Same Mistakes Again Autora:Mynne Beta-Reader:Vick | Sofia Queirós [até Cap. 18] | Nelloba Jones [Cap. 19 em diante]
Capítulo Um
Três e trinta da manhã. Eu ainda não consegui dormir. Tô rolando na cama desde meia noite, quando resolvi me deitar. Mas não adiantou de nada, porque as imagens do meu dia continuavam a vir à tona. Sabe, eu nunca fui uma pessoa muito sortuda. Nunca mesmo. Eu nunca ganhei nada, nem aquelas raspadinhas que a gente compra em banca de jornal. A coisa mais legal que já me aconteceu foi ter ganhado uma bolsa de estudos e vir morar em Londres. Quero dizer, é tudo ótimo, ainda mais porque minha melhor amiga veio morar comigo. Mas sabe quando você sente que está faltando algo? Então, era sempre assim comigo. Eu sempre queria mais e mais, nunca estava satisfeita com nada. Minha vida toda foi um atraso, eu sempre era a última a chegar e a primeira a sair. Sempre me senti estranha, deslocada, como se não pertencesse a aquele mundo. E, sabe, eu tenho certeza que não pertenço. Às vezes, acho que vou acordar e perceber que toda a minha vida não passou de um sonho e que eu vou estar deitada na minha cama, com dez anos de idade. Mas a realidade não é essa. A realidade é que essa sou eu, estranha, deprimida, com duas tentativas de suicídio nas costas, uma bulimia em tratamento e morando em Londres. Depressivo, né? Mas eu não me importo mais. Minha vida toda é depressiva mesmo.
Revirei mais uma vez pela cama, tentando achar uma posição no mínimo confortável. Nada, parecia que até a cama estava de deboche com a minha cara. Desisti e me levantei, indo em direção a sala do meu apê. Encontrei minha melhor amiga, a , lendo. Essa era a noite da insônia, só pode.
- Ainda acordada, ? – ela me perguntou, olhando para mim por cima dos óculos de leitura.
- Nop. Isso aqui é minha alma – respondi sem humor algum, indo em direção à cozinha. Ela nem se deu ao trabalho de me responder. Com certeza já estava acostumada com as minhas grosserias.
Peguei o pote de sorvete de flocos, que estava na geladeira, e uma colher. Não me dei o trabalho de pegar um copo, estava com preguiça demais para fazer isso. Pra você ter idéia, sorvete de flocos foi a coisa mais gostosa que me aconteceu em duas semanas. Quero dizer, em toda a minha vida. Mas vou parar de reclamar antes que você comece a me achar chata demais. Comi metade do pote de sorvete, enquanto me olhava claramente preocupada. É esse o problema de ser uma pessoa com bulimia em tratamento: as pessoas começam a achar que você vai vomitar tudo o que comeu a qualquer hora. Não que isso não seja verdade, mas elas deveriam ao menos disfarçar a preocupação. Sério, é muito chato isso.
Revirei os olhos, coloquei o que restava do sorvete na geladeira e me joguei no sofá.
- , eu não vou me trancar no banheiro, relaxa – eu disse, revirando os olhos novamente – Sabe, eu to tentando virar uma pessoa saudável, lembra?
- Lembro. Mas isso também quer dizer que você ainda está desequilibrada. E até você ficar totalmente curada dessa doença, vou ficar sim de olho em você. E nem reclame – ela me respondeu, olhando de forma ameaçadora pra mim. Dei a língua pra ela. Infantil, mas quem disse que eu ligo?
Fiquei passando todos os canais possíveis, mas nada tinha graça. A única coisa boa que encontrei foi uma notícia sobre um pato de duas cabeças. Pobre coitado. Meia hora depois, finalmente se rendeu ao sono e foi dormir, mas primeiro quis ter certeza que eu não ia vomitar ou qualquer coisa do tipo. Pra que ter mãe se sua melhor amiga já age de forma igual?
Minha mente, então, começou a vagar e ir direto para o meu passado. Eu nunca fui magra. Sempre fui gordinha, do tipo que era motivo de risos da galera. Todo mundo amava me zoar e me apertar. Eu era muito medrosa, não tinha peito o suficiente para mandá-los calarem a boca. Foi, então, que eu vi uma reportagem na televisão sobre meninas que causavam o vomito, afim de emagrecer. Eu sabia o que era aquilo, já tinha lido várias reportagens e sabia que era perigoso. Mas quando o cara que eu era apaixonada na época, quando eu tinha uns treze anos, me chamou de “gordinha da cara redonda” na frente de todo mundo, eu esqueci tudo. Esqueci que aquilo era uma doença e que era perigoso. Só fiz correr para casa e me trancar no banheiro. Peguei a minha escova de dente e meti goela abaixo. Vomitei durante quase vinte minutos sem parar. Chorei muito, compulsivamente. Mas já estava feito. Daquele dia em diante, passei a vomitar todos os dias, cinco e até sete vezes por dia. Até a água que eu colocava pra dentro forçava para sair. Meus pais demoraram um bocado para descobrir, porque eu juntei o vômito com a academia. Perdi 15 kg em dois meses. De 73 kg, passei a 58 kg. Até o dia em que eu vomitei tanto, que desmaiei no banheiro. Pra meu azar – ou sorte, não sei – esqueci de trancar a porta. Acordei cinco horas depois na maca de um hospital, com um tubo enfiado em minhas veias. A merda estava feita, meus pais tinham descoberto tudo. Foi um inferno. Tentei me matar duas vezes e as duas vezes deram errado. Até hoje, não sei se isso foi bom ou ruim. Foi um alívio quando a faculdade me deu uma bolsa para vir terminar o meu curso de jornalismo em Londres. Meus pais acreditavam que aquela seria uma boa maneira de eu recomeçar a minha vida, ainda mais porque estaria do meu lado. “Ela vai lhe apoiar e é sempre bom ter alguém por perto” disse minha mãe. Em outras palavras, ela iria me vigiar e ter certeza que eu não tentaria me matar novamente.
O sono estava finalmente chegando. Estava tudo ficando embaçado, escuro... E, então, eu dormi.
Capítulo Dois
”Pí-pí-pí-pííí” foi com esse barulho que eu acordei, às nove da manhã de um sábado. Aquele despertador maldito da , não sei pra que caralho ela coloca aquilo. Ela nunca acorda, mas sempre consegue me acordar. Me espreguicei e senti meu corpo todo doendo, o que já era esperado, afinal, eu dormi no sofá, que, diga-se de passagem, não era muito confortável. Levantei e fui em direção ao meu quarto, tranquei a porta e fui para o meu banheiro. Foi automático. Olhei para a balança e resolvi me pesar. Estava com 53 kg. Tinha ganhado 4 kg em três meses. Tentei não pensar naquilo, sabia onde essa história iria acabar. Balancei minha cabeça, me despi e tomei um banho quente para desfazer a tensão nas minhas costas. Meia hora depois, já estava pronta para encarar o mundo. Coloquei uma roupinha leve de caminhada, iria andar pelo bairro pra tentar perder algumas calorias de forma saudável.
- Vai andar? Ok, não responda – disse, depois que viu o meu olhar de sarcasmo – Vou com você, me espera. – Ok, vamos ter certeza que a bulímica aqui não vai exagerar e morrer no meio do caminho.
Esperei durante quase uma hora, e quando já estava desistindo, finalmente ficou pronta.
- Você acha que vai encontrar um príncipe encantado enquanto anda comigo em Londres? – eu perguntei, ironicamente. Toda a minha boa vontade de encarar o mundo já tinha ido para o inferno.
- Nunca se sabe, Londres tem homens maravilhosos – ela me respondeu, ignorando meu mau humor e mandando um beijo no ar para mim. Revirei os olhos.
Entramos no elevador e ele parou no quinto andar. Foi, então, que ele entrou. Alto, branco feito a neve, olhos verdes maravilhosos, magro, porém musculoso. Eu parei de respirar. Eu esqueci o meu nome. Eu esqueci tudo.
- Er, oi, bom dia – ele nos cumprimentou com aquele sotaque inglês forte – Desce?
- Desce tudo, por favor – respondi, fora de mim. Puta que o pariu, que merda foi que eu disse?
- Er, desce sim – respondeu a ele, me olhando dividida entre o riso e o susto. Normalmente, eu não falava com ninguém, ainda mais daquele jeito.
Notei que o rapaz deu um leve sorriso e me toquei pra valer da merda que eu tinha dito. Fiquei completamente vermelha e abaixei a cabeça, louca para sair dali. Meio minuto depois, o que me pareceu uma eternidade, o elevador parou no térreo e eu sai puxando pelo braço.
- “Desce tudo, por favor?” OI? Quem é você e o que fez com a que eu conheço? – ela disse, rindo escandalosamente alto.
- Morre, namoral – eu respondi, não aguentando e rindo junto com ela – Que merda foi que você colocou no cereal de hoje?
- Maconha eu tenho certeza que não foi, gatinha. Ou você quer que eu chame o bonitão pra você descer tudo nele? – ela disse, ainda rindo. Dei a língua para ela e comecei a correr a deixando para trás.
- Hey! – ela reclamou pra começar a correr junto comigo.
Peguei meu iPhone e coloquei em The Strokes. Nada melhor do que começar o dia com boa música. Corremos durante uma hora. Por mim, eu correria mais, porém, me deu um olhar do tipo “Se você fizer isso, eu mesma te mato” e eu me senti obrigada a voltar para casa com ela. Fomos caminhando e paramos em um mercado, no meio do caminho, para comprar algumas coisinhas. Vinte minutos depois, lá estávamos nós dentro do apartamento.
- Andei pensando em fazer uma faxina aqui, o que você acha? – me perguntou depois que saiu do banho, prendendo o cabelo – Isso aqui tá uma zona, nem parece um apartamento de duas mulheres! – Às vezes, ela me lembrava muito minha mãe.
- Sou uma bulímica em tratamento, estou fraca e com fome, você não faria esse tipo de coisa comigo! – respondi, utilizando a minha arma mais poderosa, recebendo o dedo do meio de como resposta.
- Foda-se, você vai me ajudar de qualquer forma. Só estava tentando fingir que estava te pedindo. – Como se eu não soubesse disso. era o demônio quando queria.
Fingi que não ouvi e fui para o meu quarto. Tinha a idéia de dormir. Olhei para o relógio e vi que já eram onze horas e, se eu não estava enganada, era a hora que eu deveria comer. Porém, a idéia não me parecia agradável, mas de nada me adiantou. Quando eu já estava deitada, a porta do quarto se abriu e entrou com uma bandeja nas mãos.
- Você realmente achou que ia escapar? – ela disse, me olhando desdenhosamente.
- Sim – admiti, olhando com nojo para a comida. Uma sopa de verduras, com um pão e suco de laranja.
- Nada disso é engordativo, é tudo muito nutritivo e vai fazer bem para você. E eu vou ficar aqui até você comer tudo – ela falou, depois de perceber o meu olhar para o banheiro – E vou garantir que você não vai vomitar nada disso, mocinha.
- Hey... E toda aquela história do voto de confiança? Eu estou me esforçando! – respondi, indignada. Porra, eu não vomitava nada em três meses! Estava indo bem até demais.
- Eu confio em você, não confio em seus olhos, é diferente. Vai que você dá a louca? Você sabe que eu to fazendo isso pelo seu bem – ela respondeu, me olhando com pena. Caralho, eu odiava quando ela fazia aquilo. Me mate, me deixe sem meus livros de Harry Potter, mas não tenha pena de mim!
Comi tudo com a cara fechada, para deixar bem claro que não estava gostando nada daquilo. Quando terminei, saiu do meu quarto, depois de me dar uma abraço e me dizer um “eu te amo” choroso. Eu sabia que tinha sido dura com ela, mas ela também precisava entender o meu lado. Não era legal aquilo de ficar me espionando!
Peguei no sono e quando acordei já eram três da tarde. Resolvi sair, ir a alguma livraria para comprar uns livros que a faculdade estava pedindo. Tomei banho, coloquei uma calça, uma blusa dos Beatles, um casaco e um all star. Prendi meus cabelos em um rabo de cavalo e sai. não estava na sala, devia estar dormindo. Quando eu cheguei no 5º andar, me deparei com aquele deus grego de novo. E lá vai meu coração bater de maneira desenfreada.
- Opa, olá de novo! – ele me disse, dando um sorriso perfeitamente branco e alinhado. Como é que se respira mesmo?
- Hm, olá – eu respondi, dando um sorriso amarelo. Nunca fui boa em conversar com as pessoas, até hoje não sei como fiquei amiga da .
- Então... Tudo bem? – Na hora que eu ia responder de maneira educada, o elevador chegou ao térreo. Agradeci internamente. Eu, definitivamente, não sabia me socializar. Ainda mais com homens bonitos. Com homens bonitos e de sorrisos perfeitos. Sorri para ele novamente, acenei positivamente com a cabeça e sai do elevador.
- Ei! – Qual não foi a minha surpresa em olhar para trás e me deparar com aquele Apolo londrino vindo em minha direção – Então... É que eu sou novo em Londres e não conheço nada por aqui. Se não for muito incomodo, poderia passear comigo? – Wtf? Aquela mistura de Brad Pitt com Longan Lerman estava me falando isso mesmo? Eu morri, só pode.
- Ahn, claro! – respondi, dando um pequeno sorriso – Só preciso passar em uma livraria antes... Importa-se? – perguntei, torcendo para ele mudar de idéia.
- Claro que não! Aproveito e compro algum livro para mim também – ele me respondeu, dando aquele sorriso perfeito. Oi? Lindo e ainda gosta de ler? Vamos marcar a data do nosso casamento, baby.
- Ótimo! – respondi, só que agora de forma normal. Até que era fácil conversar com ele.
- Então... Qual o seu nome? – ele me perguntou, sorrindo timidamente. Foi, então, que eu percebi que também não sabia o nome dele. Cacete, ele poderia ser o tarado da machadinha!
- – falei – Sou brasileira – eu disse, respondendo ao olhar indagador dele, ao ouvir meu sobrenome – E você é...?
- Harry Styles – ele falou, sorrindo – Caramba, brasileira? Já tinham me dito que as brasileiras eram bonitas, mas eu não sabia que eram tanto! – Dessa vez, o sorriso dele só faltava rasgar as bochechas.
- Er, obrigada... Eu acho – respondi, sem jeito, olhando para o chão. Não estou acostumada a receber elogios, ainda mais vindos de um rapaz bonito, já que a maioria dos homens parece sentir medo de minha aparência depressiva. – Você usa algum tipo de droga? – eu perguntei, não aguentando mais.
- Não, eu acho – Harry disse, me olhando assustado – Por que ? – A curiosidade em sua voz era nítida.
- Você disse que eu era bonita. A não ser que eu tenha entendido errado, é claro – eu expliquei, falando como se aquilo fosse óbvio.
- Mas você é bonita! Ou você nunca se olhou no espelho? – Harry parecia sincero ao dizer aquilo. Dei de ombros, mas fiquei preparada. Depois que ele me chamou de bonita, a idéia de ele ser um maníaco da machadinha se tornou ainda mais forte para mim. Chegamos à livraria e eu fui direto ao setor jornalístico. Quando fui para o caixa pagar pelo meu livro, encontrei Harry com Harry Potter e as Relíquias da Morte nas mãos, pagando. Oi? Como assim? Ele deve ter percebido o meu olhar, porque me respondeu, antes mesmo de eu ter perguntado algo.
- Sou fã da série e esse era o único que eu ainda não tinha... E já que estava em promoção, resolvi comprar – ele me disse, de forma tímida.
- Você é lindo e ainda curte Harry Potter? Caramba, você realmente é o tarado da machadinha! – Eu e essa minha mania de não conseguir calar a boca. Puta que me pariu, mil vezes.
- Lindo? – Harry agora ria, enquanto eu procurava algum lugar para enfiar minha cabeça – Tarado da machadinha? Meu Deus, toda brasileira é louca, feito você? – ele agora gargalhava. Isso também me surpreendeu, já que os ingleses eram sempre tão polidos e nunca gargalhavam em público.
Coloquei as mãos em meu rosto numa tentativa infantil de me esconder, o que o fez rir mais ainda. Passei meu livro no caixa e o paguei, saindo com ele, que ainda ria de minha cara. É foda.
- Então, vamos na Starbucks? Tô com fome e com frio – ele me disse, me olhando com cara de cachorro sem dono. Claro que eu ia, com você eu vou até para Marte, baby.
Chegamos lá e logo uma garçonete veio nos atender. Foi se abrindo toda para Harry, que logo deu um sorriso tímido para ela. Pedi um café caramelado e ele um capuccino. Ficamos conversando amenidades para o tempo passar. Era fácil conversar com ele, quase tão fácil quanto respirar. E olha que eu não tinha o costume de falar com ninguém.
- Então, o que te trouxe a Londres? Não vai me dizer que você tinha o sonho de conhecer o Rupert Grint! – ele brincou comigo. No meio da conversa, eu falei para ele sobre a minha obsessão pelo ruivo mais lindo do mundo.
- Ganhei uma bolsa da faculdade, para vir estudar jornalismo aqui – eu disse, começando a ficar tensa. Não foi só por causa da faculdade, mas ele não precisava saber. Não ainda.
- Sério? Caramba, você deve ser inteligente mesmo! – ele disse, parecendo sinceramente impressionado. Graças aos céus, nossos pedidos chegaram na hora em que ele ia fazer mais perguntas. Olhei para meu café com certo peso na consciência. Quantas mil calorias deveriam ter só naquele copo? Senti meu estômago revirar só de pensar nas possibilidades.
- Não vai tomar? Aposto que está tudo uma delicia! – ele me disse, me olhando de forma estranha.
- Ahn, vou sim. Só estava viajando – eu disse, com uma falha tentativa de ser engraçada.
- Então – ele começou a falar depois que já havíamos terminados nossos cafés e estávamos indo para casa – Eu realmente sinto falta de casa. Sabe, lá as pessoas são mais abertas, mais legais. Aqui é todo mundo muito fechado, desconfiado de tudo.
- Sei como se sente. Lá no Brasil as pessoas são muito mais calorosas do que as daqui. Elas parecem ter medo de gente! – eu falei, rindo. Caramba, há quanto tempo eu não ria daquele jeito?
- É! Logo quando eu cheguei aqui, fui tentar me aproximar de uma senhora para pedir informação e ela quase saiu correndo! – ele falou, rindo.
- Vai ver que ela também pensou que você era o tarado da machadinha! Aliás, essa idéia ainda não me saiu da cabeça! – eu falei, me fingindo de séria, mas depois rindo.
Chegamos ao prédio e entramos no elevador. Ele apertou o botão do 5º andar e eu o do 7º. Quando chegamos ao andar dele, antes de descer, ele virou para mim com um grande sorriso.
- , obrigado. Sério, adorei o nosso dia. Mas posso te pedir algo? – ele me perguntou, enquanto segurava a porta do elevador.
- Er, claro! – Se você me quiser, estamos aqui, colega.
- Você pode me apresentar a Londres amanhã? Quero dizer, os pontos turísticos, sabe – ele falou, parecendo envergonhado – Isso é, se não for te atrapalhar!
- Claro que posso – respondi, sorrindo sincera – Amanhã é domingo e eu costumo passear por ai. Vai ser um prazer! – Dei o meu melhor sorriso, torcendo para ele parecer sensual. Provavelmente eu estava parecendo uma mulher desesperada, mas tudo bem.
- Ótimo! Às 15 horas, então?
- Claro! Por mim tudo ótimo! – ele sorriu, acenou para mim e a porta do elevador se fechou. Cheguei ao meu apartamento ainda em êxtase. Eu ia sair com o deus grego! Ele tinha me chamado de linda! Minha vida estava quase boa agora.
- ONDE VOCÊ ESTAVA, SUA IDIOTA? VOCÊ TEM NOÇÃO DO DESESPERO QUE EU FIQUEI? – Fui recepcionada pelos gritos de , que parecia querer me matar naquele momento.
- Calma, calma! Eu só sai com o nosso vizinho e... – porém, naquele momento, parou de gritar e me ameaçar. Seus olhos ganharam um brilho malicioso.
- O quê? Conte-me tudo! – ela disse, sentando no sofá e cruzando as pernas, esquecendo de sua raiva completamente. Agarrei-me àquela chance e contei tudo para ela. parecia impressionada e extremamente feliz comigo.
- Aleluia! Nunca te vi tão feliz, tão animada! – ela comentou, enquanto sorria.
- É, mas não vá se empolgando. Tenho certeza que ele só quer a minha amizade, já que é novo em Londres – eu disse, tentando conter a animação dela.
- ... Você realmente não percebe o quanto é linda, né? – ela me perguntou, me olhando de forma maternal. Revirei os olhos e a chamei de louca.
- Vou dormir. Amanhã tenho um longo dia pela frente! – eu disse, me espreguiçando e, logo depois, dando um beijo de boa noite nela – Até mais!
- Até, little. Durma bem! – ela me respondeu, ainda sorrindo, parecendo mais animada com a perspectiva de eu ter um “encontro” do que eu mesma.
Capítulo Três
Acordei na manhã seguinte às 10:30. Pessoas normais dormem até meio dia no domingo, mas o meu sono nunca chega a tanto. O que é estranho, já que na adolescência eu só faltava hibernar. Fiquei uns dez minutos enrolando na cama, sabia que quando levantasse, me obrigaria a arrumar a casa junto com ela. Mas tinha um lado bom: o tempo passaria mais rápido e logo seriam 15 horas, ou seja, eu iria ver Harry novamente. Tinha sonhando com ele durante a noite toda, sonhos estranhos em que ele aparecia chorando ao meu lado, enquanto eu vomitava. Sabia que não era bom pensar naquilo, então, levantei rápido da cama na tentativa de espantar esses pensamentos. Arrumei minha cama e entrei no banheiro para fazer minha higiene matinal. Depois de uns quinze minutos, sai já pronta para ajudar a limpar a casa.
- Bom dia, flor do dia! – me saudou, já devidamente arrumada para a faxina – Seu café está na mesa. Trate de comer tudo aquilo ou eu rasgo a sua cara no asfalto! – ela disse, dando um falso sorriso caloroso, enquanto eu mandava o dedo do meio para ela.
- Bom dia pra você também, – eu respondi, me sentando na mesa de má vontade. Pão, queijo, suco de frutas e presunto – Você quer mesmo me deixar gorda de novo, não é? – perguntei, olhando para o pão e para o queijo – Isso aqui tem mais calorias que em meu corpo todo! – falei, indignada.
- Você não está gorda, você está hiper magra e vai sim comer tudo isso. E nem pense em colocar pra fora, , ou eu realmente vou arrebentar a sua cara – falou me olhando de forma ameaçadora.
Respirei fundo, parti o pão ao meio, coloquei metade de uma fatia de presunto e meio copo de suco. Tudo bem, eu até poderia comer, mas não iria comer muito. A ideia de comer tudo aquilo, logo de manhã, revirava o meu estômago e fazia com que eu me sentisse gorda novamente.
- E a outra metade? , come! – disse me olhando, dividida entra estar preocupada e com raiva – Esse pão não tem muitas calorias, idiota, só o necessário para lhe manter em pé!
- E também o necessário pra me engordar. Não, , isso aqui já tá ótimo! – eu disse, terminando de comer a metade do pão e bebendo o suco. Me sentia cheia de comida, o que era ruim.
- Amanhã de tarde você tem médico, lembre-se disso – minha amiga falou secamente, enquanto saía da cozinha. Droga, ninguém merece! Eu ia no Dr. Billy, ele era meu nutricionista e dizia o que eu tinha que melhorar na minha alimentação. Da última vez, ele disse que eu estava emagrecendo, ao invés de engordar. Quase me mata na frente dele mesmo. Minha mãe quase me obrigou a voltar para o Brasil, foi um inferno total.
- Aposto que ele vai dizer que eu engordei, você tem me feito comer a cada três horas! – eu respondi, com a cara fechada, enquanto lavava o meu prato e a minha xícara – Sem falar que aquela minha calça já está até apertada em mim! – Meu número de roupas, quando eu vomitava direto, era 34, mas agora estava 38. Meu medo era chegar a 40.
- Ótimo! isso significa que você está ganhando alguma coisa, além de osso! – me disse, sorrindo – Agora larga de ser molenga e vem me ajudar com a faxina, que eu não vou fazer isso sozinha! – dito isso, ela jogou um pano na minha cara e eu fui ajudá-la.
- Amém! – suspirou, quando já eram 14 horas e finalmente tínhamos acabado com a faxina – Achei que isso não ia terminar nunca – ela continuou, se jogando no sofá.
- Eu que o diga, você me fez lavar todos os banheiros – eu disse com nojo. Sério, desde quando os banheiros estavam sujos daquele jeito?
- Não reclama, pelo menos tá tudo limpo agora – ela disse, com satisfação.
- Tudo limpo, menos eu! Caralho, tenho que me arrumar, vou encontrar o Harry daqui uma hora! – eu falei, lembrando que ainda iria ver o meu deus grego.
- PUTA QUE PARIU, é mesmo! Vai tomar um banho, lava esse cabelo, que eu escolho a tua roupa! – Quando eu ia retrucar, ela me olhou ameaçadoramente – Nem vem! Você não vai de calça e all star!
Nem dei a ousadia de responder e fui correndo para o meu quarto tomar um banho. Me despi rapidamente, entrei debaixo do chuveiro e deixei a água escorrer pelo meu corpo, na tentativa de conseguir relaxar um pouco. Me ensaboei, lavei meu cabelo e, dez minutos mais tarde, sai do banheiro. estava no meu quarto já com a roupa que eu iria usar em cima da cama.
- Não. Nunca! – eu disse, vendo o short jeans desfiado, a blusa de mangas bufantes e o colete de tecido preto em cima da minha cama – Vou ficar parecendo uma árvore de natal!
- Não vai, não! E eu ainda vou deixar você usar seu all star preto, porque vai ficar muito divo! Vamos, , eu nem sai do seu estilo! – ela falou, me olhando com os olhos esbugalhados.
- Eu não uso shorts! Minhas pernas são gordas, fico horrível! – eu falei, olhando para ela com raiva.
- Gordas? Suas pernas são lindas! São grossas! , por favor, só dessa vez, vai! – ela me implorou, me olhando com o olhar do gato de botas.
- Filha da puta! – eu disse, me rendendo e jogando a toalha no chão – Só dessa vez! Até porque, acho que não vai ter próxima vez mesmo.
- OBA! Você vai ficar uma diva! Mais ainda! – era a cara da empolgação, não sei como eu a aguentava às vezes. O ruim de ter amiga estudante de moda era esse: ela sempre tentava me fazer de boneca.
Depois que me vesti, percebi que ficou até legal a roupa em mim. Tirando, claro, a parte que minhas pernas eram enormes de gorda. Ridículas.
- Você tá linda! – falou, batendo palminhas, como se fosse uma criança mentalmente atrasada – Ele vai adorar, você vai ver!
- Portanto que ele não me largue em qualquer lugar depois que enjoar de minha companhia, ótimo – eu disse, enquanto sentia meu estômago revirar de nervoso – Essa blusa não me deixou gorda? – perguntei, me olhando de perfil no espelho.
- Você tá linda, . E gorda, é aquela vaca velha da nossa vizinha! – ela me respondeu, quase me batendo.
- Ok, ok! – eu ri. A nossa vizinha era realmente gorda, mas isso não vinha ao caso – Acho que já tá legal! – eu falei, me olhando melhor no espelho.
- Pera, pera, ainda vamos fazer sua maquiagem! – disse, quase tendo um orgasmo de tanta empolgação. Epa, maquiagem? Eu não devia ter confiado tanto nela.
Quando já era umas 14:50, parou de me fazer de boneca e deixou que eu me olhasse direito no espelho. Ok, eu estava realmente bonita. A roupa tinha ficado legal e meu cabelo estava com leves cachos, graças ao babyliss que tinha dado nele. Minha maquiagem estava leve, somente com o lápis de olho forte, para destacar a cor dos meus olhos mais ainda.
- Lá vou eu! – eu disse, pegando minha bolsa e indo em direção à porta – Deseje-me sorte!
- Toda sorte do mundo, little – me falou, me dando um beijo na bochecha – Agarra aquele bofe de jeito!
- ! – eu a repreendi, mas não aguentei e ri. Sai do apartamento e entrei no elevador, apertando o botão do 5º andar. Meu estômago continuava revirando, mas, às vezes, dava uns pulinhos também. Eu não costumava sair com ninguém.
Quando o elevador chegou, sai e apertei a campainha do apartamento de Harry. Foi, então, que pra minha surpresa, um garoto usando óculos de grau enorme e camisas xadrez abriu a porta para mim.
- Er, esse é o apartamento de Harry? – eu perguntei encabulada.
- É sim! – o garoto disse, sorrindo timidamente – Ele já está vindo, entre! – ele me convidou e eu entrei no apartamento, ainda meio receosa – Meu nome é Louis, você deve ser a amiga de Harry, sim? – ele perguntou, enquanto eu me sentava no sofá.
- Sim, sou – eu respondi sorrindo – Meu nome é , prazer – disse, estendendo a mão para ele.
Nesse momento, Harry entrou na sala. Lindo. Puta que pariu, mil vezes lindo. Usando uma blusa de gola em V branca, calças skinny preta, um casaco de moletom da Gap e all star preto. Puta que pariu, eu ainda caso com ele. De repente, me senti a garota mais feia do mundo perto dele.
- , oi! Desculpa pela demora, é que eu não sabia onde tinha colocado meu celular! – ele falou, parecendo envergonhado. Meu bem, espero o tempo que você quiser, acredite.
- Tudo ok, estava conversando com Louis enquanto lhe esperava – eu respondi sorrindo e Louis acenou positivamente para mim – Vamos?
- Claro! A propósito... Você está linda – Harry falou e eu senti todo o meu corpo esquentar e o ar dos meus pulmões sair.
- Ahn, obrigada – eu respondi, completamente vermelha – Você também está lindo – Isso, , tenta ser uma pessoa normal uma vez na vida.
Acenei para Louis e sai do apartamento junto com Harry. Entramos no elevador e, em pouco tempo, respirávamos o ar da rua.
- Então, para onde vamos? - Harry me perguntou, logo que chegamos à rua.
- Você conhece a London Eye? – perguntei e ele disse que não – Ótimo, você vai conhecer hoje!
- Oba! – ele disse com um sorriso enorme – Pareço um caipira, né? – ele comentou, rindo.
- Não, relaxe! Quando cheguei aqui, também fiquei desse jeito! – eu respondi, rindo.
Fomos em um daqueles ônibus de dois andares. Harry parecia uma criança, tirava foto de tudo com a sua câmera, inclusive minhas. Falava com todo mundo que estava por perto e me encheu de perguntas, uma mais engraçada que a outra.
- Hey, não se esqueça que eu sou brasileira, o inglês aqui é você! – eu disse, quando ele me perguntou um pouco mais sobre a história da Inglaterra.
- Nossa, é mesmo! Eu esqueci que você é brasileira, porque você conhece Londres mais do que eu! – ele disse, rindo.
Quando chegamos na London Eye, os olhos dele brilharam. Eu realmente achei que ele fosse chorar, juro. Sai o puxando pela mão em direção a uma cabine e entramos junto com mais vinte pessoas.
- Até que hoje não está tão cheio. Espero que você não tenha medo de altura! – eu falei, sorrindo.
- Não tenho não. Até porque, estou com você do meu lado. Nada de ruim pode me acontecer – ele falou, sorrindo para mim e me olhando nos olhos. Fiquei totalmente vermelha, omg!
Quando a London Eye ganhou vida e começou a rodar, Harry chegou por trás de mim e me abraçou forte. Senti meu corpo todo se arrepiar e o dele também. Não parecia que tinha mais vinte pessoas conosco naquela cabine. De repente, parece que todas elas sumiram e só ficamos nós dois, absorvendo todo aquele momento mágico.
- Seus olhos ficam ainda mais lindos com a luz batendo – Harry falou, enquanto apoiava a cabeça em meu ombro, ainda abraçado comigo – Aliás, você fica ainda mais linda.
- Os seus também. Ficam em um tom lindo de verde. Ilumina tudo aqui – eu respondi, sorrindo para ele. Isso nunca tinha acontecido comigo. E, mesmo que eu só o conhecesse há dois dias, para mim já era como nos conhecêssemos há anos.
Ficamos o tempo todo abraçados, sentindo a respiração um do outro. Quando a roda gigante parou, nós saímos de mãos dadas.
- E, então, para onde agora? – ele me perguntou, olhando para mim e sorrindo de leve.
- Hm... Que tal para o Big Ben? Você pode tirar algumas fotos lá, já que não tirou nenhuma na London Eye – eu disse ainda envergonhada.
- Ok, você quem manda! – ele respondeu rindo e apertou mais ainda a minha mão – Vou para onde você quiser – Harry falou, me olhando nos olhos. Juro, poderia passar a vida toda ali, que para mim tudo estaria perfeito!
Fomos para o Big Ben e Harry tirou várias fotos lá. Uma hora, ele virou para algum outro turista e pediu para que tirasse uma foto nossa, abraçados, em frente ao Big Ben. Sorrimos um para o outro e o homem tirou a foto. Ficou linda! Depois de uma hora apreciando a vista e tirando muitas fotos, Harry pediu para irmos à Starbucks, já que estava com fome. E eu também, por incrível que pareça. Conversamos bobagens pelo caminho e rimos muito. Era extremamente fácil e gostoso conversar com ele, parecia que o tempo não passava.
- Um cappuccino e um café caramelado, por favor – ele pediu para a garçonete – Ou você prefere outra coisa? – ele me perguntou, parecendo encabulado.
- Não, por mim está ótimo. Café caramelado é o meu predileto – respondi, sorrindo.
- Sabe – ele começou, depois que nossos pedidos chegaram – Eu nunca imaginei que Londres me faria tão bem. Eu sabia que seria bom mudar de cidade, mas nunca pensei que iria conhecer alguém assim... Como você – ele falou, olhando para mim timidamente.
- Sei como é. Quando eu sai do Brasil, só tinha como idéia mudar a minha vida, melhorar... Mas não estava nos meus planos conhecer alguém como você – eu disse, sorrindo. Àquela altura do dia, eu já não tinha vergonha de falar com Harry. Eu sabia que podia confiar nele de alguma forma.
- Mudar de vida? Por quê? – ele me perguntou, parecendo verdadeiramente interessado. Eu gelei na hora, mas sabia que ia acabar contando para ele.
- Eu sou uma... Bulímica em tratamento, vamos dizer assim. Tenho bulimia desde os treze anos de idade e, então, ganhei uma bolsa para vir terminar minha faculdade de jornalismo em Londres. Ai, achei que seria bom para conseguir ser um pouco mais feliz – eu falei, olhando para meu copo. Harry colocou a mão em meu queixo e levantou o meu rosto, me fazendo olhar para ele.
- Minha irmã já teve bulimia. E eu quero que saiba que vou estar do seu lado, a qualquer instante, a partir de agora. Sei que não deve ser fácil para você, mas pode contar comigo para o que precisar – ele falou sincero e eu sorri, sentindo meus olhos encherem de lágrimas. Droga, eu não queria chorar agora!
- Obrigada – eu disse, com a voz falha, enquanto tentava inutilmente limpar as lágrimas que agora caiam sem parar. Foi, então, que ele passou a mão em meu rosto e o enxugou.
- Hey, não quero te ver chorando, certo? Você é linda! – ele começou, sorrindo – E eu juro que vou fazer o que for preciso pra te ver bem. Você ainda vai achar que eu sou o maníaco do parque, se eu disser que tenho um carinho fora do normal por você? – ele me perguntou, rindo.
- Hm, não. Até porque eu também tenho um carinho fora do normal por você – eu respondi, agora sorrindo. Minhas lágrimas haviam parado de cair, graças a Deus. Fico horrível chorando.
- Ótimo. Sabia que Londres iria mudar a minha vida... Mas não sabia que seria tão rápido – ele me disse isso, enquanto ia se aproximando devagarzinho de mim – E quer saber? Eu estou amando tudo isso! – Foi, então, que ele selou nossos lábios com um beijo. No começo foi tímido, como se quiséssemos explorar o máximo possível. Mas depois foi ficando mais forte, mais gostoso. E meu estômago agora, definitivamente, estava apostando corrida com o meu coração.
Capítulo Quatro
Duas horas mais tarde e eu já estava no meu apartamento, sentada no meu sofá, enquanto esperava ansiosamente por . Aquele dia parecia ter sido um sonho, uma invenção da minha mente; simplesmente não podia ser real.
Depois que saímos da Starbucks, fomos andar por Londres, conhecer outros lugares, rindo durante todo o percurso. Harry era incrível, era engraçado, tinha um sorriso lindo e fazia com que eu me sentisse viva. Sorri, lembrando de quando ele veio me deixar na porta do apartamento.
Flashback on - Então... Está entregue – Harry disse, com um sorriso de canto – Sei que moramos muito longe um do outro e tudo mais... Mas, mesmo assim, gostaria de te ver de novo – ele falou, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
- Não sei... Moramos muito distantes um do outro, talvez isso possa dificultar as coisas – eu respondi, rindo – Por mim tudo bem. Adoraria ver você de novo – falei, ficando levemente vermelha.
- Ótimo – Harry respondeu, sorrindo – Te ligo amanhã para combinarmos. Dorme bem, meu anjo – ele falou, me dando um longo beijo. Senti que meu estômago estava tomado por enormes e furiosas borboletas.
Flashback off
Ouvi a porta do apartamento abrindo e os passos de no corredor.
- ? Já chegou? – ela perguntou.
- Sim, to aqui! – respondi, levantando do sofá – Como foi seu dia? – perguntei com um sorriso angelical nos lábios.
- AAH, sua cínica! Conte-me tudo! – ela disse, jogando as compras em cima da mesa e vindo em minha direção – Quero detalhes, detalhes! – pra variar, estava mais animada que eu.
- Foi bonzinho até... – eu disse, tentando fazer mistério – FOI PERFEITO, CARALHO! – eu gritei, não aguentando. Há tempos eu não sabia o que é estar tão empolgada com algo.
- PORRA, ME CONTA LOGO! VOCÊ O PEGOU? – , sempre animadinha e curiosa – CLARO QUE PEGOU, OLHA PRA SUA CARA! HAHA.
- Shiu, ! E sim, eu FIQUEI com ele! – eu disse, jogando uma almofada na cara dela – E FOI LINDO! – não aguentei a empolgação e comecei a contar todos os detalhes pra ela. Passamos a noite toda conversando e falando bobagens, até que senti meu celular tremer. Era uma mensagem do Harry.
“Eu e Louis estamos com fome e resolvemos pedir uma pizza. Quer vir? Pode trazer , se quiser. Xx Harry”
Sorri e mostrei a sms pra , que respondeu automaticamente que sim, ao ouvir o nome ‘Louis’. Minha amiga não perdia nunca a oportunidade de conhecer caras novos.
“Claro! Qualquer coisa para fugir da comida de . Ela vai comigo. Chego ai em vinte minutos. Xx ”
Mandei a sms e fui tomar um banho rápido e trocar de roupa, enquanto fazia o mesmo. Coloquei uma calça jeans skynny e uma blusa com o símbolo das Relíquias da Morte e calcei uma sapatilha qualquer. Vinte minutos depois, estávamos eu e na frente do apartamento de Harry, esperando alguém vir abrir a porta para nós.
- Oi! – Louis nos saudou com um sorriso lindo. Poxa, é impressão minha ou todos os habitantes daquela casa tinham a arcada dentária perfeita?
- Oi, Louis! – eu disse, sorrindo para ele – Essa é , minha melhor amiga e companheira de apê! – eu apresentei. Então, eu percebi que tinha ficado estranhamente quieta e que o sorriso de Louis tinha diminuído ao ver – Er, vocês já se conhecem? – perguntei, querendo saber o que rolava ali.
- Er, já nos vimos na universidade – me respondeu, estranhamente corada.
- Ahn, é – Louis apenas disse, abrindo espaço para que pudéssemos entrar no apartamento. Estranhei aquilo, principalmente o fato de que estava desconfortável ali, o que não era normal. Na maioria das vezes, ela era sempre descontraída e falante.
- Oi! – Harry apareceu, saindo da cozinha – Estava ligando pra pizzaria, pedi duas pizzas grandes de calabresa e quatro queijos! – ele disse, sorrindo e me abraçando – Oi, !
- Fala, Harry! – respondeu, parecendo voltar um pouco a normalidade.
- Então, já apresentou os dois? – Harry me perguntou, enquanto sentava no sofá e me puxava para seu colo.
- Sim, mas parece que eles dois já se conheciam antes! – respondi, dando um olhar ameaçador para , que apenas encolheu os ombros. Percebi que Harry e Louis trocaram olhares cheios de significados, mas preferi deixar essa passar. Quando estivesse sozinha com , tiraria aquela história a limpo.
Ficamos conversando amenidades, enquanto as pizzas não chegavam, e rindo muito com as palhaçadas de Louis. Ele era extremamente engraçado e fazia a todos rirem, inclusive , que já estava mais confortável. A campainha tocou, anunciando a chegada das pizzas.
- AMÉM! – Harry disse, lambendo os lábios e batendo na barriga – Mais um pouco e eu morria de fome aqui!
Apenas ri e sentei na mesa, sendo acompanhada por Louis e , que agora conversavam normalmente. Apesar de estar com fome, não sentia vontade alguma de comer. Mesmo sabendo que aquilo era errado, me peguei calculando quantas calorias existiam naqueles pedaços de pizza. percebeu a minha expressão e chegou perto de mim.
- Se você quiser, coma um pouco. Não coma muito, se sabe que vai se sentir mal depois – ela falou me dando um aperto caloroso no ombro. Sorri e agradecia a preocupação dela.
Começamos a comer e eu coloquei um pedaço de pizza pequeno em meu prato, enquanto comia devagar, na tentativa de enganar meu cérebro. Uma dica: coma lentamente e mastigue o máximo que puder.
- Só isso? – Louis perguntou com a boca cheia, percebendo a quantidade mínima de pizza no meu prato.
- Não gosto muito de comer – eu respondi, sorrindo – E você deveria mastigar antes de falar, mocinho! – falei, rindo.
- Ah, você também não! Harry vive falando isso pra mim! – Lou disse com cara de cachorro sem dono – E olha que eu sou o mais velho aqui!
- Você só é dois anos mais velho, Louis – Harry disse, revirando os olhos – Fala como se tivesse trinta anos, e nós, quinze! – completou, rindo.
- Não importa, continuo sendo o mais velho! – Louis falou, fazendo uma pose engraçada e arrancando mais risadas nossas.
- Então, quer dizer que é a caçula? – falou, apertando a minha bochecha – Depois reclama quando eu digo que é minha bebezinha! – disse, terminando de me zoar. Onde é que aperta pra matar a melhor amiga mesmo, hein?
- A caçula e a menor! é uma anã! – Louis disse, e eu dei língua para ele – Mantenha essa sua língua dentro da sua boca ou da boca do Harry, mocinha! – falou com a voz grossa, imitando um velho mandão.
Fiquei completamente vermelha e Harry também, mas mesmo assim rimos. Depois de devidamente alimentados, Louis disse que ia dormir e foi pra nosso apartamento, alegando estar com sono. Ficamos eu e Harry sozinhos na sala, falando bobagens, abraçados no sofá.
- Ah, quem foi que disse que só ia me ver amanhã, hein? – eu disse, o provocando, depois dele falar que eu não conseguia mais viver sem a presença dele.
- Hey, a culpa foi de Louis que disse que era melhor chamar você para vir! – Harry disse, enquanto ria – Mas devo admitir, gostei muito da ideia dele.
- Idéia dele, né? Sei... – falei, enquanto grudava meus lábios aos dele. O beijo começou suave, mas logo depois a coisa começou a esquentar. As mãos de Harry começaram a descer para minha cintura, enquanto eu puxava de leve seus cabelos cacheados. Muito macios por sinal, diga-se de passagem. Enquanto uma mão acariciava a minha cintura, a outra apertava com leveza a minha coxa e ele agora beijava lentamente meu colo. Coloquei minhas pernas ao redor da cintura dele, o puxando para mais perto e senti um leve volume vindo dali. Era impressão minha ou o Styles Jr. Estava dando sinais de vida?
- Opa... – Harry falou depois de perceber o estado que se encontrava e dando uma risadinha safada na minha orelha, o que me deixou completamente arrepiada.
- Opa... – eu repeti, rindo – Acho melhor eu ir embora – falei, sorrindo para ele e tirando minhas pernas ao redor de sua cintura – Tá ficando tarde e minha casa fica muito longe daqui – brinquei, enquanto levantava do sofá.
- Nããão... – Harry reclamou, tentando me puxar para o sofá novamente – Dorme aqui essa noite? – ele perguntou, me olhando com aqueles olhos lindos e com um olhar de cachorro se dono.
- Nop, sinto muito – eu respondi, dando um selinho nele – Não quero apressar as coisas, Harry... Você me entende? – perguntei, olhando para baixo, levemente corada.
- Claro, claro! – ele respondeu na hora, se levantando e me abraçando – E não quero que se sinta pressionada em relação a isso, de forma alguma! Se alguma coisa acontecer, vai ser de acordo com o seu tempo, pode ter certeza! – ele falou me dando um beijo carinhoso.
- Obrigada por me entender... – respondi sorrindo e ficando na ponta dos pés para beijá-lo – Enfim, vou indo. Dorme bem. – eu disse. Dei um abraço nele e saí de seu apartamento.
Cheguei no meu e fui direto para meu quarto. já estava no 14º sono e, provavelmente, nem me ouviu chegando. Tinha que me lembrar de perguntar para ela o que tinha rolado entre ela e Louis, para eles estarem tão estranho um com o outro.
Troquei de roupa e me joguei na cama, ouvindo em seguida meu celular vibrar. Era uma sms de Harry.
“Hey, quero pedir desculpas por agora, de novo. Sei que fui muito apressado. Saiba que você está sendo extremamente especial para mim e que nunca me senti assim com nenhuma garota. Quero que tudo com você seja especial, único. Dorme bem, minha pequena. Xx Harry”
Me joguei de novo na cama, só que dessa vez com um sorriso enorme nos lábios. E foi com esse mesmo sorriso bobo que eu adormeci. Adormeci e sonhei com Harry e com seus beijos. Pela primeira vez, em muito tempo, tive um sono tranquilo, feliz. Harry estava mudando a minha vida, mesmo sem perceber.
Capítulo Cinco
Já eram nove horas quando acordei. Olhei ao redor do meu quarto, tentando me acostumar com a luz que agora entrava pela janela. Sentei na cama e, como um estalo, me lembrei que hoje teria aula às dez. Me levantei correndo e me tranquei no banheiro. Meia hora depois, sai do quarto já devidamente arrumada e exageradamente atrasada. estava na mesma situação que eu, desesperada na cozinha, tentando fazer alguma coisa comestível para nós duas.
- Nem sonhe em sair de casa sem comer, você pode até se atrasar, mas vai se alimentar! – ela falou, assim que coloquei minha cabeça na cozinha – Então, pode colocar essa bunda magra na cadeira!
Nem me dei o trabalho de responder, já sabia que ia ser inútil tentar discutir com que, às vezes, era pior que minha mãe. Dez minutos depois, estávamos dentro de um táxi. só saiu depois de garantir que eu comesse, pelo menos, um pão com queijo.
- Nos vemos mais tarde, então? – ela perguntou, já em frente ao prédio em que teria aula.
- Yeah. Quando terminar, me liga! – eu disse, andando apressada na direção oposta.
Cheguei dez minutos atrasada, mas cheguei. O resto do dia foi um tédio, aulas chatas, professores chatos, tudo muito chato. Quando deu 13 horas, me ligou.
- Tô na Starbucks do centro, junto com o Louis, Harry e uns amigos deles, vem pra cá! – ela falou e eu ouvi risadas. Sorri. Então, hoje eu veria Harry de novo. Sai apressada da faculdade e fui para a Starbucks. Chegando lá, vi e Louis rindo, e Harry conversando com mais três rapazes.
- ! – Louis me gritou, parecendo mais animado que o normal – Ainda bem que você chegou, o Hazza aqui já estava me enchendo o saco! – ele disse, me fazendo rir e deixando Harry completamente corado.
- Então, essa é a famosa ? – um menino loiro, de olhos azuis e meio baixinho, disse – Prazer, Niall! – ele falou, sorrindo.
- Depende... Falaram bem ou mal de mim? – perguntei rindo, dando dois beijinhos na bochecha dele – , prazer! – falei, piscando um olho.
- Bom, se formos levar em conta o que o Harry disse, você é a pessoa mais “incrível, engraçada, sexy e inteligente que eu já conheci” – o garoto que estava ao lado de Niall falou, fazendo com que todos ali rissem – Falando nisso, sou Liam! – ele disse, piscando um olho para mim.
- Liam, não pisque desse jeito para ela, é do nosso Hazzinha! – o garoto que estava do lado de Louis falou – Zayn, prazer!
- O prazer é meu! – eu falei, sorrindo para eles – E Harry, não precisa ficar vermelho. Eu sei que sou linda, sexy e inteligente! – eu disse brincando e fazendo com que Harry risse.
- Eu bem sei disso! – ele falou, me puxando para a cadeira que estava do seu lado.
- E, então, vocês duas são do Brasil, certo? – Niall perguntou, tomando um gole do seu frapuccino – Sou irlandês, sei bem como é ser estrangeiro por aqui – ele completou, sorrindo.
- Uau, sempre quis conhecer a Irlanda! – disse animada – As fotos que eu vi de lá são perfeitas! Eu e ficamos em dúvida entre fazer intercâmbio em Londres ou Irlanda, mas acabamos escolhendo Londres – ela completou com os olhos brilhando. Na realidade, ela ficou em dúvida entre Londres e Irlanda, já que eu sempre sonhei em morar aqui.
- Bom, lá é realmente fantástico, mas aqui é mais fácil de se fazer amizades! – Niall disse – E que bom que vocês escolheram vir para cá! – ele falou rindo.
- Verdade, não consigo me imaginar morando em outro lugar que não seja Londres. O clima daqui é agradável, as pessoas são legais – eu disse sorrindo.
- E, graças a isso, nos conhecemos – Harry sussurrou em meu ouvido, me fazendo sorrir ainda mais. Ele conseguia ficar mais perfeito a cada minuto e eu me sentia a garota mais querida do mundo perto dele. Me aproximei de leve dele, enquanto os garotos e conversavam amenidades, e depositei um selinho leve em seus lábios, que acabou virando um beijo, graças a Harry.
- Hey, casal, tem crianças aqui! – Liam disse, jogando o canudinho de chocolate em nossa direção.
- Zayn, namoral, agarra o Liam e faz ele deixar a gente namorar em paz! – Harry reclamou, mandando língua para Zayn.
- Harry querido, me desculpe, mas hoje eu sou somente do Niall! – Zayn falou com a voz afetada, passando a mão na coxa de Niall, que olhou imediatamente para Louis com cara apaixonada.
- Zayn, me desculpe, mas descobri que o amor da minha vida é Louis. Sinto muito, mas nosso caso termina aqui! – Niall disse, fazendo com que eu começasse a gargalhar. O problema da minha gargalhada é que ela é levemente escandalosa, ou seja, em poucos segundos, todos riam da minha risada.
- Caralho, que porra foi essa? – Louis falou, chorando de rir comigo – , você precisa rir assim mais vezes!
- Ela me mata de vergonha quando se solta assim – falou – Mas, foda mesmo, foi quando ela começou a gargalhar na nossa festa de formatura lá no Brasil. Todo mundo parou pra rir da risada da ! – ela falou, agora gargalhando.
Àquela altura, já chamávamos a atenção de todos na Starbucks, que diga-se de passagem, estava bem cheinha. Nosso grupo fazia escândalos lá, a começar por mim e minha gargalhada e os gritinhos afetados dos meninos.
- Vocês me constrangem! – Harry falou, escondendo a cabeça em meus ombros – Sério, só saio com vocês por falta de opção!
- A gente sabe que você é apaixonado por nós, Hazza! – Liam disse, puxando as bochechas de Harry, que imediatamente ficaram vermelhas – Meu moranguinho!
- Moranguinho? – gargalhou, derramando todo o capuccino que bebia no chão – Caralho, vou morrer!
- Morre, mas não cospe, ! – eu disse, voltando a gargalhar e chamando toda a atenção do lugar para mim – Puta que pariu, vocês são retardados!
- Opa, retardados não! Somos felizes! – Louis falou, levantando os braços de uma maneira engraçada, arrancando mais risos de todos – Acho que já passamos vergonha demais por hoje. Vambora? – ele perguntou
- Oh yeaah! – falamos, e fomos pagar a conta.
Resolvemos ir lá pra casa, eu e tínhamos comprado duas garrafas de vinho e os meninos passariam o resto do dia por lá. Há muito tempo que eu não sabia o que era me sentir feliz, viva, animada. Talvez minha mãe tivesse razão e morar em Londres fosse realmente bom para mim. Sorri, pela milésima vez naquele dia, e continuei andando, abraçada com Harry e , rindo com meus novos amigos. A vida estava começando a ser boazinha comigo.
Capítulo Seis
Chegamos ao nosso apartamento e os meninos foram logo se jogando no sofá. O problema é que os cinco tentaram sentar ao mesmo tempo, o que gerou certo probleminha. Harry ficou espremido no meio, Niall sentou em cima da perna de Zayn, que por sua vez sentou em cima da mão de Liam, que estava em cima de Louis. Eu e não conseguíamos parar de rir com aqueles meninos, eles eram realmente retardados.
- Liam, por mais tesão que eu sinta por você, acho que agora não é a hora de você me provocar! – Louis falou, com a voz abafada, por estar embaixo de Liam – SAI DE CIMA DE MIM, QUE TU TÁ GORDO PRA CARAMBA! – ele gritou, fazendo todos rirem.
- Gordo não, eu to excessivamente gostoso! – Liam respondeu, dando língua para Louis e se jogando no chão – Bem melhor aqui, muito pênis junto me dá nojo – ele falou, fazendo cara de nojinho.
- Hey, tem damas aqui! – disse, fingindo estar constrangida – Esse nome com ‘p’ é muito feio de se falar na frente de damas! – ela completou.
- OMG, desculpe, ! – Liam falou, rindo – Ok, a partir de agora, só chamo esse nome que começa com ‘p’ de Jr., ok?
- JÚNIOR? – eu falei, rindo igual uma idiota – Qual o problema de vocês, afinal?
- Meu caso é falta de sexo, não sei o deles! – Niall disse rindo.
- Oh, Nini, como é que você pode falar isso? E a noite quente que tivemos ontem? – Zayn falou, colocando a mão sobre a coxa de Niall e dando uma piscadinha safada para ele.
- Zayn, já disse para você não sair contando nossas intimidades por ai! – Niall respondeu, fingindo estar bravo – E a noite foi literalmente quente, o ventilador quebrou de madrugada – ele resmungou, arrancando risos.
- Se precisar, pode vir dormir aqui! – eu disse brincando, recebendo um olhar feio de Harry – Ou não, não sei – completei, fazendo cara de dúvida.
- Acho melhor não, hunf – Harry falou, levantando do sofá e sentando ao meu lado – Só eu posso dormir com você – ele falou baixo em meu ouvido, numa falha tentativa de não ser ouvido.
- OH, QUE BONITINHO, NOSSO MENININHO TÁ CRESCENDO, GENTE! – Louis falou, levantando do sofá e apertando as bochechas do Harry.
- Vai se lenhar, Louis! – Hazza respondeu vermelho, mas ainda assim, rindo. Percebi que ele não era muito de falar palavrão e fiz uma anotação mental de não xingar na frente dele.
- Só se você for comigo, delícia! – Louis era mesmo um palhaço, conseguia fazer todo mundo rir sem muito esforço – Hey, vamos assistir algum filme? O que vocês têm ai? – ele falou, voltando para o sofá que agora estava só com ele, Niall e Zayn.
- Ótima ideia! – disse animada – Acho que tenho uns de terror no PC, ‘pera! – ela falou, se levantando e indo em direção ao quarto dela.
- Terror não, por favor... – eu falei com a voz manhosa – Sempre passo vergonha assistindo isso! – reclamei, fazendo bico.
- Oh, meu amor, qualquer coisa é só você me ligar e eu venho correndo pra cá – Harry disse, me dando um selinho – Sem falar que vou assistir junto com você, juro que te protejo! – ele completou rindo.
- Isso, tira onda com minha cara – reclamei – Pois saiba que qualquer coisa, vou aparecer na sua casa de pijama! – falei rindo.
- Voltei! – disse, aparecendo do nada – Tem “A Órfã” aqui, vamos assistir? – ela perguntou animada.
Colocamos uns colchões no chão, o filme para rodar e nos sentamos na seguinte ordem: Harry e eu abraçados, Liam e Zayn deitados no sofá, Louis deitado com deitada em sua barriga que, por sua vez, tinha Niall deitado em seu colo.
O filme mal tinha começado e eu já estava de olhos fechados, tinha verdadeiro pânico de filmes de terror. Toda hora eu levava um susto diferente, o que arrancava risos de todos. já estava com a cara escondida no pescoço de Louis, que parecia gostar daquela situação. Niall estava abraçado à perna dela, em um ângulo estranho, mas bastante engraçado.
- AAAAAAAH! – eu gritei, levando um susto enorme. Tinha me arriscado a olhar o filme e, definitivamente, não tinha gostado do que tinha visto – Puta que pariu! – gritei alto, em português, o que fez os meninos me olharem estranho – I’m sorry – disse, sorrindo amarelo.
Harry me abraçou forte e não me deixou ver mais nada, parecia estar se divertindo com meu medo. Coloquei minha cabeça em seu pescoço e senti seu perfume forte, marcante; suspirei. Ali estava um homem perfeito e eu tinha que reconhecer que meus sentimentos por ele ficavam mais fortes, mesmo que só fizesse uma semana que nos conhecêssemos.
- Tá tudo bem? – ele sussurrou, olhando pra mim.
- Tudo sim, pode assistir ao filme despreocupado – respondi, dando um beijinho em seu pescoço.
- Fica difícil com você me provocando – ele falou sorrindo e me deixando vermelha – Amo quando você fica vermelhinha desse jeito – completou, me dando um beijo.
- Hey, casal, arranjem um quarto! – Niall falou e, para minha surpresa, Harry levantou, me puxando junto com ele. Fomos para meu quarto, em meio às brincadeiras dos meninos e que não deixariam isso passar em branco nunca.
Entramos em meu quarto e Harry se jogou em minha cama, me puxando junto com ele. Virei para ficar de frente a ele e me perdi em seus olhos verdes, pareciam que eram olhos de anjos.
- Sabe... – ele começou – Quando eu saí de Holmes Chapel, não imaginava que as coisas iriam mudar de forma tão rápida para mim – ele falou, me olhando nos olhos, me fazendo suspirar.
- Te entendo... Quando saí do Brasil, para mim, as coisas não mudariam muito. Eu realmente não tinha muitas esperanças de encontrar a felicidade de forma tão rápida – respondi, fechando os olhos e sentindo a respiração dele.
- , e aquele seu problema com ... Você sabe, bulimia. Você ainda tem recaídas? – ele perguntou, me fazendo abrir os olhos. Vi a preocupação estancada em sua face e me senti culpada por isso.
- Harry, é difícil – comecei – Ainda estou em fase de recuperação. Não é tão fácil assim, até porque, desde muito cedo tenho isso – eu disse, sentindo as lágrimas começarem a invadir meus olhos – Mas eu estou tentando com todas as minhas forças superar isso e já estou há dois meses sem vomitar – continuei, dando um leve sorriso.
- Fico feliz em ouvir isso. Sei que não é fácil, como eu te disse, a minha irmã, a Gemma, já teve bulimia. Sei como é passar por isso. E quero que você saiba que eu estou do seu lado a todo e qualquer momento. Quero te ver bem, feliz... – ele falou, fazendo carinho em minha bochecha.
- É muito bom saber disso. Sabe, já estou contando com você e sua amizade mais do que você imagina – eu falei, abraçando ele e jogando minha perna para cima da sua.
- Só com minha amizade? – ele perguntou, fingindo estar indignado – Pode contar com meu amor também – Harry falou me dando um beijo.
Travei na hora em que ele disse isso, mas depois me acalmei. Nosso beijo começou calmo, romântico, mas depois as coisas foram esquentando. Quando dei por mim, já estava em cima de Harry, sem blusa e tentava tirar a sua camisa. Minha blusa tinha ido parar no canto do quarto em algum momento que eu não lembro. Continuei beijando Harry, não desgrudávamos nossas bocas por nada nesse mundo. Quando já estava com as mãos em sua calça, tentando tirá-la, alguém bate na porta. Caralho, tanta hora para esse povo atrapalhar...
- Shit! – Harry reclamou, enquanto eu me saia de cima dele e catava a minha blusa.
- O que foi? – perguntei, para quem quer que fosse, depois de colocar minha blusa.
A porta abriu e a cabeça loira de Niall apareceu. Ele tinha um sorriso pervertido no rosto e estava tentando não rir.
- Ahn, é que nós já vamos indo, está tarde e amanhã trabalhamos – Niall disse – A propósito, Harry, você tem uma mancha horrível no pescoço – ele falou rindo. Olhei para Harry e tive de prender o riso também; uma mancha vermelha tomava conta de seu pescoço totalmente branco.
- Selvagem você, hein, ? – Niall brincou e eu joguei um dos meus ursinhos de pelúcia nele.
- Hey! – reclamou.
- Hunf, já vou me despedir de vocês – eu disse, dando língua para ele – Só... Deixe-me acalmar o Harry – completei rindo.
- Eles adoram me atrapalhar nas melhores horas – Harry resmungou, me puxando para mais perto dele – Sério que a gente tem que ir? – ele falou, me olhando pidão.
- Sim, eles são seus amigos, quer dizer, nossos, e eu quero me despedir deles! – respondi, dando um selinho nele e saindo do quarto. Chegando à sala, todos estavam conversando, e Niall parece que não perdeu tempo e já contou para todo mundo a situação em que nos encontrou.
- Nossa, Hazza, que treco horrível é esse no seu pescoço? – Liam provocou.
- Brasileiras são selvagens ao extremo, omg! – Zayn disse, arrancando risadas.
- Morram, vocês dois – Harry simplesmente respondeu, mandando o dedo do meio para eles.
- Outch, menino mal! – Louis falou rindo – Enfim, vamos? Amanhã o dia é longo e eu estou morrendo de sono! – Louis disse, dando um longo bocejo.
- Podemos dormir ai? Está tarde e eu to com preguiça de ir para casa – Liam pediu, se espreguiçando.
- Claro, vocês dormem na sala, é só pegar alguns colchões – Louis respondeu.
- Obrigado, Boo Bear! – Niall agradeceu, dando um abraço em Louis.
- Me chame assim de novo e eu te arrebento – Boo Bear, ou melhor, Louis, ameaçou.
Depois disso, os meninos foram para casa e eu fui para meu quarto dormir. Dei boa noite à e deixei para arrumar a bagunça toda que eles fizeram no dia seguinte. Quando já estava pegando no sono, senti meu celular vibrar. Para minha total surpresa, era uma mensagem de meu ex-namorado, por quem eu fui apaixonada antes de conhecer Harry.
“Estou em Londres e louco para te ver! Saudades enormes de você, baixinha. Ainda te amo, e muito! Beijo, Pedro”
Me arrepiei na hora. Tinha namorado com Pedro durante seis meses antes de vir para Londres e era louca por ele, mas desde que cheguei aqui, ele simplesmente sumiu de minha mente. Depois que conheci Harry, então, as coisas mudaram completamente. Enquanto meus pensamentos divagavam, meu celular vibrou novamente, mas, dessa vez, era uma sms de Harry.
“Cada momento ao seu lado está sendo perfeito. Obrigado por existir e por estar me fazendo feliz. Sei que é meio cedo para isso, mas... Eu amo você. Boa noite, minha pequena. Xx Harry”
Senti meu coração bater mais forte e sorri. Ele me amava. ME AMAVA! Fechei os olhos e dormi quase instantaneamente, e obviamente, sonhei com Harry. Com MEU Harry.
Capítulo Sete
Duas semanas haviam se passado desde o que os meninos foram pela primeira vez lá em casa. Nesse meio tempo, ficamos realmente amigos e eu me aproximei pra caralho do Liam. Posso até me arriscar a dizer que ele era meu melhor amigo, mesmo em tão pouco tempo. Meu lance com o Harry ficava cada vez mais sério, minhas crises de auto-estima quase não existiam mais, Pedro nunca mais tinha me mandando mais nenhuma sms e a minha vida finalmente começava a ficar boa. Mas é claro que felicidade de pobre dura pouco, e as coisas começaram a ficar tensas de uma hora pra outra comigo.
Acordei numa manhã de sábado linda e ensolarada – exatamente do jeito que eu não gosto. Um dos motivos de eu não ser muito fã do Brasil, é justamente aquele calor infernal e aquele sol desgraçado que faz dia sim e dia também. Sério, se tem uma coisa que eu realmente odeio é sol e calor. Sempre fui adepta ao frio e à chuva, coisa bem difícil de achar onde eu morava, ou seja, na Bahia.
Já acordei com o pé esquerdo com aquele maldito despertador da que acordava o prédio todo, menos ela. E por que porra aquilo tava no meu quarto em uma manhã de sábado mesmo? Aliás... Que horas eram? Levantei minha cabeça somente o necessário para enxergar as horas e xinguei de todos os nomes possíveis e imagináveis naquele momentos: eram sete e meia da manhã. CARALHO, SETE E MEIA DA MANHÃ! Que espécie de pessoa acorda a essa hora DE UM SÁBADO? Tentei voltar a dormir, mas não consegui. Uma vez declarada a derrota, e ainda amaldiçoando mentalmente aquele ser que se diz ser minha melhor amiga, resolvi levantar da cama. Fui em direção ao banheiro parecendo um zumbi e me olhei no espelho. Minhas bochechas estavam arredondadas, aliás, eu estava redonda. Olhei para a minha balança e sem pensar duas vezes, subi nela. Eu estava com 55 kg. Cinquenta e cinco quilos. Senti meus olhos enxerem d’água. Merda, merda, merda! Eu estava voltando a ser gorda! Balancei a cabeça, a fim de tirar aqueles pensamentos dali; eu sabia muito bem onde aquilo ia acabar e definitivamente não era de um jeito bom. e Harry – que já sabia do meu problema – e agora Liam, estavam confiando em mim e acreditando na minha melhora. Eu simplesmente não podia desapontá-los. Me despi e entrei debaixo do chuveiro, imaginando que todos os meus sentimentos ruins e pensamentos negativos estavam indo ralo abaixo junto com a água.
Meia hora mais tarde, eu já estava na cozinha, conversando com e tentando disfarçar qualquer desconforto que estivesse sentindo, no que, obviamente, não fui bem sucedida. me conhecia bem demais, até melhor que eu mesma.
- , me fala logo o que tá acontecendo. Eu te conheço desde sempre e sei que essa sua cara não é por nada – ela disse não aguentando mais o meu silêncio.
- Tô com 55 kg – eu falei, sentindo as lágrimas virem com toda força – Eu tô gorda de novo, . Daqui a pouco o Harry vai me trocar por uma garota mais bonita, mais magra, que não seja idiota e problemática – eu soltei tudo, já chorando pra valer.
- Hey, hey! Para com isso, você tá sendo idiota! – falou, vindo em minha direção e me dando um abraço apertado – O Harry ama você, dá pra ver só de olhar na cara dele! E se não for pra vocês ficarem juntos, paciência. , você não tá gorda e sim linda! Seu rosto está lindo, seu corpo tá perfeita, VOCÊ está perfeita! Para com isso de se achar gorda, feia, incapaz! Será que eu vou ter que te falar sempre o quanto você é maravilhosa? Caralho, eu daria tudo pra ter seu cabelo, seu sorriso, seus olhos! – já chorava junto comigo, enquanto me abraçava forte. Sério, se não fosse por ela eu nunca teria vivido tanto tempo.
- Você que é perfeita – eu falei, soluçando – Obrigada por me aguentar tantos anos, por nunca desistir de mim, por sempre ficar do meu lado, me apoiando, me levantando, não me deixando cair nunca... – eu disse, olhando pra – Você é mais do que uma simples melhor amiga, . Você é a minha irmã.
Ficamos um tempão abraçadas, chorando. Eu sabia que tinha muita sorte de ter a na minha vida e que não era nada fácil para ela também. Quando você tem uma doença, como a bulimia, no meu caso, não é a única afetada pelas consequências dela. Todos ao seu redor são. Sua família, seus amigos, até o seu cachorro. E eu sabia que tinha sorte, porque nenhuma das pessoas que eu amava tinham me deixado sozinha em nenhum momento.
- Você quer passar o dia aqui, só eu e você? Como antes? – me perguntou, me dando um sorrisinho tímido, enquanto íamos para a sala.
- Combinamos de ver os meninos hoje, lembra? Ficar perto deles me alegra e acho que to precisando disso no momento – eu respondi, dando um sorriso de volta – Mas se você quiser, a gente fica.
- Nop, vamos vê-los, então. Até porque, se não formos, é capaz deles virem até aqui e nem o Papa poderia impedir isso – ela respondeu. Eu ri.
- Verdade. Ainda mais com o Louis, ele quando fica preocupado, nem o Papa e nem ninguém consegue segurar – eu disse, rindo.
- Verdade... – os olhos de brilharam com a menção do nome ‘Louis’. E, então, eu lembrei que quando os apresentei, eles já se conheciam.
- Hey, como é que foi essa historia sua com o Louis? Porque vocês se conheceram antes daquele dia, né? – perguntei, não aguentando de curiosidade.
- Ahn... Sim – respondeu e percebi que ela ficou vermelha – Não foi muito bom o nosso primeiro contato...
- Como assim? Vocês não se deram bem? – Estranhei aquilo, sempre se dava bem com todos logo de cara.
- Foi assim...
Flashback On
Estava andando distraidamente pela faculdade, conhecendo o ambiente e observando os garotos de lá, que são realmente lindos. Foi, então, que eu me lembrei que tinha que ir na secretaria entregar alguns papéis e pegar meu horário que ainda não estava no mural. Foi com essas coisas na cabeça que eu entrei com tudo na secretaria e acabei esbarrando com força em um menino.
- Caralho, não olha por onde anda? – ele perguntou totalmente grosseiro.
- Desculpe, só costumo enxergar pessoas, não animais feito você – eu respondi, sendo igualmente fofa com ele.
- Então, você não se enxerga nunca, não é mesmo? – ele devolveu e eu senti meu sangue subir para a cabeça.
- Olha aqui, moleque, olha lá como fala comigo! Esbarrei sem querer em você, pode ter certeza que se eu pudesse ter opção, escolheria passar bem longe de sua presença! Retardado – eu disse e dei as costas para ele, indo em direção a mesa principal, falar com a secretaria, que nos olhava assustada.
Saí de lá quinze minutos depois, ainda estressada com o ocorrido, mas pelo menos com todos os meus horários em mãos. Já estava indo em direção a primeira aula do dia – História da moda, uma delicia! – quando senti uma mão puxando meu braço.
- Hey! – Já ia reclamar, quando vi que era o menino com quem discutira na secretaria – O que você quer? – perguntei de forma grosseira.
- Pedir desculpas – ele respondeu, o que me deixou sem ação – Tive alguns problemas aquela hora e acabei derrubando tudo em cima de você, que não tinha nada a ver com eles – ele disse, ficando vermelho.
- Ahn, ok – eu respondi, ainda sem saber o que fazer – Er, desculpas também sabe... – eu falei e ele me olhou estranho – Er, por ter te chamado de animal e tal – eu disse, dando um sorrisinho tímido.
- Ahn, ok, sem problemas! – ele respondeu, sorrindo. E ali eu percebi como o sorriso dele era lindo e que os olhos dele eram de uma cor tão linda, um azul tão profundo... – Então, já que estamos devidamente conversados e desculpados – ele falou e eu ri – Tenho que ir pra a aula e creio que você também, certo? – ele falou, sorrindo.
- OMG, SIM!! – eu disse, ou melhor, gritei, o que arrancou uma gargalhada dele – Tenho aula agora, tchau, e mais uma vez, me desculpe!! – disse, saindo correndo em direção a minha sala, sem me tocar que nem o nome dele eu tinha perguntado.
Flashback off
- Então, foi isso! – terminou de falar, dando um suspiro desanimado – Por esse motivo que eu e ele fizemos aquela cara quando nos vimos, no apê dele e do Hazza – ela completou, dando um sorrisinho sem graça.
- Caramba, não consigo imaginar o Louis sendo grosso com ninguém... – eu disse, abraçando uma almofada – Mas e vocês dois? Tá meio na cara que estão afim um do outro e tal – eu falei, recebendo uma almofadada na cara – Heey! – reclamei.
- Nada a ver isso, eu e Louis somos apenas amigos, bons amigos! – tentou se defender, mas eu percebi o desanimo dela.
- Ah, , pra cima de mim? Te conheço desde sempre, acho que sei bem reconhecer quando você tá afim de alguém! – eu disse, revirando os olhos.
- Ok, ok! – ela se entregou, erguendo as mãos para o alto em sinal de rendição – Mas tenho quase certeza que ele não é afim de mim, caso contrário, já teria tomado alguma iniciativa.
- Harry me disse que Louis é meio tímido quando o assunto é mulher, mas que quando ele gosta de alguém, faz de tudo para essa pessoa rir – eu comentei – E bom, ele te faz rir sempre, certo?
- Sim, assim como faz a você e aos meninos, – ela falou, revirando os olhos – E eu realmente não quero estragar a minha amizade com o Louis. Pode ser besteira, mas em pouco tempo, ele virou alguém importante pra mim. Aliás, ele e os outros meninos também – ela disse, dando um leve sorriso.
- Sei como é – respondi, sorrindo – É quase impossível imaginar nossas vidas sem eles agora, né? – Era a mais pura verdade. Como imaginar meus dias sem os conselhos do Liam, as piadas do Louis, a risada do Niall, as tiradas inteligentes do Zayn e sem os beijos do Harry? Aqueles meninos se tornaram essenciais em minha vida em uma velocidade impressionante.
Conversamos mais um pouco, e quando deu onze horas, resolvemos nos arrumar, afinal, iriamos almoçar na casa do Louis e do Harry hoje. Fui correndo para o meu quarto, tomar um banho novo e me arrumar. Coloquei um vestido verde simples, uma jaqueta preta e uma sapatilha, prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e fiz uma maquiagem bem leve, só pra realçar meus olhos. Quando deu 11h40, ouvi meu celular tocar e sorri. Era Niall.
- GATAAAAAAAA BRASILEIRAA – ele falou, com aquele sotaque irlandês completamente fofo dele.
- GAAAAAAAAAAATO IRLANDEES- eu respondi, rindo – Vas happenin? – Tinha pegado a mania do Zayn que falava isso toda hora.
- Venham logo, tô morrendo de fome e os meninos disseram que só vão comer quando vocês chegarem! – ele disse, e eu ri.
- Você vive com fome, Nini! – eu disse, e quase pude vê-lo dando língua do outro lado da linha – Chego ai em cinco minutos, vou chamar a e ir correndo pra ai! – disse isso e encerramos a chamada.
- , vamos embora antes que o Nialler coma tudo! – eu gritei, e ouvi a risada de minha melhor amiga.
- Duvido que o Liam deixe isso acontecer, pelo menos ele vai lembrar da gente – ela falou, enquanto saíamos do apartamento e íamos em direção ao elevador. Dois minutos depois, já estávamos na frente do apê tocando a campanhia.
- OOOOI, SUAS LINDAS! – Zayn nos saudou, com um sorriso enorme e os braços abertos.
- ZAAAAZ! – gritamos as duas juntas e nos jogamos em cima dele.
- HEEEEEEY, TAMBÉM QUEROOO! – Louis veio gritando da cozinha e se jogou em cima de nós três, nos desequilibrando.
- MONTINHOO! – Liam gritou, se jogando por cima de todo mundo, me esmagando.
- SOCORRO, MENINA AQUI EMBAIXO!!! – eu gritei desesperada e levemente sufocada.
- AGUENTA QUE AINDA TEM MAIS DOIS!! – ouvi a voz de Niall gritar e senti o peso de dois corpos se jogando em cima de todo mundo.
- MEU OVO, PORRA, MEU OVO!!! – a voz desesperada de Zayn gritou, enquanto todo mundo gargalhava. Quer dizer, tentava. Sério, rir com uma manada de elefantes em cima de você não é fácil.
- LEVANTA QUE MEU MACHO TÁ SOFRENDO!! – Liam, o gay, gritou de forma desesperada, enquanto empurrava Niall pro lado, ou seja, pra cima de mim.
- OLHA EU AQUI, OLHA EU AQUI! – eu gritei, enquanto Nini rolava por cima de mim, indo cair em cima de .
- MEU PEEEEEEITOOO, NIALLEER! – minha amiga gritou, enquanto Nini levantava e ainda rindo, tentava ajudar ela a levantar também.
- Desculpa, , foi a quem me empurrou!! – ele tentou se desculpar, arrancando risadas.
- Claro, você ia me achatar!! – eu respondi rindo e levantando.
- QUE PORRA É ESSA? – Harry gritou, enquanto entrava na sala – Deixo vocês dozinhos por dois segundos e fazem essa bagunça! – falou, me ajudando a levantar – E de quebra, ainda tentam matar a minha pequena achatada! – ele disse, rindo.
- Pois é, esses meninos são uns brutamontes! – eu disse, ficando na ponta dos pés e dando um selinho nele.
- Hunf, nada disso! A culpa foi do Louis que se jogou feito um retardado na gente! – Zayn disse, fingindo que estava zangado.
- Ou seja, Louis só estava agindo como ele mesmo! – Liam falou e todos riram.
- Hey!! Isso é bullying, sabia? – Louis disse, dando língua pra gente.
- E esse, gente, é o mais velho daqui! – Niall falou e recebeu uma almofada na cara como resposta – Ai, meus neurônios, cara! – reclamou.
- É, gente, o menino já não é muito esperto e vocês ainda fazem isso... – Harry provocou e ia receber uma almofada voadora na cara, mas que acabou pegando em mim.
- Ai! – reclamei, mandando a almofada de volta – Me deixem fora dessa conversa! – eu disse, rindo – E Harry, não fale assim do Nini, ele não tem culpa de ser loiro! – falei, rindo.
- Loiro oxigenado, isso sim! – Zaz entregou, fazendo a todos rirem.
- HAHA isso mesmo, tirem onda com o pobre irlandês aqui – Nini disse, fazendo drama – Mas pelo amor de Deus, vamos comer logo! – ele falou, levantando e passando a mão na barriga – Mais um pouco e até o Liam eu como!
- Querendo usar isso como desculpa, Nini? – provocou, levando um pedala de Niall – Hey, sou uma mocinha!
- Amiga minha pra mim é homem, sinto muito, ! – Niall disse rindo, abraçando .
- Quem fez o almoço? – perguntei, sentando-se à mesa ao lado de . Ficamos na seguinte ordem: eu do lado de , que ficou do lado de Niall, que sentou do lado de Liam, que sentou na frente de Zayn, que sentou do lado de Louis, que sentou do lado de Harry, que, por sua vez, sentou ao meu lado.
- O frango foi eu!! – Zayn respondeu. A animação em pessoa – E os tacos, foram o Harry – ele continuou, fazendo cara de medo.
- Omg! Devo ter medo de uma possível intoxicação alimentar? – provoquei, olhando com medo para a comida.
- Haha pode ter certeza que esse vai ser o melhor almoço da sua vida ou eu não me chamo Harry Edward Styles – Harry respondeu convencido, me fazendo rir.
Coloquei um pouco do frango do Zayn e do taco do Harry. Não queria forçar muito meu estômago e nem engordar, mas também não podia simplesmente ficar sem comer.
- Só isso? – Liam perguntou baixinho, por trás da cabeça de .
- Aham – respondi, dando um leve sorriso para ele que sorriu compreensível para mim. Era impressionante como em pouco tempo já conseguíamos nos entender com poucas palavras.
Comemos e Harry tinha razão. Aquele tinha sido o melhor almoço da minha vida, mas não era tanto pela comida, que, aliás, estava realmente gostosa – Harry e Zayn que não me escutem. Tinha sido mais pela companhia dos meninos e de que transformavam o meu dia e faziam tudo parecer mais fácil, colorido. Rimos a tarde inteira, e eu permaneci grudada com o Harry o resto do dia, enquanto ria das besteiras que falávamos. A cada segundo eu me perdia mais e mais nos olhos dele – verdes e intensos e tão misteriosos quanto o mar.
- Você fica linda sorrindo assim – ele me falou, enquanto passava a perna por cima de mim. Estávamos deitados no sofá da casa dele e os meninos estavam jogados no chão, falando bobagens e rindo.
- Assim como? – perguntei, o encarando e sorrindo.
- Assim, dessa forma. Rindo com os olhos. Me traz calma, me dá paz... Aliás, você me dá essa sensação de felicidade eterna – ele falou, fechando os olhos e sorrindo calmo.
- Então, estamos quites – respondi – Esse sorriso só existe quando estou do seu lado. Tudo parece perfeito – completei, dando um beijo nele. E era verdade. Perto de Harry eu me sentia como a menina mais perfeita do mundo, como se nenhum dos meus problemas existissem. Do lado dele, eu era feliz.
- É exatamente essa minha intenção – ele falou – Tornar a sua vida perfeita, porque você merece. E eu amo você – ele falou e sussurrou a última parte, me deixando arrepiada.
- Devo dizer que você está no caminho certo – eu falei – E eu amo você também, meu anjo – sussurrei de volta e foi a vez dele de ficar arrepiado. Sorri com aquilo, amava quando tinha esse efeito sob ele.
- Casal, controlem-se! – Niall reclamou, se jogando por cima de nós dois, e interrompendo nosso clima. Amigos, ruim com eles, pior ainda sem.
- Valeu, Nini, você acaba de me achatar de vez – eu falei, rindo e empurrando Niall para o chão.
- Sempre que precisar, docinho! – ele respondeu, piscando pra mim e levando um pescoção do Harry – Caralho, se eu ficar retardado a culpa vai ser desse tapa de vocês! – reclamou.
- Ou, então, do Louis, vai que você pegou a tontice dele! – Liam disse, fazendo a todos rirem.
Passamos o resto da tarde desse jeito, rindo muito e falando uma bobagem atrás da outra. Mas como tudo o que é bom dura pouco, quando foi 20h30, eu e decidimos ir para casa descansar, já que no dia seguinte iriamos arrumar a casa e fazer compras.
Subimos depois de muita reclamação dos rapazes e chantagem emocional de Harry e nos jogamos no sofá. Ficamos conversando amenidades e comentando sobre o nosso dia, até que a companhia tocou e eu fui atendê-la. Se eu soubesse quem era, juro, jamais teria feito isso.
- Pedro? – perguntei, sem acreditar, encarando aquele rapaz extremamente lindo parado em minha porta.
- Baixinha! – ele respondeu e sem esperar nenhuma resposta, me abraçou. Nesse momento, a porta do elevador abriu e Harry saiu de dentro dele, nos olhando com um misto de surpresa, raiva e ciúmes.
Capítulo Oito
Meu mundo parou ali. Minha vontade foi de gritar “Ok, podem parar a brincadeira, porque eu não estou achando graça”. Mas na realidade, eu só fiquei ali parada, sendo abraçada por Pedro – que pelo jeito ainda não havia percebido a presença de Harry – e olhando para Hazza, que por sua vez tinha adquirido uma estranha coloração vermelha.
- Olá – ele falou, saindo do elevador e encarando Pedro com a mesma alegria que encararia uma barata – Boa noite! – A educação dele está me deixando nervosa.
- Er, oi – Pedro respondeu, arqueando a sobrancelha direita e olhando de Harry para mim com cara de dúvida – Posso ajudar em algo? – ele perguntou finalmente me soltando.
- Claro – Harry disse em um tom falsamente educado – Poderia me responder porque que você está abraçando minha namorada? – ele concluiu com um sorriso, no mínimo, ameaçador.
Opa. Ele realmente disse a palavra “namorada”?
- Namorada? – Pedro perguntou tolamente. Ótimo, eu não tinha ficado louca e Hazza realmente tinha dito que eu era a sua namorada – Como assim? – ele me encarou com aqueles incríveis olhos azuis que antes me deixavam completamente sem ar.
- Ahn – foi o que eu consegui responder. Qual é, Harry tinha acabado de dizer que eu era a sua namorada, eu ainda estava em estado de choque! – Pois é, namorada – eu respondi, me sentindo absurdamente retardada e feliz. Harry, então, me abraçou por trás e colocou o queixo em meu ombro, como se estivesse demarcando seu território. Uma ova, ele estava demarcando mesmo.
- Pois é, sou o namorado da – Harry disse de forma bem lenta, como se duvidasse da capacidade mental de Pedro – E você é...? – continuou, soltando uma mão e estendendo-a para Pedro.
- Pedro Henrique – o outro respondeu, pegando a mão de Harry com uma certa expressão de nojo – Ex namorado de – disse, dando um sorrisinho de escárnio.
- Harry Styles – Hazza disse – Gostaria de te agradecer, então – ele falou, soltando a mão de Pedro e voltando a me abraçar com força.
- Agradecer? – Pedro perguntou e minha cara deveria estar tão engraçada quanto a dele no momento. Como assim agradecer?
- Sim. Porque graças ao fato de você ser o ex namorado dela, eu conheci essa mulher maravilhosa e me apaixonei por ela – Harry disse, me dando um beijo demorado na bochecha – Então, muito obrigado por tê-la deixado escapar – completou, dando uma piscadinha marota.
Pedro parecia que tinha levado um soco na cara. A tão conhecida veia em seu pescoço estava latejando e era quase apalpável o esforço que ele estava fazendo para não pular em cima de Harry e socá-lo até todos os dentes de sua boca voarem. Coisa que obviamente não aconteceria.
- Veja bem – Pedro falou depois de respirar fundo oitocentas vezes – Eu vim para Londres justamente para tentar reconquistá-la... – ele ia continuar, mas Hazza o interrompeu.
- Pena que seja tarde demais e ela já esteja comprometida – ele falou, dessa vez abandonando todos os falsos bons modos. Resolvi que era hora de me intrometer no meio daquela guerrinha disfarçada, antes que aquilo tomasse proporções exageradas.
- Ok, rapazes! – chamei a atenção deles e dei um risinho nervoso – Pedro, foi muito... Inesperado te encontrar agora – eu comecei – E como pode ver, eu estou namorando – “com o cara mais perfeito do mundo”, completei mentalmente – E não existe nenhuma forma de voltarmos – continuei, sentindo Harry relaxar atrás de mim e sorrir – E veja bem, já está tarde e talvez você se perca por aí. Que tal nos vermos outro dia? – dei um sorrisinho falsamente animado, e Pedro me encarou.
- Ok, , você quem sabe – ele falou, parecendo decepcionado, mas logo depois abriu um sorriso enorme – E eu adoraria te ver outro dia, de preferencia a sós. Você sabe, para relembrarmos os velhos tempos – continuou, e dessa vez eu senti Harry tremer.
- Olha aqui, seu... – antes que Hazza terminasse de falar, eu mandei o dedo do meio para Pedro e apertei a cintura de Harry para que ele se controlasse. Fazendo um leve aceno com a cabeça, Pedro entrou no elevador e segundos depois estava fora do alcance de nossas vistas.
- Quem esse filho de uma puta pensa que é? – Harry explodiu, passando as mãos nervosamente pelos cabelos; nunca o tinha visto naquela situação de nervos antes. Tudo bem que não nos conhecíamos há muito tempo, mas eu sabia que agir daquela maneira não era costume dele.
- Hey, calma. É só o meu ex namorado idiota, sendo idiota – eu falei numa falha tentativa de ser engraçada, e Harry deu um sorrisinho nervoso. Fui até ele e o abracei, ficando na ponta dos pés para lhe dar um selinho – Mas devo dizer, você fica muito fofinho com ciúmes – eu disse, nunca iria perder a chance de jogar aquilo na cara dele.
- Eu não estava com ciúmes – ele retrucou – Só estava defendendo o que é meu. Ou melhor, minha – completou, colocando as duas mãos em meu rosto e me olhando no fundo dos olhos. Eu não tinha como negar aquilo; estava tão claro que eu pertencia a ele como ele pertencia a mim.
- Sua? – perguntei, dando um sorrisinho – Dessa eu não sabia – me fiz de difícil.
- Sim, minha. Desde o primeiro instante que eu te vi – ele respondeu, selando finalmente os nossos lábios. Senti as borboletas voltarem a atacar meu estômago, minhas mãos suarem, meu coração disparar e o beijei de forma quase desesperada. Podia passar quantos meses fossem, mas para mim, beijar o Harry seria sempre tão emocionante como o primeiro beijo.
E ali mesmo as coisas começaram a esquentar. Quando dei por mim, já estava encurralada na parede e as mãos de Harry estavam em minhas coxas. Minhas mãos trocavam, uma hora puxando seu cabelo de forma nada delicada, outra hora passeando por entre seu peitoral, por dentro da camisa. Harry estava quente, mas tremia, assim como eu. E pode ter certeza que aquela tremedeira não tinha nada haver com frio.
Hazza apertava a minha coxa e soltava gemidos, enquanto me apertava contra seu corpo. Eu já não respondia por mim e não ligava para mais nada. Foda-se se estávamos no roll do meu apartamento e que a qualquer momento uma alma inocente poderia aparecer ali. Eu só sei que queria imediatamente ter Harry por completo.
Abri a porta do meu apartamento, agradecendo mentalmente por já estar dormindo e tendo o sono dos inocentes. Minha linda amiga não podia adivinhar o que estava para acontecer em meu quarto. Harry percebeu as minhas intenções e me levantou, para que eu pudesse colocar as minhas duas pernas ao redor de seu quadril. Passamos aos tropeços pela sala e ao chegar a meu quarto – que graças aos deuses estava arrumado – Harry já estava sem camisa. Ok, talvez fosse perceber que alguma coisa diferente tinha acontecido enquanto ela dormia.
Entramos no meu quarto e Harry me jogou em minha cama, parando por dois segundos para me analisar. Fiquei vermelha e mordi o lábio, o que aparentemente despertou todo o desejo de Harry que voltou a me beijar imediatamente. Era uma mistura de amor, desejo, tesão, necessidade, tudo isso ao mesmo tempo. Em pouco tempo minha blusa já jazia em algum lugar do chão, assim como a calça de Harry. Ele começou a mordiscar todo o meu colo, enquanto eu arranhava as suas costas, arrancando gemidos baixos dele. Finalmente Harry achou o feixe do meu sutiã e olhou para mim, pedindo autorização para tirá-lo no que eu apenas acenei positivamente; não tinha condição nenhuma de dizer alguma palavra.
Sutiã devidamente jogado no chão, Hazza voltou a me encarar e eu quis me esconder. Não gostava do meu corpo e ficava constrangida com a intensidade com que ele me olhava.
- Você é linda – ele disse, parecendo ler meus pensamentos – Perfeita – completou, mordiscando a minha orelha e finalmente parando de me encarar – E o melhor de tudo – continuou, indo em direção ao meu colo – É minha – finalizou, enquanto voltava a me beijar.
Não tinha como negar. Eu era dele. Ele era meu. E eu estava tendo a melhor noite da minha vida.
Acordei na manhã seguinte e não consegui me mexer. Algo macio estava me prendendo de forma delicada e o que parecia ser uma respiração batia em meu pescoço. E, então, eu me lembrei o que tinha acontecido na noite anterior e abri os olhos. Ali do meu lado estava Harry, dormindo tranquilamente com um sorriso bobo nos lábios. Então, não tinha sido um sonho, afinal. Instantemente, um sorriso bobo apareceu em mim. Bobo e apaixonado. O cara mais perfeito do mundo estava ao meu lado, dormindo na minha cama e, pelo o que eu pude perceber, completamente pelado. Cara, tinha como aquilo ficar melhor? Sim, tinha.
Depois de termos feito amor, Harry me acolheu em seus braços, olhou em meus olhos e disse as frases que ficariam marcadas em mim pelo resto da minha vida.
- Eu te amo. Eu te amo muito. E quero te ter ao meu lado sempre, até o fim – falou, me dando um selinho e fechando os olhos.
Continuei observando Harry dormindo por quase uma hora, eu não cansava nunca de analisá-lo. Seus lábios eram lindos, como se tivessem sidos desenhados por algum anjo. Sua pele, branca feito a neve, parecia brilhar com a pouca luz que entrava em meu quarto pela janela. Seus cabelos cacheados, que para mim eram a coisa mais fofa do mundo, estavam levemente bagunçados, dando um ar de anjo para o homem a minha frente. Harry era magro, mas um magro musculoso. E no decorrer da noite, descobri algo que quase me fez rir, se ele não estivesse me beijando no momento: ele tinha quatro mamilos. Preciso mesmo dizer que achei lindo isso?
Ok, provavelmente eu estou parecendo uma louca apaixonada. Afinal de contas, que tipo de pessoa acha o fato de um cara ter quatro mamilos lindo? Mas eu achei. E se você tivesse a mesma visão que eu – o que eu espero que nunca aconteça, não é nada pessoal – você também concordaria comigo.
Senti Harry se mexer e sai dos meus devaneios. Ele abriu os olhos, parecendo confuso por um momento e, então, olhou para mim e sorriu.
- Então, não foi um sonho? – ele perguntou baixinho e eu ri. Pelo jeito, não fora a única afetada pela noite.
- Hm, digamos que se isso fosse um sonho, uma garota extremamente linda estaria do seu lado – respondi, dando um selinho nele.
- Droga, então foi mesmo um sonho! – ele murmurou, e eu gargalhei.
- Bobo! – falei e ele me beijou. Ficamos nos encarando por alguns minutos, e Harry fazia carinho em meus cabelos.
- Foi a melhor noite da minha vida – ele falou – E o melhor de tudo: foi com a mulher que eu amo! – Preciso mesmo dizer que derreti por completo ali?
- Então, estamos empatados – eu respondi – Tudo foi perfeito, mas principalmente porque você estava comigo – ficamos nos beijando e falando bobagens, até que ouvimos meu estômago roncar.
- Opa, alguém quer comer – Harry disse rindo - Vamos?
- Ah, temos mesmo? – perguntei, fazendo manha e grudando meu corpo ao dele. E sim, eu sabia que estávamos nus.
- Nada de me provocar, mocinha – ele disse, se fingindo de bravo – Você tem que se alimentar... – falou, me olhando com carinho – E eu também, depois de ter gasto toda a minha energia com você! – ele completou e eu fiquei vermelha.
- Harry! – eu o repreendi e dei um tapinha de leve em seu ombro, mas logo ri – Vamos logo, então – falei e me levantei.
Senti Harry me observar andar até o meu guarda-roupa e sorri. Peguei uma calcinha, um short e um blusão da Minnie e me vesti rapidamente.
- Você é a mulher mais linda do mundo – ele disse, se levantando (completamente nu) e vindo em minha direção – É quase um pecado ter que te deixar com roupas – continuou, encostando sua testa na minha.
- Bom, se quiser eu posso andar pelada, sem problemas – respondi, rindo.
- Haha Muito engraçado! – ele falou bufando e pegou a cueca que estava no chão.
Depois de uns dez minutos saímos do quarto e fomos para a cozinha, onde já estava. Para nossa surpresa, Louis também estava lá.
- BOM DIA, CASAL! – Louis gritou, com o seu já conhecido bom humor – Como foi a noite? – sempre discreto esse BooBear.
- Bom dia, Lou – respondi rindo – Foi ótima e a sua? – perguntei, me fazendo de inocente.
- Foi péssima – ele respondeu dramaticamente – Fui atacar o Harry de madrugada e tive o desprazer de perceber que a cama dele estava vazia – ele continuou e eu ri – Ai me toquei que ele me trocou por você! - completou, fazendo cara de choro e colocando a mão sob o coração, o que fez a todos nós rir.
- Imagine a minha surpresa, Lou, ao acordar e tropeçar em uma camisa no meio do corredor – disse, esbugalhando os olhos de forma dramática – Achei que minha amiga estava sendo atacada! – ela falou e eu apenas ri.
- Olha, , do jeito que as coisas estavam, quem estava sendo atacado era eu! – Harry disse e eu dei um tapa nele, completamente vermelha de vergonha.
- Hey! Sou uma mocinha de família, jamais faria algo do tipo! – eu disse, tentando me esconder atrás de Harry e fingindo olhar brava para ele – Você que se aproveitou de minha inocência! – para meu total constrangimento, a cozinha inteira explodiu em risadas. Oi? Não entendi a piada.
- , você não sabe o que é ter esse tipo de inocência desde os dezesseis anos, pelo que me lembro – me entregou e eu quis morrer.
- Opa, danadinha hein, ? – Lou brincou.
- Nem vem, ! Pelo que eu me lembre, você foi com quinze! – devolvi, dando língua para ela e recebendo um tapa na cabeça.
- Não batam na minha menina! – Harry me defendeu e recebeu um tapa de Louis.
- Então, quem apanha é você! - BooBear disse, fazendo pose de machão.
Ficamos conversando e rindo por um bom tempo, até Harry e Louis irem para seu apartamento. Contei para o que tinha acontecido antes de dormir com Harry e ela ficou indignada com Pedro.
- Como é que aquele filho da puta tem coragem de vir até aqui? - ela disse raivosa – Depois de tudo o que ele aprontou pra cima de você!
- É, eu sei – respondi, suspirando – Mas sabe, pelo menos serviu para o Harry finalmente me assumir como namorada dele – concluí, dando um sorrisinho apaixonado.
- Ooown! – disse, apertando minhas bochechas – CARALHO, DEIXA EU TE CONTAR! – ela falou, quase pulando do sofá – Acho que o Louis deu em cima de mim hoje!
- WOOW! Como assim? – perguntei animada, me sentando direito no sofá.
- Antes de vocês chegarem, estava rolando o maior clima entre a gente – ela disse com cara de sonhadora – E ele me chamou pra sair! – concluiu a animação em pessoa.
- Caralho, eu disse que ele era afim de você! – eu disse, batendo palmas de forma bem retardada. Sabe como as focas fazem? Então.
- Nunca mais faça isso na minha frente – disse, me olhando com um falso desprezo – E vai tomar um banho porque você tá cheirando a sexo – me provocou e caiu na gargalhada. Como sou uma pessoa muito madura e evoluída, dei língua para ela.
- Opa, tenho que ligar para o Liam! – eu disse, levantando rapidamente do sofá – Ele pediu ajuda, parece que conheceu uma garota nova e quer sair com ela – falei, com os olhos brilhando. Sério, eu fico muito animada quando tenho que dar uma de conselheira amorosa.
revirou os olhos, ela já estava mais que acostumada com essa minha mania de ajudar a formar casais, uma vez que era a minha principal vítima, na maioria das vezes. Fui para meu quarto e seguindo o conselho de , tomei um banho. Nem olhei para a balança, que pela primeira vez na minha vida, não estava me assustando ou irritando. Harry havia dito que eu era linda, e se era aquilo que ele achava, era porque era verdade.
Deitei na minha cama, depois de devidamente banhada, enfiei a minha cara no travesseiro e respirei fundo. Ainda dava para sentir o cheiro de Harry ali. Sorri como uma garotinha apaixonada. E resolvi dormir já que na noite anterior foi o que eu menos fiz. Senti meus olhos pesarem e quando já estava quase dormindo, meu celular vibrou. Uma nova sms.
Eu amo você. Nunca se esqueça disso, MINHA pequena. Xxx Preciso mesmo dizer de quem era? Sorri mais uma vez, e dessa vez, dormi feito um anjo.
Capítulo Nove
- “Caralho, tô atrasada de novo”, foi com esse pensamento animador que eu acordei na manhã de terça-feira. Levantei da cama com tudo e corri para o banheiro; nem me olhei no espelho, me despi rapidamente e me joguei embaixo do chuveiro. Dessa vez eu estava realmente atrasada. Dez minutos depois, já saí do banheiro devidamente vestida e penteada. Quer dizer, eu podia encarar o mundo sem assustar as pessoas.
Fui correndo para a cozinha e estava na mesma situação que eu – de novo. Sério, vivíamos atrasadas, parecia brincadeira do destino.
- ENGOLE ALI E VAMOS LOGO – me saudou de forma meiga, assim que minha linda cabeça adentrou na cozinha – JÁ SÃO 09h50! – Ok, vamos parar de enrolar e engolir de vez a comida, porque mastigar é para os fracos.
Depois de quase morrer entalada, corri em direção ao elevador com em meu encalço.
- Cacete, é a quinta vez em duas semanas que chegamos atrasadas, onde é que tá meu despertador? – disse, enquanto tentava melhorar a aparência de sua roupa.
- Ahn... – eu falei, olhando para o chão – Talvez ele tenha quebrado... – continuei, inocentemente.
- Como assim, ? – perguntou, parando de se arrumar e me olhando de forma ameaçadora.
- Bom, é que... – eu comecei, saindo do elevador assim que ele abriu – Talvez ele tenha, sabe, caído no chão... E batido com muita força.
- ! – gritou e eu me encolhi – Porra, por isso que a gente se atrasa, como é que você quebra a merda do despertador? – continuou, andando apressada, totalmente revoltada comigo – Que porra, nunca aparece um táxi quando se precisa! – xingou, olhando para mim como se fosse minha culpa a falta de táxis vagos em Londres.
Nesse momento, ouvimos uma buzinada e uma voz bastante conhecida nos chamando.
- , ! – a voz do meu lindo melhor amigo e agora salvador, Liam, nos chamava – Estão precisando de carona? – perguntou rindo e abaixando o vidro. Do lado de Liam estava Zayn e no fundo Niall, Louis e Harry.
- Oi, meninos! – eu disse animada – E sim, estamos... Mas já tá meio cheio ai, não? – perguntei, erguendo a sobrancelha.
- Que nada, meu carro é igual coração de mãe! – dizendo isso, Liam desceu do carro e abriu a porta para nós – Se joguem! – disse rindo.
- Não, do jeito que elas são obesas, vão acabar meu achatando – Niall disse, recebendo um tapa de Harry – Hey, que foi que eu fiz? – perguntou com a maior cara de inocente do mundo. Eu ri, entendo a reação de Harry, mas realmente não liguei para o comentário de Nialler.
- Nasceu, obeso, nasceu! – respondi, entrando do carro e sentando no colo de Hazza – Bom dia, meu amor! – falei, dando um selinho nele.
veio atrás de mim e se sentou no colo de Louis, que pareceu gostar da situação.
- Bom dia, rapazes! – ela respondeu sorrindo, mas ainda me olhando de forma ameaçadora.
- BOM DIA, LINDAS! – Louis, o empolgado, disse nos fazendo rir.
Zayn apenas murmurou alguma coisa e não parecia estar acordado de fato. Senti Harry me abraçar pela cintura e encostar o pescoço na minha nuca.
- Bom dia, bebê – ele respondeu, depositando um leve beijinho em meu pescoço, o que me deixou totalmente arrepiada.
- Então, o que vamos ouvir? – Liam perguntou, parecendo estar mais animado do que o normal. Ligou o som e colocou no rádio, que estava tocando Poker Face.
- OH, AMO ESSA MÚSICA! – Niall disse e começou a tentar dançar ao som de Lady Gaga – Me sinto em um pub na Irlanda, com várias garotas ao meu redor e... – mas Harry não deixou que ele continuasse.
- Pelo amor de Deus, cuidado com o que você vai falar! – Hazza disse, recebendo um tapão na cabeça – Hey!
- Ao contrário de você, eu sou um menino puro, Sr.Styles! – Nialler respondeu, se fingindo de ofendido.
- Menos, little Nialler, menos... – Louis disse e eu ri.
- Liam, com essa velocidade só vamos chegar na faculdade das meninas amanhã – Zayn finalmente se pronunciou, dando um longo bocejo e se espreguiçando – Bom dia, gatinhas da madrugada! – ele disse, dando um sorriso enorme para nós.
- Bom dia, Belo Adormecido! – disse, mandando um beijo para Zaz, que fingiu pegar com as mãos.
- Bom dia, Moreno Sensual! – eu disse e fiz o mesmo que .
- Só não pego esse beijo porque se não o Harry me bate! – Zaz disse, piscando um olho para mim.
- E quem disse que eu não bato? – para nossa surpresa, BooBear disse isso, deixando completamente vermelha.
- OPA! – Harry e Nialler gritaram, deixando Louis levemente sem graça. A quem eu tô querendo enganar? Aquele ali não ficava com vergonha com nada.
- Ok, parem com isso! – disse, escondendo o rosto com as mãos.
- Owwn, que lindinho! – Zayn disse, olhando de forma falsamente meiga para – Até parece que é esse poço de timidez mesmo! – ele falou e nós rimos.
- Liam, pelo amor de Deus, CORRE! Eu tô me mijando aqui! – Nialler disse, colocando a mão em cima do Horan Jr. com cara de desesperado.
- Estou a 60 Km/h, não posso ultrapassar isso! – Liam reclamou, todo responsável. Já disse que meu amigo é o único com juízo aqui?
- Então, quando eu mijar em seu carro, não reclama! – Niall ameaçou e eu entrei em desespero. A última coisa que eu queria era chegar mijada na faculdade, ainda mais por um xixi que nem meu era.
- DADDY, CORRE! – eu gritei e Liam aumentou a velocidade do carro.
- Se nós morrermos, a culpa vai ser de vocês! – ele disse, fechando a cara – E Niall, se você mijar no meu carro, eu corto seu pinto fora. É sério – ele ameaçou e eu senti Niall encolher do meu lado.
- Fudeu... – ele murmurou baixinho, mas eu e Louis ouvimos.
- AH, O NIALL MIJOU AQUI, PARA ESSE CARRO, EU VOU ME MOLHAR ! – Louis, a bicha, começou a gritar em desespero. Junto com ele Liam também gritou, só que de raiva, Niall começou a gargalhar e eu praticamente subi em cima de Harry, só pra não me molhar com a urina alheia.
- PORRA, SEU IRLANDÊS DO CAPETA, COMO É QUE VOCÊ FAZ ISSO? – Liam gritou quando chegamos em frente a faculdade atrasadas pra caralho e quase molhadas de xixi do Niall – TÁ COM A BEXIGA FROUXA, CARALHO? – Daddy continuou e Niall foi se esconder atrás de Zayn – SE VIRA, TIRA ESSE MIJO DO MEU CARRO! – Liam tava realmente puto da vida, mas eu só conseguia rir. Louis tinha se molhado com o xixi e xingava Niall de todos os nomes possíveis, enquanto Zayn, e Hazza se embolavam, gargalhando.
- Cara, foi sem querer... – Nini disse, olhando para baixo, dividido entre o riso e a vergonha.
- Claro que foi sem querer, que espécie de pessoa se mija porque quer? – Lou reclamou, olhando com nojo para a própria calça – Porra, isso aqui é uma Armani, caralho! Você vai ter que vender sua alma pra pagar isso aqui, tô só avisando!
- Hey, mocinhas – eu disse, depois de mais um acesso de riso – Eu e vamos indo, já perdemos uma aula e não queremos perder a segunda! – falei, dando um beijinho na bochecha de cada um e um selinho em Harry.
- Ok, vai lá, – eles responderam e continuaram discutindo para saber como iriam voltar para casa com o carro mijado.
Eu e corremos como louca em direção as nossas salas e combinamos de nos encontrar no pátio, entre o intervalo de aulas. Depois de duas horas, várias atividades, professores insuportáveis e um tédio enorme, finalmente fui encontrar minha amiga. Estava andando tranquilamente, até que me bati em algo. Ou melhor, em alguém.
- Me desculpe, por favor! – o ser humano com quem eu me esbarrei pediu com uma cara levemente desesperada – Sou novo por aqui e acabei me perdendo e... – ele parou de falar, assim que olhou para mim. Sou tão feia assim? – ? – perguntou, me olhando espantado. E, então, quem tomou o susto foi eu. Eu já tinha visto aqueles olhos verdes antes, mas não podia ser...
- Alexandre? – perguntei. Minha boca abrindo em um ‘0’ cômico – É você? – Não, sua anta, é o Michael Jackson.
- Sim, sou eu! – ele respondeu, abrindo um largo sorriso – Não acredito, você em Londres? Há quanto tempo? – perguntou me dando um forte abraço, o qual eu correspondi meio sem jeito.
- Moro aqui há uns oito meses, vim terminar minha faculdade... – disse, ainda meio abobada – E você? Se perdeu por aqui? – falei, sorrindo. Nos conhecemos na 5º série e ele era um dos meus melhores amigos, até ter que se mudar para o Rio, quando perdemos contato.
- Vim terminar a minha também, faço engenharia civil! – ele disse – Caramba, você está linda! – Preciso dizer que fiquei vermelha?
- Ah, obrigada – eu disse sem graça – Você também não está nada mal! – falei, tentando quebrar a tensão.
Nesse momento, chega acompanhada por Louis que olhava para Alexandre com as sobrancelhas arqueadas.
- Oi, oi – disse, tentando reconhecer o ser na minha frente – ALEXANDRE? – ela perguntou, ou melhor, gritou.
- ? Não acredito! – Xande disse, puxando a menina para um forte abraço. Vi Louis trancar o maxilar e forçar um sorriso, mas sei que por dentro ele estava se imaginando socando Alexandre.
- Caramba, quanto tempo! – disse feliz – Ah, esse aqui é Louis Tomlinson, amigo meu e da ! – ela apresentou, e Louis apertou a mão de Xande. O vi fazendo uma certa careta e reprimi uma risada.
- Prazer, Alexandre Freitas, amigo das meninas – ele se apresentou, parecendo desconfortável.
- O prazer é meu – Louis respondeu com um sorriso sarcástico. Ficamos em silêncio por alguns segundos, até Xande se pronunciar.
- Hey, me passa seu número? Vamos marcar para sair, colocar a conversa em dia! – disse olhando para mim e sorrindo – O mesmo pra você, !
- Oh, claro! – , a animada mais sem noção do mundo, respondeu - Anota aí! – ela falou e passou nossos números para Alexandre, que pouco depois, se despediu de nós. Fomos os três para o pátio e sentamos em uma mesinha afastada.
- Bem simpático ele – Louis disse e o tom irônico dele quase me deu um chute.
- É sim, ele costumava ser apaixonado pela ! – disse rindo e eu olhei indignada para ela.
- Ele era meu melhor amigo, nada disso! – respondi, me defendendo. Tudo bem que sempre que podia ele pegava em minha mão, e às vezes passava tempo demais me observando, mas não era nada demais. Qual é, só tínhamos onze anos e eu era feia pra caramba.
- Pelo jeito que ele te olhou agora, , posso arriscar dizer que ele ainda sente algo por você – Louis disse, me olhando de forma estranha.
- Bom, então, sinto muito por ele, estou com o Harry e o amor – respondi de forma seca. Odiava quando esse tipo de coisa acontecia, fala sério.
Alguns minutos se passaram e ficamos em completo silêncio, que só foi quebrado por Louis.
- Olha, me desculpa, fui um imbecil contigo – ele disse, me olhando culpado – Sei que você ama o Hazza tanto quanto ele te ama, e que nunca o trairia – continuou, parecendo sinceramente arrependido e eu suspirei – Me desculpa? Só não fui com a cara dele, sei lá.
- Relaxa, fui grosseira contigo também – eu falei, dando um peteleco no nariz dele. Não tinha como ficar brava com o BooBear mais lindo do mundo.
- Amigos? – ele perguntou, fazendo a carinha do gatinho do Sherk.
- Sempre, seu retardado – eu respondi super meiga e dei um abraço nele. Depois que o clima entre a gente melhorou, fomos para nossas respectivas aulas.
Depois de passar o dia todo na faculdade, chegar em casa é quase como ganhar um prêmio. Me joguei em minha cama com roupa e tudo. Fechei os olhos e apaguei completamente.
Cinco minutos depois, ou foi o que me pareceu, fui acordada com o peso de um elefante em cima de mim.
- CACETE, SAI DE CIMA! – gritei tonta de sono e com dor no corpo. Sério, por que eu não escolhi amigos normais?
- Foi mal, , a disse que você tava dormindo e eu vim te acordar – Liam, meu suposto melhor amigo, disse sorrindo.
- Da próxima vez é só me balançar, gordo – eu disse, dando língua para ele – Vas happenin? – perguntei, notando a expressão ansiosa no rosto dele.
- Como é que em tão pouco tempo você já consegue decifrar minha expressão facial? – ele perguntou, parecendo impressionado e eu ri – Sério, nem os caras notaram!
- Por incrível que pareça, eles não são mulheres – eu respondi e nós rimos – E eu tenho sexto sentido pra esse tipo de coisa – disse, piscando o olho – Fala.
- Então... – ele começou, depois de deitar em minha cama e me puxar para cima de seu peito. Me aninhei ali e ele continuou – Lembra aquela garota que eu te falei? – perguntou e eu respondi que sim – Falei com ela hoje... – ele disse sorrindo e com os olhos brilhando.
- E...? – mordi os lábios, prendendo um sorriso. De todos, Liam era o mais romântico e fofo, superando até mesmo Harry.
- Vamos sair amanhã! – ele disse com a mesma expressão que uma criança ganha ao ganhar um presente – E eu tô com medo... – completou baixinho.
- Com medo? Medo de quê? – Indaguei, levantando e ficando de frente pra ele.
- Sei lá, medo de tudo dar errado, das coisas saírem fora de controle, dela me achar chato... – ele começou, ficando vermelho – Sou uma bicha, pode falar!
- Você é fofo, é diferente! – eu disse, apertando as bochechas dele, no que ele riu – Daddy, você é o cara mais fofo que eu conheço – eu comecei – E eu tenho certeza que ela vai amar você. Como é que não ama essa carinha? – falei rindo e ele riu comigo – Vai dar tudo certo, é só você ser... Você mesmo! – Era clichê, mas também era verdade.
- Cara, eu já disse que você é a melhor amiga do mundo? – ele falou e me abraçou – Depois de ter duas irmãs, a vida me mandou mais uma! – fiquei toda boba e meus olhos se encheram de água. Sou emo, admito – O que foi? Disse algo errado? – Liam perguntou, ficando imediatamente preocupado, e eu sorri.
- Não, muito pelo contrário, Lianno! – eu disse, rindo entre as lágrimas, que agora caiam em cascata – É que eu nunca tive muitos amigos, sempre foi só eu e ... E de repente, vocês cinco aparecem em minha vida! – continuei, e ele sorriu para mim, limpando minhas lágrimas – E além de um namorado perfeito, ganhei quatro amigos fodas que viraram meus irmãos e que eu passei a amar mais que tudo – finalizei, parando de chorar – Sou uma idiota, né?
- Não, você é uma fofa! – ele falou, me abraçando novamente e me olhando carinhoso – E , tenho que certeza que posso falar isso por mim e pelos meninos... Conhecer você e foi algo ótimo, a amizade de vocês se tornou essencial para nós – ele disse, ficando de frente pra mim – E desde quando nos conhecemos, eu já sabia que iríamos ter uma amizade forte. Amo você, tampinha! – ele falou e me deu um abraço apertado.
- Eu amo você também, gigante! – disse e me joguei em cima dele. Nessa hora a porta abriu e Niall entrou no quarto
- Awn, que lindo! – ele disse, enquanto fingia secar uma lágrima.
- Oi, meu irlandês mijão favorito! – eu respondi e Nini me deu língua.
- Haha, muito engraçado, ! – Nialler disse, se fingindo de emburrado – Dá pra vocês adiantarem ai? A galera pediu pizza e a gente tá com fome!
- Ok! – respondi, me levantando da cama de vez e indo para sala comer pizza com os melhores amigos do mundo. Ou melhor, dizendo – indo comer pizza com a família que a vida me deu.
Capítulo Dez
- ELA DISSE SIM, CARAMBA! – Liam gritava totalmente louco e feliz no celular e eu quase podia ver o tamanho do seu sorriso no outro lado da linha.
- EU DISSE QUE ELA IA ACEITAR! – eu gritei de volta, rindo feito uma boba e fazendo a dancinha da comemoração. Sabe, você fica agitando os braços de um jeito estúpido e fazendo caretas retardadas. Se você nunca fez isso, você não é humano.
- Porra, , eu tô tão feliz! – Liam disse suspirando e eu sorri. Era muito bom ver meu menino feliz daquele jeito, de todos os garotos, ele era o mais romântico – E cara, se não fosse pelo seu apoio, eu nunca teria conseguido!
- Daddy, fico feliz por isso – eu disse sincera – Mas lembre-se que foi o Hazza que apresentou vocês dois – falei, sentando no sofá e ligando a tv.
- É, eu me lembro – ele riu – tenho que ligar pra ele e agradecer, afinal, ele que me apresentou a Danielle! – nós rimos e eu suspirei. Ver meu menino feliz daquele jeito me deixava tão bem.
- Hey, você tá quieta... Aconteceu algo? – Liam perguntou, parecendo preocupado.
- Não, claro que não! – eu respondi depressa – Só estou feliz por você, Lianno! – disse e ele riu aliviado.
- Eu sei, ! – ele falou e eu dei língua para o telefone. Como se ele fosse ver, mas enfim – Hey, vou ligar pra Dani agora! Depois nos falamos, ok?
- Ok! Amo você, beijo – depois de dizer um ‘eu amo você também’, Liam desligou e eu deitei no sofá. Fiquei uns cinco minutos deitada e já estava quase pegando no sono, quando a campainha tocou. “Quem será?” pensei e levantei contrariada. Abri a porta e Zayn estava parado em minha frente, com um sorriso do tamanho do mundo.
- – ele gritou e me abraçou, me levantando do chão.
- Oi, Zaz! – respondi rindo, enquanto era sufocada pelo abraço dele – Vas happenin? – falei, assim que ele me soltou e passou a se comportar como alguém normal.
- Fui na casa do Hazza e do Lou, mas eles não estão – Zayn disse, fazendo biquinho e ficando extremamente sexy – Posso ficar aqui? – perguntou, fazendo de repente a expressão do gato de botas.
- Claro, se joga – falei e ele foi correndo em direção ao sofá.
- Tô com fome, faz comida pra mim? – perguntou com um sorriso inocentemente falso.
- Folgado! – murmurei e joguei uma almofada nele, que riu. Levantei e fui em direção à cozinha. O que fazer para o esfomeado? Lembrei da caixa de leite condensado que tinha no armário e a peguei.
- Zaz, já comeu brigadeiro? – gritei da cozinha e ouvi um “Briga-o-quê?”. Deduzi que não e sorri sozinha. Peguei o achocolatado, a manteiga e o leite condensado, joguei tudo na panela e misturei. Zayn entrou pela cozinha, sendo guiado pelo cheiro gostoso que saía da panela.
- O que é isso? – perguntou, espiando a panela – Parece chocolate!
- Mas é chocolate! – respondi rindo – Se chama ‘brigadeiro’ e é a coisa mais gostosa do mundo.
- Tem cara! – ele respondeu rindo e se sentou na bancada da cozinha. Seu celular começou a tocar e ele atendeu – Nialler, meu delicia! Sim, tô na casa da e da . Não, não matei ninguém – Wtf? – A tá fazendo um tal de brigadão ou coisa do tipo – comecei a gargalhar e tirei o brigadeiro do fogo – Não, você não pode vir! Porra, você vai comer tudo! Niall, não e... – aparentemente Niall desligou o celular na cara de Zayn, que olhava indignado para o aparelho – Aquele viado irlandês vai comer tudo sozinho! – ele resmungou e eu tive uma crise de riso.
- Relaxa, tenho um estoque bom disso aí! – respondi e coloquei o brigadeiro pra esfriar em banho-maria. A campainha tocou e Zaz foi atender, voltando com Nialler.
- GATA BRASILEIRA! – ele me saudou como era de costume e abriu os braços.
- GATO IRLANDÊS! – eu disse e me joguei em cima dele.
- Hunf, comigo não fez isso... – ouvi Zayn resmungar e me joguei em cima dele.
- QUE LINDINHO – gritei e dei um beijo em sua bochecha.
- Quero saber não, vá ficar com o “Gato Irlandes” – Zayn disse com cara de nojinho.
- Ui, olha para o Badboy de Bradford! – Niall implicou, recebendo um soquinho no braço dado por Zaz – O que é isso, ?
- Brigadeiro! – peguei três colheres e dei uma para cada um – Podem atacar!
Niall aparentemente levou isso a sério e pegou uma quantidade enorme de brigadeiro. Zaz e eu o olhamos incrédulos, mas ele não ligou. Comi a minha parte e olhei para os meninos.
- CARA, ISSO AQUI É COISA DOS DEUSES! – Zayn disse, pegando imediatamente seu iPhone – Tenho que contar para o mundo!
- Como assim? – perguntei rindo, me servindo de mais brigadeiro.
Então, Zayn me mostrou seu twitter e eu tive de rir.
@zaynmalik1D Brigadeiro é meu novo doce predileto! Hahaha :) xxx Reparei no ‘1D’ do lado e fiquei curiosa.
- O que é 1D? – perguntei, olhando para ele e para Nialler, que a essa altura já estava todo sujo de brigadeiro.
- Ah, é a minha banda e dos meninos – ele respondeu, dando de ombros, mas percebeu meu olhar indagador. Que meninos? – Eu, Liam, Niall, Louis e Harry – disse, revirando os olhos. Claro, quem mais seria?
- Wow, vocês têm uma banda? – Eu nem sabia que eles cantavam ou tocavam algo.
- Sim, mas só nos apresentamos às vezes. É tipo um hobbie – Nialler respondeu, depois de engolir seu brigadeiro – Hey, podemos cantar pra você um dia desses!
- Claro! – respondi animada – Morria sem saber que vocês tinham uma banda, hunf!
- Woow, , é que nós não levamos muito a sério – Zayn respondeu rindo.
- Mesmo assim, caramba – fiz biquinho – 1D significa o quê?
- One Direction – para nossa surpresa, Louis respondeu, entrando na cozinha acompanhado por Liam, Harry e – E oi pra vocês também – BooBear disse, mandando um beijinho em nossa direção.
- Meu Deus, vocês amam a minha casa, hein? – brinquei e dei um selinho em Harry que fez uma expressão ofendida.
- Hunf, nós não somos bem-vindos aqui, é isso? – ele perguntou, parecendo estar indignado, colocando a mão sobre o peito dramaticamente.
- Claro que não são, vocês comem muito! – respondeu, me dando um beijo estalado na bochecha e sentando ao lado de Niall – Brigadeiro! – exclamou feliz e roubou a colher de Nialler, que resmungou.
- Epa, só o Nini come muito! – Liam disse, sentando-se do lado de Zayn e roubando a sua colher também – Cara, isso aqui é coisa dos deuses!
- Claro, meu bem, isso aí é Made In Brazil! – brinquei, levando um tapa na cabeça dado por Liam – Hey, que espécie de melhor amigo você é? – resmunguei, passando a mão em minha cabeça.
- O melhor do mundo! – Liam respondeu, se inflando todo.
- Falando nisso – Zayn começou – Quando vamos conhecer a famosa Danielle? – perguntou, colocando os braços em cima da bancada e apoiando seu rosto em suas mãos.
- Em breve – Daddy disse com um sorriso maior que a cara.
- Woow, que fofinho! – disse, apertando as bochechas dele, que ficou imediatamente vermelho – Não vejo a hora de apresentar meu namorado pra vocês! – ela falou e eu engasguei. Namorado? Como assim?
- QUE NAMORADO? – Louis gritou, sendo mais rápido que eu, ficando imediatamente vermelho.
- É, , que história é essa? – coloquei as mãos na cintura e fiz a minha melhor cara ameaçadora.
- Não sei, ainda não tenho, por isso que não vejo a hora de poder apresentá-lo! – respondeu, como se aquilo fosse óbvio, e Louis respirou aliviado, o que não passou despercebido por nós.
- Ainda bem, se fosse verdade, o nosso BooBear aqui ia morrer de enfarte aos vinte e dois anos! – Harry disse e Louis ficou totalmente vermelho de vergonha, sendo acompanhado por .
- Quieto, Hazza – Lou resmungou, olhando feio para Harry, que deu um sorrisinho inocente para ele. Quem vê, realmente pensa que Hazza era um anjo.
- Vamos fazer alguma coisa hoje? Quero sair, sei lá! – Zayn disse, se jogando novamente em meu sofá. Estávamos todos na sala, cada um jogado em um canto. Eu estava abraçada com Harry e com os pés em cima das pernas dele.
- Acho uma boa idéia, abriu uma boate nova aqui perto – Louis disse, se espreguiçando e colocando os braços ao redor de , que não reclamou.
- Ótimo, aí apresento Dani para vocês! – Liam exclamou animado, sentado ao lado de Niall.
- E finalmente vamos ver o requebrado das brasileiras! – Nini disse, batendo as mãos excitado – Mesmo que uma delas seja namorada de meu melhor amigo e a outra futura namorada de meu irmão – resmungou, afundando no sofá.
- Ohh, Nialller, nós super amamos você! – disse indo até ele e dando um abraço enorme. Perceberam que ela não reclamou da insinuação dele? Porque eu sim.
- Eu sei, sou o irlandês mais fofo e amável do mundo! Todas me amam! – Horan, o convencido falou, levando um pedala de Zayn – Lá vem vocês com essa mania de me bater, eu hein – reclamou, fazendo biquinho e arrancando risadas.
- E, então, vamos mesmo? – Zayn perguntou, olhando para nós, que confirmamos com a cabeça – Ótimo, vou me arrumar aí! – avisou para Louis e Harry que reviraram os olhos.
- Por mim tudo bem, desde que ninguém encoste em minha pequena – Hazza disse, me beijando e os meninos fizeram um ‘awwwn’ muito gay. Preciso arranjar amigos normais urgentemente, sério!
- Impossível, baby – disse, o provocando – Quando tá por perto, todos os homens babam!
- Com certeza, babam de medo de mim! – eu disse, recebendo duas almofadas na cara – AI! – reclamei, devolvendo para Liam e – Não gosto mais de vocês – fiz drama.
- Realmente, você não gosta da gente – Liam disse – Você nos ama! – finalizou, e ele e fizeram um ‘high-five’. Babacas, porém verdadeiros.
Não tive como dizer não a isso, e simplesmente ocupei minha boca beijando o Harry. Ficamos conversando bobagens, até Hazza tocar no assunto ‘Pedro’.
- Aquele babaca ainda te procura? – ele perguntou, se fingindo de desinteressado – Sei lá, só por curiosidade mesmo – disse, dando de ombros.
- Não, ele nunca mais me ligou – eu respondi e me virei para ele – E mesmo que me ligasse, não iria adiantar de nada – continuei e Harry me encarou – Porque eu tenho o namorado mais perfeito desse mundo e não o troco por nada – terminei e Harry sorriu.
- Sabe, a cada dia que passa eu tenho mais e mais certeza de que você é a mulher da minha vida – meu príncipe disse e eu sorri de forma boba e apaixonada. Não tem como não se encantar com aquele homem em minha frente que conseguia se tornar perfeito a cada instante.
- Eu tenho é sorte de te ter ao meu lado, meu curly – falei, dando um selinho nele. Ficamos nos beijando e esquecemos que tinha outras pessoas no aposento.
- Pelo amor de Deus, arranjem um quarto! – Louis reclamou, jogando uma almofada na gente. Hoje era o dia nacional do arremesso de almofadas ou era só impressão minha?
- Não temos culpa se vocês não namoram! – Harry disse dando língua para Louis.
- Epa, eu namoro agora! – Liam disse, levantando os braços de forma retardada. E ele ainda dizia que era o mais maduro de todos nós. Nessas horas que eu duvidava disso.
- É, Liam agora é hétero! – Zayn brincou e nós rimos.
- Fica nessa, ontem de noite ele me procurou! – Niall falou fazendo voz safada.
- Sabe como é, tinha que rolar a despedida, Nialler! – Liam disse piscando safado para Nini.
- Vocês me enojam – Harry disse fazendo cara de desgosto.
- Sim, Larry! – Zayn falou e eu gargalhei. Apelidados Harry e Louis de Larry, porque os dois eram muito gays juntos às vezes.
- Hey, eu tenho namorada pra mostrar que sou macho! – Hazza tentou se defender e eu o olhei indignada.
- Então, eu só sirvo pra isso? – perguntei, arqueando a sobrancelha e olhando ameaçadoramente para ele.
- Poxa, , você descobriu nosso segredo! – Louis disse, se jogando em cima de Harry e o olhando de forma apaixonada – Somos apaixonados um pelo outro, mas não queríamos te magoar! – disse dramaticamente.
- Poxa, Louis, e eu achando que você era macho mesmo... – disse, se fingindo de triste e olhando para mim – Pelo jeito vou ter que descontar minhas frustrações sexuais na ! – ela disse, me olhando safada.
- Opa, vem que tem, delícia! – respondi, dando uma piscadinha pra ela e lambendo os lábios de forma sensual. Quer dizer, pareceu ser sensual...
- , faça isso de novo e eu te agarro! – Niall disse e eu me escondi atrás de Harry, que mandou o dedo do meio pra ele.
- E você volta pra Irlanda dentro de um caixão, duende do mal! – Hazza ameaçou e eu ri.
- Que namorado mais bobo e ciumento eu fui arranjar, omg! – brinquei e me aninhei novamente em seus braços.
Ficamos conversando até sete da noite, quando resolvemos nos arrumar para sair. A noite seria longa, e eu e ainda iríamos escolher a roupa que usaríamos. Nossa sorte foi que saímos para fazer compras uma semana antes e ainda tínhamos roupas novas.
Fui para meu quarto e abri meu guarda roupa, procurando pelo meu vestido novo. Ele era preto e justo, mas com um leve babado na barra. Procurei minha sandália de salto alto preta e coloquei perto da cama. Fui para o banheiro e me despi, ficando nua de frente para o espelho. Foi ai que passei a analisar meu corpo e cheguei a conclusão de que estava gorda.
Minhas pernas estavam enormes e eu tinha curvas novamente. Minha bunda estava o dobro do tamanho normal e meus seios estavam redondos, assim como minhas bochechas. Olhei automaticamente para a minha escova de dentes e quase inconscientemente a peguei. Olhei para o vaso sanitário e para a escova em minha mão, começando a tremer. Respirei fundo e quando já estava quase tomando a decisão mais errada do dia, ouvi a porta do meu quarto abrindo e a voz de me gritando.
- , me empresta teu brinco prata? – minha amiga perguntou, entrando no meu quarto e já vasculhando minhas coisas.
- Claro – respondi com a voz fraca – Tá dentro da gaveta da cômoda, pode pegar – falei, dessa vez com a voz um pouco mais forte.
- Tá tudo bem aí? – perguntou preocupada. Droga, eu nunca consigo esconder nada dela.
- Tá sim, vou tomar banho e daqui a pouco saio! – respondi, respirando fundo, colocando a escova de dentes no lugar e entrando no boxe. Ouvi dizer alguma coisa, que eu não entendi o que era, e liguei o chuveiro. A água caiu sobre meu corpo e eu estremeci. Logo senti as lágrimas invadirem meus olhos e quando menos esperava, eu já estava soluçando. Merda, eu tinha que me controlar ou iria perceber tudo! Respirei fundo umas quinhentas vezes, controlei minha respiração e saí do boxe já devidamente banhada. Me enxuguei rapidamente e lavei meu rosto com água fria para disfarçar a vermelhidão dos meus olhos. Cinco minutos depois saí do banheiro e fui me vestir.
Coloquei o vestido, a sandália e fui me maquear. Quando já estava colocando a base, entrou no meu quarto e me olhou de forma mandona.
- Nada disso, pode deixar que eu faço! – ela disse, e eu sentei obedientemente na cama, esperando a sessão tortura começar. Uns quinze minutos depois eu já estava pronta, maquiada e arrumada, só esperando terminar de dar os retoques finais na maquiagem dela. Quando ficamos oficialmente lindas (segundo ), nos encaramos. Caralho, minha amiga era gata pra caramba! estava com um vestido vermelho vinho tomara-que-caia, justo e curto, e com sapatos de salto alto pretos. Usava uma maquiagem leve, assim como eu, somente destacando os olhos.
Eu tinha que admitir que também estava muito bonita, porém, não tanto quanto . Meu vestido era justo no busto e a maquiagem que tinha feito me dava um ar de menina-moleca; nossos cabelos estavam soltos com leves cachos nas pontas. Sorrimos uma para a outra e ouvimos a campainha tocar.
- Acho que está na hora desses meninos terem uma cópia da chave aqui de casa! – disse e eu concordei rindo. Abrimos a porta e instantaneamente a conversa cessou. Os cinco nos olhavam com cara de idiotas, de queixo literalmente caído.
- Uau! – Harry exclamou, olhando para mim – Minha namorada é uma deusa! – ele disse e eu gargalhei.
- , nada de sair de perto de mim! – Louis disse, fazendo cara de bravo – Essa noite eu vou te proteger – ele falou e pudemos perceber todas as suas intenções com essa frase.
- Caramba... – Liam começou – Vocês estão... – Foi a vez de Zayn - ... Incríveis! – Niall concluiu.
- Sério, se vocês não fossem nossas amigas... – Zayn falou, Louis e Harry olharam feio para eles – Ops, melhor eu ficar quieto! – ele disse, levantando as mãos para o alto como se estivessem se rendendo sob o olhar ameaçador dos ciumentos.
- Acho bom! – Hazza disse, me abraçando por trás e beijando meu pescoço – Porque essa aqui, sinto muito, já tem um namorado! – ele disse, mordendo minha orelha e me deixando arrepiada.
- E essa aqui tem um... Amigo muito ciumento! – Louis falou, piscando para que ficou corada. Aposto todas as minhas libras que esses dois se pegam legal hoje.
- Vamos logo! Danielle já vai chegar! – Liam disse com um sorriso enorme.
- Vamos segurar vela, Zaz! – Nialler falou, fazendo cara de sofrimento.
- Só se for você! – Zayn respondeu, fazendo cara de safado.
Fomos todos no carro de Liam, mas dessa vez Niall não se mijou, o que foi de muito bom grado. Chegar mijado na balada não deve ser algo muito bom, eu acho.
Finalmente chegamos na boate depois de muitos gritos, risos, brincadeiras e tapões em Nialler. E, CA-RA-LHO! O que era aquilo? O lugar era monstro e estava lotado de gente! Será que conseguiríamos entrar?
- Relaxem, sou amigo do gerente! – Zayn nos disse, indo em direção contrária a fila e falando nossos nomes para o segurança. Dois minutos depois já estávamos dentro da boate e Harry se apertava contra mim, como se tivesse medo de me perder ali dentro.
- Vou beber! – Nialler disse e Zayn foi com ele em direção ao bar.
- Vou encontrar Dani, encontro vocês depois! – Liam falou e se embrenhou no meio do mar de gente.
- Vamos dançar? – Louis perguntou, olhando para , para mim e Harry.
- Vamos! – respondemos e eu saí puxando Hazza até o meio da pista.
Colamos nossos corpos e dançamos conforme a batida da música. Harry colocou as mãos ao redor da minha cintura e eu coloquei as minhas em seu pescoço, juntando ainda mais nossos corpos. Era como se não houvesse mais ninguém ali, somente nós dois. Quando “Sexy and I know it” começou a tocar, esquecemos de tudo e dançamos loucamente. Começamos a nos beijar e nossas línguas dançavam em um ritmo quente e envolvente.
- Opa, olha só ali... – Hazza murmurou depois que nos separamos, apontando para e Louis que agora se beijavam de forma fervorosa. Ri e comemorei. Finalmente!
- Até que enfim! – eu disse e Harry concordou, preferindo voltar a me beijar. Estava tudo indo muito bem, até que alguém esbarrou com força em nós dois.
- Opa, foi mal! – a pessoa falou – ! – disse me reconhecendo.
- Xande! – respondi sorrindo e senti Harry me abraçar com força – Esse é meu namorado Harry – me apressei para apresentar; não estava afim de brigas.
- Opa, prazer! – Xande disse e eu percebi seu sorriso diminuir um pouco – Aquela ali é ? – ele perguntou rindo, apontando para minha amiga e Lou que ainda se beijavam.
- Sim! – respondi rindo.
- Hey, nos vemos depois, vou beber algo - Xande gritou e se afastou, se perdendo na multidão que dançava descontroladamente.
- Também quero beber! – Harry falou, me puxando em direção ao bar. Pedimos duas cervejas e, enquanto esperávamos, ficamos nos beijando. Senti então uma mão puxar Harry e olhei para trás, imaginando ser um dos meninos. Qual não foi a minha surpresa ao me deparar com uma loira oxigenada que aparentava ser bem mais velha que nós.
- Hazza, que surpresa! – ela falou, me ignorando completamente, olhando para Harry que parecia tão surpreso quanto eu.
- Caroline – ele disse, dando um fraco sorriso – Que surpresa mesmo.
- Pois é, quanto tempo! – Caroline disse com um sorriso que seria capaz de rasgar a sua cara. E eu juro que não ia reclamar se isso acontecesse.
Apertei a mão de Harry e ele logo se recuperou do choque.
- Ahn, sim – falou sem jeito – Essa é minha namorada ! – falou com firmeza, me colocando em sua frente e me dando um beijinho – , essa é Caroline Flack, uma amiga antiga minha – continuou.
- Amiga? – Caroline perguntou, se fingindo de ofendida – Sou sua ex namorada, Hazza! – disse, dando uma gargalhada forçada.
- Prazer – eu falei, me controlando para não pular no pescoço daquela vadia – – dei um sorrisinho cínico e respirei fundo. Sim, eu era muito ciumenta.
- O prazer é meu, querida – ela falou, devolvendo meu sorriso de uma forma igualmente cínica.
- Er, então, já vamos – Harry disse, pegando nossas cervejas e pagamos – Nos vemos por ai – falou por educação.
- Com certeza – a vadia respondeu cheia de segundas intenções. Eu já ia retrucar, mas Harry me puxou, sentindo que a qualquer momento eu ia voar em cima da vaca.
- Muito simpática ela – eu disse, ironicamente, revirando os olhos.
Harry parecia se divertir com a situação e não conseguia esconder o sorrisinho malicioso.
- Você fica linda com ciúmes, sabia? – ele me provocou, me colocando sentada em seu colo e beijando meu pescoço.
- Não tô com ciúmes – retruquei só de birra – Só estou cuidando do que é meu – falei, dando um longo beijo nele.
- Seu? – ele perguntou.
- Sim – respondi – Meu – disse e colei nossos lábios novamente. Depois desse incidente, nossa noite foi perfeita, com direito a Niall ficando com uma francesa e Zayn dando em cima de um travesti, Liam e Dani – que era uma fofa por sinal – se declarando um para o outro e Louis e se pegando de forma selvagem.
Já era de madrugada quando chegamos na casa dos meninos, já que resolvemos dormir todos por ali. Dei boa noite aos meninos, tomei um banho e me joguei na cama de Harry. Estava usando uma camisa social dele e uma cueca.
- Tem certeza que quer dormir? – Hazza me perguntou depois de sair do banho, se jogando do meu lado.
- Claro que não – respondi maliciosa, grudando nossos corpos e indo em direção ao paraíso com o meu namorado.
Capítulo 11
Meu corpo todo estava doendo, e por algum motivo desconhecido. Abri os olhos e por meio minuto fiquei completamente confusa; por mais desnorteada e lerda que eu fosse, aquele definitivamente não era o meu quarto. Foi então que eu olhei para o lado e vi Hazza dormindo, com a boca levemente aberta, ressonando baixinho. Sorri e continuei encarando aquele anjo em forma de homem que estava ao meu lado. Me levantei com todo o cuidado do mundo, fazendo o mínimo de barulho possível, peguei minhas roupas, me vesti e saí do quarto. Chegando na sala, encontrei Liam e Niall dormindo no sofá e Zayn jogado no chão. Ri baixinho e saí do apartamento. Por algum motivo, eu sentia que precisava ficar sozinha.
A noite de ontem tinha sido obviamente maravilhosa. Tirando é claro, a parte em que encontramos a ex nojenta do Harry, a tal da Caroline. Pode ser só ciúmes meu, mas eu não fui com a cara dela. E é claro, eu não pude deixar de perceber o quanto ela era bonita, mesmo sendo muito mais velha. Ah, finalmente entendi o porque da minha vontade de ficar sozinha.
Eu estava insegura.
Deixa eu explicar uma coisa: sempre que eu ficava nervosa, insegura ou estressada, eu me isolava. Acho que era uma maneira de evitar descontar minhas frustrações nas pessoas erradas. E nessas pessoas estão incluídas Hazza e os meninos, é claro. já estava mais do que acostumada com minha cavalices.
Entrei no meu quarto e entrei correndo no banheiro. Precisava urgentemente de um banho. Me despi, ficando apenas de calcinha e sutiã, e me olhei no espelho. Foi então que me ocorreu um pensamento estranho, mas ainda assim certo.
Eu estava gorda.
E pelo o que eu pude reparar, Caroline não era gorda. Ao contrário, era muito magra e muito bonita.
Senti meu estômago embrulhar e tudo o que eu havia comido na noite de ontem querer voltar. Eu sabia que aquilo era errado, mas não tinha como evitar. Aquela parecia ser a ocasião perfeita para cometer esse erro, já que estava dormindo com o Louis, no apartamento dele e do Hazza, e ninguém sentiria a minha falta.
Fui em direção a pia, peguei minha escova de dentes, ajoelhei em frente ao vaso sanitário e respirei fundo. Depois de tantos meses sem fazer aquilo, fiquei com medo de ter perdido a prática. Fechei os olhos, abri a boca o máximo que pude e fiz minha primeira tentativa. Enfiei minha escova o máximo que consegui, até sentir a primeira ânsia de vomito. Meus olhos se encheram d’água e minha garganta ardeu, mas não me importei. Nunca conseguia na primeira tentativa.
Enfiei a escova pela segunda vez, e dessa vez senti uma ânsia ainda maior. Me curvei sobre a privada, e esperei pelo vomito. Tentei mais duas vezes e na quinta tentativa, deu certo. Vomitei. Saiu aquela gosma branca, já que meu estomago estava vazio desde ontem, mas ainda assim me senti mais leve. Respirei fundo mais uma vez, e enfiei novamente minha escova de dentes goela abaixo. Vomitei de novo, e de novo, e de novo...
Só parei quando não tinha mais forças. Foi então que eu caí na real. Eu tinha vomitado, depois de mais de 6 meses sem fazer isso. Me senti fraca, suja, perdida, desnorteada. Foi então que eu olhei para a porta do banheiro e levei o maior susto da minha vida: Liam estava ali, me encarando, e em seu olhar havia uma mistura de dor, raiva e pena. Comecei a chorar com ainda mais força e meu melhor amigo finalmente se mexeu, vindo me abraçar.
POV LIAM
Acordei relativamente cedo, depois da festa de ontem. Tentei me levantar, mas senti um peso em cima de minhas pernas – Niall tinha se jogado por cima delas, me fazendo de travesseiro. Dei um chute no duende, que acordou e reclamou.
- Porra, podia só ter me cutucado, né? – ele disse, me mandando o dedo do meio.
- Ué, mas eu te cutuquei... – respondi rindo e Niall fechou a cara pra mim. Olhamos para Zayn, que dormia inocentemente no carpete, e sorrimos. Peguei uma almoçada e Niall outra, e então fomos para cima de nosso amigo.
- ACOOOOOORDA, FELA DA PUTA! – Niall gritou, dando uma almofadada na cara de Zayn, enquanto eu dava outra em suas costas.
- ACORDA, ZAZ! – eu gritei também, e finalmente Zayn esbanjou um sinal.
- Caralho, não se pode mais dormir em paz não? – Ele reclamou, levando outra almofadada do Niall – Vai pra porra, Horan, me deixa dormir! – ele disse, tentando bater na perna de Niall, que apenas ria.
- Levanta, meu filho! A gente ainda tem que ir pra casa – eu falei, rindo do mal humor dele.
Zayn finalmente levantou, depois de muito reclamar e foi ao banheiro, tomar banho e escovar os dentes. Niall obviamente foi para a cozinha, fazer o que ele sabe de melhor: comer. Fui me juntar a ele, e enquanto preparava nosso café, senti meu celular vibrar. Quando vi ‘Nova mensagem Danielle s2’ no display, sorri sozinho. É, eu estava apaixonado.
- Cara, você tá me assustando – Niall disse, me olhando com uma expressão engraçada – Desde quando você fica com essa cara de viadinho olhando para o celular? – me perguntou, enquanto mastigava.
- Desde quando eu estou namorando – eu respondi tranquilamente – E ela não me acha nenhum viadinho! – eu disse, me servindo de pão.
- Ué, você ainda não falou dos seus fetiches sexuais pra ela? – Zayn perguntou, entrando na cozinha e eu mandei meu dedo do meio pra ele, que apenas riu e me ignorou.
Eu sempre sou ignorado aqui, impressionante.
- Bom dia! – a voz de nos saudou, sendo acompanhada por um Louis completamente feliz e sorridente. O que uma noite de sexo selvagem não faz com a pessoa, não é mesmo?
- BOM DIAA – Louis gritou, abrindo os braços para nós, e pulando em cima de Zayn – Cadê o Hazza e a ? – ele perguntou, dando um beijo na bochecha de Niall. Depois eles veem me chamar de gay, acho isso incrível.
- Acordamos agora, acho que eles ainda estão dormindo – Zayn respondeu, colocando suco.
- Cara, vocês tem que fazer compras, isso aqui tá um deserto! – Niall reclamou, enquanto comia seu segundo pão.
- Engraçado, fizemos compras essa semana, mas você já comeu tudo! – Louis disse e Niall se fingiu de ofendido. Eu apenas rir, já estava acostumado com aqueles idiotas.
Peguei meu celular e li a sms de Dani. “Bom dia, vida!” ela escreveu e eu sorri feito um bobo. É, eu sou romântico.
“Bom dia, minha linda” respondi para ela, e guardei meu celular. Era capaz dos meninos me zoarem, se percebessem a minha cara de idiota, olhando para a tela do celular.
- Hey, cadê a ? – foi esse o bom dia do Hazza para nós, assim que entrou na cozinha.
- Bom dia pra você também! – eu disse ironicamente – Acho que ela acordou mais cedo e foi para casa – falei, dando de ombros.
- Estranho... – Harry disse, bocejando logo em seguida – Daqui a pouco eu passo na casa dela então.
- Hey, a casa também é minha! – reclamou e nós rimos – Hunf, sou excluída da sociedade, odeio vocês!
- Nada disso, nós também te amamos! – eu falei, levantando e dando um beijo em sua bochecha, recebendo um olhar feio de Louis – Nem vem, Boo Bear! A também é minha!
- Sua uma ova! – Louis falou, indo para o lado de za e abraçando ela – Ela é totalmente minha e eu não divido com ninguém! – disse, superprotetor e nós rimos.
Tomamos café e já estávamos indo embora, quando senti falta da minha carteira. Então lembrei que tinha deixado ela com ontem a noite, já que Dani estava sem bolsa e meu bolso estava furado.
- Galera, será que a tá acordada? – perguntei, recebendo um ‘não sei’ de .
- Porque? – Harry perguntou, erguendo a sobrancelha de forma indagadora.
- Porque eu tenho desejos sexuais por ela e resolvemos fugir juntos para o Alabama – respondi e todos riram, inclusive Hazza – Esqueci minha carteira com ela, cabeção! – falei, também rindo.
- Pega a minha chave e passa lá, Leeyum! – falou, ainda rindo – É capaz da tá dormindo ainda!
- Ok!- levantei e peguei a chave, indo em direção a porta – Vocês, por favor, me esperem! – disse para Liam e Zayn, que nem se deram o trabalho de me responder.
Cheguei no apartamento delas, abri a porta e procurei pela bolsa de pela sala. Não achei, e cheguei a conclusão de que teria que invadir o quarto de minha amiga.
- ? – perguntei, batendo na porta. Não obtive resposta e tentei mais uma vez. Nada. Abri a porta devagarzinho e achei a bolsa em cima da cama. Fui até lá, peguei minha carteira e já estava de saída, quando ouvi um barulho estranho vindo do banheiro. Parecia que era alguém vomitando.
Gelei na hora.
Eu sabia que a tinha bulimia, e que estava em tratamento. Eu tinha plena consciência de que ela não estava completamente curada de sua doença e que ainda precisava de todo apoio e cuidado que pudesse ter.
Fui em direção ao banheiro, abri a porta e a cena que eu vi eu nunca vou esquecer.
estava ajoelhada sobre o vaso, com a escova de dentes na mão, chorando. Estava só de calcinha e sutiã, mas eu não me importei com isso. Quando ela olhou para a porta e me viu, seu choro intensificou e a única reação que eu tive, foi de ir até ela e abraçá-la.
- Me desculpa, me desculpa – ela repetia incansavelmente, enquanto chorava.
- Shiu...- respondi, enquanto passava a mão em seus cabelos, e sentia ela tremendo. O que eu mais queria era poder tirar toda a dor, toda a insegurança, toda a tristeza que minha amiga tinha. Peguei ela no colo, e a levei para a sua cama. se agarrou em mim, e eu passei meus braços ao seu redor, dando um abraço forte, tentando tranquilizá-la.
Ver ela daquela forma, tão fraca e vulnerável, me acabou. Mais do que uma simples amiga, tinha se tornado minha irmã e eu a amava como se ela fosse uma, de fato. Eu já tinha duas irmãs, e não conseguia imaginar se alguma delas tivesse o mesmo problema que .
- Calma, eu tô aqui... – eu falei, tentando tranquiliza-la. apenas chorava e escondia seu rosto em meus ombros, parecendo perdida e envergonhada com a situação.
- Eu não sei o que aconteceu comigo, eu... – ela falou, mas não conseguiu continuar. Chorou ainda mais e eu a abracei com mais força.
- ... – eu falei, depois de algum tempo, e depois dela ter se acalmado um pouco – Eu sei que é difícil, sei deve ser doloroso... Aliás, eu não sei, porque nunca passei por isso. – eu falei, e ela sorriu um pouco – Mas se tem uma coisa que eu sei, que eu tenho certeza aliás,é que você não tá sozinha – continuei, e olhei carinhosamente para ela – Eu, o Harry, o Niall, Zayn, Louis e a , estamos aqui com você. Nós te amamos, te apoiamos e te queremos bem. E nunca, ouça bem, NUNCA, iremos te abandonar, entendeu? – eu disse, e ela voltou a chorar – Caramba, me desculpa, eu não queria te fazer chorar, eu... – fiquei desesperado, eu sou uma anta mesmo. Em vez de fazer a menina parar de chorar, consegui piorar tudo! – Caramba , para de chorar, pelo amor de Deus! – fiquei desesperado e ela parou de chorar, começando a rir.
- Desculpa, Daddy – ela falou, me olhando nos olhos, e eu percebi o quanto a minha menina tava perdida – Eu não sei o que me deu, eu me lembrei de Caroline ontem, e vi que ela era linda e magra, enquanto eu sou gorda e... – ela respirou fundo e fechou os olhos. A abracei novamente, e descansou sua cabeça em meus ombros.
- Em primeiro lugar, você não é gorda. Você é linda! – eu falei, e percebi que aquilo estava soando clichê ao extremo – Só não é mais linda que a Dani, mas ainda assim... – tentei brincar e percebi que ela deu um meio sorriso – Em segundo lugar, a Caroline não é nada em comparação a você! – disse, dando um sacudida leve nela – em todos os sentidos! O Harry é completamente louco e apaixonado por você, . – eu falei, olhando carinhosamente para ela, recebendo um sorriso lacrimoso em resposta.
- Obrigada, Leeyum – ela disse e se jogando em cima de mim e me dando um abraço apertado. Então ouvimos a porta se abrir e me deparei com Harry nos olhando de forma ameaçadora e fiquei sem entender o porquê.
Aí eu me lembrei que a estava só de calcinha e sutiã.
Fodeu.
Capítulo 12 POV
- Desculpa interromper vocês dois – Harry disse com uma voz que não parecia dele. Nos olhava com raiva e desprezo e eu senti meu corpo todo gelar.
- Harry... – Liam tentou falar, mas Hazza saiu rápido de meu quarto, e Liam foi correndo atrás dele. Me desesperei de vez. Aquilo tudo era culpa minha! Se eu não tivesse tido essa merda dessa crise, Liam não me encontraria de calcinha e sutiã no banheiro e nada disso teria acontecido! Peguei o primeiro short e a primeira blusa que encontrei, e fui correndo atrás deles dois.
Cheguei no apartamento do Hazza e dei de cara com ele e Liam gritando um com o outro.
- ELA É MINHA NAMORADA, CARALHO! – Harry gritava, apontando pra Liam, que parecia ofendido – MINHA NAMORADA! PORRA, EU NÃO ACREDITO NISSO! – Hazza continuou – VOCÊ NÃO RESPEITOU NEM A PORRA DO SEU MELHOR AMIGO!
- ESCUTA AQUI, STYLES! ELA É MINHA MELHOR AMIGA, E VOCÊ ENTENDEU TUDO ERRADO! – Liam gritou de volta, assustando a todos, já que ele é sempre calmo – E EU NUNCA, NUNCA!, TRAIRIA VOCÊ OU ALGUM DOS MENINOS, BABACA! – falou, perdendo a paciência e erguendo o dedo para Harry.
- AH, NÃO? E EU POSSO SABER QUE CENINHA FOI AQUELA QUE EU VI AGORA? – Harry perguntou, fora de si, enquanto ia para cima de Liam. Louis e Niall seguraram ele, enquanto Zayn tentava acalmar Liam, que parecia louco de raiva também.
- VOCÊ ENTENDEU TUDO ERRADO, SEU PANACA! – Liam disse, tentando se soltar de Zayn.
- ERRADO É O CARALHO, PAYNE! – Hazza respondeu, enquanto era arrastado por Louis e Niall – EU VI VOCÊS DOIS JUNTOS, PORRA!
- ELE TAVA ME AJUDANDO, HARRY! – não aguentei aquela situação toda e gritei, me fazendo ser percebida por todos – O LIAM SÓ TAVA ME AJUDANDO!
- Ah, claro! – Hazza disse ironicamente, empurrando Louis – E você estava semi nua porque mesmo? Calor? – continuou, com um tom de voz que não parecia ele. assistia a tudo atônita, assim como os meninos.
- EU TAVA VOMITANDO, SEU IMBECIL! – eu gritei, e Hazza parou de tentar empurrar Louis e Niall – EU TAVA VOMITANDO, E LIAM ME ENCONTROU NO BANHEIRO, NAQUELE ESTADO! – eu disse, sentindo as lagrimas invadirem meus olhos – ELE ME AJUDOU, ELE ME ANIMOU E SABE PORQUE? POR QUE ELE É COMO SE FOSSE UM IRMÃO PRA MIM E VIRCE-VERSA! – gritei, olhando com raiva para ele. Liam olhou com raiva para Harry, e a mágoa era visível em seu olhar.
- Eu nunca te trairia, Harry. Você e os meninos são como minha família. é como se fosse minha irmã. – ele falou e saiu do apartamento, sem dar chances para Harry. Zayn e Niall foram atrás dele, dando um ‘tchau’ apressado para nós.
Hazza parecia sem ação. Me olhava boquiaberto, como se nunca houvesse me visto.
- Vocês... eu... – ele tentou falar, mas eu não quis ouvir. Dei um olhar magoado para ele, e saí do apartamento, sendo seguida por , que permaneceu calada.
Chegamos e eu me joguei no sofá, chorando como nunca. Eu era uma idiota, e tinha conseguido estragar tudo! se sentou do meu lado, e eu encostei minha cabeça em suas pernas, enquanto chorava copiosamente. Minha amiga fazia carinho em meus cabelos, tentando me acalmar.
- Calma, ... – ela falava – O Hazza foi um idiota, mas as coisas irão ficar bem, você vai ver... – falou carinhosamente, me dando um beijo no topo da cabeça.
- Eu não acredito que ele desconfiou de mim e do Liam! – desabafei, tremendo de raiva – De mim e de um dos melhores amigos dele, ! – falei, indignada.
- Eu te entendo, , mas também entendo o lado dele! – ela falou, e eu olhei zangada para ela – Nem vem! Ele encontra você e o Leeyum abraçados, você seminua e ia pensar o que? – ela falou, como se explicasse isso a uma criança que dois mais dois é igual a quatro.
- Mesmo assim! Caramba, todo mundo tá cansado de saber que eu e o Liam somos como irmãos! – eu disse, como se aquilo fosse óbvio.
- Sim, mas tente se colocar no lugar dele! – disse e eu levantei de seu colo, indo em direção ao meu quarto, deixando minha amiga sozinha na sala. Eu sabia que ela tinha se arrependido, mas também sabia que ela tinha razão. Se fosse o contrário, eu também ia ficar puta da vida, porém não ia dar o braço a torcer nunca.
Me joguei com tudo na cama, sem tomar banho mesmo e voltei a chorar. Senti minhas pálpebras pesarem, e em pouco tempo, fui dominada pelo sono e pelo cansaço.
******
Sabe quando você tem aquela sensação de que tá sendo observado? Então. Foi com essa sensação estranha, que eu fui despertada do meu sono. Abrir os olhos e me deparei com meu quarto completamente escuro. Já era noite e eu tinha dormido boa parte do dia. Olhei para o canto da minha cama e tomei um susto ao ver uma sombra parada ali, me encarando. Já ia gritar, quando aquela voz tão conhecida falou comigo.
- Me desculpa. – Hazza disse, vindo em minha direção. Fiquei sem reação, ainda estava meio sonolenta, então desviei meus olhos dele. Levantei calmamente, fui em direção ao banheiro, lavei meu rosto e escovei meus dentes. Quando saí de lá, Harry ainda estava sentado em minha cama, olhando para o teto, perdido em pensamentos.
- Você foi um idiota – eu disse, e minha voz saiu rouca – Nunca que eu iria te trair, ainda mais com o Liam! – falei, sentindo minha raiva voltar – Você foi injusto, idiota, e grosso! – despejei toda a minha raiva nele, mas me arrependi assim que vi que Harry chorava silenciosamente.
- Eu sei que fui um filho da puta – ele disse, sua voz mais rouca do que nunca – Mas , tenta me entender! – continuou, levantando da cama, e vindo em minha direção – Eu morro de medo de te perder, e no fundo sempre tive ciúmes dessa sua amizade com o Liam, as vezes parece que vocês se entendem só com um olhar! – ele disse, e eu o olhei surpresa. Pelo amor de Deus! – Eu sei que isso é babaquice, e que eu fui idiota ao extremo – Harry disse, parando para respirar e me olhou nos olhos – Mas eu tenho medo de te perder, caralho. Eu tenho medo que um dia você acorde e por algum motivo, pense que eu não sou o cara certo pra você. Eu te amo, meu maior medo é viver sem você do meu lado. – ele falou e eu senti meu coração encolher e inchar. Fiz então a coisa que me pareceu mais certa naquele momento: me joguei em cima de Harry, o abraçando. No instante seguinte, senti seus lábios tocarem os meus, de maneira urgente, quase que desesperada.
- Me desculpa, por favor... – Harry disse, depois que nos separamos, colando sua testa a minha – Eu fui tão estúpido...
- Relaxa, já acabou – eu disse, dando um selinho nele – Eu te amo também, muito – falei, e ele sorriu, suspirando aliviado.
- Eu juro que nunca mais isso vai acontecer, sério – ele falou e me abraçou. Senti meu corpo todo se arrepiar com o seu toque, poderia passar mil anos, que Harry sempre teria aquele efeito sobre mim.
- Só prometa o que você pode cumprir, ciumentinho – eu falei, e ele riu, constrangido – Já falou com o Liam? – me separei dele, e o encarei.
- Sim – ele parecia constrangido – Eu falei com ele antes de vir pra cá, e ele me explicou tudo... Me sinto um babaca, apenas – falou, suspirando.
- Você realmente é um babaca – eu disse e ri – Mas é o meu babaca! – falei, dando um beijo nele – As coisas estão bem entre vocês?
- Sim – Harry respondeu e eu respirei aliviada – Na realidade, foi bem gay... Nós cinco nos abraçamos e choramos – ele falou, e eu ri – Nunca brigamos, em anos de amizade... Então foi estranho.
- E tudo isso por minha culpa! – eu falei, encostando minha cabeça em seu peito – Sou uma tonta mesmo!
- Nada disso, a culpa foi minha, que resolvi agir feito um maluco ciumento! – Harry disse, me fazendo olhar para ele – Liam me disse o que aconteceu com você e me explicou o motivo – ele falou, e eu olhei para baixo novamente.
- Harry, olha... – eu comecei a falar – Foi apenas um momento, ok? Eu já estava frágil, e essa ideia já estava em minha mente, então foi como se eu precisasse de um motivo para fazer isso – falei, sentindo meus olhos se encherem de água novamente. Meu Deus, como eu era chorona!
- Olha pra mim – Harry pediu, erguendo meu rosto com cuidado e me fazendo olhar para ele. Me perdi em seus olhos verdes, tão profundos e sinceros, que me pareciam com olhos de anjo – Caroline foi apenas uma mulher em minha vida – ele disse, me encarando profundamente – Já você, é a mulher da minha vida. Entendeu a diferença? – perguntou e eu sorri, sentindo as borboletas em meu estomago voarem – Você é linda, e é perfeita para mim, .
Ficamos nos beijando e falando coisas fofas – ou melosas, como diria Niall – um para o outro, até sermos interrompidos por Louis.
- Owwwn, que bom que o casal fofura se reconciliou! – Lou disse, parado em frente a minha porta, nos olhando com uma cara engraçada – Agora vamos todos para a sala comer pizza, sim? – ele falou e nós rimos.
- Vamos, Boo Bear! – eu disse, levantando da cama e pulando em cima dele, sendo seguida por Harry.
- – Zayn me gritou, vindo todo feliz em minha direção – Como é que a minha bonequinha mais linda está? – perguntou, todo carinhoso. Já disse que meus amigos são uns lindos?
- Estou ótima! – respondi, dando um beijo na bochecha dele – Oi, Dani! – reparei na bela morena que estava parada ao lado de Liam e sorri para ela.
- Oi, ! – ela disse, toda tímida, me dando dois beijinhos na bochecha.
- Bem vinda ao hospício! – eu falei, a fazendo rir e recebendo um tapa, dado por Liam.
- Aii! – reclamei, massageando o local onde ele bateu – Isso doeu, Leeyum! – falei, dando língua para ele.
-Era essa a intenção, oh tontinha! – ele respondeu e me abraçou – Está tudo bem entre você e o Hazza? – ele sussurrou para mim, enquanto me abraçava.
- Sim – sussurrei de volta e recebi um sorriso cúmplice como resposta.
- E aí, pizza de quê? – Louis perguntou, abraçado a . Os dois estavam no maior grude um com o outro e eu estava amando aquilo.
- Hmm, calabresa e quatro queijos? – Niall falou, sentando no chão.
- Todos concordam? – Zayn perguntou e nós confirmamos. Zaz fez os pedidos e ficamos esperando as pizzas chegarem, falando besteiras. Hazza estava com a cabeça deitado em meu colo, e eu fazia carinho em seus cachos. Pareciam feitos de algodão, de tão macios que eram!
- Zaz, estamos de vela aqui! – Niall reclamou, nos fazendo rir.
- Owwn meu duendezinho, vem aqui ficar comigo! – Zayn falou, como uma voz afetada, abrindo os braços para Nialler, que se jogou em cima dele – Caralho, não precisava levar tão a sério, né? – reclamou, depois de receber todo o peso de Niall em cima dele.
- Você que me chamou, cara! – Niall se defendeu e nós rimos.
As pizzas finalmente chegaram e nós fomos comer. Foi um jantar tranquilo, levando em conta as três vezes que Niall engasgou e os meninos fazendo Liam passar vergonha na frente de Danielle, que parecia bem a vontade com todos nós.
- Finalmente, sós – Hazza me disse, depois que todos foram embora, e nós já estávamos em meu quarto. Ele e Louis iriam dormir lá em casa, já que eu e havíamos dormido no apartamento deles na noite anterior.
- Pois é, até que enfim mesmo – eu disse, sorrindo e o beijando. O beijo foi esquentando e eu sentia as mãos de Harry passeando por minhas costas. Meus beijos foram descendo para seu pescoço, e quando dei por mim Harry me empurrou em direção a cama, onde me deixei cair.
Hazza ficou em cima de mim, me olhando de forma maliciosa, como se estivesse gravando cada detalhe de mim. Resolvi deixar a vergonha de lado e o puxei de volta para o beijo. Ele me correspondeu imediatamente, e nossas línguas se enroscavam em uma sincronia perfeita. Coloquei minhas pernas ao redor de sua cintura, afim de ficar ainda mais perto dele, e senti que ele já estava animado. Sorri maliciosa, e mordi o nódulo de sua orelha, o fazendo ficar arrepiado.
Harry apertava minha cintura com força e dava leves mordidas em meu pescoço , mas de uma forma que eu poderia apostar que deixaria marcas no dia seguinte. Senti suas mãos levantarem a minha blusa e aos poucos ela foi jogada no chão. Hazza então começou a distribuir beijos em meu colo, e foi descendo em direção a minha barriga. Soltei um gemido de leve e o senti sorrir contra a pele de minha barriga. Arranhei de leve as suas costas, deixando marcas por ali, e sorri satisfeita ao notar que ele estava arrepiado. Minhas mãos foram em direção ao cós de sua calça, e a abri devagar, arranhando a lateral de seu corpo; em pouco tempo, a calça de Hazza fazia companhia a minha blusa.
Nos encaramos e sorrimos de forma safada um para o outro. Harry me beijou e voltou a se concentrar em meu colo, tentando abrir meu sutiã, mas não obteve sucesso. Olhou desapontado para mim, pedindo ajuda e eu tive que prender a risada.
- Surpresa! – falei, abrindo o feixe frontal de meu sutiã e ele ergueu a sobrancelha; tirou meu sutiã e o jogou no chão, olhando para mim em seguida. Hazza mordia o lábio e me encarava com uma expressão pervertida no rosto.
- O que mais me impressiona... – ele sussurrou em meu ouvido, enquanto se dividia entre morder meu colo e meu pescoço – É que você não percebe o quanto é gostosa – ele falou, e eu me arrepiei.
Deixei de raciocinar nesse instante e me entreguei de vez ao momento, me deixando levar por aquele homem delicioso parado em minha frente. O mundo poderia acabar naquele momento, que a única coisa que me importava, era ter Harry cada vez mais dentro de mim - literalmente falando.
Capítulo 13
- TONIGHT WE’ARE YOOUNG... – uma voz rouca e bonita cantava, parecendo estar muito distante de mim. Abri os olhos devagar e olhei para o meu lado, procurando por Harry. Depois de meio minuto, percebi que a voz rouba que estava cantando, vinha do meu banheiro. Sorri maliciosamente, e levantei da cama; eu estava somente de calcinha e sutiã. Abri a porta do meu banheiro e vi a cena mais linda e sexy da minha vida: Hazza estava completamente ensaboado, com os cabelos cacheados lotados de shampoo e usava a garrafinha do condicionador como microfone. Ri baixinho com aquela cena e tive uma ideia.
Me despi e me aproximei silenciosamente do box do banheiro, aproveitando do fato de Harry estar de olhos fechados e entretido demais em sua cantoria para perceber a minha presença. O abracei pela cintura e ele tomou um pequeno susto.
- Bom dia – eu disse, sorrindo para ele, que pareceu constrangido ao perceber que eu o ouvira cantando.
- Bom dia, minha pequena – ele falou, sorrindo carinhosamente para mim, e me dando um selinho.
- Você tem uma voz linda – eu falei, enquanto deixava a água molhar meu corpo. Hazza me encarava, ainda sorrindo e eu percebi que ele ficou vermelho quando eu elogiei sua voz.
- Te acordei? – perguntou, parecendo ligeiramente preocupado.
- Não, relaxa – eu disse – Mas eu juro que não me importaria de acordar com você cantando pra mim – falei, rindo e o fazendo rir também.
- Boba! – ele falou, me beijando. Ficamos enrolando debaixo do chuveiro, e depois de uns 20 minutos, saímos dali. E não, não rolou nada, porque somos um casal muito comportando, é.
- Bom dia, lindinhos! – fomos saudados por e Louis, assim que entramos na cozinha. Um cheiro bom de café se espalhava pelo recinto e eu olhei espantada para minha amiga.
- , você fez café! – falei, me fingindo de admirada.
- Vai a merda, ! – ela respondeu, rindo, me mostrando a língua.
- A não faz café? – Louis perguntou, me dando um beijinho na bochecha.
- Geralmente não – respondi sorrindo para ele – Mas acho que é porque sempre acordamos atrasadas – falei e ri.
- Provavelmente! – Lou concordou rindo.
- Como foi a noite? – Hazza perguntou, com uma voz falsamente inocente.
- Foi ótima – Louis disse – Quebramos a cama da e acho que a minha vai ceder a qualquer instante – ele continuou, como se falar sobre aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Eu e Harry gargalhamos e ficou extremamente vermelha.
- LOUIS WILLIAM TOMLINSON! – ela gritou, dando um tapa forte em Louis, que riu – Ai meu Deus, Harry vai achar que eu sou uma tarada! – ela disse, escondendo o rosto com as mãos.
- Relaxa, – Hazza disse – depois que eu conheci a , não é uma cama quebrada que vai me impressionar – ele falou e foi a minha vez de ficar vermelha.
- Harry Styles! – ralhei com ele e Louis e riram de minha cara – Hunf, quietos vocês dois!
- Um quebra camas, o outro quebra mesas... – Harry falou olhando para Louis, e os dois riram.
- Quebra mesas, como assim? – Perguntei, sem entender nada.
- O Zayn tem mania de quebrar mesas em festas! – Louis disse rindo e ele e Harry piscaram cúmplices um para o outro.
- Ok, deixa eu ver se entendi... – disse, prendendo o riso – Um quebra mesas, o outro gosta de idosas, um come mais do que aguenta, o outro tem medo de colheres, um tem paixão por listras... Não tem ninguém normal nesse grupo não? – ela brincou e nós rimos.
- Disse a garota que tem pijama do Bob Sponja! – Louis zoou, e Harry quase cuspiu o café.
- A também tem um pijama do Patrick! – ele disse, e ele e Louis riram de nós.
- Hey, é só porque eles são melhores amigos, viu? – eu tentei nos defender, em vão.
- Hunf, vocês não são dignos de nossas explicações! – disse, fazendo uma expressão superior.
- Claro, somos apenas meros mortais! – Louis falou, dando um beijo em e eu senti meus olhinhos brilharem.
- Que cara de maníaca é essa, ? – Boo Bear notou minha expressão e me olhou assustado.
- Argh, é que tem mania de cupido – disse, revirando os olhos – Provavelmente tá surtando por dentro, só porque a gente tá ficando – continuou, rindo de minha cara.
- Ficando? – Lou perguntou, se fingindo de ofendido – Até onde eu saiba estamos namorando, mocinha!
- Como é que é? – engasgou com o café e eu e Harry rimos da reação dela.
- Claro! Ou você acha que só vai me usar? – Lou brincou.
- É, meu amigo é de família, tá entendendo? – Harry disse e ele e Lou fizeram um high-five.
- É amiga, acha que é só usar o produto e tá liberado é? – provoquei, recebendo um tapa dela.
- Hunf, faça isso oficialmente, Tomlinson! – respondeu, para nossa surpresa e Lou olhou malicioso para ela.
- É? – perguntou e ela confirmou com a cabeça – Então esteja pronta hoje as 20h em ponto, ! – ele disse, todo misterioso.
- Onde vamos? – perguntou curiosa.
- Na hora você vai saber! – Boo Bear respondeu, trocando olhares cúmplices com Hazza. Logo depois eles foram embora, e eu e fomos para a sala.
- Compras hoje? – perguntou, sentada no sofá.
- Sim, sim! – respondi animada – Você tem que ficar absolutamente perfeita para hoje à noite!
- Tô com medo – confidenciou, me olhando ansiosa – O que será que aquele maluco vai aprontar? – ela perguntou, mais para ela do que para mim, cruzando as pernas.
- Bom, isso você só vai saber mais tarde – eu disse, olhando carinhosamente para ela – Vamos nos arrumar!
Corri para o quarto e como já havia tomado banho, só fiz trocar de roupa. Peguei um short jeans, não muito curto, porque achava as minhas pernas gordas, um all star cano médio branco e uma blusa escrito “Garotas boas não existem “. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo, fiz uma maquiagem leve, peguei minha bolsa e fui para sala. estava com um vestidinho solto e uma rasteira nos pés, com uma maquiagem leve também.
- Let’s go, baby! – ela disse, e fomos para o shopping.
*********
POV
Depois de uma tarde inteira no shopping, várias sacolas, várias pechinchadas e muitas risadas, finalmente voltamos para casa. Já eram seis e meia da tarde quando chegamos, e me mandou direto para o banho. Como a roupa que eu ia usar já havia sido escolhida, me permitir demorar. Abri a torneira de água quente da banheira, coloquei os sais mais cheirosos e entrei nela. Senti meu corpo todo relaxar e fechei os olhos, tentando esquecer meus problemas. No instante seguinte, me peguei lembrando do Louis e de como ele me fazia bem.
Eu não tinha muita sorte com relacionamentos. Apesar de fazer sucesso com os garotos – segundo – nenhum tinha despertado em mim, até então, aquele sentimento. Sempre foi uma coisa sem graça, apenas desejo, tesão. Nunca tinha ficado com ninguém com amor, nunca tinha sentido por ninguém aquilo que estava sentindo por Lou. Ele me fazia um bem enorme, mesmo sem saber. Sorri só de lembrar dele e de como ele era palhaço, sempre me fazia rir e eu me sentia a garota mais especial do mundo ao lado dele.
Admito que quando e Hazza começaram a sair, eu senti uma certa inveja do relacionamento dos dois. Queria ficar com aquela expressão boba no rosto que a ficava quando pensava no Harry ou ter alguém ao meu lado me mimando. E com Louis eu tinha todas essas coisas. Suspirei.
Depois de uns 30 minutos na banheira, finalmente levantei e me sequei. Me enrolei na toalha, e coloquei minha calcinha e meu sutiã, e peguei meu vestido e o vesti. Decidi deixar meus cabelos soltos e fiz alguns cachos nele – odiava quando ele ficava totalmente liso, eu me sentia muito parecida com uma crina de cavalo.
Fiz uma maquiagem que destacava bem meus olhos, passei um batom nude e quando já eram 19:40h, ouvi bater na porta do meu quarto.
- Pode entrar – falei, e na mesma hora ela entrou.
- Uau! – disse assim que me viu (Link), me deixando um pouco sem graça – Caralho, o Lou vai babar em você!
- Larga de ser besta, – respondi rindo – Ficou mesmo bom? – perguntei, um pouco insegura.
- Ok, insegura? Essa é novidade pra mim! – ela brincou e eu mostrei minha língua – Você está maravilhosa, ! – ela me disse, sorrindo para mim e eu a abracei.
- Você sabe que o Louis é diferente pra mim, – eu falei, sorrindo fraco para ela – Tenho medo de me jogar nessa relação e quebrar a cara, mas ao mesmo tempo, eu tenho quase uma necessidade de ficar perto dele... – desabafei, suspirando.
me abraçou e me olhou de forma carinhosa.
- Eu sei disso, sis. E sei também que o Lou se sente da mesma forma que você, tá escrito na testa de vocês isso! – ela falou e eu sorri.
Fomos para a sala, e eu estava quase surtando de tanta ansiedade. Do jeito que Louis era maluco, poderia esperar tudo dele, inclusive um jantar em uma selva ou coisa do tipo.
- Jantar em uma selva, , really? – gargalhou, depois que eu disse isso. Ótima melhor amiga essa que eu fui arranjar!
- Nem vem, você sabe tão bem quanto eu que o Louis não bate bem das idéias – respondi, como se aquilo fosse óbvio. Na mesma hora, a campainha tocou e eu levantei de um salto do sofá, fazendo rir ainda mais – Para de rir do nervoso alheio, caramba! – reclamei, e ela apenas deu de ombros.
Abri a porta e o homem mais lindo do mundo estava parado em minha frente, me olhando com cara de bobo. Louis estava usando uma blusa azul e branca, de listras e uma calça vermelha colada, que em qualquer um ficaria estranha, mas parecia perfeita nele. Seus cabelos estavam levemente bagunçados, dando um ar de menino a ele e tinha um sorriso bobo em seus lábios.
- Você está perfeita – ele disse, e eu corei.
- Você também está lindo – eu disse, dando um sorrisinho para ele, que me deu um leve selinho.
- Vamos? – perguntou, me olhando ainda bobo.
- Claro! – respondi, sorrindo em resposta e saímos do apartamento, mas não sem antes ouvir as zoações de e Hazza, que pra variar, estavam se agarrando no sofá.
Fomos em silencio até o lado de fora do prédio, apenas nos olhando. Era como se naquele momento, nenhuma palavra precisasse ser dita por nós. Lou me conduziu até uma Range Rover preta, parada do outro lado da rua. Estranhei e olhei indagadora pra ele.
- Roubei – ele respondeu simplesmente e eu revirei os olhos – Por incrível que pareça, é minha – ele disse rindo, e eu o olhei surpresa.
- Morria sem saber que você tinha carro – falei, depois que estávamos dentro do carro. Lou abriu a porta para mim e eu me senti uma dama, tipo aquelas de filmes antigos, sabe? Haha.
- Passou os últimos meses com meus pais, em Doncaster – ele explicou, sorrindo – Mas voltou para mim, ainda bem! – disse, e eu ri.
Fomos falando besteira o caminho todo, até que eu finalmente percebi que estávamos nos afastando de Londres.
- Er, Louis... Onde estamos indo? – perguntei, não aguentando mais de curiosidade.
- Você vai ver – ele respondeu e sorriu sapeca para mim.
- Só me tira uma dúvida... Não estamos indo jantar em uma floresta, cercados por macacos selvagens, certo? – perguntei, insegura.
- Como é que é? – Lou perguntou, gargalhando – Tudo bem que eu sou um pouco louco, mas isso é demais! – disse, ainda rindo.
- Sei lá, você não é normal! – respondi, rindo também.
Depois de quase uma hora e meia dirigindo, Lou começou a diminuir a velocidade do carro. Olhei para uma placa e tomei um susto ao ler “Welcome to Brighton”.
- Brighton? – perguntei, chocada.
- Sim – ele respondeu, parecendo preocupado – Eu disse que ia ser surpresa – falou, dando um sorrisinho tímido.
- Ok, mas provavelmente vou ter que ficar descalça – eu respondi, relaxando e resolvi aproveitar o momento. Sorri para ele, que ficou aparentemente mais tranquilo.
Depois de mais alguns minutos, Lou parou em um acostamento e eu pude ouvir o som do mar. Saimos do carro, e ele tirou uma cesta enorme do fundo do carro. Andamos em direção ao mar, e eu comecei a tremer de frio. Ótimo, ia morrer congelada aqui!
- Hey, eu trouxe um cobertor – Lou disse, ao reparar em minha tremedeira e eu sorri grata para ele. Sentamos no deck de madeira que tinha em frente a praia, e Lou tirou uma garrafa de vinho e duas taças de dentro da cesta. Logo depois, pegou dois cobertores e estendeu para mim. Abriu a garrafa de vinho, e serviu nas duas taças. Agradeci e o ajudei a arrumar tudo.
Quando já estávamos devidamente servidos e quentes – eu estava entre as pernas de Lou, enrolada no cobertor, ficamos em silencio. Eu apenas ouvia o barulho do mar e me sentia relaxada. Mesmo com todo o frio, aquele momento estava sendo perfeito.
- Quando eu te vi, pela primeira vez na faculdade – ele começou e eu o encarei – Eu admito que me encantei por você – ele sorriu para mim, e eu sorri de volta – Mas não criei muitas expectativas, por que, sabe... Eu nunca fui um cara muito normal, admito. Mas aí quando a apareceu lá em casa, com você... Poxa, , foi como se tudo se explicasse para mim – eu ouvia atentamente cada palavra que ele dizia, e um sorriso começava a se formar em nossos lábios – Eu não sabia ao certo o que era, mas um certeza eu tinha: você era diferente, era especial. Eu tentei me aproximar de todas as formas, mas parecia que você só me via como amigo, o que me deixou frustrado. Aí então, no dia que o Niall fez o favor de se mijar no carro – nós dois rimos nessa hora – eu resolvi tomar a iniciativa e te dar indiretas. Quando a gente finalmente se beijou na boate, porra, foi como se tudo estivesse em ordem em minha vida. Ou melhor, foi como se tudo saísse do lugar. Você me bagunçou, mas foi de uma forma tão boa, tão gostosa... – ele continuou, e meus olhos agora brilhavam com as lágrimas que surgiam – Eu não sei como vai ser daqui pra frente, eu não sei se você gosta de mim tanto quanto eu gosto de você... A única coisa que eu tenho a certeza nesse momento, é que eu preciso de você ao meu lado, minha baixinha. – falando isso, ele quebrou o contato visual que estávamos fazendo até então, e procurou por alguma coisa na cesta – Então, ... quer namorar comigo? – ele finalmente perguntou e as lágrimas agora caíam livremente pelo meu rosto.
- Sim, sim, sim! – eu respondi, rindo lacrimosa e ele sorriu. Seus olhos brilhavam tanto quanto os meus, e quando ele me beijou, foi como se tudo fizesse sentido em minha vida. Foi como se as coisas finalmente tomassem o seu devido lugar. Nos separamos, depois de alguns minutos e Lou colocou o anel em meu dedo anelar.
- Isso aqui é pra todo mundo saber que a partir de agora, eu sou seu, e você é minha – ele me falou, beijando a minha mão e em seguida, minha boca.
- A partir de agora não, bobinho – eu disse, e ele me olhou, curioso – Desde o primeiro dia, eu sou sua e você é meu. Nós só não sabíamos disso. – eu falei, e voltei a beijar o meu Boo Bear. O meu namorado mais lindo, fofo e maluco do universo.
Capítulo 14
Acordei e rolei para o lado da cama, tentando achar uma posição mais confortável para ficar. Abri meus olhos e observei meu quarto, completamente bagunçado e suspirei. Sabia que hoje teria de arrumar ele de qualquer forma, afinal não dava para viver naquela bagunça toda.
Levantei da cama, relutante e cega de sono, me tranquei no banheiro e fui tomar um banho. Me olhei no espelho e notei minhas olheiras pela noite mal dormida e meus cabelos bagunçados. Virei a madrugada fazendo um trabalho para a faculdade, que teria de ser entregado hoje ou então eu não teria uma média boa. Vinte minutos depois saí do banheiro e fui me trocar, pegando uma calça jeans e uma blusa básica branca. Coloquei botas e peguei meu pulôver da Minnie, que eu tanto amava. Fiz uma maquiagem básica, prendi meu cabelo e saí do quarto.
já estava de pé, preparando o café e cantava animadamente na cozinha, tanto que nem reparou a minha entrada.
- Bom dia pra você também, ! – falei, sorrindo. Hoje ela faria um mês de namoro com o Louis, por isso estava toda animadinha.
- Bom dia, ! – ela me respondeu, dando um sorriso tão grande, que mais um pouco rasgaria seu rosto – Dormiu tarde? – perguntou, provavelmente reparando as minhas olheiras.
- Pior – falei, me servindo de café preto e pão – Não dormi – bocejei e me espreguicei, numa falha tentativa de acordar.
- Assim que acabar as aulas, você vem para casa dormir – ela falou, colocando a mão na cintura e sentando-se ao meu lado – Também não dormi nada, mas foi por causa da ansiedade! – disse, parecendo uma adolescente.
- Louis disse que ia fazer surpresa? – perguntei, tentando adivinhar o motivo da animação .
- Sim! – ela respondeu, fazendo um biquinho engraçado – Falou que só me veria de noite e que era pra eu ficar absolutamente linda – disse, revirando os olhos.
- Tenho medo do que esse maluco pode aprontar – falei brincando e me deu um tapa – Hey! – reclamei, massageando o local em que ela me batera.
- Não fale do meu Boo Bear! – disse autoritária e nós rimos. Senti meu celular vibrar e peguei, vendo uma foto minha e de Hazza no visor – Argh, vai começar a nojeira de vocês! – reclamou, revirando os olhos e eu dei língua.
- Bom dia, amor! – falei animada, atendendo o celular.
- Bom dia, vida! – Harry respondeu e pela voz percebi que tinha acabado de acordar – Já vai pra faculdade? – perguntou, bocejando logo em seguida e eu ri.
- Sim, na realidade, já era pra eu estar lá! – falei, levantando de um salto da cadeira, assim que percebi que horas eram – Droga, sempre chego atrasada! – reclamei e Hazza riu.
- Ia te chamar pra vir tomar café comigo, mas acho que não vai dar – ele falou e eu senti uma pontada de culpa.
- Oh, desculpa amor, mas dessa vez não vai dar! – falei, suspirando – Sei que estou sendo uma péssima namorada nessa ultima semana, mas juro que isso termina e hoje te recompenso! – disse, enquanto fechava a porta do apartamento e entrava no elevador, que por milagre estava parado no meu andar.
- Bom mesmo, estou morrendo de saudades suas – Harry disse com aquela voz rouca e meu coração despencou uns três metros – Assim que chegar vem aqui em casa, pode entrar sem bater, porque o Louis vai passar o dia fora – ele disse e eu arqueei a sobrancelha.
- A tal surpresa? – perguntei curiosa, ao mesmo tempo em que chamava um táxi.
- Sim – Harry respondeu e antes que eu pudesse perguntar mais alguma coisa, me cortou – E não me pergunte o que é, porque eu não vou falar!
- Ouch! – reclamei, dando língua, como se ele pudesse me ver - Baby, vou ter que desligar agora. Umas 15 horas eu apareço aí, te amo – eu disse, dando o endereço da faculdade para o taxista, que logo me levou.
- Ok, amor. Te amo também – Hazza disse e desligamos o celular.
Dez minutos depois cheguei na faculdade e para variar, saí correndo até minha sala.
- Atrasada mais uma vez, Mrs. Melo? – Jean, meu professor gay de redação, me perguntou, me olhando de cima abaixo.
- Sorry – respondi, de cabeça baixa, indo até o final da sala. Todos prestavam atenção em mim, e isso estava me deixando irritada e constrangida ao mesmo tempo. Bando de curiosos!
Duas horas depois estava livre daquele martírio e quando já ia me preparando para ir embora, ouvi a voz de Jean me chamando.
- Mrs. Melo, um momento – ele falou e eu fui tremendo até ele.
- Pois não? – perguntei, sem saber direito o que fazer.
- Já é a 7º vez que a senhorita chega atrasada em minha aula – ele começou e eu me encolhi – Não sei se no país da senhora é comum se atrasar para compromissos, mas aqui prezamos e muito pela pontualidade – A essa altura eu já estava completamente vermelha e sem saber onde enfiar minha cara – Se é de seu desejo trabalhar em uma revista ou em um jornal importante, sugiro que mude esse seu terrível hábito. A primeira impressão é a que conta, e lembre-se que a faculdade também abre portas para futuros empregos – ele concluiu, me olhando com um misto de preocupação e desdém no olhar.
- Não se preocupe, isso não vai acontecer de novo, professor – respondi apenas e ele assentiu, me liberando.
Eu sempre fui muito preguiçosa e dorminhoca, mas esse meu hábito estava me colocando em maus lençóis aqui. Eu sabia que os britânicos eram excepcionalmente pontuais, mas às vezes não me importava tanto em chegar na hora certa. Hazza e os meninos vivam reclamando dessa minha falta de compromisso com o horário, não foram poucas as vezes em que nos atrasamos para alguma festa por minha culpa. Decidi passar em alguma lojinha e comprar um despertador novo para mim e .
Tive mais quatro aulas, que acabaram comigo, mas acabei saindo mais cedo do que esperava. Quase dormi nas últimas, mas acabei vencendo a batalha contra meu sono. Ainda eram 13:30 quando saí da faculdade e fui em direção ao ponto de ônibus. Meia hora depois já estava na frente do meu prédio, indo para o apartamento de Harry e Louis. Lembrei do que ele falou e abri a porta sem avisar sobre a minha presença. O apartamento estava vazio e silencioso, a não ser por um estranho barulho que vinha do quarto de Harry.
Barulhos esses que pareciam estranhamente com gemidos.
Senti minhas pernas tremerem e fui em direção ao quarto de Hazza, abrindo a porta logo em seguida. A cena que vi ali vai ficar para sempre em minha memória.
Harry e Caroline, a ex dele, estavam juntos, em sua cama, completamente pelados. Quando vi a cena, deixei meus livros caírem no chão, o que fez um barulho enorme e despertou os dois. Harry olhou desesperado para mim e empurrou Caroline, que caiu no chão. Essa, por sua vez, me olhava com superioridade e não parecia estar nem um pouco constrangida.
- , meu amor, me escuta, por favor! – Harry dizia desesperado, enquanto começava a se vestir – Não é o que você está pensando! – ele falou e eu soltei uma gargalhada que não parecia minha.
- SÉRIO, STYLES? SÉRIO MESMO?- gritei irônica, empurrando ele, quando ele tentou se aproximar de mim. Lágrimas caiam em abundância pelos nossos rostos e eu tinha certeza que estava tão devastada quanto ele. Saí correndo do quarto o mais rápido que pude, e deixei Harry procurando seus shorts.
Subi pelas escadas e abri a porta do meu apartamento com , encontrando ela lá.
- Oi, já voltou? – ela perguntou sorrindo, mas sua expressão mudou assim que viu o meu estado – , o que houve? – ela perguntou, desesperada, mas eu só sabia chorar.
- Aquele... Aquele filho da puta! – eu respondi, soluçando, me jogando no chão, sendo segurada por , que me levou até o sofá.
- O que Harry fez? – ela perguntou, enquanto me abraçava forte, eu soluçava em seu colo – , me conta!
- Ele... e Caroline, os dois... – falei, sem conseguir continuar, mas entendeu tudo e me abraçou ainda mais forte.
- Não acredito, como... – disse, completamente atordoada. Nessa mesma hora ouvimos alguém batendo desesperado na porta e levantou, indo até lá armada como se fosse para a guerra.
Só ouvi os gritos vindos do corredor e o som de um tapa. Não ousei levantar, não tinha forças para mais nada. Logo em seguida voltou para o apartamento, e eu me joguei em seu colo, chorando como uma criança. Em menos de um dia todo o meu castelo desmoronou, graças a uma traição de quem eu menos esperava. Do meu Hazza.
Capítulo 15
Eu sentia como se estivesse vivendo um pesadelo. Uma semana havia se passado desde que eu flagrara Harry e Caroline na cama. Uma semana que eu vivia e me comportava como um zumbi, passando o dia todo na cama, sem comer, sem sair, sem viver. Liam e viviam do meu lado, ele inclusive tinha dormido essa semana inteira aqui em casa. Louis passava uma boa parte do tempo comigo também, e Zayn e Niall só iam embora de noite. Pelo o que eu ouvia, Harry estava em uma situação tão critica quanto a minha, e também não saía de casa.
- Ele passa o dia inteiro trancado no quarto – ouvi Niall dizer a , que apenas deu de ombros. Depois que Hazza havia me traído, passara a tratar ele como um verme ou coisa do tipo, coisa que já estava incomodando Louis.
- Caralho, não precisa falar assim também, ele é meu melhor amigo! – Lou reclamou, depois que disse que achava bem pouco tudo o que Harry estava sentindo.
- E é minha melhor amiga, não seja por isso! – ela respondeu e eu me senti mal por fazer ela brigar com seu namorado. Louis não respondeu, mas respirou fundo para não procurar brigar com .
Estava no meu quarto, refletindo sobre a vida, ou seja, sem fazer porra nenhuma, quando de repente, a porta se abre com força e Liam e Niall entram.
- Ok, levanta, você vai sair! – Liam disse e Niall me levantou com uma mão só, me jogando dentro do banheiro.
- Hey, não quero sair! – reclamei, tentando sair do banheiro. Não gostava de me encarar no espelho e meu banheiro tinha um enorme.
- Você não tem escolha! – Niall disse, me trancando dentro de lá – Tem dez minutos pra tomar banho, caso contrário eu mesmo entro aí e faço isso! – ameaçou e eu bufei de raiva.
Resolvi tomar um banho e lavar os cabelos, já que há quase uma semana eu não fazia isso decentemente. Enquanto me banhava, sentia as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, se misturando a água que caia do chuveiro. Há uma semana minha vida tinha virado uma verdadeira merda e tudo isso por causa de uma traição do meu namorado.
Terminei o banho, me enrolei na toalha e fui para meu quarto, que estava vazio. Peguei um vestido verde e um casaco vermelho, me lembrando logo em seguida que tinha usado essa roupa quando beijei Harry pela primeira vez. Senti novas lágrimas se formarem, mas dessa vez me controlei; pelo menos hoje eu iria tentar não pensar em Harry e em tudo o que passamos, afinal, ele não merecia aquilo.
Saí do quarto já toda arrumada e fui para a sala, onde encontrei Liam, Niall e , me olhando receosos.
- Relaxem, estou viva – falei, revirando os olhos impaciente.
- Não é o que tem parecido ultimamente – Niall disse irônico, abrindo os braços para mim – Senti sua falta, baixinha.
- Mas você me viu a semana toda! – falei, sem entender muito bem.
- Não, eu vi a Zumbi. Falo de você, assim!- ele falou de forma engraçada e eu ri levemente.
- Senti falta desse sorriso – Liam disse, me abraçando também.
- Desculpem por isso, mas ainda dói – respondi, olhando para o chão e apareceu em minha frente.
- Epa, pelo menos por hoje, você não vai lembrar e nem pensar naquele lá! – ela falou, me dando um rápido abraço.
- Cadê Louis e Zayn? – perguntei, notando a falta dos dois palhaços.
- Er... foram animar o Harry – Niall disse, levando um tapa de Liam – Ouch, parem com isso, que merda! – ele reclamou e eu ri. Realmente, tinha sentido falta disso.
- Relaxa, Leeyum – respondi sorrindo e notei que agora estava mais fácil respirar. Ok, talvez passar umas horinhas com meus amigos não fosse tão ruim assim.
- Vamos? – perguntou, abrindo a porta do apartamento e nós saímos. Pouco depois ganhamos o ar da rua, e fomos em direção ao carro de Liam.
- E então, para onde vamos? – Niall perguntou, sentado no banco de carona – Nando’s?
- Sim! – falou, animada – Faz tempo que você não come nada, hoje você tira esse atraso! – ela disse, me olhando com um misto de carinho e repreensão. Eu estava quase morrendo por causa do meu namorado – ou ex namorado, sei lá – e você queria que eu me preocupasse com comida?
Chegamos no Nando’s e fomos correndo pegar nossa mesa. Niall pra variar pediu quase todo o menu, Liam pegou um frango xadrez e eu e resolvemos dividir um frango frito.
- Pelo menos agora ela tá comendo alguma coisa – Liam me alfinetou, olhando para mim por cima do cardápio.
- Você precisa aprender com o mestre aqui como se come de verdade, ! – Niall disse e eu ri, mostrando a língua para ele.
- No dia que eu quiser voltar a ser gorda, quem sabe! – falei e Niall fez uma careta indignada.
- Como assim? Eu não sou gordo, sou magro, sou gostoso, sou o irlandês mais lindo do mundo! – Nialler falou mexendo os braços de uma forma engraçada e nós gargalhamos.
- E o mais humilde também , sua simplicidade me deu um oi agora, Irish boy! – falou rindo, e Nini revirou os olhos, fingindo desprezo.
- É Niall, menos, muito menos, quase nada – eu falei, fazendo uma bolinha de papel e jogando em cima dele.
, Niall e Liam engataram uma conversa animada sobre algum show que teria em Londres daqui a uns dias e eu me permitir viajar um pouco, enquanto eles conversavam. Na mesma hora meus pensamentos foram até Harry, e eu percebi o quanto ele me fazia falta. Eu ainda não compreendia o porque da traição dele, já que estávamos muito bem, ou pelo menos era o que eu achava. Passávamos o tempo quase todo juntos, tínhamos os mesmos amigos, éramos francos um com o outro... Eu simplesmente não conseguia encontrar o motivo para ele ter me traído com Caroline.
Tudo bem que ela era mais velha, absurdamente linda e muito mais magra que eu. Também era muito madura, e a julgar pelo olhar de desdém que me mandou quando me viu entrando no quarto em que ela e Hazza se comiam, era muito segura de si. Me lembrei da cena que vi, ela por cima de Hazza e esse por sua vez, com as mãos em cima de sua bunda. Nossa relação tinha muito fogo, mas Harry era extremamente respeitador comigo – isso não quer dizer que era uma coisa sem graça, porque não era, mas ele sabia que eu não gostava de ser tratada como uma vadia qualquer.
A imagem dos dois nus na cama grudou em minha mente e eu não conseguia pensar em mais nada. Senti que já estava começando a lacrimejar e levantei rápido da mesa.
- Vou no banheiro – sussurrei para meus amigos, que me olharam assustados – Não! – disse, assim que levantou para me acompanhar.
Fui correndo e me tranquei no banheiro, me encostando na parede e escorregando até o chão. Uma semana atrás eu tinha um namorado que eu julgava ser perfeito e estava feliz como nunca tinha estado até então. Mas de repente me vi sem rumo, sem foco, sem vida, tudo isso por causa de um garoto que tinha se deixado levar por seus hormônios. Percebi que isso era idiota e que por mais que eu amasse Harry, ele não deveria me afetar dessa forma. Por mais complexos que eu tivesse com a minha aparência, sabia que muitos caras me achavam atraentes. Levantei do chão, fui até a pia e lavei meu rosto, para tentar desinchá-lo. Me encarei no espelho, ainda com o rosto molhado e vi o quão patética eu estava sendo.
- Você não pode e não vai me foder desse jeito, Styles – murmurei encarando a minha imagem no espelho. Abri minha bolsa, que estava pendurada em meu ombro, abri minha nécessaire e peguei um pequeno estojo de maquiagem que sempre levava comigo. Fiz uma make up leve, escondi minhas olheiras e realcei meus olhos, que eram a parte que eu mais amava em mim. Dei dois tapinhas leve em meu rosto, só para dar uma falsa corzinha, destranquei a porta do banheiro e saí.
Liam, Niall e me olharam apreensivos, mas eu sorri para eles, os tranquilizando. Os pedidos já haviam chegado, então começamos a comer sem falar nada, mas em pouco tempo já estávamos rindo, como antes.
Por mais falta que Harry me fizesse, eu não podia simplesmente deixar de viver minha vida porque ele fora escroto comigo. Eu já tinha sofrido demais, superado coisas muito piores e não ia ser um menininho mimado que iria tirar de mim toda a alegria que eu tinha conquistado nesses meses.
- Ok, isso definitivamente estava gostoso! – falei, lambendo os lábios de maneira nada sensual, tentando limpar minha boca.
- Sabe quanto tempo faz que eu não te vejo comendo assim? – perguntou sorrindo e eu sorri de volta para ela.
- Parece que minha está de volta, AMÉM IRMÃOS! – Niall gritou e eu gargalhei, chamando a atenção do Nando’s para nossa mesa.
- Saudades de ter amigos normais, saudades de sair de casa sem passar vergonha – Liam reclamou, me fazendo gargalhar mais ainda, o que o fez jogar um guardanapo em mim – , se controla! – ele disse, mas não resistiu e riu junto comigo.
Pouco tempo depois pagamos a conta e fomos embora. Niall e iam na frente, conversando e dando soquinhos leves um no outro. Eu e Liam fomos um pouco mais atrás, senti que ele precisava conversar sério comigo.
- E então, o que foi que houve? – perguntei, abraçando ele pela cintura e encostando minha cabeça em seu ombro.
- Ahn? – ele se fez de desentendido, e eu dei um tapa nele – Ai, ! – reclamou.
- Liam James Payne, eu não te chamo de ‘melhor amigo’ à toa, sabia? Te conheço, conta logo! – ameacei ele, levantando a mão mais uma vez e ele suspirou, derrotado.
- Eu e Dani terminamos na quarta. – Liam falou e eu percebi o quanto ele estava triste e me senti horrível. Por conta de todo o meu drama, meu melhor amigo deixou de viver a dor dele, para melhorar a minha! Eu era uma merda mesmo.
- Leeyum, não acredito! – falei, abraçando ele forte, dando um beijo em seu braço – Meu Deus, porque você não me falou nada? – perguntei, chateada.
- Você já tinha problemas demais, – ele tentou explicar, mas eu não quis saber.
- E você também, mas nem por isso deixou de me apoiar! Sou a pior amiga do mundo, que merda! – falei revoltada, e Liam riu leve.
- Não, você é a melhor amiga do mundo, e eu que não quis te preocupar com isso! – ele disse, parecendo um pouco mais animado.
- Quero nem saber, a sua dor é a minha também, tudo o que acontece contigo também me afeta! – eu falei, me sentindo uma garotinha mimada - Quer ir lá pra casa, tomar sorvete e ficar falando besteiras comigo? – perguntei, assim que chegamos em meu prédio, acompanhados de e Niall, que agora discutiam sobre futebol.
- Adoraria, mas... Você quer ir lá pra casa? Aí você dorme lá, passamos a madrugada assistindo desenhos, curtindo um a dor do outro! Que tal? – ele propôs e eu ri com aquilo.
- Ok, mas tenho que pegar roupas antes! – falei, abraçando ele mais uma vez.
Liam e Niall ficaram no apartamento de Louis e do ‘amiguinho’ dele e eu combinei de ligar para Liam assim que estivesse pronta. Peguei meu pijamas de ursinhos, que consistiam em uma camisa do tamanho do mundo e um shortinho confortável. Coloquei uma muda de roupas leves, já que era verão em Londres, arrumei mais algumas coisinhas essenciais e depois de 15 min, mandei sms para Leeyum. “ Tô pronta já, fica do lado do elevador que eu já estou chegando, haha xx”
- Vai pra onde? – me perguntou, assim que eu entrei na cozinha com minha mochila nas costas.
- Dormir na casa do Leeyum, vamos sofrer juntos! – eu disse rindo, e revirou os olhos.
- Ok, leva a chave, talvez eu durma na casa do Louis hoje – ela disse, com um brilho no olhar.
- Está tudo bem entre vocês? – perguntei. Eu sabia que eles tinham brigado um pouco, por causa de mim e do Hazza, e me sentia culpada por isso.
- Sim! – ela respondeu e pelo seu tom de voz percebi que escondia algo. Arqueei a sobrancelha e ela suspirou, derrotada – Ok, estamos tendo um leve estresse, mas nada que uma boa conversa não resolva.
- , não brigue com o Louis por minha causa e do Harry, não vale a pena – eu falei, pegando na mão dela e dando um aperto carinhoso – Lembre-se o quanto você ama esse garoto e lute por ele. Não deixe que meus problemas interfira no relacionamento de vocês – falei isso e dei um beijinho em sua bochecha, saindo logo em seguida.
Chamei o elevador e meio minuto depois já estava no andar do apartamento do Louis e do Hazza, mas Liam não estava no corredor. Suspirei irritada, e mandei sms pra ele. ‘’Cadê você? Vem logo, tô te esperando no corredor!”
Meio segundo depois e a porta do apartamento abriu, revelando um Harry magro, descabelado e com olheiras tão fortes quanto as minhas.
- ... – ele sussurrou, e eu tomei consciência do quanto aquela voz rouca estava me fazendo falta.
- Styles – respondi, friamente, tentando manter a calma e não pular em cima do pescoço dele, o enchendo de beijos.
- Você nunca me chamou assim – Harry reclamou e meu coração bateu mais rápido. Estava mais que óbvio que toda aquela situação tinha afetado tanto a ele quando a mim, e que nós dois estávamos muito machucados.
- Acho que algumas coisas mudaram – falei, tentando continuar com o tom de voz frio que estava usando. Harry ia falar mais alguma coisa, mas antes que ele continuasse, Liam chegou, nos impedindo de continuar a conversa.
- Então, vamos? – perguntou ansioso, percebendo o clima ruim que estava ali.
- Sim, por favor – eu respondi e entrei no elevador, sendo seguida por Liam. Dei uma ultima olhada em Harry, e assim que a porta do elevador fechou, comecei a chorar, sendo abraçada por Leeyum.
Capítulo 16
POV HARRY
Assim que a porta do elevador fechou, levando e Liam, senti minhas pernas tremerem e as mãos de Louis me abraçarem. Meu amigo me guiou até o sofá e eu sentei nele, sentindo as lágrimas mais uma vez invadirem meus olhos e meu corpo começar a tremer por causa dos soluços.
Eu nunca fui o melhor namorado do mundo. Aliás, eu sempre fui muito namorador, quase um galinha. Costumava sair quase todas as noites, e quase sempre acompanhado por garotas diferentes. Eu não costumava ligar muito para sentimentos e quando me envolvi com Caroline, a situação foi puramente física. Não havia amor ou carinho. Era somente sexo, tesão. Mas somente isso não segura uma relação, e por conta dessas coisas, não duramos muito.
Quando eu conheci a , não tive aquele clarão na mente e também não comecei a enxergar corações por todos os lados. Primeiramente, o que eu senti foi apenas atração, vontade de ficar junto; a química que rolava entre nós era muito boa, combinávamos em quase tudo e mesmo ela sendo independente, tinha um ar de mulher vulnerável e fofa, que me fazia ficar bobo. Os sentimentos começaram a surgir com o tempo, com a convivência e quando eu menos esperava, percebi que estava amando pela primeira vez.
Quando encontramos Caroline na boate, umas semanas atrás, ela ficou louca da vida, vivia me mandando mensagens e me ligando. Claro que não sabia dessa história, não queria deixar ela preocupada à toa, ainda mais sabendo que não sentia nada pela Flack. Mas as coisas começaram a ficar difíceis quando Lua precisou se afastar durante uma semana, por causa de um trabalho da faculdade que estava exigindo todo o tempo dela.
Eu não sou um maluco ninfomaníaco, mas sou um homem, e como tal tenho necessidades. Eu e tínhamos um ritmo, digamos, bastante intenso nesse aspecto e ficar uma semana sem tê-la era como passar um mês longe de seu corpo. Caroline apareceu lá em casa de supetão, logo depois que eu desliguei o celular, após conversar com . Conversa vai, conversa vem, eu tentei cortar ela e todas as suas iniciativas, mas quando menos esperava, ela me atacou. Tipo, literalmente me atacou.
Quando dei por mim já estávamos na cama, fazendo coisas que não gosto nem de lembrar. Não sou gay ou coisa do tipo, passo longe disso, mas foi ali que eu percebi que nenhuma mulher me satisfaria tanto quanto . Eu já estava enojado com a situação, mas mesmo assim não consegui controlar meus hormônios. Qual é, eu sou homem e mesmo Caroline sendo mais velha, eu tinha que admitir que ela era realmente gostosa! Claro que isso não justifica o meu ato, mas no momento eu não estava pensando com a cabeça de cima ou com o coração, se é que você me entende.
E então apareceu no quarto e toda a minha vida desabou. Pode me chamar de viadinho, fresco, o que quiser, mas a dor que eu senti de olhar para e perceber o quanto ela estava magoada e decepcionada comigo, foi a pior coisa que eu já senti na vida. Saber que você magoou os sentimentos da mulher que ama, é tão doloroso quanto levar uma facada.
Fui correndo atrás dela, mas o máximo que consegui foi um tapa na cara dado por , que só estava tentando defender a melhor amiga. Não julgava ela e nem tinha raiva, sabia o quanto era protetora com e que a sua vontade naquele momento era de me matar.
Os meninos ficaram obviamente putos da vida comigo, principalmente Liam – que era o melhor amigo de – e Niall, que tinha como uma irmã pentelha e caçula. Zayn e Louis também ficaram do lado dela, mas quando viram a minha situação, passaram a me apoiar e a tentar melhorar o meu astral, mas tudo foi em vão.
Eu não comia, não bebia, só tomava banho quando a situação era crítica. Deixei de ir pra faculdade, de ir pra o trabalho e Louis teve que inventar que eu estava seriamente doente, para que eu não fosse demitido. Tinha perdido muito peso em pouco tempo, e não via mais graça nas coisas. E então, quando eu a vi agora, na porta daqui de casa, percebi que não era o mais afetado dessa historia. estava tão acabada quanto eu, se não pior. Liam tinha me dito que ela iria dormir em sua casa, porque ambos estavam fodidos e precisam se distrair. Eu tentei não ter ciúmes disso, mas era quase impossível. Sempre ciumei a amizade que eles tinham e a cumplicidade que existia entre eles. Claro que depois da ultima briga, eu comecei a reprimir esses pensamentos, porque não queria magoar um dos meus melhores amigos e a garota que eu amava. Ou melhor, a garota que eu amo.
Minhas lagrimas pararam de cair e eu vi Louis me olhando preocupado, do outro lado do sofá. Pude ver toda a preocupação dele refletida em seu olhar; nós cinco éramos muito unidos, como irmãos, mas eu e Louis tínhamos uma amizade ainda mais forte, que nada conseguia atrapalhar. Ele veio em minha direção e eu encostei a cabeça em suas pernas. Aquilo não era estranho para nós, acho que é por isso que os meninos nos chamavam de Larry Stylinson, Lou era como meu irmão mais velho e a recíproca era verdadeira.
- Hey curly boy, não fica assim, vai dar tudo certo.... – ele tentava me acalmar, passando a mão em meus cabelos.
- Não, Lou, não vai – eu disse, chorando – Você não viu a forma como ela falou comigo, como ela me tratou – o choro se intensificou e eu me senti como uma criança indefesa.
- Cara, ainda é tudo recente, vamos deixar as coisas rolarem, você não pode é ficar desse jeito! – Louis se exasperou, levantando de um pulo e consequentemente quase me derrubando – Cadê o Harry Styles que eu conheço, que luta pelo o que quer? Porra, reage! A já é sensível, precisa de alguém forte ao lado dela! Você a ama? LUTA por ela caralho! Faz alguma coisa, só não fica sentado chorando, esperando o dia em que ela vai olhar pra você e perceber que não vive sem sua presença! Porra, Styles! – Louis explodiu e eu me encolhi no sofá. Eu sabia que ele tinha razão, sabia que aquilo não podia continuar daquele jeito.
- Dude, ela te ama, mas tá muito magoada contigo – Niall disse, saindo da cozinha, seguido por Zayn.
- Melhora essa cara, tenta pensar em uma coisa que faça ela voltar pra você – Zaz disse, sentando ao meu lado no sofá – Mas tem que ser verdadeiro, tem que ser de coração – ele completou, olhando para Niall e Louis, em busca de apoio.
- O que é que você sabe fazer de melhor? – Louis perguntou e eu entendi onde ele queria chegar. Comecei a sorri e levantei de um pulo no sofá.
- Tive uma idéia, mas vou precisar de vocês, dêem um jeito de falar com o Liam! – eu gritei do meu quarto, enquanto procurava meu caderno de músicas. Eu tinha escrito uma música um tempo atrás para Lua, mas não sabia quando iria cantar para ela. Aquele era o momento perfeito, e a letra da música inexplicavelmente falava muito sobre a nossa situação – NIALL, PEGA O VIOLÃO NO QUARTO DO LOUIS, POR FAVOR – gritei novamente e ouvi Niall correndo em direção ao quarto do Lou. Depois de quase morrer, achei meu caderno e junto com ele, a música.
Fui em direção a sala e encontrei Louis falando no telefone apressadamente com Liam, Niall e Zayn me encarando, ambos com um sorriso no rosto.
- Vamos reconquistar minha menina agora – eu disse sorrindo, e eles riram comigo. Pouco tempo depois Louis se juntou a nós, e começamos a estudar como faríamos para cantar a música. Uma coisa eu tinha certeza: era minha e eu iria lutar para tê-la de volta, custe o que custar.
POV
Estávamos na casa de Liam, e eu estava deitada em um sofá e ele em outro. Depois de ver Hazza, comecei a chorar, mas parei porque lembrei de Liam já tinha problemas demais para se preocupar comigo. Estávamos assistindo Toy Story e quando já íamos começar a chorar, o celular de Leeyum tocou e ele foi atender contrariado. Só consegui entender uma parte da conversa, que me deixou bem curiosa: “Ok, mas se ele fizer ela chorar de novo, eu juro que quebro ele, Louis”. Depois disso Liam voltou e sentou-se ao meu lado como se nada tivesse acontecido. Depois de tentar ignorar meu olhar sobre ele, e fingir que não estava me percebendo, ele finalmente resolveu falar.
- Não me pergunte nada, quieta – meu lindo melhor amigo falou e eu joguei uma almofada em sua cara, o que o fez rir. Continuamos assistindo ao filme e logo depois que terminou, colocamos Um Amor para recordar.
- Caralho Liam, eu sempre choro assistindo isso – reclamei, fazendo bico.
- Então, vamos chorar tudo o que pudermos agora com os filmes, mas depois vamos esquecer todos os nossos problemas. Combinado? – ele me olhou sapeca e eu revirei os olhos. Sentamos um do lado do outro e Leeyum começou a fazer carinho em meus cabelos. Quando já era tarde, quase meia noite e eu já estava quase dormindo, a campainha tocou e Liam levantou apressado. Ficou quase 15 minutos do lado de fora e eu ouvi o barulho de algo que parecia muito um violão. Quando eu já estava levantando para ver o que era, a porta se abre e Liam entrou, acompanhado de Niall – que segurava o tal violão , Zayn, Louis e por fim Harry.
Olhei para eles sem entender nada, até que Niall começou a dedilhar no violão, e Hazza começou a cantar.
Circles, we going in circles
Dizzy's all it makes us
We know where it takes us we've been before
Closer, maybe looking closer
There's more to discover
Find that what went wrong without blaming each other
A voz dele era rouca e suave, e eu me senti no céu só de ouvir a sua voz novamente.
Think that we got more time
One more falling behind
Gotta make up my mind
Zayn cantou essa parte, e ele também tinha uma voz linda, muito diferente. Sorri para ele, que sorriu de volta para mim. A essa altura, as lágrimas já rolavam pelo meu rosto em cascatas.
Or else we'll play, play, play all the same old games
And we wait, wait, wait for the end to change
And we take, take, take it for granted
That will be the same
But we're making all the same mistakes
Todos cantaram juntos, e eu consegui distinguir perfeitamente a voz de cada um. A letra da musica era linda e eu nunca tinha ouvido antes, por isso desconfiava que tinha sido escrita por eles. Niall sorria enquanto cantava e Louis me olhava carinhosamente.
Wake up, we both need to wake up
Maybe if we face up to this
We can make it through this
Closer, maybe we'll be closer
Stronger than we were before, yeah.
It made this something more, yeah.
Meu melhor amigo me olhava como se estivesse me pedindo desculpas por aquilo, mas eu dei um sorriso tranquilizador para ele, que me olhou grato. Eu já havia parado de chorar e apenas olhava para os cinco com um sorriso bobo, até que meu olhar parou em cima daquele que havia tirado todo o meu sono durante essa semana. Cenas de nós dois juntos passavam por minha mente, nosso primeiro beijo, nossa primeira vez, nossas risadas, nossos momentos... Eu sentia falta dele, e isso era óbvio, mas será que se voltássemos as coisas seriam como antes?
Think that we got more time
One more falling behind
Gotta make up my mind
Sorri de novo para Zayn, que agora tinha os olhos fechados enquanto cantava.
Or else we'll play, play, play all the same old games
And we wait, wait, wait for the end to change
And we take, take, take it for granted
That will be the same
But we're making all the same mistakes
Olhei para baixo e depois fechei os olhos, sentindo toda a música.
Yeah, yeah, that's what crazy is
When it's broken, you say there's nothing to fix
And you pray, pray, pray that everything will be okay
While you're making all the same mistakes
Harry e eu nos encarávamos, e eu soube ali que, ainda que todo o amor que tínhamos um pelo outro existisse e fosse forte pra caralho, toda a confiança que tínhamos construído, se fora. Eu poderia voltar para ele, mas não iria confiar como antes, iria ser uma daquelas namoradas desconfiadas, que não consegue acreditar no que ele diz. E não era isso o que eu queria para mim e para nossa relação.
Don't look back
But if we don't look back
We're only learning then
How to make all same mis-,
Same mistakes again
So we play, play, play all the same old games (same mistakes)
And we wait, wait, wait for the end to change (but nothing's gonna change)
And we take, take, take it for granted
That will be the same (but nothing is gonna be the same)
But we're making all the same mistakes
Yeah, yeah, that's what crazy is (crazy is)
When it's broken, you say there's nothing to fix (there's nothing to fix)
And you pray, pray, pray that everything will be okay (everyhting will be okay)
Why you're making all the same mistakes
Eles terminaram de cantar e Harry deu um passo para frente. Liam me olhou e eu pedi com o olhar para que nos deixassem sozinhos. Sorri para meus amigos enquanto eles saíram, e sussurrei um ‘eu amo vocês’, quando eles passaram por mim. Harry me encarava, toda a aflição e toda a dor estampadas em sua face.
- ... – ele começou, mas eu o interrompi. Respirei fundo e virei de costas para ele, me apoiando na mesa.
- Harry, minha maior vontade agora é pular em cima de você e te beijar até não conseguir mais respirar – comecei e mesmo estando de costas, sabia que ele estava sorrindo – Mas eu não posso fazer isso. – disse, e me virei, ficando de frente para ele. Hazza me encarava com os olhos arregalados e a boca levemente aberta, como se não esperasse por isso.
- Mas... Me perdoe, me perdoe, por favor! – ele implorou, vindo ate mim e pegando as minhas mãos – Eu te amo, essa semana sem você foi a pior da minha vida, não deixe que isso acabe com nossa relação... – ele continuou, olhando em meus olhos e eu me vi perdida naquele mar verde, que refletia tanta dor quanto os meus.
- Nosso amor não vai acabar nunca, Harry – eu disse, e minha voz saiu fraca – Mas a confiança que eu tinha em você foi quebrada – ele ia me interromper, mas coloquei meu dedo sobre seus lábios – Por favor, me deixe falar – pedi, e ele assentiu – Eu te amo. Muito. Mas se voltarmos agora, serei uma daquelas namoradas ciumentas e desconfiadas, e eu não suporto esse tipo de relação. Você sabe que pra mim confiança é a base de um relacionamento feliz, mas a que existia entre nós dois foi quebrada. Eu te amo, sei que você também me ama, mas talvez essa seja a hora de recomeçarmos. Talvez seja a hora de conhecermos outros lados nossos, outras pessoas talvez, reconquistarmos toda a confiança que tínhamos um pelo outro – respirei fundo, tentando recuperar o ar – Nós vamos voltar. Mas não agora. Um dia, quando as coisas se acalmarem e voltarmos a nos olhar com confiança, isso vai acontecer. Mas no momento, o certo a se fazer é cada um seguir o seu caminho, repensar sua vida.
- Eu sei que você tem razão – ele falou, olhando para nossas mãos entrelaçadas – E vindo de você, eu não esperaria outra atitude, a verdade é essa – Hazza então me encarou, juntando mais nossos corpos – Vamos fazer o que você falou. Repensar nossa vida, sair com outras pessoas – nessa hora ele fez uma careta muito fofa e eu reprimir um sorrisinho – Mas você sabe, né? Que no final de tudo, seremos nós dois. Eu só peço que você não se afaste de mim e que me deixe participar de sua vida, mais nada.
- Eu nunca conseguiria me afastar de você, bobo – eu falei sorrindo – Você é parte essencial de mim, Curly boy – nós dois nos olhamos cúmplices e nos abraçamos longamente – A propósito, sua voz é linda – eu sussurrei em seu ouvido.
- Obrigado – ele disse, envergonhado. Rimos de leve e saímos, indo encontrar com os meninos na cozinha.
- E...? – Louis como sempre muito discreto perguntou, nos olhando curioso – Ai, caralho! – reclamou, quando Zayn deu um soco em seu ombro. Eu e Harry rimos.
- Não voltamos, mas pelo menos não vamos ficar brigados – Hazza disse, me olhando carinhosamente, no que eu devolvi. Os meninos suspiraram, mas não fizeram perguntas, o que foi muito bom. A campainha tocou e Louis foi abrir a porta, aparecendo alguns minutos depois com . Pela cara que ela fazia já tinha sido explicada sobre os recentes acontecimentos e me olhou parecendo orgulhosa.
- Oi, pessoas lindas – ela disse, jogando um beijo para cada um de nós, inclusive para Hazza. Ficamos conversando rindo madrugada a dentro, como antes.
Eu sabia que iria voltar para Harry, uma hora ou outra. Mas sabia também que antes precisávamos respirar um pouco, expandir nossos horizontes. E ali, conversando com ele e olhando dentro de seus olhos a cada momento, eu tive certeza que ficaríamos juntos, no final de tudo.
Capítulo 17
É impressionante como o tempo passa rápido quando você perde algo. Desde que eu e Harry terminamos, as semanas passaram voando. Parece que, como por mágica, o tempo resolveu correr e jogar em nossa cara a quanto tempo estávamos longe um do outro. Como se eu mesma não me lembrasse disso todos os dias, principalmente quando nos batíamos no elevador ou nas reuniões que os meninos constantemente faziam. Ele me fazia falta, muita falta. Parece que sem ele as coisas ficavam mais sem graça, os filmes mais chatos, a vida mais monótona. Nessa brincadeira, já haviam se passado dois meses. Dois meses sem ter ele ao meu lado e eu me sentia emocionalmente exausta.
Obviamente eu não deixava nenhum dos meninos perceber isso – só não conseguia esconder de , mas porque ela me conhecia bem demais. Até mesmo de Liam eu andava escondendo o que sentia de fato – toda a dor, toda a falta, todo o vazio. Nesses meses eu fiquei basicamente sozinha, só saía quando me arrastavam, e vivia praticamente para a faculdade. Harry vivia assim até um mês atrás, porém de uns dias para cá ele tem saído bastante com Zayn e Niall. Eu confio muito nos meninos, porém sei que não posso cobrar nada deles; eu e Harry terminamos ou seja, não devemos explicações para ninguém.
Foi com esse pensamento animador que eu acordei naquela manhã de sexta-feira. Hoje eu não teria aula na faculdade, o que era uma alegria na minha vida – Deus abençoe minha professora de literatura inglesa por ter parido um dia antes. Levantei, fiz minha higiene matinal e fui em direção à cozinha. Como já era esperado, encontrei um Louis muito descabelado junto com uma igualmente desarrumada.
- Bom dia pra vocês também – falei, bocejando, sendo solenemente ignorada pelo casal, que se agarrava em minha frente – OI, tem gente aqui! – disse indignada e eles finalmente viraram para mim.
- Oi, ! – Louis foi o primeiro a falar, ligeiramente vermelho – Não te vi aí! – continuou rindo.
- Percebi, Boo Bear! – respondi, e ele me deu língua, já que odiava aquele apelido.
- Bom dia amiga! – me saudou, me dando um beijo na bochecha e eu fiz careta.
- Eca, minha bochecha beijou o Louis indiretamente agora – eu disse, limpando minha bochecha dramaticamente.
- Haha, queria você beijar uma boca linda dessas! – Louis falou convencido e eu revirei os olhos rindo.
- Menos amor, menos! – disse, e nós rimos – E então, planos pra hoje à noite? – ela perguntou, olhando para Lou e para mim.
- Sim! – eu disse e eles me encararam surpresos – Cama, pijama, The Vampire Diaries e uma noite incrível ao lado de Damon Salvatore! – concluí, sorrindo feliz. Bom sonho esse meu, em que essas pestes me deixariam em paz por um fim de semana.
- Tô falando sério, sem brincadeira – disse revirando os olhos e eu bufei indignada – Porque nem aqui e nem no tomba eu vou deixar você sozinha em casa, em uma sexta feira à noite! E nem adianta reclamar! – ela falou, assim que me viu abrindo a boca – Você vai e pronto!
- Isso aí amor, coloca ordem! – Louis, o palhaço disse – , vai tá cheio de gente, você vai beber, sair, e quem sabe sair da seca, pra ver se acaba com esse mal humor! – ele falou e eu joguei uma torrada na direção dele.
- Eu não to na seca! – revidei indignada. Eles tiraram o dia pra me atazanar ou é impressão minha? – E você não deveria querer que eu ficasse em casa, sem sair e tal? – perguntei, e ele me olhou indagador – Sabe, eu namorei seu melhor amigo... Essas coisas – expliquei, e ele fez cara de que entendeu.
- Sim, mas eu não quero que você fique em casa morrendo de tédio e encalhada, porque eu sei que ele anda se divertindo – ouvir Louis dizer aquilo na maior tranquilidade foi como um tiro em mim. Então era verdade, ele realmente estava saindo com outras pessoas, enquanto a idiota aqui ficava em casa – E o Harry pode ser meu melhor amigo, mas isso não significa que eu deva te prender aqui. Você tem todo o direito do mundo de se divertir, afinal, vocês dois estão solteiros – ele falou, como se aquilo fosse algo bobo.
E foi ali que eu decidi que hoje iria me divertir.
- Ok, você tem razão. Hoje eu saio e arrumo um peguete novo! – eu falei, brandindo um garfo de maneira dramática, fazendo eles rirem.
- Assim que se fala! – disse, me abraçando – Agora, faz um favor pra mim? – ela perguntou, me fazendo aquela expressão odiosa do gato de botas.
- Tenho escolha?
- Não! – ela falou, com um sorrisinho convencido – Vai até a padaria comprar pão e leite? Acabou e eu ainda não comi!
- Tá, – falei, revirando os olhos, já sabendo ser inútil tentar discordar dela. Tomei um último gole do meu suco e levantei da mesa – Também né, claro que a comida acabou, Louis tá tão gordo que devorou todo o estoque! – eu disse e saí correndo, deixando um Louis injuriado atrás de mim, me falando algo do tipo: “Não sou gordo, sou gostoso!”.
Fui rindo em direção ao meu quarto, peguei um short jeans desfiado, um all star de cano médio, minha blusa do The Who, amarrei meu cabelo e voltei pra sala.
- Casal, to indo, não façam besteira! – eu gritei e ouvi dizer: “Não prometemos nada!”. Fiz cara de nojinho, saí do apartamento e chamei o elevador, enquanto cantarolava distraidamente. O elevador chegou, e quase meio minuto depois, parou no quinto andar. O andar dele.
Quando a porta abriu, para a minha total surpresa, uma loira linda entrou no elevador, me dando um sorrisinho tímido.
- Oi – ela falou, e eu dei um sorriso amarelo. Não pude aguentar, e perguntei, com a pouca dignidade que me restava.
- Veio do apartamento do Louis? – perguntei, torcendo para ela dizer ‘não’.
- Ahn, vim do apartamento do Harry – ela respondeu, parecendo confusa – Mas eu acho que ele tem um colega chamado Louis – ela continuou, sorrindo para mim.
Sorri de volta, e senti minhas pernas vacilarem. O elevador chegou ao seu destino e eu me esbarrei nela, tentando sair o mais rápido possível dali. Enquanto eu tomava o rumo da padaria, meus pensamentos estavam a mil. Então era realmente verdade, ele estava conhecendo outras garotas, enquanto a idiota aqui continuava sozinha, esperando o momento certo de voltar com ele. Imbecil, imbecil! Não sei quem era pior, eu – por acreditar que ele me esperaria, ou ele – por me fazer de idiota, mesmo sem saber.
Meus olhos encheram de lágrimas, mas eu as segurei. Não ia chorar, não por ele, não por aquele motivo. Se ele estava se esforçando para me esquecer, eu também ia me esforçar para esquecer ele. Estava tão cega de raiva que não reparei no homem que vinha em minha direção e me esbarrei nele, jogando tudo o que estava em seus braços, no chão.
- Wtf...? – ele perguntou, parecendo desnorteado e sem saber o que o atingiu. Foi então que eu olhei para ele, e vi os segundos olhos mais lindos do mundo.
- Nossa, me desculpa, eu... – falei bobamente, ainda besta com a beleza do homem e com a minha lerdeza.
- Não, tudo bem, não quebrou nada! – ele respondeu sorrindo, e meu coração acelerou. Que sorriso lindo...
- Me desculpe mesmo assim, sou uma tonta, completamente atrapalhada, só faço besteira... – tentei consertar, ficando ainda mais constrangida com a situação. Ele pareceu achar graça do que eu disse, e riu. Cara, que risada gostosa!
- Se todas as garotas atrapalhadas de Londres forem lindas como você, faço questão de esbarrar nelas todos os dias – ele respondeu, galanteador. E então eu pensei: Por que não? – Adam Cook, prazer – ele disse, estendendo a mão.
- . – respondi tolamente, pegando em sua mão. Ele sorriu para mim e soltou nossas mãos lentamente, como se quisesse aproveitar o momento.
- Então, ... Aceita tomar um café comigo? – ele perguntou e eu arqueei a sobrancelha. Qual é, por mais desesperada que eu estivesse, ele ainda era um estranho! – Juro que não sou um tarado ou maluco! – falou, como se tivesse lido a minha mente.
- Bom, nesse caso... – falei, fazendo charme – Ok, eu aceito! – completei rindo, e ele me acompanhou.
- Tem uma Starbucks aqui perto, se você quiser ir – Adam falou e eu concordei. Fomos andando em direção a Starbucks, conversando durante a caminhada.
- Então, você é daqui? – perguntei, notando seu sotaque diferente.
- Ah, não – ele falou – Sou do Canadá, mas estou passando uns meses aqui em Londres – Adam me disse, sorrindo timidamente.
- Sério? Sempre tive vontade de conhecer o Canadá, adoro lugares frios! – eu falei, animada – Estuda?
- Faço faculdade de economia – ele respondeu, abrindo a porta do Starbucks para mim, assim que chegamos – E você? É de onde? Seu sotaque não é britânico...
- Sou brasileira – falei, com um certo orgulho – Vim estudar jornalismo aqui, junto com minha melhor amiga, que faz moda – completei, me sentindo idiota por estar falando demais.
- Wow, uma estudante de moda e outra de jornalismo? Um tanto diferente – ele comentou divertido, fazendo nossos pedidos no caixa.
- Sim, mas nos damos bem... Ela não entende muito da minha área e eu definitivamente não entendo a dela! – falei rindo.
- Eu também não entendo de moda, pra mim moda é meu all star surrado e meu jeans rasgado – ele falou, me fazendo rir mais ainda.
- Então eu acho que você é minha versão masculina, porque é exatamente isso que eu penso! – eu comentei sorrindo, e ele sorriu de volta.
- Quem sabe não foi o destino querendo nos aproximar? – Adam disse de um jeito brega e nós dois nos encaramos, gargalhando em seguida – Nossa, não acredito que disse isso! – ele falou, com uma expressão falsamente envergonhada.
- Nem eu, sério que você usou essa cantada tosca? – eu falei, e nós saímos da Starbucks, andando sem direção.
- Bom, você me deixou nervoso! – ele falou e eu fiz uma careta assustada.
- Eu? Como assim, sou tão assustadora? – brinquei, e ele balançou a cabeça afirmativamente.
- Mulheres bonitas como você me assustam! – ele disse, e eu fiquei vermelha – Ainda mais quando elas conseguem ficar terrivelmente atraentes vermelhas desse jeito... – Adam me provocou e eu dei um soquinho fraco em seu ombro.
- Para! – fiz igual a uma criança e tampei meu rosto com as mãos.
- Wow, já tá até me batendo é?- ele continuou me perturbando, ate chegarmos a uma pracinha próxima a meu prédio. Ouvi uma música já conhecida tocar e peguei meu celular.
- Hey, é minha melhor amiga, preciso atender! – informei, e ele murmurou um “Claro, te espero” – Fala vaca! – falei pra , que suspirou nervosamente.
- Sua vadia, cadê você? Saiu tem mais de uma hora de casa e até agora não voltou, não me ligou, eu já tava achando que você tinha sido sequestrada e... – eu não deixei ela continuar e gritei.
- , calma, respira! – brinquei – Conheci um garoto no meio do caminho e estou conversando com ele – disse essa última parte em português, para não correr o risco de Adam entender o que eu dizia.
- Garoto? Então o que você ainda tá fazendo conversando comigo? Vai ao ataque, bitch! – ela me respondeu em português também, e eu ri.
- Ok, tchau! – desliguei o celular sem nem esperar resposta e procurei ao redor do Adam, o encontrando sentado em um banquinho.
- Oi! – falei, sorrindo timidamente.
- Oi! – ele me respondeu rindo, dando espaço para que eu me sentasse ao seu lado – Algo sério? – perguntou preocupado.
- Nem, só minha melhor amiga que surtou porque eu demorei para voltar para casa – respondi, revirando os olhos com o exagero de .
- Ela é bem preocupada com você, né? – perguntou divertido.
- Sim, é como uma irmã para mim – respondi carinhosamente.
- Onde você mora? – ele perguntou, se aproximando mais de mim.
- No prédio aí da frente! – respondi rindo, apontando para meu prédio, que estava a menos de 15 m de distancia.
- Wow, e eu achando que ia ter o caminho todo pra tomar coragem pra te chamar pra sair... – ele falou como quem não quer nada, me olhando, analisando minha reação. Sorri timidamente, e coloquei meu cabelo atrás da orelha.
- Bom, você não vai ter o caminho todo, mas pode me chamar para sair agora... – eu respondi, torcendo para não parecer oferecida e vi o sorriso de Adam se alargar.
- Então... Você gostaria de sair com esse canadense chato, que acabou de te conhecer? – Adam perguntou divertido e eu ri.
- Hmm... – fiz mistério, fingindo pensar na resposta – Acho que sim, desde que ele não seja um maluco tarado – eu respondi e Adam gargalhou.
- Ótimo! – ele falou, dando um enorme sorriso – Gostaria de sair para dançar? – perguntou, me olhando timidamente.
- Adoraria – respondi, dando um leve sorriso para ele, que retribuiu.
- Então, me dá seu número? Aí nós combinamos melhor... – ele falou, e nós trocamos nossos números de celular. Depois que combinamos o que iríamos fazer mais tarde, percebi que já estava na hora de voltar para casa.
- Hey, tenho que ir – informei, e Adam concordou rapidamente . Fomos andando e conversando amenidades até chegar ao meu prédio– Nos vemos mais tarde? – perguntei, assim que chegamos no hall de entrada.
- Se você não desistir, com certeza – ele respondeu, me dando um pequeno sorriso.
- Então nos veremos – afirmei e Adam me olhou, parecendo encantado.
- Não vejo a hora de te ver de novo – ele falou, me dando um beijo na bochecha – Até mais tarde, sweet – disse e se afastou, enquanto eu entrava no prédio. Vi ele se afastar, enquanto meu coração batia forte.
Foi então que vi que tinha mais alguém junto comigo no hall. Harry me encarava como se não me visse a meses, seus olhos verdes faiscando de raiva. Dei um sorrisinho irônico para ele e entrei no elevador, apertando o botão do meu andar, sem ao menos esperar por ele.
Harry’s POV
Já não bastava minha noite ter sido uma merda, eu ainda tinha que aguentar isso. conversava com algum babaca na frente do prédio, parecendo entretida demais para perceber a minha presença no local. Senti todos os meus músculos se retraírem e a minha tão conhecida veia no pescoço latejar. Respira, Styles, respira.
Pra piorar, quando ela passou por mim me deu apenas um sorriso, extremamente irônico. Isso não. Isso só podia significar uma coisa – ela havia se batido com Rebecca no elevador hoje de manhã. Me xinguei mentalmente por ser tão idiota, enquanto aguardava o elevador ser liberado.
Eu havia saído ontem a noite junto com Niall e Zayn, já que Louis estava namorando com e Liam era melhor amigo de , e não queria participar desse tipo de coisa. Niall e Zayn amavam , mas concordavam que eu precisava viver a minha vida, logo, não viam mal em ir pra balada caçar comigo. Ontem a noite eu havia conhecido Rebecca, mas não tinha rolado nada – a garota estava bêbada demais, e só fez me animar, mas sem terminar o serviço. Passei a madrugada inteira ouvindo ela vomitar e quando acordei hoje de manhã ela já não estava ao meu lado. Provavelmente saiu o mais cedo possível para não ter de passar pelo constrangimento de me encarar, depois do fiasco da noite anterior.
O elevador finalmente chegou e eu entrei, apertando o botão do 5º andar. Quem era aquele cara que estava junto com ? Ela estava rindo com ele. Ela tinha colocado o cabelo para trás da orelha, eu tinha visto de longe. só fazia isso quando estava nervosa ou quando queria seduzir alguém. Eu torcia desesperadamente para aquilo ser somente nervoso, mas algo me dizia que era a segunda opção. Ela com certeza, depois de ter visto Rebecca saindo do meu apartamento, resolveu curtir a vida de solteira também.
Suspirei e abri a porta do meu apartamento, dando de cara do Niall e Zayn de cueca, Liam sem camisa e Louis quase dormindo no sofá.
- Vocês não tem casa não? – perguntei para Liam, Niall e Zayn, que se fingiram de ofendidos – Só vivem aqui, puta que pariu – falei, revirando os olhos.
- Ui, a bicha tá de TPM é? – Niall me provocou, e eu mandei o dedo do meio para ele – Sabe onde enfiar, Curly Boy.
- Claro, eu sei que você adora um fio terra – devolvi, e Liam e Zayn riram. Louis parecia estar entretido demais tentando não babar para esboçar qualquer reação.
- Olha quem resolveu botar o cérebro pra funcionar – implicou Liam e eu o ignorei solenemente.
- Vi algo agora – falei, sem conseguir frear minha boca. Puta que pariu! Liam me olhou esperando que eu continuasse, assim como Zayn e Niall – . Com um garoto. – os meninos fizeram cara de quem tinham entendido o porquê da minha expressão de morto e ficaram em silêncio por dois segundos, que foi quebrado somente por Louis, que pelo jeito havia voltado a vida.
- Eu que disse para ela conhecer outras pessoas – ele falou, para minha surpresa, se levantando e sentando no sofá – Falei que ela tinha de conhecer outros caras, sair, se divertir, porque era nova demais e bonita demais para ficar em casa, enquanto você curtia – ele continuou, e ela primeira vez em anos, eu senti vontade de socar a cara de Louis.
- Porra, você é a desgraça do meu melhor amigo ou não, caralho?! – gritei, olhando indignado para ele, que me olhava entediado – Você sabe que ela é a minha ex namorada, a garota por quem eu sou apaixonado... – Louis não me deixou terminar a frase, me dando um olhar mortal.
- Engraçado você dizer isso, porque eu tenho quase certeza que aquele sutiã preto que estava no chão do seu quarto hoje de manhã, quando eu entrei, não era da – ele retrucou e eu me encolhi – Você é o meu melhor amigo, mas não acho certo você curtir, enquanto fica em casa, se afogando em lágrimas, na esperança de que tudo acabe bem entre vocês!
- Foi ELA que quis terminar comigo! – me defendi, mas me calei assim que recebi o olhar de Liam sobre mim.
- Sim, depois de você trair ela com sua ex namorada – ele falou, me olhando ironicamente – Apoio essa nova – Liam falou, dando de ombros.
- Zayn? Niall? – perguntei, procurando por apoio, mas recebi apenas olhares de pena e desdém dos dois – Ok, então meus próprios melhores amigos não estão do meu lado?
- Cara, você que procurou por isso, agora aguenta as consequências – Zayn disse, me olhando com pena e eu bufei irritado – Porque ao invés de ficar aí se lamentando, você não tenta reconquistar a ? – ele falou, como se fosse óbvio.
- Porque da última vez que eu fiz isso, ela me deu um fora – respondi, lembrando da nossa última conversa definitiva.
- Aquilo foi antes, mas já se passaram dois meses. Você não queria que ela ficasse te esperando o resto da vida, certo? – Niall falou e eu me senti um idiota.
- Quer saber? Foda-se, se ela quiser conhecer outro cara tudo bem. Eu sei que no final de tudo, é nos meus braços que ela vai ficar – eu disse, tentando acreditar naquelas palavras.
- Man, do jeito que as coisas estão indo, se eu fosse você, não teria tanta convicção assim – Liam disse, e eu quase chorei dessa vez. Puta que pariu, to virando um viado!
- Se você quer ela de volta, muda sua postura e mostra pra ela o que ela pode perder – Niall falou – mas faz isso do jeito certo, não agarrando a primeira vadia que aparece em sua frente, só pra mostrar o quanto você é bom de pegada – ele concluiu, passando por mim e me dando um tapa na cabeça – A te ama, mas tá puta da vida contigo. E ela tem razão.
- Odeio concordar com o Niall, mas é verdade – Louis disse, levantando do sofá e indo em direção a cozinha – Se eu fosse você, acordava pra vida e ia lutar pela minha garota. Assim como você percebeu o quanto ela é incrível, outros caras podem perceber também – dizendo isso, ele peidou e entrou na cozinha, me deixando atordoado e sendo obrigado a respirar aquele odor infernal. Belos melhores amigos eu fui arranjar.
Capítulo 18
Meu cabelo estava preso em um rabo de cavalo, meu vestido era absurdamente lindo e colado, me deixando com um corpo lindo. Minha maquiagem era forte e meu salto enorme. Eu estava, pela primeira vez em anos, me sentindo gostosa. Sorri, peguei meu batom e passei. Vermelho. Cor da paixão e do pecado. E pecado era o que eu queria cometer hoje. Hoje eu seria o pecado.
Dei os retoques finais em meu visual, peguei meu celular e mandei uma mensagem para Adam. Havia combinado de ir com ele para a Skins, uma boate nova que tinha aberto a 4 quarteirões dali. Ele iria comigo e os meninos. E quando eu digo “meninos” eu quero incluir Harry Styles. Hoje ele veria que a idiotinha de sempre tinha morrido. Hoje eu seria uma garota totalmente diferente.
Saí do quarto, dando de cara com , que assim que me viu, ficou estática.
- Quem é você, e o que fez com minha amiga? – perguntou, de boca aberta, me fazendo gargalhar. Logo depois ela me acompanhou e rimos igual duas idiotas – Velho, o Harry vai morrer quando te ver!
- Que se dane ele – eu respondi, dando um sorrisinho irônico – Hoje ele vai ver o quanto ele perdeu.
A campainha tocou e eu olhei para , fazendo questão de ir abrir a porta. Assim que eu a abri, cinco garotos me encaravam, completamente boquiabertos, como se nunca tivessem me visto antes.
- Viemos no apartamento errado? – Zayn perguntou, fazendo gracinha – , tá gostosa pra caralho! – ele disse, recebendo um olhar mortal de Harry, que não passou despercebido por mim.
- Obrigada, Zaz – respondi rindo, dando espaço para eles entrarem. Cumprimentei um por um, inclusive Harry, que não parava de me olhar como um babaca.
- Você está maravilhosa – ele disse, assim que o cumprimentei.
- Obrigada – respondi friamente – Gente, vejo vocês lá! – falei, mandando beijinhos para todos, assim que senti meu celular vibrar, com uma mensagem de Adam, avisando que já estava me esperando na frente do prédio.
- Vai lá amiga, bom encontro – disse e nós sorrimos cúmplices. Harry ficou pálido e me observou saindo do apartamento. Entrei no elevador, e um minuto depois já estava na frente do prédio, indo de encontro ao carro de Adam, que assim que me viu, desceu para me receber.
- Uau... – ele falou, me olhando admirado – Isso tudo é pra mim? – perguntou, meio espantado, meio palhaço.
- Entenda como quiser – respondi, rindo – Vamos?
- Claro, claro! – ele respondeu, como se tivesse acordado de um transe – Vamos encontrar seus amigos lá? – ele perguntou, enquanto dirigia.
- Sim, eles disseram que irão me ver lá – respondi, sorrindo simpaticamente. Tocava alguma música agitada, The Wanted eu acho, e eu me animei.
- Wow, posso aumentar? – perguntei, apontando para o som. Adam aumentou o volume, colocando no máximo e eu ri, sendo acompanhada por ele.
- Quero procurar o sol com você hoje – ele disse, me encarando maliciosamente.
- Vejamos se você aguenta meu pique – respondi, piscando para ele, que riu.
Chegamos na Skins e eu mandei mensagem para Liam, avisando. Entramos e fomos direto para o bar, fazer os pedidos de nossas bebidas.
- Uma Caipirinha, por favor – pedi, enquanto Adam pedia uma cerveja. Ficamos conversando amenidades e trocando provocações leves, até que meu celular vibra mais uma vez. Pedi licença e atendi – era .
- Cadê vocês? – ela perguntou, com a voz abafada, por causa do barulho.
- Estamos no bar, venham pra cá! – eu disse, desligando o celular e esperando eles chegarem.
- Já chegaram? – Adam perguntou, sorrindo e me abraçando.
- Sim – respondi, devolvendo o sorriso e me apertando mais aos braços dele. Nos encaramos e quando já estávamos quase nos beijando, fomos atrapalhados por Louis.
- Opa, desculpa casal, mas chegamos! – ele disse divertido, enquanto Adam e eu nos separávamos, constrangidos, mas sorrindo.
- Louis! – eu disse animada, a terceira caipirinha começando a fazer efeito – Louis, Adam. Adam, Louis! –apresentei, e ele apertaram as mãos, sorrindo cordialmente.
- Sabia que eu também existo? – se pronunciou, e só então eu percebi que ela e os outros também estavam ali. Harry nos encarava furiosamente, como se a qualquer momento fosse pular no pescoço de Adam.
- Eu já ia fazer isso, insuportável – falei, e eles riram – Adam, esses são , Niall, Liam, Zayn e Harry – falei, como se ele não fosse nada além de um velho amigo.
- Prazer! – Adam falou, apertando a mão de cada um. Percebi ele fazendo uma careta de desconforto ao apertar a mão de Harry, e reprimi um sorrisinho.
- O prazer é nosso! – Liam falou, tentando quebrar o clima tenso que se instalara ali. Eu resolvi ficar alheia a qualquer manifestação de ciúmes por parte do Styles e o ignorei.
- Aquele cara é algo seu? – Adam me perguntou, chegando mais próximo de mim.
- Ex namorado – respondi sincera, mordendo o lábio – Ex – frisei bem a última parte.
- Então estou sendo usado como objeto de ciúmes? – Adam perguntou, sorrindo tristemente.
- Claro que não! – respondi rápido – Não gosto desses joguinhos, se aceitei sair com você, foi por que me interessei. Eu e Harry não temos mais nada – respondi e quis com todas as forças do mundo que aquilo fosse verdade.
Adam sorriu para mim e me puxou para mais perto dele. Nossas respirações se misturaram, e ficamos brincando de encostar um no nariz do outro; fechei meus olhos e senti os lábios macios de Adam contra os meus. Ele tinha gosto de menta e morango, uma mistura diferente, mas extremamente gostosa. Dei passagem para sua língua e nosso beijo começou calmo, mas foi ganhando intensidade a medida que nossos corpos se colavam mais. Eu me esqueci de onde estava, com quem estava e por que estava ali; a única coisa que eu queria era continuar beijando Harry. Harry. Harry.
Me separei rapidamente de Adam e ele me olhou confuso, tentando entender o porque de eu ter me afastado tão rapidamente.
- Fiz algo errado? – ele perguntou, parecendo constrangido.
- Claro que não – respondi, tentando clarear minha mente – Só não vamos apressar as coisas, vamos curtir a noite – respondi, dando um sorriso amarelo e dando um selinho em seus lábios. Now let's party
Woahhhhhhhh woahhhhhhh
The clock hit 12, as she entered the room
But if looks could kill then we all would be doomed
After just one kiss you're not able to move
From her venomous lips and her poison perfume
Yeah!
Puxei Adam para pista e quando fiz isso, ele pareceu tomar um susto, pois estava bebendo sua cerveja e meu ato foi inesperado. Fomos para o centro da boate e eu comecei a dançar solta, rebolando e jogando meus cabelos para trás. Adam parou de dançar para me olhar, mas retomou os sentidos e me acompanhou, me olhando de forma maliciosa.
She starts swaying so sexy
And looking at me
And it got me, caught in her mind control
This place is prison
I'm chained up
I give up and
I'm at her mercy
She wouldn't let me go
Sorri para ele e aproximei nossos corpos, grudando meu corpo ao dele. Eu rebolava e ele grudava ainda mais em mim, aproximando nossos rostos, mas logo depois indo em direção ao meu pescoço, onde começou a dar leves mordidas.
She said she likes to dance all by herself
'Cause she's a party girl
She don't care for nobody else
She's in her own world
I love this little party girl
I love this little party girl
She's such a little party girl
Eu não me importava se tinha acabado de conhecer ele ou se estava parecendo uma vadia. A única coisa que eu queria era dançar, era colocar toda a minha raiva para fora, era ser selvagem. Eu queria que Adam me pegasse da mesma forma que Harry havia feito com aquela loira peituda com cara de puta.
I, I gotta leave this room, 'cause it's starting to spin
But there's no escape from this mess that I'm in
She can't resist the temptation to sin
So pull your collar up before she sinks her teeth in,
yeah
Olhei por cima do ombro de Adam e vi que Harry tinha parado de se agarrar com a tal loira. Ele olhava para mim sem piscar, sem controlar seus movimentos, seus olhos acompanhando cada pedaço do meu corpo, cada rebolado meu. Sorri ironicamente para ele, e comecei a morder o pescoço de Adam, fechando os olhos e o ouvindo ofegar.
She starts swaying so sexy
And looking at me
And it got me, caught in her mind control
This place is prison
I'm chained up
I give up and
I'm at her mercy
She wouldn't let me go
Adam apertou a minha cintura e começou a dançar no mesmo ritmo que eu, fazendo com que nossos corpos se encaixassem em uma dança com sincronia quase perfeita. Senti ele mordendo meu pescoço e mordi seu lóbulo, fazendo ele gemer levemente. Sorri com aquilo, sem me importar se só estava usando ele para fazer ciúmes a Harry. Hoje eu não era dona de mim.
She said she likes to dance all by herself
'Cause she's a party girl
And she don't care for nobody else
She's in her own world
I love this little party girl
I love this little party girl
She's such a little party girl
I love this little party girl, yeahhhhh
Adam grudou nossos lábios de forma urgente e eu devolvi o beijo com a mesma urgência; ele me queria. Eu queria tirar de mim aquela sensação de tristeza, abandono, raiva. Nossas línguas dançavam de forma quente e sincronizada, parecia o encaixe perfeito. Porém, um único nome aparecia em minha mente. E foi o dono desse nome que eu vi, vindo em nossa direção, parecendo cego de raiva, porém não entendi o motivo na hora.
Woah, Yeah
She said she likes to dance all by herself
'Cause she's a party girl
And she don't care for nobody else
She's in her own world
I love this little party girl
She said she likes to dance all by herself
'Cause she's a party girl
I love this little party girl
She said she likes to dance all by herself
'Cause she's a party girl
She's such a little party girl
Só entendi o motivo de Harry vir até nós, quando senti Adam ser puxado e jogado no chão. Harry dera um soco em sua cara, sem ter como ele se defender. Hazza parecia completamente louco, fora de si, porém Adam não deixou barato e partiu para cima dele também. Os dois se engalfinhavam no meio da pista de dança, enquanto eu gritava desesperada por ajuda. Niall e Zayn surgiram do nada e seguraram Harry, dando tempo para Adam atingir o rosto dele em cheio com o soco, que com certeza deixaria marcas. Liam e Louis apareceram e seguraram Adam o afastando de Harry. Eu só fazia chorar e xingava Harry de todos os nomes possíveis.
- FILHO DA PUTA, QUEM VOCÊ PENSA QUE É? – eu gritei, apontando para Harry, totalmente descontrolada – VOCÊ NÃO TEM ESSE DIREITO!
- E VOCÊ TEM O DIREITO DE AGIR COMO UMA VADIAZINHA? NÃO! – Harry urrou e eu senti meu mundo desabar. Tudo ficou escuro ao meu redor, e eu fui para cima de Harry, com a única vontade de causar o máximo possível de dor naquele infeliz.
- FICA LONGE DELA! – Adam gritou, enquanto Liam e Louis o soltaram e vieram me segurar, mas eu parecia incontrolável. Quando os meninos acharam que tinham conseguido me prender, me soltei e dei um soco no queixo de Harry, que me olhou assustado.
- NUNCA MAIS FALE ISSO, NUNCA MAIS! – eu gritei, sendo puxada para longe de Harry. A única coisa que eu queria era machucar ele, sentar e chorar. O cara que eu amo havia me xingado na frente de todos. E o pior – ele tinha razão. Eu realmente havia me comportado como uma vadia aquela noite. De repente eu passei a sentir nojo de mim, das minhas roupas, da minha aparência, das minhas atitudes.
Senti o abraço protetor de me envolver, e chorei em seu ombro como uma criança acuada. Minha amiga passava a mão pelos meus cabelos, xingando Harry baixinho.
- Calma, ele é um idiota, tudo vai se resolver – disse, me abraçando mais forte – Ele ficou com ciúmes, você não está agindo como uma vadia – ela falou, me olhando.
- Sim, , eu to – eu falei, soluçando, minha maquiagem completamente borrada – Eu agi como uma vadia idiota e egoísta, só quis causar ciúmes no Harry e olha no que deu... – eu disse, enterrando meu pescoço em sua clavícula – Sou uma imbecil, completa imbecil!
- O único imbecil que tem aqui sou eu, por ter acreditado em você – ouvi a voz magoada de Adam e gelei – Achei que você realmente estava interessada em mim, e olha que surpresa – ele disse irônico, me olhando com raiva – Levei um soco na cara por causa de uma vadiazinha mimada.
Adam não podia ter visto o que o tinha acertado. Niall veio de longe com a mão fechada assim que ouviu Adam me chamar de vadia. Eu e fomos correndo apartar os dois, antes que outra briga começasse.
- SAI DE PERTO DELA, SEU FILHO DA PUTA! – Niall gritava, enquanto eu e tentávamos o segurar.
- Se depender de mim, nunca mais encosto nela. Adeus – Adam disse magoado, me dando um último olhar enojado e sumindo pela porta. Eu e soltamos Niall, e eu recomecei a chorar.
- Sou uma idiota, sou uma inútil... – recomecei, e Niall me sacudiu.
- Você não é uma idiota, não é uma inútil! Você e Harry são dois imbecis que se amam, mas preferem se machucar do que sentar e conversar, como gente adulta! – ele explodiu e eu me encolhi – Porra, pra que você foi provocar ele? – Niall perguntou exaltado – E porque ele foi se agarrar com a loira dos peitões na sua frente? – ele caminhava de um lado para o outro, enquanto era observado por mim e , assustada demais para falar algo.
- Porque fomos retardados o suficiente para não conversarmos antes de tudo isso – eu ouvi a voz de Harry e meu coração gelou – , Niall, vocês podem por favor nos deixar a sós? – ele pediu, olhando para nossos amigos e eu senti meu coração vacilar – Acho que está na hora de agirmos como adultos – Harry disse sério e eu concordei, com medo do destino daquela conversa. Suspirei e sentei em um puff que tinha ao meu lado, enquanto ia de encontro ao que podia ser a conversa mais tensa da minha vida.
Harry me encarava, como se esperasse que eu começasse, porém aquilo estava longe de acontecer. Percebendo minha relutância, ele suspirou, passando as mãos estressado pelos cachos.
- Se você soubesse a raiva que eu fiquei quando te vi ficando com aquele filho da puta... – ele começou, parando logo em seguida para respirar fundo – Quando foi que chegamos ao ponto de provocar um ao outro? Quando foi que descemos tão baixo? – ele pareceu perguntar mais a si mesmo do que para mim.
- Acho que quando vi aquela loira saindo do seu apartamento, hoje de manhã – eu respondi friamente, me sentindo uma criança acuada.
- Peço desculpas por isso – ele falou, parecendo envergonhado – Mas eu precisava seguir em frente, tocar minha vida... VOCÊ PEDIU POR ISSO! – ele gritou, e eu fiquei com raiva.
- MAS PRECISAVA ESFREGAR NA MINHA CARA? PRECISAVA ME MOSTRAR O QUANTO VOCÊ ESTAVA BEM, ENQUANTO EU ME FODIA? – eu explodi, levantando e andando de um lado para outro. Do lado de fora, a música tocava a toda altura e eu sabia que nossos amigos estavam por perto, ouvindo tudo.
- VOCÊ QUIS ISSO, VOCÊ TERMINOU COMIGO, EU PEDI PRA VOLTAR! – ele gritou de volta, perdendo o controle.
- POR QUE VOCÊ ME TRAIU, SEU IMBECIL! VOCÊ QUERIA QUE EU FIZESSE O QUÊ? – perguntei, sentando e colocando a cabeça entre as mãos, puxando meus cabelos de forma descontrolada – QUE EU TE PERDOASSE DEPOIS DAQUILO?
- Eu... eu... – Harry perdeu a fala e ficou me encarando. Comecei a chorar, pedindo para que aquela noite acabasse logo – Eu só queria que você me dissesse que sempre iria me amar, independente do que acontecesse conosco – ele falou e eu vacilei. Harry se aproximou de mim e se ajoelhou, para ficar da minha altura – Eu só queria que você me perdoasse por ter agido como um idiota e ter traído a pessoa mais especial do mundo pra mim – ele continuou, e eu vi que seus olhos brilhavam devido as lágrimas que ele segurava – Eu só queria que tudo voltasse a ser como era antes. – ele disse e nós choramos – Eu quero nós dois de volta – falou por fim, colando nossas testas, nossas respirações se misturando.
- Eu exijo nós dois de volta – eu completei, e ele me olhou surpreso – Não dá pra continuar fingindo que eu consigo ficar longe de você, seu babaca – eu falei e ele sorriu. Nossos lábios se encostaram e eu finalmente beijei o cara certo aquela noite. O único cara que eu queria beijar até o fim dos meus dias. O meu Harry. MEU Harry.
Capítulo 19
Às vezes eu acho que sou idiota. Mas, às vezes, eu passo a ter certeza. Neste exato momento eu me encontro envolvida pelos braços de Harry depois de uma noite mágica. As coisas aparentemente se resolveram entre nós e isso é ótimo, eu acho. Porém, alguma coisa ainda estava incerta para mim. Aquilo não me parecia mais tão necessário ou algo que eu deveria fazer. Sim, eu ainda o amava, mas... Algo havia quebrado nesse meio tempo.
Eu sei que sou estranha.
Há pouco tempo atrás eu estava sofrendo por estar sem ele e por ver que ele estava indo bem sem a minha presença, embora os meninos insistissem que não. Porém, eu o via com outras garotas, tipo a loira que saiu do apartamento dele ou a garota da boate – que tinha um péssimo gosto para roupas, diga-se de passagem.
Harry se mexeu ao meu lado e eu o encarei. Ele continuava a mesma coisa. “Mas é claro que continua, sua estúpida”, eu pensei e ri com a minha própria idiotice. Harry abriu os olhos e me encarou por dois segundos, logo em seguida soltou um riso baixo e deu um sorriso sonolento.
- Então você está aqui mesmo? – ele sussurrou, puxando-me para mais perto dele.
- Até onde eu saiba, sim. – brinquei, sorrindo fraco, encaixando-me melhor em seus braços.
- Então a noite de ontem não foi um sonho, certo? – ele continuou e eu ri. Continuava bobo.
- Vai continuar fazendo perguntas óbvias? – o perturbei e ele riu baixinho. – Não acha que está na hora de levantar? – perguntei, tentando sair de seus braços, no que não obtive sucesso.
- Não. – ele falou, puxando-me para ainda mais perto e colocando as pernas ao meu redor. – Passei tempo demais longe de você, sem seu cheiro, sem acordar com você do meu lado... O mundo pode esperar. – ele falou e me deu um beijo na testa, minha respiração parou por uns dois segundos.
- Eu... – tentei falar enquanto Harry espalhava beijos em meu rosto e pescoço - ... acho que ainda temos o que conversar. – falei e ele parou na hora, suspirando fundo.
- Eu sei. – ele falou, a voz abafada pelos meus cabelos. – Mas agora eu só quero ficar aqui, sem precisar me preocupar com mais nada – Hazza disse, puxando meu queixo para cima e eu o encarei. Seus olhos estavam brilhando e seus cabelos estavam completamente bagunçados. – Eu fiquei em abstinência de você tempo demais... – ele murmurou, juntando nossos narizes, fazendo carinho em mim.
- Só de mim mesmo... – eu falei irônica, não aguentando aquilo. Harry parou de me fazer carinho e me olhou.
- Depois. – foi a única coisa que ele disse, voltando a me envolver em seus braços.
Bufei e deixei minhas preocupações para lá. Se ele iria esquecer tudo por uns minutos, eu também iria.
- Você quase me matou ontem. – Harry disse. – Com aquele babaca te beijando, te tocando... Eu tive vontade de socar a cara dele até desfigurá-lo.
- Achei que não íamos falar sobre isso. – eu retorqui. – Porque aí eu posso falar sobre as duas garotas com quem eu vi você, em um único dia. – falei emburrada.
- Ok, vamos falar sobre isso mais tarde. – ele falou e eu dei um soquinho leve em seu ombro, fazendo-o rir.
- Até dessa sua violência gratuita eu fiquei com saudades. – brincou e eu ri.
Ficamos na cama rindo e falando besteiras quase a manhã inteira, até sermos interrompidos por uma leve batida na porta.
- Casal? – Louis perguntou, depois que gritamos um “Pode entrar”, olhando-nos sorrindo.
- Fala Louis. – Harry respondeu com um sorriso enorme e eu revirei os olhos, rindo.
- Estamos todos com fome, apenas esperando vocês para almoçar... Se as ladies puderem adiantar, iriamos agradecer! – ele disse irônico e Harry e eu rimos, mas não antes dele mandar o dedo do meio para Louis, que revirou os olhos e saiu do quarto.
- Vamos? – Harry falou, levantando da cama e me puxando. – Banho e comeeer! – falou animado, levantando os braços.
- Geralmente, quem fica assim por comida é o Niall. – brinquei, abraçando-o por trás e o seguindo até o banheiro.
- Não tenho culpa se você gastou todas as minhas energias essa noite... – ele respondeu malicioso e eu dei um tapa em seu braço. – Outch, você está demais! – implicou e eu dei língua.
Tomamos banho juntos e 20 minutos depois, após negar todas as investidas de Harry de prolongar aquele banho, nós saímos – ele completamente emburrado comigo, por sinal. Ponto para mim!
- AMÉM! – um Niall esfomeado gritou, assim que nos viu entrando na sala, sendo acompanhado pelos garotos e .
- Amém mesmo! – Zayn falou com um sorriso enorme, vindo em nossa direção. – Não vou ter que aguentar mais o Harry se lamentando! – ele comemorou e fez um high-five com Louis.
- Idiotas. – Harry murmurou, tentando se esconder atrás de mim, que apenas ria com tudo.
- Veremos... – sussurrei só para ele me ouvir e Harry me olhou assustado.
- É, está tudo muito lindo, estou feliz por vocês, MAS EU QUERO COMER, CARALHO! – Niall esbravejou e nós gargalhamos com sua reação.
- Niall, meu bem, o restaurante não vai sair do lugar. – disse, vindo em minha direção e me dando um abraço. – Aliás, vocês dois devem estar com fome, certo? – perguntou maliciosa, abraçando Louis.
- Sim, faz tempo que eu não como... – falei sem pensar e todos riram.
- Eu me referi ao fato de que vocês quase derrubaram o quarto essa noite, mas tudo bem. – ela disse e eu fiquei vermelha, arrancando risadas de todos.
- Vocês são ridículos. – reclamei, abracei Harry e tentei esconder meu rosto.
- Awn, amor. – Harry disse e eu sorri ao ouvi-lo me chamar de “amor”. Foco, , foco! – Não temos culpa se você é meio selvagem... – ele falou e eu o larguei, indo em direção a Liam, que apenas ria de tudo.
- Leeyum, me protege deles! – falei, fazendo manha e Liam abriu os braços para me receber.
- Vem, , eu não vou deixá-los te perturbarem só porque você é uma maníaca sexual. – ele falou e eu escancarei a boca, fingindo indignação.
- Até tu, Brutus? – reclamei, largando-o e sentando no sofá. – Odeio vocês, pra sempre.
- Odeia nada! – Zayn falou, rindo do meu drama. – Agora vamos logo, a fome do Niall passou pra mim. – ele brincou e nós rimos.
- Isso, tirem onda mesmo, mas vocês não sabem a minha história, não sabem pelo que eu passei... – Niall fez drama e todos gargalhamos, indo em direção ao elevador.
Nos dividimos em 2 grupos, já que os 7 não caberiam no elevador juntos. Chegamos à garagem e, mais uma vez, nos esprememos no carro de Liam.
- Louis, seu carro só serve de enfeite? – reclamei com Lou, que estava ao meu lado, com no colo.
- No momento, sim, prefiro gastar a gasolina de Liam do que a minha. – ele disse e ouvimos Liam exclamar indignado na frente.
- Da próxima vez, você vai de cavalo, mas não vai no meu carro. – Liam ameaçou e Louis jogou um beijo em sua direção, que ele fingiu ignorar.
- Depois, quando eu chamo de viado, reclama. – Zayn falou e Niall concordou, levando um tapa na cabeça de Louis.
- Mas vocês são gays mesmo! – Niall se defendeu. – Onde já se viu hétero se comportar dessa forma? – o irlandês perturbou e nós rimos.
- Amor, diga-lhes o quanto eu sou macho. – Louis disse, abraçando pela cintura.
- É, sim, meu namorado é muito mais macho do que vocês! – ela falou, rindo. – Não que isso seja difícil, mas... – concluiu, como quem não queria nada.
- Hey! – Liam, Harry, Zayn e Niall reclamaram, enquanto Louis, e eu ríamos.
- Isso é verdade. – concordei e Harry me deu um olhar sugestivo. – Nem vem, Styles! – falei, antes que ele dissesse alguma coisa.
Depois de muito discutirmos, resolvemos ir a um restaurante italiano comer massa. Niall ainda insistia que queria ir ao Nando’s, porque era melhor, mais barato e tinha uma coca-cola enorme, mas não adiantou. Chegamos ao restaurante e ele ainda estava emburrado, mas melhorou a feição assim que prometemos dar-lhe um sorvete. Sim, esse garoto já tinha 21 anos.
Fomos para uma mesa mais afastada, já sabendo como nos comportávamos como crianças de 5 anos e para evitar passar maiores constrangimentos. Quando se é amiga de Louis Tomlinson, Harry Styles, Liam Payne, Zayn Malik e Niall Horan, tudo é possível.
- Uma fatia de pizza de quatro queijos, uma de calabresa, um pedaço de lasanha de frango e uma coca-cola diet, pra balancear tudo e evitar celulites. – Niall falou assim que o garçom veio nos atender. – E para sobremesa, uma taça de sorvete de creme. – concluiu para o garçom, que o olhava atônito.
- Só isso? – Liam perguntou irônico e Niall arqueou a sobrancelha.
- Estou em fase de crescimento. – ele respondeu, como se aquilo fosse óbvio e nós rimos. Fizemos nossos pedidos, que passaram longe de serem tão extensos quanto os de Niall e esperamos nossos pratos chegarem.
- Vou ao banheiro. – disse, olhando-me sugestivamente e eu entendi a mensagem, mas os meninos estavam entretidos demais para notar algo. Murmurei algo para Harry, que pareceu não ouvir e segui .
- Fala. – eu disse, assim que entrei no banheiro e tranquei a porta, observando sentando em cima da bancada do banheiro.
- Vocês irão voltar? – ela foi direta, encarando-me.
- Não sei. – respondi sincera, suspirando alto. – Eu o amo, mas... Não sei como as coisas serão daqui pra frente.
- Não ceda tão rápido. – ela disse, ainda sendo direta, mas mudou assim que viu minha expressão. – Eu não quero que você sofra tudo de novo, . – ela disse, levantando e me abraçando. – Tá na cara que vocês se amam, mas os dois se feriram muito com essa separação. – ela falou e eu concordei.
- Eu sei. – falei, sentando na tampa do vaso, colocando minha cabeça entre as mãos. – Mas não sei como conversar com ele sem estragar tudo. – desabafei, e se ajoelhou a minha frente.
- Apenas fale como você se sente, como seus sentimentos estão, fale sobre seus medos. – ela me aconselhou, fazendo carinho em meus cabelos. – Mas lembre-se: seus sentimentos são mais importantes. Você viu o quanto sofreu com tudo isso; quer cometer os mesmos erros novamente? – ela perguntou, olhando-me sugestiva.
- Não... – murmurei, respirando fundo. – Eu vou conversar com ele mais tarde. Vamos voltar para a mesa, antes que eles venham atrás da gente e arrombem a porta do banheiro. – falei, sorrindo fraco, sendo acompanhada por .
- Ou pior: pensem que estamos nos pegando. – ela falou e nós gargalhamos, saindo do banheiro e voltando para a nossa mesa.
- Eu juro que ainda vou descobrir o que vocês fazem juntas no banheiro. – Louis falou assim que chegamos a mesa.
- Nasça com uma vagina e descubra, babe. – eu respondi e ele fez cara de sonhador.
- Deve ser legal. – Louis respondeu e eu ri. – Sério, não ter que se preocupar com ejaculação precoce, poder ver outras garotas peladas sem culpa ou medo. – ele continuou, como se aquele assunto fosse o mais comum do mundo.
- Vamos apenas fingir que ele não disse isso. – Zayn falou e nós concordamos, fazendo Louis revirar os olhos.
- Quando a gente chama de viado... – Harry disse baixinho, mas todos ouvimos.
- Quieto, Stylinson! – eu brinquei e ele me mandou língua.
Nossos pedidos chegaram e Niall foi o primeiro a atacar, deixando todos nós assustados com tamanha fome.
- Irlandês, querido, você não tem comida em casa? – perguntou, olhando assustada para Niall.
- Ter eu tenho, mas ninguém pra preparar. – ele respondeu e nós rimos. – Sério, Zayn só sabe fazer frango, e comer frango todo dia não dá! – ele reclamou de boca cheia, fazendo Zayn o olhar indignado.
- Pois nem frango eu faço agora! – ele reclamou, fazendo biquinho e eu apertei sua bochecha, já que ele estava do meu lado.
- Ainda bem que cozinha, caso contrário eu morreria de fome. – disse e eu ri.
- Não vamos exagerar. – eu respondi, comendo um pouco.
Eu tinha perdido 3 kg com toda essa história de separação com Harry e não tinha pretensão nenhuma de recuperá-los. Então, vamos tentar controlar a boca, meu corpo agradece.
- Má a cumigah di ih goa? – Niall tentou falar de boca cheia e nós o olhamos, enojadas.
-“Mas a comida de é boa?” – Harry traduziu, revirando os olhos e Niall olhou-o agradecido, engolindo a comida em seguida.
- Até que é, pelo menos é melhor que a minha. – falou e nós rimos.
Ficamos conversando bobagens, até terminarmos de comer, mas ainda tivemos de esperar Niall terminar sua sobremesa. Depois de muito reclamar e brigar conosco, os meninos pagaram a nossa conta, praticamente nos prendendo na cadeira.
- Olha, eu estudo e trabalho, não preciso disso! – reclamou e eu a acompanhei.
- Eu também trabalho pra isso, vocês são idiotas. – falei, fazendo birra, mas na verdade, agradecendo aos meninos, já que o que eu ganhava no estágio não era muito e meus gastos já estavam altos demais.
- Podem reclamar, mas nós não deixamos damas pagar a conta, mesmo que elas não se comportem como tais exatamente... – Zayn nos alfinetou e nós demos dois tapas nele, que riu.
- Idiota. – reclamei, dando língua para ele, que me abraçou. Seguimos todos juntos para o carro de Liam e a volta foi a bagunça de sempre. Ao chegarmos, disse logo que ia dormir, porque ainda estava com sono, já que “certas pessoas” – leia-se, Harry e eu – não haviam deixado-a dormir à noite. Os meninos entraram junto com ela no elevador, enquanto Harry e eu esperávamos que eles o liberassem para podermos subir.
- Vamos conversar mais tarde? – ele me perguntou, abraçando minha cintura e colando nossas testas.
- Sim. – eu respondi, dando um sorriso triste. – Você vai lá em casa ou...? – perguntei, encarando-o.
- Vamos andar um pouco e aí conversamos. – ele falou e eu acenei. O elevador chegou e nós entramos. Harry ficou no 5º andar, enquanto eu fui para o meu apartamento descansar um pouco, antes de conversar sério com ele.
Fui em direção a minha cama e me joguei, tirando apenas os sapatos. Peguei meu celular e programei para o despertador tocar dali uma hora. A noite iria ser longa e a nossa conversa, mais longa ainda.
Capítulo 20
Triiiiiiim. Triiiiiiim
“Como se eu tivesse dormido mesmo...”, pensei assim que meu despertador tocou e levantei da cama. Passei a mão no rosto, espreguicei-me e levantei, indo direto para o meu banheiro. Olhei-me no espelho fixamente, reparando em cada detalhe do meu rosto. Eu era comum, não tinha nada de especial. Meus olhos eram estranhos, eu tinha olheiras, meu cabelo parecia uma palha; o que raios Harry via em mim? Balancei freneticamente a minha cabeça, me despi e entrei embaixo do chuveiro, deixando a água escorrer livremente por meu corpo.
Dez minutos depois, após muita enrolação, finalmente saí do banheiro. estava em meu quarto, mexendo em meu guarda-roupas e me ignorando profundamente, como se eu não estivesse ali. Suspirei, já esperando ela terminar de procurar uma roupa legal para mim.
- Aqui, veste isso. – ela disse, jogando meu vestido florido, com um leve decote, um pouco acima dos joelhos. – Junto com... – ela continuou caçando algo que prestasse em meu guarda roupa. – Isto! – concluiu feliz, jogando uma meia-calça verde musgo lisa em cima da minha cama. – Como está um pouco frio, você usa a sua bota creme e fica tudo perfeito!
- E o meu direito de escolher o que vestir, fica como? – falei irônica, mas comecei a me vestir, sabendo que não iria conseguir escolher nada que prestasse.
- Só não te respondo porque sou educada. – disse, dando-me um sorrisinho sarcástico e sentando em minha cama. – E aí, já sabe o que vai dizer? – perguntou, parando de sorrir e me encarando enquanto eu me vestia.
- Não. – suspirei resignada. – Tô com medo de falar besteira, de estragar mais ainda as coisas... – admiti, colocando a meia calça.
- Normal isso. – falou sorrindo carinhosamente. – Vocês irão voltar?
- Eu não sei, já te disse... – falei, terminando de vestir a roupa e pegando as botas. – Fico com medo de voltar e acontecer tudo novamente: ele me trair, nós dois nos magoarmos. Você viu o que aconteceu nesse período. – desabafei, terminando de me arrumar. – Que tal? – perguntei, levantando da cama e me virando para ela. – Bonita?
- Linda! – respondeu sorrindo. – Até porque, eu quem escolhi sua roupa! – claro que ela não iria perder a oportunidade de jogar isso na minha cara; apenas revirei os olhos e joguei uma almofada em cima dela.
Fiz uma maquiagem leve e assim que terminei, olhei as horas. Já eram 18:40 p.m e eu tinha marcado às 19:00 p.m com Harry. Prendi meu cabelo, peguei minha bolsa e alguns documentos importantes, meu celular e uma jaqueta preta — já que o tempo estava frio em Londres — e fui para a sala, onde encontrei deitada no sofá assistindo TV.
- Fique calma, vocês só vão conversar. – ela tentou me acalmar, inutilmente, diga-se de passagem.
- Fala isso porque não é contigo. – falei, e ela riu. – Falando nisso, e você e Louis? – perguntei, e ela riu.
- Melhor do que nunca. – ela respondeu com um sorriso imenso e eu a acompanhei. Senti-me egoísta, porque percebi que mais nunca conversei com ela sobre isso. – Relaxe. – ela falou, vendo minha expressão de culpa. – Quando você chegar, iremos fofocar! – brincou e nós rimos.
Meu celular vibrou, avisando que eu havia recebido uma nova mensagem. Era dele: Harry.
“Já estou pronto, te espero no hall! Não demore ;) xxx”
Ok, é agora ou nunca. Respirei fundo mais uma vez, despedi-me de , peguei minhas chaves e saí do apartamento. Apertei o botão do elevador e pouco tempo depois, já estava saindo no hall. Procurei Harry por ali, mas não o achei. Foi então que duas mãos enormes fecharam meus olhos e eu sorri.
- Bobo. – falei, virando-me e vi Harry a minha frente, sorrindo para mim.
- Vamos? – ele perguntou gentilmente, parecendo um pouco tímido. Sorri e saímos do prédio.
- Pedi o carro do Louis emprestado, então... – Harry falou, guiando-me até onde o carro estava e abrindo a porta para mim.
- Vamos para algum lugar chique? – perguntei, insegura com relação a minha roupa.
- Não, mas vamos para um lugar um pouco distante. – ele respondeu, já dentro do carro, enquanto colocava o cinto de segurança. – Se importa? – perguntou, apontando para o som.
- Não. – respondi sorrindo e ele ligou. A música invadiu o carro e eu fechei meus olhos ao perceber que uma das minhas músicas favoritas estava tocando: “For the first time – The Script”.
- She needs me now but I can't seem to find the time, I got a new job now in the unemployment line. And we don't know how, how we got into this mess is it a God's test, someone help us cause we're doing our best, trying to make it work, but man, these times are hard... – ele cantou baixinho, acompanhando a canção e eu senti os pelos dos meus braços se arrepiarem. Se havia algo que eu amava em Harry, era a sua voz rouca.
- But we're gonna start by, drinking old cheap bottles of wine. Sit talking up all night, saying things we haven't for a while, a while yeah... – eu continuei e ele sorriu, olhando para a estrada. Senti sua mão pegando na minha e apertando-a. O caminho foi completamente silencioso, exceto pela música.
O carro foi perdendo velocidade e nós paramos em frente a um restaurante. Reparei que ficava um pouco distante de Londres, de um lugar onde, mesmo com a fraca neblina, ainda era possível ver o céu.
- Aqui. – Harry me guiou, entrelaçando nossas mãos e me levou até uma mesa um pouco mais distante das outras. O local onde estávamos era pouco iluminado e bastante confortável, criando um clima agradável. Chamamos o garçom e fizemos nossos pedidos.
- Eu sei que você pretende conversar hoje sobre nós dois. – ele falou antes que eu dissesse algo. – Mas vou pedir para que essa conversa aconteça depois de jantarmos, ok? – ele me pediu, olhando dentro de meus olhos e pegando em minha mão. – Vamos ter pelo menos esses minutos de paz.
- Eu não pretendia brigar com você esta noite. – falei, olhando para a mesa, ainda sem conseguir encará-lo.
- Mas, dependendo do rumo que nossas vidas tomem hoje, talvez a noite acabe em briga. – ele falou triste e eu o olhei. Harry tinha a expressão cansada e um sorriso triste nos lábios.
- Não era essa a minha intenção. – rebati e ele suspirou, tirando a sua mão de cima da minha.
- Eu sei. – disse simplesmente. Ficamos em silêncio alguns minutos, mas, ao contrário do que parecia, não era um silêncio constrangedor; era até mesmo agradável. Nossos pedidos chegaram e comemos durante alguns minutos, ainda calados, mas começamos a rir assim que Harry deixou seu garfo cair.
- Eu tinha me esquecido de como você é desastrado! – alfinetei e ele me deu língua.
- Disse a menina que caiu no meio do shopping depois de escorregar no sorvete que ela mesma derrubou. – ele disse irônico e eu fiz bico.
- Vai jogar na cara? – perguntei, fingindo-me de indignada.
- Isso? Sempre! – Harry respondeu e nós rimos.
- Lembra-se de quando vocês foram pela primeira vez lá em casa? – eu perguntei, rindo. – Você e os meninos quase quebraram meu sofá!
- Eles sempre me fazem passar vergonha! – ele reclamou, fingindo estar chateado. – Não sei como vocês nos aguentam! – continuou, referindo-se a e a mim.
- Nem eu, pra ser bem sincera! – respondi rindo.
- Nós somos amáveis! – ele disse rindo, dando um gole em seu vinho.
- Quando querem! – retorqui ainda rindo.
- Mas você não vive sem a gente! – ele falou, dando-me língua.
- Pode apostar... – respondi sorrindo e ele me olhou carinhosamente. Terminamos de comer e ficamos conversando, até resolvermos pedir a conta.
- Nada disso, eu pago. – Harry disse, levantando-se da mesa e indo em direção ao caixa.
- Harry! – eu reclamei, levantando também e indo em direção a ele. – Por que você sempre faz isso? – perguntei chateada.
- Porque eu sou um cavalheiro e cavalheiros pagam a conta! – ele disse como se fosse óbvio e eu bufei, indo para a porta do restaurante. Alguns minutos depois, Harry apareceu atrás de mim.
- Ficou brava? – perguntou, dando um sorrisinho culpado.
- Não vai adiantar de nada mesmo. – respondi, dando-me por vencida e ele sorriu. – Vamos para onde? – perguntei, mordendo o lábio inferior.
- Vamos para uma praça aqui perto. – ele disse, abrindo a porta do carro para mim. O percurso durou uns 15 minutos, feitos no completo silêncio. Nós dois sabíamos o que viria a seguir e eu já havia tomado a minha decisão. Só rezava para não mudar de ideia de última hora, como sempre acontecia. Era só olhar dentro daqueles olhos verdes, terrivelmente lindos, e todo o meu conceito de certo e errado ia por água abaixo.
O carro parou em frente a uma pracinha que reconheci na hora; ficava a uns 20 minutos do nosso prédios e às vezes íamos até lá.
- Reconhece? – ele perguntou, indo para meu lado, com as mãos dentro dos bolsos; sinal de que estava nervoso. – Não consegui pensar em outra opção...
- Aqui é um ótimo lugar. – respondi sorrindo, caminhando em direção a um banco.
- E então? – ele perguntou direto, enquanto sentava do meu lado e me encarava. – O que vai ser de nós dois? Vamos voltar ou... terminar de vez? – ele perguntou e havia mais dor do que eu podia imaginar em sua voz.
- Talvez seja melhor... – eu comecei, respirando fundo e tirando forças sabe Deus de onde. - ... Terminarmos. – eu disse, fechando os olhos e começando a tremer levemente. Harry apoiou os braços no joelho e passou as mãos em seus cabelos de forma nervosa.
- Você acha que isso é o melhor? – ele perguntou com a voz abafada. – Nós dois nos amamos, . – ele disse, virando-se para mim e me obrigando a encará-lo. – Olha o tanto de merda que nós fizemos durante esse tempo que ficamos separados! – Harry disse, ainda me encarando, completamente desnorteado.
- Harry, esse tempo longe um do outro foi a pior coisa que já me aconteceu, e olha que eu já passei por muita merda na vida. – eu disse, levantando e andando de um lado para o outro. Encarar aqueles olhos só ia desviar o meu foco. – Nós dois sabemos o que aconteceu nesse período, algo mudou... – eu disse, arrependendo-me na mesma hora. Harry se levantou e me virou bruscamente; sua expressão era de raiva, frustração, desespero.
- Algo mudou? Você parou de me amar? Você percebeu que merece coisa melhor? – ele disse quase gritando enquanto apertava meus braços com força. – VOCÊ AINDA ME AMA?! – ele gritou desesperado e eu comecei a chorar.
- AMO, PORRA! – gritei de volta, soltando-me de seus braços. Harry voltou a sentar no banco, enquanto as lágrimas caiam agora pelo meu rosto. – E justamente por amar eu acho melhor terminarmos! EU NÃO CONFIO MAIS EM VOCÊ! – gritei e Harry ficou estático. Ele levantou seu rosto e eu reparei o quão pálido ele estava. Suas pupilas estavam dilatadas e as lágrimas caiam livremente.
- Não? – murmurou, olhando para mim, perdido.
- Não. – eu disse, sentando-me ao seu lado. – Harry, você me traiu. O que vai me dar certeza de que isso não vai se repetir? Eu não quero sofrer mais. – respondi chorando, meu corpo balançando enquanto soluços tomavam conta de mim. A praça estava vazia, a não ser por nós dois, o que facilitava as coisas.
- Você me ama? – ele perguntou novamente, fechando os olhos.
- Amo. – respondi, fechando os meus também. – Com todas as minhas forças. – falei e ele sorriu. – Mas não sei se vou conseguir aguentar outra pancada dessas.
- Olhe para mim. – ele pediu, levantando e ajoelhando em minha frente, ficando praticamente da mesma altura que eu. – Eu prometo, prometo, com todas as forças que eu tenho, com todo o amor que existe aqui dentro, por toda a nossa história, por tudo o que já aconteceu entre a gente, que aquela merda não vai mais acontecer. – ele falou, juntando nossas testas. Nossa respiração se misturava e ele fazia carinho em meu cabelo. – A única coisa que eu quero daqui pra frente é te fazer feliz, .
- E se você tiver outra recaída com aquela puta ou qualquer outra? Eu não quero ter de passar por tudo de novo, Harry. – falei, chorando copiosamente.
- Isso não vai acontecer. – Harry disse e eu vi em seus olhos que aquilo era verdade. Seus olhos... eu sabia que, assim que os encarassem, ia perder toda a pose decidida que havia adquirido nas últimas horas.
- Não acabe com isso de novo. – pedi, fechando meus olhos e ele sorriu levemente, levantando e me puxando junto.
- Eu prometo. – Harry respondeu, colando novamente nossas testas. – Eu prometo, que daqui pra frente, seremos só você e eu. Como tinha que ser desde o início. – falou e colou nossos lábios, fazendo com que meu coração saltasse uns dez metros. E as tão conhecidas borboletas acordaram, voltando a voar no lugar onde deveria estar meu estômago.
Eu me entregara a Harry mais uma vez.
Mas será que aquilo foi a coisa certa a se fazer? Isso eu só vou descobrir depois. Por enquanto, eu vou continuar beijando meu menino. Meu, mais uma vez.
Continua...
N/A: Oi, lindas! Tudo bem com vocês? Obrigada por todo o apoio, todos os comentários, asks no tumblr e claro, obrigada a todas que falam comigo pelo twitter! Fico bastante feliz em saber que tem gente curtindo SMA, acompanhando e ficando ansiosa por cada atualização! Não sei como agradecer vocês pelo carinho e pela dedicação que alguns tem com essa fic. Infelizmente SMA já está chegando ao fim – só mais 8 capítulos e a fic acaba! :( Continuem entrando em contato comigo pelo twitter (@myngordiano) e pelo tumblr (lagrima-invisivel.tumblr.com), porque eu AMO receber as mensagens de vocês! :)
p.s: Gostaria de deixar aqui, minha mensagem de apoio à todas as vitimas, família e amigos, do incêndio em Santa Maria – RS. Que Deus conforte a todos vocês.
p.s: Falta pouco para meu aniversário de 18 anos! Hahaha \o/
Nota de Beta: Se virem algum erro de português/script/HTML, não usem a caixinha de comentários, me avisem por aqui: nellotcher@hotmail.com