Risadas, sim, muitas risadas, eram tudo o que se podia ouvir da sala e de todos os outros cômodos da residência dos . Todo aquele escândalo vinha de um dos quartos no final do grande corredor branco.
- Eu não acredito que você fez isso, ! Coitado do garoto! Tudo bem que ele apronta de vez em quando... Mas você está passando dos limites! – , uma garota de 17 anos, cabelos cacheados e escuros, dizia em meio a risadas. Era difícil manter-se séria após ouvir aquilo.
- Coitado? Como assim, coitado? Eu não acredito que você está defendendo aquele babaca, ! – disse séria, parecia um pouco irritada com a atitude da amiga. - E eu não estou passando dos limites! Foi só uma brincadeirinha boba... – A garota disse um pouco mais calma antes de arremessar uma almofada em , que se esquivou. A almofada passou pela garota e esbarrou em um abajur, que quebrou em vários pedaços ao cair no chão. levou a mão até a boca ao ver a expressão de pavor no rosto da outra.
- Olha o que você fez! Quebrou meu abajur de pônei rosa! Eu gostava tanto dele! – disse um pouco chorosa tentando inutilmente juntar as peças quebradas.
- Eu que fiz?! Foi você que tentou me matar com uma almofada, !
nem pode responder, já que a porta do quarto se abriu, revelando um furioso do outro lado. Ela se levantou sem jeito devido ao susto, e subitamente ficou séria.
- Isso é jeito de entrar no quarto da sua querida irmãzinha, ?! – Ela perguntou em um tom de superioridade, deixando o irmão ainda mais irritado.
- Querida irmãzinha... – disse irônico, passando as mãos apressadamente nos cabelos loiros, deixando-os ainda mais bagunçados – Será que vocês podem parar com todo esse escândalo?! Eu e os caras estamos tentando compor algumas músicas, mas com vocês berrando feito hienas loucas fica complicado! – Ele disse o final da frase rindo, havia voltado ao normal.
não era bravo, pelo contrário, costumava dizer que ele era um fofo. Mas quando o assunto era sua banda, o McFly, ele tinha uns ataques de raiva que em questão de minutos passava. A relação dele com a irmã era bem... normal. Davam-se bem, estavam sempre se ajudando, dando conselhos e fazendo piadas que só os dois entendiam. Claro que sempre rolavam algumas discussões, mas nada fora do normal. Nunca conseguiam passar mais de um dia sem se falar.
- Desculpa, ... A culpa não foi da . Era eu quem estava rindo. – disse, quebrando o silêncio e ficando levemente corada.
- Tudo bem, . Desculpa por ter dito que você é uma hiena louca, não foi bem a minha intenção – disse, sorrindo de um jeito fofo, e riu abertamente.
- Tá bom, . Agora cai fora, que isso é conversa de meninas, ok? Não incluem gays como você! – dizia rindo, enquanto empurrava o irmão para fora do quarto.
- Aiiiii, amiga! Eu queria tanto ficar fofocando com vocês! Adoooro um babado! – disse de um jeito bastante afetado, arrancando ainda mais risadas das garotas. –Ah, mais uma coisinha... – Ele disse, agora de forma normal.
- Faaala, seu mala! – disse com as mãos na barriga, já estava sentindo dores de tanto rir.
- Obrigada por acabar com esse abajur horroroso da ! – disse e saiu correndo, deixando a irmã com a maior cara de braba.
- É um filho da mãe! – disse, balançando a cabeça negativamente.
- Concordo, de fato, você também é! – disse e voltou a cair na gargalhada.
- ! – gritou do meio do corredor. - Esqueci de avisar que a campainha estava tocando, acho que a amiga de vocês chegou. – Deu de ombros e voltou para seu quarto, onde estavam os outros garotos.
nem pensou duas vezes, correu pra fora do quarto, desceu as escadas rapidamente e abriu a porta.
- Amiiiiiga! – disse ofegante, abraçando .
- Achei que tinha me abandonado aqui do lado de fora! – disse divertida, saindo do abraço da amiga e entrando na casa.
- ! – Dessa vez foi quem pulou no pescoço da garota de forma desajeitada, fazendo com que as duas quase caíssem no chão.
- Pelo menos fui bem recebida. – dizia enquanto subiam para o quarto de .
Antes de chegarem ao quarto, uma porta um pouco aberta chamou a atenção das garotas. Era o quarto de , onde os garotos estavam compondo.
- Dude, o que você acha de ‘I waanna put my haaands on your skiiin’ (eu quero colocar as minhas mãos em sua pele) – cantarolou com uma cara realmente depravada, fazendo os garotos rirem. sentiu todos os pelos do seu corpo se arrepiar com a expressão nada inocente do garoto. Elas os observavam pelo lado de fora. Estavam um pouco amontoadas, tentando se esconder. Os garotos certamente as expulsariam, se vissem que estavam espionando.
- Fica calma, ! Não morre! – disse em um sussurro tentando controlar o riso, e apenas lançou um olhar mortal para amiga, que logo parou com a brincadeira.
- Underneath the cloothes that you’re iiiin (por baixo das roupas que você está usando) – Desta vez foi quem cantou, fazendo uma cara muito parecida com a de e passando os dedos pelos mamilos. Todos riram novamente.
- Fica calma, ! Não morre! – Foi quem sussurrou rindo, e deu de ombros.
- Eu tenho namorado, sabia? – A garota disse, também sussurrando.
- Nem vem, ! Você não me engana... – disse com um sorriso debochado.
- Da pra vocês ficarem quietas?! Eu to tentando ouvir! – disse irritada, de um jeito nada discreto fazendo com que as garotas se desequilibrassem com o susto e caíssem no meio do corredor.
- Parabéns, . – disse irônica, batendo palmas para amiga.
Antes que ela pudesse responder, os garotos já estavam parados em frente a elas rindo e observando a cena. choramingava de dor, uma das amigas havia caído sobre seu braço, que doía um pouco. levantava-se calmamente, como se nada tivesse acontecido, ao contrário de , que se apressou em ficar de pé e arrumou sua roupa, que estava um pouco amassada.
- Deu pra ficar escutando conversa atrás da porta, ? – perguntou sério, olhando nos olhos da garota. – Ninguém nunca lhe avisou que isso não é nada educado? – Ele continuou no mesmo tom.
- Para a sua informação, garoto, eu não estava escutando nenhuma conversa. Aliás, eu nunca perderia meu tempo ouvindo o que você tem a dizer. Nada que venha de você pode me interessar. – Ela disse com autoridade, sustentando o olhar do garoto. Antes que pudesse se defender, puxou as amigas para seu quarto, batendo a porta e deixando um garoto furioso parado no corredor.
Capítulo 2.
Tudo aquilo era realmente muito confuso, e sempre fora assim. conhecia desde que eram pequenas. Seus pais eram muito amigos, então elas cresceram praticamente juntas. considerava um irmão, e ele pensava o mesmo a respeito dela.
Normal, não? Tudo ia muito bem, até que ele resolveu montar uma banda com , seu melhor amigo. e eram bem parecidos, os dois eram muito engraçados, gostavam de tocar guitarra e cantavam incrivelmente bem. , , e andaram juntos por um ano mais ou menos. Faziam absolutamente tudo juntos. Dormiam, os quatro, na mesma cama, tomavam sorvete no mesmo pote – ok, de 5 litros, mas ainda eras o mesmo pote! Enfim, eram inseparáveis, amigos de verdade. As coisas só começaram a mudar quando convidou para a banda. , cabelos bagunçados e um ótimo . Perfeito para a banda. achava um cara legal, seria bom ter mais um amigo, pena que não pensava assim. Ninguém sabe direito o motivo, mas eles tiveram o exato oposto do tal ‘amor à primeira vista’, o que aconteceu pode até ser chamado de ‘ódio à primeira vista’. Os dois não conseguiam se ver sem que ofensas, críticas e deboches fossem ditos de maneira ofensiva. Era um sentimento recíproco de pura implicância.
Start Flashback
- Hey! ! – vinha correndo chamando a garota.
- Hu?
- Ih! Que cara de desgosto! – Ele fez careta. – Vim te chamar pra conhecer o carinha que o encontrou pra banda! Vem. – Antes que ela pudesse pensar, ele já estava a arrastando para o tal lugar, sendo seguida por .
- Tcharam! – mostrou o rapaz como se mostrasse um carro novo ou uma mágica. – , . , . , . , . – apontava o dedo de um para o outro e fazia uma cara estranha.
- Hey... bem vindo! – olhou para o garoto e estendeu-lhe a mão.
- Obrigado. E você, sua mal educada, não vai me dar oi? – Olhou para a outra, que estava parada, o olhando de cima a baixo.
- Não. – A garota apenas respondeu e se virou de costas, mirando o caminho que faria naquele momento. E pôs-se a andar, mas não percebeu que estava sendo seguida.
- Digo eu, então! – Ele parou na sua frente, interrompendo sua passagem. – OI! – Ele disse com um sorriso gigante, de orelha a orelha. - Eu sou o .
- Ok. Prazer. Agora sai da frente.
- Saio, se você me der um sorriso.
- Você é chato assim sempre ou me enganei? – Ela disse ironicamente, empurrando o garoto para o lado e seguindo seu caminho.
End Flaschback
No início, todos achavam que aquilo logo passaria, mas estavam errados. e nunca se entenderam, o que acabou por distanciar um pouco o grupo. , e passaram a andar sem as garotas. E continuavam a procura de um para banda. e continuavam a andar juntas, agora acompanhadas por . Conheceram ela na escola, pele , cabelos escuros e bem lisos. Um pouco distraída, mas bem divertida. As três agora eram inseparáveis. Depois de uns três meses procurando, os garotos finalmente encontraram o . , cabelos claros, um pouco mais baixo que os outros, e um pouco mais novo também. Na opinião de , ele tinha os olhos mais lindos e mais brilhantes do mundo. Desajeitado e um pouco tímido, era o que faltava no McFly. Todos se encontravam com alguma frequência na casa de e , os garotos para compor e ensaiar ou ficar sem fazer nada mesmo. E as garotas para fofocar, é claro. Os atritos entre e , vulgo ‘casal ódio mortal’, eram bem frequêntes. Os dois sempre davam um ‘showzinho’ que terminava com meninas de um lado e meninos de outro. Complicado, realmente complicado.
Capítulo 3.
No quarto de , a própria narrava para tudo que havia contado para momentos antes. As outras duas ouviam com atenção e controlava a risada. Não queria ser chamada de hiena de novo.
- Eu não acredito que você fez isso, ! – disse de um jeito bem maternal. – Cortar o cabelo dele enquanto ele dormia, quebrar algumas baquetas, mandar bilhetes anônimos dizendo o quanto ele era lindo e maravilhoso só para ver ele se achando e depois poder dizer que os bilhetes haviam sido entregues para pessoa errada e que, na verdade, ele era um perdedor, tudo isso podia ser até um pouco engraçado, mas dessa vez você passou dos limites. – concluiu séria. revirou os olhos ‘Fala sério, foi engraçado, claro que foi! Ver ele totalmente humilhado na frente daquela loira aguada... Ah, foi sim! Tudo bem que ver ele realmente triste me partiu o coração... O que é isso, ?! Sentindo pena daquele babaca? Não, não!’ A garota foi tirada de seus pensamentos por , que agora parecia estar preocupada com a situação, não estava rindo como antes.
- Ai ... Quem sabe se ele começasse a namorar aquela garota do bar, como é mesmo o nome dela? – fez uma cara confusa, como se tentasse lembrar da noite anterior.
- . – Foi quem respondeu e rolou os olhos ao ouvir aquele nome.
- Então... – continuou – Talvez se o começasse a namorar a , ele desistiria de ficar implicando com você e tudo ficaria bem. – Concluiu a garota sonhadora. Queria mesmo que seus amigos se acertassem.
- É , mas depois do que a fez, é capaz dele querer ver ela morta. Nem sei como ele não te atacou lá no corredor. Se fosse eu teria te dado uma voadora na nuca. – disse calmamente levantando-se da cama e observando ‘atentamente’ a mobília do quarto.
pareceu confusa com tudo o que ouvira das amigas. Pela primeira vez ela estava pensando realmente em sua atitude da noite anterior. Por que ficou tão indignada ao ver com outra garota? Por que ficou com tanta raiva ao vê-lo abraçado àquela loira aguada?! E a forma como ele ria pra ela...
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Era uma noite linda, estava um pouco frio e uma brisa leve bagunçava os cabelos das três garotas que estavam indo em direção ao Trix Pub. Era lá que encontrariam os garotos. O lugar era simples, uma decoração estranha em tons de preto, roxo e cinza. Tinha também um palco, em uma das extremidades do local, onde sempre aconteciam apresentações de bandas locais e até de algumas mais famosas. Mas o real atrativo do Trix, sem dúvida, eram os coquetéis. Os melhores do mundo na opinião dos garotos. Talvez fosse por isso que eles insistiram tanto em ir pra lá, e as meninas acabaram concordando.
- Não sei por que fazer tanto escândalo pelos coquetéis, se no fim eles sempre acabam bebendo cerveja. – comentou confusa, observando os garotos mais a frente. deu um tapa fraco na cabeça da amiga, que reclamou de dor. sempre fora dramática, era fato.
- Amores da minha vida, amo vocês, mas vou trocá-las pelo meu namorado – disse de um jeito formal e cômico, se afastando das amigas e indo abraçar Jason. Eles se conheceram na escola e namoravam há mais ou menos três meses. achava que aquilo não ia durar muito tempo, era uma daquelas garotas divertidas que sempre é notada quando chega nos lugares, fala com todo mundo e é bem simpática. Ok, nem sempre ela é simpática, apenas na maioria das vezes. Já Jason é um típico garoto popular, riquinho, não se mistura com qualquer um, apenas com quem ele acha que merece sua companhia, e isso, com certeza, não incluía , e muito menos o McFly. Por isso que não acreditava no futuro do namoro. Achava que sua amiga logo perceberia que Jason é só mais um daqueles otários com rostinhos bonitos e muito dinheiro na conta bancária. Sem contar que e tinham certeza de que tinha uma quedinha pela amiga, e por mais que negasse, elas sabiam que o sentimento era recíproco.
As duas viram a amiga se afastar e foi quem quebrou o silêncio.
- ! - A garota de cabelos cacheados gritou antes de dar um abraço apertado no amigo.
- Finalmente vocês chegaram! Qual foi? Não vai me dizer que tiveram problemas com o secador de cabelos de novo?! – falou meio gritando, pelo visto já estava bem alegre, digamos assim.
- Para, dude! Isso foi gay! – disse divertido, e corou.
- Pequena! – disse empolgado, abraçando . ‘Ok, respira, dona ! É só um abraço normal do , afinal, ele te vê apenas como amiga, AMIGA! Porque é isso que vocês são: AMIGOS! Mas que mania irritante! Por que diabos ele tem que ficar me chamando de pequena?! Tudo bem que eu sou baixinha e tenho essa cara de pirralha apesar de já ter 17 anos, mas isso não significa...’ pensava quando foi interrompida pela mesma voz que falara anteriormente.
- , tá tudo bem? – perguntou, visivelmente preocupado. A garota parecia pálida, com um olhar perdido...
- Aham... - Foi tudo que ela conseguiu responder antes de receber um abraço de .
cumprimentava os meninos também, demorando mais em , que dizia estar com saudades dela. Eles eram grandes amigos, e um estava sempre preocupado com o outro. Era bonita a relação deles.
- O que a tem? – perguntou, ainda preocupado.
- Ué, vai saber... É a , . Ninguém nunca vai entender o que ela tem... – disse dando de ombros. Fingia não saber, mas no fundo tinha certeza que a amiga sentia alguma coisa por , estranho era ela nunca ter dito nada, afinal, eram melhores amigas! Ela já tinha que ter falado...
se distraiu por alguns segundos, alguma coisa estava errada. Alguma coisa estava faltando. Lançou um olhar significativo para , que não entendeu nada.
- Amiga, tem alguma coisa errada. – sussurrou para que só ouvisse.
- Bebeu? Não tem não... Ta tudo normal! – Respondeu a garota olhando ao redor. – O mesmo Trix com sua decoração esquisita de sempre, a se pegando com Jason, dançando engraçado, mais preocupado com as moscas do ambiente do que com os amigos, segurando duas cervejas sabe-se lá por que... – Ela dizia enquanto apontava para as cenas que eram sempre comuns. – Espera um pouco! – Ela disse de súbito, como se de repente tudo fizesse sentido. – ! – Não houve resposta. – ! – Dessa vez ela berrou para que ele ouvisse.
- Heeeey! – Ele disse empolgado.
- Cadê o ? – perguntou antes de piscar para .
Com um movimento rápido, puxou para longe de e dos outros meninos.
- O que foi, sua doida?! Eu descobri do que você estava sentindo falta! – disse com um sorriso orgulhoso no rosto.
- Eu não estou sentindo falta do ! – disse realmente irritada. – Eu não posso estar sentindo falta dele... - A última frase ela disse num sussurro, mais pra ela ouvir do que para a amiga.
- Ah... então, não sei. – disse decepcionada. –Agora deixa isso pra lá e vamos dançar! – Disse puxando para a pista de dança que ficava no meio do local.
- Não, não... Vai indo, que eu já te encontro... – A outra respondeu se soltando da amiga, ainda estava confusa, precisava pensar.
- Ok. – disse animada antes de sumir entre as pessoas.
estava atordoada, por que diabos estava sentindo falta de ? Ah, era óbvio! Não estava sentindo falta dele. Apenas estranhou que ele não estava com os garotos, afinal, eles estavam sempre juntos. Era isso. Sorriu satisfeita com seus pensamentos e foi até o bar. Pediu um coquetel e finalmente entendeu por que todo mundo gostava tanto daquilo, era bom! Bebeu rápido e pediu outro antes de voltar para onde os meninos estavam.
- Irmãziiiiiiinha! – gritou e riu.
- Fala, seu bêbado! – Respondeu a garota se aproximando do irmão.
- Vocês sumiram antes que eu pudesse responder! – disse um pouco triste. – está lá, olha! – apontou para um canto. Ela não acreditou no que viu, não podia ser. Sua visão ficou um pouco embaralhada e não tinha como ser pelos coquetéis, só havia tomado dois! Ela respirou fundo algumas vezes antes de se afastar do irmão e ir rapidamente em direção ao bar onde estava antes. Pediu mais um coquetel e continuou observando aquela cena. Estava com nojo daquilo.
No outro lado do Trix, abraçava carinhosamente uma garota loira de cabelos lisos. Ela era muito bonita, mas, na opinião de , era uma loira azeda com cara de roupa amassada, terrível. A garota envolvia o pescoço de com seus braços e os dois pareciam conversar sobre algo muito interessante pois ambos estavam rindo. estava achando tudo aquilo ridículo! ‘Por que ele tá rindo?! Devia estar chorando desesperadamente com aquele filhote de monstro perneta abraçado nele. Que palhaçada’ Ela pensava enquanto bebia o que parecia ser o quarto coquetel. Ela precisava fazer alguma coisa, não podia deixar se divertir com aquela loira oxigenada, não mesmo. Por mais que parecesse um pensamento realmente egoísta. Ela achava que não podia deixar as coisas assim.
- É isso!! – exclamou orgulhosa antes de terminar o quinto coquetel e partir em direção ao canto escuro do Trix. Estava um pouco tonta e acabou esbarrando em algumas pessoas pelo caminho. – Droga! Agora eu sei por que os meninos optam pela cerveja, essa porcaria de coquetel derruba qualquer um! – Disse irritada para si mesmo. Quando estava perto o suficiente do casalzinho ridículo ela sorriu maliciosa, seria perfeito.
- ! Eu não acredito nisso!! – o olhava com uma cara assustadoramente triste, estava quase chorando.
- ? – sua voz saiu um pouco abafada, o que diabos ela estava fazendo ali? , a garota loira, observava a cena também assustada.
- Como você pôde, ? – Ela sentiu as lágrimas em seus olhos. – Eu te amava tanto! A gente passou momentos incríveis juntos! Ontem à noite você disse que me amava! - Ela fez uma pausa e olhou fundo nos olhos dele. - Por que você mentiu pra mim? Se não me queria mais, era só dizer... Não precisava ficar se agarrando com uma loira por aí! – praticamente vomitou as palavras, sua voz estava meio embolada devido ao nível de álcool que tinha ingerido, mas a cena foi perfeita como o planejado.
havia se afastado de e o olhava com um olhar de desprezo de dar medo. , por outro lado, estava mais confuso do que nunca. Só podia ser um pesadelo. ‘ chorando, dizendo que me amava? E que diabos de noite passada ela está falando?! Certamente me lembraria de uma noite com , digo...’ saiu de seus pensamentos ao ouvir a voz de , que até agora estava quieta.
- Eu não acredito que você foi capaz de fazer uma coisa tão baixa com essa garota, ! – parecia decepcionada. – Achei que você fosse um cara legal, mas estava errada. Você é exatamente como todos os outros idiotas que eu conheço. Tenho nojo de você, . – Foi com essas palavras que a garota loira deixou um extremamente abalado e confuso. deixou o Trix pisando firme sem olhar pra trás. passou as mãos pelo rosto e pelo cabelo, como se tentasse acordar de um pesadelo, estava meio atordoado com tudo aquilo. Virou-se para encarar , queria uma explicação para tudo aquilo, precisava de uma explicação.
Seus olhos encontraram os da garota, que subitamente havia parado de chorar e agora tinha uma expressão calma, como se nada tivesse acontecido. achou que estava bêbado, era a única explicação. o viu encará-la como se implorasse por uma resposta. E riu, na verdade gargalhou antes de dizer:
- Eu deveria mesmo trabalhar na novela das oito, você não acha? Aqui está a sua vingança, . Da próxima vez pense duas vezes antes de jogar minhas roupas recém lavadas no lixo orgânico, seu idiota. – disse tudo calmamente, com um ar de deboche, e deixou inconformado, parado, com um olhar perdido...Chegava a dar pena.
Só agora havia percebido que muitas pessoas ao redor estavam paradas, observando a cena. Sentiu o sangue ferver, estava com raiva, muita raiva. Aquilo tinha ido longe demais. Tudo bem que eles estavam sempre implicando um com o outro, mas não podia interferir na felicidade do garoto dessa maneira. Ele nunca tinha feito nada para humilhá-la. Estava se sentindo mal, um pouco tonto. iria odiar ele... Justo agora que ele tinha encontrado uma garota tão legal... Ela não tinha esse direito. Foi com um sentimento de quem queria vingança que deixou o Trix aquela noite. Não falou com ninguém, apenas foi embora.
parecia feliz e aproveitou o restante da noite com , , e . Algumas vezes aparecia ofegante e desaparecia novamente. Ninguém soube do acontecido, achavam que e tinham ido para um lugar mais reservado, se é que você me entende. End Flashback
Capítulo 4.
- Amiga, AMIGA! – sacudia os braços na frente de , que apenas balançou a cabeça como se acordasse de um sonho.
- Credo, não assusta a gente assim! Você ficou aí parada do nada... O que foi? – perguntou, mas antes que a outra respondesse, a porta do quarto se abriu com violência, fazendo com que todas dessem um pulo com o susto.
- Tão achando que meu quarto é feira? Já tá virando rotina entrarem sem bater na... – ia dizendo irritada, mas foi interrompida pelo irmão.
- Eu não acredito que você fez isso! – praticamente gritou, estava bravo, e dessa vez parecia que ia demorar pra ele voltar ao normal. – Você foi longe demais com o ! Eu não acredito que ele só nos contou agora... – caminhava pelo quarto sem desviar o olhar da irmã.
- Foi só uma brincadeirinha, ... – falou em um fio de voz, sentia-se um pouco envergonhada.
- Não, , não foi! Eu não pensei que você fosse capaz de fazer algo assim... – saiu do quarto realmente bravo com a irmã. Tudo que se ouviu foi a porta da casa ser batida com força. Ela desabou na cama. As palavras de haviam atingido a garota, ela parecia triste.
- Aonde ele foi? – perguntou para e , que também tinham entrado no quarto, mas estavam em silêncio.
- Provavelmente foi atrás do ... Ele nos contou tudo quando voltamos para o quarto e foi embora, logo depois veio pra cá e o resto vocês sabem... – media as palavras ao mesmo tempo em que tentava explicar a situação. – Acho que eu vou atrás deles, está nervoso...
- É, vai, quando meu irmão fica nervoso, ele é um perigo... – disse com um meio sorriso, interrompendo .
- , você vem comigo? – disse antes de sair do quarto. – Eu não quero ir sozinho... – A última fala de fez todos no quarto rirem e ele corou um pouco.
- Vai lá, ! Seja homem! – disse, encorajando o amigo. – Vou ficar aqui com a ... – estava preocupado com a amiga, sabia que ela iria querer conversar, ele a conhecia muito bem. sorriu, queria muito o apoio do seu melhor amigo, precisava falar com ele. fez uma cara de choro, como se tivesse sido trocado, e todos riram novamente.
- Vamos, bebezão. – disse, levantando-se da cama onde estava e indo em direção ao garoto. – Eu vou com você pra você não se perder, não tem problema, né, amiga? – sorriu para como se pedisse autorização para sair, a outra sorriu de volta e piscou discretamente para , que revirou os olhos e empurrou para fora do quarto e depois para fora da casa, deixando lá apenas , e uma visivelmente abalada.
- Agora me explica. Por que diabos você fez isso? – deitou a cabeça da amiga em seu colo.
- Não sei. Não pensei em nada na hora. Quando vi a cena, sei lá... Foi como se aqueles cinco coquetéis tivessem se tornado uns vinte, eu tivesse perdido meu chão, o céu estivesse caindo e... - e olhavam com muita curiosidade e estranhamento para a amiga, que relatava o fato com cara de paisagem. – Não sei como foi acontecer, só sei que me lembrei das minhas roupas no lixo e daí vi a loira beijando ele e não sei mais. - Desabafou, por fim.
Nem , nem conseguiram pronunciar uma palavra em resposta à confissão da garota, que agora deixara uma única e solitária lágrima escorrer pelo rosto. Ela sabia que podia confiar nos dois, mas sabia, também, que em algum momento aquela frase chegaria aos ouvidos de . Acima de tudo, porém, pensava em como podia ter magoado o garoto. Tudo bem que eles não eram exatamente ‘amigos’, mas tinha um sentimento no mínimo ‘estranho’ por ele.
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- Hey, my big boy! – tirou os olhos do livro, vendo o irmão entrar no quarto. – Já vai? – Referiu-se a viagem de férias que ele ia fazer com os meninos da banda.
- Vou, mas tenho uma notícia para você. – pensou antes de dizer, imaginou a reação da irmã. – Como suas amigas foram viajar também, você tem aquela prova na segunda e vai ficar sozinha em casa... Ham... O virá ficar com você aqui. – Disse, por fim, em um supetão e de olhos fechados para não ver sua expressão.
- Como assim? , eu sei me cuidar sozinha! Eu não preciso de babá! E além do mais, eu não vou conseguir estudar pra prova com esse ogro aqui!
- Bom, maninha, esse é um problema que você tem que resolver com ele! Porque eu estou de saída. – Ia dizendo, levantando-se da cama e dirigindo-se para a porta. – Ah! E nem adianta você tentar expulsá-lo daqui! Porque o apartamento dele tá sendo reformado e ele não tem para onde ir, então é por isso que ele não vai viajar com a gente e vai ficar aqui cuidando da minha querida irmãzinha. – Terminou, fechando a porta e saindo rapidamente para que ela não o alcançasse.
ficou com muita raiva, mas como o irmão tinha dito, não tinha para onde ir, era inevitável. Não ia deixar o garoto do lado de fora da casa, certo? Resolveu não pensar mais e voltou sua atenção para o livro. Algum tempo depois, ouviu a porta abrir.
- Com licença, cara leitora. – entrou, debochando da menina e já sentando na cama.
- Que tu qué, ô folgado?
- Ih! Só vim avisar que o jantar está pronto. – Respondeu, arqueando a sobrancelha.
- Não creio que você fez comida pra mim. – fez cara de espanto, largou o livro e levantou-se. – Vamos, então?
Os dois jantaram enquanto conversavam coisas banais e sem sentido. Falavam coisas sobre as quais não queriam falar. terminou, largou seu prato na pia e foi para a sala, onde deitou no fofo carpete verde oliva, rodeada de almofadas. Começou a pensar em toda aquela situação, ela e sozinhos em casa, pela primeira vez, e de bem. “Pelo menos por enquanto”, pensou.
- Um beijo pelos seus pensamentos. – Viu o garoto dizer, já deitando ao seu lado.
- Eu não quero um beijo seu, . – Ela não queria dizer isso, mas a força do costume falou mais alto.
Ficaram olhando para o teto por alguns minutos sem trocar uma palavra. Apenas ouviam a respiração do outro.
Num impulso, rolou e parou em cima de . – Quer sim, que eu sei. - Assustada, ela só conseguia olhar nos belos olhos daquele garoto e dizia para si “quero, quero sim!” Quando viu, estava aproximando sua boca a dele. “Não! Eu não posso querer” e desistia.
- , o que você está fazendo? – sussurrou como se houvesse mais alguém na casa.
- Não sei.
*Pause Flashback*
Lá fora, atravessou a rua e sentou no banco da pracinha, onde eles costumavam brincar quando eram crianças.
- , você quer conversar? – apenas sentou ao lado do amigo e viu um sinal negativo com a cabeça. – Tudo bem. Mas vou ficar aqui com você, caso você resolva se jogar embaixo de um carro, e para eu não entrar e não jogar minha irmã embaixo de um carro. – Falou meio engraçado.
chegou junto com , mas viram a expressão de e o sinal de que não era pra falar nada, por isso sentaram-se no meio fio da calçada e apenas trocavam olhares.
- Sabe o que eu não entendo? – Começou , depois de alguns dolorosos minutos em silêncio. – Não havia motivo para ela fazer isso. Ela sempre me renegou, sempre me humilhou.
- Mas você sempre fez isso com ela também, dude. – precisou interromper o amigo.
- Sim, sempre fiz. Mas nunca atingi os sentimentos dela.
- Você que pensa. – pensou alto.
- Se atingi, ela nunca me disse nada! Pô, a gente se conhece há muito tempo, já tivemos o suficiente pra ela me dizer o que pensa! Mas não chegar a esse ponto! Sabe ela se eu não estava realmente gostando da ?
- Você, em algum momento, já disse pra ela o que você pensa? Ou como você se sente? – perguntou, tentado defender a amiga.
- Já, , e muitas vezes. Vocês nunca souberam, mas nós já tivemos alguns bons momentos durante esses anos. Alguns que eu não preciso comentar, uma vez que o irmão dela está aqui. – soltou no ar e se intrigou. – Enfim, alguns momentos que talvez nenhum de vocês reconhecesse a gente. E eles foram simplesmente maravilhosos, duraram pouco, porque sempre que um de nós tentava uma reconciliação, o outro falava ou fazia alguma coisa pra estragar tudo. – Falava enquanto se perdia em pensamentos.
- ? Alou? Momentos, que momentos? – chamou atenção do garoto.
- Ham... Nada... Nada não. Quer saber, vou pra casa. Não quero mais falar dessa mala que é a sua irmã, . – sorriu falsamente e saiu, deixando seus amigos intrigados.
- Alguém entendeu? Porque eu não!
- Acho que foi por isso que ele foi pra casa, . – respondeu, rindo do amigo.
Depois de um silêncio maléfico se instalar entre os amigos, levantou-se e foi conversar com a irmã, estava curioso para descobrir que momentos eram aqueles. Entrou no quarto e deparou-se com no colo de .
- Hey, , vamos ali um instante? – o chamou, piscando um olho para ele.
- Qual foi seu motivo? Por quê? Qual a necessidade? Você não sabe o que fez com o , ele disse coisas estranhas lá embaixo, muito estranhas e... – falava, mas não estava ouvindo, ela ainda estava tentando entender sua atitude. Como podia explicar para alguém? Só conseguia se lembrar dos coquetéis, da loira e da expressão de . – E disse que vocês tiveram bons momentos, mas que ele não ia falar porque eu estava ali, do que ele estava falando, hein? , você está me ouvindo?
- Ouvindo eu to, mas não to prestando atenção. Mas me faz um favor? Muda de assunto, que eu não quero mais falar nesse babaca. – Disse com o olhar fixo no irmão, que parecia não entender nada e, como assunto nenhum parecia caber naquele momento, ele deu um beijo no topo da cabeça da irmã e saiu do quarto.
não sabia o que estava sentindo, não sabia explicar o porquê daquele sentimento. Ficava cogitando possibilidades para todas as reações e, de tanto pensar, adormeceu.
Atirado no sofá de seu apartamento com uma garrafa de cerveja na mão, não sabia por que estava tão magoado com a situação, afinal “ era só mais uma”, pensou. Lembrou-se dos tais momentos que passou junto com , um, em particular.
*Restart Flashback
- Então sai de cima! – disse, colocando a mão no peito do garoto.
- Não. Eu não quero, você não quer. – respondeu, sussurrando em seu ouvido enquanto passava a mão delicadamente pelo corpo dela.
Sabiam que aquilo era errado. Na cabeça deles, pelo menos, era. Ou melhor, em um lado da cabeça deles, porque o outro queria aquilo, e muito, eles só não admitiam. Enquanto encostavam o rosto no do outro, as mãos passeavam pelos corpos livremente. Os olhos fechados comprovavam a tese de que ambos queriam. Entre uma carícia e outra, ouvia-se apenas a respiração deles. aproximou seu rosto ainda mais do dela.
- . – Sussurrou em tom de clemência.
- Shiiii. Não fala nada. – Respondeu no mesmo tom e encostou seus lábios nos dela, com sua língua pedindo licença para entrar. Foi um beijo longo, pausado, com necessidade um do outro. Aquele era o primeiro sinal de que algo estava errado entre eles. Seus lábios se separaram e os olhos se abriram para encarar o rosto do outro. Ficaram ali, em uma árdua troca de olhares. Em silêncio absoluto. Qualquer um que entrasse naquela sala teria medo de dizer uma palavra. Ela sentia borboletas em seu estômago, sentiu seu ar ir embora e teimar em voltar. Ele sentiu como se tivesse descoberto ouro no porão de casa.
End Flashback
pensava em todos os momentos. Dos mais inúteis aos melhores. Dos mais sem noção aos que eles mais brigaram. Dos mais legais até os piores. Ele não sabia como poderia transformar aquela vida. Querendo ou não, não imaginava ela sem . Sem seus amigos. Mas queria que ela fosse tranquila em relação à garota. Não essa montanha russa que tinha se tornado. Uma implicanciazinha de vez em quando, tudo bem, mas sempre? Estava ficando desgastante.
Capítulo 5.
Um mês se passou e ninguém soube direito o que tinha acontecido. e simplesmente não se falavam mais. Tudo bem que isso era bem comum, muito comum, talvez. E além do mais, não estavam tendo a oportunidade, uma vez que as malditas provas finais dela estavam chegando. Isso significava o fim do ensino médio. Fim de uma longa tortura. Bem, por isso não tinham mais noitadas na casa de , nem nos bares. Os meninos se reuniam no apartamento de para compor e beber.
- Ah! Eu desisto disso! – jogou o caderno longe. – Eu não entendo nada de Química!
- Sabe, eu só fico feliz com uma coisa nessa situação toda. – tirou os olhos do seu livro. – Depois das provas vem o baile! – Seus olhos brilhavam tanto quanto diamante ao falar do baile. Ia dar no que falar.
- Ok! Deixe o baile para depois da prova! – interrompeu a felicidade da amiga. Vem cá que eu te ensino Química Orgânica, .
Elas estavam estudando bastante, e tinham ‘se mudado’ para a casa de , para poderem estudar com mais calma. Afinal, nenhuma delas queria pegar provão e ter que estudar nas férias! Elas queriam era se livrar mesmo daquilo logo! Porque, no fim das contas, depois do baile, ainda ficariam nas expectativas das faculdades!
Apesar de bem concentrada nos estudos, sempre pensava em coisas que não queria, digo, alguém que não queria.
- Hey! – falou, chegando ao colégio no dia da última prova. – Larguem esses cadernos! Se vocês não aprenderam ainda, não vai ser agora que vão assimilar alguma coisa! – falou rindo ao avistar as duas amigas sentadas no chão do pátio, debaixo de uma árvore, estudando.
- , você deveria estar estudando também! – repreendeu a amiga.
- É, deveria. Mas não vou. – Sorriu descaradamente, sentou-se e escorou a cabeça na árvore. -Tá acabando, né? – Depois de alguns minutos em silêncio, ela falou com a voz triste.
- Sim! Graças a Deus! – largou o caderno no colo e voltou seu olhar para a amiga. – Mas por que essa melancolia?
- Ah, agora a gente não tem mais um ‘motivo’ para se ver todos os dias. – Respondeu triste.
- E por acaso a gente precisa de motivo para se ver? – se meteu na história.
- Não... É que... Mesmo que a gente não queira... A gente tem que vir ao colégio. E depois?
- Ooooin! – e abraçaram a amiga.
- Bem, façamos o seguinte, então. – começou ela. – Hoje, depois dessa prova, passando ou não de ano, nós três vamos até a loja do Carter e faremos uma tattoo que represente a nossa amizade! – propôs a garota com a cara mais feliz do mundo. – Que tal? – Apressou as amigas para responderem.
- Eu topo! – se pronunciou.
- Eu é que não vou ficar de fora, certo? – olhou para as amigas e sorriu. Pronto, a tristeza passou. Ouviram o sinal tocar e se entreolharam assustadas.
- É agora! – disse. Elas levantaram e foram em direção à sala.
- A-C-A-B-O-U! – saiu gritando do colégio e jogando suas folhas para o ar.
- Sua louca! Você nem sabe se passou ainda!
- XOXOXOXO, com essa frase pra lá! Eu passei sim, tá, dona ?
- Preciso de um banho de piscina! Preciso ver gente! Preciso sair! Preciso do BAAAAAAAILEEEE! – cantarolou a última palavra. – Mas antes vamos juntar as folhas que a tansa jogou no chão, antes que o coordenador resolva nos deixar na detenção por “sujar as dependências da escola” – concluiu, debochando.
Depois de limparem a “sujeira” de , elas voltaram a sentar no pátio, aguardando o portão abrir para elas, finalmente, irem embora da escola. Iriam fazer a tal tatuagem. Estavam muito felizes, falavam alto, riam, gesticulavam, nada impediria aquela felicidade. No dia seguinte seria o tão esperado evento e elas esperavam mais por ele do que pelo príncipe encantado de suas vidas. Ok, nem tanto assim.
- Hey, ham, meninas... – passava a mão pelos cabelos, visivelmente nervoso.
- Poynterziiiiiiiiiiiiiiiiiiiinho. – pulou nos braços do amigo, já imaginando seu nervosismo.
deu um beijo e sussurrou em seu ouvido. – Eu quero convidar a para o baile, será que ela aceita? – A amiga deu um sorrisinho e não respondeu nada.
- , eu quero te mostrar meu vestido, preciso de uma opinião sobre a sandália. – disse, piscando para e já puxando a outra que não estava entendendo nada. fez cara de ofendida, mas logo viu o rapaz sentar ao seu lado e imaginou a armação.
- Ham... Er... Eu estava pensando, sabe...
- Você pensa, ? - o interrompeu em uma vã tentativa de espantar o nervosismo.
- Penso sim, tá? E pra provar, eu pensei uma coisa muito genial. – Abriu um sorrisão. – Eu não... Er... Não tenho par para o baile amanhã... E... Hum... Não vi você falar nada sobre nenhum outro garoto e...
- , direto ao ponto, por favor. – Era estraga prazeres demais para o romantismo do cara.
- Você quer ir ao baile comigo amanhã? – Ele perguntou disparado e de olhos fechados. Ao que não obteve resposta, fez beiço e, ao abrir os olhos, recebeu um beijinho na bochecha e viu a garota levantar e ir embora. – Vou considerar isso um sim! – Gritou, vendo ela se afastar. Ficou mais um tempo sentado ali, sem acreditar, até que seu celular vibrou no bolso.
‘Às oito amanhã,
Não se atrase!
xx’
- Vocês são duas vacas mesmo! – já foi jogando as palavras para as amigas, que a esperavam do lado de fora da escola.
- Aham, briga comigo. Mas bem que você queria ficar mais tempo lá, sozinha com ele. – debochou enquanto começou a andar em direção à loja.
- Ah, cala a boca.
- Eu calo. Mas pelo menos você aceitou ir com ele ao baile, né? – Olhou de canto de olho para a amiga.
- Sim, . Eu aceitei. Agora, vamos pensar qual será nossa tatuagem...
Elas demoraram horas em frente ao Carter, escolhendo desenhos e mais desenhos. Ele era amigo de , mas era bem mais velho, por isso não andava com elas. Tinha muitas tatuagens nos braços e piercings por todos os lados. Não que fosse bonito, porque aquilo realmente não era, mas ele era muito legal. Tinha muita paciência e estava provando naquele momento.
Por fim, escolheram algo simples e que representasse muito bem aquela amizade.
- Nós queremos essa estrela aqui. – disse, sonhadora, para o rapaz que estava sentando na frente delas.
- Onde?
- No pulso? – Ela olhou para as amigas, que concordaram.
- Ok. Por que vocês não colocam um “F” com letra bonita dentro dela? – Perguntou, já separando os materiais.
- Acho legal. – disse.
- Então, vem você primeiro! – Carter riu e ela sentou na cadeira com o braço esticado. – Vai doer! – Avisou.
Vez ou outra, ela fazia umas caretas, mas não fez escândalo. Deixou esse papel para , que chorou e gritou. Muito.
- Alô? – atendeu ao telefone de casa. – Mãe! Que saudade! Como está tudo aí no Brasil? Ah... Sim... Claro, eu aviso! Nossa, que bom! Eles se amam tanto, né? Pra quando? Ok. Vocês vem uma semana antes? Certo! Vou arrumar a casa, então – disse, engraçado. - Ok, mãe, tenho que ir, vou ao baile de formatura da . Beijo. Te Amo. – ele desligou e saiu para buscar Poulet, sua, er... Acompanhante.
- Vaaamos, dude! Que lerdeza é essa? – já estava impaciente, andando de um lado para o outro, pois faltavam só os dois. já tinha ido buscar Kathlin, sua nova peguete. E , Poulet. – Eu ainda tenho que pegar a na casa da e a mora do outro lado da cidade, dude!
- Calma, cara, são sete e quinze!– desceu as escadas e ao chegar perto do amigo, disse: - Assim você vai estragar tudo! – deu tapinhas no ombro do amigo e continuou a se arrumar.
As três estavam se arrumando na casa de e , quando o celular de começou a tocar: “Cause you're hot then you're cold, you're yes then you're no, you're in and you're out, you're up and you're down” . Ela dançava, até que resolveu atender.
- Alôôô? – cantaroulou. – Hm? Quanto tempo? Ok. Sabe onde é, né? Ok. Estarei pronta. – desligou e olhou para as amigas com uma cara estranha. – Era o Jason. Ele disse que vai se atrasar. Todo esse vestido vermelho curtérrimo, essa sandália altíssima, para ele se atrasar? Fala sério! - sentou na cama emburrada, observando as outras terminarem.
- Então, , você vai mesmo com o carinha da outra turma? – perguntou, depois de alguns minutos, sentando na cama para calçar a sandália.
- O ‘carinha’ – deu ênfase na palavra. - Chama-se Steve. – falou olhando sua imagem no espelho. – E sim. Eu vou. - encostou-se no batente da porta e disse com cara triste: - Ele foi o único que me convidou. E além do mais, – continuou indo em direção ao banheiro novamente. – Eu não ia ficar de vela a noite inteira, não é mesmo? - deu uma pausa para respirar e concluir a maquiagem. – Sem falar que ele é muito lindo! – disse tentando animar-se. - Estou pronta. Vamos descer e esperar lá em baixo no jardim?
Assim que fecharam a porta da frente, encontraram Jason esperando , que entrou no carro dele e se foi. Steve estacionou em frente a casa logo em seguida, mas não ia deixar esperando sozinha, então ficou ali com ela enquanto o rapaz esperava dentro do carro.
- , aquela ali... É... A ? - apontou, ao ver a garota na frente da casa com , conversando encostadas em um carro.
- Hum... É... Acho que é sim... UAU! - o amigo respondeu e levou um tapa na cabeça. – Doeu, dude! – mudou sua expressão e saiu do carro para encontrar as meninas.
- Vocês estão demais! – disse, olhando Sanada e . Deu um beijo na amiga e a viu entrar no outro carro. – Vamos? – olhou para , estendendo seu braço para que ela o pegasse. Estava boquiaberto. A menina usava um vestidinho tomara-que-caia lilás, um pouco acima do joelho com uma sandália prata, e estava incrivelmente linda! ‘Tomara que caia’ pensou, e riu do próprio pensamento.
- Fala, . – cumprimentou o outro, que estava no carro.
- Onde ela foi? – ignorou a fala da amiga e disparou contra ela, com cara de espanto.
- Pro mesmo lugar que nós, ué. – ela respondeu, ríspida.
- Quem era naquele carro?
- Não te interessa, . Agora vamos, de uma vez!
Ficaram em silêncio absoluto, até que o cortou ao meio.
– , aonde estamos indo? O baile é para o outro lado.
- Vamos buscar . – falou, receoso.
- COMO ASSIM? , eu não acredito... – ela o repreendeu e ele baixou a cabeça, sem responder nada.
Assim que chegaram, avistaram , e suas respectivas acompanhantes em uma mesa no meio do salão e juntaram-se a eles. As meninas pareciam ter um assunto muito interessante, por sinal, enquanto os dois olhavam a mulherada do local, discretamente, é claro. O salão estava iluminado apenas por luzes suspensas, em tons de lilás, roxo e azul. No teto, haviam malhas esticadas em forma de desenhos bonitinhos, dando um ar pueril e agradável ao ambiente, sem falar da fumaça esbranquiçada que cobria o lugar como uma névoa. Do lado de fora, havia um jardim imenso com uma grama muito verde, onde almofadas e pufes estavam acomodados. As músicas que tocavam estavam agitando o baile. Poucas eram as pessoas sentadas.
- , cadê a sua irmã? – perguntou, olhando para a porta.
- Ué, e eu que vou saber? Ela é grandinha, sabe? – respondeu já sem saco de ouvir essa pergunta. – Desencana, , cuida da sua garota aí.
- Ela te falou com quem ela... – ignorou a resposta do outro, mas nem terminou a frase porque viu a garota entrando de mãos dadas com um cara. Estava com um vestido preto curto de alcinhas, simples, mas linda.
- Olá! – disse, sentando-se ao lado do rapaz, na mesma mesa que os amigos. – Esse é o Steve. – apontou para o rapaz, que sorriu largamente. – Esse é o meu irmão, , e seus amigos e . – Apresentou os outros ignorando totalmente a presença de ali.
- E eu sou o . – ele levantou-se estendendo a mão para Steve, enquanto olhava feio para a garota que já se sentava ao lado de . - Sou amigo do ! E dela também. – não ia deixar barato.
- Não força, ok, ? De amigos nós não temos nada! – respondeu e virou o rosto para conversar com as amigas, e vez ou outra prestava atenção em alguma coisa da qual Steve ria animadamente. Ele estava bem enturmado com os rapazes. Exceto , claro.
ainda não havia notado a presença de na mesa, até que lançou um olhar em direção a garota. Sentiu suas pernas tremerem. Não sabia porque, mas sabia que não ficaria ali muito tempo. – Ste, vamos dançar?
O baile continuava animado, pelo menos pra maioria das pessoas. Tinha gente se pegando, tinha gente dançando, tinha gente bebendo, mas também tinha gente sentada com cara de bunda. Nesse caso, era uma mesa em especial, onde só estavam , , , , , , e Poulet.
- Vou procurar Jason. – levantou e foi saindo seguida por .
- E eu Kathlin. – sorriu ao lado da garota.
Depois de andarem por todo o lado de dentro da festa, e perguntarem para todos os conhecidos, resolveram ir para o jardim onde os enxergaram conversando. Mas quando aproximaram-se puderam ouvir Jason falar:
– Eu não gosto dos amigos dela, sabe? Eles são muito idiotas. Aquele , então... Ops... Esqueci que ele é seu namorado. – deu uma risada abafada e a garota respondeu.
- Namorado? Hahaha! é o tipo escadaria, sabe? Ascensão? Ele é o tipo de cara que as garotas só ficam pra elevar seu status. Ele é bonitinho, os amigos dele também são e eles tem uma banda, né? – riu, vitoriosa.
e se entreolharam, incrédulos do que ouviam. Ela ia partir pra cima de Jason, quando a puxou em direção a festa novamente, parou somente quando encontrou a pista de dança e a abraçou e começou a dançar sem nem ao menos perguntar se ela queria. A garota estava sem entender nada, mas no fim, nem queria entender mesmo. Quando deram por si, estavam com seus lábios mais que colados.
- , olha lá! – , que até então estava agarrado em , apontou para a pista.
- Own! Eu sempre soube! Eu sempre soube disso! Quando a souber, ela vai pular e gritar dizendo que sabia! – ia dizendo, mas ninguém a escutava, a não ser , que ria da situação e beijava o pescoço da garota.
- Bom, já venho, . – disse, se desfazendo dos braços dela, que fazia bico.
Ele levantou e foi em direção ao banheiro, mas não pôde evitar a cena que acontecia bem a sua frente.
dançava agarrada ao pescoço de Steve, rebolando, subindo e descendo. Nunca tinha visto aquilo na vida. Digo, vindo dela. Uma vontade imensa de interferir tomou conta de seu corpo. E ao perceber as expressões de Steve, que parecia estar gostando muito, deu dois passos pra frente. Ia acabar com aquela palhaçada. Mas foi interrompido por uma garota muito bonita, que o chamava para dançar enquanto alisava seu peito. Ela era realmente bonita, mas não era ela quem ele queria. Dispensou a menina e voltou seus olhos para a pista, não encontrando nada. Abaixou a cabeça decepcionado por não ter conseguido impedir aquilo e também porque ficaria com aquela imagem na sua cabeça para sempre.
entrou no banheiro e lavou o rosto, precisava esquecer aquilo. Precisava beber!
já tinha bebido demais. Steve estava ao seu lado tentado, inutilmente, fazê-la parar. Mas ela não o deixava tirar o copo de suas mãos. Ele viu se aproximar do bar e o chamou. Ele certamente poderia ajudar.
- Hey, Steve, por que você está com essa cara? – chegou, dando dois tapinhas no ombro do cara.
- Ham... A gente estava dançando e eu resolvi vir beber alguma coisa, ela veio junto e voltou a beber. – coçou a cabeça. - Acho que ela já tinha bebido bastante antes de começarmos a dançar. Ela está íntima do garçom e, segundo ele, já perdeu as contas de quantos desses ela tomou. – Disse, apontando para um copo com um líquido transparente, que pelo estado dela não era água.
passou as mãos pelo rosto e, depois de pensar, disse. - Steve, pode deixar comigo agora, então, eu conheço ela desde criança, sei o que vai fazer isso passar. - Na verdade, ele nunca tinha a visto daquele jeito. A única vez que chegou perto disso, foi o dia do pub, mas ela estava ‘alegre’ e não assim, quase em transe. Não tinha idéia do que fazer. E Steve menos ainda.
- Bom, então você a leva pra casa? Ok. Diz que eu ligo pra ela amanhã pra saber como ela está. – Steve deu um beijo na bochecha da menina e saiu.
- Aham, pode deixar que eu não vou avisar. – O outro disse, ainda sorrindo, quando o rapaz já estava longe.
tentou conversar com , mas ela não dizia coisa com coisa e pedia insistentemente outro copo daquele ‘líquido bom’. Se a visse naquele estado, mataria ela assim que ela estivesse sóbria e mataria Steve por ter deixado ela beber. E mataria ele por não ter feito nada para impedir. Então, levou-a para fora discretamente, ligou para o celular de e pediu para encontrá-lo.
- , ham... Eu não posso deixar o vê-la assim. Me empresta seu carro pra eu levá-la pra minha casa. – dizia confuso, passava a mãos nos cabelos enquanto olhava a garota sentada num banco, balançando as pernas como criança e murmurando algumas coisas. mais que imediatamente jogou as chaves pro amigo e ajudou-o a colocá-la no carro. – Só não a deixe vomitar, dude!
- Cala a boca, ! – deu um pedala no amigo e disse antes de partir. – Avisa a e não deixa o saber.
entrou com no colo, colocou-a no sofá e sentou-se a sua frente, pensando no que faria com aquela menina.
- Por que você a levou? – levantou a cabeça na mesma hora, ao ouvir a garota se pronunciar de forma enrolada por causa da bebida.
- Vem, vou te dar um banho, ver se passa. - Ele a pegou novamente no colo, colocou-a embaixo do chuveiro e ligou a água gelada enquanto ela gritava.
– Sai, seu idiota! Tá gelada!
- Ninguém mandou beber! Agora vai tomar banho gelado! – dizia enquanto a segurava com força e observava seu corpo todo molhado com aquele vestido preto colado. Abanou o ar, tentando afastar aqueles pensamentos, e desligou o chuveiro.
Levou para seu quarto, tirou o vestido que ela usava e ia a secando delicadamente.
- Teria sido mais inteligente ter tirado o vestido antes de me botar embaixo do chuveiro, seu idiota. – Ela disse rindo e ele pensou que ela tinha razão, mas agora era tarde.
Aquele corpo... Pegou uma camiseta e uma boxer no armário e a vestiu. Colocou a garota na sua cama e tapou-a com carinho. Ficou sentado na cama, olhando ela fechar os olhos devagar. Deu um beijo na sua testa e sussurrou. – Doidinha! – Quando estava levantando para sair do quarto, ela o chamou.
- ?
- Oi, princesa? – Respondeu, sentando-se novamente na cama.
- Eu te amo. – Ela disse de olhos fechados e ele sentiu uma pontada no peito.
- Eu também! – ele acariciou o rosto dela. – Agora dorme. – terminou, falando mais baixinho.
Saiu do quarto e se atirou no sofá. Mas que diabos estava acontecendo? estava na sua cama, bêbada e dissera que o amava. E pior! Ele a chamou de princesa e disse que também a amava! Por que aquela sensação estranha surgiu? E por que ela tinha que ser tão bonita? Até ontem eles se implicavam, brigavam, por que isso agora?
Os pensamentos de foram interrompidos pelo toque de seu celular.
‘Ela está bem?
O tá tendo um faniquito.
Querendo saber onde ela está!
Dê noticias.
Xx ’
respondeu a mensagem, tirou a roupa que estava, vestiu apenas uma boxer e jogou-se no sofá, assistindo um filme qualquer. Estava incrédulo com o que estava acontecendo. Acabou por adormecer.
Era madrugada alta já, quando um barulho vindo da cozinha o acordou. Foi até lá e viu sentada na bancada do armário com um copo na mão.
- Desculpe, te acordei, né? – Disse ela, falando baixinho, e o viu fazer uma cara estranha.
- Você está se sentindo bem? – se encostou na porta enquanto observava a garota de cabeça baixa.
- Minha cabeça dói. Que horas são?
- Cinco e meia, eu acho.
- O que eu estava fazendo na sua cama? Er... Vestida assim?
- Você não lembra? – perguntou, chegando mais perto dela, e a viu balançar a cabeça em sinal negativo. – De nada? – Ela negou novamente.
Estavam perigosamente perto agora. Ela ainda estava sentada na bancada e ele estava em pé no meio de suas pernas. O nariz de passeava pela bochecha dela e a fazia sorrir. Ela passava as mãos pelos cabelos do garoto. Seus lábios se encostaram e a língua de pediu passagem. Era um beijo doce, calmo. Ele fazia carinho em suas costas, até que ela desceu a mão até a barra da boxer que ele estava e ficou brincando com o elástico, deixando o garoto ainda mais excitado.
- ... – cortou o beijo já ofegante e a olhou com cara de espanto.
- Eu quero, . Eu preciso de você. – Disse ela ao pé do ouvido do garoto e voltou a beijá-lo.
, então, pegou-a pela cintura e levou para o quarto, deitando-a delicadamente na cama e ficando em cima dela. Continuaram a se beijar, desta vez com mais vontade, mais voracidade. Eles estavam tão fundidos um no outro, que não havia espaço nenhum entre eles. Nada os separariam naquele momento. Ele levantou a camiseta que ela vestia e jogou no chão, passou a beijar seu colo com carinho e vontade. Foi descendo a mão até a boxer e a deixou completamente nua. Ela não pensou duas vezes e fez o mesmo com a dele. – Estamos quites. – Disse ofegante no ouvido do garoto, fazendo-o pirar. Cada toque dele a fazia arrepiar.
Capítulo 8.
acordou sozinho na cama, procurou por todo o apartamento, mas não a achou. Viu que na porta havia um bilhete.
“Fui pra casa para o não pirar.
Preferi não acordar você.
Obs.: Foi a melhor noite da minha vida.”
Para , tinha sumido com Steve, somente e souberam do ocorrido, mas sem os detalhes e o fato principal, é claro. e não haviam se falado, um clima estranho tinha se instalado entre eles. Estavam confusos e felizes, era a chance que tinham de se acertar por vez. Mas não foi o que aconteceu.
tinha contado para a irmã da ligação da mãe. Ava, a tia deles, iria se casar e a festa seria em sua casa.
Os dias voavam e logo um mês tinha passado sem ninguém notar. Naquela segunda-feira, recebeu uma ligação de uma faculdade dizendo que ela tinha sido aceita e que eles a esperavam após o verão. Mais que imediatamente, ela ligou para as amigas e contou a novidade. O que ficariam sabendo só no dia seguinte, era que tinham sido aceitas na mesma faculdade.
Aquele era um ótimo motivo para eles comemorarem. Todos foram ao Trix Pub para celebrar a nova fase.
- Hoje não vou beber! – disse, fazendo os amigos rirem.
- Eu não vou deixar! – O irmão respondeu, dando um gole na quinta cerveja.
- Um brinde! – convocou os amigos. – Um brinde a nossa amizade!
Todos brindaram, gritaram e foram dançar.
- Hey, a gente pode conversar? – Sentiu uma voz sussurrar em seu ouvido.
- Hum... A... Er... Acho que sim.
e sentaram-se numa mesa no canto escuro do Pub e ele começou.
- Por que você fugiu de mim?
- Eu? Quando?
- Aquela noite? Da minha casa? Eu acordei depois de uma noite linda e não te encontrei.
- Eu não fugi. Eu só fui embora pro meu irmão não ter um troço.
- Hum... E durante esse mês todo? Por que não falou comigo? – Ele perguntou, olhando nos olhos dela.
- Eu... Eu não sei. – respondeu sem olhá-lo. – Eu estou confusa.
- Então é isso? - Ele disse, levantando um pouco a voz. – A gente passa uma noite maravilhosa juntos, você some no dia seguinte, passa um mês sem falar comigo e agora me diz que está confusa? Se você estava confusa, por que não veio conversar comigo?
- Desculpa. – Ela abaixou a cabeça e ficou sem reação nenhuma.
- Então, é só isso que você tem pra me dizer? – Ele perguntou e, quando viu a garota afirmar com a cabeça, levantou e saiu.
“Ele é de lua”. Pensou, triste. Após algumas latinhas de refrigerante, ela precisava ir ao banheiro. Deu uma ajeitada no cabelo, olhou-se no espelho e saiu. Ao passar pelo bar, ouviu uma voz conhecida e olhou. Deparou-se com jogando charme para uma garota. Ficou paralisada, olhando fixamente até que ele a notou.
- ! – Ela apenas o olhava com tristeza e, sem saber o que fazer, saiu do bar e foi pra casa.
entrou no quarto, procurando por . Ouviu o barulho do chuveiro e resolveu esperar. Sentou na cama e ficou observando o quarto da garota, quando viu uma foto estranha e antiga, da qual ele não lembrava, no mural da garota. Foi até lá para ter certeza, para ver melhor. Na foto, estava ele segurando no colo, estavam muito felizes, pelo menos pareciam, ela estava agarrada no pescoço dele e ele estava usando uma bermuda vermelha, que ela tinha lhe dado. Sim, agora sim ele lembrava bem daquele dia, tinha sido um dos únicos dias da vida deles que viveram as vinte e quatro horas em paz e “de bem”.
- ! Sai do meu quarto agora! Sua mãe não te deu educação nenhuma? – Estava apenas enrolada na toalha e com os cabelos molhados soltos pelo corpo.
ficou sem reação nenhuma, ficou apenas observando as pernas desnudas da garota, ouvia ela gritar e esbravejar, mas não conseguia desviar os olhos do corpo dela . “Aquela toalha parecia tão grande, poderia cair e...”
- , eu estou falando com você! Tá me ouvindo? – Tirou-o de seu transe.
- Ham... Er. – Passou as mãos pelos cabelos em sinal de nervosismo, não sabia o que dizer, nem porque estava ali e muito menos se lembrava da sua fúria.
- Se não tem nada pra me dizer, dá licença, que eu quero me vestir. – Disse, apontando a porta e indo em direção ao roupeiro.
- Não! É que... Eu vim falar com você. Sobre... – Não sabia o que dizer, mas não queria ir embora dali. Sentou na cama da garota com a foto deles na mão. – Se lembra desse dia? – Perguntou nostálgico, olhando para a foto. – A gente estava tão feliz.
- , eu não to te reconhecendo! Há meia hora você estava com outra garota e agora tá aí, falando do passado, todo estranho. – estava meio confusa.
- Você lembra? – perguntou novamente.
- Lembro, . – respondeu, sem perceber que um sorriso surgia em seus lábios. – Fui eu quem te deu essa bermuda. – Sentou-se ao lado do garoto. – Depois que o tirou a foto, você me atirou na piscina. – Riu ao lembrar. – Mas por que você está aqui? – Perguntou, mudando o assunto.
largou a foto em cima do criado mudo ao lado da cama e respondeu-lhe sério. - Eu vim pra perguntar uma coisa. Na verdade, pra ouvir de você, pra ouvir você me dizer o porquê de tudo isso. Cada vez que eu me decido, você atrapalha. Você disse que estava confusa e eu decidi te deixar de vez, então.
- E o que eu fiz dessa vez? Hein? Eu não fiz absolutamente nada!
- Dessa vez bastou seu olhar. – baixou os olhos e falou baixinho.
- , não estou te entendendo. A gente passou uma noite linda. Foi a melhor noite da minha vida. Foi a primeira. – Fitou o chão. – É normal que eu fique confusa. Eu sou confusa!
- Pri... Pri... Primeira? – perguntou boquiaberto.
- Ué, por que o espanto?
- É que você sempre andou com muitos meninos e... Sempre tinha namorado... – Disse, tentando explicar mais para si mesmo do que para a garota.
- E? Sim, eu sempre estava “andando” com alguém! Mas eu nunca estava “dando”. Pra você ver, né , como funcionam as coisas. Você sempre tirando conclusões precipitadas, nunca dando valor.
- Eu posso mudar! Eu juro que eu dou meu melhor para mudar! – Falou, segurando com força os braços da garota, fazendo com que ela ficasse bem próxima dele. – Eu te juro!
- Não importa, , nada vai ser normal entre a gente! Nunca! Agora, sai do meu quarto!
Antes de sair, a olhou nos olhos e desabafou decepcionado. – Eu tentei! Você consegue transformar as coisas! Esse era pra ser um momento legal e de reconciliação.
Ao ouvir a porta bater, se atirou na cama e começou a chorar. Não deu dez minutos e o irmão entrou no quarto.
- Mana?
- , sai daqui! Quero ficar sozinha. – Respondeu sem tirar a cara do travesseiro.
- Ok, mas... Você não recebeu o de toalha, né, ?
- , eu não recebi ele assim! Eu saí do banho e ele já estava aqui bisbilhotando minhas coisas. Agora sai.
apenas concordou, deu um beijo na testa da irmã e saiu do quarto. Ela nunca falava com ele daquela maneira. Mais tarde conversaria com ela, quando os ânimos se acalmassem. Pelo modo como saiu da casa, a conversa não deve ter sido muito animadora.
adormeceu chorando. Estava triste. Aquele era pra ser um momento feliz e ela estragara tudo! Teve um pesadelo ruim e acordou no meio da noite. Assustada, ela levantou para ir até a cozinha para pegar um copo de água, mas, ao levantar, viu um papel no chão, deviam ter posto por baixo da porta.
‘Eu nunca quis que tudo terminasse desse jeito.
Mas você tem um gênio!
Eu jurei pra você que eu faria meu melhor para mudar e você disse que não importava.
Agora eu te vejo por um outro ponto de vista.
Pra falar a verdade, eu não sei por que diabos me apaixonei por você.
E eu nunca desejaria para alguém, sentir-se do jeito que eu me sinto.
Quando te procurei no bar, queria te contar que fui convidado para trabalhar como produtor de uma banda em New York. Eu estava disposto a esquecer isso e ficar aqui com você.
Incrível como você consegue transformar o céu mais azul em cinza. Será um sinal do Céu, mostrando-me o caminho? Isso era mesmo pra acontecer?
Pode ter certeza, Eu estou melhor sem você. Agora eu sei.
E não ouse tentar fazer tudo dar certo.
Porque eu estarei pronto para brigar, é.’
reconheceu a caligrafia de naquele bilhete e entrou em pânico. O que ela tinha feito? E porque diabos ele foi pra NY? Voltou para a cama, pegou o celular e ligou para , iria pedir desculpas.”‘E não ouse tentar fazer tudo dar certo”, lembrou. Deixou chamar mesmo assim. Mas ele não a atendeu. Encostou-se na parede e escorregou por ela até chegar no chão. Sim, mais uma vez ela tinha estragado tudo!
estava sentada na cama, segurando um pedaço de papel e uma foto em suas mãos, olhava fixamente para a foto e para o papel, lia e deixava as lágrimas escorrerem por seu rosto livremente, olhava para a foto novamente e balançava a cabeça, “como pude deixar chegar a esse ponto?” perguntava a si mesmo enquanto ali, na sua frente, lia o bilhete escrito por antes de partir. Ligou o rádio em uma estação qualquer. Pegou aquela caixa que guardava embaixo da cama, caixa essa que ninguém sabia da existência, nem de seu conteúdo. Sentou-se no tapete com a caixa entre as pernas. Hesitou em tirar a tampa, fechou os olhos e uma lágrima caiu, novamente, por fim, acabou por tirá-la. Um cheiro estranho tomou conta do ar. Sim, aquele era o cheiro do perfume de , tirou um pedaço de pano branco com esse cheiro. “Esse pedaço foi uma camiseta, um dia.” Sorriu ao lembra como aquilo foi parar ali. Olhou um bolinho de fotos, pegou e foi analisando uma por uma. Como, por tanto tempo, pôde esconder de si mesma a verdade que estava bem a sua frente? Como conseguiu esconder dele? A maioria das fotos era dos dois, algumas eram da galera, mas em todas estavam os dois, e sempre felizes. Isso não significa dizer que estavam bem um com o outro, mas estavam felizes, um ao lado do outro, se é que entende o que quero dizer. Entre duas fotos, encontrou uma flor seca e chorou compulsivamente ao se lembrar daquele último dia de aula da sexta série.
Start Flashback
- Ei! ! Espera! – Gritava , correndo atrás da garota. – Me desculpa. – Disse ao alcançá-la.
- Você acabou de me humilhar na frente de todos os meus amigos, . Como posso te desculpar?
- Assim. – baixou a cabeça e estendeu a mão com uma pequena florzinha branca que encontrara pelo caminho. – Assim você me perdoa?
Sem responder nada, a menina só pegou a flor e deu um beijinho rápido no rosto dele e foi embora. Ele sorriu satisfeito e voltou para junto dos amigos.
End Flashback
Fechou a caixa e a colocou no lugar, embaixo da cama. Ficou ali, de olhos fechados, sentada no tapete lilás, agarrada nas pernas, com a cabeça na parede e chorando. Era muito difícil descobrir aquele sentimento que ficou mascarado por tantos anos. Mas era muito mais difícil de admitir aquele sentimento.
Ouviu baterem na porta, mas preferiu não abrir os olhos, continuou ali, na mesma posição.
- Vai ficar aí pra sempre? – entrou no quarto da irmã e sentou na sua frente, mas não respondeu, nem abriu os olhos. – Você precisa continuar a vida! Não é porque ele foi embora que você precisa morrer, se trancar num quarto, ou virar freira e fazer voto de castidade.
- . - começou sem mover um músculo. – Você não tem condições de dizer o que eu devo ou não fazer, nem eu tenho condições de sair daqui. – pausa dramática. – Então, me deixa aqui quietinha, que quando der fome, eu desço pra comer, quando eu começar a feder, eu vou tomar um banho e quando, por fim, eu tiver vontade de recomeçar, eu volto pra vida, ok? – Falou a última frase em tom de deboche. O irmão apenas levantou e, antes de sair do quarto, disse. – Lembre-se de que a mamãe e o papai chegam depois de amanhã. Não seria legal eles chegarem e verem você assim. Ah, a mandou avisar que as aulas na faculdade começam amanhã.
O irmão tinha razão, seus pais não poderiam vê-la daquele jeito. Iria sair do quarto. Mas não ia ser hoje. Depois de muito tempo, cansou daquela posição, levantou-se, tomou um banho e foi deitar. Há alguns dias, ela não sabia o que era comida de verdade, vivia da comida que, eventualmente, alguém, misteriosamente, deixava na porta de seu quarto. Mas não estava nem aí para comida ou para qualquer outra coisa. Ela só se arrependia de tudo que tinha feito durante tanto tempo. “Você faz o céu mais azul se transformar em cinza”, lembrava da frase e pensava o quão ruim ela poderia ter sido. “Eu jurei para você que eu faria o meu melhor pra mudar”, ele realmente iria mudar? E por que ele mudaria? Fazia muitas perguntas para si e não respondia nenhuma delas. Deitada, olhando para o teto, começou a cantar baixinho a música que tocava no rádio.
‘my spirit's sleeping somewhere cold’
(Meu espirito dorme em algum lugar frio,)
‘until you find it there and lead it back home.’
(até que você o encontre e o leve de volta pra casa.)
Now that I know what I'm without
(Agora que eu sei o que eu não tenho)
you can't just leave me.
(Você não pode simplesmente me deixar.)
Não conseguia acostumar-se com aquilo. Descobriu que gostava de alguém no momento em que ficou sem ele.
All of this time
(Todo esse tempo)
I can't believe I couldn't see
(Eu não consigo acreditar que eu não pude ver)
Kept in the dark
(Me mantive no escuro)
but you were there in front of me
(mas você estava lá na minha frente)
I've been sleeping a one thousand years it seems.
(Eu tenho dormido há 1000 anos, parece.)
Era incrível como a música podia entrar em sua mente e traduzir o que estava lá dentro.
Don't let me die here
(Não me deixe morrer aqui)
There must be something more
(Deve haver algo a mais.)
Bring me to life.
(Traga-me para a vida)
I've been living a lie
(Eu tenho vivido uma mentira)
There's nothing inside
(Não há nada lá dentro)
Bring me to life.
(traga-me para a vida)
Capítulo 10.
“Hora de ir para a guerra” foi a primeira coisa que pensou quando abriu os olhos na manhã seguinte. Levantou-se e tomou um banho bem demorado. Decidiu descer e tomar café com o irmão.
- Bom dia. – Ela disse ao vê-lo sentado na cozinha.
- Hey! Que bom que você desceu. Você não está com uma cara muito boa! – Ele disse e a irmã fez uma careta.
- É... Não estou me sentindo muito bem... Estou meio enjoada.
– E nem deveria estar se sentindo bem. Depois de quase um mês trancada no quarto...
- !- Ela o repreendeu.
- Sorry. – Disse ele, dando um beijo na testa dela.
- Ai! Acho que nem vou à aula. – Disse, baixando a cabeça.
- Claro que vai sim! Já liguei pra vir te buscar.
Nem deu tempo da irmã responder e ele já tinha saído da cozinha. Então, ela tomou um copo de leite e subiu para pegar a bolsa. Estava ansiosa, mas, ao mesmo tempo, queria ficar em casa. Já tinha sido muito difícil sair do quarto.
- A chegou - disse , sentando na cama da irmã. – O que é isso? – pegou o bilhete de e começou a ler. – Então, foi por isso que você se trancou aqui?
Ao observar o olhar incrédulo do irmão, ela apenas abaixou a cabeça e saiu.
- Você resolveu sair do quarto! – disse, abraçando a amiga
- Hey! – respondeu cabisbaixa.
- Ih! Que cara, você está bem?
- Só estou um pouco enjoada. Mas vamos antes que eu desista.
O caminho que percorreram até a faculdade foi feito em completo silêncio. As amigas tinham ido visitá-la várias vezes, mas ela não as deixou entrarem. Não queria ver nem falar com ninguém.
Ao chegar ao campus da faculdade, cada uma foi pra o seu prédio. queria falar com . Ligou para o celular dele antes de entrar na sala, mas mais uma vez ele não atendeu.
- DROGA! – gritou antes de entrar na sala. Nada de útil. Aliás, que primeiro dia de aula em qualquer lugar do mundo tem alguma utilidade?
No intervalo das aulas, , e se encontraram para conversar. Contar da sua nova turma e blá blá blá. Antes de voltar, tentou mais uma vez falar com , precisava ouvir a voz dele. Só que ele não atendeu. Sentiu aquele enjôo novamente, foi até o banheiro para molhar o rosto, passou água na nuca, mas nada que aliviasse aquela sensação ruim. Estava mais branca que papel. Viu que não faria sentido ficar ali, já que não ia prestar atenção em nada que fosse dito na aula, então resolveu ir para casa.
- Alo? – atendeu a ligação daquele número desconhecido com péssima vontade.
- Sr. ? – Dizia uma voz feminina também desconhecida.
- Sim, quem fala?
- Meu nome é Mariah e eu sou paramédica. – Dizia a mulher calmamente, deixando o garoto assustado. – Você conhece uma garota , de pele e cabelos ? – Ela começou a descrever e caiu sentado, imaginando o que estava por vir.
- . - Pensou
-Oi? – Mariah perguntou. – O que o Sr. disse?
- Essa garota... Ela tem uma tatuagem de estrela com um F dentro? – Ele perguntou, torcendo para que ela dissesse não, mas, pra sua infelicidade, ela disse que sim. – . É o nome dela.
- Bom, Sr., alguém a encontrou desmaiada na rua e ligara para emergência. Como ela está sem documentos, ligamos para a última pessoa pra quem ela ligou, o senhor. Estamos a caminho do hospital, poderia avisar algum familiar?
- O QUÊ? – gritou, entrando em pânico. – Desmaiada? Pra que hospital estão levando-a?
- Saint Francisco. – respondeu a moça.
- Sim. Obrigado. – desligou apavorado, como assim desmaiada no meio da rua?
- ! ! Cadê a ? – gritava no telefone, ainda tinha alguma esperança de que fosse um engano.
- ? - perguntou, estranhando a ligação do amigo. - Ela foi pra faculdade. – respondeu, afastando o aparelho do ouvido, tamanho o grito do amigo. – Por...
- VAI PRO SAINT FRANCISO AGORA! AGORA, ! – desligou o telefone, deixando o amigo preocupado.
entrou no carro e foi para o hospital, no caminho ligou para , para ele ir pra lá também.
- Eu procuro por – Disse o , chegando à recepção do hospital.
- Deixe-me ver, Sr. – uma senhora, já de bastante idade, respondeu. - Hum... Sim... Sim... É, uma garota deu entrada hoje, trazida pelos paramédicos, Mariah disse que o nome dela é .
- Paramédicos? Mariah? – perguntava confuso.
- Sim, ela está lá dentro, aguarde um minuto, por favor. Assim que ela vier, lhe explica, senhor. Enquanto isso, será necessário preencher essa ficha de entrada no hospital.
O relógio parecia andar para traz, a tal da médica demorava demais. Viu chegar e sentar ao seu lado com cara de ponto de interrogação.
- Só sei que ela chegou aqui trazida por paramédicos. – ia dizendo para , quando seu celular tocou. – Oi? ? Hum... Sim... Sei... , é que ela... Tá aqui no hospital...Eeu não sei o que houve... O me ligou e me mandou vir pra cá. Sim... Te espero. – desligou.
- O ?
- É, , o ! – viu uma moça de jaleco passando e foi atrás dela. – Ei! Ei! Enfermeira. – chamou.
- Sim?
- Eu quero ver minha irmã! – Ele disse, desesperado. – Eu estou aqui há mais de duas horas esperando!
- Vou ver o que posso fazer. – A moça entrou em uma sala e voltou logo em seguida . – Sr...?
- . .
- Ok. Sr. , ela está sob medicação agora, ainda não descobrimos o motivo do desmaio. Não poderá vê-la agora. Amanhã, pela manhã, creio que ela estará bem para recebê-lo. – A enfermeira informou e deixou desnorteado. – Por que não vai para casa descansar?
Por que diabos enfermeiras e médicos sempre falam isso? Como se ir pra casa diminuiria a angustia pra ver a irmã. Vã esperança! Era óbvio que ele não arredaria o pé dali!
- ! – e vieram correndo em direção a ele. – O que houve?
- Encontraram ela desmaiada na rua, ligaram pro , ele me ligou e eu estou aqui, esperando pra entrar. Mas a enfermeira disse que só vou poder amanhã. – sentou e apoiou a mão na cabeça. A noite seria longa.
- Pro ? – As duas amigas perguntaram em coro.
- É. – fez uma cara esquisita. – Eu também não entendi.
- , você vai fazer um buraco no chão!
- A tem razão, dude, para de andar pra lá e pra cá, que tá até fazendo vento na gente!
Assim que amanheceu, uma enfermeira veio chamar para ver a irmã.
- ! – ele entrou no quarto sorrindo ao vê-la acordada. – Como você está? O que aconteceu?
- Estou bem... Eu acho. – Não conseguiu segurar o choro ao ver o irmão entrar no quarto. A enfermeira, que estava ali, saiu, deixando-os a sós.
- Você está chorando por quê? – sentou ao lado da irmã e segurou sua mão.
- Hoje de manhã, o médico trouxe meus exames, e... – tentava ao máximo se controlar. - ... Desculpa! – Ela disse já em soluços e o irmão ficou sem entendeu nada. – É que... Eu... Eu to grávida. – Pensou se continuava e preferiu não esconder. – Do . – Disse, por fim, e deixou que o choro tomasse conta de si.
ficou sem reação nenhuma, não sabia o que dizer. A enfermeira voltou a entrar no quarto e disse, ao ver o estado da garota:
- Ela não pode se alterar, por favor. – Indicou a porta, pedindo para sair. A única ação que teve foi apertar bem forte a mão da irmã. Deu um beijo em sua testa e foi em direção à porta.
- ! – chamou, antes que o irmão saísse, e ele voltou a olhá-la. - Eu não quero que ninguém saiba, pelo menos por enquanto!
– Ok. Tudo vai ficar bem. Eu prometo. – Abraçou-a forte e saiu do quarto.
Foi andando pelo corredor do hospital sem saber como reagir. Ao encontrar os amigos, coçou a cabeça enquanto e o enchiam de perguntas. sentou, enfiou a cabeça entre as mãos e disse sem ter certeza. – Ela... Hum... Ela está bem. Foi só um susto.
- Susto. Sei. – duvidou. – Quando ela sai daqui?
- Amanhã, eu acho.
Aquele dia estava passando muito devagar. não sabia o que diria aos pais quando eles chegassem. Sabia que ouviria que ele tinha sido um irresponsável, não tinha cuidado como deveria da irmã e blá blá blá. O médico de o chamou para explicar a situação.
- Boa tarde, Sr. , sente-se, por favor. – o médico apontou a cadeira de seu consultório. – Sou o Dr. Gwinuve, sou o ginecologista de plantão. – apenas o olhava com um ar de medo. – Sua irmã tem uma anemia muito forte para os primeiros meses de gestação. Como ela ainda é uma adolescente, peço-lhe que tome alguns cuidados na alimentação dela. Essa gravidez é de risco.
- Sim, senhor. Devo ter algum cuidado a mais?
- Bem, pra falar a verdade, não vi o namorado dela por aqui. – O Dr. disse, pensativo. – Esse é o momento que o psicológico dela não pode atrapalhar, pode ser muito ruim pra ela e principalmente para o bebê.
ria por dentro, mas era um riso de nervoso. Despediu-se do médico e foi ao encontro dos amigos. - Vamos pra casa. Passamos o dia todo aqui. Daqui a pouco eu volto, só vou para tomar um banho e trocar de roupa.
, que acabara de chegar, levou e para casa enquanto levava .
Ao entrar em casa, deparou-se com e sentados no sofá. Esqueceu que o amigo tinha uma cópia da chave.
- Hey, dude, como ela está? – disse, entrando na cozinha enquanto largava o copo na pia.
- Está bem. O disse que não foi nada, só um desmaio. E você? Como está?
- É... Vou levando. Tenho uma coisa pra contar, mas não é o momento. – Disse, apontando a cabeça na direção da garota que estava no sofá.
- E o que ela tá fazendo aqui mesmo?
- Isso faz parte do que tenho pra contar.
- Hum. Ok, então. – deu de ombros. – Vou ver o , ele tava nervoso.
voltou para o sofá enquanto o amigo subia as escadas da casa. sequer tinha falado com ele.
- Dude, fecha a porta. – disse, sentando na cama. entrou no quarto e fez o que o outro pediu.
- Você tá bem? – Perguntou, fazendo uma careta ao ver a expressão triste do amigo.
- Senta aí. Eu preciso te contar. – não tinha certeza se contaria, mas precisava dividir com alguém. – Eu sei que ela não vai se importar, você é o melhor amigo dela, e...
- Fala logo, ! – disse, depois de um tempo que deu antes de falar.
- Ela ta grávida do ! – Estava realmente abalado. – E ela não quer que ninguém saiba.
- E ele está aqui com a . – disse, como se completasse a frase do amigo. – Ele disse que tem alguma coisa pra nos contar, mas que não é o momento e talz. – dizia, fazendo pouco caso.
- Vamos descer. Vou comer algo e vou voltar para o hospital. – disse, abrindo a porta do quarto e indo em direção à escada junto de . Ainda puderam ver pegando a bolsa em cima do sofá e saindo, avisando que não demoraria a voltar.
acordou ao ouvir a porta se abrir e alguém entrar no quarto. Estava tudo escuro, mas ainda assim pôde reconhecer parada ao pé da cama. Seria aquilo um pesadelo, ou quem sabe ainda estava sob efeito dos remédios?
- Então, querida, se lembra de mim? – A voz da garota soava calma, era como se ela fosse uma amiga ou algo assim. Definitivamente, tinha que ser um pesadelo.
- O que você está fazendo aqui? Cadê o ? - apoiou-se nos cotovelos, na cama, para enxergar melhor a garota a sua frente. Mentalmente, rezava para que aquilo fosse apenas uma ilusão.
- Ih, calminha aí, meu bem. Você não pode se alterar ou vai prejudicar esse bebê. – pousou a mão na barriga de , que sentiu vontade de voar na cabeça da loira na sua frente e arrancar todo aquele cabelo oxigenado. O que diabos ela estava fazendo ali? Como sabia da gravidez? É, aquilo não era um pesadelo.
- Tira a mão de mim! Vai embora! – Sua voz saiu de forma estridente, quase desesperada. Não podia ser verdade. De onde aquela garota havia saído? E o , ele não era louco o suficiente para ter contado isso à ela.
sentiu sua cabeça doer e levou uma das mãos até a testa em uma tentativa frustrada de que tudo voltasse ao normal, sem dor, sem .
- Hey, hey, hey. Parece que a garota inocente injustiçada que eu conheci no Trix não foi tão injustiçada assim... E certamente inocente você não é. – olhou diretamente para a barriga de e sorriu irônica.
A garota na cama já não aguentava mais tudo aquilo, com uma das mãos ainda sobre a testa e em uma voz fraca, ela disse. – Vai embora, por favor...
- É claro que vou embora, não é como se eu gostasse da sua companhia... Mas antes eu preciso te dizer o porquê de eu estar aqui. – , desta vez, pareceu contida, até um pouco receosa.
- Ok. Fala logo e sai daqui. – se deu por vencida, só desejava que tudo aquilo acabasse logo.
levantou a mão direita e mostrou para a garota. – Você sabe o que é isso? – ao ver a cara de “não faço questão” da que estava deitada, ela continuou. – É um anel de noivado, querida. Que o me deu. – Ela deu ênfase na última frase, falando de forma simples, como quem conta algo rotineiro.
- O QUÊ? – gritou. Aquela informação foi como um tapa na cara, um soco no estômago ou algo assim. Aquilo só podia ser palhaçada. só deveria estar almejando uma vaga no circo.
- Calma. É natural um homem assumir um relacionamento quando vai ser papai. – Dessa vez, colocou a mão sobre sua própria barriga e continuou radiante. – Eu estou grávida do . Vamos nos casar. Ele até comprou um apartamento em NY para morarmos juntos, sabia? – a loira falava de forma alegre e cínica, enquanto a olhava, incrédula. – Ele está muito bem no trabalho dele, está ganhando muito dinheiro. Está feliz ao meu lado. Não ouse tentar atrapalhar isso. – Disse, cerrando os dentes e dando lugar a uma expressão um tanto ameaçadora. – Porque eu acabo contigo! – Apontou o dedo na cara da garota e terminou. – Ele te largou pra ir morar comigo. Pra ser feliz comigo. Porque ele me ama! E nós vamos ter um filho lindo! Não vai ser porque você ficou grávida, que ele vai voltar! Ele te odeia! Eu demorei muito tempo para fazê-lo esquecer o ódio que sentia por você e não é agora que isso vai mudar, fedelha! – perdeu o controle inicial e já estava gritando, quando uma enfermeira entrou no quarto, dizendo que ela não deveria estar ali e pedindo para que ela se retirasse. - Você está avisada! – A garota disse, recompondo-se, antes de passar pela porta.
precisou piscar várias vezes para ter certeza de que aquilo tinha realmente acontecido. Enquanto a enfermeira media a pressão dela e fazia alguns testes, ela pensava no que aquela coisa oxigenada estava fazendo ali. E porque a odiaria tanto a ponta de casar com outra. A garota sentiu as lágrimas descerem por seu rosto de forma lenta, até que não conseguiu conter aquela confusão de sentimentos e chorou de verdade. Ela havia tirado forças sabe-se lá de onde para se conter na frente da loira, mas ela não podia se segurar mais. A enfermeira notou o desespero da garota e tentou consolá-la, mas o que a mulher não sabia era que naquele momento, nada poderia consolar .
- Calma, querida. Com o tempo tudo se ajeita. – viu a garota fungar e continuou. – Sua pressão subiu demais. Vou ter que te dar um remédio para se acalmar, isso é perigoso no seu caso. – A mulher saiu e voltou logo em seguida com uma bandeja cheia de seringas. – Vai doer um pouquinho. – Avisou, pegando uma delas. – Você vai dormir agora e esquecer isso, está bem? Amanhã alguém virá ver você e, se tudo estiver bem, você será liberada.
sentiu suas pálpebras pesadas, queria dormir, mas queria esquecer o que havia ocorrido e o que havia lhe dito. Como assim ele ia se casar? E com outra! Não era nesse momento em que ele descobria que a amava de verdade e eles viveriam felizes para sempre? Que ela teria seu final feliz de princesa? De desenho animado?
Algumas cenas lhe passavam na mente como um filme. Via a tristeza no rosto de ao sair de seu quarto pela última vez. Lembrou-se do que ele havia escrito “E não ouse tentar fazer tudo dar certo”, nem se houvesse algo a mais? “Pode ter certeza, eu estou melhor sem você”. É, talvez. Doía tanto aquilo. Estava nervosa, era como se nada do que fizesse fosse capaz de melhorar a situação, muito menos resolvê-la. Acabou por ser vencida pelo peso das pálpebras e adormeceu. Na manhã seguinte, acordou com a luz do sol em seu rosto. Olhou para o lado e viu uma figura conhecida.
- Mãe. – Chamou baixinho.
- Querida. – Aproximou-se da filha. – Como você está se sentindo?
- Ah. Agora eu estou bem. Nem sei pra que duas noites aqui.
- Que bom. Você tem algo pra me dizer? – Martha, a mãe da garota, sorriu para ela, encorajando-a a contar.
- Como se você já não soubesse, né, mãe?
- Claro, oras! Como é que eu não ia saber? Seu irmão não quis me contar, então tive que interrogar o médico. – Disse sorrindo.
- Mãe, você não vale nada! – riram. – E o papai? – perguntou com receio.
- Está em casa. Achei que ele fosse morrer do coração. Mas sabe que não? – disse surpresa.
- Não? Digo, ele não surtou nem nada?
- Ah, no início ele disse que era irresponsabilidade e que você ficaria de castigo os nove meses, que iria obrigar o rapaz a casar e coisas desse tipo, mas então o seu amigo conversou com ele, e... Aparentemente, ele está de casamento marcado, e... Você não quer que ele saiba. – olhou a expressão da filha e preferiu não continuar a falar em . – Então, depois que o rapaz conversou com ele, ele começou a dizer que vai ser menino pra ele poder ensinar a jogar futebol e pegar mulheres. E que, se ele não for passar as férias com a gente no Brasil, ele te deserda! Mas que ainda assim você precisa ouvir poucas e boas.
contou para a mãe toda a história com , desde a cena no bar, até o fim do baile e o desfecho em seu quarto. Falou da “visita” que recebera na noite anterior e de como se sentia em relação a tudo, recebendo, claro, o colo da mãe. Assim que Dr. Gwinuve, o médico, entrou no quarto, fez os exames de rotina para liberá-la, encheu-a de recomendações, deu um sermão sobre como ela deveria se comportar e se alimentar agora e, então, liberou-a para ir pra casa.
- . – começou enquanto Martha dirigia o carro. – Acho que eu preciso te dizer uma coisa. – Passou a mão pelos cabelos em sinal de nervosismo.
- Ah, meu Deus. É muito importante? Não pode ser, tipo... Amanhã? – Estava com medo do que iria ouvir.
- Não. Acho que não. – a olhou sério e, vendo que ela assentia com a cabeça, ele concluiu rápido. – O está lá em casa. Com a .
apenas o olhava incrédula. O que ele estava fazendo ali? E por que não foi até o hospital? Lembrou-se do porquê estava no hospital, deduziu, então, que, seja lá qual for o motivo por ele não ter ido, era ótimo. Não queria chegar em casa e ter que olhar os dois juntos. Tipo, “COMO ASSIM? VOCÊ DEVERIA ESTAR COMIGO E NÃO COM ESSA BARANGA.” Mas era como se ela não tivesse nem forças para brigar. Sabia que ele estava feliz e estragar isso era tudo que ela menos queria. Se o fazia bem, o que ela poderia fazer?
Capítulo 12.
Quando chegou em casa, foi recebida pelos amigos e pelo pai, que estava visivelmente nervoso, mas apenas a abraçou. e estavam esperando para receberem a amiga, quando ela apontou para as escadas. Seu olhar havia se cruzado com o de , uma sensação estranha tomou conta de si, como se ele soubesse de alguma coisa, mas não era possível.
Já em seu quarto, tirou aquela roupa fedendo a hospital para entrar no banho, quando ouviu as duas amigas entrarem no quarto logo atrás.
- Hum, deixa eu ver se eu entendi. – Estavam sentadas no chão do banheiro enquanto tomava banho. – Você... Er... Transou com o . Daí descobriu que é apaixonada por ele. – ia dizendo e ela apenas respondia com “uhum” e “aham”. – Então, ele vai embora e te deixa este bilhetinho aqui. “Você faz o céu mais azul se transformar em cinza.” UAU! Dramático ele.
- , não debocha do cara! - soltou um risinho abafado.
- Aí porque ele foi, você se tranca nesse quarto de merda por um mês e, quando sai, descobre que está grávida. E agora?
- Agora vem a parte que vocês não sabem. – Respondeu, dessa vez fazendo as duas a olharem surpresa. Enrolou-se na toalha e foi para o quarto, sendo seguida pelas amigas. Enquanto procurava uma roupa, disse: - A também está grávida dele, eles estão noivos e vão se casar, morar juntos e ser felizes. - Deu ênfase à palavra também.
- CASAR? – gritou.
- Shhh! Sua louca! Fala baixo. – repreendeu. – É, casar. – Vestiu um short jeans e uma T-shirt branca.
- E como você sabe de tudo isso?
- Ah, , ela esteve lá no hospital ontem, me falou um monte de coisas. Me ameaçou.
- Ameaçou? Como assim? – olhava a amiga sem acreditar no que ouvia.
- Hum, bem. – Sentou na cama. – Disse que ela custou muito a fazer ele me esquecer e que isso não ia mudar, mas que se eu tentasse alguma coisa, ela acabaria comigo.
- , o que ela pode fazer contra você? Tipo, nada! - dizia como se fosse algo óbvio.
- Eu sei. Mas eu não quero estragar a felicidade dele. Se ele está tão feliz assim, já está com a vida feita. Quem sou eu pra fazer alguma coisa?
- Como você é burra, amiga! Você é nada mais, nada menos que a... - foi interrompida pela porta que se abria. – Ah, , você.
- Ih, acho que não sou bem-vindo aqui. – soltou um risinho. – Vocês podem nos dar licença um minutinho? – Pediu e viu as garotas saírem do quarto. – Como você está? – Voltou-se para a que estava sentada na cama e o fez também.
- Muito bem, obrigada. - Era só o que estava faltando naquele momento. Como não iria contar pra ele? – E você?
- Também. Er... O que aconteceu? Digo, pra você ir ao hospital?
- Anemia. – Falou incerta, mas secamente. Um silêncio tomou conta do quarto. Ficou assustador. Entreolhavam-se. O que ele estava fazendo ali mesmo? Hora de tirar a dúvida. – O que você está fazendo aqui?
- Não te contaram? – a olhou surpreso quando ela negou com a cabeça. – Quando te acharam na rua, ligaram pra mim.
- E por que diabos pra você e não pro meu irmão ou pra ? – perguntou irônica.
- Porque ninguém é vidente nesse mundo, garota, você não tinha documentos e eu fui a última pessoa pra quem você ligou. – Disse irritado.
- Tentei ligar, você quis dizer, né?
- Ué. O que você queria comigo? Me incomodar? Não sou obrigado a atender. – sentiu aquela frase como uma facada no peito.
- Como você sabia que era eu quando te ligaram?
- Sua tatuagem. – Apontou para o pulso da garota.
- Ainda não respondeu por que está aqui, . – sua voz saiu ríspida, após algum tempo de silêncio.
- Você ainda pergunta? – agora tinha um semblante triste. – Eu fiquei preocupado.
- Preocupado por que, ué? Alguns minutos antes, eu só queria incomodar, não é mesmo?
- Foi por isso. Você podia querer ajuda, ou sei lá, qualquer coisa do tipo. – Agora ele estava confuso.
- , sai daqui, vai.
- Não. Eu não quero ir. Quero ficar aqui.
- Você não pode ficar aqui. Tem que voltar com a sua noivinha pra NY. – Levantou-se da cama e foi e direção à janela. Era demais. – Tem que voltar pro seu emprego, seu apartamento. – Nem ela acreditava nas palavras que dizia.
a olhou com estranhamento. – Como você sabe?
- Notícias correm, . E rápido.
- Estou vendo.
olhava pela janela, sentia seu coração ser esmagado, ela podia simplesmente sentar ali e contar toda a verdade e eles seriam felizes. Mas ela não faria isso.
- Bom, vou descer. Nos vemos no casamento? – Perguntou receoso e a viu concordar sem sequer se virar.
Casamento. Tinha até se esquecido desse detalhe. Ao ouvir a porta bater, jogou-se na cama, não queria passar por aquilo de novo. Não podia sentir aquilo novamente.
Dois dias se passaram muito rápido. Felizmente, tinha ido para a casa de com aquela loira oxigenada. A casa estava cheia de parentes e amigos, gente rindo alto e bebendo por todos os cantos. Ava e Mercius formavam um casal tão bonito. Foram feitos um para o outro.
observava o casal de tios ali, cumprimentando todos após o ‘sim’, era tão bonito ver que, quando o amor é recíproco, a felicidade é certa. Via as pessoas com sorrisos de orelha a orelha, era ela a única que não estava feliz ali? Digo, estava feliz pelos tios, mas não por ela. Como poderia estar feliz? De onde estava sentada, podia ver um casal encostado na árvore, sabia muito bem quem eram, mas preferia não acreditar no que seus olhos teimavam em mostrar: encostada na árvore com à sua frente que, por sinal, fazia carinho em sua barriga e sorria bobo. Era triste ver aquilo. Mas o ápice foi quando ela o abraçou e sorriu, cínica, na direção de .
- Ok, é demais pra mim! – olhou para , que estava ao seu lado, agarrada em . – Vou entrar.
murmurou algo parecido com ‘uhum’ e nem viu que a outra já estava longe. No caminho, percebeu outro casal juntinho. e conversavam ao pé da escada, hum, digamos que muito intimamente. A amiga parecia estar tão concentrada no que os lábios do rapaz diziam, então preferiu não interromper aquele momento e foi para seu quarto.
“Nada melhor que uma festa na casa pra disfarçar seus males interiores.” falou sozinha. “Há! Cara, eu amo minha mãe!” pegou aquele pote transparente com tampa branca, que dizia em letras grandes “Nutella” e, em letras um pouquinho menores, fazendo a alegria da garota, “contém 5 Litros”. “Mudei de ideia. Nada melhor que isso pra esquecer as coisas!”
Ela não estava louca. Ainda não, pelo menos. A música alta a permitia conversar consigo em voz alta, sem que os outros percebessem. “Haaaam. Esse aqui!” disse, erguendo uma caixinha de DVD para o alto, como se levantasse um troféu. “The Ugly Truth! Não é o momento para chorar! Vamos sorrir com esse Deus grego!”. colocou o filme e jogou-se na cama, com o pote de nutella e uma colher. “Dude, como esse Gerard Butler é lindo! Puta que pariu!”
- , o que você está fazendo aqui? – entrou no quarto, depois de meia hora.
- Amando o Sr. Mike Chadway. – disse, colocando mais uma colherada na boca. – Digo, assistindo A Verdade Nua e Crua.
- De novo. – rolou os olhos. – E posso saber o que isso está fazendo aqui com você? – apontou para o balde de nutella.
- Hum... Está me fazendo companhia. - ironia mode on.
- Você só pode estar louca, né? Pensei que Dr. Gwinuve tivesse proibido você de comer porcarias.
- Ah, ! Me deixa, vai! Você não estava mesmo acreditando que eu ia esperar nove meses pra comer isso, não é? – falou com o sorriso mais meigo do mundo em seu rosto.
- Sua irresponsável! É irresponsabilidade atrás de irresponsabilidade, ! Que coisa!
- , não precisa brigar comigo. – deu pause no filme e olhou o irmão, com uma expressão triste no rosto. – Eu já pedi desculpas.
- Como se as suas desculpas consertassem seu erro! Pô!
- Que erro? – apareceu na porta com o olhar curioso e olhou assustada para .
- Nada, , sai daqui. – o olhou ríspido e ele saiu dali sem dizer mais nada.
- Olha, ... – seu tom de voz agora era mais calmo. – Eu acho que você está fazendo uma besteira muito grande não contando pra ele.
- Eu sei! - baixou a cabeça.
- Ele tem o direito dele, sabe? Imagina como ele vai se sentir quando descobrir. Sim, porque um dia ele vai descobrir.
- Eu prefiro nem pensar nisso, . Mas, no momento, ele já está se preocupando com os direitos dele em relação à outra pessoa. – disse e viu uma expressão de dúvida no rosto do irmão. - Você já sabe que a também está grávida? E que eles vão se casar?
- O QUÊ? – gritou.
- Pois é, eu tive essa mesma reação.
apenas saiu do quarto, batendo o pé, aparentemente estava furioso. preferiu não pensar no que o irmão havia lhe dito, nunca descobriria nada. Esperava, pelo menos. Voltou a assistir ao filme.
- ! - gritou, vendo o amigo entrar na cozinha.
- Oi, . – disse seco.
- Você é louco?
- Não que eu saiba. Por quê? – respondeu irônico.
- Você vai se casar?
- Ah. – cara de paisagem. – Vou. O que ser louco tem a ver com isso?
A vontade de era jogar toda a verdade na cara de , mas ele não podia fazer isso.
- Amorzinho! – entrou gritando e foi se pendurar no pescoço de , que fez uma cara de poucos amigos. – Você me abandonou! – fez bico.
- Ah! Me poupe! Que nojo, dude! Esse filhote de cruz credo! – falou e saiu do recinto, deixando embasbacada e um risonho.
Quando acabou o filme, resolveu descer e fazer uma social, afinal, já tinha sido bastante deseducado da parte dela ter ignorado a festa e ir assistir a um filme! Quando chegou ao andar de baixo, porém, viu que restavam poucas pessoas por ali. e haviam sumido e, coincidentemente (ou não), e também. e não estavam ali, ainda bem. estava deitado no sofá com a cabeça no colo da mãe, enquanto recebia um cafuné.
- Que inveja! – disse, chegando mais perto e rindo da cara de prazer que o irmão fazia. – Também quero colinho! – riu.
Sentou-se na companhia dos pais e dos parentes que ainda estavam por ali, estavam debatendo sobre algo importantemente sem sentido. Já era tarde e ela estava cansada. Cansada de não fazer nada, ok. Mas cansada mesmo assim.
Acordou com alguém fazendo carinho em seu rosto.
- ! – assustou-se ao ver o rosto do rapaz tão perto do dela.
- Bom dia, ! – ele tinha a cara mais doce.
- O que você está fazendo aqui? – esfregou os olhos para ter certeza de que não sonhava.
- Bem, eu vim me despedir. – agora tinha um semblante triste. – Não queria ir embora sem falar com você. De novo.
- Muito gentil de sua parte. – debochou.
- Hey! – repreendeu-a.
- Ok. Desculpe. – disse e os dois riram. Era assim que ela queria que fosse. Acordar todos os dias com ele a seu lado e seu rosto ser a primeira coisa que ela enxergara na manhã. Sentiu uma tristeza tomar conta de seu corpo. Sabia que a partir do momento em que ele saísse por aquela porta, poderia nunca mais o ter. Lembrou, então, do que havia lhe dito ‘ele me ama’, ‘ele te odeia!’. Era difícil de admitir, mas estava o entregando de bandeja para outra mulher. Só esperava que ela o fizesse feliz.
- Er... Então... Tchau. – ele disse, levantando-se.
- . – chamou-o.
- Sim? – ele parou na porta para olhá-la.
- Seja feliz, ok? – não era aquilo que ela queria dizer. Mas foi o que saiu.
- Você também. – sua voz saíra com tom de decepção.
Assim que ele saiu do quarto, sentiu uma espada atravessar-lhe o peito. Mas agora estava feito. Não adiantaria nada voltar a trás. Já tinha tomado sua decisão. Ou não. Ainda dava tempo. Saiu correndo em direção à porta, desceu as escadas e viu que todos estavam do lado de fora da casa.
- ! – gritou, vendo-o entrar no carro.
- Oi? – ele disse, meio dentro e meio fora do veículo.
- Eu preciso te contar uma coisa antes de você ir.
- Fale, então. – ele disse, saindo de vez do carro.
- NADA DISSO! Vamos perder o avião, amorzinho. – gritou para ele. – Além do mais, nada do que ela diga vai ser importante, bebê.
- , fala logo, senão perco o voo. – pediu.
- ... – tentou encontrar uma forma de dizer aquilo, mas antes que conseguisse, a interrompeu.
- , vamos embora de uma vez. Essa mosca morta não quer que você vá embora, é isso. SÓ ISSO. Vamos perder o voo e você vai se atrasar pra sua reunião com a banda, ou você esqueceu? - a voz de soava cínica e arrogante.
- Caramba, é verdade. Bom, , não dá pra esperar. Tchau. – voltou a entrar no carro e ligou o motor.
- Espera! Você precisa ouvir! – ela gritou novamente, mas ele não a ouviu. Deu partida no carro e foi embora.
sentou na grama em frente à casa com o rosto entre as mãos. Ela tentara, não é mesmo? Foi amparada pelo irmão, que estava assistindo tudo.
- Ele vai se arrepender, . – bem que tentou confortá-la. – Um dia ele vai se arrepender por não ter te escutado.
- , agora eu quero mais é que ele nunca saiba! - disse, enxugando as lágrimas. – Eu tinha tomado uma decisão, ele jamais saberia, não contaria nem sob tortura. Mas por um impulso, por uma bobice, eu ia contar. Eu ia estragar tudo. Imagina se ele duvidasse, se ele não acreditasse em mim? Ia ser horrível. Mas não... Ele preferiu não ouvir. Ele preferiu ir pra vida dele, com as coisas que ele quer na vida dele. E eu não faço parte desse desejo. Então, agora vai ser melhor assim. Ele não vai ficar sabendo e ponto. - levantou sobre os olhares do irmão e continuou. – Pelo menos você tá aqui comigo! Assim vai ser mais fácil.
- Eu também acho. – levantou-se também e ambos entraram na casa.
Continua...
Nota da Autora: Oi, gente! Então, primeira fic por aqui. Bem, preciso dizer uma coisa: ela começou a ser escrita há muito tempo. E não, eu não gosto muito desse começo. Mas como ele já tinha sido publicado, eu preferi não mudá-lo. O que vem a seguir é bem mais divertido, eu garanto! *-* Hum... Acho que é isso... quero ver o comentário de vocês, hein!
Nota da Beta: Caso encontre algum erro, não use a caixa de comentários, entre em contato comigo pelo twitter ou por e-mail. Quer saber quando essa fic vai atualizar? Fique de olho aqui.