Fic by: Marina Lee | Beta: Lilá


Would you trade that heart of gold for a minute in my skin?

Capítulo um - Impossível

Os raios de sol passavam fracos pelas frestas da janela, o barulho era quase inaudível e o movimento na rua quase inexistente. mexeu nas cortinas da janela de seu quarto, olhando para baixo. Pensou em quanto iria perder se faltasse ao último dia de aula: nada. Assim, foi decidido que ficaria em casa, pois, afinal, seus amigos já haviam partido para suas viagens. Enquanto olhava pela janela, distraído, uma menina com cabelos longos descia pelas escadas de incêndio do prédio. Como era de costume, era a única que ainda usava aquelas escadas. Fazia anos que os dois moravam no mesmo prédio, porém fazia anos que não se falavam. Desde que a menina se tornou mais notada e popular, ela se afastou de , pois o mesmo também levava certa fama de pegador, mesmo não sendo popular nem nada, ele chamava atenção das meninas mais novas. mexeu na bolsa ainda em frente ao prédio, depois olhou para cima, cruzando com o olhar de , sustentaram o olhar por algum tempo até que ela abaixou os olhos com um sorriso malicioso. achou que ainda estava sobre o efeito do sono e sacudiu a cabeça. Quando voltou a olhar, a única coisa que viu foram os cabelos esvoaçantes da menina virando a esquina.
correu rapidamente para que não chegasse atrasada. Para ser popular, era essencial ser sociável e ser sempre vista com aqueles que lhe deram a chance de chegar a esse nível, mas a verdade era que ela já estava cansada. Por mais que pensassem que ela estava triste por ficar sozinha naquelas férias de verão, no fundo ela estava feliz que não teria mais que aturar aquelas pessoas que julgavam ser seus amigos.

- Então, dude, o que vai ser dessas férias sem mim? - falava ao telefone com , um de seus melhores amigos desde o jardim. Era a primeira vez que passaria as férias longe de seu amigo.
- Já falei, cara, o jeito vai ser ficar em casa mesmo. Minha mãe viajou e eu tenho que cuidar da casa e do Mookie - o menino comentou, se referindo ao cachorro que estava deitado ao lado de sua cama.
- Às vezes você arruma um casinho de verão ou algo do tipo. Quem sabe não aparece alguma turista gatinha? - tentou animá-lo em vão.
- Valeu, cara, mas isso não vai funcionar. Ninguém vem passar as férias nesse fim de mundo.
- Lamento, meu amigo. Eu tenho que ir, o sinal tá ficando uma droga aqui na estrada - ouvia-se o som de carros passando e então compreendeu que era hora de desligar.
- Até mais, dude, aproveite as férias por mim – sorriu fraco, desligando o telefone e jogando-se na cama. Encarou o teto por alguns segundos, pondo em sua cabeça que não poderia ser tão ruim assim, ele arrumaria algo produtivo e se possível até divertido para fazer. Pegou seu violão, dedilhando alguma coisa qualquer e logo ficando irritado. Não tinha inspiração, era impossível ter sem nada de emocionante ou marcante ter acontecido.
- Ou ou, minha merda de vida - o menino ironizou, cantarolando enquanto rolava os olhos impaciente. – Vamos, Mookie, vamos preparar alguma coisa pra comer antes que eu comece a bater minha cabeça na parede.

O menino passou a manhã jogado no sofá com sua boxer, vendo desenhos, comendo besteiras, enquanto seu cachorro babava animadamente em sua perna, isso não o incomodava. No momento, a única coisa que passava em sua cabeça era que Mookie era o único que não o havia abandonado. E ainda dizem que não se compra os amigos, para , comprar Mookie nunca pareceu um negócio tão bem feito. A campainha tocou, o garoto olhou preguiçosamente a porta, levantando-se devagar achando que era alguma entrega para sua mãe que ela havia esquecido de lhe avisar. Quando abriu a porta, sua boca formou um pequeno “o”, deparando-se com uma sorrindo, achando a situação engraçada.
- Tudo bem, ? - a garota sorriu de um jeito irritante e meigo que conhecia como o famoso sorriso “quero alguma coisa”. Ele não sabia se estava mais irritado pelo sorriso ou pela forma despreocupada que ela ignorou o fato de que ela não falava mais com ele há anos, mesmo eles morando no mesmo local a apenas um andar de diferença (ela morava no andar debaixo).
- Eu que deveria estar fazendo essa pergunta - pensou alto, percebendo em seguida o que tinha feito, fechando os olhos com força.
- Como? - a menina questionou meio zombeteira e divertindo-se com a situação inusitada que se encontrava.
- Desculpa, mas eu realmente achei que você não lembrava mais que eu morava aqui ou algo do tipo - Foi direto. o encarou e sorriu. Naquele momento se perguntava do que ela achava tanta graça.
- Digamos que eu só não tinha um motivo pra subir aqui - cruzou os braços, fitando o garoto a sua frente, deixando-o sem resposta imediata. - Se você me deixar entrar, eu posso te explicar, .
Ele se olhou, amaldiçoando a si mesmo por não ter colocado uma roupa. Ligou o foda-se para o que acharia de seus trajes abrindo a porta.
- Então - sentou-se na sua poltrona enquanto fazia menção com sua mão para que ela fizesse o mesmo, então ela o fez.
- Bem, pra começar, eu sei que o que eu vou falar vai parecer meio que eu estou tentando somente me beneficiar, mas pense no seu lado também, ok?! - começou e o menino apenas sacudiu a cabeça afirmativamente com o olhar entediado - Eu sei que é meio estranho, mas eu não vou viajar com o resto dos meus amigos. Eu vou ter que ficar em casa ajudando minha mãe, que vai continuar trabalhando nas férias. Enfim, eu sei que você também vai ficar aqui sozinho e eu andei pensando que somos só nos dois na cidade, afinal, o lugar é pequeno e ninguém acaba ficando aqui nesses tempos. Acho que seria legal se tentássemos nos entender e fazermos algumas coisas juntos para que nossas férias não sejam tão monótonas. - Ela olhava pra baixo, enquanto esperava uma resposta.
Uma risada meio incrédula veio do menino enquanto o rosto de perdia toda esperança que tinha sobre aquilo.
- Ok. Então você, , realmente está pensando em passar suas maravilhosas férias comigo? - balançou a cabeça com um sorriso sarcástico no rosto. - Olha, não é por mal nem nada, mas há uma semana atrás você nem ‘bom dia’ me dava no colégio e agora por que te convém ter companhia, você veio me procurar? Desculpa, mas acho que não sou o tipo de gente que você costuma andar, eu não passo minhas horas no shopping ou em festas nem nada do tipo.
o encarou por alguns segundos, esperando que ele finalmente concordasse com a idéia dela. Afinal era o que ocorria sempre, todos concordavam com suas vontades, sempre faziam de tudo para agradá-la. Finalmente ela deu-se conta de que ele não voltaria atrás. Pelo menos não naquele dia e então se levantou rápido e, quando estava na portam recompôs-se.
- Desculpa atrapalhar a sua amável sessão de desenhos. Não vou implorar sua companhia, foi só uma idéia - bateu a porta e então desapareceu tão rápido quanto havia surgido na porta de . O menino encarou “Os Simpsons” que passava na TV, realmente se perguntando se era aquilo que ele queria para suas férias inteiras.

Capítulo dois - Repensando

Durante a noite, não pôde deixar de pensar mil vezes na proposta feita a ele mais cedo. Era engraçado, inacreditável e até meio divertido ver o modo como parecia desesperada por companhia, o que era de se esperar de uma pessoa que está sempre rodeada de admiradores. Até se pegou rindo durante a noite enquanto pensava como seria se contasse para o que havia acontecido, no mínimo ele teria rido bastante de sua cara e o mandado maneirar na bebida que ele já estava ficando afetado. A verdade é que ele estava repensando na proposta, poderia ser até divertido. Afinal os poucos minutos que ela se esforçava para fazer seu pedido indiretamente animou , era diferente estar procurando alguém ao invés do contrário. Mesmo que ele a achasse interesseira, egoísta, metida, fútil, ela ainda parecia linda aos seus olhos mesmo que ele se negasse a admitir isso em voz alta.
Na manhã seguinte, passou pela janela que dava para a escada de incêndio, assim como costumava fazer. Desceu até o andar da menina e ficou parado em frente à janela de seu quarto, sem pensar muito, adentrou o lugar. Ele esperava que ela o escutasse e que ainda estivesse disposta a fazer o que tinha dito no dia anterior. Avaliou o local a procura da menina, ela não estava na cama. Deu uma olhada no quarto branco e lilás da menina, era simples pra alguém com tanta pose, o mínimo que esperava encontrar no local eram maquiagens e revistas de fofocas, porém não viu nem um nem outro.
- O que...? Como? - saiu do seu banheiro enrolada numa toalha, incrédula com a figura que se encontrava em seu quarto.
- Foi mal, eu entrei pela janela. Sabe, é bem mais prático, a escada de incêndio sai direto no seu quarto. - O garoto não conseguia desviar o olhar do corpo da garota. Ela pareceu perceber, pois pegou uma almofada em sua cama e tacou no rosto do mesmo.
- Da próxima vez, use a porta, por favor. - Revirou os olhos enquanto procurava umas roupas em seu armário - Espere aí. - apontou pra cama enquanto voltava pro banheiro. Quando saiu de lá, estava devidamente vestida com um short branco e uma camisa fina, soltinha, numa cor azul céu. Sentou-se ao lado do invasor de seu quarto esperando que começasse a falar.
- Eu pensei no que você falou ontem. - Mexia-se incomodado na cama. Ele não estava animado com a idéia de ter que voltar atrás na sua resposta.
- E? - Sorriu animada, esperando ouvir o que queria.
- E eu acho que talvez seja uma boa idéia. - Eles se olharam e foi alargando mais seu sorriso - Mas ao mesmo tempo fico pensando se vai dar certo porque nós somos tão diferentes.
- Como você pode saber? Passamos anos sem nos falar, você tecnicamente não me conhece - Levantou-se, pegando uma escova na mesinha de cabeceira, escovando os cabelos ainda úmidos, encarando o menino pelo espelho.
- Isso é verdade. Mas a culpa é sua e você sabe disso - deixou escapar, lembrando-se de que não estava ali para discutir sobre quem era a culpa de não se falarem mais. A menina o olhou por uns minutos, avaliando-o.
- Podemos só tentar de novo? Nos conhecermos? - por fim falou quase num tom exausto enquanto calçava um chinelinho branco.
- Vamos dar uma volta então? - sorriu fraco, encorajando a menina.
- Parece ótimo - deu seu primeiro sorriso verdadeiro durante algum tempo. Afinal, era uma das primeiras vezes que ela conseguia alguma coisa com algum “esforço”.
- Primeiro as damas - ele mostrou o caminho pela janela e a menina passou sem nenhum esforço. a seguiu. Caminharam algum tempo em silêncio até que chegaram perto de um parque. Decidiram ficar por ali mesmo e tentar conversar.
- Por que isso parece tão estranho? - A menina se viu falar abertamente para .
- Porque seu habitat natural é um shopping - revirou os olhos como se ela pudesse ter concluído isso sozinha. A menina ignorou a ironia, continuando.
- Palhaço. Mas eu não digo o espaço, eu digo, sei lá... isso. - ela fez um gesto com a mão mostrando todo o conjunto.
- Bom, pra começar, eu não sou o tipo de pessoa que você costuma andar, nem acho que você costuma vir a lugares como esse com freqüência, tão verde.
- Você não é de todo mal e o lugar é legal até - deu de ombros.
- Sinceramente, às vezes ainda penso que isso não vai dar certo - comentou receoso.
- Só pelo fato de que você é muito negativo e eu muito positiva - estava deixando a garota com seu habitual mau humor para pessoas que iam contra ela.
- Exatamente, somos opostos - apoiou-se na árvore a encarando desafiadoramente.
- Então por que veio me procurar? - ela se pôs reta, questionando-o.
- Sei lá, queria tentar algo novo, afinal eu não tinha mais nenhuma idéia para o resto das férias - amoleceu, deixando os ombros caírem. Ele estava estragando as coisas novamente. Ela estava certa. Mas ele não ia deixar ela falar assim com ele.
- Então tente direito - frisou “direito”, deixando incomodado.
- Estou tentando - rebateu.
- Faça melhor - a garota fez o trajeto de volta para casa. Enquanto a olhava. Bateu em sua testa tentando entender o que ele estava fazendo.

Voltando para casa, segurou-se para não bater na porta de pelo desentendimento de mais cedo, ele não desejava ser tão negativo. A menina devia ter razão, se realmente não iria dar certo, por que ele havia tentado novamente e por que estava cogitando pedir mais uma chance naquele momento?! Chegando em sua casa, foi para o computador para passar o tempo, viu algumas bandas novas no my space enquanto Mookie brincava com um patinho de borracha que o menino jogava distraído. Por último, leu um email de e teve que conter a vontade de contar ao amigo o que estava acontecendo, afinal ele teria que explicar muitas coisas e o mais difícil, convencer o amigo que não era nenhum tipo de brincadeira. Suspirou, já sentindo que o momento de tédio estava por vir, apoiando a cabeça no encosto da cadeira e fechando os olhos.
- Eu sei que parece difícil. - comentou, sentada à janela de , fazendo o menino assustar-se com a aparição repentina - E sei também que você aprendeu como é bom quando as pessoas aprendem a usar a porta.
- É, vou me lembrar disso. - ajeitou-se na cadeira recompondo-se - Mas o que dizia sobre parecer difícil?!
- Eu andei pensando. Sei como você se sente, meio que: “antes só do que mal acompanhado”, sei que também não fui a melhor pessoa do mundo esses anos com você, mas eu realmente espero que essas férias dêem certo. Eu estou disposta a ceder, fazer as coisas que você faz, se você for mais positivo. - finalmente saiu da janela, sentando-se na cama do garoto.
- Realmente vai ceder? - incredulidade praticamente estava estampada na cara de .
- Estou. Eu pensei basicamente em tentarmos “um dia do e um dia da ”. Ou seja, cada dia fazermos as coisas que cada um de nós gostamos. - deu de ombros, encarando a resposta dele.
- Parece ótimo - o garoto sorriu. Realmente estava admirado com o esforço que estava fazendo. Ela precisava muito dele, ou realmente não era tão ruim quanto ele imaginava. - E a propósito, eu não te considero um má companhia, só não estou muito acostumado. - não pôde deixar de sorrir com o comentário do menino. Talvez nem tudo estivesse perdido.

Capítulo três - Recomeço



- Vamos começar com o dia neutro, o que acha? - estava sentado na janela de enquanto a mesma ainda estava deitada na cama preguiçosamente.
- Como assim neutro? - colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha enquanto encarava o menino com os olhos semi cerrados devido a luz do sol que batia em seu rosto.
- Ah, você sabe o que é neutro, pode ser popular, mas não acredito que seja burra.
- Você generaliza demais, . - ela bufou - O que eu quis dizer foi: qual é a sua proposta de “neutro”?
- Faremos algo que os dois gostam. - explicou-se, sorrindo, aprovando sua própria idéia.
- Achei que tivesse dito que não temos nada em comum. - sorriu vitoriosa e pela primeira vez ele não teve raiva e sim vontade de rir.
- Acho que não existe alguém no mundo que não goste de sorvete. Só isso, única coisa em comum - entrou na brincadeira.
- Ok. Acho que você venceu essa, não sou imune ao gosto por sorvete. Pelo contrário, sou apaixonada.
A menina levantou-se rapidamente e logo estavam na sorveteria mais próxima. Era oficialmente um começo. pediu seu sabor favorito que era chiclete e o menino escolheu o básico chocolate.
- Acabamos discordando no sabor do sorvete - brincou mexendo no sorvete.
- Nada é perfeito, . - o garoto levantou seus olhos , encarando-a de um jeito divertido, tirando um sorriso de seu rosto.
- Como vai ser amanhã? - encarou a fim de começarem a organizar de quem seria cada dia.
- Viva o presente, .
- Você sabe o que eu quis dizer. Tipo, dia da ou dia do ? - ela esclareceu, rolando os olhos de uma maneira impaciente e logo em seguida sorriu.
- Vamos sortear - tirou uma moeda de seu bolso com uma careta marota - Primeiro as damas.
- Coroa - escolheu a menina, rindo do método de escolha de . Jogou a moeda, que deu Cara.
- Estou com sorte - sentiu-se vitorioso, recolhendo sua moeda da mesa.
- Está mesmo. Imagina começar nosso acordo indo pro shopping? Você que tem tanto nojo do lugar. - a garota comentou ironicamente.
- Não é bem o lugar, mas me diz o que as pessoas fazem no shopping? - apoiou seu rosto na mão, pensativo.
- Compram?! - ela retrucou sarcástica.
- E quando não tem dinheiro?
- Desculpe, não ando com esse tipo de gente. - disse num tom fingido de superioridade.
- Está andando agora. - deu um sorriso de moleque, encerrando o assunto.

Após a manhã que havia finalmente dado certo para os dois, cada um seguiu para sua casa. tinha que cuidar de Mookie ainda e olhar a casa, afinal ele estava sozinho. Após seus afazeres, ele decidiu descansar e ver mais um pouco de seus preciosos desenhos, nesse meio tempo seu celular tocou o fazendo pular do sofá para atender.
- Está com tanta saudade assim que não pode deixar o telefone chamar duas vezes? - gargalhou do outro lado da linha. - A situação deve estar tensa. Quantas horas no banheiro está gastando por dia?
- Idiota! - riu com a provocação do amigo – Como está aí?
- Está ótimo, nunca vi tantas gatinhas num lugar só. E aí, o Mookie já aprendeu a jogar vídeo-game? Com o tempo que você tá passando com ele dá pra deixar ele treinadinho.
- O Mookie já está ficando carente de mim. Digamos que não estou 24 horas em casa. - o garoto sorriu, imaginando a cara surpresa do amigo.
- Então você achou uma turista gatinha?
- Não, na verdade achei uma pessoa escondida no corpo de uma popular - ele comentou, esperando que fizesse algum sentido.
- Como? - questionou confuso.
- É um longa história, cara - passou a mão em seu rosto.
- Não pode ser tão longa assim, faz menos de dois dias que falei contigo - transpareceu toda sua curiosidade naquela frase, fazendo com que não resistisse e contasse tudo a ele.
- Aí você cai da cama e acorda? - gozou ao ouvir a história - ? Tem certeza?
- Tenho, cara! Não é aquela menina que você acha muito gostosa, com longos cabelos esvoaçantes?
- Eu acho gostosa? Só eu? Finja que não acha ela gostosa, .
- Fingirei que não ouvi isso, . - o garoto revirou os olhos rindo.
- Deixa de ser gay - retrucou.
- Falou o macho. - não se deu por vencido, recusando-se a elogiar em voz alta.
- Claro que sou macho, pelo menos assumo que a é gostosa. E se eu estivesse no seu lugar já teria agarrado ela.
- Ah, é mesmo, fodão? - zombou, achando graça de seu amigo.
- , quando voltar a ser homem fale comigo. Agora tenho que desligar, dê um grande beijo na por mim.
- Mas que intimidade, nem eu a chamo as... - deparou-se com o “tu tu tu” do outro lado da linha. Xingou mentalmente por ter desligado em sua cara. Sentou-se no sofá na esperança de achar alguma coisa que prestasse e conseguisse tirá-lo de sua solidão. Então Mookie se acomodou ao seu lado e começou a lamber sua mão, fazendo o menino sorrir. E ainda diziam que melhores amigos não se compram. Mookie poderia ter sido caro, mas com toda certeza era o melhor amigo que já tivera.
Depois de algumas horas dos programas mais idiotas que o menino já havia visto, o tédio começou a dominá-lo, trazendo curiosidade, fazendo-o se perguntar : “O que ela estaria fazendo?

A música soava baixa e calma no quarto de . Para ela parecia tão diferente, tudo tão quieto. Mas no momento era maravilhoso. A menina se pôs a pensar como estariam suas férias se seus supostos amigos estivessem ali. Provavelmente, ela estaria, mais uma vez, passando a imagem de casal bonitinho da escola andando com Easy por aí. Nenhuma menina reclamaria por estar no lugar dela, ficando com Easy, o garoto estrela do colégio, com seus cabelos cor de bronze, os olhos verde esmeralda, corpo atlético. Ele era doce, calmo e , sinceramente, o considerava um grande amigo, diferente do menino que sempre fazia o possível para ter algo mais sério com ela. A menina se sentia horrível por ficar dando esperanças a Easy sem poder se afastar, mas esse era um preço que ela tinha que pagar por sua imagem. Ela tinha que andar com Easy para fazer o gosto de suas amigas Callie e Noelle que haviam imposto aquilo como uma forma de proteger seus próprios romances, já que tinham medo que se estivesse sozinha, pudesse roubar seus namorados Brandon e Logan. Era mais ou menos como se fosse “se não pode com ela, junte-se a ela”, por isso as meninas ofereceram sua “amizade” com medo que a menina roubasse tudo delas. Nesse tempo sozinha, pode ver que quase não tinha tempo pra ela mesma, que aquilo que os outros acreditavam que ela gostava, na verdade não a agradava tanto. Um momento ela se pegou pensando “o que fazer no dia da ?” ela não sabia mais quem era. Agora eles estavam passando suas férias longe, levando a personalidade que criaram para sem nem ao menos se importar com ela. Deixaram uma tecnicamente “oca”, como uma folha em branco que teria que reescrever muita coisa para se descobrir. A garota pegou o telefone ao seu lado, discando para alguém que com toda a certeza sabia quem ela era antes daquilo tudo acontecer e a ajudaria a se lembrar.
- Eu jurava que você estaria muito ocupada nessas férias para lembrar do seu querido irmão - Chris, o irmão mais velho de , debochou.
- Não se diz mais oi nessas terras? - a garota ironizou - Mas deixando isso de lado, você sabe que nunca estou ocupada demais para ligar pro meu irmãozinho. Como está a república pré faculdade? -
- Ótima. Espero que você nunca venha para uma dessas, me dá náuseas imaginar você no lugar das meninas daqui - Fez uma voz engraçada, fazendo-a rir.
- Por quê? - a garota fingiu uma voz assustada.
- É uma putaria total. Espero que você ainda esteja na fase de andar de mãos dadas com seu amiguinho Easy. - Chris fez uma força na voz ao mencionar o nome do garoto.
- Easy é um lance social. - a voz de saiu desanimada.
- Eu sei. É por isso que mesmo não estando ao seu lado, sei que quando você fala do Easy você tá com cara de criança que tem que almoçar quando está com vontade de simplesmente brincar e comer sorvete.
- Ele é legal! - a garota tentava se convencer enquanto falava.
- Em que século você está? Isso parece um casamento arranjado, . Já falei mil vezes que você é boa demais pra ficar escutando o conselho das chapiranhas! - gargalhou ao ouvir o apelido que o irmão havia inventado para nomear Callie e Noelle.
- Não importa quantas vezes você fale “chapiranhas” eu ainda vou achar uma combinação bizarra.
- Mas elas são chatas e piranhas e eu não estou afim de perder meu tempo com elas. Mas não mude de assunto. - a voz do menino ficou mais séria.
- Não estou mudando, mas acho que por enquanto você não deve se preocupar com isso. As cha... meninas viajaram e levaram o Easy junto.
- Isso prova como elas são piranhas. Vão fazer uma orgia com seu peguete junto ainda. Ah é, mas você não se importa. - Chris gargalhou.
- Chris, não é assim! - a garota tentava ficar irritada, mas era impossível considerando o fato de que adorava seu irmão e realmente não ligava se Easy estava com outras.
- Ok. Mudemos de assunto então. Como vai se virar nessas férias?
- Já estou me virando, acho que estou indo bem. - sorriu satisfeita consigo mesma.
- Com quem está saindo?
- .
- Nossa! Juro que foi uma surpresa. Mas faz bem, você era mesmo apaixonada por ele quando era menor, eu via em seus olhos. - Chris fez força para não rir.
- Você não sabia nem amarrar os cadarços, imagina saber dos sentimentos dos outros.
- Tem razão, mas agora pode rolar. - o menino deu-se por vencido.
- Não viaja, eu estou abandonada, mas não estou carente a esse ponto. - revirou os olhos. Ela conhecia a fama de , ele podia ser até bonitinho e legal, mas ela não se deixaria levar por isso.
- Veremos, Malvada
- Eu não sou malvada - retrucou como uma criança.
- Ok, coração de pedra. Desejo boa sorte pro , tenho que ir. – O irmão fez uma voz afetada.
- Se cuida e use camisinha, não quero ser tia.
- Vai dormir, - Chris berrou em meio a gargalhadas desligando o telefone.


Capítulo quatro - Impróprio


Após desligar o aparelho, a menina não se conteve em colocar seus chinelos e subir as escadas de incêndio para falar com . Ela se sentia mais animada, mas ficar animada sozinha não tinha graça, pelo menos não para uma adolescente aos 17 anos. Quando adentrou o quarto do menino pela janela, o mesmo estava dormindo fazendo a menina bufar. Subiu na cama de dando um beijo estalado na sua orelha, aquele que incomoda até sua décima geração.
- AAAAAAI - o menino sentou-se abruptamente na cama com o susto, olhando gargalhando em sua cama. - Intimidade é uma merda.
- Eu sei o quanto você se arrepende de ter me mostrado a entrada pela janela, queridinho. - A menina ainda ria.
- Isso é verdade - ajeitou-se na cama olhando a menina toda animada. - Por que você tá assim igual a um canguru, toda saltitante?
- Eu não tô igual a um canguru. Eu quero me divertir.
- De verdade? - o garoto sorriu torto tendo uma idéia.
- Claro! - a menina quicou mais uma vez na cama.
- Ao jeito ou ao jeito ? - os olhos de pareciam brilhar com a adrenalina.
- Eu sei que eu não deveria confiar em você já que nos falamos há menos de uma semana, mas considerando que você acha que minha forma de diversão se chama shopping eu vou tentar o tipo de diversão. - entortou a cabeça sorrindo. fez um gesto com a mão para que ela o seguisse e então ela o fez.
- Senta aí. - apontou pra bancada abrindo um armário na cozinha com várias bebidas. sorriu já percebendo o estilo de diversão do menino.
- Você é um alcoólatra e eu não fiquei sabendo, ? - elevou a sobrancelha simetricamente feita.
- Eu sou o cara que fornece diversão, meu bem, então só me siga. - colocou algumas bebidas na mão de e pegou uns copos levando para seu quarto. Chegando lá, apontou para que ela sentasse a sua frente na cama.
- Vamos jogar! - Ele fez uma cara de jogador que fez a menina rir novamente - Eu ainda nem te dei nada e você já está nesse estado.
- Eu só estou empolgada. Vamos logo com isso. - A menina cruzou as pernas em cima da cama.
- “Eu nunca”. Conhece? - encheu dois copos entregando um para .
- Claro. Quem começa?
- Pode começar? - O garoto deu de ombros, despreocupado.
- Eu nunca fiquei com mais de 5 pessoas da minha escola. - Um sorriso vitorioso formou-se no rosto da menina. a avaliou por uns segundos virando sua bebida.
- Eu nunca fui popular na minha escola. - Deu um sorriso debochado.
- Ei, essa foi bem direta. - A menina reclamou, virando o copo.
- E a sua não foi, queridinha? - retrucou, deixando ela sem resposta.
- Eu nunca parti o coração de ninguém. - bebeu novamente.
- Sei não, o Easy me parece meio magoado - Comentou ele.
- Como você sabe do...? Epa, ‘peraí eu não falei isso - se enrolou um pouco.
- É só uma questão de observar você e ele.
- Então você me observa? - Retrucou vitoriosa.
- Quem não te observa? - respondeu sem se deixar abalar.
- A diferença é que a única pessoa que percebeu algo errado comigo e Easy foi você.
- Eu só sou mais esperto que aquele bando de gente fútil - Mais uma vez um sorriso torto apareceu em seus lábios e a menina acabou rindo também. - Só vamos continuar o jogo.
- Eu nunca me apaixonei - soltou simplesmente, esperando a menina - Não vai beber?
Ela ficou meio desconfortável com isso. Às vezes ela se perguntava o que havia de errado com ela, uma menina nos seus 17 anos e nunca havia se apaixonado. Ela nunca confessou aquilo pra nenhuma amiga com medo que dissessem que ela era estranha.
- Eu nunca me apaixonei, - o encarou esperando sua reação.
- Uau, por essa eu não esperava. - ele olhou pra ela - Cara, nós temos mais uma coisa em comum. - levantou seu copo fazendo sinal de brinde, o que fez a menina rir mais uma vez.
Quando já estava escuro, e riam de tudo e já não falavam mais coisas conexas.
- Acho que agora deveríamos jogar strip poker. - levantou as sobrancelhas de um jeito sugestivo.
- Não sei jogar isso. - deu um pequeno empurrão no ombro do menino - Por que a gente não dança? - levantou-se animada da cama, mexendo nos CD’s espalhados na estante de . Ela pegou um CD do John Mayer. - Temos mais um gosto em comum, queridinho – ela colocou em “slow dancing in a burning room” dançando lentamente sem se intimidar com que a olhava com a boca um pouco aberta. Se perguntasse o que seu amigo achava de naquele momento, ele diria “sexy”, afinal bêbados não mentem. aproximou-se da garota que ainda dançava de olhos fechados, encostando seu corpo no dela e abraçando-a por trás, dançando no mesmo ritmo lento que ela. não fez menção de se afastar. Por incrível que pareça, ambos sentiam um calor emanar de seus corpos, a princípio acharam que era efeito da bebida. Pelo menos naquele momento eles ainda podiam acreditar que era aquilo.
- My dear, we're slow dancing in a burning room. - cantarolou baixo, o que acabou provocando um arrepio em . Talvez fosse a proximidade. Ela sentia nervoso com qualquer coisa, aquilo com certeza não era nada. A música acabou, mas nenhum dos dois sentiu necessidade de se afastar. virou-se dando de cara com os olhos incrivelmente de .
- Eu acho que estou meio tonta. - Sua voz saiu num sussurro, ela ainda olhava nos olhos do menino.
- Acho que bebemos demais. - se aproximou instintivamente do rosto da menina, passando seu olhar dos olhos dela para sua boca. Parecia tão convidativa que naquele momento ele não pensou em mais nada a não ser experimentar dela. E assim acabou com a distância entre eles dando-lhe um beijo. Foi um beijo inesperado, por isso, começou calmo, mas no calor do momento ele foi ficando mais rápido e intenso. Caminharam até a cama ainda sem terminar o beijo. a deitou na cama, beijando seu pescoço e colo, àquela altura tudo já estava rodando, mas ele não ligava. Estava intoxicado pela pele de , pelos beijos. Era tão novo e tão inesperado e por isso tudo parecia tão bom. A menina mordeu seu lábio inferior o deixando nervoso, ele deu pequenos chupões pelo pescoço da menina enquanto ela o arranhava. Quando fez menção de tirar a blusa da garota, ela parou, botando o dedo nos lábios do garoto.
- Ainda não, , a diversão está só começando. - ela desceu da cama, passando pela janela e então desapareceu, deixando um meio desorientado em sua cama. Ele não sabia, mas ela também não fazia noção do que tinha acabado de acontecer, e como seriam as coisas dali a diante.


Capítulo cinco imaginação


estava deitada em sua cama. Podia sentir sua cabeça pesar, definitivamente estava com ressaca. entrou pela janela da menina um pouco confuso com o acontecido da noite anterior, porém disposto a não abordar o assunto de cara, esperando que a menina falasse algo.
- Bom dia, Bela adormecida. Hoje é o dia da - frisou a última parte, esperando que isso a animasse.
- Ótimo dia pra alguém que não está com dor de cabeça, não é, ? - a voz de saiu abafada graças ao travesseiro que estava em cima de seu rosto. - Sério, a não ser que você esteja disposto a passar o dia da aqui, cuidando da minha ressaca, pode voltar pra casa.
- Ok - levantou-se da janela, fazendo a menina pensar que ele estava voltando para casa - Eu vou ficar e cuidar de você. Só preciso pensar no que falar quando sua mãe aparecer no quarto - o garoto fez uma cara pensativa que pôde ver quando afastou o travesseiro de sua face.
- Tá brincando que você vai ficar aqui no maior tédio me vendo com ressaca? - a menina o encarou e ele fez uma cara engraçada, levantando os ombros, em seguida acomodou-se na poltrona da menina - Tudo bem se você quer. Não se preocupe com minha mãe, ela já saiu.
O quarto por uns minutos caiu em profundo silêncio. , na verdade, não sabia muito bem como reagir diante do que havia acontecido na noite anterior, mas considerando o jeito como a estava tratando, ela começou a achar que ele não estava se lembrando. Com essa idéia em mente, ela conseguiu relaxar um pouco na presença do menino. A garota levantou-se lentamente e foi até seu banheiro enquanto a seguia com o olhar. Quando saiu do banheiro, estava devidamente apresentável, mas sua cabeça ainda explodia.
- , eu lamento muito não poder animar seu dia, mas eu estou morrendo de dor de cabeça. Podemos só ver uns filmes?
- O dia é seu, você escolhe. - afirmou, não se sentindo nem um pouco desapontado. Afinal aquilo parecia melhor que um passeio no shopping tentando controlar com as compras. se aproximou de onde a menina estava, a ajudando a escolher um filme na sua estante que tinha opções bem agradáveis.
- Uau, você não tem “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom” nem “As Patricinhas de Beverly Hills”. Eu estou chocado - encenou uma careta chocada, fazendo a menina rir de leve.
- Sei que você se amarrou na minha coleção de Harry Potter, Piratas do Caribe e X-men.
- É bem legal, eu ainda estou bem surpreso - o menino avaliou a capa de um DVD de comédia qualquer, estendendo para que colocasse. A garota colocou o filme em sua TV no quarto mesmo, deitando-se em sua cama preguiçosamente.
- Se quiser, pode sentar aqui, - ela convidou meio tímida - é meio desconfortável ver o filme todo na poltrona.
O garoto se acomodou na cama, prestando atenção no filme que começava.
- Desculpa por ontem - começou a falar deixando a menina meio nervosa - Eu não imaginei que você ficaria com dor depois pela bebida e tudo mais. - relaxou e ao mesmo tempo ficou incomodada, ele realmente não lembrava que eles haviam se beijado? Ela se sentia meio estranha, era a primeira vez que alguém fazia tão pouco caso por ficar com ela. saiu de seus devaneios com o seu celular tocando. Era Easy.
- Easy! - forçou um ânimo que ela não estava ao atender ao telefone. Caminhou para a janela, sentindo o olhar de nela.
- Minha linda, deve estar sendo um saco pra você aí sozinha ,né? Como está?
- Ótima, não está sendo tão ruim. - Tentou não parecer muito rude, mas a forma como aquelas pessoas achavam que eram essenciais pra vida dela ser melhor já estava começando a deixá-la irritada.
- Hum - Easy ficou um tempo em silêncio - Então a gente se fala, gatinha.
- Tudo bem, não quero estragar a diversão. Callie e Noelle devem estar chateadas que você está longe muito tempo.
- Beijos, se cuida. - Easy se despediu meio incerto, desligando o telefone. respirou fundo, tentando relaxar, deixando um meio confuso ao vê-la assim após ter falado com seu “amigo”.
- Algum problema com Easy? - perguntou a menina quando ela voltou a sentar-se na cama. Ela o olhou por algum tempo, ela parecia irritada.
- É só que as pessoas não costumam se preocupar muito comigo. Às vezes elas esquecem que eu não dependo delas pra viver.
- As pessoas se preocupam com você, o problema é que você está focada em um só grupo que você quer que lembre de você.
- Era o mínimo que deveriam fazer, não é? Não são eles que se julgam meus amigos?
- Você tem uma percepção meio errada de amizade. Afinal, amigos são aqueles que estão ali por você. E me desculpe falar assim, mas eu nunca vi Callie, Noelle , Brandon, Logan e muito menos o Easy fazendo algo por você. Somente esperam que você faça por eles - olhou em seus olhos que estavam marejados.
- Eu só estou acostumada a pessoas que se aproximam por interesse. Você tem razão, eu não fui apresentada a amizade, eu não sei o que é ter um amigo.
- Prazer, , amizade ao seu dispor. - Ele sorriu encorajando-a.
- Amizade não se conquista? - A menina retrucou se divertindo.
- Você não é de todo mal, está me conquistando. - Deu de ombros, brincando enquanto a menina lhe dava um soquinho.
- Acho que minha cabeça está doendo menos - comentou aleatoriamente.
- Isso é bom, me sinto menos culpado pelo seu estado.
- Sobre ontem, ... - a menina tentou iniciar a conversa um pouco sem jeito, perdendo a coragem. - Er, não se preocupe. Eu bebi por que eu quis, você não precisa ficar preocupado.
- Então tudo bem. - finalizou a conversa e então voltaram a se concentrar no filme.


- Você ficou com a e agora está fingindo que nada aconteceu? Que tipo de garoto marica você está virando, ? - dava uma bronca em .
- Estamos nos dando bem fingindo que nada aconteceu.
- Não tem como fingir que vocês não enfiaram a língua na boca um do outro. E tocaram o corpo um do outro e, uau, que corpo... - o garoto se perdeu em seus pensamentos incomodando .
- !
- Eu estava falando dela, não de você, não se preocupe.
- Ok, , só vamos deixar assim por enquanto, ok. Mas me diga, como vai você?
- Estou bem, vendo umas garotas bem bonitas passando pela rua. Acho que vou segui-las... Mais tarde te ligo, little boy - desligou o telefone, fazendo soltar uma risada. Já era noite e ele havia deixado dormindo em seu quarto. A tarde havia sido agradável: viram filmes e jogaram banco imobiliário no qual a menina era muito boa... Em roubar dinheiro do banco sem ninguém ver, isso pelo menos até ela conhecer , que apenas fingiu não a ver fazendo isso. Não tiveram mais nenhuma conversa tensa sobre a noite anterior, nem falaram mais nenhuma palavra sobre os amigos da menina. percebia que ela ainda estava meio incomodada com a ligação de Easy mais cedo. O garoto se sentia realmente mal por ela, ele não imaginava como era se sentir solitário como ela, tendo amigos tão superficiais. Mesmo sendo um bobão, era um ótimo amigo, não se imaginava sem ele para contar seus problemas e até ouvir seus conselhos idiotas. Logo o menino adormeceu com seus pensamentos.



Capítulo seis - Imperfeição



levantou-se disposta, tendo uma idéia. Rumou para seu banheiro, tomando um banho relaxante e dizendo a si mesma que o dia seria bom. Vestiu seu jeans básico, uma blusinha branca e um All Star da mesma cor, comunicando a sua mãe de que estava saindo enquanto pegava sua carteira. Depois, subiu a escada do corredor, tocando a campainha. foi até a porta, perguntando-se quem poderia ser.
- Por que você está aqui? – O menino fez uma expressão de confusão – Quero dizer, por que não entrou pela janela? – riu do comentário dele, entrando na casa sem fazer cerimônia.
- Posso pedir um favor? – Ela estava com aquele ânimo descontrolado que a fazia parecer um “canguru”, na percepção de .
- Pois não – fechou a porta, sentando no sofá.
- Posso ter meu dia novamente? Ontem não deu para te mostrar o que é um dia da – Ela piscava os cílios de um jeito engraçado, tentando convencer o garoto, que fingia pensar. Obviamente ele não iria recusar, afinal, o que tinha a perder?
- Pode – Finalmente, o menino sorriu – Eu devo me arrumar agora?
- Nesse instante! – foi empurrando até o quarto. Ele se arrumava enquanto ela se divertia com um jogo qualquer no computador.
- Qual roupa? – estava parado em frente ao armário com uma toalha amarrada em sua cintura. A menina não ficou tão desconfortável, considerando o fato de que fora criada com Chris dentro de casa, e o irmão adorava andar de cueca de um lado para o outro.
- Essa calça e essa camisa – Ela selecionou um jeans escuro e uma camisa em gola V preta. Ela tinha um fraco por meninos vestidos assim, mas não precisava saber disso. Afinal, ela queria saber se o vestuário nele teria o mesmo efeito. O menino terminou de se vestir, fazendo sorrir com a combinação. Sim, ele havia ficado lindo.
- Vamos? – Calçou o tênis, pondo-se de pé. Então, a menina o puxou pela janela, fazendo-o descer correndo pela escada de incêndio – Quero saber qual é a da sua tara por essa escada.
- É um dia da . Não questione, querido – Brincou, fazendo sinal para o primeiro táxi que passou.
- Isso parece um sequestro, ! – levantou uma sobrancelha, fazendo a menina revirar os olhos ao seu lado no banco traseiro do carro.
- Não se preocupe, eu não vou te estuprar.
- Sei disso, querida – Ironizou, fazendo-a rir. O táxi parou em frente ao shopping – Por que é mesmo que eu não estou surpreso com o local?
- Porque você acha que eu sou muito previsível – A menina o encarou sorrindo com os olhos, apenas. Ele ficou se perguntando como ela fazia aquilo. segurou em sua mão, puxando-o escada rolante acima.
- Você geralmente corre assim pelo shopping? – ficou curioso.
- Não, mas eu estou tentando mudar – Ela sorriu e riu de sua resposta.
- Você não é nem um pouco previsível, sabia – Ele pulou o degrau e a menina fez o mesmo – Eu não sabia que você era sequestradora, nem que corria no shopping, muito menos que não sentia falta dos seus amigos em nenhuma hora. E você até gosta de mim, o que era a coisa mais improvável de todas.
- Eu nunca disse que gosto de você – ficou séria e o menino a encarou, sem graça. Ele passou a mão por seu próprio cabelo, desconfortável, até que a menina caiu na gargalhada – Você tinha que ver sua cara!
- Você é muito engraçadinha, também não gosto mais de você – fingiu uma cara de emburrado.
- Então, você gostava de mim? – A menina levantou a sobrancelha, com uma expressão de superioridade.
- Não! – Ele olhou para ela, que continuava o olhando – É que você é... Ah, não sei, .
- Tudo bem, fim de discussão. Vamos só voltar para a programação – Ela segurou em sua mão novamente, o guiando. Finalmente, pararam em frente à loja de jogos. E que loja de jogos! Era realmente incrível. Grande, com cada brinquedo mais emocionante que o outro. se sentia quase como uma criança novamente, ele podia sentir o sorriso se formando involuntariamente em seu rosto.
- Não me diga que a Noelle e a Callie ficavam no shopping brincando aqui, que eu não acredito – O menino se descontraiu, entrando na loja.
- Logo quando abriu, o Brandon tentou fazer com que viéssemos. O Logan e o Easy estavam na expectativa de vir também, mas as meninas disseram que isso é coisa de mané.
- E o que você disse?
- Eu não falei nada para elas – pareceu perder aquela pose impenetrável, parecendo uma criança – Mas, quando cheguei em casa, comentei com o Chris. Ele, na hora, me trouxe. Passamos horas na máquina de dança e depois na de tiro.
- O Chris é um cara legal. Ele falava comigo quando me via – sorriu, fazendo revirar os olhos e o puxar para a fila, onde comprariam as fixas.
- Mas hoje eu não faço bem mais que o Chris? Eu estou aqui, saindo com você – respondeu, fazendo pensar que realmente ela havia feito BEM mais que Chris. Ele nunca havia beijado o irmão dela.
entrou na primeira cabine de tiro, puxando a garota consigo assim que compraram as fixas.
- Espero que você seja durona, sacou sua arma, fazendo cara de machão para a tela. achou graça, porém entrou no personagem, fazendo uma cara séria, segurando sua arma com firmeza.
- Querido, eu sou foda! – riu do comentário da garota.
- Qual é? Agora você fala palavrão? Sou uma péssima influência.
- , desde quando você tem alguma influência sobre mim? Quieto agora e cabeça no jogo – começou a atirar freneticamente, acertando todos os alvos e deixando meio abobalhado. Que planeta era aquele, que meninas que iam toda a semana ao salão fazer as unhas, sabiam atirar? O menino finalmente acordou e começou a jogar, sem pena também. Ambos começaram a se tornar competitivos. Mesmo estando na mesma equipe, um queria mostrar para o outro quem matava mais.
- Você até que atira bem, para uma menina – a “elogiou”.
- Você atira igual a uma menina, para quem faz tanta pose – rebateu, debochando de sua cara.
- Implicante!
- Só jogue, ! – Retomou sua atenção ao jogo e não ficou para trás, acertando três alvos seguidos.
Depois de horas jogando, finalmente decidiram ir para a praça de alimentação. reclamava igual a uma criança, dizendo que sua barriga estava dolorida de fome, fazendo revirar os olhos toda vez que ele apresentava sua expressão “sofrida”.
- Onde quer comer? – parou com no meio da praça da alimentação, fazendo os olhos dele se iluminarem.
- Burguer King! – Declarou, antes de voltar a fazer sua pose de garotão, quando um grupo de meninas passou por ele dando risadinhas. , sem paciência para exibicionismo, apenas deu alguns passos para perto do balcão, fazendo seu pedido, e o , pouco se importando com o que ele escolheria – Ei, eu não falei o que queria – Ele se aproximou, indignado, e fingiu um sorriso.
- Achei que estava com fome, então vim adiantar as coisas enquanto você se enturmava – respondeu ainda com seu sorriso fingido. Então, sorriu de lado, se dando conta de algo estranho: estava com ciúme?
- O que foi isso? – Ele questionou.
- Isso o quê? – fingiu-se desentendida, pegando a bandeja com os pedidos e sentando-se na primeira mesa vazia que achou. sentou-se a sua frente.
- Seu quase ataque de ciúme disfarçado – Sorriu presunçoso enquanto a menina o encarava de olhos meio arregalados, sem reação. Ela não estava com ciúme. Recusava-se a sentir ciúme de . Raramente sentia de Easy, só quando era uma situação extrema, e isso não mudaria agora com . Ela relaxou, ignorando o fato das meninas terem falado com ele, e pensou em algo para demonstrar que não estava com ciúme.
- O que é isso, , pirou? – Tentou descontrair dando uma risadinha sem graça.
- Acho que eu que exagerei, desculpa. Até parece, você com ciúme de mim – Sacudiu a cabeça enquanto ela o encarava com um sorriso fraco no rosto.

Na volta para casa, ambos ainda estavam animados com o passeio e comentavam qual brinquedo foi o mais divertido e outros que eles deveriam experimentar da próxima vez. Quando chegaram ao local, rumaram direto para a casa de , onde, milagrosamente, entraram pela porta da frente. A menina deixou-se relaxar no sofá.
- Onde está sua mãe? – Seu olhar curioso, de um azul penetrante, avaliou o local atentamente.
- Acho que hoje ela não vem para casa. Nesse emprego é sempre assim: ou ela chega absurdamente tarde, ou não vem para casa – Respondeu entediada sem nem ao menos abrir os olhos.
- E quem cuida de você? – indagou.
- Acredite querido, eu não sou mais uma criança – Um sorriso misto de deboche e malícia pairou nos lábios da garota. ficou meio paralisado quando sua mente começou a vagar por pensamentos inapropriados.
- Já que estamos sozinhos, vamos voltar aos nossos jogos? – deu uma olhada na reação de , com um sorriso quase inocente. Seus olhos brilharam ao reparar nas bebidas que estavam na estante.
- A última vez não foi o suficiente? – tentou não demonstrar a insegurança em sua voz, em vão. percebeu, dando um sorriso disfarçado.
- Foi só um começo, e hoje você está de barriga cheia. Não vai ser tão ruim – A empolgação do menino estava contida, mas era quase visível em seus olhos.
- Mas...
- Tem medo de quê, ? – questionou provocativamente. Melhor do que ninguém, ele sabia que nunca era superada. Muito menos tachada de medrosa. Porém, a provocação foi o suficiente para lembrar a menina de quê, na outra noite, esteve tão próximo dela. Ela piscou os olhos rapidamente, afastando os pensamentos. Ela não era medrosa, sabia se controlar.
- Você deveria saber que medo não é uma palavra que se encontra no meu vocabulário – se levantou – Vamos jogar, – Ela pegou a garrafa e seguiu para seu quarto, sem olhar para trás. Sabia que estava indo atrás dela. Todos iam.
- Qual vai ser o jogo dessa vez? – arrumou-se na ponta da cama, em frente à , que já havia se acomodado perto a cabeceira.
- Jogo das perguntas – A menina girou a garrafa entre os dedos - Uma pergunta só pode ser respondida com outra.
- Posso começar? – Blefou com um sorriso malicioso no rosto.
- Você não já começou? – Rebateu , sentindo-se superior, causando um desejo competitivo em , que se aprumou pronto para revidar.
- Acha isso?
- Tenho certeza – respondeu imediatamente, se dando conta de seu erro. Fechou os olhos com força, evitando olhar para o menino. inclinou a garrafa levemente na direção dela, que a puxou bruscamente de sua mão dando um gole, o que fez seus olhos lacrimejar pela ardência da bebida.
- Aprendeu? – Recomeçou o menino, radiante por estar ganhando da “perfeita” .
- O quê? – Revidou de pronto, cerrando os dentes.
- A ganhar! – soltou na empolgação do momento, revirando os olhos ao perceber o sorriso vitorioso brincando nos lábios da garota. Ele tomou um gole generoso, recompondo-se segundos depois.
- Quando vai jogar sério, ?
- Quer me ver jogando sério?
- Você tem capacidade de mostrar? – Ela se fingiu entediada, deixando-o um pouco irritado.
- Só quer que eu mostre isso? – Chegou mais a frente, a fim de encarar a menina nos olhos. A luz da lua clareou os do menino. arrepiou-se, mas não se deixou afetar, mantendo a pose.
- O que mais você poderia mostrar, ?
- O que gostaria de ver? – Um tom sedutor saiu da boca dele. Ambos se encararam por um tempo, fixamente; o ar ficando pesado.
- Você é tão bom quanto se acha? – A voz da menina saiu um pouco mais fraca devido à proximidade.
- Posso mostrar – Comentou , num tom mais leve também.
- Isso não foi uma pergunta – A menina retrucou de leve, sentindo a palma de sua mão suar pelo nervosismo. Os olhares ainda conexos.
- Nem a sua – mencionou antes de puxar a garota para si. Ignorando sua voz interior, que cismava em questionar “o que você está fazendo?”. No início, foi um choque para a menina, mas logo ela cedeu. Ela sabia que queria aquilo, por mais que achasse absurda a idéia de se deixar levar por um sedutor barato como . Era diferente, era um beijo bom, sem nenhum tipo de preocupação. Pelo menos, naquele momento, ela não tinha que ter a aprovação de ninguém sobre quem ela deveria beijar ou não.
- Então – Ele separou a boca da dela, ainda próximo – Eu sou tão bom quanto me acho? – Um sorriso cafajeste brilhava nos lábios de .
- Quer mesmo que eu responda? – brincou meio ofegante. Deu uma leve mordida no lábio inferior do menino, sendo puxada novamente por ele. Os dedos dela brincavam com o cabelo dele enquanto a acomodava deitada na cama, ajeitando-se sobre ela. As mão dele seguravam firmemente a coxa da menina . Depois de mais um tempo entre beijos e carícias, separou seus lábios novamente, pondo uma mecha de cabelo que estava no rosto de atrás de sua orelha.
- Isso poderia ser uma coisa legal, você não acha? – olhou em seus olhos de uma forma meio engraçada, com medo de que a menina desse a louca naquele momento e saísse gritando para ele nunca mais a agarrar daquela maneira.
- Não se acostume – Ela comentou de forma brincalhona, fazendo-o sorrir aliviado – Mas, é, pode ser legal.
Então eles aceitaram “aquilo” como uma das formas de diversão diária deles. Finalmente, uma coisa nova que era de e , e não só de um deles.

Capítulo betado por Fee



Capítulo 7 - Invisível

O sol brilhava forte deixando os raios ultrapassarem as cortinas finas do quarto de . Ela sentiu o brilho sobre seus olhos, incomodando-a. A menina virou preguiçosamente sentindo o corpo de ao seu lado. Riu baixinho achando graça de como as coisas estavam mudadas. Um barulho na porta da sala alarmou a menina fazendo seus olhos se arregalarem. Ela sacudiu rapidamente, que olhou para ela assustado.
-Querida, já acordou? – ambos ouviram a voz de Samantha, mãe de , se aproximando. locomoveu-se agilmente para baixo da cama da menina enquanto a mesma se ajeitava da forma mais inocente possível, dando uma analisada rápida no quarto para que a mãe não desconfiasse.
-Olá, minha princesa! Dormiu bem? – Samantha entrou no quarto acomodando-se ao lado da filha na cama. A mesma balançou a cabeça de forma carinhosa enquanto o menino embaixo da cama segurava o riso, perguntando-se como Samantha acreditava nos gestos inocentes de .
-Vai passar o dia comigo hoje, mãe? – questionou meio sonolenta.
-Ficarei só um pouco, amor. Mais tarde volto pro trabalho – a mulher sorriu de forma doce, como quem se desculpa – Vou preparar uma coisa pra você se alimentar.
Samantha retirou-se do quarto. correu para a porta, trancando-a. O menino saiu de baixo da cama correndo. Estava já saindo pela janela quando voltou e plantou um rápido beijo nos lábios da menina, fazendo-a dar pequenos tapas em seus ombros para que ele subisse logo. Quando finalmente saiu do quarto, deu uma piscadela fazendo a menina rir. Então, estava sozinha em seu quarto novamente.

A tarde se passou calma na casa da menina. Enquanto a mãe dava um jeito na casa, elas conversavam sobre qualquer coisa apenas para passar um tempo juntas. O celular de vibrou duas vezes. A primeira era uma mensagem de Noelle “Temos tantas coisas para contar” e a segunda era de Easy “Temos uma surpresa, lindinha”. A menina revirou os olhos para as duas mensagens sem nem se dar ao trabalho de responder. Ela meio que agradecia mentalmente por ter um tempo de férias sem eles. Se ao menos uma das mensagens fosse “Como você está? Estamos com saudades. Se precisar da gente, só chamar!”, porém, nada era mais óbvio do que a falta de interesse dos “amigos” nela.
No andar acima, lia o email que havia mandado na noite anterior:

Querido,
Isso soou absurdamente gay. Bom, o que importa é: não precisa mais sentir minha falta. I’m back, bitch!


estava de volta a cidade, isso era um fato. Agora, o motivo era desconhecido e precisava, naquele exato momento, das informações. Pra quem achava que fofoca era coisa de menina, estava muito enganado quando se tratava de e .
Uma hora mais tarde, estava em carne e osso no apartamento de seu amigo, esticado no sofá com um sorriso idiota no rosto.
-Quer parar de ficar fazendo essa cara de idiota e me contar o que você está fazendo aqui?
-Também senti saudades, amigo. Obrigado por perguntar se estou bem - mudou seu sorriso para sarcástico fazendo tacar uma almofada em sua cara. – Ok, eu voltei porque eu conheci uma menina...
-E aí ficou com medo de se apaixonar e voltou pra casa?
-Deixa eu terminar a história, pequeno ? – revirou os olhos para a pose séria de .
-Enfim, ela é daqui, voltou pra casa e eu vim atrás dela.
-Mas vocês tiveram alguma coisa ou você só é realmente um tarado que veio atrás dela porque não conseguiu nada na viagem?
-Com tantas mulheres lá você acha que eu teria vindo pra cá sem ter tido nada com ela? É óbvio que eu tive algo com ela – pareceu ficar sem graça – Algo diferente do normal.
-Que lindo, meu neném está apaixonado – fez uma voz afetada, rindo de si logo depois. deu uma risadinha sem graça.
-Enfim, ligarei pra ela. Que tal irmos a um pub hoje?
-Falarei com a e iremos.
-? PERAÍ, ? FALAR COM A ?- dava ênfase no apelido.
-Não, a Maria Josefina!- bufou – O que tem de errado?
-Nada, não. , o pegador, com , a gostosa popular que não olhava pra sua cara há anos. – Ele comentou brincando enquanto fitava a cara do amigo sem esboçar nenhum tipo de expressão.

Já estava anoitecendo. e estavam estirados na cama quando ouviram um barulho na janela. arregalou os olhos para a segunda pessoa no quarto, mas logo reconheceu .
-Boa noite, . Espero não estar atrapalhando alguma coisa - O deboche evidente em sua voz fez gargalhar.
-Prazer, . Nos vimos algumas (muitas) vezes no colégio – Ele comentou em meio a uma tosse forjada fazendo rir. apoiou a cabeça no travesseiro admirando a cena tão estranha.
-Então, qual o plano da noite? – a menina aproximou-se de dando um beijo rápido em seus lábios, deixando um meio incrédulo enquanto sentia-se meio vitorioso pelo amigo ver a cena.
-D-I-V-E-R-S-Ã-O- piscou com um sorriso maldoso nos lábios – Eu preciso fazer uma ligação, arrumem-se para A noite.
Depois de mais ou menos uma hora, estava sentado já pronto na cama de . havia ido buscar uma pessoa, dizendo que às 22:00 em ponto era pra o “casal” estar do lado de fora da casa. A menina saiu do quarto num vestido frente única preto. levantou plantando um beijo no pescoço da garota.
-Está maravilhosa – ele mordiscou o lóbulo de sua orelha.
-Agora não, - ela afastou o garoto sorrindo - já deve estar chegando.
Chegando ao ponto de encontro, já estava os aguardando com uma acompanhante.
-Essa é - deu um olhar significativo para indicando que a menina baixinha dos olhos castanhos claros era a da viagem. Enquanto isso, deu um sorriso simpático, um pouco diferente, já que sempre que seu sorriso de simpatia era usado, havia escondido algum querer. Mas não dessa vez, era simplesmente simpatia ao se aproximar da menina. Sabe quando você simplesmente olha para a pessoa e gosta dela? Era exatamente o que sentiu ao encontrar . Milagrosamente, não era uma menina se aproximando por interesse, e isso era simplesmente novo para .
-Então, onde estamos indo de verdade? - indagou.
- À mansão do nunca! – exclamou com a voz aguda de animação fazendo com que os presentes rissem.
-É aquela que a festa nunca para? Tipo, está a uns três meses tendo uma festa que nunca acabou? – questionou achando graça ao lembrar que Easy e Logan eram loucos para ir nessa festa, mas Noelle tinha um pouco de medo e Callie só fazia o que Noelle fazia. Já Brandon era “tanto faz”, ele não era tão ligado a festas. O negócio dele eram jogos.
-Vocês podem me explicar no caminho como é essa história da festa? Eu estou acostumado a boates simples. – riu.
Enquanto os quatro se acomodavam no táxi, começou a contar a história: - Bom, tudo começou quando o filho do casal que morava na casa completou 18 anos. Ele era totalmente louco por festas, então, quando ganhou a mansão só para ele, decidiu dar uma e, bom, a festa está ai até hoje – cerrou os olhos enquanto ria – Eu espero encontrar o cara e dar os parabéns a ele.
-Parece meio macabro. – comentou sério quando pararam na frente da casa com milhões de luzes negras e neon saindo pelas janelas.
-Deixa de ser medroso! – abraçou o menino rindo de sua cara séria.
Quando abriram a porta do local, que obviamente ficava destrancada, segurou na mão da menina com medo de se perderem. A luz vermelha do corredor deixava tudo meio sombrio. Subiram a escada, que começava a variar pra um tom de lilás, e finalmente chegaram a uma sala ampla com muitas pessoas. Algumas jogadas no chão, já não muito bem. arriscou que essas pessoas estavam mais ou menos uma semana na festa, a julgar pelo estado. A música eletrônica alta fazia o chão e as paredes tremerem. aos poucos foi se entregando ao ritmo da música, puxando consigo.
-Está no seu local hoje – falou em seu ouvido.
-Vai dizer que você não pegava suas menininhas em festas quando estavam bêbadas? – Ela debochou.
-Eu pegava em bares. Bem mais fácil de achar bêbadas. – Sorriu colando seus lábios no da menina, pedindo passagem para sua língua.
-Eu sei que estamos em uma festa, mas aqui tem quartos – caçoou antes de puxar para algum canto da casa. e sorriram maliciosamente um para o outro e voltaram a dançar. Enquanto isso olhava a quantidade de pessoas distintas que havia no lugar. Uma menina dançava loucamente em cima de uma mesa, um garoto dançava de frente para um espelho fazendo caras e bocas. Um par de olhos a encarava, ela conhecia aqueles olhos? Piscou forte e então a pessoa que a encarava sumiu. Talvez fossem só as luzes. viu a feição confusa da menina.
-Está tudo bem? – Ele levantou seu queixo docemente.
-Só está muito cheio aqui – a garota sorriu puxando o menino para um dos corredores. animou-se com a idéia de estarem sozinhos no corredor mais escuro. Puxou a menina pela cintura, roçando seus lábios nos dela.
-Eu gostei da sua idéia de procurar um lugar mais calmo.
-Que tal um mais confortável? – a menina mordeu os lábios, girando uma maçaneta próxima. Felizmente, um quarto vazio.
encarou a menina por alguns segundos com a luz fraca que vinha de um abajur no canto do quarto. Como ela havia mudado. Antes, sua expressão era sempre superior, inabalável, inatingível, sempre com um sorriso sarcástico. Hoje a única malícia que existia em seu sorriso vinha do desejo. Superioridade era quase inexistente, parecia mais frágil, mais alcançável.
-O que foi? – a menina tirou de seus devaneios. Ele sorriu tendo uma idéia.
-Venha comigo – ele segurou a menina levando-a pelo quarto a procura do que ele queria. Abriu a porta de um armário, finalmente encontrando-o: O espelho – O que você vê? – Ele se pôs atrás dela, que estava de frente pro espelho.
- e – ela respondeu simplesmente, dando de ombros.
-Esqueça , só veja - ele ficou ao lado dela sem que refletisse sua imagem no espelho – O que você vê nessa menina?
-Eu vejo... – se ajeitou em frente ao espelho. Encarou um pouco sua imagem e entortou a cabeça, meio confusa. – Vejo uma menina.
-E o que mais? – incentivou – Você a acha parecida com a menina que você via no espelho há um mês?
-Definitivamente, não – baixou os olhos, depois voltou a encarar o espelho – A menina que eu via há um mês eu via, mas não enxergava. Achava que tinha e era tudo, quando na verdade não tinha nada a não ser um ego enorme e ninguém que se importava – Pela primeira vez a menina se vê como realmente é: sozinha.
-Ela simplesmente aprendeu, amadureceu e assim tem conquistado pessoas. Ela nunca mais será sozinha - colocou-se novamente atrás dela, abraçando-a. Agora ele se via mudado também. O menino de um mês atrás não se importaria em mostrar para uma menina o quanto ela havia mudado e o quanto era boa dessa nova forma. Ele não se importaria em abraçar para simplesmente acolher, só abraçava com segundas intenções.
Os olhos dos dois se encontraram na imagem refletida. Antes que pudessem pensar em mais alguma coisa simplesmente ficaram de frente um para o outro, iniciando-se um novo beijo. Era como se fosse a primeira vez.

Capítulo betado por Fee




Capitulo 8 - She

- Acordaaaaaaaaa! - pulou da cama deparando-se com ninguém mais ninguém menos que seu irmão rindo da expressão surpresa da irmã.
- Você? Aqui? Quando? - A menina se sentava na cama meio confusa, então finalmente sorriu e aproximou-se para abraçar o irmão.
- Cheguei hoje cedo. Decidi fazer uma surpresa. - Um sorriso travesso e ao mesmo tempo charmoso surgiu no rosto de Chris. O irmão era literalmente a versão masculina da garota. Cabelos ondulados e macios, olhos grandes e rosto simétrico. Se a garota que estivesse no quarto com ele não fosse sua irmã certamente já teria se derretido com aquele sorriso. O ego dele era quase tão inflado quanto o dela, mas ele não se deixava levar por coisas de popularidade e status, fazia o que queria por pura diversão e nunca suportou muito bem a ideia da irmã não saber aproveitar o que tinha da maneira certa.
- Ai, ainda bem que você está aqui. À noite podemos ir a uns lugares bem legais que o conhece. - A cama balançava a cada movimento da menina, devido a sua empolgação.
- ? - Chris pareceu confuso - Ele não é considerado ralé pelas chapiranhas?
- Sim, mas ele é bem legal. - Um sorriso fraco brotou no rosto da garota. Ela começou a morder o polegar.
- Caraminholas na cabeça, ? - Chris brincou com a fala de um dos filmes favoritos de na infância.
- e eu ontem tivemos um momento legal. Só que eu fico pensando - Ela olhou nos olhos do irmão esperando ver o que ele achava realmente do que ela estava prestes a falar. -, será que quando elas voltarem eu não vou voltar a ser aquela menina que eu era antes? Eu não sei se vou saber lidar com isso de depois nem olhar mais na cara do ou do , afinal eles que estão aqui agora me ajudando. Mas você me conhece, eu gosto de atenção.
- Eu te conheço. E sei que você não seria ingrata o suficiente pra dar as costas a alguém que está te fazendo sorrir.
- Eu já fiz isso uma vez.
- Você era uma criança tentando se adaptar, e o sonho de toda garota é ser popular. Você aproveitou sua oportunidade.
- E o Easy?
- , até quando você vai ficar satisfazendo os desejos sexuais desse cara achando que se largá-lo ele vai sofrer? Ele é menino, mesmo que ele goste muito de você, vai passar. E se ele realmente gosta, não vai parar de falar com você só porque você não vai ser mais submissa as mesmas pessoas que ele.
- Obrigada. - sorriu como uma criança chateada.
- Não faça essa carinha. - Chris deu um peteleco na ponta do nariz da irmã. - E não me agradeça agora, eu só te dei a dica. O resto vai depender do seu comportamento.
Na casa acima, já estava bem acordado desde cedo, dedilhando qualquer coisa em seu violão enquanto Mookie estava deitado a seus pés curtindo o som leve. De repente uma súbita vontade de ver percorreu seu corpo, ele simplesmente pôs seu corpo para fora da janela, descendo as escadas rápido. Avistou a garota de costas em sua cama e sorriu de lado entrando no quarto. virou-se alarmada com o barulho, e arregalou os olhos, olhando da porta do banheiro para a janela. Parecia que tentava avisar algo com o olhar. Tarde demais, Chris estava parado na soleira da porta com um sorriso malicioso e braços cruzados.
- Quanto tempo, ! - Ele esticou a mão e a apertou com um sorriso tímido.
- Desculpe, eu não sabia que você estava aqui. Eu volto outra hora.
- Não, deixa de bobagem. Só nunca imaginei que vocês seriam tão espertos, usar a escada de incêndio pra ficar vagando de um quarto pro outro. - Chris puxou a ponta do cabelo da irmã a fazendo balançar a cabeça e sussurrar pra : “Desculpe por isso” e o menino sorriu pra ela. - Ok, parei de constranger os dois. Vocês são tão sem graça. - O mais velho saiu do quarto rolando os olhos de brincadeira.
- Bom dia! - gargalhou, se jogando na cama da menina.
- Engraçadinho. Já parou pra pensar que podia ser minha mãe? - subiu em cima de apoiando-se no peito do menino.
- Pelo menos não foi seu pai.
- Nã-não, ele não vem aqui. Metido a rico ele.
- Já sei quem você puxou então. - debochou, levando uma mordida no ombro.
- Está um lindo dia, tem certeza que quer continuar a conversa no quarto.
- Se o seu irmão não estivesse no aposento eu não me importaria de passar um dia num quarto com você. - mordeu o lábio em seguida, puxando a garota pela nuca para um beijo calmo e envolvente.
- Não me distraia, - separou-se dele com um selinho. - Como eu pretendia dizer, tá afim de ir a praia?
- Claro! – os olhos do menino brilharam de excitação - Chamo o ?
- E a . - a menina bateu palminhas. Estava animada com a ideia de fazer uma nova amiga. - Ah, não é pra ficar olhando pra bunda de outras meninas de biquíni - Ela virou abruptamente enquanto procurava um biquíni em seu armário, encarando que deu uma risada.
- Você me conhece, meu bem.
- Sei, mulherengo. - tacou um biquíni nele, fingindo estar emburrada enquanto segurava o riso.
- Se você usar esse - segurou a parte inferior do biquíni mínimo, avaliando -, eu juro que não olho pra ninguém.
- Você é tão tarado, garoto.
- Demais - E então ele estava de pé distribuindo beijos pelo pescoço da menina.
- Hum hum - Chris raspou a garganta, adentrando o quarto. separou-se da menina enquanto a mesma olhava repreensiva pro irmão, que ria debochadamente para ela. Ele não tinha problema em ver a irmã com garotos (a não ser que estivessem fazendo algo que ela não queira), mas nunca perdia a oportunidade de deixar os meninos com medo e ela com raiva.
- Então, tá afim de pegar uma praia, Chris? - sorriu de forma amigável.
- Garotas e pouca roupa. Claro que eu topo - Chris riu e acompanhou a gargalhada. sorriu, era engraçado ver como todos os garotos eram tão mulherengos, mas era incômodo ao mesmo tempo ver que parecia que nenhum deles podia ser levado a sério. Era por isso que ela tinha certeza que não valia a pena se apaixonar.

O céu estava impecável, sem nenhuma nuvem. Não havia muitas pessoas na praia, apenas alguns surfistas e meninas tentando manter seu bronzeado. e sentaram-se em suas cangas perfeitamente arrumadas na areia, esperando por um momento de paz e bronzeamento grátis. deitou-se no meio das duas enquanto os outros iam se jogar no mar.
- Vocês não vão perder o dia todo torrando aqui, não é? - O menino mordiscou o braço de , que simplesmente riu.
- Claro que vamos! Não vamos ficar brincando de Barbie sereia - gesticulou para Chris e que se divertiam na água. - Mas então, pombinhos, eu vou ali comprar alguma coisa pra beber, fiquem à vontade.
caminhou até o quiosque próximo sob o olhar de alguns garotos. Ela já estava acostumada, mas nunca deixou de se sentir meio envaidecida com isso.
- METIDA! - ela ouviu o irmão gritar da água. Ela mostrou o dedo médio pra ele, gargalhando.
- Uma água, por favor - ela pediu ao garoto que aparentava ter uns 15 anos, magrelo e com cabelos ruivos que estava deslumbrado com a menina a sua frente.
- Duas águas e sem babar, por favor. – passou o braço pela cintura de , que levantou os olhos que sorriam de uma forma petulante que era única dela. – Eu estava errado sobre o biquíni. Eu posso não estar olhando pra nenhuma outra, mas eles também não - Ele sussurrou no ouvido dela de forma fingidamente sofrida, seguida de um sorriso perverso ao perceber o leve arrepio da garota. Mesmo com o pouco tempo ele já conhecia seus pontos mais sensíveis.
- Garoto observador - A menina se recuperou dando um pequeno beijo no menino. - Mas não queima meu filme. Tem vários surfistas bem bonitinhos aqui. - revirou os olhos e a menina gargalhou. - Falando em queimar filme, espero que tenha passado protetor.
- Eu sei me cuidar, gatinha. Agora larga de besteira que você sabe que nenhum desses surfistas é melhor que eu. - Ele lhe deu um último beijo antes de pegar sua água e voltar pra perto de Chris, onde rapidamente se envolveram em uma conversa qualquer.
voltou para perto de que agora estava sozinha, pois havia se juntado aos outros.
- Acho que seu celular estava vibrando, - comunicou enquanto a menina, prontamente, pegou seu celular que indicava uma nova mensagem.
“Está um lindo dia de Sol, mas ainda sinto falta do seu calor, minha linda - Easy”
A garota revirou os olhos. Estava com raiva, confusa e por fim certa de que certas pessoas não fariam falta.

Mais tarde, quando chegaram em casa:
- Não toca! - estava deitado de bruços em sua cama. As costas em chamas, devido às queimaduras de Sol.
- Pensei que você fosse inteligente e iria se lembrar de usar o bloqueador solar - continuava a caminhar com seu short minúsculo e as pernas bronzeadas, de um lado para outro em seu quarto fazendo-o se odiar por não poder levantar de sua cama e simplesmente agarrá-la.
- Não provoca. - Ele enfiou a cara no travesseiro referindo-se aos trajes. Porém inocentemente achou que ele se referia ao seu comentário.
- Ok, vou pegar uma coisa que vai aliviar. Não sai daí - riu após ver a cara irritada de com o comentário sobre se mover. Alguns minutos depois, voltou com um creme que ela dizia aliviar queimaduras.
- Não! Não quero que você passe nada em mim. Você vai encostar e vai arder. - soltava as palavras rápidas com um certo desespero.
- Como se você pudesse fugir, querido. Agora fica quieto. - Ela passou para o seu lado na cama, derramando um pouco do creme gelado na pele de que suspirou em alívio. A menina fez carícias leves pelas costas do menino enquanto distribuía o conteúdo, fazendo-o quase esquecer da ardência. Ele desejou então não ter se esquecido de passar o protetor para que ele pudesse tocá-la e que ela pudesse fazer o mesmo sem tanto cuidado. Soltou um grunhido sofrido abafado pelo travesseiro. - Está machucando?
- Não é isso. - Ele admitiu derrotado.
- Então o que é? - A menina deitou-se ao seu lado.
- Eu quero você. - Eles se encararam por uns minutos enquanto ela avaliava as palavras dele. Que faziam seu ego aumentar e ao mesmo tempo a fazia se sentir meio tímida e alegre.
- Temos muito tempo ainda pra isso. - Ela finalmente deu um sorriso alegre que quase disfarçava o olhar que brilhava com leve malícia.
- Temos mesmo? - questionou e sabia do que ele estava falando. Se teriam tempo depois que todos voltassem.
- Sempre teremos. Não é como se eu fosse ficar muito longe. - Ela sorriu sincera e então ambos ficaram em silêncio se encarando, até que o cansaço chegasse e caíssem no sono.


N/A (5/12/11): Em primeiro lugar fadinhas eu queria me desculpar pela demora, tive uns problemas com o computador e ainda tive que me matar de estudar nesses últimos tempos. Eu amo escrever SP então não se preocupem que eu não abandonarei e agora que estou de férias darei o meu máximo pra escrever, mas vocês sabem que inspiração também não é igual a água haha. Enfim, comentem o que vocês tem achado, o que vocês querem que aconteça... o que quiserem só não me abandonem s2
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