escrita por: Má G. || betada por: Lê Assis


Hospital Professor Dalton.


Sala de emergência, ala A. 12h35min

O Alarme da emergência tocou e os médicos se entreolharam respirando fundo. Rapidamente arrumaram um espaço na sala de emergência e dois dos estagiários abriram as portas, esperando os ambulatórios chegarem com a maca e o paciente.
- Doutora, acabou seu turno. O senhor vai entrar agora. – disse a enfermeira com o avental verde e os cabelos presos. A doutora pegou as luvas e colocou-as rapidamente.
- Mande o esperar Rita, eu tenho que cuidar disso. – ela disse prendendo os cabelos e vendo a maca entrar com um homem de aparentemente trinta anos, inconsciente e com um tiro na barriga.
- ! – gritou para o estagiário. – Me pega 250mg de sedativo e peça pra que a Dra. venha aqui! - disse apressadamente, o menino acenou e saiu correndo da sala de emergência, vendo alguns pacientes do lado de fora. A doutora olhou a perfuração enquanto enfermeiros e estagiários faziam uma roda em volta do homem.
- Ok – disse baixo, levantando o olhar para as pessoas ali. –, temos uma perfuração não-artificial, a bala parou a três milímetros da artéria. Precisamos repor o sangue, ele está perdendo muito. – observou enquanto algumas pessoas assentiam e outras se mexiam para obedecer à suas ordens. Ela pegou uma lâmina e fez um corte da perfuração até uns dez centímetros em direção ao quadril do rapaz. O barulho dos batimentos cardíacos na máquina era irritante e a doutora cuidadosamente abriu o corte pra avistar melhor a bala.
- Ok, tenho visão clara da bala. Onde diabos está a doutora ? – gritou, ficando mais irritada e outra estagiária saiu para chamar a doutora. Ela pegou mais um dos objetos e prendeu a bala cuidadosamente com a pinça médica.
- Ok, vamos lá. – disse puxando bem devagar para não causar danos. Aos poucos a bala foi saindo e quando a doutora finalmente a tirou, se afastou e os estagiários fizeram o resto. Ela bufou e colocou a bala num pote de metal, indo em direção a pia e tirando as luvas, lavando as mãos logo em seguida. Uma médica entrou com um pouco de pressa e olhou para a doutora.
- O que foi? – perguntou aflita, observando o paciente enquanto eles repunham o sangue e saturavam seu ferimento.
- Onde você estava? Eu tava precisando de você aqui, sabe como sou com esses casos. – disse um pouco alterada.
- Desculpe, eu tava em horário de almoço e o ... Ah, você está no turno do . – a Dra disse sorrindo de lado, enquanto a outra revirava os olhos.
- Escuta, estou indo, volto pro meu turno da noite, qualquer coisa é só chamar no bip. – a Dra disse saindo da sala de emergência e avistando o Dr. . Ela revirou os olhos, prevendo o que teria que ouvir.
- Escuta, qual parte do "acabou seu turno" você não entende? Hã? Esse caso era meu. – ele disse fazendo-a parar de andar, enquanto parava na frente dela e apontava para o próprio peito. – ele cerrou os dentes enquanto ela apenas cruzava os braços e sorria irônica.
- Você chegou atrasado, meu bem, e, ah, o caso foi sucedido. - deu de ombros.
- Escuta aqui – ele disse se aproximando dela vigorosamente e apontando o dedo em sua cara. –, você só está aqui há um mês, isso não significa que é tão queridinha quanto era em Oxford, entendeu? – ameaçou e ela ficou séria e muda. Ele sorriu vitorioso e caminhou de costas até a porta da emergência.
- Bem vinda a Dalton, . – ele disse um pouco mais alto, fazendo os pacientes que estavam na espera olharem pra ele. bufou e saiu andando, batendo as portas de trava com força, ela foi até a recepção e parou pra retirar sua ficha.
- Boa tarde, Doutora – disse Cloe, a recepcionista.
- Má tarde, Cloe. – ela sorriu derrotada, observando quantos pacientes ainda restava para a ala A do hospital. Existiam duas alas, a A e a B. Os Doutores e estagiários de uma ala não tinham acesso à segunda e o único lugar que era possível avistar os da ala B era a recepção. observou as fichas e bocejou cansada. Um médico da ala B parou ao seu lado e pegou sua ficha e, igualmente cansado, a assinou. Em seu crachá estava escrito "Pediatria" e lembrou-se que em sua ala não existia pediatria. Ela terminou de assinar a ficha e olhou em direção aos bancos, onde alguns pacientes esperavam. No fundo um pouco à direta, no lado mais escuro, avistou um homem com uma roupa extremamente fora da época e um olhar estranho. parou no meio do corredor de frente para a saída e observou o homem, seu terno escuro e seu chapéu igualmente escuro, sua pele pálida e suas olheiras perfeitamente torneadas. Ela deu um passo se aproximando e ele levantou o olhar pra ela devagar, a fazendo ficar um pouco assustada. Sentiu alguém esbarrar nela e viu que era o pediatra da ala B. - Ai, desculpe! – ele disse pegando a bolsa de do chão. - Não tem problema, eu que peço perdão. – ela olhou novamente para o local onde o homem estava e nada viu. Sentiu um arrepio percorrer a espinha e sorriu para o médico, saindo logo em seguida. Ver sangue todo dia não estava fazendo bem, agora ela estava até vendo coisas. Ou... Talvez não.

Pediatria, ala B 12h35min

- Ok, agora abra a boca. – disse o médico à pequena menina com câncer sentada na maca. Ela usava um pijama branco com elefantes azuis e seu sorriso mostrava os dentes que iriam nascer em breve. Ele ligou a lanterninha e observou o interior da boca da menina. – Aparentemente, tá tudo certo aqui, baixinha, só esse bafo de leão que não. – brincou enquanto abanava em frente ao seu nariz. A garota deu uma risadinha e ele pegou-a no colo, colocando-a no chão.
- Agora vamos voltar ao seu dormitório e ver se você come alguma coisa, me disseram que você não comeu ontem à noite, é verdade? – ele fez cara de bravo e ela ficou séria.
- Não senti vontade, dei tudo pro Richard. – disse com a voz fina, coçando a cabeça careca por culpa da quimioterapia. O Doutor franziu a testa e respirou fundo.
- Katlin, já disse que é legal que você tenha um amigo imaginário, mas na hora de comer essa brincadeira não é legal. – agachou, ficando da sua altura e passando a mão em seu ombro. O avental branco encostava-se ao chão, ela olhou pra baixo e depois olhou pra ele novamente.
- Ele não é meu amigo imaginário, é real. – disse ainda séria. O doutor levantou sorrindo de lado derrotado e levou-a até seu dormitório. Ela deu um beijo na bochecha dele fazendo-o corar e correu pulando em sua cama. Ele ia embora quando se lembrou do relatório que teria que entregar para a recepcionista. Avistou um de seus companheiros e acenou entrando em sua sala e pegando os relatórios. Caminhou lentamente no corredor e quando passou pelo de Katlin escutou-a conversando com alguém. A porta estava levemente fechada e ele se aproximou.
- Eles acham que você não existe, Richard. – disse tristonha e o Doutor fechou os olhos sentindo-se mal.
Ele ia se afastar quando escutou uma segunda voz grossa.
- Não tem problema, Katlin, eu sou seu amigo, vou te tirar daqui, é só você pedir. – escutou a voz dizendo, arregalou os olhos e empurrou a porta com brutalidade, fazendo a menina, que estava sentada de costas na beirada da cama, virar a cabeça olhando para a porta. Não havia ninguém com ela.
- Quem estava aqui, Katlin? – perguntou olhando o banheiro e atrás das cortinas.
- O Richard, mas ele foi embora. – respondeu sentando agora no centro da cama de pernas cruzadas, olhando para seu médico.
- Escuta Kate, quando esse Richard aparecer novamente você chama a enfermeira, está bem? – ele perguntou e Katlin franziu a testa emburrada, deitando em sua cama com a mesma feição.
- Ele vai me tirar daqui, eu quero que ele me tire daqui. – disse e o doutor olhou mais uma vez em volta pra checar se não havia ninguém. Saiu às pressas do quarto e entrou no elevador vazio. Assim que as portas iam fechando olhou no espelho e pôde ver o reflexo de um homem de cabelos castanhos e pretos, sua pele era pálida e sua barba mal feita. Ele olhava para o Doutor pelo espelho do outro lado da porta de metal que ia se fechando e o Doutor virou bruscamente, tarde demais, pois as portas já haviam fechado. Respirou fundo novamente, se recuperando do susto e aguardou. Saiu do elevador e andou até a recepção um pouco cansado, pegou sua ficha e entregou os relatórios para a recepcionista, logo em seguida virou-se andando de cabeça baixa, imaginando os olhos daquele cara e esbarrou em uma doutora da outra ala.
- Ai, desculpe! – ele disse pegando a ficha da mulher que havia derrubado.
- Não tem problema, eu que peço perdão. – ela olhou para o canto da sala de espera que estava vazio e franziu a testa, depois olhou para ele novamente e sorriu saindo do hospital, ele fez o mesmo, pegando o lado oposto e sendo cumprimentado por mais dois colegas que chegavam.
- Oi, ! – a menina sorriu com o avental verde na mão, ao lado dela estava um médico da ala de emergência. – Como foi com a Katlin hoje? – ela perguntou parando um pouco. estava um pouco fora de si, mas respondeu.
- Escuta, fale com o pra ver se ela não está com algum caso de esquizofrenia, está bem? – disse andando de costas e a menina assentiu franzindo a testa. Ele entrou no carro e saiu do estacionamento do hospital com um pouco de pressa.

Psicanálise, ala A. 13h05min.

- O caso é interessante – o paciente falou observando um palito de dente em cima da mesa branca, ele era calvo e usava óculos. –, temos que encontrar as pistas e descobrir quem cometeu o assassinato. – agachou e ficou na altura da mesa, ainda observando o palito.
- Senhor Clark – a médica chamou e ele levantou o olhar pra ela. –, o que é isto na sua frente? – perguntou educada.
Ele bufou impaciente e respondeu indicando o palito. Abriu a boca pra falar, mas nada saiu, depois bufou novamente e olhou para o lado da médica, ficando com o olhar estável e amedrontado.
- Guerra, guerra, as bombas, quantos soldados, meus Deus, ajude-os! – ele começou a gritar levantando e encostando as mãos na parede. Atrás daquela parede era a ala C, que estava fechada há muitos anos.
- Senhor Clark, senhor Clark! – a médica levantou segurando-o pelos pulsos, tentando o acalmar.
- Eu escuto os gritos, dor, eles estão sentindo dor! – ele tampou os ouvidos, a médica apertou o alarme para chamar os seguranças.
- Madeline, onde está Richard? – ele disse de olhos fechados mexendo a cabeça pro lado freneticamente, mudando o tom de voz para bem calmo. – Fa... Fazend... O seu... Tra... Tra... Balho. – começou a gaguejar e a médica olhava assustada para o paciente que tinha há tanto tempo, nunca o tinha visto agir daquela forma. Ele caiu no chão com os olhos virados pra cima e começou a ter uma convulsão. A médica apertou o botão freneticamente e gritou.
- Alguém ajuda! – logo dois enfermeiros entraram e examinaram rapidamente o homem, um deles pegou uma maca do lado de fora e ajeitou o Senhor Clark em cima dela levantando e levando ele rapidamente para a emergência. A médica encostou-se na mesa branca com a mão no peito, ela respirou fundo e olhou a hora, o próximo paciente chegaria a qualquer instante. Desencostou-se da mesa e olhou em direção a parede, ficou assim por uns minutos, então caminhou lentamente e colocou a mão nela, aproximando a orelha devagar e quando encostou pôde escutar gritos abafados. Ela deixou a boca entreaberta e arregalou os olhos, eram gritos de dor e de perca, os gritos foram aumentando e ficando mais nítidos, mas era impossível, a ala C estava fechada. Ela aprofundou a orelha para tentar escutar mais claro.
- Achem Richard Gray e prendam-no. – ouviu uma voz grossa e autoritária falar, seus pêlos se arrepiaram e ela sentiu muito medo.
- Madeline, Audrey, o que estão fazendo? – alguém perguntou distante. – Ah, meu deus! – um grito soou lá dentro. – Alguém ajude! – a doutora permaneceu de olhos arregalados e com a mão na boca. Era impossível aquilo, só poderia estar escutando coisas, estaria se envolvendo demais com o caso do Senhor Clark, estava fantasiando.
- Doutora , é sua vez. – ouviu uma voz grave muito perto de seu ouvido e logo após um back pode ser escutado. Ela se afastou vigorosamente da parede e os backes continuaram como se alguém estivesse dando murros na parede do outro lado. Encostou-se ao batente da porta de seu consultório e manteve os olhos arregalados observando a parede. Sentiu uma mão fria segurar em seu braço e gritou de susto, se afastando e olhando em direção onde tinha sentido a mão.
- Calma, calma, eu só vim avisar que seu paciente está bem, Dra. . – o menino de avental verde levantou as mãos na altura do peito e sorriu de lado. Ela colocou a mão no peito e respirou fundo.
- Você me assustou. – disse ainda sem ar.
Ele sorriu e colocou as mãos no bolso, observando o consultório.
- Trabalhar com esses pacientes deve dar medo mesmo. – ele disse adentrando ainda mais o consultório. A doutora levantou o olhar para a parede onde escutava os backs e nada ouviu. Olhou para o rapaz e ele olhou pra ela mudo.
- Qual seu nome? – perguntou ainda assustada e séria.
- , . – ele estendeu a mão para ela que pegou e chacoalhou.
- , você me faz um favor? Encoste o ouvido naquela parede e vê se escuta alguma coisa? – ela pediu e o menino sem falar nada caminhou e colocou o ouvido na parede, não escutando coisa alguma.
- Ahn, não estou escutando nada, mesmo porque não tem o que escutar, a ala C está fechada pelo que eu saiba. – ele disse se desencostando e dando de ombros, ela respirou fundo, olhando fixamente para a parede e alguém espiou na porta, seu próximo paciente. se despediu em um aceno e ela se recompôs convidando o paciente para entrar e fechando a porta atrás dele. Por mais que tentasse esquecer aquilo ficara na sua mente. "Agora é sua vez."

Emergência (casos leves), ala B 13h05min.

- Puta merda, alguém segura esse desgraçado? – o Doutor disse, tentando segurar o paciente bêbado que havia batido o carro com força e estava cheio de cortes que precisavam ser saturados, senão iriam infeccionar e poderiam causar uma hemorragia. A estagiária se aproximou com uma seringa na mão e segurou o braço do paciente com força, injetando e o sedando. Aos pouco os movimentos bruscos foram cessando e o doutor bufou quando viu o paciente adormecido.
- Só assim pra esses vagabundos ficarem quietos. – disse olhando para o cara e depois para a menina. Ela sorriu pra ele, que retribuiu. - Obrigado, , grande ajuda. – ele disse sorrindo e voltando a costurar os ferimentos, agora com mais paciência.
- Sabe doutor, eu fiquei sabendo de um boato... – ela disse encostando-se na maca do cara que estava agora inconsciente.
- Ah, é? Conte-me. – disse se concentrando em um dos cortes do rosto.
- Disseram que vão reabrir a ala C e todos os médicos que acompanham estágio vão para lá, junto com os estagiários.
O Doutor franziu a testa e olhou para a menina segurando seus materiais.
- Eles não podem fazer isso, estamos muito bem aqui na ala B. – disse ainda olhando pra ela.
- Eu sei, mas estão queren... - a voz dela foi interrompida pelo alerta que a máquina responsável por marcar os batimentos cardíacos fazia.
- Quanto deu a ele?! – o Doutor perguntou olhando para a menina enquanto alguns enfermeiros começavam a aparecer na sala. - Dei 500mg, como damos a todos os pacientes. – ela disse assustada observando os batimentos cardíacos do homem diminuirem, enquanto a máquina alertava. Rapidamente o doutor pegou a ficha do homem e observou as informações sobre ele.
- Ele está tendo uma overdose! – gritou observando a ficha. – Usuário de heroína, merda. – disse rapidamente abrindo um armário no canto da sala e lendo o rótulo atrás de um medicamento.
- Doutor, rápido. – gritou uma enfermeira.
Ele rapidamente pegou o pote de remédio e uma seringa, puxou todo o líquido e correu, se aproximando do homem. Quando deu um passo o barulho de batimentos cessou, dando lugar a um barulho extenso e irritante.
- Não, não! Pegue um reanimador, rápido! – gritou e a estagiária correu para fora da sala de emergência. Voltou rapidamente com o aparelho e abriram espaço. O doutor pegou as duas chapas e colocou perto do peito do sujeito.
- Limpo. – a menina disse e logo em seguida ele encostou o reanimador no peito do homem sem vida e o corpo deu um pequeno pulo, mas nada de sinais vitais. Ele levantou mais um pouco as chapas e contou até três. – Limpo. – ela disse e, novamente, ele encostou, fazendo o corpo do homem dar mais um pulo. Três, quatro, cinco tentativas, nada.
- Vai de novo. – ele disse e as enfermeiras o olharam com cara de pena.
- Doutor , não adianta mais. – disseram e uma das enfermeiras tirou o aparelho das mãos dele. Ele ficou estático olhando o corpo morto do homem sobre a maca da sala de emergências, cambaleou para trás e sentiu uma náusea percorrer seu estômago.
As enfermeiras cobriram o corpo com o plástico e colocaram o adesivo preto ao lado para mostrar que aquele paciente estava morto. colocou as mãos na cabeça e fechou os olhos, ele estava morto, não se perdoava por isso, havia nascido para salvar pessoas e não para matá-las. Saiu da sala com raiva e parou no corredor do lado de fora, chutando com tudo uma fileira de cadeira de rodas que pendeu, sendo derrubada. Ele encostou a cabeça na parede e fechou os olhos, inconformado. Sentiu uma dor invadir o peito e virou encostando as costas na parede e deslizando por ela logo em seguida, enquanto encostava ao chão.
- Dia duro, não? – escutou uma voz feminina e abriu os olhos, vendo uma mulher parada em pé ao seu lado. Não respondeu, apenas manteve o olhar fixo no chão. – Sabe, todo mundo tem que morrer um dia. – disse soltando uma risada irônica e ele levantou o olhar pra ela.
- É, mas não era pra ele morrer. – disse com a voz falha, sentindo culpa.
- Era sim, precisamos dele. – ela mordeu o lábio inferior; usava uma saia que ia até o joelho e um salto alto vermelho da cor de seu cabelo, vibrante de forma linda. Usava um terninho aberto e uma boina de lado na cabeça, quem olharia diria que ela viria diretamente de um filme da década de 40. não entendeu direito o que ela quis dizer, então franziu a testa olhando-a. – Em breve você entenderá, Charles. – disse rindo. Charles? Quem seria Charles? Aquela mulher era louca.
- Adeus, Madeline. – ele disse e depois balançou a cabeça negativamente, tentando entender como sabia o nome da mulher.
- Adeus. – parou ao fim do corredor e virou para onde dava a porta trancada com correntes da ala C. Ele levantou e caminhou apressado até lá, ela não tinha pra onde escapar mesmo. Mas quando chegou viu apenas a porta branca, as correntes que a prendiam com força e grandes cadeados. Ele franziu a testa e olhou para trás, voltou o olhar para frente novamente e balançou a cabeça negativamente, andando de volta para a sala de emergência. Aquilo estava ficando doido, realmente muito doido.

Corredor de espera, ala A. 14h23min.

O estagiário andava com a pranchetinha na mão e um sorriso no rosto.
- Olá senhor, qual o seu nome? – perguntou para um dos moços que estavam na espera.
- Marcos, Marcos Wyler. – disse com a voz um pouco falha.
- Hm, o que está sentindo, senhor? – o menino perguntou anotando algumas coisas.
- Estou sentindo uma dor no peito e muita falta de ar. - disse colocando a mão no peito. O menino anotou e olhou preocupado para o senhor.
- Me acompanhe, Sr Wyler. – ele disse indicando o caminho da emergência. Os dois caminharam lentamente e ele abriu a porta.
- Ei, Dra , tem como cuidar desse aqui? – perguntou se aproximando e apontando para o paciente.
- O quê? , aqui é emergência. – ela disse observando a ficha de um dos pacientes que estavam deitados na maca. Ele se aproximou mais e fechou os olhos.
- Olha, ele está com indícios de ataque cardíaco, tem muita gente na frente dele e se ele esperar mais um pouco morre. – o menino disse olhando sério para a Dra. . Ela olhou do senhor para o estagiário e revirou os olhos se rendendo.
- Boa tarde, senhor, como se chama? – ela perguntou induzindo o homem até uma das macas. O menino sorriu e saiu da sala de emergência com a prancheta na mão, colheu informações de mais uns dois paciente e olhou para o fim do corredor onde havia a porta trancada para a ala C. Lá tinha uma menina de cabelos loiros e olhos arregalados, ela olhava para o chão e balançava a cabeça positivamente. Vestia um vestido branco sujo de alguma coisa. Ele deu alguns passos se aproximando e ela começou a apertar o botão de emergência freneticamente, o menino franziu a testa e parou um pouco no corredor.
- Ei, você não pode ficar aí! – Ele disse e a menina levantou o olhar pra ele.
- Eles mandaram. – ela disse baixo, depois sorriu de forma medonha. – eles mandaram, eles mandaram. – dizia de forma assustadora e o menino mantinha a testa franzida. Na mão dela ele avistou uma lâmina e arregalou os olhos.
Ela olhou pra ele novamente e largou o botão, olhando sem vida. - Só porque eles mandaram. – disse e depois num movimento rápido pegou a lâmina e cortou a extremidade de seu pescoço inteiro, caindo no chão.
- Não! – o menino gritou e correu em direção à menina. Quando estava se aproximando viu-a levantar e caminhar em direção à porta da ala C. Se aproximou e viu que as portas estavam abertas, ficou estático vendo aquele corredor escuro e sujo, deu um passo pra frente e as portas se fecharam com tudo, fazendo-o cair pra trás e derrubar um monte de materiais de limpeza sobre ele.
- Droga! – ele gritou empurrando a vassoura de cima de seu rosto e levantou-se rapidamente, observando a porta. Franziu a testa quando viu os cadeados e as correntes, há minutos atrás a porta estava aberta, aquilo era impossível. Ainda ficou encarando a porta quando seu bip tocou, mostrando que havia acabado seu turno.
Ele caminhou lentamente pelo corredor e passou pelas portas do corredor de espera atravessando os consultórios e indo até o elevador, desceu calmamente indo até a recepção. Ele ainda estava atordoado. Chegou e cumprimentou Cloe.
- Escuta, o que há na ala C? – perguntou encostando-se no balcão, enquanto alguns médicos chegavam e pegavam sua ficha.
- Fecharam depois dos casos da guerra e nunca mais reabriram. – ela disse com indiferença na voz.
O menino franziu a testa e agradeceu, saindo do hospital e indo em direção a uma lanchonete. Talvez aquela loucura toda tenha sido fome. Parou no estacionamento, observando o tamanho daquele hospital, ele era realmente muito grande. Observou atentamente as duas alas que funcionavam e depois observou a ala C. Estava tudo escuro naquela ala, levantou o olhar pra o terceiro andar, que era o mesmo que o seu, e cerrou os olhos, pensando ver alguma coisa na janela. Tentou enxergar melhor e depois arregalou os olhos vendo a menina do corredor na janela com uma sombra preta atrás dela. Ele fechou os olhos e depois olhou novamente e nada viu. Saiu andando do estacionamento e andou mais rápido até a lanchonete. Nunca mais iria assistir filmes de terror antes de trabalhar.

Sala de café, ala B 14h23min.

Ela estava sentada na sala tomando um café e assistindo televisão, estava em hora de almoço e então estava ali dando uma de preguiçosa. Começou a rir da piada do programa e um médico completamente perdido em pensamentos entrou e pegou um café sentando-se à mesa.
- Olá, Dr. . – ela disse sem desviar os olhos da televisão.
- Ah, oi. – disse ainda meio perdido. Ela comeu mais um amendoim e finalmente olhou para ele.
- Ficamos sabendo do seu caso de hoje. – disse um pouco mais baixo. Ele levantou o olhar pra ela, que carregava uma confusão e uma tristeza. – Acontece... – lamentou e se aproximou dele, desligando a televisão e o consolando.
- Eu... Aconteceu uma coisa depois. – disse a olhando. Ela o incentivou e ele começou a contar. – Uma mulher apareceu e disse umas coisas estranhas, me chamou de um nome e depois eu me despedi dela, já sabendo seu nome. - disse confuso e ela desviou os olhos, pensando por alguns minutos. Escutou a televisão ligar e nem deu atenção, voltando o olhar para o doutor.
- Ela disse que precisava dele e que eu entenderia em breve, depois caminhou até a ala C e desapareceu.
- Ala C? – estranhou.
- É, ala C, a que é trancada com cadeados, ela simplesmente desapareceu. – franzia a testa. A televisão começou a chiar e apenas algumas coisas que estavam sendo ditas eram possíveis de se ouvir.
- Victória... – um chiado. – Você... – outro chiado. – Tem um... – e os canais começaram a mudar rapidamente, aumentando a velocidade das falas. A menina levantou o olhar para a televisão e ficou observando.
- Victória, você tem uma tarefa, cumpra. – a televisão disse cada palavra em uma voz diferente, mas de uma forma que desse pra entender perfeitamente. – Boa menina, você não vai sentir nada. – a televisão disse e a menina manteve o olhar fixo e a respiração descompassada. A televisão começou a mudar de canais de forma exageradamente rápida e pegou fogo.
- ... – ela escutou chamar. – ! – virou o rosto para o médico novamente de olhos arregalados. Depois voltou o olhar para a televisão desligada e intacta. Balançou a cabeça negativamente e olhou para o médico que mantinha a testa franzida, ele olhou em direção a televisão e nada viu.
- Você está bem? – perguntou preocupado. Ela não respondeu, levantou e pegou um copo de água tomando trêmula.
- É, eu to bem. – disse baixo e saiu da sala logo em seguida, deixando o doutor mais confuso do que antes. Caminhou até o elevador e subiu indo para o consultório.
Estava um pouco desnorteada. Avistou , sua colega, de longe e chamou-a. Ela parecia igualmente derrotada como o Dr. . respirou fundo e afastou aquilo de sua cabeça.
- Ei , o que houve? – perguntou preocupada.
- Nada, o caso da... Da overdose, não sai da minha cabeça. – ela disse tristonha.
- Já dissemos, não foi sua culpa, não tem por que você ficar assim. – disse para confortá-la. Ela sorriu fraco em agradecimento e depois lembrou-se.
- Você está sabendo que todos os estagiários e os doutores que acompanham vão ter que mudar pra ala C? – disse ainda desanimada.
- Mudar? Mas a ala C está fechada há décadas. – franziu a testa.
- Eu sei, mas vão abrir e vamos todos pra lá. – a menina disse com indiferença na voz.
- Certo. Bom, , deixe-me voltar, acabou meu horário de almoço. Vai embora? – perguntou para a menina que assentiu e saiu andando. caminhou até o consultório e chamou o primeiro paciente.
- Pois não, qual seu nome, senhora? – sorriu e a senhora respondeu a todas as perguntas.
recomendou um medicamento e entregou a receita para ela, que saiu logo em seguida dando lugar para outro paciente entrar. Ela era boa no que fazia e ninguém duvidava daquilo.
Atendeu o máximo de pacientes que pôde e viu seu turno chegar ao fim aos poucos. Estava escurecendo e ela odiava ficar naquele hospital à noite. Pegou sua bolsa, suas coisas da sala e passou diante a sala do café. Parou na porta olhando diretamente para a televisão e nada viu, talvez ela estivesse ficando louca ou algo do tipo. Caminhou até o elevador e entrou com mais alguns médicos e estagiários. Saiu no térreo e caminhou até a recepção, pegando sua ficha, fazendo o relatório e entregando-o. Caminhou em passos duros e apressados até o lado de fora e entrou em seu carro sem dizer mais nada, estava escurecendo e ela odiava escuro.

Sala de Emergência Ala A 17h56min.

- Certo, acho que terminei por hoje. – Disse o médico tirando as luvas e ajeitando seu avental.
- É, bom trabalho doutor, e se ver a Dra. , diga a ela que já pode entrar. – A estagiária disse e o doutor bufou e saiu da sala batendo as grandes portas brancas.
A Dra. ainda não havia chegado para seu segundo turno, então ele não teria a inconveniência de ter que encontrar com ela.
Caminhou até o banheiro e respirou fundo, estava cada vez mais difícil trabalhar naquele hospital. Caminhou até a pia e ligou, nada saiu, fechou e caminhou até a outra, ligou e novamente nada saiu. Bufou e ligou todas, ainda sim nada saiu.
- Mas que droga, não pagam mais a conta de água desse hospital? – Ele reclamou e viu a porta do banheiro se fechar rapidamente. Caminhou até ela para poder sair, mas quando puxou estava trancada. Viu uma das portas da cabine se fechar.
- Ei, você! – Ele disse caminhando até a cabine. Viu um vulto lá dentro, mas continuou na porta. – Você tem um celular? Eu não trago o meu e acho que estamos trancados. – Ele disse paciente e respirando fundo. Ninguém respondeu e não se escutava barulho algum dentro daquele banheiro.
- Ei, cara, é sério, estamos trancados. – disse agora batendo na porta, ele podia ver a sombra dos pés do homem pelo pequeno vão de baixo da cabine. Novamente ninguém respondeu. Bateu mais forte na porta tentando irritar o homem e fazer com que ele saísse, mas novamente nada, então se afastou e viu a porta da cabine ficar entreaberta. Olhou e franziu a testa, aproximou-se dela e empurrou lentamente, não havia ninguém do lado de dentro. Viu a água sanitária com uma cor vermelha e se aproximou dando descarga. A água só ficava mais e mais vermelha.
Cambaleou para trás e escutou uma das pias ligar, saindo um jato forte de água vermelha e depois outra, e outra e outra, todas ligaram e transbordavam aquele banheiro do líquido vermelho que ele temia profundamente o que era. Encostou-se na divisão entre duas cabines assustado e a água de todas as privadas transbordavam. Olhou para os pés e viu a água encostando-se a seu sapato, foi andando de costas com os olhos arregalados e escutou uma voz vinda da última cabine.
- Quem está aí? – perguntou se afastando da água. – Que merda, o que está acontecendo?! – Ele ficara com medo. Encostou-se à parede e sentiu algo gelado e molhado atrás de si, virou rapidamente vendo o corpo de um homem todo ferido e molhado com um uniforme de guerra caindo sobre seu corpo. Ele soltou um grito amedrontado e foi se afastando e se encolhendo em um canto. Caiu e colocou as mãos sobre a cabeça, tremendo de medo. Sentiu uma mão em seu ombro, mas não quis levantar a cabeça para ver.
- ! - A voz feminina chamava. – , olhe pra mim! – A menina segurou o rosto dele entre as duas mãos e ele a olhou assustado e estático. Nunca ficou tão feliz em ver aquele par de olhos azuis a sua frente. Abraçou-a com força. Ela ficou estática por um momento, mas depois o abraçou igualmente.
- Está tudo bem agora. – Ela disse passando a mão lentamente pelos cabelos dele enquanto o mesmo ofegava trêmulo. O silêncio dominou o lugar e a respiração dele continuava ofegante. – ? – Ela chamou baixo, o sentindo ficar menos trêmulo. – Vamos sair daqui. – disse afastando os corpos lentamente. permaneceu de olhos fechados e ela tocou-lhe o rosto lentamente, o fazendo abrir os olhos e a encarar. Ele estava branco, então ela sorriu, dando-lhe coragem e o fazendo levantar juntamente com ela e respirar fundo.
- Acho que estou ficando louco. – disse com a voz um pouco falha. Ela segurou na mão dele e andou para fora do banheiro, ele a seguia sem tirar aquelas imagens de sua cabeça. Assim que saiu do banheiro ela o puxou para a sala de café.
- Sente. – apontou a cadeira e sentou na cadeira da frente. fez isso e apoiou os cotovelos na mesa, apoiando o rosto nas mãos. – O que houve? – Ela perguntou preocupada, deixando a testa levemente franzida.
- Se eu contasse, você não acreditaria. – Ele também franziu a testa em confusão. Deixou as mãos do lado do corpo olhando diretamente para ela que continuava com a mesma feição e muda, ele bufou derrotado, não conseguiria guardar aquilo pra si, olhou para a mesa e começou a falar. – Estava tudo bem, eu tentei abrir a torneira e não saiu nada. – olhou pra ela novamente. – Depois a porta fechou e eu fiquei trancado. – encostou as costas na cadeira deixando uma mão na mesa e observando sua mão sobre ela.
- Continue. – Ela incentivou prestando atenção em suas palavras.
Ele olhou pra ela engolindo em seco e olhou para o lado, voltando o olhar para a mesa logo em seguida.
- Depois eu vi um homem entrando em uma das cabines, só que quando eu entrei, estava sozinho no banheiro. – Ele olhou pra ela confuso e balançou a cabeça negativamente. – Aproximei-me da cabine e empurrei, não tinha ninguém, depois eu me aproximei da privada e a água estava vermelha, era sangue. – Sua voz falhou pra falar, enquanto ele abaixava o olhar. Ela estava tão confusa quanto ele.
Ele terminou de contar tudo que viu dando os mínimos detalhes, aquilo era real demais para ser ilusão. Ele podia sentir a água, podia sentir o corpo caindo em cima dele.
- Aquilo aconteceu, eu tenho quase certeza. – Ele fitava o nada falando. – Não ache que eu sou louco, porque eu não sou. – Ele agora olhou para ela, que respirou fundo e se aproximou dele.
- Eu acredito em você. – Ela disse simplesmente. Ele manteve o olhar fixo nela.
- Obrigado, . – Ele disse e ela sorriu por ouvi-lo a chamar pelo nome. Ele sorriu de volta e o bip de começou a tocar insistentemente.
- Opa, é melhor eu ir. – Ela disse um pouco sem graça.
- É, desculpe te prender aqui. – Ele disse levantado e ela fez o mesmo. Ela sorriu fraco e saiu andando. – . – Ele chamou e ela parou virando. – Não conte isso a ninguém está bem? – pediu.
Ela sorriu confortante para ele, que soube que podia confiar nela. Assim que as portas do café se fecharam, pegou suas coisas e desceu ainda paranóico. Entregou seu relatório e assim que saiu para o estacionamento entrou em seu carro e deu partida. Iria para casa e dormiria a noite toda.

Narcóticos ala B. 18h40min

- Muito bem - A sala estava cheia, enquanto o doutor dava sua palestra a todos aqueles ex-viciados ou viciados que procuravam alguma maneira de livrar-se daquilo –, estou vendo que muito de vocês estão empolgados e isso me deixa muito feliz. Quero que saibam que nenhum de vocês é um caso perdido, para tudo se tem solução. Por hoje é isso, vejo vocês na semana que vem para dar instruções de como abandonar os locais que te dão o hábito de consumir, muito obrigado.
Os aplausos invadiram a sala e Dr. sorriu, feliz com o resultado dos anos de estudo. Aos poucos a sala foi ficando vazia e o Doutor arrumava suas folhas. O silêncio invadiu o auditório e ao se virar para pegar a mala, derrubou todas as suas folhas, espalhando-as pelo palco.
Ouviu passos e respirou fundo, pegando suas folhas do chão.
- A Palestra acabou senhor, semana que vem teremos outra, mesmo dia da semana, mesmo horário. No momento eu estou bastante atrasado, então não poderei o atender. – Disse sem olhar na direção em que ouvia os passos. Os mesmo cessaram e então o Doutor levantou com as folhas na mão e olhou na direção do auditório.
A luz estava baixa, ele só via um homem parado na sombra, não conseguia ver seu rosto, apenas sua silhueta. Bufou, achando que teria mais um dependente insistente e pegou sua mala, indo na direção do homem.
- O senhor tem que compreender que fora do horário de palestra não tem como eu atender.
O homem da sombra não se movia e tampouco se pronunciava. O doutor tinha a impressão de que o homem não respirava, então parou de andar; ele poderia estar drogado naquele momento e se tivesse uma descarga de raiva sua força triplicaria, podendo matar o Doutor facilmente.
- Senhor, está tudo bem? – O Doutor perguntou.
De repente o homem respirou fundo e saiu da sombra, ele estava de uniforme, um uniforme antigo do exército Inglês. Seu rosto mostrava medo, muito medo. Ele era pálido, com olheiras escuras, olhos claros e cansados, e mostrava medo, muito medo.
O doutor ficou estático. Ele estava vendo um fantasma? Estava alucinando? Aquela imagem o trouxe de volta a sua adolescência, quando usava drogas como seus pacientes e tinha alucinações.
- A... A gente tem que proteger o... O país, não é mesmo, Doutor? – Perguntou o homem pálido. – Então... Vamos proteger.
- O que... O...? Não estou enten... Entendendo. – Disse o Doutor . O homem que olhava estático para frente virou a cabeça e os olhos em direção ao Doutor.
- Eles não podem abrir a Ala C. – Disse o homem. – Você não pode deixar. A gente tem que proteger o país, proteger os ingleses. Não deixe que abram a Ala C.
franziu a testa, nada fazia sentido, ele olhava para aquele homem assustador e não entendia.
O Homem arregalou os olhos, olhando depois para .
- Ele está vindo Doutor! Ele está vindo!
O Homem ficou agitado, começando a se debater e a gritar, como se algo estivesse o prendendo.
olhou para trás e viu outro homem, desta vez na escuridão, um homem que trazia um sentimento negativo que sabia que era ruim.
- Não! – Gritava o homem que se debatia. Ele estava queimando. O fogo era azul, ele era azul e a temperatura podia ser sentida pelo Doutor. Ele tentou ajudar o homem, mas não conseguia se mexer, o outro homem estava o impedindo de alguma maneira.
- Me solte! – Disse , olhando para a sobra mais atrás dele.
O homem saiu da sombra e olhou para o Doutor.
- Não se meta Doutor, não existe nada que você possa fazer neste mundo, que mude o que vou fazer no meu. – Disse o homem escuro, de má energia.
não estava com medo. Não temia aquele homem, apesar da energia, mas sabia que algo ruim ia acontecer, só não sabia o que.
- E você, Marcus – O homem se dirigia ao soldado que pegava fogo. –, não comece a se rebelar porque você não vai embora tão cedo, você depende de mim para isso. – O homem estalou o dedo e o soldado desapareceu. olhou para onde estava o soldado e sentiu como se algo o tivesse soltado, olhou para trás e o outro homem havia sumido.

desceu até a recepção um tanto quanto nervoso. - Cloe, preciso do telefone do administrador do hospital, quero que eles desistam da ideia de abrir a Ala C. – Disse o Doutor pegando algumas folhas de papel.
Cloe olhou para ele e levantou uma sobrancelha.
- Doutor, eles abrem a Ala C na segunda, logo no primeiro expediente. Acho que é um pouco tarde para reivindicar alguma opinião. – Ela disse pegando a fixa do Doutor.
olhou para ela e ficou mudo. Respirou fundo e abaixou o tom de voz.
- Eles não podem abrir a Ala C, isso vai ser perigoso para todos nós. Eu sinto como se algo muito ruim fosse acontecer, Cloe, eu sinto.
Cloe apenas ficou olhando para o Doutor e então entregou a fixa dele, estranhando o modo como ele falava.
- Tenha uma boa noite, Doutor.

que escutava tudo o que dizia pra Cloe, enquanto tomava um café, aproximou-se dele, que saia do hospital.

- Ei, calma. – Ela disse segurando o braço do mesmo. – O que você quis dizer com “Algo ruim vai acontecer”? – Ela perguntou franzindo a testa. parou e olhou para a Doutora e um pouco desconfiado recuou.
- Por favor, se você me contasse, isso poderia explicar bastante coisa que anda acontecendo aqui, comigo e com a minha equipe.
- Coisas Sobrenaturais? – Perguntou .
- Sim.
Ela disse olhando um pouco assustada.
- Coisas sobrenaturais.

Continua...

Nota da autora: Olá, como estão, tudo bem? Bom, essa é minha primeira nota e então queria dizer uma coisa. Fiction de terror não é meu forte então se as vezes você não sentir medo, bom, já sabe. E outra, eu tenho medo da minha fic :D É. Eu estava tão acostumada a escrever romances, dramas e coisas assim. (Desejo Proibido, leiam) E decidi ter uma reviravolta rs. Bom, comentem, me deem sugestões e críticas, elas são bem vindas, e até o próximo capítulo.

Os erros são meus, então não usem a caixinha de comentário para informá-los, basta me avisar por e-mail. Ah, e não esqueçam de comentar! xx Lê Assis