Estória por Jess Giachini | Revisão por That

Se preocupar é como estar numa cadeira de balanço, te dá o que fazer, mas não leva a lugar nenhum.

Welcome
A vida é uma diversão, você brinca de viver e vive de brincadeira.

Todas as pessoas pareciam se divertir bastante; algumas dançavam ao ritmo da música, algumas estavam completamente bêbadas e vomitando em algum canto da enorme mansão de Bryan Scotts. E alguns estavam lá para serem eles, os reis da festa. Um em especial: - ou, como era conhecido, , o dono da festa.

Capítulo 1

- E você sempre diz isso, mate. – disse rindo, enquanto via seu amigo sorrir de orelha a orelha. – Entenda que a festa só faz sucesso porque você está aqui! Você é o rei das festas... Todo mundo só veio porque nós estamos aqui. – continuou agora se referindo a todos ali. A ‘trupe’ estava completa: , , e – os mais festeiros de toda Wetherby High School. riu ao perceber a grande verdade dita por seu amigo, e apenas deu de ombros.
- Não sei por que gosta tanto de festas... – resmungou, rindo um pouco da cena de uma menina chorando agarrada ao ombro de um garoto, provavelmente seu ex-namorado. Ele poderia resolver aquele choro em segundos. Oh, e como resolveria.
- Como se não fosse a todas! – gargalhou, já de olho em uma menina de altura mediana, cabelos longos e olhos verdes. ‘Pra começar, está de bom tamanho’, pensou ao perceber a menina o encarando.
- , pára de ataques. – respondeu, recebendo diversos olhares de todos da festa; todos constatando que ele realmente estava presente.
- Mas pra que tanto? Vai a festas quase todos os dias e nem se preocupa com as outras coisas... – retrucou sem tirar o olhar da menina que, antes chorava e, agora, pegava um drinque.
- Meu negócio é aproveitar e me divertir. E por que não, se no fim tudo vai acabar mesmo? – apenas repetiu o que sempre dizia. Ele não ligava para consequências, apenas curtia as festas. Casos ali, casos aqui... Nada de compromissos. Nada de preocupações. Apenas o momento. Apenas diversão.
- Quer saber? Não to nem aí, vadia. – era assim que se chamavam. Apelidos carinhosos para demonstrar todo o amor que sentiam um pelo outro. – Agora, se me dão licença, o dever me chama... – finalizou, sorrindo de um modo sedutor para a garota com um drinque na mão.
- Daqui a pouco o dever vai gritar, vai gemer, vai enlouquecer pelo seu nome! – ria, enquanto fazia som de ‘gemidos’ no ouvido de .
- Calem a boca, suas bichas. – respondeu rindo. – Tchau, margaridas. – a partir dali ninguém mais veria naquela noite. E o mesmo iria acontecer com todos eles em alguns instantes.
- Au revoir, mon cher! – foi de encontro à morena de olhos verdes que sorria descaradamente para ele. E antes que ou pudessem “partir para o ataque”, Bryan, o dono da festa, os interceptou.
- Chegaram os mais requisitados da festa! – Bryan disse levemente alto. Provavelmente já bêbado. – O que acharam?
- Sua casa é bem maneira. Tem bastante quartos? – perguntou pervertido e Bryan deu uma gargalhada um pouco alta demais. – Ou banheiros. – mais outra gargalha.
- Ainda temos o jardim! – Bryan riu mais uma vez. – Bom garoto, . – Sem responder nada, se dirigiu para dentro da mansão, procurando algo que o entretece.
- E aí, Bryan? – disse, enquanto pegava um drinque de uma bandeja que passava por ele. Sempre simpático com todos, mantendo toda sua fama de galanteador e popular. Sempre fora assim. E isso o deixava muito, muito feliz.
- Fala, meu garotão! – riu, mesmo odiando como Scotts se referia às pessoas. Como Scotts se referia a ele. – Aproveite a festa, é a última antes da volta às aulas! – Bryan piscou e saiu rumo a algum lugar desconhecido.
sabia que era a última, e só não deu uma festa, porque, bom, ir à festa dos outros é sempre melhor. E, caso ele não fosse, a festa de Bryan seria um fiasco. Ele sabia que todos só estavam lá por causa dele. Ele sabia como agitar uma festa.
Sua cabeça doía só de pensar em volta às aulas... Ter que ser simpático com todos, ‘dar uns amassos’ na inspetora de 27 anos muito gostosa do quinto andar – sorriu automaticamente ao pensar nisso – e acordar cedo. Acordar cedo realmente era um problema. E ainda tinha o fato de ter que ser simpático com os professores. Só de pensar nisso, sua cabeça girava. Escola, ainda bem que estava acabando. percebeu que já estava se preocupando demais e resolveu cair na farra, como sempre dizia. Como era sábado, só iria se preocupar em acordar na segunda, pra ir à escola.
Foi em direção ao DJ, de onde a música alta saía, e pegou o microfone, pedindo que o DJ desligasse a caixa de som. Clássico.
- Hey, Wetherby! – gritou ao microfone e todos pararam pra prestar atenção, com sorrisos estampados em seus rostos. – Quem está preparado pra voltar às aulas? – Ninguém respondeu. – Foi o que imaginei! Porque eu também não! – riu ao terminar de falar, sendo adorado por todos. – Então, vamos finalizar as nossas tão amadas férias com muito estilo! – todos soltaram gritos de satisfação. – Quem topa um vira-vira? – Quase todos levantaram a mão, rindo. – Comigo? – todos abaixaram as mãos. não era apenas dono das festas. Ele era o dono das festas. Vira-vira com ele era quase pedir para entrar em coma alcoólico. E isso era o que as pessoas mais gostavam. – Ora! Ninguém? – riu sarcástico, até uma mão ser levantada. Quando viu de quem era, apenas sorriu. – Hoje a noite vai ser bem divertida, não? – desceu do palco em direção à mesa, onde seu adversário o esperava.
- Não acredito que fez isso, – disse rindo.
- Ah, to meio entediado. Agora se prepare, donzela, porque só saio daqui em coma! – riu alto, sendo acompanhado por . - Então somos dois! – e então o espetáculo começou.

Capítulo 2
You're in high school again.

Sua cabeça doía e seus músculos estavam todos doloridos. Nunca havia dormindo tanto. acabara de acordar, ouvindo o despertador. Lembrava-se vagamente da festa que tinha ido ao sábado e chegado apenas no domingo à tarde. Dormiu desde então. Seu relógio despertou uma hora antes do horário que deveria acordar, como de costume, para se arrumar devidamente.
Levantou com certa dificuldade constatado que eram 6h38min. Havia demorado oito minutos para levantar. Foi direto ao banheiro de seu quarto e se olhou no espelho. Seu rosto estava acabado, precisava dar um jeito naquilo. Precisaria voltar às aulas com toda sua glória. Sorriu. Precisava de um banho.

Desceu as escadas correndo com a camisa da escola em mãos e um sorriso sapeca no rosto.
- Bom dia, Mariah! – sentou-se à mesa. – Sabia que você é linda? – disse, demonstrando simpatia – e seu corpo – para a empregada. – Mamãe ligou? – perguntou, já enchendo a boca com os deliciosos waffles preparados.
- Tinha um recado na secretária perguntando por que você não ligou pra ela e, fora isso, mais nada. – Mariah respondeu lavando a louça.
- Só isso? – vendo que não seria respondido, terminou o café em silêncio. Quando terminou, foi ao banheiro escovar os dentes e terminar de colocar a camisa, logo após dando uma checada no espelho. O cabelo levemente bagunçado, sem padrão. Calças da escola um pouco largas – o que a diretora sempre reclamava -, camisa de botões quase completamente fechada e gravata um pouco larga. Pegou a jaqueta da escola e jogou por cima. Olhou para os pés e viu seu vans preto. Sorriu ao analisar o resultado. Borrifou um pouco de perfume, que deixava as meninas loucas, e balançou o cabelo, deixando-o do jeito que gostava. Foi em direção ao balcão da cozinha e pegou a chave do carro.
- Como estou, Mariah? – sempre fazia essa pergunta para a pobre empregada.
- Lindo, , lindo. – riu com gosto e o garoto deu um beijo em sua bochecha, piscando logo em seguida. Mariah, apesar de não ter filhos, sentia que era quase como um. Os pais dele estavam morando na França, por causa da grife que eram donos. Senhor sempre estava preso no escritório, e falava com ele por telefone uma vez por semana. Com a mãe não, falava com a mãe todos os dias. A responsabilidade de cuidar dele ficou com Mariah, e ela fazia com êxito. Apesar de ser um festeiro, ele era um bom garoto. Sempre simpático e não se metia em tantas confusões. Mariah assustou-se quando voltou à porta, chamando-a.
- Se o treinador de taekwondo me procurar, diz que estou com pneumonia! – riu para Mariah e se dirigiu à garagem. Avistou seu BMW m3 sport preto entre os outros carros e sorriu. Havia quatro carros: dois de seu pai, um de sua mãe e um dele, mas os pais não estavam então todos estavam sob sua responsabilidade. Mas quase nunca usava os carros dos pais, gostava do seu. Pegou o celular no bolso e teclou 9, discagem rápida.
- Carona, margarida? – perguntou a , pois o carro dele estava no concerto.
- Anda logo. – respondeu de mau humor, o que fez rir. Desligou o celular e guardou no bolso da calça, vendo a porta da garagem se abrir. Mesmo sem olhar para trás, gritou:
- Valeu, Mariah! Você é dez! – e pisou no acelerador.

Chegou à casa de com certa rapidez, e deu apenas um toque para que o rapaz soubesse que ele havia chegado. Em poucos minutos, já estava no banco carona e o som às alturas.
- , abaixa isso. To com uma puta dor de cabeça e são sete e quarenta! – bufou irritando, enquanto ria e abaixava o som.
- Que foi? Não teve uma noite boa? – riu, lembrando-se da morena a qual se agarrava na festa. – A morena não deu conta do recado?
- Não lembro, só sei que amanheci com uma loira em casa. – respondeu pensativo. – É que meu pai ficou puto e mandou um sermão quando descobriu que eu tinha batido o carro.
- Ele não sabe desde a semana passada? – assentiu. – Caralho, ! – gargalhou.
- Não tem uma música melhor, não? – estava enjoado de ouvir aquelas músicas irritantes que gostava.
- Ah, qual foi. São boas, até. – retrucou em defesa. Tirou o cd que estava tocando e colocou um do Nirvana, na música School. sorriu e começou a tamborilar na lateral do carro. também tamborilava no volante, enquanto chegavam ao colégio. Respiraram fundo juntos.
Sua vaga estava lá, como sempre, assim como as dos seus amigos. Ninguém mexia naquelas vagas, sabiam o que poderia acontecer. A última vez que colocaram algum carro ali, ele saiu arranhado e cheio de ovos. E, por incrível que pareça, não tinha sido eles. Alguma pessoa que gostava muito deles fez isso. E eles agradeceram eternamente. As vagas eram perfeitas. Em frente à entrada, com uma ótima visão de todo o campus. As pessoas já se movimentavam alegremente, enquanto umas paravam para analisar a dupla que havia acabado de chegar.

YOU'RE IN HIGH SCHOOL AGAIN! No recess, no recess, no recess!

A música finalizou e os dois saíram do carro. jogou o cabelo, fazendo charme, e tirou os óculos escuros, sorrindo de um modo sedutor para as meninas. Qualquer uma ali se apaixonaria facilmente por eles. E eles sabiam disso.
apertou o alarme do carro e deu a volta na grade que separava o estacionamento do enorme jardim do pátio da escola. Avistou as líderes de torcida e o pessoal do time de futebol. É, ele havia voltado. E, sim, ele era do time de futebol. Mas não, ele não jogava. Fazia apenas marketing. sim jogava. Amava jogar. Tanto ele quanto . fazia parte da equipe de esgrima do colégio, o que era um saco pra , mas apoiava o amigo. Ele gostava da equipe de luta, mas preferia manter o rosto perfeito e o nariz no lugar. Fazia apenas taekwondo em uma academia de um amigo do seu pai. Era faixa preta, mas não gostava muito de freqüentar as aulas. Era bom e sabia disso.
- Minhas vadias preferidas! – chegou por trás e entrou no meio deles, abraçando os dois pelo ombro. Usava um Ray Ban e sorria animadamente. – Bom dia pra vocês, flores do meu jardim!
- Que bicho te mordeu? – perguntou. Nunca viu o amigo tão animado com o primeiro dia de aula.
- Bom, é que a festa gerou muito, mas muito lucro! – riu e lembrou-se da noite anterior. Duas meninas numa tacada só! Como ele era bom.
- Não entendo vocês dois... – murmurou, enquanto caminhava já pelos corredores do colégio e cumprimentava com um aceno e um grande sorriso as pessoas – Estão de óculos escuros em Londres!
- Eu já tirei o meu! – sorriu para uma menina que passava. Lembrava-se dela de algum lugar. Festa dos Millen? Talvez. Subiram as escadas juntos, enquanto juntava-se a eles.
- Do que falam, margaridas? – perguntou com seu humor normal.
- Do por que esses retardados usam óculos de sol aqui. – respondeu, fazendo um ‘jóinha’ para um garoto que fez o mesmo para ele. Devia conhecê-lo de algum lugar, mas só não lembrava onde.
- Eu uso porque estou com uma puta olheira. Não dormi quase nada. – respondeu indiferente, virando o corredor e sendo acompanhado pelos outros.
- Provavelmente não nos deixaram com os mesmos horários. – murmurou, enquanto iam em direção a lista de horários. Quando se iniciava uma turma, os alunos sempre tinham todos os horários juntos, para se conhecerem, mas com eles era um pouco diferente. – De novo.
- Só espero não ficar com muitos horários junto do Scotts, ou meu papel de simpático vai mudar um pouquinho... – disse e todos assentiram com a cabeça.
Analisaram a lista com certa calma, mesmo com o sinal já disparando e sorriram. Tinham, então, algumas aulas juntos. A única aula em que todos estavam juntos era educação física, e isso era um ponto positivo. teria sua primeira aula de estudos empresariais, teria de Inglês, teria de Francês e de História.
- É, só eu que me fodo. – suspirou. Estudar negócios era quase tão legal quanto escutar palestras sobre as drogas. – Primeiro dia de aula e olha a minha primeira aula...
- Ah, relaxa, depois é música! – disse empolgado. – E comigo!
- É, pelo menos isso. – música não seria exatamente a segunda aula, mas pelo menos a terceira. E com um amigo.
- Odeio história. – murmurou. – Mas adoro a senhora Gutenberg. – era casada e tinha 38 anos. Mas mantinha-se completamente em forma. E como mantinha.
- Vou indo que minha aula é no quinto andar. – revirou os olhos.
- Aproveita e fica por lá, porque laboratório de ciências é no sexto! – riu. – Margaridas? – todos o encaravam. Sabiam o que viria a seguir. Eles sempre se despediam assim. Era clássico.
- Sexo! – riu.
- Drogas! – continuou.
- E rock n’ roll! – completou e os quatro se dirigiram a suas respectivas salas.

teve sua primeira aula tranqüila, pois francês era seu forte e não ligava muito em prestar atenção. Dirigia-se agora para aula de geografia. ficou a aula inteira jogando indiretas para a professora, que se sentia constrangida, e os alunos apenas riam. Ele era bonito e tinha um sorriso lindo, o que podia fazer? Dirigiu-se então para sua aula de gramática, a qual também se dirigia. Teriam aquela aula juntos.
andava como uma tartaruga. Adorava ciências, mas odiava laboratório de ciências. As aulas eram sempre chatas e ele sempre ficava entediado demais, não participando das aulas. Agora ele teria que se esforçar ou não iria pra faculdade nenhuma. Precisava de boas notas para ser aceito. O pior era que sempre pegava uma garotinha idiota como dupla e se ferrava. Tinha que mudar esse quadro. Caminhou rapidamente para a aula, e, entrando no laboratório, notou que não tinha quase ninguém, nem ao menos o professor. Avistou algumas meninas e virou a cabeça, tentando procurar alguém que pudesse lhe ajudar antes que o chamassem. E então viu sua salvação.
Na segunda mesa, sem ninguém ao seu lado, ele avistou uma garota estranha que quase ninguém falava. E se lembrava de que ela tirava notas boas em laboratório. Ela não era nerd nem muito feia, apenas estranha. Sua reputação não cairia se falasse com ela, talvez até aumentasse alguns pontos, dando uma de bom moço. Quem sabe? Ele precisava dela e seu charme natural o faria conseguir.
Ouviu uma menina chamar seu nome e ignorou, fingindo não ter escutado. Foi em direção à menina com um sorriso de orelha a orelha, tirando o fôlego de todas as meninas presentes na sala.
- Olá – disse simplesmente, sentando-se na cadeira ao lado dela, que estava vazia. - Hm... Oi. – ela sorriu tímida ao perceber quem havia se sentado ao seu lado. O que ele estava fazendo ali? Por Deus!
- Eu sou o . Prazer – sorriu de um modo galanteador, mas inocente – propositalmente, é claro – e levantou a mão para cumprimentá-la.
- Eu sei... – ela disse com o rosto bem vermelho. – Eu sou a . . – apertou a mão dele e virou para frente, abrindo seu livro de biologia. – Ahn... , desculpe perguntar, mas o que está fazendo sentado aí? – perguntou, apontando para a cadeira que ele ocupava.
- Ah, é claro, esqueci desse detalhe! – disse, dando um tapa na própria testa e a menina pensou que ele fosse se levantar, mas não o fez. – Pode me chamar de e sou sua nova dupla de laboratório. – sorriu mais uma vez. Fingir toda aquela inocência e simpatia estava sendo legal, a garota estava se derretendo. Ele riu internamente com isso. Coitada!
- Mas minha dupla de laboratório é a Andy, ela só está atrasada. – disse revirando os olhos. – E ela não vai gostar nada de te ver sentado aí. – sorriu amigavelmente. Um sorriso bonito, ele pensou. – Só um alerta. – reparou também em seus olhos de um ocre profundo, que deixava seu rosto sereno. Não era a rainha da beleza, mas até que era bonitinha.
- Aposto que a convenço! – piscou e sorriu convencido para a garota, que apenas balançou a cabeça.
- E quem te disse que quero trocar de dupla? – viu o rosto do garoto ruborizar-se e mordeu o lábio inferior, gesto que não passou despercebido por ele – É que estou acostumada com ela e...
- ! – Andy gritou com um sorriso estampado no rosto. – Você não acredita com quem eu fiquei no fim de semana! – a garota sorria e ignorava a imagem de parada ao lado da amiga.
- Andy... – pigarreou e a amiga agora encarava , com um olhar completamente assustado.
? ? É você mesmo? – a garota parecia estática e soltou um risinho abafado com isso.
- Em carne e osso! – respondeu animado. – Quer tirar uma prova? – arqueou uma sobrancelha e depois começou a rir. – Prazer, Andy.
- Desculpe por ela, é que ela é meio... Louca. – Por você e todo seu bando, pensou em completar, mas achou melhor não.
- Não por isso. – riu divertido – Estou acostumado. – viu a garota bufar e virar os olhos, enquanto voltava atenção para o seu livro.
- Hei, Andy, podemos conversar? – perguntou para a menina que ainda o encarava. Ela assentiu. – Bom, é que eu achei sua amiga muito simpática. – ironizou. – E gostaria de fazer dupla com ela. – ele olhou de canto para a garota que prestava atenção ao livro com cara de poucos amigos. – Mas ela me informou que você ficaria muito triste com isso. – ele fez um biquinho e ouviu a garota do seu lado bufar novamente. Quis rir, mas não o fez. Inclinou-se mais sobre a cadeira, deu o sorriso mais sedutor que conseguiu e ficou frente a frente com a tal da Andy. – Você me permite roubar sua dupla esse ano? – e mordeu o próprio lábio inferior, em sinal de dúvida e medo. Céus, como era bom! Poderia fazer teatro. A garota quase desfaleceu de tão encantada que ficou e apenas murmurou palavras inteligíveis. sorriu e perguntou: - Posso considerar como um sim?
- P... Pode. Claro que pode! – Andy sorriu e ele voltou a se sentar. Andy era bonita, tinha belos olhos verdes e cabelos loiros. Ouviu falar daquela garota em algum lugar. Olhou para sua nova parceira de laboratório e ela olhava para frente. Acompanhou seu olhar e viu que o professor havia chegado. Andy já havia arrumado outra dupla e estava sentada numa mesa próxima a deles.

Sua parceira havia ficado de mau humor durante toda a aula e o professor havia achado engraçado fazendo dupla com . também estranhou os olhares que recebia dos colegas de turma. O que tinha de errado com isso, afinal?
- Até, . – ouviu a garota murmurar um ‘quem te deu essa intimidade’ e ignorou, terminando de guardar seu material.
- Tchau, . – respondeu seca, retirando-se da mesa, mas sentindo seu braço ser puxado com força de volta à cadeira. Incrível como aquele toque não lhe proporcionará dor e, sim, borboletas no estômago. Estranho.
- Ei, o que eu fiz pra você, ? – seu olhar demonstrava dúvida. – Fui bem legal, até. Por que todo esse mau humor? – arqueou uma sobrancelha.
- Não me fez nada. Só é um idiota e fica usando desse seu rostinho lindo pra conseguir o que quer. – viu sorrir e ficou vermelha imediatamente. Mania idiota de falar demais quando está nervosa!
- De vez em quando uso meu corpo também... – falou casualmente e a garota bufou. achou graça naquilo.
- Você é um caso perdido – a garota murmurou.
- Exatamente – respondeu sorrindo maroto. - Sou um caso perdido e é justamente aí que está toda a diversão. – seu tom de voz era rouco e só restavam eles dois na sala. A garota ficou estática e começou a gaguejar coisas sem lógica, então ouviu o garoto começar a rir alto.
- O que foi? – perguntou assustada.
- Além do meu rosto bonitinho e do meu corpo maravilhoso... – ele dizia enquanto ria – Minha voz rouca seduz qualquer um! – ele falava brincalhão e o semblante da garota fechou. Ela estava furiosa. Como ele podia ser tão idiota?
- Argh, você é repugnante! – ela respondeu entre dentes.
percebeu que aquele semblante furioso não combinava com ela, tão meiga, tão serena... Era até bom vê-la naquele estado. Ela ficava... Selvagem. Riu com os pensamentos.
- Se eu fosse tão repugnante, não teria caído nos meus encantos e aceitado fazer dupla comigo.
- Mas eu não aceitei! – retrucou com o rosto vermelho de raiva. Uma atitude infantil, que achou fofa.
- Nem se opôs. Então, tecnicamente, você aceitou. – riu vitorioso vendo a garota se levantar, pegando os livros para sair da sala. Deu a volta na mesa e, antes que a garota saísse pela porta, sussurrou em seu ouvido: - E tenho certeza que não me achou repugnante, . – saiu da sala, deixando uma completamente perdida e com o estômago embrulhado. Iria sair correndo, se Andy não tivesse a encontrado e a puxado para a aula seguinte, começando a contar como tinha sido o último fim de semana antes da volta às aulas.

Capítulo 3
Well, nobody is perfect.


Notas do capítulo: ¹ - SAT, Scholastic Aptitude Test, é um termo utilizado para os testes aos quais os alunos que terminam o ensino médio são submetidos para as universidades avaliarem seu grau de aptidão. É mais utilizado nos Estados Unidos.
² - UK Clinical Aptitude Test – UKCAT, BioMedical Admissions Test – BMAT e Graduate Medical School Admissions Test – GAMSAT são testes feitos pelas universidades britânicas para alunos que querem entrar na área de medicina (varia de universidade).


Após as três aulas, os garotos se encontraram no refeitório. Sua mesa central, como de costume, os aguardava. Sorrisos estampados nos rostos, enquanto conversavam e riam de alguma coisa que falava. Todos os admiravam, mesmo que secretamente. E algumas pessoas, mesmo que os admirando, nunca admitiram tal fato.
- Juro pra você, ! – Andy falava, empolgada, enquanto apenas assentia e fazia comentários quando achava necessário. Era algo sobre ter ido à festa do Bryan Scotts e ter pegado o . – Eu dormi na casa dele e, pra voltar pra casa, ele foi todo fofo! Me pagou um táxi e tudo... – não entendia essa mania da amiga de dormir com tantos caras. Mas com era diferente, era da turma dos populares. Andy nunca pareceu tão empolgada. – Ai, amiga! Ele foi incrível e, mesmo eu achando o mais gato, ele tem muita pegada e...
- Me poupe dos detalhes sórdidos, Andy! – interrompeu a amiga, antes que contasse todos os detalhes da maravilhosa noite com . – Ele ao menos estava sóbrio? – viu a amiga soltar um risinho esganiçado.
- Não... Nem um pouco – mordeu o próprio inferior e depois suspirou. – Mas tudo bem. – antes que pudesse completar, ouviram um grito da mesa central: "Não, você não fez isso!". Era , elas notaram, e, como todas as outras pessoas, se perguntaram o que havia feito para deixar e os meninos naquele estado. tinha uma pequena noção. Sentiu seu estômago embrulhar e um gosto amargo na garganta. Respirou fundo. Aquilo de novo não, pensou.
- Calma, – Andy reparou no estado da amiga e, no mesmo instante, sabia o motivo de tal preocupação.
Ficava preocupada quando , sua melhor amiga desde os dez anos – não exatamente melhor desde os dez, mas ainda sim amiga -, ficava naquele estado; sabia o motivo e tentava a ajudar de todas as formas, mas nada parecia melhorar. Maldita escola, malditos alunos fofoqueiros e maldito Connor. Ainda bem que ele havia saído da escola, ou Andy não saberia o que fazer com ele. Ela o enforcaria, caso fosse preciso. E ainda o cortaria em milhões de pedaços. Aquilo tinha que ter acabado. As pessoas tinham que ter esquecido. Mas não, Andy sabia que a Wetherby nunca esqueceria. As fofocas eram assim... Nunca seriam esquecidas, apenas abafadas até alguma maior surgir. E fora exatamente isso que acontecera com sua amiga. Ela foi abafada há alguns anos. Mas mesmo assim todos – até mesmo os alunos novos – tinham que saber daquela história. Daquela maldita história, como Andy pensava.
- Não me peça calma, Angelic. Eu estou em um ótimo estado – riu, sarcástica. Seu rosto estava sereno, não parecia demonstrar nenhuma reação. Será que ele realmente estava falando daquilo ou era imaginação dela? Porque havia sido há tantos anos...
E ao mesmo tempo parecia que havia sido ontem. Ontem mesmo. O coração das duas garotas havia apertado.
- Não me chame de Angelic nem no meu enterro, ouviu bem? – Andy falou entre os dentes. Ela odiava esse nome. Odiava tê-lo. E odiava mais ainda lembrar-se de quando as pessoas só a chamavam por esse nome. Era horrível como esse nome soava no sotaque britânico. Puramente horrível. – E acalme-se, sim, ! Até parece que eles estavam falando de... – interrompeu-se no mesmo instante. Não queria ter que falar aquilo. Não queria ter que lembrar a amiga de tal ocorrido.
- Antes, era só uma suspeita – disse, mordendo o lábio inferior, numa atitude completamente meiga -, mas agora tenho quase certeza de que eles estavam falando de mim. Obrigada, Andy. – arrependeu-se no mesmo instante por isso, mas não precisou dizer nada. Andy sorriu e apertou sua mão, mudando completamente de assunto. Era assim que sentia-se bem. Apesar de não prestar atenção nem na metade das frases ditas por Andy, ela se sentia melhor assim. Desprendia-se de outros assuntos só pra tentar abafar o som da voz de Andy, que – na maioria das vezes – era completamente irritante. E ainda sim lindo. Sua amiga era tão linda, parecia tanto com uma princesa de algum conto, que não conseguia ser exatamente irritante. Só um pouquinho. E era assim que Andy fazia se esquecer completamente de tudo, fazendo-a viajar em pensamentos idiotas e sem fundamento. Era assim que a amizade delas se fortalecia.

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- Ah, eu tinha esquecido – murmurou. Realmente havia esquecido. – Como eu iria me lembrar de algo que aconteceu há tanto tempo?
- Cara, você simplesmente não pode ter esquecido! – respondeu ainda rindo um pouco.
- Ela... Ela... Argh! Eu tenho n...
- Ótimo, vamos mudar de assunto, né? Já chega. – cortou antes que ele continuasse. Não entendeu porque aquilo o incomodou.
- Olha só, minhas margaridas! – disse um pouco alto demais. – Parece que nossa margarida aqui... – disse apontando para . – sentiu novos aromas! Apenas os quatro entendiam o aquilo significava, mas mesmo assim despertou a atenção de muitas pessoas no recinto. Até mesmo a de Bryan Scotts.
- Vai comer alguém, . – deu uma olhada pelo lugar: todos pareciam disfarçar, mas concentravam a atenção no assunto daquela mesa. Droga, droga, droga! Esses veados filhos de uma... Seu pensamento foi interrompido por uma menina que se levantava da mesa quase correndo. E uma amiga a seguindo. e Andy. Não entendeu, mas logo após uma luz pareceu iluminar sua mente. E a de também.
- Opa, parece que usei o jogo de palavras errado. – fingiu inocência e riu.
- Sentir novos aromas... – deixou a frase no ar, gargalhando em seguida. Uma gargalhada alta, que chamou a atenção de todos mais uma vez. queria ir se desculpar, mas não o faria. Simplesmente não podia. Apesar de não ligar, ele sabia que seria uma decisão terrível. Não poderia dar esse gostinho a ninguém. Seus amigos agora riam escandalosamente, associando as palavras usadas e a reação da menina. Foi fofa, até. Ela era meiga demais. se pegou com um sorriso bem grande no rosto, e agradeceu por todos pensarem que estava rindo da menina, e não pela menina. E riu mais ainda, porque mesmo sendo horrível, aquele jogo de palavras tinha sido demais. A garota deveria estar em choque. E isso era o mais engraçado... gargalhava e zoava entre linhas, para que ninguém do refeitório entendesse, apesar de suspeitarem. E eles riam cada vez mais alto.
, em algum momento, havia voltado para o refeitório. E escutou bem alto e claro rir. Rir e zombar dela. Definitivamente era dela que eles estavam falando. Sentiu uma dor na ponta do estômago. Ela realmente não gostava daquele garoto. Não era ódio, era apenas o sentimento que nutria por todos daquela escola. E um pouco de desapontamento.
É, ninguém havia esquecido. E seria assim até o fim do ensino médio. Quem sabe a lembrassem desse fato nos encontros daqui a alguns anos e ela tivesse de explicar ao marido o porquê de tudo aquilo. Sim, isso deixaria marcas. Andy estava bem atrás dela. Ninguém as via. Andy segurou em no ombro da amiga e a tirou de lá. precisava de um tempo. E Andy de espaço para não explodir aquilo tudo. Eles não tinham o direito de fazer aquilo! Eles nem ao menos sabiam da verdade!
Com passou firmes, Andy puxou para fora dali.

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Depois de uma longa jornada na escola, havia chegado em casa. Cumprimentou a mãe com um sorriso meigo e subiu as escadas, indo diretamente ao seu quarto. Ligou a televisão e colocou o DVD Austrália, com um de seus atores preferidos, Hugh Jackman. Precisava espairecer, esquecer do que tinha acontecido; nada de uma noite agitada por muito estudo. Mas uma pequena chama de incerteza faiscava em sua mente; aquilo não acabaria tão cedo. Ela só não sabia explicar o quê exatamente não acabaria. E uma leve onda de ansiedade tomou conta de seu corpo. Precisava de um sorvete, e foi exatamente isso que foi fazer. Foi tomar um banho e se dirigir à sorveteria.

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ainda vagueava com seu carro pelas ruas da cidade. Não tinha um destino certo, apenas não queria voltar para casa. Foram liberados mais cedo, depois de mais algumas palestras; tiveram poucas aulas, apenas para os alunos novos acompanharem o ritmo da escola. Colocou um CD qualquer para tocar, apenas para não ficar no silêncio total do fim de tarde. Após deixar em casa, começou a vaguear, e estava assim por cerca de uma hora. Às vezes sentir a brisa era algo que o agradava.
Sentia falta de seus pais constantemente, e isso era irreversível. Sua mãe era algo que realmente o machucava; sentia falta de seus conselhos, de seu abraço, de seu sorriso materno que tanto o acalmava. Sentia falta das broncas que levava e até mesmo da TPM que sua mãe parecia constantemente sofrer. Seu pai era um pouco mais discreto, mas mesmo assim demonstrava um grande amor por ele. Sempre o aconselhava e o fazia escolher seus próprios caminhos, ajudando-o quando era necessário. Agora ele estava lá, sozinho e desamparado pelos pais. Poderia ter ido com eles, é claro, mas não. Tudo que pertencia a ele estava ali e, por enquanto, era ali que ele pertencia. Sentiu um nó na garganta e sua respiração falhar. Às vezes, sua vontade era de ir correndo atrás deles e ficar lá, junto, na proteção e carinho dos pais. Mas sabia que não seria assim para sempre, que tudo mudaria, que tudo ficaria pior quando fosse para a faculdade. Mesmo negando, sabia que deveria ir para alguma faculdade. Não decepcionaria seus pais a esse ponto. E, secretamente, estudava para o SAT¹, que aconteceria no final do ano. Estudava também para o UKCAT, BMAT e GAMSAT². Mesmo que não quisesse confessar, gostaria de fazer medicina em alguma universidade e, por isso, estudava para todos esses testes – mesmo que não se dedicasse o tanto quanto muitos alunos faziam. Cambridge ou Oxford seria um sonho, na verdade. Quem sabe? Respirou fundo mais uma vez, tirando toda a vontade de chorar de sua garganta. Olhou pela janela do carro e notou a menina do laboratório de biologia se dirigindo à sorveteria. Sorriu ao ver o semblante despreocupado e sereno da menina.
Um sorvete não lhe faria mal, certo?

Capítulo betado por Sofia Queirós


Capítulo 4
- Quem és tu? perguntou o principezinho.
Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.
Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer cativar?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.
Significa criar laços...
(...)


Ela -


- Um petit gâteau com duas bolas sorvete de creme, por favor – sorri para o vendedor e ele retribuiu. Paguei pelo meu pedido e fui para mesa verde – adorava essa cor -, esperando que o atendente o trouxesse.
As mesas da sorveteria eram coloridas e meio transparentes. Difícil de explicar. O balcão parecia uma enorme taça de sorvete e, para ficar reta, parecia que alguém havia comido sorvete até a borda da taça, deixando uma camada ali. Apesar de a mais famosa do bairro, a sorveteria estava vazia, pois era inverno. Felizmente o sol resolveu fazer um agrado e apareceu de leve no cinza do céu, derretendo uma fina camada de neve das ruas. Aquele tanto de frio me deixava vermelha e com o rosto corado, o que era até engraçado. O atendente trouxe meu pedido e agradeci com outro sorriso. Eu realmente queria voltar para casa; o aquecedor de lojas era bem fraco. Apesar do leve sol, o frio era de bater os dentes. Em casa, também, poderia continuar estudando para o SAT. Esse pensamento me fez lembrar o quanto eu estava estudando para faculdade e o quanto eu estava ficando maluca. Estudava desde o início do ensino médio sempre que chegava a minha casa, e só parava a noite. Esse ano estava um pouco mais relaxada, tentando não ficar paranóica – como minha mãe dizia que eu estava. Nada como tomar um sorvete para relaxar, não é? Ao pensar nisso, lembrei-me de Andy – poderia tê-la chamado para vir comigo à sorveteria, mas não o fiz. Bom, a companhia de comida é sempre bem vinda. Olhei para o petit gâteau e depois para a colher.
Sorri sem ao menos perceber.

Narração em Terceira Pessoa -


A menina ia comer o primeiro pedaço de seu sorvete, quando ouviu uma risada baixa. Levantou seu olhar e viu parado a sua frente com um sorriso fofo nos lábios. encarou a menina com certa fascinação. Como ela pode ser tão meiga?, pensou.
- Ahn, oi? – disse, meio sem saber o que fazer.
- Olá – ele respondeu e se sentou no banco à frente de . A menina não entendeu o porquê de o menino estar ali e muito menos o porquê de ele falar com ela. Bom, não importava a ela. Esperou que falasse mais alguma coisa, mas ele não o fez, então a menina deu de ombros e pegou uma colher bem cheia de sorvete e colocou na boca. percebeu o movimento dos ombros e a quantidade de sorvete que a menina colocou na boca. Meiga. Fofa. Essas palavras pareciam brincar na mente de .
- Não está um pouco frio para tomar sorvete, ? – sentiu uma leve agitação no estômago ao ouvir o apelido dela sair da boca dele. Será que é assim que ele conquista todas as meninas? Céus, como ele é lindo! E eu, uma idiota., pensou .
- Sei lá, gosto de tomar coisas geladas – respondeu dando de ombros e pegando outra colher de sorvete. Só então percebeu a quão mal educada estava sendo. – Desculpe, aceita? – ofereceu uma colher cheia de sorvete e um pedaço de petit gâteau para .
- Não, tudo bem, vou pedir um milk-shake sorriu para a menina e se dirigiu ao caixa, fazendo seu pedido e voltando em seguida.
- O que você pediu? – não conseguiu esconder sua curiosidade e sorriu sem graça logo após. – Ops... Desculpe! – mordeu o lábio, demonstrando um semblante constrangido e delicado. abriu um sorriso largo antes de responder:
- Um milk-shake de ovo maltine grande – respondeu ainda sorrindo. – Vejo que gosta bastante de sorvete.
- É, eu gosto de tudo que engorda – fez um semblante pensativo e logo após deu um sorriso sapeca. – Gosto ainda mais de chocolate! Eu simplesmente sou louca por chocolate. – seu sorriso aumentou e o olhar brilhou.
- Percebi... – sorriu e fez uma falsa cara de assustado. Ele suspirou, apoiando os cotovelos na mesa e apoiando a cabeça nas mãos.
- O que foi, ? – tomou mais um pouco de seu sorvete e arqueou uma sobrancelha; a da direita, como notou.
- Como assim? – fingiu inocência, tentando desviar do assunto.
- Eu sou legal de vez em quando, fico na minha e não reclamo muito, mas não sou tão otária assim, sabe? Percebo quando tem algo no ar. – ela tomou tempo e a encarava perplexo. E, mesmo assim, achava-a fofa. – Você veio pra sorveteria, ainda está de uniforme, sentou aqui, está falando sobre coisas idiotas comigo. – respirou novamente e prosseguiu: - E ainda deu um suspiro como se estivesse falando ‘preciso de alguém para conversar, socorro!’. – ela sorriu de uma maneira fofa. – Vamos lá, pode começar.
- Nossa! – ele riu com um semblante de estranheza. – Você é bem direta, não? – sorriu novamente. – Não se importa de escutar o desabafo de um cara muito babaca que te irritou ao extremo na aula de biologia hoje?
- Nada pra fazer e um petit gâteau pra comer. Pode mandar! – sorriu de verdade e viu o atendente entregar o milk-shake de . Um cara lindo tomando milk-shake. Ótimo. Eu não queria babar mesmo., pensou e se repreendeu.
- Tudo bem, então vamos lá do início... – suspirou e virou os olhos de maneira fingida, só para tirar um sorrido de .
- Tá – disse simplesmente, focando seu olhar em , como se estivesse assistindo a uma palestra completamente interessada. Mas continuando a se saborear com seu prato. De sorvete. sorriu ao ver a menina, tão despreocupada, tão calma... Nem parecia a menina irritada que estava na aula de biologia. Bom, se ela não ligava, por que ele iria ligar, certo?
- Como você sabe, meus pais não moram comigo. Ou eu não moro com eles, tanto faz – deu de ombros, não ligando muito para esse detalhe. – Meu pai teve que tomar conta da filial dele em Paris, porque estava com uns problemas e ele não confiava em ninguém lá pra resolver isso. A sede agora é lá, já que por aqui ele confia em muita gente e eles podem dar uma olhada pra ele... – suspirou e olhou para a garota a sua frente. Ela assistia ao discurso de e parecia estar bem interessada no assunto. Ele precisava desabafar, e ela parecia uma ótima ouvinte. Precisava tirar aquele peso das costas.
- Eu simplesmente não podia deixar minha vida, meus amigos... Tudo, sabe? Eu já sou grande o suficiente pra saber o que eu quero, e eu realmente quero ficar aqui. Aqui é o meu lugar. Eu sou feliz aqui. – suspirou profundamente.
- Você realmente está feliz aqui? – perguntou afável e compreensiva.
- Sim, eu estou. É só que... – ele parou o pensamento e fechou os olhos com força, os abrindo em seguida.
- É só que faz falta, não é? É só que você não se sente capaz o suficiente de mostrar a eles como você se vira sozinho e que você é capaz de se manter, de se cuidar... De simplesmente crescer... – ela não perguntava mais, afirmava.
- É... É praticamente isso. Mas... Como? – ele não precisou terminar, havia entendido.
- É exatamente assim comigo. Meus pais moram comigo, o que ameniza um pouco, mas mesmo assim é... Estranho. Saber que daqui a um ano eu estarei na faculdade, que eu estarei estudando para o meu futuro... Que eu estarei... Sem meus pais. Você deve estar vivendo isso em dobro... E, sinceramente, só tenho a dizer que você está se saindo relativamente bem.
- Relativamente? Como assim? – tomou um pouco de seu milk-shake e olhou atento para a menina.
- Porque aposto que você fica se metendo nessas festas e agindo feito um louco pra tentar ser mais forte... – ela parou de falar assim que percebeu que estava falando besteira. Não era para ser tão direta! Mas, infelizmente, já havia feito a burrada.
- Ei, calma aí, tá? – a encarou sério. – Eu gosto de festas mesmo, aprendi com meu pai! – retrucou em uma atitude infantil – Mas tá, eu meio que faço isso pra esquecer... Fugir... – ele disse pesarosamente.
- Fugir de quê, ? Você não precisa fugir. – ela sorriu meigamente. – Pra mim, pelo menos, você já provou ser bem forte. E um pouquinho metido... – sorriu alegre e ela foi acompanhada por .
- Obrigado, . De verdade. – sorriu em resposta.
- Tem mais alguma coisa que você queira me contar? – ela perguntou de modo cauteloso. – Desculpe se estou me intrometendo demais. – sorriu sem graça.
- Não, claro que não... É que eu fico preocupado demais com o futuro. Com a faculdade... Tenho que estudar. – ele respirou fundo. Apesar de ter confiança naquela menina – mesmo não sabendo por que -, não falaria tudo. Pelo menos não agora.
- Nem me fale... Estou estudando desde o começo do ensino médio... Eu simplesmente não aguento mais tanta matéria! – bufou zangada, mas de um modo angelical. – Hoje eu deveria estar estudando, mas resolvi relaxar um pouco. – suspirou e depois abriu um sorriso. – Enfim... Por que você está preocupado com isso, ? – perguntou sem muito interesse, afinal, ele era o filho de um dos homens mais poderosos de Londres. Ou, pelo menos, ela acreditava que sim.
- É que... – ele pensou em entregar todas suas frustrações à menina, mas ela não merecia ficar ouvindo reclamações e mais reclamações por parte dele. Ele achou que era ora de esquecer esse assunto. Esquecer de problemas. – Ah, deixa pra lá. Já falei demais e você... Bom, você não disse quase nada. Que tal falarmos sobre você? – ele perguntou sorrindo. Um sorriso carismático, como pode notar.
- Só costumo falar de mim quando conheço a pessoa. – ela sorriu de um modo cínico. pode perceber que aquele sorriso não combinava com ela e, pode notar também, que por trás dele havia uma pequena sombra de dor. Antes que pudesse perguntar qualquer coisa, terminou: - E depois de hoje, no refeitório, eu realmente não confio em você. – seu sorriso ficou triste e ficou completamente sem ação. Ele não esperava que a menina dissesse aquilo a ele, muito menos daquela forma.
- Eu... Eu... – ele tentou dizer algo, mas nada saía. Não tinha absolutamente nada a dizer.
- Não se preocupe, ... Não é como se eu te odiasse, é só... Falta de confiança. Mas, se realmente vamos ser amigos um dia, ela vai surgir. Alguma hora ela vai surgir. – ao terminar de falar, se levantou e se dirigiu para fora da sorveteria, sentindo o frio bater em seu nariz e uma lágrima gelada e salgada escorrer e se desmanchar em seu sorriso triste. É, aquele não tinha sido um dia para sorvetes.
E muito menos para sorrisos.

(...)
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.
E eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens necessidade de mim.
Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...

O Pequeno Príncipe


CONTINUA...


Nota da autora: Queria me desculpar pela demora pra enviar, mas juro que achei que tinha enviado! Tanto que tá salvo aqui com a N/A antiga e tudo! Mas não se preocupem, quando estiverem lendo essa N/A, já estarei enviando os próximos capítulos, ok? Obrigada pelo carinho, suas lindas. É muito importante pra mim! :)

N/A de meses atrás...

AAAAAAAAAAAAAAH, ORBIGADA, SUAS FOFAS! Juro que quase tive um treco aqui. Vocês são muito lindas e eu casaria com todas vocês, se eu pudesse, é claro. HUAUHAUHUHAUHA Quero mordê-las. Nhac <3
Awn, gente. Nem sei o que falar, juro mesmo. Tô emocionada :( Incentivo total agora, sabiam? Agora, leram esse capítulo? Que fofo? O Pequeno Príncipe é lindo, sou fã, e tem muita lição. E serviu direitinho na fiction, ahhh. Sério, tô muito emo com esse bando de comentários lindos. Eu postei aqui no FFOBBS e no ffadd, e, sério, a quantidade de comentários que apareceu... Ah, me muerro! HUAUHAUHUHAUHA. Aqui no ffobbs tá meio devagar, mas quem quiser ler alguns capítulos a mais, é só ir no addiction *merchandising*.
Por favor, comentem. Não vai cair o dedo, e isso me faz muiiiiiiiiiiiiiiito feliz! Ah, se quiserem indicar pra amiga, prima, papagaio, fulaninha... Não ligo, juro! Então, se você lê, comenta!
Thaat, VOCÊ É DEMAIS! Mas o Danny é meu, que fique claro aqui.
Um abraço bem apertado em vocês,
xx Jess Giachini



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