Prólogo -

“Como um sonho pode unir duas almas, duas pessoas? Como é possível você sonhar com alguém que nem ao menos conhece? Justo você que pode ter todos os homens que quiser, você que tem fama, dinheiro, tudo aquilo que almejou. Mas e se isso não for o suficiente? E se você sentisse falta e não soubesse por onde e nem como procurá-lo? E se a notícia da internação de uma pessoa famosa em uma clínica de reabilitação chegasse ao seus ouvidos e te deixasse muito mal, como se fosse alguém muito importante, mas sem você ao menos saber exatamente quem ele é? É a sensação de ser largada, sensação de ter perdido alguém que morreu. Mas quem é ele? Essas são as perguntas que você se faz todas as noites quando acorda desse mesmo sonho, com essa mesma pessoa, acorda chorando, sentindo falta de um desconhecido, de, literalmente, um amor platônico!”

Capítulo 1 –

Dougie’s Pov

- Eu quero que você venha morar comigo! – eu disse a puxando pra mais perto do meu corpo.
Ela abriu um sorriso tão lindo. Toda vez que a via sorrir meu coração disparava, meu corpo se arrepiava, ela tinha um poder sobre mim como nenhuma outra jamais conseguiu.
- Por que eu deveria? – ela passou o nariz no meu me fazendo sorrir.
- Porque eu preciso de você por perto! Poxa, amor, não custa, você já fica praticamente todos os dias aqui em casa – fiz cara de cachorro abandonado, sempre funcionava.
Ela deu uma risada gostosa, como essa menina me enlouquecia.
- Mas, amor, eu estou sempre correndo com turnês, a gente quase não vai se ver mesmo assim – ela sorria e passava o nariz pela minha bochecha, me fazendo rir.
- Nós dois sempre viajamos em turnê, isso que me dá querer namorar artista – revirei os olhos e ela riu – mas é melhor, meu amor, assim quando eu chego em casa vou ter a surpresa de te ver deitada no sofá usando uma das minhas camisas xadrez e comendo cereja como você sempre faz – seus olhos brilhavam ao me ver imaginando a cena.
- Eu te amo, Dougie – disse ela seriamente cortando o assunto, me fazendo tremer, toda vez que a ouvia dizer que me amava sentia o mundo parando, eu era o homem mais sortudo do mundo.
- Eu também te amo, meu amor – sorri.
Ela me puxou pela nuca e me beijou, um beijo quente como só ela sabia dar, aquele beijo que me fazia estremecer e esquecer o mundo. Passei minha língua por sua boca procurando pela dela, aprofundei mais o beijo e a apertei em meu corpo. Lentamente fui levando a para o meu quarto, era impossível resistir a ela por muito tempo.
- Sim! – disse ela entre o beijo.
Eu estava um pouco perdido, um pouco excitado, tenho que confessar, e já não entendia muito bem o que se passava ao meu redor. Praticamente sem desgrudar minha boca da dela, sussurrei:
- Sim? Sim o quê? – beijei-a novamente sem deixar que respondesse.
Ela gemeu entre o beijo e me afastou um pouco de seus lábios, somente o bastante para sussurrar. Ela encostou suas mãos em meu peito o acariciando com carinho.
- Sim! Eu vou morar com você – sussurrou ela ainda com os olhos fechados e com a respiração próxima a minha.
Eu sorri ao ouvi-la. Eu não quis dizer nada, apenas voltei a colar nossos lábios. Achei melhor demonstrar a felicidade que sentia ao invés de usar as palavras.
Levei-a até minha cama, ou melhor, nossa cama agora, a deitei e fiz o mesmo, ficando por cima dela, beijando-a por todo corpo, sentindo-o tremer a cada toque meu. Ela rapidamente tirou minha camiseta e eu tirei a dela.
- Você é linda – sussurrei em seu ouvido enquanto beijava seu pescoço.
Ela somente gemeu, era sempre assim, toda vez que eu a tocava ela ficava inconsciente, sem fala, soltava alguns gemidos que me enlouqueciam. Sem muita demora tirei o resto de roupa que ainda separava seu corpo do meu. Desci minhas mãos pela sua coxa e a apertei, fui subindo até sua barriga, ela tinha um corpo perfeito, quando toquei o local onde ela possuía uma tatuagem de uma rosa vermelha super sensual senti algo diferente, algo molhado, ou cremoso, a senti gemer um pouco mais alto e apertar suas mãos em minhas costas, mas não era um gemido de prazer, era um gemido de dor.
- Dougie... – ela sussurrou com a voz falha então eu abri os olhos.
Olhei para seu rosto e pude notar algumas lágrimas caindo por ele.
- Dougiem me ajuda – ela já falava mais alto entre gemidos de dor.
Tirei minha mão de sua barriga e a subi, quando olhei para ela me desesperei, tinha sangue, muito sangue. Olhei-a nervoso e confuso e a vi gritar de dor.
- Me ajuda! Dougie... Me salva – sua voz estava ficando cada vez mais longe, como se ela estivesse sumindo.
- Não... não me deixa – ela fechava os olhos lentamente – VOLTA!!!

Gritei e apertei os olhos. Quando os abri, estava sentado em minha cama, suado, com o coração na boca. Procurei-a com o olhar e encontrei Frankie dormindo tranquilamente ao meu lado. Fiquei um tempo parado, esperando minha respiração normalizar, e me aproximei de Frankie. Dei um beijo em sua testa e deitei novamente.
- Ela de novo? Quem é essa menina com quem sonho quase todas as noites? – olhei para Frankie enquanto sussurrava .
Ela não se parecia nada com a Frankie, era morena clara, cabelos bem compridos, diferente de Francesca, um corpo mais cheio de curvas, como uma latina talvez, não parecia inglesa, e possuía uma tatuagem no canto esquerdo de sua barriga, uma rosa perfeita, sensual. Eu pensava enquanto olhava minha namorada ao meu lado como se tentasse achar alguma semelhança entre as duas. Era incrível como ela me fazia tremer como se eu realmente pudesse senti-la, ela me deixava ofegante. Eu sempre sonhava com a mesma garota, mas eu nunca conseguia me lembrar de seu rosto, de seu nome. No entanto, dessa vez teve algo diferente, ela estava sangrando, pedindo por ajuda, pedindo para eu salvá-la, parecia tão real, eu tinha um instinto de protegê-la, queria encontrá-la, ajudá-la.
Passei a mão pelo meu rosto tentando me acalmar.
- Você está ficando louco, Dougie, só pode! Quer ajudar quem? Um sonho? Um fantasma? – sussurrava pra mim mesmo – Vai dormir que você ganha mais, já está tarde e amanhã tem reunião, droga! – bufei e senti um peso sobre meu corpo.
Frankie tinha deitado sua cabeça em meu peito, mas ainda dormia tranquilamente. Eu olhei para ela e senti seu corpo no meu, não era o mesmo daquele que sentia em meus sonhos, ela não me fazia tremer daquela maneira, mesmo eu sabendo que a amava muito.
Não demorou muito e finalmente dormi junto a esses pensamentos, mas dessa vez não sonhei com ela, mas adormeci com um aperto no coração, como se essa garota realmente precisasse de mim. Eu devia estar ficando louco.

’s Pov

Abri os olhos lentamente ouvindo um barulho irritante que parecia uma máquina. Um “pi, pi, pi” estava martelando na minha cabeça. Uma claridade surgiu e ouvi uma voz masculina muito conhecida.
- Meu amor, você acordou – olhei lentamente a pessoa ao meu lado e abri um sorriso ao reconhecê-lo.
- André... – sussurrei enquanto sentia sua mão em meu rosto.
André Ziehe, esse era o nome de meu namorado.
- Minha menina, que susto você nos deu – ele tinha uma feição cansada, preocupada.
Sorri para ele, e quando fui me mexer na cama, senti uma dor que me fez dar um gemido.
- Ei, não se mexa, fique quietinha – ele sorria carinhosamente.
Olhei para os lados identificando que não estava em minha casa.
- Dé, onde eu tô? – perguntei um pouco assustada e confusa.
Vi ele respirar fundo antes de me responder, parecia tentar sorrir para não me assustar.
- Você está num hospital, amor, não lembra o que houve? – disse com uma voz serena.
Eu refleti um pouco, tentando lembrar o que tinha acontecido, mas nada vinha à minha cabeça. André viu minha feição confusa.
- Você levou um tiro, amor – olhei fixamente para ele tentando lembrar disso, agora entendia a dor que sentia em minha barriga – Tentaram um sequestro, você reagiu tentando fugir, mas o bandido te acertou – ele olhou para a direção da minha barriga , logo segurou minha mão e deu um beijo nela – os dois homens que tentaram te sequestrar fugiram, mas alguém ao ouvir os seus gritos já tinha ligado para a polícia e eles chegaram a tempo de pegá-los e trazê-la para o hospital.
Algumas cenas começavam a vir em minha cabeça.

Flashback - On

Eu estava voltando para meu apartamento no Rio de Janeiro, tinha acabado de gravar algumas cenas de minha nova novela. Eu não costumava atuar em emissoras no Brasil, gostava mais de cinema, ou mesmo novelas mexicanas. Meu pai e minha mãe eram do meio artístico. Minha mãe, Angelique Monteviero, era atriz e cantora, muito conceituada na América Latina, já tinha feito muitos filmes e novelas tanto no Brasil quanto no México, entre outros países latinos, além de ser uma cantora muito aclamada. Como morei quando criança no México, aprendi a gostar das tramas latinas e segui o caminho de minha mãe, tanto na atuação quanto na música. Meu pai, Fernando Monteviero, foi modelo, ator e músico no passado, entretanto, depois quis ficar apenas no meio musical, claro que às vezes fazia alguns filmes novelas, mas, não com tanta frequência quanto minha mãe, ele se dedicava mais a sua carreira de músico e produtor. Ele tem uma produtora musical muito importante entre os artistas latinos em geral. Meu irmão, Ricardo Monteviero, seguiu o caminho de meu pai, foi ser modelo, e um modelo muito conceituado e muito bonito, tenho que confessar. Ricardo tinha um amigo de infância, do qual nunca se desgrudavam, faziam tudo juntos, inclusive seguir a mesma área de trabalho. Seu nome era André Ziehe, meu atual namorado. Seus pais e meus pais sempre foram amigos, e com André como melhor amigo de meu irmão, foi mais fácil para que nos aproximássemos. Cinco anos juntos, muito tempo, não é? Já tínhamos planos para casamento, claro que mais pra frente, afinal, André viajava muito por causa de seu trabalho e eu também em turnês ou em filmes, novelas, difícil eu parar em um país. Sua irmã, Ziehe, a qual eu chamava de “”, era uma de minhas melhores amigas. Como Ricardo e André, e eu crescemos juntas, ela também era atriz e muito famosa, mas nada de cantar. Uma outra amiga nossa era Cazzarini, de uma família importante da alta sociedade paulista. , também modelo, foi minha cunhada, ex-namorada de meu irmão, foi assim que nos conhecemos e nos tornamos SUPER amigas. E a última e não menos importante, a atual namorada do meu irmão, Balistieri, modelo, loira lindíssima! Nós quatro éramos inseparáveis, menos quando estávamos viajando a trabalho, porém nos falávamos todos os dias, principalmente , por estar sempre com meu irmão.
Voltando ao assunto, eu estava voltando de uma gravação da minha nova novela da Rede Globo quando apareceram duas motos cercando meu carro, tentei acelerar, mas foi impossível. Logo em seguida desceram apontando uma arma pra mim.
- DESCE, DESCE!! – eu desci assustada e me puxaram pelo cabelo.
-Você tinha razão, cara, é a ! – eles me olhavam de baixo para cima e eu já entrava em desespero.
- Calma, gata, só queremos nos divertir com você e quem sabe pedir um resgate – um deles falou.
- Imagina a grana que essa gostosa vale.
- Por favor, não faz nada comigo, pode levar o carro, leva tudo o que quiserem, mas não façam nada comigo – eu já chorava desesperada.
- Cala a boca! Aqui quem decide o que fazer somos nós.
Eles me empurram para o banco de trás do carro e eu comecei a gritar.
- SOCORRO! ME AJUDA! – chorava desesperada.
Eles me deram um tapa na cara para eu poder parar de gritar e então começaram a rasgar minha roupa.
- Eu sempre te vi na TV e tive vontade de comer você – usavam palavreados vulgares e nojentos.
- NÃOOO! – eu gritava chorando cada vez mais.
Um deles saiu do carro para ficar olhando se vinha alguém, o outro tentava me agarrar de todas as maneiras possíveis enquanto eu me debatia. Em um certo momento, eu vi no chão do carro um vaso que eu tinha acabado de comprar para minha casa. Não pensei duas vezes e taquei na sua cabeça. Tirei-o de cima de mim e saí correndo do carro pela rua esquecendo que o outro estava olhando, me virei assim que ele gritou meu nome e só me lembro de ter sentido algo perfurando meu corpo e meus olhos encontrando a escuridão.

Flashback – Off

- , calma, já passou – eu estava chorando enquanto André me abraçava. – Me perdoa, amor, eu não devia ter te deixado sozinha todo esse tempo.
Eu me afastei dele lentamente limpando minhas lágrimas.
- Você não tinha como saber, não pode ficar comigo a toda hora. Tem seu trabalho – André suspirou e abaixou a cabeça.
- Assim que eu soube vim correndo dos EUA.
- Quanto tempo faz que estou desacordada? – sussurrei e resmunguei de uma pequena dor que senti.
- Fazem 3 dias, amor – ele sorriu levemente.
- Hum – disse simplesmente.
Antes que pudéssemos continuar o assunto, a porta do quarto se abriu.
- Minha coisa linda acordou – sorri ao ver meu irmão entrando no quarto com flores.
- Ricky! – sorri e ele se aproximou da cama me dando um beijo na testa e colocando as flores na mesinha ao lado.
Logo atrás dele entraram outras pessoas.
- Ah! Não é que a nossa diva acordou do seu sono de beleza? – brincou , entrando no quarto junto de e .
Eu sorri para elas.
- Como você está pálida, menina, assim que você sair daí vamos dar um jeito nesse seu “visu”, se não você vai perder todos os seus fãs– disse brincando.
- Quando vou poder sair daqui? – perguntei olhando para meu irmão e depois para André.
- No final da semana, meu amor – disse André abraçando a irmã de lado.
- Como você está se sentindo, ? – perguntou preocupada.
- Fisicamente melhor, só com algumas dores, ainda bem que não acertou minha tatuagem – meu irmão bufou com o comentário. – Agora mentalmente ainda não estou muito bem, foi horrível.
- Eles estão presos, baby, e bem machucados com a surra que levaram dos policiais, do André e do Ricardo.
- Vocês viram eles? – olhei assustada para os dois.
- Sim, amor, nós tivemos que ir até a delegacia e eles passaram por nós para ir para as celas e nem eu e nem o Dé aguentamos – suspirei e meu irmão, que estava sentado na cama ao meu lado, me deu um beijo na testa.
- Cadê o papai e a mamãe? – olhei para Ricardo.
- Foram descansar um pouco, mas logo devem estar aqui, já avisamos que você acordou – sorri para ele.
Assim que Ricardo me respondeu, a porta do quarto se abriu novamente.
- Desculpem interromper, mas a senhorita precisa dormir, vocês vão ter que sair – disse uma enfermeira super educada.
- Posso passar a noite aqui com ela? – se prontificou André.
- Pode sim – ela sorriu gentilmente – mas só o senhor, muita gente pode fazer mal à recuperação dela.
- Tudo bem – André sorriu vitorioso.
Meu irmão e as meninas se despediram de mim e André sentou ao meu lado enquanto a enfermeira mexia no meu soro.
- Eu vou colocar um sonífero para você dormir, – eu apenas assenti.
- Durma bem, meu anjo – sorriu André enquanto acariciava meu rosto. Ele tinha uma feição triste, de culpa.
Não demorou nem um minuto para eu entrar num sono profundo.

- Vai ficar tudo bem, meu amor, estou aqui com você – ele me olhava sorrindo enquanto me abraçava.
- Preciso de você – eu sussurrava me apertando em seus braços.
- Eu sei, mas não tanto quanto eu preciso de você – eu abri um sorriso enorme ao ouvi-lo dizer isso. - I love you – ele disse antes de colar seus lábios aos meus.
Seu beijo era doce, forte, cheio de paixão. Fazia-me sentir-me segura, eu estava completamente apaixonada por ele. Ele se afastou um pouco de mim e se ajeitou no sofá comigo entre suas pernas. Ele me olhou bem nos olhos e disse uma estrofe que eu amava, a qual ele tinha escrito no dia que me mandou um ramo de flores após nossa primeira noite juntos, aquela frase que era só dele.
- “I'll be your man through the fire, I'll hold your hand through the flames, I'll be the one you desire. Honey cause I want you to understand, I'll be your man.” Lembre-se sempre! – ele piscou e sorriu.
Eu sorri ao ouvi-lo. Incrível como ele conseguia me fazer esquecer todos os problemas. Aquela estrofe sempre me deixava mais apaixonada, toda vez que a ouvia saindo de sua boca, sentia que o amava mais. Deitei em seu peito e fiquei passando o dedo pela tatuagem que ele tinha em seu braço direito inteiro.

Abri os olhos lentamente e vi que já era de manhã, olhei para o lado e vi André dormindo em um sofá que tinha ali.
- De novo? Por que tenho esses sonhos? – perguntei a mim mesma em um sussurro.
Eu sempre sonhava com ele, sonhava com alguém que não existia, mas que ao mesmo tempo parecia mais real do que qualquer outra pessoa. Toda vez que sonhava com ele, me sentia melhor, me sentia protegida, o mais incrível é que ele não falava português, sempre em inglês, e eu respondia no mesmo idioma, como se ele não fosse daqui. Eu não conseguia lembrar de seu rosto, era um mistério pra mim. Eu só podia estar louca, ficar com o coração na boca por causa de um sonho, é maluquice, sem dúvida.
Passei a mão pelo meu rosto tentando acordar de tudo aquilo, mas estava difícil. Era tão real, até seu toque eu podia sentir em meu corpo. Ajeitei-me sentando na cama com um pouco de dificuldade pela dor que ainda sentia e fiquei pensando, tentando achar uma explicação para tudo isso, uma explicação sobre alguém que tinha um poder e uma força enorme sobre mim, mas eu nem ao menos sabia se existia, nem ao menos sabia seu nome, só sabia que eu o podia senti-lo, e como podia.

Dougie’s Pov

Acordei de manhã e fui para a Super Records, tínhamos mais uma reunião para resolver como seria a nossa nova turnê Above The Noise. - Morning, mates – disse enquanto entrava na sala e me jogava no sofá.
- Que cara de enterro é essa, Dougie? – perguntou Danny enquanto comia uma maçã.
- Não dormi muito bem! – falei enquanto bocejava.
- Você não anda dormindo bem há dias já, dude – disse Harry, eu apenas dei de ombros, não conseguia parar de pensar no sonho que tivera três dias atrás.
- Mate, o que está acontecendo? A Francesca não está te deixando dormir? – brincou Tom e todos os outros riram.
- Quem dera! – resmunguei.
- Ah, então é falta de sexo! – brincou Danny.
- Não é nada disso! Ando tendo uns sonhos, pesadelos, sei lá.
- Ih, está assistindo muito filme de terror, Doug, você não aguenta, dude, já te avisei – disse Harry rindo.
- Muito engraçado! Eu tenho cada dia um sonho, porém com a mesma pessoa – falei pensativo.
Danny ia falar algo quando Dallas, Fletch e Tommy entraram na sala.
- Vamos pra reunião, guys! Já estamos atrasados – respirei fundo e me levantei seguindo todos os outros, tinha que me concentrar hoje na reunião, se não me matariam.

’s Pov

Alguns dias se passaram e eu finalmente pude ir pra casa. Ficar ali naquele hospital só estava me deixando agoniada. Meus pais, André e Ricardo me acompanharam até em casa, as meninas iriam depois, pois estavam trabalhando. Foi difícil sair do hospital, ele estava coberto de jornalistas e fãs me dando força - eles são lindos demais. Porém eu estava muito cansada para falar com alguém, só queria ir para a minha casa.

- , querida! Tem certeza de que vai ficar bem aqui sozinha? – perguntou minha mãe enquanto me ajudava a sentar no sofá.
- Está tudo bem, mãe, não se preocupe! Você tem que voltar pro México, está no meio de gravações, o papai está com shows marcados na Espanha, não se preocupem comigo, o Dé tá aqui, o Ricky também, as meninas também.
- Estou mais preocupado com seu estado emocional, filha, não quero que você fique com nenhum trauma – disse meu pai com os braços cruzados em pé de frente para mim.
Sorri para ele.
- Não vou ficar, pai! Vai ser difícil eu esquecer, mas não se preocupe, vou continuar minha vida normalmente.
- Normalmente uma ova! Você vai andar com seguranças, , não é a primeira vez que falo isso pra você! Você é famosa, é visada e todo mundo sabe o perigo que é o Rio de Janeiro – falou Ricardo autoritário.
- Ricky, a novela está acabando, logo eu volto pra São Paulo e em menos de dois meses eu entro em turnê – expliquei.
- Você pode entrar em turnê hoje à tarde, , mas vai andar com seguranças – falou novamente Ricardo.
- Ele tem razão, amor, você não pode de jeito nenhum voltar à noite sozinha pra casa– completou André vindo até mim e sentando-se ao meu lado.
Eu tentava a todo custo sentir com André o que sentia com aquele homem de meus sonhos, mas não era ele. Eu amava André, eu não tinha dúvida, mas aquela pessoa me deixava totalmente perdida e trêmula, e definitivamente essa pessoa não era o André. Mas quem era ele afinal? Será que ele existia? Não, isso era coisa da minha cabeça, só podia ser!

Capítulo 2 –

Algumas semanas tinham se passado e eu já estava recuperada do susto que tinha tomado, pelo menos fisicamente. No dia seguinte à noite eu teria meu primeiro show da minha nova turnê “Simplesmente Sola”. Eu estava ficando louca, pois além dos últimos capítulos da novela terem acabado de finalizar me deixando sem tempo para os ensaios, eu teria que deixar tudo pronto em tempo recorde. Meu primeiro show seria no Maracanã no Rio de Janeiro!
Eu estava no banco de trás do meu carro autografando algumas fotografias de promoção do meu novo álbum enquanto o motorista me levava até o Maracanã para o último ensaio. Minha assistente e grande amiga Letícia Pittarelli estava ao meu lado me passando a agenda de compromissos. Eu sempre dizia que sem ela minha carreira não ia pra frente, ela cuidava de tudo para mim, tudo mesmo, pois eu não tinha tempo pra nada.
- , assim que fizer seu primeiro show aqui no Rio, nós iremos pra São Paulo, – ela olhava a agenda enquanto eu continuava a assinar as fotos – em São Paulo você fará dois shows, depois iremos para Belo Horizonte, Salvador, Recife, em seguida iremos para o Sul, onde você fará shows em Curitiba e Porto Alegre.
- E até quando vai a turnê aqui no Brasil? – perguntei sem parar de assinar as fotos.
- Até o final do desse mês, ! – eu assenti – Você terá uma semana para descansar e logo em seguida começará sua turnê internacional.
Eu respirei fundo percebendo que teria muito trabalho pela frente. Eu adorava entrar em turnê, mas era super cansativo.
- SHIT! Quando terminar a turnê eu vou tirar uns dez anos de férias – Letícia riu e eu bufei.
- Não exagera, ! Agora assim, o que você tem? Anda um pouco avoada, abatida. Está assim ainda pelo que te aconteceu? – perguntou ela visivelmente preocupada.
Eu respirei fundo, não sabia ao certo o que eu tinha, por um lado aquele quase sequestro me deixou muito mal, por outro eu estava trabalhando muito, não tinha tempo pra nada, mas mesmo assim não era isso que eu estava sentindo. Eu tinha um vazio que nem eu sabia explicar, os únicos momentos em que eu não me sentia assim eram quando dormia e sonhava com aquele homem misterioso.
- Ah, Leh, eu não sei! Não estou dormindo direito, muito trabalho, a pressão da turnê, nervosismo de dar tudo certo, afinal, é uma turnê grande, cheia de coreografias, cenários, etc... Assusta um pouco, fora que o André voltou pros EUA – respondi mesmo sabendo que não era nada disso.
- Ow, amiga, a pressão que você tem é grande mesmo, mas você nasceu em cima de um palco e de frente pras câmeras, não devia ficar nervosa, você é ótima no que faz, vai se dar bem! E quanto ao André, ele estará aqui para o show de amanhã.
- Eu sei! Vou tentar dormir mais cedo hoje pra ver se melhoro – sorri para ela e percebi que tínhamos chegado ao estádio. Respirei fundo e esperei abrirem a porta pra eu sair – e lá vamos nós - Letícia riu da minha cara de tédio.

Dougie’s Pov

- Boa tarde, Gi – disse ao chegar à casa de Tom e ver sua namorada na cozinha.
- Oi, Doug! Está atrasado – disse ela rindo.
Tom sempre ficava furioso quando eu me atrasava, mas acho que nunca vou aprender.
- Nem me fala, Gi, os guys já chegaram? – perguntei.
- Já sim, estão lá no porão – ela se divertia da minha cara afobada.
- Valeu, Gi! – saí apressado.
Assim que entrei no porão, Tom, Danny e Harry estavam rindo.
-Foi mal a demora, mates – fechei a porta e me joguei no sofá.
- Olha só se não é o baixista mais atrasado do mundo – brincou Danny.
Eu ri do comentário.
- Onde você estava, seu gay? – perguntou Tom.
- A Frankie me atrasou. Ela foi num ensaio fotográfico e pediu pra eu ir buscá-la.
- Claro, o cachorrinho sempre atrás da sua dona – disse Harry revirando os olhos.
- Harry, não é assim – disse.
- Desculpa, mate, mas você sabe que eu não gosto dela. Ela já aprontou com você uma vez, vive saindo em festas por aí sozinha, sempre aparece abraçada com amigos. Sei não, mate, sabe que eu não me meto na sua vida, mas você não devia se entregar demais a ela.
- Eu sou apaixonado pela Francesca, dude – falei um pouco pensativo.
- Você se entrega demais quando se apaixona, Doug, cuidado pra ela não aproveitar o namoro pra se promover – comentou Tom.
Eu respirei fundo e fiquei um pouco pensativo. A Frankie é sempre carinhosa comigo, mas está sempre com as amigas e amigos, vive esse mundo de glamour e quem conhece a banda McFly sabe que somos totalmente diferentes. Eu mudei de assunto, não gostava muito de falar sobre isso.
- Ai, Harry, está preparado pro Children in Need? – perguntei já rindo. Só de pensar em vê-lo dançando já me dava vontade de rir.
- Dude, eu ensaiei pra caramba! Vou arrasar.
- Vai arrasar a cara no chão, ou a cara da dançarina – disse Danny se matando de rir.
- Cheers mate! – falou Harry ironicamente como se dissesse “muito obrigado”.
Todos nós rimos.
- Dude, você está há dias com uma cara de defunto – comentou Tom olhando para mim.
- Cuidado, depois que eu gritei “Dougie, don’t go into the Woods” (pra quem não sabe disso assista o NLTR), não sei mais o que aconteceu com ele – ria Danny enquanto falava.
- Dougie virou vampiro no lugar do Harry – comentou Tom também rindo.
- Cuidado comigo então – brinquei – Nada disso, mates! Não estou dormindo direito.
- Ah, você tinha comentado aquele dia no estúdio – lembrou Harry.
- É verdade! O que está acontecendo, mate? – perguntou Danny. - Estou tendo uns sonhos estranhos! Parecem tão reais! E o pior é que eu tenho esses sonhos sempre com a mesma pessoa – eu disse pensativo.
- E o sonho é interessante? – perguntou Danny com um sorriso safado.
Todos os outros riram,
- Não é nada disso! Bem, às vezes é, mas é muito estranho.
- E quem é essa pessoa com quem você sempre sonha? – perguntou Harry interessado.
- Está aí o problema, dude, eu não sei quem é! – todos me olharam confusos. – Os sonhos parecem muito reais, como se tivesse mesmo acontecido, mas quando eu acordo não consigo me lembrar do rosto dela.
Todos estavam sérios me encarando. Eu olhava para cada um esperando que falassem alguma coisa, mas quando finalmente ouvi um barulho não saíram palavras, e sim risos. Eles estavam gargalhando, passando até mal de tanto rir.
- Dude, você está ficando maluco? – ria Tom enquanto falava.
- Mate, você sempre foi estranho, mas não achava que era tanto – gargalhava Danny.
- Dessa vez você se superou, Dougie – comentou Harry também rindo.
- Ok,ok! Podem rir – eu bufei me encostando no sofá.
Assim que me viram calado, pararam de rir.
- Mate, foi mal, é que realmente é muito surreal – falou Tom enquanto segurava o riso.
Eu respirei fundo e passei as mãos pelo rosto.
- Eu sei disso! Eu também acho que estou ficando louco...
- Dougie, tem certeza de que você não conhece essa garota? Não é a Frankie? Às vezes você viu algo que te impressionou – perguntou Harry.
- Não, dude, eu tenho certeza de que não a conheço. Eu não consigo me lembrar de seu rosto, mas eu consigo senti-la – eu olhei para eles. – Eu sei, podem rir, é estranho, mas é verdade. Não é a Frankie, pois essa garota tem o corpo totalmente diferente, um corpo estilo latina, entendem? Com mais curvas, digamos assim. Ela tem cabelo comprido e uma tatuagem grande de uma rosa no lado esquerdo da barriga.
- Dude, você conhece detalhes do corpo da menina e não se lembra do rosto? – perguntou Danny indignado.
- Pois é, mate! Eu não sei quem é essa garota e eu já estou ficando louco – eu levantei do sofá um pouco impaciente olhando de um lado para o outro. – Esses dias eu sonhei com ela, nós estávamos nos beijando... – Eles me cortaram.
- HUUMMM – os três começaram a rir por causa do tal “beijo”.
- Calem a boca vocês – eu ri. – Enfim, eu passei a mão pela barriga dela, – olhei para eles recriminando caso rissem e os vi segurarem o riso – e logo ela começou a gritar, me pedia ajuda, pedia pra eu salvá-la – vi os três um pouco assustados. – Quando olhei, minha mão estava cheia de sangue, logo ela foi desmaiando e eu acordei.
Eu começava a me lembrar do sonho e meu coração disparava. Aquilo me deixava muito mal.
- Dude, que coisa mais bizarra! – comentou Tom.
- Podem me chamar de louco, mas eu sinto isso como se realmente tivesse acontecido. Eu acordei nervoso com o coração disparado e eu praticamente podia senti-la. Isso está acabando comigo.
- Mate, essa garota pode ser alguém que você já conheceu, ou quem sabe alguém que você ainda vai conhecer, porque ter vários sonhos com a mesma garota, né... do nada que não é. Pode ser o destino unindo duas almas perdidas – a cara do Harry filosofando estava realmente engraçada, nem eu aguentei dessa vez e comecei a rir junto com Danny e Tom.
- Filosofando agora, dude? – brincou Danny.
- Só acho que às vezes ele não está tão louco assim, ou também pode ser um caso de internação – todos riram.
- Cheers mate! – dei um sorriso debochado.
Assim que expliquei tudo para eles resolvi mudar de assunto, eu já passava todo o tempo pensando nisso, precisava me distrair um pouco. Resolvemos algumas coisas da turnê que iniciaria em 2011, falamos também sobre a apresentação de dança do Harry para ajuda à caridade - isso realmente vai sem engraçado - e assim que anoiteceu, fui para casa.
Quando cheguei, vi um bilhete de Frankie em cima da mesinha da sala.
“Honey, vou dormir na casa da Molly hoje, vamos resolver algumas coisas de trabalho, nos vemos amanhã na gravação do Children in Need. Beijos, Frankie.”

Era sempre assim, Francesca sempre tinha algo para resolver, sempre dormia fora, tirando às vezes que estava viajando em turnê pelo país, já estava virando rotina eu ficar sozinho em casa. Resolvi tomar um banho e tentar dormir, já que há dias isso não acontecia.

’s Pov

Já era noite e eu ainda estava em cima do palco preparando tudo para o primeiro show que seria amanhã. Confesso que já não aguentava mais, talvez pela minha falta de sono, ou pela preocupação com o primeiro show, mas eu estava muito desgastada, e olha que eu tinha um ótimo condicionamento físico, mas nesse exato momento estava me sentindo uma senhora de 80 anos.
- Pessoal, chega!! Eu não aguento mais! – falei um pouco ofegante após terminar uma das coreografias. – Está tudo ótimo, já ensaiamos isso milhares de vezes, eu preciso dormir, senão amanhã não vou aguentar.
- A tem razão! Todos precisam estar bem descansados, vocês sabem a responsabilidade desse show, o Maracanã vai estar lotado e estamos com uma produção enorme – disse meu produtor e empresário Rick Bonadio.
Olhei para Rick agradecida e vi Letícia entrar no palco.
- , o André acabou de ligar, disse que teve um atraso no vôo e que ele só vai chegar amanhã à tarde. Ele falou também que te liga amanhã assim que chegar aqui.
- Obrigada, Leh! Ele não falou se o Ricardo está vindo com ele? – perguntei.
- Disse sim, falou que seu irmão, a namorada dele, a , a e a estão vindo juntos para o show. Inclusive seus pais chegarão amanhã do México à tempo também – eu assentia enquanto a via olhar sua agenda.
- Ai, que “responsa”, todos estarão aqui, cantores do Brasil, atores, cantores internacionais, meus pais, minha família toda e ainda o show será exibido ao vivo pelo canal Multishow, do jeito que eu estou e depois de tudo que passei, não sei se consigo – falei um pouco cansada.
- , para com isso, você nasceu num palco, assim que você entrar e ouvir todos gritando o seu nome vai tirar forças e fazer tudo como uma diva – sorri para a Letícia. Ela realmente era uma grande amiga.
- Sem você eu não sou nada, já te falei isso umas 500 vezes só hoje, né? – ela riu e me abraçou assentindo.
- , vamos, você precisa descansar. O carro vai te levar até seu apartamento – falou Rick chegando perto de nós.
- Ok! Estou precisando da minha cama mesmo – sorri.
Letícia disse que me acordaria cedo no dia seguinte, já que eu sempre me atrasava, então fui pra casa. Assim que cheguei, chequei minha secretária eletrônica e tinha vários recados me desejando sorte amanhã, recados internacionais, inclusive do meu padrinho e grande amigo dos meus pais, o cantor Ricky Martin. Sim, importante, né? Um grande artista latino, GATO, pena que é gay, haha, mas ele sempre foi amigo dos meus pais e sem dúvida é o melhor padrinho que eu poderia ter, me ensinou muito dessa carreira. Enfim, tinham recados da minha família inteira, amigos, artistas, meus pais, meu irmão, minhas garotas, , , , etc... Assim que li todos os recados das idiotices deles, fui tomar um banho e cair na cama, o dia seguinte seria SUPER agitado.
Joguei-me em minha cama, era tão bom ouvir o silêncio às vezes. Eram tantas pessoas falando comigo ao mesmo tempo que me deixava tonta. Rezei durante alguns minutos, pedindo pelo sucesso do dia seguinte, agradecendo por ter tido a minha vida salva sem que nada pior tivesse acontecido naquela noite do acidente. Aquela noite... aquela noite, quando senti a bala entrando em meu corpo eu pude ouvir a voz dele, a voz daquele homem que atormentava meus sonhos e pensamentos, aquele homem que não me deixava dormir nunca, ele dizia “não me deixa”. Como eu podia ouvir e ver alguém que eu não conhecia, alguém que nem do rosto eu lembrava, mas que ao mesmo tempo eu sentia como se fosse a pessoa mais importante da minha vida?
- Acho que estou lendo roteiros de novelas e filmes demais, preciso de um tempo desse trabalho de atriz, quem sabe agora com a turnê eu paro com essas maluquices – pensei alto.
Não demorou muito e entre esses pensamentos eu caí em um sono profundo.
- Pra onde está me levando? – perguntei rindo enquanto o sentia vendar meu rosto com suas mãos e me fazer andar.
- Calma, amor, já vai poder abrir – disse ele com uma voz doce.
- Já? – perguntei impaciente como uma criança.
- Mas como é impaciente – ele ria. – Já pode abrir.
Senti-o tirar as mãos de meu rosto. Lentamente abri os olhos e me vi em cima de um palco enorme. A platéia estava fazia, mas o lugar era tão grande que dava até eco. Olhei para ele confusa e sorridente ao mesmo tempo.
- O que estávamos fazendo aqui? – mordi meu lábio inferior sorrindo.
- Não está reconhecendo o lugar, amor? – eu olhei pelo lugar tentando reconhecê-lo, mas não conseguia.
Ele riu da minha cara de confusa e se aproximou de mim, me abraçando por trás.
- Estamos no Estádio de Wembley – ele sussurrou em meu ouvido me fazendo arrepiar.
Meus olhos brilharam quando o vi falar em Wembley, eu era apaixonada por esse lugar, meu maior sonho era tocar lá! Apesar de ser muito famosa e ter tocado em lugares lindos e enormes e inúmeras vezes ter lotado o maior estádio do mundo, o Maracanã no Brasil, eu tinha um sonho, como todo artista tem, afinal, quem deixa de sonhar para de viver, e o meu maior sonho era um dia encher o estádio de Wembley levando todo o carisma e paixão brasileira, afinal, tem país mais carismático e caloroso que o nosso? Não, né?!
Virei-me para ficar de frente para ele e sorri como uma criança encantada com seu brinquedo novo.
- Amor, você lindo sabia? – ele sorriu e me deu um selinho.
- Linda é você, e é por isso que conquistou até os ingleses – eu ri com o comentário. – Começando por mim.
Eu não aguentava quando ele vinha com esse jeitinho carinhoso e romântico. Ele ficava tão lindo que dava vontade de agarrá-lo e enchê-lo de beijos e nunca mais o soltar.
- Eu te amo tanto – falei sorrindo.
- Acho que vai me amar mais ainda quando eu te contar a novidade – olhei-o sorrindo, porém confusa.
- Como assim? Que novidade? – perguntei.
Ele me abraçou pela cintura, me fazendo colar em seu corpo.
- Essa novidade aqui – ele me deu um papel, um flyer.
Eu olhava cada vez mais confusa. Peguei o panfleto na mão, deveria ser divulgação de algum show que teria no estádio. Quando o li, vi lágrimas surgirem em meus olhos.
- Eu não acredito – coloquei a mão na boca incrédula.
Uma parte do anúncio dizia:
“Show da cantora no Estádio de Wembley, dia 05 de Julho.”
O flyer era lindo, tinha uma foto minha que particularmente tinha ficado maravilhosa, o fundo preto e dourado. Eu não podia acreditar, eu iria tocar em Wembley?
- Honey, como isso é possível? – olhei para ele já com as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Eu não sabia se ria ou chorava, mas o mais maravilhoso disso tudo era ver a carinha de satisfação que ele fazia por me ver dessa maneira
- Bom, você sempre quis tocar aqui, não é? – eu assenti ainda não acreditando. Ele me puxou para perto do seu corpo novamente – Então, conversei com o empresário da nossa banda que passou o contato do responsável pelos shows aqui em Wembley, já que nós fizemos vários shows aqui foi fácil conseguir, então passamos para o seu empresário, que conseguiu que você se apresentasse onde estamos pisando neste exato momento.
Eu estava com as mãos na boca, ainda não acreditando naquilo tudo.
- Desde quando vocês estão planejando isso? – perguntei e ele sorriu passando a mão em meu rosto.
- Faz alguns meses, amor, só queríamos te contar assim que conseguíssemos – eu abaixei a cabeça e comecei a chorar. – Ei, era pra você rir e gritar, e não chorar – ele brincou.
- Desculpa – disse chorosa enquanto ele me abraçava. – É que eu nunca poderia imaginar algo assim acontecendo! Você não tem noção da importância que isso tem pra mim.
Ele levantou meu rosto me fazendo olhá-lo.
- Eu sei a importância disso pra você, por isso fiz de tudo para realizar seu sonho. Você sabe que não existe ninguém mais importante no mundo pra mim do que você, e só de ver esses olhinhos lindos brilhando já sou o cara mais feliz do mundo.
Eu abri um sorriso enorme e logo me aproximei de seu rosto, passando a mão por ele, vendo como ele era lindo, loiro, com aqueles olhos azuis que sempre penetravam nos meus, eu estava completamente apaixonada, não podia imaginar a minha vida sem ele. Aproximei meus lábios dos seus e o beijei com todo amor que sentia. Ele não foi diferente, segurou meu rosto com delicadeza e aprofundou o beijo procurando por minha língua, explorando cada canto de minha boca. Era incrível como um simples beijo podia tirar toda a minha razão, as minhas forças, eu jamais sentiria algo parecido com outra pessoa. Assim que partimos o beijo, sussurrei ainda um pouco ofegante:
- Você acha... que eu.. consigo fazer um show aqui? – perguntei e ele deu uma risada gostosa.
- Você está de brincadeira comigo, não é? – me deu um selinho demorado e me puxou pela mão para que fossemos até a ponta do palco.
- Amor, você nasceu nisso! Eu vi milhares dos seus shows, todos lotados, você é chamada de “A Princesa Latina”, não é? – eu sorri e mordi meu lábio inferior ao ouvi-lo me elogiar. - Você pode tudo, você é maravilhosa, talentosa, famosíssima. É a nova queridinha da Inglaterra – eu ri com o comentário. – Você será a mulher mais linda do mundo há um dia ter pisado neste palco. Eu tenho muito orgulho de você – eu dei uma risada de felicidade e me joguei em seus braços. Sem dúvida nenhuma, ele era a pessoa mais perfeita do mundo, pelo menos era perfeito pra mim.
Depois de todos esses elogios e de todo suporte que ele me dava, da confiança que ele tinha por mim, eu não tinha mais dúvidas de que entraria super segura no palco no dia do show, afinal, eu sempre o teria ao meu lado.


Abri meus olhos lentamente e o procurei com o olhar, mas não vi nada além de paredes e meu cachorro Mike dormindo em sua caminha ao lado da minha. Novamente eu tinha sonhado.
Sentei na cama, passei as mãos pelo rosto tentando achar uma resposta para tudo isso, mas ela simplesmente não vinha. Meu corpo estava quente, como se ele estivesse comigo há minutos atrás. Passei a mão pelos meus lábios e eu ainda podia sentir o sabor de sua boca, aquilo era maluquice. Quem era ele? A única coisa que eu sabia era que toda a insegurança que eu estava sentindo sobre o show do dia seguinte tinha passado, com tudo que ele “disse” sobre mim, tinha tirado qualquer medo que eu pudesse ter, agora eu não tinha dúvidas de que eu estaria melhor do que nunca neste show.
Deitei em minha cama novamente e sorri ao lembrá-lo e de poder sentir meus pés no lugar onde mais sonhava em cantar. Foi assim que voltei a dormir, e dessa vez tranquilamente.

Capítulo 3

Dougie’s Pov

Acordei de cedo, e só pra variar tinha sonhado com ela, isso já estava virando um tormento. Olhei para o lado e vi a cama vazia, logo me lembrei do recado de Frankie, ela estava na casa da Molly. Levantei-me, me arrumei e fui para a casa de Tom, que ficava perto do meu flat, iríamos juntos para o ensaio.
- Bom dia, Gi! Vamos, mate?– perguntei entrando na cozinha da casa de Tom, vendo-o tomar café com Giovanna.
- Bora, estava só te esperando – respondeu ele se levantando e colocando uma caneca na pia.
- Bom dia, Dougie – Respondeu Giovanna em seguida.
- O Danny não vai com a gente? – perguntei enquanto pegava uma torrada em cima da mesa.
- Não, falou que ia levar a Georgia em um estúdio, acho que ela tem uma sessão de fotos – respondeu Tom dando de ombros.
- Bom trabalho pra vocês, e eu vou pro meu – falou Giovanna enquanto dava um beijo rápido em Tom e saía apressada – Tchau, Dougie.
- Tchau, vai pela sombra – ela me deu um tapa na cabeça me fazendo rir e saiu.
- Cadê a Frankie, dude? – perguntou Tom enquanto procurava a chave de seu carro.
- Dormiu na casa da Molly, vai encontrar a gente mais tarde pra gravação do Children in Need – respondi um pouco sério.
- Ih, já vi que não gostou dela ter dormido na casa da Molly.
- Não é por ela ter dormido lá, e sim pela frequência, estamos cada vez mais afastados. Tem alguma coisa errada.
- Dougie, desencana, dude, ela só tem a vida corrida que nem a gente.
- Acho que eu estou a perdendo, mate – passei a mão no rosto e respirei fundo.
Tom colocou a mão em meu ombro me confortando.
- Eu sei que você gosta muito dela, mas não pode ficar muito dependente, Doug.
- Eu sei, Tom, mas eu não sei o que faria sem ela, de verdade.
Tom me deu um abraço e disse que tudo ia melhorar. Sem muita demora mudamos de assunto e, assim que ele achou sua chave, fomos até o estúdio onde ensaiávamos.
- Cadê o idiota do Danny? – perguntei me jogando no sofá olhando para Harry sentado atrás da bateria.
- Sei lá, Doug – respondeu ele.
- Cada dia é um também! – resmungou Tom.
- Sorry, mates! – falou Danny ofegante – Me perdi no caminho de volta desse estúdio maldito que a Georgia me fez ir.
Nós rimos, isso é muito comum vindo do Danny.
- Tudo bem, mate, vamos começar a ensaiar logo – falou Harry.
Nós pegamos nossos instrumentos e começamos a ensaiar com a música If U C Kate. Alguém aí sabe quem é a Kate? Não? Então vão continuar sem saber, não conto.

’s Pov

Acordei animada, hoje seria o grande dia, o início da minha nova turnê. Aquele homem em meus sonhos fez com que eu me sentisse mais segura, loucura, não é? Um simples fantasma mexendo tanto assim comigo, mas era o que estava acontecendo.
Só pra variar, Letícia me acordou cedo com o barulho irritante da campainha e foi passando a pauta do dia.
- Você recebeu milhares de presentes e ligações de boa sorte hoje, . Temos pouco tempo, já, já vão vir te buscar para levá-la até o Maracanã e... – eu a cortei.
- Respira pra falar, mulher – comecei a rir – posso terminar de me vestir pelo menos ou não?
Foi a vez de Letícia rir.
- Foi mal, , sabe que eu me empolgo, e estou um pouco ansiosa, afinal, não é qualquer show, é a nova turnê da maior artista latina – eu procurava uma roupa enquanto a ouvia.
- Nhá, eu também estou preocupada, mas depois de ontem à noite fiquei mais calma - expliquei enquanto pegava uma calça jeans.
- Depois de ontem à noite? O que aconteceu ontem à noite? – perguntou Letícia curiosa enquanto sentava em minha cama.
Eu tentei disfarçar, tinha falado demais.
- Ah, nada demais, Leh! É que falei com minha mãe à noite e me acalmei, nada como falar com alguém experiente na área – dei uma pequena risada. Ela pareceu acreditar.
Meia hora depois o carro chegou, nos levando para o Maracanã. A hora estava chegando.

Dougie’s Pov

Tínhamos acabado de chegar ao estúdio de TV onde gravaríamos o Children in Need. Harry estava no backstage se aprontando enquanto nós três nos preparávamos para entrar no ar.
- Dude, eu não vou aguentar, tenho certeza de que vou rir do Harry dançando – comentou Danny já rindo.
- Você já está rindo, mate. Confesso que eu também! – falou Tom.
- Nem preciso falar nada, né – eu, sem dúvida nenhuma, me mataria de rir.
Harry iria dançar uma música do grupo da Frankie, as The Saturday’s. E, falando nela...
- Oi, Doug – disse ela se aproximando de mim, parecia um pouco distante – Oi, guys!
- Hey, Frankie! – disseram Tom e Danny ao mesmo tempo.
- Oi, honey! – me aproximei dando um beijo em sua bochecha.
Ela sorriu um pouco desconfortável. Olhei atrás e vi as outras amigas de Frankie, cumprimentamos todas, comentamos um pouco sobre a apresentação de Harry e logo um dos funcionários nos chamaram avisando que entraríamos no ar.
Estávamos nos divertindo muito no programa, Harry estava pra entrar, não víamos a hora de tirar o sarro dele. Frankie e eu nem parecíamos namorados, tudo bem que estávamos lá como profissionais, não íamos ficar nos agarrando, lógico, mas, mesmo assim, parecíamos dois estranhos.
Assim que Harry entrou com sua parceira de dança, todos nós começamos a gritar o nome dele, que por sua vez estava hilário com aquelas roupas meio espanholas, mexicanas, sem lá da onde vem, mas eram latinas. Danny e eu nos matávamos de rir, ele até que estava se saindo muito bem. Harry já tinha uma profissão caso não fosse mais ser baterista.
A gravação durou até a noite, saímos de lá exaustos. Cada um foi direto para sua casa, dessa vez Frankie foi pra casa comigo. No caminho fomos praticamente em silêncio, ela olhava pela janela do carro perdida em seus pensamentos. Só ouvi sua voz no momento em que entramos no apartamento. Eu jogava minha chave em uma mesinha na entrada do flat.
- Doug, precisamos conversar...

’s Pov

Todas as checagens de sons já haviam sido feitas. Eu estava em meu camarim sendo maquiada e já podia ouvir os gritos das pessoas na platéia. Tinham começado a entrar no estádio, senti um frio em meu estômago.
- Vai sair tudo bem, – falou Rick.
Eu simplesmente sorri para ele. No mesmo instante ouvi uma batida na porta e alguém entrar.
- Como está ficando linda a estrela da noite – disse meu pai, segurando um ramo de flores.
Abri um sorriso ao vê-lo. Minha mãe entrou logo em seguida. Como era bom vê-los, eu me sentia mais confiante.
- Pai, mãe, que bom que estão aqui. Fico menos nervosa – dei uma pequena risada e os abracei.
- Quem vê pensa que é a primeira vez, né?! – brincou meu pai me entregando as flores e logo indo sentar em uma das poltronas.
- Não é a primeira vez, mas depois daquele susto que tomei fiquei um pouco insegura, sei lá, sei que não tem nada a ver, mas... – dei de ombros.
- Meu amor, vai dar tudo certo, você é linda e perfeita como sua mãe – disse meu pai e piscou para mim.
- Obrigada pela parte que me toca, querido – brincou minha mãe. Eu dei uma pequena risada.
Olhei em cima de uma das mesinhas e vi algumas revistas, entre uma delas a revista Vanity Fair.
- Pai, você saiu na revista Vanity Fair? – perguntei enquanto via a capa.
- Sai sim! Gostou? – perguntou ele.
- Se eu gostei? Se não fosse meu pai, pegava fácil – meu pai gargalhou.
- Ei, esse tem dona, mocinha – brincou minha mãe.
- Você também, não fica atrás, NE, mãe? Vi seu último ensaio fotográfico – fiz uma cara safada e ela riu – Se eu fosse você ficava esperto, pai – voltei a sentar na cadeira para arrumar meu cabelo.
- Só uma louca pra me trocar por outro – ego dele nem é grande.
- Nem vou comentar – resmungou minha mãe.
- Vocês são mais que respeitados, são as pessoas mais aclamadas no Brasil e no resto dos países latinos, não tinha como um não ficar com o outro – brinquei.
- Concordo – falou meu pai enquanto comia uma maçã, nos fazendo rir.
- Oi, coisa linda – ouvi a voz de meu irmão e me levantei para abraçá-lo.
- Ricky, que bom que chegou. Estava com saudades – falei abraçada a ele.
- Eu sei, ninguém vive sem mim – ele nem tem o ego do meu pai, né? – Recebeu minhas flores? – perguntou ele enquanto cumprimentava nossos pais.
- Sim, recebi logo cedo.
- E aí, diva poderosa? – brincou , a namorada de meu irmão, enquanto entrava no camarim.
- ! Sua vadia, me largou aqui – fingi estar brava.
- Desculpa, meu bem, mas eu não ia deixar seu irmão gatíssimo do jeito que é solto por aí, né? – todos nós rimos.
- Tem toda razão, esse aí puxou o charme do senhor Fernando – olhei para meu pai e revirei os olhos. Ele e Ricky ficavam apenas observando, sabiam que era verdade.
- E aí, maluca?! – ouvi outra voz feminina e me virei em direção à porta.
- Cielooooo! – fiz manha e me agarrei à ela.
- Fala, poderosa! Cara, você não tem noção de como esse lugar está cheio – comentou ela enquanto me abraçava.
- A encheu o Maracanã no segundo dia de venda dos ingressos – comentou meu pai já abraçado com minha mãe no sofá.
- Muito orgulho de você, maninha – piscou meu irmão indo abraçar por trás.
- Ah, mas eu também, super orgulho da princesa latina – revirei os olhos ao ouvir que acabara de entrar.
- Obrigada, gata! – sorri e a abracei – Obrigada a todos por terem vindo e pelas flores, e obrigada também pelos recados que me mandaram ontem e hoje de manhã.
- Imagina, , amigos são pra isso! – disse .
Amigos sim, mas estava faltando alguém.
- , cadê seu irmão? – meu namorado era o único que não estava. - Ele deve estar chegando, passou em casa primeiro pra pegar alguma coisa, que eu não sei o que é – ela deu de ombros.
- Ainda bem que não sabe, se não já ia abrir essa boca grande – era a voz de André.
Sorri ao vê-lo e fui até ele, abraçando-o pelo pescoço.
- Como está a mulher mais linda do mundo? – perguntou ele brincando.
Meu irmão e meu pai reviraram os olhos. Ciumentos.
- Ela está nervosa – mordi o lábio inferior e ele riu.
- Meu amor, não é a primeira vez que você sobe num palco.
- Foi o que acabei de falar pra ela – comentou meu pai.
- Eu sei, mas estou nervosa mesmo assim! – André me abraçou por trás e depositou um beijo em meu ombro.
- Vai dar tudo certo, meu amor – minha mãe sorriu para mim. Ela era minha meu suporte.
- Obrigada, mãe – sorri para ela.
- , o show vai começar em cinco minutos – Entrou Rick Bonadio, meu empresário.
- Obrigada, Ricky – respirei fundo.
- Nós vamos para o camarote agora, bom show, meu amor – desejou minha mãe me dando um abraço forte.
Despedi-me de todos. André disse que após o show teria uma surpresa para mim.
Terminei de dar as últimas retocadas, maquiagem, roupa, eu teria que trocar o figurino cinco vezes, isso ia ser cansativo. Assim que terminei, fui para o fundo do palco.

Capitulo 4

[n/a: Guys, toda vez que aparecer um número com um link para clicar, estará indicando a roupa atual da personagem principal no show. A foto está numerada]

Meus dançarinos, músicos e eu fizemos uma reza pedindo pelo sucesso do show, antes de toda apresentação tínhamos este mesmo ritual.
- Um minuto, , está pronta? – perguntou Rick sendo acompanhado por Letícia.
Respirei fundo e fechei os olhos me lembrando do sonho que tive na noite anterior. Aquele homem tinha me dado coragem. Aquele homem, ou fantasma... isso é loucura.
- Estou mais do que pronta – sorri para Rick, que ficou surpreso.
- Assim que se fala, princesa – ele beijou minha testa e desejou boa sorte. Letícia fez o mesmo e eu entrei em posição.

Dougie’s Pov

Eu não conseguia assimilar suas palavras, ela não estava dizendo isso, não estava fazendo isso comigo, não depois de tudo que passamos, não depois de eu tê-la aceitado de volta quando disse que tinha feito uma besteira pedindo um tempo pra mim.
- Frankie, por quê? Nós estávamos tão bem, já tínhamos planejado comprar uma casa, estamos morando juntos, não consigo te entender – eu estava perdido.
Eu amava a Francesca, ela sabia muito bem disso, sabia o quanto eu era louco por ela, mas a frieza com que tratava a situação me dava a entender que ela não se importava. Quando ela pediu um tempo da primeira vez que nos separamos, voltou arrependida, chorando, dizendo que me amava e que tinha feito uma besteira em me deixar, que nunca mais faria isso. Eu perguntei milhares de vezes se ela tinha certeza, não queria sofrer pela segunda vez, pois não aguentaria, e isso estava acontecendo... de novo.
- Me perdoa, Dougie, eu tentei, mas não está dando certo. Nós somos muito diferentes – falou ela me olhando sentado no sofá da sala visivelmente triste.
- Você fez isso comigo uma vez, Francesca, e eu te aceitei de volta. Agora você vem com a mesma palhaçada de antes? – perguntei incrédulo.
- Dougie, o que eu podia fazer? Ficar vivendo uma mentira? Nós tentamos e não deu, então cada um segue sua vida, é simples – ela falava como se estive explicando um problema de matemática, mas até a matemática estava mais fácil de entender.
Francesca falava calmamente, com a voz doce e delicada de sempre, mas tinha uma frieza em seus olhos, ela não estava se importando comigo, com tudo que passamos nesses dois anos. Os guys tinham razão, eu sempre fui um cachorrinho na mão dela, sempre que ela chamava eu estava lá, e agora que não queria mais, me dispensava sem ao menos mostrar que se importava. Mas essa decisão repentina podia ter nome, eu conhecia Francesca muito bem e sabia que ela não era de ficar solteira, sempre gostou de ter namoro sério, talvez agora que se fez profissionalmente às minhas custas tenha achado outro brinquedinho.
- Você está gostando de alguém, Frankie? – perguntei calmamente como sempre, sentado no sofá com as mãos em meu rosto.
Um silêncio permaneceu, então repeti a pergunta mais firmemente.
- Você está ou não gostando de alguém? Seja sincera, Frankie – levantei meu rosto e ela notou minha expressão de angustia e desapontamento.
Ela respirou fundo e olhou para todos os lados, menos em meus olhos.
- Não, Dougie, não estou gostando de ninguém – pausa – Eu vou arrumar minhas coisas e já vou embora.
Eu não respondi nada, apenas a olhei sair de minha visão. Meu coração parecia que ia se despedaçar a qualquer momento, mas me mantive firme, como sempre, ficando quieto e apenas tentando assimilar o que tinha acontecido.

’s Pov

Quando entrei no palco (1) senti uma energia maravilhosa, todas as pessoas gritando o meu nome com tanto carinho, aquilo não tinha preço.
As batidas do som eram fortes, tinha mistura de guitarra, baixo, bateria, percussão e eletrônico. O público gritava freneticamente, meus dançarinos estavam esplêndidos e, não querendo me gabar, mas estava me saindo muito bem. Também, era filha de Angelique Monteviero e Fernando Monteviero, tinha que fazer jus ao meu nome.
As primeiras músicas foram bem sensuais e dançantes, o público parecia delirar cada vez mais. Recebi alguns convidados especiais como a banda Nxzero, Dulce Maria, o DJ Roger Sanchez, Pitbull e Ja Rule, tirando meu pai, que faria uma participação também. Era muita “responsa” e uma honra tê-lo no mesmo palco que eu.
Pitbull entrou no palco já iniciando seus acordes, junto com Roger Sanchez, que controlava o som no alto do palco. Os dançarinos começavam sua coreografia. O público ia ao delírio.

[aqui]


Pitbull:
Señor 3-0-5 Armando Bond
Con "la princesa "
Mami yo no soy egoísta,
La cosa es que yo sé lo que quiero

Eoh eoh eh eoh eoh ah Egoísta! Egoísta!
Eoh eoh eh eoh eoh ah Egoísta!



Entrei no palco cantando (2), subindo pelo meio dele como em um elevador, o palco estava coberto de gelo seco, dando um ar moderno e futurístico. Chamas de fogo acenderam nas beiradas do palco, deixando-o todo iluminado e bonito.

:
Di todo para ti / Y nada para mi / ¿Por qué será asi? / Egoísta / En un mundo feliz, / Amar es compartir / Es dar y recibir / Egoísta!


Eu dançava, rebolava e fazia a coreografia enquanto Pitbull começava a cantar.

Pitbull:
I just know what I want / Comunica claro mami / Deja la muela / Dime con quien tú andas / Y te digo quien tú eres Como dice mi abuela / Aquí no hay tiempo / El tiempo es dinero / Y este lo entiende / No no lo siento / que se va con el viento / Dale mi gente

:
Un segundo más te dí de mi tiempo / Y no sabes bien como me arrepiento / Un segundo más te dí Y ese fue tu fin, hey Egoísta! / Ego ego ego egoísta! / Ego ego ego egoísta! / Pudiste un día ser Morfina de mi piel / Te lo perdiste tú, egoísta! / Pensando solo en ti Abriste fuego en mi / Maldito Cromagnon / Egoísta!

Pitbull:
Egoísta no soy / Ayer, mañana ni hoy / Realisticamente si vivo / Ya tú sabes se te metes conmigo Guerra avisada / No mata soldado / Ten cuidado / Con el fuego / Que Armando es un bravo

:
Un segundo más te dí de mi tiempo / Y no sabes bien como me arrepiento Un segundo más te dí / Y ese fue tu fin, hey Egoísta! / Ego ego ego egoísta! Ego ego ego egoísta! / Ego ego ego egoísta! / Ego ego ego egoísta!

Cuanto amo y siento / Yo no mido el tiempo / Vivo cada instante / Lo demás me vale madre! Me voy con el viento / No me llevo recuerdos / Cachoro puro chorro / Ya corta el rollo

Un segundo más te dí de mi tiempo / Y no sabes bien como me arrepiento / Un segundo más te dí Y ese fue tu fin, hey Egoísta! / Ego ego ego egoísta! / Ego ego ego egoísta! / Ego ego ego egoísta! Ego ego ego egoísta! / Ego ego ego egoísta! / Ego ego ego egoísta! / Ego ego ego egoísta! Ego ego ego egoísta! / Egoísta ah!



Apoiei meu braço no ombro de Pitbull e finalizamos a música juntos. O público novamente foi à loucura, Pitbull me abraçou e me tirou do chão, logo Roger desceu e fez o mesmo enquanto o outro agradecia ao público.
- Obrigado – falou Roger em seguida em português.
- , obrigada, princesa – sorri enquanto o público gritava.
- Obrigada a vocês. Amo os dois – mandei um beijo enquanto eles saíam do palco, aplaudidos.
- Obrigada, Rio! - pisquei para eles e fiquei de costas, entrando em posição para a nova música.

[n/a: Coloque a música para tocar. Clique aqui]


A música iniciou e eu comecei a cantar. Fui até a ponta do palco e peguei um ursinho que jogaram para mim. No meio da música, a parte de trás do cenário se abriu e lá estava a banda Nx Zero, as meninas ficaram malucas, lógico, quem não fica com o Di e o Gee? Diego começou a cantar enquanto se aproximava de mim, eu o abracei de lado. Terminamos a música e o palco se fechou em nossa frente, nos cobrindo. Dei um beijo em cada um deles agradecendo e logo corri e troquei de roupa (3) com a ajuda da minha equipe enquanto meus dançarinos faziam uma performance no palco. Depois de pronta me posicionei para entrar novamente. Agora teria uma música interpretada por mim, meu pai e Dulce Maria. Entrei no palco e os gritos voltaram a surgir.
- ! ! ! – gritavam.
Eu dei uma risada, estava feliz e emocionada ao mesmo tempo.
- Obrigada, galera, de verdade. Você são demais! Não existe público como no Brasil, tenho muita honra de iniciar minha turnê com vocês neste país maravilho que é o nosso – mais gritos – Agora eu tenho a honra de cantar uma música escrita por meu pai, em espanhol – gritos. Eu ri – É uma música linda, espero que gostem.

[n/a: Coloque a música para tocar. Clique aqui]


Eu me sentei em um dos bancos e os acordes da música começaram, seguidos pela voz de meu pai, que ecoou no estádio levando todos à loucura. Eu estava emocionada de vê-lo ali. Comecei a cantar com ele, meu pai se aproximou e beijou minha testa enquanto me ouvia, ele tinha um olhar e um sorriso orgulhoso, estava realmente orgulhoso de mim, isso me deixava muito bem. Entre nossas vozes surgiu a de Dulce, uma grande amiga minha, ela estava linda. Eu a abracei ouvindo o público gritar cada vez mais. Meu pai se sentou no banco do meio, entre eu e Dulce. Eu me emocionei e senti uma lágrima cair em meu rosto, esse era um dia que eu não esqueceria nunca, cantar junto de meu pai ou de minha mãe era extraordinário. Assim que a música acabou meu pai abraçou Dulce, que estava super nervosa de cantar com meu pai, poucos tinham essa honra, em seguida ele me abraçou e sussurrou “você está maravilhosa”. Eu sorri para ele. Dulce agradeceu ao público e me abraçou, meu pai também agradeceu a todos e em seguida eles saíram do palco.
Eu cantei mais algumas músicas minhas.

[n/a: Coloque as músicas para tocar em ordem. 1, 2, 3, 4, 5]


Na última música tive a participação do rapper Ja Rule. Dancei com meus dançarinos enquanto Ja Rule ia até o público, interagindo com eles. Na parte solo da música fizemos uma dança mais brasileira, misturando funk com samba e o pop, no telão passavam imagens do Brasil e da bandeira nacional.
Agora só faltavam duas músicas para finalizar a apresentação. Duas horas e meia de show, não era nada fácil aguentar.
Coloquei mais uma roupa (4), e, cara, acho que essa era a parte mais difícil. Entrei no palco, essa era a última canção, era uma música lenta, música nova, eu tinha composto ela em poucos dias, não era para cantá-la logo cedo, mas algo me dizia para fazê-lo.
- E AÍ, RIO, ESTÃO SE DIVERTINDO? – perguntei entre risos.
- Muito, muito obrigada por todo o carinho que vocês tem me dado, por todo suporte, por todas as mensagens lindas que recebi após o pequeno incidente que tive. Sem dúvida nenhuma, eu tenho os melhores fãs do MUNDO! – gritei a última palavra e todos riram.
Eu me aproximei de um pequeno palco móvel que tínhamos criado para eu que pudesse passar pelo meio do público. Nele estava o meu pianista. Sentei em cima do piano, cruzei as pernas e arrumei meu cabelo, sorrindo enquanto ouvia os gritos.
- Essa é a nossa penúltima canção – todos gritavam “NÃO” me fazendo rir – Pois é, eu também não quero deixá-los, mas essa canção é especial, eu a compus alguns dias atrás e quis inclui-la no repertório. Espero que gostem, a canção se chama – pausa – HAPPY – eu sorri e logo ouvi Rafael, meu pianista, começar a música.

Dougie’s Pov

Eu nunca senti uma dor tão grande em minha vida, essa foi a cena mais difícil, vê-la sair pela porta, a mesma porta que um dia entrou toda animada com sua cachorrinha, dizendo que seríamos muito felizes aqui. Quando Frankie saiu do flat apenas dizendo um “seja feliz, Dougie” e logo fechando a porta atrás de si, senti o ar sumir. Eu queria me esconder, não ver ninguém, meu coração estava estraçalhado, eu jamais amaria alguém como amava a Francesca.
Levantei-me do sofá e fui até a cozinha e peguei uma garrafa de vodka, eu queria esquecer, esquecer que a amava, esquecer que ela tinha me decepcionado, esquecer que ela não me queria mais, esquecer que ela existia. Nem percebi quando a garrafa estava quase no final e eu estava jogado no chão, encostado a parede da sala, com lágrimas nos olhos. Até que em algum instante que não me recordo qual, comecei a escutar uma música, uma voz feminina, linda, da onde vinha essa música? Eu procurava com meus olhos, sem conseguir me mover do chão, mas não encontrava. A música estava cada vez mais forte em minha cabeça, ela me tranquilizava e de alguma maneira descrevia tudo que eu sentia. Aquela voz... eu conhecia aquela voz, ela tinha a voz de um anjo... como ela, aquela em meus sonhos. Eu provavelmente já estava sonhando, ou bêbado demais, mas, mesmo assim, ainda podia ouvir a sua voz serena invadindo minha mente e meu coração me consolando, mas sem deixar de sentir as lágrimas caírem pelo meu rosto.

[n/a: Coloque a música para tocar no pov da ) e do Dougie . O cenário do vídeo é o cenário do show. Clique aqui]


’s Pov

Essa música nunca tinha soado tão perfeita e tão certa, era como se eu estive a cantando no momento certo.

TRADUÇÃO: Alguém uma vez me disse que você tem que escolher / o que se ganha ou se perde. /Não se pode ter tudo.Não se arrisque, / Você poderá sentir dor. / Não ame em vão / Porque o amor não vai te libertar. / Eu não posso ficar de lado / E assistir a vida passar por mim / Tão infeliz / Mas, tão segura quanto posso estar. / E daí se isto me machucar? / E daí se eu desmoronar? / E daí se o mundo apenas me jogar para fora? / Não há mais chão sob meus pés / Eu tenho que encontrar meu lugar / Eu quero ouvir meu som / Não me importo com toda a dor que vira em frente / Só estou tentando ser feliz / Só quero ser feliz, yeah / Segurando firme / Apenas não posso deixar partir / Estou só tentando desempenhar meu papel / Desaparecendo lentamente / Mas todos esses dias / Parecem ser iguais / Só com rostos diferentes / Lugares diferentes / Tire-me daqui / Eu não posso ficar de lado
Oh, no / E assistir a vida passar por mim / Passar por mim / E daí se isto me machucar? / E daí se eu desmoronar? E daí se o mundo apenas me jogar para fora? / Não há mais chão sob meus pés / Eu tenho que encontrar meu lugar / Eu quero ouvir meu som / Não me importo com toda a dor que vira em frente / Só estou tentando ser feliz Oh, feliz, Oh / Em tantas voltas que não posso ver, / Vou incluindo estranhos nessa Estrada / Mas não digo vitima Não digo nada. / E daí se isto me machucar? / E daí se eu desmoronar? / E daí se o mundo apenas me jogar para fora? / Não há mais chão sob meus pés / Eu tenho que encontrar meu lugar / Eu quero ouvir meu som Não me importo com toda a dor que vira em frente / Só estou tentando ser feliz / Feliz / Só quero ser / Oh Só quero ser / Feliz.

O pequeno palco onde eu estava se movia pela platéia e eu via todos gritando, estavam emocionados com a música e eu também. No meio da canção senti uma dor no peito, uma vontade imensa de chorar. Fechei os olhos e continuei a canção. Com os olhos fechados comecei a ver imagens dele... novamente, o cara com quem eu sonhava todas as noites, como era possível ter flashes dele acordada? Não parei de cantar, pelo contrário, cantava cada vez com mais emoção, como se estivesse cantando para ele. Mais uma vi sua imagem e senti uma pequena tontura, passei minha mão pelo meu vestido e apertei ele na altura do coração como se quisesse acalmá-lo. Eu estava assustada, o que era aquilo?

Dougie’s Pov

Eu permanecia com meus olhos fechados, com o rosto molhado pelas lágrimas, minha camisa estava amarrotada e entreaberta, em uma de minhas mãos tinha a garrafa de vodka que agora estava vazia. Eu ainda ouvia sua voz, como se acariciasse meu rosto e tentasse tirar toda a minha dor. Se eu estivesse sonhando nunca mais queria acordar, eu precisava tocá-la, como ela me fazia bem, como ela parecia curar minha alma... Com os olhos fechados pude ver sua imagem, eu não identificava seu rosto, mas ela estava em cima de um piano, com um microfone na mão, cantando, parecia cantar para uma platéia imensa. Lágrimas saíam pelos seus olhos, ela apertava sua roupa na altura do coração como querendo acalmá-lo. Ela cantava para muitas pessoas, mas eu podia senti-la e ela estava cantando para mim, ela estava me curando, me salvando desse profundo abismo em que eu me encontrava, pelo menos essa noite ela me salvara.
- Me ajuda... – pedi a ela... quem é ela?
Então apertei mais meus olhos, tentando, de alguma maneira, senti-la mais perto de mim.

’s Pov Eu não podia, mas lágrimas teimavam em cair pelo meu rosto, minha mão tremia, meu corpo tremia, meu coração doía. Era ele... ele precisava de mim, mas ele quem, meu Deus? Algumas notas mais altas soaram no piano indicando que minha voz tinha que ficar mais forte e grave, apertei meus olhos e pude ouvir sua voz, triste e desesperada dizendo “ me ajuda”, nesse momento coloquei toda a minha emoção e poder vocal nas últimas frases da canção, de alguma maneira sentia que isso o ajudava. Eu já não cantava mais para o público, cantava para ele... ele que nem ao menos existia... somente em meus pensamentos.
Assim que a música terminou eu voltei a ouvir os gritos da platéia, eles gritavam meu nome freneticamente, muito mais do que em qualquer outro momento do show. Abri os olhos lentamente, eles estavam marejados, meu rosto estava molhado, ninguém perceberia, eu sempre chorava nos shows emocionada pelo público, dessa vez não seria diferente. Fiquei olhando durante um tempo para o estádio lotado, eu jamais me acostumaria com aquilo, por mais que tivesse nascido nisso. Limpei minhas lágrimas, fechei meus olhos e respirei fundo por não conseguir mais ver sua imagem. Ele devia ser lindo, mas eu nunca conseguia me lembrar de seu rosto, lógico, era só uma miragem, era um sonho, ele não era real.
Agradeci rapidamente ao público, eu não tinha voz e nem condições para falar mais nada. Desci do piano e percebi que já estávamos de volta ao palco principal. Mandei um beijo para meus fãs e entrei no backstage, ainda ouvindo-os gritarem meu nome, isso era incrível.
Tentei esquecer tudo que tinha acontecido e foquei na última canção do show. Troquei de roupa (5), graças a Deus era a última, e voltei para o palco. Meus dançarinos já estavam fazendo suas coreografias, o som da guitarra era forte, entrei no palco e fiz minha última performance no estádio do Maracanã.

[n/a: Coloque a música para tocar. Clique aqui]


O show acabou, finalmente, eu estava exausta e tinha ficado atordoada com os flashes que tive dele. Fui direto para meu camarim, e antes de me fechar nele para me trocar falei com Letícia.
- Leh, não deixa ninguém entrar aqui por um tempo, preciso ficar sozinha.

[n/a: Música Tema do Casal Principal. Coloque a música para tocar nos dois pov’s. Clique aqui]


Antes que ela pudesse responder, entrei no camarim e fechei a porta. Eu não queria falar com ninguém durante alguns minutos. Encostei-me na porta e deslizei até o chão. Meu coração ainda batia com ferocidade, um pouco pela excitação do show, mas principalmente por aquelas visões que tive e aqueles sentimentos e angústias. Eu ainda tinha vontade de chorar, eu não sabia como explicar, mas ele era muito real pra mim, e o que ele sentia eu sentia também, e neste momento eu sentia uma dor inexplicável. Sem aguentar mais comecei a chorar, encostei meu rosto em meus joelhos e chorei enquanto pousava minha mão em direção ao meu coração, apertando o pedaço de pano cobrindo minha pele, tentando acalmar suas batidas, mas era impossível.

Dougie’s Pov

A voz tinha cessado, a música tinha acabado. A minha dor aumentava, eu parecia uma criança desamparada e sozinha, o choro não se apartava, a dor em meu peito não sumia. Eu precisava dela, dessa voz que me acalmara como uma droga ou uma anestesia capaz de curar todas as minhas feridas. Encostei minha cabeça na parede, apertei meus olhos e pude novamente vê-la, linda, pelo menos parecia, sentada e chorando como uma criança perdida, assim como eu. Passei aos mãos pelos meus cabelos.
- Eu preciso de você – sussurrei com a voz quase inaudível, sem nem ao menos saber de quem se tratava, de quem eu precisava.
Eu agora só queria dormir e me encontrar com ela nem que fosse em um sonho, eu sabia que ela podia curar minha dor, ela podia me tirar desse abismo, pelo menos esta noite eu queria esquecer tudo e ela era a única capaz de fazê-lo. Amanhã seria um novo dia... que eu teria que enfrentar sem ninguém para me tirar dessa angústia.
À noite, em meus sonhos, eram os melhores momentos, meus momentos mais felizes e tranquilos, porque... ela sempre estava neles.

Capítulo 5

’s Pov

- Amor, pra onde você está me levando? – perguntei rindo. André cobria meus olhos com suas mãos enquanto me guiava.
- Shiu, você já vai saber – percebi que ele sorria – Pronto, pode abrir! – sussurrou ele em meu ouvido.
- Uau! – foi a única coisa que disse quando abri os olhos.
André ainda estava atrás de mim, com seus braços agora envolvendo minha cintura e seus lábios perto de meu ouvido.
- Lembra daqui? – ele sussurrou.
Eu apenas sorri e encostei minhas costas em seu peito.
- Claro que sim – sorri pensativa – Foi aqui que você me pediu em namoro alguns anos atrás. Mas parece que está mais bonito...
Nós estávamos no alto de uma colina onde tinha uma visão lindíssima da praia da Barra da Tijuca no Rio de Janeiro. Lá embaixo estava tudo iluminado. Fazia um pouco de frio, mas nada exagerado.
- É verdade, está mais bonito, tanto quanto você está mais bonita – Eu sorri e me virei para ele. - Senti sua falta – falei e sem querer a imagem do homem em meus sonhos surgiu em minha mente. Balancei a cabeça tentando afastar esses pensamentos.
- Eu também, meu amor. Eu queria passar todos os minutos do dia com você, se possível. Eu sorri e passei a mão em seu rosto, então ele continuou:
- Por isso eu te trouxe aqui hoje, nesse lugar especial, nosso – eu estava um pouco confusa.
- Não entendi.
Ele deu um sorriso carinhoso e lentamente se ajoelhou em minha frente. Deus, o que ele estava fazendo?
- Monteviero... – eu olhava fixamente em seus olhos. André tirou uma caixinha de veludo de seu bolso e a abriu – Você... quer se casar comigo?
Eu levei a mão à boca pelo susto. Não imaginava que ele faria isso.
- Ai meu Deus, André... – ainda o olhava incrédula.
Direcionei meu olhar para o anel que brilhava na mão de André. Meus olhos se encheram de lágrimas. Eu sempre o amei e sempre esperei por isso.
- Então, amor... – perguntou ele esperançoso.
- Sim... – respondi um pouco trêmula pela emoção.
André abriu um sorriso lindo e lentamente tirou o anel da caixinha e o colocou em meu dedo. Neste mesmo instante senti algumas lágrimas caírem pelo meu rosto.
André se levantou e aproximou seu rosto do meu e o acariciou com uma de suas mãos.
- Eu vou te fazer a mulher mais feliz do mundo. Eu te prometo.
- Eu não tenho dúvidas disso – disse ainda emocionada – Só me promete estar sempre comigo, sempre ao meu lado?
- Eu vou estar, , eu prometo.
André me beijou carinhosamente e depois me abraçou. Foi quando a lembrança de quando cantei Happy no palco veio em minha mente. O desespero, a vontade de chorar. A maneira que me tranquei no camarim e chorei. Meu Deus, isso tudo era tão real, ele era tão real.
- Amor, está tudo bem? – acordei de meus pensamentos e nem tinha percebido que André não me abraçava mais, apenas me olhava.
- Ah, está sim – tentei sorrir – Estou surpresa ainda – disfarcei.
André sorriu.
- Imaginei que ficaria. Agora que tal a gente ir pro meu apartamento e comemorar nosso noivado? – ele deu um sorriso safado e colocou seu corpo no meu, e logo deslizou seus lábios pelo meu pescoço.
- Que tal irmos para o meu apartamento? – eu ria enquanto ele beijava meu pescoço – Porque se eu te conheço bem, amanhã é domingo e você acorda cedo para pilotar – André gostava de pilotar avião e helicóptero.
- Você tem toda razão – ele se afastou de meu pescoço, mas colou seu corpo mais ainda ao meu – Vamos para o seu apartamento então – André me deu um selinho – Me empresta sua correntinha? – perguntou ele enquanto olhava para a cruz de ouro que eu levava em meu pescoço. Toda vez que ia pilotar, André levava minha correntinha como proteção.
- Claro que sim! Só não vai perdê-la – resmunguei enquanto ele a tirava de meu pescoço.
- Você fala isso toda vez, amor – eu ri.
André colocou a correntinha.
- Agora estou protegido – eu ri do comentário – Vamos agora que eu estou louco pra dormir abraçadinho com você e matar as saudades.
- Hm, agora que você vai ser meu marido, isso vai acontecer com mais frequência – brinquei e levei meus lábios aos dele.
- Que seja assim sempre – eu sorri ao ouvi-lo e depositei mais um beijo em seus lábios – Agora vamos que eu estou cansada.
- É bom não estar cansada para mim – eu ri do comentário enquanto sentia André me puxar pela mão, me levando até o carro.

Dougie’s Pov

Acordei com uma dor de cabeça terrível.
- Droga, que barulho irritante! – resmunguei enquanto procurava meu celular com a mão.
- Alô – resmunguei sonolento.
- Dougie, onde você está, mate? – era a voz do Harry.
- Hm... – eu não conseguia falar, só queria dormir.
- Doug? Caralho, acorda! Faz 2 horas e meia que estamos esperando você no estúdio.
- Foi mal, já vou – eu não estava afim de falar, fora que minha cabeça doía demais. Também, ninguém merece ter que ensaiar em pleno domingo.
- Dougie, você está estranho, mais do que já é! Está tudo bem?
- Sim. Me dá um tempo que eu já chego aí – desliguei o telefone antes que o Harry perguntasse mais alguma coisa.
Levantei-me e as cenas da noite passada vieram em minha cabeça novamente. Olhei para o outro lado de minha cama e Frankie não estava ali. Eu estava sozinho.
Depois de tomar um banho, tomei um remédio para dor de cabeça, coloquei minha jaqueta de moletom da Zukie cinza e fui pegar o carro. Tinha que chegar logo no estúdio.

’s Pov

Abri os olhos lentamente e vi uma pequena claridade vindo da janela. Nossa! Como eu estava cansada! O show tinha sido muito cansativo, depois ainda saí com o André e, claro, passamos a noite juntos. Conseguem imaginar como eu estou “morta”, não?!
Virei para o lado jogando meu braço, mas não senti o corpo de André. Abri os olhos novamente e percebi que ele não estava no quarto.
Quando meus olhos chegaram até a escrivaninha ao lado da cama, pude ver um papel. Peguei-o.

“Bom dia, minha noiva. Fui com o Binho pilotar, volto só à noite. Descanse bastante porque vamos jantar mais tarde. Eu acordei me sentindo o homem mais feliz do mundo. Nosso amor será eterno.

Eu te amo, .

André Z. ”


Eu tinha me esquecido que André ia pilotar seu avião de manhã.
- Deus, como estou cansada – resmunguei enquanto me levantava arrastada da cama.
Sem dúvida nenhuma, eu passaria o dia no sofá assistindo um filme. Fazia muito tempo que eu não tinha tempo pra mim.

Dougie’s Pov

- Dougie, eu sei que não é fácil, dude, mas você vai ter que superar isso – dizia Tom.
- Nós estaremos do seu lado pra te ajudar, mate – continuou Harry.
- Valeu, mas não sei se vou suportar. Nós já estávamos falando sobre casamento, comprarmos uma casa – eu cobri o rosto de uma maneira cansada – Não sei como ela pôde fazer isso comigo, de novo.
- A gente sabe o quanto você gosta dela, Doug, mas pelo jeito a Francesca não sentia o mesmo.
Eu não queria ficar falando daquele assunto, já bastava a dor que estava sentindo.
- Vamos ensaiar, não quero mais falar disso.
Danny, Tom e Harry se entreolharam e se levantaram ao mesmo tempo.
- Vamos repassar Party Girl – falou Tom mudando de assunto.

’s Pov

Se tem uma coisa que me deixa irritada é acordar com o barulho do telefone.
Abri os olhos resmungando e olhei no relógio, eram 17h. Com certeza eu tinha dormido no meio do filme.
- Alô – disse com a voz sonolenta.
- ...
- Ricky? – parecia a voz do meu irmão.
- Sou sim. Eu... eu tenho algo pra te falar.
A voz dele estava preocupante. Tinha acontecido alguma coisa.
- Ricardo, o que aconteceu? – meu coração disparou, estava com um pressentimento ruim.
- , é melhor conversarmos pessoalmente.
- Para de me enrolar e fala logo, o que aconteceu?

Dougie’s Pov

Passamos a tarde toda ensaiando, até à noite. Isso foi bom, assim eu não ficava pensando na Frankie. Ok, quem eu quero enganar? Não consegui esquecer o que aconteceu nem por um segundo. Errei várias notas nos ensaios, eu não conseguia me concentrar.
- Desculpem, não está dando certo – respirei fundo parando de tocar no meio da música If U C Kate.
- Acho que já está bom por hoje – falou Tom.
- Que tal irmos até um pub para nos distrairmos um pouco? O Doug está precisando – comentou Harry saindo de trás da bateria.
- Adorei a ideia, nada como rir um pouco com os amigos – Danny falou.
- Mates, acho que não vai rolar, não estou muito bem pra sair.
- Para com isso, Dougie, se você ficar em casa vai ficar pensando besteira – concluiu Danny.
Enquanto Danny falava eu sentia uma tontura, sua voz ficava cada vez mais longe, e por fim uma forte dor em meu peito fez com que eu me desequilibrasse.
- Dougie, o que houve? – era a voz de Harry.
Eu me segurei no microfone para não cair e levei minha mão até a altura de meu coração apertando a camiseta com força. A dor estava cada vez pior.
- Dougie, dude, você está pálido – os três tentavam me segurar para que eu não caísse.
Foi então que sua voz veio em minha cabeça, sim, a voz dela. Apertei meus olhos ainda sentindo uma forte dor em meu peito e a vi, sentada de joelhos no chão de uma casa, chorando, chorando muito. Eu me assustei, parecia que eu podia sentir o que ela estava sentindo.
- Dougie, responde, dude. Está nos assustando – a voz de Danny saiu muito longe, eu não conseguia falar nada.

’s Pov

As palavras de meu irmão se repetiam em minha cabeça como um eco. Aquilo não podia estar acontecendo, com certeza era um sonho. Na hora que ouvi o Ricardo, não consegui dizer nada, apenas larguei o telefone no chão, sem forças para segurá-lo, e caí de joelhos. Eu ainda podia ouvir a voz exasperada de meu irmão do outro lado da linha, mas eu estava em transe, não conseguia me mexer. Só conseguia prestar atenção nas suas palavras que se repetiam em minha mente.

- Para de me enrolar e fala logo, o que aconteceu?
- Foi o André...
- O que aconteceu com o André? – falei em um fio de voz, meu coração saltava.
- Ele...
- Ricardo, pelo amor de Deus, fala – eu já sentia as lágrimas nos olhos.
- Ai – ele respirou fundo – O avião que ele pilotava caiu no mar agora à tarde e – ele respirou fundo antes de continuar. Eu já sabia o que vinha por aí – acharam o corpo dele faz alguns minutos. O André não sobreviveu.

As lágrimas teimavam em cair, meu coração doía demais. Eu não tinha forças, tinha vontade de sumir, desaparecer. Queria fazer as palavras de Ricardo sumirem da minha cabeça, queria estar sonhando, mas cada vez mais me certificava de que estava acordada.

Dougie’s Pov

Deus, eu conseguia vê-la como se estivesse em minha frente, mas seu rosto estava sempre nublado. Queria abraçá-la, confortá-la como ela fez na noite passada comigo. Estava tão frágil, vulnerável, chorando como uma criança perdida e solitária. Eu não podia entender a necessidade que tinha de ajudá-la, a necessidade de cuidá-la, não podia compreender, principalmente eu nunca tendo sido uma pessoa assim tão atenciosa, mas era mais forte do que eu.
- DOUGIE! – ouvi um grito me fazendo perdê-la de minha vista. Era a voz de Harry.
Olhei para os lados à sua procura e só o que pude ver foram alguns instrumentos, Harry, Danny, Tom me olhando assustados.
Levantei-me bruscamente afastando todos da minha frente e comecei a procurá-la com o olhar. Dava alguns passos de um lado para o outro, até perceber que fora tudo uma alucinação. A dor no peito tinha passado, mas a sensação de que ela precisava de mim não sumia.
- Dougie, caralho, você está assustando a gente, o que aconteceu? – era a voz de Danny.
Passei a mão em meu rosto tentando acordar. Aquilo era loucura.
- Doug, não assusta a gente, mate – Tom parou em minha frente após falar.
- Ela é tão... real – eu tinha consciência que estava com uma feição assustada e perdida.
- Ela quem, dude? – perguntou Danny confuso.
Olhei para a feição confusa dos três e respirei fundo.
- Nada, não foi nada. Apenas cansaço.
- Não venha com essa, Dougie, te conhecemos há muito tempo pra saber que ensaio não te deixa abalado assim – Harry.
- Verdade, mate, você quase desmaiou – Danny disse.
Eu sentei em uma poltrona no canto da sala e passei a mão pelo meu rosto e depois no cabelo.
- Se eu falar vocês vão me achar maluco, eu mesmo já me acho.
- Se você não falar, aí sim vamos achar que você está com problema no cérebro, dude – Danny resmungou.
Olhei para eles, que esperavam uma resposta. Então, bufei e comecei a falar.
- Ok – pausa – Vocês se lembram daqueles sonhos que eu disse que tinha com uma certa garota desconhecida?
Tom que estava sentado em uma outra poltrona junto com Danny e Harry foi o primeiro a falar:
- Sim, aquela que você nunca conseguia ver o rosto?
- Essa mesma.
- Você continua tendo sonhos com ela? – perguntou Harry.
- Não só sonhos...
- Como não só sonhos? Você a conheceu? – perguntou Danny com os olhos arregalados.
- Não, mate, eu não faço a mínima ideia de quem seja – pausa lenta – Eu não só tenho sonhos com ela, como desde ontem tenho tido visões.
- Visões? Como assim, mate? Virou vidente? – Harry levantou uma sobrancelha.
- Não, porra – revirei os olhos – Ontem achei que tinha tido uma visão com ela porque estava bêbado, mas acabei de ter outra.
- O que você viu ontem, Doug? – perguntou Tom preocupado.
- Quando Frankie foi embora do apartamento comecei a beber, e perdi a noção do quanto, até que comecei a ouvir uma voz, sei que é maluquice, mas ela estava cantando em um palco para muita gente, mas eu sentia como se estivesse cantando para mim. Ela se emocionava enquanto cantava e era algo como, ah, eu não sei explicar, é como se eu sentisse a presença dela, é muito real. Eu estou ficando maluco – cobri meu rosto com as mãos novamente de uma maneira cansada.
- Mate, isso tá parecendo esquizofrenia – Danny estava assustado.
- Não, ele não vê essa garota, não conversa com ela, só tem visões, imagens no cérebro, então não é esquizofrenia – explicou Harry.
- Falou o psiquiatra – Danny revirou os olhos.
- E hoje, Doug, o que você viu? – perguntou Tom muito interessado.
Tirei a mão do rosto e olhei para Tom.
- Do nada senti uma dor no peito muito forte e logo a vi caída de joelhos no chão chorando demais, soluçando mesmo. Eu podia senti-la, sei lá, era como se eu estivesse sentindo sua dor e quisesse confortá-la, mas não podia. Vocês não têm noção de como é real, eu consigo sentir até o cheiro dela, mas não consigo ver seu rosto.
- Mate, você não está muito impressionado por causa da Frankie ter ido embora? – perguntou Harry.
- Não, eu já sonho com ela há algum tempo – respirei fundo – Eu só posso estar maluco.
- Concordo plenamente – completou Danny, que logo levou um tapa na cabeça de Tom.
- Dougie, você está precisando de umas férias, dude. Você está sobrecarregado, às vezes é o cansaço do lançamento do novo álbum, a nossa agenda que está lotada, agora a Frankie – dizia Tom.
- Mate, saiba que estaremos aqui para o que você precisar. Agora, se não passar você deveria procurar um psicólogo, alguém que possa te ajudar com essa pressão toda – Harry falou.
- Pode ser...
Respondi sem muito entusiasmo. Eu sabia que estava cansado, mas essas visões, esses sonhos não tinham nada a ver com isso, nem com a Frankie, e eu não tinha como explicar, ninguém entenderia.

’s Pov Não demorou muito e Ricardo apareceu em meu apartamento para me buscar. Ficou preocupado quando não respondi mais seu telefonema. Ele tinha todos os motivos para ficar preocupado, eu realmente não estava me sentindo bem. Depois de me acalmar um pouco, Ricardo me levou até a casa dos pais de André que estavam desolados, como também sua irmã. Com toda força do mundo contei que nós tínhamos ficado noivos na noite anterior, essa declaração abalou muito mais a todos, incluindo meus pais, que também estavam presentes. Mas a pior hora ainda estava por vir, e ela não tardou a chegar. O delegado chegou a casa trazendo algo que me pertencia. Minha corrente, aquela que André sempre usava quando ia pilotar. O delegado disse que identificaram o corpo de André pela corrente que ele estava usando, já que seu corpo estava irreconhecível pelos machucados e inchaços por causa do tanto de água do mar que tinha tomado. Era tão horrível pensar que eu não o teria mais por perto. Eu o amava demais, precisava dele.
Uma coisa era ouvir que o André estava morto, outra coisa era a notícia ser confirmada pela polícia, e já com notícias na imprensa, esse sem dúvida fora o pior momento.
À noite, quando comecei a me sentir mal novamente e cansada, quis ir para minha casa, eu queria ficar sozinha, chorar meu luto, sozinha. Depois de algumas reclamações, já que nem meus pais e nem meu irmão queriam que eu ficasse lá sem ninguém por perto, consegui convencê-los que neste momento eu precisava estar somente com minha própria companhia.
Sair da casa dos pais de André foi difícil, a imprensa estava toda lá. Na porta do meu prédio não fora diferente.
Depois que Ricardo me deixou em casa, me tranquei em meu quarto com Mike, vesti uma camisa de André que ainda tinha seu cheiro e deitei em minha cama. Comecei a me lembrar de todos os nossos momentos juntos, desde criança. Foi inevitável o choro. Sozinha eu podia soltar toda a minha angústia, todo o meu desespero e toda a saudade que eu sentia dele. Até que depois de algumas horas, fui vencida pelo sono.

Eu estava com a camisa xadrez azul e preta dele, na sacada do flat. Estava me sentindo tão sozinha, tão triste. Ficar longe dele era a morte pra mim.
- Aposto que está pensando em mim.
Levei um susto ao sentir seus braços em volta de minha cintura e sua voz em meu ouvido, me fazendo dar um pequeno pulo.
Virei-me rapidamente e me joguei em seus braços. Ouvi uma pequena risada saindo de seus lábios.
- Isso tudo é saudades? – perguntou ele.
- Sim – falei manhosa – Odeio quando você fica tanto tempo longe em turnê – resmunguei ainda agarrada em seu pescoço.
Ele riu.
- Eu também odeio, mas adoro quando chego aqui e tenho essa recepção.
Seu sorriso era tão lindo, seus olhos num azul safira brilhante, sua mandíbula retangular levando seu rosto à perfeição, seus cabelos loiros sedosos e aquele perfume que me matava.
- O que você tem? Está estranha! – perguntou ele enquanto acariciava meu rosto com uma de suas mãos.
- Eu estava angustiada, não sei por que fiquei com medo de não te ver mais – respirei fundo e sem entender o motivo senti uma lágrima cair pelo meu rosto.
- Honey, não tem motivos pra ficar assim! Você já está mais do que acostumada com minhas turnês. Aliás, você está sempre em turnê também, sabe muito bem o que é isso - Eu sei – resmunguei – mas me deu um aperto no peito. Eu não suportaria ficar sem você – outra lágrima escorreu pelo meu rosto.
- Não fale assim. Meu amor, olha pra mim – levantei meu rosto e encarei seus olhos azuis – Vamos estar sempre juntos. Sempre vou estar contigo, não importa de que maneira seja, eu sempre vou estar com você – suas mãos passaram pelo meu rosto enxugando minhas lágrimas – Confia em mim? – ele sorriu.
- Sempre! – respondi com a voz um pouco falha.
- Sempre que se sentir sozinha, sempre que eu não estiver por perto, feche os olhos e pense em mim, porque pode ter certeza de que eu estarei pensando em você.
Do nada comecei a chorar, como uma criança procurando por colo, consolo.
Ele me abraçou forte e começou a cantarolar em meu ouvido uma parte de uma das músicas de sua banda.
- “If you want to fight, I'll stand right beside you. The day that you fall, I'll be right behind you to pick up the pieces. If you don't believe me just look into my eyes, 'cause the heart never lies” (n/a: Tradução: “Se você quiser lutar, eu ficarei bem ao seu lado. No dia que você cair, eu estarei bem atrás de você para recolher os pedaços. Se você não acredita em mim, olhe dentro dos meus olhos porque o coração nunca mente”)
Enquanto o ouvia, me apertei em seus braços e fiquei brincando com a tatuagem da parte inferior de seu braço como sempre fazia e deixei com que as lágrimas caíssem e aliviassem minha dor.
- Eu te amo, – ouvi sua voz sussurrada em meu ouvido logo após finalizar a música.
Levantei meu rosto e olhei em seus olhos.
- Eu também sempre vou estar aqui em todos os momentos que precisar de mim. É só me chamar que apareço, onde quer que eu esteja.
Ele sorriu ao me ouvir.
- Eu te amo – sussurrei e seu sorriso se alargou.
Sua mão deslizou entre meu rosto e meu pescoço. Ele aproximou seu rosto do meu e lentamente encostou seus lábios nos meus, iniciando um beijo caloroso e apaixonado. Sua língua brincava com a minha em uma dança erótica e carinhosa ao mesmo tempo.
Antes que eu pudesse notar, já estávamos dentro do flat, perto do sofá. Suas mãos abriam rapidamente a minha camisa, ou melhor, sua camisa, e em poucos segundos ela estava no chão.
Afastei meus lábios dos seus em questão de segundos apenas para tirar sua camiseta branca, escrito Zukie na estampa, mas logo o beijei novamente, não queria desgrudar meus lábios dos seus por nada.
Caímos deitados no sofá, ele por cima de mim. Sua mão desceu pela lateral do meu corpo até chegar à altura da minha barriga, onde estava minha tatuagem, a rosa que ele tanto amava.
- Adoro essa tatuagem – sussurrou ele em meu ouvido enquanto chupava lentamente o lóbulo de minha orelha.
Eu dei uma pequena risada por saber que ele ia falar aquilo.
Seus lábios agora deslizavam até meu seio esquerdo, dando uma mordiscada por causa do sutiã, me fazendo gemer de prazer.
Enquanto seus lábios beijavam o vão entre meus seios, minha mão apertava e acariciava a parte de trás de sua coxa.
- Está vendo como é fácil você me sentir? É só fechar os olhos que eu sempre estarei aqui. - sussurrou ele novamente em meu ouvido enquanto pressionava seu corpo no meu debaixo para cima, me fazendo suspirar e cravar minhas unhas em suas costas. Era incrível como sempre ficava tranquila e segura ao seu lado.

Sentei bruscamente em minha cama, suada e atordoada. Meu corpo estava tremendo e sua voz ainda estava em meus pensamentos, aquele inglês britânico que teimava em queimar minha mente.
Olhei para os lados e não vi ninguém, passei a mão pelos meus cabelos e os notei úmidos pelo suor. Apesar de estar agitava, eu me sentia muito mais tranquila, como se eu soubesse que não estava sozinha e que não passaria por nada disso sozinha.

Dougie’s Pov

Levantei assustado de minha cama com o coração na mão, respiração agitada, corpo suado e trêmulo. Ela de novo? Meu Deus, estava virando obsessão, uma doença.
Relembrei uma parte do sonho que me intrigou.

Eu a abracei forte e comecei a cantarolar em seu ouvido uma parte de uma das músicas da banda.
- “If you want to fight, I'll stand right beside you. The day that you fall, I'll be right behind you to pick up the pieces. If you don't believe me just look into my eyes, 'cause the heart never lies.”
Enquanto me ouvia, ela se apertou em meus braços e ficou brincando com a tatuagem da parte inferior de meu braço, como sempre fazia, e deixou com que as lágrimas caíssem e aliviassem sua dor.
- Eu te amo – sussurrei em seu ouvido logo após finalizar a música.
Ela levantou seu rosto e olhou nos meus olhos. Aqueles olhos lindos de anjo que ela tinha.
- Eu também sempre vou estar aqui em todos os momentos que precisar de mim. É só me chamar que apareço, onde quer que eu esteja.
Eu sorri ao ouvi-la. Eu tinha noção da cara de idiota apaixonado que eu fazia naquele momento, mas não me importava.
- Eu te amo, Doug – sussurrou ela alargando meu sorriso.


Meu Deus, eu estou apaixonado por um sonho, uma alucinação, ou realmente estou ficando esquizofrênico. Para com isso, Dougie, você ama a Francesca, infelizmente.
Passei a mão pelo meu rosto sentindo o suor escorrer por ele. Olhei para o lado da cama, seria difícil acostumar a ficar sem a presença de Frankie ao meu lado. Apesar de que eu podia estar louco, mas eu “a” sentia muito mais presente em um sonho do que sentia a Frankie quando estava ali comigo. Saber que eu a teria mesmo que fosse só em minha mente me confortava a passar por tudo aquilo. Pelo menos era o que eu esperava.

Capítulo 6

Não consegui dormir muito durante a noite. Após sonhar com ela, tudo que eu consegui foi rolar de um lado para outro na cama. Até que às seis da manhã resolvi me levantar. Passei um tempo enrolando assistindo TV, porém minha cabeça estava em outro lugar. Estava nela. Como eu podia sentir alguém dessa maneira? A imagem que eu tinha em minha mente era como se fossem lembranças. Algo que já aconteceu. Ninguém entenderia, acharia que eu estava maluco, mas eu podia jurar que tudo que eu sonhava e “ela” eram reais.
Quando deu oito horas, me troquei e fui até a casa de Tom. Ele sempre acordava cedo, e eu não queria ficar sozinho em casa.
Abri a porta, passei pela cozinha e peguei um pouco de café que estava quentinho na cafeteira. Foi quando ouvi um barulho vindo da sala. Com certeza Giovanna e Tom estavam acordados.
- Eu estou muito preocupado com essas visões e sonhos do Doug, Gi! – Parei atrás da porta ao perceber que falavam de mim.
- Tom, você sabe o que isso significa, não é? – Giovanna parecia preocupada. Do que eles estavam falando?
Tom respirou fundo e passou a mão pelo seu rosto.
- Sei sim! Acho que precisávamos falar com a Sam sobre isso. – Com a minha mãe?
- E por que falar com a minha mãe? – Entrei na sala.
Tenho que confessar que aquela conversa me intrigou. Tom e Giovanna se assustaram ao me ver.
- Mate! Não sabia que estava ai. Caiu da cama? – Percebi que Tom tentou disfarçar.
- Não consegui dormir. – Me aproximei e me sentei em outro sofá. Logo, senti Marvin em cima de mim. – Ainda não entendi porque tinham que falar com a minha mãe sobre esses sonhos que estou tendo.
Tom e Giovanna se entreolharam.
- Doug... Olha... – Giovanna começou a falar, mas foi cortada por seu namorado.
- Nós só estamos muito preocupados com você, Doug. Isso não é normal. Achamos que sua mãe deveria saber.
Eu não sei por que, mas tinha a impressão de que ele estava mentindo ou me ocultando algo, todavia eu não estava bem para entrar em detalhes.
- Não se preocupem. Eu vou ficar bem. E quanto aos sonhos, já estou me acostumando com eles – dei um sorriso de canto enquanto brincava com Marvin.
Era a pura verdade. Eu sonhava tanto com ela que já estava começando a senti-la como parte da minha vida. Loucura simplesmente falar como se essa pessoa existisse.

Xx

Passamos a tarde toda conversando. Os meninos chegaram com suas respectivas namoradas, Izzy e Georgia. Hoje não teríamos ensaio, então ficamos na casa de Tom assistindo filme até a noite. Isso até me animou um pouco, mas até parece que duraria por muito tempo.
Quando estava voltando da cozinha, pois tinha ido pegar pipoca, senti uma tontura, a mesma do dia anterior, porém muito mais forte. Algumas imagens começaram a vir em minha mente. Involuntariamente apertei meus olhos com força tentando não sentir essa dor tão forte, mas nada adiantava.
Vários flashes apareciam em minha cabeça. Foram cenas tão rápidas e confusas, mas tão fortes e reais.
Um carro desgovernado, a chuva caindo, era noite, uma estrada, eu estava dirigindo, então só pude ouvir a voz “dela”.
- DOUGIE, CUIDADO!

Danny’s Pov

Estávamos todos na casa de Tom assistindo a um filme. Na verdade Tom nos ligou pedindo ajuda com Dougie. Cada dia nos preocupávamos mais com ele. Tentávamos disfarçar, mas era difícil. Esses sonhos pareciam cada vez mais nítidos, e nós já não sabíamos mais o que falar ou o que fazer.
- NÃOOOOOO! – Ouvimos um grito vindo da porta da sala onde estávamos.
Todos olhamos ao mesmo tempo para o mesmo local, assustados. Era Dougie. Ele tinha gritado, ao mesmo tempo em que caía ajoelhado no chão. A vasilha de pipoca que ele carregava caiu, fazendo um barulho estrondoso. Suas mãos foram até sua cabeça, uma de cada lado. Sua expressão era de dor, muita dor.
- Dougie! – Exclamou Izzy se assustando.
Nós já estávamos no chão ao lado de Doug, tentando acalmá-lo.
- Mate! O que você tem? – Perguntou Tom aflito enquanto o segurava pelo braço.
- Não! Não! – Ele repetia e chacoalhava a cabeça em negação.
Era ela. Com certeza ele estava tendo mais algum tipo de pensamento com ela. Isso era muito preocupante.
- Danny, liga pra Sam! – Falou Harry atordoado.
Harry e Tom levantaram Dougie, que estava ainda perdido em seus pensamentos. Parecia delirar.
Eu liguei para Sam, que estava passando alguns dias aqui em Londres na casa dos pais do Tom. Expliquei a situação em um resumo rápido. Ela somente disse “Estou chegando aí. Por favor, não digam nada a ele” e depois desligou.
Quando me aproximei do sofá onde tinham colocado Dougie, percebi que ele já tinha se acalmado, mas tremia, parecendo com febre. Estava suando frio e falando algumas palavras sem nexo, pelo menos não teriam nexo pra ele, já pra nós...
- O carro... O carro... Ajudem ela... Por favor... Ajudem... – ele repetia em um sussurro.
Giovanna tinha voltado da cozinha com Georgia e Izzy, que carregavam uma bacia de água e panos. Gi molhou um dos panos e colocou em sua cabeça.
- Eu não sabia que seria assim. Achei que ele viveria sua vida normalmente depois tudo aquilo – eu me sentei no sofá e coloquei as mãos no rosto. Ver Dougie, que era como meu irmão, daquela maneira me fazia muito mal. Principalmente sabendo tudo o que tinha passado e aparentemente o que ainda passa, mesmo sem saber por que sofre.
- O estado do Dougie está me assustando. – Falou Izzy visivelmente preocupada.
- O que faremos agora? – Perguntou Georgia, também aflita.
- É melhor esperar a Sam chegar – respondeu Harry, que estava exatamente igual a mim.
- Ela pediu que não disséssemos nada a ele – falei.
- Estou começando a achar que não vamos precisar dizer nada. Ele mesmo vai descobrir o que está acontecendo – disse Giovanna enquanto molhava o pano e colocava na testa de Doug novamente.

Xx

’s Pov

Mais uma noite sem conseguir dormir. Eu estava vivendo um pesadelo. Tinha a impressão de que tudo o que estava acontecendo não era verdade e que os meus sonhos com ele sim eram reais.
Cansada de rolar na cama, me levantei e fui até a cozinha beber um copo de água. Mike apareceu atrás de mim, então fui até sua tigela e coloquei mais água.
- Você também não consegue dormir, não é? – Me sentei no chão e comecei a acariciar os pelos brancos de Mike enquanto ele bebia sua água. Mike era meu melhor amigo. Eu o ganhei quando tinha apenas 14 anos. A raça dele era a mais linda do mundo, Husky Siberiano.
O mais incrível sobre Mike, era que ele podia sentir toda a minha dor. Se eu não dormisse ele também não dormia. Se eu estava doente ele deitava em minha cama e não saia do meu lado até que eu estivesse curada. Ele podia não falar, mas seus olhos me diziam tantas coisas, principalmente o quanto me amava.
Assim que ele terminou de beber sua água, se aproximou de mim, deitou sua cabeça em minha perna e ficou me olhando com aqueles olhos azuis tão expressivos.
- Eu sei! Está sendo difícil para nós dois, não é? – ele choramingou.
Eu fiquei ali, acariciando-o, perdida em meus pensamentos.
- O que eu faço, Mike? Estou ficando confusa com tudo isso. Sinto como se estivesse vivendo algo errado. Tem alguma coisa errada na minha vida. Me sinto vazia, como se estivesse faltando uma parte dela – eu já não pude conter as lágrimas. Como todos os dias.
Mike do nada se levantou de meu colo, me olhou e então começou a se dirigir à saída da cozinha. Eu apenas fiquei o observando.
- Mike, aonde você vai? – Ele começou a latir. Isso era estranho. – Mike, para de latir, vai acordar os vizinhos – chamei sua atenção, mas não teve jeito. Ele se aproximou de mim, latiu novamente e começou a puxar meu baby-doll com a boca. – Está querendo ir a algum lugar?
Ele dessa vez rosnou como se tivesse impaciente. Eu me levantei do chão, então Mike saiu correndo da cozinha.
- Mike! – Chamei-o correndo atrás dele.
Mike era um cachorro treinado, por isso, assim que cheguei na sala, o vi bater a pata na maçaneta da porta do cômodo, ele alcançava por ser grande, e sair disparado pelo corretor.
- Mike – sussurrei pra não acordar os vizinhos.
Mas aonde esse cachorro ia? Estava ficando louco, sair do apartamento dessa maneira a essa hora da noite!
Eu saí correndo atrás de Mike, que agora descia pelas escadas de emergência.
- Mike, volta aqui!
Ele me olhou, estava um pouco a frente, e latiu novamente, me chamando. Logo, voltou a correr.
Eu o segui até o fim da escada. Abri a porta que daria na área de lazer do prédio, mas eu não estava lá. Onde eu estava? Me desesperei.

Tom’s Pov

Sam tinha acabado de chegar, mas não estava sozinha. Estava acompanhada do bebê que ela tanto adorava. Ele tinha apenas um aninho e se chama Lucas, ou Luke, como todos o chamavam.
- Filho, acorda! – Dizia Sam enquanto tentava acordar Dougie, que ainda estava delirando.
Giovanna estava com Luke nos braços tentando acalmá-lo. A criança chorava impaciente.
- Sam! Acho melhor chamar um médico. Ele está ardendo em febre – disse Georgia apavorada.
- Ele já teve essas crises antes? – Perguntou enquanto trocava o pano da cabeça de Dougie.
Danny, Harry e eu nos entreolhamos.
- Dessa maneira não. Mas, ontem ele teve uma tontura parecida com essa, porém não ficou delirando e nem com febre dessa maneira – falei.
- Vou ter que chamar o médico dele. Pode ser alguma sequela que ficou – disse Sam, muito preocupada.
- Pra falar a verdade, Sam – pausa – eu acho que essas crises têm um único motivo – comentou Harry.
O bebê nos braços de Giovanna cada vez chorava mais. Ela foi até a cozinha, provavelmente preparar uma mamadeira pra ele.
- Como assim? – Ela perguntou confusa.
Nos entreolhamos novamente.
- Ele anda tendo uns sonhos e algumas “visões” – eu disse visões fazendo aspas com os dedos – com uma certa garota!
Sam me olhou com os olhos arregalados, em seguida respirou fundo e abaixou a cabeça.
- Isso sempre acontece? – Perguntou ao voltar a olhar para filho e acariciar seus cabelos.
- Pelo que ele explicou, faz tempo que ele tem esses sonhos com ela, porém, dos últimos dias pra cá, começou a ter visões e essas dores de cabeça também.
- Isso não é bom! – Sam negou com a cabeça.
- Mãe, o que o Doug tem? – Jazzie, irmã de Doug apareceu na sala acompanhada de Gi e o bebê.
- Seu irmão teve uma crise, filha! – Jazzie estava bem assustada.
- Ele vai ficar bem? – Ela perguntou.
- Ele tem que ficar – respondeu Sam.
- Sam, eu não sei mais o que fazer. Ele não para de chorar. Já tentei de tudo – Giovanna ainda carregava o bebê, que chorava.
- Jazz, ajuda a Gi! – Jazzie apenas assentiu e pegou o bebê no colo tentando acalmá-lo.
- Volta, por favor, volta. – Olhamos todos para Dougie no mesmo momento. Ele tinha voltado a dizer palavras sem nexo.
- Se acalme, filho. Está tudo bem! – Dizia Sam.
- Você tem que voltar... Eu preciso de você. – Todos nos entreolhamos assustados. Aquilo realmente era assustador.
Dougie balançava a cabeça de um lado para o outro entre o delírio.
- Eu preciso de você... Nós precisamos de você! Volta, por favor, volta... – ele repetia as mesmas palavras. – Confie em mim...
Dessa vez até eu fiquei confuso. Acho que todos nós, pois tínhamos as mesmas feições assustadas. Os únicos sons que se ouviam na sala eram da voz de Doug e do choro do bebê.


Xx




’s Pov

Aquele lugar estava me assustando. Eu só podia estar sonhando. Não tinha outra explicação para tudo aquilo. Eu estava no meio de uma floresta escura, o céu coberto por neblina e o chão por plantas vermelhas, cor de sangue. Minha roupa não era a mesma de antes. Eu usava um vestido comprido, estilo de festa, preto, meus pés estavam descalços e meu cabelo solto, esvoaçando com o vento forte.
- MIKE! – Eu gritava enquanto corria, procurando-o.
O vento e a neblina estavam muito fortes, me impedindo de enxergar muita coisa.
- MIKE! Onde você está? – Gritei novamente.
Foi nesse instante que ouvi seu latido.
- MIKE! – Gritei e corri em direção ao som.
Eu estava totalmente perdida, pra mim eu não estava saindo do mesmo lugar. A floresta era igual, assustadora, escura, solitária. Por mais incrível que pareça, era assim que eu sentia minha vida ultimamente. Solitária, vazia, quieta e escura. Talvez esse lugar estivesse descrevendo o meu interior, talvez fosse uma criação minha, talvez estivessem querendo me dizer alguma coisa, mas o que era?
Eu corria em meio a esses pensamentos, e nem me dei conta de que Mike estava ali, na minha frente, porém mais afastado.
- Mike! Aonde você está indo? Volta aqui. – Chamei.
Meu cachorro limitou-se a latir. Estava me chamando.
Lentamente, me aproximei dele. Ele estava abanando o rabo, sentado, me esperando com os mesmos olhos expressivos de sempre. Quando cheguei perto, Mike se afastou um pouco.
- Mike! Por que está fugindo de mim? – Perguntei.
Ele apenas me olhava.
- ...
Levei um susto ao ouvir meu nome. A voz vinha do alto, como um eco. Era uma voz masculina, doce. Eu conhecia aquela voz.
- ...
Ouvi novamente. Olhei em volta de mim e nada. Eu já estava desesperada, mas, por incrível que pareça, não estava assustada e nem com vontade de chorar. Eu queria achar aquela voz, era tudo que eu queria.
Quando girei meu corpo novamente de frente para o Mike arregalei meus olhos ao ver algo, mas novamente não me assustei e nem quis sair correndo de lá.
Mike estava ali, sendo acariciado por um homem. Esse homem estava agachado fazendo carinho nos pelos de meu cachorro.
- Ele sempre te guia para o lugar certo, não é? – Disse o homem ainda na mesma posição, olhando para Mike.
- Quem é você? – Perguntei simplesmente.
Estava escuro, eu não consegui ver seu rosto muito bem, somente sua sombra, mas eu conhecia aquela voz, e conhecia muito bem.
Percebi que ele deu um sorriso de canto ao me ouvir, mas ainda permanecia na mesma posição.
- Você sabe quem eu sou – pausa. - Melhor do que ninguém...
Suas frases não faziam muito sentido.
- Não consigo te ver! Conheço sua voz, mas também não posso identificá-la – eu me aproximei cuidadosamente.
Ele então se afastou de Mike, se levantou lentamente e me olhou.
Meu corpo todo tremeu ao vê-lo. É claro, como não identifiquei sua voz? Aquela voz que sempre me acalmava todas as noites, aquela voz que me enlouquecia e me fazia perder o sono.
- É você! – Sussurrei ainda surpresa, com os olhos fixos aos dele. – É com você que eu sonho todas as noites.
Eu fui me aproximando lentamente enquanto ele apenas me olhava com um olhar sereno, tranquilo, um sorriso reconfortante, confiante, protetor.
- Sonha? – Ele sorriu novamente. – Você sonha comigo todas as noites? – Perguntou de uma maneira irônica.
- Sim! – Respondi sem entender sua expressão. – Todas as noites, não consigo dormir direito porque sonho com você.
- Tem certeza que é um sonho?
- Claro que sim! Eu só não sei por que sonho com você! – Me aproximei mais dele e agora podia ver seus lindos olhos azuis. Ele tinha uma feição brincalhona.
- E se eu te dissesse que na verdade os únicos momentos reais da sua vida são esses “sonhos” que você tem comigo? – Ele dizia tranquilamente.
Eu dei uma pequena risada.
- Só o fato de eu estar numa floresta agora, com você, já explica que estou sonhando.
Ele riu.
- Pode ser! Ou essa floresta é seu inconsciente. É a descrição da sua vida.
Eu estava confusa.
- Eu não sei do que está falando.
- ! – Ele dizia meu nome de uma maneira tão íntima, como se dissesse essa palavra várias vezes no dia. – A única verdade em tudo isso que você vive são seus sonhos comigo.
- Para de besteira! – Ri novamente.
Ele então se aproximou. Isso fez com que meu corpo tremesse e ansiasse para que ele me tocasse, nem que fosse por um segundo.
- Você precisa acordar. – Ele disse já bem próximo a mim.
- Acordar? Sim, desse sonho. Eu só quero entender porque sonho com você – eu o olhei desesperada querendo uma explicação.
- Meu amor, eu não sou um sonho! – Meu amor? Deus, como essas palavras soaram perfeitas em sua boca, ao mesmo tempo em que pareciam tão familiares, como se ele me chamasse assim todos os dias. – Essa vida que você está vivendo, sim, é um sonho. Eu sou a única coisa real em tudo isso.
Ele deslizou a mão em meu rosto, me fazendo fechar os olhos por alguns segundos.
- Eu não... Acredito – disse já com a voz trêmula.
Ele acariciou meu rosto novamente e deu uma pequena risada. Então, abri os olhos.
- Confia em mim, cutie... - Cutie? [n/a: pronúncia: Quiuri (EUA) ou Quiuti (UK)] Essa palavra era familiar. – Você se lembra de quando eu te chamava assim, não se lembra? – Eu fiquei confusa. Eu não me lembrava, mas ao mesmo tempo algo me dizia que ele sempre me chamava assim.
Isso tudo estava sendo demais pra minha cabeça.
- NÃO! Você faz parte da minha imaginação. Não é real – eu afastei sua mão do meu rosto bruscamente, já sentindo lágrimas nos meus olhos. Aquilo tudo estava me fazendo mal. Minha cabeça começava a dor.
- , você precisa confiar em mim! Você precisa voltar – seus olhos tinham tristeza, desespero, esperança.
- Voltar pra onde? Do que você está falando? – Eu já não podia suportar tudo isso. – Eu não quero voltar pra lugar nenhum. Eu quero acordar, por favor, eu quero acordar.
Comecei a chorar desesperadamente ao mesmo tempo em que caí de joelhos no chão. Eu estava louca, com certeza estava ficando louca. Fechei meus olhos em desespero, tentando acordar desse sonho, pesadelo, eu já não sabia mais, estava confusa.
- Me tira daqui, por favor, me tira dessa solidão. Eu não aguento mais. Sinto que estou dormindo há muito tempo. Eu quero acordar. Eu quero minha casa. Sai daqui. Você não é real – eu já falava frases totalmente contraditórias. Ao mesmo tempo em que queria sua ajuda, eu queria que ele fosse embora e que eu acordasse desse pesadelo, em minha cama, como todos os dias.
- EU NÃO AGUENTO MAIS! – Gritei em desespero.
Tudo estava doendo em mim. Era como se eu não vivesse há muitos anos. Só tragédias apareciam em minha vida. A morte de André, isso definitivamente acabou comigo.
- ! Você precisa reagir, não pode viver nesse sonho – ele dizia.
Foi quando eu senti pingos de água cada vez mais fortes caindo sobre o meu corpo.
Abri os olhos ainda de joelhos no chão e notei que estava chovendo. Como podia chover daquela maneira? O tempo até minutos atrás estava seco.
- O que está acontecendo? – Agora eu estava realmente assustada.
Ele estava em minha frente, com um olhar desesperado por me ver daquela maneira. Parecia querer fazer algo, mas ao mesmo tempo não podia. Talvez só eu pudesse me ajudar...
Olhei em volta e notei que não estava mais naquela floresta. Estava em uma estrada. Uma estrada vazia. Ali chovia muito. O vestido que eu usava antes já não existia. Novamente eu estava com meu baby-doll de antes. Meu corpo estava ensopado assim como o dele. Aquela jaqueta de couro preta que ele usava, sua calça jeans, sua camiseta e sua bota um pouco surrada estavam completamente encharcados.
- , por favor! Confie em mim – ele repetiu novamente, já um pouco mais longe.
Mike estava parado ao seu lado me olhando e chorando.
- Eu não sei o que está acontecendo! Eu não confio nem em mim nesse momento. Eu to ficando louca – já voltava a chorar em desespero.
- Meu amor, você não está sozinha. Isso tudo é sua imaginação. Eu e o Mike somos as únicas coisas reais, você precisa confiar em mim. Precisa despertar – ele tinha um desespero maior em sua voz.
Eu o olhei durante um tempo, tentando assimilar suas palavras. Meu coração implorava para que eu fosse até ele para que pudesse me tirasse desse abismo.
- Ai! – Gritei ao sentir uma dor forte em minha cabeça.
Novamente caí de joelhos e coloquei minhas mãos em minha cabeça. Ela parecia que ia explodir.
Alguns flashes vieram em minha mente, porém estavam distorcidos e confusos.
- CUIDADO! – Eu gritei em uma dessas imagens.
Em seguida o carro deslizando nessa mesma estrada em que eu estava agora.
- AIII! – Gritei novamente pela dor.
- ! – Ouvi sua voz me chamando.
- O CARRO, O CARRO – eu gritava.
- Você precisa vir até mim – ele ordenou.
Levantei minha cabeça com dificuldade e pude notar que ele sabia do que eu estava falando. Ele também conhecia essas imagens. Ele podia me ajudar, senti que ele podia me ajudar.
- , por favor, confia em mim! – Ele estendeu a mão.
Não pensei mais. Me levantei com muita dificuldade pela dor que estava sentindo. Comecei a caminhar em passos lentos, parecia que tinham me espancado e que minha cabeça iria explodir a qualquer momento.
- C’mmoon, darling! – dizia ele com a mão estendida esperando eu chegar até ele.
A chuva estava engrossando mais. Eu já não podia vê-lo muito bem, mas o desespero e a vontade de estar perto daquele homem que me fazia sentir viva novamente era muito maior. Eu precisava dele, eu sabia disso. Ele era como a chave para a minha vida.
Quando dei por mim, minha mão estava segurando a sua. A feição dele estava mais leve novamente. Mike tinha parado de choramingar.
- Me ajuda! Me tira daqui – eu chorava desesperada. – Dói demais – minha cabeça ainda doía muito, mas eu não tinha mais aqueles flashes.
- Meu amor! – Ele me abraçou forte. Me senti tão protegida. – Volta, por favor, volta! – Ele sussurrava em desespero em meu ouvido.
Me apertei mais em seus braços, ainda em um choro desesperador.
- Eu não estou conseguindo reanimá-la, doutor!
Ouvi uma voz saindo de dentro da minha cabeça. Não era ele falando, era uma mulher, mas não tinha ninguém ali.
- Os batimentos dela estão muito fracos. – Ouvi novamente
- Eu preciso de você. Nós precisamos de você... – ouvi sua voz novamente em meu ouvido. – Eu te prometo que estarei sempre ao seu lado. Volta pra mim, por favor...
- Tragam o desfibrilador! – Era a voz de outro homem. [n/a: A desfibrilação é a aplicação de uma corrente elétrica em um paciente, através de um desfibrilador, um equipamento eletrônico cuja função é reverter um quadro de fibrilação auricular ou ventricular. A reversão ou cardioversão se dá mediante a aplicação de descargas elétricas no paciente, graduadas de acordo com a necessidade. Os choques elétricos em geral são aplicados diretamente ou por meio de eletrodos (placas metálicas ou apliques condutivos que variam de tamanho e área conforme a necessidade) colocados na parede torácica].
- O que está acontecendo? – Perguntei assustada.
Ele me abraçava mais forte querendo me proteger.
- Está tudo bem! Estamos juntos – disse me apertando mais contra seu corpo.
Eu ainda podia sentir a chuva forte caindo sobre nós.
- É hora de voltar! – Ele sussurrou – Eu estarei te esperando. Nós estaremos te esperando. Você só precisa me buscar...
Antes que eu pudesse responder, ele desapareceu. Em seguida Mike, a chuva e, por último, a estrada.
Eu girava ao redor de tudo tentando achar uma saída. Estava tonta, muito tonta. Apertei meus olhos tentando me esconder do que poderia acontecer.
- Ela voltou a respirar! – A voz daquela mulher soou em meus ouvidos muito mais perto do que antes. Como se estivesse ao meu lado. Então, lentamente, abri meus olhos.
- Doutor! Ela abriu os olhos – a voz era exasperada, animada.
Eu não conseguia ver nada, era como se estive em transe.
- Meu Deus! Eu não acredito. Depois de um ano... Ela finalmente despertou.

Harry’s Pov

Estávamos todos sentados no sofá. O médico não tinha sido encontrado. Os pais de Tom já estavam em casa, dando apoio a Sam. Dougie ainda delirava e não despertava. O bebê que Sam trouxe ainda chorava muito.
- AHHHHHH! – Ouvimos um grito fazendo com que todos pulassem de susto.
Dougie tinha se sentado de uma vez no sofá como se tivesse acabado de acordar de um pesadelo, e por incrível e mais surreal que parecesse, o bebê finalmente tinha parado de chorar.
Ele suava e tremia. Seus olhos estavam perdidos e assustados.
- Doug! – Disse Tom se aproximando dele.
- Dude, você está bem? – Perguntei.
- Filho! Fala alguma coisa... – disse Sam passando a mão na testa dele.
- Ela despertou... Ela despertou – foi a única coisa que ele disse, mesmo com a voz fraca e trêmula.
Dougie olhava para o mesmo ponto, como se não estivesse enxergando nada e nem ninguém. Totalmente alheio à realidade.
- Quem despertou, Doug? – Perguntou Jazzie sentando-se ao lado do irmão com o bebê no colo, que agora apenas olhava Doug.
Foi nesse instante que o celular de Sam tocou, e ela foi atender.
- Alô! – Disse ela atordoada. - Como? Não é possível! – Sua voz estava exasperada, mas não preocupada, pelo contrário. Estava feliz.
Ela olhou para Dougie ainda com o celular no ouvido, totalmente assustada, como se o filho tivesse algo a ver com isso.
- Não se preocupe. Eu ligo para sua mãe mais tarde.
Sam então desligou o telefone.
- Aconteceu alguma coisa? – Perguntou Debbie, a mãe de Tom.
Sam parecia perdida, mas ao mesmo tempo sorria e olhava para o filho abismada.
- Era o Ricardo. – Pausa. - Ela despertou... – disse em um sussurro em seguida olhou para todos nós.
Confesso que fiquei muito assustado primeiro por saber que ela tinha despertado. Meu Deus. Não achávamos que isso pudesse acontecer um dia, e em segundo, como Dougie podia ter acabado de repetir essa frase segundo atrás. Pra falar a verdade todos estavam muito assustados tanto pela notícia quanto pela atitude de Dougie. Aquilo era surreal. Como ele podia saber de algo assim? E ao mesmo tempo parecer não saber sobre o que estava falando? Como?
Dougie ainda estava desfocado do mundo. Ele não tinha se mexido, ainda olhava para o mesmo ponto. Até que um acontecimento chamou a atenção de todos.
Luke, que estava nos braços de Jazzie, deslizou sua pequena mãozinha até o rosto de Doug, fazendo com ele voltasse à realidade. Luke começou a rir, estava alegre. Ninguém falaria que ele passou tanto tempo chorando. Dougie instintivamente, sem falar nada, olhou para o bebê, o pegou no colo e sorriu, sorriu como não fazia há mais ou menos um ano.




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