Um Tanto Quanto Clichê
Escrita: Reh Cordeiro | Beta: Sofia Queirós



Capítulo 1

Sempre me perguntei como era ter amigos, pois, bem, eu nunca tive nenhum de verdade, apenas aqueles que te tratam bem por interesse. Minha mãe, era ela quem eu considerava como minha amiga, a única, até que... não, ela não morreu, infelizmente, ela foi embora junto com seu amante alegando estar cansada de ser a mãe adorável e bla bla bla. Irônico, não? Aquela que devia ser verdadeira comigo na realidade era a mais falsa. Agora somos apenas eu e meu pai, dono de uma empresa muito conhecida aqui na minha cidade, C.A Stryts, que eu nunca me importei em saber pra que serve, mas que eu sei que ele ganhava muito dinheiro com isso. E com esse dinheiro eu compro CDs das minhas bandas favoritas, DVDs, às vezes ajudo minha Tia Lucy mesmo sem ela me pedir, guardo parte do resto da minha mesada pra quando eu poder sair de casa e morar sozinha. Esqueci de me apresentar, sou , tenho 17 anos e estudava no melhor colégio da minha cidade, até meu pai falar que eu teria que ir morar com minha Tia Lucy, irmã da minha “mãe” e que mora em Bolton, pois esse ano ele iria viajar muito e ficaria preocupado de me deixar completamente sozinha em casa (aff). Eu só não discuti pois eu realmente queria mudar, sair daquele colégio, daquela cidade. Mas para que eu tivesse ou pelo menos tentasse ter um pouco de paz, eu resolvi usar o meu outro sobrenome, , para ser menos reconhecida naquele colégio, que era de classe média, mas eu não me importava, e pelo que minha Tia Lucy disse, minha prima também estuda lá e iria me ajudar.
Perguntei ao meu pai se já estávamos chegando, e ele afirmou. Uns minutos depois entramos numa rua de casas parecidas, mas com cores diferentes, todas tinham um gramado na frente, alguns com a grama bem tratada e até com flores no canto, outras apenas cortadas, mas ainda assim simples e bonito. Paramos em frente a uma casa branca de 2 andares, onde a porta e as janelas eram molduradas por madeira, o que dava uma beleza apenas por sua simplicidade, o gramado parecia que fora acabado de ser aparado, e havia uns jarros de flores na frente da casa, ao lado da porta. Meu pai tocou a campainha logo que chegamos em frente a porta e botamos as malas no chão, depois de uns segundos – creio eu – a porta se abriu, mostrando uma mulher que aparentava ter uns 35 anos:
- Tia Lucy? – Eu perguntei, mas era retórica, pois eu sabia que era ela.
- ? Você cresceu e virou modelo, é? – minha tia brincou, me abraçando carinhosamente, abraço esse que eu retribui do mesmo jeito.
- Eu cresci e virei a filha da bruxa do 71, isso sim – Eu falei brincando, arrancando risos.
- Sempre engraçada, igual a sua mãe – Tia Lucy disse e eu fiquei séria, o silencio ficou instalado.
- Pelo menos isso de bom dela né – falei séria, eu não gostava de ouvir sobre minha mãe.
- Oh desculpa – Tia Lucy pediu, alisando meu cabelo com a mão carinhosamente, eu apenas sorri.
- Tudo bem tia, eu vou ter que parar com essa raiva um dia, eu tenho que me acostumar a ouvir falarem dela ainda – eu respondi dando de ombros e sorrindo ainda.
- Não está se esquecendo de ninguém pra você se despedir não? – Ouvi meu pai perguntar brincalhão, apesar de ele ser ocupado ele sempre tentou ser o mais atencioso comigo, e eu vou sentir falta dele.
- Ah pai, vou sentir falta demais de ti, te amo muito, entendeu? – Perguntei fazendo biquinho e indo abraçar ele, que retribuiu e quase me esmagou. Eu ri.
- Também sentirei sua falta, filha, quem é que vai ficar me perturbando pra assistir aqueles seriados na TV? Te amo. – Meu pai disse, e ao soltar do abraço vejo que ele tava segurando um choro. Ok, isso é muito estranho, a única vez que vi meu pai chorar foi no dia que minha mãe nos abandonou e ele meio que surtou. Enfim.
- Ah pai, eu vou ainda fazer muito isso, ok? – Eu falei, rindo fraco.
- Espero, mas agora eu preciso mesmo ir, ainda tenho que arrumar a minha mala – Ele disse e fez careta, eu ri pois ele raramente faz careta. Eu hein, esse dia tá ficando estranho.
- Ah, tudo bem. Boa viagem. – falei e sorri mostrando todos os meus dentes, fazendo meu pai balançar a cabeça em negação como se disesse “que filha maluca”.
- Agradeço, e Lucy, obrigada por receber minha filha, acho que você é a única em quem eu confio pra cuidar dela – Meu pai disse, e Tia Lucy apenas assentiu, simpática.
- Não se preocupe, eu entendo, e garanto que vou cuidar muito bem dessa garota aqui – Tia Lucy disse e bateu seu quadril no meu, de lado, me empurrando fraco.
- Muito obrigada mesmo, e eu já estou indo. Qualquer coisa me liga, ok? – Meu pai disse e foi em direção a porta e a abriu, acenei pra ele e logo ele se virou pra ir pro seu carro, minutos depois eu já não podia mais vê-lo pois seu carro havia desaparecido de minha vista.
- Querida, seja bem-vinda, sinta-se a vontade, okay? A vai te mostrar onde fica seu quarto. – Tia Lucy falou e eu apenas assenti, eu preferia que ela fosse minha mãe, e não a irmã dela.
- , leve as malas da até seu quarto, e Harry, pode ajudá-la? – Tia Lucy falou e saiu indo para um quarto que ficava num corredor ao lado da escada, e e só então percebi que havia duas pessoas sentadas na sala, eu estava ainda em frente a porta da entrada que era bem em frente a escada pro segundo andar.
- Só espero que você não seja uma patricinha ridícula – falou ao chegar perto de mim.
- Se eu fosse uma, você acha que eu estaria com uma roupa preta, all star sujo e cabelo pouco arrumado? – perguntei, arqueando uma sobrancelha e completei – Aliás, eu mesma posso levar minhas malas, afinal, nem são pesadas e eu tenho mãos – Falei, e vi a cara de tacho que a minha prima tinha. Apenas revirei os olhos.
- Eu, desculpa, não... – ela ficou sem reação, sem o que dizer.
- Olha, tudo bem ok? Pelo menos você não beijou meus pés por eu ser quem eu sou, como os outros fazem. Você foi verdadeira, então acho que agradeço, até – Eu falei sorrindo divertida, e apenas assentiu.
- Heeey, eu falei que iria levar – disse ao ver que o tal Harry estava segurando duas malas minhas e começava a subir a escada.
- Você falou pra , não pra mim – Harry falou, de um jeito “há, sou foda” e sorriu, sacana.
- Mas também valia pra você – falei, reclamando, indo pegar a mala que sobrou, já que já tinha pegado uma.
- Já era, já tô levando – Harry disse e continuou a subir, quando chegamos lá em cima ele deu passagem pra , e logo depois ela parou em frente a uma porta de madeira(igual as outras) e me deu passagem.
- Aqui é o seu quarto! – minha prima disse e eu tratei de abrir a porta.
Até que não era tão diferente do meu outro, esse quarto era de um tamanho retangular, e a porta ficava no canto, a cama tipo de viúva (tamanho menor que o de casal mas maior que o de solteiro) era de uma madeira pintada de preto e os cobertores e travesseiros eram brancos com listras cinzas e ficava no lado esquerdo, ao lado da porta; o armário era marrom e tinha 3 portas grandes com 3 gavetas em baixo de cada uma dessas portas, esse armário ficava do outro lado da porta (“em frente” à porta, no caso); na parede oposta à porta, tinha uma cômoda de um bege bem claro, havia 3 gavetas verticais, e seria ali que colocaria meus DVDs e CDs e, bem, na parede que restou, não havia nada. Diferente do meu outro quarto, esse não tinha banheiro, mas não me importei, eu realmente gostei desse quarto, é muito simples, nada extravagante e é organizado. Fiquei tão concentrada vendo meu quarto que não percebi que e Harry já haviam colocado minhas malas dentro do recinto, e ficaram lá, observando o ambiente também:
- Minha mãe não me deixou ver o quarto, ela que escolheu os móveis, e talvez ela te diga pra ir ao shopping comigo pra comprar qualquer outra coisa que você ache que esteja faltando aqui. Mas olha, eu gostei de como ficou. – disse e sorriu simpática.
- É, eu também gostei, é simples e organizado, é perfeito – eu respondi, sorrindo satisfeita pelo bom gosto da minha tia.
- Que bom que gostou, dude – disse, sorrindo e olhando pra mim.
- Dude? Caramba, faz tempo que não ouço ninguém falar essa palavra, ela é tão legal – [n/a: momento eu e Suelen :3] Eu exclamei, sorrindo que nem besta, eita ferro, hoje é realmente um dia estranho eu não me solto tão rápido com as pessoas.
- Agora você vai ouvir muito essa palavra – disse e riu.
- Eba – eu exclamei e levantei os braços que nem uma criança que está indo pro parque de diversão.
- Ela tá me lembrando o Dougie, com esse lance de dude – Harry comentou, rindo. Quem é Dougie?
- Quem é Dougie? – perguntei, confusa.
- Meu amigo, na escola eu te apresento a ele – Harry disse sorrindo, e oh céus, me dê forças pra agüentar isso sem desmaiar. Por quê tão lindo?
- Ah, tá. Bem... , você pode me dizer onde tem uma toalha e onde fica o banheiro? Eu preciso mesmo de um banho – Eu pedi, fingindo drama.
- Ah posso sim, mas por favor me chama de , ok? – A , digo, pediu.
- Só se você me chamar de , fechado? – Eu perguntei, e estiquei minha mão, o qual minha prima logo apertou.
- Momento lindo de se presenciar, a confraternização entre primas, mas eu vou indo embora, pois eu vi que já é quase noite e minha mãe falou que precisaria de mim lá. – Harry falou com seu ar brincalhão mas sério.
- Ah então tá, até segunda Harry – falou e acenou com a mão.
- Até, e , - Harry começou mas eu o encarei brava – quer dizer, , foi bom te conhecer, nos vemos segunda – Eu apenas assenti, sorrindo, e logo ele saiu do quarto.
- Seu namorado? Desculpa a indiscrição – perguntei, estava mesmo curiosa.
- Naaah, amigo só mesmo – disse, engraçada.
- Hmm... e a toalha? – eu pedi, mudando de assunto.
- Ah está aqui, ó – abriu uma das portas do armário e apontou na prateleira de cima, onde ficava uns cobertores e toalhas.
- Obrigada – agradeci ao pegar uma que me jogou.
- O banheiro fica no outro lado, duas portas à esquerda depois do meu quarto, que é em frente ao seu – apontou quando foi em direção a porta, eu assenti.
- Muito obrigada mesmo, dude, mas sem querer ser grosseira, tem como me dar licença? É que eu vou separar minha roupa pra ir tomar banho – Eu pedi, e logo concordou, entrando em seu quarto e falando que qualquer coisa era só bater na porta dela. Logo após o banho eu só sei que cai em cima da cama e apaguei totalmente.

Eu estava começando a despertar, mas ainda assim com os olhos fechados, até que sinto um peso na minha cama (mas não era eu,tá?u.u) e de repente alguém – muito chato por sinal, onde já se viu me acordar? Tudo bem que eu já estava acordando por mim mesma, mas poxa – começa a me sacudir e a chamar meu nome:
- , acorda, acorda, , ... – Reconheço a voz da ,quer dizer, me chamando e eu apenas resmungo algo só pra dizer que estava “acordada”.
- Está na hora da janta! – Ela completou, e em instantes eu já tinha me levantado(Le-se: sentado na cama).
- Mas que rapidez, hein? Está me parecendo o Tom quando queremos que ele acorde, é só a gente falar em comida. – disse rindo da minha reação ao ter ouvido falar a palavra “janta”.
- Tom?! – perguntei confusa.
- Outro amigo meu e do Harry – respondeu sorrindo e dando de ombro.
- Ah tá, já podemos descer, por favor? – eu implorei praticamente, mas não precisei continuar, pois meu estômago resolveu mandar sinal de socorro.
- Sim, seu estômago que manda. – minha prima brincou e bateu continência, eu apenas revirei os olhos.
- Vamos logo, então. – Falei, sem ao menos esperá-la, apenas coloquei meu chinelo e saí do quarto. Meu lema é o seguinte: entre a paciência e a fome, escolha a fome, ela nunca a abandonará.
- Eita pressa – disse, a ignorei, sim eu faço isso algumas (muitas) vezes.
- Tia, mas que cheiro bom é esse? – eu perguntei ao entrar na cozinha, sentindo um cheiro gostoso sair das panelas.
- É só macarronada e almôndegas. – Tia Lucy respondeu sorrindo em seguida.
- Mas está cheirando que é uma beleza, nossa, eu já estou quase babando aqui, sério, tia. – Eu falei, eu acho que fazia tempo que não comia almondegas e nem macarronada, mas eu lembro que eu gostava muito dessa comida.
- Nossa, isso é querer agradar sua tia ou é só fome mesmo? – Tia Lucy perguntou brincalhona, soltei uma risada, sorrindo só por fim.
- É fome e também porque faz tempo que não como isso. – Respondi.
- Pois trate de matar sua fome e a saudade. – Tia Lucy falou.
- Claro, mas vocês vão jantar na mesa? – perguntei, apontando pra mesa de vidro moldurada (também) por madeira, que ficava ao lado do sofá mas de forma horizontal, em frente a janela com cortinas bege.
- Geralmente jantamos lá, mas se quiser e se preferir pode ir pro seu quarto ou ficar no sofá mesmo – Tia Lucy disse, sugerindo.
- Ah, vou comer com vocês hoje na mesa – falei, dando de ombros.
- Ótimo – Tia Lucy exclamou contente, e pediu a minha ajuda e da (que parecia chateada comigo) pra pôr os pratos e blábláblá na mesa.

Depois da janta, ficamos vendo TV, e quando estava ficando tarde resolvi ir pro meu quarto pois eu queria dormir mais. Dei boa noite pra minha tia, e até pra , que respondeu à contragosto, mas respondeu. Subi para meu quarto, chegando lá, percebi que esqueci de perguntar sobre o lance da internet para a , ou , eu simplesmente não vou me acostumar a chamá-la pelo apelido, eu não consigo chamar as pessoas pelo apelido às vezes (quase sempre). Enfim, troquei minha roupa por uma de dormir, me deitei, mas eu não conseguia dormir, algo me pertubava a mente, e simplesmente fiz o que tanto minha consciência mandava-me fazer. Primeiro, eu olhei as horas e constatei que ainda eram 23:30, levantei, pus meus chinelos, saí do meu quarto e parei na porta em frente ao mesmo, dei 2 batidas até ver alguém abri-la:
- O que é? – perguntou “educadamente” ao ver que era eu quem a pertubou logo agora, ela estava com um celular em mãos, sei lá porque quis deixar isso claro.
- Eu queria te pedir desculpas, por... ser meio grosseira com você, eu sou meio assim, espero que não se espante com isso ou pelo menos se acostume. – Eu pedi soltando uma risada fraca.
- Ah tudo bem, e bem, desculpe por... aquilo lá de patricinha, okay? – pediu (também) , sorrindo animada, eu apenas assenti.
- Então tá, eu estou indo pro meu quarto e... – não me deixou continuar.
- Você realmente vai dormir agora? – Ela me questionou, eu neguei, afinal eu estava sem sono algum. Só sei que depois disso, ela me puxou pra dentro do quarto dela.
- Que quarto legal. – Exclamei encarando as paredes roxas e os pôsteres de vários artistas como Katy Perry, Green Day, Linkin Park, Good Charlotte, Nickelback, Fall Out Boy, entre outros. Mas um me fez rir muito.
- Hey, não ria do meu pôster do Village People, ok? – se fingiu de ofendida, e eu ri mais ainda me jogando em sua cama pra não cair no chão.
- Como assim?! Existem pôsteres do Village People? OH, CÉUS! – Exclamei, tentando, em vão, cessar o riso. Só senti um ursinho de pelúcia na minha cara, tinha tacado.
- Pois acredite, eu não acreditava que existisse mas tá aí né, como pode ver. – exclamou animada, e eu tratei de parar de rir e me acalmar. Consegui aos poucos.
- Nossa, isso é realmente engraçado, mas eu não ri de gozação da sua cara, eu ri só por causa que achei que não existesse esse pôster, só isso. – Respondi, me sentando direito na cama da .
- Eu sei, eu sei. Então, sabe que a gente vai ficar na mesma turma? – perguntou, sentando no meu lado, mas logo mudando de posição e indo se deitar na cama.
- Não sabia, mas é bom saber, porque eu provavelmente iria me excluir da turma, eu não sou de me enturmar muito, só se eu for com a cara da pessoa. – falei, me deitando na cama também, folgada eu? Imagina.
- Sorte mesmo então, viu? Mas eu vou te dar o currículo quase completo dos alunos da sua futura turma, essa aqui é a Clarice... – começou sem ao menos perguntar se eu queria saber disso, e no começo eu não queria mesmo, mas depois até que me entusiasmei e comentei alguma coisa. Será que já posso chamá-la de amiga?

Capítulo 2

Não sei quanto tempo fiquei no quarto da , só sei que eu já sabia o nome de todos, das patricinhas aos roqueiros, dos nerds aos jogadores do time de futebol da escola, e blá blá blá. Logo quando entrei no meu quarto eu capotei na cama, não queria pensar que depois de amanhã eu teria que ir pra escola nova. Domingo foi um dia cansativo, acho que foi a primeira vez depois de muito tempo que eu faço algo que rendeu nesse dia, eu fui obrigada a ir no shopping com a , porque ela queria comprar uma camiseta que ela tava namorando desde o natal; ela me arrastou junto com ela, pelo menos comemos, pouca coisa da minha parte, eu queria ter comido mais, mas a falou que eu ia engordar se continuasse a comer (mas eu sou magra de ruim, graças). Enfim, acabei comprando um CD do Nickelback e um DVD do Simple Plan, uma das minhas bandas favoritas, depois disso nós ficamos apenas andando mesmo, e quando já era de tarde, voltamos pra casa, pro meu alívio. Eu nunca andei tanto “à toa” como hoje, te juro, mas foi até legal e eu conheci mais a minha prima, apesar desse meu jeito chato de ser, e o jeito legal dela de ser, até que fazíamos uma boa dupla; e eu realmente estou contente por ter feito uma amiga de verdade, que não foi forçado. Agora eu estava tomando banho demoradamente, minha pele começou a enrugar e eu adoro porque depois eu fico mordendo o meu dedo todo encardido e tiro a “pele” encardida, acho que isso faz mal, mas eu estou pouco me importando. Saí do Box, me enrolei na toalha e saí do banheiro indo pro meu quarto, me arrumei e fui mexer no meu notebook, já que resolvi sobre a internet, aleluia. Fiquei muito tempo lá, até minha tia me chamar para a janta, depois, fui logo dormir, pois eu realmente odeio me atrasar pra aula.

“Por favor, não seja 6 horas”, era tudo que eu pensava antes de abrir os olhos devagar, mas como eu sou muito sortuda, eu acordei 05:59. Até tentei conseguir dormir um pouco, MAS eu escutei uma batida na porta, tentei falar mais alto um “entra” e acho que a pessoa ouviu, pois acabou de abrir a porta:
- Bom dia, querida, hora de levantar. – Tia Lucy disse, calmamente, indo abrir a cortina.
- Ah tia, só mais 1 minutinho – Eu falei manhosa, juntando mais o cobertor perto de mim.
- Nada disso mocinha, pode levantando, tem bolo de chocolate e suco de limão pro seu café da manhã – Tia Lucy como sempre muito esperta falou de comida, toda vez que falam de comida pra mim, minha barriga ronca. Eta.
- Ah tá bom, só porque você insistiu muito, ok? – falei, levantando preguiçosamente da cama.
- Foi porque eu falei de comida, isso sim. – Tia Lucy exclamou sorrindo.
- Isso contribuiu bastante pra minha coragem de sair da cama. – Eu comentei, e ela soltou uma risada.
- Claro, agora vá se arrumar e depois desça para comer, ok? – Tia Lucy falou, eu assenti, e logo ela saiu do meu quarto.

Eu peguei as roupas da escola para vestir, que basicamente eram uma saia xadrez vinho e preto, uma camisa de mangas brancas social, sapatilha preta e meia 3/4 branca, meio ridículo, ainda mais que eu não curto muito saia; fico um pouco com vergonha, enfim. Prendi meu cabelo num coque muito frouxo, quase saindo, mas eu nem ligava, estava com uma preguiça de arrumá-lo direito; peguei minha mochila que continha um caderno, estojo e acho que era só isso mesmo, nunca fui muito exagerada com material escolar, e saí do meu quarto, fechando-o. Desci as escadas, demoradamente (Lê-se: parecendo um zumbi), deixei minha mochila no ultimo degrau da escada, e me virei em direção à cozinha:
- Bom dia. – Falei, no meu jeito zumbi.
- Bom dia... é... você está bem? – perguntou, de um jeito engraçado, eu ri fraco.
- Relaxa, isso se chama sono. – respondi e dei de ombros já pegando e despejando suco no copo, e tirando 3 fatias do bolo.
- Nossa, você come mesmo, hein – comentou, olhando pasma para as 3 fatias grandes no meu prato, enquanto ela tinha apenas 1 em seu prato.
- Você não viu nada – falei de boca cheia, recebendo um olhar reprovador da minha tia, segurei o riso. riu do que eu falei.
- Você não põe açúcar no suco de limão? – perguntou, fazendo uma careta. Eita diacho.
- Sim, mas eu também gosto sem – Respondi bebendo meu suco, minutos depois eu já tinha acabado tudo.
- Que rapidez, nossa – Tia Lucy comentou.
- Isso dessa vez se chama fome – eu comentei, rindo, indo subir as escadas, mas me interromperam.
- Vai aonde? – perguntou.
- Escovar os dentes – respondi.
- Mas tem um banheiro aqui embaixo também, pode ir lá, tem uma escova reserva pra ti. – Ela respondeu, e eu acho que ela percebeu meu alivio de não ter que subir as escadas de novo.
- Ufa. Obrigada. – agradeci, indo ao banheiro que ela havia me dito onde era, logo no corredor ao lado da escada.

Depois que eu fiz minha higiene bucal, passei água no rosto, e não, eu não tinha me maquiado, adivinha? Sim, preguiça, mas também não era de me maquiar muito, só o que eu gostava que era lápis preto, sombra e um gloss não muito chamativo. SaÍ do banheiro, e fui em direção à escada e sentei, pondo a mochila em cima do meu colo, e pegando meu mp3 dentro da minha mochila. Esperei uns 5 minutos até que desceu as escadas, e eu nem vi ela subir, né:
- Vamos? – perguntei, levantando e pondo a alça da mochila num ombro só.
- Sim, minha mãe está descendo já, vamos de carro, ela vai pro trabalho e é no mesmo caminho do colégio. – falou.
- É longe? – perguntei, temerosa, porque eu queria ir a pé às vezes.
- Mais ou menos, não é muito, mas também não é pouco. Dá pra ir caminhando, mas estou com preguiça. – confessou.
- Normal, eu também estou, na verdade eu vivo com a preguiça dentro de mim. – eu falei rindo.

Logo minha tia desceu, e nós saímos de casa, ficou no banco do carona, minha tia do motorista (óbvio) e eu fiquei lá atrás ouvindo música. Depois de uns 10 minutos, - eu acho - chegamos ao colégio, e eu vou tentar não detalhar muito porque eu odeio detalhar demais: o colégio tinha um portão grandão que, creio eu, era para os carros, e logo um pouco mais no lado havia uma porta média, devia ser para os alunos. Eu e saímos do carro, despedimo-nos da minha tia, e enquanto íamos até a secretaria, prestei atenção na escola para não me perder. Tinha um pátio com espaço enorme, e nos lados havia banquinhos ao redor de mesas quadriculares, tudo muito jeitoso, e no corredor, os armários eram da cor cinza, as paredes do prédio eram brancos, todas as portas tinha um numero da cor branca e a porta azul. A escola ainda não estava cheia, mas também não vazia. Logo chegamos à secretaria:
- Bom dia, o que desejam? – Uma senhora muito simpática na aparência perguntou.
- É que ela é aluna nova. – respondeu por mim.
- Ah sim, qual seu nome? – A senhora que, olhando pro crachá dela, deu pra ver que se chamava Corina.
- – respondi, Corina então foi até uma gaveta perto dela e começou a passar as fichas, e logo pegou uma.
- Achei, vou pegar os seus livros, seu armário é o 49, e aqui está os horários de cada aula de sua nova turma. – Corina entregou um papel, onde tinha o que ela havia dito.
- Obrigada – Agradeci, esperando ela trazer os meus livros, e logo que ela o fez, eu fiz uma cara espantada pelo tamanho de maioria dos livros.
- Aqui está, é melhor sua amiga te ajudar. – Corina aconselhou, eu e assentimos.
- Obrigada de novo – Falei sorrindo e Corina apenas acenou com a cabeça, eu e minha prima saímos da secretaria.
- primeiro: isso aqui não é livro de escola, é uma bíblia, uma enciclopédia de todos os idiomas, porque putz, como pesa. Segundo: você sabe onde fica o armário 49? – falei, levando 4 dos 8 livros. Ok, não era todos os pesados, mas sim o de biologia,química,física e a pior de todas era o de historia, que eu odiava desde que me conheço por gente.
- Acostuma dude, eles põem a matéria de todos os 3 anos pra facilitar, só o de português que eu saiba que eles mudam todo ano, fora isso. Meu armário é o 40, eu te levo até o seu. – disse e fomos em silencio até meu armário.

Vou te falar, estava olhando pro corredor já meio cheio, e eu estava me sentindo uma estranha, normal né? Até que sim, mas todos as meninas me olhavam com um ar de reprovação, sei lá, todas estavam maquiadas exageradamente e blábláblá, acho que deve ser porque estou de um jeito largado, sem maquiagem e eu acabei trocando a sapatilha pelo meu all star velho e não-lavado, porque pra quê limpar um all star se o que dar charme nele é estar sujo? Eu hein, prefiro ele assim como tá. Enfim, percebi que parou e quando vi estávamos em frente ao meu armário:
- Está ai, abre logo ele, aqui a chave. – me entregou, eu peguei e logo abri o armário.
- Obrigada, . – Respondi ao por os livros que segurava e os que eu segurava, no armário.
- Quem? – fingiu não entender.
- Obrigada, . – Falei dando ênfase ao seu apelido, revirando os olhos.
- Fica tão bonitinho você falando meu apelido. – disse batendo as palmas que nem uma foca, eu ri.
- Você é muito boba, eu mereço hein – eu fingi reclamar, só sei que recebi um tapa no braço que eu resmunguei com um “ai”.
- Você vai ter que me aturar, porque eu sou irritante assim mesmo – [n/a: momento eu e , again, haha, abafa] disse fazendo uma pose de superior.
- Você não é irritante, só muito animada. – Eu falei sorrindo.
- Acredita nisso que dá certo, mas eu vou por meu material no armário ok? Já to voltando. – disse e eu nem liguei muito, fiquei ajeitando minhas coisas e pegando os livros que eu ia precisar.

Não demorou muito até eu conseguir ajeitar as coisas sem deixar cair tudo, eu sou meio desastradas, às vezes pego uma coisa e derrubo tudo. Enfim, quando faltava apenas o livro de português pra eu pegar, ouço “I miss you” do Blink 182 tocar ao meu lado, comecei a cantar baixinho mas quando percebi já estava cantando numa altura ouvível, então ouço alguém falar:
- Você gosta? – Ouvi perguntarem, olhei pro lado para ver se era comigo, e me deparo com um garoto do mesmo tamanho que eu, loiro, dos olhos azuis, que tinha uma cara de skatista.
- De quê? – perguntei.
- Blink 182. – o tal garoto falou.
- Ah, gosto sim, não ouço muito, mas eu gosto. E você? – perguntei, colocando o livro na minha mochila e pondo a mesma num ombro só.
- Eu os amo. – Ele falou sorrindo, que coisa mais fofa, posso ver esse sorriso todo o dia de tão fofo que é. Sorri também. Pronto, ficamos sem assunto.
- Hm... eu não sou de puxar papo e nem arrumar um assunto legal, mas, acho que sempre começam perguntando o nome, né? Então, Qual seu nome? – Falei, meio envergonhada.
- Ah normal, eu também não sou de puxar papo, fico mais na minha às vezes. Meu nome é Dougie, e o seu? – O Dougie perguntou, sorrindo. Poxa, para de fazer isso. Mas calma, já ouvi esse nome antes.
- , mas me chama de , eu lhe imploro. – Eu falei juntando as mãos como se fosse rezar.
- , ... já ouvi falar desse nome, dude. – Dougie falou fazendo uma cara de que estava tentando se lembrar de algo.
- Dude, também tenho essa impressão dude. – Respondi-o. Mas não precisamos pensar muito.
- ! – Ouvi gritar de seu armário, e logo tudo veio a memória.
- JÁ SEI! – Eu e Dougie gritamos juntos, e caímos na gargalhada, eu olhei pra ele rindo e ri mais ainda, e ele olhou pra mim e riu também. Que louco.
- Você é a prima da , então. – Dougie falou, e eu concordei com a cabeça.
- Sim, mas eu vou lá, então tcha... – eu ia despedindo enquanto fechava o armário, mas fui impedida.
- A gente vai junto pra lá, espera aí. – Dougie disse, e o esperei pegar seu material.

Logo ele já tinha pego seu material, e fomos caminhando até o armário de , até que numa hora alguém grita pelo nome do Dougie atrás da gente, e eu parei junto com o Dougie:
- Dougie, tava te procurando, onde você tava? – um garoto de cabelos castanhos, olhos azuis e eu acho que aquilo no rosto dele era sardas, muito bonito ele até mais que o Dougie, mas eu não sei porquê não fui com a cara dele. Não vou julgar antes da hora né?
- Estava no meu armário dude, mas que você quer? – Dougie perguntou.
- Vai ter uma festa lá na casa da Clarice, quer ir? – o amigo do Dougie convidou.
- Não sei não, acho que vou para a , a mãe dela vai fazer um bolo de chocolate e... – Dougie falou.
- Mas ela já fez dude – eu o interrompi.
- Já? Como assim? Ela falou que iria fazer especialmente pra mim – Dougie disse e fez biquinho.
- Só se ela for fazer outro pra ti, só sei que eu comi bolo hoje, e tava delicioso. – Eu comentei, olhando pra cima e imaginando o bolo.
- Agora não tem duvida, Danny, eu não vou na festa não, dude, foi mal – Dougie disse.
- Vai me trocar por um bolo de chocolate? – O... Danny, né? Então esse aí falou com uma voz afetada, segurei a risada porque tipo... eu vou rir de alguém que nem fui com a cara?
- Na verdade, é porque encontrei alguém a minha altura. – Dougie respondeu e me abraçou de lado, mas não percebeu o que falou pois logo o Danny começou a rir que nem uma hiena. Ele ri mais engraçado que o Dougie.
- Altura de anão, né? – Danny zoou, e eu agora fiquei com raiva, eu hein, ninguém que eu não goste pode zoar com minha altura.
- Que engraçado. – Dougie disse, revirando os olhos. Fiz o mesmo gesto.
- Mas e aí, qual seu nome, gracinha? - O que ele falou? Gracinha, nossa, que tosco. Eu não vou respondê-lo, prefiro poupar minha saliva de falar com ele.
- Vai me responder não? – Danny perguntou, apenas o encarei debochada e sem falar nada em sua direção.
- Legal. Dougie te vejo depois. – Se despediu com uma batida de mão, e logo saiu.
- Vixi , ferrou. – Dougie disse enquanto caminhávamos novamente em direção a .
- Por quê? – Perguntei confusa, olhando pra ele.
- Ele falou “legal”, mas ele vai começar a te pertubar. – respondeu fazendo uma careta.
- Quem vai te perturbar? – perguntou, quando chegamos no seu armário.
- O Danny, amigo do Dougie. – Falei dando de ombros.
- Esse garoto é irritante, não sei como os garotos são amigos dele, mas enfim. – comentou.
- Sério, ele não vai me irritar, ele não vai conseguir mesmo. – Eu afirmei, os acompanhando até o pátio.
- Você que pensa. – Dougie discordou.
- Que seja, vi que já se conheceram né? – comentou sorridente.
- É, graças ao Blink 182. – Eu e Dougie falamos juntos, e rimos de novo.
- Não sabia que gostava deles. – falou pra mim.
- É, eu curto um pouco. – comentei.

Continuamos a conversar até chegar no pátio, descobri que Dougie era um esfomeado que nem eu, que era magro de ruim também, entre outras coisas, eu o adorei já. Só que eu não vi nem o Harry nem o outro amigo que eles me falaram que iam apresentar. Quando bateu o sinal eu, e Dougie fomos pra nossa sala, entrando lá vemos que metade da turma já tinha entrado, Dougie foi sentar do lado de um loiro que quando sorriu eu percebi uma covinha, eu e ficamos no lado da janela, eu – claro – fiquei literalmente no lado da janela:
- Agora vai ser aula de quê mesmo? – perguntei.
- Inglês – respondeu, fazendo careta.
- Essa é a minha sorte. – falei irônica, recebendo uma risada da minha prima.
- Com toda a certeza – falou, parando de rir.
- Bom dia, alunos! – Um senhor moreno, barrigudo, careca e que usava óculos, entrou na sala com sua pasta marrom, e cumprimentou a turma.
- Bom, só seria se eu não tivesse aqui, né?! – eu falei baixo mas o puto desse professor ouviu.
- Quem é você, senhorita? – O professor perguntou com um olhar debochado pra mim, viado.
- Alguém – Eu falei, despreocupada e com um ar de graça, mas com raiva de ser chamada atenção.
- Vejo que não me conhece ainda, não é? Pois bem, vou dizer algumas regras minhas. – O professor falou com aquele jeito afeminado, que me fez segurar o riso.
- Prossiga, senhor. – Falei calmamente, recebendo olhares assustados dos outros alunos.
- Primeiramente... – Eu juro que tentei prestar atenção, mas não consegui, simplesmente olhei pra cara dele fingindo que estava escutando-o, mas comecei a pensar em outras coisas.
- Entendeu, Senhorita? – A voz do professor falando diretamente comigo, despertou-me da minha viagem.
- Perfeitamente. – respondi, na maior cara de pau. Logo o professor começou a mandar a matéria no quadro, pow logo no 1º dia de aula já tinha matéria? Aff.
- Você escutou algo que o professor Watson disse? – perguntou.
- Sim. “Primeiramente...” – eu falei, fazendo aspas na palavra e segurou o riso.
- Você é louca, nunca vi alguém enfrentar o professor – disse, eu dei de ombros.
- Basicamente, eu não o enfrentei, só não fiquei com medo. – respondi, começando a copiar a matéria.

Sinceramente, nem eu me reconheci agora, eu não sou de fazer esses tipos de coisa, mas acho que era mais porque meus antigos professores nunca foram chatos, e porque eu não gosto mesmo de inglês, ainda mais na primeira aula da semana, aí meu humor muda um pouco. Só sei que eu copiei toda a matéria do quadro, fiz os trabalhos que ele mandou, e fiquei esperando ele liberar. Faltava uns 20 minutos para a aula dele acabar ainda, e eu estava impaciente, pois maioria já havia acabado e ele não liberava aos poucos, até que resolvi opinar:
- Professor, por quê você não libera aos poucos os alunos que já fizeram? Ainda falta 20 minutos para acabar a aula e maioria já acabou – eu falei.
- Por quê acha que eu vou fazer o que você falou? – Watson, o professor afeminado, perguntou debochado.
- Eu não acho que você vá fazer isso, só disse o que achei que seria mais fácil, vendo que todos estão conversando e atrapalhando os que ainda estão fazendo o trabalho. – respondi, querendo sair daquela sala.
- Pois bem, vou fazer isso, você até que é esperta, senhorita...? – Professor perguntou pois eu não havia apresentado-me como aluna nova.
- , . – Respondi e me senti o James Bond falando o nome dele, ri internamente.
- Pois bem, vou liberar quem fez, mas... vou chamar 3 pessoas por vez pra ver o trabalho feito, até parece que vou dar gostinho de quem não fez ir embora na moleza, né? – Professor Watson disse e maioria riu, até eu.

Metade da turma já tinha saído, e logo eu, e não sei quem mais, fomos na mesa do professor mostrar. A primeira a entregar foi minha prima, e enquanto professor via o trabalho, a pessoa de trás veio falar comigo:
- E aí, , gostou da aula? – Escutei aquela voz irritante e logo revirei os olhos, ele estava perto de mim.
- Até que sim, se você não viesse me encher a paciência teria ficado melhor. E por favor, sai de perto, eu hein. – respondi, simples, mas sem paciência.
- Que foi, está com medinho de eu fazer alguma coisa? Não se preocupe, que não costumo fazer nada na frente do professor. – Ele respondeu, tão perto do meu ouvido que pude sentir seu hálito, revirei meus olhos novamente, mas que garoto irritante.
- Medo eu estou sim, mas é de pegar sua idiotice, é contagioso não né? – Falei brincando, e ouvindo umas risadinhas do lado, das pessoas que sentavam na frente.
- Já vi que é engraçadinha. – Ele comentou. Chegou minha vez de entregar o meu trabalho, entreguei para o professor que me deu um olhar que julgariam assustador, mas para mim era fome, me virei pela primeira vez para Danny.
- Não que te interesse isso. Agora vê se me erra. – Eu falei virando-me para esperar o professor lerdo corrigir o trabalho, aff. Ignorei Danny a partir daí.

Capítulo 3

Esse primeiro dia de aula foi muito legal, de um jeito meio louco eu me identifiquei com o Dougie apesar de não me achar parecida com ele, só em alguns aspectos. Harry eu já conhecia e também era muito legal, assim como Tom, que me apresentaram no recreio. Todos eles eram amigos do tal Danny, me pergunto como, eles disseram que ele era legal, mas ele gostava de se mostrar e tal, disso eu já sabia, mas né. Falando nesse ser acéfalo, ele ficou (tentando) me irritar o tempo todo na escola quando podia, sorte minha que eu dava um jeito de sentar bem longe dele nas aulas, e no recreio, quando ele estava junto com a gente, eu o ignorei totalmente, o que causou risos entre os outros guys. Agora eu estava voltando para casa junto com , que está falando um monte de coisa e eu estou tentando prestar atenção nela e no caminho, para lembrar:
- Sério, você foi demais, eu segurei o riso na aula de português quando você estava falando com o Danny, porque sabe, ninguém trata Danny Jones assim – falou, imitando na última parte uma das patricinhas acéfalas, que falou isso quando ouviu o que eu falei pro Danny. Eu ri da imitação de minha prima.
- Mas para, tudo tem sua vez, não é? E aliás, ele que pediu, eu nem estava o importunando – Respondi, dando de ombros.
- Verdade – respondeu, e finalmente calou a boca, não querendo ser grosseira, mas às vezes eu gostava de caminhar em silêncio.
- EEEEEEEEEEEEEEEI ESPEREM – Ouvi alguém gritar, eu e demos meia volta ao percebermos que era com a gente, e vimos um Dougie correndo em nossa direção, todo desengonçado com um skate nas mãos e mochila nas costas.
- Dude, você está com skate, por que veio correndo? – Eu perguntei começando a rir, quando Dougie chegou pondo a mão no joelho e respirando rapidamente.
- Ah, é, né? – Ele falou pondo uma mão na cabeça, coçando-a em sinal de confusão e logo começou a rir junto comigo. nos olhou e começou a rir.
- Repararam que estamos que nem 3 loucos rindo no meio da rua? – perguntou quando parou de rir e continuou a caminhar, fizemos o mesmo.
- Agora somos três loucos rindo e andando. – Falei, ao mesmo tempo que Dougie, e logo demos um High Five.
- Tenho medo de vocês dois juntos. – disse, fingindo que iria sair correndo.
- Mas por quê? Somos tão inofensivos. – Falei e puxei Dougie, o abraçando de lado, e fizemos caretas que provavelmente eram assustadoras, medonhas. Nós dois rimos que nem uns loucos.
- Vão se benzer – falou, fazendo uma cara de assustada, mas logo nos acompanhou.

Pois é, não consegui minha caminhada silenciosa mas em compensação ganhei o caminho todo de várias risadas, acho que meu pai ficaria orgulhoso em ver que tenho amigos verdadeiros agora, pois ele sabia que não gostava dos outros de verdade. Chegamos em casa e apenas jogamos nossas mochilas no canto da sala e fomos para cozinha. Sim, os três esfomeados. Abri a geladeira e logo constatei que ainda havia bolo de chocolate:
- Ufa. – Dougie exclamou, e isso está ficando sinistro, pois eu pensei exatamente isso.
- Ainda tem bolo – Falei, sorridente. Sim, eu amo comer, inclusive bolos de chocolate. - , pega três colheres. – ordenei-a, que logo pegou e me entregou uma, fez o mesmo com Dougie.
- No já? – olhei pro Dougie, que logo entendeu o meu raciocínio e sorriu concordando.
- 1, 2, 3 e... já – contei e logo começamos a comer o primeiro pedaço do bolo de chocolate.
- Sou foda, aham, oh yeah. – Comecei a dançar de um jeito desengonçado em comemoração que comi o bolo mais rápido que o Dougie.
- Não vale, foi trapaça. – Dougie disse defendeu-se, tomando suco de laranja em seguida.
- Como foi trapaça, hein? – o encarei com sorriso de lado, ele bufou.
- Vocês foram separados no nascimento né? Só pode – exclamou rindo.
- Ah, não enche – falei e bebi meu suco num gole só.
- Eu, hein – reclamou, mas ela sabia desse meu jeito.

Depois de comermos, eu comi mais dois pedaços e Dougie também. Ficamos vendo TV, e em seguida, começamos a brincar de mímica, ríamos mais do que fazer realmente a mímica, mas foi bem legal. Quando minha tia chegou de não sei onde, Dougie elogiou o bolo da tia Lucy e se despediu alegando que queria chegar em casa a tempo de comer a lasanha que a mãe dele disse que ia fazer, o que me fez choramingar internamente porque eu queria comer também mas eu o conhecia há pouquíssimo tempo, então me conti. Já era quase de noite quando ele tinha ido, então eu fui tomar meu banho (calma, eu havia trocado de roupa quando cheguei em casa), quando terminei, coloquei meu pijama largo e fui escrever no caderno que eu usava para besteiras como aquela, eu adorava escrever coisas aleatórias, fazer listas de bandas, filmes, programas... enfim, tempo depois eu peguei no sono que me assustou, dificilmente fico com sono tão cedo, mas devia ser por estar cansada ainda da escola e só de pensar em ter que ir amanhã já me dava preguiça, foi pensando nisso que eu acabei dormindo.

Acordei com alguém me sacudindo, que ótimo, será que acordei tarde? Resolvi logo abrir os olhos antes que a pessoa me matasse de tanto sacudir. Ok, isso não fez sentido:
- Ah, até que enfim. Levanta dondoca, já é 06:30 e a gente vai ter que ir a pé ainda – falou, e logo eu levantei correndo pro banheiro, fazendo tudo que devia, saindo e encontrando uma calça jeans, uma camiseta do Simple Plan e o mesmo all star de ontem, franzi a testa.
- E o uniforme? – perguntei, me sentindo perdida, mas mesmo trocando de roupa por aquelas que estavam estendidas na cama.
- Ah, é só no primeiro dia de aula, não queira entender. – falou e deu de ombros, logo eu já havia terminado.
- Ai droga, esqueci de arrumar a mochila. – Bati na minha testa, e logo pegando os livros de hoje.
- Hey, deixa que eu arrumo pra você, desce para comer. – ordenou, e eu agradeci com um aceno, descendo indo para cozinha.

Coloquei café e leite no copo, e fui logo tomando enquanto comia com o pão, logo peguei outro pão e percebi o quão faminta estava, afinal, eu não havia jantado. Fui ver as horas e eram 06:55. Logo me apressei, quando acabei, fui em direção a escada para chamar , mas eu ouvi a campainha tocar e bufei, indo abri-la:
- Bom dia, – Dougie disse, sorridente, mas não consegui responder logo, pois eu acabei bocejando, causando-lhe uma risada.
- Só se for pra você – falei depois do bocejo – Mas o que faz aqui? Quer chegar atrasado junto comigo e a ? – brinquei.
- Seria prazeroso, mas não. Eu liguei para você mas quem atendeu foi a sua prima, ai ela falou que iam a pé, e eu ofereci carona, na verdade meu amigo ofereceu. – Dougie respondeu, e eu sorri aliviada.
- Terei que agradecer seu amigo então por salvar minha vida, eu sinceramente odeio chegar atrasada – respondi, e aí ouvi passos na escada, provavelmente descendo.
- Quero só ver – Dougie disse, sorrindo, achando graça de algo, não entendi o porquê.
- Vamos? – perguntou, entregando minha mochila e pegando a chave da porta.
- Vamos – Dougie respondeu, e eu bocejei em resposta, causando risadas. Bufei.

fechou a porta e quando vi direito pra frente, percebi um carro, e uma pessoa dentro no banco do motorista. Quer dizer, vi um resto das costas dela, a pessoa devia estar pegando algo que deixou cair, e quando levantou e virou para nossa direção, resisti fazer uma careta de desgosto:
- , podemos ir a pé, não? – perguntei, choramingando.
- Se quiser que cheguemos atrasadas, podemos ir. – falou, e eu revirei os olhos, desistindo.
- E aí, , bom dia. – Danny falou com um sorriso perfeitamente irritante.
- Meu querido, eu tenho que pegar carona contigo, senão eu chego atrasada. Você acha mesmo que eu estou tendo um bom dia? – perguntei.
- Mas que gratidão, hein, eu podia não deixar você entrar no carro e fazer você se atrasar. – Danny respondeu me provocando.
- Parem de ladainha vocês, e , entra logo nesse carro – falou, estressada, e logo o fiz. Sério que ainda vou ter que sentar no banco do carona? Oh, sorte minha.
- Você tem sorte que eu sou um cara bacana e não deixaria uma donzela chegar atrasada – Danny disse, meio debochado, e eu revirei os olhos olhando para a paisagem enquanto o carro corria na estrada.
- Ufa. – exclamei, quando o carro virava para entrar na escola.
- Nossa, que mau humor. – falou, mas resolvi ignorar.
- Vai me ignorar, é? – ela perguntou.
- Eu estou mesmo de mau humor e quis te poupar, mas se quiser que eu seja grosseira com você, é só falar – eu respondi, e finalmente o carro parou na vaga.
- Olha só, não fique se gabando pelo que eu vou falar, mas obrigada mesmo pela carona. – Falei, olhando para o Danny, que sorriu de um jeito que me parecia simpático.
- Viu? Não é tão difícil ser simpática às vezes, né? – Danny disse, apertando minha bochecha, rapidamente eu empurrei a mão dele, bufando.
- Não abusa, eu só fiz o que era certo e pronto. Agora eu já vou saindo. – Falei e saí do carro, sendo encarada por quase todos os alunos que estavam entrando. Acabara de bater o sinal para entrar, para minha não ironicamente sorte. Logo estava ao meu alcance.
- Parece que você vai ser o assunto de hoje na turma, já até imagino as patricinhas com raiva, pensando besteira. – falou, ao perceber todo mundo ainda me olhando, só que tentando disfarçar... muito mal aliás.
- Tudo que eu precisava, de atenção, por que não podia ser o Harry me dando carona, hein? – Choraminguei.
- Não seja dramática – falou, rindo.
- Mas eu não estou sendo – eu falei e fiz biquinho, vendo minha prima revirar os olhos.
- Claro que não – disse, irônica.

Entramos na sala, e logo vi que todos que estavam na sala me encaravam e uma senhora baixinha, com cabelo grisalho estava arrumando suas coisas em cima de sua mesa. Ela era engraçadinha. Não sei como, mas só percebi que não tinha me acompanhado quando eu sentei na minha cadeira e então ela foi em direção a outra do meu lado, mas alguém rapidamente pegou o lugar no qual minha prima iria sentar e quando me toquei quem era, logo bufei, eu sabia que aquele dia não ia ser bom:
- Quanto tempo né, . – Danny zoou, sentado ao meu lado, com os braços cruzados e a mochila em cima da mesa.
- Garoto, não me enche. - Falei logo, pegando meu material de dentro da mochila e colocando no meu lado da mesa já que a mesa era junta pra dois usarem. É difícil de entender, eu acho, deixa pra lá.
- Bom dia, alunos – a professora disse, e a voz dela era de taquara rachada, seja lá o que for isso.
- BOM DIA – os alunos disseram em coro, até eu, mesmo sendo a coisa mais irônica que me digam de manhã.
- Você não acha irônico? – Danny perguntou, eu olhei pra ele confusa e me perguntando se ele lia pensamentos, porque se sim, eu estou ferrada, já que ele gosta de implicar comigo. Ok, vou parar de imaginar essas coisas impossíveis.
- O quê? – perguntei, erguendo uma sobrancelha.
- Esse "bom dia" – Danny respondeu fazendo aspas nas duas últimas palavras.
- Bem irônico – falei isso e prestei atenção na aula, e por um tempo o idiota no meu lado ficou quieto, talvez porque ele tivesse quase dormindo. Ri fraco.
- Te dou carona por uma semana se você copiar o que tá no quadro pra mim – Danny pediu, virando a cabeça deitada para mim e tenho que admitir, ele parecia um anjo mas como as aparências enganam, esse projeto de anjo era na verdade um demônio.
- E quem disse que quero carona de você? Só tive que aceitar hoje por urgência. – falei.
- Você é irritante, hein. – Danny disse bufando, sorri de lado.
- Acho que é convivência contigo. – falei e apertei sua bochecha o fazendo bufar de novo, não sabia que conseguia irritá-lo. Voltei a prestar atenção na aula.
- Então você gosta de Simple Plan? – Ele perguntou ao ver minha borracha toda rabiscada com escritos Simple Plan, eu havia feito uma promessa que eu iria usar aquela borracha até ela acabar se meu pai melhorasse da crise depois que minha “mãe” nos abandonou.
- Não te interessa, mas é óbvio que sim. – respondi-o sem olhá-lo apenas terminando de copiar o trabalho.
- Garota, eu perguntei de boa, não tem como você responder sem grosseria? – Danny reclamou, e eu tenho que admitir, que eu exagerei mesmo.
- Tá, desculpa, estou de mau humor e você sabe disso – Eu falei.
- Então tá de mau-humor todos os dias, né? – ele falou rindo alto, chamando a atenção de alguns.
- Ai garoto, cala a boca antes que eu te mate – exclamei, e logo resolvi ignorá-lo totalmente naquela aula.

Vejamos, mal chego na escola e um professor já não vai com a minha cara, um idiota me perturba e agora provavelmente sou um dos comentários das patricinhas. Onde foi que eu errei? Eu não sei, mas só sei que por uma obra divina o ser ao meu lado ficou quieto o resto da aula. Ok, ele me irritou até a hora de desistir porque eu estava o ignorando mas alegou que ainda não acabou. Quando bateu o sinal avisando do fim daquela aula, eu praticamente joguei o material na mochila, mas na hora de sair, o idiota do Danny não me deixou passar, já que eu estava do lado da parede:
- Garoto, me deixa passar – eu falei.
- Qual a palavrinha mágica? – ele perguntou sorrindo debochado.
- Vai se foder – Respondi.
- Mas que menina mais boca suja, que feio Senhorita – Danny reclamou falsamente.
- Ai garoto, por favor me dá licença, satisfeito agora? – perguntei irritada.
- Ótimo – Respondeu simples se levantando e indo para fora da sala, enquanto eu fazia o mesmo mas meio devagar só para não esbarrar nele.

Realmente esse garoto me irrita, eu já sou bem pavio curto e ele ainda faz isso, mas que raiva. Andei apressada para a minha sala, porque antes fui por meus outros livros-tamanho-mundo no armário, e logo quando entrei na sala vi que tinha um lugar no lado da , vibrei internamente por isso:
- Graças a Deus que eu estou do seu lado. – eu exclamei, sentando na cadeira.
- Foi tão ruim sentar do lado do Danny? – perguntou de implicância, segurando o riso.
- Para de graça, que eu estou possessa – Exclamei, e depois que percebi o que eu falei, eu ri baixo.
- Está o que? Possessa? Nem minha mãe fala assim – exclamou, rindo junto.
- Ah, me deixa – Eu pedi, parando de rir, fazendo biquinho.
- Tá bom, tadinha da menina – disse, num falso lamento. E a partir daí começamos a prestar atenção na aula, de português, mas que coisa é essa? [n/a: lembrando que é na Inglaterra essa historia, e que o português lá seria tipo a aula de inglês aqui. Nem sei se tem aula de português lá, mas vamos fingir que sim, ok?]
- Professora, eu não entendi, esse português é o que? – um nerd perguntou, falando embolado o nome da matéria, causando risos de alguns.
- É o idioma falado por países como Portugal, Brasil e alguns países da África – A professora Luciane, grande e gorda (sem querer ofender, tá) com a pele morena e cabelo preto e liso, respondeu.
- Já vi que não vou conseguir aprender tão fácil – Eu falei, começando a copiar o que a professora colocava no quadro.

A aula se passou calma, às vezes conversava com a , as vezes eu tentava falar algo em português mas no máximo um “oi” eu havia conseguido. Agora estávamos saindo da sala e fomos para o armário, eu estava guardando as coisas no armário quando Dougie apareceu ao meu lado:
- Hey dude, que demora é essa pra guardar as coisas aí, hein – Dougie falou, sorrindo, engraçado.
- Fica quieto, não tenho culpa de ser cuidadosa, geralmente as coisas caem do meu armário – Respondi e fiz uma careta.
- E aí Dougie, beleza? , que alegria te ver aqui – Danny disse, irritante, como sempre, e apoiando o braço no meu ombro.
- Já eu falo o contrário – falei e me mexi, fazendo-o bater o cotovelo direto no armário, o ouvi resmungar baixo. Sorri divertida enquanto Dougie riu baixo.
- Mas que estressadinha hein, que tal relaxar um pouco? – Danny falou, colocando as mãos nos meus ombros e massageando fraco. Aquilo foi o cúmulo.
- E que tal você quebrar o braço? – perguntei, pegando uma de suas mãos e me virando para sua direção. Agora ele estava com o rosto colado ao armário, enquanto eu segurava sua mão fortemente deixando seu braço direito (agora havia visto) torto. Todos os alunos que estavam no corredor olharam aquela cena com uma feição assustada.
- Garota, você é maluca? Me solta – Danny falou com dificuldade, eu estava realmente me divertindo.
- Qual é a palavrinha mágica hein? – Perguntei, que nem ele no fim da primeira aula daquele dia.
- Por favor – Danny falou baixo.
- O que? Eu não ouvi direito – Falei, rindo por dentro mas não achem que sou uma bad girl é que eu sempre quis fazer aquilo e encontrei a hora certa para fazer.
- Por favor – Danny repetiu um pouco mais alto e então o soltei.
- Agora, nunca mais mexa comigo seu idiota – Eu falei apontando para sua cara que agora estava furiosa.
- Ou então o quê? – perguntou desafiador com um sorriso debochado, nossa, ele se recompôs rápido.
- Ou então na próxima eu te mato – olhei ameaçadora bem no fundo dos olhos azuis de Danny, mostrando que eu não estava mentindo, mas na verdade eu nunca faria isso sabe... matar alguém, nunca, não sou assassina apenas blefei.
- Sua mãe nunca te ensinou que é crime matar pessoas? – Danny perguntou e aquela pergunta me afetou mas eu não deixei transparecer, não ia demonstrar minha fraqueza... não a ele.
- Não sabe brigar e fica botando quem não tem nada ver na conversa, é, Jones? – perguntei sorrindo debochada, e logo sai dali.

Entrei no meu quarto, agradecendo mentalmente por isso, joguei minha mochila no chão e caí em cima da cama. Depois daquela cena no recreio, eu fiquei na maioria do tempo no automático para não demonstrar nenhuma fragilidade quanto ao que o Jones disse. Sabe, me magoou mais pelo fato de minha mãe não ter me ensinado nada. Ela foi embora quando eu tinha 8 anos e tudo que ela falou para mim se tornaram falsas depois do que ela fez, me magoou porque eu sempre senti falta de um amor materno. Voltando, depois do recreio eu notei que alguns alunos pegaram um receio de mim, quando eu ia para mesa junto com a , dois nerds sentam na mesa, quando perceberam que eu ia sentar, saem rapidamente e dizendo um “desculpa” trêmulo. Eu realmente achei muito estranho isso, mas também engraçado que eu gargalhei e minha prima comentou que eu iria virar popular, e eu pouco me liguei, não iria mudar o que sou para agradá-los, não mesmo. Mas cá estou, deitada na cama sem nada a fazer a não ser rir disso tudo, porque cá entre nós, virar popular de um dia pro outro é realmente engraçado, ainda mais quando você não fez nada para que aquilo acontecesse.

Capítulo 4

Ótimo, acordei atrasada de novo. Levantei voando, logo tirando a roupa, enquanto pegava outra para ir para a escola. Quando acabei de me vestir e calçar o tênis, fui para o banheiro, lavei o rosto, escovei os dentes e penteei rapidamente, de um jeito muito relaxado, o cabelo, prendendo-o em um coque frouxo. Desci as escadas correndo, encontrando na cozinha:
- Pow, por que não me chamou? – Eu perguntei, reclamando, pegando um pacote de biscoito recheado de dentro do armário, enquanto brigava com a minha mochila caindo do meu ombro.
- Porque eu já disse que você tem que acordar por si só, priminha – respondeu, calmamente, e eu revirei os olhos enfiando um biscoito inteiro na boca.
- Ah, vamos logo, então? – eu falei de boca cheia, enquanto colocava a mochila direito nas costas.
- Esqueceu que a gente vai com o Harry? – perguntou.
- Ah é, e cadê ele, então? – perguntei. Segundos depois, uma buzina é tocada, me fazendo reclamar pelo barulho. Era tão alto que dava para ouvir de dentro de casa.
- Não preciso responder, certo? Agora podemos ir – disse, e logo saiu da cozinha, pegando sua mochila na escada. Saímos de casa e encontramos o carro de Harry parado em frente. Corremos (literalmente) até o veículo.
- Bom dia, Potter – Falei, quando entrei no lado do carona, para Harry. Eu o chamava assim por causa do seu nome e da cicatriz na cabeça dele.
- Muito bom dia, senhoritas – Harry disse, sorrindo daquele jeito, querendo matar qualquer garota que visse. respondeu e então o carro deu finalmente a partida em direção ao meu inferno matinal.

Acho que esqueci de dizer que até agora já se passaram 3 meses. Pois é, e nesse tempo eu virei a popular da escola, o que acho meio um saco, ser observada quase toda hora naquela escola. Eu não era simpática a todo momento, mas até que não era muito odiada, tirando as patricinhas, maioria dos jogadores de futebol que tentaram ficar comigo para ganhar mais popularidade, mas receberam um belo chute no saco, as que não eram patricinhas mas já estavam virando uma, as putas e uns que nem sei como caracterizar. Enfim, eu fiquei muito amiga do Harry, Dougie e Tom. Aliás, hoje era sexta e eles iam lá para casa, já que minha tia iria sair com as amigas dela. Iríamos ver filmes e todas essas coisas. Você deve estar se perguntando: e o Jones, né? Bem, ele continuou me perturbando e eu continuei o ignorando, mas tinha as exceções que eu lhe dava um fora. Tirando isso, tudo igual. Agora nesse momento, estava saindo do carro do Harry, esperando que ele e fizessem o mesmo:
- E aí garotas, preparadas para o último dia de aula na semana? – Harry perguntou, abraçando e eu de lado, de um jeito que o deixasse no meio de nós. E ele está cheiroso, me gusta.
- Whooop, sempre. – eu praticamente gritei de felicidade. Final de semana sempre me anima, mesmo que eu não vá fazer nada nele.
- Mas que alegria é essa, hein? – Ouvi Tom falar, aparecendo ao meu lado.
- Hoje é sexta feira, meu bem – Respondi, sorrindo exageradamente, me soltando de Harry e abraçando Tom de lado pela cintura. Há quem diga que eu pego ele e os outros dois, eu só rio disso.
- Está me trocando por esse garoto com um buraco no rosto? – Harry fez uma voz afetada, me fazendo rir fraco.
- Hey, isso é uma covinha tá? Seu ignorante – Tom entrou na brincadeira.
- Calma minha gente, tem para todo mundo – Eu falei meio alto quando chegávamos perto da nossa sala. Todos os 3 riram.
- Tem até para mim, ? – Acho que você já sabe quem disse, né? Pois é, para minha infelicidade.
- Para você só um chute na sua bunda – Falei, rindo, me soltando do Tom e indo pôr meu material no armário, ignorando o idiota que me seguia.
- Mas é tão agressiva, deixa que eu te deixo calminha, calminha – Danny falou, e eu não havia entendido. Mas logo entendi, pois ele tinha me virado e prensado no armário, e ainda tinha gente no corredor. Que ótimo, já vão inventar mais ainda.
- Garoto, me solta, seu idiota – Eu disse, tentando me soltar, mesmo sendo totalmente ridículo, já que ele era maior que eu.
- Hey, relaxa – Danny disse, perto do meu ouvido, me causando arrepio. E ele percebeu isso, sorrindo maroto.
- Sabe aquele chute na sua bunda? – eu perguntei em voz alta, e Danny me olhou confuso – Então, eu mudei de lugar – completei e apenas levantei minha perna bem forte, “chutando” as partes baixas dele, deixando o mesmo caído no chão. Entrei na sala acompanhada da e do Dougie, que apareceu do nada.
- Danny deve estar com muita raiva de ti, dude – Dougie disse, tentando conter o riso.
- Ah você viu que ele que começou, posso fazer nada quanto a isso – Respondi e fui me sentar do lado de , que já estava sentada.
- , você bem que gostou, né? – perguntou, me olhando marota. Mesmo ela estando um (pouquinho) certa, eu não iria admitir.
- Se eu tivesse gostado, eu o teria beijado e não dado um chute nas bolas dele, você não acha? – perguntei, levantando as duas sobrancelhas.
- Você não me engana, mocinha – falou, mudando de assunto, e eu apenas revirei os olhos.

Estava no fim da última aula do dia e da semana, história, e apesar de eu odiar a matéria, estava feliz por ser a última. Estava olhando o relógio toda hora, fingindo que fazia/prestava atenção no trabalho e cochichava com a . Finalmente quando o sinal tocou, eu arrumei tudo correndo e saindo da sala, mas então me lembrei dos meus amigos, aí esperei eles saírem da sala e chegarem até mim:
- Mas que pressa, hein? – Tom disse, sorrindo de lado.
- Eu quero sair logo dessa escola, está me sufocando – falei, fazendo uma careta.
- A escola mesmo? – provocou, mas não sabia aonde ela queria chegar com isso.
- É claro – falei, como se fosse obvio, e puxei Dougie para me acompanhar, já que este se encontrava totalmente alheio ao que se rolava.

Antes de ir para casa, passamos numa sorveteria e cada um pediu um sabor estranho, mas creio que o meu foi mais. Chegamos em casa e os garotos já foram pra sala, ocupando o espaço do sofá todo. Subi para o meu quarto, tomei banho rápido, em seguida coloquei uma bermuda bege meio larga que ia até em cima do joelho, vesti uma blusa branca de alça e calçei um chinelo preto qualquer. Desci, vendo segurando dois potes grandes com pipoca:
- Já escolheram o filme? – Eu perguntei, da cozinha. Tinha ido pegar minha barra de chocolate, porque não queria comer pipoca. Fui para a sala e me sentei entre o colo de Harry e do Tom, totalmente folgada, enquanto estava no braço esquerdo do sofá onde Dougie se encontrava.
- Sim, As Crônicas de Nárnia – Tom disse, sorridente. Eu bufei.
- Ah, que ótimo – falei, na minha ironia, comendo outro quadrado da barra.
- Você é chata pra filme, hein – Tom reclamou, birrento. Eu sorri de lado, revirando os olhos.
- Você sabe que não sou, então nem invente – eu falei, levando um beliscão do Senhor Covinha.
- Alguém vai atender a porta? – disse, totalmente preguiçosa e eu nem tinha escutado a campainha tocar.
- E quando que a campainha tocou? – Eu e Dougie perguntamos ao mesmo tempo e começamos a rir, me levantei indo em direção a porta.
- E a gente nem combina, né? Imagina se fizéssemos, nem funcionaria – falei, brincalhona abrindo a porta, vendo uma mulher.
- Filha?! – a mulher a minha frente disse, meio incerta, mas sorrindo, e eu a olhei confusa. Mas foi prestando atenção naqueles olhos que eu percebi que aquela a minha frente era mesmo a minha mãe, a que me iludiu.
- , quem é? – perguntou, mas não consegui responder. Aliás, eu estava parada olhando aquela pessoa ali na minha frente. As lágrimas estavam chegando e antes que eu chorasse na frente dela, saí correndo rua afora.

Estava andando meio sem rumo, e encontrei uma praça. Fiquei por lá debaixo de uma árvore, abracei minhas pernas e abaixei a cabeça, me escondendo. Estava chorando há um tempo, começava a ficar mais frio e o vento começava a ficar mais freqüente, mas eu não me importava. Eu poderia morrer congelada que não me importaria, não quando a pessoa que mais causou sofrimento a mim e ao meu pai, volta assim do nada com um sorriso cínico na cara. Com esse pensamento, nem senti o pisar de alguém perto de mim. Ignorei, continuando a pensar e a chorar, não nessa ordem. Demorou mais uns minutos, creio eu, e a pessoa que estava perto de mim se pronunciou:
- Garota, você está bem? – Ouvi a voz que me parecia familiar.
- Não te interessa – gritei, ainda com o rosto escondido.
- Hey, calma, só quero ajudar – A pessoa falou e eu estava começando a me irritar.
- Então me ajude parando de me perturbar – Eu falei e levantei a cabeça para olhar na cara da pessoa e no mesmo instante me calei, meio confusa.

POV Terceira Pessoa

- ?! – Danny perguntou, mais para crer mesmo que aquela menina que achava que era tão forte estava tão frágil aos choros.
- Não, o bozo, agora acabou o show e você já pode ir embora – disse, soltando um riso fraco, um tanto quanto melancólico, segurando o choro o máximo possível, mesmo que fosse inútil, já que ele já a tinha visto chorar. Ela então voltou a abaixar a cabeça, e já não conseguindo segurar, voltou a chorar.

Capítulo 5

Mais por um impulso, Danny se sentou ao seu lado e a puxou para um abraço. E incrivelmente, ela não desfez o gesto; estava fraca demais para pensar no que estava fazendo, ali abraçada ao seu, digamos, "inimigo", ela encontrava uma sensação estranhamente boa e confortável, enquanto ele se sentia esquisito por gostar de estar tão perto daquela garota a qual ele vivia irritando por irritar. Depois de um tempo assim, chorando em silêncio com o rosto afundado no peito de Danny, o último manda uma SMS para Dougie perguntando se ele sabia o que tinha acontecido com . Dougie o questiona querendo saber o motivo da pergunta e se ele sabia alguma coisa. Jones acaba respondendo onde ela estava e em seguida não recebe mais nenhuma SMS, estranhando. Uns 15 minutos se passaram e logo e Danny perceberam duas pessoas paradas em sua frente:
- , você está bem? – perguntou, se ajoelhando em frente à prima, que levantou o rosto e ficou sentada de maneira certa.
- O que ela está fazendo aqui? – perguntou, brava, olhando aquela mulher logo ali, perto dela.
- Ela queria vir, estava preocupada e eu não podia impedi-la – respondeu, com cautela.

FIM POV Terceira Pessoa

- Preocupada? – Eu perguntei, indignada, encarando aquela senhora ali. - Você fica preocupada comigo depois de 9 anos? Reaparece na minha vida depois desse tempo todo, depois de falar aquelas coisas todas? Sim, eu ouvi o que você disse, então não precisa nem desmentir, ok? Eu não quero nada que venha de você, muito menos preocupação. – Eu já estava em pé, cuspindo tudo na cara daquela mulher, que me olhava de um jeito arrependido.
- Eu sei, eu fui uma péssima mãe, mas eu me arrependi. – Samantha disse, e eu ri, descrente.
- Tarde demais para se arrepender, querida. – falei a última palavra ironicamente.
- Me deixa pelo menos tentar ser... – A mulher começou, mas eu não a deixei completar a frase.
- Uma mãe melhor? Acho que também já é tarde para isso. E me faz um favor? Some da minha vida. Eu estava muito bem sem você. – Eu disse, começando a sair de perto dela, e dos outros dois que presenciavam apenas a cena.
- Hey, aonde você vai? – falou, alto.
- Andar por aí. Não se preocupe, eu não vou desaparecer. – Eu falei, não querendo a preocupar mais ainda.
- Toma cuidado, por favor – Minha prima gritou, e eu assenti, me virando novamente para sair daquela praça.

Estava andando há menos de 15 minutos e achei uma Starbucks; fiquei com uma vontade enorme de entrar lá e pedir um Cappuccino, porém eu não havia levado dinheiro, então eu ficaria só na vontade mesmo. Estava divagando tanto que nem percebi alguém aparecer do meu lado:
- Quer entrar e tomar alguma coisa? – Danny perguntou, e eu nem precisei me virar para saber que era ele. Encarei o lugar pela janela no lado de fora.
- Você me seguiu? – eu perguntei, encarando-o dessa vez.
- Sim, mas responde a minha pergunta. – Danny respondeu rápido, me surpreendendo um pouco.
- Quero – eu respondi, mesmo não entendendo de primeira o porquê da pergunta.
- Vamos lá – Danny falou, começando a andar em direção à entrada. Eu o segui, confusa.
- Hey, eu agradeço por você ter me consolado naquela hora, mas não precisa mais bancar o bonzinho, ok? – eu falei.
- Garota, eu não sou um total idiota não, ok? Então não precisa ficar na defensiva. – Danny disse, bravo.
- Tá, tá, desculpa, eu ainda não acredito – eu falei, e já estávamos nos sentando à mesa do lado da janela.
- Em quê? – Danny perguntou.
- Que a gente está conversando sem brigar, e que você me ajudou – Eu respondi, fazendo uma careta.
- O mundo dá voltas, nunca ouviu falar isso? – me perguntou, olhando o cardápio em seguida.
- Já, mas não sabia que iria dar tantas voltas em um dia só – respondi.
- Boa tarde! O que vão querer? – a garçonete perguntou, segurando uma caderneta e uma caneta em mãos.
- Um cappuccino! – Eu respondi, de bate e pronto.
- Dois – Danny corrigiu, sorrindo engraçado. A garçonete saiu anotando o nosso pedido e logo voltou com o mesmo.

Fiquei encarando o meu copo, enquanto me lembrava de algumas coisas da minha infância, em como eu era inocente:

FLASHBACK ON ~ 9 ANOS ATRÁS

Eu estava no parquinho, brincando com as outras meninas; estava super feliz por estar fazendo amiguinhas que não achavam que eu era metida. Minha mãe estava distraída conversando no telefone, encostada na árvore. Eu fui até ela a fim de assustá-la, mas acabei ouvindo um pouco sua conversa:
- Eu sei, Paul, daqui a uma semana tudo vai mudar, e eu não vou ter que fingir mais, essa vida chata – Minha mãe falou e soltou uma risada, eu não entendi o que aquilo queria dizer. - Filha, você estava aí há muito tempo? – Minha mãe perguntou ao notar minha presença. Ela parecia com medo, mas de quê?
- Não, mãe, eu cheguei agora mesmo. Olha, aquelas são minhas novas amiguinhas – Eu disse, mudando de assunto. Não queria que minha mãe e melhor amiga pensasse que eu estava a espionando. Apontei em direção às meninas.

FLASHBACK OFF ~


E pensar que, naquela época, era tudo mais fácil e então aquela que eu chamava de mãe, decidiu ir embora, e eu soube disso apenas porque escutei por detrás da porta ela falando com meu pai:
- , ... – Danny me chamou e eu acordei do meu pensamento.
- Oi? – respondi, e percebi que ele me chamou pelo meu outro apelido. Sorri, achando graça.
- Você estava aí calada e olhando pro seu copo, e por que está sorrindo agora? – Ele perguntou, franzindo a testa.
- Você não me chamou de ... – falei.
- Ah, é isso. Acho melhor você tomar logo seu cappuccino – Danny falou e eu assenti, tomando rapidamente metade do líquido do copo.
- Você está melhor? – ele me perguntou, me encarando, cauteloso.
- Não, mas eu vou ficar, eu acho. Espero – falei, dando de ombros, acabando com o meu cappuccino.
- Sabe, quando eu vi que era você que estava ali sentada, eu nem acreditei... você me parece tão forte com esse seu jeito – Danny disse, pensativo.
- Esse meu jeito? Qual? – perguntei, encarando-o.
- Ah, esse seu jeito meio estressado, durão... – ele disse, dando de ombros.
- Só sou estressada quando você me irrita, então é culpa sua – respondi, sorrindo de lado.
- Ok, ok, eu sei disso – Danny disse, levantando os braços até a altura dos ombros, como se ele se rendesse.
- Acho que agora que terminamos de tomar nosso cappuccino, deveríamos sair antes que comecem a cobrar mais por causa disso – eu falei, brincando.
- Concordo – Danny respondeu, rindo, se levantando em direção ao balcão, pagando o nosso pedido. Eu o segui.
- Uma pergunta: Você quer ir para casa? – Danny perguntou, quando acabava de pagar e se dirigia à saída da Starbucks, ao meu lado.
- Não mesmo; vão ficar preocupados, não saberão o que fazer e eu não estou afim disso. – Falei, dando de ombros.
- Então aceita passar o resto do dia ao lado do cara mais bonito que você já viu? – ele perguntou, estufando o peito enquanto caminhávamos para não sei onde.
- Não se ache tanto, mas eu aceito sim – Eu falei, revirando os olhos ao vê-lo sorrindo que nem um idiota.
- Oi – Danny falou, quando atendeu seu telefone. - Tá bom, tem problema se eu levar uma colega? – ele perguntou e riu em seguida. Devia ser algo que a pessoa do outro lado da linha tenha dito. - Tá, to indo – desligou o celular.
- Quem era? – perguntei, totalmente enxerida, erguendo uma sobrancelha (eu adoro fazer isso).
- Minha mãe, ela me mandou ir para casa que o almoço estava quase pronto – Danny disse, e meus olhos brilharam. – Algum problema de ir para minha casa? – Danny continuou.
- Não – Falei me contendo em gritar um “claro que não, tem comida lá, eu topo tudo”, porque eu estava ficando com fome. Dei de ombros.

Fomos andando até a casa de Danny, já que pelo que ele disse não era longe. Ele acabou me irritando até me convencer a passarmos pela praia. Eu confesso que odeio praia, mas estava frio e a paisagem daquele lugar estava muito linda.
Senti-me livre e leve. Sentir aquele ar me acalmou. Mas como tudo que é bom dura pouco, voltamos a caminhar até a casa dele. Bem, quando chegamos em frente ao ponto de chegada, vi que não era bem uma casa e sim um apartamento. Entramos no prédio e fomos para o elevador. Logo depois, saímos do mesmo andando em direção a uma porta com o numero 333, o que me fez rir um pouco:
- O que foi? – Danny me perguntou, pegando as chaves no bolso da calça.
- 333 me lembrou de uns episódios de CSI NY – Falei, sorrindo de lado, dando de ombros.
- Bem vinda a minha casa – Danny abriu a porta, e eu ri.
- Apartamento, você quis dizer – Eu falei, entrando no pequeno corredor, encontrando a sala a minha direita.
- É, eu sei, mas prefiro dizer casa – falou, fazendo uma cara de superior. Apenas balancei a cabeça em negação, achando graça. Ele era muito bobo.

Vendo o apartamento a partir da sala, dava para ver que não era muito pequena, era até meio grandinha. No lado direito, depois do pequeno corredor, como eu disse, tinha a sala. Eram dois sofás, um de três lugares e outro de dois lugares, com um de costas para a parede do corredor. No outro lado da sala, havia duas portas, uma que estava no canto esquerdo, e que estava aberta, mostrando que era a cozinha, e outra fechada ao lado dela. Na parede contrária a porta de entrada, havia duas portas, e vi que havia mais um corredor indo direto da entrada e virando a esquerda. As paredes da casa eram de cor bege e o teto era branco. Os móveis variavam entre cores neutras (como preto, branco e cinza) e mais escuras (azul marinho, verde escuro...). Quando parei de reparar o que eu pude ver, percebi uma mulher loira, mais ou menos da minha altura, de olhos azuis vindo em minha direção e na de Danny, já que ele estava ao meu lado:
- Então essa é sua colega, filho? Muito bonita. Prazer, sou Kathy, mãe de Daniel – ela falou, secando a mão no pano de prato e esticando em minha direção. Logo apertei, cumprimentando.
- Oi, prazer sou , mas pode me chamar de , e obrigada pelo elogio. – Eu agradeci, sorrindo.
- , queira se acomodar, que o almoço já vai ser servido – Kathy disse, e eu apenas assenti. Ela logo se retirou a caminho da cozinha.
- Vamos ver TV – Danny falou, se sentando no sofá e ligando a dita cuja. Eu o acompanhei.

Ficamos assistindo a TV, almoçamos e conversei um pouco com a mãe de Danny. Kathy era realmente muito agradável, era diferente das mães de agora, mas ainda assim tinha seu jeito protetor. Eu achei graça de quando ela disse que eu fui uma das únicas garotas que Danny trouxe que não tinha ficado com ele. Era fim de tarde, e eu estava vendo TV de novo, já que Kathy teve que sair para o trabalho, sobre o qual preferi não perguntar. Afinal, seria muito atrevimento da minha parte. Danny havia ido tomar banho e então ouvi um ruído de chaves:
- Oi, me deixa adivinhar, é uma ficante do Danny? – Ouço uma garota falar e olhei para trás, uma menina de cabelos vermelhos e com cara de tédio.
- Errado, e ah, gostei do seu cabelo, sempre quis pintar meu cabelo com uma cor fora do padrão, mas nunca tive paciência para escolher uma cor – Falei, voltando a minha atenção a TV.
- Ufa, estava meio cansada de ver ficantes do Danny vendo TV como se fossem namoradas dele, mas já que você só é amiga, então é muito bom. Vicky, prazer – ela disse, se sentando ao meu lado e esticando a mão. Eu a apertei.
- , se preferir. Deixe-me adivinhar agora, irmã mais velha? – Eu perguntei.
- Sim, mas só dois anos de diferença. Mas cadê ele? – Ela perguntou, olhando para a TV, agora que passava um dos meus filmes favoritos do Adam Sandler, "Golpe Baixo".
- Sentiram minha falta? – Danny perguntou, chamando a atenção a ele, que estava secando o cabelo. Estava apenas de bermuda. Devo dizer, não foi um desperdício olhar aquele corpo por uns segundos.
- Até parece, né, Jones – falei, revirando os olhos e sorrindo torto.
- Parece que já conheceu minha irmã, né? – Danny perguntou, sentando no sofá de dois lugares, pondo a toalha que secava o cabelo no ombro. Doce tentação.
- Pois é – falei e me lembrei de uma coisa – Danny, você pode me emprestar seu celular para eu ligar para a minha tia? Avisar que ainda estou viva – terminei, com um riso.
- Eu liguei pro Dougie e avisei, com certeza ele já falou para ela – Danny disse, dando de ombros.
- Ah, obrigada, então – falei, e vi Vicky dar um pulo ao meu lado.
- Hey, vamos comemorar que o Danny não trouxe uma garota metida e vamos para um pub hoje, que tal? – Vicky falou, sorrindo animada, e eu ria da parte que ela se referia ao Danny, este que tentava ficar sério pelo comentário, mas não agüentou e começou a rir junto.
- Mas eu nem trouxe roupa. Não que eu ligue muito para isso, mas também não dá pra eu ir com isso, né? – eu falei, olhando minhas roupas.
- Não tem problema, eu te empresto uma minha – a menina dos cabelos vermelhos falou, sorridente, e eu estava começando a perceber que esse sorriso perfeito era de família.
- Ah, então tá, mas a gente vai chegar tarde e eu vou dormir aqui? – eu perguntei, curiosa.
- É claro, e amanhã cedo a gente compra uma tinta para pintar seu cabelo, okay? – Vicky disse, falou mais entusiasmada ainda.
- Sério? Não tem problema? Eu não quero causar trabalho – eu falei, animada, acalmando-me no final.
- Claro que não, eu que estou dizendo, eu estou oferecendo – Vicky disse, e instantaneamente eu a abracei, alegre.

Naquela hora eu estava realmente alegre. Vicky, Kathy e até o Danny estavam sendo legais comigo. Eu nunca pensei que Jones fosse um ótimo amigo. Pois é, como a gente se engana, né? Percebi que em momento algum nesse lugar eu lembrei o que me fez ficar tão triste e alterada, o que foi bom. Agora eu estava no quarto de Vicky, que me jogava um monte de roupa enquanto eu tentava não derrubar nenhuma:
- Vicky, não precisa exagerar, eu não sou tão fresca, me deixa escolher por mim mesma – Eu falei, jogando as roupas em cima da cama e olhando as que restavam no guarda-roupa dela.
- Eu só queria ajudar, oras – Vicky falou, pegando a roupa que havia escolhido e saindo para o banheiro que ficava no corredor (não o da entrada).
- OBRIGADA, VICKY – gritei, escutando um "chata" de volta. Ri disso.

Estava vendo o resto das roupas e encontrei uma simples e perfeita: um tomara que caia preto que batia até um pouco da metade da coxa, tinha os detalhes no final de pedrinhas brancas e também tinha na parte de cima. Encontrei uma sandália de saltinho, porque eu não gostava de muito alto. Na verdade, eu nem gostava de salto direito. Vicky voltou, já arrumada, porém com o cabelo molhado enrolado na toalha. Ela me disse onde ficava o banheiro e me entregou uma toalha limpa (lógico né, ?); tomei um banho um tanto quanto demorado, me sequei, vesti meu vestido e fui secando o cabelo até chegar ao quarto de Vicky, que falou que eu já estava linda assim e que quando eu estivesse realmente pronta estaria perfeita. Eu só concordei para não acabar com a alegria da criança que parecia mais adolescente do que eu. Penteei meu cabelo, deixando-o solto, coloquei a sandália e me maquiei (sombra preta, lápis de olho, batom vermelho vinho e um gloss incolor só para dar um brilho). Pouco tempo depois, Danny nos chamou, perguntando se estávamos prontas. É claro que ele havia ligado para a minha tia para avisar que eu não iria para casa hoje e só amanhã. Danny estava realmente lindo com aquela blusa branca de gola V combinada com a jaqueta preta por cima, com uma calça jeans preta e um tênis preto com uma linha branca.

Chegamos ao pub e estava razoavelmente cheio, já que não era tão tarde. Com dificuldade, entramos, e procuramos uma mesa. Quando achamos, nos sentamos e pedimos cada um uma bebida. Uma loira com cara de puta apareceu chamando o Danny para dançar e ele foi. Nem me importei, fui bebendo a minha Ice que havia chegado e comecei a conversar com Vicky até que um ruivo a chamou para dançar, e eu sobrei. Resolvi ir dançar. Dancei até não agüentar mais, fui até o bar e pedi mais uma Ice, descansei um pouco e voltei para a pista, mas agora havia aparecido um loiro muito lindo e eu estava dançando com ele, mas ele tentou algo a mais e eu não estava a fim de nada, portanto lhe dei um fora. Voltei para a minha mesa, e Vicky havia voltado. Conversamos um pouco, recuperamos o fôlego, eu por causa da dança, já ela porque ela acabou ficando com o garoto, o que eu já suspeitava. Nós duas fomos para a pista e começamos a dançar. E não, não chamamos a atenção, seria clichê demais, não é? Até Danny apareceu e começou a dançar com a gente, mas ele estava meio bêbado, o que fez a dança dele ficar mais engraçada.

Eram quase 5 da manhã quando fomos andando para casa, por culpa do Danny, que não queria de jeito nenhum pegar algum veículo. Minha perna estava doendo, e eu não sabia que conseguia dançar tanto e sem perder o pique. Fiquei andando encostada em Vicky, e Danny estava na frente, meio cambaleando, o que me fez revirar os olhos. Ele falava alguma coisa, na qual resolvi prestar atenção:
- Minha perna está doendo, mas que droga – Ele falava, embolado.
- Se você não tivesse fugido dos 3 táxis que pegamos, agora estaríamos em casa, dormindo tranquilamente – Falei e lhe dei um pedala, ouvindo um gemido de dor vindo dele.
- Poxa, não me bate – Danny falou, manhoso, o que poderia ser fofo tirando o fato dele estar bêbado.
- Vicky, meus pêsames – Falei, desistindo de ouvir o ser na minha frente.
- Por quê? – Vicky perguntou, com a voz puxada.
- Pelo seu irmão ser um retardado – eu falei e ri.
- Eu ouvi isso, ok? Ainda estou lúcido – Danny falou, com voz de bêbado.
- Meio lúcido, você quer dizer, né? – Eu perguntei, tirando sarro, ouvindo-o bufar.
- Mas ainda assim lúcido – Danny disse.
- Tá, tá, Danny – Eu disse, revirando os olhos, e não falando mais nada.

Capítulo 6
Chegamos ao apartamento, e antes de cairmos no sono pelo chão mesmo, fomos tomar banho (não juntos, claro) até Danny foi, com um empurrãozinho da Vicky e um chute meu, o que causou risadas. Depois do banho, Vicky me emprestou um short folgado e uma blusinha, e antes de ir para o quarto de hospedes, comi uma fruta. Era quase 6 da manhã quando fui deitar, e como era de se esperar, eu dormi na hora segurando um ursinho de pelúcia da Vicky. Acordei apenas com uma pouco de dor de cabeça, levantei sonolenta e saí do quarto direto para o banheiro, dei meu jeito de lavar a boca pelo menos e arrumar meu cabelo. Logo quando saí do banheiro, trombei num Danny com cara de sono, e ele entrou no lugar onde antes eu estava. Encontrei uma Vicky serelepe no sofá, me pergunto como ela consegue estar tão agitada de manhã. Assim que me viu, me empurrou para a cozinha me fazendo tomar café e tagarelando que havia comprado já a tinta para o meu cabelo, e que iria me fazer uma surpresa. No começo eu fiquei com medo, mas resolvi confiar nela, pior do que tá meu cabelo não fica. Em momento algum Vicky me deixou ver como estava ficando meu cabelo, só sei que ela além de pintá-lo. também cortou umas poucas mechas, agora eu estou realmente com um receio de como tenha ficado. Tempo depois, assim que Vicky acabou de secar meu cabelo, ela finalmente me deixou ver o resultado. Eu adorei meu “novo” cabelo [n/a: apenas ignorem a pontas roxas no cabelo da imagem rs]:
- E então, o que achou? – Vicky perguntou, curiosa com uma carinha de aflição que eu achei muito fofa.
- Eu adorei, Vicky, você arrasou na escolha da cor. Obrigada mesmo – eu falei olhando ainda para o meu cabelo, mas vendo o reflexo de Vicky pelo espelho, ela estava sorrindo que nem uma criança.
- Não agradeça, mas vamos almoçar? – Vicky perguntou.

- Claro – falei animada, seguindo-a até a sala, encontrando Danny sentado no sofá.
- Mãe, o almoço já está pronto? – Vicky perguntou, enquanto eu me sentava ao lado de Danny que estava concentrado num jogo de futebol que passava na TV.
- Já sim, vem me ajudar aqui – Kathy falou, e pela primeira vez no dia eu “via” ela. Vicky foi ajudá-la.
- P****! – Danny gritou e eu nem pude tentar desviar, quando vi já tinha levado um tapa na coxa tão forte que eu acho que ficou vermelho, só pra variar.
- AAI – Eu berrei, olhando a minha perna atingida.
- , desculpa, eu nem tinha percebido que você estava do meu lado. Eita, essa coisa tá um pouco feia né – Danny disse olhando o local atingido pela sua mão monstro.
- Ah, obrigada Danny, sempre quis levar um tapa na coxa – falei irônica, mas de brincadeira.
- Hey, eu já te pedi desculpas – ele falou emburrado, me fazendo rir.
- Eu tô brincando, Jones – eu falei o vendo revirar os olhos.
- Besta, vou pegar uma bolsa de gelo para você – falou e foi na cozinha logo voltando com a tal bolsa, colocando em cima do vermelhão da minha coxa.
- Seu cabelo ficou legal – ele disse olhando para o meu cabelo e bagunçando.
- Valeu – agradeci, e deixei a bolsa em cima da minha perna por um tempo, depois retirei.

Não demorou para eu acabar o meu almoço, cheguei a repetir o prato, ajudei a lavar a louça. Estava apenas descansando até Danny falar que havia recebido uma mensagem de Dougie que avisava que Tia Lucy queria que eu voltasse para casa agora, levantei indo me trocar e por minhas roupas. Despedi-me de Vicky a agradecendo novamente, e de Kathy, fazendo o mesmo. Danny iria me levar de carro, o caminho até minha casa teve como trilha uma rádio antiga. Logo quando o carro parou, eu abri a porta mas antes de sair totalmente do carro eu me virei em direção ao Danny:
- Danny, obrigada – Eu falei e comecei a rir. Oi, sou estranha.
- Qual a graça? – Danny perguntou totalmente confuso.
- Ainda acho graça de agora a gente conversar normal – Eu falei dando em ombros.
- De sermos amigos? – ele perguntou, eu concordei sorrindo.
- Bom, agora eu vou mesmo. E valeu dude – agradeci de novo, Danny apenas assentiu concordando e eu saí do carro.

Não vi quando o carro de Danny começou a correr na estrada, apenas ouvi o som do veículo acelerando. Respirei fundo, e fui andando até a porta, girei a maçaneta confirmando que a porta estava aberta e entrei vendo alguém no sofá que imediatamente olhou em minha direção, e veio rapidamente até mim:
- , até que enfim, nunca suma desse jeito, ok? Eu fiquei preocupada – Tia Lucy falou num misto de preocupação e braveza.
- Desculpe tia, eu agi por impulso, mas eu pensei que Dougie tivesse dito onde eu estava – Eu respondi, apesar de eu estar tão calma por fora, entrar em casa me fez lembrar o motivo da minha “fulga”.
- Ele disse, mas mesmo assim, você não pode sair sem mais nem menos e sem falar onde é – Tia Lucy disse brava.
- Tia, me perdoa, poxa – falei e fiz biquinho, percebi que minha Tia se acalmou e sorriu.
- Ok, Ok – Tia Lucy falou e eu abraçando bem forte.
- Cadê a ? – perguntei ao soltar do abraço.
- Sentiu minha falta é? – apareceu do nada, brincando.
- Claro, por isso voltei – falei meio irônica, levando um pedala da minha prima.
- Agora pode vindo comigo e contar tudo – ordenou me puxando escada a cima.

Contei tudo a que não sabia se ria ou se ficava chocada ao ouvir que Danny tinha me ajudado, por mais que já tenha estranhado no dia anterior o Danny me consolando, ela não conseguia acreditar que ele pudesse ser legal, e disse que já que ele foi legal comigo não deve ser mesmo má pessoa. Depois disso, todos os outros guys me ligaram perguntando se eu estava bem, o que eu afirmava por menos verdade que fosse eles não precisavam saber disso. Fiquei até alegre por ninguém ter tocado no assunto que eu não queria nem mencionar. Fui para o meu quarto, e dormi, e acho que dormi pela noite passada também pois eu só acordei no dia seguinte. Domingo foi um dia chato, passei o dia todo do quarto para a sala ouvindo musica no último volume enquanto Tia Lucy não reclamasse do barulho, fui dormir cedo e por milagre eu consegui dormir rápido.

A pior coisa depois de gente falsa é acordar cedo para ir pra um lugar que você não quer ir, e lá vai eu acordar, e por incrível que pareça acordei 10 minutos antes do horário que eu coloco para despertar, mas eu sabia que se cochilasse mais um pouco acabaria acordando atrasada como sempre e eu não queria isso. Levantei fui para o banheiro, fiz minha higiene matinal, arrumei meu cabelo recém azulado (?) e fui pegar uma roupa para mim. Vesti uma camisa branca com o escrito “I’m the loser of the year” em letras estranhas em cor roxa, pus minha calça jeans preta e calcei meu inseparável all star, peguei minha mochila e fui ver as horas, ainda faltavam 20 minutos para Harry passar para nos buscar. Desci as escadas, encontrando Tia Lucy e na cozinha. Logo elas estranharam por eu não ter acordado tarde e brincaram com isso. Já estava na hora de Harry passar para nos buscas, mas o quão surpresa fiquei quando ao invés de uma buzina eu escutei duas? Não só Harry chegou em seu carro, como Danny havia parado logo atrás do carro do Judd. Eu comecei a rir ao lado de que estava com uma cara muito engraçada de espanto. Eu fui no carro de Danny, enquanto ia na do Harry. Eu e Danny fomos ouvindo um cd de uma boyband dos anos 80 que eu obriguei ele a pôr, enquanto conversávamos sobre qualquer assunto, descobri que não éramos tão diferentes.

O carro de Danny parou no estacionamento do colégio, e logo quando saímos do veículo podemos ver a escola toda encarando a gente, eu apenas olhei para o cara com sardas ao meu lado e dei de ombros, assim como ele fez. Encontramo-nos com os outros Guys e , quer dizer, faltava Dougie que como eu acordava atrasado mas logo ele chegaria. Ainda faltava uns minutos até o sinal para aula bater, então conversamos como pessoas normais por mais que tivesse pelo menos uns quinze pares de olhos em nossa direção, talvez se perguntando se era eu e Jones sem brigar ou falando do meu cabelo, talvez. O sinal bateu anunciando o inicio das aulas naquele dia e todos fomos com nossa falsa animação para ter aula de inglês com aquele professor chato e afeminado, como já não bastasse Danny, que se sentou ao meu lado para me perturbar, como ele disse “Velhos hábitos nunca mudam”.

Capítulo 7
Um mês se passara e parecia que tudo havia voltado ao normal. Todos se acostumaram com a minha não mais tão nova amizade com o Danny, que agora insistira em dizer que eu devia ir à praia, e parecia que não escutava eu falando não:
- Danny, meu querido, você é surdo ou se faz de idiota? – eu perguntei, tentando ter paciência com aquele alienígena dos olhos azuis na minha frente.
- Ah, eu só quero te fazer ir pra lugares diferentes, oras. Sempre Starbucks, parque e sorveteria... – Danny disse, com uma expressão relaxada e inocente.
- Ok querido, quando eu quiser ir para lugares novos, eu te digo, ok, agora me deixa na Starbucks – mandei, só por implicância, na verdade nem queria ir mesmo lá.
- Tá bom – Danny disse, de bate-pronto, o que me deixou desconfiada, mas deixei passar.
Estava no carro do Jones. Depois que ele afirmou que iria me levar a Starbucks, não falou mais nada, o que deixava o carro ao som de Scar Tissue do Red Hot Chili Peppers. Não estava prestando atenção ao caminho, mas quando o fiz percebi que não estava indo em direção ao lugar que eu mandei. Imediatamente virei minha cabeça em direção a Danny, que estava concentrado na estrada. No mesmo momento, me olhou rapidamente, e vendo a minha expressão, logo sorriu, maroto:
- Seu idiota, você está me levando para onde? – perguntei, com os olhos semicerrados.
- Adivinha? – perguntou, sorrindo perfeitamente irritante, ou irritantemente perfeito, como quiser entender.
- Ah, não acredito, Jones – Eu reclamei bufando, olhando emburrada para a rua ao lado pela janela.
Fui xingando o Danny o caminho todo até a praia, enquanto ele ria do meu comportamento infantil, o que me deixava mais irritada. Logo o carro parou em frente à praia. Desci, emburrada, olhando para aquela imagem linda do sol sumindo lentamente, aquele céu alaranjado meio azul, anunciando que em pouquíssimo tempo estaria noite. Eu nem sei quanto tempo fiquei observando aquela paisagem, nem vi quando Danny apareceu do meu lado também contemplando o mesmo que eu, só sei que eu meio que me arrependi de nunca ter ido à praia num fim de tarde. Uns quinze minutos depois, voltamos para o veículo e finalmente nos direcionamos a minha casa. Entrei em casa exausta, não sei bem do quê; peguei um pacote de biscoito recheado e subi as escadas indo direto para meu quarto. Logo que o fiz, coloquei uma roupa largada e fiquei mexendo no notebook por horas, só parando para jantar. Voltando da janta, vejo meu email e vejo que havia uma nova para mim, com o nome que eu menos queria ler. Samantha:

“Hey, tudo bem? Que pergunta minha, enfim. Eu sei que você me odeia por tudo que fiz e deixei de fazer, e você tem toda razão disso. Eu não sou a melhor pessoa no mundo, mas você sabe que todos têm o direito de errar e até mesmo de tentar recompensar por eles. Só quero que saiba que eu me arrependo todo dia pelo o meu erro, e penso todo dia em você e em como poderia ser estar ao seu lado, sendo mãe. Quando quiser dar-me uma chance, pode responder a esse email, eu ficarei esperando. Beijos, sua mãe.”

Aquilo foi um baque para mim. Fechei meu notebook e afundei minha cabeça no travesseiro, desejando que aquilo amenizasse a confusão e a frustração que rondavam a minha cabeça. Porque ela tinha que insistir? E quem deu meu email a ela? E porque agora eu me importo com isso? Acho que é TPM, só pode, eu não fico assim à toa. Se bem que não é bem à toa isso, mas foda-se. Acabei dormindo desajeitadamente na cama. Acordei com uma dor nas costas desgraçada. Fiz tudo que fazia em dia de escola, logo fui pra cozinha e tomei café. Tia Lucy apareceu dizendo que estava passando mal e que não iria para a escola hoje. Ótimo, agora não poderia passar as aulas conversando idiotices. Tudo bem que eu podia fazer isso com o Dougie, mas com a conseguia ser mais ainda, se possível. Ouvi uma buzina. Saio de casa, deparando-me com o carro de Danny, e enquanto ia até seu carro, vejo algo que não queria, ou melhor dizendo, alguém. Samantha estava parada no outro lado da rua, me olhando. Eu engoli seco e fiquei nervosa. A única coisa que fiz foi entrar no carro de Jones:
- ANDA COM O CARRO, LOGO, POR FAVOR – eu gritei, assustando Danny, que rapidamente começou a dirigir.
- Pode me falar porque essa gritaria logo de manhã?
- Samantha, estava lá parada me olhando, ontem ela me mandou um email pedindo desculpas e falando que iria me esperar. Mas... eu tô confusa – eu desabafei, e tentei segurar as lágrimas, jogando minha cabeça pra cima no encosto do banco.
- Você está bem?
- Eu não sei, estou num misto de frustração e confusão – respondi, e ficou um silêncio por alguns minutos.
- Eu posso dar a minha opinião? – Danny perguntou. Já estávamos chegando ao colégio, hoje foi rápido.
- Pode – respondi e me virei em sua direção ainda no carro, encostada a cabeça no encosto do banco.
- Você devia conversar com ela, só ouvi-la.
- Eu tenho medo.
- De quê?
- De dá-la uma chance e me magoar de novo – falei e deixei uma lágrima cair sobre meu rosto.
- Pode ser que essa última parte não aconteça, a vida é feita de riscos que a gente tem que correr – Danny disse, e eu respirei fundo.
- Vou pensar no que você disse, mas só pensar, ok? – falei, fazendo menção de sair do carro, quando sinto Danny fechar a porta do mesmo, fazendo-o ficar muito perto de mim. Eu o olhei, pedindo que falasse algo.
- Você não quer que as pessoas vejam que você tava chorando, né? – Ele perguntou e eu assenti, ele limpou delicadamente minhas lágrimas e pela primeira vez, eu senti algo estranho dentro de mim que é melhor eu passar a ignorar.
- Obrigada, mas agora vamos – Falei apressada e saindo do carro.

Nas aulas eu ficava mais confusa ainda, pensando sobre conversar com Samantha ou não, sobre a coisa esquisita que senti quando Danny fez aquilo. E mais do que nunca, estava sentindo falta de tagarelando nos meus ouvidos, sempre me distraía. Estava na aula de matemática, resolvi ouvir música e não escutar a voz de mais ninguém, mas como sempre aparece alguém para me atrapalhar e sinto um papelzinho ser jogado em mim. Eu me viro para ver quem tacou e encontro o olhar divertido, mas preocupado de Danny. Abro o papel e reconheço sua letra:

“Hey, está bem? Ou tá naqueles dias que a aula não a distrai? xx Danny”

Sorri, e escrevi no mesmo papelzinho; quando o professor estava de costas, aproveitei para devolvê-lo:

“Estou na mesma, e você acertou, aula hoje não dá. xx

“Assistir próxima aula nem pensar né? Não precisa responder, eu já sei a resposta e sei um lugar perfeito para gente se esconder. Agora finja que está prestando atenção à aula antes que o professor te chame a atenção. Xx Danny”


Logo depois de ler a ultima mensagem, olhei divertida para ele, que fez uma cara de anjinho forçado, e eu ri balançando a cabeça em negação. Percebi que Danny sempre conseguia me animar, me distrair sem muito esforço. E pensar que um mês atrás eu não diria isso, né? Às vezes eu penso nisso, como mudou minha vida, mesmo sem querer. Fiquei pensando no Danny. Ele era exatamente o oposto do que eu achava que era. Ele era engraçado, amigo, e fiel; apesar de metade da ala feminina da escola só gostar dele por causa da aparência, eu gostava dele pelo seu jeito. Peraí, eu acabei de falar, quer dizer, pensar isso? Ok, isso está ficando muito esquisito, o único cara que eu passava minutos pensando era o meu pai e olhe lá. Isso só pode ser culpa do meu lado emocional afetado pela Samantha. Isso, resposta encontrada. Enquanto fiquei tentando pôr isso na minha cabeça, nem percebi que metade da turma já tinha saído:
- Hey , vamos? – Danny perguntou, me chamando a atenção. Apenas assenti e arrumei minha mochila numa velocidade máxima.
Danny não quis dizer qual era o esconderijo, só disse que era na escola ainda. Tentei me lembrar do caminho, enquanto subimos escadas e no final de todas (que não eram muitos) havia uma porta de madeira, que Danny fez menção de abri-la. Descobri que era a “laje” do prédio do colégio, e parecia que lá em cima era mais frio que no solo o que me fez encolher meus braços, então senti Danny no meu lado esfregando sua mão em braço numa tentativa de me esquentar:
- Sabe, eu descobri isso no final do ano passado, eu vinha sempre aqui. Olha, ali tem até uma casinha que eu acho que era do zelador – Danny disse me puxando até um banco de concreto.
- E por que você me trouxe aqui? – perguntei olhando para frente, olhando ao longe aquelas casinhas e prédios.
- Porque eu sei que você precisava – Danny falou e eu o olhei surpresa, e para me surpreender mais ainda eu o abracei automaticamente.

Não que eu não o tenha abraçado antes, mas não era sempre e nunca era por minha iniciativa, e aquele abraço foi diferente, foi reconfortante, me fez sentir novamente aquilo que senti no carro. Resolvi acabar com o abraço, antes que piorasse, eu não queria sentir isso. Apenas ficamos sentindo o vento forte, olhando o nada, era o que eu precisava, o silêncio, e Danny sabia disso. Só saímos de lá quando bateu o sinal do recreio, nossos amigos perguntaram por que matamos as aulas e Danny inventou uma desculpa qualquer, mas acho que Tom não caiu nessa, ele sempre fora o mais esperto. A última aula havia sido liberada, então depois do recreio, Danny me levou para casa e falou que qualquer coisa era só ligar para ele. E depois de comer, tomar banho, e pegar mais um pacote de biscoito, fui até o quarto de , para ver se ela já estava bem, o que ela confirmou e que era só a preguiça de levantar. Minha prima logo interrogou, perguntando o que aconteceu na escola, e eu tentei esconder alguns fatos porém não consegui, e contei exatamente tudo. Ela primeiramente decretou que eu estava me apaixonando pelo Jones, o que me fez lhe dar uma tapa alegando que a dor de cabeça estava afetando o cérebro dela; e segundo, ela concordou com o Danny e que eu devia conversar com Samantha. Depois disso, a gente começou a conversar coisas aleatórias e passar o tempo, quando percebi já tinha passado o dia todo ao lado de .

Era a última sexta antes de serem, finalmente, declamadas as queridas férias. Tudo bem que depois de um mês voltaríamos, mas só de pensar em ficar longe daquela gente, eu fico feliz. Última aula, e tanto eu quanto esperávamos pelo sinal do final do tempo tocar. E então finalmente o sinal tocou, arrumei minha mochila, esperei os meninos e ajeitarem também, e saímos da escola direto para sorveteria comemorar. Você deve estar se perguntando se eu finalmente declarei para mim mesma estar gostando de Danny, né? Pois é, eu estou começando a me acostumar a esse fato, mas não é como se eu fosse contar isso a ele ou a começar a achar que ele gosta de mim desse jeito também. Eu tenho noção do quanto seria patética se pensasse assim, né? Acho-me realmente estranha com isso, ok? Toda hora me pego observando-o discretamente, o modo como sorri angelical, ou sedutor, o jeito engraçado como ri, e desde aquele dia em cima do colégio que parei para prestar atenção, quer dizer, a prestou atenção e depois me disse, que Danny me olhava e tratava diferente, o que fez com que eu lhe desse um pedala, porque ela só queria botar pilha em algo que nem existia, não da parte dele, vamos ser realistas.
Estávamos saindo da sorveteria, e Harry nos chamou para irmos a pub de noite, todos concordaram em ir. e eu fomos a pé mesmo para casa, e acabamos apostando algo e eu perdi, tendo que ir com a roupa que minha prima escolhesse para o pub. Chegamos em casa e vimos Tia Lucy em casa, pedimos permissão para sair à noite e ela concordou mandando um discurso do que não fazer quando estiver lá, e ficamos lá a escutando durante minutos que pareciam horas. Depois dormimos um pouco, e quando era 18:00 fomos nos arrumar, já que sairíamos 20:00. Não que eu estivesse com muita pressa, mas eu sabia que minha prima demorava no banho, então fui logo tomar o meu. Quando saí, entrou correndo no banheiro. Depois de me secar, vi direito a roupa que havia separado em cima da minha cama, que era um short jeans preto meio colado que ia até um pouco acima da metade da coxa, uma blusa cinza de um ombro caído e, ao chão, eu via uma sandália de salto altíssima, o que me fez arregalar os olhos. Ela que ache que eu vou calçar aquilo. Puxei na sapateira um all star que eu quase não usava da cor azul com linhas pretas e o calcei. Penteei meu cabelo, e eu ainda sorria ao vê-lo tão bonito daquele jeito, era a única parte do meu corpo que eu realmente amava em mim; deixei-o solto e fui me maquiar, só colocando uma base para tirar as imperfeições, um gloss vermelho, lápis preto e sombra preta. Vendo-me no espelho, eu não estava tão mal, será que o Danny iria gostar? Eu devia não pensar nisso, balancei a cabeça, tentando esquecer. Acabei me assustando quando a porta do meu quarto foi aberta:
- Sabia que iria ficar gatona, quero só ver Danny te olhando, duvido nada que ele tenha um enfarte – disse entrando já vestida no seu vestido roxo com uma fita preta presa na cintura, calçando uma sandália branca de um salto não tão baixo mas também não tão alto.
- Sabia que essa roupa era só um pretexto envolvendo o Danny, você insiste nisso mesmo né. E aliás, você está muito linda, tá querendo agradar alguém, é? – alfinetei um pouquinho , ela sabia de quem eu estava falando. Sua expressão mudou de uma sacana para uma envergonhada.
- Ah eu nem tenho chance com ele – fez biquinho, e meu sorriso malandro aumentou.
- Há, então confessa que gosta dele né? – disse e comecei a rir da sua expressão de espanto.
- Não, não, é que... que... ah eu confesso, eu gosto dele sim – falou e sentou na minha cama encostando o braço em cima da perna e escondendo o rosto com as mãos. Sentei ao seu lado.
- Awn minha priminha está gostando do meu nanico? Não precisa sentir vergonha – eu tentei confortá-la, e estava feliz por ela ter dito aquilo pois ficaria mais fácil juntar ela ao Dougie, pois ele havia me declarado logo um mês depois da nossa amizade que gostava da . Ai que fofo.
- Você só fala isso porque consegue disfarçar facilmente quando está perto do Danny, né? Comigo é diferente, às vezes eu travo perto dele, e ele felizmente é tão distraído, tapado ou sei lá o quê, que não percebe isso – disse, tirando as mãos do rosto e me olhando.
- Você pensou errado, eu tenho que fazer um esforço para parar de observá-lo e não dar bandeira por isso, teve uma vez que o nerd da sala percebeu mas como ele era parceiro, não fez fofoca sobre isso – eu contei sorrindo engraçado pra ela.
- E como você não me diz isso? – questionou-me.
- Porque eu fiquei com vergonha de contar antes, oras. Desculpe – respondi fazendo biquinho e piscando os olhos exageradamente.
- Tudo bem – disse sorrindo, e eu a abracei quase sendo esmagada.
- Dude, você acha que ficaria estranho se eu colocasse uma headband vermelha? – perguntei.
- Não acho, mas ficaria melhor se fizesse cachinhos nas pontas né? – comentou com os olhinhos brilhando.
- Também acho, bem, ainda temos 35 minutos para fazer isso – eu falei e ela logo pegou a paradinha para fazer babyliss nas pontas do meu cabelo.
- Sabe o que eu acho? – eu falei depois de um tempo
- Fala – falou, enquanto acabava de fazer os cachinhos.
- Que se o Danny vai ter um enfarte quando me ver, o Dougie então vai ficar cego quando te ver
- Ué, não entendi.
- É que vai ser tanta beleza pros olhos dele que não vai conseguir agüentar.
- Que bobona você hein, aprendendo isso com o Tom, né?
- Pois é, vem da convivência.
- Tô sabendo, ficou pronto seu cabelo.
- Ok, só falta a headband, coloca pra mim?
- Já to fazendo isso e.... pronto.
- Aaaaaaaaah obrigada.

Exatamente quando levantei para borrifar um perfume em mim, o celular de toca e depois de uns “Aham”, “tá”, eu a vejo desligar o aparelho. Ela diz que era o Tom ligando, avisando que já estavam lá na frente da casa no carro dele, afinal, hoje quem não iria beber era ele. Descemos as escadas, encontrando Tia Lucy que estava indo para a sala, ela me olha de um jeito reprovativo provavelmente por causa do short, mas eu aponto com a cabeça para , pondo a culpa nela. Por fim ela nos deseja boa noite, e saímos de casa encontrando o carro de Tom, e no carona estava Harry. Dougie e Danny estavam na parte de trás do carro, e me perguntava como eu e ficaríamos lá dentro:
- Eaí gatinhas, meu nome é Arlindo mas podem me chamar só de lindo porque o ar eu perdi quando vi vocês – Harry falou, alto, quando chegávamos perto do carro. Essa cantada causou risos em geral.
- Potter, você realmente não serve para isso. Só levanta a sobrancelha que você já conquista qualquer uma – eu aconselhei me apoiando na janela do lado de Harry.
- Bom saber disso, vou começar a exercê-lo – Harry diz e levanta a sobrancelha.
- Como se você já não soubesse né – eu comentei revirando os olhos.
- Mas agora me diz, como nós duas vamos caber ali atrás? – eu perguntei apontando para atrás deles.
- Eu não tinha pensado nisso – Tom respondeu coçando a nuca em sinal de nervosismo.
- Ok, então eu opto por colocar o Dougie no porta mala – eu respondi recebendo um dedo do meio do Dougie que apareceu entre o banco do Tom e do Harry. Eu apenas fiz um sinal de coração com as duas mãos em troca, sorrindo sínica.
- A podia ir no colo do Danny, ela é mais leve que eu e o Danny mais forte que o Dougie. Desculpa Poynter, é verdade – disse inocentemente, mas eu a olhava discretamente com meu olhar fuzilante.
- Por mim tudo bem – Danny concordou e eu não pude pensar em outra forma de ficar no carro sem ser no colo dele.

Droga, mil vezes droga, ficar no colo do Danny vai ser tenso, e depois me lembrem de matar minha prima ok? Agora eu estou indo me sentar no colo daquele Deus grego nascido na Inglaterra, e não me importo se o que acabei de dizer não teve sentido algum, já que se ele é um Deus grego ele não pode nascer aqui, ou pode? Ah viu, já to pirando na batatinha com isso. Acalma, respira e se concentra. Dougie desceu do carro para eu poder entrar, já que Danny estava no lado da janela, entrei e me sentei no seu colo de costas para a janela. Em momento algum o encarei, estava extremamente envergonhada daquela situação, em outro tempo eu não ficaria, mas agora é diferente pois eu gosto desse guy.
Teve uma hora no caminho que o carro deu uma freada brusca que me fez quase bater o banco da frente se eu não tivesse me segurado e então eu fui pra trás também e nessa hora eu fiquei com medo cair com tudo no Danny, e num reflexo eu apoiei minhas mãos no encosto do banco ao lado da cabeça do Jones, e conseqüentemente, me fez ficar com o rosto próximo ao de Danny que tinha levantado e agora estávamos extremamente pertos. Dava para sentir bem de leve o meu nariz roçar no dele, aqueles olhos penetrando os meus, meu coração deu um pulo que eu tive até medo de ele poder senti-lo bater, e eu com muito esforço controlei minha respiração. Então Danny deu um sorriso maroto, aquele sorriso irritante, e essa foi minha brecha para conseguir sair daquela situação sem dar bandeira:
- Para de sorrir desse jeito irritante – eu brinquei, me virando para o lado da janela, mas dando pra vê-lo de lado um pouco.
- Como se ele é o meu único sorriso? – Danny perguntou engraçado, encostando a cabeça no vidro da janela, me olhando de um jeito super fofo.
- Nem vem, esse não é o seu único. Ninguém tem apenas um tipo de sorriso só – eu contestei.
- Tá bom, entendi, chata – Danny falou e eu lhe mandei língua rindo em seguida. - Aliás, uma chata que está extremamente linda, mais do que já é – ele continuou e quando o olhei vi que ele me analisava de cima abaixo, até o que podia ver, já que não dava pra ver tudo. Corei instantaneamente.
- Cala boca, Jones – eu falei.
- Ué, eu disse alguma mentira? – perguntou fofamente e eu tive uma tremenda vontade de apertar suas bochechas.
- Cala a boca, Jones – Eu repeti, sorrindo de lado engraçado, o fazendo entender que apenas tinha ficado sem graça com o que ele disse. Pra quê contestar malucos? Ri internamente com meu pensamento.

Chegamos ao pub, e depois de estacionar o carro não tão longe da entrada, descemos do veículo e entramos no local que já estava cheio. Achamos uma mesa no segundo andar, que incrivelmente era o V.I.P, e então Harry nos explicou que o pai dele que conseguira os convites para o pub. A mesa era redonda então ficou assim a organização: eu, , Dougie, Danny, Tom e Harry que se encontrava no meu lado direito. Comecei a conversar com a minha prima, e numa hora começou só remix de músicas da Britney, e eu não resisti, puxei comigo até a pista e começamos a dançar. Eu só estava rebolando de um lado para o outro, acompanhando o começo de Three, as luzes fortes nos meus olhos me deixaram um pouco tonta como se eu tivesse meio bêbada, mas mesmo assim continuei dançando. Numa hora somente me olhou safada e saiu da pista, eu por um momento não entendi mas no segundo seguinte deixei pra lá e voltei a dançar, começava Womanizer, e então que me empolguei, pois era minha musica preferida da Spears. Pouquíssimo depois que a música havia começado a tocar, sinto um braço me envolver pela cintura e me abraçar por trás, eu automaticamente falei um “wow” e por uns segundos fiquei sem saber o que fazer pensando em Danny, mas aí me lembrei que ele provavelmente estaria comendo uma loira peituda e então resolvi aproveitar o cara que estava abraçado a mim, continuei a dançar do jeito que estava e o cara me acompanhava. Comecei a sentir o cara beijar meu pescoço, e isso me causou arrepios e então me virei em sua direção mas a luz primeiramente não me deixou enxergá-lo bem mas quando consegui, me espantei por um momento, mas logo recobrando o sentido:
- Hey, o que você pensa que está fazendo? – Eu perguntei como quem não quer nada, ainda sendo abraçada por ele, encostada as minhas mãos em seus ombros.
- Tentando ficar com a menina mais linda daqui – Danny disse no meu ouvido, e eu fiquei sem reação.
- Pois sua tentativa foi falha, baby – Falei me soltando dele, e saindo da pista, mas antes de sair de seu campo de visão me virei e mandei um beijinho pelo ar. Jones me olhava meio abobado, mas por fim sorriu maroto.

Capítulo 8


O que eu acabei de fazer? Se me dissessem que eu faria um dia isso, eu não acreditaria. Voltei para minha mesa encontrando uma totalmente serelepe, que me perguntou o que foi aquilo e eu dei de ombros em sinal que depois eu falaria. Vi um Poynter totalmente tímido sentar do meu outro lado. Eu sorri simpática para ele, e ele devolveu o sorriso, me olhou bem nos olhos querendo me pedir ajuda, eu apenas assenti. Me virei em direção à e cochichei um “É a sua chance, conversa com ele”, e eu me levantei piscando em direção ao Dougie que por um momento parecia ficar desesperado. Saí de lá e fui para o bar, peguei uma bebida, e fiquei curtindo o som. Tom e Harry apareceram e eu ordenei que de jeito nenhum voltassem para mesa, e não os expliquei porque, só sei que ficamos lá papeando. Depois vimos Jones passar varado com uma loira peituda. Apenas ri fraco, me sentindo uma idiota. Eu poderia ter ficado com ele e nem sei ao menos por que não o fiz. Vimos Dougie e irem para a pista, e eu sorri radiante, então Tom e Harry entenderam o porquê de não poderem ir para a mesa. Fomos para a mesa, e ficamos mais um tempo lá, mas eu cansei e chamei um deles para dançar. Harry me acompanhou. Estávamos dançando há uns minutos, e vejo Danny na pista com aquela mesma loira peituda, essa que estava se esfregando nele, o que fez meu sangue ferver de raiva. Automaticamente eu cheguei mais perto de Harry que me olhou, estranhando, mas não fazendo nenhuma objeção a minha ação, e quando olhei discretamente em direção a Danny, ele estava me encarando confuso, mas então a loira começou a beijá-lo e minha mente estava entre ficar triste ou com raiva, e a próxima coisa que fiz me surpreendeu. Eu puxei Harry para mais perto e o beijei. Judd me separou, segurando os meus braços dos lados, e me olhou cauteloso:
- Tem certeza que quer fazer isso? – perguntou-me como se soubesse que eu tinha feito aquilo por outro motivo.
- Sim, não é como se fossemos nos apaixonar por causa de uma pegação, né? – perguntei brincalhona e ele assentiu sorrindo, achando graça.
Harry me puxou para fora da pista, me encostando na parede e em seguida voltou a me beijar. Uma de suas mãos estava dentro da minha blusa, pousada nas minhas costas enquanto a outra estava em minha cintura; já eu optava por colocar uma mão no seu pescoço e a outra tocar delicadamente seu ombro forte. Judd não era de se jogar fora, era digamos, o mais com cara de homem naquele grupo, e apesar de eu gostar do Danny, pegar Harry não me parecia de todo mal. Ficamos um tempo ali, e quando paramos nos olhamos sapecas, e avistamos nossos amigos ao longe com olhares de surpresa, espanto ou curiosidade. Apenas rimos disso tudo e voltamos todos para a mesa. Resolvemos voltar para casa. Dougie iria dormir lá em casa, já que ele não queria acordar sua mãe porque esqueceu suas chaves. Na volta, dentro do carro, a organização mudou um pouco, já que Danny foi para o carona e eu fiquei deitada quase dormindo no colo de Harry, que me fazia um cafuné. De vez em quando, via e Dougie se olhando carinhosamente. Acho que aconteceu alguma coisa em relação a eles, e no bom sentido. Acabei dormindo e só acordei com o Harry assoprando meu ouvido o que me fez acordar rindo:
- Isso é sacanagem, ok? – falei me sentando direito e rindo.
- Não é quando uma garota não tá acordada – Harry falou em meio aos assovios que fazia.
- Tá – respondi, e bem nessa hora, o carro para em frente a minha casa. Dougie e descem se despedindo.
- Agora eu estou indo, Tchau Potter – falei, e lhe dei um selinho, saindo de seu colo.
- Tchau Tom – Falei ficando no meio dos dois bancos na frente, e beijei a bochecha de Tom, que me respondeu.
- Tchau Danny – respondi e ia fazer o mesmo que fiz com o Tom, mas não sei porque, Danny havia virado a cabeça em minha direção e eu acabei dando um selinho nele sem querer.
Mesmo apesar de aquele selinho não ter sido devagar, me fez sentir as borboletas, ou melhor dizendo, os elefantes dançando no meu estômago. A única coisa que consegui fazer depois daquela cena, foi sair do carro quase correndo até entrar em casa, aí sim que eu fui correndo até meu quarto sobre os olhares confusos de Dougie e . Bati a porta, fui deitar no meu quarto e deitada mesmo fui tirando a roupa ficando apenas de lingerie e me cobrindo com o edredom, sem antes pegar o meu celular, que tinha deixado no bolso do short e tentava me lembrar aonde tinha colocado o fone, encontrando os mesmos embaixo do meu travesseiro. Só não me pergunte como parou lá. Dormi com vontade de acordar só no fim do ano.

Capítulo 9
Eu estava num sonho tão lindo, que eu estava no show do Simple Plan, e então o Jeff me puxava pro palco, me fazia cantar, eu virava uma pop star e então... alguém começa a me sacudir, eu tento fingir estar dormindo mas parece que a pessoa sabia que eu estava acordando. Tanto é que puxou a coberta, deixando a mostra minha lingerie e quando eu ia brigar com a pessoa, vejo que era e Danny. A primeira me olhava engraçada e a última... bem, er, digamos que com um olhar entre o surpreso e o pervertido. Cobri-me rapidamente com vergonha:
- Quem lhes deu o direito de virem me acordar? E Danny, por que você está aqui tão cedo? – falei, nervosa.
- Cedo? É quase três horas da tarde e a propósito, belo sutiã – ele disse, agora calmo, e eu corei rapidamente.
- Ok, não é cedo, mas agora você pode sair do meu quarto para eu me vestir? – eu pedi e ele o fez, restando apenas eu e no quarto.
- Eu não sabia que você dormia de calcinha e sutiã, senhorita Regiane – falou, sentando na cama, com ar de diversão.
- E nem faço isso, mas ontem eu tava sem paciência pra procurar roupa pra dormir, aí, né – falei, me levantando e indo pegar um vestidinho preto com alça fina e o vesti.
- Viu a cara do Danny? Acho que se eu não tivesse aqui...
- Ele teria levado um tapa, isso sim. E quem de vocês puxou meu cobertor?
- É, eu.
- Bom saber, dude.
- Oh céus, o que você vai aprontar?
- Eu disse que ia fazer algo? Só falei que foi bom saber, oras.
- Me engana que eu gosto.
- Wow, sério? Hey, não me bate.
- Então para de ser besta.
- Só se você parar de ser pervertida, e nunca mais puxe meu cobertor quando tiver mais alguém além de mim e você.
- Sim, senhora.
- Agora vamos descer que eu passei não sei quantos anos sem digerir algo.
- Nem exagera.
- Nem mesmo, estou sendo realista.

Saímos do meu quarto, descemos as escadas e eu fui comer algo enquanto foi para a sala se juntando numa conversa que parecia divertida com Danny, sim, agora ela ia com a cara dele, era tudo questão de conhecimento. Peguei um prato e coloquei um pedaço de bolo, pão, biscoito e por último peguei uma garrafa de 1 litro e coloquei suco. Fui para sala e fui recebida com olhares e risadas por causa do meu pequeno “banquete”, dei de ombros e me sentei do lado de e comecei a prestar atenção na TV. Minutos depois, saiu da sala e vejo Danny se aproximar mais de mim, sentando no lugar onde minha prima havia antes sentado:
- De bom humor? – perguntou, pegando meu pedaço de bolo e dando de ombros ao ver minha cara indignada.
- Ah claro, você acaba de pegar o meu bolinho e eu to de muito bom humor – ironizei, comendo o pão vendo passar Tom & Jerry na tela a minha frente.
- Não fica bravinha, ainda tem mais bolo na cozinha – disse, segurando o riso.
- Ah e eu vou mesmo sair daqui e ir pegar outro pedaço – revirei os olhos, impaciente, qual é? Ele me vê de lingerie, pega meu bolinho sem permissão e quer que eu seja adorável? Aff.
- Calminha aí, segura suas pedras aí que eu não to fazendo nada – se fez de inocente.
- Nada? Você pegou meu bolinho sem permissão e eu estou morrendo de fome – eu reclamei, ainda olhando a TV.
- Já vi que está muito estressadinha, porque não chama o Harry para te acalmar, hein? – o olhei curiosa e frustrada pelo que ele disse.
- E quando o Harry tem haver com a nossa conversa?
- Você e ele ontem só faltavam ir pro motel.
- E o que você tem a ver com isso? A vida é minha, eu fico com quem eu quero, assim como você tem esse direito. E alias, não é como se eu fosse começar a namorá-lo por causa do que aconteceu ontem. – falei e me levantei deixando o prato e o suco em cima da mesa. – Viu? Perdi a fome. Só volte a falar comigo se não for um idiota.

Subi até meu quarto, me joguei em cima da cama, ainda inquieta e eu não estava suportando ficar naquela casa agora, de súbito eu levantei indo pegar só um casaco não muito fino cor roxa, calcei meu tênis preto, peguei meu celular e o fone, e saí do quarto. Encontrei com um Dougie saindo do quarto de hóspedes, todo desgrenhado. Quando me viu, sorriu, e eu fiz o mesmo, abracei-o bem forte, sendo correspondida, logo que desfiz do gesto, desci as escadas e vi que Danny ainda estava ali, este que apenas me olhou assim como . Avisei que ia sair e que não era para me ligar. Bati a porta forte, e enquanto caminhava liguei para um dos guys que não estavam na minha casa, mas somente um deles atendeu e eu falei que iria pra casa de tal. Depois de muito andar, por favor, me lembrem de quando sair impulsivamente de casa levar dinheiro. Eu devia ter pego um ônibus, ou sei lá, cheguei aonde queria e apertei a campainha:
- Oi, , entra – Harry falou ao abrir a porta e me deu espaço.
- Oi, Potter – eu falei, entrando em sua casa, e vendo a quão arrumada e bonita era.
- Mas qual o motivo da sua ilustre presença na minha humilde casa? Vamos concordar que você nunca vem aqui por vontade própria – disse, fingindo lamentação mas com uma pontinha de verdade.
- Primeiro, eu não queria ficar em casa e você foi a única alma bondosa que me atendeu. Segundo, você sabe que eu sou caseira e se eu nunca vim aqui é porque nunca me convidaram – fiz biquinho, sentando no sofá e vendo que tava num canal de clipes na TV.
- Que meiga, jura que você é a ? – perguntou brincando sentando ao meu lado.
- Besta, mas então tem algo pra comer eu acabei não comendo direito antes de sair de casa – falei, fazendo careta ao me lembrar o motivo.
- Você? Não comendo direito? Pode me dizer por quê?
- Danny Jones, e antes que me pergunte o porquê de novo, a gente discutiu e eu saí de casa. Fim.
- Então vamos deixar isso de lado, quer jogar videogame?
- Mas eu nem sei.
- Ué, aprende jogando, é fácil.
- Ah, com certeza.

Peguei um joystick enquanto Harry coisava as paradas do jogo, que eu não entendia mas prestava atenção para ver se aprendia. A gente ficou jogando por horas, ou pelo menos Judd jogava enquanto eu tentava jogar, depois que nossas mãos começaram a doer paramos, ficamos vendo filme que passava num canal, tomamos refrigerante e quando acabou o filme voltamos para o canal de clipes e agora passava uma música com um batidão mas eu não entendia nada dela, só sei que o Harry gostou e começou a tentar imitar as pessoas dançando no clipe. Entrei na brincadeira começando a dançar, quando apareceu o nome da música, eu não entendi, mas quem cantava era algo como “Bonde do Tigrão” que eu nem quis saber o que significava. Assim que a música mudou, eu e Harry caímos na gargalhada por causa da cena anterior, caímos em cima do sofá e ficamos descansando até que ele falou que ia tomar banho. Fiquei zapeando a TV, até deixar num canal de desenho, adivinha o que passava? Sim, Tom & Jerry, simplesmente adorava esse desenho e torcia pro gato e não suportava o rato, sou do contra. Ouço soar a campainha e percebo que Harry ainda estava no banho, e logo fui atender a porta:
- Harry, eu não agüento mais... ? – Danny falou sem parar adentrando a casa e só parou quando me viu ali.
- Não, sou o bozo novamente – ironizei fechando a porta e indo me sentar no sofá.
- Eu não quero discutir, – falou e se sentou do meu lado.
- , alguém chegou... E aí, cara? – Harry disse aparecendo na sala secando o cabelo, usando apenas uma bermuda, confesso que me perdi um pouco naquele peitoral.
- Bem, eu já estou saindo. Valeu Harry, na próxima vez eu vou ganhar no videogame – provoquei, sorrindo torto.
- Claro, você nem aprendeu direito jogar – falou rindo e eu mandei língua.
- Quem disse que na próxima eu não vou ter aprendido, hein? – revidei.
- Vamos ver, né – disse.
- Ok, tchau Harry – falei mandando beijos, ignorando totalmente o cara ao seu lado.

Voltei praticamente voando pra casa, bem na hora que Dougie saia da mesma, apenas falei um oi rápido e fui para meu quarto, caindo na cama. Ouvi meu telefone tocar, e era meu pai falando que ficaria 2 semanas sem viajar, e perguntou se eu queria passar aquelas semanas lá com ele, o que logo eu confirmei, precisava de seu abraço. Na hora da janta, falei para minha tia que meu pai me buscaria amanhã e que eu ficaria duas semanas com ele, ela assentiu em concordância, e me olhou, querendo saber para onde eu tinha ido, o que fiz questão de dizer depois que subimos para seu quarto. Fiquei a madrugada quase toda conversando com e fuçando no twitter, o que me deixava frustrada sempre aparecia uns ovinhos de spam irritantes, vocês não acham? Pois é. Assim que cheguei no meu quarto, pulei na cama e apaguei.

Capítulo 10
Eu estava lá com um vestido florido sentada entre aquela grama macia com as folhas tão verdes que não pareciam reais, observava ao longe meu pai e minha mãe abraçados e rindo como um casal, eu franzi a testa não entendendo nada, por que eles estavam assim? O que aconteceu? E antes mesmo que eu pudesse ir ao encontro deles sinto uma mão segurando a minha, e quando olho para o lado encaro aqueles olhos azuis brilhantes, aquele sorriso maroto e sincero e sinto aquele arrepio que eu sempre sentia ao ser tocada por Danny, que estava me encarando sem falar nada mas como se quisesse me dizer algo. Apertei bem os olhos demonstrando confusão, e ao mesmo tempo em que fiz isso sinto Danny tocar meus lábios com os dedos delicadamente, abro os olhos surpresa e lentamente ele chega mais perto de mim, o suficiente para eu poder sentir seu hálito bater em meu rosto, instantaneamente fechei meus olhos, sentindo Danny tocar meu rosto com sua mão enquanto a outra pousava em minha cintura, estávamos perto de nos beijar e então... eu acordo. Sim, é isso mesmo, até quando posso me dar bem em um sonho, eu sou idiota e acordo, e foi com essa raiva que levantei da cama indo até a cozinha pegando 3 pedaços de bolo e fui para a sala sentando no sofá. Estava vendo TV, devia ser de manhã ainda quando ouço meu celular tocar e constatei ser meu pai ligando me avisando que estava a caminho para me buscar. Assenti e desliguei o aparelho, fui para meu quarto peguei uma mala e fui colocando o básico para passar duas semanas e quando acabei, fui tomar banho lentamente. Depois, me sequei, vesti uma calça skinny preta junto com uma camisa cinza justa ao corpo, calcei meu tênis, arrumei meu cabelo com uma trança de lado e saí do meu quarto descendo logo com a mala. Encontrei com Tia Lucy e na sala, tomando café:
- Seu pai já vai te buscar hoje? – Tia Lucy perguntou.
- Sim, ele me ligou mais cedo e então eu adiantei as coisas.
- Ah sim, já tomou café?
- Tomar café não, mas já comi bolo hoje. , liga pros meninos avisando que eu vou pro meu pai hoje?
- E por que você não faz isso?
- Ah, porque eu tô com preguiça e vou tomar café agora. – Falei levantando-me indo em direção a cozinha, quando a campainha toca e eu vou abri-la.
- Danny?
- Não me espanque depois do que vou fazer.

Antes mesmo que eu perguntasse o que ele iria fazer, sinto seus lábios junto aos meus com certa urgência, e seus braços me abraçando forte pela cintura, fiquei sem reação por um momento mas rapidamente eu dei passagem para aprofundar o beijo abraçando-o pelo pescoço como se estivesse com medo que aquilo fosse mais um sonho. Em meio ao beijo, Danny nos gira e me faz bater as costas na porta agora já fechada, suas mãos pousam em minha cintura apertando-a de leve enquanto agora eu puxava seu cabelo de leve e minha outra mão segurava seu braço. Eu não me importava se tinha gente ali vendo, o que eu queria que acontecesse há um bom tempo estava finalmente acontecendo, e eu tinha que aproveitar o máximo daqueles segundos, minutos ou horas que se passava ali beijando Danny. E então percebemos que tínhamos que respirar, e paramos o beijo meio ofegantes, eu apenas o olhei sem saber o que falar enquanto ele, bem, dava aquele sorriso maroto de sempre e que agora eu amava. Não tive tempo de raciocinar direito o que falar, ou procurar um motivo dele ter me pego de surpresa desse jeito pois ouvi a campainha tocar o que me causou um susto, me fazendo soltar dos braços de Danny. Abri a porta e arregalei os olhos:
- Pai? Já chegou?
- Bem, eu acho que sou seu pai, até porque temos o mesmo sangue e...
- Para de ser bobo, entre.
- E vejo que tem visita, não vai me apresentar ao seu amigo? – meu pai perguntou como se soubesse o que tinha acontecido quase agora. Engoli em seco.
- É... Pai esse é Daniel, e... Daniel esse é meu pai. Apresentados, agora podemos ir? – perguntei, indo pegar minha mala na sala, me sentindo nervosa pela situação.
- Você vai embora? – Danny perguntou, com uma pontada de desespero.
- Não definitivo, só vou passar uns dias com meu pai – respondi e vi sua expressão mudar discretamente para uma de alívio.
- Você não vai se despedir da gente não, é? – perguntou chamando a atenção, eu apenas sorri andando em sua direção.
- Ah minha maluca, vou sentir saudade, trate de entrar na internet, ok? – falei, em meio ao abraço esmaga formiga, e a formiga no caso era eu.
- É claro – minha prima disse quando nos soltamos do abraço, segui para abraçar minha Tia que já estava também em pé para me abraçar.
- Tia, vou sentir saudades de ti também, vai ser pouco o tempo longe de vocês mas eu já me acostumei né?! E quando eu voltar vou querer bolo de cenoura com calda de chocolate hein? – exigi num tom de brincadeira, ao cessar o abraço.
- Quando você voltar terá muitas guloseimas, fechado? – ela perguntou, e eu assenti sorrindo como uma criança.
- Também quero meu abraço – Danny disse ainda ao lado do meu pai, fazendo biquinho.
- Sério mesmo? tô muito afim não – respondi fingida, sendo puxada por Danny que me abraçou.
- Com todo o respeito, Senhor, mas sua filha é meio irritante – Jones disse, levando um beliscão no braço depois que nos soltamos do abraço.
- Eu também concordo – meu pai disse e eu o olhei com os olhos semicerrados, fingindo indignação.
- Tá bom para a gente ir, né? – perguntei com pressa, não se esqueçam que acima de tudo eu ainda estava nervosa.
- Vamos. E Oi e Tchau e Lucy, tchau Daniel – meu pai falou recebendo acenos das duas, e um aperto de mão do último.
- TCHAU TODO MUNDO – gritei, antes de fechar a porta e seguir o meu pai até o carro, o mesmo que colocara minha mala no porta-malas e entrou no banco do motorista, e eu fiquei no de trás para eu poder me esticar naquele espaço.

Não deixei meu pai falar alguma de suas besteiras, coloquei o fone no ouvido e ouvi musica a viagem toda antes de acabar cochilando. Quando acordei estava já em frente a minha antiga casa, apenas esperei meu pai sair do carro e abrir a porta dela que saí correndo pela casa que nem uma doida, ouvindo os risos de meu pai que me seguia caminhando. Abri a geladeira ao entrar na cozinha e encontrei um pote de sorvete de flocos e peguei-o logo, pegando duas colheres e puxando meu pai pra sala. Botei um DVD pra carregar no aparelho, em meio às piadas do meu pai sobre meu cabelo azul eu comia o sorvete junto a ele, e devo acrescentar que toda essa minha agitação era porque eu sou meio paranóica e não queria que meu pai viesse de gracinha sobre Danny, e eu sabia que ele já estaria falando se eu não tivesse desse jeito, assim como deve ter percebido que não era para falar nada sobre.

Capítulo 11
Passara-se uma semana e eu já tinha aproveitado bastante esse tempo com meu pai. Fomos ao cinema, parque, e até conseguimos até realizar um dos meus sonhos de subir uma montanha. Ainda tentamos fazer um bolo que acabou não subindo por causa que botamos pouco fermento em pó, mas isso não vem ao caso. Agora eu estava passando finalmente conversando com , já que nesses dias foi difícil entrarmos ao mesmo tempo, e ela estava me perturbando por causa do beijo que Danny me deu e que eu estava tentando deixar de lado, o que estava sendo um sucesso se não tivessem voltado com esse assunto. Depois de conversar com , resolvi ir dormir antes que eu acordasse tarde pro passeio de amanhã, e é isso mesmo que você tá pensando, eu saía todo o dia com meu pai nem que fosse só até a sorveteria ali do lado.

Abri os olhos lentamente com uma preguiça enorme de levantar, mas logo que me toquei que meu pai estava em casa, tratei de levantar antes que ele viesse com uma panela e uma colher de pau e tratasse de me acordar me deixando surda. Fui ver a hora e era exatamente 11:11 e eu já disse o quanto odeio horas iguais? Eu acho que é uma maneira ridícula de se achar importante, de se iludir e pá... mas voltando ao que fazia, deixei o relógio em cima da mesinha e fui pro meu banheiro, deitei na banheira e meio que hibernei por uns minutos dentro dela. Quando senti os dedos da minha mão enrugarem, saí me enrolando na toalha e me secando enquanto pegava uma roupa na minha mala já pronta ontem. Hoje eu voltaria para Bolton. Após vestir um vestido bege e meia-calça branca, e calçar um all star preto, eu estava num estilo bem menininha, o que até me surpreendeu por ter escolhido aquela roupa escondida na mala só por bobeira, imaginei a cara da a me ver desse jeito e ri. Fui para sala com minha mala vendo meu pai sair da cozinha com um avental totalmente sujo amarrado no pescoço:
- Mas que pressa, isso é pra ir embora logo? – meu pai perguntou brincalhão.
- Não, eu só aproveitei a coragem de carregar a mala até aqui logo, mas o que você tá tentando fazer? – perguntei apontando para seu avental.
- Panquecas, e aliás eu já as fiz – ele respondeu e eu fui para parte mais legal depois do meu quarto, acho que você já deve ter percebido que é a cozinha, né?

Horas depois eu estava no carro do meu pai voltando para minha atual casa. Não duvido nada que não tenha obrigado os garotos a irem até lá, acho que ela adorava me ver sem graça em certas situações, mas não que eu não tenha me vingado disso às vezes. Ouvia a rádio junto com meu pai, que tagarelava sobre o trabalho dele e eu fingia que me interessava porque no fundo eu achava uma chatice. Poucas horas seguintes, o carro já entrava na minha rua e logo que o veículo chegava mais perto de casa eu via os garotos e lá fora, sentados na grama totalmente relaxados e conversando. Danny estava tão lindo, e no momento ele ria de algo e sem querer apareceu um sorriso bobo no meu rosto:
- Quem é a razão desse seu sorriso, hein? Aquele seu amigo Daniel por acaso? – meu pai perguntou e eu olhei pra ele tentando não mostrar espanto pela pergunta dele.
- Pai, mas que pergunta inconveniente.
- Então quer dizer que estou certo e é por causa dele? – meu pai perguntou novamente e deu um sorriso engraçado no estilo “há te peguei”. O carro parou.
- Claro que não, né?! – respondi e abri a porta do carro saindo do mesmo em seguida, vendo meus amigos olharem em minha direção.
- Ok, não vou tocar nesse assunto agora, quer que eu te ajude com a mala? – ofereceu saindo do carro e vindo até a mim.
- Não precisa, eu posso levar, você precisa ir pra casa e dormir já que amanhã já volta a trabalhar se lembra? – falei divertida.
- Vou sentir sua falta filha, você é a coisa mais importante na minha vida.
- Também vou, te amo muito. – falei em meio ao abraço tão bom que me deu vontade de chorar em pensar que não vou vê-lo por um bom tempo de novo.
- Não chora, eu te amo muito também. – meu pai disse e sinceramente, esse lugar me deixou sensível demais pro meu gosto.
- Não vou, mas é bom você ir agora, senão ficará tarde demais pra você voltar na estrada. – falei, limpando os olhos para que as lagrimas que já estavam ali presas não caíssem.
- Está bem, filha. Se cuida. – disse e deu a volta no carro entrando no lado do motorista enquanto eu pegava a minha mala no porta-malas. Segundos depois, o carro já estava andando e eu ali só observando o mesmo se distanciar de mim.

Respirei fundo e me virei com a mala em mãos, quando cheguei perto de onde minha prima e os outros estavam, soltei o objeto em mãos e sorri. Dougie se levantou correndo e veio me abraçar quase me derrubando por tamanha velocidade na qual vinha. Abracei-o tão forte que pensei que eu iria amassá-lo se possível, logo depois vieram , Tom e Harry me abraçar. Esse último pegou minha mala e me senti num dejávu quando contestei e ele disse a mesma frase do primeiro dia da minha estadia, ri. Então logo mais a frente vi Danny em pé também, me olhando com um sorriso tão lindo. Olhei para e ela indicou com a cabeça me motivando a ir até ele. Andei meio receosa, afinal, a última vez que nos vimos ele tinha me beijado. Quando cheguei a ele não sabia muito bem o que dizer:
- Oi – que bom, não pensei em nada melhor pra falar e falo um misero “oi”.
- Oi, senti sua falta. – pronto meu chão caiu, ele falou isso mesmo? Ai que porra, estou me iludindo, isso é por causa de que somos muito amigos. Mas amigos não se beijam... se bem que eu fiquei com o Harry... ok, as circunstâncias eram outras e o que eu tô falando? Viu? Minha cabeça já não é muito boa, aí ela cisma em ficar pior desse jeito.
- , tá tudo bem? – Senti Danny me sacudir me olhando preocupada, e então eu resolvi responder.
- Estou sim, e também senti sua falta – Sorri e senti ele me puxar para um abraço, me envolvendo pela cintura e me apertando forte contra ele, fazendo meu chão cair um pouco. Envolvi meus braços em seu pescoço.
- Você usando essa roupa tipo menininha, quê que aconteceu hein? – perguntou, brincalhão afrouxando o abraço.
- Nada, só achei legal usar ela hoje, sei lá – dei de ombros.
- Você conseguiu ficar mais bonita ainda nela – falou no meu ouvido, me causando um arrepio ao sentir seu hálito quente bater na minha pele.
- Bem, vou entrar, falar com minha tia. - Respondi me soltando do abraço e vendo Danny concordar com a cabeça.

Entrei em casa e logo recebi um abraço caloroso de minha Tia, que começou a falar que sentiu minha falta. Apenas retribuí o carinho e subi para o meu quarto. Assim que entrei no mesmo, pulei na cama, enfiando minha cara no travesseiro e comecei a chorar. O ar já estava me faltando mas eu não me importava. Ouvi a porta ser aberta devagar, e eu pedia mentalmente que seja lá quem fosse saísse mas como provavelmente ele não lia pensamentos, a pessoa continuava ali:
- ? Você tá bem? – ouvi a voz de Danny, e deitei minha cabeça pro lado contrário de onde ouvi sua voz.
- Sai daqui, Jones. Por favor – eu falei com um tom meio raivoso.
- Não até você falar e agir comigo direito – ele disse e sentou na cama.
- COMO VOCÊ QUER QUE EU AJA DIREITO CONTIGO DEPOIS DO QUE ACONTECEU? – eu gritei desesperada, ficando de joelhos em cima da cama e em frente ao Danny.
- Eu não sei, vamos fingir que isso não aconteceu.
- Acho melhor, até porque foi um erro.
- Pra mim não foi.
- Só pra você.
- Duvido, eu sei que você gostou.
- Eu estava carente, é diferente.
- Por que você sempre nega?
- Negar o quê?
- Você sabe, será que você nunca percebeu que eu gosto de ti?
- Até parece, mas se for mesmo verdade, não me importa.
- Não mesmo? Será que você não sentiu nada quando nos beijamos?
- Nada e se for pra ficar falando disso, eu prefiro que você saia do meu quarto – eu pedi, me levantando da cama com o intuito de ir até a porta mas não deu muito tempo já que Danny me puxou pela cintura me fazendo ficar de lado no seu colo.
- Não adianta mentir – Danny disse e antes mesmo que eu pudesse contestar senti seus lábios nos meus.

Arregalei meus olhos, sentindo aqueles malditos morcegos na minha barriga, até porque borboleta é o que estava longe de ser. Danny pediu passagem para aprofundar o beijo, e cedi, sentindo sua mão adentrar em meus cabelos enquanto as minhas pousavam em seu pescoço. Estávamos numa sincronia perfeita e toda aquela coisa que garotas apaixonadas falam e sentem, acho que não consigo descrevê-las bem mas era infinitamente maior. Só sei que o beijo ficava mais intenso, e as mãos de Danny não se aquietaram em meu cabelo, já que uma foi parar em minha cintura e a outra simplesmente pousou em minha coxa, a qual por sorte do destino ainda tinha a meia-calça. Vagarosamente, Danny se curvou me fazendo deitar na cama, mas antes eu tirei meu tênis o mais rápido possível, e logo que o fiz voltei a beijar Danny que agora tentava tirar minha meia-calça, assim o ajudei sem parar o beijo em nenhum minuto. Estávamos ali há minutos, acho, e apenas parávamos rapidamente para respirar, a camisa de Danny estava fora dele faz tempo e minha mão passeava em seu peitoral agora nu, suas mãos indiscretamente pousaram em minhas coxas as apertando de leve, e foram subindo fazendo com que meu vestido levantasse, deixando não só minha calcinha a mostra como a minha barriga também. Os beijos que estavam no meu pescoço agora iam descendo até minha barriga e uma mão sua brincava com a alça da minha calcinha, o que me causou espanto, fazendo-me perceber que aquilo ali estava indo longe demais. Empurrei Danny de leve para que ele parasse, o mesmo me olhou confuso:
- Acho melhor paramos – falei quase num sussurro.
- Justo agora que eu estava começando a me divertir? – ele perguntou e pareceu perceber a burrada que ele disse.
- Ah seu idiota agora me sinto um objeto, seu imbecil – me levantei ajeitando meu vestido e saindo do quarto sem me importar se minha aparência entregava o que aconteceu.
- Opa, já vi que você e Danny... – Dougie começou e antes mesmo que ele terminasse a frase o interrompi.
- Cala a boca antes que eu te arrebente a cara – falei o empurrando e entrando no banheiro, o trancando em seguida.
- , POR FAVOR, EU ME EXPRESSEI MAL. SAI DAÍ – ouvi Danny falar e bater a porta forte.
- ME DEIXA EM PAZ SEU IDIOTA, VOCE É SURDO OU SE FAZ? – gritei, já não contendo as lágrimas. Os minutos se passaram em silêncio, me trazendo um alívio.
- , sou eu, a , abre a porta, vai – ouvi a voz calma da minha prima do lado de fora, apenas tentei amenizar o estado que eu me encontrava, respirei fundo e abri a porta.
- Danny foi embora? – perguntei dando espaço para que ela entrasse.
- Ele tá lá embaixo, disse que não sairia até conversar contigo – respondeu me abraçando de lado.
- Pois ele vai esperar sentado. – respondi rindo fraco.
- Quer me contar o que aconteceu? – perguntou amigavelmente, eu a contei tudo até eu entrar no banheiro.
- Por que você não quer dar chance a ele? – minha prima perguntou confusa.
- Eu não quero falar sobre isso, desculpe, – eu pedi com vergonha enquanto me levantava, já que eu havia sentado em cima da tampa do vaso.
- Tudo bem, que tal você descansar um pouco enquanto eu pego um super banquete para vossa senhoria? – exagerou na pose e na fala, o que me fez rir.
- Opa é pra já, quero encher a pança – meio que gritei essa frase.
- EU TAMBEM – ouvi a voz do Dougie do outro lado da porta e comecei a rir. Fui em direção a porta do banheiro e a abri observando um Dougie curvado, confirmando que ele estava ouvindo escondido.
- Dougie seu enxerido, é feio ouvir conversa alheia – eu dei uma bronca como se fosse a mãe dele.
- Mas eu queria saber o que tava acontecendo e nenhum dos dois iriam me contar – Dougie respondeu fazendo uma cara emburrada.
- Já que sabe o que aconteceu, poderia agora se retirar? – perguntei amigável, o vendo assentir em uma reverência exagerada.
- Vou pro quarto – falei sorrindo fraco, mas melhor do que antes. desceu.

Entrei no meu quarto, fiquei deitada na cama que até minutos atrás eu e Danny estávamos juntos, nos curtindo, mas aí ele me faz cair a ficha e agora estou eu aqui me enraivecendo novamente. Respirei fundo e me acalmei por um momento. Levantei, botei meu tênis no pé, peguei minha bolsa de dinheiro e meu celular. Saí daquela parte da casa, e desci as escadas, assim que desci todos os degraus olhei em direção à sala, reconhecendo Jones de costa sentado no sofá, retornei a andar abrindo a porta o mais devagar possível, mas parecia que a porta não queria colaborar pois fez um barulho que fez Danny virar a cabeça e me ver, levantou-se até mim. Eu saí de casa, fechando a porta atrás de mim e andei o máximo que pude, quase correndo. Infelizmente, minha quase corrida, não deu certo, pois logo sinto alguém me segurar pelo braço, me parando:
- Me ouve – Danny falou, me olhando bem no fundo dos meus olhos.
- Não quero – falei séria.
- Por favor – ele pediu.
- Danny, por favor, me deixa ficar sozinha, tá? Eu preciso de um tempo comigo mesma – eu implorei, olhando para sua mão ainda me segurando e o senti soltar meu braço.

Capítulo 12
Continuei meu caminho, torcendo para que pudesse entrar e tivesse alguém no lugar que eu ia. Depois de um tempo, parei em frente à escola e vi que tinha gente trabalhando lá dentro. Pedi que abrissem a porta e assim o fizeram, mesmo achando estranho uma aluna nas férias ir à escola. Não liguei, apenas entrei no prédio do colégio e subi até onde Danny havia me levado no primeiro dia que comecei a sentir “aquilo” por ele. Fiquei lá por um bom tempo, começou a serenar, porém não me importei muito, mas aí eu lembrei de como é chato ficar resfriada e então resolvi voltar para casa. Passei pela porta de entrada da escola, e comecei a andar em passos largos, não percebi que alguém estava me seguindo até essa pessoa me chamar:
- ! – ouvi a voz que me parecia familiar, e me virei vendo que era Samantha.
- Que foi? – falei, ignorante mesmo.
- O que aconteceu? Sua tia sabe que está na chuva? Deixe que eu te leve em casa, você pode ficar doente nessa chuva – Samantha falou preocupada, chegando mais perto de mim e me cobrindo com seu guarda-chuva. Revirei os olhos, mas antes de respondê-la de mau agrado novamente, me lembrei de Danny, me aconselhando a dar uma chance a ela, a pelo menos ouvi-la, me pergunto porque me importo com o que ele me aconselha ou não. Bufei com meu pensamento.
- Eu não queria ir para minha casa, sua casa fica muito longe daqui? – me escutei perguntar, e observei a expressão surpresa no rosto da mulher a minha frente.
- Bom, na verdade, é só virar essa esquina, no primeiro prédio – ela disse, e reparei aonde eu tava, percebi que aquele não era o caminho para a minha casa, estava tão absorta em pensamentos que ia na direção errada. Mas aquele caminho era conhecido, só não consegui lembrar por que.
- Então vamos, né? – falei meio sem jeito.
- Vamos, fico feliz que resolveu não me dar uma patada – Samantha falou ao começar a andar, e sorri engraçado olhando pra baixo, achando graça de ouvir uma mulher não tão nova falar daquele jeito.

Já estávamos no elevador, e até lá nenhuma de nós proferimos sequer uma palavra, quando parou no 3º andar vi Samantha sair, a acompanhei e parei em frente ao apartamento 336, assim que vi ela fazer o mesmo. Abriu a porta, entrei junto a ela, e para poupar descrições, o apartamento era exatamente do mesmo jeito do que o Danny morava. Incrível que até aqui nesse lugar me lembro daquele cara. Balancei a cabeça, tentando deixar isso pra lá. Samantha me ofereceu uma roupa dela antiga, já que a minha estava meio molhada. Me deu também uma xícara de chocolate quente e bolo de cenoura com cobertura de chocolate, que me fez meus olhos brilharem, ouvi uma risada:
- Você desde pequena gostou muito desse bolo, parece que não mudou esse gosto. – Samantha disse, e sorri fraco.
- Mas outras coisas sim – saiu automaticamente, e vi seu olhar de tristeza antes de abaixar rapidamente o olhar.
- Desculpa – falamos ao mesmo tempo.
- Sei que minha atitude não foi das melhores, e sei também que tentar me desculpar depois de tanto tempo não resolve muita coisa, mas eu peço que apenas não me maltrate ou que me deixe tentar ser sua mãe e estar presente em sua vida, nem que seja um pouco – Ela pediu com os olhos lacrimejados, respirei fundo, já estava cansada demais para pensar em lhe dar um desaforo, e se eu estava ali, era pra mudar alguma coisa na minha vida.
- Olha, não prometo nada quanto a isso, mas vou tentar te dar uma chance – Falei, e não sei se era porque aquilo estava me distraindo, mas até que estava mais leve.
- Obrigada, filha – E então Samantha veio me abraçar, eu apenas me levantei do sofá e retribuí, esse momento de ternura foi interrompido pelo som do meu celular tocando em cima da estante. Era ligação anônima, dei de ombros e atendi.
- Você está aonde? – reconheci a voz de Danny, rolei os olhos.
- Oi mãe, sua voz engrossou, acho melhor você tomar um xarope ou alguma coisa pra melhorar, viu - impliquei, me jogando no sofá e apenas escutei-o bufar no outro lado da linha.
- Pode parar de gracinha, está chovendo e sua tia está preocupada com você – ele respondeu com a voz meio brava.
- E por que ela não me ligou? – perguntei realmente confusa.
- Porque eu fiz isso primeiro... ela só quer saber aonde você está para ir buscá-la – ele respirou fundo antes de terminar de responder.
- Eu estou na casa da Samantha, encontrei com ela no caminho quando eu ia para casa, e incrivelmente estou seguindo seu conselho – respondi.
- Acho ótimo – respondeu, mostrando alegria pela voz.
- Que eu saiba não perguntei o que você achava – respondi ríspida, sou meio bipolar, né? Acho que vocês já perceberam isso.
- Ai , a gente precisa conversar e você sabe que... – Danny começou mas o cortei.
- Danny, fala para minha tia que qualquer coisa eu ligo para ela, tchau – falei e desliguei o telefone na cara dele, respirei fundo jogando minha cabeça para trás. Eu não conseguiria pensar em falar com ele sobre aquilo, não sei ao menos se quero conversar com ele sobre isso algum dia.
- Algum problema? – Samantha perguntou.
- Sim, gostar demais de certas pessoas. – apenas soltei, já pouco me importava ela saber disso ou não, e bem acho que é mais fácil falar isso para um digamos, estranho, né? Enfim.
- Acho que te entendo – Ela respondeu um pouco cabisbaixa, me fazendo mesmo que um pouco, me preocupar.
- E, você, algum problema? – Perguntei a olhando sorrir fraco, talvez por perceber eu ficar preocupada.
- Digamos que ter gostado de certa pessoa é um dos meus maiores problemas – ela disse soltando um riso bem fraco e eu meio que entendi quem era essa pessoa.
- Acho que todos cometem erros e o maior ou melhor perdão que você deve receber, é o de você mesma antes de tudo – falei calma, e quase ri por ter pensado isso.
- Acho que sim, mas é meio difícil... mas vamos mudar de assunto, quer brigadeiro? – Samantha perguntou, e eu concordei exageradamente com os olhinhos brilhantes, acho que ela quer me conquistar pela barriga.

Depois de mais uma hora junto a Samantha, resolvi ir para casa. Ela me levou de carro até lá e a agradeci por isso quando saí do automóvel. Assim que bati a porta atrás de mim, vi que Danny e Dougie ainda estavam lá, no sofá da sala, e ao ouvirem a porta ser fechada olharam em minha direção. Fui em direção a eles, e apenas pedi para Danny me acompanhar:
- Vou ser direta, não quero falar sobre o que aconteceu, acho melhor esquecermos isso, okay? – falei quando me encostei na mesa da cozinha.
- Não acho que isso seja a melhor escolha, mas se você quer assim, tudo bem. Como era antes? – ele perguntou, sorrindo.
- Sim – respondi.
- E como foi com a mamãe? – ele perguntou implicando, imagino que ele estivesse sorrindo apesar de eu estar virada para geladeira, pegando algo para comer.
- Foi normal e estranho, é. – falei sem pensar muito, escutando sua risada.
- Vou fingir que entendi – ele respondeu e assim que me virei lhe dei um pedala saindo correndo com um pedaço de bolo na mão, estava começando a cansar até que pedi ajuda do Dougie que estava só rindo.
- Vai me dar o pedaço do bolo? – ele perguntou chantagista e eu respondi que não que ele deveria ser um amigo solidário e apenas me ajudar pelo meu bem. Acredita no que ele disse? – Nada feito.

Estava correndo o mais rápido da cozinha para sala e vice-versa, mas parece que estava cansando mesmo, pois logo Danny me alcançou, me abraçando por trás quase me levantando:
- ME SOLTA JONES ANTES QUE EU TE MATE – eu comecei a gritar, me contorcendo toda, tentando me soltar.
- Não tô muito a fim não – ele disse, fingindo manha e eu bufei, e me toquei que meu braço estava solto.
- Ok, você pediu – falei, meio que me justificando e lhe dei uma cotovelada na barriga. Danny logo me soltou reclamando de dor mas me olhando como se avisasse “vai ter volta”.

Mas antes que ele conseguisse me alcançar, corri para o meu quarto e me tranquei lá dentro por uns minutos. Respirei sem fôlego, e resolvi ir dormir, pensando se eu era a única a ficar maluca ou era o mundo que tava ficando. E pra variar... sonhei com o Danny.

Capítulo 13

Acordei, mas não me atrevi a abrir os olhos, por pura preguiça. Senti algo em cima das minhas costas e olho pro lado, vendo o Danny sentado no chão, mas com a cabeça deitada na ponta da cama. Mesmo confusa com isso, me preocupei e o acordei, apenas para deitar na minha cama, já que eu iria ao banheiro mesmo. Saí do meu quarto e entrei no banheiro para escovar os dentes, mas eu estava tão desligada, que acabei sujando minha blusa com a pasta. Fiquei tão brava com isso que resolvi logo tomar banho. Bati na testa quando percebi que não tinha roupas limpas, me enrolei na toalha e voltei para meu quarto, observando Danny, que agora estava acordado, voltar sua atenção para mim, que estava apenas toalha. Tentei ignorar e fui direto ao armário, abrindo-o para pegar uma roupa. Sinto alguém bem atrás de mim, obviamente Danny, fechando a porta do armário e beijando meu pescoço enquanto ficava ainda sem reação, sentindo uma sequência de arrepios passar pelo meu corpo todo. Danny me virou para ficar de frente para ele e encostou-me na porta do armário. Ficamos nos encarando por alguns segundos, até eu criar coragem para falar alguma coisa:
- Danny, o que eu falei on... – ele simplesmente não me deixou terminar de falar, simplesmente me puxou para um beijo.
Apenas não tive forças para acabar com aquele momento, Danny me fazia esquecer de tudo quando me apertava mais e mais para ele, minhas mãos ficavam indecisas entre ficar no pescoço dele ou em seus cabelos. Em meio ao beijo, Danny pôs suas mãos na minha cintura, apertando de leve, enquanto o beijo se tornava mais calmo. Aproveitei pra ajeitar a toalha para que ela não caísse, e acho que isso chamou a atenção do Jones, já que uma de suas mãos foi descendo até minha coxa, fazendo-a levantar um pouco, e, aos poucos, foi adentrando por debaixo da toalha... E acho que eu não estava percebendo o limite daquilo se atingir. Antes que Danny fizesse o que estava prestes a fazer, a porta é aberta fazendo com que nós dois nos separássemos rapidamente:
- ACORDA, ... Danny? Wow. – falou, fazendo uma cara de surpresa e de safada ao ver, provavelmente, minha boca vermelha e o cabelo de Danny todo desarrumado... Não que ele arrume muito o cabelo, mas tava mais bagunçado do que o normal.
- Danny, você pode sair? Eu preciso me vestir. – falei tentando soar calma, e vi Danny apenas assentindo e passando por mim.
- Menina, o que aconteceu aqui? Esquece a pergunta, eu já sei a resposta. – foi falando enquanto fechava a porta e eu apenas coloquei uma calcinha por debaixo da toalha, e peguei um vestido velho meu e o usei.
- Ah, , acho que vou explodir – falei jogando-me na cama e agarrando meu travesseiro. se sentou ao meu lado, me fazendo um cafuné. - Eu amo aquele idiota, mas ele não merece alguém como eu, eu tenho medo de sofrer ou de estragar tudo. – desabafei, deixando uma lágrima cair.
- Eu queria poder te ajudar, amiga. Espero que você fique bem, ok? Qualquer coisa, eu estou aqui do seu lado – disse.
- Tudo bem, eu tenho sorte de ter você como amiga e prima. Vamos descer? Estou com fome. – falei me levantando, minha prima fez o mesmo.
- Quando você não está? Ei, não me bate – falou ao receber uma batida forte nas costas. Apenas ri.
- E você e o Dougie? – perguntei tentando me distrair enquanto descíamos as escadas.
- Eu e ele exatamente nada. – Respondeu.
- Eu ainda vou matar alguém aqui. – falei quando virava para a cozinha, o que era rotina já que eu sempre ia primeiro lá quando descia as escadas.
- Tomara que não seja eu. – Dougie falou enquanto comia algo, e eu parei ao seu lado, pegando algumas coisas que vi pela mesa.
- Claro que não é. – falei sorrindo em sua direção.
- Bom dia, crianças. – Tia Lucy disse ao descer as escadas, e todos nós respondemos.
- Ué, cadê o Danny? – perguntou, parece até que ela lera minha mente, pois eu já ia perguntar isso.
- Já foi, se lembrou que a mãe dele iria precisar dele ou algo assim – Dougie respondeu, dando de ombros.

Tomamos o café da manhã tranquilamente, fomos ver TV, e, enquanto observei minha tia atender o telefone, notei as mãos do Dougie inquietas ao meu lado, as segurei rapidamente na intenção de pará-las e olhei para Dougie, que me encarava meio nervoso, o que me fez perceber que esse menino fica nervoso várias vezes. Sorri para ele, que relaxou vagarosamente. Antes mesmo que eu pudesse fazer outra coisa, Lucy nos chama a atenção:
- Uma amiga minha ligou e disse que iria fazer uma festa para o filho dela hoje e nos convidou – Tia Lucy disse.
- De criança? – perguntei com os olhos brilhando, imaginando as comidas já.
- Sim – foi só minha tia afirmar que faltou eu babar por ter certeza que iria comer os docinhos.
- O Dougie pode ir, tia? Ele adora comida de festas infantis, assim como eu – pedi com uma voz de criança e observei minha tia rir com isso.
- Claro, se a mãe dele deixar. – disse e saiu da sala.
- Então, dudes, vou indo para casa para falar com a minha mãe, ligo para vocês mais tarde para saber a hora, ok? – Dougie disse levantando do sofá e se espreguiçando.
- Ok, nanico, vai lá. – Falei acenando, deu tchau e lá se vai o Dougie.
- Você é maluca? Por que chamou o Dougie? – perguntou quase me matando pelo olhar.
- Ué, nada demais só achei que ele queria ir na festa por causa dos doces – respondi fingindo inocência, dando de ombros. Estava sorrindo por dentro.
- Sei, mas deixa pra lá, vamos procurar uma roupa para a festa – Ela falou se levantando e eu apenas arqueei as sobrancelhas em um gesto de descrença.
- Até parece que vou fazer isso agora, depois eu faço, a festa deve ser mais à tarde, dude, relaxa – falei e peguei o controle remoto, deitando no sofá enquanto zapeava os canais à procura de um bom. Apenas ouvi bufando e passos nas escadas.

POV Danny

Cheguei em casa e fui direto para o quarto, ignorando as perguntas da minha mãe. Me joguei na cama e fechei os olhos. Pode ser clichê ou sei lá, mas eu nunca senti isso que sinto pela , tipo, eu já gostei muito de uma garota no passado, mas não tanto quanto eu gosto da . Ela me confunde, mas apesar disso eu sinto como se ela gostasse de mim também, e eu até falei para mim mesmo para ir com calma, mas parece que, quanto mais passo o tempo ao lado dela, menos consigo resistir a minha vontade de agarrá-la, como se ela tivesse um imã que sempre me puxasse para ela... E eu me sinto um gay falando isso, mas eu não posso discordar. Desde o primeiro dia que a vi naquela escola, senti como se algo fosse mudar em mim, e isso é mais gay ainda, porém eu vi que era verdade, e até meus amigos perceberam isso depois de um tempo. Eu me sinto bem estranho quanto a isso, eu não consigo evitar pensar nela, é quase o dia inteiro assim, eu fico pensando nos seus olhos, nos seus cabelos, na sua boca e em como eu queria beijá-la mais, é inevitável. É uma loucura, eu sei, mas é impossível parar, eu adoro o jeito dela, ela é simples, engraçada e séria ao mesmo tempo, e claro que o tom irônico, arrogante e debochado me irrita às vezes, mas ainda assim ela é perfeita para mim. Acho que me desliguei nos pensamentos e só agora ouvi meu celular tocando. O atendi sem ver quem era:
- Alô? – falei.
- Oi, Danny, é a – ouvi responder.
- Pois não? – perguntei com um tom brincalhão.
- Hoje mais à tarde vai ter uma festa de criança que eu, Dougie, e minha mãe vamos e... Bem, eu só queria perguntar se você tá a fim de ir – disse diretamente.
- Por mim tudo bem, que horas? – perguntei e ela me respondeu, logo depois desligando o telefone sem ao menos me dar tchau.

Apenas tratei de dormir um pouco, afinal, mal havia conseguido dormir aquela noite. Dormi pensando na , e possivelmente ela seria o personagem principal do meu sonho... E isso não seria nenhuma novidade.

POV OFF Danny

Depois de um tempo viajando no sofá, resolvi levantar e ir tomar banho, já que eu previa que iria logo pro banheiro. Entrei no meu quarto e peguei minha toalha e uma roupa de casa, porque não queria procurar a roupa pra festinha antes do banho, saí do quarto e fui para o banheiro. Assim que saí do Box, me sequei e me vesti, logo saindo daquela parte da casa enquanto secava os cabelos, e entrando novamente no meu quarto. Penteei meu cabelo e o deixei solto, abri meu armário e as cenas de hoje cedo veio em minha mente. Não é possível que até meu armário vai me fazer lembrar dele. Sacudi a cabeça na intenção de esquecer, não que fosse resolver, e comecei a procurar algo legal para vestir. Peguei minha calça jeans mais uma camiseta preta com uns desenhos estranhos como estampa, vesti e puxei um tênis qualquer embaixo da minha cama, calçando-os. Na maquiagem eu preferi passar um lápis de olho de cor preta, uma base e um gloss, estava arrumada. Peguei meu celular e o coloquei no bolso de trás da calça, saí do meu quarto e bati na porta do quarto de , ouvindo um “ENTRA!”, e assim o fiz:
- Wow, você está indo para uma festa de criança ou para uma boate? – brinquei observando me encarar com sinal de braveza, bufando e começando a procurar outra roupa no armário. Revirei os olhos.
- , eu estava brincando, não precisa trocar de roupa se não quiser, você está linda – eu falei sentando-me na cama.
- Eu vou trocar, sim. Eu exagerei mesmo, que tal essa? – ela disse pondo uma blusa jogada de lado num ombro e uma calça jeans em cima da cama ao meu lado.
- Está melhor para a festa, se troca aí que eu vou descer – Falei saindo sem esperar resposta.

Chegando perto da escada, ouço soar a campainha e logo começo a descer a escada. Rapidamente chego em frente à porta e a abro, tendo uma surpresa ao ver que era Danny:
- Oi, Danny, acho que você chegou numa má hora... – falei dando passagem para ele entrar.

- Por quê? – ele perguntou confuso.
- Porque eu, e minha tia vamos sair – eu falei o seguindo até o sofá, e ligando a TV.
- Ah, eu sei, eu também vou.
- Oi?!?!
- me convidou, mas calma, depois minha mãe disse que era festa do meu primo de segundo grau ou coisa assim – respondeu rindo da cara que eu tinha feito.
- Menos mal então – respondi e ri fraco. Voltei a minha atenção à TV.

Passaram-se minutos, e estávamos apenas vendo TV, foi quando percebi o braço de Danny me abraçando pelo ombro, com sua mão fazendo um movimento circular naquele mesmo lugar, como um carinho e eu estava realmente gostando daquele gesto. Foi então que olhei de rabo de olho, Danny chegando perto de mim e, antes que ele pensasse fazer alguma coisa, a campainha soa novamente, levantei-me rapidamente em direção à porta e abri, observando um Dougie extremamente cheiroso:
- Eita, menino, trocou a água pelo perfume no banho? – brinquei rindo e lhe dando passagem para entrar.
- Muito engraçada você, hein – comentou enquanto passava por mim e me dava um beijo na bochecha.
- Sempre, baby – falei.
- Dude, você também vai? – Dougie perguntou ao ver Danny sentado no sofá, e sentando-se ao seu lado.
- Oi? Ah, vou sim e você? – Danny perguntou meio lesado.
- Não, imagina, vim todo arrumado só para ver a – respondeu irônico.
- É? Por quê? – Eu e Dougie começamos a rir da lerdeza do Danny quando ele terminou de falar.
- Ai, senhor, o Dougie foi irônico, você sabe o que é isso? – perguntei debochada, observando-o bufar.
- Vocês são uns chatos, por que sou amigo de vocês mesmo? – perguntou retoricamente.
- Porque só nós te aguentamos, meu caro Jones – Dougie respondeu no estilo Sherlock Holmes.

Minutos depois de uma grande discussão básica do porque éramos amigos do Danny, e minha tia apareceram em frente à escada. Dougie, ao virar sua direção para olhar minha prima, faltava babar, e olha que ela nem vestia algo arrasador, meu nanico gostava mesmo dela. Que lindo! Tia Lucy nos chamou para ir, e fomos para o carro, claro que eu e Poynter disputamos quem iria na frente, e claro que eu ganhei. O caminho todo se resume a todos cantando música antiga, pois Tia Lucy cismou em por um cd de sua época. Chegando à casa de festas, entramos na mesma e vimos logo a decoração em verde claro e azul, típicas cores de menino, fomos cumprimentar a mãe do aniversariante, que fez o filho vir para nos cumprimentar também. Tive que segurar o riso ao perceber que Luke, o aniversariante, se encantou por minha prima, pois logo a fez ir com ele brincar na área de brinquedos. Vimos também a cara de bravo que estava implícita em Dougie, mas ninguém fora eu parecia ter percebido isso. Pegamos um lugar na mesa, e depois de um tempo conversando, vimos que Dougie não parecia realmente prestar atenção na conversa, notamos que ele olhava para direção de . Cutuquei Danny, que me olhou confuso, mas apontei com a cabeça para Dougie. Ele voltou a me olhar e me mandou um sorriso um tanto quanto sapeca e eu reprimi um riso:
- Dougie, você não acha que a não está muito tempo lá com o Luke? – Danny perguntou reprimindo um riso e me olhando cúmplice.
- Por que você tá me perguntando isso? – Dougie perguntou num tom bravo, eu tampei minha boca para não rir.
- Por nada, mas se eu fosse você, eu não ficaria aqui só olhando um garoto de 8 anos tomando a atitude que você não toma. – respondi por Danny, vendo o olhar furioso de Poynter na minha direção, apenas sorri um pouco calma e ao mesmo tempo zombeteira.
- Está falando que sou fraco? – perguntou, se ajeitando na cadeira.
- Se quiser levar por esse lado... – deixei a resposta no ar, observando Dougie levantar rispidamente e ir em direção à .
- Você acha que eles podem mesmo ficar juntos? – Danny perguntou sorrindo sacana, acompanhando meu olhar sobre Dougie e , que pareciam discutir algo que, com certeza, não conseguiríamos ouvir.
- Tenho certeza – falei convicta depois de um tempo, ao observar Dougie finalmente agir e lascar um beijo em . Sorri satisfeita.

POV (um pouco antes do Dougie chegar até onde ela estava)

Eu adorava crianças e parecia que elas sempre gostavam de mim, assim como Luke, eu acho engraçado isso. Estava lá só observando Luke brincando, já que os brinquedos não eram para gente do meu tamanho, infelizmente. Sorri, achando fofo Luke pulando na mini cama-elástica e sinto alguém do meu lado:
- Você não acha que está muito tempo aqui não? – ouço a voz do Dougie e viro em sua direção, vendo que ele estava virado para mim.
- Hmm... Não.
- Quer dizer que prefere ficar aqui do que com seus amigos?
- Ei, pode parar de distorcer a minha fala porque eu não disse nada disso, ok? – eu falei quase num grito. O quê? Ele fica todo estranho do nada e sobra pra mim?
- Mas deve ter pensado isso. – disse Dougie com a testa levemente franzida.
- Dougie, você tá bem? – eu perguntei meio estressada, meio preocupada, agora. Sim, sou meio bipolar.
- Ah, sim, eu devia ter feito isso há muito tempo, sou muito idiota – Dougie falou meio aleatório como se falasse mais para ele do que para mim.
- Oi, eu ainda estou aqui – falei abanando o braço como um “tchau” só para chamar sua atenção.
- Ainda bem... – eu não entendi bulhufas do que ele quis dizer, mas não tive tempo de raciocinar, pois sinto ele me puxar pela cintura e me dar um beijo.
Eu não sei como consegui retribuir aquele beijo, meu corpo todo estava em choque, e as borboletas no meu estômago pareciam que iriam sair lá de dentro a qualquer minuto. Depois de alguns segundos nos beijando, ouvimos um coro de “eca” vindo das crianças que estavam ali, rimos e quando viramos o rosto para eles, cada um segurava uma bolinha da piscina de bolinha e, antes de pensarmos em escapar, começaram a tacar as bolinhas em nós dois, logo uma mulher chamou a atenção dos pequenos para pararem de tacar e conseguimos sair daquela área. Quando estávamos no meio do caminho para voltarmos à nossa mesa, Dougie me puxou para outro lugar, que não prestei atenção, pois olhava para nossas mãos dadas, pensando se aquilo estava acontecendo mesmo. Ficamos num lugar um pouco longe dos demais, apenas conversando, rindo e ficando um pouco. Aquilo era bom demais para ser verdade, alguém pode desligar o despertador? Porque eu não quero acordar tão cedo.

POV OFF

- Até que enfim o Dougie tomou alguma atitude! – Danny falou e eu apenas assenti, concordando, e vendo, de longe, o novo casal cheio de fofura.
- Eles ficam tão fofos juntos. – falei sorrindo automaticamente, eu estava feliz por eles, eles faziam um belo casal.
- Você fica linda sorrindo. – Danny falou do nada, e eu o olhei séria como se pedisse que ele não continuasse a falar aquelas coisas.
- Obrigada. – Respondi educadamente e fiquei incomodada por seu olhar permanecer em mim.
- Tem como parar de me olhar? – eu perguntei meio retoricamente.
- Tem como você parar de ser tão difícil e me dar uma chance? – Ele me perguntou do mesmo modo que eu.

Eu não soube o que responder, então não respondi nada. Tratei de sair o mais rápido possível dali, estava muito incômodo aquele silêncio. Levantei-me e fui para parte do salão que tinha as mesas com docinhos, salgados, entre outros alimentos de festas. Eu não sabia por que não conseguia agir normal ao lado dele, quer dizer, eu sabia, mas você me entendeu. Eu sei que eu sou confusa, indecisa, estranha e essas coisas, e sei que por isso mesmo eu e Danny não daríamos certo mesmo, se é que ele gosta de mim mesmo, como diz. Respirei fundo e resolvi pegar logo um docinho, já que eu estava parada olhando pra mesa sem fazer nada, devia estar parecendo como se tivesse admirando a comida... Nossa.
- Por que você sempre foge? – Danny pareceu chegar tão rápido atrás de mim, que tomei um susto ao sentir seu hálito batendo levemente no meu pescoço. Virei num pulo com o susto.
- Algum dia você ainda me mata de susto. – falei, ignorando sua pergunta.
- Não muda de assunto, me responde. – Ele foi direto, engoli seco.
- Não sou obrigada a responder isso. – falei e voltei a me virar pegando outro docinho, pois com o susto havia derrubado o que estava em minha mão. Enfiei o docinho na boca e comecei a mastigá-lo calmamente, ignorando a presença de Jones atrás de mim.
- O doce tá bom? – Danny perguntou com uma voz inocente, mas eu estava achando muito estranho isso. Aí tem.
- Por que não prova para saber? – perguntei, e eu não sei se isso foi um convite, mas segundos depois ouço Danny falar.
- Boa ideia. – Jones respondeu, me virando para ele e me roubou um beijo, que por poucos segundos eu deixei rolar, mas logo em seguida eu consegui, com muita dificuldade, me separar dele.
- Você tá doido? Eu ainda estava comendo o docinho, isso é nojento, cara – reclamei, vendo seu olhar maroto em minha direção.
- Então quer dizer que está brava só por causa disso? – me perguntou, e eu bufei.
- Claro que não é só isso. – respondi automaticamente, mesmo sendo mentira.
- Daniel, é você? – Ouvi uma voz chamar por Danny, e quando ele saiu da minha frente, pude ver um senhor de idade que devia ter 60 anos ou mais.
- Tio Carlos? – Danny perguntou meio indeciso, eu apenas olhei os dois e resolvi me virar para pegar mais docinhos. Mas ainda dava para escutá-los.
- Sim, sou eu. Como você cresceu, já está um homem. E as namoradas? Anda com muitas? – esse tal Tio de Danny, perguntou com uma voz super empolgada.
- Que nada, Tio, parece que a que eu quero não me quer – Danny falou e meu coração disparou só de pensar que ele poderia estar se referindo a mim.

Afastei-me discretamente deles e procurei segurar o nó que estava criando na minha garganta. Encontrei minha Tia e inventei que estava passando mal e ela me disse que iríamos para casa, mas falei que não precisava, que eu poderia ir pra casa da minha mãe (pois é, eu tinha que me acostumar a chamá-la assim, né?). Logo que saí da festa, peguei um táxi e no caminho até lá percebi o quão emotiva eu estava, e acho que a cada dia aumentava esse meu lado, e isso não era bom. Não mesmo. Paguei o taxista e desci do automóvel, encarando aquele prédio que tanto me lembrava minha mãe quanto me lembrava de Danny. O mais irônico disso tudo é que no começo eu não gostava de ambos, e agora vejo que comecei a criar um carinho por aquela mulher. Cheguei em frente à porta do apartamento e apenas apertei a campainha, observando Samantha abri-la:
- Oi, filha, tudo bem? – perguntou-me, dando passagem para eu entrar e assim o fiz.
- Mais ou menos. – respondi cabisbaixa, me jogando no sofá.
- Quer falar sobre? – perguntou passando a mão pelo meu cabelo, alisando-o carinhosamente.
- Acho que não, agora, mas você poderia fazer chocolate quente para mim? – pedi manhosa.
- Claro, já volto. – ela disse e entrou na cozinha, apenas fiquei olhando para TV ligada passando um desenho qualquer.
Samantha voltou com meu chocolate e se sentou ao meu lado, fazendo minha cabeça deitar em seu colo. Ficou um tempo me fazendo um cafuné e eu resolvi que deveria contar para ela o que aconteceu hoje, porque, sei lá, ela merecia pelo menos saber, já que eu vim direto para cá sem avisar nem nada. Ela acabou me aconselhando a não ter medo de arriscar tanto, mas que também não precisava ir rápido caso eu achasse que estava indo. Eu apenas a agradeci, pois aquilo havia me ajudado. Perguntei se podia ir dormir lá, e ela disse que sim, mas que deveria avisar minha tia, então eu apenas a obedeci. Em seguida fui para um quarto no fundo do corredor. E não sei por que me deitei naquela hora, o meu sono nem estava me visitando ainda, acho que estava rolando na cama por quase duas horas e nada. Alguns minutos depois de eu desistir de dormir e ficar só olhando pro teto naquele escuro onde só a luz que vinha pela janela clareava um pouco o meu quarto, ouço a porta sendo aberta e deduzi que era Samantha:
- Mãe, houve algum problema? – perguntei, estranhando que ela aparecesse ali naquela hora. Será que ela adivinhou que eu não estava dormindo? Eita.
- Não é a sua mãe. Pensei que estivesse dormindo. – ouço a voz de quem eu menos esperava naquela hora. Eu preciso mesmo dizer quem?!
- O que você está fazendo aqui? – perguntei sem o encarar, apesar do escuro tinha certeza que daria para ver um pouco o seu rosto.
- Fiquei preocupado, você está bem? – perguntou e notei que ele havia deitado ao meu lado, com o corpo virado pra mim, e apoiando a cabeça no braço.
- Não, estou confusa. – as palavras saíram automaticamente sem eu ter notado, o que eu tinha na cabeça pra ter confessado aquilo?
- Com o quê? – apesar da pergunta, sabia que Danny deveria ter alguma noção da resposta.
- Danny, será que você não entende? Por que insiste tanto em mim? Eu te peço, Danny, desista de mim, eu não valho tanto esforço. Por favor. – eu falei abaixando o tom da voz a cada palavra dita e respirei fundo, engolindo o choro que estava prestes a sair.
Depois de uns segundos, percebo Danny parar de se apoiar, mas continuar de lado para mim, e eu tentei resistir muito para não olhá-lo direito, mas quando percebi, já havia virado meu corpo em sua direção. Estávamos apenas nos encarando sem falar nada, mas não estava um silêncio desconfortável. Pensei que ele fosse falar algo depois do que eu disse, mas ele apenas me puxou levemente pela cintura com uma mão enquanto a outra começara a fazer um cafuné na minha cabeça. Nossas testas se encostaram, nossos olhos não se desgrudaram, fiquei hipnotizada pelos seus olhos azuis, que pareciam brilhar com o pouco da luz que vinha da janela. Minutos depois, ainda estava recebendo o cafuné e parecia que aquele gesto estava me dando uma sonolência. Meus olhos já estavam prestes a fechar, quando ouço Danny falar bem baixo, quase num sussurro:
- Eu nunca vou desistir de você. – meu coração parecia a ponto de explodir, de sair pela boca e começar a dançar, se isso fosse realmente possível. Resolvi que pela manhã eu pensaria melhor sobre tudo isso, apenas resolvi fechar os olhos e dormir, enquanto deixava um sorriso de canto aparecer no meu rosto.

Capítulo 14

Eu nunca vou desistir de você” era a palavra que veio à mente assim que despertei do meu sonho tão bom que parecia ter sido verdade. Já está cansativo dizer que eu sonhei com o Danny, mas eu acho que é necessário dizer. Estava com um medo de abrir os olhos e descobrir que aquilo que aconteceu ontem fora apenas um sonho, mas assim que abri os olhos vi o rosto sereno de Danny virado um pouco pro meu lado, parecia um anjo, sorri achando aquilo extremamente fofo. Extremamente fofo?! Eu estava mesmo mudada, eu raramente acharia algo “extremamente fofo” e sorriria com isso. Acho que mudar os ares, ter amigos de verdade, pessoas que realmente gostam de você por quem você é e não pelo dinheiro, me fez ser mais legal, mais normal ou pelo menos alguém chata com amigos de verdade. Enfim, o papo é que já era um pouco da metade do ano e eu não queria pensar que daqui a 6 meses teria que voltar para minha cidade natal, já havia me acostumado com Bolton, era tranquilo e eu já tinha formado meus amuletos, cada um com sua função que eu adorava. Acho que teria que convencer um certo senhor chamado meu pai que eu poderia ficar aqui pelo menos até o final do 3º ano, não sei se ele aceitaria, ele sempre fora um pouco solitário apesar dos amigos que tem. Estava pensando tanto que não percebi que Danny estava acabando de acordar, esfregou os olhos lentamente e olhou em minha direção, notando que eu já estava acordada, e esboçou um sorriso tímido... Tímido?!
- Bom dia – Ele falou com uma voz rouca EXTREMAMENTE sexy, ok, como se respira?
- Bom dia – falei o mais normal que consegui.
- Dormiu bem? – perguntou, e lembrei que dormimos abraçados. Tentei segurar o sorriso, mas o pensamento foi dito em voz alta sem eu perceber.
- Muito. – quando percebi já tinha dito, o que me deu agora de responder automaticamente? Virei meu corpo e fiquei de barriga pra cima. Mas não antes de ver o sorriso maroto de Danny aparecer em sua face. Bufei.
- Sério? Eu também dormi muito bem. – ele falou enquanto vagarosamente se virava na minha direção, mas, antes que ele me abraçasse, meu estômago soltou um rugido. Sim, rugido.
- Que ótimo, mas acho que já está na hora de levantar, estou morrendo de fome. – Levantei e vi que estava com a roupa de ontem ainda. É, eu precisava ir para casa o quanto antes.
Não esperei por Danny e saí logo do quarto, seguindo o cheiro de panquecas que infestava a casa inteira, como isso é possível? Cheguei à cozinha e vi minha mãe acabando de fazer a última panqueca e pondo num prato. Dei bom dia a ela e logo fui colocando panquecas no meu prato e pondo café no copo. Segundos depois, Danny chegou calado e só abriu a boca para dar bom dia à minha mãe e comer as panquecas em seu prato. Achei esquisita essa mudança de humor, dei de ombros e resolvi tomar meu café. Após minutos, eu havia terminado o meu café, levei meu copo e prato até a pia e logo em seguida fui para o banheiro fazer minha higiene matinal. Saí do banheiro e encontrei minha mãe na sala, estava passando um programa de culinária na TV, comecei a bater um papo até resolver que eu tinha que ir para casa, Danny acabou aparecendo na sala:
- Quer que eu te leve pra casa? – perguntou sério, aquilo estava me incomodando.
- Hm, pode ser. Mãe, eu já vou indo. – Eu falei e vi os olhos dela brilharem como se fossem chorar.
- Você me chamou de mãe?! – Ela perguntou retoricamente, mas, mesmo assim, eu confirmei com a cabeça, a observando abrir um sorriso largo. Abracei-a e me levantei.
Danny e eu seguimos calados até a garagem do prédio, entrei no carro no lado do carona e tratei de ligar a rádio, em seguida Danny já havia entrado no banco do motorista e saído do prédio. O caminho todo estava sendo um tanto quanto desconfortável, a música que tocava na rádio amenizava a situação, mas tudo que eu queria saber é por que Jones estava esquisito daquele jeito:
- Danny, você está bem? – perguntei aproveitando que o automóvel parou por conta do sinal fechado.
- Sim. – respondeu ainda encarando os carros à frente.
- Não é o que parece. – comentei.
- Só estou pensando em algumas coisas, desculpe. – Ele suspirou e respondeu, virando o rosto em minha direção e sorrindo.
- Ah, tudo bem, não precisa se desculpar, eu só fiquei preocupada mesmo. – respondi dando em ombros e relaxei um pouco.
Resolvi prestar atenção à rádio e estava no refrão de uma música desconhecida por mim:

'Cause you give me something
(Porque você me faz sentir uma coisa)
That makes me scared,
(Que me assusta)
This could be nothing
(Isso poderia ser nada)
But I'm willing to give it a try,
(Mas estou disposto a tentar)
Please give me something
(Por favor, me dê algum sinal)
'Cause someday I might know my heart
(Porque, algum dia, poderei conhecer meu coração)

Devo dizer que essa música (essa parte que ouvi) mexeu um pouco comigo, me fez lembrar do conselho de minha mãe. Não sei quanto tempo fiquei pensando sobre isso, quando notei o carro já parava em frente à minha casa:
- Está entregue. – Danny disse mais descontraído.
- Pois é. – Falei sem saber muito o que ia fazer. Bem, a intenção era só sair do carro e ir pra casa, mas, quando fiz menção de abrir a porta do carro, ouço a voz de Danny.
- !
- Oi? – respondi tão rápido que espero que não tenha mostrado nervosismo, eu não sei por que estava assim.
- Ah, nada, deixa pra lá. – Ele respondeu, e eu sorri fraco, abrindo a porta do carro. Mas logo um pensamento me veio e fechei a porta, me virando na direção de Danny, que me olhava confuso. Respirei fundo tentando me acalmar.
- O que foi? – perguntou com uma cara de desentendido muito fofa.
- Fica calado. – falei e, antes mesmo de esperar a reação de Danny, pus minha mão em sua nuca e encostei meus lábios nos seus.
Não vi a expressão de Danny, mas, provavelmente, estaria surpreso com aquela situação, pois era ele que sempre me roubava beijos. Senti sua mão adentrar por meus cabelos e a outra pousar em minha cintura, enquanto as minhas estavam em seu pescoço. Pouco tempo depois paramos o beijo, com as testas coladas e respirando ofegantes:
- Então quer dizer que você... - Danny falou sem terminar a frase, mas eu já havia entendido, apenas o olhei nos olhos e sorri, confirmando.
Danny apenas me puxou para mais uma sequencia de beijos, que durou muito até que eu tive que nos separar para poder ir pra casa. Dei um selinho nele e finalmente saí do carro. Esperei ele andar com o carro e, quando vi que estava longe, resolvi entrar em casa. foi logo me perguntando o que aconteceu, e eu disse que falaria depois de tomar banho e trocar de roupa. Após tomar banho e vestir a roupa, contei tudo que aconteceu desde que ela tinha se separado da gente na festa e tal. Faltou ela sair correndo pela casa depois do que contei, ela gritou “ALELUIA” por finalmente eu ter dado uma chance ao Danny e tal. Depois disso fomos ver filme na sala, com direito à pipoca e refrigerante, mas não posso dizer que prestei atenção no filme, pois um certo cara de cabelos castanhos, sardento e de olhos azuis não saía da minha mente.
Um dia se passou, e Danny já havia me mandado centenas de sms pro meu celular, o que me fez rir um pouco. Ele disse que não iria me deixar em paz e eu falei que eu poderia mudar de ideia e terminar qualquer coisa que mal tínhamos começado. ficou me zoando e, ao mesmo tempo, achando isso fofo. ficou planejando um passeio de casais, ela e Dougie, eu e Danny, o que me fez revirar os olhos. Quando disse isso para Danny, ele me respondeu que é clichê, mas era super fofo fazer isso, e então eu tive que dizer que era a coisa mais gay que ele havia falado, opa... Ele me respondeu um “me aguarde” e agora não responde mais minhas mensagens. Lá vem treta! Agora não para de tagarelar sobre algo que eu não consigo entender, pois eu estou super curiosa querendo saber o que aquela mensagem significa. Tempo depois sai do meu quarto alegando que iria ligar para o Dougie e blábláblá que eu não ouvi, pois, assim que ela saiu, Danny apareceu:
- Por que não falou que estava vindo pra cá? Seu idiota! – falei fazendo questão de me levantar, mas ele logo subiu em cima de mim com um pouco de brutalidade, mas com certa delicadeza, me beijando.
O beijo ainda não havia cessado, e o meu fôlego estava acabando, mas eu não queria me soltar de Danny. Suas mãos apertavam minha cintura, e as minhas apertavam os seus braços:
- Danny, eu preciso respirar! – eu falei entre os beijos, batendo no braço de Danny.
- Ai, isso doeu. – Ele reclamou, passei a mão no braço atingido.
- Desculpa, só que eu precisava respirar. – eu disse dando um selinho nele.
- Então... Você achou esse beijo gay?
- DANNY, EU NÃO ACREDITO! – gritei, empurrando Danny pro meu lado na cama e segurando minha vontade de rir.
- O quê?
- Você só veio aqui pelo que eu disse?
- Bem, meio que é isso aí...
- Seu idiota, eu não estava te chamando de gay, e, se você fosse, eu seria lésbica, e isso não tem sentido, mas você entendeu o que eu quero dizer. – falei virada de lado para observá-lo.
- Sou idiota, é? – ele me perguntou fazendo um carinho na minha bochecha.
- Sim, o meu idiota, só meu, ta entendendo? – eu perguntei.
- Sim, capitã. – disse e eu ri, ele era muito bobo às vezes, e eu adorava.

Uma semana depois, Dougie e já estavam namorando, e eu e Danny, bem... Estamos na mesma, não oficializamos nada, mas está bom assim por enquanto. Reunimos todos na casa de Harry, já que sua mãe fora viajar para casa dos pais, e estávamos esparramados, uns no sofá e outros no chão mesmo. Passava o filme “X-men, Origens: Wolverine” na TV e estávamos assistindo, eu estava ao lado de Jéssica no sofá, e tanto eu quanto ela suspirava ou comentava algo safado sobre o Hugh Jackman, e, óbvio, que os meninos não gostavam disso e sempre reclamavam:
- Ah, esse cara aí não é tudo isso não, sou mais eu – Danny comentou emburrado, vendo-me babar pelo ator.
- Eu também sou mais você, mas você sabe, né... – brinquei um pouco no final, sentindo um tapa na minha perna.
- EI, ISSO DOEU, TA? – eu reclamei com o Danny, o enchendo de tapas no braço, já que ele estava do meu outro lado no sofá.
- Desculpa... – ele pediu e eu parei de bater nele – Se quiser uma massagem – continuou me olhando malicioso.
- Olha que eu posso aceitar, hein... – respondi chegando perto dele, e, antes que eu pudesse fazer o que eu queria, sinto uma almofada sendo tacada pelo Harry.
- Pornografia na minha sala não, procurem um quarto, um motel... – Harry falou, eu ri junto a Danny.
- Nem fizemos nada – Danny disse inocente, mas até que era verdade. Fiquei entre as pernas dele.
- Mas iriam fazer que eu sei – Harry respondeu convicto como se a gente fosse fazer aquilo no meio deles, não que a gente tivesse antes, nem na frente deles (obviamente) nem sozinhos, acho que era cedo para isso, e bem, eu ainda era virgem e tinha vergonha de contar isso ao Danny.
- Exagerado – resmunguei fazendo biquinho, todo mundo riu, era só isso que eles faziam... Brincadeira.
Depois disso, voltamos a prestar atenção no filme, e meus comentários não puderam retornar, pois, quando mencionava fazer isso, Danny beijava meu pescoço e me fazia perder um pouco (muito) o raciocínio. Notei, nos meus momentos de lucidez, que Tom estava quieto demais, geralmente ele prestava atenção aos filmes, mas parecia mais que ele estava no próprio mundo do que assistindo à TV. Um momento ele saiu da sala em direção à cozinha, e discretamente o segui:
- Tom – o chamei. Ele se encontrava com um copo de água olhando fixo para o mesmo.
- Hm? Ah, oi. – ele respondeu acordando do seu transe.
- Você está bem? – perguntei me encostando ao balcão, ao lado dele.
- Sim, por que a pergunta? – ele perguntou nervoso.
- Porque eu sei que não está bem, você sabe que pode contar comigo. – falei olhando em seus olhos.
- Contar para você não mudará nada do que está acontecendo. – ele disse meio cabisbaixo, finalmente bebendo a água.
- É, mas aliviaria o que está preso aí, desabafar é sempre bom. – eu disse, o incentivando.
- Você tem razão, podemos passear um pouco? – ele perguntou e eu assenti.
Saímos da cozinha e fomos para sala, avisamos que ia passear um pouco e Danny resmungou novamente:
- Danny, quando eu voltar te darei tratamento vip, ok? – dei uma piscadela e ele fez uma cara de menino que ia fazer travessura, típico.

Saímos da casa e começamos a andar, em silêncio, apenas sentindo o vento bater na gente de leve. Eu sentia um aperto no peito ver Tom tão triste desse jeito, queria mesmo ajudá-lo. Depois de uma longa caminhada, encontramos uma área que havia um gramado cobrindo o chão, bancos de cimento, algumas árvores e, bem ao fundo, um lago. Era um espaço bem grande até, estava meio deserto, acho que Tom e eu andamos demais. Aquele lugar parecia não muito frequentado, mas parecia ser até bem tratado. Fomos até lá, e Tom sentou-se em frente ao lago, sentei-me ao seu lado. Passaram-se minutos, e só ouvíamos o som da nossa respiração. Tom suspirou pela milésima vez, e então eu resolvi me pronunciar primeiro:
- Não precisa ter medo de contar, também não precisa contar agora, só quero que saiba que pode contar comigo. – eu falei, alisando o seu braço por cima do seu casaco, num carinho.
- Eu quero falar, só que eu não sei como falar isso, eu nunca contei para ninguém, aliás, eu percebi isso recentemente,... – ele falou se embolando na fala, mas eu o compreendia.
- E o que seria? – falei calmamente, não queria apressá-lo.
- É... Que... Eu estou gostando de uma garota. – ele falou, mas eu sabia que faltava alguma parte.
- E ela fica te esnobando? Porque se for eu dou um jeito e... – comecei a falar.
- Não, não. O problema é que ela está namorando... – ele me interrompeu e quando ele começou a falar eu fiz o mesmo, sem querer.
- Que chato – disse, me sentindo triste por ele.
- ... Um dos meus melhores amigos – ele disse e não ousou olhar na minha direção.
Fiquei meio sem reação, ele nunca demonstrou nada, pelo menos eu nunca percebi.
- Ah, Tom, isso realmente é péssimo, eu não sei o que dizer – respondi, o abraçando de lado, tentando reconfortá-lo o máximo que eu podia.
- Não precisa dizer nada, eu que sou um azarento, ainda mais por só perceber isso quando a começou a namorar o Dougie – Ele disse dando de ombros, olhando para o céu nublado.
- Ao contrário do que dizem, azar no amor, sorte no jogo. Joga na loteria que tu ganha. – falei tentando descontrair, consegui uma risada curta de Tom.
- Belo conselho, vou seguir ele, hein – ele disse sorrindo fraco.
- E se você ganhar, vamos viajar o mundo inteiro, ir no cruzeiro de algum artista de outro país, tirar foto com o Obama... – falei tentando animá-lo, e novamente arranquei uma risada não tão longa, mas, ainda sim, uma risada.
- Com certeza vamos – ele disse me olhando, sorrindo já mais animadinho.
- Você vai encontrar alguém que goste de você e que vai gostar dela também, só não vai ser agora, mas, daqui a pouco, com certeza. Você é legal, inteligente, engraçado, meigo, gosta de gatos e de Starbucks. Eu, se não tivesse o Danny, provavelmente estaria contigo, quer me clonar? Sou uma bela companhia, diz ae... – falei e ouvi a risada do Tom, eu estava adorando fazê-lo rir.
- Só se for agora, me dá um fio de cabelo seu que eu vou ali rapidinho na fábrica de clonagem – ele respondeu fingindo puxar meu cabelo.

Ficamos um tempo brincando, e no final acabamos esquecendo (ou deixando de lado) o que nos tinha feito ir até lá, voltamos em meio a uma corrida e paramos cansados em frente à casa de Harry. Antes de entrarmos, Tom segurou meu braço, me fazendo olhá-lo:
- Obrigado – ele disse isso, e percebi que ele dissera aquilo com todo o coração, o olhar passava isso.
- Não tem o que agradecer, eu sou sua amiga, estou aqui para tudo. – Eu falei sorrindo, o abraçando forte.
O abraço durou segundos, em seguida, entramos em casa.
- Até que enfim, aonde vocês foram para demorarem tanto? – Danny perguntou. Aquilo era curiosidade ou ciúmes?
- Como eu disse antes de sair, fomos passear. – eu respondi, me sentando entre suas pernas.
- Não vai me contar aonde? – ele perguntou novamente, beijando meu pescoço. Aquilo era golpe baixo.
- Ah, Danny, a gente foi numa praça, mas não teve nada demais, seu ciumento. – Eu disse.
- Não é ciúme, só não queria que você tivesse ido – ele falou com voz manhosa.
- Mas é muito carente, hein – eu brinquei sentindo ele morder de leve meu pescoço.
- O que eu disse de safadeza na minha casa? – Harry exclamou e, dessa vez, Tom entreviu na reclamação do Judd.
- Cala a boca, Judd, quando era você ficando com alguém na casa de um de nós, não reclamamos. – Tom disse e todo mundo riu da cara de zangado do Harry. Olhei discretamente para o Fletcher e sorri sincera, ele retribuiu.


Continua...

N/A: Oi, tudo bem com vocês? Eu estava pensando, e com um empurrãozinho de uma leitora que sentia falta do Tom (e do Harry), voltei com o Fletcher na história. O que acharam do que está acontecendo com o nosso nerd? Senti dor de escrever isso, estou com pena do meu Senhor Covinha do Século, quase chorei escrevendo (suelen é prova disso).
Enfim, sem mais delonga (que sempre me lembra delonge, tom, blink 182, ok parei), comentem por favor e faça essa pobre autora feliz. Mwaah ;*



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