The One That Got Away
Escrita por: Carol M.
Betada por: Vanessa
01.
"Summer after highschool when we first met, we'd make out in your Mustang and on my 18th birthday we got macthing tattoos..."
Sentei-me na poltrona em frente à minha cama e encarei o relógio: duas e cinquenta e cinco da manhã. Bufei e virei o rosto, encarando o quadro de fotos que eu tinha ganhado da minha mãe, pendurado na parede. Fotos minhas com minhas melhores amigas e aquela foto minha com ele. Me levantei e tirei a foto dali, sentei no lugar que estava e fiquei encarando-a.
Flashback
Sentei-me numa cadeira enquanto ele começava a fazer seu hobbie preferido: pintar. sempre fora um amante da pintura, porém sempre com medo de postar. Eu insisto, mas ele não gosta de mostrar a ninguém, apenas pra mim. Por um lado, isso é bom porque é um "segredo" nosso, mas por outro, pode ser ruim porque ele poderia ganhar milhões com aquilo ali. Quem não iria comprar um quadro pintado pelo guitarrista do McFLY?
- Que tal esse? – sorriu, ao terminar o quadro que tinha o meu rosto nele. Sorri e corri até ele, abraçando-o.
- É lindo. - falei e ele sorriu, puxando-me para um beijo. Coloquei meus braços ao redor do pescoço dele enquanto suas mãos apertavam minha cintura.
- Você que é linda. - falou baixo no meu ouvido, abraçando-me. Um sorriso bobo surgiu em meus lábios.
- Eu te amo. - falei e ele sorriu, me dando um selinho.
End Flashback
Uma lágrima solitária escapou pelos meus olhos ao me lembrar daquilo e senti um aperto no peito. A falta que eu sentia dele parecia me dominar cada dia mais. Ele tinha ido embora e levado uma parte enorme de mim junto com ele.
- Ainda acordada, meu amor? – assustei-me ao ouvir uma voz dominar meu quarto. Sequei a lágrima e olhei pro lado, vendo minha mãe me encarar. Concordei com a cabeça e ela riu fraco, vindo na minha direção e sentando-se na beirada da cama, de frente pra mim.
- Ele foi e levou um pedaço de mim, mãe. – falei, colocando a foto no colo dela, que sorriu fraco - O pior de tudo é saber que ele nunca me amou. E que foi embora, e eu to aqui, igual uma idiota, enquanto ele deve estar pegando umas cinco por dia.
- Calma, filha. - ela falou calmamente e eu bufei, cruzando os braços. - Ele sempre te amou. Talvez algo aconteceu e fugir seria a melhor solução pra ele, meu amor. Você não sabe realmente o que aconteceu pra poder falar algo.
- Ele me abandonou. Isso foi o que aconteceu. - falei suspirando e uma lágrima escorreu. Senti minha mãe me puxar, abraçando-me. Senti-me uma criança que acabara de cortar o dedo e precisava do carinho da mãe.
Deitei-me em seu colo e senti o sono começar a me dominar, quando ela começou a fazer carinho no meu cabelo.
Abri os olhos vendo que eu estava na minha cama, com aquela foto do meu lado. Por que eu não rasguei aquela porcaria ainda? Uma parte de mim queria fazer isso e a outra não queria apagar nenhuma das lembranças dele. Sentei-me na cama e arrumei meu cabelo, prendendo-o num coque, totalmente mal feito. Levantei-me e fui até o banheiro, eu estava péssima. Olheiras, cabelos bagunçados e rosto amassado. Escovei os dentes e penteei os cabelos. Peguei minha nécessaire e tirei meu corretivo dali. Passei-o embaixo dos olhos, tentando fazer as olheiras diminuírem. Saí do banheiro e passei pelo quarto, ignorando a bagunça que estava e fui direto pra cozinha. Meus pais estavam sentados na mesa tomando café, já prontamente arrumados para irem trabalhar.
- Não vai à escola hoje? - meu pai perguntou, quando eu me sentei à mesa.
- Não. – falei, dando um gole no suco de laranja.
- Você não pode ficar faltando pra sempre, ... - minha mãe falou e eu concordei com a cabeça.
- Eu sei, mãe. Por favor, é só hoje. – falei, dando um sorriso fraco, tentando parecer convincente.
- Por mais que seja doloroso, você tem que seguir em frente, filha. Ele foi, mas muitos outros vão vir... Eu rezo pra que não, mas eles sempre aparecem. - meu pai falou, fazendo-me rir verdadeiramente.
- Eu sei, pai. Prometo melhorar, okay? - ele sorriu e me deu um beijo na bochecha. Levantou-se, pegando a pasta e encarou minha mãe.
- Vai comigo, Lisa? - meu pai é advogado, trabalhava para a banda de e meus amigos na época que ele estava aqui. E minha mãe é professora de biologia.
- Vou sim. Querida, qualquer coisa nos ligue, okay? - concordei com a cabeça e eles saíram da cozinha, deixando-me sozinha. Eu já estava me acostumando a ficar assim, sozinha em casa, vendo televisão, empanturrando-me de chocolate. É, essa é minha vida desde então.
Flashback.
Ele me sentou em algum lugar que parecia ser um sofá - era meio desconfortável, mas okay. ama me fazer surpresas e eu simplesmente odeio surpresas. É sempre assim: algo que eu odeio, ele gosta; algo que eu gosto, ele odeia. E são essas diferenças que eu simplesmente amo em nós dois.
- Vou tirar a venda, mas você vai continuar de olhos fechados até eu mandar você abrir, okay? - falou baixinho no meu ouvido, deixando-me arrepiada. Ri fraco e concordei com a cabeça. Senti suas mãos próximas ao meu cabelo e ele puxou a venda. Fechei os olhos, apertando-os com força.
- Pode abrir. - abri lentamente, um de cada vez e dei de cara com ele com o braço na frente do meu rosto e um curativo ali. Olhei ao redor e percebi que estávamos numa sala, que parecia ser uma recepção. - Tira esse curativo, por favor. - me despertou dos meus pensamentos e eu ri fraco, concordando. Comecei a tirar o curativo com cuidado, e vi que tinha um desenho ali. Ele tinha feito uma outra tatuagem? Um sorriso bobo surgiu em meus lábios. Terminei de tirar o curativo e vi a tatuagem nova dele: algumas estrelas pretas no braço. Simbolizava o que nós mais gostávamos de fazer: ficar feitos dois bobos, observando as estrelas.
- Meu amor... - falei, tentando buscar as palavras pra descrever como eu estava, mas elas pareciam fugir - É... perfeito! - ele me encarou e eu o puxei, dando-lhe vários selinhos. Rimos e ele sentou-se ao meu lado.
- Por isso que eu te trouxe aqui! - encarei-o, sem entender, e ele riu - Você sempre amou tatuagens, certo?
- Certo. – falei, parecendo uma criança e ele riu.
- Que tal fazer uma igual? - arqueou as sobrancelhas e eu sorri, concordando com a cabeça.
riu e me puxou, rumo a uma sala. Entramos e tinha um cara sentado numa cadeira à frente de um notebook. Ele tinha várias tatuagens ao redor do corpo. Certeza, ele deveria ser o tatuador - Essa é ela, Jack! – falou, chamando o cara que nos encarou, dando um sorriso de lado.
- E aí? - sorri em resposta e ele apontou pra cadeira - Aonde vai ser? - parei pra pensar. Aonde eu iria fazer uma tatuagem? Nunca tinha pensado onde fazer.
- Acho que... Na nuca? – falei, pensativa, e concordou com a cabeça.
End Flashback.
Coloquei a mão na parte de trás da minha nuca, lembrando-me daquele dia. , minha melhor amiga, sempre disse que se fosse eu, ela já teria apagado a tatuagem há muito tempo. Mas simplesmente me falta coragem para tal ato. Por mais que eu queira, eu não quero ter fora dos meus pensamentos, fora de mim. Encarei a televisão e vi um clip da Avril passando.
- And I remember all those crazy things you said, you left them running through my head... You're always there, you're everywhere. But right now I wish you were here.
Que isso, a Avril agora resolveu cantar sobre o que eu estou passando? Ri do meu pensamento e continuei assistindo o clipe... Até a porcaria do telefone tocar. Bufei e me estiquei, pegando-o.
- Alô? - falei ,de má vontade, e a outra pessoa riu.
- Pode vir abrir o portão pra sua melhor amiga? - falou, com uma voz de raiva e eu ri, levantando-me e pegando um casaco que estava jogado em cima do sofá. Peguei as chaves e abri a porta da sala, dando de cara com parada, encarando-me.
- Bom dia, cadela! - sorriu e pulou em cima de mim, quase jogando-me no chão.
- Ai! – falei, empurrando-a pra longe e me arrumando. Fechei a porta e vi-a se jogar em cima do sofá - Folgada! - ri fraco e me sentei ao lado dela.
02.
"I was you June and you were my Johnny Cash. Never one without the other."
Despedi-me de e ela saiu da minha casa. Sentei-me no sofá novamente. Minha vida tinha se tornado tão monótona. Bufei e fui pro meu quarto. Tomei um banho e coloquei um vestidinho florido qualquer, calcei as sandálias e saí do quarto. Meus pais só chegariam lá pelas oito e meia.
Caminhei pela rua em direção à casa de , meu melhor amigo. Com certeza ele me faria rir um pouco pra tentar aliviar essa dor que eu sinto. Vi algumas crianças brincando na rua, alguns casais namorando... Parei na frente da casa de e toquei a campainha.
- Bom dia! - , uma das ex-namoradas dele, atendeu a porta e eu me assustei. Fiquei tanto tempo longe que eles voltaram? Quê?
- Oi, ! O está? - ela concordou com a cabeça e me puxou pra dentro. estava no sofá jogando videogame com .
e Danny são/eram grandes amigos de , e se tornaram meus também - Crianças. – falei, com uma voz de tédio e eles riram, encarando-me.
- Hey, pequena! - falou, dando pausa no jogo e se levantando, pra me dar um abraço e um beijo na testa - Como você está?
- Na medida do possível. – respondi, dando um sorriso fraco e ele riu.
- Não gosto de te ver assim.
- Também te amo. - sorri, abraçando-o e Danny murmurou um "awn" super gay, fazendo-nos gargalhar. Separei-me de e abracei , que nos encarava.
- Sinto falta de te ver sorrindo desse jeito. - sussurrou no meu ouvido e eu sem querer deixei uma lágrima escapar. Sentei-me no sofá junto com e, enquanto os meninos jogavam, ela ia me contando o que tinha acontecido na faculdade, na certa pra tentar me distrair.
- Não acredito que a Juliet ficou com o professor de educação física do primeiro período. - gargalhei e ela riu.
- Sim, ela ficou! - falou depois da crise de risos que eu tive. Juliet era tipo a menina mais estranha e mais metida de toda aquela faculdade e conseguia ficar com qualquer professor que quisesse. - E ele ainda saiu contando como ela beijava mal. - gargalhei.
- A gente podia pedir uma comida, não é? - falou e todos concordaram.
- Que tal tailandesa? - perguntou e eu neguei com a cabeça, sendo acompanhada por .
- Não. Comida tailandesa me dá vontade de vomitar. – gargalhei, vendo a careta que ela tinha feito.
- Eu voto por pizza... - falou e encarou eu e , que rimos, fazendo um high-five.
- Só se for metade calabresa... - falou e concordou com a cabeça, pegando o telefone e discando os números da pizzaria. Enquanto não chegava, nós ficamos conversando sobre coisas alheias.
- Dude, tô afim de ir pra piscina. - falou, levantando-se enquanto todos o encaravam. Rimos e os meninos foram atrás dele, pegando-o e jogando-o na piscina. Gargalhei, vendo-o voltar à superfície, jogando água em todos que estavam na beira da piscina.
- E você, , como está? - perguntou e eu a encarei, dando um sorriso. Desde que se foi, essa era a pergunta que eu mais ouvia.
- Eu estou bem, ... De verdade. - ouvimos a campainha tocar e fomos até lá. abriu a porta e demos de cara com o entregador e Greg, um amigo nosso, parado, encarando-nos.
- Hey, Greg! - falamos ao mesmo tempo e ele riu. pagou o entregador e pegou as pizzas.
- Vejo que cheguei na hora certa... - Greg falou rindo e nós concordamos. - Faz um tempo que eu não te vejo, ! É bom te ver bem.
- Obrigada, Greg. – falei, dando um sorriso e ele concordou com a cabeça. Fomos pra piscina e nos sentamos junto com os meninos.
- Little... - falou, baixo, lembrando-me do apelido que eu tinha. Ri e o encarei.
- O que foi, ? - falei rindo e ele sorriu.
- Bom saber que você ainda lembra desse apelido! - ele riu e eu o encarei, arqueando uma sobrancelha - Não é nada. Só queria saber se você lembrava mesmo. - dei de ombros e dei um gole no meu refrigerante.
- Hey, , a já voltou de viagem? - me encarou e eu concordei com a cabeça. - Você podia chamar ela pra vir aqui, né?
- Você e a ficam nesse rolo e não saem daí, hein? - falou, fazendo ficar vermelho e os meninos começaram a jogar água em cima dele, que acabou pegando em mim.
- Hey, eu não tenho nada a ver com esse rolo do com a ! – falei, fazendo uma cara emburrada e os meninos riram.
- É que eles são uns brutamontes! - sentou-se do meu lado na borda da piscina. - Mas, sério, chama a pra vir pra cá.
- Ai, , para de me encher! Quer falar com a ? Você tem a droga do número dela no celular! Fica nesse fogo aí. – levantei-me e fui pra dentro da casa. Ouvi passos atrás de mim e imaginei que fosse . Os meninos, às vezes, conseguiam me deixar super irritada. Principalmente o . Depois que ele e terminaram, ele parece que tem medo de ligar pra ela e falar tudo que sente e fica mandando eu falar as coisas, fala sério. Senti alguém puxar meu braço.
- Garota, odeio essa sua tpm. - ouvi a voz de e ri baixo. Ele, dos meninos, era o que eu conhecia há mais tempo e foi ele quem me apresentou . conseguia me entender, ele era como meu irmão mais velho.
- Não é tpm! É o com esse fogo! Fala logo que ama ela, cacete! - ele gargalhou e eu bufei. - Que droga! E para de rir, seu retardado! – falei, afastando-me dele, que riu ainda mais.
- Garota, eu sinto falta de te ver assim, sabia? - falou e apontou pro meu sorriso, eu abaixei a cabeça.
- Você tem noção de quanto isso foi gay, né? – falei, fazendo-o gargalhar de novo. – Ai, tô me sentindo alguém que faz stand-up, de tanto que você ri. - bufei. - Bom, eu vou embora. Dá tchau ao pessoal por mim. - sorri e caminhei até a porta, abri a mesma e saí da casa.
Caminhei pelo estacionamento da faculdade e encontrei , e encostados no carro conversando. Sorri e me aproximei, pulando em cima de , que estava de costas.
- Bom dia, amores. – falei, animada, vendo todos sorrirem.
- Bom dia, menina tpm. - falou, dando uma piscada e eu mandei o dedo do meio pra ele. Encostei-me no carro, ao lado de .
- Hey, little... - ouvi me chamar e o encarei - Por que tão feliz?
- Sei lá... – ri, sendo seguida por eles - Acordei de bem com todos. - vi se aproximar junto com Greg. Ela tinha cortado ainda mais a saia do uniforme, devia ser pra seduzir .
- Oi, gente... - falou acenando e depois me abraçou. - Tudo bem?
- Hey, little bitch. – falei, rindo e ela sorriu. Ela sempre sabe que quando eu a chamo pelo apelido é porque está tudo ótimo.
- Olha quem está vindo, . - falou apontando pra trás e nós vimos se aproximar de nós com um sorriso maior que o rosto.
Ele sempre fica assim quando a está por perto.
O sinal tocou e nós nos levantamos, começando a caminhar na direção do prédio da escola. Minha primeira aula era biologia com o senhor Banks. Pelo menos teria a mesma aula que eu. Parei, esperando ele passar do meu lado e juntei meu braço no dele, que riu ao me ver.
- Biologia com o senhor Banks, querido. - falei e ele fez uma cara triste. Despedimo-nos do pessoal e fomos pra nossa sala. Sentamos juntos na terceira fileira e logo o professor entrou na sala, começando a explicar a matéria.
Ouvi o sinal tocar e quase joguei todo meu material pro alto, gritando fuck yeah! Depois de três tempos de biologia, um de física e um de matemática, eu finalmente iria pra casa. Guardei todo meu material e saí da sala, encontrando parada na porta me esperando.
- Bom dia, little. - sorri e recebi um abraço dela - Que tal um almoço no shopping e depois compras? - concordei com a cabeça e nós fizemos um high-five.
- Mas vamos escapar rápido daqui antes que a veja e queira ir junto, aí teremos que ficar o dia todo no shopping e eu tenho uma prova de física amanhã. - falei rápido, ouvindo gargalhar. Chegamos ao estacionamento e entramos no carro dela.
03.
"Never planned that one day, I'd be losing you"
- O que acha desse? – falei, saindo do provador usando um vestido preto com decote em V e manga até os cotovelos, bem justo. sorriu maravilhada e eu dei uma gargalhada. Estávamos comprando roupas pra usar no aniversário de , coisa que eu simplesmente tinha esquecido.
- Eu amei. - falou sorrindo e eu concordei com a cabeça. Nós já estávamos há três horas e meia dentro do shopping, segurando várias sacolas. - Praça de alimentação agora?
- Pelo amor de Deus! – falei, fazendo-a gargalhar. Fomos para o Burger King e pedimos nossos Whopper (e todos os funcionários gritaram 'Whooopper') com cocas gigantes e fomos nos sentar numa mesa.
- Se eu te perguntar uma coisa, você me responde honestamente? - perguntou no meio do almoço e eu concordei com a cabeça, comendo minha batata frita - Você ainda ama o ? - senti meu corpo se arrepiar totalmente em apenas ouvir o nome dele.
- Eu... Não sei. - falei baixo e vi me encarar, sem entender – Quer dizer, eu o amei. Mas ele me magoou demais ao ir embora... Por quê?
- O Greg que me pediu pra te perguntar isso... Ele está interessado em você. - levantou uma sobrancelha, dando um sorriso malicioso e eu gargalhei.
- Não sei, ... Não estou pronta pra uma nova relação. - falei e ela concordou com a cabeça.
- Não falei de compromisso. Falei apenas em dar uma chance a ele. – manifestei-me pra falar mas ela continuou - Dá uma chance a ele. Pode ser melhor do que você pensa. - concordei com a cabeça e ela sorriu.
- Mas, agora... Que tal voltarmos para o nosso grande dia de compras? – levantamo-nos e fomos em direção às lojas.
Terminei de me arrumar, coloquei o vestido que tinha comprado junto com e ouvi uma buzina do lado de fora. Deveria ser , já que tínhamos combinado de ela vir me buscar e depois eu ir dormir na casa dela. Peguei minha bolsa e saí do quarto, descendo a escada devagar. Do jeito que eu sou desastrada, seria capaz de eu cair da escada se corresse. Ri do meu pensamento e vi meu pai parado na porta, encarando-me.
- Boa festa. - deu um beijo na minha testa e subiu a escada, saí de casa e vi dentro carro. Entrei no lugar do carona e ela deu um sorriso.
- Olá, gata. - ela falou com uma voz sedutora e eu gargalhei. - Preparada para se sentir so fly like a g6? - ri ainda mais, vendo ela se lembrar da nossa música. Da última vez que enchemos a cara, terminamos a noite ao som dessa música e ela não consegue esquecer isso.
Chegamos na festa na casa de e aquilo já estava uma loucura. Tinha pelo menos cinquenta carros parados naquela rua, as luzes da casa iluminavam todas ao redor. O gramado em frente à casa já tinha alguns copos jogados no chão, garrafas de cerveja, vodka... E algumas pessoas nos cantos e no chão se pegando. Ri enquanto me puxava pra dentro da casa. Uma pista de dança tinha sido feita na sala e as pessoas estavam ali dançando – ou se pegando, depende de como você pensa. Não sei como, mas avistou , , e juntos num canto, conversando e bebendo até nós chegarmos neles, alguns caras passaram e os cumprimentaram.
- Hey, meninas. - falou sorrindo e nós retribuímos o sorriso. abraçou tanto , que ele quase morreu sufocado. Assim que ela o soltou ele gritou aleluia e nós gargalhamos. Aproximei-me dele e o abracei, falando aquelas coisas de "Parabéns! Saúde, felicidades, paz...". Separamo-nos e ficamos ali conversando. me entregou uma cerveja e eu sorri, agradecendo. Fiquei parada ali enquanto as pessoas dançavam e encarei o lado de fora da casa. Um rapaz alto, com cabelos meio loiros caídos sobre os olhos estava ali parado junto com . Ele se parecia demais com... Não era possível! Forcei um pouco meus olhos, tentando observar aquele homem, mas não consegui. Levantei-me e procurei alguma porta da casa que desse ao gramado, vi algumas pessoas paradas na porta se amassando e os empurrei, passando. Saí da casa e parei em frente à porta, um pouco distante de e o cara. Aproximei-me lentamente e, a cada passo que eu dava, eu tinha mais certeza que era ele. Senti um aperto no coração, na possibilidade de pensar que poderia estar de volta. Aproximei-me lentamente, eles estavam tão entretidos na conversa, que nem repararam que eu estava ali parada feito uma idiota olhando para cara deles.
- ? – falei, aproximando-me e vi os dois me encararem, assustados. Sim, era ele. Depois de quase um ano ele estava ali na minha frente.
04.
"Ever since you left, I've been a mess"
- Que , ? Bebeu? - se aproximou de mim, segurando-me pelos ombros e eu vi o garoto se afastar um pouco. estava tentando me distrair. Afastei-me dele e me aproximei do garoto, que correu em direção a um Volvo preto que estava parado no gramado. Bufei e vi o carro se afastar pela rua. Encarei , que tinha uma expressão um tanto nervosa. Por que ele estaria nervoso se aquele não era ?
- - chamei-o e ele me encarou - aquele era o , não era? Aquele era o meu ! - quase gritei e vi negar com a cabeça, dando um sorriso um tanto nervoso.
- Claro que não. Você que está alta por causa do álcool. - riu sem humor e começou a se afastar. Corri e parei na frente dele, fazendo-o parar de andar.
- Para de mentir! Eu só bebi uma cerveja e você sabe que eu não fico bêbada tão rápido. E outra, eu conheço o melhor do que vocês e eu aposto que aquele era ele. Me responde se eu estou certa ou errada!
- Se você está tão certa assim de que aquele era ele, por que não corre atrás daquela porra de carro pra olhar pra cara do motorista? Já te falei que não era o ! Você está tão maluca, que agora olha para todos os homens e acha que é ele. - riu novamente e saiu de perto de mim, voltando a entrar na casa. Bufei e entrei também. Comecei a procurar feito louca. Encontrei-a sentada num sofá conversando com . Aproximei-me das duas e elas me encararam, sem entender.
- , me leva embora, por favor. – falei, começando a puxá-la pra fora da sala e ela me encarou sem entender. Bufei e saí dali, sendo seguida pelas duas.
- ! - gritou e eu a encarei. Eu estava sentada no meio do gramado e as meninas pararam perto de mim - O que aconteceu?
- O estava aqui. - elas se encararam e depois voltaram o olhar pra mim.
- Você está se sentindo bem? - perguntou, sentando-se ao meu lado e eu concordei com a cabeça.
- Ele estava aqui, ! Ele estava parado ali - apontei pra onde eles estavam e vi e observarem prontamente - conversando com o !
- E o que o te falou? - perguntou e eu bufei.
- Ele falou que não era o , mas eu tenho certeza que era! Eu não estou louca! Aquele era o meu.... - falei com uma voz triste e senti me abraçar.
- Claro que não era, ! Ele foi embora tem quase um ano, por que iria voltar agora? - falou e eu bufei.
- Quer saber? Por que vocês não vão todos à merda? – levantei-me e vi as meninas me encararem, incrédulas. - Eu tô falando que era ele, por que vocês não acreditam em mim? Que droga! - saí dali correndo, em direção à rua. Eu ia pra casa caminhando. Não ia voltar para aquela festa. Senti as lágrimas começarem a brotar pelos meus olhos enquanto eu caminhava e tentava secá-las.
Flashback.
- Minha mãe gostou de você. - Dougie falou, me abraçando pela cintura e colocando a cabeça no meu pescoço. Sorri, abobalhada e ele riu.
- Ela é uma fofa. - falei e ele concordou, dando um beijo no meu pescoço. - Amor... Me responde uma coisa? – falei,virando-me de frente pra ele e vendo-o concordar com a cabeça. - Você vai ficar do meu lado pra sempre, certo?
- Por que a pergunta, ? – falou, meio ofendido e eu dei um sorriso.
- Nada... Só andei pensando, será que vamos ficar velhinhos juntos? - ele riu da minha ideia, apertando minha bochecha.
- Vamos ficar juntos para todo o sempre. Porque se eu morrer, pode ter certeza que eu vou te encontrar no paraíso. - grudou nossos lábios.
End flashback.
Ouvi o barulho de uma buzina e despertei dos meus pensamentos. Eu estava parada no meio da rua, com um carro com os faróis virados na minha cara. Bufei e fechei os olhos.
- ? - ouvi o motorista gritar e ele saiu do carro. Senti meu braço ser puxado e abri os olhos, vendo Greg parado ao meu lado, encarandome. - O que aconteceu, ?
- Me leva embora, Greg! - falei com a voz embargada e ele concordou com a cabeça, guiando-me até o carro e abrindo a porta do carona. Sentei-me e ele fechou a porta, dando a volta e entrando no lado do motorista. Ele não fez pergunta nenhuma, apenas dirigiu pra algum lugar que eu desconhecia. O barulho que reinava, além do que vinha do motor, era o meu choro que estava incontrolável.
O carro parou e Greg desceu, logo abriu a porta do meu lado e me puxou pra fora. Estávamos na frente da casa dele. Quando ele parou na porta, eu hesitei. Nossas mães eram super amigas. Se dona Veronica me visse nesse estado, na certa iria ligar para os meus pais e eu não estava com saco pra dar qualquer explicação.
- Que foi? - Greg perguntou assustado e eu respirei fundo.
- Sua mãe, ela pode ligar para os meus... - ele me interrompeu.
- Ela saiu. - um alívio surgiu e vi-o abrir a porta e me levar até o sofá. Sentei-me e vi Greg sumir por alguns minutos. As lágrimas ainda teimavam em descer. Ouvi meu celular tocar, peguei-o, vendo o número de no visor. Bufei e desliguei o celular.
- Aqui. - Greg apareceu com um cobertor na mão e colocou sobre mim. - Eu não sei o que aconteceu e se você não quiser falar, eu não vou perguntar. Quando você estiver pronta, você me fala, okay? - concordei com a cabeça, ele sorriu amigável e se levantou.
- Greg... Se a ou alguém ligar pra saber se eu estou com você, diz que não, por favor. - ele concordou com a cabeça e me deixou sozinha mais uma vez. Fiquei ali sentada no sofá, com as pernas cobertas e pensando. Aquele era , isso eu tinha certeza. Agora, por que todos cismavam em dizer que não era ele? Eu não estou louca e eu conheço muito bem o cara que namorei por anos.
Vi uma caneca ser estendida à minha frente e olhei pra cima, vendo Greg sorrir. Agradeci e peguei a caneca, olhando o que tinha dentro: chocolate quente. Ele ligou a televisão e colocou num canal de clipes.
- Eu vi o . - soltei e Greg me encarou com os olhos arregalados. - Ele estava na festa do .
- Mas era ele mesmo? Você conseguiu falar com ele? - perguntou assustado e eu neguei com a cabeça, dando um gole no chocolate.
- Não. Ele fugiu antes de eu ter a chance. - falei - E todos falaram que eu estava louca e que não era ele. - fiz uma cara pensativa e voltei a encarar Greg - O que você acha?
- Sinceramente? - balancei a cabeça e ele riu fraco - Poderia ser ele e também não poderia. Eu sei que você o conhece demais, mas existem muitas pessoas que lembram outras. - fiz um barulho estranho com a boca e voltei a beber o chocolate
05.
"Sometimes sitting in the dark wishing you were here..."
Ouvi um barulho de algo caindo no chão e abri meus olhos, fechando-os rapidamente assim que me deparei com a claridade. Nota mental: matar quem abriu as cortinas. Sentei-me na cama e passei a mão pelo rosto, tentando acordar por um instante. Abri os olhos novamente, já começando a me acostumar com a claridade e olhei ao redor. Onde eu estou? Aquele quarto não era meu. Eu não tenho quadro de time de futebol pendurado na parede e essa parede não é azul.
- Hey, bom dia. - olhei pra porta e vi Greg passar pela mesma, segurando uma bandeja de café-da-manhã. Ele colocou a mesma sobre a cama e sorriu pra mim - Como se sente?
- Confusa. – falei, pegando uma torrada e ele riu - Como eu vim parar aqui?
- Bom, você saiu da festa do feito louca porque achou que tinha visto o , mas o te disse que não era ele, então você saiu de lá, eu quase te atropelei porque você ficou igual uma bêbada pela rua. - riu - E eu te trouxe pra cá, te acalmei e você dormiu. Depois te coloquei aqui. - apontou pra cama.
- Só isso? – perguntei, com uma voz meio infantil e ele riu, concordando.
- Só isso. - sorriu e eu concordei com a cabeça. Ele me fez tomar todo o café que ele tinha pedido à empregada pra preparar, mesmo comigo insistindo que eu não queria e que eu não estava com fome. Depois ficamos conversando sobre algumas bobagens até eu decidir ir embora. Greg fez questão de me levar em casa e eu concordei.
- Greg... - chamei-o, vendo-o me encarar - Obrigada. - ele sorriu sem graça e eu o abracei, abrindo a porta e saindo do carro. Vi o carro dele se afastar e me virei, caminhando pelo quintal e indo até a porta de casa. Peguei a chave e abri a mesma, entrando em casa e dando de cara com minha mãe parada na escada com o celular na mão.
- AONDE VOCÊ ESTAVA? - gritou e eu fiz uma careta. Sério que eu iria começar o dia ouvindo gritos da minha mãe? Nada legal.
- Eu fui pra casa do Greg, mãe. – falei, começando a subir a escada.
- Não poderia pelo menos ter ligado pra avisar? Você tem noção do quão preocupada eu e o seu pai ficamos? Do quão preocupados seus amigos ficaram? A não parou de ligar pra cá. Seu pai queria ir até na polícia! - respirou fundo, fechando os olhos e voltou a me encarar. - Você não é mais criança! Já tem dezoito anos, dá pra ter um pouco de juízo, por favor?
- MÃE! - gritei e ela me encarou, assustada - Que droga! Você sabe mais do que ninguém que eu tenho juízo. A bateria do meu celular acabou e eu estava cansada demais pra raciocinar e acabei dormindo por lá mesmo!
- Filha, você não entende...
- Eu to aqui, não estou? Não estou viva? Então, pronto. - bufei e continuei subindo a escada, indo rumo ao meu quarto. Bati a porta e tranquei a mesma, jogando-me na cama. Levantei-me da cama e caminhei até o banheiro, tirei a roupa e entrei no box, ligando o chuveiro e deixando a água fria cair sobre mim.
Desliguei a televisão depois de desistir procurar algo de bom pra ver e bufei, ouvindo meu celular fazer barulho. Peguei o mesmo e vi:
15 ligações perdidas.
20 mensagens recebidas.
10 mensagens de voz.
A maioria de , , e falando que iriam me matar se eu não aparecesse em dez minutos. Ri e desliguei o telefone, colocando-o em cima do criado-mudo. Eu iria ignorá-los por um tempo. Eu preciso desse tempo pra saber o que está se passando na minha cabeça nesse momento. Era ele ou não era? Era isso que eu precisava saber, além de precisar colocar minha cabeça no lugar.
06.
"I got used to living without you, and those phone calls and dreaming about you"
Cheguei na escola simplesmente passando por todos sem falar nada. Entrei pela porta lateral, não queria encontrar ninguém do pessoal. Era a última semana de aula, finalmente. Precisávamos apenas fazer as provas e logo depois estava acabado isso tudo. Sentei-me na minha mesa, coloquei meu material sobre a mesma e fiquei encarando o quadro. Os únicos alunos que ainda estavam na sala além de mim eram os nerds. Depois de algum tempo, chegaram os jogadores de futebol. Nunca tinha reparado como aqueles caras eram nojentos, meu Deus. Vi entrar na sala acompanhada por e abaixei meu olhar, fingindo que via algo no celular.
- Nossa, você está viva! - ouvi o sarcasmo na voz de e olhei pra ela, vendo me encarar com uma cara feia.
- Custava nos ligar pra dizer que você estava bem? - continuei quieta, ouvindo começar com seu sermão. - O que foi? Não vai falar com a gente?
- Eu até iria, se vocês não tivessem me dito que eu estava maluca. – respondi, voltando a encarar um joguinho idiota que tinha no meu celular.
- Quer dizer, que você acha que viu o e a culpa é nossa? - falou, jogando o material sobre a mesa atrás de mim e eu bufei, fingindo que não tinha escutado. Peguei os fones de ouvido, e os coloquei, numa música qualquer alta.
- , ! - ouvi alguém gritar meu nome enquanto eu caminhava até meu carro e virei pra trás, vendo Greg parado. Sorri pra ele e parei de caminhar.
- Hey, Greg! - sorri e ele parou ao meu lado. Começamos a caminhar juntos. - Aconteceu algo?
- Não, não aconteceu. - respirou fundo - Só queria te perguntar se você quer ir ao baile comigo. - ele sorriu e eu mordi o lábio inferior. Eu sequer queria ir à formatura.
- Greg, eu nã...
- A gente vai como amigos. - concordei com a cabeça e ele sorriu - Isso foi um sim?
- Okay. Como amigos. - sorri e ele sorriu.
Ouvi meu celular tocar e corri pra pegar, atendi sem nem mesmo olhar no display. Na certa, seria algum dos meninos ou , pra falar que eu não tenho por que ficar chateada com eles.
- Alô? - falei, deitando-me na cama.
- Você está chateada comigo? - ouvi a voz tímida de e quase dei uma risada.
- Não, . - falei e ouvi-a suspirar.
- Ai, que bom! - rimos - Enfim, Greg me contou que você vai ao baile com ele. E sabe o que isso significa?
- Não significa que nós estamos namorando, se foi isso que você pensou. - falei e ela fez um barulho com a boca.
- Não, idiota. - riu - Significa que você e eu... Precisamos de vestidos para o baile!
- Okay... – falei, fazendo-a rir - Amanhã no shopping perto da sua casa, okay?
- Por que não hoje? O baile é sexta!
- Porque hoje eu quero ficar em casa. – falei, fazendo uma voz infantil, e ela bufou.
- Okay, tchau. - desligamos. Joguei o telefone em cima do criado-mudo e fiquei deitada na cama, encarando o teto. Pra quem não queria ir ao baile, lá estava eu, pensando em qual cor de vestido eu usaria.
Flashback.
- O zagueiro do time de futebol me perguntou se você estava afim de ir ao baile desse ano... - falou durante o nosso almoço e eu dei uma risada.
- Do que riem? - perguntou, chegando junto com os meninos e sentando-se junto da gente.
- De um brutamonte do time de futebol que quer que eu vá com ele ao baile. – falei, dando uma risada e vi fazer uma cara feia.
- Ah, é? Quem foi esse babaca? Acho que ele precisa conversar com a minha mão... De preferência, com ela fechada bem no meio da cara dele. - ele ficou analisando a mão fechada em punho e todos na mesa nos encaravam.
- Falou o valentão. - falou de boca cheia, fazendo-nos dar uma risada fraca.
- Só uma pergunta, quem te iludiu, falando que eu vou aceitar? – perguntei, encarando e um sorriso surgiu em seus lábios - Eu quero ir ao baile, sim. Mas com você. - ele sorriu ainda mais e se aproximou, grudando os lábios nos meus.
- Eca. Parem com essa melação! - ouvimos falar e algo foi jogado em nós, e nós nos separamos, voltando cada um pra seus lugares.
- Vocês são chatos. - ele falou, arrumando o cabelo e todos gargalharam.
End flashback.
E lá estava eu, mais uma vez derramando lágrimas por ele. Bufei e me sentei na cama, encostando-me à cabeceira. Tratei de secar logo aquelas lágrimas e ouvi algumas batidas na porta.
- Está chateada comigo também? - vi colocar apenas a cabeça dentro do quarto e gargalhei - Vou aceitar isso como um não. - entrou no quarto e quase pulou em cima de mim, na cama. - Por que esse ódio todo com as meninas?
- Porque elas simplesmente me chamaram de louca só por que eu disse que vi o . - falei e o semblante dele mudou de repente e eu bufei - Por que vocês ficam com essa cara quando eu digo que eu vi ele?
- Porque isso é praticamente impossível! Ele está muito distante daqui, ! - falou rápido e depois parou, como se estivesse pensando no que acabara de dizer.
- E como você sabe que ele está muito distante daqui? – perguntei, vendo quase suar frio. - Vocês têm contato com ele?
- Você entendeu errado! - falou asperamente e eu me assustei - Eu quis dizer que... Você acha que se ele estive por perto, ele já não teria vindo te procurar?
- Sei lá, ! - falei e ele negou com a cabeça - Se ele foi embora sem me dizer, claro que ele seria capaz de voltar sem me avisar.
- O te ama, . - disse convicto e um sorriso breve escapou pelos meus lábios.
- Como você pode ter tanta certeza? – falei, tirando aquele sorriso do rosto.
- Porque... - ele respirou fundo e me encarou novamente - Ele tinha planejado te pedir em casamento logo depois do baile de sábado.
- E aí ele sumiu? E fez a mãe dele me dizer que ele foi morar com a tia na Nova Zelândia?
- Eu acho que se ele sumiu, teve um motivo pra isso.
- E eu acho que ele deveria ter me dito que iria embora e não ter me deixado aqui feito uma estúpida, que chora todas as noites de saudade dele.
- ...
- Não, ! Você não entende. Cada dia é mais difícil pra mim. - minha voz começou a ficar embargada - Você não imagina o quanto eu me culpo, achando que eu fiz algo de errado, que algo ruim aconteceu com ele... Você não imagina. - as lágrimas voltaram a cair e eu senti ele me puxar, me abraçando.
07.
"You are the dancing queen, young and sweet."
Encarei-me no espelho mais uma vez, puxando um pouco do vestido pra cima. Meu cabelo estava um pouco preso na parte de trás, deixando minha pequena franja caída. Optei por uma maquiagem leve, mas com um batom um pouco mais fortes. Ouvi minha mãe bater na porta do quarto e dizer: 'Greg chegou.' E eu simplesmente congelei. Por dois anos e meio eu me imaginei indo à formatura com e agora eu iria com Greg. Me batia uma enorme vontade de desistir a cada passo que eu dava em direção à porta. Não estava com clima pra festa. Não estando brigada com a grande maioria dos meus amigos e indo com um garoto que não é quem eu esperava. Parei e voltei a me encarar no espelho. 'Está tudo bem. É só um baile.' Repeti pra mim mesma enquanto saía da frente do espelho e caminhava em direção à porta. Abri a mesma e saí do quarto, descendo a escada, erguendo um pouco o vestido pra não tropeçar e rolar escada à baixo. Acredite, pelo quão nervosa eu estava, isso poderia acontecer. Vi Greg estender a mão assim que eu cheguei no penúltimo degrau da escada. Dei um dos meus melhores sorrisos e ele retribuiu. Coloquei minha mão sobre a dele e senti o quão frio ele estava. Ri fraco e vi ele estender uma caixa azul que continha um bracelete. Aqueles que tem uma flor, sabe? Típicos de bailes. Sorri e ele colocou no meu braço, dando um beijo nas costas da minha mão. Desci a escada e pude reparar o quão bonito ele estava. Ele usava um smoking preto, só que não era gravata borboleta, era uma daquelas tradicionais pretas. Os cabelos estavam mais arrumados do que em dias comuns. Parei ao lado dele e recebi um abraço, sorri. Greg é realmente muito carinhoso comigo.
- Vocês estão... lindos. - ouvi minha mãe falar lentamente e ri, afastando-me de Greg.
- Bom... Vamos? - concordei com a cabeça e ele pegou minha mão, guiando-me pra fora de casa e indo até o carro. Abriu a porta do mesmo pra mim e depois a fechou, dando a volta no carro e entrando no lado do motorista.
Acho que eu nunca tinha visto a quadra tão cheia como eu vi aquele dia. Ri e senti Greg me puxar até algum lugar. Chegamos perto do pessoal e eu vi e se pegando e os outros conversando. Todos estavam ali, menos e . usava um vestido azul bebê com detalhes prateados na parte de cima e usava um vermelho de um ombro só com babados, bem a cara dela. Os meninos usavam smoking, só que com gravatas de cores diferentes. Imaginei que estaria da mesma forma e dei uma risada.
- Hey, quem é vivo sempre aparece, não é? - falou assim que eu cheguei e me deu uma vontade de mandá-la ir a merda, mas eu apenas sorri.
- Quer algo pra beber? - Greg perguntou, falando perto do meu ouvido e eu concordei com a cabeça.
- Traz qualquer coisa não alcóolica. - ri e me sentei ao lado de e , que tinham parado de se engolir. Ficamos conversando sobre coisas bobas até eles resolverem dançar e me deixar ali apenas com e . Greg voltou e me entregou um ponche, falando que tinha quase certeza que não estava batizado. Dei um gole e começou a tocar We found love da Rihanna. Coloquei meu copo sobre a mesa e saí dali, puxando Greg, que ria da minha animação momentânea.
Depois de dançar umas cinco músicas, nós voltamos pra mesa que estava ocupada por , e mais um rapaz que estava de costas. Pelo jeito, ou era algum bruto do time de futebol, ou algum amigo dos meninos de outro lugar. Aproximamo-nos e me encarou, um pouco assustado. Eu estava tão feia assim? Ri do meu pensamento e vi o rapaz se virar pra nos encarar e nesse momento eu senti minhas pernas bambearem. Por um segundo, eu esqueci onde eu estava e as pessoas ao redor. Tudo que importava estava ali na minha frente. Ele estava ali na minha frente. Depois de um ano, eu e ele frente a frente de novo. Senti as lágrimas começarem a rolar no meu rosto e passei a mão pela minha bochecha, tentando pará-las. Mas foi simplesmente uma tentativa falha. Vi se levantar e parar na minha frente, dando um sorriso de canto, mas assim que viu Greg parado ao meu lado, me encarando, sua expressão mudou.
- ... – aproximou-se de mim e, numa vontade súbita, eu me afastei e olhei pro lado, procurando algum lugar pra escapar dali. Encontrei a saída da quadra e corri até ela, esbarrando em pessoas que dançavam ou estavam paradas conversando. Ouvi vários xingamentos, mas nada daquilo importava. Procurei a saída da escola e parei, tirando meus sapatos. Encontrei, finalmente, a porta e vi alguns casais conversando e por um momento me vi ali com , como fazíamos. Continuei a correr pra mais longe possível dali. Não! Ele não podia estar de volta! Continuei correndo sem direção, sem rumo, precisando apenas fugir dali. As pessoas passavam na rua e me encaravam. Eu deveria estar parecendo a noiva cadáver.
Cheguei, finalmente, na praia e caminhei até a areia, sentando-me próxima ao mar. Minha cabeça estava confusa que só. Ele estava de volta. E conversando com e . Será que eles estavam tão surpresos quanto eu? Será que ele soube da minha formatura e resolveu voltar por mim? As lágrimas voltaram a rolar e eu vi uma onda se aproximar, molhando meu vestido inteira quando ela "quebrou". Eu estava acabada por ele estar de voltar, que diferença acabar com meu vestido faria?
08.
"I've been thinking of you…"
Me mexi, sentindo algo áspero na minha pele, abri os olhos lentamente e dei de cara com claridade, fechei-os rapidamente, bufando. Esfreguei bem o rosto e abri novamente os olhos. Olhei ao redor. Eu estava na praia? O que eu estava fazendo de vestido... E na praia? Fechei os olhos, tentando lembrar de algo que aconteceu na noite passada e os flashes começaram a surgir.
no meu baile de formatura agindo como se nada tivesse acontecido.
Senti minha cabeça latejar. Não, aquilo não aconteceu. Era tudo invenção da minha cabeça. Não podia ser verdade. Olhei ao redor e não tinha quase ninguém na praia. Levantei-me e comecei a caminhar. Algumas pessoas que passavam me encaravam, tentando entender o que eu fazia ali. Mal sabiam elas que eu também não sabia. Meus pés já estavam doendo de tanto que eu andava, aonde eu tinha deixado minha bolsa mesmo?
Virei na rua da minha casa e praticamente corri até ela. Alguns carros estavam parados ao redor, inclusive um da polícia. Okay, agora minha mãe exagerou de vez. Passei pela grama que ia até a entrada da minha casa e, assim que abri a porta, os olhares caíram sobre mim. Minha mãe sentada no sofá com a cara totalmente vermelha e meu pai do lado, segurando a mão dela. , , , , sentados ali... Inclusive . Senti uma dor no peito ao olhar pra ele, mas nosso contato visual foi quebrado por minha mãe me abraçando.
- Querida, por favor, nunca mais me assuste assim. - ela falou, segurando o choro e eu apenas concordei com a cabeça.
- Aonde você estava? - meu pai perguntou e minha mãe me soltou, parando ao lado dele pra me encarar.
- Será que vocês podem tirar o daqui? - todos na sala o encararam e ele sorriu de lado, se levantando.
- Não acha que a gente tem que conversar? – perguntou, dando alguns passos e parando no meio da sala. Neguei com a cabeça.
- Não. Se você foi embora sem falar comigo, pode ficar mais um tempo sem falar. Sai daqui. – falei, fechando os olhos e ouvi alguns passos. Abri os olhos novamente e , , e me encaravam. - Será que vocês também podem sair daqui?
Eles se levantaram e simplesmente saíram da sala, me deixando ali sozinha com meu pais.
- Eu vou falar com os policiais. - meu pai falou, saindo da sala e minha mãe me puxou pro sofá.
- O que aconteceu naquele baile, meu amor? - contei pra minha mãe simplesmente tudo que tinha acontecido. Desde o momento em que eu vi até o momento em que eu acordei na praia e só lembrava que eu tinha que voltar pra casa.
Me joguei na cama, sentindo minhas pernas doerem. Eu estava cansada, tanto fisicamente, quanto mentalmente. Rolei na cama, procurando não pensar em tudo que tinha acontecido, mas era simplesmente impossível. Eu me pegava olhando pro nada e pensando no porquê do estar de volta e justamente no dia do meu baile. As lágrimas começaram a rolar pelos meus olhos e eu senti uma dor imensa no peito. Raiva, tristeza, amor... Uma mistura de sentimentos que estava difícil de compreender. Fechei meus olhos e joguei o travesseiro em cima da cabeça, tentando, de alguma forma, me isolar de tudo que acontecia ao meu redor. Ouvi batidas na porta e a voz da minha mãe se pronunciar no silêncio do meu quarto:
- Filha, seus amigos estão lá na sala querendo falar com você. Por favor, desça e converse com eles... - tirei o travesseiro de cima do rosto e a encarei. Levantei-me e saí do quarto, minha mãe me deu um abraço e um beijo na testa. Ela tinha tirado o dia de folga pra ficar comigo. - Qualquer coisa, eu estou no meu quarto, okay? - concordei com a cabeça e desci a escada lentamente. Estava um silêncio tão absurdo lá embaixo que eu me assustei. Parei no pé da escada e todos os olhares se voltaram pra mim. , , , , , , Greg...E sentados ali. Meu corpo gelou ao vê-lo ali, frente a frente comigo. Seus olhos continuavam com aquele brilho especial. Aquele brilho que sempre me encantou. Tentei ignorar meus pensamentos e me sentei na poltrona de frente a eles.
- O que vocês querem? – falei, no tom mais frio possível. Greg foi o primeiro a se pronunciar.
- Como você se sente? – perguntou, num tom baixo.
- Como você estaria se estivesse no meu lugar? – falei, vendo-o se assustar com a minha resposta. Eu nunca tinha sido fria com ele. Greg, no fundo, sempre fora um ótimo amigo. Com o silêncio que continuou na sala, eu continuei falando.
- Como você se sentiria se descobrisse que foi enganada por quase dois anos por seus melhores amigos? Como se sentiria se a pessoa que você mais amava sumisse do nada e você fosse o único sem notícias dele, sendo que todos ao seu redor sabiam onde ele estava? - minha voz começou a embargar e eu parei, respirando fundo. - Estou mentindo?
- ... - começou a falar, respirando fundo - Nós tentamos não te fazer sofrer.
- Mentir pra eu não sofrer? – falei, num tom sarcástico e ele bufou, abaixando a cabeça. - Vocês todos sabiam. E não foram capazes de me contar nada. Eu sofri demais por causa dele e vocês não estavam nem aí pra minha dor!
- Desculpa, mas... Eu não sabia de nada. - falou, num tom mais alto e todos a encararam. - Eu estou tão chocada quanto você. O nunca me contou nada, acredite.
- Como vocês foram capazes de fazer isso comigo? Eu jurava que éramos melhores amigos. – falei, vendo e se encararem.
- E nós somos. - falou rápido e eu a encarei com um certo desprezo.
- Você acha que depois disso tudo ainda somos melhores amigos? - falei e se pronunciou.
- , por Deus! Nós somos amigas desde pequenas. Não vivemos uma sem a outra. Somos inseparáveis. - dei uma risada ao ouvi-la terminar a frase.
- Lembra de quando nós costumávamos contar o que estava acontecendo em nossas vidas, uma para as outras? - falei e ela abaixou a cabeça - Eu nunca menti pra vocês. Nunca.
- , por favor, pare de culpá-los. - falou num tom baixo e todos o encararam. - Eles fizeram isso porque eu pedi. A culpa é toda minha. Não fique chateada com eles, fique chateada comigo. Se quiser, não olhe nunca mais na minha cara. Mas eu tenho que dizer que eu fiz isso tudo pra não te ver sofrer.
- Por que eu iria sofrer? Nós estávamos juntos. Eu nunca sofri por nada.
- , por favor.... - colocou a mão na testa, respirando fundo e eu senti minha cabeça rodar. Era muita informação. Todos ali estiveram contra mim.
- Saiam daqui. – falei, me levantando e todos me encararam, assustados. - Por favor, apenas saiam. - fechei os olhos e ouvi a porta sendo aberta e alguns passos.
- Posso conversar com você, a sós? - eu conhecia aquela voz. Mas eu não queria. Eu não queria falar com ele. Não agora.
- Qual parte do "saiam daqui" você não entendeu? – falei, me levantando e ficando cara a cara com ele.
- Me escuta, por favor.
- Não. Eu não quero te escutar. Você não teve a coragem de me dizer por que iria embora e agora quer que eu te escute? Eu não quero isso. Sai daqui, por favor. Muita coisa mudou desde que você foi embora. Eu sou uma nova pessoa.
- Nada mudou, . Eu ainda te amo demais. - soltei uma gargalhada e o encarei novamente.
- Ama? Então você abandona todas as pessoas que você ama? - ele ficou em silêncio e eu respirei fundo - Sai daqui, . Por favor, sai.
- Eu ainda te amo, . Não vou cansar de te dizer isso. - falou, caminhando até a porta e virou pra me encarar.
- Não acredito nesse tipo de amor que faz a pessoa sofrer. – falei, sentindo um aperto no peito. Por mais que eu estivesse quebrada por dentro, eu não queria demonstrar isso. Eu tinha que mostrar que era forte.
- Me desculpe... - falou num tom baixo, virou as costas e abriu a porta, saindo de casa. Respirei fundo e e andei até a porta, trancando-a. Parei e encostei a cabeça na mesma, sentindo minha cabeça latejar. Encostei as costas na mesma e escorreguei, me sentando no chão e dobrando os joelhos. Respirei fundo e senti as lágrimas começarem a descer pelo meu rosto. Limpei-as assim que ouvi passos na escada.
- Querida? - minha mãe apareceu e se assustou ao me ver chorando. - O que aconteceu? - abaixou-se ao meu lado e fez um carinho na minha cabeça. Respirei fundo e vi minha mãe se sentar ao meu lado no chão. Comecei a contar a ela tudo que tinha acontecido naquela sala.
09.
(n/a: Colocar Stay para tocar quando a música começar)
Because these things will change...
Dois meses. Dois meses que eu não tinha contato algum com , , , , e . O fato deles nunca terem me contado que sabiam por que tinha ido embora ainda era uma ferida aberta. Eu não tinho coragem de olhar na cara de nenhum deles. Ainda não. Depois daquele dia na minha casa, eu tentei falar com todos eles, querendo que todos eles me contassem o que aconteceu, aonde esteve. Mas nenhum deles se pronunciou. Diziam apenas que seriam traidores se contasse; que aquilo cabia a . Aquilo me irritava profundamente. Eles sabiam de tudo e nunca quiseram me contar. Eu estava com raiva deles todos. Ou talvez apenas magoada. Nem eu sei.
- ? - estalou os dedos na minha frente e eu balancei a cabeça, afastando os pensamentos que eu tinha.
- Que foi? – falei, meio atordoada. se inscreveu pra fazer a mesma faculdade que eu, moda, o que foi meio estranho, já que ela até uns cinco meses antes queria fazer jornalismo.
- Eu estava perguntando se você leu o jornal de hoje. - ela falou, pegando um copo de café e sentando-se ao meu lado. Estávamos na cantina da faculdade, havíamos chegado uns cinquenta minutos mais cedo, não sei por que.
- Não, não li o jornal... O que tinha de bom nele? - falei com uma voz entediante, vendo alguns amigos nossos chegando.
- Os meninos estavam nele. – encarei-a, sem entender e ela riu - Eles vão fazer o primeiro show do ano. A volta do McFLY! - fez uma pausa e voltou a me encarar - , em que mundo você vive que não sabia disso?
- Vivo no mundo aonde eu tento afastar esses quatro da minha vida. - falei e ela balançou a cabeça negativamente.
- Sério, eu sei que você ainda está muito chateada pelo fato deles não ainda não terem te contado o porquê do ir embora, mas... Eles são seus amigos, . - falou e eu bufei.
- Não venha com aquela lenga-lenga de que eles mentiram pra me proteger, okay? - falei e antes dela rebater, uma voz ecoou pela cantina.
- Hey, my girl! - olhei pra trás e vi Josh se aproximar de nós, sorrindo. Ele usava uma camisa listrada, uma calça skinny colada e um all star. O cabelo, como sempre, super engomadinho. Josh já estava quase se formando e trabalhava há tempos numa das maiores revistas de Londres, e tentava conseguir um estágio pra mim. Apenas pra mim, porque e ele se odeiam totalmente.
- Oi, lindo. – falei, dando um beijo na bochecha dele, que se sentou de frente pra nós, fazendo uma cara feia ao ver ali. - Nossa, não sejam bichos do mato. Se cumprimentem. – falei, dando uma risada e eles sorriram um para o outro a contra gosto.
- Tenho uma novidade pra você, gatinha! – falou, batendo palminhas e revirou os olhos, fazendo ele bufar. - Sai daqui, garota.
- Vocês se amam. - falei e me fuzilou com os olhos. - Qual é a novidade, Josh?
- Você. Está. Contratada. - ele falou e eu pulei em cima dele. Começamos a pular feito dois loucos pela cantina e todos nos encaravam. abaixou a cabeça, e eu e Josh paramos de pular e nos sentamos de novo.
- Você tá falando sério?
- Mais sério impossível, gata. - riu e eu olhei pra .
- Parabéns, amiga! – falou, me abraçando e eu sorri, agradecendo. Ficamos mais um tempinho conversando, até repararmos que a primeira aula iria começar. Levantamo-nos e fomos correndo pra sala.
Abri a porta e dei de cara com a minha mãe sentada no sofá, olhando pra televisão. Minha cabeça estava latejando. Eu tinha me enchido de trabalhos pra fazer, tudo isso pra me manter ocupada caso eu tentasse pensar em ou algo que me ligasse a ele. Coloquei meus livros em cima da mesa e me virei, encostando-me à mesma pra tirar a sapatilha.
- Querida, você tem visita... - falou e apontou para os fundos, ergui a sobrancelha e fui até lá. Minha mãe de vez em quando consegue ser assustadora. Dei uma risada nasalada com meu pensamento e parei perto da porta dos fundos, abrindo-a. Encontrei e sentados na mesa próxima à piscina. Okay, como a chegou tão rápido aqui, se nós saímos no mesmo horário? Dei um passo à frente e fechei a porta, me aproximando deles.
- O que vocês querem? – falei, encarando , que sorriu fraco.
- Primeiro, te parabenizar pelo trabalho. - Okay, como ele sabia? - A me contou. E segundo, eu quero que você vá ao show de hoje do McFLY.
Dei uma gargalhada, fazendo-o me encarar, sem entender.
- Piada, não é? Depois de tudo, você ainda...
- , por favor. Eu sei que você tem seus problemas com ele. Mas pensa na gente. Nós ainda somos amigos... Já passou da hora de você parar de ficar nos deixando de lado. Não foi culpa nossa não te contar porque o foi embora. Se você fizesse o mesmo, nós também não contaríamos a ele. - respirou fundo e se levantou, caminhando na minha direção. - Por favor. Esteja lá para nos apoiar. Eu te amo, little. - tentei reprimir o sorriso ao ouvir o apelido, mas não consegui e acabei deixando-o escapar.
se levantou e saiu, em silêncio, atrás de . Virei-me, os encarando de costas e respirei fundo. Eu devia ir ao show. Apesar de tudo, os três ainda eram meus amigos.
- . - falei e ele parou, virando-se e voltando a me encarar. - Conta comigo.
Terminei de me maquiar e caminhei até o espelho, me encarando. Eu tinha colocado uma camisa preta com uma foto do Ozzy Osbourne na frente, uma calça preta e botas da mesma cor. Ouvi meu celular tocar e o peguei, vendo uma mensagem da dizendo que já estava lá embaixo. Coloquei o celular dentro de uma bolsa, junto com a carteira e chaves de casa e saí do quarto. Desci a escada, com medo de tropeçar porque eu fico lerda quando uso salto alto. Ri do meu pensamento e saí de casa, vendo dentro do carro. Andei até lá e abri a porta, entrando no mesmo e fechando-a logo em seguida.
- E aí, gatinha? – falou, dando uma risada e eu ri junto.
- E aí, beleza? - rimos e ela deu partida no carro. ia contando das coisas que aconteciam sobre ela e e pedindo conselhos. Eu, como péssima conselheira, fazia algumas piadinhas, mas também tentava ajudar. Chegamos à porta do pub onde iria ser o show e ela estacionou o carro uma quadra antes. Descemos e caminhamos até lá. estava com um cartãozinho vip e mostrou pro segurança, que nos deixou entrar. Ouvimos algumas pessoas xingando e ela deu um tchauzinho irônico. Ela saiu me arrastando para os bastidores e encontramos os meninos sentados numa salinha, arrumando-se.
- Amor, boa sorte. - correu pra dar um selinho em . Vi e sentadas num sofá e sorri pra elas, que retribuíram. Fletch veio na sala avisar que o show começaria em dois minutos e nós saímos de lá, indo pra frente do palco. Sentamo-nos numa mesinha um pouco perto e logo os meninos começaram a tocar.
- Agora, a gente vai fazer uma coisa diferente... - começou a falar e chamou pra pegar o microfone - Meu mate aqui vai fazer um cover. - ele e trocaram de lugares e logo uma música começou a tocar.
It's hard to believe
Está difícil de acreditar
Where we are now
Onde nós estamos agora
Your hand in mine, babe
Sua mão na minha, amor
Feels right somehow
Parece certo de algum jeito
Don't make a sound
Não faça barulho
It's almost perfect, babe
Está quase perfeito, amor
Promise you'll never look down
Prometa que nunca irá olhar para baixo
We had our past, I know
Nós tivemos nosso passado, eu sei
Let's leave that behind
Deixemos isso para trás
Cause none of it last,
Porque nada disso dura
All that we have is tonight
Tudo que temos é esta noite
Senti o olhar de cair fixo sobre mim e um brilho estranho no olhar dele aparecer. Meu coração começou a bater forte. Ele sabia que eu gostava daquela música. Foi a que eu toquei no último show de talentos da escola. E ele não estava aqui. Alguém contou.
Beautiful, one of a kind
Linda, de uma maneira
You're something special, baby
Você é algo especial, amor
And you don't even realize
E você nem percebe
That you're my heart's desire
Que você é o desejo do meu coração
All that I needed and more
Tudo que precisei e mais
I know you're scared,
Eu sei que você está assustada
But I promise, babe,
Mas eu prometo, amor
I'm not who I was before
Eu não sou quem eu era antes
Ele balançou a cabeça, como se confirmasse que ele não é mais quem ele era antes e eu senti um aperto no peito. Uma lágrima solitária escapou e minha cabeça se tornou um turbilhão. Quem ele era antes?
Now that the pain is done,
Agora que a dor passou
There's no need to be afraid
Não precisa ter medo
We don't have time to waste,
Nós não temos tempo para desperdiçar
Just tell me that you'll stay
Só me diga que vai ficar
Tell me baby
Me diga, amor
Tell me you'll stay
Me diga que irá ficar
No, tell me
Não, me diga
Tell me that you'll stay
Me diga que irá ficar
- Tell me that you'll stay... Cause I still love you. - ele falou, antes dos meninos pararem de tocar e a música terminar. As pessoas que estavam ali começaram a aplaudir e me encarou. Me levantei e saí dali correndo. Passei pela pista de dança, empurrando algumas pessoas e corri até o lado de fora. Sentei-me do lado de fora do pub, sentindo as lágrimas começarem a cair. Era sempre assim. A gente brigava, ele cantava uma música que me fazia chorar e lá estávamos nós juntos de novo.
- Me perdoa, por favor. - ouvi aquela voz falar atrás de mim e me virei, vendo parado, olhando pra mim.
Continua...
Nota da Beta: Erros na fiction? Comunique-me por email. Xx.