O skatista e a bailarina
História por Rina A.P | Revisão por Estela

Capítulo 1

's POV

Acordei sentindo que algo não estava certo e olhei as horas no visor do meu celular. Eram 7:10. Eu estava atrasada e perderia o primeiro horário. Se minha mãe soubesse disso, eu estava morta! Por sorte, ela estava passando uma semana num spa. Meu pai trabalha o dia inteiro, então não preciso me preocupar com ele. Arrumei-me e desci para tomar o café da manhã. Entrei na cozinha e cumprimentei Marrie e Julia. Marrie é a nossa governanta e cuida de mim desde que nasci e Julia é a nossa cozinheira, ela faz maravilhas gastronômicas. Por sorte, as duas não falariam nada do meu atraso aos meus pais.
Comi apenas uma torrada com geleia e tomei um copo de suco, pois não podia me atrasar mais ainda. Nosso motorista, o Joseph, levou-me à escola, fazendo-me ganhar tempo. Cheguei na escola por volta das 7:25, mas teria que esperar na biblioteca até o início do segundo horário.
Entrei na biblioteca e fui procurar algum lugar confortável para me sentar, quando me deparei com um par de profundos e lindos olhos azuis me encarando. Esses olhos pertenciam a um garoto lindo, com um estilo meio skatista, mas que parecia ser muito fofo. Sorri timidamente e ele sorriu largamente em resposta. Assim que vi aquele sorriso, senti que meu coração iria parar de bater. Ele parecia tão perfeito, não acredito que nunca o notei naquela escola.
Para minha surpresa, ele ofereceu a cadeira ao lado da dele para eu me sentar. E eu sentei.
- Oi. - eu disse, super sem graça.
- Oi. - ele disse, sem tirar aquele sorriso do rosto. – Então, senhorita , por que chegou atrasada hoje?
- , me chame apenas de , por favor. - ok, ele já sabia quem eu era... Às vezes, essa popularidade me cansa. - Eu ensaiei até mais tarde ontem e acabei dormindo mais tarde que o normal.
- Mas pra que ensaiar até mais tarde?
- É porque eu quero me tornar a primeira bailarina da companhia e pra isso preciso treinar muito.
- Mas você é perfeita dançando! Eu me lembro da sua apresentação no show de talentos do ano passado.
- Err... Obrigada, mas ainda preciso melhorar bastante. - eu disse, sem graça. O que está acontecendo comigo? Nunca alguém havia conseguido me deixar sem graça tão facilmente. O que esse garoto tem de especial? Lembrei-me de que não sabia o nome dele. Que distração a minha!
- Me desculpe, mas eu não sei o seu nome e nem o motivo do seu atraso. - eu disse a ele.
- Imaginei que você não me conhecesse. - ele disse, tranquilo. - Meu nome é , mas pode me chamar de . E eu me atrasei porque dormi mais que a cama. Só isso.
Não pude evitar rir desse comentário infame dele e ele me acompanhou na risada. Seu riso era como música para meus ouvidos. "OMG! Eu acabei de soar como uma boba apaixonada. Eu não estou apaixonada! Não posso estar! Acabei de conhecê-lo!"
- Então, , você estuda aqui desde quando? – perguntei, curiosa. Queria saber mais daquele garoto.
- Desde a primeira série e, só pra constar, eu sempre estudei na sala ao lado da sua.
- Ai, meu Deus! Me desculpe! Eu nunca tinha percebido você aqui. – disse, totalmente envergonhada.
- Haha! Relaxa, eu e meus amigos fazemos parte de um grupo diferente. Não tinha porque você nos conhecer. - ele falou aquilo de uma forma tão tranquila que eu até me senti menos mal.
- Ok, mas mesmo assim eu fico sem graça, mas é tanta gente nessa escola! Que tal mudarmos de assunto?
- Claro, por que não? Sobre o que iremos falar?
-Você. - assim que disse isso, percebi que ele me olhava com uma cara meio engraçada e tentei completar minha fala. - Quero dizer, você disse que é de um grupo diferente, certo? Então, o que vocês gostam de fazer?
- Bom, eu costumo andar com meus melhores amigos, que são o , o e o . Tenho outros amigos, mas são esses três que sei que sempre estarão ao meu lado. E, nessa selva que é o colégio, somos meio que o que vocês populares chamam de loosers. Gostamos de skate, rock e alguns filmes meio "nerds". - ele fez aspas com os dedos ao falar a palavra nerds.
- Você parece se divertir bastante com eles. – disse, sinceramente, e começamos a conversar sobre algumas das coisas que foram divertidas e que fizemos com nossos amigos ou parentes. Um assunto foi puxando o outro e eu fiquei sabendo tanta coisa dele e ele ficou conhecendo tanto de mim, que parecia que já éramos amigos há anos.
Quando menos esperávamos, o sinal tocou e tínhamos que ir para nossas salas. Tive vontade de grudar nele e ir pra sala dele com ele... Mas não posso fazer algo desse tipo, então apenas dei meu mais lindo sorriso e disse:
- Erm, , você poderia me passar o número do seu telefone? Gostei de conversar com você e gostaria de manter contato.
- Claro que sim! - ele pegou o meu celular, digitou o número de seu telefone e, em seguida, ligando para o seu celular e salvando o meu número. Saímos da biblioteca e seguimos em direção às nossas salas. Despedi-me dele e entrei, cumprimentei a professora e me dirigi à minha carteira.

`s POV

Entrei na minha sala e sentei em meu lugar, perto dos meus amigos, e acho que tem algo na minha cara, porque eles estão me olhando com uma expressão estranha.
- Tem alguma sujeira na minha cara ou algo do tipo? - perguntei pra eles.
- Qual é o nome dela? - foi logo perguntando.
- Nome de quem, cara? Você tá doido? - eu não sei como ele descobriu da minha conversa com a mais cedo.
- Olha só, , nós somos seus melhores amigos e te conhecemos até mais que você mesmo, não adianta se fazer de anta, não.. - Até o nessa?
- Mas eu não sei o nome de quem vocês querem que eu fale...
- Da garota que te deixou com essa cara de imbecil, né? - começou a explicar. - Quando você está com essa cara, uma coisa é certa: você está a fim de alguma garota. Agora, nos diz quem é ela.
- Ok, ok. Vou falar, já que vocês não deixam passar nada. Mas eu não estou apaixonado não. Só a achei interessante.
- Fala logo, que estamos curiosos. - e sua curiosidade.
- Enquanto eu estava na biblioteca esperando a hora de vir pra sala, eu vi essa menina e nós conversamos muito e tal... E vocês a conhecem, é a .
- Aquela bailarina patricinha?
- Não, , a é bailarina sim, mas não patricinha. Os amigos dela que são assim. Ela não tem culpa de viver num meio onde as pessoas são assim. Ela é completamente diferente, eu pude perceber isso.
- Uau, se você diz, acreditamos em você, só toma cuidado pra não se machucar porque, pelo que percebi, você tá muito apaixonado por ela.
- Bom acreditarem mesmo. E eu já disse que não estou apaixonado.

`s POV

Eu mal consegui prestar atenção nas aulas, de tanto que pensava em . Ele parece ser tão diferente dos outros caras. E ainda é muito divertido. Eu percebi que ele salvou o seu número no meu celular como Lindo e isso me fez rir, mas não vou mudar não.
O sinal tocou anunciando o intervalo e eu agradeci mentalmente, não aguentava mais ficar naquela sala. Juntei-me à , a minha melhor amiga, e fomos para o refeitório. Chegando lá, sentamos na mesma mesa de sempre e lá já estavam o Bruno, a Vanessa e a Jennifer. A Jen e a Vani estavam conversando sobre os lançamentos de sapatos da semana e o Bruno olhava pro nada. Nem perceberam quando eu e sentamos. Logo depois, Vinicius e Estevão chegaram e a mesa dos populares estava completa.
Todos estavam conversando, mas eu não prestava atenção em muita coisa. Foi então que eu vi e seus amigos passando perto da nossa mesa. Ele sorriu pra mim e eu sorri de volta.
- O que aquele looser acabou de fazer? - nunca tinha reparado que a Jen tinha uma voz tão irritante.
- Acho que ele sorriu pra cá. - Vani respondeu com uma cara de nojo, que me fez mal.
- Que idiota. Quem ele acha que é pra sorrir pra gente? - me assustei ao perceber que estava com raiva do Vini por ele ter falado isso. Sempre fomos muito amigos.
- Até parece que algum de nós ia algum dia falar com ele. - Até o Boo estava me irritando.
- Seria suicídio social. - completou Estevão. Foi aí que percebi que eles não me viram sorrir de volta pro e que eu não poderia ser amiga dele. Ao menos, não perto dos meus amigos.

Capítulo betado por Isabela H.



Capítulo 2

's POV


Se eu quisesse continuar amiga de , eu teria que enfrentar meus amigos e correr o risco de eles destruírem minha vida. Como não quero deixar de vê-lo, terei que arrumar alguma maneira de fazer isso escondido. Peguei o meu celular e ditei uma mensagem:
, preciso conversar com você. Tem como nos encontrarmos hoje depois das 16h? xx.
Parei por alguns minutos e fiquei encarando o visor do meu celular decidindo se enviava ou não a mensagem. Depois de enviar não teria mais volta e eu teria que decidir o que fazer. Respirei fundo e toquei o visor no botão send. Estava feito. Mensagem enviada.
O sinal tocou anunciando o fim do intervalo. Pus meu celular no bolso e segui para a sala de aula. Estava no meio da aula de história quando senti meu celular vibrando. Peguei-o e vi que era uma mensagem de , e quando ia lê-la a professora me mandou guardar meu celular. Bosta! Essa professora sempre percebe quando usamos aparelhos eletrônicos em sua aula. Assim que ela saiu da sala eu peguei meu celular e abri a mensagem.
Claro que posso, linda. Eu devo estar na pista de skate do centro. Passa lá e me procura ok? xxx.
Preciso dizer que o sorriso que abri ao ler ele me chamar de linda foi gante? Agora só dependia de mim.
Ótimo. Eu te procuro lá, então. Até mais. Xx
Menos de um minuto depois de enviar a mensagem, eu recebi a resposta.
Até as 16h, linda. Xx
Voltei a prestar atenção na aula e logo eu já podia ir para casa. Chegando em casa, eu almocei e fui para o meu quarto. Peguei meu iPod, pus no aleatório e deitei em minha cama, pensando na conversa que teria com mais tarde. O que eu falaria para ele? De que maneira? Qual será a reação dele? Eram muitas dúvidas e eu não sabia suas respostas. Ainda.
Era 13h20min e eu fui me arrumar para ir à companhia ensaiar. Fiquei pronta às 13h45min e Joseph me levou ao centro de dança. Chegando lá cumprimentei a professora e as outras bailarinas e bailarinos e fui me alongar. O ensaio durou até 15h30min e fui ao vestiário da escola de dança ar um banho e me trocar para ir encontrar . Pouco antes das 16h eu estava saindo do centro de dança.
Assim como a minha escola de ballet, a pista de skate era no centro, então não me preocupei em correr para chegar lá. Em menos de 5min já pude ver aquele local com vários tipos de pistas e corrimões e o adentrei. Não demorou muito para encontrar , ele estava numa daquelas pistas que parecem uma piscina vazia.
Parei ali perto e fiquei assistindo ele fazendo várias manobras. Posso não saber muito sobre esse esporte, mas percebi que ele era realmente bom, e parecia amar fazer aquilo. Algum tempo depois ele percebeu minha presença e saiu da pista, vindo em minha direção.
- Oi . - cumprimentei-o.
- Ei . - se ele não parar de dar esse sorriso lindo juro que não aguento. - Então, o que você tinha para conversar comigo?
- Ah isso... - por um instante eu tinha até esquecido o verdadeiro motivo de tê-lo procurado. - Acho melhor termos essa conversa em um local um pouco mais calmo e vazio.
- Tudo bem, vamos para pista lá de trás, ela é velha e quase ninguém vai lá. Mas aconteceu algo?
- Não, não, ta tudo bem...
- Não é o que seu rosto diz, mas vamos.
O segui e logo estávamos lá. Era outra dessas que parecem uma piscina, só que menor e com algumas partes meio quebradas e tal. sentou na beirada da pista e o imitei. Ele se virou para mim e disse:
- Pode falar o que está te incomodando, agora. Ninguém vai nos interromper.
- Bom, antes de mais nada, eu gostaria que você soubesse que já gosto muito de você e de conversar com você e que não acho que você seja um looser como a maioria pensa.
- Bom saber disso. - disse ele, com um largo sorriso no rosto.
- Então, nem sei como dizer isso. - eu já olhava para baixo e às vezes para pista. Não conseguia encarar aqueles olhos. segurou minhas mãos passando força e eu continuei. - Hoje no intervalo eu ouvi meus amigos comentarem algumas coisas pouco agradáveis de você, quando você me cumprimentou. Eles não perceberam que eu sorri de volta e então falara coisas sobre suicídio social e que você não era pessoa para conversar com a gente e tal. Então percebi que não daria para eu ser sua amiga porque eles fariam da minha vida um inferno. Conheço muito bem eles.
Quando me atrevi a olhar para , vi que ele tinha um semblante meio triste. Ele soltou minhas mãos e voltei a olhar para antiga pista e disse:
- Por isso que ei uma decisão. Você é uma pessoa incrível e não quero deixar de te encontrar, mas também não posso deixar que isso arruíne minha vida. O que você acha de sermos amigos às escondidas? É só finrmos que somos indiferentes um para o outro na escola e quando tiver conhecidos por perto. - fiz minha proposta e o olhei esperançosa. Ele olhava para a pista e parecia estar pensando bem no assunto. Olhou para mim e disse:
- É uma boa solução, mas temos que ar muito cuidado.
- Já pensei nisso. A minha escola de ballet é aqui perto então posso passar aqui na pista sempre depois de ensaiar. Tenho certeza de que não encontrarei nenhum conhecido aqui.
- Perfeito. Nada vai nos impedir de ficar juntos. - eu assustei quando ouvi-o dizer aquilo. Parecia se tratar de algo mais sério do que uma amizade, mas logo tirei esses pensamentos de minha cabeça.
Ficamos conversando o resto da tarde, e pouco antes das 18h eu estava esperando o Joseph me buscar em frente à companhia de ballet.

`s POV

Duas semanas já tinham se passado desde que e eu combinamos de não nos falarmos na escola. Era meio complicado no começo, mas logo nos acostumamos e isso tudo virou um tipo de jogo para nós. Nos primeiros dias, meus amigos estranharam o fato de eu não falar mais dela, mas depois se conformaram.
Eu estava na antiga pista de skate esperando a . Lá tinha virado o nosso ponto de encontro.
- Olá. Quero fazer algo hoje. Estou entediada. - Ela mal chegou e já foi falando.
- O que você quer fazer?
- Não sei. Algo divertido e diferente serve.
- Que tal aprender a andar de skate?
- Não acho que seja uma boa idéia. Eu devo cair toda hora.
- Claro que não! Você é bailarina. Tem muito equilíbrio. Vamos, por favor. - fiz a melhor cara de gato do Shrek que consegui.
- Tá bom, vou tentar.
Emprestei o meu skate para ela e primeiro fui ensiná-la andar no plano para evitar acidentes. Ela estava meio desequilibrada no começo e eu ri.
- Mesmo tendo equilíbrio para o ballet eu nunca tentei me equilibrar sobre rodas.- ri mais ainda dela tentando se justificar.
- Para de rir seu chato! - ela me deu um tapinha, mas como tava no skate quase caiu. Por instinto eu segurei sua cintura e evitei a queda. Mesmo depois de ela se equilibrar novamente eu não tirei minhas mãos de sua cintura. Não conseguia.

`s POV

Quando me segurou pela cintura eu senti formigamentos no local. Percebi que ele permaneceu com as mãos ali, mesmo depois de eu ter me reequilibrado e então o encarei. Nesse momento ele foi se aproximando mais e sem tirar suas mãos do lugar. Sem nem perceber fui me aproximando também. Os olhos dele fitavam minha boca com intensidade. Eu imanava o que aconteceria em seguida e queria muito que isso acontecesse.
Foi ali, ao lado da velha pista que parece uma piscina, e que descobri que se chama bowl, sobre um skate, que beijei pela primeira vez. Era um beijo calmo, mas que dizia tudo o que nós sentíamos um pelo outro. Após algum tempo ele quebrou o beijo me dando alguns selinhos e me encarou. O encarei de volta e voltamos a nos beijar.
Ficamos curtindo um ao outro quando fomos interrompidas pela musica da fada açucarada. Era ligando para meu celular. Olhei para e ele disse para eu atender.
- Oi .
- , onde você está? Esqueceu que meus pais vão viajar hoje e por causa disso vou ficar duas semanas na sua casa? - OMG! Eu realmente tinha esquecido que ela ia ficar em casa esses dias.
- Você está onde ?
- Nesse instante sentada na sua cama e quero saber onde a senhorita está.
- Já estou indo para casa. Aguente só um pouquinho mais, por favor.
- Ok amiga. Mas não demora muito porque estou entediada.
- Claro. Beijos, até logo.
- Beijos.
Desliguei o celular, me despedi de com um beijo e fui para casa de táxi, mesmo porque não daria para esperar o Joseph chegar. Assim que pisei no meu quarto a já foi fechando a porta e me puxando para a minha cama.
- Me diz quem é ele! - ela disse, fazendo um pequeno escândalo.
- Ele quem? - me fiz de desentendida, afinal estávamos nos vendo escondido.
- O cara que te deixou com esse sorriso apaixonado. - não tinha jeito mesmo de negar algo assim para minha melhor amiga.
- Bom, no momento não te posso falar quem é ele, por mais que eu queria. Mas talvez logo poderei te contar. - sentia que nela podia confiar, mas não contaria nada que não deixasse.
- Eu acredito que você não possa me contar por enquanto, mas me conte ao menos como é com ele.
- Ai, ele é lindo, fofo, divertido e carinhoso. Está claro que pela primeira vez em minha vida eu senti isso que eu sinto por ele. Quando estou com ele estou em um lugar seguro, sem nenhuma tristeza, dor ou lágrima. Me sinto calma e feliz, como se finalmente tivesse achado o lugar ao qual pertenço. É algo tão forte e estou sendo sincera quanto a isso. Não mudaria nenhuma coisa, nem mesmo o fato de estarmos nos vendo escondido. Esse é o melhor sentimento de todos.
- Que lindo amiga. Você está realmente apaixonada por ele. Mesmo sem saber quem é ele eu já aprovo, porque se ele faz você se sentir dessa maneira é porque vocês foram feitos um para o outro. Mas porque vocês estão ficando escondidos?
- Ah , isso é complicado. Você vai entender melhor depois, mas digamos que é porque a Vani, a Jenny, o Estevão, o Boo e o Vini não aprovariam.
- Você não devia deixar isso influenciar suas escolhas, mas você que decide. Me diz uma coisa, ele é da escola?
- É sim, .
- Bom saber. - ela logo descobriria tudo, mas isso não me preocupava. Seria bom ter alguém para conversar sobre o . Conversamos até a hora do jantar, jantamos, nos preparamos para dormir e conversamos até cairmos no sono.
Acordamos às 06h20min, nos arrumamos e descemos para ar o café da manhã. Em seguida fomos para a escola. Toda hora que algum garoto bonitinho passava por nós nos corredores, me cutucava e perguntava "é ele?" e a resposta era sempre a mesma, não era ele.
Assistimos às aulas dos primeiros horários normalmente, e às vezes jogava um papelzinho na minha mesa perguntando coisas sobre o meu "garoto misterioso", mas não respondi mais nada.
Estávamos no refeitório lanchando e conversando tranquilamente, quando e seus amigos passam em frente à nossa mesa. Eles nem olharam para nós, mas logo pude ouvir o Vini falando:
- Porque esse povo não se mata de uma vez? O mundo ia ser bem melhor assim.
- Nossa Vini, que maldade. Deixa eles serem insignificantes em suas vidas, desde que não se metam com a gente está bom. - pensei que a Jenny estava os defendendo até ouvir tudo o que ela falou.
- Não sei como essas pessoas não tem vergonha de sair de casa. Eles não tem o mínimo de classe. - assim que a Vani terminou de falar eu me levantei da mesa e saí. Não aguentava mais ouvir eles falaram isso. Ainda escutei o Boo perguntando o que tinha dado em mim e a falando que eu já estava reclamando de dor de cabeça e que deveria ter piorado. Logo ela já estava ao meu lado e me seguiu até uma escada mais afastada de todos onde nos sentamos.
- Me diz o que foi aquilo. - ela me perguntou.
- Sabe , eu só não agüento mais ouvi-los falando mal de pessoas que eles nem conhecem. Só porque não possuem o mesmo estilo e os mesmos gostos, não significa que são inferiores. Isso me chateia tanto.
- Ele é um deles, certo? - eu sabia que ela estava falando de .
- É sim.
- Você tem bom gosto, independente de qual deles ele seja eu aprovo mais ainda. São todos lindos. - só ela para me fazer rir em uma hora dessas, mesmo. - Mas qual dos gatinhos é ele?
- O da frente.
- Aquele com um tênis vermelho e branco?
- Esse mesmo. - agora já sorria por lembrar-me dele.
- É, vocês formam um belo casal. Quando é que vou conhecê-lo?
- Ainda não sei , preciso conversar com ele primeiro.
- Tudo bem, eu consigo esperar um pouquinho.

`s POV

Desde o nosso beijo de ontem eu não conseguia parar de pensar em . Eu estava tão inquieto que os caras perceberam e me perguntaram o que eu tinha. Como confio neles contei tudo, desde os nossos encontros às escondidas até o nosso beijo.
- Uau. Que complicado, ela realmente parece ser diferente daqueles amigos dela. - e balançaram as cabeças concordando com o que disse.
- Ela é, uma das pessoas mais incríveis que conheci. - disse para os caras.
- Uau, quem é essa pessoa tão incrível? - , a namorada do chegou perguntando com , a namorada do , atrás dela.
- A garota do . - disse e levou uma cotovelada nada delicada do e logo em seguida olhou para mim como quem se desculpa. , que já estava sentada ao lado de seu namorado me perguntou quem é ela.
- Não sei se posso contar a vocês ainda, mas hoje vou conversar com ela e se possível eu conto a vocês quem ela é.
O resto da manhã passou normalmente. Eu estava na pista treinando algumas manobras, quando estava no meio de um nolliefrontsidebigspinflip eu vi de relance a e me desconcentrei, perdendo o controle do skate e caindo.
- , você tá bem? - veio correndo para meu lado. Ela fica linda com essa cara de preocupada.
- To sim, foi só um bo, isso é mais comum do que você imana. - ela acalmou com que eu disse e me deu um selinho.
- Não me assuste assim mais não! - ela disse em seguida. Levantei, me despedi dos outros skatistas e fui com para uma lanchonete que tinha ali perto. Pedi um hambúrguer e uma coca e ela pediu um sanduíche natural e um suco. Pegamos nossos pedidos e nos sentamos em uma mesa um pouco afastada, afinal ainda corríamos o risco de sermos vistos juntos.
- , hoje de manhã a descobriu sobre a gente, mas não se preocupe, ela não vai comentar com ninguém. - Já tínhamos terminado de comer e estávamos apenas sentados conversando.
- Eu também meio que contei para os caras. E o contou para e .
- Elas são as namoradas do e do né?
- São sim. E elas querem te conhecer, mas não sabem que a minha garota é você.
- A também quer te conhecer. Bem que a gente podia combinar um dia para eu apresentar vocês.
- Claro, e eu estava pensando, amanhã vou ver filme com os meninos e as meninas na casa do , vem também, aí eles já ficam te conhecendo de uma vez.
- Você acha que é uma boa ideia? Eles não vão me criticar por causa dos meus amigos não?
- Claro que não, meu bem, eles de cara vão ver o quão incrível você é. E também sabem que qualquer coisa ruim que falarem ou fizerem com você, eu brigo. - eu disse a mais pura verdade. Conhecia-a há pouco tempo, mas já sentia que por ela sou capaz de tudo.
- Então tá bom, mas você vai sair comigo e a depois de amanhã, em troca.
- Tudo bem, está combinado.
Ficamos mais um tempo ali conversando e depois ela foi para casa. Tomei uma decisão que parecia um pouco precipitada, mas era o que eu mais queria no momento. Fui ao shopping e olhei várias lojas até achar o que eu procurava: um presente para dar à amanhã quando a pedisse em namoro antes de irmos para casa de . Em uma loja eu encontrei o presente ideal. Era uma corrente fina e delicada dourada, com um pingente, também delicado de uma bailarina. Fui até o caixa, paguei e pedi à moça para embrulhar para presente. Coloquei o embrulho com cuidado em minha mochila e fui para casa.
Mal consegui dormir de tanta ansiedade pelo que eu faria hoje atarde. Arrumei-me de qualquer jeito e fui para o colégio. Os professores tinham colocado eu e os caras para sentarmos separados na sala e assim evitar conversas, então não poderia falar com eles até a hora do intervalo. Estava tão inquieto que não prestei atenção em nada que os professores falaram, só fiquei mexendo meus pés sem parar e rabiscando o caderno com desenhos e trechos de letras de músicas. O sinal anunciando o intervalo tocou e eu praticamente voei para fora da sala. Os caras estavam muito devagar então fui para a mesa de sempre os esperar, batucando na mesa impaciente. Assim que os caras chegaram já me preguntaram o que eu tinha e eu soltei de uma vez:
- Vou pedir a em namoro hoje.
- O quê?!?! - os três quase gritaram em uníssono.
- É. Eu não quero só ficar com ela, quero algo sério, mesmo que seja escondido quero ter a certeza de que ela é minha.
- Ok né, se você quer mesmo isso vai fundo. - disse, e concordaram com ele.
- Valeu gente, vocês são mesmo foda. E tem mais uma coisa, eu a chamei para ver filme com a gente hoje, tem problema?
- Claro que não, bom que ficamos conhecendo mais dela.
- Concordo com o , fiquei curioso para ver o que de tão incrível ela tem que fez você ficar aos pés dela. - disse e se levantou para cumprimentar com um beijo.
Depois de conversar com eles eu fiquei mais tranquilo. Tínhamos combinado de assistir o filme às 15h, e por sorte não tinha ballet hoje, então nos encontraríamos 14h30min na pista para irmos para casa do . O que ela não sabia é que antes disso eu iria pedi-la em namoro. Eram quase 14h quando fui me arrumar. Tomei um banho caprichado, coloquei uma roupa legal e passei meu melhor perfume. Peguei minha mochila, onde estava o presente e saí de casa.
Cheguei lá, ela estava sentada na beirada do velho bowl olhado para cima. Olhei no relógio e vi que ainda faltavam 5min para o horário combinado. Não estava atrasado. Aproximei-me sorrateiramente e a abracei por trás beijando-a em seguida. Além de cheirosa ela estava linda, usava um all star branco, um shorts jeans básico e uma blusa meio folgadinha lilás com algumas frases. Seu cabelo estava preso em uma trança, daquelas feitas desde a raiz, de lado.
- Eu estava ansiosa e vim mais cedo, estou com medo de seus amigos não gostarem de mim.
- Relaxa, não tem como eles não gostarem da minha namorada. - eu usei aquela palavra de propósito.
- Namorada?
- Só se você quiser.
- Você tá falando serio? - ela me olhava com uma cara de surpresa. Linda. Tirei a caixinha de presente da minha mochila e me sentei ao seu lado, já que não dava para ajoelhar. Tirei a correntinha da caixa e estendi para ela dizendo:
- , sei que somos de grupos e estilos diferentes, mas de alguma forma me apaixonei por você. O seu sorriso é o mais lindo de todos, assim como seu rosto e você toda, sua voz é como uma canção para mim e quando estou longe de você é como se não houvesse mais sol. Não ligo se tivermos que namorar escondido do mundo inteiro, mas quero você só para mim. Aceita ser a minha namorada? - Ela tinha lágrimas nos olhos, e me preocupei achando que eu iria levar o maior fora da história. Então ela se aproximou e me beijou, em seguida dizendo:
- Claro que aceito. - a beijei novamente e então coloquei a correntinha em seu pescoço.
- , é linda, não precisava. - ela disse, admirando o presente que dei a ela.
- Claro que precisava. Como não posso estar ao seu lado o tempo todo pelo menos isso vai mostrar que estamos juntos.
- Sendo assim não vou tirá-la nunca.
- Perfeito. - então me levantei, a ajudei a levantar e fomos até a casa do .
Chegando lá entrei na sala com atrás de mim, todos já estavam lá, então eu apenas disse:
- Essa é , minha namorada. - me senti tão bem dizendo para alguém que aquela garota linda ao meu lado é a minha namorada. Apresentei todos a ela e logo e já a tinham tirado de mim. Ela me olhou e sorriu, vi que ela estava feliz por ter sido bem aceita. Passamos o resto da tarde em meio a brincadeiras, gargalhadas, assistindo filme e comendo porcarias. Queria ter momentos como esse para sempre.

N/a: Olá! Obrigada por lerem minha fic. Esse capítulo está maiorzinhoe espero que gostem. Vou demorar para mandar o próximo capítulo porque além do bloqueio mental que adquiri para ele, nas duas próximas semanas terei provas todos os dias, mas nas férias pretendo escrever bastante ^^
Qualquer crítica e sugestão que tiverem podem me falar, seja por comentário ou e-mail. Meu e-mail é rinaap94@gmail.com e meu twitter é @rinapereira
Xoxo


Nota da Beta: Qualquer erro nessa fanfic é meu, então me avise por email. Obrigada. Xx.