The Girls Are From Venus And The Guys Are From Mars


Capítulo 01 – The start of something new.



Ela? . Baladeira. Corajosa. Não leva desaforo para casa. Não confia muito em homens desde que terminou com o último namorado.
Ele? . Romântico. Sedutor. Sempre consegue o que quer quando o quesito é mulheres, ou quase sempre.
Dia? Sexta-feira. Noite, aproximadamente nove horas. Ela saindo de casa para a balada. Ele, bêbado, saindo com uma garota qualquer de quem não lembrava nem o nome.

* (N/A: quando aparecer nome do personagem mais o asterisco, é o ponto de vista do mesmo.)

Estava andando em uma avenida movimentada. Consultei o meu relógio e eram quase nove horas da noite. Eu estava um pouco bêbado, mas não demais. Só... O suficiente. Não conseguia me lembrar do nome da garota que eu acompanhava. Acho que era Julia, Jullie, ou alguma coisa do gênero.
? – a garota praticamente cantou o meu nome, envolvendo os seus braços ao redor do meu pescoço.
– Oi... Hum... – tentei parecer simpático. Ela não caiu.
– Ashley. Meu nome é Ashley – ela disse, não parecendo muito feliz por eu ter me esquecido do seu nome. Porém, na boa, ela esperava o que de mim? Estou bêbado!
– Isso. Ashley. Desculpe-me – falei, beijando-a.
– Se você não beijasse tão bem, eu já teria ido embora! – a menina falou, dando um sorriso que julguei forçado.
– Hum... – falei, beijando-a novamente.
Só percebi que tínhamos chegado à boate (encontrei a minha atual acompanhante em um bar e ela me arrastou até ali) quando Jullie me avisou. Ou seria Ashley? Tanto faz. Amanhã eu não iria vê-la mesmo. Entramos e tocava uma música alta que me deixou um pouco tonto pelo meu estado (n/a: música alta em uma boate? Não me diga). Ashley (ou era Jullie?) me arrastou até a pista de dança, onde me agarrou algumas vezes, contudo logo viu outro cara e me largou ali. Eu não a culpava. Já havia perdido a conta de quantas vodkas a garota havia tomado.
Fui para o bar, pedi um copo de tequila e observei o local. Conseguia ver algumas pessoas se agarrando, outras dançando. Mas uma garota em especial me chamou a atenção. Ela estava sozinha. Era desumanamente linda, alta, magra. Os seus longos cabelos castanhos balançavam de um lado para o outro junto com a mesma que dançava sensual e animadamente. Pensei em ir falar com ela, porém logo percebi um cara se aproximando. Então não fui o único a notar a bela menina dançando sozinha. É lógico. Fiquei observando qual seria a reação dela.

*

Acho que eu estava bastante bêbada. Mais do que o normal. Não conseguia ver claramente as pessoas ao meu redor. Só enxergava alguns borrões. Só que isso não importava. Apenas queria me divertir. Continuei dançando animada ao ritmo da minha música preferida.
– Oi – ouvi uma voz rouca atrás de mim. Ah, estava bom demais para ser verdade.
– Oi – falei, sem me virar.
– Você está muito gata nesse vestido – senti o homem se aproximar.
– Obrigada – respondi seca, sem parar de dançar.
Senti duas mãos me agarrarem pela cintura. Logo me soltei, virei e dei um tapa no tarado que fez cara de indignação.
– Ai, sua vadia. Quem você pensa que é? – ele esfregava as mãos no rosto.
– Alguém que não quer ficar com você – disse, virando-me de novo. Ou quase.
As duas mãos do maluco seguraram os meus braços, chacoalhando-me de um lado para o outro.
– SOLTE-ME, SEU IDIOTA! – gritei com o objetivo de chamar a atenção de alguém naquela boate. Não deu certo. Todos me ignoraram.
Fechei os olhos, preparando-me para bater nele. Foi quando percebi que os meus braços estavam livres e eu, sendo carregada para fora daquele lugar.
– O que está acontecendo? – perguntei assustada.
– Vou tirá-la daqui – respondeu uma voz masculina.
– Mas e o maluco que estava tentando me agarrar? – disse, tentando ficar consciente.
– Dei um soco nele, que caiu no chão. Mas logo ele acordará. Vou levá-la para casa. Não vou fazer nada contra você. Relaxe – ele se virou e sorriu pra mim. Foi quando percebi que ele era lindo. – Ah, a propósito, sou . Pode me chamar de .
– sorri, ainda hipnotizada.
– Muito prazer – o cara ainda sorria.
Chegamos a um carro preto e ele abriu a porta do carona para mim. Entrei mesmo que um pouco hesitante. O rapaz ligou o carro e, quando percebi, já estávamos em movimento.
– Então... Tem namorado? – tentou puxar assunto.
– Não. Você? – encarei-o.
– Não – sorriu. Mas que mania de sorrir que esse garoto tem! Se o sorriso dele não fosse tão absurdamente lindo, eu até consideraria reclamar desse fato. Só que já que ele é um perfeito deus, deixe quieto.
– Então... Quantos anos você tem? – falei distraída.
– Tenho vinte e quatro. E você?
– Vinte e um.
E o silêncio tomou conta do momento novamente. Não puxei mais nenhum assunto e também não o fez. Virei a minha cabeça para o lado e tornei a observar as árvores e casas que passavam rapidamente pela janela.

Capítulo 02 – Don't wake me up, baby.



*

Eu estava bêbado, então precisava decidir entre dirigir ou conversar com . Decidi dirigir. Ela puxou conversa uma vez, porém depois ficou em silêncio de novo. Eu dirigia sem rumo e isso me lembrou de que eu não sabia o endereço da garota.
– Hum... ? – perguntei.
Não obtive resposta.
? – repeti, ainda sem tirar os olhos da estrada.
Novamente nenhuma resposta. Estiquei o meu braço e cutuquei o seu ombro, entretanto a única resposta que consegui foi uma fraca reclamação. Ah, que ótimo. Ela dormiu. E agora?
Eu podia um: acordá-la e perguntar o endereço. Dois: levá-la para um hotel. Três: levá-la para minha casa e colocá-la para dormir no quarto de hóspedes.
Não sabia o que fazer. Decidi tentar a primeira opção.
Missão um: acordar e lhe perguntar o endereço.
É necessário: paciência. Ela pode demorar a acordar.
Observação: nunca é uma boa idéia acordar uma pessoa bêbada.
Chance de sucesso: vinte e cinco por cento.
Como já mencionei, havia bebido. Então tentar acordar uma pessoa e dirigir sem causar um acidente ao mesmo tempo é fora de cogitação para mim. Por isso parei no acostamento. Mas não desliguei o carro. Só parei. Virei-me para e pensava em um jeito amigável de acordá-la. Não consegui achar nada, então apelei para o hábito tradicional: cutucar, chacoalhar e chamá-la.
Primeiro, cutuquei o seu ombro. Nada. Depois tentei chacoalhá-la, chamando o seu nome. Dessa vez, ela respondeu:
– Que é? – falou grossa, sem abrir os olhos.
– Hum, , você se esqueceu de me dar o seu endereço – tentei ser sutil.
A menina murmurou o nome de uma rua que eu sabia onde era. Logo depois de me dar o endereço, virou-se e dormiu novamente.
Status da missão: completa!
Segui pela rua da casa dela calmamente. Estacionei em frente à casa e vi que estava tudo escuro. Achei melhor ver se tinha alguém em casa. Caso contrário, não teria como entrar. Eu não queria acordar a garota de novo. Tranquei o carro, com ela dentro, e segui até a porta. Toquei a campainha e esperei. Ouvi um xingamento no andar de cima e logo depois um cara apareceu. Usando somente cuecas, vale ressaltar.
– Que é?
– Você... Conhece a ?
– Em que merda essa idiota se meteu dessa vez? – respondeu mal humorado.
Estranhei. Se ele a conhecesse, perguntaria onde a menina estava ou diria que ela não se encontrava em casa. Certo?
Certo?
– Quem é, amor? – apareceu uma mulher usando uma blusa masculina. Do cara, supus.
– É só um idiota perguntando se conheço a – ele disse, ignorando o fato de que eu me encontrava em frente à porta.
– Aquela retardada da sua ex? Ué, mas por quê? Não faz dois meses que vocês não se vêem?
Virei-me e fui embora apressado. Entrei no meu carro e dei a partida.
Não acredito que me deu o endereço do ex-namorado que ela supostamente não via há meses. Ela estava mais bêbada do que eu pensava. Era melhor eu não acordá-la de novo.
Status da missão: fracassada.
Isso nos leva à segunda alternativa.

Capítulo 03 – I just wanna run.



Missão dois: Deixar em um hotel.
É necessário: Dinheiro e um bom álibi para “abandonar” uma garota bêbada dormindo lá.
Observação: Não é recomendável fazer isso quando você está bêbado.
Chance de sucesso: Quarenta por cento.
Procurei a minha carteira para conferir quanto dinheiro eu tinha para pagar o hotel. Saí de casa com bastante grana. Com certeza ainda tem. Ué, a minha carteira não estava no bolso? Procurei no outro bolso, no carro, e nada. Onde ela estava?

# Flashback - Algumas horas antes.

Ashley me beijava loucamente, ignorando por completo as outras pessoas presentes no bar. Ela acariciava minhas costas e soltou um gemido baixo quando toquei o seu seio esquerdo. Esse fato a fez descer sua mão até a minha bunda, permanecendo ali por algum tempo.

# Fim do flashback.

Aquela vaca! Roubou a minha carteira! Não acredito. Ah, só pode ser piada. E agora? Eu me fodi.
Decidi que levaria a missão até o final e tentaria deixar no hotel. Não sei como faria para pagar a estadia da garota. Talvez se a recepcionista fosse gostosa, eu dormia com ela e estra liberava a diária para mim. Modéstia à parte, não sou de se jogar fora e ainda muito bom na cama. E não me refiro a dormir, se é que você me entende.
Parei no hotel mais próximo, estacionei o carro e fui para a recepção, deixando dormindo.
– Boa noite – falou uma loira de olhos azuis. Ela era bem bonita. Talvez o meu plano desse certo.
– Boa noite – respondi, sorrindo de um jeito sexy.
– Em que posso ajudá-lo? – a mulher apoiou os braços no balcão, ficando mais próxima de mim. Ri mentalmente. Essa estava no papo.
– Bom, estou com uma garota dormindo no meu carro – a moça suspirou quando ouviu isso. – Mas não a conheço – a loira sorriu largamente. – Então queria deixá-la aqui no hotel para eu poder ir embora – dei uma pausa, sorrindo sensualmente de novo. – Ou fazer algo mais interessante.
– Tudo bem. Deixe-a aqui então – ela retribuiu o sorriso.
– Só tem um problema – suspirei, fingindo tristeza.
– Qual? – os olhos dela brilharam com a possibilidade de me ajudar. Segurei o riso.
– Fui assaltado – fiz cara triste e encarei o chão.
– Ah, não tem problema. A noite da garota fica por minha conta. Aí a gente sai para fazer alguma coisa mais interessante – ela riu.
– Mas o seu chefe não vai demiti-la por isso? – encarei-a. Eu não queria meter a garota em problemas. Não muitos.
A mesma gargalhou, jogando-se para frente e sussurrando com a boca próxima da minha:
– Eu sou a minha chefe. Esse hotel é meu.
Sorri largamente. Essa foi fácil. – Então ‘ta. Vou buscar a garota – virei-me e fui andando para o meu carro que tinha ficado um pouco longe.
Segui até o automóvel calmamente e, quando cheguei lá, encontrei a porta do carona aberta e sem . Ah, que ótimo. Onde diabos essa garota estava?
Ouvi uns barulhos de buzinas na rua ao lado e fui ver o que era. Será que era um acidente? Logo cheguei ao local barulhento. Ah, isso era pior que um acidente.
estava andando no meio da rua, com os braços abertos e cantando alguma música que não consegui identificar qual era. Em volta dela, estavam alguns carros atravessados, tentando passar sem atropelar a garota. Ouvia buzinas frenéticas. Provavelmente os motoristas estavam com pressa e sem nenhuma paciência. Tentei chegar até , porém tive dificuldade de passar entre os carros. Os motoristas me xingavam, mandavam-me sair do meio da rua e levar a “louca” comigo. Finalmente consegui chegar à menina. Ela riu ao me ver e a coloquei sobre os ombros, ignorando a resistência dela, que depositava socos fracos nas minhas costas e balançava as pernas, murmurando algo que não entendi direito.
Status da missão: Fracassada.
Segui até o meu carro e as buzinas finalmente cessaram. Quando percebi, não me chutava mais nem tentava me bater. Acho que dormiu de novo. Coloquei-a no banco de trás do carro e decidi tentar a terceira e última opção. Afinal, se eu deixasse em um hotel, era capaz de ela acordar sem estar totalmente sóbria e cometer outra loucura como essa de novo.

Capítulo 04 – I look around me. How did I get here?



Missão três: Levar à minha casa e colocá-la para dormir no quarto de hóspedes.
Observação: Faz alguns meses que não entro no meu quarto de hóspedes. Não tenho muita certeza do estado do mesmo.
Chance de sucesso: Noventa por cento.
O meu apartamento era perto de onde estávamos, então o caminho até lá foi rápido. Carreguei nos braços do carro ao lugar. Estava cansado de levá-la e a deixei no sofá. Fui até o meu quarto e conferi as horas. Duas da manhã. É, nem estava assim tão tarde.
Olhei para minha enorme cama (sim, era de casal. Você deve imaginar o motivo) e tive que resistir à tentação de me deitar. Afinal, ainda tinha o problema de onde dormiria. Se bem que eu não considerava isso um problema. A garota era linda, mas só vou descobrir se é mesmo legal quando estiver sóbria. Por enquanto, prefiro acreditar que é.
Saí do meu quarto e me dirigi ao quarto de hóspedes. Abri a porta e, quando olhei para o quarto, tive uma surpresa. Várias caixas e coisas espalhadas por ele me impediam até de enxergar a cama. Que ótimo. E agora? Estou cansado demais. Não vou arrumar isso. Não mesmo.
Não posso deixar dormindo no sofá. Cá entre nós, ele não é muito confortável. Porém não vou abrir mão da minha cama. Preciso muito de uma noite de sono. Só se...

*

Acordei meio tonta e com uma dor de cabeça de matar. Hesitei ao abrir os olhos, contudo finalmente os abri,e tive uma surpresa. Eu estava em um quarto estranho. Masculino com certeza. Meio bagunçado, em um tom azul escuro. Bonito e sofisticado. Gostei. Opa, foco, . Foco. Onde estou? O que aconteceu ontem? Ou melhor, quem?
Olhei para o lado e não tinha ninguém mais na cama, mas o lençol estava bagunçado. Alguém dormiu aqui. É lógico. Só que não me lembro de ter conhecido ninguém ontem. Sentei-me e fiquei um tempo fitando o chão. Depois olhei a mesinha de cabeceira e conferi as horas. Meio-dia. Ao lado do relógio, tinha um bilhete com o meu nome. Peguei e abri

“Olá! Aqui é o ! Bom dia. Primeira coisa: não surte. Não a seqüestrei e nem abusei de voc. Ok? Não tenho muita certeza se você vai se lembrar da noite anterior, mas, caso não se lembre, não hesite em me perguntar. Onde estou? Ou na cozinha, ou na sala. Depende da hora que você acordar. Se for perto do meio-dia, estarei fazendo o almoço. Não quero incomodá-la, então deixei separado na segunda gaveta da minha mesa de cabeceira escova de dente, de cabelo e uma roupa da minha irmã que acho que dá em você.

Até mais.
Xxx .”


Tentei me lembrar de algum , mas nada veio à minha mente. Quem será que era ele? Será que era bonito? Preocupado é, com certeza. A curiosidade de “conhecer” o dito cujo foi tão grande que em um pulo corri para o banheiro, fazendo a minha higiene matinal e colocando a roupa. Não sem antes vomitar. Devo ter exagerado ontem. Geralmente não vomito e nem me esqueço da noite anterior. Vá saber o que me deu, né? Ainda estava pensando nesse e procurando em minha mente alguma lembrança dele. Nada veio.
Saí do quarto, sendo imediatamente invadida pelo cheiro de comida, o que me lembrou de que eu estava com muita fome. Cheguei até a cozinha e o tal cozinhava de costas para mim. Pigarreei para ele notar minha presença. Virou-se e sorriu ao me ver. Disse:
– Bom dia.
Depois disso, algumas fracas e borradas lembranças começaram a passar por minha mente.

– Dei um soco nele, que caiu no chão. Mas logo ele acordará. Vou levá-la para casa. Não vou fazer nada contra você. Relaxe – ele se virou e sorriu pra mim. Foi quando percebi que ele era lindo. – Ah, a propósito, sou . Pode me chamar de .
– sorri, ainda hipnotizada.
– Muito prazer – o cara ainda sorria.


~~~~

– Então... Tem namorado? – tentou puxar assunto.
– Não. Você? – encarei-o.
– Não – sorriu. Mas que mania de sorrir que esse garoto tem! Se o sorriso dele não fosse tão absurdamente lindo, eu até consideraria reclamar desse fato. Só que já que ele é um perfeito deus, deixe quieto.


Ah, era esse .
Sorri de volta para ele, ainda sem muita certeza do que exatamente tinha acontecido noite passada.
– Então... Lembra-se de alguma coisa? – olhou-me curioso.
– Ahn, na verdade, não – suspirei. Eu não ia dizer que a minha única lembrança era a de que ele tinha um sorriso lindo. Não mesmo.
– Ah, que pena. Quer que eu lhe conte?
– É bom, né?! – ri e ele me acompanhou com um riso rouco e sexy. Ai, meu Deus. Foi com ele que eu saí noite passada? Diga que sim, diga que sim! Ok. Estou parecendo uma maníaca. Preciso me controlar. Porém não posso evitar o fato de que ele era muito lindo e muito, muito gostoso. Será que a gente...?
– Primeiro fato importantíssimo: a gente não transou – ele falou, lendo a minha mente. Ah, droga! Não? Poxa, nem para ser bêbada eu sirvo. Mas que merda. – Na verdade... – contou a história, deixando-me pasma e extremamente vermelha.
– Mandei-o à casa do meu ex? Ai, meu Deus, que vergonha. Quero me enfiar num buraco e nunca mais sair. Nem sei o que dizer... Ahn, desculpe? – tentei, mordendo o lábio inferior. Não acredito que esse gato salvou minha pele e paguei um vexame desses. Legal, hein? Ponto para você, .
– Que nada – sorriu. – Na verdade, foi engraçado. Você foi uma boa companhi. Ajudou-me a testar os meus limites de bêbado. Acho que consigo fazer de tudo agora – ele riu baixo e corei. – Ah, desculpe. Não queria deixá-la sem graça.
– E eu não queria ter feito você passar por isso – sorri fraco.
– Então estamos quites, né? – ele piscou pra mim, paralisando-me por um segundo. Afirmei com a cabeça. – Ótimo. Se eu a chamar para sair, vou estar me aproveitando da situação?
– Não mesmo – ri, balançando a cabeça.
– Então quer sair comigo? – o cara sorriu, levantando a sobrancelha.
– Claro. Ia ser ótimo! – sorri. Ah, ia ser mais que ótimo.
Ele pareceu parar para pensar um pouco.
– Você sabe que dia é hoje?
– Vinte e um de outubro. Por quê? – falei confusa e ele bateu na testa como se lembrasse de algo importantíssimo.
– Droga! Tinha me esquecido de que hoje é aniversário da minha irmã! Desculpe, mas a gente pode sair outro dia, né?
– Claro, claro. Sem problema nenhum – sorri, dando de ombros.
– Então você me passa o seu telefone? – ele disse, pegando um bloco e uma caneta.
– Aham! – tomei o bloco de suas mãos delicadamente e ali escrevi o número do meu celular e o de casa também. – Agora preciso ir. – disse, levantando-me.
– Ah, não vai ficar nem mais um pouco?
– Não posso. Desculpe! Preciso mesmo ir. Obrigada por tudo, de verdade – fui em direção a ele e dei um beijo estalado em sua bochecha, saindo pela porta (N/A: não, anta. Você saiu pela janela).
Peguei um táxi para casa e, graças aos céus, eu tinha dinheiro escondido embaixo do meu sapato. Sabe como é... Para emergências.
Cheguei e me atirei no sofá, checando o correio de voz. Tinha três mensagens. A primeira era de minha mãe.

“Oi, filha! Está tudo bem? Estranhei você não ter me ligado ontem. Cheguei ao Brasil agora. Aqui é lindo demais! Precisa me acompanhar na próxima viagem. Você vai amar. Garanto! Como estão as coisas por aí? Está alimentando o Fred? Ligue para dar notícias. Estou ficando preocupada! Amo você, querida. Cuide-se.”

Ah, droga! É verdade. Esqueci-me de ligar para a minha mãe ontem. Ela está em uma viagem de volta ao mundo com os amigos dela para se divertir um pouco e a gente se fala todo dia. E... AH, O FRED! Esqueci-me de dar comida para ele!
Fred é o meu cachorro, mas ele mora com a minha mãe, já que a casa dela é maior que a minha. Já que ela está viajando, o animal está aqui comigo.
Fui correndo para a cozinha, coloquei a comida dele no pote e grudei um post-it na geladeira que dizia: “Lembrete: ligar para a mamãe!”. Enquanto bebia um pouco de água, ouvia o segundo recado.

“Oi, sonhadora. Esqueceu-se da sua melhor amiga aqui, foi? Haha! Pelo jeito se esqueceu, já que há dois dias não me dá noticias. Espero que não tenha se esquecido do meu aniversário. Você vai. Não vai? Tem que ir, senão bato em você, feia. Estou a esperando e curiosa para saber as novidades dos bofes. Não me esqueça. Amo você, bitch!”
! Ai, caramba, o aniversário dela! É hoje! Ainda bem que estou com tudo pronto - presente e figurino. Amém. Se não fosse por isso, eu estava ferrada.
é a minha melhor amiga há um tempinho, desde quando a gente se conheceu pela internet e não nos largamos mais.
Corri para o meu quarto e conferi se tudo estava no lugar. Tudo certo para a festa. Ainda bem. Voltei para a sala e me sentei no sofá, esperando para ouvir o terceiro e último recado.

“Olá, ? Sou eu, . Tudo bem? Só liguei para confirmar se você tinha chegado sã e salva a casa. Espero que sim. Quando chegar e ouvir isso, mande um SMS. Ok? O meu número é esse que está ai no visor. Beijos.”

Anotei o número dele e imediatamente enviei: “Estou sã e salva, nobre cavalheiro. Agradeço a sua preocupação e sinto muito por tomar o seu tempo desse jeito. Então, só para confirmar, continuo inteira. Xxx . Ridículo demais? Talvez.
Epa! Ele respondeu: “Bom saber que continua perfeita e lindamente bem, nobre dama. Você não é perda de tempo nenhum. Pelo contrário... Observá-la é o meu passatempo favorito. Preocupar-me é apenas uma consequência. Xxx . Se eu disser que sorri feito uma abobada quando li a resposta dele, vai ser muito sem noção e sem motivo? Fazer o quê? Foi essa a minha reação.
Respondi: “O seu passatempo é me observar? Então quer dizer que você ficou me olhando dormir? Espertinho, haha. Xxx . Logo outro bip, alertando uma resposta. Esse garoto era rápido. “Eu não disse isso. Essas são as suas conclusões. Mas também não vou negar. A culpa não é minha se você parece um anjo dormindo. Xxx .
Ok. O que eu respondo agora? “Anjos dormem? Dessa eu não sabia. Xxx . Idiota demais, né? Sou uma retardada. Eu sei, eu sei. Outro bip: “Bobinha. Você entendeu o que quis dizer. Agora preciso ir. A minha irmã está batendo freneticamente na minha porta. Só pode querer algum favor. Cuide-se, hein? Xxx . Respondi bem rápido: “Preocupado você, hein? Não vou me jogar da ponte nem nada do tipo, bobinho. Dê atenção para a sua irmã. Afinal, ela merece por aturá-lo tanto. Haha. Xxx . Mandei a mensagem e, como não obtive resposta, fui para o meu quarto, larguei o celular na cama e fui tomar banho.


Capítulo 05 – Now that I think I'm sober...



Saí do banho e vesti a roupa que eu iria usar no aniversário da . Passei uma maquiagem leve e sequei o meu cabelo, arrumando-o. Sentei-me na cama para colocar o sapato e senti algo vibrar embaixo de mim. O meu celular, dã. Não tenho coisas que vibram, santas mentes poluídas. Era uma mensagem de :

“Eu sei disso, mas é sempre bom lembrar. Não é? Fique longe das pontes, janelas ou coisas das quais você pode se jogar. Brincadeira. Desculpe demorar para responder. É que a minha irmã queria a minha ajuda para achar o estúpido sapato rosa dela. É melhor eu ir para a festa antes que minha mãe venha aqui me puxar pelos cabelos. Xxx .”

Ri baixo, contudo não respondi nada. O que eu iria responder? Não tinha nada bom ou legal para dizer. Achei melhor ficar calada.
Liguei para a minha mãe e conversamos um pouco. Só que ela tinha que ir não sei aonde e desligou. Assim que coloquei o telefone no lugar, ele tornou a tocar.
– Alô?
Finalmente resolveu me atender, vadia! – a gargalhada de do outro lado da linha me fez rir também.
– Desculpe, mas eu estava me arrumando para a SUA festa, vadia – agora foi a minha vez de gargalhar.
Ah, sim, falando nisso... Você vai dormir aqui. Não vai?
– Lógico! Haha!
Ótimo. Venha logo! O pessoal já está começando a chegar.
– Ok, estou indo!
Certo! Ah, quero lhe apresentar meu irmão. Ok?
– Que irmão?
O meu irmão, babaca! Eu lhe disse que tinha um irmão.
– Ah, é. Verdade. Estou indo, amiga. Beijos!
Beijos! – e desligou.
Terminei de arrumar as minhas coisas e peguei outro táxi - dessa vez para ir para a casa de . Cheguei lá, toquei a campainha e a mesma abriu a porta, dando-me um abraço de urso.
– Parabéns, ! Tudo de bom, amiga! – falei e ela agradeceu. Então a observei. Ela estava linda com um vestido preto e o cabelo todo solto. Mas o que me chamou a atenção foi o lindo sapato rosa brilhante que ela usava. E não era só por ele ser bonito. Por causa que ele me lembrava alguma coisa que eu não conseguia descobrir exatamente o que era. Mas que me lembrava alguma coisa, ah, isso lembrava!
Ela disse para eu ir entrando enquanto ela cumprimentava os convidados que tinham chegado depois de mim. Entrei na casa e fui falar com os seus pais. No meio do caminho, trombei em alguém e por sorte não caí, já que a pessoa em questão me segurou.
– Ai, desculpe! – falei apressada.
? – fui surpreendida pela voz de . Então percebi que foi ele que eu tinha quase derrubado.
, oi!
– Sempre nos encontrando das maneiras mais agradáveis. Não é? – ele riu baixo.
– E, para variar, a culpa foi minha. Desculpe. Eu estava distraída – ri nervosa.
– Não se preocupe com isso. É bom ter alguém legal para conversar nessa festa – sorriu e piscou pra mim.
– Ué, você não conhece mais ninguém aqui? – perguntei confusa.
– Conheço todo mundo, mas geral está bêbado ou se pegando com alguém. E não vou beber hoje. Então estou sobrando.
– Não está mais! – ri. – Mas por que não vai beber hoje?
– Ah, é que se eu beber acordo tarde amanhã e a minha irmã quer que eu leve a amiga dela para casa de manhã. Aí fica difícil – ele disse.
Que estranho. Eu sentia que tinha alguma coisa me escapando. Mas o quê?
– Então o acompanho. Também não vou beber. Haha.
– Poxa, valeu. Pelo menos vou estar bem acompanhado – corei com o que ele disse. – Tenho que ir buscar uma coisa lá em cima. Já volto. Ok? – afirmei e ele me deu um beijo na testa, sumindo da minha vista logo em seguida.
Fui até a cozinha pegar um refrigerante e logo apareceu com um copo de alguma bebida na mão.
– E aí, ? Já achou alguma vítima? – ri, referindo-me a algum garoto que tenha interessado a ela, obviamente.
– E não é que já achei! Um amigo do meu irmão chamado Billy. Ai, amiga. Ele é um fofo! E beija muito bem – ela suspirou encantada. Ouvi ao fundo alguém gritar o nome dela. – Tenho que ir. Ele está me chamando.
– Vá lá. Aproveite. E veja se usa camisinha. Viu? – ela gargalhou.
– Eu sei, besta – e saiu.
Deixei o copo na pia e fui em direção à pista de dança. Tocava uma música bem animada. Logo me meti ali no meio do pessoal e comecei a dançar. Percebi alguns olhares masculinos em cima de mim, entretanto não me importei muito. Continuei dançando e rezando para nenhum bêbado vir encher o meu saco. Não que eu tenha um. Ah, você entendeu.

*

Subi as escadas e liguei para o meu tio, como a minha mãe havia pedido. Ficar sem beber em uma festa dessas é um saco. Pelo menos eu tinha a . Ela era legal. Se não fosse por isso, eu provavelmente quebraria o meu acordo com a minha irmãzinha. Ri, lembrando-me da proposta dela.

# Flashback - Dois dias antes.

? Preciso de um favorzinho seu.
– Fale logo, – falei sem paciência.
– Quero que você leve a minha amiga para a casa no dia seguinte à festa e para isso você não vai poder beber durante a mesma – ela disse e gargalhei.
– Até parece. E o que eu ganho com isso?
– Limpo o seu quarto por um mês e aí a mamãe não vai brigar com você.
Parei para pensar um pouco. É, era uma boa idéia.
– Dois meses – falei sério. Os olhos dela brilharam.
– Fechado! Você é demais – ela saiu do meu quarto dando pulinhos. Eu ri.

# Fim do flashback.

A minha irmã era meio louca. Meio? Ok, . Totalmente pirada.
Fui descendo as escadas e um garçom com uma bandeja cheia de copos de algum drinque exótico (invenção da minha irmã) praticamente me derrubou. Não resisti e peguei um copo. Ah, que se foda a minha irmã. Pedir para mim não beber em uma festa é o mesmo que pedir para um cantor parar de cantar da noite para o dia. É improvável, é impossível (N/A: insuportável. É dor incrível! (8) – Ok, vou me calar).
Quando dei por mim, já estava no quarto copo daquele troço, dançando com uma ruiva no meio da pista de dança. Ela praticamente se esfregava em mim, porém eu não prestava muita atenção. E não era só por causa da bebida. Eu sentia que estava me esquecendo de alguma coisa. Depois de um tempo, deixei para lá. Amanhã descubro o que era que eu estava esquecendo. Por hoje me deixe aproveitar a festa e a garota. Do meu jeito, se é que você me entende.

*

Eu ainda dançava, mas agora o tédio começava a me dominar. Ficar sóbria numa festa dessas era muito estranho para mim. O definitivamente me devia essa.
Falando nisso, onde ele se meteu? Faz horas que estou aqui dançando. Logo a festa acaba e eu aqui, forever alone com o meu “refri”.
Então o vi. Ele estava praticamente engolindo uma ruivinha lá na pista de dança com um copo de bebida na mão. Filho da puta. Não acredito que ele fez isso. Não pensei duas vezes. Já que o idiota estava bêbado e eu tinha pouco tempo de festa, por que não? Fui correndo para o bar e pedi a primeira coisa alcoólica que vi no mini-cardápio grudado na parede.

Capítulo 06 – That kinda body needs a spotlight.



*

A festa já havia terminado e eu estava no quarto de . A mesma já dormia há horas. Já eu não conseguia pregar o olho. Cansada de encarar o teto (iluminado apenas pela fraca luz do abajur), troquei de roupa e resolvi ir até a cozinha beber um copo de leite.
Levantei-me e, com o cuidado de não acordar a minha amiga dorminhoca, saí do quarto de fininho, desci as escadas na ponta dos pés e, chegando lá embaixo, percebi que a luz do escritório estava ligada. Apesar da curiosidade de saber quem estava lá a uma hora dessas, segui o meu caminho até a cozinha e abri a geladeira. Tinha várias latas de cerveja, mas consegui achar o leite escondido lá atrás. Peguei-o com o cuidado de não derrubar nenhuma latinha e fechei a porta. Quando me virei para ir até o armário pegar um copo, encontrei encostado no balcão. Ele usava uma calça preta e estava sem camisa. Parecia ter saído de um filme. Tamanha era a perfeição do ser à minha frente que eu começara a acreditar que Brad Pitt era apenas um cara, afinal de contas.
No susto, derrubei a embalagem que segurava. Não deu outra. O leite todo derramou no chão, ilhando-me no meio de toda aquela bagunça. riu e deu um passo em minha direção. Ainda com o coração palpitando (barriga sarada do mais sorriso do mais um susto causado pela aparição de um cara gato no meio da cozinha num momento de distração igual a eu mesma tendo um infarto), dei um passo para trás automaticamente. Como o chão à minha volta estava todo molhado, assim que pus o pé para trás, escorreguei. E teria caído se não tivesse me segurado no mesmo instante.
– Opa, mil desculpas. Não quis assustá-la. Está tudo bem?
– Tu... Tudo. Eu só es... Escorreguei. O que você ainda está fazendo aqui na... Casa da ? – a proximidade do rosto de ao meu estava colocando a minha sanidade mental em um ponto seriamente crítico.
– O que estou fazendo na casa da ? – afirmei com a cabeça e ele riu. – Moro aqui. Quer dizer, mais ou menos. Mas aqui é a casa dos meus pais.
Dei um pulo e me levantei instantaneamente.
– Como? Você é o irmão da ? Mas... Como?
– Sou, sim. Como você sabe? Aliás, o que você está fazendo aqui?
me convidou para dormir aqui hoje – dei de ombros. gargalhou e me deixou sem entender nada.
– Você é a amiga dela?
– Era para mim que você ia dar carona de manhã?
– Só pode ser piada.
– Como assim? Quer dizer, fale sério! É coincidência demais!
– É mesmo. Loucura, não?
– Só um pouquinho – ri e me acompanhou.
Ouvi uns passos na escada e logo aquela ruivinha da festa apareceu com o cabelo todo bagunçado. Ela pareceu com raiva quando viu que estava conversando comigo, mas só falou:
, preciso ir. A gente se vê. Aqui está o número do meu celular – ela foi até onde estávamos e entregou um papel para ele.
A garota então saiu andando e ouvi o barulho da porta da frente sendo batida furiosamente. O idiota parado ao meu lado amassou o papel com o número da garota e jogou no lixo. E isso me lembrou do que ele tinha feito comigo na festa. Saí da cozinha às pressas e me atirei no sofá, ligando a TV.
– Ué, o que foi? – apareceu, sentando-se ao meu lado.
– Esqueceu-se do que fez comigo? Fiquei sóbria até quase o fim da festa e você lá, engolindo aquela ruiva. Porra, . Acabou com a minha diversão. Achei aquela festa um tédio só.
– Ai, caramba, eu SABIA que tinha me esquecido de alguma coisa – ele bateu na testa. – Desculpe, vá!
– Ok. Mas vou me vingar – sorri maldosamente.
– Ai, que medo – ele fez cara de assustado. Ambos rimos.
O meu telefone começou a tocar.
– Alô?
, minha diva! – a voz de meu “secretário” (como ele mesmo gosta de ser chamado), Mike, gritou no meu ouvido. Até escutou e ficou me olhando com cara de curioso.
– Ai, Mike. Alterado já a essa hora da madrugada?
São cinco da manhã, baby.
– Cinco da manhã? E o que faz você me ligar a essa hora?
Sabe aquele filme que você queria fazer? The Seven Towns? – ele disse animado. Ah, esqueci-me de mencionar. Sou formada em teatro e estou louca para fazer o papel principal em um filme chamado The Seven Towns (As Sete Cidades). É sobre uma garota chamada Melanie Thomson, que é seqüestrada por causa de algo que aconteceu com os pais dela e tem que fugir para descobrir o que eles querem e tal. Ela vai passar por um total de sete cidades que fizeram parte da “história” da família. Em uma dessas, ela conhece Joseph, por quem se apaixona. Só que tem que ir embora. Porém ele a segue. É muito legal a história e, se eu fizesse o filme, a minha carreira iria dar um salto fenomenal.
– Sei.
Consegui um teste para você! – ele gritou e eu também. ainda me olhava com uma cara engraçada. – Só que é hoje, às seis horas. Preciso que você venha correndo para cá.
– Hoje, seis horas? Ai, caramba. Quero ver como eu vou.
Nessa hora, cedeu à curiosidade e perguntou:
– Para onde? Com quem você está falando, sua maluca?
Pedi para ele fazer silêncio, mas já era tarde demais. Mike começou a fazer perguntas:
Quem é o bofe? Onde vocês se conhecem? Ele é gato? Ah, tanto faz. Quero que você o traga para a audição.
– Não vou levá-lo, Mike.
Se você quer mesmo um papel nesse filme, é melhor trazer.
– Mas você nem o viu ainda!
Não interessa. Ele é do sexo masculino e pelo jeito é seu amigo. Traga-o e fim de papo. Tchau – ele desligou. Bufei de raiva.
– O que foi?
, você pode me dar uma carona? – perguntei hesitante.
– Posso. Agora? – confirmei com a cabeça. – Ok. Espere um pouco.
Ele subiu correndo e em poucos instantes estava descendo, vestindo uma camisa azul e com a chave do carro em mãos.
– Vamos?
– Vamos – levantei-me e o segui até a garagem.
Entramos no carro e indiquei o caminho do estúdio. Expliquei tudo a . Quando chegamos lá, ainda estava pensando em um jeito de pedir a ele que viesse comigo.
Olhei para dentro e não tinha muito movimento. Só vi o carro de Mike lá parado. Os outros devem estar na garagem de dentro do prédio.
– Nossa, como está vazio – falei, pensando alto.
– Quer que eu vá até lá com você?
Ah, perfeito!
– Quero.
– Ok.
Ele desligou o carro e fomos andando. Dei logo a volta e fomos em direção à parte de trás, já que na recepção não teria ninguém mesmo. Chegamos lá em um pátio enorme, cheio de câmeras e com várias pessoas. Mike conversava com uma mulher simpática e ele deu um sorriso enorme quando me viu. E um maior ainda quando viu . Se é que isso é possível.
Queria saber o que ele estava planejando. Coisa boa é que não era.

Capítulo 07 – Help!



*

Mike já tinha levado para longe e conversava animadamente com ele. Pensei em ir atrás e ver sobre o que falavam, mas logo uma mulher com um crachá escrito “Susan” apareceu.
– Olá, querida. Aqui está o script da cena do seu teste.
Ela me entregou o papel e dei uma lida nas cenas. Passava-se em uma livraria e era quando ela conhecia Joseph. Logo um tal de Jared me levou para um camarim, onde ele disse para eu ficar decorando as falas enquanto resolvia umas coisas. Depois de uma hora o cara me buscaria para eu fazer o teste.
Fiquei lendo e decorando as falas, ora em pensamento, ora em voz alta. Não seria tão difícil.

*

fora levada para sabe-se lá onde e o tal de Mike não calava a boca. Não que eu tenha algo contra veados, mas o fato de ele ficar se inclinando para cima de mim enquanto falava estava começando a me deixar desconfortável. Ele é amigo de , então não vou ser rude com ele, mas bem que merecia.
Peguei discretamente o meu celular e mandei uma mensagem para .

“O seu amigo não quer calar a boca. Preciso de uma salvadora. Você me tira daqui? SOS! Xxx .”

Guardei o celular no bolso de novo e tentei pensar em um jeito de sair dali.
– Mike, onde fica o banheiro?
– Segunda porta à direita – ele apontou para um canto um pouco distante.
– Ok.
Levantei-me e fui apressado para lá. Entrei e fechei a porta. Peguei o meu celular e disquei o número de . Ela atendeu no terceiro toque.
– O que o coitado do Mike fez com você? Eu estava respondendo a mensagem agora – o tom de voz dela denunciava um sorriso. Sorri também.
– Ele não para de falar! Fugi para o banheiro, mas uma hora vou ter que sair daqui. Cadê você?
– No banheiro, ? Que truque mais velho! – ela gargalhou.
– Eu estava desesperado. Ok? Desculpe – ri também.
– Então ‘ta. Saia daí e entre na quinta porta à esquerda. É onde estou. E não demore. Beijos – desligou.
Ah, ótimo. Como saio daqui? Será que o Mike está lá fora? O jeito vai ser arriscar. Paciência.

*

Desliguei o telefone, ainda rindo. Trinta segundos depois, num estrondo, a porta se abriu e um ofegante passou por ela.
– Você não veio correndo. Veio? – segurei o riso.
Ele levantou as mãos até a altura da cabeça como quem diz “eu me rendo”.
– Poxa, o Mike é mesmo assim tão ruim? – indaguei. Ele afirmou, fazendo cara de culpado, e me fingi de ofendida. Ambos rimos.
– Ele pode até ser legal, mas ficava se inclinando para cima de mim enquanto falava. Cara, isso incomoda. Enfim, falemos de você. Por que a trouxeram para cá?
– Para a minha pessoa decorar as falas para fazer o teste – de repente, uma luzinha acendeu na minha mente. – Lê o texto comigo? Por favor? – fiz a minha cara mais convincente e entreguei o script para ele.
hesitou, arqueando a sobrancelha, porém acabou pegando o papel de minhas mãos.
– Vou logo avisando que não sou ator. Ok? Então se eu...
– Não se preocupe – interrompi-o, tranqüilizando-o. – Só leia o texto que já está bom o suficiente – ri baixo.
– Então vamos à luta – fez pose de herói e gargalhei, indo até o seu lado. Apontei o trecho onde começava a parte que iríamos ensaiar. Ele confirmou com a cabeça e pigarreou dramaticamente, começando: – Olá. Posso ajudar? – falou, fazendo uma cara engraçada. Segurei o riso com muito profissionalismo. Ok, mentira. Contudo pelo menos consegui me controlar.
– Pode, sim. Eu estava procurando “O Morro dos Ventos Uivantes”.
mexeu em uma prateleira invisível e me entregou um livro invisível.
– Obrigada – sorri.
– Estou às ordens – sorriu também. Comecei a me virar e fui interrompida por “Joseph”. – Ei, esse livro não é para você, não, né? – ri, negando com a cabeça.
– Na verdade, é para uma amiga. Como você sabe? – franzi a testa.
Ele riu baixo e deu de ombros, olhando-me de cima abaixo. Corei.
– Você não faz o estilo dramático.
– Para a sua informação, mocinho, possuo sim um exemplar de “O Morro dos Ventos Uivantes” na minha mala. Ok? E já li várias vezes. – dei ênfase ao várias.
Ele arregalou os olhos.
– Certo. Agora você me surpreendeu.
Fiz a minha melhor cara convencida.
– Ei, posso ser bem surpreendente quando quero.
– Disso eu não tenho a menor dúvida – ele disse e riu de um jeito fofo. Estendi a mão.
– Melanie – ele a apertou e sorriu.
– Joseph. Então, quer sair comigo qualquer dia desses para discutirmos os seus gostos literários? – ri baixo, afirmando com a cabeça.
– Eu adoraria.
E fim da cena. Caramba, para quem nunca tinha atuado, me pareceu bastante convincente como ator. Bem que eu podia indicá-lo para o teste também e quem sabe...?
Os meus pensamentos foram interrompidos pela entrada de um Mike saltitante que entrou estrondosamente na sala onde estávamos, assustando-me.
– Eu sabia, eu sabia, eu sabia! – cantarolava ele, dançando ao meu redor. Mas hein?
– Mike, do que você está falando?
Pela cara que fez quando me olhou, soube que tinha aprontado alguma. Ele mirou para cima e eu e seguimos a direção de seu olhar. Uma câmera. Maravilha. Será que estava ligada? E se...?

Capítulo 08 – This is really happening?



– Ok. Deixe-me ver se entendi – olhei para o chão enquanto tentava colocar as idéias no lugar. – Vocês armaram isso tudo para me surpreender? Na verdade o papel já era meu desde o começo porque o diretor do filme foi à minha ultima peça de teatro? – Mike balançou a cabeça, afirmando. – Você não queria me dizer a verdade para eu não ficar convencida demais achando que a vida é perfeita...? – ele concordou novamente. – Mike, você sabe que isso não faz o menor sentido. Certo? Até porque não levou o plano até o final, contando-me tudo antes mesmo de fazer o "teste" – fiz aspas no ar.
– É que eu não agüentei! – ele se desculpou. – Se eu tivesse levado o plano até o final, você nunca saberia que o papel já era seu... Mas aí o apareceu e pela câmera vi vocês ensaiando... E o diretor falou que...
– Que vocês têm muita química e que seria legal vir aqui outro dia fazer o teste para o papel de Joseph – um homem de cabelo grisalho vestindo um terno preto entrou. Presumi ser o diretor.
– Eu? – finalmente se pronunciou.
De repente recebi um choque de realidade e saí da sala, arrastando Mike comigo. Simplesmente andei em linha reta, ignorando os protestos do maluco ao meu lado, e chegamos a um jardim. Olhei em volta para me certificar de que estávamos sozinhos.
– Então... O papel é meu?
Mike afirmou com a cabeça, sorrindo. Pulei em cima dele, gritando loucamente. Ele me segurou pela cintura e me girou no ar, enquanto gritava também. Permanecemos assim por um tempo até que uma voz nos interrompeu:
– EI, VOCÊS VÃO FICAR PULANDO E GRITANDO AÍ ATÉ QUANDO? JÁ ESTOU FICANDO SURDO! – gritou, porém, ao invés de parar com a loucura, corri até ele e o abracei.
– Eu consegui! Consegui! Consegui! Nem acredito!
– É, conseguiu. Podemos ir?
– Credo. Como você é sem coração – cruzei os braços.
– É. Se quiser uma carona, é melhor vir logo – ele me encarou.
– Miiike...
– Depois ligo para você – ele gritou, adentrando uma porta verde escrito "staff".
saiu andando em direção à saída e o segui, pensando em lugares legais que eu já tinha ido ou ouvido falar para ir comemorar. Aquela boate perto da casa da parece interessante... Nunca fui lá, contudo alguns amigos me disseram que é ótimo! Tem também aquele barzinho perto da praia que já fui uma vez... Lá é muito bom! Se bem que uma festa em casa não seria tão ruim.
– Hum... ? – me encarava dentro do carro, esperando que eu entrasse. Entrei, rindo de minha distração repentina.
– Foi mal.
– Então, vamos para onde?
– Por mim tanto faz – dei de ombros.
– Ok – ele ligou o rádio e saímos do estúdio.
Vinte minutos depois...
entrou na garagem de um prédio que me pareceu familiar. Arrisco o palpite de que seja o seu apartamento. Fomos para o elevador, por algum motivo, com as mãos entrelaçadas... Não que eu esteja reclamando. Longe disso.
Assim que o elevador chegou ao subsolo, me arrastou para dentro e me prensou contra a parede, começando a me beijar fervorosamente. Como não sou de ferro, correspondi ao beijo de imediato. Não sei de que maneira, mas conseguiu apertar o botão do elevador e chegamos ao andar de seu apartamento. Quando saímos de lá, a minha blusa já estava desabotoada e , sem a dele. O mesmo continuava me beijando enquanto tentava abrir a porta. Se eu não estivesse tão ocupada o beijando, teria rido da cena.
Entramos e fomos direto para o seu quarto. Não sei como ele conseguiu me levar até lá, considerando que eu estava em seu colo. Nessa hora, minha calça e meu sutiã estavam jogados em algum lugar da sala, assim como o resto das roupas de . Deitamos em sua cama e subi em cima dele, fazendo-o rir levemente, enquanto beijava o meu pescoço. Comecei a beijá-lo novamente. Era incrível como as nossas línguas se moviam em perfeita sincronia. E, em questão de segundos, a minha última peça de roupa foi parar do outro lado do quarto.

Capítulo 09 – Do you remember at all?



Abri os olhos relutante e sorri ao ver dormindo angelicalmente ao meu lado. Quando me toquei do que tinha acabado de acontecer, veio-me um impulso de sair correndo. Não sei por que diabos segui esse impulso. Vesti minhas roupas atiradas pelo chão do apartamento e saí silenciosamente com o sapato em mãos. Abri a porta, já completamente vestida e ainda segurando o sapato.
– Já vai tão cedo? – ouvi a voz de e dei um pulo de um metro de altura, com o coração quase saindo pela boca.
– Credo, garoto! Quer me matar de susto? – coloquei a mão no coração, na inútil tentativa de fazê-lo bater mais devagar.
– Não foi minha intenção – ele disse e me virei para olhá-lo. Encarava-me escorado na parede e com sorriso irônico no rosto. A minha mente pensava rápido em uma desculpa, mas de coisas estúpidas e banais o que saiu foi:
– Eu estava indo até a Starbucks comprar um... – apontei para a porta e tentei fazer a cara mais convincente possível.
– Sei... Então você não estava fugindo para não termos que conversar sobre o que acabou de acontecer? – ele levantou as sobrancelhas. Suspirei derrotada.
– Ok! Confesso! – larguei o sapato no chão e me atirei no sofá. Ele riu nasalado e se sentou ao meu lado.
– Por que você ia sair assim? – ele perguntou me olhando.
– Ahn... Não sei... Medo? Acho que não tenho uma boa experiência com relacionamentos – falei e ele levantou as sobrancelhas. – Não! Não estou dizendo que temos alguma coisa! – disse desesperada e ele relaxou. – Só fiquei meio...
– Apreensiva com medo de que eu fosse pressioná-la para ter algo mais sério? – ele me interrompeu e apenas concordei com a cabeça. – Relaxe... Não sou o tipo de cara que acha que uma noite, no nosso caso dia, já significa compromisso total... Nem o tipo de rapaz que obriga alguém a fazer algo que não queira. Você veio até aqui porque...
– Porque quis. É, eu sei. Desculpe, mas quando saio com alguém e a gente... Bom, você sabe... Geralmente vou embora antes de ele acordar e apago o meu número do celular dele... Para não ter perigo de ele vir me perseguir depois. Sabe?
– Perseguir no sentido de querer compromisso sério a todo custo?
– Exatamente.
– Entendi. Espertinha você, não? – ele riu. – Só deixou passar o fato de que sou irmão de sua melhor amiga e poderia encontrá-la a qualquer momento.
– É verdade. Acho que deixei passar esse pequeno detalhe – ri.
– Então já que você estava indo à Starbucks... – ele falou e abaixei o olhar, culpada. – Posso ir junto? Aí me conta o motivo dessa desconfiança toda com o sexo masculino, porque devo confessar que você é a primeira garota que conheço que foge de compromisso.
– Não fujo. Eu só... Estou esperando passar o trauma do meu último relacionamento. Ou aparecer a pessoa certa. Não sei – dei de ombros.

# Flashback – Um ano e meio atrás.

Estava esperando Adam sair da sala de aula da faculdade para irmos ao cinema. Tinha esperado para vê-lo durante toda a semana! Estava tão ansiosa! Awn, Adam era tão fofo! Ele era realmente o namorado perfeito.
Vi-o sair da sala ao lado de uma garota loira com um short que mais parecia uma calcinha e um decote que quase chegava ao umbigo. Ridícula, pf. Se fosse ciumenta, eu me importaria com isso. Mas confio no meu Adam, então vou deixar para lá.
Ué, ele não me viu.
Por que raios ele está abraçando essa garota?
– Adam! – gritei, abanando para ele. Poderia jurar que por um segundo a sua face assumiu uma expressão de nervosismo. Não deve ter sido nada, já que ele veio correndo falar comigo com o jeitinho fofo de sempre.
– Oi, ! – ele me abraçou. Ia dar um beijo nele, mas este desviou. Então me lembrei. Sem beijos na faculdade. Certo. Ele é tão preocupado e responsável... Que lindo.
– Vamos para o cinema? – falei e ele me olhou confuso, porém logo se lembrando do nosso combinado. Bobinho.
– Ixi, fofa, nem vai dar. Combinei de estudar com uma amiga. Ela está com dúvida na matéria, a prova é amanhã e não posso deixá-la na mão. Perdoe-me – ele pegou minha mão e a beijou.
– Tudo bem. Eu entendo – balancei a cabeça afirmativamente, indo embora.
Antes de ir embora, dei uma leve olhada para trás e o vi abraçando a amiga. Tão prestativo esse meu namorado. Ai, ai.

# Fim do flashback.

Prestativo e responsável o caramba. Sem beijos no colégio que nada. Ele não queria é que o projeto de prostituta que havia arrumado soubesse que ele tinha namorada. Ajudá-la na matéria? Por favor! Só se for na matéria de educação sexual, porque, né?! Tenho certeza de que nesse dia recebi um dos milhões de chifres que esse garoto me botou. Tenho certeza! Como eu era idiota e ingênua, meu Deus! Que raiva! Nunca mais vou ser assim tão tonta. Nunca mais. Dá raiva só de lembrar!
– Então? – a voz de me "acordou".
– O quê? – perguntei confusa.
– Posso ir com você à Starbucks ou não?
– Claro que pode! – ri, me levantando. – Vamos! – falei mesmo não me sentindo totalmente pronta para contar a ele sobre o Adam. Ai, dá-me nojo só de pensar no nome dessa criatura. Não vou contar para ele. Não quero reviver toda a história na minha cabeça. Mas eu queria companhia. Por isso concordei que ele fosse junto.
Já na Starbucks...
– Ei, se não quiser falar, não precisa. Ta? – ele dizia calmamente.
– Só não me sinto pronta para falar disso agora. Mas prometo que um dia lhe conto. Ok? – sorri de lado, tomando meu café logo em seguida.
– Você que sabe... Logo aviso que sou curioso – ele riu baixo, também tomando o café.
– Então... Qual sua banda preferida? – perguntei como quem não quer nada.

*

Acordei já morrendo de sono (para variar) e, quando desci, estranhei não ver ninguém na sala nem na cozinha. A e o saíram, mas meus pais... Onde estão? Olhei para o lado e a porta do escritório estava fechada. Bingo. Essa só é fechada para ocasiões importantes ou conversas super secretas. Corri para a cozinha e peguei um copo. Voltei para o escritório e o encostei à porta para ouvir melhor. Que foi? Sou curiosa. Meus pais conversavam.
– Ela não pode saber! – meu pai dizia desesperado.
– Ela precisa saber! – minha mãe respondia no mesmo tom.
De quem eles estão falando?
– A não está preparada!
Ah, de mim. Preparada para quê? Eu hein...
– Já está na hora de contar, querido. Não podemos continuar escondendo isso. Não é justo com ela!
– Mas como você acha que ela reagirá quando souber que é adotada?
O QUÊ?
Adotada?
Eu sou adotada?
EU?
COMO?

Atirei o copo no chão e sai correndo. Meus "pais" chamaram meu nome, porém continuei correndo, saindo de casa. Corria sem rumo, desesperada e chorando. Como eles puderam me enganar assim por todo esse tempo? Sinto-me tão idiota!

# Flashback – Nove anos atrás.

Eu estava completa e totalmente entediada. Aula de ciências é tão chata! Por que uma garota de doze anos não pode simplesmente ter uma única aula de ciências? Tem que ser três aulas seguidas no mesmo dia? Vou enlouquecer!
– Então... – a professora falou. – Vocês vão fazer uma pesquisa sobre os sintomas da gravidez para a próxima aula. Ok? Aí com as pesquisas concluímos a matéria para a prova! Bom final de semana! – e o sinal tocou. Finalmente! Saí correndo da sala e (ainda bem!) minha mãe já tinha chegado. Entrei logo no carro.
– Oi, filha! Como foi a aula?
– Normal – sorri. Então me lembrei do trabalho. – Mãe? – ela me olhou por um segundo, mas logo voltou a mirar o trânsito. – Quais foram os sintomas que a senhora sentiu quando estava grávida de mim?
Minha mãe freou bruscamente o carro, dando-me um susto.
– Algum problema? – perguntei.
– Não, nada. Só me distraí.
– Ah.
– Então... Ah, senti um pouco de enjôo...

# Fim do flashback.

Como fui burra! Por que eu não me toquei naquela hora? Estava tão óbvio!
Eu continuava andando (lê-se correndo) e chorando compulsivamente. O que eu iria fazer agora?
Pisei em falso e tropecei em cima de alguém. Já ia me desculpar, mas então reconheci que me olhou preocupada.
– O que houve, ? – ela perguntou. Balancei a cabeça negativamente e a abracei como se minha vida dependesse disso.

Capítulo 10 – Who says you’re the only one that’s hurting?



*

Estávamos em minha casa e só chorava. Ela não conseguia nem falar direito. Em meio aos soluços, a única coisa que entendi foi: ... Eu... Adotada... Hoje... Escritório... Falaram... Correndo...”. Eu até pediria que ela me explicasse direito, mas pelo seu estado é melhor esperar. Além disso, só ficou repetindo “adotada... Adotada... Adotada...”.
Fui buscar para ela um copo de água com açúcar e, quando cheguei à cozinha, meu celular tocou. Era uma mensagem de .

“Tem notícias da ? Estou preocupado com ela...”

Respondi de imediato:

“Ela está aqui em casa chorando muito. O que aconteceu?”

Outro bipe:

“Ela descobriu que é adotada hoje de manhã. Não posso lhe contar os detalhes. Fico feliz que ela esteja contigo. Cuide da minha irmãzinha para mim. Ok? Não a deixe sair daí e, por favor, não conte que mandei essa mensagem.”

“Tudo bem... Qualquer coisa ligo... Xxx .”

Voltei para a cozinha, dei o copo para que me olhou com os olhos vermelhos e perguntou:
– Ouvi seu celular tocar. Quem era?
Dei de ombros.
– Só umas mensagens idiotas da operadora. Nada importante.
Ela assentiu e tomou a água. Abracei-a:
– Vai ficar tudo bem... Não se preocupe e não fica assim... Logo, logo tudo vai ser esclarecido.
– Quero falar com o .
– Tudo bem. Levo você para casa. Vamos – levantei-me.
deu um pulo.
Não! Não quero ir para casa. Não quero.
– Quer que eu o chame aqui? – ela concordou com a cabeça e começou a chorar de novo. Enquanto a abraçava mandei uma mensagem para explicando tudo.
Quinze minutos depois...
Estava sentada no sofá, ainda abraçando , quando a campainha tocou. Olhei para minha amiga e percebi que ela tinha dormido. Sorri fraco, feliz por ela conseguir descansar um pouco. Com cuidado, encostei sua cabeça à almofada e fui abrir a porta. Era . Ele estava com os olhos vermelhos e me abraçou forte assim que abri a porta. Ficamos abraçados por um tempo até que ele respirou fundo e me soltou.
– Desculpe. Eu só...
– Sh – interrompi-o. – Não diga nada... Sei que você estava precisando disso e eu sou amiga. ‘Ta? Pode contar comigo.
Ele sorriu fraco e balançou a cabeça.
– Cadê minha irmã?
Apontei para o sofá.
– Dormiu.
Ele entrou e apontou para as escadas. Assenti e subimos. entrou no meu quarto e se sentou na cama, olhando-me triste.
– Quer me contar? – perguntei e ele concordou, dando duas batidinhas na cama. Fui até lá e me sentei, segurando sua mão esquerda. Ele fechou os olhos e respirou fundo. Quando os abriu, começou a falar:
– Há dois anos, achei uma carta no meio das coisas da minha mãe. Era da mãe biológica de . Fui correndo para os meus pais, com raiva, exigindo uma explicação. Minha irmã tinha ido passar o final de semana com você. Por isso não estava em casa – concordei, lembrando-me desse dia. Lembro-me de que os pais dela estavam mais nervosos que o normal. Até conversamos sobre isso, mas deixamos para lá. Ele suspirou e continuou. – Eles me contaram que era filha de uma ex-colega de trabalho do meu pai e de um colega de minha mãe. Ambos tinham perdido o emprego e não tinham condições de cuidar da criança. Quando ele se meteu com drogas e começou a bater na mulher e na criança, ela decidiu que não ficaria com o bebê por medo de o marido fazer algo. Em uma noite, bateu lá em casa e pediu para os meus pais cuidaram da menina e minha mãe, que não estava conseguindo engravidar novamente, aceitou e deu todo o amor do mundo a ela. Meu pai disse que eles nunca mais tinham ouvido falar dela... Insisti para contar tudo à , porém eles me convenceram de que ela não estava pronta para saber a verdade ainda. Essa semana minha mãe achou essa mesma carta de novo e decidiu que queria contar tudo para ela. Meu pai não concordou, contudo minha irmã acabou escutando tudo... E deu no que deu.
– Uau – foi a única coisa que consegui dizer.
– É. E você a conhece. Não dá para saber qual vai ser sua reação. Tenho medo de... Sei lá. Ela fazer alguma besteira. Sabe?
– Sei como é. Aquela ali é complicada mesmo. Quando enfia alguma coisa na cabeça não tem quem tire! – ri baixo, secando algumas lágrimas que tinham se formado em meus olhos. – Mas não se preocupe. Com um irmão como você nada vai acontecer com ela. Sério.
Ele sorriu.
– Puxa, obrigado.
– Imagine.
Ouvimos um barulho no andar de baixo. Olhei para .
– Vai contar tudo pra ela?
– Vou.
– Quer que eu a chame aqui para vocês conversarem mais tranquilamente?
– Por favor.
– Ok.
Desci e estava sentada me olhando.
– Está melhor?
Ela balançou a cabeça negativamente e com a voz fraca perguntou:
– Onde está o...?
– Seu irmão? Lá em cima esperando você. Vá lá. Vou deixar vocês conversarem.
Ela assentiu e me abraçou, murmurando um “obrigada”. Subiu rapidamente e fui em direção à cozinha. Sabendo como é quando está triste e sem saber bem como iria reagir a tudo, fiz alguns cookies com gotas de chocolate para ela. Preparei um suco de maracujá para acalmar e deixei tudo em cima da mesa.
Uma hora já tinha se passado e então eles desceram abraçados.
! – chamou e o olhei. – Convença a minha irmã a voltar para casa, por favor?
balançou a cabeça negativamente e eu soube do que ela precisava.
– Ela passa a noite aqui. Amanhã a gente resolve isso. Ok? E agora os dois venham aqui que eu fiz cookies.
– Com gotas de chocolate? – o olho dela brilhou.
– Sempre – sorri.
– Obrigada, . Você é a melhor amiga do mundo – saiu correndo.
Aproximei-me de .
– Como foi?
– Ah, ela até entendeu a história e tudo, mas quer sair de casa. Sei lá... Está com raiva dos meus pais por terem escondido isso dela. É mais por isso a revolta. Não é nem por ela ser adotada. É por meus pais e eu não termos contado. Principalmente eles.
– Aham.
– Então, preciso voltar para a casa dos meus pais. Eles devem estar loucos por notícias. Depois vou para o apartamento. Qualquer coisa é só me ligar.
– Ok – concordei e ele me deu um abraço, indo embora logo em seguida.
Fui para a cozinha e a quantidade de cookies já havia sido reduzida pela metade. Ri e só nessa hora notou minha presença.
– Isso está muito bom!
– Obrigada.
já foi? – ela perguntou já mais séria.
– Já. Ele disse que qualquer coisa era só ligar.
– Ok. Ei, obrigada. Viu?
– Que nada. É para isso que servem as amigas. Certo? – falei, sentando-me ao lado dela e pegando um cookie. Estavam realmente bons. Só digo isso.
Comemos em silêncio.
– Ele lhe contou que não vou voltar para casa? – retomou o assunto de repente.
– Contou... Tem certeza?
– Tenho. Pelo menos por enquanto, para eu esfriar a cabeça. Não estou pronta para encará-los agora. É capaz de eu falar ou fazer alguma besteira.
– Quer ficar aqui comigo? Aqui tem três quartos e eu só uso um.
– Sério?
– Lógico, ué! Seria um prazer imenso ter minha diva aqui comigo!
– Então eu aceito o convite – ela sorriu.
– Quer assistir a alguma coisa para esfriar a cabeça?
– Tipo o quê?
! – falamos juntas.

Capítulo 11 – Can you feel me when I think about you?
{Se quiser abrir em uma nova aba esse mapa para ir acompanhando, fica melhor. Qualquer dúvida você pode olhar. Ou não. Você que sabe! :D}



*

Abri os olhos sem saber onde estava. Dei uma olhada ao meu redor e reconheci a sala de . Subi na ponta dos pés e confirmei: ela ainda dormia. Fui até a cozinha e preparei um rápido café. Comi e resolvi fazer umas compras, caminhar um pouco.
Troquei de roupa e pendurei um lembrete na geladeira, avisando que iria sair. Peguei a chave do carro de e fui.

*
Ouvi um barulho de manhã, mas nem me dei ao trabalho de me levantar. Deveria ser , considerando que o Fred ainda dormia ao meu lado e não tinha latido. Voltei a dormir e acordei depois de algumas horas. Estranho... Eu tinha sonhado com . E foi um sonho bom. Não me lembrava como tinha sido, porém por algum motivo eu sabia que era com ele e estava sorrindo com isso. Que diabos está acontecendo comigo?
Depois de trocar de roupa e fazer minha higiene matinal, desci com Fred ao meu lado.
? – chamei enquanto ainda descia. – ?
Será que ela voltou a dormir?
Como não achei nem sinal da garota na sala, fui para a cozinha comer alguma coisa. Chegando lá, percebi um post-it na geladeira.

“Hey, bitch! Espero que você não se importe. Peguei seu carro emprestado e fui fazer umas comprinhas. Nem adianta me ligar. Não levei o celular. Volto no final do dia. Beijo.”

Que ótimo. Ela saiu. Com o meu carro. E tenho que ir ao supermercado ainda... Urgentemente, senão não terá almoço hoje. É sério. Não tem nem água aqui. Tinha um pouco de café e um pão (literalmente, só um. Não um pacote. Um mesmo.). E sei que comeu antes de sair, então estou sem nada. Que legal. O jeito vai ser ir a pé.
Depois de colocar comida e água para Fred, subi, troquei o short e peguei um tênis. Coloquei algum dinheiro e o cartão de crédito dentro do bolso, saindo logo em seguida.
Depois de andar duas quadras, cheguei à Starbucks. Tomei meu café (o mesmo que eu tinha tomado aquele dia com ... Depois que a gente... Ah, foi tão bom... Por que estou pensando nisso? Eu, hein!) e segui em direção ao supermercado.
Depois de muito andar, já morrendo de cansaço, cheguei. Comprei o mínimo possível, mas o estado da minha dispensa estava crítico. Então mesmo assim comprei muita coisa. Eram tipo umas vinte sacolas. Coloquei dez em cada braço e voltei pra casa, rezando para chegar lá viva.
Lembrete: matar a .
Passei na frente da Starbucks. Aleluia! Estou perto. Uma das alças de uma das sacolas arrebentou e, com um movimento ninja, consegui segurá-la. Porém, enquanto eu fazia isso, uma mulher cheia de sacolas esbarrou em mim, derrubando-me no chão com tudo.
– Caramba, desculpe-me! Eu a ajudaria, mas estou realmente atrasada! Desculpe-me! – a mulher falou, indo embora correndo.
Xinguei-a mentalmente e me preparei para juntar as sacolas e me levantar com o máximo de dignidade possível. Quando estava quase conseguindo, ouvi uma risada conhecida.
– Quer uma ajuda aí, moça?
Fuzilei-o com os olhos.
... Vai ficar aí rindo ou vai me ajudar?
Ele gargalhou mais um pouco, mas pegou as sacolas e me levantou.
– Obrigada.
– Você realmente tem um imã com pessoas, né? Não consegue ver alguém andando que você já se joga em cima! – ele gargalhava novamente.
– Engraçadinho – olhei para ele com raiva. Contudo, vendo-o rir, não consegui evitar rir um pouco também.
– Então para onde a madame estava indo com esse peso todo?
– Casa. Sua irmãzinha pegou meu carro e eu estava sem comida. E você, o que faz por aqui?
– Exercícios. Estou só correndo um pouco – parei para observá-lo. Ele usava uma blusa branca, um short cinza e uns tênis de corrida pretos. Também tinha um fone no ouvido e estava um pouco suado. – Meu apartamento não é tão longe daqui.
– É verdade – falei, lembrando-me vagamente de onde ele morava.
– Quer ajuda para levar essas sacolas até em casa?
– Por favor! – implorei.
– Ok, vamos – ele me encarou. – Está tudo bem mesmo?
– Sim. Estou acostumada a cair. Nem se preocupe – eu ri.
– Não sei por que, mas eu acredito! – ele riu também, começando a andar. Alcancei-o e ele me olhou. – Então como a está?
– Ah, está melhor. Saiu para fazer compras – ele arqueou a sobrancelha. – Essa é a defesa dela. Quando está estressada, triste ou preocupada com algo, sai para comprar. É como uma terapia – expliquei. – Eu até ficaria preocupada ou com raiva por ela ter pegado meu carro e ainda por cima não ter levado o celular, mas esse é um dia só dela. A estava precisando pôr as idéias no lugar. Sabe como é...
– Sei...
– Mas e você, como está?
– Ah, melhor. Só espero que ela não meta na cabeça que quer encontrar os pais biológicos, porque isso ia causar uma puta confusão com meus pais.
– Sério? – perguntei e ele concordou. – Mas então reze para ela nem pensar no assunto, porque você conhece a peça. Se ela coloca uma coisa na cabeça, não tem quem tire!
– Eu sei. Por isso mesmo estou preocupado. Se por acaso ela tocar no assunto...
– Eu aviso – interrompi-o. – Pode deixar. Chegamos – peguei a chave e abri a porta. entrou com Fred latindo loucamente para ele, fazendo-o rir, e apontei para a cozinha.
Seguimos até lá e ele largou as sacolas na bancada. Fui até a geladeira e peguei um pouco de água para nós dois. se sentou. Comecei a guardar as coisas e a fazer o almoço. Não sabia se ele ia querer ficar para almoçar, mas em todo caso não perguntei. Ele já estava aqui mesmo.

*

realmente sabe cozinhar. Essa é a melhor lasanha que já comi na vida.
– E aí? Aprovado? – ela perguntou e fiz “legal” com o dedo.
Comemos em silêncio.
Enquanto ela recolhia a mesa, comentei:
– Isso estava realmente extraordinário. Não sabia que você cozinhava.
– Pois é. Obrigada. E eu não sabia que no seu dicionário constavam palavras como “extraordinário” – ela brincou.
– Engraçadinha.
Meu telefone tocou. Era .
– Alô?
? – ele disse e eu ouvia gritaria no fundo. e . Certeza.
– Fale.
Você não vem?
– Para onde?
- Para o ensaio, sua anta.
– Ensaio?
É, ensaio. Não sei se você se lembra, mas temos uma banda chamada McFly. E temos um show amanhã. Lembrou-se, Bela Adormecida?
– Caramba, é mesmo! – tinha me esquecido completamente! O vai me matar.
É muito lerdo mesmo.
VENHA LOGO PARA CÁ! gritou ao fundo.
– Estou indo! – falei, desligando.
– Algum problema? – perguntou.
– Nada demais. Só me esqueci completamente do ensaio da banda – ri. Ela pareceu confusa.
– Banda?
– Sim. Chama-se McFly.
– Nossa, que incrível!
– Pois é. Enfim, tenho que ir. – Tudo bem – ela sorriu.
– Obrigado pelo almoço. Estava ótimo – fui até ela e dei um beijo em sua bochecha.
Estava saindo, mas o cachorro de (acho que era Fred o nome) começou a latir e pular, correndo à minha volta, pedindo atenção. Ele mal me conhece e já simpatizou comigo. Eu, hein. Fiz carinho nele e saí, acenando para a garota que gargalhava da loucura do cachorro.
Cheguei a casa, tomei um banho e segui para a casa de .
– Desculpem o atraso – falei, enquanto entrava.
– ‘Ta. Tanto faz. Vamos ensaiar logo. Ande.
! – veio correndo e pulou em cima de mim. Não sei por que ando com essa gente. Povo mais estranho.
! – gritei, pulando com ele em cima de mim. É, não tente imaginar a cena. Lembrei-me do porquê ando com essa gente. Sou igual a eles. É.
– Ô, casal, dá para vocês pararem de se agarrar um pouco para a gente ensaiar? – falou mal-humorado.
– Ah, ! Ele está com ciúmes – olhei para e o mesmo fez “ooown”, correndo para abraçar .
– Não precisa ter ciúmes, amor. A gente também ama você!
– Credo. Saia de cima de mim, seu boiola. Vamos ensaiar logo!
– Ok, ok – falei, gargalhando.
– Cadê o seu , ? – perguntou.
– Lá no seu quarto.
– Mas é muito burro mesmo! Vá buscar. Ande!
– Credo. Como vocês são estressados! Estou indo, estou indo! – ele saiu correndo e logo voltou com o instrumento.
– Vamos de qual primeiro? – perguntei.
– Smile?
– Um, dois, três...

You don't have to have money
To make it in this world.
You don't have to be skinny, baby,
If you wanna be my girl.
Oh, you just got to be happy.
But sometimes that's hard.
So just remember to smile, smile, smile
And that's a good enough start.


Capítulo 12 – Just because I liked you back then, it doesn’t mean I like you now.



*

Assim que terminei de lavar a louça, fui dar uma volta com o Fred apenas para ele andar um pouco. Eu só ia até a esquina da Starbucks e voltava. Coloquei a coleira nele e saímos.
O passeio foi normal, a não ser na hora que chegamos perto da Starbucks. Vi um homem entrando lá que se parecia muito com o Adam. Mas não é possível. Não podia ser ele. O dito cujo morava do outro lado da cidade. O que ele viria fazer aqui?
Enfim, deixei para lá e voltei para casa, indo imediatamente deitar um pouco. Acho que durmo demais. Só acho.

*

Cheguei à casa de cheia de sacolas. Quase pisei no Fred, coitado. Larguei tudo no meu quarto e fui ver onde a dona da casa estava. Dormindo, é óbvio. Melhor acordá-la. Já está quase noite.
! – gritei, pulando em cima dela.
– O QUE É, DEMÔNIO?! NÃO VÊ QUE ESTOU DORMINDO?! – ela berrou e eu caí na gargalhada.
– Vejo sim, mas já está na hora da Branca de Neve acordar – dei um tapa fraco em seu rosto e ela abriu os olhos, fuzilando-me.
– Primeiro: saia de cima de mim. Segundo: quem dorme é a Bela Adormecida, e não a Branca de Neve. Terceiro: se você me der um bom motivo para acordar, eu me levanto – fechou os olhos novamente.
– Vamos sair?
– Para onde?
– Ah, qualquer lugar!
– Pode ser amanhã?
...
...
– Ok, amanhã – rendi-me e saí de cima dela. Eu também estava cansada.
Fui para o meu quarto, atirando-me na cama e caindo no sono imediatamente.

*

Já fazia horas que eu tinha acordado e nada de a aparecer. Aquela ali não dormiu. Desmaiou.
Eu estava assistindo a e consultei o relógio: quatro e meia. Nossa! Daqui a pouco vou acordar a dorminhoca. Prometi que iríamos sair hoje. Daqui a pouco subo. Vou ver só mais um episódio... Só um.
Duas horas depois...
Acabei vendo mais de um... Que horas sã...? SEIS E MEIA?!
Subi correndo e pulei em cima de .
– ACORDE!
Ela resmungou e se virou para o outro lado.
– A gente vai sair. Lembra-se? – falei e ela saiu da cama num pulo.
– É verdade. Vá se arrumar. Vou me arrumar também.
– Ok – falei, indo para o meu quarto.
Coloquei um vestido qualquer e um sapato preto, com uma maquiagem não muito forte. Desci e ainda estava se arrumando (óbvio).
Vinte minutos depois...
– Aleluia! – falei, olhando para . – Eu já estava mofando aqui.
– Desculpe. Bateu uma dúvida. Está bom? – ela perguntou, olhando para si mesma. Encarei-a. Ela estava lindíssima.
– Perfeita. E eu? – levantei-me, dando uma voltinha.
– Nossa. Você está linda – ela sorriu.
– Então vamos?
– Sim!
Deixei dirigir, já que ela escolheria o local. Chegamos a uma boate não muito longe e também não tão lotada. Fomos direto dançar. mal piscou e já tinha um cara falando com ela. Tinha alguns me olhando também, mas não dei atenção e continuei dançando.
Uma hora depois...
Eu já estava cansada e tinha sumido... Resolvi ir até o bar pegar uma bebida. Chegando lá, sentei-me ao lado de um cara que não me dei ao trabalho de observar. Pedi a bebida que eu queria e ele disse:
– Dois, por favor. Por minha conta – ele piscou para mim e o observei. Bonito, forte, cabelos não muito grandes, mas não muito curtos, alto... Gostei. Sorri para ele e ele sorriu de volta.
– Então, como se chama?
. Você? – encarei-o.
– Jason.
– Aqui – o barman entregou as duas bebidas. A minha tomei imediatamente. Jason imitou meu gesto.
– Quer dançar? – ele apontou para a pista de dança.
– Claro – por que não? Concordei e o segui.
Estávamos dançando quando apareceu ao lado de um cara. Ela me chamou e dei um passo em sua direção, ainda com Jason atrás de mim.
– Amiga... – ela falou perto do meu ouvido para ter certeza de que eu escutaria. – Posso pegar o carro?
– Já vai?
– Quer uma carona?
– Não. Imagine! Vá lá. Aproveite o cara. Dou meu jeito para ir embora – ri e dei a chave para ela, afastando-me. Vi a boca dela se mexer, porém não ouvi nenhum som. Acho que ela agradeceu.
Voltei a dançar com Jason.
Uma hora depois...
Meu acompanhante e eu estávamos no bar novamente. De repente, ele olhou para mim e perguntou:
– Quer dar uma volta? – sorri, entendendo de imediato o que ele queria dizer.
– Claro – levantei-me. Fomos até o carro e ele abriu a porta para mim. Entrei e ele deu a volta, fazendo o mesmo.
Andamos em silêncio por um tempo até que ele parou em um lugar que parecia um parque.
– Por que paramos aqui?
– Tenho uma coisinha para resolver aqui – ele falou simplesmente e não pude evitar ficar com um pouco de medo. – Vamos? – ele sorriu e relaxei um pouco, concordando com a cabeça.
Ele deu a volta e abriu a porta para mim, guiando-me pela mão. Chegamos a um banco, onde reconheci imediatamente a silhueta de costas para mim.
– Adam! – falei completamente pasma.
– Pode ir, Jason. Obrigado – ele falou. Tremi ao ouvir sua voz. Adam nunca foi uma pessoa calma. É muito cruel eu estar com medo dele? Lembrei-me da última vez em que nos vimos.

# Flashback – Dois meses atrás

Eu caminhava tranquilamente pelo shopping, de loja em loja, tentando pensar em um presente para daqui a dois meses. Sim, penso nas coisas com muita antecedência. Ok?
Enfim, entrei em uma loja de bolsas. Olhei várias, mas nenhuma me interessou. Saí e andei mais um pouco, ficando paralisada ao ver aquele cara. Adam. O cara com o qual eu tinha terminado há um ano. O cara que me traiu com mil mulheres, contudo mesmo assim continuava comigo na maior cara de pau. O cara que me magoou tanto, mas tanto, que me faz me odiar até hoje e que tirou minha vontade de entrar em um relacionamento sério. Nunca mais namorei ninguém depois dele. O medo de ter o meu coração partido em pedacinhos de novo é tão grande que só de pensar na palavra “amor” me dá um arrepio. O cara que, mesmo sendo um grosso comigo e me agredindo algumas vezes (como aquela vez em que “sem querer” ele derrubou uma garrafa na minha cabeça e passei uma semana no hospital com o mesmo ao lado, fingindo estar arrependido. E eu, boba e apaixonada, acreditava. Que idiota), de qualquer forma eu amava. Sabe por quê? Porque eu era ingênua. É verdade. Adam foi meu primeiro namorado, todavia o trauma de ser traída por ele foi tão grande que não quero namorar de novo tão cedo...
Sabe qual é a maior ironia dessa história? Ele era obcecado por mim. Ainda é. Pegava todas, mas meteu na cabeça que eu era dele e de mais ninguém. Essa obsessão era horrível. Eu não tinha ciúme das “amigas” dele. Mas ele? Tinha ciúme de tudo relacionado a mim. Tudo. Não entendo, de verdade, como é possível isso... Esse “amor” dele por mim. Era um amor virado ao avesso.
Porfém, enfim, esse cara estava na minha frente. E a vontade que eu tinha de enforcá-lo era tão grande que precisei respirar fundo antes de dar mais um passo em sua direção.
– Ora, olhe quem temos aqui. ! Que bom ver você – Adam falou, sorrindo. Ah, como odeio esse sorriso do fundo da minha alma.
– Adam – falei, respirando fundo. Bem fundo. – O que você quer?
– Ué, nada. Só conversar. A gente podia passar uma borracha em tudo que aconteceu e sair para curtir um pouco, né?
– Borracha? – os meus olhos se encheram de lágrimas. Maldita raiva. Maldita raiva que se manifestava nos meus ductos lacrimais. Porcaria. Respire, . Respire. – Borracha? Depois de tudo que você me fez, ainda tem coragem de me dirigir a palavra? Ainda mais de pedir para passar uma borracha? É sério isso? Você não tem vergonha, não?
– Vergonha de quê? Eu não fiz nada! – ele me olhou confuso.
– Ah, não? Então você nunca me traiu? Nunca me fez de idiota? Fingiu que gostava de mim, mas na verdade vivia com outras? – esforçava-me para manter as malditas lágrimas dentro do olho, apesar de isso ser uma missão impossível.
– Ei! Sempre amei você, . E ainda amo – ele me olhou e tive vontade de socá-lo. – E sobre as traições... Foram apenas um acidente de percurso. O meu destino sempre foi e sempre vai ser você.
– Como você tem coragem de dizer isso? COMO?! – agora já era. Eu estava chorando. – Ah, amava-me, né? Bela maneira de demonstrar seu amor. Bela maneira! – eu cuspia as palavras na cara dele, controlando-me para não fazer nenhuma besteira. – Você me machucou muito. É verdade. Eu o amava, Adam. AMAVA! E o que você fez com esse amor? Deixou apodrecer em um canto, como se não valesse nada. E agora vem me dizer que me traiu e que isso foi um acidente? Sabe o que foi um acidente? Eu ter aceitado namorar você. ISSO SIM foi um acidente. E bem sério. Você me destruiu. Hoje tenho nojo de você. Nojo e pena. Eu o ODEIO, Adam. ODEIO! Não OUSE falar comigo de novo. NUNCA! – eu gritava e percebia que as pessoas estavam olhando, mas não me importava. Precisava falar isso para ele ou eu iria ter um ataque.
Fiquei surpresa quando ele veio em minha direção e segurou meu braço com força. Muita força. Seus olhos demonstravam pura raiva.
– Como você se atreve a dizer isso? COMO?! – ele também gritava.
– Você está me machucando.
– É para machucar mesmo. É PARA MACHUCAR! Sua vadiazinha... Você não tem nenhuma noção mesmo.
Um segurança se aproximou e (graças a Deus!) obrigou Adam a me soltar.
– Vou precisar pedir que o senhor se retire – ele falou, já o carregando para fora.
– VOCÊ É MINHA, ! MINHA! E SE NÃO FOR MINHA, NÃO VAI SER DE MAIS NINGUÉM! PODE ESCREVER! – e saiu.

# Fim do flashback

Meu braço ficou roxo por semanas depois daquele dia. E, desde lá, nunca mais o vi. Até agora.
Ele se virou e veio em minha direção, olhando-me com um olhar que posso descrever como diabólico. Eu estava realmente com medo. Raiva não. Medo. Eu estava apavorada. Toquei com cuidado o bolso do meu vestido para ter certeza de que o celular estava ali. Fiquei aliviada quando percebi que estava.
– O que você quer? – tentei soar o mais natural possível.

Capítulo 13 – ‘Cause everything you say, everything you do, is freaking me out.



– O que eu quero? – ele apontou para si mesmo com ironia. – Foi você quem veio até mim, querida.
– Não foi exatamente por vontade própria, se quer saber – falei, forçando minha voz a não tremer. Eu não deveria ter medo dele, mas realmente doeu o que ele fez no meu braço dois meses atrás.
– Ah, não foi? – ele me olhou novamente, incrédulo. – E você entrou naquele carro, saiu dali e chegou até aqui como? Algemada?
– Se eu soubesse que aquele estúpido ia me trazer até aqui, nunca teria entrado naquele carro. E você sabe muito bem disso.
– O que importa é que você está aqui... Comigo... Como deve ser – ele deu um passo em minha direção e recuei. – Sabe por que a chamei aqui? – ele disse. “Não foi exatamente um convite”, pensei, porém achei mais seguro ficar calada. – Recebi uma proposta de emprego na Espanha. É só um estágio, contudo vou passar alguns meses lá – “E eu com isso?”, pensei novamente, todavia não falei nada. Só balancei a cabeça afirmativamente. – E é aí que você entra.
– Como? – dessa vez não me contive. Ele sorriu ao ver minha cara de espanto.
– Você vai comigo, como minha namorada.
– O quê? Se você está achando que eu...
– Shhh... Eu não disse que você tinha escolha. Disse? – confesso que fiquei apavorada com essa frase. Ele ia me seqüestrar? É isso?
– O que você quer dizer com isso? – perguntei relutante.
– Simples. Sua passagem já está comprada, nosso apartamento já está alugado e mobiliado, e nós partimos amanhã às nove.
Meu cérebro demorou um pouquinho para processar a informação. Foi isso mesmo o que entendi? Ele quer me levar para a Espanha? Como namorada? Amanhã?
– Você está sonhando se acha que vou concordar com tudo isso – disse. Ele riu, aproximando-se ainda mais de mim. Olhei em volta para ver se achava algum sinal de civilização. O máximo que consegui enxergar foi um barzinho duas quadras adiante. Eu o olhava, completamente em pânico (graças a Deus que sou atriz e consigo fingir não estar tão apavorada), e ele apenas gargalhava.
De repente, o silêncio. E ele continuava chegando cada vez mais perto. Eu mal conseguia respirar. O cara tocou meu rosto com o polegar.
– Senti tantas saudades... – ele se aproximou, tentando me beijar.
– Saia daqui! – empurrei-o num impulso e o olhar demoníaco tomou conta dele de novo.
– O que foi, ? Sei que você ainda me ama... – Adam tentou me beijar novamente e mais uma vez desviei.
– Só porque eu gostava de você naquela época, não significa que goste agora.
– Sei que você sente minha falta... – ele continuou, ignorando minha última fala. – Eu também sinto a sua – adivinha o que ele fez? Tentou me beijar de novo. Dessa vez só virei o rosto e o beijo atingiu minha bochecha. – Pare de me provocar, garota... – ele agarrou minha cintura e me puxou para perto, porém me soltei dele e saí correndo.
Ele correu atrás de mim e, por ser infinitamente mais rápido, logo me alcançou, prensando-me contra uma árvore com força. Minhas costas doíam. Ele beijava meu pescoço e eu só gritava “socorro”, na inútil tentativa de receber alguma ajuda.
– LARGUE-ME! – gritei e ele parou para me olhar.
– Está com medo de mim, princesa? Por quê? Nunca lhe faria mal.
– Você é doente, Adam. DOENTE!
– Sou doente, sim – ele riu alto, de tal maneira que me deu mais medo ainda. – Doente por você. POR VOCÊ! – ele gritou, abrindo os braços. Aproveitei a oportunidade para fugir, porém ele colocou o braço na frente bem na hora. – Está achando que vai para onde, bonitinha? – segurou meus dois punhos com muita força. – Ainda temos algumas contas a acertar antes de irmos para a sua casa para você arrumar suas malas.
– Ti... Tipo o quê? – eu o encarava, tentando não demonstrar nenhuma reação, mas o tremor em minha voz não ajudava.
– Tipo recuperar o tempo perdido... – ele me beijou, soltando um de meus punhos e levando a mão livre até a minha bunda. Consegui posicionar meu joelho entre suas pernas e dei o chute mais forte que consegui. Não era forte o suficiente devido ao meu pânico, porém foi suficiente para Adam cair no chão gritando. Saí correndo desesperada e entrei naquele bar que havia visto antes, indo correndo até os fundos e invadindo a cozinha.
– Ei, moça. Você não pode ficar aqui – um garçom veio até mim e disse, enquanto eu sentava no chão em um cantinho escondido da cozinha.
– Por... Por favor. Tem um cara atrás de mim. Fico só um pouquinho. Já vou embora. Prometo – eu tremia e estava com lágrimas nos olhos. Isso deve tê-lo convencido.
– Tudo bem. Só um pouquinho, hein? – ele sorriu e saiu, logo voltando com um copo de água na mão que me entregou.
– O-obrigada.
– Cuide-se – ele piscou e saiu.
Peguei o telefone no bolso do meu vestido e disquei o número de .
– Alô? – uma voz que não era a dela atendeu. Logo reconheci.
– O-oi, – eu ainda tremia, mas sorri reconfortada ao ouvi-lo. Eu estava salva.
... O que houve? – ele parecia preocupado.

*

O show do McFly já havia terminado e minha festa particular, também, se é que você me entende. Achei legal da parte da minha irmã dar uma passadinha aqui antes do show terminar. Só que a desligada deixou o telefone.
Minha acompanhante estava se vestindo. Assim que o fez, foi embora. Fui até a cozinha comer alguma coisa e, quando cheguei lá, o telefone de tocou. Vi “” no visor e achei melhor atender.
– Alô?
O-oi, – a voz dela demonstrava alívio e ao mesmo tempo medo. Medo não. Pavor. Fiquei preocupado.
... O que houve?
Adam.
– Quem é Adam?
Meu ex-namorado – ah, o tal que causou um “trauma” nela ou algo do tipo.
– O que ele fez?
Ele... Ah, foi horrível, ! – ela começou a soluçar.
– Onde você está? Estou indo para aí – fui correndo para o quarto e coloquei uma roupa. Ela me deu o endereço e saí correndo pelas escadas.
Ele chegou com uma coisa estranha de... Proposta de... Emprego... Na Espanha. E queria que eu... Fosse junto – ela falava e, apesar dos soluços, eu conseguia entender perfeitamente. – Disse não e ele falou que eu não tinha escolha. Aí ficou tentando me agarrar... Tentando e tentando! – ela falava mais desesperada ainda. – Até que ele conseguiu – após ouvir isso, uma raiva tomou conta de mim. Raiva que não entendi de onde vinha.
Cheguei até a garagem e entrei no carro, saindo cantando pneu.
E ele disse que depois dali a gente ia para a minha casa fazer as malas para viajar amanhã! Mas consegui dar um chute nele e sair correndo. Vim parar na cozinha desse bar – ela suspirou.
Eu estava na metade do caminho e já devia ter levado pelo menos duas multas, porém não me importava. Não entendi por que estava tão absurdamente preocupado com essa garota, mas segui meu coração (que coisa mais gay) e fui correndo atrás dela. já tinha acabado a história e só chorava.
Olhe só quem eu achei... – Ouvi alguém dizer. Presumi ser Adam.
– Estou chegando – falei para e acelerei ainda mais o carro.
Depois de dois minutos, cheguei lá. Rodei o bar inteiro, a cozinha, e nada de . Lembrei-me da conversa.
“E ele disse que depois dali a gente ia para a minha casa fazer as malas para viajar amanhã!”
Entrei no carro e fui voando para a casa de . Chegando lá, encontrei a porta escancarada. Entrei de fininho e ouvia Adam falando no andar de cima. Subi na ponta dos pés e espiei o quarto. Adam pegava coisas no armário e atirava na mala, de costas para mim. estava em um canto, totalmente amarrada, e pareceu aliviada ao me ver. Fui na ponta dos pés até o banheiro e de lá liguei para a polícia, que me disse que chegaria em dez minutos.
É. Agora é comigo.

*
Eu estava apavorada, amarrada em um canto no meu próprio quarto. Adam arrumava minha mala enquanto falava.
– Você achou que ia fugir de mim, né? Não, não, não. Nosso destino é ficarmos juntos e você sabe disso, minha princesa. Um dia ainda vai me agradecer pela vida maravilhosa que vamos ter na Espanha. Você vai ver – ele parecia um maníaco falando.
Olhei para a porta e vi um pedaço da cabeça de . Amém. Ele sumiu, mas, depois de cinco minutos que contei pelo relógio na cabeceira da minha cama, ele entrou no quarto, surpreendendo Adam.
– Quem é você, engomadinho? – ele estava com raiva.
– O que você quer, Adam?
– Vim buscar o que é meu por direito.
?
– Claro.
– Você é doente.
– Vocês de novo com essa história de doente. Sou doente, sim! Doente por ela! – ele sorriu com cara de louco.
– E você por acaso acha que vai ser feliz com ela lá? Assim, desse jeito? Ela tem medo de você, cara. Caia na real! – mexia as mãos enquanto falava, tentando convencer Adam a parar com essa loucura.
– Quando ela estiver comigo lá, na Espanha... – ele apontou para a janela. – Vai ser feliz. Vou dar tudo que ela precisa. Tudo. E um dia ela vai me agradecer.
Nessa hora consegui empurrar com a língua a fita adesiva que estava colada na minha boca.
– Não! Nunca. Nunca vou lhe agradecer, seu doente! – falei e ele veio correndo em minha direção, fuzilando-me com os olhos. Porém, antes de ele chegar até mim, deu um soco nele, derrubando-o no chão. Adam grunhiu e logo se levantou, indo para cima de . Os dois caíram no chão e ficaram rolando de um lado para o outro, trocando socos. Eu só gritava.
Uma hora Adam levantou e pegou pela camisa, atirando-o contra meu armário. bateu a cabeça e desmaiou. Eu via sangue no chão.
– O QUE VOCÊ FEZ, ADAM?! VOCÊ É LOUCO?! PARE COM ISSO!
Ele veio até mim e me deu um tapa na cara.
– Cale a boca, minha princesa. CALE A BOCA!
– O que você vai fazer? – ele estava fechando a mala. – ADAM, O QUE VOCÊ VAI FAZER?!
– Cale a boca – ele falou simplesmente.
Soltou minhas pernas da cadeira, mas deixou minhas mãos amarradas. Levantou-me pelo braço e com a mão livre pegou a mala. Enquanto descíamos, eu me esperneava e gritava, tentando me soltar ou pelo menos ver como estava. Adam me levava como um boneco e me segurava com muita força. Eu nem sentia mais meu braço direito.
Quando chegamos lá à frente, tinha três carros da polícia parados e cinco policiais com a arma apontada para a cara de Adam.
– Largue a garota e coloque as mãos aonde eu possa vê-las – o policial do meio falou. Adam largou a mala, mas continuou me segurando.
– Não vou soltar. NÃO VOU! Vocês não têm o direito de me separar dela. NÃO TEM! – ele apertava cada vez mais o meu braço. – Conte para eles, amor. Conte. Conte como a gente é feliz, conte como a gente se ama. CONTE! – ele gritava, sorrindo como um louco.
– Você é um psicopata – olhei para ele com nojo. – LARGUE-ME! LARGUE-ME AGORA! – olhei para os policiais, desesperada e com os olhos lacrimejando. – Façam-no me soltar, por favor! Está doendo. E meu amigo está desacordado lá em cima. Vejam como ele está, por favor, por favor! – eu já chorava.
– Chame uma ambulância – o policial ordenou para o que estava ao seu lado. Ele olhou para Adam. – Largue a garota. Vamos conversar. Você não precisa fazer isso.
Decidi tentar convencê-lo eu mesma.
– Adam... – olhei para ele, enquanto sentia as lágrimas descendo pelo meu rosto desesperadamente. – Você está me machucando. Meu braço dói. Se você me soltar, vamos juntos para a Espanha. Como um casal. De mãos dadas. É isso o que você quer? – ele balançou a cabeça afirmativamente. – Então solte o meu braço. Você está me machucando.
Ele parou de apertar tanto meu braço e desatou o nó que prendia meus pulsos. Imediatamente saí correndo para dentro da casa e Adam, gritando, tentou me seguir, contudo foi preso pela polícia. Fui até e a cabeça dele sangrava. Chorei preocupada.
... ... Fale comigo, por favor. FALE COMIGO! – eu o balançava, mas não obtinha nenhuma resposta. Logo o enfermeiro chegou e o examinou.
– Ele vai ficar bem? – perguntei.
– Pelo que estou vendo, sim. O corte causado pela pancada no armário não foi muito fundo. Mas ele vai precisar ir para o hospital. E você também – ele falou, olhando para o meu braço. Olhei também e fiquei surpresa com o que vi. Meu braço estava extremamente vermelho e em alguns pontos ele estava ficando roxo. Aquele hematoma iria ficar feio. Bem feio. E doía muito. Olhei para meus pulsos e o local onde estava a corda que me amarrava tinha vários cortes e sangrava.
Chegaram mais dois enfermeiros que colocaram em uma maca e o levaram. O outro me conduziu até a ambulância. Entramos nela e o enfermeiro examinou meu braço. Passou alguma coisa nele e disse para eu não mexê-lo muito.
Flashes do que tinha acontecido começaram a passar pela minha mente e tudo ficou escuro.

Capítulo 14 – Every morning I wake up to find I always dream the same.



Acordei num pulo como sempre. O mesmo sonho. Eu sempre sonho com a porcaria do acidente que matou meu pai quatro anos atrás. Todos os dias. Salvo aquela manhã em que sonhei com ... Mas foi a única exceção em todos esses anos.
Eu não agüentava mais.
E, mesmo depois de tanto tempo sonhando a mesma coisa, o sonho sempre me afetava da mesma forma. Eu acordava apavorada e com lágrimas nos olhos. Lágrimas essas que sequei rapidamente para saber onde estava.
Hospital? Mas o quê...? Ah, claro. Adam.
Eu ainda estava com a mesma roupa, porém sem as pulseiras e com uma agulha enfiada no braço. Desviei o olhar no mesmo instante. Odeio agulhas. Procurei um botão para chamar algum enfermeiro. Apertei-o e em questão de segundos uma senhora loira apareceu.
– Olhe só quem acordou – ela veio em minha direção e parou ao meu lado. – Como se sente, querida?
– Eu estou bem. Faz quanto tempo que estou aqui?
– Apenas uma hora. Você só teve uma crise nervosa devido ao susto. O soro em seu braço é só por precaução – ela anotou algo na prancheta em sua mão. – Preciso que me diga seu nome e o de seu amigo para ligarmos para algum parente. Não achamos nenhuma identificação com nenhum de vocês.
Amigo? Dei um pulo.
? Como ele está?
– Calma. Ele está bem. Só está dormindo. Já fizemos o curativo e o garoto acordará em breve – ela sorriu. – Os nomes, por favor.
– Sou . Meu amigo se chama . Posso ligar para a irmã dele, , para avisá-la que estamos aqui?
– Claro, mas acho melhor eu ligar. Dê-me o número que vou lá na recepção fazer a ligação – falei o número e ela anotou. Virou-se para sair, contudo a chamei.
– Ei! – a enfermeira se virou para mim. – Posso ir vê-lo?
Ela veio em minha direção e tirou com cuidado a agulha de meu braço, colocando um algodão no local onde a mesma estava.
– Agora você segura o algodão aqui por alguns minutos. Pode ir vê-lo sim. Seu quarto é o 313.
Levantei-me e fui, sem me esquecer de segurar o algodão. Entrei no quarto com cuidado e dormia. Sentei-me na poltrona ao lado o mais silenciosamente possível, todavia mesmo assim ele abriu os olhos.
– Desculpe. Não queria acordar você – falei culpada. Ele riu fraco.
– Eu não estava dormindo. Só tinha fechado os olhos – sentou-se na cama. Comecei a rir. – O que foi?
– Nada... É só que esse curativo em volta da sua cabeça ficou engraçado – ri mais um pouco e ele me acompanhou. – Ei... – falei e ele me olhou. – A enfermeira ligou para a ... Mas antes dela chegar eu queria lhe pedir uma coisa.
– Diga – ele sorriu curioso.
– Sobre o que aconteceu hoje... Não fale para a que foi o Adam, por favor.
Ele me olhou confuso.
– Ué, por quê?
– É que... A gente se conhece há quase um ano. Ela ainda não era minha amiga quando terminei com o Adam. E por isso não sabe disso. Se eu contar que tudo que aconteceu hoje foi culpa dele, ela vai querer saber de tudo e... Ainda estou muito magoada. Não queria revirar essa história agora. Deixe o trauma passar e conto tudo para sua irmã. Prometo – olhei para ele, implorando. Eu não queria reviver essa história agora. – Sei que não é justo com ela, mas também não é justo comigo me fazer lembrar tudo. Ainda dói saber que meu ex-namorado, que eu amava, ou pelo menos achava que sim, é um psicopata. Então, por favor, faça isso. Não conte nada para ela agora... Por favor.
– Por mim tudo bem... Mas o que você pretende dizer para ela?
– Que invadiram a minha casa e tentaram me seqüestrar – dei de ombros.
balançou a cabeça afirmativamente e nessa hora entrou com tudo no quarto.
? – ela respirou fundo quando o viu. – ! – ela veio me abraçar. – Você quer me matar, sua mula? – deu-me um tapa fraco no ombro. – Fui ao seu quarto agora e você não estava lá.
Comecei a rir.
– Desculpe.
– Ah, você vai ver primeiro a sua amiga, né? Irmã ingrata – apontou para mim, fazendo rir e ir até ele.
– Aw, irmãozinho, você sabe que eu o amo – ela apertou sua bochecha. Gargalhei. – Então, qual dos dois patetas vai me contar o que aconteceu? Não estou tendo um treco agora porque vejo que os dois estão bem, mas quero saber o que houve.
– Invadiram minha casa e tentaram me seqüestrar – dei de ombros novamente. ficou um tempo de boca aberta e me encarando. – Feche a boca, senão entra mosca – brinquei.
– Ah, e você fala isso na maior calma?
– O quê? É verdade, poxa! Minha mãe já engoliu uma mosca assim. Sabia?
– Não estou falando da mosca, – ela me olhou de modo ameaçador.
– É, pois é. Tentaram me seqüestrar – doía em mim mentir para . Doía mesmo, porém doeria mais falar de Adam agora.
– E o que meu irmão tem a ver com isso?
Ah, merda.
– Ele estava... – comecei a gaguejar, mas me interrompeu.
– Indo ver se você estava em casa, porque esqueceu o celular comigo.
– Exatamente! – suspirei aliviada.
– Aí eu meio que... Briguei – ele falou e gargalhou.
– Você brigando com um seqüestrador... Eu precisava ter visto isso!
– O que é isso? – apontei para uma vasilha em cima de uma mesa ao lado da cama.
– Uvas – sorriu triunfante.
– Você pediu... Uvas? Em um hospital? – perguntei, segurando-me para não rir.
– Qual o problema? Gosto de uvas. E a enfermeira perguntou se eu queria alguma coisa.
– Típico – falou, rindo.
Fui em direção à vasilha, ainda rindo, e peguei-a, mas colocou a mão na frente, o que fez a vasilha virar um pouco, derrubando algumas uvas.
– REGRA DOS CINCO SEGUNDOS! – gritou e todos nos jogamos no chão, pegando a máxima quantidade de uvas possível.
Quem visse de fora ia achar a cena mais bizarra do mundo três adolescentes jogados no chão catando uvas, todavia simplesmente não podíamos deixar todas aquelas uvas estragarem.
Depois de todas as uvas salvas em tempo recorde, sentamo-nos no chão gargalhando.
– Não acredito que a gente fez isso – ria escandalosamente.
– Pelo menos salvamos as uvas – falou, colocando umas quatro na boca.
– Verdade – tive que concordar. Aquelas uvas estavam realmente boas.
– Licença... Ahn... – a enfermeira nos assustou. Como não ouvi ela entrar? Ela é ninja, oh, God [n/a: 1bj, Camila]. – Senhor... – ela checou a prancheta. – ... Vim aqui dar a sua alta. Como está se sentindo?
A essa hora já tinha se levantando e nós também.
– Estou bem – ele sorriu, balançando a cabeça.
– Vou precisar só trocar o seu curativo mais uma vez e você estará liberado. Ok?
– Ok.
– A gente vai voltar para o outro quarto. Licença – falou, puxando-me para fora.
Fomos para meu quarto novamente.
– Ei – apontou para mim assim que me sentei na cama. – Não comprei a história do “invadiram minha casa” – ela fez aspas no ar. – Mas como a conheço, sei que tem um bom motivo para mentir para mim. Só quero deixar bem claro que um dia você vai me contar.
Sorri fraco, balançando a cabeça afirmativamente.
– Você é a melhor amiga do mundo.
– Aw – ela veio até mim e me abraçou forte. Segurei o choro. – Só quero que você saiba que, seja o que for, estarei ao seu lado sempre. Ok?
Balancei a cabeça, concordando.
Ouvi alguém entrando e me soltei do abraço. Era a mesma enfermeira.
– Olá novamente – ela sorriu. – Já liberei seu amigo e ele espera as duas lá na recepção. Você está livre também. Ok? Pode ir. Só assine um papel lá na recepção antes de ir embora.
Ela saiu e nós fomos logo em seguida.

Capítulo 15 – So breathe in, (...) breathe out.



Acordei sentindo cheiro de panquecas. Pulei da cama e fui correndo para o banheiro, fazendo a minha higiene matinal. Coloquei uma roupa qualquer e desci, encontrando na cozinha super alegre e fazendo panquecas.
– Desde quando você sabe fazer panquecas? – perguntei surpresa.
– Desde que tem a receita colada na sua geladeira – ela riu, olhando para mim, porém logo voltando a prestar atenção na comida.
– É verdade. Pesquisei na internet e colei aí para não me esquecer de tentar fazer – eu ri.
– Prontinho – ela bateu palmas, rindo. Colocou tudo num prato e pôs na mesa. – Vá lá. Veja se está comestível.
– Eu não! Você que cozinhou. Experimente. Vai que está envenenado... – falei rindo e ela mostrou a língua para mim, pegando uma panqueca e mordendo com tudo.
Cinco, quatro, três, dois, um...
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! QUENTE, QUENTE, QUENTE! – ela foi correndo para a pia, enfiando a cara lá embaixo e ligando a torneira. Eu só gargalhava. Peguei um garfo e comi um pedacinho da panqueca. Estava realmente deliciosa.
– Hum... Isso está ótimo – falei e voltou para a mesa.
– Acho bom que esteja mesmo, viu... – ela pegou o garfo e comeu um pedacinho bem miserável. – Hum... Está mesmo ótimo. Mas estou traumatizada e vou comer só isso mesmo – levantou-se e foi fazer um achocolatado com o leite bem gelado. Eu ri.
Comi o resto das panquecas na maior calma e depois subi para o meu quarto. Chegando lá, peguei o celular para ver as horas e percebi que tinha uma ligação perdida do . Liguei de volta. Ele atendeu no segundo toque.
Bom dia.
– Bom dia. Já comeu muitas uvas hoje?
Haha, como você é engraçada. Tenho boas notícias. Quer dizer, eu acho.
– Diga.
Adam foi preso.
– Jura? Como você soube?
Ligaram-me da polícia hoje cedo avisando. Eu e você precisamos ir lá depor ainda. Só que, como foi comprovado que ele é obcecado por você e o próprio disse que tentou seqüestrá-la, o cara já está atrás das grades.
– Nossa – fiquei surpresa. Não imaginei que fosse assim tão rápido.
Pois é. Então marquei com o delegado às três horas. Quer que eu a busque aí ou a gente se encontra lá?
– Eu meio que não sei onde é...
Beleza então. Duas e meia estarei aí na frente – ele falou, desligando.
Duas e meia. Ok. Agora são dez horas. Tem tempo ainda.
Meu telefone tocou. Era Mike.
– Olá.
Bom dia, flor do dia.
– E aí? – falei, rindo.
Tem algum compromisso agendado para hoje, senhorita?
– Agora?
Sim, nesse exato minuto.
– Não. Só às duas.
Ótimo. Arrume-se e venha para o estúdio que a gente tem que fazer prova de figurino.
– Ok. Estou indo.
Estou esperando. Beijo! – ele disse e desligou.
Troquei de roupa e fui para lá.
Assim que entrei, vi indo para uma sala. Eu ia chamá-lo, contudo ele estava muito longe. Mike veio em minha direção.
– Olá – ele me abraçou, rodando-me no ar.
– Oi. E aí, onde é?
– Venha comigo – ele me puxou para uma sala.
Uma hora e quarenta e cinco minutos depois...
Eu já tinha experimentado umas trezentas roupas, quando entrou na mesma sala que eu.
– Terminamos com você, . Agora é a vez do – a figurinista falou.
? Você já fez o teste?
– Sim, hoje... Algumas horas antes de falar com você.
– E por que não me contou? – falei, sorrindo.
– Queria fazer suspense – ele riu.
– Ok, . Vamos – Mike me puxou para fora da sala, fechando a porta atrás de si. – Ainda temos muita coisa para arrumar. As filmagens começam em uma semana. Ok?
– Ok. Posso ir embora? Estou com fome.
– Para variar, né...? – ele riu. – Pode.
Saí praticamente correndo para o carro e fui direto para casa. Sim, eu estava realmente com fome.

*

Fui fazer o almoço. Eu precisava pelo menos fazer alguma coisa, já que tinha me deixado morar com ela. Ainda bem que sei cozinhar, viu... Porque limpar a casa não é para mim. Fiz uma lasanha que particularmente amo.
chegou a casa gritando.
– TENHO FOME! – ela veio correndo até a cozinha. – COMIDA?!
– Mim, – apontei para mim. – Você, – apontei para ela. – “Mim fazer comida”. Comida pronta. Comida lasanha. Comida na mesa – apontei para a mesa e ela riu, dando-me língua e indo para lá.

*

Duas horas e trinta minutos depois...
Saí do banho e fui direto procurar uma roupa. O que as pessoas costumam usar em delegacias? De qualquer forma, peguei uma roupa relativamente simples.
Depois de pronta, desci e tinha dormido enquanto assistia a . Ri enquanto desligava a TV. Fui para a cozinha tomar um pouco de água. Bebi e assim que saí de lá meu celular tocou. Era .
– Alô?
Oi! Estou chegando. Está pronta?
– Sim.
Ok. Cinco minutos e estou aí – ele falou e desligou logo em seguida.
E em exatamente cinco minutos ele chegou. Entrei no carro sem dizer nada.
– Pronta? – ele me olhou.
Respirei fundo e confirmei com a cabeça.
Vinte minutos depois...
estava há algum tempo dando depoimento e eu já estava criando raiz nessa sala de espera. E depois dele seria eu lá... O que vou dizer para eles? Respirei fundo. A verdade. Vou dizer somente a verdade. Não é como se eles fossem colocar na primeira página do jornal isso nem nada do tipo... Então eu não tinha motivos para esconder nada. Certo?
A porta se abriu e um sério saiu por ela, sentando-se ao meu lado.
, por favor, acompanhe-me – o delegado me chamou, voltando para dentro da sala. Respirei fundo mais uma vez.
– Minha vez – falei, sorrindo fraco para . Dei um beijo em seu rosto e segui o caminho por onde ele acabara de voltar.

*

Eu folheava um jornal qualquer, apenas passando os olhos pelas linhas, mas sem realmente ler nada. Eu esperava sair daquela sala. Já havia passado uma hora e ela continuava lá dentro. Minha paciência estava acabando. O que será que eles tanto falavam? Comigo foi mais rápido. Se bem que a garota tem mais o que dizer... Não entendo o que uma garota como ela viu naquele cara... Sério. Ele pode até ser “bonitinho” (não estou dizendo que é. Digo que pode ser. Entenda, por favor), porém um cara como aquele transborda descontrole. Como ela não percebeu que ele era um maluco obcecado? Ah, já sei. Estava apaixonada. Por que as garotas quando se apaixonam ficam tão burras e cegas? Chega a dar raiva um negócio desses. Ainda bem que nunca me apaixonei. Não que eu seja uma garota... Ah, você entendeu.
A porta abriu. Aleluia! Uma de olhos vermelhos passou por ela e o simpático (ou não) delegado veio logo em seguida. Ele apontou para a secretária.
– Milly? – ela o olhou. – Arrume um copo de água com açúcar para a senhorita , sim?
– Sim, senhor. É para já – ela se levantou da cadeira e foi até uma porta do outro lado da sala de espera, onde se lia “Entrada restrita – Apenas pessoal autorizado”.
Em menos de um minuto voltou com o copo em mãos. Entregou-o para que murmurou um fraco “obrigada”. Tão fraco que se eu não estivesse olhando para ela nessa hora nem teria percebido. A essa hora o delegado já tinha desaparecido.
Ela tomou a água e largou o copo no balcão. Olhou para mim e seus olhos se encheram de lágrimas novamente. Fui até ela e a abracei o mais forte que pude.
– O-obrigada, . Por tudo, mesmo. Não sei o que seria de mim agora se não fosse por você – ela falou num fraco sussurro.
– Nem se preocupe com isso. Ok? – falei, dando um beijo em sua testa. Por que me importo tanto com essa garota? Sério. Parece que a conheço há minha vida inteira. E a gente se conheceu há seis dias. SEIS DIAS e eu já me preocupo com ela como se... Sei lá. Credo, que confusão. – Quer ir dar uma volta, esfriar a cabeça? Aí você me conta como foi a conversa com o senhor simpatia.
Ela riu fraco e se soltou do abraço, respondendo a minha pergunta apenas com um aceno.
Entramos no carro e fomos o caminho todo em total silêncio. Levei-a até uma praça em que eu ia com meu pai quando era menor. Era pequena. Tinha só uns quatro bancos e um parquinho, porém era bem calma e agradável. Sentamo-nos em um banco bem na frente do parquinho e ficamos alguns minutos só observando. Subitamente, começou a falar.
– Contei tudo para ele... Quer dizer, quase tudo... – ela riu de uma piada interna. – Ele falou que desde o começo Adam demonstrava desequilíbrio... Só eu que não percebera. Que ele tentava passar não para mim, mas para ele mesmo, que era o namorado perfeito. Queria ser o namorado perfeito para talvez superar o fato de que o pai traiu a mãe. Contudo ele não conseguia atingir esse modelo de perfeição e acabava fazendo o mesmo que o pai, mesmo sem querer – ela suspirou. – Esse delegado foi o mesmo que interrogou o Adam e ele sabia mais que eu sobre a vida do meu próprio ex-namorado. Acredita? – ela sorriu cômica, mas quando me olhou percebi que uma lágrima solitária tinha escorrido por sua bochecha. Ela a limpou imediatamente. – Ele ficava com raiva de si mesmo quando via que tinha se transformado no próprio pai e me via como uma “cópia” da mãe. Então fazia comigo tudo que achava que o pai dele poderia ter feito, porém não fez. Começou a construir um “mundinho perfeito” – ela fez aspas no ar. – Onde eu, a namorada iludida, era a mais feliz do mundo, saindo com ele para tudo quanto é lugar e recebendo os melhores presentes. E ele se sentia feliz, achando que com esses presentes estariam me compensando pelas traições que continuavam acontecendo. Quando deixei de ser idiota e percebi que o cara me traía, comecei a falar para ele tudo e mais um pouco e terminei o namoro – ela balançou a cabeça rapidamente, como se quisesse afastar as lembranças desse dia. – E acabei, sem querer, usando a mesma expressão que a mãe dele usou quando saiu de casa: “até nunca mais.”. Isso o enlouqueceu. Ele reviveu toda aquela história na mente dele e ficou por meses arquitetando um plano para me ter de volta. Como se isso fosse possível... – ela riu de maneira debochada. – Quando finalmente conseguiu um emprego fora do país, achou que era a hora. Eu o afastava e ele achava que eu estava testando-o para ver se desistiria de mim, como se eu estivesse pedindo uma “prova de amor” ou algo do tipo. Sabe o que Adam disse para o delegado? – ela me olhou com um meio sorriso molhado por algumas lágrimas. – Que não tinha a intenção de me machucar. Ok... Como se eu fosse assim tão idiota – ela balançou a cabeça negativamente e voltou a olhar as crianças.
Como percebi que ela não falaria mais nada, perguntei o mais delicadamente que consegui:
– Você o amava?
Ela não demonstrou nenhuma reação. Cheguei a considerar que não tivesse me escutado, mas não me atrevi a repetir a pergunta. Um minuto depois, ela suspirou e respondeu:
– Na época, eu achava que sim. Porém agora não tenho mais tanta certeza – ela se levantou. – Podemos ir?
Concordei com a cabeça e a segui até o carro.

Capítulo 16 – Home is where the heart is.



*

me levou até em casa e fui fazer alguma coisa para jantar. Logo chegou do trabalho (ela era gerente de uma Starbucks do outro lado da cidade) e comemos. Depois de assistir a Senhor dos Anéis (o Ian McKellen é simplesmente genial. Só digo isso), fomos dormir.

Acordei com alguém pulando em cima de mim. Vi minha Mery sorrindo, deixando aparecer aquela linda covinha do lado direito, e a abracei imediatamente.
– Oi, bebê. Que saudade! – eu a balançava de um lado para o outro e ela só ria. – Você e a mamãe voltaram e ninguém me avisa?
– Surpresa! – ela falou com aquela voz fofa e angelical.
Meredith (Mery para os íntimos) é minha irmã. Ela tem quatro anos e foi com a minha mãe na última viagem. A menina é absolutamente perfeita. Tem as bochechas rosadas, uma covinha do lado direito e cabelo ruivo (liso na raiz, mas com aqueles cachinhos nas pontas. Tem também aquela franja fofa cobrindo toda a testa).
apareceu.
– Bom dia, dorminhoca – ela falou. Mery começou a rir e ficou cantando “dorminhoca, dorminhoca”.
– Bom dia – coloquei a pequena na cama e fui até o armário, pegando um short jeans e uma blusa qualquer. Olhei para a . – Cuida dela para mim só enquanto escovo os dentes e troco de roupa? – ela fez um sinal de positivo e entrei no banheiro.
Escovei os dentes e troquei de roupa. Quando voltei para o quarto, estava fazendo cócegas na Mery, que ria muito.
– Vamos descer? Estou com fome – as duas pararam e se levantaram, indo até a porta sem parar de rir.
Chegamos lá embaixo e minha mãe estava preparando a mesa.
– Mãe! Não precisa arrumar isso.
Ela veio até mim e me abraçou, rindo.
– Você sabe que adoro cozinhar. E não custa nada colocar a mesa.
– Podiam ter avisado que estavam chegando!
– A sua irmã quis fazer surpresa – olhei para Mery que deu língua para mim.
Uma hora depois...
? – Mery me puxou pelo braço, dizendo o apelido que só ela usava. – Vai comigo ao parquinho?
– Pode ser daqui a pouco? – falei preguiçosa e ela cruzou os braços.
– Não. Agora!
– Tudo bem. Agora então. Vá só avisar a mamãe que a gente está saindo enquanto pego um sapato.
– Está bem... – ela saiu saltitando e fui até o quarto pegar uma sapatilha mais confortável.
Quando voltei para a sala, Mery já estava pronta com Dolly (uma boneca que ela tem desde que nasceu) nos braços. Fomos de mãos dadas e a pé até o parquinho. Chegando lá, ela foi correndo para o parquinho e me sentei em um banco qualquer ao lado de uma garota mais ou menos da minha idade.
– Sua irmã? – depois de uns quinze minutos em silêncio ela falou, apontando para Mery que já brincava com uma garotinha loira que tinha mais ou menos a sua idade.
– Sim. Sua? – apontei para a outra menina.
– Sim. Incrível como a Jolie e a sua irmã fazem amizade rápido – ela sorriu, olhando para mim. – Sou – ela estendeu a mão e eu a apertei.
. E aquela ali é a Meredith.
– Que nome lindo.
– Também acho. Minha mãe passou meses escolhendo – sorri. – Jolie também é um nome lindo – falei sincera.
– Obrigada. Fui eu quem escolheu.
– Jura? – perguntei e ela concordou com a cabeça.
– Depois de muito insistir, minha mãe deixou que eu escolhesse. Fiquei empenhada nessa tarefa por semanas, até que vi esse nome e finalmente decidi – ela riu.
Meredith veio correndo com Jolie, as duas já sujas de terra.
... – ela puxou minha mão, pedindo atenção. Olhei para ela. – A Jolie pode ir brincar lá em casa?
– Claro que pode! É só decidir um dia. Tudo bem por você, ?
– Tudo sim. Só que amanhã a gente não pode. Depois da aula tenho um trabalho pra fazer e a Jo tem médico.
– Sábado então?
– Pode ser.
– Pode ser, Mery?
– Sim! – ela falou, pulando.
– Então está combinado – tirei meu celular do bolso e dei para . – Anote seu número aí – ela pegou o celular e me entregou o dela. Salvei meu número e devolvi o celular à menina que fez o mesmo. Guardei o meu novamente no bolso. – Você está imunda, pequena. Vamos voltar para casa – levantei-me, pegando minha irmã pela mão e acenando para e Jolie. – Até depois de amanhã!
– Até – ouvi Jolie responder.
Chegamos a casa e minha mãe tinha ido comprar pizza (não entendo o problema de usar o telefone. Ela é meio contra a tecnologia... Vá entender), então tive que ajudar Meredith no banho. Quando terminei de vesti-la, deitei-a na minha cama e contei para ela uma história. A menina ainda prestou um pouco de atenção, porém acabou se rendendo ao cansaço. Cochilei um pouco (pelo menos eu acho) e acordei com o barulho da porta da casa sendo batida.
– Mãe? – gritei, indo para perto da porta.
– Ainda não – gritou de volta. Desci as escadas, encontrando uma totalmente exausta atirada no sofá. – Ser gerente dá muito trabalho. Sabia?
– Hoje é dia 26 de outubro, querida. Novembro está logo aí. Você vai ver só o que é trabalho quando chegar a alta estação.
– Nossa, quando foi que você ficou tão esperta? – ela falou irônica.
– Esperta sempre fui, querida. Só não queria humilhar você com o meu QI altíssimo – falei e ela riu debochada.
– Até parece. Cadê o resto das pessoas dessa casa?
– Minha mãe saiu e minha irmã desmaiou lá em cima.
– DESMAIOU?! MEU DEUS, ELA ESTÁ BEM?! – ela levantou num pulo, fazendo-me gargalhar.
– Quis dizer que ela está dormindo, esperta.
– Você e suas charadas... – ela falou, indo em direção à cozinha.
Minha mãe chegou nesse mesmo instante, trazendo consigo duas pizzas e uma sacola.
– Nossa, foi comprar pizza onde? Na Austrália?
– Engraçadinha você – ela falou, apertando a minha bochecha e me entregando a sacola. Olhei o que tinha dentro e vi algumas roupas de Meredith. – Fui buscar também algumas roupas da Mery, já que ela pediu para passar sexta e sábado com você. Algum problema?
– Não, mãe. Claro que não. Imagine. Vou adorar. Mas e você? Por que não fica também?
– Não posso, querida. Ainda preciso desfazer as malas. Vou só jantar com vocês e volto para casa. Sua irmã está lá em cima?
– Sim – falei e ela subiu, entregando-me as duas pizzas.
– Pizza. Eu ouvi...? – chegou correndo e ficou quieta quando viu as duas embalagens na minha mão. – PIZZA! – ela correu até mim, abriu a caixa e tirou uma fatia de lá, dando uma enorme mordida nela.
– Você vai comer com a mão?
– Desculpa, mas é pizza. E eu lavei as mãos. Ok?
Ri e fui até a mesa, deixando as pizzas lá e indo até a cozinha pegar os pratos. Coloquei a mesa e minha mãe desceu com Mery.
O jantar foi ótimo. Contei à minha mãe sobre o filme e ela ficou super feliz. Meredith falou sobre a nova amiga. Minha mãe contou tudo sobre a viagem e contou algumas histórias engraçadas que aconteceram no trabalho. Realmente, Dorothy, não há lugar como a nossa casa.

Capítulo 17 – Baby, let me take care of you.



Durante a manhã de sexta-feira, fiquei no parquinho com Mery. À tarde fizemos bolo (e bagunça, vale ressaltar) e assistimos a A Fantástica Fábrica de Chocolate. Depois ela me contou, do próprio jeitinho, como tinha sido a viagem e tudo de legal que tinha visto. A maneira como minha mãe conta é totalmente diferente da minha irmãzinha. Crianças têm um ponto de vista tão único e mágico. Eu parecia ouvir uma história de conto de fadas, pois, por exemplo, aquele espetáculo teatral definido pela minha mãe como “sofisticado e sutil” para Mery foi “um lugar cheio de princesas que dançavam e contavam coisas engraçadas”. Depois da história nós duas comemos um sanduíche (depois de alguns minutos chegou e comeu um também) e fomos dormir.
Horas depois...
Acordei com um barulho estranho. Olhei no relógio e ainda era de madrugada. Levantei-me da cama com o cuidado de não acordar Meredith e ouvi com mais atenção o barulho lá fora, reconhecendo a música Astronaut do Simple Plan. Alguém cantava, eu iria ignorar e voltar a dormir, mas percebi a “música” perto demais. Observei da janela e vi um homem sentado na soleira da porta da minha casa. Achei muito estranho e continuei olhando, até que o maluco olhou para cima e o reconheci.
? – sussurrei, indo correndo para a porta de entrada e a abrindo sem o menor cuidado, assustando-o.
– ele sorriu, levantando-se e tentando me dar um abraço.
– Você está bêbado – afirmei sem paciência. – Venha. Entre – puxei-o para dentro, ligando as luzes.
Ele foi em direção ao meu armário de bebidas, abriu-o e tirou de lá uma garrafa de vodka. Fui até ele e tirei a garrafa de sua mão.
– Não, senhor. Já deu de álcool por hoje – ele fez bico, tentando pegar a garrafa de volta. – Não! Nem mais uma gota. Solte a garrafa – falei séria e incrivelmente ele fez o que eu disse.
– Onde é... O... Banheiro? – ele falou e apontei para uma porta à esquerda. foi até lá cambaleando e encostou a porta. Percebi que ele estava vomitando e corri até o armário do meu quarto para pegar uma escova de dente e uma pasta para o rapaz. Quando cheguei até o banheiro novamente, ele lavava o rosto com uma cara não muito saudável.
– Exagerou na tequila dessa vez, hein?
– Nem me fale – ele falou, indo em direção ao vaso novamente. Fui até o cara e afaguei suas costas. Quando terminou, entreguei a escova e a pasta.
– Obrigado – ele me olhou como se pedisse desculpas. Enquanto escovava os dentes, preparei um chá.
Quando voltei da cozinha, estava sentado em um dos degraus da escada com a cabeça entre os joelhos. Sentei-me ao seu lado e ele me olhou. Entreguei o chá e ele tomou um gole, fazendo uma careta.
– Isso é horrível.
– Vai fazer você se sentir melhor. Confie em mim.
Ele fez outra careta, porém bebeu todo o conteúdo da xícara, me entregando-a logo em seguida.
– Venha – estendi a mão para ele e o conduzi para o quarto de hóspedes (ainda bem que estava tudo arrumado). Tirei a colcha de cima da cama e se deitou, puxando-me com ele.
– Fica comigo – ele me abraçou.
– Não posso, . Eu... – olhei para ele e vi que já tinha dormido.
Tirei com cuidado o braço dele de cima de mim e me arrastei de volta para o meu quarto, fechando a porta com cuidado. Suspirei sorrindo.
Bêbados. Tão previsíveis.

Acordei com uma mãozinha cutucando a minha bochecha.
... – Mery falou quando abri os olhos.
– Bom dia, bebê.
– Estou com fome...
– Espere um minutinho – levantei-me, peguei uma roupa e fui até o banheiro, fazendo a higiene matinal e vestindo a roupa. Quando saí, Meredith já esperava na porta. – E a ?
– Ainda está dormindo. Fui lá tentar acordá-la e ela nem abriu os olhos.
– Ah, quer dizer que você acorda primeiro a , é?
– É porque a comida dela é melhor que a sua – crianças... Tão sinceras.
– Ah, é? Ah, é? Sabe o que você merece por desprezar minha comida? Sabe? – eu ia me aproximando dela e ela me olhava com aquela carinha fofa. – COSQUINHAS! – falei. Ela gritou e saindo correndo, mas a alcancei antes de chegar até as escadas.
– AAAAAAAAAAAAH! Pare, pare, pare! – ela ria, enquanto gritava.
Um pigarro me fez parar. Olhei para frente e vi um com a cara amassada.
– Bom dia, campeão. Dor de cabeça? – perguntei e ele colocou a mão na testa imediatamente. Eu ri. – Imaginei. , essa é minha irmã Meredith. Mery, esse é o meu amigo .
– Oi, – ela falou, acenando.
– Oi – ele riu de modo fofo, acenando de volta.
– Com fome?
– Um pouco. – ele respondeu.
– Então vamos, porque a Super vai fazer um super café da manhã! – levantei o braço e Mery me imitou. Descemos as escadas correndo (eu e minha irmã, já que desceu feito uma lesma).
Chegando lá embaixo, olhei de relance para o relógio da sala e vi que já era meio-dia.
– Oh, God! Já é meio-dia, galera! – parei no meio do caminho até a cozinha e dei meia volta, ficando de frente para minha irmã e . – Votação: a gente almoça ou toma café da manhã?
– Por mim tanto faz – deu de ombros.
– Quero panquecas – Mery levantou o braço.
– Ok. Panquecas então. E para beber?
– Café – foi a vez de levantar o braço. Tem vezes que ele parece uma criança, mas nas outras parece tão... Sei lá. Tem tipo um equilíbrio entre os vários “lados” dele. Isso é meio... Fofo. OPA, ESPERE UM POUCO! Por que estou pensando no desse jeito? A gente só “saiu” uma vez. E, além do mais, ele é irmão da minha melhor amiga! Xô, tentação!
Sacudi a cabeça para tentar voltar a prestar atenção no que estava acontecendo à minha volta. Qual foi a última coisa que ele disse? Chá? Não. Café. É, acho que foi isso.
– Ok – fui até a cozinha e acompanhou Meredith até o sofá. Ela ligou a TV e os dois ficaram lá assistindo a sei lá o que enquanto eu cozinhava. Depois de alguns minutos desceu e me ajudou com as panquecas.
Meu telefone tocou. Era . Ela disse que depois do almoço viria para cá. Sentamo-nos para comer. praticamente devorou a panqueca e saiu correndo para o trabalho. Sei que hoje é sábado, porém ela falou que um dos funcionários tinha faltado e a menina precisava dar um jeito lá, pois o movimento estava grande. E também disse que o Billy tinha ligado (aquele cara da festa de aniversário dela) e que eles iriam sair para jantar, que não era para eu esperá-la. Nessa hora deu um chilique do tipo “ele é meu amigo”, mas usou a desculpa de que ele também já tinha ficado com amigas dela. Confesso que ri nessa hora.
Depois de arrumar tudo, fiquei conversando com na sala e Mery ficou no quarto, brincando enquanto esperava a amiga.
– Então... Como você está? – ele perguntou, obviamente se referindo a Adam.
– Tentando esquecer... Apesar de isso parecer impossível – ri baixo, olhando para ele.
– Não deve ser nada fácil, considerando que você já conhecia o cara e tal.
– Pois é, mas ele sempre foi meio desequilibrado. Só eu que não queria enxergar isso. Para mim, essa obsessão que ele sentia era amor. Sei lá, acho que no fundo eu só queria alguém que me amasse de verdade – falei, imediatamente amaldiçoando minha boca enorme. Por que falo tanto quando estou perto desse garoto? Preciso aprender a controlar a minha língua.
– Mas uma garota como você deve ter muitos caras em cima. Tipo, chamando para sair o tempo todo. E aposto que na época que você namorava o Adam era assim também – sorri fraco com o elogio escondido nas entrelinhas.
– Era – ri sem jeito. – Mas eram só caras que me achavam bonita. Sabe? Eu sabia que nenhum deles gostava de mim de verdade, conhecia meus gostos, minhas manias. Eles olhavam para mim e viam uma garota perfeita para sair uma noite ou duas. Nada mais que isso.
– Nossa, não achei que você fosse assim tão romântica.
– Não sou – ri, balançando a cabeça negativamente. – É só que sempre pensei que para duas pessoas namorarem elas têm que se gostar de verdade. Não é aquela coisa de “ah, vou namorar aquela menina porque ela é gostosa e meus amigos vão ficar com inveja de mim”. E eu via que era isso o que a maioria ali pensava. Talvez seja por isso que eu dei uma chance para o Adam. Acho que eu vi nele 1% do namorado que eu consideraria supostamente perfeito e acabei inventando na minha cabeça os outros 99% que no fim nem existiam. Na verdade eu nem entendo até hoje o que foi que vi nele.
– Nossa, que profundo isso – falou e não consegui impedir uma gargalhada. – Na verdade, também já namorei uma pessoa que era obcecada por mim.
– Jura? – falei curiosa.
– Juro – ele riu. – Ela me perseguia quando não estávamos juntos e, quando estávamos, só de eu olhar para o lado ela já ficava louca da vida.
– Uau – comecei a rir. – E quanto tempo você ficou com ela?
– Três meses – ele pareceu refletir. – Acho que foi o namoro mais longo da minha vida.
– E por que você agüentou todo esse tempo? Tipo, sei que três meses pode parecer pouco, mas com uma pessoa assim...
– Ela era gostosa – o rapaz deu de ombros e começamos a rir.
– Não sei por que, mas isso não me surpreende.
– Credo, como você me julga mal. Assim magoa – ele fez bico.
– Ai, tadinho dele! – falei com aquela voz irritante e apertei sua bochecha. Ele não conseguiu evitar uma risada.
– Você é maluca.
– Ah, e você é bem normal, né, senhor “salvem as uvas”?
Ele riu novamente.
– Acho que estamos empatados.
Eu ri, concordando. A campainha tocou e Mery desceu correndo para atender. Jolie e entraram. Jolie e Mery subiram e veio até a sala.
– Oi! – fui até ela, abraçando-a.
– Oi! Você não tem idéia. A Jo não parava de falar sobre vir para cá! – ela riu.
– A Mery também.
? – falou.
– Oi, ! – ela disse, indo abraçá-lo.
– Vocês se conhecem? – falei chocada. O mundo era bem menor do que eu imaginava.
– Desde os seis anos – ele respondeu, rindo. – Ei, tenho que ir. Tchau, – ele a abraçou novamente e veio até mim, puxando-me até o outro lado da sala.
– Obrigada por ontem... Mesmo. Não sei por que vim para cá. Só me pareceu o caminho certo na hora. Obrigado. Viu? E desculpe aí o incômodo – ele falou baixo.
– Imagine. Não foi nada – respondi, enquanto ele me abraçava. O mais estranho é que esse abraço foi... Diferente. Mais íntimo, eu diria. Como se a gente se conhecesse há muito tempo. Acho que agora entendo o que o diretor quis dizer quando disse que nós dois tínhamos uma “química”.
Ele subiu para pegar as chaves do carro (que ele ainda iria ter que descobrir onde estava) e saiu. Fui com até os fundos e nos sentamos na beira da piscina.
– Então, o que está rolando entre você e o ? – ela perguntou como quem não quer nada e a encarei confusa. – O que foi? Você acha que não percebi as roupas dele amassadas?
Ri, entendendo o que ela quis dizer. Expliquei a história da noite passada para ela, que gargalhou.
– Dessa vez ele se superou – a menina falou, parando de rir um pouco. – Aconteceu alguma coisa entre vocês? Ele nunca fica tão... Ele com outra garota. Tipo, comigo e com a é o palhaço de sempre, mas ela é irmã e eu sou quase isso. Com outras garotas, principalmente as bonitas como você, tem sempre o jeito sedutor e a segunda intenção por trás. O que foi que você fez com ele? De verdade – ela me encarou e eu ri.
– Na verdade, nada. A gente se conhece há pouco tempo e também fico mais tagarela do que o normal quando estou com ele. Parece meio natural... Sei lá. Ninguém força nada. Até porque já aconteceram as “segundas intenções” – fiz aspas no ar e ela me olhou com o queixo caído.
– Vocês transaram? – não falei nada. Apenas concordei com a cabeça. – Faz quanto tempo?
– Seis dias – fiz as contas mentalmente. – Ou quase isso.
– E ele continua falando com você? Uau. Alguma coisa o fascinou, senão ele não ia procurá-la de novo. Confie em mim.
– Sou a melhor amiga da irmã dele. Não dá para ele simplesmente fugir de mim. Ainda mais considerando o fato de que ela está morando aqui.
– O negócio com os pais, né? O me contou. Como ela está?
– Finge não se importar, mas no fundo sei que ela está sofrendo com isso. Estou dando um tempo para a garota esfriar a cabeça e pôr as idéias no lugar, porém acho que hoje mesmo vou conversar com ela sobre isso. Acho que eu e o estamos mais “unidos” por causa disso. Nós dois nos preocupamos com a .
– Pois é. Eu a adoro, mas nunca tivemos a oportunidade de conversar direito.
– Não seja por isso! A gente marca alguma coisa, se você quiser.
– Claro. Ia ser ótimo! Você é super legal.
– Você também! Fechou então. Vou falar com a aí ligo confirmando.
– Ok – ela sorriu, olhando a casa. – Faz tempo que você mora aqui?
e eu já conversávamos há horas. Ela era super divertida e tínhamos várias coisas em comum. Fizemos um bolo de chocolate e comemos com as meninas (que brincavam sem parar). Um tempo depois, chegou.
– Querida, cheguei! – ela gritou, indo até a cozinha. – ? – ela falou surpresa. – Quanto tempo!
– É mesmo! – ela riu, indo abraçá-la.
– Não sabia que vocês duas se conheciam.
– Faz pouco tempo, na verdade. A Jolie e a Meredith ficaram amigas.
– Ah, sim – ela sorriu.
– Preciso ir. Já é noite e minha mãe deve estar preocupada. Tchau, meninas! – ela acenou, indo buscar Jolie no quarto e saindo logo em seguida.
– E aí, como foi o jantar com o Billy? – perguntei e ela suspirou, sorrindo.
– Foi lindo. Ele é um fofo. Super educado e engraçado. Acho que estou ficando apaixonada – ela riu.
Minha mãe ligou nessa hora, avisando que tinha chegado para buscar minha irmã. Levei Mery até ela e voltei para a cozinha.
– Ei, preciso lhe contar uma coisa – eu falei.
– Ih, lá vem – ela se ajeitou na cadeira. – Mande bala. Estou preparada.
– No dia do meu teste, depois do seu aniversário, foi o quem me deu carona até o estúdio. Aí o diretor gostou dele e pediu para o rapaz voltar para fazer o teste que foi três dias atrás. Ele passou e vai fazer o filme comigo – o queixo dela caiu de leve. – Mas no dia do meu teste, depois que a gente saiu do estúdio, fomos para o apartamento dele e nós meio que... – nem precisei terminar e a compreensão iluminou o rosto dela.
– Sério? – ela perguntou e confirmei. – Posso lhe dar um conselho? Tome cuidado. Sei que ele é meu irmão e tal, mas não é do tipo que se apega demais a uma mulher só. Cuidado.
– Relaxe – ri, tentando parecer descontraída. – Não foi nada demais. Só uma coisa de momento. A gente nem falou direito sobre isso. Eu só queria que você soubesse – dei de ombros. Eu fingia que não, mas a verdade é que ele tinha mexido comigo sim. Eu só não sabia o quanto... Ainda.

Capítulo 18 – I’m just a girl trying to find a place in this world.



Eu e estávamos no sofá vendo um filme. Decidi que era a hora certa para falar com ela.
? – chamei relutante. Ela abaixou o volume da TV e me olhou curiosa. – O que você pretende fazer? – perguntei. A menina sabia sobre do que eu estava falando. Suspirou fundo e desligou a TV.
– Eu pensei... Pensei muito. E cheguei à conclusão de que vou procurar minha mãe biológica – abri a boca surpresa. – Eu sei. É arriscado, precipitado... Eu sei! Mas quero saber de onde vim. Quero saber a minha história! – ela me olhou com os olhos marejados. – Você entende?
– Entendo. Claro que entendo – falei, puxando-a para um abraço. – Mas e os seus outros pais?
– Quero falar com eles... Amanhã, sem falta. Quero ouvir o que eles têm a dizer e também comunicá-los da minha decisão. Quer ligar para o e dizer para a ele avisar os meus... Pais? – ela pareceu estranhar dizer isso. – Enfim, avisá-los que amanhã, bem cedo, antes de ir para o trabalho, vou passar lá para falar com eles?
– Claro. Aviso sim. Pode deixar.
– Obrigada.
– Mas você tem certeza?
– Tenho – ela suspirou. – Vou dormir. Boa noite.
– Boa noite – falei e ela subiu. Fiz o mesmo depois de apagar as luzes e pegar o celular.
Assim que cheguei lá em cima, disquei o número de . Ele atendeu e não consegui entender o que ele disse devido ao barulho. Estava em uma boate. Certeza. Esperei uns minutos e ele foi para um lugar mais silencioso. Consegui ouvi-lo.
Alô?
– Oi, . Sou eu.
Oi. Aconteceu alguma coisa?
– Na verdade sim. A ... – comecei a falar, porém uma voz de mulher do outro lado da linha me interrompeu.
Ei, se perdeu, foi, bonitão?
Estou meio ocupado, Lindsay. Espere-me lá dentro. Ok? – a tal Lindsay murmurou mais alguma coisa e não ouvi mais nada.
?
Oi. Desculpe. Pode falar. O que tem a minha irmã?
– Ela decidiu procurar a mãe biológica.
Ela o quê?
– Isso mesmo que você ouviu. Ela acabou de me dizer. E pediu para você avisar seus pais que amanhã, bem cedo, antes de ir para o trabalho, ela vai passar lá para conversar com eles.
Tudo bem. Eu aviso. Obrigado.
– Disponha. E, ?
Sim?
– Divirta-se – falei irônica, desliguei o telefone e fui me arrumar, decidida a ir para a boate mais próxima e dançar até não sentir mais os pés.
O que estava acontecendo comigo? Eu estava com... Ciúmes? Do ? Não. Impossível. Só quero sair para dançar. Super normal.

*

Eu estava lá, como sempre, dançando com a garota mais bonita do lugar. A sortuda da vez era uma tal Lindsay. Ela era bem bonita, mas por algum motivo não conseguia me sentir atraído por ela. O que tem de errado comigo hoje? Aquele maldito “divirta-se” que tinha me dito ao telefone continuava martelando na minha cabeça.
Tentei ignorar esse pensamento idiota. Por que eu estava pensando em uma garota quando estava com outra? Isso nunca acontece. Sacudi a cabeça e comecei a agarrar Lindsay ali mesmo. Com certeza era maluquice da minha cabeça. Eu não estava pensando em . Só tinha achado... Curioso o que ela tinha me dito ao telefone. Era isso, claro. Parei de pensar e me concentrei apenas na bela garota que eu estava beijando.
Alguém esbarrou em mim e, quando me virei para ver quem era, não achei ninguém. Virei-me novamente na direção da minha atual acompanhante e tive uma surpresa: estava ali, do outro lado do salão no bar. E mais: sozinha. Será que fazia muito tempo que ela estava ali?
Larguei Lindsay ali mesmo e saí decidido em direção a . Olhei para trás rapidamente e Lindsay já dançava com outro cara. Ri irônico. Típico. Cheguei até ela que se levantou quando me viu.
! Oi! – ela largou o copo na bancada e me deu um abraço. Quando me soltou, parei para observá-la. Estava absolutamente linda, com um vestido que lhe caía muito bem. Muito mesmo. Ele era um pouco curto e deixava à mostra suas belas pernas. Fechei a boca para não babar. Ela estava incrível.
– Não esperava encontrá-lo aqui! – ela continuou falando e dava para perceber que estava um pouquinho bêbada, mas não muito. Pareceu se lembrar de algo e fechou a cara. – Cadê a Lindsay?
Dei de ombros.
– Não sei. E nem quero saber.
Ela sorriu, pegando a minha mão.
– Dança comigo? – não falei nada. Só a segui até a pista de dança.
colocou os braços ao redor do meu pescoço e começamos a nos mexer no ritmo da música. Às vezes ela aproximava seu corpo do meu. Outras vezes aproximava a boca. Eu já estava ficando maluco. Não sabia quanto tempo iria agüentar. Ela estava me provocando de propósito ou estava muito bêbada para ter noção do que estava fazendo. Se bem que ela parecia quase sóbria.
A menina desceu até o chão com o corpo colado no meu e percebi que não agüentaria muito tempo. Ela era melhor amiga da minha irmã, porra!
continuava me provocando. Aproximou a sua boca da minha até nossos lábios quase se tocarem.
Já chega. Que se foda a minha irmã.
Aproximei o corpo dela do meu imediatamente, fazendo-a sorrir de lado. Fui aproximando o rosto aos poucos até nossos lábios se tocarem. Ela aprofundou o beijo rapidamente e levei minhas mãos até suas costas, puxando-a mais para perto.
Ela terminou o beijo puxando de leve meu lábio inferior e fomos até um lugar menos movimentado do outro lado da boate. Sentei-me em um dos bancos e se sentou no meu colo, de frente para mim, com uma perna de cada lado do meu corpo. Segurei a sua coxa esquerda e com a outra mão a puxei mais para perto, beijando seu pescoço. Ela riu fraco de modo sexy e me beijou novamente.

*

O que eu estou fazendo? O que tem de errado comigo? Sério.
Juro solenemente pela alma do meu paizinho que eu não sabia que o estaria aqui. Não sabia mesmo. Mas o vi lá e ele largou a tal Lindsay para ir falar comigo... A partir daí não sei o que deu em mim. Comecei a dançar e me aproximar dele, provocando-o. Ele até resistiu por bastante tempo, porém no final me puxou para perto até nossos corpos ficarem colados e começou a me beijar. Não sei por que fiz aquilo, mas devo confessar que ele beija muito bem e eu não me arrependia nem um pouco.
Eu estava começando a achar que estava me apaixonando por ... Não sei o motivo de eu achar isso, contudo, quando estou perto dele, sinto-me tão diferente. Isso deve ser loucura da minha cabeça. Faz uma semana que conheço o cara! Não é possível eu me apaixonar tão rápido!
Ou é?
Do nada a voz da invadiu meus pensamentos “Eu sei que ele é meu irmão e tal, mas não é do tipo que se apega demais a uma mulher só”. Afastei-me de que me olhou assustado e saí da boate quase correndo.
O que me deu na cabeça? Ele é irmão da minha melhor amiga! Irmão! E ainda é um galinha sem tamanho, que não se importa com os sentimentos das mulheres. Ele só quer pegar todas! Aposto que deve estar pensando que sou só mais uma e com a doce ilusão de que vai só me beijar e depois nunca mais me ver de novo! Deve ter se esquecido do fato de que a mora comigo. Idiota.
Entrei no carro, batendo a porta com força e ficando paralisada por um momento, em choque. Ah, porra. Eu estou apaixonada por . Minha vida é realmente uma droga. Mas não vou deixá-lo me usar e jogar fora. Não vou! Sabe o que eu vou fazer? Provocá-lo. Provocá-lo muito. Para ele ver só como é bom brincar com o sentimento dos outros. Não que ele tenha feito isso comigo, todavia com certeza fez com outras garotas e, se eu deixasse, faria comigo. Só que não vou deixar. Sabe por quê? Porque eu sou . E já fui feita de idiota uma vez e não serei de novo.
Duas batidas no vidro do carro do lado do carona me assustaram. Era . Destravei a porta.
– Aconteceu alguma coisa? – ele falou, sentando-se. Balancei a cabeça negativamente.
– Não – ri, tentando achar alguma desculpa. – Só vim ligar para a – peguei o celular e mostrei para ele. – Ela nem sabia que eu tinha saído. Tinha vinte e cinco chamadas não atendidas dela aqui.
– Nossa – ele riu, olhando-me de um jeito sedutor. – Mas, se você já ligou, podemos voltar lá para dentro – começou a se aproximar de mim e, quando estávamos quase nos beijando novamente, virei o rosto para frente. O rapaz suspirou, como se tentasse se controlar, e segurei uma risada.
– Na verdade, acho melhor eu ir embora. Já está tarde.
– Tem certeza?
– Ué, tenho. Por quê? – ri.
– Por nada. Vou indo também – ele veio me dar um beijo na bochecha e virei estrategicamente o rosto um pouco para o lado, fazendo-o beijar o canto da minha boca. Ele mordeu o lábio, olhando para o chão e suspirando, antes de sair batendo a porta.
Ri satisfeita. Liguei o carro e fui para casa. Parei em um sinal vermelho, olhei pelo retrovisor e vi que o carro de estava bem atrás do meu. Voltei a prestar atenção ao sinal e, quando ele ficou verde, avancei. Só não percebi uma enorme caminhonete preta vindo no lado direito, que acertou em cheio o banco do carona.
Porra.
Em questão de segundos, apareceu e batia loucamente no vidro, chamando o meu nome. Eu estava um pouco tonta por causa do susto, porém não estava machucada. Abri a porta e saí cambaleando. Só não caí porque ele me segurou. O dono do outro veículo veio correndo em minha direção.
– Ai, meu Deus. Você está bem? – ele falava tremendo.
– Estou bem. Não se preocupe – falei, sorrindo. Olhei para o meu carro, apontando para o mesmo. – Só ele não teve a mesma sorte.
– Pago a oficina. Não se preocupe. Chamo o guincho... Pago tudo. Quer que eu a leve para o hospital? – ele continuava nervoso, agora segurando a minha mão.
– Não precisa. Eu mesmo levo – falou grosso. Qual é a desse garoto?
– Não precisa. Estou bem! Só quero ir para casa.
– Tudo bem. Venha cá – me carregou até o carro dele e disse para me deitar no banco de trás, enquanto ele esperava o guincho. Depois me levaria para casa. Adormeci rapidamente. Ou desmaiei. Vá saber.

*

Esperei o guincho chegar e peguei o número do cara que tinha batido no carro da . Combinamos tudo e o automóvel foi para a oficina. O tal William falou que me ligaria quando soubesse o dia que ele ficaria pronto.
Levei até em casa, mas toquei a campainha. Liguei para a e nada. Ela devia estar dormindo e minha irmã quando dorme parece uma pedra. Ninguém a acorda. O único jeito foi levá-la novamente para o meu apartamento. Só que dessa vez eu tinha arrumado o quarto de hóspedes. Na verdade, foi a empregada. Mas você entendeu.
Deixei-a na cama e fui para o meu quarto. Deitei-me, porém não consegui dormir. Fiquei só encarando o teto e pensando no que acabara de acontecer.
estava me provocando. Isso era claro. Só que eu não sabia o motivo. O pior é que estava dando certo. E aquele fora que ela me deu? Nem pense que engoli aquela história de ela ligar para a . Aquele meu olhar sedutor seguido do “vamos voltar lá para dentro” era para tê-la feito ceder. Ou me agarrar na mesma hora. Contudo a menina não fez isso. Só me provocou mais. COMO ela consegue? Vou ficar maluco.
Parece mentira, mas esse é o primeiro fora que levo. Não foi exatamente um fora. Eu queria beijá-la e ela não quis. Porém vou fazê-la provar do próprio remédio. Ah, se vou.

Acordei com um barulho no celular. Alerta de mensagem. Quem me manda mensagem às nove da manhã? Deve ser importante. Abri a mensagem e vi que eram aquelas promoções da operadora. Ah, qual é?! Mas agora que já acordei mesmo...
Levantei-me e atirei o celular na cama, indo para o banheiro e fazendo a higiene matinal. Abri o armário e procurei minha blusa azul, todavia não a encontrei. Deve estar na lavanderia. Peguei outra qualquer e fui até a cozinha, encontrando e suas belas pernas de costas para mim fazendo alguma coisa.
– O que você está fazendo? – perguntei, tentando tirar o meu olhar de suas pernas. Ela deu um pulo, encostando-se ao balcão, e ofegante se virou para mim.
– Que... Quer me matar do coração? Caramba! – ela colocou a mão no peito, respirando fundo. Vi isso devido à minha visão periférica ser muito boa, porque ainda encarava suas pernas. – ? – ela estalou os dedos duas vezes. – Aqui em cima – a menina riu sem jeito e tive que fechar os olhos e respirar fundo antes de olhar para seu rosto.
– Desculpe... Eu me distraí.
– Notei – ela riu novamente e parei para observá-la. Sabe a blusa azul? Ela estava usando. E devo confessar que fica muito melhor nela do que em mim. deve ter percebido que eu olhava a blusa, pois logo falou: – Ah, fui até o seu quarto e peguei essa blusa. Você estava dormindo. Não quis acordá-lo. Espero que não tenha problema.
– Não. Problema nenhum – balancei a cabeça. – Mas o que é isso aí que você está fazendo? – apontei para o recipiente vermelho.
– Bolo – ela falou e pareceu se lembrar de algo. – Ah, eu ia lhe perguntar. Onde você guarda o açúcar? Não consegui achar.
Fui até onde ela estava e me aproximei do balcão. Devido ao fato de estar ali, no meio do “caminho”, nossos corpos se tocaram e consegui sentir sua respiração tocando de leve a minha bochecha. Percebi que ela estava um pouco tensa. Estiquei o braço e peguei o pacote de açúcar que estava em cima do armário atrás dela, afastando-me lentamente com ele em mãos.
– Aqui – entreguei o pacote a ela, que o pegou imediatamente.
– O-obrigada – ela falou, aparentando nervosismo, e se virou de costas para mim de novo, voltando a fazer o bolo. Bingo. Agora você sabe como me senti ontem, .
– Faz tempo que você acordou? – perguntei, indo até o sofá.
– Não muito – ela respondeu e depois de alguns segundos se sentou ao meu lado. – Que horas são?
– Nove e meia – respondi, olhando o horário no relógio que tinha em cima da estante.
– Em vinte e cinco minutos o bolo fica pronto.
– Ok – falei, ligando a TV na MTV. Passava um programa que falava fofocas dos famosos. Aumentei o volume quando apareceu uma foto de .
“Então, o que vocês acham dessa garota? É ela quem vai interpretar Melanie no filme “The Seven Towns”, galera! Eu a achei linda, e você?”, uma perguntou.
“Também achei!”, a outra respondeu. “E sabem quem vai ser o par romântico dela no filme, que vai interpretar o lindo Joseph? Esse cara aí!”, ela falou e apareceu uma foto minha ao lado daquela que já tinha aparecido de .
“O que vocês acharam do casal? Na minha opinião, eles combinam muito! Respondam lá na nossa enquete! O link está na tela! E, depois dos comerciais, clipe novo da Demi Lovato. Não saia daí!”.
– O quê? – parecia surpresa. – Não acredito que já estão falando da gente.
– Nem eu – tive que concordar. Um telefone começou a tocar lá na cozinha e foi correndo atender. Pelo jeito que ela falava, aposto que era a minha irmã.
Ela passou alguns minutos no telefone e eu assistia a algum programa que passava no Discovery. A menina voltou e se sentou ao meu lado novamente.
– Quem era?
.
– Sabia – eu ri. – O bolo já está pronto? – falei como quem não quer nada e foi correndo para a cozinha.
– POR QUE VOCÊ NÃO AVISOU?! – ela gritou.
– VOCÊ ESTAVA NA COZINHA, UÉ! ACHEI QUE SE LEMBRARIA! – gritei de volta.
Fui até a cozinha e ela tirava o bolo do forno.
– Ainda bem que não queimou – ela falou e, enquanto eu esticava o braço para pegar um copo no armário, ela passou ao meu lado para pegar um prato na pia. Acabei me distraindo (o motivo você deve imaginar) e não segurei o copo direito. Ele caiu com tudo na minha testa.
– AI! – gritei e veio até mim, colocando um pano de prato no local do corte e me puxando até o sofá.
– Sente-se aí e segure o pano direitinho. Onde fica a caixa de primeiros socorros? – ela perguntou e me sentei, apontando para a estante.
– Terceira gaveta – informei e ela foi até lá, pegando a caixa e largando-a ao meu lado.
– Fique quietinho que vou cuidar disso – ela falou, sentando-se em cima de mim com uma perna de cada lado do meu corpo. Ela tirou o pano da minha testa e pegou na caixa algum algodão e colocou um remédio nele. Não prestei muita atenção no que ela estava fazendo, porque enfim a minha visão estava ótima. A blusa azul que ela vestia ficou grande (obviamente) e tinha gola V. Imagine aí.
– AI! – gritei quando o algodão molhado atingiu minha testa, ardendo muito.
– Sh... – sussurrou, soprando o local do corte e colocando lá um band-aid. – Prontinho – ela sorriu, olhando-me nos olhos. Aquela posição já estava me incomodando.
– Você adora me provocar, né?
– Fazer o quê...? – ela riu. – É divertido.
Ficamos um tempo só nos encarando. Nenhum dos dois falou nada. Comecei a me aproximar dela e (para variar), quando estávamos quase nos beijando, ela saiu de cima de mim e foi em direção ao quarto de hóspedes. Fiquei sentado, imóvel, tentando me acalmar um pouco. Ainda vou pirar com essa garota. Pode escrever. Se continuar assim, logo, logo tenho um treco.
Depois de alguns minutos, saiu do quarto com a mesma roupa do dia anterior. Ela foi em direção à porta.
– Já vai?
– Já. Obrigada por ontem – ela forçou um sorriso. – E... Mande uma mensagem depois quando souber quando meu carro fica pronto. Ok?
– Ok, mas e o bolo? – perguntei.
– Perdi a fome – ela saiu, batendo a porta.

Capítulo 19 – You drive me wild.



*

Lembra-se do dinheiro no sapato para emergências? Pois é. Salvou-me de novo.
Eu olhava o movimento, pensando no que tinha acabado de acontecer. O que foi aquilo? Um conjunto de provocações, tanto da minha parte quanto da dele? Será que ele tinha ficado com raiva porque meio que dei um “fora” nele e resolveu se vingar? Só pode ser isso. Não tinha nem perigo de ele estar apaixonado por mim. O rapaz só estava revoltado, pois o orgulho de pegador dele estava machucado. Dã.
Sabe o que ele quer? Quer que eu ceda para restaurar a ”honra” do senhor “nunca-levei-um-fora”, depois esfregar na minha cara que ele é irresistível e partir para a próxima vítima. Posso falar isso porque conheço o tipo. E eu geralmente cedia, já que não iria ver o cara de novo e nem sentia nada por ele mesmo. Mas com era diferente. Infelizmente. Infelizmente ele era irmão da minha melhor amiga e infelizmente eu estava ridiculamente apaixonada por ele.
– Moça? – a voz do taxista me acordou. – Chegamos.
Paguei-o e entrei em casa, sentando-me no sofá.
– CARAMBA, ONDE VOCÊ ESTAVA?! EU ESTAVA PRESTES A CHAMAR A POLÍCIA! – veio correndo da cozinha e me abraçou.
– Estou viva. Relaxe.
– Mas o que aconteceu? – ela se sentou ao meu lado e suspirei. Sabia que ela tinha perguntado sobre o fato de eu não ter dormido em casa, mas estava com tanta coisa entalada na garganta que comecei a falar tudo para ela. Desde o dia em que eu e nos conhecemos, até a minha reação quando ele me ligou noite passada e o que aconteceu hoje de manhã.
– Aí saí de cima dele, fui até o quarto, troquei de roupa e fui embora – terminei, suspirando. Ela me olhou pasma.
– Nossa. Que história, hein? Quando você me falou aquilo sobre o meu irmão, não imaginei que vocês já tivessem passado por tanta coisa. E mais ainda agora!
– Mas e aí? O que eu faço?
– Quer uma dica? Você está apaixonada.

*

– Apaixonado? Eu? Que idéia, – balancei a cabeça negativamente. – Eu a conheço há o quê? Nove dias?
– Nove dias é muito tempo, ! Apaixonei-me pelo em dois e começamos a namorar depois de quatro! – ah, esqueci-me de mencionar. namora o . – É totalmente possível você estar apaixonado pela . Sabe por quê? Porque ela é diferente das garotas com as quais você está acostumado. Ela é sincera, engraçada e super legal! Conheço-a há pouco tempo, mas já sei que seremos grandes amigas, porque ela é uma pessoa incrível! Pare de negar o óbvio!
– Será? – perguntei, parando para pensar. Não é possível. Ou é? – Ok! Considerando a hipótese de eu talvez estar apaixonado por ela: que diferença faz? Ela não sente nada por mim mesmo.
– Ah, é? E como você sabe? – ela me olhou, cruzando os braços.
– Porque ela fica me provocando e, quando vou beijá-la, desvia ou sai de perto. A garota gosta de me fazer de idiota só para rir da minha cara depois.
– Você não tem como saber disso.
– Eu sei. Acredite.
– Não acredito. Sabe o que é isso?
– A verdade?! – falei irônico.
– Não. Medo de compromisso.

*

– Você está é com medo de se comprometer – falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Suspirei.
– É, talvez seja isso. Em parte.
– Como? Você concordou comigo? – ela me olhou surpresa. – Por quê?
– É que um tempo atrás tive um namorado... – comecei e ela ficava mais surpresa à medida que eu contava sobre Adam. Porém não mencionei o nome dele. Só contei toda a história. Toda mesmo. Até a do pseudo-seqüestro.
– Caramba... Eu não fazia idéia – ela falou, abraçando-me. Respirei fundo e engoli o choro. Já chega de chorar por quem não merece. – Acho que agora entendo o porquê de todo esse tempo você não ter se comprometido com ninguém. Eu também teria medo.
– Pois é.
– Mas você não acha que está na hora de dar uma chance para si mesma?
– Não sei... Não com o .
– Por quê?
– Desculpe, , mas o seu irmão é um galinha e nós duas sabemos disso. Não consigo acreditar que ele mudaria logo por mim.
– Nem se ele provar que gosta de você de verdade?
– Por que a pergunta?
– Foi só uma idéia – ela deu de ombros. – Porque se ele está “atrás” de você ainda... – ela fez aspas no ar. – É porque aí tem!
– Engraçado. A disse a mesma coisa.
– Então acho que a gente tem razão!
– Eu não teria tanta certeza – respondi. Não acreditava naquilo e estava decidida a resistir e provocá-lo até o final. – Mas enfim. Falando na ... A gente podia combinar de sair para algum lugar, né? Ela parece ser tão legal!
– Claro. Pode ser. Quando?
– Ué, não sei. A gente marca alguma coisa.
– Ok – ela respondeu.
– E aí, como foi com os seus pais? Aliás, o que a senhora está fazendo aqui que não foi trabalhar?
– Fiquei preocupada com você. Falei para a minha chefe que estava doente – ela deu de ombros e ri, apertando a sua bochecha. – E com os meus pais... No início eles não aceitaram a idéia de eu ir procurar minha mãe. Discutimos e tudo. Só que eles sabem como sou teimosa e acabaram concordando e me dando o endereço. Foi bom ficar de boa com eles – ela sorriu.
– Ah, mas e aí? Você vai voltar para casa?
– Por enquanto não... Ah, sobre o ... , teria como ele vir morar aqui?
– QUÊ?! – gritei, pulando do sofá. Ela não estava falando sério.
– É. Ele vai reformar o apartamento e a obra vai demorar um mês para ficar pronta.
– E os seus pais?
– Ele está querendo ir pra lá, mas aí para vê-lo eu teria que ir até lá... – ela olhou para o chão.
Morar com o ... Essa não está me parecendo uma boa idéia.
– E qual o problema? Você não falou que estava de boa com eles?
– E estou! – ela falou e a olhei confusa. – Mas eles não querem que eu vá procurar a minha mãe. Só me deram o endereço porque sabiam que eu iria conseguir de uma forma ou de outra. Se eu fosse muito para lá, eles iam ficar tentando me convencer a mudar de idéia, iam colocar um monte de coisas na minha cabeça e eu ia acabar ficando com medo de ir, mesmo que inconscientemente. POR FAVOR! É só por um mês – ela me olhou com aquela cara de cachorro que caiu da mudança.
– Eu não sei... – falei em dúvida. Como assim... MORAR com o ? Vê-lo todos os dias? Essa idéia não me parecia boa... Não me parecia boa mesmo. Se bem que eu poderia provocá-lo todos os dias... Como estou com a mente maligna, nossa.
– POR FAVOR, POR FAVOR, POR FAVOR, POR FAVOR! – ela ficou pulando e me chacoalhando. Tem vezes que parece uma criança. Ela e têm isso em comum... – !
– OK! Mas é um mês, ok? UM MÊS! Nada mais – concordei, arrependendo-me no mesmo segundo. Um mês é muita coisa. Não vou agüentar todo esse tempo. Não vou... ESPERE AÍ, ! Que desespero idiota é esse? É só um garoto! E vou conviver com ele o tempo todo mesmo por causa do filme. Não tem motivo para tanto desespero.
Meu celular tocou, olhei no visor e não me surpreendi quando vi quem era: Mike.
– Oi!
Bom dia, flor do dia! – ele falou como sempre e eu ri. – Preciso que você vá buscar o script no estúdio. Não se esqueça de que terça começam as filmagens!
– Gatíssimo, bati o carro. Não tem como eu ir aí.
Poxa... Você está em casa?
– Estou sim.
Então vamos fazer o seguinte: pego o seu script e levo aí.
– Aí você aproveita e fica para o almoço.
Perfeito. Combinado então... Beijo – ele falou, desligando.
– Quem era? – perguntou assim que desliguei. Curiosa.
– Mike. Ele vem para almoçar.
– Ah... Vou subir.
– Ok – falei e ela subiu correndo. Liguei a TV.

*

– Como assim morar na casa da , ? Você está maluca?
– Você fala como se fosse a pior coisa do mundo, né, ?! – ri irônica. Quando concordou, a primeira coisa que fiz foi ligar para o meu irmão. Convencê-lo vai ser mais difícil que convencer minha amiga. – É só por um mês, vai!
– Se é só por um mês, posso muito bem ir morar com o senhor e a senhora .
– Mas não quero ter que ir lá em casa para vê-lo.
– Então vou até aí.
– Pare de ser chato...
– Chamar-me de chato não vai me ajudar a mudar de idéia, irmãzinha.
– Nem se eu lhe pedir por favor e disser que o amo muito e que quero ter você pertinho de mim para eu infernizar sua vida todo dia de manhã como a gente fazia na época do colegial? – falei esperançosa e com aquela voz de criança.
– Nesse caso prometo pensar no assunto.
– AÊ! Mas pense rápido, porque os pintores marcaram de ir aí amanhã. Lembra-se?
– Porcaria. Tinha me esquecido completamente. Quer vir aqui hoje me ajudar a arrumar a mala e dar uma organizada na casa?
– Não sou sua empregada, .
– Quer que eu pense no assunto?
– OK, ESTOU INDO! – desliguei o telefone e troquei de roupa enquanto ligava para um táxi. Assim que terminei de me arrumar, o táxi chegou. Desci correndo.
– Vai para onde com toda essa pressa? – perguntou.
– Vou visitar o meu irmãozinho. Ah, não venho almoçar. Ok? E o se muda hoje à noite! TCHAU! – falei, fechando a porta.
– O QUÊ?! , VOCÊ NÃO DISSE QUE...?! – ela gritou, porém entrei no táxi e não ouvi o resto.

– Não entendo o motivo desse seu desespero para que eu vá morar com vocês – falava, enquanto arrumávamos sua mala.
– Qual o problema?
– Ué, nenhum.
– Se eu lhe desse um bom motivo você iria?
– Claro – ele deu de ombros.
– Aposto que você não agüenta uma semana naquela casa.
– Por quê? É assombrada por acaso? – ele riu.
– Não interessa o porquê – falei séria. Se eu falasse o motivo, ele não iria nunca. – Aposto que você não agüenta uma semana naquela casa. Ponto.
– Se eu agüentar, o que ganho?
– Meu CD do Foo Fighters.
– O autografado? – ele falou, sorrindo. AH, NÃO! O AUTOGRAFADO NÃO!
– Se for o autografado, tenho direito a um bônus.
– Diga.
– Quero ver vocês dois ensaiando amanhã. Você já foi pegar o script, né?
– Já. Antes de você chegar. Nós dois quem?
– Você e o Papai Noel – falei e ele me olhou confuso. Lerdo. Dei um tapa na cabeça dele. – Você e a , né, idiota?
Ele pareceu pensar.
– Aceito – ele falou e o abracei, pulando. – Mas espere um pouco.
– O que foi agora?
– Se você ganhar...
– Se eu ganhar... – parei para pensar. – Você me conta o que sente pela – falei. Eu sabia que em condições normais ele nunca me contaria, mas preciso saber. E sei que ele não vai agüentar muito tempo lá. Até o Mike (que é gay) não agüentou nem dois dias. Ele disse que a masculinidade oculta dele estava começando a se revelar e ele não queria isso. Sim, você está confuso, mas não vou me dar ao trabalho de explicar. Veremos por conta própria logo, logo.
– Fechado – ele sorriu, olhando para o relógio. – Quer ir almoçar?
– Só se for naquele restaurante italiano que eu amo.
– Então vamos – ele pegou a chave do carro, saindo do apartamento, e eu o segui, fechando a porta.

*

A campainha tocou e fui correndo abrir a porta.
– Mike! – sorri ao ver meu amigo parado na porta com um sorriso enorme no rosto e duas caixinhas de comida chinesa na mão.
– Oi. Desculpe a demora. A fila estava um pouco grande. Aqui o seu script – ele me entregou uma pasta azul com uns papéis dentro. – Decore a cena quatro logo. Vocês vão começar por ela.
– Ok – dei espaço para ele entrar e, depois de deixar a comida na mesa, voltou para me abraçar. Fomos para o sofá.
– Ei, o que foi isso no seu braço? – ele apontou para o meu braço direito, onde ainda tinha um hematoma. O único que ainda não tinha sumido.
– Longa história – foi tudo que respondi.
– Sorte sua que a primeira cena que vocês vão filmar é em um dia frio.
– É verdade – eu ri.
– Ei, falaram de você na MTV.
– Pois é. Eu vi.
– O livro fez muito sucesso. Estão todos esperando pelo filme. Acho bom você interpretar a Melanie direitinho... Até porque eu também sou fã – ele apontou para mim, ameaçador, e gargalhei.
– Quanto a isso não se preocupe. Também li o livro e adorei. Vou dar o meu melhor. Deixe comigo.
– Acho bom – ele apontou para mim de novo e rimos. – Vamos comer?
– Vamos sim – fomos em direção à mesa.

Mike já tinha ido embora e eu estava sentada no sofá, segurando o celular. Eu deveria ligar para . Ele é meu melhor amigo desde... Sempre. E eu ainda não tinha falado para ele sobre Adam. Disquei o número dele e, depois do terceiro toque, o garoto atendeu.
– Pensei que tinha me esquecido – falou com a voz chorosa e ri. Como era bom falar com ele.
– Não o esqueceria nem se eu quisesse, besta.
– E aí? Como você está?
– Indo, eu acho – falei e a voz dele ficou séria.
– O que aconteceu, ?
– Quer vir para cá? – foi tudo que respondi.
– Estou indo – ele desligou e, depois de alguns minutos, a campainha tocou. entrou e me olhou preocupado. Seus cabelos loiros estavam molhados e bagunçados, o que indicava que ele não tinha penteado o cabelo. Usava uma blusa marrom e uma calça jeans qualquer. Devo admitir: ele era bem bonito.
– Oi, bonitão – ri, bagunçando seu cabelo, e ele me abraçou forte.
– Que saudades que eu estava de você, pequena.
– Também estava com saudades, – ele me soltou e foi até o sofá comigo. Pegou uma almofada e se deitou no tapete. Eu ri. Preguiçoso. Ele me puxou pela mão e me deitei ao seu lado, de frente para ele. me encarava, esperando que eu falasse. Suspirei.
– Sabe o Adam? – falei e ele se levantou num pulo. Levantei-me também.
– O que esse cara fez, ? DIGA O QUE ELE FEZ DESSA VEZ! – sim, sabia de tudo sobre Adam. Segurei seu rosto com as mãos.
– Se você reagir desse jeito, não conto, pequeno. Promete para mim que vai ouvir tudo com calma – falei. Ele me olhou nos olhos e se acalmou, suspirando e confirmando com a cabeça.
Sentou-se no sofá, mas permaneci em pé. Suspirei antes de começar e, a cada palavra que eu dizia, fechava mais o punho e respirava cada vez mais fundo. Finalizei a história com um suspiro. Ele me olhou.
– Terminou? – perguntou e balancei a cabeça afirmativamente. Ele se levantou, indo em direção à porta, mas na metade do caminho parei em sua frente.
– Eu vou matar esse desgraçado. EU VOU MATAR! – ele gritava com raiva. Entendia a raiva dele. Entendia mesmo. – ONDE ELE ESTÁ?! ONDE ELE ESTÁ, ?!
– Ele está na cadeia, onde é o lugar dele. – falei e o garoto relaxou um pouco.
– Por que você não me contou antes? – olhava-me e consegui perceber que ele estava um pouco desapontado.
– Porque eu queria esperá-lo ser preso primeiro, senão você ia fazer alguma besteira. Viu como reagiu agora? Se ele ainda estivesse solto, você iria atrás dele. Não iria?
– Claro que eu iria, . CLARO! Esse cara merece uns belos tapas. Por que você está defendendo-o? Posso saber? – ele me olhou com raiva, logo desviando o olhar para baixo. Ri fraco.
– Que defendendo-o, pequeno? Ficou maluco? Eu nunca defenderia aquela criatura. Eu estava preocupada com você, e não com ele. Olhe para mim, – segurei o seu rosto, obrigando-o a me olhar nos olhos. Ele suspirou, dando-me um beijo na testa.
– Desculpe – falou num suspiro, abraçando-me. – Falei besteira. Você me perdoa, pequena?
– Claro que sim. Se fosse o contrário, eu também ia ficar louca da vida – falei e ele riu fraco. – Mas agora vamos falar de coisa boa! Como vai a banda? – tinha uma banda e, apesar de eu não lembrar o nome e nunca ter ido a um ensaio, sabia que era boa. A voz de é linda.
– Vai bem – ele riu, soltando-me. – E você? Quando começa a filmar? – ele disse e o encarei incrédula.
– Como você sabe que...? – comecei, mas logo entendi.
– Mike – falamos juntos, rindo.
– Depois de amanhã – sorri.
– Cadê o script?
– Lá em cima – apontei para as escadas.
– Posso ver?
– Não – falei e ele me olhou com a boca aberta. Dei um tapa em sua testa. – Claro que pode, besta. Venha comigo – puxei-o pela mão e subimos.

– “E eles se beijam”. HUUUUUUM – lia o script inteiro em voz alta, fazendo os próprios comentários. Eu só gargalhava. – Quem é que vai interpretar o Joel?
– Joseph.
– Quem é Joseph? Eu conheço? – ele perguntou e ri.
– O nome do personagem é Joseph.
– E quem é Joel? – ele me olhou confuso.
– Eu vou saber? Esse tal de Joel é invenção da sua cabeça.
– Como assim? – ele me olhou mais confuso ainda e dei um beijo em sua bochecha.
– Deixe para lá.
– Ah, quando a lenta é você, sou obrigado a repetir até que entenda, né? – ele cruzou os braços com uma expressão fofa no rosto.
– Você repete porque me ama – ele me olhou incrédulo.
– Isso é uma indireta? Você está dizendo que não repete porque não me ama? É isso? – ele fez bico.
– Claro que o amo, jumento. É só que não quero repetir. Nem eu entendi direito – ri, mordendo a sua bochecha.
– Ai, sua canibal! – ele disse, colocando a mão na bochecha, e eu ri.
– Não tenho culpa se você é mordível.
– Vai me comer, é? – ele perguntou todo inocente e fiz uma cara safada. – Credo. Você só pensa besteira. Não sei por que ando com você.
– Eu sei! – levantei o braço. – Você...
– ...Me ama – ele completou junto comigo. – Já ouvi isso. – ele sorriu, revirando os olhos.
? – falei e ele me olhou. – Senti sua falta. Muito mesmo.
Ele abriu os braços e me sentei em seu colo.
– Também senti a sua – ele beijou minha bochecha carinhosamente. De repente, deu um pulo. – EI!
– O quê? – perguntei, confusa e rindo.
– Podíamos alugar uns filmes, né? – ele me olhou, arqueando as sobrancelhas. Fiz o mesmo, sorrindo e balançando a cabeça. – EU DIRIJO! – ele gritou, indo correndo até a garagem. Depois de pegar um sapato, segui-o.
– ALELUIA! JÁ ESTAVA CRIANDO RAIZ AQUI! – gritou, assim que entrei no carro, e eu ri.
– Demorei menos de um minuto. Só fui pegar um sapato, poxa – fiz bico.
– Foi pegar o sapato ou fazer o sapato? – ele me encarou e aumentei mais o bico. Ele pegou a minha mão e a beijou. – Adoro irritar você. Sabia?
– Eu sei – dei língua para ele que riu, ligando o carro. Liguei o rádio imediatamente e nos olhamos sorrindo, assim que reconhecemos os primeiros acordes de Moves Like Jagger.
– JUST SHOOT FOR THE STARS IF IT FEELS RIGHT! – comecei a cantar animada.
– THEN AIM FOR MY HEART IF YOU FEEL LIKE! – continuou perfeitamente afinado.
– TAKE ME AWAY AND MAKE IT OKAY! – fechei minha mão direita como se fosse um microfone e cantei.
– I SWEAR I’LL BEHAVE! – cantamos juntos, começando a rir.
– A gente tem sérios problemas. Sabia? – falou, gargalhando.
– Eu sei! – também gargalhei. – Pagar micos é com a gente mesmo, babe!
– AND IT GOES LIKE THIS! – cantou, balançando a cabeça.
– TAKE ME BY THE TONGUE AND I’LL KNOW YOU! – cantei, balançando de um lado para o outro.
– KISS ME ‘TIL YOU’RE DRUNK AND I’LL SHOW YOU! – foi a vez de que (como estava dirigindo) apenas balançou a cabeça.
– ALL THE MOVES LIKE JAGGER. I’VE GOT THE MOVES LIKE JAGGER. I’VE GOT THE MOOOOOOOOOOOOVES LIKE JAGGER! – cantamos juntos, começando a rir. Percebi que tínhamos chegado à locadora quando desligou o carro, parando a música.
Assim que desci, percebi que estava muito frio e eu estava sem casaco. Que ótimo. percebeu e veio até o meu lado, abraçando-me.
– Casaco comunitário? – ele falou e ri.
– Sempre – falei e fomos abraçados até a locadora. Quem visse de longe poderia até pensar que fôssemos namorados, mas eu não via desse jeito. E vice-versa. A gente se conhecia desde criança e somos mais irmãos que amigos. Posso garantir que nunca aconteceria nada de romântico entre nós dois. Eu o amo demais. Ele é meu porto seguro.
– Um chocolate pelos seus pensamentos – disse, cutucando-me com o ombro.
– Eu estava pensando no quanto amo você – falei sincera.
– Nossa, como você é fofa – ele falou, mordendo minha bochecha.
– AI, SEU CANIBAL! – gritei, chamando a atenção de todos na loja. me puxou para perto dele e voltamos a olhar os filmes, rindo baixo.
– Para chamar mais atenção, só colocando um abacaxi na cabeça – ele sussurrou.
– Até que não seria má idéia – respondi no mesmo volume e ele riu. – A Proposta! – falei, pegando o filme. leu a sinopse por cima do meu ombro.
– Nah. Prefiro esse – ele pegou outro filme. Li o título.
– The Runaways?
– É, o que você acha?
– Perfeito – concordei. Eu amava The Runaways.
– Ok. Espere aqui que vou alugar – ele se virou e o chamei.
! – ele veio até mim.
– Pare de gritar, maluca! – ele riu. – Que foi?
– Não se esqueça do meu chocolate. Estou esperando no carro – falei e dei um beijo em sua bochecha, saindo e entrando no carro. Minutos depois ele apareceu, entregando-me um bombom.
– EBA! – gritei, abrindo-o imediatamente. Dei uma mordida e me cutucou, pedindo um pedaço. Dei na boca dele (afinal, de novo, ele estava dirigindo) e o garoto devorou o bombom inteiro.
! – gritei, rindo e dando um tapa em seu braço.
– Tfem ais fsa facola – ele falou, cuspindo bombom para todo lado.
– AHN? Não fale de boca cheia, seu porco – falei, rindo. Quando ele engoliu, deu língua para mim.
– Tem mais na sacola – ele repetiu e peguei a mesma, tirando um bombom de lá e o devorando inteiro na mesma hora. – Vai se engasgar desse jeito – ele falou e dei língua para ele.
Chegamos a casa e se jogou no sofá.
– Vai dormir aqui? – perguntei.
– Só se você me deixar dormir nesse sofá – ele falou e concordei com a cabeça. – Sério. Se um dia você não quiser mais ele, eu quero – ele me olhou e gargalhei.
– Vou me lembrar disso. Vou só tomar banho e já volto. Ok? – eu disse e ele concordou com a cabeça. – O controle da TV está ali – apontei para o balcão e foi pegar o controle.
Subi para o meu quarto e percebi certa movimentação no quarto de hóspedes, mas não dei muita importância. Deve ser procurando alguma coisa.

*

Eu assistia a um programa qualquer na TV, enquanto esperava para assistirmos ao filme. Depois de alguns minutos, desceu e foi na direção da cozinha. Na TV passava um filme sobre um cara que... ESPERE AÍ!
? – falei surpreso. – O que você está fazendo aqui?
Ele olhou para mim com a mesma expressão de confusão estampada no rosto. Que diabos o está fazendo aqui?
! Eu lhe pergunto a mesma coisa – ele disse, enquanto vinha até mim. Ele se sentou no outro sofá.
– Estou esperando a ... E você?
– Eu meio que vou morar aqui enquanto reformam o meu apartamento – ele deu de ombros.
– Você conhece a ? – olhei-o curioso. Ela não tinha me dito nada sobre isso. Aliás, eu nunca tinha apresentado os dois. Aquela história não fazia o menor sentido para mim. Por que viria para cá?
– Ela é melhor amiga da .
... – repeti, tentando me lembrar de alguma .
– Minha irmã?! – ele falou, encarando-me. Bati na testa.
– É verdade. Não sabia que vocês se conheciam.
– Eu e a ? – ele me olhou confuso. Mas é lerdo mesmo.
– Você e a .
– Ah, não faz muito tempo na verdade. Alguns dias – ele falou. – Vou fazer aquele filme com ela. Lembra?
– AH! Você vai ser o tal Jared?
– Jared? Não. Joseph – ele pareceu confuso e eu ri.
– Tanto faz.
desceu as escadas de pijamas e não percebeu a presença de , sentando-se ao meu lado. Quando se sentou, viu-o. Pareceu surpresa.
– Ah, oi, . Tinha me esquecido de que você viria – ela riu um pouco nervosa. O que estava acontecendo entre ela e ? Ela olhou para mim e depois pra ele. – Vocês se conhecem?
– Sim. Ele também é do McFly – respondi e ela me olhou confusa.
– McFly?
– A banda – foi quem respondeu dessa vez.
– Ah, é! – ela riu. – , cadê o filme? – olhou-me e eu, que estava segurando-o, levantei o mais alto que consegui. Ela subiu em cima de mim e tentava pegar sem sucesso. Olhei de canto de olho para o e percebi que ele encarava a cena de boca aberta. O que ele estava olhando? Ah, não. Ele não está mesmo olhando para a bunda dela, né? Só pode ser piada. Ok, chega de brincadeira.
Dei o filme para ela que me olhou confusa.
– Ué, desistiu?
– Preguiça – foi tudo que respondi. se levantou e foi colocar o filme. O idiota do ainda a encarava de boca aberta. Atirei uma almofada nele, que me olhou confuso, e apontei para a minha melhor amiga que ainda tentava se entender com o aparelho de DVD. Ele entendeu o que quis dizer e ficou um pouco vermelho. Que fofinho. Ok, mentira.
Eu sei o que você está pensando. Não, não é ciúmes. É só... Cuidado. Sei o tipo de cara que o é e sei muito bem que ele nunca teve um namoro sério. Eu não ia deixá-lo fazer a minha irmãzinha de idiota. Não ia mesmo.
Levantei-me e fui ajudar com o filme.
– Quer ajuda?
– Acho que está quebrado – ela cutucava o aparelho.
– Já tentou fazer isso? – peguei o fio e o liguei na TV, onde imediatamente apareceu o menu do filme.
– Acho que não – ela riu, indo para o sofá e se sentando ao lado de . Sentei-me ao lado dela e apertei o play. pegou uma almofada e colocou no meu colo, deitando em cima. Jogou suas pernas no colo de que riu.

*

O filme já tinha começado quando desceu. Ela se sentou ao lado de e assistiu com a gente. Eu já tinha visto aquele filme mil vezes com ela... A gente adorava.
Chegou a cena da Dakota, na qual ela cantava nossa música preferida. Tirei minhas pernas de cima de e saí do colo de . entendeu imediatamente e se levantou comigo. Fiquei em um lado da sala e ela no outro.
– CAN’T STAY AT HOME, CAN’T STAY AT SCHOOL! – começou, indo até o meio da sala.
– OLD FOLKS SAY, YA POOR LITTLE FOOL! – foi a minha vez, indo também até o meio da sala.
– DOWN THE STREET I’M THE GIRL NEXT DOOR! – cantamos juntas, jogando o braço para a direita e o subindo, enquanto dava uma rebolada básica. – I’M THE FOX YOU’VE BEEN WAITING FOR! – gritamos, apontando uma para a outra.
– HELLO, DADDY! HELLO, MOM! – cantamos, jogando o cabelo de um lado para o outro. – I’M YOUR CH-CH-CH-CH-CH-CH-CH-CHERRY BOMB! – essa parte cantamos balançando os ombros. – HELLO, WORLD! I’M YOUR WILD GIRL! – eu e gritamos, usando a mão como microfone. – I’M YOUR CH-CH-CH-CH-CH-CH-CH-CHERRY BOMB! – gritamos, pulando de volta para o sofá e começando a gargalhar. também começou a rir.
– Vocês e essas coreografias malucas... – ele falou, revirando os olhos. Dei uma leve olhada para , lembrando-me de sua presença somente naquele segundo, e vi que ele estava com a boca um pouco aberta e olhando para lugar nenhum. Ri baixo. Não era minha intenção provocá-lo, mas funcionou de uma forma ou de outra. Ele se levantou de repente.
– Ué, vai para onde? – perguntou.
– Tomar um banho... Gelado. Bem gelado – ele subiu correndo e segurei uma gargalhada.

Capítulo 20 – You got me going crazy.



*

Era disso que eu estava falando. Qual é?! O não vai agüentar muito tempo.
– Vou ao banheiro – falei para e que viam o filme com atenção. Fui até o quarto de e fiquei esperando-o sair do banho. Ele saiu e eu ri.
– Entendeu agora do que eu estava falando? Se for continuar aqui, vai ter que tomar muitos banhos, irmãozinho. Se eu fosse você, desistia enquanto é tempo.
– Nunca desisto, irmãzinha. Mas também é sacanagem o que está fazendo comigo. Ainda bem que você trabalha. Aí não vai estar aqui o tempo todo para ficar dançando com ela por aí – ele disse e gargalhei.
– Você acha mesmo que é aquilo? Quer ver coisa pior? Fique para almoçar amanhã. Aí você vai ver. Eu não vou estar aqui. Vou almoçar com o Billy. Só me conte depois como foi – ri irônica e fui para o meu próprio quarto.

* [N/A: música] {Dica da autora: se quiserem ver o vídeo primeiro para se inspirar na hora de imaginar a cena, eu recomendo.}

Acordei e já eram onze horas. Troquei de roupa e fiz minha higiene matinal, indo em direção às escadas. Antes de descer, dei uma olhada no quarto de e ela não estava lá. Tinha ido almoçar com o Billy. É verdade.
Desci, ouvindo uma música alta proveniente da cozinha. Fui até lá e vi um rádio no chão na porta. Olhei para dentro da cozinha e estava de costas para mim. A música que estava tocando acabou e outra começou. Ela se mexia no ritmo dela enquanto colocava algumas coisas dentro de uma panela. A roupa que ela usava? Uma blusa. Somente uma blusa. A mesma cobria até metade de sua bunda, deixando à mostra sua calcinha listrada.

I bought a new pair of shoes.
I got a new attitude when I walk,
'Cause I'm so over you
And it's all about tonight.


Acho que entendo o que a minha irmã quis dizer. Então era assim que cozinhava? Respirei fundo, mas sem fazer barulho. Afinal, ela ainda não tinha me visto ali.

I'm going out with the girls,
Ready to show all the boys what I got.
I'm letting go of the hurt,
'Cause it's all about tonight.


Ela rebolava enquanto mexia com uma colher o conteúdo da panela. A menina foi, dançando, buscar algo na geladeira e se dirigiu à pia com dois tomates na mão.

Yeah, the night is alive.
You can feel the heartbeat.
Let's just go with the flow.
We've been working all week.
Tomorrow doesn't matter,
When you're moving your feet.
It's all about tonight.


Enquanto ela cortava os tomates, mexia a cabeça e rebolava no ritmo da música, algumas vezes dobrando o joelho. Mordi o lábio inferior com a respiração pesada.

We'll be dancing and singing
And climbing up on the tables.
We'll be rocking this party,
So tell the DJ don't stop!


Nessa hora jogou os tomates na panela e virou para onde eu estava de olhos fechados. Ela jogou os braços para cima e rebolou mais ainda, dessa vez até o chão. Eu não conseguia parar de olhar. Estava vidrado na cena à minha frente.

Grab someone if you're single.
Grab someone if you're not.
It's all about tonight.


A garota foi, jogando os cabelos e rebolando, até a geladeira com um copo na mão. Serviu um copo de suco e bebeu, parando pela primeira vez. Deixou o copo na bancada e mexeu os ombros, andando de modo sexy até o fogão e voltando a mexer a panela, rebolando.
Ok, já chega. Fechei os olhos e fui de modo decidido até as escadas.
Acho que eu preciso de outro banho.

*

Pensei ter ouvido um barulho enquanto cozinhava, porém deve ser o vento. Eu continuava cozinhando – e dançando – no ritmo de uma das minhas músicas preferidas. Terminei de fazer o molho na mesma hora que o macarrão ficou pronto. Realmente amo cozinhar. Ainda mais ouvindo música! É... Relaxante.
Coloquei o macarrão em um prato e joguei o molho por cima na mesma hora em que apareceu com a cara amassada.
– Bom dia – ele falou com a voz ainda rouca.
– Bom dia – eu ri, olhando seus cabelos bagunçados. – Cansou da minha cama?
– Nem lá em cima tenho sossego. Esse rádio está muito alto – ele foi até o rádio e o desligou. Acordei cedo hoje e, como estava dormindo na sala e eu cozinhava com a música alta, ele pediu para ir dormir no meu quarto e deixei.
Ele veio até mim e me deu um beijo na bochecha.
– Cadê o ? – ele perguntou, levando o macarrão para a mesa.
– Não sei... – dei de ombros. – Deve estar dormindo ainda.
– Não estou, não! – entrou na cozinha, assustando-me. Ele estava... Lindo. Com os cabelos molhados, uma calça jeans escura e uma blusa azul marinho. – Bom dia – ele riu.
Olhei para mim mesma e percebi a roupa que usava. Ou a falta dela. Porcaria.
– Eu... Já volto – saí correndo em direção ao quarto e coloquei um short.
Desci silenciosamente e ouvi um pedaço da conversa de com .
– Como você consegue conviver com ela? – falava desesperado. Do que ele está falando? O que foi que eu fiz? – Você viu o jeito como ela cozinha? Cara – ele suspirou. Quando que ele tinha me visto...? AH! O barulho na cozinha de manhã... Era ele.
– Você quer dizer com pouca roupa e muita música? – perguntou e ele confirmou. – Normal, cara. A sempre cozinha assim.
– Normal? Você acha normal? – riu irônico. – Desculpe perguntar, ... Mas você é gay?
– Não. Claro que não – riu. – Só não estou apaixonado pela .
– O que você quer dizer com isso? – perguntou, aparentando um pouco de nervosismo.
Entrei na cozinha e fui em direção aos armários, pegando os pratos. Os dois garotos estavam quietos. Olhei para eles e percebi que estava um pouco vermelho.
– Algum problema? – encarei-os, confusa. se levantou e me ajudou com os pratos.
– Não. Nenhum – respondeu, pegando os copos e levando para a mesa.

já tinha chegado do almoço com Billy e eu, ela, Billy, e conversávamos no jardim.
– Vou ter que ir – se levantou, espreguiçando-se, e Billy disse que também iria.
– Levo vocês até a porta – falei, guiando-os até lá.

*

– E aí, como foi o almoço? – falou irônica, assim que , e Billy sumiram de vista.
– Engraçadinha – encarei-a. voltou e ficamos calados. Ela não pareceu notar o sorriso irônico no rosto de e, se notou, com certeza não falaria nada sobre ele na minha presença. Ou pelo menos era isso o que eu achava.
– Ei, ! A gente podia ensaiar uma cena, né? As filmagens começam amanhã – ela falou e concordei com a cabeça. – Já decorou as falas?
– Já, e você? – perguntei, rezando para que ela dissesse que não. Eu tinha dito que podia, contudo não me sentia exatamente confortável com a minha irmã observando tudo o que fazíamos.
– Ontem – ela riu.
– Posso ver? – perguntou. Claro, o bônus. Ela não perderia essa oportunidade.
– Se você não atrapalhar... – respondeu e minha irmã comemorou.

*

Eu queria tanto ver esse ensaio. Eu nem respirava de tanta concentração. e – quer dizer, Joseph e Melanie – caminhavam de mãos dadas e foi assim que a cena começou.

Ela (deitando no ombro dele): Você sabe que vou ter de ir embora. Não sabe?
Ele: Eu sei... Só não entendi o motivo.
Ela: É complicado... Se eu lhe contar, é possível que você fique em perigo e não quero isso.
Ele (pegando o rosto dela entre as mãos): Só quero que você prometa que nunca vai me esquecer.
Ela (sorrindo): Eu prometo.
Ele: Quero que você saiba que, não importa para onde você for, vou encontrá-la.
(Ela começa a falar, mas ele a impede, colocando o indicador em seus lábios.)
Ele: Sabe por quê? Porque, desde o dia que você nasceu, você já estava destinada a ficar comigo. Sabe por quê? (Ela ri, balançando a cabeça negativamente) Porque eu amo você. Antes mesmo de a conhecer, já a amava mais que a minha própria vida. Está escrito lá em cima (ele aponta para o céu) que você é minha. Então, de um jeito ou de outro, você vai voltar para mim. E nós vamos ter nossos cinco filhos.
Ela (rindo): Amo você. Nunca duvide disso, Joseph. Nunca.
Ele: Só se você me prometer que vai ler essa carta (ele entrega um envelope) quando estiver no avião. Ou quando estiver triste. Ou quando sentir saudades. Ou quando... Enfim. Você vai ler isso e vai ter a certeza de que a amo.
Ela: Prometo.
(E eles se beijam.)
Ela (chorando): Eu preciso ir.
(Ela sai.)
Ele: Estou bem atrás de você.
(Ele sai pelo mesmo caminho que ela.)


Que... Coisa... Mais... Fofa.
E foi tão... Real. Sério. Nunca na vida imaginei que meu irmão atuasse desse jeito.
– CARAMBA! ISSO FOI...! PERFEITO! – falei para os dois. e só se olhavam. Resolvi não atrapalhar o momento e saí de fininho.

*

Eu e nos encarávamos há algum tempo, mas nenhum de nós se atreveu a quebrar o silêncio. Aquela cena tinha saído do jeitinho que era para ser... E aquele beijo não tinha sido nada técnico. Só digo isso.
Eu não conseguia explicar o que estava acontecendo entre nós dois. Uma hora ele parecia só um cara que eu tinha acabado de conhecer e achava bonitinho... Na outra, é o rapaz pelo qual estou completamente apaixonada. Eu conhecia o há exatamente dez dias. Dez dias! E eu já sabia que ele era engraçado, fofo, meio lerdo, carinhoso, romântico (dessa eu não tinha cem por cento de certeza, mas podia apostar que era), preocupado com a irmã (apesar de odiar demonstrar) e tinha um lado criança que me encantava demais.
Eu sabia que no quesito relacionamentos ele era completamente diferente de mim. O oposto mesmo. Ele pegava todo mundo sem se importar com os sentimentos. Eu tinha a certeza de que eu mexia com ele... Mas não sabia se essa atração – na falta de palavra melhor – era forte o suficiente para fazê-lo se apaixonar por mim. Eu não tinha total confiança no ... Tinha medo de confessar para ele o que eu sentia e este quebrar o meu coração como o Adam fez.
Sim, ele mexe comigo também. Sim, tudo que quero é estar ao lado dele e só dele. Porém será que é isso que ele quer?
– Está tudo bem? – ele falou, cutucando a ruga de preocupação em minha testa.
– Tudo... Eu só estava pensando.
– Posso saber no quê? – ele sorriu. Ah, não. O sorriso não. Aí já é golpe baixo, produção.
– Melhor não... – suspirei, indo para o quarto sem olhar para trás.

*

Bufei com raiva e subi alguns minutos depois de . Essa garota só pode estar brincando com a minha cara. Não é possível. Mas, ok, confesso: talvez eu sinta alguma coisa por ela. Talvez.
Passei na frente do quarto de e a porta estava entreaberta. Consegui ouvir a voz de .
– É como se eu fosse de Vênus e ele, de Marte, . Não dá! Nós dois somos muito diferentes!
Ela está falando de mim?
Parei na porta para escutar.
– Mas, ... Já ouviu falar que os opostos se atraem? – a minha irmã disse.
– Ok, os opostos se atraem. Se ele gostar de laranja e eu, de maçã! – ela falou, aumentando o tom de voz, todavia logo voltando ao normal. – Só que no quesito “relacionamentos” ele pega geral sem se preocupar com nada. Eu não. Saio para a balada sim, mas não vou para lá pensando em quem vou agarrar. Ou melhor, em quantos. Só quero dançar e sozinha. Para dar certo, um dos dois precisaria mudar e eu não vou fazer isso. Nem ele.
– Então você admite que sente alguma coisa por ele? – perguntou. Isso! É isso o que eu quero saber.
Cheguei mais perto da porta com cuidado.
– Não, claro que não! – ela respondeu. Ok, já ouvi o suficiente.
Voltei para o meu quarto, fechando a porta com cuidado para elas não ouvirem. Fui até a cama e enfiei a cara no travesseiro.
Que merda está acontecendo comigo?

*

– Então você admite que sente alguma coisa por ele? – perguntou, olhando-me curiosa.
– Não, claro que não! – respondi e ficou me encarando com as sobrancelhas levantadas. Conto ou não conto? Ó, dilema. Contar ou não contar, eis a questão! Ok, parei. Ela merece saber. É minha melhor amiga. Suspirei. – Sentir eu sinto, mas admitir não admito, não. Já pensou se isso chega aos ouvidos dele? Ele vai saber o meu ponto fraco e vai me usar para depois jogar fora. Acorde, . O seu irmão não é nenhum santo.
– E você se apaixonou por ele porque gosta dos vilões? – ela me olhou irônica. – Alguma coisa boa ele tem, . E, se você se apaixonou por ele, é porque viu isso – ela sorriu. – O seu coração, ao contrário do meu, é inteligente – ela riu um pouco antes de continuar. – Você nunca se apaixonaria por alguém que não a merecesse.
Suspirei. Será que ela tinha razão?
A porta abriu e entrou sério.
, estou indo à casa do – ele disse sem olhar para mim.
– Ei – chamei.
– O quê? – ele falou, encarando o chão.
– Diga para o que mandei um beijo.
– ‘Ta – ele saiu, ainda sem olhar na minha cara. O que aconteceu? Será que fiz alguma coisa?
– O que será que aconteceu? – acabei falando em voz alta.
– Do que você está falando?
– Seu irmão... Nem olhou na minha cara.
– Mas ele foi super frio comigo também... Deve ter brigado com alguém da banda... Sei lá. Deve estar indo na casa do resolver isso... Vai saber.
– Ainda não me acostumei com o fato de os dois serem da mesma banda – eu ri.
– Com o tempo você se acostuma.

*

“Você nunca se apaixonaria por alguém que não a merecesse.”
“Você nunca se apaixonaria por alguém que não a merecesse.”
“Você nunca se apaixonaria por alguém que não a merecesse.”

Essa maldita frase martelava na minha mente em um ritmo frenético enquanto eu dirigia para a casa do . Ela nunca se apaixonaria por alguém que não a merecesse. E esse alguém sou eu. Certo? Claro que não mereço a . Ela é tão... Incrível. Eu? Sou só um idiota que me apaixonei loucamente pela encantadora melhor amiga da minha irmã. Eu não presto mesmo.
Cheguei à casa de e toquei a campainha. Assim que ele abriu, já fui entrando.
– Ei, o que houve, cara? – ele falou vindo até mim. Sentei-me no sofá e escondi a cabeça nas mãos. O é o melhor amigo dela. Será que não é perigoso contar para ele? Ah, foda-se. Ele é meu melhor amigo também.
se sentou ao meu lado.
– Fale, ! Estou ficando preocupado já, porra.
Respirei fundo e olhei para ele.
– Estou apaixonado pela – ele arregalou os olhos e me encarou em silêncio.
– Ok. Próxima piada, por favor – ele riu e continuei o encarando sério. Ele percebeu. – Caramba. Apaixonado? Você? Conte outra, .
– É verdade, . Também não sei que merda está acontecendo comigo, mas, desde que ela apareceu, pego-me pensando em coisas que eu nunca tinha pensado antes.
– Por exemplo?
– Por exemplo, em levá-la para jantar. Porém não para me dar bem depois. Para conversar, conhecê-la melhor, saber do que ela gosta, do que não gosta. Sei lá... Estou me sentindo estranho nesses dias.
– Nossa... Tem certeza?
– Que eu a amo? Pior é que tenho – suspirei pesadamente. Era desagradável admitir isso em voz alta. Eu imaginava que as paredes conseguiam escutar e que ia aparecer do nada rindo da minha cara. – Mas ela já disse para a que não gosta de mim.
– Disse? – ele me olhou com pena.
– Disse. Eu sei. Sou um lascado mesmo. Primeira vez que me apaixono de verdade e ela não quer me ver nem pintado.
– Eu queria poder lhe dizer alguma coisa legal, mas se ela disse para a ...
– Eu sei. Não precisa falar nada, não. Eu só precisava desabafar. Valeu, cara – levantei-me e fui saindo.
– Ei, vai para onde?
– Adivinhe – ele riu e concordou. Ele definitivamente sabia para onde eu iria.
– Inaugurou um pub aqui perto semana passada. Não fui lá ainda e marquei hoje com uns amigos. Está a fim?
– Claro. Vamos lá. – saímos no carro do e chegamos ao pub em menos de sete minutos. Trinta minutos depois...
Eu estava com um copo na mão e uma mulher ao meu lado, mas sabe qual é o pior? Eu não conseguia parar de pensar na . É verdade. Sinto-me um idiota. O que tem de errado comigo? Eu estava com uma mulher linda, porém pensava em .
– Então... A gente podia ir para a sua casa, né...? – a minha acompanhante, cujo nome honestamente não me lembro, falou em meu ouvido.
– Apartamento – respondi, pensando no dia que tinha ido para lá. Nem me dei ao trabalho de falar que ele estava sendo reformado.
– Tanto faz... A gente podia ir para lá, né? – ela falava, dançando e balançando os longos cabelos loiros no ritmo da música.
– Acho melhor não – afastei-me dela e fui procurar . Ele conversava com uns amigos e com .
– Oi, ! – ela sorriu e a abracei.
– Oi, . Ei, estou indo embora.
– Ué, você não veio com o ? – perguntou.
– Vim, mas vou andando mesmo. Tchau – acenei para ela, que acenou de volta com o celular em mãos.
Saí andando em linha reta sem me importar realmente para onde estava indo. Eu só andava.
O que tinha acabado de acontecer? Dispensei uma garota porque não conseguia parar de pensar na . É isso mesmo? Já está na hora de eu me internar. Não é possível.
Passei na frente de um restaurante. Um casal tinha acabado de entrar lá. Eles estavam de mãos dadas e pareciam bastante felizes. Confesso que senti um pouco de inveja deles. Uma buzina me assustou.
– Ei! – ouvi e olhei na direção do barulho. me olhava, sorrindo, com o vidro do carro aberto. – Quer uma carona?
Fui em direção a ela e entrei no carro.
– Como você...? – comecei, mas ela me interrompeu.
me mandou uma mensagem dizendo que você estava precisando de uma carona.
– Vou matar a ...
– Pensei que você estivesse com o – ela disse, dando partida no carro.
– Eu estava – falei e ela me olhou rapidamente confusa. – Ela é namorada dele. Sabia?
– Ela é a ? A namorada do ? Caramba!
– Você é melhor amiga do e não sabia disso?
– Eu sabia que ele namorava uma menina chamada . Já tinha até falado com ela pelo MSN uma vez, apesar de nunca ter conhecido-a pessoalmente. Porém eu não sabia que era essa – ela riu. – Preparado para amanhã?
– Amanhã?
– Primeiro dia das filmagens?
– Ah, é. Tinha me esquecido completamente – falei, rindo de minha falta de atenção.

*

Chegamos a casa e subiu praticamente correndo. Parecia que ele estava evitando falar comigo por algum motivo. chegou logo depois de nós, saltitando.
– EU ESTOU NAMORANDO O BILLY! – ela gritou.
– JURA? OMG! – gritei também e ficamos pulando juntas. – Como foi? Conte!
No dia seguinte...
Acordei antes de todo mundo e fui para o estúdio, passando antes na Starbucks e comprando dois cafés. Cheguei e Mike já me esperava. Deu um sorriso enorme quando viu os cafés em minhas mãos. Pegou um, tomando um gole, e fomos para a maquiagem.
– Olá – a maquiadora chamada Frida (li o nome no crachá) falou, sorrindo. – Bem-vinda.
– Obrigada – sorri também.
– Podemos começar? – ela apontou para uma cadeira e me sentei.
– Sim!
Em poucas horas eu já estava pronta para gravar. tinha chegado há pouco e estava terminando de arrumar o figurino. Depois de alguns minutos, ele entrou na sala onde estávamos. Estava... Lindo. Uma calça preta social, com uma blusa pólo azul e sapatos pretos. Assim que entrou sorriu e tive que me controlar para não suspirar.
– Todos em posição! – o diretor falou e eu e fomos para o local da cena. – Um, dois, três... Ação!
Encostei minha cabeça ao ombro de e entrelacei as nossas mãos.
– Você sabe que vou ter que ir embora. Não sabe? – falei exatamente como no script.
– Eu sei... Só não entendi o motivo – ... falou. Simplesmente falou. Sua voz estava seca e séria. Não tinha a mesma emoção de quando ensaiamos.
– É complicado... Se eu lhe contar, é possível que você fique em perigo e não quero isso – falei, virando-me de frente para ele, que segurou meu rosto entre as mãos, mas não olhou em meus olhos. Ele fitava o nada.
– Só quero que você... – ele começou.
– ASSIM NÃO DÁ, ! – o diretor gritou, interrompendo a cena (ou a tentativa dela). – CADÊ A EMOÇÃO?! Vocês se amam. Acordem! Entrem no personagem. Vamos do começo novamente... Ação!
Ok. Profissionalismo. Vou me esquecer de toda a palhaçada de esconder o que sinto de e entrar de verdade no personagem, como se eu fosse a própria.
– Você sabe que vou ter que ir embora. Não sabe? – falei, olhando-o com uma cara triste e encostando minha cabeça ao seu ombro.
– Eu sei... Só não entendi o motivo – ele falou, aparentando a mesma voz triste e inclinando de leve a cabeça sobre a minha. Pegou minha mão e a beijou. Isso não estava no roteiro, mas foi fofo.
– É complicado... – suspirei, olhando para o chão e sentindo as lágrimas invadirem os meus olhos. Isso ficou melhor do que eu esperava. – Se eu lhe contar, é possível que você fique em perigo – virei de frente para ele coloquei a mão direita por trás de sua cabeça, olhando-o carinhosamente. – E não quero isso.
Ele segurou o meu rosto e olhou fundo em meus olhos. Tive que me concentrar bastante para permanecer na personagem.
– Só quero que você prometa que nunca vai me esquecer – ele falou baixo, dando ênfase no “nunca”.
– Eu prometo – sorri fraco por entre as lágrimas. aproximou seu rosto do meu, colando as nossas testas.
– Quero que você saiba que, não importa pra onde for, vou encontrá-la – ele disse, ainda olhando em meus olhos.
– Mas... – comecei, mas ele colocou o indicador em meus lábios.
– Sabe por quê? – o rapaz perguntou e balancei a cabeça negativamente de leve. – Porque, desde o dia que nasceu, você já estava destinada a ficar comigo. Sabe por quê? – balancei a cabeça negativamente de novo, rindo baixo. – Porque eu amo você. – ele disse e pareceu incrivelmente sincero. Ele é realmente um ótimo ator, uau. – Antes mesmo de conhecê-la, já a amava mais que a minha própria vida. Está escrito lá em cima... – ele apontou para o céu. – Que você é minha. Então, de um jeito ou de outro, você vai voltar para mim. E nós vamos ter os nossos cinco filhos – ele falou e ri baixo.
– Amo você – falei sincera. Eu não estava interpretando essa parte. – Nunca duvide disso, Joseph. Nunca – juro que quase falei . Juro, mas consertei no último segundo e disse “Joseph”. Minha última fala me acordou. Estou em uma cena. Foco, .
– Só se você me prometer que vai ler essa carta... – ele sussurrou, entregando-me um envelope. Peguei o mesmo e o segurei perto do coração. – Quando estiver no avião. Ou quando estiver triste. Ou quando sentir saudades. Ou quando... – ele suspirou. – Enfim. Você vai ler isso e vai ter a certeza de que eu a amo.
– Prometo – sorri fraco. foi se aproximando até nossos lábios se tocarem. Ele passou a mão na minha cintura e me puxou mais para perto, colando os nossos corpos. Só digo uma coisa: isso definitivamente não é um beijo técnico.
Ok, foco. Já beijei demais. Está na hora da minha fala. Qual é ela mesmo? Ah, lembrei.
Fui me afastando devagar dele, terminando o beijo com um selinho. Os meus olhos se encheram de lágrimas e duas escorreram pelo meu rosto.
– Eu preciso ir – dei mais um selinho nele e saí devagar, sentando-me em uma cadeira que tinha do lado de fora da cena e pegando um papel para secar as lágrimas. sorriu fraco.
– Eu estou bem atrás de você – ele sussurrou, saindo pelo mesmo lugar que eu tinha saído e se sentando na cadeira ao lado da minha.
Todos – diretor, câmera, o pessoal dos bastidores, maquiagem, figurino, o rapaz da limpeza. Todos – aplaudiram de pé assim que o diretor falou “corta”. Confesso: a cena tinha ficado realmente boa.
Sorri, agradecendo a todos com o olhar, e me virei para que também sorria, abraçando-o.
– Parabéns. Você foi incrível – disse sincera. Ele riu.
– Obrigado. Você também – ele me abraçou, levantando-me do chão um pouco. Ele me soltou e, por algum motivo, nós dois ficamos sem jeito, como se tivéssemos feito algo errado. Olhei para o chão e fui para o camarim trocar de roupa para gravar a próxima cena.

Capítulo 21 – Hit the lights. Let the music move you.



Para comemorar o primeiro dia das filmagens, saímos à noite. Fomos a um bar perto de lá. Chamei e . chamou e Billy. Frida (a maquiadora), Jensen (o cabeleireiro), Grace (a figurinista) e mais alguns membros da equipe que me esqueci do nome estavam lá.
– Vou pegar algo para beber – falei, levantando-me. Apesar de ter a impressão de que ninguém tinha escutado, não repeti. Apenas fui até o bar.
O barman sorriu quando me viu. Sentei-me em um dos banquinhos e pedi uma tequila. Enquanto ele preparava, ficava me olhando com uma cara nada inocente.
– Aqui – entregou-me e agradeci, tomando um gole. O barman, que ainda me olhava, escorou-se ao balcão e num sussurro disse:
– O seu namorado não pára de olhar para cá.
– Não sei de quem você está falando, mas está errado – falei, sorrindo. Ele sorriu também, porém teve que ir atender outra pessoa. Quando saiu, aproveitei para dar uma espiada por cima do ombro. Assim que me virei, vi me encarando com uma cara não muito agradável. Quando percebeu que eu o olhava, fingiu prestar atenção na conversa que estava acontecendo na mesa. Voltei meu olhar para frente e o barman estava ali novamente, sorrindo para mim.
– Estou certo ou não? – ele arqueou a sobrancelha, apontando com o queixo para discretamente.
– Sim, ele está olhando para cá – falei, sorrindo e levantei o indicador. – Mas ele não é meu namorado.
– Jura? – ele sorriu e concordei com a cabeça. – Nesse caso, meu nome é Peter. – ele estendeu a mão e a apertei.
– sorri. – E então, faz o que da vida? – eu não queria nada com ele, contudo mesmo assim puxei assunto. Viu como eu sou fofa?
– Estudo Psicologia. E você?
– Sou atriz – ele me olhou surpreso.
– É mesmo? – ele perguntou e ri, concordando.

*
estava no maior papo com o barman engomadinho e parecia estar se divertindo bastante. foi ao banheiro e aproveitei a oportunidade para falar com .
– Você está vendo aquilo? – apontei para a cena.
– Qual o problema? A não é nenhuma criança, .
– Faça alguma coisa – praticamente implorei. Se eu continuasse vendo aquilo, iria ficar maluco.
– Desculpe, mas não dá. Ela já é bem grandinha para saber o que quer da vida. E aposto dez contra um como ela não vai pegar esse cara.
– Como você sabe? – perguntei surpreso e ele riu.
– Conheço a minha melhor amiga. Dá para perceber que ela está conversando com ele só por conversar – ele disse e desisti de tentar convencê-lo. Suspirei frustrado. Era bom que aquela conversa acabasse logo.

*

Fiquei conversando com Peter por alguns minutos, mas a minha música favorita começou a tocar e tive que me despedir dele, indo para a pista de dança. Cheguei lá e encontrei que dançava com Billy. Ela me viu e piscou para mim, sorrindo e voltando a dançar. Fechei os olhos e comecei a dançar também, sentindo a música. Eu amava aquilo. A música entrava pelos meus ouvidos e eu sorria, mexendo-me no ritmo dela. Só me atrevi a abrir os olhos quando a música acabou e me surpreendi quando vi Peter vindo na minha direção.
– Ué, você não deveria estar trabalhando? – perguntei.
– O meu turno já acabou – ele deu de ombros, começando a se mexer no ritmo da música que tinha começado a tocar.
– Mas já? – parecia tão cedo para um barman.
– Comecei a trabalhar meio-dia hoje. De tarde aqui é restaurante – ele explicou, colocando a mão na minha cintura e dançando.
Merda, o que esse cara quer? Pergunta retórica. Sei muito bem o que ele quer. Só pode ser brincadeira.

*

estava com as mãos grudadas no banco e eu podia jurar que ele suava frio. Era até um pouco engraçada a sua cara olhando a dançando com o barman. O cara estava morrendo de ciúmes. Isso era claro. Observei dançar com o cara e percebi que ela estava com os braços livres. Apesar de ele segurá-la pela cintura, enquanto os dois dançavam. Isso não era um bom sinal. Falei que ela não queria nada com ele. Não falei? Falei! Até porque, se ela quisesse, já estaria com os braços ao redor do pescoço dele. E não digo isso porque sou o melhor amigo dela. Digo isso porque é uma coisa óbvia. Só não percebia. Ri dele. Que idiota.
– Posso saber qual é a graça? – me cutucou de leve, sorrindo. Dei um selinho nela e me aproximei de seu ouvido, sussurrando:
– Olhe para a cara do . Ele vai ter um treco de tanto ciúme – falei e ela o observou divertida. Sim, eu tinha contado para sobre o estar apaixonado pela . Mas, poxa, ela é minha namorada e prometeu que não diria nada para ela.
– Olhe isso, me cutucou e olhei para a pista de dança. O tal barman se aproximou de , mas ela delicadamente o afastou. fez menção de se levantar, porém o impedi.
– Você não vai até lá – falei sério e ele concordou.
– Você está certo. Se eu for, vou ter que ter uma desculpa muito boa – ele suspirou e concordei, voltando a observar a garota. O cara continuava tentando agarrá-la, mas o afastava. Teve uma hora que ele a puxou mais para perto, quase a beijando, e ela virou o rosto no mesmo segundo. Nessa hora, a menina olhou para mim e consegui reconhecer em seus olhos um pedido de ajuda. Olhei para e ele já estava com os punhos fechados.
– Eu vou até lá – falei para e que assentiram e me levantei, indo até onde estava. Chegando lá, parei perto deles e fiquei só observando. Teve uma hora que ele segurou o braço dela e ela disse:
– SOLTE! – nessa hora, cheguei mais perto, fazendo os dois notarem minha presença.
– Você é surdo? Largue-a – falei sério e ele me olhou com raiva. se afastou do cara e ficou um pouco atrás de mim, segurando o meu braço.
– Que palhaçada é essa? – o barman perguntou um pouco alterado.
– Eu lhr disse que não queria nada com você. Não disse, Peter?
– Você... – ele começou a falar, mas parou. Olhou para ela com raiva e foi embora quase imediatamente. Virei-me para .
– Você está bem? – ela suspirou, sorrindo.
– Sim. Obrigada. Achei que nunca fosse me livrar desse cara – ela riu, colocando as mãos em meus ombros, fazendo-me balançar no ritmo da música, enquanto ela dançava. Ri e comecei a dançar também.

*

tinha ido lá e, apesar de não ter ouvido a conversa, sei que afastou o idiota do barman, já que o cara foi embora. Finalmente! A não estava mesmo pensando em ficar com aquele cara, né? Ele tinha cara de retardado, um cabelo enorme e espetado, e um estilo ridículo. Não que eu entenda de moda, mas aquele cara era patético.
e dançavam. Ela estava com as mãos apoiadas no ombro dele e os dois balançavam. Às vezes eles paravam de dançar para rir de alguma coisa que eu (obviamente) não sabia qual era. Eles eram bem amigos, né? Pareciam se divertir muito juntos e adoravam se agarrar. Que coisa. A cada minuto eles se abraçavam ou beijavam a bochecha um do outro. Que grude... Eu, hein. Como a não tem ciúmes? Se eu fosse namorado da (quem dera), morreria de ciúmes.
– Como você agüenta? – falei para ela e me olhou confusa. – Esse grude da com o seu namorado.
– Eles são melhores amigos, . Normal – ela riu. – Não se esqueça de que eu e você também somos e, apesar de ter ciúmes, o nunca reclamou – ela olhou para mim divertida. – Você está com ciúmes do ? – gargalhou. – Daquele cara lá eu até entendo, mas do ? – ela parecia estar se divertindo mais do que nunca vendo a minha cara. Pareço um palhaço, por acaso? Que saco. Todo mundo zoa com a minha cara porque eu supostamente sinto ciúmes.
– Não é ciúmes... – comecei a me explicar, mas me encarou. – Ok. Daquele barman era – confessei. Não adiantava mesmo mentir para ela. – Mas do não é ciúmes. É... Inveja – suspirei. – Ele é muito próximo dela... De um jeito que nunca vou ser.
– Você é muito pessimista. Sabia? Como você pode ter tanta certeza de que nunca vai ter nada com ela?
– Ela disse para a minha irmã que não gostava de mim.
– Ela pode ter mentido. Ou você pode ter escutado só uma parte da conversa. Ai, qual é, ?! Você nunca vai saber se não tentar! – ela me olhou, sorrindo. – Por que não fala pra ela como se sente? Ou dá indireta? Sei lá.
– Você sabe de alguma coisa que não sei? – encarei-a. Ela parecia esconder alguma coisa.
– Claro que não! – ela riu, balançando a cabeça. – Só acho que você não vai agüentar muito tempo guardando isso só para si – ela puxou o meu rosto, obrigando-me a olhar em seus olhos. – Você é um cara incrível, . Se ela não gostar de você, é uma tapada – ri com o comentário dela.
– Obrigado, eu acho – encarei-a confuso e ela gargalhou. e voltaram.
– Ei, estou indo. – ela falou.
– Aconteceu alguma coisa? – perguntei, segurando-me para não olhá-la nos olhos, se não era capaz de fazer alguma besteira.
– Minha mãe vai ter que sair e terei que ficar com a minha irmãzinha – ela respondeu.
– Quer uma carona? – ofereci. Que foi? Sou educado, caramba.
– Acho que vou aceitar – ela sorriu, despedindo-se de todos. Fiz o mesmo e a acompanhei até o carro. Entramos e dei a partida.
– Notícias do meu carro? – ela perguntou.
– Caramba, esqueci-me mesmo de avisar – bati na testa. Tinha esquecido completamente. – Desculpe. Fica pronto na segunda.
– Ok – ela sorriu, olhando para frente e ligando o rádio.

Eu, e Mery assistíamos a algum filme da Barbie que passava na TV. Não sei por que estou assistindo isso.
– Vocês querem comer alguma coisa? – perguntou, levantando-se [N/A: perceberam que eu gosto de comer, né? :3].
– Tem bolo? – Mery perguntou. Essa garotinha era bem fofa. Tinha os olhos e a beleza da irmã. Parecia ter uns quatro anos e possuía um cabelo ruivo. era louca por essa menina. Isso era claro só pelo jeito de olhá-la.
– Tem sim, bebê. Quer? – ela perguntou carinhosa e a pequena concordou. – Quer também, ? – ela me perguntou e concordei. saiu e foi até a cozinha. Meredith virou para mim e, sorrindo, disse:
– Acho que ela gosta de você.
Ri, levantando-me e me sentando próximo a ela no sofá.
– Você acha? – perguntei e ela riu.
– Eu acho – respondeu decidida.
– Por quê?
– Sei lá – ela deu de ombros. – Só acho – falou e, nessa hora, voltou com dois pratos de bolo na mão. Ela foi para a cozinha buscar o dela e logo retornou, sentando-se no sofá conosco.
Acordei cedo e me arrumei, descendo para tomar café. Cheguei lá e o fazia.
– Bom dia – falei e ela deu um pulo, virando-se para mim. – Acordou...? – parei no meio da frase, olhando para ela. usava um short curto, junto com uma blusa preta que deixava seu ombro esquerdo à mostra. Juro que um dia enlouqueço com essa garota. Mesmo sem querer, ela consegue ser incrivelmente linda... E perigosamente sexy. Não sei se eu vou suportar um dia inteiro com ela e com esse short. É capaz de eu fazer alguma besteira. Ou não.
Ela riu, despertando-me do transe.
– É, acordei... – ela pareceu confusa com a minha última fala. – Você me dá uma carona hoje?
“Claro. Todas que você quiser”, quase respondi, mas me segurei.
– Claro, dou sim. – sorri, indo pegar uma xícara.
Tomamos café e em menos de dez minutos estávamos prontos. A viagem até casa da mãe de (para deixar Mery) e depois até o estúdio não fora longa, porém mesmo assim bem cansativa. Eu tinha que respirar fundo toda vez que ia mudar a marcha e acabava olhando para as pernas de . Por que esse short tinha que ser tão curto? Diga! Por quê? Faltou dinheiro para o tecido, foi? Querem me ver sofrer. Só pode.
A primeira cena que gravamos aquele dia foi a da livraria, quando Joseph e Melanie se conheciam. Foi até fácil gravar aquela, considerando que o figurino de era uma calça jeans e uma blusa vermelha com um casaco bege.
As próximas cenas seriam apenas da , mas mesmo assim me sentei para assistir. Eram algumas de ação, em que ela corria de um lado para o outro, e outras de mistério. Ela atuava realmente bem.
Depois de ela gravar algumas cenas sozinha, foi a minha vez de gravar com ela novamente. Saí do camarim, já com meu figurino, e a esperei. A cena que gravaríamos seria a que Joseph encontra Melanie um mês depois que ela foi embora e pede que ela explique tudo. Ela entrou com uma roupa que lhe caía muito bem (mais shorts curtos. Respirei fundo) e se posicionou para a cena. Fiz o mesmo, indo para trás da parede onde ficava a porta. E começou.

* Narração em terceira pessoa on * [n/a: não se esqueça que eles estão filmando. Essa cena não se encaixa na fanfic em si. Quis descrever as cenas do “filme”, porém essa foi uma decisão minha. Não confunda ou misture uma história com a outra, por favor.]

A garota entrou no quarto, fechando e trancando a porta, e foi logo tirando os sapatos, atirando-os em algum canto. Tirou o cinto, o colete e a blusa, jogando-os no chão do banheiro. Suspirou e se deitou na cama, apenas de sutiã e shorts. Depois de alguns segundos, alguém bateu na porta. Ela se levantou com cuidado e olhou pelo olho mágico que tinha. Sorriu, abrindo-a imediatamente, puxando o homem para dentro e trancando a porta novamente.
– Joseph! – ela quase gritou, praticamente pulando em cima dele. Ele sorriu e a envolveu com os braços, soltando-a depois de alguns segundos para depositar em seus lábios um selinho demorado.
– Eu disse que a encontraria. Não disse? – ele sorriu, fazendo carinho na bochecha da garota com o polegar. Ela mordeu o lábio inferior, suspirando e olhando para o chão. – O que foi?
– É... Perigoso, Joe – ela suspirou mais uma vez. – Tem certeza?
– Tenho. Seja o que for, vou enfrentar junto com você. Mas quero que você me explique tudo – ele disse e ela o puxou, fazendo-o se sentar na cama. Ela pegou alguns papéis dentro de uma gaveta e se sentou de pernas cruzadas na frente do garoto. Deixou os papéis de lado e começou a falar:
– Vim de uma família muito rica. Os meus pais eram empresários e tinham muito dinheiro. Quando eu tinha mais ou menos seis anos, eles morreram – ela suspirou e ele a encarou, esperando que continuasse. – Ninguém me disse o motivo da morte, porém na época eu era uma criança e não fui atrás de saber. Só ficava chorando pelos cantos. Fui morar com uma amiga da família que me criou a partir daí e, quando cresci, ela me disse que eles tinham sofrido um acidente de avião. Só que me escondeu os detalhes. De alguns meses para cá, recebi umas cartas perguntando sobre um “papel secreto” – ela entregou a ele as cartas e esse passou os olhos por algumas rapidamente. – Aí um tempo atrás fui seqüestrada, mas consegui fugir. Fui de cidade em cidade, num total de sete, para saber mais sobre o que eles queriam e também para fugir dos caras que haviam me seqüestrado.
– E você descobriu? – ele perguntou. Ela foi até o cara e cochichou algo em seu ouvido. O garoto concordou com a cabeça e a abraçou. – Não vou deixar ninguém chegar perto de você. Vamos enfrentar isso juntos – ele a beijou no topo da cabeça e os dois se deitaram abraçados na cama. A garota adormeceu rapidamente. Já ele ficou somente a observando.
– CORTA! – o diretor gritou e os atores saíram, indo cada um para seu respectivo camarim.

* Narração em terceira pessoa off *

Entrei no camarim e praticamente me joguei na cadeira. Eu ia ficar maluco convivendo assim com . Eu a via em todos os lugares (literalmente)!
“Por que você não fala para ela como se sente?”, pensei no que havia dito. “Você nunca vai saber se não tentar!”.
Eu deveria?
Suspirei fundo e me levantei decidido.
Deveria. E é exatamente o que vou fazer.

*

Estava sentada em meu camarim, já com a minha própria roupa, e pensando em . Eu estava cada vez mais apaixonada por ele, apesar de odiar admitir isso. Estava convivendo com o garoto mais do que o meu pobre coração agüenta. Eu o via muitas vezes por dia e era difícil me controlar para não agarrá-lo.
A porta abriu num estrondo e me levantei. entrou e fechou a porta.
– Explique-me, – ele disse e o olhei confusa.
– Explicar o que, ? – eu realmente não tinha idéia do que ele estava falando.
– Por que gosto tanto do seu toque, do seu beijo? Por que gosto tanto de ouvir sua voz, de conversar com você? Por que sempre que estou com alguma outra garota, é o seu rosto que vem à minha mente? Por que sempre que a vejo quero tanto sentir os seus lábios nos meus? Por que, sempre que penso em você, eu sorrio? Por que só de a ver com outro cara me dá um aperto no peito? Por que quero sempre fazê-la sorrir? Por que quero o seu corpo colado no meu? Por que quero você só para mim? – a cada “por que”, uma lágrima rolava pelo meu rosto. Eu não conseguia acreditar no que eu estava ouvindo. – Explique-me. Por quê? Nunca senti isso antes e... Droga, por que você está chorando?
Sacudi a cabeça negativamente e sorri em meio às lágrimas. Ele assentiu e continuou falando:
– Eu amo você. Só precisava que soubesse disso. Sei que não se sente da mesma forma em relação a mim – ele sorriu fraco, virou-se e começou a andar em direção à porta. Engoli o choro, suspirei rapidamente e resumi tudo o que eu queria falar em uma só frase:
– Você não sabe de nada.

Capítulo 22 – I know that my love for you is real.



se virou lentamente para mim, totalmente surpreso. A boca dele se abriu de leve e ele arqueou as sobrancelhas. Deu um passo em minha direção e sorriu.
– Você não pode estar falando sério – o rapaz disse e eu também sorri.
A porta abriu de repente, dando um susto em nós dois. Mike estava com uma cara desesperada e, quando me viu, suspirou aliviado.
– Ainda bem que você ainda está aqui. Venha comigo. Tivemos um problema com o seu figurino e temos que fazer outro, mas a anta da figurinista perdeu as suas medidas – ele veio até mim e me puxou para a saída. Virei-me para .
, eu... – tentei dizer, porém o meu camarim logo sumiu de vista. Mike me arrastava em uma velocidade incrível. Tropecei algumas vezes e por pouco não caí no chão. Para que esse desespero todo? A gente só vai filmar de novo amanhã. Que coisa! Eu preciso falar com o . E agora?

Peguei um táxi para casa e não vi nem sinal do . Assim que entrei em meu quarto, o meu celular tocou.
– Alô?
Oi, pequena!
– sorri.
Quer vir aqui em casa? Os caras estão aqui, e a , a e a também.
– Quem é ? – perguntei confusa. Não me lembrava de ninguém com esse nome.
Namorada do – pensei um pouco. ... Era o único membro do McFly que eu ainda não conhecia.
– Ah, sim.
E então? Você vem?
– Vou sim, mas preciso que alguém me busque aqui. O meu carro ainda não está pronto.
Vou mandar o – ele disse e concordei, despedindo-me de e desligando o telefone, deixando-o no balcão e indo tomar banho.

Coloquei uma blusa que eu amava e uma calça jeans qualquer, junto com minha ankle boot favorita. Depois de alguns minutos, o meu celular alertou mensagem.
“Bu, cheguei”, era tudo o que dizia. Ri. sempre bem direto.
Desci e ele estava realmente lá. Entrei no carro e o cara me deu um beijo na bochecha.
– E aí? Há quanto tempo – ele riu.
– É verdade – concordei. – O que eles estão fazendo lá?
– Karaokê – respondeu e ri alto, tentando imaginar a cena.
Chegamos à casa de em poucos minutos. Entrei e encontrei e uma garota que eu não conhecia (deduzi ser a tal ) cantando alguma música de High School Musical que eu não sabia qual era no karaokê. Os outros estavam atirados no sofá. As duas cantando pareciam se divertir e eu me lembrava vagamente da música, apesar de ainda não saber o nome dela. Escutava muito essa música alguns anos atrás, quando HSM era “moda”. Não conte pra ninguém, mas tenho todos os filmes. Não conte mesmo, porque, se a descobrir que tenho, vai roubar todos de mim. Aquela ali tem até hoje algumas músicas deles no celular. Até acho as músicas legais e elas me trazem uma lembrança boa, apesar de não me recordar de nenhuma.
Todos riam da coreografia maluca que as duas faziam. Até eu. foi se sentar com os outros e fiquei em pé, observando. Ninguém pareceu perceber a minha presença. A música acabou e todos aplaudiram. As duas se sentaram e se levantou.
– Então, gente... Agora vou cantar... – ele olhou para cima, parecendo pensar. Quando o seu olhar voltou para baixo, ele me viu. – ! – correu e me abraçou, girando-me no ar. Pegou a minha mão e me puxou para o mesmo lugar onde as meninas estavam cantando antes. Ele apontou para a garota que eu acreditava ser e para outro cara, que deduzi ser . – , . Essa é a – eles sorriram para mim, acenando, e fiz o mesmo. me entregou o microfone, piscando um olho para mim, e Moves Like Jagger começou.

Estávamos lá fazia algum tempo. e tinham acabado de cantar “I Will Survive” e eu quase não conseguia respirar de tanto rir. Aqueles dois eram malucos. ficava me encarando por longos minutos e eu encarava de volta, mas nenhum de nós se aproximou. Ele estava em uma ponta do sofá e eu, em outra.
Ele, , e se levantaram e cada um pegou um microfone. A música começou e olhava diretamente para mim. Apesar de a música ser animada, ele nem se mexia. Porém insistia em manter os seus olhos cravados nos meus. O que ele queria dizer com isso? Que precisávamos conversar? Ok. Desculpe, , mas disso eu já sabia.
A música deles acabou e decidi que precisava fazer alguma coisa. Levantei-me, pegando um microfone, e escolhi uma música que tinha pelo menos um pouco a ver com o que eu queria dizer para ele. A música começou e respirei fundo, olhando nos olhos de .

I know that my love for you is real.
(Sei que o meu amor por você é verdadeiro.)
It's simple truth
(É a pura verdade)
That we do
(Que fazemos)
Just something natural that I feel.
(Algo natural que sinto)


Quando cantei a primeira frase, me olhou e mordeu o lábio inferior, desviando o olhar para o chão por alguns segundos, contudo logo voltando a me olhar nos olhos.

When you walk in the room,
(Quando você entra no quarto,)
When you're near,
(Quando você está por perto,)
I feel my heart skip a beat,
(Eu sinto o meu coração pular um batimento,)
The whole world disappears
(O mundo inteiro desaparece)
And there's just you and me
(E só há você e eu)
Falling head over heels.
(Loucamente apaixonados.)
Let's take a chance together.
(Vamos aproveitar uma chance juntos.)


Eu nunca tinha cantado na frente de ninguém, todavia incrivelmente não estava nem um pouco nervosa com isso.

I know, I know, I know, I know we're gonna make it,
(Eu sei, eu sei, eu sei, eu sei que vamos conseguir,)
'Cause no one else can make me feel the way that you do.
(Pois mais ninguém me faz sentir como você faz.)
I promise you.
(Eu lhe prometo.)
I know, I know, I know, I know we're gonna get there.
(Eu sei, eu sei, eu sei, eu sei que vamos chegar lá.)
Today, tomorrow, and forever
(Hoje, amanhã, e para sempre)
We will stay true.
(Vamos permanecer verdadeiros.)
I promise you.
(Eu lhe prometo.)

Assim que chegou à metade da música, parei de cantar, afinal já tinha dado o meu recado. Dei o microfone para (que estava doida para cantar, já que ela ama essa música) e fui para o quarto de , fechando a porta e indo na direção da janela.
Por favor, entenda o recado. Por favor, entenda o recado.
Um minuto depois, ouvi o barulho da porta sendo aberta e logo depois fechada, porém não me mexi. Alguém me abraçou pela cintura e reconheci o perfume imediatamente.
– Pensei que você não viria – sussurrei, contendo um sorriso.
– Achei melhor esperá-los se distraírem de novo. Assim que você saiu, ficaram me encarando. Quando passaram a prestar atenção na louca da minha irmã cantando, vim correndo para cá – também sussurrou. – A propósito, a sua voz é linda.
– Obrigada. A sua é incrível. – falei sincera. A voz dele era perfeita.
– Obrigado – ele riu baixo, beijando o meu ombro. me soltou e puxou minha mão, obrigando-me a ficar de frente para ele. Olhou-me nos olhos, hipnotizando-me por alguns segundos. Ele se aproximou até os nossos narizes se tocarem. – Será que você me daria a incrível honra de ser a minha namorada, senhorita ?
– Preciso responder? – perguntei e ele riu baixo, balançando a cabeça negativamente. Colocou a mão nas minhas costas e me puxou ainda mais para perto, até os nossos lábios se tocarem. Aprofundei o beijo rapidamente, envolvendo os braços ao redor de seu pescoço.
Alguém bateu na porta, mas não dei atenção.
– Espero que vocês não estejam fazendo nenhuma besteira aí dentro – falou, não muito alto, mas o suficiente para que nós dois ouvíssemos. Parti o beijo, começando a rir. riu também, dando-me um selinho logo em seguida.
– Vai contar para ele agora? – sussurrou.
– Por mim tanto faz – dei de ombros, beijando-o. Ele entrelaçou as nossas mãos e me conduziu até a porta, abrindo-a. já tinha descido.
Eu e descemos em silêncio e nos sentamos em um canto do sofá. foi a primeira a perceber que estávamos de mãos dadas e se levantou imediatamente.
, posso falar com você? – ela perguntou, apontando para a cozinha. Ele se levantou e a seguiu até lá. Assim que os dois sumiram de vista, e vieram se sentar perto de mim, cada um de um lado.
– Por que você está com essa cara? Parece que viu passarinho verde – falou.
– Estamos namorando – falei direta e os dois arregalaram os olhos. sorriu e me abraçou. – O que será que eles estão conversando? – perguntei distraída, olhando para a cozinha.
– Não sei... – deu de ombros.
Depois de alguns minutos, os dois saíram de lá rindo. e se levantaram e foram se sentar perto de . se sentou ao meu lado e foi até a porta.
Ela se aproximou do meu ouvido e sussurrou:
– Sabe o conselho? – perguntou e me lembrei de quando ela disse para eu tomar cuidado com . – Esqueça. Ele a ama – ela saiu, levantando-se, e fiz o mesmo, indo até o meu namorado.
– Vamos? – ele perguntou, sorrindo. Concordei e fomos nos despedir de todos.

Chegamos a casa e subimos até o meu quarto. Assim que fechei a porta, me beijou, puxando-me mais para perto. Envolvi os meus braços ao redor de seu pescoço e ele me segurou pela cintura, levantando-me um pouco. Levei as minhas mãos até os seus ombros e comecei a tirar o casaco que ele usava. O rapaz beijou o meu pescoço e fomos interrompidos pelo barulho do meu celular.
– Incrível como tem que ter alguém para atrapalhar – ele suspirou, rindo. Tirei o celular do bolso e conferi o visor. Minha mãe.
– Alô? – atendi e começou a beijar o meu pescoço novamente. Tive que controlar o impulso de desligar o celular.
Oi, filha.
– Oi, mãe. Aconteceu alguma coisa?
Sim. A sua irmã... – ela começou e a interrompi, empurrando de leve.
– A Mery? O que houve? Ela está bem?
Está mais ou menos...
– Mãe, pelo amor de Deus, vá direto ao ponto.
Tudo bem – ela riu. – A sua irmã passou mal. Ela deve ter comido algo estragado. Enfim, está aqui no hospital tomando soro, mas não é nada sério. Recebi uma ligação urgente da empresa... – sim, minha mãe mal voltou das “férias” e já está trabalhando de novo. – E vou ter que dar um pulo lá, porém não posso deixar a sua irmã sozinha.
– Estou indo – falei, desligando o telefone, e me olhou preocupado.
– Aconteceu alguma coisa com a Meredith?
– Ela passou mal e está tomando soro no hospital. A minha mãe vai ter que sair e a pequena não pode ficar sozinha – expliquei.
– Ok. Vamos? – ele abriu a porta do quarto, mas fiquei parada, olhando-o surpresa. – O que foi? – ele riu.
– Você quer ir comigo? Alguém me liga e nos atrapalha, tenho que sair e você quer ir comigo? – eu ainda não conseguia acreditar naquilo.
– Lógico! – ele arqueou as sobrancelhas. – Não foi alguém que ligou. Foi a sua mãe, dizendo que sua irmã precisa de você. Sei o quanto você se importa com ela – ele disse, dando de ombros e vindo até mim. – , você não achou mesmo que eu ia dar um chilique por causa disso e deixá-la ir sozinha, né?
– Eu só... – ele me interrompeu com um beijo. Sorri, partindo-o. – Você não existe.
Ele riu e me deu um selinho demorado, entrelaçando nossas mãos e indo até a porta.

Chegamos ao hospital e minha mãe nos esperava na recepção. Ela arregalou os olhos quando percebeu que eu estava acompanhada.
– Mãe, esse é o , meu namorado – ela sorriu e o abraçou. – Cadê a Mery? – perguntei e minha mãe fez sinal para que a seguíssemos.
Entramos no quarto e Meredith dormia. A minha mãe se despediu de nós e saiu, avisando que voltaria em algumas horas. Eu e nos sentamos no sofá. Apoiei minha cabeça no ombro dele, que suspirou.
– O que foi? – inclinei a cabeça um pouco para cima para conseguir olhá-lo.
– Não foi assim que imaginei conhecer a sua mãe – ele respondeu e ri baixo para não acordar Mery.
– Acho que ela gostou de você.
– Todos gostam de mim – falou convencido e dei língua para ele que riu, dando-me um beijo na bochecha.
? – ouvi a voz fraca de Mery e me levantei, indo até ela. – Cadê a mamãe?
– Ela deu uma saidinha, mas já volta – sorri, dando um beijo em sua testa. Ela sorriu também, percebendo a presença de .
– Oi, .
– Oi – ele riu, vindo até o meu lado e sorrindo para ela de um jeito engraçado. – Como você está?
– Melhor. Só que essa coisa no meu braço está incomodando – ela apontou para agulha do soro, fazendo careta.
– Você vai precisar ficar com isso mais um pouquinho para ficar totalmente boa – falei carinhosamente.
– Mas eu já estou boa – ela falou manhosa e sorri.
– É só mais um pouquinho, bebê – ela fez bico e dei um beijo em sua bochecha. Escorou a cabeça para o lado e logo adormeceu.

Depois de uma hora, a enfermeira veio e “liberou” a minha irmã. Como minha mãe ainda não tinha voltado, levei-a para a minha casa. Quando chegamos, ela dormia, então a carregou até o meu quarto e a coloco na minha cama (confesso: achei bem fofo). Fomos até a sala e liguei a TV em um programa qualquer. me puxou e me sentei em seu colo, rindo.
– Ei, o que a queria lá na casa do ? – perguntei como quem não quer nada.
– Ela só queria saber qual eram as minhas intenções com você – ele respondeu e ri.
– Não acredito que ela fez isso.
– Nem eu – ele riu, beijando-me.

Três dias depois...

Três dias já tinham se passado e, durante eles, as filmagens do filme estavam a todo vapor. Ainda bem que hoje é domingo e não tenho que ir ao estúdio. É aí que você pergunta: e o ? O é o namorado mais lindo e dedicado do mundo. Ele parece adivinhar o que estou pensando às vezes e sempre me surpreende. E a ? A estava super nervosa, pois eu e ela viajaríamos em alguns dias para ir atrás da mãe biológica dela. Consegui uma folga nas filmagens de apenas quatro dias, porém achou mais que suficiente.
Abri os olhos com dificuldade, afinal a luz estava na minha cara. Olhei para o lado e dormia de bruços, com os cabelos bagunçados e a boca um pouco aberta. Incrível como até dormindo ele é perfeito. O lençol o cobria até a cintura. Levei a minha mão direita até suas costas descobertas e fiquei fazendo desenhos imaginários com o indicador. piscou algumas vezes até finalmente abrir aqueles olhos que tanto amo.
– Bom dia – ele falou com a voz ainda rouca.
– Boa tarde, né? – ri, apontando para o relógio. Já eram duas horas da tarde. Ele olhou para onde eu estava apontando e bufou, enterrando a cara no travesseiro. Depois de alguns segundos se levantou, indo até o banheiro. Fui até o meu quarto, pegando uma roupa e entrando no meu próprio banheiro. Sim, eu tinha dormido no quarto de . O motivo não me dou ao trabalho de explicar. Use a imaginação.
Desci e ainda estava no banho. Não entendo essa mania dele de tomar banho quando acorda. Se eu tomasse banho quando acordo, era capaz de dormir em pé debaixo do chuveiro. Fui até a Starbucks e comprei dois cafés. Voltei para casa e fiz alguns cookies, já que não queria panquecas (panqueca todo dia não rola, né?).
desceu depois de alguns minutos e foi até a cozinha, sem camisa e com o cabelo molhado. Fui até ele e o abracei. Ele me girou no ar e me beijou.
– Agora sim. Bom dia – ele disse e ri. – Seu carro fica pronto amanhã. Não se esqueça.
A campainha tocou e fui atender. se sentou no balcão e pegou um cookie. Abri e estava parada lá chorando.
– A... ... Está aí? – ela perguntou, soluçando.
– Dormindo... O que aconteceu? – perguntei, fazendo carinho em seu ombro. Ela tremia. – Pode confiar em mim.
– Seu... Quarto? – ela soluçou novamente.
– Segunda porta à direita. Vá lá. Já vou – falei e ela assentiu, subindo quase correndo. Fui até a cozinha e roubei metade do cookie de , devorando tudo em uma mordida. Ele me olhou assustado e ignorei, indo até o armário e pegando um copo, seguindo logo em direção a geladeira e colocando água nele. Engoli o cookie e fui até o meu namorado.
– Ligue para o – falei direta. Ele me olhou confuso. – chegou aqui chorando. Vou lá conversar com ela e tenho quase certeza de que tem a ver com o .
– Ok. Vou ligar – ele assentiu e fui saindo.
– Ei! – chamei, parando no meio do caminho e me virando pra ele. – Não conte que ela está aqui. Só pergunte se tem alguma coisa errada. Sei lá.
– Acho que vou lá... – ele parou para pensar. – Pessoalmente é mais difícil de ele mentir para mim – ele concluiu e me olhou. Assenti. Ele se levantou e foi até a sala, pegando uma blusa que tinha jogada no sofá e a vestindo. Pegou a chave do carro, veio me dar um beijo e saiu.
Subi e ainda chorava, sentada na minha cama. Sentei-me ao seu lado e entreguei a água. Ela tomou tudo de uma vez e respirou fundo, enxugando o rosto.
– Terminei com o – ela falou de uma vez e me sentei no chão, de frente para ela, e segurei as suas mãos.
– Quer dividir? – ela pareceu hesitar, olhando para a janela. – Sou melhor amiga da . Pode confiar em mim.
Ela pareceu se convencer com o meu argumento.
– Tem razão. não seria sua amiga se você não fosse confiável – ela sorriu de lado, parecendo falar com si mesma. Ela suspirou mais uma vez, apertando minhas mãos. – Ele me traiu.
– Quando?
– Ontem. Cheguei a uma festa e ele estava dançando com uma garota.
– Poderia ser uma dança inocente... – falei, tentando fazê-la pensar melhor. Sinceramente, não acreditava que seria capaz de traí-la.
– Inocente? Ela se esfregava nele e ele a olhava como se ela fosse comestível. Foi horrível! – duas lágrimas escorreram pelo rosto dela e não soube o que dizer.
– O que ele disse quando você...? – comecei, porém ela entendeu antes mesmo de eu terminar.
– Disse que estava bêbado. Mas, porra, isso não é desculpa! Não é! – ela começou a chorar e me levantei, sentando-me ao seu lado e a abraçando. Ela chorou por longos minutos e eu afagava o seu cabelo.
entrou e olhou para mim que ainda abraçava . Gesticulei, fazendo-a entender o que tinha acontecido e ela se sentou do outro lado, esperando perceber a sua presença. Quando percebeu, deu um abraço rápido nela e se levantou num pulo.
– Sem deprê por hoje, hein! Vamos para a piscina! – ela fez uma dancinha idiota. – Ah, terminei com o Billy. Acho importante ressaltar – ela deu de ombros e foi para o quarto colocar um biquíni.
me olhou assustada.
– Ela não... Liga?
– A é assim. Não se surpreenda – eu ri.
– Não sei como ela consegue.
– Quando ela se apaixonar de verdade, vai mudar. Confie em mim – falei, levantando-me e indo até o armário. – Sorte sua. Comprei um biquíni novo ontem que acho que dá certinho em você.
– Mas e você?
– Não comprei só um. Relaxe – ri, jogando um biquíni para ela que pegou e foi ao banheiro se trocar. Saiu rapidamente. – Ficou ótimo! – sorri. Tinha servido direitinho. Peguei um e fui me trocar também.
Chegamos lá em baixo e estava deitada, tomando sol. Eu e nos deitamos ao lado dela.
Depois de alguns minutos, vi três vultos pularem na piscina, molhando nós três. Assim que as cabecinhas saíram da água, reconheci , e , que sorriam divertidos. Uma gargalhada veio de trás de nós. Olhei para trás e vi que também tinha se molhado um pouco. Ela e se olharam e correndo pularam na piscina. Olhei para , arqueando as sobrancelhas, e ela sorriu maléfica, levantando-se. Levantei-me também e ficamos nos olhando, sorrindo como duas maníacas. Existiam duas opções: ou eu a jogava na piscina, ou ela me jogava.
Como sou lerda, conseguiu me empurrar na piscina. Porém, como sou legal, peguei o braço dela no último segundo e a puxei comigo. Foi uma cena muito engraçada. Todos os outros gargalhavam. Inclusive nós duas.

Milagrosamente, naquela manhã acordei cedo e meu namorado também. Decidimos ir tomar um café na Starbucks, já que nós dois estávamos com preguiça de fazer alguma coisa. Fomos andando de mãos dadas até lá e fizemos nossos pedidos no balcão, indo nos sentar em uma mesa, um de frente para o outro.
– Como o está? – falei, lembrando-me do dia anterior. – Coitada da . Ele foi um idiota.
– Foi – concordou, entrelaçando as nossas mãos por cima da mesa. – Mas ele está arrependido... Nunca o vi assim. Sério. O está super deprimido, vendo filme de mulherzinha e sem querer sair de casa. Acho que ele a ama mesmo.
– É, mas mesmo assim... O cara pisou na bola feio. O que ele pretende fazer?
– Fora chorar? – ele riu e assenti. – Não sei. Acho que vai tentar provar que está arrependido – deu de ombros.
– É, mas não importa o que ele faça, ela vai ficar sempre com essa “lembrança” – fiz aspas no ar. – E, mesmo que o perdoe, ela não vai esquecer.
– É verdade – ele sorriu e nessa hora a garçonete chegou com nossos pedidos. Olhou interessada para . – Obrigado – ele agradeceu e ela saiu, olhando-me feio. Sei que meu namorado é lindo, mas precisa secá-lo desse jeito? Credo. – O que foi? – perguntou divertido.
– Viu isso? – apontei para o lugar por onde a garçonete tinha saído e ele pareceu não entender. – Ela o olhou como se você fosse comestível – repeti a frase usada por e riu.
– Nem reparei... – ele me olhou nos olhos e não pude evitar um sorriso. – Até parece que eu ia olhar para a garçonete tendo você na minha frente, né, ?
– Jura? Sou tão interessante assim? – sorri, fazendo pose de convencida.
– Você não tem idéia do quanto – ele respondeu, bebericando seu café. Fiz o mesmo.
Assim que terminamos, foi lá pagar. Quando ele saiu do caixa, a tal garçonete foi puxar papo com ele, toda sorridente e com papel e caneta na mão. Ela vai pedir autógrafo. É isso mesmo? Tirou do bolso uma câmera e pareceu pedir uma foto. assinou o papel e se aproximou dela. A criatura fez biquinho e se aproximou bastante dele, abraçando-o (lê-se quase subindo em cima). parecia sem jeito, mas não fez nada para impedir. Não preciso ficar vendo isso.
Dei meia volta e voltei para casa andando, ou melhor, correndo. Só não fui mais rápido porque, enfim, eu não era a pessoa mais desconhecida do universo. Algumas pessoas já tinham me visto na TV ou sei lá. Entrei batendo a porta e chegou logo em seguida.
– Por que você saiu desse jeito? – ele perguntou e me virei para ele com um sorriso debochado no rosto.
– Não quis atrapalhar o seu momento com a garçonetezinha – abusei da ironia e ele me olhou pasmo.
– Ela era uma fã. Só queria um autógrafo e uma foto! – ele abriu os braços, como se o que ele acabara de dizer fosse a coisa mais óbvia do universo.
– Bela foto essa... Ela quase subiu em cima de você, ! Fale sério! E você não fez nada para impedir!
– E o que eu poderia ter feito? Ela era uma fã, caramba!
– Ah, é? – eu estava começando a me irritar. – E o fato de ser fã dá a ela o direito de fazer com você o que quiser? Se alguma maluca aparecer e o beijar, você vai corresponder por acaso? – falei, controlando-me para não aumentar o tom de voz.
– CLARO QUE NÃO! Pirou? Se passasse dos limites, eu ia dar um chega para lá nela, ! Qual é?!
– Ah, e para você era bem normal ela quase pendurada no seu pescoço, né?
– Não! Claro que não! Só fiquei sem jeito de empurrá-la para longe. Sei lá! Não acredito que você está com ciúmes.
– Não é ciúme, . É bom senso! Eu sou sua namorada e exijo respeito! Não vou aturar as suas fãs o agarrando! Um abraço eu até entendo, mas ela estava quase... – colocou o indicador em meus lábios e fiquei quieta.
– Você está certa. Desculpe-me. Só fiquei meio sem jeito. É a primeira vez que sou “atacado” desse jeito. Não vai se repetir – ele suspirou, olhando-me nos olhos, e de alguma forma eu soube que ele falava a verdade. Sorri fraco, suspirando, e o abracei.
– Tudo bem – suspirei e ele depositou em meus lábios um selinho demorado.
– No dia que alguma outra garota significar para mim tanto quanto você significa, troco de nome – ele sorriu e fiz o mesmo, olhando-o divertida.
– Já pensou em como vai se chamar? – brinquei, arqueando as sobrancelhas.
– Acho que nunca vou precisar me preocupar com isso – ele riu baixo, beijando-me.
– PAREM DE AGARRAÇÃO E VÃO TRABALHAR, BANDO DE INÚTEIS! – gritou, pulando do terceiro degrau da escada e indo até a cozinha. Ri e olhei para o relógio. Opa!
– Estamos atrasados, ! – falei, indo correndo para pegar a chave do carro dele e a atirando em sua direção. Ele riu e abriu a porta para mim (tanto a da casa quanto a do carro. O meu namorado é um gentleman. Pode falar).
– Quando sairmos do estúdio, tem que ir pegar o seu carro na oficina. Não se esqueça – ele falou, entrando no carro.

Já tínhamos filmado duas cenas e eu estava ficando cansada. Filmaríamos a última do dia e eu finalmente poderia ir embora (aleluia!). estava sentado na cama (no cenário, claro) e eu estava terminando a maquiagem. Terminei e fui andando até onde meu namorado estava para começarmos a cena. Ouvi um barulho estranho e olhou para cima, arregalando os olhos. Olhei também e vi uma das lâmpadas do cenário caindo em minha direção.
! – gritou e tudo ficou escuro.

Acordei com uma dor de cabeça insuportável e senti alguma coisa no meu nariz. Levei a mão até lá e percebi que eram tubos. Tentei tirá-los de lá, mas uma mão me impediu.
– Não – ouvi uma voz estranha, abri os olhos e vi um homem de cabelos e jaleco brancos. Um médico? Olhei em volta e vi uma sala que mais parecia um hospital.
– Onde eu...? – comecei, mas fui interrompida.
– No hospital. Você levou uma pancada da cabeça. Consegue se lembrar de algo? – ele perguntou com uma voz suave que me deu até sono. Busquei na memória, mas não consegui lembrar o que tinha acontecido nem de pancada alguma. Balancei a cabeça negativamente. – É normal. Com o tempo sua memória irá voltar – ele falou como se fosse a coisa mais normal do mundo. Como assim memória voltar? Eu perdi a memória? Quê?
– Perdi a memória? – comecei a me desesperar, tentando me levantar, mas novamente ele me impediu.
– Não! – ele exclamou como se tivesse falado algo que não devia – Você só não se lembra de alguns detalhes, porém isso com o tempo irá voltar ao normal – relaxei, deitando-me de novo. Por alguns segundos, tive medo de esquecer alguém. , , Mery, , , , , mãe, Fred, Jolie, Mike… É, não me esqueci de ninguém. Adoraria ter esquecido Adam, mas infelizmente não tenho tanta sorte.
Ouvi a porta abrir e um homem de cabelos castanhos, que parecia ter a minha idade ou um pouquinho mais, entrou e, quando me viu, sorriu. Fiquei um pouco perdida naqueles olhos tão profundos e por alguns segundos senti que o conhecia. Franzi a testa, tentando me lembrar dele, mas nada me veio à mente. Quem será que ele é? É bem bonito, tenho que confessar, mas não me recordo dele. O que ele está fazendo no meu quarto?
O médico o chamou num canto e sussurrou algo que não consegui compreender. O lindo sorriso do homem desconhecido deu lugar a uma expressão triste e séria. Ele me encarou profundamente e vi os seus olhos brilharem enquanto ele mordia seu lábio inferior com bastante força. Ele ia chorar? Mas por quê?
O estranho balançou a cabeça negativamente várias e várias vezes e saiu do quarto quase correndo, porém antes de sair deu meia volta e parou ao meu lado com os olhos marejados. Eu queria muito saber o motivo de ele estar assim, contudo não posso simplesmente chegar e perguntar! Preciso saber o nome dele primeiro. Isso.
– Quem é você? – sorri, o mais simpática possível, e o homem deixou escapar uma lágrima que escorreu demoradamente em sua bochecha direita. Ele encarou o chão e, com a voz rouca e os olhos já totalmente vermelhos, me respondeu.
– Sou ... . – mais uma lágrima escorreu e ele saiu do quarto, batendo a porta com força.

Capítulo 23 – Tell me, baby. Do you recognize me?



* Narração em terceira pessoa on *

ficou encarando a porta por algum tempo, franzindo a testa. Ela queria saber o que tinha acontecido com o tal para poder ajudar. Não gostava de ver pessoas chorando. Por ela, iria atrás dele se não estivesse presa naquela cama com o médico em seu encalço.
– O que houve com o tal ? – ela perguntou, agora mais preocupada do que curiosa. Não sabia por que, mas se preocupava com as pessoas tristes. Lembrou-se de uma vez na escola, em que viu um de seus professores chorando e só sossegou quando conseguiu arrancar um sorriso do rosto dele e acalmá-lo um pouco. Desejava poder fazer o mesmo com aquele estranho homem. – Ele parece bem triste.
O médico encarou a porta, sem saber o que dizer. Ele não podia simplesmente dizer para a garota que ela tinha se esquecido do próprio namorado! Ficar tentando obrigá-la a se lembrar de fatos e pessoas só a confunde mais e não ajuda em sua recuperação. A pancada foi grande. O local de onde a lâmpada caiu era bastante alto e acertou em cheio a cabeça da garota. O que ele poderia inventar? Mentir não era correto, porém, o único jeito.
– Não sei. Ele disse que precisava falar comigo... – olhou para a porta, desejando poder sair correndo dali. – Daqui a pouco volto para trocar o seu curativo. Combinado?
– Combinado – ela fez joinha, rindo e o médico saiu, indo visitar o próximo paciente.
No outro lado do hospital, andava sem rumo, querendo sumir do mapa. Por que não se lembrou dele? Ele não era importante o suficiente?
Depois de passar a noite inteira no hospital, quando a viu lá, achou que tudo ficaria bem e voltaria ao normal. Contudo ele estava enganado. O médico falou que ela poderia se esquecer de alguns fatos ou pessoas, mas não achou que ela fosse se esquecer justo ele! Aquilo parecia uma historinha de filme. O garoto não conseguia acreditar que fosse mesmo possível ela perder a memória. Mas a naturalidade dela perguntando quem ele era o assustou. Será que a menina tinha mesmo se esquecido dele? “EU SOU O SEU NAMORADO! LEMBRA?!”, ele queria ter gritado, mas o médico falou que forçá-la a se lembrar afetaria o tratamento. Disse que ela se lembraria naturalmente. Só que não sabia quanto tempo aquilo iria demorar. Poderia levar dias, semanas, MESES até que ela se lembrasse dele. Será que ele suportaria tanto tempo? Será que suportaria ficar sem ela até a sua memória voltar?
entrou na cantina do hospital e se sentou em uma das mesas perto da janela. Olhou para fora, refletindo sobre o quanto aquela garota significava para ele. Sentia que poderia destruir o mundo inteiro por ela, que faria tudo para vê-la sorrir. Era inexplicável o quanto a garota tinha se tornado importante em tão pouco tempo. Era tão inexplicável que nem sequer se lembrava de como era a sua vida antes de aparecer e virar o seu mundo de cabeça para baixo. Ele escondeu a cabeça nas mãos, sentindo as lágrimas encherem os seus olhos. Alguém o cutucou e ele suspirou antes de olhar quem era.
encarava o seu melhor amigo com a preocupação estampada em seus olhos. Ela não sabia o motivo de estar assim, mas não devia ser por causa de . Afinal, ela tinha acabado de vir de lá e a amiga estava perfeitamente bem e recuperada. suspirou e se sentou ao lado de , pegando a sua mão direita e percebendo os seus olhos vermelhos.
– O que aconteceu?
– Ela não se lembrou de mim – ele murmurou, porém mesmo assim ela entendeu. Lembrava-se de o médico ter mencionado algo sobre falta de memória. Só que na hora não deu importância, já que tinha se lembrado dela. Como assim ela não lembrava quem era? Isso era possível?
Franziu a testa, sem saber o que dizer. O que se diz num caso desses?
– Tenho certeza de que ela vai lembrar logo – apesar de ela não ter absoluta certeza, tinha fé de que o que dizia era verdade. não podia passar muito tempo sem se lembrar. Só alguns dias, certo? Certo? não sabia, mas queria mais do que qualquer coisa que ela se recordasse o mais rápido possível. Não suportava ver o amigo naquele estado.
suspirou e tentou sorrir, mas tudo o que conseguiu foi uma careta. o abraçou e sentiu o seu ombro ficando molhado. Afagou os cabelos do amigo e deixou que ele chorasse o tempo que fosse necessário.

entrou no quarto e sorriu assim que a viu, abrindo os braços. correu até ela e a abraçou.
– Quer me matar do coração? Fiquei preocupada com você, maluca – ela segurava as lágrimas enquanto ria. estava feliz por a amiga estar bem. Tinha ficado realmente preocupada.
– Estou viva. Ok? – ela disse e as duas riram. Somente um dia tinha se passado, contudo mesmo assim qualquer minuto sem notícias é uma eternidade.
– Graças ao , né?! Se ele não a trouxesse tão rápido para o hospital, você poderia ter ficado com alguma seqüela – sorriu e a olhou curiosa. Seria o mesmo que estava no quarto dela triste? Ela não se lembrava do que tinha acontecido para ela ir parar no hospital, mas parecia que o tal tinha salvado a sua vida. Precisava se lembrar de agradecê-lo depois.
... – tentou se lembrar do sobrenome. – ? Um cara de cabelos castanhos e olhos , que veio aqui no meu quarto bem triste? – a olhou com a boca escancarada e totalmente surpresa. Ela não se lembrava de quem era? Como assim? Isso era possível? Sabia que ela não se lembrava do que tinha acontecido, porém não achou que ela poderia se esquecer de alguém. Ainda mais o próprio namorado!
Não soube o que responder e saiu correndo do quarto atrás de seu irmão. ficou confusa, mas achou que tinha esquecido algo sabe-se lá onde e foi buscar. Ela voltaria logo, pensou.
A garota chegou ao refeitório e encontrou o irmão fitando o nada, com olheiras horríveis e uma cara péssima. Depois de alguns segundos, se sentou ao lado dele e lhe entregou uma água. tomou um pouco e colocou a garrafa na mesa novamente. Ele não estava com cabeça para comer ou beber nada agora. Só queria acordar e descobrir que tudo aquilo era só um pesadelo terrível.
foi a passos firmes até ele e o abraçou por trás com todo o carinho do mundo. Ela não tinha idéia do que ele poderia estar sentindo naquele momento, mas odiava vê-lo assim.
– Ela vai lembrar logo. Tenho certeza – ela sussurrou.
– Ninguém tem certeza de nada, mas mesmo assim obrigado – ele sussurrou também e ela o abraçou ainda mais forte. Ficaram os três em silêncio por alguns minutos até que o médico apareceu para dizer que no dia seguinte pela manhã receberia alta. pediu para conversar com ele e os dois foram até uma sala de consultórios que estava vaga. Ela se sentou de frente para ele que esperou que a menina falasse.
– Seguinte... – começou, com medo de que a resposta do médico fosse negativa. – Depois de amanhã eu e estávamos planejando ir atrás de minha mãe biológica – ele a olhou desconfiado. – Porém é só uma hora e meia de viagem! É pertinho daqui!
– Essa viagem... Seria de avião?
– S-sim – ela começou a ficar com medo. E se ele dissesse que ela não poderia ir? não teria coragem de ir se não tivesse a melhor amiga ao seu lado.
– Não acredito que haja um grande problema, porém ela terá que tomar um comprimido trinta minutos antes de embarcar. A pancada foi forte devido a ter sido na cabeça, mas o corte não foi muito fundo. Se amanhã quando ela estiver em casa se queixar de muita dor de cabeça, deverá retornar ao hospital e não poderá embarcar. Caso contrário, é só tomar o comprimido e ela poderá ir sim.
sorriu satisfeita e pegou o papel com o nome do comprimido que o médico tinha lhe dado.
– Obrigada – levantou-se e saiu da sala.

* Narração em terceira pessoa off *

Acordei um pouco tonta, mas a dor de cabeça tinha passado. Olhei em volta e reconheci o mesmo quarto do dia anterior. Eu ainda estava no hospital. Que maravilha.
Um médico entrou e anotou algumas coisas em uma prancheta que segurava.
– Bom dia, senhorita . Preparada para ir embora daqui?
– Sim, por favor! – respondi, sorrindo. Queria ir embora logo daquele lugar para arrumar as minhas malas para ir viajar com . Estava curiosa para conhecer a mãe dela.

Cheguei a casa e encontrei a minha mãe e Mery no sofá. A pequena veio correndo para o meu colo e a rodei no ar.
– Como você está, ? Mamãe disse que você ficou dodói.
– Já estou bem, bebê – dei um beijo em sua bochecha e me sentei ao lado de minha mãe com Meredith no meu colo.
– Está bem mesmo, filha? Tem certeza?
– Tenho, mãe – sorri e ela levantou.
– Vou fazer uma sopa pra você. Quer me ajudar, Mery? – a pequena se levantou, pulando animada, e foi correndo até a cozinha.
– Não precisa, mãe – eu ri.
– Faço questão. Agora vá tomar um banho, vá – ela foi para a cozinha. continuava parada na porta, esfregando as mãos. Ela queria dizer alguma coisa.
– Fale – disse séria e ela veio até mim.
– Não sei como lhe dizer isso, mas... – parou, encarando o chão. Cruzei os braços.
– Desembuche, – falei séria e um estalo me acordou. ... ... ?
– Meu irmão está morando aqui enquanto o apartamento dele não fica pronto.
– O seu irmão é o ? – perguntei direta. Ela me encarou confusa. – Um cara foi até meu quarto no hospital e me disse que se chamava .
– Ele mesmo – ela riu sem graça, porém não perguntei o motivo. Subi e antes de chegar ao meu quarto dei uma passada no quarto de hóspedes. Um homem estava deitado de costas na cama. A silhueta parecia a do tal . Será que ele está dormindo? Queria saber o motivo de ele estar triste.
? – perguntei baixo. Ele se levantou num pulo e se sentou na cama, olhando-me. Decidi deixar a conversa mais descontraída. – Por que não me falou que era o irmão da ? – sorri e ele pareceu desapontado.
– Eu... Esqueci.
Fui até onde ele estava e me sentei ao seu lado. Toquei o seu ombro e ele estremeceu.
– Por que você estava tão triste ontem no hospital?
– Não quero falar sobre isso – falou num sussurro. Deve ser algo sério. Melhor esperar ele estar pronto para falar, né? Chega de ser inconveniente. Já estou ficando encabulada.
– Tudo bem – sorri fraco e saí do quarto, fechando a porta. Fui até meu próprio quarto, tirando os sapatos e os atirando em algum canto. Entrei no banheiro e fui tomar banho.
Desci e senti cheiro de sopa. Mery assistia a alguma coisa na sala. Fui até a cozinha e encontrei minha mãe e conversando. As duas pareciam preocupadas.
– Aconteceu alguma coisa? – elas se entreolharam e pareceram um pouco nervosas.
– Não... Nada – riu nervosa e foi pegar os pratos. Queria perguntar o que estava acontecendo. Odiava sentir que estavam me escondendo alguma coisa. Contudo, justo na hora que abri a boca, Meredith apareceu, dizendo estar com fome.
Sentamo-nos à mesa e comemos em silêncio. Eu estava com tanta fome que terminei rapidinho de comer. Ouvi suspirar e olhar para a escada. Ela só tinha comido metade do que tinha em seu prato.
– O que foi, ? – perguntei preocupada. Ela suspirou novamente.
– Faz dois dias que o não come nada. Estou preocupada. Acho que vou levar alguma coisa para ele – ela fez menção a se levantar, todavia a impedi.
– Não, senhora. Deixe que eu levo. Você vai comer tudinho que tem aí no seu prato. Até que isso aconteça, não ouse se levantar dessa mesa! – apontei para ela autoritária e me levantei, indo pegar um prato. Coloquei sopa e um pedaço de pão e subi, abrindo a porta com cuidado. Ele nem tinha se mexido desde a última vez que fui lá. Continuava sentado e fitando o nada. Larguei o prato na mesinha de cabeceira e me sentei ao seu lado. Ele não me olhou. Só suspirou.
Esses suspiros já estavam me irritando.
– Você não vai comer nada?
– Estou sem fome – respondeu seco. Levantei-me irritada.
– Pare de agir feito criança. Que saco! Já percebi que todo mundo está escondendo alguma coisa de mim. Se não quiserem me contar, não contem. Já não basta a não querer comer e você também está nessa greve de fome ridícula? – respirei fundo, mais calma. Esperei alguma reação de , porém ele só riu. Ele... Riu? – Do que você está rindo?
– Você... – ele pareceu pensar no que dizer. – Lembra a minha namorada – suspirou mais uma vez, olhando-me nos olhos – Quando ela se irrita, fala igualzinho a você.
– Como ela chama? – sorri.
– olhou para o chão, sorrindo.
– Que coincidência! – ri, sentando-me ao seu lado novamente. – Agora coma – apontei para o prato e ele negou com a cabeça. Peguei o prato e coloquei sopa na colher. Levantei a mesma na altura da boca de . – Abra a boca – ele arqueou a sobrancelha com a expressão engraçada. – Abra – mandei novamente e ele fez o que eu disse. Imitei um aviãozinho e coloquei a colher na sua boca, soltando-a. O garoto riu e a segurou, colocando-a de volta no prato e comendo um pedaço do pão. – Muito bem – fiz joinha e ele riu. Levantei-me. – Coma tudo que tem aí e depois leve o prato lá em baixo para a ver que você comeu. Ok? Ela disse que você não come há dois dias e está preocupada – ele concordou com a cabeça, colocando o prato no colo. Saí, fechando a porta devagar.
Desci e ainda não tinha tocado no prato. Peguei-o e derramei o que tinha nele na pia. Coloquei sopa quente e o coloquei na frente dela.
– Seu irmão já comeu. Agora faça o favor de fazer o mesmo – apontei para ela que sorriu e comeu imediatamente.
Saí de lá e fui para o meu quarto, deitando-me na cama (amo a minha cama. Aquela do hospital é horrível) e adormecendo imediatamente.

– Acorde, ! – ouvi a voz de , mas não abri os olhos.
– O que é? – respondi com a cara enfiada no travesseiro.
– Você está dormindo desde ontem! Já está quase na hora do nosso vôo. Ande! – levantei-me num pulo. Estou dormindo desde ontem? Nossa, me superei.
– E as malas? – perguntei assustada. Não vai dar tempo de eu arrumar.
– Já arrumei. E comprei o remédio que você tem que tomar antes da viagem também. Vá tomar banho e desça para tomar café e sair logo.
– ‘Ta – sorri, indo para o banheiro.
Coloquei uma calça jeans, uma bota preta de salto e uma blusa qualquer. Desci e vi que tinha muffins. Desde quando ela sabe fazer muffins? Deve ter comprado em algum lugar. De qualquer forma, peguei um e o devorei. Estava delicioso. Terminei de comê-lo e bebi um copo de água, indo até a sala. estava descendo com as malas e levei um pequeno susto ao vê-lo. Tinha me esquecido de que ele estava morando aqui. Depois converso com a sobre o fato de ela ter trazido um estranho para a minha própria casa sem o meu consentimento. Ele sorriu fraco, largando as malas lá e subindo novamente. Subi também e fui até o meu banheiro, escovando os dentes. Peguei a escova e a pasta, desci e as coloquei dentro da mala. Sentei-me no sofá para esperar e depois de alguns minutos ela desceu.
– Vamos?
– Por que você demorou?
– Eu... – ela respirou fundo. – Estava falando com – pegou a chave do meu carro [N/A: lembrem-se de que ele já ficou pronto. Ok?] e saímos.
O caminho até o aeroporto demorou uns vinte minutos. O trânsito estava horrível. Eu e só falávamos besteira e em momento algum tocamos no assunto “motivo da viagem”. Resolvi não falar nada. Pensei que estivesse evitando o assunto.
– Chegamos! Amém – falei quando avistei o aeroporto. Fomos em direção ao estacionamento e deixamos o carro lá. Fui pegar um carrinho para as malas e descarregamos facilmente. Fomos até o check-in e a fila estava enorme.
– Maravilha! – bufou, sentando-se em cima de uma das malas. Fiquei apoiada no carrinho, entediada.
– O vôo de vocês é o das dez e meia? – uma garota de nossa idade que estava na nossa frente na fila perguntou e sorri.
– Esse mesmo! E o seu?
– Também – ela riu, estendendo a mão que apertei imediatamente. – Miranda.
. E essa é – apontei para ela que sorriu, acenando. Olhei para a sua blusa. – Gosta de Foo Fighters?
– Adoro – ela sorriu e deu um pulo.
– É NÓIS! Bate! – ela estendeu a mão e Miranda bateu, rindo. Entraram em uma conversa animada sobre a banda e nem me meti. Depois de vinte minutos esperando, finalmente fomos atendidas.
– Documentos, por favor – uma tal Susan pediu e entreguei os meus. Depois deu os dela e recebemos as passagens. – Embarque imediato pelo portão três – ela sorriu e fomos praticamente correndo até a sala de embarque. Entramos no avião, sorrindo para as aeromoças que ficavam na porta com o monótono “bom dia. Bom dia. Bom dia”.
– Onde a gente se senta? – perguntei e olhou o papel.
– 13A e B – chegamos até lá e vimos que Miranda viajaria conosco. O assento dela era o 13C.
– Oi! Que mundo pequeno – ela riu e eu e nos sentamos. Começamos a conversar sobre variados assuntos e a viagem passou voando. Miranda era psicóloga e namorava um médico. Estava noiva, na verdade, e se casaria em menos de três meses. pediu algumas dicas a ela sobre como agir com a mãe e nessa hora meu pensamento voou longe.
– Senhores passageiros, estamos iniciando o nosso processo de descida. Mantenham os seus cintos afivelados e retornem a poltrona à posição vertical. Verifiquem se a mesinha à sua frente está travada. A nossa chegada está prevista para as doze horas e cinco minutos. Obrigada pela atenção – plinLadies and gentlemen...
Observei a paisagem, sem saber o que esperar dessa viagem. Como será que a mãe de é? Eu não sabia o que pensar. Tinha medo de algo dar errado ou sei lá... Na pior das hipóteses, a mãe dela já ter morrido.
Descemos e nos despedimos de Miranda. Esperamos nossas bagagens e pegamos um táxi até um hotel. Deixamos as nossas malas lá, almoçamos no próprio hotel e depois de uma hora fomos até o endereço que possuía.
Tocamos a campainha e uma mulher de cabelos castanhos apareceu. Ela era muito parecida com . As suas feições eram iguais e vi que a minha melhor amiga ficou paralisada.
– Você é Kim Battlefield? – perguntei, mesmo sabendo a resposta. A mulher concordou com a cabeça e olhou de olhos arregalados.
? – perguntou num sussurro.
– Mãe? – ela falou, começando a chorar. As duas se abraçaram e entraram. Quando ia entrar, um cara saiu da casa, quase me derrubando.
– EI! – reclamei e ele me olhou.
– Desculpe – ele falou e fui em direção à porta. Veio em minha direção e estendeu a mão.
– Jesse – sorriu.
– respondi, apertando sua mão.
– Tenho que sair agora. Fique à vontade – apontou para a porta e foi embora. Entrei e e Kim conversavam. Resolvi não atrapalhar e fui até a cozinha. Uma mulher baixinha lavava a louça.
– Olá – ela sorriu.
– Oi – eu ri, pegando um pano de prato e começando a secar a louça que a mulher lavava. Ela me olhou surpresa. – Preciso me distrair – respondi e ela deu de ombros. Queria muito saber o que as duas conversavam, mas não podia simplesmente chegar lá, sentar-me ao lado delas e ouvir a conversa. me contaria tudo depois de qualquer forma.
Terminamos a louça e a mulher saiu pela porta dos fundos. Supus que foi até a lavanderia. Cruzei os braços, virando-me de costas para o balcão. Acho que fiquei meia hora lá, fitando o nada. O barulho de alguém adentrando a cozinha me despertou.
– Você – Jesse sorriu, pegando uma maçã da geladeira e a mordendo.
– Eu – ri, sorrindo também. Devo confessar que ele era bem bonito. Loiro, cabelo curto, olhos verdes e um sorriso que faria qualquer uma babar. Ele me olhou de modo estranho e o encarei, fazendo-o arquear a sobrancelha.
– O que uma garota como você faz na minha casa?
– O que você quer dizer com isso? – perguntei confusa.
– Geralmente sou eu quem traz garotas bonitas para cá, mas não conhecia você. O que a trouxe aqui? Por acaso é amiga da minha irmãzinha?
– Você já conheceu a ? – olhei-o abismada. Como assim?
– Acabei de vir da sala. A minha mãe me apresentou a ela. Tem cara de ser muito legal.
– Sim. Sou amiga dela – sorri, balançando a cabeça. – Voltou rápido – observei e ele riu.
– Só fui buscar umas provas na faculdade.
– Você cursa o quê?
– Engenharia de controle e automação.
– Uau, impressionante – sorri. e a mãe apareceram abraçadas.
– Vejo que você já conheceu o meu filho Jesse – ela sorriu e concordei com a cabeça. – Já conhecem a cidade?
– Ainda não – respondeu por nós duas. Jesse deu um pulo.
– Se vocês quiserem, posso ser o guia.
– Claro! – a mãe dele respondeu. – Vamos?
Já tínhamos conhecido o principal da cidade: teatro, shopping, museu e outros pontos turísticos. Já era noite e eu e carregávamos várias sacolas cheias daquelas bugigangas que todo mundo adora comprar nas viagens. Ela e Kim caminhavam na frente, conversando, e eu e Jesse tínhamos ficado para trás. Andávamos na maior calma. Eu observava cada detalhe dos lugares.
Troquei as sacolas de braço e Jesse estendeu a mão, sorrindo.
– Quer que eu leve? – entreguei as sacolas para ele, sorrindo. – Então... Tem namorado?
– Não – ri e o sorriso dele aumentou. – E você?
– Também não, mas estou à procura de uma... Se souber de alguém... – olhou-me malicioso.
– Se souber de alguma interessada, aviso – ri e o encarei da mesma forma. Ele piscou para mim. Kim e se viraram e a primeira disse:
– Estão com fome? Tem um restaurante ótimo aqui ao lado – apontou para uma casa enorme e bem iluminada. Alguns bonecos de Papai Noel enfeitavam as janelas. Hello. Hoje ainda é dia nove de novembro. Essa decoração toda é só para chamar os turistas? A minha árvore eu monto só em dezembro. Eu, hein... Povo maluco.
Apesar de ninguém concordar em voz alta, todos seguimos naturalmente até o restaurante. Um senhor de meia-idade nos recebeu sorridente e indicou uma mesa. Sentaram-se Jesse e Kim de um lado e eu e de outro, nessa ordem. Pedimos pratos típicos da região e não demorou muito até que eles chegassem. A comida era realmente deliciosa. Não entendo como Kim e Jesse permanecem magros vivendo com essas comidas por perto. Se eu morasse aqui, comeria isso todo dia. Sério.
Ri, observando os guardanapos com desenhos de Papai Noel.
– É comum iniciarem as decorações natalinas no começo de novembro. Nunca entendi, mas enfim... Esse povo é maluco mesmo – Jesse falou e gargalhei mais.
– Adivinhou os meus pensamentos.
– Viu só? Já temos algo em comum – ele riu de modo fofo, piscando novamente, e me segurei para não suspirar. O cara é um gato. Fale sério. Será que a se incomodaria se eu me aproveitasse um pouquinho da hospitalidade do novo irmão dela? Não sou safada. É só que... Ele é realmente um pedaço de mau caminho. Eu pegava. Só digo isso.
Chegamos ao hotel e era mais de meia-noite. Larguei as sacolas no chão e me joguei na cama. Eu estava muito cansada.

Ouvi um telefone tocar, mas não dei muita importância e voltei a dormir. Acordei já com preguiça (típico) e tateei a cama em busca do meu celular. Achei-o e conferi as horas: quatro da tarde. Uau, já? Observei o quarto e não vi nem sinal de .
Levantei-me e a fiz minha higiene matinal, colocando um biquíni e shorts. Achei um bilhete colado na porta. “Hey, dorminhoca! Saí com Kim. Não me espere para o almoço nem para o jantar! Qualquer coisa ligue. Xx”
Peguei uma toalha e meu iPod e desci até a piscina do hotel que incrivelmente não estava muito cheia. Sentei-me em uma das espreguiçadeiras, passando o protetor e ligando o aparelho em uma música qualquer. “What Doesn’t Kill You (Stronger)” da Kelly Clarkson começou a tocar. Amo essa música. Comecei a mexer a cabeça no ritmo dela e alguém me cutucou. Tirei um dos fones e olhei para o lado, vendo Jesse sorrir.
– Está me seguindo, é? – ri.
– Poderia... – ele colocou a mão no queixo, como se pensasse na idéia. Riu. – Mas não estava. Na verdade, um amigo o meu está hospedado aqui e pediu que eu viesse passar o dia com ele a noiva – deu de ombros. – Eles já estão descendo. Na verdade, chegaram. Olhe eles aí. BRYAN! MIRANDA! – gritou, acenando. Olhei para o local que Jesse fitava e vi Miranda, aquela com quem eu e tínhamos conversado no avião.
– Miranda? – levantei-me, indo em direção a ela.
? – pareceu surpresa e veio me abraçar. – Esse é Bryan, o meu noivo – ele sorriu e sorri de volta, acenando. Jesse chegou e cumprimentou os dois. Fomos até o bar. Pedimos uma bebida que me esqueci do nome e ficamos um bom tempo conversando. Quando ficou tarde, Jesse foi embora e subi para tomar banho. Desci depois de um tempo e encontrei Miranda e Bryan jantando. Eles me convidaram para jantar com eles e novamente nos divertimos muito.
Quando subi de volta para o quarto, ainda não tinha retornado. Jesse me informou que iria jantar com ela e a mãe, porém já estava perto da uma da manhã e nada dela ainda. Adormeci rapidamente.

Abri os olhos e encontrei sentada na cama, falando ao celular.
– Eu sei, , mas não tem nada que eu possa fazer sobre isso! Ele se interessou por ela e ela por ele... Pelo menos eu acho. Sinto muito de verdade, porém se lembra do que o médi...? – ela parou de falar quando me sentei na cama. – acordou. Ligo depois – desligou, sentando-se ao meu lado. – Bom dia.
– Sobre o que você falava com ?– perguntei e ela hesitou.
– Sobre... ... Ela está interessada por um cara e está morrendo de ciúmes.
– E o que tem a ver com isso?
pediu para ele ligar né, dã? Também sou amiga da e ele achou que eu pudesse convencê-la a desistir do tal cara – ela riu e peguei uma roupa, indo até o banheiro. Era óbvio que não era esse o motivo da ligação e era igualmente óbvio que ela estava escondendo alguma coisa. Preciso perguntar o que é, contudo vou esperar chegarmos a casa primeiro. Se não, é capaz de a gente brigar e dar merda. Vá saber.
Saí do banheiro e continuava sentada no mesmo lugar. Ela sorriu.
– A minha mãe biológica e o meu novo irmão são super legais. Sabia?
– Percebi. Você me trocou por eles! Fez o que hoje? – sentei-me ao seu lado.
– De manhã e à tarde eu e Kim fomos passear pela cidade. Ela me mostrou onde trabalha, os lugares que gosta de ir e tal. Aí de noite fomos com Jesse jantar na casa deles mesmo. Acabei dormindo por lá. Jesse é super divertido. E, ah, ele perguntou de você – olhou-me, franzindo a testa. – Já conquistou o meu novo irmãozinho, hein? Safada! – cutucou-me com o ombro, sorrindo.
– Fazer o que se eu sou irresistível? – pisquei para ela e rimos. pareceu um pouco desconfortável e se levantou, pegando o telefone.
– Preciso fazer uma ligação, mas volto logo – fiquei em pé e abri a boca para perguntar o que estava acontecendo, porém ela me interrompeu. – Por favor! Não pergunte nada. Confie em mim.
– Você sabe que esses segredinhos estão me irritando. Não sabe?
– Sei – ela suspirou. – Desculpe. Juro que é para o seu bem.
– Ok – suspirei frustrada. Odeio não saber das coisas. – Posso fazer só duas perguntas?
– Se eu puder responder... – deu de ombros.
– Para quem você vai ligar?
.
– Tem a ver comigo?
– Tem. Desculpe mesmo. Eu queria poder explicar tudo, mas não posso – saiu do quarto, batendo a porta. Atirei-me na cama com raiva. O que será que ela está escondendo? Se vai ligar para o e tem a ver comigo... O que pode ser?

*

– Como assim o seu irmão postiço está dando em cima dela, ? – estava desesperado. Eu não queria, porém precisei contar a ele que estava rolando um “clima” entre Jesse e . Mais da parte dele do que dela, mas enfim...
– É... Desculpe.
– Como assim? Ela é minha! Quem esse retardado pensa que é? A precisa se lembrar. Precisa! – ele falava cada vez mais alto.
– Eu sei, , mas não tem nada que eu possa fazer sobre isso! Ele se interessou por ela e ela por ele... Pelo menos eu acho. Sinto muito de verdade, mas se lembra do que o médi...? – fiquei quieta quando vi se sentando na cama. Ela acordou, porcaria. Será que ouviu alguma coisa? – acordou. Ligo depois – desliguei e me sentei ao lado dela. Tentei sorrir, porém na verdade estava preocupada com o meu irmão. Tinha medo de fazer alguma besteira. – Bom dia.
– Sobre o que você falava com ? – ela perguntou e hesitei. Porcaria. Se ela sabia que eu estava falando com ... Será que ela ouviu desde o começo? O que posso inventar?
– Sobre... ... Ela está interessada por um cara e está morrendo de ciúmes – tentei a mentira, todavia não pareceu acreditar.
– E o que tem a ver com isso? – eu devia saber que ela não acreditaria.
pediu para ele ligar né, dã? Também sou amiga da e ele achou que eu pudesse convencê-la a desistir do tal cara – ri e se levantou, indo até o banheiro. Eu só rezava para ela não perguntar mais nada. Não sabia quanto tempo eu ia agüentar sem falar nada. Se ela perguntasse, o que eu ia dizer? “Ei, é que você perdeu a memória e se esqueceu de que tem namorado. Você podia, por favor, pedir ao Jesse para parar com as indiretas para cima de você? O seu namorado está bastante incomodado com esse fato”. Claro que não. Seria prejudicial a ela uma coisa dessas. Imagine só o que ela pensaria! Eu queria de verdade contar tudo a ela e vê-la de boa com de novo, porém simplesmente não podia.
saiu do banheiro e sorri, pensando em algum assunto para que a ligação de mais cedo não virasse motivo de briga entre mim e ela.
– A minha mãe biológica e meu novo irmão são super legais. Sabia?
– Percebi. Você me trocou por eles! Fez o que ontem? – sentou-se ao meu lado.
– De manhã e à tarde eu e Kim fomos passear pela cidade. Ela me mostrou onde trabalha, os lugares que gosta de ir e tal. Aí de noite nós fomos com Jesse jantar na casa deles mesmo. Acabei dormindo por lá. Jesse é super divertido. E, ah, ele perguntou de você – olhei para ela, franzindo a testa. – Já conquistou o meu novo irmãozinho, hein? Safada! – cutuquei-a com o ombro, forçando um sorriso.
– Fazer o que se eu sou irresistível? – ela piscou e rimos. Não consegui mais fingir. Eu precisava falar com de novo. Levantei-me, pegando o telefone.
– Preciso fazer uma ligação, mas volto logo – ela ficou em pé, abrindo a boca, porém a interrompi. – Por favor! Não pergunte nada. Confie em mim.
– Você sabe que esses segredinhos estão me irritando. Não sabe?
– Sei – suspirei. – Desculpe. Juro que é para o seu bem.
– Ok – ela suspirou, parecendo frustrada. Eu sabia que odiava ficar no escuro, sem saber o que estava acontecendo. – Posso fazer só duas perguntas?
– Se eu puder responder... – dei de ombros. Se ela perguntar algo muito específico, não vou poder responder e provavelmente vamos brigar. Pega leve nas questions, amiga! Please.
– Para quem você vai ligar?
.
– Tem a ver comigo?
– Tem. Desculpe mesmo. Eu queria poder explicar tudo, mas não posso – saí do quarto, batendo a porta, antes que ela perguntasse mais alguma coisa. Disquei o número receosa. Eu sabia que estava magoado e com tanto medo quanto eu de que alguma coisa acontecesse entre e Jesse. Não é por nada com ele. Jesse é um cara super legal. Porém não o namoraria, tanto pela mágoa que ela ainda tinha de Adam quanto pelo fato de ela morar longe dele. Mesmo assim tinha medo de que eles tivessem qualquer coisa que seja. Para mim era de e fim.
– Oi – ele atendeu com a voz fraca.
– suspirei. – Como você está?
– Como você acha que estou? Acabei de saber que tem um cara dando em cima da minha namorada e não posso fazer nada porque simplesmente ela não se lembra de mim! – ele suspirou e me senti culpada por ter contado a ele. Porém tenho certeza de que me sentiria pior se não tivesse dito nada.
– Se eu pudesse fazer alguma coisa, juro que faria...
– Eu sei, maninha – ele riu fraco. – Mas você não vai me trocar por esse idiota, né?
– Claro que não! – foi a minha vez de rir. – O meu irmão é você e sempre vai ser. Ok? Jesse é um conhecido. Talvez um amigo. Nada mais que isso.
– Então ‘ta. Ei, os caras estão me esperando para a gente ensaiar. Melhor eu ir antes que alguém venha me buscar.
– Tudo bem. Tchau.
– Ei, ?
– Sim?
– Cuide dela pra mim. ‘Ta? Não sei viver sem essa garota. Se ela se jogar na frente de um ônibus ou sei lá, você por gentileza impeça. Ok?
– Pode deixar – eu ri. – Beijos – desliguei e em seguida o meu telefone tocou novamente. Era Jesse... O que será que ele queria?
– Alô?
– Oi, !
– Oi!
– Tem algum plano para amanhã à noite?
– Não. Por quê?
– Uma banda local vai fazer um show. Vou com uns amigos. Consigo fácil ingresso para você e para .
– Jura? Ah, então fechado! Passar o nosso último dia na cidade com estilo! – ri.
– Então fechou. Pego vocês duas amanhã às oito em ponto.
– Combinado – concordei, desligando. Se até amanhã à noite não se lembrar, vou ter um ataque. Coitado do meu irmão... Porém não vou deixar de sair para me divertir por causa disso. E como se eu for ela vai junto, vou ter que correr o risco. Jesse vai tentar alguma coisa. Isso é claro. Mas se ele conseguir beijá-la, prometo que invento uma dor de barriga e a levo embora!
Voltei para o quarto e mexia no computador entediada.
– Party hard amanhã à noite, gatona! – falei um pouco alto e ela gritou sorrindo. – Shopping amanhã para escolher um look top top na balada? [n/a: olá, gírias. Sejam bem-vindas!]
– Yes! – veio correndo e pulou em cima de mim. Começamos a rir.
Amanhã promete! Último dia na cidade e à noite show? Uhu, lá vamos nós!

Continua!

N/A: O seu McGuy só sofre, tadinho. Que autora mais malvada! Hahaha. Mas um dia melhora :3
A irmã do seu amado que deve estar feliz numa hora dessas, já que ele se esqueceu de que ganhou a aposta e não pediu o cd do Foo Fighters. UHU! Ok, parei.
Enfim, o que acharam? Comentem! =)
PS: esse show promete! Ok, parei de spoilar (como diz a Mariana). :B
PS²: Não menciono em que cidade você e seu McGuy moram, nem para qual cidade você e a irmã dele foram. Ok? Deixo esse detalhe a seu critério. Você pode imaginar que eles moram em Londres, devido a ser o McFly, que eles moram em LA por causa do filme, ou em qualquer outro lugar. Aí é com você. Ok? :D
PS³: Estava necessitando da opinião de vocês. Ajudam-me? Então, comecei a reescrever essa história. É, sou louca, mas o começo dela estava me incomodando muito. Não gosto muito dele. Mas calma! Os acontecimentos da história continuam os mesmos. Só o que mudou foi a narrativa. Acrescentei mais detalhes e passei a história inteira para a terceira pessoa, fora que acrescentei um prólogo no qual consta um pedaço do último capítulo. E eu queria mudar o nome para algo menor. Qual a opinião de vocês sobre isso? Por favor, respondam a enquete aqui! A opinião de vocês é essencial.

Um beijo e um queijo,
Tracie
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