, esperei ela continuar. – Meu filho sempre foi mulherengo. Nunca disse pra mim que tinha pretenções de se casar. Namorava há dois anos com a Georgia e nunca expressou isso. Aí vem você e em dois meses, eu digo dois meses, e estão casados. O que você acha que eu deveria pensar? – terminou de falar, se aproximando mais ainda de mim. Meus olhos estavam na mesma direção que os seus, em um enfrentamento silencioso. A mãe do era uma bruxa que estava me assustando e muito. Como ela ainda continuava a me encarar, esperando uma resposta, resolvi falar mais mentiras sobre o meu relacionamento com o filho dela.
- Você deveria pensar que seu filho e eu estamos apaixonados e só descobrimos isso agora. Eu não conheci o dois meses atrás, a gente já se conhecia faz tempo. Só que sempre fomos amigos. – terminei de falar, me afastando ainda mais daqueles olhos que pareciam como olhos da verdade que a qualquer momento ia fazer aquele barulho de bip revelando minhas mentiras.
-Isso não me convence. Eu penso que tem mais coisa aí. – disse, apontando um dedo pra mim. – Eu vou te fazer uma pergunta e gostaria que você me respondesse honestamente. – disse a , se afastando da mesa e indo se encostar na bancada. Merda, responder honestamente, há quanto tempo que eu não faço isso. Engolindo em seco, confirmei com a cabeça e com isso ela continuou o seu ataque.
- Você está grávida? – perguntou, me encarando sem nem piscar.
-Não! Eu não estou grávida. – disse, bem enfatizado, pra tirar qualquer dúvida da cabeça daquela mulher maluca, que por um ano seria minha sogra.
- Isso não faz sentido. – disse, quase gritando de frustração.
-Não faz sentido eu e o seu filho estarmos casados por que nos amamos? – agora era eu que a encarava com uma raiva potente subindo. Minhas mãos se fecharam em punhos. O que mais me dava raiva era que ela achava que o filhinho querido dela só poderia se casar comigo se eu estivesse grávida. E de que época ela era? Hoje em dia filho não obriga ninguem a se casar mais. Resolvi espressar esses meus pessamentos.
– E desde quando filho é motivo pra casamento hoje em dia, ou prende marido? – perguntei, com sarcasmo. Cruzei os braços e esperei a resposta da minha sogra.
-Eu sei que hoje em dia filho não prende mais marido. Mas eu pensei que se você estivesse grávida, essa seria a atitude do meu . O que também me explicaria o casamento repentino entre vocês. Mas como você afirma que não está grávida, acha que eu deveria acreditar que foi rápido assim por amor? – disse essa última palavra com desprezo. E antes que eu pudesse responder, afirmando tudo que eu já tinha dito para ela, uma voz rouca encheu a cozinha.
– Sim, por amor, mãe. – respondeu , indo para trás da minha cadeira e apoiando suas mãos em cima da mesma, assim me passando segurança. Olhei pra ele e dei um sorriso de alívio junto com satisfação de ouvir aquelas palavras saindo de seus lábios, vendo como a ficava vermelha como um tomate e virava para bancada, ficando de costas pra gente. Da mesa, eu via perfeitamente sua postura rígida. Se virou e com um sorriso que não chegou aos olhos respondeu ao :
- Desculpe, meu filho, eu acredito em vocês. Eu só fiquei surpresa com o casamento, você sabe como eu sou. – terminou de falar com a voz mansa. Nossa, realmente essa mulher era uma bruxa. Se fazia de santa na frente do filho, mas por trás me mostrava toda seu desprezo por mim.
- Tudo bem, mãe. Tá perdoada. – disse o , abraçando a sua mãe. O que mais me assustou é que enquanto ele a abraçava, os olhos dela estavam fixos em mim como se me quisesse dizer que ela tinha vencido ou que eu não iria escapar tão fácil. Meu Deus, onde eu me meti? Dei um salto, me levantei da cadeira e dei uma desculpa que tinha que arrumar alguma coisa no quarto. Não iria suportar ficar mais um segundo naquela cozinha. Já subia as escadas quando senti alguém me segurando o braço. O que pedi antes de me virar era que não fosse a mãe do , ainda bem que era o filho. Vendo que era ele, soltei a respiração que nem tinha percebido que tinha retido.
-Tudo bem, Ka? – me perguntou, com uma cara de preocupado.
- Não. Sua mãe me fez um verdadeiro interrogatório. – suspirei, exausta daquela farsa toda.
- Eu sei. Minha mãe às vezes pega pesado. Mas cão que ladra não morde. – terminou de dizer, com um sorrisinho. Eu já acreditava que ela mordia e muito, mas não quis contradizê-lo.
- Eu só queria ir pra casa. – disse, em um murmúrio.
- Tudo bem! Vamos arrumar as malas. – disse, pegando a minha mão e me arrastando pro quarto.
Chegamos no quarto, e em segundos fechou a porta e começamos a arrumar as malas. Só que o que me surpreendeu é que ele nunca concordava comigo. Resolvi tirar minha dúvida.
- Ô , por que você não brigou comigo? – ele estava tão distraído fazendo as malas que minha pergunta pareceu que o assustou.
- Quê? Não briguei com você pelo quê? – perguntou, confuso, coçando a cabeça.
- Eu falei que queria ir embora e você não se opôs. Por quê? – perguntei, sentando na cama e esperando a resposta. -Ah, isso. Bom, eu conheço minha mãe. E ela não ia te deixar em paz. O melhor é ir embora mesmo. Sabe, aquela velha estratégia: quando não se tem estratégia, o melhor é recuar. – disse, rindo – E até que a gente volte a vê-la novamente, vamos pensar em alguma coisa pra tirar de vez essas dúvidas da cabeça dela. – disse, fechando a mala e perguntando se eu estava pronta. Concordei, fechando a minha também. Pelo menos ele sabia como era a mãe dele. Menos mal.
A despedida foi meio chata. A mãe dele disse para nós ficarmos mais, mas o inventou uma reunião de emergência, dando assim uma desculpa para nós irmos embora mais cedo. Saindo pela porta, parecia que eu tinha tirado um peso das minhas costas. Entramos no carro e partimos rumo a minha nova casa, a casa do , ali onde eu passaria um ano da minha vida.
A viagem até Londres passou mais rápido do que eu pensava. Logo me vi em frente a minha nova casa. Começava a anoitecer. O céu de Londres era escuro, e ventava, fazendo o meu cabelo dar chicoteadas no meu rosto. Segurando minha mala em uma mão e na outra minha necessarie, olhei pro , que começava a andar pelo caminho de grama, parando na porta e se virando pra me olhar. Eu estava parada, olhando pra ele e com medo de dar os passos que me levavam a minha nova casa, a minha nova vida. O pensamento que percorria minha cabeça era o de que eu era uma covarde por não conseguir mexer meus pés e a minha consciência mais covarde ainda dizia que eu deveria correr e sair dali. Saí dos meus pensamentos com o me chamando pra entrar. Comecei a andar e cheguei na porta de casa. O já tinha aberto a porta e segurava ela para eu entrar.
-Entra! Tá frio aí fora, anda. – disse, meio impaciente.
Resolvendo não irritá-lo e já começar brigando com ele, entrei na minha nova casa.

Capítulo 8 – Querer é poder

Quando eu pedir, coloque para tocar essa música: http://youtu.be/r2j279pZxTY
Minha nova casa era bem grande. Ao entrar, você se deparava com um corredor na cor bege. Depois, logo vinha a sala bem ampla em tons claros com sofás na cor preta, como se fosse para fazer um contraste. No canto, tinha uma escada que provavelmente daria acesso à parte de cima da casa. Olhando para a direita, você via uma porta de vidro que, olhando por ela, você poderia ver o jardim grande com uma piscina enorme com espreguiçadeiras em volta. Tambén tinha mesas e seus guarda-sóis em cima de cada uma. me puxou pela mão e me levou por mais um corredor. Nesse, de cada lado tinha uma porta que ele disse ser o banheiro, e o outro uma mini academia. Todos os dois cômodos eram lindos e bem decorados. Andando mais à frente vinha a espaçosa cozinha com piso branco e preto, e os armários seguindo a mesma linha do piso. Pro canto da cozinha, tinha uma porta que o me disse que era o quarto da empregada que passava ali algumas noites, mas que não vivia lá. Olhando pra porta dos fundos dava pra ver o mesmo jardim da frente, só que no caso jardim do “fundo”. Voltamos para o corredor e saímos na sala. Subimos as escadas, que eram de uma cor de tabaco super brilhosas, e me deparei com outro corredor bem grande; no fim tinha uma janelona de vidro que dava pra ver bem lá fora. O corredor tinha cinco portas: três do lado esquerdo e duas do lado direito. A primeira porta à esquerda era o estúdio do . Era lindo, mas logo ele fechou a porta. Parecia que ele não queria que eu soubesse muito sobre o espaço preferido dele. Abriu a segunda porta, que era o seu quarto. O quarto dele tinha o cheiro dele concentrado, quase me fez cair ao respirar aquele ar repleto de Jones. Me recuperando, reparei que o quarto era grande e confortavél. A cama era enorme, a televisão então, nem se fala. No lado esquerdo, tinha uma porta que provavelmente seria o banheiro, porque a do closet do lado direito estava aberta. Depois nós saímos, e a terceira porta era o escritório dele, bem decorado, com bastantes livros, e um computador estava aberto sobre a mesa. Passamos para o lado direito do corredor. A primeira porta era de um quarto amplo em tons de azul lindos. Tinham duas portas assim, como a do . Era bem decorado, a cama era linda também. Pensei que fosse o meu quarto, mas logo ele disse que era o quarto de hóspedes, fechando a porta. Então paramos na última porta do corredor. Ele a abriu e meu queixo quase despencou com o que eu via. Entrei e olhei ao redor. A cama era enorme, assim como dos outros quartos, mas o quarto era lindo. Todo branco com lilás, e as minhas coisas estavam todas ali, já penduradas. Eu que pensei que ia chegar, e ainda ter que arrumar tudo. Na parede, estava o meu quadro de fotos, meus bichinhos (é, eu tenho bichinhos), a colcha da cama era branca com flores lilás, a cortina qua balançava por causa do vento era branca. Estava tudo perfeito ali. Eu poderia me sentir em casa. Abri a porta do banheiro e dentro tinha uma hidro. Fiquei tão feliz que até tinha esquecido o no quarto. Até que olhei pra ele e vi que mantinha um sorriso no rosto. Andei mais um pouco e entrei no closet. Era enorme, e pra minha maior surpresa, já estava tudo arrumado também. Saí do closet e encostei no batente da porta. estava parado no centro do quarto, de braços cruzados, olhando na minha direção.
- Quem arrumou minhas coisas? – perguntei, com ar confuso.
- Minha empregada. As meninas mandaram as coisas pra cá e ela logo arrumou tudinho. – me respondeu, sem rodeios.
-E cade essa benção para eu agradecer? – disse, rindo.
- De folga. Não sabia que a gente ia voltar hoje. Na verdade, nem a gente. – terminou de falar. Eu concordei com a cabeça.
- Muito obrigada! – resolvi agradecer pelo quarto lindo.
- Pelo quê? – me perguntou, levantando uma das sobrancelhas.
- Pelo quarto... É lindo. – disse, rindo pra ele.
- Ah... O quarto. Bom, na verdade ele já era assim, o que mudou foram só as suas coisas nele. – disse, meio constragido, me dando um banho de água fria.
Eu fiquei com a minha cara no chão. E eu achando que ele tinha feito isso por mim! Como eu gosto de me enganar. Ainda agradeci, que mico! Como eu ainda continuava em silêcio, acho que ele sentiu vontade de se explicar.
- Esse quarto é da minha irmã, e o azul que você viu antes é o da minha mãe. Mas enquanto elas não vem pra cá, você fica no lilás, ele é seu. – disse, me explicando, e dando de ombros.
Essa explicação dele só me mostrou que eu não tinha lugar ali naquela casa. Eu me senti um estorvo. Mas no momento, outra coisa me incomodava.
- Enquanto elas não vem pra cá? – perguntei, tentando resolver minha dúvida.
- É, minha mãe e a Vicky vêm sempre me ver. Agora que eu estou casado, espero que nem tanto, mas ainda assim elas vão vir.
-E quando elas virem? – perguntei, já sabendo a resposta.
- Você passa pro meu quarto. – disse ele, com uma voz firme. Sim, o estorvo iria pro quarto dele. Que humilhação.
- Eu não poderia dormir em outro lugar? – perguntei, nervosamente, pensando naquela possibilidade de dormir no mesmo quarto que ele.
- Não. – disse firme. – Para todos, nosso casamento é real, e em um casamento real, o casal dorme junto. – disse, em um tom sério.
Só pude confirmar com a cabeça. Logo, ele disse que ia sair para ligar para a empregada e resolver alguma coisa, e me mandou ficar à vontade, e com o sarcasmo que não poderia faltar, disse que a casa era minha. Idiota! Arrogante, patife e outras coisas que se eu for falar agora, vão me deixar com enxaqueca. Andando pelo meu novo quarto, resolvi estrear minha hidro, tomando um bom banho relaxante com bastantes sais, porque eu iria precisar para conviver com o .
As batidas na porta do meu quarto me assustaram, me fazendo sair da banheira que até pouco estava fazendo um trabalho maravilhoso me relaxando. Vesti meu roupão e fui abrir a porta, já sabendo quem era.
- Oi. – disse, dando passagem pra ele entrar.
- Vim perguntar se você prefere fazer alguma coisa pro jantar ou quer pedir por telefone a comida? – disse ele, me percorrendo com os olhos dos pés a cabeça, me deixando com a respiração acelerada só com o seu olhar.
- Eu não sei o que você tem na cozinha. Melhor pedir alguma coisa. – disse, dando de ombros e louca pra ele sair logo do meu quarto.
- Vou pedir então. Que tal uma pizza? – perguntou, rindo, provavelmente aquela era a ideia de janta pra ele há anos, mas eu não iria me impor .
Simplesmente fiz um gesto de afirmação com a cabeça, mantendo ela abaixada não querendo encará-lo, esperando assim que ele saísse do meu quarto. Vendo que ele não se mexia, resolvi olhar e cometi um grande erro. Seus olhos eram brasa em cima da minha pele. Seu corpo parecia um imã me chamando, como se nós fôssemos a conexão perfeita. Minha respiração se acelerou de novo. O calor foi subindo mais ainda, minha boca ficou seca, pedindo para ser beijada. O continuava ali, parado, a centímetros de mim. A única coisa que se movia eram os seus olhos e sua boca que estava agora meio puxada para um dos cantos, em um sorriso contido.
-Eu acho que você deveria ir embora. – disse, em um murmúrio.
-Eu sei. – falou ele, mas continuou onde estava sem mexer um só músculo. Com duas passadas, ele fechou a distância que havia entre nós, segurou as abas do meu roupão, passando as mãos em um trajeto de cima para baixo, fazendo com que minha pele queimasse aonde ele acidentalmente ou não encostava. Estávamos conectados, nos olhando, seu peito subia e descia em movimentos rápidos. Isso me deu uma satisfação em pensar que não era só eu envolvida a ponto de gritar de tanta vontade de sentir ele melhor. Pousando uma das minhas mãos sobre o seu peito definido, senti as batidas erráticas do seu coração, olhei pra cima para ver seu rosto e vi que ele me olhava com os olhos semicerrados. Continuei encarando-o, estimulando ele a continuar seja lá o que ele tinha intenção de fazer; eu já não me importava com nada. Se ele me beijasse, eu iria adorar, e se de um beijo passasse pra mais, eu não iria me opôr, e que se danem as consequências disso. me puxou pelas abas do roupão, fazendo-me sentir seu corpo, seu cheiro, me deixando mais ainda perdida por aquele homem. Minha respiração errática misturava com a sua. Seus lábios quentes se uniram aos meus em uma carícia, mas logo começou um beijo violento e devastador. Com um suspiro, nos entregamos ao beijo cheio de desejo. Suas mãos começaram a abrir o meu roupão, fazendo com que ele caísse ao chão, me deixando extremamente excitada e nua. rompeu nosso beijo e deu um passo para trás, me olhando de cima a baixo com um brilho intenso no olhar.
-Linda! – Murmurou, voltando a me beijar, colocando a mão na minha nuca e puxando meus cabelos, fazendo com que o meu rosto ficasse frente a frente com o seu. Aquela voz rouca, murmurando no meu ouvido que eu era linda teve o poder de me fazer arrepiar dos pés a cabeça.
passava as mãos pelas laterais do meu corpo, me arrepiando. Com um sorriso, me separei dele para tirar seu blusão xadrez, revelando seu peitoral definido. Passei as pontas dos meus dedos por toda a extensão, fazendo ele se arrepiar ao meu toque, passando meus braços sobre seu pescoço. Encostei nossos corpos, isso fez meus seios se arrepiarem com o toque quente da sua pele, olhando para os seus olhos tão intensos, cheios de luxúria. Sua boca procurou a minha e agora a minha vontade era de me entregar logo. Não via a hora de ter ele em mim. Minhas mãos trêmulas tentaram desabotoar sua calça. Vendo que eu não conseguia, ele me deu uma ajudinha, tirando a calça em seguida e ficando apenas com sua cueca box. Agora era a minha vez de avaliar o “produto”. Me afastei o suficiente pra vê-lo melhor.
- Lindo! – disse, imitando-o. Ele soltou um de seus sorrisos, me hipnotizando ainda mais.
Agora eu me sentia de igual para igual. A primeira vez que isso acontecia desde que eu tinha conhecido o . Aqui não tinha desprezo, sarcasmo ou outras coisas que sempre rondavam a gente. O que tinha dentro daquele quarto era apenas a luxúria, o desejo, e da minha parte, o amor louco que eu sentia por ele. Ele me pegou no colo e me posicionou no centro da cama. Ficou me olhando por incontáveis segundos, com um sorriso de predador. Retirou sua boxer e deitou ao meu lado. Nos olhamos, e o desejo falou mais alto, fazendo nossos lábios procurarem um ao outro. Gemi de satisfação, ao perceber que agora o estava em cima de mim, passando sua boca por todos os lugares, me fazendo gemer de tanto prazer.
Nos encaixávamos perfeitamente. Ele era o meu molde. Ele, naquele momento, era o meu mundo. Os beijos continuaram intensos, as mãos passeavam pelos corpos, a vontade de sentir tudo que aqueles contatos poderiam dar era tão grande. Olhei pro com a visão já turva de tanto desejo repremido por todos esses anos. O mesmo me olhava com os olhos que se espelhavam aos meus. Fazendo uma carreira de beijos pelo meu pescoço, ele finalizou nosso beijo e se afastou um pouco pra procurar alguma coisa no bolso da sua calça, e em um instante já estava de novo em cima da cama, colocando o preservativo. Ainda bem que ele tinha pensado nisso, porque eu na minha loucura toda, nem tinha lembrado. Se posicionando em cima de mim, ele me olhou e disse com uma voz rouca de tanto desejo: - Finalmente, ! – e com isso, se introduziu ao meu corpo, me fazendo ter a certeza que aquele homem era a minha outra metade, meu encaixe. Respirando com dificudade devido ao prazer que eu estava sentindo, disse:
-Finalmente, ! – me entregando de corpo e alma àquele momento. O que passava pela minha mente era que eu o queria, queria e queria...

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(Põe para tocar...)
I let it fall, my heart, (Eu deixei cair, meu coração,)
And as it fell, you rose to claim it, (E quando caiu, você levantou para reivindicá-lo)
It was dark and I was over, (Estava escuro e eu estava acabada)
Until you kissed my lips and you saved me, (Até que você beijou meus lábios e me salvou)
My hands, they were strong, but my knees were far too weak, (Minhas mãos eram fortes, mas meus joelhos eram muito fracos)
To stand in your arms without falling to your feet, (Para estar ao seu lado sem cair aos seus pés)


- O que foi que a gente fez? – perguntei ao , depois que o êxtase todo tinha passado.
- Sexo! – me respondeu, dando de ombros.
- E agora? Eu acho que a gente não devia ter feito isso. – respondi, passando as mãos pelo rosto.
- Relaxa, , isso é só sexo. – me disse, olhando pro teto. Estavamos deitados na cama, um do lado do outro. Agora que tudo passou, na verdade parecíamos dois estranhos que fizeram sexo casual, e no meio da madrugada, um deles foi pego saindo às escondidas.

But there's a side to you that I never knew, never knew, (Mas há um lado de você que eu nunca conheci, nunca conheci)
All the things you'd say, they were never true, never true, (Tudo que você diria, nunca seria verdade, nunca é verdade)
And the games you'd play, you would always win, always win, (E os jogos que você joga, você sempre ganha, sempre ganha)


- Só sexo? – perguntei, deitando de lado, ajeitando o lençol para me cobrir melhor e apoiando o cotovelo na cama e minha cabeça na mão.
- Sim! – me respondeu, virando pra ficar de frente para mim. – Ou você estava esperando que eu me declarasse pra você? – Pronto, aí voltava o sarcástico de sempre.
- Não! Lógico que não. – respondi, rápido demais, e com isso ele riu.

But I set fire to the rain, (Mas eu ateei fogo á chuva)
Watched it pour as I touched your face, (Vi a chuva cair, enquanto eu tocava o seu rosto)
Well, it burned while I cried, (Bem, o fogo queimava enquanto eu chorava)
'Cause I heard it screaming out your name, your name, (Porque eu ouvi gritar seu nome, seu nome)


- . – disse meu nome com um suspiro. – Talvez eu devesse ter esclarecido as coisas antes da gente fazer sexo. – disse, frisando bem a palavra “sexo”. – Bom, eu não sei o que você espera de mim, mas o fato de eu e você termos nos relacionado não muda nada. Eu não vou mudar e espero que você também não. – parou de falar e me olhou bem nos olhos com aqueles olhos extremamentes azuis, me hipnotizando. Quando eu ia falar e mentir, dizendo que eu não esperava nada dele, ele me cortou com a mão no ar me pedindo pra me calar e continuou. – Eu não mudo, não me apaixono, não me apego e não amo. – disse de uma só vez, e me fez sentir como se cada palavra fosse um soco no meu peito chegando a me deixar sem ar. Por um momento, o que fiz foi ficar olhando pra ele, atônita com suas palavras, que me tiravam todas as esperanças de uma só vez.

When laying with you I could stay there, (Ao estar contigo, eu poderia ficar)
Close my eyes, feel you here forever, (Fecho meus olhos , sinto voce aqui para sempre)
You and me together, nothing is better (Você eu eu juntos, nada é melhor)


- Por que? – me vi, perguntando. Talvez fazendo essa pergunta eu tenha me rebaixado, mas naquele momento eu só queria saber o porquê dele ser assim, e por que dizia isso com tanta certeza.
- O que eu quero que você entenda, com tudo isso que eu te disse é que se você quiser repetir o que a gente fez hoje, tem que ser assim, você tem que encarar como se fosse apenas sexo. Porque por mais que as pessoas digam que eu não presto, uma coisa eu sei: não gosto de mentiras, prefiro ser sincero. – terminou de falar de uma forma fria e desconversando a respeito da minha pergunta. Então seria assim? Ele me mostra o paraíso e depois simplesmente me diz que se eu não seguir as regras, eu estou fora? Bom se ele sabia ser frio, eu tinha que saber ser cauculista e o dobro de fria. Escondi todas as minhas emoções assim como já estava acostumada e comecei a me torturar por ser tão fraca e deixar que ele me visse sem toda a minha proteção.

'Cause there's a side to you that I never knew, never knew, (Mas há um lado de você que eu nunca conheci, nunca conheci,)
All the things you'd say, they were never true, never true, (Tudo o que você diria, nunca seria verdade, nunca é verdade,)
And the games you'd play, you would always win, (E os jogos que você joga, você sempre ganha, sempre ganha,)

But I set fire to the rain, (Mas eu ateei fogo à chuva)
Watched it pour as I touched your face, (Vi a chuva cair, enquanto eu tocava o seu rosto)
Well, it burned while I cried, (Bem, o fogo queimava enquanto eu chorava)
'Cause I heard it screaming out your name, your name, (Porque eu ouvi gritar seu nome, seu nome)

I set fire to the rain, (Eu ateei fogo à chuva)
And I threw us into the flames, (Eu nos joguei nas chamas)
Well, I felt something die, (Bem, eu senti algo morrer)
'Cause I knew that that was the last time, the last time, (Porque eu sabia que era a última vez, a última vez)


- Ótimo! Porque eu é que não iria querer você atrás de mim o tempo todo. – disse, com desdém na voz. – Sabe , na verdade vai ser muito mais cômodo eu ter alguem em casa do que ter que ir pra rua e ficar me preocupando se vou ser pega e essas coisas. Você facilitou muito pra nós dois. Só espero que você, caso não se contente só comigo, seja cauteloso ou vai ter que me pagar uma quantia que me vai ser muito útil. – disse, de uma forma melosa e ao mesmo tempo sarcástica. Vi a expressão dele mudando durante meu discurso e soube que se ele estivesse pensando que a nossa noite tinha me afetado, agora no entanto, ele tinha tirado esse pensamento da cabeça. Ele continuava me olhando de uma forma fria, e quando falou, quase me assustei com o tom da sua voz.
- Sempre pensando no dinheiro, querida. Pode deixar que vou ter todo o cuidado do mundo quando sair pra resolver meus problemas. – disse e continuou me encarando. – Afinal, eu não perco mais nenhum centavo pra você. Eu até acho que te paguei demais. Você vale menos do que isso. – Quando eu vi a minha mão já tinha voado e se chocado com o lado direito da cara do . Minha respiração estava entrecortada. Eu nunca em toda minha vida tinha sido tão insultada como agora. Minha vontade era de socar a cara dele, de gritar até meus pulmões explodirem, de tirar aquele peso do meu peito porque com certeza alguma coisa estava morrendo dentro de mim. Doía tanto. Eu só não gritava ou batia nele porque se eu movesse um músculo, as lágrimas escorreriam pelo meu rosto e me deletariam, mostrando como ele me afetava. A única coisa que eu pude fazer depois de respirar bem fundo foi apontar a porta sem ao menos olhar pra cara do , porque se eu o fizesse, eu iria querer perguntar por quê. Para quê ele fazia isso? Por quê ele era assim? E no momento, eu só o queria fora do quarto, da minha cama e se não fosse pedir muito, da minha vida. O útimo pedido era impossível, pelo menos por um ano, mas os outros dois, ele já estava tratando de me conceder. Ele levantou sem me dizer nada, catou suas roupas do chão e saiu sem fazer barulho algum, a não ser da porta se fechando. Respirei mais fundo e deitei na cama, deixando minha lágrimas traiçoeiras escorrerem. Por fim, molhando a fronha do meu travesseiro.

Sometimes I wake up by the door, (Ás vezes eu acordo, passo pela porta)
And heard you calling, must be waiting for you, (E ouço você chamar, devo estar esperando por você)
Even that when we're already over, (mesmo que, quando já não estamos mais)
I can't help myself from looking for you, (Eu não posso me impedir de procurar por você)


- Burra! Burra! – repetia, baixinho, indignada. Como eu pude me enganar achando que ele ia mudar depois do que a gente fez. Ele sempre foi assim: frio e arrogante. Mas por um momento, eu achei que tinha derretido todo aquele gelo. Doce engano. Pelo contrário, ele conseguiu passar o seu gelo para mim. Agora eu me sentia mais fria que o pólo norte todo. Meu coração estava totalmente oprimido e congelado.
O que eu fantasiava, o cara que eu mantive na mente há anos acabou de morrer, e no lugar dele ficou um frio, arrogante e totalmente calculista. Não que eu ache que ele tenha planejado o que ocorreu há pouco, isso não, mas que ele já tinha aquele discurso em mente, disso eu não tenho a menor dúvida. Isso foi as boas vindas à minha vida nova. E que nem sempre querer é poder...

I set fire to the rain, (Eu ateei fogo à chuva)
Watched it pour as I touch your face, (Vi a chuva cair enquanto eu tocava o seu rosto)
Well, it burned while I cried, (Bem, o fogo queirmava enquanto eu chorava)
'Cause I heard it screaming out your name, your name (Porque eu ouvi gritar seu nome, seu nome)

I set fire to the rain, (Eu ateei fogo à chuva)
And I threw us into the flames, (Eu nos joguei nas chamas)
Well, I felt something die, (Bem, eu senti algo morrer)
'Cause I knew that that was the last time, the last time, oh, (Porque eu sabia que era a última vez, a última vez)
Oh, no, (oh não)
Let it burn, oh, (deixe queimar, oh)
Let it burn, (deixa queimar)
Let it burn. (deixa queimar)


Capítulo 9 – E ao diabo com isso...

’s POV
You've never met before. (Você nunca tinha visto antes)
But still she greets you like a long lost rock and roll (Mas ela te cumprimenta como um rock n roll há muito perdido)
She's definitely one of those(Ela é definitivamente desse tipo)
But you'll go wherever she goes. (Mas você vai segui-la aonde ela for)


- Merda! Que dor de cabeça! – abri os olhos e os fechei tão rápido quanto eu os abri, porque eu sempre me esqueço de fechar as persianas? Droga! Fui tateando a cama de olhos fechados ainda e levantei indo em direção às janelas e fechando enfim aquelas malditas persianas. Lembro até hoje da minha mãe dizendo:
- , bota as persianas, elas ficam lindas em um quarto. São práticas, e olhe esse tom! Que lindo! – Tá, poderia agora mesmo dizer o tom pra ela, que merda! Práticas seriam as cortinas. De um puxão você as abre e fecha. Persianas não tinham nada de práticas. Um grande defeito meu: eu sempre escuto a dona .
Abrindo os olhos, olhei o motivo que me fez acordar. O celular vibrava na minha cabeceira. Passando as mãos pelo cabelo, resolvi atender quem quer que fosse. Eu até já imaginava quem era. Quem sempre me ligava e me perturbava todas as manhãs a não ser o ?, bufei e me levantei, me alongando. A noite ontem foi boa demais e me deixou meio dolorido. A poderia ser classificada na faixa de gatinha selvagem. Meu corpo agora me gritava isso. Dei um sorriso torto, e cansando de ignorar o celular, resolvi atender.
And when my body and my mind (E quando meu corpo e mente)
Both start talking at the exact same time(Começam a falar na mesma hora)
Trying to think of ways to make her mine(Tentando pensar em maneiras de torná-la minha)
But they're difficult to find(Mas é difícil pensar nisso)
It's not what I need (Não é disso que eu preciso)
No, your love's not what I need(Não, não é do seu amor que eu preciso)
So don't give it to me(Então não me ofereça)


- Alô? – disse, com a voz meio rouca ainda.
- , aonde você está? – perguntava o , com uma voz histérica do outro lado do aparelho de comunicação.
- Em casa , qual foi agora?
- Cara, você já deveria estar a caminho da gravadora. Já são dez e quinze, a gente tem que estar lá ás dez e meia. – disse. Ao fundo, dava pra ouvir algumas buzinas. Provavelmente já estava no trânsito.
- Tá, eu já estou indo. Meia hora! – disse, já me levantando e desligando o telefone, jogando o mesmo na cama.
Fui direto pra ducha, tomei um banho super rápido, saí do banho, botei uma roupa que eu já sabia que ficava muito boa, calcei meus tênis de sempre e saí pro corredor. Parei em frente a porta da . Confesso que fiquei tentado a entrar e dizer que já ia sair, mas logo me lembrei do desfecho da noite e a raiva voltou mais rápido que um trovão me fazendo apertar os punhos ao me lembrar do tapa que ela me deu. Não que eu não tivesse merecido, mas quem gosta de levar um belo de um tapa? Desci as escadas já indo em direção a cozinha. O cheirinho de café me encheu os sentidos: ah, se eu tivesse dez minutos. Mas só tenho tempo pra pegar uma maçã e correr pra chegar lá só um pouco atrasado, senão meu empresário iria me comer fatiado no almoço.
- Não me lembro de você me preparar um café assim faz tempo. – disse pra Emma, me encostando ao batente da cozinha.
Emma era minha empregada desde que eu comprei essa casa, isso já fazia alguns anos, me dava super bem com ela.
- Eu só quero agradar a minha nova patroa. – disse ela com um sorriso.
- Certo! A vai gostar dessa recepção. Pena eu não poder ficar, adivinha? – disse, caminhando para a fruteira e pegando uma maçã.
- Tá atrasado? – me perguntou, já sabendo a resposta. Era impressionante, eu sempre estava atrasado.
- Sim! Por isso, até mais, Emma! – me despedi com um beijo na sua bochecha. Indo em direção a garagem, entrando no meu “carrinho”, pegando o trânsito das ruas de Londres depois de uma meia hora entrava no estacionamento da gravadora, pegava o elevador e entrava na sala de reunião, estavam já todos lá, ao que parece me esperando.
- resolveu dar o ar da graça. – disse meu empresário.
- Desculpa pelo atraso gente, sabe esse trânsito hoje está terrível. – falei da forma mais convincente possível.
- É o trânsito. – disse com sarcasmo, fazendo com que eu lhe desse um olhar de reprovação.
- Vamos começar. – falou o que estava sentado do meu lado.
A voz monótona do meu empresário enchia a sala, depois de umas horas infelizmente não consegui ficar mais prestando atenção e comecei a pensar no ocorrido de ontem, como eu não conseguia tirar a da minha cabeça. Até agora fico me perguntando, por que não saí daquele quarto? Eu não queria passar por tudo que eu passei de novo, na verdade eu não vou, o que aconteceu foi só sexo. Então por que era tão mais fácil falar do que acreditar? Droga! Essa sempre foi um inferno na minha vida; desde aquele dia na boate, ali eu soube que se eu não tomasse cuidado eu poderia voltar a sentir o que há muito jurei nunca mais sentir por ninguém. A dor era muito presente ainda para mim, apesar de já ter anos, e eu não queria de forma alguma volta a me senti daquele jeito.
Há anos que as mulheres para mim não passavam de passatempos, acho que tirando minha mãe e minha irmã, minha opinião é que todas as mulheres não prestam, e até hoje não houve nenhuma que me fizesse mudar de idéia.
A própria ontem me mostrou a face que há anos ela tentava esconder, e finalmente e felizmente para mim eu não estava errado: ela não presta, logo falou em dinheiro e eu que até pensei que eu poderia estar errado no meu julgamento.
Meu pensamento voltou até mais ou menos há dois anos quando eu comecei a namorar a . Eu fiz aquilo para tirar a impressa da minha cola. Que irônico que justamente por isso me encontro nessa merda de casamento mentiroso e frustrado, e onde eu estava com a cabeça pra aceitar a como parte disso tudo, mas ela estava precisando, fora que juntando: amigos, bar, bebida, e um coração endurecido, mas que com as lágrimas dela deu uma derretida. O que eu poderia dizer a não ser um sim? E agora eu estou pagando pelo meu momento de fraqueza se assim pode se dizer. Eu poderia ter escolhido outra pessoa e dado o dinheiro a , mas duvido que ela fosse aceitar sem poder pagar de alguma forma. Mas, aí que está. Se ela não aceitou o dinheiro, porque ontem ela me disse aquilo? Essa garota é uma incógnita, então agora estava eu: com mais problemas que antes, e tendo que lidar com emoções femininas.
Emoçoes são complicadas por isso eu não lido bem com elas, me recuso a ser responsável pela segurança emocional de alguma mulher novamente. Prefiro ser assim: frio, estável, sem emoção. Só assim não me machuco.
- ! – ouvi me chamar e sacudir ao mesmo tempo, me arrancando dos meu pensamentos.
- Fala! – respondi, de mau humor.
- Tá em que planeta? está te fazendo uma pergunta há maior tempão já! – exclamou .
Virei meu rosto pro , esperando ele me perguntar. - O que você acha dessa iluminação dessa parte do palco? – me perguntou, me mostrando a planta do palco onde a gente ia começar a fazer a nossa nova turnê.
- Ótima, e a iluminação do ? – perguntei, já voltando todos os meus pensamentos para o trabalho.

Horas depois, voltava pra casa com o de carona, paramos em um fastfood pra recarregar as energias. A nossa reunião durou mais do que esperávamos e agora meu estômago rocava bem alto junto com o do , mas o dele sempre fazia isso, era bem normal até. Já o meu...
- , pede a opção quinze pra mim. – disse dando o dinheiro pra ele ir lá comprar.
- Tá, estaciona aí que eu já volto - falou ele, descendo do carro e batendo a porta com força me fazendo querer dar um soco na cara dele por matratar meu carrinho.
Liguei o rádio pra passar o tempo e comecei a prestar atenção na música que estava tocando:

And she said (E ela disse)
Oh, well I knew this will sound cold (Bem, eu sabia que ia parecer frio)
But I really have to go (Mas eu preciso ir embora)
Oh, it's not that I'm not free (Não que eu não seja livre)
There's nowhere I need to be (Eu não preciso estar em lugar nenhum)
It's just your love's not what I need (É que o seu amor não é o que eu preciso)
So don't give it to me"(Então não me ofereça)


Que ironia, a música que me acordou pela manhã tocava agora no carro, parece até perseguição.

It's not what I need (Não é disso que eu preciso)
No, your love's not what I need (Não, não é do seu amor que eu preciso)
So don't give it to me (Então não me ofereça)
She said: "Baby, how can I believe you (Ela disse: "Amor, como posso acreditar em você)
How can I believe you when you can't believe your luck?" (Como posso acreditar em você se não acredita na sua sorte?")
No point sticking to the plan when it's going slow (Não adianta seguir o plano quando as coisas vão devagar)
It's more a hunger than a thirst (É mais como uma fome do que uma sede)
You'll break it out the second time (Você vai explodir na segunda vez)
Before you know about the first (Antes de saber da primeira)
Looks well-equipped to leave you in the lurch (Parece uma boa deixar você no desamparo)
But you'll let her do her worst (Mas você vai ter que deixá-la fazer sua maior maldade)
And it's not hard to tell (E não é difícil dizer)
It's obvious the other angels' faces fell (É óbvio que a face dos outros anjos caem)
When she told them that she had to go (Quando ela disse a eles que tinha que ir)
Troubled wings and overcoat for something colorful (Asas problemáticas e um sobretudo para dar uma cor)
(God knows) (Só Deus sabe)
It's not what I need (não é disso que eu preciso)
No, your love's not what I need (não, não é do seu amor que eu preciso)
So don't give it to me (Então não me ofereça)


Olhei pra fora do carro e o já atravessava a rua em direção ao mesmo, liguei e esperei ele entrar e dei a partida.
Comemos indo em direção a casa do . – Sabe não entendo porque você pede pra mim te dar carona sendo que você mora com o , não seria bem mais fácil ir com ele? – falei, olhando para ele de rabo de olho e parando em frente a casa do .
- Não! Na verdade o não me paga lanche como você sempre faz. – disse já saindo do carro e dando uma risada entrando em casa.
- Filho da mãe. – murmurei e depois dei uma risada.
Saí da rua do , e a mais duas quadras ficavam a minha casa. Pronto, , de volta ao inferno, pensei, parando na frente de casa. Fiquei incontáveis minutos dentro do carro olhando a minha própria casa com medo de entrar nela.
Entrei em casa e logo meu cachorro veio me saudar, me abaixei para fazer um carinho na sua cabeça, e quando me levantei meus olhos se encontraram com os da . Respirei fundo e botei a minha cara de sempre de indiferença.
- Seria legal se você tivesse me dito que tem um cachorro. – disse ela entrando mais ainda na sala e sentando no sofá.
- Esqueci de comentar. Algum problema? – perguntei, levantando uma sombrancelha.
- Não! Na verdade a gente já está se dando bem. – como se para me provar, chamou o peludo e ele logo pulou pro lado dela abanando o rabo. Traíra, pensei.
- Já vejo. – disse, passando por eles e indo em direção às escadas. Precisava e muito de um banho e de me isolar no meu mundo onde não tinha ninguém chamado .

Pena que quando saí do meu banho relaxante, meus planos de me isolar da foram por água abaixo, pois a mesma me esperava sentada na minha cama, com as pernas cruzadas em uma pose digamos que até descontraída, como se estivesse esperando sua melhor amiga sair do banho. Ri desse meu pensamento maluco e levantei as sobrancelhas, indagando o que ela estava fazendo ali.
- Querida, já está com saudade? - perguntei abrindo os braços, mostrando ainda mais minhas vestes precárias. Ao sair do banheiro não podia nem imaginar que eu iria encontrar ela ali, e por isso agora só me encontrava de toalha amarrada na cintura. Me pareceu passar uns minutos antes que ela enfim resolvesse falar e parar de abrir e fechar a boca sem emitir nenhum som.
- , escuta, eu vim aqui para te dizer... – parou e levantou da minha cama passando as mãos nervosamente sobre o short que usava. – O que eu quero te dizer que a respeito de ontem, é... a respeito de ontem, eu não quero mais. – terminou de falar me olhando com uns olhos confusos.
- , se explique melhor, que parte você não quer mais? – perguntei de uma forma sarcástica para irritar ela e ao mesmo temnpo era inevitável agir assim, já que eu sabia que isso, digo esse sarcasmo todo já era parte de mim.
Por um segundo achei que ela não iria me responder, ficou ali parada me olhando e fechando as mãos em punho. Passou até pela minha cabeça que ela poderia me agredir, o que seria hilário, mas ela simplesmente ou aparentemente se acalmou e por fim me deu sua resposta com a voz mais calma possível.
- Ontem à noite. – disse, engolindo em seco. – o que aconteceu com a gente, foi errado, eu não quero que volte acontecer. – disse, desviando os olhos de mim pregando-os em um quadro abstrato que eu tinha ganho do ano passado.
- Sabe, – disse, me aproximando mais ainda dela. Infelizmente ela era tão irresistível, e o fato de eu querer agora mesmo deitar ela naquela cama e fazer tudo que os meus pensamentos me diziam para fazer, só se levava a isso mesmo por ela ser inrresistível e por ser uma mulher, só isso. Me controlando, voltei a responder. – O engraçado é que ontem você não pareceu achar nada errado. Mas se você acha que não quer manter esse nosso acordo, tudo bem. - terminei de falar, passando um dedo por sua bocheha vendo como suas pálpebras tremiam diante do meu toque.
- Ótimo! – ela falou, se afastando como se o meu toque a tivesse queimado. Isso me fez fazer uma careta, merda! Isso não deveria me deixar assim, não deveria me incomodar, mas me incomodou, me fez ficar com raiva e afugentar a para voltar a ser aquele cara que eu sempre fui: controlado. E de forma alguma eu vou deixar qualquer mulher me desestabilizar denovo, mesmo que essa mulher seja agradavél aos olhos, a boca ao corpo e por aí vai. Fechando o senho, disse: - Se você já disse tudo sugiro que se vá. – disse apontando pra porta, queria que ela saisse logo daquele quarto e me deixasse sozinho.
Parecendo levar uma bofetada pelas minhas palavras, me olhou com aqueles olhos de uma forma confusa. O que me parece é que a tramava uma briga com ela mesma. Por fim deve ter vencido o lado racional, pois a mesma saiu pela porta do meu quarto em disparada sem me dirigir sequer um olhar a mais.
Fechei a porta do quarto e fui me trocar, ao que parece a não aguentou, e quis cair fora do nosso pequeno acordo, mas se ela pensava que iria ficar assim, ela realmente não me conhecia. Eu tendo ela em casa toda para mim, porque iria procurar na rua e correr o risco de ser pego? Não, ela iria ceder, ela logo ira ver que aceitar um acordo comigo é o mesmo que aceitar o um pacto com o diabo. Eu estou absolutamente ansioso para enfim explicar os termos para minha querida esposa, mas o fato é que os pactos com o diabo parecem maravilhosos, até você ler as letrinhas miúdas, então percebe que assinou entregando a alma.
— O diabo, isso certamente é fazer estereótipo. – murmurei, terminando de pôr minha camisa e saindo do meu quarto direto pro meu estúdio trabalhar nas minhas composições. E ao Diabo com isso.

Capítulo 10 – O verdadeiro
Sai do quarto do tão indignada e fui para o meu quarto. Precisava falar com alguém tirar aquele peso que por anos eu carreguei sozinha, precisava e muito falar com a . Peguei o celular em cima da minha mesinha e disquei o número da minha melhor amiga, rezando pra ela me atender. Depois de uns três toques, minhas preces foram atendidas.
- Oi, ! O que manda?
- Oi ! Tá aonde?
- Saindo do trabalho, por quê?
- Que jantar comigo? Preciso falar com você.
- Tudo bem, onde?
- No pub perto da nossa casa.
- Minha casa, você quer dizer?
- Não, minha casa também, não me desapego fácil das coisas, e logo, logo eu volto.
- Tá, me liga quando chegar lá, vou estar na mesa de sempre.
- Ok! Beijos.
Tomei um banho, botei uma roupa casual e peguei minha bolsa e o celular. Saí com tanta pressa que nem vi a Emma com uma bandeija no meio do corredor, só me dei conta quando foi bandeja e a Emma para um lado e eu para o outro. Tentei me levantar, e catar o prato e copo ao mesmo tempo. – Emma, desculpa! Não te vi, eu saí rápido do meu quarto. – disse já me levantado e ajudando a ela também.
- Tudo bem querida não precisa tremer, foi um acidente. – ela disse, segurando as minhas mãos que tremiam como loucas.
Pegamos a bandeja e os cacos e fomos em direção à cozinha.
Ainda bem que eu não me desarrumei. Enquanto eu pensava comigo mesmo a Emma murmurava sozinha.
- Ele vai ter que esperar mais um pouco. – disse a Emma botando os cacos na lixeira.
“Ele” no caso era o próprio .
- Que estranho, pensei que ele ia descer para comer. – falei, franzindo o cenho e me sentando na cadeira.
- Não, antes de subir me pediu pra levar a comida no quarto dele. Disse que estava cansado. – terminou de falar dando um suspiro.
- Cansado. – resmunguei. Então agora ele iria me evitar. Tudo bem, depois que eu disse que não queria mais nada com ele o melhor era mesmo não se ver toda hora. Pensei que eu não o afetava tanto, mas talvez ele só esteja cansado. Como para tirar as minhas dúvidas o próprio apareceu no batente da porta da cozinha.
- Que barulho foi esse? – perguntou, levantando as sobrancelhas.
- Eu e a Emma nos esbarramos no corredor, e sua comida foi parar no chão. – disse já me levantando e pegando a minha bolsa, indo em direção a porta da sala, mas assim que me virei a voz rouca do me fez parar com a sua pergunta.
- Aonde você vai? – perguntou ele cruzando os braços.
- Sair. – respondi olhando diretamente em seus olhos.
- Sair? Para aonde? – repetiu a pergunta, andando mais para perto de mim.
- Vou sair pra respirar um ar mais limpo, sabe, o daqui está muito poluído. – respondi, virando de costas e indo em direção a porta da sala.
- Ótimo! Vai, sai logo da minha frente. Você é que deixa esse ar poluído. – disse, virando e indo em direção às escadas.
- Grosso! Estúpido! – gritei, antes de sair e bater a porta de casa. Que raiva, sempre dando a última palavra, sempre me vencedo.
Parei em um ponto de táxi, e logo veio um, fiz o sinal e dei o endereço do pub, depois de uns vinte minutos descia no local que eu indiquei ao motorista. “Espero que você já esteja aí dentro, ” – pensei, já entrando no pub e logo avistando a minha amiga, com um suspiro de agradecimento por ela ser tão pontual. Fui me sentar na nossa mesa.
- ! – disse, a beijando e abraçando, afinal, desde o meu casamento, há mais ou menos uma semana que eu não a via.
- ! Que saudade. – Ela falou me abraçando mais ainda.
Nos sentamos e pedimos uma cerveja e uns aperitivos.
- E aí, o que manda? – me perguntou de forma direta, bem típico da .
- , conhece? – perguntei com um meio sorriso.
- Sim, conheço. O que ele fez dessa vez? – me perguntou com um suspiro.
- Na verdade, nós dois bom... – fui cortada pelo garçom que botava na mesa nossas cervejas e o aperitivo.
- Obrigada – murmurei para o garçom. – Bonitinho, ele, hein. – disse pra , tentando adiar o que eu tinha para contar a ela.
- Não perdeu essa sua fixação por garçons, barmen, e etc? – me perguntou, dando uma risada e dando um gole na sua cerveja.
- O quê? Ele realmente era bonito. – disse exasperada. –Eu não tenho fixação por eles, ok? – falei rindo.
- Tá, me engana que eu gosto, mas não muda de assunto, o que aconteceu agora?
Respirei fundo e comecei a contar a ela tudo o que tinha acontecido.
- Bom , eu e o , nós... nós ontem fizemos coisas. – esperei pra ver se ela entendia o que eu quis dizer com a palavra “coisa” , mas não entendeu, pelo menos pela cara que ela fazia agora. – Coisas, ? Tipo o que um homem e uma mulher fazem. – tentei explicar de uma maneira que não tinha como não saber.
- Ah, vocês transaram. – disse ela, meio alto.
- Shih! Fala baixo. – censurei-a.
- Cara, por que você não disse logo “transar”? Pelo amor de Deus, quem é que se refere a isso como “coisar”? – e começou a rir da minha cara. Que amiga que eu tinha! Eu aqui, abrindo o meu coração, e ela rindo de mim. Tá, sem drama.
- Tá, tudo bem, talvez “coisar” não seja mais apropriado, só que transar tambem não.
- O quê, então? Sexo, foder, trepar, afogar o ganso, fazer amor? – disse o último com uma cara de nojo.
- , você bebeu antes de vir pra cá? Porque você hoje está muito depravada! O não te dá uns pegas faz tempo, hein. – disse, zoando ela.
- O quê? Eu sou bem servida. Você que tá parecendo aquelas virgens que falam “coisar”. – falou, rindo ainda da minha cara.
- Tá em que momento você vai para de rir da minha cara e vai me escutar? – perguntei.
- Agora mesmo! Só por favor não diga “coisar” de novo.
- Ok! Então eu e o ... nós transamos ontem. – disse, olhando pra ela pra ver a sua reação.
- E? O que tem de errado nisso?
Ok, agora quem ficou surpresa fui eu. Cadê o ataque de histeria? Cadê os pulinhos na cadeira e o “eu não acredito”?
- Não vai surtar? – perguntei, olhando preocupada pra minha amiga, que comia uma batata frita sem ao menos estar alterada com a minha revelação.
- Não! Eu já sabia que isso um dia ia acontecer. – respondeu, dando de ombros.
- Tem bola de cristal agora? Virou madame sei lá o quê que traz o amor em sei lá quantos dias?
- Nada disso. Eu sabia porque entre você e o sempre saiu faísca, e uma hora ou outra ia rolar.
- Hum... mas isso nem é a metade. Tem uma coi... um segredo que eu sempre quis te contar mas nunca tive coragem. – disse, desviando o olhar pro garçom gatinho que passava. Talvez eu tenha uma fixação de leve por eles. É, só talvez.
- E esse segredo tem a ver com o ? – perguntou, apoiando os braços na mesa e chegando mais perto de mim.
- Sim! – E com um suspiro, contei o meu mais triste segredo. – Eu amo o .
Três palavras, mas com tanto significado, tanta entrega. Me sinto agora muito exposta, minha amiga parecia ter levado uma bofetada, pois agora se encontrava encostada na cadeira me olhando com uma cara assustada.
- Nossa! Agora sim eu estou surpresa. Isso faz muito tempo? - Desde aquele dia da boate. – falei com um pesar.
- Agora tudo faz sentido. Você nunca namorou ninguém, tinha um amigo peguete, com quem nunca criou um laço, nunca ligou pra sair com a gente. Eu achava que você era fria, insensível, mas na verdade esse tempo todo você era louca por um cara que sempre te tratou mal. Nossa, , como você aguentou passar por tudo isso sozinha sem me falar? Por quê? – terminou de falar pegando na minha mão que estava estendida sobre a mesa.
- Eu sempre achei que se eu não falasse alto, não contasse a ninguém seria menos doloroso de que ver as pessoas me olhando com pena. Eu não queria sentir isso por ele, mas eu sinto e é tão forte que dói. Eu não queria isso. O pior é que aconteceu e eu estava com os olhos bem abertos; sabia ser impossível. – teminei de falar limpando uma lágrima teimosa que caia.
- É um clichê, mas o amor é cego. Não se escolhe quem se ama. – disse , me dando um sorriso de consolo.
- Mas dá para ser um pouco inteligente. – falei, tentando fazer uma piada da minha situação.
- E agora o que você vai fazer?
- , como assim o que eu vou fazer? Nada, eu só não quero que aconteça de novo. Eu não quero me sentir daquele jeito que o fez eu me sentir por um momento no paraíso para logo depois ser arrancada dele e me encontrar olhando para um totalmente arrogante do meu lado. – suspirei e bebi mais um gole da minha cerveja.
- , para o todas as mulheres não prestam, são comuns, ele só tem algumas relações com elas por ter, você nunca percebeu isso? Lembra que sempre foi uma por noite? – me perguntou levantando as sobrancelhas de modo questionador.
- Até a Georgia. Ela foi mais que uma noite, foram dois anos. – Eu a lembrei.
- Sim, a Georgia, mas isso foi uma tentativa do de ficar com alguém sério. E quando ele viu que isso não ia dar certo, ele também não demorou a trair ela. E vamos combinar que ele escolheu a pior opção de mulher para se ter algo sério. – ela falou balançando a cabeça negativamente.
-Pois é, ele é burro até pra isso. – disse, comendo uma batatinha.
- Mas você não é... – disse ela, dando mais um gole em sua cerveja e comendo mais batatas.
- Não sou? – perguntei, me ajeitando na cadeira.
- Não. Você ama o . Certo?
- Sim, eu já te disse isso.- Bufei. Onde será que ela queria chegar, eu conheço muito bem a minha amiga pra saber que ali ia ter alguma coisa, aquela cabecinha estava tramando algo.
- E você faria o quê exatamente para tê-lo?
- , eu não estou gostando dessas suas perguntas. – disse, olhando pra ela com medo e pensando se eu dissesse que precisava usar o banheiro, ia dar muito na cola. Pensando melhor, encarar os fatos do que correr, mesmo porque a não desiste fácil de nada.
- Bobagem! – disse, levantando a mão e fazem um gesto de desdém. – O que eu tenho para te dizer é bem simples: Seduz ele, deixe ele aos seus pés, seja diferente de qualquer mulher que ele já teve, leve ele a loucura e aí você vai ter o verdadeiro aos seus pés.
- Tá maluca, , como eu iria fazer isso? Eu sou comum, eu não sou loira e nem peituda, e nem quero ser.
- Mas você não quer ele? Muda o visual, muda o comportamento. Homens gostam daquilo que não se pode ter, você tem que ser difícil, ser diferente, pertubar a cabeça dele. Entendeu?- me perguntou, ansiosa.
- Entender, eu entendi. Só que eu acho que essa mulher que você descreveu não pode nunca ser eu. – disse balançando a cabeça negativamente.
- Pelo amor de Deus, , acorda! Você é linda, sexy, quando quer, é claro, e tem um jeito todo seu. Por que não você? E vamos comentar que o sempre te tratou diferente de qualquer mulher. – disse e levantou o braço pedindo mais uma rodada de cerveja pro garçom gato.
- Sim, sempre me tratou diferente. Com patadas, foras, e outras coisas mais. – eu disse, bebendo mais um gole da minha nova cerveja.
- Mas aí que tá. Por que só você ele trata assim? Já parou pra se pergunta que talvez você mexa com ele mais que ele gostaria, e por isso ele age assim? – me perguntou com um sorriso de quem sabe das coisas.
- Talvez você esteja certa, mas o que eu sempre me pergunto é porque ele é assim? Você sabe de alguma coisa? – perguntei louca pra que ela me disse-se que sabia.
- Não, o que eu sei é que tem sim alguma coisa, que aconteceu com ele no passado que o deixou assim, mas eu já tentei perguntar pro e dali não vai sair nada, te juro, eles são bem fiéis. Sabe como os homens são.
- Sim, eu sei. – suspirei de derrota.
- Bom, e aí, vai seguir meus conselhos? Ou vai se dar por vencida e viver um ano ao lado do cara que você ama sem ao menos tentar? Porque vai ser bem difícil para você se manter longe dele se já nos primeiros dias vocês resolveram consumar o casamento. – ela disse, levantando as sobrancelhas de modo questionador.
- Eu sei. O que me custa tentar? Se ele me magoar? Tudo bem, ele já faz isso mesmo. Se ele me rejeitar? Tudo bem ele já faz isso também. – com um suspiros registrei minha derrota. – O que eu tenho a perder?
- Nada, só a ganhar. – disse sorrindo.
- Eu vou pensar em tudo que você me disse.
- Se você aceitar as minhas sugestões a primeira atitude a se tomar é: mudar o visual. – ela falou.
- Mudar o visual? – perguntei com uma cara de desgosto por ter que mudar o meu visual.
- Sim, mudar o visual. - ela afirmou sem me deixar escolha. - Não se mostrar fácil de jeito nenhum. – disse ela, assinalando com os dedos na minha direção.
- Isso vai ser meio difícil, você sabe como o é perito nessas coisas de sedução. – disse com angústia na voz.
- Bobagem! Você vai tirar isso de letra. – ela falou pondo mais fé em mim do que eu mesma.
- Tem mais? – peguntei arqueando uma das minhas sobrancelhas.
- Homens não gostam de ver mulheres chorarem. Sentem-se culpados, não sabem como agir. – disse a fazendo uma careta. – Então se liga: nunca chore na frente dele.
- Ok! Essa é moleza, não sou de ficar chorando mesmo. – falei dando de ombros. Mas logo me lembrei que ultimamente era o que mais eu fazia. Bom, pelo menos não era na frente de ninguém.
- Ser sexy! – disse batendo na mesa com a mão e tomando um gole de cerveja.
Até me assustei com a pancada na mesa.
- Lembre-se ser sexy, não ser vulgar. – disse levantando um dedo em uma observação.
- Ok! Já tomei nota, querida professora. – falei rindo.
- Se depois disso o não ver o quanto você é importante e única, você me avisa que eu mesmo vou lá dar uns tapas naquela cabeça dura dele.
-Ok , eu vou pensar, depois te digo o que eu resolvi. – disse, piscando um olho, e levantando a minha garrafinha para fazer um brinde.
- À minha mudança! – disse brindando e tomando um gole em seguida.
- À sua vitória! – disse a , tomando um gole também.
- Agora eu preciso muito saber o que aconteceu com o . Quem você acha que poderia me dizer? – perguntei comendo mais uma batatinha.
- O elo mais fraco. – disse dando um sorriso misterioso.
- ! – falamos juntas.
- Como não pensei nisso antes, na primeira opurtunidade que eu tiver sozinha com ele, eu vou espremer tanto ele que vai ter que sair alguma coisa. – disse.
- Tadinho! Deu até pena agora. Eu que não queria estar na pele dele. – Disse , fazendo uma careta.
- Não ia querer mesmo. – disse piscando um olho e tomando mais um gole da minha bebida.
- Preciso ir... – disse pra .
- Também, amanhã acordo cedo. – Ela falou fazendo uma careta e fazendo um gesto para o garçom gato trazer a conta.
Passando alguns minutos, ele trouxe a conta.
- Meninas, a conta. – anuciou o garçom dando uma piscadinha básica para nós duas.
Peguei o dinheiro na carteira e juntei com o da e pagamos a conta. Levantamos e saímos do pub.
O ar me arrepiou fazendo eu estremecer de frio.
- Vamos rachar o táxi? – me perguntou a .
- Sim, a gente passa na sua casa, que é mais perto e depois eu vou para minha. – disse, rindo.
- Ok! Olha um táxi. Que sorte! – falou a , já fazendo sinal.
Entramos e demos o endereço para o taxista.
- Sabe, eu quase ia esquecendo de te perguntar. E a , melhorou? Ela estava tão amuada no meu casamento, mas não quis me dizer o que tinha.
- Tadinha da , você nem vai adivinhar o que ela descobriu. – disse , fazendo um suspense.
- O quê? – perguntei, ansiosa.
- O , aquele porco desgraçado, tá traindo ela. – disse a fechando as mãos em punho.
- Sério? Não acredito. – disse, exasperada.
- Pode acreditar. – falou fazendo uma careta.
- Tadinha, mas como ela descobriu? – perguntei curiosa.
- Uma mensagem no celular dele, de uma tal de Kelly. A princípio ela acho que era um engano porque a mensagen não estava com nome dele. Ela deixou passar, não falou nada. Até o dia do seu casamento, quando ele deixou o celular na mesa e saiu para ir ao banheiro e o celular vibrou e a abriu a mensagem e lá estava a mesma Kelly.
- Meu Deus! Coitada da minha amiga. Que raiva do .
- Ainda tem mais. Ela ligou pro número que estava na mensagem, e quando a mulher atendeu ela disse: Oi, ! Pronto, aí a não precisou de mais nenhuma resposta.
- Ela falou com ele sobre isso? – perguntei.
- Não! Disse que tá sem coragen pra ouvir da boca dele a verdade. – disse a balançando a cabeça negativamente.
- Nossa! Que barra. - disse olhando para a paisagem que passava em um borrão.
-É se o fizesse isso comigo, ele iria dizer adeus ao seu amiguinho. – Ela falou fazendo uma cara de má. – eu não ia ficar assim sem saber da verdade, sem questionar.
- Eu acho que eu também não, apesar que só quem vive é quem sabe. – disse e suspirei lembrando da minha própria situação.
- É! - concordou a . - Opa! Cheguei. – disse, rindo, e me dando dois beijinhos na bochecha e saindo do carro. Antes de o táxi virar a esquina, vi ela entrando na minha antiga casa.
Saudade, o sentimento ruim que dói no peito, que aperta tanto que parace que você vai explodir. É tão bom quando você está acostumada com as coisas. Antes eu tinha a minha casa, o meu estágio, o meu peguete e melhor amigo. E por anos eu vivi assim, nessa rotina, nessa zona de conforto, mas de repente me vejo: sem um peguete, mas com um marido gato que eu posso pegar mas não se envolver, uma casa nova e uma vida instável. Saí da minha zona de conforto, me encontro perdida, sem chão, sem eixo.
Saí dos meus pensamentos com a voz do taxista me chamando, avisando que eu já tinha chegado. Paguei e desci, abri a porta de casa e automaticamente uma luz do abajur se acendeu, mostrando um sentado com uma carranca me olhando. Sabe quando você é adolescente e seu pai te pega voltando da balada? Pois é, me senti assim, mas o fato é que o não era o meu pai, é o meu marido, então eu me encaixo na faixa de esposa traíra sendo pega pelo marido? Que horror eu pensar nisso, eu nem fiz nada de mais. Então porque eu estou me sentindo como se estivesse sido pega no flagra?
- Oi! – disse fechando a porta e tantando deixar o clima menos pesado.
- Oi! – ele disse, meio carrancudo.
- Sem sono? – perguntei já pondo o primeiro pé no degrau da escada. Não queria de jeito nenhum arrumar uma discução a essa hora da noite.
- É, ao que parece, sim! E aí, o encontro foi bom?- me perguntou, levantando uma de suas sobrancelhas fazendo aquele gesto de sempre.
- Encontro? Que encontro? – perguntei não entendendo aonde ele queria chegar.
- Ele te satisfez ou vou ter que terminar o que ele começou mal? – perguntou com um sorriso zombador.
- Ei! Não desce tanto assim. Fica feio para você. – respondi, esquecendo que ia subir e ficando frente a frente com o .
- Que isso, querida, eu só queria te ajudar. – disse no seu jeito sarcástico de sempre.
- Eu passo. Olha, eu não te devo satisfação, mas eu estava com a em um pub.
- Hum... Não te perguntei nada. – disse ele se levantando e apagando a luz do abajur deixando a sala apenas a luz da lua que entrava pela porta de vidro que dava para o jardim. - Perguntei como foi o encontro, não com quem você estava. Eu vou dormir, já que agora minha amada esposa já voltou para casa. – disse passando por mim. Peguei em seu braço e perguntei.
- Qual o seu problema? Porque você faz isso? – perguntei olhando em seus olhos.
Por um momento achei que ele simplesmente ia puxar o braço e subir, mas paracendo mudar de idéia suspirou e me respondeu.
- Você, entre outros. – disse com um dar de ombros.
- Eu? – perguntei incrédula. Eu? Era um problema para o grande e inalcançável . Que besteira.
- Sabe, eu poderia te dizer que você é a mulher da minha vida, que eu estou louco por você ou que você é muito especial para mim. Esses seriam alguns motivos para você não sair da minha cabeça, mas eu não sou tão sensível assim. – falou com um ar teatral. – A verdade é que você não sai da minha cabeça, por um único e mais sincero motivo: desejo.
- Desejo. – repeti aquela palavra com a voz entrecortada.
- Desejo. – susurrou ele chegando mais perto de mim, me imprensando na parede ao lado da escada. – Desejo mais puro e cru. – disse ele passando as mãos pela lateral do meu corpo me fazendo arrepiar com o seu toque.
O beijo começou calmo, mas logo se intensificou. O desejo falou mais alto, tanto que eu nem lembrava porque, eu não poderia me entregar desse jeito. O que eu queria era subir e me entregar totalmente para ele. Parecendo ler os meus pensamentos, me pegou no colo e entre tropeções chegamos ao meu quarto. Me desceu e logo em seguida comecei a tirar a sua camisa.
- Com pressa? – me perguntou rindo e me ajudando a tirar a camisa também.
- Muita! – respondi já tirando a minha calça.
- Ótimo! – disse ele, já ficando totalmente nu e arrancando a minha última peça.
Voltamos a nos beijar apaixonadamente, caimos na cama e o começou a sua própria expedição pelo meu corpo fazendo eu gemer de tanto prazer. Sua língua passeava pelos meus seios fazendo eu me arrepiar e querer ele dentro de mim.
- . – murmurei, puxando a sua boca para minha. – Para de ser mau e me dá logo o que eu quero. – disse fazendo gestos de fricção com meu quadril.
- É pra já. Mesmo porque se você continuar assim, a nossa brincadeira vai acabar logo, logo. – falou, já pegando a camisinha e pondo para logo se introduzir em mim, me fazendo soltar um suspiro de prazer.
Os gemidos, os arranhoes, a fricção gostosa, o suor, o gozar.

- Você me deixa sem ar. – disse, me virando de lado para encarar o meu parceiro sexual.
- Obrigado! Você não fica atrás. – disse se virando para mim também, pois até então estava olhando o teto do meu quarto.
- Obrigada! Até que enfim um elogio. – disse tentando fazer uma brincadeira.
- Não sou muito de elogios. Não sou um príncipe, estou mais para vilão. – disse, rindo. – Então não espera de mim cavalos brancos ou flores.
- Ok! Então voltamos para a parte que você me onfende. – perguntei com deboche.
- Não, voltamos para a parte que eu saio do seu quarto e vou para o meu, dormir. – disse ele levantando e catando as suas roupas, sem ao menos me olhar novamente.
- Por quê?
- Você, , pergunta demais. Pelo amor de Deus, eu já disse para você, é só sexo, sem mais. Não complica o que é tão simples.
- Simple? Você acha que nós dois somos simples?
- Aí que tá, não tem essa de “nós dois”. – disse, batendo a porta do quarto e saindo.
E eu fiquei novamente ali sem saber como agir, parada, sentanda na minha cama com os meus lençóis revoltos aos meus pés, como prova de tudo que aconteceu há alguns minutos atrás, mas sem a pessoa que tinha participado daquilo tudo comigo. Parecia que eu transava com um fantasma. Fantasma? Realmente o com que eu fazia sexo parecia um fantasma, porque logo sumia e no lugar ficava o de sempre.
Era assim que eu ia conquistá-lo? Essa noite eu não segui de forma alguma os conselhos da . E olha no que deu: rejeitada novamente. Mas isso vai mudar. A tá certa, eu vou conquistar o verdadeiro .

Capítulo 11 – Escuro total

Trim trim trim O barulho de alguma coisa vibrando me despertou. Bom, tudo bem, nem estava sonhando com nada mesmo. Abri os olhos e olhei pro meu celular que vibrava na minha mesinha. Olhei o visor, era a minha mãe me ligando.
- Alô! – minha voz saiu meio rouca.
- Te acordei? – perguntou minha mãe.
- Sim, estava dormindo. – disse e olhei as horas. Era cedo ainda. Franzi o cenho, preocupada. Será que aconteceu alguma coisa? – Mãe, você tá bem? Tá me ligando a essa hora porque?
- Que a essa hora, já está tarde. – disse, me repreendendo.
- Mas aqui ainda é cedo. – disse a ela, provavelmente esqueceu do fuso horário. Como sempre, aliás.
- Ah, querida, desculpa, eu sempre me esqueço. – disse com um pesar.
- Já percebi. – falei, me jogando denovo na cama.
- É que eu queria tanto falar com você que nem me preocupei com o horário.
- Pode falar mãe. – falei e dei um suspiro.
- É... o seu pai me disse que você não está trabalhando. – me perguntou. A voz da minha mãe já estava bem prejudicada, saía tremida e às vezes eu tinha que prestar bem atenção nas suas palavras.
- Papai tá certo, não estou trabalhando. – falei, olhando pro teto do meu quarto.
- , isso eu não posso aceitar. – disse minha mãe gritando, tive que afastar o celular porque chegou a doer meus ouvidos.
- Por quê não? Eu já expliquei pro pai que a agenda do é muito cheia e como esposa dele, tenho que acompanhá-lo em quase todos os lugares. – tentei explicar para ela.
- Que homem iria querer que sua mulher largasse tudo pra viver atrás dele o tempo todo? E outra, você esqueceu o quanto eu gastei pra você se formar aí? O quanto eu e o seu pai sofremos por você estar longe? E aí por causa de um rapaz, você joga tudo pro alto e pronto? Isso não está certo, minha filha.
Bom, o que eu ia dizer a minha mãe? Ela estava completamente certa. O caso era que minha mãe pensava que eu fizera isso tudo por amor. Eu amo o , mas isso tudo foi por amor a ela.
- Mãe, fica tranquila, eu vou ver aqui. Talvez eu volte a trabalhar meio período. – disse, tentando apaziguar.
- Eu não aceito outra coisa. Agora vou desligar, odeio ouvir minha voz sair assim. – Ela disse, com a voz mais tremida.
-Mãe, você precisa ser forte. Eu só posso imaginar o que você esteja sentindo. – disse, fechando os olhos e pensando como minha mãe estava sofrendo com essa doença tão cruel.
- Você não pode nem imaginar, eu me sinto sumindo a cada dia, porém você está bem viva, e é por isso que eu quero que você viva, não dixe de fazer suas coisas por ninguém, o tempo passa e a vida é curta. – ela disse, dando um soluço de pura angústia no final.
- Eu te amo, mãe. – disse, tentando ser forte. - Eu vou voltar a trabalhar. – afirmei. Não ia ser fácil falar com o , só que pela minha mãe eu faria qualquer coisa.
- Eu também te amo! Beijos – disse e desligou.

Mais um problema. Beleza, o que é mais um quando já se tem tantos? Bufei e voltei a dormir. Era bem cedo, mais tarde eu iria resolver mais esse problema.
As luzes solares entravam pelas frestas da janela. Já deveria ser umas dez da manhã e se eu quisesse falar com o eu ia ter que correr. Joguei as cobertas de lado. Fui para o banheiro e fiz minha higiene matinal, botei um short e uma blusa três quartos e o meu chinelo mesmo porque não ia sair pra lugar nenhum. Bom, eu tinha uma tarefa bem desgastante agora – enfrentar o depois de ontem e ainda informá-lo que eu voltaria a trabalhar. Isso mesmo, informar, porque pedir isso, jamais. Saí do quarto e fui direto para cozinha para tomar o meu café da manhã. Desci as escadas e o sol entrava pelas janelas da sala esquentando o meu corpo, me fazendo dar um sorriso involuntário. O sol. Eu o adorava, mas aqui ele era tão raro que quando aparecia assim quente me fazia rir à toa.
Entrei na cozinha e logo vi a Emma tirando alguma coisa do forno e pondo em cima da bancada e logo virando na minha direção.
- Bom dia, ! – disse ela, alegre.
- Bom dia, Emma! – disse, abraçando-a. A Emma era uma senhora já e me lembrava tanto a minha mãe que toda vez que eu a via tinha vontade de agarra e beijar.
- Opa! E eu, não ganho nem um beijinho? – pronto, meu dia acabou de ficar nublado. Olhei para o dono da voz e me deparei com um sentado com uma xícara de café nas mãos e um sorriso nos lábios me encarando.
- Claro, querido, só não tinha te visto aí. – eu disse, atravessando a cozinha e dando um casto beijo nos seus lábios. Bom, se eu queria conquistá-lo, eu tinha que esquecer o que aconteceu ontem e começar de novo, então a primeira coisa que eu tinha que fazer era não me deixar intimidar, porque o que ele queria com isso era me intimidar.
Ele deu um riso presunçoso, parecendo até que sabia das minhas intenções. Sentei na cadeira de frente para ele e comecei a tomar o meu café.
- Hoje eu vou chegar tarde. – disse ele já se levantando e arrastando a cadeira.
- Tudo bem! – disse em um dar de ombros.
- Eu já to indo, tenho uma sessão de fotos com os caras. – disse dando um beijinho na bochecha da Emma. E praticamente correndo pelo corredor em direção a porta.
- Ei ! Espera. – disse, me levantando e praticamente correndo atrás dele.
Ele parou e me olhou levantando aquela insuportável sobrancelha que vivia me desafiando.
- Quer o seu beijo também? – perguntou, já chegando perto de mim.
- Não! – falei me esquivando e dando uns passos para trás.
- O que é então? – perguntou, já meio sem paciência olhando o relôgio.
- Tem um minuto? Preciso falar com você, é bem rápido. – falei apontando lá para cima.
Suspirou olhou o relôgio mais uma vez e disse:
- Vamos! Seja breve, já estou atrasado, para variar, e sabe que se chego atrasado, o me mata. – disse, pegando na minha mão e me arrastando para dentro do seu estúdio. Fechou a porta e me indicou uma cadeira, e se sentou no sofá de frente.
- Pronto, sou todo ouvidos, pode falar. – falou, cruzando os braços.
- É... minha mãe me ligou hoje. E ela me lembrou de uma coisa muito séria, e com isso eu me senti muito mal. – falei sentando melhor na cadeira.
- Sem rodeios, eu não tenho tempo pra isso. – disse ele impaciente.
- Eu quero voltar a trabalhar. – disse, olhando bem pra ele.
- O quê? Trabalhar? Aonde você trabalhava, em um jornal de celebridades? – falou, se levantando e andando de um lado para o outro fazendo seu perfume chegar até a mim.
- Não, eu posso arranjar em outra área, não ia dar certo eu casada com você, trabalhando na parte de celebridades. – disse me justificando.
- Trabalharia aonde, então? – me perguntou, se sentando novamente aparentemente um pouco mais calmo.
- Então, o Adam, no dia do nosso casamento, me informou que estão precisando de gente na parte de esportes. No dia, eu disse que não tinha interesse. – vendo que ele fazia uma cara de que não acreditava, tentei me justificar melhor. – Eu não aceitei, até essa manhã estava tudo bem em só ser sua esposa, mas a minha mãe me disse umas coisas e é verdade, sabe? Eu estou longe dos meus pais, há anos justamente para construir uma carreira aqui e quando eu me formo fico parada sem fazer nada? – falei olhando para ele esperando a sua reação.,br> - Eu entendo, mas você sabia o que ia ter que fazer durante um ano, eu não te enganei em nada, você assinou isso. – afirmou.
- Eu sei, mas eu preciso fazer isso, eu preciso me achar em algum lugar. – suspirei, derrotada.
Ele ficou ali me olhando pelo que me pareceu minutos, mas na verdade eram segundos pois ele não poderia se dar o gosto de perder minutos por já esta atrasado. Com um suspiro voltou a falar.
- Olha, eu não sou nenhum mostro pra deixar uma pessoa sem ter um lugar, eu não quero isso pra você. Se você está se achando perdida, eu espero que você se encontre. Tudo bem por mim, mas por favor, nada do setor de celebridades. O esporte seria o ideal. – disse, já se levantando em direção à porta do estúdio. - Obrigada , por me entender. – disse e quando eu vi, já estava abraçando ele. Parecendo meio aturdido o mesmo me abraçou e eu senti seu queixo se apoiar na minha cabeça. Ficamos ali abraçados, tão unidos, ali para mim era um lugar tão bom, tão seguro, mas minha fotaleza logo desmoronou. Aos poucos nos afastamos, dando um sorrido sem graça.
- Preciso ir. – disse ele, fazendo gesto com a mão em direção à saida.
- Tudo bem! – falei concordando e dando um sorriso para ele.
Parecendo hesitar, deu um passo na minha direção para logo em seguida dar dois para trás e sair da minha frente balançando a cabeça negativamente.
Homens, quem os entende? O que foi essa cena agora? Abraço, cumplicidade? Será que já estava dando certo? – fiquei me perguntando ainda parada no meio do estúdio.
Bom, agora que eu já falei com o , vou ligar para o Adam. Pensei, já saindo do estúdio e entrando no meu quarto lilás.
Peguei meu celular e procurei o nome do Adam na agenda, fiquei olhando e inconcientemente mordi o lábio inferior, pensando se seria certo recorrer ao Adam. Afastei esse pensamento. Lógico que seria certo, se ele me apresentou uma oportunidade, porque não pegá-la? Respirei fundo e apertei o botãozinho verde. Depois de uns toques, o Adam atendeu.
- Oi, ! – sua voz parecia um pouco surpresa.
- Oi, Adam, como vai? – perguntei.
- Bem, e você?
- Também. – respondi, dando um suspiro. Era tão estranho falar com ele depois de tudo...
- Que bom. – disse dando uma risadinha meio sem graça.
Decidi parar de rodeios e convidá-lo logo pra almoçar.
- Vai fazer o que na hora do seu almoço?
- Almoçar sozinho, em algum lugar qualquer. A não ser que você esteja me dando uma melhor solução. – me perguntou, já rindo. Esse era o Adam, sempre facilitando as coisas.
- Sim, queria almoçar com você. Tudo bem? – perguntei, mordendo o lábio.
-Claro! Eu estou com saudades de você. – disse ele, entusiasmado.
- Pode ser naquele restaurante na esquina do Jornal? – perguntei na expectativa.
- Ótimo. Te espero lá. – disse ele.
- Beijos Adam, até. – disse.
- Até. – ele disse e desligou.
Suspirei e botei o celular na mesinha de novo. Bom, agora era só ter ainda a vaga e pronto, logo eu já estaria trabalhando.
Meu celular voltou a tocar. Droga, será que era o Adam dizendo que não ia poder. Olhei o visor e logo vi que era a que me ligava, atendi.
- Oi!
- Oi, !
- Tudo bem? – perguntei a minha amiga fofa.
- Estou e você? – me perguntou. E ao fundo, eu ouvia aquela voz que sempre chamava os médicos nos hospitais.
- Também. – respondi.
- Hum... estão me anuciando. Só liguei pra te avisar que amanha é sexta, e o encontro vai acontecer lá em casa. Todo mundo já sabe e concordou. E aí? – me perguntou, meio rápido.
- Beleza, vou estar lá. – disse rindo.
- Ok! Estou indo, emergência. – disse rindo e desligou.
Olhei pro telefone, maluca, só vivia no corre, corre.
Botei o celular na mesinha de novo e fui preparar o meu banho na hidro.
Saí do banho e parei dentro do meu closet: - O que vestir? – mumurei, olhando as minhas roupas.
Decedi pôr uma calça jeans, uma sapatilha e uma blusa básica. Peguei um casaco, pois apesar de estar sol, mais tarde poderia mudar o tempo. Peguei minha bolsa e o celular e desci as escadas indo em direção à cozinha.
- Emma! – desci as escadas, gritando.
- Oi! – a Emma respondeu da cozinha.
Andei alguns passos e a encontrei sentada na mesa da cozinha, assistindo um programa de culinária. Sorri e me sentei ao seu lado.
- Vou sair, vou almoçar fora. E como o também não vem, não precisa fazer o almoço. – expliquei.
- Tudo bem! Então vou aproveitar e visitar a minha sobrinha que acabou de ter um bebê.
- Ai, que fofo! Dá os parabéns pra ela. – disse pra Emma, que parecia bem feliz.
- Então já estou indo. – falei, já me levantando e indo em direção à saída.
- Vai com Deus! – ouvi a Emma falar da cozinha enquanto já fechava a porta da sala.
Peguei um táxi e fui me encontrar com o Adam. “Que tudo dê certo.” – pensei.
Entrei no restaurante que estava bem cheio pelo horário, logo veio o maitre e eu perguntei se o senhor Adam já se encontrava lá, ele disse que sim e me indicou a mesa. Adam já me esperava bebendo um vinho tinto e sorrindo enquanto eu me aproximava, se levantou e me comprimentou com dois bejinhos na bochecha, arrastou a minha cadeira para eu sentar e logo se sentou na sua, era todo um cavalheiro.
- Quem bom te ver. – disse ele, fazendo um gesto ao garçom para me trazer uma taça.
- Também acho. – respondi, rindo.
- a o cardápio, eu já pedi. – disse ele, fazendo uma cara de culpado por não me esperar. – Tenho a hora do almoço hoje apertada. – desculpou-se.
- Entendo. – disse, já olhando o menu.
- Vou comer esse aqui. – disse, apontando pro cardápio enquanto o garçom anotava. Com um cumprimento de cabeça, se afastou, levando o meu pedido.
- Eu queria te perguntar se você sabe se ainda tem aquela vaga no setor de esportes? – perguntei, insegura, e dei uma bebericada no meu vinho.
- Tem! – respondeu franzindo o cenho. – Mas você disse que não estava interessada.
- Eu sei, só que eu mudei de idéia, preciso trabalhar. – falei ohando pra ele.
- Tudo bem, depois do almoço eu vou falar com o chefe e te telefono. Acredito que tudo vai dar certo, e logo você vai estar trabalhando. – disse ele pegando na minha mão que estava em cima da mesa.
- Que bom, você me tirou um peso agora. – disse, olhando pra ele afetuosamente. Ele era um ótimo amigo. Só que olhando mais atentamente para aquela cena, não parecia um gesto afetuoso de um amigo. Depois desse meu pensamento, tirei as minhas mãos da sua e escondi debaixo da mesa e lhe dei um sorriso sem graça. Parecendo meio decepcionado, ele suspirou. Aquele momento tão incômodo passou com o garçom, trazendo as nossas comidas. Almoçamos e ficou combinado dele me ligar com a resposta. Nos despedimos com um breve e estranho abraço, e seguimos rumos diferentes.
Saí andando pela rua, pensando que a quem eu queria enganar com essa história que tudo poderia voltar a ser como antes com o Adam, sempre ia estar ali aquela tensão sobre nós. Olhei pro outro lado da rua e as palavras da me vieram a cabeça. “O primeiro que você tem a fazer é mudar o visual.” Olhei de novo pro salão de beleza do outro lado da rua e tomando uma decisão, atravessei e entrei pra mudar nem que seja um pouco.
Depois de horas, eu saía com umas mechas californianas, unhas feitas e me sentindo renovada. Fui andando pela calçada até que me deparei com um supermercado e uma idéia meio louca me veio a cabeça. E se eu fizesse um jantar pro , como forma de agradecimento por ele não ter criado nenhum caso por eu ter que voltar atrabalhar? Muito feliz com essa minha ideia entrei no mercado e comprei os ingredientes para fazer um strogonofe, já que as meninas diziam que era o meu prato mais gostoso. Saí de lá e peguei um táxi. Cheia de bolsa, me atrapalhei para abrir a porta, fechei e fui direto pra cozinha. A Emma já veio logo na minha direção e me ajudou.
- Que isso menina, compro o mercado todo? – me perguntou, a Emma botando algumas sacolas na mesa.
- Não, Emma, você já fez o jantar? – perguntei, enquanto tirava os igredientes da sacola.
- Não, eu ia começar agora, mas se você estiver com fome... – falou.
- Não, ótimo que você ainda não tenha feito. Hoje você pode tirar a noite de folga, o jantar é por minha conta. – disse, piscando um olho pra ela.
- Tudo bem! – disse ela, rindo e retribuindo a minha piscadela, enquanto ia para o seu quarto pegar a sua bolsa.
Pronto, agora era só começar a fazer. Em menos de meia hora, já estava pronto. Subi e tomei um longo banho pra relaxar, botei um vestido tomara que cai rosa e uns sapatos de salto preto. Desci a escada e arrumei a mesa para o meu jantar, já era dez hora da noite, fiquei tentada a ligar pro , mas decedi esperar, fui andando pra sala e me sentei na protona que o se sentou ontem. Concidência ou não, eu iria esperá-lo assim como ele me esperou ontem. Ri com esse meu pensamento. Mas ainda faltava alguma coisa pra fazer o meu cenário de sedução perfeito e logo me veio a cabeça que eu, sentada ali, só com a luz do abajur combinava perfeitamente com uma taça de vinho nas mãos. Dizendo como eu sou esperta fui até a cozinha, peguei a garrafa e me atrapalhei um pouco para tirar a rolha, mas por fim consegui, enchi a taça até quase a borda e voltei a me sentar na poltrona. Qual seria a reação do ? ara que ele deixasse eu entrar um pouco naquele iceberg que ele construiu em volta de si mesmo. Se eu só fizesse um rachadura, seria o suficiente pra eu começar a escavar e enfim aquecer aquele coração frio, mas será que depois de eu cavar tanto eu iria ter a minha recompensa? Ou eu encontraria um lugar vazio sem coração nenhum? Bom, isso eu só irei saber quando eu chegar lá. Olhei o relôgio que tinha na sala já marcava dez e meia. Hum será que vou tomar um bolo? Cara, eu devo ter muita má sorte, porque quando eu resolvo tomar partido da minha vida, nada coopera, nem o homem a ser seduzido.
ei um grande gole do meu vinho e dei mais um suspiro, um som do lado de fora fez eu me sentar mais ereta na poltrona. Olhei para porta da sala, esperando o entrar. Meu coração começou a acelerar, apertei tão forte a taça que meus dedos ficaram brancos, ainda dava tempo de correr e me esconder no quarto. – pensei – Não, eu vou ficar e conseguir, eu sou uma mulher forte e decidida. – murmurei.
O coração continuou acelerado, continuei a apertar a taça, mas minhas palavras me deram a coragem pra ficar sentada ali e esperar. A porta se abriu e por ela entrou o homem mais bonito, o amante mais completo, o cara pelo qual eu sou completamente apaixonada. Entrou por aquela porta o meu alvo, e se alguém fosse ficar surpreso essa noite, não seria eu.
Piscando para se adequar à falta de luz, vi o virando em direção às escadas, mas antes de por o pé no primeiro degrau, eu resolvi falar e demonstrar a minha presença, acendendo o abajur ao meu lado.
- Oi, querido! – disse de uma forma tão sensual e rouca que nem parecia eu.
Parecendo levar um susto deu um giro e me olhou com os olhos arregalados por segundos incontáveis, e começou a me avaliar, me olhando dos pés à cabeça. Primeiro ele se demorou nos meus pés, para logo subir por todo o meu corpo, e por último olhou no meu rosto, deu um sorriso que me pareceu de satisfação.
- Tá bonita, gostei. – ele falou com a voz meia rouca, apontando pros meus cabelos.
Mexi a taça com o vinho e cruzei e descruzei as pernas dando um suspiro como se nada daquilo me abalasse, e respondi: - Estava na hora de mudar um pouco. Que bom que gostou. – sorri, de um jeito tímido.
Como ficou um silêncio estranho e ele não tirava os olhos de mim, levantei e me aproximei mais ainda dele. Minhas pernas estavam bambas, e eu estava suando frio.
- Já jantou? – perguntei, rezando para que a resposta fosse não.
- Não, reunião até tarde, depois nós ensaiamos para a turnê e não deu. – disse ele, fazendo uma careta.
- Tá com fome? – perguntei pegando na mão dele que descansava na lateral do seu corpo.
- Morto, pra fala a verdade. – falou, arregalando os olhos e olhando para a minha mão, pega a sua.
- Que bom, eu fiz o jantar hoje, você janta comigo. Eu estava só te esperando. – falei, olhando bem dentro dos seus olhos e fazendo um carinho nas suas mãos.
Percebi que suas órbitas aumentavam conforme eu pronuciava as minhas palavras, mas logo passou e deixou o olhar de sempre tranquilo. Presunçoso.
- Tudo bem! Já que você estava me esperando até agora, não posso deixar você dormir com fome. – falou, brincando enquanto a gente se direcionava para a cozinha.
- Bonita mesa! – falou o , pegando uma taça vazia e a enchendo com vinho.
- Senta, vou te servir. – disse, sorrindo para ele.
- Obrigado. – falou, se sentando e prestando atenção em todos os meus gestos enquanto eu o servia, parecia desconfiado.
Botei a minha comida também e me sentei.
- Brindemos? – perguntou ele, levantando a taça.
- Sim, a quê? – perguntei, levantando a minha também.
- A esse jantar inesperado, mas fabuloso. – disse, meio que rindo de lado.
- Sim, e também a nossa trégua. – disse e brindamos.
Logo começamos a comer.
- Hum... você é uma ótima cozinheira. – ele me elogiou.
- Obrigada, como foi o seu dia? – perguntei.
- Trabalhoso, além de chato também, primeiro a sessão de fotos, depois reunião e ensaio. Já viu como foi. – disse ele, dando um suspiro de cansado. Ele meio que repetiu o que tinha dito antes, mas eu precisava de um assunto.
- Imagino. – falei e dei mais uma garfada.
- E o seu? – me perguntou antes de por uma garfada na boca.
- Foi bom, eu liguei pro Adam e nós marcamos de nos encontrar para almoçar. – dei uma pausa para ver a sua reação, mas ele estava absorto na sua comida. – Comemos e eu pedi a ele que falasse com o chefe, ele disse que ia me ligar até hoje, mas devido à hora, fico me perguntando se ele conseguiu. – falei e inconscientemente mordi o lábio inferior em um gesto nervoso.
- Fica tranquila, às vezes ele esqueceu de te ligar. – disse o tentando me tranquilizar.
- ara. – disse, com um suspiro, e continuei a comer minha comida.
O papo rolou solto aos poucos, e ele foi perdendo aquela proteção toda. O era um cara muito legal, contava piada, às vezes toscas, mas que me faziam rir o tempo todo, e se possível eu poderia te dizer que eu me apaixonei de novo por ele, por esse menos sarcástico e muito mais engraçado, um mais leve.
O engraçado dessa situação toda era que nós dois parecíamos um casal de verdade, jantando depois de um dia cansativo de trabalho, compartilhando ideias e histórias. Isso me fez rir involutariamente. Um casal de verdade. Eu de uma femme fatale, passei a esposa comportada falando sobre o dia a dia, irônico que nem pra seduzir eu estou prestando, ou seja, eu queria seduzir, mas acabei sendo seduzida por essa atimosfera gostosa que se formou ao redor da gente. E essa camada era tão fina, tão delicada que eu tinha medo até de me mexer e perder isso. O agora estava meio pensativo, rodava a taça de vinho e parecia que estava com o olhar perdido dentro dela. De repente deu uma risadinha incrédula e voltou os olhos pra mim. Que olhos, olhos de tempestade, elétricos como se mil raios estivessem caindo ali, e uma chuva torrencial ameaçasse formar um verdadeiro dilúvio.
- Eu estou me sentindo um verdadeiro marido. Chegando em casa, uma esposa bonita e carinhosa me esperando depois de um dia cansativo de trabalho. – disse ele, me olhando de forma descrente.
- E isso é ruim? – perguntei com medo da resposta, mas essa era uma pergunta que não podia calar.
- Não! – respondeu, franzindo as sobrancelhas. – Mas... – disse, com um olhar confuso e deixou no ar.
- Mas... – eu o incentivei a falar.
- Não é para eu. Você sabe isso aqui não cobina comigo. – disse, fazendo um gesto para eu e a mesa.
- Eu não sei de nada. – disse com amargura. – Na verdade, você não deixa eu saber de nada. – disse, censurando-o. – Nós poderíamos ser amigos, , viu como a gente se deu bem agora? Sem brigas. – falei, olhando em seus olhos.
- Amigos? O que você quer é me trasformar em seu capacho, assim como era antes com esse seu amiguinho aí o Adam, a quem você usava. – disse ele, se levantando e pondo o seu prato no lava louças.
Incrédula, olhava para ele ainda sentada. Ele só poderia estar louco. Eu não quero isso, mas também não quero ficar brigando direto.
- , eu só não quero mais brigar. – disse, em uma súplica.
Ele andou até a mesa e se sentou novamente em sua cadeira.
- Eu também não quero brigar, mas não vou ser o seu mais novo amigo colorido. Que fique claro. Ou a gente faz sexo, ou nós dois somos amigos. Comigo não tem esse meio termo.– disse, apontando um dedo para mim. - Essa vida. – disse ele fazendo um gesto em direção a mesa e a mim. – Não é pra mim, eu só estou nessa situação. – parou de falar fazendo um gesto de impotência. Com um suspiro falou: - porque você já sabe.
- E qual é seu ideal de vida, ? – repliquei. – Uma sucessão de aventuras de uma noite só, porque se você continuar assim, você vai te uma velhice solitária ao final do caminho, sem família, sem ninguém que te queira, sem nada que deixar depois de morrer?
- Ao menos não morrerei com o coração partido. – disse ele com ironia.
- Você não tem coração. – resmunguei furiosa.
Parecendo levar um tapa, me olhou como se eu tivesse mil cabeças, por fim parecendo meio amargurado, disse:
- Verdade, mas eu já tive um. E eu não gostei de ter. – disse com um suspiro e levantando para sair da cozinha. Parecendo lembrar-se de alguma coisa, se voltou e ficou me olhando. - A respeito de ontem, queria te pedir desculpas, eu agi como um canalha e apesar de você afirmar que não tenho coração – disse, dando um riso sem dentes. – Eu sei que ontem eu passei da conta. Isso não vai mais acontecer. Desculpa. – Obrigado pelo jantar, estava ótimo. – ele falou e se virou e saiu.
O que foi isso agora? Meu Deus, desculpa? pedindo desculpas? Inacreditável.
Terminei de pôr o meu prato no lava louças e fui tirando a mesa do meu frustrado jantar, apesar de não ter ocorrido como eu queria, foi bom, pois hoje eu conheci um que eu nem sabia que existia, talvez eu tenha uma chance, apesar de tudo. Dei de ombros e subi as escadas, o que me restava agora era dormir. Passando pela porta do estúdio escutei uns sons saindo pela brecha da porta, lá dentro estava o sentado com o violão na mão cantando uma música que agora prestando bem atenção era uma das minhas favoritas do grupo. Encostei-me ao batente e fechei os olhos, deixando a canção me levar à voz rouca entrava na minha mente e aquecendo o meu coração que tinha ficado tão frio há poucos minutos.

When everything is going wrong (Quando tudo esta dando errado)
And things are just a little strange (E as coisas estão um pouco estranhas)
It's been so long now you've forgotten how to smile (Agora faz tanto tempo que você até esqueceu como sorrir)
And overhead the skies are clear but it still seems to rain on you (E acima de você o céu está limpo, mas ainda parece chover em você)
And your only friends all have better things to (E todos os seus unicos amigos tem coisas melhores para fazer)
When you're down and lost (Quando você estiver para baixo)
And you need a helping hand (E precisar de uma mão para ajudar)
When you're down and lost along the way (Quando você estiver para baixo e perdido no caminho)
Oh just tell yourself (Oh, é só falar para você mesmo)
I'll, I'll be ok (Eu vou, eu vou ficar bem)


Sem me segurar, uma lágrima teimosa escorreu pelo meu rosto. Ainda tão absorto na música, o nem se dava conta da minha presença ali.

When things are only getting worse (Quando as coisas só estiverem piorando)
And you need someone to take the blame (E você precisar de alguém para levar a culpa)
When your lover's gone there's no one to share the pain (Quando seu amante se for e não tiver mais ninguém para compartilhar a dor)
You're sleeping with the tv on and you're lying in an empty bed (Quando você estiver dormindo com a tv ligada e você estiver deitado em uma cama vazia)
All the alcohol in the world would never help me to forget (Todo alcool do mundo nunca ajudaria a passar por isso de novo)
When you're down and lost (Quando você estiver pra baixo e perdido)
And you need a helping hand (E precisar de uma mão pra ajudar)
When you're down and lost along the way (Quando você estiver pra baixo e perdido no caminho)
Just try a little harder (Tente só um pouco mais)
Try your best to make it through the day (Tente o seu melhor para terminar o dia)
Oh just tell yourself (Oh, diga a si mesmo)
I'll, I'll be ok (Eu vou, eu vou ficar bem)


Continuei a olhar ele ali tão compenetrado na música, parecia que estava cantando com a alma.

You're not alone (Você não está só)
[You're not alone] [Você não está só]
You're not alone (Você não está só)
[You're not alone] [Você não está só]
You're not alone ( Você não está só)

Just tell yourself I'll, I'll be ok (Apenas fale para si mesmo eu vou, eu vou ficar bem)
Oh just tell yourself, I'll, I'll be ok (Oh, é só falar para si mesmo eu vou, eu vou ficar bem)
Won't you tell yourself, I'll be ok (Você não vai falar para si mesmo?, eu vou ficar bem)


Terminou de cantar e deu um suspiro, botou o violão de lado e levou as mãos à cabeça e apoiou os cotovelos nos joelhos, e ficou ali perdido. Olhando assim, mais me parecia um garoto perdido, em seus pensamentos, dava pra sentir a tristeza que emanava dele.
Dando um suspiro cansado resolvi sair dali, antes que ele me visse, e notasse o quanto eu tinha enxergado do verdadeiro . Sabe, algumas coisas agora começavam a me fazer sentido. Entrei no meu quarto e fechei a porta, tirei minha roupa de sedução dando um riso frustrado e botei a minha camisola que já estava em cima da cama. Dando um suspiro me deitei e rezei pro sono chegar logo, mas como eu não estou na minha maré de sorte, a cena que eu vi há pouco martelava na minha cabeça. Ele parecia tão triste, tão perdido, por quê? Na primeira oportunidade eu vou tratar de tirar essas minhas dúvidas, amanhã mesmo tem reunião na casa das meninas, e vai ser lá que eu vou pegar o de jeito. Isso se eles forem com a sorte que eu estou seria mais fácil eles arranjarem um compromisso. Olhei para minha mesinha e vi o meu celular piscando. - Droga, típico de mim, esquecer o celular quando não posso. – resmunguei e abri o mesmo. Uma mensagem do Adam.
, falei com o chefe, vem amanhã às 8:00 am. Bjos, Adam. Sorri, enfim uma notícia boa. Botei o celular na mesinha. Por fim, me vi fechando os olhos e entrando e um escuro total.

Capítulo 12 - Duas tiras rosa

Os baques de papeis caindo na minha frente quase me fizeram pular de susto. Pondo as mãos em cima do coração, olhei para cima, dando de cara com o meu chefe.
- Que foi, te assustei? – perguntou-me com um sorrisinho debochado. Imagina.
- Um pouco. – disse ainda me recuperando do susto.
- Preciso que você revise isso, é para a edição de amanhã. – disse ele, mal acabando de falar e indo para sua sala.
Grosso. Sabe aqueles chefes que você tem vontade de matar? Bom, o meu é um deles. Adorava mandar trabalho em cima da hora, assustar-me e olhar para os meus peitos ou, quando eu estava de saída, para minhas pernas, atrevido, isso que ele era. Ele é um típico chefe de jornal de esporte, se acha o tal quando, na verdade, nem chega a ser a metade do que se imagina. E aqui na redação se você quisesse subir rápido, na velocidade da luz, era só ter um encontro íntimo com o chefe. Subir na vida, eu bem que queria, mas a esse preço? Não. Que ele continue a ser assim comigo. Eu não ligo de trabalhar mais e, às vezes, ter que sair que nem louca e cobrir duas ou mais matérias por dia. A verdade é que isso me faz até bem, não me faz pensar muito nos meus problemas e ainda me sinto bem útil. Peguei aquela papelada toda e comecei a organizar para a edição de amanhã. Tinha uma matéria que eu assinava, era sobre um jogo de Cricket que eu fui cobrir hoje mais cedo. Engraçado, eu nunca me imaginei na área dos esportes, mas posso dizer que me encontrei. Eu realmente gosto do que eu faço. Antes, na área das celebridades, eu me sentia mal por explorar a vida dos outros, não que na área de esportes não tenha fofoca, mas era bem mais branda.
Depois que eu recebi aquela mensagem, na manhã seguinte, eu fui logo fazer a minha entrevista. Fiquei bem nervosa, fui entrevistada por um cara gordinho e de óculos fundo de garrafa que não parava de me encarar, deixando-me constrangida para falar. Mas, tirando isso, correu tudo bem e, na mesma hora, eles me contrataram. Não foi o meio período que eu queria, porém, se eu acabasse o trabalho antes de terminar o expediente, eu poderia ir pra casa sem problemas. A maioria dos meus colegas do jornal era homem, não tinha como não ser, a maioria era casado e tinha uma minoria de solteiros, o meu chefe se incluía nessa última classificação. E foi logo no meu primeiro dia que eu vi que ia ter que aturar o tipo. Não era fácil, fazia um mês que estava no jornal e seria até mentira minha se eu dissesse que não estava gostando. Como eu disse antes, tirando o meu chefe, o meu trabalho ia ser perfeito. Além de ter uma oportunidade de crescer, eles já me deixavam assinar pequenas matérias. Já minha vida com o , essa continuava na mesma, fazia três semanas que ele tinha entrado em turnê pela Europa e depois iria emendar outra pela América do Sul, ou seja, quase dois meses sem vê-lo. Nessas três semanas, eu me comunicava por pequenas chamadas na web e ligações curtas, que mais me pareciam obrigações e eu odiava ver assim, mas era a mais pura verdade.
Um mês trabalhando, três semanas sem o , minha mãe na mesma. Quando eu pensei que ia começar uma nova etapa com o , ele logo começou a me evitar, mal ficou em casa na semana anterior à sua viagem, saía de manhã e chagava à noite. Eu só ouvia a porta batendo, tava na cara que ele estava me rejeitando. Ao que parece, ele só sabe atacar, quando eu mudei as posições, ele achou melhor recuar como um bom estrategista que é.
Bom, parece que ele ficou com vergonha de ter me mostrado outro lado dele, que eu antes nunca tinha visto, um engraçado, piadista e muito mais leve.
O que eu me apaixonei novamente e que me deu esperança, um que eu quero pra mim. Bom, até ele voltar da turnê, já vai te passado três meses desde que nos casamos e, com isso, eu ia ter outros nove para resolver a minha situação, mas será que eu ia conseguir?
Lógico que sim, pensamento positivo, . Apesar de tudo ir contra mim, a esperança é a ultima que morre, né? Lembrei-me agora da frustrada reunião na casa das meninas, onde a minha sorte foi tão grande que nenhum dos meninos pode ir e eu e as meninas ficamos bebendo e comendo brigadeiro, deitadas na sala, malhando o . Sim, ele agora era o Judas da história. Qualquer coisa, a gente xingava o , afinal, até hoje ele e a não resolveram nada, o cara teve a cara de pau de viajar e deixar a menina assim, idiota, aliás, os quatro eram idiotas. Isso a gente chegou a conclusão depois de uma garrafa inteira de vodka, o que não é muito coerente, mas quem liga? Idiotas e ponto final.
Terminei de arrumar a matéria e fui andando até a sala do chefe, ouvindo os meus próprios sapatos baterem no assoalho, dei três batidinhas e entrei.
- Licença. – falei. Meu chefe, falando ao telefone, fez um gesto pra eu sentar na cadeira à sua frente. Sentei e me acomodei, aproveitando para olhar aquela decoração machista no seu escritório. Se eu disser que tinha um pôster com uma mulher em uma pose bem duvidosa, vocês acreditariam? Toda vez que eu entrava ali, teletransportava-me para uma oficina, onde eu ia dar uma olhada no meu carro ou verificar o motor. Que horror!
- Tá me olhando com essa cara por quê? – perguntou, fazendo-me piscar e me concentrar em seu rosto.
- Oh! Nada, eu só estava pensando aqui. – respondi, desviando agora dos seus olhos questionadores.
- Hum, e aí, terminou? – perguntou ele, já pegando os papeis em cima da mesa e folheando.
Nem me dei ao trabalho de responder, já que ele já folheava.
- Ótimo. E sua matéria, já concluiu? – disse ele, batendo os papeis na mesa e pondo na sua gaveta.
- Sim e já enviei para o editor. – disse, já me levantando.
- Vai fazer o que hoje à noite? – perguntou-me.
Essa pergunta fez eu me sentar de novo, de tão surpresa que eu fiquei.
- Vou pra casa falar com meu marido pela web, ele está em turnê e, bem... – falei logo, pondo o na história.
- Já saquei, mulher casada e fiel, que não sai com o chefe. Já deu o seu recado. Até amanhã. – disse rindo e me dispensando com a mão.
Saí de lá tão zonza, que peguei minhas coisas no automático e só fui sair do transe quando pus meus pés para o lado de fora do edifício.
Chamei um táxi e fui direto pra casa. Cheguei e o cachorro veio me receber assim que eu abri a porta.
- Oi, amiguinho. – disse, fazendo um carinho na sua cabeça.
- Emma! – chamei, já subindo as escadas.
- Oi! – respondeu-me ela da cozinha.
- Cheguei, vou para o banho. – disse, quase alcançando o corredor.
O cachorro me seguiu, parando na minha porta e me olhando com uma cara de gatinho do Shrek, fiquei olhando pra ele e ri.
- Você tem que entender que você é um cachorro e não um gato, esse olhinho não me convence. Fica aí fora. – disse, mandando um beijinho no ar e fechando a porta.
Tirei os sapatos, sentindo um alívio tremendo. Fui ao banheiro e enchi a hidro, depois de um dia cansativo, nada mais valioso do que um banho relaxante. Eu tinha ainda meia hora antes de fazer a minha chamada com o . Tirei as minhas roupas e entrei no meu banho cheio de sais, relaxei por uns vinte minutos, mas logo aquela sensação de relaxamento se evaporou. Quando eu me dei conta que logo eu estaria falando com o , o coração acelerou, o meu estômago parecia uma montanha russa e eu estava tremendo, o que era bem estúpido. Caramba, eu fazia isso sempre, eu via o sempre, então por que a sensação não passava? Amar é um sentimento ridículo, para se sincera. Você ama alguém e aí você fica enjoada, com ataque cardíaco e tremendo que nem um viciado em abstinência. Essa é uma boa explicação, talvez eu seja uma viciada em abstinência, uma viciada em uma droga destrutiva chamada . Saí do banheiro e botei um pijama, apesar de ser ainda sete horas da noite, eu não iria sair mais pra lugar nenhum. Penteei meus cabelos e sentei em frente ao meu notebook, esperando. Na verdade, há três semanas que eu fazia isso, chegava do trabalho e esperava o me chamar, às vezes, demorava, às vezes, não. Mas eu sempre estava ali pra falar com ele. O que é deprimente, mas voltamos à minha abstinência, eu precisava dele, nem que fosse por uma tela de computador.
- Oi! – disse ele, fazendo-me piscar e sair dos meus devaneios.
- Oi! – respondi animada, vendo o e o passar por trás.
- E aí, tudo bem? Como foi o trabalho? – perguntou-me, pegando uma latinha de alguma coisa e bebendo.
- To bem e o trabalho também. – respondi, ajeitando-me melhor na cadeira.
- Eu vi a matéria que saiu hoje no jornal, vi que foi você que assinou. Parabéns. – disse ele rindo.
- Você viu? Amanhã sai outra, essa vai ser sobre um jogo de cricket. – falei entusiasmada e adorando por ele ter lido a minha matéria.
- Serio? E desde quando você sabe sobre isso? Cara, a sua matéria hoje estava demais. Só que eu nem sabia que você era tão boa na área do esporte. – falou ele, curioso.
- E não era, a minha primeira semana foi toda de pesquisa para fazer as matérias direitas. – falei, mal escondendo o meu orgulho.
- Parabéns, você está fazendo um ótimo trabalho. – ele disse, acendendo um cigarro.
- E o show de hoje, que horas vai começar? – perguntei.
- Daqui a uma hora. – respondeu, jogando uma baforada para cima, fazendo-me ter uma visão do seu pescoço.
- Boa sorte! – disse meio nervosa, eu estava morrendo de saudade dele.
- Obrigado! Depois a gente embarca para América do sul. – disse ele, tomando mais um gole da sua bebida.
- Vocês vão estar perto da minha casa. – falei um pouco triste, logo a imagem da minha mãe me veio à cabeça.
- Se não fosse tão corrido e você não estivesse trabalhando, você poderia vir com a gente. – ele disse e afastou o , que meteu a cabeça na sua frente. - Não, você não me levaria. – disse.
- Tem razão, eu não te levaria. – ele disse rindo. Idiota.
- Pois é, você não iria perder a oportunidade de ficar livre. – falei acusatoriamente.
- É verdade, livre. – disse, dando um sorriso sarcástico. – Está sentindo a minha falta, querida? – falou, chegando mais perto da web, privilegiando-me com os seus lindos olhos .
- Sabe que não. – respondi.
- Que pena. – ele deu de ombros. – Quando eu chegar em casa, vou te mostrar o quanto eu estou sentindo a sua falta. – disse ele, voltando a se sentar normalmente na cadeira.
- Se-sentindo a minha falta? – falei, gaguejando de surpresa.
- Sim, confesso que não queria admitir, mas... Você me faz falta. – disse ele, parecendo tão incrédulo como eu por esta admitindo. Parecendo logo se recuperar, ele pegou novamente a sua bebida e, com um suspiro cansado, disse-me:
- Pena que o que eu te disse antes ainda está valendo, sexo ou amizade, os dois eu não sei dar. – terminou de falar, dando uma piscadinha sacana.
- Sexo ou amizade? – falei com nojo daquelas palavras que ele disse com total falta de tato, como se estivesse negociando uma mercadoria qualquer. – Não tem meio termo? Não tem outra palavra? Ou você só conhece essas duas, ou melhor, você só conhece uma delas? – perguntei, chocada e triste.
- Na verdade, só uma delas e muito bem por sinal. – respondeu-me, acendendo mais um cigarro e levantando aquela sobrancelha insuportável dele.
Eu tenho vontade de me dar um soco na cara por ser tão idiota, por deixá-lo mexer comigo assim, por achar que porque ele me disse meias palavras bonitas, eu talvez venha a ter alguma chance. Criar esperança em torno de um coração que já está morto ou que talvez nunca soubesse o que é bater, a raiva agora que eu sentia não era tanta do , era de mim mesma por me agarrar a qualquer gesto que fosse dele. Vendo que eu fiquei quieta, na verdade, eu nem tinha mais o que falar depois dessa. O começou a falar impaciente.
- , eu não tenho nem certeza do que é isso. O que quer de mim? – perguntou-me meio confuso, passando a mão livre pelos cabelos.
- Nada. – respondi, mal conseguindo falar.
- Bom, porque eu não tenho nada para dar a você. Eu não sou capaz. Acho que estávamos esclarecidos em relação a isso. – ele disse, parecendo meio cansado.
Eu estreitei os olhos. - Para meu próprio bem ou para o seu próprio bem? – perguntei, olhando com raiva.
- Porque já estou morto de vontade de voltar à minha vida antiga, . Uma mulher diferente a cada mês, algumas vezes, a cada semana. É assim que eu gosto das coisas. – disse ele, fazendo-me lembrar das minhas próprias palavras em relação àquilo.
O golpe pegou forte. Ele deve ter me visto vacilar. Essas palavras ditas por mim há um mês não me magoaram tanto como foi ouvir sair da boca dele.
Bem, ele certamente esclarecera seus sentimentos. Ele poderia me querer... Ele me queria. Assim como desejava cada fêmea de aparência decente com menos de setenta anos.
Ficando um silêncio constrangedor, logo ele disse que tinha que ir, eu concordei, já fechando o notebook e indo deitar na minha cama, eu só queria dormir e esquecer.

Acordei com o despertador, travei-o e fui fazer minha higiene matinal, abri a porta do meu quarto e o cachorro já me esperava.
- Oi, lindo! – disse, fazendo um carinho gostoso no seu pescoço, fazendo-o ficar mole e cair de barriga para cima no chão pedindo por mais. Eu ri e me agachei e fiquei ali alguns minutos, falando com ele.
- Chega de carinho, já estou atrasada. – disse, levantando-me e descendo a escada, indo em direção à cozinha com ele no meu pé, querendo brincar mais.
Cheguei à cozinha e um café da manhã reforçado me esperava. Sentei e comi o que pude rapidamente para não me atrasar. Saí de casa e fui para o trabalho.

Um mês e seis dias depois...

Sabe aqueles dias que você acorda e parece que o sol brilha mais e que tudo tá diferente e mais bonito? Pois é, eu estou nesse dia e a resposta é bem simples. Depois de quase dois meses, eu ia ver o , para ser mais exata, amanhã ele chega. O meu sorriso não sai mais do rosto, hoje nada iria me deixar triste, nem o meu chefe e suas grosserias. Nada!
Já estava quase acabando meu expediente, hoje o dia passou tão rápido que eu to achando até estranho, afinal, desde quando o Universo colabora comigo? Pois é, nunca, mas hoje ele tá bonzinho. Meu celular estava tocando em algum lugar da minha bolsa. – Droga, até eu achar, a pessoa desistiu. – resmunguei, catando o mesmo pela bolsa. No último suspiro do celular, eu atendi sem ao menos ver quem era.
-Alô! – falei meio ofegante devido à minha caça ao celular.
- Oi, pode vir para a casa agora? – perguntou bem séria.
- O que houve? – perguntei, já com medo de saber.
- Vem pra cá, por favor, e rápido. – disse ela nervosamente.
- Tá, to indo. – disse, já desligando o meu computador, pegando as minhas coisas e só parando na sala do chefe pra dizer que era uma emergência familiar. Saí voada, à procura de um táxi, pensando o que será que tinha acontecido. Será que foi com os meninos? Meu coração se apertou. Será que foi uma das meninas? Meus olhos já encheram de lágrimas. Tremendo, chamei um táxi, entrei e dei o endereço das meninas e rezei para não ter muito trânsito. Meu Deus, que não seja nada grave, porque a sempre ria ou brincava e ela estava bem nervosa e séria no celular, foi alguma coisa com os meninos. Droga, chega logo. Eu apertava as mãos nervosamente. Por fim, vi-me em frente à minha antiga casa, peguei as minhas chaves e abri o portão e a porta. Assim que entrei, fui andando para a sala, para logo me dar com as meninas sentadas no sofá com três pares de olhos olhando para uma paletinha em cima da mesa, que marcava duas tirinhas rosa.
- Droga. – murmurei em choque indo me juntar a elas. Agora nós éramos quatro pares de olhos, olhando a paletinha que marcava duas tiras rosa.

Capítulo 13 – Vamos ter um bebê!
- De quem é aquilo? – perguntei, quase em um sussurro, depois do que me pareceu uma eternidade.
O silêncio se fez presente. Na verdade, eu já até poderia imaginar de quem era. Se fosse da , ela estaria gritando aos quatro ventos o quanto ela ia mudar o vestido de casamento, se fosse da ela estaria falando como iria trabalhar grávida, mas como o silêncio prevalecia só me restava acreditar que era da . Como se fosse para tirar todas as minhas dúvidas ela começou a soluçar alto, me fazendo olhar para ela assustada.
- Eu estou ferrada. – disse, em meio aos soluços. – O que eu vou fazer? – perguntou, desesperada. Soluçando alto de novo.
- Calma! Vai ficar tudo bem. – eu disse. Afinal não era isso o que sempre diziam nessas horas?.
- Como vai ficar tudo bem , eu estou grávida. Grávida, entendeu? – disse a , quase gritando.
- Essa parte, de tanto você falar eu já entendi. – respondi – Mas você tá grávida e não com uma doença terminal então para de ficar histérica. – disse para ela com firmeza. Eu sei que estava sendo um pouco dura, mas a histeria dela já estava me assustando.
- É , pensa pelo lado bom. – disse a fazendo um carinho na mão da .
- Que lado bom, ? – perguntou a e antes que a respondesse qualquer coisa ela mesma tornou a falar. – Estou em uma crise com o , enquanto o mesmo me trai por aí com sei lá quantas. E como você acha que eu vou dar essa notícia a ele? – terminou de falar voltando a chorar de novo.
- De quanto tempo você acha que está? – perguntou a , já com o seu ar profissional.
- Provavelmente de dois meses. – respondeu a meio constrangida.
- Dois meses? – perguntou que até agora não tinha dito uma sequer palavra.
- Sim, , eu sei o que você está pensando. “Ela foi tão burra para ‘dar’ para ele antes de ele viajar”. A resposta é sim, eu fui burra o suficiente para fazer isso e ainda esquecer que tinha parado de tomar a pílula justamente para ter um protesto de não fazer. – falou, assoando o nariz em um lencinho que a tinha dado a ela.
Cortando o silêncio que tinha se estendido na sala, a falou:
- Então você tem um mês ainda pela frente, antes que o seu estado fique visível.
- Um mês... – sussurrou a , fitando a .
- Sim, um mês, e nada de fugir, afinal você não fez o bebê sozinha. O tem o dever de assumir essa criança. – disse a .
- Eu sei, mas o problema todo é que eu tenho certeza que se eu contar, ele vai querer casar, e eu sei que ele só vai me pedir isso pelo bebê e sinceramente não quero que ele se case comigo por isso. – Disse ela com um ar de dar pena.
- Então você tem um mês para reverter essa situação, conversa com o , resolve a situação de vocês e depois conta. – eu disse, tentando passar uma segurança para a minha amiga tão abalada.
Com um suspiro que poderia até ser de tranquilidade ou frustração, a se recostou no sofá, fechando os olhos e ficando assim. Seguindo o mesmo rumo, vi a e a fazendo o mesmo e logo em seguida estávamos todas assim, em um silêncio total, mas reconfortante.
- Eu não sei o que seria de mim sem vocês. – disse a abrindo os olhos e deixando umas lágrimas escorrerem.
Em um segundo os meus olhos também estavam cheios de lágrimas a ponto de transbordar. Virei a cabeça para as meninas e vi que não era só eu a sentimental da história. Até a estava emocionada ou emocionalmente abalada com a declaração da . Vi a pegar na mão da , que por sua vez pegou na mão da , que por fim pegou na minha. E a sensação que eu tive é de que não importa o problema, se você tiver amigos eles sempre podem ser divididos fazendo com que esses problemas ficassem bem mais leves.
- Eu amo vocês! – disse a , com a voz embargada.
- Eu também! – respondemos em uníssono. E rindo por sermos tão diferentes, mas com isso completamos tanto umas às outras.
E ficamos assim por incontáveis minutos, cada uma pensando na sua vida, na vida da outra, nas soluções e fazendo os seus planos imaginários. E de repente me caiu a ficha de que eu ia ser tia, dali a alguns meses eu ia ter um bebê para aninhar, babar em cima e tudo que uma tia babona tem direito. Automaticamente me peguei sorrindo e olhando entusiasmada para as meninas que me olhavam com cara de espanto.
- Eu vou ser titia. Prepare-se, , por que esse bebê nunca viu uma tia como eu. – disse, me gabando.
- Até parece. Eu vou ser a melhor tia. – disse a .
- Que nada, eu vou ser. – afirmou a . – Afinal, quem vai fazer o parto dele sou eu, então quem vocês acham que ele vai amar mais? – completou em uma pose de superioridade, fazendo todas nós cair na risada.
- Ah, meninas, ele ou ela vai amar vocês igual, afinal cada uma é especial do seu jeito. – disse a , tentando ser diplomática. Concordamos e fomos preparar um lanche, afinal, os meninos só iriam chegar amanhã mesmo, hoje o dia era só nosso.

- , me passa o sal! – gritei, assustando a , que estava distraída lendo uma revista de celebridades.
- Nossa! Você me assustou! – Ela disse, pondo uma mão em cima do coração.
- Quando eu disse que precisava de uma ajudante para fazer o jantar dos meninos, eu falei sério. – falei apontando para ela com a minha colher de pau.
- Tudo bem! Já larguei a revista, sua chata! – disse ela, fazendo uma careta e se pondo do meu lado. – O que eu tenho que fazer? – me perguntou.
- Me dar as coisas sempre que eu pedir. – respondi.
- Isso é moleza! É só pedir. – disse ela, estalando os dedos.
- Sei, moleza... – resmunguei, mexendo na panela.
- Para de ser tão séria, vamos cantar uma musiquinha?
- Não! Vamos fazer uma comidinha? – respondi, imitando a voz dela. Fazendo uma careta, ela sentou e deu um suspiro, virei para o fogão e continuei a mexer a comida.
- Essa chatice toda é o quê? Está nervosa porque daqui a pouco seu marido chega?
- Acho que sim! – disse, diminuí o fogo e me sentei junto a ela. – To nervosa porque faz um tempo que a gente não se vê, e eu to com muita saudade, mas ao contrário de vocês eu não posso simplesmente chegar e beijá-lo sabe?
- Acho que posso imaginar. Você não me disse que ele falou que estava sentindo a sua falta? – concordei com a cabeça e ela continuou. – Então! Vai que ele é que te agarra e te beija? – me perguntou, rindo.
- Quem dera , mas você e eu sabemos que isso não vai acontecer. – respondi, me levantando e indo cozinhar.
Estávamos na cozinha das meninas preparando um jantar de recepção para os meninos, depois que a disse que estava grávida ontem, nós ficamos fazendo o clube da Luluzinha, depois eu fui pra casa dormir sozinha na minha cama fria. Que saudade do só de pensar que daqui a algumas horas eu vou vê-lo pessoalmente minha respiração já fica rápida. Mas como eu disse a , se eu pudesse abraçar, beijar, dizer o quanto ele me faz falta. Só que se eu fizer isso ele provavelmente irá rir de mim, melhor guardar os meus sentimentos. Suspirei e botei a comida no forno. E fui em direção à sala aonde a e a botavam a mesa para o nosso jantar. A divisão da cozinha foi bem rápida: como eu era a única que sabia cozinhar me botaram lá, e por motivos de enjôo, a foi selecionada a pôr a mesa, e a espertinha da disse que a ajudava, me restando a distraída da , mas isso eu já estava acostumada, acho que a era o meu carma. Eu ri e observei da soleira da porta da cozinha a e a brigando pra conseguir ficar no melhor lugar.
- é melhor você deixar a escolher. – disse, fazendo as duas pararem de brigar e me olhar.
- Só por que ela está grávida? – me perguntou a fazendo uma careta.
-É! – afirmei. – Lá no meu país, quando a gente não faz o que uma grávida quer, dizem que dá tersol. – falei.
- Cruz! Senta aí, então. – disse a rindo e pondo o lugar dela ao lado do da . Antes de eu virar para ir a cozinha verificar a comida dei uma piscadinha para e a mesma me retribuiu.
Entrei na cozinha e peguei a comendo a sobremesa pela beiradinha.
- Bonito, hein! Peguei você. – ela se assustou tanto que chegou a dar um pulo.
- Opa! Eu estava só vendo se estava tudo bem. – me respondeu vermelha.
- E que horas o chocolate achou melhor para pular no canto da sua boca? – perguntei tentando não rir, mas com ela era impossível.
- É, então, to atrasada pra tomar banho. O me ligou dizendo que eles chegam daqui a meia hora. – disse ela mudando de assunto e passando por mim que nem um furacão.
- Covarde! – gritei e ao longe escutei a sua risada. Fui olhar a sobremesa e eu tinha chegado a tempo, ela estava praticamente intacta. Fui para a sala e falei que os meninos já estavam chegando e as duas doidas subiram quase correndo as escadas, me fazendo rir. Eu, como tinha vindo de casa, não precisava me arrumar, só ia dar uma olhada na minha make. Fui andando até o banheiro principal, e entrei, me olhando no espelho. O cabelo estava bom, a make também. Retoquei apenas o batom, saí do banheiro e me dirigi à sala, sentei no sofá e esperei. Um frio na barriga me percorria, me deixando enjoada e apreensiva. Olhei o relógio e já tinha passado 15 minutos, suspirei e olhei para as escadas. Nada delas, ainda fui conferir se na mesa estava tudo certo, e pensei pela primeira vez que eu e o iríamos sentar juntos. Bastou esse pensamento para eu começar a respirar rápido. Fui salva pela descendo as escadas. Dei um sorriso sem dentes para ela e o mesmo foi retribuído. Ela se aproximou e nós duas sentamos no sofá.
- To nervosa! – ela disse, apertando as mãos.
- Eu sei, eu também to. – respondi, pegando em suas mãos, mesmo porque ela já me estava afligindo.
- Tem certeza que não mudei nada?
- Lógico que não, a não ser os seios que estão um pouquinho maiores, mas você sabe como homens amam isso, então... – disse, rindo, e ela me acompanhou.
e desciam as escadas e nos informaram de que o e os meninos já estavam no portão. Respirei fundo e fiquei de pé. A companhia tocou e nos entreolhamos, logo a deu de ombros e abriu a porta. O primeiro que eu vi foi o sorriso do e a pulando que nem uma louca e arrastando ele para o sofá. Eu ri e voltei pra porta, onde o dizia alguma coisa no ouvido da , fazendo-a rir. Voltei a olhar para a porta e vi como a e o se apertavam. Sim, se apertavam, porque aquilo era longe de ser um abraço.
Olhei novamente para porta e aí sim meu coração levou um tombo. Meu “marido” estava lá e parecia procurar alguma coisa. Como eu estava um pouco afastada, eu pude ver ou perceber que ele me procurava e só de pensar nisso meus olhos lacrimejaram e eu me vi dando um passo à frente e me fazendo presente diante de seus olhos. O momento em que ele pôs os olhos em mim, esse momento eu não vou poder esquecer por anos porque logo que passou o olhar me veio acompanhado de um sorriso incrível que me fez sentir o que há dois meses eu não sentia, que eu estava em casa, que ele era a minha casa, meu tudo. Eu sorri de volta, o que eu poderia fazer? Nada, eu já estava cativada, andando na minha direção com o seu sorriso de sarcasmo. Acredite, eu vi o momento que aquele sorriso mudou, mas quer saber? Eu não liguei. Ele me abraçou, um abraço forte e aconchegante, seu cheiro chegou e se infiltrou na minha cabeça, no meu sangue, me fazendo o abraçar mais forte. E fiquei ali no meu paraíso, sentindo como é bom, como eu o amo e a vontade de dizer isso era tão grande que eu tive que morder a língua por várias vezes. Afastamo-nos e ficamos nos olhando. Eu olhava aqueles olhos de tempestade, era como se mil raios estivessem ali em uma tormenta inconstante.
- Oi! – ele foi o primeiro a romper o silêncio. Aquela voz, e que voz, que saudade que eu tinha de ouvi-lo falando ao vivo comigo. Eu ri e o respondi:
- Oi!
- Tudo bem? – me perguntou levantando a sobrancelha insuportável, que até dela eu senti falta.
- Tudo bem, e você? – perguntei também, acho que nós voltávamos para a reserva de novo.
- Bem. – me respondeu, olhando fixamente para minha boca. Eu ri e olhei para dele e sem esperar incentivo mais nenhum ele me beijou. Não era um beijo terno, era um beijo selvagem. Ele me pressionava, me deixando até sem ar, esse beijo me mostrava o quanto ele sentiu saudade de mim. Eu não precisava de palavras, mesmo porque eu sei que ele não iria me dar, mas a atitude dele, o beijo dele mostrava mais do que ele queria mostrar. Minha língua envolvia a dele, eu pressionava o meu corpo com o seu sentindo a sua excitação na minha barriga, me dando mais prazer ainda em saber o quanto eu o abalava.
- Ei! Vão procurar um quarto. – eu ouvi o gritando, e logo o meu momento se desfez. O me empurrou gentilmente e nos separamos, ainda ficamos nos olhando até que eu vi como eu estava me comportando, e arranjando uma desculpa, disse que tinha que servir logo o jantar senão iria ficar frio. Virei em direção à cozinha, já chamando a minha ajudante , que por sinal reclamou muito.
Peguei a travessa no forno e comecei a arrumar as coisas para levar para a sala, minhas mãos ainda tremiam, mas por fim me controlei e com a ajuda da botei a comida na mesa e nos sentamos.
O jantar ocorreu normalmente, sem nenhum deslize a não ser por um pequeno probleminha: a perna do , que não parava de roçar na minha me fazendo às vezes dar até um pulo de susto, mas nada que eu não soubesse contornar. Agora eles jogavam videogame enquanto eu e as meninas arrumávamos a cozinha. O que não era uma tarefa fácil: eu estava secando a louça que a lavava, enquanto a limpava o fogão e a ficava sentada se recusando a fazer qualquer coisa. Disse que o estômago estava revoltado. Sim, agora eu percebo como vão ser esses próximos sete meses.
Estávamos tão distraídas naquele pequeno cotidiano que o grito e a pisada do nas escadas fez com que eu soltasse o prato que eu estava secando fazendo um barulho ainda maior, mas nem dei importância para isso, simplesmente saí correndo pra sala para ver o que o tinha até que parei em seco e assim fizeram a , a e a . Na mão do estava àquela bendita paletinha com duas tiras rosas.
- , nós vamos ter um bebê? – perguntou ele, com um sorriso enorme no rosto.

Capítulo 14 - Wonderwall

- Ai, meu Deus! – O grito da encheu a sala e talvez até na rua se fizesse ouvir.
- Calma , querida, está tudo bem! Não precisa ficar com essa cara, sim, eu estou feliz. – dizia o , olhando para cara assustada da que balançava a cabeça de um lado para o outro em negação.
- Eu entendo, você queria me fazer uma surpresa, mas quando eu vi isso no seu banheiro eu fiquei tão afoito que nem pensei. – Agora ele tentava se explicar vendo que a continuava a balançar a cabeça.
- Querida, a gente só tem que adiantar o casamento. – continuava a dizer ele todo empolgado.
A olhou para e continuando a fazer aquele gesto de negação, olhou para o e disse:
- Não, , nós não vamos ter um bebê! – respirou fundo e eu vi no seu olhar o quanto ela queria ir com aquela mentira pela , mas não seria justo com o , que se bobear já estava pensando em nome e tudo.
Parecendo não acreditar, ele ficou ali olhando a paleta e a até as sobrancelhas se juntarem e eu sabia a pergunta que ele faria a seguir: ele ia perguntar de quem era aquilo.
- Então de quem é isso? – Perguntou, fazendo a , que estava logo do meu lado, soltar um som estrangulado de pura agonia.
Vendo que ninguém respondia, o apelou para os meninos, que continuavam imóveis olhando para a gente com os controles na mão. O único que não parecia afetado era o , que balançava as pernas e esperava placidamente tudo se resolver como se nós estivéssemos discutindo o que comer. Parecendo só agora acordar, o e o se levantaram e se aproximaram da gente. Vi pela minha visão periférica o quanto a tremia, e se demorasse mais, logo eles saberiam de quem era aquilo, pois ela mesma ia se denunciar ao desmaiar. Eu olhei para a cara de cada um: o parecia assustado e olhava intensamente para , o torcia as mãos e olhava para todas ao mesmo tempo, o estava ainda com aquela ruga na testa querendo saber de quem era aquilo e como eu o conheço bem, rezando para ser mesmo da e ela estar mentindo. E por fim, o , que nem ao menos se deu o trabalho de levantar do sofá, como se ele fosse o inalcançável. Tudo bem que ele sempre se preveniu comigo e que nós nem transamos tanto assim, mas está bem claro lá que a camisinha é 99% segura e 1% é pouco, mas ainda assim é 1%. Olhei para a cara da e o olhar dela era de súplica. Olhou para a , que desviou o olhar. Estava envergonhada por não ter conseguido manter a mentira, mas eu a entendia. Como ela iria enganar o assim? A olhava para um ponto qualquer da sala, mal encarando o . Um pensamento me veio à cabeça – automaticamente me peguei respirando fundo e fechei meus olhos, me preparando para um caminho que talvez não tivesse mais volta, mas eu precisava fazer isso pela .
- É minha. – eu disse e um suspiro geral encheu a sala. Minha voz saiu seca sem vida, engolindo em seco declarei a minha sentença. – É minha essa paleta. Eu estou grávida.
Eu vi a balançando a cabeça do meu lado, indignada pela minha atitude. Respirei fundo e olhei para o sofá onde o levantava agora vindo à minha direção. Eu estava tão nervosa que parecia vê-lo vindo em câmera lenta. Minha respiração se tornou ofegante, sentindo cada vez ele mais próximo de mim. Ele parou a poucos passos e me olhou talvez esperando alguma explicação. Eu olhei em volta, desviando meus olhos dos seus. Todos esperavam que eu ou ele falasse alguma coisa. Como eu continuava quieta, eu vi aquela ruga que estava no passar para o . Ele ficou ali parado com os seus olhos vidrados em mim, como se pudesse ler as minhas verdades. Eu respirei fundo e me preparei para o que vinha:
- Esse filho é meu? – me perguntou, em um tom ríspido, passando as mãos pelos cabelos em um gesto de desespero.
Eu poderia dizer que sim, mas eu acho que já estava mentindo demais.
- Não! Esse bebê é meu. – respondi, olhando bem dentro dos seus olhos.
- Fala sério! , eu quero saber a verdade! – disse ele, agora quase gritando. Em todos esses anos eu nunca tinha visto ele tão nervoso assim, isso me assustou, mas agora eu não poderia voltar atrás.
- Eu estou falando sério. Esse bebê é meu, e de mais ninguém. E se me lembro bem, você abriu mão de qualquer vínculo com um filho que você poderia vir a ter comigo. Esqueceu o que estava no contrato? Então, eu não te devo explicação nenhuma, . – disse e ao mesmo tempo meu coração sofria por eu estar ficando cada vez mais distante dele.
- Eu exijo saber, ! – gritou ele, dando um passo em minha direção, me agarrando pelo braço.
- Você não tem direito de exigir nada a esse respeito. Você abriu mão. – Eu disse baixo no seu ouvido. Senti o aperto no meu braço aumentar, me fazendo soltar um gemido de dor.
- Você vai ser a minha perdição, . – ele disse no meu ouvido com uma voz arrastada.
- Então estamos quites, pois você já é a minha. – Eu disse no seu ouvido com uma amargura. Ele apertou ainda mais o meu braço e depois me soltou dando um passo para trás, se virou, pegou a chave do carro e a sua carteira na mesinha da sala, abriu a porta e se foi, me deixando ali arrasada, triste, mas não arrependida. Porque por mais que possa parecer, toda história tem dois lados. Pelo menos eu ajudei a minha amiga. O silêncio ainda era grande na sala. Senti a primeira lagrima cair.
- , desculpa! Eu achei que era da , poxa, estava no banheiro dela, se eu soubesse que não era dela eu não tinha saído que nem um louco. – disse o , com uma cara de culpado.
- Tudo bem, , de qualquer forma uma hora ele ia saber mesmo. – disse, em um dar de ombros.
- É verdade, mas mesmo assim... - ele falou, dando um suspiro.
- Tá, tudo bem! Fica sossegado. – falei para ele, dando um sorriso de lado.
- Agora eu acho melhor eu ir atrás do . – Ele disse, pegando as suas chaves e indo em direção à porta, sendo seguido pelo e . A porta se fechou em um clique e o silêncio voltou a ser presente.
Andei até o sofá e me sentei. As minhas pernas tremiam. Sequei as lágrimas teimosas que caíam e respirei fundo. Senti o sofá ceder do meu lado e olhei a , que me encarava com uma cara de reprovação. Escondi o rosto nas mãos.
- , porque você fez isso? – me perguntou ela, passando a mão no meu cabelo que caía no rosto.
Tirei as mãos do rosto, sequei as lágrimas e a olhei. – Eu precisava fazer isso, eu fiz pela . – eu disse, soluçando.
- Às vezes você tem que aprender a deixar as pessoas resolverem seus próprios problemas. – disse ela, pegando na minha mão.
- Eu sei, mas ela estava tão desesperada que eu pensei que eu poderia suportar isso por ela. – disse, fungando.
- Eu sei, mas olha o que aconteceu, você e o brigaram de novo. – Ela me falou.
- Eu sei. – resmunguei.
- ! Você tem que contar pro que é mentira. – disse a , se sentando do outro lado do sofá.
- Não, , agora já está feito, e você tem seu um mês, aproveita pra se entender com o . – eu disse, olhando bem sério para ela.
- Sim, obrigada! Eu nunca vou esquecer o que você está fazendo por mim. – disse ela, me abraçando.
- Tudo bem! Você tem um mês. – disse, já me levantando e pegando a minha bolsa. – Preciso ir para casa. Tenho que ficar sozinha, beijos. – falei, já saindo e fechando a porta sem dar tempo das meninas falarem qualquer coisa.

’s POV
Dizem que sou um homem cheio de amargura. Mas não é amargura o que enche o fundo de minha alma. Estou perdido. E não sei como encontrar o caminho.
- Que merda foi essa que eu acabei de escrever?! – bufei e tomei mais um gole da minha cerveja, amassando o guardanapo e jogando no chão do pub. Olhei sobre o ombro e lá estavam os caras jogando sinuca. Eu disse para eles irem embora, mas eles parecem achar que eu precise de babá. Talvez daqui a algumas horas, quem sabe. Ri de lado e olhei em volta do pub. No canto esquerdo tinha uma loira muito da gostosa que não parava de me olhar e rir para mim. Só faltava pôr uma placa para dizer o quanto ela estava a fim. Talvez depois de algumas doses, quem sabe. Fiz uma careta. Se fosse alguns meses atrás, eu já estaria lá, mas hoje, quando eu fecho os olhos, a única mulher que imagino é a , aquela desgraçada.
- Grávida! – repeti baixinho pra ver se aquilo entrava de alguma forma na minha cabeça. Meu coração disparou. Será que o filho é meu? Desgraçada, ela quer me deixar louco. Custava me responder? Era só dizer sim ou não. E depois, o quê? O que eu iria fazer com a resposta dela? Assumir a criança. Isso se for meu. E se não for? Se for de outro? Pior se for daquele cara todo certinho, o Adam. Apertei tão forte a garrafa que meus dedos ficaram sem circulação.
- Ei, , vem jogar! – me chamou o , chegando mais perto do bar e pedindo mais uma cerveja.
- Não, to bebendo o mijo do bebê. – respondi, com sarcasmo.
- Cara, só se bebe o mijo do bebê quando ele nasce. – disse o , me dando um tapa na cabeça. Eu tinha feito uma piada, mas ele não entendeu. Dando um suspiro de pura frustração, fui me juntar aos caras para jogar sinuca.

Estava há mais de uma hora tentando ganhar do na sinuca. Na verdade, nós dois ainda éramos os mais sóbrios. No bar à frente, o e o já estavam sentados muito doidos, falando sem parar com o garçom. Nessas horas é que eu penso como deve ser ruim ser garçom, você tem que aturar um monte de bêbado contando a vida toda em uma língua muito da enrolada. Senti uma mão passar pela minha jaqueta ao mesmo tempo em que um corpo pequeno me abraçava por trás. Parei minha tacada e me virei, rindo. Só podia ser a loira do canto esquerdo que tomou coragem e veio falar comigo. Mas quando completei a minha volta, meu sorriso morreu e botei imediatamente minha cara de escárnio.
- ! – eu disse, em um tom arrastado. Propositalmente ou não, talvez eu esteja mais bêbado do que penso.
- ! – disse ela, com aquela voz de taquara rachada.
- E aí? – perguntei, me desvencilhando e pondo o taco da sinuca em pé na minha frente, como se fosse um escudo.
-Tudo bem! Estou vendo que velhos hábitos nunca mudam. – ela falou. Só podia estar querendo arranjar uma briga.
- Pois é, eu estou aqui com os caras. – falei, apontando para o bar à frente onde os caras bebiam e riam. O tinha acabado de se juntar a eles.
Ela olhou para o bar e voltou os olhos para mim.
-É, estou vendo. – disse ela, com uma voz de desdém.
Ficamos assim, olhando um para o outro. Na verdade eu queria que ela sumisse dali. Com um suspiro, ela quebrou o silêncio:
- Eu estou com umas amigas ali, você não quer se juntar a nós? – me perguntou, indicando com o dedo a mesa cheia de mulheres.
Olhei e vi algumas conhecidas e outras nem tanto. A vontade era de ir até lá e quem sabe talvez ficar com alguma, mas alguma coisa bateu em meu cérebro ainda um pouco sóbrio de que aquilo poderia ter repercussão e antes que eu pudesse me afastar, um flash vindo de não sei onde bateu dentro do pub. Fiz uma careta e achei melhor ir embora, antes que eu realmente faça alguma coisa e me arrependa depois.
- Não, eu e os caras já vamos. – falei, já pondo o taco na mesa e dando um adeus breve e me virei para ir embora.
Quando já estava quase perto do bar, dando graças a Deus por ter me livrado da , sinto alguém puxando o meu braço. Me virei e lá estava ela de novo olhando pra mim. Outro flash se fez e dessa vez eu tive certeza que era pra mim. Puxei meu braço da sua mão e ela, muito canalha, me deu uma risada, virou as costas e foi se juntar com a turma dela. Ela já tinha conseguido a foto e a manchete dela. Com mais raiva ainda, chamei os caras e sem dizer nada saí do pub, o ar gelado pareceu me tirar um pouco mais da minha letargia de bêbado, me dando mais raiva pelo que ela tinha feito. Depois dizem que as mulheres prestam. Que me desculpem, mas para mim não passam de um bando de aproveitadoras.
Andei em direção ao meu carro e me virei quando o veio meio que cambaleando e gritando o meu nome no meio da rua. – Ótimo! Você sai para encher a cara, e no fim seu amigo que deveria te ajudar está tão bêbado que você é que tem que carregar ele. Fiz uma careta e esperei o chegar mais perto. Depois de tropeçar bastante, chegou rindo que nem uma criança, se apoiando em mim. Segurei ele pelos ombros e esperei ele parar de rir. Como ele não parou, resolvi sacudir.
- Se você me der mais uma sacolejada, eu vomito em você. – disse ele com a voz arrastada, soltando um soluço. Soltei-o rapidamente e agora em vez de rir, ele fazia umas caretas e estava um pouco pálido. Acho que exagerei nas sacudidas. Respirei fundo o ar gelado e acionei o botão do carro, que logo destravou. Entrei e fechei a minha porta. Logo em seguida, a porta do carona se abriu e o também entrou. – Só me faltava essa. – pensei, batendo a testa de leve no volante.
- Precisamos conversar! – disse ele, respirando fundo e encostando a cabeça no banco do carro. Parecia enjoado. Fiz uma careta e o respondi:
- Não! O que você precisa é de um bom café forte e bem amargo para curar essa bebedeira. – eu falei, dando partida no carro.
- Uhm... Isso soa como uma revanche. – disse ele, fazendo uma careta.
- Exatamente! Ou você pensa que eu me esqueci da minha última bebedeira, quando você me obrigou a tomar uma garrafa térmica inteira de café, e o pior: o seu café. Que é horrível, por sinal. – falei, virando a esquina e pegando a rua principal.
- Você precisava melhorar! Nós tínhamos um show para fazer. O que você queria que eu fizesse? – me perguntou ele, respirando fundo e novamente fazendo uma careta. Acelerei mais o carro. Se ele vomitasse no meu “carrinho”, eu simplesmente ia deixar ele ali mesmo no meio da rua.
- Ei, por que você passou direto pela sua casa? Eu queria conversar com você. – ele falou meio que alto em um tom que geralmente os bêbados usam: alto, enrolado e esganiçado.
- E nós vamos. – respondi e continuei. – Só que na sua. – falei enquanto parava meu carro em frente à casa do . – Desce aí, cara.
- Não! Eu to bêbado, mas não to burro. Assim que eu descer, você vai arrancar com o carro e fugir de mim. Aliás, você é muito bom nisso. Sempre fugindo. – disse ele, com a cara ainda meio pálida, mas adivinhando o meu plano e ainda por cima me dando aquela cutucada tão comum do .
- Ok! Você venceu. Bêbado insolente. – disse, com raiva, descendo e batendo a porta do carro. Mas antes ainda ouvi a risada dele.
Saiu do carro e bateu a porta. Por um momento, pensei em abrir a porta de novo e me mandar, mas ele me acusou de ser um fujão e meu orgulho estava em jogo ali. Antes que a tentação se fizesse maior, dei a volta e andei em direção à casa.
Olhando de fora, era igual a minha. Por fazer parte do mesmo condomínio, as casas seguiam a mesma arquitetura. O que mudava, obviamente, era a decoração. Enquanto a minha era mais clássica e com tons neutros, a do parecia um caleidoscópio de cores, dando um ar feliz a casa. Ela fazia você se sentir bem lá dentro. Esperei ele achar as chaves no bolso da calça, botei as mãos nos bolsos e olhei em volta. Olhei para o meu pulso em direção ao relógio – ele marcava 02h30min da madrugada. Soltei uma baforada de ar que saiu fumaça. Logo me veio a vontade de fumar. Acendi um cigarro e voltei meu olhar para o . Ele ainda continuava a procurar as chaves. Soltei um suspiro de pura frustração.
- Qual é, cara? Cadê a chave? – perguntei, já muito impaciente.
- Eu to tentando achar. – resmungou o , mexendo nos bolsos.
- Não me diga que você esqueceu as chaves no seu carro? – perguntei. E logo me dei conta que ele deveria estar com o carro.
- Cara, cadê o seu carro? – a pergunta parecia idiota, mas eu só me dei conta agora.
- Tá com o , eles foram comigo mais cedo atrás de você. – disse ele, agora mexendo nas meias procurando as chaves.
- E cadê o ?
- Está com ele. – disse, dando de ombros e achando as chaves na meia. Olhei pra ele com cara de interrogação e ele deu de ombros como se na meia fosse o lugar mais comum para se levar as chaves. Tomei as chaves da sua mão, porque eu não queria ficar mais meia hora ali fora até ele acertar o buraco da fechadura. Abri a porta e o ar quente me pegou, me dando uma satisfação momentânea. Esperei ele entrar e tranquei a porta. Depois, fui em direção à cozinha pra pôr a água para esquentar. Logo atrás de mim vinha o , reclamando e dizendo que não queria café nenhum e só queria mesmo era falar comigo. Eu disse que se fosse para aturar ele mais um segundo, que fosse sóbrio. Vendo que eu não estava brincando, ele concordou e se sentou à mesa da cozinha. Ficou mexendo em uma maçã, rolando ela de um lado para o outro enquanto eu estava encostado na bancada esperando a chaleira apitar. O silêncio se fez presente. Ele suspirava e continuava a rolar a maçã como se fosse uma bola enquanto eu ruía as minhas unhas. Logo a chaleira apitou e eu fiz o café, servi em duas canecas e me sentei à mesa. Dei a caneca para o e peguei a minha pondo adoçante.
- Me passa o adoçante. – disse o distraído com a fumaça que saía da caneca.
- Não! Café puro para os bêbados. – eu disse, rindo e afastando o adoçante de perto dele antes de ele alcançar.
- Idiota! – resmungou ele, bebendo um gole e fazendo uma careta que me fez rir.
- Babaca! – xinguei ele de volta. – O que eu ainda não entendi é por que você ficou bêbado desse jeito? – perguntei pra ele, tomando um gole do meu café.
- Cara, eu não sei. – me respondeu, meio incerto.
- Eu que tinha todos os motivos para ficar bêbado, não fiquei. Conta o que tá rolando? – perguntei, olhando pra ele.

Parecendo meio desconcertado, ele deu de ombros e me falou: - Fiquei chateado porque eu não vou ser pai. – disse ele, fazendo uma careta ao tomar mais um gole do café.
Meu queixo caiu. Como pode um cara ficar chateado por descobrir que não vai ser pai? Que maluco, eu estaria era pulando de alegria.
- Você é mesmo estranho, . – disse, balançando a cabeça em negação.
- Eu fiquei tão feliz quando eu achei aquilo no banheiro da . – disse ele com um meio sorriso. – Mas logo depois, ela me deu um banho de água fria. Você viu a cara dela, parecia que eu tinha dito que estava doente.
- Ela só ficou assustada, relaxa! – tentei tranquilizar ele.
- Que nada! Ela não quer filhos nem tão cedo. Na verdade eu quase tive que implorar pra gente casar. – ele falou, olhando diretamente para mim.
- Cara, tudo tem seu tempo: primeiro casamento, depois filhos. Você agora tá na fase do casamento, então se preocupa com isso. – disse, dando dois tapinhas na sua mão que estava em cima da mesa.
- É daqui a um mês. – disse ele, esfregando as mãos em um gesto nervoso.
- Pois é. – confirmei com um sorriso de cumplicidade.
- É, eu vou me casar, você já está casado, daqui a pouco vai ser a vez do e do . Acho que nosso tempo de solteiro está acabado, meu amigo.
- Diga isso por você. Eu daqui a alguns meses troco meu estado civil por desquitado. – eu disse, fazendo uma careta, pensando como esse nome soa horrível.
- Como assim? Está louco, e a ? – me perguntou o , parecendo horrorizado.
- O que tem ela, ? – perguntei, sério, e antes de ele falar alguma coisa, adicionei – Ela sabe o prazo do nosso casamento.
- Eu pensei que um bebê mudaria alguma coisa dentro dessa sua cabeça de mula. – disse ele, me olhando com desprezo.
Respirei fundo e falei: - Tem uma cláusula lá no contrato dizendo que eu não tenho nada a ver com isso. – disse sarcasticamente e desviando os olhos do . Não era legal você ver o seu melhor amigo te olhando com desgosto.
- Eu não acredito que eu estou ouvindo isso. – ele falou, balançando a cabeça, descrente. – , você é melhor que isso.
- Eu não sou, não. – respondi, tomando meu último gole de café e disse para o o que vinha me incomodando nas últimas horas. – Eu nem sei se esse filho é meu. – disse, em um dar de ombros, como se aquilo não me importasse, mas importava e muito.
- Como você não sabe se esse filho é seu? Você e a nunca fizeram sexo? – me perguntou.
- Lógico que sim. Eu achei que você fosse um pouco mais inteligente. – ironizei.
Ele fez uma careta, mas ignorou o meu comentário e continuou. – Então qual é a duvida?
- Eu estou em Turner por dois meses e quando chego em casa, ela me diz que tá grávida! Como você acha que eu devo me sentir? E quando eu pergunto se é meu, o que ela me diz? Que é só dela. – explodi, dando um murro na mesa. Botei as mãos na cabeça e passei pelos cabelos.
- Calma, , é lógico que é seu. Só que se bota no lugar dela. Você questionou a menina na frente de todo mundo. Como você reagiria? Eu mandaria você ir para aquele lugar. – ele falou, pondo o dedo na minha cara. Dei um tapa no seu dedo e o chamei de idiota. Ele riu e continuou a falar. – Ela gosta de você. – ele afirmou. – Eu acredito que ela só tenha você. Afinal, se não for seu, de quem você acha que é? - terminou seu monólogo, juntando as sobrancelhas.
- Do Adam. – falei, entre os dentes.
- Não! Ela já terminou com ele faz tempo. – disse ele.
- Eles se vêem todos os dias. – eu disse.
- Você acha? – me perguntou, desconfiado.
- Acho. – afirmei – Sabe o que me deixa mais puto?
- O quê? – Perguntou o .
- É que o filha da mãe está pegando a minha mulher e a minha irmã. – falei, com raiva.
- Cara, ele já pegou a sua mulher, e que na época ainda nem era a sua mulher, agora a sua irmã... – ele disse, rindo ao final.
- Tenho vontade de socar a cara dele. – falei, apertando os punhos involuntariamente.
- Calma, tira isso da cabeça. Ela não tem mais nada com ele, são só amigos. – ele falou, tentando me acalmar.
- Eu sabia que ela iria armar alguma para mim. Ainda bem que o meu advogado botou aquela cláusula, se não eu agora estava ferrado.
- Eu não acho que tenha armação aí. – disse ele, convicto.
- Você tem muita fé nas mulheres. – respondi, amargamente.
- Não! Eu simplesmente não julgo todas pelo erro de uma. – ele falou, batendo o punho na mesa e se levantando.
Eu fiquei sem ação. Eu não acredito que ele está tocando nesse assunto comigo.
- Eu já disse para você mil vezes que eu não quero falar sobre isso. – disse, também me levantando e olhando para ele.
- Talvez você devesse. – me aconselhou, agora um pouco mais calmo.
- Se mete na sua vida, . – eu gritei, antes de virar as costas em direção à sala. Eu ia embora dali.
- Vai fugir? Sempre assim. Você sempre foge, não é? Talvez você não seja assim tão diferente dele. – disse ele, gritando, me fazendo parar e dar a volta e o encarar.
- Cala a boca, ! – eu gritei, voltando pra cozinha e ficando frente a frente com ele. – Eu sou diferente dele! – eu afirmei, apertando os ombros dele.
- Se você abandonar a com uma criança, você vai fazer o mesmo que ele. – ele disse e aquilo me atingiu como uma flecha. Sentei na cadeira mais próxima e me dei conta do monstro que eu estava me tornando e o quanto eu estava parecido com o meu próprio pai. Isso se eu pudesse chamar aquele homem disso. Eu suspirei e olhei para o meu melhor amigo. Ele se sentou na cadeira do lado e me disse:
- Vai para casa, conversa com a , diz que vai apoiar ela. É tudo que ela precisa. Você pode fazer isso?
- Eu acho que eu posso. – eu disse, já com o coração acelerado só de pensar nisso.
- Você pode! – afirmou o . – Você é melhor que ele.
- Eu sou. – disse, aquilo mais para afirmar para mim mesmo que eu não estou me transformando naquilo que eu jurei não ser.
- Põe uma coisa na sua cabeça, . – ele me disse, olhando dentro dos meus olhos. – A não é ela. Esquece isso e dá uma chance pra ela. Vocês vão ter um bebê.
Fiquei ali olhando para ele e me dei conta que essa minha dúvida sobre a paternidade era só mais uma forma de fugir. Eu realmente ia ser pai. Meu Deus, e meu primeiro pensamento como pai foi que aconteça o que acontecer, ele sempre vai poder contar comigo. E pensando assim, dei um sorriso pro e o abracei.
- Cara, eu vou ser pai! – falei, meio emocionado.
- Pois é, você vai ser pai. – repetiu o , me dando tapas nas costas.
- Agora vai para casa e diz para ela que você vai ser um pai presente. – ele disse, me incentivando. Já ia levantando quando me lembrei do bar e da . Fiz uma careta e me sentei novamente.
- Tem um problema! – exclamei.
- Qual? – O me perguntou, franzindo as sobrancelhas.
- Quando a gente estava no bar, a me chamou e na hora que eu estava falando com ela, eu senti como se tivessem tirado fotos da gente. – falei, esperando a reação do .
- Droga! Vocês só estavam se falando, né? – me perguntou, desconfiado.
- Cara, é lógico. Você acha que eu ia pegar ela? Não, nem me responde.
- Ok! Eu não respondo. – disse ele, levantando as mãos em forma de rendição.
Ignorei.
- O problema é que você sabe tanto quanto eu como uma foto pode parecer uma coisa, quando na verdade é outra.
- É, eu sei, mas relaxa, eu vou mandar uma mensagem para o nosso empresário e vamos esperar pra ver no que vai dar. Que safada, né? – me perguntou.
- Depois você quer que eu confie nas mulheres. – resmunguei.
- Esquece isso. Quem sabe a não é a sua salvadora? A mulher que vai te provar que você está errado.
Bufei e dei uma gargalhada com as palavras dele.
- Tudo bem! Eu vou para a minha casa. Boa noite! – eu disse pro , já me levantando e indo em direção à sala. Antes de fechar a porta, ainda pude ouvi-lo falar:
- Boa noite, futuro papai!
Meu coração começou a bater forte e minha respiração se tornou mais ofegante.

Today is gonna be the day (Hoje vai ser o dia)
That they're gonna throw it back to you (Que eles vão devolver isso para você.)
By now you should've somehow (Neste momento você devia, de algum modo)
Realized what you gotta do (Ter percebido o que tem de fazer.)
I don't believe that anybody (Eu não acredito que alguém)
Feels the way I do (Se sinta do modo como me sinto)
About you now (A seu respeito neste momento)


Acionei o botão do carro e entrei. Respirei fundo e dei a partida.

Backbeat the word is on the street (A conversa que corre na rua é)
That the fire in your heart is out (Que o fogo no seu coração se apagou)
I'm sure you've heard it all before (Tenho certeza que você ouviu isso tudo antes)
But you never really had a doubt (Mas você nunca realmente teve uma dúvida)
I don't believe that anybody (Eu não creio que alguém sinta-se)
Feels the way I do (Do modo como eu me sinto)
about you (Sobre você agora)


Depois de passar duas ruas, entrei na minha, parei o carro na calçada e suspirei. Era agora. Se eu deixasse para amanhã, com certeza eu não iria dizer o que eu estava sentindo e pensando para ela. Saí do carro e acionei o alarme, procurei minhas chaves no bolso e logo a achei, enfiei na fechadura e entrei em casa.

And all the roads we have to walk are winding (E todas as estradas pelas quais temos de caminhar são sinuosas)
And all the lights that lead us there are blinding (E todas as luzes que nos conduzem até lá estão nos cegando)
There are many things that I'd (Existem muitas coisas que eu)
Like to say to you (Gostaria de dizer para você)
But I don't know how (Mas eu não sei como...)


O ar quente fez eu me sentir mais calmo, afinal ali era o meu território. Olhei em volta e a sala estava escura, a casa estava silênciosa. Andei até a cozinha e abri a geladeira, pegando a gafarra de água e em seguida pegando um copo. Minha garganta estava seca, a água desceu com dificuldade. Eu estava suando frio, o que era uma merda, afinal eu nunca ficava assim. Deve ser o efeito do álcool atrasado, disse pra mim mesmo. Tinha que ter uma explicação afinal.

Because maybe (Porque talvez)
You're gonna be the one that saves me (Você vai ser aquela que me salva...)
And after all (E no final das contas)
You're my wonderwall (Você é minha protetora)


Bebi a água e, respirando fundo, subi as escadas.

Today was gonna be the day (Hoje iria ser o dia)
But they'll never throw it back to you (Mas eles nunca devolverão isso para você)(E neste momento você devia, de algum modo)
Realized what you're not to do (Ter percebido o que não deve fazer)
I don't believe that anybody (Eu não acredito que alguém)
Feels the way I do (Se sinta do modo como me sinto)
About you now (A seu respeito neste momento)


Passei pela porta do estúdio e do meu quarto, parando na porta dela. Estiquei minha mão para tocar a maçaneta e percebi que estava tremendo. Fechei-a em punho e respirei fundo, tentando me acalmar. Estiquei a mão novamente e dessa vez rodei. Descobri que estava destrancada. Com cuidado, empurrei a porta e olhei para dentro do quarto.

And all the roads we have to walk are winding (E todas as estradas pelas quais temos de caminhar são sinuosas)
And all the lights that lead us there are blinding (E todas as luzes que nos conduzem até lá estão nos cegando)
There are many things that I'd (Existem muitas coisas que eu)
Like to say to you (Gostaria de dizer para você)
But I don't know how (Mas eu não sei como...)


Olhei para cama e lá estava ela. A minha boca secou, andei mais um pouco para dentro do quarto que só estava iluminado pela luz do abajur da sua cabeceira. Respirei fundo e por um momento fiquei com vontade de dar a volta e sair dali. Talvez o esteja louco, será que eu ainda poderia sentir alguma coisa? Olhei pra ela de novo e ela estava se mexendo. Dei dois passos para trás, eu ia sair dali, eu não podia fazer isso. Talvez eu fosse igual a ele, vai ver que é a genetica. Sem querer, esbarrei na mesa do computador fazendo um pequeno barulho, mas o suficiente para a acordar.
- ! – ela me chamou com uma voz rouca de sono.

I said maybe (Eu disse que talvez)
You're gonna be the one that saves me (Você seja aquela que me salvará...)
And after all (E no final das contas)
You're my wonderwall (Você é minha protetora)


Parei e a olhei: a alça da sua camisola que caía demonstrando um pedaço do seu colo, os cabelos caíam em cascata, deixando-a ainda mais desejável, o rosto ainda tinha indícios de choro. Peguei-me dando passos em sua direção e sentei na cama, ficamos nos olhando. Os olhos dela estavam assustados, pareciam olhos de um bichinho indefeso. Automaticamente me veio um sentimento de proteção. Agora aquela mulher carregava uma parte de mim, e isso me ligava a ela para sempre, e eu faria tudo para protegê-la, mesmo que fosse de mim mesmo.

I said maybe (Eu disse que talvez)
You're gonna be the one that saves me (Você seja aquela que me salvará...)
And after all (E no final das contas)
You're my wonderwall (Você é minha protetora)

I said maybe (I said maybe) [Eu disse que talvez (Eu disse que talvez)]



Capitulo 15 - Para ele

- ! – o chamei. Já estava me deixando nervosa todo aquele silêncio.
- Oi, ! – disse com um sorriso enviesado. Ele estava rindo? Eu juro que quando eu acordei com ele ali eu pensei que ele ia começar a gritar e me mandar embora. Afinal, eu quebrei as regras, tudo bem que eu não estou grávida de verdade, mas infelizmente ele não sabe disso.
Depois de sair da casa das meninas eu fui andando para minha casa e me perguntando o que eu tinha feito, a tem toda a razão, eu tenho que aprender a deixar as pessoas com seus problemas. Saí dos meus devaneios com ele apertando a minha mão, assim prendendo minha atenção.
- ! Eu preciso falar com você! - disse ele, agora sério. Meu Deus! Era agora que ele iria me mandar embora, eu tinha que agir rápido contar a verdade para ele. – Não, , eu que tenho que falar com você. Falei desesperada, empurrando o lençol e ficando de joelhos na cama na direção dele peguei em suas mãos. – Você precisa escutar. Olha, hoje na casa das meninas, eu...
– Não, ! Eu... Escuta você. – comecei a abrir a boca para falar, mas ele botou os dedos sobre os meus lábios me fazendo calar. – Só me escuta. – ele pediu. Fiquei em silêncio, era agora que ele ia me mandar embora sem ao menos eu contar a verdade. – Eu me comportei mal com você hoje, eu confesso que fiquei assustado, mas eu pensei bem e... Você pode contar comigo para tudo, eu vou cuidar de você e do nosso bebê. – terminou de falar, me deixando com a boca aberta e lágrimas nos olhos
- Eu... – murmurei, tentando falar, mas as palavras não saíam. De todas as coisas que eu esperei ouvir do sobre esse assunto essa definitivamente nunca tinha passado pela minha cabeça. Meu Deus, eu acho que fui longe de mais. Automaticamente um soluço estrangulado saiu da minha garganta, eu estou perdida, eu preciso contar a verdade pra ele antes que seja tarde de mais isso se já não for.
- ! Eu preciso te contar uma coisa. – disse, apertando as suas mãos. Eu estava desesperada.
- Calma, , eu já disse, está tudo bem! Escuta, são quase quatro da manhã, acho melhor a gente dormir. Eu só quis deixar tudo claro para que você fique tranquila. – disse ele, já se levantando e indo em direção à porta.
- ! – eu o chamei desesperada.
- Mais tarde, , agora eu preciso dormir. – ele falou, fechando a minha porta e me deixando parada ofegante, sem acreditar no que estava acontecendo. Eu estava totalmente ferrada. Pensei antes de voltar a deitar e tentar dormir.
Às seis da manhã, depois de eu já ter cansado de rolar na cama, resolvi levantar, eu só pegava no trabalho às oito, mas eu estava bem agoniada. Saí da cama e fui direto para o banho, tomei banho de chuveiro mesmo nem uma boa hidro me faria relaxar hoje. Depois me arrumei, botei uma calça jeans, uma blusa branca básica e um blazer preto por cima, eu escolhi uma sapatilha dourada para dar uma cor ao meu look. Peguei a minha bolsa preta, pondo o meu celular na bolsa e descendo a escada para tomar meu café da manhã, o cachorro já me esperava no último degrau, balançando o seu rabo de um lado para o outro, passei por ele fazendo um carinho e indo em direção à cozinha, precisava comer alguma coisa.
Abri a geladeira e peguei o sulco de laranja, botei em um copo e, no caminho para a mesa, peguei um pedaço de bolo de chocolate que a Emma tinha feito no dia anterior, me sentei e comecei a tomar meu café. Já tinha acabado o meu café quando comecei a ouvir barulho na casa. Olhei o relógio e já eram sete horas, respirei fundo e levantei, lavei meu copo e me virei no momento que o entrava na cozinha segurando um jornal e com uma cara nada boa. Assustei-me quando ele passou por mim e praticamente me jogou o jornal, olhei para ele confusa e resolvi pegar o jornal antes que esse parece no chão, o que eu definitivamente não estava preparada era para ver na primeira página: ali estava o em uma pose meio confusa com a sua ex, franzi o cenho lendo a manchete e meu coração parou para logo voltar a bater dolorosamente, me fazendo soltar uma exclamação, eu não podia acreditar naquilo, ou podia? Afinal, era o , né? Levantei meus olhos confusos em modo de interrogação para o , que agora, parecendo um pouco mais calmo, bebericava o café sentando à mesa. Na verdade a aparência de calmo era totalmente contraditória com as suas mãos que apertavam a xícara tão forte que eu via os nós dos seus dedos brancos.
- Não é nada disso que você está pensando! – disse ele sem ao menos olhar nos meus olhos. Essa frase era tão ridiculamente estúpida que eu ri sarcasticamente, acho que todo mundo usava isso, e sempre era sim exatamente o que a pessoa estava pensando. Suspirei meio frustrada e joguei o jornal na mesa me sentando de frente para ele. Ele me encarou e suspirou antes de falar:
- Você sabe como uma foto pode parecer uma coisa que não é. Não sabe? – me perguntou. Automaticamente olhei novamente para o jornal, sim, poderia até parecer, mas logo li a manchete e isso logo se esfumaçou da minha mente.
- Sei? Por que eu saberia? Eu não sou famosa, nunca tive uma foto minha assim publicada. Então eu sei? – perguntei com ironia.
- Você sabe, sim. Faz alguns malditos meses que você sabe disso. – disse ele de forma fria, me assustando. Olhei para ele assustada com a sua reação, ele fez uma careta e passou as mãos pelos cabelos antes de suspirar e me falar:
- Desculpa! Tudo que está aí é uma grande mentira. Ela armou pra mim, nessa foto eu estava tentando me livrar dela. Ela chegou ao pub e eu nem vi. – disse ele, agora me olhando e apontando para o jornal com raiva.
Ficamos sem se encarar por minutos até que eu resolvi quebrar o clima chato.
- Tudo bem, ! – eu disse, até me surpreendendo, mas eu sinceramente acreditei nele, mesmo porque eu estava até surpresa com essa mudança pela primeira vez ele estava sendo claro comigo sem mistérios ou arrogância, ele estava ali aberto, me explicando, e bom, eu acho que eu não era a melhor pessoa para julgar ninguém, né? Minha própria consciência gritava isso.
- Tudo bem? Não vai me acusar ou me agredir com suas palavras? – me perguntou, parecendo meio chocado.
- Não, eu acredito em você. – eu disse e percebi o quanto isso o afetou, ele deu um sorriso e me estendeu as mãos por cima da mesa e excitei um pouco, mas logo eu estava lá segurando a sua mão e apertando forte, e ali eu só conseguia pensar o quanto eu era ridícula e sem coragem por não contar logo tudo para ele, afinal ele foi franco comigo, e o mínimo que eu deveria fazer era contar a ele.
- ! Eu queria conversar com você sobre ontem. – eu disse, já me preparando.
- Você viu quem assinou essa matéria? – me perguntou ele, fugindo do assunto e me mostrando o jornal.
- Não. – respondi meio confusa com a sua mudança brusca.
- Então dá uma olhada! – ele disse, apontando o dedo para o rodapé da página, onde estava escrito o nome do Adam. Eu olhei sem acreditar, como podia o meu melhor amigo fazer aquilo comigo?
Peguei o jornal e olhei mais atentamente, inacreditável, tudo bem que eu sabia que às vezes nós tínhamos que assinar matérias mesmo sem nós querermos, mas sempre tinha uma escolha. Será que ele teve escolha? Lógico que não. Pensei rápido, já respondendo a minha dúvida, afinal o Adam é o meu melhor amigo. Olhei para o e disse calmamente, agora já confiante na conclusão que eu havia tomado há segundos atrás.
- Ele provavelmente não teve escolha. – disse em um dar de ombros, como se o fato do Adam me trair nunca tivesse passado pela minha cabeça.
- E você realmente acredita nisso ou só esta tentando mesmo me fazer acreditar? – me perguntou bem sério.
- Acredito. – disse firme. Eu acreditava.
- Ótimo! Alguém tem que acreditar nele, afinal – disse ele, fazendo uma careta –, pois eu não acredito. Não acha muita coincidência ele assinar a matéria que eu estou na capa? E outra coisa, não acha muita coincidência a estar no mesmo pub que eu e do nada aparecer um paparazzi e tirar uma foto assim? – continuou me enchendo de perguntas, me fazendo ficar meio perturbada com aquilo tudo.
- Eu não sei, ... Para com isso. Você está me deixando nervosa. – disse já me levantando e querendo sair dali para pensar. Se o meu melhor amigo tinha me traído e ainda por cima com a ex do meu marido, bom, eu tinha muita coisa pra pensar.
- Ei! , calma! – disse ele, tentando me acalmar. – Eu só estou te contando o que eu acho, mas também não sei de nada, é só desconfiança. Calma! Não precisa ficar tão alterada assim. – terminou de dizer, se levantando e vindo até onde eu estava, no vão da porta da cozinha.
- Ta tudo bem! É que não é todo dia que você acorda e vê seu marido na capa com a ex e descobre que seu melhor amigo que assinou a matéria e que seu marido acha que eles estão juntos para se vigar, eu não sei de mais nada. – terminei de dizer em um suspiro frustrado.
- E você dizendo assim parece até ridículo. – ele disse, rindo de lado.
- É! – concordei. – E assustador também. – murmurei.
- Você vai trabalhar? – me perguntou.
- Sim, já estou até atrasada. – respondi, pegando a minha bolsa na cadeira.
- Uhm... Você tem que ir mesmo? – perguntou, coçando a cabeça.
- Que tipo de pergunta é essa? Lógico que eu tenho que ir. – respondi, já andando em direção à porta da sala.
- É, , se eu fosse você ficava em casa hoje. – disse ele no momento em que eu abria a porta e me deparava com uma chuva de flashes me cegando, falei um grande palavrão antes que o me alcançasse e fechasse a porta para mim. Encostei o corpo na parede, abrindo e fechando os meus olhos para que eu voltasse a enxergar normalmente.
- Que merda foi essa? – perguntei assustada, agora conseguindo focar melhor o rosto do , que estava rindo da minha cara.
- Paparazzi. – me respondeu dando de ombros, como se fosse comum ter todos os dias eles ali na porta. – Eu estava tentando te avisar, mas você saiu que nem louca.
- Obrigada por você tentar, você é ótimo nisso. – eu disse sarcasticamente, andei até o sofá e me joguei lá o susto foi tão grande que as minhas pernas estavam bambas. – Droga! – murmurei, pondo a mão na testa. – O que eu faço agora?
- Liga para o jornal e diz que não vai. – disse ele, pondo o telefone de casa na minha mão.
- Simples assim, né? – perguntei, já discando os números.
- Simples assim! – me respondeu ele, dando de ombros e se jogando melhor no sofá.
A parte de falar com o chefe foi complicada, explicar para um chefe que você não pode trabalhar porque tem bastante fotógrafos na sua porta não é fácil, mas parecendo no fim sentir alguma pena de mim (eu duvido disso) resolveu me dar o dia de folga. Suspirei e relaxei mais ainda no sofá, olhei de rabo de olho para o , que também estava na mesma posição que eu.
- E agora? – perguntei, quebrando o clima de silêncio.
- Aproveita a sua folga, pois eu vou aproveitar a minha. Vou para o estúdio. – disse ele já se levantando e indo em direção à escada.
- ! – gritei – A gente precisa conversar!
- Outra hora, agora eu estou com umas ideias de músicas na cabeça, preciso trabalhar nelas. – disse ele, subindo as escadas e me deixando olhando para as paredes da sala.
- Inacreditável – murmurei antes de jogar uma almofada com força na parede da sala. Eu tinha a leve impressão que ele estava fugindo de mim, mas por quê? Fiquei ali pensando nem sei por quantos minutos, mas logo saí dos meus pensamentos com o meu celular tocando, alcancei minha bolsa e atendi sem ao menos olhar o visor.
- Alô!
- Que droga é essa que está acontecendo na porta da sua casa? – me perguntou a , meio que histérica.
- você não viu o jornal hoje? – perguntei.
- Não, o me ligou e me pediu pra vim na casa dele e, bem, ele meio que me acordou. Então, pelo amor de Deus, vai me dizer ou não? – me perguntou ainda histérica.
Expliquei tudo para ela que ficou chocada.
– Que horrível, e cadê o safado do seu marido? – me perguntou bem mais calma.
-Está no estúdio, parece que ele está correndo de mim, eu juro que estou tentando contar a verdade, mas ele sempre foge ou muda de assunto. – disse amuada.
- Estranho correndo de mulher. – ela falou desacreditada. – Pois é, ontem ele foi tão fofo comigo e hoje ele foge de mim. – disse suspirando e me recostando no sofá.
- Fofo com você? Em relação a que? – me perguntou curiosa.
- Sobre aquele assunto de ontem que eu acho melhor não falar por celular. – eu disse ao mesmo tempo em que espiava as escadas para ver se estava sozinha. – Ok, mas quando eu te encontrar quero saber de tudo. Estou estacionando aqui na frente da casa do , o que será que ele quer, hein?
- Deve ser para te contar sobre isso tudo que está no jornal. – falei.
– Deve ser mesmo. – concordou ela e continuou. – Só ele para me acordar tão cedo.
-Não reclama, . Voltando ao assunto, eu achei o um pouco mudado, e eu não sei como tratar esse novo . – disse olhando mais uma vez para as escadas.
- Sério? – perguntou ela.
- Sim, só pelo fato de ele ter aceitado bem essa situação toda, sim, eu acho. – afirmei. – Nossa, , ele me disse cada coisa, que eu me senti muito mal pelo que eu fiz. – eu falei, suspirando.
- Eu disse para você consertar isso, mas você com essa sua mania... – Ela disse e iria continuar, mas eu logo a cortei. – Eu juro que eu tentei falar ontem, hoje e vou continuar tentando, mas foi o que eu te disse, ele está fugindo de mim. – terminei de falar, me levantando para olhar entre as brechas da cortina, lá fora ainda estava cheio de repórteres. – Então você tem que correr atrás dele. – disse ela, me fazendo prestar mais atenção à conversa.
– Ah não, eu não vou seguir os seus conselhos de novo. – disse olhando a escada novamente, não queria de jeito nenhum que o ouvisse a minha conversa.
- Qual é, ? Você quer esse homem ou não? – me perguntou a , me fazendo gemer de frustração.
– Ai, Deus! Começou você – falei, parecendo nem me ouvir ela continuou a me encher os ouvidos. – Ele deve esta fugindo por algum motivo.
- Que motivo? Se fosse porque eu estou grávida...
– Você não está grávida. – disse ela me cortando.
- Ok, eu sei, mas ele não. Ele não fugiu disso então eu não sei... - suspirei frustrada.
- Por isso que você tem que fazer alguma coisa. Pensa, vocês vão ficar trancados o dia inteirinho. Por que você não bota uma lingerie sexy e perturba ele no estúdio? O adora quando eu faço isso, diz até que fica mais inspirado. - Ela disse se gabando, pondo imagens horríveis na minha cabeça deles dois.
– Não quero saber intimidade de vocês. – disse, balançando a minha cabeça e tirando as imagens dela. – Faz isso e você vai ver só. – ela falou.
– Vou pensar, . – eu disse, me sentando no sofá.
- Sempre diz que vai pensar... – disse ela, resmungando.
- É que você me vem com cada uma que eu realmente tenho que pensar. – falei.
- Só quero o seu bem, você sabe, né? – disse, apelando para a chantagem emocional.
- Sim eu sei. – respondi
- Vai fazer? – me perguntou ansiosa.
– Vou, , afinal o que eu tenho a perder? – perguntei rindo.
- Nada, meu bem, só a ganhar, uma tarde de sexo ardente. – disse ela rindo. – Preciso desligar o já esta me ligando aqui. Beijos. – disse antes de desligar.
Suspirei antes de discar o número da Emma.
- Emma!
- Oi!
- É a , só para avisar que hoje aqui em casa esta uma confusão de repórteres, e com isso tudo você não precisa vir hoje. Tira o dia de folga. Tudo bem? – perguntei, rezando para ela aceitar.
- Tudo bem! Amanhã eu estou aí. Beijos! – disse.
- Beijos, até! – eu disse antes de desligar.
Bom, agora era eu, o e a casa, estávamos sozinhos.
Subi e parei de frente para a sua porta do estúdio, estava fechada e nenhum barulho vinha dali, depois que fui me dar conta que a porta deveria ser aprova de som, balançando a cabeça fui me preparar, que Deus me ajudasse e eu esperava muito que depois de uma boa tarde de sexo ardente ele não ligasse muito para minha mentira, que a estivesse certa, que tudo de certo, pensei antes de entrar no meu quarto e ir em direção a minha gaveta de lingerie.
- O que vestir... Ah, já sei! – disse alto enquanto olhava para um corpete branco com uma calcinha de renda e uma cinta liga que eu tinha comprado para o meu casamento, que até aquele momento só eu tinha visto como eu ficava nele, mas logo isso ia mudar, largando as minhas peças em cima da cama, fui em direção ao banheiro, onde eu liguei a hidro e botei uns sais de banho, deixei enchendo e voltei ao meu quarto, parei enfrente ao espelho e fiquei ali me olhando. Eu estava vermelha, com as pupilas dilatas e a respiração acelerada, eu parecia alguém prestes a ter uma tarde de sexo ardente, dei um sorriso enviesado e pisquei pra mim mesmo no espelho, indo para o meu banho.
Meia hora depois eu estava vestida e pronta, isso se eu pudesse chamar o meu traje de roupa, eu ri peguei meu roupão também branco e vesti, respirei fundo e saí no corredor. Estava tudo em silêncio, dei alguns passos e meu coração começou a martelar no meu peito, então, como sempre, as dúvidas começaram a vim, o que eu faria depois de abrir a porta? “Ei, . Isso, eu o chamo, e depois o quê? Talvez eu só abra a porta e meu roupão e... Espera, isso me parece um plano bom. Afastando minhas dúvidas, respirei fundo e abri a porta, empurrei-a e, sem ao menos ter coragem de ver, abri o roupão. Minha respiração estava ofegante por falta de alguma movimentação, abri os olhos devagar e dei um grito tão alto que até eu me assustei, saí em disparada para o meu quarto e me tranquei lá.
- Por que, em nome de Deus, eu ainda ouço a . – murmurei antes de me sentar com as pernas trêmulas na minha cama. Meu Deus, eu esperava tudo menos ver quatro pares de olhos me encarando assombradamente, que vergonha! Fechei o roupão e andei de um lado para o outro, eu era uma fera enjaulada. Escutei passos no corredor e minha respiração parou, senti a maçaneta da minha porta rodar, mas não abriu, e nesse momento eu agradeci por ter fechado a porta.
- , abre essa porta! – disse o , seu tom não revelava nada, eu espero que ele não tenha ficado chateado, como eu ia adivinhar que ele estava acompanhado? E como eles entraram? E por que a não me ligou avisando que eles estavam vindo para cá?
- Não! – eu respondi depois de ele esmurrar a minha porta.
- Abre essa porta, ! – pronto, agora sim ele estava nervoso.
- Não! Eu quero ficar sozinha e curtir a minha vergonha em paz! – gritei.
- Você sabe que eu tenho a chave do quarto e se eu quiser entrar... – ele deixou a frase morrer, mas não eu não sabia, tomando coragem eu resolvi abrir a porta e encarar logo ele, afinal eu não ia ficar trancada aqui para sempre.
- Oi! – ele disse, prendendo o riso. Ótimo, ele estava rindo de mim?
- Oi! – murmurei mal humorada, como se fosse para me proteger do seu olhar insistente, apertei mais o nó do meu roupão, eu estava me sentindo exposta.
- Eles já foram! – ele disse, apontado para fora.
- Eles poderiam ter ido há dez minutos. – eu lamentei. Sentei-me na cama. – Que vergonha! – exclamei, balançando a cabeça.
- Ta tudo bem! Eles já te viram de biquíni antes. – ele disse, tentando me confortar, mas não adiantou muito.
- Como eu vou encarar eles? Eles me viram praticamente nua. – murmurei, balançando a cabeça desolada.
- Vai encarar eles normalmente, daqui a um tempo você vai estar rindo disso! – disse, passando a mão pelas minhas costas em um carinho constante, tentando me confortar, mas na verdade ele estava me deixando excitada com sua aproximação. Dei um ofego e tremi de desejo.
- Com frio? – me perguntou, mas quando olhei para ele percebi que ele sabia muito bem o que estava fazendo comigo, passei a língua por meus lábios ressecados e continuei a olhar para ele. Ele ficou ali me encarando com os seus olhos azuis gelados, levantou da cama e me estendeu as mãos para que eu pudesse levantar. Olhei para elas ali estendidas, tão convidativas, e sem pensar muito eu as peguei; ao contrário de seus olhos suas mãos eram quentes e firmes, o que me fez passar a língua por meus lábios novamente, me puxou e eu fiquei de frente para ele, a nossa conexão visual estava inquebrável, minha respiração estava ficando cada vez mais alta. Como ele faz isso comigo apenas com o seu toque e seu olhar? Suas mãos chegaram ao nó do meu roupão e delicadamente senti quando ele o desfez. Sem quebrar nosso contato visual, botou suas mãos em meus ombros e foi delicadamente abaixando o meu roupão até que ele se tornou uma nuvem branca de seda aos meus pés. Ainda sem tirar os olhos de mim, ele se aproximou e passou um dedo do meu pescoço a minha clavícula, deixando um rastro quente me arrepiando. Senti os bicos de meus seios se esticarem dentro do meu corpete e minha respiração saiu errante. Vi quando sua boca entortou em um riso de lado.
- Quando eu a vi assim no meu estúdio eu pensei que eu estava sonhando. – disse ele, me dando um sorriso enquanto ajeitava uma mecha do meu cabelo, pondo atrás da minha orelha. – Você parecia um anjo. – murmurou ele, me olhando ainda. – Um anjo muito tentador, um anjo que eu faria de tudo para cair. – disse sério, ainda fitando com seus olhos mais gelados e frios, suas pupilas dilatadas.
- Você fica bem nesse papel. – eu disse ainda trêmula com sua aproximação e suas palavras.
- Que papel? – me perguntou, franzindo o cenho.
- De tentação. – respondi, vendo que ele logo compreendia. Ele riu e murmurou – Então caia!
Seus lábios encostaram-se aos meus e uma corrente ultrapassou por todo o meu corpo, minhas mãos foram para o seu cabelo enquanto suas mãos percorriam minha cintura. O beijo ficou mais feroz e senti sua ereção na minha barriga, ofeguei com sua proximidade, nossas respirações estavam errantes o desejo estava explícito na forma em que nos se agarrávamos tentando fundir nossos corpos através de muitas camadas de roupas. Esse pensamento me fez pôr as mãos na barra de sua camisa, mas antes que eu pudesse puxar as mãos do , me pararam. Eu ofeguei, surpresa, e olhei para ele franzindo o cenho, eu estava confusa.
- Aqui não! – disse ele, me deixando ainda mais confusa, como eu ainda não tinha fôlego para protestar, ele me explicou: – Quero você no meu estúdio! – ele disse sussurrado no meu ouvido, arrepiando todos os pelos do meu corpo.
- Sim! – meu sussurro era quase nada. Eu estava muito excitada.
Com o meu consentimento ele me pegou pela mão e me levou em direção do seu estúdio, abriu a porta e por um segundo eu tremi com a lembrança de agorapouco quando eu fiz esse mesmo caminho e paguei o maior mico da minha vida, mas graças a Deus que dessa vez eu me deparei com o lugar sem nenhum habitante, a luz era baixa, um solo de guitarra saía pelos auto falantes, era um som extremamente sexy. Ainda segurando a minha mão, fechou a porta atrás da gente, e eu vi quando ele passou a chave. Respirei aliviada, nós estávamos sozinhos, esse pensamento fez meu coração bombear mais forte, fazendo a minha respiração errante falhar mais ainda. Olhei para o , que me deu um dos seus sorrisos enviesados e me levou para o centro do estúdio, largou a minha mão e se sentou no sofá com uma perna apoiada na outra, em uma pose relaxada ficando de frente para mim, eu estava um pouco confusa, o que ele queria que eu fizesse? Como se para tirar todas as minhas dúvidas, ele disse:
- Agora eu queria que você se despisse, meu anjo! – ele pronuncia esse pedido ou ordem - eu ainda estou processando isso – em sua voz rouca e sensual, me deixando trêmula de desejo, como eu queria sua boca dizendo isso no meu ouvido, só esse pensamento me fez ficar pronta lá.
Um pouco relutante com essa nova experiência eu o encarei e comecei a descer a minha cinta liga pela minha perna bem devagar, acompanhando o ritmo sexy da guitarra de fundo. Olhei para ele, observando sua reação, seus olhos me queimavam, terminei de tirar a cinta liga e joguei para ele, que a pegou no ar e em seguida levou até o nariz, inalando fundo, isso me fez ficar mais ainda molhada de excitação.
- Tão inebriante o seu cheiro! – disse ele intensamente. Olhando assim nem parecia aquele de antes, esse, por favor, era bem melhor.
- Prossiga! – murmurou pondo minha cinta liga de volta e olhando para mim.
Comecei a desfazer o laço que trançava como um cadarço o meu corpete, fui desfazendo lentamente e me balançando ao som da guitarra, esse jogo era tão bom, minha excitação era crescente, desfiz o laço e fui puxando para que abrisse tudo isso lentamente e nunca deixando de olhar nos seus olhos, sua respiração até contida estava ficando rápida eu via seu peito subir e descer. Puxei a fita de cetim, retirando a última casa e abri o corpete, deixando meios seios inchados e pesados à mostra. Ouvi seu gemido. Ele se levantou e veio andando no seu passo de tigre sem tirar os olhos de mim, chegou bem perto, inclinou e encostou-se ao meu pescoço com seu nariz, me fazendo arrepiar.
– Isso é uma tortura...- murmurou antes de se afastar.
- Concordo. – disse em um fôlego só.
- Você ainda está com a sua calcinha. – ele disse antes de dar volta em mim e parar atrás. Senti-o encostando-se à minha pele nua, senti sua ereção tocar a minha bunda, me fazendo arfar baixinho. “Como eu quero esse homem...” Suas mãos quentes e grandes se colocaram acima da barra da minha mini calcinha e foi deslizando aos poucos, ele desceu sua mão arrastando minha calcinha até meus saltos, se levantou e deu a volta para me olhar sua expressão era de puro desejo.
- Agora sim, você está do jeito que eu gosto. – ele disse. Saí de minha calcinha e o olhei, o que eu poderia dizer para ele? Você não esta do jeito que eu gosto. Tira a roupa! Esse pensamento me fez rir.
- O que é engraçado? – me perguntou sério. Meu sorriso morreu.
- Nada! – respondi timidamente. Ele deu de ombros, passou as mãos pelos cabelos e continuou a me fitar, percorrendo com seus olhos azuis gelados, mas que me aqueciam até o ponto de me deixar extremamente pronta para ele.
- ... – eu sussurrei seu nome, eu queria tocá-lo.
— Você é deslumbrante, sabia? — Ele murmurou suavemente. Olhei para ele, confusa. — Olhos deslumbrantes, cabelos deslumbrantes, pele acetinada, suave...
Ofeguei, suas palavras, assim como seu olhar, tinham o mesmo feito em mim.
- Você tem o rosto em forma de coração de um anjo e a boca de uma sereia, fica corada como uma virgem e provoca como uma prostituta.
Olhei para ele ainda mais ofegante e surpresa pelas suas palavras, eu poderia ter me ofendido com elas, mas uau, eu... Realmente gostei de sua discrição.
- Eu quero você! – ele disse com um olhar agora meio tortuoso, pronto, aí está o que eu conheço. E sem pensar muito me beijou, me levando para um beijo selvagem. Uma de suas mãos segurava os meus cabelos enquanto a outra apertava gentilmente a minha cintura enquanto ele esfregava seu sexo em mim, me afastei e puxei sua blusa, ele estendeu os braços e assim ela deslizou suavemente por a sua cabeça, seu tronco nu era magnífico, beijei seu pescoço e recebi um gemido leve em aprovação. Meus dedos correram para o botão de sua calça jeans preta, ele chutava os tênis enquanto eu descia o zíper, depois me ajudou a tirar, e assim, ficando só de boxers, voltamos a nos beijar, só que dessa vez ele me arrastava em direção ao sofá. Deslizou sua boxer pelas pernas e se sentou em um convite mudo, botei uma perna dobrada de cada lado dele e voltamos a nos beijar, sua boca soltou a minha dando uma puxada no meu lábio inferior me fazendo gemer. Sua boca foi descendo, me beijando no pescoço, clavícula e descendo até chegar ao meu seio direito.
- AH! – Gemi alto!
Sua exploração sobre meu seio direito só intensificou, voltou a me beijar e pegou o meu cabelo, dando um leve puxão, me fazendo esfregar sobre o seu sexo agora totalmente exposto, sua outra mão que estava no meu quadril desceu e encontrou meu clitóris já inchado, me fazendo arfar de prazer, fazendo movimentos circulares, me deixando entorpecida, resmunguei quando seus dedos pararam, mas logo senti a cabeça de seu pênis pressionando a minha entrada, e olhando nos seus olhos fui descendo lentamente, arfando e reparando as pupilas do aumentando conforme ele me tomava por inteiro. Mexi os quadris para me ajustar melhor a sua penetração e comecei a subir e abaixar lentamente... Depois rápido... Lento... Rápido... Lento... Rápido. Até uma onda crescente me alcançar, fazendo os meus músculos vaginais se retraírem, apertando ainda mais o pênis do , fazendo-o apertar os olhos antes de me dar mais uma estocada e gozar assim como eu.

Estávamos na mesma posição. Ele ainda estava dentro de mim, eu estava com a cabeça entre seu pescoço, respirando seu perfume inebriante: com sexo, que para mim era a melhor fragrância. Meu encanto foi quebrado com ele levantando minha cabeça gentilmente.
- Eu te machuquei? – que pergunta estranha, fiz que não com a cabeça, meio confusa.
- Eu perguntei por causa do bebê. – disse ele, respondendo a minha pergunta muda e acabando com o meu momento. Voltei minha cabeça rápida para ele. – Eu preciso falar com você. – disse, olhando em seus olhos, uma expressão estranha passou por ele e ele me levantou de seu colo rapidamente, me deixando atordoada e com as pernas ainda bambas, foi até o meu roupão pegou e estendeu para mim, pegou sua cueca boxer e vestiu, catou suas roupas e foi em direção à porta. Antes de sair me olhou e como se eu não tivesse falado nada disse:
- Nós temos uma entrevista para dar daqui a três horas. – ele diz isso e simplesmente saiu do seu estúdio, me deixando de boca aberta e mais uma vez sem contar a verdade a ele.

Capítulo 16 - Abri a porta e fui...

Vesti meu roupão apressadamente e saí correndo atrás dele. Como assim, entrevista? Meu coração batia aceleradamente; peguei um deslumbre dele ainda ao entrar em seu quarto, sem pensar duas vezes entrei logo atrás e estanquei. Apesar de ele te me mostrado o quarto no primeiro dia que eu fui morar ali, eu nunca mais fui convidada a entrar, e no dia em que eu vim falar com ele sobre a gente não fazer mais sexo, eu estava tão nervosa que nem reparei ou fixei nas cores. Na verdade, me lembro de ficar extasiada com o seu cheiro concentrado. Como o quarto tinha a sua cara... Era azul e cinza, com uns tons de preto e gelado – sim, gelado. Cruzei os braços para afugentar o frio, ele estava parado a alguns passos de mim ainda só com sua boxers em uma pose que dizia: “o que você esta fazendo no meu espaço?”. E, sim, ele tinha aquela expressão de ‘não estou bem hoje’, mas se ele pensava que ia me afugentar estava engano. Como ele pode achar que vai me jogar uma bomba assim e tudo bem?
- Como assim, entrevista? – perguntei, não dando tempo de ele abrir a boca.
- Nós dois aceitamos fazer uma entrevista para um Jornal para mostrar o quanto nosso casamento é feliz e o quanto nos amamos. – disse ele com o seu sarcasmo de sempre.
- Engraçado, eu não me lembro de ter participado dessa decisão. – perguntei, cruzando os braços.
- E nem precisava. Desde que você assinou um contrato se disponibilizando para isso. – disse ele, frio. Seu olhar passou pelo meu corpo, me causando um calafrio. – Acho que seria melhor se você fosse se arrumar. – ele disse passando por mim, evitando encostar-se a mim e abrindo mais a porta de seu quarto. Era um convite mudo para que eu saísse, mas quer saber? Por que eu sairia? Eu ainda estava com muitas perguntas em minha mente.
- , então um jornal vai vir aqui na sua casa entrevistar nos dois? – perguntei só para confirmar.
- Sim! – respondeu ele me olhando ainda zangado por eu te ignorado seu pedido discreto para que eu saísse.
- Então nos dois precisamos agir. – falei andando de um lado para o outro. Doeu-me sua postura em relação a mim, por uns minutos eu achei que ia ficar tudo bem entre nós, mas nada era previsível quando se tratava de .
- Como assim, agir? – perguntou, me fazendo parar com a minha desesperada caminhada ao longo do seu quarto.
- Agir, olha pra esse quarto. – eu disse fazendo gestos com as mãos, ele me acompanhou franzindo o cenho e dando de ombros como se não achasse nada de errado no quarto.
- Não tem nada errado com o meu quarto. – respondeu ele por fim.
- Não, olha esse quarto totalmente masculino, aqui não tem uma gota de feminidade.
- E nem é para ter. – falou zombador.
- , se eu e você somos casados, o seu quarto pelo menos poderia parecer menos machista, não acha? – perguntei.
- Se você está dizendo isso pela entrevista, ela será dada na sala, eles não vão subir aqui. Não vão passar da sala. – disse ele, enfatizando a última parte.
- Ok! Só que isso não resolve o problema, a sua sala também parece habitada por um homem solitário e que não passa tempo suficiente em casa. O que você acha que eles iram pensar? – Se eu o feri com meu comentário, ele não demonstrou.
- Eu sei lá! Olha, a ideia foi do meu empresário, ele disse que nós dois só tínhamos que rir, fingir que estamos apaixonados, dar um beijo na frente da jornalista e pousar para uma foto e pronto. – respondeu ele.
- E você acha que isso convence? – perguntei imitando o seu gesto de subir a sobrancelha.
- Eu acredito que sim, fora que nós dois vamos surpreender eles com o anúncio da sua gravidez! – ele disse, e isso me tirou o ar, me fazendo andar até cair sentada na sua cama fria e cinza.
- Não! - Consegui dizer depois de alguns segundos de perplexidade.
- Por que não? – perguntou, agora fazendo aquele gesto idiota de sempre ali estava sua maldita sobrancelha imperativa.
Agora, era a hora de contar a verdade, mas eu como fraca que sou, fiquei pensando em mil motivos de por que não contar, além, é claro, do óbvio. Até que me veio a explicação, eu tinha ouvido a falar com a sobre os três primeiros meses serem cruciais para uma gestação, ainda por cima a primeira, que tinha um grau alto de aborto até o seu primeiro semestre.
- Eu só estou com dois meses, e eu posso vir a perder esse bebê. E eu acho que nos deveríamos esperar mais. – pronto, agora já estava dito e eu estava mais cavada ainda na minha própria cova.
- Eu não tinha pensado nisso. – disse ele com uma cara assustada. – Mas você está bem, né? – me perguntou todo preocupado.
- Sim, estou ótima! – respondi desviando os olhos do dele. Eu estava virando uma tremenda mentirosa.
- Menos mal! – suspirou ele. – O que você que fazer com a sala, então? – me perguntou voltando ao assunto principal.
- Transformá-la em uma sala habitável também por uma mulher e pôr umas fotos nossas. – disse.
- Ótimo esse seu plano, mas tem uma pequena falha, eu não tenho fotos nossa aqui. Talvez a ? – terminou me perguntando.
- O nosso álbum de casamento chegou enquanto você estava viajando. – disse meio tímida ao pensar nas fotos do nosso casamento; nosso álbum estava lindo, pena que nada daquilo era verdade.
- Então eu vou retirar as fotos dos portas retratos da sala e você desce com o álbum, tudo bem? – perguntou já se levantando em direção à porta. Assenti e me levantei indo em direção ao meu quarto para pegar o álbum.
Ele estava no meu guardarroupa, bem guardado. Na verdade, aquele álbum de fotos era o meu sonho mais secreto realizado, ele era o meu pequeno tesouro e agora eu iria mostrar para o . Desci as escadas e ele já estava na sala com meia dúzia de porta retrato separados, sorri e me sentei no sofá ao seu lado. Abri o álbum e suspirei, a primeira foto era eu com o meu buquê vermelho em contraste com o branco do meu vestido. O meu sorriso era tão limpo, eu estava olhando para frente e eu nem tinha que fazer força para saber para quem eu olhava, ouvi o murmurar alguma coisa e olhei para ele em modo de interrogação.
- A noiva mais linda. – ele disse, me fazendo ruborizar.
- Obrigada! – disse sem jeito. Ele riu e virou a outra página.
- Aquela vai para o porta retrato, sem dúvidas. – disse ele antes de se centrar na próxima foto. Concordei e olhei a foto na nossa frente nessa nos tínhamos a visão do noivo, assim como eu as cores de seu traje se contrastava, só que no caso, o seu terno preto com sua gravata de seda branca, só que ali não tinha sorriso limpo, mas um riso oculto com os lábios torcidos para um lado. Se ele não fosse tão lindo, esse gesto poderia parecer uma careta, parecendo meio desconcertado ao ver essa foto ele mudou rapidamente. A terceira foto me mostrava, ele de costas para os covidados e ajoelhados diante do padre, era uma foto bonita de se ver. A quarta nos mostrava virados e rindo enquanto uma chuva de arroz caía sobre nós; gargalhávamos e nos encolhíamos enquanto corríamos. Eu ri vendo essa foto e olhei para o , ele me olhava rindo também, fazendo as linhas de seus olhos se contraírem. - Essa vai também. – comentou pegando a foto e juntando com a primeira. Passamos por outras fotos, que tinha eu rindo com o meu buquê antes de jogá-lo. A seguinte era a o pegando, os meninos me segurando no colo e as meninas agarradas ao ... Isso nos fez rir. Paramos em uma foto onde estávamos os oitos, cada um com o seu par, dessa vez foi eu que disse que aquela era muito boa também; a próxima escolhida era da gente cortando o bolo e a outra naquela pose clássica com as taças de champanhe. Botamos todas nos portas retratos e ficamos satisfeitos. Só faltava um toque final. Sem dizer nada, subi as escadas, peguei algumas revistas femininas e desci, botei uma ou outra em alguns cantos da sala e olhei em volta. Não estava cem por cento, mas por agora serviria. Olhei para um canto e o cachorro me olhava de uma forma tão fofa que andei até ele e me sentei para acariciar sua cabeça. Senti uma sombra e logo o se sentou também. Entusiasmado pela atenção, o cachorro começou a abanar o rabo, pular e lamber o . Eu ri daquela cena tão familiar, depois de rir um bocado resolvi ajudar puxando o bicho pela coleira, ri ainda mais com aparência dele todo lambido e despenteado, mas ele estava feliz, seu sorriso era imenso e seus olhos azuis brilhavam. Retribui o sorriso e desviei os olhos para o cachorro, que botava as patas sobre a minha perna chamando atenção, continuei a acariciar sua cabeça.
- Por que ele não tem nome? – perguntei, eu tinha essa curiosidade há bastante tempo.
- Ele tem nome, é cachorro. – respondeu simplesmente.
Suspirei.
- Eu digo um nome só dele, como se costuma fazer com os bichos. Por quê? – insisti.
- Eu o ganhei da , ela um dia apareceu aqui e disse que ele era o nosso bebê. – ele disse rindo, o que era bem irônico chamar um cachorro daquele tamanho de bebê, vendo a minha cara de desconserto pelo apelido ele explicou. - Como você pode ver, ela não entendia nada de cachorro. Quando ela o viu crescendo simplesmente largou de mão e, bom, eu não podia deixá-lo e ele só foi ficando. – disse tentando disfarçar o amor que eu via que ele sentia por esse cachorro. – Você ainda não me disse por que ele não tem nome?
- Na verdade ele tem um nome, bebê, mas eu e ele achamos melhor esquecer esse detalhe. – disse fazendo um cafuné na cabeça do cachorro. – E eu penso que se você não der nome às pessoas, aos sentimentos e às coisas, você simplesmente não sofre quando elas se forem. – Ele falou já se levantando e me deixando um pouco desconsertada com esse seu último comentário. Eu agora estava tentando montar um quebra cabeça gigante na minha cabeça chamado , mas acho que em algum momento eu encaixei alguma peça errada por que simplesmente não fazia sentido.
- Meia hora para se arrumar, . – ele disse do topo das escadas me fazendo rir ao escutar o seu antigo tratamento, apesar de ele dizer que não gostava de dar nomes às coisas, ele estava se contradizendo nesse exato momento, pois nós dois tínhamos uma forma de se tratar.
Suei frio ao me lembrar de que daqui a meia hora eu estaria de cara para a câmera dando uma entrevista.

- Senhora , como você se sentiu ao acordar pela manhã e abrir o jornal e ver o seu marido e a ex-namorada na capa? – me perguntou a repórter que tinha uma cara fina e uma expressão de alguém que comeu alguma coisa azeda.
Suspirei!
Então ela nem ao menos ia começar a branda, já iria atacar? Respirei fundo e inconscientemente procurei pela mão do , que estava do lado esquerdo da minha coxa, estávamos sentados na sala já há alguns dez minutos, esperando eles posicionarem os aparelhos, luzes e outras coisas, por isso quando a repórter mal sentou no sofá de frente para nós e me veio com essa pergunta eu me assustei, a mulher já veio preparada para arrasar qualquer desculpa nossa, eu via agora em seus olhos que ela não iria acreditar na gente, por isso tudo que nos respondêssemos teria que ser friamente analisado e calculado e se não fosse assim eu não duvidava que de alguma forma ela pudesse induzir ou alterar alguma resposta.
- Não foi nenhuma surpresa, eu sabia que o tinha saído com os caras para o bar e quando ele chegou em casa, me disse que tinha encontrado-a lá, não escondemos nada um do outro. – respondi me impondo, se ela queria brigar então seria uma luta bem justa de jornalista para jornalista, e que o não abrisse a boca e estragasse tudo.
- E o que você tem a nos dizer sobre a foto da capa, em que o senhor está em uma posição bastante comprometedora?
- Bom, eu também sou jornalista e nós sabemos bem como uma foto pega de tal ângulo faz parecer uma coisa que não é. Verdade? – essa foi fácil, a repórter ficou me olhando e deu um simples aceno de concordância. – E, afinal, eu confio no meu marido. – complementei antes de ela poder especular mais coisas.
- Mesmo com o histórico que ele tem? – bom, nessa altura já dá para perceber como seria essa entrevista. Ela ia me bombardear até eu fraquejar e dali tirar a manchete dela, eu entedia bem seu jogo, mas ela não iria me pegar. A mão do suava frio junto com a minha. Se eu não conhecesse bem, diria que ele estava nervoso, mas provavelmente ele está se segurando para não dar um fim nessa entrevista idiota.
- Sim, o namorou bastante, mas isso foi porque ele ainda não tinha me encontrado. – eu ri para descontrair um pouco, pois eu sei que minha resposta foi muito pretensiosa, mas era o que eu tinha naquela hora para deixar a entrevista parecendo menos um interrogatório. Essa mulher é uma jornalista da pior especial, sem escrúpulos nenhum, se eu não tomasse a frente ela iria massacrar eu e o .
- O que você tem a dizer sobre essa declaração feita pela sua esposa, senhor ?
Merda, agora ela me pegou.
Vi o hesitar do meu lado e olhar para a porta da sala. Será que ele pretendia sair correndo? Eu esperava sinceramente que não, então segurei sua mão mais forte e com isso seus olhos se desviaram da sua rota de fuga e se fixaram em mim. Ele riu respirou fundo e olhou para cara azeda da repórter.
- Completamente certa. – afirmou ele, dando uns dos seus sorrisos de matar.
Via a jornalista piscar meio admirada, mas logo ela se recompôs.
- Mas de acordo com minhas pesquisas, você já conhecia a senhora há mais ou menos quatro anos, então acho que essa afirmação não precede. – disse a nojenta.
- A afirmação da minha esposa está completamente certa... Apesar de já nos conhecermos, eu realmente só a encontrei, descobri ou como você chame isso há alguns meses e desde esse dia eu não quero mais ninguém a não ser minha bela esposa. – Ele disse dando uma piscadinha no final e fazendo um carinho constante na minha mão. Parecendo ficar muda com a resposta do , vi a jornalista pigarrear e pela primeira vez olhar sua ficha que parecia conter perguntas.
Aquilo era tão bom... Ouvi-lo dizer essas coisas era maravilhoso, só que o triste era que por mais que eu mesmo tentasse me sabotar o meu infeliz subconsciente gritava que era mentira e aí tudo esfriava e me deixava fria como gelo. O meu sorriso estava congelado por tanto tempo que já doía fingir, isso é muito doloroso, eu já nem me reconhecia mais, eu agora era uma grande mentirosa, menti para os meus pais, menti para os meus amigos e menti para pessoa que eu amo incondicionalmente e que já sabia que não tinha futuro nenhum, agora depois dessa gravidez fantasma eu tinha a certeza que a cada dia eu estava mais longe de um final feliz.
Final feliz? Acorda, cinderela, o nunca foi seu príncipe, ele nem tem cara de príncipe, mas aí que está meu erro. Em todas as histórias sempre tem o bonzinho e o mauzinho, e a pobre mocinha tem que decidir com quem ficar, pois eu sempre me interessava pelo cara mau, por quê? Simples, com eles as mocinhas sempre tinham mais aventuras, beijos mais quentes, mas o tanto de aventura que você tinha era também o tanto de instabilidade no relacionamento, por isso no final era sempre com o mocinho que a mocinha ficava. O que era uma droga por que eu sempre me perguntava “e se”.
Pois é, acho que hoje eu sei, o “e se” é muito doloroso, bom para as mocinhas que estão com o seu enfadonho príncipe, mas pelo menos é para sempre, né? Como eu posso divagar tanto no meio de uma entrevista, me fixei na conversa entre o e a cara azeda.
E as coisas não iam bem. Como pode? Uns segundos que me distraio e percebo que a minha volta à tensão era tamanha. O que eu perdi? Franzi o cenho e prestei atenção na conversa.
- Eu não admito que você venha na minha casa e insulte a mim e minha esposa! – Disse o . Apavorada com o rumo da entrevista, gemi de frustração.
- , por favor! – falei baixinho, apertando seu braço.
- Por favor! , essa mulher acabou de me fazer uma pergunta ridícula! – ele falou totalmente descontrolado. Tentei acalmar ele enquanto olhava para a cara dela, precisava ver sua reação e não é que ela estava rindo. Rindo? O que era aquela mulher? Só me restava saber o que ela tinha perguntado.
- Tudo bem, o que foi que ela te perguntou? – perguntei desviando meus olhos da jornalista louca e fixando-nos do .
- Você não ouviu? – me questionou.
Fiz que não com a cabeça, afinal eu estava a quilômetros dali.
Ele respirou fundo e apertou a minha mão como se quisesse me preparar para o que vinha. Droga! Não era boa coisa.
- Ela perguntou se o nosso casamento é algum tipo de acordo - ele falou, me olhando com uma expressão de ultraje, mas seus olhos sempre seguros e misteriosos estavam apavorados.
- O quê? – foi a única coisa que eu consegui pronuciar, antes da minha cabeça começar dar voltas se perguntando “como? Quem?”
E onde ela ouviu isso? Talvez fosse só um blefe, que droga!
- De onde você tirou isso? Nosso casamento é totalmente real, nos casamos por amor. – respondi o mais rápido que consegui devido ao meu choque.
- Claro! – ela disse. E fez aquela cara azeda de sempre que agora eu começo a desconfiar que apareça quando ela não acredita em algo. - Eu só fiz uma pergunta, não precisava ficar nervoso, senhor . – concluiu dando um riso de lado.
Droga, !
- Não gosto que duvidem da minha palavra. – ele falou bem grosso até, mas ela merecia. – A ENTREVISTA ACABOU! – declarou ele já se levantando do sofá e me puxando junto, colou seu corpo lateralmente ao meu e passou seu braço pela minha cintura e ficou olhando desafiadoramente para a jornalista. Eu é que não gostaria de ser alvo do seu olhar, meio desconsertada, recolheu suas folhas cheias de perguntas ridículas e se levantou. Ela deu um pigarro e falou:
- Senhor , o combinado era vocês responderem dez perguntas. – afirmou ela com os cantos da boca contraídos.
- O combinado era esse, mas alguém aqui não seguiu o roteiro, já que você acabou de me fazer uma pergunta bem ofensiva. Por isso, a entrevista acabou, espero que seja honesta na sua edição. – disse ele ainda emburrado, apontando a porta de casa antes de se encaminhar e começar abrir.
Dando um aceno mudo ela passou pela gente igual a um furacão frustrado e junto foi sua equipe, deixando a sala muito mais escura sem aquela iluminação toda, ouvi o clique da porta sendo fechada. Respirei fundo. Pronto, acabou! Só que a parte pior seria amanhã, eu rezava para aquela louca escrever alguma coisa decente.
- E agora? – me virei, perguntando para o , que ia se sentando no sofá. Fiz o mesmo.
- Reza! – respondeu ele, sério.
- De onde ela tirou aquela pergunta? – perguntei, mesmo sabendo que ele também não sabia a resposta.
- Não faço ideia. – disse dando de ombros. – Você disse isso para mais alguém? – me perguntou.
- Não! – respondi.
- Nem eu! – disse ele antes de eu perguntar.
- Que droga! – exclamei.
- Pois é! – concordou.
- E agora? – eu perguntei.
- Eu continuo não fazendo ideia. – ele falou.
- Que dia! – pensei alto.
- Que dia! – concordou ele, soltando um suspiro. O som do telefone encheu a casa, olhei para ele em um pedido mudo para ele atender, já que depois dessa entrevista eu estava zerada. Suspirando de derrota ele se levantou e andou até a mesinha e atendeu ao telefone de casa.
- Alô! – disse e houve uma pausa.
- Oi, ! – ele falou me olhando.
Outra pausa.
- Sim, já acabou, cara! – Falou passando a mão livre pelo o cabelo o despenteando.
- Tá, vem sim! – concordou com alguma coisa, olhei interrogativamente.
- Espero vocês! – confirmou dessa vez.
- Até! – se despediu do .
Esperei ele falar, o que não demorou muito.
- Eles estão vindo para cá. – disse.
- Eles? – perguntei.
- Todo mundo.
Todo mundo, mas a nossa casa ainda estava cheia de repórteres. Andei até a janela e abri de leve a cortina e um flash se fez, fechei rapidamente.
- Como eles vão vir? – fiz a pergunta que tanto queria fazer, afinal ainda estava curiosa em saber como os meninos tinham entrado aqui.
-Do mesmo jeito que entraram antes, só que agora eles vão trazer as meninas. – terminou de dizer rindo em uma piada particular.
- Continuo não sabendo como. – eu falei e andei até a cozinha para beber um pouco de água, estava bebendo o meu segundo copo quando eu ouvi um barulho e um gritinho, o cachorro foi o primeiro a passar por mim e sair correndo em direção ao jardim do fundo, em seguida foi o me deixando ali sozinha, tratei de segui-lo também eu que não iria ficar ali. Se fosse um desses paparazzi eu iria processar por invasão domiciliar.
Mas, não era. Eram minhas melhores amigas caindo pelo muro, se a cena não fosse tão engraçada, talvez eu fosse ajudá-las, mas eu só conseguia rir, intensifiquei mais ainda a risada quando a caiu de cara na grama. Logo em seguida veio o , pousando placidamente no jardim como se pulasse muro todos os dias. O mesmo fizeram os meninos, o problema mesmo eram as meninas que sacudiam as roupas e se queixavam de dor na bunda, no rosto e todos os lugares. Eu, infelizmente, não conseguia parar de rir.
- Ria bastante, , não é o seu traseiro que está doendo. – falou a , passando por mim indignada com a sua queda.
- Poxa, , é engraçado, vai? – disse rindo ainda.
- Só para você. – falou a , passando por mim e mancando. Logo me veio à cabeça que ela estava grávida, olhei para ela interrogativamente e ela me acenou dizendo que estava bem, soltei a respiração que nem sabia que tinha prendido e qualquer vestígio de riso saiu rapidamente do meu rosto, andamos até a entrada de casa e fomos em direção à sala.
- Então, o que vocês vieram fazer aqui? – perguntou o , se jogando no sofá.
- Dar a vocês apoio moral. – respondeu o Harry sentando-se na poltrona em que eu, alguns meses atrás, me sentei para seduzir o .
- É, apoio moral! – repetiu o da entrada com algumas cervejas a mão.
Correndo em seu encontro foi a ajudar ele e saiu distribuindo cerveja para todos, ou quase todos, pois pulou eu e a .
- Ué, por que você não vai beber, ? – perguntou o , fazendo com que o meu coração acelerasse automaticamente.
Sem pestanejar ela respondeu.
- Solidariedade à minha amiga. – disse piscando um olho para mim.
Pensou rápido, . Relaxei o corpo. Parecendo convencido, ele só deu de ombros e deu um gole na bebida.
veio da cozinha com alguns pratos e salgadinhos e os botou na mesa, ta aí uma coisa que podia comer, peguei alguns e me sentei no sofá ao lado do , que me abraçou e pôs à mão na minha barriga. Automaticamente o salgadinho fez um bolo na minha garganta me dando uma vontade enorme de vomitar, eu estava com nojo de mim mesma e minha mentira, levantei rápido e sinalizei que estava passando mal, para que ninguém desconfiasse. Corri para o banheiro e botei para fora o que estava na minha boca e o que eu tinha engolido, levantei do chão que eu tinha me agachado para vomitar e fui escovar os dentes na pia, olhei no espelho olhos vermelhos, assustados, mentirosos... Eu não era aquela garota do espelho. Onde foi parar o meu brilho a minha felicidade? Agora eu tenho o , ou pelo menos uma parte dele, mas a que preço? E fora que isso não vai durar para sempre e, sinceramente, eu tenho nojo dessa pessoa que eu estou olhando agora.
- Não dizem que é melhor uma verdade bem contada do que uma mentira descoberta? – murmurei para o espelho e a garota que eu não reconhecia mais falou junto comigo.
- Chega! – disse mais alto. - Chega! – repeti para dar mais coragem.
Respirei fundo e sequei meu rosto, eu vou sair desse banheiro e contar toda a verdade. E que eles me perdoem, e que ele me perdoe.
Abri a porta e fui.

Capítulo 17 - Cada vez mais feliz... Ou não...

me esperava fora da porta do banheiro, bloqueando o meu caminho, sozinha e assustada. Olhei para ela e fiz que não com a cabeça, nem ela poderia me impedir agora. Passei por ela e senti sua mão se fechando no meu punho, me virei e ela estava chorando.
- Por favor! Não! – ela disse baixinho, enquanto uma lágrima escorria pelo seu rosto. Ela me conhecia bem o suficiente para ler em minha expressão que eu não aguentava mais.
- Eu não posso mais – falei chorando também, aquilo estava me sufocando.
- , me escuta. Eu e o estamos quase nos acertando... – fez uma pausa, pondo as mãos nos rosto em um gesto de desespero, fiz que não com a cabeça. – Pelo amor de Deus, , eu o amo, se eu contar agora ele vai fazer a coisa certa, mas eu vou perdê-lo, aguenta só mais um pouco, por favor! – terminou em uma súplica.
Respirei fundo, me acalmando.
- Será que ele vale tanto assim? – a questionei.
- Sim! – disse, sem pestanejar. – Ele vale muito. Um final de semana é isso que eu te peço. – olhou em meus olhos, os seus estavam desesperados. Suspirei e confirmei. Só mais um final de semana, que mal podia fazer?

Ela me abraçou e disse no meu ouvido um obrigada. Afastou-se secou seu rosto e o meu me beijou no rosto e se afastou me olhando.

- Final de semana que vem nos vamos para a cabana da tia da ! – anunciou, dando pulinhos.
- Vamos? – perguntei. Gravidez e seus hormônios: do choro às risadas.
- Sim! Antes de eu vir aqui falar com você, o estava falando com o , nós viemos aqui para convidar vocês e dar nosso apoio moral, é claro.
- Não sei se é uma boa ideia. – disse, me lembrando das outras vezes que fui naquela cabana.
- Lógico que é, vocês precisam sair daqui um pouco, depois desse escândalo no jornal, e fora que agora vai ser diferente. Você está com o . – ela disse.
Concordei, não querendo estender o assunto nem lembrar as outras vezes que passamos os finais de semana no chalé.
- Melhor a gente voltar, senão eles podem desconfiar. – falei, desconversando.
- Claro! – concordou.
Entrei na sala e todos pararam de falar e me observavam. Eu ainda estava com vergonha dos meninos por eles mais cedo terem me visto daquele jeito, mas como graças a Deus ninguém fez piadinha com isso, eu estava conseguindo levar, e pelo visto as meninas também não sabiam disso. Eu agradecia muito a eles por não contar.
- Eu estou bem, gente! – disse, sentando no sofá ao lado do e longe do . Se ele me fizesse carinho de novo é bem capaz que eu conte tudo; por segurança, é melhor sentar ali mesmo.
perguntou se eu queria um refrigerante fiz que sim com a cabeça, e logo ele levantou e foi em direção à cozinha.

Olhei para o teto, ainda estava perturbada com a história de voltar à cabana, eu definitivamente não tinha boas lembranças dela.

Londres, 21 de junho de 2008.

- , vai ser um máximo, todo mundo vai. A cabana da minha tia é linda. Você não pode ficar sozinha aqui o final de semana todo.
- Por que não? – perguntei, enquanto terminava um trabalho para a faculdade.
- Você vai! – afirmou ela. Olhei para cara dela e fiz que não. – Nem que eu tenha que te amarrar, você vai. – disse, categoricamente.
- , mas só vai casal! O que eu vou fazer lá? – perguntei, tentando argumentar com a minha melhor amiga.
- Quem disse que só vai casal? O também vai. – ela falou me olhando.
Ela estava fazendo de novo, me jogando para ele.
- Piorou, sabe muito bem que a gente não se dá bem. – falei calma, mas por dentro meu coração batia tão forte que parecia que ia sair pela boca. – E fora que ele sempre arranja alguém, e o seu plano nunca funciona. – disse.
- Isso que eu não entendo. Vocês tinham que se dar bem, só falta você para que tudo fique perfeito. – ela disse.
Agora era a hora em que ela ficava fantasiando sobre como seria bom se todos nos fôssemos casais e por aí vai, me desliguei e continuei a digitar meu trabalho no computador.
Blá, blá, blá, blá, blá...
-... E lá e isolado de tudo, então ele não arranjaria ninguém...
Captei ao fundo enquanto ela dizia me desliguei do meu trabalho e prestei atenção. Então lá era isolado?
- , por algum acaso isso seria um complô para que a gente ficasse junto? – perguntei, séria. Eu já sabia a resposta.
- Não, eu não tenho culpa se vocês são dois solteiros e nossos amigos. Como a gente pode ir e deixar vocês? – falou não me convencendo nem um pouco, mas se saindo com a sua, como sempre.
- Lógico, agora eu tenho que ir para um final de semana só com casais e um mala porque eu sou solteira. – disse sarcasticamente. – Que castigo! – exclamei.
- Chame como quiser. Você vai. – afirmou.
Voltei a fazer o meu trabalho. Eu não iria mesmo.

- Ainda falta muito para chegar? – perguntei à .

Já estávamos na estrada a mais ou menos duas horas, e eu já estava ficando cansada de ficar ali sentada no carro olhando pelas janelas com suas paisagens corridas, isso estava me enjoando, mas nada me enjoava mais que olhar para frente e ver a mão da percorrer alguns lugares do e o quanto ele ficava vermelho e me olhava pelo retrovisor com vergonha, depois de uma ou duas olhadas fiquei tão constrangida que estava agora com dor no pescoço de tanto olhar só para um lado.
- Não, falta uma hora. Por aí. – disse do seu modo descontraído.

Uma hora ainda aguentando isso. Eu poderia ter ido a outro carro, mas as outras opções eram e , e ou o . As duas primeiras eu iria acabar passando pelo mesmo constrangimento e a última opção talvez fosse eu que ficasse constrangida, por fim a me convenceu com seu jeitinho todo especial que era melhor eu ir com ela, mas antes ela tentou com todas as suas forças me empurrar para o , mas já chega eu ter cedido ir para a cabana; por fim, fiquei no carro deles mesmo. Só que agora eu estava com torcicolo, enjoada e com vontade de ir ao banheiro.
- Quero ir ao banheiro! – Falei. Isso fez que a parasse seu carinho e olhasse para trás.
- Sério? – me perguntou.
- Seríssimo!
- Ok! – disse , ligando a seta e sinalizando que iria parar em um posto de gasolina em que tinha uma loja de conveniência.
Assim que ele parou, desci do carro e praticamente corri para a lojinha. Entrei e fui até uma porta nos fundos, que tinha acima um desenho de uma mulher. Abri a porta e entrei, fiz minha necessidade e com a bexiga vazia o enjoo até tinha parado, lavei as mãos e joguei água no rosto, eu nunca me dava bem com viagens de carro longas, eu deveria ter tomado um remédio para enjoo, mas como sempre, eu esqueci. Saí do banheiro e fui em direção a uma geladeira lotada de bebidas, peguei uma coca e andei até o caixa para pagar, ainda bem que tinha um dinheiro no bolso da minha calça, então o tirei e paguei, pegando um canudo. Logo me dirigi à saída, antes de abrir a porta, ela se abriu, e por ela entraram as meninas, apontaram para o banheiro e passaram apressadas por mim, fiz que sim e saí. Logo localizei os carros estacionados e fui em direção ao carro do , eu ia esperar fora do carro e me preparar mentalmente para mais uma hora de grude dos meus amigos.
- Ei! ! – ouvi o me chamando. Meu coração acelerou e parei a meio caminho de tomar mais um gole da minha coca. Com um suspiro me virei para ele pondo minha máscara de indiferença.
- Oi. – disse apática, sem demonstrar qualquer reação.
- E aí? Está tendo uma boa viagem? – Fiquei me perguntando se ele estava sendo sarcástico ou estava perguntando sério, como não consegui, decidi respondi neutramente.
- Não muito, eu enjoo e me esqueci de tomar um remédio. Talvez essa coca me de um ânimo. – falei, dando de ombros.
- Não precisa disfarçar, eu sei como é enjoativo viajar com eles. – disse, apontando com a cabeça em direção ao carro do . – Eu já viajei com eles e não foi nada legal. – terminou de falar rindo.
Eu concordei também rindo.
- Você pode vir comigo, garanto que eu sou uma opção melhor que eles. – disse, andando até o carona e segurando a porta aberta para mim.
Olhei para ele desconfiada.
- O quê? Eu to oferecendo de coração, longe de eu deixar alguém sofrendo olhando a e o . – Falou ainda com a porta aberta, quando eu ia responder que tinha que falar com a , ela chegou com o resto do pessoal e praticamente me empurrou dentro do carro.
- Quem bom que você vai com o . – disse, já abrindo a porta do carro do pegando a minha bolsa e me jogando encima. Logo deu a volta e entro no carro.
Que vontade de matá-a!
- Acho que fui despejada! – resmunguei para o .
- Pois é! Entra aí. – ele disse.
Eu entrei.

O ar condicionado estava ligado, deixando o carro em uma temperatura ambiente ótima; seu cheiro era tão concentrado no carro, respirei até mais fundo meio disfarçadamente, a voz do locutor preenchia os autofalantes do carro anunciando mais uma música.
- Põe o cinto! – ele disse, dando ré e saindo do posto seguindo o carro do , olhei pelo retrovisor e o carro do vinha logo atrás.
- Sim, senhor! – respondi, fazendo uma continência.
Ele acelerou e fomos rumo ao nosso fim de semana!

- Então essa é a cabana? – perguntou o , aparentemente para si mesmo, parado enfrente a uma casinha de madeira totalmente isolada do mundo.

Fazia já uma meia hora que a estrada era só de terra batida, o lugar era totalmente isolado, a casa por fora parecia uma cabana que tem naqueles filmes de terror, fiquei parada ali olhando como o e pensando pela milionésima vez porque eu sempre faço o que a quer.
- Gente, eu sei que por fora parece meio assustador, mas eu juro que por dentro ela é linda, minha tia gostava de manter ela assim por fora para não atrair ladrões. – ela explicou a nossa pergunta muda com confiança antes de andar até a varanda e subir os degraus.
- Eu realmente espero. – resmunguei, seguindo-a.
- Eu também! – falou o , passando por mim e me dando uma mochilada.
- Ai! – gritei.
- Foi mal! – respondeu ele rindo e parando na varanda. Bufei de raiva e segui o pessoal.
- Vocês vão ver como é lindo esse lugar. – disse, abrindo a porta com a chave e relevando uma sala ampla e totalmente mobilhada com uma lareira de fundo.
- Realmente, é linda! – sussurrou a na minha frente.
- Bom, a cabana só tem três quartos, então a divisão vai ser essa: o quarto com suíte é meu e do , e os outros dois vocês podem dividir à vontade. – ela falou rindo, pegando a sua mala e o e andando para um corredor à frente, entrando por uma das portas.
- Sacana! – falou, rindo.
sempre se saindo com a sua, pensei
- Bom, sobrou dois quartos. – comentou o .
- A gente pode fazer um dos caras e um das meninas. – disse a .
- E você acha que isso funciona? – perguntou o sarcasticamente, me fazendo revirar os olhos, mas até que ele estava certo o que ia ter de neguinho em quarto que não é seu e barulhos estranhos à noite.
Um casal olhou para o outro e começaram a rir. Eles sabiam que essa divisão não ia dar certo.
Quem vontade de matar a .
- Eu fico com o sofá. – ouvi o dizendo e se jogando no sofá maior.
Droga! As minhas opções agora era dormir no quarto de algum casal ou no sofá menor.
A primeira opção era totalmente horrível, a segundo era pura loucura, mas diante das duas me joguei no sofá menor e disse que eu ficava com ele. Parecendo extremamente aliviados, meus amigos andaram até um corredor e cada casal abriu uma porta, indo para os seus quartos satisfazer todo o seu desejo carnal aparentemente nunca satisfeito.
- Não sei por que eu ainda ouço a . – murmurei, suspirando para o nada.
- E eu não sei por que ainda ouço o . – ouvi o me responder.
Sentei rápido no sofá e o encarei. Ele estava deitado descontraído com uma perna no sofá e a outra apoiada no chão da sala.
- Que droga! Provavelmente eu vou ficar com uma dor horrível no pescoço.
- Você sabe por que eles fizeram isso. – ele afirmou.
Eu bem que sabia.
- Eles querem que a gente fique junto de qualquer jeito. – respondi sua afirmação.
- Isso! – ele disse se sentando e me olhando agora. – E se nós ficássemos? – me perguntou, fazendo o meu queixo cair. Ele estava realmente me pedindo para ficar com ele?
- O quê? – perguntei depois de fechar a minha boca.
- Não! Não do jeito que você está pensando, olha a gente finge alguma coisa amanha você comenta com as meninas que quer ficar comigo e eu faço o mesmo com os meninos a gente tenta se tratar bem e no domingo eu te sacaneio com alguma coisa, porque eles esperam isso de mim mesmo e provamos pra eles que nos dois somos totalmente incompatíveis. E aí, talvez, eles parem de tentar jogar você para mim. – ele terminou de dizer se fosse possível ficar com o queixo mais caído eu digo que sim, fechei a boca.
- E você para mim, né? – perguntei, revidando seu pequeno insulto ao final de seu discurso.
- Tanto faz, , eu só quero paz quando estiver com eles e não ficar pensando o que eles vão tramar agora e nem dormir mais em sofá de cabana velho. Isso tem cheiro da minha vó. – disse fazendo uma cara de nojo.
- Que horror! Será que isso daria certo? Você sabe como a é insistente, se ela depois de vê a gente junto ache que foi uma briguinha ato a e piore as coisas? – perguntei.
- Isso não vai acontecer, porque eu vou fazer alguma coisa que vai fazer você me odiar e as meninas também. Aí me livro de você de vez. – ele disse, dando um sorriso convencido de que seu plano já era um sucesso.
- Ok! Qualquer coisa para, enfim, eu ficar livre de você. – eu disse, suspirando e revirando os olhos, eu queria parecer alguém de saco cheio disso tudo, o que realmente eu estava, mas ouvir o falando de mim como se eu fosse um encosto me fez por a minha mascara de indiferença.
- Ótimo! Talvez você goste de saber que esse sofá com cheiro de vó é um sofá-cama. – falou se levantando.
- Caramba! Como você sabia? – olhei para ele desconfiada.
- Está vendo aquele pedaço de tecido na lateral do sofá? – me perguntou e eu olhei observando só agora o tecido que me parecia um puxador.
- Sim! – respondi. – Então é só puxar e pronto. – ele foi dizendo e fazendo o sofá se transformar em uma cama de casal.
- Que bom pra você! – exclamei e de rabo de olho, olhei para o meu sofá minúsculo. Nada de tirinha. Que droga, o meu era só um sofá mesmo. Suspirei e me arrastei e sentei na minha “cama”.
- Você pode ficar com ele. – disse, me surpreendendo tanto que minha cabeça disparou em sua direção.
- O quê? – perguntei não acreditando, eu devo te entendido errado.
- Você pode ficar com ele, e se você me fizer responder de novo eu retiro o meu ato de bondade.
Fiquei ali olhando para ele pasma, quando foi que ele tinha tido algum gesto bom para mim? Que dizer, tirando a carona hoje, acho que nunca, ele realmente queria se livrar de mim ou eu realmente não sei.
- Obrigada! – foi tudo que eu consegui dizer, peguei a minha mala e encostei-me ao sofá cama.
- Tudo para não dormir com esse cheiro de vó. – ele disse meio sem jeito.
- E você vai dormir onde? – questionei olhando para minha antiga cama minúscula. De jeito nenhum que ele iria caber ali.
- Nem pensar. – ele disse respondendo os meus pensamentos. Às vezes eu achava que ele lia a minha mente, mas eu logo descartava a vivia dizendo que eu era tão fácil de ler, clara como a água era isso o que ela sempre dizia, foquei minha atenção no .
- Vou sair por aí e encontrar um pub, eu ouvi a dizendo que tem um a vinte minutos daqui de carro.
- Hum... Ok! – falei, desviando meus olhos. Provavelmente ele só ia à caça de mais uma garota. Lugar isolado é? Aparentemente não para o .
- Bons sonhos! – ele falou já se virando e rindo. Poucos minutos se passaram e eu ouvi o barulho do seu carro dando partida. Abri a minha mala e me preparei para dormir.

Acordei com uma luz clara e ofuscante me cegando, automaticamente fechei os olhos, eu ia matar a por ter que dormir nessa sala clara e nesse sofá com cheiro de vó, tentei mudar de posição, mas um braço pesado não deixava eu me mexer.
- Xi! Calma, sou eu. – o disse no meu ouvido, como se isso fosse me acalmar. Fiz um movimento para me livrar dele. Nada! Ele me agarrava por trás estávamos naquela famosa pose “conchinha”, quanto mais eu me mexia mais eu sentia sua ereção na minha bunda, minha cara estava quente provavelmente agora eu era um tomate ambulante.
- Finge que ta dormindo ainda. O e a estão no batente da porta da sala espiando a gente. – ele sussurrou no meu ouvido, me fazendo arrepiar, fiz um gesto de assentimento e ele parou de me segurar forte, mas ainda mantinha o seu corpo colado ao meu e seu braço. – agora vamos fingir que acordamos e que você não ache nada demais a gente estar assim juntinhos. Eu fiz que sim com a cabeça eu só consegui fazer isso aquela aproximação dele estava me matando.
Espreguicei-me e me virei devagar, abri os olhos e encarei o o cabelo dele estava totalmente desgrenhado seus olhos estavam vermelhos e cansados e com olheiras, mas seu sorriso debochado era incrível essa combinação só o fazia ficar mais bonito. Provavelmente ele passou a noite acordado eu tinha absoluta certeza disso.
- Oi!
- Oi! – me respondeu com a voz rouca. Ele tinha cheiro de wisk e cigarro. – Dormiu bem, ? – perguntou levantando sua sobrancelha questionadora.
- Muito bem! E você? – Respondi, não resisti em pergunta.
- Muito bem! – me respondeu, mentiroso.
Ouvimos um pigarro e a e o apareceram na frente da cama.
- Então vocês dormiram juntinhos. – Ela disse.
- O que te parece. – essa foi a resposta malcriada do .
- O disse que a gente podia dividir a cama dele. – eu falei, me soltando.
- Claro que ele disse. – falou o , meio que rindo.
- Não poderia a deixar dormindo naquele sofá minúsculo. – ele disse, apontando para o mesmo.
- Claro que não. – respondeu o rindo e indo em direção à cozinha.
Era alguma piada interna? Porque eu estou boiando. Por que o estava debochando do ?
Que estranho. Ficamos em silêncio, vendo-o ir até a cozinha.
- Quem quer café? – desconversou a . – Eu quero! – disse apenas.
- Eu também. – falou o , ainda deitado no sofá.
- Tudo bem! Café saindo! – disse já indo atrás do seu namorado debochado.
Esperei ela passar pelo vão da porta e me virei para o .
- Que droga foi essa? – o questionei baixinho, eu ainda estava vermelha de ter acordado com ele colado em mim.
- Eu já comecei o nosso plano. – ele também me respondeu baixo.
- Da próxima vez mantenha esse seu amigo longe da minha bunda. – disse, apontando para o seu amiguinho farrista.
- Tudo bem! Eu só acho que se você fosse mais de sair e pegar uns caras de vez enquando a gente não estaria nessa situação. Suas amigas não iriam querer empurrar você para mim. – Durante seu discurso minha boca foi se abrindo mostrando o quanto eu estava ultrajada, ele tinha acabado de me chamar de encalhada?
- Eu te odeio, , você é a pessoa mais insuportável que eu já vi. – falei já me levantando. Eu não iria ficar ali nem mais um minuto se não provavelmente eu iria dar um belo soco na cara dele.
- Não, você me ama! Esse é o nosso trato. Não se esqueça. – ele falou agora sério. Realmente ele deveria mesmo estar de saco cheio disso tudo. Balancei a cabeça, esse cara era confusão pura, uma hora ria na outra era um tremendo canalha.
- Babaca! – o xinguei, antes de virar as costa e ir tomar o meu café.
Ouvi seu riso sarcástico de sempre ao fundo...

- Então por que nos estamos nessa merda de pub? Eu já vim aqui, agora me conta se não eu vou sair por aquela porta e vou voltar para casa. – o ameacei.
Ele deu uma risada misteriosa, como se soubesse de algo que eu não tinha nem ideia.
Já era sábado à noite e nada do fazer alguma coisa para que finalmente a gente se visse livre dessa pressão toda feita por eles, eu confesso que eu não odeio o tanto assim, mas também não quero viver assim sempre com medo do que eles vão armar agora. Ele me chamou para vir ao bar e como nos dois hoje ficamos o dia quase todo juntos fazendo a maior cena de casal querendo se pegar. Depois que eu fui tomar café ele desmaiou no sofá e só levantou à tarde quando eu o acordei para o almoço, foi engraçado todos eles me olhando com cara de não acredito quando eu fui chamar o e ainda me sentei ao seu lado, mas, afinal, tudo era apenas um fingimento que eu de verdade estava adorando fazer.
- Claro! Só que antes, que tal uma cerveja? – me perguntou piscando um olho. -Desvie os olhos e disse que sim. Aproveitei para ver melhor o lugar era mediano nada muito bom no estilo de Londres, mas o que eu queria isso era interior, e tinha muitos caipiras, a mesa de sinuca estava lotada, a bancada ao lado estava repleta de copos de cervejas alguns cheios outros já pela metade a música bombava bem alto algumas mulheres sentavam escarranchadas em homens no canto. Que tipo de lugar era esse? Voltei os olhos para o e ele já me esperava com uma garrafinha de cerveja na mão peguei e dei um gole, estava bem gelada.
- Quando você vai parar de me enrolar e me dizer o que a gente veio fazer aqui nesse pub cheio de caipiras? – disse, fazendo cara de nojo, não que fosse metida nem nada, mas normalmente eu não frequentaria aquele lugar fedia a bebida e sexo barato.
Vi que sua expressão se fechou quando eu disse caipira.
- Então lembra que eu disse a você que eu iria tirar totalmente qualquer ideia de que nós funcionamos juntos? – ele me perguntou.
- Sim, você disse. – eu falei. – Mas ainda não fez nada... – duvidei dele.
- Ainda não fiz porque não chegou o momento, mas farei. Certeza. – me explicou, depois tomou um gole da sua cerveja.
- Então? – o incentivei a continuar.
- Bom, vou arranjar alguém que não se importe em ficar com o caipira aqui. – ele falou apontando para si.
- , eu não quis ofender... – tentei me explicar, eu tinha esquecido completamente que ele tinha vindo do interior, mas ele logo me cortou.
- Isso não me importa, o plano é esse: Eu vou ali naquela gata, e vou a chamar para sair, vou para a cabana e vou me divertir muito com ela. – disse, me fazendo olhar para ele de olhos esbugalhados. Eu tinha entendido direito?
- O quê? – perguntei só para confirmar.
- Isso mesmo que você ouviu. – falou piscando um olho. Virou-se na direção “da gata” e deu o seu sorriso quero te comer, ela riu e respondeu com um sorriso “de quero te dar”, aquilo me enojou. Puxei seu braço chamando a sua atenção ele se virou sem vontade nenhuma.
- O que é? Não vê que está me atrapalhando? – me questionou.
- Como eu vou embora? – perguntei, assustada.
- Essa parte do plano já é com você.
- Você vai me deixar aqui sozinha, nesse pub com esses...
- Monte de caipiras? – Completou a frase por mim.
Fiz que sim com a cabeça, assustada, olhando para um lado e para o outro eu não via um cara de aparência legal que poderia me levar para casa sem querer nada em troca.
- Vou. – respondeu simplesmente.
- Está de sacanagem? Porque não tem a mínima graça! – exclamei, indignada.
- Eu pareço estar brincando? – falou, bebendo sua cerveja e pondo em cima do balcão tirou uma nota de dinheiro e disse para o barman ficar com o troco, eu olhava aquilo como se eu estivesse em algum pesadelo em que a gente tenta acordar só que não consegue.
- Ta de sacanagem! – sussurrei e depois bebi mais um gole da minha cerveja.
- Acho que daqui a cabana a pé deve dar uma hora mais ou menos já, contando com os seus saltos altos. – falou passando por mim.
- ! – eu o chamei pelo seu apelido coisa que era bem raro de eu fazer peguei em seu braço. Ele parou e se virou, olhou para minha mão no seu braço e depois me olhou nos olhos. – Por favor! – supliquei, o odiava muito nesse momento.
Pareceu pensar, mas logo puxou o braço da minha mão e disse:
- Boa sorte! Eu só faço o que é preciso fazer. – virou as costas e andou até a porta onde “a gata” se encontrava disse algo no seu ouvido e ela riu e pegou na mão dele e em um piscar de olhos os dois saiam pela porta do pub. Fácil assim... Muito fácil. Afinal, o que não era fácil para ele?
Fiquei olhando a porta se fechando e o indo embora, comecei a querer entrar em pânico, como ele teve a coragem de fazer isso comigo? Passei as mãos pelo rosto em total descrença, eu não podia acreditar. Olhei novamente em volta só para ter certeza que realmente não ia ter um cara legal para me levar, mas não tinha mudado nada, pior me parecia ainda mais estranho voltei minha atenção para o balcão do bar e fitei minhas mãos que estavam apoiadas lá tentando pensar em alguma coisa, será que eu ia ter que ir mesmo andando para a cabana?
- Ei, gata, quer uma cerveja? – uma voz rouca disse, logo atrás de mim.
Virei e por um momento achei que a voz pertencia ao , pois o sotaque era o mesmo, mas seria bem impossível dado que ele tinha acabado de passar pela porta. O cara era extremamente sexy, com um blusão xadrez, calça jeans surrada e coturno, forte, alto e muito bonito, em sua cara estava escrito: “Eu escolhi você hoje!”
Ficou me olhando na expectativa, mas eu só ficava ali fitando-o, onde diabos ele estava quando eu passei o olho pelo pub? Esse cara era problema escrito em negrito bem grande e de problemas assim eu já estava farta.
- Não, obrigada! Já estou de saída. – falei já me virando em direção à porta.
- Ei! Espera! – ele disse, segurando-me pelo braço. Olhei para sua mão com a cara fechada e ele logo retirou a mão murmurou um “desculpe” e me soltou.
- Olha, você está aqui sozinha e eu só quero te pagar uma bebida. Que mal há? – perguntou, e olhei para o seu rosto ele me fitava serio o pedido dele não era nada demais e para quem já estava ferrada que mal há?
- Tudo bem! Só uma, hein! – falei, fazendo o gesto de um com o meu dedo indicador. Ele riu e confirmou.
Chamou o cara do bar e pediu duas cervejas iguais as que eu tinha bebido com o , a raiva voltou com tudo como eu queria matar aquele filho da mãe.
- Que cara é essa, gata? – ele me questionou, acho que era de praxe todo caipira falar “gata”, não é possível.
- Meu nome é . – disse de má vontade, tudo para que ele não me chamasse mais de gata.
- Alex!
Batemos as garrafas em um brinde mudo.
- Então, o porquê da cara feia, você não me respondeu.
- Nada! – respondi, desviando os meus olhos dos dele.
- Por acaso não tem a ver com o cara que estava aqui com você antes? - Levantou a sobrancelha me questionando, eu podia lhe dar um fora, quem ele pensava que era para me questionar assim? Só que minha raiva e desilusão eram tão grandes que me peguei respondendo a sua pergunta.
- Sim! Ele me deixou aqui e saiu com uma vagabunda qualquer. – respondi.
- Minha ex-namorada! – ele disse, me fazendo engasgar com a cerveja.
Tossi e ele me deu umas batidinhas nas costas.
- O quê? – perguntei, com a voz um pouco fraca ainda.
- Isso mesmo, o seu namorado saiu com a minha gata. – falou, percebi que ele fechava um dos punhos, acho que o não iria querer esbarrar nesse cara.
- Nossa! – foi a única coisa que eu consegui dizer. Que situação chata, quando você pensa que não podia piorar... – Ele não é meu namorado. – lembrei-me de esclarecer isso, afinal, o que ele achava que eu era? Uma corna passiva?
- Vocês pareciam ser pelo jeito que vocês estavam discutindo. – ele disse e se explicou.
- Não! Ele é apenas... – fiz uma pausa o que diabos ele era? Dei um suspiro e deixei no ar.
- Entendo... – ele falou e desviou os olhos. Voltou seus olhos verdes para mim e me encarou ele me dava arrepios, e estava me dando uma vontade louca de beijar. De repente ele quebrou o encanto soltando uma risada descrente.
- Não é engraçado? Eu e você aqui enquanto eles se pegam por aí? – me perguntou, bebendo mais um gole de sua cerveja.
Dei de ombros e confirmei. – É!
De repente me bateu uma ideia, o tinha acabado de fazer a maior cachorrada comigo, porque eu não poderia fazer o mesmo, olhei para o meu novo amigo e sorri.
- Quando você sorri assim, , eu poderia esquecer essa merda toda, você é quente gata! – ele falou me deixando envergonhada e com tesão o cara era quente demais. Só que eu não queria isso então, comecei a perguntar:
- A sua ex-namorada tem o costume de sair com qualquer um assim? – perguntei tentando chegar ao ponto em que eu queria. Ele aparentemente não esperava essa pergunta depois do que ele me disse.
- Não! Ela fez isso por causa de mim. – disse.
- Sério?
-Sim, faz pouco tempo que a gente terminou, ela sabia que eu ia vir aqui hoje e eu acho que ela saiu com o seu “amigo” para me fazer ciúme. – explicou com uma carinha de chateado, eu fiquei com mais vontade de beijá-lo. Foco!
- Então você ainda quer voltar para ela? – perguntei.
- Não! – ele disse talvez rápido demais, fiquei olhando para ele, questionando-o. – Tudo bem, sim! Eu sei que parece idiota, mas eu gosto daquela mulher. – ele falou totalmente derrotado, tivemos uma evolução de gata para mulher.
- Eu acho que eu posso te ajudar. – deixei essa frase no ar esperando que ele mordesse a isca.
- Pode? Como?
Bingo! Sorri para ele.
- Eu sei para onde eles foram, e como eu preciso muito de uma carona, que tal eu e você trocarmos favores? – propus pegando em seu braço.
Ficou claramente pensando no que eu disse. Tentei incentivar. – Qual é você vai deixar outro cara pegar sua garota? – perguntei o olhando fixamente.
Vi ele pegando uma nota do bolso de sua jeans e deixando no balcão me puxou em direção a saída murmurando um “nem fodendo”, andamos rápido até uma caminhonete preta e ele abriu a porta do passageiro para mim e logo deu a volta e se sentou no banco do motorista deu a partida. – Para onde? – me perguntou.
- Vira à direita e segue direto. – eu disse já um pouco nervosa pelo que poderia vir a acontecer.
Chegamos à cabana em exatos vinte minutos estava quase tudo escuro lá dentro, a não ser por uma pequena claridade que vinha da janela da sala o carro do estava estacionado ao lado do , ele estava em casa realmente, fez o que me tinha dito. Olhei para o Alex e ele apertava a mão no volante enquanto mirava à cabana. Eu definitivamente não queria estar na pele dele.
- Você realmente quer fazer isso? – perguntei, pois eu já tinha conseguido o meu principal objetivo que era a carona.
Vi ele respirar fundo tomando uma decisão.
- O que é pior: entrar e interromper alguma coisa ou me calar e deixá-la concluir? – perguntou, totalmente perturbado.
- Difícil decisão. – respondi apenas.
- Vamos! Eu já vim até aqui. – falou, desprendendo o cinto de segurança e saindo, fiz o mesmo. Caminhamos até a entrada e subimos com cuidado para não fazer barulho nos degraus.
- Vamos lá. – sussurrei, me preparando também para o que eu pudesse vir. Na minha cabeça passavam várias cenas do transando com a garota de várias formas. Sacudi a cabeça, tirando essas imagens nojentas, abri a porta e sinceramente eu não estava preparada para ver de jeito nenhum a cena que eu via diante de mim. Senti o Alex parando atrás de mim. Nunca que eu iria imaginar isso, e olha que eu tinha pensado em muita coisa no caminho para cá, desde eu pegando ele comendo ela, ela pagando um boquete nele, ele fazendo o mesmo com ela, mas isso definitivamente não. Entramos tão silenciosamente que não ficou claro a nossa presença. Na minha frente sentados no sofá cama com cheiro de vovó, estava o e a garota, ele se encontrava de jens, meias e com a parte de cima nu, seus músculos da barriga bem definidos estavam à mostra, do lado dele estava a garota um pouco despenteada, sem a blusa, só com o sutiã, e conservava ainda sua calça jeans, mas eu via uma de suas sandálias bem na minha frente jogada de qualquer jeito, o cabelo dela era uma bagunça, mas até aí estava tudo normal, o que não se encaixava de forma alguma era que ela chorava copiosamente no ombro do enquanto ele fazia um carinho com muita má vontade nos cabelos desgrenhados dela. Ele olhava pra baixo enquanto dizia alguma coisa e cada vez que ele falava ela chorava mais alto ainda. Ficando impaciente atrás de mim, vi o Alex bufar, isso fez o olhar para frente. A princípio, ele mostrou o mesmo olhar de má vontade, mas logo se fixou em mim e no meu novo amigo. Seu olhar endureceu, pisquei e eu desviei os olhos sem saber como me comportar diante desse olhar tão intenso, vi o Alex perder a paciência e passar por mim como um furacão.
- Ei, o que você fez com ela? – ele perguntou gritando.
A garota levantou o rosto rapidamente do ombro do , e a vi pronunciar em silêncio o nome do Alex, rapidamente se afastando de , catando a sua camiseta e pondo do lado avesso mesmo.
Alex ainda mantinha uma postura impaciente, olhando para o .
- Eu não fiz nada! – respondeu ele agora de pé. Impressionante como eles tinham o mesmo biotipo, se eles resolvessem se atracar seria uma luta justa, mas já prevendo isso, fiquei no meio deles, como eles eram gatos.
-Como você não fez nada, ela estava chorando? Aliás, acho que você é ótimo com as mulheres a propósito. – Alex disse. Ele tinha acabado de provocar e muito o , e ainda me meteu no meio.
- Olha aqui, seu babaca, a sua garota estava aqui comigo se lamentando por você! Será que sou eu que não sei cuidar? – Ele falou chegando mais perto do Alex tanto que a distância agora era apenas do meu braço.
- Calma! – Gritei.
- Então estamos quites, pois a sua eu tive que trazer para casa, porque você é tão fodido que deixou uma garota como ela sozinha em um pub em que ela nem deveria entrar. – Alex falava aos gritos pro .
Olhei para o , e ele me fitava através de suas pálpebras levemente fechadas.
- Ela se vira bem! – disse apenas.
- Alex, desculpa! Vamos embora daqui? Eu juro que não fiz nada com ele, eu só... queria te fazer ciúme. – essa foi a explicação ridícula da garota.
Vi o Alex relaxar o corpo e se virar para a gata dele, passou a mão pelo rosto e estendeu a outra mão para ela que com um soluço foi correndo se jogar nos seus braços.
Olhei para cena incrédula. Se todas as vezes ele perdoasse ela assim tão rápido, agora eu podia enxergar que tipo de relação era aquela uma que com certeza eu nunca ia querer ter.
- Eu acho que mereço isso mesmo. – O reclamava enquanto catava a camisa do chão e a vestia, me poupando de ter uma visão maravilhosa do seu físico nada bonito.
- . – Alex me chamou e eu andei até perto dele, a garota me olhava com raiva, desviei os olhos. Fiquei parada esperando ele falar, fez um gesto para ela se afastar e chegou mais perto de mim, pois cada mão ao lado do meu rosto e me segurou assim, olhei para ele meio entorpecida pelo seu olhar fixo em mim.
- Tem uma coisa que eu quero fazer dês de que ti vi no pub. – ele disse baixinho antes de colar seus lábios quentes no meu, arfei e com isso ele aproveitou para aprofundar o beijo sua língua entrou se encostando a minha e se enrolando me fazendo sentir o seu sabor me agarrei mais a ele esquecendo completamente onde eu estava. Eu queria muito que ele me deitasse no sofá da vovó e me pegasse de jeito. Ouvimos um gemido alto, quase um grito, e com muita relutância nos separamos. Olhei fixamente para ele e enquanto me afastava e ele olhava pra mim da mesma forma, seu sorriso de canto da boca foi retribuído por um meu totalmente aberto e secreto ao mesmo tempo como se só nós soubéssemos o que compartilhamos. Olhei para o lado e a garota olhava pro Alex com muita raiva, eu não sei o que tinha dado nele, mas eu não estou reclamando.
- Alex! – ela meio que gruiu o nome dele.
- Encare isso como um troco, cara! – disse, olhando para o . Ele apenas concordou com a cabeça. Como se realmente eu fosse sua garota.
- Vamos! – ele disse apenas pegando ela pelo braço e praticamente empurrando-a enquanto ela o xingava de tudo que é nome; antes de fechar a porta completamente recebo uma piscadela dele, eu ainda estava atordoada, que casal mais louco. – pensei.
O clique da porta parece que fez um vendaval se formar dentro da sala e ele tinha nome; .
- QUE MERDA FOI ESSA AQUI? – ela gritava.
- VOCÊS DOIS. – Ela apontava para eu e o enquanto gesticulava que nem louca, os outros simplesmente olhavam a cena totalmente desconcertados. – NÃO SERVEM JUNTOS, EU NÃO ACREDITO, SEU DESGRAÇADO, QUE VOCÊ LARGOU ELA EM UM PUB NOJENTO E SOZINHA! – ela gritava direcionando sua raiva agora pro que apenas a olhava de cara fechada.
- E VOCÊ, , QUE MERDA FOI ESSA DE TRAZER O NAMORADO DA GAROTA QUE O ESTAVA COMENDO PRA CÁ? VOCÊS SÃO DOIS LOUCOS. QUER SABER, TALVEZ SE MEREÇAM. – Ela ainda gritava, tentou acalmar ela.
- , calma. – Ele a abraça. – Vamos, querida, acho que os dois precisam conversar. E não mais gritaria.
Ela olhou para ele com uma cara tão feia que eu pensei que ia sobrar para ele também, mas logo ela balançou a cabeça concordando e o seguiu para dentro. Se tiver alguém capaz de domar a , esse era o .
Vi cada amigo meu sair da sala, mas não sem antes demonstrar o quanto putos estavam por acordar no meio da noite com gritos, eu e o não dissemos nada, saímos daqui como um possível casal e voltamos cada um com seu par, pensando assim era desconcertante. Quando a sala enfim ficou em um silêncio, então fui andando e me sentei no sofá menor. Vi pela minha visão periférica o se sentar no sofá, fiquei olhando para as minhas mãos e de repente toda a emoção da noite veio com tudo para mim me fazendo soltar um soluço alto, eu sinceramente não sabia se estava chorando de raiva ou terror por me ver sozinha em uma cidade sem conhecer ninguém, de fato eu estava muito abalada com tudo que aconteceu. Os soluços eram altos e descontrolados, eu ainda matinha a minha cabeça abaixada, e eu estava odiando fraquejar na frente dele. Via pela minha visão embaçada suas pernas, ele ainda estava ali quieto, vi quando ele se levantou e sentou ao meu lado me afastei até a ponta eu não precisava mesmo que ele me tocasse por que talvez, eu iria me afundar tanto nele que isso sim seria pior que tudo, o único pensamento constante na minha mente era o quanto eu não queria ter ido àquela boate, o quanto eu não queria ter o conhecido, o quanto eu queria não ter me apaixonado e o meu pensamento mais secreto: o quanto eu queria ter deixado ele me foder aquele dia. Porque eu já seria só mais uma e pronto seria mais fácil de conformar, mas, nesse momento, eu estava com muito ódio do por tudo que ele me fez passar e sentir.
- Eu te odeio! – Falei baixinho entre os meus soluços.
- Eu sei. – disse.
Começo a chorar de novo o filho da puta só tem isso a dizer? Ele tenta pegar na minha mão e isso é um estopim para eu perder totalmente o controle.
- Você sabe o quanto eu fiquei assustada lá sozinha? Enquanto você vinha pra cá tentar foder uma vagabunda na cama em que eu você dormimos? – minha respiração era rápida, eu já estava em pé andando de um lado para o outro.
- Desculpa! – Olho para o seu rosto, mas suas desculpas não são sinceras e isso me irrita mais.
- EU TE ODEIO, SEU DESGRAÇADO, VOCÊ NEM ESTÁ ARREPENDIDO DO QUE FEZ, EU NÃO SUPORTO MAIS OLHAR PARA VOCÊ. – eu gritava descontrolada agora seu cinismo foi à gota d’água.
- Eu já saquei que você me odeia, , não precisa repetir, eu só fiz o que foi preciso fazer, o que só prova que nosso principal objetivo foi cumprido. – ele disse e pega sua chave do carro, cata algumas roupas soltas e põe dentro da sua mala.
- O que você está fazendo? – pergunto ainda desconcertada pela sua resposta.
- Indo embora e livrando você de olhar para a minha cara. – diz com sarcasmo, pega a sua mala e sai pela porta.
Começo a chorar de raiva, agora sai pela entrada do corredor e eu fico ali meio que deitada no seu colo chorando por tudo que passei, pelas palavras que disse a ele mesmo sabendo agora o qual mentirosas são.

O refrigerante gelado encostando-se à minha mão me fez sair das minhas mais tristes lembranças agora, estou olhando diretamente para os olhos do , isso me dá um pouco de pânico. A princípio, minha lembrança ainda esta muito viva, ele me olha como se soubesse o que ando pensando, desvio os olhos e pouso no refrigerante.
- Eu lembrei que o seu enjoo passa com refrigerante. – disse, me passando o copo; eu bebo um gole, seu gesto era tão fofo.
- Obrigada! – Falei apenas e tomei mais um gole que desceu me fazendo um bem danado.
A conversa rola solta ao nosso redor, mas nos dois estamos em completo silêncio eu infelizmente ainda pensando nas vezes que eu fui àquela cabana. Sinto-o pegar na minha mão e o olho.
- Já sabe que eles vieram aqui chamar a gente pra ir para a cabana? – apenas fiz que sim com a cabeça. Ele suspirou. – Eu sei que você não tem boas lembranças, mas a gente concordou em tentar, então eu gostaria de ir já que foi lá que eu te magoei bastante. – ele riu meio desconcertado, e isso só me faz ficar mais triste por que talvez que vá magoar ele seja eu, quando ele descobrir a minha mentira.
- Tudo bem! – eu disse tentando dar um sorriso que eu sei que nem chega aos olhos.
- Ei! Vocês dois, parem de cochichar. – falou o , agora chamando totalmente a nossa atenção.
- , será que a gente pode dormir aqui? – me perguntou.
- Claro! – disse
- Que ótimo, os caras podem dormir no estúdio, no meu quarto ou no escritório, e as meninas com você e no quarto de hóspedes. – o disse. Todos confirmaram animados, até me animei também fazia um bom tempo que eu não dormia com elas.
Olhei para o sorrindo, ele realmente estava tentando mudar e isso me deixava cada vez mais feliz... Ou não.

Capítulo 18 - Eu passei a odiá-lo

Uma semana depois...

- , vamos! – Gritou o . Ele estava na garagem, e essa era a segunda vez que ele me chamava.
Droga! Enfiei o secador de cabelo na mala e sentei em cima para conseguir fechar. Estava suando quando consegui fechar. Ouvi um barulho na entrada do meu quarto e olhei, ele estava parado no batente, me olhando com os seus olhos azuis gélidos; fiquei parada e suspirei, desviando o meu olhar para a minha mala entupida.
- Acabei, eu já ia descer. – Disse, tentando me justificar.
- Percebi. – Disse rindo. – Vamos então, você está fazendo a gente se atrasar. – Ele pegou a minha mala e a desceu de cima da cama, o vi fazendo uma careta. – , meu Deus, é só um final de semana. Ou você pretende ficar lá até o bebê nascer? – Disse brincando comigo, dei um tapinha no seu ombro e me juntei a ele em sua risada.
- Ah! Para, não é tanta coisa assim. Você ainda não viu a da . – Falei. Não que eu também tenha visto, mas por experiências anteriores eu sabia.
- Nem quero! – ele falou, fazendo uma careta. – Vamos! – Disse andando já pelo corredor.
Depois de meia hora esperando o pessoal todo se reunir na frente da casa do , finalmente pegamos a estrada.
Depois de uma semana, eu e o já não éramos a novidade da impressa, então a minha porta já estava livre, mas às vezes nos deparávamos com alguns paparazzi rondando pelo bairro e pelo meu trabalho. Fora isso, estava tudo normal. Arepórter para a quem nos demos a entrevista não publicou nada sobre a sua desconfiança, acho que o conseguiu deixar ela bastante nervosa, a matéria só dizia o básico: estávamos aparentemente felizes, as fotos não passavam de um mal entendido e o estava totalmente apaixonado por mim; as fotos tiradas nos mostravam com as mãos unidas, sorrisos abertos e totalmente apaixonados. Vendo aquelas fotos até eu acreditava. Com a saída da matéria, nos ficamos mais aliviados eu nem sei o que eu faria, se ela tivesse mencionado que ela achava que o nosso casamento era de fachada.
- ! – Chamou-me . Saí dos meus pensamentos e olhei para ele, que me olhava sugestivamente.
- O quê? – perguntei.
- Eu te chamei três vezes. Onde estava essa sua cabeçinha, hein? - O modo como ele me tratava agora era tão bom.
-Pensando na repórter e agradecendo a Deus por ela não ter escrito nada na matéria. – Expliquei.
- Ela não ia fazer isso, e se ela fizesse eu iria processar o jornal. – Falou convicto. Concordei com a cabeça.
- Você tomou o seu remédio para enjoo? – Perguntou, mudando de assunto.
- Sim!
- Você sabe se pode tomar? – Continuou seu interrogatório, dirigindo distraidamente.
- Posso! Por quê? – perguntei, não entendendo o que ele quis dizer, olhei para minha janela e fora do carro a paisagem passava como um borrão.
- Tem remédios que as mulheres grávidas não podem tomar. Eu não acredito que você não sabia disso. – respondeu, me repreendendo.
- Ah, sim, porque agora você é especialista nisso. – Eu disse, debochando dele. – E para que você saiba, a me liberou para tomar o remédio, eu perguntei a ela durante a semana. – Falei mentindo, mas eu é que não ia admitir que eu não sobia nada disso e que ele estava muito mais informado que eu.
- Tudo bem, você não precisa se alterar, mas eu sei que são seus hormônios falando por você. – Ele falou, fazendo uma careta.
Ele estava me irritando bastante com esse papo todo de sabe tudo sobre gravidez.
- Meus hormônios? – Perguntei, cruzando os braços sobre o meu peito.
- Sim, isso é comum na gravidez. – disse se achando o próprio obstetra.
- Ok! Agora você sabe tudo sobre isso. – Falei sarcasticamente.
- Não tudo, mas eu ando lendo. – Falou timidamente. Fiquei olhando para ele sem saber o que dizer. Então ele estava lendo livros? Isso era tão lindo, meus olhos se encheram de lágrimas não derramadas e eu desviei meus olhos dos seus, olhando para a minha janela tentando não desmoronar na sua frente. O que eu tinha feito?
É tão contraditório que está me matando, eu sempre quis esse cara que está aqui do meu lado, desse jeito, mas nunca por essa mentira, e agora que eu o tenho assim eu sei que não vai durar, que no momento que eu contar para ele isso tudo vai acabar. Que tipo de pessoa eu me transformei? Como pensar nessas opções e ainda cogitar ficar com a primeira, já que ela é a realização de todos os meus mais secretos sonhos.
- Viu? São os hormônios. – O ouvi falando, me virei para encará-lo.
- O quê? – perguntei, com a voz um pouco rouca do meu choro contido.
- Você estava nervosa, agora está quase chorando. Hormônios. –Explicou o seu ponto.
- É que eu não esperava isso de você. Está me surpreendendo. – Falei, dando um sorriso de lado. Eu não esperava mesmo, na minha louca cabeça eu pensei que quando eu mentisse que estava grávida ele iria me mandar pastar, mas se eu soubesse que atitude dele ia ser essa, eu nunca teria feito isso. Nunca.
- Sabe o que é bom, ? É que ninguém espera nada de mim, então eu quase não faço nada. Você acha que ler um livro é muito? Eu acho que isso é o básico, mas como sou eu, elas acham isso um máximo. – Ele disse, percebo um pouco de chateação na sua voz.
- , desculpa, mas isso não é bom. – Disse, o contradizendo.
Ele riu e aumentou o volume do som do carro, entendendo isso como fim da conversa, coloquei as minhas pernas no acento e fiquei olhando a paisagem passar pela minha janela, já estamos perto da estrada principal. Uma música antiga da Katy Perry encheu o carro, e com ela me trouxe lembranças. Antes de me afundar nos meus pensamentos, o ouço dizendo:
-Que música de mulherzinha!

Londres - 30/07/2010

Eu estava andando pelo corredor da faculdade, indo ao encontro da . Hoje era o nosso último dia antes das férias de verão, a tinha me convidado para ir passar as férias na cabana da sua tia, mas dessa vez eu tinha conseguido me livrar. Quando começaram a surgir os boatos, eu logo marquei de ficar com o Adam, ela até sugeriu que fôssemos também, mas expliquei que eu e o Adam éramos apenas amigos com benefícios e que amigos assim não saíam em viagens românticas. Ela desistiu, e eu respirei muito mais aliviada.
Ela estava encostada no seu armário, com uma cara triste olhando para o nada, fui me aproximando e ela nem se mexeu.
- !
- Oi! – Respondeu, desanimada.
- O que aconteceu? Por que essa cara? – Perguntei.
- Aconteceu um desastre, amiga. A e a não podem viajar mais. – Disse, com uma cara de cachorro sem dono.
- Por quê? – Perguntei, não entendendo nada, elas estavam tão animadas.
- A não conseguiu folga no hospital, e a tem que adiantar as coisas dela lá no estágio. Só sobrou para ir eu, o , o e a . Isso não era o que eu planejei. – terminou, dizendo quase chorando.
- Poxa, isso é chato, mas vai ser legal só vocês. – Disse, tentando animá-la.
- Lógico que não vai. Eu não tenho assunto com a , e ela não faz questão também. Eu só chamei o porque seria falta de educação chamar todo mundo e menos ele. E agora? – Disse suspirando.
- Não faço ideia. – Respondi, dando de ombros.
Vi seus olhos se iluminarem quando ela olhou atrás de mim. Eu sabia que não iria vir coisa boa daí, antes dele falar, eu sabia que era o Adam e que a minha amiga acabava de ter mais uma de suas ideias brilhantes, mas que para mim sempre não dava certo.
- Oi, meninas! – Ele nos cumprimentou.
- Oi, Adam. – Eu disse, me virando e dando um abraço nele.
Eu queria tirar ele dali o mais rápido possível, de preferência, antes de a poder abrir a boca. Não tive sorte.
- Adam, você quer ir para a cabana da minha tia com a ? – Ela perguntou, eu a perfurava com os olhos e ela nem olhou para mim. Eu poderia matar ela agora, sem rancor nenhum.
Ele ficou me olhando com uma interrogação bem grande na cara, dei de ombros eu conhecia a minha amiga muito bem para simplesmente dizer não, eu já me via lá.
- É, tudo bem! – Ele disse um pouco alegre demais para o meu gosto, eu espero que ele não esteja criando ideias na cabeça.
- Que bom. – Falou, pulando de alegria. Eu tinha que dar um jeito, de ficar lá pouco tempo, só de pensar no que tinha acontecido na última vez, eu já ficava com um bolo enorme na garganta e enjoada.
- Mas a gente só pode ir no sábado. – Eu fui logo dizendo.
- Por quê? Todo mundo vai na sexta. – Ela questionou.
- Eu sei, mas eu e o Adam já marcamos uma coisa na sexta. – Falei dando uma desculpa, quanto menos tempo eu ficasse lá, melhor. E antes dela argumentar alguma coisa terminei de dizer: - E não dá para desmarcar. – Olhei para cara do Adam, dizendo com o olhar para que ele ficasse quieto. Ele me olhava, interrogativamente.
- Fora que eu vou ter que pegar o carro do meu pai, e ele só pode liberar no sábado, já que na sexta, ele trabalha. – Ele disse, justificando melhor a minha desculpa esfarrapada. Santo Adam!
- Tudo bem, então. – Ela falou, dando de ombros. E eu respirei mais aliviada.

Comparisons are easily done
Once you've had a taste of perfection
Like an apple hanging from a tree
I picked the ripest one
I still got the seed

Comparações são facilmente feitas
Uma vez que você tinha a prova da perfeição
Como uma maçã pendurada em uma árvore
Eu peguei a mais madura
E ainda tenho a semente

O bom de chegar lá só no sábado é que eu só ia ter um dia e meio para aturar o ; o ruim é que como todo mundo já estava lá eu e o Adam seríamos o centro das atenções.
- Ei! Até que enfim vocês chegaram, já está na hora do almoço. – falou enquanto me dava um abraço de boas vindas.
- Desculpa, o trânsito estava péssimo. – Falei, mentindo. A verdade é que eu tinha me atrasado de propósito. Olhei para o Adam por cima dos ombros, rezando para ele não me desmintir. Afinal, a culpa foi toda minha, mas como sempre ele apenas concordou entrando na minha mentira. Eu sabia que logo ele iria me perguntar, porque de tanta mentira, mas por agora eu só queria comer alguma coisa e me preparar o mais que eu pudesse para aturar o e a .
Abraçamos a todos dei até um rapido abraço na , afinal pegaria muito mal falar com todo mundo, menos com ela. E nem preciso dizer que meu coração pulou quando abracei o , por segundos meu coração parou e voltou a bater desenfreadamente, logo me afastei e procurei intitivamente a mão do Adam, ele era a minha fortaleza ali, ele iria me deixar afastada de problemas com o . Eu acreditava nisso. Eu tinha que acreditar.

You said move on
Where do I go
I guess second best
Is all I will know
Você disse 'siga em frente'
Para onde vou?
Eu acho que o segundo melhor
É só o que eu vou conhecer

Estávamos sentados em frente ao lago. Estendemos uma toalha no píer e trouxemos algumas coisas para fazer um lanche ao ar livre; o vento era ameno. Adam e eu estávamos sentados na toalha, enquanto bebericavamos um suco de laranja. O clima entre a gente estava bem carregado, pelo menos da parte dele, eu sentia que ele estava louco para me arrastar para o nosso quarto – dessa vez cada casal ficou com um quarto, nada de sofá da vovó. Essa cabana me trazia muita lembrança, meu coração ainda doía pela última vez que eu estive aqui. Eu também sabia que eu precisava tirar isso da minha cabeça. Definitivamente.

Cause when I'm with him

I am thinking of you
Thinking of you
What you would do if
You were the one
Who was spending the night
Oh I wish that I
Was looking into your eyes

Porque quando eu estou com ele
Eu estou pensando em você
Pensando em você
O que você faria se
Você fosse o tal
Que estava passando a noite?
Ah, eu queria que eu
Estivesse olhando nos seus olhos

Uma risada rouca me fez olhar para o meu lado direito, onde o dava uva para sua namorada, os dois riam enquanto se alimentavam. Desviei os olhos daquela cena, eles me enojavam. O comportamento do não fazia sentido para mim, eu nunca o imaginei dando uvinha na boca de nenhuma mulher, mas eu sabia também que ele a trouxe aqui para ela parar de fazer escândalo na mídia, sobre a relação deles que estava a cada dia pior. Não que ficasse pesquisando, mas às vezes, a soltava alguma coisa.
Olhei para o Adam, tirando meus óculos escuros. Por que não poderia ser ele? Ele era tão bom para mim. Bonito, educado e amigo acima de tudo, então, por que não ele? Acho que estava olhando para ele com tanta intensidade, que só vi que ele iria me beijar quando seus lábios macios se colaram aos meus. Eu poderia me apaixonar por ele, não poderia? Eu pelo menos deveria, mas não, eu escolhi o cara errado. Quebrei o nosso beijo e o abracei, eu não sabia o que dizer, quando dirigi meus olhos para frente, me deparei com um olhar gelado me encarando e todas as minhas dúvidas sumiram.

You're like an Indian summer

In the middle of winter
Like a hard candy
With a surprise center
How do I get better
Once I've had the best
You said there's
Tons of fish in the water
So the waters I will test

Você é como um verão indiano
No meio do inverno
Como um doce
Com uma surpresa no final
Como eu fico melhor
Depois que provei do melhor?
Você disse que há
Toneladas de peixes na água
Então eu vou provar das águas

Senti o Adam me puxando e me levantei, desviei os meus olhos dos do ; nosso encanto foi quebrado ele olhou para frente e eu simplesmente segui o Adam em direção a casa. Ele praticamente me arrastava. Passamos pela varanda, e eu quase tropecei nos degraus e entramos; a sala passou como um borrão e entramos na porta do meio no corredor, esse era o nosso quarto, ouvi o barulho do trinco atrás de mim e me virei. O Adam estava rindo e vindo em minha direção, dei um sorriso de lado, eu sabia o que ele queria, e eu precisava exatamente disso agora. Era sempre como se ele soubesse, o que eu precisava. Ele chegou tão perto que sua respiração rápida devido à correria toda batia na minha testa, eu olhei para cima, afinal ele era bem mais alto que eu, olhei em seus olhos e vi ali paixão e desejo eu apenas rezava para que ele visse isso no meu, retirei sua blusa em um puxão só, e ele sorriu e logo tirou a minha também, me abraçou tão apertado que eu achei que poderia sufocar.
- Eu estou adorando esse final de semana com você. – Ele disse, enquanto passava uma mão pela minha bochecha. Assenti apenas, o que eu poderia dizer? Eu continuava a esperar que ele não pensasse que o nosso relacionamento colorido mudou de status por conta desse fim de semana.
Ele me beijou e eu retribuí, fechando os olhos fortemente para afastar a imagem que eu visualizei do me olhando com reprovação. Meu sutiã caiu no chão, o Adam era muito bom nisso. Quando notei, já estava nua. Afastei-me de sua boca, descendo e beijando o seu pescoço. Ele mesmo cuidou da sua bermuda, e logo senti seu corpo por trás de mim, senti suas mãos nos meus seios, me deixando arrepiada. Senti seu membro nas minhas costas, arquiei pressionando a sua ereção, o fazendo gemer de desejo. Virei a minha cabeça de lado em busca dos seus lábios, nos encontramos em um beijo agitado, cheio de excitação. Acho que devido à correria e tudo, eu já estava bem pronta para ele. E eu queria rápido, forte. Eu queria tirar qualquer pensamento sobre o da minha cabeça.
- Eu preciso ter você. Agora! – ele disse no meu ouvido, enquanto me empurrava na cama. Eu fiquei de joelhos o olhando por cima do meu ombro.
- E você está esperando o quê? – perguntei provocadoramente. Ouvi-o gruir e andar até a sua bermuda pegando a preservativo e pondo.
Ele se posicionou por trás de mim, e senti seu membro entrando na minha vagina e me preenchendo por completo, ofeguei de desejo, logo ele começou se movimentar e ficamos em sincronia, sua mão foi em direção ao meu prazer me fazendo soltar um gemido, enquanto a outra me torturava passando sobre o meu seio, eu não demoraria a chegar lá com tantos estímulos. Adam esfregava sua barba em minhas costas, enquanto nos mexíamos em sincronia. Senti meus músculos internos se contraírem, o ouvi gruir mais alto perto do meu ouvido, era tudo que faltava para eu liberar o meu prazer, gemi sem fôlego enquanto meus sentidos ficavam como loucos, senti que ele também chegava lá. Ficamos naquela posição por alguns segundos, até minhas pernas cederem eu cair de bruços na cama, olhei sobre meu ombro e o vi rir enquanto andava até o canto do quarto para se livrar do preservativo. Fechei os olhos, e a imagem voltou para me atormentar. Aqueles olhos ainda estavam lá para me condenar, eu me senti suja.

He kissed my lips
I taste your mouth
He pulled me in
I was disgusted with myself

Cause when I'm with him
I am thinking of you
Thinking of you
What you would do if
You were the one
Who was spending the night
Oh I wish that I
Was looking into...

Ele beijou meus lábios
Eu provei da sua boca
Ele me colocou para dentro
Fiquei com nojo de mim mesma

Porque quando eu estou com ele
Eu estou pensando em você
Pensando em você
O que você faria se
Você fosse o tal
Que estava passando a noite?
Ah, eu queria que eu
Estivesse olhando nos...

Senti a mão do Adam retirando o meu cabelo do meu rosto, desviei os olhos. Ele estava procurando pelo meu olhar, mas se eu o olhasse talvez eu o magoasse, preferi desviar. Ele deitou do meu lado e eu me aconcheguei no seu peito. Ficamos assim, sem dizer nada, apenas aproveitando o momento. Fechei os olhos e me deparei com olhos azuis gelados.

Você é o melhor
E sim eu realmente me arrependo
Como eu pude me deixar
Deixar você ir
Agora a lição está aprendida
Eu toquei e me queimei
Ah eu achava que você devia saber...

You're the best
And yes I do regret
How I could let myself
Let you go
Now, now the lesson's learned
I touched it I was burned
Oh I think you should know

Quando abri os olhos o quarto estava escuro, ao meu lado o Adam dormia tranquilamente. Eu me virei até ficar de frente para ele, ele era lindo dormindo. Balancei a cabeça e resolvi tomar um banho. Catei minhas roupas do chão e as vesti, ascendi o abajur do meu lado da cama e arrastei a minha mala procurando uma roupa. O Adam tinha um sono pesado, ele nem se mexeu. Saí do quarto com minha roupa na mão, a casa estava silenciosa, andei até o banheiro e entrei. Uma ducha agora era tudo que eu queria. Estava saindo do banheiro quando me deparei com o e a agarrados perto da porta do quarto deles; ela não me viu porque estava de costa para mim, o procurava a maçaneta, enquanto dizia alguma coisa no ouvido dela. O gemido dela se fez alto ele olhou para cima e me encarou, por um segundo eu achei que ele iria parar, mas ele simplesmente continuou com seus beijos.

Cause when I'm with him

I am thinking of you
Thinking of you
What you would do if
You were the one
Who was spending the night
Oh I wish that I
Was looking into your eyes
Looking into your eyes
Looking into your eyes

Porque quando eu estou com ele
Eu estou pensando em você
Pensando em você
O que você faria se
Você fosse o tal
Que estava passando a noite?
Ah, eu queria que eu
Estivesse olhando nos seus olhos
Olhando nos seus olhos
Olhando nos seus olhos

Ouvi o barulho da maçaneta e o casal escorregando para dentro, fiquei ali parada, pensando que eles iriam fazer o que eu e o Adam fizemos a poucas horas atrás. Meu coração doeu, meus olhos se encheram de lágrimas acho que eu gostava de me machucar. Por que afinal eu vim para cá? Dei um passo em direção ao meu quarto, e a porta do se abriu ele passou por ela e a fechou. Fiquei ali o encarando.
- Oi. – Ele disse, seu cabelo estava meio bagunçado e o pensamento da mão dela passando ali me fez ficar com mais ciúme ainda.
- Oi. – Respondi meio sem entender o que ele queria.
Ele ficou ali nervosamente me olhando, enquanto eu o encarava descaradamente, acho que não era só eu que não gostava dessa cabana, por um segundo eu o vi olhando em direção a sala antes de desviar seus olhos e me olhar descaradamente também; ele se aproximou de mim me encurralando na parede do corredor, dei um suspiro e ele ofegou, antes que sua boca se encostasse a minha ouvimos um barulho de porta abrindo e antes que eu podesse piscar, ele já estava de frente para sua porta.
- , eu acordei e não ti vi na cama. – Disse o Adam, olhando de mim para o . Eu não sei se ele fez de propósito, mas esse era uma péssimo momento para usar essa frase.
- Eu fui tomar banho. – Consegui responder, desviando os olhos dos do . Olhando para o Adam agora.
- Tudo bem. Vem. – Chamou-me antes de entrar, encostando a porta do quarto.

Oh won't you walk through
And bust in the door
And take me away
Oh no more mistakes
Cause in your eyes I'd like to stay
Stay

Ah você não vai andar?
E arrombar a porta e
Me levar embora?
Ah, chega de erros
Porque nos seus olhos eu gostaria de ficar
Ficar

Ficamos ali nos encarando até que ele virou as costas para mim e entrou; e eu só pude entrar no meu quarto também.

’s Pov

- ! – Eu a chamei, dando uma leve sacudida no seu ombro. Ela deveria estar cansada, pois conseguiu dormir a viagem toda; como ela enjoa fácil, resolvi não acordar ela, mas agora nos já havíamos chegado à cabana da tia da e nem quando o carro parou ela acordou.
Eu sabia que esse fim de semana iria ser pessímo, eu odiava vir para cá, mas todo mundo enchia o meu saco, então eu sempre cedia. Dei mais uma saculejada nela, que dessa vez acordou, piscando os seus olhos preguiçosamente para mim. Acabei rindo involuntariamente com esse seu gesto.
- O que foi? – Perguntou ainda sonolenta.
- Chegamos! – Respondi, já me recompondo. Eu estava com aquele sorriso idiota na cara, e isso não era nada bom.
- Nossa! Eu dormi a viagem toda? – Perguntou.
Fiz que sim com a cabeça e abri a porta para sair do carro. Espreguicei-me, ficar horas dirigindo era um pouco estressante. Dei a volta no carro e abri o porta mala, peguei a minha mala – que era muito mais leve do que a da – e logo peguei a dela, que estava um chumbo.
- Quer ajuda? – Perguntou , chegando mais perto de mim. O perfume dos seus cabelos me intoxicou, me fazendo respirar um pouco fundo, automaticamente minha mão pegou uma mecha e eu senti a textura dos seus cabelos macios, ela estava me deixando louco apenas com o seu cheiro, me virando rapidamente enrolei as mexas na minha mão segurando assim firmemente sua cabeça e colei minha boca na sua. Foda-se, eu só queria beijar aquela maldita boca carnuda que me pertubava constantemente. Senti a sua surpresa enquanto minha língua invadia mais ainda a sua boca, que se dane, eu queria agora era encostar ela no meu carro e pegar ela ali mesmo, mas logo que tive esse pensamento toda a luxúria se dissolveu, que patético que eu estava sendo. Soltei ela rapidamente, como se só o seu toque me queimasse, vi ela cambaleando por não estar preparada por minha subita retirada, agarrei ela pelo braço até ela se firmar melhor e a soltei novamente. Eu não podia me deixar levar por essa luxúria, será que era apenas isso? Não querendo ir por aí, eu simplesmente peguei a minha mala e a dela e andei em direção a cabana, olhei para trás e ela estava lá ainda parada com suas bochechas rosas e um olhar atônito em minha direção. Ela deveria me achar louco, mas quem disse que eu não era?
- Vai ficar aí? – Perguntei, enquanto virava as costas e seguia com um pouco de dificuldade por carregar duas malas. Deixei uma nos degraus e subi com uma só, laguei ela na sala, e voltei para pegar a outra. Enquanto descia para pegar a outra, ela passava por mim em direção a entrada da cabana manteve a sua cabeça baixa e seguiu apenas, dei de ombros e fui pegar a outra mala.
Entrei na sala com a mala mais leve na mão e estava uma confusão louca.
- Eu já disse gente que o quarto com suite é meu e do . – Disse a , quase gritando para se fazer ouvir.
- Eu não vou dormir aqui na sala. – Gritava a .
- Eu é que não vou. – Enfatizava a .
Cara, essas mulheres eram problema, ainda bem que a minha só olhava aquilo tudo sentada no sofá menor com cara de paisagem, provavelmente isso ainda era efeito do meu beijo que aconteceu lá fora. Ótimo saber sobre isso, futuramente eu poderia usar meus beijos para deixar ela desconcertada. O que eu acabei de chamar ela, de minha? Ela não era minha, a não ser a mãe do meu filho, apenas isso. Eu estava ficando um fodido mariquinha.
- Meninas, vocês têm que entrar em um consenso. – Falou o , tentando apasiguar.
- Não tem essa de consenso, . O quarto da suíte sempre foi nosso. – se defendeu.
Ela tinha um ponto.
- Ok! Então vocês ficam com o quarto. – Falou a concordando com a , e todos concordaram também.
Olhei novamente para a e ela ainda estava perdida em seus pensamentos, olhando fixamente para o sofá com cheiro de vó. Eu esperava que ela não estivesse lembrando do dia que eu fui um completo canalha com ela, porque isso iria me deixar bem mal, eu não gostava de lembrar de nenhum dia que eu estive nesse lugar, todas as vezes que eu vim aqui, alguma coisa me tirou da minha perfeita e bem cultivada frieza, eu espera ansiosamente que dessa vez, tudo ocorresse bem, e eu e a possamos ter uma lembrança boa desse maldito lugar. Ouvia ao fundo da minha mente a discussão ao que parece já estava acabando a se conformou com o quarto do meio e a com o da ponta, mas espera aí, que espertas.
- Ei, eu e a não vamos ficar no sofá de novo, e fora que ela está grávida. – Disse sem deixar nenhuma brecha para argumentação. Saindo do seu profundo interludio com o sofá maior, olhou para mim.
- Tudo bem, . – Concordou com facilidade a . – Eu e o Doug vamos ficar com a sala. – Terminou de dizer sem vontade.
- Ótimo. – Falei já pegando as nossas malas e indo para o quarto. Pelo menos, eu não teria que ficar naquele sofá, parece que o final de semana estava começando bem. Fechei a porta e me sentei na cama.
Meu celular apitou o alerta de uma nova mensagem, o peguei no bolso da minha bermuda, o nome da minha irmã apareceu na tela, eu estava sendo um péssimo irmão e filho desde que me casei nunca mais tinha visto a minha mãe e a minha irmã. Abri a mensagem e xinguei um palavrão tão alto que, talvez o pessoal na sala tenha ouvido. A mensagem acabava de tirar qualquer possibilidade de um final de semana feliz aqui.

, a convidou eu e o Adam para ir até a cabana. Surpresa! Vou chegar aí em poucas horas! Vamos nos ver, maninho!

Eu odiava esse cara, ele se fazia de santo, amigo e trouxa na frente da , mas por trás era um babaca de marca maior. Eu lembro o que ele me disse no meu casamento, eu estava reparando a fazendo alguma coisa e ele ficou do meu lado e me disse:
— Estarei esperando nos bastidores, caso você falhe. – Sua voz era baixa e tranquila.
— Estou tranquilo — Falei sardônico. Um sorriso torto curvou os lábios dele, por um segundo, eu vi o meu sorriso de cafajeste em seu rosto. Isso me alarmou.
— Não fique. – Ele disse me mostrando uma face sua em que há anos eu desconfiava.
Ele saiu andando e me deixando louco para saber qual seria seu próximo passo. Não demorou muito para eu saber qual seria ele estava dançando com a minha irmã.
Ele sempre me irritou, mas naquele dia eu passei a odiá-lo também.

Capítulo 19 - E ela me ferrou completamente...

Pisquei os olhos e parei de olhar para aquele sofá infernal, olhando ao redor da sala percebi que o já não estava mais ali, levantei e fui em direção ao corredor. A porta do meio estava aberta, e pela brecha eu o vi meio deitado na cama com as mãos sobre os olhos, eu acho que não era só eu que estava achando péssimo vim para cá. Entrei no quarto e a porta fez um barulho, fazendo ele se sentar rapidamente, ele me olhou e seus olhos estavam carregados e chateados fui entrando no quarto e fechei a porta, para que ninguém nos incomodasse. Sentei ao seu lado, esperando ele dizer alguma coisa. Não demorou muito e ele suspirou.
– Minha irmã está vindo para cá. – Ele disse me olhando agora, talvez tentando ler a minha reação. Eu gostava da , iria ser legal ter ela aqui.
- Legal, faz tempo que você não a ver né? – Falei, encarando-o.
- O Adam vem com ela. – Ele soltou, e continuo a me olhar como se quisesse ver a minha reação. Confesso, que a ouvir o nome do Adam meus olhos se abriram mais, eu tinha esquecido completamente que ele estava com a irmã do . Engoli em seco, porque eu não sei realmente o que pensar e esperar disso.
- Eles estão juntos, né? Então isso é normal. – Disse dando de ombros, como se o meu primeiro pensamento fosse esse.
- Aparentemente sim. – Ele confirmou.
Sentindo-o relaxar com a minha resposta e me joguei para trás na cama e logo em seguida vejo o fazendo o mesmo. A gente ficou assim por segundos, senti um dos seus dedos roçarem de leve pela minha mão, virei em direção a ele, seus olhos estavam focados em mim, ele abriu um sorriso de promessas e eu fiquei quente. Como pode um homem mexer com você apenas com um sorriso? O que eu posso fazer é abrir o meu mais largo sorriso. Observei-o piscar, parando de rir e ficando sério. Seus olhos desviaram para os meus lábios, e eu já fiquei vermelha só em pensar o que ele estava prestes a me dar um beijo como o de lá fora. Sua mão pegou a minha e a levantou em direção a sua boca, ele me beijou ali, por ele nunca ter feito isso comigo. Fiquei bem surpresa e o olhei com um carinho infinito, seus olhos nunca deixaram os meus. Nós não falamos nada, apenas ficamos ali nos olhando. Não dizem que os olhos são espelhos da alma? A cada dia eu confiava mais nessa frase, pois se tinha alguém que transmitia seus sentimentos pelos olhos esse alguém era o . Pensando em uma frase que minha mãe sempre me dizia, resolvi tomar a iniciativa, já que nunca tinha feito isso. Ela sempre me dizia que um homem surpreendido estava metade golpeado.
Pensando nessa frase, eu desfaço o laço das nossas mãos e vou chegando mais perto dele, seus olhos abrem de surpresa e ele fica ali parado como uma presa, muito fácil. Encostei meus lábios nos seus, e ele suspirou em minha boca. Afastei meu rosto para ver a sua reação; dando um suspiro como o seu, o beijei novamente, aumentando a velocidade. Suas mãos foram para minha cintura, juntando mais ainda nossos corpos. Minha respiração estava muito intensa.
Ele parou de beijar a minha boca e trilhou beijos pelo meu pescoço, comigo torcendo para que ele chegasse logo aos meus seios, inconscientemente os ofereço me inclinando para ele, seus beijos voltam pela mesma direção que vieram, sinto sua boca colar a minha e eu choramingo por ele não ter atendido o meu pedido. Nosso beijo vai ficando mais lento e por fim nos separamos. Eu o olho, minha respiração está agitada a sua também não fica atrás.
- Eu preciso ter você. – Ele disse, passando a mão pela minha bochecha.
Eu fecho os olhos, sentido aquele carinho tão gostoso.
- Eu também. – Eu falei, abrindo os olhos e o olhando fixamente.
Sua boca encostou-se à minha, e nossos corpos se colaram novamente. Sua língua invade a minha boca, dando uma mordidinha no meu lábio inferior, me fazendo dar um suspiro de puro prazer. Ele se levantou, enquanto fiquei apoiada sobre os cotovelos, esperando para ver o que ele ia fazer. Ele logo começa a tirar a jaqueta, jogando-a em uma cadeira no canto do quarto, e logo a sua camisa cinza tem a mesma direção, revelando um peitoral definido; minhas mãos coçam para passear ali. Com os pés mesmo, ele retira seus tênis, depois suas mãos vão em direção ao cós da sua bermuda, meus olhos param ali vejo sua ereção pressionado o tecido, sorrio me sentindo maravilhosa por saber que eu causei isso, ele abre o botão e desce o zíper, fiquei ofegando de antecipação enquanto ele caminhava até mais perto da cama. Fiquei totalmente ereta na cama, usando minhas mãos para passear sobre o seu tanquinho, o fazendo soltar um pequeno gemido. Antes que eu terminasse de descer a sua bermuda, pegou o meu cabelo como ele tinha feito lá fora e me fez olhar para ele. Vi pura luxúria e ofeguei.
Ele me beijou apaixonadamente, trocando as nossas posições sem partir o nosso contato; trilhou beijos em meu pescoço e se afastou para me olhar. Sabendo o que ele queria, me afastei um pouco mais e retirei o meu casaco, tirando também minha fina blusa e minhas sapatilhas, ficando apenas de sutiã e jeans. Caminho para mais perto dele e seu olhar intenso fixa em minha barriga, o sinto beijando a região e congelo por segundos, pois a minha mentira vem com tudo. Mas como ele começa a me acariciar, eu começo a me derreter novamente, e esse pensamento foge completamente de mim. Suas mãos passearam pela lateral do meu corpo e depois foram em direção ao fecho do meu sutiã, em segundos eles deslizam pelos meus braços e meus seios são liberados, arrepiados e excitados.
beijou desde a minha barriga até o centro dos meus seios, sua língua passando por um mamilo, me sugando. Inclinei-me para mais perto da sua boca, o fazendo levantar. Minhas mãos escorregaram dos seus cabelos para o seu pescoço, nossos corpos se colam e meus seios ficam pressionados contra o seu peitoral quente, e isso me excita mais ainda. Não perdendo tempo, ele logo tirou minha calça e roupa íntima, me fazendo abrir as pernas, logo passando sua língua pelo meu prazer, ficando constantemente passando pelo meu clitóris. Ele vai subindo e me beijando; eu estou ofegante, louca para ter ele. Retirei sua bermuda e boxer, fazendo sua ereção pular para fora, me deixando louca. Começo com leves movimentos, e logo ele geme, excitando-me. Pegou em meus cabelos e me fez o encarar. Seus olhos estão de um azul gelado, elétricos e excitados. Sua mão vai para a minha intimidade, e eu me mexo sobre o seu dedo.
- Pronta para mim, querida. – Ele disse, eu só posso confirmar com a cabeça.
Querida. Ele tinha acabado de me chamar de querida?
Passo minhas pernas pela sua cintura quando me levanta. Encostou-me à parede, sua boca ficando na altura dos meus mamilos e logo ele os põe na boca e me dá uma mordidinha, mexendo com as minhas terminações nervosas. Ele me pressiona mais ainda na parede e uma de suas mãos começam a me tocar em minha região sensível, e eu logo sinto a cabeça do seu pênis escorregar entre a minha entrada e meu clitóris, com as duas mãos puxei sua cabeça, o fazendo me encarar, e sem pronunciar som nenhum falo apenas com os lábios:
- Foda-me agora.
Seus olhos se abrem mais e ele solta um gemido no mesmo tempo em que sua ereção entra completamente em mim, solto um gritinho por me sentir completamente preenchida, sua boca cola na minha e entre beijos e suspiros sua ereção entra e sai. Ele me segura com as duas mãos pelo quadril e me levanta o máximo possível, e em seguida entra com tudo. Esses movimentos são tão intensos, que eu ofego a cada estocada. Sua boca desliza pelo o meu pescoço e lambe o meu mamilo, depois sobe e ele encaixa sua cabeça no vão do meu pescoço, me fazendo ouvir seus gemidos literalmente ao “pé do ouvido” eu estou quase lá. A fricção que seu pênis fez ao entrar e sair no meu clitóris é muito intensa, meus músculos internos estão convulsionando em busca da minha liberação; ele continua no ritmo constante.
- Goza para mim, querida. – Sua voz rouca tão perto do meu ouvido é o estopim para eu gozar.
- ! – Vou dizendo o seu nome, enquanto meus músculos internos vão se contraindo e me dando o orgasmo mais intenso que eu já tive. Meus músculos viram gelatina e ele me segura mais firme contra a parede, ele geme e me dá mais uma estocada e logo eu o sinto gozando. Vamos deslizando em direção ao chão, ofegantes, suados e totalmente satisfeitos. Somos apenas um monte de pernas e corpo emaranhados. Ficamos assim por incontáveis segundos, sem saber como ele vai reagir começo a ficar ansiosa, porque todas as vezes que nos transamos ele sempre saía logo. Não querendo ir por aí, passei meus braços sobre ele e o abracei; ele me retribuiu e o meu coração chorou de felicidade, não tem lugar melhor para ficar do que ali abraçada com ele e ele totalmente dentro de mim. Sinto-o beijando os meus cabelos e minhas pálpebras vão se fechando. Antes que eu caísse no sono, ele me afastou para me olhar.
- Acho que estou esgotada. – Disse com a voz já meio grogue. Ele ri e retira o cabelo do meu rosto.
- Vamos para a cama! – Falou já se levantando e me ajudando também. Antes que eu possa dar um passo, ele me pega no colo e me põe com cuidado na cama, depois caminha até o outro lado e se deita também. Apoio-me em seu peitoral e entrelaço as minhas pernas nas suas, sinto a sua mão passar pela minha coluna em um carinho gostoso e eu começo a fazer um carinho no seu peito também, ele suspira me fazendo olhar para ele, seus olhos estão inquietos como se estivesse incomodado. Eu sentia que ele não queria está ali. Engolindo todo o meu orgulho, o encarei. Seus olhos se desviaram de mim para a porta.
- Se você quiser ir, tudo bem! – Eu disse.
- Não, é que... – ele me encara e seus olhos ficam de mim para porta. – Eu não sei fazer isso. – Ele disse, me fazendo contrair o cenho.
- Como assim? – Perguntei, sem entender.
- Geralmente depois do sexo eu saio. Eu nunca durmo com ninguém que eu faço sexo. – Ele me explicou.
Engulo novamente o meu orgulho, porque eu sei que ele estava tentando por mim.
- Tudo bem se você for. – Procurei os seus olhos enquanto falava.
- Não, não está tudo bem. – Ele disse ficando um pouco agitado. – Eu sou tão errado, . Você merece alguém bem melhor que eu, mas eu estou tentando pelo bem do bebê. Eu vou ser bom.
Meus olhos enchem de água, e sem pensar eu o abracei.
- , você é bom, você é perfeito para mim. – Eu disse piscando e fazendo uma lágrima teimosa descer pelo meu rosto, seu polegar a pega.
- Não chora! – Ele me pede. – Não gosto de ver você chorando. – Ele disse sério.
- Tudo bem! – Disse fungando.
- A gente pode se vestir e depois deitar? – Ele me perguntou, desconcertado.
Acho essa pergunta estranha, mas levanto e cato a minha calcinha e sutiã, e pego sua blusa e ponho por cima.
Ele se levanta também e pega a sua cueca e bota, ele se vira e me olha.
- Ver você com a minha blusa me deixa excitado, mas acho que por hoje nós dois extrapolamos. – Ele disse, me olhando com um olhar safado.
Concordei e fui em direção à cama, retirando o edredom e me deitando. Observei-o hesitar, mas o deixei decidir. Depois de um tempo, sinto a cama afundar com seu peso, sua mão passa pela minha cintura, e ele me aconchega contra o seu peito, automaticamente sorrio por ter ganhado dos seus medos e regras. Fecho os olhos e caio em um sono, completamente satisfeita.
Tenho certeza que estou sonhando, não porque parece um sonho impossível, mas sim porque é impossível de acontecer. Sinto o me beijando desde a minha mão até o começo do meu ombro, e assim ele vai até voltar de novo, o sonho está tão bom que eu simplesmente chego a aperta meus olhos mais fortemente para eu não sair desse estupor, tão bom. Dou um gemidinho de pura satisfação.
- Ei, preguiçosa, acorda. – Disse uma voz que eu reconhecia muito bem, mas que definitivamente não era do .
Abri os olhos rapidamente e afastei aquela cabeça loira do meu braço. Isso tudo, enquanto soltava um pequeno grito de puro susto e atordoamento.
- Adam! – Gritei, enquanto puxava o edredom quase até o meu pescoço. Olhei para o outro lado da cama e o já não estava mais ali, não sei se era melhor assim ou pior.
- Oi, amor. Você estava demorando a acordar e eu vim aqui para falar com você. – Ele disse ainda me tratando pelo nosso antigo jeito.
Passei as mãos pelo meu cabelo, ajeitando-o e tentando entender isso tudo, há um minuto eu acho que estou tendo um sonho maravilhoso e acordo cara a cara com o meu ex-amigo peguete que agora só é meu amigo. Difícil de entender, mas era o que era.
- Adam, o que você está fazendo aqui no meu quarto? – Eu perguntei. Mesmo sabendo a resposta, perguntei.
- Eu já disse, eu queria te ver. – Falou pegando a minha mão e dando um pequeno aperto. Eu olhei para ele. – Eu sinto saudade da minha melhor amiga. – Declarou me deixando muito mais relaxada, nesse campo de amiga eu me sentia muito mais confortável.
Suspirei.
- Eu também. Como você está? – Perguntei, dando um abraço nele, ele retribuiu.
- Bem. E você? – Respondeu e perguntou, enquanto desfazíamos o abraço.
- Estou bem. – Falei apenas. Olhei para a porta do quarto que estava fechada, não iria ser nada legal se o entrasse aqui agora.
Adam olhou na direção em que eu olhava, e apertou mais firme a minha mão chamando a minha atenção.
- Seu marido foi ao centro com os caras comprar o restante das coisas. – Disse dando de ombros.
- Por que você não foi? – Perguntei franzindo o cenho. Será que os meninos tinham excluído ele?
- Eu estava cansado da viagem, preferi ficar aqui. – Respondeu.
- Uhm! – Murmurei.
De qualquer forma, eu não poderia ficar ali com ele, as meninas ainda estavam em casa e se uma delas abrisse a porta. E se a abrisse a porta?
- Preciso tomar um banho. – Eu disse já me levantando e acendendo a luz do quarto. Fui para perto da minha mala e a arrastei para perto da cama. Olhei para o Adam, e ele me olhava com uma expressão fechada. Encarei-o.
- Bonita camisola. – Disse ele. Eu olhei para baixo e me lembrei de que estava vestida com a camisa do .
- É. – Falei bem baixo. O que eu poderia falar sobre isso?
Catei rapidamente um short jeans, uma blusa branca, uma calcinha, minha toalha e meu nécessaire. Falei meio sem jeito que iria tomar banho, ele se levantou e saiu do quarto, eu fingi que ia pegar mais alguma coisa e saí depois. Entrei no banheiro e fechei a porta, respirando mais aliviada. O que foi esse olhar? Será que não deixei bem claro que agora nos éramos só amigos?
Saí do banho e caminhei pelo corredor em direção ao meu quarto, entrei e fechei a porta. Caminhei até a minha mala e guardei no fundo a camisa do , eu não iria devolver de jeito nenhum, e se ele me pedisse eu simplesmente ia dizer que guardei sem querer. Saí do quarto e fui em direção à sala, onde eu ouvia as vozes das meninas, estavam todas sentadas e rindo de alguma coisa. Entrei e me sentei ao lado da , no sofá maior.
- Ei! Até que enfim, dorminhoca. – Disse a Mary. Eu ri sem graça, acho que realmente o me cansou.
- Eu estava um pouco cansada.
- Sei! – Disse a , desacreditando.
Dei de ombros.
Escutamos uma buzina do lado de fora e a correu para a janela para ver quem era.
- São os meninos. – Ela disse, indo em direção à porta da sala.
Não demorou muito e o entrou carregando alguns engradados de cerveja, logo veio o com alguns sacos e o com mais engradados. Depois que eles passaram em direção à cozinha, entrou sem nada nas mãos eu e as meninas olhamos para ele, dizendo apenas com o olhar o quanto ele era folgado.
- Sou o motorista da rodada. Estou livre de pegar peso. – Disse, dando de ombros e respondendo a nossa acusação muda.
- Ei, , esquecemos o saco de gelo. – Gritou o da cozinha.
- Droga! – Resmungou o e foi pegar o gelo, nós rimos.
- Meninas, eu acho que a parte pior nós já fizemos, agora eu acho que vocês poderiam assumir daqui. – Veio falando o da cozinha e se jogando entre eu e no sofá.
- Ai! – Gritamos, empurrando-o.
- Tudo bem, estou indo na cozinha arrumar tudo. – Concordei, me levantando. – Vamos, meninas.
voltou com o braço envolto de um saco de gelo gigante e passou apressado pela sala em direção à cozinha. Segui-o e a cozinha estava uma completa desordem, estava tudo jogado de qualquer jeito no chão. Suspirei. Isso iria dar um trabalho.
- Vamos lá. – passou por mim em direção à bagunça. Começou a separar as coisas de armário e geladeira. Seguindo seu exemplo, comecei a guardar as coisas da geladeira que ela já tinha separado, olhei para o meu lado e a arrumava o armário. Os meninos estavam pondo o gelo no cooler e fazendo fileiras de cervejas.
Depois que acabaram de por a cerveja para gelar cada um foi saindo da cozinha com uma garrafa na mão, homens e suas cervejas eu nunca vi nada parecido, acho que toda fantasia deles incluíam: uma mulher gostosa, uma mulher gostosa tomando cerveja ou uma mulher gostosa tomando cerveja e pelada. Pronto acho que com isso, era definitivamente o ponto.
Acabamos de arrumar tudo e começamos a abrir alguns sacos de salgadinhos e pondo em pratos, peguei uma lata de coca-cola e fui para sala levando na outra mão um prato cheio de doritos. Botei em cima da mesa e me sentei perto do .
Ele pôs um braço por cima de mim no sofá e eu olhei para ele, que logo me deu uma piscadinha antes de por o gargalo da garrafa na boca, dando um grande gole, me fazendo salivar de desejo de beijar o seu pescoço. Suspirei, desviando os meus olhos daquela tentação.
Já estava todo mundo sentado na sala comendo e bebendo, saiu da sala e voltou com dois violões. Entregou um para o , e eu me afastei um pouco para ele poder se acomodar melhor. Ele começou a dedilhar e eu logo reconheci os primeiros acordes de All About You e todos nós começamos a cantar essa canção tão linda deles. A noite foi passando e outras músicas foram tocando, fui pegar mais uma coca na cozinha, abri a geladeira e quando estava me virando duas mão me agarraram por trás, me colando ao seu corpo e eu ofeguei de susto. Tentei me virar mais ele não deixou, olhei para baixo e umas mãos compridas e grandes pressionavam minha barriga, me fazendo sentir sua excitação em minha bunda.
- Me solta, Adam. – Disse, dando uma cotovelada em sua barriga; ele me soltou imediatamente. E eu me virei pronta para dar uma bronca enorme nele. O que ele estava pensando? Só que eu travei, atrás da gente com uma cara nada boa estava o . Droga!
- Você costumava gostar disso. – O Adam falou, nem percebendo a presença do bem atrás dele.
- Adam, o que você está fazendo? – O questionei. Desviei meus olhos do e foquei só no Adam.
- Eu só estava brincando com você, amor. – Ele me explicou, rindo. Droga! Isso estava saindo pior do que eu pensava.
- Eu não quero que você faça mais isso. – Eu expliquei.
Vi o se aproximando de Adam, e meus olhos se abriram em choque. Meu Deus, que ele não faça nada com Adam. pôs uma mão pesadamente no ombro do Adam antes de girá-lo para ele e ficar cara a cara.
- E eu espero que você tenha compreendido claramente o que a minha esposa te disse. E agora, o que eu vou te dizer eu espero que fique gravado no seu cérebro. Encosta mais um dedo nela para você ver o que eu faço com você. Eu vou adorar brincar com você também. – Ele foi dizendo e pressionando o ombro do Adam. Quando ele acabou o Adam chegou a ficar meio caído para o lado. Eu simplesmente fiquei ali parada, olhando aquela cena sem saber como agir. Até que o Adam deu um tapa na mão do , ajeitou a camiseta e saiu da cozinha sem olhar para trás.
- Eu espero que ele tenha entendido. – Ele falou.
Eu fiz que sim com a cabeça e abri minha lata de refrigerante, eu precisava de um pouco de glicose. Dei um gole e me senti um pouco mais calma.
- Eu não sei por que ele fez isso. – Tentei amenizar as coisas.
- Eu sei. – Disse.
- Sabe? – Perguntei.
- Sim, alias, é bem claro. , ele ainda e louco por você. – Falou me deixando desconcertada.
- Ele está com a sua irmã. – Justifiquei. – Eles parecem sérios.
- Pois é, ele está com a minha irmã, mas eu não duvido nada que ele ainda queira você. – Deixou-me de queixo caído.
Isso que ele estava me falando era impossível. O Adam não seria esse tipo de cara de ficar com uma garota querendo outra.
- Eu não acredito nisso. – Afirmei.
- Claro que você não acredita. – Disse, bufando e dando de ombros. – O santinho do Adam nunca faria isso.
- ? Para com isso. Eu não quero brigar com você. – Falei me aproximando dele e colocando meus braços em volta de seu pescoço, tomando cuidado para não derramar a coca na sua blusa. Ele retirou meus braços com delicadeza, beijou a minha testa e saiu da cozinha, me deixando olhando para um ponto do azulejo, sem entender nada.
Antes que eu pudesse ir atrás dele, entrou na cozinha rindo provavelmente de alguma piada dita na sala, mas logo o seu sorriso morreu assim que olhou para mim.
- Ei, o que foi? – Perguntou, com cara de preocupado.
- Nada, apenas o de sempre: . – Disse dando de ombros.
Ele suspirou
- Complicado. – Ele falou.
- É... eu poderia facilmente trocar o nome dele por essa palavra. – Falei tentando fazer uma piada.
Ele deu uma risada.
E eu me lembrei de que eu estava aqui sozinha com ele, essa era a minha oportunidade de espremer ele na parede e saber a verdade sobre o .
- , você bem que podia me ajudar. – Eu falei, e ele foi abrindo mais os olhos.
- Em quê? – Perguntou olhando para porta da cozinha. Ele não ia fugir.
- Você poderia me contar o que aconteceu para o ficar assim. – Sussurrei.
- Eu acho que não. – Ele negou sussurrando também.
- Por favor! Eu preciso saber. – Pedi.
-Essa história não é minha para contar. Por que você não pergunta a ele?
- Você sabe muito bem que ele não vai me dizer. – Disse exasperada.
Ele nunca iria me dizer.
- Eu não posso. – Ele negou, tirando todas as minhas esperanças.
Suspirei derrotada.
- Tudo bem. – Disse de má vontade e me virei para sair da cozinha.
- Espera. – me chamou e eu me virei cheia de esperança, nada estava perdido.
- Droga! Provavelmente eu não deveria te dizer nada, mas eu acho que você tem que saber. – Ele disse, e eu só concordei com a cabeça.
- Provavelmente eu que deveria contar, né? – Disse uma voz rouca atrás de mim, me arrepiando completamente. Merda! Ele me pegou.
- Claro, cara. Só vou pegar a minha cerveja e já vou indo. – Disse o , desconversando e saindo da cozinha.
Eu me virei e o encarei, ele deu de ombros e saiu em direção ao corredor.
Depois de me recompor, passei pela sala e todos riam e conversavam animadamente, de repente a minha noite perdeu toda a graça. Fui em direção ao meu quarto, abri a porta e o estava lá dentro segurando um cobertor e procurando mais alguma coisa. Meu coração acelerou. Será que ele não ia dormir comigo?
- O que você está fazendo? – Perguntei.
- Pegando algumas coisas. – Respondeu, sem ao menos olhar para mim. Entrei mais no quarto e me sentei na cama agora sem o edredom. E fiquei olhando ele que revirava a mala dele toda. Depois de uns dois minutos ele achou o que procurava: seu celular. Enrolou mais ainda o cobertor.
- Vamos! – Ele disse.
- Onde?
- Só vem comigo, sem perguntas. – Disse e eu levantei uma sobrancelha questionadora como a dele. Ele riu.
- Só vem. – Insistiu.
- Ok! – Concordei.
Passamos pelo corredor vazio e fomos em direção à cozinha, por incrível que pareça ninguém viu a gente. abriu o cooler e pegou duas cervejas, eu aproveitei e peguei a minha coca em cima da bancada e saímos pela porta da cozinha.
- Aonde nos vamos? – Perguntei desconfiada.
- Sem perguntas, você vai ver. – Ele me respondeu, andando mais rápido ainda. Estava um pouco escuro, a nossa maior iluminação vinha da lua, o céu estava coberto de estrelas, hoje a noite estava muito bonita. Chegamos ao píer e ele estendeu o cobertor e se sentou. Sentei-me também. Ele se deitou e ficou contemplando as estrelas, e eu fiquei contemplando-o.
- Você poderia ter me perguntado? – Ele falou, sem olhar para mim.
- Eu sei. – Respondi apenas.
- Então, por que não fez? – Perguntou cravando seus olhos azuis em mim. Arrepiei-me.
Suspirei, agora era eu que olhava para o céu.
- Você é bem difícil às vezes. – Disse em um tom leve.
- Às vezes? – Perguntou, levantando sua sobrancelha imperativa.
Eu ri.

Hey, I'm looking up for my star girl
(Hey, estou olhando para minha garota estelar lá em cima)

Ele cantarolou baixinho, fazendo-me virar assustada com as suas palavras, ele me encarava. Eu fiquei sem ar.

So wouldn't you like to come with me
((Ooooh)Então, você não gostaria de vir comigo?)
[ooooooh]
Go surfin the sun as it starts to rise
((Ooooh)Surfar no sol enquanto ele começa a nascer)
[oooooh]
Woah your gravity's making me dizzy
((Ooooh)Woah, sua gravidade está me deixando tonto)
Girl I gotta tell ya I feel much better
(Garota, eu tenho que te dizer eu estou me sentindo bem melhor)
Make a little love in the moonlight
(Fazer amor sob o luar)

Eu continuei olhando para ele sem ar, só escutando sua voz rouca cantar a minha música favorita.

Looking up at my star girl
(Olhando para minha garota estelar lá em cima)
Guess I'm stuck in this mad mad world
(Eu acho que estou preso nesse mundo maluco)
Things that I wanna say, but you're a million miles
Away
(Há coisas que eu quero dizer,
Mas você está a milhões de milhas de distância)



- O que você quer me dizer, ? – Perguntei, encarando seus olhos azuis tempestuosos.
Ele suspirou e voltou sua atenção para o céu estrelado. Não disse nada, e eu me deitei ao seu lado, olhando para as estrelas também.
- É a sua música preferida. – Ele afirmou, e eu olhei para ele surpresa.
- C-como você sabe? – Gaguejei.
- É a que você mais se empolga nos shows. Você simplesmente... brilha quando a gente toca essa música. – Falou, e eu fiquei pasma.
- Então... Você andou me observando. – Afirmei.
Ele riu.
- Impossível não te observar. – Declarou, e eu ri para o céu estrelado.
Então ele suspirou, e todo o nosso encanto foi quebrado, eu sabia que agora ele ia me contar sua história. Continuei observando as estrelas.
- Quando eu tinha 16 anos, eu conheci uma garota, mas não era qualquer garota. Era a garota. E ela me ferrou completamente.


Capítulo 20
“O amor é um piano jogado do quarto andar em alguém que está no lugar errado, na hora errada.”
– ANI DIFRANCO


Enorme mentirosa
Eu bufei.
Olhei para ele chocada com as suas palavras, um ciúme louco me dominou só de ouvir ele se referindo a ela. Então ele era assim por uma mulher? Acho que agora tudo começava realmente a fazer sentido. Seu silêncio já estava muito extenso. Peguei em sua mão, que estava estendida perto da minha, sem olhar ainda para ele e mantive-me olhando para o céu. Eu tinha medo de olhar para o , eu não queria quebrar o clima, não agora que ele estava disposto a se abrir comigo. Dei um aperto na sua mão como forma de incentivo.
Ele suspirou alto.
- Ela entrou na minha escola por transferência, eu lembro que todo mundo queria saber quem era a garota nova. Na época eu não dei muita bola, eu só pensava em música e futebol, mas isso mudou quando eu bati os olhos nela no corredor da escola. Ela era diferente das outras meninas, não na aparência, mas no jeito em geral... era mais velha, ela tinha quase 18 anos uma repetente. Eu já estava no último ano o que é normal e ela já era para estar na faculdade. Então ela virou a masturbação de todo garoto da escola. Principalmente dos caras do meu time. Eu confesso que minha também. – Ele deu uma risadinha sem graça.
Eu já odiava essa garota, e eu nem precisava ouvir a história toda.
- Então depois de umas semanas, eu estava saindo de um treino. Já era um pouco tarde a escola já estava quase vazia, eu a vi no estacionamento, sentada sozinha de baixo de uma árvore. Eu já era reservado, mas eu senti vontade de ir lá perguntar se ela queria alguma coisa. Eu cheguei e perguntei o porquê de ela estar ali sozinha, ela me disse que tinha marcado com um cara, mas que parecia que ele tinha lhe dado um bolo, então eu vi ali uma chance de conhecê-la melhor, não foi nenhum sentido de querer ajudar, eu simplesmente estava pensando com a cabeça de baixo.
- E quando é que vocês pensam com a de cima? – Perguntei, tentando descontrair.
Ele riu e continuou.
- Eu e ela fomos andando até o ponto de ônibus. E isso se arrastou pela semana. No final de semana, um dos caras do meu time de futebol iria dar uma festa na casa dele, então eu marquei com ela lá. Eu lembro que eu fiquei bastante excitado com essa festa, eu era virgem e ali eu vi a minha chance de perder a virgindade e ainda por cima pegar a garota mais cobiçada do colégio. Eu era virgem não por ser um deslocado que nenhuma menina queria, eu era bastante popular, mas pensa bem, seria um desastre eu tirar a virgindade de alguma menina sendo eu mesmo virgem, então eu nuca passava da segunda base, mas nessa festa eu deixei de ser virgem e com ela. Depois disso, ela me teve completamente, eu só pensava em foder em todos os lugares e todas as horas, até que um dia ela veio chorando para mim. Ela me contou que seu pai tinha expulsado de casa e que não tinha para onde ir, e então eu tive a brilhante ideia de perguntar aos meus pais se ela podia ficar lá até se acertar.
Ele se sentou no cobertor e deu um suspiro audível, eu me sentei também. Abriu uma das cervejas e tomou um gole. Aquilo estava sendo horrível para ele eu podia notar pela sua fisionomia.
- Então eu perguntei a minha mãe se ela podia ficar lá em casa, a minha mãe não gostou, mas eu era um garoto responsável e depois de pedir muito ela concordou. Ela se mudou para a minha casa no mesmo dia e ficou dividindo o quarto com a minha irmã. Nós éramos o verdadeiro casal apaixonado andando pelos corredores da escola e fazendo sexo em qualquer oportunidade, até que eu comecei a ouvir sussurros conforme eu passava pela escola, os garotos da minha equipe começaram a fazer piadinhas sobre ela e também comigo, e eu comecei a ficar puto, ás vezes ela sumia e eu pirava, mas ela sempre tinha uma desculpa. Então foi ficando uma coisa meio doentia, eu sempre desconfiando e ela sempre dizendo que eu estava louco, mas ela compensava bem com as visitas noturnas ao meu quarto.
Ele deu mais um gole na sua bebida e olhou para o céu e eu ainda estava tentando encaixar essa enxurrada de revelações.
- Até que um dia, eu a peguei com um colega de equipe, gemendo do mesmo jeito que gemia quando estava comigo, sorrindo do jeito que sorria para mim. E eu só pude sair dali sem suportar nem mais um segundo, olhar aquela cena. – ele disse com a voz rouca e desanimada. - Quando ela chegou em casa, bem mais tarde do que eu, eu perguntei onde ela estava e ela mentiu como deveria mentir todos os outros dias. Nós tivemos uma briga horrível no meu quarto e eu a disse que teria que ir embora de manhã. Ela implorou e pediu desculpas, mas o feitiço dela estava quebrado. Então ela concordou. O jantar nesse dia foi péssimo, eu informei a minha família que ela tinha encontrado um lugar para ir e que iria embora no dia seguinte, minha mãe sabia que estava acontecendo alguma coisa, mas não perguntou.
Então era isso, ele ficou assim por isso.
- , isso é horrível. – Lamentei.
Ele riu e eu não entendi nada sua risada era dolorosa.
- Você acha que eu ficaria assim só por isso, por uns pares de chifres? – perguntou, olhando para mim.
Franzi o cenho sem entender.
- , ela fez bem pior que isso. – ele falou e eu arregalei meus olhos, ele fez que sim com a cabeça.
Ele bebeu mais goles de cerveja e continuou.
- Depois do jantar, eu subi sem ao menos olhar para ela, eu estava bem chateado. Eu lembro que eu fiquei rolando na cama por horas, só pensando o quanto eu fui burro. Eu senti sede e sai do meu quarto para ir à cozinha. Passando pelo corredor, a porta do quarto da minha irmã estava entreaberta e eu espiei lá dentro. A cama que ela fazia no chão estava vazia, eu pensei que seria um saco ter que me deparar com ela na cozinha, mas a minha sede era tão grande que eu desci mesmo assim.
Ele parou de falar e seu rosto se contorceu de desgosto. Eu fiquei ali curiosa e me sentido muito mal por ele.
- Quando eu desci a escada, eu parei no meio dela. Eu me lembro de ficar me perguntando se o que eu estava vendo era verdade, eu piscava os olhos várias vezes, e eu até pedi para que fossem aqueles sonhos nojentos que às vezes você tinha com alguém que você nunca sentiu nenhum tipo de atração, mas que às vezes você sonhava e acordava com um sentimento de culpa. Mas nada disso apagou a imagem na minha frente, meu pai completamente nu fazia sexo com a minha namorada no sofá da minha casa. Eu desci a escada completamente louco com aquilo que eu estava vendo. Quando ela me viu, riu para mim como se ela pudesse fazer o que quisesse com a minha família. Meu pai demorou mais para perceber a minha presença, mas logo que percebeu saiu que nem louco procurando as suas roupas. Ele vestiu o short que ele usava para dormir e eu ainda encarava aquilo completamente sem poder acreditar que meu próprio pai estivesse me traindo, traindo a minha mãe. Eu senti tanto nojo e o pensamento que talvez aquela não fosse à primeira vez quase me fez vomitar. O que eu consegui dizer para eles antes de sair dali foi o quanto eles eram nojentos e que ela teria que ir embora no dia seguinte ou se não eu contaria tudo para minha mãe.
Minha boca estava aberta e meus olhos arregalados, eu nem podia imaginar o que ele passou. Seu próprio pai.
- Mas não precisei contar para minha mãe. No dia seguinte meu pai nos abandonou e fugiu com a minha namorada. – ele falou dando de ombros como se essa informação não tivesse comprometido toda a sua vida.
Eu arfei. Eu ainda não conseguia dizer nada.
- Minha mãe entrou em depressão, eu e a tivemos que cuidar da casa e sem a renda do meu pai, começamos a trabalhar depois da escola, eu larguei o futebol, a única coisa que eu não larguei foi à música e graças a Deus, pois ela me salvou. O resto você já sabe, eu encontrei os caras e nós fundamos o Mcfly.
- Caramba , que horror. – eu falei negando com a cabeça.
- É. – ele concordou. – Mas eu não contei para você ficar com pena de mim, e sim para você parar de encurralar meus amigos pelos cantos. – Ele falou rindo. Para descontrair.
- Eu não estou com pena de você. Eu só estou chocada. – afirmei. – Você vê o seu pai? – perguntei cautelosamente.
- Meu pai apareceu dois meses depois querendo voltar. Ela tinha abandonado ele por outro. Minha mãe disse para ele ir pastar. – Ele disse abrindo um sorriso nessa ultima parte. – Ela foi bem forte.
- Sim, ela foi. – concordei devolvendo o sorriso.
- Eu não vejo o meu pai. – ele falou. – Ele já tentou me ver, mas eu nunca quis. – Ele disse dando de ombros. – Não gosto de pessoas mentirosas. Por isso tento ser o mais honesto possível. – falou sério.
Suas palavras me acertaram como se eu fosse um alvo e ele acertou bem no centro levando a maior pontuação. Cenas do meu sonho antes do meu casamento vieram a minha cabeça. A palavra mentirosa ainda brilhava como neon.
Eu fiquei em silêncio obsorvendo todas essas informações e vendo como eu o entendia agora, eu só queria abraçar ele e apertar bem e dizer o quanto eu o amava e que eu nunca faria nada para machucá-lo, mas esse meu pensamento foi interrompido por uma voz na minha cabeça gritando desesperadamente que eu já fiz isso e que eu tinha uma bomba com o tempo marcado para explodir.
Eu peguei a minha lata de coca do chão eu bebi um gole, mas ela estava quente e eu fiz uma careta deixando ela de lado, o também bebeu a sua cerveja.
O silêncio de certa forma não era incomodo. Ele provavelmente estava perdido nos seus pensamentos e eu perdida na sua estória. Eu deitei no cobertor e continuei a olhar as estrelas, ele fez o mesmo. Tem tanta coisa que eu gostaria de dizer para ele, mas por conta dessa mentira eu não podia, sua mão pegou na minha e eu a apertei. Senti sua cabeça virar para o meu lado e desviei meus olhos para os seus. Esse comportamento nosso já estava virando padrão. Ele me encarava descaradamente e eu o encarava também. Seus olhos estavam tempestuosos e eu sabia que ele estava em conflito. Ele abriu a boca algumas vezes e a fechou, isso foi me deixando nervosa.
- Se eu pudesse amar alguém... – ele finalmente disse. – seria você.
Eu fiquei ali completamente chocada com as suas palavras. Meu peito se expandiu e se quebrou, meus olhos se encheram de lágrimas. É bastante frustrante você ouvir da pessoa que você ama essas palavras. Eu não tinha chance.
Eu soltei uma respiração trêmula. E minhas lágrimas desceram desenfreadamente pela lateral do meu rosto.
- Se eu pudesse parar de amar alguém... – Falei suavemente. – seria você.
Seus olhos se abriram ele suspirou alto, como se eu tivesse acabado de ofender ele, e não ter declarado o meu amor.
- Impossível. – ele sussurrou descrente.
Eu não podia ficar ali olhando ele nem mais um segundo, eu tinha acabado de fazer o que eu há anos venho tentado esconder. Eu simplesmente disse que o amava. Eu levantei e limpei o meu rosto, eu me sentia humilhada. Corri o mais rápido que eu consegui para a casa. Eu conseguia ouvi-lo gritando o meu nome, mas eu não parei. Precisava pensar eu estava cansada dessa farsa toda.

’s POV on
- ! – eu gritei. - ! – droga! Esbravejei, catando o edredom, as garrafas de cerveja vazias e a coca meio cheia dela. E sai andando em direção à cabana.
O que você faz depois de ouvir uma coisa dessas? Obviamente, não o que eu fiz, por que não deu certo. O que ela queria que eu dissesse? Que a amava também? Sendo que eu tinha acabado de dizer, que se eu pudesse amar alguém seria ela. Bufei frustrado.
Talvez eu devesse ter ficado quieto, onde eu estava com a cabeça para soltar aquilo em cima dela, mas também, como eu poderia adivinhar que ela me amava. Amava. Isso soava tão estranho, simplesmente não fazia sentido. Todos esses anos em que eu conheço a , a frase que eu mais ouvi era “Eu te odeio, ” e eu acreditava nisso totalmente e fazia de tudo para cultivar esse sentimento, já que mesmo não querendo admitir, ela mexeu comigo desde o início, me fez perder o controle e eu odiava esse fato. Agir friamente era o meu lema, e qualquer situação, pessoa e escolhas que me tirassem do meu rumo, eu me afastava ou, como no caso da , eu repelia. Só que o destino, ou sei lá o que se chama, colaborou para que eu me casasse justamente com ela. E eu tentei, juro que tentei me manter frio, estabilizado e altamente centrado, mas os fatos me fizeram recuar, desestabilizar e esquentar.
Agora eu tinha uma esposa, que eu não queria ter. Eu estava aguardando a chegada do meu primeiro filho, que eu também não planejei ter. E se você há um ano me contasse que eu estaria casado e com uma esposa grávida, eu iria te chamar de louco e iria te mandar para o inferno, mas essa é a minha situação real agora. E eu totalmente aceitei e estou tentando fazer o meu melhor, mas amar? Não, isso eu já não poderia dar a ela. Amor não entrava nisso.
Cheguei à porta da cozinha e entrei, os ruídos da sala entravam em todo cômodo, botei o refrigerante e os cascos de cerveja na bancada e caminhei diretamente para o meu quarto. Para mim, aquela reunião tinha acabado e se eu pudesse iria embora. Mas eu não poderia, porque prometi que eu iria tentar. A porta do meu quarto estava bloqueada, e batiam desenfreadamente na porta.
- O que está acontecendo aqui? – questionei os dois, que me olharam com a cara fechada.
- Eu que te pergunto. O que você fez com ela? Ela entrou chorando e se trancou aqui e não quer abrir nem para mim. O que você fez? – perguntou, partindo para cima de mim e eu me protegi com o edredom.
- Eu não fiz nada, . – afirmei, tentando me defender dela.
- Ei , calma. – pediu , tentando por juízo nela.
Maluca.
Ela respirou fundo e parou de tentar me atacar.
- Saem da minha frente vocês. Eu preciso falar com ela. – Disse, passando por eles e batendo na porta.
- , abre a porta. – Chamei, e nada. Esmurrei novamente a porta. – , a gente precisa conversar. – Senti meu ombro direito sendo puxado e me virei para dar de cara com a .
- Então você fez alguma coisa, . – Ela me acusou.
- Isso não é da sua conta. Por que vocês não saem daqui? – disse empurrando o para a sala.
- Ei, não faz isso com ele, . – choramingou atrás de mim, enquanto eu o empurrava pelo corredor.
Parei cansado. O que eu estava fazendo empurrando o meu melhor amigo? Com a respiração bem difícil, desabei no corredor caindo sentado. Eles ficaram me olhando com cara de bobos, realmente eu não estava me comportando como eu mesmo.
- Ela disse que me amava. – Falei, em um sussurro.
- Ela disse? – me perguntou , com uma voz esganiçada.
Fiz que sim com a cabeça.
- E... E o que você disse para ela? – me perguntou meio relutante.
- Impossível. – respondi.
- Impossível? – perguntou indeciso.
- Sim, eu respondi impossível. O que eu deveria responder? – perguntei sarcasticamente, eles me olhavam como se eu tivesse cometido um crime.

- O que? Eu fiquei surpreso, nunca imaginei. Ela sempre disse que me odiava. Agora eu também sou culpado, por isso? – Questionei os dois.
- Não , você não é culpado. – Falou cansadamente.
- E depois que você foi totalmente romântico com ela, depois da declaração, o que aconteceu? – Perguntou o , com deboche.
Suspirei encarando ele, que me deu um riso de lado.
- Ela saiu correndo, e eu vim atrás dela. – respondi dando de ombros.
- É meu amigo, você vai ter uma grande noite. – Ele disse dando dois tapinhas em meu ombro. – O bom é que você já está com o edredom. Puxou em direção à sala.
- Não ferra! Aonde vocês vão? – perguntei me levantando.
- Seu problema, resolva. – Disse ele antes de sumir em direção a sala.
- Ótimo! – Exclamei puto da vida.
Caminhei e fiquei de frente para a porta do meu quarto, e bati mais uma vez.
- !
Nada.
Esmurrei a porta novamente.
- ! – Chamei e depois veio o silêncio. Ela não iria abrir.
- Foda-se. Não que abrir? Dane-se. Não vou ficar aqui pagando de marido pela saco. – Chutei a porta e fui andando para a cozinha. Peguei uma cerveja e fui me juntar ao pessoal na sala. Quando eu entrei, a conversa parou. Ótimo. Tudo o que eu precisava, ser o centro das atenções.
Sentei como se nada me abalasse, afinal isso era bem a verdade... ou costumava ser. E logo a conversa voltou. Continuei a bebericar a minha cerveja, minha irmã do meu lado levantou-se e eu olhei para o seu lugar vazio dando de cara com o Adam. Ele me encarou, eu o encarei também. Bebi um gole da minha cerveja e ele também. Foda-se nos estávamos em uma copetição aqui. E eu nunca perdia. Ele fez uma cara de prepotente e eu apenas levantei a minha sobrancelha, mostrando a minha melhor cara de “Você não me dá medo”. Ele fechou o espaço entre a gente se inclinando.
– Problemas no paraíso, ? Sabe, deu para ouvir daqui seus gritos. – Ele falou baixo, com uma voz sarcástica.
Eu ri de lado, tomando mais um gole da minha cerveja, apesar da sua observação ter me deixado puto, ele nunca iria saber. Cara babaca. Minha irmã quebrou a nossa comunicação sentando-se em seu lugar. O que ela via nele? Sacudi a cabeça e sai da sala, passei pela cozinha, peguei mais uma cerveja descartando a outra e sai para a noite estrelada. Eu nem sabia mais quantas eu já havia bebido. Caminhei até o píer e me sentei ali, onde minutos atrás eu estava contando meu pior segredo para a , um que eu achei que talvez, só talvez pudesse justificar o porquê de eu ser assim. Mas eu não esperava de jeito nenhum ouvir que ela me amava. Será que esse amor não era por ela estar grávida? Hormônios podem confundi as mulheres, pelo menos era isso que estava escrito em um dos livros que eu li. Claro que era isso. Ela não me amava. Ela sempre me odiou. Isso não fazia uma porra de um sentido.
Ouvi passos e virei a minha cabeça dando de cara com os caras. Que legal tudo o que eu precisava.
- Ei, cara. Fiquei sabendo que você foi despejado. Você pode dormir comigo. – Disse o , sentando do meu lado e passando um braço por meu ombro.
- Não fode! – Falei retirando seu braço do meu ombro.
- Tem gente que não sabe brincar. – reclamou com diversão.
Ignorei.
- Qual é, . Melhora essa cara. – Falou o , sentando-se do meu outro lado, seguido pelo .
Continuei olhando para o lago, talvez se os ignorassem eles me deixariam em paz para pensar na porra da minha vida. Bufei frustrado.
- Sabe, trouxemos para você uma coisa que você não vive sem. – Falou o com bastante expectativa.
Não consegui me conter.
- Não vejo uma loira em nenhum lugar por aqui. – Falei rindo de lado.
- Ela não cabe em um culler. – Disse o apontando para o mesmo.
- O que é muito bom, nesse momento eu acho que uma mulher é o suficiente para você. – Me repreendeu o . Sempre o certinho.
- Acho que nenhuma mulher seria o certo. – falei.
- Pensei que nunca ouviria isso sair da sua boca, . – Brincou o .
- Vivemos para esse dia. – Falou o .
- Afinal, o que vocês vieram fazer aqui? Rir da minha cara? – Perguntei puto já.
- Relaxa, viemos fazer companhia para um amigo sem teto. – Disse o rindo.
- ótimo! Tudo que eu precisava. – Falei sarcasticamente. Voltei meus olhos para o lago e uma ideia me surgiu. Eu ri de lado, agora sim, meu humor estava melhorando bastante.
- Tive uma ideia. Que tal um jogo da verdade? Eu falo uma palavra e cada um responde rápido. Quem responder e a gente julgar que a respostar não for verdadeira, tem que dar um mergulho no lago. Feito?
- Cara, o lago está muito gelado. – Reclamou o .
- Marica. – Debochei.
- Ok! – respondeu o . – Mas cada um diz uma palavra. Quem for mais verdadeiro termina seco.
- Ok! – concordei.
- Certo. – Disse o .
Olhamos para o .
- Tudo bem! Mas se eu ficar resfriado vocês vão ver só.
- Frangote. – Xingou o .
- Primeira palavra. – Eu disse. – Mulher. – Essa seria minha palavra para a vida.
Olhei com expectativa para eles. deu uma tossida seca.
- Se você encontrar a especial, vale muito a pena. – Ele disse.
Fiz uma careta de nojo e observei os outros para saber o que eles acharam da resposta. Todos concordaram.
- Sim, se parece com você. Aliás, você é nojento. – Falei.
- Vamos, estão com medo de um laguinho? – Provoquei.
- Lógico que não. – Negou o . – Só estou pensando em uma palavra que defina mulher para mim. Por que se eu disser uma que não se pareça comigo, vocês me jogam no lago, certo? – perguntou incerto.
- Esse é o espírito da coisa. – Respondeu o .
- Ok! – disse e suspirou. – Gostosas! – exclamou ele satisfeito.
Concordamos com a cabeça. Era uma resposta bem idiota dada por um idiota. Olhamos para o que estava com uma cara de concentração.
- Eu gosto da minha. – Ele respondeu. Nós rimos.
Resposta inteligente a dele.
- Ok! Todo mundo seco nessa rodada. Quem fala a palavra agora? – perguntei. Bebi mais um gole da minha cerveja.
- Eu! – Se candidatou o . – Futebol! – Exclamou satisfeito.
Serio? Futebol. O cara tem um vocabulário extenso e me vem com futebol?
Ele merecia um bom mergulho no lago. Levantei e olhei para o e , que concordaram comigo silenciosamente. Ótimo eles achavam o mesmo que eu.
- O que? – perguntou com uma cara assustada. e se levantaram também.
- Sério? Futebol? – Perguntou debochadamente.
Nós rimos. Enquanto eu pegava as pernas e o pegava os braços dele. Ele se debatia sem parar e eu estava perdendo as forças de tanto rir. remexeu nos seus bolsos retirando a carteira e o seu celular.
- O que vocês vão fazer? – Perguntou desesperado.
- Você mereceu, . – Falei parando de rir.
- Isso é contra as regras. – Ele gritou.
- Que regras? – Brincou o .
- Vocês vão ver só! Eu vou levar vocês comigo. Seus filhos da puta, desgraçados via... – Gritou o , antes de sua torrente de palavrões serem interrompidas pela água gelada do lago.
Nós começamos a rir. Em segundos sua cabeça apareceu.
- Merda! Seus viados. – Ele xingou. – Essa porra está gelada.
- Ok! Hora de sair daí. – Eu disse me agachando na beira do píer e estendendo a mão. Antes de ele pegar eu disse: - E nada de truques, se você me puxar eu deixo você ai. – ele concordou. Estiquei a mão e o ajudei a subir.
Ele subiu e logo passou por mim me empurrando, cai sentado no píer e soltei uma risada.
- , cadê o seu espírito esportivo? – perguntei, me levantando.
- Acabou de morrer congelado. – Respondeu, pegando o meu edredom e se enrolando nele antes de sentar.
- , você pediu por isso. Futebol? – Justifiquei.
e concordaram.
- Pedi por isso? - Ele se levantou perguntando. – Então, vamos ver se seu espírito esportivo anda bem, . Eu quis apenas ser neutro, mas você quer uma boa palavra? - Questionou-me, chegando mais perto de mim. – Então eu te dou e eu espero que você seja bastante sincero, se não eu vou fazer questão que você fique assim como eu. Casamento. A minha palavra é CASAMENTO! – Gritou.
Fiquei ali olhando para ele, sem saber o que responder, acho que eu iria ficar realmente molhado. Engoli em seco, os caras me olhavam esperando a minha resposta. Então eu me lembrei de uma frase que eu li há anos, mas que não me fez muito sentido na época, mas agora se encaixava perfeitamente, então eu botei o meu sorriso mais arrogante e respondi o desafio dele.
- Mulheres são como garrafas de bebida. Elas devem ser provadas, saboreadas, então descartadas. O casamento é para homens que não conseguem lidar com sua bebida.
- Então você fez alguma coisa errada, porque você está casado. – Argumentou o .
- Sim, eu provei muitas, saboreei várias e esqueci-me de descartar a mais perigosa de todas. Aquela que te leva à perdição. E a perdição me levou ao casamento, o bom é que no fim, eu consegui me libertar da maldita bebida, mesmo que eu tenha me viciado em outra. Talvez mais letal. – Suspirei, passando por eles pegando a minha simples e sem graça cerveja, essa sim eu poderia confiar.
O silêncio foi geral, talvez eles não tenham entendido a minha metáfora. Eu esperava que não. Porque só talvez eu tenha me exposto mais que o normal. Por fim, virei-me fingindo que minhas palavras não foram nada importantes.
- Então, lago ou não? – Perguntei.
- Não. – Respondeu simplesmente o .
Olhei para o que negou com a cabeça e me concentrei no esperando a sua resposta.
- Não , você respondeu exatamente como você. Cara você é um fodido.
- Me conte uma novidade, . – debochei.
’s pov off

Quando você chora, não apenas chora, mas se derrama em lágrimas até que elas faltem. Seu rosto não é o mais bonito pela manhã, suas olheiras são escuras e você provavelmente vai ter uma bolsa enorme abaixo dos olhos. Isso não é legal. Meu reflexo no espelho do banheiro mostrava exatamente isso. Uma mulher com aspecto cansado, com olheiras e bolsas enormes. Com uma aparência triste.
Quem disse que mentir era fácil? Pode até ser quando a mentira sai da sua boca, isso sim parece fácil, mas manter isso não. Manter uma mentira é como se você tivesse que ficar ligado vinte e quatro horas por dia, e nunca fraquejar, nunca vacilar e nunca se deixar levar por ela. Jamais esquecer, que ela é uma mentira e se entregar enganando a si mesma. Eu acho que eu errei feio, eu me entreguei. Deixei-me levar por essa mentira e amei vive-la. Isso é totalmente errado. Eu sei, mas eu estava vivendo isso como se fosse a mais pura verdade. E principalmente por isso revelei a meu mais guardado segredo, ontem eu simplesmente disse o que há anos eu venho tentando esconder. Eu disse que o amava. E não foi depois de uma declaração romântica dele que eu realmente decidi abrir meu coração. Foi depois de ele acabar com todas as minhas esperanças. Eu poderia ter ficado quieta, mas o momento e tudo o que nós vínhamos passando me fez baixar a guarda e revelar o meu mais secreto amor. Humilhei-me, sim era assim que eu me sentia humilhada. E se não bastasse ele simplesmente pegou as minhas palavras de amor e reduziram elas em 'impossível', como se ele fosse muito difícil de amar. Como se ele não merecesse ser amado. Sai do banheiro e me dirigi para o quarto, deixei minhas coisas de banho lá e fui para a cozinha.
- Cara, me passa o pão. – Pediu o . Entrei na cozinha nesse momento, todos pararam para olhar para a porta onde eu estava. Senti meu rosto esquentar.
- Bom dia, pessoal! – Exclamei entrando. Peguei um pão e cortaei-o sem olhar especificamente para ninguém, logo a confusão de vozes voltou ao normal e eu pude liberar a respiração que eu nem percebi que tinha prendido. Botei um suco de laranja no copo e me sentei no colo da , que me deu um beijo no rosto e me inquiriu com os olhos. Desviei e dei uma mordida no meu pão, eu não queria falar com ninguém. Passei os olhos pela mesa e cozinha, e não vi o Adam nem a . O estava sentado no chão no canto da cozinha com o ao seu lado, eles comiam e conversavam. Seus olhos se encontraram com os meus, eu desviei voltando a minha atenção para o meu café da manhã.
- Você sabe onde seu marido dormiu? – Perguntou a baixinho. Dei de ombros. Ela suspirou. Mas agora que ela perguntou eu fiquei curiosa. Tirei meus olhos da parede e olhei para ela.
- Dormiu no meu quarto. – Respondeu a minha pergunta silenciosa. Fiz uma cara de desculpa. E agora ela que deu de ombros.
- Cadê a e o Adam? – resolvi quebrar meu voto de silêncio.
- Foram embora, ele tinha que cobrir alguma matéria urgente. – Respondeu.
- Ah! Que pena. – Disse, mas na verdade, eu achei bom. O Adam estava bem estranho.
- Gente, eu tenho uma grande coisa para anunciar aqui. Silêncio. – Falou , levantando da mesa e puxando a também. Meu coração acelerou. O que eles iria fazer?
- Ontem eu fiquei sabendo que eu vou ser papai. – Anunciou feliz.
Meu coração parecia que iria sair pela boca, meu Deus!
- Caramba, a cegonha estacionou aqui. – Brincou , enquanto abraçava .
Eu olhava para a com cara de interrogação, sem conseguir entender porque ela contou para ele, sendo que ela me pediu mais tempo. Não fazia sentido.
- Parabéns! – Disse abraçando e depois .
- Tudo bem, , eu não estou com raiva de você. Eu sei que você e a mentiram pelo bem da . – falou. Meu mundo foi desmoronando. Levantei rápido do colo da . Olhando assustadamente para eles ali na minha frente. Engoli em seco.
- O que você está dizendo? Mentir? – Perguntou o , bastante incerto.
- Cara é. Quando o encontrou o teste e a disse que era dela, só que era da . Vocês estavam mentindo enquanto eu e a não nos acertávamos. – Ele explicou enquanto sentava em uma cadeira mais próxima. A cozinha ficou em completo silêncio, esperando a sua reação.
- Eu não menti. – Afirmou ele baixinho. – A está grávida! – Falou incerto e baixinho.
Seus olhos e expressivos se cruzaram com os meus olhos mentirosos. Sua pergunta muda era tão clara como se ele tivesse gritado. Ele queria saber. Eu só puder dizer que não com a cabeça. Seus olhos se tornaram frios e distantes. E ali eu o perdi, não como ontem, mas realmente eu o perdi para tudo. Eu tinha sido exatamente como ela. Eu era uma enorme mentirosa.


Continua...



Nota da Autora: Oi meninas, Tudo bem?
Demorei eu sei, mas o bloqueio me pegou de jeito. E não tem jeito quando isso acontece, tem mesmo que esperar passar.
O que acharam desse capítulo? Eu o tenho como um dos meus preferidos. E vocês?
Respondi algumas dúvidas de vocês, tem Pov do PP que eu sei que vocês amam. Então, valeu a pena esperar?
Um grande beijo e até mais. Gaby’s




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