Capítulo 1 - Little Things


O sol da manhã bateu em meu rosto, fazendo meus olhos sonolentos se abrirem e eu me sentar na cama, me espreguiçando. Passei a mão no rosto, bocejando, e desci da minha king size, me dirigindo até o banheiro. Sorri contente ao me lembrar de que dia é hoje: meu aniversário de dezessete anos. Como sempre, meus pais darão uma festa para toda a alta sociedade de Londres e, claro, para meus amigos.
Meu pai é Robert , um dos mais conhecidos advogados daqui, e minha mãe, a requisitada Elizabeth , a mais famosa estilista de toda Inglaterra. Sou apenas , a única filha deles. Esse negócio de ser cria de duas pessoas famosas não é legal. As pessoas pensam que sou metida ou intocável. Não sou assim. Sou uma pessoa normal, ok?
Balancei a cabeça, rindo baixo, e liguei o chuveiro. Logo, minhas amigas estariam aqui para que eu comemorasse de verdade meu aniversário com elas como eu bem entendesse. À noite, eu seria a perfeita anfitriã que mamãe gosta.
Tirei meu pijama e entrei debaixo do chuveiro, deixando a água morna relaxar meu corpo e cantarolando “happy birthday for me. Happy birthday for me”. Enrolei-me na toalha, voltando ao quarto e pegando um short jeans, a primeira baby look que encontrei e meu All Star verde limão. Prendi o cabelo em um rabo alto e saí do quarto, descendo as escadas correndo.
Minha mãe estava tomando café quando cheguei à sala de jantar. Ainda não entendo o nome de sala de jantar, se a gente toma café e almoça ali também. Rico tem cada mania.
- Bom dia, mãe – dei-lhe um abraço, seguido de um beijo no rosto.
- Bom dia, princesa – ela me deu um beijo na testa e sorriu – Parabéns.
- Obrigada – retribuí seu sorriso e me sentei à mesa – Tudo pronto para hoje à noite? – perguntei, colocando um muffin inteiro na boca. Ela odeia que eu faça isso.
- , olhe os modos – não disse? – Está tudo pronto, sim, querida. Inclusive seu vestido – ela sorriu orgulhosa. É claro que quem o desenhou foi ela – Espero que goste dele.
- Confio no seu bom gosto – pisquei para ela – Papai está trabalhando? – ela concordou com um aceno.
- Senhorita ? – virei-me, encontrando Scott parado na porta, nos olhando. Ele era nosso motorista, já um senhor de idade, e eu o adorava. O homem me viu crescer. Era como um segundo pai.
- Só , Scott – virei os olhos, rindo baixinho. Ele sorriu bondoso para mim.
- Suas amigas chegaram – abri um grande sorriso e me levantei, dando um abraço nele e correndo para fora.
Abri a enorme porta da frente, encontrando as três criaturas que eu mais amava no mundo vindo em minha direção no enorme jardim de minha casa. Desci as escadas, correndo na direção delas. se empolgou ao me ver correndo e acelerou o passo também, se chocando contra mim e nos derrubando.
- do meu coração – ela saiu de cima de mim, me ajudando a levantar e me dando um abraço de urso em seguida. Gargalhei com sua animação, retribuindo seu abraço. era a criatura mais louca que você poderia conhecer – Parabéns – ela beijou minha testa com um enorme sorriso. Retribuí o sorriso dela, sentindo chegar perto de mim e me abraçar fortemente também. Fiz o mesmo, vendo-a me soltar e reclamar do cabelo.
- Ah , olhe só! Meu cabelo amassou – ela se desesperou, nos fazendo rir e virar os olhos.
- Cale a boca, cara – deu um tapa na cabeça dela, que se virou indignada para a mesma. Era normal. As duas se amavam.
Demos risada e as chamei para subirmos ao meu quarto. era o estereotipo de patricinha perfeita. Amava rosa, vivia se arrumando, mas se a conhecer a fundo, vai ver que ela não é fútil como todas as outras. é incrível! era totalmente o oposto de . Usava camisetas largas e andava sempre como bem entendia, sem ligar para a opinião dos outros. Eu adorava isso nela. Hoje ela tinha escolhido a camiseta do Ramones, minha preferida. Talvez porque fosse meu aniversário, certo?
Por último, e obviamente não menos importante, ou . Ela era... Como posso dizer? Normal, sim, perto de e . Ela era a pessoa mais normal que eu conhecia. Era minha confidente.
E eu? Bem, eu era neutra. Não pense que você vai abrir a porta do meu quarto e dar de cara com tudo rosa e o que uma garota da alta sociedade quer e pode ter. Com certeza não vai encontrar um quarto assim.
- , já comentei que adoro esse seu pôster do Good Charlotte? – se referiu ao enorme pôster que ficava na parede lateral do meu quarto. Quando você abria a porta, dava de cara com ele. Está vendo? Nem ao menos ouço o tipo de música que garotas riquinhas ouvem. Minha banda preferida usa preto e faz sátiras com ricos e famosos.
- Já, , e também comentou que um dia você vai roubá-lo – dei risada, me jogando sobre a coberta roxa que estava em minha cama. As meninas fizeram o mesmo. Ficamos encarando o teto por quase meia hora, até se pronunciar.
- , achei que iríamos comemorar seu aniversário do nosso jeito antes da festa, e não ficar olhando para seu encantador teto branco – entortei a boca, me esticando sobre a cama.
- Bom, o que vocês têm em mente? – sentei-me, observando e fazerem o mesmo, enquanto continuava deitada.
- Acho que seria válido ficarmos o dia todo com você, assistindo aos nossos filmes preferidos e comendo porcarias, e nos arrumarmos para a festa aqui – sorriu para nós e gargalhou, se levantando.
- Olhe, a bonequinha de luxo teve uma idéia legal. Que milagre – oh meu Deus.
- Cale a boca, sua cria do Satã – se levantou, mostrando o dedo para ela.
- Cria do satã é a senhora, sua...
- OPA! Nada de incluir família, amigos e animais de estimação aqui, ok? – a interrompeu antes que ela falasse alguma merda. Hm, é bom evitar que diga besteiras, porque quando ela começa não pára, definitivamente.
- Gostei da idéia da – levantei-me, indo até minha prateleira de DVDs. Olhei por cima, escolhendo alguns, mas tirando os mesmos de sempre – Eurotrip – joguei o DVD preferido de para ela – Eclipse – lancei este para , ouvindo-a gritar um “JACOB!” – E Easy A – para . As três sorriram e pularam em cima de mim, nos derrubando no chão – Ok – empurrei-as devagar de cima de mim e me levantei – Mas o primeiro filme é o MEU preferido, ok? – elas riram e concordaram contrariadas em assistir a Twilight pela milésima vez. Era meu aniversario. Elas dariam um desconto.
deu o play no DVD e se jogou ao meu lado na cama. deitou do outro lado e se sentou no chão sobre as enormes almofadas que haviam no meu quarto.
Edward perseguia o cervo que seria seu café da manha talvez. Torci o lábio, imaginando a cena, assim que Bella Swan começava seu drama sobre estar saindo de Phoenix e indo a Forks morar com o pai. Ela era um tanto exagerada ao meu ver. Era, hm, dramática demais ou coitadinha demais. Não era novidade que eu assistia ao filme somente por Edward ou pelo Pattinson. Tanto faz. Ele era um dos meus atores preferidos.
assistia somente por Jacob. Inclusive tenho certeza de que ela está xingando até a última geração de Bella Swan por ela ser tão coitadinha e ingênua. Segundo , era de dar nojo.
Bella estava chegando à nova casa dela quando duas batidas fracas na porta nos fizeram parar o filme. Uma senhora de idade já colocou a cabeça para dentro do quarto, sorrindo.
- Precisam de alguma coisa? – dei um enorme sorriso, me levantando em um pulo e correndo até a mulher parada na porta.
- Mary – ela era, como Scott, uma das funcionárias mais antigas da mansão. Era extremamente especial para mim, como uma segunda mãe. Ela me abraçou com força, sussurrando “parabéns” em meu ouvido. Era a melhor cozinheira do mundo, sem dúvidas – Que tal muffins? – os olhos de brilharam à menção de muffins, nos fazendo rir.
- Ok, venham me ajudar – descemos as escadas atrás de Mary para fazer uma verdadeira bagunça na cozinha. Em todas as vezes que tentamos ajudá-la, perdemos mais tempo limpando a cozinha do que comendo o que fazemos. Mas isso era normal.
foi até a geladeira, pegando lá o que precisávamos. Catei o chocolate e e ajudaram Mary a pegar a batedeira e uma série de outras coisas que iríamos usar. Eram em momentos assim que eu me sentia feliz de verdade: com minhas melhores amigas, fazendo o que eu gostava.
Começaríamos a fazer os muffins. com certeza ia iniciar uma guerrinha de alguma coisa que ainda não sabíamos o que era. Acabaríamos imundas, ajudaríamos Mary a limpar a cozinha e então ela faria os muffins para nós, enquanto tomávamos banho. Era sempre assim. Só que era algo tão bom e espontâneo que eu não ligava de fazer todos os dias. Eu não enjoaria, desde que estivesse com minhas amigas.
- Ah , que droga – passou a mão na bochecha, tirando uma enorme quantidade de manteiga. gargalhou alto, fazendo até rir junto, mas parando em seguida, passando a mão no cabelo, enquanto a manteiga gordurosa escorria por eles.
- Ah , vou torturar você até a morte – começou a ficar vermelha de raiva. Oras, tinha que mexer logo com o “cabelo recém-escovado” da ?
- Você me ama, bonequinha de luxo – piscou para ela e desviou de , que foi para cima dela e acabou, hm, escorregando na manteiga que estava no chão.
se sentou no chão, rindo, e se escorou no balcão, gargalhando alto, enquanto gritava furiosa. Abaixei a cabeça, rindo gostosamente da maneira como conseguia nos divertir com tão pouco. Sorri de lado e dei um passo para trás, escorregando em algo não identificado. Eu teria caído, se dois braços fortes não tivessem contornado minha cintura e me segurado.
Apoiei-me na pia e me virei, dando de cara com Thomas, filho de Debbie, uma de nossas empregadas. Mas não era nisso que eu estava pensando no momento. Na verdade, pensava em nada. Eu apenas fitava os intensos olhos que me encaravam. Como assim eu não havia reparado naqueles olhos até hoje? Os olhos mais brilhantes e mais bonitos que eu já havia visto. Eram castanhos, mas não de um castanho comum. Eram como chocolate derretido. Eram olhos sorridentes e viciantes. Eu mal conseguia reparar no seu rosto sem focar em seus olhos novamente, mas não precisava olhar todo sua face para perceber que eu havia encontrado o olhar mais lindo do mundo.
Ele riu baixinho e tirou os braços de minha cintura, me fazendo corar. Eu, queria pedir para que ele deixasse seus braços lá e... Espere. O que é isso, ? Ele só impediu que você caísse. Certo? Ok, certo.

Tom’s POV

Eu precisava falar com Mary sobre minha roupa para hoje à noite. A grande noite. Dei um suspiro vencido, observando a porta dos fundos que dava na enorme cozinha da mansão dos s. A grande noitada seria o aniversário de , a filha dos patrões da minha mãe.
Sou Thomas Fletcher, filho de Debbie Fletcher, uma das empregadas da mansão, e, por fim, não muito importante, apaixonado pela filha do patrão. Isso era ótimo, não? Eu, um cara de dezenove anos, que nem terminou a escola, filho de uma das empregadas, apaixonado pela filha do patrão. Não que eu tenha vergonha do trabalho da minha mãe ou algo do gênero. De jeito nenhum. Mas quais são as chances da filha de um dos maiores advogados do estado e de uma famosa estilista da Inglaterra notar o filho da empregada dela?
Balancei a cabeça, afastando os pensamentos que não me faziam bem para longe. Devo me concentrar em hoje à noite e não ficar sonhando acordado. Abri a porta da cozinha, vendo uma cena no mínimo engraçada. Uma das amigas de estava no chão, enquanto ela e as outras duas gargalhavam. Dei um sorriso de canto, observando a cena.
Em um segundo, estava rindo, e no seguinte, assim que ela deu um passo para trás, seu corpo estava caindo. Aproximei-me em um reflexo, passando os braços pela sua cintura e impedindo que ela caísse. A mesma se levantou, virando-se para mim. Seus olhos se prenderam aos meus e ela pareceu entrar em transe. Nem ao menos piscava.Não consegui evitar um riso baixinho, tirando minhas mãos de sua cintura. Ela me encarou desconcertada. Pude ver uma das amigas de virar o rosto, sorrindo de canto.
- Thomas – deu um sorriso amarelo, evitando me olhar nos olhos. – Hm, obrigada – ela ficou envergonhada. Isso... É interessante.
- Não por isso – sorri maroto, observando-a abaixar o rosto corada.
- Thomas querido – levantei o rosto, vendo Mary se aproximar de nós.
- Mary – meu sorriso se tornou um pouco sem graça agora. Eu havia me esquecido do motivo pelo qual estava aqui – Hm, vim lhe perguntar... É... Sobre minha roupa para hoje à noite – abaixei um pouco a voz, coçando a nuca.
- Oh, claro. Está na lavanderia – concordei com um aceno e, antes de me virar para sair, sorri mais uma vez para , fazendo-a ficar sem graça de novo. Saí, batendo a porta, com um sorriso de canto nos lábios. Talvez não fosse tão ruim assim ser apaixonado pela filha do patrão. Certo? Certo.

’s POV

Thomas saiu pela porta dos fundos e continuei pregada onde estava, tentando absorver o fato de meu coração ainda estar disparado com a cena de minutos atrás. Alguém se colocou ao meu lado. Alguém que eu não precisava nem me virar para saber quem era.
- Se aquele sorriso e aquela olhada fossem para mim...
- Nem continue, – olhei para ela, arqueando a sobrancelha, enquanto ela apenas ria baixinho. Meu rosto esquentou de novo ao me lembrar do sorriso que ele havia me dado. Mas que diabos está acontecendo?
Virei-me para dar de cara com Mary, e com sorrisinhos bobos no rosto.
– O quê? – alterei minha voz, fazendo-as gargalhar alto. apenas balançou a cabeça, como se dissesse que não nada. Bufei – Vocês estão de brincadeira comigo – rolei os olhos, saindo da cozinha e deixando três garotas e uma senhora gargalhando da minha reação.
Bati a porta do meu quarto com força, indo até a sacada, me escorando na grade. Que diabos estava acontecendo? Convivo com Thomas desde sempre. Não como amigos, mas nos vemos todos os dias. Ele praticamente morava na minha casa e eu queria saber que porra era aquela.
- Sabe, acho que você não deveria ficar brava. É normal se sentir deslumbrada se um cara bonito a segura. Certo? – se escorou na grade, me olhando com um sorrisinho de canto nos lábios. Um sorriso que eu conhecia muito bem.
- Não estou brava. Aconteceu nada – ergui os olhos para o céu que começava a tomar tons de cinza. Talvez chovesse mais tarde – Só não gosto quando riem de mim – completei, tentando parecer convincente. Eu pareceria tudo para , menos convincente.
- Ok – ela riu baixo, se virando para o imenso jardim à nossa frente. Eu sabia que ela não tocaria no assunto, por enquanto, até que eu quisesse falar dele. E eu ia querer. Mais cedo ou mais tarde, eu ia sentir a necessidade de compartilhar com alguém o que senti naquele momento em que os braços dele me impediram de cair. Só que nem eu sabia ao menos o que havia sentido. Então não poderia falar com ela sobre isso. Não agora – Está pronta para hoje à noite? – sorri forçado, olhando para baixo.
- Tenho que estar – sussurrei, soltando o ar com força. sabia que eu não gostava dessas festas. Havia muita ostentação, muita falsidade, e as pessoas não estavam ali porque era meu aniversário, o aniversário da . As únicas pessoas que estavam ali por isso eram , e . Se Harry não tivesse resolvido viajar pela Inglaterra, ele também estaria e eu compartilharia com meu primo e melhor amigo a frustração de estar em um lugar onde as pessoas estavam porque era o aniversário de , a filha de um dos advogados mais influentes do estado e da estilista mais famosa da Inglaterra. Não era assim que eu queria viver, mas era assim que eu vivia: em meio à ostentação, falsidade, dinheiro, inveja – Mas vocês vão estar comigo – levantei o rosto, sorrindo para ela verdadeiramente.
- Nós sempre vamos estar com você, – ela sorriu largamente, me abraçando – Sempre que você quiser.
- Obrigada – abaixei a cabeça, dando um sorriso fraco.
- Não por isso – ela respondeu em um tom maroto. Lancei a um olhar fingido de bravo, a fazendo gargalhar. A porta do quarto bateu com força. Em seguida, e estavam ao meu lado.
- Legal, vocês me deixam limpando o chão sozinha com essa peste? – apontou para de forma acusadora. Oh meu Deus, o que ela fez agora?
- Mas eu fiz nada! – respondeu ofendida. Eu e seguramos uma gargalhada, enquanto as duas começavam a discutir.
- Você nasceu. Isso já é o bastante – virou os olhos, se encostando à parede – E olhe o que ela fez no meu cabelo. Demorei horas no salão o arrumando e...
- Ah cara! Cale a boca, garota. Você só sabe falar na droga do seu cabelo. – virou os olhos, se escorando ao lado dela. Não consegui segurar mais o riso, deixando minha gargalhada ecoar pelo lugar. Qualquer insegurança que eu tivesse, qualquer medo ou qualquer dor, era esquecido enquanto eu estava com elas. Mas só com elas.



Capítulo 2 – Now Let’s Party
When I'm down, she spins around me.


Saí do banheiro com a toalha enrolada em meu corpo, indo até o closet. Respirei fundo e abri uma das portas, revelando a capa que guardava a mais nova criação de Elizabeth . Eu não havia sequer o visto ainda, mas confiava cegamente no bom gosto de minha mãe. Levei a capa até meu quarto, estendendo-a sobre a cama. As meninas estavam se arrumando nos quartos de hóspedes. Os convidados estavam começando a chegar e eu ao menos tinha trocado de roupa ainda. Eu estava atrasando o máximo que podia, porém isso era um fato: eu não queria descer. Mordi o lábio inferior e desenrolei a toalha do meu corpo, colocando a minha lingerie e observando a capa estendida na cama. Abri-a com cuidado, sorrindo satisfeita. Era um vestido vermelho tomara-que-caia um pouco acima do joelho. Seu vermelho sangue contrastava com a fita preta embaixo do busto, formando um laço em minhas costas. Vesti-o devagar, ouvindo uma batidinha de unhas postiças na porta bem conhecida por mim.
- Entre, mãe – ela colocou metade do corpo para dentro do meu quarto e sorriu - Já que a senhora está aqui, podia me dar uma mão. Certo? – apontei para o zíper do vestido, piscando para ela. Mamãe riu e entrou no quarto, colocando uma caixinha sobre a mesa ao lado da porta. Ela deslizou o zíper do vestido até em cima, prendendo-o por completo em meu corpo. Seu corpete era colado ao meu tronco e sua saía, rodada. Era simplesmente lindo – Obrigada, mãe. Ficou lindo – sorri pelo espelho, vendo-a fazer o mesmo.
- Sabe, ele vai ficar ainda mais bonito com outra coisa... – a caixinha que havia despertado minha curiosidade estava em suas mãos agora na minha frente – Foi meu quando fiz dezessete anos também. Acho que vai combinar com o seu vestido – ela abriu a caixinha, deixando-me deslumbrada com o colar de brilhantes dentro dela. Minha mãe o tirou da caixa, virando-me de costas para ela. Segurei meu cabelo para o alto automaticamente, enquanto ela passava o colar delicado e brilhante pelo meu pescoço.
- É lindo, mãe – sorri, tocando o colar delicado em meu pescoço – Obrigada – virei-me, abraçando-a com força. Ela sorriu e tocou meu rosto devagar.
- Você ao menos está pronta, – riu baixinho, repreendendo-me. Ela seguiu até a enorme penteadeira do meu quarto, chamando-me para me sentar à sua frente. Eu poderia me maquiar sozinha. Uma das meninas poderia fazer isso por mim, mas passar momentos como esse com minha mãe valiam mais que tudo. Eu tinha confidentes maravilhosas, mas Elizabeth era minha melhor amiga. Disso eu não tinha dúvidas.
Conversamos sobre coisas bobas, enquanto ela passava a maquiagem leve em meu rosto. Era explícito em minha voz que eu não estava totalmente satisfeita com essa festa, mas eram coisas de meu pai. Ele era muito ostensivo.
- Pronto – ela sussurrou, terminando de passar o lápis macio sob meu olho. Abri os olhos, sorrindo para o espelho. Eu não me acho a pessoa mais linda do mundo, mas negar que minha mãe havia feito um ótimo trabalho seria quase um crime – Está linda.
- Obrigada – sorri sincera para ela, levantando-me – Só o último detalhe... – pisquei, calçando a delicada sandália preta da prada, prendendo-a em meu tornozelo – Agora estou pronta – dei uma risada baixa, na qual ela me acompanhou.
Duas batidas e a porta se abriu devagar. Três garotas lindas e totalmente deslumbrantes espiaram dentro do quarto. deu uma piscadela para mim, brincando em seguida.
- Que gatinha – sorriu marota para mim, fazendo-nos rir.
Ela usava um vestido preto, frente única e um pouco acima do joelho. Tinha os cabelos presos em um coque frouxo e uma maquiagem simples. O detalhe que modificava todo o visual singelo era o cordão de prata que eu e as meninas havíamos dado para ela em seu aniversário. Era um pequeno coração que, quando aberto, revelava nossos nomes gravados. Para finalizar, uma sandália preta não muito alta. estava, bem... Arrasando. Seu vestido era colado ao corpo e com alças finas. O tecido prateado era brilhante. Não um brilho que ofuscava, mas o que era preciso para destacá-la dentre as várias garotas que estariam na festa. A sandália prateada era decorada com pequenas pedras brilhantes e combinava com o vestido. Os cabelos longos estavam soltos e com pequenos cachos nas pontas, emoldurando o rosto perfeitamente maquiado. , bem... Prefiro nem comentar.
- Minha nossa, – levantei a sobrancelha. deu uma gargalhada, olhando marota para ela.
- SEXY LITTLE BITCH! – disse, ainda rindo e fazendo esconder o rosto entre as mãos envergonhadamente.
- Assim você me deixa constrangida, – disse, mordendo o lábio. O rosto ainda um pouco vermelho.
Ela não deixava de estar linda também. Usava um vestido azul marinho tomara-que-caia que era colado até a parte debaixo de seu busto, ficando solto à medida que descia pelo corpo dela. Era, sem dúvida, o vestido mais curto de nós quatro. Bem acima do joelho, cobria metade de suas coxas. Usava uma sandália sem salto. Talvez pela sua cisma em ser alta demais. Os cabelos soltos caíam lisos sobre seus ombros. A maquiagem era leve também e ela sem dúvida seduziria metade doa garotos presentes na festa.
- Olhem só para mim – ela resmungou emburrada – Todas lindas de salto alto e a girafa aqui, tendo que usar uma rasteirinha – virei os olhos, rindo de sua frustração.
- Nunca ouviu dizer que mulheres altas são poderosas? Está sofrendo à toa – pisquei para ela, ouvindo a minha mãe rir e concordar comigo.
- Vou deixar vocês sozinhas, meninas – ela me deu um beijo na testa, indo em direção à porta – Não demore, – sorri, concordando e observando a porta ser fechada.
- Menina, que vestido é esse? – colocou a mão no peito, com os olhos brilhando.
- Mais uma peça única de Elizabeth – sorri divertida para ela, vendo entortar a boca.
- Oras, não sei que graça vocês vêem em vestidos. Olhe só, já quero tirar isso aqui e colocar uma camiseta e uma calça com meu All Star. Como vocês conseguem ficar em cima disso? – apontou para a minha sandália – Olhe só o tamanho disso, . Eu morreria antes de chegar ao primeiro degrau da escada – soltei uma gargalhada gostosa junto com e , balançando a cabeça.
- Venham, meninas. É melhor nós descermos – Ela sorriram, concordando e indo em direção à porta. , que era a última, parou antes de sair e se virou para mim, segurando os meus ombros.
- Está pronta? – sorri sincera para ela. Eu estava. Afinal, elas estavam comigo. Não tinha motivo para não estar pronta.
- Estou – sorrimos, abraçando-nos.
- Demoram aí, casal? – nos chamou impaciente.
- Uma festa dessas rolando lá embaixo e vocês aí se abraçando? Ah garotas, vamos lá – era a mais animada, com certeza. queria ir rápido para sair logo. ... Bem, ela estaria sempre ao meu lado, então acho que agüentaria comigo até o fim da festa.
Chegamos até a escada e as meninas desceram rapidamente para avisar que eu estava descendo. Não precisava que todos soubessem que eu havia chegado. Precisava?
cutucou minha mãe de leve e me apontou discreta no alto da escada. Ela sorriu e foi até o DJ, que parou de tocar e pediu silêncio por um momento. A sala ficou escura e a luz se focou na escada onde eu estava. Coloquei meu melhor sorriso forçado no rosto e desci, tentando olhar para o mar de gente na minha casa. Arrisquei um olhar no fim de escada e meu sorriso se desfez imediatamente. Ethan Cameron. Ele me esperava com um sorriso encantador e ao mesmo tempo irritante a meu ver. Pelo canto do olho, pude ver meu pai sorrindo satisfeito por Ethan estar me esperando no fim da escada com a mão estendida para mim. Meu pai o adorava. Mas é claro. O pai de Ethan, David Cameron, era o primeiro ministro. Revirei os olhos, estendendo minha mão para ele e sorrindo falsa. “São só algumas horas, . Você vai sobreviver”, minha consciência gritava e eu concordava com ela. A luz voltou a invadir a sala e pude observar o garoto ao meu lado, no elegante smoking preto que ele vestia.
- Você esta linda, – Ethan sussurrou em meu ouvido. Sorri amarelo para ele. Não havia como negar. Ethan era lindo. Os cabelos ruivos destacavam as sardas em seu rosto e os brilhantes olhos verdes como esmeralda... Tinha um olhar sincero e profundo. Ele gostava realmente de mim, mas eu não o via de outra maneira a não ser amigo. Seu jeito ostensivo também me incomodava. Ele gostava de contar vantagem sobre os outros, de deixar as pessoas no chão quando falava de todo o seu dinheiro. Talvez fosse por isso que meu pai gostasse tanto dele. Se eu vivesse na época em que casamentos eram arranjados, já estaria me preparando psicologicamente, pois com certeza ia me casar com ele.
- Obrigada, Ethan – soltei minha mão discretamente da dele e sorri forçado para o mar de pessoas à minha frente – Obrigada por terem vindo – disse alto, deixando minha voz ecoar entre os sorrisos falsos (tão falsos quanto o meu). O DJ começou a aumentar o volume da música devagar e em segundos eu estava rodeada de pessoas que me parabenizavam, abraçavam-me, beijavam o meu rosto. Tentei ao máximo sorrir, mas isso já estava ficando difícil. Uma mão pousou em minhas costas e me virei, dando de cara com meu pai. Pela primeira vez naquela festa, meu sorriso foi sincero. Abracei-o com força, soltando-o em seguida, quando ele deu um beijo em minha testa.
- Minha princesa... Como cresceu – seus olhos estavam marejados como os meus. Ele podia ser o homem mais ostensivo de toda Londres, mas meu pai jamais negou o quanto amava a família dele, assim como eu também não negava os amar mais que eu mesma. Fitei os olhos extremamente azuis como os meus. Mamãe dizia que eu era igual a ela, a não ser pelos olhos. Eu tinha os olhos de meu pai.
Ele enxugou uma lágrima que escorreu pela minha bochecha e sorriu para mim.
- Senhor ? – oh Ethan, você tem a capacidade de estragar até os momentos que tenho com meu pai? – Será que eu poderia roubar a por um instante? – meu pai sorriu largamente. Seu sonho era ver eu e Ethan juntos. Ele que me desculparia, mas esse sonho não seria realizado.
- Claro, Ethan. Vá com ele, . Vá se divertir – concordei contrariada, beijando o rosto de meu pai e seguindo Ethan até o bar. Sentei-me em um dos altos bancos que havia ali, observando-o se encostar ao balcão, torcendo as mãos. Quem aposta que ele vai me pedir de novo uma chance e vou ter que dar um fora “educado” nele? Sorri, tentando parecer sincera e esperando-o começar o seu discurso de sempre.
- Como anda a vida, ? Faz tempo que não conversamos – claro. Recordo-me. A última vez em que você me encheu o saco foi na quinta-feira, há dois dias. Certo?
- Anda bem, Ethan. E você? – não é uma conversa que começa a ficar monótona. Ela É monótona desde o início.
- Está tudo certo também. Recebi algumas cartas para a faculdade já. Cambridge e Harvard estão entre elas – sorriu orgulhoso.
- Oh, que bom, Ethan – não foi ironia. Eu estava feliz por ele. Ethan era um rapaz legal, mas era muito insistente. Não fazia o meu tipo – Vai fazer direito mesmo?
- Claro – e ele também era um grande... Como posso dizer? Puxa-saco do meu pai. Ou seja, seria advogado também. Esse é mais um motivo pelo qual meu pai o adorava – Sabe, não pensei que conseguiria Cambridge. Só os melhores entram lá e... – ele começou a contar vantagem sobre ter entrado em Cambridge, mas eu não estava mais prestando atenção. Meus olhos se pregaram na figura que estava saindo da cozinha.
Os braços fortes marcados sob a camisa e os cabelos loiros não me deixaram dúvidas. Mais uma vez naquele dia meu coração se acelerou ao ver Thomas. Estava com a bandeja de champanha na mão. Seu sorriso ao servir os convidados era tão falso quanto o meu. Acho que nenhum dos garçons daquela festa tinha ficado tão bem naquela roupa. Ele usava uma calça social preta, camisa branca que definiu seus braços fortes, fazendo-me morder o lábio inferior inconsciente, e a gravata borboleta também preta. Por cima da camisa, um colete vermelho, e nos pés, sem perder a originalidade, um All Star preto. Quando meus olhos subiram até seu rosto de novo, percebi os seus pregados em meu rosto também, encarando-me de uma maneira que havia me deixado envergonhada. Ele se virou, não conseguindo esconder o sorriso em seus lábios.
- ? Está me ouvindo? – a voz de Ethan me trouxe de volta à realidade. Por Deus, o que estava acontecendo?
- Claro, Ethan. Desculpe. Distraí-me por um segundo - ele me fitou, murmurando um “sem problemas” e voltando a falar em seguida. Observei Thomas novamente, de costas para mim agora. Sorri de canto. Estava me sentindo uma menina de quinze anos na frente do primeiro namorado.

Tom’s POV

Saí da cozinha um tanto frustrado, segurando a bandeja de champanha. Eu estava entre os convidados quando desceu as escadas. Jamais havia a visto tão linda como estava hoje. O vestido que ela usava a deixava delicada,e sexy ao mesmo tempo. Fez-me perder o ar e sorrir de canto ao vê-la descendo. Sorriso que foi desmanchado quando desci meus olhos até o fim da escada. Ethan Cameron a esperava ali. Percebi que o sorriso de se desmanchou também quando o viu, mas o do pai dela continuou intacto. Ethan vivia atrás de , pedindo-lhe uma chance, que ela nunca concedeu. Eu o odiava. Mas é claro... Quem vai gostar de um cara que não sei de perto da sua garota?
Minha garota... Sorri amargurado, virando-me para voltar até a cozinha. Ela jamais vai ser minha. Será de um cara que possa dar uma vida descente a ela, de um cara estudado, que sabe das coisas. Talvez ela seja de Ethan e, se for, posso fazer simplesmente nada.
- Thomas? – levantei o rosto, encarando Mary na minha frente. A bandeja já estava cheia de novo e, eu parado, com a cabeça sabe-se lá onde, pensando nela. Mary deu um sorrisinho maroto que ignorei. Ela sabia do que eu sentia por . Sempre me dizia para nunca desistir, mas para desistir, tem que tentar e eu nunca tentei.
Passei a mão em meu cabelo, saindo da cozinha e voltando a servir os convidados. Meu sorriso forçado já estava ficando desgastado. Eu não conseguiria agüentar aquilo por muito tempo. Virei-me, encontrando sentada no bar e de frente para Ethan. Percebi que ele falava algo, mas ela não prestava atenção. Ao contrário, ela me analisava minuciosamente, mordendo o lábio inferior de leve algumas vezes. A maneira como ela me olhava, como sorria inconsciente, havia me deixado hipnotizado. Subiu o olhar para meu rosto novamente, fazendo nossos olhares se encontrarem. Sustentei o seu por um segundo, virando-me em seguida, sem conter um sorriso em meus lábios. Meu primeiro sorriso verdadeiro daquela noite.
Voltei a olhar discretamente na direção deles .Ethan havia prendido sua atenção novamente e sustentava um sorriso amarelo no rosto. Talvez eu pudesse... Não, Thomas. Foque-se no seu trabalho. Isso pode criar problemas. Mas que problemas um moleque mimado poderia criar para mim? Ok, e se ficasse brava? Ok, foda-se. Não vou deixá-la por muito mais tempo perto daquele otário.
Sorri maroto, andando em direção aos dois. olhava ora para mim, ora para Ethan, fingindo prestar atenção nele. Quando estava bem perto dele, fingi tropeçar, derrubando “sem querer” umas das taças de champanha no terno dele. Mordi o lábio, tentando conter meu riso e fazendo a minha melhor expressão arrependida.
- Oh senhor Cameron, perdoe-me. Não foi a minha intenção – ele se virou furioso para mim e tinha a expressão chocada, segurando o riso também.
- Não foi? Ah, mas é claro que não foi – seu tom carregado de ironia e raiva me fazia querer rir – Você tem noção de quanto custou essa roupa, moleque? – MOLEQUE? Sou mais velho que ele. Qual é?!
Abri a boca para responder, mas ele me cortou.
- Claro que você não tem. Duvido que com a sua ignorância você saiba apreciar um bom terno de uma marca fina – arqueei a sobrancelha, sentindo-me incomodado com as palavras que ele usou. contorceu o rosto, ficando um pouco vermelha.
- Chega, Ethan. Ele não teve culpa. Não é, Thomas? –ela sorriu doce para mim, deixando-me com uma vontade enorme de sorrir também.
- Claro. Foi sem querer – respondi baixo, encarando a taça caída na bandeja.
- Você vai defendê-lo, ? Não acredito. Viu o que ele fez com meu paletó? Está encharcado e... – ela fechou a mão nervosa, apertando os olhos com força.
- Já chega, Ethan – disse firme, fazendo-o se calar – Se o problema é o seu paletó, tire-o. Não vai demorar a secar – se levantou, parando na minha frente – Desculpe, Thomas. Pode... Voltar a... Fazer o que estava fazendo – ela completou com a voz baixa, deixando-me um tanto incomodado.
Assenti, murmurando um desculpe para ela e voltando até a cozinha. Escorei-me no balcão, pegando uma garrafa de água e virando-a em um gole só. Meu coração batia com força contra o meu peito. Sei que eu não tinha feito o certo, mas só queria tirá-la dali. Pensei que ela fosse ficar agradecida. Talvez estivesse mesmo.
Peguei a bandeja, saindo novamente e vasculhando a sala com meus olhos, tentando encontrá-la. Vi-a com as amigas. Estavam conversando. Ela sorria de canto e aquilo me fez sorrir também. Procurei por Ethan e o achei sentado com o pai, ainda emburrado pelo terno. Dei uma risada baixinha, voltando ao meu trabalho. Estava definitivamente mais calmo agora.



Capítulo 3 – Do You Wanna Dance?
Don't say a word. I know you feel the same.


’s POV

Encostei-me ao balcão do bar, rindo de alguma besteira que estava falando. Não, eu não estava rindo dela. Estava fingindo que ria dela. Na verdade, eu estava rindo sozinha com a cena que acabara de acontecer.
Por Deus, eu estava cada vez mais hipnotizada por ele e isso estava me deixando preocupada.
Ainda chegavam algumas pessoas. Todas passavam por mim e paravam para me cumprimentar, dar-me os parabéns. Eu usava o mesmo sorriso falso de sempre. Espero que ele ainda seja convincente.
O DJ abaixou a musica mais uma vez, dizendo palavras incompreensíveis para mim. Incompreensíveis até eu ouvir “” e “valsa” na mesma frase. Oh, não... Meu pai só pode estar louco.
O silêncio se instalou na sala e meu pai apareceu ao meu lado em segundos, sorrindo para mim. Peguei a mão que ele estendia para mim, acompanhando-o até a pista.
- Pai, não acredito que o senhor fez isso – murmurei envergonhada, fitando a enorme platéia que nos encarava.
- Você vai fazer essa desfeita comigo, ? – ele usou o seu melhor tom decepcionado, fazendo os meus olhos virarem. Ok, , respire fundo. Não preste atenção a nada à sua volta.
Sorri para o meu pai, colocando a mão em seu ombro e começando os movimentos leves com que a música nos guiava. Eu tentava não pensar que havia um mar de gente à nossa volta. Eu apenas respirava fundo. Em poucos minutos, estariam todos dançando também e não prestariam atenção em mim.
E assim aconteceu. Minutos depois, havia milhares de casais à nossa volta dançando. Sorri de canto, soltando-me melhor, sem precisar de montes de pares de olhos sobre mim. Meu pai sorriu sapeca, abaixando a cabeça e tentando esconder o seu sorriso de mim. Fitei-o desconfiada. Mas por que diabos ele estava rindo?
- Com licença, senhor . O senhor me concederia a sua belíssima filha para uma dança? – a voz rouca e malandra dele chegou aos meus ouvidos, fazendo-me virar e jogar os braços em volta de seu pescoço. Definitivamente, nenhum presente essa noite seria tão bom quanto a presença de Harry.
- Harry! – apertei os meus braços em volta de seu pescoço, ouvindo a risada baixa em meu ouvido e sentindo as mãos pousadas em minha cintura – Seu desgraçado, estou morrendo de saudades.
- Valeu pela parte que me toca, priminha – ri alto, fitando por fim o seu rosto. Ele estava tão diferente e tão... Igual ao mesmo tempo. Os olhos continuavam no azul profundo como o mar, mas os cabelos, antes loiros e levemente compridos, estavam castanhos. A barba estava por fazer e os músculos, que acredito que são recentes, fariam sucesso entre as garotas da festa.
- Senti tanto sua falta, Hazz. Você nem imagina – sorri sincera, segurando o seu rosto entre as minhas mãos.
- Eu também senti, – seus lábios se encostaram à minha testa e seus braços me envolveram protetoramente.
- Prometa que você nunca mais vai ficar tanto tempo assim longe, por favor.
- Eu juro – sorri para ele, desviando os meus olhos em um reflexo ao garoto ao seu lado. Ele era loiro, tinha belos olhos azuis e algo que parecia ser uma enorme tatuagem em seu braço direito com apenas uma parte revelada pela manga curta da camisa social vermelha que ele usava – Oh, , desculpe. Esse é o Dougie, Dougie Poynter. Um amigo que fiz durante as minhas viagens. Ele é de Bristol. Espero que não se importe com a presença dele – sorri para Dougie, negando com a cabeça.
- Não me importo. Bem, prazer, Dougie. , mas me chame só de...
- , eu sei – ele sorriu de canto, deixando-me desconcertada. Deus, que sorriso lindo – Harry me disse que você não costuma gostar que a chamem pelo nome. Aliás, o prazer é meu. A famosa ... Finalmente a conheci – minhas bochechas esquentaram de leve. Judd andou falando de mim, então?
- Obrigada – ri baixo, cumprimentando-o com um aperto de mão – Bom, as meninas... Estão logo ali – virei-me, procurando-as e encontrando uma cena no mínimo engraçada. tinha o seu melhor sorriso sedutor no rosto e aposto que era para Dougie. olhava para todos os lugares, menos para Harry, e fitava as unhas, entediada. Sorri para eles, puxando Harry pela mão – Ei, meninas, esse é o Dougie. O Harry... Bem, ele vocês já conhecem – Dougie sorriu galanteador para elas. Hum, leve impressão de que ele é “pegador”.
- Prazer, Dougie – se adiantou, cumprimentando-o com um beijo no rosto. Atirada... – Harry – apenas sorriu para ele e se virou para o amigo dele novamente – Meu nome é , mas pode me chamar de – ok... Por que mesmo eu acho que podemos nos esquecer dela por essa noite? Ah, claro. Seu novo amigo.
Harry sorriu divertido para mim, fitando em seguida. O sorriso dele se tornou cauteloso e a voz rouca soou baixa.
- Ei, – ela acenou para ele, ainda encostada ao balcão – Oi, – sua voz saiu mais baixa, quase inaudível. não o olhou. Apenas balançou a cabeça, indicando que havia o escutado.
- Venha, . Vamos dançar – chamei-a com a mão, piscando para Harry que sorriu de lado, deixando vermelha. já havia desaparecido com Dougie na pista de dança. Não precisaríamos procurá-la por horas.
- Eu também vou, segurou o meu braço. Apenas sorri para ela.
- Não precisa, . Você nem gosta de dançar, certo? Faça companhia ao Harry – sorri abertamente para os dois, puxando uma entediada em direção à pista de dança.

’s POV

- Oh, meu Deus, quem é aquele gatinho? – encostei-me ao balcão, colocando a mão no peito. Acho que nunca vi um cara tão lindo como esse garoto ao lado do Harry agora. Com a distância, conseguia ver apenas que seus cabelos eram loiros. Ele era forte e usava uma camisa social vermelha com os dois primeiros botões abertos. Sorriu galanteador para , cumprimentando-a com um aperto de mão.
- É o Harry – respondeu. Sua voz pareceu um tanto ríspida. Ciúmes no ar.
- Meu amor, com aquele deus loiro, você acha mesmo que vou olhar o Harry? , o Harry eu vejo todo dia. Uma divindade dessa, não – a expressão dela se aliviou, fazendo-a sorrir envergonhada para mim.
se aproximou, puxando Harry pela mão. O amigo dele veio junto, fazendo um sorriso se abrir em meu rosto.
- Ei, meninas, esse é o Dougie – abriu a boca para falar mais alguma coisa que não me dei o trabalho de prestar atenção. Havia algo mais interessante para prender meus olhos e atenção no momento e esse algo se chamava Dougie. Reparei em seus olhos extremamente azuis, o cabelo loiro que deixava uma mecha cair sobre os olhos, à boca fina perfeitamente desenhada e o pedaço da tatuagem que aparecia pela manga curta da camisa. Ele definitivamente me tirava o ar.
Dougie sorriu galanteador para nós, deixando-me eufórica. Por que diabos ele tinha que ser tão lindo?
- Prazer, Dougie – aproximei-me dele, beijando o seu rosto e sorrindo. Virei-me para Harry, sorrindo – Harry – ele apenas retribuiu o meu sorriso e me voltei para Dougie – Meu nome é , mas pode me chamar de .
- Prazer, ... – ele alargou o sorriso de uma maneira um tanto maliciosa, deixando-me desconcertada – Quer dançar? – o sorriso enigmático prendeu o meu olhar por um segundo. O suficiente para que ele desse uma risadinha e eu balançasse a cabeça envergonhada.
- Claro – aceitei a mão que ele estendia para mim e, antes que pudesse me perder no meio daquele monte de gente, virei-me para trás, piscando marotamente para . Ela apenas riu e se virou novamente para Harry. Hora da fiel escudeira se divertir um pouco também.

’s POV

Arrastei até a pista, dançando animada com ela. Algumas vezes, meus olhos se dispersavam pelas pessoas e eu me via procurando por Thomas. Não o vira desde o acidente com Ethan. Talvez ele se chateara com a maneira com que Ethan falou com ele. Não o culpo. Ethan deve aprender a não ser tão arrogante com as pessoas.
- ? – me chamou, passando a mão na frente do meu rosto.
- Hum? – ela riu baixo, balançando a cabeça negativamente.
- Pensando em quem? – o sorriso malicioso dela me fez fingir um olhar desentendido.
- Ninguém, oras. Estou dançando, – movimentei meu corpo conforme o som do Good Charlotte enchia o lugar com o cover de Sexy Back.
- Claro – ela sorriu irônica – Vi a ceninha do Ethan, . Todos viram. Você está procurando pelo Fletcher, não é? Está aérea desde a hora em que ele a segurou na cozinha – odiava por ela ser tão observadora.
- Claro que não, . Eu... Só não gostei do que o Ethan disse. Só isso – era só isso, certo? Só o defendi porque achei Ethan arrogante demais, não é?
- Se você diz... – ela não havia se convencido... É claro. Nem eu me convenceria.
- Vou lá fora tomar um pouco de ar... Quer dizer, está calor – riu baixinho, concordando. Passava entre as pessoas, dançando e ouvindo a música soar forte nas caixas de som, mas sem prestar atenção realmente na letra. Meu sapato já machucava o meu pé e minha maquiagem provavelmente já havia saído. O suor começara a escorrer pelo meu pescoço e eu me sentia incomodada com meu vestido. Agora eu só queria tomar um pouco de ar.
Abri a porta da sala de entrada, batendo-a com força e me escorando na grade do jardim, fechando os olhos e respirando o ar puro. O vento gelado bateu em meu rosto, deixando-me sentir uma sensação gostosa.
Abri os olhos, observando todo o jardim à minha volta e notando a luz do pequeno coreto no meio do gramado acesa. Desci as escadas de entrada e, assim que cheguei à grama, tirei os meus sapatos, sentindo a grama gelada abaixo dos meus pés. Andei devagar até a pequena cobertura no meio do jardim. Havia alguém ali escorado na grade e olhando para cima. A camisa colada contra os ombros largos, o cabelo loiro e até o jeito de se encostar me pareceram familiares. Subi a pequena escada, tentando me aproximar sem fazer barulho.
- A senhorita não deveria estar na festa? – sua voz rouca me pegou de surpresa. Aproximei-me dele, encostando-me à grade ao seu lado.
- Ostentação demais. Não gosto disso. E não me chame de senhorita. Você sabe o meu nome – sorri para ele, tentando não deixar a minha fala tão arrogante. Thomas riu baixo, concordando com a cabeça.
- Estranho alguém que vive no meio da “ostentação” não gostar disso e, ao invés de estar na festa, estar no jardim, conversando com um empregado – sorriu triste, encarando o chão. Esse era o problema das pessoas: achar que, só porque alguém tem dinheiro, não pode ser amigo de todo mundo, não pode ter uma vida simples.
- Não vejo problema algum – encarei-o séria – Você pode andar, falar, ouvir. Até aonde eu posso ver, Thomas, você é uma pessoa normal assim como eu. O fato de ter dinheiro não me torna melhor que ninguém. Pode até tornar algumas pessoas arrogantes e cheias de si, como Ethan, mas não o faz melhor que você ou eu. As pessoas têm o problema de achar que o dinheiro compra tudo. Sabe o que tenho e me orgulho? Felicidade, mas não foi o dinheiro que a comprou. O capital é apenas um bônus, podemos dizer, mas eu seria feliz se não o tivesse também porque possuo o amor da minha família e dos meus amigos e é isso o que importa. Todo mundo pensa que sou uma patricinha metida que passa as tardes no shopping, gastando o dinheiro dos pais, mas não sou. Então se é essa a imagem que você tem de mim, pode, por favor, mudá-la nesse exato momento – sorri para ele que me encarava boquiaberto. Posso dizer que desabafei?
- Eu... Nnão pensava isso da senhorita e...
- Sem senhorita, Thomas. Já disse: você sabe o meu nome – seu rosto corou um pouco, mas ele concordou com um aceno.
- Desculpe-me. Não foi a minha intenção – Thomas endireitou o corpo, sorrindo fraco para mim. Perdi-me novamente em toda a profundidade dos olhos dele. Oras, , o que está realmente acontecendo com você?
- Sem problemas – pisquei para ele, virando-me e me encostando de costas à grade – A propósito, apesar da sua atitude não ter sido a melhor, obrigada por me “salvar” de Ethan – ele entortou a boca como se concordasse que realmente não teve a melhor das atitudes – E, hum, obrigada por hoje mais cedo na cozinha. Seria um tombo feio – o sorriso dele se tornou mais largo, deixando a covinha na bochecha esquerda aparente.
- Não por isso – a mesma resposta de mais cedo, o mesmo sorriso maroto... Mais uma vez o meu rosto esquentou. O corpo dele estava mais perto do meu, deixando-me perceber o quanto ele era alto. Seus olhos encararam os meus, deixando-me desconcertada. O olhar dele era tão intenso que eu não conseguia me fixar nele por mais de cinco segundos. Parecia a típica cena clichê de “O Diário Da Princesa”, algo como a “Princesa e o Plebeu”, onde os dois olhares são intensos e a cena acaba com um beijo apaixonado do casal. Se eu não estivesse tão concentrada em seus olhos, teria gargalhado de minhas teorias – Eu... Tenho que ir – seus olhos abaixaram e concordei com um sorriso forçado.
- Boa noite, Thomas – ele apenas acenou. Virei-me para descer as escadas quando a sua voz me surpreendeu de novo.
- ? – sorri inconsciente ao imaginar o quão bonito havia sido ouvir o meu nome na voz dele. Mas só porque a voz é bonita. Só por isso.
- Sim? – virei-me, sorrindo para ele.
- Só Tom – concordei com um aceno, sorrindo de canto.
- Então boa noite, Tom – ele apenas acenou novamente.
Desci as pequenas escadas e, quando já estava chegando perto da escadaria da casa, olhei para trás, vendo-o olhar mais uma vez para o céu, sair do pequeno coreto e atravessar o jardim em direção aos fundos. Entrei na enorme sala, sorrindo boba. Algumas pessoas já haviam ido embora. A maioria das que ficaram estava bebendo, conversando ou dançando alguma música lenta que havia sido colocada. Dougie, Harry e as meninas estavam sentados em uma das mesas. O olhar de encontrou o meu e ela veio em minha direção.
- Ar demorado, dona – arqueou a sobrancelha para mim. Lancei um olhar desentendido para ela, indo até a mesa.
- Ei – sentei-me ao lado de Harry, passando os braços por seu pescoço. Ele sorriu para mim, mas vi que ele não estava feliz. Não havia se entendido com – Quer conversar? – perguntei em tom baixo para ele para não ouvir.
- Depois – disse simplesmente. Balancei a cabeça, concordando, e me virei para as meninas.
Dougie dominava a conversa, falando sobre Bristol. Eu apenas me mantinha alheia ao papo. Só conseguia pensar nos momentos que eu havia passado há minutos atrás. Era tudo muito surreal o jeito com que as coisas estavam acontecendo. Eu nunca tinha me sentindo como me sentia agora e por uma pessoa que eu nunca havia ao menos reparado. Quando os olhos dele se fixaram aos meus na cozinha, senti uma espécie de choque passar pelo meu corpo. No jardim, senti choque algum, mas estar perto dele me fazia bem. Eu queria saber o que estava acontecendo. Minha cabeça estava confusa, pensava mil coisas ao mesmo tempo, mas as minhas teorias sempre acabavam em uma frase: “você está gostando dele”.
Impossível. Simplesmente impossível. Não posso começar a gostar de uma pessoa de uma hora para outra. Não tem sentido.
- ? – a voz de me acordou de meus devaneios. Todos na mesa me olhavam curiosos. Não posso mais pensar sossegada?
- Hum, eu? – riu baixinho, olhando-me de canto. Droga, ela viria falar comigo depois.
- Pensamos em levar o Dougie para conhecer Londres amanhã. Talvez ir até o Kensington Gardens – Dougie a olhou curioso à menção do Kensington Gardens. sorriu para ele – O Kensington Gardens é um parque, um dos mais bonitos daqui. Acho que você gostaria de conhecê-lo – Dougie concordou com um aceno – O que acha, ? – ela me olhou de novo com o cenho franzido.
- Claro, vamos, sim. Você vai adorar o Kensington, Dougie. É lindo – sorriu, concordando, e voltou a conversar com os outros. Olhei em volta. Muitas pessoas já haviam ido embora. A sala estava quase vazia, então me dei conta do quanto estava cansada. Bocejei quase que involuntariamente, provocando uma risada baixa em Harry – Acho que estou com sono – ri, levantando-me. As meninas se levantaram e Dougie disse que já estava indo.
- Foi um prazer conhecê-la, – ele se aproximou, sorrindo, de mim e beijou o meu rosto. Sorri para ele, retribuindo.
- Obrigada, Dougie. Foi um prazer também. Vemo-nos amanhã certo? – ele concordou e se virou para . Tenho a impressão de que essa despedida vai ser um pouco longa.
Despedi-me das poucas pessoas que ainda estava em casa, dei boa noite a meus pais e subi as escadas, seguida de e . ainda estava com Dougie e Harry subiria logo atrás de nós. As meninas dormiriam em casa e Harry passaria o resto das férias comigo. Não tenho do que reclamar hoje.
- Estou morta – se jogou sobre a minha cama, fechando os olhos.
- Ei, ninguém vai dormir aí, não. Pode se levantar, – ela emburrou, levantando-se. Dei risada, empurrando-a de leve – Na próxima vez, durmo no quarto de hospedes, ok? Aí você pode dormir na minha cama – ela me olhou sarcástica, fuzilando-me com o olhar. Sei por que ela não quer dormir no quarto de hóspedes. Porque esse quarto é ao lado do de Harry.
- Mas, ... – comecei a gargalhar da insegurança dela. Por Deus, ela pensa o quê? Que ele vai entrar lá e atacá-la?
- , o Harry não vai invadir o seu quarto. Além do mais, vai estar lá com você – murmurou um “infelizmente”, mas caiu na gargalhada também. ficou emburrada e concordou, levantando-se. Alguém bateu na porta. Ela se abriu em seguida, deixando que entrasse.
- Motivo das risadas? Ouvi-as do começo do corredor – gargalhei mais alto, apontando para que adquiriu o tom vermelho em seu rosto.
- Medo de que o Harry invada o quarto e a ataque – soltou uma gostosa gargalhada, sentando-se ao meu lado.
- Não é isso – resmungou – Venha logo, – ela foi em direção à porta e a seguiu, rindo.
- – chamei-a, que se virou e me olhou contrariada – Amo você – ela sorriu de canto, balançando a cabeça negativamente e saindo do quarto com em seu encalço. Quero saber o que elas vão quebrar dessa vez.
- Quer conversar? – se levantou, indo ao banheiro para provavelmente trocar de roupa. Deitei-me na cama, encarando o teto branco.
- Sobre? – e eu ainda tinha a mania boba de perguntar. Sabia sobre o que ela queria falar.
saiu do banheiro, devidamente trocada, e me olhou com um sorriso sapeca no rosto. Deitou ao meu lado na cama, encarando o teto também.
- Eu disse que não a forçaria a dizer nada. Diga quando se sentir bem – ela se virou, encarando-me – Você sabe exatamente do que estou falando – soltei o ar com força, deixando um bocejo longo escapar. Não faria sentido eu adiar essa conversa. Não com pelo menos.
- Você mesma disse que é normal se sentir deslumbrada se um cara bonito a segura – prendeu o riso, resmungando em concordância – Não estou fazendo nada de errado.
- Certo... E no jardim? – sentei-me, arqueando a sobrancelha. Como diabos ela sabia disso?
- Como você sab...? – interrompeu-me, levantando a mão.
- Não sou idiota, . “Vou tomar um ar”. Quando a me contou, eu sabia que tinha algo errado – ela me seguiu? Descarada – Sei que o encontro de vocês lá foi algo inesperado, mas você não estava apenas indo “tomar um ar”. Conheço-a melhor do que você pensa – olhei incrédula para ela, gargalhando em seguida.
- Ok, você venceu. Não tem como esconder algo de você. Tem? – ela balançou a cabeça, negando – A também resolveu dar uma de sabe tudo para cima de mim, falando do Tom. Quero saber por que diabos vocês estão falando isso. Só reparei que ele é... Bem... Mais bonito do que eu costumava perceber.
- Tom? Que intimidade, não? – dei-me conta do que havia falado. Virei os olhos, ficando vermelha. Não adianta esconder nada dela.
- Foi ele quem pediu para que eu o chamasse assim – respondi baixo, olhando fixamente o enorme pôster na parede ao lado ou olhando qualquer lugar que não fosse os olhos dela – Só me sinto bem perto dele, , mas não sei por que ou como isso acontece – pegou a minha mão que estava apoiada em minha perna e sorriu para mim.
- Melhor nós falarmos disso depois – concordei com um sorriso mínimo nos lábios.
- Mas não tente me enganar – sorri sapeca – O que foi aquilo com o Dougie? “Prazer, Dougie. Sou , mas pode me chamar de ” – imitei a voz dela, fazendo-a rir.
- Nada. Ele é apenas um cara legal, simpático, tem uma boa conversa, é bonito, belos olhos, usa um perfume ótimo e...
- Ok, já entendi – soltei uma gostosa gargalhada, levantando-me – Ele é legal. Talvez seja bom para o Harry. Passar o tempo no meio de quatro meninas não deve ser muito bom para a masculinidade do meu primo – falei de dentro do banheiro, colocando o meu pijama. deu uma gostosa risada.
- Falando em Harry, eles não se entenderam, certo?
- Pelo que percebi, ela nem deu uma chance para eles conversarem – saí do banheiro, sentando-me na cama – Não tiro toda a razão dela, . Harry sabe ser bem idiota quando quer. É sempre a mesma conversa: ele a trata bem quando estão sozinhos ou com a gente, mas, quando as “vadias” do colégio se jogam em cima dele, é como se a não existisse. O único problema do Harry é não se tocar do quanto isso a magoa.
- Ainda acho que dá casamento – deu de ombros e se deitou na cama. Sorri de canto e me deitei ao lado dela. adormeceu quase que instantaneamente, mas eu apenas me revirava na cama. Peguei o meu iPod e coloquei os fones no ouvido, deixando o meu corpo relaxar e minhas pálpebras pesarem. Em instantes, eu estava dormindo.

Capítulo 4 – Beautiful Place
We live in a beautiful place. Let love take away all this pain.


- Acorde, – algo cutucou as minhas costas, fazendo-me virar de lado, resmungando. Quem ousa me acordar sábado de manhã? – Ande, . Iremos ao Kensington Gardens e vamos deixar você aí – bufei, levantando-me, esfregando o rosto.
- Pronto, de pé. Está satisfeita? – meu humor de manhã, principalmente em um sábado, não é dos melhores.
- Muito – sorriu sentada na beirada da cama. As três já estavam de pé e arrumadas. Menos eu, pelo visto.
Virei os olhos e fui até o banheiro. Joguei a água gelada em meu rosto, sentindo aquela sensação não tão boa de estar acordada. Por que de manhã? Temos o dia todo para ir ao Kensington.
Escovei os dentes devagar, observando o meu rosto no espelho. Estava todo manchado pelo lápis preto por causa da água, amassado, os meus olhos inchados e meu cabelo parecia um ninho. De que eu não sei, mas parecia. Conclusão: deplorável.
Passei água em meu rosto de novo, tirando os vestígios do lápis e indo para o quarto.
- Nossa, . Você está horrível – Harry entrou em meu quarto sem bater. riu, emburrou e riu de . Sorri cínica para ele, mostrando-lhe o dedo do meio.
- Bom dia também, Harry – ele ergueu a sobrancelha, sentando-se no sofá que ficava no canto do quarto.
- Vou contar para a tia Lizzie que você mostrou o dedo – Harry era um tremendo chantagista. Principalmente quando se trata de minha mãe e os “bons modos” dela.
- Ora, Harry, vá se foder. Se veio aqui para me encher o saco, sugiro que SUMA do meu quarto.
- Hum, viram só, meninas? A verdade dói. Ela ficou bravinha só porque eu disse que ela está horrível. Estou sendo sincero, . Não fique brava – bufei com força. Alguma coisa mordeu esse garoto hoje. Acho que foi a .
- Dê licença, Harry – virei os olhos, puxando-o do sofá e o empurrando até a porta – Você não é bem-vindo aqui por enquanto. Vá lá para baixo esperar o Dougie – não o esperei terminar de falar e fechei a porta em sua cara, trancando-a em seguida. As garotas riram – Quê? Vocês vão rir também? – levantou a mão em defesa.
Ok, , acalme-se. Hoje é sábado e... OH, DROGA! Sábado... Eu deveria estar na cama, dormindo e acordar só depois das duas da tarde, mas não. Sempre tem alguém para me tirar do meu sono.
Abri o closet, escorando-me na porta.
- O vestido verde. Você fica bem nele, apesar de que eu não goste dessas coisas – fitei pelo espelho. Ela usava um short jeans vermelho, todo rasgado, a camiseta do Aerosmith que eu havia dado a ela e o inseparável All Star vermelho. Os cachos ruivos estavam caindo sobre os ombros, emoldurando o rosto bonito dela. De fato, ficava linda em seu próprio estilo. Ainda não sei por que insistia em tentar mudá-la.
- Você acha? – entortei a boca no mesmo momento em que ela concordou com um aceno. Tirei o vestido do lugar, colocando-o na frente do corpo. Sorri para e fui para o banheiro me trocar – Dougie já chegou? – passei os olhos pelo quarto, notando que não estava mais lá.
- Porque você acha que a não está mais aqui? – riu, olhando os meus CDs. estava “gamada”. Isso ela não podia negar nem um pouco. Mas também... Quem não estaria? Dougie era um cara lindo. Seus olhos eram de um brilho extremamente intenso. Não precisa pensar muito no porquê ela resolveu “gamar” nele.
Coloquei o vestido, observando-me no espelho. Era mais uma das criações de minha mãe, mas um modelo simples para se dar um passeio em um sábado à tarde. Era tomara-que-caia, ia até o joelho e verde escuro. Deixava os meus olhos estranhamente mais escuros. Calcei as minhas sapatilhas Jimmy Choo, ótimas para a caminhada que teríamos. Prendi o cabelo em um rabo alto e saí do quarto. e me esperavam e, incrivelmente não estavam brigando.
Bocejei longamente, espreguiçando-me.
- Eu podia estar dormindo ainda – murmurei enquanto me puxava impaciente para fora do quarto. Descemos devagar, encontrando Harry e Dougie na cozinha tomando café. Meu primo comia como animal. Sem brincadeira. E isso NÃO é de família. Ok? – Depois sou eu que preciso de modos – resmunguei, dando um leve tapa em sua cabeça. Cumprimentei Dougie com um beijo no rosto e me sentei ao lado de que olhava, sorrindo bobamente, para ele.
- Princesa – olhei para trás e sorri instantaneamente.
- Bom dia, Mary – dei um beijo em seu rosto – Dougie, essa é a Mary, a melhor cozinheira do mundo – sorri como uma criança enquanto Mary ria e cumprimentava Dougie.
- Exagero dela, mas... É um prazer, querido – Dougie riu baixo e sorriu em seguida para Mary – Vão a algum lugar?
- Vamos levar Dougie para conhecer o Kensington Gardens – ela concordou maravilhada. Mary também adorava ir ao Kensington – Meus pais?
- Seu pai saiu cedo. Teve que viajar às pressas para York – assenti desanimada. Ele nunca tinha tempo o bastante para ficar comigo. Ser advogado consumia todo o seu tempo de mim – E sua mãe foi para o ateliê dela. Está preparando aquele desfile de que ela tanto tem falado.
- Claro – bati de leve na testa – Não conte a ela que me esqueci do desfile, Mary – rimos gostosamente.
Ela estava organizando mais um de seus grandes eventos e esse seria realmente enorme. Minha mãe estava trabalhando há meses nessa festa e ela ainda demoraria a acontecer. Sua idéia era convidar grandes estilistas, montar um verdadeiro espetáculo. Cada um faria uma coleção de inverno e convidaria uma banda para tocar durante o seu desfile no palco. Só a minha mãe para pensar nessas coisas.
Mary assentiu e foi terminar o seu trabalho. Fitei a enorme mesa à minha frente. Eu não estava com fome. Levantei-me, sendo observada atentamente por .
- Aonde você vai, ?
- Não estou com fome. Vou me sentar na beira da piscina. Chamem-me antes de sair – dei de ombros e saí sem falar mais nada. arqueou a sobrancelha e apenar assentiu.
Sentei-me em uma das cadeiras perto da piscina, cerrando os olhos para olhar o céu. Estava claro, apesar de o sol estar escondido. Seria um dia agradável, eu espero. Deitei-me na cadeira, fechando os olhos de leve. Talvez eu dormisse mais um pouco...
- Ai, cacete – ou não.
Levantei-me depressa, olhando para trás. Tive que reprimir a minha vontade de rir descontroladamente. Ele podia ter se machucado.
- Thomas, meu Deus – corri até ele, mordendo o lábio. Estava cada vez mais difícil de segurar o riso – Você está bem?
- EU? Claro. Estou ótimo – ele se levantou em um pulo. Olhamos para baixo, observando a terra espalhada por todo lado e os cravos de minha mãe esmagados. Alguém teria problemas – É, eu acho que... – engoliu em seco – Essas flores eram da sua mãe. Certo? – claro. Ele falou certíssimo. “Eram”, porque, na situação em que aqueles cravos se encontravam, nem um milagre iria recuperá-los.
- É, elas eram – entortei o lábio, sorrindo de canto. Não consegui segurar mais. Soltei uma gostosa gargalhada. Tom me olhou incrédulo. Talvez ele tivesse pensado que eu brigaria com ele.
- Desculpe-me – disse entre risos – Sei que não é certo rir dessas coisas. Não me leve a mal, Thomas, mas foi engraçado – ele riu também. Não tão animado como eu, mas um tanto envergonhado – Vamos dar um jeito nisso. Você está bem mesmo?
- Estou... Estou bem, sim – não faria mal perguntar o motivo da queda. Faria? Oras, . É óbvio. Ele caiu porque estava distraído. Espere. Com o quê?
- Bom, desculpe a pergunta, mas... Você se distraiu com o quê? – o rosto dele ficou vermelho instantaneamente.
- Eu? Nada. Foi o sol. Sim, a luz. Olhei para frente e a luz dele me cegou. Foi isso – bom, tirando o fato de que NÃO havia sol, tudo certo.
- Bom, não tem sol, Tom – curvei o lábio, tentando segurar mais uma gargalhada.
- Oh, desculpe. Foi... A claridade. Sim, e não o sol. A claridade. O dia está claro e bonito – concordei com a cabeça, observando-o sorrir sem graça. É, alguma coisa me diz que não foi culpa da claridade – Bom, eu... Preciso ir – de novo a vontade de pedir para ele ficar – Ahn... A gente se vê. E bom dia – sorri amarelo para ele, observando-o se virar e sair. Cruzei os meus braços e permaneci parada, olhando-o se afastar e com um sorrisinho besta no rosto.
- ? – Harry estava encostado à porta da cozinha a alguns passos de mim. Usava uma camiseta branca, um jeans escuro e um Nike azul. É, ele está lindo. Bom, na verdade, Harry é lindo.
Olhei para ele, levantando o queixo como quem pergunta “o que foi?”.
- Temos algumas pessoas histéricas na cozinha com a sua demora – murmurou um “mulheres” audível somente para mim, que dei risada, empurrando-o de leve para me dar licença.
- Quem me chama? – sorri boba para as meninas. Elas levantaram o dedo do meio para mim e caímos na gargalhada – Vamos logo – puxei-as para a garagem, onde a BMW M5 vermelha de Harry estava. Dougie havia estacionado a Ferrari F430 preta logo atrás. Ergui a sobrancelha e fitei Dougie – Belo carro – ele riu baixo e agradeceu com um aceno – Hum, quem vai com quem? – ergui a sobrancelha, já adivinhando a resposta. iria com certeza querer andar no carro de Dougie e não iria com Harry nem amordaçada. Talvez me acompanhasse.
- Vou com o Dougie – as três falaram juntas. Dougie sorriu superior para Harry.
- Sou demais, meu caro Harry. Elas me amam – Harry virou os olhos, desligando o alarme do carro.
- Vai renegar o seu próprio sangue? – perguntou emburrado, olhando para mim. Gargalhei, negando, indo em direção ao banco do carona.
- Não leve a mal, Harry. foi pelo Dougie. Você deve imaginar. A não entraria aqui nem sob efeito de drogas – ele riu – E a ... Bom, não imagino o porquê de ela querer ir lá. Talvez por causa da . Não sei – Harry acenou, concordando, e ligou o radio.
- Ela nem ao menos quis falar comigo. Fingiu que eu simplesmente não existia – soltei o ar com força e balancei a cabeça. Ele não devia achar que seria tão fácil de reconquistar assim porque não seria – Sei que errei, , mas ela não precisa me tratar desse jeito. Acho que temos que ensinar o significado da expressão “segunda chance” para ela - virei o meu rosto para o dele e o fitei demoradamente.
- Só não a machuque de novo, Harry. Ela não merece – Harry mordeu o lábio e concordou, concentrando-se na rua.

Depois de alguns poucos minutos, os meninos estacionaram os carros na entrada do Kensington Gardens. Esse é um dos lugares mais bonitos de Londres. Junta-se ao Hyde Park no final do Serpentine, um lago onde pode se alugar barcos. Havia lugares lindos para se ir, como os jardins da fonte italiana, o monumento em homenagem ao marido da Rainha Victoria, o príncipe Alberto, o Kensington Palace, que era definitivamente meu preferido, junto com a estátua de Peter Pan, e, por último, o parque de diversões para as crianças em homenagem à Princesa Diana. Alguns filmes ótimos tiveram as suas cenas filmadas no Kensington Gardens. Finding Neverland foi um deles.
De longe, pude ver dominar a sua conversa com Dougie sobre o parque provavelmente, já que ela apontava todos os lugares onde havia alguma coisa legal para se visitar. Dougie sorria encantado, olhando os locais que ela apontava.
e vieram ao meu lado. ria de que estava visivelmente irritada.
- Cara, vou voltar com você e o Harry – ela apontou para nós dois e bufou – A não calou a boca um minuto, tentando impressionar o Dougie com as histórias dela – mordi o lábio, segurando uma risada alta. Não me incomodaria em deixar que ela conversasse com ele. e Dougie estavam se dando tão bem. Ele fazia bem a ela e, depois de tudo o que a garota passou com Zack, sofrer por este, vê-lo se acabar sozinho e passar dias trancada no quarto, chorando por isso, eu arriscaria dizer que Dougie era um anjo e a traria de novo para nós.
Zack era ex-namorado de . No início, era todas as sete maravilhas do mundo o namoro deles. Ela vivia para falar dele, de como ele era lindo, romântico, e como fazia tudo para ela. Foram dois anos e meio assim e eu e as meninas felizes por vê-la sorrir cada vez que mencionava Zack com os olhos brilhantes. Ele era um ótimo rapaz. Amava demais, praticamente vivia por ela. Eu tinha certeza de que os dois juntos eram feitos um para o outro.
Mas então ele começou a ficar estranho. Não sorria mais, não fazia mais tanto por , os olhos verdes dele pareciam sem vida, o cabelo castanho começou a ficar descuidado, ele emagreceu, vivia com fortes olheiras nos olhos. Depois de três meses, soubemos que ele havia se envolvido com drogas e companhias pesadas. tentou ajudá-lo de todas as maneiras. Disse que ele estava se destruindo aos poucos e que devia procurar ajuda, mas Zack sempre rebatia da mesma forma. Dizia que não era viciado, que poderia largar as drogas a qualquer momento. Só que todos nós, inclusive ele, sabíamos que era mentira. Uma vez que se entra nesse mundo e se aprofunda da maneira como Zack fez, não era tão fácil de voltar. E se voltasse, não seria a mesma coisa.
então o deixou. Chorou por dias. Quando conseguia dormir, acordava aos gritos, chamando por Zack, dizendo que ele estava em perigo e que algo de ruim iria acontecer com ele. Foi uma época extremamente difícil, principalmente em uma dessas noites em que acordava gritando. Ela recebeu um telefonema anônimo, dizendo que Zack ia participar de um racha e que ele correria com Nicholas Holt. entrou em desespero e ligou para mim. Queria ir até o lugar da corrida de todo jeito. Holt era uma “lenda” das corridas de Londres, tão perigoso como era bom em correr, e odiava Zack. Mas é claro, Nicholas sempre quis . Ele e o ex-namorado dela costumavam ser amigos, mas, quando escolheu Zack, Nicholas se virou contra ele. Fazia tudo que podia para separar os dois.
Tive de sair escondida de casa e acordar Harry para nos levar até o lugar da corrida. Ele correu o máximo que pôde, porém assim que encostou a M5 perto do local, Zack e Nicholas já estavam arrancando. começou a gritar. Tivemos que mantê-la presa dentro do carro para não cometer uma loucura.
Quando os dois estavam na volta, Holt acelerou e passou Zack. A Ferrari Áurea de Nicholas era visivelmente mais bem equipada e potente que o Porsche Carrera de Zack. Então se seguiu a cena que nunca mais iríamos nos esquecer. Nick acelerou, mas provavelmente o motor de seu carro não tolerou tamanha força que ele fazia para ganhar. Ele aproximou a Ferrari de Zack e encostou devagar ao carro. A velocidade com que Zack estava o fez ele perder o controle do carro e fazer uma curva reta, batendo o carro em cheio no muro perto da chegada.
parou de gritar e encostou o rosto ao vidro. Suas lágrimas escorriam livremente pelo rosto. Entrei no carro e a abracei com força. Harry havia corrido até o carro de Zack, mas, com a mesma rapidez que foi, logo estava de volta. Olhou-nos sentido por um segundo e ligou o carro, saindo depressa dali.
- Eu não conseguiria tirá-lo dali – sussurrou – Vai explodir em pouco tempo – me abraçou com mais força e, quando estávamos a uma distância considerável, pudemos ouvir o barulho da explosão. Harry parou o carro no acostamento e pulou para o banco de trás. Abraçou-nos e suspirou culpado. Ele queria ter feito alguma coisa e, mesmo que não tivesse sido culpa dele, se sentiria mal por não ter conseguido salvar Zack ou pelo menos tentado.
nunca foi à mesma de novo. Passou meses trancada no quarto, tinha pesadelos freqüentes, chorava o dia todo e teve que tomar anti-depressivos fortes. Com muita dificuldade, conseguimos fazê-la sorrir de novo depois de bastante tempo. Nunca mais mencionamos Zack e, aos poucos, ela começou a se recuperar. Só que nunca quis se envolver com ninguém.
E agora, Dougie apareceu. Foi algo engraçado de se ver como ela sorriu quando o viu. Sorria assim para Zack. Só espero, que, se ela chegar a ter algum sentimento por Dougie, isso não traga de volta à tona todo o sofrimento pelo qual ela passou.
- ! – levantei os olhos assustada. estava na minha frente, balançando as mãos – Alô. Acorde. Terra para . Acordou?
- Engraçadinha – virei os olhos, rindo com ela – Desculpe-me. Estava pensando na vida.
- Sei – me olhou desconfiada, parando em frente à estatua do Peter Pan comigo. Boas lembranças. Foi aqui que eu e nos conhecemos.
Não tínhamos mais do que cinco anos. Ela estava correndo e tropeçou em alguma coisa. Corri até ela para ver se estava bem. Era engraçado ver duas crianças naquela idade se ajudando. Ela sorriu agradecida para mim e se levantou. Passamos o resto da tarde brincando juntas e assim se sucedeu por muitas outras tardes na casa dela, na minha, ou na própria estátua do Peter Pan todos esses doze anos de amizade.
- Esse lugar especialmente me trás memórias boas – se colocou ao meu lado e sorriu para mim.
- Estava pensando nisso exatamente agora – rimos juntas e nos acompanhou. Observamos a estátua por mais algum tempo, até o sol começar a incomodar. Estava quente.
- Meu Deus, – Harry me virou para ele com os olhos arregalados – Dê uma olhada em você – arqueei a sobrancelha e olhei os meus braços. Eu estava extremamente vermelha, mas ao passar a mão sobre a pele não senti nada, nem ardência. e olharam assustadas para mim.
- Calma. Só não pensei que fosse fazer tanto sol e não passei protetor. Não é nada, Harry – ele concordou contrariado e me puxou até um pequeno quiosque, onde havia sombra.
- Fique aqui. Ok? – ele disse autoritário, fazendo-me rir. Concordei, vendo-o se afastar. As meninas se sentaram perto de mim e ergui a cabeça, procurando e Dougie. Eles não estavam à nossa vista. Talvez ela estava mostrando o Kensington Palace para ele. Ou não – Pronto – ouvi a voz de Harry de novo enquanto ele se sentava ao meu lado, equilibrando quatro taças de sorvete nos braços.
- Como você fez isso, Judd? – arqueou a sobrancelha. Harry riu, levantando os ombros.
- Sou demais – viramos os olhos, deixando-o rir – , termine o seu sorvete que vou levá-la para casa.
- Jamais. Vou terminar o passeio. Prometo que procuro andar onde tem mais sombra, Harry – olhei-o com a minha melhor expressão gato de botas. Ele bufou e concordou com um aceno – Isso aí – abracei-o pelo pescoço e beijei o seu rosto. O garoto riu e se encostou à mesa, terminando o seu sorvete. Alguma vez ou outra, fitava , mas, quando ela olhava para ele, Harry virava o rosto e fingia estar olhando para o parque. É, o meu próximo trabalho seria ajudar esses dois.

Dougie’s POV

estava me mostrando cada ponto do parque. Era tudo muito bonito, mas há algum tempo eu não conseguia mais prestar atenção ao que ela dizia. Só prestava atenção nela.
- E esse é o Kensington Palace – ela acrescentou, sorrindo. Admito que não tinha prestado atenção em nada do que ela havia falado antes – A parte original dele foi construída no século dezessete, na aldeia de Kensington, como Nottingham House para o Conde de Nottingham – eu não estava prestando atenção no que ela dizia, mas em como os olhos dela brilhavam ao falar. Provável que ela fosse apaixonada pela história do Kensington Palace e era muito inteligente também. Eu jamais me preocuparia em saber essas coisas. Não sei muito de Bristol, mas sei sobre grandes festas, boates e baladas de lá. Se você me perguntar sobre a história de minha cidade, nem sei o nome do prefeito – Atualmente, é a residência oficial do Duque e da Duquesa de Gloucester, do Duque e da Duquesa de Kent, do Príncipe e da Princesa Michael de Kent e de Zara Phillips – sorriu de novo e deu um passo para frente, como se fosse em direção da enorme residência, mas pisou em uma pedra e, antes que eu pudesse perceber, já havia a segurado em meus braços para que ela não caísse. O rosto dela se aproximou inconsciente do meu. Sorri.
- É realmente um lugar lindo – ela sorriu e se desvencilhou de meus braços – Não tanto quanto você – sussurrei. Oh, droga, Dougie. Não era para dizer isso. Só pensar.
- Como disse? – sorri sem graça, coçando a nuca.
- É... Lindo, mas não tanto quanto os jardins italianos. Sabe? Eles, sim, são realmente bonitos, tem vida – ela riu, levantando a sobrancelha.
- Ok... É, os jardins são lindos, sim.
- ! – olhamos juntos para trás. As meninas e Harry vinham em nossa direção e o menino mantinha pela sombra. Era visível que ela estava emburrada.
- Já deu, Harry – o afastou e se colocou ao lado de – Meu primo é maluco. Ignorem-no – demos risada e Harry ficou indignado.
- Estou preocupado. Ok? Você sai de casa normal e, quando olho, está quase fritando de tão vermelha. Isso não é normal, – olhei curioso para Harry – Ela estava parada no sol e, de repente, do nada, começou a ficar vermelha. Fiquei preocupado.
- Já disse que não foi nada, Harry. Só não me preocupei em passar o protetor – Harry bufou, mas ficou quieto.
- Ok, sem brigas. Estou ficando com fome – olhou para o relógio e arregalou os olhos – Já é quase meio-dia. É claro que estou com fome – as meninas riram e a seguiram até os carros. Pareciam quatro crianças correndo.
- Acorda, nanico – Harry deu um tapa em minha testa – Fica aí pensando na e sonhando acordado – deu um sorriso malicioso. Mostrei o dedo do meio para ele
- Vamos logo – murmurei impaciente. Harry deu risada e me seguiu. Sim, eu estava pensando nela, muito por sinal, mas tinha medo de me envolver de novo e acontecer tudo outra vez.

Capítulo 5 – Foolish
But I don't see the harm in love.

(Coloque para carregar: Foolish – Good Charlotte)


Tom’s POV

Depois de ter ido de cara ao chão, na frente da , resolvi ir para casa e não sair de lá o resto do dia. Humilhante, Thomas. Nem mesmo uma desculpa boa você sabe dar.
- Tom? – a minha mãe me chamou da cozinha, assim que bati a porta. Joguei-me em uma das cadeiras, emburrado. Ela perguntaria o que houve, eu contaria e a mulher riria de mim – O que aconteceu, filho?
- Nada, não, mãe – debrucei-me sobre a mesa, disfarçando o olhar. Se existe uma coisa realmente difícil de fazer, é enganar Debbie Fletcher. Seu olhar desconfiado encontrou o meu e não tive escapatórias – Ok. Eu caí na frente da .
- O quê? – mas que droga. Vou ter que repetir ainda?
- Caí na frente da – falei pausadamente, sentindo o meu rosto começar a esquentar desde o pescoço até a testa. A gargalhada dela encheu toda a cozinha, o que me deixou irritado – Não tem graça, mãe.
- Sabe o que você parece, Tom? – ergui o queixo, esperando por sua resposta – Um menininho de treze anos esperando para dar o seu primeiro beijo – virei os olhos, tentando esconder o sorriso de canto em meu rosto. O pior é que ela estava mesmo certa – Apaixonadinho – qual é? Ela vai mesmo tirar com a minha cara?
- Nem comece, mãe – já sei onde isso vai acabar parando.
Dei um suspiro cansado. Não queria tocar naquela história, mas é que eu queria saber como começou. Ela nunca mencionou.
- Mãe, quando você conheceu o meu pai... – ela entortou os lábios como se não quisesse saber o que estava por vir – Você agia assim também? Quer dizer, tinha vontade de sorrir a todo o momento? Essas coisas – senti-me um verdadeiro idiota perguntando aquilo. Era mais certo uma menina perguntar isso do que eu. Espero que a minha mãe não pense que sou gay.
Ela ficou em silêncio por um tempo, o suficiente para que eu me arrependesse da pergunta.
- Desculpe-me.
- Não, querido. Sem problemas – minha mãe se encostou ao balcão e enxugou as mãos no avental.
De repente, vi-me tomado de uma curiosidade imensa. Eu sabia de apenas duas coisas sobre o meu pai. Duas coisas que a minha mãe julgava certas que eu soubesse: ele havia a deixado, simplesmente por deixar, sem nada, e o cara não valia nada. Foram as únicas coisas que ela me disse em todos esses anos. Sempre que eu tocava no assunto, ela me cortava. Com uma sorte enorme, ela conheceu Mary e o resto já é meio óbvio. A mulher a trouxe para a mansão dos e foi aqui que conheci .
- Seu pai era como você. Sabe a maneira com que olha ? – assenti envergonhado. Ela riu – Ele me olhava daquele jeito, com os mesmo olhos que os seus. Não medi as conseqüências de ficar com ele naquela época e o seu avô também não ajudou muito. Depois que seu pai nos deixou, o meu nunca mais falou comigo. Aliás, falou uma vez para jogar na minha cara que ele estava certo sobre o seu pai. Ele nos deixou por outra família, Tom, e é por isso que não gosto de tocar no nome dele. Esse cara me machucou, pois no fundo as pessoas que o julgaram estavam certas. Foi uma tolice acreditar nele – os olhos de minha mãe se encheram de lágrimas. Levantei-me e dei a volta na mesa, abraçando-a – E o pior é que ainda o amo.
- O amor não é uma tolice, mãe – sentia como se fosse ao contrario. Eu parecia o mais velho e ela, a adolescente falando do primeiro namorado. Com certeza eu riria de minha teoria, se o momento não fosse tão complicado.
- Não desista dele, então – Debbie enxugou as lágrimas e me olhou – É sempre assim, Tom. As pessoas não acreditam no amo. Sabe? Muitas delas, pelo menos. Elas vão lhe dizer que é tolice acreditar que ela pode se sentir como você, ou que é bobagem esperar como você faz, mas no fim não há mal algum em se apaixonar tolamente e se machucar secretamente – minha mãe nunca disse algo tão bonito assim. Porém era verdade. Machucar-se por amor valia a pena pelo simples fato de saber que você pode amar. Talvez isso seja bom.
- Obrigado – sorri para ela, soltando-a. Ela se virou e voltou a trabalhar, mas eu sabia que estava chorando e que gostava de ficar sozinha nesses momentos.
Fui até a varanda e me encostei à grade perto da escada. Havia tantas coisas que me separavam de ficar com a . Uma delas era o pai dela. Assim como p meu avô não queria que a minha mãe ficasse com meu pai, o dela não aceitaria que a mesma ficasse comigo. Qual é? Olhe para mim. Nem escola completa tenho. Um namorado decente para a filha dele tem que ser alguém estudado, inteligente, que saiba sobre fundos anuais e falar de dinheiro como se fosse água. Eu não era um cara pra isso. Ethan era.
Meus punhos se fecharam quando pensei nele. Ele era só um moleque mimado que tinha tudo o que queria. Não tudo talvez. O garoto queria , mas ela não o queria. Isso me deixava mais tranqüilo. Mas de que adianta? A garota não deve querer nada comigo também. Ela era o diamante. Eu era a pedra. Dois mundos completamente diferentes que não combinam juntos.
Virei o meu rosto para o portão ao mesmo tempo em que Harry chegava. Ele estacionou de qualquer jeito na frente da escadaria e deu a volta depressa no carro, tirando de lá, fazendo-a se apoiar nele. Ela não tinha uma expressão nada boa e a sua pele estava vermelho. Só que não de um vermelho normal que você ganha com o sol. A menina estava MUITO vermelha. Que porra era aquela?
Desci as escadas correndo e fui para as portas do fundo que dava na cozinha. Harry já estava lá, com as meninas, o amigo dele e . Estava agachado na frente dela com um copo de água na mão. apenas sorriu e balançou a cabeça.
- Estou bem, Harry. Foi só um mal estar – mal estar? Sei.
Aproximei-me da mesa como se tivesse acabado de chegar. Harry se levantou e ela olhou para mim.
- Tom – sorriu sem graça. O rosto dela estava extremamente vermelho e aquilo não era normal.
- Está tudo bem? – ela balançou a cabeça, concordando. Harry bufou.
- Não está nada bem, não. Você pode tratar de subir, deitar-se e não sair do seu quarto – concordou emburrada e se levantou. Suas amigas a apoiaram e a levaram para cima. Antes de subir as escadas, ela se virou e sorriu para mim. Não consegui evitar retribui – Hum, Thomas Fletcher – Harry me acordou do transe e estendeu a mão para mim. Ele era um cara legal. Costumávamos brincar juntos quando éramos pequenos. Escondidos dos pais dele, é claro. É um detalhe de mínima importância, porém os pais dele não aceitariam que o menino tivesse amizade com o filho de um empregado – Muito tempo – apesar das linhas de preocupação em seu rosto, ele sorriu amistoso para mim – Bom, esse é Dougie, um amigo que fiz durantes as minhas viagens.
- E aí, cara? – Dougie apertou a minha mão e sorriu. Aparentava ser um cara legal também. Sorri de volta para ele, soltando a sua mão.
- Ahn... Ok. Eu... Estou indo. Se precisar de alguma coisa, Harry, digo, se ela ficar mal, pode, ahn... Chamar – ele concordou, arqueando a sobrancelha. Ótimo, Fletcher. Para que mesmo você abriu a sua boca? – Até logo – sussurrei e saí pela mesma porta onde entrei. Mesmo que ela dissesse que não era nada, eu estava preocupado. Muito preocupado.

Harry’s POV

Depois que as meninas desceram, fui até o quarto de . A vermelhidão em sua pele já havia melhorado, mas ela ainda reclamava de dor de cabeça.
- Você tem que ir ao médico, , isso não é normal – pela milésima vez, ela virou os olhos.
- Harry, calma. Não é nada. Normal, ok? Só não passei o protetor. O sol está forte. Dores de cabeça são normais também – concordei contrariado. Eu ainda não estava aceitando isso muito bem – Você falou com a ? – a menina sabia exatamente em qual assunto tocar para me distrair.
- Ainda não – disse baixo, olhando para fora da sacada do quarto – Acho que ela não quer me ouvir.
- Não a pressione, Harry. Foi você quem errou. Não se esqueça disso. Não estou o culpando inteiramente. Ela deve ouvi-lo também, mas dê tempo ao tempo. Vai demorar para que a garota aceite você outra vez.
- Se ela aceitar – Suspirei cansado – Acho que vou me deitar. Estou cansado – a menina assentiu – Você vai ficar bem? Posso chamar alguém se você quiser e...
- Vou ficar bem, Harry – riu e beijou minha testa – Vá descansar. Ok? – assenti, levantando-me. Assim que fechei a porta e me virei para o corredor, bati de frente com alguém que caiu no chão.
- Droga, desculpe. Eu... ! – abaixei-me e estendi a minha mão para que ela a pegasse. A mesma sorriu amarelo e se levantou sozinha – Ahn... Desculpe.
- Não tem problema, Harry. Não precisa se desculpar – por mais que aquele sorriso fosse forçado, tirava-me o ar literalmente – Só vim ver como ela está – apontou a porta recém-fechada.
- Está bem. ... Vai descansar agora – assentiu e se virou. Um impulso me fez segurar o braço dela e a virar para mim – , a gente tem que conversar e...
- ! – mas que porra! Sempre tem alguém para me interromper. A me paga depois.
- Hum... Depois, Harry – ela olhou para o braço que eu segurava, fazendo-me soltá-la na hora – A está me chamando – sem esperar a minha resposta, a garota se virou e desceu as escadas depressa, deixando-me travado no mesmo lugar.
- É. Eu ouvi – disse baixinho, indo para o meu quarto. Fechei a porta com força e me joguei na cama. Abri a gaveta do criado-mudo e tirei uma foto de lá. A última foto que eu havia tirado com a . Ela estava com os braços em volta do meu tronco e a cabeça encostada ao meu peito. Não consegui evitar uma risada baixa ao reparar no quão baixa ela era perto de mim.
Eu estava namorado há dois anos e meio quando resolvi que iria viajar pela Europa. Queria levá-la comigo, mas ela não podia. Tinha a escola e os pais dela não iriam deixar também. Então fiz uma festa de despedida um dia antes de embarcar e chamei toda a escola, amigos, amigos de amigos, e colegas. Queria me despedir de todo mundo naquele dia.
E foi feita a festa. Todos que eu queria estavam lá, menos a . Ela estava demorando para chegar e eu, preocupado. só me acalmava, dizendo que “logo a menina estaria no portão”. Sentei-me para esperá-la. Bebi uma cerveja, duas, três, um copo de vodka, e eu já não estava respondendo tão bem à sanidade. Deve ter sido aí que a Fanna se aproveitou do momento. Não me lembro de muita coisa. Só da entrando no meu quarto e me encontrar com outra. Talvez eu não me esqueça daquele dia porque foi a primeira vez na vida em que chorei. Afinal, fui covarde o bastante para não correr atrás dela, imbecil o bastante para dormir com Fanna de novo. E, no dia seguinte, eu sabia que ela não estaria lá para se despedir de mim. Eu poderia abraçar todo mundo e não sentiria os lábios dela nos meus. Mas era irredutível. Ela não se esforçava para tentar me perdoar e era isso o que mais machucava.
Sou um idiota, eu sei, mas estou disposto a mudar isso. Só quero saber se é o bastante.

’s POV

Depois que Harry me deixou no quarto, passei um bom tempo encarando as minhas mãos. Eu tinha ficado boba depois de ver Tom na cozinha. Não, eu não sabia o que era, mas agora não posso nem sequer negar que alguma coisa está acontecendo. Todo esse turbilhão de coisas me deixa confusa demais para pensar nisso.
Escorei minha cabeça para trás e fiquei por minutos longos daquele jeito, até a porta do quarto se abrir.
- Filha – era minha mãe. Ela correu até a minha cama e me abraçou. Ri baixinho. Harry com certeza havia exagerado – Harry me ligou agora há pouco. Mary me disse que você havia chegado mal a casa, que Harry teve que carregá-la, e que você...
- Calma, mãe. Estou bem – levantei as mãos na altura do rosto. Se existe uma coisa que Elizabeth não pode ficar, é preocupada. Ela suspirou aliviada, fazendo-me rir – Você não devia ter saído do trabalho, mãe. Olhe só: vai atrasar toda a sua organização – ela sorriu e beijou o meu rosto.
- Trabalho é em ultimo plano quando se trata de você, mocinha – sorri e a abracei, encolhendo-me em seus braços.
- Mãe, quando a gente sabe que está sentindo amor de verdade? – esperei que ela ficasse surpresa com a minha pergunta, mas esta só ficou em silêncio por alguns minutos, talvez pensando na resposta.
- Sabe, , amor é algo que não se explica. Alguns dizem que amar é tolice, que o amor não existe. Isso não é verdade. Claro, existem muitos tipos de amor. O meu por você é um exemplo – sorri, ainda com a cabeça encostada ao seu ombro. Eu a amava, sem dúvidas – Mas posso falar por horas e não vou responder a sua pergunta, porque não sei a resposta dela. Amor, você simplesmente sabe. Se ajuda o que vou dizer, é você olhar para aquela pessoa e ter certeza de que é ela que vai estar ali com você em todos os momentos, é sentir as famosas borboletas no estômago. E, acima de tudo, o amor não é só como um campo de rosas. Ele machuca também e machuca muito. Não importa a maneira. O amor sempre vai tentar machucar você e a pessoa que ama, mas isso é só um detalhe, porque, se for verdadeiro, o final vai ser feliz. Não como um conto de fadas, por exemplo. Vão ter dificuldades, brigas, porém lá no fundo, o amor ainda vai estar vivo e estará tudo certo então – ela abaixou o rosto e olhou dentro dos meus olhos. Pensei que a mulher fosse ficar em silêncio por um segundo – Você acha que encontrou essa pessoa? – eu não sabia o que dizer. Não sabia nem o que dizer para mim mesma.
- Talvez – ela sorriu e endireitou o corpo ao meu lado. Soltei o ar com força e escorei o corpo para trás – Mãe, e o desfile?
- Vai bem, mas tenho tanta coisa para organizar ainda, confirmar a presença de vários amigos meus ainda, fotógrafos, bandas... Tanto trabalho – vou bater no Harry por ter a tirado do trabalho.
- Volte para lá, mãe. Vir até aqui só deve ter a atrasado mais – sorri sincera para ela.
- Mas, ...
- Estou bem, mãe. Harry é um exagerado – aumentei o meu sorriso – Está tudo certo.
- Promete que vai me ligar, qualquer coisa? – concordei com um aceno, rindo – E, , só mais uma coisa: você sabe o que houve com meus cravos? Vi-os de longe quando estava na cozinha. Eles estavam acabados – oh, não. Alguém vai ter problemas.
- Er... Seus cravos? Não, mãe. Não sei, não. Mas é melhor você correr. Não é?
- Oh, meu Deus. Vou mesmo. Não sei que horas eu chego – passou a mão na testa e, por um minuto, imaginei que ela fosse passar a madrugada trabalhando, de novo.
Lizzie beijou a minha testa e sorriu antes de sair correndo do quarto. No relógio, marcava duas da tarde e eu não havia comido nada ainda. Meu estômago roncou automaticamente. Levantei-me da cama, calçando os meus chinelos e descendo as escadas. A casa estava silenciosa. Harry com certeza estava dormindo, Mary tirava sua folga aos sábados à tarde e eu estava sozinha, sem nenhuma companhia para uma maratona de filmes melosos e clichês com um enorme pote de sorvete. Porém talvez isso fosse um programa para se fazer sozinha mesmo.
Levei o enorme pote até o meu quarto e fui até a prateleira de filmes. Escorei-me nela, passando a mão pelos DVDs que estavam ali. Um filme me chamou a atenção - um que eu não via há muito tempo. Dei um sorriso de canto e tirei “PS: I Love You” do lugar. Liguei o DVD, colocando-o lá dentro. Sentei-me na cama, ligando a TV e me escorando nos fofos travesseiros atrás de mim. Peguei o sorvete e dei play no filme.
Holly estava subindo as escadas de seu prédio e Gerry ia atrás dela, tentando conversar. Ela apenas o ignorava. Era engraçado de ver. Eles iriam entrar no apartamento e iam discutir muito. Holly reclamaria da vida, diria que queria ter filhos, mas que no momento não havia como, pois eles não tinham condições. Gerry iria retrucá-la de uma maneira engraçada. Ele me fazia rir sempre nessa parte do filme .Enquanto ela estava nervosa, ele era estável, tranqüilo, não se irritava com nada. Então, este sairia do apartamento e, cinco segundos depois, iria voltar. Holly pularia no colo dele e eles diriam um ao outro como eram apaixonados, como se amariam até o fim.
Holly era como uma heroína para mim, porque suportar tudo o que ela suportou depois que Gerry morreu não era para qualquer pessoa. Ele sempre esteve presente através das dez cartas que havia feito para ela da viagem que tinha deixado de presente, de todos os “PS: eu te amo” que havia deixado como assinatura em todas as cartas. Eu me perguntava se eu conseguiria sobreviver a algo assim. Ele era o maior amor da vida dela, o amante, o melhor amigo, e a vida o tirou dela de um jeito tão frio. Gerry era uma pessoa incrível! Ele não queria choro no velório dele. Queria ser cremado e que todos os homens fossem à frente ao seu “caixão” e bebessem um copo de bebida alcoólica. Nem ao pensar no velório ele perdera o bom humor.
Holly não queria um outro amor. Ela só queria Gerry,e isso a deixou presa completamente ao passado, quase ficando maluca, dormindo com as cinzas dele todos os dias aos pés da cama, carregando a caixa para onde quer que fosse. Não tomava banho, não arrumava a casa, tinha visões, vivia em função de se lembrar de Gerry. Talvez eu não suportasse. Não conheço a dor da perda. Sempre estive rodeada de tanto amor e carinho, tantas pessoas que gostam de mim. Acabo de me dar conta de que nunca valorizei isso da maneira como devia. Sempre deixei evidente o meu amor pela minha família, meus amigos, mas agora, vendo a maneira como Holly sofreu, parece que me falta algo para completar toda essa minha felicidade, alguma coisa para preencher o meu coração. Holly tinha amigas, a mãe, uma família e um porto seguro, todavia tinha um amor também. Ela possuía aquilo que faltava no meu coração, alguém que amava e cuidava dela. Tinha o Gerry, o seu Gerry, só dela.
Na Irlanda, quando eles se conheceram, ela era só uma adolescente, uma estudante. Dei uma risada baixa com a lembrança dela. Depois dizem que adolescentes não podem se apaixonar de verdade. Após serem atrapalhados bem no momento em que iam se beijar, ela se afastou dele e ficou com o seu casaco, dizendo que se fosse para eles se encontrarem novamente, seria o destino. Gerry apenas riu e achou aquilo tudo completamente uma besteira. Tanta besteira que se encontraram de novo no bar em que ele tocava. Era óbvio que aquilo tudo se tornaria mais do que simples encontros por acaso. Eles realmente estavam destinados e serem um do outro. Só que o mesmo destino havia o tirado dela. Eu ainda não achava justo. Finais tinham que ser felizes. Não tinham?
Talvez seja isso o que minha mãe quis dizer com “o amor também machuca”. Talvez os finais nem sempre são felizes como nos contos de fadas, mas são felizes da nossa maneira. Temos que fazer o nosso próprio final e que ele seja feliz. Depende de nós mesmo deixá-lo da maneira como queremos e, nem sempre, ele vai ser como planejamos. Não existe uma maneira simples de brincar de ser Deus. As coisas vão acontecer como devem acontecer e temos que aceitar por mais difícil que seja. Deve ser algo como correr atrás do que realmente nos valoriza e nos favorece.
Apesar de Holly quase deixar de viver depois da morte de Gerry, foi ele próprio quem a incentivou a continuar através das cartas dele. Ela não desistiu de si própria e era isso o que eu mais admirava nela.
O final dela não foi exatamente feliz. Ou talvez tenha sido, porque foi o que ela fez para si mesma. Foi o final da Holly, e não o de Branca de Neve ou da Cinderela. Eles realmente não existem e finalmente só me dei conta disso agora, com dezessete anos nas costas, mas quem liga? Encarar a realidade é cruel demais às vezes, porém pode valer a pena também.
No filme, o “The Pogues” cantou: “só quero estar lá quando estivermos presos na chuva. Só quero ver você rir, não chorar. Eu só quero senti-la quando a noite colocar o seu disfarce. Estou sem palavras. Não me diga, porque tudo o que consigo dizer: eu te amo até o fim”.
Talvez o que estivesse me faltando era um alguém para amar até o fim, mesmo que este não fosse feliz. Não como um conto de fadas, mas do meu jeito.
Sorri inconsciente, observando os créditos finais do filme subirem. Olhei para o pote de sorvete, todo derretido e praticamente intocado. Fiz uma careta e o coloquei ao lado da cama. Acho que ninguém se incomodaria em tomar sorvete derretido depois.

(Coloque a música para tocar)


Afundei-me preguiçosamente nos enormes travesseiros e peguei o meu iPod. Coloquei os fones no ouvido e deixei a música fazer as minhas pálpebras pesarem.

Some people will tell you
Algumas pessoas lhe dirão
It's foolish to believe
Que é tolice acreditar
That someone else could feel the way you do.
Que outro alguém poderia se sentir como você.

Well people might say
Bem, as pessoas podem dizer
It seems a little strange
Que parece meio estranho
To hope so secretly
Esperar secretamente
The way you do.
Do jeito que você faz.

But I don't see the harm in love.
Mas não vejo mal no amor.
No, I don't see no harm at all
Não, não vejo mal nenhum
To fall foolishly,
Em se apaixonar tolamente,
To hurt secretly
Machucar-se secretamente,
That someone else could feel this way
Que alguém poderia se sentir assim
And fall foolishly.
E se apaixonar tolamente.


Não, não há mal em esperar por alguém que se sinta como eu, apaixonar-se tolamente. Quem nunca foi um tolo por amor? Só quem não o conhece mesmo. Machucar-se por amor vale a pena simplesmente por você poder amar alguém de verdade, saber como é o sentimento mais puro e sincero que existe.
É, o amor machuca, sim, mas acho que no fundo todo mundo gosta de se machucar por ele, já machucou e foi machucado. Do amor, somos apenas vítimas, mas ele é bom. Não é? Com todas as suas controvérsias e todos os seus defeitos. Afinal, nada mesmo é perfeito.

Been dying to tell you
Estava morrendo para lhe dizer
Not to lose your faith,
Para não perder a sua fé,
‘Cause I swear that love will one day find its way
Porque juro que o amor um dia encontrará o caminho
Into your heart,
Até o seu coração,
Into your mind,
Até sua mente,
Into your life.
Até sua vida.
You might find?
Você pode encontrar?


Era uma música aleatória, mas aleatoriamente proposital. Posso encontrar o amor? Talvez não, até ele mesmo me encontrar.

So I don't see the harm in love.
Então não vejo mal no amor.
No, I can't see no harm at all
Não, não consigo ver mal nenhum
To fall foolishly,
Em se apaixonar tolamente,
To hurt secretly,
Machucar-se secretamente,
That someone else can feel this way
Que mais alguém pode se sentir assim
And fall foolishly.
E se apaixonar tolamente.
Oh, and fall foolishly.
Oh, apaixonar-se tolamente
Just to fall foolishly.
Apenas se apaixonar tolamente.


Quando os últimos acordes do violão foram diminuindo, os meus olhos já estavam fechados e o meu consciente não prestava mais atenção em nada à minha volta.
Acredito que eu ainda tenha muito tempo para colocar todos os sentimentos em ordem, para realmente saber o que sinto. Enquanto isso não acontece, só continuo querendo saber quem se apaixonaria tolamente, machucar-se-ia secretamente por mim, que se sente como eu, que me prometeria que o amor vai, sim, encontrar o caminho até o meu coração. Então, vou poder encontrá-lo.

Capítulo 6 – Who is this idiot?
You're in high school again.


- ACORDE, ! – quem é o desgraçado que está me acordando?
Levantei-me do chão – sim, caí com o susto – e parei meus olhos em Harry. Cocei-os emburrada, mostrando o dedo do meio para ele.
- São seis da manhã, Harry – choraminguei, deitando-me na cama de novo, puxando as cobertas para mim. As duas últimas semanas de férias praticamente voaram e o frio também veio do nada sem ser convidado. A minha última esperança era que Harry se esquecesse de que eu tinha aula hoje, ou ele me tiraria da cama à força. Puta primo chato que eu fui achar.
- Você tem aula hoje, espertinha. Levante-se daí AGORA que eu não quero voltar aqui – abri a boca para protestar, mas ele me cortou – Não reclame. Sou mais velho que você e a tia Lizzie me pediu para não deixá-la faltar – Harry abriu um sorriso convencido, saindo do quarto. Droga.
Levantei-me sonolenta, indo de má vontade para o banheiro. Tirei a minha roupa e liguei o chuveiro, entrando debaixo dele e de uma só vez. De longe, pude ouvir o som de Fixed At Zero encher o quarto. Era o meu despertador. Harry ainda me acordou antes da hora. Infeliz...
Deixei a água quente cair em minhas costas e me permiti lembrar dos últimos quinze dias. As meninas praticamente moraram em casa nessas duas semanas, mas não é por menos. é um ano mais velha que eu e , e , um ano mais nova. Eu veria e todos os dias, porém começaria a faculdade. Então não a veríamos com tanta freqüência. Nada que um fim de semana não resolva. Mas ela vai ter que se dedicar muito à sua faculdade de medicina também. Médica. Ela sempre quis ser médica. Sempre trabalhou no hospital da cidade como voluntária e se dedicava muito a isso. Seria uma excelente profissional.
- ANDE, ! – Mas que droga. Ô, Deus... Não dava para ter arrumado um primo menos chato, não? Fale sério. Qual é a animação em estar se levantando, ao invés de dormir, e ter que ir a um lugar cheio de gente metida? Fale serio. A Hawthorn High School é um poço de gente chata – ?! – posso matá-lo?
- NÃO ENCHA, JUDD! – escutei a sua risada gostosa quando desliguei o chuveiro. Corri até o quarto, esquecendo-me da janela aberta. O vento bateu em minha pele, parecendo mil agulhas entrando em meu corpo. O frio me fez bater os dentes, enquanto fechava a janela.
Calcei as enormes pantufas de tigre aos pés da cama e fui até o closet. Olhei desanimada para o uniforme incômodo que eu tinha que usar. Virei os olhos, vestindo-o. Camisa branca com o símbolo do colégio em azul e cinza do lado esquerdo, gravata azul com o nó frouxo, saia xadrez em azul e cinza, pouca coisa acima do joelho, e calcei o meu All Star branco. Prendi o cabelo em um rabo alto e peguei a mochila, descendo para a cozinha, onde Harry me esperava, devorando como um maluco uma das panquecas de Mary.
- Harry, você podia ter modos. Certo? – dei um tapa em sua cabeça, fazendo-o engasgar. Bem feito. Mary bateu nas costas dele e me repreendeu com o olhar. Dei uma risada baixinha, encostando-me à cadeira – Ande logo, Judd – Harry virou os olhos, levantando-se, ainda mastigando o enorme muffin de chocolate. Dei um beijo em Mary e joguei a mochila nas costas, seguindo Harry até a M5.
- E as meninas? – levantei a sobrancelha ao vê-lo falando de boca cheia. Cara, o meu primo é muito porco.
- A vai comigo sempre – dei de ombros, vendo Harry suspirar pesado – Relaxe, Harry – ele concordou e ligou o rádio, deixando The Used tocar. É, eles ainda eram uma das bandas preferidas do Harry.
Em instantes, ele estacionou em frente à casa de . Ela já esperava no portão. A camisa com as mangas dobradas até o cotovelo, a gravata aberta, a saia mais comprida que os padrões e o All Star preto nos pés. Detalhes simples que faziam ser única.
- Bom dia – ela murmurou emburrada, batendo a porta do carro com força. Soltei uma risada marota, ganhando um olhar fulminante de Harry.
passou o caminho todo de braços cruzados em silêncio, assim como eu e Harry. Quer dizer, Harry estava apenas em silêncio. Ele não pôde simplesmente cruzar os braços.
A casa de era perto do colégio, que não demorou muito para aparecer em minha vista. O enorme prédio ficava no centro de Londres. Era um colégio tradicional. Por aqui, encontrava-se de tudo, mas de tudo mesmo. Não estou exagerando!
Harry parou em frente ao portão, fazendo mais da metade da população masculina olhar o carro e toda a população feminina olhar o dono, ou tentar pelo menos. Hazz deu um beijo em minha testa e murmurou um tchau para , o qual não foi respondido. Lancei um olhar triste para ele, saindo do carro. Este saiu, assim que fechei a porta. Parei ao lado de e a olhei de esguelha.
- Pegue leve, – ela virou os olhos e deu as costas para mim, indo até que estava chegando no portão. Soltei o ar com força, indo até ela também. Cumprimentei algumas pessoas. Para algumas, eu sorria verdadeiramente. Para outras, nem tanto – Ei – abracei , ganhando um sorriso em resposta. Ela e me puxaram até a secretaria para pegarmos os horários. Encarei o meu com uma careta. Dois tempos de matemática, um de história e dois de biologia. Nada pior para começar um ano.
- Qual foi a da cara feia, ? – perguntou. Mostrei o meu horário para ela que riu com a minha desanimação e me encarou com um enorme sorriso – Pense bem: você pode ficar feliz por mim – colocou o seu horário na minha frente. Droga. Só ela para começar o ano com dois tempos da matéria preferida dela.
- Não sei que graça você vê em inglês. É tão normal – ela sorriu irônica para mim – Ok, . Estou felicíssima por você – disse cínica, ajeitando a mochila nas costas.
- , não olhe agora, mas o seu futuro marido está vindo aqui – sussurrou, sorrindo de lado. Olhei para trás e levei uma cotovelada na barriga, seguida de um “eu disse para não olhar, porra”. Cerrei os olhos para ela, observando Ethan se aproximar. Calma, . Fique calma. Calma. Respire.
- Olá, meninas – sorriu para e que o cumprimentaram com um sorriso e saíram de perto de nós. Malditas – Oi, – consigo negar? Não. Ele tem um sorriso lindo, olhos lindos... Ele É lindo.
Sorri para ele enquanto os seus braços passaram por minha cintura, abraçando-me. Dei um beijo em seu rosto, desvencilhando-me com cuidado dele. Antes que eu pudesse responder, o sinal tocou, fazendo-me vibrar por dentro.
- Oh, Ethan. Desculpe-me. Depois nos falamos, sim? – ele concordou chateado e olhou o seu horário.
- Qual é o seu primeiro horário?
- Dois tempos de matemática – fiz uma careta, ao contrário dele, que abriu um enorme sorriso no rosto. Não... Só PODE ser brincadeira.
- Que ótimo. Eu também. As minhas aulas não serão tão chatas, então – sorri forçada para ele, xingando mentalmente quem nos colocou na mesma aula. Pensando bem, quem fez isso não tem culpa. Oh, . Pare de exagero. Ethan é gente boa.
- É... Vamos então – sustentei o meu sorriso para ele, quase chorando por dentro. Drama? É a minha especialidade. Droga. Matemática e Ethan não combinam muito. Sempre digo: ele é um cara legal. Só que sou péssima em matemática. Sabe? E ele não me deixa quieta durante a aula. É, não dá muito certo, não.
Joguei a minha bolsa na primeira carteira da fila da janela, preparando-me para passar o resto do meu tempo mordendo o lápis, tentando entender alguma coisa sobre cálculos de tangente e equações. Mas não foi o professor Taylor que entrou na sala. Quando olhei para a porta, tive certeza de que ia ser difícil achar um cara tão lindo quanto aquele que esperava a turma ficar em silêncio para entrar. Estava escorado no batente da porta. Usava uma calça jeans rasgada e botas pretas, tipo coturno. A camiseta azul petróleo contrastava com a pele morena dele. O cabelo, levemente mais raspado na lateral, formando um moicano baixo no alto da cabeça. Olhos claros. Ele não sorria. Mantinha-se sério, a boca em perfeito formato de coração. O nariz reto e o queixo duplo.
Apenas duas coisas em sua aparência rebelde deixavam claro que ele era um professor: o jaleco branco, displicentemente aberto sobre a camiseta azul, e a fina caligrafia bordada no bolso que ficava na região direita do peito: professor Ackles.

Tive a impressão de que os minutos evaporaram desde que o professor entrou na sala. Eu estava andando em direção a e sentadas debaixo da mesma árvore de sempre. Minhas pernas caminhavam até elas, mas os meus olhos acompanhavam o professor Ackles que atravessava o pátio, em direção à sala dos professores. Ele não se apresentou, não quis que nós nos apresentássemos e não nos deu liberdade para falar nada mais do que apenas matemática com ele. Era um cara estranho. Calado, na dele, extremamente sério, mas muito inteligente também. Juro que pensei que nunca ia tomar gosto pela matemática. Ou será que tomei gosto pelo professor?
- E aí, pessoa mal humorada? Como foram as suas maravilhosas aulas com o futuro marido? – qual é? A só pode estar me sacaneando.
- Venha cá . Você bebeu o que para estar toda engraçadinha hoje? – ela deu risada, murmurando “deixe-me ser feliz”, escorando na árvore e fechando os olhos. Bufei irritada, encostando-me ao lado de .
- , conte-me – se sentou na minha frente com os olhos brilhantes. Levantei a sobrancelha – O novo professor de matemática... – ah, claro. No mínimo, a escola inteira já sabe dele.
- Bom – comecei com um sorrisinho – Ele é calado, estranho, misterioso, inteligente, tem uma voz sexy, é lindo, gostoso e não teve uma garota que não quis atacá-lo na aula de hoje – resumi bem. Não é? – Ok. Ele é um cara estranho, . Muito inteligente, mas muito estranho – ela deu de ombros e olhou o pátio – E respondendo você, : não tive tempo de dar atenção ao meu futuro marido com aquela divindade dentro da sala – gargalhou sem abrir os olhos e acenou com a cabeça para mim.
- Oi, – levantei os olhos, deparando-me com duas garotas do primeiro ano que passavam por nós. Assenti, sorrindo para elas. As duas deram grandes sorrisos e saíram andando pelo pátio.
- Uau, elas vão se sentir estrelas porque você as cumprimentou, riu irônica, ainda observando quem passava por nós – E não comece o seu discurso “não sei o porquê disso”. Você sabe, sim.
- É sem fundamento – comentei, olhando o meu relógio de pulso – Aula de que agora?
- Biologia – fez uma careta. Que ótimo!
- Não fique triste, zinha – apertei as suas bochechas, vendo-a ficar vermelha – Você vai ter duas aulas comigo. Olhe que coisa mais linda – ela virou os olhos, levantado-se no mesmo momento em que o sinal tocou.
- Vamos logo – murmurou irritada, fazendo-me rir. Acenei para que caminhava sonolenta até sua sala.

se sentou na primeira carteira da fila ao lado da minha. Olhou entediada para frente, esperando que o professor Hudson entrasse na sala. Ela odiava a matéria dele e este, bem, não gostava muito de . Talvez porque as médias dela em biologia sempre fossem abaixo de sete e meio.
- Bom dia – ele entrou sério na sala e colocou a sua bolsa sobre a mesa. Sorriu minimamente para mim que retribuí. O bom do professor Hudson era que ele gostava de todos os seus alunos com média acima de nove. Era o meu caso. Digo, eu era a única na sala que atingia essa média. Isso porque odeio biologia. Que fique bem claro – Alunos novos? – na nossa escola, era realmente raro aparecer um aluno novo. Acho que foi por isso que a sala toda olhou quando um aluno lá do fundo se levantou, derrubando a sua carteira e todo o seu material no chão com um estrondo enorme.
- Quem é esse imbecil? – virou os olhos e murmurou para si mesma.
Tenho certeza de que hoje é o dia de conhecer caras bonitos. Não que o rapaz envergonhado no fundo da sala chegasse aos pés da beleza do professor Ackles, mas ele era, sim, encantador.
- Tudo bem, filho? – professor Hudson e as suas manias de nos chamar de filhos. O garoto assentiu, ainda pegando suas coisas do chão envergonhado. Reparei cuidadosamente nele. Seu rosto era coberto de sardas que lhe davam um charme especial. Tinha olhos tão azuis que chegavam a me fazer sorrir. O cabelo castanho, todo cheio de cachinhos, que lhe davam a aparência mais infantil. A boca em um sorriso fechado e reto, a barba por fazer e o nariz na medida certa davam a sensação de um rosto nos padrões perfeitos, completamente harmonioso. Usava um moletom extremamente branco que deixava os seus olhos incrivelmente mais azuis do que deveriam ser. E, por fim, um alargador na orelha esquerda que dava o toque final. É, ele era realmente muito bonito – Ótimo. Apresente-se – a voz do professor me acordou, permitindo-me observar o garoto respondê-lo, envergonhado por tantos rostos prestando atenção nele.
- Meu nome é Jones. Daniel Jones. Mas podem me chamar de Danny – acrescentou com um sorriso simpático. Ele tinha uma voz muito bonita e um sorriso, que me permita, completamente deslumbrante. Arrisco em dizer que é um dos sorrisos mais lindos que já vi na minha vida – Sou de Bolton e estou há duas semanas aqui em Londres.
- Que ótimo – sussurrou para mim – Um caipira – repreendi-a com o olhar, voltando a minha atenção a Daniel, mas este já havia se sentado. Lancei um último olhar ao rapaz dos olhos azuis antes de me virar para frente e prestar atenção na aula. Seu olhar poderia prender qualquer outro que ele quisesse e o seu sorriso tinha uma mistura inevitável de simpatia, vergonha e malícia.
Eu estava encantada, de fato.

Capítulo 7 – Kiss and tell
So good, so bad.


- Devia ser proibido aceitarem caipiras aqui. Isso é um infortúnio – virei os olhos pela milésima vez. conseguia ser muito chata quando queria. Muito mesmo.
- , se você odiou tanto a vinda desse rapaz para cá, nem devia estar pensando nele. Certo? – olhei entediada para ela que me encarou com os olhos cerrados. Soltei uma risadinha marota, abaixando a cabeça – Sabe, ... Você tinha que ser um pouco mais...
- NÃO OLHA POR ONDE ANDA, NÃO, CAIPIRA?! – virei-me para trás, sem conseguir evitar uma gostosa gargalhada. estava estirada no chão e um assustado Daniel Jones, levantando-se, estendendo a mão para ela se levantar. O rosto dele estava vermelho, mas os seus olhos carregavam um brilho tão divertido quanto o sorriso que brincava em seus lábios.
- Desculpe – estendeu a mão para ela que recusou, levantando-se sozinha. Muito inteligente negar a ajuda de uma coisa linda dessas.
- Depois que inventaram a desculpa, qualquer um pode me jogar no chão e dizer essa palavra idiota que resolve – levantei a sobrancelha, encarando-a boquiaberta. De onde mesmo ela tirava esses... Absurdos?
- Er... , chega, né? – a menina me olhou de canto emburrada e bufou – Daniel... Certo? – o rapaz à minha frente sorriu e concordo.u – Desculpe. Ela está meio estressada hoje – MEIO? Até eu me surpreendo com a minha modéstia.
- Sem problemas – sorriu – Bom, com licença – Daniel acenou e mediu de cima abaixo antes de sair.
- Caipira, idiota, estúpido, imb...
- , chega – cortei-a antes que falasse besteiras demais.
No mesmo momento, Harry estava encostando o carro na porta da escola e a saía abraçada com... Espere aí. ABRAÇADA?!
- Oi, meninas – ela sorriu, puxando o rapaz ao seu lado pela mão. Oh, droga. Espero que o Harry não veja isso.
O rapaz ao lado de sorriu para nós e acenou, cumprimentando-nos. Bem, ele era bonito. Diga-me: que homem novo nessa escola não é bonito hoje?
- Esse é o Josh – ele usava um moletom escuro que contrastava bem com a sua pele clara. Tinha olhos castanhos escuros e as sobrancelhas grossas. Os lábios se comprimiam em um sorriso fechado e os cabelos, que pouco apareciam, estavam tampados por um boné preto. Uau – Ele é de Bris...
- Josh? – Dougie? Mas o que...? Que droga é essa, afinal? O Dougie conhece o amigo novo da ?
- Dougie? Cara, há quanto tempo – Josh sorriu e abraçou Dougie. Ok, primeiro: o que o Dougie está fazendo aqui? Segundo: como assim ele conhece o Josh? Terceiro: alguém me diz, por favor, o que está acontecendo aqui? E quarto: será que é agora que arrisco olhar para o Harry e ver se ele quer matar alguém?
- Espere – arqueou a sobrancelha – Vocês se conhecem? – Dougie riu e concordou.
- Você ia dizer que ele morava em Bristol. Certo? – ela assentiu confusa e sorriu em seguida. Claro que se conhecem. Eles são da mesma cidade – Josh é meu primo. De consideração, mas é meu primo – e estavam boquiabertas e resolvi correr os meus olhos até Harry. Ele estava com a expressão indiferente e, sabe... Isso é o que mais me dá medo dele.

Harry’s POV

Não. É sacanagem. Só pode ser. Cadê as câmeras de televisão dizendo que isso é uma brincadeira? Cadê? Primeiro o cara acha que pode sair colocando a mão na minha garota. Agora vou ter que engolir o fato de ele ser “primo de consideração” do Poynter? Ah, claro. Pode deixar.
Senti alguém ao meu lado enganchar o braço ao meu. Virei-me, fitando a minha prima com uma cara não muito boa também.
- Ela está saindo com esse cara, ? – ela balançou a cabeça como se dissesse que não sabia. Fechei a cara e me encostei ao carro. O tal do Josh veio até mim e entendeu a mão, cumprimentando-me com um sorriso. Quis gargalhar com a expressão assustada da – Harry Judd – apertei a sua mão de má vontade.
- Vocês são namorados? – ele apontou para mim e . Que cara mais intrometido!
- Não, mas bem que eu queria – sorri maroto para ele e pisquei para a garota que me deu um tapa no ombro – Ai, , isso doeu.
- Era pra doer mais, seu idiota – ela virou os olhos. As suas bochechas coraram instantaneamente – Ele é o meu primo, Josh.
- Oh, sim. Foi mal – o cara sorriu de novo. É, ele pode ser um palhaço. Só sabe sorrir – Bom, precisamos ir. Foi um prazer, meninas – piscou para e – E Harold.
- É Harry – corrigi-o rabugento. Não... Ele deve estar de brincadeira. Só pode ter combinado com a de me fazer de trouxa. Não é Harold, inferno. É Harry. Será que tenho que desenhar? Ou será que falo grego?
- Harry – ele assentiu, parecendo que tentava gravar o meu nome. Como se fosse muito difícil... – Vamos, ? – sorriu e concordou, aproximando-se dele. Espere. Como assim “VAMOS, ”? Primeiro ele encosta na minha garota, rouba o meu amigo e agora vai sair com ela?
- Tchau, gente – a menina acenou para as garotas e Dougie, ignorando-me como sempre. O tal do Josh já estava com o carro ligado, esperando por ela. Soltei o meu braço de por um impulso e segurei com força. Dougie e as meninas me olharam de canto e foram para o carro. Espertos eles – O que você quer, Judd?
- , você está saindo com esse cara? – ela soltou se soltou de mim e virou os olhos, sorrindo irônica.
- Esse cara é meu amigo, Judd. Só vai me levar para casa.
- Ah, claro. E você não pode ir da mesma maneira que veio? Comigo, no caso – encostei-me ao carro, sorrindo vitorioso para ela.
- Não, Harold – riu sarcástica e deu as costas para mim, deixando-me fulo da vida, querendo esganar aquele moleque. Qual é? Sou mais bonito, gostoso, inteligente, cheiroso e velho que ele. Por que ela foi escolher um pirralho? Já estou na faculdade!
- Sabe, Harry? Entendo a sua dor de cotovelo, mas realmente quero ir para casa e almoçar – virei o meu rosto para Dougie, fitando-o demoradamente. Abusado!
- Estou indo – entrei no carro emburrado. me olhou. “Jealousy, look what you've done”, ela cantarolou baixinho, rindo. Quê? Até ela agora? Sendo chacota da minha própria família, sangue do meu sangue? Estou sem moral mesmo. Não tem jeito.
- Harry, eu e a vamos almoçar com vocês. A já deixou e a ligou e avisou que está indo para lá também – assenti de cara emburrada. Gente folgada é foda mesmo. Liguei o rádio e bufei com força.

Today I screwed up again.
Hoje estraguei tudo de novo.
You said I could tell in the way.
Você disse que eu poderia lhe contar.
You said goodbye.
Você disse adeus.
I saw you sitting at your T-shirt stand
Vi você vestindo a sua camiseta
With your new boyfriend.
Com seu novo namorado.
He's really cool... I get the point!
Ele é bem legal... Eu entendi!


Bati a mão com força no botão do rádio, afundando-o. Legal. Uma música idiota resolve tirar com a minha cara e o meu aparelho que paga por isso.
- Você não precisava ter detonado o rádio. Sabe? – comentou alheia a Dougie e que brincavam de guerra de dedos – Aquela música era legal – a vontade de rir era bem óbvia na voz dela – E você também não precisa ficar bravo, Harry. Aliás, nem direito você tem. Certo? – como assim não tenho? – Afinal, você traiu a com uma “amiga sua”. Estou correta? – droga. Não tenho o direito mesmo.
- Mas eu mudei. Está legal? Tentei pelo menos. Se ela me desse uma chance, ia ser mais fácil – será que depois de ter passado tanto tempo longe a menina não podia nem me dar uma chance? Só uma?
- Interessante, mas quero ver como você vai fazer para convence-la de que mudou – sorriu e abriu a porta do carro. Já havíamos chegado a casa e eu nem tinha percebido – Porém não desista, Harry. Ignorante é quem desiste na primeira batalha. Isso não significa que você vai perder a guerra.
- Você e as suas filosofias baratas... – resmunguei, saindo do carro também com Dougie e atrás de mim.
já estava lá, brincando com um enorme labrador cor chocolate. Era Flea, o cachorro de Dougie que ele havia insistido em trazer, alegando que ia adora-lo. Sei. O garoto deve estar mesmo é querendo se livrar do coitado do cachorro.
- Ah, que coisa mais linda – e jogaram as mochilas no chão, correndo em direção a . Flea começou a abanar o rabo e a pular quando elas chegaram perto.
- Eu disse que elas iam adora-lo – arqueei a minha sobrancelha para Dougie e concordei de má vontade.
- Mas ele ainda é assanhado – comentei indiferente quando ele deitou a cabeça no colo de . Dougie deu uma gostosa gargalhada – Cuidado para não perder a garota para o próprio cachorro – o cara balançou a cabeça e me deu um tapinha nas costas.
- Meu amigo, o seu humor sarcástico não está muito bom hoje – hum, difícil de imaginar por quê – Ei – Dougie sorriu bobamente para que retribuiu, ficando vermelha. Ok... Depois ele me diz que não virou um bobo apaixonado.
- Galera, sem querer ser chata, mas estou morrendo de fome – colocou a mão na barriga e a esfregou nela, fazendo uma cara de quem não comia há anos. Ninguém a mandou não tomar café de manhã. As meninas riram e concordaram com ela, levantando-se. Flea veio correndo até Dougie e colocou as duas patas dianteiras em sua camiseta verde clara.
- Droga, Flea. Não – afastou o labrador dele, olhando com cara de poucos amigos as duas manchas marrons em sua camiseta.
- Olhe, Dougie, pelo menos a cor combina – deu uma gostosa gargalhada. Dougie riu e passou a mão na cabeça do cachorro.
Balancei a cabeça e fui em direção à porta, subindo as escadas.
- Harry! – olhei para trás e encontrei correndo em minha direção. Estranhei a sua reação. Ela não era de falar muito comigo – Por que não tenta falar com a ? – uau, ela é bem direta.
- Ela não quer falar comigo, – abri a porta e subi as escadas para o meu quarto com ela em meu encalço.
- Judd, como você quer se resolver com ela, se desiste na primeira tentativa? Até parece que não a conhece. Duvido que não se lembra do sacrifico que foi para vocês dois ficarem pela primeira vez – isso era verdade. era difícil e custava conseguir algo dela, mas na época fui persistente o bastante.
- Eu errei, – abri a porta do quarto e me joguei na cama – Fui um idiota. É meio óbvio que ela não queira falar comigo.
- Você acabou de dizer para a sua prima que havia mudado – mas que diabos... Eles prestavam atenção na nossa conversa, então? – Você mudou para desistir na primeira vez, Harry? – ela se sentou na cadeira da minha escrivaninha e cruzou as pernas, olhando as suas unhas. Nunca muda mesmo – Entenda uma coisa: se a quer, a menina não virá de mão beijada para você – talvez ela esteja certa e talvez seja hora de Harry Judd acordar para a vida e perceber que nem tudo é da maneira como ele quer que seja ou que nem tudo virá de graça para o mesmo.
- Se eu prometer tentar, você pára com os seus discursos de mãe preocupada? – ela riu baixinho e concordou. Levantou-se e veio até mim, sentando-se ao meu lado e me abraçando. Eu estava estranhando toda essa reação. não era lá a pessoa mais social do mundo quando se tratava de mim.
- Agora vamos descer. Estou com fome – fez uma careta acompanhada de minha risada. Saímos do quarto e descemos as escadas conversando sobre coisas bobas, rindo aleatoriamente até a cozinha, onde todos já estavam sentados.
- Finalmente. Achei que ia morrer de fome esperando vocês dois – se levantou, colocando a comida no prato e enchendo um copo com refrigerante. Legal. Depois o esfomeado sem modos. Sou eu.
- Eu que tenho que ter modos depois... – resmunguei, sentando-me ao lado dela. me encarou e me mostrou a língua, enchendo a boca com o macarrão e fechando os olhos, como se fosse a última vez em que ela comeria na vida. É, algumas coisas realmente nunca mudam.

’s POV

Josh havia me levado em casa e eu tinha o convencido a entrar e almoçar comigo. Agora eu estava sentada em minha cama e ele,k na poltrona ao lado dela, falando sobre a sua vida em Bristol. Eu somente prestava atenção em cada detalhe nele. Josh era tão perfeito... E eu queria saber por que eu não me apaixonava por alguém como ele. Seria mais fácil.
- Bom, Dougie é o meu primo de consideração porque os tios dele me adotaram quando eu tinha quatro anos – ele sorriu quando terminou de contar sobre como tinha conhecido Dougie.
- Mas... Você é adotado? – arregalei os olhos e o encarei aflita. Ele parecia lidar tão bem com isso.
- Sou, sim – riu divertido da minha expressão – Sempre soube que era, , desde muito pequeno. Não vejo o porquê de me revoltar com isso. Não conheço a minha família de verdade, mas também não preciso. A minha família é aquela de Bristol que me criou. A minha família foi aquela que me deu amor a vida toda, e não a que me abandonou – ele fazia parecer tão fácil. Sorri para ele, mas não falei nada.
Josh voltou a falar sobre a sua vida e eu, a fitar o seu rosto. A maneira com que ele sorria, tão doce e tão certo do que estava falando, a risada tão contagiante, e a presença dele era boa de se sentir – Ei, – levantei o meu rosto para ele e o olhei – O que o tal do Harry queria com você hoje?
- Ah, nada, não, Josh – sorri sem graça. Ele perceberia, é claro.
- Já disseram que você mente muito mal? – soltou uma gargalhada escandalosa que me fez rir também – Vamos lá. Você não me engana – assenti e me levantei, escorando-me no parapeito da janela.
- Harry já foi meu namorado, mas isso é passado, Josh. É só que os meus sentimentos não eram tão fortes por ele como os dele por mim – o cara acabou de dizer que minto mal e aqui estou eu mentindo de novo.
- Tem certeza? – perguntou com a sobrancelha arqueada. Mesmo não se parecendo em nada com Harry, aquele gesto me fez lembra-lo e perder o ar momentaneamente. Eu não gostava de Harry. Eu o amava, porém o respeito por parte dele havia acabado e eu não podia fazer nada por isso.
- Tenho – concordei, olhando para a rua. Não sabia encarar as pessoas quando eu mentia.
- Sabe, , o orgulho pode machucar você e todas as pessoas que estão à sua volta como admitir que ama alguém no caso – Josh se encostou ao meu lado e puxou o meu queixo, fazendo-me encará-lo – Mas se você está certa do que disse, posso fazer uma coisa? – o meu estômago se embrulhou com todas as possíveis possibilidades do que ele diria. Mesmo com o coração batendo com força em meu peito, sorri para o menino e acenei, concordando. Josh sorriu e grudou os seus lábios aos meus. Nunca pensei que ele pudesse ser tão direto, nem que senti-lo me abraçar fosse tão bom, nem que eu conseguiria beijar outra pessoa depois de Harry.
Josh me soltou e olhou fundo em meus olhos. Passou o polegar pela minha bochecha e sorriu.
- Desculpe, se eu fui precipitado, – as bochechas dele coraram, mas ele ainda sorria – É só que eu queria...
- Josh? – o rapaz parou de falar e resmungou um “o quê?” – Cale a boca – puxei o seu rosto para perto do meu e entrelacei os meus braços em volta de seu pescoço, beijando-o de novo. Josh sorriu e me apertou contra ele. Eu não estava fazendo nada de errado, contudo, por mais que o meu coração dissesse que eu não devia fazer aquilo, eu só queria uma chance de ser feliz de novo.

’s POV

- Acho que comi demais – resmunguei, escorando-me no encosto da cadeira e colocando as duas mãos sobre o estômago.
- Acha? – perguntou irônica. Mostrei a língua para ela que riu de meu gesto infantil. O quê? Mary cozinha bem demais. Eu devia no mínimo repetir.
- Bom – Harry soltou um arroto, seguido de vários tapas em sua cabeça – Quem se habilita a jogar Speed Carbon comigo? – se levantou e apontou para si mesma.
- Revanche, pela última vez em que você, Harry Judd, roubou – Harry gargalhou e Dougie arregalou os olhos.
- A ...? O quê? Ela joga Need For Speed? – rolou os olhos e assentiu, concordando – Não. Essa eu preciso ver: Harry Judd perder de uma garota.
- Vamos ver quem vai perder – Harry resmungou, indo para a sala seguido por .
Levantei-me para ajudar Mary com a louça. Dougie pegou a mão de e fez menção de arrastá-la para a sala também, mas antes ela me olhou e sorriu para Dougie em seguida.
- Vou depois. Pode ser? – ele assentiu com uma pontinha de desânimo nos olhos e se virou, correndo para a sala. se sentou na cadeira onde estava antes e colocou os braços sobre a mesa, encarando o jardim pela porta aberta. Mordi o lábio, tentando imaginar sobre o que ela queria conversar, embora eu não achasse tão difícil de adivinhar.
- Mary, pegue o resto da tarde de folga! – sorri para a senhora ao meu lado, virando pelos ombros e a conduzindo até a porta. Ela abriu a boca para protestar, porém balancei a cabeça em reprovação. Mary bufou e saiu, resmungando sobre como eu era teimosa e coisas do tipo. Voltei para dentro e encontrei parada na mesma posição de antes. Encostei o meu corpo ao armário e a encarei, esperando que falasse alguma coisa.
- Você acha possível alguém começar a gostar de uma pessoa assim tão rápido? – estávamos então vivendo o mesmo dilema? Será que existe uma possibilidade de gostar de alguém que você mal conhece?
- Por que diz isso? – sentei-me na cadeira ao lado dela e entrelacei as minhas mãos no colo, olhando para baixo.
- Pensei que nunca fosse possível, , mas acho que estou me esquecendo do Zack – processei as palavras dela por alguns segundos. Só agora eu havia me dado conta de que achava aquilo quase impossível também – E, sabe... O Dougie... Ele é um cara tão legal. Parece-me tão... Certo – sorri minimamente, encarando o chão ainda – Ele parece algo mais.
- E você tem medo disso? – ela ficou calada por um tempo, entretanto sussurrou um “não”. Pude sentir o sorriso na voz dela – Dê-se uma chance então – assentiu, contudo continuou quieta, olhando para o mesmo ponto fixo – Desde quando ficamos envergonhadas enquanto conversamos? – olhamo-nos por um segundo e caímos na gargalhada em seguida.
- Não estou envergonhada. Só confusa – concordei com ela e me levantei.
- Ok, tenho que limpar essa bagunça enorme ou vou levar uma enorme bronca da Mary – riu e concordou, colocando-se ao meu lado para me ajudar – Ei, você prometeu para ele que iria para a sala. Certo? – olhou em direção à porta e se virou para mim.
- Acho que ninguém vai se importar se eu ajudá-la um pouco. Sou a sua fiel “escudeira” e temos que passar um tempo juntas – sorri para mim mesma e me voltei para a pia cheia de louça suja. estaria sempre ao meu lado literalmente. Isso era um fato.

Depois de me ajudar com pelo menos metade da louça, convenci a ir para a sala. Eu sabia que era isso o que ela queria. Suspirei cansada depois de guardar o último copo no armário. A cozinha estava toda arrumada e eu, quebrada. Quase literalmente. Esfreguei os olhos e bocejei longamente, olhando o relógio. Já eram mais de três horas da tarde e eu tinha lições do colégio. Só que isso podia esperar. Certo? Acho que sim.
Decidi ir até o jardim. Dirigi-me até a porta e a empurrei com força para fora.
- Ai! – um gemido alto e o barulho de algo caindo no chão me fizeram olhar para o lado. Meu Deus do céu, esse garoto ainda vai se matar.
- Tom! – corri até ele e o ajudei a se levantar. O garoto se sentou em uma das cadeiras atrás de nós e tirou a mão do rosto. Mordi o lábio inferior ao ver o seu nariz sangrando. Droga. Eu era mesmo o cúmulo do desastre – Fique aqui. Já volto – disse alto, correndo para o banheiro e revirando as gavetas atrás de gaze. Encontrei um pacote fechado na última gaveta e peguei o álcool dentro do armário. Voltei correndo para a varanda, encontrando Tom na mesma posição, com a mão sobre o rosto, tentando estancar o sangue – Desculpe-me – murmurei sem jeito sem obter uma resposta. Sentei-me de frente para ele e molhei o pequeno pano no álcool, encostando-o ao local que sangrava, escutando um gemido de reprovação. Era óbvio que doeria.
- Estava procurando pela Mary – ele disse baixo com a voz abafada pela mão que ainda estava sobre o rosto.
- Mary não está – disse baixo, passando pela última vez a gaze com álcool pelo machucado dele. Tom assentiu e fixou os seus olhos nos meus. Todo o meu ar e a minha sanidade desapareceram instantaneamente ao olhar a íris castanha perto de mim. Ele era tão lindo que eu poderia ficar por horas na mesma posição, apenas observando a perfeição do seu rosto. A boca se curvava em um sorriso perfeito, as bochechas dele estavam coradas e o cabelo bagunçado deixava algumas mechas em seu rosto. Eu podia tentar encontrar mil e uma maneiras de explicar o que eu estava sentindo naquele momento, mas o “acho que estou ficando apaixonada” era o mais apropriado, apesar de pensar que era precipitado demais pensar assim. Porém não era isso o que importava. Só estar ao lado dele já deixava o meu coração descompassado e me dava vontade de sorrir.
- Obrigado – ele sussurrou e sorriu para mim. As minhas batidas cardíacas aceleravam a cada segundo que ele não desgrudava os olhos de mim e eu estava a ponto de fazer uma loucura (da qual acho que não me arrependeria depois).
- Não é assim que se agradece por um curativo, Tom – ele me olhou de uma forma estranha e o meu rosto deve ter se tornado escarlate. De onde diabos eu havia tirado isso?
- Como é então? – o rapaz sorriu maroto e a minha sanidade foi para o espaço com todo o meu autocontrole.
Puxei o rosto dele contra o meu e os grudei nossos lábios com força, deixando todo o êxtase do momento explodir junto com a minha insanidade. Eu estava beijando Thomas Fletcher e, em nenhum momento, eu me arrependia de tê-lo feito.
Tom se separou de mim e me encarou com os olhos arregalados. A sua boca estava vermelha e a sua respiração, descompassada, entretanto os seus olhos sorriam. Um turbilhão de sentimentos passou pela minha cabeça enquanto o encarava, assustada com o meu próprio gesto. Eu era louca e não me importava nem um pouco com isso.
Thomas me olhou fundo de novo, ainda boquiaberto, tentando processar o que havia acontecido.
- Você é louca – murmurou antes de passar a mão pela minha nuca e me puxar contra ele, beijando-me mais uma vez. Passei os meus braços pelo seu pescoço e senti o seu braço livre me puxar para me sentar no colo dele – Completamente, – Tom sussurrou contra os meus lábios e eu só sabia sorrir, enquanto a sua língua se entrelaçava com a minha, deixando arrepiada-me.
Eu devia estar completamente apaixonada por esse cara.

Capítulo 8 - Looks Like A Lady
Lord, imagine my surprise.


Estava sentada em minha cama com dois pares de olhos pregados em mim. e esperavam pacientemente que eu começasse a falar e dissesse o que era tão importante para ter as tirado da companhia dos meninos na sala. folheava uma revista sobre moda, porém absorta ao conteúdo da mesma. Ela me lançava olhares furtivos às vezes. estava sentada de pernas cruzadas com os fones do iPod no ouvido.O som podia ser ouvido de longe.
- Hoje, depois que a foi para a sala, resolvi ir à varanda me sentar e...
- Vá logo ao ponto, colocou a revista de lado e jogou os braços para trás, apoiando o seu tronco neles – O que aconteceu? – odeio esse jeito tão observador dela. Eu não sabia por que, mas eu estava me sentindo estranhamente constrangida em contar o que havia acontecido. Talvez não devesse dizer, porém eu não poderia mentir para elas. Alias, era impossível mentir para elas.
- É que... – olhei para os lados, tentando não fixar o olhar nos pares de olhos que me fitavam pacientemente. Passei a mão na nuca e respirei fundo. “Foi só um beijo”, eu repetia rapidamente para mim – Eu beijei o Thomas – despejei as palavras em uma rapidez incrível e senti uma onda de alívio percorrer o meu corpo. E só então percebi o quão tensa estava.
- Só isso? – perguntou entediada, jogando o iPod em algum canto, espreguiçando-se. Espere. SÓ isso? Como assim “SÓ”? Olhei-a incrédula com as palavras proferidas de sua boca – O quê? Era óbvio que isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde.
- Enfim - jogou a revista no chão e se sentou ao meu lado – Ele beija bem? – virei o meu olhar incrédulo para ela, mas não consegui resistir e em segundo nós três estávamos gargalhando jogadas na cama.
- Consegui ouvir vocês do andar debaixo – entrou no quarto e fechou a porta, encostando-se a ela. Não teve coragem de nos encarar. Tampouco disse uma palavra sequer.
- Oi, a cumprimentou simpática e sorriu para ela. Foi o pequeno empurrão que faltava para que ela olhasse para nós e se sentasse na cama. Acomodou-se ao lado de em silêncio e continuou olhando para baixo, brincando com os dedos – O que houve, ? – a voz de soou no quarto de novo e levantou os olhos.
- Nada – resmungou baixinho e olhou para o lado. Os seus lábios se curvaram em um sorrisinho que a denunciava.
- levantou a sobrancelha, o que fez bufar e bater as mãos nas pernas, como fazia quando estava nervosa.
- Eu beijei o Josh – disse emburrada, sem conseguir conter o pequeno sorriso. Eu e as garotas nos entreolhamos e não conseguimos segurar as gargalhadas novamente – O que foi?
- ria tanto que lágrimas escorriam de seus olhos. nos olhava sem entender nada, cada vez mais emburrada – Acho que só nós duas somos as encalhadas da turma, porque não beijei ninguém hoje. E você? – riu e negou com um aceno. fixou o olhar em mim com uma expressão que mostrava divertimento e curiosidade.
- Quem você beijou, ? – perguntou marota, perdendo qualquer vestígio de vergonha que o seu rosto carregava há alguns segundos. Fechei a cara para ela, emburrando por ter que dizer de novo que havia beijado o Tom.
- O Tom – disse baixinho para mim mesma, olhando para baixo e corando.
- Não ouvi, riu novamente e me cutucou de leve – Ande logo, . Desde quando você tem vergonha de nós?
- Eu... Beijei... Thomas... Fletcher – repeti pausadamente, olhando para ela. ficou boquiaberta e começou a rir sozinha.
- Ok. Agora todo mundo já sabe quem beijou quem – se sentou ao meu lado – Quero saber como foi – empurrou-me de leve, sorrindo animada. Virei os olhos e concordei com um aceno.
- Depois que você saiu da cozinha, resolvi ir até a varanda – parei por um segundo, mordendo o lábio, pensando o quão idiota eu havia sido em quase quebrar o nariz do garoto – E então quando abri a porta... Bem, o Thomas estava atrás dela e... – olhei para elas e sorri sem graça – Acertei-a no rosto dele – levantou a sobrancelha e as outras me encararam incrédulas – O que foi? Não tive culpa! – se jogou no colchão e começou a gargalhar. e a acompanharam pouco tempo depois – Ok. Vou fingir que vocês estão prestando atenção ainda – elas pararam de rir e comprimiram os lábios, tentando não gargalhar – Certo. Depois de quase ter quebrado o garoto, fui até o banheiro pegar alguma coisa que eu pudesse... Sabe, fazer um curativo nele. E, bem... Ele me agradeceu – disse, sorrindo como uma idiota. Bom, isso é meio óbvio, não? Que ele me agradeceu. Não que sou uma idiota.
- Oh, . É sério que ele lhe agradeceu? Que coisa, não? – colocou a mão nos lábios, fingindo-se de surpresa. Revirei os olhos e a ignorei.
- Então eu disse a ele que não era daquela maneira que se agradecia um curativo – as três levantaram a sobrancelha juntas, esperando o absurdo que eu contaria – Ele me perguntou como era e, bem... Eu o beijei – terminei de contar o possível beijo mais desastroso do ano e esperei pelas gargalhadas escandalosas que não vieram.
- , não acredito que você fez isso – as três me encaravam boquiabertas. O que foi? Nunca posso tomar a frente, não? Virei os olhos e me joguei contra o travesseiro fofo – Quer dizer... – não sabia o que dizer – O Ethan vai ficar... Desolado? – mas o quê? Ela não pode fazer nem uma gracinha que NÃO envolva o Ethan? – Ok. Desculpe. Eu paro – ela se desculpou depois de ver a minha cara de poucos amigos.
- Calem a boca – virei os olhos e senti um tranco sobre mim. As três haviam se jogado sobre meu corpo e estavam rindo da minha tentativa de sobreviver diante daquilo – Vocês vão me matar – disse com a voz abafada, dando um tapa na perna mais próxima de mim.
- Ai, – era que me revidou com um tapa na cabeça.
- Não bata nela, . Vai ficar mais acéfala do que já é – gargalhou com as outras duas.
- Tire a bunda da minha cara, .
- Não sou eu, . Deve ser a – bufei irritada e as empurrei de cima de mim, ficando livre para poder respirar.
- Idiotas – murmurei, passando a mão pelo cabelo e o ajeitando. Elas sorriram e me abraçaram com força, provocando um sorriso em meus lábios – Amo vocês – sorrimos cúmplices uma para a outra e demos as mãos. O mundo onde só existia nossa amizade era impenetrável. Ninguém era capaz de entender ou de julgar. Somente nós quatro.

Dougie’s POV

- Fique quieto, Dougie – Harry acertou a minha cabeça. Já eram mais de oito da noite e as meninas estavam dormindo.
- Desculpe, porra – sussurrei, entrando devagar no quarto onde quatro as meninas estavam deitadas, dormindo. Como anjos... Era uma pena que o sono de beleza delas iria acabar em poucos segundos. Harry sorriu maldoso e foi até o aparelho de som de . Colocou um CD qualquer na bandeja. Ele subiu o volume do rádio no último e deu play no CD. A música começava com um estrondo tão forte que até mesmo eu e Harry nos assustamos.
- HARRY MARK CHRISTOPHER JUDD! – se levantou do chão, pegou um caderno no criado-mudo ao lado de sua cama e tacou em Harry, acertando em cheio o seu rosto. Boa, garota!
- Porra, – ele se escondeu entre os braços, tentando fugir da chuva de objetos que ele recebia das quatro agora. Sentei-me no chão e comecei a gargalhar. Quer dizer, gargalhar até e começarem a me estapear – Ei - Harry segurou os braços de e se levantou emburrado – Parou. Ok?
- Vai ter volta, seu... – deu um soquinho no ombro dele e nos mostrou o dedo do meio em seguida. Harry não se conteve e gargalhou. e saíram de perto de mim também, emburradas, e se sentaram na cama. Somente não participou da festinha “agredir o Dougie e o Harry”.
- Enfim - levantei-me e ajeitei o meu cabelo, ganhando um comentário de “como você é gay” vindo de Harry – Viemos chamar vocês para sair – sorri amistoso para elas, encontrando quatro olhares céticos em nossa direção.
- Dougie, hoje é segunda-feira – comentou como se fosse o fim do mundo.
- E daí? A noite é uma criança, baby. Não vamos trazer as princesas depois da meia-noite para casa. Prometemos.
- Fale por você mesmo. Não prometo nada hoje – Harry sorriu malicioso – Vão ou não? Não tenho a noite toda para perder aqui – educação lhe mandou lembranças, Harry.

As quatro se olharam por um segundo e, sem dizer nada, correram para o banheiro ou o closet, que mais parecia um quarto, de . Elas são estranhas.
- Esperem-nos lá fora – gritou com a porta do banheiro fechada.
- Claro que não, . Vamos esperar aqui e abusar de vocês depois – Harry virou os olhos e saiu atrás de mim, batendo a porta – Dougie - ele me chamou animado – Podemos ir àquela boate que inaugurou essa semana. O que acha? – bem animadinho para uma segunda-feira.
- Claro, claro – disse sem emoção, jogando-me na cadeira da cozinha. Já sou de casa. Ok?
- Quanta animação – não o respondi. Apenas fiquei olhando pela janela grande, de frente para a porta. Tinha uma vista do jardim – O que houve, Dougie?
- Nada – disfarcei, olhando para o lado e fingindo ver se as garotas já estavam descendo.
- Claro. Eu sou o Papai Noel – adoro a ironia dele. É impressionante – Ande logo, Dougie. Pode falar. Sou seu amigo. Não adianta fugir do assunto – bufei irritado e espalmei as mãos sobre a mesa fria.
- É a – disse baixo, olhando finalmente para Harry. Ele me encarava com uma expressão como quem diz “ok. Isso eu sei. E daí?” – Não sei, Harry. Esse é o problema entendeu? Não sei o que está acontecendo.
- Dougie, hoje a me falou uma coisa que... Bem, é verdade e agora vou falar para você – Harry vindo com filosofias baratas agora? Quero até ver – Ela não vai vir de mão beijada. Se você quer, corra atrás.
- Eu sei – disse baixo, olhando para o mármore claro novamente – É só que tenho medo. Quando acontece alguma coisa na sua vida, que o deixa abalado demais, você tem medo de tentar e se machucar de novo – Harry me olhou curioso. Pudera. Eu nunca tinha contado essa história para ele – Mais ou menos uns dois anos de você me conhecer, eu tinha uma namorada. Quer dizer, ela não era minha namorada. Era a minha noiva – ele juntou as sobrancelhas e me fitou incrédulo – Está certo. Você deve achar meio cedo para dois adolescentes de dezoito anos serem noivos, mas eu a amava. Ela era linda. Sabe...? – um sorriso pequeno se abriu em meu rosto ao me lembrar das feições dela – Tinha olhos maravilhosos e a risada dela era tão linda que era impossível não sorrir junto. Todos gostavam dela. Os meus pais, toda a minha família... E a família dela também gostava de mim. Foi uma época realmente especial na minha vida, porém ela acabou de uma hora para outra. Eu estava indo visitar o meu pai em Essex e a Claire não estava comigo. Seria uma viagem rápida. Só um fim de semana. Quando eu já estava a milhas de Bristol, a minha mãe me ligou chorando. Fiquei preocupado, pensando que havia acontecido alguma coisa com a Jazzie ou alguém da família – levantei os meus olhos vermelhos para Harry e encontrei a sua feição completamente chocada e preocupada – Mas ela me disse que haviam encontrado Claire morta na casa dela. Como ela morreu ninguém sabe. Os médicos ainda insistem em causas naturais, porém ela era forte e saudável demais para isso. Só que a maneira como ela se foi não importa, Harry. Só importa que a perdi e é isso o que mais me dói. Passei um ano fazendo análises em psiquiatras. A minha família pensou que eu ficaria completamente louco – Harry se levantou e se sentou ao meu lado, passando o braço por meus ombros – Por isso tenho medo de me envolver.
- Dougie – Harry me chamou com a voz rouca, beirando ao choro – Pode parecer clichê, sobrenatural ou sei lá que diabos é isso, mas há um ano atrás, perdemos um amigo em um acidente de carro, num racha – ele soltou os meus ombros e me virou para ele – Dougie, ele era namorado da – demorei alguns segundos para processar a informação. Então era por isso que ela era tão evasiva. Tanto quanto eu – Zack se envolveu com drogas e gangues perigosas, deixou de andar conosco e se afastou da própria namorada que ele tanto gostava. E, em uma noite, resolveu que seria engraçado apostar corrida com Nicholas Holt. Nem me pergunte sobre esse desgraçado. Espero que vá para o inferno – Harry tinha uma mistura intensa de emoções na voz. Era impossível distinguir o que ele estava pensando – E, bem, o Zack bateu o carro e morreu. viu tudo. Passou meses trancada no quarto à base de remédios. Pensamos que a perderíamos também. Ela é uma pessoa muito especial, Dougie, e é a melhor amiga da . Merece ser feliz de novo e você também – encarei-o por alguns segundos e o abracei com força.
- Obrigado, Harry – soltei-o e limpei as lágrimas de meus olhos, levantando-me e parando em frente à porta aberta. Estava começando a esfriar na medida em que escurecia. Algumas risadas vindas da sala me fizeram respirar fundo e tentar disfarçar que estava chorando.
- Dougie? – virei-me, dando de cara com as garotas na porta, e ela, bem... Ela estava simples e completamente maravilhosa.
- , você não devia colocar salto alto. Olhe só. O Dougie ficou mais baixo que você – Harry sempre tem brincadeirinhas inconvenientes. revirou os olhos e olhou para baixo envergonhada.
- Enfim, vamos embora – bateu uma mão na outra e sorriu animada. Engraçado. Ela estava tão mal humorada há pouco tempo.
As garotas riram e a seguiram até a porta da frente. Harry fez um gesto com a cabeça e sorriu para mim. Retribuí e o segui até onde estavam os carros. , e quiseram vir comigo e foi com Harry. Bom, algumas coisas realmente não mudam.

Harry’s POV

- Não sei por que diabos ela não pode vir aqui, – estava questionando pela terceira vez o porquê da não chegar perto de mim – Você viu hoje no seu quarto? Ela nem chegou perto de mim! Nem para me bater, . E olhe que a acordei e isso não é bom – enquanto eu demonstrava toda a minha frustração amorosa, a minha prima estava olhando pela janela com um sorriso idiota na cara – Você está me ouvindo pelo menos?
- Claro – ela respondeu prontamente, virando-se para mim e sorrindo.
- Sei. Se você estivesse me ouvindo, não estaria sorrindo como uma idiota. Estaria consolando o seu primo e...
- Harry, dê um tempo, vá – ela virou os olhos e apertou o botão do rádio (que ainda estava quebrado e eu não conseguia mexer em mais nada, a não ser retroceder as músicas. Que ótimo!) e colocou The Used para tocar. Entendi isso como um “cale a boca e me deixe em paz” e resolvi obedecer ao “pedido” dela.
Depois de alguns longos minutos, chegamos até a boate que havia sido inaugurada naquela semana. O letreiro vermelho ofuscava todo e qualquer estabelecimento que estivesse perto do enorme prédio preto intitulado “Friends”. Achei o nome sem muita criatividade, mas fazer o quê? Nada é perfeito.
- Não sei como vocês me deixaram vir. Dê só uma olhada no meu cabelo, ! – tem que ganhar um prêmio. Exagero do ano. Mulheres são complicadas. Por que elas não colocam uma camiseta, uma calça jeans e um tênis? Está ótimo. Não precisa de mais nada! O quê? Estou com pressa. Quero entrar logo.
- , meu amor, você está uma deusa. Agora dê licença e vamos entrar – puxei-a pela mão e fui em direção à entrada. As garotas gargalharam e nos seguiram.
- Judd! – ignorei-a e entreguei os seis convites para o segurança, indicando os outros que vinham atrás de nós. O homem na porta olhou de uma maneira estranha para e as meninas, mas deu de ombros. Eu, hein. É cada uma.
- Com licença - coloquei ao lado das meninas, assim que elas chegaram até nós – Que agora vou caçar – sorri malicioso e chamei Dougie com um aceno – Você vem?
- Eu? Bem, não sei, Harry. Eu...
- Então fique – dei as costas para eles e saí andando pela boate, a fim de encontrar alguma garota. Qual é? Não vou ficar na seca e nem vendo a pegar o babaca do Josh, chupando o dedo. Vou me divertir.
Mas sabe o que é mais estranho? Não vi uma garota por aqui. Só macho. Que é isso, hein? Será que tem uma sala ou andar onde só ficam garotas? Pode se esperar de tudo nessas boates hoje em dia.
- E aí, gato? Está sozinho? – a minha garganta trancou e arregalei os olhos. Virei-me devagar e dei de cara com um cara barbudo enorme (literalmente quero dizer. Tanto em altura quanto largura) vestindo uma camiseta rosa e sorrindo malicioso para mim. Mas que porra é essa?
- É... Não! Estou com a minha namorada - disse sorrindo sem graça, afastando-me do homem – Digo, fui ao banheiro e me perdi dela... Com licença – virei-me antes que o homem pudesse dizer mais alguma coisa e me vi correndo pela multidão. Só então o meu cérebro parou para olhar em volta e raciocinar. Eu podia ver homens de todos os estilos e “tamanhos” abraçados e se beijando. MAS QUE PORRA EU ESTAVA FAZENDO EM UMA BOATE GAY? As meninas vão me matar e depois disso não tiro a razão delas. Porém encontrei as quatro sentadas no balcão, conversando com o barman e “brincando” de vira-vira – EI, VOCÊS QUATRO!
- Harry – saltou feliz do banco e veio correndo até mim, jogando os braços em meu pescoço. Mas o quê? – Venha beber com a gente e conhecer o Luke. Ele é um amor e vai adorar conhecê-lo...
- NÃO! Estão malucas? Vocês têm aula amanhã, suas irresponsáveis – gargalhava de mim e já ia virar mais um copo de vodka que segurei, não o deixando chegar nem na metade do caminho.
- HARRY JUDD! – olhei para trás e um Dougie vermelho vinha como um furacão para perto de mim – VOCÊ QUER ME EXPLICAR POR QUE DIABOS TROUXE A GENTE PRA UMA BOATE GAY, SEU IMBECIL?!
- Cale a boca, Dougie – gemi baixo, percebendo olhares em nós. As garotas continuavam rindo, o que só me deixava mais nervoso.
- CALR A BOCA?! O CARA PEGOU NO MEU... – tampei a boca dele com a mão para evitar a besteira que ia se seguir. As meninas estavam bêbadas, mas não precisavam ouvir aquilo – Harry, o cara perguntou se eu não aceitava uma rapidinha no banheiro – Dougie choramingou desesperado.
- ‘Ta. Ok, vamos embora – disse, tentando puxar as meninas pelo braço, mas ao invés disso ouvi três delas gritando e a... Espere. O QUE A ESTÁ FAZENDO EM CIMA DO BALCÃO?! – Puta que pariu – estava de pé no balcão, na frente de um bando de gays que gritavam com vozes afeminadas, incentivando-a a dançar. Bati a mão na testa e fui correndo até onde ela estava, pegando-a pelas pernas e a jogando em meus ombros – Dougie, traga as meninas – ele saiu correndo e puxou as outras três pela mão. E eu? Bem, eu estava levando chutes e tapas em todos os lugares que você imaginar – Sossegue, .
- Não. Solte-me, Harry. Quero dançar. Olhe só, as garotas estão me esperando no balcão – pude ouvir muitos gritos histéricos vindos de onde ela estava. Nem vou olhar para trás e saber quem são essas “garotas”. Os meus pobres olhos já viram demais hoje.
era a menos bêbada (porque sã, com certeza, não tinha nenhuma) e não relutou em vir atrás de Dougie. A e a em compensação... Fui obrigado a jogar dentro do carro e voltar para ajudá-lo.
- Caralho, Dougie. Você não consegue dar conta de três meninas?
- Experimente dar conta de três meninas bêbadas, tropeçando nas próprias pernas – ele disse irritado e empurrou que ainda gargalhava para dentro do carro. Não muito tempo depois que as quatro já estavam devidamente nos carros e dormindo, eu e Dougie nos sentamos no chão e nos olhamos. Começamos a gargalhar escandalosamente em seguida.
- Mate, acho que nunca mais vamos nos esquecer desse dia.
- Acha? Tenho certeza – Dougie ficou em silêncio por um segundo – Amanhã é terça-feira.
- Sério, Dougie? Que descoberta.
- Não é isso, imbecil – ele deu um tapa na minha cabeça, que gerou um palavrão baixo para ele – Temos aula e essas quatro também – apontou para os dois carros, onde as meninas dormiam.
- Nessas horas que agradeço por meus pais estarem em York, o tio Robert, viajando, e a tia Lizzie, trabalhando até tarde – olhamo-nos e rimos mais uma vez, antes de tomarmos coragem e nos levantarmos para irmos para casa e dormir. O dia de amanhã ia ser com certeza difícil. Muito difícil.

Tivemos que levar todas as meninas para a nossa casa, porque deixar aquelas irresponsáveis na casa delas bêbadas... Bom, eu poderia me considerar um homem morto.
- Harry – Dougie me chamou quando saiu do carro – Como vamos levá-las para cima?
- Largue de ser franguinho, Dougie. Não agüenta levar duas meninas para cima? – virei os olhos, tentando acordar .
- Desse jeito? – ele abriu a porta do carro e apontou para dentro. As três estavam “capotadas” uma por cima da outra. Dei um sorrisinho sacana e fiz joinha para ele.
- Boa sorte – ele me fuzilou com os olhos e se virou, tentando tirar as meninas do carro. Seria difícil. Talvez eu voltasse para ajudar ele ou não.
- Ande, . Levante-se... Ai, porra. Não me bata – É, ia ser bem difícil – Harry, caralho, ajude-me – bufei nervoso e deixei no banco. Agora que eu estava quase conseguindo acordá-la.
- Harry? – virei-me para trás e me deparei com o Tom. O que ele está fazendo acordado a essa hora? Acenei para ele e me virei para as meninas de novo – Vocês precisam de ajuda? Sabe... Vi vocês chegando e, bem... Não deve ser fácil levar todas para cima – sabe que vou aceitar a ajuda? Sempre tem um filho de Deus para me ajudar. Amém.
- Com certeza aceitamos a sua ajuda, Tom – olhei agradecido para ele que sorriu sem graça – Pode levar a para o quarto dela? É a segunda porta à esquerda no segundo andar – ele concordou e o seu rosto ficou vermelho instantaneamente. Tentei ignorar o fato e me concentrar em acordar a e tirá-la de lá sem apanhar. Só que se ele se meter com a minha prima, a chapa esquenta para o lado dele depois.
- Deixe-me, mãe – abafei uma risadinha ao ouvir a voz de . Deixe só ela descobrir quem está a acordado. Foi um sacrifício do tamanho do mundo ajeitar as três no carro para tirá-las de lá. Veja só: não estou dizendo que são gordas, mas pesadas elas são. Principalmente bêbadas. Nota mental: nunca mais sair com essas quatro em um dia de semana.
- Harry, como vamos fazer para não acordar a mãe da ? Digo, a essa hora ela já deve ter chegado. Certo? – a saliva desceu, rasgando a minha garganta. Que merda.
- Não sei. Mas se ela acordar, fodeu. Pense nisso – disse, conseguindo finalmente tirar do carro – Será que você agüenta as duas? não está tão bêbada. Acho que ela consegue andar – Dougie acenou um sim e me virei para p meu carro. Acho que Tom estava tendo sérios problemas com .
- Uh, Tom! – ela gargalhou escandalosa assim que abriu os olhos e se jogou no pescoço dele, que ficou vermelho imediatamente. Se eu tivesse uma mão livre, teria batido a mão na testa. Nota mental dois: nunca mais deixar a beber. Ela é muito fraca para isso e dá vexame muito fácil.
- Estou bem – Tom disse ofegante, olhando para mim, assim que conseguiu tirar do carro. Apesar de ela estar completamente largada, ainda estava grudada no pescoço e murmurava alguma coisa sobre o perfume dele ser bom. Tive que prender uma risada muito alta. Vamos ver quanto tempo ele vai agüentar.
Dougie tinha conseguido colocar de pé também e pegou no colo. Acenei para eles me seguirem e abri a porta da frente com o coração saindo pela garganta. Eu estaria completamente fodido, se alguém nos pegasse.
- Ok – sussurrei para os dois – Tom, leve a para o quarto dela. Dougie, temos dois quartos de hóspedes. Acho que você vai ter que dormir com a – sorri sacana para ele. Dougie virou os olhos e mostrou o dedo desajeitado para mim. Abri a porta devagar e encarei a enorme escada que eu teria que subir. Agradeci mentalmente por ela estar dormindo e não esperneando em meu colo.
- O seu perfume está melhor que antes, Harry – o neu coração deu um pulo com um susto e encarei irritado. Ela sorria marota para mim, logo depois de jogar os braços em volta de meu pescoço. Não. Ela não sabe o que está fazendo, Harry. Acalme-se, homem.
- Porra, . Que susto – virei os olhos e ela começou a gargalhar escandalosa. Tive que fazer um verdadeiro malabarismo para tampar a boca dela – Cale a boca. Você vai acordar todo mundo – os seus olhos sorriram sapecas e em seguida eu realmente não consegui conter o grito de dor – PORRA, ! VÁ MORDER A MÃO DA SUA VÓ! – coloquei-a no chão. Dougie mandou um “sh” do começo da escada e lhe mandei o dedo do meio. Deixe-o levar uma mordida dessa canibal – Porra, velho. Que saco, . Sossegue um pouco – se sentou em um dos degraus da escada e se escorou no corrimão dela, rindo idiotamente. Legal. Não é só a que tem efeitos retardados depois da bebida. Bom saber disso. Virei as costas para ela e subi as escadas. Sim, ela ficaria lá também.
- Hazz – puta que pariu. A menina ainda se lembra de que, se me chamar assim, faço tudo que ela quiser?
- Que foi? – olhei de canto para ela. estava com aquele olhar “oi. Eu consigo tudo que quero, se o olhar assim” para meu lado. Ô, Deus. Prometo ser um bom rapaz para o resto da vida, mas não faça isso comigo, não, por favor – O que você quer? – tentei ser o mais grosso que pude, mas isso só fez a minha situação piorar.
- Vai mesmo me deixar aqui? – ela olhou para baixo e ficou brincando com a barra da blusa que vestia. Sou um fraco mesmo.
- Venha e ande logo antes que eu desista – puxei o braço dela para cima, levantando o seu corpo em seguida, tentando (veja bem: tentando) ficar o mais longe possível dela. Tenho duas teorias: ela realmente ficava assim quando bêbada ou estava fingindo para tirar uma com a minha cara depois e dizer que faço tudo o que ela quer. Fico com a primeira opção.
Fiquei em uma dúvida cruel. Se a deixava no quarto de hóspedes com a (não. Eu não ia atrapalhar o Dougie e a ) ou se levava ela para o meu. A estava capotada e se a , sei lá, passasse mal ou algo do tipo, teria a mim para ajudá-la. Certo? (claro. E adicione aqui também que essa era a minha desculpa ridícula para ela ficar no meu quarto). Coloquei-a na cama e fui para o banheiro sem dizer nada. Tirei a minha camiseta e apoiei as duas mãos no mármore frio da pia. Arrependi-me de ter olhado no espelho. Eu estava acabado, visivelmente cansado.
- Harry? – bufei irritado e resmunguei um “o que foi?” para ela – Desde quando você ficou tão gostoso? – arregalei os olhos e olhei para o espelho de novo. estava escorada na porta, analisando-me minuciosa. Se é que ela conseguia analisar alguma coisa no estado em que estava.
- Vá se deitar, – virei-me para ela com a intenção de levá-la até a cama, mas as suas mãos se espalmaram em meu peito antes que eu pudesse encostar nela. Essa garota está começando a querer me tirar do sério.
- Ah, Harry. Aquela cama é grande demais para mim – ela ficou pensativa por um segundo e começou a gargalhar. Eu mereço. Vou ter que ficar agüentando cantadas de uma bêbada agora.
- Vá... Se... Deitar... – ela me olhou com a melhor cara de cão abandonado dela e ergui a sobrancelha – Agora – está certo. Ela estava perto demais para a auto segurança dela. Não sou um cara com o autocontrole muito bom. Sabe?
- E por que você não vem comigo? – sussurrou em meu ouvido. E quer saber? O controle que vá para o raio que o parta. Se for para me ferrar depois, vou fazer o serviço completo.
- Foi você quem pediu – encostei o corpo dela à parede e colei os nossos lábios com rapidez. Forcei as pernas dela para contornarem o meu quadril e a coloquei sentada na pia. Um gemido baixo de desaprovação saiu dos lábios dela. Provavelmente pelo mármore frio que foi ignorado por mim. As mãos dela subiram pelas minhas costas, deixando a minha pele em fogo por onde passavam, e pararam nos meus cabelos, recentemente curtos e que ela teria uma boa dificuldade na hora de puxar. Mil coisas poderiam acontecer ali. Alguém poderia entrar e nos ver, eu poderia estar sonhando e acordar, ou a bebedeira dela poderia passar magicamente e eu apanhar dela. Quer saber, consciência? Vá se explodir e me deixe curtir.
- Você sabe que não me esqueci você. Não é? – sorri presunçoso. Eu sabia que ela diria isso.
- Claro. Isso era óbvio, não?
- Convencido – ri entre os lábios dela e a apertei contra mim.
- Realista.
- Prepotente.
- Cale a boca, – as minhas mãos desceram até a barra da blusa dela. me olhou por um segundo e começou a rir.
- Não faça nada que você não vá se arrepender depois – retribuí o sorriso e voltei a beijá-la. Com certeza não seria eu quem me arrependeria. Quem liga? Eu não.

Tom’s POV

Está certo. Tenho que lembrar o Judd de nunca mais deixar a beber. Quero dizer, é tentador demais para a própria segurança dela, minha e de qualquer um que estiver por perto.
- Ahn, ok. Durma bem, . A gente se fala – coloquei-a deitada na cama e me afastei. Ela começou a gargalhar e o meu coração já estava saindo pela boca. Ótimo. Se alguém me pegasse aqui, eu estava fodido, sem direito a explicação.
- Deite-se aqui comigo, Tom – está certo. Ela realmente não pode beber.
se levantou e veio em minha direção, sorrindo maliciosa. Acalme-se aí, Fletcher. Ela está bêbada, não sabe o que está fazendo, aquele beijo nem deve ter significado nada para ela.
- Relaxe, Tom - passou os seus braços pelo meu pescoço, fazendo-me engolir em seco – Quero beijá-lo de novo – disse pensativa e começando a gargalhar sozinha de repente. Mas o quê?
- , ahn... Você não está bem. Por que não se deita e dorme um pouco? Amanhã tem aula e precisa acordar cedo. Digo, já passa da meia-noite e... – os braços dela se forçaram em meu pescoço e os seus lábios se colaram ligeiramente aos meus. Essa garota consegue me deixar completamente maluco.
- Você fala demais, Fletcher – virei os olhos, sorrindo, e deixei de dar uma de bom moço. Não vou me aproveitar dela, porém com certeza vou me aproveitar do momento.
Empurrei o corpo dela para trás, devagar, até o encostar à cômoda ao lado da cama. Com uma rapidez incrível, ela passou o braço pela superfície da cômoda e jogou todos os pertences dela no chão. O som de várias coisas se partindo não foi nem de longe o bastante para tirar o êxtase que tomava conta de mim naqueles segundos. Puxei-a para perto, deixando-a bem à minha frente, e a levantei, sentando-a na cômoda. Deixei o seu rosto na mesma altura do meu e fitei o sorriso convidativo de seus lábios, daqueles capazes de deixarem qualquer cara maluco. As pernas dela contornaram a minha cintura e a minha consciência me dizia para me afastar. Fiz questão de que a minha consciência fosse para o inferno naquele momento.
Apoiei as minhas mãos na superfície da cômoda, na altura dos quadris dela, e encostei os lábios ao seu pescoço. As suas mãos subiram instintivamente para os meus cabelos e os seus dedos se enroscaram nele. Tirei os lábios de seu pescoço e a olhei fundo nos olhos. Nada é o bastante para descrever como amo essa garota.
- Está me olhando por que, Fletcher? – educada, não?
- Não posso? – sorri idiota, lembrando-me das inúmeras vezes em que sonhei estar apenas perto dela e tê-la em meus braços nem que fosse por um segundo.
- Não – ela disse sorrindo – Mas você pode me beijar logo – quem sou eu para discordar?
Soltei uma gargalhada baixa e colei os nossos lábios com rapidez. Isso pode soar bem gay para a um cara como eu, mas eu queria que todos aqueles segundos voltassem de novo e de novo e se repetissem para todo o sempre, porque, mesmo que ela não se lembre de nada amanhã, por mais que isso possa não significar nada para a garota depois, por mais que ela finja que não existo, tenho certeza de que não vou me esquecer de nenhum dos longos segundos em que a tive só para mim. Realmente sou a pedra e ela, o diamante. Porém, nesse exato momento, a minha teoria de que são dois mundos que não combinam começou a mudar.

Capítulo 9 – Do Ya Love Me?
‘Cause I wanna know!


’s POV

- SEU DEPRAVADO INÚTIL! TIRE AS SUAS MÃOS IMUNDAS DE MIM, JUDD! – será que ninguém nesse inferno de casa não sabe me acordar sem gritar?
Espere. Por que eu estou ouvindo a gritar com o Harry? E por que “depravado”? Espere aí. QUE HORAS SÃO?! Dude, a minha cabeça está latejando e acabei de descobrir que passam das onze da manhã. Que ótimo! Perdi o segundo dia de aula, estou de ressaca, tem uma maluca gritando com meu primo no quarto ao lado e nem lembro ou sei por quê. Queria saber também por que a minha cômoda está vazia E TODAS AS MINHAS COISAS ESTÃO NO CHÃO!
- ESTÁ MALUCA, GAROTA?! – Harry entrou correndo no meu quarto e se jogou atrás da cama, enquanto entrava e avançava nele.
- Meu Deus do céu – apareceu na porta, coçando os olhos, sendo seguida por Dougie que estava com a roupa toda amassada. Pelo menos eles estavam vestidos – O que aconteceu aqui? Por que perdi o segundo dia de aula E POR QUE ESTOU MORRENDO DE DOR DE CABEÇA?! – ótimo. Todos vão surtar agora.
- Calma. Ok? Eu explico – Harry se sentou ao meu lado na cama, bem longe de – Ontem, depois que chegamos àquela boate, resolvi dar uma volta. Vocês devem se lembrar disso – acenei impaciente para que ele continuasse – E, bom... - ele engoliu em seco – Era uma boate gay – demorei alguns segundos para processar a informação. Acho que estou começando a me recordar.
- O cara perguntou se eu queria uma rapidinha no banheiro – Dougie murmurou e virou os olhos. Não resisti a gargalhada que se seguiu, porém tive que contê-la em seguida, de tanto que a minha cabeça doía – Não teve graça – Dougie murmurou emburrado.
- Que seja – Harry virou os olhos e continuou – Vocês - ele nos apontou acusadoramente – Tiveram a capacidade de aceitar bebida de um barman boiola em plena segunda-feira – Oh, sim. Agora eu me lembro... O Luke.
- SEM DESCULPAS, JUDD! – foi para cima dele de novo, sendo segurada por Dougie e por – POR QUE ACORDEI NA SUA CAMA, SEU DESGRAÇADO?! E POR QUE VOCÊ ESTAVA SEM CAMISA?! – Oh, droga. não pode beber.
- Ei, garota. Fique na sua. Ok? – Harry se levantou irritado, apontando o dedo no rosto dela – Foi você quem veio pra cima de mim, dizendo que a cama era grande demais só para a sua pessoa – o meu queixo caiu exatamente como os de Dougie e ,
- Harry, melhor terminar de contar o que aconteceu ontem – arqueei a sobrancelha, vendo se debater para se soltar de – Dê um tempo, – ela se soltou emburrada e se sentou na cadeira da escrivaninha – Ande logo, Harry. O que aconteceu?
- Bom, depois que descobri que vocês estavam tão bêbadas que nem agüentavam andar, eu e o Dougie tivemos que tirá-las de lá à força praticamente – ele virou os olhos de novo e continuou falando – Vocês simplesmente capotaram no carro, o que nos deu um bom trabalho para trazê-las para cima. Tive que ajudar esse frango... – apontou Dougie que lhe mandou o dedo do meio – Que não conseguia nem tirar vocês dos lugares.
- Tirando o detalhe de que elas estavam deitadas uma sobre a outra e roncando...
- EU NÃO RONCO, SEU ANÃO DE JARDIM! – se levantou de novo com o rosto vermelho. Acho que ela está de TPM, mas tudo bem. É maluca assim em seu estado normal também.
- Tanto faz – Dougie comentou entediado.
- Enfim - Harry suspirou e continuou nos contando – Por um milagre de Deus, o Fletcher apareceu não sei de onde para nos ajudar .Ele disse que nos viu chegando – deu de ombros. O Fletcher? Calma, . Isso não tem nada relacionado com a sua cômoda bagunçada – Então pedi para ele trazer a para o quarto dela – OH, MEU DEUS DO CÉU, ACHO QUE TEM, SIM! – Dougie trouxe a , a veio andando... - Harry se virou emburrado para – E eu fui obrigado a trazer essa canibal, levar uma mordida dela, ser chantageado e assediado pela mesma.
- Eu só podia estar bêbada mesmo para assediar um tipo como você – ok, já estou começando a ficar nervosa com esses dois.
- Claro. Tão bêbada que admitiu que nunca me esqueceu – Harry disse alto demais. ficou em silêncio e, com ela, todos que estavam no quarto. Por que esse infeliz tem que falar demais?
- Er... E a ? Onde ela está? – perguntou para quebrar o clima ruim. Não que tenha adiantado. Harry e ainda se encaravam, quase se matando com o olhar.
- Deve estar dormindo, para variar – Harry resmungou, levantando-se. Virei os olhos entediada. Harry realmente tem o dom de ser imbecil. Não que isso seja de família, porque não é, graças a Deus.
- Fiquem discutindo, que eu vou descer – disse, indo para o banheiro fazer a minha higiene – Estou com fome.
- E quando é que você não está com fome, ? – se escorou no batente da porta, encarando-me pelo espelho. A sua expressão divertida poderia ser interpretada de uma forma simples: Harry não estava mais no quarto. se juntou a nós, alguns segundos depois, e se sentou na bancada da pia, pegando a escova de minha mão e a passando em seu cabelo.
- Quando estou dormindo? – fez uma expressão pensativa e concordou, fazendo-nos cair na gargalhada – Ei - olhei intrigada para as duas e sorri amarelo – Alguém tem idéia do porquê as minhas coisas estão todas no chão e a minha cômoda, vazia? Ou por quê...? - virei o meu rosto para o espelho e arregalei os olhos – QUE PORRA É ESSA NO MEU PESCOÇO?! – sorriu divertida e se encostou ao meu lado.
- Amiga - disse de uma maneira que lembrava – Acho que você e o Fletcher se pegaram – ela e fizeram um high five, rindo da minha cara em seguida.
- Eu? E o Fletcher? – ri nervosa – Claro que não, . Não sei de onde você tirou isso – os seus olhos viraram entediados.
- É claro. E essa mancha enorme em seu pescoço saiu de onde? Não me diga que o seu Edward Cullen ganhou vida e a mordeu, . Essa não cola comigo.
- Ai, meu Deus – bati a mão na testa e comecei a rir sozinha. Agora que já foi feito, não posso simplesmente me arrepender – Enfim - disse pegando o pó compacto no armário de maquiagens – Vou ter que esconder isso aqui. Quero saber como o Harry não viu.
- Ou ele viu e não disse nada – desceu da bancada e me devolveu a escova.
- Até parece que você não o conhece – virei o pescoço para o espelho, olhando a marca já quase invisível ali – Será que alguém vai perceber? – mordi o lábio, olhando para as duas. parou em minha frente e soltou o meu cabelo, colocando-o em volta do meu pescoço – Obrigada – sorri para ela e as chamei com a cabeça. Longo dia.

- Harry, por Deus, olhe o tamanho disso – ele deu de ombros, mostrando-me a língua e abrindo a boca cheia de pão mastigado na minha frente. – Porco – girei os olhos, olhando mais uma vez para o lanche de seis andarem que o menino havia montado.
- Não encha, . Vá almoçar e me deixe em paz, vá – fez uma expressão de nojo quando o viu falando de boca cheia.
Depois de muito insistir, ela não acordou. Então optamos por jogar um copo de água gelada nela. Acho que resolveu, após mil surtos por causa de seu cabelo. Ela estava acordada pelo menos.
- Morra engasgado – disse baixinho, colocando a comida no prato.
- Bom dia, crianças.
- Mãe! – abri um sorriso enorme e me levantei para abraçá-la. Só então reparei em como estava sentindo a sua falta. Ela sorriu para mim e enroscou a bolsa no encosto da cadeira.
- Já estão todos sem uniforme e almoçando. Voltaram mais cedo da escola? – Harry realmente se engasgou dessa vez e Dougie teve que bater em suas costas.
- Pois é, mãe. Não sei o aconteceu. Não tivemos as duas últimas aulas. não foi à faculdade porque estava se sentindo mal e, bem, Harry e Dougie não usam uniformes. Certo? Eles chegaram pouco antes de você – dei o meu melhor sorriso convincente e ela acreditou. Sou foda.
- Bom, vou tomar um banho e depois desço para almoçar com vocês. Vamos sair hoje, meninas. Preparem as pernas e os braços para carregarem as sacolas – a mulher disse, subindo as escadas. apenas sorriu, bufou e se levantou, dando pulinhos de ansiedade.
- , fazer compras com a sua mãe... Ai, meu Deus. Ela é uma diva. Entende tudo de moda – os seus olhos brilhavam intensamente. Meu Deus.
- Será porque ela é uma estilista, ? – não se deu ao trabalho de xingar . Apenas levantou o dedo do meio para ela e continuou surtando de felicidade pela cozinha. Virei os olhos e me sentei para começar, finalmente, a almoçar – – senti um cutucão em meu braço e a voz de falando baixo perto de mim.
- Hum? – não dei muita atenção para ela. Sabe como é... Eu estava ocupada almoçando.
- Olhe ali – vi de relance ela apontar o queixo para o externo e olhei entediada porta afora. Ok, minha vez de engasgar.
- Porra, - sussurrei depois de levar um soco muito bem dado por ela nas costas.
- O quê? Se eu fosse você, ia lá e falava com ele sobre a noite passada. Pode ter rolado algo mais. Não quero ser tia tão cedo. Sabe? – chutei a sua canela por debaixo da mesa e fechei a cara. Tom estava no jardim, cuidando dos cravos da minha mãe. Cravos recém-adquiridos, depois daqueles que ele matou “acidentalmente”.
- Avise-me o dia que nascer alguém mais idiota do que você. Obrigada – droga. Agora eu não conseguia parar de olhar para fora. Assim que eu tiver uma oportunidade, vou trancar a e o Harry em um cubículo para me vingar.
- Ainda acho que você deve ir lá – bati os talheres com força no prato, fazendo barulho, e me levantei da cadeira, colocando a louça na pia e indo para o jardim sem olhar para trás. Porra, . Juro que um dia você vai pagar por isso e vai ser da maneira mais horrível que eu descobrir.
Tom estava de costas para mim e em um lado do jardim em que não seríamos mais vistos pelos outros. Era perto do pequeno coreto no jardim, olhando as roseiras que cercavam a pequena construção branca. E eu me encontrava parada a alguns metros atrás dele, com o coração acelerado, mordendo o lábio inferior e torcendo as mãos nervosa.
- Tom? – dei um passo para frente no mesmo segundo em que ele se virou. Coçou a nuca confuso e sorriu desconcertado.
- Oi - disse baixo, mas audível o bastante para que eu pudesse ouvi-lo.
- Er... Tudo bem? – ele balançou a cabeça, afirmando, olhando para os lados – Que bom – mais silêncio. Eu estava incomodada, nervosa, com frio na barriga, e não sabia o que isso significava – Dia bonito – disse, olhando para cima, cerrando os olhos por causa do sol. Ótimo, . É assim que se faz: falar sobre o tempo.
- É – resposta monossilábica. Mais silêncio, mais nervosismo.
- Sobre ontem à noite... – falamos juntos e rimos baixo.
- Você primeiro – ele pediu, sentando-se na pequena escada braça atrás dele e apontando para o lugar ao seu lado para que eu me sentasse também.
- É, bem... Sobre ontem... Eu estava bêbada, Tom, e não sabia o que estava fazendo - o pequeno sorriso no rosto dele murchou devagar e me senti mal por isso. Senti-me mal por mim e por ele – É, quer dizer, eu estava meio fora de mim. Sabe? E isso não quer dizer eu não tenha... Hum, gostado? – sussurrei para mim mesma, sentindo-me uma idiota – Quer dizer, desculpe-me pelo trabalho que dei e por ter feito todo aquele escândalo. Não sou acostumada a beber e... – uma de suas mãos puxou o meu queixo para perto do rosto dele e seus olhos encararam os meus.
- Eu te amo – não. O meu mundo não parou, não ouvi sinos baterem, não senti borboletas no estômago, porque isso não existe, mas senti uma felicidade estranha e imensurável por ter ouvido aquelas três palavras saindo da boca dele – Desculpe - Tom soltou o ar com força e me afastou dele – Eu não devia ter falado isso para você. É só que... Se eu esperasse mais, não teria coragem e... – coloquei um dedo sobre os lábios dele para que se calasse. Ele não precisava continuar falando. Eu já havia entendido.
Comecei a rir sozinha da minha felicidade particular, que só ele além de mim conseguia alcançar. A sua expressão se contorceu minimamente, pensando que eu estava rindo dele. Será que todo aquele sentimento sentido quando ele estava perto de mim, ou quando me beijava, ou quando simplesmente sorria, era amor? Hora de descobrir, eu acho.
Sorri enviesada e passei os braços pelo pescoço dele. Toquei os nossos lábios sem demora e senti o gosto de café quando a sua língua se entrelaçou a minha. As mãos apertaram a minha cintura contra o tronco dele e os fios curtos do cabelo loiro se embolaram entre os meus dedos. Não sei se o amo, porém sinto algo forte e que não sei explicar.
Todo o meu momento foi interrompido pelo toque, agora irritante, do meu celular. Nunca quis que as minhas amigas me deixassem em paz como agora. Era que estava ligando para mim. Só então pensei que elas estivessem finalmente prontas para sair. Soltei os meus braços do pescoço dele e olhei para a tela do celular. As respirações ofegantes se misturavam com a proximidade e o sorriso que ia crescendo em ambos os lábios era inevitável.
- Desculpe. Tenho que ir – sussurrei com os lábios perto dos dele. Tom apenas acenou, concordando, ainda sorrindo, mais largamente agora. Levantei-me, e desci da escada, andando de costas, sorrindo boba para ele – Vou pensar em você hoje - disse alto o bastante para que somente ele ouvisse.
- Eu também – os seus lábios apenas se moveram, sem emitir som algum. O meu celular começou a tocar novamente e dessa vez era a minha mãe. Sorri mais uma vez para ele e voltei correndo para perto da porta dos fundos. Somente a minha mãe e as meninas estavam na cozinha. Harry e Dougie provavelmente estavam jogando videogame.
- Onde você estava, filha? Já estava ficando preocupada.
- É verdade, . Saiu de repente da mesa. Achamos estranho – somente não se pronunciou. Apenas me olhou com um sorriso torto escondido no rosto. Talvez agora eu não queira mais me vingar dela.
- Só olhando o jardim – sorri para as quatro e entrei na cozinha, subindo as escadas para me trocar. Fechei a porta com cuidado e abri um sorriso gigante quando olhei a minha cômoda, agora com os objetos todos mal colocados sobre ela. Fui até o closet, rindo sozinha, e tirei uma calça jeans preta de lá com uma regata branca e um colete preto. Troquei a roupa sem tirar o sorriso bobo dos lábios, pensando nas palavras poucas que havíamos trocado.
- E aí, espertinha? – entrou no meu quarto sem bater. Eu já estava amarrando o Vans old school preto quando ela o fez – E então, como foi? Pegaram-se de novo? – levantei-me e peguei a bolsa jogada sobre a cama. Coloquei a carteira e o celular dentro dela e olhei para de novo.
- Talvez – sorri vitoriosa e a chamei com a cabeça, saindo do quarto e a deixando para trás. Ela me seguiu indignada escada abaixo, porém saberia na hora certa.

- Ah, Lizzie, é linda – eu, e observávamos e minha mãe babarem em cima de uma Marc Jacobs lançada recentemente. Pensei que eu gostava de bolsas, mas é... Eu estava enganada.
- Exagerada, maluca, sem noção e fútil – esse é o amor da pela – Ah, cara, vou sair daqui. Estou sem saco para ficar vendo a babar em uma bolsa que é “tendência” – disse, fazendo aspas com os dedos – Vocês vêm comigo? – fiz um joinha para ela e a segui para fora da loja – ?
- Não. Acho que vou ficar com elas. Sabe como é... – rolou os olhos e concordou. Puxou-me para fora do lugar até a praça de alimentação e se sentou em uma das mesas de uma sorveteria.
- Conte-me tudo sem omitir nenhum detalhe sequer.
- Não sei do que você está falando – disse, chamando o atendente com a mão – Quero um sundae grande de chocolate com calda de caramelo.
- Cara, você come demais – virou os olhos – O mesmo que o dela, mas pequeno, por favor – bufei baixinho após o seu pedido – Não sabe do que estou falando? Ah, mas é claro, , e eu sou o Papai Noel. Vamos lá. quanto tempo durou o beijo de hoje? Você ficou fora por uns quarenta minutos. Dava para tirar o atraso de ontem à noite.
- ...
- , você acha que me engana? Está escrito “idiota” na minha testa? Acho que não – ah, ironia. Adoro.
- Olhe, não tem, não, , porém tenho uma caneta na minha bolsa. Veja - tirei a caneta azul escura da bolsa e mostrei para ela – Deve resolver. Certo?
- Imbecil – ela murmurou e se virou para o outro lado, ignorando-me. Ótimo. Assim ela me deixa em paz e ficamos todos felizes.
- , AI, MEU DEUS! – olhei de canto para trás, observando correr em minha direção, balançando uma bolsa gigante nas mãos .É agora que finjo que não a conheço. Certo? – Olhe que divindade a sua mãe me deu de presente. Exclusiva da marca dela. Oh, meu Deus, nem acredito que tenho uma bolsa assinada por Elizabeth legítima.
- , menos – abaixei a voz, piscando para ela. O seu ânimo não diminuiu. Pelo contrário. Só parecia aumentar. Virou-se de costas para mim e foi mostrar a bolsa para , arrastando junto. As duas viravam os olhos a cada vez que a menina repetia como era linda a bolsa que havia ganhado da própria Lizzie – Você sabe como entreter uma criança, mãe – ela riu baixo e se sentou ao meu lado, pegando uma colher e roubando um pouco do meu sorvete – Ei!
- Digamos que conheço o ponto fraco das suas amigas. Todas elas – levantei a sobrancelha, sorrindo presunçosa – Quer a prova? - se virou para a minha mãe, pouco interessada – Convidei Alexandre Herchcovitch para o meu desfile. Soube que ele escolheu aquela banda, Paramore, para tocar no desfile dele – os olhos de começaram a brilhar e um sorriso imenso se formou no rosto dela. Como se ela nunca tivesse ido a um show do Paramore e não os conhecesse também.
- Sério, Lizzie? – a minha mãe assentiu, concordando, e sorriu mais uma vez.
- Está vendo? – ela piscou para mim, provocando risadas em nós duas.
- Ok, rendo-me, Elizabeth . Como andam as coisas para o desfile?
- Andam bem. Ainda faltam algumas confirmações. Acho que nunca mais invento essa história de desfiles com vários estilistas e bandas. Nunca tive tanta dor de cabeça no trabalho.
- Qual é, mãe? Tenho certeza de que você vai arrasar. Imagine só as manchetes. O seu desfile vai ser comentado por semanas! Não. Por meses – ela riu divertida e me deu um beijo na testa.
- Quanto otimismo, . O que aconteceu? – balancei a cabeça em negativa.
- Nada. Só... Acordei de bom humor – a mulher riu e balançou a cabeça, concordando – Quero ir embora - olhei para as meninas, terminando o meu sorvete – Podemos ver algum filme em casa talvez.
- Ah, não. Tenho que ir para a minha casa. A minha mãe diz que gosto mais da sua mãe do que dela, virou os olhos, fazendo-nos rir. Na verdade, o motivo pelo qual, não só a , mas todas elas, deveriam ir para casa, bem... Era outro.
- Ok, meninas - Lizzie se levantou e pegou a bolsa – Vamos. Levo cada uma de vocês para casa e depois volto a trabalhar – olhei triste para ela. Não conseguia mais sequer passar uma tarde inteira com a minha mãe. Isso incomoda às vezes – Sem fazer essa cara, . Vamos logo – concordei emburrada e a segui junto com as meninas até fora do shopping. Na verdade, eu estava era louca para chegar a casa.

Capítulo 10 – Surrender
I never dreamed that you'd be mine, but here we are. We're here tonight.


Estava dividida entre continuar jogada na minha cama e ficar olhando o meu pôster enorme do Good Charlotte atrás da porta e dar uma corridinha até a casa do Tom. Ah, ninguém ia perceber. Posso olhar o meu pôster todos os dias.
Abri a porta do quarto devagar, tentando não fazer barulho. Acho que passava das oito horas. O meu pai chegaria de York de madrugada. A minha mãe, bem... Só passou em meu quarto para dizer boa noite e foi se deitar. Harry iria dormir na casa de Dougie. Se a situação fosse mais perfeita, estragaria. Desci a escadaria depressa, correndo até a porta dos fundos. Já estava escuro lá fora - o bastante para que eu prestasse atenção por onde andava. Não me leve a mal, mas estava ansiosa para vê-lo. Posso ser bem desastrada quando estou ansiosa. Dei a volta na pequena construção em tons claros de marrom e parei em frente à janela que deveria ser o quarto de Tom. Bem, realmente espero que seja o quarto dele.
Joguei uma pedrinha no vidro, mordendo o lábio nervosa, com medo de alguém me pegar. Uma luz se acendeu no cômodo e eu não conseguia esconder a minha animação. Por Deus do céu, o que está acontecendo comigo?
- ? – ele abriu a janela, prestando atenção à cena, não acreditando no que via – Era eu quem devia jogar uma pedra na sua janela. Certo? – soltei uma risada abafada e concordei.
- Pode sair, Julieta. Não tem ninguém nos vendo – Tom balançou a cabeça incrédulo e pulou a janela, sorrindo. A minha primeira ação assim que ele chegou perto de mim foi abraça-lo com força e sentir o seu perfume me inebriar.
- Você disse que ia apenas pensar em mim essa noite – os seus braços circundaram a minha cintura e apertei o meu rosto em seu peito.
- Não seria suficiente – senti o seu hálito bater em meu pescoço quando ele riu baixo – Debbie está?
- Dormindo – os seus olhos se demoraram nos meus e a sua expressão pensativa pensou duas vezes antes de me fazer o convite – Quer entrar? – sorri com os olhos e acenei, concordando. Ele me arrastou até a janela, pulando para dentro do quarto e me puxando em seguida para o cômodo.
- Beach Boys? – o seu quarto era todo branco, cheio de pôsteres de bandas de rock antigas, das quais eu gostava.
- São os meus preferidos desde a infância – arqueei a sobrancelha surpresa. Ao lado da cama marfim, sobre um pequeno criado-mudo, havia uma coleção de bonecos do Star Wars e, sobre a cômoda, uma coleção estimável de CDs.
- Você tem bom gosto, Fletcher – tirei o Nimrod do Green Day do lugar e o olhei atentamente – Não se existem muito mais desses para se vender – sorri enviesada.
- Não achei que gostasse de Green Day e nem de Beach Boys – os seus braços me abraçaram por trás e fiz um barulho estranho como a boca, como se protestasse – O quê? Pensei que você ouvisse... Hum, Britney Spears? – encarei-o boquiaberta e indignada, rindo baixo em seguida.
- Certo - virei-me de frente para ele, encostando-me à cômoda. Os seus braços me prenderam contra o móvel, deixando-me sem saída – Precisamos aprender mais um sobre o outro – Passei os braços por seu pescoço, aproximando os meus lábios de seu maxilar – Mas podemos deixar isso para depois.
- Concordo plenamente – Tom desceu as mãos para minhas pernas e as segurou para que eu as passasse por seu quadril. Sentou-me sobre a cômoda e subiu as mãos para a minha cintura. Os seus lábios procuraram os meus e os gostos de nossas línguas se misturaram instintivamente. Só então percebi o quanto ele era alto.
- Tom? – ele resmungou entre o beijo para que eu continuasse – Até antes de ontem tínhamos vergonha de olharmos um nos olhos do outro.
- E qual é a exatamente a importância disso agora? – ele mordeu o meu lábio inferior e apertou a minha cintura. As minhas pernas se tornaram mais firmes em volta de seu quadril e as minhas mãos apertaram os seus ombros.
- Acho que nenhuma.
- Cale a boca então – soltei uma risada baixa e apertei o seu corpo contra o meu – A partir de agora - ele sussurrou perto do meu ouvido, causando arrepios no meu corpo – Você é só minha.
- Pretensioso.
- Realista. Você quer discordar? – olhei dentro de seus olhos e achei melhor não contrariá-lo. Não sei mentir, de qualquer forma.
- , você se senta com o Cameron – professor maldito. A partir de agora, volto a odiar o meu professor de matemática e conseqüentemente volto a odiar matemática, claro.
- Oi, ! – Ethan se sentou ao meu lado e sorriu. Entortei os meus lábios em um sorriso amarelo para ele e desejei loucamente estar em casa, debaixo das minhas cobertas agora – Então... Você anda sumida – claro. Falto um dia por motivos óbvios, porque uma ressaca não permite um ser humano normal ir para a escola, e ele já gruda em mim no outro, dizendo que está com saudades. O cara não larga do meu pé. Não entendo. Em todas as minhas aulas de matemática, a minha turma muda, menos o Ethan. Que ótimo. E isso foi uma ironia.
- Você, Jones - apontou para Daniel, sentado no fundo da sala em silêncio. Parecia que ele estava com medo de que chegasse a sua vez. O professor Ackles correu o seu dedo até a mesa de e apontou para a cadeira ao lado da dela. arregalou os olhos e, se ela soubesse que não levaria uma suspensão, teria soltado uma boa quantidade de palavrões para o homem.
- , hum... Sabe... Esse fim de semana vai ter uma festa lá em casa. Aniversário da minha mãe. Ela me pediu para convidá-la. Disse que gostaria que você fosse – sei. A sua mãe ou você, Ethan? Por favor. Esse cara não me deixa em paz mesmo.
- Oh, desculpe, Ethan - dei o meu melhor sorriso desapontado – Já tenho um compromisso marcado com as meninas – ele abriu a boca para falar algo – Inadiável – eu disse antes que ele pudesse contestar. Ethan assentiu e virou o rosto para o quadro. Suspirei culpada e aliviada ao mesmo tempo. Não tenho culpa de os nossos pais terem enfiado na cabeça um do outro que somos perfeitos juntos. E nós não somos, com certeza.
Senti um mal estar momentâneo e tudo que estava ao alcance dos meus olhos pareceu girar. Encostei-me para trás e respirei fundo.
- Professor - Jensen se virou para mim e ergueu a sobrancelha (permita-me) de um jeito completamente sexy – Será que eu não poderia ir até a enfermaria? Não estou me sentindo bem – olhou-me com cara de poucos amigos por ter interrompido a sua explicação.
- Depressa, , se não quiser perder o trabalho – assenti, levantando-me. Virei os olhos discretamente quando estava chegando à porta.
- Posso acompanhá-la, professor? não parece muito bem – parei com a mão na maçaneta. Ainda mais essa. Dois segundos depois, Ethan estava atrás de mim com o braço apoiado em minha cintura – O que foi, ? Você está branca feito um papel – virei o rosto para ele com os olhos cerrados.
- Nada, Ethan. Só um mal estar – talvez eu estivesse de ressaca ainda. Vou pedir ao Harry para me lembrar de que não devo beber mais.
- Tem certeza?
- Claro, claro – assenti mal humorada. Levantei o rosto para frente e pude avistar a enfermaria de longe, porém só alguns segundos antes de a minha visão escurecer.

’s POV

- ? – bati de leve no rosto dela, desmaiada sobre os lençóis brancos da maca. Não havia um motivo muito sólido para o que aconteceu. Ela simplesmente desmaiou.
- AI, MEU DEUS DO CÉU! ! – entrou correndo na enfermaria e se jogou sobre a maca. Mas que diabos ela está fazendo aqui? – , acorde – a menina deu um tapa no rosto de , contudo com mais força que o necessário.
- Ei, pode ficar calma. Ela está bem, han? Foi só um desmaio – mas o que o Jones está fazendo aqui? Quem o convidou?
- Está fazendo o que aqui, Jones? – olhei-o de cima abaixo, voltando para o seu rosto, encarando os seus olhos azuis. E que olhos.
- , não é hora de ficar implicando com o seu caipira. Não está vendo que a está desmaiada? Pode ter acontecido alguma coisa grave. Ela pode estar mal. Meu Deus, será que ela e o Tom fizeram alguma coisa? – arregalou os olhos e voltou a bater no rosto de , eu disse que não queria ser tia tão cedo. Você não me ouviu? – mas o quê? O Tom? Quer dizer, o Fletcher?
- Quem é Tom? – Ethan perguntou arrogante, desencostando-se do batente da porta. Parou ao lado de como se lhe pedisse uma explicação.
- Fique na sua, almofadinhas. Não é da sua conta – ele a fitou ofendido e, quando fez menção de abrir a boca para falar algo, lhe lançou um olhar mortal – Fique na sua, Ethan. Não vou dizer de novo. Aliás, vaze daqui. Pode voltar para a sua aula que não precisamos mais da sua ajuda – ele se virou e saiu da enfermaria pisando duro, murmurando algo inteligível. Estava xingando , com certeza – Que cara chato.
- , o que você quis dizer com o Tom e a ? Quer dizer, eles...? Você sabe – arregalei os olhos assustada e me apoiei na parede ao meu lado.
- Claro que não, . Quer dizer, não sei – ela cruzou os braços e entortou a boca, como se estivesse falando de algo completamente normal – O fato é que eles se pegaram em cima da cômoda dela naquela noite da ressaca. Lembra-se? Foi ele quem a levou para o quarto quase em coma alcoólico. Você sabe... Ela é fraca para essas coisas – alguém pigarreou do meu lado. Eu e viramos o rosto juntas.
- Er... Bem, estou indo. Sabe? Se precisarem de algo...
- Está aí ainda, Jones? Já deveria ter ido – disse debochada, virando os olhos.
- , deixe de ser grossa com o garoto – se adiantou para ele, sorrindo – Obrigada, hum...?
- Daniel, mas pode me chamar de Danny – sorriram um para o outro. Idiotas.
- Obrigada, Danny. Prazer. Sou , mas pode me chamar de – ele assentiu, ainda sorrindo, e apertou a mão dela. Virou-se para mim e sorriu sem graça.
- Bom, estou indo. Aviso o professor que você está aqui e, hum... Pode deixar que termino o trabalho.
- Tanto faz – respondi entediada, olhando as unhas. Ele apenas balançou a cabeça e se virou – Como esse caipira é chato, meu Deus do céu.
- , quanta maldade. O cara é um gatinho – olhei incrédula para ela – Ok. Não está mais aqui quem falou – ela levantou as mãos na altura dos ombros, fazendo os meus olhos virarem.
A maca onde estava deitada fez um barulho fraquinho e voou em cima dela.
- ?! ESTÁ ME OUVINDO?!
- ! – tirei-a de perto de antes que ela marcasse cinco dedos no rosto da garota – Não precisa bater nela assim também – gemeu fraquinho e abriu os olhos. Demorou alguns segundos para que percebesse o que estava acontecendo.
- , sua idiota, tem noção da minha preocupação?
- , calma! – tirei-a da frente de e me sentei na maca ao seu lado – O que aconteceu, ?
- Eu... Não sei... Eu... – ela me olhou desconfiada e ergueu a sobrancelha – Quem é você? – arregalei os olhos do tamanho do mundo e se jogou em cima de de novo.
- A MENINA PERDEU A MEMÓRIA?! MAS ELA BATEU COM A CABEÇA, ?! ELA...?! – começou a gargalhar gostosamente, jogando a cabeça para trás.
- Não acredito que você acreditou, . Finjo muito mal – eu e lançamos olhares assassinos para ela – Ok. Desculpem-me – deu mais uma risada fraquinha e se sentou com dificuldade – Não sei o que aconteceu. Talvez ainda esteja no efeito da bebida. Só sei que de repente eu vi a enfermaria e ficou tudo escuro. Agora estou aqui.
- , você e o Fletcher fizeram alguma coisa? Porque não quero ser tia tão cedo. Sabe como é... – virou os olhos entediada e mostrou o dedo do meio para .
- , não fiz nada com ninguém.
- Claro. E eu...
- !
- Ok, estou calada – eu e nos olhamos e caímos na gargalhada. Ela nunca muda.
- Você não quer ir embora? – sentei-me ao lado de na maca e a vi suspirar. Talvez fosse uma boa idéia. A sua pele estava pálida e os olhos, fundos. Sorri demoradamente quando ela acenou concordando. Levantei-me e a puxei pela mão para sairmos da enfermaria, entretanto não antes de insistir em seu assunto preferido.
- Mas, , você não quer mesmo falar sobre isso? – realmente, algumas coisas jamais vão mudar.

’s POV

- Isso, . Levante-se atrasada, não tome café da manhã. Acho que vou ter que conversar com a tia Lizzie sobre você, porque...
- Harry – virei os olhos e o chamei entediada.
- Não. Agora você vai me ouv...
- Harry Judd.
- Não, . Está vendo? Perdi metade de uma manhã de aula por...
- Harold!
- Não me chame de Harold, porra. Você também está de brincadeira comigo agora? É Harry, . H-A-R-R-Y – não consegui evitar uma gargalhada alta. Era extremamente engraçado ver Harry irritado por chamá-lo de Harold, enquanto dirigia. Ele não podia simplesmente me olhar e mandar o dedo do meio. Afinal, era um motorista muito correto. Em termos, é claro – Se você está pensando que vai se safar dessa história do desmaio, está muito enganada. Vou falar para a tia Lizzie, sim. Já começou o ano mal, – ele apontou acusadoramente para mim quando parou em um sinal vermelho – Já perdeu um dia e meio de aula na maior cara de pau.
- Ah, claro. Perco o terceiro dia de aula por uma irresponsabilidade do meu primo,e levo a culpa por isso? Parabéns... Harold – sorri irônica para ele e puxei o meu cabelo para cima por causa do calor. Harry bufou entediado e se virou para frente de novo.
- ? – resmunguei algo inteligível para que ele continuasse a falar – Que porra é essa no seu pescoço? – demorei alguns segundos para processar a informação. Eu havia literalmente me esquecido da marca enorme que o Fletcher, provavelmente, tinha deixado no meu pescoço. Mas que ótimo! E isso também foi uma ironia.
- Isso o que no meu pescoço? – fiz-me de desentendida, olhando as unhas.
- Isso o quê? Não tente me fazer de idiota, . Sabe do que estou falando.
- Fazê-lo de idiota? Não preciso, Harry. Você já é – sorri fofa para ele, soltando o meu cabelo, deixando-o cair em cima da marca roxa em meu pescoço. Pelo menos ele não está tão escura ou grande como ontem. Os seus olhos cerraram e ele me encarou com uma expressão que, bem, dava medo – Ok, ok. Realmente não sei de onde apareceu isso. Acordei ontem e ela estava aí – quem eu quero enganar? Minto muito mal. Harry não é idiota o suficiente para acreditar em mim. Acho.
- Ah, você acordou ontem e estava aí? Interessante, , porque, quando chegamos a casa, ela não estava aí – ele sorriu cínico e a saliva desceu rasgando a minha garganta – Se apareceu ontem e você viu quando acordou, surgiu de madrugada. Certo? – o sorriso esperto dele continuava em seu rosto. Droga, droga, droga – E QUEM ESTAVA COM VOCÊ ONTEM DE MADRUGADA, ?! – olhei pela janela, fingindo que não era comigo, batendo os dedos no caderno que estava em meu colo – !
- O Tom – respondi baixinho. Quase nem eu mesma ouvi.
- É, o Fletcher! – exclamou irritado, batendo a mão no volante e acionando a buzina do carro. Alguém o xingou do lado de fora. Talvez o dono do automóvel de trás ou da frente. Não sei. Harry apenas colocou a cabeça para fora do carro e mostrou o dedo para quem quer que tenha o xingado.
Encostei-me no banco do carro, ficando em silêncio até chegarmos a casa. Harry continuava com a expressão irritada. Esse era o único problema dele: pensar que eu ainda era uma criancinha. Ou talvez tivesse medo de que alguém fizesse comigo o que ele fez com a .
O cara estacionou o carro de qualquer jeito perto da garagem e saiu dele, indo em direção à porta. Respirei fundo e saí do carro também, indo devagar para o mesmo rumo de Harry, até perceber que ele não estava indo para a minha casa, mas sim para a de Tom. Ah, Puta que pariu.
- FLETCHER! – Harry bateu com força na porta da casa dos Fletcher. Corri atrás dele, parando a alguns metros de distância.
- Harry, chega. Não se meta nisso.
- Cale a boca – respondeu ignorante, ainda de costas para mim. Ninguém havia atendido ainda e eu suspeitava de que ninguém estivesse em casa. Eu agradeceria por isso.
- Harry – fui para perto dele e segurei o seu braço, tentando virá-lo de frente para mim – Não estou o entendendo. Você vai me privar de conhecer alguém legal agora? Não. Melhor – sorri cínica – Você ACHA que vai?
- Não estou a privando de nada, mas você nem conhece esse cara, . Não quero que façam com você o mesmo que fiz com a – ah, eu sabia!
- Nem todas as pessoas são idiotas como você, Harry. Lembre-se disso – ele me olhou sentido e me abraçou, beijando o topo de minha cabeça.
- Desculpe.
- Desculpado – olhei mal humorada para ele, recebendo um sorriso e um abraço de urso que me deixou sem ar – Ok. Sem muitas demonstrações de afeto – a nossa bipolaridade entre primos é constante. Tenho medo disso.
- Ai, sua grossa – Harry me olhou, imitando um gay, fazendo-nos cair na gargalhada – Ok, vamos comer. Estou com fome – e quando é que ele não está?

- Harry? Você não deveria ter voltado para a faculdade? – ele estava cursando o segundo ano da faculdade de música. Era o sonho dele. Só que na verdade o menino já sabia tocar bateria e muitíssimo bem. Dougie estava cursando o segundo ano junto com ele. Queria montar uma banda e ser famoso. Mas, por enquanto, aceitava ser custeado pelo pai enquanto estudava.
- Eu não tinha nenhuma aula de interessante hoje – deu de ombros e voltou a comer o enorme lanche do McDonald’s em suas mãos. Ah, claro. Primeiro ele fala que não comecei o ano bem e depois mata aula. Que ótimo.
Virei os olhos e voltei a grudar os olhos na tela da televisão, onde passavam alguns clipes na MTV.
- - resmunguei para que ele continuasse – Faz quanto tempo que você, hum... Está enrolada com o Fletcher? – sabia que ele ia perguntar isso.
- Pouco tempo – silêncio constrangedor. Odeio silêncios.
- Defina pouco tempo.
- Pouco tempo, Harry. Nada mais que isso – qual é. Sou uma garota. Não vou ficar contando dos meus rolos para o meu primo, mesmo ele sendo o meu melhor amigo - ele bufou nervoso e voltou a comer.
- Eu lhe conto dos meus “rolos” – fez aspas com os dedos, pegando o lanche gorduroso de novo.
- Bom, acredito que isso seja um problema seu. Estou certa? – mostrou-me o dedo do meio, ignorando-me por completo. Melhor assim. Eu acho.
Ele terminou de comer em silêncio, sem nem olhar para mim, e subiu para o seu quarto depois de levar os restos para a cozinha. Dei uma risadinha divertida e me joguei no sofá. Desliguei a TV e fiquei olhando para o teto. Sobre Tom, eu teria que contar a alguém. Mas faria um escândalo. ficaria feliz e surtaria, o que também seria um escândalo. não diria nada. Porém se não vou contar para as outras duas, não vou contar a ela também. É injusto de minha parte. Harry, bom... Ele já sabia, mas não é exatamente alguém com quem eu possa conversar sobre isso. Dougie, fora de cogitação. Mary havia entrado em férias e Debbie estava no lugar dela. Ótimo. Não vou falar com a minha “sogra” sobre isso. O meu pai, bem... Ele vai saber na hora certa e vai ficar muito bravo, porque “Tom não é bom o bastante para mim”. Conheço esse discurso. Resta a minha mãe, contudo não a vejo há tanto tempo que...
- – retiro o que eu disse.
- Mãe – sorri fofa para ela, correndo até a porta para abraçá-la e ouvir uma série de perguntas sobre a minha saúde. Às vezes tenho vontade de jogar o Harry de um penhasco!
- Filha, tudo bem? – eu não disse? Ela vai passar os próximos quinze minutos perguntando se estou bem.
- Tudo ótimo, mãe. Qualquer coisa exagerada que o Harry tenha falado, não acredite, porque você sabe como ele é – ela me olhou por um segundo e então suspirou. Sentou-se no sofá e me deitou no colo dela.
- Tenho que passar mais tempo com você, – sorri para ela sem discordar. Bem, era verdade! – Mas enfim... Finalmente os preparativos do desfile estão no final. Os últimos retoques podem ser deixados com a minha equipe e até semana que vem, no grande dia, estará pronto - Semana que vem? Porra, esqueci-me literalmente.
- Mãe... – comecei depois de alguns minutos de silêncio. Ela me olhou, esperando que eu continuasse, e travei – Quando você começou a namorar o papai, como o meu avô reagiu? – ela entortou os lábios e arqueou a sobrancelha.
- Bom, ele não aceitou, óbvio, por seu pai ser filho de um dos empregados dele. Mas você sabe essa história, . Por que a pergunta? – cocei a nuca e me sentei de frente para ela.
- E se eu dissesse que estou namorando alguém de uma classe diferente da nossa... O que o meu pai diria? – ela me fitou de uma maneira estranha e se virou, sentando-se de frente para mim.
- Não estou entendendo, – odeio quando ela me chama assim. Parece que vou levar uma bronca daquelas.
- Mãe – disse devagar, como se ela tivesse problemas de audição ou como fosse uma criança. Ou talvez eu falava devagar para prolongar a minha ansiedade – Estou, é, hum... Não namorando, nem ficando... Ah, mãe. Estou enrolada com o Tom – vi a sua expressão se contorcer, processando as minhas palavras.
- Que Tom, ? – como assim que Tom? ‘Ta. não existe só um Tom na face da Terra, mas, por favor, ela tem que saber qual é.
- Hum, o filho da Debbie – ela arqueou a sobrancelha, coçou a ponta do nariz, apertou uma mão contra a outra e, a essa altura do campeonato, o meu coração já havia saído pela boca meia dúzia de vezes – Fale alguma coisa – pedi com a voz baixa, mordendo o lábio inferior, quase arrancando um pedaço dele fora. Mas então ela sorriu como se eu tivesse falado a coisa mais normal do mundo.
- Thomas Fletcher? – assenti, desfazendo a pressão em meu lábio inferior – O filho de Debbie Fletcher? – não, mãe. Do Darth Vader! Ok, não falei isso para ela. Apenas assenti, concordando – Que gracinha! – ela vibrou e não entendi mais nada – Aliás, ele é uma graça, filha. Tem olhos tão bonitos! Sabe... Nunca lhe falei nada porque pensei que você não se interessava por rapazes como ele, mas, nossa! Ele tem olhos lindos e acho que vocês formariam um belo casal! – ahn, ok... Quem é você e o que fez com a minha mãe? Está certo. A minha mãe não é má, porém achei que ela, bem... Iria reagir um pouco... Mal? É, bem mal a tudo isso.
- É, mãe. O Tom, filho da nossa empregada – frisei o “empregada” para ver se ela teria alguma reação contrária, mas não. Continuou sorrindo. Que ótimo. Uma prova de fogo a menos! Se já passei por Harry e pela minha mãe, sinto-me uma heroína!
Então me permiti sorrir também, verdadeiramente, para ela, pois percebi naquele momento que eu poderia contar para ela o que fosse e eu estava feliz por isso.
- Mas - ela começou, tirando os sapatos e se esticando no sofá – Conte-me cada detalhe. Vocês já se beijaram? – bom, ela nem imagina o quanto!

- Não acredito que ela lhe disse isso, ! – Tom me olhou incrédulo, ainda surpreso pela boa reação de minha mãe. Estávamos deitados debaixo do coreto no jardim, perto das roseiras.
- Bom, pelo menos ela aceitou facilmente – senti-o balançar a cabeça, concordando.
- Bom, o seu pai... Se você quiser, posso falar com ele e... – ri baixinho e me sentei, puxando Tom para cima para que ele ficasse de frente para mim.
- Tom, calma. Não temos nada sério ainda. Não é como se fôssemos nos casar ou algo assim.
- Quer se casar comigo? – virei os olhos e selei os seus lábios, sentindo o gosto de hortelã invadir a minha boca. Soltei um risinho involuntário quando ele parou o beijo e desgrudou os nossos lábios – O que é tão engraçado?
- Ela perguntou se já havíamos nos beijado – joguei a cabeça para trás e me permiti gargalhar. Tom arqueou a sobrancelha e ficou vermelho de repente.
- Ela perguntou sobre...? Erm, bem... Você sabe – olhei para ele em dúvida, não entendendo a indagação – Sexo, !
- Ah, sim. Quer dizer, não. Ela não perguntou sobre isso – ri idiotamente de novo, empurrando-o para o chão e me deitando em cima de seu braço esticado – Não se preocupe. Ela não vai perguntar.
- ? – resmunguei para ele continuar, fechando os olhos, sentindo as pálpebras pesarem – Você gosta mesmo de mim? – arregalei os olhos no segundo em que o menino terminou de perguntar. Foi então que indaguei para mim mesma. Eu gostava realmente dele?
- Bom, sim. Gosto muito de você – então ele me puxou para cima dele e olhou atentamente o meu rosto.
- Defina muito – soltei um suspiro pesado e fechei os olhos. Todos gostam de me fazer definir as coisas.
- Muito, de um jeito indefinível – Tom rolou os olhos e me abraçou, correndo os seus dedos por toda extensão das minhas costas, arrepiando os pêlos da minha nuca. Fechei os olhos, aproveitando o seu toque. Os meus olhos pesaram de novo e, segundos depois, eu já tinha caído no sono.

Capítulo 11 – It Wasn't Enough
Sorry’s not good enough.


- Escolham as suas roupas – joguei a entrada VIP para o desfile de minha mãe na mão das meninas. assentiu mal-humorada. Não gostava desses eventos e, segundo ela, só iria porque haveria música de qualidade. E , bem, ela surtou, mas isso era normal.
- Bom, o Josh pode ir? – antes que eu levantasse a sobrancelha e dissesse que não era uma boa idéia, Josh chegou por trás de e a abraçou.
- Ir aonde? – olhou-nos curioso, sorrindo para nós.
- No desfile da mãe da .
- O London Fashion Rock? – ergui a sobrancelha e assenti. Bom, a idéia brilhante de minha mãe era que moda e rock combinavam muito bem. Então essa era a única determinação dos convidados. Eles deveriam escolher uma banda de qualquer estilo de rock para tocar. E ela estava escondendo a banda dela de mim, dizendo-me que era surpresa. Ok, mas... Como é que o Josh sabe disso?
- É, sim, mas, como você sabe, Josh? – ele deu de ombros e soltou , indo para o seu lado.
- Nós vamos tocar lá.
- Nós...? – como assim “nós”? Ele era um astro do rock mundial e eu não sabia? Qual é?
- Eu e minha banda – eu e as meninas, inclusive , erguemos a sobrancelha, indagando sobre essa suposta banda. Se nem sabia disso, havia alguma coisa muito errada aí – Bom, uma das convidadas da sua mãe, Rebbeca Flint, disse que queria uma banda desconhecida para tocar. Então fez um teste com várias locais e nós, bem, ganhamos. Eu ia lhe contar hoje, . Não comentei antes porque queríamos ver se a banda daria certo.
- Conte outra, Josh. Perdoe-me a palavra, mas você mente mal pra cacete – sorri cética para ele. Eu sabia quando as pessoas estavam mentindo para mim.
- Ok - ele riu – Dan Flint, o filho da Rebbeca, é baterista da minha banda – arregalei os olhos incrédula. O mesmo Dan Flint que me importunava quando eu era pequena? – Evitamos comentar sobre isso porque, bem, podem pensar que a ele pediu para a mãe dele para tocarmos e nossa banda “deslanchar”, como dizem. Mas, na verdade, foi a Bec quem nos chamou.
- Mas... Mas vocês - apontei Josh, ainda surpresa. Não era possível eles serem tão conhecidos assim – Como é o nome da sua banda?
- Não, ! – ele deu uma risada gostosa – Somos só uma banda de garagem. A Rebbeca apenas pensa que temos talento. Escolhemos o nome da banda há, hum, dois dias – sorriu, mostrando os dentes.
- E como se chama? – o abraçou pelo pescoço. Ótimo. Ela ia adorar pegar um cara de banda. Era uma verdadeira groupie. E que ela nunca saiba que eu disse isso.
- You Me At Six – disse simplesmente. Encarei como se esperasse uma explicação. Como assim ”você e eu às seis”?
- Certo, e qual o motivo do nome da sua banda estar marcando um encontro com alguém?
- Bom, isso não sei – coçou o queixo pensativo – Quando eu descobrir, informo você – virei os olhos, gargalhando junto com ele e as meninas.
- Cuidado, Josh – disse séria, mas no fundo segurando uma risada – é groupie. Ela pode gostar desse lance de pegar um astro do rock – Josh ficou vermelho e olhou sem graça para que encarava como se fosse matá-la. Bem, pelo menos nem imagina que eu a chamo de groupie também. Ela pode ser bem perigosa quando está irritada.
- Patricinha fútil – virou os olhos, puxando Josh com ela, que ria assim como eu e .

Eu havia passado a aula toda nervosa, com as mãos suando. Tínhamos uma semana para o evento de minha mãe. O meu pai chegaria hoje de mais uma de suas viagens e ele ainda não sabia sobre o Tom. Mas antes que ele soubesse, decidi que deveríamos ter algo mais concreto. Bem, eu não podia simplesmente chegar ao meu pai e dizer “pai, é o seguinte: estou pegando o filho da nossa empregada”. Ele ia me matar, sem sombra de dúvidas.
Então decidi também que gostava o bastante de Tom (porque eu ainda não sabia se o amava) para fazer o que estava preste a acontecer. Talvez, se fizesse parte de um conto de fadas ou uma história de Shakespeare, eu seria o mocinho, ou Romeu, e Tom seria a princesa, ou Julieta, porque era sempre eu quem tomava as decisões. Não o culpo. Eu era louca de qualquer forma.
Bati na porta da casa de Tom, torcendo as mãos e rezando para que fosse ele quem abriria a porta. E, bem, as minhas preces não foram atendidas.
- ! – Debbie sorriu e deu espaço para que eu entrasse – Entre, querida. O Tom está no quarto dele. Pode ir até lá. Estou de saída – sorri envergonhada para ela e assenti, entrando no pequeno corredor. Eu ainda tinha que passar por essas coisas.
Passei a mão na testa, rindo da minha falta de sorte. Debbie me tratava normalmente e me tratava muito bem. Não sabia por que não me sentia à vontade com ela.
- Tom? Estou entrando – Bati na porta e puxei o trinco, empurrando-a. Ouvi Tom começar a dizer algo, mas não dei ouvidos e entrei em seu quarto – Ai, meu Deus do céu. Desculpe – tampei o rosto com as mãos e saí do quarto dele roxa de vergonha. Não é à toa que você ficaria sem graça de entrar no quarto de um cara só com uma toalha enrolada na cintura. Principalmente quando você nota de relance que esse cara tem um corpo e tanto que vai deixá-la sem fôlego. Foi o que aconteceu.
Escutei a gargalhada estrondosa atrás da porta e bufei. Não teve graça! Tom puxou a porta, ficando de frente para mim e tirando as mãos de meu rosto. Não evitei morder o lábio inferior. Ele usava apenas uma bermuda larga que deixava uma parte de sua boxer preta aparecendo. E, por Deus, não consegui evitar um suspiro.
- Ao que devo a honra de sua ilustre presença no meu humilde quarto? – Tom encostou-se à porta, cruzando os braços sobre o peito e me fazendo virar os olhos para não ter que encará-lo. Ou para não ter que encarar o seu corpo. Apertei os olhos, tentando me lembrar nitidamente do porquê eu estava ali. Não deveria ser tão difícil assim. Era precipitado, eu sei, porém era isso ou eu morreria. Preferia ser precipitada.
- Preste atenção no que vou dizer, por favor – segurei o seu rosto entre as minhas mãos – E só diga sim ou não. Ok? – ele assentiu, olhando-me de uma maneira estranha. Respirei fundo e praticamente vomitei as palavras – Quer namorar comigo? – Tom arregalou os olhos e abriu a boca para dizer algo – Sim ou não, Tom? Depressa!
- É... Eu... Sim? – sorri e selei os lábios dele.
- Obrigada – soltei-o e saí depressa, indo até a saída.
- !
- Mais tarde eu explico! – gritei antes de bater a porta. Corri até a porta da frente no mesmo momento em que o Jaguar preto de meu pai entrava pelo portão. Não evitei o sorriso e corri para a escadaria, a fim de esperar que ele viesse me abraçar. Acho que eu não o via de verdade desde o meu aniversário – Pai! – ele sorriu quando saiu do carro e desci a escada, correndo até ele e o abraçando.
- Princesa, que saudades – fiz uma careta depois do “princesa”. Às vezes ele pensava que eu era uma criança ainda.
- Estava com saudades, pai. Desde o meu aniversário você não parou em casa. Aconteceram tantas coisas! – claro. Coisas que ele nem sequer imagina.
- Ok, então você tem três dias para me deixar a par de tudo. Aí viajo novamente por mais dois dias e volto a tempo para o evento da sua mãe – abri um sorriso enorme para ele e o puxei pela mão para me seguir até dentro de casa.
- Mãe! – gritei assim que abri a porta – Olhe quem chegou! – ela saiu da cozinha vestindo uma legging branca e uma camisa comprida azul que realçava os seus olhos e destacava os longos cachos castanhos.
- Querido! – ela sorriu e foi para perto de nós, selando os lábios de meu pai e o abraçando em seguida. Harry desceu as escadas, já trocado, vestindo uma bermuda e uma regata branca. Estranhei Dougie não estar em casa hoje, porém nenhuma das meninas estava também. Quer dizer, às vezes parecia que eles moravam em casa!
- Tio Robert! – Harry o abraçou, batendo a mão em suas costas.
- Harry, achei que fosse ficar aqui só até o fim das férias – o garoto olhou, fingindo estar ofendido e balançando a cabeça ironicamente.
- Está vendo, tia Lizzie? Tio Robert já está me expulsando da casa dele – rimos e meu pai deu um soquinho no menino.
- Oras, Harry, fique quieto. Você sabe que pode ficar aqui o tempo que quiser. É o meu sobrinho preferido!
- Bem, sou o único – Harry coçou o queixo pensativo e rimos novamente – Bom, os meus pais resolveram que não vão voltar para cá. Vão continuar em York e eu não queria sair da minha faculdade. Depois de ter viajado pela Europa nas férias, fiz um amigo, Dougie. Ele é de Bristol e veio para cá comigo – meu pai balançou a cabeça, concordando, e sorriu em seguida.
- Bom, vou subir, tomar um banho e então vou descer para almoçarmos – sorriu novamente e deu um beijo nos lábios de minha mãe, subindo em seguida acompanhado de Harry, ambos falando sobre algo em que eu e minha mãe não estávamos interessadas.
- Por que não me ajuda, ? Resolvi me aventurar na cozinha hoje – soltei uma gargalhada e assenti, seguindo-a até a cozinha.
Coloquei-me ao seu lado, ajudando-a a cortar os ingredientes para que ela fizesse a torta preferida do meu pai. Só espero que dessa vez não deixe passar do ponto e queimar, ou exagerar no sal. Bem, a minha mãe era um desastre na cozinha. Depois de quase explodir o forno, é Mary quem faz o almoço do meu pai. Mas ele não sabe disso. É claro.
- Vai contar para ele? – às vezes penso em minha mãe como minha cúmplice nas minhas “travessuras de criança” como ela gostava de dizer.
- Bom, eu estava planejando a bomba para depois do almoço.
- Não quer esperar a sobremesa? Sabe, fui eu quem fez dessa vez e queria que o seu pai experimentasse antes de sair quebrando tudo – soltei um riso baixo e concordei.
- Não diga isso, mãe. Tenho a impressão de que ele vai sair daqui e ir à casa do Tom matá-lo com as próprias mãos – ela levantou os braços em sinal de defesa e sorriu para mim. Era tão fácil lidar com ela que eu sentia como se estivesse com qualquer uma das minhas amigas.
Alguns minutos depois, estávamos todos sentados à mesa, almoçando. Parecia até estranho as meninas não estarem em casa como todo santo dia, mas hoje era um dia de família.
O meu pai reclamava dos problemas no trabalho. Minha mãe, da dor de cabeça com o desfile que finalmente estaria pronto a tempo e sem atrasos. E eu e Harry... Nós apenas ouvíamos os dois.
- Querida, vou viajar novamente essa semana. Tenho que ir para Essex, contudo serei breve. Estarei de volta a tempo para o seu desfile.
- Espero que esteja – minha mãe reclamou emburrada. Ele sorriu e deu um beijo no rosto dela.
- Como anda a escola, crianças? – Crianças? Assim ele me ofende.
- Anda normal, pai. As mesmas pessoas chatas e metidas de sempre. Estou em algumas aulas com o Ethan – torci o nariz em reprovação, mas o meu pai abriu um sorriso, mostrando os seus trinta e dois dentes – Temos alguns professores novos e uns alunos novatos também. Fiz amizade com dois deles: Daniel Jones e Josh Franceschi – terminei o meu relato com meu melhor sorriso, que foi retribuído por meu pai.
- Josh o quê? – Harry me fuzilou com os olhos e Lizzie e Robert o olharam sem entender. Virei os olhos e olhei entediada para os meus pais.
- Josh é o novo namorado da . Está explicado o estresse do Harry – o meu pai gargalhou e deu um tapa leve nas costas de Harry.
- Primeira decepção amorosa, Harry? Já não era sem tempo. Na sua idade, eu já tinha uma coleção de decepções desse tipo – mamãe cruzou os braços e o olhou com a sobrancelha arqueada. Na idade de Harry, os meus pais já namoravam e acho que ele não devia ter falado isso – Claro que antes de conhecê-la, querida. Depois disso, a minha vida nunca foi tão boa – oh, por favor, como eles parecem adolescentes às vezes!
- Acho bom – mamãe comentou, levantando-se e indo até a geladeira pegar a sua sobremesa tão aguardada.
- Está ótimo, querida! Você que fez? – eu e mamãe trocamos olhares cúmplices e sorrimos. Ela acenou, concordando, e sorriu em agradecimento ao elogio.
Foram alguns dos minutos mais tranqüilos desde a chegada de meu pai até que eu despejasse a bomba sobre ele. Porém, pensando bem, talvez eu esteja exagerando. Ele não pode ficar tão bravo assim porque estou namorando Tom. Certo? Pode ser que ele queira que eu namore Ethan, ou alguém do tipo, mas vai entender a minha escolha. Afinal, já sou grande o suficiente para saber o que é melhor para mim e só peço que meu pai pense dessa maneira.
Tentei o máximo possível adiar que ele acabasse a sobremesa, todavia como nada é perfeito ou eterno ela acabou e eu quase enfartei.
- Bom, vou para o escritório. Ainda tenho algumas coisas para resolver e...
- Pai, será que eu poderia falar um instante com você? É rápido! – Harry e minha mãe olharam ao mesmo tempo para mim e o meu rosto esquentou. Só então percebi o tamanho do meu medo. Porém não podia desistir agora.
- Claro, . Pode dizer.
- Não, não. É... Pode ser no seu escritório? É um assunto meio complicado, eu acho – ele me olhou assustado e assentiu, chamando-me com a cabeça para acompanhá-lo. Minha mãe se levantou e beijou a minha testa. “Vai ficar tudo bem”, foi o que ela sussurrou para mim. Assenti e corri atrás de meu pai até sua sala.
Entrei e fechei a porta, acomodando-me na enorme sala branca com estantes enormes que quase chegavam ao teto, cheias de livros e documentos sobre o trabalho dele. Na enorme mesa de vidro, vários porta-retratos com fotos dele, da mamãe e da família. Algumas até com as garotas que ele praticamente considerava da família. E, na proteção de tela do computador, uma foto da nossa última viagem juntos para a Disney como meu presente de quinze anos.
- Diga, . Tenho todo o tempo para você – ah, ele não diria isso se soubesse o assunto.
- Pai, é uma coisa complicada, mas antes de qualquer coisa só quero que você se lembre: tenho dezessete anos e sei o que quero para a minha vida. Sei tomar as minhas decisões e espero que você respeite isso, por favor – ele apoiou os cotovelos na mesa e cruzou os dedos. Engoli em seco. Era essa a postura que ele tomava quando estava preocupado ou nervoso – Eu estou namorando – ele me olhou por dois segundos e então sorriu.
- Oh, , mas isso é ótimo. Por que seria complicado? Eu entendo. Você está na idade e Ethan é um rapaz tão...
- Não, pai. Você não entendeu. Não estou namorando o Ethan – ele arqueou a sobrancelha e crispou os lábios.
- Bom, quem é então?
- Thomas Fletcher – o rosto dele ficou vermelho e então começou a rir.
- Não... , meu amor, você está brincando comigo. Certo? Não pregue uma peça dessas no seu pai. Estou velho para essas coisas, meu bem – oh, eu sabia, eu sabia. Isso vai dar merda e das grandes.
- Pai, eu não estou brincando. Estou namorando o Tom. Estamos juntos há quase um mês e é dele que eu gosto. Por favor, entenda o meu lado ao menos, pai. Não gosto do Ethan e ele também não gosta de mim. Só acha que gosta. Por favor, só dê uma chance para o Tom. só lhe peço isso – mordi o lábio inferior e olhei suplicante para ele.
- Não, . Pode esquecer – abri a boca para protestar, contudo ele me parou – Não me interrompa enquanto falo – assenti e abaixei a cabeça – , entenda uma coisa: eles são de uma posição social completamente diferente da nossa... Se é que eles têm uma posição – arregalei os olhos incrédulos para o que ele havia acabado de dizer. O sentimento fica onde então? – Não criei você para namorar qualquer um. Muito menos um empregado, e dos nossos ainda!
Nunca pensei que ele pudesse me machucar tanto com tão poucas palavras... Meu próprio pai.
- Você me criou para o que então? – levantei-me e ergui a voz como ele havia feito – Para arrumar um namorado almofadinha que me trate como uma boneca de porcelana? Para que eu me case com um cara que me mantenha de casa como uma madame? Qual é o problema do Tom, pai? Não pode ser a falta de dinheiro. Espero que você não se esqueça de que, na idade dele, você não era ninguém também – o desprezo transbordava nos meus olhos, mas me arrependi de ter falado aquilo assim que o meu rosto ardeu.
- Jamais falte com tamanho respeito comigo novamente.
- Faltar com respeito? – sorri irônica – Ter sido pobre é motivo de vergonha para você, pai? Não fale que foi, por favor, ou vou achar que se casou com a mamãe só pelo dinheiro dela. E, por favor, não perca o seu tempo em levantar a mão para mim novamente – o rosto dele se tornou lívido de raiva e o meu, cheio de mágoa. Eu estava discutindo uma coisa tão idiota com uma pessoa que eu amava tanto, com alguém que eu estava com tantas saudades – Só quero lhe dizer, pai: eu amo você. O senhor nem imagina o quanto e nem a ardência do meu rosto é maior que a dor que estou sentindo de ter ouvido tudo que você falou. Porém não vou deixar o Tom porque eu o amo de verdade e não vim aqui para pedir a sua permissão. Vim para avisar que estamos juntos e que não vamos nos separar – ele abriu a boca para protestar e o parei dessa vez – Não me diga que não tenho idade para saber o que é amor, pai. Na minha idade e na idade do Tom, você e a mamãe estavam fugindo de casa. Por favor, não se esqueça: você era empregado da empresa do pai dela. A história só está se repetindo. Engraçado, não é? Eu ao menos pensei que teria o apoio, pensei que você entenderia, mas não. Posição social, prestígio, dinheiro. Tudo isso é mais importante. Não é? Tudo bem. Se é isso o que você tanto preza, não se preocupe. Não vou atrapalhar os seus negócios. Ninguém precisa ficar sabendo da minha “vida amorosa”. Certo?
Ele deu as costas para mim e se sentou na poltrona em que eu estava há poucos minutos.
- Desculpe – murmurei e saí da sala, batendo a porta com força.

Tom’s POV

Apoiei o meu queixo sobre a cabeça de e passei os meus braços em volta dela, trazendo-a para mais perto de mim. Ela não havia conseguido parar de chorar desde que chegou a minha casa e não tinha conseguido me dizer o que aconteceu também. Todavia não sou idiota o bastante para não saber.
- Ele disse coisas horríveis para mim, Tom. Horríveis! – beijei o topo de sua cabeça e soltei um suspiro longo – Ele me bateu – completou em um sussurro quase inaudível.
- O quê? – puxei-a pelos braços, encarando-a nos olhos, e reparei então que o seu rosto estava vermelho. Não era muito, mas de perto era nítido – Não acredito nisso, ! Eu lhe falei que eu mesmo iria falar com o seu pai. Por que você...?
- Tom, Tom, preste atenção – ela segurou o meu rosto com as duas mãos e me encarou – ia ser pior. De todo jeito, está acabado. Ele não aceitou e não vai aceitar.
- Não, . Ele não podia... Ele é seu pai, por Deus! Se fosse para bater em alguém, não sei, que fosse em mim e não em você! – balançou a cabeça magoada e se acomodou na cama novamente com a cabeça encostada ao meu ombro – Não quero que chore por isso. Vai passar, . Tem que passar. Ele é seu pai. Uma hora vai entendê-la.
- Queria acreditar que é fácil desse jeito – ela se sentou entre as minhas pernas e tocou o meu rosto. Sorriu de canto e encostou os lábios ao meu rosto – Não importa o que vai acontecer daqui a diante, Tom. Não vou deixar você – “nem eu”, sussurrei antes de colar nossos lábios e trazê-la para mais perto de mim. Os seus braços contornaram o meu pescoço e a língua dela procurava ávida pela minha, cheia de paixão e desejo.
Era todo um sentimento novo e forte que crescia entre o nosso contato, que não sabíamos o que era, mas que com certeza nenhum dos dois ia deixar acabar naquele momento.
Puxei o seu quadril contra o meu pelo passa-cinto do short que ela usava e subi as minhas mãos pelas curvas laterais de seu corpo. Troquei de posição e a deitei na cama, espalhando os fios castanhos pelo travesseiro branco. Passei os meus lábios pela sua clavícula e subi pelo pescoço até alcançar o maxilar. emaranhou os seus dedos entre os fios curtos do meu cabelo e os puxou com mais força que o normal quando coloquei as mãos dentro da camiseta que ela usava. Travei por um segundo e olhei nos olhos dela, imaginando se eu deveria continuar ou não. A resposta veio com o seu sorriso e as mãos ágeis que levantaram a minha camiseta e a jogaram em um canto do quarto.
- Tem certeza do que você está fazendo?
- Já tem alguns minutos que não tenho nem certeza do meu nome mais – riu contra os meus lábios, puxando o meu lábio inferior com os dentes.
- ...
- Tom! – ela se sentou e me olhou com as duas sobrancelhas arqueadas – Você é um ótimo “estraga-momentos” – puxou-me pelo pescoço de novo e selou os nossos lábios – Curta o momento. Só isso.
Eu estava permitindo que os instintos dominassem cada segundo daquele momento, sem pensar nas conseqüências que viriam depois.
- Ah, claro, e o que faço depois de “curtir”, então? – na verdade, eu estava com vergonha de admitir, porém não era um cara que havia feito aquilo muitas vezes e ela, bem... Aparentemente era mais experiente que eu nesse assunto. Só aparentemente, eu espero.
- Depois não sei, mas sei o que você pode fazer agora – resmunguei algo inteligível para que ela continuasse – Surpreenda-me – sorri vencido, entregando os pontos a ela. Ok, . Você venceu.

Capítulo 12 – Someone Like You
I've been looking for someone like you.


’s POV

- Como assim namorando? Como assim você não contou nada para nenhuma de nós, ?! – balançava os braços de forma espalhafatosa e havia se sentado com no chão sobre as almofadas.
- Desculpem – levantei os braços em sinal de defesa – Eu queria colocar tudo em ordem. Ok? Mas colocar em ordem só deu mais merda ainda - temos cinco dias para o evento de minha mãe, meu pai não estava falando comigo, minhas amigas, em crise porque eu não havia contado sobre o Tom e eu queria que todo mundo fosse para o inferno.
- Ah, claro! Tem mais alguma coisa que eu preciso saber sobre você, ?
- Você não precisa falar dessa maneira comigo! – elevei o tom de voz e se levantou nervosa.
- Corte essa, . Você nunca escondeu nada de nós. Por que isso tudo agora?
- Grande ironia – apontei um dedo em seu rosto – Você também não tem nada para nos contar, ? Não sei se vocês repararam, mas ela anda estranha demais! – ficou em silêncio e se sentou novamente – Eu sabia – sorri de canto – E você, ? Você, ? O que mais uma esconde da outra agora? Desde quando existem segredos? Tive motivos para os meus e espero sinceramente que vocês também tenham para os de vocês!
- Somos quatro grandes imbecis – largou suas costas contra a cama.
- Ok então – sorri incrédula e chamei e para se sentarem comigo e na cama – Estou há quase um mês com o Tom. Eu... Bem, pedi-o em namoro ontem antes de contar ao meu pai que estávamos juntos e...
- Espere - me interrompeu com um sorriso – Você o pediu em namoro? Qual é, ? Você é o príncipe e ele, a mocinha? – nós quatro caímos na gargalhada e balancei a cabeça, negando.
- Quase isso – arqueei a sobrancelha da mesma maneira que Harry fazia e sorri – Bem, continuando... Conversei com meu pai ontem. Ele ficou furioso, é claro, e proibiu qualquer contato com o Tom. Nós brigamos, não estamos mais nos falando e o resto vocês já sabem – soltei um suspiro longo.
Tem mais alguma coisa, ? – apoiou o queixo na mão direita. Neguei e olhei para o lado. Droga, não sei disfarçar – Tem certeza?
- Bom, nós dois... Sabe... – cocei a nuca e sorri amarelo. Eu realmente não sabia como falar aquilo para elas.
- AH, MEU DEUS, VOCÊS TRANSARAM?!
- CALE A BOCA, ! – pulou sobre ela e tampou sua boca com a mão. Dei um tapa na testa, virando os olhos em seguida.
- Cara, se alguém ouviu isso, estou ferrada – olhei para e comecei a rir de repente. e arquearam a sobrancelha e continuou rindo comigo – Ok, ok. Foi isso o que aconteceu – havia dois olhares céticos e um pervertido em minha direção. Eu poderia escolher encarar se sua expressão não fosse tão... Safada. Desde quando ela ficou assim? – Sem ceticismo e sem perversão, por favor. Só rolou – abriu a boca para falar algo, mas a impedi – Não quero falar disso no momento. Sua vez, . O que tem de errado com você? – virou os olhos e cruzou os braços inquieta.
- De errado? Errado nada. Só de certo – ela abriu um sorriso sonhador, mas o fechou no mesmo minuto – Mas não é nada demais. Só um rolo.
- Um rolo? – sorriu e olhou de mim para – Sei.
- É, mas não vou falar nada por enquanto. Quero saber se vai dar certo.
- Nem vai me contar de quem se trata? – juntei as mãos em um gesto inocente e sorri para ela.
- Não. Vocês não o conhecem – ela desconversou e olhou para os lados. Aí tem, colega. Aí tem.
- Ok, ok – minha vez de rolar os olhos – Você, , tem algo para nos contar? – os seus olhos baixaram e seus dedos se enroscaram uns nos outros. E então eu já sabia. Ela estava nervosa, porém também estava feliz e não tinha nem idéia de nos contar o que estava acontecendo, embora eu fosse inteligente o bastante para saber que envolvia o Dougie.
- É que... Sabe... O Dougie se declarou para mim. E nós estamos ficando. E é isso. Estou curtindo-o. Só isso.
- Que ótimo. Pedimos demissão do clube das encalhadas todas ao mesmo tempo! Isso é tão clichê que chega a dar tédio – se deitou na cama e estalou os dedos – Quer dizer, não necessariamente ao mesmo tempo. Faz quanto tempo que você encontrou sua alma gêmea, patricinha? – olhou para .
- Ele não é minha alma gêmea, – ela bufou.
- Que seja. Há quanto tempo?
- Só alguns dias – respondeu impaciente. Ela estava decidida a esconder algo de nós.
- O que vamos fazer hoje? – se deitou ao lado de , encarando o teto branco do meu quarto. Eu e nos juntamos a elas e sorriu em seguida – Vocês se lembram da última vez que nos deitamos assim? Foi no seu aniversário, , logo depois que chegamos aqui! Então pegamos filmes para assistir e Mary veio aqui nos chamar para fazer muffins! Foi nesse dia que você reparou no Tom pela primeira vez.
- Será que ela aceita dividir um pouco dessa boa memória comigo? Não me lembro nem do que tomei no café da manhã! – comentou, fazendo todas nós cairmos na risada.
- Ei, eu me lembro disso! – levantei o braço e fiz um high five desajeitado com - Acho que foi um dos melhores dias da minha vida.
- É, também acho – completou e ficamos em silêncio.
Depois que se passaram cinco minutos, continuávamos quietas, só olhando para o teto.
- Meu Deus! – ergui meu corpo depressa, colocando-me de pé em poucos segundos – Combinei de ir com o Tom ao shopping comprar algo para ele vestir no evento. Deus do céu, eu me esqueci. Deveria estar pronta há meia hora! – comecei a correr pelo quarto, tirando a roupa pelo caminho e atirando as peças para todos os lados, deixando-as onde caíam. As meninas apenas acompanhavam os meus movimentos com os olhos entediados.
- Legal. Agora seremos trocadas pelo namorado. Que ótimo! – ironizou, piscando para mim. Soltei uma gargalhada alta e mandei um beijo para ela.
- Ninguém toma o seu lugar no meu coração, baby – ela sorriu satisfeita e se jogou na cama novamente – Querem ir também?
- E segurar vela? Não mesmo! Vou ficar aqui e jogar Need For Speed com o Harry quando ele e Dougie chegarem.
- Acho que eu e a vamos ficar e assistir. Certo, ? – fez um jóia com a mão direita e rolei os olhos. Segurar vela? Ah, claro!
- Certo. Fiquem então que vou sair com meu namorado – frisei o “namorado”, fazendo as três levantarem os dedos do meio para mim – E gastar horrores – mandei um beijo no ar para elas e saí encostando a porta – A parte do gastar horrores é brincadeira – gritei para elas antes de descer as escadas de dois em dois degrau.
- Olhe só – passei pela cozinha e encontrei minha mãe encostada à bancada, bebendo um copo de água – Aonde você vai, mocinha? –sorri para ela e beijei sua bochecha.
- Vou sair com o Tom para escolhermos algo para ele usar no desfile – ela sorriu e assentiu – Papai está em casa?
- Está, mas... – ela piscou marota para mim – Acoberto você – soltei uma gostosa gargalhada e beijei seu rosto. Tenho de fato a melhor mãe do mundo!

Bati na porta de Tom e esperei alguns segundos antes de ouvir passos e um Tom mal-humorado abrir a porta.
- Vamos, Julieta? – dei-lhe meu melhor sorriso e pisquei infantilmente.
- Julieta – ele resmungou, virando os olhos e sorrindo em seguida – Não consigo ficar bravo com você.
- Isso vai ser de ótimo uso quando casarmos. Sabe? – disse pensativa e o ouvi rindo. Enganchei meu braço ao dele e estava pronta para puxá-lo até o carro, quando ele me parou – Vamos lá, Tom. Já não basta eu ter atrasado!
- Ah, , isso não vai dar certo – levantei a sobrancelha em sinal de questionamento – Sabe... Seu pai vai estar lá e é o evento da sua mãe, que ela demorou tanto para organizar. Não vou me encaixar lá, . Vai ser sua família, seus amigos e eu não faço parte de nada disso – suspirei vencida e me sentei ao lado dele na escada que havia em frente da casa.
- Quantas vezes vamos ter que discutir isso, Fletcher? Você é meu namorado. Minhas amigas o aceitam numa boa, minha mãe também e até o Harry. Pensa bem. É o Harry! Por que você se preocupa tanto com meu pai? Acho que você não entendeu ainda! Para minha mãe, Harry e minhas amigas, basta que eu seja feliz. E você me faz feliz – um sorrisinho que misturava alívio, satisfação e convencimento apareceu no rosto dele. Sorri e me coloquei de pé, estendendo a mão para ele – E aí? Vai continuar sentado depois de toda essa lição de moral? – Tom sorriu de lado e negou, levantando-se – Vamos lá. Scott está nos esperando – pisquei para ele, indo em direção à garagem.
Scott estava – como sempre – cuidando dos carros. Bati com os nós dos dedos na porta, avisando que havia chegado, e o senhor já de idade se virou para nós e sorriu.
- Scott, pode nos levar ao shopping? Temos certo problema para resolver! – ri de leve e vi o rosto de Tom ficar vermelho. Scott assentiu e abriu a porta do Jaguar, indicando para entrarmos. Tom apertou minha mão de leve – Vamos lá, Tom. É só um carro. Não vai morder você!
- Ok – ele respirou fundo e deixou que eu o guiasse até o banco de trás. Scott levantou uma sobrancelha para Tom, o que fez suas bochechas se avermelharem de novo. Joguei a bolsa em um canto do banco e me esparramei nele. Tom estava ao meu lado, travado, sem mexer um músculo. Deus do céu, isso tudo era medo? Balancei a cabeça, rindo baixinho. Apertei o botão do controle remoto que subia uma parede entre Scott e nós dois e me joguei no pescoço de Tom, colando os lábios fervorosamente aos dele. – ! Aqui não, por favor.
- Ah, Tom, qual é? Ele não vai ouvir a gente – lancei meu melhor sorriso de conquistadora barata para ele e comecei a rir imediatamente do seu rosto em choque – Estou brincando, Fletcher! Pelo amor de Deus, se solte, Tom! – vi um sorriso aparecer no canto do lábio dele e logo se espalhar pelo rosto todo. Tom balançou a cabeça, concordando, e me puxou pela cintura para mais perto dele.
- Aonde vamos afinal? – perguntou depois de alguns minutos em silêncio.
- Ao shopping. A uma das lojas de minha mãe especificamente. Ela comentou que pode ter algo legal lá para você – sorri para ele e olhei o relógio em meu punho. Já estávamos quase lá.
- , sabe, não trouxe muito dinheiro. Você sabe como é... E eu... – massageei as têmporas com os dedos e respirei fundo. Forcei um sorriso contrariado e olhei para ele.
- Não vamos discutir sobre isso mais uma vez, Thomas – disse com firmeza. Ele abaixou a cabeça e ficou em silêncio. Eu odiava isso. Odiava toda essa diferença que teimava fazê-lo pensar que não podíamos ficar juntos. Odiava qualquer coisa que fizesse menção de tirá-lo de perto de mim – Ei, vamos lá – entrelacei os meus dedos aos dele e o chamei com a cabeça, puxando-o do carro – Scott, pegue o resto da tarde de folga. Ligo para a minha mãe quando estiver pronta – sorri para ele e dei um beijo em seu rosto. Scott sorriu e assentiu, ligando o carro novamente. Acenou para Tom antes de sair – E aí? Vamos lá? – Ele sorriu desconcertado e concordou.
Apertei seus dedos contra a minha mão e o puxei shopping adentro. Às vezes eu comentava algo com ele que apenas me dava respostas monossilábicas ou balançava a cabeça concordando.
- Ali! – sorri e apontei a fachada da loja de minha mãe. Tom hesitou por um segundo, mas me seguiu quando o puxei. Antes mesmo que eu pisasse na loja, mais da metade das funcionarias vieram para o meu lado para nos atender. Elas queriam mostrar trabalho, é claro!
- ! Que prazer ver você aqui! Posso ajudá-la em alguma coisa? – lancei um sorriso enviesado para a moça, porém balancei a cabeça educadamente negando. Eu sabia me virar por ali.
- Não se preocupem. Já tenho o que preciso em mente – pisquei para Tom e agradeci a elas com um sorriso. Puxei-o até onde ficavam camisas, ternos e gravatas. Ele não precisaria se vestir como um executivo, mas precisava de algo mais social – Divirta-se! – soltei a mão de Tom e apontei para o mar de roupas masculinas à sua frente. Ele me olhou com a sobrancelha arqueada, como se perguntasse se eu não ia ajudá-lo a escolher.
- Está de brincadeira comigo, né? – soltei uma risadinha e fui para o lado dele.
- Ok. Ajudo você, contudo vou cobrar depois – ele riu e me senti uma boba ao ver o sorriso terrivelmente lindo que eu mais amava.
Passei a mão em todas as peças que pensei que combinariam com ele e depois disso o puxei para dentro de um dos enormes provadores.
- Está louca? Vai entrar comigo? – revirei os olhos e o empurrei para dentro.
- Ande logo, Tom! – entrei e fechei a cortina que dava acesso para a loja – Venha aqui – puxei-o pelo braço e comecei a desabotoar a camisa branca que ele usava. Este arregalou os olhos levemente e me encarou como se eu fosse louca. Eu era de certa forma – Tom, já vi tudo o que você esconde debaixo da roupa. Não precisa ter vergonha – sorri marota para ele e joguei a camisa em algum canto do enorme provador – O que você acha dessa? – estendi uma camisa vermelha para ele que aceitou e a colocou, abotoando-a em seguida – E essa calça... – joguei a peça para ele por cima dos ombros, permanecendo de costas – E essa gravata – joguei a última peça e sorri, virando-me para encontrar um Tom completamente confuso com o nó da gravata. Soltei uma gargalhada e fui para o lado dele, trabalhando no nó.
Quando terminei, sorri e escorreguei as mãos para o peito dele. Levantei o meu rosto a tempo de vê-lo chegar perto de mim e puxar meu lábio inferior entre seus dentes. As suas mãos foram para minha cintura e escorregaram para o meu quadril, obrigando minhas pernas contornarem a sua cintura. Eu não faria nenhuma objeção em relação a isso, é claro. Ele andou até a parede e me encostou à superfície fria; Apertei seus ombros e escorreguei meus lábios para seu rosto. Estávamos ofegantes, com o coração descompassado. Pelo canto do olho, fitei-nos no enorme espelho que estava de frente para mim.
- Onde você estava esse tempo, Tom? – ele soltou uma risada nasalada e trilhou todo meu pescoço com beijos.
- Bem debaixo do seu nariz. Você só demorou para perceber – revirei os olhos pela quadragésima vez naquele dia. Sempre engraçadinho – Amo você, . Nunca tenha dúvidas disso – sorri e encostei minha testa à dele, juntando os nossos lábios.
- Também amo você – Tom curvou os lábios para cima e me prensou mais uma vez na parede, fazendo com que eu me esquecesse do mundo.

Duas horas depois de muitos amassos – se é que me entende – no provador da loja, e minha mania compulsiva por roupas, estávamos sentados no McDonald’s, rodeados de sacolas e enchendo a cara de hambúrguer.
- Para uma pessoa como você, até que fiquei orgulhoso do tamanho do seu lanche – olhei para ele, fingindo-me de ofendida.
- Está querendo dizer o que com isso? Até falo de boca cheia! – Tom riu e o acompanhei – Sou a patricinha de Beverly Hills mais louca que você conhece! – parei por um segundo e levantei a sobrancelha – Mentira. Não sou uma patricinha nem sou de Beverly Hills.
- E eu não conheço ninguém de Beverly Hills!
- Sabe que... – coloquei a mão no queixo e olhei para ele – Nem eu! – nós dois rimos gostosamente – Mas continuo sendo diferente – pisquei para ele.
- Claro. Você fala de boca cheia, – engraçadinho, não?
- Quando a me vê falando de boca cheia, ela surta – soltei uma risadinha – A dá risada. Ela também faz isso. A não liga, completamente neutra – sorri com o canto dos lábios.
- Vocês são muito amigas, né?
- Completamente diferentes, mas sim, somos inseparáveis. foi a última a se juntar. Ela chegou ao colégio na oitava série, um ano mais nova que eu e e dois que . é minha amiga desde... Bem, desde sempre. E o pai de é amigo de meu pai. Colegas de trabalho – sorri, terminando o lanche e colocando a lata de Coca-Cola vazia de lado – Quer dar uma volta antes de ir? – ele assentiu, terminando o refrigerante e se levantando, enquanto me ajudava com as sacolas e entrelaçava os dedos aos meus.
Encontramos algumas meninas do colégio enquanto andávamos pelo shopping. Algumas sorriam para mim e outras mediam Tom de cima até embaixo, perguntando-se quem era ele.
- Você é popular – revirei os olhos.
- Não que eu goste disso – voltei a olhar para frente e vi uma daquelas enormes máquinas com ursos de pelúcia dentro. Havia um enorme urso marrom com um coração nas mãos escrito “I Love You”. Clichê, eu sei – Ah, olhe que graça! – Tom me olhou e sorriu, soltando minha mão e indo em direção à máquina – Tom! Não precisa. Eu... – ele apenas levantou a mão e colocou uma moeda na máquina. Minutos depois, eu estava rodeada de sacolas e um urso enorme nos braços.
- Sabe... Além desse coração que ele tem nas mãos, vem com mais um.
- Sério? Onde? – virei o ursinho, procurando qualquer lugar onde pudesse ter um coração.
- Vem com o meu – disse perto do meu ouvido, provocando um sorriso no meu rosto. Beijei o canto de seu lábio inferior e o abracei desajeitada pela cintura,
- Você não existe, Tom!
- Tem razão. Não mesmo. Sou um Jedi disfarçado – uma vez Tom Fletcher, sempre Tom Fletcher.
Ri bobamente e enrosquei as sacolas no braço mais uma vez, entrelaçando nossos dedos. Dei um toque com dificuldade no celular de minha mãe para que ela fosse nos buscar. Dois segundos depois, o meu celular tocou.
- Oi, mãe!
- Estou vendo vocês daqui. Sabe... Minhas suspeitas de que formam um casal bonito são verdadeiras – arqueei a sobrancelha e olhei em volta. Encontrei-a parada em frente a uma loja de perfumes, acenando para nós. Sorri e puxei Tom até ela. Ela sorriu para mim e olhou Tom em seguida – Olá, querido. Como vai? – Tom retribuiu o sorriso dela.
- Bem. Obrigado – mamãe sorriu e piscou para mim.
- Estão de saída? – afirmei com a cabeça – Que ótimo! Eu também estava. Vim apenas comprar o presente da Rebecca. Você sabe, não é, ? Hoje é aniversário dela e vocês dois estão convidados. Provavelmente Dan e os amigos dele vão estar lá. namora um deles não é? – sorri em resposta.
- Claro que vamos, não é, Tom? Assim você já conhece o Josh e o Dan. Ele me importunava quando éramos mais jovens, mas é um cara legal! – Tom fez uma cara de quem pensa em recusar, mas arqueei a sobrancelha da mesma forma ameaçadora que Harry fazia, fazendo-o desistir de sua próxima fala.
- Vou. É claro que vou – dei um pulinho animado e beijei seu rosto, piscando para minha mãe em seguida. Ela riu e indicou a saída para nós.
Quando ela estava a uma distância considerável de nós, Tom me puxou para mais perto dele e sussurrou com a voz estrangulada – , não conheço ninguém dessa festa – olhei séria para ele com cara de ofendida.
- Mas é claro que conhece! Eu! – a brincadeira quebrou a tensão do momento e ele riu baixinho comigo – Fale sério, Tom. Também conheço pouca gente. Só a Becc, o Dan e o Josh. Fora as meninas. Elas também vão. E Harry e Dougie também. Provavelmente Rebecca convidou a patota toda pelo visto – sorri animada – É uma oportunidade de você fazer novos amigos. Harry tem cara de mau, porém é uma pessoa incrível e Dougie é muito legal também. Tem histórias super legais sobre Bristol. Vocês vão se dar bem. Ok? – ele assentiu e voltou a andar. Não disse mais nada até chegarmos ao carro.
- E as compras? – minhas mãe perguntou, ligando o carro e olhando a grande quantidade de sacolas espremidas com Tom no banco traseiro – Muitas pelo visto. Faliram a minha loja? – olhou curiosa para mim e caímos na gargalhada.
- Metade dela está no seu carro agora – disse zombando – Quem diria... A obra-prima volta para a casa da criadora – ela rolou os olhos e ligou o rádio, cantando “Fight For Your Right” dos Beastie Boys.
- You gotta fight for your right – Ela olhou para mim e dissemos completamos juntas – To paaaaarty! - Tom olhou boquiaberto para ela. Sorri para ele pelo espelho.
- É, Tom. Minha mãe gosta de Beastie Boys. Uma de suas bandas preferidas – ela riu gostosamente.
- Eu, bem, não imaginava. Beastie Boys é uma das MINHAS bandas preferidas e não imagino pessoas como a senhora ouvindo essas coisas. Elvis talvez, mas... Beastie Boys?
- Primeiro, Fletcher, senhora é a dona sua mãe, com todo respeito. Não me faça sentir mais velha do que já sou. E outra: acha que a herdou o bom gosto musical de quem? Do pai é que não foi. Ele ouve música clássica! – ela fez uma careta e riu em seguida. Tom ficou vermelho, mas logo estava rindo conosco também.
Quando as risadas cessaram, reparei que estávamos em casa. Pulei do carro e abri a porta detrás para ajudar Tom. Peguei minhas sacolas que davam mais da metade do total e entreguei o restante a ele.
- Ah - murmurei depois de dar um selinho nele – Não se preocupe com roupas. Ok? Se você colocar uma camiseta do Ramones, Becc vai amá-lo pelo resto da eternidade – pisquei para ele e o observei assentir sorrindo, voltando para sua casa.
- Divertiram-se? – ergui as sacolas e ela sorriu.
- Você acha? – subi os degraus depressa para encontrar uma cena bem engraçada. Harry havia levado mais uma buchada de em Need For Speed Carbon – Harry, perdeu de novo?!
- Ela rouba, ! Não sei como, mas rouba!
- Ah, mas é claro – disse zombeteira, chamando as garotas para a escada – Tenho presentes, chéries! – largou o controle e correu para meu lado. Ela vivia na loja de minha mãe gastando, porém também não negava nenhum presente que saísse de lá. tirou os fones do ouvido e calçou o All Star que estava no chão de qualquer jeito. tirou o braço do ombro de Dougie e deu um beijo em seu rosto. Achei a coisa mais fofa do mundo! Corremos até o quarto e joguei as sacolas no chão junto com muitas almofadas – Estão sabendo que temos um evento importantíssimo hoje? – as três me olharam com cara de nada, esperando uma resposta – Não sabem? Aniversário de Rebecca Flint, meninas. E pensei que você... - apontei – Soubesse. Afinal, namora o amigo do filho dela.
- O amigo do filho, . Não o filho. E não estamos “namorando” – ela rolou os olhos.
- Que seja. Mas enfim... Estamos todas convidadas, inclusive Dougie, Harry e Tom! – juntei as mãos em um ato feliz.
- Menos, Bel. Sem exageros – encostou-se à cama entediada – Enfim, tenho mesmo alguma saída além de ir com vocês? – eu, e olhamos sorrindo para ela e dissemos juntas.
- Não!
- É, eu já sabia – rimos e nos levantamos, puxando conosco e sorrindo maliciosamente para ela.
- , hoje você vai abalar a festa ou eu não me chamo – ela me olhou assustada e arregalou os olhos em seguida.
- Ah, não, . Por favor, não!
- Esqueça, . Você não tem mesmo outra saída – ela bateu a mão na testa e olhou para os lados duas vezes, certamente tentando calcular se conseguiria escapar de nós. Mas se escapasse agora, não ia fazer tanta diferença.
- Ok. Vamos lá – disse mal-humorada, caminhando para o banheiro.
- Yay! – nós três gritamos juntas e corremos para junto dela, fechando-a no banheiro.
Senhoras e senhores, apresentaremos a vocês hoje a nova . O mundo que a aguarde!

’s POV

- Vocês vão me pagar. É sério! – saí do banheiro completamente desengonçada em cima de um salto que deveria ter uns mil metros de altura. Pelo amor de Deus, como se anda em cima dessa coisa?!
- Calada, . Você está linda. Ok? – disse ofendida. Ah, claro. A responsável por praticamente toda a transformação foi ela – Superei-me dessa vez. Não foi? – Perguntou animada para e . As duas concordaram animadas – Achei que você fosse um caso perdido, , mas não. Ficou bonita mesmo – ela sorriu verdadeiramente e me levou para diante de um espelho. Oh, não. Vou ver o estrago que ela fez em mim – E então? – auto-analisei minha imagem, cuidando para que meu queixo não caísse. Ok... Quem era aquela bonitona no espelho junto de ? Não podia mesmo ser eu.
- Hum, é. Até que ficou...
- Não ouse dizer bom! Você está linda, ! – ralhou comigo e virei os olhos – Só falta uma coisa – pegou o pingente de coração que elas haviam me dado, onde estava uma foto nossa, e jogou para mim. Coloquei no pescoço e ela sorriu – Oficialmente pronta! – sorri sem jeito para ela e me olhei no espelho de novo.
havia feito uma maquiagem não muito carregada. Ela sabia que eu não era fã. Porém marcou meus olhos com lápis preto. prendeu meu cabelo, o que me fez parecer outra pessoa, já que eu não prendia o cabelo nem se fizessem macumba para mim. Pois é. Não cuspa para cima. Vai cair na sua testa. Mesmo prendendo em um coque frouxo, alguns fios caíam em volta de meu rosto. fez o grande favor de escolher um vestido preto de cetim, grudado ao meu corpo e que fazia o favor de me tampar só até metade das coxas. Apesar de ser muito bonito, não era exatamente o tipo de vestido para mim. E, por fim, escolheram um par de sapatos de salto vermelhos. Como era o nome mesmo? disse que era algo como meio-pé. Ou seria meia-pata? Que seja. Não sei nada de mod. Só sei que, se eu me aventurar por uma escadas ou um chão que tenha buracos e pedras, o estrago vai ser feio. Quem sabe eu tenha que fazer uma plástica para concertar meu rosto depois do tombo. Só precaução.
- Só essa tatuagem estranha que deixa você parecendo um...
- Ei! Respeito. Ok? – se referia à tatuagem da fênix que tomava boa parte das minhas costas. Tinha um significado importante para mim, mas sempre implicava.
- Qual é, ? A tattoo da é o charme do look! – piscou para mim, fazendo-me rir. Agradeci com os olhos e suspirei.
- Ok. Será que nós podemos ir logo? Vocês gastaram a tarde para me arrumar! – elas riram e assentiram correndo para um dos banheiros da enorme casa da , a fim de se arrumarem decentemente. Afinal, todas elas estavam descabeladas, suadas, de jeans e tênis. É, amigo. Deixar-me apresentável é uma missão quase impossível. Só falta a música tema do filme para ficar completo.
Gracinhas à parte, sentei-me na cama – para não desmanchar nada que elas tivessem feito ou apanharia até a morte depois – e fiquei fitando os muitos pôsteres de . Alguma coisa tocava no iPod dela no banheiro. Acho que era... Good Charlotte? Vindo dela, muito provavelmente.
Dez minutos depois, elas continuavam no banheiro e eu estava ficando irritada. Levantei-me em um pulo, esquecendo-me o salto e quase me esborrachando no chão.
- Merda! – disse baixinho, andando devagar até a porta. Andei com cuidado até a escada e respirei fundo umas dez vezes antes de descer. Na décima primeira respiração, enfezei-me e tirei os sapatos, descendo descalça. Não sei onde estavam com a cabeça de me vestir com isso. Pelo amor de Deus, deixa-me parecendo uma puta! Andei decidida até a geladeira, resmungando algo incompreensível e não reparei no dono do par de olhos azuis que me olhava sentado sobre o balcão.
- Judd – disse com desprezo, fechando a geladeira e virando o copo de água que havia pegado de uma só vez.
- Quê? Ah, é. Sou eu. Por quê? – questionou naquele tom de voz irritante que odeio.
- Nada – disse indiferente, indo até a mesa e me sentando na cadeira mais próxima. A verdade é que com Harry perto de mim, eu não estava muito em meu estado normal. Sabe como é... Ainda gosto dele. NÃO! Amo o cara, droga! Argh, cadê seu orgulho, ? Cadê? Você não pode simplesmente admitir que ama Harry Judd dessa maneira.
Cruzei as pernas da melhor forma que pude, já que eu não ia conseguir sentar como eu sempre sento. Pernas abertas e vestidos não cabem na mesma frase, a não ser que você seja uma vadia. Daí podemos pensar. No reflexo, olhei para Harry e seus olhos prenderam os meus. Olhei-o tempo suficiente para mandar minha integridade, orgulho e sanidade para o espaço. Integridade? O que é isso mesmo? Harry desceu da bancada e veio até mim como um tigre. Comparação estranha, eu sei, mas a maneira como ele me puxou daquela cadeira, prensou-me contra a pia e me beijou, amigo, não foi normal. Sabe quando você simplesmente não resiste aos desejos carnais? Pois é. Eu e Harry tínhamos esse tipo de problema quando namorávamos. Qualquer desculpa era boa para nos agarrarmos.
E esse beijo, por Deus... Senti falta de como era beijar Harry, considerando que da última vez eu estava bêbada. Mas aqueles lábios que sabiam exatamente como se mover... Como pude me esquecer disso? Ah, não esqueci. Só penso nisso para tentar tirá-lo da minha cabeça. Mas como se esquece de alguém que você ama? Ah, claro. Resposta irônica: não se esquece. Mas espere aí. Não namoramos mais. Ele me traiu, eu o odeio e porque mesmo eu estou beijando-o?
- Está maluco, Judd? – afastei-o para longe de mim com toda a força que consegui. Olhei embasbacada para ele. Nós dois com respirações ofegantes e, certamente, vermelhos.
- Eu, ... Ah, sei lá. Desculpe! – ele passou a mão no cabelo e se virou subindo para o quarto, deixando uma completamente estupefata escorada na pia da cozinha. Foi tudo tão rápido e intenso que mesmo depois de alguns minutos eu não conseguia assimilar. Depois me perguntam por que eu sou louca. Querem mesmo saber?

Capítulo 13 – Something Else
She is a diamond. I am a stone.


Peeps, recado! Aqui nós temos duas músicas no capítulo.
A primeira é Something Else do Good Charlotte e a segunda,
Fireworks do You Me At Six.
Vou avisar quando você deve soltar cada uma delas. Ok?



’s POV

Depois de muito ouvir que eu estava atrasada e aquela baboseira toda, saí do meu quarto devidamente pronta para festar a noite toda. Festa? Ha, era comigo mesmo!
- Fiu-fiu. Está uma gata! Mas vamos que estamos atrasadas – me puxou impaciente. Tinha algo naquela festa para ela querer ir rápido. O que era eu não fazia idéia. riu dela, abraçada com Dougie na garagem ao lado do carro dele. Soltei um sorriso tão emocionado ao ver eles dois que por pouca coisa não chorei.
Eles eram perfeitos um para o outro. Sabe? Estava feliz por ser acertar com alguém novamente e Dougie fazia bem a ela. Isso é bom.
- Ok, , ok. Um minuto. Pode ser? Vou buscar o Tom – ela bufou impaciente e balançou as mãos, apressando-me. Dei uma corridinha até a casa dele e bati na porta. Foi a mãe dele que abriu.
- , querida. Entre. O Tom está pronto, mas ainda não saiu do banheiro. Às vezes, quando vai sair com você, parece uma moça. Só sai de lá quando acha que está tudo no lugar – ela piscou para mim e eu ri.
- Valeu, mãe! – ele fez um joinha para a mãe e revirou os olhos, vindo para meu lado e beijando meu rosto. Ela apenas sorriu e se voltou para dentro da casa.
- Divirtam-se. E, Tom... Juízo. Ok?
- ‘Ta, mãe. Tchau! – puxou-me pelo braço e bateu a porta. Eu apenas ria, tenho certeza que as nossas mães se dariam bem. Elas são modernas demais para a nossa segurança – Você está linda, – corei e ri agradecendo – O que foi?
- Normalmente os caras com quem eu saía me olhavam e diziam que eu estava “gostosa” – fiz uma careta. – É bom ouvir elogios como o seu às vezes.
- Bom, não sou totalmente como os outros caras, mas quer saber a verdade? Você está gostosa mesmo – Tom deu uma bela secada em minhas pernas e levantou a sobrancelha de uma maneira safada. Revirei os olhos e dei um tapa em seu braço – O que foi? Você mesma que disse que os outros caras falam isso. E só estou falando a verdade. Ok. Eu paro – Deus do céu, Tom não deveria ter feito amizade com Harry. Os dois estão ficando iguaizinhos!
- Eles chegaram finalmente! Vamos lá, gente – era balançando os braços de forma espalhafatosa. Ela entrou no banco traseiro do carro de Harry junto com e . Harry e Dougie acenaram para Tom que retribuiu com uma pontinha de animação no rosto.
- Não lhe disse que eles eram legais? – o cara sorriu e me puxou mais para ele – Minha mãe deve estar descendo. Já estamos em cima da hora. Vamos com ela. Tudo bem para você?
- Com a sua mãe? Mas o seu...
- Relaxe. O meu pai está ocupado demais para ir a uma das festinhas da minha mãe. Vamos somente nós três – ele relaxou e acenou em afirmativa.
- Prontas, crianças? – ouvi a voz de minha mãe e nos viramos para ver uma mulher deslumbrante descer as escadas.
- Já lhe disseram que você será igualzinha a ela quando ficar mais velha? – Tom sussurrou no meu ouvido, fazendo meu peito estufar de orgulho. Modéstia à parte, mas ela é linda!
- E aí, pombinhos? Vocês vão comigo?
- Pombinhos? Estou parecendo uma ave, mãe? – ela riu bem-humorada e fez um gesto para entrarmos no carro. Tom entrou no banco traseiro e eu fui na frente. Harry já estava no portão e isso me fazia pensar que era quem estava apressando tanto o pobre coitado.
- Não, querida. Você está linda! – piscou para mim e ligou o rádio em seguida.
Passamos todo o caminho falando sobre coisas aleatórias e tentando acompanhar Harry, que parecia estar em um foguete e não em um carro. Depois de eu e Tom discutirmos com minha mãe sobre quem era melhor, Beatles ou The Kinks, avistei o portão da elegante mansão dos Flints.
- Chegamos! - minha mãe anunciou alegre.
- Vamos lá, Tom! Você tem que conhecer os meninos! – puxei-o até o carro de Harry, onde , , Dougie e Harry nos aguardavam. já estava... Espere. Cadê ela?
- Já está dentro da casa – apontou com a cabeça, adivinhando a minha pergunta. Balancei a cabeça, revirando os olhos, e os chamei para entrar.
- Ei, Fletcher, vamos deixar as madames sozinhas para fofocarem sobre qualquer assunto aleatório de bolsas, maquiagem e essas coisas – nós três fuzilamos Dougie – Será que você não quer beber uma cerveja com a gente? – Tom me olhou de esguelha e apenas pisquei para ele, encorajando-o.
- Ok – Tom me deu um selinho e foi para perto dos garotos. Eu e observamos Tom e Dougie conversarem com Harry de algo e suspiramos apaixonadas.
- Credo. Quanto amor – nos puxou, saindo à procura de Josh. Apenas rimos dela e a acompanhamos.
Avistamo-nos perto do palco improvisado. Josh se escorava nele. Outros quatro garotos estavam com ele. Dois seguravam guitarras. O outro, um baixo, e o quarto, que imaginei ser Dan Flint, girava as baquetas entre os dedos. Por Deus, eu não o via há anos e ele estava lindo!
- Josh! – gritou e gesticulou com os braços até que ele a visse. Este sorriu e acenou para que nos aproximássemos.
- Ei – puxou-a pela cintura e colou seus lábios aos dela. Eu e nos entreolhamos surpresas. não demonstrava afeto público dessa maneira com outro rapaz desde... Bem, desde Harry – E aí, meninas? Se me permitem, esses são Max, Matt, Chris e Dan. Mas acho que o ultimo você já conhece, . Estou certo?
- ? A ? – poxa vida, estou tão mudada assim?
- Existe outra, Flint? – pisquei para ele e em seguida o senti me abraçando. Soltei uma risadinha nervosa e retribuí o abraço, não com a mesma intensidade. Dan era conquistador e estava ainda pior do que da última vez que nos encontramos se possível.
- Minha nossa, mas você está... Cara, você está gostosa! O que aconteceu com você? – Josh e os garotos riram gostosamente diante da cara de pau do amigo. Vi Josh apontando algo atrás de mim e rindo com os garotos. Não dei muita conta disso. Era alguma piadinha deles – E aí? Você está namorando? – não disse que ele era sem vergonha?
- Sim, ela está namorando – opa, não era uma piadinha de Josh e dos meninos. A voz de Tom entrou em meus ouvidos e seus braços passaram em volta de minha cintura. Dan riu sem graça, enquanto Josh e os garotos riam gostosamente com , e Dougie que havia chegado também.
- Cara, desculpe – Dan bateu no ombro de Tom e estendeu a mãe para ele em seguida. O garoto travou por um segundo, porém relaxou em seguida e apertou a mão do outro – Desculpe, . Se eu soubesse que você estava...
- Relaxe, Dan – sorri divertida para ele. Ele balançou a cabeça, concordando, e foi para perto dos outros que ainda riam. Somente Harry estava parado atrás de nós. Seus olhos fuzilavam Josh que estava no maior momento de amor com . Vez ou outra, ela virava os olhos para Harry, fitando-o de esguelha, como se quisesse esconder algo – Onde está ? – perguntei, tentando melhorar o clima.
- Acho que conheço aquele vestido – sorriu divertida e apontou um casal no andar de cima da casa. Nitidamente era , contudo o rapaz que ela beijava estava sendo agarrado com tanta intensidade por ela que nem conseguíamos vê-lo – Deus do céu, quem é esse garoto? – eles se beijavam com tanta intensidade que até mesmo eu e as meninas poderíamos ficar envergonhadas. Aquela não era a !
- Ah, deixem a garota ser feliz! – disse animada – Venha, Josh. Vamos dançar! – ela o puxou para o meio da pista e se agarrou em seu pescoço, tentando não cair, o que arrancou boas gargalhadas de nosso grupo. Apenas Harry não riu. Ele esteve quieto durante todo o show de e Josh e então de repente saiu. Vi-o caminhar até o bar e pedir algo ao garçom. Conhecendo Harry como conheço, isso não vai terminar bem.
- Vou falar com ele. Ok? – sussurrei para Tom, que concordou, e beijei seu rosto. Antes de sair, olhei de relance para novamente, que havia tirado os sapatos e gargalhava da sua frustrada tentativa de dançar com Josh. Não era justo quando uma pessoa, no meio de tanta felicidade, ficava triste. Não, não é justo que uma fique triste e a outra finja estar feliz, porque não estava feliz. Ela não amava Josh. Ela não o queria.
- Precisa de companhia? – sentei-me ao lado de Harry e fiz um sinal para o barman me trazer o mesmo que Harry havia pedido.
- Você não pode beber. Já deu muito vexame na última vez – ele sorriu falsamente. Seu sorriso tinha uma acidez tão grande que nem se ele quisesse pareceria feliz.
- Harry, você tem que entender que às vezes...
- Não, não tenho que entender nada! Estou bem. Está me entendendo, ? Bem como nunca estive antes. Você me ouviu? – disse com raiva e firmeza, virando o copo cheio de uísque de uma só vez. Porém não me assustei com seu tom. Eu estava acostumada às crises existenciais de Harry.
- Não sou surda, Mark! – ele odiava quando eu o chamava pelo segundo nome. Aquilo o deixaria maluco. Mas era a intenção. Harry só fazia as coisas direito quando estava nervoso – Só que beber não vai resolver os seus problemas. Vai fazer você se esquecer deles por algum tempo, mas não resolver. Beber não vai lhe trazer a de volta e nem vai fazer você se esquecer de tudo que passou com ela. Essa droga só vai lhe dar uma boa de uma cirrose – ele me olhou por um segundo e soltou um “vá se danar”, seguido de mais um copo de bebida. O meu, no caso – É, Harry. Beba. Mas beba muito para você fazer muitas besteiras no menor tempo possível que puder. Pegue e coma todas as vadias que você conseguir no menor espaço de tempo e deixe a ver tudo isso. Todavia depois, quando acordar ao lado de uma vagabunda em um quarto qualquer, não reclame por ver a junto do Josh porque ele está sabendo dar a ela o que você não deu: a sensação de confiança. E não queira dar uma de fodão e cobrá-la depois por não voltar para você. Você não a merece, Judd. Não merece! – Harry me olhou estupefato e, sem dar chance de uma resposta, eu me levantei e voltei para o lado de Tom – Se tudo der certo como planejei, algumas pessoas voltarão a ser felizes hoje – disse alegremente. Tom riu e me abraçou pela cintura, afundando o rosto em meu pescoço.

(Coloque Something Else para tocar.)

She is a diamond. I am a stone.
I come from nowhere. She's been to Rome.
Her daddy's a lawyer and mine’s not around.
She has good manners. I'm rough all around.


- Ah, Tom, eu amo essa música! – disse baixinho para ele. Prestando mais atenção nela, além de ser a minha música preferida da minha banda favorita, ela dizia tudo sobre mim e sobre Tom – Venha. Vamos dançar!
- Mas, , não sei dançar!
- Quem se importa? também não sabe! – ele riu gostosamente e se viu sendo arrastado por mim. Ok, nem era uma música para se dançar, porém nisso a gente dava um jeito.

But you could come from something. You could come from nothing.
You could be a princess. You could be a working man.
But in the end...

We all want something else (we all want something else).
We all want something we can't have.
We all want something else (we all want something else).
We all want something strange to us.
Maybe a roll in the dirt or it's a seat in first class.
We all want something we can't have.


Tom e eu passamos por minha mãe à caminho da pista. Antes que eu pudesse me esquivar para aproveitar a música, ela me chamou.
- Oh, aí estão eles! – ela disse, chamando-me com a mão – Adorável... Não é, Becc? – Becc afirmou com a cabeça, rindo da felicidade exagerada de minha mãe quando se referia a mim e a Tom.
- , há quanto tempo... –ela veio até nós e me abraçou. Em seguida olhou para Tom e sorriu – Gostei da sua camiseta, rapaz! – e piscou para ele. Tom sorriu agradecido e, antes que pudéssemos escapar, elas nos chamaram para nps sentarmos à mesa. Oh, claro que Lizzie ia querer apresentar Tom para todas as suas amigas.
Sentamo-nos em uma mesa repleta de estilistas e modelos famosas, incluindo Kate Moss. Ah, cara, sou muito fã dela!
- Meninas, lembram-se da ? – ouvi um coro de pessoas concordando e em seguida vários “como ela está linda” ou “como cresceu!” – E esse é o Thomas, namorado dela! – ela disse isso com tanta alegria que tive a impressão de que ela gosta mais dele do que de mim. Sério!
Segundos depois das apresentações, a parte constrangedora para Tom havia chegado. Eu sabia que isso aconteceria e temia seriamente pela reação dele.
- Então, Thomas... - Kate perguntou – Você faz faculdade de quê? Certamente Direito, não? E deve ter um nome muito renomado para Robert ter desistido de juntar e Ethan – as pessoas na mesa riram e esperaram que eu e Tom fizéssemos o mesmo, porém ele me olhou pasmo e pela primeira vez tive medo. Não sei exatamente de que, contudo acho que era medo de enfrentar o preconceito de pessoas que não fossem o meu pai.

She wants to go to restaurants in Beverly Hills and people stare,
But I don't care. It's just what she grew up around.
She drags me to parties where people ask me where I went to college.
She knows damn well I barely finished school.
She knows a lot about yearly salaries and trust funds and dividends.
She knows that I don't really care at all.
But we got together and it's working ok.


- Na verdade, Kate - minha mãe começou, deixando-me ao mesmo tempo surpresa e orgulhosa do que viria a seguir – Robert não decide exatamente com quem sai ou deixa de sair. Tom não faz faculdade. Na verdade, ele nem terminou o colegial. É filho de uma das nossas empregadas, mas o conheço tempo o suficiente para lhe dizer que é um ótimo rapaz e que é tudo que a precisa. Eles estão dando certo juntos. Mais do que esperávamos. E é assim que eles vão continuar – Thomas olhou embasbacado para minha mãe e ela sorriu para ele – Ah, vocês viram a nova coleção da Prada? Eu achei divina! – era por isso que eu tanto amava essa mulher.

You could come from something. You could come from nothing.
You could be a princess. You could be a working man.
But in the end...

We all want something else (we all want something else).
We all want something we can't have.
We all want something else (we all want something else).
We all want something strange to us.
Maybe a roll in the dirt or it's a seat in first class.
We all want something we can't have.


- Ei, ainda dá para pegar um pouco da música! - disse animada, puxando-o para a pista. Tom me abraçou, ainda muito quieto. – O que foi?
- , isso tudo que a sua mãe disse... Meu Deus, isso não pode deixá-la mal vista ou então as pessoas falarem que...
- Tom! – comecei a rir gostosamente, enquanto balançava devagar grudada ao pescoço dele – Minha mãe é o tipo de pessoa que não se importa com a opinião alheia e nem eu. Ela só disse a verdade. Você é tudo que eu mais preciso – ele sorriu de lado, fazendo a covinha aparecer, aquele sorriso que eu mais amava e que me deixava cada vez mais derretida quando ele o fazia e grudou os lábios aos meus.
- E você tudo o que eu quero.

Well, you can spend your whole life looking for something…
Something that might be right in front of your eyes.
But you'll be looking for something else you'll never find.

We all want something else (we all want something else).
We all want something we can't have.
We all want something else (we all want something else).
We all want something strange to us.
Maybe a roll in the dirt or it's a seat in first class.
We all want something we can't have.


Então me dei conta de algo e pude responder a pergunta que eu me fazia todos os dias. Sim, eu o amava de verdade.

’s POV

Observava e Tom do alto da escada. Eles formavam um casal tão lindo e eu desejava que tudo desse certo para eles.
- O que você tanto olha? – dois braços envolveram minha cintura e os olhos azuis e os cabelos cacheados entraram em minha visão. As sardas o deixavam ainda mais encantador se possível. Como me apaixonei tão perdidamente por esse... Caipira?
- Nada – disse, sorrindo e passando os braços pelo pescoço dele – Já disse que hoje você está especialmente bonito?
- Engraçado. Alguns dias atrás você diria que eu estaria especialmente caipira!
- Danny! – dei um tapa em seu braço, rindo em seguida – Não sabia que você guardava mágoas do passado – disse irônica.
- É... Guardo e você vai ter que se esforçar muito para me fazer esquecer delas – disse em um tom malicioso, próprio dele, o que só o deixava mais bonito na minha insignificante opinião.
Eu e Danny estávamos sustentando, por assim dizer, um caso já tinha alguns dias. Eu não queria contar às meninas por ser orgulhosa demais. Eu o odiava de início. Como meu ego me deixaria contar a elas que estava gostando do cara que tanto desprezei? Eu sabia que isso não era legal e que deixava nós dois chateados, mas Danny respeitava essa decisão. E era disso o que eu mais gostava.
- Espero que essa situação termine logo, . Quero poder dizer para todo mundo sobre como gosto de você – sorri completamente boba. Era claro que não nos amávamos, mas ali existia um sentimento mais que cúmplice. Realmente nos gostávamos muito. Ele me fazia um bem que eu não sentia há muito tempo.
- Vai acabar logo. Eu prometo... Caipira! – disse rindo, antes que ele me puxasse e me encostasse novamente à nossa velha conhecida parede.

’s POV

Ótimo. Agora eu estava sozinha no meio de um mar de gente que eu nem conhecia. estava com Tom em uma tentativa meio frustrada de dançar. Eu os ouvia rindo com freqüência depois que pisavam no pé um do outro. ainda estava com o tal rapaz misterioso dela e no momento “amo meu namorado loiro e nerd” com Dougie.
Depois de causar risadas para todo mundo, Josh disse que precisava resolver algumas coisas com os garotos para o pequeno show dessa noite. Eles iam se apresentar na festa e tudo mais. Não o impedi, jamais, mas estava me sentindo sozinha. Mas sozinha por fora? Ou sozinha por dentro? Oras, , resolva-se! Você tem um namorado (namorado?) que muitas garotas pediram para Deus. Ok, nem tanto. Nenhum namorado pode ser como os que pedimos a Deus, porém, de todo jeito, Josh gosta mesmo de mim. Ele não me trocou por uma loira com duzentos litros de silicone em cada peito e que parecia um traveco. Eu acho.
Enfim, resisti várias vezes ao ímpeto de me levantar e ir até Harry. Mas havia algo a mais que não me levava até ele. Eu tinha medo. Não de Harry, mas de tudo aquilo que eu sentia perto dele. Contudo, afinal, por que se ama tanto um alguém que a trocou por uma loira peituda?
Bem, dane-se. Ele pode comer todas as loiras peitudas daqui e não vou nem ligar.
Mentira! Claro que vou! E depois ainda vou chorar por horas, culpando-me por não estar sendo justa com Josh, por não perdoar Harry e por não perdoar a mim mesma. Mas acho que seria bom falar com Harry e colocar tudo em pratos limpos. Se é que ainda existe algum prato inteiro.
- , preciso falar com você – Harry chegou por trás de mim e disse perto do meu ouvido. Os pêlos da minha nuca se arrepiaram, apesar do cheiro forte de bebida. Sabe a história de falar civilizadamente com ele e colocar em pratos limpos? Esqueça. Não consigo falar civilizadamente com ele.
- Bom para você, Judd, porque não preciso ouvir o que tem para me dizer.
- Ah, tem sim – ele me pegou pelo braço e me puxou para perto dele – , até quando você vai fingir uma paixãozinha por esse idiota do Franceschi? Até quando você vai fingir que não me quer mais? Não tem explicação, . Sei que você me ama ainda – soltei uma risada nervosa. Mas que diabos!
- Você está bêbado, Harry. Não sabe o que diz. Amo o Josh e tenho cert...
- NÃO AMA, NÃO, ! – arregalei os olhos de leve, assustada com o seu tom de voz – Pare de mentir para você mesma. Sou eu quem você quer.
- Se você não fosse um babaca prepotente, eu poderia pensar nisso, Harry. Mas não. Você espera a primeira porra de oportunidade e vai lá comer a primeiríssima vadia que você encontra! – um som de guitarras e microfonia atingiram os meus ouvidos. Droga. Josh não podia ver isso. Não podia!
- Eu estava bêbado! –ainda gritávamos quando a introdução da música começou. Eu a conhecia. Só não me lembrava do nome no momento. Porém quem vai se lembrar do nome de uma música em um momento como esses?
- Do mesmo jeito que está agora. Não diga que me ama, Harry Judd. Você não sabe amar ninguém além de você mesmo – disse da boca para fora, mesmo depois de todas as provas que ele havia dado de que me amava de verdade.
Harry soltou meu braço e andou furioso em direção à saída da casa. Só me dei conta de tudo que havia acontecidos depois que senti as lagrimas escorrendo pelo meu rosto. Em um impulso olhei para o palco improvisado. Josh estava lá e sorria tristemente para mim. Eu não queria magoá-lo daquela maneira. Ninguém havia sido tão bom para mim como ele. Ninguém.

(Coloque Fireworks para tocar.)

So this is the end of you and me.
We had a good run and I'm setting you free
To do as you want, to do as you please
Without me.


Ele cantou e apontou Harry que estava quase na porta. Alternei o olhar entre os dois homens da minha vida. Josh estava me mandando ser feliz... E não pensei duas vezes. Saí correndo, ainda que desajeitada pelo salto alto, atrás de Harry. Não, eu não teria outra oportunidade como essa para esclarecer tudo de fato.

Remember when you were my boat and I was your sea?
Together we'd float so delicately.
But that was back when we could talk about anything.
'Cause I don't know who I am
And you're running circles in my head.
And I don't know just who you are,
When you're sleeping in someone else's bed.


- Harry! – gritei atrás dele, já fora da casa. Ele se virou e me olhou com indiferença – Espere! O que você queria falar comigo? – disse em um tom baixo. Eu estava de cabeça baixa e tinha jogado todo o meu orgulho no lixo... Por Harry Judd. Eu sempre fazia tudo por Harry Judd.
- Você quer me ouvir agora, ? – ele sorriu cínico – Que bom para você, porque não tenho mais nada para tentar lhe falar. Rastejei por você esse tempo todo... Só por uma menina mimada que quer ser forte, mas é só uma criança. Fiz de tudo para você me aceitar de novo e você só soube me ignorar. Fez sua cama, ... Agora durma nela – as suas palavras me atingiram com uma força inexplicável. Então chorei como nunca tinha chorado em toda minha vida. Por que diabos fui me dar conta que o amo mais do que tudo agora que estava perdendo-o?
Harry se virou e saiu andando como se mais nada tivesse acontecido. Era isso o que ele mostrava por fora, mas por dentro não era bem assim.

Three whole words and eight letters late.
That would have worked on me yesterday.
We're not the same. I wish that it could change,
But it can't.

And I'll say your name and in the same breath
I'll say something that I'll grow to regret.
So keep your hands on your chest and sing with me
That we don't wanna believe.


- Mas que droga, Judd! – tirei os sapatos e os joguei longe. Acho que acertei alguém, mas isso não tem importância agora. Tem? Bom, claro que não.
De todo jeito corri até Harry e comecei a estapeá-lo. É, eu sei. Isso é estúpido se você considerar o tamanho dele, a força dele, e a maneira como ele me segurou e me olhou nos olhos. E se você considerar também a maneira como depois de alguns bons segundos grudei as mãos no pescoço dele e o beijei. Ele permaneceu estático durante alguns segundos e só depois então se deu conta de que era eu quem o havia beijado. Harry se separou de mim e me segurou pelos braços.
- Não sei mais quem é você. Decida-se, , mas não me deixe esperando mais por um sinal seu. Resolva-se se você me aceita de volta ou se me deixa seguir outro caminho. Não faça mais isso comigo – oh, droga. Só esse babaca me faz chorar e ser sentimental assim! – Perdoe-me.

So it's true what they say.
If you love someone, you should set them free.
Oh, it's true what they say,
When you throw it away.

I don't know who you are.
I don't know who you are.


- Eu amo você, seu babaca – encostei minha testa à sua e dei um selinho nele – E o perdôo, Harry. Eu o perdôo.
- Obrigado – ele sorriu e me abraçou pela cintura.
O vento com ar de chuva bateu em nós, fazendo-me encolher nos braços dele. Lá dentro, o You Me At Six terminava Fireworks e Josh terminava com a música a nossa história. E por um segundo imaginei que Josh havia feito aquilo de propósito. E isso só aumentava mais ainda meu carinho por ele... Por ele querer me ver feliz.

Oh, 'cause I don't know who you are,
When you sleep with somebody else.
'Cause I don't know who I am,
When you sleep with him.

It's true what they say when you throw it away.


- Oh, meu Deus! – Harry exclamou e sorriu.
- O que foi, Harry? – levantei a sobrancelha, observando o semblante feliz dele.
- Você me aceitou de volta. Nós voltamos – ele sorriu ainda mais e fez um high-five com o vento.
- Eu não disse nada sobre voltar, Judd – disse séria. Ou tentando transparecer seriedade, porque eu gargalhava por dentro da cara dele – Você nem ao menos me pediu em namoro de novo. Somos oficialmente enrolados – ele sorriu em seguida, entrando no meu jogo.
- Não me importo de ser seu rolo oficial... Mas só se eu for o primeiro da lista!
- Harry! Está pensando que eu sou o quê? – o cara gargalhou e me pegou no colo.
- O que, eu não sei. Mas de quem... Eu faço uma idéia e você também – joguei a cabeça para trás, dando risada. Como é que eu consegui ficar tanto tempo longe desse homem?

Continua...

N/A: Oi, gente linda. Como vão?
Minha nossa, eu havia até me esquecido de Something Else. Dá para acreditar? Bom, não que muita gente a leia, mas os poucos comentários que tenho já me deixam feliz. Vocês são lindas!
Espero poder colocar tudo em dia agora nas férias. Ainda tenho Changeling para terminar, Nightmare que está bombando e vocês não podem deixar de ler, e prometo que logo, logo Seize The Day volta a ser atualizada no FFOBS, LOL.
Judds, espero que tenham gostado do capítulo. E, Fletchers, não se enganem. Apesar de terem pouco destaque nesses capítulos por serem as principais, ele é muito importante e também muito querido.
Digo que logo o amor deles vai ser colocado à prova.
Mil beijos para vocês, lindas.

Bela.

@izabelaschmidt
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Girls Can Rock!

Outras fics:
Nightmare – Com Leticia Pan (Restritas/Em andamento)
Seize The Day – Com Rav Fletcher (Restritas/Em andamento)
Declarations of Love in The Rain (McFly/Finalizadas)
Changeling (McFly/Em andamento)
Forget All You Know (McFly/Finalizadas)

Em Breve:
Declarations 2
Natural Born Killers
Série Sociedade do Rock – Com Fran Freire.