Por: Pixie Z.
Beta: Nelloba Jones

OBS: Leiam a Fic Poynter: Shine a Light on Her [McFly - Em Andamento (S)]



Part I

De todos os anos, 2008 estava sendo o pior da minha vida. Por sorte, já estava terminando. Não passava um dia que eu não brigasse com minha mãe, e era sempre por motivos tolos como, por exemplo, passar muito tempo no PC. Se eu saísse de casa, reclamava, se eu ficasse em casa, reclamava. Às vezes, pelo modo como ela me trata, esqueço que tenho quase 21 anos. E para ajudar, , minha amiga desde sempre, tinha ido viajar junto com a . Isso é algum tipo de complô? Ah, sim, tem a , minha sis, mas ela morava em outra cidade. Oh, vida cruel!

Conheci a na Internet. Todo mundo pensa que é idiotice, mas nos conhecemos faz sei lá quanto tempo, sim, sou péssima com datas. Foi num chat sobre os meninos mais lindos da face da Terra: Harry, Dougie, Tom e Danny. Yes, baby! Mcfly. Eu simplesmente os amo de paixão. Para ser mais exata, o senhor Harold Mark Christopher Judd.
Mas enfim, o fato é que estou tentando falar com a doida da há meio século e menina simplesmente desapareceu do planeta. Será que foi abduzida? Se foi, tenho pena dos pobres coitados.

Depois de muito tentar consegui falar com essa poia, ela parecia estar em outro planeta ainda...

— Hum, ok! — eu disse sem acreditar muito. — Bom, eu liguei só para saber onde você estava. Estou precisando conversar contigo, gata. Quando voltar para sua casa me avisa. Tenho que ir que minha mãe está enchendo o saco por causa da conta telefônica, sabe como é, interurbano.
— Ok .. ok. — disse sem ouvir uma palavra do que eu disse, odeio quando ela faz isso. Bufei, ela vai ver só quando nos encontrarmos. — Já vi que você está em Plutão. Beijos, sis, quando voltar, me liga. – falei antes que a “socasse” pelo telefone mesmo.
— Ok, gata! Love you, bye! — sem dar muita atenção.

Definitivamente, a estava mais estranha do que de costume. MEDO!

Mas eu precisava muito falar com ela. Será que ela está chateada porque eu não consegui “permissão” para ir ao show do Mcfly? Tanto faz. Quando ela voltar desse bendito congresso eu falo com ela.

Não, aquele dia estava impossível ficar em casa. Minha mãe estava mais insuportável do que nunca! Dizia que eu não fazia nada, nunca. Qual é? Pensa que faculdade é moleza? E ainda tem o estágio. Céus, estava ficando louca.

Mais tarde a me ligou, finalmente aquele congresso tinha acabado, pensei que fosse morar por lá, aff!

— Oi, . — disse um pouco mais séria que o normal e parece que ela percebeu.
— Iiiih, deixe-me adivinhar. Brigou com sua mãe. — odeio quando ela dá essas risadas irônicas, a irônica aqui sou eu.
— Não vou nem comentar senão eu me irrito, mas é isso mesmo. As pessoas fazem questão de me irritar, parece que é conspiração. — realmente aquilo me tirava do sério.
— Sei como é, nem precisamos comentar. — riu. — Mas vamos falar de coisas boas. Eu tenho coisas pra te contar, gata.
— Ihh, pela sua voz, você aprontou alguma esse fim de semana. — Ahá! Sabia que tinha alguma coisa, essa praga não me engana.
— Ahh, mew, por que você sempre acha que eu aprontei alguma? Juro que não foi minha culpa – tá se defendendo por quê, zinha?, ri em pensamento.
— Ahhh, tá bom, , eu nem te conheço, né? — ela acha que me engana.
— Ahhh, ok, ok ! Deixa eu contar, sua chata.

OMG! Foi a única coisa que consegui dizer, como assim ela vai para um congresso e volta de lá com essas coisas para me contar? De fato, eu preciso começar a ir a mais congressos, hahaha. É, tenho um pra ir no começo do ano que vem, é uma coisa para se pensar. Ri com meus pensamentos e fui dar uma volta, definitivamente, se eu continuasse em casa com aquela pessoa chamada , vulgo mãe, eu teria um colapso nervoso e aí adeus planos futuros. Drama, drama, drama.

Part II


É torcida brasileira, alemã, italiana, inglesa, finalmente chegou o dia. Não, não é o dia do congresso, esse já foi faz tempo, e não voltei com nenhuma história como a da , essa menina tem sorte. Só pode. Mas enfim, esse final de semana, depois de quase declarar uma 3ª Guerra Mundial contra minha mãe, consegui fazer com ela concordasse com minha ida a Santo André – SP, casa da . Afinal, e voltariam do intercâmbio, aquelas vaquinhas de presépio.

Mas o melhor mesmo foi quando entrei no Twitter — afinal, o que se pode fazer dentro de um ônibus? Nunca que minha mãe me deixaria ir de carro para lá –, vi um tweet do meu sexy Harry dizendo que tinham acabado de chegar ao Brasil. Yes, baby, meu sonho de consumo tão perto e tão longe. Alguém me explica porque cargas d’água eles tinham que fazer o primeiro show em Manaus? Poderiam fazer todos em São Paulo, ou lá em casa mesmo. Egoísta mode on. Hahaha.

Quando finalmente desci do ônibus, pude ver a lesada da esperando—me, mas a cara dela ao ver minha mala foi o “Top Foda”, comecei a rir na hora.

— Cacete, vai ficar aqui um ano ou fugiu de casa? — ela riu e nos abraçamos. – Saudades de ti, sis.
— HÁ HÁ HÁ! Que engraçada você é! Nem trouxe muita coisa, cabia mais umas 3 malas de sapatos, mas fiquei com dó de você, já que teria que ir dormir com a “Molly” (a linda e amada cachorra dela). — ri ironicamente, sim, eu posso.
— Eu que colocaria você para dormir na varanda, tá. — e lá vem ela com as ironias, ela me ama.
— Besta! Me ajude aí com as malas, folgada, tá pesado. — fui pegar minhas coisas que estavam no chão.
— Você trás sua casa e eu que tenho que ajudar, ahhh, vou te falar, viu! — hahaha, só rindo mesmo da cara dela.

Depois te acomodar minhas pequenas malas no carro, entramos no carro e assim que ela ligou o rádio estava tocando a música mais linda até aquele momento “Falling in Love” dos meus amores tudo de bom, Mcfly.

— Ah, essa música e linda! Não vejo a hora de ir ao show deles dia 28. — eu disse toda animada.

E eu estava mesmo! Afinal, verei meu Harry. Não do jeito que eu gostaria, de perto, sentindo todo o suor dele, vendo aqueles lindos olhos azuis, mas já estava valendo. Sorri com meus pensamentos e olhei para a . Ela concordou com o que eu disse, mas aparentemente não estava muito animada. Há algo de podre no reino da Dinamarca. E eu vou descobrir o que é. Cedo ou tarde.

Ao chegarmos à casa de , encontramos sua mãe trabalhando no computador.

— Oi, , quanto tempo. Nunca mais veio aqui. — disse se levantando da mesa.
— Oi, , tudo bom? É verdade, ficou um pouco difícil de aparecer. — sorri, sei ser simpática também, não é? Hahaha.
— Tudo bem, sim. Bom, fico feliz que conseguiu vir. Agora fique à vontade que eu tenho que sair. – sorriu e olhou para a .
Era muito engraçado ver a e sua mãe conversando, isso quando elas não brigavam.

Como sou muito abusada, falo mesmo, já fui logo levando minhas coisas para o quarto da , depois resolveríamos o que fazer.

Part III

Eu ainda vou descobrir o que acontece com esse trânsito! O voo das meninas já deve estar chegando e nós aqui, paradas. Odeio muito tudo isso. Mas não vou me estressar, afinal, se eu ficar enrugada, aí sim que o Harry nunca vai me querer, a menos que ele tenha fetiche por mulheres mais velhas. Eca, fiquei com um pouco de nojo agora, me veio a imagem dele beijando a vovózinha da Chapeuzinho Vermelho.

Ok, vamos deixar esses pensamentos insanos para lá e prestar atenção no trânsito (?).

Depois de muito nada para se fazer, conseguimos chegar ao aeroporto e não me perguntem como, ainda com 10 minutos de antecedência. Coisas estranhas acontecem. Fato.

Outro fato é a estressada da .

— Porra, que demora. Já era pra elas estarem aqui. — disse a nervosinha, soltando fogo pelas ventas.
— Ahh, pára de reclamar, , só 5 minutos de atraso, até parece que você não sabe que avião atrasa. — quem vê, pensa que ela nunca se atrasou.
— Eu sei!! — disse fazendo bico. — Mas estou com saudades delas, estou ansiosa, poxa.
— Novidade! Quando que você não é ansiosa, histérica, maluca e cara de pau? — outro fato. Se isso acontecesse, com certeza seria o apocalipse.
— Ahhh, tá bom por aí, né? Também não precisa lembrar de todas as minhas qualidades. — e olha que eu nem comecei, hahaha.

Mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, duas vozes do além ecoaram pelo meu canal auditivo:

— Qualidades que nunca mudam se só piram com a idade, né? — disse uma pessoa atrás da gente, rindo.
— Concordo plenamente! Uma louca e a outra pior ainda. — continuou outra pessoa também rindo, espera aí, ela me chamou de louca?
Quando que ia me virar para xingar a dona daquela voz, a única coisa que consegui foi dar um grito junto com a , que com certeza, até os controladores da NASA ouviram e acharam ser um atentado.

— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHH! — sim, esse foi nosso grito básico.
— Mew, vai deixar surda a sua mãe. PQP! — disse , outra estressada, tampando os ouvidos.

Ficamos matando as saudades ali mesmo no aeroporto, e assustando as pessoas que passavam. Mas tudo que é bom dura pouco, fomos embora antes que nos despachassem para o Pólo Sul.

Se antes o trânsito estava aquela maravilha, agora eu fiquei assustada. Estava uma tranquilidade. Às vezes acho que passei por algum portal tridimensional e entrei numa realidade paralela.

Mas lá estava eu, linda, maravilhosa, “glamuralizando”, quando ouço um grito ardido. PQP, alguém morreu? Não, era apenas a estressada da , again.

— Não se tocaram ainda que está tocando “Lies” do McFly? — todas deram um gritinho, menos . Ah, tem coisa estranha.
— Iiiiih! O que foi, ? Não gosta mais de McFly? Nem do seu querido Dougie Poynter? — disse estranhando aquela reação.
— Lies, Lies, Lies... — cantava enquanto falava.
— Nem liga, . A , depois que começaram os problemas na casa dela, não é mais a mesma, anda em outro mundo, nem acompanha mais McFly direito. — eu disse, contornando a situação.

Estou achando a muito, mas muito estranha esses dias. Era para estar super empolgada, finalmente veríamos nossos babies, e ela nada. Suspeito, muito suspeito.

Ficamos conversando ainda um bom tempo, falando sobre nossas vidas. Apesar de conhecer a desde sempre, depois que ela me trocou por São Paulo e foi morar junto com a , nossas conversas já não eram tão frequentes, afinal temos faculdade, — fazia moda, PP, Letras e Tradutor Intérprete; e eu, Biologia —, estágio, família, ou seja, problemas, problemas e mais problemas. Mas evitávamos falar sobre isso. Já era raro nos encontrarmos, e quando acontecia ainda iríamos falar de coisas ruins? Nã-nã-ni-não!

Até que veio na conversa o seguinte assunto:

— Estou precisando sair de casa e cuidar da minha vida, mas São Paulo é muito perto, fácil de minha mãe me achar e me perturbar, gostaria mesmo é de ir para fora do país. — soltou .
— Estou contigo, gata, sem pôr e nem tirar! Quero o mesmo. — boba? Eu? Lógico que iria concordar.
— Podemos fazer uma viagem para Europa. Vamos começar a fazer umas economias e fazer um intercambio por lá. O que acham? — opa, agora sim, a falou comigo, haha.
— O problema é o dinheiro mesmo, mas acho que se morarmos todas juntas fica mais fácil de pagar já que a acomodação é sempre o mais caro. Eu tenho até uma amiga inglesa que conheci pela net que pode nos ajudar com o lugar, isso é algo para se pensar, acabo a faculdade esse ano e não seria nada mal sair daqui, não acha, ? — perguntou .
— Bom, eu acho a idéia maravilhosa, só sabem como minha mãe é, né. Não gosta nem que eu venha para cá. — isso era a mais pura verdade, minha mãe é do tipo extremamente controladora, e ficou pior depois que meu pai faleceu.
— Ahhhh, , manda sua mãe para o espaço. Você é adulta já e sabe o que faz, foi mal falar assim, mas eu me revolto fácil, sabe como eu sou. — disse revoltada, fazendo todas rirmos.

De fato, a era muito revoltada, não sei quem era/é pior: ou . Empate técnico.

Bom, eu terminaria minha faculdade naquele ano, finalmente seria uma bióloga e o que eu mais queria era ir embora daqui. Nada contra meu país, mas quero aproveitar enquanto posso, enquanto tenho memória e juventude para isso. E, convenhamos, a idéia de ir para a Europa me pareceu muito convidativa, afinal, qual país fica na Europa? Acertou quem disse Inglaterra. E quem mora na Inglaterra? Acertou de novo quem disse Mcfly, ou seja, MEU Harry. Vamos concordar que estar no mesmo país que ele já é uma vantagem. Quem sabe eles não me descobrem e me escolhem para fazer um clip com eles? Ay, papi. Hahaha.

Aliás, já comentei que fiz curso de fotografia? Mais uma razão para trabalhar com eles. Ai, que emoção.

Mas não vamos contar com os ovos sem ter a galinha. Primeiro vou dar meus pulos, fazer tudo na surdina. Surdina? Que expressão mais avó, hahaha! Mas então, vou fazer tudo que preciso para ir até lá. Primeiro, acho que preciso tirar de novo meu passaporte, devo ter perdido ele em algum momento da minha vida. Depois, conseguir meu visto. Em seguida dizer “Tchau, mãe. Tô indo pra Europa e não sei quando volto!” e aí esperar a 3ª Guerra Mundial. Viram, nem é tanta coisa assim.

Voltando ao presente, eu mal poderia esperar para ir ao show deles. Óbvio que já tinha comprado meu ingresso, e com direito a área VIP, meu bem. Pensa que sou pouca coisa? Hahaha. Minha roupa estava devidamente preparada para o grande dia, tinha que estar apresentável, vai que por ironia do destino, o Harry resolve olhar na minha direção e se apaixona? Beleza não é tudo, mas ajuda, ou vocês acham que ele iria se apaixonar por mim estando pior que uma mendiga? Não, né?!

Enquanto não chegava o dia do show, 28 de maio, eu aproveitava para descansar (quem pode tirar um mês de férias da faculdade no meio do semestre é TOP FODA!) e rever alguns amigos que tinha em comum com a poia da . Ou seja, pouquíssimos, pois a maioria não gostava de mim. Deve ser meu jeito grosso, irônico e frio de ser. Mas eu adoro isso! Hahaha. Às vezes sou meio Cruella Devil, mas tenho meus momentos de loucura, de simpatia e amabilidade. Raros, mas tenho.

Estava mexendo no PC, quando percebi que recebeu um novo SMS. — como se tivesse como não perceber com aquele toque nada discreto. E pela cara dela, era de alguém interessante.

— Uii, quem é? Admirador novo e não me contou, né, safada? – ri.
— Não, não! É meu pai perguntando como estou. — disse disfarçando. Pai? Ahãn, e eu sou a nova queridinha da América.

Resolvi deixar aquilo pra lá, afinal, é a vida da . Se ela quiser, me conta depois. Sem crise, sem dor, sem lamentações. Eu acho.

Desliguei o computador e fui dormir, afinal, daqui dois dias finalmente seria 28 de maio, e eu, em fim, veria meu baterista mais gato e sexy de todo o universo. Com certeza sonharei com ele essa noite...

PQP! Dia 26 de maio, e adivinha onde as meninas resolveram ir? Shopping. Eu ainda não consigo entender como é que as vésperas do show de nossas vidas, elas ainda não tenham arrumado suas roupas, e o mais chocante é a . Aloow! Ela faz moda, roupa é o que não falta no quarto dela. Mas não tive nenhuma objeção, afinal, fiquei o dia inteiro no ouvido da dizendo que queria comprar um sapato.

, cacete mulher, você trouxe a sua casa, como assim você quer um sapato novo? — definitivamente, ela não entende minhas necessidades “sapatalísticas”, aliás, essa palavra eu acabei de inventar. Hahaha!
— Fuck you. – foi apenas minha resposta, ignorando-a.

Estava tudo muito lindo, até o momento que eu achei que ficaria surda.

— AHHHHHHHHHHHHHHH !! — ouvimos um grito.
— Meu, por que você não arranja um namorado para gritar no ouvido dele? — eu estava brava já com aqueles gritos, e para ser sincera, tenho minhas dúvidas se algum namorado aguentaria aquilo.
— Aiii, gente, também não é para tanto! Eu só acabei de ver na MTV que os Guys chegam amanhã em São Paulo. — disse na maior naturalidade.
— NÃOOO! JURAA? — fez uma cara de espanto e depois de paisagem, essa menina tem algum distúrbio.
— SÉRIO! Achei que eles chegariam só no dia mesmo, mas não, amanhã eles estão aí. — disse toda animada se jogando no sofá.
— E onde será que eles vão se hospedar, né? — será que se eu me disfarçar de camareira, consigo entrar no quarto deles e ver o Harry só de boxer?
— No Hilton da avenida Paulista. – disse como se fosse óbvio.
— E como é que você sabe disso? — perguntou com cara de ponto de interrogação. E como todas nós estávamos.
— Ahh, tenho um conhecido que trabalha nesse meio de eventos, ele ficou sabendo e me contou. — estranho isso, hein, dona “Maria” .
— Eu nunca ouvi falar nesse amigo. — disse olhando-a.
— Ele estuda na mesma faculdade que eu, não somos muito amigos, só conhecidos. — disse e voltou a olhar a revista.

deve achar que sou retardada. Eu sei que tem algo de muito estranho nisso, mas às vezes é melhor fazer vista grossa e deixar as coisas para lá.

Fomos ao shopping e compramos meus lindos e adoráveis sapatos. Sim, sapatos, no plural. Esse é um dos meus vícios, além de bolsas. E as meninas compraram suas roupas, uma mais fresca que a outra. E lógico que a era a mais metida, né?! Nunca vi alguém usar aquilo para ir a um show, mas enfim.

Estávamos na Starbucks, conversando, tomando qualquer coisa, tá, eu sei o que eu estava tomando: um frappucino de baunilha e comendo um brownie de amoras. Já disse que amo amoras? Mas então, estávamos lá, lindas, maravilhosas e no nosso momento gordas, quando a perguntou se os meninos já teriam chegado em São Paulo. E mais uma vez, quem foi nossa informante? . Ela disse que eles só chegariam à noite. Todo mundo, mais uma vez, a olhou com aquela cara que fazíamos nas aulas de cálculo. A sorte foi que me lembrei que o Danny tinha colocado isso no Twitter. E então comentei que tinha visto também.

Lá pelas 18 horas, voltamos para a casa da e ficamos fazendo o quê? Não, não ficamos comendo feito loucas, ficamos assistindo “Just My Luck”. Esse filme é demais! Eu me divirto vendo meu Harry tão novinho, só aquele cabelo dele, com aquele “manetes” que estava meio tenso. Ainda bem que todos evoluem. Hahaha. E ainda tem o gato do Chris Pine. Na cena que o Harry se perde, a se matou de rir. Ela sempre faz isso. Mas, dude, que culpa ele tem de ser tão lesado? Hahaha.

Part IV

Que dia lindo. Os pássaros cantam, as borboletas cortejam as flores e, nossa, acabei de ver um gavião pegando um animal no mato, deve ser um rato. Mas o que importa é que o dia está lindo, o sol está banhando a terra e mandando vitamina D para meu corpo e eu já parei com meu momento bióloga, hahaha! O que importa é que nada pode estragar esse... MEU DEUS DO CÉU! O QUE É ISSO?? , essa pessoa no espelho é mesmo você ou é um espectro? Não, não, preciso urgente dar um jeito nisso, desse jeito Harry Judd nunca irá me querer. Ok, ok, depois de fazer tudo aquilo que as mulheres fazem para ficar bonitas, percebi que já estava anoitecendo.

— Guys, nem acredito que vamos ver eles hoje! Nossa, quando eu ver o Tom terei um treco. —disse .
— O problema são essas menininhas que ficam berrando e empurrando a gente, mesmo sendo pista VIP. Legal mesmo seria se tivéssemos conseguido Camarote, né, mas lá só os empresários e amigos. — eu disse com o maior desdém do mundo.
— Calma, girls, tudo vai ser maravilhoso, tenho certeza. – disse piscando. — Não acha, ?
— Acho, lógico que acho! — que sorriso maroto foi esse, ?

PQP! A tá parecendo uma noiva. Já está quase na hora do show e a belezinha está no quarto ainda. Juro que daqui a pouco eu vou lá buscá-la pelos cabelos.

, eu juro que se você não sair logo desse quarto eu entro aí e te pego pelos cabelos. — gritou brava, pelo visto eu teria ajuda.
— E eu vou junto. — disse.
— Calma, gente. Quanta pressa. Já estou pronta. — disse a belezinha aparecendo na sala. Roupa de . Roupa de . Roupa da esquerda de e da direita de . — Uauuu, como estão todas gatas! Tão querendo arrumar um gatinho, é? — disse rindo e eu ri junto. – Ali só da menina, gente.
— Não quero gatinho nenhum, só os Mcgatos. — disse com cara de safada.

E eu que achava que a safada era a , essa ainda me mata de vergonha.

Quando chegamos ao local do show, estava tudo muito lindo. Mas lindo mesmo seria eles ali. Ai, ai, ai, que coisa linda.

Estávamos conversando, comentando como seria perfeito se aquelas meninas de dez anos não ficassem nos empurrando como se não houvesse amanhã. Acho que é por isso que evito ir em shows, mas do Mcfly não tinha como não ir.

Eu olhava com cara de vontade para o camarote, juro que daria meus dois pares de sapatos favoritos para ir lá.

— Tenho uma surpresa para vocês. — tirou quatro pulseiras de cor laranja da bolsa.
— O que é isso? — perguntou. Ela deve ter deixado o cérebro em casa.
— É o nosso passe para o camarote e camarim. — sorriu feliz. — Eu tenho um amigo que trabalha aqui no Via Funchal e conseguiu esses ingressos Vips no valor que já íamos pagar.

Juro que vi a ficando branca.

— Gente, vamos ficar no camarote, e depois ainda temos acesso ao camarim para conhecê-los! — falava muito animada.

OMG! OMG! Alguém me belisca! Eu vou ao camarim conhecê-los? Conhecer meu Harry? Jesus, apaga a luz que eu faço o resto! Hahaha! E esqueçam o que eu disse sobre meus sapatos. Não vou dá-los coisa nenhuma, a é uma vaquinha. Mas é minha vaquinha favorita.

Gente, a não tá bem. Essa garota tá mais branca que não sei o quê.

— Você esta bem, ? Está tão pálida. — disse. — Ficou emocionada de poder conhecer o Poynter, é? — ri. — É .. é ... é isso. — respondeu gaguejando.

Um som. Um som de guitarra. O show vai começar. E ouso dizer que foi o melhor show que eu já vi! Eu não parava de pular, cantar, berrar e tudo mais. Juro que depois dessa vou precisar de um mês para me recuperar. Estava incrível, e o Harry na bateria... ai, ai, ai. Daria tudo para estar lá com ele. Daria tudo, menos meus sapatos, rs.

Danny e Tom são divinos, as vozes são maravilhosas! Dougie cantando “Transylvania” foi demais. Juro que a deve ter parado de respirar só para guardar aquele momento. Todos eles estavam perfeitos. O show foi perfeito. Até mesmo a histeria das meninas foi perfeita! Não tinha como não se empolgar com aquilo. E quando eu achava que já tinha visto tudo, eis que tinha mais uma surpresa.

— Essa música, eu tenho certeza que vocês conhecem, é o nosso novo single, e nós quatro gostaríamos de dedicá-la a uma pessoa que se tornou muito importante pra gente. — Tom disse. — Verdade, além dela ser gostosa, claro, é brasileira. — a platéia gritou e todos riram. — Também é muito meiga e amiga. Conhecemos ela aqui no Brasil e com certeza estamos “Falling in Love” with her .
— Verdade, se pudéssemos, todos nós casaríamos com ela, mas somos comprometidos, então deixamos para o nosso Jones aqui. — ele levantou o braço cantando vitória, palhaço, haha. — Girl, you’re an Angel. – disse Harry por fim.

Cara, como eu invejo essa menina.

— SEXYYYY LADYYYY! – Dougie gritou daquela maneira que conhecemos. — You mean a lot to us [N/A:Você significa muito para nós] e sei que você está por aí, só não vamos falar seu nome senão você não terá mais paz. — riram os quatro enquanto o público gritava. — Se prepara garota, porque você vai entrar em outra dimensão. — É, aquela garota era uma sortuda.

Após as palavras de Dougie, ele deu uma piscadinha safada pro público e Tom voltou a falar.

I think, todos vocês conhecem essa música. Essa garota me ajudou a escrever a nova versão dela, então essa vai para você “ONE FOR THE RADIO”! — Tom gritou e o público mais ainda. Oi, Brasil, escândalo pouco.
— Caralho, menina sortuda. Por que não acontecem essas coisas comigo? — eu praticamente berrei por causa do barulho.
— Verdade, com certeza ela deu pra todos eles para conseguir isso. — disse , sempre revoltada, eu tive que rir.

O show já tinha acabado, o povo já começava a se dispersar.

— Gente, eu morri de rir com eles tentando falar português. Aliás, alguém conseguiu identificar que língua era aquela? — comentei rindo, ainda no camarote.
, você está estranha! — disse .
— Verdade, acho que ver o Poynter deixou ela afetada. — completei e nós três rimos.
— Vamos, vamos ver eles. — falou enquanto puxava pelo braço.

Lalalá, eu vou ver Mcfly pessoalmente, ao vivo, em cores, em carne, osso, pele e suor. Hahaha.

Enquanto andávamos, pude perceber que a parecia meio aflita. Estávamos quase chegando na porta do camarim, quando resolveu se manifestar.

— PÁÁREEEMMM! — com aquele grito todo mundo olhou pra gente. — Será que podem me ouvir? Preciso falar com vocês antes de entrarmos.

Caramba, depois de ter berrado feito louca no show ela ainda tinha voz?

— Olha, eu sei que devia ter contado para vocês antes, mas não podia, dei minha palavra que não faria.

Fala sério, com todos os momentos do mundo para fazer uma confissão, ela tinha que falar agora? Não mesmo!

— Pow, , não pode fazer uma confissão em casa quando chegarmos lá, agora estamos tão perto dos McGuys. — disse entendiada.
— Ahhh, mas vocês não me ouvem mesmo, não posso, tenho que contar agora que .... — quando ela ia falar alguém interrompeu.
Damn, dude, quem foi que deu um berro aqui? Alguém morreu? — olhamos todas para a porta um pouquinho mais a frente de onde estávamos e vimos Danny Jones com a camisa pendurada no ombro e procurando da onde vinha o barulho.

OMG! Danny Jones na minha frente. E sem camisa. Eu entrei em coma, só pode. Ops, não, não entrei em coma. Mas alguém me explica por que do Jones está olhando para a e dando esse sorriso? Confuso.

OMG, it’s You! — ele passou pela gente e abraçou de um modo forte, a levantando do chão. — Que escândalo, , não precisava tudo isso, era só bater na porta. — oi? Como assim só bater na porta?

Eu olhava tudo com a maior cara de interrogação, assim como e . olhou para mim e pôde ver minha sobrancelha levantada, e quando isso acontecia, era porque coisa boa não estava por vir.

— Quem são, ? Suas amigas? — sorrindo, agora ele percebe que tem mais gente aqui?
— É .. é, sim ... são. — respondeu meio baixo. Por enquanto, , por enquanto.
— Hey, Jones, pára de fazer escândalo, dude. — Tom vinha em direção a nós da mesma maneira que Danny, com a camisa no ombro. Nesse momento, deve ter ido ao céu e voltado, mas ainda estava nas estrelas (piadinha tosca). — !! Minha compositora predileta. — compositora? Predileta? Ah, não!
— Pára tudo. O que está acontecendo aqui? — disse confusa, e em inglês, of course my horse. Hahaha!
— Era isso que eu estava tentando falar pra vocês, droga. — disse visivelmente chateada.

Tom e Danny olhavam tão confusos como nós.

Mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, um infeliz, que não deve enxergar, se chocou comigo, quase levando meu ombro junto.

— Ai, não olha pra onde anda não? — reclamei, vendo se meu ombro ainda continuava conectado ao meu corpo.
— Oh, I’m sorry! — sorriu Harry debochadamente.

Juro que quando vi meu “agressor”, meu mundo parou. Harry Judd tinha trombado em mim. OMG! Mas isso não justificava! Ainda sim, foi uma grosseria.

! — Harry voltou o olhar para a e a abraçou forte. — Pow, girl, estávamos te esperando, não sabíamos onde te encontrar. — dando um beijo na sua bochecha. Ótimo, ele a beija todo carinhoso e comigo é um iceberg? Ponto negativo para você, Judd.

Harry olhou de novo pra mim e disse:

— Já passou a frescura ou precisa de uma maca? — curto e grosso. Mais um ponto negativo.
— Quem vai precisar de uma maca é você daqui a pouco. — respondi invocada. Ainda mais depois que eu arrancar seu rim.

e , que até agora não tinham pronunciado uma palavra, se manifestaram.

— Acho que você tem algumas coisas para nos explicar não é, ? — sérias.
— Heyyyy, gays!! Achei que tinham me largado lá, eu não falo português, não ia achar o Hotel nunca.

Quem faltava aparecer? Sim, Dougie Poynter. E ele estava um arraso com aquela camisa xadrez. E aquele cabelo molhado desarrumado? OMG! Esqueci até a confusão que se estabelecera até o momento.

— HEEEYYY, Sexyyy ladyy ! Vejam se não é a ! — Dougie a abraçou e pude perceber ela prendendo a respiração.
— Heyy, Doug. — ela disse baixo. Quando está nervosa, no bom sentido, fala baixo.
— Como você está? Sentiu a vibe lá no palco, né? Ouviu a declaração de amor que eu fiz para você? – riu.

Ok. Agora a teria muito mais para explicar. Quer dizer que aquela declaração era para ela? Ela não estava ferrada. Ferrada é apelido. E se ela realmente me conhece, é melhor me convencer, senão pode esquecer que fui sua amiga.

Primeira coisa para explicar: era deles que ela me disse quando voltou do congresso?

Segunda: Com quem deles ela ficou? Se foi com o Harry eu juro que a mato.

Terceira: Que história é essa de compositora? Eles ainda se falam?

Quarto: Por que escondeu tudo isso? Embora nada justifique. Isso é traição.

Part V

— Gente, desculpa, vai. Sabe que eu não faria isso de propósito. Eles me pediram para não contar, e eu não tinha o direito de invadir a privacidade deles assim, espalhando o que faziam ou deixavam de fazer. — disse enquanto olhava pra gente.
— Você mentiu pra gente, . Somos nós, suas amigas de vida inteira, não de qualquer desconhecido que podia utilizar o assunto como matéria. — falou calma, porém desapontada.
— Verdade, acho que podia ter confiado na gente. — conclui.
Aquilo não justificava, não mesmo! tinha razão, éramos amigas há anos. Não fãs enlouquecidas que fariam qualquer coisa para ter seus 15 minutos de fama. E naquele momento, eu não sabia quem eu queria matar primeiro: , pela sua traição. Ou o Harry, pelo seu jeito arrogante e pelo sorriso lindo que tinha, mas ainda sim, debochado que dava no espelho. Certeza que ele sabe que estou vendo. FDP!
Meus pensamentos de vingança foram interrompidos por uma voz linda, que vinha de uma boca quando sorria, tinha a covinha mai charmosa da face da Terra.
— Olha, eu peço desculpas a vocês, não queria que brigassem por nossa causa. Nós pedimos para que ela não falasse nada para ninguém e como uma ótima pessoa que ela é, cumpriu com o combinado. — Tom disse olhando para nós.

Danny se sentou ao lado da traidora, digo, e soltou o verbo.

— Vocês não deviam crucificá-la assim. Ela podia confiar em vocês, mas nós não as conhecíamos. Estamos tão acostumados com pessoas inventando coisas por aí, mesmo que vocês não falassem nada, podia escapar em alguma conversa. É perigoso, por isso tomamos cuidado, se quiserem brigar com alguém, briguem com a gente.

A única coisa que eu fiz, foi ficar olhando para a cara dele e ver o Harry nos olhando de canto. Esse ser está me dando nos nervos já. Daqui a pouco ele vai realmente precisar de uma maca.

levantou e saiu praticamente correndo do camarim. Todos olhavam para a porta ainda, quando Dougie saiu atrás dela.

Resolvi me manifestar.

— Olha, Fletcher, você não precisa dizer o quão boa pessoa é a , nós — disse apontando para as meninas e para mim. – a conhecemos há anos, sabemos como ela é. O que me chateia é não ter confiado em nós. Qual é, vocês não cometeram crime algum. — disse olhando para os 3 presentes.

Eles se olharam e Harry fez a menção de dizer algo, mas antes mesmo que pudesse terminar de formular a frase em sua mente, eu já fui logo cortando.

— Sabe, Jones, vocês também não a conheciam e o que fizeram? — eles se olharam. — E se ela fosse uma louca sensacionalista? Acha que não poderia ter feito várias coisas? — nessa hora fiquei em pé. — E você tem razão, vocês não nos conheciam, mas ela sim! Ela nos conhecia! Sabia que seríamos incapazes de fazer qualquer coisa do tipo. Temos uma reputação também. Podemos não ser famosas, mas temos uma reputação ainda sim. E não desceríamos tão baixo por míseros 15 minutos de fama. Ela nos conhecia! — disse nervosa. — Pelo menos eu achava que conhecia. E você disse que poderíamos ter deixado alguma coisa escapar. Em anos de amizade, nunca, nada que dissemos entre nós foi dito sem querer em outra conversa.

Já não aguentava mais olhar para a cara deles. Tudo bem que eram a minha banda favorita, ou uma boa parte dela, mas eu estava com raiva, estava decepcionada. Se fosse outra circunstância, seria um dos melhores momentos da minha vida. Mas estava sendo um dos piores. Imagine descobrir que sua melhor amiga passou um final de semana todo com o Mcfly, descobrir que o cara com quem ela ficou era um deles e na mesma hora descobrir que o cara por quem você nutriu uma paixão platônica é um estúpido? Eu sou fria, calculista, grossa, irônica, mas também tenho sentimentos perdidos em algum lugar aqui dentro.

Esparramei-me em outro sofá que tinha por lá e fiquei olhando para eles.

— Você tem razão, a conhecia vocês. — disse Harry por fim. — E ela gosta muito de vocês. Agora, vocês acham justo jogar esses anos de amizades que a amiguinha azeda ali, — disse apontando pra mim. “Amiguinha azeda”? repeti. — fez questão de frisar por conta disso? Isso foi ano passado. É passado.

— Acontece, Sr. “I’m Stupid”, que você não tem que se intrometer em nossa amizade. — disse me levantando e parando em frente a ele, que agora estava em pé. — Não se preocupe que a gente se resolve. Nos dê duas semanas e tudo estará resolvido. Pelo menos comigo é assim. A e a são mais tranquilas e no momento que a voltar com o Poynter por aquela porta, elas já estarão amigas de novo. Mas eu não. E não me diga como devo agir com minha amiga. Eu acabei de te conhecer, e não te dei liberdade para se intrometer na minha vida, isso vale para você também Jones. – disse brava.

Harry me encarava e eu pude perceber que ele estava nervoso com aquilo, eu não baixava meu olhar nem um segundo, e estava me segurando para não enchê-lo de tapas naquele momento. Se ele achava que eu era uma dessas fãs histéricas e apaixonadas que falaria e faria exatamente aquilo que ele queria e estava cansado de ouvir, se enganou.
Afinal, ele que começou com aquela guerra. E eu só paro quando ganhar.

Continuei o encarando por um tempo ainda. Parece que só o Tom percebeu a tensão que se estabelecia ali, a declaração silenciosa de guerra. As meninas se divertiam com o Danny, ignorando todo o resto.

, desculpe mesmo por tudo isso. Não sabíamos o que esperar. foi muito legal com a gente e lamento mesmo que isso tenha causado essa confusão entre vocês. — disse sincero.
— Tudo bem, Fletcher. — disse desviando meu olhar do Harry para ele. — Como já disse, isso vai passar. Mas nesse momento, eu só quero sair daqui. E infelizmente, tenho que esperar a , já que estou na casa dela, e com o carro dela. — disse sorrindo de canto.
— Hey, guys, olha quem eu encontrei perdida por aí? E olha que o estrangeiro sou eu. — Dougie disse, entrando no camarim com a ao seu lado. Eu apenas a olhei.
— E aí, , foi conhecer as redondezas? — disse Danny, sorrindo, como se nada tivesse acontecido.
— É, estava precisando de ar. — mais uma vez eu a olhei, e levantei uma sobrancelha.
— Pára de mentir, baixinha, pode falar que você não aguentou ver tantos gostosões na sua frente assim. — Harry disse e fez uma cara de ‘eu sou o máximo’.

Eu virei os olhos, achando aquilo patético e apenas ria.

— Cala a boca, Harry. Você não é tudo isso não. Apesar de certas pessoas pensarem diferente. – ela realmente olhou pra mim? Ok. Mais um motivo para eu matá-la.
— Bom, , está na hora de você contar tudo, né? Como os conheceu e tal, mas que tal uma cervejinha lá em casa? Lógico, se vocês quiserem, sei que são ocupados, não sei nem se podem. — disse .
— Cerveja? Come on, dudes! I need to drink A LOT! — Dougie fez a mesma cara de uma criança que acaba de ganhar um doce.

riu e olhou para . Eu apenas observava aquilo tudo, calada.

— Está falando comigo? Achei que não fossem falar comigo nunca mais. — disse quase num sussurro e baixou a cabeça. Consciência pesa. ( Cruella Devil).

— Digamos que 3 britânicos nos convenceram. — diga por você, . — Isso não quer dizer que você não vai pagar pelo que fez. — sorriu e logo ficou séria.

sabia que contaria toda a história e assim e ficaram tão felizes que esqueceriam tudo, mas comigo, a coisa era mais embaixo. Ela me conhecia o suficiente para saber que não seria fácil. E para ser sincera, eu estava pensando em até ir embora no dia seguinte. Não é muito educado e tampouco inteligente ficar na casa de alguém com quem você brigou. Mas nesse momento, eu não queria era ir para a casa da . Todos lá, como se fossem amigos desde sempre e que os momentos fossem apenas de felicidade. Não. Isso não era para mim. Eu achava tudo muito hipócrita.

— Hey, tá tudo bem? — perguntou Tom, baixinho, acho só eu ouvi.
— Tá sim. — sorri amarelo.

Todos estavam conversando e rindo. Amigos.

— Pois não parece. — observou. — Não te conheço direito, mas você não me engana. Tá achando muito forçado, não é? — sorriu.
— Desculpa, Fletcher, mas eu não sou assim. — disse e logo saí, indo em direção a rua.

Agora quem precisava de ar era eu.

Sai daquele camarim, não aguentava mais ficar naquele lugar. Tudo estava me sufocando, as pessoas, as conversas. Tudo.

Sentei no meio fio da rua, que eu julgava ser atrás da Via Funchal. Estava praticamente deserto. Respirava fundo, contando até 10, repetia esse mantra até me acalmar. Mas parecia que contar até 10 já não estava resolvendo. Bufei de raiva.

— Hey, lady. Não fique assim. – Tom disse, sentando-se ao meu lado.
— Se você veio aqui para me convencer a desculpar a , pode dar meia volta e ir para onde você nem deveria ter saído. — nervosa.
— Não, , não vim aqui para te convencer de nada. Apenas vim conversar. Achei que poderia querer desabafar, I don’t know. — dando de ombros.
— E o que te faz pensar que eu faria isso com você? — o encarando. — Na boa, Fletcher, não tenho nada contra você, não quero ser grossa, mas eu quero ficar sozinha.
— Não acho que seria uma boa ideia, afinal, essa rua está deserta. E bem, minha mãe sempre dizia para minha irmã que era perigoso uma menina bonita ficar sozinha na rua a essa hora da noite. — disse passando a mão pela nuca. Nervoso?
— Você tá dizendo que eu sou bonita? — o olhei com uma sobrancelha levantada e ri.
— Você sabe que é bonita, . — disse sem graça.
— Obrigada, Fletcher. — sorri. — Continue assim e você se tornará meu favorito. — pisquei, para logo em seguida rir da cara de ‘hein’ que ele fez. — Todo mundo tem seu favorito. Não desmerecendo os outros. — expliquei. — Mas é aquele com quem se identifica mais. O meu era o Judd. — dei de ombros.
— Era? — confuso.
— Depois de hoje, tenho minhas dúvidas se continuará a ser. Ele é sempre grosso assim? — perguntei rindo.
— Ele é meio estressado às vezes. Não gosta de levar desaforo para casa.
— Deve ser por isso que ele é meu fave. — sorri de canto. — Ambos irritadinhos.

Ficamos alguns minutos em silêncio. Tom chegou mais perto e me abraçou. Estranhei aquilo.

, não deixe isso que aconteceu estragar sua noite. Me diga quando é que você imaginou que estaria sentada na calçada, sendo abraçada pelo Tom Fletcher? — riu.
— Hum, para ser sincera, acho que nunca. — rindo junto com ele.
— Então, aproveite, lady! Vamos lá. — disse piscando.

Ah, isso é golpe baixo! Tom Fletcher me abraçando e piscando pra mim? Deus está querendo me compensar por algo. Hahaha. Mas tudo bem. Ele venceu.

Voltamos para o camarim, abraçados. Juro que se o Harry fosse como o Tom, eu já o teria agarrado ali mesmo e nem Deus sabe o que eu faria.

Assim que entramos, o silêncio reinou e todos nos olharam.

— Então, guys, vamos? — disse Tom olhando para todos.
— Okay, então vamos! — disse já saindo do camarim. Quando fala de beber, essa menina é a primeira! Eu hein.

Os meninos foram falar com o Fletch, e pela cara dele, parecia que eles tinham dito que iriam para a zona. Aliás, eu acho que se eles tivessem dito que iriam para a zona, ele teria deixado sem grandes problemas. Depois de ele passar mil e uma recomendações para os guys, conseguimos sair, pelos fundos, claro.

1 hora depois — PQP! Até de noite essa cidade é um inferno! — chegamos ao apartamento das meninas. Durante todo o trajeto, eu não me pronunciei. Pode me chamar de ignorante, orgulhosa, e o que for, mas eu sou assim.

Apesar da minha cara de poucos amigos, no momento só considerava Tom como meu amigo, eu até que estava me enturmando. Exceto com o Judd. Aquele lá decidiu que iria me provocar. E deve ter sido no mesmo instante que decidiu esbarrar em mim.

— Credo, garota, como você é fresca! — Harry disse.
— Fresca? Você que é um nojento! Presta atenção no que você fez! — irritada. — Eu só pedi pra você pegar a Heineken pra mim, não para beber metade dela e ainda por cima babar.
— Ah, confesse que você vai guardar essa garrafa só por causa disso. — disse com aquele sorriso sínico.
— Ai céus! Você descobriu meu segredo, e agora? — irônica. — Acredite, meu bem, você não está com essa bola toda comigo. — não mais.

Eu passava pelo sofá, indo para a cozinha buscar outra cerveja, quando vejo a se jogando no sofá, reclamando dos pés. Ninguém mandou usar esses sapatos, meu bem, olhei irônica para ela, e ela saberia que aquele olhar queria dizer o que pensei.

Bingo! Ela percebeu meu olhar e virou os olhos, como quem dissesse que já estava de saco cheio disso. Mas logo mudou a expressão ao ver quem tinha se sentado ao lado dela: Poynter. Eles vão se pegar ainda. E dane-se se ele tem namorada. Ela tá aqui? Acho que não. Credo, ! Você não era assim. A raiva deve realmente estar borbulhando no seu coraçãozinho.

Pelo menos, nem precisei ir até a cozinha buscar minha cerveja. Logo e apareceram na sala com várias bebidas. É. A festa vai ser boa!

Come on, guys, let´s get the party started!

Part VI

A ‘festa’ já estava bem animada, nem preciso dizer que aqueles quatro músicos bebiam mais que todas nós. Eu já estava mais solta, diga-se de passagem. Já dizia minhas besteiras de sempre e ria com todos. Todos, menos e Harry. O fato era que Harry fazia de tudo para me irritar, e ele estava conseguindo. Já , era só olhar para ela que já saiam faíscas de nossos olhares. É, a situação estava tensa.

Foi então que a vi levantar e logo depois, Dougie ir atrás dela na sacada. Eu apenas dei um sorrisinho malicioso, eu sabia da ‘leve’ queda de pelo Poynter, e ao que tudo indica, dele por ela.

Eu estava rindo das besteiras que Danny falava, e ele nunca parava de beber. Logo teríamos que sair para comprar mais bebidas. Falávamos de tudo, passado, presente e os planos para o futuro, contávamos histórias uns dos outros e ríamos.

— Gente, e aquele dia que a brigou com aquela menina por causa do Rodrigo? — disse , visivelmente bêbada.
— Não foi por causa dele! — me defendi. — Ele já era maior de idade e vacinado! — ri. — Briguei porque ela era muito folgada! Onde já se viu, derrubar aquilo que ela estava bebendo em mim? Nem sei o que era aquilo, mas tive que jogar minha blusa fora.
— E era sua blusa favorita! — ria . — Eu teria socado aquela menina.
— O pior foi ela vir me encher o saco no MSN depois. Dizendo que o Rodrigo estava com ela porque era muito melhor do que eu. Onde ela era melhor do que eu? — me levantei de dei uma voltinha, arrancando risos de todos, menos Harry, que apenas me olhava em silêncio.
— Pelo visto você adora brigar, hein, ? — Tom disse.
— Não, Tom. Eu sou a pessoa mais paciente que existe. — Harry me olhou com a sobrancelha arqueada. — Não brigo por qualquer coisa. — disse, para logo depois me arrepender.
— Não briga por qualquer coisa? — Harry finalmente se pronunciou.
— Não, só quando realmente me tiram do sério. — disse séria e ele soltou uma risada muito irônica.
— Você é uma fresca, menina! Ficar brigando com sua amiga por causa de uma coisinha dessas. — ele disse alterado.
— Fresca? Quem você pensa que é pra me chamar de fresca? — eu disse bem irritada.
— Alguém muito melhor que você, porque em 10 minutos na sua presença, já percebi que você não merece ser amiga de alguém como a . — Harry estava muito irritado também. Mas não alterava muito o tom de voz.
— Realmente, eu não mereço a amizade de alguém que é falsa, mentirosa e traidora. — disse sem pensar muito. Mais uma vez me arrependi.
— Se toca, garota! Você tá fazendo tempestade em copo d'água! A é alguém muito melhor que você, em todos os sentidos! — aquilo doeu muito em mim. Senti um nó se formar em minha garganta.
— Argh! VÁ PRA PQP! VOCÊ E ESSA BITCH DA ! VOCÊS SE MERECEM! — gritei extremamente irritada e alterada pelo álcool.

Nesse momento, vi aparecer na minha frente com muita raiva. Então ela tinha ouvido tudo.

— COMO É QUE É? QUEM É BITCH AQUI? VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE FALAR NADA AO MEU RESPEITO! — ela gritou, e todos, até eu, se assustaram. — Calma, . — Danny disse, aproximando-se de mim, junto com Tom.
— CALMA UMA PORRA! ELA SABE MUITO BEM COM QUEM ESTÁ LIDANDO, EU POSSO SER MUITO LEGAL, MAS MUITOOO RUIM QUANDO EU QUERO! — ela estava descontrolada.
— A BITCH AQUI É VOCÊ! PORQUE NÃO TÔ VENDO MAIS NENHUMA! — gritei, encarando-a.
, pega leve. — disse Tom um pouco assustado.
— Não, Fletcher! Ela vai me ouvir! ELA SE ACHA A SANTA, A BOAZINHA, MAS SÓ É LEGAL QUANDO A INTERESSA! NÃO É, ? NÃO FOI INTERESSANTE BANCAR A LEGAL COM 4 CARAS QUE VOCÊ NUNCA TINHA VISTO NA VIDA E ENGANAR SUAS AMIGAS? ENGANAR AQUELA QUE VOCÊ CHAMAVA DE MELHOR AMIGA? EU NÃO SABIA QUE VOCÊ ERA TÃO BAIXA!
, abaixa sua bola. — mais uma vez Harry a defendia.
— E você cala a boca, Judd! Ninguém aqui tá falando com o boi, por enquanto, é só com a vaca! — faltava um tantinho assim para bater no Judd.
E , JÁ CHEGA! — gritou , que estava muito bêbada ao lado de , no mesmo estado, jogadas no sofá, visivelmente com dor de cabeça. Mas foi ignorada.
— COMO? A ÚNICA VACA QUE TEM AQUI É VOCÊ, SUA VADIA! — gritou furiosa e Dougie, assustado, segurou-a pelo braço.
, calma, ela esta bêbada, não leve tão a serio — falou para ela.
— Não, Dougie, agora ela que vai me ouvir. — falou enquanto nos encarávamos. — Sim, meu bem, banquei a legal com todo mundo, porque é assim que eu sou. Eu sou legal com as pessoas que eu gosto e não é porque você é minha melhor amiga, ou era, que eu lhe devia mais fidelidade do que com os outros. E se quis me ofender dizendo que eu fui interesseira por estar sendo legais com eles, está MUITO enganada, guria. Porque eu realmente os adoro, e não é pela banda não, e sim pelas pessoas que eu descobri que são, eu não sou e NUNCA fui interesseira, devia saber disso. — ela tá me chamando de idiota?

Pude perceber que todo mundo que estava prestando atenção na briga, nos olhava assustado. e apenas eram pesos mortos no momento.

— A , por exemplo, eu conheço desde que nasci praticamente e mesmo assim, sempre te considerei minha melhor amiga, e isso não fez dela menos importante. A mesma coisa aconteceu com eles, mas se você não foi capaz de compreender o que eu fiz e quiser ficar com raivinha por besteira, que fique, sabe que eu não sou de implorar nada pra ninguém. Não te peço mais desculpas de nada, porque passou dos limites. – ela não iria pedir desculpas? Então que não espere as minhas por tê-la xingado.
— Isso aí, , está totalmente certa! — eu juro que logo faço engolir a cerveja com garrafa e tudo, esse debochado.
, fica tranqüila, dude. — Tom praticamente implorava que aquilo acabasse.
— Escuta bem, , eu não tô pedindo mais ou menos fidelidade da sua parte, mas consideração é o mínimo que se espera em uma amizade! E eu não fiquei com raivinha por besteira! Você me conhece, sabe que não fico irritada com pouca bosta, e eu não estou implorando desculpas, nem quero! Você é maior de idade e vacinada, sabe bem o que faz! E não se preocupe, amanhã mesmo eu volto pra minha casa. E você, Judd, é um completo idiota! Não imaginei que você fosse tão acéfalo assim. Mas não se preocupem, já passou dos limites? Ótimo! Porque pra mim chega também! Cansei dessa palhaçada! — eu disse no mesmo tom que ela, mais baixo.

Eu já estava saindo da sala, quando voltei e olhei para todos, dizendo:

— Se agora ela quer pagar uma vítima, que pague! Se quiserem me crucificar por causa disso, que me crucifiquem! Mas não venham dizendo o que não sabem! — pude perceber minha voz ficando embargada.
, não precisa ser tão radical, pra que ir embora? Isso passa, vocês são amigas. — disse Danny, o pacificador.

não deu tempo de ninguém sequer pensar em algo, e logo se pronunciou.

— Deixa, Dan, ela faz o que achar melhor, ela me conhece muito bem também e sabe como eu sou. Agora, eu não me faço de vítima e nunca me fiz, nem sou falsa ou traíra. Eu tenho o direito de ter meus segredos também e minha privacidade, esperava que fosse entender isso. — ela disse olhando diretamente pra mim, e pude perceber uma ponta de decepção. — Agora é contigo, quando achar que é capaz de perdoar as pessoas, já que você não se acha capaz disso, é só me procurar, porque ao contrário de você, eu não guardo mágoa de ninguém, não importa o que seja. Essa sou eu, — disse apontando para si mesma. — e eu tenho muito orgulho de ser assim. — ok, ok, vamos parar por aqui. Ela me chamou de sem coração? Disse mesmo que eu não sei perdoar? Certo, , você vai realmente ver quem não tem capacidade aqui.

passou por mim e seguiu para um quarto qualquer. Percebi então todos aqueles olhares sobre mim, e o que mais pesava era do Harry. Ele poderia ser um idiota, mas era o idiota com quem eu sonhava.

— Parabéns, . Agora sim, você provou para todos nós a pessoa mesquinha que é, você só pensa em você mesma, não consegue compreender que a vida das pessoas não giram ao seu redor, que elas não são obrigadas a lhe contar tudo. — Harry soltava como se dissesse ‘Good morning, London’. — Estava me perguntando se você tem um coração aí dentro, como pode ser assim? Magoar e decepcionar tanto sua melhor amiga. Você é mesmo uma mimadinha, uma fresca, egoísta! — WHAT? Ele realmente me disse tudo isso?

Depois de ouvir tudo aquilo que Harry me disse, eu caminhei até ele com os passos mais firmes que pude, olhei bem nos olhos dele e tive que me concentrar para não me jogar nos braços dele. Respirei fundo.

— Você realmente acha tudo isso sobre mim? — perguntei um tanto triste.

Todos estavam em silêncio, assistindo a cena.

— Não só eu, mas todo mundo que presenciou essa cena patética. Você é vil, mal amada, não me surpreende que não tenha ninguém e agora nem amiga tem mais. — disse com aquele sorriso cínico.
Eu juro que tentei me segurar, mas quando percebi, minha mão já estava fechada e indo na direção do queixo dele. Só pude ouvir aquele barulho e logo minha mão começou a doer.

Harry levou a mão que estava livre, já que a outra segurava sua cerveja, ao seu queixo, massageando-o. E logo deu, novamente, aquele sorriso. Eu apenas estreitei os olhos, peguei minha cerveja e fui para a sacada. Mas antes, pedi desculpas pela cena, menos ao Harry, e deixei bem claro com o meu “Me desculpem, menos o Judd, ele mereceu”.

(OK!)

Fiquei um tempo lá, massageando minha mão que agora latejava e estava levemente vermelha. Consegui ouvir a risada de Danny junto com as meninas. Ah, agora elas acordaram? Espertas.

— Trouxe outra cerveja. — Tom disse, sentando-se ao meu lado.

Eu apenas sorri em agradecimento, peguei a cerveja e ao perceber que estava bem gelada, a coloquei sob a mão dolorida. Tom riu daquilo.

— O que foi? — olhei sem entender muita coisa.
— Eu trouxe a cerveja para você beber, achei que iria precisar depois daquilo lá dentro, — dando de ombros. — e não para colocar na sua mão.
— Haha, quer me deixar mais bêbada, Fletcher? — rindo. — acho que minha mão precisa mais dessa cerveja do que meu sangue.
— Não quero te deixar bêbada. Mas foi engraçado te ver dando um soco no Judd. — rindo.
— Eu tentei, não é? Mas acho que me machuquei mais do que a ele. — olhando para minha mão.
— Deixe-me ver isso. — Tom pegou delicadamente minha mão.
— Você é médico? — rindo.
— Não, mas já machuquei muito minha mão. — olhando. — Você vai sobreviver, e vai morrer com essa mão. — sorrindo de lado.
— É isso que eu espero. — sorri de volta.

Ficamos um bom tempo em silêncio, apenas olhando para o céu e bebendo nossas cervejas.

— Fletcher, você acha mesmo que sou tudo aquilo que disseram? — disse tomando um longo gole da minha cerveja e sem olhar para ele.
— Olha pra mim, . — ele disse sério. Eu olhei. — Você se acha assim?
— Eles acham. A acha, minha, talvez, ex-melhor amiga. E o Judd. Ele acabou de me conhecer e já acha isso. Ele nem trocou 10 palavras de forma amigável comigo, aliás, acho que foi só o “I’m sorry”. — sorri tristemente.
— Você tá mais preocupada com o que o Harry acha? — me encarando. — Você deveria se preocupar com o que as pessoas que se importam com você acham.
— A única pessoa que se preocupava comigo eu fiz questão de afastar. Talvez o Judd tenha razão, eu devo ser mesmo uma egoísta. — mirei o chão.
— Não é verdade. Nenhuma das suas alternativas.
— Ah, não? — ri debochada. — A e a devem estar me odiando nesse momento pela cena, a não deve querer me ver nem se eu fosse desenho animado e eu sou mesmo egoísta. Na verdade, insegura. — sorri de canto. — Tenho dificuldade de me relacionar com as pessoas. De confiar. E mais uma vez, o Judd tinha razão, sou uma mal amada, uma sozinha.
— Esquece o que o Harry disse. Ele não sabe nada a seu respeito para ficar dizendo isso. Se ele soubesse a pessoa incrível que está por baixo dessa mágoa e revolta toda, não seria um idiota em dizer nem 1/3 das coisas que te disse. E se você acha que ninguém mais se importa com você, tenho uma novidade: EU me importo. — ele disse isso olhando em meus olhos e fez questão de dar ênfase que ELE se importava.
— Fletcher, não precisa ser gentil comigo só porque se sente culpado por tudo isso. — disse sincera. — Já estou acostumada a suportar tudo sozinha. — sorri amarelo.
, não estou dizendo isso apenas por gentileza, é a verdade. Eu realmente me importo com você. Eu gosto de você. Nesse pouco tempo e mesmo com essa confusão, consegui perceber a pessoa maravilhosa que você é. — disse sorrindo.
— Ah, Fletcher...
Mas antes que eu pudesse terminar a frase, ele me interrompeu com um beijo.
Seus lábios eram firmes como eu nunca imaginaria e estavam com gosto de cerveja. Podia senti-los sussurrando juntos aos meus, como se guardassem um segredo. Tom abriu a boca um pouco, sentindo o gosto dos meus lábios com pequenas mordidas delicadas.

À nossa volta, a noite estava ativa com os zunidos e conversas que vinham da sala. Os sons e o beijo me deixaram agitada. Bom, talvez eu devesse culpar a cerveja pelo que aconteceu.
— Uau... — foi o que ele disse.

Como é que é? Eu acabo de ser beijada por Tom Fletcher. E... OMG! Ele tem namorada! E, OMG²! Ele é o amor platônico da . O que eu fui fazer?

, eu...

Mas logo o interrompi.

— Isso não vai sair daqui. Não se preocupe. E eu lamento. — disse tudo de uma vez.
— Lamenta? — perguntou desacreditado. — Eu acabei de te beijar e você lamenta? Pois eu não lamento, . Foi muito bom. — sorriu. — Eu gostei.

Eu apenas suspirei, me dando por vencida.

— Ok, eu também gostei. Mas isso não muda nada. Continuamos amigos. Pelo menos por essa noite.

— Como assim por essa noite? — sem entender.
— Fletcher, daqui a pouco vocês voltam para o hotel, e depois vão embora para a Inglaterra. Você acha que eu tenho a ilusão de que vocês se lembrarão da gente? Bom, da com certeza, mas da , e de mim? Não mesmo. — sincera.
— Eu não esquecerei. Juro! — sorriu. — Me passe todos seus contatos, agora! — disse num divertido tom de ordem.
— Sim, senhor, senhor! — ri.

Passei todos os meus contatos: celular, twitter, MSN, Skype, tudo que eu tivesse.

— Pronto, Sir. — sorri, devolvendo o celular para ele, que tirou uma foto minha.
— Apenas para identificação. — afirmou e eu ri, mais uma vez.

Encostei minha cabeça em seu ombro, e ficamos em silêncio, observando o céu.

— Sabe, Fletcher, eu também gostei. — disse sincera.

Pude perceber que ele sorriu e beijou o topo da minha cabeça.

— E aqui começa uma amizade. — ele disse.
— Não, ela começou naquele camarim, no meio da confusão. Aqui ela só for firmada. — disse. — E, diga-se de passagem, de uma forma muito peculiar. — sorrimos juntos.

Ficamos conversando, rindo e fazendo graça até percebermos que já estava quase amanhecendo.

— Fletcher? – perguntei e ele respondeu com um murmúrio. — Não estou te expulsando nem nada, mas é que logo vai amanhecer, e não seria melhor você irem para o hotel? Digo isso porque podem ver vocês saindo daqui e aí já sabe... — expliquei.

Tom olhou no visor do celular e deu um pulo ao ver a hora.

— Caramba, ! Você tem razão! Vou chamar os caras. — disse se levantando e me puxando pela mão.

Ao entrarmos na sala, eu não contive minha risada. A cena era bem final de festa. Harry estava largado no tapete, Danny jogado na poltrona, e deitadas, uma em cima da outra no sofá.

— Hey, guys! Acordem! — gritou Tom. — Temos que ir! Fletch vai nos matar!

Danny deu um pulo e ficou olhando para os lados, totalmente perdido. Eu apenas ria. Harry estava imóvel, parecia não ter se incomodado com os gritos do Tom. Preciso descobrir como ele consegue isso.

Foi então que olhei para Tom, dizendo para deixar comigo. Fui até a cozinha, peguei dois cubos de gelo e coloquei em um copo. Agachei-me na frente do corpo do Harry, sorrindo de uma forma irônica. Ele tinha me provocado a noite toda, mas eu provocaria de outro jeito.

— Harry... — disse, surpreendendo-me por dizer seu nome. — Harry, acorde, docinho. — sussurrei ao seu ouvido, dando ênfase no ‘docinho’.

Harry apenas murmurou alguma coisa que não compreendi. Mas no momento era indiferente. Foi então que ele fez o movimento perfeito para minha leve vingança, se virou, ficando de barriga para baixo. Sorrindo mais maliciosa ainda, peguei um dos cubos de gelo e deslizei pelas costas enquanto colocava o outro dentro de sua calça.

A cena foi impagável! Harry deu um grito e logo em seguida estava em pé, se balançando todo, tentando tirar o gelo de seu corpo. Eu ria muito, minha barriga até doía. Danny já estava se contorcendo no sofá e Tom não ficava atrás. me olhava com cara de ‘quero morrer sua amiga’ e não sabia se ria ou ia ajudar o Harry.

Depois de todo mundo se recompor e Harry soltar algumas palavras nada agradáveis ao ouvido de uma pobre mocinha como eu, Tom foi logo soltando a programação do dia. Menino organizado, gente!

— Então, mates, temos que voltar para o Hotel, hoje a noite temos outro show e precisamos checar o som, fora que temos uma entrevista numa rádio as 12h.
— Calma, dude, está parecendo o Fletch, relaxa, vai dar tempo de tudo. — Danny disse enquanto se jogava no sofá.

Passaram-se mais alguns minutos, todos conversavam e eu encarava divertida a cara que Harry fazia. Todo emburradinho. HAHAHA! Até que a disse algo que com certeza ignoraria.
— Guys, e a , hein? Como ela está? Poxa, eu nem fui ver ela ontem, estava tão mal. — legal, e de mim ninguém lembra? Ah, é, sou a vilã.
— Eu fiquei com ela até dormir, não estava muito bem, mas ela é forte, tenho certeza que hoje já vai estar bem. — Danny, o pacificador, ataca novamente.

Eu apenas me abstive do assunto.

— Não é só a , e o Doug? Cadê ele? — ahá! Tá preocupadinho.
— Perdeu o namorado, Judd? — alguém aí duvida que eu fosse deixar passar?

Ele me ignorou? É. Ele deve estar realmente bravo. Dane-se.

— Pow, a última vez que eu vi o Doug, ele estava indo ao banheiro, e me disse que se ele não descesse, era pra eu ir procurá-lo lá. Ele estava bem bêbado, não duvido nada que tenha morrido na privada. — Danny ria e eu tive que acompanhar.
— Vamos lá ver os dois. — finalmente aparece na conversa.

Parecia que tudo tinha sido ensaiado. acabou de falar isso e todos se levantaram e marcharam em direção ao banheiro. No princípio, minha intenção era permanecer exatamente no lugar onde eu estava, mas Tom fez questão de voltar e me puxar pela mão. Vai fazer alguma diferença eu ir? Se o Dougie tivesse se afogado no banheiro, a essa altura do campeonato, já seria tarde e eles teriam que achar outra pessoa para a banda. Eu seguia emburrada, odeio quando me tratam feito criança, embora estivesse agindo como uma.

— Olha só, a criança precisa de ajudar para andar pela casa. Tem medinho? — Harry disse. Parecia que ele lia meus pensamentos.
— Judd, vai arrumar alguma pra fazer e esquece que eu existo! — disse brava.

Ao chegarmos ao banheiro percebemos que Dougie não estava lá. A menos que ele tivesse sido levado pela descarga, ele ainda estava naquele apartamento.
Eu estava encostada na parede, analisando minhas unhas, quando decidiram ir ver a . Ok, dessa vez eu poderei ficar, não é mesmo? Enganada de novo. Só que dessa vez, não foi o Tom quem saiu me puxando, e pela falta de delicadeza, nem foi preciso muito esforço para saber que aquela mão que estava em contato com a minha era do Harry. Apesar de estar extremamente irritada, aquilo me provocou uma série de arrepios, que eu desejo do fundo do meu coração cheio de sangue, que ele não tenha percebido.

Quando abriu a porta do quarto, nos deparamos com a cena mais fofa do mundo. dormindo com a cabeça encostada no peito de Dougie e ele abraçando-a pela cintura. Ah, eu posso ter brigado com ela, mas ver aquela cena, algo com que todas nós sonhávamos, era muito surreal! Caramba, era o sonho dela. Não teve como não sorrir. Olhei para Harry, que tinha um sorriso malicioso nos lábios. Tom parecia assustado, tinha um sorriso sonhador, e Danny, bem, ele parecia bem sério, como se não estivesse gostando nada daquilo.

— Que cara é essa, Dan, ficou com ciúmes? — Harry comentou. Depois a irônica sou eu.

Tom segurou o riso.

— SHUT UP, Harry! Só não sei o que o Doug está fazendo aí. — emburradinho.
— Achei que você já tinha superado a . — Tom falou debochadamente.

Oi? Como assim ‘já tinha superado’? Danny era ou é afim da ? Pára tudo e me explica! E eu que achava que não passava de uns simples beijos. Essa é fogo mesmo! Apanhou o Danny pela boca.

Mas como esse povo é escandaloso! Todo mundo começou a rir alto e logo, Dougie acordou. Eu tava achando que quando ele acordasse e visse todos no quarto, iria ficar super constrangido. Bem, eu ficaria. Mas não, ele acordou, olhou para deitada sobre si, arrumou-a na cama e se levantou. Simples. Natural. Quando finalmente percebeu que estávamos ali, ficou com a maior cara de ponto de interrogação que eu já tinha visto, até o momento. Digo até o momento, pois ao dar uma geral no rosto do pessoal, percebi que a cara do Dougie era muito normal. E sua reação mais normal ainda.

— Estão olhando o quê? — Dougie, ou você fala ou boceja.
— Viemos acordar a , mas encontramos companhia. — Harry, sempre malicioso.
— Ah, não quis deixar ela sozinha ontem, estava muito abatida. — desculpa, hein, Dougie.
— Ah, sei, eu já tinha cuidado dela, não precisava. — ciúmes, Danny?
— Porra, Danny, não disse que já tinha superado ela? — Dougie debochou.

Tom e Harry começaram a rir. Pelo jeito, o beijo da era apaixonante. Acho bom ela não tentar beijar mais ninguém da banda, só o Dougie, ou então ela teria sérios problemas.

— Ai, que barulho é esse aqui? — ótimo, a bela adormecida acordou.

acordou e foi logo perguntando o que estava acontecendo. Gente fofoqueira é fogo. Harry disse alguma coisa que a deixou mais confusa ainda, só não sei se foi pelo que ele disse ou pelo sorriso malicioso. Vai ver foi pelos dois. foi a que melhor explicou. Já o Danny, bem, ele estava visivelmente incomodado com aquilo tudo. Eu te entendo, Danny, eu te entendo. Apesar da se esforçar para manter a pose de indiferente diante dos fatos, consegui perceber a enorme felicidade que crescia e gritava dentro dela. E tenho certeza que a vontade era de sair pulando por aí feito uma louca. O clima já estava ficando menos tenso, até que a resolveu pagar uma de boa samaritana.

— Eu queria mesmo falar com vocês quatro. — apontando para os meninos. — Gostaria de pedir desculpas por toda confusão de ontem, eu não queria ter causado tudo aquilo, foi culpa minha, vocês vieram pra se divertir, e trabalhar, e eu que dei trabalho. — meio sem graça. — Bom, além de tudo, eu fui MUITO mal educada, pois estava morrendo de vontade de ver vocês e nem ao menos quando os vi, agradeci pela homenagem que fizeram a mim. — já estava sorrindo. — Own, foi tão lindo, nunca ia imaginar que vocês iam fazer algo desse tipo pra mim, acho que vocês sabem o quanto são especiais pra mim, não é? E nem digo mais como fã. — eles sorriam.

O que eu ouvi foi apenas ‘blá blá blá’. Aquilo me irritava. Não sei por que eu ainda continuava ali.

— Que é isso, , esquece essa besteira, nem você e nem as meninas atrapalharam em nada. — pensa que eu não vi a piscadinha, Danny Jones?
— Quase nenhuma delas, né? — mas tava demorando o cavalo relinchar.

Ainda bem que posso contar com um deles ainda. Sorri satisfeita quando vi o Tom dando uma cotovelada no Harry. Bem feito, e foi pouco.
Tom, mais uma vez, a agradeceu pela música que o ajudou a compor e ela se jogou nos braços dele. Eu apenas revirei os olhos. Ridículo. Mas a coisa ficou mais tensa quando ela resolveu se jogar nos braços do Harry! Qual é, eu não me joguei nos braços do Dougie!

— Sexy Harry Tigrão Judd. — nem preciso dizer que eu fui a única a não rir com aquilo, né? – Obrigada pela homenagem, além de você ser gostoso, é um fofo também.

Essa pessoa tá pedindo pra morrer! É, eu deveria ter ido embora enquanto tive a chance, agora tenho que presenciar cenas como essa. Mas devo confessar que quando ela chegou no Danny, eu tive que rir. Depois de toda a lengalenga, ele soltou a pérola.

— Girl, “eu te amo”. — ele falando em português foi o ponto alto da minha manhã! Aquele sotaque é o melhor!

E por último, foi até o Dougie, como se já não tivesse sido suficiente ela ter dormido com ele a noite toda. Juro que não sei como ela conseguiu se manter firme diante dele. Depois de mais melação, alguém decidiu dizer algo diferente.
— Então, galera, agora que a voltou a ser louca e ficar agarrando e beijando todo mundo, brasileiros, — Tom disse revirando os olhos. – vamos que o Fletch vai matar a gente, e só pra constar, vocês vão ao nosso show hoje de novo, isso não é um pedido e sim um comunicado.

Ah tá! Comunicado esse que eu não pretendo cumprir, hoje mesmo volto para minha casa. É, eu era a única que não estava empolgada com isso, mas fazer o que, é a vida.

— Vamos tomar café, pelo amor de Deus, esse melodrama me deu fome. — eu disse saindo do quarto, logo atrás de Tom.

Ao perceber os risos vindo atrás de mim e o ‘ouch!’ da , logo desconfiei ela tinha me imitado de uma maneira que me ridiculizaria. Respirei fundo e continuei andando. Aquilo estava sendo demais pra mim.

Part VII

Estávamos indo para a Starbucks, os meninos em seu carro com seguranças e toda aquela parafernália; e as meninas com o carro da . Eu estava indo a pé. Precisa esfriar a cabeça, que ainda permanecia quente, colocar as ideias no lugar e decidir o que fazer dali em diante.

Estava tão absorta em pensamentos, que quase fui atropelada umas duas vezes. Senti meu celular vibrar com uma mensagem. Era o Tom.

“Hey, lady, onde você está? Desistiu de tomar café? Harry está dizendo que é bom, já que você está muito gorda (idiota, eu sei). A tá dizendo que você deve ter se perdido em alguma loja de roupas ou sapatos para o show de hoje. XX, Tom.”

Gorda? Aquele baterista lindo dos olhos azuis acha que é quem para me chamar de gorda? Ele vai ver a gorda!

“Então, Fletcher, quem chegou mais perto da verdade foi a . Mas foi porque eu percebi que minha blusa estava com uma mancha feia, então, vim comprar outra. E quem sabe, alguma roupa para o show de hoje, afinal, agora sou VIP, não?! (risos) Diga ao Judd que a gorda logo chega, é bom ele comer enquanto pode. XX, .”

Ao mandar a mensagem, eu percebi que tinha sido três. Preciso começar a escrever menos.

Por sorte, naquele momento, estava passando em frente a uma das minhas lojas favoritas e, por mais sorte ainda, eu estava com meu cartão de crédito. Comprei um look completo para aquele show, eu iria. Mas agora era por uma questão de honra. Seria o último show que veria deles. Lamento, guys, não verei os outros como tinha planejado com as meninas. Mas nesse show, Harry Judd verá quem é gorda.

Que os jogos comecem. Versão Brasil.

Part VIII

Bom, eu tentei, bem que tentei ser rápida nas minhas compras, mas como as meninas sempre dizem, quando entro numa loja, pode me esquecer lá dentro! E não é exagero. Só saio de lá se estiver completamente satisfeita, e bem, eu estava! Tinha comprado roupas que dariam para ir em 23672 de shows. Mas resolvi sair de lá quando senti uma leve pontada no estômago. Sabem como é, quem tem gastrite não pode ficar muito tempo sem comer.

Saí da loja carregando milhões de sacolas, são nessas horas que eu queria ter um carregador particular. Cheguei ao Starbucks e claro que todos já tinham ido embora. Tomei meu frappucino tranquilamente e comi meu brownie, pelo menos, o Judd deixou alguns pra mim.

Quando cheguei na casa das meninas, estava tudo no maior silêncio, nem parecia que na noite anterior tinha acontecido uma festinha. Ri com meus pensamentos, lembrando das provocações que fazia para o Judd, mas logo um sorriso triste surgiu em meu rosto. Eu tinha beijado Tom Fletcher! Não que o beijo tenha sido ruim, mas é que: primeiro, ele tem namorada; segundo, OMG! Eu realmente estava gostando do Judd. Mesmo com aquele jeito grosso dele, ignorante de ser, eu estava gostando dele. Mesmo sem ele ter dito nenhuma palavra gentil, eu gostava dele. SHIT! Ele tem namorada. Céus, o que eu fiz para merecer tanto carma na minha vida? É algum tipo de punição por algo que fiz em vidas passadas?

Ao entrar no quarto que dividia com a , pois é, tropecei em alguma coisa. Merda! Tinha que ser um sapato, e não era meu. Só poderia ser da . Com o tropeço, acabei me desequilibrando e algumas sacolas foram parar no chão.

- PORRA! Que barulho é esse? – disse a irritada .
Sabe, eu até poderia pedir desculpas, mas só de pirraça não vou.
- Precisa fazer tanto barulho? – disse se jogando no travesseiro.
Resolvi ignorar. Não estava a fim de começar mais uma discussão.

Arrumei minhas compras e resolvi sair. Estava todo mundo dormindo naquele lugar, bando de preguiçosas, mas eu tinha coisas para fazer. E ficar ali, desperdiçando meu tempo dormindo, não era uma delas. Peguei minha bolsa e saí.

Fui andando até um ponto de táxi, não estava com paciência para esperar, e segui para meu destino, ou melhor, destinos. Voltei para casa quando estava quase na hora de estar saindo para o show. e estavam na sala, prontas e lindas.

- ! – escandalosa. – Por onde você andou? E por que não está pronta? Não vai?
- Respira, ! – ri. - Eu estava por aí, resolvendo umas pendências. E já vou me arrumar, - disse calmamente. – podem ir na frente, eu me viro pra chegar lá. – respondi, dando uma piscadinha.
- Então vou deixar meu carro aqui e você vai com ele. Sabe usar GPS? – me acha com cara de mulher das cavernas, só pode.
- Claro que sei né ?! – sorri e fui para o quarto.

Resolvi me arrumar, e tinha que ser o mais rápido possível. Afinal, o show começaria dali, OMG! Tenho duas horas para me arrumar e chegar ao show! OK, respira, , respira! Decidi tomar logo meu banho, arrumar meu cabelo, fazer aquela make estilo rock, me vestir e partir.
Tentei fazer aquilo o mais rápido possível, com a esperança que chegasse logo ao show. Doce ilusão. Demorei 1h:30m para me arrumar, e de quebra, peguei um senhor de um trânsito. Caramba, onde esse povo fica durante o dia? Tudo bem que de dia já é um caos, mas agora estava mil vezes pior. E se eu não chegar a tempo? Fletcher nunca vai me perdoar! Vai gente, agiliza aí!

Depois de 60 minutos, isso mesmo, 1 hora inteira, eu consegui chegar. Torci muito para ter acontecido alguma coisa e o show tivesse atrasado, caso contrário, já estaria no final. Deixei o carro no estacionamento e corri o mais rápido que consegui.

Cheguei ao camarim deles ofegante. Fiquei alguns segundos parada na porta, com as mãos apoiadas nos joelhos, esperando minha respiração e batimentos cardíacos se normalizarem.

- Nossa, achei que vocês já estavam no show há muito tempo! Estão fazendo suspense é? – disse ainda ofegante.

Consegui me recompor, ajeitei minha roupa [N/A: é a da frente.] e coloquei um sorriso no rosto.

- Não, , houve um problema, por isso o atraso. – dizia calmamente. Ela é bipolar, uma hora é estressada, na outra toda calma...

Bem, já que eles estão aqui, vou cumprimentá-los. Notei que a estava sentada ao lado de Dougie, que estava deitado. Deve ser ressaca.

- Fletcher, conseguiu dar um jeito no cabelo? – ri, eu sabia da dificuldade dele. E logo lhe dei um beijo no rosto.
- A ajudou. – disse meio sem graça.
- Ela leva jeito. – disse sincera. – E você, Jones, tá um arraso também! – repeti o gesto com ele.
- Quem sabe não arrumo uma namorada? – disse rindo e piscou para mim.
- Vou fingir que não vi a piscadinha. – ri e pisquei também.

Quando chegou a vez de cumprimentar o Harry, apenas o olhei e o vi ali, parado, como se nunca tivesse me visto.

- Bela camisa, Judd. – disse, mais uma vez, sincera.

Não esperei pela sua resposta, pois sabia que seria uma grosseria. E hoje eu não queria brigar.

Aproximei-me do Dougie, que ainda estava deitado e lhe dei um beijo na bochecha. Percebi que ele estava um tanto quanto quente demais. Já estava quase na porta, quando me virei para e perguntei o que ele tinha.

- Está com febre. – respondeu, sem nem olhar para mim.

Fiquei em silêncio por alguns segundos.

- Bom, só passei para desejar um bom show para vocês, vou me juntar à platéia – pisquei para os meninos, sorri e logo me fui.
Sai daquele camarim tão rápido quanto cheguei. Não estava me sentindo bem. Não digo isso fisicamente, mas emocionalmente. Ver todos ali, se divertindo, Dougie sendo cuidado pela . Eu era como uma estranha ali. Por mais que os meninos, exceto Judd, fossem simpáticos comigo, eu percebia que não era a mesma coisa. E ainda tinha o Tom. Tínhamos combinado que aquele beijo não significaria nada, mas ainda sim, ficava um clima estranho. Eu precisava falar sobre aquilo com alguém. Aquilo estava me matando. Eu tinha beijado o Fletcher, mas gostava do Judd. Estava perdida. Poderia falar com o Tom, mas ele era parte da complicação. É, , você está numa sinuca de bico, como diziam os meninos da faculdade.

Já havia se passado alguns vários minutos desde que eu tinha saído do camarim e me encostei na parede do camarote onde ficaríamos. Eu nem percebi quando e chegaram. Estava desistindo de ficar ali, eu iria embora e depois explicaria para o Tom o que tinha acontecido, ou melhor, inventaria uma desculpa.

Quando me virei para sair, quase trombei com a , que agora chegava ao camarote. Ficamos em silêncio por algum tempo, apenas nos olhando, como se esperássemos que alguém fosse a primeira a começar a falar. Até que o silêncio chegou ao fim, com as duas falando ao mesmo tempo.

- EuOfiqueiHarrycomficouTombabandoontememvocê! – hein? Eu não entendi nada!

Bem, talvez eu tenha entendido, mas quero ter certeza.

- O que foi que você disse? – ela me perguntou, confusa
- Eu fiquei com o Tom! E o que você disse? – perguntei.
- Que o Judd ficou babando em você. – respondeu com ar pensativo.

OMG! OMG! Harry Judd ficou babando em mim!!! Aaah, alguém me belisca, porque devo estar sonhando!

Depois de acalmar meus pensamentos, fiquei olhando para e percebi que ela me olhava com uma cara, diria, de espanto.

- Por isso você está assim? – perguntou.

Suspirei e me encostei novamente à parede.

- Não é pelo Tom, é pelo Judd! Digo, me sinto mal pelo fato de ter feito isso e ele ter namorada, mas o Judd... – dei um longo suspiro.

Eu sabia que não precisava explicar mais nada. sabia o que estava acontecendo e a confusão que se formava em minha cabeça. Eu a olhava com olhos pedintes de ajuda. Eu não sabia o que fazer! Estava gostando de alguém que me detestava e que era um rockstar! E tinha o fato da namorada e que dali alguns dias ele iria embora e provavelmente nem se lembraria de mim.

me deu um sorriso torto e deu de ombros. Isso só significava uma coisa: ela não sabia o quê fazer pra me ajudar. Eu mordi meus lábios, como sempre faço quando estou nervosa, e cruzei os braços. Ela permanecia ali, parada, como se estivesse esperando que uma luz surgisse e resolvesse tudo.

Um barulho muito forte começou, anunciando o início do show. saiu de seus devaneios e foi sentar-se ao lado de . Eu permaneci onde estava. Estava pensando no que fazer.

Dificilmente eu ficava sem saber o que fazer, mas isso era até me deparar com aquela situação. Com tantas pessoas por quem me apaixonar, tinha que ser justo por ele? Bem, eu poderia pensar em dois grandes problemas nessa história de me apaixonar. Não, eu não poderia permitir aquilo! Eu não queria me apaixonar, todo mundo sabe que apaixonados sofrem, e de sofrer já estou cheia.

Quando começaram a tocar “Falling in Love”, pude perceber minha visão ficando embaçada. Essa não! Eu não poderia chorar, não ali, na frente das meninas. Olhei para elas e percebi quão animadas estavam e percebi minha deixa. Saí daquele camarote e corri para qualquer lugar longe dali, onde não houvesse ninguém. Como eu tinha free pass, poderia entrar em qualquer lugar, só não imaginava que o lugar seria o camarim. Mas não estava me importando. Não naquele momento.

Como uma criança assustada, me encolhi num canto, abracei minhas pernas e chorei. Sentia as lágrimas quentes rolarem pelo rosto, mas mais uma vez, não me importava, desde que ninguém me visse.

Não sei ao certo por quanto tempo fiquei ali, mas quando consegui voltar para o camarote, os meninos já estavam anunciando a última música, e então percebi que perdi o show inteiro. olhou para mim como quem dissesse “Depois a gente conversa”, mas eu sabia que aquela conversa não aconteceria.

Talvez a resposta para todos os meus problemas fosse apenas uma. Talvez não fosse a melhor resposta, mas por enquanto poderia resolver.

Respirei fundo ao perceber que todos já estavam se retirando, as meninas caminhavam em direção ao camarim. Quando passou por mim, apertou meu ombro, um gesto que dizia “Vai ficar tudo bem”. Eu apenas suspirei e as segui.

Ao chegar ao camarim, tinha colocado o melhor sorriso em meu rosto. Todos conversavam, riam e eu permanecia ali, alheia a tudo. Saí de meus devaneios quando Danny perguntou se eu não iria. Mais uma vez, sorri. Aquela era minha resposta, mas iríamos aonde? Parecendo perceber minha dúvida, disse a frase salvadora: “Nos encontramos no hotel então”. Ótimo, iria rolar uma festa. Eu não estava no clima, mas iria mesmo assim. Vai saber se não acabo me animando.

Ficamos um tempo no camarim ainda, esperando que todos fossem embora para conseguirmos sair. Percebi vários olhares do Harry sobre mim, estava ficando incomodada, e bem, não sou boa em disfarçar quando algo me incomoda, então participava de algumas conversas, respondia algumas coisas, e sempre mexia no meu cabelo, meu lábio, coitado, acho que nunca foi tão mordido em toda minha vida, às vezes, sentia um gosto de sangue e parava de mordê-lo, mas logo depois voltava a isso.

Assim que pudemos, saímos de lá. Saí em disparada para onde tinha estacionado o carro da . Pelo menos lá eu ficaria sozinha com meus pensamentos. Pude ver o carro das meninas passando por mim, e depois o carro da banda. Fiquei parada alguns minutos, olhando a direção que eles tinham seguido, até resolver ligar o carro e seguir pelo mesmo caminho.

Meus pensamentos estavam me assombrando, a cena do beijo, o jeito como Harry me tratava, a briga com a . Era muita coisa para uma pessoa só. E sempre pode piorar, não é?

Senti meu celular vibrar no banco, tinha o colocado entre minhas pernas, mania. Vi que era uma mensagem, então aproveitei que parei no sinal vermelho para ler.

“Preciso falar com você. Explicar-me, me desculpar. Não sei. Tentar resolver as coisas.”

Deus! Quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece! Já dizia aquela máxima: ex bom, é ex morto! Ainda mais quando era um canalha, estúpido como aquele. Apenas fechei meu celular e voltei a dirigir, depois de alguns protestos de motoristas que buzinaram avisando que o sinal já se encontrava aberto.

Liguei o rádio e, por ironia do destino, estava tocando “Yesterday”, The Beatles. God, alguém deve realmente me odiar!

Comecei a ouvir a música e a pensar em várias coisas, várias coisas, que assim como o nome da música, me remetiam ao ontem.

Yesterday
All my troubles seemed so far away
Now it looks as though they're here to stay
Oh, I believe in yesterday
Suddenly
I'm not half the man I used to be
There's a shadow hanging over me
Oh, yesterday came suddenly


Até ontem, meus problemas pareciam distantes, eram coisas corriqueiras: faculdade, estágio, família. Problemas que todos têm. Só que agora foram agregadas mais coisas. Tenho problemas com minhas amigas, problemas com pessoas que acabei de conhecer, e com pessoas que nem conheço, como a Falcone. Ter beijado o Tom foi um erro. Não me arrependo, mas foi errado. Ele tem namorada, e agora também descubro que gosto do Harry. É estranho, afinal, eu beijei o Fletcher, deveria estar gostando dele, certo? Mas também, por que eu fui beijar ele, se na verdade, meu fave sempre foi o Judd? Oh, God. É estranho isso. Estranho, esquisito, complicado e complexo.

Why she had to go I don't know
She wouldn't say
I said something wrong now I long
For yesterday


Dude! Como me arrependo de ter brigado com a . Eu não deveria ter dito aquelas coisas para ela. Gostaria de apertar um botão nesse momento e voltar no tempo para me impedir de dizer tudo aquilo.

Yesterday
Love was such an easy game to play
Now I need a place to hide away
Oh, I believe in yesterday


Caramba! E se não bastasse todos os meus problemas, dúvidas e confusões, agora me reaparece mais um. É. O amor é algo complicado. Não creio que um dia que seja capaz de compreendê-lo. Eu gostava mais de como eu agia antes. Apenas jogando, me divertindo… Será que ainda dá tempo de voltar a ser como eu era?


Part IX

Não sei como, devo ter ligado meu piloto automático, já que quando dei por mim, já estava em frente ao hotel onde os garotos estavam hospedados. Parei o carro e fiquei esperando o funcionário vir pegá-lo para estacionar. Eu não estava com pressa. Mas confesso que se ele demorasse mais, eu entenderia aquilo como um sinal para ir embora de vez. Ele apareceu, e pela cara dele, já deveria ter ido até o carro algumas vezes, afinal, me olhava com uma cara de “ou vai ou desce”. Saí do carro, mas ainda não entrei no saguão do hotel. Quando criei coragem para entrar, senti alguém puxando meu braço. Apavorei-me. Mas me apavorei mais ainda ao perceber quem me segurava.
— Por que você fugiu de mim?
— Eu não fugi de você. Eu terminei com você. — seca.
, não me venha com essa. Eu não terminei com você. — ríspido.
— É aí que você se engana, . Você terminou comigo de todas e das piores formas possíveis. Ou será que você esqueceu tudo que fez? — questionei, mantendo a voz firme.
— Aquilo foi um deslize. Um incidente isolado. — calmo.
— Deslize? Incidente isolado? — ri sarcasticamente. — Você tem noção do que eu passei? Do que eu senti? Eu tive que implorar para meu irmão não ir até sua casa, ele estava transtornado, te mataria! — disse, já alterando minha voz.
— Isso mostra que você se importa comigo, amor. — disse, reforçando a última palavra.
— Não me chame de amor. Você não sabe o que essa palavra significa! E eu não queria que meu irmão sujasse suas mãos com um traste feito você! — disse cuspindo as palavras. — Agora se você me soltar, eu ficarei muito grata! Você está me machucando. — disse olhando para sua mão que ainda segurava firmemente meu braço.
— Não, você vai entrar comigo nesse carro e vamos embora! Você é minha, tem que ir aonde eu vou. — disse totalmente alterado e me arrastando até o carro, que estava do outro lado da rua.
— Me solta agora! — já começava a me desesperar. — Me solta! Não vou a lugar nenhum com você! — gritava.
Finalmente alguém ouviu meus apelos e veio me ajudar.
— Algum problema senhorita? — perguntou um segurança do hotel.
— Nenhum problema, não é mesmo, meu amor? — respondeu e eu tive vontade de vomitar ao ouvi-lo me chamar de “meu amor”.
— Todos os problemas! Esse senhor está praticamente me sequestrando! — respondi com a voz totalmente alterada. — Ele quer me obrigar a ir com ele, mas não vou a lugar nenhum!
— Senhor, peço que solte a moça ou serei obrigado a tomar atitudes drásticas. — o segurança disse isso já pegando seu rádio para pedir reforços, imagino eu.
— Tudo bem! Não precisamos disso. Somos civilizados, não? — respondeu enquanto me soltava. — Mas essa conversa não acabou. — disse segurando meu rosto virado para si.
Podia sentir a força com que ele me segurava, estava me machucando. Assim que ele virou as costas para ir embora, corri até o segurança. Não conseguia dizer nada, lágrimas brotavam em meus olhos, definitivamente aqueles últimos dias estavam sendo um inferno. Consegui balbuciar um “obrigada” ao segurança e entrei no hotel.
Parece que as recepcionistas tinham assistido aquela cena, pois assim que entrei, me trouxeram um copo de água com açúcar. As agradeci e informei para onde estava indo. Assim que entrei no elevador, pude ver as marcas que ele tinha deixado em meu braço e no meu rosto, que agora também estava vermelho devido às lágrimas.
Assim que cheguei ao andar do Mcfly, coloquei minha mão onde estava a marca a fim de que conseguisse disfarçar.
— Hey, lady! — disse Danny me abraçando. — Achamos que tivesse se perdido. — riu.
— Quase isso! — respondi forçando meu melhor sorriso.
! — Tom chegou me beijando no rosto e me abraçando. — Por que está vermelha? Andou chorando?
Shit! Esqueci do meu rosto, pense rápido, ! Estão todos te olhando! Vai garota!
— Passei por um susto agora, Fletcher. — respondi. — O elevador parou do nada. A tecnologia me odeia! — ri sem graça.
— É, acho que eu também ficaria apavorado. — disse.
Olhei para as meninas e pude ver seus olhos acusadores em mim. Elas sabiam que eu estava mentindo. E parecia que elas sabiam o que tinha acontecido.
— Hey, Poynter! — disse me aproximando dele e de . — Está melhor?
— Estou melhorando, . — disse sincero. — A tem sido minha babá. — riu e eu o acompanhei com um sorriso.
— Guys, onde fica o banheiro, acho que preciso retocar a maquiagem por causa do susto. — falei e Danny me apontou a porta do banheiro.
É, , eles você conseguiu enganar, mas as meninas não. Será que elas viram algo? Acho que não. Elas apenas sabem quando estou mentindo. É, é isso.
Retoquei a maquiagem, tentei camuflar as marcas que ainda estavam bem evidentes e saí a tempo de ouvir um comentário do Harry.
— Sério, dude! Não cheguei a ver quem era, mas parecia que o cara tava forçando a menina a ir com ele, ela tava desesperada! Se o segurança não tivesse ido ajudá-la, eu iria. — disse, aparentemente, preocupado e sincero.
Eu não sei se ele iria falar mais alguma coisa, mas quando me viu, parou de falar e ficou apenas me olhando. Eu dei um sorriso de lado e fui pegar algo para beber. Dizem que se você quer esquecer, o melhor jeito é beber. E eu faria isso.

Part X

Eu estava com muito calor, o ar condicionado da suíte não estava ajudando muito. Resolvi ir até a sacada e foi aí que eu gelei. Dali, daquele ponto exato, dava para ver tudo o que acontecia na rua, e mais precisamente o que tinha acontecido comigo. Mais uma vez torci para que nenhuma delas tivesse visto aquela cena.
, quem era o cara que tava com você lá embaixo? — perguntou .
— Que cara? — me fingindo.
— Nós vimos você conversando com um cara. — disse . — Já está causando por essas bandas é? — riu.
Nunca fiquei tão aliviada por ouvir as besteiras da .
— HÁ, HÁ! Até parece, né? — sorri amarelo. — Ele só estava perguntando um endereço. — mentir é feio!
— E justo pra quem ele foi perguntar? Para a pessoa mais perdida do mundo! — riu. — Aposto que deixou o cara mais perdido ainda. — eu tive de rir junto com elas, mas não antes de mostrar a língua.
Dito isso, as meninas entraram e eu fiquei mais uma vez sozinha. Sozinha com meus pensamentos. Senti novamente o medo e a tristeza tomarem conta de mim, suspirei fundo e me apoiei na sacada. Percebi alguém se aproximando, mas nem me dei ao trabalho de me virar. Pelo menos não até saber quem estava ali.
— Cuidado para não cair. Vai ficar caro limpar a sujeira depois. — ahá! Só poderia ser o Mr. Ironic.
Me virei para ele, mas não disse nada. Pela primeira vez eu não iria responder uma provocação, e ainda mais um provocação do Harry.
Ele ficou me olhando, com a sobrancelha levantada, adoro quando ele faz essa cara de “Ué”. Eu apenas sorri de canto e voltei a minha posição inicial, acho que ele pensou que isso fosse um convite e se aproximou mais de mim, ficando ao meu lado. Eu apenas o olhava pelo canto dos olhos e percebia que ele fazia o mesmo. Ok, mais alguém aqui está achando essa situação bizarra?
Eu já mordia meu lábio de novo. Estava nervosa com aquela aproximação. Não ficaria tão nervosa se ele tivesse tentado me jogar pela sacada.
— Você vai ficar sem boca. — disse ele, quebrando o silêncio.
Eu apenas sorri.
— Eu não falei com você antes, mas vocês fizeram um bom show. Eu gostei. — disse.
— Das quatro músicas que você ouviu? — retrucou.
— Como? — desentendida.
— Eu vi que você não ficou ali o show inteiro. Não precisa me contar nada, estou apenas comentando.
— Não me senti muito bem. — isso é uma meia verdade.
— Uhn, certo.
— Mas de qualquer jeito, eu gostei das quatro músicas que ouvi. — disse sorrindo mais abertamente. — Parabéns.
— Obrigado. — disse. — É estranho falar civilizadamente com você. — rindo.
— Não se acostume. — respondi sorrindo e dei uma piscadinha.
— Não vou. — disse entrando novamente no quarto. — Aliás, você está muito bonita hoje. — disse isso e se foi.
OK! Agora acho que vou realmente me jogar daqui! Eu tive uma conversa normal com Harry Judd? O mesmo Harry Judd que me provoca e tira do sério? Ele me notou no show? Acho que sim, para saber que só fiquei ali quatro músicas. E o melhor de tudo, ele me elogiou! Disse que estou muito bonita. OMG, OMG, OMG! Acho que as coisas começaram a melhorar. Finalmente!
, podemos conversar? — aproximou-se.
— Claro. — respondi sorrindo.
— Era ele lá embaixo, não era? — perguntou, mas creio que ela já sabia a resposta.
— Era. — suspirei pesadamente
— Como ele sabia onde você estava?
— Eu não sei, minha mãe deve ter dito a ele. Você sabe que ela o adora. — dei de ombros.
— Mas ele fez tudo aquilo com você. — irritada.
— Ela não acredita. — disse negando com a cabeça.
— Caramba! Ela é sua mãe! Como não acredita em você? — nervosa. — Ai, meu Deus! O que é isso no seu braço? Ele encostou em você, não foi?!
— Não! — disse rápido. — Eu que estava nervosa e acabei apertando meu braço, você me conhece. — sorri amarelo.
— Exatamente! Quando você fica nervosa morde o lábio e mexe no cabelo, não fica se “apertando”. — disse fazendo aspas com os dedos. — você tem que dar um basta nisso!
— Você acha que eu não sei disso? — elevando minha voz. — Eu não sei o que fazer! Eu tenho medo do que possa acontecer. Não sei o que esperar dele. — disse já com a voz embargada.
— Você tem que acabar de vez com isso. — disse por fim, saindo dali.
Eu fiquei ali, parada, pensando no que eu poderia fazer. Mas não conseguia pensar nada. Quem sabe se eu mudar de planeta ele não me deixe em paz. Suspirei pesadamente.
— Qual é a sua?
— Hã? — sem entender.
— Por que você sempre tem que estragar tudo? — nervoso.
— Do que você está falando Judd? O que eu estraguei agora? — confusa.
— Estava tudo bem até você chegar! — segurou meu braço. — O que você disse para a ? Ela veio aqui e voltou nervosa.
— Eu... eu não disse nada! Juro, dessa vez não disse nada! — assustada.
— Para de ser mentirosa! Eu achei que pelo menos hoje você seria amigável — disse apertando mais meu braço, no mesmo lugar que tinha apertado. — Mas você não muda não é mesmo? — com a voz alterada.
— Judd, me solta. — disse firme, porém sentindo o bolo se formar em minha garganta. — Você está me machucando.
— Você não passa de uma vadiazinha mimada quer ser sempre o centro das atenções não importa o que tenha que fazer para isso. — disse apertando ainda mais meu braço.
— Me solta, ! — gritei o último nome. — Judd, — me corrigi. — me solta! — com os olhos cheios de lágrimas. — Você não sabe de nada e não pode falar sobre o que não sabe. — disse me soltando. — E nunca mais me chame de vadizinha mimada! — disse saindo dali, me segurando para não chorar.
Passei por todos no quarto, estava ciente do meu estado, meu rosto vermelho queimando, meu braço que doía, mas não era só ele. Tudo em mim doía, eu me sentia pior do que estava. Por que tudo tinha sempre que ser estragado? Estava ótimo antes daquela conversa! E cadê esse elevador que não chega?! Vou descer pela escada de incêndio e dane-se quem achar ruim.
Já estava abrindo a porta quando alguém me puxou pela mão, mas que mania infeliz desse povo!
— What the hell! — disse puxando minha mão.
, calma. — disse a voz calma. — Are you fine?
— Está tudo ótimo, Fletcher! — grossa. — Pode voltar para a festa, estou indo embora.
— Você mente muito mal. — disse. — Eu não sei o que o Harry fez, mas a está muito brava com ele. — me fazendo virar para olhar para ele. — Você estava chorando?
— Eu sinto vontade de chorar, mas não choro. — sorri amarelo.
— Foi ele que fez isso no braço? — Tom perguntou apontando para a marca.
— Não, já estava feito. — disse olhando para meu braço.
Tom me abraçou e por alguns segundos achei que não fosse conseguir segurar o choro. Eu mordia meu lábio fortemente e me afundava ainda mais naquele abraço.
?
Soltei-me do abraço e olhei para quem me chamava.
— Será que posso falar com você, please? — Judd disse olhando para o Tom. — E a sós?
Tom olhava para mim, esperando minha resposta. Eu apenas assenti com a cabeça, então ele me deu um beijo na bochecha e sussurrou um “Qualquer coisa grite”. Eu sorri em resposta, dizendo que ficaria tudo bem.
— Diga logo o que quer, Judd. — séria.
— Quero pedir desculpas. — disse sem olhar para mim. — A me disse o que houve.
— Você precisou ouvir isso dela? Já tinha dito que você não sabia o que tinha acontecido. — mordendo meu lábio.
— Realmente, me desculpe. Eu não sabia que a garota lá embaixo era você. — disse olhando para mim.
— Foi bom ver sua preocupação por algum momento, mesmo sem você saber quem era. — sorri de canto.
— Vem, vamos voltar para a festa. — disse me estendendo a mão.
Fiquei olhando para a mão dele enquanto decidia o que fazer. Mordi meu lábio pela última vez e o olhei.
— Não. Não tenho mais clima para festa, Judd. — abaixando a mão dele. — Desculpe. — disse apertando mais uma vez o botão do elevador.
Dessa vez o elevador chegou mais rápido. Entrei e dei um sorriso singelo para o Harry. A porta se fechou e então eu finalmente chorei.

Part XI

Doía muito saber que apesar de tudo, Harry me odiava. Achei que as coisas poderiam começar a dar certo, mas estava enganada. Quando as coisas são assim, a única solução é se afastar. E era exatamente o que eu faria. O problema era sair desse problema e voltar para outro: .
Já tinha chegado à casa das meninas. Desliguei e fechei o carro, abri rapidamente a porta do apartamento. Eu estava com medo, tinha medo que tivesse me seguido. Tranquei a porta e fui correndo para o quarto, peguei minhas coisas e fui tomar banho. Estava me sentindo suja, me sentia péssima. Não sei quanto tempo ao certo fiquei no banho, mas quando saí, as meninas ainda não estavam lá.
Comecei a organizar minhas coisas, afinal, amanhã iria embora. Os shows em SP já tinham terminado e eu voltaria a minha rotina, mas estava muito cansada, resolvi terminar quando acordasse.
Quando encostei minha cabeça no travesseiro, todas as lembranças ruins voltaram a minha mente, não consegui me controlar e chorei. Aproveitando que estava sozinha, chorei tudo que estava guardado. Entre lágrimas, adormeci.
Sonhei a noite toda, e era o mesmo sonho. Sonhava que estava numa casa que não era a minha. Harry estava lá comigo, ele sorria de um jeito extremamente apaixonante, eu olhava para ele e sorria mais ainda. Ele então pegou minha mão e a beijou. Aproximei-me ainda mais dele e passei meus braços pelo seu pescoço e encostei nossos lábios. Podia senti-lo sorrir entre o beijo e eu o acompanhava. Estava muito feliz, estávamos felizes. Porém, quando me separei dele, vi tudo ao meu redor se desfazendo. Eu olhava para ele sem entender e ele apenas me olhava cheio de sarcasmo e ria.

— Harry, o que está acontecendo? — confusa.
— Você estragou tudo, de novo e como sempre, . Tudo que você toca estraga. — me olhava com nojo enquanto se afastava.
— Não, Harry! Espera! Eu te... — não consegui continuar a frase. Alguém tinha me batido. — ?
— Achou mesmo que se livraria de mim, meu amor? — disse se aproximando.
— Fica longe de mim! Se afaste! Você não tem direito algum sobre mim, não encoste em mim novamente! — disse enquanto corria na direção de Harry.


Quanto mais eu corria, mais longe do Harry eu ficava, a imagem dele se afastava e podia ouvi-lo dizer o quanto me odiava, e ao fundo ouvia a risada de . Conseguia sentir as lágrimas escorrendo pela minha face. Num susto eu acordei.
Olhei assustada no escuro, procurando saber onde estava. Percebi uma claridade vinda da porta e me localizei, passei a mão pelo rosto tentando me acalmar. Notei que ele estava molhado, eu realmente havia chorado enquanto dormia. Me virei para o lado e vi que dormia tranquilamente, levantei-me silenciosamente e fui até o banheiro. Depois de ter cuidado da minha higiene e beleza, me senti, fui terminar de arrumar minhas malas.
Roupa de , foto da esquerda.
Já estava arrumada quando acordou.
— Ué, aonde você vai? — perguntou com a cara de sono.
— Para casa, ué. Nossas férias acabaram, não é? Os shows já foram, eles estão indo embora. — respondi enquanto arrumava meu cabelo.
— Bom, isso se você quiser! — disse enquanto colocava um envelope na minha frente.
Olhei sem entender.
— O que é isso?
— Passagens de avião e ingressos para os shows do McFly no Rio e POA. Os meninos pediram para nós irmos e nos deram como um presente, disseram que querem muito nossa presença até o final da turnê no Brasil.
— Eu não vou. — disse invasiva.
respirou fundo e passou as mãos pelo rosto, ela já estava se irritando.
— Você quem sabe, , mas coisas assim não acontecem todos os dias. E eles foram atenciosos o suficiente para dar esse presente a todas nós, eu tenho certeza que metade do mundo gostaria disso. Vai mesmo desperdiçar e ficar chorando dos problemas que tem? Você vive reclamando que não pode sair de Campinas, que não faz nada da sua vida, então, acho que essa é sua oportunidade. Grita um basta para o mundo e faz aquilo que você deseja, tenho certeza que te fará muito bem.
Ela saiu do quarto antes que pudesse responder.
Pensava no que ela tinha dito quando meu celular soou com uma nova mensagem.
“Hey, , como está? Queria falar com você, tem como vir ao hotel? Xx, Tom.”
Peguei minha bolsa e fui.


Harry’s POV


Acordei aquela manhã me sentindo mal. Tudo aquilo que tinha dito a sem razão estava me corroendo por dentro. Não sabia o que tinha acontecido comigo, não era de meu feitio agir daquela maneira. Precisava falar com ela, certamente, mais calmos conseguiríamos nos entender. Não compreendi muito bem, mas quando me disseram que ela era a menina em frente ao hotel, senti meu sangue ferver e senti uma vontade de socar aquele ex-namorado dela.
Eu sabia que se eu pedisse para ela vir até aqui, não viria. Então recorri ao Tom.
— Tom, eu preciso de um favor. — disse me sentando ao lado dele, que comia.
— O que você quer, Judd? — pelo jeito ele também estava bravo comigo.
— Quero falar com a . — ele me olhou de um jeito estranho.
— Não está feliz com tudo que disse ontem?
— Não é isso, Fletcher! Quero me desculpar, conversar com ela agora que estamos todos mais calmos.
— O telefone dela está no meu celular. — disse enquanto enfiava um enorme pedaço de bolo na boca.
— Ela não vai querer falar comigo. Liga pra ela e diga para vir até aqui. Por favor. — eu já estava quase suplicando.
— Ok, mas se você a fizer mal de novo, pode esquecer. — disse para logo pegar o celular e digitar uma mensagem. — Agora é só esperar.
Eu apenas sorri em agradecimento. Normalmente, eu agiria como se nada tivesse acontecido, mas algo em mim gritava para falar com ela, pedir desculpas mais uma vez.

Part XII

Cheguei ao hotel, me identifiquei e logo autorizaram minha entrada. Entrei no elevador e fiquei me ajeitando no espelho, eu sou assim, não posso ver um espelho que já fico me olhando. O sinal sonoro logo avisou que cheguei ao andar desejado. Bati levemente na porta e ouvi um “Who are you?”, eu sorri reconhecendo a voz do Tom, “Room service” respondi sorrindo. A porta se abriu e vi o Tom com uma cara de ponto de interrogação.
! — disse abrindo mais a porta para que eu entrasse.
How are you, baby? — sorri.
— Bem! Aliás, se todos os serviços de quarto fossem como você, eu ficaria muito feliz. — rindo e logo recebendo um tapa meu.
— Well, well. Pare de me enrolar e diga logo o que você quer falar comigo. — me sentando e cruzando os braços.
— Na verdade...
— Na verdade sou eu quem quer. — Harry foi interrompendo Tom.
Eu estava confusa. Certo, se o Judd queria falar comigo, porque Tom me mandou a mensagem? Tudo bem que eu não viria se soubesse que era ele, mas isso não vem ao caso.
— Right. Pode começar a falar. — o olhando séria.
Ele olhou para Tom e esse logo entendeu que era para nos deixar sozinhos. Aquilo me deixou nervosa, ficar sozinha com Harry não estava nos meus planos, ainda mais depois de ontem à noite.
... — disse sentando-se ao meu lado e pegando minha mão.
Aquilo me causou arrepios, espero que ele não tenha percebido.
— Primeiro, quero me desculpar por tudo o que disse ontem. — suspirou.
— Depois que inventaram as desculpas, ficou fácil errar. — disse.
— Foi mal, mas é que desde que nos conhecemos, só temos brigado. Você e vivem se alfinetando. Quando a vi daquele jeito, achei que tivesse feito de novo, eu vi a cena do apartamento das meninas se repetindo.
— E claro, como eu sou sempre a vilã, você foi logo tirar satisfações comigo. — disse tirando minha mão da sua, ao perceber que estavam unidas ainda. — Sabe, Judd, não devemos nos intrometer naquilo que não sabemos. Eu já estava péssima o suficiente ontem e você veio, nós conversamos civilizadamente, achei que finalmente as coisas começariam a dar certo entre a gente. Mas o seu lado estúpido, ogro, apareceu de novo! E me mostrou que eu tinha me iludido. De novo. — tentando controlar minhas emoções.
— De novo? Como assim? — confuso e curioso.
— Me iludi achando que você fosse legal. Que apenas tivemos um começo errado.
— Você também me passou uma primeira impressão errada. — dando de ombros.
— E o que mudou agora? Porque dizem que a primeira impressão é a que fica. — olhando e me perdendo em seus olhos azuis.
— Não sei. Acho que o fato de pelo menos uma vez, ontem, você não ter feito nada para magoar ninguém. — agora ele olhava pra mim.
— Se primeiras impressões fossem realmente válidas, com certeza minha vida seria muito diferente. Mas as pessoas nos enganam, mostram ser o que não são. — disse e logo em seguida passei a mão direita pelo cabelo.
— O que foi isso? — perguntou olhando assustado para meu braço. — Eu fiz isso quando discuti com você? — chocado.
Ele viu o roxo que tinha no meu braço. Eu era assim, alguém encostava em mim e já ficava roxa.
— Não, Judd. Não foi você, eu...
— Foi aquele desgraçado? Son of a bitch! — visivelmente nervoso.
Harry se levantou do meu lado e ficou andando na minha frente, passando as mãos nervosamente pelo cabelo, eu mordia meu lábio, também nervosa.
— Harry? — o chamei meio temerosa. — Are you ok?
Pela primeira vez o chamei de Harry numa conversa.
— Se eu estou bem? Eu quero saber se você está bem! O que aquele mother fucking fez com você? — me olhando como se procurasse algo.
— Relaxa, Judd. Ele não fez mais nada. Apenas isso e o vermelho que tinha em meu rosto ontem.
Harry se aproximou de mim e tocou meu rosto com a ponta dos dedos. Senti meu coração acelerar como isso, minha respiração começava a ficar ofegante, fechei meus olhos e tentei não pensar no que estava acontecendo. Tentava me concentrar em qualquer coisa, nem que fosse a geopolítica. Percebi um arrepio percorrer todo o meu corpo quando a respiração de Harry bateu na minha pele. Rapidamente fechei minhas mãos, uma forma de me controlar, e mordia mais forte meus lábios, que com certeza já estavam bem vermelhos.
— Canalha.
Consegui ouvir Harry esbravejando entre dentes.
Ele postou as duas mãos em meu rosto.
. — sussurrou.
Eu apenas murmurei algo como um “Hun?” e abri meus olhos. Maldição. Quando abri os olhos, me deparei com aqueles lindos e azuis e maravilhosos e fascinantes olhos. Ele olhava fixamente para mim, como se quisesse saber o que eu estava pensando.
Não sei bem ao certo se foram segundos ou minutos que permanecemos assim, um olhando nos olhos do outro. Meu nível de agitação interna aumentou quando percebi seu rosto se aproximando do meu, nossos narizes já estavam se tocando, faltavam milímetros para nossas bocas também se tocassem.
Mas isso foi até um som de bateria chegar aos meus ouvidos. Afastei-me bruscamente de Harry e o vi passar a mão na nuca, um gesto de nervosismo misturado com sem jeito. Ele deu um sorriso amarelo e atendeu o celular, pude ouvi-lo dizer o nome de quem ligava: Izzy. Olhei para ele e dei um sorriso semelhante ao que ele me dera antes, peguei minha bolsa e fui embora. Muito abalada com tudo aquilo.

Part XIII

Cheguei ao apartamento e eu ainda não acreditava no que tinha acontecido, e nem no que quase tinha acontecido! OMG, eu quase beijei Harry Judd. Subi correndo e fui para o quarto. Cheguei lá e vi que a bolsa da não estava lá, provavelmente tinha saído. e ainda estavam dormindo. Peguei minhas coisas, chamei um táxi e fui embora.
- Alô? – disse a voz do outro lado da linha.
- Mãe, estou indo embora.
- Até que fim, . Achei que fosse morar aí! – brava. Eu apenas bufei.
- Só liguei para avisar. Tchau. – desliguei.
Minha mãe me cansava. Por mais que eu fizesse, por mais que fosse a filha perfeita, para ela nunca, nada, estava bom.

Depois de algumas horas de viagem, cheguei a Campinas. Peguei outro táxi para chegar em casa. Peguei meu celular e vi que tinha dezenas de mensagens e ligações perdidas. Suspirei pesadamente.

Primeira chamada: . Nossa, ela me ligou 14 vezes! Segunda chamada: Tom. Me ligou 8 vezes. Terceira chamada: . 12 vezes. me ligou umas três vezes, essa desistia fácil.

Mensagens:

, ONDE VC SE METEU?” – .

, atende esse celular, estamos preocupadas.” – .

Hey, lady, what’s happened?” – Tom.

Hey, are you ok? I'm worried you.” – essa eu fiquei sem saber.

Me again. Call us. Harry” – agora eu sei de quem era a outra mensagem.

Eu sorri ao ler as mensagens, que agora sabia ser do Harry.

Cheguei em casa e minha mãe não estava. Coloquei minhas malas sobre a cama e comecei a desfazê-las. Coloquei as roupas sujas para lavar e quando saía da lavanderia, bati sem querer meu braço no batente da porta.
- Droga! – passando a mão, onde antes já estava roxo.
- Ora, ora. Vejam só quem voltou. O bom filho a casa torna. – irônica. Devo ter herdado isso dela.
- Ah, oi, mãe. – estava indo para meu quarto, quando resolvi voltar e perguntar uma coisa que me incomodava. – Mãe, tem falado com o ultimamente?
Eu sabia que quando não estava por perto, minha mãe sempre dava um jeito de falar com ele.
- Sim, falei com ele faz dois dias. Por quê?
- Ele perguntou de mim?
- Como sempre. Eu disse que você tinha ido a São Paulo, ao show de uma banda. – sabia.
- Mãe! Você é louca?! – irritada. Tá vendo isso aqui no braço? – disse apontando para o roxo. – Foi ele quem fez! – disse revoltada.
- Duvido que tenha sido ele. – disse com desdém.
- PQP! Mãe! – eu estourei. – Você acha que eu terminei com ele por quê? Ele me faz muito mal. Não o quero perto de mim! É tão difícil pra você entender isso?
- ! Quem você pensa que é para falar comigo assim? Ainda sou sua mãe. – disse ela brava.
- Mas que bela mãe você me saiu! Jogando sua filha nos braços de um louco! – disse indo para meu quarto.
- Onde você pensa que vai? – percebi certa confusão por parte dela ao me ver colocando outras e mais roupas na mala.
- Tenho uma viagem para fazer. E, não, não vou dizer para onde vou. – disse enquanto fechava a mala.
- E a faculdade? Esqueceu que esse é seu último ano? – cruzou os braços.
- Não, dona , não esqueci. E caso a senhora não saiba, sou a melhor aluna do curso. Conseguirei recuperar a matéria. Agora, com ou sem sua licença, estou indo!
Por sorte, ao sair, vi um táxi parado na casa da minha vizinha, perguntei se ele estava desocupado e entrei no carro.
- Aeroporto.
Cheguei ao aeroporto e só então olhei minha passagem. Queria ir embora dali o mais rápido possível. Por sorte conhecia alguns funcionários e eles trocaram minha passagem, já que eu deveria sair de São Paulo e estava em Campinas. Havia um voo que sairia dali 2 horas. Consegui embarcar nesse.

Encostei minha cabeça no banco e fechei os olhos, logo estaria no Rio de Janeiro. Longe dali, não tão longe quanto eu gostaria. Adormeci.
- Senhorita? – pude ouvir uma voz suave ao meu lado.
Abri os olhos lentamente e pisquei algumas vezes até conseguir focalizar a imagem a minha frente.
- Já pousamos. – disse de forma polida a aeromoça.
Apenas sorri em forma de agradecimento, peguei minha bagagem de mão de saí do avião.
Saindo do aeroporto, fui bombardeada com aquele ar quente e marítimo do Rio de Janeiro, fechei os olhos e respirei fundo. Achei um táxi e pedi que me levasse até o hotel onde os meninos tinham dito que ficaríamos. Copacabana Palace. Chique, né?!

Fiz o check-in no hotel e logo subi para meu quarto. Abri a sacada e fiquei olhando a paisagem. As palavras que tinha me dito mais cedo martelavam em minha cabeça, “Vai desperdiçar mesmo e ficar chorando dos problemas que têm? (...) acho que essa é sua oportunidade, grita um BASTA para o mundo e faz aquilo que você deseja, tenho certeza que te fará muito bem”, estava certa. Essa era minha oportunidade e tinha que aproveitá-la. Com um sorriso no rosto, abri minha mala procurando um biquíni: iria para a praia.

Fui para a praia, mas não fiquei muito tempo. Não gosto de lugares públicos cheios, aliás, lugar nenhum cheio. E aquela praia estava quase tão lotada quanto o inferno deve estar. Voltei para o hotel e perguntei onde ficava a piscina, fiquei pouco tempo também. Em pouco tempo teria que me arrumar para o show que aconteceria em breve.

Subi para meu quarto apenas com uma bata transparente, já que não se pode andar em trajes de banho pelo lugar e fui tomar um banho, a hora do show se aproximava.

Já estava secando meu cabelo quando meu celular tocou, avisando que tinha uma nova mensagem.

Eu não posso acreditar que você realmente não virá ao show. Desconsidero você.” – .

Eu ri com aquilo, mal sabia ela onde eu estava. Estava quase abrindo a porta quando ouvi vozes, e aquelas vozes eu conhecia muito bem, as meninas já estavam indo para o show. Fiquei imaginando a cara delas ao me verem.
- Você não tem noção, o Tom ficou muito chateado com a . – dizia .
E pelo visto, eles também ficariam surpresos. Voltei para o banheiro, dando uma última olhada no visual e vendo se não tinha nada fora do lugar.

Peguei mais um táxi, estou gastando horrores com isso, e fui para o local do show. Apresentei meu free pass e fui direto ao camarim.

Part XIV

Cheguei ao camarim e não havia mais ninguém, olhei no relógio que tinha na parede e percebi que tinha me atrasado. De novo.
- Ai, , você não muda mesmo. – disse comigo mesma.

Fiquei parada bem no meio camarim pensando no que faria. Ficaria ali esperando e perderia o show, ou iria logo para meu lugar. A resposta parecia óbvia, porém, não queria que ninguém me bombardeasse com perguntas, não queria saber de “por quê” e nem de “pra quê”.
- Hey! – ouvi aquela voz atrás de mim. – Who are you?
- Que feio, Judd, não me reconhece mais? – me virei para ele, rindo.
- ! – ele veio até mim e me abraçou. – O que você está fazendo aqui?
- Eu vim assistir o show de vocês. Mas o que VOCÊ está fazendo aqui? Não deveria estar no palco já? – perguntei confusa.
- Esqueci as baquetas.
- Judd, você é o baterista, como é que você sai do camarim sem as baquetas? – disse rindo. – Você está andando muito com o Jones.
Ele apenas riu e ficou me olhando. Certo, estou me sentindo uma idiota.
- Judd? Tá olhando o quê?
- Você está linda. Aliás, não disse antes, mas você é linda. – disse, ainda me encarando.
- Ok, você andou fumando o quê? Maconha embolorada? – ri.
- Nossa, não te elogio mais. – fez cara de triste.
- Ai, olha o drama, Judd. Agora vai logo para o palco, antes que as fãs destruam tudo. – disse empurrando-o porta afora.
- Vai assistir ao show todo dessa vez? – perguntou parado na minha frente.
- Vou. Prometo estar lá quando você olhar. – ri e dei uma piscadinha, indo para meu lugar na platéia.

Como prometido, fiquei no meu canto o show inteiro. Harry, assim que entrou no palco, ficou me procurando e quando me avistou deu aquela piscadinha e abriu um lindo sorriso. As meninas que estavam perto de mim quase me deixaram surda ao verem a cena, ficaram gritando mais que uma mulher dando a luz. Cruzes! Isso porque aquilo nem foi para elas. Ou será que foi? Saí de meus devaneios quando uma delas se chocou comigo. Olhei com cara feia, mas ela só tinha olhos para o palco e eu não sei por que eu também não olhava para o local. Assim que foquei meus olhos no palco, senti novamente aqueles olhos azuis sobre mim. Cacete! Mesmo longe ele conseguia me deixar sem jeito, estar apaixonada é a coisa mais chata do mundo.

Quando “Falling in Love” começou, não pude deixar de sorrir. Peraí, mas esse não é o ritmo original, eles mudaram! Certeza que tinha o dedinho da nisso. Confesso que gostei, mas ainda prefiro o original. Eu cantava junto com eles, pulava, gritava, e olhava para Harry, que se divertia as minhas custas, certeza que aquele sorriso não era só por causa da música e da animação do público, já que quando ele olhava para mim, sorria mais ainda. Eu apenas ignorei e continuei a cantar, essa música e “POV” eram umas das que eu mais gostava. Tocaram mais algumas músicas até que chegassem a minha outra favorita, nessa hora eu fechei os olhos e fiquei ouvindo-os cantar, seguidos pelo coro do público. Eu apenas sussurrava as palavras. Quando abri os olhos, vi um Harry concentrado, mas ainda me olhando, dessa vez com a sobrancelha arqueada, o local de onde eu estava me dava uma visão bem privilegiada dele, eu apenas sorri e coloquei a mão sobre meu coração. Ele deve ter entendido, porque sorriu. Antes que a última música acabasse, olhei para Harry e fiz um sinal de silêncio, esperava que ele entendesse que não era para comentar que me vira lá. Assim que eles saíram do palco, me retirei também, peguei o celular e mandei uma mensagem para ele pedindo que não falasse sobre mim, queria fazer surpresa.

Cheguei ao hotel e fui trocar de roupa, a menina deve ter derrubado sua bebida em mim, mas na hora estava tão hipnotizada com aqueles olhos azuis que só percebi quando saí do “Vivo Rio”.

Estava terminando de me arrumar quando recebi uma mensagem.

Hey, já chegamos aqui. Party?” — Harry.

Festa? Não precisava dizer duas vezes. Enrolei mais um pouco para ir até o quarto deles, adorava um suspense.

Bati na porta algumas vezes até a mesma ser aberta por um Danny que ria à toa. Tudo bem que ele ria de qualquer coisa, desde que a entendesse, mas dessa vez foi demais.
- Hey, ! – disse me abraçando.
- Hello, Jones! – sorri.
- Quando é que você vai me chamar de Danny?
- Sorry, tenho essa mania. – dando de ombros.
Danny se afastou de mim, rindo sem parar. Certeza que estava bebendo desde que saiu do palco.
- OMG! ! – Tom veio em minha direção e me abraçou bem forte. – Achei que você não viesse.
- Você acha mesmo que eu perderia isso? Apenas me desculpe por ter sumido sem explicar. – disse fazendo bico.
- Tudo bem. Creio que teve alguma razão para isso. – piscou.
Procurei pelo Harry e não o vi, mas encontrei Dougie conversando com , e . Aproximei-me deles e dei meu melhor sorriso de desculpas, vi abrir a boca, mas foi cortada por um Harry que chegou me abraçando. Oi? Mais alguém aqui não tá entendendo nada? Pela cara de todos, acho que sim.
- ! Que bom que você está aqui! – me abraçando ainda. – Achei que não iria mais te ver.
Isso é o teatro dele?
- Harry, você tá bem? – perguntou.
- Ótimo, por que pergunta?
- Então eu estou delirando, sofrendo de alucinações graves! Você realmente tá abraçando a ? – ele então me soltou.
- Qual o problema? – eu observava tudo calada.
- É. Ele ficou muito sem brigar com ela, isso afetou o pobrezinho. – riu e eu tive que rir junto.
Eu pensei que depois disso Harry pararia com o “teatro”, mas não, ele me puxou pela mão para a sacada.
- Desculpa. – o olhei sem entender. – Não sei o que eu fiz, mas peço desculpas.
- E como você pede desculpas por algo que você nem sabe? – perguntei confusa.
- É que depois que você falou comigo, assim que atendi ao telefonema da Izzy, você foi embora. Não entendi. – me olhando firmemente.
- Eu apenas tive que ir, Judd. – dando de ombros. – Você não fez nada. – apenas fez com que eu me apaixonasse por você e depois me lembrou que tem namorada, pensei.
Harry apenas assentiu com a cabeça e ficou parado ao meu lado, até chegar.
- Some, não atende o celular, não fala com ninguém, chega, finge que nada aconteceu, não cumprimenta ninguém — a não ser quem foi falar com você — parabéns, se superou dessa vez. – me encarava séria.
Harry permaneceu em silêncio, talvez na expectativa que saíssemos no tapa.
- Precisei ir. – disse simplesmente.
O movimento no quarto tinha começado, acho que estavam esperando, assim como o Harry, que outra briga acontecesse.
- Só isso que você vai me dizer?
- ? – Harry falou a olhando.
- Não se preocupe, Harry. – respondeu como se explicasse que a briga não se repetiria.
Eu respirei fundo e comecei a falar, contrariada, devo dizer.
- Não queria estragar os shows deles, o momento de vocês, estavam bem se divertindo, eles são seus amigos, não é? Você estava louca para revê-los, achei que ninguém ia sentir minha falta. – dei de ombros e voltei meu olhar para meus pés.
- Ahh! Come on, , não vem com essa. Eu te conheço muito bem, esse draminha barato não cola comigo, isso é desculpa, esse não foi o motivo.
Todos estavam prestando atenção na conversa.
- Pois foi isso, , eu não estava me sinto bem e fui para minha casa. Eu não queria ficar em São Paulo, vocês estavam felizes e eu sempre estrago tudo.
- E por que voltou, então? – já mencionei como a é simpática?
- Porque briguei com a minha mãe. – respirei fundo e passei a mão pelos cabelos. Harry parecia bem interessado. – Você tinha razão, , eu tenho que curtir minha vida, resolvi escutar seu conselho.
Ela apenas me olhava.
- E você vai embora sem falar com ninguém, me deixa mega preocupada, não faz a mínima questão de lembrar que havia outras pessoas esperando por você... Nem com eles você falou para explicar que não viria.
Fiquei quieta e olhei para Harry, como se esperasse ver o que ele estava achando disso. Harry apenas colocou as mãos nos bolsos e não disse nada, mordi o lábio inferior e voltei a olhar para .
- Foi mal, , devia ter avisado, sei que ficou preocupada. Desculpa. – disse arrependida.
respirou fundo, parecia se acalmar.
- Tudo bem, já passou. O importante é que você está bem, eu estava aflita aqui. E ainda bem que não ficou lá ouvindo sua mãe falar coisas que te deixam mal. Agora, , não vem falar pra mim que você foi embora porque estava mal por minha causa ou porque a gente estava se divertindo e você estragando tudo, eu não nasci ontem e te conheço. Você foi embora porque não agüentou ver o Harry sempre te tratar daquele jeito, foi embora porque o ouviu falando com a Izzy, você foi embora porque está apaixonada por ele...
Quando começou a falar, eu fiquei em choque. OMG! Ela tinha dito isso mesmo? Ela realmente falou isso, e em inglês? Por que não em alemão? Francês? Ou até mesmo português! me olhava como se esperasse uma resposta minha, e parecia até se divertir com isso. Ela queria saber como eu sairia dessa saia justa. Eu me recusava a olhar para Harry, ou para qualquer outra pessoa, mas eu desconfiava que ele tivesse arqueado a sobrancelha, como se esperasse entender aquilo e, com certeza, os meninos lá dentro também esperavam uma explicação. Já as meninas, elas deveriam esperar pela minha reação, eu apenas respirei fundo e dei um sorriso falsamente despreocupado.
- Do que você está falando, ? – me fazendo de desentendida.
- Não se faça de boba, ! – respondeu irritada. – Já está na hora de você parar de pensar que todo mundo é como o . Nem todo mundo é um completo imbecil como ele. Você tem que mostrar o que sente, sinceramente, não sei como o Harry pode ser tão lerdo a ponto de não ter percebido isso. – ela olhou para ele, que permanecia em silêncio. Acho que era informação demais. – Quando ele me disse que você tinha ido até ele hoje de manhã e que depois que ele atendeu o telefonema da Izzy, você foi embora, eu já tinha sacado tudo.
- , você não sabe do que está falando. – eu sorria nervosa, como se implorasse que ela parasse com aquilo.
- Eu sei muito bem do que estou falando e você também sabe. Por que você não diz logo que está apaixonada pelo Harry? – ela me olhava como se tivesse me desafiando.
- Você quer que eu diga isso? É isso que você quer? Tá bem, então. – fechei os olhos e respirei fundo. – Pois bem, eu estou apaixonada mesmo pelo Judd. E nem me pergunte como, por que ou quando isso aconteceu. Parece insano se apaixonar por alguém que só te trata mal, briga com você, se importa mais com sua melhor amiga do que com você, porém, essas coisas acontecem sem explicação, não é?! – ri sem humor. – Mas não se preocupe Judd, - disse me virando para ele, que ainda parecia tentar entender tudo. – eu sei onde é o meu lugar. Sou apenas um fã que deu sorte de conhecer vocês. – olhei para todos os outros e sorri, voltei meu olhar para Harry. – Eu sei bem que você tem uma namorada e que a ama. E eu sei que sou uma ninguém. Relaxe. – me aproximei e coloquei minha mão sobre seu ombro. – Nada vai mudar. – sorri sem vontade. – Feliz, ? – falei me virando para ela e a encarando. – Agora é sua vez: diga ao Poynter exatamente o que você sente por ele, porque sente um carinho tão especial, e porque devota tanto sua atenção a ele. – sorri sarcasticamente e saí dali.
Passei por todos no quarto, que me olhavam como se eu fosse de outro planeta. Senti meus olhos arderem e os apertei com força enquanto repousava minha mão na maçaneta, olhei para trás e vi 14 pares de olhos em cima de mim. Dei um sorriso forçado e sussurrei um “I’m sorry” e logo depois “Goodbye”. Saí dali e fui direto para meu quarto, joguei tudo dentro das malas, sentia as lágrimas rolando pela minha face, assim que saísse dali, tinha certeza que não os veria mais. Liguei para a recepção do hotel e pedi um táxi, iria para o aeroporto e embarcaria no primeiro voo disponível.

Assim que abri a porta, encontrei Tom parado no corredor.
- Fletcher. – disse acenando com a cabeça.
- , aonde você vai? – reparando nas malas.
- Para casa. – respondi simplesmente. – Desculpe, Fletcher, mas a turnê termina por aqui pra mim. – sorri sem graça. – Não posso continuar com vocês depois de tudo que foi dito hoje.
- Se eu fosse o Harry, ficaria feliz e honrado em saber que uma pessoa como você gosta de mim. – disse sorrindo.
- Se fosse por você que eu tivesse me apaixonado, talvez as coisas fossem diferentes, ou não. Afinal, tem a Falcone, não é? – suspirei e disse por fim. – Goodbye, Fletcher. Mande notícias. – dei um beijo em seu rosto e entrei no elevador.

Part XV

Assim que cheguei em casa, minha mãe me bombardeou de perguntas e sermões. Eu não dava muita atenção, minha cabeça já estava com excesso de pensamentos, informações e preocupações. Em breve eu voltaria para a faculdade, e dessa vez eu tinha uma decisão tomada: arrumaria um lugar para ficar, uma república, o que fosse, mas não ficaria mais em casa. Não estava mais aguentando minha mãe, ambas temos gênios complicados, uma não leva desaforo para casa e minha mãe acha que pode controlar minha vida, dizer o que devo fazer, com quem devo sair, com quem devo namorar. Já estava na hora de começar a viver minha vida em minha função e não na dos outros.

Voltei à faculdade e logo consegui um lugar para ficar, lógico que minha mãe declarou uma guerra quando saí de casa, mas eu não me importava.

Eu conversava sempre com as meninas. me pediu desculpas pelo o que falou naquele dia, eu disse para não se preocupar, sentia-me melhor desde que tinha dito tudo aquilo. Ela disse que logo iria para a Inglaterra e que quando eu me formasse, era para ir também. e falaram que iriam algum tempo depois dela, estavam resolvendo algumas coisas por aqui ainda. Minhas futuras estilistas eram meu orgulho. Para ser sincera, não estava muito empolgada pra ir para a Inglaterra, talvez eu fosse para a França, já que tenho cidadania francesa — oui, mon amour.

@tommcfly: Hey, lady! I miss u! When you come to UK? [Hey, moça! Sinto sua falta! Quando você virá ao Reino Unido?]

Toda vez que entrava no Twitter, havia algo do Tom para mim.
@: Hey, babe! I miss u too! I don’t know, but maybe coming soon ;) [Hey, baby! Também sinto sua falta! Eu não sei, mas talvez em breve]

@tommcfly: Really? Wow, I’m excited now! [Sério? Nossa, eu estou animado agora!]

@: What miracle answer me so fast? Hahaha [Que milagre é esse de me responder tão rápido?]

@tommcfly: I don’t answer anymore. [Eu não respondo mais nada.]

@: Drama. Talk to you later. Xx [Drama. Falo com você depois. Beijos]

Fiquei surpresa com a rapidez que Tom me respondia, tudo bem que ele era um viciado em Twitter, mas deveria receber uns 300 tweets por segundo, no mínimo.

Eu estava já em minha última semana de aula, já havia terminado as provas, já tinha sido aprovada, estava apenas cumprindo calendário. O tempo passou rápido, e as meninas já estavam na Inglaterra, elas queriam que eu fosse passar o Natal com elas, mas por mais que eu brigasse com minha mãe, gostaria de passar a data com ela. Talvez eu fosse antes do Ano-novo.

O tempo passou sem grandes acontecimentos. Falava com Tom praticamente todos os dias, falava mais com ele, do que com a , e ele a provocava dizendo que agora ela era a minha segunda opção em amizade.

O Natal havia chegado. O clima em casa estava mais leve, pelo menos nessa data. A ceia transcorreu da maneira mais calma possível, minha família estava toda reunida, o típico quadro de família feliz do comercial de margarina. Na manhã do dia 25, decidi sair um pouco de casa, ir dar uma volta no bosque que havia por perto. O bosque estava bem tranquilo, algumas pessoas caminhavam, outras estavam fazendo piquenique, sempre quis fazer um, mas nunca dava certo. Eu caminhava tranquilamente, ouvia música pelo Ipod, até que alguém me puxou bruscamente pelo braço.
- Mas o quê... – comecei a dizer, mas minha voz morreu e meus olhos começaram a demonstrar medo.
Eu estava numa parte mais afastada do bosque, não havia ninguém por ali. Apenas eu e ele.
- Quanto tempo, querida. – disse sarcástico.
- Nem todo tempo do mundo é o suficiente para ficar longe de você, . – respondi ríspida. – Será que pode me soltar? – disse olhando para o meu braço que ele ainda segurava.
- Desculpe. – disse com um sorriso irônico. – Apenas quero conversar com você.
- Não temos nada sobre o que conversar, . – me virei para sair dali.
- Temos sim. Eu vi que você estava com um novo namoradinho. – eu apenas fiz uma cara de interrogação. Queria saber sobre o que ele estava falando.
- Do que você está falando?
- Eu vi vocês na sua faculdade.
- O QUÊ? VOCÊ TEM IDO A MINHA FACULDADE? ESTÁ ME SEGUINDO? – gritei irritada com aquilo.
- Você tem que saber que é minha, só minha. – seus olhos pareciam mais escuros, ele estava furioso.
- , entenda que não temos mais nada. Eu não sou mais nada sua, não quero ser mais nada sua. – dizia calmamente.
- Você não percebe, não é? Você sempre vai ser só minha. Não adianta fugir, eu vou te encontrar, e um dia vamos ficar juntos novamente.
- , isso é doentio. Essa sua obsessão por mim tem que acabar! Vá viver sua vida e deixe a minha em paz! – dizia.
- Vem comigo. – disse me puxando.
- Não! – puxei meu braço. – Eu não vou a lugar nenhum com você. – disse isso e saí correndo. Aquele pesadelo precisava acabar.

Cheguei em casa ofegante. Minha mãe estava na cozinha, preparando o almoço de natal. Fui direto para o banho, eu esperava que, de alguma forma, a água levasse embora a sensação de repulsa que eu sentia. Saí do banho e fui para o meu quarto, precisava arrumar minhas malas, afinal, dali dois dias eu iria para Inglaterra. No início minha mãe não gostou da idéia, mas depois acabou aceitando, e não foi fácil. Porém, ao chegar ao meu quarto, meu pesadelo estava lá.
- O que você está fazendo aqui?
- Sua mãe me chamou para almoçar.
ARGH! Existe algum país onde matar a mãe não seja crime? Porque eu acho que estou prestes a cometer um assassinato.
- Bem, ela te chamou para almoçar, não para ficar no meu quarto. Então, caia fora. – abri a mala e colocava minhas roupas dentro.
- Aonde você pensa que vai? – ele fechou minha mala.
- Não interessa, . Nenhum lugar nesse mundo seria longe o bastante de você.
- Você não vai. – disse alterado.
- Claro que vou! Quem você pensa que é para me impedir? Nem minha mãe me impede mais. – eu o encarava.
- Sou seu namorado. – disse convicto.
- Namorado? – ri sem humor. – Não me faça rir. Você não é nada meu. Pensei que tivesse entendido o que eu disse mais cedo lá no bosque: eu sinto nojo de você, tenho pena de você, mas, principalmente, eu te odeio. O-D-E-I-O. – falei pausadamente. – Você não é ninguém pra mim.
, nessa hora, me pegou pelo ombro e o apertava com muita força.
- , me solta. – disse firme.
- Eu sei por que você ir embora. Vai atrás dos seus amiguinhos ingleses, não é? – ele me balançava de modo descontrolado.
- Não, , eu vou para a França. – menti. – Vou fazer minha especialização lá. – menti outra vez.
- Vai se especializar em quê? Vai virar prostituta? França está cheia delas já. Se bem que você faria sucesso lá. – ele me olhava de um jeito estranho. – Você se sairia uma bela vagabunda.
Eu não aguentei. Soltei-me de suas mãos e dei um tapa em sua face.
- Nunca mais me chame de vagabunda! – eu cuspia as palavras. – Não me compare a você e as suas amiguinhas.
revidou. Ele me acertara bem no rosto. Senti meu rosto queimar e meus olhos arderem, anunciando as lágrimas.
- Você não passa de uma qualquer.
Ele já se preparava para me dar outro tapa, quando minha mãe entrou no quarto, assustada pelos gritos.
- Fora da minha casa. – ela disse firme, enquanto ele segurava sua mão prestes a me acertar. – Nunca mais toque, fale ou olhe para minha filha. Você não merece nem lamber o chão por onde ela passa. Fora daqui. E se eu te ver novamente por aqui, você saberá do que é capaz. – minha mãe dizia enquanto o arrastava para fora do meu quarto e da minha casa. Eu tinha esperança que também o arrastasse de vez da minha vida.
Eu me joguei na cama e logo senti meu travesseiro úmido por conta das lágrimas. Todas as sensações e imagens da primeira vez que ele me bateu voltaram. Sentimentos aqueles que eu tinha guardado, tinha escondido. Senti uma mão afagar meu cabelo e me levantei assustada, dando de cara com minha mãe. Ela me olhava com aquele jeito preocupado e arrependido, parecia pedir perdão com os olhos.
- Me desculpe, filha. – disse. – Eu deveria ter acreditado me você.
- Você precisou que ele me batesse de novo para acreditar? Você precisou ver, você preferiu acreditar em alguém que você mal conhecia ao invés da sua filha! – eu dizia enquanto secava com as costas da mão meu rosto.
- Me desculpe. – disse mais uma vez.
- Tudo bem, mãe. Eu vou embora daqui dois dias mesmo. Eu vou ficar bem sabendo que não o verei mais. Não diga a ninguém para onde vou. – falei quase como uma ordem.
Minha mãe apenas assentiu e saiu do quarto, me deixando fazer as malas.

Part XVI

Olhei pela janela e avistei Londres abaixo de mim. Sorri com aquilo. Dentro de alguns minutos eu estaria pisando em solo britânico, respirei fundo e fechei meus olhos, desejando que tudo fosse diferente.

As meninas, quando souberam que eu estava indo, pediram que eu ficasse na casa delas, mas achei melhor não. Embora tenha feito as pazes com a , nossa amizade não estava como antes. Éramos amigas, não melhores amigas. Pedi então que elas procurassem um apartamento para mim, não que eu fosse rica, mas conseguiria me virar sozinha com as despesas, pelo menos por enquanto. Assim que me estabelecesse direito na Inglaterra, procuraria um emprego.

Peguei minhas malas e fui de táxi até minha nova casa. Agora eu começaria uma vida nova, eu tinha sorte. Ninguém, com exceção das meninas e dos meninos da banda, saberia quem eu era. Poderia começar tudo do zero, sem medo, sem preocupações graves. Sorri quando cheguei ao prédio onde eu moraria, as meninas tinham bom gosto. Abri a porta do meu apartamento e sorri mais uma vez, ele estava completamente decorado já, certamente tinha o dedo delas nisso também. Comecei a desfazer as malas para poder ir ao supermercado abastecer minha cozinha e também minha casa, além de comprar um celular com um número novo, tinha deixado o outro no Brasil.

Fui ao supermercado e, para minha surpresa, encontrei com Tom lá. Tinha esquecido que aqui na Inglaterra eles podem andar tranquilamente, pessoas completamente civilizadas.
- ? – Tom me olhou como se estivesse vendo um fantasma.
- Yeah, babe! – sorri. – Mas pode mudar essa cara? Estou me sentindo um fantasma. – eu ri.
- Sorry. – sorriu. – O que você está fazendo aqui?
- Compras? – arqueei a sobrancelha e ri. – Cheguei hoje. Vou morar aqui.
- Really? – ele parecia bem animado com isso. – Onde?
Expliquei a ele onde estava morando, ele disse que era perto de onde eles moravam e as meninas também. Ele ficou super bravo porque eu não tinha dito nada, disse que queria ter ido me buscar no aeroporto.
- Tom, sério, pára com isso. O que importa é que estou aqui já. – sorri.
- Tom? Você me chamou de Tom? – ele sorria, mas fazia uma cara de choque.
- O que tem? – perguntei sem entender.
- Você nunca me chamou de Tom, e faz quase um ano que a gente se conhece. – eu tive de rir.
- Quanto drama, Fletcher! – ele fez uma cara engraçada. – Só não conta pro Danny, ele pode ficar com ciúmes. – ri e Tom me acompanhou.
Terminamos nossas compras e eu disse para Tom aparecer no meu apartamento no dia seguinte, para uma festa de inauguração. E imagine se ele dissesse que não iria? Falou em festa, Thomas Fletcher está no meio — não só ele como todo o resto do bando. Pedi para que ele avisasse as meninas, já que iria providenciar minhas coisas tecnológicas depois de deixar as compras em casa. Despedi-me dele com um beijo no rosto e segui para minha casa. Precisava providenciar minha carteira de motorista inglesa e comprar um carro, ou logo iria à falência com tanto gastar com táxis.

Assim que cheguei definitivamente em casa, fui correndo tomar um banho. Em menos de duas horas o pessoal chegaria e eu ainda estava com cheiro de avião, ri do meu pensamento, porém, logo veio outro pensamento: essa seria a primeira vez desde aquele dia no Rio, que eu veria o Harry, isto é, se ele fosse até minha casa. Eu fiquei pensando nisso enquanto tomava banho. Qual seria a reação dele ao me ver? Qual seria a minha reação?

Terminei meu banho e coloquei uma roupa relativamente quente, já que estava em pleno inverno europeu. Olhei-me no espelho, verificando se não tinha ficado “demais”, afinal, eu estaria na minha casa, mas mesmo assim queria ficar apresentável.

Eu sabia que aquela noite seria longa, muitos assuntos para colocar em dia, provavelmente até dormiriam por lá. Sorte o apartamento ser bem grande e ter quartos extras. Coloquei mais algumas bebidas na geladeira e deixei algumas cervejas para fora. Britânico adora cerveja quente — eca.

A campainha tocou, anunciando que meus convidados haviam chegado. Fiquei pensando que fosse o Harry, o que eu faria? Respirei fundo e falei um “que Deus me ajude”. Abri a porta com meu melhor sorriso, mas logo fui afogada por vários braços que vinham me abraçar. Juro que nem sei de onde saiu esse polvo.
- Gente! – disse ofegante. – Não consigo respirar!
Quando me soltaram, eu pude ver de quem eram os braços. Todos sorriam para mim, e eu sorria de volta. Passei meus olhos por todos, mas percebi que faltava alguém, um certo alguém dono dos olhos azuis mais lindos do mundo, suspirei pesadamente, mas de modo discreto. Já estava fechando a porta, quando uma força do além me impediu. Abri a porta rapidamente e me deparei com aqueles olhos que eu sentira tanta falta. Harry estava parado na minha porta, ele me encarava com um sorriso torto. Eu devo ter parado de respirar por alguns segundos.
- Vai fechar a porta na minha cara mesmo? – Harry disse, me fazendo recobrar a consciência.
- So... – nem terminei de falar e ele já foi invadindo minha casa.
- Não pede licença para entrar na casa dos outros? – educação mandou lembranças.
- Deixei minha educação em casa. – ele piscou pra mim e depois olhou para a .
Fechei a porta já pensando que aquela realmente seria uma longa noite.
- Cadê os mates, ? – o que ela quer dizer com esse sorriso irônico pra ele?
- Estão na cozinha, eu acho! Pelo menos, onde tem comida, o Tom está lá e onde tem bebida o Danny está, já o Dougie foi atrás de feliz. – ouvi dizer que eles estavam na cozinha e logo após, Harry seguia pelo mesmo caminho, mas eu só ouvia e via, não assimilava informação nenhuma.
- Ainda fica assim quando vê o Harry? Achei que tivesse superado, mas sua cara de besta apaixonada me mostrou o contrário. – disse, me fazendo assimilar alguma coisa desde que Harry chegou, eu apenas revirei os olhos.
- E você não perde a mania de ser engraçadinha com assuntos inoportunos, não é? – dei meu melhor sorriso cínico. – Mas me conta, . - me aproximando dela. – Você perguntou de mim, mas já superou o Doug?
- Superou o que de mim? – alguém me diz de onde esse ser surgiu?
- Vocês, por acaso, já atacaram a geladeira da ? – me olhou e eu aumentei ainda mais meu sorriso. Essa aí não muda mesmo, apenas o assunto.
- Eu não ataquei nada, foi o Tom. – apontando em direção a cozinha.
O quê? Tom na minha cozinha? Olhei para os lados e vi que apenas as meninas e o Dougie estavam na sala. Fiquei furiosa! Tenho um ciúmes absurdo das minhas coisas, eu sinto que vou assassinar todos eles! Parei na porta da cozinha ao perceber que Harry estava encostado no batente.
- Eu não preciso superar nada, mas se precisasse, pelo menos disfarçaria. – falou baixo ao meu lado e logo riu, isso me tirou do transe e eu a fuzilei com os olhos.
- THOMAS MICHAEL FLETCHER! SAI DA MINHA COZINHA JÁ! – entrando na mesma com sangue nos olhos.
Danny estava com metade do corpo enfiado na geladeira e Tom fazia uma mistura estranha com atum num prato.
- JONES! – gritei. – Quer fazer o favor de sair da minha geladeira? Por que tanta cerveja assim? Beba uma e depois pegue outra. Fletcher, você tem quantas bocas? Apenas uma, não é? Então por que você precisa de três talheres? E Judd, - me virando para a porta da cozinha. – tire o pé da minha parede ou eu faço você limpar com a língua! – disse irritada.
Danny saiu da cozinha todo emburrado e resmungando. Tom estava ocupado demais comendo para dizer qualquer coisa. Harry saiu em silêncio. Eu estava arrumando a bagunça que eles fizeram, mas ainda consegui ouvi-los reclamando.
- , manda a parar de ser chata e egoísta, fica regulando bebida pra mim, dude.
- Porra, dude, nem pra dividir. – reclamou Dougie, provavelmente ao ver o que Tom comia.
- Sai fora, mate, foi um sacrifício fazer a liberar esse aqui.
- Egoísta, mate. – reclamou Harry, lendo meus pensamentos, ri.
Estava arrumando as coisas da pia, quando me assustaram.
- E aí, matou a saudades do tigrão? – PQP! Vai assustar a mãe!
- Ai, , nada a ver isso, já passou. – tentava me convencer disso também.
- Já passou, é? Sei... Eu vi você decepcionada achando que ele não tinha vindo. – ela deu um sorrisinho sem-vergonha.
- PQP, como você é chata, , não muda nunca, né? – ela começou a gargalhar.
- E você não perde essa sua mania de frescurite com suas coisas, Barbie demais. – disse ao me ver arrumando as coisas que os meninos tinham deixado fora do lugar.
Logo depois voltamos para a sala, vi Harry puxando a num canto, mas não dei muita importância.
A noite passou de forma muito agradável. Conversamos demais, brincamos, eles me disseram o que estavam fazendo, as meninas me disseram o que estavam achando de Londres. Enfim, apenas duas pessoas não participavam muito disso: Harry e Dougie. Tudo bem que Dougie sempre fora quieto, mas dessa vez ele tinha se superado, algo acontecia e eu não fazia ideia do que era.
- Hey, Doug, por que está tão quieto?
- Me chamou de Doug? Está doente. – ele brincou comigo e eu acabei rindo. – Eu sou quieto, .
Eu sabia que ele não diria mais nada, então não insisti. Já com Harry a coisa era diferente, nossos olhares sempre se cruzavam e ficávamos nos encarando por alguns segundos, como se esperássemos que um dos dois tomasse a iniciativa, o que nunca acontecia.
- Meu, acho .. que ..be..bi .. dema..is – eu olhei para um tanto quanto desconfiada.
- Gente, vamos embora, a não está bem não. – disse , mas percebi que ela também não estava lá essas coisas.
- Também acho. – disse já se levantado.
Não vou negar que quase todos ali estavam bêbados, com exceção de Dougie e Harry. Eu também estava um pouco alta, eles se despediram de mim e se foram.

Eu já tinha terminado de levar as coisas para a cozinha quando bateram na porta, ao abri-la, dei de cara com Harry.
- A esqueceu a bolsa. – levantei a sobrancelha, juro que a vi sair com a bolsa.
Dei de ombros e disse para entrar.
- Fique à vontade para procurar e quando sair, feche a porta. – disse dando uma piscadinha e pegando minha taça vinho, indo para meu quarto.
Eu sabia muito bem que não tinha bolsa alguma, mas seria divertido vê-lo perdendo tempo procurando algo que não estava lá, tomei um banho rápido e quando fui para a sala novamente, vi Harry sentando no meu sofá.
- O que você faz aqui ainda? – simpática sempre.
- estava com a bolsa dela o tempo todo, e bem, eles foram embora e me deixaram aqui.
- E você não foi embora por quê?
- Você ouviu a parte que eles foram embora? – respondeu grosso.
- Caso você saiba, existe uma coisinha chamada táxi.
- Qual é, , está tarde. Custa me deixar dormir aqui? – eu apenas bufei e fui pegar mais uma taça de vinho. Agora sim a noite seria longa, talvez fosse melhor pegar a garrafa toda.
Fui para o quarto e entrei no Twitter pelo celular. Já passava da meia-noite e Tom estava por lá também, conversei um pouco com ele e por DM me pediu para pegar leve com Harry, era complicado para ele, eu apenas respondi que tentaria. Logo depois ouvi batidas na porta, só poderia ser o Harry e logo foi entrando.
- O que você quer? - simpatia é meu sobrenome.
- Eu queria conversar com você na boa, acho que está na hora da gente se acertar, .
- Acertar o quê? – por acaso tenho alguma coisa para acertar com ele e eu não sei?
- Nós temos muitas pendências, muitas coisas não resolvidas, . Não podemos ficar assim, sempre brigando por tudo.
- Sabe, Judd, eu também acho que não podemos continuar assim, ainda mais agora que vamos nos ver frequentemente. – Harry sorriu e então eu percebi que ele estava sem camisa. OMG.
- SHUT UP, besta! – Harry disse e eu estranhei essa atitude.
- O quê? – sem entender.
- NÃOOOOOO, sua mula, não era pra falar isso! – ele tá me zuando, né?!
Não aguentei e comecei a xingá-lo e estapeá-lo, foi então que percebi que ele estava usando um fone. , foi o que pensei. Expulsei Harry do meu quarto e mandei uma SMS para Tom, pedindo para ele dizer a que ela se entenderia comigo depois.

Depois de algum tempo, fui para a cozinha e ao passar pela sala, vi o Harry deitado todo sem jeito no sofá. Droga, pensei. Eu sou uma pessoa muito boa.
- Harry? Harry. – o chamava baixinho e nada. – Judd! – disse mais alto e ele deu um pulo do sofá, eu não aguentei e ri. – Hey, relaxa. Só estou te chamando porque vou te levar até o quarto.
Assim que cheguei ao quarto, eu entrei para mostrar a Harry onde ficava tudo.
- Meus aposentos. – disse Harry, aproximando-se por trás. Eu dei um pulo, surpresa.
- É claro. – respondi.
Eu teria saído dali na hora, mas Harry estava parado na minha frente, ele botou a mão na porta, bloqueando essa direção, e se inclinou mais para perto de mim.
- Tenho pensado nesses últimos meses, tive bastante tempo para isso, sabe.
- E...? – fiquei olhando-o, esperando que continuasse.
- Sinto-me atraído por você, e você não pode negar que se sente atraída por mim. Senti o desejo em você. Então, por que negar o que ambos sentimos?
Harry aproximou o rosto. Eu tive dificuldade de respirar... ou até mesmo pensar de forma coerente. Seus lábios tocaram os meus suavemente, provocando um formigamento delicioso em mim.
- Seu quarto é logo aqui em frente. – murmurou ele.
Por um instante, nossas bocas ficaram próximas. Eu pude sentir a respiração dele em meu rosto, o calor de seu corpo. Minha pele se arrepiou. Tudo em que conseguia pensar, tudo o que queria, era o beijo dele.

Um instante antes de nossos lábios se tocarem, afastei-me para o lado. Meu coração estava batendo tão rápido e tão forte que era um milagre Harry não ouvi-lo, pensei, e minhas mãos estavam trêmulas.

Dei um sorriso mecânico e, saindo do quarto, com uma das mãos para trás, fui fechando a porta.
- Espero que esse quarto seja suficiente. – disse antes de fechar a porta de vez.


Part XVII


Harry’s POV


Quando fui para a cama naquela noite, já tinha me acalmado. Tive medo de ser difícil pegar no sono, mas a verdade é que adormeci muito rápido e continuei dormindo tranquilamente até o meio da noite.

Então, de repente, voltei à consciência no escuro, os olhos se abriram, o coração disparado. Não sabia ao certo o que me acordara. Fiquei deitado por um instante, ouvindo e olhando em torno. Ouvi um grito e deduzi que fora algo assim que devia ter me acordado.
Um grito de mulher veio pelo corredor.
- Não!

Saltei da cama, impelido pelo tom de urgência e horror naquela voz. Atravessei o corredor correndo e abri a porta do quarto de .

O quarto de estava escuro, mas a luz da lua penetrava pelas cortinas o suficiente para que eu vislumbrasse os contornos de na cama. Ela estava se mexendo, inquieta, os lençóis emaranhados nela. Corri para seu lado, ainda estava dormida, mas obviamente no meio de um pesadelo. Ela gemia, o rosto contorcido e suando, e estirou a mão de repente, me fazendo pular.
Segurei sua mão.
- , , acorde!
Os olhos dela se abriram, e, por um instante, ela olhou para mim sem focar-me, o peito subindo e descendo em uma respiração arfante.
- , sou eu, Harry. Acorde. Você está tendo um pesadelo.
Seus olhos mudaram e conseguiram se focar. Olhou para mim, e um longo tremor percorreu seu corpo.
- Judd? O que você...?
Ela sentou-se atordoada, apoiando as costas na enorme cabeceira. Sentei-me ao seu lado na cama, ainda segurando sua mão.
- Você estava tendo um pesadelo, e me despertou.
- Ah. – ela passou a mão no rosto. – Entendi. Desculpe-me.
- Não precisa se desculpar. – sorri. – Todos nós temos pesadelos de vez em quando. Você está bem?
- Sim. Eu... Só estou um pouco desorientada.
- Com que estava sonhando?
deu de ombros.
- Tenho esse pesadelo com frequência, desde aquele dia no Rio. É... – ela passou a mão no cabelo e suspirou. – Estava sonhando com você, no começo é um sonho, mas depois você vai embora, me acusando de sempre estragar tudo e então aparece outra pessoa e começa a me machucar.
Abracei-a bem apertado, enfiando o rosto em seus cabelos, que tinham um cheiro delicioso.

’s POV


Quando percebi que Harry segurava minha mão, aquilo pareceu a coisa mais natural do mundo. Agradável e terna, bem de acordo com o que eu precisava no momento, mas havia uma corrente subliminar de excitação no toque também, uma percepção da pele dele tocando a minha, seu calor, seu cheiro...

Depois que ele me abraçou, ficamos sentados assim por um bom tempo e pude sentir meu corpo tenso relaxar conforme a dor se esvaía, creio que ele também percebera. Aos poucos, percebi a intimidade da posição em que estávamos, naquele abraço apertado, sentados em minha cama. Eu estava apenas de camisola, uma barreira tênue entre o peito nu dele e minha própria pele. Aquela ternura entre nós começou a mudar e esquentou. De repente, o que havia sido apenas consolo e solidariedade, agora estava carregado de sexualidade.

Soltei-me de Harry e me afastei rapidamente. Olhei para ele e vi, refletido em seus olhos, a mesma consciência da situação. Senti minha face ruborizar, eu não tinha reparado até aquele momento que Harry estava vestido com pouca roupa e não pude evitar que meus olhos percorressem aquela pele musculosa. Tive que fechar as mãos para conseguir resistir ao forte desejo de estendê-las e tocar cada estrutura ressaltada dos ombros e da clavícula, os músculos acentuados dos braços.
- Bem, - limpou a garganta. – acho que já posso voltar para minha cama agora.
- Judd... – coloquei a mão no braço dele. Passei o polegar pela pele, tentando encontrar as palavras certas. Dei um suspiro e o soltei. – Nada não. – suspirei. – Apenas, obrigada. Foi um ato muito bondoso de sua parte vir aqui me ajudar.
- Não foi nada. Boa noite.
Harry saiu da cama e atravessou o quarto, passando pela porta, mas antes que pudesse fechá-la, eu o chamei.
- Judd? – ele colocou novamente a cabeça para dentro do quarto e eu pensei: “Que se dane”. – Você pode dormir comigo esta noite? – perguntei e logo depois mordi meu lábio. Harry deu um sorrisinho e entrou novamente.
Parou ao lado da cama e ficou me olhando por um bom tempo. As cortinas da janela deixavam que a luz da lua iluminasse o rosto dele.
Harry inclinou-se para baixo e botou a mão em meu colo. Pude sentir o toque quente de sua carne e fiquei levemente arrepiada, e tremia um pouco com a batida de meu coração. Eu apenas o alcancei e coloquei a mão em seu punho.
- Quero você. – minha voz saiu baixa.
- Eu quero você. – fora a vez de Harry dizer, sua voz estava rouca, o que me causou mais arrepios ainda e creio que ele tinha percebido, pois um sorriso malicioso brotara em seus lábios.
Ele me beijava com voracidade. Uma de suas mãos estava entre meus cabelos e a outra causava um ardor por onde passava em minha pele. Ele trocou a inclinação de sua boca na minha, pressionando os lábios ainda mais, a sua língua explorava a minha boca.
- ... – ele sussurrou meu nome quando seus lábios se separaram dos meus e percorreu com a boca o caminho da face até a orelha. – Deixe-me... por favor, posso te mostrar como pode ser bom. – ele pegou o lóbulo da minha orelha entre os dentes e o mordiscou, enviando pontadas de calor por todo meu corpo.
Sua boca moveu-se para baixo. Todo lugar que tocava parecia incendiar-se. Tremi, soltando-me no braço dele, duro como ferro, em minhas costas.
- Harry...


Harry’s POV


- Harry...
Ao ouvir meu nome da boca de , senti um tremor de desejo pelo corpo. Havia um tom de intimidade ali, uma afeição que nunca acreditei que ainda sentisse por mim.

Abri a palma da mão no abdômen de , envolvendo toda aquela dimensão com a mão. Depois a deslizei para o quadril e para a perna, voltando para cima e cruzando para o outro lado.

Unimo-nos com voracidade, arrancando as roupas e jogando-as de lado, todo o desejo que sentíamos, repentinamente, fora liberado em uma corrente de paixão. Minha boca estava sedenta; a dela, não menos. Beijamo-nos e acariciamo-nos. Não conseguia me saciar de – o gosto, a sensação, o cheiro dela. Eu a beijava sem parar, meus lábios passavam pelo rosto, pelo pescoço e desciam até o tórax. Provocava-a com a língua, lábios e os dentes, ouvia gemer e arquear o corpo, cravando os dedos em meus ombros.


’s POV


Um calor tomava conta do meu corpo. Ansiava por ele. Minhas mãos vasculhavam Harry, querendo sentir todas as suas texturas – a ossatura sólida das costelas, a curva tesa dos músculos das costas, a pele macia do abdômen que tremia quando meus dedos o acariciavam... Cada parte dele era instigante, intrigante, e eu seria capaz de continuar explorando-o por horas a fio.
- Harry... – murmurei seu nome e ele me beijou intensamente.
Eu não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo, a sensação era maravilhosa.

Ficamos agarrados, esquecidos do restante do mundo, cansados e realizados.


Harry’s POV


Despertei lentamente. Sentia-me, depois de muito tempo, total e completamente em paz. Virei a cabeça e olhei para a mulher que estava deitada ao meu lado. ainda estava dormindo, os cílios negros fazendo sombra na face, a expressão inocente e vulnerável do sono, os cabelos em um emaranhado vibrante sobre o travesseiro. Ela era bonita, pensei, e me perguntei como poderia ter pensado algo menos que isso. A noite passada havia sido como a primeira vez para mim, assim como fora a de . Nunca senti tanta sede e desejo, tanto prazer, tanta satisfação e alegria. Mesmo todos os truques sedutores de Izzy nunca me fizeram explodir com felicidade e ao mesmo tempo em alívio.

Izzy. Como eu poderia pensar nela em uma hora dessas? Aliás, como poderia pensar nela com ao meu lado? Percebi que estava entrando numa fria. Mas ao olhar novamente para deitada bem ali, todos esses pensamentos se foram.

Toquei a face de com o dedo, descendo vagarosamente até o queixo. Ela acordou e olhou para mim meio sonolenta, com um sorriso brotando nos lábios.
- Bom dia. – murmurou ela.
- Bom dia. – me inclinei sobre ela e a beijei delicadamente nos lábios. – Como se sente?
- Bem. – o sorriso de abriu-se ainda mais. – Melhor do que isso, na verdade. Estou me sentindo maravilhosa.
- Isso você é mesmo. – concordei e a beijei de novo, mais demoradamente dessa vez.
riu entre o beijo e se afastou.
- Vou tomar banho. – me deu um selinho, se enrolou no lençol e saiu da cama. Eu comecei a rir com isso. – O que foi?
- Você está se escondendo de quem? Além do mais, eu acho que vou precisar disso. – disse rindo e apontando para mim. ficou extremamente vermelha.
- Harry! – disse enquanto corria para seu banheiro e jogava o lençol em direção a cama, eu apenas ria.


’s POV


- Escutei a campainha quando estava no banho. Quem era? – disse, sentando-me na cama.
- .
- E você foi atender a porta assim? – apontando para seu corpo. – Apenas de cueca?
- O que tem? Era só a . – dando de ombros. – Ou você está com ciúmes? – disse com aquele sorrisinho sem vergonha dele.
- Ciúmes? Não, mas imagine se fosse outra pessoa? Pensaria o que de mim? – perguntei, encarando-o.
- Outra pessoa quem? Só a gente sabe que você mora aqui.
- Poderia ser, tipo assim, meu vizinho gostoso que veio fazer a política da boa vizinhança. – disse eu como se fosse óbvio.
- Ah, seu vizinho gostoso? Chegou ontem aqui e já está assim? – ele parecia indignado.
- Cheguei ontem aqui e já estou com o cara mais sexy de toda a Inglaterra. Tá bom pra você ou quer mais? – eu disse, segurando o riso.
- Cara mais sexy, é? – eu não agüentei, tive que rir da cara dele. Metido.
- Idiota. – jogando o travesseiro nele, que me puxou, encostando minhas costas em seu peito.
- Linda. – disse ele beijando minha cabeça.
- Eu te chamo de cara mais sexy e só recebo um “linda”? Desconsidero você, Judd. – disse fazendo bico.
- Você é linda, maravilhosa, espetacular, perfeita, gostosa, sexy e agora minha bicudinha. – disse, para logo em seguida me encher de beijos.
- Mas você ainda é idiota. – disse interrompendo o beijo e rindo.


Part XVIII


O último dia do ano tinha chegado e eu estava em Paris. Sozinha. Pois é, não era uma atitude muito esperta, ir para a cidade mais romântica do mundo sozinha e bem no reveillon. Mas foi muito de última hora. Um dia antes, uma prima minha que trabalha na Chanel me ligou, perguntando se eu não queria/poderia ir para Paris fazer uma campanha para a marca. Segundo ela, eu era o que procuravam. Aceitei, mas nunca fui muito de posar para fotos, eu gostava mesmo era de tirá-las. Assim que cheguei a Paris, não tive chance de fazer nada, apenas deixei minha mala no hotel e logo fui para o local das fotos. Tentei falar com Harry pelo menos umas três vezes, ligava em horários diferentes, mas sempre tocava para depois cair na caixa postal. Achei aquilo estranho, mas resolvi não dar tanta importância.

Já tinha anoitecido e da janela do meu quarto eu via as pessoas saírem com seus vestidos e roupas elegantes para irem a alguma festa, jantar ou algo do tipo. Pouco antes da meia-noite, liguei para as meninas e atendeu.
- Joyeux Nouvel An! deve ter feito uma cara de “hã?”.
- Sorry, but I don’t understand you. – eu comecei a rir.
- Mas é uma imbécile mesmo! Todos esses anos comigo e não aprendeu nada em francês?
- ! How are you? – rindo.
- Estou em Paris, em pleno ano novo, e sozinha. Como você acha que estou? – ironia dando um “oi”.
- Bem? – rindo. – Eu sei que você está mal. Odeia passar essas datas sozinha, não é. - antes que eu respondesse, a ouvi dizendo de um modo abafado meu nome, certamente alguém deveria ter perguntado quem era.
- ! – é, eu acertei e devo ter perdido 20% da minha audição agora. – Happy New Year, baby!
- Hey, Danny! Tá bêbado já? – disse rindo.
- Não, não. Apenas mais feliz que o normal e... – pausa dramática. – VOCÊ ME CHAMOU DE DANNY! – ele ria muito mais agora.
- É. Chamei. Por quê? Não pode? – perguntei rindo.
- Você resolveu fazer isso só porque está longe. – ele devia estar fazendo um bico gracinha. – Idiot.
- I love you too, babe! – ria.
- Hey, sexy lady! Happy New Year!
- Thanks, honey! Mas você sabe que só seria realmente feliz se eu estivesse aí com vocês, Tom. – disse triste.
- Don’t worry. Be happy! É o que eu sempre digo. Você está em Paris! Vá comer uns croissants.
- Mas você só pensa em comida! – ri. – E você não diz sempre isso não! Aliás, deve ser a primeira vez que ouço você dizendo isso.
- Soph, a e a estão te mandando um enorme beijo e um feliz ano-novo! – pude ouvir ao fundo elas gritando “beijo” e “feliz ano novo”, ao mesmo tempo. Bêbadas. – Dougie também está te desejando isso. Enfim, você entendeu que todo mundo, não é?! – ela ria, mas eu percebia um som de seriedade em sua voz.
- Ele, – Harry, óbvio. – não tá aí, né?
- Não, ele ainda não chegou. – ela parecia meio chateada, meio brava.
- Ok. Diga a todos que desejo um ótimo ano-novo. Volto em uma semana. Beijos, love you. – desliguei sem ao menos esperar uma resposta.

Harry não me atendia, não estava com o pessoal. Onde ele tinha se metido? Eu estava preocupada e triste. Fiquei observando um pouco da noite parisiense e fui tomar banho, colocar uma roupa nova e fazer todo o ritual de passagem de ano, modificado para um quarto de hotel. Não estava a fim de participar da festividade do hotel, nem de sair do quarto, tanto que observei a queima de fogos da sacada, acompanhada apenas por minhas uvas e uma taça de champagne. É, feliz ano-novo pra mim.

Na manhã seguinte acordei com o irritante toque de mensagem do meu celular.
- Merde! – reclamei em francês, com se tivesse alguém para ouvir.
Peguei meu celular, que estava embaixo do travesseiro – mania estranha de – e vi que era uma mensagem do Harry.


Happy new year, baby. I miss u. Xx


Ele tá tirando uma com a minha cara? Eu fiquei feito louca e idiota atrás dele ontem e ele só me manda isso? Francamente. Same here, foi o que eu respondi. Nada de “também sinto sua falta” ou “beijos”.

Eu já tinha terminado minhas fotos e como dito a , uma semana depois eu já estava voltando para Londres. Os meninos estavam num tipo de férias, então quase toda noite saíamos para algum lugar. Nem sempre Giovanna acompanhava Tom, ela dizia ser mais caseira. Eu, por saber de toda a fama dos meninos, mantinha-me um pouco afastada de Harry, não ficava o abraçando, nem o beijando em público. Não queria ver minha foto nos tablóides. Eu amava minha privacidade.

Em uma noite qualquer, eu estava em casa, bem tranquila e folgada, pensando na morte da bezerra, quando Tom me ligou perguntando se poderia ir para lá. Não deu nem 5 minutos e ele já estava tocando minha campainha.
- , preciso falar com alguém. E esse alguém é você. – ele estava sério, isso me preocupou.
- Tom, o que foi? Quer beber alguma coisa? – eu o olhava, preocupada. Ele recusou.
- Estou num dilema. – eu o olhava mais atentamente. – Não sei se caso ou compro uma bicicleta. – epa! Essa frase é minha! – Eu amo a Gio, mas... mas, as coisas estão mudando. Tenho pensado muito em casamento, conversamos muito sobre isso, mas agora me bateu uma indecisão. – ele dizia apreensivo.
- Quem é? – ele me olhou com uma cara de ponto de interrogação. – Quem é a outra pessoa por quem seu coração balança?
- . – ele disse num sussurro. Eu apenas respirei fundo.
- Tom, você veio até mim, então, acho que posso expressar minha sincera opinião de amiga e mulher. – ele assentiu, como se eu tivesse perguntado algo. – Você está confuso. Eu percebi o quanto você e a estão mais próximos, confesso que fiquei com ciúmes. – fiz bico e ele riu. – é uma pessoa maravilhosa, é fácil se encantar por ela. Você disse que pensou em casamento e até conversou com a Giovanna sobre isso. Bem, casamento é uma coisa séria. Não fale sobre ele se não tem certeza. Se ela tocar no assunto de novo, diga que é melhor que vocês pensem melhor nisso, pois morar junto e casar são coisas diferentes. Agora, em relação a , deixa rolar. Pode ser uma coisa sem muita importância, que logo passa, afinal, ela é uma novidade, digamos assim. Mas se não for, vai persistir, e na hora certa você saberá o que fazer. Só não magoe a nenhuma delas. E não se magoe! Converse com ela, interaja! Descubra mais sobre ela e veja se é isso mesmo que você quer. Mas lembre-se: não a magoe!
Tom ficou me olhando, como se estivesse processando tudo que eu disse, ou tentando entender alguma coisa, já que eu sou péssima como conselheira amorosa. Depois de algum tempo, ele se aproximou de mim e me abraçou bem forte.
- Você é única, . Não merece que ninguém, nunca, a machuque. Você é maravilhosa e especial. – eu juro que tive vontade de morder aquela covinha dele e arrancá-la de sua face, mas ao invés disso, apenas sorri.

Os dias foram se passando e as coisas estavam voltando ao normal. Harry tinha voltado a ser o Harry de antes da minha viagem a Paris, estava carinhoso e atencioso. Danny estava tendo um caso com . Pois é, acontece que ele ainda estava com a Georgia, e apesar de odiar a voz e principalmente a risada dela, não achava que isso fosse justo. Cheguei a falar sobre isso com a , mas a conversa terminou com ela gritando comigo e, como eu não tenho paciência, saí da casa delas antes que eu matasse alguém. Dougie continuava quieto, mas eu soube que ele estava em crise com a Frankienstein – trocadilho mara. Tom se aproximou ainda mais da , estavam bem amigos – ciúmes. vivia apenas para o trabalho, estudos e para respirar. Às vezes até esquecia de comer, eu tinha que brigar com ela. Pior que criança. Eu entendia que o McFLY era importante demais para ela, mas ela merecia se divertir também. Mas ela sempre dava uma desculpa. Aff!

Um belo dia, eu estava em minha caminha, pensando no que eu faria da vida, quando sou tirada dos meus pensamentos pelo toque irritante que a colocou como Id dela.
- Diga, slut. – carinho nota 10 aqui.
- Perdeu o respeito, bitch? - ela ria.
- Fala logo que não tenho a vida toda. – sem paciência.
- Ih, acordou de mau humor, é? Isso é falta do Tigrão! – ela riu e eu bufei. – Ok, ok. Tem como vir aqui na Super Records agora? Aproveita e passa na Starbucks. Bye.
A deve ter batido com a cabeça quando era mais nova, não é possível!

Quase um hora depois eu estava na Super Records, cheia de sacolas da Starbucks, devem ter achado que eu trabalhava lá e fazia entregas. Quando entrei na sala da , todo mundo estava lá. Eu olhei meio desconfiada, já que eles me olhavam e davam sorrisinhos. Harry se levantou e me deu um selinho. Eu ainda continuava com aquela cara de “ué”.
- What’s happening? – perguntei confusa.
- Well, temos uma proposta indecente pra você. – Danny falou.
- Se é indecente, eu já topei! – ri e Harry me olhou assustado, o que me fez rir mais ainda. – E qual é essa proposta? Um ménage a trois? – ri.
- Não. – disse Tom sério.
- Mas não seria uma má ideia, vi suas fotos para a Chanel, onde você esconde toda essa sensualidade? – perguntou Danny com uma cara de tarado.
- Deixo guardada numa caixa embaixo da cama. – ri. – Agora, falem sério. O que é?
- Antes que digam mais alguma besteira, eu vou falar. A gente quer que você trabalhe aqui na Super Records. – disse.
- Oi? Como? – perdida no mundo.
- A pessoa que cuidava das fotos, filmagens e todo tipo de imagem junto com o Dave se demitiu, e bem, eu me lembrei como você é boa com tudo isso, apesar de não ter feito faculdade disso, mas fez aquele curso mega caro, não é?! – assenti. – Então, o que te impede de trabalhar aqui? – perguntou.
- Saber se todos concordam e se isso é realmente verdade. – ri.
- Bem vinda à equipe! – Dougie finalmente se pronunciou e me abraçou.


Part XIX

- Está difícil, né, gata? – perguntei a ao vê-la observando Dougie com uma menina.
- Difícil o quê?
- Difícil ver o Dougie pegando várias por aí. – ela me olhou, tentando disfarçar.
- Ele está solteiro, é mais do que normal, melhor ele assim do que sofrendo pela Francesca. – ah, tá!
- Não estou falando por ele, , estou falando por você. Até quando vai tentar negar que é apaixonada por ele? Está escrito na sua testa, amiga. – disse séria.
- Eu não estou e não quero falar sobre isso, . – me disse isso e foi para o bar.

Naquele dia tínhamos ido ao pub de sempre. Já fazia algum tempo que eu estava trabalhando na Super Records. As coisas entre Harry e eu estavam muito bem, obrigada! Eu estava muito feliz por estar com ele, parecia que eu estava sonhando e não queria que nunca me acordassem. Lógico que tínhamos nossos momentos de crise, mas nada que não fosse rapidamente resolvido. Ele era tudo o que eu precisava e tudo o que eu queria. Encaixávamo-nos perfeitamente.

Olhei para o bar e vi bebendo algo que parecia vodka pura. Nesse instante, ela se virou, como se fosse vir em nossa direção, mas parou. Ficou olhando fixamente em certa direção e ao acompanhar seu olhar, vi algo que partiu meu coração ao me colocar em seu lugar: Dougie agarrando uma cópia mal feita da Frankie. virou todo o conteúdo do copo e eu logo pedi para Danny ir falar com ela. Se eu fosse, sairia barraco. Ouvi Danny gritar pela , mas só consegui vê-la saindo pela porta do lugar. Merda! O Dougie não dá uma dentro! Como pode ser tão tapado assim? Todo mundo já tinha percebido que gostava dele, gostar é modo de falar, ela era louca por ele. E a belezinha nada! Se ele não tomar alguma atitude logo, eu juro que serei obrigada a tomar atitudes drásticas. Parecendo ler meus pensamentos, Dougie foi falar com o Danny e logo depois saiu apressado do pub.
- Onde ele foi? – perguntei.
- Atrás da louca da nossa amiga. – confirmei minhas suspeitas.
- Finally! – disse antes de terminar minha bebida. – Acho que me vou também. Estou cansada.
- Você está velha. – respondeu Danny.
- Velha é a sua cara! – ri.
- Já sei, tá cansada por causa do Judd, não é? – fez cara de safado.
- Shut up, Jones! – ri. – Bye, kids! – despedi-me mandando beijos para todos.
Harry foi embora junto comigo. A maioria das vezes era assim, ele dormia na minha casa.
- Será que eles vão se entender? – perguntei enquanto colocava meu pijama.
- Espero, viu? O Dougie tem que tomar um rumo na vida. Está pior que o Danny. – disse já deitado.
- Correção: pior que o Danny e você juntos. – ri. – Ou pensa que não sei da sua fama, Judd? – coloquei as mãos na cintura e fiz cara de séria enquanto me aproximava da cama.
- Passado, , passado. – disse, puxando-me pelos braços e fazendo sentar em seu colo. – Agora, o que você acha da gente se entender? – beijou meu pescoço.
- Por acaso brigamos?
- Não, mas a gente pode se entender de outro jeito. – disse já me deitando na cama e ficando por cima de mim.

No dia seguinte, foi até minha casa para conversarmos. Ela tinha me dito que havia ficado com Dougie, ela evitava demonstrar, mas eu sabia que ela estava nas nuvens. Juro que fiquei muito feliz por ela. Ela estava me contando como tinha sido, e eu até brinquei de agradecer ao Danny por isso. Afinal, ela estava mal, Danny foi falar com ela, que o ignorou então ele a gritou e o Dougie ouviu e foi atrás dela, fim. E o modo como foi? Juro que achei fofo! Eles estavam se zoando e ela jogou o travesseiro nele, que fez drama. Ela, como sempre preocupada com ele, foi ver se o tinha machucado, aí ele a puxou, disse umas coisinhas bonitinhas e lá se foi o espaço que havia entre a boca deles. So cutie! Mas no fim, acabei dando uns sermões nela.
- , você sabe que ainda corre o risco de que ele ainda esteja apaixonado pela filha do Frankenstein, não é? – ela apenas me olhava. – Eu sei como você é apaixonada é por ele, por mais que negue. – disse, vendo-a abrir a boca para me contradizer. – E sei que é difícil fazer isso que vou te dizer, mesmo porque eu tenho que repetir isso todos os dias pra mim, mas por favor, por enquanto, não se envolva tanto com o Dougie. Não quero te ver magoada. E você sabe que se ele te fizer algo, eu acabo com a raça dele. – disse séria. – Mas preciso dizer: estou muito feliz por você! Lembra quando ficávamos imaginando isso? Você com o Poynter e eu com o Judd? – nós duas rimos. – Pois é, amiga, conseguimos!
Estávamos conversando como duas apaixonadas quando disse que tinha que ir.
- Bom, , eu vou indo. Estou atrasada, eles têm ensaio hoje. – levantou-se da minha cama.
- Ah, , eu vou ficar em casa, mais tarde o Dave vem aqui, vamos terminar de editar alguns vídeos.
- Ok, então, gata. O Hazz deve estar lá embaixo ainda, vou arrastar ele, que está atrasado. – eu ri.
- Hey, , – ela se virou e me olhou. – boa sorte com o Doug, faz tempo que não te vejo feliz assim. – dei um sorriso e ela o retribuiu com uma piscadela.

Como não ouvi o barulho da porta, resolvi ir até a sala ver se estavam todos vivos e vi que Tom também estava em casa, de onde ele surgiu? Quase chegando lá, comecei a ouvir e prestar atenção na conversa.
- Harry, você tem que contar toda a verdade para a , ela não merece isso que você está fazendo. – falou Tom um pouco autoritário.
- O Tom tem toda razão, Harry, eu não aguento mais ter que mentir para a sobre esse assunto, isso não se faz. – parecia brava.
- Eu sei, , mas eu não sei como contar a ela, e estou confuso. – ele andava de um lado para o outro, preocupado.
- Me contar o quê, Harry? – eu o olhava confusa.
- ... – disse ele com um fio de voz.
- Do que vocês estão falando? – disse, já ficando nervosa.
- Harry, é melhor você contar a verdade. – disse Tom com convicção.
- Isso mesmo, Harry, chega disso, já passou do tempo de você contar a verdade pra , eu não vou mais fazer parte disso. – disse já alterada.
Aproximei-me de Harry e fiquei encarando-o, com os braços cruzados abaixo do peito, eu estava esperando uma resposta, e já estava ficando com medo dela.
- , eu... eu não sei como te falar isso. – ele respirou fundo.
- Fácil, fala com a boca. – disse curta e grossa.
- ... a verdade é que... – um som interrompeu a conversa.

Era a campainha, desviei meu olhar de Harry para ir abrir a porta, embora aquela não fosse uma boa hora para visitas. Quando a abri, senti meu coração apertar, eu sabia que aquilo não era coisa boa. Será tinha alguma relação com o que o Harry iria me contar?
- HARRY, O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? – gritou Izzy furiosa, entrando sem ser convidada na minha casa.
- Izzy? – perguntou Harry, parecendo não acreditar no que via.
- O que essa mulher está fazendo aqui? – perguntei confusa.
- Responde, Harry? – perguntou Izzy novamente.
- Calma, amor. – ele se aproximou dela.
- Amor? – ok, alguém pode me explicar que patifaria é essa?
- ... – Izzy não deixou Harry terminar a frase.
- , então é você. – disse Izzy, então me olhando. – Você que está tentando tirar o meu namorado de mim? – muito furiosa.
- Do que você está falando? – isso já estava me irritando. – Que namorado?
- Não se faça de besta, menina, sabe muito bem que estou falando do Harry. Ele é seu ídolo? Está louca pra namorar um rock star? Procure outro, garotinha, porque esse tem dona há muito tempo.
- Pelo que eu saiba, você e o Harry estão separados há muito tempo, então faça o favor de sair da minha casa. – eu estava visivelmente irritada.
Izzy começou a rir. Harry olhou para e Tom, pelo visto eles sabiam de tudo.
- Como é que é? Harry e eu terminamos sim, meu amor, mas voltamos faz tempo, desde o ano passado.
Eu olhava para Harry, implorando para que ele dissesse que era tudo mentira, que aquela pessoa na minha frente tinha algum transtorno mental. Respirei fundo.
- Harry, o que significa isso? – perguntei séria.
- , me perdoe. – ele estava envergonhado.
- Isso é verdade, Harry? – eu estava muito desapontada com ele.
- Sim... – ele respondeu num fio de voz e abaixou a cabeça, envergonhado.
- É claro que é verdade. Achou o quê? Que ele ia trocar um namoro de anos por você? Harry e eu temos casamento planejado em nosso futuro, então você faria um grande favor de desaparecer da vida dele. Oportunista! – Izzy vomitava as palavras.
- Já chega, Izzy, você passou dos limites agora! O que o Harry fez foi errado, mas a não tem nada a ver com isso, então, não a ofenda. – veio em minha defesa.
Izzy deu uma risada cínica.
- ! Claro, essa garota é sua amiga, não é? Tinha que ser! Desde que você entrou na vida dos quatro que não temos mais paz. Eles praticamente moram com você. Você destruiu o namorado do Dougie e da Frankie. Vive sendo pivô de brigas entre o Danny e o Georgia, fica dia e noite trabalhando com o Tom, fazendo com que ele deixe a Giovanna sozinha e agora está querendo destruir o meu relacionamento com o Harry.
- Já chega, Izzy! – falou Tom irritado. – Você não tem o direito de ofendê-las assim. O seu problema é com o Harry, não com as meninas.
- Deixa, Tom, ela sempre me odiou. Agora vou te falar, meu amor, eu não tenho culpa se perto de vocês, eles não se sentem tão bem, porque se sentissem, não precisariam passar tanto tempo comigo e na minha casa como acabou de dizer.
- Brasileiras, tudo umas vadias, toda vez que eles vão pra esse maldito país, a nossa vida vira um inferno.
- AGORA CHEGA, IZZY! VOCÊ ESTÁ NA MINHA CASA E AQUI VOCÊ NÃO VAI ME OFENDER, NEM MINHA AMIGA E MUITO MENOS O MEU PAÍS! – gritei furiosa, fui até a porta do meu apartamento e a abri. – SAIA DA MINHA CASA AGORA E FAZ O FAVOR DE LEVAR SEU PRECIOSO NAMORADO PORQUE EU NÃO QUERO ROUBAR NADA DE NINGUÉM!! – olhei para Harry numa mistura de raiva e decepção.
- Vou mesmo, só vim buscar o que é meu. – ergui meu rosto, me mostrando superior e tentando não chorar. – Vamos, Harry! – exclamou Izzy autoritária.
- , me perdoa eu não queria te machucar, eu juro e...
- VAI EMBORA COM SUA NAMORADA, NOIVA, ESPOSA, O CARALHO QUE ELA SEJA! - gritei sem deixá-lo terminar a frase. Eu apenas olhava para um ponto fixo, sem encará-lo, e apontando a saída com um dos braços.
- Eu tenho que ir trabalhar, não vou voltar com você, Harry, a gente conversa a noite, mas você vai sair dessa casa comigo, não vou deixar nenhuma oportunidade para essa louca por seus 15 minutos de fama, acabar com nosso relacionamento de anos. – permaneci na porta do apartamento esperando que eles saíssem olhando para o “nada”.

Izzy saiu do apartamento e Harry foi atrás, quando ele passou por mim apenas sussurrou um “Me perdoe, estava confuso, eu não sabia o que fazer”.
Eu os vi saindo, mas eu estava em choque, não conseguia me mexer, ainda mantinha minha cabeça erguida e meu olhar fixo na parede. Sentia meus olhos arderem, mas nem piscava.
- , ela está bem? – ouvi Tom perguntando para .
- Ela vai ficar, honey. Me faz um favor? Leve o Harry pro estúdio, converse com ele. Ele fez besteira, mas a gente sabe que está sofrendo com isso.
- Mas e a , não quero deixá-la assim. – disse, parecendo preocupado.
- Lembre-se que acima de mim e da ou qualquer um, estão seus amigos, mesmo quando eles erram. O Harry precisa de você. Deixa que eu fico com a . Não vou pro estúdio hoje, ela vai precisar de mim.
- Não se preocupe, . A gente se vira lá, isso se tiver ensaio, o Hazz tá mal. Mas você tem razão, vou atrás dele.
Eu ouvia a conversa deles, mas não esboçava nenhuma reação. Era como se eu não tivesse controle sobre meu corpo.
- Se precisar de mim, me liga... A qualquer hora. – Tom me disse antes de me dar um beijo em minha testa e sair.
então se aproximou de mim, tocou minha mão, tirando-a da maçaneta e me virando para ela.
- Hey, gata, eles já foram. – disse baixo para mim.
Assim que a ouvi dizendo isso, eu não aguentei mais nenhum minuto e comecei a chorar. Chorava de raiva, de dor, de decepção, de coração partido.
- Desculpa, , eu queria te contar, mas não cabia a mim, e você estava tão feliz que não tive coragem de falar a verdade. – disse, me abraçando forte.
Eu não conseguia responder nada, apenas chorava. Era como se as minhas lágrimas tirassem todas as minhas forças.

Desvencilhei-me dos braços de e caminhei até o sofá, onde me sentei. mais uma vez estava ao meu lado. Ela me olhava como se esperasse que eu dissesse algo, mas não o faria. Pela primeira vez em anos, estava chorando por alguém, e em público, ainda que fosse apenas em frente da . Estava me sentindo uma completa idiota. Todos sabiam e ninguém me contou.
- Quero que você me conte tudo. – disse de repente, mas com a voz baixa.
então começou a me contar toda a história, eu ouvia tudo atentamente, mas meu cérebro parecia não reter nenhuma informação. E, graças a Deus, Dave não apareceu naquela tarde para trabalharmos, Tom deve ter dito a ele o que acontecera.

Eu ficava um tempo sem chorar, mas logo depois voltava a chorar algumas vezes com grande intensidade, outras com menos. guiou-me até o meu quarto, eu tinha a impressão que desabaria a qualquer momento. Já passava das 5 p.m, quando consegui dormir um pouco. Eu dormi, mas não descansei. Minha mente ficava repassando a cena que tinha acontecido mais cedo.

Não sei quanto tempo eu havia dormido, mas eu esperava que tivesse sido tempo suficiente para perceber que tudo aquilo não passasse de um pesadelo, ou então para que eu esquecesse tudo aquilo. Acordei com um barulho vindo do andar de baixo do meu apartamento. Estava descendo as escadas quando vi as meninas na minha sala, elas estavam rindo, eu olhei confusa para tudo.
- O que estão fazendo? – me aproximei.
- Noite das garotas, gata, senta aí. – falou .
- Desculpa, mas não estou bem pra isso. – disse com a voz baixa.
- Meu amor, é exatamente por isso que é noite das garotas, você não vai ficar assim, não. – retrucou .
Pelo visto, já as tinha deixado a par do ocorrido.
- Isso mesmo, umas calorias a mais não vão matar nossos corpos lindíssimos. – brincou e eu dei um singelo sorriso.
Sentei-me com elas no sofá e começamos a assistir “Amor à segunda vista”. Eu adoro esse filme, adoro a Sandra Bullock. Quando crescer, quero ser como ela. Depois de comer e beber um pouco, eu comecei a me soltar.
- Ai, girls, “Amor à segunda vista” devia ser o nome do filme da ! – brincou .
- Ué, e por quê? – perguntou.
- Ah, gata por causa do Dougie, né! Só que no seu caso foi à primeira, ele que foi à segunda vista! – ela mostrou a língua e nós rimos.
- Verdade! Dougie Poynter é meio lerdinho, mas finalmente se tocou que a é a mulher da vida dele. – brinquei.
- Ai, que exagero, ele não esqueceu a Frankie ainda, só ficamos, quero ir com calma, mas ele disse hoje que passou o dia pensando em mim. – alguém filma essa cara de boba apaixonada dela, é algo inédito.
- OOOOWWWNNNN! – as três juntas.
- Tem alguém aqui apaixonada. – brincou .
Pulamos em cima da , quase a sufocando e rindo.

Aquelas eram as melhores amigas que eu poderia querer, estavam ali, me ajudando, me animando, enquanto, se eu estivesse sozinha, estaria deitada na cama, assistindo filme de fossa e comendo chocolates, bem estilo ao filme “Legalmente loira”. No final, fomos dormir de madrugada, isso porque a tinha que ir trabalhar cedo. E bem, eu pretendia acordar cedo e colocar minha vida em dia, afinal, perdi um dia todo chorando e sofrendo por conta daquele egoísta do Harry Judd. Tinha que ligar para o Dave e terminar nosso trabalho.


Part XX

Quando levantei, estava na sala assistindo TV e tomando uma xícara de café.
- Eca, como você consegue tomar isso? – brinquei.
- Vício. – ela riu. – E é bom pra ressaca.
- Nem comento! E as meninas? – me sentei ao lado dela.
- ainda está dormindo e já foi trabalhar. – ela revirou os olhos.
- é meu orgulho. – ri. – Bom, vou comprar o jornal, quer alguma coisa?
- Compra a Star Magazine, terá uma matéria sobre meus desenhos.
- Uia, mas está metida, hein?! Vê se não se esquece dos amigos quando ficar famosa. – disse já fechando a porta.
Normalmente eu não iria querer sair de casa, mas seria pior ficar lá onde tudo me lembrava dele e do acontecido. Fui caminhando lentamente, pensando na vida. Assim que comprei a revista, dei uma folheada rápida e então vi algo que me assustou.
- DOUGIE LEE POYNTER! – gritei no meio da rua, o que fez algumas pessoas me olharem como se eu fosse louca.
Corri para casa, peguei as chaves do carro e saí em disparada para a Super Records. já tinha acordado e junto com perguntaram aonde eu iria. Não respondi, apenas pedi para ligarem para a e dizer para ir para casa.
Assim que cheguei ao estúdio, vi Tom ao telefone, ele falava com a .
- ! – veio me abraçar. – Como está?
- Irritada. Onde está o Dougie? – eu perguntei alterada.
- Lá no estúdio de gravação, junto com os meninos. Sabe da ? Liguei para ela e me pareceu triste.
Eu apenas peguei um exemplar da revista que havia sob uma mesa de canto e mostrei para Tom. Ele fez a mesma cara de espanto que eu fiz.
- Agora, eu preciso conversar com seu amiguinho.
Saí pisando firme, mas ainda sim, apressada em direção à sala de gravação. Quando cheguei lá, Harry me viu, ficou em pé e veio em minha direção.
- . Oi... – disse ele.
- Agora não, Judd. Meu assunto é com seu amiguinho. – disse brava. – Poynter! Venha aqui. – autoritária.
- , o que houve? E cadê a ? – perguntou confuso e preocupado.
Eu apenas peguei a revista que estava em minhas mãos e joguei na cara dele.
- Isso é o que houve, Poynter! Isso! – irritada. – Como você pôde enganar minha amiga assim? Aprendeu com seu amigo metido a pegador? – Danny me olhou indignado. – Porque o Judd fez a mesma coisa comigo. – Danny ainda me olhava indignado, dessa vez por ele não ser o pegador. – Escuta aqui, Poynter, você deve muitas explicações sobre isso. – o vi abrir a boca, mas logo o cortei. – Mas quem deve ouvi-las é a . Se você realmente fez isso com minha amiga, você conhecerá um lado meu até então desconhecido. O que você chama de inferno, eu chamo de amizade. – disse séria.
- Dougie, isso é verdade? – perguntou Danny confuso.
- Claro que não, isso é mentira. – ele respondeu já irritado.
- Então da onde saiu essa foto, mate? – Harry se pronunciou pela primeira vez desde que o cortei.
- No pub, naquela noite que a saiu de lá do nada. Logo que chegamos, antes das meninas, a Frankie estava lá com as The Saturdays, ela disse que queria voltar, que sentia minha falta. Ela tentou, mas eu não quis, ela já tinha brincado muito comigo, eu não estava pronto para voltar e nem estou.
- Pronto? Quer dizer que uma hora vai querer voltar? – perguntou Danny, assim como eu, não gostando do assunto.
- Não foi isso o que quis dizer! Eu não quero voltar com a Frankie, eu quero esquecê-la de vez, só isso! Dudes, será que a viu isso? – ele soou preocupado.
- Eu não sei, mate, a não é muito de olhar revista de fofocas, mas se ela está desse jeito, esse pode ser um dos motivos.
- Eu preciso ir lá falar com ela.
- Mate, nós precisamos gravar, estamos atrasados. À noite, quando terminar, você vai até a e explica tudo, só não a magoe, ela é especial, Doug. – comentou Tom.
- Você tem razão, à noite vou lá e esclareço tudo.
- Acho bom, Poynter, pelo seu próprio bem e da também. – eu disse ameaçadora.
- Vamos gravar, então. – disse Tommy, que estava esperando pelos meninos.
- Mate, – Harry se aproximou de Dougie, então eu vi como ele parecia abatido – Não faça a besteira que eu fiz, decida-se com quem quer ficar antes e só depois iluda a , ela gosta de você de verdade.
- Thanks, Harry! Vou pensar muito bem antes de falar com a , não se preocupe.
- É, Poynter, pense bem. Porque depois pode ser tarde. – disse para Dougie, mas olhando para Harry. – Bom, - me virei para a porta. – agora vou procurar o Dave para terminarmos umas edições.
Saí da sala seguida por Harry, ele estava querendo me irritar, não era possível.
- Judd, pare de me seguir! Você tem que ir ensaiar e eu preciso trabalhar. Além do mais, se você quiser conversar, converse com sua namorada! – disse e logo dei graças a Deus por ter encontrado Dave.
Passei o dia na Super Records e não apareceu por lá, pelo menos não que eu a tenha visto. Dave já tinha ido embora, eu estava terminando de organizar minhas coisas, quando Tom entrou em minha sala.
- , tudo bem? – disse, se sentando em meu sofá.
- Tudo sim, Tom. – dei um sorriso quase que automático.
- , quer parar de arrumar suas coisas e conversar comigo? – ele ficou em pé e me segurou pelo ombro.
- Ok, Tom, sobre o que você quer conversar?
- Quero pedir desculpas por não ter te dito nada sobre...
- Tom! – o interrompi. – Deixe isso para lá. Já foi mesmo. E eu entendi que você estava sendo meu amigo e dele também. Não se preocupe, eu não estou brava com você. – dei um sorriso sincero.
- Mesmo? – eu apenas assenti. – Obrigado. Não queria nem pensar que você estivesse brava comigo. Ainda mais depois que vi como você falou com o Doug.
- Hahaha, não seja tolo. – o abracei. – É difícil ficar brava com você. Eu apenas queria saber como a Izzy soube onde eu morava e que o Harry estava comigo. – confusa.
- Eu também fiquei sem entender essa parte. Mas, vamos embora que já está tarde. – ele me abraçou de lado e saímos juntos.

Quando cheguei em casa, vi que as meninas já tinham ido embora e, provavelmente, estavam em alguma balada, afinal, era sábado. Tentei ligar para , mas ela não atendia. Provavelmente estava se afastando de todos, deveria ter visto a reportagem do Dougie e eu espero que ele tenha ido falar com ela. Liguei o aquecedor e resolvi tomar um banho para me deitar. Até aquele momento, eu não tinha chorado, eu tive tempo para lembrar o que tinha acontecido, mas agora eu estava sozinha e sem nada para fazer. Enquanto a água escorria pelo meu rosto, ela se misturava com as lágrimas que eu já não segurava. Fui tirada de meus devaneios com o tocar incessante da campainha. Vesti meu roupão e fui atender. Poderia ser a .
Para minha surpresa não era a , era Harry.
- O que você está fazendo aqui? – perguntei surpresa.
- Vim conversar com você. – respondeu ele enquanto entrava.
- Mas eu não quero falar com você. – disse ainda parada na porta, mas de costas para a mesma.
- , por favor. Deixe-me explicar... – ele dizia cansado.
- Explicar o quê? Que você estava com ela e comigo ao mesmo tempo? – disse incrédula. – Como você pôde ser tão baixo assim? Tão fraco?
- , eu... eu realmente gosto de você. – ele disse.
- Gosta? E você por acaso sabe o que significa isso? – ri sem humor. – Você é egoísta, mimado! Não sabe dar a valor a nada, porque tudo vem fácil pra você, não é?! – eu já gritava. – Afinal, para a estrelinha do rock, tudo é permitido! Quando você iria me contar? Se é que iria me contar...
- Eu estava esperando o momento certo. – ele disse alterado.
- Momento certo? E quando seria isso? Quando eu visse vocês juntos? Ou, quem sabe, quando eu tivesse me envolvido ainda mais e não tivesse mais volta. Você é pior do que eu um dia pensei que fosse, Judd! Você não é metade do homem que eu achei que você fosse nesses últimos meses, e nem 1/3 do homem que você se acha.
- , vamos conversar. – disse ele enquanto segurava meu braço.
- Me solta! – puxei meu braço. – Não temos nada para conversar! E caia fora da minha casa! Saia daqui e leve junto tudo aquilo que cheguei a sentir por você! – eu gritava e sentia minha voz embargando, o nó se formando em minha garganta. Mas eu não choraria. – Só fale comigo ser for realmente necessário! – disse isso e fui para meu quarto, no caminho ouvi a porta da sala batendo.
E mais uma vez eu chorei. Eu abracei meu travesseiro e chorei o mesmo que antes. Aquilo realmente estava acontecendo comigo? Por que tinha que acontecer justo comigo? Eu sempre fui uma boa pessoa, não fui? Não era perfeita, mas ainda sim, era boa. Acho que tinha alguém lá em cima que não gostava de mim. E mesmo depois de tanto chorar naquela noite, eu não consegui dormir.

Estava sentada em minha poltrona no quarto, quando os primeiros raios de sol começaram a entrar pela janela. Foi então que tive um acesso de fúria. Comecei a tirar violentamente a roupa de cama, joguei o colchão de lado, comecei a tirar todas minhas roupas do armário, até que encontrei algumas peças do Harry. Agarrei-me a elas, como elas fossem capazes de fazer tudo voltar a ser como antes, antes de descobrir toda a farsa. Não sabia o que era pior, viver uma farsa ou sofrer com a descoberta dela. Sentei-me no chão, no meio da bagunça, e fiquei olhando para o nada mais uma vez.


Part XXI

Decidi que precisava me mudar dali. Aquele lugar me trazia lembranças dolorosas, lembranças que eu lutava para esquecer.
A semana passou rápido, eu estava trabalhando muito e estava dando glória por isso. Mente ocupada não pensa besteira. Eu já tinha encontrado a casa perfeita, ela era linda, mas o jardim foi o que me ganhou, eu queria espaço. Me mudaria em duas semanas.
- Mas o que é isso? – perguntou Tom chegando em casa.
- “Oi” pra você também! – ri.
- O que é isso? – ele ignorou minha fala.
- Minha mudança. – respondi como se fosse óbvio, e era.
- Mudança? Você está indo embora? Mas por quê? – perguntou confuso.
- Estou indo embora daqui, Tom. Não quero ficar num lugar que me traga tantas lembranças. Já basta vê-lo na Super Records.
- E quando ia nos contar?
- Quando eu já estivesse instalada. Seria uma surpresa. – sorri. – Mas como sempre, você estraga tudo. – me fingi de brava. – Ninguém sabe... – vendo o resto do bando entrar, todos estavam lá, menos Harry. – Correção, ninguém sabia. – rindo da cara que eles faziam.
- , você vai embora? – perguntou Danny.
- Não, baby, eu apenas vou me mudar para uma casa. – respondi, terminando de embalar umas peças.
- Que pena. Achei que teria que viajar sempre para o Brasil para te visitar. – Danny fez uma cara de tristeza tão cômica que tive que rir.
- Idiot! Mas bem, já que estão todos aqui, podem ir me ajudando! Daqui a pouco o caminhão de mudança chega e vocês conhecerão minha casa nova. – disse toda alegre.

Depois que me mudei, achei que as coisas entrariam nos eixos novamente. Eu estava trabalhando direto, me trancava em minha sala na Super Records e só saia quando terminasse o que tinha de fazer. Muitas vezes eu já não tinha mais nada o que fazer, mas ficava lá até ter certeza que todos tinham ido embora, não queria me encontrar com Harry de novo. Para se ter uma noção, nem meus vizinhos eu conhecia. Você deve estar se perguntando: mas e seus amigos? O Tom, as meninas. Bem, eles estão bem. Pelo menos é o que tudo indica. está se entretendo com um carinha que conheceu por aí, e Tom está se mordendo de ciúmes, mas também não decide se casa ou compra uma bicicleta. e Danny continuam ficando, às vezes, isso acontece com mais frequência quando eles saem e Danny fica bêbado, embora eu ache que ele use isso como desculpa. Ah, sim, ele continua com a Geoconda, digo, Georgia. e Dougie estão bem, parece que finalmente resolveram se render ao destino. E Harry, bem, Harry está firme e forte com a Izzy, pelo menos é o que a mídia e eles têm mostrado. Pelo visto, aquela confusão toda que aconteceu serviu para aproximá-los. É, há males que vêm para o bem. Pelo menos no caso deles. Eu continuo sozinha, mas também não estou procurando e por acaso tem como procurar alguma coisa dentro de uma sala de edição? Ou dentro da sua casa? O homem que você tanto procura não vai bater na sua porta. No máximo será o entregador da pizza que você pediu.

Serei sincera, ultimamente tenho evitado todo mundo. Não por estar chateada com eles, bom, isso também, mas é principalmente porque não quero que tenham dó de mim. Sou do tipo que sofre calada, mas que depois de um tempo, esse sofrimento começa a transparecer. Eu estava abatida, tinha emagrecido horrores, mas também não estava comendo direito; o que eu poderia querer? Eu poderia querer e ainda quero que meus sonhos parem! Não aguento mais sonhar com Harry. E era o mesmo sonho sempre, de novo. Na verdade, eu não conseguia ver o rosto do Harry, mas eu sabia que era ele. Tudo que eu conseguia enxergar eram suas costas enquanto ele se afastava de mim, por mais que eu corresse; por mais alto que eu gritasse, parecia ser tudo em vão. Ele não se virava, não me esperava, e então sumia. Aquilo estava me deixando perturbada. Eu não estava mais dormindo direito. Tinha medo de fechar os olhos e começar a sonhar de novo.
Eu tinha duas soluções, ou quase.
Perder o resto da sanidade que me restava, ou começar a encarar os fatos.
E bem, eu ainda preciso de minha sanidade.

O restante do domingo passou da forma mais tediosa possível. Meus amigos deviam estar com seus respectivos pares, e eu estava sozinha. Esse é o problema de ter amigos que namoram, quando você fica solteira, só você fica. Querer que eles ficassem te paparicando é egoísmo demais, e sair com eles: não, muito obrigada, é ser vela demais.

- ! – Tom me chamou assim que coloquei os pés na Super Records.
- Tão cedo aqui Tom? – eu ri.
- Culpa da . – ele revirou os olhos e eu ri mais ainda. – E você? O que faz aqui?
- Ninguém mandou colocarem ela como produtora. – sorri. – Bem, eu vim trabalhar, é isso que meros mortais fazem. Além do mais, preciso me ocupar. – dei de ombros.
- Você precisa sair mais, se distrair, conhecer alguém.
- Tom, mesmo depois de tudo, não sei se consigo isso. Ninguém vai ser ele, entende? – mordi meu lábio.
- Você deveria se permitir. – ele disse antes de sair andando na minha frente.
Tom, talvez, estivesse certo. Eu precisava me divertir, sair mais. E, bem, a única pessoa que eu sabia que não estava com ninguém era a , então a chamaria para sair comigo na sexta à noite.


Part XXII

A tão esperada sexta tinha chegado, iríamos para um pub super conhecido, e que já tínhamos ido antes de tudo aquilo acontecer. chegou em casa e foi ajudar-me com a roupa. Como tinha emagrecido a maioria de minhas roupas não me serviam mais, então ela ficou de ir fazer compras comigo antes de sairmos naquela noite.
- , você já experimentou dezenas de roupas e todas ficaram lindas em você. Decida logo! Ainda temos que nos arrumar. – disse ela impaciente.
- Posso saber por que a senhorita está tão ansiosa para irmos ao Morpeth Arms? Marcou com alguém é?! – ri.
- Não, sua tonta! É que algo me diz que essa noite promete! – disse animada.
- E tem alguma noite que não prometa para você? – ri e mostrou-me a língua.
Experimentei mais algumas roupas, fiz minhas escolhas e fomos para casa nos arrumar.
Roupa de e .

- Nossa, como isso aqui está cheio! – comentou assim que chegamos.
- Argh, só porque eu odeio. – fiz careta e ela riu.
- Deixe de ser fresca! Vamos nos divertir! – falou puxando-me para dentro e rindo.
Se sem entrar eu já achava que estava cheio, quando entrei percebi que, realmente, o Morpeth estava lotado. Com certa dificuldade, e eu chegamos ao bar e fomos logo pedindo nossas bebidas.
- Gente, como tem cara gato aqui! É hoje que eu me acabo! – ria enquanto tomava sua bebida.
- O Jones não está dando conta? É ruim ter que se dividir em dois, não é? – eu cutuquei, mas ela me ignorou.
- , não olhe agora! – ela fez uma cara de espanto e eu me assustei. – Mas aquele não é James Bourne? Ele está olhando para você! – afobada. Vem cá, quantas cervejas ela já tomou e eu não vi? Só pode estar bêbada.
- Como vou saber se é ele, se você me disse para não virar? – revirei meus olhos e tomei um gole de minha bebida.
- OMG! É ele sim! E, OMG! Ele está vindo aqui! Eu sabia que a noite seria boa. – ela deu um sorriso safado e antes que eu pudesse dizer alguma coisa, alguém já havia dito.
- Hi, ladies. – ele estava parado ao meu lado e sorria lindamente. – I’m James Bourne.
- We know! – respondeu uma bem animadinha. – Eu sou e essa é a minha amiga . – levantou a garrafa em minha direção, eu apenas sorri. – Mas minha presença aqui é insignificante, e, olha, acabei de ver um amigo. See you later. – disse, saindo rapidamente dali.
- Sorry. Minha amiga é louca assim mesmo. – disse sem graça.
- Parece ser muito divertida. – ele sorriu e ficou de frente para mim, lugar onde antes estava a .
- E é. – disse, bebendo mais um pouco. Sim, eu estava sem assunto.
- Eu queria me oferecer para pagar uma bebida a você, mas vejo que já está bebendo. Nesse caso, se importa se eu lhe acompanhar? – ele deu um belo sorriso.
- Claro. – respondi sorrindo também. Quem sabe, não tivesse razão, quem sabe aquela noite não prometia mesmo?
- , seu rosto não me é estranho. – ele olhava-me como se tentasse lembrar-se de onde me conhecia, mas, sinceramente, de onde James Bourne poderia me conhecer?
- Eu iria te dizer o mesmo, mas eu já sei de onde te conheço. – eu ri e ele me acompanhou.
- Sério, não consigo me lembrar de onde te conheço, mas sei que te conheço.
- Dos seus sonhos, talvez. – disse para logo começar a rir. – Ok, essa foi péssima. – James se divertia.
- Mas me diga, o que uma mulher atraente como você está fazendo em Londres, e sozinha, imagino.
- Obrigada pelo elogio, mas estou aqui para respirar novos ares, cansei do meu país. – sorri, como se fosse possível se cansar do nosso lar.
- Pretende ficar quanto tempo? – ele perguntou interessado.
- Quanto tempo Deus quiser, e eu aguentar. – tomei um gole de minha cerveja. – Talvez para sempre e um dia.
- Nesse caso, terei muito tempo para te conhecer. – ele piscou e eu sorri, envergonhada.
James era muito divertido. Ficamos todo o tempo conversando sobre os mais diversos assuntos, falamos do tempo, de futebol, de bebidas, música, filmes, livros e até sobre relacionamentos.
- Não acredito que ele fez isso! Muito otário! Se ele foi capaz de trair a namorada para ficar com você, é óbvio que ele já não tinha certeza do que sentia por ela. E ainda assim ficou com ela? Sem comentários. – ele parecia revoltado.
- Ele é homem. No final das contas, usou seus instintos. – eu dei de ombro.
- Você já se conformou? – perguntou confuso.
- Não, mas busco todos os dias uma explicação aceitável para isso. – dando um último gole em minha cerveja. – Mas chega desse assunto. Ele não merece que desperdicemos nosso tempo. So, next! – eu ri.
- Sabe, , eu quero fazer uma coisa desde que você entrou por aquela porta, mas não sei se devo. Devo? – ele me olhava com a sobrancelha levantada.
- Bom, não posso dar uma resposta sem saber do que se trata. Mas devo dizer que você deve arriscar, afinal, a rejeição você já tem, então, o que custa tentar? – disse, sorrindo de um jeito até que sedutor.
James aproximou-se lentamente de mim, passando a mão carinhosamente pelo meu rosto e descendo até minha nuca, onde fez uma leve pressão, fazendo-me aproximar meu rosto do seu. Então, ele enroscou seus dedos em meus cabelos e ficou olhando em meus olhos. Sorri, mordendo meus lábios. Já conseguia sentir seu hálito misturando-se ao meu, nossas bocas estavam prestes a se tocar...
- ... – uma voz embolada nos interrompeu.
Fechei meus olhos, tentando me conter para não xingar minha amiga. Olhei para James e ele já tinha se afastado e passava a mãos pelos cabelos, sem graça.
- O que foi, ? – meu tom foi seco.
- Não estou passando bem... – ela apoiou-se em mim. – Vamos embora, sim? – ela parecia implorar.
Olhei para James e ele sorriu como se disse “Tudo bem”. Pedi desculpas e saí dali arrastando minha amiga bêbada e sem noção.

Quando chegamos em casa, fui preparar algo para curar a bebedeira da e ajudá-la a trocar de roupa. Depois de cuidar da amiga da onça, fui tomar banho e me trocar para dormir. OMG! Foi então que eu parei para pensar. Eu quase beijei ninguém mais, ninguém menos, que James Bourne! E esse quase foi graças à , amanhã irei acabar com ela! Então reparei que desde que comecei a falar com James — tirando a parte em que conversamos sobre relacionamentos — eu nem tinha pensado no Harry. É, talvez aquilo tivesse dado certo. Mas onde eu encontraria James de novo? Hoje tinha sido um golpe de sorte. Apenas um golpe de sorte.


Part XXIII

Como eu já imaginava, quando acordei no sábado para ir até a Super Records, ainda dormia. Bêbado é uma coisa louca. Como eu também tinha bebido um pouco e chegado tarde em casa, acabei chegando atrasada no trabalho.
- Hey, Tom! Anda madrugando por aqui, hein? – ri, cumprimentando-o com um beijo no rosto.
- Finalização do CD. – ele disse cansado e eu ri ainda mais. – E então, saiu ontem?
- Sim, foi comigo. Foi bacana.
- Apenas bacana? – ele me olhava meio descrente. – Aonde foram?
Mas antes que pudesse responder qualquer uma das perguntas, Harry apareceu na minha porta chamando Tom para irem falar com não sei quem, não prestei atenção.
- Hey, . – disse sem jeito.
- Good morning Judd. – disse com um sorriso automático.
Harry ainda ficou parado, olhando-me por alguns instantes depois que Tom saiu, já eu olhava-o como quem quisesse saber o que ele estava esperando. Tom voltou e o arrastou de lá, fazendo-me rir com a cena.
Estava fazendo o rascunho de alguma ideias que tivera para o site que idealizou criar. Tom deu a ideia de ser algo futurista, e eu apoiei totalmente. Afinal, sou a “garota da NASA”, como eles me apelidaram por gostar de coisas do tipo. O site chamaria-se Super City. No dia da sugestão da criar o site, ficamos todos sabendo que e Dougie estavam juntos, namorando mesmo. So cutie. Mas voltando, eu estava rascunhando algumas ideias quando meu celular começou a tocar, era .
- Diga, cretina.
- Bom dia para você também, . - irônica.
- Bom dia? Já passa da metade do dia. – ri.
- Mas ainda não almocei, então é bom dia.
- Você me ligou para dizer isso? - ela tem problemas.
O fato de ela ter dito que não havia almoçado ainda lembrou-me de que eu não tinha comido nada. Resolvi sair para comer alguma coisa.
- Não, quero pedir desculpas por ontem. Eu acho que estraguei seu lance com o James. – disse ela sem graça.
- Não se preocupe, amiga, talvez eu não devesse mesmo ter ficado com ele. – ao dizer isso, Harry, que passava por mim, começou a prestar atenção na conversa, eu o ignorei. – Talvez as coisas estivessem rápido demais.
- Então, vamos sair hoje? – perguntou-me animada.
- Não sei, , acho que não vou hoje, não. – ao terminar de dizer, Danny tomou o celular de minhas mãos. De onde ele saiu? Ando muito desligada.
- , é o Danny. – como se ela não fosse reconhecer a voz dele. – A vai sair, sim! Vamos arrastá-la. – ele me olhava desafiador e eu o olhava sem entender. – Ela quer falar com você. – disse, devolvendo-me o celular.
- Obrigada, Jones. – irônica. – Pois não? – rindo.
- Você ouviu o Danny, não é? Você vai e pronto. queria tanto que eu fosse porque ela tinha a esperança de que eu encontraria com James de novo. Mas qual a probabilidade de encontrar-me com ele sendo que, para ajudar, iríamos a outro pub hoje? Essa história do secret affair da com o Danny deveria estar afetando a noção de realidade da coitadinha.

Já estava em casa, terminando de arrumar-me quando meu telefone tocou.
- Alô?
- , esqueci de te dizer uma coisa muito importante! - parecia afobada, então deixei que continuasse. – Eu dei seu telefone para o James.
- Wow! Você fez o quê? – disse, não acreditando.
- Dei o seu telefone para o James Bourne. – acho que agora ela se tocou do que fez.
- ! Quando você fez isso?
- Quando cheguei passando mal e você foi encerrar nossa conta, bem, eu voltei até onde ele estava e entreguei seu número. Eu tinha certeza de que você não o tinha feito.
- É, e não fiz. Sinceramente, ... – antes que eu terminasse a frase, meu celular começou a tocar, no visor, um número desconhecido. – ! Tem um número estranho me ligando! E se for ele?
- Sinceramente, , você sabe o que fazer, agora pare de falar comigo e vá falar com ele. Kisses, Love u! – ela desligou o telefone na minha cara, bandida!
- Hello? – atendi ao celular.
- Hi. Is ? – perguntou a voz masculina do outro lado da linha.
- Yes. Quem está falando? – que não seja o James, que não seja o James, eu repetia mentalmente.
- Hey, , é James. – preciso melhorar meus mantras. – Espero não estar sendo muito invasivo te ligando, mas sua amiga me passou seu telefone.
- Não, tudo bem, James. Mas ao que devo a honra da sua ligação?
- Gostaria de saber se não quer sair comigo e uns amigos hoje?
- Desculpe, mas já combinei de sair com meus amigos hoje. – o que era uma verdade.
- Ok, e que tal amanhã?
- Amanhã combinamos de ir à praia, caso não chova. – isso era uma mentira.
- Bom, eu tentei a sorte. – riu. – Durante a semana te ligo para combinarmos algo então.
- Certo, vou evitar qualquer compromisso para ter tempo para você. – eu ri. – Até mais então.
- Kisses, adorable . – não tive como deixar de sorrir com isso.
OMG! James Bourne tinha realmente me ligado ou aquilo era o efeito de muito cappuccino no corpo? Bom, mas agora não importa. Preciso terminar de me arrumar e ir me encontrar com aqueles loucos, e... Epa! Será que o Harry vai? Será que a Izzy vai? Oh, God. Preciso caprichar mais, afinal, eu estou bem, não estou?

Saí de casa atrasada, apenas para variar um pouco. Foi difícil achar o pub, já que nunca tinha ido àquele. Assim que entrei, percebi o lugar um pouco lotado e comecei a procurar pelos meus amigos, queria encontrar-me com eles logo, aquele monte de gente olhando para mim já estava me deixando constrangida. Olhei para a parte do mezanino e vi o Tom acenando freneticamente para mim.
- WOW! Veio vestida para matar, hein, ? – comentou Danny, fazendo-me dar uma voltinha, com ele assobiando.
- Besta. – ri.
- Danny tem razão, está um arraso, gata. – piscou .
- Aposto que isso tudo tem nome. – disse .
- Claro que tem. – respondi. – , prazer. – disse rindo e ela me mostrou a língua. – Quem mostra língua quer beijo. Dougie, por gentileza, beije a sua namorada. – ri e fui terminar de cumprimentar os outros.
- , a estava dizendo que a saída de ontem rendeu. – Tom disse divertido.
- Rendeu, rendeu tanto que eu tive que cuidar dessa bêbada! – me fiz de brava. – Estragou a minha noite.
- Só porque ela não conseguiu beijar o... – olhei para ela, proibindo-a com o olhar que ela dissesse o nome. – gatinho. – sorriu sem graça.
Antes que começassem com as perguntas, tratei de achar uma desculpa para sair dali.
- Vou pegar uma bebida, alguém quer? Não? Então tá! – saí antes mesmo que respondessem.
- e sua falta de paciência em esperar que alguém traga algo. – comentou e eu mostrei a língua.
- Quer beijo, ? – brincou.
- Opa, te espero lá embaixo, gata. – pisquei e saí rindo.

Demorei um pouco para chegar até o bar, já que toda hora tinha alguém me parando. E ainda dizem que britânicos são reservados. O caramba que são! Mas o fato é que eu já estava me arrependendo de ter ido vestida desse jeito. Afinal, o Harry não estava com eles.
Assim que voltei, vi que tinha alguém no lugar onde eu estava antes, ao me aproximar, percebi que era Harry.
- Até que fim voltou, ! – Danny brincou. – Achei que alguém tivesse te arrastado para um cantinho mais reservado. Bom, eu faria isso. Porque esse seu vestido... – Danny fez uma cara de tarado e eu ri, sendo seguida pelos outros do grupo, menos Harry que bebia.
- Deixe de ser retardado, Jones. – sentei-me ao seu lado, no lugar vago. – Ah, oi, Harry. – dei um sorriso.
Eu não sei o que fiz de errado, mas todo mundo na mesa ficou em silêncio e começou a olhar para mim como se eu fosse de outro planeta. Eu os olhava de volta, com a sobrancelha arqueada, como quem disse “O que foi?” e dei um gole na minha cerveja. Harry limitou-se a cumprimentar-me com um aceno de cabeça, mas não dei importância.
- Dude, eu acho que deveríamos ter ido naquele pub que o Jimmy falou.
- Quem? – disse curiosa.
- James, um amigo nosso que chegou junto com o Harry, mas já foi. Disse que o encontro dele já era, então, iria para casa. – Tom explicou e eu fiz uma cara de “Ah, tá” e continuei prestando atenção na conversa.
- E por que você queria ter ido lá, Danny? – curiosa pela segunda vez.
- Ora, ele disse que além de ter gente bonita, ele arrumou uma gata por lá! Ele disse que a menina é simplesmente maravilhosa, que fala de tudo, sem problemas. Mas que lá tem muita mulher bonita.
- Jones, por que você queria ir lá? – insisti na pergunta.
- Porque tem mulher bonita!
- Danny, raciocine comigo, eu sei que é difícil, mas tente. – todos riram. – Primeiro: você, além de ter namorada, tem um secret affair com a aqui. – aponte para a garota. – Segundo, nosso querido Tom, embora esteja decidindo se casa ou compra uma bicicleta, está com a Gio; Dougie está com a louca da – ela fez uma careta e recebeu um selinho do namorado. – , “está” – fiz aspas com os dedos – com você. está enrolada com um cidadão local, Harry está firme e forte com sua namorida, – tive que explicar que em português era uma mistura de namorada com “marida” – logo, a única solteira, livre, leve, solta e desimpedida de nós, sou eu. E você acha mesmo que eu vou querer ir para um lugar que só tem mulher bonita? Não, né?! É muita concorrência, além de quê, eu não gosto de dividir o que é meu. – lancei um olhar significativo para Harry.
- Mas a disse que você quase ficou com o cara ontem. – Danny disse e Harry me olhou como se quisesse entender a história.
- Quase, meu caro Jones, não é fato. E é culpa da bêbada da . – fiz-me de brava.
- Obrigado, . – disse Harry para , eu apenas olhei para ambos com os olhos estreitos.
Eu poderia achar que tivesse feito aquilo de propósito na noite anterior, mas ela estava tão mal que não foi mesmo. Além do mais, por que ela faria aquilo e depois daria meu telefone para o cara? Não tem lógica.
Estávamos nos divertindo muito naquela noite, como há muito eu não fazia. Eu ignorava a existência de Harry, mas tinha consciência de seus olhares e aquilo estava mexendo comigo, de formas bem distintas. O modo como ele me olhava me deixava nervosa, eu queria xingá-lo e ao mesmo tempo agarrá-lo e nunca mais soltar. Diante dessa confusão, decidi ir embora.


Part XXIV

Os dias foram passando e eu estava cada vez melhor. James sempre me mandava mensagens ou me ligava, em outras palavras, sempre nos falávamos. Porém, nem tudo era perfeito e sempre eu me encontrava com o Harry, eu ficava mal. Sei que não deveria ficar assim, que o melhor era esquecê-lo e não me importar. Mas se esquece uma pessoa que vemos todos os dias, que está em todos os lugares, que aparece sempre em seus sonhos? Eu não sabia a resposta, mas talvez James pudesse me ajudar. Bem, eu não o estaria usando para esquecer outra pessoa, estaria apenas permitindo que outra pessoa entrasse em minha vida e me ajudasse a solucionar algumas questões.

James tinha me ligado e combinamos de ir até o parque no sábado à tarde. Bem, quem sabe não poderia sair algo dali, não é?
- , a gente vai à praia esse final de semana, quer ir? – perguntou quando me encontrou na saída da Super Records.
- Não vai dar, amiga, já tenho um compromisso esse final de semana.
- Hum, vai sair com alguém? – ela riu.
- Na verdade... – percebi Harry vindo em nossa direção. – vou sim. – ele parou ao nosso lado e mexia no telefone. – Faz um tempo que ele vem me chamando para sair e bem, nesse final de semana finalmente consegui um tempo para isso. - sorri.
- É o mesmo do pub?
- Claro que é! Ou você acha que eu sou o quê? – ri.
- Ah, vai saber, não é?! Do jeito que você é gata, caras atrás de ti é o que não deve faltar. – piscou.
- Claro, claro. – eu ri. – A gente se vê depois, . – fui para o carro.
Estava procurando a chave do carro quando a voz do Harry me assustou.
- Então tem um encontro?
- O que isso te importa? – perguntei olhando-o.
- Apenas quero saber. – deu de ombros.
- Então, para satisfazer sua curiosidade, sim.
- Humm. Que bom. – forçou um sorriso. – Será que eu posso ir à sua casa hoje à noite? – WHAT? O que ele quer na minha casa?
- Não acho que seja uma boa ideia, Harry. – e não era.
- Por favor, . Eu realmente preciso falar com você.
Dei um longo e pesado suspiro e, depois de pensar um pouco, dei-lhe minha resposta.
- Ok, Harry. Apareça lá às 8 p.m. – entrei em meu carro e dei a partida.
Juro que, pelo retrovisor, vi Harry dando um sorriso de satisfação. Oh, God, essa noite será longa.
Quando Harry chegou em casa eu não estava me sentindo muito bem. Um mal estar me dominava, meu corpo todo doía, minha cabeça parecia que ia explodir e estava com um pouco de febre. Que ótimo, estava ficando gripada.
- Nossa, , você está péssima. – Harry disse assim que abri a porta.
- Muito obrigada, Harry, estou me sentindo muito melhor agora. – revirei os olhos.
- Acho melhor nos falarmos outra hora, quando você estiver melhor. Não quero que você fique mais nervosa comigo aqui.
- Como é que é? Você acha que me deixa nervosa? – mas é muito egocêntrico.
- Não, não quis dizer isso. Mas é que o assunto sempre te deixa nervosa e... – ele parou de falar quando percebeu de que se tratava.
- Ok, Harry, então eu agradeceria se você fosse embora, gostaria muito de dormir. – Harry apenas me olhou e saiu.
Eu já estava deitada tinha alguns minutos quando meu telefone começou a me perturbar.
- Mas que inferno! – disse ao atender o telefone.
- ! É assim que atende ao telefone? – a voz da do outro lado me deixou mais irritada.
- Amiga, você sabe que te amo, mas eu preciso muito dormir.
- Harry me disse que você não estava se sentindo bem. O que você tem?
- Aquele fofoqueiro desgraçado! Estou apenas ficando gripada.
- Tem certeza? – respondi com um “Uhum”. – Ok, qualquer coisa me liga.

Nos dias que se seguiram, eu passei com os mesmos sintomas, não melhorava nem piorava. Até liguei para James e desmarquei nosso encontro. E para minha surpresa, ele disse que viria em casa para cuidar de mim, pediu meu endereço e disse que em breve estaria ali. Não demorou nem cinco minutos e minha campainha tocou.
- Nossa, você tem algum teletransportador? – assustei-me por ver James parado ali.
- Não, eu apenas moro aqui do lado. – ele riu. – Somos vizinhos!
Nossa, isso que eu chamo de pessoa desligada. Eu era vizinha do meu affair e não sabia.
James mostrou-se um perfeito cavalheiro, ficou o tempo todo cuidando de mim, sempre ao meu lado, mimando-me.

O tempo passou e, bem, começamos a namorar. No começo ele era um príncipe, enviava-me flores e pequenos mimos pelo menos três vezes por semana no meu trabalho. Mas com o tempo as coisas mudaram. James mostrou-se muito controlador e ciumento, duas coisas que eu não suportava.
- James, eu não acredito nisso! – eu já estava gritando ao telefone.
- , não quero mais você perto dele! – ele também gritava.
- Pois você sabe que não vou deixar meu trabalho por conta de uma insegurança infantil da sua parte!
- Insegurança? Você pensa que eu não sei que ele fica te cercando aí? Pensa que eu não sei dos teus sentimentos por ele?
- James, presta atenção: aqui eu sou estritamente profissional! Saio apenas da minha sala para ir até a sala da ou do Dave, e sempre para falar sobre o trabalho. E por falar nisso, tenho que trabalhar. Tchau, James. – desliguei o telefone e senti a sala toda rodar.
Oh, shit! Aquela sensação de vazio, de perda de sentidos estava voltando. Apoiei-me na mesa e respirei fundo. . Eu ouvi alguém me chamando, mas parecia estar tão longe. . Outra vez. ! A voz agora viera como um grito e senti alguém me chacoalhando.
- , pelo amor de Deus! Responda! – Harry. Harry era quem me chamava.
- Eu estou bem. Estou bem. – soltei-me dele. – Tenho que ir falar com o... com o... – não conseguia me lembrar o nome dele. – Eu tenho que ir.
Desvencilhei-me dos braços do Harry e dos seus olhos preocupados e saí de minha sala, sem saber ao certo aonde iria.


Part XXV

Semanas se passaram e minha relação com James apenas piorava. Tudo era motivo para ele começar uma briga: uma hora porque trabalhava demais, outra hora porque não o deixava trabalhar; minhas roupas que eram curtas; minhas amizades (leia-se: Harry) do trabalho que não era confiáveis. Eu já estava ficando de saco cheio. Felizmente, tinha tido uma ideia brilhante: abriríamos nossa empresa de designers de moda, e com isso, eu me manteria focada em algo que não fosse minhas discussões com James. A empresa se chamaria Devine’s. Adorei o nome e, principalmente, por ficar responsável pela publicidade da marca. Sugeri aos meninos da banda que se vinculassem à marca, lançando roupas e acessórios exclusivos feitos pela Devine’s e isso foi uma bela jogada. Tê-los como parceiros fez nossa marca ganhar ainda mais prestígio.

O dia do lançamento tinha chegado, e eu estava muito nervosa. Nervosa por enfim ver todo o nosso trabalho finalmente pronto, nervosa por querer saber a reação das pessoas, nervosa para que tudo desse certo e nervosa por conta de James, que desde que viu a minha roupa não parou de reclamar. Meu vestido, assim como o de , e , eram exclusivos da Devine’s, as meninas quem os tinham desenhado.
- , vamos logo! E espero que você não use aquele vestido. – James resmungava no andar de baixo.
- Já estou pronta, James! E, sim, vou com este vestido! A o fez exclusivamente para mim, é um vestido da Devine’s e vou usá-lo, quer você queira ou não! – peguei minha bolsa/carteira e saí. – Vamos logo, então. – disse emburrada.

Durante todo o caminho, James não disse uma única palavra, e eu o agradecia silenciosamente por isso. A última coisa que eu precisava era de mais uma discussão antes da festa. Eu já tinha preocupações suficientes para me dar ao luxo de ter um DR agora. Minha cabeça já doía, sentia meus sentidos menos apurados. Respirei fundo e fechei os olhos, tentando mentalizar coisas positivas, mas para minha surpresa, a imagem de Harry invadiu minha mente, então eu abri os olhos e decidi encarar as luzes da cidade.
- Vamos, James, mude essa cara! Ao menos hoje fique feliz, ok?! É muito importante para mim e gostaria que você me apoiasse. – disse-lhe, pegando sua mão e depositando um beijo em sua palma. James me sorriu e estacionou.
Respirei fundo pela, bem perdi as contas de quantas vezes tinha feito isso naquela noite, e saí do carro quando James abriu a porta. Estampei meu melhor sorriso e segui pelo tapete vermelho que nos levava até a entrada da festa.
- , como se sente abrindo esta empresa com suas melhores amigas? – perguntou alguma jornalista.
- Sinto-me ótima! É ótimo trabalhar com pessoas que têm os mesmos pensamentos que você, as mesmas ambições. Mas espero que isso não nos impeça de discutirmos sobre os negócios. É assim que as coisas dão certo. – pisquei e segui pelo tapete, de mãos dadas com James.
Minhas dores e sensações pioraram, então decidi não responder mais perguntas e entrar logo no salão principal. Eu já tinha andado pelo salão, fazendo a social e escutando reclamações de James por meu vestido ser muito curto, por ficarem olhando para mim, por eu não dar atenção a ele... Quando e Dougie chegaram, faltavam apenas Harry e para a festa ficar completa.
- Que demora, hein? – estava irritada, mas dei graças a Deus quando os avistei.
- A mocinha aqui que demora para se arrumar. – Dougie reclamou e revirou os olhos.
- Mas valeu à pena, hein, Dougie? Sortudo, a está maravilhosa. – cara, o Danny não se preocupava com nada, nem com a Georgia.
- Ei, cuidado com o comentário, mate. – brincou Dougie.
- Dougie Poynter com ciúmes? Isso sim é uma novidade. – debochou , fazendo todos rirem.
- E aí, mate, te mandei um e-mail hoje de manhã, mas você nem me respondeu. – disse Dougie para James.
- Foi mal, dude, estava com a cabeça meio aérea. – James me olhou como se eu fosse a razão disso, eu precisava ficar longe dele um pouco.
- , , vamos ao bar? – foi uma afirmação camuflada de pergunta.
Assim que chegamos ao bar, pedimos nossas bebidas e eu desabafei.
- Precisava sair de perto do James, não aguento mais essas brigas. – disse cansada.
- Eu não sei nem o que você está fazendo com ele. – eu também me pergunto isso, .
- Nem eu. Você não deveria nem ter começado. Você é apaixonada pelo Harry, é com ele que você tem que estar. – e seus conselhos amorosos de banca de jornal.
- Harry? Como posso perdoar e confiar nele novamente, me diga? – não podia negar que ainda sentia algo pelo Harry, mas ainda não havia cicatrizado o que ele tinha feito.
- Buenas noches, gatas! – uma toda alegre e sorridente aproximou-se. Certeza que já tinha bebido.
- Está linda, ! – elogiou.
- Obrigada, amiga, você também está perfeita! Não sei como o Dougie não reclamou, esse vestido é curtíssimo. – comentou ela
- Obrigada pela parte que me toca. – brincou .
- Dougie não faz o tipo ciumento. Acho que nem com a Frankie, que andava quase pelada, ele não ligava. O que acho bom, não gosto muito dessas posses de ciúmes. Se eu quisesse homem assim, tinha procurado no Brasil, latinos são possessivos. – fez cara de desdém.
- Concordo plenamente. Sorte a sua que o Doug não é assim, já o James ficou falando do tamanho do vestido do momento que saímos até chegarmos aqui. – revirei os olhos e virei meu copo.
- Por um lado acho ótimo, por outro, pode ser que ele não liga mesmo. – e sua insegurança.
- Ah, , tenha dó! Até parece que ele não liga. Você conhece esses quatro como ninguém, sabe muito bem que o Dougie sempre foi assim, ele não fala as coisas, é muito reservado. – mas vou falar, viu, essa menina precisa de uns tapas às vezes.
- Eu sei! Mas com você, pelo menos, o Harry dizia que te amava. – pegou pesado, .
- Dizia que me amava da boca pra fora? Antes o Dougie que sempre foi sincero com você. – eu preferiria que Harry nunca tivesse dito nada do que ter dito para depois acontecer tudo aquilo.
- O Harry te ama sim, você deveria lhe dar uma nova chance. – fácil falar.
- Concordo. – , sua amiga da onça.
- Ah, não, . Eu não sou igual a você que aguenta estar com alguém que sabe que ainda gosta de outra. – shit! Falei de mais. ficou triste na hora. – Ah, amiga, desculpa, de verdade, eu não queria dizer isso! É que você sempre foi tão determinada e agora fica se submetendo a isso.
- Não se preocupe, você tem razão! Ele sempre vai ser apaixonado pela Francesca, eu que fico tentando de todas as maneiras fazer com que ele me ame! – parabéns, , conseguiu estragar a noite da sua amiga.
- Me desculpe, , mas eu não acho que o Dougie sinta mais nada pela Francesca. Olha lá! – apontou com a cabeça para Dougie. – Desde que viemos pra cá, ele não para de olhar pra você. Isso, sim, é algo que não se vê todo dia no Dougie. Ele é um fofo, mas todos sabemos que ele é reservado ao extremo, por mais que pareça brincalhão. Não fica encarando, não fica se expondo, mas parece que ele mesmo não consegue se conter. Fica com os olhos fixos em você como se estive com medo de te perder de vista. Ele está deslumbrando contigo, amiga.
- Também, você está bem gostosa, né? Até eu pegava fácil. – vamos consertar a burrada que você fez, não é, ? E olha, deu certo! Ela riu!
- Own, não fica triste, . Ele te ama, só não quis se precipitar em falar isso pra você sem ter certeza. – completou .
- Espero que tenham razão, porque agora é tarde. Se ele chegar pra mim e disser que errou e não gosta de mim, ou me trair, não sei como irei suportar. Acho que eu não vou conseguir trabalhar mais com a banda, e isso me mataria. Por isso nunca quis aceitar o quanto era apaixonada por ele.
- Se isso acontecer, o que eu acho que não vai, todas nós iremos estar ao seu lado, amiga! – e eu acabo com a raça dele, acrescentei mentalmente.
- Isso mesmo! E seremos as primeiras a quebrar aquela cara bonitinha loira! – leu meus pensamentos. MEDO!
- Sabem que vocês são as melhores amigas do mundo, né? – já tá ficando manhosa. Melhor parar por aí antes que minha maquiagem borre.
- Lógico que eu sei! – nossa, às vezes, eu acordo me sentindo muito diva.
- Vai se fuder, . – disse isso, mas eu sei que ela quis dizer que me amava, por isso a abracei.
Ficar ali conversando com minhas amigas tinha servido para, além de darmos risadas, esquecer um pouco dos meus problemas. Falamos sobre a festa, que estava sendo um sucesso, falamos de relacionamentos mal resolvidos — meu caso —, alguns clandestinos: e Danny, alguns receosos: e Tom e outros felizes: e Dougie. deu vários conselhos de revista de adolescentes para nós. E uma hora nós percebemos que aqueles conselhos tinham um fundo de verdade. Minutos se passaram e tinha chegado a hora do nosso discurso, na verdade, quem mais falou ali foi a . Eu falei apenas sobre a campanha, falei sobre a participação dos meninos, e e falaram sobre a inspiração para os desenhos e tudo mais. Depois de mais ou menos uma hora e alguns minutos em cima daquele palco, todos decidiram aproveitar a festa, que deveria estar muito boa. Digo isso porque assim que desci do palco, James foi me puxando para o bar.
- Amor, calma! – ri, achando engraçada a afobação dele em querer ficar comigo.
Pena que eu estava enganada.
- Não me venha com essa, ! – ele estava furioso.
- James, o que aconteceu? – estávamos sentados no bar.
- O que aconteceu? Aconteceu a falta de pano nesse seu vestido e os olhares indiscretos das pessoas que estão aqui. – disse nervoso.
- James, o vestido da é mais curto que o meu! Poderiam estar olhando para ela. Aliás, todo mundo estava olhando pra gente lá em cima. – tentava fazê-lo se acalmar.
- Harry Judd não comeu a com os olhos! Ele fica te seguindo com o olhar aonde quer que você vá! – eu o olhei e comecei a massagear minhas têmporas, eu sabia onde aquela discussão iria terminar. – Agora mesmo ele está olhando pra cá.
- James, - respirei fundo e senti minha cabeça latejar mais. – deixe o Harry pra lá! Ele aprontou comigo e não quero mais nada com ele. Eu estou com você! É com você que me preocupo. – tentei me aproximar dele, mas ele se afastou.
- Ele terminou com a Izzy! Isso deve dizer alguma coisa. – ele me olhava acusador.
- Não estou nem aí por ele ter terminado com ela! É tarde pra isso! – disse nervosa, eu sentia que estava ficando cada vez mais difícil respirar.
- Ele terminou pra ficar com você! Ele gosta de você! Ele quer ficar com você.
- James, eu estou namorando você, e já tem um tempo...
- Tempo. – James me interrompeu. – Eu acho que a gente precisa de um tempo.
- Tempo? Não sou relógio! Não vou dar tempo algum!
- Então a gente termina por aqui. – ele disse alterado.
- Eu me pergunto como aguentei isso! Você é inseguro, ciumento, possessivo e eu não suporto isso!
- Então pronto, ! Não precisa mais aguentar porque eu não aguento mais esses olhares, essas atitudes e tudo mais!
James disse isso e saiu do bar, deixando-me sozinha. Eu sentia vontade de chorar, mas nenhuma lágrima saiu. Eu olhava para frente, mas não enxergava nada. O som da festa que eu ouvia antes foi diminuindo até sumir. Estava me esforçando para respirar, mas o ar parecia não chegar até meus pulmões. Apoiei minha cabeça em minha mão, eu a sentia pesada, era como se eu estivesse correndo sem parar de tanto cansaço que sentia. Percebi que alguém havia se sentado onde James estava, forcei minha visão até conseguir identificar quem estava ali. Harry. Senti meu coração acelerar.
- , está tudo bem? – o ouvi perguntar, mas antes que pudesse pensar em uma resposta, a escuridão silenciosa tomou conta de todos meus sentidos.

Harry’s POV

Desde que tinha visto naquele salão, não conseguia tirar meus olhos dela. Estava simplesmente perfeita. O que não era perfeito era o namorado dela: James. Ele era meu amigo, mas de repente começou a se afastar e deixamos de nos falar. Depois do discurso, vi James arrastando para o bar e começar a discutir com ela. Minha vontade era de ir até lá e dizer umas verdades para James, mas minha noção de “não se intrometa”, não me permitia isso. No instante que ele se levantou e saiu do salão, resolvi ir até lá. Ela não me parecia nada bem.
- , está tudo bem? – perguntei, mas a resposta que veio foi caindo para trás, toda mole. – ! – eu apenas gritei e a peguei antes que caísse.
Com no colo, saí dali o mais rápido que pude, indo para uma sala mais reservada. Fechei a porta atrás de mim com o pé e a acomodei no sofá.
Sua respiração estava pesada, como se o ar não fosse suficiente. Ela trazia uma expressão de dor. Puxei uma poltrona e aproximei-me dela. Sua mão estava gelada, mas assim que a toquei, seus dedos se mexeram de forma que seguravam minha mão, como se quisessem ter certeza que eu não sairia dali. E eu não faria isso. Alguns minutos se passaram e nada de acordar, eu já estava ficando preocupado. Eu a vi passando mal algumas vezes no trabalho, mas ela sempre dizia que não era nada, que era a pressão do lançamento da marca e alguns projetos que Dave tinha lhe pedido — segundo o que ela disse ao Tom, porque a mim não dizia nada. Ela não tinha tempo para sentar e comer de verdade, então comia apenas o que fosse prático: como barras de cereais e algumas frutas. Mas isso não me convencia. tinha emagrecido mais ainda. Desde o episódio em sua casa estava abatida, mas não esta noite. Esta noite ela estava linda, meus olhos eram atraídos até ela como imãs. Mas agora toda sua beleza tinha sumido, ela estava pálida, gelada e respirava com dificuldade. Fechei os olhos e comecei a cantar coisas que vinham a minha cabeça, na verdade, era uma música que eu tinha feito com os caras, e que eu tinha me inspirado nela, em todo meu sentimento por ela.
- Onde... onde estou? – abri os olhos rapidamente e olhei para , que abria os olhos lentamente.

’s POV

Minha cabeça doía, meus olhos ardiam e meus pulmões pareciam estar em brasas. Tudo girava. Quando consegui focar minha visão, vi Harry olhando-me com um misto de alívio e preocupação.
- Harry? – perguntei confusa. – O que aconteceu e onde estou?
- Você desmaiou. Sua pressão deve ter caído, pois você ficou muito gelada.
Eu tentava assimilar as informações, Harry começou a dizer o que tinha acontecido até que seu telefone tocou. Não consegui entender muito bem o que ele dizia, mas parecia ser sobre mim. Tentei me sentar, mas minha primeira tentativa falhou. Deitei-me de novo e levei minha mão à cabeça.
- Era a , está preocupada, mas eu disse que cuidaria de você. – Harry disse, dando um sorriso meio sem jeito.
- Obrigada. Mas cadê o James? – foi então que me lembrei da briga e ele terminando nosso namoro. Harry deu de ombros. – Não importa, não temos mais nada. – baixei meu olhar e me concentrei em sentar e depois ficar em pé.
- Hey! Vamos com calma! Eu te ajudo. – Harry disse, amparando-me.
- Toc-toc! – a cabeça de Tom apareceu na porta. – Como está a nossa Bela Adormecida? – esbocei um sorriso. – Que linda, está sorrindo pra mim. – ele piscou.
- Parece que fui atropelada por um caminhão. Alguém anotou a placa? – brinquei, Harry e Tom riram.
- Vou te levar para casa.
- Não! – disse rapidamente. – James vai estar lá e não quero vê-lo tão cedo.
- Mas quem disse que iria te levar para sua casa? É para a minha. – disse Harry.
- Eu vou até sua casa e pego algumas roupas para você. – se prontificou Tom e ao passar por ele, junto com Harry, lhe beijei a bochecha.

Como dito, Harry me levou até a casa dele e Tom apareceu com uma mochila com minhas roupas e coisas pessoais.
- Obrigada, Harry. Você não precisava fazer tudo isso por mim. – disse enquanto me deitava em sua cama, depois que Tom foi embora.
- É o mínimo que devo fazer: tentar te ajudar depois que causei tanta coisa em sua vida. – percebi sinceridade e tristeza em suas palavras.
- Harry, - assim que ele me olhou, passei a mão pelo seu rosto, sentindo aquela barba mal feita que eu tanto adorava. – deita aqui comigo. – percebendo que ele dormiria no chão.
- , não acho que...
- Eu preciso de alguém por perto, estou assustada e preciso de alguém me abraçando. Por favor. – eu o olhava, esperando uma resposta, foi quando ele se deitou ao meu lado e me abraçou forte.
- Eu nunca deveria ter te deixado, nunca deveria ter feito aquilo. Era você, sempre foi você.
- Você não precisa me deixar ir agora. – disse, sussurrando em seu ouvido antes de ser vencida pelo sono. – E sempre foi e será você. – balbuciei, sem saber se ele entenderia.


Part XXVI

Eu não sei por quanto tempo eu dormi, mas ao despertar, não senti mais a presença de Harry perto de mim. Esfreguei meus olhos com os nós dos dedos e me sentei. Percebi que havia um enorme silêncio pelo quarto, que estava escuro devido às cortinas fechadas, apenas uma luz passava pelo vão de uma das portas e eu julguei que ali era o banheiro. Esforçando-me um pouco para ficar em pé, fui até onde Harry tinha deixado minhas coisas e peguei meus objetos para fazer minha higiene matinal. Abri a porta do banheiro lentamente e, naquele instante, prendi minha respiração. Harry tinha acabado de sair do banho e se secava. Involuntariamente, meus olhos percorreram todo o seu corpo, que estava de costas para mim, e minha boca se abriu, soltando um suspiro de desejo. Deus, como eu amava aquelas costas, como eu amava aquele corpo. Oh, God, como eu o amava! Meu suspiro deve ter saído mais alto do que eu imaginava, já que ele se virou, colocando a toalha abaixo da sua cintura.
- ?? – ele me olhava curioso.
- E... Eu... – droga, não conseguia formular uma frase que prestasse. – Desculpe. – finalmente consegui dizer e saí fechando a porta.
Voltei para a cama e senti meu corpo esquentar e, com certeza, minhas bochechas estavam vermelhas. Tudo bem que já o tinha visto nu, mas isso era quando estávamos juntos.
- , você está sentindo alguma coisa? – calor, ah, sim, e como estou sentindo calor.
- Harry, me desculpe. Não sabia que você estava lá. Eu acordei e quando vi que estava sozinha, achei que você tivesse saído. Estava silencioso então fui até o banheiro para tomar um banho, e aí... – ele começou a rir e eu o olhei sem entender.
- Está tudo bem. – ele sorriu. – Afinal, você não viu nada que não tinha visto antes. – senti minhas bochechas ficarem muito quentes e com certeza estava parecendo que eu havia comido pimenta malagueta. – Você fica linda envergonhada. E eu acho que já pode ir tomar banho. Só não tranque a porta, tenho medo que aconteça algo a você. – apenas assenti, e quando fechei a porta do banheiro, um sorriso estampava meu rosto.
estava certa, ele me amava.
Quando saí do banho, senti um cheiro de comida que vinha da cozinha. Escovei meu cabelo e o prendi num coque mal feito.

- Que cheiro bom. – disse ao entrar na cozinha. – Não sabia dos seus dotes culinários. – sorri.
- Espero que goste. – ele disse, colocando um prato com waffles e um copo de suco. – Se não gostar, posso fazer outra coisa.
- Não, está ótimo, de verdade. – sorri e comecei a comer.
No entanto, logo me arrependi de tê-lo feito. Não que os waffles não estivessem bons, estavam maravilhosos, mas meu estômago realmente não estava colaborando. Esforcei-me para terminar de comer, não queria que Harry achasse que eu estava achando ruim.
- E então, já posso casar? – ele riu e eu pensei “Só se for comigo”.
- Desde que eu seja convidada para o casamento. – pisquei.
Então o semblante do Harry tornou-se sério.
- Como você está se sentindo?
- Bem. – ele me olhava como se tentasse descobrir alguma mentira. – Sério, Harry, estou bem. – sorri, tentando tranquilizá-lo.
- Você estava linda ontem. Eu não conseguia deixar de te olhar. Parecia que você era como um imã para os meus olhos. – ele fechou os olhos e sorriu. – Mas aí ele apareceu ao seu lado e começou a discutir com você, minha vontade era de ir até lá e brigar com ele. Eu via como aquilo estava te deixando mal. Finalmente você tira sua máscara, mostra seus sentimentos e aquele idiota te trata daquele jeito. Eu deveria ter ido lá e dado uma surra dele. – o vi fechar os punhos, bem nervoso. – E então, quando ele foi embora, te deixando lá, sozinha, com aquela expressão de dor, resolvi me aproximar. Na verdade, meus pés criaram vida própria e quando dei por mim, estava ao seu lado, mas quando vi você perdendo a cor e os sentidos, entrei em pânico. Não consegui raciocinar direito e tudo o que fiz foi te pegar no colo e te tirar daquele salão.
- Obrigada. – toquei sua face e peguei suas mãos, entrelaçando nossos dedos e depositando vários beijos nelas. – Obrigada por ter me tirado de lá, por ter cuidado de mim...
- , - ele abriu os olhos e quando nossos olhares se encontraram, eu senti como se um choque percorresse meu corpo todo. – por que isso está parecendo uma despedida? Ontem você disse que não eu precisava deixar você ir, e eu não quero que você vá. Eu não quero que você saia da minha vida nunca mais.
Senti seus lábios pressionando os meus e a sua língua pedindo permissão. Lentamente entreabri meus lábios e, finalmente, depois de tanto tempo, senti o gosto do seu beijo. Aquele gosto que eu tanto amava. Pousei minhas mãos em seu rosto e ele aprofundou o beijo no mesmo instante que uma mão apertava minha cintura e a outra afundava em meus cabelos, que já tinham se desfeito do coque. Percebi meus cílios molhados, eu estava chorando, não sabia bem ao certo o porquê, mas eu sentia vontade de chorar. Harry separou nossos lábios ao sentir suas bochechas também molhadas pelas minhas lágrimas.
- Amor, por que você está chorando? – ok, agora, sim, eu senti mais vontade de chorar. Amor. Era tão bom ouvir tal palavra ao som da voz dele.
- Eu não sei. – disse num misto de choro e sorriso. – Devo estar parecendo uma tola. – sequei as lágrimas.
- Nunca te vi chorar. E só quero ver se for de alegria. – deu-me um selinho.
- Eu acho que agora é. – sorri.
- , eu sei que você terminou com o James há menos de 24 horas, mas o que você acha de tentarmos de novo? Sem mentiras, sem mágoas, só coisas boas, apenas você e eu? Harry me olhava esperançoso e eu apenas sorri antes de pular em cima dele, fazendo-o cair da cadeira.
- Ok, vou considerar isso um “sim”. – ele riu.
- Hum... Harry? – seus olhos voltaram-se para mim. – Eu vou precisar voltar para minha casa.
- Não vou te deixar ficar perto dele. – apertou-me mais forte, como se quisesse deixar claro que não permitiria que eu fosse.
- Minha casa é aquela, minhas coisas estão lá.
- Você poderia morar comigo. – disse simples.
- Amor... – seus olhos brilharam quando pronunciei tal palavra. – minhas coisas estão lá, não posso trazê-las para cá. Não caberia! Sua casa tem tanta coisa já. Além do mais, tem o Peter. Ou você achou que ele nunca mais voltaria de viagem? – ri. – Mas... você poderia ir morar comigo. Minha casa é maior que a sua, caberiam suas coisas. E me sinto sozinha lá. – fiz bico.
- Isso... – deu-me um selinho. – É golpe baixo.
- Mas você vai? – continuei olhando para ele com aquela cara do gatinho do Shrek.
- Vou. Mas até arrumarmos tudo, você fica aqui. – autoritário.
- Tá bom, mandão. – mostrei-lhe a língua e então ele me beijou de novo.


Part XXVII

Já fazia uma semana que eu estava na casa de Harry e as coisas não poderiam estar melhores entre nós. Aliás, parecia que estava melhor para todos. e Dougie estavam namorando firme e forte, estavam muito felizes. Danny estava brigado com Georgia desde antes do lançamento da Devine’s e estava sempre com à tira colo — não dou mais um mês para eles assumirem que estão juntos e então a Georgia-voz-de-gralha será carta fora do baralho. Já o Tom... Bem, o Tom estava, aparentemente, decidido.
- ? - disse enquanto entrava na minha sala na Super Records.
- Hey, baby! – sorri ao vê-lo. – A que devo a honra da sua visita? – sentei-me no sofá juntamente com ele.
- Eu conversei com a Giovanna ontem. Eu disse que não estava certo sobre o nosso futuro, que não sabia exatamente o que queria.
- E o que ela disse?
- Ela disse que achava ser coisa da cabeça dela, mas que ela percebeu que tem certo tempo que estamos distantes, não estamos mais como antes. Pareceu bem compreensiva. Enfim, não estamos mais juntos.
- E a pessoa mais interessada nisso já sabe? – eu sorria, imaginando a reação da .
- Vou contar a ela essa semana ainda. – sorriu meio sem jeito.
- Torço muito por vocês! Espero que deem certo. – disse sincera.
- Eu também. – ele suspirou, pensativo.
- Você sabe que pode contar sempre comigo, mas se fizer a sofrer, eu acabo com você! – fiz uma cara de psicótica e ele riu.
- , você está bem?
Eu estava em pé, estava indo para minha mesa quando senti Tom me chamar e logo em seguida me segurar antes que eu caísse. Escuro. Escuro e silêncio.
Tive que piscar várias até que minha visão se focasse.
- Hey.
- Hey. – disse forçando um sorriso para Harry.
- Como está, ? – Tom me olhava preocupado.
- Minha cabeça dói. – levei a mão até ela.
- Você nos assustou, amor. – mais uma vez não pude deixar de sorrir ao ouvir Harry me chamar daquele jeito.
- Desculpe. – disse num sussurro.
- Quando foi a última vez que você comeu? – Tom queria saber.
- Ontem à noite, e porque ainda a obriguei. – agradeço a nota Harry. – E nem adianta fazer essa cara porque é verdade. – disse após ver minha careta.
- Certo, então, Harry, vá pegar suas coisas que vamos levar a para comer. – Tom parecia autoritário.
Assim que Harry saiu, depois de me ajudar a sentar, Tom veio conversar comigo:
- , você tem que ir ao médico.
- Tom, foi apenas porque eu fiquei sem comer.
- Sim, e semana passada foi por causa da pressão do lançamento e do trabalho; e na outra semana uma gripe. Qual é, ! Isso está se tornando rotina, assim como seus supostos motivos para isso acontecer. E se eu não conseguir te convencer a ir, talvez a e o Harry consigam.
- NÃO! Não quero o Harry envolvido nisso. Não quero que ele saiba.
- Então você tem medo do que possa ser isso. – aquilo não era uma pergunta, era uma afirmação. E ele estava certo, eu tinha medo do que poderia ser.
- Só não quero deixá-lo preocupado, mais preocupado, com o que quer que sejam esses desmaios. – e de fato não queria mesmo. Harry já tinha suas preocupações com o lançamento do CD e tudo mais.
- Você não estaria, hum, grávida, estaria? – percebi o receio ao perguntar, pois se estivesse, o filho seria de James.
- Não, Tom. Eu acabei de ficar menstruada, se isso te alivia. – ri da cara envergonhada dele.
- Hey, já está rindo! – olhei para a porta e vi Harry me esperando.
- Viu? Já estou melhor. – sorri, indo até ele e lhe dando um selinho.
- Mas isso não te livra de ir comer com os caras mais quentes de Londres. – Tom fez uma pose de Superman.
- Certo, e onde eles estão? – eu comecei a rir mais alto com a cara de indignação deles.
Harry então veio ao meu lado e, com a mão embaixo na minha axila, segurou-me, e logo Tom veio e fez a mesma coisa. Conclusão: saí carregada da minha própria sala pelo meu namorado e pelo meu melhor amigo. É ou não é fim de carreira?


Continua…



N/A: Hey meninas! Como estão?! Espero que bem.
Vamos aos pedidos e comunicados. Pedidos: COMENTEM! Chega a ser frustrante chegar aqui e ver que não tem comentários novos.
Escrevam nem que seja para dizer: está uma droga! Ah, mas eu agradeço aquelas que comentam :D Me gusta!
Comunicados: Faltam mais ou menos 10 capítulos para o final da fic.
Pois é, pois é... Ela vai terminar. Uma hora tem que terminar não é?!rs
Então é isso, espero que gostem e comentem!
Xx, Pixie.





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