Prólogo

Eu corria em meio à escuridão sem saber onde estava indo nem aonde iria chegar, apenas corria tentando me manter viva. Minhas narinas se enchiam do ar quente e denso que me rodeava, podia ouvir passos pesados atrás de mim, vindo rápido, ficando cada vez mais perto. Algo quente escorria pelo meu rosto, eu o podia sentir gotejar pelo meu queixo e ir de encontro ao chão molhado e cheio de folhas escorregadias. O que quer que seja que estava correndo atrás de mim, parecia não estar tão cansado quanto eu e, por pior que pareça, é bem provável que ele fosse me alcançar. Vi o chão se aproximar cada vez mais do meu rosto e por um impulso involuntário meus braços se cruzaram. Gritei a plenos pulmões, sentindo a dor causada pelo choque do meu corpo contra o chão cheio de pequenas pedras. E logo uma mão fria e úmida segurou os meus ombros, fechei meus olhos com força desejando apenas acordar.
Era o fim, pois ele havia me alcançado.

Capítulo um
Acordada

Algo me chacoalhava insistentemente, despertando-me de mais um dos meus pesadelos. Abri meus olhos e me sentei na cama, passando a mão tremula pela minha testa encharcada de suor, meus dedos gelados latejavam de dor e minha boca seca implorava por um pouco de água. E, como sempre, minha mãe estava ali, na minha frente, ela me estendeu um copo de água e sorriu compreensiva, eu a olhei envergonhada e dentro de mim todos os meus pensamentos estavam lhe pedindo desculpas... Mais uma vez.
- Eu estou bem melhor, obrigada, mãe.
- Você quer conversar? – ela me perguntou como todas as outras noites anteriores.
- Não, volte a dormir, eu já estou bem. – eu disse como sempre. Por mais que eu estivesse com medo, eu nunca a diria.
- Você tem certeza, ? Você ainda esta pálida. – ela franziu as sobrancelhas e afagou minha bochecha, que apenas queimou em resposta.
- É sério mãe, eu estou bem. – tentei mentir para mim mesma, talvez assim eu voltasse a acreditar que um dia eu dormiria uma noite inteira.
Ela se levantou e caminhou ate a porta, ficando parada por sobre o batente frio durante alguns segundos até que me mandou um beijo.
Sua mão estava no interruptor e quando ela apagou a luz, meu coração apenas acelerou, martelando violentamente. Eu estava encoberta pela mesma escuridão que perseguia os meus sonhos e que não me deixava dormir nem sequer uma noite sem acordar alguém com os meus gritos de terror. E como em todas as noites, eu me levantei com cuidado, colocando meus pés no chão gelado, somente isso já tinha o poder de me fazer tremer de medo. Caminhei até a parede onde estava o interruptor e o pressionei, acendendo a luz que há poucos instantes havia tornado meu quarto um lugar mais seguro.
Caminhei até o espelho e fitei meu reflexo imóvel, bem abaixo dos meus olhos estavam as olheiras levemente roxas que não queria me deixar, pareciam entrelaçadas a minha pele. Por mais que eu tentasse, não conseguia me acostumar com esse rosto cansado e que ficava um pouco mais pálido todos os dias. Eu só queria voltar a ser uma garota normal.
Eu não nasci dessa forma, as coisas só foram acontecendo. Em um dia eu estava tendo sonhos coloridos com borboletas e todo um paraíso contido na minha ingênua imaginação e no outro eu já estava completamente atormentada pela escuridão e por coisas sombrias que me perseguiam por todos os lados.
Não sou médium, super-mulher ou paranormal, na verdade, nem sei o que eu sou. Talvez eu seja a única no mundo que possa prever o futuro e confundir suas vontades e desejos apenas olhando em seus olhos, ou talvez existam outros como eu.
Caminhei até a minha cama e me sentei, pegando os cadernos e livros que estavam em cima do criado, os abri e voltei a fazer o dever de onde havia parado. Em quase todas as noites era a mesma rotina; eu me deitava, desejando apenas dormir uma noite inteira, mas quando eu abria meus olhos novamente minha mãe estava me acordando amedrontada. Nem ela nem meu pai falavam sobre o assunto, eles sempre tentavam me convencer de que havia algum tipo de “plano maior” para mim, mas eles estavam errados. Eu sou apenas uma garota de dezessete anos que tenta se encaixar e ser normal como todas as outras garotas da minha idade, mas isso parece cada vez mais difícil de acontecer, a cada sonho eu me torno mais estranha, a cada noite eu me torno algo do qual eu mesma tenho medo.
Tremi só de pensar que eu poderia ser uma daquelas pessoas que nós vemos nos filmes de ficção cientifica que são levadas para um laboratório onde são estudadas de todas as formas mais horrendas e sangrentas possíveis, esse não era bem o “plano maior”, destino ou final que eu esperava para mim mesma. Afinal de contas, ainda sou um ser humano, ou pelo menos pareço ser um.
Eu sou normal, pensei. E é nisso que tento me forçar a acreditar.
Todas as noites eu me perguntava quando isso teria um fim e me arrepiava ao rever os pesadelos de todas as noites que me seguiam por onde quer que eu fosse, como fantasmas que somente eu posso ver. Podia escutá-los sussurrando ao meu ouvindo coisas medonhas sobre o futuro das pessoas e era ainda pior quando eu os sentia ardendo pela minha pele, tomando minha alma e me fazendo ainda mais sombria.
Atirei-me pra fora da minha cama e me coloquei diante do espelho preso a uma armação de madeira toda talhada a mão, uma herança da minha avó materna que eu vira morrer em meus sonhos aos quatorze anos. Mesmo parecendo horripilante, eu contei a ela no dia seguinte sobre o que eu havia sonhado e ela me disse sorrindo para não temer os sonhos ruins, pois são apenas sonhos.
Olhando meu próprio reflexo eu podia notar que talvez eu estivesse mais magra e pálida do que na noite passada, era estranho me ver assim, eu parecia como os doentes do hospital em que meu pai trabalhava, ele tratava de crianças com câncer e isso, por incrível que pareça, nos ligava mais. Ele via coisas das quais não conseguia parar de pensar, nem mesmo quando dormia.
As horas se arrastavam em todas as madrugadas e eu lutava para me manter acordada, um pesadelo por noite já era o suficiente para ocupar a minha cabeça por semanas. Eu já não aguentava mais manter meus olhos abertos... Então aconteceu! Meus olhos perderam o foco aos poucos e logo uma nuvem cinza tapou minha visão e então eles vieram a mim, mesmo eu estando acordada.
Era uma visão, talvez a mais clara que eu já havia tido na vida. Eu não corria desesperada em meio à escuridão, procurando por algo que pudesse me livrar dele, muito pelo contrário, eu era ele.
Meus pés pisavam fortes pelo chão branco e brilhante, as pessoas ao meu redor me olhavam, deixando-me ainda mais nervoso. Minhas mãos relutavam em se manterem cerradas, elas apenas queimavam em resposta. O vento frio da manhã bufou em meu rosto, balançando meus cabelos para todos os lados. Eu segurava meu capacete, mantendo-me distante de todos os sussurros a minha volta, era normal, pois eu era o forasteiro.
Arfei, voltando para o meu corpo e me sentindo gelada, como se eu tivesse perdido a consciência por alguns segundos. Puxei todo ar que pude, tentando apenas respirar, eu não entendia como aquilo havia acabado de acontecer.

Capítulo dois
O forasteiro

Para todas as outras garotas da minha idade, ir à escola era a chance de ser popular, de namorar um dos jogadores de futebol ou até mesmo ser o assunto mais comentado das más línguas espalhadas pelos corredores, mas para mim, ir para a escola era como ser invisível. E era isso que eu comprovava enquanto caminhava pelos corredores abarrotados. Ninguém olhava para mim ou mesmo notavam a minha presença, estavam todos tão inertes em suas vidas mesquinhas e fácies que nem se quer viravam os olhos para dar uma rápida olhada na menina estranha e pálida que, por incrível que pareça, freqüentava aquela escola. Todos menos , que sorria para mim na entrada da sala de literatura.
- Bom dia, – disse minha pequena amiga, balançando seu lindos e brilhantes cabelos dourados que a cada dia estavam maiores.
- Oi – eu disse, olhando para ela incrédula.
- O que foi? Tem alguma coisa em mim? – disse ela, balançando os sedosos cabelos lisos enquanto procurava pela tal “coisa”, mal sabia ela que a “coisa” era ela.
- Eu só estava reparando como a cada dia você fica mais bonita. Por acaso você trocou de condicionador? – peguei em uma mecha dos seus cabelos e me senti humilhada.
- Não, e obrigada pelo bonita. Você esta se sentindo bem? – ela me perguntou enquanto tocava em meu rosto com sua mão quente e macia.
- Por mais que pareça mentira, eu estou me sentindo normal, não se preocupe comigo, eu estou pálida como todos os dias – forcei uma risada, tentando convencê-la.
- Você devia dormir mais, sair mais de casa, ir à praia ou quem sabe usar roupas mais coloridas. Está usando cinza de novo e eu já te disse que essa cor não ajuda você em nada... – ela tagarelava como em todas as manhãs, mas mal sabia ela o que era a minha vida. Na verdade ninguém sabia a não ser eu e minha família.
nunca desconfiara por que eu nunca aceitava os seus insistentes pedidos para dormir em sua casa, eu até acharia meio engraçado ser acordada por me chacoalhando, eu nem consigo imaginar o que ela iria pensar, será que teria medo? Ou acharia normal ver sua amiga gritando enquanto dorme... Com certeza isso é algo que eu não gostaria que ela presenciasse.
- Cooper? – me chamava enquanto eu piscava meus olhos vendo seu nariz levemente enrugado.
- O que você disse? – eu perguntei a ela, tentando me fazer de vítima, eu odiava mentir pra ela. sempre foi minha melhor amiga, sempre me contou todos os seus medos, todas as suas paixões e seus segredos mais ocultos e eu apenas omitia todo que se referia a minha vida fora da escola.
- Eu estava te chamando para ir comigo comprar o vestido para o baile de outono, você sabe eu preciso da sua opinião – seus olhos verdes brilhavam esperando a minha resposta, por que ela fazia isso? Era jogo sujo, como eu negaria algo a ela quando ela estava me olhava dessa forma?
- Tudo bem, eu vou... – eu disse já me arrependendo. Me imaginar em um shopping não foi a melhor coisa, na verdade ver novos rostos só me trazia mais e mais pesadelos. Isso seria um sacrifício e tanto.
- Anime-se, é só uma ida ao shopping, não estou te levando a uma casa mal assombrada. – mal sabia ela como eu pagaria caro por aquela ida ao shopping.
Professora King entrou animada como nos outros dias, todos se sentaram e ficaram em silêncio esperando ela começar a aula, ela passou a língua levemente pelos lábios e arrumou os óculos, abrindo um sorriso tranqüilo.
- Bom dia... – Sra. King foi interrompida por batidas pesadas na porta da sala. Ela sorriu como quem pede desculpas e andou calmamente em direção à porta, onde mais batidas apressadas se seguiram.
Alguns segundo depois ele passou pela porta trazendo consigo todos os raios solares, ele resplandecia como o bronze. Por um pequeno instante, eu senti meu rosto corar novamente como costumava acontecer quando eu me sentia envergonhada. Meus batimentos se aceleraram quando um sorriso tenso ocupou o canto dos seus lábios vermelhos. Era ele... O forasteiro.
Todos os olhares estavam parados nele, até o meu. Seu corpo era esguio e forte, ele vestia uma camiseta verde musgo um pouco apertada e segurava uma jaqueta preta em uma das mãos. Parecia ser mais velho do que qualquer outro garoto da escola.
Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, pois no instante em que eu coloquei meus olhos nele, o tempo se tornou uma constante inexistente, mesmo sabendo que aquilo era impossível. Eu podia ouvir a respiração de cada pessoa presente naquela sala, as batidas de cada um dos corações, as células se mexendo, eu podia ouvir tudo, até o mais silencioso dos sons.
A respiração dele era rápida demais, estava nervoso, ele me fitava como se não houvesse ninguém a nossa volta, até como se fossemos íntimos. Ele se sentou na carteira vazia à minha frente e Sra. King apenas continuou com a aula. Mas eu não conseguia me concentrar, eu ouvia as canetas arranhando o papel, ouvia os dedos rasgando os cabelos, e pior, eu podia os ouvir murmurando em minha mente, cada um dos corpos presentes naquela sala sussurravam pra mim, me contavam segredos tão profundos que chegavam a arder os meus ouvidos.
Olhei para de lado e a vi debruçada sobre os livros e logo sua mente veio me contar coisas sobre as quais eu gostaria de ter morrido sem saber. Essa não é a que eu conheço, pensei antes do sinal soar e quase estourar meu cérebro.
Passos pesados, mesas se arrastando, gargalhadas irritantes, beijos estralados, vozes, vozes, vozes. Tudo isso em minha cabeça, eu deveria estar enlouquecendo.
- ? Você está prestando atenção no que eu estou falando com você? – perguntou gritando no meu ouvido.
- Qual é o seu problema? Por que você está gritando? – eu perguntei desesperada, sem nem mesmo aquentar o som da minha voz.
- Eu não gritei com você – disse ela, olhando dentro dos meus olhos e refletindo meu rosto amedrontado – calma , você esta se sentindo bem? – disse ela, tocando em meu antebraço.
Os meus olhos seguiram cada movimento dela até que se pousaram em sua mão fria e fragilmente imunda e algo dentro de mim pulsou incandescentemente, olhei apenas mais uma vez para o rosto confuso de antes de virar as costas para ela e a deixar parada no corredor sem entender nada.
Limpei meu armário e caminhei por entre os corredores vazios em direção à porta de entrada. Desci as escadas pulando degrau por degrau, eu queria cair fora daquele lugar o mais rápido possível. Virei à esquina e caminhei calma pela rua silenciosa, apenas ouvindo meus passos. Tentei não pensar em nada, mas era injusto comigo mesma ficar tentando remediar ou mesmo mentir para minha consciência, eu sou uma aberração.
Bati a porta da sala ao entrar em casa, a casa estava fazia, subi as escadas e fui direto para o meu quarto, joguei a mochila no chão e me atirei na cama. Meus olhos vasculhavam o teto, procurando por qualquer detalhe que me tirasse do ponto chave dos meus pensamentos.
Fiquei ali durante horas, talvez. Apenas no mais precioso silencio, até que ouvi passos na cozinha e as vozes dos meus pais.
- Beleza, agora ficou melhor ainda... – eu disse para mim mesma quando pensei que poderia ouvir os pensamentos da minha mãe e do meu pai, algo que não seria agradável.
Se eu pudesse controlar essas coisas....
- ? Você está aí em cima? – disse minha mãe enquanto eu ouvia seu coração batendo acelerado.
Ela estava pensando o que mais poderia acontecer comigo além dos sonhos e de tudo que havia acontecido na minha infância... Ela estava com medo de mim.
Fiquei paralisada sem saber o que fazer, eu nunca pensei que ela tivesse medo de mim, eu nunca faria nada com ela nem com meu pai, mas não era isso que ela achava.
- ? – chamou ela mais uma vez, só que agora ela estava parada na minha porta, segurando a maçaneta do meu quarto, e eu podia ouvir seus lábios tremendo.
- Tudo bem mãe, eu estou trocando de roupa, já estou descendo – eu disse, sentindo meu coração se partir quando o dela se tranqüilizou.
Fiquei ali deitada esperando até que meus pensamentos se acalmassem, tentei organizar tudo que eu havia sentido, visto e ouvido hoje, mas nada fazia sentido algum e eu não tinha bons pressentimentos, se é que algum dia eu os tive. Desci as escadas com calma já sentindo o cheiro forte de torta de frango.
- Sua mãe e eu estávamos discutindo quem ia chamar você, nossa fome já esta quase nos devorando – disse meu pai sorrindo.
O coração do meu pai se manteve o mesmo desde o instante em que eu estava descendo as escadas e sua mente estava apenas sussurrando o quão cansado e faminto ele estava. Mas minha mãe não, ela estava amedrontada, eu podia sentir a adrenalina correndo pelo corpo dela como se fosse no meu corpo.
- Pode ficar tranqüila mãe, eu não vou cuspir fogo ou mesmo fatiar o seu corpo em pedaços, relaxa – eu disse, juntando-me a eles na mesa de jantar.
- Do que você esta falando, ? – ela me perguntou com a voz tremula e eu ouvi a mão do meu pai se juntar a dela por debaixo da mesa, oferecendo a ela o conforto que eu necessitava.
- Mãe, corta essa, da pra ouvir seu coração martelando do lado de fora de casa, da pra escutar sua mente gritando o quão aterrorizada você está – eu disse, me surpreendendo com a frieza em minha voz.
- , o que está acontecendo você, pode nos explicar? – perguntou meu pai, desesperado para entender o que estava acontecendo e sua mente apenas via o que eu via, eu estava perdendo o controle.
- Sabe pai, hoje eu estava na escola, como eu faço todos os dias desde quando eu me lembro, e eu comecei a ouvir as mentes das pessoas e isso não é nada... Eu podia ouvir o coração delas, eu podia ouvir o corpo delas se mantendo vivo. Eu podia ouvir tudo. – eu gritei, deixando-me ser tomada pela ira gelada e pesada. – e eu só quero ser normal! Normal como vocês.
Meu pai veio na minha direção com o coração quase saindo pela boca e me abraçou forte e eu chorei em seu ombro, sentindo seu corpo quente e macio.
- Eu peço a Deus todos os dias para ser normal, é a única coisa que eu quero, eu não quero um carro, eu não quero dinheiro nem fama, eu só quero ser como vocês....
- Tudo bem, – disse minha mãe, também me colocando em sei colo – eu sei que é pesado, eu sei que é difícil, mas você é assim! Você é especial.
Eu ouvi as palavras dela e me senti confortada e amada, mas eu ainda estava impregnada pelo medo que senti no corpo dela e por todos os outros sentimentos que tive que suportar hoje.
- Amanhã vai ser um dia melhor, você vai ver e tudo vai voltar ao normal. Você vai ir à escola...
- Mãe, me escuta, eu não vou voltar pra lá – eu disse a interrompendo.
- Tudo bem , faça do seu modo, mas um dia você vai ter que encarar a realidade de que você nunca vai ser como as outras pessoas da sua idade. Você é especial, , quer você queira, quer não – disse minha mãe, parecendo saber como eu me sentia, e no fundo da sua mente eu vi que ela desejava profundamente que isso não fosse verdade.

N/a: Oiie dudes espero que gostei, bem sofri pra escrever esse capitulo, mas foi né? hauhsuahusha Então boa leitura' xoxo



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