
Por: Angie P.
Beta: Nelloba Jones
Capítulo 1
Dougie’s POV ON
- Eu pensei em fazermos algo diferente, rapazes. – Dave, nosso empresário, disse enquanto nos sentávamos num sofá de frente para ele.
- Tipo o quê? – Tom perguntou já interessado.
- Bem, o que vocês acham de visitarem uma clínica de reabilitação para dependentes químicos?
- Eu acho legal. – Harry foi o primeiro a concordar.
- Eu também! – Tom e Danny disseram juntos e riram um do outro.
Depois todos olharam para mim.
- Por mim, acho bom e...
- O quê? Passou o medo da sua “dona”, é? – Daniel tentou me provocar, dando um sorrisinho de lado.
Conseguiu.
- Eu vou dizer pela última vez, Jones...
- Ok, rapazes, já estamos conversados. – fomos interrompidos por Dave, que deu fim à possível briga. – Ainda bem que vocês concordaram, eu já tinha agendado a visita para amanhã. – ele sorriu aliviado, dissipando a tensão na sala.
Levantei sem olhar para nenhum dos caras da banda, apenas dando um leve aceno de cabeça para Dave. Aquelas brigas me cansavam e eram freqüentes, desde a minha volta com Frankie.
Há algum tempo, quando ela terminou comigo pela segunda vez, eu perdi meu chão, não sabia o que fazer. Entrei em uma depressão terrível, cheguei a me internar. Danny, Tom e Harry faziam o que podiam para me ajudar, mas eles não podiam consertar meu coração, que era o que mais me machucava. Eu nunca amei ninguém como eu a amo. Sério. Só fiquei bem quando ela resolveu que nós deveríamos voltar. Claro que eu tive consciência de que parecia o cachorrinho dela, mas o que eu poderia fazer? Tentei namorar outras garotas, até consegui por um tempo, mas de nada adiantou. No fim, eu fiz o melhor para mim.
O pior foi que além dos guys, as fãs também passaram a me julgar. Sei que elas só querem o melhor para mim, porém, a vida não é delas.
E eu preciso da Frankie.
Dougie’s POV OFF
No outro dia, os quatro rapazes encontraram-se em frente à clínica. O clima estava estranho, o que tinha se tornado comum entre eles.
Nunca antes o McFLY esteve tão separado, tão silencioso. Dougie não aceitava a opinião dos amigos, e eles não aceitavam a decisão de Dougie. Ele não entendia que, apesar de tudo, os outros só queriam o bem dele. Preocupavam-se com ele.
Uma mulher aproximou-se deles e os chamou para entrarem na clínica.
- Olá, eu sou Annie Lucius, diretora da St. Marie, instituição para tratamento de dependentes químicos. Como vocês podem ver, nossa clínica é muito grande, creio que a maior de toda a Inglaterra. Aqui nós temos pacientes voluntários, que se internam por vontade própria, e os involuntários, que são internados por familiares ou responsáveis. Fiquei muito feliz em saber que vocês estavam interessados em nos visitar, a maioria aqui é muito jovem, talvez vocês possam conversar com eles, dar alguns conselhos, essas coisas...
A mulher continuou falando durante toda a caminhada enquanto eles a seguiam pelo extenso corredor. Pararam diante de uma grande porta marrom e quando a doutora Annie a abriu, eles ficaram boquiabertos com o tamanho do lugar, uma espécie de salão, já com o palco montado. O instrumento de cada um já estava posicionado e eles perceberam que não seria apenas uma simples apresentação, e sim um show particular para a galera da clínica.
- Bem, – Annie virou-se para eles. – se quiserem se aquecer, ensaiar ou algo assim, façam agora enquanto aviso aos pacientes que a apresentação irá começar. Sintam-se à vontade, rapazes.
- Tudo bem, nós vamos nos posicionar e passar o som, sem problemas. – Tom disse a ela e depois os quatro meninos da banda observaram a mulher afastar-se.
Tocaram algumas músicas, apenas para se aquecer, e logo vários jovens e alguns adultos começaram a chegar. Em questão de minutos, o local já estava cheio.
- Hey, galera! Eu sou Tom Fletcher, do McFLY, e esses são Danny Jones, Dougie Poynter e Harry Judd! – Tom apresentou a banda enquanto Danny e Dougie faziam gracinhas para o público e Harry acenava sorridente da bateria, balançando uma baqueta. – Vamos começar com Five Colors In Her Hair, quem souber canta junto! – ele começou animado com os primeiros acordes da música e logo os outros integrantes o acompanharam.
Depois de Five Colors, eles tocaram That Girl, Falling In Love, Star Girl, That’s The Truth, Party Girl, Point of View, Obviously, Transylvania, Please, Please, I need a Woman e finalizaram com All About You. Desceram do palco e foram cumprimentar às pessoas, distribuir autógrafos e conversar com todos ali.
Dougie procurou pela diretora da clínica com o olhar e assim que encontrou a mulher, foi em sua direção.
- Erm... Senhora Lucius, onde eu posso encontrar um banheiro? – perguntou completamente envergonhado.
- Ah, sim, querido. Deixe-me ver... Há um aqui mesmo, mas com tanta gente será difícil chegar até lá... Você pode usar o do corredor dois! Siga pelo mesmo corredor que eu os trouxe para cá e procure por uma porta azul. Vá por ela e entrará em outro corredor. Logo que entrar nele, verá uma plaquinha indicando o banheiro, não tem erro. – ela terminou a frase sorrindo ternamente para ele. Nem mesmo ela era imune ao sorriso doce de Dougie.
Ele acenou e seguiu pelo caminho indicado.
Assim que chegou ao corredor dois, depois de ter que passar por várias pessoas querendo elogiá-lo e de dar alguns autógrafos, ele finalmente respirou aliviado. Precisava urgentemente ir ao banheiro ou a situação se complicaria. Porém, ao passar por uma porta cinza, algo lhe chamou a atenção e, por causa de sua curiosidade, nem mesmo se lembrou que, segundos atrás, estava apertado.
Parou em frente à porta, esforçando-se para ouvir mais claramente a voz doce que cantava e a melodia harmoniosa do violão.
- “Pretty, pretty, please, if you ever, ever feel like you’re nothing, you’re fucking perfect to me…” – e a música parou.
Dougie não teve nem tempo de pensar, a porta abriu-se, revelando uma garota num vestido simples e não muito curto, mas que mesmo assim não escondia suas belas pernas, segurando um violão na mão.
- Vai ficar aí me ouvindo para sempre ou será que eu posso tocar em paz?
Ele não soube o que responder diante do olhar intenso da garota.
- Eu... Ahn... Olha, desculpa mesmo, ok? Eu só estava passando, juro, e bem, você tem uma bela voz... - ele tentou dar um de seus sorrisos para a garota, mas ela manteve sua expressão séria. – Só pra saber, como soube que eu estava ouvindo? Não fiz barulho algum!
- E você acha que a sombra de seus pés na porta não ia te denunciar? – ela rolou os olhos. – Se me dá licença, vou continuar o que estava fazendo antes de um senhor intrometido tirar minha concentração.
Quando a garota tentou fechar a porta, Dougie, por um impulso, segurou seu pulso, fazendo com que ela lhe lançasse um olhar mortal.
- Espere, eu não posso ao menos saber seu nome? Por favor, só quero ouvir mais da música, é realmente bonita, não custa nada...
A garota o observou e, por fim, suspirou alto. Pôde perceber que ele não a deixaria em paz se ela não lhe mostrasse a bendita música.
- Certo, entre. Mas depois você tem que me deixar em paz, entendeu? E a propósito, meu nome é .
Capítulo 2
[n/a: coloquem essa música para carregar]
’s POV ON
Deixei que o intrometido entrasse no quarto, mas não sem antes checar o corredor. Se Annie descobrisse que eu ficara sozinha com um rapaz em meu quarto, ela iria querer explicações, mesmo que esse rapaz sendo Dougie Poynter. Sim, eu soube no momento que o vi, quem ele era. E também, nem eu mesma sei o porquê de ter deixado esse infeliz entrar aqui. Acho que foram os olhos dele. Sério, por acaso já tentou dizer não para uma pessoa com maravilhosos e hipnotizantes olhos azuis como os do Poynter? É uma tarefa impossível. Os olhos dele não permitiram que eu usasse a minha grosseria usual com ele. Aliás, não a usasse toda, porque eu bem que tentei ser desagradável, sabe, mas ele parece inabalável! Malditos olhos, é, tudo culpa desses olhos. Talvez eu devesse vendá-lo. Ok, mentira, mas devo admitir que a imagem dele vendado, e também amarrado, automaticamente vieram a minha mente e...
- Wow, você tem muitas músicas aqui! São todas suas? – a voz do desagradável me trouxe a realidade, tirando-me de meus devaneios pervertidos e descontrolados. Ainda bem.
Voltei minha atenção para ele e o vi com meu caderno de letras em mãos.
- Opa, dá pra largar das minhas coisas? – perguntei indignada, indo até ele e retirando meu caderno de suas mãos. – Isso é invasão de privacidade! Eu já estou sendo legal demais por concordar em mostrar uma música, será que você poderia parar quieto?
Ele pareceu decepcionado, mas sentou-se na poltrona ao lado da minha cama enquanto eu acomodava-me nela com o violão em mãos. Remexeu-se inquieto, parecendo ansioso.
Por Deus, qual o seu problema, cara?
Enquanto eu me sentava na cama, meu vestido levantou-se um pouco, e quando me abaixei ligeiramente para arrumá-lo, percebi com a minha visão periférica, Dougie me observar mais interessado do que eu gostaria. Ótimo, agora, além de desagradável, intrometido e problemático, o cara ainda é tarado. E eu estou fechada num quarto com ele. Hum. Chega, !
- Eu não posso nem fazer algumas perguntas? Digo, queria saber mais sobre você... – ele perguntou ainda inquieto.
- E o que é que você quer saber? Tá tirando com a minha cara, garoto? – perguntei irritada.
- Não, claro que não. Poxa, só queria saber sobre a sua vida, sei lá. Mas se você quiser, eu posso falar da minha vida, assim não será injusto. Eu conto a minha e você conta a sua! – fiz uma cara de “pouco me interessa a sua vida” mas acho que o problemático entendeu errado e começou seu monólogo. – Meu nome é Dougie Poynter, 24 anos...
- Eu sei quem você é! – o interrompi irritada. – Quem em sã consciência, mora na Inglaterra e não conhece Dougie Poynter, o baixista do McFLY?
- Esse é o problema! – ele levantou-se, parecendo irritado. – As pessoas só me conhecem como “o baixista do McFLY”! Eu não sou só isso! – por um momento, seus olhos me encararam e eu pude perceber que ele estava chateado. Ah, por favor, o que ele queria? Que cara chato!
- Ok, meu nome é , 18 anos, brasileira, e só. É o máximo que você vai saber de mim. – respondi, tentando acabar logo com toda aquela situação.
Depois de uns minutos apenas nos encarando, sua expressão finalmente suavizou-se e ele passou a encarar o chão. Então, olhou novamente para mim, mas seus olhos agora tinham um misto de vergonha e curiosidade. Ai, não, aí tem!
- Posso só saber se você, erm... Bem, você sabe... – inclinou a cabeça para o lado, sugestivo, mas eu não entendi. Ele bufou. – Você realmente usa drogas? – perguntou finalmente, lançando-me um olhar incrédulo.
- Não, na verdade estou aqui porque confundi a clínica com um SPA e resolvi ficar. Sabe como é, o almoço aqui é de graça. – respondi cinicamente, dando um sorrisinho para ele. Não preciso dizer que ele acreditou, não é? – Eu tento não usar, – respondi por fim, tentando parecer educada. – e por isso estou aqui. Mas é complicado.
Encarei-o, tentando encontrar algum nojo ou receio em seus olhos, mas eles permaneceram sinceros e curiosos, e incrivelmente encantadores. Eca, não acredito que usei essa palavra. Ew.
- Sei que é chato perguntar, mas por que você entrou nessa? – eu o encarei, ainda tentando entender a pergunta. – Digo, você não parece o tipo de pessoa pra isso, sabe? Você é nova, é inteligente, você tem o dom pra música! Compõe e tudo mais, e tem uma voz linda! Não parece o tipo de pessoa que precisa disso, entende? – ele parecia confuso. Tentei sentir raiva dele, mas não consegui. Havia inocência demais naqueles olhos, sinceridade demais. Ele não falava aquilo para me irritar, falava para tentar entender. Sinto muito, Dougie, você não entenderia.
Desviei meus olhos para a janela, observando o grande jardim do lado de fora e alguns pássaros bonitos que passavam por ali. Não me atrevi a virar, sabia que ele esperava uma resposta.
- Às vezes as aparências enganam. – respondi por fim, ainda sem encará-lo, temendo que minha voz tremesse. – Você só me viu aqui, bem e tudo mais, mas isso não significa que eu não tenha meus momentos ruins. Você sabe meu nome, não a minha história*.
Voltei meu olhar para ele, finalmente, e o vi sério, perdido em pensamentos. Peguei o violão e me concentrei em dedilhar a melodia da música, sentindo ele se sentar ao meu lado. Acho que ele entendeu que aquilo significava o fim da conversa.
- Qual o nome da música? – ouvir a voz dele próxima do meu pescoço causou-me um arrepio estranho, mas ignorei e torci para que ele não percebesse.
- Fucking Perfect. – murmurei, pela primeira vez envergonhada em ter que tocar na presença de outra pessoa. Isso é realmente muito estranho. Muito.
’s POV OFF
Dougie sorriu quando a garota virou-se para ele, encorajando-a a tocar. Ele gostou dos olhos dela. Gostou da cor. Ela tinha olhos , mas não eram comuns, eles pareciam tão calorosos! Sentiu que ela poderia derretê-lo com aqueles olhos. Combinavam perfeitamente com o castanho do cabelo. Olhos misteriosos. Realmente hipnotizantes, foi o que ele pensou. Então, percebeu que poderia passar o dia todo assim, observando-a. Os olhos dela eram bonitos, e mesmo ele estando bem perto, teve vontade de aproximar-se mais, encará-los bem próximo, analisá-los. Era estranho, mas ele sentiu como se a conhecesse há anos, como se ele sempre estivesse ali, com ela. Quando percebeu o que estava pensando, chacoalhou a cabeça, tentando afastar esses pensamentos estranhos e tentando concentrar-se em , que agora começava a cantar calmamente, prendendo a atenção dele.
[n/a: coloque a música para tocar…]
Made a wrong turn, once or twice,
Dug my way out, blood and fire
Bads decisions, that’s alrigh
Welcome to my silly life
Ela olhou para o garoto, que a encarava intensamente. Sentindo suas bochechas corarem, desviou e voltou a cantar.
Mistreated, misplaced, missunderstood
Miss know it, It’s all good
It didn’t slow me down
Mistaken, always second guessing
Underestimated, look I’m still around
Ele a encarava abismado. Ela cantava com tamanha emoção, que ele chegava a sentir arrepios. Ele percebeu que a música não era uma simples música, era um desabafo. Ela cantava com o coração, com a alma. Ela era incrível.
Pretty, pretty, please, don’t you ever, ever feel, like you’re less than
Fucking perfect
Pretty, pretty please, if you ever, ever feel, like you’re nothing
You’re fucking perfect, to me
Agora ela cantava de olhos fechados, apenas sentindo. Aquela música era especial para ela, era como uma terapia. Ela sentia-se bem cantando, e sabia que Dougie sentia-se bem ouvindo.
You’re so mean
When you talk, about yourself
You’re wrong
Change the voices in your head
Make them like you instead
Ela abriu os olhos novamente e sorriu para ele. Ele retribuiu, sentindo-se bem. De alguma forma, sabia que ela não havia mostrado aquela música para muitas pessoas, talvez para ninguém. Sentiu-se honrado.
Ela ficou séria novamente e ele percebeu que aquela parte deveria ser importante.
So complicaded
Look how we are making
Filled with so much hatred
Such a tied game,
It’s enough, I’ve done all I can think of
I’ve chased down all my demons
I see you do the same
Oh, Oh
Ela fechou os olhos mais uma vez. O refrão era tão forte, tão intenso para ela. Ela gostava de pensar que algum dia as pessoas ouviriam aquela música e se sentiriam melhor. Gostava de pensar que algum dia ela ajudaria alguém, mesmo que somente com uma música.
Pretty, pretty, please, don’t you ever, ever feel, like you’re less than
Fucking perfect
Pretty, pretty please, if you ever, ever feel, like you’re nothing
You’re fucking perfect, to me
Ele percebeu que ela ia mudar a batida da música, e gostou do jeito que ela havia montado a melodia. Como poderia haver tanto talento escondido ali naquela clínica? Ela era maravilhosa, tinha feito uma música perfeita e, principalmente, uma música verdadeira. Ela tinha traduzido sentimentos em palavras. Nem todos conseguem isso.
The whole world is scared so I swallow the fear
The only thing I should be drinking is an ice could beer
So cool in lying and we tried tried tried
But we tried so hard, It’s a wast of my time
Don’t look for the critics, cuz they’re everywhere
They don’t like my genes, they don’t get my hair
Stringe ourselves and we do it all the time
Why do we do that?
Why do I do that?
Ela deu uma pausa, olhando para ele significativamente antes de continuar:
Why do I do that?
E ele entendeu o que ela quis dizer. E pela enésima vez naquele dia, ele pensou no quão incrível aquela garota era.
Yeah!
Pretty, pretty, please, don’t you ever, ever feel, like you’re less than
Fucking perfect
Pretty, pretty please, if you ever, ever feel, like you’re nothing
You’re fucking perfect, to me
You’re perfect
You’re perfect
- Nossa, isso foi realmente... Essa música... Wow! – Dougie ficou sem palavras quando terminou de tocar. Ela, com certeza, tinha talento, qualquer um poderia ver, ela tinha futuro. Um diamante bruto.
Ela tentou não demonstrar, mas estava imensamente feliz por ele ter gostado. Nunca havia mostrado alguma música para nenhuma pessoa, a não ser a . Mesmo assim, ficou em dúvida se ele estava sendo sincero.
Talvez estivesse fingindo. Vai saber.
- Sabe... – ele começou a falar, mas foi interrompido por leves batidas na porta, seguidas de um chamado.
- ? – uma voz feminina e agradável chamou a garota pelo apelido.
- Pode entrar, ! – respondeu, levantando-se. Dougie levantou-se também, um pouco perdido, sem saber o que fazer.
- Hey, ! - uma garota alta entrou no quarto, o cabelo comprido jogado por sobre os ombros brilhavam de uma forma única, ela era linda, e parecia emanar confiança. Seus olhos de um tom mel eram atentos, curiosos e logo olharam na direção de Dougie. Apesar de os mesmos mostrarem curiosidade e confusão, ela estava sorridente. Dougie pôde jurar ver algo como uma aura angelical em volta da garota e, por um momento, pegou-se pensando se ela poderia ser um anjo. Talvez o anjo de , já que ela realmente precisava de um. É, talvez fosse isso. Não dizem que nós temos anjos na terra? Algo como amigos que estão sempre conosco? parecia mesmo precisar de algum tipo de proteção, Dougie podia perceber que por trás de toda aquela imagem fria e independente, havia uma garota frágil.
E lá estavam seus pensamentos novamente levando-o para ela. Algo nela o puxava, e isso ele não podia negar. Restava descobrir se isso era algo bom ou ruim.
- Ah, , desculpe, eu não sabia que você tinha visitas! – ouviu a garota - a qual soube que o nome ou apelido era , já que foi assim que a chamou - falar com e voltou sua atenção para a conversa das duas.
- Ele já está de saída. – ouviu murmurar e lançou a ela um olhar indagador, mas ela apenas o encarou de volta com uma expressão vazia.
Onde está aquela garota que a pouco tocava uma música incrível neste mesmo quarto? perguntava-se Dougie confuso. Ela, praticamente, o estava expulsando dali!
- Eu já ia mesmo. – foi tudo o que conseguiu dizer, encaminhando-se até a porta, mas antes parou em frente à recém-chegada. – Prazer, Dougie Poynter. – disse, estendendo a mão para ela.
- Dreher. – ela apertou a mão dele e sorriu amigavelmente.
Dougie virou-se para e passou a mão pelo cabelo, sem saber muito bem como se despedir.
- Então, eu posso voltar pra te visitar? – perguntou envergonhado, dando um sorrisinho de canto, torcendo para que ela aceitasse.
não conseguiu não sorrir de volta. Lá se foi por água abaixo sua tentativa de ser fria com ele. Ele derretia todas as suas barreiras.
- A vida é sua, se quiser perder seu tempo... – deu de ombros.
Ele se aproximou, dando-lhe um beijo rápido na bochecha e saindo sem olhar para trás. Ela estava estática.
- Ok, agora a senhorita vai me contar tu-di-nho. – disse pausadamente, mexendo as mãos ansiosas pela curiosidade. – O que Dougie Poynter fazia aqui, com você, dentro do seu quarto? – ela frisou muito bem o com você, dentro do seu quarto, lançando a um olhar malicioso. Então puxou a menina pelo braço, sentando-se na cama e fazendo a outra sentar-se de frente para ela.
- ANDA! CONTA LOGO! – falou, ou gritou, na tentativa de acordar de seus devaneios. estava se mordendo de curiosidade.
- Longa história... – foi tudo o que saiu da boca de uma confusa , que ainda tentava entender o que tudo aquilo significava. Tinha apenas uma certeza: Dougie Poynter não desapareceria de sua vida.
Não tão cedo, pelo menos.
Dougie seguiu pelo corredor calmamente, formulando planos em sua mente. Ela trabalhava a mil. Não podia deixar uma garota talentosa como gastar a vida em uma clínica de reabilitação, muito menos deixar que ela se perdesse por causa do vício. Estava decidido a ajudá-la.
- CARA, onde você estava? – um Tom ofegante apareceu assim que Dougie abriu a porta para o corredor um, sendo seguido por Harry, Danny, e mais atrás, a senhora Lucius. – Tá maluco, Poynter? Estávamos te procurando faz um tempão! Por que não avisou que ia demorar ou sei lá? Onde você estava? – Tom não estava exatamente irritado, parecia cansado e preocupado, assim como os outros guys. Dougie ficou feliz por ver que eles importavam-se tanto assim com ele. Ele só queria os velhos amigos de volta. Por um minuto, deu-se conta que a música de havia deixado-o mais sentimental do que de costume. Hum.
- Ok, ok, fiquem calmos! Eu já estou aqui, respirem! Agora vamos logo porque tenho muita coisa pra contar pra vocês! – lançou um olhar para os outros guys e os deixou curiosos.
- Contar muitas coisas tipo o quê, Poynter? – Harry perguntou, interessando-se.
- Vocês saberão logo, logo...
Despediram-se da diretora e dirigiram-se à saída, procurando seus carros, combinando de estacionarem na Starbucks mais próxima, para Dougie finalmente contar o que tanto queria.
Ele tinha planos, muitos planos.
*Frase da cantora Demi Lovato
Capítulo 3
- Então, você pretende ajudá-la? - Harry perguntou após ouvir a longa explicação de Dougie sobre a garota da clínica.
- É, cara! Se vocês ouvissem como ela canta, nossa! Ela tem futuro, e além de talentosa, ainda é bonita. E vocês sabem como isso ajuda... – o menor deu de ombros, vendo Harry e, principalmente, Danny sorrirem disfarçadamente, mas Tom fechou a cara quase imediatamente.
- Ouça, Dougie. Eu até entendo essa sua vontade toda estranha de querer ajudar a garota se ela é tão talentosa e bonita quanto você diz. – ele deu ênfase à palavra “bonita” e Dougie até tentou protestar, mas Tom fez um gesto pedindo silêncio. – Só que caso você não se lembre, nós... – apontou para si mesmo e depois para os outros três. – temos uma banda! Temos que começar a trabalhar sério no novo álbum, compor novas músicas! Você não terá tempo para ser babá de uma drogada.
Três pares de olhos fixaram-se indignados sobre Tom, e Harry foi o primeiro a falar, encarando-o:
- Tom, você bebeu? – o outro o olhou sem entender. – Você está sendo preconceituoso, mate! Se a garota está numa clínica, é porque está tentando se livrar de qualquer vício que ela tenha! A banda está numa fase bem mais calma e Dougie pode, sim, ajudá-la! Aliás, estou até curioso para conhecê-la.
Harry sorriu amigavelmente para Dougie e o amigo ficou mais calmo.
- Eu também estou. – Danny pronunciou-se e todos o olharam sem entender. – Digo, estou curioso para conhecer a garota! Por favor, Tom, você pode arranjar uma desculpa melhor! Eu mesmo tenho meus projetos fora da banda e nem por isso somos prejudicados, certo?
Tom ficou sem palavras. Ele não queria envolver o nome do McFLY a uma garota que estava naquela situação. Já estava cheio de problemas e Dougie estava querendo arranjar mais, será que os outros não entendiam? Será que ele tinha que ser sempre o mais responsável?
- Tom, por favor, o que te custa dar uma chance a ela? – Dougie perguntou num tom sério. – Serei eu que cuidarei das coisas relacionadas a , não estou pedindo para você tomar conta dela. Só quero o apoio e a confiança de vocês, é só o que eu peço. Eu vejo um futuro promissor para ela! – ele olhou suplicante para o amigo, tentando fazê-lo entender. Thomas podia ser incrivelmente cabeça dura quando queria, ainda mais quando não gostava de algo.
- Fora que, se a carreira da garota decolar, isso fará muito bem para nós... Imaginem só! – Harry concluiu, esfregando as mãos e sorrindo animado.
- É, e se desabar, nós caímos juntos! – Tom protestou. – Já imaginou se ela for uma Amy Winehouse? Ela também tinha muito talento, mas quando é que não foi notícia nos tablóides? Vocês viram como acabou! E nem existe alguma certeza de que tudo isso vai dar certo, você está se animando à toa. Garanto que ela será uma total perda de tempo.
- Eu não pedi pra você se preocupar com ela, Tom, e também em nenhum momento afirmei que ela seria um sucesso. Mas gostaria que você fosse um pouco menos negativo, sério, isso está ficando insuportável. Eu me responsabilizarei por ela, então, qual o seu problema em apenas aceitar e confiar em mim? Só estou te pedindo isso, mas se não quiser, eu entendo.
Na verdade, Dougie não entendia o comportamento de Tom, mas não estava mesmo a fim de se preocupar com o mau humor repentino de Fletcher naquele momento.
Tom permaneceu em silêncio, apenas absorvendo as palavras do amigo.
- Eu confio em você, nanico, acho que deve investir nisso. – Danny falou de repente, sorrindo, então fez um Hi-Five com Dougie.
- Eu também! Pode contar comigo para o que precisar. – Harry juntou-se a eles e os três olharam para Tom. Ele revirou os olhos, mas acabou cedendo. Não totalmente, mas já era um começo.
- Ok, mas saiba que no primeiro deslize dela, eu tô fora. – ele não sorriu, apenas concordou de leve com a cabeça, fazendo Dougie sorrir ainda mais, mesmo não entendendo o comportamento de Tom. Talvez, estivesse assim pelos problemas no relacionamento dele com Giovanna, sua noiva.
Recentemente, Tom e ela andavam brigando demais, e o colega de banda andava absurdamente estressado.
Depois de mais algum tempo conversando sobre coisas aleatórias, Dougie levantou-se e despediu-se dos amigos.
- Dudes, já que estamos conversados, vou correndo para casa ver minha girlfriend! Acho que hoje a noite promete! – ele riu sozinho, achando graça na frase. – Quero falar com a no máximo amanhã e agilizar tudo o que eu puder!
Harry levantou-se para se despedir de Dougie, tentando passar alguma confiança para o pequeno.
- Boa sorte, cara! Sinto que não irá ser muito fácil, mas saiba que estamos aqui pra ajudar! – ele abraçou Dougie, levantando-o do chão e os três acabaram rindo da situação. Harry adorava mostrar o quão forte ele podia ser, ainda mais com Dougie, que parecia ainda menor perto dele.
- Hey, grandão, para de monopolizar seu namorado! Deixa um pouco pra mim! – Danny fez uma voz afetada, correndo até eles e abraçando-os também, mas de uma forma mais escandalosa, tentando beijar Dougie enquanto Harry o empurrava para longe. Certo, Daniel sempre conseguia deixar a situação ainda mais engraçada.
Os três ficaram nessa brincadeira por mais alguns segundos e depois se soltaram, ainda rindo. Dougie olhou para Tom e este apenas acenou com a cabeça novamente, dando um sorriso de lado, sem mostrar os dentes. Dougie sorriu de volta e saiu correndo, entrando em seu carro e desaparecendo da vista dos amigos. Mesmo que não falassem, todos os quatro estavam felizes por terem voltado a se tratarem como antes. Toda aquela frieza entre os companheiros da banda não fazia bem algum para nenhum deles.
Os três que ficaram voltaram a se sentar, sendo atendidos por uma moça que já esperava há algum tempo ali e parecia envergonhada por presenciar as brincadeiras deles. Anotou os pedidos dos meninos e saiu rapidamente dali, não sem antes sentir-se hipnotizada pelos olhos de Harry, encarando-o por bem mais tempo do que o necessário.
Mas afinal, quem não se sentia assim?
Então a conversa deles voltou para o assunto “Dougie e ”.
- Por que tanta relutância com a , Tom? – Thomas fez uma careta, achando que Danny não deveria chamá-la pelo apelido sem nem conhecê-la. Ele não tinha um bom pressentimento sobre a garota. E, geralmente, seus pressentimentos eram corretos.
- Não é relutância, só não quero mais problemas para nós. Já imaginou se Dougie começa a se envolver com ela? Já passamos maus bocados com a Frankie, não precisamos de outra garota-problema.
- No meu ponto de vista, – Harry ficou mais sério. – acho muito difícil Dougie olhar para outra mulher, apaixonado do jeito que ele está pela Frankie. – fez uma careta ao pronunciar o nome. – Mas não acho que ela seria um problema, ao menos, não pior que a Frankie. Depois de tudo o que já passamos com ela e Dougie, e tudo o que ainda passaremos, teria que ser muito terrível para ser pior. Algo como uma garota totalmente from hell.
Danny concordou com a cabeça e os pedidos dos meninos chegaram. Ele pensou um pouco e então resolveu comentar.
- Acho que até seria bom o Dougie se envolver com essa garota, sabe? Talvez assim ela fizesse esquecer a outra lá, acabando com toda essa novela que é o namoro dos dois. Só espero que ela goste de nós e que possamos nos dar bem, ajudaria muito no processo. – ele riu sozinho ao imaginar Dougie finalmente deixando Frankie. Compartilhava com os amigos a antipatia pela namorada do baixista. – O que falta é apenas termos certeza se ela é tão talentosa quanto ele fala. Se ela for, aí sim acho que as coisas poderão dar certo.
Harry assentiu com a cabeça e Tom também, ainda sério. Ele poderia até aceitar a garota, mas isso não mudaria o fato de não gostar nada, nada dessa história. Tinha um pressentimento ruim sobre ela e não mudaria de opinião tão facilmente.
Dougie’s POV ON
- Amor? – chamei assim que abri a porta de casa, procurando pela minha namorada.
- Ah, oi, Dougie. – ela apareceu na sala, colocando o sapato, já toda arrumada.
- Aonde vai? – sorri, puxando-a pela mão, tentando fazê-la chegar mais perto para beijá-la, mas ela desviou.
- Não, Dougie! – murmurou, desvencilhando-se de mim. – Acabei de me maquiar, não quero borrar nada.
Estranhei o comportamento dela, mas acabei deixando de lado, devia ser TPM.
- Ok, mas então, aonde vai a essa hora? São três da tarde! Achei que passaríamos o resto do dia juntos.
- Reunião de última hora com as The Sats. Prometo que volto para jantarmos, pode ser? – ela não esperou que eu respondesse, indo para o quarto e me deixando sozinho na sala.
Gostaria de entender qual o motivo para que minha namorada estivesse tão distante ultimamente. Hum. Melhor não pensar nisso. Não agora.
Quando ela voltou para a sala, segurando a bolsa nas mãos, apenas me deu um selinho e saiu dizendo um rápido “Tchau”. Ouvi a porta bater e então veio o silêncio. Ótimo, todo o ânimo que eu sentia há pouco pareceu ter se esvaído, ou então Frankie levou com ela. Como sempre.
Flea apareceu na sala, como se soubesse que eu não estava bem e parou próximo aos meus pés, esperando que eu acariciasse sua cabeça.
- Hey, garoto! – sorri, abaixando-me e deixando que ele lambesse meu queixo. Flea, ultimamente, tinha sido minha única companhia dentro de casa, já que Frankie parece sempre ter algum compromisso. Ele é realmente um ótimo amigo.
Sentei-me no sofá, deixando que ele repousasse sua cabeça em meu colo e liguei a TV. Mais uma tarde entre eu, Flea e qualquer filme que estivesse passando. Isso já tinha virando rotina.
- Dougie, cheguei! – Frankie entrou pela porta, parecendo um pouco distraída e veio até o sofá me dar um beijo rápido. Pelo jeito, devo ter dormido assistindo “Como Se Fosse a Primeira Vez”. A última coisa que me lembro é Lucy pintando a parede, depois acho que apaguei.
- Hey, amor, e aí, o que você acha de irmos jantar? – falei olhando o relógio, que marcava 07h43min da noite.
- Ótima ideia, vou só vou trocar de roupa e podemos ir. Acho que você deveria fazer o mesmo, sabe, sua roupa está toda amassada. – falou, andando em direção ao quarto.
Dei uma olhada em mim mesmo. É, acho que a situação não estava boa. Levantei para ir trocar de roupa e acabei acordando Flea, que dormia calmamente ao lado do sofá.
- Uma pena não poder te levar, garoto. – murmurei passando a mão em sua cabeça e andando em direção ao quarto.
Depois de me arrumar e esperar por Frankie, fomos em direção ao carro, escolhendo em qual restaurante iríamos. O caminho estava sendo silencioso e ela não largava o celular.
- Está tudo bem, amor? – soltei uma mão do volante e levei até a dela, segurando firmemente.
- Sim, sim, Dougie. Só alguns problemas com a banda... – ela retirou sua mão da minha e pegou o celular, digitando algo distraída.
- Não quer me contar? Quem sabe posso ajudar? – insisti.
- Pelo amor de Deus, Dougie! Será que você pode calar a boca, por favor? Estou tentando me concentrar aqui! – mostrou-me o celular. – E isso não tem NADA a ver com VOCÊ! Entendeu?
Assustei-me um pouco com o tom irritado dela, mas deixei quieto, eu também me irrito com o McFLY às vezes, sei como é.
Durante todo o resto do trajeto, ficamos em silêncio, nem uma palavra. Estacionei o carro e desci para abrir a porta para ela, esperando-a sair. Demos as mãos e fomos caminhando calmamente até a entrada do restaurante, sentindo os olhares das pessoas em volta. Após encontrarmos uma mesa e nos acomodarmos, resolvi tentar conversar novamente.
- O que você acha de irmos ao cinema nesse final de semana? Ou talvez, fazer algum programa de casal, o que você quiser. Sinto falta disso.
- Desculpa, Dougie, mas esse final de semana já combinei de sair com as meninas... – ela me olhou e deu um sorriso fraco para que eu aceitasse suas desculpas.
- Ah... Tudo bem então, nós podemos fazer isso em outro momento. – dei de ombros.
Enquanto comíamos, ela não largava o maldito celular e aquilo foi me irritando cada vez mais. Sério, custava me dar um pouco de atenção?
Perguntar-me se estava tudo bem?
Quando estava prestes a pedir pra ela guardar aquela droga, ela se levantou.
- Aonde você vai? – perguntei, estranhando.
- Mollie está me esperando ali. – ela apontou para a porta e vi a loira sorrindo. – Tenho que ir, Dougie, desculpa mesmo. Temos uma inauguração e as The Saturdays têm que marcar presença. – deu-me um beijo rápido e correu para a porta.
- Espera! - tentei gritar em vão. Ela já tinha ido.
Mas, então, o que foi que eu perdi aqui?
Dougie’s POV OFF
Capítulo 4
’s POV ON
Entrei em casa respirando fundo, tentando absorver o máximo possível dali. Nunca pensei que sentiria tanta falta assim. Ter de ficar naquele vai e vem me frustrava muito. Aquela clínica nunca foi para mim um lar, por mais que sempre me ajudasse.
- Você deveria passar mais tempo em casa, , não acho que precise mais ficar naquela clínica, você pode se controlar, não sei por que perde o foco tão fácil! – , que estava logo atrás de mim, foi entrando e jogando a bolsa no sofá da sala enquanto eu fechava a porta.
- É, talvez seja a hora de eu voltar definitivamente para cá... – murmurei, assistindo ela se jogar ao lado de sua bolsa. – Aliás, não sei por que você ainda não se mudou para cá, seria mais fácil para nós duas. Eu não iria ficar preocupada quando estivesse fora e você poderia parar de pagar aluguel. Esta casa é grande demais só para mim e não gosto de ficar aqui sozinha.
Sentei-me ao lado dela, pegando o controle da TV e a liguei, apenas passando os canais, sem prestar atenção em nada especial.
- Ando considerando sua proposta, sabe? – ela falou rindo e jogando uma almofada em mim. – Mas você bem que podia sair da clínica de vez, afinal, já faz quanto tempo?
- Três meses.
- Então! Você sabe se controlar, não entendo como pode ter essas recaídas... – calou-se de repente, provavelmente, tentando ver se eu tinha me aborrecido. Claro que eu não tinha. Ela estava apenas falando a verdade, eu jamais poderia discordar.
- Eu sei... Acho que agora posso dar um tempo mesmo. Estou me sentindo mais forte do que nunca.
- Que bom, pirralha! - ela disse sorrindo para mim. Adorava jogar na minha cara que era mais velha. Como se eu me importasse. – Mas, hein, , não está se esquecendo de nada não? – perguntou sugestiva.
Parei para pensar um pouco e olhei em volta. O que estava faltando?
- AI, MEU DEUS, A PEPPER! Como pude esquecê-la? Vou buscá-la agora mesmo! – falei, levantando-me e procurando a chave do carro no meu bolso.
- Não, não, não, dona ! A senhorita vai é tomar um banho bem demorado e descansar um pouco, aproveitando sua volta para casa! – disse, levantando-se também.
- Ah, claro, e a Pepper vai voltar para casa sozinha, aham! Espera só eu mandar uma mensagem telepática para ela! – retruquei sarcasticamente.
Pepper ficara na casa da senhora Prings durante minha última volta à clínica. Ela era uma espécie de avó adotiva, sempre me ajudava.
- Relaxa aí, , eu mesma busco a Pepps. Passa a chave do carro e vai logo tomar banho.
- Não! – respondi de forma birrenta, a cachorrinha é MINHA. – Já falei que EU vou buscá-la, a chave fica COMIGO.
Ela me olhou com desdém, sorriu sem mostrar os dentes e pegou o celular de dentro de sua bolsa. Digitou algo e levou o mesmo a orelha. Quando a ouvi passar meu endereço para alguém do outro lado da linha, entendi que ela estava chamando um táxi. sabia ser impossível quando queria.
- Ótimo, -sou-birrenta-e-não-te-empresto-meu-carro, já chamei um táxi. Buscar Pepper não será um problema. Agora é sério, vá tomar um banho e relaxar, quando eu voltar, você matará saudades da sua pet e poderemos almoçar fora, o que você acha?
- Eu tenho escolha?
- Não.
- Ok.
Pois é, sempre fui muito determinada mesmo. Revirei os olhos e segui em direção à escada, pisando duro no chão para que ela percebesse minha irritação.
Não que ela fosse se importar, mas tudo bem.
Ouvi a porta bater e deduzi que o táxi dela tinha chegado. Fui em direção ao meu quarto e abri a porta lentamente, observando tudo. Estava exatamente da forma que eu tinha deixado da última vez. Joguei-me na cama e senti uma vontade enorme de fechar os olhos e ficar ali o resto do dia, daquele jeito, no meu cantinho. Mas lembrei que tinha que tomar banho e ainda almoçar com a , e teria de me arrumar logo para que quando Pepper chegasse, eu pudesse dar atenção a ela algum tempo antes de sair.
Peguei uma toalha qualquer no guarda-roupa e fui para o banheiro, me despindo rapidamente e ligando o chuveiro na água morna, quase quente. Entrei embaixo do mesmo, deixando que a água escorresse sobre meus ombros, massageando-os, deixando-me mais relaxada. Simplesmente tentei esquecer tudo a minha volta, minha vida, meus problemas. Mesmo assim, alguns pensamentos voltaram a me assombrar. Como sempre.
’s POV OFF
Segurando Pepper no colo, despediu-se da senhora Prings e saiu da casa dela, caminhando calmamente em direção ao táxi que a esperava, no entanto, algo fez com que ela parasse de andar e prestasse atenção na rua. Um carro preto extremamente brilhante passava lentamente e, então, estacionou na frente do táxi. Ela ficou aliviada ao ver quem desceu do dele, por um momento pensou que poderia ser um seqüestrador ou algo assim. Tinha que parar de ver filmes nesse estilo, estava ficando paranóica.
- Hey, erm... , certo? – Dougie Poynter agora caminhava até ela com um grande sorriso no rosto.
- Olá, Dougie. É , sim, mas pode me chamar de . Que surpresa te encontrar aqui! – soltou Pepper no chão, deixando que ela brincasse na grama enquanto dava atenção para Dougie.
- Eu estava almoçando com os guys aqui por perto, agora ia para casa. Eu que fiquei surpreso em te ver por esses lados! Mora por aqui? – ele perguntou, observando a casa e depois se abaixando para brincar com Pepper, que cheirava sua calça, abanando o rabo animadamente, provavelmente sentindo o cheiro de Flea. – Oi para você também! – falou, passando a mão pela cabeça da cachorrinha.
- Não, não, aqui mora a senhora que cuida da Pepper, a Yorkshire da , enquanto ela fica na clínica. Essa pequeninha aí no seu pé. – disse num tom brincalhão.
- E aí, Pepper, tudo bom? – passou a mão uma última vez na cabeça da cachorrinha e se levantou. – E você veio levá-la para passear então? – ele não quis parecer intrometido, mas estava curioso.
- Não, vou levá-la para a casa da . Ela está morrendo de saudades dessa safada aqui. – vendo a confusão nos olhos de Dougie, ela se sentiu na obrigação de explicar. – voltou para casa. Acho que ela não tinha comentado que estava internada voluntariamente, não é? - Dougie negou com a cabeça e pensou no pouco que sabia da garota. Precisaria conhecê-la melhor. – Então, ela sente que está melhor e resolveu voltar para casa, ao menos por enquanto.
- Wow, que bom, mas isso é ótimo! – Ainda mais para os meus planos, com certeza, ele pensou. Então se lembrou que poderia ajudá-lo, ela era a melhor amiga de , aparentemente... – Ahn, na verdade, foi muito bom encontrar você, sabe? – viu a garota franzir a testa sem entender onde ele queria chegar. – Preciso de sua ajuda. O que você acha de almoçar comigo?
- Ah, eu adoraria, mas sabe o que é? Já combinei de almoçar com a ! Aliás, aquele táxi ali, com um impaciente taxista dentro, está me esperando. – ela apontou o carro amarelo logo atrás do dele.
- Sem problemas, pode dispensá-lo, eu te levo para casa e depois você e podem almoçar comigo. Será até melhor, precisarei falar com ela de qualquer forma. No caminho te explico no que você pode me ajudar.
pensou por alguns segundos. Sabia que ficaria furiosa por ela levar Dougie para sua casa e ainda aceitar que ele almoçasse com elas, mas desde quando ela tinha medo de mesmo? Desde nunca. Além do mais, estava curiosíssima para saber no que Dougie precisaria dela, não conseguia imaginar nada. Ela gostava do rapaz e sabia que apesar da relutância (falsa relutância, na opinião dela) da amiga, ela também sentia algo - que não era raiva - pelo baixista. Talvez ali estivesse a saída para todos os problemas da garota, definitivamente.
- Ok! – respondeu por fim, indo até o táxi e se desculpando pela demora com o taxista, avisando-o que podia partir sem ela. Depois, foi até onde Dougie estava e chamou Pepper, que brincava ali por perto com alguns arbustos.
- Pepps, vem cá, garota!
A cachorrinha correu até e ela a segurou no colo novamente, sorrindo para Dougie, que observava tudo em silêncio. Ele a chamou com um aceno e foi em direção ao carro, abrindo a porta do carona para ela e esperando que ela se sentasse, para depois fechá-la. Que cavalheiro, pensou automaticamente, vendo-o entrar no carro e sorrir para ela. Podia parecer idiotice, mas pensou em como o sorriso dele era parecido com o de . Uma coincidência estranha, talvez. Ou não.
- Se importa com a Pepper estar no carro? – perguntou preocupada, com medo de que ele achasse que a cachorrinha sujaria o carro.
- Ah, que isso! Flea costuma não ser nem um pouco comportado, acredite! – ele riu, lembrando de Flea e do quanto ele podia ser bagunceiro quando queria. – Pepper é um exemplo de comportamento, vou apresentá-la para o meu e ver se ele toma jeito!
Os dois riram e o ar se tornou mais leve dentro do carro. Mas não tinha esquecido o principal.
- Mas, então, para o que precisa da minha humilde pessoa, senhor Poynter?
Ele pensou em como poderia começar, mas resolveu que explicaria tudo do mesmo modo que havia feito com os caras da banda.
- Preciso que me ajude com sua amiga, aquela cabeça dura. – ele desviou um pouco da rua para olhar a expressão da garota. Ela estava calma. Calma demais até. – Já percebeu a voz incrível que a tem?
Claro que ela tinha percebido, era a melhor amiga da garota. Mas onde ele queria chegar com aquilo?
dormia tranquilamente no sofá da sala quando chegou. Atrás dela, Dougie estava apreensivo, não sabia como agir. Não conseguia imaginar qual seria a reação da garota ao vê-lo ali, na casa dela, sem ter sido convidado por ela.
soltou Pepper, deixando a cachorrinha correr até o sofá e acordar a dona com lambidas e fungadas. acordou devagar e sorriu alegremente.
- Hey, minha linda! Que saudades da mamãe, não é? – pegou Pepper no colo, quase a esmagando num abraço. Nunca pensou que sentiria tanta falta assim. Depois de alguns segundos brincando distraída com a cachorrinha, ouviu um pigarro, direcionando seu olhar para a entrada da sala. estava lá, olhando-a com certo temor nos olhos. não entendeu, até que viu outra pessoa aparecer ao lado da amiga. Ela se levantou num salto, totalmente surpresa. Mas não surpresa de um jeito bom. havia passado dos limites.
- O que ELE está fazendo aqui, ?
tinha achado errado. não estava furiosa. Fúria não era nada perto do que a garota demonstrava no olhar. Pensou em milhares de desculpas, mas não poderia fugir de uma conversa muito séria que ela sabia que teriam mais tarde. Só esperava que pudesse explicar tudo antes de explodir. Não queria que Dougie visse um dos ataques da amiga.
E então, pela primeira vez, ela sentiu muito medo da amiga.
Capítulo 5
Dougie’s POV ON
A tensão na sala era evidente, tanto que eu podia sentir o ódio emanando de . Perguntei-me mentalmente se esse ódio todo era destinado a mim... Claro que sim. Só não entendia o porquê.
- , calma, - falou cautelosamente. – será que podemos conversar a sós, sem você esquecer a boa educação que teve? – pude perceber um pouco de sarcasmo no fim da frase... Mas acho que a sabia o que fazia.
Ou não.
- Claro... Eu tenho mesmo que ser educada, aham. Você trás pessoas na minha casa sem me avisar e eu ainda tenho que ficar muito calma... – senti que “pessoas” queria dizer “ele”, mas ok. – Tudo bem, vamos conversar. Mas não aqui, na cozinha então. – suspirou dando-se por vencida e me olhou com desdém, desviando rapidamente.
- Se importa de esperar aqui, Dougie? – perguntou, mas não esperou minha resposta, dirigiu-se para um corredor, nos deixando sozinhos. – Acredite, eu vou explicar tudo e ela vai entender, ok? Relaxe... – mas nem ela parecia acreditar nisso...
- Não, tudo bem, . Pode deixar. Eu espero aqui. Acho bom você ir logo antes que a Miss Lovely venha te buscar... Não vamos aborrecê-la ainda mais. – comentei olhando para o corredor em que havia desaparecido.
acenou com a cabeça e foi pelo mesmo caminho, me deixando sozinho na sala.
Assim que ela saiu, comecei a observar o ambiente, tentando descobrir mais sobre , afinal, a casa geralmente mostra muito da personalidade de seu dono e vindo de , sei que posso me surpreender a qualquer minuto. Fui até a estante de CDs, passando o dedo levemente pelos títulos, a maioria conhecidos por mim. Vi alguns clássicos como Blink 182, Beatles, Green Day, uns que eu não conhecia e fiquei muito surpreso quando li os nomes Busted e Son Of Dork ali também. Fazia muito tempo que eu não via esses CDs. Alguns mais recentes como All Time Low, The Maine, Paramore, Good Charlotte e Avril Lavigne. Mas, com certeza, nada me deixou mais surpreso do que os últimos dois. Eram dois da minha banda. Pude ler McFLY na lateral e fiquei analisando, perdido em pensamentos. Então quer dizer que ela ouvia a minha banda? Interessante, já que pelo que eu me lembre, nem na apresentação na clínica ela esteve presente... Mas se gostava, por que não tinha ido ao menos nos assistir?
Como se não bastasse, quando olhei para a estante de DVDs, logo abaixo da de CDs, me surpreendi ainda mais ao ver que três também eram do McFLY. Bom, acho que isso já poderia classificá-la como fã, certo?
Senti algo lambendo minha perna e olhei para baixo. Pepper me encarava alegremente, abanando o rabinho. Abaixei-me, passando a mão por sua cabecinha e ela deitou com a barriga para cima, para que eu acariciasse aquela região também. Mas que cachorrinha folgada!
Depois de um tempo assim, ela pareceu se cansar e saiu andando rapidamente com suas perninhas curtas e parou num canto da sala onde havia uma almofada que supostamente era dela, já que ela deitou calmamente e então bufou baixinho. Sono, isso era sono. Minutos depois, eu percebi que ela já tinha dormido. Ok, ela até que é bonitinha mesmo, ri.
- O quê? TÁ MALUCA, ? – quase dei um pulo com o susto e tive certeza que até os vizinhos puderam ouvir o grito de . O-oh, acho que a conversa não estava tão calma quanto a esperava...
- Pra quê gritar? Ótimo, VAMOS FAZER DO SEU JEITO ENTÃO! – agora quem tinha elevado o tom era . – Estou CANSADA de ver você ir e voltar daquela MALDITA CLÍNICA todo mês! Estou cansada de ver você desperdiçando a porra da sua vida! Você NÃO ESTÁ MAIS VIVENDO! Você não se diverte, você não conhece pessoas novas, não trabalha, você NEM MESMO SAI DE CASA! O DINHEIRO DO SEU PAI NÃO VAI DURAR PRA SEMPRE! Uma hora você terá que acordar para a realidade, , pelo amor de Deus! EU VENHO TENTANDO TE MOSTRAR ISSO HÁ TEMPOS!
- Eu já te disse que estou bem assim E NÃO PRECISO DE NINGUÉM CONTROLANDO A MINHA VIDA! Dessa vez VAI ser diferente, eu estou bem, EU SEI O QUE ESTOU FAZENDO! Só não estou pronta pra voltar para aquela antiga vida, ainda não me sinto bem para sair por aí! PRECISO DE UM TEMPO PRA MIM, VOCÊ SABE!
Pepper acordou e latiu, levantando-se. Tentou correr até a cozinha, mas quando ela passou por mim, eu a segurei, fazendo com que ela se calasse também. Ainda com Pepper no meu colo, pude ouvir a risada histérica de sem nenhum esforço e, involuntariamente, me aproximei do corredor, na intenção de ouvir melhor e mais claro a conversa. Não querendo ser intrometido, mas a curiosidade é uma coisa muito triste, sabe...
- Ora, por favor, , NÓS DUAS SABEMOS que não vai ser diferente. Toda vez você fala A MESMA COISA e toda vez é igual! Eu já ouvi esse mesmo discurso milhares de vezes antes! ELE DIZIA A MESMA COISA E NUNCA NADA MUDOU!
Agora, sim, a curiosidade me pegou. “Ele” quem?
- EU SOU DIFERENTE! Eu sou forte, não me compare! Só me dê um tempo! Não quero você procurando e planejando um futuro pra mim! A VIDA É MINHA!
Houve um silêncio e então, ouvi o barulho de algo se quebrando.
- QUE PORRA, ! Já falei que ele dizia a MESMA COISA E NADA MUDOU! VOCÊ SABE COMO ACABOU! Eu só não quero que você siga pelo mesmo caminho!
- Chega, , eu não tenho culpa se você não conseguiu salvar a vida do seu irmão. PARE DE TENTAR SE REDIMIR, PARE DE TENTAR FAZER POR MIM, O QUE NÃO FOI CAPAZ DE FAZER POR ELE!
Novamente o silêncio. Novamente algo se quebrando. Mas agora ouvi um soluço alto e claro. Uma delas estava chorando. Ou as duas.
Ouvi passos e corri para o sofá, fingindo que estive sentado lá o tempo todo e que não tinha ouvido nada. Soltei Pepper e deixei que ela corresse para onde quisesse, porém, ela apenas voltou para sua almofadinha, e, por mais estranho que pareça, por um momento achei que ela tinha entendido que ela devia ficar longe de , já que não fez mais menção de se levantar. foi a primeira a chegar à sala, com uma expressão incrivelmente magoada, tentando inutilmente segurar as lágrimas que já escorriam. veio logo atrás, parecendo assustada e arrependida. Acho que alguém falou o que não devia.
- ... Por favor, desculpa, eu falei sem pensar, eu... Por favor, só me ouça. Eu não quis dizer aquilo! – tentava se explicar, mas quem não queria ouvir nada agora era . Ela se virou para e eu tentei disfarçar, mas com as duas bem na minha frente, era complicado fingir que não estava vendo nada.
- Cala a porra da sua boca. – o tom de era baixo e frio e congelou na hora. Acho que assim como eu, ela também se surpreendeu por ver a garota falando daquele jeito. Posso conhecê-la muito pouco, mas ela não pareceu ser do tipo que perde o controle fácil. deve ter tocado em um ponto fraco. – Cansei, , cansei. Se você quer tanto foder com a sua vida, ÓTIMO, FODA ELA TODA! Mas eu não vou ficar aqui pra assistir, eu não vou ficar vendo você se destruir aos poucos achando que não precisa de ninguém. Cansei de me preocupar tanto enquanto você não dá à mínima. – ela começou a chorar, as lágrimas caíam sem que ela pudesse conter e ela não parecia querer isso. Passou a manga da blusa pelo rosto e respirou fundo. Percebi que as palavras estavam presas em sua garganta há muito tempo. – Ninguém pode te ajudar enquanto você não deixar, , enquanto você continuar achando que pode viver tão sozinha. Nem mesmo eu. Não posso fazer nada enquanto você continuar com essa barreira que você criou pra você, esse seu mundinho em que você se fechou. Esse seu egoísmo ainda vai te sufocar, , escute o que eu estou te dizendo. Não posso continuar fingindo que tudo está bem, que não tem nada errado. Quando você conseguir deixar de lado toda essa porra que você chama de orgulho, aí sim venha falar comigo, mas esteja pronta pra aceitar uma mudança nessa sua vida. Enquanto esse momento não chegar, eu só quero distância, não está me fazendo bem ver você acabar consigo mesma, me sentindo incapaz dessa forma. Eu amo você demais, você sabe disso, mas chega uma hora que temos que ser realistas, essa situação já passou dos limites. Eu só espero que você acorde antes que seja tarde e se dê conta de toda a merda que andou fazendo. Eu vou estar ali por você, pronta pra te ajudar, quando você quiser ser ajudada. Boa sorte.
Então, saiu batendo a porta, mas não tentou ir atrás nem nada do gênero. Ela estava paralisada. Fiquei com medo do que ela faria comigo quando percebesse que eu ainda estava ali, mas ela me pareceu tão frágil naquele momento, que eu nem cogitei a idéia de ir embora e deixá-la ali.
Meus pensamentos sumiram no momento em que ela se virou para mim e eu perdi o fôlego. Ela parecia muito mais frágil ao olhá-la daquela forma, as lágrimas escorrendo e uma expressão torturada no rosto. Parecia profundamente triste, eu pude ver em seus olhos. Havia dor, arrependimento, tristeza, tudo escondido por debaixo das lágrimas, mas eu ainda podia ver.
- Ah, meu Deus. – ela murmurou, parecendo perdida, encarando um ponto fixo atrás de mim. – Ah, meu Deus. – ela repetiu e eu fui até ela, segurando-a pelos ombros e a levando para o sofá. Ela não ofereceu resistência. Ok, a situação era realmente séria.
Sentei-me de frente para ela, segurando seu rosto com as minhas mãos, fazendo com que ela me encarasse.
- Hey, calma. – falei, passando o polegar levemente por sua bochecha, sentindo as lágrimas correrem ainda mais por seu rosto.
- Ela nunca vai me perdoar. – ela sussurrou, me encarando perdida. – Eu perdi a única pessoa que eu tinha, a única que ainda se importava comigo eu... – soluçou e puxou suas mãos para o rosto, escondendo-o e começando a chorar baixinho, com soluços sucessivos.
Eu fiquei sem saber o que fazer e num ato impensado, passei meus braços em volta dela, abraçando-a carinhosamente, tentando de alguma forma confortá-la. Surpreendentemente, ela aceitou o abraço, recostando sua cabeça no meu ombro. Então, quem é você e o que fez com a ?
Dougie’s POV OFF
Dougie ficou tão surpreso com o gesto espontâneo da garota, que ficou alguns segundos sem reação, então, relaxou. Por mais que a situação não fosse propícia e ele não gostasse de ver chorar, ficou muito feliz por isso ter feito com que ela abaixasse a guarda, mesmo que por pouco tempo.
Já era alguma coisa.
- Ok, você já pode me soltar. – disse calmamente, soltando-se do rapaz e limpando seu rosto de algumas lágrimas que ainda escorriam timidamente. Dougie estava a sua frente, apenas observando-a. Ela retribuiu o olhar, perdendo-se naquela imensidão azul, sentindo-se hipnotizada por alguns segundos. Desviou logo depois, sentido suas bochechas esquentarem, sem saber ao certo o motivo, tentando organizar seus pensamentos. Ela não fazia idéia do que faria agora, sem ela se sentia uma criança desprotegida. achava ridículo o fato de depender tanto de uma pessoa, mas era mais forte do que ela. E agora estava sozinha. Sua melhor amiga tinha desistido.
E tudo isso era culpa dele. Ele havia aparecido do nada, ele tinha sido o motivo inicial da briga, ele chegou e bagunçou toda a vida dela sem fazer quase nenhum esforço. Dougie Poynter era o culpado por tudo o que tinha dado errado.
Pelo menos foi nisso que ela resolveu acreditar.
- Melhor? – Dougie perguntou preocupado, tentando se aproximar, mas ela o repeliu.
- Melhor? Você acha mesmo que estou melhor? – ela levantou-se e ele, surpreso, fez o mesmo, assim ficaram de frente um para o outro. - Eu pareço melhor por acaso? Olha a confusão toda que você causou! Agora até a não quer me ver e é tudo culpa sua! Se você não tivesse aparecido, nós não teríamos brigado e ela AINDA ESTARIA AQUI! – algo dentro da garota lhe dizia que ela estava errada, que ela estava tentando jogar a culpa em outra pessoa. Mas ela não se importava, ela estava com raiva e não estava a fim de poupar ninguém.
- O quê? Garota, você tem problemas? Eu estou aqui, todo preocupado, e você vem me atacando? – Dougie não sabia se sentia raiva ou pena de , ele sabia que ela apenas o estava culpando para se sentir melhor, mas também sabia que alguém precisava mostrar um pouco da realidade a ela. Não ia ficar ouvindo sem falar nada. Não era sua culpa se ela tinha algum distúrbio de bipolaridade e todo aquele medo de encarar a verdade. - É claro que vou te atacar! Olha só tudo o que você causou! Não acredito que a te trouxe na minha casa, não acredito que ela achou que eu ia querer algo que viesse de um playboy como você, por Deus, ela me conhece melhor que ninguém, como pôde achar que eu iria aceitar a sua ajuda? EU NÃO PRECISO DE AJUDA NENHUMA. Agora ela se irritou e ainda sobra pra mim, isso tudo é culpa sua! – ela não cansava de repetir para si mesma que a culpa era dele. Ela estava tentando acreditar.
Dougie riu falsamente, olhando para ela com desdém. Ele tinha se irritado também, não queria brigar com ela, mas ela estava pedindo.
- Você sabe muito bem que não foi por minha causa que ela foi embora, sabe muito bem que não fui eu quem a fez sair por aquela porta sem previsão de volta. Foi você e esse seu egoísmo. Por que não assume que a culpa foi sua, pelo menos uma vez? Por que não assume que está errada? Agora eu vejo que ela tinha toda a razão, você só pensa em si mesma, é incapaz de pensar em outro alguém. Você tem que parar de viver nessa sua fantasia, encare a realidade, a única culpada aqui é você, eu só queria te ajudar, sua louca! O que vai fazer agora? Se drogar um pouco, ficar toda doida e voltar pra clínica? Porque é exatamente o que eu espero de você, isso é tão sua cara.
bufou, estava a ponto de pegar a primeira coisa que encontrasse para jogar na cara dele, quem ele pensava que era para falar dela como se a conhecesse?
- Ai, por favor, Poynter. Você com essa vidinha de rockstar sabe muito da realidade, não é? – Dougie ficou vermelho, agora ele realmente estava bravo. Ela não sabia o que estava falando. – Acha que sou eu quem vive num mundinho de fantasia?
Ele simplesmente não conseguia acreditar. Ela só podia ser louca. O que ele estava fazendo ali mesmo?
- Chega. Você já está delirando, eu não preciso mesmo ouvir essas coisas, ainda mais vindas de você. Cara, eu só queria te ajudar! Eu só achei que você quisesse uma vida melhor, largar desses vícios, fazer o que você faz melhor. Mas me enganei. Você não é capaz disso. estava mesmo certa, ninguém pode te ajudar enquanto você não permitir. As pessoas vão te abandonar, essa é a verdade. E admita, a culpa é toda sua e não delas. Você tem o que merece, e vai ser assim até aprender. Eu desisto de você, não preciso passar por isso tudo, não sou eu quem vai ficar sozinho no final.
Ele deu as costas, caminhando em direção à porta e saiu, mas não sem antes lançar a ela um olhar de decepção. Não podia fazer mais nada por ela.
sentiu algo molhado em sua perna e olhou para baixo, encontrando os olhos pequenos e acusadores de Pepper. Parecia que até a cachorrinha estava brava com ela, mas também parecia querer lhe mostrar algo. E então ela percebeu. Ela não podia deixá-lo ir. Ele era tudo que ela tinha agora, não podia permitir que ele desistisse dela também. Pisando em seu orgulho, em passos rápidos e desviando de Pepper, foi até a porta, abriu-a de uma vez, podendo ver o garoto ainda em seu quintal, indo para o carro.
- ENTÃO É ISSO? Você desiste também? – gritou com toda sua força, sem se importar se os vizinhos escutariam. Ela estava desesperada. Dougie se virou assustado, encarando-a sem entender. – Achei que você fosse melhor do que isso. Não pode lutar por um objetivo? – ela estava tentando jogar com ele, não queria que parecesse que ela estava implorando, apesar de ser isso mesmo. Ela podia estar pisando em seu orgulho, mas mesmo abaixo de seus pés, ele ainda estava ali. Ela não deixaria Dougie pensar que ela precisava dele. Ainda.
- Ah, é? Você achou isso? E por que é mesmo que eu tenho que lutar por algo aqui? Não sou eu quem precisa de alguém! Quem precisa de alguém aqui é você, admita que precisa de mim. Faça-me acreditar que vale à pena dedicar meu tempo a você!
Ela engoliu em seco. Ele era esperto, tinha que admitir. Sabia jogar melhor do que ela. Tentou ignorar o bonito efeito que a luz do sol incidia sobre os olhos dele e como eles ficavam mais claros com isso. E como essa mesma luz refletia em seu rosto, deixando-o ainda mais bonito. Mantenha a droga do foco, , o que é isso? Quando foi que se deixou levar por qualquer rosto bonitinho? Ele ainda é o mesmo idiota de antes, o mesmo baixista idiota daquela banda idiota. A diferença agora é que ele é o único meio de você ter sua melhor amiga de volta, mas isso não significa que você tenha que gostar dele. Mantenha o foco! Ela gritava isso para si mesma, mentalmente, tentando prestar atenção na discussão que estava tendo com ele e não na discussão interna que tinha com sua consciência, que insistia em abandonar o bom senso em algum lugar desconhecido e fazer com que ela se perdesse nos “malditos olhos azuis”, como ela os chamava.
- Você não consegue aceitar um desafio? – sorriu minimamente, ela não queria admitir, mas estava gostando daquilo. Desde o momento que ele tinha se virado, sabia que ele não iria mais embora, não agora. De alguma forma ela sabia.
- Acho que é você quem tem problemas em aceitar as coisas aqui... – ele foi se aproximando, voltando pelo mesmo caminho pelo qual tinha saído até chegar nela, que estava parada na porta. Dougie percebeu no momento que ela abriu a porta, que aquela era uma guerra ganha. Ele soube no momento em que o chamou, que a garota tinha se dado conta que precisava dele. Percebeu também como o cabelo dela ficava bonito rebelde do jeito que estava, com a brisa passando levemente pelos fios, que insistiam em cair sobre os olhos dela, deixando-a ainda mais bonita. Mas ele tinha que manter o foco em seus objetivos e não no quão bonita ela era, nem em como o jeito com que ela mordia levemente os lábios à espera do que ele ia falar era sexy. Não, ele tinha que prestar atenção na conversa que estava tendo com ela e não em coisas assim. Preste atenção, cara, essa é a garota-problema, você tem que ficar ligado com ela, ele repetia para si mesmo. – Admita que precisa de mim e essa discussão idiota acaba. Eu volto aí para dentro e conversamos como duas pessoas normais. Basta você admitir e aceitar o que eu quero te propor.
Novamente engoliu em seco, e agora, além de pisar em seu orgulho, teve que chutá-lo para longe, para enfim poder soltar as palavras:
- Ok, eu preciso de você, Poynter. Aceito qualquer que seja a sua proposta. Desde que isso traga de volta e mude algo em minha vida, eu aceito. Agora, quer fazer o favor de entrar? – disse ela sentindo-se torturada.
Dougie sorriu ao adentrar na casa e voltou para a sala. Finalmente, ao menos uma barreira ele tinha quebrado, mas que grande passo.
sentou-se em um sofá e ele em outro, um de frente para o outro, conectados pelos olhares. Toda aquela situação parecia mais uma competição e, intimamente, divertia os dois.
- Então você supostamente gostou da minha música e da minha voz? – ela perguntou, voltando sua atenção para o rosto dele, tentando não olhar diretamente em seus olhos, mas não conseguiu e teve certeza que suas bochechas tinham ficado de uma tonalidade mais avermelhada, a julgar pelo modo que as sentiu esquentar.
Dougie sorriu de lado, encarando-a. Ele ainda comemorava aquilo que ele considerava uma vitória. Quase esqueceu o que ia falar quando viu as bochechas da garota ficando mais avermelhadas e se assustou quando percebeu o quão fofa ela ficava daquela forma. O quê? A garota-problema sabia ser fofa? Ok, mais um problema.
Para ele.
- Sim, sim... Acho que a deve ter pelo menos te falado algo sobre isso, não é? - ele percebeu uma sombra passar pelos olhos da garota quando mencionou o nome, mas tão rápido quanto veio, ela se foi. – Deve ter te explicado, mas mesmo assim, eu vou explicar do meu jeito. – sorriu para ela, empolgando-se por ela finalmente ter aceitado. Mesmo que ainda não fosse nada certo, era um começo. – Eu gostei sim, acho que você tem muito talento. Estou disposto a trabalhar nisso, se você me permitir. Trabalhar com você. Algo como seu agente.
- E a sua banda? – ela perguntou, levantando as sobrancelhas. Ainda estava muito incerta. Mas não é como se ela tivesse muitas opções.
- Não há problemas, estamos numa fase mais calma e os caras já sabem e aceitaram minha decisão. Não tem nenhuma possibilidade de eu sair da banda ou algo do gênero, é apenas uma experiência a mais. Acho que seria interessante.
- Certo, mas e depois, quando voltarem à fase mais agitada? – ela insistiu, tentando encontrar obstáculos. Não conseguia concluir se aquela situação toda era boa ou ruim.
- Depois é depois. – Dougie sorriu docemente. – Mas você pode pensar, eu não vou te obrig...
- Eu aceito. – ela falou de repente, interrompendo-o, e calou-se logo depois, ao ver o sorriso imenso que ele lhe lançou. Um sorriso de vitória, com certeza.
- Como? – perguntou ele. Tinha ouvido, mas queria fazê-la repetir.
- Eu aceito! – ela repetiu, dessa vez com mais convicção. – Caso você não tenha percebido, a pessoa que eu mais confio e, a única, claro, acabou de sair pela porta da minha casa e acho que para conseguir trazê-la de volta, eu tenho que surpreendê-la. Ela não disse que quer que eu mude? Vou provar que posso mudar. Eu vou mostrar pra ela que não sou tão previsível assim. – explicou o porquê de aceitar. Dougie sorriu por dentro por ver que mesmo sem querer, tinha, sim, ajudado, e muito. Então, lembrou-se de uma coisa que tinha deixado-o curioso e antes que pudesse segurar a língua, já tinha perguntado.
- O que houve com o irmão dela, aliás?
prendeu a respiração ao ouvir a pergunta. Ela não esperava que ele tivesse prestado atenção na conversa. Ela não queria lembrar. Mas por incrível que pareça, ela não se irritou com a curiosidade dele.
- Bom, é uma história complicada e não acho que você precise saber. – respondeu simplesmente, remexendo seus dedos das mãos desconfortavelmente.
- Acho que agora que vamos trabalhar juntos, preciso saber um pouco mais sobre você e acho que isso faz parte de algo importante da sua vida, não é? Eu gostaria de saber. – sorriu-lhe e ela sentiu-se idiota por não conseguir negar o pedido. Novamente culpou os olhos. Tudo culpa daqueles olhos dele que a faziam perder a linha de raciocínio. Deu um suspiro cansado. Ele era insistente, mas era bom nisso, ela tinha percebido. Era melhor do que ela mesma.
- Eu conheci há pouco mais de um ano, quando entrei na clínica. – ela começou, encarando suas mãos sem conseguir olhar para Dougie. – O irmão dela tinha morrido no mesmo dia, eu acompanhei tudo, meio que sem querer. Ele estava internado também e mesmo assim ela o visitava todos os dias. Nem mesmo o vício dele fez com que ela se afastasse. Eles eram muito unidos, muito mesmo. Não sei se é certo falar da vida da assim, mas é que para explicar a minha participação na história, tenho que contar o lado dela também... – ela sentiu-se um pouco culpada por expor a vida da amiga daquela forma, mas sabia que ele nunca tocaria no assunto. – Ela só tinha o irmão, sabe? – indagou, finalmente olhando para Dougie, que prestava atenção, totalmente sério. – Os pais dela nunca ligaram para o irmão dela, ainda mais quando entrou nessa, e nem mesmo ligavam para ela. Não se importam hoje também. Depois daquele dia, ela voltou na clínica para pegar algumas coisas do irmão que ainda estavam lá e nos esbarramos, começamos a conversar. Então ela começou a me visitar todos os dias e nos tornamos amigas. Hoje ela é uma irmã para mim, a única pessoa por quem eu daria a vida sem nem ao menos contestar. Eu não posso perdê-la, Dougie, não mesmo. nunca se irritou dessa forma comigo, eu sei que estou passando dos limites, eu sei que estou errada, mas ela nunca agiu assim. Acho que dessa vez eu exagerei. E você é a única pessoa que pode me ajudar.
- O irmão dela morreu na clínica? – Dougie perguntou, confuso. – Mas, como assim?
fungou e demorou um pouco mais para responder.
- Overdose. – ela disse, finalmente. – Simples assim.
O rapaz percebeu que ela acabaria chorando novamente e levantou-se, indo até ela e ajoelhando-se a sua frente, segurando suas mãos. Pareceu-lhe que toda aquela cena, momentos antes, tinha ocorrido há muito tempo atrás. Ela parecia outra garota, mas ele não sabia por quanto tempo aquilo duraria. Melhor aproveitar, não é?
- Ei, calma. Ela te ama demais, só quer o seu melhor, talvez ela saiba que somente agindo assim, você aceitaria mudar, não é? É isso que ela quer, que você aceite que precisa melhorar sua vida. Logo, logo vocês vão voltar a se falar, você vai ver! – ele sorriu de lado, tentando animá-la.
sorriu minimamente, sem vontade de ser grossa ou de retrucá-lo. Como poderia? Agora ele era a única coisa que ela tinha, a sua chance de mudar e de ter sua amiga de volta. A sua chance de ser alguém melhor. Ele estava sendo amável demais, ela não teria como tratá-lo mal. Não por enquanto. Com o humor instável dela, nunca se poderia saber do futuro...
- Agora, o que você acha de ir lavar esse rosto e se arrumar? Eu te levo para almoçar e podemos conversar melhor, não acha?
assentiu e levantou-se, vendo Dougie fazer o mesmo. Quando se virou para ir em direção ao banheiro, lembrou-se de algo que a fez voltar e olhar para ele. Ela não quis entender o porquê de fazer aquilo, mas era melhor colocar para fora de uma vez só.
- Erm... Dougie, obrigada por tudo, sabe, me ajudar e tudo mais. Mesmo com toda essa minha falta de educação e toda a discussão. Eu fui uma idiota. – ela fez uma careta por ter que dizer aquilo, mas já que seu orgulho estava perdido em algum lugar que ela não sabia, era melhor aproveitar. – Só não digo que será fácil conviver comigo, não sou tão simples de lidar e espero que você esteja ciente da fria na qual está entrando...
Ele sorriu empolgado, não se deixando abalar pelo comentário da garota. A única coisa que aquilo significou para ele é que ela realmente estava levando a sério a idéia de trabalhar com ele, não era algo apenas pelo momento, pela briga com . Ele já tinha conseguido fazer com que ela dissesse muita coisa, nada seria impossível.
- Tudo certo, eu sei bem o que faço. Só espero que você não volte atrás, este é um grande passo. Quem deve se preparar é você, sabe, vai ter que me aturar muito a partir de agora. Eu também não sou a pessoa mais fácil de lidar, mas acho que podemos nos aturar. O que você acha?
Ela finalmente sorriu aberta e sinceramente, dando de ombros e voltando a caminhar para o banheiro.
- Acho que posso aceitar este desafio. – ele ouviu a garota dizer e depois o barulho de uma porta fechando-se.
Então quer dizer que parceria desses dois finalmente tinha começado?
Capítulo 6
’s POV ON
[n/a: coloque para carregar essa música]
- Ok, Dougie, você quer um pedaço?! – perguntei, apontando com o garfo para a carne no meu prato. – Ver você aí, encarando minha comida desse jeito, não tá legal...
- Não estou com fome, , já almocei com os caras da banda. – ele falou sorrindo. Graças a Deus os olhos dele estavam escondidos pelos óculos, com certeza, eu não precisaria de nenhuma distração enquanto conversava com ele. Sabe como é, acho que eles são azuis demais pra mim...
- Então por que me trouxe para almoçar? Pra me observar comer? – fiz uma careta e ele se limitou a rir e balançar a cabeça. Não vi graça.
- Apesar de ser algo tentador, não. Eu te trouxe pra almoçar porque isso já estava nos seus planos antes de eu aparecer.
- Mas eu poderia ter comido algo em casa mesmo, custava me dizer que já tinha almoçado?? Odeio pessoas me olhando enquanto como.
- Mesmo que eu dissesse que já tinha almoçado, eu te traria para almoçar de qualquer jeito. – ele deu de ombros, sem tirar o sorrisinho idiota do rosto.
- Ai, como você é irritante! – resmunguei, baixando meu olhar para a comida no meu prato e fingindo que ele não estava ali.
- Ai, como você é irritável! – ele retrucou brincando.
Um a zero para ele.
- Não teve graça. – falei, ainda sem olhá-lo, muito interessada em meu arroz. – Ok, me explique o que acontece agora e o que eu terei que fazer... – o olhei enquanto mastigava lentamente e o vi tirando os óculos.
Droga. Foco, , foco.
- Bom, eu vou levar o seu material, que ainda temos que preparar, para a gravadora e então, se eles gostarem, irão te contratar. E aí, sim, começa o nosso verdadeiro trabalho.
- Hum... – murmurei, engolindo a última garfada. – Certo, eu tenho que agradar a galera da gravadora então?
- É, mas não se preocupe, sua voz é excelente e você tem tudo que eles procuram, não tem como negarem. Ah, e também... – ele ficou pensativo por alguns segundos e eu arqueei as sobrancelhas, esperando. – Um amigo meu vai nos ajudar. Ele é um dos melhores músicos que eu já conheci e está disposto a colaborar.
- Da sua banda?
- Não, você vai conhecê-lo logo, fique tranqüila.
Bufei irritada e Dougie sorriu ainda mais. Tive a impressão de que ele gostava de me ver irritada. O seu celular tocou e ele pediu licença para atender, levantando e afastando-se da mesa.
Distraí-me pensando em quem poderia ser o amigo e só percebi que Dougie já tinha voltado para a mesa quando o garçom veio retirar meu prato e entregar a conta. Dougie insistiu em pagar e depois de pelo menos uns cinco minutos discutindo, desisti, deixando-o se virar com aquilo. Cara chato.
- O que vai fazer agora? – ele perguntou enquanto caminhávamos para o carro.
- Eu planejava dormir a tarde toda. – só de pensar em minha cama já me dava uma preguiça...
- O que acha de ir comigo à casa do Danny, um dos caras da minha banda? Lá tem um estúdio bem legal e, além disso, eles estão ansiosos para te conhecer.
Pensei um pouco. Trocar minha tarde de sono na minha cama quentinha por uma tarde com o insuportável e os amigos dele.
Tudo pela minha carreira, não é mesmo?
- Pode ser, vamos então.
O caminho não era longo e chegamos rápido. Paramos em frente a uma casa branca incrivelmente bonita, com um gramado tão verde que me perguntei se era pintado. O jardim era encantador e a visão do Sol quando ele batia nas flores era realmente mágica. Parada no meio do jardim estava uma mulher de cabelos castanhos e não muito alta, junto com outra mulher, uma loira, observando um gato laranja caminhar pela grama.
Eu soube quem elas eram imediatamente.
- Hey, Gio! Olá, Georgia! – Dougie saiu do carro e correu para abrir a porta para mim, coisa que me fez revirar os olhos. Ele não precisava ser tão cavalheiro comigo. – Vem, vou te apresentar a todos. – Me puxou pela mão e nem tive tempo de falar nada, só deixei que ele me guiasse.
Quando chegamos perto de Giovanna, ela já estava segurando o gato no colo e com Georgia parada ao seu lado. Não gostei do jeito que ela me olhou, assim como nunca gostei dela. Nem da Georgia. Elas sorriram para Dougie, Giovanna acariciou o pêlo do gato antes de soltá-lo no chão. Antes que Georgia abrisse a boca, ela já começou a falar.
- Olá, Dougie, Tom está com os meninos no estúdio do Danny. – dirigiu seu olhar para mim e seu sorriso diminuiu um pouco, mas Doug não pareceu perceber, ou soube fingir muito bem. – Vejo que trouxe companhia...
- Ah, sim, essa é a ! – Dougie puxou-me levemente com um sorriso enorme e me amaldiçoei mentalmente por não conseguir me impedir de sorrir de volta. – Essa é a Giovanna , noiva do Tom e essa – apontou para Georgia, que sorriu falsamente para mim, - é Georgia, namorada do Danny.
- Ela é alguma coisa sua? – Georgia perguntou de uma vez. Ai Deus, que mulher mais chata.
- Sim, é sim. Ela ira trabalhar comigo. Um projeto pessoal.
Georgia deu de ombros e a seguimos até a porta com Giovanna logo atrás de nós. Descemos por uma escada em direção a algo semelhante a um porão, mas quando ela abriu a porta, vi que chamar aquilo de porão era um insulto. A sala era completamente organizada, um estúdio muito bem planejado. Tinha todos os aparelhos necessários para gravações e mixagens e as paredes eram completamente encobertas por pôsteres, inclusive alguns do McFLY.
No centro do pequeno estúdio, três rapazes estavam parados, de costas para a porta, e assim que ouviram nossos passos, se viraram. Reconheci os três também, e me senti desconfortável quando eles passaram seus olhos por Dougie e por mim, encarando-me.
- Danny, Tom e Harry, essa é a . – Dougie puxou-me para o centro da sala, para ficarmos de frente para os outros. Olhei para trás e não vi nenhum sinal de Giovanna ou Georgia, o que não me incomodou nem um pouco.
Danny veio me cumprimentar primeiro, abrindo um sorriso tão sincero e bonito, que me senti um pouco sem fôlego. Seus olhos pareciam ainda mais azuis de perto e o brilho deles então, nem preciso comentar.
- Oi? Eu sou o Danny! – ele falou incerto, estendendo a mão para eu cumprimentá-lo. Senti vontade de rir com o jeitinho dele.
Resolvi cumprimentá-lo logo e só então me dei conta de que minha mão ainda estava entrelaçada a do Dougie. Shit.
Soltei-a rapidamente, disfarçando muito bem e devolvi meu melhor sorriso para Danny. Por que não ser simpática com ele, não é mesmo?
- Oi. Danny, eu sou a . – falei, morrendo de vontade de rir.
- A famosa ! – ouvi outra voz e me virei para Harry, que também sorria para mim. – Prazer, Harry Judd.
Alguém me ensina como ser imune a tão adoráveis olhos azuis? Ele também estendeu a mão e o cumprimentei da mesma forma que cumprimentara a Danny, com um enorme sorriso.
Por último, veio Tom, que não sorriu para mim. Estranhei, mas por educação, sorri para ele também. Ele não estendeu a mão ou algo assim.
- Olá... – murmurou e voltou-se para os aparelhos nos quais mexia antes.
Não entendi o que ele tinha, mas percebi com minha visão periférica Danny, Dougie e Harry trocarem um olhar significativo. Só não entendi o que queria dizer.
Dougie aproximou-se mais de mim e não gostei da aproximação repentina, aqueles arrepios não deveriam ser sentidos.
- Desculpe pelo Tom, – ele sussurrou em meu ouvido e eu ignorei o novo arrepio. - as coisas não estão fáceis entre Giovanna e ele, o humor dele não está dos melhores nos últimos tempos...
Concordei com a cabeça, incapaz de articular palavra alguma. Torci para que Dougie não percebesse o efeito que causava em mim.
Não que ele cause algum efeito. Nunca.
Assim que me recuperei da paralisia repentina, passei a prestar atenção na conversa dele com os outros e me interei do assunto.
Após falarmos de variadas coisas, Harry insistiu em ouvir minha voz, e Danny e Dougie o apoiaram.
Imaginem a situação: três pares de olhos azuis, cada um com seu próprio brilho hipnotizador, olhando para mim com uma súplica irresistível.
Não pude dizer não.
Dougie me levou para uma sala fechada, com janelas de vidro e um microfone no centro, uma típica sala de gravação. Saiu de lá me deixando com cara de besta e voltou minutos depois, com fones de ouvido e um violão.
- , você é incrível, sabemos disso, agora quero que impressione os caras, pode fazer isso? – ele sussurrou para mim.
Revirei os olhos com desdém.
- Não seja idiota, Dougie, eu não preciso me esforçar para impressionar alguém, basta agir normalmente.
Ele riu baixo, balançando a cabeça.
- Sua modéstia é que é realmente impressionante. – quem riu dessa vez fui eu. – Que música vai cantar? Aquela da clínica?
- Não.
- Qual então?
- Você vai ver. – ele bufou impaciente e eu nem liguei.
Dougie olhou para a porta e virou-se novamente para mim.
- Ok, boa sorte, chatinha! – me deu um beijo na bochecha e antes que eu pudesse xingá-lo, saiu correndo da sala, batendo a porta e deixando-me sozinha. Eu, o violão e o microfone. Ah, e os fones de ouvido, claro.
Pensei em qual música tocar e me lembrei de uma que eu tinha escrito há muito tempo. Uma que era especial e significava muito. Tinha que ser ela.
[n/a: coloque a música para tocar]
You took my hand, you showed me how
Você pegou na minha mão, você me mostrou como
You promised me you'd be around,
Você me prometeu que ficaria por perto,
Uh huh...That's right
Aham... Tá certo
I took your words and I believed
Eu absorvi suas palavras e eu acreditei
In everything, You said to me
Em tudo, que você me disse,
Yeah huh...That's right
É, aham... Tá certo
If someone said three years from now
Se alguém dissesse há três anos,
You'd be long gone
iria embora
I'd stand up and punch them out
Eu me ergueria e socaria todos eles,
Cause they're all wrong
porque eles estariam errados
I know better, cause you said ‘forever
Eu sei melhor que eles, porque você disse ‘para sempre
And ever, who knew
E sempre, quem diria...
Remember when we were such fools
Lembra-se quando nós éramos tão bobos
And so convinced and just too cool,
E tão convencidos e tão legais,
Oh no...No no
Oh não... Não não
I wish I could touch you again
Eu queria poder te tocar de novo
I wish I could still call you friend
Eu queria poder ainda te chamar de amigo
I'd give anything
Eu daria qualquer coisa
When someone said count your blessings now,
Quando alguém disse "seja agradecido agora,
'fore they're long gone
antes que eles estejam muito longe
I guess I just didn't know how,
Eu acho que eu não sabia,
I was all wrong
eu estava totalmente errada
They knew better, Still you said forever
Eles sabiam melhor que eu, ainda sim você disse "para sempre
And ever, who knew
e sempre", quem diria
Yeah yeah
I'll keep you locked in my head
Eu te manterei trancado em minha mente
Until we meet again,
Até nós nos encontrarmos novamente
Until we...
Até nós...
Until we meet again
Até nós nos encontrarmos novamente
And I won't forget you my friend
E eu não te esquecerei, meu amigo
What happened?
O que aconteceu?
If someone said three years from now
Se alguém dissesse há três anos,
You'd be long gone
iria embora
I'd stand up and punch them out
Eu me ergueria e socaria todos eles,
Cause they're all wrong
porque eles estariam errados
That last kiss, I'll cherish,
Aquele último beijo, eu vou valorizar,
Until we meet again
até nós nos encontrarmos novamente
And time makes, It harder,
E o tempo torna tudo mais difícil,
I wish I could remember
eu queria poder me lembrar
But I keep, Your memory,
Mas eu mantenho sua memória,
You visit me in my sleep
você me visita enquanto durmo.
My darling, who knew
Meu querido, quem diria
My darling, who knew
Meu querido, quem diria
Who knew, my darling
Quem diria, meu querido
I miss you, my darling
Sinto sua falta, meu querido
Who knew, who knew
Quem diria, quem diria
Mantive meus olhos fechados, mas foi meu pior erro. Todas aquelas lembranças começaram a voltar, tentando me fazer pensar em coisas que eu tinha deixado guardadas há mais de um ano. Eu já tinha deixado ele para trás, eu superei.
Errado.
Flashback: 3 anos antes
- QUE DROGA, QUEREM PARAR DE BRIGAR? – gritei com toda a força que encontrei em meus pulmões.
Novamente, eu presenciava uma briga ridícula entre minha mãe e meu pai. Eu já não suportava mais.
- E quem VOCÊ PENSA que é pra se meter? – a mulher que se dizia minha mãe retrucou, olhando-me com desprezo.
- Não fale assim com ela, Joanne! – e como sempre, meu pai me defendia. Mas nada mudava.
- É por isso que ela está assim! Você mima essa menina e se esquece de educá-la! Você é PAI, lembre-se disso!
- E você é MÃE, mas não tem amor suficiente dentro de você pra isso! Não sei o que eu tinha na cabeça quando casei com você!
- E eu não sei o que EU tinha quando aceitei essa idiotice!
Cansei de ouvi-los gritarem um com o outro e simplesmente saí de casa, sem nem me importar com os gritos de minha mãe mandando-me voltar para dentro. Corri o máximo que eu pude e parei algumas quadras longe de casa, tentando voltar a respirar normalmente.
Fui até a pracinha que eu ia quando era menor, a mesma que meu pai costumava me levar, quando ainda éramos uma família.
Antes de tudo começar a dar errado.
Ele e minha mãe não davam mais certo e ela resolveu que a culpada era eu. E meu pai só sabia falar, mas nunca fez nada para mudar a situação.
Eu cansei.
Sentei em um banquinho embaixo de uma árvore, próximo à pista de skate e fechei os olhos, pondo minhas mãos sobre eles e deixando minha cabeça cair para trás, recostando-me no apoio do banco. Não queria pensar em nada, só respirar um pouco de ar puro e curtir o silêncio.
Mas nada nunca é como eu quero.
Senti alguém se sentar ao meu lado e um forte cheiro de cigarro tomou conta do meu precioso ar puro. Mas que diabos...?
- Dia difícil? – uma voz masculina perguntou e fiz um esforço supremo para baixar a cabeça e abrir os olhos, focalizando o garoto.
Ele não parecia ser muito mais velho do que eu, uns dois ou três anos, no máximo, e segurava um cigarro entre os dedos da mão direita. Usava uma camiseta branca com alguns desenhos abstratos e uma calça jeans larga. Então prestei atenção no rosto. Ele era MUITO bonito. Os olhos eram castanhos, mas tão claros que pareciam verdes, ainda mais com o Sol refletindo, o que os deixava ainda mais bonitos. Tinha um rosto anguloso, perfeito demais e um sorriso no canto da boca, sexy.
Estava me encarando enquanto tragava o cigarro e não tirava o sorrisinho do canto da boca em momento algum.
Ele era real ou fruto da minha imaginação?
- Não sei se você entendeu, mas perguntei se você teve um dia difícil... – ele falou sorrindo um pouco mais e me dei conta que o encarava há algum tempo.
- É, dia complicado. – resmunguei, voltando a jogar minha cabeça para trás e fechando os olhos.
- Hm. – ele murmurou e achei que iria embora, mas quando abri os olhos novamente, vi-o jogando o cigarro longe e recostando-se ao meu lado.
- É, pra mim também não tá sendo fácil.
Ficamos em silêncio mais alguns momentos, até minha curiosidade falar por mim.
- O que você quer? – perguntei, começando a ficar com medo de ele ser algum cara perigoso ou algo assim.
- Nada, oras. Eu gosto de vir aqui quando fico entediado ou estressado, só achei estranho encontrar alguém. – deu de ombros.
Ok, não me pareceu perigoso.
- Ahn. O que deu errado no seu dia? – tentei começar uma conversa. Sei que é errado falar com estranhos, mas já que eu estava ali e ele também...
- Meu pai. Acha que pode mandar em mim. Tenho que lembrá-lo constantemente que agora sou maior de idade. – chutou uma pedrinha no chão e levou seu olhar para a pista de skate, ficando nessa posição.
Como eu suspeitava, ele deveria ser uns três anos mais velhos. – E com você, o que te trouxe aqui? – voltou seu olhar para mim.
- No meu caso é a minha mãe. Acha que a culpada pelo casamento mal sucedido sou eu. E meu pai é um bananão, só sabe falar.
Ele sorriu e, desta vez, não um sorriso de canto ou de escárnio, um sorriso que me pareceu sincero.
- Pais são uma droga.
- É. – concordei e sorri de volta, vendo-o se virar para mim e estender a mão.
- Steven Aaron-Brown, muito prazer. – apresentou-se, fazendo uma careta ao dizer o nome completo. – Mas pelo amor de Deus, me chame somente de Stew.
- Prazer, Stew, , mas me chame só de ! – apertei sua mão, cumprimentando-o e senti uma descarga elétrica me atingir.
Um bom sinal, talvez.
Fim do Flashback
Forcei todas as lembranças a voltarem para qualquer lugar da minha mente onde eu não pudesse lembrar ou pensar naquilo, não agora, e me concentrei nos últimos acordes, respirando fundo e balançando a cabeça, tentando desembaralhar meus pensamentos. Abri os olhos e vi Dougie saltitando (sim, SALTITANDO), enquanto entrava na sala. Ele parabenizou-me, levando-me para fora para vermos o que os outros diriam.
- Você foi ótima! – ele murmurou no meu ouvido durante o pequeno trajeto para fora da sala. – Eles ficaram impressionados! Literalmente!
- Nada que eu já não soubesse. – respondi, arqueando a sobrancelha e ele revirou os olhos, dizendo algo como “pf, convencida”.
Harry e Danny conversavam animados e assim que me viram, cobriram-me de elogios, deixando-me sem graça. Não vi sinal algum de Tom.
Estranho.
Depois de muito conversar e, de Dougie ficar falando entusiasmado sobre nossos próximos passos, seu celular tocou e ele saiu do estúdio, dizendo que já voltava, deixando-me sozinha com Danny e Harry.
- Erm... ? – Harry me chamou e eu o encarei, vendo-o trocar um rápido olhar com Danny. – Só não fique brava com o Tom, ok?
- Ele só não se acostumou com você ainda, mas ele é legal e logo vocês se darão bem, você vai ver! – Danny completou, mas nem ele parecia muito certo sobre isso.
- Ahn... Ok, sim, Dougie já comentou algo assim comigo. – murmurei sorrindo descontraidamente para que eles não se sentissem desconfortáveis. E daí se o Tom não tinha ido com a minha cara? Problema dele. Seja qual for o motivo, eu não estou nem aí.
Dougie voltou para o estúdio logo depois, parecendo animado.
- Bem, caras, tenho que levar a para nossa próxima parada! – ele piscou para os outros dois e eu fiquei sem entender o significado daquilo. - Falo com vocês depois!
Puxou-me (como sempre, estou me acostumando já) com ele e enquanto saíamos, tagarelava sem parar. Lancei um breve olhar e um aceno para Danny e Harry e mal tive tempo de vê-los retribuir.
- Então, agora vou te apresentar a duas novas pessoas, as que vão ser muito importantes para você também!
- O seu amigo lá que você tinha me dito?
- Também!
É, me deixar curiosa é especialidade desse cara.
Quando saímos da casa, novamente vasculhei o local com os olhos, buscando algum sinal de Tom e sua mulher, ou da Georgia, mas não vi nenhum deles. Não que eu me importasse.
Chegamos ao carro e Dougie correu para abrir a porta para mim. Entrei e logo depois ele entrou, e fomos conversando sobre coisas aleatórias pelo caminho.
Até eu ficar impaciente.
- Já estamos chegando Dougie?
- Mais cinco minutos, , calma! – ele riu e me encarou, mas eu não vi nada mais do que seus óculos, já que seus olhos estavam escondidos.
- Af! – bufei e isso só foi motivo para ele rir ainda mais.
Impressão minha ou ele adora rir da minha cara?
É. Ele adora.
Alguns minutos mais tarde (e eu tenho certeza que foram mais do que cinco), Dougie estacionou em frente a uma Starbucks e, como sempre, abriu a porta para mim.
Encaminhamo-nos para dentro do estabelecimento e percebi que ele procurava algo com os olhos.
- Ah! Ali estão eles! – ele apontou para uma mesa mais ao fundo e fomos direto para lá.
Chegando perto, reconheci o rapaz sentado à mesa na hora, mas a garota eu não conseguia me lembrar se já a tinha visto alguma vez.
- James Bourne? – falei e Dougie se virou sorrindo e concordando com a cabeça.
- Conhece?
- Claro, eu amava Busted, uma pena a banda ter acabado!
Chegamos à mesa e James levantou-se para nos cumprimentar, assim como a garota ao seu lado.
- Hey, cara, quanto tempo! – ele falou animado, dando um abraço em Dougie e depois dirigindo seu olhar para mim. – Então essa é a nova estrela? – veio para perto de mim, pegando minha mão e beijando-a delicadamente. – Muito prazer, mademoiselle.
Apenas lancei um olhar assustado para Dougie e ele caiu na gargalhada.
- Ok, cara, você pode dar em cima dela mais tarde, vamos conversar primeiro! – ele foi até a garota, dando um abraço nela também e depois a trouxe para perto de mim. – , essa é a , , essa é a ! – falou meio brincando e ela sorriu para mim, vindo mais perto e dando um beijo em cada lado do meu rosto.
- Prazer em conhecê-la, , já me falaram muito bem de você!
Sorri para ela e senti uma estranha simpatia. Ela parecia ser legal.
- Digo o mesmo, ! – respondi animada, mentindo, claro, afinal Dougie não havia dito nada sobre ela.
Todos nos sentamos à mesa e fizemos nossos pedidos, para então começarmos a conversar.
- Então, , James praticamente me obrigou a chamá-lo para ajudar, sabe... – Dougie levou um tapa de James, que se levantou para poder acertá-lo, já que estava sentado de frente para ele. – Ei, cara, eu não sou o Danny, não!
Acabei rindo, mesmo sem querer, eles eram engraçados juntos.
- Enfim, - Dougie continuou. - ele está a fim de te auxiliar nas composições e essas coisas, ele entende melhor do que eu, sabe, sou apenas o baixista e tals... Não levo jeito para compor como o lord aqui leva...- revirei os olhos e ele riu baixo.
- Acho que vai ser legal então, – finalmente abri minha boca. - quanto mais ajuda, melhor!
Meu olhar se dirigiu para e me perguntei o que ela estava fazendo ali. Namorada de James, talvez?
Como se lesse meus pensamentos, Dougie começou a falar sobre ela.
- Bem, é uma amiga, eu a conheci no lançamento da minha marca de roupas, ela ainda é uma aspirante a estilista, mas muito talentosa. Ela me ajudou a fazer várias peças das quais eu vendo.
- Não faça tanta propaganda, Dougie, eu faço o possível, nada extraordinário... – ela o cortou, envergonhada, e dessa vez quem revirou os olhos foi Dougie, lançando a ela um sorriso amigável.
- Ahn, ok, mas o que isso tem a ver comigo? – perguntei curiosa, afinal, o que ela tinha a ver com música?
- Ah! – Dougie bateu com a mão na testa, como se tivesse se lembrado de algo. – Claro, não expliquei ainda, não é? Bom, vai nos ajudar a cuidar da sua imagem. Ela é formada em Moda e está cursando Publicidade, ou seja, tudo o que nós vamos precisar. Vai te auxiliar com o que você vai vestir e também ajudar na divulgação do seu trabalho, além de ser sua assessora, cuidando dos eventos e essas coisas.
Espera. Como assim ‘auxiliar no que EU vou vestir’?
- Acha que não me visto bem? – perguntei indignada, olhando diretamente para Dougie.
- Não, não! Longe disso! Mas quero que você tenha roupas exclusivas, e vai nos ajudar nisso! E ajuda nunca é demais, não é, ...?
Pensei um pouco. É, talvez ele tivesse razão.
Nossos pedidos chegaram e James puxou algum assunto com Dougie e os dois logo se animaram a conversar; puxou sua cadeira para mais perto de mim, e assim começamos a conversar também. Me dei muito bem com ela, graças a Deus. Pelo que percebi, ela estaria bastante presente no meu dia a dia a partir daquele momento, seria péssimo se ela fosse alguma chatinha e se não nos déssemos bem.
Dougie, de repente, me chamou, tirando minha atenção da conversa com e fazendo com que nós prestássemos atenção nele e em James.
- , amanhã terá uma festa interessante na casa do James para comemorar o lançamento de um novo vídeo clipe dele, quer ir comigo? – ele falou sorrindo e tentando hipnotizar-me com os malditos olhos.
- Ei, cara, não faça parecer que ela tem que ir com você! – James cortou Dougie, puxando minha mão por cima da mesa e obrigando-me a olhá-lo (coisa que não era muito difícil, James é um lindo e ainda bem que ele chamou minha atenção, eu já estava quase caindo nos olhos daquele ser que eu não vou mencionar o nome). – Seria ótimo se você aparecesse, já que você é minha convidada especial!
Baixei os olhos, envergonhada, mas concordei com a cabeça.
- Ok, eu adoraria ir!
- Ah, você se importaria de amanhã, então, termos um dia de garotas?! – perguntou animada e franzi a testa, sem entender. – Ah, tipo, nós duas: salões de beleza, lojas de roupas, sapatos, essas coisas! Depois você pode ir à festa comigo e encontramos Dougie e James lá!
Não me animei muito com a idéia, acredite, não sou do tipo que adora um shopping.
- Olha, , eu não sei, acho que...
- Qual é, , isso seria ótimo, assim vocês já se conhecem melhor e tudo mais! – Dougie se intrometeu e ficou tão feliz com a idéia que não tive coragem de negar.
- Claro, seria ótimo! – murmurei vencida. Não custaria nada fazer algo diferente, não é?
Lembrei de e meu coração apertou-se. Ela não atendia minhas ligações e nem respondia meus recados. Ela iria adorar ir a essa festa. Tenho que dar o melhor de mim aqui, quando ela ver tudo que estou fazendo, vai acreditar que estou mesmo tentando mudar completamente, tenho certeza.
Os meninos pediram a conta e quiseram dar uma de cavalheiros, pagando a parte minha e de .
- Então, gente, eu acho que já vou, ainda tenho que comprar algumas coisas e arrumar tudo para a festa amanhã. – James falou levantando-se e então se virou para . – , você vem comigo?
- Vou sim! – ela respondeu levantando-se também. Dougie e eu seguimos o exemplo e todos nos despedimos.
Dougie murmurou “vou ao banheiro” e caminhou para o outro lado. Eu encostei-me em uma mesa próxima a saída, esperando ele voltar.
Minutos se passaram e nada de Dougie voltar, estranhei a demora e fui para o fundo da cafeteria, em direção aos banheiros, procurando-o.
Não precisei andar muito, eu o vi parado, olhando algumas mesas mais ao fundo. Parei ao seu lado e ia falar alguma coisa, mas quando vi sua expressão, calei-me. Era ao mesmo tempo raivosa e magoada. Segui seu olhar e entendi o que tinha o deixado assim. Em uma mesa bem ao fundo da cafeteria, Frankie Sandford estava aos beijos com um homem que eu não reconheci, pois estava de costas para nós. As mãos do rapaz apalpavam a coxa dela e ela apertava a nuca dele de uma forma íntima demais, algo que não era apropriado para se fazer em uma cafeteria.
Ainda mais se você é compromissada.
Senti uma vontade imensa de pular em cima dela e arrancar o cabelo curto daquela vadia, mas Dougie me segurou pela mão assim que dei um passo em direção a ela.
- , vamos embora. – foi tudo o que ele disse, arrastando-me para a saída.
- O quê? – gritei quando chegamos à porta, chamando a atenção de algumas pessoas que entravam.
- Conversamos no carro! – ele continuou me puxando e quando chegamos ao carro, pela primeira vez, ele não abriu a porta para mim, e percebi o quanto ele estava perturbado.
Entrei e me ajeitei no banco, observando-o. Dougie encostou a cabeça no volante e não pronunciou nenhuma palavra, o que eu estranhei ainda mais, até eu perceber que ele estava chorando. Sim, eu podia ver as lágrimas caindo no tecido de sua calça e me senti horrível por cada momento que eu havia o xingado mentalmente. Dougie não merecia tudo o que eu tinha dito dele, e não merecia também uma traição dessa forma. Na verdade, de forma alguma. Eu me senti incapaz, não sabia o que falar e tinha medo de piorar a situação. Eu nunca tinha visto um homem chorar. Não por uma mulher.
- Doug... – murmurei baixo, levando minha mão ao cabelo dele e acariciando lentamente, tentando fazer com que ele se sentisse melhor. O que, obviamente, era impossível.
- Eu achei que desta vez seria diferente! – a voz dele era abafada pelos braços que cobriam o rosto encostado no volante. – Acreditei que ela pudesse me amar como eu a amo. E olha o que aconteceu!
Ele finalmente levantou o rosto e meu coração apertou-se mais ainda ao ver seus olhos, os mesmo olhos que me hipnotizavam, agora estavam vermelhos e profundamente tristes. - Eu fiz algo errado? – ele sussurrou com uma voz ferida, e mais lágrimas caíram.
- Dougie, não adianta chorar por aquela vadia! – falei, colocando uma mão de cada lado do rosto dele e obrigando-o a me encarar. – Ela não merece, entendeu? Você é ótimo, não fez nada errado. Mas você não pode obrigá-la a te amar, isso, sim, é impossível!
Ele abaixou a cabeça, derrotado, e fiz uma coisa que eu nunca me imaginaria fazendo. Puxei Dougie para um abraço, deixando que ele encostasse a cabeça em meu ombro, tentando fazer com que ele se sentisse melhor. Resolvi ligar o rádio para tentar melhorar o clima e afastei minha mão da nuca dele, apertando o play.
Não foi uma boa idéia.
It's like I checked into rehab
É como eu cheguei à reabilitação
And baby, you're my disease
E baby, você é minha doença
It's like I checked into rehab
É como eu cheguei à reabilitação
And baby, you're my disease
E baby, você é minha doença
I gotta check into rehab
Eu tive que entrar em reabilitação
'Cause baby you're my disease
Pois baby, você é minha doença
I gotta check into rehab
Eu tive que entrar em reabilitação
'Cause baby you're my disease
Pois baby, você é minha doença
Ok, , péssima idéia! Dougie arfou pesadamente assim que o refrão da música tocou e eu percebi que não deveria trazer boas lembranças a ele. Mudei rapidamente de música, tentando encontrar uma melhor, mas novamente, eu não dei sorte.
Ten steps away from you
Dez passos de distância de você
From you and him
De você e ele
Redemption, it that a sin?
Redenção, isso é um pecado?
I'd never run him over
Eu nunca o atropelaria
I wouldn't wanna dent my car
Eu não ia querer amassar meu carro
I'd never rip your throat out
Eu nunca ia cortar sua garganta
Cos that could leave a nasty scar
Porque isso deixaria uma cicatriz feia
So I'm gonna go out
Então eu vou sair
Get drunk with my friends
Me embebedar com os meus amigos
Try to get myself outta this funk
Tentar me tirar dessa fossa
I'd never screw my life up
Eu nunca vou acabar com a minha vida
Because of how sick you are
Por causa do quão doente é você
Com certeza não era uma música apropriada para o momento, argh! Pensei em mudar de música novamente, mas Dougie foi mais rápido e sua mão foi por cima da minha, apertando no Off do rádio. Ele saiu do abraço e limpou o rosto de algumas poucas lágrimas que ainda estavam por ali, respirando fundo e depois me encarou.
- Desculpe por te fazer passar por essa situação, eu...
- Relaxa, Dougie. Acredite, eu te entendo, ok?
Ele me encarou por mais alguns segundos e então se ajeitou no banco, ligando o carro.
Momento errado para olhar para fora, Dougie.
Frankie saía de mãos dadas com o homem que vimos na Starbucks, nem se preocupando em olhar para os lados, ou seja, nem ao menos viu o carro de Dougie estacionado ali. Ele suspirou e deu ré, fazendo meia volta na rua e indo para o lado contrário.
- Eu vou te levar para casa, pode ser? Eu preciso pensar um pouco. – falou baixo.
- Tudo bem.
O caminho até minha casa foi silencioso, eu não tinha coragem de falar nada, com medo de deixá-lo pior ainda e ele não parecia muito a fim de conversar. Quando chegamos, me virei para me despedir e quase o chamei para entrar, mas era melhor mesmo ele sair para pensar um pouco.
- Ei, – o chamei delicadamente, segurando sua mão. - se cuida, ok? Não faça nenhuma besteira e não se culpe por isso. A culpa é dela se ela não dá valor a você.
Ele concordou com a cabeça e me aproximei, dando um beijo em seu rosto e um abraço apertado, tentando passar alguma confiança. Saí do carro e parei na porta, sem abri-la, observando seu carro partir.
Boa sorte, Dougie, para o que quer que você decida fazer.
’s POV OFF
entrou em casa, ainda muito chocada com todos os acontecimentos. Tinha sido um dia realmente cheio. Olhou o relógio e espantou-se, era cedo ainda, nem sete horas da noite. Hora do banho, hora de relaxar.
Depois do banho ela pegou Pepper e deu um pouco de atenção para a cachorrinha, afinal, ela mal havia visto o animalzinho.
Uma chuva calma começou a cair, ela podia ouvir as gotas batendo contra o telhado e pensou o quão louco era o clima de Londres. Ainda há pouco estava fazendo sol!
Foi até a cozinha, com Pepper correndo a sua volta, preparou um chá e voltou para a sala, deitando-se no confortável sofá e procurando algum filme para ver. Coincidência do destino ou não, Just My Luck estava passando e ela se sentiu curiosa, escolhendo esse mesmo.
Acabou que ela gostou do filme, aconchegando-se no sofá para assistir melhor.
O barulho da chuva a acalmou tanto, que ela não soube exatamente quando pegou no sono.
Batidas.
Batidas na porta. E cada vez mais fortes. levantou-se e deu uma olhada em Pepper, que ressonava na ponta do sofá.
Ótimo cão de guarda, pensou.
Desligou a TV e caminhou até a porta lentamente, checou o relógio na parede: meia noite e quarenta e cinco. Quem estaria fazendo uma visita àquela hora? Pegou o bastão de baseball que ficava próximo à porta, (justamente para situações como aquela), e se aproximou mais.
- Quem está aí?! – conseguiu perguntar, apesar do medo que estava sentindo. Sua voz saiu falha.
Silêncio.
Ela aproximou-se ainda mais, encostando sua mão na maçaneta, vendo a sombra de alguém pelo vão embaixo da porta. Ainda chovia.
- Que-quem está aí?! – repetiu, gaguejando e suando frio, coragem nunca fora um ponto muito forte de sua personalidade. Ela era do tipo que sempre fugia.
- ... – a voz veio de fora um pouco fraca, mas ela a reconheceu na hora. Largou o bastão e abriu a porta com tudo, encontrando um Dougie jogado no chão em frente a sua casa. Sentiu a raiva subir-lhe a cabeça e respirou fundo.
- Que porra, Dougie! Quer me matar do coração? Como você aparece aqui esta hora e se joga na minha porta no meio da chuva? Que droga, cara! – não conseguia controlar a raiva em sua voz, fazendo com que ela soasse cortante.
Então, Dougie ergueu seus olhos para ela e ela travou. Ele tinha os olhos vermelhos, obviamente tinha chorado muito e estava encharcado. Ela podia tentar fingir não se importar, mas ver o rapaz naquele estado era doloroso até para ela.
Até onde o amor poderia levar uma pessoa? Ela sabia a resposta melhor do que ninguém.
- Vem! – abaixou-se, puxando-o pelo braço e ele se apoiou nela. Assim que ele ficou mais próximo, ela pôde sentir o forte cheiro de bebida.
Ótimo, agora ainda tenho que ser babá de um bêbado, o que é que eu fiz para merecer? perguntava-se o tempo todo enquanto o trazia para dentro da casa. Pepper apareceu, cheirando os pés de Dougie e abanando o rabinho ao reconhecê-lo.
- Pepper, não é uma boa hora para brincar, garota. Vai pra lá, vai! – a afastou com o pé e levou Dougie até a sala, largando-o no sofá, pensando no que fazer.
Ele mal tinha forças para falar, e ia acabar pegando no sono em poucos minutos, mas ela não podia deixá-lo dormir molhado daquele jeito.
- Vem, Dougie, preste atenção, você consegue me entender? – perguntou sem jeito, conversar com bêbados não era exatamente uma de suas especialidades.
- Ela é uma vadia, , uma... – ele começou a chorar novamente e suspirou derrotada. Mas que belo bêbado chorão!
Pelo jeito, seria uma longa noite.
Aos tropeços e xingamentos não ditos, ela subiu com ele pela escada, levando-o para o seu quarto, direto para o banheiro.
Abriu o box e colocou (lê-se: ‘jogou’) Dougie sentado no chão, pensando no que fazer primeiro. Decidiu despi-lo e deixá-lo tomar um banho.
- Doug, me ajuda! – falou enquanto levantava sua a camiseta que estava pesada por causa da chuva que tinha tomado. Ele ergueu os braços molemente e ela teve que segurar com força para conseguir tirá-la. Engoliu em seco quando encarou a barriga definida dele e com pingos de água espalhados por toda a região.
Concentre-se, !, ordenou para si mesma, tentando retirar os pensamentos pecaminosos que começaram a rondar sua cabeça, envolvendo ela, Dougie, o banheiro e muita água. Nada saudável para o momento.
Nada correto para ela.
Levantou o rapaz um pouco para puxar a calça dele, deixando-o só de
boxer, e foi aí que ocorreu seu deslize.
Ela escorregou.
Não teve nem tempo de pensar, caindo sentada no colo de Dougie, que pareceu despertar de seu ‘transe de bêbado’ olhando assustado-a.
A respiração dos dois começou a se misturar e Dougie, já um pouco acordado, reparou no pijama que a garota usava. Uma blusa curta de alcinha e um mini shorts.
E a blusa estava transparente.
levou um susto quando sentiu o volume na boxer de Dougie e olhou-o acusatoriamente, vendo-o franzir levemente as sobrancelhas, como se não soubesse o porque do olhar dela.
E, naquele estado, talvez nem soubesse mesmo.
Ela levantou-se rapidamente, abrindo o registro e fazendo a água gelada cair com tudo sobre a cabeça de Dougie e ele dar um grito.
Ela começou a rir, dissipando a tensão, a situação era realmente engraçada demais. Ele a olhou, primeiro bravo, mas então, um sorriso malicioso surgiu em seu rosto, sem perceber. Esse foi o erro dela.
Dougie puxou-a para debaixo da água com ele e quem gritou dessa vez foi ela, tentando estapeá-lo, mas só conseguindo rir mais ainda.
Ela saiu correndo do banheiro, espalhando água pelo chão, pegando uma toalha para ela e uma para Dougie, voltando para o banheiro e vendo-o tremer de frio.
- Toma, se seca aí que vou procurar algo pra você vestir! – jogou a toalha para ele, que segurou-a no ar, enrolando-se e tentando em vão se esquentar.
foi até seu armário e procurou algumas peças de roupa em que ela não mexia há mais de um ano.
As roupas dele.
Pegou uma boxer limpa e uma calça de moletom, junto com uma camiseta branca. Talvez ficassem um pouco largas em Dougie, mas era melhor do que ele só de boxer caminhando pela casa.
Com certeza.
Levou as roupas até Dougie, deixando-o sozinho no banheiro para se vestir. Depois, voltou para o quarto, aproveitando para se trocar enquanto ele fazia o mesmo, já que o pijama dela tinha ficado todo molhado também. Colocou um short preto e uma camiseta larga e comprida que cobria o short, com o Timmy Turner dos Padrinhos Mágicos estampado na frente.
- Erm... – ele saiu do banheiro parecendo envergonhado, com suas peças de roupa encharcadas na mão. Parecia ainda um pouco tonto e franzia a testa ao olhar para ela, um sinal claro de que a bebedeira ainda não havia passado.
- Vem, me dá isso que vou colocar pra lavar. – ela pegou as roupas de sua mão dirigiu-se para as escadas. Dougie a seguiu, observando-a ir até a lavanderia, que era perto da cozinha da casa, e jogar as roupas para lavar.
Depois foram para a sala e sentaram-se um ao lado do outro. Pepper apareceu, correndo para o colo de Dougie, não escondendo a felicidade ao vê-lo.
- Mas que traidora! – exclamou rindo e Dougie teve que rir também, brincando com Pepper em seu colo.
Então, ele suspirou e encarou a garota, soltando Pepper no chão. Ainda estava um pouco tonto pelo tanto de bebida que tinha ingerido, mas queria conversar com ela.
- , desculpe, ... Eu... E... – ele dizia meio enrolado e parecia ter dificuldades para completar a frase. E não era só por estar meio bêbado.
- Ok, Dougie, eu entendo, relaxa. Tudo bem que um cara bêbado batendo na minha porta quase uma hora da manhã não é exatamente o que eu chamo de ‘visita muito bem vinda’, mas não sou uma bruxa, tá? – ela sorriu para ele, tentando passar alguma confiança. – Não precisamos conversar sobre isso. Sugiro pipoca, chocolate quente e um filme, o que você acha?
Ele sorriu aliviado, não tinha conseguido entender nem metade do que ela tinha dito, o cérebro dele parecia ter tirado uma folga, mas ele sabia que ela estava preocupada com ele e que não estava brava. Sentiu um carinho enorme pela garota, ela podia tentar esconder, mas tinha um grande coração.
Os dois foram para a cozinha e enquanto ela preparava um chocolate quente, ele apenas observava-a um pouco perdido.
Distraída por causa do olhar do garoto em si, acabou derrubando sua xícara no chão, o que fez com que espirrasse um pouco de chocolate nela e se espalhasse por todo o lado.
- Ai, mas que droga! – resmungou, tentando se limpar, desistindo logo e abaixando-se para pegar os cacos da xícara no chão. Dougie aproximou-se para ajudar, mas por causa de seu equilíbrio afetado pela bebida, tropeçou e acabou chocando-se com ela quando ela se levantava, fazendo-a cambalear também. Por incrível que pareça, ele conseguiu manter-se em pé e ainda segurá-la consigo, impedindo-a de cair. Mas agora, os dois já não ligavam mais para o quase tombo.
Eles estavam próximos, muito próximos. Perigosamente próximos.
E foi então que ele se deixou levar pelo instinto.
Ele a beijou.
Dougie podia estar bêbado, mas era homem e não era bobo. Estava com raiva de Frankie e, ao mesmo tempo, sentiu uma atração inegável por . Não saberia explicar. Ele não sabia exatamente o que estava fazendo, deixou-se guiar pelo instinto e não conseguia se concentrar em algo que não fosse a boca e o corpo da garota.
No começo foi um beijo tímido, ambos estavam com medo. Ele com medo dela se afastar e começar a gritar com ele; já ela teve medo por não conseguir se afastar. Simplesmente não conseguiu impedir os braços dele, que rodearam sua cintura, puxando-a ainda mais para perto. Não conseguiu se impedir de levar suas mãos para a nuca dele, puxando levemente o cabelo do garoto.
Não conseguiu resistir a ele.
Lentamente, o beijo tornou-se intenso e ele não conseguia entender mais nada, ainda menos do que no começo, talvez estivesse mais bêbado do que antes, talvez o perfume dela o tivesse embriagado ainda mais, não conseguia entender o que estava acontecendo ali.
E porque ela não o tinha impedido?
Sem que percebessem, eles começaram a caminhar para a sala, nenhum dos dois queria pensar no que estavam fazendo.
Eles estavam apenas sentindo.
Dougie a ergueu levemente e ela passou as pernas por sua cintura, apertando as mãos em sua nuca, deixando-o ainda mais arrepiado.
Ela nem ao menos sentiu medo de que ele a deixasse cair, mesmo com alguns tropeços do garoto pelo caminho, ela não estava prestando atenção nisso.
Quando chegaram à sala, ele sentou-se no sofá antes que tropeçasse novamente e caísse, ainda sem abrir os olhos, sentindo a garota beijar seu pescoço.
Espera, o quê?
Sim, a tão fria e controlada já não tinha mais controle nenhum sobre seus atos e passava os lábios levemente pelo pescoço de Dougie, movimentando suas mãos pela nuca e depois por seus braços enquanto ele não se decidia entre as costas ou cintura dela.
Ele procurou os lábios dela novamente, perdendo-se em mais um beijo intenso. Línguas, mãos, o corpo dos dois se movimentavam de acordo com a intensidade e eles não pareciam querer parar.
Dougie começou a puxar a blusa dela para cima, aproveitando para acariciar cada parte da pele exposta dela, que aumentava mais e mais conforme a blusa subia. Parando com os beijos por alguns segundos, ela ergueu os braços para ajudá-lo, ficando apenas de sutiã, sentindo sua pele queimar com os toques de Dougie. Ele passeou com as mãos por sua barriga e ela sentia-se arrepiar, não se importando com isso, já que naquele momento era ela que tentava tirar sua blusa. Movimentou seu quadril em direção ao dele e ouviu o gemido sôfrego que ele soltou.
Passando a mão pelo peitoral de Dougie, fez com que ele levantasse os braços também, terminando de tirar a blusa e jogando-a perto de onde a dela havia parado, no chão, ao lado do sofá.
Dougie, já sem fôlego, trilhava um caminho perigoso (para ) pelo pescoço dela, e acabou deixando uma marca, mas nenhum dos dois se importou. Ele colocou uma mão no seio direito dela e apertou fortemente, por cima do sutiã, fazendo com que os dois gemessem em uníssono.
levou suas mãos novamente para o cabelo dele, agora puxando com um pouco mais de força, para que ele erguesse o rosto na altura dela e iniciassem mais um beijo. Sua língua explorava a dele sem pudor, deixando que a dele fizesse o mesmo.
Ela sentiu os dedos dele caminhando pelo fecho de seu sutiã discretamente enquanto ele distribuía mordidinhas em seu lábio inferior.
E então ela percebeu o que estavam fazendo.
Com um lapso de consciência, se levantou rapidamente, saindo de cima de Dougie e afastando-se o máximo que pôde, parando do outro lado da sala. Ele a encarava sem entender, ainda muito aturdido com tudo o que tinha acontecido e ela arregalou os olhos, dando-se conta de até onde eles tinham chegado.
- Ah, meu Deus! – murmurou baixo para si mesma, fechando os olhos e colocando as mãos uma de cada lado da cabeça, tentando pensar com mais clareza. – Olha, Doug, eu não sei o que houve, mas isso foi totalmente idiota, nós dois sabemos disso, não é? Então, vamos simplesmente esquecer, nada disso aconteceu. Eu nem mesmo vou ficar brava, eu sei que você está com raiva da sua namorada e tudo mais, então, eu não vou te culpar, eu também me deixei levar. Não vai se repetir, entendido?
Silêncio.
Ela estranhou e abriu os olhos, encontrando Dougie caído de lado no sofá, ressonando baixinho.
Ele tinha desmaiado.
- Ah, que ótimo, eu fazendo o maior discurso e você aí, né, nem me ouvindo! – reclamou, mesmo sabendo que ele não a ouviria. Depois de toda aquela adrenalina, a bebida tinha vencido e ele tinha apagado.
Pegou sua blusa do chão e a vestiu, tentando não se lembrar de como ela tinha parado ali, depois ajeitou Dougie no sofá, puxando suas pernas para cima, para deixá-lo mais confortável.
Ligou a TV, ajeitando-se no espaço que havia sobrado no sofá quase todo ocupado por Dougie. Ela queria entender o que tinha exatamente acontecido, mas não era hora para isso, então era melhor se distrair um pouco.
Diário de uma paixão estava passando e por mais que tenha tentado assistir, ela caiu no sono.
Continua...
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