She's Lost Inside
Escrita por: Gabriela
Betada por: Daniella (danie) até o capítulo 10 e do capítulo 11 em diante por Gabriella
01
30 SEGUNDOS PARA ACABAR, VAMOS! DÁ UM GANCHO, ANDA! ELA ESTÁ COM A GUARDA BAIXA! ACABA LOGO COM ELA , FOI PRA ISSO QUE EU TE TREINEI? SUA DESGRAÇADA!
Era só isso que eu ouvia. Só isso que eu conseguia ouvir. E cada palavra que ele dizia, ia me dando mais raiva, e eu socavamos com mais força.
VAI, VOCÊ JÁ DERRUBOU. NOKOUT, NOKOUT! SE VOCÊ PERDER ESSA MERDA DE LUTA EU PARO DE TE TREINAR! – Cris berrava comigo.
“Finalmente, acabou a luta, eu venci, fiz um nokout”. Pensei aliviada, feliz por conseguir cumprir o meu dever. Ouvi o barulho dos pratos tinindo e sorri comigo mesma, chorando de alegria. A vitória mais importante da minha vida. O campeonato mundial de boxe. O público saldava, gritava, aplaudia de pé, e eu os olhava com os olhos marejados, sorrindo, até o juiz vir e colocar o cinturão em volta de minha cintura, segurar meu braço e estende-lo.
- é a vencedora do World Boxe Player – o juiz dizia sorrindo. Eu estendi os braços e dei um berro. Olhei para a multidão ao meu redor e me deparei com um par de olhos com olhar penetrante e forte sobre mim, um belo sorriso vinha em minha direção. Sorri de volta retribuindo, mas não era um sorriso qualquer, era um sorriso sincero e verdadeiro. Toda a balbúrdia e algazarra se foram, eu não ouvia nem via nada, apenas contemplava aquele sorriso e aquele olhar misterioso. De repente eu sinto Cristopher me abraçar pelas costas, me tirando do transe, seus braços fortes e firmes são inconfundíveis.
- Eu não disse que você ia ganhar, meu amor? – ele me deu um beijinho no pescoço. Urgh, não via a hora de esse inferno acabar. Como ele podia ser tão cínico?
Flashback: 3 semanas atrás
Avril Lavigne – Nobody’s home
- Pára com isso, Cris – eu gritava desesperadamente, me debatendo inutilmente. A cada tapa que levava, eu gritava mais ainda. Cristopher era forte, e eu não conseguia me desprender dele. Ele me prendeu entre suas pernas me colocando deitada, imóvel no sofá da sala. Eu gritava mentalmente por ajuda, querendo que alguém entrasse pela porta e me arrancasse de lá e me levasse embora para sempre, mas isso não aconteceu. A gente namorava há um ano e meio, mas depois de seis meses de namoro ele começou a me agredir e me humilhar.
I couldn't tell you
Why she felt that way
She felt it everyday
I couldn't help her
I just watched her make
The same mistakes again
- É pra você aprender, amorzinho. Você só aprende assim. – ele sorria cínico. – Me dá um beijo? – eu tinha repulsa, nojo, ódio daquele infeliz, mas fiz o que ele pediu, o beijei, e enquanto o beijo fluía, ele ia me desprendendo. Era a minha deixa. Mordi seu lábio inferior com toda a minha força. Senti o gosto do seu sangue. Empurrei-o, enquanto ele se contorcia de dor e saí correndo do apartamento, sem saber pra onde iria.
What's wrong, what's wrong now
Too many, too many problems
Don't know where she belongs
Where she belongs
- Sua vadia! – desci as escadas correndo e ouvi seu grito já distante. Ele viria atrás de mim, mais cedo ou mais tarde. Saí pelas ruas frias de Londres, não fazia noção do tempo, não sabia que horas eram. Estava descalça, vestindo uma camisola rasgada, pois Cris me dera uma surra e também fora estuprada. Meu corpo inteiro doía. Meu rosto, minhas pernas e minha barriga tinham cortes que sangravam e marcas de diversas cores. As pequenas gotas de chuva se transformaram em gostas espessas, limpando o sangue de meus ferimentos expostos. Procurei em vão um lugar para passar a noite, rodei por toda a redondeza. Minha família não iria me abrigar e se abrigasse com certeza me levaria de volta pras mãos de Cris. Eles não acreditavam que eu apanhava dele. Sempre que eu aparecia com algum machucado, Cristopher dizia que era culpa dos treinos de boxe. Meus amigos eram os amigos de Cristopher, que por sua vez, achavam que ele era um ótimo namorado, ou seja, eu estava sozinha. Totalmente sozinha. Já estava me acostumando com a solidão.
She wants to go home, but nobody's home
That's where she lies, broken inside
With no place to go, no place to go
To dry her eyes, broken inside
Olhei pra cima e vi que o Big Ben marcava 3:47 a.m. O centro de Londres não é o melhor lugar para você andar sozinha de madrugada. As pessoas estão saindo dos pubs, totalmente bêbadas e muitas vezes acabam cometendo atos inconseqüentes por não estarem sóbrias. Enquanto eu perambulava sem rumo, um grupo de três garotos que gritava, ria, xingavam uns aos outros vinha em minha direção. Assim que os vi, fiquei atenta e tentei passar despercebida. Falhei. O desespero tomou conta de mim. O que eu iria fazer agora?
- Hei docinho, ta com pressa? – o mais alto falou rindo. Não respondi, continuei andando rápido.
Open your eyes
And look outside
Find the reason why
You've been rejected
And now you can't find
What you left behind
- Volta aqui amor, vamos conversar! – não consegui ver quem tinha dito, mas quando fui correr, um deles me segurou pelo braço, me puxando, fazendo-me ficar colada em seu corpo. Engoli seco e virei meu rosto quando senti seu hálito com cheiro de vodka.
- Sam, a garota também é nossa. – o mais alto tornou a falar.
- A garota é minha. – ouvi uma voz familiar. Como ele tinha me encontrado ali? Como ele conhecia aqueles homens? Ele veio andando até mim e me olhou de cima a baixo.
Be strong, be strong now
Too many too many problems
Don't know where she belongs
Where she belongs
O homem que me segurava me jogou no chão com força. Cris abaixou pra falar comigo.
- Eu tenho muitos amigos, . Amigos que você nem imagina. - Ele se referia aos 3 homens. – você, realmente, achava que ia fugir de mim assim, ? – Fiquei calada. - HEIN? – ele berrou. – Eu estou falando com você, sua piranha!
Her feeling she hides
Her dream she can't find
She's losing her mind
She's falling behind
She can't find her place
She's losing her faith
She's falling from grace
She's all over the place
Eu queria ter a certeza que um dia isso ia acabar. Mas eu não tinha. Senti meu rosto esquentar. Meus olhos começaram a arder, e eu senti minhas lágrimas descendo pelo meu rosto. Permaneci quieta. Não queria falar com ele. Cris segurou firme em meu rosto, me machucando. Eu estava com frio, ferida, e minha cabeça começava a doer. A chuva caía forte sobre nós, mas isso não importava mais. Há uma hora eu tinha fugido de Cristopher, e agora eu estava em seus braços de novo.
She wants to go home, but nobody's home
That's where she lies, broken inside
With no place to go, no place to go
To dry her eyes broken inside
- Quem você pensa que é? – ele sussurrava em tom de deboche.
- Você não pode falar assim comigo. – Juntei todas as forças que restavam em mim, falei entre os dentes, ignorando sua pergunta. Ele soltou meu rosto com força, o jogando pro lado.
- Ah, cala essa porra de boca. – Cris cuspiu em mim. Cuspiu em minha boca. A raiva que eu sentia por ele aumentou deliberadamente, meu ódio, rancor, desprezo... Ouvi os três rapazes rindo e cochichando algo que eu não conseguia entender.
- Eu te odeio, seu filho de uma puta! – gritei e levei um tapa na cara em resposta.
- Quem é que te sustenta? Quem é que te treina e te ajuda? QUEM? Sua ingrata . – Cris se levantou e pagou aos homens. Dessa vez resolvi não retrucar.
- Vocês já podem ir, obrigado por tê-la encontrado. – A voz de Cris era pesada e eu conseguia sentir sua raiva.
Um dos homens sorriu fraco e os três saíram andando na chuva pelas ruas escuras, vazias e frias da grande Londres.
She's lost inside, lost inside
She's lost inside, lost inside
Flashback off
- Já pode parar de fingir, Cristopher. – tirei suas mãos de minha cintura, me virando pra falar com ele.
- Eu não estou fingindo, . Eu ‘to muito feliz por você ter conseguido vencer o campeonato, meu amor. – seu falar era calmo e pausado.
- Como quiser. – dei os ombros. Desci do ringue e fui pra os fundos do estádio, até o camarim. Cris ficou lá na arena falando com o juiz sobre a luta. Tudo o que eu precisava era um banho bem gelado e minha cama bem macia. Assim que eu cheguei à porta do camarim, o homem dos olhos e sorriso hipnotizantes estava lá. Levei um susto ao vê-lo, e dei um pulo para trás.
- Erm... Oi? – ele disse rindo por causa do meu susto. Sua voz era linda e aveludada.
- Oi... – disse simpática com um sorriso estampado no rosto.
- Te assustei? – ele ainda ria. Seus olhos estavam me deixando fora de mim. Eu podia ficar olhando pra eles toda a vida, que não iria me cansar.
- N-não... eu – engoli seco – ta- tava distraída- ele sorriu.
- Me chamo e trabalho em uma revista de esportes. Na verdade, eu sou colunista e gostaria de saber se você poderia me dar uma entrevista. – enquanto ele falava, eu me perdi em seus olhos novamente e agora eu atentava para o movimento que sua boca fazia a cada palavra que ele falava. O contorno de seus lábios era lindo e muito bem desenhado. Seus dentes eram branquinhos, parecia ator de comercial de creme dental.
- Sra. ? – ele me tirou do transe.
- Sim? – sorri sem graça.
- Está me ouvindo? – agora quem ria sem graça era ele.
- Estou, claro. – Eu não fazia idéia do que ele havia dito.
- Você pode me encontrar no London Station, quarta-feira às 7 p.m? –
- Posso. – disse pensativa. Precisava arrumar uma desculpa para dar a Cristopher. anotou em sua agenda eletrônica o compromisso que havia marcado comigo.
Ele estendeu a mão para me cumprimentar. Eu hesitei.
- Não me importo com suor. – ele riu simpático e eu apertei sua mão, rindo com ele. – A propósito, ótimo luta.
- Obrigada. – sorri agradecida.
– Até.
- Até. – me despedi. Ele saiu andando e eu fiquei o observando, ansiosa para vê-lo novamente.
02
The Verônicas – leave me alone
Já se passaram 2 dias desde a minha vitória no Word Boxe Player. Daqui a uma semana eu veria de novo, e não parava de pensar nisso. Estava um dia de sol lindo e não havia nuvens no céu. Fazia calor e eu vestia apenas um micro short e um sutiã. Queria sair, queria passear, queria ver Londres em um dia tão raro como esse, mas Cris não me deixara sair. Acho que posso dizer que vivo em cativeiro.
- , onde está minha blusa azul listrada? – Cristopher estava no quarto, jogando todas as roupas em cima da cama procurando sua blusa preferida.
- Eu não, sei Cris. Vê no cesto de roupas, no banheiro. – estava parada na soleira da porta o observando. Sentei-me na ponta da cama, no espaço desocupado.
- Vá procurar agora! – Cris falou com arrogância. - Eu quero sair com o Peter e não estou achando a merda da blusa! - Cristopher ia sair com o amiguinho idiota dele. Sempre que os dois saem juntos eles vão pra um pub encher a cara e depois para um bordel, comer alguma prostituta. Não que eu me importasse com isso. Na verdade, eu adorava quando ele saia e me deixava em paz por pelo menos uma noite.
- Por acaso, você só tem aquela blusa? – disse paciente. – Olha essa cama, Cris. Você tem milhares de blusas.
- Você é surda, cacete? Eu quero a blusa azul listrada! – ele disse entre os dentes em tom de ameaça. – E você vai encontrá-la pra mim.
- Cristopher, eu to cansada. Arrumei o loft inteiro hoje. E eu não vi sinais de sua blusa. Você deve tê-la deixado na casa de alguém. - Ele veio até mim e me segurou firme pelo braço e me levou para fora do quarto.
- Sai daqui, sua vadia inútil. – sua voz tinha o tom de desprezo de sempre. Ele me enxotou pra fora do quarto e fechou a porta com força na minha cara. Bufei com raiva. Desci as escadas e me sentei no sofá da sala. Liguei a TV e fiquei zapeando os canais até achar um que prestasse. Deixei um canal onde passavam clipes. A voz de Jason Mraz e Colbie Caillat ecoava pelo loft inteiro. Ouvi os barulhos de pegadas descendo as escadas. Não olhei, mas sabia que Cris estava vindo em minha direção.
- To saindo. – não desviei o olhar da televisão.
- Tchau. – disse seca.
- Não vai dar um beijinho de despedida no seu namoradinho não, ? – ele se colocou na minha frente, abaixando um pouco para que pudesse alcançar minha boca. Dei um selinho rápido e me afastei. Cristopher me pegou pelos cabelos e me beijou ferozmente, apertando minha nuca. Queria vomitar nele. Queria espancá-lo por ter encostado-se a mim. Ele separou o beijo, rindo.
- Tchau. – ele sorria cinicamente. Assim que ele saiu porta a fora, eu corri até o banheiro e escovei os dentes com a maior urgência. Minha gengiva chegou a sangrar. Voltei à sala e me joguei no sofá. Continuei assistindo o canal de clipes. Eu ouvia as vozes da The Verônicas cantando ‘Leave Me Alone’, era impressionante como essa música se encaixava perfeitamente no que eu estava vivendo.
I'm getting tired of you pushing me 'round
Dragging me down
Making a sound because you wanna
I guess that's why I like messing with you
Putting you through
A lesson or two, because I'm gonna
Before I go my own way
I just gotta say
Me encolhi no sofá e abracei minhas pernas. Fiquei apenas ouvindo a letra da música e pensando em como minha vida virou de cabeça para baixo. Eu realmente acreditava que Cristopher era uma boa pessoa, alguém em que eu pudesse confiar. Larguei minha família, amigos, pessoas que realmente me amavam para ficar ao lado dele. Aos poucos ele foi pegando confiança de todas as pessoas que eu era vinculada. Cris mudou da água para o vinho. Todos acreditavam nele e não em mim. Me sinto uma agulha em um palheiro, onde ninguém, nunca vai conseguir me achar e me resgatar.
Leave me alone
Get out of my face
I'm tired and low
Feeling so misplaced
Time for you to go
'Cause you know I'm better off on my own, oh
Meus olhos foram invadidos por lágrimas. Eles ardiam e eu sentia calafrios por todo o meu corpo. Não conseguia parar de chorar. Me sentia vazia, sozinha e desprotegida. Sentia que a qualquer momento eu iria desmoronar sob meus pés. Passou um flashback em minha cabeça de como era a minha vida antes de conhecer Cris e no que ela estava virando.
Leave me alone
This isn't gonna work
Don't call me on the phone
Because I'm all out of words
I'll face the unknown
Thinking about all the ways that I've grown
É preciso ser grande. Ser forte, inteligente, isso se quisermos sobreviver. Por enquanto não há escapatória, tudo ficará como está. Sou uma escrava. Uma serva que precisa obedecer a seu amo.
There was the time I thought you were the one
Having some fun
Getting it done
What an illusion
'Cause you were trying to take control of me
That couldn't be, I need to be free of this confusion
Don't give me a guilt trip, because I'm so over it
Eu achava que Cristopher era o meu príncipe encantado, mas meu tão sonhado príncipe virou um sapo. Minhas lágrimas não queriam cessar. Minha cabeça já doía e eu começara a ficar sonolenta. Deixei a melodia da música me embalar e me levar para um sono profundo, onde eu podia sonhar que estava em uma vida melhor.
03
Estava deitada no sofá assistindo a reprise de Britain’s Got Talent. Era impressionante como Simon Cowell era petulante, arrogante e grosso. No intervalo do programa fui até a janela para observar o movimento da rua. O dia estava frio e é uma droga como o clima daqui muda repentinamente. A neve caía sobre as calçadas da rua e molhava algumas pessoas menos prevenidas. Enquanto eu observava o movimento das pessoas andando pra lá e pra cá, absortas em seus pensamentos, suas vidas, suas preocupações, Cris chegou em casa gritando pelo meu nome. Meu coração acelerou, mas não de alegria como era quando eu pensava em , mas sim de medo e angústia. Sabia que ele estava bêbado e o resto do dia não seria nada fácil para mim.
- ! – ele gritava com a voz embolada e cambaleava até conseguir chegar ao sofá. Eu o olhava com pena. Como alguém como Cris se deixara chegar àquele ponto? Ele era bonito, inteligente e influente, não precisava levar essa vida que levava, nem fazer o que fazia comigo. Fiquei parada onde estava. Não dei um passo em direção a ele para ajudá-lo ou parar atender o seu chamado.
- ! To te chamando, meu amor – Cris me olhava fixamente e me chamava para sentar ao lado dele.
- Cris, você não está em seu estado normal. Acho melhor você ir dormir – fui até o sofá e peguei sua mão para levá-lo ao quarto.
- Me larga! – ele soltou-se com força. – , eu quero você – ele me puxou, fazendo-me cair em seu colo. - Eu te amo, meu amor – seu hálito tinha cheiro de álcool e eu me senti enjoada quando respirei e o cheiro entrou pelas minhas narinas. Ele me pegou pela nuca e tentou me beijar, pedindo a passagem de sua língua, mas não permiti. – Que foi, minha flor? Você não quer me beijar? – ele sussurrou em meu ouvido.
- Cris, me deixa em paz, por favor – eu me levantei de seu colo e ele me puxou de volta.
- Você não vai escapar de mim, amorzinho. Não hoje – ele estava bêbado demais e eu sabia o que ele queria, mas não queria ceder – hoje você é minha, só minha, ta?
- Cristopher, eu não estou me sentindo bem – fiz uma cara de dor, que no mínimo seria convincente, mas não pra ele.
- Você vai ser toda minha, , eu vou te curar – ele ria abobalhado.
- Eu não estou bem, Cris – repeti calmamente.
- Cala a boca, sua piranha de merda – ele me deu um tapa na cara com uma força surreal e me pegou pelo braço, me jogando no sofá – Eu disse que hoje você era minha e somente minha – ele falou entre os dentes, ficando por cima de mim. Cris era pesado e estava me machucando. As lágrimas já escorriam pelo meu rosto, parando em minha boca. Esta cena já se repetira várias vezes e eu não tinha como impedir. Cristopher começou a me beijar sem nenhuma delicadeza. O beijo era afobado e sem nenhuma emoção. Ele passava a mão por de baixo da minha blusa, acariciando minhas costas e tentando abrir o fecho do meu sutiã. Eu estava com nojo de mim mesma por estar permitindo essa situação. Cris tirou minha blusa desesperadamente, distribuindo beijos em meu pescoço, indo e voltando até meu colo. Ele ‘arrancou’ meu sutiã, jogou-o em algum canto da sala e começou a beijar meus seios. Não sentia prazer algum, tudo o que eu conseguia sentir era ódio. Ele voltou a beijar minha boca, com uma mão em minha nuca e a outra apertando minha coxa. Cristopher partiu o beijo e novamente tocou seus lábios em meus seios, mas dessa vez ele descia os beijos pela minha barriga. Eu pedia mentalmente para que ele desistisse, mesmo sabendo que isso não iria acontecer. Cristopher estava tão afobado para tirar meu short de lycra que o rasgou, tirando logo em seguida minha calcinha que também foi rasgada. Ele me pediu para que tirasse suas calças e eu neguei, recebendo em resposta um soco. Sabia que se eu recusasse mais, eu receberia uma surra. Cris se pôs de pé e eu me sentei no sofá de frente para ele. Fiz o que ele me pedira, com as lágrimas ainda caindo de meus olhos. Parei e o olhei fixamente, com os olhos implorando misericórdia.
- Continua – sua voz era ríspida. Fiz novamente o que ele mandara. Quando parei, fui empurrada para trás e lentamente o senti dentro de mim. Seus movimentos eram bruscos e sem cautela. Ele não se importava se eu estava sentindo dor. Ele fazia um movimento contínuo e suas mãos exploravam toda a extensão do meu corpo, apertando-o contra si. Suas mãos eram grandes e fortes e eu sabia que no dia seguinte apareceriam muitos hematomas. Cristopher conseguiu o que queria e meu corpo latejava de dor. Ele se levantou, colocou suas roupas e me deixou estirada no sofá.
- Sua vadia. Essa foi a pior transa da minha vida – ele falou com desprezo e foi para o quarto. Suas palavras não me atingiram. Mas eu chorava, soluçando com a respiração descompassada. Levantei-me com dificuldade e fui tomar um banho. Talvez a água quente relaxasse meus músculos e minha dor e cessasse.
04
Terça - feira. Amanhã era o dia tão esperado por mim. Eu reencontraria aquele lindo par de olhos . Era uma coisa estritamente profissional, sem nenhum vínculo além do esporte, mas eu estava ansiosa. Uma ansiedade que eu nunca sentira na vida. Eu iria para a academia hoje treinar, treinar, treinar. Minha vida se resumia a isso: boxe. Cris fora resolver alguns papéis da minha próxima luta, que seria daqui a dois meses. Eu já tinha ganhado o World Boxe Player, o campeonato mais importante de boxe que existe em todo o mundo. Eu já conquistara uma reputação, mas eu precisava urgentemente de um novo treinador, para me livrar de uma vez por todas de Cris. Só que isso não era tão fácil assim. Hoje em dia, ainda há um preconceito enorme em relação a mulheres lutando boxe. Então eu precisava de tempo para arranjar um novo técnico. Enquanto isso, eu infelizmente necessitava de Cristopher.
Antes de sair de casa deixei um bilhete para Cris, avisando-o que eu iria para a academia e que ele me encontraria no celular. Prendi o papel a porta da geladeira com um imã.
O dia estava chuvoso e frio. A rua ainda estava com neve nas calçadas, mas elas já derretiam. Minha academia ficava a quatro quadras do meu apartamento. Resolvi ir a pé.
A academia tinha paredes de vidro, que davam para a rua, o que em minha opinião é muito desconcertante, as pessoas ficarem te observando enquanto você treina. Mas tudo bem.
- Oi, gente – com um sorriso no rosto, cumprimentei as pessoas que lá estavam e fui direto ao vestiário me trocar. Quando voltava, um amigo de Cris me surpreendeu, parando em minha frente, impedindo meu caminho.
- Oi, – ele sorria malicioso. Eu detestava Peter, ele me cantava descaradamente e se dizia amigo do Cristopher.
- Que você quer, Pet? – disse impaciente, rolando os olhos.
- Nada, ué... Só te cumprimentei – sua voz era enjoativa de se ouvir.
- E eu lhe respondi. Agora me deixa treinar? – tentei passar por ele, mas fui impedida. – Que saco, Peter! Me deixa passar – falei alto, sem me importar se as pessoas ouviriam.
- Essa academia não é lugar para uma mulher tão bonita como você, – meu rosto ferveu de ódio. Eu odiava mesmo o Pet. Sem pensar, eu esmurrei sua cara, fazendo-o virar o rosto com meu soco.
- E essa academia não é lugar pra gente tão canalha como você – Peter colocou a mão no rosto, onde provavelmente estava sangrando e finalmente me deixou passar. Ouvi seu xingamento, mas não liguei. Antes de entrar no tatame, apoiei minha mochila em uma mureta para poder colocar minhas luvas e o protetor bucal. Os homens que ali estavam riam do rapaz que eu esmurrei. Entrei no tatame e comecei a dar ‘ganchos’ no saco de areia. Os caras – eu era a única mulher - me olhavam rindo e alguns com reprovação. Não liguei. Apenas me concentrei em meu treino.
Já estava exausta após uma hora de treinamento, mas eu não podia parar, eu não devia parar, precisava retomar o ritmo que eu havia perdido.
- Hei, , cadê o Cris? – ouvi uma voz masculina perguntar. Como eu queria que ele tivesse morrido esmagado por um trem! Ri sozinha com a possibilidade de isso acontecer.
- Foi resolver alguns papéis da minha próxima luta – não me virei pra ver quem havia me chamado, continuei com a seqüência de jeb-direto que eu dava no saco.
- Sabe se ele aparece por aqui hoje? – dessa vez eu parei para olhar o homem. Nunca o vira antes. Ele estava vestido socialmente. Terno, gravata, calça social e um sapato muito bem engraxado. Achei muito estranho um homem daqueles, estar à procura de Cristopher. Franzi o cenho, tentando imaginar quem era aquele cara e que tipo de vínculo ele tinha com Cris.
- Não, não sei – disse pausadamente.
- Em todo o caso, diz que o Lucas McGuire precisa urgentemente falar com ele – no mesmo instante que esse tal Lucas terminou sua frase, Cris adentrou a academia cumprimentando seus amigos que lá estavam. Quando ele bateu os olhos em Lucas conversando comigo sua expressão se transformou, mas não continha ciúmes ou raiva em seus olhos, mas sim susto e medo. Lucas percebeu que eu olhava alguma coisa as suas costas e se virou para olhar também.
- Meu caro Cristopher, quanto tempo, amigão – Lucas se dirigiu a Cris com um sorriso que parecia no mínimo falso. Cris sorriu amarelo, lhe estendeu a mão. Os dois saíram da academia conversando, Lucas falava animadamente e Cristopher sorria um sorriso mentiroso de vez enquanto. Antes de eu voltar para o meu treino, um dos amigos de Cris chamou minha atenção:
- , quem era aquele homem? – Jason era o cara mais fofoqueiro daqui. Isso é coisa de mulher, talvez ele seja gay, mas tudo o que acontecia aqui nessa academia Jason sabia.
- Boa pergunta – respondi indiferente, fitando a porta pela qual ambos saíram.
Voltei minha atenção ao meu treino, mais tarde eu iria investigar sobre esse cara estranho. Fiquei treinando até tarde e nem percebi a academia se esvaziar. Já anoitecia, e eu não sentia a mínima vontade de ir pra casa. Cris não voltou para me supervisionar, coisa que ele sempre fazia.
- Acho que vou ficar por aqui mais um tempo – falei pra mim mesma, olhando em volta. Fui até a parede de vidro, a rua estava maravilhosa. Londres estava realmente linda, toda iluminada, voltara a nevar. Encostei minha cabeça no vidro e fiquei um tempo observando a neve que caía na calçada, soltei um bafo de ar no vidro da academia e fiz desenhos bobos, como corações e estrelas. Entrei em um pequeno transe, imaginando como seria o dia de amanhã, imaginando que roupa eu usaria, claro, eu iria deslumbrante, mesmo que só fosse uma entrevista profissional.
- Pára de ficar imaginando coisas, – soltei um suspiro pesado e balancei a cabeça pra ver se me despertava dos meus pensamentos. Fui ao vestiário trocar de roupa, me despi, fiquei apenas de calcinha e sutiã. O vestiário estava vazio, assim como a academia e havia um espelho enorme em uma das paredes do local. Olhei para a imagem refletida no espelho. Minha aparência era de uma mulher cansada, não acabada, mas cansada, e eu realmente estava. Eu era bonita e sabia disso, os homens me olhavam com desejo. Meu corpo era natural, tinha seios e bumbum na medida certa, tinha coxas grossas, proporcionais ao resto de meu corpo. Minhas pernas eram torneadas e malhadas, assim como meus braços, eu não parecia um homem com muitas boxeadoras pareciam, minhas pernas, braços e barriga eram enxutos, sem flacidez. Sorri comigo mesma, admirando meu corpo. Por fim, tirei a lingerie que ainda cobria meu corpo, entrei no Box e girei o registro. A água quente definitivamente relaxou meus músculos doloridos. Demorei bastante tempo de baixo do chuveiro e finalmente juntei forças para desligá-lo. Sai do Box, me enxuguei e coloquei minhas roupas de frio para poder ir embora.
Já estava do lado de fora da academia, estava tarde, 10:20 PM. A neve caia de leve sobre as calçadas, as ruas iluminadas pelos letreiros, o transito costumeiro da grande Londres, as buzinas soando, pessoas conversando... Até parecia música para meus ouvidos, e não é mentira, eu gostava da movimentação da cidade, me deixava feliz, não sei por que motivo. Sorri comigo mesma ao pensar, me achando uma idiota. Quem gosta de barulho e movimentação?
- Oi Sr. Smith – cumprimentei o porteiro com sorriso. O Sr.Smith era um cara legal e simpático até, mas às vezes ele era muito rabugento, coitado, um velhote que mora sozinho nos fundos do prédio. Entrei no apartamento e não havia sinais de Cristopher. Isso era no mínimo estranho, com certeza ele ainda estava com Lucas. Mas fazendo o que? A onde? E pra que? Eu teria em breve as respostas dessas perguntas, ah se teria!
05
Paramore – Misery Business
Finalmente, quarta-feira. Acordei sozinha na cama, Cris até agora não havia chegado. Se quiser saber, eu realmente não liguei. Ele podia ter morrido que eu não sentiria falta. No mesmo instante que esse pensamento veio a minha mente, Cris adentrou o apartamento.
- ? – Cristopher me chamava do andar de baixo.
- Começou o inferno – resmunguei para mim mesma, colocando os pés para fora cama, sentindo um arrepio no mesmo instante por conta do chão frio. Desci as escadas e fui direto ao banheiro fazer minha higiene matinal. Ao sair do cômodo, Cris me surpreende, arrancando-me um beijo.
- Bom dia, amor. – suspirei pesadamente.
- Bom dia – falei seca. – Aonde você estava? – minha expressão era séria.
- Por ai, com o Lucas. – ele sorriu nervoso. Boa coisa não era.
- Quem é esse Lucas, Cristopher?
- Meu amigo. – Cris tentava parecer indiferente, mas não conseguia. Preferi não estender a conversa, pois ele era muito bipolar, seu humor muda a cada segundo. Dei ombros, fui preparar meu café da manhã e Cris foi tomar um banho. Peguei a omelete que havia preparado e um suco qualquer de caixinha. Sentei-me no sofá da sala e liguei a TV. Deixei em um canal de esportes. Assisti ao programa até acabar de comer. Coloquei a louça na pia e fui escolher a roupa que usaria hoje à noite, na entrevista que daria a . Abri meu guardarroupa e nada, absolutamente nada parecia bom o suficiente para a ocasião. Quero dizer, eu queria estar deslumbrante. Eu faria o máximo para poder seduzi-lo, não ira parecer uma idiota que nem eu pareci da primeira vez que falei com ele. Não. Iria aparentar uma mulher madura e segura, por mais que eu não fosse essa tal mulher.
- , o que está fazendo? – Cris adentrava o quarto.
- Tenho uma entrevista hoje, com um colunista da revista ‘ Sports News’. Estou escolhendo o que vestir. – Preferi não mentir. Na verdade eu não era uma boa mentirosa e Cris me conhecia bem.
- Que horas?
- Sete da noite. – fechei o armário e saí do quarto, ele veio atrás de mim – Vai ficar me seguindo? – perguntei seca.
- Olha como você fala comigo, vadia. – rolei os olhos e novamente adentrei o quarto, pegando uma roupa no armário, e a vestindo na frente de Cris.
- Aonde você pensa que vai? – a raiva tomou conta de mim. Eu iria comprar alguma roupa que fosse boa o suficiente para a entrevista de hoje.
- Eu vou ao shopping. - Um ato de desespero: Enfrentá-lo. Eu temia pelo que poderia me acontecer.
- Não vai mesmo. – ele riu de deboche.
- Ah, não? – continha sarcasmo em minha voz. – Veremos! – peguei minha bolsa e calcei meus chinelos calmamente.
- , volta aqui! – Cris puxou meu braço com tamanha força, que me fez cair no chão.
- Você não vai sair! – ele gritou se aproximando. Levante-me rapidamente e olhei no fundo de seus olhos.
- Você não vai me impedir de fazer o que eu quero, Cris. – Em um ato repentino, ele segurou-me pelo pescoço com força, encostando-me na parede, dificultando minha respiração.
- Você ficará quietinha em casa. – sua voz saia em um sussurro. Ele apertou com força, e inutilmente eu me debatia e tentava tirar sua mão de meu pescoço. Meus pulmões gritavam por oxigênio. Meu coração acelerou e meu sangue ferveu pela falta de O² correndo por minhas veias .
Cristopher queria me matar, mas eu fui mais esperta. Novamente. Estava quase perdendo minhas forças, quando minhas pernas obedeceram ao sinal que meu cérebro as enviava. Chutei entre as pernas de Cris e ele berrou de dor, soltando meu pescoço, me permitindo respirar novamente. Massageei o local onde Cris havia apertado, estava dolorido. Peguei a maior quantidade de ar que meus pulmões permitiram. Olhei para ele ao chão, em posição fetal, com as mãos dentre suas pernas.
- Idiota. Você não é tão esperto quanto pensa. – dei uma última olhada para ele, fui até a garagem e saí com o carro. Dessa vez Cris não ia me impedir de fazer o que eu queria.
- ? – Uma voz conhecida chamou pelo meu nome. Virei-me para olhar. Meu Deus, quanto tempo que eu não a via.
- ! – Sorri instantaneamente ao vê-la e ela me deu um abraço tão apertado que quase me deixou sem ar. - Quanto tempo! – Nós estudávamos juntas no colegial, éramos melhores amigas, mas ela havia saído do país, para estudar música. Me senti muito sozinha, pois ela era a única amiga que eu tinha. – Não sabia que tinha voltado para Inglaterra. Por que você não me ligou, hein? – coloquei as mãos no quadril, fingindo indignação.
– Eu cheguei a uma semana de viajem, minha casa ainda está uma zona. Não tive tempo pra nada.
- O que está fazendo no shopping, em plena quarta feira? – perguntei voltando a caminhar, com em meu encalço.
- Compras. – ela riu. – Na verdade eu vim comprar o presente de aniversário do meu namorado.
- Namorado? – Meu Deus, fim do mundo. , a menina mais nerd que eu conheci, estava namorando, digo, isso é no mínimo estranho. Ela sempre dizia que namoro era perda de tempo e blábláblá.
- Aham. Ele é lindo. – sorri com ela. – E você, o que faz aqui?
- Vim comprar um vestido para hoje à noite, tenho uma entrevista pra dar.
- Ah, me esqueci, que agora você é famosa. – paramos na Starbucks do shopping para tomarmos um café.
- Até parece! – falei um pouco alto e me olhou de sobre salto e riu comigo.
- Vi umas lutas suas no BBC Sports. Você melhorou muito desde a época do colégio. – ela disse, dando um gole em seu Vanilla Ice Blend.
- Treino. – sorri.
- E falar em treino, você ainda namora o Cris? – rolei os olhos e dei um gole no café.
- Namoro. – respondi sem emoção e minha amiga riu.
- Toma o meu número novo, e vê se vem me visitar, moro no mesmo lugar de sempre. – me entregou um cartão com seu número telefônico. – Tenho que ir agora. – Ela deu o último gole em seu café e me puxou para um abraço.
- Vou te ligar, prometo. – disse assim que nos soltamos.
- Tchau, . – ela sorriu imensamente e se perdeu no mar de pessoas do shopping.
- Esse! – exclamei para a atendente da loja, apontando para um vestido preto, lindo que estava pendurado em uma das araras. A vendedora se prontificou, pegou o vestido e entregou em minhas mãos. O experimentei e fiquei deslumbrada com tal peça. Era tudo o que eu estava procurando. Depois de rodar o shopping quase inteiro, finalmente consegui achar a roupa ideal. Paguei o vestido e fui almoçar no Burger King. Já se passavam das três horas e eu precisava ir para casa me arrumar. Comi calmamente e feliz por poder tirar uma tarde de sossego, longe de Cristopher. Eu sabia que a minha reação teria uma conseqüência, mas eu não estava me importando. Quero dizer... Ninguém gosta de apanhar sem poder se defender, mas eu iria mudar minhas atitudes com ele, eu iria me impor. Terminei com meu almoço – quase lanche, nem um pouco nutritivo - e fui para casa. O Shopping Center não era tão perto do apartamento que eu vivia e pior: peguei trânsito; mas fui relaxando no carro ao som de Paramore, Misery Business.
I'm in the business of misery, let's take it from the top
She's got a body like an hourglass that's ticking like a clock
It's a matter of time before we all run out...
When I thought he was mine, she caught him by the mouth
I waited eight long months, she finally set him free
I told him I couldn't lie, he was the only one for me
Two weeks and we had caught on fire
She's got it out for me, but I wear the biggest smile
Eu batucava no volante, conforme o ritmo da música. Essa era uma das minhas preferidas. Realmente, sempre tem uma vadia pra estragar a sua vida. Quando você está amando alguém, sempre tem uma piranha que vem e estraga tudo.
Whoa... Well I never meant to brag
But I got him where I want him now
Whoa... It was never my intention to brag
To steal it all away from you now
But God does it feel so good
'Cause I got him where I want him now
And if you could then you know you would
'Cause God it just feels so...
It just feels so good
Fui ouvindo a mesma estação até chegar em casa. Estacionei o carro na vaga costumeira e subi o elevador carregando as coisas que comprara. Adentrei o apartamento e Cris não estava. Melhor para mim, poderia me arrumar em paz, sem nenhuma intervenção.
Cinco horas da tarde, marcava o ponteiro do relógio da cozinha. Hora do banho. Deixei a roupa estendida em cima da cama, coloquei as sandálias em pé, ao lado do vestido. Peguei um colar prateado, com uma pedra cravejada de diamantes que eu só usava em ocasiões especiais e coloquei em cima do vestido, junto com os brincos pequenos.
Demorei no máximo trinta minutos no banho. Coloquei a lingerie e sentei-me na penteadeira para secar os cabelos. Quando os fios estavam devidamente secos, vesti o vestido e sentei-me novamente na penteadeira para colocar o colar e os brincos, calcei os sapatos Jimmy Choo e comecei a me maquiar. Eu não era muito boa nisso, então usei apenas o básico. Base, corretivo, pó compacto, blush, lápis, rímel e um gloss transparente, apenas para dar um brilho sedutor nos lábios. Passei um óleo corporal nas pernas para dar um brilho. Passei meu perfume meticulosamente escolhido e dei uma última olhada no espelho. Peguei minha bolsa de mão e saí de casa.
Já estava atrasada. Havia marcado com ele às sete da noite, já eram seis e cinqüenta e quatro.
Hora do Rush, pessoas saindo do trabalho, um inferno total.
Cheguei ao London Station, já eram sete e treze e lá estava com seu belo par de olhos , olhando em minha direção, me fazendo perder o ar. Como ele era sexy, meu Deus. Sua roupa era despojada, bem casual, os primeiros botões da blusa quadriculada estavam desabotoados, as mangas compridas estavam dobradas até os cotovelos. Seus cabelos estavam levemente bagunçados. Não era um bagunçado feio, e sim... sexy. Acho que essa palavra o descrevia perfeitamente. Sexy. era um cara sexy, mesmo sem mover um músculo sequer.
O pub não estava cheio, havia apenas algumas pessoas sentadas conversando e tomando um drink. Outras praticamente se comendo sem nenhuma vergonha. A música que tocava era chata. Pelo menos eu achava. Então, assim que ele entrou em meu campo de visão, pude ver seu olhar acompanhar o desenho de meu corpo, enquanto caminhava até sentar-me à mesa junto dele. Sorri vitoriosa ao ver que ele encarava minhas pernas descaradamente e agradeci mentalmente por ter usado o óleo corporal.
06
- Boa noite – começou sorridente. E céus, que sorriso!
- Boa noite – respondi no mesmo tom, enquanto jogava meus cabelos para trás, fazendo charme. – Desculpe-me pelo atraso, sabe como é o trânsito dessa cidade – sorri e ele apenas sorriu comigo. Céus, como sua voz era sexy.
Eu tinha um desejo por aquele homem que mal conhecia. Um desejo carnal, eu queria tê-lo, nem que só por uma noite. Queria sentir sua pele na minha, seus lábios nos meus, suas mãos percorrendo toda a extensão de meu corpo. Alguma coisa nele me chamou a atenção de forma avassaladora.
- Então, , – ele prosseguiu – por que você começou a lutar boxe? – me perguntou enquanto colocava um gravador em cima da mesa.
- Bem, quando pequena eu sempre apanhava no colégio, sei que parece ridículo, mas eu ficava com ódio daquelas garotas e comecei a lutar boxe para aprender a me defender – terminei de falar e veio um garçom a nossa mesa, nos oferecendo uma bebida. Aceitei e sorri agradecida ao homem, fez o mesmo.
- E deu certo, não? Digo, você é a campeã mundial na categoria feminina – Ele deu um gole em sua bebida, sem tirar os olhos de mim. E que olhos!
- Eu comecei como um hobbie, mas acabei me apaixonando pela coisa – era verdade, eu amava esse esporte.
- E como é sua rotina diária? Você vai à academia todos os dias? – um sorriso malicioso brotou em seus lábios.
olhava os traços de meu rosto.
- Na verdade, sim. Não gosto de ir todos os dias, porque me cansa – rolei os olhos. - Mas é necessário.
- E seu treinador? Cristopher White? Ele te treina desde o começo da sua carreira? – meu estômago revirou ao ouvir aquele nome. Cristopher White. O homem mais estúpido, mais desonesto, mais canalha que eu já conhecera em toda a vida.
- Sim – respondi seca. me olhou confuso pela minha repentina mudança de humor.
- Não gosta de falar Cristopher? – merda, pra que ele quer saber? Ah claro, ele é um repórter.
- Não é isso, é que... – pensa rápido, uma desculpa convincente. - A entrevista é comigo, não? Para falar de minha carreira, não a de Cris, .
- Me chame de, , por favor. é muito formal – Era uma entrevista, era para ser um encontro formal, não? Mas quem se importa? Melhor assim.
- Então, ... – o cortei.
- , só - sorri maliciosamente para , ajeitando o cabelo que não estava bagunçado, apenas para fazer charme (mais uma vez). Senti o olhar do garoto sobre mim e sorri fraco.
- Então... – ele frizou meu apelido e sorri agradecida. – Você pretende seguir com o boxe por mais tempo ou pensa em outra carreira?
- Não. Não consigo me imaginar longe dos ringues, é isso que eu gosto de fazer – dei um gole em minha bebida.
- Você não parece uma lutadora, normalmente as boxeadoras que vejo são muito fortes, com os músculos iguais os de homens. Por que você não é assim?
- Eu não tomo hormônios. Normalmente pessoas dessa área, não só do boxe, mas também muitos outros esportes, as pessoas tomam testosterona e acabam ficando mais fortes do que devem – soltei uma risadinha.
- Muito obrigado, . Assim que a revista for publicada, eu lhe aviso – ele sorriu gentilmente, guardando o gravador.
- De nada, – falei seu apelido de forma sensual, pelo meu julgamento, é lógico. Ele alargou o sorriso ao ouvir minha voz.
- Quer mais uma bebida, ? – ele falou da mesma forma que eu. Pelo menos não era a única interessada.
- Quer me embriagar? – sorri ao pensar na hipótese. Seria bom para ambos os lados. Eu sempre faço coisas inconseqüentes quando não estou sóbria. Eu estava fazendo um jogo de sedução, mas nunca iria agarrá-lo em meu estado de sobriedade.
- Quem sabe? – ele arqueou as sobrancelhas e foi ao bar pegar nossas bebidas. Fiquei observando o seu jeito de andar, sua bunda. Céus, que bunda!
- Hei gata, tudo bem com você? – um pivete que aparentava ter no máximo uns 17 anos aproximou-se, sentando no lugar que pertencia a.
- Eu estava ótima, até você chegar – falei sarcasticamente para o menino e antes que ele pudesse dizer algo, pigarreou prostrado ao lado da mesa.
- Esse lugar é meu – o menino corou e levantou-se depressa, resmungando algo inaudível. sorriu e tomou seu lugar, me entregando o drink.
- Crianças – falou com desdém e deu um gole no líquido que estava em seu copo.
- Até que ele era bem bonitinho – disse brincando.
- Eu sou mais, não sou? – sorriu convencido. Apenas arqueei a sobrancelha e ri. Ele não obteria essa resposta de mim. –, me conta da sua vida – ele se debruçou na mesa, ficando mais perto de mim.
- Sua entrevista já acabou, meu bem. Agora é minha vez de saber sobre você – cruzei as pernas propositalmente e seu olhar acompanhou o movimento.
- Ok, o que você quer saber? – ele bebericou sua bebida e me olhou, esperando a resposta, ou a pergunta.
- Solteiro? – brinquei com o canudo de meu drink tropical e ele deu um sorriso divertido.
- Por que o interesse? – me perguntou com a sobrancelha arqueada e com um sorriso torto nos lábios.
- Sou curiosa – verdade, eu realmente era.
- Solteiríssimo – meu sorriso alargou, e sabia o que eu queria. – E você?
- Não – ele se surpreendeu e sorri divertidamente. – Eu namoro com Cris White. Mas não podemos chamar de relacionamento – e realmente não podem chamar meu ‘namoro’ de relacionamento. Eu, sendo obrigada a namorar aquele desgraçado...
- Por quê? – deu o último gole em seu whisky.
- Não gosto dele – falei simplesmente.
- Jogo de marketing?
- Pode ser – Mentira. Não era jogo de marketing nenhum, mas preferi manter a farsa.
- Você faz o tipo garota fatal, é? – Ele ria, analisando meu colo, voltando o olhar para meu rosto. Céus, como ele era descarado. – Trai o namorado e não se importa nem um pouco? E se ele descobrir? Adeus treinador.
- Conseqüência – dei os ombros. brincava com um sorriso maldoso em seus lábios.
- Vai fazer o que depois daqui? – Céus, como era divertido brincar com ele!
- Vou para casa, cuidar de meu namoradinho – soltei uma risada irônica pelo nariz. Na verdade eu realmente precisava ir para casa, Cristopher literalmente me mataria se eu passasse a noite fora.
- Não quer fazer algo mais divertido? – Eu queria, mas não o deixaria vencer tão facilmente. Meu jogo de sedução estava dando certo. Só tenho que deixá-lo interessado por mim, e depois quando quiser e puder, eu aproveito.
- Hoje não – olhei para meu relógio de pulso, que marcava nove e trinta e quatro da noite.
- Me passa seu telefone? – pegou seu celular e digitou os números que eu falei.
- Preciso ir – suspirei pesarosamente.
- Eu te deixo em casa – se prontificou.
- Estou de carro, quem sabe na próxima? – falei sugestiva e ele sorriu.
- Vou te ligar.
- Estarei esperando – dei um beijo no canto de sua boca, respirei fundo seu perfume e saí praticamente rebolando. Virei e dei um aceno com a mão esquerda. Ele estava parado no mesmo lugar, me fitando ir embora.
Meu plano havia funcionado, estava ‘na minha’. Agora eu tenho mais um problema a resolver.
Cristopher White. Só que esse era mais difícil de solucionar.
07
Mais um dia de labuta. Fui à academia pela manhã, treinei com Cris, mas ele voltara para casa antes de mim. Chegando ao apartamento, ouvi Cristopher ao telefone, conversando intensamente com alguém. Ele não percebeu minha presença, então fiquei parada, encostada ao batente da porta ainda aberta, escutando a conversa:
- Mas você não entende? Eu não tenho esse dinheiro! – Cristopher quase berrava com a pessoa do outro lado. Ele esperou um tempo, provavelmente ouvindo o que a pessoa dizia. - O que eu vou fazer? Roubar? – ele riu desdenhoso. Mais uma pausa. – ? – Enrijeci ao ouvir meu nome. Com quem Cris estava falando? – Ela não tem grana, dude. Me livra dessa, vai, por favor – Outra pausa. – Tudo bem, eu vou tentar – Ele desligou o telefone e passou a mão pelos cabelos. Cristopher estava muito nervoso. Cheguei em péssima hora. Fechei a porta normalmente, fingindo chegar naquele instante.
- Oi – O cumprimentei e fui direto tomar o banho, Cristopher nem se virou para me olhar. Tomei uma ducha bem relaxante e fui preparar algo para comer, não iria comentar nada com ele sobre a conversa que ouvira. Eu investigaria.
Comi uma salada com carne que já estava aquecida em cima do fogão. Provavelmente a empregada havia feito. A moça que Cris contratara não era muito simpática, nem muito sociável, mas eu quase não estava com ela em casa, então não fazia diferença. Comi na mesinha da cozinha, bem devagar, não tinha planos para hoje. Enquanto comia, repassava a noite de ontem em minha mente. era realmente muito sexy e gostoso. E melhor: Eu conseguira conquistá-lo. Eu conseguira o que queria e me senti vitoriosa por isso. Queria que ele me ligasse, queria vê-lo novamente e dessa vez sim, sentiria seus lábios nos meus... ou quem sabe, seu corpo no meu?
-? – Cris me despertou do transe o qual eu me encontrava.
- Quê? – respondi com a boca cheia.
- Vou dar uma saída rápida, quero você em casa quando voltar – ele pegava sua carteira e as chaves do carro, em cima do balcão. – A sua atitude de ontem terá uma conseqüência. – Não falei nada, apenas o olhava enquanto mastigava o alimento. Não o vi sair, só ouvi o estrondo que ele fez ao bater a porta. Terminei minha refeição e deixei o prato em cima da pia. Depois a Judie lavaria.
Fui para sala, liguei o notebook que estava em cima da mesa de centro. Acessei meu e-mail. Vários convites para festas, jogos e lutas importantes. Não respondi nenhum deles, apenas dei um longo e pesado suspiro. A liberdade deve realmente ser muito gratificante. Poder sair para onde quiser sem ter que prestar contas a ninguém. Lembro-me do meu tempo de colégio, onde eu achava que era prisioneira de meus pais. Doce ilusão. Não poder ir nessa ou naquela festa me parecia realmente injusto e inaceitável. Mas hoje eu vejo que a privação de festas e chopada com os amigos não se compara privação de eu ter a minha vida.
Ouvi os primeiros acordes de Overjoyed - minha música preferida - soando. No início não me dei conta que era meu celular tocando, mas assim que percebi, levantei correndo para atendê-lo.
- Alô – não olhei no identificador de chamada, fiquei esperando a pessoa do outro lado da linha me responder.
- ? – reconheci aquela voz. . Sorri sozinha ao ouvi-lo dizer meu nome.
- Oi – respondi docemente.
- Tudo bem? – ele parecia nervoso ao falar.
- Tudo – falei indiferente.
- Er... Você ta livre hoje? – suspirei e demorei um pouco para responder.
- Livre pra que?– minha voz soava divertida.
- Pra sair comigo, oras – disse no mesmo tom que eu.
- ... Eu vou ver e depois te ligo, me passa seu telefone? – anotei os números que ele me disse em um papel. Um dia se passou e ele ligou. Pelo menos parecia interessado. Hoje era sexta e eu o vira na quarta.
- Vou esperar – disse ele por fim.
- Não vou esquecer – desliguei.
Mordi o lábio inferior pensando em como eu sairia. Cristopher não me deixaria. Eu não fugiria, já fiz isso antes e ele me achou.
- Ah, dane-se. Ontem eu já fui ousada com ele. Por que não seria hoje de novo? – falei para mim mesma. Acho que eu estava parecendo uma adolescente rebelde, que enfrenta os pais por causa de um namoradinho. Soltei uma risada ao pensar nisso. Peguei o telefone novamente e disquei os números que estavam escritos no papel. Chamava, chamava e ninguém atendia. Acho que 20 segundos se passaram e por fim atendeu.
- Oi, – sua voz soava divertida.
- Acho que posso aceitar seu convite – voltei a sentar no sofá.
- Sério? – Não, idiota. Eu estou de sacanagem com a sua cara. Tive vontade de falar, mas me contive.
- É – falei indiferente.
- Então, já foi naquela boate nova, a Nutt? Que inauguraram há duas semanas?
- Não...
- Podemos ir até lá hoje, que tal?
- Ótimo – sorri sozinha.
- Eu passo na sua casa às nove, tudo bem?
- Er... – ele não podia vir aqui, de jeito nenhum. – Acho melhor nos encontrarmos lá.
- Se você prefere assim, tudo bem – ele soltou um riso pelo nariz.
- Então, marcado. Ás nove, na porta da Nutt?
- Aham, estarei lhe esperando. Tchau. – respondi e desliguei o telefone.
Ótimo, encontro marcado. Seria hoje que eu finalmente teria todinho para mim. Mordi o lábio ao pensar na hipótese e soltei um suspiro pesado.
Fiquei o dia inteiro em casa sozinha, navegando na internet. Achei algumas notícias sobre mim e sobre minha última luta. Como os repórteres aumentam as coisas, céus. Espero que não seja dessa laia. Liguei para , chamando-a para ir com o namorado dela, além de encontrar-me com minha amiga, eu teria companhia. Não que eu estivesse reclamando da companhia de . Eu queria uma companhia feminina, não que eu seja lésbica, companhia de amiga. Mas coincidentemente, ela já havia marcado com o namorado de ir. Fiquei feliz de saber que a veria novamente.
Cris chegou em casa lá pelas sete e alguma coisa. O plano já estava montado, eu iria esperá-lo dormir, para poder sair. Minha roupa já estava separada. Enquanto fuçava meu guarda-roupa, achei esse vestido. Me xinguei por não tê-lo achado no dia da entrevista. Mas deixei todas as coisas que eu usaria separadas em um lugar onde Cris não pudesse ver.
- Oi, – Cris chegou sorrindo e cheirando a maconha. Ele estava feliz demais, e isso era estranho.
-Oi... – olhei-o desconfiada. Levante-me e fui até ele. – Cris, que cheiro é esse? – olhei em seus olhos. Cristopher não prestava, mas não era drogado.
- Cheiro? Que cheiro? – ele ria abobalhado. É. Suspirei. Ele estava drogado. Céus, mais um problema na minha vida.
- Nenhum, Cristopher. Nenhum - O deixei a sala e fui tomar meu banho. Quando acabei, Cris não estava mais lá. Já estava dormindo no quarto, então eu me arrumei no banheiro sem fazer barulho algum. Foi tudo muito mais fácil do que eu imaginara. Me olhei no espelho, sentindo-me vitoriosa. Estava da maneira que queria. Sai de casa, sem fazer ruído algum. Estava pronta para encontrar-me com Sexy . Ah, a noite seria boa. Como seria!
08
David Guetta feat Akon – Sexy Bitch
O táxi aonde eu vim, parou um pouco longe da boate, estava engarrafado , e eu só chegaria na próxima semana. Enquanto andava, uma garotinha e seus pais passavam e essa mesma menina chamou-me pelo nome.
- ? – Olhei para o lado e não a reconheci.
- Me dá um autógrafo? – os olhos dela brilhavam. Sorri gentilmente – Você é a maior boxeadora de todos os tempos! – abaixei para ficar da altura dela. A menininha parecia ter uns sete anos – Quando eu crescer quero ser igual a você!
- Qual é o seu nome, querida? – perguntei enquanto sua mãe me entregava o papel e a caneta.
- Maggie Barker – apoiei o papel em minha bolsa e escrevi uma pequena dedicatória à Maggie. Eu sempre gostei de crianças, meu sonho era tornar-me mãe. Mas este sonho estava mais longe do que eu imaginava.
- Aqui – Entreguei o papel a ela – Só você praticar bastante, ter muita força de vontade e obedecer aos seus pais, que você consegue – Sorri para os pais da menina, que retribuíram o sorriso, quando ia me levantar, Maggie me surpreendeu com um abraço.
- Obrigada, – sorri docemente e me levantei. A menina saiu saltitante com autógrafo nas mãos. Me senti bem com aquilo.
Continuei andando até chegar a Nutt. estava parado com um dos pés encostados à parede, me fitando ao longe. Ao me aproximar, puxou-me pela cintura e beijou-me o canto da boca.
- Está cheirosa – ele disse ao me soltar.
- Obrigada, você também – sorri agradecida.
-Vamos? – concordei com a cabeça e ele me puxou pela mão para dentro da boate. Ao chegarmos, subimos para uma parte mais vazia, onde tinham as mesas. Uma delas estava com placa de reserva. sentou-se e eu me sentei ao seu lado.
- Você reservou? – ele afirmou com a cabeça – Mas é quase impossível fazer uma reserva aqui.
- Pois é, tenho meus contatos – sorriu convencido. Um garçom veio até nós e nos ofereceu uma bebida. aceitou e em poucos minutos estávamos bebendo.
- , chamei minha amiga e seu namorado para virem, se importa?
– Claro que não – sorriu - E ai, o que fez hoje? – ele virou-se, ficando de frente para mim.
- Nada de interessante, por enquanto – sorriu malicioso ao ouvir o que eu acabara de dizer. O celular dele tocou e ele levantou-se para atender.
- Oi ! – havia chegado. Levantei-me e dei-lhe um abraço – Esse é , meu namorado – Ele era uma graça. Realmente muito bonito. tinha bom gosto.
- Prazer – Dei dois beijinhos em suas bochechas.
- E ai, cadê o gato que veio com você? – ela me perguntou curiosa.
- Desculpa , era importante... – ele veio se desculpando, mas logo parou quando avistou e .
- Dude, não sabia que vinha aqui hoje – falou com e eu o olhei curiosa.
- Oi ! – falou divertida e me deu um olhar significativo, como ‘ não acredito que está saindo com ele’
- ! – deu um abraço em e se dirigiu a - E ai, nanica? – franzi o cenho.
- Vocês se conhecem? – perguntei para , confusa.
- é meu melhor amigo – respondeu e eu demorei a assimilar aquela informação.
- Então a era a amiga que você me falou? – era a vez de se confundir.
-Era – comecei a rir. Era definitivamente uma situação engraçada.
- Que mundo pequeno, céus –começou a rir e se sentou à mesa, conosco.
Engatamos em uma conversa casual, nada de importante. Dougie era muito engraçado, sempre fazendo palhaçadas. Senti falta de todo esse tempo que ficamos longe. Quando o silêncio tomou conta da mesa, ela chamou-me para ir ao banheiro retocar a maquiagem.
- do céu, não sabia que você estava saindo com – ela me disse enquanto retocava seu blush.
-Eu o conheci no mundial de boxe, ele me pediu uma entrevista – minha maquiagem estava intacta, apenas retoquei o brilho labial.
-Ah, então aquela entrevista que você ia dar era pra o ? – confirmei com a cabeça. - Mas você não namora o Cris? – ela me perguntou confusa, virando-se para mim.
- Namoro, mas é uma história complicada, depois eu te conto – ela concordou com a cabeça e voltou-se para o espelho, dessa vez retocando seu rímel.
- O é um gato, você se deu bem. Muitas garotas querem sair com ele – ela sorriu.
- É. Ele é realmente muito bonito – guardava suas maquiagens na bolsa, quando de repente parou e me olhou.
- Vocês já...? – seu sorriso era sapeca.
- Não – rolei os olhos sorrindo – Hoje é a primeira vez que estamos saindo, - Ela sorriu e saímos do toalete.
- Nossa, pensei que tivessem se afogado na privada – sorriu e deu um selinho em , assim que ela assumiu o lugar ao seu lado.
- Quer dançar? – sorria para mim. Sorri de volta e me levantei.
- Vocês vêm? – Perguntei, mas os dois estavam se beijando calorosamente.
- Acho que não – sorriu divertido e fomos para o andar de baixo, onde havia a pista de dança.
A música que tocava era bem animada, havia vários casais se enroscando pelos cantos da boate. Outros somente dançavam o famoso ‘ dois para lá, dois para cá’. O DJ logo começou a tocar Sexy Bitch, do Akon e David Guetta. Adorava essa música. me puxou para perto dele e deixou suas mãos pousadas em minha cintura. Eu dançava sensualmente e me movia conforme o ritmo. Ele me acompanhava, mexendo o seu corpo próximo ao meu. Virei-me de costas para ele e continuei dançando. passava as mãos na lateral do meu corpo. Virei-me novamente de frente para ele e deslizei minhas mãos por seu peitoral, rebolando até o chão. Fiquei dançando sensualmente para ele até a música acabar. A música terminou e paramos de dançar.
- ‘To com sede – comentei e fomos até o bar beber alguma coisa. e desceram e nos encontram.
- E ai? – estava com a boca vermelha, o que fez rir – Que foi?
- Sua boca – olhou e suas bochechas logo ficaram rosadas. Dei uma risada e peguei minha bebida. Eles pegaram dois drinks e foram para a pista de dança.
- Ele parece ser legal – comentei, me referindo a .
- Quem? – franziu o cenho.
- – sorri.
- Ah, claro – soltou uma risada pelo nariz – ele é! – Ficamos um tempo calados, apenas olhando a movimentação do local e bebendo. parecia inquieto, batucava seus pés sem parar.
- Que tal o seu dia começar a ficar interessante, hein? – ele perguntou se prostrando em minha frente. Estava sentada em um dos bancos do balcão. Olhei no fundo de seus olhos e eles estavam cheios de desejo, então lhe puxei pela nunca mais para perto e deixei que nossos lábios se tocassem. Ele pediu a passagem de sua língua e eu a dei sem hesitar. O beijo não foi longo, mas logo trocamos de lugar. sentou-se no banco e eu fiquei em pé, dentre suas pernas.
- Vem cá, vem – disse, puxando-me pela cintura, beijando-me novamente. Agora sim, um beijo caloroso, cheio de segundas intenções. Coloquei minhas mãos em sua nuca, puxei-lhe o cabelo, estimulando-o. Suas mãos percorriam desde a minha nuca até final das costas. Sua língua percorria toda a extensão de minha boca, seus dentes mordiscavam meus lábios de leve, fazendo-me soltar fracos gemidos. Finalmente sua mão pousou em minha bunda. O senti receoso por tal ato, mas não liguei, continuei beijando-o. Nossas respirações já estavam falhas, partimos o beijo, mas não o contato corporal. Comecei a beijar seu pescoço, mordiscando de leve algumas vezes, subi para o lóbulo de sua orelha e lambi o local. se arrepiou. Sorri vitoriosa, voltei pelo mesmo caminho que havia feito, mas dessa vez parando em sua boca.
Novamente nos beijamos e já estava mais solto. Ele me puxava pela cintura mais para perto do seu corpo, não havia um milímetro sequer de distância entre nós.
- Vão para um motel – chegou, sentando-se no banco ao lado. Não partimos o beijo, apenas mostrou-lhe o dedo do meio. Novamente o ar nos faltava, então desgrudamos nossos lábios. Não saí de onde estava. Ele pousou sua mão em minha cintura e eu apoiei meu corpo ainda em pé em sua perna.
- Nós já vamos, dude – disse a .
- Amanhã eu trabalho – disse chorosa – Ninguém merece cara, trabalhar em pleno sábado - A menina suspirou e me deu dois beijinhos no rosto, o mesmo fez com . beijou-me o rosto e apertou a mão de seu amigo.
Ficamos mais uns trinta minutos na boate. Fomos para a pista de dança e ficamos nos pegando lá. Meus pés já ardiam e pediam descanso. também parecia cansado. Ele pagou nossas bebidas no bar e finalmente saímos da Nutt.
- Será que hoje eu posso te levar em casa? – ele perguntou apertando o alarme de seu carro, fazendo-o apitar – Você disse na última vez que nos vimos que ficaria para próxima... – ele riu convencido.
- Eu não ia recusar – sorri maliciosa e fui em direção ao seu Augie preto. Entrei no carro, já destravado e esperei-o entrar e dar partida.
-Onde você mora? – perguntou olhando no retrovisor para ver se vinha algum carro atrás de nós.
- Tem certeza que quer me levar para minha casa? –ele deu um sorriso largo e ele seguiu em direção a seu apartamento.
09
Por pelo menos um momento da minha vida, eu não fiquei pensando em Cris, ou o que aconteceria comigo se eu fizesse alguma coisa que não fosse do seu agrado. Naquela noite eu estava livre. Livre para me divertir, livre para sair. Minha mente estava liberta, e eu agradecia por isso. Eu e trocamos poucas palavras até chegar a seu apartamento. Ele adentrou a garagem do seu prédio e estacionou o carro. O edifício era bonito, uma bela arquitetura. A garagem era no subsolo. Pegamos o elevador e apertou automaticamente o botão do sétimo andar.
- Espero que não se importe com a bagunça – ele ria sem graça. Olhei no fundo de seus olhos e cheguei mais perto, dando-lhe um beijo. Ele não recusou, pelo contrário, o beijo foi aprofundado. Ele explorava toda a extensão do meu corpo com suas mãos. Assim que as portas se abriram, nós saímos do elevador, sem partir o beijo. Caminhávamos até a porta de seu apartamento, ainda nos beijando. Chegamos à porta e nossos lábios foram separados, enquanto a destrancava.
Assim que adentramos o apartamento, empurrei-o contra a porta e comecei a beijar-lhe a boca, passeando minhas mãos por baixo de sua camisa, senti-o se contrair ao meu toque. Sua barriga estava quente e minhas mãos frias. Fui puxando sua camisa para cima e ele terminou de tirá-la, jogando-a em algum canto da sala. Comecei a beijar seu pescoço, descendo para seu peitoral e sua barriga, fiz o mesmo caminho de volta. me beijou novamente, mas agora ele me conduzia a seu quarto.
Antes de chegar ao cômodo, paramos no corredor e ele me empurrou contra parede beijando minha boca. Ele desceu os beijos para meu pescoço, me causando arrepios, enquanto eu passava de leve minhas unhas em suas costas. Danny pôs a mão por baixo de minha roupa e foi subindo, passando por minhas coxas e quadris, fazendo com que meu vestido acompanhasse o trajeto de suas mãos, até finalmente tira-lo, interrompendo nosso beijo apressado. Ele passou as mãos por trás de mim, me erguendo no ar e eu coloquei minhas pernas envoltas a seu tronco.
Durante o caminho deixei que meus sapatos caíssem dos meus pés e antes de chegarmos tirou os dele. O abracei e fechei os olhos, senti-o me colocando em sua cama, abri os olhos pra encará-lo, ele me deu um beijo no pescoço me envolvendo com seus braços e eu senti meu sutiã sendo aberto, ele voltou sua atenção para mim e começo a beijar o meu colo, meu coração palpitava rápido e eu tinha a impressão que estava sentindo aquelas abatidas.
Ele sorriu malicioso e beijou meus seios. Mordi meu lábio inferior, para não deixar escapar um gemido alto. parou e tirou suas calças, fazendo com que a peça sumisse pelo quarto mal iluminado; puxou minha calcinha com os dois dedos indicadores, eu verei minha cabeça para trás. Ele beijou minha barriga e foi descendo até chegar a minha virilha, onde distribuía mordidas e chupões, agarrei minhas unhas no lençol e mordi meu lábio quando ele atingiu com a língua o ponto que eu queria.
se estimulava ao ouvindo meus gemidos. Levantei-me e fiquei de joelhos na cama, brinquei com a barra de sua boxer, fazendo a descer devagar com minhas mãos. se sentou na cama e me aproximei mais, comecei a passar meus dedos por toda sua intimidade, desci devagar colocando na boca aquilo que me exitava pelo tamanho, fiquei satisfeita ao ouvir seu gemido abafado e continuei com movimentos alternados para lhe proporcionar mais prazer.
Ele puxava meus cabelos para trás, me estimulando e eu ouvia sua respiração acelerada. Levantei-me, colocando minhas pernas, uma de cada lado da sua cintura, e deixei com que ele me penetrasse. Assim que o senti dentro de mim, gemi alto e comecei a me movimentar em seu colo.
apalpava meus seios e ficamos assim durante um bom tempo, depois trocamos de posição. Sentei-me na cama e abri minhas pernas, o deixando me penetrar novamente. Suas investidas eram fortes e eu estava gostando. Em pouco tempo, chegamos ao clímax juntos. deixou com que seu corpo caísse ao meu lado na cama.
Estava feliz por poder ter um momento de prazer. Um momento que não fosse ruim para mim, nem que me fizesse sentir nojo, como era com Cris.
Sorri comigo mesma. me olhava, dei um último beijo nele e aconcheguei minha cabeça em seu peito e dormi ali, com ele fazendo carinho em minha cabeça.
10
O dia amanheceu e acordei com a claridade invadindo o quarto. não estava ao meu lado, minha cabeça estava deitada em um travesseiro macio. Sentei-me na cama e abri um pouco mais os olhos com dificuldade, esfregando-os. Bocejei e joguei as cobertas para o lado oposto e me levantei. Catei minha calcinha, meu sutiã e os vesti. Encontrei um blusão do em cima de uma poltrona e o vesti. Olhei para o relógio que estava em cima da mesa de cabeceira, ainda eram dez e treze da manhã. Sai do quarto e abri uma porta, procurando pelo banheiro. Acertei. Fiz minha higiene matinal e fui a procura de .
- Bom dia – disse sorrindo, me debruçando na bancada da cozinha.
- Já acordou? Não são nem dez e meia – estava sem camisa, apenas com sua boxer preta e um avental, virado de costas para mim, fazendo algo no fogão. Meu olhar percorreu todo o seu corpo e parou na sua bunda. Me lembrei da noite passada e sorri sozinha.
- Ta cozinhando o que? – perguntei indo até ele.
- Ovos e Bacon, para o café da manhã – parecia apetitoso.
- Bom, então eu coloco a mesa – me disse onde pegar as coisas e fui colocando-as na mesa. Ontem à noite não deu para reparar, mas seu apartamento era grande e muito bonito. As paredes eram claras, os móveis brancos e tudo muito organizado. Não sei que bagunça ele queria que eu não reparasse. Nem parecia que um homem vivia aqui sozinho.
Ele terminou de preparar nosso café e colocou a comida na mesa. O cheiro estava ótimo. Ovos, bacon, um bolo de caixinha e um suco de laranja.
- Cheiro bom – esperei se sentar à mesa e começamos a comer. Eu realmente estava faminta. Céus, ele era gato, tinha uma linda casa, era gente boa e cozinhava bem. Perfeito.
- Então, o que vai fazer hoje? – ele me perguntou, enquanto brigava com um pedaço de bacon que não queria ser cortado.
- Academia. – soltei um pesado suspiro. - Tenho uma luta importante dentro de dois meses, preciso me preparar - finalmente, conseguira cortar seu bacon e eu ri.
- Do que está rindo? – ele me perguntou com a boca cheia.
- Da sua luta com um pedaço de bacon – ele me deu careta e eu continuei comendo. Terminamos a refeição em silêncio e ajudei-o a tirar a mesa. Quando eu ia pôr as luvas para lavar a louça, ele me impediu.
- Deixa isso ai, . Depois a empregada lava – não liguei para o que ele disse.
- Não custa nada – terminei de colocar aquelas luvas de borracha e ele me puxou pela cintura.
- Você é visita, eu já disse que depois a empregada lava – sorri de lado e ele me beijou. Seu hálito, tinha gosto de bacon e logo separamos o beijo.
- Seu hálito tem gosto de bacon – dissemos em coro e começamos a rir. Ele foi escovar os dentes e eu tirei as luvas, deixando-as em cima da pia. Fui até o quarto me trocar. Cris arrancaria meu pescoço fora, e eu já estava começando a me preparar psicologicamente para isso. Catei minhas peças de roupa que ainda estavam jogadas ao chão e as vesti. Dobrei a blusa de que vestia e deixei em cima da cama. Peguei meus sapatos que estavam no corredor e fiquei segurando-os. Não iria colocar salto alto às onze da manhã.
saiu do banheiro e foi ao quarto, colocar uma roupa. Antes de eu entrar no banheiro para ‘escovar’ os dentes, fiquei espiando-o se trocar. A porta estava meio aberta, não dava para vê-lo do ângulo que eu me encontrava, mas havia um espelho que refletia sua imagem diretamente para mim.
Céus, que corpo aquele homem tinha, só de olhar me dava arrepios. Quando ele estava caminhando para a fora do quarto, entrei rapidamente no banheiro; não queria que ele me achasse uma idiota por ficar espionando-o, eu não era mais nenhuma adolescente para fazer tal coisa.
Escovei os dentes com o dedo, e bochechei o anti-séptico bucal que estava sobre a pia. Isso pelo menos tira o cheiro de bacon da minha boca. Me dirigi à sala e lá estava ele, assistindo televisão, com os pés em cima da mesa de centro. Ele vestia uma bermuda, um chinelo havaianas e uma blusa branca comum, em decote V. Sexy.
- Bem, vou indo – sorri, indo pegar minha bolsa em cima do sofá, mas antes que eu pudesse pegá-la, me puxou, me fazendo cair em seu colo. Antes que eu pudesse dizer algo, sua boca já estava na minha e então me rendi ao beijo. Suas mãos estavam pousadas em minha cintura e minhas mãos estavam em sua nuca. O beijo não foi demorado. O partimos e eu me levantei – Tchau.
- Ei, onde pensa que vai? Eu te levo em casa – disse pegando as chaves do carro em cima da mesinha de centro.
- Não precisa, eu pego um táxi – ele não podia me levar em casa, Cris poderia me ver saindo do carro dele, ou sei lá.
- Eu insisto – Ele se pôs de pé em um pulo.
- Não, . Prefiro ir de táxi – falei séria. Ele me olhou com espanto pelo meu modo de falar.
- Já que prefere assim... – ele deu os ombros e eu dei um sorriso amarelo.
- Tchau – quando me virei, ele me puxou pelo braço, fazendo-me ficar colada ao seu corpo. apenas selou nossos lábios e eu finalmente me fui, olhando uma última vez para ele, antes de sair e fechar a porta. Adentrei o elevador e suspirei; tivera uma ótima noite, só esperava que meu dia continuasse bom da mesma maneira. Sabia que não seria, mas o que custa sonhar?
Peguei o primeiro táxi que avistei. Olhei em meu relógio de pulso e os ponteiros marcavam onze e trinta e quatro. Esperava que Cris ainda não estivesse acordado.
11
Dentro do elevador de meu prédio, tirei os sapatos para não fazer barulho. Caminhei até a porta do apartamento e o adentrei com a maior cautela possível, observei o ambiente: estava tudo escuro, Cris ainda dormia. Meu celular começou a tocar e isso me alarmou, fuxiquei a bolsa à procura do aparelho e finalmente o achei.
- Alô? – fui até o banheiro me tranquei, para Cris não ouvir minha conversa.
- Diga a seu namoradinho que eu quero o meu dinheiro até as duas da tarde de hoje, no píer principal. E se ele não me pagar a quantia exata, ele morre e você vai junto. – meu coração acelerou, só podia ser uma brincadeira.
- Que-quem é? – minha voz falhou.
- Não adianta fugir e nem se esconder, eu vou te achar. Duas em ponto – A linha ficou muda. Meu coração não se normalizava, fui até a cozinha e bebi um copo d’água. Será que era uma brincadeira? Será que era a mesma pessoa que Cris estava conversando outro dia?
Cristopher estava se metendo com gente que não prestava. Não que ele prestasse, mas não era criminoso, e era esse tipo de gente com quem ele estava andando, tinha certeza. Por mim, ele podia andar com quem quisesse, contanto que não prejudicasse a mim e à minha luta, e muito menos sua obrigação como meu treinador.
Mas isso não importava agora, eu estava jurada de morte por uma coisa que não fiz, por um dinheiro que não devia.
Coloquei uma roupa qualquer. Cristopher não saberia que saí ontem. Escondi a roupa que vestia e fui até o quarto onde dormíamos, tirar satisfações com ele.
- Acorda agora. – Falei em um tom elevado. Cris semicerrou os olhos com dificuldade, eles estavam cobertos por remelas. Era nojento.
- Que quer? – Sua voz estava embargada e ele afundou o rosto no travesseiro. Abri as cortinas e as janelas, deixando a claridade adentrar o quarto, iluminando todo o cômodo.
- Fecha essa porra! – ele também elevou seu tom de voz, mas ignorei.
- Você está devendo dinheiro a quem, Cris? – arranquei suas cobertas e ele se encolheu feito criança. Não obtive resposta. Suspirei fundo e engoli seco – ME AMEAÇARAM DE MORTE! – gritei e ele arregalou os olhos, alarmado.
- O-o que? –se sentou na cama e fitou meus olhos, que estavam flamejantes de raiva e medo.
- Exijo que você pague a quem está devendo – coloquei as mãos no quadril.
- Quem te ameaçou de morte? – ele se pôs de pé e ficou de frente para mim.
- NÃO SEI! – meu nervosismo era evidente. Sentei-me na beirada da cama e afundei o rosto em minhas mãos – Quanto você deve? – minha voz saiu abafada.
- Trinta mil. – ele falou baixo, quase inaudível. Meu desespero aumentou, ele não tinha esse dinheiro, e muito menos eu - Se acalma... – Cris acariciou meus cabelos e eu tirei sua mão com estupidez.
- NÃO ENCOSTA EM MIM! – as lágrimas já escorriam pelo meu rosto e paravam em minha boca. Minha respiração estava descompassada – É tudo culpa sua! – me levantei e lhe apontei o dedo – SE VOCÊ NÃO USASSE DROGAS, SE NÃO ME BATESSE, SE NÃO FIZESSE O QUE FAZ, NADA, NADA DISSO ESTARIA ACONTECENDO, CRISTOPHER, NADA! – me descontrolei e ele me olhou assustado, acho que nunca fiquei dessa maneira, nem quando ele me batia.
- NÃO FALA ASSIM COMIGO! VOCÊ NÃO TEM ESSE DIREITO! – ele estava vermelho e suas veias do pescoço estavam transparecendo.
- NÃO FALAR ASSIM? VOCÊ QUER QUE EU FALE COMO? TO JURADA DE MORTE, CARA! SE VOCÊ NÃO PAGAR O QUE DEVE, NÓS MORREREMOS, NÃO QUE EU ME IMPORTE COM SUA MORTE! – ele suspirou e passou a mão pelos cabelos pretos – E VOCÊ NÃO TEM COMO PAGAR ESSA QUANTIA ABSURDA!
– EU TE AJUDO EM TUDO, PAGO TODAS AS SUAS CONTAS! SUA VADIA INGRATA. MORRER PRA VOCÊ SERIA LUCRO! – Me ajudava em tudo? Ele só fazia da minha vida um inferno.
- Você me ajuda em tudo? – ri com desdém, com as gotículas salgadas ainda rolando pelo meu rosto – Depois que te conheci, minha vida virou um inferno! INFERNO! VOCÊ DESTRUIU MINHA VIDA, CRISTOPHER! – seus olhos se estreitaram.
- VAI TOMAR NO OLHO DO SEU CÚ. PIRANHA, DESGRAÇADA! – Meus punhos se fecharam e a única coisa que vi foi minha mão socando seu nariz. Nem deu tempo para ele se defender. Só vi o sangue escorrendo. Arregalei meus olhos e percebi o que tinha feito. Não que eu me importasse se o estava machucando, mas ele faria pior. Cris colocou a mão no local que sangrava e fitou o líquido vermelho em seus dedos. Eu estava com medo. Ele elevou seu olhar vagarosamente para os meus olhos.
- Cris, por favor, não faça nada que vá se arrepender depois... – seus olhos estavam cheios de fúria, e a cada passo que ele dava, eu recuava.
- Eu nunca me arrependo de nada. – senti cinco dedos em meu rosto. Começou a arder e formigar e senti o gosto de ferro em minha boca, eu havia mordido minha língua. Cris pegou o cinto que estava em cima da poltrona e me olhou sorrindo com desdém. Depois olhou para a fivela do objeto e me bateu. Senti a pele de minha perna rasgando, me encolhi e senti mais três chibatadas.
-PARA! – eu chorava incessantemente. Parecia divertido aos olhos de Cris.
Juntei forças dentro de mim e o empurrei em cima da cama, meus ferimentos sangravam, e meu corpo ardia. Esmurrei seu rosto com toda a minha força, tentei usar as técnicas que sabia.
Inútil.
Cris conhecia meus pontos fracos, ele sabia onde eu errava, quais eram as minhas deficiências. Consegui dar-lhe alguns socos, mas era besteira tentar lutar com ele. Sua força bruta era enorme e não dava para competir.
Por fim, socou-me o estômago e saiu de cima de mim, fiquei desacordada.
Não via mais nada, só ouvia sons. Ouvi-o descer as escadas e bater a porta com força.
Estava ferida e com medo. Eu morreria mais cedo ou mais tarde. Ou assassinada por um estranho qualquer ou espancada por Cristopher.
Eu poderia lutar para sobreviver, mas por enquanto estava perdida, perdida por dentro. Dentro de um mundo em que não conseguia sair.
Por mais que conseguisse fugir e ter momentos agradáveis, sempre voltava e vivia o pesadelo da minha vida. Não havia escapatória e agora eu poderia morrer, estava jurada de morte e o valor proposto pela minha vida era muito alto. Não havia escapatória...
She's lost inside, lost inside
She's lost inside, lost inside
12
Acordei com Cristopher me chamando, quase berrando do andar de baixo. Levantei da cama em um pulo e senti meu corpo arder, vi que ainda era noite do mesmo dia. Desci as escadas correndo, ansiosa para saber se a dívida fora paga.
- E ai? Pagou? – perguntei parada no último degrau da escada. Ele apenas sacudiu a cabeça em negação. Estreitei meus olhos, meu coração disparou. Respirei fundo até tomar fôlego o suficiente para dirigir a palavra a ele novamente – Aonde você foi? E por que não resolveu o problema? – tentava controlar meu medo e raiva, mas era difícil.
- Eu disse que não paguei, mas não disse que não resolvi o nosso problema – Arregalei os olhos e olhei bem fundo nos olhos de Cris. Ele não havia feito o que eu estava pensando. Não podia.
- O-o que você fe-fez? - mais do que nunca, eu temia sua resposta.
- Não é da sua conta, garota. Eu resolvi o problema e ponto final - Ele passou por mim, subindo as escadas, entrando no quarto.
Fui até a cozinha beber um pouco d’água. Ele havia matado um homem? Encostei-me à pia, ainda com o copo na mão, pensando. Só podia ter sido isso, eu duvido que o tal ameaçador tenha tido piedade de nós. Era muito dinheiro... Mais uma coisa para eu descobrir. Isso já estava virando uma bola de neve. Fui até o andar de cima e vi Cristopher sentado na cama, com o rosto enterrado nas mãos, parei na soleira da porta e fiquei observando-o.
- O que você quer aqui? – disse ele sem se mover.
- Nada – disse baixo.
- Então vai embora – Pela primeira vez na minha vida, vi Cris abalado, ou chocado com alguma coisa. Não digo isso da boca para fora. Cristopher era um homem muito rude, mas dessa vez eu via seus sentimentos, conseguia senti-los.
- Quer conversar? – ele me olhou espantado.
- SAI DAQUI, PORRA! – Onde eu estava com a cabeça, ao pensar que Cris fosse querer ter algum tipo de conversa civilizada comigo e onde eu estava com a cabeça ao pesar em tentar ajuda-lo? Suspirei pesarosamente e me retirei, deixando-o sozinho. Enquanto descia as escadas, meu celular começou a tocar em cima do balcão e sai correndo para atendê-lo e vi o número de no identificador de chamada.
- Oi amiga! – sorri ao ouvir sua voz e seu jeito espevitado de falar.
- Oi .
- Que voz chocha é essa?
- Nada, só uns problemas com o Cris. – suspirei-
- Hm... mas já resolveu?
- Mais ou menos – falei sem emoção.
- Tava pensando... A gente podia sair amanhã, como nos velhos tempos, somente eu e você, o que me diz?
- Ah, vou adorar, realmente preciso conversar com alguém além do meu travesseiro – soltei uma risada pelo nariz.
- Ok, então eu passo ai às onze da manhã, fechou?
- Fechou – ela deu uma risada.
- Amanhã a gente combina direito então. – ela respondeu.
- Ok, beijo - E desliguei
Amanhã eu poderia contá-la tudo o que estava acontecendo comigo, eu teria realmente uma amiga pra conversar, uma pessoa pra me entender, um ombro onde eu poderia encostar minha cabeça e chorar.
Estava na sala, assistindo televisão em um canal de esportes, quando Cris desceu as escadas e sentou-se ao meu lado. Ele estava em uma extremidade do sofá e eu na outra. Ele nada disse, ficou quieto assistindo a programação comigo. Aquilo estava me incomodando, ele não era assim.
- O que você quer? – perguntei virando-me pra ele.
- Nada, ué. Só quero assistir televisão na minha casa, posso? – dei os ombros.
Ficamos em silêncio, o único barulho que ouvíamos era o do repórter entrevistando o boxeador campeão do Word Boxe Player masculino da categoria peso leve do ano passado.
- Você me desculpa? – ele irrompeu o silêncio.
- Hã? – eu definitivamente não estava entendo.
- É. Desculpe-me por ser grosso, te maltratar e te humilhar sempre, eu não queria ser assim, eu juro,.
- Por que você está me dizendo isso agora? Pra quando a polícia vier atrás de você, eu não te dedurar? Esconder você e te proteger? Pois fique sabendo: Se os tiras baterem aqui na porta eu vou te entregar, Cristopher, e vou te denunciar por abuso sexual e maus tratos, ai eles vão ligar você a morte de hoje.
- Eu to aqui me desculpando e você me diz esse bando de coisa?
- Eu não acredito em você. Isso tudo é fachada pra eu te proteger, e mesmo que fosse verdade, Cristopher, você me faz sofrer demais. Minha vida virou um inferno quando você apareceu. Tudo virou de cabeça pra baixo. Minha família acha que sou louca, por sua causa, eu deixei todos os meus amigos por sua causa, por que eu acreditei que você fosse uma pessoa de boa índole. Eu só me ferrei depois que você entrou na minha vida, Cris. Eu te odeio. Você sabe o que significa a palavra ódio? Procure no dicionário, é o pior sentimento que uma pessoa pode manter por outra. Não venha mais com seus discursos patéticos, que comigo não funciona – ele ouviu tudo calado. Ele sabia que eu estava absolutamente certa. E eu não sei de onde me veio coragem de dizer tudo isso, mas eu disse e me sentia bem melhor agora.
Já era tarde, então subi as escadas e fui dormir. Meu corpo ainda doía pela surra que levara mais cedo. Desculpas –suspirei – só podia ser blefe mesmo.
Deitei-me na cama e demorei a pegar no sono. Veio-me a imagem de sorrindo pra mim. Sorri sozinha e o sono me embalou para sonhos profundos.
13
I’ve been doing this my way
Your way, Our way, it doesn’t work
When all I have is not enough.
I’ve been doing all I can
My plan, Your plan, And all I get is hurt
This game we’re playing has to stop.
Acordei ao som de The Saturdays. Sorri, pois adorava a música. Levantei de bom humor e fui tomar café da manhã. O rádio estava ligado, Cris deve tê-lo esquecido.
I’ve got you stuck in my head
And all you do is breaking me
I can’t continue taking this
I tried my best to understand
But I cannot make sense of you
I’ve got to take a stand baby
Sentei-me à mesa e comi com calma, acho que estava mais leve. Olhei no relógio de parede e ainda eram nove e meia da manhã; aumentei o volume do rádio e fui tomar banho.
I don’t wanna waste another day
I don’t wanna live my life this way
I’m tired, I just wanna lie back down
I don’t wanna waste another night
I don’t wanna keep on chasing lights
So, go on go on go on, bye bye.
Despi-me, liguei o chuveiro e esperei a temperatura ficar ideal; entrei no box e molhei meu corpo. Ensaboei-me e tirei o sabão. Não lavei os cabelos. Ao sair, estava frio, e logo me enrolei na toalha felpuda que estava pendurada na porta do Box.
I remember I met you.
Let you get your way and everything
I took complete control of me
I remember you lying, crying, trying to get way it.
And know I now, ‘cause now I see
I’ve belive in all that you said.
I’ve never question any lie
I’ve never open up m eyes
All your words, gotten mistake
Now I’m stand, I’m alive
I never had you by my side, oh
Fui até meu quarto e coloquei uma calça jeans clara, meu adidas rosa, camiseta branca e um moletom da GAP rosa bebê. Deixei meus cabelos soltos e passei apenas um blush, para tirar a cara de morta que eu estava.
I don’t wanna waste another day
I don’t wanna live my life this way
I’m tired, I just wanna lie back down
I don’t wanna waste another night
I don’t wanna keep on chasing lights
So, go on go on go on, bye bye.
Voltei ao banheiro e escovei os dentes. Passei perfume e voltei ao quarto. Peguei minha maxi bolsa branca. Coloquei tudo o que precisava nela, peguei também meus óculos escuros e pus um brinco. Desliguei o rádio e desci as escadas me sentando na sala, esperando chegar. Fiquei mexendo no celular até o interfone tocar. Quando tocou, eu corri para atender.
- Ah, sim, diga que estou descendo. – disse ao porteiro. Desliguei as lâmpadas acesas, saí e tranquei a porta.
- Oi smigs – exclamou assim que eu entrei em seu carro. Soltei uma risada.
- Smigs? – ri mais ainda.
- É bonitinho – ela disse chorosa.
- Não, é retardado! – disse colocando o cinto de segurança.
- Vai se ferrar, ! –deu partida no carro.
- Aonde vamos? – perguntei ligando o rádio.
- Ao shopping! – óbvio.
- Adoro essa música!
- Você ouve Miley Cyrus? – ela riu de mim.
- Ouço, e daí?
- YEEEEEEEEAAAAAH, IT’S A PARTY IN THE USAAAA! – fiz minha mão de microfone.
- To com medo de você – ela disse rindo.
- Cala a boca, smigs. – enfatizei a palavra e abaixei o volume para conversarmos.
- E ai, como foi sexta? – paramos no sinal. O shopping era perto do meu apartamento, e como corria com o carro, chegamos em menos de dez minutos.
- Sexta? – me fiz de desentendida, franzindo a testa.
- Por favor, , eu não sou idiota!
- O que, ? Do que está falando?
- Você e o , cacete! –pegava o ticket do estacionamento enquanto falava.
- Ah, claro – sorri sem graça.
- Me conta! – Minha amiga era definitivamente muito fofoqueira. Céus.
- Ah, você sabe...
- Não sei de nada, se você não me contar. – virei os olhos e ela riu pelo nariz. Tinha um carro saindo, deixando uma vaga totalmente livre para nós. Estacionamos e descemos. – Me conta logo, que saco, sua chata! – ela disse fazendo careta
- Lá dentro eu conto.
Adentramos o shopping e fomos a um restaurante italiano. Sentamos e começamos a conversar.
- E aí? O que aconteceu ontem? Você parecia abatida – ela disse folheando o cardápio.
- Era o Cris, como sempre.
- Esse. – apontou para um prato que havia no cardápio. O garçom anotou seu pedido e me olhou.
- Vou querer o mesmo.
- Mas o que ele fez? – Ela perguntou, dando um gole em sua água.
- Vou te contar o que acontece entre Cris e eu, mas você não pode dizer a ninguém. Muito menos a . – ela concordou com a cabeça. – O Cris me maltrata. Eu sofro na mão dele. – Ela arregalou os olhos – Tudo começou quando ele começou a me treinar. Nós não tínhamos vínculo algum, além do boxe. Mas ele se dizia interessado por mim e começamos a sair, e depois de um mês, a namorar. No início, era tudo uma maravilha... – ouvia atentamente – Ele fazia todas as minhas vontades, era carinhoso, atencioso, um cara normal. E além do mais, me treinava de graça, por que eu não tinha como pagá-lo. As coisas estavam indo tão bem, que me chamou para morar com ele, nesse apartamento que vivemos hoje. Eu estava apaixonada. Ele era tudo que eu sempre procurei. Mas depois de um mês, as coisas começaram a mudar. Começou com gritos e xingamentos. Achei que fosse normal. Briga de casal, sabe? – ela concordou com a cabeça - Mas não era. Ele começou a chegar bêbado, com cheiro de perfume feminino. E eu sabia que ele estava me traindo. Até que um dia, chegou com uma mulher em casa. Eu já estava dormindo. Acordei na manhã seguinte e vi os dois no sofá sem roupa. Fiquei furiosa, claro. – Parei de falar, enquanto o garçom colocava os pratos na mesa. Assim que ele se virou, continuei – Mas ele não gostou da maneira que falei com ele. Então, assim que a mulher foi embora, ele começou a me bater. Bater de verdade. Isso foi o começo.
- Mas por que você não procurou seus pais?
- Por que eles não acreditavam em mim. Cris é um manipulador. Ele faz as pessoas acreditarem que somos um casal perfeito. Quando eu aparecia com algum ferimento, causado por ele, sabe qual era seu discurso? – ela fez que não com a cabeça – “Foram os treinos de boxe. Ela anda um pouco dispersa e acaba se machucando.”
- Mentira? – ela fez uma cara de espanto. – Que canalha! Denuncie-o! – sorri sem emoção.
- Já tentei. – dei a primeira garfada na lasanha que havia pedido.
- E aí?
- Não deu em nada. Ele descobriu e foi pior. Prejudicou minha imagem como boxeadora. Não tem jeito. Isso só vai acabar quando ele morrer.
- Por que você não foge? Vem morar comigo.
- Já tentei, já fui morar com meus pais durante um tempo. Mas isso vai acabar.
- Como? – fiquei pensando se eu contava ou não sobre ontem. Contei a ela o que acontecera. Ela ficou chocada. – , sai daquela casa. Vem morar comigo. Você está vivendo com um monstro! – engoli seco quando ela disse isso.
- Eu não posso! Estou no auge da minha carreira! Imagina o escândalo que seria se descobrissem que meu treinador é um estuprador, assassino...? Ia acabar com o que eu construí!
- Não! Claro que não! Ia acabar com a vida DELE! Ele ia ser preso e pagar por tudo o que fez! – estava apreensiva.
- Eu tenho medo! –detestava falar sobre esse assunto - Ele vai infernizar a sua vida e a de quem mais se meter. Eu o conheço. – uma lágrima escapou.
- Amiga. – ela colocou sua mão sobre a minha – Eu não tenho medo. Vou te ajudar. Mas você tem que se ajudar primeiro. – Ela me olhava nos olhos e eu podia sentir sua preocupação. – Converse com o , vocês não estão saindo?
- Estamos. Mas ele não tem nada a ver com isso.
- Ele pode te ajudar, .
- Eu não sei, preciso pensar. – Terminamos de comer e ela me deu um sorriso fraternal. Como quem diz ‘eu estou com você’. É imensurável a importância dela em minha vida. Ainda mais nesse momento tão difícil.
14
[n/a: coloque somewhere only we know, (youtube) somente quando a cena da música começar]
Eu e estávamos saindo do shopping, depois de andar por todas as lojas do edifício. Já estava exausta e precisava ir embora, tinha treino.
- , tenho que ir, o trabalho me chama. – paramos em frente a uma loja de instrumentos musicas.
- Rapidinho, vem. – antes que pudesse abrir a boca, ela havia me puxado loja adentro.
- O que você quer aqui? – era musicista e sei que ela iria demorar horas nessa loja.
- Só quero comprar uns cadernos com pauta, – ela dizia andando, mexendo nas coisas- um marcador de tempo, afinador, e queria o novo teclado da Yamaha. – rolei os olhos quando ela terminou de falar.
- Ta brincando? Você vai demorar. Eu tenho treino! – disse impaciente.
- Relaxa, vai. – ela saiu de perto de mim e foi rodar pela grande loja. Fiquei olhando os violinos pendurados na parede. Eram tantos e pareciam tão difíceis de tocar...
- Quer comprar um? – ouvi uma voz masculina atrás de mim e senti um arrepio na espinha. Eu sabia quem era e sorri sozinha ao ouvir sua voz. Virei-me para falar com ele.
- Não mesmo! – sorri e o cumprimentei com dois beijinhos no rosto e ele riu.
- O que faz aqui? – No mesmo instante, ouvi a voz de ao longe, parecia brigar com alguém, provavelmente com algum vendedor – ? – ele riu.
- Pois é. Só vou sair daqui amanhã, pelo visto. – rolei os olhos - E ainda tenho treino. – Ele segurava uma partitura nas mãos. Não sabia que era músico.
- Para que isso? – apontei para a partitura.
- Um hobbie. – ele deu os ombros - Eu sou músico também. – ele riu.
- Não sabia! – falei surpresa.
- Tem muita coisa sobre mim que você não sabe... Mas se quiser descobrir... –deu um sorriso de lado e lançou aquele olhar sedutor. Apenas o fitei retribuindo o sorriso.
- Caraca amiga! Rodei a loja inteira e não achei o afinador... – ela chegou falando sem parar sem perceber a presença de ali. Ela o cumprimentou sem graça e parou de falar – Ok... Vou procurar mais um pouco – e saiu.
- Eu adoraria – continuei o assunto. Ele continuava sorrindo.
- Eu vou te ligar para gente sair. Gostei da nossa última noite – mordi o lábio, lembrando.
- É, foi legalzinha. Podia ter sido melhor... - eu menti e ele levantou as sobrancelhas, ainda com o sorriso nos lábios.
- Quem sabe da próxima, né? – sorri debochada.
- Sabe o que eu to com vontade de fazer agora? – ele sorriu pervertido. Sacudi a cabeça em negação.
- Te pegar e levar para um motel para fazer você mudar de opinião. – mordi o lábio.
- As pessoas querem coisas, não é? – lancei um sorriso provocador – Pena que querem o que não podem ter.
- Sabia que você me deixa excitado com esse seu jeito?
- Não é minha culpa. – sorri.
- Não disse que era. – ele rebateu.
- Eu tenho que ir. – passei por ele, sorrindo maliciosamente.
- Vou te ligar. – ele disse rindo e eu concordei com cabeça, indo em direção à . Avistei sair da loja, passando a mão nos cabelos, e ri comigo mesma.
- O que estava acontecendo? – já estava no caixa, pagando suas compras.
- A gente só estava conversando.
- Sei... – ela me olhou desconfiada – Você não me contou o que aconteceu na sexta –riu.
- A gente transou. – disse enquanto saíamos da loja.
- O que? – ela parou de andar e me olhou. Parei também.
- É, ué. – eu ri e continuei a andar.
- E como foi? – ela fazia uma cara safada que era engraçada.
- Bom.
- Só... Bom? – ela perguntou me olhando com a sobrancelha arqueada.
- Foi ótimo, ta legal? – ri – Agora a gente tem que ir. Eu tenho treino.
- Ok. – íamos em direção a cabine de pagamento do estacionamento.
- Você sabia que ele era músico? – perguntei e ela confirmou com a cabeça.
- Ele tem uma banda, junto com o e outros meninos. Mas é só nas horas vagas, quando ele não está trabalhando na revista.
- Ah. – peguei o dinheiro em minha bolsa e entreguei para a atendente.
- Eu ia pagar. – disse indignada.
- Ia, do verbo não vai mais. – ri.
- , o Cris sabe sobre o ? – que pergunta idiota. Céus.
- Claro que não, né? – revirei os olhos.
- Pega aí. – apontou para a atendente, que segurava o ticket nas mãos. Peguei e saímos em direção ao estacionamento.
- Se ele souber, estou morta. Nem sei o que ele seria capaz de fazer. – ela concordou com a cabeça.
- Onde foi que eu pus o carro? – ela perguntou olhando o estacionamento. Esquecida como sempre. Céus.
- Pra lá. – apontei para a direita e fomos.
- Ah é – ela riu e apertou o alarme de destrava do carro, pra ver onde ele realmente estava e finalmente o achamos. Adentramos o veículo e ficamos em silêncio. Estava um pouco engarrafado, mas nem ao menos era hora do rush. estava quieta. Imersa em seus pensamentos. Ela não era assim. Sempre estava falando alguma coisa.
- O que foi, ? – perguntei, olhando para ela. Ela sacudiu a cabeça em negação. Como quem diz ‘não é nada’. Mentira. Ela estava pensando em algo e não queria me falar. Liguei o rádio e estava tocando Somewhere only we know, do Keane. Fiquei prestando atenção na música, e olhando para o lado de fora do carro. Estava um belo dia de sol em Londres. Isso não acontecia muito.
I walked across an empty land
I knew the pathway like the back of my hand
I felt the earth beneath my feet
Sat by the river and it made me complete
Pensei em . Ele é um cara legal. E eu tinha medo de ficar perto dele e acabar me apaixonado. Não posso me apaixonar, não posso me envolver com ninguém. Senão, vou acabar sofrendo mais do que já sofro.
Oh! Simple thing where have you gone
I'm getting old and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin
- Sabe o que é? – Ela se manifestou. Estávamos paradas no sinal há alguns minutos. Não disse nada, apenas fiquei esperando que ela continuasse – Se o Cris descobrir sobre você e ... Ele acaba com você e com ele também. Não acha que é arriscado? – ela não olhou para mim.
I came across a fallen tree
I felt the branches of it looking at me
Is this the place, we used to love
Is this the place that I've been dreaming of
Oh! Simple thing where have you gone
I'm getting old and I need something to rely on
- Acho – Falei sem tirar os olhos da janela. Tinha uma árvore começando a deixar suas folhas caírem ao chão. O outono se aproximava.
- Eu tenho medo. Por vocês dois. Imagina se vocês se apaixonam? – Parecia que ela estava em meus pensamentos.
- Já pensei nisso, . – suspirei. – Eu não vou me apaixonar. – murmurei.
- Você não pode mandar no seu coração. – ela agora me olhava.
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin
So If you have a minute why don't we go
Talking about that somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know?
- Eu sei. – finalmente me virei para olhá-la.
- Eu não tinha pensado nisso. Mas é perigoso. Pelo que você me contou do Cris... – ela me olhava com piedade.
- O é um caso. Uma diversão, e é assim que vai continuar sendo.
So If you have a minute why don't we go
Talking about that somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don't we go
So why don’t we go
- Agora, pode ser. Mas se vocês estão se curtindo... Gostaram de ficar um com outro, isso pode evoluir.
- Mas não vai! – falei firme e ela olhou para frente, dando partida no carro.
O engarrafamento começara a andar. Muito pouco, mas pelo menos amdava. Senti-me mal por ter sido grossa com ela, que só quer me ajudar.
This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know?
Somewhere only we know?
Somewhere only we know?
- Desculpa. Eu não devia ter falado assim. – ela apenas sacudiu a cabeça e deu um sorriso.
- Eu me preocupo com você, . Agora, vou me preocupar muito mais. – sorri e voltei a olhar as árvores de outono.
15
- Está atrasada. – Cris me olhava com raiva e seu falar foi áspero, como sempre.
- Eu sei. – disse ao sair do vestiário – Estava engarrafado no caminho do shopping para cá. – coloquei minha mochila no armário e peguei minhas luvas, antes de trancá-lo. Entrei logo em seguida no ringue. Coloquei as luvas e Cris jogou o protetor bucal em minha direção e eu peguei, colocando na boca.
- Comece se alongando, que eu vou ali fora dar um telefonema. – apenas concordei com a cabeça e Cris desceu do ringue, saindo da academia. Ele parou do lado de fora e ficou ao telefone com alguém. Dava para vê-lo, pois as paredes eram de vidro. Ele gesticulava e não parecia estar tendo uma conversa amigável. De repente virou para me olhar e viu que eu o estava observando. Pulei de susto e comecei a me alongar, dando algumas espiadas pelo canto do olho.
Cris adentrou a academia, furioso.
- Já se alongou? – perguntou com raiva.
- Já. – respondi fria.
- Comece dando jeb direto, jeb direto. Uma sequência de quinze cada um. – Fiz o que ele me disse. Cris ficou comigo a tarde inteira, me treinando e berrando. A academia estava vazia. Havia apenas alguns alunos de Judô e a Macy, a moça da cantina.
- ‘To cansada. Nós estamos aqui desde as três da tarde. Já são seis e meia. – disse me jogando no chão do ringue.
- Levanta. Agora nós vamos lutar. Eu e você. – Ele disse pegando um par de luvas em seu armário.
- Hã? – perguntei sentando – Eu não vou lutar com você. Eu vou perder. Isso é visível! - falei perplexa.
- Pare de falar e levante. – Cris entrava no ringue.
- Eu vou me machucar. – como se ele se importasse.
- Não, não vai. Não mais do que já está acostumada a apanhar nos ringues – engoli seco. ‘E de você’, pensei comigo
Demos um soco com as luvas e a luta começou. Mantive a guarda baixa algumas vezes e Cris me acertou. Toda a vez que ele conseguia me dar um golpe, a luta era interrompida e ele me explicava o que eu tinha feito de errado.
Meu nariz começou a sangrar um pouco – normal – e eu estava meio zonza. Acertei alguns ganchos em Cris, mas a maioria dos golpes ele defendia. É claro que ele ia defender. Ele conhecia os meus erros. Que idiota essa luta. Cris me deu mais um soco e eu caí. Passaram-se dez segundos e eu não consegui por me de pé.
Perdi.
Sentia gosto de ferro na boca. Acho que estava começando a gostar do sangue, de tão acostumada que eu estava. Cris veio até mim e me mandou tomar uma ducha. Ele falou mais alguma coisa como ‘não vou para casa hoje’ mas eu não dei atenção.
Levantei-me, tirei as luvas e o protetor bucal. Liguei o chuveiro na temperatura mais quente possível. Despi-me e entrei no Box, deixando que a água quente relaxasse meus músculos cansados. Meu nariz doía, mas eu tinha certeza que não o havia quebrado. Encostei a cabeça na divisória de mármore e fiquei encarando a porta de alumínio. Pensava em , em Cris, no boxe, pensava, pensava, pensava… Em e nosso repentino encontro. Lembrei-me das palavras de no carro.
‘- Sabe o que é? – se manifestou - Se o Cris descobrir sobre você e o , ele acaba com você e com ele também. Você não acha que é muito arriscado? Eu tenho medo. Por vocês dois. Imagina se vocês se apaixonam? Você não pode mandar no seu coração…’
Suspirei e desliguei o chuveiro. Senti frio ao sair do boxe. Ah, minha doce e velha Londres. Enxuguei-me depressa e coloquei os moletons. Quando peguei o pente para começar a pentear o cabelo, meu celular começou a tocar em cima da pia. Corri até ele e vi o identificador de chamadas. . Não expressei emoção alguma ao ler seu nome no visor. Ou pelo menos eu acho que não.
- Oi – disse ao atender.
- Como sabe que sou eu? – ele ria do outro lado da linha.
- Eu vi no identificador. – ri também. O ouvi fazer um ‘Ah’ de desapontamento.
- Olha só. – ele pigarreou - Tudo bem?
- Aham, e com você? – o que ele queria afinal?
- Bem também
Silêncio.
- Fala o que você quer. – disse rindo.
- O que vai fazer essa noite?
- Descansar. – bocejei – Saí do treino agora e ‘to cansada. – outro bocejo.
- Não quer vir descansar aqui em casa? – querer é uma coisa, poder é outra.
- É melhor ir pra casa.
- Certeza? – não.
- Sim. – fraca.
- Boa noite então, . Bom descanso.
- Boa noite – e desliguei.
Guardei minhas coisas que estavam espalhadas e saí do vestiário. Tinha alguns homens na academia, mas não cumprimentei nenhum. Quando estava abrindo a porta para sair, um dos professores me chamou e eu me virei para olhá-lo.
- , você sabe do Cris? – apenas balancei a cabeça negativamente – Ele disse que queria falar comigo, achei que fosse algo sério.
- Não sei de nada, Bob. – sorri fraco e saí da academia, me deparando com o frio cortante batendo em meu rosto. Fiz sinal para um táxi e assim que ele parou, eu o adentrei com a maior rapidez possível. Estava quente e confortável dentro do carro. Disse meu endereço ao motorista e ele seguiu. Não era longe, mas eu estava cansada para andar. E ainda por cima, andar no frio.
A corrida deu apenas sete libras. Joguei uma nota de dez em cima do banco e saí correndo para o prédio. Abri o portão e entrei. Temperatura novamente amena e confortável. Cumprimentei o porteiro e subi.
Tirei meus sapatos e joguei a bolsa em qualquer canto. Olhei para o relógio e ele marcava oito em ponto. Abri a geladeira e não tinha nada para comer. Ótimo. Comecei a resmungar pela casa sobre como mina vida era ruim e eu era injustiçada. Apertei o botão da secretária eletrônica para ver se tinha algum recado.
Nada.
Eu era uma pessoa amada, para não dizer ao contrário. Joguei-me no sofá e peguei o celular no bolso. Estava pensando em aceitar a proposta de . Cris deve estar em alguma boca de fumo e não voltaria tão cedo. Fiquei encarando o celular e quando vi, já estava na agenda telefônica, discando o número de .
- Alô? – o ouvi dizer do outro lado da linha.
- É a , . – mordi o lábio inferior.
- Ah, oi. – ele disse sem emoção. Ignorei sua falta de entusiasmo e continuei.
- Eu estava pensando... Sua proposta ainda está de pé? – coloquei o dedo indicador na boca, mordendo-o.
- É que... – ele parou de falar.
- O que, ?
- Eu já tenho planos. – assim que ele terminou de falar, ouvi uma voz feminina o chamando, melosa e chata.
- Já entendi... Tudo bem – disse desapontada.
- Depois a gente se fala? – ele estava querendo se livrar de mim.
- Ok. – e desliguei. Eu não podia ficar com raiva. Nós não tínhamos nada. Ele podia se envolver com quem quisesse e bem entendesse. Bufei com raiva e continuei pensando.
Mas ele me ligou há meia hora me chamando para ir à casa DELE!, e em menos de meia hora ele já arrumou companhia? Eu estava fervendo de ódio. Mas não era culpa dele, ou era? Respirei fundo e subi para o quarto. Tentaria dormir. , idiota.
Assim que comecei a cochilar, meu celular tocou e eu me recusei a atender. A pessoa do outro lado continuou insistindo. Peguei o aparelho e olhei no identificador. . Não iria atender.
Desliguei o celular e voltei a dormir.
16
- Bom dia, Sr. Smith – cumprimentei o porteiro e saí. Estava indo correr no parque central. Por incrível que pareça fazia dois dias que não chovia. Isso era extremamente raro aqui. Estava nublado, mas as nuvens não estavam carregadas. Elas apenas encobriam o céu. Fui caminhando até o parque, ouvindo Maroon 5 em meu Ipod. Algumas pessoas na rua ficam me olhando e me encarando. Algumas cochichavam. Eu gostava disso. Sabiam quem eu era e essa sensação é muito gratificante.
Cheguei ao parque em dez minutos. Coloquei minha mochila de baixo de uma árvore e saí para correr. O parque estava cheio. Tinha algumas crianças brincando perto do lago, umas babás correndo atrás de uns pestinhas, casais namorando, famílias passeando, pessoas correndo e... correndo ao lado de uma garota.
- Tomara que ele não me veja – murmurei.
Tarde demais. acenava ao longe, sorrindo. Otário.
- – ele se aproximava e eu fingi não tê-lo visto. Continuei correndo – ! – ele berrou meu nome e sobrenome. Parei e dei meia volta. Olhei-o por cima dos óculos escuros e me aproximei.
- Oi – sorri amarelo.
- Poxa, queria me desculpar por ontem – a menina estava parada ao seu lado, me fitando.
- Sem problemas – falei sem emoção e riu sem graça.
- O mundo está cada vez menor, não? – ele riu - Nos encontramos ontem no shopping e agora aqui.
- Pois é... – não iria puxar assunto.
- Já ia esquecendo, essa aqui é , minha irmã – ele apontou para a menina que sorriu simpática para mim. Eu apenas retribui o sorriso.
Então era ela.
- Eu adoro seu trabalho, , você é uma ótima lutadora – ela falou entusiasmada - fala muito de você! – sorriu.
Reconheci a voz chata e melosa da menina. Era a mesma de ontem. Irmã... sorri sozinha.
- Ele fala é? – disse irônica e cruzei os braços. ficou com as bochechas coradas.
- A entrevista saiu. – ele mudou de assunto - Eu ia te ligar hoje para lhe mostrar um exemplar. Ficou ótima. – ele sorria feliz - Já está em todas as bancas.
- Deve ter ficado – sorri amarelo.
- Hm... você está bem? – ele perguntou.
- Aham. Eu já vou indo – sorri para os dois – Tenho muito a fazer hoje – ficou me olhando curioso; dei as costas e continuei a correr.
, , ... fiquei repetindo o nome da menina várias vezes em minha cabeça e comecei a rir sozinha. Lembrei do episódio de padrinhos mágicos, onde Timmy canta uma música para Vicky, sua babá. Que coisa mais estúpida. Eu, pensando em padrinhos mágicos. Ri mais ainda. Irmã dele... Até que se parecem mesmo.
Corri dois km e voltei para onde minha mochila estava. Sentei em baixo da árvore para descansar. Peguei a garrafinha de água dentro da mochila e bebi. Suspirei e recostei minha cabeça no tronco da árvore.
- Preguiça de voltar para casa – falei para mim mesma, me levantando.
Caminhei até meu apartamento, quase me arrastando e encontrei Judie fazendo o almoço. Céus. Achei que fosse comer pão de novo.
- Oi Judie – sorri para ela – Vou tomar um banho.
- Tudo bem, o almoço está quase pronto.
Subi e tomei uma ducha rápida. Troquei de roupa e desci para almoçar.
- Sabe do Cris, Judie? – perguntei sentando-me a mesa.
- Sei não, dona – onde ele estaria? Judie me serviu de salada de legumes e frango gratinado. Ela sabia que eu precisava de uma dieta balanceada.
Terminei de comer e agradeci a Judie. O tempo passou rápido e já eram três da tarde e nada de Cris. Eu sinceramente esperava que ele não estivesse se metendo em encrencas.
Estava no twitter, respondendo alguns fãs, quando Cris chegou. Totalmente alterado e sujo de sangue. Céus. Fiquei encarando-o perplexa.
- Você andou brigando, Cris? – perguntei fechando o laptop. Ele não me respondeu nada. Apenas ficou cambaleando pela casa. Não iria mais agüentar isso.
- – ele chegava perto de mim e eu comecei a ficar nervosa. Isso não ia prestar.
- Eu...Eu vou subir – Disse me levantando do sofá. Ele estava sujo de sangue. Céus. O que ele havia feito? Cris me segurou e me beijou com força. Começou a tirar minha camisa e eu empurrei-o com força. Não foi difícil afastá-lo.
- Que que é? Não quer me beijar? – ele ria sarcástico – Sua GOSTOSA! – Ele estava fora de si. Eu não ia ficar em casa, aturando-o.
Peguei meu celular e liguei para . Chamava, chamava e ninguém atendia. Tentei mais uma vez e dessa vez ela atendeu. Tranquei-me no banheiro para falar com ela. Cris começou a esmurrar a porta e berrar.
- Oi, vi suas chamadas perdidas – ela falava calma.
- – falava baixo para ele não ouvir.
- Aconteceu alguma coisa? Que gritos são esses?
- ABRE A PORTA ! VEM CÁ COM SEU AMOR, VEM! – Cris falava mole e aos berros.
- Posso ir pra sua casa? – eu estava nervosa.
- Claro, claro. Quer que eu vá ai te buscar?
- AAAABRE PORRA! – Ele batia forte na porta.
- Eu, eu pego um taxi. To indo agora! – desliguei. Estava com medo de sair e Cris tentar me bater. Abri a porta do banheiro e Cris estava jogado ao chão, em frente à porta.
- Eu sabia que você ia sair e ia vir aqui ficar comigo, amor – ele se agarrava aos meus pés e eu sacudia-os, tentando fazer com que ele se soltasse. Peguei minha bolsa em cima do balcão e assim que eu estava indo em direção à porta, Cris puxou meu pé, me fazendo cair.
- Aonde você vai?
-Me larga! – exclamei, tentando me levantar, mas ele foi mais rápido e ficou por cima de mim – Me deixa em paz! QUE MERDA! – tentava empurrá-lo, mas era inútil. Mesmo drogado, ele era mais forte que eu. Eu estava deitada no chão, me debatendo, com Cris em cima de mim. – Eu vou chamar a polícia! Eles vão te prender por porte de drogas, ta ouvindo? Seu merda!
- Não vai nada – ele falava embolado e seus olhos estavam muito vermelhos. Eu me debatia para sair debaixo dele, mas não adiantava.
-? – Ouvi a voz de me chamando.
- Socor... – antes que eu terminasse de gritar, Cris tampou minha boca.
- Vadia do caralho – seu hálito tinha um cheiro que eu não conhecia. Minha amiga entrou em minha sala de estar e ficou estática ao ver a cena. Olhei para ela suplicante. Como ela conseguiu entrar? Como ela veio tão rápida?
- Sai de cima dela! – me ajudou a empurrar Cris e ele caiu pro lado. Levantei-me correndo e peguei minha bolsa que estava no chão e saí correndo do apartamento, como já fizera inúmeras vezes.
- Vamos logo – me puxava escadas a baixo. Parecia até filme policial. Eu estava me sentindo mal por ter envolvido minha amiga nisso, mas eu precisava dela.
- Ele vai vir atrás de mim – não consegui me controlar e comecei a chorar.
- Calma – Ela tentava me tranqüilizar. Rapidamente chegamos ao carro . Adentramos o veículo com a maior rapidez possível e assim que ela deu partida, pude ver Cristopher saindo pelos portões do prédio, desnorteado, procurando por mim.
- Fica mais calma, já passou – me entregava um copo d’água e eu ainda estava chorando. Minha amiga se sentou ao meu lado e começou a passar a mão em meus cabelos. também estava lá. Ele apenas me olhava sem nada dizer.
- Isso sempre acontece – dizia entre soluços – Aquilo que você viu não foi nada; ele faz coisas muito piores comigo.
- Você tem que denunciá-lo – disse calmo. Tomei um gole da água e fiquei encarando o copo em minhas mãos.
- Eu sei – suspirei um pouco mais calma.
- Por favor, , não conte isso a ninguém – pedi,colocando o copo em cima da mesa de centro.
- Eu nunca faria isso, – sorri fraco para ele.
- O que você pretende fazer? – Minha amiga me perguntou.
- Não sei – falei baixo, mais para mim, do que para ela. Suspirei – Sinceramente, eu não sei – Eu fitava o copo em cima da mesa, sem pensar em nada. - Como você chegou tão rápido?
- Eu estava na rua, perto da sua casa. Tinha ido ao super mercado... Já estava no carro, voltando quando você me ligou – Levantei as sobrancelhas.
- Dei sorte – dei um sorrisinho.
Silêncio.
- Ele estava sujo de sangue – se pronunciou.
- Eu sei – não desviei o olhar do copo. Era constrangedor para mim, ela ter visto o que viu.
- Foi você que...? – antes de ela terminar a frase, sacudia cabeça em negação.
- Ele chegou em casa daquela maneira. Ele estava drogado.
- Você vai contar a ? – , nem havia pensado nele.
- Claro que não. Ele não tem nada haver com a minha vida – disse um pouco alterada.
- Aconteceu alguma coisa entre vocês? – olhei para sem entender a pergunta. Franzi a testa e ele se explicou – Vocês brigaram?
- Não – dei os ombros. Ele ficou calado, sem entender a minha vaga resposta. Mas eu não iria me explicar para ele. Não estava com cabeça para pensar em .
- É melhor você descansar, amiga – falou docemente – Já arrumei sua cama no quarto de hóspedes. Balancei a cabeça concordando. Levantei e dei-lhe um abraço apertado – Descansa, ok? – sorri docemente e me virei, sorrindo fraco para .
- Boa noite – e fui para o quarto de hóspedes. Deite-me na cama e não demorei a pegar no sono.
17
[n/a: ponha a música para tocar apenas quando começar a cena da música] Never Say Never – The Fray
Duas semanas se passaram desde o acontecido com Cris, onde se envolvera. Eu ficara muito envergonhada por tê-la envolvido nisso tudo. Mas eu precisava dela, mais do que nunca. havia me ligado algumas vezes, mas eu o estava evitando. Pensara no que dissera. Era realmente perigoso me envolver com alguém.
Meu celular começou a tocar em cima da mesa de cabeceira. Estava deitada em minha cama e urrei alguma coisa indecifrável. Sentei-me para atender. . Li no identificador. Atenderia ou não? Suspirei, jogando os cabelos para trás.
- Oi – disse sem emoção.Ele não ia desistir...
- Ta fugindo de mim, é? – ele dizia divertido.
Sim – pensei.
- Não – menti.
- Estou tentando falar com você há duas semanas – mordi o lábio inferior.
- Eu estava muito ocupada, desculpe.
- Tudo bem, eu quero te mostrar a revista. Você pode vir aqui – ele pigarreou – , se você quiser, é claro.
- É... – estava pensando em uma desculpa esfarrapada. Nada vinha a minha mente – Tudo bem – fechei os olhos, arrependida.
- Você está livre hoje? As sete?
- Uhum – falei.
- Aconteceu alguma coisa, ? – sua voz expressava curiosidade.
- Não – monossilábica.
- Tudo bem, então. To ansioso pra te ver e ficar sozinho com você – ele falou calmo. Sorri sozinha e não disse nada.
- Até mais tarde, .
- Até – desliguei e me joguei na cama. Que merda eu acabara de fazer? Eu havia me prometido que não o veria de novo. Sou uma fraca mesmo.
Eram três da tarde e eu estava sozinha em casa, em pleno sábado. Cris não aparecia há três dias e eu estava tendo paz.
O dia passou devagar. Não sei se era minha – indevida- ansiedade para encontrar , ou era apenas mera coincidência. Olhei para meu relógio de pulso e eram seis e meia da noite. Eu já estava devidamente arrumada. Peguei as chaves do meu carro em cima da bancada e saí, trancando a porta atrás de mim.
Dirigi até a casa de . Lembrava-me perfeitamente do caminho. Parei em frente a seu prédio e liguei para ele.
- , qual o número do apartamento? – disse enquanto estacionava o carro. Desci do veículo e apertei o número no interfone. Ele nem perguntou quem era, apenas abriu o portão.
Adentrei o prédio e sorri sozinha, me lembrando da última vez que estivera ali. Peguei o elevador e saltei em seu andar. O corredor era grande. Parecia maior que da outra vez.
- E ai, ta aonde? – me ligando.
- No seu andar – disse olhando para os lados, para ver se alguma porta se abria.
- Número 703 – fui andando em direção ao apartamento, que era no final do corredor. Ele abriu a porta antes que eu chegasse perto. Ele sorria docemente – Já achou? – disse brincando, me olhando.
- Não, ainda não. Muito difícil– disse rindo.
estava lindo. Simples, mas lindo, comm os cabelos bagunçados, uma bermuda xadrez e uma blusa branca gola v. Fitei-o da cabeça aos pés, ele percebeu e riu.
- Tem algo errado comigo? – ele disse rindo, fechando a porta atrás de si. Com certeza ele queria me fazer ficar constrangida, mas não conseguiria.
- Não. É que você ‘ta muito gato. É meio difícil não reparar – sorri vitoriosa.
Adentrei o apartamento já conhecido e sentei-me no sofá.
- Quer alguma coisa? Uma água, um suco, uma cerveja? – ele disse indo até a cozinha.
- Não, obrigada – Fiquei observando-o até desaparecer de vista. Passei os olhos pela sala de estar. Nada mudara desde que eu estivera ali. Um minuto depois, estava de volta, segurando uma latinha de cerveja.
- Vou ali ao escritório pegar a revista para te mostrar – apenas afirmei com a cabeça e em segundos ele estava de volta, sentado ao meu lado. Seu cheiro era muito bom. Não era perfume, era apenas o cheiro da sua pele – Aqui – ele disse me entregando a revista e dando um gole em sua bebida.
- Eu sou a capa? – olhei para ele surpresa. Ele apenas riu e confirmou com a cabeça.
- Pelo que eu tenho visto e ouvido, as críticas foram muito boas – olhei para ele, franzindo a testa – Da sua luta – ele riu.
- Ah sim – concordei e comecei a folhar a revista. Senti seu olhar sobre mim – Tem algo errado comigo? – ri, me virando para olhá-lo.
- Não. É que você ‘ta muito gata. É meio difícil não reparar – sorri, balançando a cabeça e voltando minha atenção à revista. Cheguei à parte da minha entrevista e gargalhei ao ler a primeira frase da página.
- ‘ Fiquei surpreso ao ver pela primeira vez sem um par de luvas de boxe e roupas de luta. A Boxeadora fora dos ringues consegue ser feminina e sensual’ – li em voz alta e ri com me acompanhando – Me explica isso.
- Ué, eu sou um repórter. Eu tenho que notificar absolutamente tudo em uma entrevista – ele deu um gole em sua cerveja. Formou-se um bigode de espuma em cima de seu lábio superior e eu ri. Apontei para o bigode e ele passou a língua, lambendo e eu segui o movimento com meus olhos. Sexy. Muito sexy.
- Tudo? – perguntei, voltando ao assunto.
- Quase tudo – ele sorriu malicioso. Imagina se ele escreve sobre o nosso flerte?
Continuei lendo a reportagem. Ele fora muito fiel às coisas que eu lhe disse.
- Parabéns – sorri e lhe entreguei a ‘Sport News’ em suas mãos.
- Essa cópia é sua – ele riu docemente – Presente – sorri agradecida e guardei a cópia em minha bolsa.
- Bom, já vi a revista, acho que vou indo – disse me levantando.
- Como é? – ele se levantou também, sem entender.
- É...Eu vim aqui para você me mostrar a revista. Eu já vi. Agora eu tenho que ir pra casa – sorri sem graça.
- O que ta acontecendo? Desde o dia que a gente se viu no shopping você está estranha comigo. – franzi a testa, me fingindo de desentendida – Você não atende meus telefonemas, parece que está... sei lá, fugindo de mim. Aconteceu alguma coisa?
- Não – falei com indiferença. Ele ficou me fitando e eu não consegui decifrar sua expressão.
Silêncio.
- Você não quer mais sair comigo? – Não disse nada, apenas soltei um suspiro pesado.
- Eu tenho que ir – Eu não queria estar fazendo aquilo, mas eu não queria me envolver emocionalmente com ninguém. E isso com certeza ia acontecer se eu ficasse me encontrando com ele. Eu já estava balançada e seria pior para os dois. Tentei dar um passo em direção à porta, mas estava em minha frente, impedindo minha passagem.
- Eu só quero uma resposta – ele dizia sério – Eu gostei de verdade de sair com você. Gostei da noite que passamos juntos. – não queria ouvir aquilo. Não queria saber o que ele achava, só queria ir embora dali o mais rápido possível – Por favor. Se você quiser, eu paro de te procurar – que merda de vida.
- Eu... – queria gritar, queria chorar, queria me jogar em seus braços, mas não podia...Não devia – Eu tenho namorado. O que aconteceu foi coisa de momento. Eu estava bêbada, nós nuncadevíamos ter feito o que fizemos – as palavras saíram rasgando minha garganta. Queria me matar, só por ter que ver a expressão de ao ouvir o que eu acabara de dizer. Ele passou a língua levemente pelo lábio inferior, provavelmente processando a informação. Ele suspirou e eu apenas fiquei o fitando. Ele não olhava para mim.
-Não parecia que você tinha namorado quando nós transamos – olhei para ele séria – Mas tudo bem – ele soltou uma risada pelo nariz –, as pessoas cometem erros. – ele subiu o olhar e ficou me fitando. Aquilo estava me matando, mas o que eu poderia fazer? Nada. Absolutamente nada.
Some things we don't talk about
Rather do without
And just hold the smile
Falling in and out of love
Ashamed and proud of
Together all the while
- Pois é – falei baixo. Eu não o amava. Não o conhecia suficiente para chamar o que eu sentia de amor. Mas eu gostava dele. Gostava mesmo. Um silêncio cortante tomou conta do ambiente e eu estava me sentindo péssima. me olhava e por alguns segundos sustentei o olhar.
- Porque você aceitou vir até aqui hoje? – desviei os meus olhos dos dele para não chorar.
You can never say never
While we don't know when
Time and time again
Younger now then we were before
- Você disse que queria me mostrar a revista. Achei que fosse um encontro profissional – disse baixo, quase murmurando.
- Profissional? – ele riu sarcasticamente – A gente já saiu para um encontro, passamos uma noite juntos...Eu já te liguei várias vezes para ver se nós podíamos nos encontrar de novo e agora você vem com essa de ‘ eu tenho namorado e encontro profissional’ ? Você sabia muito bem do porque que eu queria você aqui – eu apenas ouvia. Ele estava certo – Vai dizer que não sente vontade de me beijar? – engoli seco. É claro que eu sentia. Mas não podia admitir. Ele de repente me puxou pela cintura, fazendo-me ficar colada em seu corpo. Sua respiração era falha, assim como a minha e eu conseguia senti-la em minha boca. O cheiro de sua pele... Tudo me induzia a ele – Agora diz que não quer me beijar, diz que a gente não devia ter feito o que fez. Diz! – ele disse num sussurro, olhos nos olhos, tão perto de mim... acariciou meus cabelos, colocando uma mecha atrás de minha orelha. Fechei os olhos, sentindo seu toque. Ele encostou sua testa na minha e ficamos assim por alguns segundos. Meu coração estava pulando dentro de meu peito, mas imagem de Cris veio em minha mente e eu logo retomei a consciência.
Don't let me go,
Don't let me go,
Don't let me go,
Don't let me go,
Don't let me go,
Don't let me go
- Eu tenho que ir – murmurei e ele finalmente me soltou, abrindo caminho para eu passar. Caminhei até a porta da sala e eu mesma a abri. Antes de sair, olhei para trás e estava estático.
- Eu estava gostando de você. – ele se virou, olhando para mim - Não acho que o que tivemos, tenha sido apenas aquela noite. Eu fiquei pensando em você desde então – eu queria chorar, meus olhos ardiam, mas me segurei – Isso não acontece comigo há muito tempo, em relação à mulher alguma – olhei para ele com os olhos tristes e fechei a porta atrás de mim, indo embora sem ao menos dizer adeus.
Picture you're the queen of everything
Far as the eye can see
Under your command
I will be your guardian
When all is crumbling
I'll steady your hand
Apertei o botão do elevador, sentindo uma lágrima escorrer. Depois de alguns segundos, eu estava chorando de verdade. Algumas pessoas que estavam no elevador, me olhavam com curiosidade. Ignorei todas elas. Saí do prédio quase correndo, entrando no carro depressa. Eu estava sentindo um aperto no peito que não sabia explicar. Não sabia o que estava sentindo. Eu nunca lidei com isso. Tanto tempo com Cris, já havia me acostumado com a frieza... Eu mal conhecia esse cara e estava chorando por causa dele. Estava me sentindo uma idiota. Não era amor, com certeza não. Mas e se fosse paixão? E se eu estivesse apaixonada? Eu precisava de uma solução.
You can never say never
While we don't know whem
Time, time and time again
Younger now then we were before
Meu coração estava acelerado e eu não sabia como controlar isso. Fiquei alguns minutos dentro do carro chorando, até que me acalmei e dei partida no carro, indo em direção a casa de . Eu precisava conversar com ela.
Don't let me go,
Don't let me go,
Don't let me go,
Don't let me go,
Don't let me go,
Don't let me go
Eu estava chorando, não apenas por causa de , mas por causa de Cris. Da minha submissão a ele. Seu eu fosse livre, eu poderia me envolver com quem eu quisesse e não precisaria ficar fazendo jogos. Eu não deveria ter ficado com ele. Mas desde a primeira vez que o vi, no torneio de boxe, ele mexeu comigo e agora ele nunca mais iria querer olhar na minha cara.
We're falling apart
And coming together again and again
We're growing apart
But we pull it together,
Pull it together, together again
Eu não conseguia parar de chorar, minha visão estava embaçada e eu diria velozmente até a casa de minha amiga. Era um pouco longe dali e já estava tarde. Ia ligar para , avisando que estava indo para lá.
- – disse entre soluços.
- ? Aconteceu alguma coisa? O que Cris fez? – ela dizia preocupada.
- Não tem nada haver com Cris. Eu estou indo até ai, tudo bem?
- Claro. Você está aonde?
- Acabei de sair da casa de .
- Ok. Estou te esperando – desliguei, jogando o celular em cima do banco do carona.
Don't let me go,
Don't let me go,
Don't let me go,
Don't let me go,
Don't let me GO.
18
- Não acredito que você fez isso, amiga – me olhava perplexa depois de ouvir tudo o que acontecera comigo e com há poucos instantes.
- Fiz... – falei quase em um sussurro – O que eu iria fazer? Dizer que eu queria ficar com ele? Eu não podia... – meus olhos começaram a arder de novo e eu queria chorar.
- Ai, amiga – se aproximou, dando-me um abraço. A abracei e comecei a chorar em seu ombro. Eu estava realmente me sentindo péssima e minha amiga tentava me consolar.
- Sabe o que ele me disse? – disse me desvencilhando dela. não disse nada, apenas esperou eu falar – Que estava gostando de mim. Que não se sentia assim em relação à mulher nenhuma há um tempo... Tudo culpa do Cris, que ÓDIO! – ela me olhava com piedade.
Já estava na casa de há algumas horas e ela já havia me aconselhado.
- Vai dar tudo certo, – ela pegou na minha mão e segurou com força.
- Eu sei que vai – sorri fraco para ela – Eu tenho que ir – disse me levantando.
- Qualquer coisa me liga, ok? – ela disse me levando até a porta.
- Pode deixar – dei um último abraço nela – Obrigada – sorri e sai.
- Só pode ser brincadeira – exclamei, assim que entrei em casa e vi os recados na secretária eletrônica. Como se minha noite já não estivesse sendo ruim o suficiente, aquele animal do Cristopher estava no hospital. Por mim ele podia morrer que eu não iria ligar. Já eram dez e alguma coisa e lá estava eu, indo direto para o hospital.
Cheguei ao local e fui até o balcão, logo no hall de entrada
- Boa noite – a secretária me olhou com indiferença. Ela estava mascando um chiclete de boca aberta e estava fazendo um barulho nojento – Meu namorado deu entrada aqui hoje. Ele se chama Cristopher White.
- Qual seu nome? – ela perguntou.
-
Vou checar – ela disse com a voz nasalada. Sentei-me em uma cadeira e esperei a mulher me chamar e dizer onde era o quarto de Cris.
- ? – que voz irritante! Fui até ela – Identidade? – mostrei-lhe o documento e ela me deu um crachá, onde se lia ‘visitante’ – Ele está na emergência.
- E onde fica? – estava sem paciência e ela me olhou feio.
- Ele vai lhe acompanhar. – ela apontou para um homem que parecia ser médico, pois vestia uma roupa toda branca.
- Leve-a até a emergência, por favor, Roger – O homem concordou.
- Obrigada – falei entre os dentes e sai andando com ele.
Seguimos em silêncio e adentramos a grande sala da emergência, cheia de leitos. Passei os olhos pelo local, procurando por Cris. Antes que eu pudesse ir até o leito de Cris, Roger me dirigiu a palavra.
- Você tem quinze minutos, ok? – concordei com a cabeça e fui até Cristopher. Levei um susto ao ver o estado dele.
- Oh meu Deus, o que aconteceu com você? – meu queixo caiu. Ele estava todo incubado, com sondas e com ferimentos pelo rosto. Seu braço esquerdo estava engessado. Estava dormindo e provavelmente sedado. Vi um médico se aproximar e fui falar com ele.
- Doutor... Boa noite. – o homem aparentava ter uns cinqüenta anos e era bem apessoado – O senhor que está com o caso de Cris? – apontei para ele, na maca.
- Sim, eu estava esperando chegar algum familiar para poder averiguar o caso – ele dizia simpático – Você é o que do paciente?
- Namorada – torci a boca ao falar. O doutor me conduziu até fora da emergia, onde havia uma sala de espera. O médico sentou e fez menção para que eu fizesse também. Estava ficando preocupada.
- Sra...?
- – respondi e ele continuou.
- Sra , seu namorado foi encontrado na rua por um policial e foi trazido para cá – ele lia no formulário – Ele continha substâncias tóxicas no sangue, como drogas alucinógenas e um alto teor de álcool – eu ouvia atenta – Ele está estabilizado – merda, podia morrer, desgraçado -, mas ele foi gravemente agredido, e quem fez isso tinha intenção de matá-lo – ele me olhou sério - Você tem noção do culpado?
- Não – disse baixo – Cris está fora de casa a três dias – se metendo em encrencas – e eu não conseguia falar com ele – mentira. Eu nem ao menos tentara – Eu fui a hospitais e delegacias, mas não o encontrei. Doutor Hummel – li no crachá – concordou com a cabeça.
- Ele tem dependência química? – e agora? O que eu diria a ele? Não podia dizer que ele é um viciado, louco.
- Não que eu saiba – ele me perguntava e anotava minhas respostas na prancheta.
- A senhorita é a parente mais próxima de Cristopher? – concordei com a cabeça. Os pais dele moravam em Essex e não viam o filho há anos.
- Posso ir vê-lo? – ele concordou. Levantei-me e entrei na sala de emergência. Fui até o leito de Cris e fiquei observando-o. Bem feito, canalha. Pensei comigo.
- ? – ele estava abrindo os olhos lentamente e sorriu fraco a me ver. Cheguei perto do ouvido dele e falei baixo.
- Pena que você não está morto. – disse ironicamente - Quem fez isso com você, vai voltar a te procurar e se te encontrar vivo e tomara que essa pessoa faça o serviço bem feito. Com certeza você estava em alguma boca de fumo – minha voz continha desprezo – Seu canalha – Ele mal conseguia falar por causa dos aparelhos – E outra: eu não vou te transferir de hospital. Você vai continuar aqui, nessa ralé de hospital público – Ele com certeza estava me xingando por dentro. Não liguei. Olhei para Cris uma última vez caminhei sala a fora. Antes que eu pudesse pegar o elevador, vi um homem entrando na emergência, e eu conhecia aquele homem, mas não me lembrava de onde. Voltei à sala e vi que o tal cara, estava no leito de Cristopher. Um flash veio a minha mente. Era o Lucas, o tal cara que estava na academia a um tempo, procurando por Cris. Ele me parecia bem estranho, tinha os olhos fundos e vermelhos. Seu olhar não se fixava em um ponto. Ele estava drogado, com certeza. Saí da sala atormentada. Será que eles eram cúmplices? Será que Cris tinha realmente matado um homem? Eu não entendia. Eu poderia estar correndo um risco de vida? Céus.
Cheguei ao apartamento não acreditando no que estava acontecendo. Sentei-me no sofá e afundei meu rosto em minhas mãos. O que eu iria fazer agora, meu Deus? Briguei com , Cris está internado e provavelmente jurado de morte e eu precisava descobrir em que ele estava se metendo. Tinha medo da repercussão que isso daria em minha carreira. Acho que agora é a hora de terminar com Cristopher. Ele está frágil por causa de seu vício. Olhei para meu relógio de pulso e os ponteiros marcavam meia noite e vinte cinco. Hora de dormir. Amanhã eu pediria a opinião de . Precisava dela, precisava de seus conselhos e seu apoio.
19
[N/a: Ponha para tocar, assim que começar a cena da música (Gravity- Sara Bareilles)]
-Eu quero passar. Com licença! – pedi com educação a um repórter que insistia em me seguir. Estava indo até a Starbucks comprar um café forte. Passei uma péssima noite, pensando em e em Cris. Alguns noticiários começaram a divulgar a internação de Cristopher, eles queriam saber detallhes e estavam atrás de mim, procurando por respostas que eu não daria. O desgraçado do repórter continuava a me seguir.
- Só algumas perguntas, , por favor! – o homem insistia. Parei de andar e olhei bem para a câmera.
- Eu não vou dizer nada sobre o Cristopher. Por favor, respeitem! Eu posso comprar meu café em paz? – e sai andando. Finalmente cheguei à cafeteria e eles ficaram do lado de fora, tirando fotos.
- Se eu fosse você, já o teria feito há muito tempo, . Você pode muito bem arrumar outro treinador. Você é melhor boxeadora do mundo. Você é a campeã do maior torneio de boxe do mundo. Tem milhares de profissionais querendo ocupar o lugar de Cris. - Contei-lhe sobre a internação de Cristopher e sobre o fato de eu pensar seriamente em terminar com ele. Estava de tarde e eu passaria o dia na casa de minha amiga.
- Vou fazer isso então. Assim que ele sair do hospital. Vou deixar pra lá essa história de Cris e Lucas. Não é da minha conta. Eu não quero me meter em problemas maiores – disse pensativa.
- Faça isso – ela sorriu – O daqui a pouco vem pra cá – ela disse sorrindo.
- Ah, . Não vou ficar aqui atrapalhando vocês... - disse pegando minha bolsa.
- Larga de ser boba, garota – ela disse pegando a bolsa da minha mão e jogando do lado oposto da cama – A gente vai assistir a um filme – ela estava sorridente.
- Você gosta mesmo dele, não é? – disse, virando-me de frente para ela, sorrindo.
- Gosto – ela se virou pra mim também – Ele é tudo o que eu sempre quis – seus olhos brilhavam – Ele é engraçado, divertido, amigo... – afirmei com a cabeça – Muito engraçado. Você ficou logo com o melhor amigo dele e por coincidência – ela riu – Que mundo pequeno!
- Pois é – disse sem emoção. Doía pensar em .
- Ele é um cara super legal. – ela disse olhando para o nada.
- Quem? O ? – franzi a testa.
- Também – ela riu –, mas to falando do – suspirei.
- Não tive tempo de descobrir – sorri fraco.
-Ow amiga, desculpa! – ela disse fazendo uma voz melosa e vindo me abraçar.
- Relaxa – a campainha tocou e ela se soltou do abraço.
- Ah – Cata deu um pulo, indo em direção a sala – Deve ser ele! – Era linda a maneira como ela falava de . Eu sentia uma pontinha de inveja. Não inveja por , mas porque eu nunca tive um relacionamento assim. Os meus sempre foram fracassados.
- Amor – ouvi a voz de e me levantei da cama de , indo em direção a sala. Parei no corredor, estática ao ver quem estava ali. Ele não havia me visto, pois estava falando algo com . se virou para falar com seu amigo e nossos olhos se encontraram. Meu coração acelerou. Céus, o que era isso que eu estava sentindo? Engoli seco. Eu sabia que teria que encará-lo algum dia, mas não sabia que esse dia chegaria tão rápido. Não consegui desviar o olhar e passei levemente a lingua pelo lábio inferior.
- Oi – ele me cumprimentou educadamente.
-Tudo bem? – sorri fraco, passando as mãos por meus braços. Não era frio e sim nervosismo. me lançou um olhar de desculpas e eu sorri, sacudindo a cabeça, como quem diz ‘tudo bem’.
- E ai ! – veio me dar um abraço.
- Ta malhando é? – ele me deu um abraço forte e eu brinquei com ele, para disfarçar o clima ruim que ali pairava.
- Que nada! – ele riu – É a que me dá trabalho – minha amiga ficou vermelha, dando um tapinha no braço de seu namorado. Eu e rimos.
- Poxa amor – ele passou a mão no local onde ela havia batido. riu e lhe deu um selinho. Nossos olhos se encontraram de novo e dessa vez, eu não fiquei sustentando o olhar.
- E ai, casal. Vamos ao filme? – se manifestou - Eu quero assistir uma comédia – ele falou como uma criança.
- Ah não, comédia romântica – disse olhando para , para que ele a apoiasse.
- Eu prefiro uma ficção cientifica – ele disse ignorando o olhar da namorada, dando os ombros. Ela deu língua para , feito criança.
- Eu também gosto de comédia – falei me jogando no sofá.
- Dois contra um – disse rindo, sentando-se na outra extremidade do sofá. Provavelmente estava me evitando.
- Vamos ver comédia romântica e acabou – fez bico e sentou-se no chão, abrindo a gaveta de sua estante, pegando o DVD de ‘Um Amor Para Recordar’ – Tcharã! – ela disse mostrando-nos o objeto. rolou os olhos.
- Pela milésima vez NÃO! A gente sempre assiste a esse filme, amor – rolou os olhos e jogou o DVD de volta a gaveta. Eu ri. se levantou e foi até a varanda, olhar o céu. Era estranho o que eu estava sentido, ele estava tão perto de mim, mas ao mesmo tempo tão longe.
Parece clichê, mas era exatamente isso o que eu sentia.
- Então vai ser ‘Letra e Música’ – ela sorriu e se jogou na poltrona, derrotado.
- Eu AMO esse filme – sorri para e a mesma levantou para colocá-lo no aparelho de DVD.
- , o filme vai começar – gritou e ele voltou, sentando-se no mesmo lugar de antes.
- Amiga, me ajuda com os aperitivos? – ela disse me dando um olhar significativo e eu fui direção a cozinha, sendo seguida por ela – Olha. Desculpa – ela dizia baixo – Eu não sabia que o viria e o não sabia que você viria. Foi um mal entendido.
- Não se preocupe. Sério – sorri fraco – Ta tudo bem – ela entortou a boca e me deu um abraço.
- Me ajuda aqui – ela pegou uns potes e colocou pipoca no microondas – Pegue umas cervejas na geladeira, por favor – Fiz o que ela havia pedido e minutos depois estávamos na sala, comendo pipoca, bebendo cerveja e assistindo ‘Letra e Música’ . estava na poltrona e no chão, entre suas pernas. Eu estava em uma extremidade do sofá e na outra. Assistíamos ao filme tranquilamente. Algumas vezes sentia o olhar de sobre mim. Às vezes fazia comentários como: ‘Hugh Grant é o maior gato, né? ‘ e seu namorado a olhava de cara feia. Eu queria estar jogada nos braços de , com ele fazendo carinho em mim, mas eu não podia. Acho que o romance de Letra e Música não caiu muito bem. O filme terminou e começou a chorar. Olhei para ela, incrédula.
- Não acredito que você está chorando! – gargalhei.
- É que... Que... – ela enxugava as lágrimas que caiam – Esse filme é lindo! – gargalhei mais ainda.
- Você está vendo o que eu tenho que agüentar? – disse rindo, recebendo um olhar reprovador de sua namorada. estava quieto.
- – ele se manifestou e nós três olhamos para ele, que riu, ignorando os olhares de nossos amigos – Posso falar com você um segundo? – olhei para pelo canto olho e ela me encorajou, afirmando com a cabeça. Levantei do sofá e fui até a varanda com em meu encalço. Céus, o que era dessa vez? Ele apoiou-se no parapeito da varanda e ficou fitando o horizonte. Fiz a mesma coisa e nada dissemos por alguns segundos.
Something always brings me back to you. It never takes too long.
No matter what I say or do I'll still feel you here 'til the moment I'm gone.
You hold me without touch. You keep me without chains.
I never wanted anything so much than to drown in your love and not feel your rain.
- Eu não consigo tirar você da minha cabeça – ele se manifestou, mas ainda sem olhar para mim. Fechei os olhos, sentindo uma facada em meu peito. De novo não...
- Nós já conversamos sobre isso e... – ele me cortou.
- Eu sei, eu sei... – peguei fôlego pra continuar a falar, mas ele me interrompeu novamente – Mas eu quero entender – ele se virou e ficou de lado.
- Entender o que? – me virei e fiquei de frente para ele, olhando no fundo de seus olhos.
Set me free, leave me be.
I don't want to fall another moment into your gravity.
Here I am and I stand so tall, just the way I'm supposed to be.
But you're on to me and all over me.
- Você na loja de música me tratou da mesma maneira de antes, quando você esteve em minha casa, na boate e na entrevista. – engoli seco – Toda maliciosa, retribuindo as coisas que eu dizia.
- Eu sei... – disse baixo Eu contaria ou não sobre meu termino com Cris? Quer dizer, eu iria terminar com ele, mas será precipitado demais? - Eu vou terminar com Cris – as palavras simplesmente saíram da minha boca e eu me arrependi no exato momento em que terminei de falar. Seus olhos emitiram um brilho, mesmo sem ele querer. Seus lábios se puxaram para cima, se formando um sorriso sem graça.
- E você não quer nada comigo? – ele me olhava.
- Não é isso... É que... – suspirei – Eu tenho medo – desviei meu olhar de seu e voltei a olhar o céu.
You loved me 'cause I'm fragile. When I thought that I was strong.
But you touch me for a little while and all my fragile strength is gone.
- Medo de que? – Ele pegou em meu queixo, virando meu rosto para ele novamente. Eu iria ser verdadeira com ele, pelo menos uma vez.
- De me envolver demais e acabar me magoando – ele concordou com a cabeça – Você não tem idéia de como é minha vida, . Você não me conhece direito. Eu não quero mais sofrer... Todos os meus relacionamentos foram fracassados, eu não preciso de mais um pra minha lista. Sério!
Set me free, leave me be.
I don't want to fall another moment into your gravity.
Here I am and I stand so tall, just the way I'm supposed to be.
But you're on to me and all over me.
- Fica comigo – ele falava calmamente, ignorando tudo o que eu havia dito e se aproximou de mim, ficando a uma pouca distância do meu rosto. – Não estou te pedindo um relacionamento sério...
Quero sentir seu perfume em meu travesseiro – suas mãos envolviam minha cintura – quero percorrer toda a extensão de seu corpo com minhas mãos, quero você sussurrando besteiras em meu ouvido – a cada palavra dita por ele, era mais difícil resistir, ele sabia como seduzir uma mulher, então me deixei levar. Eu iria correr o risco – quero sua boca na minha – elevou uma de suas mãos até meu rosto e me beijou de leve, sorrindo. Fechei meus olhos ao sentir seu toque tão leve. Coloquei minhas mãos em sua nuca e dei passagem a sua língua. Meu coração estava acelerado e eu estava sentindo uma paz, que não sentia há muito tempo.
I live here on my knees as I try to make you see that you're
everything I think I need here on the ground.
But you're neither friend nor foe though I can't seem to let you go.
The one thing that I still know is that you're keeping me down.
Nosso beijo era calmo e acariciava meus cabelos, até que nos separamos e eu olhei para ele sorrindo – Isso foi um sim? – seu olhar era penetrante eu apenas confirmei com a cabeça, enquanto sorria. O abracei e ele ficou sem reação. Depois de alguns segundos, ele envolveu seus braços em volta de meu corpo, enquanto minha cabeça estava repousada em seu ombro. beijou o topo de minha cabeça e eu sorri. Será isso um novo começo?
You’re on to me, you’re on to me and all over...
Something always brings me back to you. It never takes too long.
20
Fall – The Saturdays
Cristopher recebera auta do hospital dois dias depois de sua internação. Eu e não nos encontramos desde que estivemos na casa de , só nos falamos por telefone e eu sentia saudades dele.
Estava em casa, esperando Cris chegar para conversar com ele e acabar com qualquer vínculo entre nós. Já havia preparado todo o discurso e agora seria pra valer. Nosso contrato estava em minhas mãos e graças a Deus ele já havia expirado. Isso iria acabar e eu viveria minha vida. Ainda não conseguira um novo treinador, mas isso era questão de tempo. Ele chegou e não falou comigo, apenas subiu e foi tomar um banho. Seu braço estaja engessado e ainda tinha alguns ferimentos leves pelo rosto.
- Quero falar com você – ele não me olhou, apenas começou a se despir – É importante – disse séria.
I gave you all you desired, all that you needed, boy I provided it. (Eu te dei tudo que você desejou, tudo o que você precisava, eu o forneci)
I let you into my head, into my bed and that's a privilege. (Deixei você entrar na minha cabeça, na minha cama e isso é um privilégio)
I had your back and the answers, you took the dollars, I took the chances (Eu era seu apoio e tinha as respostas, você pegou os dólares e eu, as oportunidades)
- O que você quer? Quer me perturbar? – rolei os olhos – Vá pro inferno – ele ia fechar a porta na minha cara, mas eu a segurei antes que ele o fizesse.
- Eu estou terminando com você e te despedindo do seu cargo – minhas mãos tremiam, mas eu fui firme. Ele estava de costas para mim, entrando no Box e simplesmente parou quando ouviu o que eu disse. Esqueci todo o discurso que havia preparado e apenas disse o que meu coração estava me mandando dizer.
- Como é? – ele se virou, apenas de cueca e me encarou. Eu estava séria.
- É isso mesmo que você ouviu – olhei no fundo de seus olhos. Ele soltou uma risada pelo nariz e entrou no Box, não ligando para o que eu havia dito. Eu saí do banheiro, fechando a porta atrás de mim. Fui até o quarto para pegar algumas coisas minhas, mas apenas as que eu mais precisaria de imediato. Coloquei tudo em uma mala. Depois voltaria para pegar o resto. Cris saiu do banho, indo até o quarto.
Defended battles than fought, (Eu defendi, ou melhor, eu lutei)
'Cause I really thought you loved me. (porque eu achava mesmo que você me amava)
I don't know where to start or where to stop, no (Não sei por onde começar ou onde parar)
But I know why I'm done, I've had enough (Mas sei que estou cansada, já tive o bastante)
So... (então)
- Que isso? – ele falou apontando para as malas.
- Eu estou indo embora – disse pegando meu casaco e o vestindo. Estava frio e nevando lá fora – Sabe de uma coisa? Eu te dei meu amor – disse olhando para ele – Eu amei você, Cristipher. Você simplesmente ignorou. Eu larguei tudo o que eu tinha por sua causa. Tudo o que eu tinha eu perdi, achando que estava ganhando algo muito mais precioso que era o seu amor. – ele ouvia tudo quieto – Mas que amor é esse? Você diz que me ama, mas é tudo farsa.
- Eu te amo, – ele disse e eu ignorei.
Isso que você chama de amor é doença, você precisa se tratar. Eu tenho nojo – minha voz continha desprezo – ódio, raiva de você. Cristopher, agora você vai se dar mal, vai pagar por tudo que você me fez, por cada coisa que me fez passar. Você agora está drogado, jurado de morte e desempregado. Depois que eu arruinar seu nome no ramo dos esportes, eu duvido que algum boxeador vá querer você como treinador. – eu estava mais calma e falava tudo com sinceridade - Eu não merecia isso. Não mesmo. – terminei de falar e voltei a minha mala, fechando-a.
Fall out of my hands, out of my heart (Saia fora de minhas mãos, fora do meu coração
And when you hit the ground (E quando você chegar ao chão
You'll be sorry that I'm not around (Você se arrependerá por eu não estar ao seu lado)
I will watch you while you.. (Eu o observarei enquanto você)
- Você não está falando sério – ele disse com um sorriso sarcástico nos lábios – Pára de drama.
- Eu estou. Como nunca estive antes. Não quero mais você me dizendo o que fazer, não quero mais você estuprando – meus olhos arderam e eu comecei a querer chorar, só de me lembrar das coisas que ele fazia comigo – não quero mais você me maltratando e me prendendo em casa, não quero mais você pondo minha vida em risco, Cristopher. Acabou! Dessa vez é pra valer. – falei séria.
- Qual o nome dele? – Cris disse fechando os olhos, furioso.
- Dele quem?
- Do homem pelo qual você está me trocando! – ele me olhava fixamente.
- Não tem ninguém, Cristipher! – menti.
Fall out of your mind, out of your fantasy (Cai fora de sua mente, fora de sua fantasia)
When you hit the wall(Quando você bater na parede)
You'll think of me(Você pensará em mim)
I'll be on the top just watching you fall(Estarei no topo, apenas observando você cair)
- VOCÊ ESTÁ MENTINDO! – Ele já estava vermelho e cuspia ao falar – VOCÊ É MINHA NAMORADA. NÃO VAI A LUGAR ALGUM!
- Eu não quero brigar com você – disse calma, colocando minha mala no chão – Deixe-me passar – Ele estava na porta do quarto, impedindo minha passagem.
- VOCÊ NÃO VAI! – ele gritou e eu fechei os punhos, nervosa – Eu te amo, poxa – ele dizia olhando em meus olhos e eu o olhava com nojo e desprezo.
- Eu tenho nojo de você. NOJO! – sai do quarto, mas Cris não me deixaria ir assim, tão fácil.
You said that you were the strong one(Você disse que era o forte)
I was the girl and I was the young one(Eu era a garota, eu era a jovem)
I kept your feet on the ground(Eu mantive seus pés no chão
My head in the rounds, I had you(Minha cabeça nos seus braços, eu tinha você)
- , por favor, fica! – ele se ajoelhou aos meus pés. Era sempre assim. Ele começava seu discurso todo carinhoso e depois partia para a agressão.
- Larga minha perna – pedi – Você está machucado, vai se machucar mais ainda.
- Não vou largar até você dizer que fica comigo – era uma cena patética.
- NÃO VOU FICAR COM VOCÊ. EU TENHO ÓDIO DE VOCÊ! – gritei, chutando-o, fazendo-o largar minha perna e cair sentado, batendo com seu gesso no chão.
- É assim que vai ser? – ele disse em um tom sarcástico – Eu vou ter que usar a força, para te fazer ficar?
You said that you'd be so grateful(Você disse que seria muito grato)
I was with you and I'd be so faithful(Eu estaria com você, e seria tão fiel)
I stood by in all that you said(Eu me apoiei em tudo o que você disse)
And all that you dare, I loved you(Em tudo o que se atreveu, eu te amava)
- Você não vai conseguir fazer com que eu fique! Você pode me bater, Cris. Mas depois, eu vou embora e vou dar parte de você na delegacia– o ameacei.
- Tente! – ele disse me jogando no sofá com dificuldade e ficando por cima de mim. Ele iria me estuprar. As lágrimas começaram a rolar.
- Me larga! – implorei.
I don't know how to act, or what to say(Não sei como agir, ou o que dizer)
But I know I am good, I'll be okay(Mas sei que estou boa, eu ficarei bem)
And you'll... (E você..)
- Fica quieta, se não eu te mato! – ele disse e beijou meu pescoço. Eu chorava descontroladamente. Mas essa seria a última vez. Eu estava prometendo para mim mesma. A cada toque seu, uma lágrima minha escapava. Eu me sentia a mulher mais suja do mundo e queria apenas que isso acabasse logo, para eu poder ir embora. Ele ficou ali comigo, no sofá durante uns 30 minutos, então, quando se cansou, apenas se levantou e me xingou – Vadia – e subiu as escadas. Fechei os olhos com força, xingando-o mentalmente.
Fall out of my hands, out of my heart (Saia fora de minhas mãos, fora do meu coração
And when you hit the ground (E quando você chegar ao chão
You'll be sorry that I'm not around (Você se arrependerá por eu não estar ao seu lado)
I will watch you while you.. (Eu o observarei enquanto você)
Eu já estava acostumada com aquilo, mas toda a vez que acontecia, doía muito. Não era uma dor física, mas sim emocional. Levantei-me do sofá e vesti minhas roupas espalhadas pelo chão da sala. Peguei minha mala e saí, fechando a porta atrás de mim. Enxuguei algumas lágrimas que insistiam em cair. Mas aquelas seriam as últimas. Eu nunca mais iria sofrer por causa de Cristopher. Peguei o elevador e desci até o subsolo, pegando meu carro e saindo do prédio, sem olhar para trás. Eu iria até a casa de , pedindo a ela que fosse a delegacia comigo, dar parte de Cris.
Fall out of your mind, out of your fantasy (Cai fora de sua mente, fora de sua fantasia)
When you hit the wall(Quando você bater na parede)
You'll think of me(Você pensará em mim)
I'll be on the top just watching you fall(Estarei no topo, apenas observando você cair)
21
- Você não pode desistir! – falava alto – Você já foi corajosa e o enfrentou. Não pode dar pra trás – eu estava no sofá da sala de minha amiga.
- Ele me estuprou – falei baixo – Pela milésima vez! – eu olhava para baixo, sem foco.
- O-o que? – ela franziu a testa e estreitou os olhos – Você vai a delegacia, ! Já chega! – falou nervosa, o que a fez parecer minha mãe – Ele tem que pagar por isso. Ele, ele... – ela começou a chorar – ele não pode fazer isso com você. - Ela me abraçou e eu debrucei minha cabeça em seu ombro.
- Eu tenho tanto medo – disse ainda com a cabeça em seu ombro, chorando – ele não vai me deixar em paz – e realmente não iria. Eu me lembrei que não choraria mais por essa história, mas era quase impossível. Eu estava sofrendo. Era evidente e era realmente melhor irmos ir à delegacia agora – ela apenas concordou com a cabeça e foi até o quarto, pegar sua bolsa. As lágrimas não queriam parar de descer e meu coração estava apertado.
Saímos logo em seguida. Fomos em silêncio até a delegacia. Cada uma emersa em seus pensamentos. Às vezes, minha amiga me olhava com piedade, mas eu fingia não notar. Não gostava que as pessoas tivessem pena de mim, ou qualquer sentimento parecido, mesmo estando no estado em que eu me encontrava. Antes de entrarmos, me olhou e me encorajou.
Entramos.
- , eu não sei como funciona esse processo criminal – disse assim que chegamos e nos sentamos na sala de espera. Nós estávamos em uma delegacia especial, uma unidade para vítimas que sofreram algum tipo de abuso sexual.
Esperamos um policial chegar e ele nos encaminhou ao departamento de denúncias. Adentrei a sala e me deparei com uma mulher de meia idade, sentada atrás de uma mesa. Ela fez menção para que eu e minha amiga nos sentássemos. O fizemos e eu comecei a falar.
- Quero fazer uma denúncia – me olhava, me encorajando. Parecia que o ar faltava em meus pulmões e minha garganta estava seca, parecia que estava se fechando. Eu não gostava de me lembrar da última vez que havia feito uma denuncia contra Cris e era difícil reviver isso. A policial percebeu meu estado e me ofereceu um copo d’água. A moça chamou um policial que estava na porta e fez o pedido a ele. Minha amiga segurava minha mão, me dando forças. O homem voltou com a água e eu a bebi, tornando a falar.
- Contra quem, minha jovem? – ela me olhava por cima de seus óculos dos anos sessenta e seu falar era calmo.
- Meu ex-namorado, Cristopher White – meu estomago deu uma reviravolta e eu achei que fosse vomitar.
- Abuso sexual? – ela me perguntou escrevendo algo em seu laptop. Eu apenas sacudi a cabeça afirmando.
- Quando aconteceu? – respirei fundo e comecei a lhe contar.
- Na verdade, vem acontecendo há um ano. Eu já tentei denunciá-lo uma vez, mas...
Flashback on 7 meses atrás
- Você foi me denunciar? – Cris estava furioso e me olhava com raiva.
- Não, do que você está falando? – fiz-me de desentendida.
- Disto – ele me mostrou uma procuração judicial.
- Não faço idéia – disse dando os ombros. Ele me deu um tapa no rosto, tão forte que eu mordi minha língua e ela começou a sangrar – QUAL O SEU PROBLEMA? – gritei sentindo o gosto de sangue em minha boca.
-QUAL O SEU PROBLEMA? VOCÊ É LOUCA? SUA VADIA! ISSO PODE ACABAR COM MINHA CARREIRA! EU FAÇO TUDO POR VOCÊ E É ESSA A RECOMPENSA? – ele dizia cuspindo de tanta raiva e eu conseguia ver as veias de seu pescoço saltando.
- E VOCÊ ESTÁ ACABANDO COM A MINHA VIDA! – comecei a chorar- Eu não agüento mais isso – meu falar era mais calmo e eu me sentei na escada e enterrei meu rosto em minhas mãos – Eu não agüento mais ser humilhada por você!
- Levanta! – ele mandou e eu apenas o encarei com os olhos lacrimejando.
- O que você quer? – minha voz ficou tremula. Eu estava com medo.
- LEVANTA DAÍ! – ele me puxou escada acima pelos cabelos e entrou no quarto, me jogando na cama – Ta vendo isso aqui? – ele mostrou-me novamente a procuração e a rasgou em minha frente – Pra você aprender que nunca vai se libertar de mim! NUNCA! – ele chegou perto de mim, segurando meu rosto com força – Você é minha – eu sentia seu hálito de cerveja, misturado com algo que eu desconhecia. Cris me soltou com força e saiu do quarto, trancando-o por fora.
- Eu não acredito que ele me trancou aqui – disse baixo, perplexa – ABRE ESSA PORTA, CRIS! – levantei-me da cama depressa e esmurrei a porta com toda a minha força, mas obviamente não adiantou. Olhei para a janela do quarto, mas morávamos no quarto andar e não tinha escada de incêndio, se eu tentasse sair pela janela, provavelmente cairia... Eu estava presa. Cárcere privado... Não podia acreditar que isso estava realmente acontecendo comigo. Suspirei e sentei-me na poltrona, pensando em alguma maneira de sair dali...
Flashback off
- Dias se passaram e Cris não aparecera para me tirar de lá. Fiquei sem comer e sem fazer minhas necessidades. – estava perplexa - Já estava fraca e mal conseguia levantar da cama. Depois de exatamente oito dias, ele apareceu e me destrancou. Eu estava tão fraca que não conseguia descer as escadas para ir até a cozinha comer algo. Cris pouco se importou. Tentei descer, mas minhas pernas estavam fracas demais, então acabei rolando escada a baixo. Acabei parando no hospital. Quebrei a perna esquerda... – A policial ouviu tudo e me deu um formulário para preencher. O fiz e entreguei a ela.
- Minha querida, você precisa fazer um corpo de delito, já que o último abuso ocorreu há uma hora – concordei com a cabeça e me levantei junto com . A moça me chamou o mesmo policial que me dera água e ele me conduziu até o local. Catarina ficou me esperando do lado de fora. Depois de uma hora e meia eu fui liberada.
- Eles me ofereceram proteção especial – disse a , enquanto entravamos no carro.
- E você aceitou? – balancei a cabeça negativamente.
- Eles acharam fluídos em mim – disse pensativa – Isso vai incriminá-lo – deu um sorrisinho e fomos para a casa dela em silêncio, assim como na ida. Eu estava muito distraída, pensando como seria minha vida com Cris na cadeia... Sorri ao pensar nisso.
- , seu celular está tocando – ela disse rindo e eu não tinha ouvido.
- É o – disse assim que peguei o aparelho e li o identificador de chamadas – Ele ta me ligando a essa hora? Já são meia noite e vinte – achei estranho, mas atendi.
‘ Se eu te acordei me perdoe – era uma mensagem de voz. Comecei a rir e coloquei no viva voz para também ouvir – Só quero dizer que estou com saudade. Só pra você saber mesmo – ele riu e eu fiquei ouvindo atenta – Espero que esteja bem e se ainda estiver acordada, dorme com Deus – ele soltou uma risadinha e desligou.
- Não acredito que ele te mandou uma mensagem de voz – Ela dizia rindo, sem tirar os olhos da estrada.
- Nem eu – disse perplexa.
- Ele ta gamado – ela riu mais ainda.
- Pois é... – disse sem emoção
- Você não queria? – ela perguntou, parando de rir.
- Não sei... Eu não sei se estou pronta pra me envolver com alguém, sabe? – ela afirmou com a cabeça – Eu acabei de sair de um namoro turbulento com o Cris. Não sei se estou pronta para outro relacionamento...
- Mas você aceitou sair com ele, não foi? – concordei com a cabeça.
- Foi, mas... sei lá. Minha cabeça está a mil. Não quero magoá-lo e nem me magoar – suspirei pesarosamente.
- Você só vai saber se tentar, amiga – ela me lançou um sorrisinho e eu sorri com ela – E eu concordo que você tenha que dar um tempo pra colocar sua cabeça no lugar, mas não deixe-o ir.
Chegamos em casa em vinte minutos. Fui dormir pensando em . Acho que isso estava virando um hábito. Um mau hábito. Eu estava confusa e ao mesmo tempo feliz. Feliz por ter me livrado de Cristopher.
22
- O que você quer conversar? – disse depois de me dar um selinho e sentar-se em seu sofá. Fiz o mesmo e ele ficou esperando eu falar.
- Eu não sei o que eu sinto por você – disse de uma vez – Não quero que você pense que eu sou uma pessoa cruel e sem coração, ou qualquer coisa do tipo... É que eu to confusa. Eu mal te conheço... – ele apenas deu um sorriso.
- Eu também não sei o que eu sinto – ele disse fitando o nada – Mas eu vou descobrir – ele me olhou e sorriu para mim – E enquanto isso não acontece, eu gostaria de ficar com você. Eu já lhe disse isso antes – eu concordei com a cabeça e ele passou a mão pelos meus cabelos, sorrindo. Ficava muito feliz ao lado dele. Eu gostava dele e sabia disso – Você ouviu a mensagem de voz que eu lhe mandei ontem? – ele disse envergonhado e eu ri.
- Aham. Achei engraçado...
- Eu me senti ridículo.
- Foi fofo – ele chegou mais perto e meu coração começou a palpitar com mais velocidade e minha respiração começou a ficar descompassada. Essa droga de efeito que ele tem sobre mim...
umedeceu os lábios inconscientemente e eu observei àquele movimento atenta. Meus olhos estavam focados em sua boca e ele percebeu, abrindo um sorriso sexy.
- Essa é a hora que eu te beijo – ele murmurou e aproximou nossos lábios, fazendo com que eles se encostassem. Devagar, ele pediu passagem de sua língua e eu a concedi. Era um beijo calmo, totalmente diferente da primeira vez que ficamos. Fomos totalmente afobados... Mas isso que estamos vivendo é muito melhor, nós sentimos algo um pelo outro, mesmo que indefinido. Sua mão direita fazia carinho em minha nuca, quanto à outra estava em minhas costas. Minhas mãos acariciavam seus cabelos. Ficamos nos beijando por um tempinho e terminamos com selinhos.
me puxou para si, e minha cabeça ficou recostada em seu ombro, enquanto suas mãos acariciavam meus cabelos.
- Eu terminei com Cris – disse baixo, fitando um vaso de flores em cima do piano.
- E ai?
- Ai que eu estou morando com e preciso de um novo treinador... – suspirei.
- E um novo namorado – ele riu e eu desencostei-me de seu ombro.
- Engraçadinho – disse em tom de deboche e ele puxou meu rosto e me deu um beijinho – Sai, não quero saber de você!– empurrei-o de brincadeira e levantei do sofá.
- Volta aqui, ele me puxou pela cintura, o que me fez cair no sofá. me empurrou, me fazendo ficar deitada e ele ficou por cima de mim. Fiquei encarando seus olhos azuis. Seu olhar era penetrante eu gostava daquilo. Eu conseguia sentir sua respiração tão perto, que estava ficando excitada.
- Por que você me olha assim? – ele me perguntou em um sussurro.
- Seus olhos... – sorri - São lindos – ele apenas chegou mais perto e beijou-me a boca com delicadeza. Segurei seu rosto pude sentir seu coração bater junto ao meu. Todo o medo que eu estava sentindo se fora. Eu não me sentia enojada, nem aterrorizada. Eu estava feliz, com um homem que estava me fazendo feliz.
Felicidade.
Uma coisa que eu não sabia o que era há anos. Eu sentia que estava me redescobrindo. Ali, naquele momento. Da primeira vez que vi , eu me senti atraída por ele, era apenas carnal. Muito carnal... Mas agora, havia sentimento, eu estava envolvida. Paramos o beijo. Ele sorriu fraco e ficou me fitando.
- Você é linda, sabia? – Não pude deixar de sorrir ao ouvir aquilo. Há tempos que não me sentia valorizada. Eu esperava por esse momento há tanto tempo... O momento que me sentiria livre.
- Você é um príncipe, sabia? – ele beijou o topo de minha cabeça e foi descendo para o nariz, e beijou-lhe a ponta, chegando enfim em minha boca. Beijamos-nos novamente, mas agora os beijos de desciam pelo meu pescoço e eu acariciava seus cabelos. Ele desceu a alça de minha blusa para o ombro e beijou ali, descendo depois a alça do sutiã. Ele subiu os beijos novamente até minha boca. Suas mãos agora passeavam pela lateral de meu corpo. Ele subia a lateral de minha blusa com sua mão e eu terminei de tirá-la. Ele ficou de joelhos no sofá, colocando uma perna de cada lado, entre as minhas. Seus beijos começaram em minha boca, descendo para meu colo e indo até minha barriga, me causando arrepios. Eu gostava daquilo. Ele desceu os beijos até e minha barriga e de repente, parou de me beijar e me olhou assustado.
- O que é isso em sua cintura? – olhei para minha cintura confusa. Havia ali uma mancha roxa, enorme e a marca de cinco dedos certinhos.
- É...Eu acho que é do boxe... – disse com medo.
- No boxe se usa luvas, – ele disse em um tom disconfiado. Engoli seco. Não sabia o que responder. se ajeitou no sofá e eu também, fiquei alguns segundos quieta.
- Não foi nada demais, – soltando uma risada nervosa. Ele não podia descobrir que eu apanhava.
- Eu não acreidito em você – ele disse, eu o olhei de cara feia. Coloquei minha blusa de volta e me levantei do sofá – Aonde você vai?
- Pra casa - mas eu não tinha mais uma casa. Iria para a casa de .
- Mas eu pensei que você passar a noite aqui comigo... – ele disse se levantando, enquanto eu pegava minha bolsa do chão.
- Pensou errado – me segurou pelos braços.
- Não vai, por favor – ele me olhava bem nos olhos e eu já estava ficando toda derretida, mas mantinha a pose.
- Eu vou. Você quebrou todo o clima – disse com firmeza.
- Me desculpe. Eu fiquei preocupado, só isso.
- Eu vou embora, já está tarde – Antes que ele veja mais algum hematoma – Tchau – e sai em direção a porta.
- Nem um beijinho? – apenas ri de desdem - Você é cruel – ele disse me olhando com um sorriso de lado nos lábios.
23
- Mentira que ele viu os hematomas? – disse boquiaberta.
- Pior que viu! Eu tive que disfarçar e ir embora... – suspirei e olhei para ela – Não quero que ele saiba do meu histórico de namoro com Cris. Não quero mesmo! Isso é passado – acentiu com a cabeça – , eu recebi uma intimação para ir à delegacia.
- De novo? – Estavamos sentadas na cama de , conversando e comendo besteiras.
- É, eu não entendi o motivo, será que deu algo errado? Quer dizer... eu fiz tudo certo. Não fiz? – Disse receosa. Ela me olhou com compaixão.
- Fez sim, amiga.
- A intimação á para amanhã, logo pela manhã.
- Eu te acompanho – sorri para ela. estava sendo uma irmã para mim. Não sabia o que eu faria sem ela nesse momento.
- Obrigada... Outra coisa: Eu andei olhando uns anúncios de apartamento. Quando você menos esperar, se verá livre de mim! – ela riu e eu ri com ela.
- É ótimo ter sua companhia. Não tenha pressa, sério mesmo!
- Mesmo assim, né? Eu preciso ter meu cantinho logo e eu também enviei alguns e-mails para alguns treinadores renomados, quero ver se algum deles aceita me treinar.
- , você não tinha uma luta no próximo mês? – disse, colocando na boca uma mão cheia de mm’s.
- Tinha. Disse certo. Pedi para meu acessor desmarcar todos os meus comprimissos que tinham algum vínculo com Cris. Não quero mais, sabe? Acabou!
- As coisas vão acertar – ela sorriu.
- Já estão! – sorri de volta. Meu celular começou a tocar – Dever ser o – peguei o aparelho e olhei no identificador. Na mosca – Oi – me imitou, fazendo uma voz melosa e eu ri.
- 'Ta rindo do quê. Posso saber?
- Da , idiota – ri para minha amiga.
– Vai fazer o que hoje? Tinha pensado em eu e irmos aí, pra ficar de bobeira
- Tem que falar com a dona da casa. Perae, fala com ela aqui. Ele quer falar contigo – passei o celular para .
- Oi, ! Claro que pode. Que horas? Tá otimo – ela riu de alguma coisa e me olhou – Pode deixar. Tudo bem! Beijo, tchau – e me passou o telefone de volta.
- Oi...
- ‘Ta fechado! – ele riu – Às oito, eu e estaremos aí.
- ‘Ta bom. Beijo lindinho, tchau.
- Tchau, linda.
- Vai ao mercado comigo? A gente tem que comprar alguma coisa pra esses homens comerem.
- Vou, deixe-me trocar de blusa e pegar minha bolsa – Peguei tudo o que precisava e nós fomos em direção ao mercado.
- Isso vai? – peguei um pacote de pão de queijo e olhei para . Assim que ela afirmou, joguei-o no carrinho – E isso? – Um pacote de batatas fritas.
- Também – falou sem prestar muita atenção.
- Isso também? – Ela me olhou.
- Pegue o que você quiser – ela disse rindo e eu a acompanhei.
Saímos do mercado, cheia de sacolas e fomos direto para casa.
- A gente é muito gorda! – Minha amiga ria enquanto tirávamos as coisas que compramos das sacolas plásticas.
- Eu não sou, se você é... – me olhou feio e tacou em mim um pacote de biscoito, que estava em sua mão – Brincadeirinha amiga – eu ri.
- Nunca, NUNCA me chame de gorda! – era um pouco paranóica com esse lance de gordura, mas era engraçado implicar com ela.
Depois de uma hora e alguns minutos os meninos chegaram. Eu estava com medo de que tocasse no assunto dos hematomas, mas ele não o fez.
- Tudo bem, gatinha? –
- Amor, eu sou gorda? – perguntou a seu namorado com a voz mais melosa que conseguiu fazer.
- NÃO ACREDITO! – Olhei para ela e comecei a rir.
- É o quê? – perguntou.
- Você não respondeu! – Minha amiga disse furiosa.
- O que foi que aconteceu? – perguntou.
- A gente tava brincando e eu a chamei de gorda, mas era brincadeira – eu ri.
- Ah, ! Para com isso! Você é linda – Não satisfeita com a resposta dele, ela insistiu.
- Mas eu sou linda magra? – rolou os olhos. Eu e começamos a rir mais ainda.
- Sim – ele riu e a abraçou pela cintura – Mesmo que você não fosse nem linda, nem magra, eu ia te amar. Eu te amo pelo que você é. Não pela sua aparência – se derreteu e agarrou seu namorado pelo pescoço e encheu-o de beijos. Eu e saímos da cozinha e fomos para a sala, deixando nossos amigos sozinhos.
- Tudo bem com você? – me perguntou.
- Tudo e com você?
- To bem...
Nós estavamos sem assunto e o barulho dos beijos de e estava realmente me incomodando.
- ... – Eu não sabia o que dizer, mas eu queria acabar com esse clima ruim. Ele me olhou, esperando que eu disesse algo.
esperou alguns segundos e como eu nada disse, ele arqueou a sobrancelha esperando minha fala – Que horas são? – Ele ficou desapontado e apenas abaixou o olhar para o seu relógio de pulso.
- Sete e trinta e cinco – Estávamos encarando a televisão desligada e depois de alguns minutos, se virou pra mim – Quero que você me explique aqueles hematomas.
Fiquei com raiva dele. Eu não queria tocar nesse assunto e ele estava insistindo.
- Eu já te expliquei e eu não quero brigar com você de novo por causa disso.
- Você está mentindo! – Ele olhou no fundo dos meus olhos.
- Se você realmente quer um relacionamento comigo, você tem que acreditar em mim – disse furiosa.
- Eu quero, mas eu não consigo acreditar em você. Tem algo que não se encaixa, . Você está me escondendo alguma coisa e eu vou descobrir o que é – Fiquei gelada por um momento, mentir para ele seria mais difícil do que eu imaginava. – Se você me contar, eu posso te ajudar – Eu ri de desdém.
- Fala sério, . Você quer me ajudar com o quê? Já disse que não tem nada – Ele se aproximou, segurando minha nuca. Meu coração acelerou com seu toque.
- Eu gosto de você – acariciei sua mão que estava em minha nuca.
- Eu também gosto – deu um sorriso fraco e aproximou-se mais e me deu um beijo. e adentraram a sala, interrompendo nosso beijo.
- Olha o que a gente fez pra vocês – Nossos amigos colocaram as guloseimas em cima da mesa e se levantou para olhar.
- Nossa... Quanta comida – ele riu.
- A vai comer tudo sozinha – eu ri, esperando sua repreensão.
- Idiota – ela disse rindo.
Ficamos até tarde conversando e comendo besteiras. não tocou mais no assunto que me incomodava, mas eu sabia que ele não tinha esquecido.
24
Estava frio e eu suava. Acordei assustada. Outro pesadelo... Era a terceira noite seguida que eu sonhava com a mesma coisa. Gravidez, gravidez, gravidez... Essa palavra passeava por minha cabeça desde que eu comecei a ter os pesadelos. Sentei-me na cama e fiquei pensando no pesadelo que eu acabara de ter. Eu não podia estar grávida e não estava, mas isso estava me incomodando. Levantei-me e fui até a janela olhar a rua. O inverno havia chegado rigoroso em minha grande Londres. A neve fininha caía sobre as calçadas e algumas crianças brincavam com um aglomerado de neve que se fazia nas calçadas. Fiquei observando a rua pela janela e quando me cansei, fui tomar um banho quente.
Outra coisa que me assombrava era que o ‘amigo’ de Cris, Lucas, havia sido encontrado morto fora da cidade. Apareceu até no noticiário. Eu estava com medo, medo por Cris. Mas isso era ridículo... Eu sentir medo por aquele idiota, mas eu não conseguia não sentir. Tenho quase certeza que Cris estava envolvido com o assassinato. Mas não podia provar nada. Contei à toda a história que envolvia Lucas e ela ficou assustada.
- Graças a Deus que você veio pra cá e saiu da sua casa – conversávamos enquanto tomávamos café da manhã. Sorri pra ela.
- É verdade, foi a melhor coisa que eu fiz – ela sorriu comigo.
- Quer bacon? Vou à cozinha pegar – Aceitei e ela se levantou. Quando o cheiro da gordura começou a invadir a casa, me deu uma ânsia de vômito e eu logo fiquei enjoada. Fui até o banheiro correndo e vomitei. Eu não estava me sentindo bem.
- ? – estava na sala me chamando. Lavei a boca e joguei uma água no rosto. Fiquei me olhando no espelho, pensando comigo mesma ‘ não pode ser, não pode!’
- Oi...
- O que aconteceu?
- Me deu um enjôo quando senti o cheiro de gordura – me olhou bem e ficou me analisando. Já sabia o que ela estava pensando – Não é nada disso que você está pensando. Eu apenas me senti mal.
- Você vem se sentindo mal há três dias seguidos – Ela havia cruzado os braços e estava realmente falando sério.
- Eu devo ter pegado uma virose, comido algo que não me fez bem... Não sei! – me alterei – Mas não estou grávida! – Eu estava dizendo para mim mesma, afirmando pra mim que eu NÃO PODIA estar grávida. Eu não devia.
- Você e o usaram camisinha quando transaram? – Parei para pensar e a resposta me assustou, eu apenas sacudi a cabeça em negação.
- , qual o seu problema? – agora era a hora da bronca.
- A gente esqueceu! Acontece, ué – dei ombros.
- Pois é, por causa desses descuidos bobos, você ta aí... – ela parou de falar e ficou pensando – Grávida.
- Eu não estou, !
- Suas regras estão como? – Não havia jeito, eu tinha quase certeza que eu estava, realmente, esperando um bebê. Só de pensar na palavra ‘ bebê’ eu fiquei arrepiada.
- Irregulares. Não vieram esses dois últimos meses – assim que terminei de falar, senti uma lágrima escorrer por meu rosto.
- Eu vou ligar para a farmácia e comprar um teste de gravidez pra você – Eu já estava chorando descompassadamente, mesmo sem saber se a notícia era mesmo verdadeira, mas só de pensar nisso, já me assustava. Eu não tinha casa, não tinha marido e nem família. Só tinha a e o .
Depois de quinze minutos, a campainha tocou e eu gelei. Minha amiga se levantou e atendeu. Dei o dinheiro a ela para pagar o teste. me entregou o pacote e eu fiquei fitando aquilo em minhas mãos. Aquilo que decidiria minha vida.
- Anda, ! – estava um pouco nervosa. Mas não estava brava, e sim ansiosa e apreensiva por mim. Olhei para ela e fui até o banheiro. Fiz a droga do teste e fui até a sala esperar o resultado. Sentei-me no sofá e fiquei esperando. estava na varanda, provavelmente me xingando mentalmente pela minha burrice. Cinco minutos se passaram e meu coração acelerou, eu estava realmente tendo taquicardia. Comecei a sentir um aperto em meu peito e eu não sabia no que pensar. A única coisa que eu sabia fazer naquele instante era chorar. Aquelas duas linhas malditas... ouviu meu choro e entrou rapidamente, já sabendo o porquê. A única coisa que minha amiga fez foi sentar-se ao meu lado e dar-me seu melhor abraço. Ela deixou que eu chorasse em seu colo e me confortou com seu apoio. Ela não precisou dizer uma palavra sequer.
Capítulo betado por Giovana
25
Passaram-se dois dias desde que havia descobrido sobre minha gravidez. Frequentemente sentia-me mal e tinha enjôos constantes. tinha que trabalhar e, consequentemente, eu ficava sozinha durante o dia inteiro. Procurei incessantemente por bons treinadores, que estivessem dispostos a treinar-me, e não foi difícil encontrar um. Porém, agora eu não podia sequer pensar em luta. Então deixei para lá e resolvi esperar o bebê nascer. ‘O bebê nascer’: Essa frase assustou-me e eu me arrepiei. Eu iria contar hoje ao sobre a gravidez e temia sua reação. Ele é um amor e eu realmente estou me apaixonando, mas uma notícia dessas não é fácil de receber. Eu estava absolutamente apavorada com a ideia de ser mãe. Eu sempre quis e sempre sonhei com esse momento, mas não achei que seria nessas circunstâncias. Não havia jeito. Eu já havia feito a besteira e o bebê já estava dentro de mim. Uma vida estava se formando dentro de mim.
Peguei o telefone para ligar pra . Eu precisava muito contar a ele. Chamava, chamava, chamava e ninguém atendia. Já eram quatro e cinquenta e sete da tarde. Já era para ele ter chegado em casa. Liguei novamente e, dessa vez, após um toque, ele atendeu.
- Oi, meu amor – ele disse carinhosamente.
- Oi, lindo. Tudo bem? – Eu estava debruçada na grade da varanda, olhando a rua.
- Tudo. Acabei de chegar do trabalho. Vi suas chamadas perdidas agora. Eu estava no banho. Desculpa!
- Não... Tudo bem – sorri comigo mesma. Ele era um príncipe – Como foi seu dia?
- Cheio. Fiquei no escritório revisando matéria... Um saco! – ele riu e deu uma pausa para respirar – Tudo bem com você? Está com a voz triste...
- Eu não estou muito bem... Queria conversar com você.
- Eu fiz algo de errado? – sua voz agora transmitia preocupação.
- Nós fizemos.
- Hã?
- Eu posso ir aí para a gente conversar? – suspirei.
- Claro que sim – silêncio – Melhor: Eu passo ai pra te buscar e a gente sai para jantar. Pode ser?
- Pode sim.
- Às sete eu passo aí.
- Ok.
- Te amo – Fiquei sem saber o que dizer.
- Tchau, lindo – Não ia dizer ‘eu te amo'. Eu não o amo. Eu estou me apaixonando, mas não o amo... Eu acho.
Fui fazer qualquer coisa para passar o tempo e quando a hora de sair se aproximou, fui me arrumar. Coloquei uma das minhas roupas favoritas, pois sabia que teria pouco tempo para usá-la. Quando deu a hora, me telefonou, dizendo-me para descer. Deixei um bilhete para , dizendo que ia jantar fora com e saí, fechando a porta atrás de mim. Meu namorado saíra do carro para abrir a porta do carona para mim. Muito gentil. Quando estávamos dentro do veículo, nos comprimentamos com um selinho e engatamos numa conversa casual.
- Antes que eu esqueça de falar: Você está linda – ele sorriu ao dizer isso. Notei que seus olhos sorriram junto com seus lábios e isso me fez sorrir.
- Obrigada. Você também está um gato – ele imitou um gato e isso me fez gargalhar.
- Mudando de assunto... Fez o quê o resto do dia? – perguntou-me enquanto fazia uma curva.
- Nada de interessante – ri pelo nariz – Fiquei assistindo televisão e respondendo e-mails sobre o trabalho.
- E como vai a sua carreira?
- Não muito bem... – suspirei – Achei um treinador, mas não vou voltar para o boxe agora.
- Por que não? – ele franziu o cenho. Engoli seco.
- Posso ligar o rádio? – tentei desconversar.
- Pode... – ele achou estranha a minha reação à sua pergunta, mas não voltou no assunto. Prosseguimos ao som de Adele. Ela é sem dúvida minha cantora favorita.
- Não sabia que você gostava de Adele – disse sorrindo.
- É minha cantora preferida – ele riu comigo.
Silêncio. Fomos o resto do caminho sem conversar. Chegamos ao restaurante e o manobrista abriu a porta para e para mim. Saltamos do carro e meu namorado segurou minha mão. Adentramos o restaurante de mãos dadas e a recepcionista reconheceu-me.
- Você é ? – Ela disse um pouco acanhada.
- Sim – disse sorrindo.
- Eu adoro seu trabalho! Você serve de inspiração para as novas boxeadoras – eu sorri com seu comentário.
- Fico feliz em saber disso.
- Mesa para dois? – ela disse ainda sorridente e confirmou. Ela nos conduziu até o lugar e nos desejou uma ótima noite. Ri comigo mesma. Ótima noite... Essa noite poderia ser tudo, menos ótima.
- E aí, amor? O que vai querer? – Passei os olhos pelo cardápio e só de pensar em certas comidas, meu estômago embrulhava.
- Uma salada de legumes e água – ele me olhou estranho.
- Certeza? – eu sorri e afirmei com a cabeça. fez nosso pedido ao garçom e se voltou pra mim – O que queria conversar comigo? – Ele colocou sua mão sobre a minha e a acariciou. Eu olhei e sorri. Isso fez meu coração disparar.
- ... – Tomei ar – É um assunto muito complicado... – Dei uma pausa. Eu estava buscando em minha mente as palavras certas para usar.
- , você está me deixando nervoso – ele olhava dentro de meus olhos e eu queria chorar.
- Não acho que foi uma boa ideia vir aqui, . Vamos para outro lugar? – eu pedia chorosa. Ele estava sem entender nada, mas concordou.
- Faço o que você quiser – ele deu um sorriso de canto - Para onde quer ir?
- Vamos à praia? – ele concordou com a cabeça. chamou um garçom e pediu para cancelar o pedido. Saindo do estabelecimento, a menina da recepção pediu-me um autógrafo e eu a dei. O manobrista já havia deixado o carro na porta do restaurante e ele novamente abriu as portas para que pudéssemos entrar.
N/a: ponha para tocar Adele - Make you feel my love
- O que está havendo, ? – perguntou e lágrimas escorreram em meu rosto. Não respondi. Chegamos à praia rapidamente. Ele estacionou e descemos. Como no restaurante, ele me deu a mão e atravessamos a rua, em direção à areia. Estava uma brisa gelada, mas não nevava. A praia estava vazia, exatamente como imaginei.
- A primeira coisa que quero saber é se você me ama – ele me olhou confuso. Estavamos sentados lado a lado na areia, de frente para o mar.
- Eu não estou te entendendo – eu abaixei meu olhar e suspirei.
- Eu tenho medo da sua reação.
- , do que você está falando? – Eu ignorava todas as suas perguntas.
- O que você acha de ter um filho? – ele me olhou assustado.
- É isso que você está querendo me dizer? – ele franziu o cenho – Você quer ter um filho comigo? – ele sorriu – Você é linda, meu amor! É claro que eu quero – eu ouvia aquilo incrédula – E sim, eu amo você. Eu acho que você podia mudar-se lá pra casa e... – eu o cortei.
- Eu to grávida – e fechei bem os olhos, temendo sua resposta.
- O-o que? – fui abrindo os olhos aos poucos e sua expressão era de confusão.
- Eu descobri há alguns dias – dei os ombros e surpreendeu-me com um abraço. Fiquei estática e, aos poucos, me rendi e o abracei, apoiando minha cabeça em seu ombro. Eu estava chorando. Era incontrolável. As lágrimas simplismente vinham. Porém, não era de tristeza, mas sim de alegria. Separamo-nos do abraço e deu-me um beijo calmo e carinhoso.
- Eu vou ser o melhor pai que essa criança pode ter – sorri ao ouvir aquilo – Nós seremos uma família. Uma família feliz. Eu te amo, .
Enconstei minha cabeça em seu ombro. Ele passou seu braço por minha cintura e assim ficamos por um longo tempo, deixando que a brisa gelada de inverno batesse em nossos rostos enquanto cada um de nós, imersos em nossos pensamentos, olhavamos o mar. Olhei de canto para e pude ver lágrimas em seus olhos. Mas não eram lágrimas de tristeza. Havia um fraco sorriso em seus lábios. Um sorriso involuntário e, involuntariamente, sorri com ele.
- Eu também te amo, ! – pela primeira vez, eu pude com toda a certeza dizer.
Ele me olhou, com os olhos molhados e beijou o topo de minha cabeça.
Capítulo betado por Franciele Strack
26
Que seria um pai coruja, eu já podia ter certeza. Estava na casa dele com e . Minha amiga me presenteou com um sapatinho de bebê feito de crochê. Lindo!
- Amiga, tem que ser amarelo, já que você não sabe o sexo. – ela disse sorrindo, enquanto eu guardava-o de volta na embalagem.
- Obrigada. Aos dois! – olhei para também. - Vocês são muitos especiais pra mim, para o . – olhei para ele. – E para o nosso filho. – coloquei a mão em minha barriga.
- Quem quer vinho? – perguntou, indo em direção à cozinha, e todos se manifestaram. – , meu amor, você não pode.
- É o quê? – Disse indignada. – É claro que eu posso!
- Amiga, você está grávida, é melhor você não ingerir álcool.
- Concordo! – disse, apoiando sua namorada.
- Se eu não posso, ninguém pode! – disse, fazendo bico e cruzando os braços. voltava da cozinha segurando uma bandeja com três taças de vinho e um copo de suco de uva, provavelmente pra mim.
- Você parece uma criança. – disse rindo.
- Isso não é justo! – disse séria, fazendo bico novamente e me surpreendeu com um beijinho. – Sai, não quero seu beijo. – empurrei-o de leve.
- Ah, qual é, ? – ele reclamou. Meus amigos pegaram suas taças e me entregou o copo.
- ‘Tá gelado, pelo menos? – Meu namorado riu do meu drama.
- Sim. – e eu bebi um gole, contra vontade.
Tivemos uma noite agradável, conversando, rindo e falando sobre o bebê. disse que ia ensiná-lo a tocar piano e os meninos disseram que iam ensiná-lo truques de como conquistar as mulheres. Todos estavam empolgados com a chegada da criança. Eu estava muito ansiosa, agora que eu sabia que teria incondicionalmente o apoio de .
e foram embora e eu resolvera ficar com . Limpamos toda a bagunça da sala e logo em seguida fui tomar um banho. Saí de toalha do banheiro e estava no corredor, voltando da sala, quando me parou e segurou pela cintura, dando-me um beijo. Não era um beijo corrido, mas calmo, e havia amor ali. Da maneira em que nossos movimentos estavam sincronizados, da maneira que nós nos encaixávamos, era impossível não dizer que havíamos sido feitos um para o outro. me conduziu até o quarto e eu já sabia o que ia acontecer, mas não seria igual da primeira vez, agora seria diferente. Nós faríamos amor, não apenas sexo, apenas para satisfazer nossos desejos. Nós queríamos estar perto um do outro e queríamos sentir isso. Ele tirou minha toalha lentamente e começou a beijar meu colo. Seus movimentos eram leves e ele estava tendo cuidado comigo. Nossos lábios voltaram a se encostar, conduziu-me até sua cama e deitou-me devagar. Seus beijos deslizavam da boca até o lóbulo de minha orelha. Fechei meus olhos, sentindo meu coração bater mais rápido...
Quando acabou, eu coloquei minha lingerie que estava em cima da poltrona e permaneceu nu. Ele encarava o teto, assim como eu. Virou-se pra mim, eu olhei para ele e ri.
- Ponha alguma roupa. – disse rindo.
- Não quero. – e continuou me olhando.
- Que foi? – disse rindo.
- Você é muito linda, sabia? – tenho certeza que naquele momento eu havia corado. Sorri sem graça e agradeci.
- Obrigada. – ele voltou à posição que estava e encarou o teto, assim como eu. se levantou depois de alguns segundo e me olhou.
- Que foi?
- Vamos tomar um banho. – ele sorria e, céus, que sorriso! Levantei, andei em direção a ele e passei na sua frente; de repente, ele deu um tapinha em meu bumbum e eu fingi indignação.
- Como ousa? – disse, parando no corredor e olhando para ele.
- O quê? – ele se fazia de desentendido. – Não estou entendendo.
- Cínico! – disse sorrindo.
- Eu não! Nós acabamos de transar e eu não posso encostar na sua bunda? – ele perguntou rindo e cruzou os braços. Olhei para ele, analisando-o. Seu sorriso era lindo... Na verdade, ele era todo lindo, então eu envolvi meus braços em seu pescoço e dei um beijo em sua boca. Ele abraçou-me e deu passagem para minha língua. Ficamos nos beijando por alguns segundos e seguimos para o banho.
Troquei a roupa de cama do quarto de e depois fomos assistir, na sala, Cartas para Julieta. simplesmente apagou no meio do filme. Tivemos um dia cheio e já eram quase três e meia da manhã.
Amor. – acordei-o devagar, fazendo carinho em seu ombro. Nada. Ele nem se moveu. – Meu amor, acorde. – falei baixinho, ainda acariciando seu ombro descoberto. Ele se moveu, mas não acordou. Eu não iria deixá-lo dormir no sofá e eu também não aguentava levá-lo até o quarto. Como ele não respondeu da forma carinhosa, eu teria que partir para a força bruta. – , ACORDA! – Ele levou um susto e pôs-se ereto no sofá.
- O que aconteceu? – ele parecia atordoado.
- Aconteceu que você não acorda de jeito nenhum.
- Já é de manhã? – eu ri de sua cara de espanto.
- Não, meu amor, está de madrugada. Vamos para a cama. – desliguei a televisão, foi se arrastando até o quarto e jogou-se na cama.
- Boa noite, lindo. – dei um beijinho em sua testa. Ele já estava dormindo, mas não me incomodei. Deitei e acheguei-me a meu namorado. Abracei-o e assim dormi, sentindo o cheiro de sua pele.
Capítulo betado por Isabela H.
27
Eu recebera uma intimação para a audiência de Cris. Ele estava sendo condenado por abuso sexual e violência contra mulher. O julgamento seria daqui a dois dias e eu estava muito ansiosa, mas também preocupada. Cris não me procurava ultimamente e eu não tinha mais medo dele. Meu único receio era se descobrisse. Não quero que ele saiba que eu apanhava. Eu não quero que ele sinta pena de mim, como eu mesma sentia.
- Você acha que vai guardar isso por muito tempo? – eu e estávamos no shopping, tomando um café no Starbucks.
- Não sei. Mas vou guardar esse segredo até quando puder.
- Você quer viver uma mentira? Quer viver outra mentira? – ela sempre tinha razão.
- Não – disse na defensiva.
- Então, você tem que conversar com , .
- Eu não tenho coragem. Não quero que ele tenha pena de mim, ou me ache fraca.
- , você é a pessoa mais forte e destemida que eu conheço. Você está enfrentando tudo isso de cabeça em pé – parei para pensar e, novamente, ela estava certa.
Terminamos nosso café e fomos comprar roupas para mim. Minha barriga já começava a crescer. Quatro meses de gravidez, minhas calças já não cabiam. Estávamos andando pelo shopping e por qualquer loja de doces que passávamos, eu parava e comprava alguma coisa.
- Você vai engordar! – ria de mim.
- Me deixa – eu dizia com a boca cheia de doces. – Eu tô grávida – coloquei mais doces na boca e minha amiga apenas ria.
- Amiga – enrijeceu ao meu lado. Olhei para ela e seu olhar era fixo. Olhei para o mesmo ponto que ela. Cristopher vinha em nossa direção. Ele estava péssimo. Barba por fazer, cabelos grandes, com um corte estranho. Sua olheira era funda e ao sorrir, dava para ver o amarelo de seus dentes. Quando ele se aproximou, deu para sentir o cheiro de álcool que ele exalava, sua roupa era um pouco rasgada e suja. Parecia um mendigo.
- , que saudade de você, amor! Quanto tempo faz? Uns quatro meses? – Ele falava em tom de deboche. Olhei para ele com nojo e segurou meu braço.
- Não posso dizer o mesmo – disse com desprezo.
- Oi, – ele virou-se pra ela e sorriu. Ela não mecheu um músculo do rosto para dar-lhe um sorriso.
- Nós temos que ir – quando eu e estávamos saindo, ele puxou-me pelo braço e ficou segurando-o.
- Você está grávida? – ele olhava em meus olhos e muito próximo de meu rosto. Seu hálito me dava enjoo.
- Não é da sua conta! – tentei me desprender e ele não deixou.
- De quem é esse filho? – ele estava furioso.
- Não é da sua conta – repeti.
- Solte-a, Cris – disse séria, mas ele a ignorou.
- Você parece que está de três, quatro meses... Você saiu de casa há quatro meses e foi a última vez que transamos. – meu estômago se revirou ao ouvir aquilo. - Eu vi você na televisão, vi reportagens sobre você no canal de fofocas, vi que você estava grávida. Eu sei que você está namorando com um repórter, mas tem certeza que esse filho é dele? – seus lábios formavam sorriso debochado.
- Essa criança não é sua – disse entre os dentes. – E se prepare para a audiência, é daqui a dois dias. Você vai ser preso, seu cafajeste. Vai pagar por tudo o que me fez.
- Você vai querer por na cadeia o pai do seu filho? – disse cínico. – Eu não faria isso.
- Ele não é seu filho! – falei um pouco mais alto do que o normal e algumas pessoas ao nosso redor olharam para nós. Ele finalmente me largou.
- Eu não teria tanta certeza – ele falou sério e saiu, se perdendo no mar de gente. estava parada do meu lado, eu comecei a andar, mas ela não me seguiu.
- ? – parei e olhei para ela.
- , ele tá certo! – ela estava pensativa. – Há quatro meses, ele te estuprou e depois de um tempo, você descobriu a gravidez... – o que ela dizia, fazia sentido, mas... Não podia ser! O pai do meu filho tinha que ser o .
- Meu Deus! – coloquei a mão na testa e meus olhos estavam ardendo. me conduziu até um banco, onde eu e ela nos sentamos.
- Isso não pode ser verdade – olhei para ela suplicante. – Eu preciso descobrir. Imagina se isso for verdade, se o filho for mesmo do Cris. Imagina a decepção que eu vou causar ao . Eu deveria ter pensado antes de contá-lo. Eu sou uma idiota! – as lágrimas que eu tentava segurar invadiram meus olhos e escorriam por meu rosto. Eu estava atordoada. queria casar-se comigo e eu iria morar com ele daqui há um mês, quando íamos começar a decorar o quarto do bebê. Isso era um pesadelo. Só podia ser.
- Amiga... - ela suspirou. - Calma. Vamos fazer um teste de DNA – ela me olhava com ternura. – Tem cinquenta por cento de chance de ele estar blefando, .
- E cinquenta por cento de não estar – enxuguei as lágrimas que ainda insistiam em cair. – Eu preciso pegar a saliva ou um fio de cabelo de e de Cris também.
- Amanhã vocês não vão se encontrar? – balancei a cabeça em afirmação. – Então... Dê a ele uma latinha de refrigerante e depois pegue o canudo e guarde-o. Ou pegue um fio de cabelo da escova dele... – ela deu os ombros. Concordei com o que ela dissera e então nos levantamos e pedi-a para irmos embora. Não estava mais no clima de comprar roupa alguma. Seguimos direto para a casa dela e assim que chegamos, liguei para , marcando o encontro. Ele viria até aqui, seria mais fácil coletar algo que contenha seu DNA, com por perto. Só queria saber como eu faria isso com Cris. Não queria nunca mais chegar perto dele.
- – nós já estavamos em casa, assistindo televisão.
- Quê? – ela estava comendo os doces que eu havia comprado mais cedo.
- Eu não quero mais chegar perto do Cristopher. Como eu vou pegar o DNA dele? – disse pensativa.
- Boa pergunta.
- Eu vou fazer apenas com o , se der negativo, eu sei que é do Cris – me deu um arrepio só de pensar nisso de novo. – Eu vou dormir um pouco, tá? – me olhou e deu um meio sorriso.
- Durmam bem. Vocês dois – sorri e acariciei seus cabelos.
- Obrigada por tudo. Tudo mesmo, você tá sendo uma irmã pra mim. Te amo – dei um beijo em sua testa e fui para o quarto tentar dormir, e ver se pelo menos nos meus sonhos, eu conseguia ser feliz.
Capítulo betado por Thais M.
28
Estávamos todos reunidos aqui na casa de . Ontem, eu e ela bolamos um plano para tentar pegar alguma coisa que contenha o DNA de . Isso parece um pouco infantil, mas era necessário. Nós fizemos questão de levar as bebidas e serví-las nas latinhas com canudos ao invés de usar copos de vidro.
- O que deu em você, ? – perguntou ao ver as latinhas e os canudos.
- As latinhas são muito mais práticas, não é ? – ela riu para mim. Muito atriz essa minha amiga.
- Com certeza... Até porque nós não queremos lavar a louça suja!– Os meninos pareceram aceitar a desculpa. Fiquei a noite inteira tensa, de olho nas latinhas de . Quando estávamos indo embora, ele me disse que tinha uma surpresa pra mim.
- , olha o que eu comprei para o nosso filho – levantou-se e foi até o quarto e voltou com um grande pacote em suas mãos. Eu estava me sentindo uma traidora e tudo o que eu menos queria na vida, era magoá-lo. Ele entregou-me o pacote e ficou com os olhos brilhando, esperando que eu o abrisse.
- O que é? – Eu sacodi, tentando adivinhar.
- Abre! – olhei para ele sorrindo e rasguei o pacote de embrulho. Quando eu abri a caixa, tinha um par de luvas de boxe minúsculas, para mãos de bebês. Não consegui conter o choro e as lágrimas vieram à tona – Você não gostou? Eu sabia que tinha que ter comprado a cor de rosa... – se lamentou e eu apenas o abracei. Meus olhos encontraram os de e ela apenas abaixou o olhar.
- É lindo, meu amor. Lindo! – dei-lhe um selinho demorado e ele acariciou minha barriga, que já estava durinha – Só quero que você saiba que eu amo você. Não importa o que aconteça, eu amo você. – ‘Não importa o que aconteça’ repeti isso em minha mente, querendo realmente acreditar no que ouvira.
- Eu também te amo, meu amor. Muito! – me abraçou e eu recostei minha cabeça em seu ombro por alguns segundos.
- Obrigada, ta? – sorri para ele.
Depois de mais alguns minutos conversando, se levantou – Vamos, ?
- Vamos – prontamente ele se levantou.
- Mas já? – falou chorosa.
- Eu to cansado, preciso descansar, hoje eu acordei muito cedo - disse dando um beijinho na namorada.
- Eu achei que você fosse comigo,
- Fica pra próxima, tudo bem? – se veio até mim para se despedir e eu lhe dei um abraço forte – Te amo – disse em seu ouvido e ele me beijou.
- Linda – sorri e fui me despedir de .abriu a porta para que os meninos pudessem sair. Mandei um beijo no ar para meu namorado e ele sorriu, fechando a porta em seguida.
- Você viu? Imagina se esse filho não for dele? – disse olhando para ela. pegou uma latinha que tinha posto em cima do balcão e guardou em um saco plástico.
- A gente já já vai descobrir isso! – Minha amiga mandou eu pegar minha bolsa para irmos ao laboratório.
Levamos mais ou menos vinte minutos até o laboratório. Eu já conhecia o lugar, era aonde eu fazia meus exames para as lutas. Ao adentrar, a recepcionista nos cumprimentou e nós fomos direto ao balcão.
- Boa noite – disse a balconista.
- Boa noite, eu quero fazer um teste de DNA – disse convicta. Ela me deu uns formulários para eu preencher e eu o fiz em alguns minutos – Aqui – entreguei os papeis a ela.
- Eu vou fazer o registro, vocês podem aguardar ali – ela apontou para umas cadeiras. Eu e nos sentamos. Depois de mais ou menos vinte minutos, a mulher me chamou e disse que eu poderia me encaminhar para o consultório. Chamei e adentramos um corredor branco e largo, cheio de portas.
- Doutor Sullivan – leu na placa, na porta do consultório.
- É esse – bati a porta e ouvi uma voz mandando que nós entrassemos. Um homem de meia idade, de cabelos grisalhos estava sentado atrás de uma mesa, nos olhando com um sorriso no rosto.
- Boa noite doutor – ele respondeu e fez menção para que nós nos assentássemos.
- Qual das duas é ? – ele perguntou e apontou para mim – Você está fazendo um requerimento de exame de DNA? – ele tinha um papel e uma caneta em mãos.
- Sim, eu tenho o material aqui – tirou o saco plastico com a lata de refrigerante de dentro da bolsa e entregou ao doutor. – Eu estou grávida, e quero saber se o dono desse material genético é realmente o pai – Ele concordou com a cabeça.
- Então, eu vou marcar o seu exame para a próxima semana, tudo bem? Dia 15? – eu peguei meu celular e vi na minha agenda eletrônica e concordei – Você vem até aqui que nós vamos realizar todo o procedimento.
- Muito obrigada, Doutor Sullivan – sorri agradecida e dei-lhe um aperto de mão. Minha amiga fez o mesmo e seguimos para casa. Eu estava receosa de o resultado não sair de acordo com a minha vontade, mas eu tinha quase certeza que não sairia da forma que eu queria. Dei um longo suspiro e segui o caminho de volta olhando pela janela, imersa em pensamentos.
29
Chegara finalmente o dia da audiência de Cris. Eu estava muito nervosa. não sabia de nada, eu dissera a ele que hoje passaria o dia com , mas eu sabia que de algum modo ele iria descobrir. Ele era um reporter, é claro que ele iria descobrir, mas eu não queria contar. Eu iria esperar pelo pior e se ele descobrisse – coisa que ia acontecer – eu lhe contaria a verdade.
Estava terminando de me arrumar. Estava de frente para o espelho ajeitando a gola da minha blusa. Eu estava confiante, tinha certeza que iria vencer e essa era uma sensação ótima. Soltei um suspiro, dei uma última olhada, minha barriga estava durinha. Não estava enorme, mas estava durinha, e eu sorri ao passear minha mão por ela, pensando no meu filho.
- Vamos? – colocou a cabeça para dentro do quarto. Peguei minha bolsa em cima da cama e sai, fechando a porta do quarto atras de mim – Você ta bem? – parou e me analisou.
- Eu to ótima! Bem nervosa, pra falar a verdade, mas eu to bem sim – dei um sorriso e seguimos em direção a garagem do prédio.
Chegamos ao tribunal e ao olhar pela janela, vi câmeras, reporters e paparazzis. Entrei em desespero.
- , olha isso – olhei para ela nervosa, enquanto ela estacionava.
- Eu to vendo... Mas o que você queria? Você é conhecida, – bufei – Me surpreende o ainda não ter descoberto nada – entortei a boca quando ela disse isso. Minha amiga terminou de estacionar e antes que pudéssemos sair do carro, reporteres e fotógrafos cercavam o carro. Abri a porta com dificuldade e eram tantos flashes que eu não conseguia enxergar direito, mesmo com os óculos escuros. Quando levantei a cabeça, estava a uma distância de uns dez metros e seu olhar era triste. Quando o vi, meu coração acelerou de tal maneira que eu não pude explicar, parecia que eu havia levado um soco no estômago e eu estava com vontade de chorar. Olhei para e ela não tinha notado que estava lá. Ele veio se aproximando e eu estava estática.
- Então a boxeadora era você, né? Como eu não percebi? Fui muito idiota – ele me olhava com tristeza e eu tirei os óculos escuros para que ele pudesse ver que havia verdade nos meus olhos.
- , não. Você não é e nem foi idiota – meus olhos ardiam – Depois a gente conversa. Por favor... Eu não quero ficar aqui e ser matéria de capa de jornal.
- Você já é! – Olhei pra ele e estreitei meus olhos. estava mais a frente e me chamou para entrar.
- Eu tenho que ir. Mais tarde a gente se fala – falei baixo e segui em frente. Vários reporteres estavam me seguindo e me fazendo perguntas, eu estava ignorando todas elas. Finalmente entrei no tribunal, onde não havia reporteres e eu pude ter um pouco de paz.
Doce ilusão.
- Oi querida – ouvi sua voz atrás de mim. Meus pelos da nuca se eriçaram. Ele me dava arrepios. Virei-me para olhar em seus olhos e nada disse, apenas fiquei encarando-o com a sobrancelha arqueada.
- Melhor seu advogado ser muito competente, porque você não vai sair daqui solto – virei às costas e sai andando.
- Vai contando com isso – ele falou alto e eu não parei de andar. Encontrei com no corredor, ela estava conversando com minha advogada – Bom dia, doutora – dei-lhe um aperto de mão.
- Sua amiga estava me contando das ameaças mais recentes de Cristopher.
- Ah, nós o encontramos no shopping outro dia, mas ele não chegou a me ameaçar, só disse que sabia de todos os meus passos e que o filho que eu estava esperando era dele – ela estudou meu rosto por um momento e perguntou.
- E esse filho é dele?
- Eu... Eu não sei. Vou ao laboratório tirar uma amostra do DNA do bebê.
- Mas a relação foi consensual? – ela me perguntou com os olhos cerrados.
- Não! – exclamei – Claro que não! Eu acho que foi fruto da última vez que ele me estuprou.
Uma moça veio chamar e disse que audiência iria começar dentro de alguns minutos. Nós três entramos e tomamos nossos lugares. Olhei para assim que me sentei à cadeira do réu. Ela sorriu com confiança e sorri de volta.
- Lembre-se, Cristopher está sendo acusado de homicídio qualificado, extorção, porte ilegal de armas, porte de drogas e violência contra a mulher. São muitos crimes, . Ele não sairá impune – ela me assegurou e eu fiquei mais confiante.
Passei o julgamento inteiro nervosa, ansiosa para terminar e ver Cristopher ir para a prisão e eu poder ir conversar com . testemunhou a meu favor e seu depoimento foi muito válido para o julgamento. Descobri que Lucas, o “amigo” de Cris era mafioso, coisa que eu já desconfiava. Lucas e Cris eram comparsas nas vendas de drogas e de armas. Uma vez, ameaçaram-nos de morte e, durante o julgamento, eu descobri que o homem que nos ameaçou era o próprio Lucas. Cristopher devia dinheiro a ele, pois havia começado a consumir as drogas ao invés de vendê-las. Minha advogada começou a interrogar Cris e ele só ia se afundando a cada pergunta que ela fazia. As fotos tiradas para o corpo de delito o condenaram por agressão contra mulher e havia o DNA dele em mim, comprovando o estupro. Quando minha advogada voltou ao seu lugar, ao meu lado, parecia nervosa e eu fiquei nervosa só por vê-la daquela maneira, mas preferi não perguntar nada.
- O réu Cristopher James White receberá uma ordem judicial para permanecer dez metros longe de – Quando o juiz começou dizendo isso, eu comecei a ficar enjoada. Como assim ele não iria preso? Como assim ele receberia apenas uma ordem judicial? Eu nem terminei de ouvir o que ele dizia, estava desnorteada.
- Como assim? – virei-me para minha advogada com os olhos cheios de lágrimas.
- As fotos não demonstram sinais de estupro, apenas de violência e não podemos prendê-lo por isso. Os outros processos dele estão correndo, logo Cris estará atrás das grades, eu prometo. – Mas isso não me acalmou, olhei para e ela me olhava com tristeza. Desviei meu olhar para Cristopher e ele estava rindo desdenhoso. Tive vontade de esganá-lo, mas contei até dez e desviei o olhar. Assim que a sessão terminou, levantei-me com minha advogada e ela disse:
- Ele não pode chegar perto de você, querida. Não fique tão nervosa.
- Ele pode violar essa ordem e vir atrás de mim, eu o conheço.
- Se ele fizer isso, vai preso.
- Aí será tarde demais – lancei-lhe um olhar triste e saí andando. Os fotografos estavam me esperando na saída, procurei por , mas ele não estava. Suspirei e fui em direção ao carro, junto de . Eu precisava conversar com e urgente.
30
- Não consigo falar com ele, só dá fora de área. – Joguei o celular em cima da cama de , e suspirei profundamente. Tentava ligar para há dois dias, tinha ido à casa dele, mas o porteiro não me deixou subir. Eu estava sofrendo, um sofrimento que não conhecia. Eu precisava daquele homem, ele me completava, era minha alma gêmea, era quem me fazia feliz. Eu demorei a perceber isso.
- , ele não quer falar com você. Dê um tempo a ele – sentou-se ao meu lado e me olhou nos olhos – Você sabe que errou. Precisa respeitá-lo agora.
- , eu amo o – lágrimas invadiram meus olhos – Eu não quero e não posso ficar sem ele. é o homem da minha vida. – Passei a mão pela minha barriga, meu bebê chutava. Ele sabia que eu estava triste – Ah, meu filho! – comecei a chorar mais ainda. apenas me olhava.
- Amiga... – ela veio, e me deu abraço carinhoso.
Depois um tempo chorando, acalmei-me e fui tomar banho. Meu celular começou a tocar e eu desliguei o chuveiro correndo, na esperança de ser uma ligação de . Nem olhei no identificador, apenas atendi.
- Alô?
- Poderia falar com a Hellen? – dei um suspiro pesaroso.
- Não tem ninguém com esse nome aqui.
- Ah, desculpe. Foi enga... – desliguei na cara da menina. Não me importava. Quando ia religar o chuveiro para teminar de tirar o condicionador de meus cabelos, meu celular tocou novamente.
- Não tem nenhuma Hellen aqui! – falei exasperada.
- Não quero falar com nenhuma Hellen – Ouvi a voz de do outro lado da linha.
- Ah – meu coração acelerou – É que me ligaram por engano agora a pouco...
- Ah sim – Sua voz estava fria e sem emoção, e isso me matou por dentro – Só estou ligando porque vi suas chamadas perdidas, e o porteiro me disse que você veio aqui me procurar.
- É. Eu fui, mas ele não me deixou subir...
- Ordens minhas – meus olhos começaram a arder.
- ... – ele me cortou.
- Eu não quero ficar jogando conversa fora com você, então mais tarde você vem aqui para a gente conversar, e por um ponto final nisso tudo. – Eu já estava chorando. Ouvir o homem que eu amava falando comigo daquela maneira era mais do que eu podia suportar.
- Não fala assim...
- Tô te esperando aqui a partir das sete – ele simplesmente ignorou o que eu falei todas às vezes.
- Tá – foi só o que eu consegui dizer, e ele desligou. Fiquei segurando o aparelho em minhas mãos, pensando no que acabara de acontecer. Meu coração estava despedaçado, e a culpa era minha.
Religuei o chuveiro e terminei meu banho. Ao sair do banheiro, ouvi a voz de , e fui até lá cumprimentá-lo.
- E aí, gorducha? – abriu os braços para um abraço quando me viu.
- Vai se ferrar! – dei um sorrisinho.
- Como você tá? – Falei, desvecilhando-me de seus braços.
- Tá tudo indo...
- Vai ficar tudo bem! – sorri e olhei para , que sorriu de volta – Ele acabou de me ligar. Nós vamos nos encontrar hoje mais tarde.
- , ele te ama – disse, e eu soltei uma risada pelo nariz.
- Ninguém vive só de amor, . - retruquei.
- Vocês vão se acertar. Eu sei disso – ele sorriu pra mim.
- Vou deixar vocês à vontade. Vou descansar, essa criança pesa! – e riram e eu fui para o quarto me deitar. Eram quatro da tarde de sábado. Eu ia dormir até as seis e depois iria para casa de .
Acordei sentindo uma dor enorme, e quando olhei debaixo do cobertor, vi sangue. Fiquei desesperada.
- , ME AJUDA, POR FAVOR – ela e chegaram ao quarto correndo, e mostrei-lhes o sangue em minha cama. se prontificou, e ligou para a ambulância – Amiga, eu tô com medo. Eu vou perder meu bebê. Eu tô perdendo meu filho – falei aos prantos – Por favor, ligue para o , eu preciso dele. – Comecei a falar com meu bebê, acariciando minha barriga – Amor, eu não vou te perder, meu amor, não vou!
- A ambulância já está a caminho – também estava nervoso, e a dor estava piorando.
- Eu não consigo falar com – disse, andando de um lado para outro, com o telefone em suas mãos, discando o número de .
- Eu não posso perder meu bebê! É meu filho! – disse chorando e urrando de dor – Não posso! – me abraçou, acariciando meus cabelos.
- Você não vai perder, ! Não vai! Fica calma – A ambulância chegou dentro de minutos. Eu não parava de sangrar. Os paramédicos me colocaram em uma maca e me levaram direto para ambulância, e eu ouvi falar com .
- Vai com ela, que eu vou até a casa de . Ele precisa saber. – Minha amiga concordou e entrou comigo no carro. Colocaram soro em mim e eu ainda estava perdendo sangue. Minha amiga segurou minha mão e permaneceu com os olhos fechados.
Chegamos ao hospital em minutos, e eu fui direto para a emergência, onde não pôde me acompanhar.
Senti uma picada forte em minhas costas e, aos poucos, minhas pálpebras foram pesando, e entrei em um sono profundo.
Capítulo betado por Natália Smith
31
N/a: Ponha para tocar: One And Only – Adele
- Ela vai ficar bem, não vai? – acordei, ouvindo vozes. A porta de meu quarto estava entre-aberta e duas pessoas conversavam, uma delas era . Quando a conversa terminou, ele adentrou o quarto, fechando a porta atrás de si. Quando me viu acordada, ficou parado, apenas me encarando. Meu coração acelerou só de olhar em seus olhos.
- Oi – foi tudo o que consegui dizer. Sentei-me na cama com dificuldade, estava sentindo muita dor.
- Oi, como está se sentindo? – sua expressão não era dura, mas também não era feliz.
You've been on my mind,
I grow fonder every day,
Lose myself in time,
Just thinking of your face,
God only knows why it's taken me so long to let my doubts go,
- Bem, na medida do possível – deu uma risadinha pelo nariz e sentou-se no sofá. Não sei o que ele pretendia, mas acho que queria conversar. – Há quanto tempo estou aqui?
- Dois dias.
- E há quanto tempo você está aqui?
- Desde que você deu entrada. foi até minha casa me avisar. Fiquei preocupado com você e com nosso filho – senti um aperto no peito ao ouvi-lo falar aquilo.
- Como está o bebê? – eu estava com medo de sua resposta.
You're the only one that I want,
I don't know why I'm scared,
I've been here before,
Every feeling, every word,
I've imagined it all,
You'll never know if you never try,
To forgive your past and simply be mine
- Bem. Você perdeu muito sangue, mas o bebê é forte – ele sorriu e eu senti um alívio ao ouvir aquilo.
- O que aconteceu comigo?
- O médico disse que você estava sob muito estresse e mais alguma coisa que eu não entendi. Ele disse pra você ficar de repouso e procurar não se estressar até o fim da gestação – suspirei.
- É difícil não se estressar com tudo que está acontecendo em minha vida – ele me fitou por um instante.
Are you to let me be your, your one and only,
Promise I'm worth it,
To hold in your arms,
So come on and give me a chance,
To prove I am the one who can walk that mile,
Until the end starts,
- O que está acontecendo na sua vida? Porque tudo o que eu sei é através de tablóides – aquilo me doeu.
- Eu... Eu tenho medo de te contar – falei olhando em seus olhos.
- Medo de quê?
- Medo... Medo de você me tratar diferente, medo de você sentir pena de mim...
- Pena? – ele riu desdenhoso.
I've been on your mind,
You hang on every word I say,
Lose yourself in time,
At the mention of my name,
Will I ever know how it feels to hold you close,
And have you tell me whichever road I choose, you'll go?
- Eu apanhava de Cristopher. – praticamente cuspi as palavras - Ele me maltratava, fazia coisas horríveis comigo e eu não queria que você soubesse. - arregalou os olhos e ficou fitando meu rosto por alguns segundos.
- Ele não fez isso com você! – ele disse abismado.
- Fez e fez coisas piores também... – disse em voz baixa.
- Mas um relacionamento é baseado na confiança e na cumplicidade, você não confiou em mim! – não disse nada, apenas desviei meu olhar para a janela. A chuva caia e já era noite. Eu comecei a contar a tudo o que acontecera comigo desde que comecei a namorar Cris. Ele não fazia ideia de tudo o que eu havia passado.
ouviu atentamente a tudo o que eu disse.
- Porque você não procurou a polícia, ?
- Eu tentei, mas seria pior se Cris descobrisse. Eu não tinha com quem contar, foi aí que reecontrei . Éramos amigas no colegial, mas ela saiu do país para estudar e nós perdemos contato. Nos reecontramos no shopping, um dia antes da entrevista que eu te dei. Ela foi e ainda é meu porto seguro – eu estava sentindo um alívio imensurável ao contar toda a minha história a .
I don't know why I'm scared,
'Cause I've been here before,
Every feeling, every word,
I've imagined it all,
You'll never know if you never try,
To forgive your past and simply be mine
- Eu... Eu não sabia. Eu não sei o que dizer, na verdade. – sorri fraco para ele.
- Não precisa dizer nada, eu só não queria que você me olhasse dessa maneira – seu olhar era de pena e eu odiava isso. - ... Me perdoa? – ele fitou meu rosto por alguns segundos, se levantou do sofá e veio até mim. Ele sentou-se ao meu lado na cama e acariciou meu rosto. Meus olhos se encheram d’água e meu coração estava acelerado.
I dare you to let me be your, your one and only,
I promise I'm worth it, mmm,
To hold in your arms,
So come on and give me a chance,
To prove I am the one who can walk that mile,
Until the end starts,
- Eu pensei por alguns segundos que eu fosse te perder pra sempre, que fosse perder nosso filho. Eu percebi... – seus olhos estavam marejados. – Que eu não consigo mais viver longe de você, que você é o amor da minha vida, que eu sou um homem completo com você ao meu lado, . Esquece seu passado e vamos viver o presente e pensar no futuro. – ele sorria a cada palavra que saia de sua boca. - Eu preciso de você, preciso dos seus abraços para me confortar, dos seus beijos pra me acalmar, preciso de você como amiga, mulher. Eu ia desistir de você, mas você é única.
- ... – ele me cortou.
– Deixe-me terminar.
I know it ain't easy giving up your heart,
I know it ain't easy giving up your heart,
Nobody's pefect,
(I know it ain't easy giving up your heart),
Trust me I've learned it,
Nobody's pefect,
(I know it ain't easy giving up your heart),
- Você não tem ideia de como eu me senti quando as notícias sobre seu processo contra o Cris saíram. Eu me senti traído. Eu queria fazer parte disso tudo e queria te ajudar, mas você me excluiu... – eu estava chorando e antes que ele pudesse terminar de falar, eu puxei-o para um abraço.
- Eu amo você, . O que aconteceu com o Cris foi passado. Eu não te contei porque eu não queria parecer fraca. Mas, eu prometo nunca mais esconder nada de você, meu amor. – acariciei seu rosto de leve e ele colocou sua mão em cima da minha - Eu sei que demorei a perceber que o que eu sentia por você era único e verdadeiro. – olhei para ele e seus lábios sorriram para mim, junto com seus olhos – Me perdoa?
(I know it ain't easy giving up your heart),
Trust me I've learned it,
Nobody's pefect,
(I know it ain't easy giving up your heart),
Trust me I've learned it,
Nobody's pefect,
(I know it ain't easy giving up your heart),
Trust me I've learned it,
- Com uma condição! – disse ele com um sorriso bobo
- Qualquer coisa!
- Você precisa confiar em mim. Promete contar comigo pra tudo? – ele sorria e eu concordei com a cabeça. me deu um beijo na testa e acariciou minha barriga – Seremos uma família – ele me olhou sorrindo e lhe beijei a boca.
So I dare you to let me be your, your one and only,
I promise I'm worth it,
To hold in your arms,
So come on and give me a chance,
To prove I am the one who can walk that mile,
Until the end starts,
Come on and give me a chance,
To prove I am the one who can walk that mile,
Until the end starts.
Capítulo betado por Thais M
32
- Eu acho que isso não dá certo – disse à enquanto ela tentava estacionar o carro em uma vaga menor do que seu carro. Ela puxou o freio de mão e me olhou feio.
- Você quer dirigir? – soltei uma risada e a expressão da minha amiga continuou séria.
- Não... Só to dando minha opinião. O carro da direita entrou na vaga que você quer usar. Não vai caber! – Ela soltou o freio de mão e tentou mais uma vez entrar com o carro na vaga.
Estávamos na clínica para fazer o exame de DNA do meu bebê. Contei à tudo o que havia acontecido no hospital na noite passada entre mim e . Ela me fez prometer que se o filho não fosse dele, eu iria contar. Isso me deixou muito tensa, mas seria muito melhor, nós prometemos um relacionamento sincero e livre de mentiras.
- Que merda! – Minha amiga exclamou ao raspar a porta de seu carro no retrovisor do carro ao lado.
- Eu te falei, vamos procurar outra vaga! Você não está dirigindo um carro pequeno – Acho que ela havia ignorado o que eu tinha acabado de falar.
- Será que arranhou? – rolei os olhos e respirei fundo – Ai, tá! Você ganhou. – disse ela, impaciente - Vamos procurar outra vaga.
- Amém! – Disse rindo.
Ao finalmente acharmos uma vaga compatível com o tamanho do carro, estacionamos. Ao adentrarmos a clínica, fomos até a recepção. Comuniquei à recepcionista que eu tinha um exame marcado.
-Amiga, vai dar tudo certo! – me disse confiante, então a moça me encaminhou até a sala do Dr. Sullivan, caminho que eu conhecia. Minha amiga ficou me esperando na recepção. Bati na porta e ele mandou que eu entrasse.
- Boa tarde, querida! – ele disse com um sorriso amigável.
- Boa tarde – disse tensa.
- Tudo bem com você?
- Bem... – soltei uma risada pelo nariz – Eu to tensa, mas to bem.
- Tudo bem, isso é normal. Então – ele disse se levantando – Preciso que vá até a sala ao lado e se troque. Eu já vou até lá – concordei e saí. Adentrei na sala que ele mandou, parecia uma sala de parto. Depois que eu pus aquela horrenda camisola hospitalar, o Dr. Sullivan entrou e pediu para que eu me deitasse na maca. Fiz o que ele pediu.
- Vou coletar seu sangue, tudo bem? – concordei com a cabeça e ele amarrou um garrote no meu braço. Eu detestava tirar sangue, na verdade, eu detestava agulhas em geral – Agora, eu vou te dar uma anestesia, você não vai apagar, mas vai ficar sonolenta por apenas trinta minutos.
- Ok – Ele pediu para que eu virasse de lado e senti uma picada forte. Não sei o que aconteceu, mas dentro de alguns segundos me senti muito sonolenta. Eu não estava dormindo durante o procedimento, eu ouvia o Dr. Sullivan falando com uma enfermeira, mas não sabia do que se tratava. Depois um tempo, ele disse que tinha coletado o que precisava e que eu podia me trocar, mas o efeito da anestesia ainda não havia passado, então pedi que esperasse. Passados dez minutos, eu já estava me sentindo melhor, então levantei da maca e fui me trocar. Fui até o consutório do meu médico, que era a sala ao lado, e ele disse que o resultado sairia dentro de dois a três dias. Agradeci e disse que voltaria dentro desse prazo.
- E aí? – estava aflita, esperando em pé na recepção.
- Foi tudo bem, o resultado sai dentro de dois a três dias – ela concordou – Vamos comer? Eu to morrendo de fome, não como há dez horas – Ela concordou.
- Vamos ligar para os meninos? Se eles não estiverem trabalhando, a gente pode almoçar junto – sorri concordando com ela e fomos em direção ao estacionamento – , onde eu pus o carro? – rolei os olhos. Ela sempre tinha esse problema nos estacionamentos.
- , está no 5 C! – disse impaciente.
- Ah – ela riu abobalhada – É mesmo, olha ele ali!
- Só você – disse rindo.
- Ai, liga pra eles, por favor? Vou tomar uma multa se me pegaram dirigindo e falando ao celular – concordei e peguei o telefone na minha bolsa. Disquei o número de e fiquei esperando.
- Oi, amor – ele disse ao atender.
- Como sabe que sou eu? – disse rindo.
- Eu pressenti – ele brincou.
- Aham, sei.
- Idenficador de chamada – disse ele por fim.
- Você tá ocupado? – estava fazendo gestos estranhos, querendo falar alguma coisa comigo – Espera aí, . Fala, .
- Diz a ele que estamos indo pro Le Gourmet – concordei.
- Olha, vamos almoçar juntos? Eu, você, e ?
- PORRA! – deu uma freiada brusca quando um carro a cortou.
- O que foi? – perguntou do outro lado da linha.
- Tsc, um carro cortou a gente – disse indignada.
- Cuidado, pelo amor de Deus!
- Ok, voltando a falar do almoço... Tá livre ou não?
- Na verdade, não... Mas eu me libero rapidinho.
- Então tá, nos encontre no Le Gourmet em meia hora.
- Sim, senhora – ele disse rindo.
- Tchau, lindinho! – ele respondeu e eu desliguei – Um já foi – Disse procurando o número de em minha agenda telefônica.
foi mais rápida e praticamente cuspiu o número do telefone de seu namorado, e eu comecei a rir.
- Oi, nanico! – riu.
- Oi, gorducha! – ele riu.
- Tá ocupado?
- Não... To em casa. Não fui trabalhar hoje.
- Ah, que vida boa – ele riu.
- Nada, eu tava morrendo de dor de cabeça. O trabalho acumulou pra amanhã.
- Poxa, mas tá melhor? – olhou preocupada e eu sacudi a cabeça como quem diz ‘ não foi nada’.
- To sim. Mas fala aí, gorducha!
- Se você me chamar assim mais uma vez, eu corto seu pinto fora – ele começou a rir.
- Sua amiga não vai gostar disso – eu ri.
- Problema dela – estava resmungando, querendo saber da conversa.
- É o seguinte: Eu, e , vamos almoçar no Le Gourmet, estou te convidando.
- Pode ser...
- Nos encontre em meia hora lá. Beijo, tchau – e desliguei.
- O que ele te disse? – perguntou enquanto virava a esquina.
- Ah, ele fica me chamando de gorducha, então eu disse que ia cortar o pinto dele fora – ela começou a rir – Ele disse que você não ia gostar! – ela riu mais ainda.
Chegamos ao restaurante depois de vinte minutos. Os meninos ainda não tinham chegado, então pedimos uma mesa pra quatro e ficamos esperando.
- E aí? Quando você volta pro trabalho? – perguntei à .
- Daqui a quinze dias, infelizmente – ela entortou o canto da boca.
- Ah, como eu queria voltar a lutar – suspirei.
- Você ama isso, né? – concordei com a cabeça.
- Amo. Mas agora, eu amo mais o meu bebê – sorri e passei a mão pela minha barriga.
- , você tem que fazer a ultra! – Ela disse alarmada, como se eu tivesse esquecido e eu ri.
- Eu sei, mas eu ainda não quero descobrir o sexo... Eu to com medo!
- Medo de quê?
- É, , medo de quê? – Fechei os olhos e respirei fundo. Não ousei olhar para trás. Abri os olhos devagar – Não vai falar comigo? – Cris estava parado ao lado da mesa.
- Sai daqui, você não pode chegar perto de mim – disse com raiva.
- Sai, Cris, eu vou ligar pra polícia – falou e ele apenas riu. Olhei para a porta e lá estavam e , adentrando o restaurante.
- Cristopher, sai daqui! AGORA! – trinquei os dentes, eu estava ficando nervosa. Quando se aproximou e viu Cris, sua expressão mudou.
- O que esse cara faz aqui? – Falou sem tirar os olhos de Cris.
- Finalmente, estou tendo o prazer de conhecer o namoradinho da . – Fiquei de pé e, a essa altura, nós estávamos atraindo olhares de todos do estabelecimento.
- Sai daqui, eu to dizendo! Vou ligar para a polícia. – Falei olhando fixamente pra ele, que passou a língua pelos lábios.
- Eu tenho todo o direito de almoçar onde quiser – Ele disse em tom de deboche.
- Sai de perto dela, CANALHA! – deu um soco no rosto de Cris, coisa que ele não esperava. Cristopher se retorceu de dor.
- , para! – Ele batia forte em Cris, e, por mais que ele merecesse, estávamos em um lugar público. Os dois caíram no chão e estavam se batendo. O nariz de Cris estava começando a sangrar. tentava tirar de cima de Cris. Um burburinho começou e o segurança veio ver o que estava acontecendo. conseguiu apartar a briga com dificuldade, antes do segurança se manifestar.
- Me solta! – gritou para , que estava segurando o braço do amigo.
- Seu babaca! – Cris berrou para . – Pode ficar com essa piranha!
- Não fala assim dela! – ia partir pra cima de Cris de novo, mas o segurança mandou que eles se retirassem.
- Vamos, , vamos embora – Peguei pelo braço; e vieram atrás de nós. Assim que saímos do estabelecimento, fomos direto ao estacionamento, no subsolo – Amiga, eu vou com de carro, vai com o – Disse a ela, então eu entrei no carro de , assim que ele ligou o motor, Cris apareceu na frente do carro, apontando uma pistola em nossa direção.
- Ai, meu Deus – meu coração acelerou – Isso não tem fim! – disse com desespero. Senti um aperto no peito.
- Calma, fica calma – tentou me tranquilizar, mesmo estando tão nervoso quanto eu. Olhei para , que estava estática com do lado de fora do carro.
- Desce do carro, ! – Cris dizia furioso.
- Não faz o que ele diz – segurou minha mão.
- Eu o conheço! É melhor assim! – apertei sua mão com força. Quando eu ia descer, abriu a porta para sair comigo do carro.
- Se ele descer também, eu atiro! – Cris estava impaciente – ANDA, PORRA! DESCE!
- Por favor, me leve no lugar dela! – pediu.
- Eu não quero você, seu babaca! Eu quero essa piranha! – ele sorria e era um sorriso maldoso.
- Não, Cris! Por favor! – Implorei, mas não adiantou.
- Eu vou estourar a cabeça do seu namorado se você não descer agora desse carro! – Fiz o que ele mandou e olhei para . Ela pegou o celular e provavelmente estava ligando para a polícia. Cris olhou na mesma direção que eu.
- LARGA ESSA PORRA! – se assustou, mas não largou o telefone – LARGA OU EU ATIRO! – ela fechou o flip e guardou no bolso. Cris me pegou pelo braço e colocou a arma em minha cintura – Se alguém vier atrás de mim, ela morre! – Dei uma última olhada para . Ele estava chorando e o desespero era nítido, e isso me fez começar a chorar. Cris me empurrou pro banco de trás de seu carro e trancou as portas. Ele entrou depressa no veículo e deu partida. Ele segurava a arma com uma mão e o volante com a outra.
- Sua vadiazinha! Achou que ia escapar de mim, né? – Ele olhava pra mim pelo retrovisor, mas havia maldade em seus olhos. Eu estava desesperada, não sabia o que ele ia fazer comigo, mas esperava que alguém me encontrasse logo!
Capítulo betado por Thaciane Millena
33
- CRIS, POR FAVOR! – Eu estava em prantos – ME LEVE PRA CASA! – Ele estava em alta velocidade, ziguezagueando pela rua – Nós vamos bater – falei pra mim mesma. Eu só conseguia pensar em e na criança que eu esperava.
- Eu vou te levar pra nossa casa! – Cris parou de falar – Não... – disse ele pensativo – Nossa casa é muito óbvio... – Ele estava pior que sempre. Seus olhos estavam vermelhos e ele poderia fazer o que quisesse comigo, eu estava vulnerável.
- Cris, eu to grávida, pelo amor de Deus! – Eu estava tentando argumentar, mas não adiantaria de nada.
- Cala a boca! – Fechei os olhos sentindo as lágrimas escorrerem. Parei de falar e fiquei prestando atenção no trajeto que estávamos fazendo. Depois de um longo tempo dentro do carro, comecei a me sentir enjoada e pedi que Cris parasse o carro, mas é claro, ele não fez o que eu pedi. – Cris, para o carro, eu vou vomitar! Por favor – eu realmente estava me sentindo mal e precisava que esse maldito carro parasse. Cris parou no acostamento e me mandou descer do carro.
- Se você fizer alguma gracinha, você morre! – Cris me ameaçou de dentro do carro. Estávamos em uma parte da cidade que eu não costumava freqüentar. Desci do veículo e encostei-me a porta, ainda aberta, alguns carros que passavam, olhavam para nós e eu queria fazer algum sinal de socorro, mas Cristopher não tirava os olhos de mim.
- Anda, você não quer vomitar? – Cris dizia com raiva. Não respondi, e em um ato de loucura, saí correndo. Cris veio atrás de mim. Ele não ia atirar, havia pessoas demais ali como testemunha – Volta aqui, – Ele berrava comigo. Eu estava desnorteada, não sabia pra onde ia, mas eu não parava de correr. Avistei uma cabine policial a poucos metros, tudo o que eu precisava fazer era chegar até ela. Olhei para trás e Cris estava se aproximando. Comei a correr mais rápido, as pessoas estavam olhando curiosas. De repente, senti alguém me puxar pra trás. Olhei e vi que era Cris, tentei me soltar e continuar a correr, mas ele era mais forte. Eu estava sem comer há aproximadamente 15 horas, estava muito fraca e cansada.
- Cristopher, por favor – disse implorando aos prantos – Me deixa ir! – Eu segurava seu braço, tentando fazê-lo soltar o meu.
- Você pensa que é esperta, né? – Ele surssurrava, me levando de volta a força pro carro, quando comecei a gritar por socorro – O que você está fazendo? – ele dizia indignado. Comecei a me debater no meio da rua e gritar mais alto. Depois de alguns segundos, um policial se aproximou e Cris havia me abraçado, pondo a arma em minha cintura por baixo de nossos casacos.
- O que está acontecendo aqui? – O polical perguntou. Não disse nada, tudo o que eu conseguia fazer era chorar.
- Nada, senhor policial. Só uma briga de casal – Cris disse tentando disfarçar – Não é amor? – ele sorria cínico pra mim. Tentei forçar um sorriso.
- É, coisa boba – Nem eu mesma consegui acreditar no que estava dizendo. O policial ficou me encarando, esperando que eu dissesse a verdade, mas nada saiu de minha boca.
- Se o senhor não se incomodar, eu e minha namorada precisamos ir, ela está indisposta por causa de nosso bebê – sua voz era amigável e gentil, isso me irritava profundamente. O policial assentiu e eu olhei para ele, implorando em pensamentos para que seguisse o carro de Cris. Meus olhos passavam desespero e eu estava segura que o policial entendeu e iria seguir-nos, então fui com Cris até o carro e adentrei o veículo. Assim que o fiz, vi o policial correndo até a cabine a provavelmente pegando as chaves da patrulha.
- VOCÊ É MALUCA? SUA PIRANHA! – Cristopher berrava comigo e eu apenas chorava olhando para trás. Não sabia se a polícia estava nos seguindo, mas alguma coisa me dizia que sim.
- Você é maluco, Cris! O que você quer de mim?
- Tudo o que você me tirou! – ele dizia com a voz áspera.
- Eu não tirei nada de você! NADA! – Meu bebê chutava e eu não poderia me estressar, estive internada há poucos dias e temia que pudesse perder meu filho pra sempre.
Cristopher virou-se irritado e me deu um tapa. Meu ódio só cresceu, mas eu me controlei e apenas me encolhi no banco do carro.
Depois de mais ou menos quartenta minutos dentro do carro, nós chegamos a um lugar muito humilde e Cris mandou que eu descesse do carro. Respirei fundo e fiz o que ele mandou. Estava muito frio e eu vestia apenas uma calça jeans, uma camiseta e um casaquinho fino.
- Que lugar é esse? – Perguntei olhando em volta, amedrontada; havia uma cabana de madeira que parecia ser muito antiga. Havia outras casas e todas pareciam ser tão antigas quanto a cabana de madeira. Do outro lado da rua havia um bosque. Nunca tinha passado por esse lugar, era deserto e na rua tinha apenas um poste com uma luz muito fraca.
- Vem – Cris me puxou pelo braço com força e me levou para a cabana de madeira. Cristopher bateu a porta e depois de alguns segundos, uma mulher muito idosa nos atendeu.
- Mãe, preciso de sua ajuda – Quando eu o ouvi dizer aquilo, o olhei espantada.
- Entre, entre – ela disse sem emoção, saindo do caminho. Cris não largou meu braço nem por um segundo. Adentramos a casa de sua mãe e havia pilhas de drogas por todo o canto da sala.
Havia uma televisão ligada, mas estava quase inaldível. Um homem idoso sentado no sofá estava vidrado no programa que assistia, que nem percebeu nossa chegada. Aquele lugar tinha um cheiro horrível. O mesmo cheiro das roupas que Cristopher costumava chegar em casa depois de sair pra se drogar. Era cheiro de várias drogas misturadas. Senti-me enojada.
- Eu... Eu não sabia que seus pais eram vivos – disse perplexa mais para mim do que para Cris.
- Muita coisa sobre mim você não sabe – aquilo me arrepiou e eu o olhei com medo.
- Mãe, preciso que fique com por uns dias, até eu resolver o que fazer com ela.
- Ah, Cristopher, mais uma de suas armações? Eu não vou aguentar! – A senhora cuspiu as palavras e Cris se enfureceu.
- Quem paga essa merda de espelunca que você chama de casa? – Disse ele gritando. Sua mãe apenas o olhou feio e então voltou seu olhar pra mim.
- Então você é a vadia da ex namorada do meu filho... – Seu olhar me incomodava, era um olhar mau e eu não conseguia desviar meus olhos dos dela, mesmo amedrontada.
- Quem está aí, Kim? – O velho se pronunciou, ele falava alto, mas não tirava o olhos da televisão. Ela olhou para Cris e ignorou a pergunta do homem. Cris pareceu entender o olhar da mãe e foi falar com o homem.
- Pai... – sua voz soou doce e gentil e eu me assustei com isso – Sou eu, Cristopher.
- Hã ? – O homem falou bem alto e Cris apenas deu um tapinha em seu ombro e se levantou, ignorando-o e voltando sua atenção a mim.
- Vem aqui – Cris me pegou pelo braço, levou-me até o lado de fora da casa e abriu uma porta no chão, aonde era provavelmente o porão. – Você vai ficar aqui até eu resolver o que fazer.
- O que você pretende? – Perguntei temendo sua resposta. Desci as escadas com Cris me forçando. Era um quarto mal iluminado e com entulhos por todo o canto. Havia uma cama empoeirada e uma portinha, onde tinha um vaso sanitário.
- Você vai saber na hora certa – ele saiu, trancando a porta. Então era isso, eu estava escondida na casa dos pais de Cristopher, um ponto de venda de drogas provavelmente e longe de tudo e de todos. Comecei a achar que ninguém nunca me acharia no fim de mundo em que me encontrava. Levantei-me da cama e fui olhar o quarto. Ao tentar acender a luz, não fucionou. O lugar cheirava a mofo e aquilo estava me dando náuseas.
- EEI! – Comecei a gritar, esmurrando a porta, na esperança de alguém vir até aqui – Por favor! - A mãe de Cris abriu a porta, e entrou no quarto, fechando a porta atrás de si – Por favor, a senhora não pode me prender aqui! Eu to grávida - Disse na esperança dela me entender e me libertar.
- Olha aqui, não pense que estou feliz em fazer isso com você, mas eu preciso. Cristopher é meu filho e eu vou ajuda-lo e, - eu a interrompi.
- Eu to esperando um filho, eu estou com seis meses de gravidez... Não posso ficar aqui! – meus olhos se enxeram d’água. – Por favor...
- Você está com fome? – sacodi a cabeça em negação. – Não posso mais abrir a porta pra você, o que me garante que não vai tentar fugir? – Olhei para ela com tristeza. Não consegui ver seu rosto muito bem, pois estava escuro, mas sabia que ela falava a verdade quando disse que não estava feliz em fazer isso comigo. – A luz do quarto está fraca... Vou buscar uma lâmpada – Ela saiu, fechando a porta e trancando-a. Sentei-me na cama novamente e comecei a pensar em uma maneira de sair dali.
34
Acordei com a claridade iluminando o quarto assim que a mãe de Cris entrou pela porta. Não disse nada, apenas sentei-me na cama. Estava com dores musculares, aquela cama era horrorosa!
- Bom dia – olhei para ela incrédula. Como ela pode desejar-me um bom dia? Eu estava em cárcere privado.
- Oi...
- Eu trouxe algo para você comer – ela deixou a bandeija em cima da cama e sentou-se – Como passou a noite?
- Mal – Kim estava tentando ser amigável, mas definitivamente não estava funcionando. Ela sacodiu a cabeça.
- Entendi... Bem, espero que você coma, vai fazer bem pro bebê e pra você.
- Como vou saber que essa comida não está envenenada? – Disse com desprezo.
- Eu não coloquei veneno, sua tola. Eu não quero te machucar.
- Então porque me prende aqui? – Eu disse com raiva.
- Eu estou devendo uns favores a Cristopher... Mas eu não vou te fazer mal, eu prometo.
- Eu não confio em você – disse por fim. Kim não disse mais nada, apenas se levantou e saiu, fazendo o que a claridade invadisse o quarto novamente. Olhei para a bandeija ao meu lado. Havia ovos, bacon, pão, duas laranjas descascadas e um copo de leite. Aquilo era tentador. Eu estava morrendo de fome e já estava fraca por conta disso. Desviei o olhar da comida, mas não passou muito tempo, olhei novamente e comecei a devorar tudo o que estava ali. Eu estava correndo um risco, mas a fome era maior. Terminei sentindo-me saciada. Fiquei sentanda por um momento, sem saber o que fazer. Olhei em volta procurando alguma maneira de escapar. Levantei-me da cama procurando alguma coisa como um cabo de vassoura, alguma coisa que eu pudesse empurrar a porta. Falhei. Tudo o que havia nesse lugar eram caixas, prateleiras com sapatos velhos, frascos de perfume vazio, etc... Nada que eu pudesse utilizar. Sentei-me na cama me sentindo fracassada.
Pensei em , o que ele devia estar fazendo àquela hora? Será que estava me procurando? De repente, ouvi um estrondo muito grande vindo lá de cima. Subi as escadas correndo e coloquei o ouvido na porta, tentando ouvir algo.
- Sua imbecil! – Era a voz de Cristopher.
- Para com isso, meu filho! – Outro estrondo, alguma coisa foi atirada ao chão.
- Quantas vezes eu falei? QUANTAS? – Ouvi Kim gritar e depois tudo ficou em silêncio. O que será que ele havia feito? Fiquei mais alguns segundos com o ouvido na porta, o silêncio continuou, então eu voltei para cama e fiquei ali, pensando no que podia ter acontecido. Será que ele havia matado a própria mãe?
Levantei novamente, mas desta vez, procurando algum papel e alguma caneta. Se Cris era capaz de matar sua mãe, o que ele seria capaz de fazer comigo? Depois de alguns minutos, achei uma caneta jogada ao chão. Abri caixa por caixa, estavam todas empoeiradas e por isso comecei a espirrar e tossir. Dentro de uma delas, havia um bloquinho com algumas folhas em branco. Eu iria escrever uma carta para e . Se eu fosse morrer, eles pelo menos saberiam o que sinto por eles e o quanto eu os amo.
Comecei com a carta de , não foi fácil escrever uma carta de adeus. Meus olhos se enxeram d’água e senti um aperto enorme no peito. O papel estava marcado com gotas de lágrimas.
Quando terminei, guardei-o no bolso de minha calça. Respirei fundo para começar a escrever a carta de , mas... Eu não sabia como começar, não sabia o que falar. Não havia palavras para descrever meus sentimentos por ele. Demorei alguns minutos e então comecei:
‘Ao amor da minha vida... ‘
Ambas as cartas haviam marcas de lágrima no papel e ao terminar a de , uma onda de desespero tomou conta de mim. Comecei a pensar em como tudo poderia ser se eu saísse daqui com vida. Pensei em como seria nossas vidas com nosso bebê. Pensei em como seríamos felizes em nossa casa perto do parque, levando nosso filho para passear aos sábados. Pensei em nossa alegria ao ver pela primeira vez o rosto da nossa criança. Imaginei nós dois em casa, brincando como adolescentes, pensei em nós fazendo amor. Lembrei de seu cheiro. Pensei em seus braços em volta de mim, me acariciando, me abraçando, me tirando o medo. Pensei na primeira vez que o vi, lembrei de como eu o havia desejado. Lembrei da primeira vez que eu fui realmente dele. Onde o sexo não era apenas sexo, era amor. Imaginei nós dois velhinhos, sentados na varanda de nossa casa, abraçados, vendo o pôr do sol e de repente todas esses pensamentos e lembraças foram devastados e a esperança se esvaiu. Meus olhos ardiam e eu acariciava minha barriga. Tudo o que eu mais queria era sair dali e viver minha vida com e construir nossa família. Guardei a carta em meu bolso e deitei-me na cama, imaginando, apenas imaginando em como a vida poderia ser.
35
- POR FAVOR! ME LARGA! – Cris estava levando-me a força para fora do quarto – PRA ONDE VOCÊ ESTÁ ME LEVANDO? – Eu me debatia, então Cris se irritou e me deu um tapa na cara – Comecei a chorar de raiva – Eu odeio você – falei mais pra mim do que pra ele – Você vai pagar. Eu to dizendo – eu dizia aos prantos.
- Cala essa boca, sua vadia! – Ele segurou meu braço com mais força. – Ele me empurrou pra dentro do carro e trancou as portas assim que eu entrei. Ele foi até a casa de seus pais. O que será que tinha acontecido? Será que alguém o havia descoberto? Dentro de alguns segundos, Cristopher saiu da casa e adentrou o carro com pressa.
- O que está acontecendo? – Perguntei, temendo a resposta.
- NÃO FALA COMIGO! POR CAUSA DO SEU SHOWZINHO DE ANTEONTEM, EU TIVE QUE MATAR UM POLICAL! – ele disse ligando o carro, e dando partida. – Ele veio até aqui. COMO? COMO EU NÃO SEI – Cris estava desesperado.
- O policial... O policial que veio falar com a gente... – Estava boquiaberta. O policial me encontrou... Fiquei calada, apenas imersa em meus pensamentos. Cristopher iria me matar; ou ele me matava ou ele era preso. Comecei a chorar. Cristopher estava indo em direção à cidade, o carro estava em alta velocidade e estava escuro. Apenas o farol do carro iluminava a estrada, quando de repente os vidros do carro quebraram e... o carro estava capotando. Senti uma forte pancada na cabeça, tudo estava girando, havia fogo e depois... Tudo ficou preto.
- Verifique a pressão arterial dela – Ouvi a voz de uma mulher. Tentei abrir os olhos, mas estava tudo claro demais. A claridade me incomodava. Eu estava correndo, mas eu estava deitada.
Estava sentindo muita dor por todo o meu corpo, mas principalmente em minha cabeça. Depois de alguns segundos correndo, eu senti uma picada muito forte em meu braço e apaguei de novo.
N/a: Ponha para tocar: ‘ Goodye my lover – James Blunt
Eu corria desesperadamente pela cidade vazia com meu filho em meus braços. Estava de noite e a neve caía. Agarrei a criança com força contra meu peito. Minhas lágrimas caiam sobre a manta que o envolvia. Alguém me perseguia, mas eu não conseguia ver o rosto. De repente, vi e ele abriu a porta de uma casa para que nós estrassemos. Olhei em seus olhos e vi que chorava. Ele pegou a criança de meus braços, me deu um forte abraço, como se estivesse se despedindo. Fiquei sem entender, então ele me surpreendeu com um beijo e abriu a porta, pedindo para que eu saísse. Eu disse que o amava e perguntei o porquê dele estar fazendo isso. Ele disse que sentia o mesmo por mim, mas era preciso. Então, eu dei um beijo na testa de meu filho e saí. Assim que botei o pé para fora da casa, olhei para trás.
chorava e eu não estava entendendo o que estava acontecendo ali, mas não relutei e apenas obedeci. De repente, vi um carro vindo em minha direção. Ouvi a buzina e prendi a respiração.
Abri os olhos assustada. Estava em uma cama de hospital, em um quarto que parecia ser da emergência. Haviam enfermeiros andando de um lado para o outro. Olhei para os fios em meu braço e uma máscara de oxigênio que estava me fazendo respirar melhor. Tentei colocar a mão em minha barriga e senti uma dor enorme ao tentar me mexer. Uma das enfermeiras viu que eu havia acordado e que estava desnorteada.
- Ela acordou – A mesma disse para a outra enfermeira. Não conseguia entender muito bem o que acontecia. Vi do lado de fora pela janela de vidro do quarto. Ele estava desesperado, andando de um lado para o outro. Suas veias saltavam de sua pele e ele estava vermeho. veio até a janela e me viu acordada. Ele tentou entrar e um enfermeiro o impediu. Ele encostou sua testa no vidro e vi que suas lágrimas não paravam de rolar por seu rosto. Senti uma vontade de levantar daquela maca e abraçá-lo, mas eu não podia. Chorar era tudo o que eu podia fazer. Sibilei um ‘eu te amo’ e vi se aproximar de com . Meus amigos me viram acordada e sorriram fraco. Sorri de volta.
Minha respiração começou a ficar falha mesmo com o aparelho; meu peito estava contraído. O ar me faltava e meu coração batia mais acelerado. Não conseguia mais ver nada, apenas ouvia... Ouvia os enfermeiros falando alto, ouvia gritos... Era a voz de e então... Eu não ouvia mais nada.
Tudo estava escuro e, dessa vez, era para sempre.
’s pov.
Um médico veio até mim com uma expressão de fracasso. Eu já sabia o que ele iria dizer... Ele apenas me olhou e eu entendi.
Como aquilo podia estar acontecendo? Como aquela mulher, a mulher que eu amava, que eu queria passar o resto da minha vida estava ali, morrendo diante de mim e eu não podia fazer nada? Vi minha vida desmoronando e eu estava me sentindo um lixo; estava me sentindo um lixo como homem, como pai, como amigo... Meu peito doía e era uma dor insuportável, escorreguei pela parede do corredor, enterrei meus dedos em meus cabelos. estava ao meu lado, chorando e sendo consolada por . Nossos olhos se encontraram, levantei-me e a abracei. Nenhuma palavra dita poderia me consolar, mas um abraço de uma pessoa que sabia o que eu estava sentindo era reconfortante.
- Por que isso foi acontecer? Nós íamos formar uma família – Eu disse à . Ela nada disse, apenas continuou me abraçando.
Nesse exato momento, os médicos estavam fazendo o parto de meu filho. A única coisa que me ligava ao amor da minha vida. Depois de algumas horas, os médicos me chamaram para entrar na sala do parto. Olhei para , morta, em cima da maca. Eles disseram que eu podia dar um último adeus. Abracei-a com toda a força que podia e chorei sobre ela. Mexi em seu cabelo e acariciei seu rosto. Eu não conseguia suportar a dor que sentia ao ver ali a pessoa que me fazia feliz, a pessoa que eu mais amava. Os médicos vieram e colocaram em meus braços a coisa mais preciosa, a mais linda e pura que eu podia ter. Olhei para o bebê, era uma menina. As lágrimas molharam a manta que a envolvia.
- Meu amor, está aqui o nosso tesouro – eu falava aos prantos. – Como eu queria estar dividindo esse momento com você...
A enfermeira veio até mim e disse que precisava pegar meu bebê de meus braços e colocá-la na encubadoura, pois ela nascera prematura. Entreguei-a e dei uma última olhada para . Não queria que minha última imagem dela fosse daquela maneira, morta, em cima de uma maca. Quando estava saindo da sala, um médico me chamou e entregou-me dois bilhetes, dizendo que estavam dentro do bolso da calça de . Um estava com meu nome e outro com o de . Saí da sala e estava sentada, chorando. Ao me ver, levantou-se e perguntou do bebê. Disse que estava bem e então entreguei-lhe o bilhete com seu nome. Ela sentou-se quando começou a ler.
- É um... – ela engoliu seco – Um bilhete de despedida – Ela começou a ler em voz alta, soluçando e parando em alguns momentos.
', minha amiga, minha irmã, minha MÃE! Muito obrigada por ter cuidado de mim quando eu mais precisei. Muito obrigada por me compreender e oferecer seu ombro para chorar. Agradeço a Deus pela sua vida todos os dias. Agradeço ter reencontrado você. Deus te mandou na hora certa. Deus nunca erra, não é? Se você está lendo isso, é porque eu não estou mais entre você, mas eu não quero que você pense em mim com tristeza, e sim com alegria. Alegria pela nossa amizade, pelas nossas risadas. Foi difícil escrever isso, mas eu queria e precisava dizer o quão importante você foi pra mim. Eu pensava em você como um anjo que Deus colocou ao meu lado. Sempre me dizendo o que fazer. Faça-me um último grande favor, vá até o laboratório e pegue o resultado do exame. Sendo ele positivou ao não, conte a . Muito, muito obrigada por tudo!
Eu te amo.'
Ao terminar, ela dobrou e guardou a carta. Ela disse que precisava me mostrar algo. Eu não estava entendendo... O que queria me contar? Então abriu a bolsa e pegou um envelope aberto.
- estava em dúvida se o filho era seu ou do Cristopher, então fez um exame de DNA – Olhei para ela perplexo e ela continuou – A filha é sua... – Ela disse me entregando o exame. Olhei para e disse que precisava dar uma volta. disse que cuidaria da papelada do enterro e, ao ouvir aquela palavra, era como sentir uma facada em meu peito. Olhei para ele e agradeci, andando em direção à saída.
Eu não estava preparado para ler minha carta, então a dobrei e a coloquei em meu bolso. Ao deixar o hospital, senti o vento frio de Londres soprar meus cabelos. A neve caía. Era inverno. Olhei para cima e senti um floco de neve tocar meu rosto. As lágrimas voltaram a invadir meu olhos e eu comecei a caminhar sem rumo, pensando em como fora minha vida e como seria de hoje em diante.
Três anos depois.
N/a: Ponha para tocar ‘ My heart will go on – Celine Dion
Faz três anos que a coisa mais importante da minha vida se foi, mas ela me deixou um presente. Um presente para vida toda. Ás vezes paro para pensar no sentido da vida. Entendi que Deus nos colocou aqui e estamos dependentes dele e que a sua vontade é a melhor para as nossas vidas. Depois da morte de , foi fundada uma instituição de caridade para ajudar mulheres que sofrem todo tipo de violência. A vida dela aqui não foi em vão. Muitas mulheres estão aprendendo a lidar com seus medos e suas inseguranças através das experiências de . Cristopher foi finalmente julgado e preso por todos os seus crimes, mas ele mesmo não agüentou a culpa e se matou depois de um mês na prisão. O que realmente aconteceu no dia que morreu, foi que Cris estava correndo na estrada e havia um carro com os faróis apagados. Cristopher não viu e o carro capotou. teve falência múltipla de órgãos. Os médicos disseram que o momento de lucidez que ela teve antes de morrer foi um milagre... Gosto de pensar que aquele foi um último momento que Deus a concedeu para ela se despedir das pessoas que ela amava.
Hoje é um dia especial, o casamento de e . Não sei se estou pronto para ver a celebração de um casamento. Ainda dói pensar em , mas toda a vez que olho para Sophia, lembro de todos os momentos bons que passei com . Minha filha está com três anos e ela se parece genuinamente com a mãe. Ao terminar de me arrumar, abri a gaveta da mesa de cabeceira de meu quarto, peguei o bilhete que me escrevera e guardei-o no bolso. Ainda não tive coragem de lê-lo, mas faria isso hoje. Fui até o quarto de Sophia; ela brincava em cima da cama com seus brinquedos. Ela seria dama de honra e estava linda. ficaria radiante ao vê-la tão deslumbrante. Ao me ver encostado ao batente da porta a admirando, ela olhou e sorriu pra mim. Aquele sorriso me fez sentir vivo. Peguei-a no colo e saímos em direção à igreja.
- Quem é a coisa mais linda do mundo? – Disse a ela enquanto saíamos de casa.
- Eu...- Ela disse risonha e me abraçou. Senti seu perfume a beijei a testa.
Sophia estava linda entrando na igreja e ao ver atrás dela, pensei em . estava ao meu lado e seus olhos brilhavam, enquanto ele observava sua noiva. Sophia parou ao meu lado e eu sorri para ela. A cerimônia aconteceu e depois fui cumprimentar os noivos.
- Estou muito feliz por vocês – Disse sorrindo, enquanto abraçava e depois .
- Sua filha é a coisa mais linda que eu já vi – riu, pegando Sophia no colo.
- Papai me disse isso hoje – Todos começaram a rir de seu comentário. Outras pessoas chegaram para falar com os noivos e eu saí, deixando Sophia brincando com outras crianças que haviam ali. Fui até o lado de fora da igreja. Já era primavera e as copas das árvores estavam floridas. Sorri ao olhar para o azul céu. Sentei-me na escadaria da igreja e peguei no bolso o bilhete de . Senti um frio na barriga ao abri-lo.
‘ Ao amor da minha vida...’ Foi como ela começou. ‘Você foi o homem que eu escolhi para dividir as minhas alegrias, minhas tristezas e meus anseios. Não consigo imaginar minha vida longe de você. Nossa história de amor não foi longa, mas foi intensa e valiosa. Você foi o homem com quem eu quis envelhecer, – as lágrimas já tomavam conta de meus olhos e escorriam para o papel – o homem que eu quis formar uma família e o único homem que eu amei de verdade. Eu espero que você tenha uma vida feliz e saudável ao lado do nosso bebê. Quero que você encontre um amor que o faça sentir arrepios e que o faça sentir borboletas voando no estômago. Um amor que você envelhecerá e viverá feliz até o seu último dia. Quero que você nunca se esqueça da mulher que eu fui e do quanto eu te amei, e que amor por você foi puro e sincero. Desde a primeira vez que eu o vi no campeonato de boxe, a verdade de seus olhos me encantou e quis te conhecer. Ao te conhecer, vi que você era o homem certo pra mim. Você me fez sentir bonita de novo, me fez sonhar, me fez FELIZ! Eu fui feliz ao seu lado como nunca havia sido toda a minha vida. Você me tirou das trevas em que eu vivia e me mostrou o sentimento mais importante que alguém pode sentir, o amor. Você me compreendeu, me aceitou e me amou. Eu me senti amada ao seu lado. Você é a melhor pessoa que eu conheci. Cuide bem do nosso tesouro... Escrevi essa carta no caso de acontecer algo comigo e se você a está lendo é porque de fato aconteceu.
Perdoe as minhas falhas, saiba que nunca, jamais encontraria alguém como você. É difícil dizer adeus, eu sei. E sei também que você é forte. Eu te amei com toda a força que alguém pode amar um outro alguém. Prometa-me que você nunca desistirá de sua felicidade e que você irá lutar por ela.
Com admiração, carinho, respeito e AMOR, todo AMOR dessa vida, sua amada .’
Dobrei a carta com cuidado e suspirei. Em meio as lágrimas, dei um sorriso. Louise veio correndo e me se jogou em meu colo. Não disse nada, apenas a abracei forte e beijei o topo de sua testa.
- Papai, eu te amo – Sophia disse e me olhou nos olhos. Minhas lágrimas não pararam de cair e ela as enxugou.
Eu poderia fazer o que havia me pedido, menos achar um outro amor. Ela foi única pra mim e sempre será. Penso nela ao acordar e ao dormir e assim será até o último dia de minha vida.
‘O amor é paciente, é bondoso; o amor não é invejoso, não é arrogante, não se ensoberbece, não é ambicioso, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda ressentimento pelo mal sofrido, não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.’
FIM
Nota da Autora: GCARAMBA! Eu juro que to chorando. Assim, eu escrevo essa história desde 2009 e venho pensando em vários finais para ela e de uns meses para cá, esse foi o final que mais me comoveu e eu senti uma vontade ENORME de fazer ele, então ta ai. Essa história é a primeira que eu escrevo pra valer. Dentre vááários hiatus, está ai o desfecho dela rs. Espero que vocês tenham gostado. De coração... As pessoas falam que a motivação delas continuarem a escrever são os leitores e isso parece, é clichê, mas é a mais pura verdade. Sem o leitores, não temos motivação para continuar a escrever. Estou MUITO feliz com o sucesso de She’s Lost Inside. Eu a idealizei no final de 2008 e isso tem quase quatro anos hahaha Quero agradecer à todas os leitores amorosos e até aqueles que não eram amorosos, quero agradecer a minha primeira beta, que foi a Danie, MUITO OBRIGADA por acreditar na história e por me ajudar a postá-la. Obrigada à Gabee por dar continuidade e por não me deixar na mão. Muito obrigada a todas as meninas que me ajudaram com a história e me deram dicas nos meus momentos de dúvida! De verdade, vocês foram essenciais. Muito obrigada as meninas da TAG por divulgarem SLI hahaha Pois bem... Vou responder algumas perguntas que me fizeram ao longo da história:
1) Eu usei o Danny como o personagem principal masculino da história. E sim, ele é o meu McGuy favorito.
2) Eu me inspirei em uma das minhas melhores amigas, Catarina Cosmo para fazer a melhor amiga da protagonista.
3) Sim, quando eu comecei a escrever SLI, eu fazia boxe tailandês e eu parei porque não queria mais continuar hahaha
4) As músicas da trilha foram surgindo enquanto eu escrevia, eu não procurei por elas haha elas ‘vieram até mim’ rs
5) Não, eu nunca sofri abuso sexual (Pois é, me perguntaram isso rs)
6) Sim, eu pretendo publicar SLI, mas não por agora.
7) Meu nome é Maria Gabriela e eu moro na cidade do Rio de Janeiro e tenho 18 anos.
8) Sim, eu toco piano, sim eu quero ser cantora e sim, eu passei pra segunda fase do The Glee Project.
9) A história surgiu de forma engraçada. Eu estava na sala de casa, aos 15 anos, tomando chá de morango haha ai eu sentei no sofá e a música ‘ Nobody’s Home’ me veio à mente, não sei pq, então a base da história foi surgindo e com o tempo eu fui aprimorando (:
10) Meu personagem favorito é a protagonista hahaha
É isso gente, MUITO OBRIGADA pelo carinho e pelos comentários e por tudo!
Xx
Gabs.
Nota da Beta: Caso encontre algum erro, não use a caixa de comentários, entre em contato comigo pelo twitter ou por e-mail.