Something to be Remembered
Escrita por Babi Pires
Betada por Fê (a partir do capítulo 6)
- Capítulo 1
Say It Right de Nelly Furtado tocava ao fundo. Esse era o sinal que eu tinha que acordar, o maldito sinal. Levantei-me e fui tomar banho. Vesti-me e comi qualquer coisa que encontrei na mesa de café da manhã, sabia que estava atrasada. Escovei os dentes e fui para o jardim. Fernanda já me esperava.
- Bom dia, fofa. Está ofegante, correu hoje? – perguntou entre risos.
- Bom dia, gente. Ah, corri um pouquinho sim. – ri junto com ela e seu pai.
Olhei para e ela me lançou aquele olhar “estou ansiosa para contar uma coisa”. Ficamos em silêncio até chegarmos na escola, eu remoendo minha curiosidade. Logo que saímos do carro bombardeei minha amiga de perguntas, ela disse que contaria assim que encontrássemos nossos amigos. Eles estavam sentados na escadaria que levava ao pátio escolar. Lá estavam , e .
- Olá, meninos. – dissemos eu e em coro, eles nos cumprimentaram.
- Então , conte-nos tudo! – pediu . Provavelmente já havia lhe anunciado o que queria contar.
- Ok. Esse fim de semana eu tive um encontro.
- Com quem? – pergutamos eu e em coro. Ela estava radiante e os meninos não demonstravam interesse por nosso assunto.
- Sexta a tarde eu fui na sorveteria perto da minha casa, sabem? Sozinha mesmo, me deu um desejo de sorvete de morango e eu fui. Peter estava lá sozinho, tomando sorvete também. Ele me chamou para sentarmos juntos e ficamos conversando. Quando tive que ir embora, ele me chamou para irmos ao cinema sábado.
- Peter, aquele gato musculoso do futebol e do último ano? – perguntou , chocada. Eu estava igual.
- Esse mesmo, cuidado para não destroncar os queixos - disse ela, fingindo levantar nossos queixos - Foi incrível, ele é gentil e muito legal. Acho que ele é o cara, garotas.
- Acho que já ouvi isso antes... – riu de meu comentário.
- Mas eu estou falando sério agora! Ele me ligou no domingo e ficamos muito tempo conversando. Acho que ele gostou de mim.
- A pergunta é: vocês ficaram? – perguntou . Eu e reviramos os olhos.
- Qual é, . e Peter, sozinhos, no cinema... O que você acha que aconteceu? – rimos juntas.
- Ok, a real pergunta é: ele beija bem? – perguntei.
- Não, não, não, chega! Fala sério, a gente não precisa ouvir isso. – disse , com cara de nojo.
Mudamos o assunto, mas antes disso olhou para nós e fez “10” com as mãos. Rimos muito.
- Mas e você , saiu com o Justin? – perguntou .
- Sábado jantei na casa dele com seus pais e domingo ele me levou para jantar num restaurante italiano.
- Uau, a coisa está ficando séria mesmo, hein? – disse , com uma voz irônica e desinteressada.
- Está sim, algum problema, ?
- Eu não gosto dele e não sei como você namora um cara assim. – ela disse, apontando pra ele. Justin estava com os amigos deles, rindo bestamente, feito macacos grandes e bobões.
- Ele é um pouco criança, mas é doce e muito gato. Ele gosta de mim, eu gosto dele e estamos bem. Eu não entendo a implicância de vocês com ele.
- Ele é um idiota, isso sim. – disse , abanando o ar, como se fosse um assunto resolvido.
- Não vou discutir isso com vocês, ele é meu namorando e não de vocês. Então, eu e só eu devo gostar dele.
- Dele quem? – disse Justin, se agachando ao meu lado.
- Você, bobinho. – respondi, sorrindo.
- Bom mesmo, se não eu quebraria a cara dele se fosse outra pessoa.
- Uau, quanto respeito. – disse , irônicamente. Lancei-lhe um olhar fuzilante. – Estamos indo, antes que eu vomite. – todos foram embora. Eu fiquei ali conversando com Justin. Logo tocou o sinal e cada um entrou para sua sala. , Justin, e não eram da minha sala. Quando entrei para minha sala, já estava sentada com uma outra amiga nossa, a Lindsay. Cumprimentei-a e sentei-me ao lado de , meu melhor amigo.
- Oi ! – e o abracei.
- Oi . – ele respondeu, rindo e me abraçando também.
- Eu te vi atravessando o gramado e posso jurar que vi que você me viu.
- É, eu te vi... Com o Justin.
- Por que não foi me cumprimentar?
- Já não respondi? Você estava com o Justin.
- AH, vocês ainda não acabaram com essa implicação boba?
- Não tem implicação. Eu não gosto dele e ele não gosta de mim, pronto.
- E não tem motivo.
- Eu tenho, ele é um idiota.
- Você diz isso porque não o conhece direito.
- Olha, eu...
- Você vai acabar com esse discurso que eu já sei de cor. – falei, colocando o indicador nos lábios dele. – Agora, pegue seus materiais que a professora já entrou.
- Como foi de aula? – perguntou , abraçando eu e o pelo pescoço.
- Uma chatice! Vocês não acham que a sra Figg já não deveria se aposentar? – perguntou .
- Hahaha, concordo totalmente! Está muito gagá, quase não da pra entender o que ela fala! – concordei.
- Hahaha, verdade. Mais gagueja do que fala. – disse , se dobrando de rir.
- Eu ouvi isso. – disse sra Figg, passando por nós em direção da sala dos professores, ai rolamos de rir. Fomos para a lanchonete, pegamos nossos lanches, nos sentamos numa mesa e ficamos lá falando mal dos professores.
- E a sra. Papoula? Parece um repolho ambulante! – dizia , imitando a sra Papoula, professora de biologia.
- Quem é um repolho ambulante? – perguntou Lindsay, vindo rebolante em nossa direção.
- Você, Lindsay. Rebolando desse jeito... Cuidado pra não quebrar o quadril! – disse , mordendo os lábios para não rir.
- Pelo menos eu não ando igual um macho, não é? – comentou Lindsay, sentando na nossa mesa, com uma maçã na mão.
- Nem eu ando. – respondeu , com um tom ofendido.
- Uhum. Ei , o que achou da aula hoje? – perguntou Lindsay, se apoiando sobre o ombro dele. Sei que ela é minha amiga, mas ela é um tanto quanto oferecida.
- Foi interessante. – falou , empurrando os braços dela. Bem feito, sua vadia! Er, cofcof.
- Oi, minha gata. – disse Justin ao meu ouvido, envolvendo minha cintura. Vi e fazendo sinais de vômitos e se segurando para não gargalhar.
- Oi, amor. – respondi, envolvendo seu pescoço. Agora batia em sua própria barriga, botava a língua para fora e enfiava o punho dentro da boca para não rir.
- Oi Justin. – disse Lindsay, dando um sorrisinho torto para ele.
- Olá Lindsay. – respondeu ele, com o mesmo sorriso. Isso me deixou bastante irritada, então soltei seu pescoço. – Vocês duas não querem ir lá com os garotos? – pergutou Justin, se referindo a mim e Lindsay. Não sei se comentei, ela era popular igual Justin e líder de torcida.
- Eu vou! – respondeu a mesma, dando um pulo da mesa.
- Eu vou ficar aqui. – falei, me sentando a lado de . Justin lançou um olhar fuzilante a ele e este começou a acariciar meu ombro.
- Não, você vem comigo. – respondeu meu namorado, puxando minha mão.
- Ah, me solte, Justin! Eu quero ficar, seus amigos são uns idiotas. – falei, voltando a me sentar.
- Seu amigo não é muito diferente. – ele disse, ainda olhando feio para , que sustentou o olhar.
- Tanto faz, mas parece que ela prefere esse idiota aqui. – respondeu , com um sorriso triunfante.
- OLHA AQUI, SEU FILHO D...
- CHEGA VOCÊS DOIS! – gritei, interrompendo Justin. – Justin, vá embora!
- Não, vou ficar com você.
- Eu não quero que fique aqui comigo. – ele me lançou um olhar incrédulo. – Vá logo!
- Vamos, Justin. Deixa eles. – disse Lindsay, empurrando ele pelo ombro e se foram com os populares. e sentaram-se conosco e ficamos ali conversando até dar o sinal. Cada um foi para sua sala, assistimos aulas e tocou o sinal do fim do colégio.
- Ei, vocês ficaram sabendo da festa que terá na Diesel quarta? – perguntou .
- No meio de semana? – perguntou , meio incrédula.
- Quinta é feriado, baby. – disse .
- É mesmo, estou nessa. – disse , que nunca perde uma festa.
- Eu também. – respondeu .
- Eu vou, mas posso levar Justin? – perguntei.
- Aff , pensei que seria uma balada só com os amigos. – disse .
- É uma boa oportunidade para vocês conhecerem ele melhor.
- Eu não quero ter nenhum tipo de relação com ele. – disse , como se estivesse falando de um inseto nojento.
- Tem certeza que quer levar ele? – perguntou meio seco.
- Quero. – falei decidida.
- Ta né, meu pai chegou. Você vai me ajudar hoje com física, ? – perguntou .
- Vou sim.
- Você vem com a gente, ?
- Não, falei que iria embora com o .
- Ok, beijos. – e as duas foram embora. juntou-se a nós.
- Eu também já vou, até amanhã, dudes. – se foi. Ficamos eu, e .
- Vocês estão chateados de eu querer levar o Justin? – perguntei a eles.
- Não “chateados”, mas não tem nada a ver o seu namorado no meio de nós. – disse .
- Porque não?
- Porque, caso você não tenha percebido, ninguém de nós gosta dele, só você. – respondeu .
- Bom, a Lindsay gosta.
- A Lindsay gosta de todo mundo que é popular. E acho que você não percebeu também, só você e a gostam dela. Realmente não sei o que vocês vêem nela, até a já me disse que acha ela uma ridícula. Lindsay não tem nada a ver com vocês. – comentou .
- Ela é um pouco vulgar e boba, mas é uma boa pessoa. E estamos juntas a tanto tempo...
- Você tem que ver bondade até num psicopata estuprador, ? – perguntou .
- Todos tem um pouco de bondade, caso não saiba. – disse brava e seca.
- Ok, vamos parar com essa discussão. , vamos andando?
- Não, pode ir. – eu queria a companhia de , mas tinha ficado muito irritada.
- Ah, para com esse cu doce. Eu sei que você quer minha companhia, só não admite porque está irritada. – Como ele me conhece tão bem? Isso me irrita ainda mais. – Por favor? – e fez aquele biquinho que ele sabe que eu não resisto. Merda de amizade de longa data.
- Tchau, . – e sai andando. Ele venceu, ele sabia e senti-o sorrindo atrás de mim.
Eles se despediram e me alcançou. No começo ficamos em silêncio por causa de minha teimosia, mas logo fomos conversando e brincando durante o caminho. me deixou em casa e foi para a sua.
- Capítulo 2
- E aí gatas, comprei nossos ingressos. – chegou , mostrando três ingressos pretos com escritos verde fosforescente.
- Então, é oficial que vamos. Uhul! – gritou .
- Menos, . Quase nada. Aliás... Nada. – Eu disse.
- Aff, não gosto quando você diz isso. – Ela disse emburrando.
- Oi, amores. Vocês vão a festa amanhã? – Chegou Lindsay.
- Hm, lógico? – disse divertida.
- Que tal irmos às compras depois da escola? – perguntou Lindsay.
- Já combinamos de trocarmos roupas na casa da , mas obrigada pelo convite. – disse, dispensando ela.
- Ah, legal. Eu lembro que eu fazia isso... Na 7ª série. Eu vou procurar outra companhia, até. – e foi andando, er... rebolando.
- Eu juro que um dia vou meter um tiro nela. – disse , visivelmente irritada.
- Eu ajudo. – disse , todos riram.
- Como vocês são maus! – eu disse.
- Mesmo que não seja para comprar, vamos ao shopping hoje? Quero dar uma passeada, e vai que encontramos algo legal? Hahaha. – sugeriu .
- E vai que encontramos algo que sirva em todas nós? Igual no “Quatro amigas e um jeans viajante”, e quando formos pra faculdade, nos correspondemos por ele e...
- Sem viagens, ! Hahaha, eu topo de irmos ao shopping. – eu disse, concordou.
- Olha aquela bota preta, que perfeita! – disse , admirando a centésima vitrine do dia.
- Olha aquele gato de preto, que perfeito! – disse , admirando o centésimo garoto no dia.
- , sua safada. O Peter não era o cara? – disse zoando a amiga.
- E só porque eu encontrei o meu cara não posso admirar as belezas da cidade? – perguntou , indignada.
- Hahaha, a vontade. Vamos entrar, por favor? Essa bota está me chamando. – disse , já entrando na loja.
Ficamos lá por um tempo, compramos algumas coisas e fomos comprar milkshakes.
- Ei , não é o Justin ali? – disse , apontando para o meio da praça de alimentação.
- É, é sim. – Me senti estranha. Ele não me disse que estaria no shopping, poderia ter me avisado, não?
- Er, acho que devemos ir embora. Lindsay está com eles e acho que ela ficaria chateada se nos visse aqui. – disse , percebendo a tensão que se passou por mim.
- É, concordo, vamos embora. – disse , e fomos.
Chegando em casa, fiquei pensando no acontecido. Acho que não tem motivo de eu ficar brava com Justin, ele tem o direito de ir onde quiser, é claro. Mas um namorado não deveria avisar esse tipo de coisa? Liguei para ele.
- Alô?
- Oi Justin!
- Oi minha gata.
- Ei, você ficou sabendo da festa de amanhã na Diesel?
- Claro, faz tempo.
- Bom, você vai?
- Lógico que vou.
- Que bom. Que tal irmos juntos?
- Ah, eu já combinei com os meus amigos, mas a gente pode se encontrar lá.
- Ta bom, então.
- É certeza que você vai?
- É sim, já comprei o ingresso.
- Então tá. Deixa eu ir agora, estou treinando.
- Treinando?
- Sim, sabe... Treino de última hora.
- Entendo. Bom, até amanhã.
- Até, tchau. - e ele desligou.
Estranho, por que ele mentiria para mim? Eu não ficaria brava se ele dissesse que estava no shopping com os amigos. Tem algo errado.
- Oi gatas, eu trouxe muita coisa. – disse , chegando na casa de , estávamos nós três lá.
- Bom mesmo, aumenta nossas opções. – eu disse.
- , já que estamos todas aqui, conte-nos o que aconteceu. – disse .
- O que aconteceu?
- Vou dizer. Ontem, assim que cheguei em casa do shopping, fui tomar banho, fiquei de boa e pá, mas não parei de pensar no negócio do Justin. Não acho errado ele não ter me contado que ia sair, mas ele podia ter avisado, sei lá. Tudo bem, isso é meio neura minha, eu também saí sem falar nada... Ah, mas resolvi ligar pra ele. Ele vai na Diesel hoje, mas com os amigos e disse que estava no treino.
- Mas ele não estava no shopping? – perguntou , eu e rolamos os olhos. Isso acontece frequentemente.
- Sim, . Ele mentiu para mim e acho que tem alguma coisa muito estranha nisso.
- E tem mesmo, amiga. Fica esperta hoje na festa.
- Eu sei. Não vou ficar grudada nele, mas vou ficar de olho.
- Bem, vamos nos arrumar? Nenhuma tomou banho ainda, melhor começarmos. – disse , querendo me distrair.
- É, vamos lá!
Depois de um tempo, já estávamos todas procurando uma roupa.
- O que vocês acham desse vestidinho? – perguntou , mostrando um vestido preto de couro e mangas longas, justo e com brilho.
- Hm, eu gostei desse. Fica bom com aquela botinha ali que eu trouxe. – eu falei, apontando para uma botinha de couro.
- Fica mesmo! Acho que vou assim. – falou , pegando a botinha e entrando no banheiro.
- Eu não sei como vou! Mas eu quero usar meu scarpin preto novo.
- Neste caso, vê esse vestido aqui que eu trouxe. – joguei para um vestido preto aberto nas costas, com mangas caídas e justo da cintura para baixo.
- AH, AMEI! E o cabelo? Acho que vou passar uma chapinha.
- Se quiser eu ajudo! – gritou .
- Ok, mas pode terminar de se arrumar primeiro. Já sabe como vai, ?
- Acho que vou com a calça cintura alta da , sua camisa branca e minha sandália vermelha.
- A de babados?
- Sim. – falei, penteando os cabelos.
- Uh, estou sentindo que esta festa vai bombar. – disse , toda empolgada.
- Eu também. Vou dançar muuuuuuuito!
- Somos duas.
- TRÊS! – gritou , do banheiro. Ficamos prontas, ajudamos com os cabelos umas das outras e, modéstia à parte, estávamos muito gatas. Tomamos uma vitamina, escovamos os dentes e esperamos os meninos chegarem. Assim que chegaram com o carro do , fomos para a Diesel.
Não deu outra, a Diesel estava lotada. Ficamos mais ou menos duas horas para entrar. Lá dentro tinha muita gente, mas tinham vários ambientes, abertos e fechados, então não estava abafado. Em cada ambiente tinha um bar com todos os tipos de bebida, tocando apenas música eletrônica. Eu e meus amigos entramos em um ambiente totalmente louco e colorido, com sofás enormes espalhados e uma pista lotada. Sentamos num sofá com uma mesinha de centro. Ora íamos dançar, ora sentávamos e bebíamos pra caramba. Na pista, de meia em meia hora, jorrava uns esguichos d’água do teto, o que era muito refrescante e já estávamos todos loucos. Duas horas depois de chegarmos, resolvi sair a procura do Justin.
- Gente, eu vou procurar o Justin, alguém quer ir comigo? – pensei que não teria voluntários, já que se enroscava com , com Peter, que encontramos pelo caminho, com qualquer garota que ele curtiu e Lindsay tentava alguma coisa com , que não dava nem bola para a garota, essa vaca.
- Hm, eu... Peraí, ! Eu vou. – se voluntariou, se desenroscando de .
- , vamos buscar mais bebidas? – pediu Lindsay, vendo que não conseguiria nada.
- Sério? – perguntou , visivelmente chateada por ter que deixar Peter.
- Sério, vem. – e puxou pela mão. Eu fui com a a procura de Justin.
- Vamos para o ambiente zen, não fomos lá ainda.
Passamos por um ambiente qualquer, que na verdade estava muito bom, então ficamos lá por um tempo. Pegamos mais bebida, dançamos, uns caras estranhos chegaram em nós, então resolvemos continuar a procura. Entramos no ambiente zen, que era fechado e escuro, exceto pelos neons verdes e vermelhos que tinha por todos os lados, era incrível.
- Vamos sentar para terminar essas bebidas. – sugeriu , e sentamos em puffs fosforescentes que tinha por toda a pista.
- E então, como assim você e o ?
- Hahaha, fala sério, ele é um gato! E ele se mostrou interessado hoje, então rolou. E você, hem?
- O que tem eu?
- Você não percebeu? tentou se aproximar de você o tempo todo, enquanto Lindsay tentava desviar toda a atenção dele.
- Tá doida? Somos melhores amigos, qual é.
- Só sei que ele não tirou os olhos de você desde que chegamos.
- Ah, é coisa da sua cabeça, . Vem, vamos pegar mais bebidas ali no bar. – e fomos no bar do espaço zen, que era todo de neon. Pegamos uns coquetéis com gelo seco, avistamos um sofá verde e espaçoso e fomos até lá.
- O que foi, ? Por que parou? Vamos logo até... – e parou também, ela viu o que eu estava vendo. Justin estava no canto do sofá, atracado com Stacey, uma das cheerios, e engolindo sua cabeça. – , respira, seja forte.
- Eu... não... estou... acreditando...
- , por favor, não faça nenhum escândalo, vamos embora. – dizia , tentando me puxar para longe, mas eu estava pregada no chão.
- É... ele... mesmo?
- Hm, é. , vamos embora.
- Não, eu vou até lá.
- Não, , por favor, é muito drama. – mas eu não a ouvi. Já tinha me desvencilhado de suas mãos e já estava caminhando em sua direção. Não era mais eu que comandava minhas pernas... Nem meus atos.
- Olá Justin. – eu o olhava com desprezo nos olhos, mas sorria maliciosamente.
- Que é? Não está vendo que estou aqui com... ! – ele empurrou a menina para longe, que caiu no chão.
- Surpresa, amor!
- Podemos conversar, docinho? – ele falava, torcendo a barra da camiseta dele, nervoso.
- Estou ansiosa para te ouvir. – eu dizia tranquilamente, mas o olhar fuzilante. Eu sabia que isso estava deixando ele mais nervoso.
- Senta aqui do meu lado.
- Prefiro ficar em pé.
- Não, vem aqui. – ele fez menção de pegar na minha mão.
- NÃO ME TOCA! – gritei, e acho que bem alto, porque metade da sala zen nos olhava.
- Não é nada o que você está pensando!
- Como sabe o que estou pensando? – perguntei, me fazendo de ingênua.
- Não é o que você viu!
- Não? Então o que eu vi foi um ilusionismo? – perguntei, dando uma risada seca.
- É que ela que veio pra cima de mim!
- Oh, mas que mentira! Ele que insistiu pra eu ficar com AAAAAAAAAAAAAH! – eu meti um soco no nariz dela. E garanto que doeu, eu já fiz aula de defesa pessoal. A garota caiu no chão, feito um frango manco, gemendo e com o nariz sangrando.
- Ninguém dirigiu a palavra para você, sua vadia! – eu disse, olhando para ela com nojo.
- , se controla! – disse , trêmula, ao meu ouvido.
- , não se mete. O que você dizia, Justin? – me virei para ele, com um sorriso, que acho que foi medonho.
- Que isso que você viu não significou nada! Eu gosto é de você, quero só voc... – ele fez menção de pegar nas minhas mãos de novo.
- EU JÁ DISSE QUE NÃO É PRA ME TOCAR, SEU VERME!
- , por favor. – ele quase chorava, idiota. – Pare de gritar. Sente-se, vamos conversar direito e controladamente.
- EU ESTOU CONTROLADA! – eu gritava com todos os pulmões.
- VOCÊ TÁ BERRANDO!
- NÃO SE ATREVA A GRITAR COMIGO, SEU IDIOTA!
- SE VOCÊ ESTÁ GRITANDO, EU PO... OUCH! – eu meti um tapa na cara dele. E garanto de novo que doeu.
- NÃO LEVANTE SUA VOZ PARA MIM, SEU DESGRAÇADO! NÃO VAI ADIANTAR ME ENROLAR, PORQUE EU VI QUE VOCÊ ESTAVA QUASE ENGOLINDO A STACEY. E NÃO ADIANTA DAR DESCULPAS COMO “FOI ELA QUE ME AGARROU” PORQUE NÃO É ISSO QUE IMPORTA! VOCÊ TEM FORÇA SUFICIENTE PARA EMPURRAR ELA. VOCÊ SÓ NÃO TEVE FORÇA, PORQUE É UM FRACO FILHO DA PUTA! – nessa hora, toda a festa já devia estar voltada para nós. – SE ALGUM DIA NESSA VIDA VOCÊ DIRIGIR A PALAVRA A MIM, EU JURO QUE EU VOU FAZER VOCÊ NUNCA TER DESEJADO TER NASCIDO. DEVE ESTAR BEM CLARO, MAS ESTÁ TUDO, TUDO TERMINADO. – e saí correndo dali, chorando, com , e Lindsay atrás de mim.
Fui correndo para a saída, vi me olhando. Ele correndo atrás de mim. Os quatro gritando meu nome. Tinha saído da boate, ainda não tinha parado de correr. Silêncio. Um coro desesperado me gritando. Parei e me virei.
- ! – , e gritavam desesperados. corria em minha direção. Eu estava na rua. Olhei para frente.
- !
- Capítulo 3
Pi... pi... pi... pi...
Acordei com esse barulho na minha cabeça. Esse barulho e zumbidos, muito altos, estavam me deixando enjoada. Tentei me lembrar de alguma coisa, tudo estava em branco. Tentei abrir os olhos, abri vagarosamente porque a luz era forte. Eu estava em um quarto todo em branco e terrivelmente organizado e limpo. Fios e aparelhos estavam ligados em mim. Estava em um hospital, com certeza. Duas pessoas estavam sentadas em duas poltronas que tinha do lado esquerdo da cama, perto da janela. Estavam de mãos dadas, aparentemente rezando.
- Hmm... – gemi para ver se eles notavam que eu estava acordada. Imediatamente eles se viraram para mim. Mexi um pouco os braços para dar mais um sinal.
- Oh meu Deus, ela acordou! Obrigada, muito obrigada, Deus! – disse a mulher, abraçando a outra pessoa. Não distinguia quem era, porque minha visão estava embaçada e as vozes estavam meio distantes, o zumbido não parara.
- , querida, consegue me ouvir? – perguntou a outra pessoa que, pela vez, deduzi ser um homem.
- Uhum. – resmunguei. Era meio difícil falar. Percebi que todo o meu corpo doía.
- Ah, graças a Deus. O que você está sentindo, filha? – perguntou a mulher. Minha visão ia desembaçando aos poucos.
- Este barulho está me irritando. – falei, referindo-me aos “pi pi”.
- Está sentindo dor? – perguntou ela, ignorando meu comentário. Ao desembaçar a visão, vi que eram os meus pais.
- Pelo corpo todo, principalmente a cabeça. – tentei levantar, mas doeu muito. – Ai!
- Não, não, querida. É melhor ficar deitada. – disse mamãe, acariciando minha mão.
- Eu vou chamar o médico. – disse papai, e foi chamar o médico após beijar delicadamente minha testa. Sorri com o ato, mas acho que foi mais uma careta, porque os músculos faciais doeram.
- Você nos passou um grande susto, menina! – disse mamãe, sorrindo fraca. Ela estava horrível, com os cabelos bagunçados e olheiras.
- Há quanto tempo estou aqui?
- Uma semana.
- UMA SEMANA! Cara, o que aconteceu?
- Como assim? Você não se lembra?
- Não. Você estava lá?
- Não, filha. Você estava com os seus amigos.
Tentei me lembrar de meus amigos, mas apenas veio a minha cabeça.
- Hm, ?
- , Lindsay, ... Lembra-se?
- Não. Não os conheço.
Os olhos de minha mãe encheram-se de lágrimas, colocou as mãos no rosto e pôs-se a chorar. Logo, o médico e meu pai chegaram.
- , este é o doutor Granger.
- Olá , é um prazer conhecê-la. – disse ele, sorrindo abertamente.
- Igualmente. – respondi, tentando sorrir. O prazer é todo meu, literalmente, porque UAU!, que médico grego.
- Vejamos... Está sentindo dores? – perguntou o dr Granger.
- Pelo corpo inteiro, principalmente a cabeça e o abdômen.
- Foram os locais das batidas. – comentou mamãe baixinho.
- O que aconteceu comigo, doutor? – perguntei. Não conseguia me lembrar de nada.
- Ela não se lembra, dr Granger. Nem do ocorrido e nem dos amigos, apenas a . – comentou mamãe entre soluços.
Dr Granger fez uma cara pensativa, sentou-se ao meu lado e passamos a conversar. Ele me fez perguntas meio óbvias, como o dia do meu aniversário, a data do Natal, aniversário dos meus pais. Perguntou quando conheci , como ela era, o dia do seu aniversário. Mamãe confirmou tudo. E então ele pediu ajuda para minha mãe, para ela perguntar acontecimentos e datas importantes para mim. Ela perguntou-me sobre meu cachorro, sobre meu namorado e meu melhor amigo . Após perguntas sobre essas três coisas, o medo passou pelas faces de meu pai, a preocupação no rosto do dr Granger e a compreensão por mim. Eu sabia o que acontecera, todos sabiam.
O dr Granger foi atrás de um neurologista e durante o dia todo eu passei por exames para confirmar o que todos já sabiam o que acontecera. Mas foi apenas pela manhã que a certeza chegou em nós: Amnésia. O doutor me explicou que não parecia ser nada sério, que por eu ter esquecido apenas de acontecimentos desse ano, a amnésia deve ser temporária. Disse também que quando eu voltasse a minha rotina, eu iria me lembrar das coisas aos poucos. Me passou os cuidados que eu deveria tomar, porque eu havia levado 7 pontos na cabeça e quebrado o meu pulso esquerdo. Teria alta na manhã seguinte, mas deveria ficar em repouso o resto da semana.
Voltei para casa no outro dia, com o meu quarto irritantemente limpo e organizado. Eu não gostava de muita limpeza e organização. Fiquei em minha cama lendo, usando o computador, assistindo tv ou ouvindo música. Após o almoço eu recebi visitas. Deram dois “toc toc” na porta e entraram. Duas meninas e um menino. Uma delas era e essa veio até mim e sentou-se ao meu lado, os outros dois continuaram perto da porta, olhando para mim apreensivos.
- Oi , você ta bem?
- Bom, já estive melhor, mas estou bem. – ela sorriu.
- Er, você lembra de mim? – ela perguntou, mordendo os lábios.
- Claro, . Suas encheções não são fáceis de esquecer. – e rimos.
- Ah, que saudade que eu estava de você! – e me abraçou.
- Olha , você deve estar mesmo, mas você não pode se jogar assim em cima de mim. – falei, me segurando para não gemer de dor.
- AH, DESCULPA! Desculpa mesmo, não vão acontecer de novo. – ela disse rindo. Os outros dois me olhavam.
- Oi galera ai de trás. – falei sorrindo, e eles se sentaram do outro lado da cama, do meu lado. – Desculpa não lembrar de vocês, a culpa não é minha... bom, na verdade é, seja lá o que eu tenha feito. Mas a intenção não era esquecer vocês, e sei que são especiais. Eu sinto. – falei, enquanto eles riam.
- Olha, é meio chato me referir a vocês no meu pensamento como “os outros”, então, qual o nome de vocês?
- Oi , eu sou a . – disse a morena, apertando minha mão.
- E ai , sou o . – disse o garoto loiro e, tenho que comentar, lindo, beijando minha bochecha.
- É um prazer reconhecê-los. – todos riram. – Posso chamar de ? – ela olhou-me com uma cara de “óbvio”.
- Lógico, né ? Pode parecer para você que acabamos de nos conhecer, mas para nós aqui, somos íntimas. – disse . Ela é legal.
- Gente, minha mãe disse que ia deixar com vocês para me explicar o que aconteceu, porque ela não sabia direito e disse que vocês estavam lá.
- Você não se lembra de nada? – perguntou .
- Não, apenas de uma luz, música e gritos.
- É, tinha tudo isso. – disse a , dando uma risadinha sem graça.
- E então?
- Estávamos em uma festa, . E, bom, você foi atropelada. – disse , meio constrangido, cortando muitas partes da história, eu percebi.
- Ah... mas o que aconteceu para eu ser atropelada? Eu não parei simplesmente no meio da rua e esperei um carro me acertar.
- Er, aconteceu que... – mas foi interrompida pela porta sendo escancarada e uma loura aguada correndo em minha direção.
- Ah , que saudade! Eu fiquei tãaaao preocupada! – e guinchou, com uma vez bem irritante.
- Ei, cuidado! Você não pode montar em cima de mim assim! Eu acabei de sair do hospital, sabia? – falei, irritada. Ela sentou civilizadamente ao meu lado. Um garoto gato e musculoso estava parado ao lado da porta, olhando para mim com uma cara indecifrável. e olhavam bravos para ele. Puxei a para pertinho de mim:
- Quem é essa louca? – perguntei sussurrando, referindo-me a loura.
- É a Lindsay, nossa amiga. – ela sussurrou em resposta.
- Tem certeza disso? – perguntei olhando-a. Ela não parecia o tipo de garota que eu andaria junto, muito vulgar.
- Não é muito minha não, é mais sua e da . – ela disse. Lindsay olhava curiosa para nós e o gato continuava a me olhar.
- O garoto é amigo também?
- Er, hm... não. – e se afastou. Fiquei curiosa. Chamei-o com a cabeça.
- Você está bem, amor? – perguntou Lindsay.
- Melhorando aos poucos. – sorri fraco. – Vocês podem se apresentar? Eu só lembro da , entendem.
- Eu sou a Lindsay.
- E eu o Justin.
- Mesmo não me lembrando de todos, é muitos bom estar com amigos neste momento. – e sorri para todos, e todos em troca, exceto Lindsay e Justin, que expressavam confusão.
- Amigos? Querida, Justin é o seu namorado! – disse Lindsay, entre risinhos. Justin sorriu sem graça. Olhei-o de cima a baixo. Ele não parecia o tipo de garoto que eu namoraria, tampouco.
- Isso é verdade? – perguntei olhando para , e . Os três concordaram.
Após isso veio uma tensão no ar, e estava carregada. Ficamos um tempo conversando. Os primeiros a ir embora foram Justin e Lindsay. Depois foram e . Pedi para ficar, ela passou a semana inteira junto de mim.
- , eu senti algo incompleto na história que você contou e senti uma coisa muito tensa quando Lindsay e Justin chegaram. E você vai me contar, e eu não estou pedindo. – falei, autoritária. Ela riu.
- Olha , só quero que você saiba antes de eu te contar que eu acredito que esse acontecimento na sua vida é uma oportunidade de você enxergar as coisas como elas realmente são, uma oportunidade de segundas chances.
- Hm, ok. Agora, conte. – eu não prestei muita atenção no que a disse, mas pensarei nisso depois.
- As coisas entre você e o Justin estavam meio sérias, mas vocês tiveram uma discussão e ele passou a agir meio estranho. Na mesma semana, teve uma festa na Diesel e todos nós fomos. Você ficou de encontrar o Justin lá. Depois de algumas horas, quando fomos procurá-los, pegamos ele ficando com outra. Nunca pensei que ele teria coragem de vir aqui, porque você acabou com ele totalmente, mandou ele nunca mais falar com você se não você faria ele nunca ter nascido. Para ser sincera, você deu um escândalo lá. Logo depois de acabar com ele, você saiu correndo chorando, não conseguimos pará-la. Você só parou para nos olhar quando estava no meio da rua. Na mesma hora, um bêbado estava dirigindo em alta velocidade, não conseguiu parar e te acertou.
Enquanto me contava a história daquela noite, flashes de tudo passou pela minha cabeça. Não tudo, mas algumas partes. Nós dançando, procurando Justin, eu socando uma menina e a cara assustada de Justin. E por fim, a luz branca, que era do carro.
- Uau. – só consegui pronunciar isso.
- É. – disse , concordando.
- Eu armei um barraco mesmo, hein? – disse rindo, para descontrair.
- Hahaha, você foi incrível, tirando que estava lotado. Você é o assunto na escola ainda.
- Estou vendo que será difícil aguentar esta escola semana que vem.
- Que nada, você terá a nós. – sorrimos.
Durante a semana, e me visitavam todos os dias. Traziam presentes e muitas novidades. Mesmo que eu não lembre muita coisa sobre eles, sabia que era com eles que eu queria estar, porque era ali que eu me sentia bem. Ao longo da semana, pensei muito na história do meu acidente e no que a me disse antes de contá-la. E entendi o que ela quis dizer. Se ela tivesse me contado sem dar o aviso antes, a primeira coisa que passaria na minha cabeça é manter a maior distância possível de Justin. Mas aquilo que ela disse de esse acidente ser a oportunidade de ver as coisas como elas são e dar segundas chances é realmente verdade. É como se eu não conhecesse Justin, e eu quero saber o que ele tem para me falar. Quero conhecê-lo com a minha mente de agora.
E pensando exatamente no que minha amiga disse, ela não quer que eu analise somente Justin, mas as outras pessoas que estão ao meu redor também. Segundas chances de conhecimento a todos.
- Capítulo 4
No fim de semana da minha semana de repouso em casa, meu primeiro fim de semana com minha nova mente – pode-se dizer assim -, sai de casa pela primeira vez. e vieram buscar eu e para irmos ao boliche. Minha mãe concordou com isso desde que eu não me esforçasse muito. Lá conheci mais gente: e . Fui recebida com muito carinho e abraços. Lindsay não estava lá, então percebi que as únicas que gostavam dela nesse grupo era eu e . Então anotei mentalmente que ela era uma pessoa para se analisar.
Foi muito divertido, parecia que não me divertia desse jeito a anos, como se todos os acontecimentos esquecidos por mim fossem substituídos por anos monótonos. Nos dividimos em dois grupos: meninos X meninas. E, é claro, as meninas ganharam. No boliche havia uma lanchonete, e, como prêmio, os meninos nos pagaram uma rodada de milkshake. Ficamos lá por muito tempo, comendo porcarias e rindo de qualquer besteira. Já passava da meia-noite quando cheguei em casa, meus pais reagiram bem.
Domingo foi a preparação para a volta às aulas. Estava me sentindo uma garota de primeiro ano no seu primeiro dia de colegial. Mas eu era do segundo ano e estávamos quase na metade do ano letivo e metade da escola ainda comentava o meu escândalo na Diesel. Então eu tinha motivos para me sentir nervosa. Nunca fui do tipo “o centro das atenções”, embora todos os meus namorados (todos=dois) tenham sido do grupo dos populares. Decidi fazer de conta que na escola só estava o meu grupo de amigos e ignorar todo o resto. Como sempre, pelo menos foi o que falaram para mim, veio me buscar segunda-feira para irmos juntas à escola.
Realmente, ao atravessar o campo frontal e o pátio interno, fui o centro das atenções. Todos que me notavam, viravam imediatamente para comentar com seus acompanhantes ou apanhavam seus celulares para trocar informações via torpedo. Odeio isso. Ok, médio. Me senti a própria Serena van der Woodsen depois de um escândalo nova iorquino. Mas a diferença é que Serena estaria apenas com uma ressaca após o escândalo, e não uma amnésia.
Mas não precisamos citar esses pequenos detalhes, quer dizer, o que é uma amnésia comparada a uma ressaca?
Antes de começar as aulas, preferi não ficar reparando as pessoas. Fiquei na minha e foco apenas nos meus amigos. Mas no intervalo, passei a observar a todos. me mostrou a garota que eu soquei, estava com um curativo no nariz ainda um pouco inchado. Ao me ver, Stacey atravessou imediatamente o pátio, com medo. Estou procurando não guardar ressentimentos de Justin, mas tenho direito de ter um certo desprezo por essa vadia. Qual é, eu peguei meu namorando engolindo a cabeça dela! Eu tenho esse direito, ok? Percebi também que Justin me evitava. Ai pensei se ele foi obrigado pela Lindsay a ir aquele dia na minha casa. Resolvi tomar algum partido em relação a Justin apenas no final da semana, se ele não viesse falar comigo. Passei a observar Lindsay todas as vezes que essa se juntava a nós. Todos me falaram que eu enxergava a bondade em todos, eu acredito nisso, mas todo dia me pergunto o que eu vi nessa menina, que não tem um pingo de bom senso e é vulgar mesmo na escola. E fica se atirando para cima de toda vez que está junto dele. Isso é o que mais me irrita. Não sei por que, mas acho que é porque eu guardo o sentimento de melhor amigo dentro de mim. Falando em , nessa semana de volta as aulas, ele substituiu . Passou a ir todos os dias na minha casa, conversávamos sobre tudo, brincávamos e muitas outras coisas mais, além de me ajudar a colocar em dia as matérias que eu perdi durante a semana e a estudar para o provão que eu perdi na semana do acidente. Semana que vem terão mais provas, e me ajudava com tudo. Ele ia embora de casa apenas no jantar e a cada dia que passava, eu achava-o mais incrível. O estranho é que a cada dia que passava, conversava mais com Lindsay.
Enfim, não apenas mostrou-se presente, mas , , e também. Apareciam lá em casa de vez em quando. Coisas novas aconteciam também, como estar junto de e ter terminado com Peter, o suposto “o cara” dela, o que me fazia sentir como se nada demais tivesse acontecido. ficou realmente triste com o término dos dois.
- Eu realmente acreditava que Peter era o cara. Agora que eu descobri que ele não é, não sei mais se essa coisa de “o cara certo” existe.
E, para surpresa de todos, não foi eu ou que mais a consolamos, mas o . Isso nos deixou desconfiadas. me disse que sempre sentiu um algo a mais nos sentimentos de por e eles combinavam.
Até quinta-feira Justin não tinha vindo falar comigo, então decidi conversar com ele. Para minha surpresa, no intervalo ele tomou partido.
- , podemos conversar?
- Claro. Volto já, gente. – e fomos andando até uma mesa vazia.
- Antes, por favor, não grite comigo.
- Haha, não vou gritar. – disse rindo, para descontrair um pouco a tensão que se argueu entre nós.
- Suas amigas já devem ter te contado o que aconteceu, certo?
- Sim, que estava lá me contou. E eu acredito inteiramente nela, sei que ela não distorceu a história, então qualquer detalhe diferente sobre o que ela me contou será mentira.
- Eu sei. Não vou falar sobre o que você viu. Mesmo que tenha sido escandaloso, o que você me disse lá é verdade, eu tenho força suficiente para ter afastado Stacey e sou fraco. Mas é que ela chegou chegando sabe? E ela é tão gata, e estava tão gostosa com aquele vestido curto... – e ele foi perdendo o rumo da conversa, fazendo uma cara abobalhada e pervertida. Estalei meus dedos na frente do rosto dele.
- Foco, querido! Poupe-me destes detalhes sórdidos.
- Ah, desculpe. Viu? É dessa fraqueza que eu to falando. E eu não resisti. E antes da festa nós tínhamos discutido, eu estava nervoso por você ter preferido aquele viadinho do ao invés de...
- Não xingue-o perto de mim. – falei ameaçadoramente.
- Ai, é disso que eu estou falando. Você vive grudada e rindo com ele, isso me irrita profundamente. Esse foi o motivo da nossa discussão! – ele disse irritado, eu apenas levantei minhas sobrancelhas. Ele respirou fundo.
- Mesmo que eu tenha feito aquilo, , eu gosto só de você. Eu me senti muito mal depois que você brigou comigo e pior ainda quando soube do acidente. Não te visitei ou conversei com você antes com medo da sua reação. Eu fiquei assustado de verdade na festa, cara.
- Eu acredito em você.
- Então, quer dizer que estamos bem? Quer dizer, somos namorados?
Por mais que eu ache que você é um idiota...
- É isso ai. – nos levantamos e nos abraçamos. Ele queria me beijar, mas achei melhor não, não ali na frente de todos, sendo que metade de todos olhavam para nós dois.
- Vamos ali com os garotos? Lindsay está lá.
Olhei para meus amigos, eles riam felizes. Por mais que eu queira estar lá...
- Claro, vamos. – ele pareceu surpreso, mas pegou minha mão e fomos até lá.
- Galera, ouçam! Eu e estamos juntos! – e as cheerios bateram palminhas e os garotos, que mais pareciam armários, deram urros.
- Estou tão feliz por vocês! – disse Lindsay num guincho. – Vou lá conversar com . – e saiu rebolando, quase quebrando os quadris, como ela consegue? Mas ela ter ido lá com o ... aquilo me irritou. Eu estava com ciúmes? Bom, ciúmes de melhores amigos, né? Quem não tem?
Quando terminou o intervalo, dei graças a Deus por não ser da mesma sala daqueles caras. Cada minuto passado lá foi uma tortura. Todos os rapazes são gatos e fortes, mas são debilóides, só pode. É impossível ser babaca daquela maneira naturalmente. E sim, eu incluo meu namorado nesses “rapazes”. E as garotas, céus!, são portas ambulantes. Não, portas fazem alguma coisa, abrem e fecham. Essas garotas são puras pedras, não pensam. Só falam de moda, beleza e torcida. Eu fiquei totalmente enojada. Um pouco antes de dar o sinal, voltei para a minha mesa.
- E ai, como foi a conversa? – perguntou .
- Agora é um passarinho fora da gaiola? – perguntou , entre risos junto dos meninos.
- Não.
- Como assim “não”? Você não terminou com ele? – perguntou incrédulo.
- Não, eu ainda namoro Justin. – ao dizer isso, empurrou sua bandeja de comida com violência e foi embora, enfurecido. Lindsay saiu atrás dele. Todos nos olhamos assustados e foi atrás dele também.
- O que foi isso? – perguntei.
- Nada, ele só se preocupa com você. – disse , enroscada no colo de .
- Não, isso foi muito estranho. – disse pensativa, enquanto fulminava-a com o olhar.
Fomos para a aula. já estava sentado com Lindsay, então me sentei com . Após o término das aulas, tentou ir embora o mais rápido possível, mas eu o alcancei.
- Ei, você não vai me levar para casa hoje? – perguntei.
- Hm, acho bom você ver com a de ir embora, tenho umas coisas para fazer. – ele respondeu, sem olhar para mim.
- Ah é? Agora você vai parar e dizer isso olhando nos meus olhos. – parou, olhou-me nos olhos, mas não disse nada.
- O que você tem? Porque está me evitando?
- Eu não concordo com os seus atos.
- E isso é motivo de fugir de mim? Não podemos conversar?
- E não é o que estamos fazendo? – fuzilei-o.
- Não ironize. Diga, o que está errado?
- Você voltar com Justin.
- E porque?
- Ele nunca te deu valor de verdade, ta bem? – falava alto e bravo. – Sempre te deixava para segundo plano, você sempre atrás dele. Só quando ele percebia que você se afastava, ele vinha atrás e era só você se dedicar novamente, ele te esquecia. Você não merece alguém assim. Ele não entende e não sabe quão importante e especial você é.
- Por favor, fale mais baixo, . – eu pedi, olhando para os lados.
- Eu não ligo! Ele mentiu e te traiu, você viu, você tem marcas em você, e ele nem ao menos correu atrás.
- Mas ele se importa, ele disse. E eu estou disposta a dar uma segunda chanc...
- Eu me importo! – ele me interrompeu. – Eu me preocupo, eu digo. Sou eu que sempre estou aqui. – então, surpreendentemente, me puxou pelo pescoço rápida e delicadamente, me beijou. Depois de alguns segundos, soltou-me e olhou-me nos olhos.
- Você não devia ter feito isso. – falei, olhando para meu tênis surrado.
- Pense nisso. – e ele se foi.
A menos que eu tenha entendido mal, queria estar comigo, e eu não enxergava isso. Perguntei-me se isso estava incluso nas “segundas chances” faladas por . Liguei para ela e contei o ocorrido. Ela ficou muito empolgada, mas disse tudo aquilo que eu não queria ouvir: “O que você tem a fazer agora é ouvir o seu coração”. Agora me pergunta se eu entendo alguma coisa que ele fala? Para mim ele só fala “tum tum” e nada mais. Merda de coração.
Sexta tinha provão. As salas eram divididas aleatoriamente com todo o colegial misturado. Eu que tinha a esperança de conversar com , fiquei em sala separada que a dele. Não o vi na escola. Fiz a prova e fui à uma lanchonete com e . Almoçamos juntas e voltei para a escola e fiz a prova que eu havia perdido. Acho que me dei bem em ambas provas. À noite, fui para casa de e nós, junto de , fizemos uma seção Harry Potter. Assistimos todos os seis, sem dormir, depois de seis Red Bull cada uma. Foi incrível, a primeira vez que eu consegui. Como consequência, dormi o dia inteiro no sábado. Acordei às 18h e sai com Justin mais a noite. Como eu gostaria de dizer que foi incrível como assistir filmes com minhas amigas ou passar um dia com o , mas foi totalmente tedioso.
Durante o fim de semana liguei inúmeras vezes para , mas ele parecia estar determinado em não falar comigo. Passei o domingo assistindo Glee, exceto as três horas que fiquei no telefone com e .
Fiz muitas coisas durante o fim de semana, mas o que eu mais fiz foi tentar desvendar meu coração. Pensei em tudo o que Justin e me disseram. Era meio difícil chegar a uma conclusão já que um terço do meu conhecimento pelos dois ficou preso em um para-choque de carro, mas usei o critério de bem estar. E percebi, não só pelas duas semanas que estou lúcida, mas pelo todo o tempo que passei com os dois, que “o cara certo” para mim estava o tempo todo na minha frente e que faltava um choque de realidade, neste caso um beijo, para eu descobrir.
Cheguei na escola segunda com , como sempre, e todos os meus amigos estavam juntos.
- Oi, povo. – cumprimentamos eu e em coro. Todos nos cumprimentaram. estava lá, simpático, como se nada tivesse acontecido. Mas apenas uma coisa diferente, ele conversava animadamente com Lindsay, isso estava ficando cada vez mais estranho.
- Oi, . – disse Justin, me abraçando por traz.
- Oi, Justin. – respondi. Ele se inclinou para me dar um beijo, mas eu virei o rosto. – Er, vamos sentar.
- Não, é meio perigoso ficar aqui no meio de tanta gente... hm, estranha. – ele falou, desdenhando de todos.
- Quem você pensa que é para falar assim? – perguntei, incrédula.
- Alguém muito melhor, pode acreditar. Quer dizer, você sabe, está comigo, né? – e ele riu, o que mais parecia o guincho de um macaco engasgado – Vamos logo. – e me puxou.
- Sabe Justin, não sei como te suportei essa semana. Eu ainda tenho minhas dúvidas de sermos namorados. – falei, me desvencilhando de seus braços.
- Olha, você é louca por mim. – ergui as sobrancelhas – Você só não lembra.
- Quer saber? Eu devia estar louca mesmo. Você deve ser uma boa pessoa por dentro, bem lá no fundo. Mas por fora e agora, você é um idiota e eu não quero ficar com você assim. – todos olhavam boquiabertos para mim.
- Você está terminando comigo? – ele perguntou abobalhado.
- É isso ai. Estou. – e dei uma piscadinha para ele.
- Você não PODE estar bem.
- Nunca estive melhor. Agora, se você quiser nos dar licença. – e fiz sinal de “xô” com as mãos. Ele me olhava furioso e saiu andando. Olhou para trás, eu mandei um beijinho e ele foi embora.
Ao me virar para a galera, recebi uma salva de palmas. Lindsay olhava com uma cara incrédula para mim e tentava segurar, mas estava com um sorriso de lado. Sentei com eles e continuamos conversando. Me senti muito mais leve, como se o peso de um macaco debilóide tivesse saído de dentro de mim.
- Capítulo 5
Comecei a pensar se no começo eu me sentiria mal por ter terminado com Justin, mas a cada dia que passava eu chegava a conclusão que foi a melhor coisa que eu já fiz. Ainda mais que eu descobri que os meus sentimentos não são deles, mas do meu melhor amigo. Eu sou o tipo de pessoa que não consegue guardar as coisas para si mesma, talvez seja um defeito, não sei não, mas eu tinha que contar para minha amigas que a pessoa que eu realmente gostava era .
Terça combinamos de andar pelo centro, comprar coisas, comer alguma coisa... passar a tarde juntas, você sabe. chamou Lindsay, o que não era muito bom, não confiava nela. Mais pro meio tarde, fomos tomar suco em uma lanchonete.
- Olha, eu estou muito satisfeita com o passeio de hoje. Nunca comprei tantas camisetas por tão barato! – comentou , fuçando em suas sacolas de compras.
- É, meninas, escolhemos um dia bom para compras. Tem várias lojas em liquidação! Está perto de algum feriado e eu não estou sabendo? – comentei, checando minhas compras também.
- Bom, a maioria das coisas eram meio lixo. Mas tenho que admitir, achei muitas peças interessantes que eu precisava muito! – falou Lindsay, olhando o cardápio.
- Precisava muito? Pra que? Pra sua montanha de futilidades? Você faz compras toda semana, não precisa de nada. Sabe quem precisa mesmo? Orfanato e crianças de rua. Que tal ser caridosa pela primeira vez na vida? – disse , desprezando qualquer comentário de Lindsay, como sempre.
- Eu sou muito caridosa, ok? Todo semestre eu dôo uma porção de roupas para creches. Então, fecha essa boquinha para falar de coisas que você não sabe, queridinha. – retrucou Lindsay.
- Gente, qual é, sem brigas. Estamos passando uma tarde tão boa entre amigas! – disse , toda feliz ainda pelo resultado de suas compras.
- , você disse que tinha uma coisa para nos contar. Conte agora! – disse , toda alegre. Eu e olhamos com desgosto para ela. Eu não queria que Lindsay soubesse e, logo em seguida, percebeu a burrada. – Ah, mas se quiser, não precisa contar agora...
- Tá louca? Ui, babados! Adoro! Conte-nos, amiga! – disse Lindsay, toda animadinha. Me deu enjôo.
- Acalma a piriquita ai, Lindsay. – disse , revirando os olhos.
- , eu segui o seu conselho de tentar entender o meu coração. Nunca me dediquei de verdade nessas coisas de “escute o seu coração”, mas dessa vez eu fui determinada e consegui entendê-lo. – elas me olhavam meio confusa. – Como vocês sabem, eu terminei com o Justin.
- O que eu acho que foi um tremendo erro, se vocês querem saber. – comentou Lindsay, que já tomava sua limonada suiça.
- Não, não queremos saber. Cala a boca e escuta. – disse , se direcionando para mim novamente.
- Hm, obrigada. Terminei com ele porque enxerguei que ele é um idiota e que não é dele que eu gosto.
- Como assim “não é dele”? Você gosta de outra pessoa? – perguntou , com os olhinhos brilhando.
- Sim. Eu levei um choque de realidade semana passada e percebi que a pessoa que eu gosto estava na minha frente o tempo todo.
- Ai meu Deus, eu sonhei ouvir isso toda a minha vida! – comentou , toda animada.
- Eu não estou entendendo. – disse Lindsay, sussurrou “novidade!” – De quem você gosta afinal?
- Eu gosto do , e acho que sempre gostei, só não queria admitir isso.
e começaram a dar gritinhos de alegria e sorrisos de orelha a orelha. Lindsay não parecia muito feliz, mas estava rindo secamente, como se eu acreditasse que ela estava feliz por mim. O que eu vi nessa garota mesmo? Pedimos e tomamos nossos sucos, compramos mais algumas coisas pelo centro e fomos para casa.
O resto da semana foi praticamente a mesma coisa. As provas foram entregues e eu me sai muito bem, como todas minhas amigas. Bom, Lindsay não foi, não incluo ela no termo “amiga”, ela é mais uma colega. Os meninos até que foram bem também. Todos os dias até o fim de semana nos reunimos na casa de alguém para assistirmos filmes e falarmos besteiras. E durante essa semana, eu meu lembrei de várias coisas antes do acidente, a memória estava realmente voltando.
Mas nem tudo estava bem, ainda não falava direito comigo, não como antes. Tipo, ele falava quando estávamos juntos de todos os outros, mas não ficávamos mais juntos, só nós dois. Na verdade, ele estava mais junto da Lindsay. Antes eu só ficava um pouco irritada, mas agora... aquilo estava me deixando com raiva! Aquela vadia sabia dos meus sentimentos por e ainda ficava se esfregando nele daquele jeito? E o passou a dar moral! Desde quando meu da moral para essa loira oxigenada? Eu disse meu? Cara, eu to fodida com isso tudo. Isso não ficará assim, vou ter que conversar com Lindsay.
Segunda-feira, fiquei procurando por Lindsay no intervalo mas não a encontrei nem no campo frontal , nem no pátio interno. Então avistei os populares, eles deviam saber. Fui em direção as cheerios que estavam praticando uns saltos e, quando Stacey me viu, deu um gritinho e fez menção de ir embora.
- STACEY, por favor, fique. – falei. Ela me olhou meio desconfiada, meio com medo.
- O que você quer? Vai me bater?
- Claro que não! Aliás, me desculpe pelo nariz, eu realmente perdi a cabeça.
- É, percebi. Não só eu, a festa inteira, né? – disse ela, balançando os cabelos.
- Me desculpe de novo, não queria te machucar. Ok, talvez só um pouquinho, mas... enfim, você sabe onde está a Lindsay?
- Ela disse que ia na biblioteca, o que achei bem estranho, porque nós só vamos lá para ficar com algum garoto e, pelo o que eu saiba, ela não está com ninguém e...
Mas não ouvi o resto, eu já estava correndo para a biblioteca, invadida pelo pânico. Não podia ser, não podia estar acontecendo isso! Acho que nunca tinha corrido tão rápido, cheguei na biblioteca em questão de segundos.
Entrei feito louca, a bibliotecária sra. Pince me mandou ficar em silêncio. Fui andando rápido por entre as estantes e vi. Lá estava Lindsay aos beijos com... com .
- Capítulo 6
Não sei quanto tempo eu fiquei ali parada, olhando, mas eles não me perceberam ali. Eu nem sei com que cara eu estava, acho que com cara de nada.
- Ah, , te achei! Eu queria te falar... – e a voz de parou. O casal se separou rapidamente. Lindsay começou a enrolar os cabelos, nem um pouco envergonhada, ao contrário de , que estava vermelho feito um pimentão e de olhos arregalados.
- Desculpa, eu não queria atrapalhar o casal. – eu disse com a voz embargada, pois ao virar as costas, as lágrimas começaram a cair. Ouvi dizer “Não, fique aí, . Você já fez demais” e ir embora comigo, me abraçando pelos ombros. Fomos ao banheiro e eu chorei, simplesmente chorei. entendia, eu não precisava falar nada. Eu me sentia traída e enganada. Uma de minhas “amigas” sabia dos meus sentimentos pelo menino que eu gostava e, mesmo assim, ficou com ele. E ele, eu não conseguia entender. me fez pensar que gostava de mim e eu larguei de Justin justamente para ver se algo a mais daria certo entre nós, mas ele fugiu de mim e ficou com Lindsay, que sempre disse não suportar. O sinal tocou. Disse para que não estava com cabeça para aulas e ela não fez objeções. Ela foi para a aula e eu consegui fugir da escola pelos fundos. Fiquei andando sem rumo pelas ruas. Com apenas três semanas de “vida nova”, mesmo que eu já tenha recuperado quase toda a memória, muitas coisas tinham acontecido. Talvez mais do que meses antes do acidente, eram sempre as mesmas coisas, mas agora... Tudo parecia ter revirado. Eu não sabia mais o que fazer. Merda de coração! Primeiro, eu não consigo entendê-lo e, quando finalmente consigo, ele acaba com tudo! Preferia ouvir só os “tum tum” mesmo.
me ligou para saber se eu estava bem e para avisar que hoje eles iriam para a casa dela fazer alguma coisa. Disse que se eu não quisesse ir, ela entenderia. Mas não vi motivos de fugir do ocorrido, eu tinha que enfrentá-lo.
Até que não estava tão insuportável na casa de . Lindsay fazia questão de ficar montada no colo de , mas esse ficava meio sem graça e não me olhava, não me olhava de jeito nenhum. Para falar a verdade, eu preferia assim. Por mais que eu morresse de saudade de estar perto dele, de falar e rir com ele, ou somente do olhar dele sobre mim, eu não queria ver os olhos deles, que agora eram de Lindsay. Ninguém ali entendia como eles poderiam estar juntos.
e estavam meio revoltados porque todos nós sabíamos que falava mal de Lindsay antes, e agora, bom, agora eles estavam juntos. Tirando esses fatos tensos, foi uma noite muito agradável. Os garotos eram muito engraçados e não tinha como não rir. estava ficando bem próximo de , o que era bem legal, ter todos meus amigos juntos (em exceção de um casal específico). Parecia que e estavam firmes. Tipo, ele não pedira ela em namoro, ela tampouco, mas eles estavam bem felizes um com o outro. Eu tinha um pouco de medo das coisas que a falava, porque parecia acontecer mesmo. Ela sempre disse que via algo entre e , e disse que não achava que era verdadeiro isso entre e Lindsay. Eu também esperava que não fosse. Infelizmente, não era o que parecia. Fui pegar mais pipoca na cozinha e não tinha percebido que eles tinham saído da sala. Eles estavam lá, se pegando na cozinha. Eu dei meia volta, tropecei e saí.
- Ué, , cadê a pipoca? – perguntou , que estava rindo de algo que parece ter sido muito engraçado.
- Er, eu não consegui pegar. – e sentei, olhando para meus pés. Ele pareceu não entender, olhou para os lados e deu por falta do outro casal. Todos ficaram meio tensos e sérios.
Naquela altura, os garotos já sabiam que eu gostava de . Só o babaca parecia não perceber.
- Eu já vou. Sabe, não fiz a tarefa para amanhã ainda...
- Quer que eu te acompanhe? – perguntou .
- Não, imagina! Fica aí. Vou andando, é bom para clarear a mente.
- Credo, que coisa de velho! – comentou , fazendo todos rirem.
- Bom, estou indo. Beijos para todos. – e fui. Estava meio friozinho, fui com o vento batendo no meu rosto, nos meus cabelos. Era uma sensação boa, como se o vento levasse as mágoas, limpasse meu corpo. Cheguei em casa, dei um beijo em meus pais e fiquei lendo no meu quarto. Eu estava cochilando quando ouvi batidas na porta; me sentei.
- Entre.
- Oi, ! – era Lindsay.
- O que você quer?
- Nossa, quanta delicadeza! – e deu um risinho cínico. – Você esqueceu sua blusa lá. Como eu passo por aqui para ir para casa, me ofereci para trazer.
- Quanta gentileza a sua. – respondi entre dentes.
- O que está acontecendo? Não estou entendendo seu comportamento comigo!
- Como você consegue ser tão falsa? – ela fez cara de inocente e ofendida. Mas que vaca! – Eu estou me referindo a você estar com , garota inteligente!
- O que tem isso? Não vejo motivos para você me tratar mal por causa disso.
- Como você tem coragem de agir como se tudo estivesse bem? Você sabe dos meus sentimentos por ele!
- Não posso fazer nada se tenho os mesmos sentimentos que você, amor. – disse ela, enrolando os cabelos no dedo.
- Você não tem sentimentos, sua pedra! – gritei de volta.
- Não venha me falar isso! Como se você nunca tivesse feito nada assim. Você sabia muito bem que eu sempre fui a fim de Justin, e mesmo assim ficou com ele! – gritou ela.
- Ah, me poupe, Lindsay! Você é a fim de um menino diferente a cada semana. Você nunca gostou de ninguém de verdade! Você está com por vingança?
- Claro que não! Eu não preciso disso. Eu sempre fui a fim de também, e ele finalmente pareceu cair em si e ver que a melhor coisa é ficar comigo.
- Você é mesmo muito cara de...
- Olha - ela me interrompeu –, só vim ser uma boa amiga e trazer sua blusa. Tenho que ir.
- Sabe, acho que não quero uma boa amiga com você. Na verdade, eu não preciso. – olhei com desdém para ela. Ela me olhou de cima a baixo com aquela cara de nojentinha.
- Como quiser. – e se foi.
Ao contrário do que eu senti quando terminei com Justin, de talvez ter feito a escolha errada, não senti nada disso com Lindsay. No momento em que ela saiu da minha casa, tinha certeza de que aquela era a coisa certa a ser feita. Eu acredito mesmo que existe bondade dentro de todos, mas tem certas pessoas que não fazem uso dela e não são essas pessoas que eu quero para mim. Igual quando cuidamos do jardim, sabe? Temos que cortar as ervas daninha. Ok, isso foi meio tosco, mas é a verdade, fazer o que, né? Às vezes a verdade é tosca.
Mesmo com os acontecimentos recentes, eu meio que me conformei. Eu não poderia fazer nada se queria estar com Lindsay. Não bolaria um plano maléfico para acabar com o relacionamento dos dois. Seria muito legal, mas não faria isso. Então voltei a conversar com normalmente, acho que até ele estranhou, mas também voltou a conversar comigo. Claro que não era a intimidade de antigamente, mas foi bom voltar a falar com ele. Eu não conversava mais com Lindsay, na verdade, fingia que ela nem existia em nosso grupo. E ela só continuava no grupo porque estava com , porque nem conversava mais com ela.
Novamente, me senti mais leve, como se tivesse saído o peso de uma girafa oxigenada de mim. Cara, como eu carrego as pessoas!
- Capítulo 7
Faltavam apenas duas semanas para as férias. Esta semana teríamos as últimas provas e na última era semana de encheção de saco mesmo. O bom mesmo é que no último dia da semana da última semana, ou seja, sexta da semana que vem (nossa, jura?), tem uma festa organizada pelos alunos. Ainda bem que é pelos alunos, porque, né... As festinhas que a escola organizava eram uma merda! Agora eu me lembrava de praticamente tudo. Mas, para falar a verdade, já nem me importava mais, porque agora nada está igual antes. Muitas coisas mudaram. Não mudaram as estações, tudo mudou.
Era quarta-feira e eu estava esparramada pela grama do campo frontal da escola com a cabeça no colo de . Só estávamos nós e ali, já tínhamos terminado a prova e esperávamos os meninos saírem. As provas estavam dividas em duas matérias durante os dias. Você pode pensar que é sorte, mas eles fazem isso porque as provas são enormes!
- , eu estou pensando numa coisa há um tempo e como você é bicho-do-mato e não nos conta nada sem pedirmos, o que realmente pega entre você e o ? – perguntei. deu uma risadinha entusiasmada, lixando as unhas, e , não sei por que, ficou vermelha.
- Não estamos namorando, mas acho que está meio sério. Ele vai lá em casa, já conheceu meus pais, eu vou na casa dele e já conheci os dele...
- Que demais! Sério, é muito fofo vocês dois juntos! Tipo, vocês são tão diferentes e isso da um contraste legal! – disse toda empolgada.
- Que animação, hein, ? Hahaha. E nada a mais rolou, ? Conte-nos tudo, garota! – falei fazendo um pouco de cócegas em sua barriga. Ela riu um pouco e ficou com cara de nada, olhando para o além. Eu me levantei de seu colo, olhei para , que me olhava com cara de desentendida também.
- ?
colocou as mãos no rosto, com os cotovelos apoiados no joelho e começou a chorar!
Eu e ficamos assustadas com esse ato. Cara, tipo, ela começou a chorar DO NADA!
- , como assim? O que aconteceu? – ela nos olhou com medo em seus olhos.
- Eu transei com o , amigas!
Estávamos pasmas! COMO ASSIM? , A INOCÊNCIA! Nossos queixos estavam estatelados na grama e os olhos, saltados.
- Parem de olhar assim, poxa! – disse cobrindo o rosto novamente.
- , COMO ASSIM? QUANDO FOI ISSO? – gritou .
- Não grite, ! Foi sábado.
- Quem diria que você seria a primeira de nós a perder a virgindade, hein? – refleti.
- Eu não sei o que sentir com isso. Quer dizer, foi bom. Foi MUITO bom, vocês não imaginam como! – nós rolamos pelo chão. – Mas, cara, eu JÁ fiz isso! Eu sempre pensei que eu faria isso depois do casamento, eu pelo menos com o cara que eu teria certeza que iria casar!
- Pois é, é verdade o que dizem, as santas são as piores! – disse . Já estávamos chorando de rir.
- , vocês se preveniram? – perguntei preocupada.
- Claro, né, ? Não vou ficar grávida no segundo colegial!
- Conte-nos como rolou! – pediu ansiosa.
- O que as garotas estão conversando? – perguntou atrapalhando o melhor momento. Isso sempre acontece.
- Sobre você, mas como o assunto chegou... Deixa pra lá. – disse com um sorrisinho.
- Eu sei, vocês só sabem falar de mim. – disse ele jogando os cabelos longos inexistentes para trás. Nós rimos.
- Que tal você ir comprar sucos para nós na cantina, zinho? – pedi fazendo biquinho.
- Ah, não vale pedir isso e fazer biquinho ao mesmo tempo! Você sabe que eu não resisto! – disse ele fazendo biquinho também.
- YEY, consegui. Vai lá, gatão. – dei um tapa na bunda dele e ele se foi.
- Não vou contar sobre o que aconteceu aqui, o território é perigoso. – disse com os olhos estreitos, olhando para os lados como se um bandido fosse aparecer. – Apareçam lá em casa hoje que eu conto tudo. Agora é a vez de questionar a .
- Eu? Mas eu conto tudo para vocês! – disse rindo. – Acho que não deixei de contar nada para vocês... – e começou a pensar se tinha esquecido.
- O que anda rolando entre você e o ? – perguntou , direta. abriu a boca para protestar, imagino, mas a interrompi.
- E não adianta falar que são só amigos! Nós estamos sentindo o clima entre vocês e se você não sentiu, bem, você é mais lerda do que eu pensava!
- Ei, eu não sou lerda! Claro que eu senti um clima, mas, cara! O que é bem lerdinho, ele não toma partido nenhum. – disse fazendo biquinho.
- Ele deve estar esperando o momento certo, tipo vocês ficarem sozinhos, sabe?
- É, pensando bem, acho que nunca ficamos sozinhos... Vocês sempre atrapalham, sabe? – disse ela rindo.
- Não por muito tempo! Já que hoje ficaremos só nós três na casa da para ela nos contar do tal ocorrido, amanhã vamos todos nos reunir na minha casa. Pode deixar que eu darei um jeito de você ter seu gato, gata! – pisquei para e todas rimos. chegou com nossos sucos e ficamos lá, bebendo, conversando e esperando os outros saírem da prova.
Eu e fomos à casa da pela tarde, pois ainda tínhamos que estudar. Ela nos contou tudo que aconteceu com . As coisas foram bem picantes, mas carinhosas ao mesmo tempo. Entendem? Conseguimos colocar na cabeça dela que talvez possa ser meio cedo, mas isso iria acontecer um dia ou outro e que se eles tinham se prevenido, eles só saiam ganhando. Voltei para casa, tomei um banho e fiquei estudando.
- Surpresa!
- AAAH! ! PORRA, cara, que susto! – disse rindo com a mão no coração.
- Te assustei, querida? Era o que eu queria! – disse ele rindo também, se jogando na minha cama, ao meu lado.
- Nossa, faz tempo que você não faz isso, hein? Sabe, pular minha janela.
- É, faz um tempinho sim. Estava com dúvidas em português e me lembrei de que a mestra das línguas é você e resolvi vir. – disse ele com um sorriso lindo.
- Mestra das línguas? Que podre! – rimos. – Então você é só interesseiro, isso sim! – disse batendo com o livro nele.
- Claro que não! – ele parou de rir e ficou um pouco vermelho. – Eu senti saudade. Faz tempo que não ficamos só nós dois depois de, bom, você sabe...
- Depois de quê? Depois de você ter me beijado e deixado a entender que gostava de mim ou depois de eu pegar você e a Lindsay juntos? – falei com uma cara mal feita (e de propósito) de inocente.
- Nossa, é bem pior quando você fala. – ele coçou a nuca. Ele ficava tão lindo fazendo isso... Foco, !
- Não, é que é ruim mesmo.
- Você e a Lindsay brigaram, né?
- Só tivemos uma discussãozinha. – peguei meu caderno e voltei a lê-lo.
- Acho que você não está feliz com meu relacionamento.
- Não vou me meter entre vocês, minha opinião não importa. – falei sem tirar os olhos do caderno.
- Claro que importa! Você é amiga dela e, o mais importante, é minha melhor amiga. O que está acontecendo? – ele disse fechando o meu caderno.
- Não somos mais tão amigas... – abaixei a cabeça, não conseguia olhar em seus olhos, sabia que se eu olhasse, eu choraria.
- É... Acho que nós também não. – olhei-o espantada.
- O que você quer dizer?
- Acho que não somos mais tão amigos a ponto de você não me dizer o que está errado!
- , você está me cobrando? Você que me deixou confusa, você que parou de falar comigo, eu te liguei mil vezes! Você me beija e na outra semana está com Lindsay, você que tem de me dizer o que está acontecendo! – a essa altura eu já estava chorando. Não desesperadamente, apenas algumas lágrimas desciam pelo meu rosto.
- Aconteceu que eu vi que não ia adiantar nada.
- Você não me deu a chance de conversar com você! – agora ele não me olhava nos olhos, sabia que ele não gostava de me ver chorar. Ainda mais que agora era por causa dele.
- Bom, eu estou aqui. Pode falar. – e ficamos em silêncio. Eu não conseguia falar. Não sei se por orgulho ou por estar machucada. Fechei meus olhos, deixando mais algumas lágrimas caírem.
- Ah sim, entendi. Eu acho que consigo entender português pela internet, boa noite.
Quando eu abri os meus olhos, já tinha saído.
- Capítulo 8
Cheguei na escola com o rosto inchado. Ontem, quando saiu, me joguei na cama e chorei até adormecer e acordar hoje de manhã. Só tinha estudado química, mas não era um problema, porque eu era ótima em português. O problema era que eu não conseguira esconder minha cara de melão com maquiagem, estava visível que eu passara a noite chorando. E eu realmente não queria que ficassem me perguntando. Fui direto ao banheiro, mandei um torpedo para minhas amigas falando que estava ali e ali fiquei até tocar o sinal. As salas de provas eram com pessoas misturadas e eu não ficaria na mesma que . Assim eu esperava.
Contei tudo a elas e contei também que eu não faria mais nada em relação a ele. Eu não tinha feito nada de errado, os mancões tinham sido ele e sua vadiazinha que se dizia minha amiga. Eu iria continuar minha vida, iria sair, conheceria novas pessoas. Eu tinha descoberto estar apaixonada por ? Que pena, porque isso não passaria de um mero detalhe. Elas esperaram o sinal tocar comigo no banheiro e depois fomos para nossas salas de prova. Fiquei separada das duas. Ao entrar na minha sala, apenas uma pessoa se destacou para mim. Ele nunca ficava na minha sala, tinha que ser hoje. Ao me olhar, seus olhos e sua face se encheram de preocupação. Desviei meu rosto do seu e fui direto para uma carteira no fundo da sala, longe dele.
É claro, me dei bem na prova. Sem querer me achar, eu sou bem nerdzinha. Combinei de almoçar com meus pais, porque eles viajariam até o final da semana. Eu ficaria na casa de , meus pais eram amigos de seus pais, então eles confiavam de olhos fechados. Quando saí, minhas amigas já tinham saído, só estavam esperando para se despedirem. e estavam com elas. Ficamos conversando um pouco e eles se foram. Meus pais sempre demoravam então me sentei embaixo de uma árvore ali do campo frontal. Vi dar um beijo em Lindsay, olhar para mim, abaixar os olhos e ir embora, e Lindsay indo até o conversível de sua irmã, requebrando o quadril, como sempre. Aquela nojenta. Até que me surpreendi com alguém sentando ao meu lado. Pulei de susto e olhei para a pessoa. Era Justin.
- Porra, Justin! Que susto! – O que é isso? Por que todos me assustam? Isso é legal, por acaso?
- Oi, . Faz tempo que não conversamos. – ele estava olhando para frente, sem rumo.
- É verdade. Tudo bem?
- Não.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntei me virando para ele. Ele era um idiota, mas eu me preocupava com ele.
- Eu quero você de volta. – eu olhei bem para a cara dele, ele estava sério. Eu não consegui me segurar, simplesmente gargalhei na cara dele. Ele fez uma cara de incrédulo.
- Ah, me desculpe! Você tá falando sério? Você quer voltar depois de tudo o que eu te disse? Na frente da escola? Aliás, duas vezes?
- Se eu não gostasse de você, eu não viria aqui te pedir isso. Por favor, volta para mim, !
- Ah, Justin, me poupe! Você está vindo até mim porque você não tem mais Lindsay nem Stacey para comer na seca. Todas as meninas te acham um traíra e as putinhas estão reservadas. Uau, você deve estar desesperado, hein?
- Eu sei que você está sozinha! Você prefere isso a ficar comigo?
- Sinceramente? Sim. Eu posso paquerar e pegar quantos eu quiser. E outra, você nem beija bem, parece um cão chupando manga. Me desculpe, querido.
- Você acha que me engana? Você realmente pode pegar e paquerar quem quiser, mas quem você quer não te quer. Me largou para correr para o seu , mas ele não te quis. Preferiu a Lindsay a você.
- Sai daqui, Justin. SAI DAQUI!
- Se você ficou tão estressada assim é porque é verdade. Sério, ? De mim para ele? – ele disse rindo feito um amendobobo.
- Você não sabe de nada, seu retardado. Seu QI é negativo! Agora saia daqui antes que eu corte suas bolas com meu canivete. – disse olhando ameaçadoramente para ele. Ele simplesmente olhou assustado e foi embora. Sim, eu carrego um canivete comigo.
Então meus pais chegaram e fomos almoçar. Foi um almoço muito agradável, eu amava conversar com meus pais. Eles eram divertidos, rimos o tempo todo, o que foi bom para eu me distrair. Voltamos para casa, peguei meus materiais e apenas algumas roupas, eu tinha um monte de coisas minha na casa de . Meus pais me deixaram na casa dela e foram para sua viagem. Contei para o ocorrido com Justin e ela chorou de rir e, ainda bem, não fez comentário nenhum quanto à dedução dele.
- , eu nem sabia que meus pais iam viajar hoje, fiquei sabendo ontem à noite. Acabei de me lembrar que o povo ia para minha casa. O que faremos?
- Acho que os pais da vão sair, vamos ligar para ela?
- Ok, já vou ligar.
Ligamos para , que concordou de irmos todos na casa dela. Ao invés de ser só zoeira, combinamos de estudar um pouco, porque sexta seria física e biologia.
Às sete da noite já estavam todos na sala de , uns deitados pelos sofás, outros esparramados no chão com seus respectivos livros, tomando um do outro em duplas. Lindsay não pôde ir, foi “estudar” com uma amiga, então o número ficou par. Para não causar constrangimentos, fez par comigo e fez par com . ficou com , é claro.
Os alvos da noite eram os dois e todos estavam de acordo com o plano. O único que não sabia de nada era , porque até ajudara a bolar o plano.
- OK, CHEGA! Eu não estou conseguindo me concentrar com essa falação! Vamos cada um para um quarto e boa. – eu disse parecendo irritada. Só parecendo, porque eu estava me segurando mortalmente para não rir.
- É uma boa ideia. – falou .
- Eu vou para seu quarto, . – disse fazendo uma cara pervertida.
- Ei, não vai fazer nada no meu quarto, hein? – reclamou .
- Eu e vamos para o escritório lá em cima, vocês dois podem ficar aqui mesmo. – eu disse me referindo a e .
- Por que não podemos ficar lá em cima também? – perguntou todo inocente.
- O escritório é longe do quarto da , se mais um casal for para lá, vai atrapalhar. – respondeu .
- Hum, tá certo. – disse . Subimos e deixamos o casal lá na sala. Ficamos um bom tempo espiando, eles ficavam conversando e rindo o tempo todo. O é mesmo um lerdo, cara! Até que puxou para o quarto de e só restamos eu e . Ótimo. Parei de espiar e fui me deitar no sofá do escritório; foi para lá também. Fingia ler um livro, mas olhava para mim por cima dele de 30 em 30 segundos.
- Hm, você já sabe da festa que o John vai fazer sábado? Tipo uma pré-festa para as férias. – perguntou ele com uma risada como se fosse algo engraçado.
- É, já sei, sim.
- Você vai?
- Claro, né? Até parece que não me conhece! – eu disse querendo desfazer o clima ruim. Acho que consegui, porque ele riu verdadeiramente.
-Conheço bem. Só teremos que tomar cuidado para você não sair correndo para a rua dessa vez. – e rimos mais. Definitivamente se fora o clima tenso. Ficamos ali conversando e rindo como se nada de errado tivesse acontecido entre nós, até que Shut Up and Let Me Go, da The Ting Tings, começou a tocar. Era o celular de .
- Alô? Ah, oi, Lindsay. – ele olhou receoso para mim e eu virei o rosto, sem querer transparecer a tristeza em meus olhos. Ele saiu do escritório falando com a vaca loura no celular. Ela sempre tinha que estragar tudo, mesmo não sabendo das coisas.
Resolvi ir dar uma olhada no e e, para minha surpresa, os dois estavam se beijando! Parecia estar no começo, porque ainda estava meio tímido. estava com as mãos segurando seu rosto e estava com uma mão em seu ombro. Saí desembestada pelo corredor chamar e , que estavam num pega nervoso na cama da . Não tive dó de interromper, catei os dois e levei-os até o pé da escada. Nem me dei ao luxo de catar , ele que se danasse. Quando voltei para a escada, as coisas já estavam diferentes. Uma mão de estava na nuca de e a outra apertando sua cintura, enquanto as mãos de bagunçavam o cabelo dele. Rapidinhos eles, hein?
Ficamos ali assistindo outro casal de amigos nascer. Todos os meus amigos com um parceiro, e eu sozinha no mundo. Que triste, cara! De repente, ouvimos um barulho de carro entrando na garagem. O casal na sala nem pareceu perceber, porque continuaram se agarrando. Nos olhamos desesperados! Pegamos nossos livros no quarto e escritório e fomos descer a escada, até que tropeçou e saiu rolando. Ai sim que o casal percebeu o barulho e trataram de se arrumar. Voltamos à posição inicial e fingimos estudar até os pais de entrar. Depois que eles foram para o andar de cima, resolvemos ir para casa.
Eram umas dez horas da noite quando chegamos na casa de . Estudamos até o começo da madrugada porque não estudamos quase nada na casa de , e ficamos conversando. ficou me contando como o era incrível e a única coisa que se passava pela minha cabeça era que eu era a vela da turma.
- Capítulo 9
As provas de sexta estavam bem difíceis, mas eu e minhas amigas somos bem nerds, então iríamos bem, com certeza. Amanhã seria a festa do John e todos sabiam que seria boa, ele sempre dava as melhores festas. E ainda não sei quem, mas alguém daria outra festa no próximo sábado como a entrada definitiva para as férias. Nosso grupo tinha combinado de viajar com nossas famílias apenas depois das duas primeiras semanas, para podermos curtir o começo das férias juntos. tinha uma casa na praia e estávamos combinando de passar um fim de semana lá. Eu ficaria na cidade mesmo, já que meus pais tinham viajado sozinhos, a não ser que minhas amigas me chamassem para alguma viagem. Meus pais sempre deixavam.
Saí da sala de provas junto de e e, não demorou muito tempo, os meninos saíram também. Todos alegaram ter ido até que bem, então fomos numa sorveteria ali perto comemorar o fim das provas. As próximas seriam só no próximo mês. Todos nós combinamos de ir almoçar no shopping e depois faríamos compras, e, infelizmente, Lindsay iria com a gente.
Essa vaca passou o almoço todo falando que não conseguiu se concentrar na prova porque ela tinha quebrado a unha na carteira e que precisava urgentemente ir à manicure. A cada palavra de Lindsay, alguém revirava os olhos. parecia se segurar para não revirá-los também, mas fingia estar interessado nas palavras dela. Enquanto a vaca loura reclamava, todos os outros conversavam animadamente, rindo e jogando batatinhas uns nos outros. Ao terminarmos os lanches, fomos andar pelo shopping a procura de algo que nos chamasse a atenção (com exceção de Lindsay, que parava a cada loja alegando precisar de tal coisa). andava de mãos dadas com , abraçada com e Lindsay pendurada no ombro de , que parecia desconfortável com aquilo.
Os casais legais (vocês devem saber de quais estou falando) tentavam não me deixar de lado, e eu achava aquilo super fofo da parte deles, mas não tinha como. Todos os meus amigos tinham alguém e eu estava ali, sozinha no meio deles... Era meio chato aquilo. Na hora que nós, meninas, entramos numa loja para experimentar umas roupas, foi um alívio, ainda mais que passamos um bom tempo ali dentro. As roupas eram lindas e não eram caras, então compramos várias coisas, quase tudo para a festa. Só faltavam os sapatos, que queríamos novos também. Depois de um tempo, encontramos os sapatos certos para cada uma, até os meninos compraram algumas coisas, e todos foram para suas casas, já estava quase escurecendo. Na casa de , faríamos um esquenta para a festa com direito a rodadas de tequila. Eu simplesmente amava aqueles esquentas, eram tão... quentes!
Devo dizer que a noite foi ótima. Brincamos de strip poker com tequila. Quando alguém tinha que tirar uma peça de roupa, tinha que beber junto uma dose de tequila e combinamos que não tiraríamos as roupas íntimas, para não ficar nada constrangedor. Lindsay, nojenta como sempre, não quis brincar. Ficou de fora e o resto jogou. e estavam só de samba canção, estava só de boxer feminina e top (não quis vestir calcinha e sutiã porque sabia que iria perder), estava de sutiã e calça jeans, tinha tirado as meias e a camisa, e eu estava quase inteira, estava apenas sem meias, o que era uma pena, já que eu queria beber tequila, mas eu era ótima em poker. Resumindo, apenas eu e estávamos meio sóbrios, o resto já não tinha noção de nada. Lindsay estava bebericando uma dose de tequila sozinha, olhando feio para nós. Nós ríamos sem motivo, parecíamos um bando de retardados.
Depois brincamos de damas de tequila, que, ao invés das peças, eram doses de tequila. Quando a “peça” era comida, o dono dela tinha que beber a dose. De madrugada, já estávamos todos totalmente loucos. Lindsay resolveu ir embora e ficou só o nosso grupo lá.
- Eu juro que eu tenho vinte dedos em cada mão! – disse rindo sozinho.
- Nossa, cara, você tem mesmo! – disse rindo ainda mais.
estava deitado no tapete olhando para o teto e cantarolando algo. e foram agarrar os seus homens e eu me deitei ao lado de e comecei a cantarolar com ele.
-Maybe I didn’t treat you, quite as good as I should have – ele cantou com aquela voz linda dele.
- Maybe I didn’t love you, quite as often as I could have – continuei a música.
- Little things I should have said and done, I just never took the time. – não sei se era porque eu estava bêbada, mas cantava muito bem! Era afinado e sua voz transmitia calma.
- You were always on my mind, you were always on my mind. – terminei para ele. Ele me olhou, dentro dos meus olhos e eu sustentei.
- Essa música diz várias coisas, hein? – ele comentou.
- Não sei, não estou conseguindo pensar na letra muito bem. – ri fraco.
- Bom, acho que ela conseguiria dizer o que eu penso de vez em quando... – ele fechou os olhos.
- Amanhã, quando eu estiver sóbria, eu me lembro da letra e vejo o que você pensa.
- Isso se você se lembrar disso tudo, né? – ele disse e rimos juntos.
- Eu lembrarei, quem costuma esquecer das coisas é você, garoto.
- Infelizmente, é verdade. Acho que não vou me lembrar disso amanhã, me desculpe.
- Não tem problema, eu já estou acostumada a não conversarmos muito agora. Eu não queria ter me acostumado, mas fazer o quê...
- Estamos assim porque você quer, poderíamos estar o contrário disso tudo. – ele disse mais baixo.
- Eu não vou discutir isso de novo com você, e mesmo você não admitindo, você é o errado dessa história.
- Eu sei que sou, eu consegui estragar tudo.
- Por que você está com a Lindsay? Você não a suportava.
- Quando você sofreu o acidente, ela foi quem ficou ao meu lado. Ela conversava comigo, me dava forças ou só me fazia companhia quando eu precisava. Ela foi boa para mim.
- Ela se aproveitou de você num momento fraco, ! Você não vê isso? – me sentei, estava muito nervosa para ficar deitada. Ele se sentou também.
- Não acho. Ela sempre gostou de mim, de um jeito oferecido, é verdade. Mas quando passamos a conversar mais... Ela não é vulgar o tempo todo, sabe? Ela é gente boa.
- Sério? Nossa, então é só com você, quando estão só os dois, porque quando estamos todos juntos, ela continua uma vadia, como sempre.
- Uma vadia? Cadê a que enxerga a bondade em tudo mesmo? – ele perguntou com um riso sarcástico.
- Eu acredito na bondade, mas existem pessoas que simplesmente não fazem o uso dela! – retruquei um pouco mais alto.
- Lindsay a usa comigo! E é apenas comigo que ela tem que ser mesmo, já que estamos juntos. Foi você mesmo quem disse uma vez, eu que estou com ela, então eu que tenho que gostar dela.
- O fato é que você não gosta dela! – gritei.
- Eu não gostava! As pessoas podem mudar, sabia disso? – ele gritou de volta. Já estávamos em pé, encarando um ao outro.
- Sei, . Eu sei muito bem disso. Você está certo, é claro. Você mudou mesmo. Mas quer saber? – as lágrimas escorriam pelo o meu rosto. Era uma fraqueza. Quando triste ou com raiva, no momento era os dois, eu chorava. E eu odiava isso. – Eu preferia você antes.
- - ele se aproximou e tentou limpar minhas lágrimas com a mão; eu me afastei –, por favor, não faça isso. – ele estava com uma cara magoada.
- Não, , você quem fez.
Dei as costas, subi para o quarto de e fechei-o. Não podia trancar, ela iria entrar para dormir depois. Não me importei com os outros e nem me preocupei em trocar de roupa. Só deitei no meu colchão e chorei até dormir.
Antes que pensem que os pais de eram super liberais, eles não estavam em casa. Os seus pais são veterinários e eles tinham uma convenção de médicos ou algo do tipo. Acordei com uma puta dor de cabeça, mas não foi uma das piores, porque eu comi e tomei Engov antes de beber.
Quando acordei, estava estatelada em sua cama com a cabeça, um braço e uma perna para fora dela. Aquilo era muito engraçado. Eram 15h, e pela porta estar entreaberta, a mãe de já devia ter vindo tentar acordar a gente. Fui tomar um banho e, com muito custo, acordei . Resolvi não contar da minha conversa com porque eu não me lembrava claramente, só sei que estava chateada com aquela conversa. Ultimamente era sempre assim que eu terminava em nossas conversas: triste e inchada. Me lembrei da música que cantamos, que ele disse que transmitia certas coisas que ele pensava. Se ele estava sendo verdadeiro, queria dizer que ele devia ter demonstrado mais seus sentimentos por mim, que queria uma segunda chance... Sei lá, estou de ressaca! Não queria mais pensar em .
Ligamos para vir se arrumar aqui, tínhamos que fazer muitas coisas, nem as unhas tínhamos feito! A arrumação começaria cedo, já que a festa começava às 21h. Mas antes de nos arrumarmos, queríamos saber o que acontecera com cada uma na noite passada.
- Ok, vou admitir, eu e quase fizemos de novo! – ficamos chocadas. Como assim? tinha desvirtuado totalmente nossa amiga. – Só não fizemos porque eu parei. Tipo, estávamos aqui em casa e meus pais chegariam a qualquer momento.
- Você fez a coisa certa, amiga. As coisas entre mim e estão ótimas. Bom, ficamos pela primeira vez quinta, não é grande coisa ainda, mas ontem as coisas ficaram quentes. – rimos. – Não tão quentes quanto as da , né? – mandou-lhe o dedo do meio – Não chegou nem perto, ele me respeita, sabe? Mas foi quente, isso eu posso falar.
- E você, ? Como foi com ? Você subiu cedo... – perguntou .
- Ah, nós cantamos e depois discutimos. Eu odeio discutir com ele, então subi.
- Discutiram sobre o quê? – perguntou curiosa.
- Como “sobre o quê”? Só discutimos sobre uma coisa! Mas não lembro direito os detalhes, afinal, eu estava bêbada. – rimos mais ainda.
- Você perdeu! Devia ter visto os meninos saindo pela a janela! Foi hilário! – comentou se engasgando de rir. E ficamos lá, fofocando e fazendo as unhas umas das outras.
Depois de secar as unhas, fomos tomar banho e, enquanto uma estava no banheiro, as outras pegavam opções de roupa. Usamos as roupas novas que tínhamos comprado e alguns outros acessórios. e estavam com vestidos. com um vestido mais romântico e, ao mesmo tempo, provocante, e com um vestido mais sexy. Eu estava com uma camiseta verde paetê aberta nas costas e uma saia preta tubinho de cós alto. E, novamente, modéstia à parte, estávamos muito gatas. Não sei por que, mas estava sentindo que coisas interessantes aconteceriam nessa festa.
Quando chegamos à casa de John, já estava lotada. Bom, parecia estar, porque o som bombava lá dentro e tinham várias pessoas no jardim. Já tinha ido lá uma vez, a casa de John era enorme. Casa não, era uma mansão! A família de John era muito rica e isso era um privilégio para nós, porque ele sempre dava ótimas festas.
Dentro da mansão estava um arraso. Todas as janelas estavam tampadas, mas tinha ar condicionado, então não estava um calor insuportável. Todo o hall e sala estavam com luz negra, que ficou bem parecido com uma real discoteca. Toda a casa parecia estar aberta, porque a escada estava enfeitada e tinha luzes negras no corredor do segundo andar, dava para ver pelo andar de baixo. Passavam vários garçons vestidos tipo gogo boys, e tinham garçonetes também. Mas os garçons estavam deliciosos. Realmente, John sabia dar uma festa. Tinham dois ambientes: dentro, no hall e sala, estava tocando mais música pop, e, no quintal, onde tinha uma piscina enorme e um quiosque de churrasco, estava tocando música eletrônica. A piscina tinha sido transformada em pista de dança. Fora tampada com algum material transparente. Dava uma sensação estranha dançar ali, parecia que você iria cair a qualquer momento. Estava tudo incrível!
Eu e as meninas fomos pegar umas bebidas no bar de dentro, esperamos um bom tempo para pegarmos. Quando saímos da multidão do bar, demos de cara com Justin, que me lançou um sorrisinho afetado.
- Nossa, , você está uma delícia. – ele falou olhando descaradamente para o meu decote.
- Eu estou aqui em cima. – disse levantando o seu rosto. – Por favor, não me faça vomitar logo no começo da festa, amor.
- Pelo o que estou vendo, você continua sozinha. Sei que suas amigas estão de rolo, só sobrou você de vela no grupo. Quando você vier para mim, arrependida, talvez eu não te queira. – ele falou com malícia nos olhos.
- Há, faça-me rir, Justin! Eu não voltaria para você nem que fosse o último homem na Terra, prefiro ficar sozinha para sempre. Ou viraria lésbica! E, para sua informação, não que isso te interesse, eu estou com alguém aqui. – Pera aí, o que eu acabei de dizer?
- Ah, sério? Com quem você está? – ele me olhou como se não acreditasse. Não que seja verdade...
- Espere, você já o verá. Ele foi cumprimentar uns amigos, deve estar por aqui. – me virei, procurando desesperadamente minha vítima. Logo avistei um grupinho de meninos que pareciam ser muito bonitos. Andei até eles e virei o que estava na minha frente. Na sorte, escolhi o mais gato deles.
- Você tem namorada, ficante, um rolo ou algo do tipo? – perguntei rapidamente e baixo, caso Justin estivesse atrás de mim. O garoto me olhou confuso.
- Não, mas por quê?
- Ótimo. Não me odeie por isso, é necessário. – coloquei minhas mãos em seu pescoço, ele me olhou mais confuso ainda, e eu o beijei. Ele não fez nenhuma objeção e logo se envolveu no beijo, colocando suas mãos na minha cintura. Por ele ser um total desconhecido, pensei que não teria coragem de aprofundar o beijo, mas foi muito pelo contrário. O cara beijava muito bem, então não tive um pingo de vergonha em aprofundar aquele beijo. Então me lembrei de Justin e me separei do garoto, que me olhou com um sorriso lindo. Me virei para Justin, que me olhava abestalhado.
- Deu para você entender agora que eu não te quero mais, cara? Da o fora! – disse ríspida. Justin simplesmente se foi, sem falar nada. Voltei para o gato.
- Me desculpe por isso. Só consegui pensar nisso para dar o fora nele de uma vez por todas. – falei com um sorrisinho tímido. Ele riu para mim.
- Não tem problema. Na verdade, que bom que você só pensou nesse jeito. Sou . – falou oferecendo a mão.
- Prazer, sou . – apertei-a.
- Agora, , com licença. – e com isso pensei que ele voltaria a conversar com os amigos e me dispensaria, mas ele colocou sua mão na minha nuca e me puxou delicadamente para mais um beijo. E eu não reclamei, é claro! Não sou burra! era gatíssimo e beijava maravilhosamente bem.
Vasculhei com os olhos semicerrados pelas minhas amigas, para ver se elas viam aquele acontecimento, mas meus olhos pararam em outra pessoa que me encarava na pista. .
Continua...
n/a: Esse foi o penúltimo capítulo, leitoras! Estou extremamente triste com isso... Mas, junto desse post, mandei uma shortfic para a Fê. É drama, depois posto o link nos comentários para quem quiser ler, ficarei muito feliz! Hahaha. Obrigada a todas por lerem, e por favor, COMENTEM! Beijos =)
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