Eu sentia o vento fresco no meu rosto com os salpicos e o balançar do mar e isso me tornava mais ainda aquilo que sou: livre, corajoso, famoso, rico e o mais cortejado entre as mulheres; o Capitão Jack Sparrow. - Levanta, marujo! – ouvi alguém gritar e senti um forte tapa em minha face. - Onde estou? – levantei-me depressa – Onde estão as damas? Onde está o rum? - Vamos, Jack! Já estamos prontos para zarpar. – gritou Gibbs, puxando-me consigo. - Mas e o rum? - Por Deus, Jack! Estamos na Inglaterra, não em Tortuga! - E por que não? Já que é onde deveríamos estar. – finquei meus lindos pés no chão, impedindo-o de me arrastar vergonhosamente pelo cais. - Jack! – gritou. - Tudo bem! – concordei, levantando minhas mãos. - Um caso perdido. – tagarelou o papagaio assim que subimos a bordo. - Qual o seu curso, Jack? – perguntou Ana Maria. - O que ela está fazendo no meu navio? – perguntei ao papagaio. - Pense nas possibilidades, capitão. – Pintel sorriu. - Oh, inúmeras! – Gibbs resmungou, cruzando os braços. - Oh! Finalmente aceitou o fato de que o verdadeiro capitão do Pérola sou eu? – perguntei com um certo brilho nos olhos e um enorme sorriso nos lábios. - Não. Continuo achando-lhe um peixe morto. – respondeu e eu fiz careta. - Para a prancha! – gritei ao me virar. - Só estou aqui para acompanhar minha amiga. - Que amiga? – desvirei-me com medo da resposta. - Olá, Jack. – aquela voz surgiu detrás de mim e minhas pernas tremeram, demonstrando o meu estado de pleno pavor. - Senhora Turner. – sorri, virando-me para vê-la – O que faz aqui? - Vim fazer compras. Londres é o lar das grandes tendências. - Assustei-me por vê-la de vestido. Da última vez que a vi, usava roupas masculinas. - Você não é mais tão jovem quanto pensa, Jack. – falou, aproximando-se – Não há como voltar no tempo. - Elizabeth, querida, lembre-se de que estou velho, mas não morto. – pisquei – E como está o senhor Turner? Se não me engano, vem à terra este ano, certo? - Sim. – ela sorriu – Virá à formatura de . - É triste vê-la no ofício de mãe, querida. – lamentei. - Para mim é uma surpresa a cada amanhecer. - E onde está o pequeno Turner? - Ficou no navio. Não pode nem imaginar que estou aqui. – riu. - O pai do garoto é um pirata. Como é que ele não pode nem imaginá-la dentro do Pérola? – arqueei a sobrancelha, confuso. - Jack. – gritou de dentro do barril onde eu o escondi – Minha mãe se foi? - Ainda não, garoto. Você estragou a surpresa. – dei um leve soco no barril. - Eu sabia! – Ana Maria apontou-me o dedo. - Você está sequestrando o meu filho? – Elizabeth gritou, furiosa. - Elizabeth, eu... - Seu patife, idiota e sem coração! - Mãe! – o menino gritou, saindo do barril – Não culpe o capitão Sparrow por estar me fazendo um favor! - Um favor? – repetiu intrigada – Turner... - O menino tem dois sobrenomes? – perguntei a mim mesmo. - Sim. Um imenso favor. Não quero que o meu conhecimento sobre o mar seja unicamente baseado no meu pai e nas viagens que fazemos vindo até Londres. Quero viver eu mesmo tudo aquilo que vocês viveram! - Não queira. – sussurrou Ana Maria, baixo demais para que o jovem senhor Turner a ouvisse. - Para onde estão indo, Jack? – Elizabeth perguntou. - Eu ainda... - Onde? – fechou os punhos, quase gritando. - Tortuga, milady. – Gibbs respondeu. - Pois bem. Permito que meu filho fique a bordo do Pérola com uma única condição. - Não sei se... – comecei a falar, mas o olhar desesperado de atingia meu coração profundamente – Qual seria? – perguntei, por fim. - Em seis meses devem chegar em Tortuga, onde estarei esperando. Se não chegarem no prazo, eu o caçarei, capitão Sparrow. Ressuscitarei o Kraken se preciso for, mas pegarei o meu filho de volta. Fui clara? - Como a água. – tentei sorrir. - Para garantir que não seja vendido ou que qualquer sorte de moléstia venha a acontecer com ele, Ana Maria os acompanhará. – cruzou os braços. - O quê? – gritamos juntos. - Vejo-os em Tortuga. – virou-se e saiu do navio. - Elizabeth! – gritei – O que faço com ele? - O navio é seu. – gritou de volta, me deixando ainda mais confuso.
- Por onde começamos? – perguntou o jovem Turner. Tão feliz quanto eu, quando vi o Kraken morto. - Partiremos ao amanhecer. – respondi procurando uma garrafa de rum. - Jack, não sei se é uma boa ideia. – Ana Maria sussurrou. - Se o infernizarmos até o amanhecer, ele não pensará duas vezes e pegará o primeiro navio atrás da mãe. – respondi da mesma forma. - Tem certeza? - Te dou minha palavra. – sorri e ela caiu na gargalhada – O que foi? - Sua palavra não é a mais confiável. – riu e saiu da cabine. - Temos um problema, capitão. – o caolho invadiu o meu ofício. - O que houve, sr. Ragetti? – perguntei. - Gibbs mandou chamá-lo. – respondeu fitando o chão. Segui o imprestável até a proa onde toda a tripulação estava reunida. É lógico que só o fiz depois de encontrar minha querida garrafa de rum. - O que é isso? Um motim? – perguntei. - Não, Jack. Ganhamos um tesouro. – Gibbs sorriu. - Explique-se, Joshamee Gibbs. – ordenei. - Senhores! Capitão... Tenho o prazer de apresentar a nossa nova tripulante... - Nova? – Turner perguntou. - Señorita Pardillo! - Aye! – a menina saiu do meio da tripulação e cumprimentou Gibbs. - São roupas masculinas? – Marty perguntou mais para si mesmo que para mim. - Ai, céus! Tudo o que eu precisava agora era de uma mini Elizabeth no meu navio. – murmurei. - Bem vinda, moça. – Gibbs sorriu. - Com licença. Empreste-me o sr. Gibbs só por um instante, docinho. – disfarcei um sorriso e puxei Gibbs para longe da garota – O que pensa que está fazendo? Por acaso está maluco? Por acaso eu disse que pegaríamos órfãos no meio do caminho e não me lembro? - Não, senhor. - Então, responda-me: o que essa garota faz aqui? Já não basta que Ana Maria esteja de volta? – quase gritei. - Precisa ampliar seus horizontes, Jack. A menina nos trará aventuras, o que não temos há muito tempo! - Você quer dizer... - Sim, Jack. Vai poder gastar as malditas balas dos canhões. – entregou-me uma carta. - O que é isso? – perguntei. - Uma carta. - E o que tem escrito? - Descobre-se ao lê-la. – sorriu e saiu. - Jack, terá que dormir com os seus homens. – Ana Maria me abordou assim que eu voltei ao meu juízo perfeito. - O quê? Ana Maria, não sei se alguém duvida, mas tenho plena convicção da minha masculinidade. - Precisa ceder sua cabine às damas. – cruzou os braços com um leve sorriso no rosto. - RÁ! – gritei – Mas eu só estou vendo uma única dama no Pérola. – apontei para a señorita Pardillo e levei um tremendo murro em minha barriga – Oh! Ana Maria também é uma dama! Certo. Fiquem com a minha cabine, eu me arrumo em algum canto. – sorri. - Obrigada, capitão. – Ana Maria sorriu satisfeita. - Turner, cuide das acomodações das damas, sim? - Não, capitão. – o jovem Turner falou ríspido e eu dei meia volta. - Desculpe, mas acho que não ouvi muito bem. Pode, por favor, repetir o que disse? – pedi. - Não é aceitável ter mulheres a bordo. - Explique-se, então. – levantei as mãos. - Com todo respeito, são mulheres, capitão! Deviam estar em casa, arrumando um marido ou coisa do tipo. Não tripulando um navio pirata. – cruzou os braços. - Continuo não entendendo. – falei sincero. - Ela é uma garota! – gritou, apontando para a señorita Pardillo. - O que não me impede de ser melhor que você. – a garota respondeu com um leve sorriso nos lábios e ele me olhou intrigado. - Sabe manejar uma espada, querida? – Ana Maria perguntou. - Melhor do que todos aqui. – respondeu confiante. - Alguma coisa me diz que devo concordar com ela. – apontei para a menina. - Então que venha um duelo. – sugeriu Ana Maria. - Oh, adoro desafios... – sorri – Pardillo, Turner! Um verdadeiro pirata deve manejar muito bem uma espada. Não posso mandá-los lutar até a morte, até porque a mãe do garoto me mataria e não é de meu feitio matar uma dama, então... Lutem até que sejam desarmados, tudo bem? - Pronta, docinho? – Gibbs perguntou e desembainhou sua espada – Pronto, rapaz? – o garoto cuspiu e Joshamee fez uma careta terrível – Bom, acho que isso é um "sim", então... - Que comecem os jogos! – gritei. Durante todo o tempo, aquele duelo me lembrava o dia em que conheci Will Turner. O jovem parecia aflito e ao mesmo tempo com raiva, exatamente como me lembro de William naquele dia. A señorita Pardillo me lembrou Angélica e o seu jeito engraçado de bailar e brincar com a espada. Depois de acordar do meu leve devaneio, vi segurando sua espada no pescoço do garoto Turner e a espada do dito em seus pés. O que indicava o fim do duelo. - Uau, garota. Onde aprendeu a lutar assim? – Ana Maria perguntou enquanto se recompunha. - Por aí. – sorriu, entregando ao garoto sua espada. - Muito bem, bando de porcos. Hora de dormir! – gritei. - Jack! – Ana Maria me olhou docemente. - Tudo bem, docinho. – sorri. - O que estão esperando, seus cães sarnentos? Façam com que aquela cabine fique digna para o descanso! – gritou e Pintel fez careta – O que eu vi? - Nada. – Pintel sorriu forçado e saiu correndo.
Depois de me certificar que passaria a noite sem ninguém me incomodando, subi para o mastro, a fim de ler a carta que Gibbs me entregou. O papel estava meio amassado, mas ainda assim, percebi que era o mesmo da burguesia. E o selo que ali estava era da coroa espanhola. Não me lembro de ter mencionado ser simpática ao Rei da Espanha, mas contra ele nada tenho. Olhei atentamente para o meu nome no topo da carta, antes de lê-la por completo.
Querido Jack,
Duvido muito que se lembre de mim, mas com certeza lembro-me de você. Há 18 anos, o Pérola ancorou nas Islas Canárias e eu o conheci. Em todo o tempo que ficou aqui, passou todas as noites ao meu lado. Depois você partiu e nunca mais voltou. E agora, sabendo que a minha morte é certa, envio-lhe o meu bem mais precioso. Enviei uma carta à Joshamee, que aceitou de bom grado, e lhe sou eternamente grata por isso. Por favor, lhe imploro que cuide bem da minha e aceite-a como sua tripulante. Ela sabe manejar muito bem a espada e é muito boa atiradora, além de saber tudo o que é necessário a um pirata sob ordens de um capitão. Por favor, proteja-a com a sua vida, pois irão atrás dela por saber demais e sei que com você ela estará a salvo. Pois um pai sempre protege muito bem sua cria. É isso, Jack. é sua filha. O nome dela é Filipa Pardillo. Pardillo é Sparrow em espanhol, pensei que assim ninguém desconfiaria de que ela é sua filha. Mas ela me lembra você em todos os aspectos, Jack. Imploro-lhe que a proteja.
Gracias, Rosário Guttiérrez
Meu estado? Acho que pleno choque é a melhor palavra. O que fazer? - ANA MARIA! – gritei. Mostrei-lhe a carta e ela reagiu do mesmo jeito que eu. Oh, novidade. - Espere! A garota é sua filha? – perguntou confusa. - É o que Rosário diz, não é? – falei. - Mas aconteceu? – perguntou de volta e eu dei de ombros. - Acho que já perceberam a gravidade da situação. – falou Gibbs – Virão atrás da menina. Temos que protegê-la, afinal, ela tem o sangue de Jack! - O que isso significa? – perguntei. - Levantar âncora! Içar velas! – Ana Maria gritou – Vamos, homens! Não temos tempo a perder! - Por que ela insiste em dar ordens no meu navio? – perguntei a Gibbs. - Mas estamos no meio da noite! – Marty advertiu. - Foi isso o que perguntei? – Ana Maria retrucou e Marty saiu correndo. - Do que estamos fugindo, capitão? – perguntou o jovem Turner. - É de minha preferência não saber, garoto. – respondi sincero. - O que está acontecendo, capitão? – perguntou saindo da cabine e eu tive uma leve lembrança do rosto de sua mãe. - Volte para a cabine, señorita... – engasguei-me com minhas palavras. - Pardillo. – Gibbs continuou aquilo que eu não consegui falar. - O que está acontecendo, capitão? – repetiu. - Para a cabine! – repeti e me afastei da garota – Onde está aquele macaco quando eu preciso atirar em alguma coisa?
Capítulo 2
Não foi a noite mais agitada que tive no mar, nem de longe a mais calma. Alguma coisa naquela garota me fazia crer que a encrenca se tornaria bem maior que as expectativas de Rosário, ou as minhas.
Amanheceu e Ana Maria conseguiu me convencer a falar com a garota Pardillo a respeito da carta. Nunca fui pai. Nunca pensei em ser. Mas a realidade está posta à minha frente, não posso fugir. Afinal de contas, sou ou não o capitão Jack Sparrow?
Segui rumo a cabine que cedi às damas. Empurrei levemente a porta e vi Ana Maria sorrindo, junto a mesa.
- Não pense que estou fazendo isso por você, pois não estou! - sussurrei e Ana Maria saiu da cabine - Ô, - cantarolei assim que senti uma presença passar atrás de mim - Pode abaixar sua espada, querida? Não fará um motim sozinha - sorri e num pulo ela se pôs à minha frente.
- O que está acontecendo, capitão? - fincou sua espada na porta e tirou o seu chapéu escarlate com uma renda dourada no contorno da aba, colocando-o sobre a mesa.
- Rum? - ofereci a primeira garrafa que vi e a menina fez que não - Não?
- Não, obrigada.
- Com sua licença. - levantei a garrafa e tomei um gole - Diga-me, ... Do que exatamente está fugindo?
- Hmm. - sentou-se em uma das velhas cadeiras do meu glorioso navio e eu fiz o mesmo - Acredito que de mercenários.
- Sua mãe tem insanidade suficiente para confiá-la em minhas mãos, señorita. Assim como a senhora Turner. - falei sincero e tomei outro gole do meu néctar - Conte-me sua história. Aposto que é interessante.
- Nem tanto. Fui criada com minha mãe e nunca conheci meu pai. Quando eu tinha 2 anos, minhas mãe casou com um idiota que podia pagar as contas, mas nunca o amou realmente. Ele me mandou para uma escola metida a besta em Lisboa e assim que eu me formei, o mataram. Voltei para Madrid o mais rápido possível e minha mãe me enviou para o senhor Gibbs, que me transformou em sua subordinada. - deu de ombros.
Meu olhar perplexo só não refletia meu pavor total por ter meus olhos já arregalados ao máximos e meu queixo caído no seu limite.
- . - deixei o rum de lado e puxei a carta do bolso - Sua mãe, Rosário, me enviou essa carta. Tome. Leia. - entreguei-lhe a carta
- Mas é endereçada ao senhor, capitão.
- E eu quero que você a leia. - sorri (ao menos tentei), reconfortante - Vamos! - encorajei a pequena Sparrow e ela abriu a carta.
Perceber que lia cada linha atentamente só me deixava mais nervoso. Mesmo sem entender o porquê, o medo de não responder às expectativas daquela garota crescia a uma velocidade exorbitante dentro de mim. Vê-la sorrir de uma forma meiga ao término da leitura me deixou aliviado e ao mesmo tempo assustado.
- Então... - olhou para o teto e começou a gargalhar - Por favor, diga-me que isso tem fundamento. - pediu.
- Oh, se tem, señorita. - sorri (verdadeiramente agora) e a abracei.
- Capitão! - Ana Maria entrou na cabine, desesperadamente ofegante.
- O que foi, mulher? - perguntei.
- Precisam ver isso - nos puxou para a proa, onde a tripulação se encontrava toda reunida.
- Já é a 2º vez em 2 dias. Por favor, me digam que não temos outro tripulante! - pedi.
- Por Deus, Jack! Veja isso. - gritou Gibbs, me puxando para a beirada.
Destroços de navios e pedaços de corpos por todos os lados. Eram muitos. Destruição total. Dos 4 mastros que vimos boiando, 4 ostentavam nossas cores.
- Quem fez isso? - perguntou .
- O Império. - respondeu Marty - Estão eliminando todos os que conseguem.
- Señorita Sparrow, acha que isso pode ter sido feito por eles? - perguntei, dando meia volta.
- Señorita Sparrow? - Pintel repetiu
- Ela é minha filha. E, sinceramente, é a cara do pai. - sorri, mas logo desmanchei-o ao perceber o grau de seriedade daquilo que acabara de falar.
- Alguém mergulhou! - Ragetti gritou.
- Por favor, me diga que não é ela. - sussurrei para Gibbs.
- Joguem as cordas! - Ana Maria gritou.
- Parece que encontramos alguém à sua altura, Jack! - Gibbs comentou, olhando para baixo.
- ANA MARIA! - gritou.
- Calma, garota! Já vamos trazê-la a bordo! - gritou de volta.
- Está maluca? - perguntou - Por que se jogou?
Quando a puxaram de volta, trazia consigo uma das bandeiras que vimos no mar, porém enrolada. Essa é a única explicação lógica para o volume que formava. Pela primeira vez, vi os cabelos da jovem señorita Sparrow. Negros e longos, como os da mãe. Bem o tipo espanhol.
- O que foi fazer lá embaixo, garota? - Gibbs perguntou, entregando-lhe um pano seco.
- Não podia deixá-lo - ofegou, abrindo a bandeira e nos mostrando a criança que ali estava refugiada.
- Santo Deus! - Ana Maria sussurrou
O garoto vestia roupas típicas dos aldeões irlandeses. Sua camisa branca estava marrom e se confundia com a sua calça.
- Estava em um barril. Por sorte não caiu na água - sorriu.
- E vai cuidar dele? - Ragetti.
- Com certeza. - falou convicta.
- Sua inteira responsabilidade, savy? - arqueei a sombrancelha e ela assentiu.
- Aye, capitão - respondeu prontamente
- Eu vou ajudá-la! - Ragetti levantou a mão.
- E eu também. - falou Pintel
- Ótimo - decretei satisfeito - Acho que assim não teremos problemas. Sendo assim... AO TRABALHO, SEUS VERMES INÚTEIS! - gritei e a tripulação se dispersou. - ?
- Aye, capitão?
- Vá se secar. - sorri.
~ Señorita Sparrow
O primeiro dia era o meu maior medo, sem dúvida. Mas, graças à Deus, deu tudo certo. O Pérola não é exatamente como um navio da coroa, mas é onde eu realmente me sinto em casa. A tripulação é ótima! Conhecê-los não é lá um grande desafio, mas é muito divertido. O homem mudo de bandana é o sr. Cotton e o seu papagaio fala por ele. O homem baixo, gordo e calvo, aparentemente assustador - porém, um ótimo amigo - é o sr. Pintel, a quem carinhosamente chamo de Pin. O seu inseparável amigo alto, magro e sem um olho - porém, doce e dotado de uma inteligência diferente - é o sr. Ragetti. Ana Maria é a única mulher do Pérola, já que sou considerada como uma criança, à mando de Jack. O anão com a barbixa engraçada é Marty. O macaco à quem todos odeiam é Jack. O garoto (que me odeia) é Turner. O simpático senhor que me recebeu em Londres é Joshamee Gibbs, ele me lembra muito meu avô. E o capitão Jack Sparrow, bom... Ele é estranho, mas é meu pai.
Nunca imaginei nada do tipo. Minha mãe disse que Pardillo foi o apelido que meu avô me deu antes de morrer. Tudo bem. Eu lembro disso. Mas eu nunca pensei que fosse relacionado ao mais distinto capitão que eu já ouvi falar. Não estou reclamando. Só estou surpresa (e feliz).
Hoje é o meu 5º dia no Pérola, onde minha única função é cuidar de . Foi esse o nome que escolhi pro garoto loiro de olhos azuis que salvei dos detroços. Jack insiste que é por causa de algum rapaz, mas na verdade não encontrei outro nome que se identificasse tanto com ele.
- Está linda. - Ana Maria comentou enquanto eu olhava o meu reflexo no vidro da janela.
Não eram roupas estranhas, como as que eu usei no meu primeiro dia, apenas diferentes de tudo aquilo que eu vestia em Madrid. Mas ficou tão lindo! Uma calça preta, uma camisa branca e as minhas botas escarlate. E ainda ganhei um sobretudo preto de Jack.
- Essa comida não vai fazer mal à ele? - Ragetti perguntou, entrando na cabine.
- A comida foi feita por , Ragetti. Não lhe fará dano algum. - respondeu Ana Maria com nos braços.
- Tenho minhas dúvidas. - Ragetti sentou-se ao lado de Ana Maria e pegou o garoto - Acha que ele vai ser um pirata quando crescer?
- Não sei, Ragetti - respondi, sincera, ao vê-lo brincar.
- Ragetti, o capitão deseja lhe ver. - falou, entrando na cabine.
- Já volto. - disse Ragetti, colocando no chão e o garoto saiu correndo atrás dele gritando RAAAATTI. Ri com a cena.
- Vou ficar de olhos nesses dois, senão já viu. - Ana Maria riu, saindo da cabine.
- Há algo aqui de seu interesse, Turner? - perguntei ao vê-lo perambular pela cabine.
- Sem dúvida, Sparrow. Por que ainda está com essa criança? - cruzou os braços, se apoiando na mesa.
- É uma vida, como qualquer outra. - entreguei-lhe uma garrafa de rum e peguei outra para mim - Se foi criado com os mesmos valores que eu, tenho certeza que faria o mesmo. - tomei um gole da bebida.
- Tem razão. - ele fez o mesmo.
- Por que me odeia? - perguntei.
- Não te odeio. Só não acho certo o fato de você estar na tripulação de um navio pirata. Ainda mais com o porte do Pérola. - levantou as mãos.
- E por quê?
- Você é uma mulher, independente do que Jack diga. E mulheres não deveriam ser piratas. Não são capazes disso.
- Eu fui capaz de te derrotar, não? - perguntei com um leve sorriso nos lábios e se aproximou de mim.
- Não muda nada. - falou entredentes com seu rosto bem próximo ao meu.
- Sua mãe é um dos lordes piratas. Aliás, o rei deles. E deixou para trás vários homens, como Jack, o Hector Barbossa, Gibbs e também o seu pai. Então, diga-me: por que eu hesitaria em seguir seus passos? - arqueei a sombrancelha e ele me fitou profundamente.
- Esse não é um lugar seguro. - sussurrou e se afastou - E ainda mais agora que está com .
- Estou sendo caçada, . Não há lugar seguro pra mim. - fitei o chão, sentindo o olhar de Turner sobre mim.
- TURNEEER! - ouvi Pintel gritar e em seguida veio um explosão.
- Pin. - sussurrei e peguei minha espada, correndo para a proa e seguida de perto por .
Ao sair da cabine, um homem alto e gordo colocou sua espada em meu pescoço. Coloquei minha espada sob a sua, levantando-a e começamos a lutar.
- Já chega! - uma voz assustadora bradou e todos os patifes que atacavam a tripulação pararam.
Um senhor com longos cabelos e barba grisalhos veio caminhando em minha direção. se colocou na minha frente e Pintel e Ragetti se puseram ao meu lado. Olhei em volta e, à bombordo do Pérola, havia um navio que eu implorei silenciosamente que não fosse o que meu conhecimento insistia em me dizer.
Voltei meu olhar para o homem e seu enorme chapéu preto me chamou atenção.
- Ora, ora, ora - tentou se aproximar de mim e desembanhou sua espada.
- Não ouse. - disse Jack com uma arma apontada para a cabeça do homem.
- Jack! - o senhor deu meia volta, sorrindo. - Pensei que estivesse em Tortuga.
- E eu pensei que estivesse morto. Parece que nós dois estamos errados - Jack arqueou as sombrancelhas.
- Você ainda me deve, Jack. - o homem tirou seu chapéu, deixando sua bandana preta à mostra. - JACK! - gritou e o macaco apareceu, apontando um arma para o meu pai.
Sem pensar muito, peguei as armas de Pin e Ragetti e coloquei de lado, mirando as armas no homem e no macaco.
- Longe dele. - falei, séria.
- O Pérola comporta crianças agora? - um dos zumbis riu e seu capitão o olhou feio, fazendo com que se calasse.
- Perdão, milady. - o senhor se aproximou de mim e a tripulação do Pérola o colocou na mira de suas armas. - Capitão Hector Barbossa - estendeu sua mão e eu continuei encarando-o - Tudo bem. - Barbossa recolheu a mão - Não vai me dizer seu nome?
- Señorita Filipa Sparrow. - falou Jack - Minha filha.
- Filha de Jack? - Barbossa pareceu estar surpreso - A herdeira do trono espanhol é filha de Jack?
Senti minhas mãos congelarem e, de alguma forma, soube que meu rosto ficara pálido. Nunca pensei que alguém soubesse quem sou. Muito menos que esse alguém fosse o capitão Barbossa. Consegui controlar minhas pernas para que não bambeassem, graças às aulas da minha avó de "como aguentar em momentos de pressão". Gracias, vovó.
Jack continuava com o seu olhar superior fixado em Barbossa. Não parecia expressar reação, só tinha raiva nos olhos. E todos nós sabemos que essa raiva é dedicada a Barbossa.
- O quê? - Pintel sussurrou.
- É por isso que estão atrás dela. Por isso querem matá-la. - Ragetti seguiu uma inteligente linha de raciocínio.
- Não é por quem ela é, mas pelo que sabe. - Barbossa completou.
- Ela é minha filha. - Jack guardou sua arma - Temos que mantê-la a salvo.
- Onde vão? - Barbossa perguntou.
- Tortuga. - respondemos, Jack e eu, juntos.
Capítulo 3
~ Capitão Jack Sparrow
- Minha filha... Uma princesa... - repeti incessantemente aquilo que na minha cabeça martelava.
Filipa Sparrow. A rainha da Espanha. Filha do grandioso Jack Sparrow. Oh, céus! Que tempos horríveis e maravilhosos esses que vivemos hoje!
Barbossa nos convocou para uma reunião, depois do ocorrido de ontem. Ficou marcada para hoje, após o jantar. E cá estamos, eu, Barbossa, Ana Maria, , Pintel, Ragetti, Gibbs e o jovem senhor Turner.
- Há quanto tempo está a bordo do Pérola, señorita Sparrow? - Barbossa perguntou.
- Há cerca de seis dias. - respondeu calmamente com o meu neto em seu colo, sentada à mesa.
- Não entendo a importância dessa informação. É completamente inútil. - levantei as mãos, sentando ao lado de minha filha.
- Se é verdade tudo o que ouvi de Rosário Guttiérrez e sua filha, o tempo é de suprema importância, Jack. - Barbossa riu e colocou o mapa das Índias à mesa - Este é o mapa correto, señorita?
- Não posso defini-lo em mapas, capitão Barbossa. Seria fácil demais se eu o contasse. Iria correndo atrás do tesouro, mas antes mataria a todos a bordo do Pérola, é claro. - sorriu.
- Com certeza, filha de Jack. - Barbossa forçou um sorriso macabro e deu meia volta.
- Com licença, mas de qual tesouro estamos falando? - perguntei.
- Não tenho dúvidas de que já ouviu falar de um certo homem chamado Salomão e seu inestimável tesouro, é claro. - Barbossa sentou ao meu lado.
- Você não fará isso. - Ana Maria, até então calada, se pronunciou - É desrespeito!
- Desrespeito, minha cara, é deixar que aquele tesouro apodreça nos calabouços de um castelo. - Barbossa falou, calmo.
- Calma! - levantei-me - Deixem-me entender! Querem matar minha filha por ela saber onde está o tesouro deste homem, Salomão. E Barbossa quer que o leve até o tal tesouro, mas não quer revelar a localização por ser sábia demais. Ana Maria não concorda com Barbossa por achar que é desrespeito. Estou certo?
- Sim. - responderam todos juntos.
- Não é estranho? - perguntei, vagando pela cabine.
- Estranho, capitão? - Gibbs perguntou.
- O que é estranho? - perguntou.
- Essa é a pergunta, señorita Sparrow. - sorri - Não há nada estranho! Nenhuma tripulação amaldiçoada por um tesouro azteca, nenhum monstro nojento em seu navio nojento e seu bichinho de estimação nojento, nenhum coração, muito menos um baú, nenhum maldito pirata correndo atrás do tempo para impedir que um profecia se cumpra, nem sua filha, que pensa ainda poder salvar sua alma, nenhuma fonte da juventude... Nada! Não é estranho? - levantei as mãos, rindo, por fim.
- Deveras. - Barbossa concordou enquanto me observava, horrorizado.
- Há uma ponta de lógica nisso. - Gibbs concordou.
- Faz sentido. - Ragetti concordou.
- Mas eu não disse que não há nada estranho nessa viagem. - falou, fazendo meu riso ir embora.
- Estão vendo? - apontei para minha filha - Isso sim!
- O que há? - Pintel perguntou.
- O tesouro de Salomão foi tirado do Oriente por ciganos, achei que soubessem disso. - olhou diretamente para Barbossa - Eles entregaram o tesouro aos meus antepassados com o intuito de protegê-lo. Não está em um lugar qualquer, senhores... - Ana Maria deu um pigarro - e senhorita. Cruzaremos o Oceano, rumo ao novo mundo. - colocou a criança na mesa.
- E por que ainda vamos atrás desse tesouro? - Ana Maria perguntou, aparentemente intrigada.
- Pelo tesouro, é claro! - Barbossa levantou as mãos e olhou sutilmente para ele - Não vou mentir! É a única coisa que me interessa.
- Dizem que aquele que ler os pergaminhos de Salomão, não conhecerá fome, ou dor, ou tristezas, doenças, e dizem que até mesmo a morte não o procurará. - explicou - E atrairá para si mesmo paz, riquezas e sabedoria da mesma forma que o rei Salomão tinha.
- Tudo isso por ler um pedaço de papel? - perguntei.
- Não. Aquele que ler o pergaminho deve ter os motivos certos. Uma alma boa, de consciência limpa, sem mágoa e de coração puro. - falou, olhando diretamente para , e esta olhou para .
- Com certeza não falamos de Jack. - Barbossa riu.
- Muito menos de você. - dei língua e Hector fez o mesmo.
- O que quer lá, ? - Joshamee perguntou.
- Os mercenários têm a localização. E minha mãe. Tudo o que eu quero é tirá-la de lá, sã e salva. O máximo que levarei de lá são alguns pergaminhos que possam evitar que meu povo passe necessidade. - respondeu, convicta.
- Uma alma boa, sem mágoa e de coração puro. - Ana Maria sussurrou e eu senti um calafrio atravessar meu corpo todo.
~ Turner
quer salvar sua mãe e seu povo. Jack quer mantê-la a salvo. Barbossa quer salvar a si mesmo. E eu? Quero que tudo acabe bem. As armadilhas que podemos encontrar pelo caminho têm uma vasta relação com a morte. Diversos jeitos de morrer. Nunca pensei que eu fosse pensar nisso tão cedo.
Atracamos num porto perto de Lisboa, onde a maioria dos homens optou em passar a noite em bordéis e tabernas. Jack ficou na cabine, analisando os mapas com o pequeno . Ana Maria e Ragetti estão estudando sobre o tesouro. Minha obrigação principal continua sendo proteger a señorita Sparrow.
- É bom saber que aprecia as estrelas - comentei ao chegar na ponta da proa, onde estava sentada, olhando pro céu - Significa que sonha alto.
- Onde estão os garotos? - não foi difícil perceber que se referia à , Ragetti e Jack.
- e seu pai estão juntos. Ragetti está com Ana Maria, preparando um curso - respondi.
- E a tripulação?
- A maioria está em bordéis ou tabernas. - ri, lembrando da animação de Pintel ao desembarcar.
- E quanto à você, marujo? - arqueou a sombrancelha - O que faz aqui? Não deveria estar se divertindo?
- Lembra-se da ordem de Jack? - perguntei e bufou.
- Consigo me proteger sozinha.
- Sei disso. Mas não posso desobedecer meu capitão. - puxei do bolso uma garrafa de rum e entreguei à .
- Oh! Sinto-me bem mais segura agora - falou com uma ponta de sarcasmo antes de beber do rum, me fazendo rir.
- Posso lhe dar um apelido? - perguntei.
- Vá em frente. - levantou a garrafa e eu a tirei de sua mão .
Bebi um pouco e a ideia me veio.
- .
- ? repetiu, fazendo careta - Isso é tão...
- Ora, vamos! Nâo gostou? - ri
- É diferente, mas... Quem se importa? Minha vez agora. - tomou a garrafa de minha mão e bebeu um gole - ! - berrou.
- ? - repeti - É meio previsível, não acha?
- Eu gosto. ... Bonito e simples - sorriu.
- Belo colar. - comentei ao ver a esmeralda amarrada num cordão cintilar em seu colo.
- Eu ganhei quando era pequena. Minha mãe disse que um peregrino a entregou no dia em que nasci. Disse que me ajudaria no momento certo - sorriu e logo em seguida começou a chorar.
Abracei-a, deitando sua cabeça em meu ombro e afaguei seu cabelo, depositando leves beijos em sua testa.
- Tudo ficará bem. - sussurrei.
- Sinto a falta dela, . - sussurrou em meio a soluços.
- Sei que sim. Sinto a falta da minha mãe também. - ri ao lembrar de Elizabeth Turner gritando comigo - Mas é isso que chamam de crescer, certo?
- Preciso vê-la de novo...
- Verá. - sussurrei, depositando um beijo em sua testa - Eu prometo.
~ Señorita Sparrow
Tudo em volta reluzia. Tinha ouro até onde a vista alcançava e provavelmente além. À minha frente, Barbossa tinha uma arma apontada para Jack e outra para .
- Terá que escolher, señorita Sparrow. - Barbossa riu - Seu querido pai ou seu filho.
Tudo começou a desaparecer como fumaça, até não ter mais nada. Abri os olhos e fiquei aliviada ao perceber que aquilo não passara de um pesadelo.
- Bom dia. - Ana Maria sorriu e então lembrei que não havia adormecido na cabine.
- Bom dia. - sorri de volta - Como vim parar aqui?
- veio trazê-la no meio da noite. Disse que precisava descansar. - me entregou um copo de água.
- Gracias. - agradeci, sentando-me na cama.
- Antes que pergunte, está com o menino Turner e Ragetti.
- Encontraram algo?
- Estamos indo à Tortuga. Antes de tudo, temos que deixar por lá, senão Elizabeth nos mata. - riu.
- Espere! não irá conosco? - perguntei, meio pasma.
- ? - repetiu e me lançou um olhar sutil - Sei. Não, ele irá. Elizabeth quer assim, então é melhor que assim seja.
- Bom dia, moças. - Gibbs entrou na cabine.
- Graças a Deus, chegou! - Ana Maria levantou as mãos e saiu da cabine.
- Podemos conversar? - perguntei e, quase que imediatamente, Gibbs abriu uma garrafa de rum.
- Sou todo ouvidos, madame. - sorriu.
Contei-lhe o sonho e ele pareceu não se preocupar.
- O vento e a maré contribuem para um pesadelo. Principalmente nessas águas. O rum é horrível. - falou irritado, porém divertido - Entende o que eu digo?
- Sí - ri .
Saí da cabine logo em seguida e fui direto até Cotton e seu papagaio no timão.
- Como estamos hoje? - perguntei e Cotton sorriu - Bom saber.
- Deu a louca no capitão. Deu a louca no capitão. - o papagaio repetia.
- O quê? - perguntei e Cotton apontou para frente. Dei meia volta.
- Saiam da minha frente, seus porcos imundos! Não quero que me adorem. - Jack gritou e em seguida desmaiou.
- O que houve com ele? - perguntei e pegou a garrafa da mão de Jack, cheirando-a.
- Não há somente rum aqui dentro. - jogou a garrafa para longe - Alucinógenos, sem dúvidas. Ele só precisa descansar. - olhou para Gibbs.
- Parece que foi demais para o velho Jack. - Marty comentou.
- Podem colocá-lo na cabine, por favor. - pedi.
- Deixem que fique aí mesmo. - disse Pin e eu o fitei.
- É meu pai! Não vou deixá-lo aqui! - decretei - Gibbs, por favor? - pedi.
- Tudo bem. Pintel! Venha, seu molenga. Ajude-me com isso!
- Pode fazer alguma coisa? - perguntei à Ragetti, que traduziu minhas palavras com clareza.
- Não sei se já percebeu, mas manter seu pai longe de rum não é a coisa mais fácil do mundo. - Ragetti alertou gentilmente - Mas, por você, acho que posso fazer algo, sim.
- Gracias. - sorri.
- Ana Maria? Poderia assumir? - pedi.
- Tudo bem. - concordou - Vamos, homens! Ainda temos que chegar a Tortuga! - gritou.
- , precisamos conversar. - sussurrou em meu ouvido e eu assenti.
Descemos para o lugar onde a tripulação dorme e nos seguiu.
- O que houve? - perguntei.
- Estou preocupado. - cruzou os braços encostando em uma das vigas.
- Com o quê? - sentei-me na escada enquanto cantarolava alguma canção pirata.
- Com ele. - apontou o indicador para cima.
- O que há com ele? - me levantei rapidamente - O que há com Jack?
- Desde que zarpamos, seu pai está assim. Não está simplesmente bêbado. Gibbs disse que uma mulher mandou-lhe entregar essa garrafa ao capitão. Seja quem for, não quer Jack sóbrio. Acho que você agiu bem. Temos que mantê-lo longe de rum.
- Argh! - murmurei - Há algo bom nisso tudo? - perguntei e arrortou, nos fazendo rir.
- Isso é saudável. - riu mais ainda.
Capítulo 4
~ Capitão Jack Sparrow
Abri os olhos. Fitei o teto. Olhei em volta e tudo o que encontrei foi uma garrafa de rum na minha mão direita. Mas que estranho, não há rum. Somente água dentro. De repente, uma visão, algo mais real que eu mesmo, me mostrou minha filha sendo atingida no ombro por um vulto. Isso é mais estranho ainda. Quando me dei conta de que era um presságio, levantei.
- Preciso proteger minha filha. - declarei - E também preciso de rum!
Coloquei meus pertences e subi rumo ao convés, dando de cara com Gibbs.
- Jack! - olhou-me Joshamee, espantado - Macacos me mordam, Jack! Você acordou! - fiz careta.
- Eu estava dormindo? - perguntei.
- Sim. Dormiu por duas semanas inteiras. Já passamos da metade do caminho!
- Onde está ? - empurrei-o, pois atrapalhava minha passagem. e vi minha filha no timão.
- Ana Maria está ensinando a garota a usar o timão. Tem certeza de que está bem, capitão? - Gibbs perguntou.
- Sim, sim. Só me traga um pouco de rum, sim? - pedi, seguindo até onde minha filha estava.
- Jack! - ela sorriu, soltando o timão e vindo me abraçar - Graças à Deus, você acordou!
- Onde está o meu neto? - perguntei, procurando o pestinha.
- Dormindo. Como se sente?
- Bem melhor agora. - sorri - Vamos! Vá para o timão! Mostre-me o que aprendeu. - levantei as mãos e para o timão foi.
Assim que ela colocou as mãos no timão, vi minha filha como uma criança de 10 anos. Linda, risonha e sapeca. Involuntariamente, sorri também. olhou para o mastro e sorriu ainda mais; porém, estava corando. Segui seu olhar e encontrei o jovem mestre Turner.
Rapidamente, liguei os pontos e voltei a ver minha filha como a bela moça que é.
- Homem ao mar! - algum marujo gritou e toda a tripulação foi para a beirada a estibordo.
- Não, ! Não! - tentei impedir minha filha de pular, mas quando vi já estava com seus pertences em minhas mãos e alguém (lê-se: ) havia se jogado na água, causando um barulho enorme. Outro barulho. Desta vez, o jovem senhor Turner se jogou também.
- E agora? - Marty perguntou.
- O quê estão esperando? Tragam os dois de volta! - gritei.
Trouxeram primeiro. Ela trazia consigo um rapaz que vestia o uniforme da Marinha Real. Logo, subiram e uma dama com um vestido normalmente utilizado por membros da realeza.
Sabiamente, o garoto Turner tirou o espartilho da moça resgatada, enquanto correu e pegou sua arma de minhas mãos, apontando-a para o rapaz.
- À quem serve? - perguntou séria.
- Me resgatou para me matar? - perguntou o rapaz, ofegante.
- Não foi isso o que perguntei. - puxou a arma de Gibbs - À quem?
- Sirvo à mim mesmo. Me infiltrei na Marinha para resgatar minha irmã - apontou para a garota que acabara de retomar a consciência - Um tenente a levou de nosso vilarejo.
- Seu nome. - ordenou.
- . O nome de minha irmã é Filipa. - o rapaz respondeu e toda a tripulação se entreolhou.
- Deixaremos vocês em Tortuga assim que atracarmos. De lá, sigam seu rumo. - guardou as armas e deu as costas ao rapaz.
- Espere! - o tal a puxou pelo braço e todos ficamos em prontidão - Quero lhe agradecer. - sorriu e fiquei espantado ao ver que o náufrago estava beijando minha filha.
lhe deu um tapa no rosto e afastou-se do rapaz, sacando a arma. levantou-se e também pegou sua arma. Ambos miraram o tal . Acho que não é necessário dizer que a tripulação fez o mesmo.
- Forneçam à eles um escalero e suprimento necessário para três dias. Pintel! Ragetti! Vão! - ordenei e eles o fizeram - Joshamee Gibbs!
- Sim, capitão?
- Na cabine, agora!
- Quero os dois o mais distante daqui possível. Dê um jeito de mandá-los para longe, ouviu bem? Quero o garoto Turner como o meu primeiro imediato e, mais do que tudo nessa vida, eu quero uma garrafa de rum decente! - pedi, vagando pela cabine.
- Jack! - Gibbs gritou.
- Que foi?
- Não há rum neste navio. baniu qualquer tipo de rum do Pérola. Jogou tudo ao mar!
- Por quê? - perguntei intrigado.
- Ela acha que estão tentando te matar.
- Mais um? - arqueei a sobrancelha e Gibbs rolou os olhos.
- Concentre-se, homem! Ao chegarmos em Tortuga, tudo estará claro!
- Quem disse isso? - perguntei, confuso.
- Sua filha. - Gibbs deu de ombros.
~ Turner
Aquele ladrão de nomes e beijos... Que idiota! Juro que, se ele ficasse um minuto a mais a bordo do Pérola, eu mesmo o mataria! Se bem que também o teria feito. Fiquei feliz ao vê-la tratando o tal com desprezo.
- Mestre Turner. - Jack gritou e eu fui até a base do mastro onde ele estava.
- Aye, capitão? - falei prontamente.
- Está sendo promovido à primeiro imediato. Parabéns. - sorriu e saiu andando.
- Capitão? - franzi a testa, virando-me para vê-lo e ele fez o mesmo.
- Gostaria de saber o porquê, presumo. - sugeriu.
- Sem dúvida, capitão.
- , gosto de você. Então vou lhe dar um conselho bem bacana. - aproximou-se - Nunca questione o seu capitão. Apenas obedeça. Savvy?
- Aye, capitão. - respondi, desapontado, porém feliz.
- Está na hora do seu turno, estou certo? - arqueou a sobrancelha de uma forma macabra e eu segui rumo à cabine, a fim de exercer meu trabalho.
Bati na porta duas vezes e o pequeno me atendeu.
- . - sorriu e me puxou para dentro da cabine - Mamãe com raiva. - apontou para destroçando uma manta com sua espada.
- ! - corri e tirei a espada de sua mão - Calma!
- Hmm. - resmungou e desembanhou minha espada - Vamos duelar. - se afastou e prendeu o cabelo.
- Não! - decretei - Não vou te atacar! - levantei as mãos.
- Defenda-se então. - franziu a testa e começou.
- ... - falei, tentando me desviar dela - Pára!
- Nem comecei direito, . - falou.
Fiz o possível para não ser atingido e não atingi-la. Tentei convencê-la a parar, mas desisti ao ver que aquilo fazia bem à ela. Tomando cuidado para que não fosse atingido, decidi atacá-la também. Com um golpe preciso, consegui desarmá-la e a puxei para perto de mim, mantendo nossos corpos próximos com minha mão firme em sua cintura.
- Conseguiu me desarmar. - sussurrou ofegante e eu assenti.
- Permiso. - pedi e selei nossos lábios, lançando minha espada ao chão.
O pensamento de estar no lugar certo, na hora certa, fazendo a coisa certa era inevitável. Assim como a sensação de estar no céu. A vontade de que aquele momento durasse pra sempre gritava dentro de mim. Ter ao meu lado era tudo o que eu queria para toda a eternidade.
- Não quero te perder, - sussurrou e me abraçou forte.
- Tudo ficará bem. - sussurrei, afagando seu cabelo, e senti abraçar minhas pernas.
Olhamos para baixo e rimos. sorriu, sapeca, e pediu colo, que foi logo cedido pela mãe.
- Mamãe. - o garoto colocou a mão no rosto de , que sorriu - Papai. - colocou a mão em meu rosto e eu sorri surpreso com a palavra de .
~ Señorita Sparrow
- Acorda! - gritou, pulando na cama.
- Hey, niño! Calma. - ri ao sentar-me e ele me abraçou - Buenos dias, mi amor. - sorri.
- Bom dia, mamãe. - sorriu de volta.
- Bom dia! - Jack cantarolou, entrando na cabine, e correu para abraçá-lo - Olá, pestinha. - bagunçou seu cabelo, sorrindo - Bom dia, princesa. - fez reverência e o imitou, nos fazendo rir.
- Bom dia, capitão. Como se sente hoje? - sorri.
- Muito bem. - sentou-se ao meu lado, com engatado em suas costas, brincando com seu cabelo - E como se sente a futura señora Turner? - arqueou as sobrancelhas de um jeito engraçado.
Esbugalhei os olhos e senti meu rosto corar. Como Jack poderia saber do ocorrido?
- Como sabe? - tentei não usar muitas palavras. Quando fico nervosa, minha voz não contribui comigo.
- Nunca subestime a intuição paterna nem uma fresta na porta. Muito menos um neto fofoqueiro. - falou e rimos - Tornei-o primeiro imediato. Seu namorado.
- Tem certeza? - perguntei.
- Não confia nele? - fez bico.
- Claro que confio. Mas preciso saber se você confia nele. Ou em si mesmo. - dei de ombros.
- Confio no seu julgamento. O julgamento de um...
- Sparrow. - Barbossa gritou ao entrar na cabine e fez cara feia.
- O moleque aprende rápido. - Jack apontou para meu filho.
- O que deseja, Hector? - perguntei.
- Estamos íntimos agora? - sorriu e eu rolei os olhos. Quem esse velho pensa que é? - Nada demais. Só vim apresentar-lhes meus novos tripulantes. - cedeu espaço e os dois náufragos de ontem entraram na cabine. - e Filipa .
Capítulo 5
~ Capitão Jack Sparrow
- O que esses dois estão fazendo no meu navio? - gritou com fúria nos olhos.
- Como ousa chamar o Pérola de seu? - A senhorita perguntou no mesmo tom.
- Ela é minha filha. Pode chamá-lo do que quiser - Decretei.
- Gracias, Jack. - sussurrou.
- Disponha. – Sorri. entrou na cabine.
- Ora, ora. Não me avisou que tínhamos abutres para o almoço, capitão. - sorriu, sarcástico.
- Acho que não somos bem vindos. - O rapaz que causou ciúmes no jovem senhor Turner concluiu.
- Antes tarde do que nunca. - levantou as mãos.
- Tire-os daqui, Hector. – Falei.
- Receio que não. - Sorriu - Os irmãos serão meus informantes no Pérola. Assim, tudo o que acontecer aqui, nessa bela nau, será de minha ciência.
- Não confia em nós? - perguntou.
- Seu pai foi um grande homem, jovem senhor Turner, mas usou de métodos desonestos para alcançar seus objetivos. - Barbossa sentou-se e tirou aquela maldita perna de pau.
- Chegaremos à Tortuga dentro de uma semana, onde despacharemos seus dois tripulantes encrenqueiros por não serem mais necessários na nossa viagem de resgate. - Sentei-me ao lado de Barbossa enquanto ele bebia. - Afinal, estamos do mesmo lado nessa batalha, savvy?
- Obrigado por lembrar, Jack. - Barbossa sorriu e colocou a estaca de madeira de volta ao seu lugar. - Para onde nossa adorável e perigosa bússola humana nos manda agora? - Olhou diretamente para a minha filha, que cerrou os olhos.
- Ainda não é seguro lhe dizer nada, capitão Barbossa. - sorriu, delicada.
- Claro que não, señorita Sparrow. - Barbossa sorriu, derrotado - , Filipa. Vamos! Temos muito que fazer até chegarmos à Tortuga! - Levantou-se e saiu da cabine, acompanhado pelos .
- Foi bom revê-los! - Levantei-me e os acompanhei até à porta com um largo sorriso no rosto.
- Pensando bem, deixarei que fiquem. - Barbossa deu meia volta e meu sorriso murchou - Afinal de contas, são jovens. E não pode negar Jack... Sua tripulação é a mais jovem que conheço. - Apontou para meu neto, que lhe mostrou a língua.
Os irmãos deram meia volta e juro que pude ouvir toda a tripulação xingá-los.
Caiu à noite e minha querida filha me fazia um pedido difícil de resistir.
- Posso matá-los? - Cruzou as mãos e fez uma carinha angelical.
- Não. – Falei, contrariando minha vontade, andando pelo convés com no meu encalço.
- E torturá-los? - Parou a minha frente e dei meia volta.
- Pela centésima vez, NÃO!
- Um tiro atravessando os dois para não gastar munição, eu juro! - Esticou a voz. Respirei fundo antes de virar-me para vê-la.
- Querida - Sentei-me em uma caixa e sentou-se ao meu lado -, por mais que sua oferta seja extremamente tentadora, não acho que seja uma boa ideia. Deixaria-nos mal com Barbossa.
- E quem liga para Barbossa? Não precisamos dele!
- Não. De Barbossa realmente não precisamos. Mas de sua proteção, sim.
- Como é? - franziu o cenho.
- Acha mesmo que alguém seria estúpido a ponto de atacar um navio na companhia da Vingança da Rainha Ana?
- Tem razão. Mas e quando Barbossa perceber que aceitamos sua companhia só para este fim? - Arqueou as sobrancelhas.
- Oh, como é esperta minha cria! - Sorri - Quando isso acontecer, meu bem, já estaremos bem longe. Seguros. Salvos. Com os pergaminhos que necessita e Rosário à bordo do Pérola. - Gesticulei exageradamente.
- Jack? - Fitou o chão.
- Sim? - Franzi a testa, preocupado.
- Não vai me odiar se eu quiser ter uma vida normal depois que tudo acabar, vai?
- Hey! - Sorri e levantei seu queixo, olhando-a nos olhos. - Você merece tudo aquilo que deseja ter e muito mais. Se é uma vida normal que a fará feliz, não posso impedir que isso aconteça. Afinal, sou seu pai. Só quero que seja feliz. Sua felicidade deve-se àquilo que te faz feliz, não aquilo que os outros acham que te fará feliz. Até porque, se assim fosse, a felicidade não seria sua!
- Obrigada, Jack - Sorriu.
Capítulo 6
~ Turner
- Não sei se o novato entendeu, mas não deve nem dirigir a palavra à filha do capitão.
Eu estava saindo da cabine depois de uma conversa com Ana Maria. Perto do mastro, parecia forçar um diálogo com .
- Precisamos conversar. - Disse o ladrão de nomes se aproximando de no convés.
- Não tenho nada para conversar com você, Mr. . - Respondeu, me enchendo de orgulho.
- Acho que começamos com o pé errado. - Fez cara de santo e tive vontade de esmurrá-lo.
- Não. Começamos perfeitamente. - respondeu calmamente - Aprendi que você não vale nada e que não merece respeito de ninguém da tripulação, principalmente de um Sparrow. - Sorriu. - Está dispensado.
- Mas...
- Ouviu a señorita Sparrow. - Me intrometi na conversa, pondo-me ao lado de - Ela não quer falar contigo. Se eu fosse você, obedeceria as ordens da filha do capitão. - Esbugalhei meus olhos como se fosse a coisa mais séria do mundo e ele se foi.
- Deveria agradecer? – Perguntou, séria.
- Depende do seu humor hoje. - Respondi da mesma forma e ganhei um beijo estalado em minha bochecha.
- Obrigada, - Sorriu e involuntariamente fiz o mesmo.
Hoje finalmente chegaremos à Tortuga. Teremos novamente rum a bordo do Pérola e a noite de folga. Os irmãos são uma pedra no sapato, mas é divertido distraí-los. É uma ordem de Jack: Sempre que ele, Gibbs, Ana Maria e têm uma reunião, cabe à mim, Pintel e Ragetti distrair nossos inquilinos detestáveis.
- Tenho um novo brinquedo para os . - Disse Pintel, chegando no convés com Ragetti, que segurava uma caixa.
- O que tem aí dentro? - Perguntei e Ragetti a abriu - Ratos? - Ri - Oh! Serão ótimos!
- Não são lindos? - Ragetti pegou um nas mãos e começou a acariciá-lo - Aposto que assustarão a senhorita - Riu.
- Pintel, Ragetti, Turner! Tenho uma reunião. - Jack gritou ao passar por nós e meu sorriso se alargou, assim como o de meus companheiros.
- Filipaaa! - Pintel gritou.
- Você vem conosco, mocinho. - Ana Maria puxou-me pelo colarinho.
- Tudo bem. - Concordei sem poder fazer muita coisa.
Ao entramos na cabine, Ana Maria jogou-me em uma cadeira ao lado de , que sorriu ao me ver.
- Oh, . - Gibbs sorriu - Que bom que se juntou a nós!
- O que houve? - perguntou, virando-se para Jack.
- , querida - Jack sentou-se numa cadeira à sua frente, parecendo meio desesperado - Sei que está fazendo tudo aquilo que está em seu alcance, mas precisamos de mais detalhes. Que rumo tomar? O que há por lá? Quais os perigos? Quais as riquezas?
- Não lembro muito do que há. Mas fica no meio da floresta, ao sul. Onde é possível encontrar um sacerdote coberto de ouro e uma cidade riquíssima. - Respondeu calmamente.
- Espere um pouco. Estamos falando de Manoa Del Dorado? - Perguntei.
- Havia alguma coisa nos mapas de Sao Feng...
- Nos mapas do tio de Sao Feng - Jack complementou o comentário de Gibbs.
- Sobre El Dorado... - Gibbs terminou sua frase.
- ? - Ana Maria chamou e então percebi o olhar preocupado de - Não é o que queria ouvir, certo? - Ana Maria perguntou e se limitou a assentir.
- Todos conhecem a lenda? - Jack perguntou e todos nós assentimos - Ótimo. Comece a contá-la.
- Reza a lenda que o sacerdote da tribo deveria se cobrir de pó de ouro e em seguida se banhar em uma lagoa. - Disse .
- A Manoa Del Dorado? - Jack perguntou e assentiu.
- Esse ritual era feito para que a cidade, ou o reino, mantivesse a prosperidade para com os bens cedidos a eles anteriormente.
- O tesouro do tal Salomão. - Jack concluiu.
- Somente o sacerdote poderia realizar o ritual, porque só ele tinha acesso aos pergaminhos sagrados. O rei ou líder burocrático da civilização cuidava da administração do tesouro, enquanto o sacerdote cuidava da sua maneira de mantê-los, para que assim como o sacerdote, a cidade ficasse coberta de ouro. - concluiu a história fitando o chão.
- O que há, menina? - Gibbs perguntou.
- O sagrado acabou se tornando pagão. - Jack sussurrou.
- Precisam conversar. - Disse Gibbs, apontando para mim e para .
- Venha, Jack. Precisam de privacidade. - Ana Maria o puxou para fora da cabine.
- Hey. - Aproximei minha cadeira da sua - Pode falar. Não vou te julgar, prometo.
- Não posso conviver com isso. Mesmo que todos tentem me convencer de que é uma coisa boa levá-los - os pergaminhos e o tesouro - de lá, ainda me sinto culpada. Sinto-me como uma ladra ou coisa pior. - Parecia irritada, porém, calma.
- É filha do capitão Jack Sparrow. É uma pirata! - Dei de ombros e ela riu.
- Vendo por esse lado parece fácil. - Respirou fundo.
- Sei que não vai ser fácil, nem está sendo. Mas continue sendo aquilo que você é e acreditando naquilo que você acredita. Viva do seu jeito, sem ligar para comentários alheios. Você é Filipa Sparrow. A filha do melhor e mais espetacular pirata já existente. E puxou isso dele. - Sorri e ela corou.
- Está falando isso para impressionar, Jack? - Riu e apontou para a janela onde Jack estava com os olhos tão arregalados quanto seu sorriso.
- Na realidade, minha intenção era dar apoio moral através da família. - Falei meio sem jeito e riu ainda mais - Isso! Alegre-se! Chegaremos à Tortuga esta noite. O porto favorito de todo pirata!
Capítulo betado por Fernanda Conceição.
Capítulo 7
~ Señorita Sparrow
- O que planeja fazer esta noite, minha cara? - Joshamee perguntou assim que saí da cabine. Há mais ou menos duas horas, o Pérola estava ancorado em Tortuga.
- Já lhe disse o que tenho em mente e não voltarei ao Pérola enquanto não tê-lo feito. - sorri sapeca e meu pulou em meus braços.
- Sabe que tenho medo de quando fala assim comigo, não sabe? - Joshamee mordeu uma maçã e eu o abracei.
- Precisamos conversar. - apareceu na minha frente.
- Quantas vezes tenho que lhe dizer que...
- É sobre Rosário. - o garoto interrompeu Joshamee e senti calafrios.
- Josh - falei simplesmente quando percebi que ia contestá-lo novamente - Pela primeira vez o señor menciona algo de meu interesse. E tenho certeza de que não passará dos limites novamente. Estou certa, ? - perguntei e ele fez que sim.
- Completamente, señorita.
- Continuo não confiando nele - Joshamee sussurrou.
- Eu também não. Mas se há relação com minha mãe, deixo minha desconfiança de lado. - sussurrei séria e Joshamee assentiu - Só dessa vez?
- Somente dessa vez. - olhou para e depois para mim - Cuidado, criança - assenti e ele tomou meu em seus braços - Vamos, garoto. Temos que gritar um pouco com os subordinados!
Meu pequeno me olhava temeroso à medida que Joshamee se distanciava com ele. Sorri para meu pequeno como se tudo fosse ficar bem. Bom, assim espero.
- Percebeu que não estamos muito conforatáveis com isso, então... Diga-me logo, . O que tem minha mãe? - cruzei os braços.
- Ouvi dizer que aqueles que a levaram passaram por Tortuga antes de seguir seu rumo - sussurrou.
- Como sabe quem são e para onde estão indo? - arqueei uma sombrancelha bem no estilo Sparrow, coisa que aprendi não ser exclusiva minha.
- Não seja boba, Sparrow. Toda a tripulação está comentando sobre o tesouro de Salomão e Manoa Del Dorado. É quase impossível não saber o que se passa por aqui.
- E o que está esperando para correr até Barbossa e informá-lo sobre o que está acontecendo - falei com fúria na voz.
- Não faria isso - respondeu um pouco mais alto - Minha irmã faria isso, porque assim como Barbossa ela quer somente o tesouro, mas eu realmente estou tentando ajudar! - baixou o olhar para o chão - Sei como é perder um ente querido, próximo demais... Tive a chance de procurar por minha mãe e a desperdicei e agora, olhe como Filipa está! - levantou o olhar para mim - Não posso permitir que isso aconteça com você, da mesma forma que aconteceu comigo. Quero ajudar. Isso, você não pode me impedir de fazer, Sparrow.
Não posso mentir. Senti-me um pouco tocada pela história do . Mas não posso me dar ao luxo de acreditar na pessoa mais desconfiável deste navio.
- Vou ser sincera com você, . Ainda não sei se posso confiar em você.
- Eu sei o seu segredo - Filipa apareceu do nada e eu fiquei estática ao som destas palavras.
- Que segredo? - repeti.
- Ora, não se faça de ingênua, garota. Sabe muito bem do que eu estou falando! - apontou seu indicador na minha face - E não adianta...
- Filipa! - a interrompeu - Todos nesse navio sabem da importância da Señorita Sparrow para o trono espanhol. Agora faça o favor de calar a boca e se retirar?
Sei que parece estranho, mas assim que terminou de falar, Filipa fez exatamente o que ele havia mandado.
- ...
- Desculpe pela atitude da minha irmã - interrompeu-me - Mas acho que assim, talvez, comece a acreditar em mim.
- Ainda não sei se seu ato foi digno de minhas congratulações ou se me faz desconfiar mais ainda de você - respondi sincera e me retirei.
~ Capitão Jack Sparrow
- Não, Pintel. Não é educado morder damas tão requintadas quanto estas - sorri ao indicar as damas à nossa frente na taberna e Pintel assentiu.
- Santa Maria - minha filha apareceu a mão em suas narinas, o que significa que o cheiro do lugar não lhe agradou.
- , mi amor! - levantei minha taça de rum e então arregalei os olhos - O que está fazendo aqui? - perguntei à ela enquanto me afastava da mesa e das damas que comigo estavam - Esse lugar não é apropriado para uma criaça! Não trouxe meu neto também, trouxe? - passei os olhos no lugar procurando por ele.
- Não, Jack. Não trouxe aqui - rolou os olhos e eu pude respirar aliviado.
- Ainda assim está aqui. O que faz aqui?
- Vim ver como meu pai está. Já estou voltando para o Pérola, e como sei que você ainda tem a noite toda de diversão - apontou para as damas que compartilhavam risadas ao lado de Pintel em nossa mesa - resolvi dar-lhe boa noite antes de voltar ao Pérola. Então... Boa noite - sorriu e saiu rumo à porta.
- Não vai me dar nem um abraço? - perguntei de braços abertos e virou-se para mim com uma sombrancelha arqueada - Sei que é estranho, mas sou seu pai. Acho que mereço pelo menos isso, não?
- Vendo por esse lado... - deu de ombros e veio me abraçar - Boa noite, Jack.
- Boa noite, querida. - sorri e a soltei.
Notei um pedaço de pano amarrado em sua mão esquerda, o que me fez entortar minha cabeça na esperança de ver melhor o que era aquilo. Aparentemente parecia que estava cobrindo um machucado. Espere! Um machucado? A filha do Capitão Jack Sparrow com um machucado e ele sem saber de nada? Não mesmo! Isso é inadimissível!
- Hey! - gritei e ela virou-se para me ver.
- O que foi? - perguntou com aquela cara de "Não vai me deixar ir embora?"
- Isso pergunto eu! - aproximei-me de e puxei seu braço esquerdo - O que foi isso?
- Ahn... - ela puxou o braço de volta e tentou disfarçar - Não foi nada.
- Posso estar bêbado, mas não nasci ontem, garota. O que é isso? - puxei seu braço novamente.
Tirei o pano que envolvia o pulso de minha filha e quase chorei ao ver o que ela estava escondendo sob ele. Era uma tatuagem. Não qualquer tatuagem, mas sim a tatuagem de um pardal alçando vôo ao pôr-do-sol. A tatuagem de um Sparrow.
- Eu queria esperar até amanhã. Quando já estivesse sóbrio - deu um sorriso torto e uma lágrima tola rolou pelo meu rosto - Jack? - enxugou a lágrima com seu polegar - Está chorando?
- Mas é claro que estou chorando! Um cisco caiu no meu olho! - soltei seu braço e usei de toda a meu dom teatral para disfarçar o que estava acontecendo - Bela tatuagem - elogiei me afastando - Bom, você precisa dormir. E seu filho também, por isso não a prenderei por muito tempo. Pode ir - sacudi minhas mãos - Boa noite.
- Boa noite - se afastou com um olhar duvidoso e voltou a cobrir seu punho.
- Boa noite, pequena Sparrow - sorri e tomei um gole de rum, voltando para minha mesa.
- Bom dia, Jack - Elizabeth sorriu.
- Olá, Lizzie - sorri e me levantei - Elizabeth? - gritei ao perceber que ela estava ali.
- Sabia que estaria aqui. É o único lugar onde gasta dinheiro com seu precioso rum - respondeu ajudando-me a levantar.
- Obrigado - peguei meu chapéu assim que levantei - O que faz aqui?
- O que faço aqui? - riu sarcástica - Vim buscar meu filho - colocou as mãos na cintura e eu coloquei meu chapéu.
- Ah, sim. O jovem senhor Turner. Está no Pérola com o resto da tripulação - agitei as mãos - Vamos? - convidei.
- Não precisa pedir duas vezes - sorriu.
- Porque o Pérola está tão vazio? - Elizabeth perguntou assim que subimos à bordo.
- É só uma questão de tempo até que alguém apareça - expliquei e minha filha apareceu num duelo com o jovem mestre Turner - O que foi que eu disse? - sorri virando-me para Elizabeth que fitava a luta.
Se eles não estivessem sorrindo, eu diria que a luta era idêntica a do primeiro dia de minha filha a bordo de Pérola, quando era conhecida como señorita Pardillo. Assim que terminaram um com a espada no pescoço do outro, os dois encostaram as testas e se beijaram logo em seguida.
- Quem é a moça? - Elizabeth perguntou.
- ! - chamei e minha garota virou-se para me ver.
- Mãe? - perguntou incrédulo e aproximou-se com minha filha - O que está fazendo aqui?
- Vim lhe buscar, não se lembra? - Elizabeth sorriu.
- Já? - o garoto franziu a testa.
- Quem é sua amiga? - Elizabeth virou para .
- Essa é ... - virou para mim como se estivesse implorando por ajuda.
- Filipa Sparrow... - sorri. - Minha filha. - assim que terminei de falar, Elizabeth começou uma crise de risos - O que foi?
- Você quer que eu acredite que essa garota - apontou para - é sua filha? - apontou para mim.
- Não quero que acredite, ela é! - bati meus pés no chão.
- Filipa Sparrow - minha filha pôs-se a frente de Elizabeth. - Futura Rainha da Espanha, - tirou o pano de seu punho esquerdo. - Filha do Capitão Jack Sparrow.
Sem exageros: senti-me o pai mais orgulhoso do mundo ao vê-la falar assim. Mas a cara de Elizabeth ao ouvir isso, foi impagável.
Capítulo 8
~ Señorita Sparrow
- Está ocupada? - Barbossa perguntou ao entrar na cabine.
- Não.
- Ótimo. Podemos falar. - Barbossa sentou-se à mesa.
- Tudo bem. - concordei sentando ao seu lado. - E do que se trata?
- De você e Turner. Tenho um grande apreço pelo rapaz, assim como tenho por você. E na condição de amigo de ambas famílias, creio que estou em meu direito ao dizer que seus sentimentos estarão seguros longe do garoto Turner.
- Agradeço a preocupação, mas não creio que conselhos amorosos vindos de um pirata velho e solitário mereçam crédito algum. Sem ofensa. - falei sincera.
- Bem pensado, señorita Sparrow. - sorriu cínico e eu fiz o mesmo. - Mas lembre-se que se não fosse por mim William e Elizabeth não estariam casados e consequentemente, seu namorado não existiria.
- Devo agradecê-lo por isso, então? - levantei as mãos.
- Deve apenas ouvir minhas palavras. Afaste-se de Turner. - falou sério e eu bufei, recostando-me em minha cadeira. - Sei que quer ter uma vida normal, e em minha humilde opinião, ela terá mais chances de acontecer ao lado de .
- Quando sua opinião for de minha importância, capitão Barbossa, mando lhe chamar. - sorri ao me levantar apontando para a porta. - Já conhece a saída.
- Sim, conheço. - Barbossa levantou e foi em direção à porta. - Vai se arrepender amargamente de sua decisão, .
- É um risco que quero correr. - pisquei e Barbossa saiu resmungando algo como "Filha de Jack", o que me fez rir muito.
- Parece que alguém conseguiu irritar o capitão Barbossa. - Ana Maria entrou na cabine sorrindo com uma garrafa de rum na mão. - O que ele queria?
- Me casar com . - falei e ela riu. - Já tenho minha mãe sequestrada, meu pai estranho, meu filho para criar, meu namorado orgulhoso, sua mãe frescurenta, uma missão de resgate quase suicida... Sinceramente, o capitão de uma tripulação zumbi querendo me arranjar casamento era só o que me faltava.
- Tenho pena de você, garota. E inveja também. - Ana Maria piscou tomando um gole de seu rum.
- Com licença, moças. - entrou na cabine. - , podemos conversar?
- Até amanhã. - Ana Maria levantou a garrafa e saiu da cabine, fechando a porta.
- O que quer falar, ? - perguntei sorrindo e ele se aproximou selando nossos lábios.
O beijo foi se tornando intenso, nos deixando com a respiração irregular e sem um mínimo centímetro de distância entre nossos corpos. Mas antes que algo realmente acontecesse, se afastou e eu vivenciava uma guerra interna: não sabia se ficava agradecida ou desapontada por tê-lo feito. No final das contas, concluí que foi melhor assim. Posso ser uma Sparrow, mas ainda mantenho a tradição dos Guttiérrez.
- Temos que falar de mapas. - sussurrou ofegante.
- Sí. - concordei da mesma forma e rapidamente peguei os mapas colocando-os sobre a mesa.
- Já sabe por onde quer ir? - perguntou.
- Conversei com Joshamee e ele concorda em seguir até o limite de terra mais estreito do continente. - apontei para uma linha fina acima das colônias espanholas. - Acredito que andaremos por um dia inteiro até chegar ao outro lado.
- Como assim, chegar ao outro lado?
- Iremos ao meio da floresta, . Acho que deixei isso bem claro na última reunião.
- Mas deixaremos dois dos mais infames navios piratas da história atracados em um lugar desconhecido cheio de gente não civilizada? - franziu o cenho.
- Tecnicamente, eu sou a princesa desse povo. Eles vão me ouvir. - dei de ombros.
- Tudo bem, alteza. E depois disso? O que faremos? - perguntou.
- Não sei. - falei sincera.
- Você o quê?
- Não sei. Não é assim tão fácil encontrar uma lagoa de ouro. Lembro das histórias que meu avô me contava e acredito que assim chegaremos até Manoa Del Dorado. Mas me perguntando em mapas, não sei muito mais que vocês. - dei de ombros.
- Bom... - comecei a andar pela cabine. - Chegamos na floresta, encontramos o caminhos, chegamos em Manoa Del Dorado, entramos no templos, recuperamos os pergaminhos, resgatamos minha mãe e voltamos para a Espanha. - parei de costas para .
- Inglaterra. - falou e eu me virei para vê-lo.
- O quê...? - estava ajoelhado com uma aliança estendida para mim. - Oh, no.
- Voltaremos para Inglaterra, eu, você e . - sorriu.
- ... - falei sentindo-me tonta.
- Não ousaria voltar para casa sem torná-la a Señora Turner. Então... O que me diz? - sorriu perfeitamente e todos os meus sentidos apagaram.
Capítulo 9
~ Capitão Jack Sparrow
- Alguém deseja lhe ver, capitão! - Pintel gritou enquanto eu fazia minha caminhada matinal pelo convés.
- Quem é o estrupício? - virei-me sorrindo e vi um velho amigo no seu melhor estado.
- Meu capitão. - Scrubb sorriu.
- Scrubb! - corri para cumprimentá-lo. - Quanto tempo, homem! Como está?
- Estou bem, obrigado. Ouvi dizer que o capitão Jack Sparrow, o primeiro e único, estava atracado em Tortuga com seu navio, Pérola Negra. Então, resolvi investigar para ter certeza de que não era nenhum impostor. - sorriu.
- Scrubb, aceitaria entrar numa missão? - arqueei as sobrancelhas e ele cerrou os olhos.
- Que tipo de missão?
Pronto estava eu, com a boca já aberta, pronto para contá-lo sobre o resgate dourado de Rosário quando um grito, vindo da cabine, ecoou por todo o Pérola.
- O que foi isso? - Scrubb perguntou.
- . - sussurrei e corri para dentro, sendo seguido de perto por Scrubb.
Entrei na cabine dando de cara com minha filha visivelmente alterada, gritando com o coitado do Ragetti.
- Como assim ele não está no navio? - minha cria gritou com os olhos marejados e Ragetti tentava acalmá-la.
- , o que houve? - perguntei.
- Onde está, ? - aproximou-se de mim. - Me diga, por favor. - implorou num sussurro.
- Ele partiu ao amanhecer. - Ragetti explicou e por um segundo pensei que minha filha ia desmaiar. - Disse que nao tinha mais motivos para permanecer no navio.
- , eu... - fui interrompido por um abraço.
Olhei para Ragetti, que entendeu que eu precisava ficar à sós com minha filha. Gentilmente, ele convidou Scrubb para se retirar junto è ele. Sensível como só ele, aquele patife também deve ter entendido a situação.
- Eu sou uma idiota. - soluçou e afundou seu rosto em meu ombro.
- Faz parte de ser um Sparrow. - falei sincero.
- Jack! - murmurou e afastou-me com um empurrão.
- Desculpe se a desapontei, mas é a verdade. - dei de ombros e sentei na cama enquanto ela ziguezagueava à minha frente.
- Preciso fazer alguma coisa. - declarou.
- Querida, seria possível explicar ao seu esplêndido e querido pai o que está acontecendo? - pedi com um sorriso no rosto.
- me propôs casamento. - parou de andar e olhou-me intrigada.
- Ah, isso? - ri. - Que bom que... O que? - gritei ao levantar-me. - Você é uma criança! Não pode casar agora, eu mal a conheci! - comecei a ziguezaguear nervoso, ao perceber o que minha filha acabara de falar. - Não, não, não e não! - marchei e parei a sua frente. - O que disse à ele? - perguntei temeroso.
- Nada. Eu desmaiei. - colocou-se a roer as unhas.
- Você o que? - gritei. - Mas isso é ainda pior!
- Acha que não sei? - bateu os pés.
- Vá e traga meu primeiro imediato de volta! - ordenei apontando para a porta.
A princípio ela pareceu se aborrecer com a ideia, mas de repente um brilho estranho resplandeceu em seu rosto.
- É exatamente o que eu vou fazer. - sorriu e saiu correndo.
~ Turner
Depois de me certificar de que ficaria bem quando acordasse, peguei minhas coisas, me despedi dos amigos e parti do Pérola. É claro que minha mãe não sabe de nada, só contei mesmo à Ragetti.
Cruzei a ilha inteira procurando um lugar no qual pensaria muitas vezes antes de entrar, o que foi difícil. Resolvi esperar, já que o Pérola partiria na manhã seguinte. Hospedei-me num albergue sem luxo algum nem um pingo de higiene, em consideração por ser o único lugar onde não me atacaram com perguntas.
Assim que cheguei no meu "quarto", joguei minhas coisas na cama e sentei-me na janela, de frente para o cais, onde o sol estava no seu ponto mais alto.
Por mais que eu tentasse, não abandonava meus pensamentos. Fechei os olhos e sorri automaticamente ao lembrar dela. Respirei fundo e puxei do bolso a aliança que tinha usado para pedir sua mão, olhando-a atentamente.
- Tinha de ser assim, não é? Ela está bem melhor sem você, Turner.
- Não, não está. - ouvi a voz de e me xinguei mentalmente.
- Ótimo. Agora estou delirando. - ri de mim mesmo.
- Estou aqui, . - senti uma mão em meu ombro e ao virar-me, ali estava ela: com um vestido que reconheci como de minha mãe e o cabelo arrumado. - Ana Maria e sua mãe me ajudaram com isso. - apontou para si mesma e eu me segurei para não abraçá-la.
- Vejo que melhorou. - falei frio.
- Sim. Acontece quando estou perto de você. - falou sarcástica e ainda assim totalmente convincente.
- Está arrumada demais. - declarei, esforçando-me para desviar o olhar. - Qual a ocasião?
- Estou tentando recuperar meu namorado. Ele saiu alegando que eu não o queria mais.
- O que é mentira, presumo. - franzi a testa.
- Sim, mentira. Ele só precisa entender que foi idiota e eu mais ainda. - aproximou-se e utilizei de toda minha disciplina para não beijá-la.
- Negou-se a casar com ele.
- Não. Não o respondi corretamente. Ainda somos jovens, temos muito pela frente. Casamento agora...
- Estragaria tudo, não é? - sugeri ao interromper seu raciocínio.
- Seria ótimo. - sorriu, surpreendendo-me. - Te quero, . Não imagina quanto! Não importa o que os outros digam, não importa o que minha consciência diz eu...
Desci da janela, espremendo nossos lábios antes mesmo que ela terminasse a frase. Por dentro eu estava mais que saltitante, pouco me importava com o que aconteceria quando contássemos à Jack e à minha mãe.
Ouvi um zunido e me joguei no chão com e uma bola de canhão passou por cima de nós.
- Mi Dios! - sussurrou olhando pelo buraco aberto pela bola de canhão. - Precisamos zarpar. Agora!
- Vamos! - puxei comigo, rumo ao cais.
~ Capitão Jack Sparrow
- Precisamos partir, Jack! - o garoto gritava acima do barulho dos tiros.
- Não saio daqui sem minha filha! - gritei mais alto ainda. - Fogo! - ordenei à Pintel e Ragetti para que atirassem no navio da Marinha Real Inglesa, que nos atacava.
- Içar velas! - ouvi ordenar. - Vamos, rapazes! O que estão esperando?
- Criança... - sorri ao ver minha filha e senti alguém me puxar pela cintura. - Ai, não! - sussurrei quase em desespero total.
- JACK! - gritou.
A imagem de minha filha diminuindo a distância foi tudo o que consegui ver. Antes de cair na água, senti uma corda se enroscar na minha perna, a mando de Barbossa provavelmente. Mordi o braço do almofadinhas que me segurava e me agarrei à corda assim que o outro me soltou. Ia tudo bem até a metade do caminho de volta ao Pérola, quando alguém atirou na corda e eu caí no mar, onde nada mais vi.
Capítulo 10
~ Señorita Sparrow
- JACK! - gritei com todo meu fôlego, pronta para me jogar da amurada, mas puxou-me contra si.
Comecei a chorar, encostada ao seu peito, abalada e furiosa demais para perceber o que se passava à minha volta.
- Por favor. - ouvi dizer e em seguida alguém me puxou para dentro da cabine.
Assim que me sentei na cama, puxei meu - que vinha logo atrás do meu "raptor" - para meus braços e o apertei forte, enquanto ele murmurava algo como "tudo bem". Não demorou muito para que as lágrimas se transformassem em sinal de um sono pesado à caminho.
Com meu querido filho cantarolando algo que reconheci como sua canção pirata favorita, adormeci. Tive outro sonho esquisito com meu pai, meu filho e Barbossa, mas desta vez estava presente e parecia querer matar Barbossa. Conclui que minha mente gostava desse tipo de sonho quando eu chorava.
Acordei de súbito ao ver tudo se dissipando em fumaça - novamente. Sentei-me na cama e passei as mãos no rosto, tentando lembrar se o fato de Jack ter mesmo... Partido havia acontecido. Olhei em volta e, ao invés de encontrar , encontrei a mãe de sentada numa cadeira, ao lado da cama. Pela cara que ela fazia, até eu senti pena de mim mesma. Bufei e caí novamente na cama ao perceber que minha esperança era em vão.
- Aconteceu, de fato, não foi? - perguntei sentando-me novamente na cama.
- Ele foi um homem bom, . - disse-me com um sorriso um tanto reconfortante. Mas eu não me encontrava num estado muito bom para aceitar esse tipo de sorriso.
- Por favor, señora Tur...
- Elizabeth. - ela corrigiu.
- Por favor, Elizabeth, não fale como se ele tivesse partido para sempre. - pedi.
- Claro. - assentiu concordando e meu pequeno adentrou o recinto, irradiando sua beleza e mansidão pela cabine. Ele correu e veio até meus braços, onde foi com certeza muito bem vindo e acolhido.
Não sei porquê, mas me lembrava Jack. Talvez por ter olhos tão misteriosos, encantadores, tontos e sapecas como os de meu pai. Talvez por estar usando uma faixa vermelha na cabeça, que Jack lhe dera assim que completou duas semanas no navio. Talvez por ter uma mecha do seu liso cabelo colocado numa trança, perto da nuca.
- Senti sua falta. - funguei, apertando meu menino mais um pouquinho. Ele se afastou, me olhou nos olhos e depositou um beijo suave na ponta do nariz, me fazendo rir.
- Amo, mamãe. - sorriu sapeca.
- Amo, . - sorri da mesma forma.
- Preciso dizer que ele é encantador. - Elizabeth sorriu.
- Ele é a maior de minhas bênçãos. Não sei o que faria sem ele. - sorri para meu pequeno príncipe.
- Olá. - sorriu ao entrar na cabine com uma bandeja cheia de frutas.
- Vou deixá-los à sós. - Elizabeth olhou para que simplesmente assentiu enquanto colocava a bandeja de prata na mesa e sua mãe saía da cabine.
me olhou com pena, ou compaixão, não pude decifrar direito. Seus olhos pareciam lamentar profundamente, porém um pingo de esperança fora detectado por mim, junto com um sorriso. logo correu para a mesa e então, levantei-me. aproximou-se de mim, me abraçando. Comecei a fungar, sentindo as lágrimas novamente rolarem livres pelo meu rosto e afagou meu cabelo, depositando um beijo em minha testa logo em seguida.
- Encontraremos seus pais. - sussurrou limpando as lágrimas do meu rosto. - Eu prometo.
- Eu sei. - concordei com um sorriso torto nos lábios.
se pôs entre nós dois, puxando-me para a cama. Nós rimos.
- Como se sente? - perguntou ao sentar-se ao meu lado, brincando com .
- Para ser sincera, não sei bem ao certo. - fitei o chão. - Está acontecendo tudo a uma velocidade insana! Preciso de respostas, preciso de minha mãe, preciso de Jack!
- Tudo vai se resolver. - segurou minha mão e eu o olhei nos olhos. Ele sorria. Me dei a liberdade de sorrir também. Sabia que enquanto o tivesse ao meu lado, nada iria parecer perdido. Sabia que ali era um porto seguro. Para mim e para .
De repente, Ragetti entrou na cabine com um olhar desesperador.
- Capitão? - chamou. - Problemas.
~ Capitão Jack Sparrow
Minha consciência despertou, mas eu me recusava a abrir os olhos. Tinha certeza de que estava morto. Não queria ver a face da morte, ainda mais quando ela tinha cheiro de... Peixe?
Abri os olhos, curioso. Aquele tom de verde musgo me era conhecido. Muuuuuuuuuuito conhecido.
- Que bom que acordou, Jack. - aquela voz surgiu detrás de mim.
Subitamente, levantei-me num pulo e analisei a figura que estava posta - agora - à minha frente. Meus olhos se arregalaram e minha respiração... Bom, eu já não a tinha mais. Prendia meu fôlego à medida que gesticulava, tentando dizer que aquilo era realmente impossível.
- William? - sussurrei com voz falha e ele riu de minha desgraça.
- Olá, Jack. - cruzou os braços e escorou-se na parede úmida de seu navio.
- Eu morri? - aproximei-me.
- Seria um alívio para seus perseguidores, não? - riu. - Não, Jack. Você não está morto.
- Mas se não estou morto, o que faço aqui? - cerrei os olhos.
- Recebi ordens superiores. - William apontou para cima e soltei um grito agudo.
- Calypso? - sussurrei como se fosse minha última palavra em vida.
- Calypso. - concordou. - Disse-me que eu deveria te ajudar em sua missão junto da Marinha Real Espanhola, o que é realmente intrigante. Não sabia que havia se tornado um corsário.
Preciso realmente comentar que quase me engasguei com suas palavras.
- Corsário? Eu? - perguntei rindo alto. - Entendeu tudo errado, querido William. Um Sparrow não pode ser domado.
- Então, qual seria essa missão tão importante? - arqueou as sobrancelhas.
- Devo salvar a vida de minha filha. E consequentemente a de seu filho. E também prometi que salvaria a vida de Rosário, sua mãe. - completei.
- Sua filha? - William riu incrédulo, mas segurou sua risada ao perceber que eu o fitava sério. - Não é verdade, é?
- Por incrível que pareça, é a mais pura dela. Sei que é estranho, mas... - dei de ombros. - O que posso fazer?
- Como isso aconteceu, Jack?
- Quer mesmo que eu explique? - arqueei uma sobrancelha.
- Por Deus, Jack! - replicou. - Quero saber como pode ter certeza de que é sua filha!
- Eu sabia disso. - falei rápido. - Basta olhar para ela. Verá que ela exala a essência de um verdadeiro Sparrow. - sorri.
- Penarei a crer nisso. - William riu.
- Seu filho chega a apreciar do fato de ser uma Sparrow. Até a pediu em casamento. - falei como quem não queria nada.
- ? - William perguntou aparentemente alterado. - Você quer me fazer acreditar que meu filho pediu a sua suposta filha em casamento? Ele é uma criança!
- Pare com o drama, William. Você é mais maduro que isso. - sentei-me em um barril qualquer.
- Olhe aqui... - William apontou-me seu indicador.
- Capitão? - Bootstrap Bill apareceu atrás do filho e eu acenei. - Jack.
- O que houve? - William tentou parecer o menos intrigado possível.
- O último bote. - informou-nos e saiu.
Segui William e Bootstrap até o convés. "Isso ainda não acabou", foi o que William murmurou quando passou por mim. Crianção.
Apoiei-me na amurada à estibordo e parte da tripulação fez o mesmo. No meio da névoa, uma pequena lamparina avisava que um único - e pelo que entendi, o último. - bote vinha na direção contrária à nossa, rumo ao mundo dos mortos. Esfreguei meus olhos ao perceber quem realmente era, ainda querendo que não fosse.
- Rosário? - sussurrei ainda sem acreditar. - Rosário! - gritei tentando chamar sua atenção.
- Jack. - ela sorriu e eu comecei a acompanhar o bote enquanto ele passava ao lado do Holandês. - Como ela está?
- Está bem, está noiva. - gritei e um sorriso maior se formou em seu rosto. - Rosário, onde pensa que vai? Prometi à que a encontraria!
- E encontrou, Jack. - ela sorriu reconfortante.
Droga, eu sabia o que aquelas palavras queriam transmitir. Por minha querida e encantadora filha, eu não podia aceitar ouvi-las.
- Rosário, nem cogite a ideia de morrer me entendeu? - gritei um tanto autoritário.
- Mi pardillo es su pardillo, ahora. Mi amor está em boas mãos, Jack. Nas melhores. Não há mais nada que eu possa fazer.
- Nada de mi pardillo es su pardillo. E que história é essa de que não há nada que você possa fazer? Temos que ficar juntos, Rosário, para cuidar de nossa filha. Levá-la ao altar!
- Adeus, Jack. - ela sorriu e seu escalero já estava na extremidade do Holandês.
- Rosário, volte aqui! precisa de nós! Não se atreva! - gritei o mais alto que pude mas ela estava concentrada demais em sua canção e não me deu atenção nenhuma.
- No llores, pequeño Pardillo, no llores. Tiene que ser fuerte porque dentro de poco vas a levantarte.
- Não se vá... - pedi em última estância mas sua voz e escalero já haviam desaparecido na névoa atrás de nós. - Que raio de música era aquela? - perguntei à mim mesmo virando para William.
- Essa não é a primeira vez que essa música é cantada na travessia para o mundo dos mortos, Jack. - disse-me ele e eu arregalei meus olhos, aproximando-me dele. - O rei da Espanha, seus filhos e empregados, e até uma versão mais velha de sua amiga. - indicou a névoa atrás do navio com o queixo.
- Como é? - tentei não parecer desesperado. - E o que diz essa música?
- Não sei. Eu não falo espanhol. - William deu de ombros.
Continua.
nota da autora:Gente, vocês não sabem o quão feliz eu fico de ver que tem gente que ainda lê essa fic. Sério, muito obrigada mesmo a cada uma que chega aqui e ainda se dá ao trabalho de comentar. Eu só queria esclarecer uma coisa: quando pede "o nome do seu amado", na verdade pode ser tanto, slá, o Justin Bieber como aquele carinha do seu prédio que você sempre foi apaixonada, não confunda com os personagens da história! Bom, tecnicamente, é isso. Beijos e queijos, pessoas. tumblr x tumblr nota da beta: Opa, opa, galerinha do mal! Gente, adorei, primeira vez que vejo uma fanfic de Piratas do Caribe. E esse jeito do Jack sempre me faz rir, né. :) Enfim, erros? Avisem-me por aqui e eu corrijo. Ok? Beijinhos, Paah Souza.